Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10580.003901/2005-46
Data da sessão: Tue Aug 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Exercício: 2005
SIMPLES. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RECOLHIMENTOS.
A entrega de DIPJS com valores zerados e a ausência de entrega de DCTF confessando os valores devidos dos tributos federais enseja os lançamentos tributários, de ofício, dos referidos tributos a fim de serem devidamente constituídos, ainda que a contribuinte tenha procedido aos recolhimentos. Em se verificando que os recolhimentos satisfizeram integralmente a obrigação tributária, inexigível se torna a exação fiscal.
Numero da decisão: 1801-000.300
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, ressalvando os pagamentos já efetuados pela recorrente antes de instaurada a ação fiscal, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201008
ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2005 SIMPLES. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RECOLHIMENTOS. A entrega de DIPJS com valores zerados e a ausência de entrega de DCTF confessando os valores devidos dos tributos federais enseja os lançamentos tributários, de ofício, dos referidos tributos a fim de serem devidamente constituídos, ainda que a contribuinte tenha procedido aos recolhimentos. Em se verificando que os recolhimentos satisfizeram integralmente a obrigação tributária, inexigível se torna a exação fiscal.
numero_processo_s : 10580.003901/2005-46
conteudo_id_s : 5808960
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 18 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1801-000.300
nome_arquivo_s : Decisao_10580003901200546.pdf
nome_relator_s : Ana de Barros Fernandes
nome_arquivo_pdf_s : 10580003901200546_5808960.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, ressalvando os pagamentos já efetuados pela recorrente antes de instaurada a ação fiscal, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 03 00:00:00 UTC 2010
id : 7058613
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:15:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076781350223872
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-23T22:56:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 8268692; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2010-09-23T22:56:01Z; Last-Modified: 2010-09-23T22:56:01Z; dcterms:modified: 2010-09-23T22:56:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 8268692; xmpMM:DocumentID: uuid:01c7051e-df3f-48c5-a61a-d8f260d534de; Last-Save-Date: 2010-09-23T22:56:01Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2010-09-23T22:56:01Z; meta:save-date: 2010-09-23T22:56:01Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 8268692; modified: 2010-09-23T22:56:01Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2010-09-23T22:56:01Z; created: 2010-09-23T22:56:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2010-09-23T22:56:01Z; pdf:charsPerPage: 1838; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2010-09-23T22:56:01Z | Conteúdo => S1-TE01 Fl. 377 1 376 S1-TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.003901/2005-46 Recurso nº 158.074 Voluntário Acórdão nº 1801-00.300 – 1ª Turma Especial Sessão de 03 de agosto de 2010 Matéria Auto de Infração - Simples DIPJS sem valores e ausência de recolhimentos Recorrente TOPÁZIO COMÉRCIO DE JÓIAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2005 SIMPLES. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RECOLHIMENTOS. A entrega de DIPJS com valores zerados e a ausência de entrega de DCTF confessando os valores devidos dos tributos federais enseja os lançamentos tributários, de ofício, dos referidos tributos a fim de serem devidamente constituídos, ainda que a contribuinte tenha procedido aos recolhimentos. Em se verificando que os recolhimentos satisfizeram integralmente a obrigação tributária, inexigível se torna a exação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, ressalvando os pagamentos já efetuados pela recorrente antes de instaurada a ação fiscal, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ANA DE BARROS FERNANDES – Presidente e Relatora EDITADO EM: 23/09/2010 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pallastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, André Almeida Blanco, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Fl. 377DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 23/09/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A fiscalização no procedimento fiscal constatou que a empresa, optante do Simples, entregou a DIPJ S/04 com valores zerados relativamente ao ano-calendário de 2003. Verificados os livros fiscais e contábeis da empresa, apurou as receitas mensais que serviram de base de cálculo para a lavratura dos Autos de Infração para as exigências de IRPJ, PIS, CSLL, Cofins e INSS, na sistemática do Simples – fls. 139 a 172. A empresa impugnou os lançamentos tributários, fls. 175, argumentando que todos os recolhimentos foram efetuados nos prazos legais, comprovando-os com os DARF- Simples relativos a todos os meses do ano-calendário de 2003 – fls. 184 a 191. A Quarta Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA exarou o Acórdão nº 9.731/06 mantendo o lançamento em parte, com o objetivo precípuo de manter a constituição dos créditos tributários, exonerando a empresa do recolhimento de multa e dos juros moratórios – fls. 318 a 320. Restou explicitado no acórdão vergastado que embora a exigência se mantivesse, todos os DARF-Simples deveriam ser alocados para a quitação dos tributos federais, razão pela qual não haveria crédito a ser cobrado da empresa autuada. Assim restou esclarecido: 9. Como a contribuinte apresentou a PJSI-2004 zerada, sem ter informado os tributos devidos, é de se considerar procedente o lançamento na parte referente ao imposto e contribuições do Simples, procedendo-se a alocação dos pagamentos efetuados (fls. 185/191), e improcedente na parte relativa à multa de ofício e aos juros de mora. A empresa apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. a 342 solicitando a anulação dos lançamentos tributários realizados ex officio tendo em vista o adimplemento das obrigações tributárias, consubstanciadas nos recolhimentos efetuados a título de tributos federais pela sistemática do Simples. Argumenta que no acórdão vergastado reconheceu-se os recolhimentos efetuados de forma espontânea, antes do procedimento fiscal ter iniciado, inclusive com a exoneração dos acréscimos legais. Portanto, incabível serem mantidos os lançamentos tributários para a exigência em duplicidade das exações fiscais, o que acarretaria o enriquecimento sem causa do Estado. É o relatório. Passo a apreciar as razões recursais. Voto Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES, relatora Conheço do recurso voluntário, por tempestivo. Fl. 378DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 23/09/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.003901/2005-46 Acórdão n.º 1801-00.300 S1-TE01 Fl. 378 3 A questão a ser dirimida é simples, haja vista não haver propriamente um litígio ainda instaurado. A turma de julgamento de primeira instância reconheceu como devidamente recolhidos os tributos federais apurados pela sistemática do Simples, em vista dos DARF apresentados na impugnação pela recorrente. Com efeito, exonerou a cobrança da multa de ofício e dos juros moratórios. Ocorre que, e talvez esta parte não tenha sido alcançada pela recorrente, os tributos não foram constituídos pela recorrente, mas somente pagos. Explico. Os pagamentos realizados, na realidade, não se confundem com a constituição do crédito tributário que se dá pela declaração da contribuinte em DCTF, ou na DIPJS, ou de ofício, pela lavratura de Notificação ou Auto de Infração. É o caso. A contribuinte não ‘confessou’ os débitos tributários na DIPJS, a qual entregou com os valores zerados. Assim os pagamento ficaram aleatórios nos sistemas da Receita Federal do Brasil – RFB sem terem para onde serem computados. Se não houvesse a constituição destes créditos tributários, pelo lançamento realizado de ofício, futuramente, a própria recorrente poderia solicitar a restituição destes valores que não possuíam a contrapartida nos sistemas da RFB. Sem a lavratura do Auto de Infração, neste caso, não se constitui o crédito tributário devido pelas exigências de tributos, pelo Simples. O que a recorrente requer, na verdade, é que não lhe seja exigida a repetição dos pagamentos já efetuados. E esta providência o acórdão de primeira instância já lhe atendeu, embora não tenha entendido. Mas, a recorrente não pode confundir os conceitos de tributos devidos, constituídos de ofício, e tributos já pagos. Uma coisa é a constituição do crédito e outra, totalmente diversa, é a sua quitação. Destarte, o lançamento tributário deve ser mantido por não terem sido ilididas as bases de cálculo utilizadas e porque a autoridade fiscal observou rigidamente as normas tributárias pertinentes à constituição do crédito tributário. A ressalva é que já foi pago, segundo a recorrente, e de acordo com os DARF-Simples que apresenta. Cabe à unidade de jurisdição computar os pagamentos realizados aos créditos, o que denomina-se “alocar pagamentos”, e, SE FOR O CASO, somente exigir eventual diferença não recolhida, todavia, sem a multa de ofício por já haver sido exonerada na decisão de primeira instância. Em assim sendo, não é possível declarar insubsistentes os lançamentos tributários consubstanciados nos Autos de Infração porque assim declarar-se-ia que os tributos também não seriam devidos, por inexistentes (não constituídos), embora já quitados pela recorrente. E a quitação, sendo plena, torna os créditos substanciados nos Autos de Infração inexigíveis. Fl. 379DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 23/09/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Voto em negar provimento ao recurso voluntário, ressalvando os pagamentos já efetuados pela recorrente que tornam o crédito tributário correspondente inexigível. ANA DE BARROS FERNANDES - Relatora Fl. 380DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 23/09/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720309/2014-51
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
Ementa:
ARBITRAMENTO DOS LUCROS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. 2009
É cabível o arbitramento do lucro, se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, deixar de exibir sua escrituração contábil/fiscal, após intimação regular.
OMISSÃO DE RECEITA - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A Lei 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais a contribuinte titular, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. INDEVIDA.
A falta de entrega de declarações obrigatórias não são fundamento para a qualificação da multa, pois trata-se de uma conduta que, ao invés de dissimular ou esconder do Fisco bases tributáveis, expõe uma situação de irregularidade do contribuinte, ao contrário de situações em que o contribuinte dissimula suas bases tributáveis com a entrega de declarações zeradas.
MULTA DE OFÍCIO DE 75% SOBRE O PRINCIPAL. IRRF. FALTA DE RETENÇÃO NA FONTE. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS
Nos termos do inciso I, do artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, apurada falta de recolhimento ou mesmo a sua insuficiência, aplicável é a multa de 75% sobre o imposto apurado, a ser exigido de ofício.
ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.
CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL (IRPJ).
Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e o que lhe é decorrente, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação deste, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos.
PAGAMENTOS SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO/CAUSA. TRIBUTAÇÃO NA FONTE.
Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
OMISSÃO DE RECEITAS. PIS e COFINS
Uma vez confirmada a omissão de receitas, a ausência de fundamentação para o arbitramento do lucro (vício que fulminou o lançamento principal) não repercute sobre o lançamento da Cofins no caso em que, independentemente do regime de tributação aplicável ao IRPJ, a Contribuinte deve submeter suas receitas ao regime cumulativo da referida contribuição, exatamente como adotado no auto de infração.
Numero da decisão: 1302-001.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a alegação preliminar de conexão com o PAF nº 16327.721256/2013-34. No mérito, RECURSO VOLUNTÁRIO, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso para: 1 - manter o arbitramento do lucros com relação ao ano de 2009 e lançamentos reflexos de CSLL, PIS e COFINS; 2 - manter a exigência de PIS e COFINS pelo regime cumulativo de 2010; 3 - manter a exigência de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados; e 4 - manter a incidência de juros sobre a multa de ofício; e, por maioria de votos: 5- afastar a qualificação da multa de ofício sobre a exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; e 6 - afastar a responsabilidade solidária de Marcos Bassit. Vencidos os Conselheiros Rogério Aparecido Gil (Relator), Marcelo Calheiros Soriano e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Com relação ao RECURSO DE OFÍCIO, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso: 1 - com relação exclusão da responsabilidade solidária de Muna Bassit; 2 - quanto o afastamento da multa agravada; e 3 - quanto a qualificação da multa de ofício, votando, nesta matéria, os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Felix e Luiz Tadeu Matosinho Machado pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior.
(documento assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010 Ementa: ARBITRAMENTO DOS LUCROS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. 2009 É cabível o arbitramento do lucro, se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, deixar de exibir sua escrituração contábil/fiscal, após intimação regular. OMISSÃO DE RECEITA - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais a contribuinte titular, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. INDEVIDA. A falta de entrega de declarações obrigatórias não são fundamento para a qualificação da multa, pois trata-se de uma conduta que, ao invés de dissimular ou esconder do Fisco bases tributáveis, expõe uma situação de irregularidade do contribuinte, ao contrário de situações em que o contribuinte dissimula suas bases tributáveis com a entrega de declarações zeradas. MULTA DE OFÍCIO DE 75% SOBRE O PRINCIPAL. IRRF. FALTA DE RETENÇÃO NA FONTE. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS Nos termos do inciso I, do artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, apurada falta de recolhimento ou mesmo a sua insuficiência, aplicável é a multa de 75% sobre o imposto apurado, a ser exigido de ofício. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL (IRPJ). Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e o que lhe é decorrente, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação deste, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. PAGAMENTOS SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO/CAUSA. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. OMISSÃO DE RECEITAS. PIS e COFINS Uma vez confirmada a omissão de receitas, a ausência de fundamentação para o arbitramento do lucro (vício que fulminou o lançamento principal) não repercute sobre o lançamento da Cofins no caso em que, independentemente do regime de tributação aplicável ao IRPJ, a Contribuinte deve submeter suas receitas ao regime cumulativo da referida contribuição, exatamente como adotado no auto de infração.
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 23 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19515.720309/2014-51
anomes_publicacao_s : 201702
conteudo_id_s : 5685498
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 23 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1302-001.952
nome_arquivo_s : Decisao_19515720309201451.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROGERIO APARECIDO GIL
nome_arquivo_pdf_s : 19515720309201451_5685498.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a alegação preliminar de conexão com o PAF nº 16327.721256/2013-34. No mérito, RECURSO VOLUNTÁRIO, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso para: 1 - manter o arbitramento do lucros com relação ao ano de 2009 e lançamentos reflexos de CSLL, PIS e COFINS; 2 - manter a exigência de PIS e COFINS pelo regime cumulativo de 2010; 3 - manter a exigência de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados; e 4 - manter a incidência de juros sobre a multa de ofício; e, por maioria de votos: 5- afastar a qualificação da multa de ofício sobre a exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; e 6 - afastar a responsabilidade solidária de Marcos Bassit. Vencidos os Conselheiros Rogério Aparecido Gil (Relator), Marcelo Calheiros Soriano e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Com relação ao RECURSO DE OFÍCIO, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso: 1 - com relação exclusão da responsabilidade solidária de Muna Bassit; 2 - quanto o afastamento da multa agravada; e 3 - quanto a qualificação da multa de ofício, votando, nesta matéria, os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Felix e Luiz Tadeu Matosinho Machado pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
id : 6659823
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:14:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076781383778304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1734; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720309/201451 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.952 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de agosto de 2016 Matéria IRPJ Recorrente BASSIT AGENTE AUTONOMO DE INVESTIMENTOS LTDA. E MARCOS BASSIT Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 Ementa: ARBITRAMENTO DOS LUCROS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. 2009 É cabível o arbitramento do lucro, se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, deixar de exibir sua escrituração contábil/fiscal, após intimação regular. OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais a contribuinte titular, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. INDEVIDA. A falta de entrega de declarações obrigatórias não são fundamento para a qualificação da multa, pois tratase de uma conduta que, ao invés de dissimular ou esconder do Fisco bases tributáveis, expõe uma situação de irregularidade do contribuinte, ao contrário de situações em que o contribuinte dissimula suas bases tributáveis com a entrega de declarações “zeradas”. MULTA DE OFÍCIO DE 75% SOBRE O PRINCIPAL. IRRF. FALTA DE RETENÇÃO NA FONTE. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 03 09 /2 01 4- 51 Fl. 2396DF CARF MF Processo nº 19515.720309/201451 Acórdão n.º 1302001.952 S1C3T2 Fl. 3 2 Nos termos do inciso I, do artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, apurada falta de recolhimento ou mesmo a sua insuficiência, aplicável é a multa de 75% sobre o imposto apurado, a ser exigido de ofício. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL (IRPJ). Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e o que lhe é decorrente, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação deste, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. PAGAMENTOS SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO/CAUSA. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. OMISSÃO DE RECEITAS. PIS e COFINS Uma vez confirmada a omissão de receitas, a ausência de fundamentação para o arbitramento do lucro (vício que fulminou o lançamento principal) não repercute sobre o lançamento da Cofins no caso em que, independentemente do regime de tributação aplicável ao IRPJ, a Contribuinte deve submeter suas receitas ao regime cumulativo da referida contribuição, exatamente como adotado no auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a alegação preliminar de conexão com o PAF nº 16327.721256/201334. No mérito, RECURSO VOLUNTÁRIO, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso para: 1 manter o arbitramento do lucros com relação ao ano de 2009 e lançamentos reflexos de CSLL, PIS e COFINS; 2 manter a exigência de PIS e COFINS pelo regime cumulativo de 2010; 3 manter a exigência de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados; e 4 manter a incidência de juros sobre a multa de ofício; e, por maioria de votos: 5 afastar a qualificação da multa de ofício sobre a exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; e 6 afastar a responsabilidade solidária de Marcos Bassit. Vencidos os Conselheiros Rogério Aparecido Gil (Relator), Marcelo Calheiros Soriano e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Com relação ao RECURSO DE OFÍCIO, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso: 1 com relação exclusão da responsabilidade solidária de Muna Bassit; 2 quanto o afastamento da multa agravada; e 3 quanto a qualificação da multa de ofício, Fl. 2397DF CARF MF Processo nº 19515.720309/201451 Acórdão n.º 1302001.952 S1C3T2 Fl. 4 3 votando, nesta matéria, os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Felix e Luiz Tadeu Matosinho Machado pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Relatório Tratamse de recursos voluntários interpostos pela contribuinte e pelo sujeito passivo solidário, face ao acórdão nº 0737.605, de 17/07/2015, da 3ª Turma da DRJ em Florianópolis, o qual julgou as impugnações parcialmente procedentes, e em voto vencedor, manteve as exigências de PIS e Cofins, referente ao anocalendário 2010, além de IRRF, referente aos fatos geradores de 2009, afastandose as arguições de decadência. Também ouve a interposição de recurso de ofício pelo Presidente da DRJ, em virtude de a decisão haver exonerado o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargo de multa em montante superior ao limite fixado no art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 (R$1.000.000,00). Assim, a autuação referese ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins que não teriam sido recolhidos, em virtude de omissão de receitas, não apresentação de documentos contábeis e falta de informações e esclarecimentos, em 2009 e 2010, o que teria ensejado o arbitramento do lucro. O auto de infração para a exigência do IRRF foi motivado por supostos pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados. Em ambos os casos, as multas de ofício foram qualificadas, sob o argumento de prática dolosa de sonegação e agravadas por embaraço à fiscalização, assim considerados os pedidos de dilação de prazo pela recorrente para atendimento às reintimações, sem que tenham sido apresentados os documentos e informações a que se comprometeu. Lavrouse Termo de Sujeição Passiva Solidária formalizado contra o Recorrente, Marcos Bassit, com base nos arts. 124, I, e 135, III, do CTN. Lavraramse Termos de Embaraço à Ação Fiscal, em 13/08/2012 e 01/08/2013. Fl. 2398DF CARF MF Processo nº 19515.720309/201451 Acórdão n.º 1302001.952 S1C3T2 Fl. 5 4 A DRJ, nos termos do acórdão recorrido, apreciou as impugnações e as julgou parcialmente procedentes para: (i) cancelar o agravamento da multa qualificada, por entender inexistir embaraço à fiscalização; (ii) cancelar o lançamento de IRPJ e CSLL relativo ao anocalendário de 2010, tendo em vista a possibilidade de as Autoridades Fiscais apurarem o Lucro Real e a base de cálculo da CSLL da Bassit ao invés de ter arbitrado seu lucro; e (iii) cancelar a qualificação e o agravamento da multa de ofício exigida sobre o IRRF decorrente dos supostos pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado; (iv) manter como sujeito passivo solidário, Marcos Bassit. Dessa forma, o acórdão recorrido consignou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 LUCRO ARBITRADO. HIPÓTESE LEGAL. BASE DE CÁLCULO. Fatos geradores ocorridos em 2009. O imposto devido será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros da escrituração comercial. Quando conhecida a receita bruta, esta será a base de cálculo do Lucro Arbitrado. APRESENTAÇÃO DE LIVRO DIÁRIO. BALANCETES. LUCRO ARBITRADO. INDEVIDO. Fatos geradores ocorridos em 2010. Se a contribuinte apresenta o Livro Diário, balancetes, notas fiscais e a DIPJ, mesmo que sob intimação fiscal, não pode prevalecer o arbitramento de lucro por ausência de livro contábil, mormente quando a autoridade autuante silenciase quanto à veracidade dos mesmos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. MANTIDA. A empresa que subtrai ao conhecimento da Fazenda Pública as receitas de sua própria atividade econômica, encontravase omissa na entrega da DIPJ e não declarava tributos e contribuições federais, descaracteriza o caráter fortuito do procedimento da contribuinte, sendo aplicável a multa de ofício de 150%, pois constatado que a sua conduta esteve associada a sonegação e/ou fraude. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. INAPLICABILIDADE. CANCELAMENTO. O agravamento da multa de ofício permitido pelo inciso I do art. 959 do RIR/99 é para contemplar aquelas situações em que o não atendimento às demandas da Fiscalização dificulta e/ou impede o exercício da investigação do fato em si, não havendo, normalmente, nenhuma sanção específica para a ausência dos necessários esclarecimentos por parte do fiscalizado. Naquelas situações onde o descumprimento de certas regras acarreta uma sanção ou uma conseqüência tributária específica, não há que se aplicar multa de ofício agravada. Fl. 2399DF CARF MF Processo nº 19515.720309/201451 Acórdão n.º 1302001.952 S1C3T2 Fl. 6 5 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO DE LEI. Os diretores, gerentes ou representantes (de direito ou de fato) da pessoa jurídica respondem pessoalmente, de forma solidária com a Contribuinte, pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO DE LEI. EFEITO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA. AFASTAMENTO. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social. Eventual descumprimento ou atos que não tenha efeito tributário não pode servir para fins de atribuição de responsabilidade tributária solidária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010 ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL (IRPJ). Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e o que lhe é decorrente, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação deste, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2009, 2010 PAGAMENTOS SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO/CAUSA. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DUPLICAÇÃO DO PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Constatado que na conduta da fiscalizada (não atendimento para apresentação de documentos ou esclarecimentos) não existe a condição prevista no art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, incabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº 9.430/96 (com a nova redação do artigo dada pela Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). Fl. 2400DF CARF MF Processo nº 19515.720309/201451 Acórdão n.º 1302001.952 S1C3T2 Fl. 7 6 MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. INAPLICABILIDADE. CANCELAMENTO. O agravamento da multa de ofício permitido pelo inciso I do art.959 do RIR/99 é para contemplar aquelas situações em que o não atendimento às demandas da Fiscalização dificulta e/ou impede o exercício da investigação do fato em si, não havendo, normalmente, nenhuma sanção específica para a ausência dos necessários esclarecimentos por parte do fiscalizado. Naquelas situações onde o descumprimento de certas regras acarreta uma sanção ou uma consequência tributária específica, não há que se aplicar multa de ofício agravada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. Uma vez confirmada a omissão de receitas, a ausência de fundamentação para o arbitramento do lucro (vício que fulminou o lançamento principal) não repercute sobre o lançamento da Cofins no caso em que, independentemente do regime de tributação aplicável ao IRPJ, a Contribuinte deve submeter suas receitas ao regime cumulativo da referida contribuição, exatamente como adotado no auto de infração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. Uma vez confirmada a omissão de receitas, a ausência de fundamentação para o arbitramento do lucro (vício que fulminou o lançamento principal) não repercute sobre o lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep no caso em que, independentemente do regime de tributação aplicável ao IRPJ, a Contribuinte deve submeter suas receitas ao regime cumulativo da referida contribuição, exatamente como adotado no auto de infração. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acordam os membros da 3a Turma de Julgamento em julgar procedente em parte a impugnação (empresa Bassit), mantido em parte o crédito tributário: (I) Por unanimidade de votos, relativamente ao anocalendário de 2009 cancelar o agravamento da multa de ofício qualificada, permanecendo a multa em 150%. (II) Por unanimidade de votos, relativamente ao anocalendário de 2010 fica cancelado o lançamento de IRPJ e CSLL. Fl. 2401DF CARF MF Processo nº 19515.720309/201451 Acórdão n.º 1302001.952 S1C3T2 Fl. 8 7 (III) Por maioria de votos, relativamente ao anocalendário de 2010, mantido o lançamento de PIS e COFINS, vencido o Relator. Designado para redigir o Voto Vencedor o julgador Murillo Lo Visco. (IV) Por unanimidade de votos, relativamente ao IRRF, fica cancelada a qualificação e o agravamento da multa de ofício, devendo permanecer a multa em seu patamar típico, de 75% e, por maioria de votos, pela não ocorrência de decadência, vencido o Relator. Designado para redigir o Voto Vencedor o julgador Murillo Lo Visco. (V) Por unanimidade de votos, afastar a Responsabilidade Solidária Tributária de Muna Bassit. Os recorrentes foram devidamente intimados dessas decisões, em 28/07/2015 (fls. 2.083 e 2.084) e interpuseram recursos voluntários, em 26.08.2015 (fls. 2.087/2.132), cujas razões são sintetizadas a seguir. Diante desse resultado, os recursos voluntários concentraramse nas seguintes alegações: "(i) a improcedência dos autos de infração lavrados em face da Bassit Agente Autônomo de Investimentos Ltda., relativos a IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e IRRF, acrescidos de multa de oficio qualificadas e agravadas, relativos aos anoscalendário de 2009 e 2010; e (ii) a improcedência do Termo de Sujeição Passiva Solidária formalizado contra o Recorrente, Marcos Bassit, a partir dos artigos 124, I, e 135, III, do CTN". RAZÕES DE RECURSO DE BASSIT AGENTE AUTÔNOMO DE INVESTIMENTOS LTDA. A recorrente, Muna Bassit Agente Autônomo de Investimentos Ltda., posteriormente, Bassit Agente Autônomo de Investimentos Ltda., apresentou , em síntese, as seguintes razões de recurso voluntário: a) conexão de processos pugnou pelo julgamento em conjunto deste com o processo administrativo nº 16327.721256/201334, pois ambos estariam vinculados por conexão (art. 6º, §1º, I, RICARF); b) valores que não constituiriam receita reforçou o argumento sustentado na impugnação no tocante a inexistência de receita tributável Fl. 2402DF CARF MF Processo nº 19515.720309/201451 Acórdão n.º 1302001.952 S1C3T2 Fl. 9 8 pelo IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Alega que os valores tributados (depósitos/créditos em contas bancárias) não teriam a natureza de receita e não integrariam o lucro; c) IRRF, IRPJ e CSLL defende a impossibilidade de tributação do IRPJ e da CSLL, uma vez que, tendo o Fisco exigido o IRRF sobre os pagamentos efetuados à recorrente, não seria cabível a exigência dos referidos tributos sobre os mesmos valores; d) lucro real e não lucro arbitrado alerta, também, pelo equívoco da fiscalização ao apurar o tributo consistente na falta de adoção da sistemática do lucro real para a determinação das bases de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS de forma não cumulativa; e) multa qualificada sobre a multa qualificada de 150%, reforça a tese apresentada na impugnação, de que não houve a sonegação, ou qualquer ato ou omissão de tributos tendentes a impedir o surgimento da obrigação. E, defendeu que, ainda que fosse possível a exigência de multa, esta não poderia ser qualificada; f) pagamentos não identificados alega que a autoridade fiscal fundou o lançamento do IRRF em pagamentos supostamente sem causa a beneficiários não identificados. Entretanto, os saques foram motivados pela distribuição de lucros da Recorrente a seus sócios e pelo compartilhamento das comissões percebidas pela recorrente e seus sócios. Logo, identificados os beneficiários dos pagamentos, resta desautorizada a tributação pelo IRRF, nos termos do art. 674 do RIR/99; g) valores à margem da contabilidade sustenta que o arbitramento é o procedimento substitutivo da recomposição da base de cálculo do lucro real. Por outro lado, entende que a imputação de pagamento sem causa visa a coibir a prática de manutenção de movimentações financeiras à margem da contabilidade da empresa. Assim sendo, considerar que houve pagamento sem causa seria dizer que os valores dos pagamentos sem sequer transitaram pela contabilidade do contribuinte, afastando o arbitramento de lucros; h) reajuste da base do IRRF sobre o reajustamento da base de cálculo do IR/ Fonte, entende que deve ser cancelado por ser desarrazoado e desproporcional; i) juros sobre multa de ofício no tocante a incidência de juros de mora e sobre a multa de ofício, entende que os juros não podem incidir sobre a multa, quando esta não se trata de obrigação principal, mas sim de encargo que se agrega ao valor da dívida; j) lançamentos decorrentes CSLL, PIS/PASEP e COFINS não seriam devidos os lançamentos de CSLL, PIS e COFINS; k) recurso de ofício ao final requer que seja negado provimento ao Recurso de Ofício para a manutenção da decisão da DRJ no que se refere Fl. 2403DF CARF MF Processo nº 19515.720309/201451 Acórdão n.º 1302001.952 S1C3T2 Fl. 10 9 ao cancelamento da exigência de IRPJ e CSLL, relativa ao anocalendário de 2010, do agravamento da multa de ofício lançada dobre IRPJ, CSLL, PIS e COFINS e da qualificação e do agravamento da multa de ofício imposta sobre o IR/ Fonte, reduzindose para 75%. RAZÕES DE RECURSO DO SUJEITO PASSIVO SOLIDÁRIO, MARCOS BASSIT Por sua vez, o sujeito passivo solidário, Marcos Bassit, apresentou as seguintes razões de recurso: II. DA IMPROCEDÊNCIA DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA 11.1 Do instituto da responsabilidade artigo 135, III, do Código Tributário Nacional 9. As Autoridades Fiscais, além de terem considerado o Recorrente devedor solidário com base no artigo 124, do Código Tributário Nacional, o que foi afastado pela DRJ, também, de maneira contraditória, fundamentaram sua sujeição passiva no artigo 135, III, do Código Tributário Nacional: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: as pessoas referidas no artigo anterior; os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado." 10. Da leitura desse dispositivo, percebese claramente que são dois os requisitos para a responsabilização: (i) a prática de atos com excesso de poderes, infração à lei (que não corresponde à mera falta de pagamento de tributos) ou contrato social e estatutos; e (ii) a prática de tais atos deve, necessariamente, resultar no surgimento de débitos fiscais. 12. A finalidade dessa regra é proteger o interesse de companhias em face de atos de seus administradores contrários à vontade social, razão pela qual a infração do contrato social ou estatuto que tenha repercussão tributária, isto é, a prática de um ato à revelia da sociedade que enseje o nascimento de uma obrigação jurídica tributária, é combatida pela responsabilização do infrator. 13. A infração à lei deve ser praticada pelos próprios administradores ou diretores e não pela sociedade para que se tenha presente a hipótese de responsabilidade descrita no artigo 135, III, do Código Tributário Nacional, como já decidido pelo STJ (...) 14. Inclusive, a Primeira Seção do STJ, que reúne as Turmas de Direito Público, em sede de Embargos de Divergência, reconheceu a necessidade de se provar o ato ilícito do administrador para responsabilizálo (...) 17. Interpretação diversa a essa não subsiste, pois ensejaria a responsabilização de todo administrador e/ou sócio, minando o princípio da entidade e a ideia de personalidade jurídica como centro de imputação de direito e deveres. Portanto, a aplicação da regra de Fl. 2404DF CARF MF Processo nº 19515.720309/201451 Acórdão n.º 1302001.952 S1C3T2 Fl. 11 10 responsabilização do artigo 135, III, do Código Tributário Nacional tem como pressuposto inicial a prática de um ato ilícito não tributário ou a infração de contrato ou estatuto social. 18. O segundo requisito, a vinculação da obrigação jurídicotributária ao ato ilícito não tributário, é, na verdade, uma consequência do primeiro: do ato ilícito não tributário deve nascer uma obrigação jurídica tributária. 19. Essa exigência nasce não só do texto expresso do caput do artigo 135 do Código Tributário Nacional ("São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados..."), como também da determinação do artigo 128 do Código Tributário Nacional, regra geral aplicável a todas as hipóteses de responsabilidade tributária, que delimita a responsabilização aos casos em que terceiro esteja vinculado ao fato jurídico tributário: "Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação." 24. Depreendese, assim, que apenas o terceiro que age contrariando a lei, o mandato, o contrato social ou o estatuto, dos quais derivam os seus deveres, tornase o responsável pelos tributos decorrentes da infração praticada, mas somente nessa hipótese, e não todo e qualquer gerente. 25. Tendo isso em mente, cumpre analisar se as Autoridades Fiscais comprovaram a prática de condutas ilícitas não tributárias pelo Recorrente que criaram obrigações jurídico tributárias. Apenas se, da prática de um ilícito não tributário pelo Recorrente, decorrer o nascimento de uma obrigação tributária, haverá o pressuposto de aplicação do artigo 135, III, do Código Tributário Nacional. 11.1.1 Da Ausência de Comprovação de Obrigações Tributárias Resultantes de Atos Praticados com Excesso de Poderes ou Infração de Lei, Contrato Social ou Estatutos 26. O D. Agente Fiscal imputou ao Recorrente a responsabilidade pessoal por entender que " o contribuinte não estava autorizado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) a exercer qualquer tipo de atividade no mercado de valores mobiliários nos anoscalendário de 2009 e 2010, conforme OFÍCIO CVM/SMI/GME n° 0076/2013, de 08/03/2013 (cópia do Anexo 3), incorrendo assim em crime contra o mercado de capitais, conforme artigo 27E da Lei n° 6.385/76;" (página 24 do TVF) . 27. O único fundamento fático utilizado pela D. Agente Fiscal a "demonstrar" a prática de atos com excesso de poderes é a mencionada suposta irregularidade perante a CVM. Assim, em razão de hipotética irregularidade, que nada tem que ver com fatos jurídicos tributários, o Recorrente foi considerado responsável pessoal pelos créditos constituídos em face da empresa, os quais ultrapassam o montante de 360 milhões de reais. 28. Em primeiro lugar, no mencionado OFÍCIO CVM/SMI/GME n° 0076/2013 utilizado pela D. Fiscalização como prova da suposta irregularidade administrativa do Recorrente (fls. 1283/1286), NÃO CONSTA SEU NOME! De fato, o D. Agente Fiscal nem se preocupou em verificar se o Recorrente estava regularmente cadastrado perante a CVM ou não, apenar presumiu, de forma completamente arbitrária! 29. Aliás, o D. Agente Fiscal deveria ser mais cauteloso, uma vez que a imputação de prática de crimes, sem a correspondente comprovação, não é vista com bons olhos pela legislação brasileira. 30. Essa ilação infundada, acrescida da análise atenta dos autos e das demais alegações da Fiscalização, revelam que esta já havia tirado suas conclusões a priori, ou seja, já tinha se convencido, antes mesmo da investigação começar, que o Recorrente teria praticado os supostos ilícitos de que é acusado, apenas e tão somente porque conclui (não se sabe como) Fl. 2405DF CARF MF Processo nº 19515.720309/201451 Acórdão n.º 1302001.952 S1C3T2 Fl. 12 11 que este não tinha autorização da CVM para atuar. A utilização de documento que não se refere ao Recorrente revela, não apenas as intenções a priori do D. Agente Fiscal, como demonstra a completa inexistência de provas e de motivo para a responsabilização do Recorrente. 31. Além da completa dissociação entre o suposto "ilícito" que ensejou a responsabilização do Recorrente e os hipotéticos fatos jurídicos tributários que deram origem ao crédito constituído, é importante frisar que o Recorrente é mero procurador da Bassit, conforme procurações mencionadas pelo D. Agente Fiscal. 32. Ademais, e mais importante, todos os atos descritos pela Fiscalização que supostamente comprovariam uma "gestão de fato", tida como fraudulenta, foram praticados pelo Recorrente em razão do quadro de saúde gravíssimo em que o sócio administrador, seu pai, Sr. Muna Bassit, se encontrava. 33. De fato, o Sr. Muna Bassit foi diagnosticado com um quadro de osteossíntese de fêmur D, infarto agudo do miocárdio, insuficiência vascular periférica e doença renal, como comprovam os atestados médicos expedidos após exames realizados no Hospital Israelita Albert Einstein (fls. 174/175). 34. Evidentemente, com saúde debilitada, o Sr. Muna não estava em condições de exercer a administração da sociedade e outorgou algumas procurações ao Recorrente para que este pudesse, pelo menos temporariamente, desenvolver as atividades mais básicas da Bassit. 35. Além disso, em nenhum momento o comando da Bassit deixou de ser exercido pelo Sr. Muna Bassit. O Recorrente, seu filho, apenas exercia as atividades que eram por ele ordenadas, sendo o pai o responsável pelos atos em última instância os quais, frisese, não podem ser considerados ilícitos ou irregulares. 36. O Recorrente era um mero executor das ordens de seu pai e, portanto, não poderia ser responsabilizado por nenhum ato eventualmente considerado como ilícito, até porque, nessa hipótese, o artigo 137, I, do Código Tributário Nacional exclui qualquer responsabilidade daquele que cumpre ordens: "Art. 137. A responsabilidade é pessoal ao agente: I quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito;" 37. Mas isso não significa, de forma alguma, que o Recorrente tenha cometido qualquer fraude à lei ou contrato social! Com efeito, a simples condição de procurador (ou "administrador de fato", como prefere a Fiscalização), não autoriza a responsabilização, pois não constitui qualquer conduta ilícita e dolosa. 38. Apenas com a prova clara e inequívoca da ocorrência de fraude, o que nunca foi feito, os atos do Recorrente poderiam ser qualificados como "atos com excesso de poderes". Só assim estaria cumprido um dos requisitos para a aplicação do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional. 39. Haveria, ainda, a obrigação de provar que tais atos resultaram no nascimento de uma obrigação tributária, o que também não foi feito. Não há, portanto, o preenchimento dos requisitos necessários à aplicação do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional. 40. Com efeito, o D. Agente Fiscal limitouse a alegar que a inexistência de autorização da CVM para atuação no mercado de valores mobiliários e o fato de o Recorrente ser procurador da Bassit seriam suficientes para o preenchimento dos requisitos previstos no artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, o que, como já demonstrado, não procede. Fl. 2406DF CARF MF Processo nº 19515.720309/201451 Acórdão n.º 1302001.952 S1C3T2 Fl. 13 12 41. Ora, em nenhum momento, a Fiscalização provou o dolo, a intenção específica do Recorrente em fraudar o Fisco e, muito menos, prejuízo ao Erário. Além de não existir qualquer prova, o fato alegado pela Fiscalização para responsabilizar o Recorrente por todos os tributos e multas lançados não tem qualquer nexo causal com o suposto ocultamento dos fatos geradores. 42. A própria DRJ, ao julgar a Impugnação do Recorrente, confundiu a possibilidade de sua responsabilização com o fato de a Bassit não ter apresentado suas declarações fiscais e, supostamente, não contabilizado adequadamente suas receitas: "O impugnante solidário era, DE FATO, administrador da Autuada, de forma que deve estar no polo passivo da autuação, como lhe atribuiu o Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 16011602), uma vez que agiu no sentido de impedir o conhecimento por parte da Fazenda Pública Federal das receitas tributáveis da Interessada, conforme já se mostrou no Voto, quando da análise da impugnação da Autuada, portanto, ambos (Interessada e seu Administrador, de fato) praticaram atos com infração da lei, de forma dolosa. A conduta deliberada para fins exclusivos de supressão de tributos o arrasta, inexoravelmente, para a condição de responsável solidário. Como evidenciado no exame de mérito do lançamento de IRPJ, com multa de ofício qualificada (150%), a omissão na entrega da DIPJ (só vindo a apresentar mediante intimação fiscal) e dissociada de qualquer registro contábil (Livro Diário) revelam, inescapavelmente, o evidente intuito do administrador em lesara Fazenda Nacional. A pessoa jurídica (fiscalizada) omitiu seu resultado tributável, revelando que seu administrador, Marcos Bassit, deliberadamente, contribuiu com tal omissão, proporcionando, assim, o não aparecimento dos tributos devidos a recolher. A infração à lei se mostra plenamente demonstrada, visto que a fiscalização caracterizou cabalmente a ofensa à legislação tributária, por meio de atos cometidos que, em tese, configuram ilícitos penais. Constatada a infração de lei, nos termos do já exposto, o Responsável Solidário Tributário responde pelo crédito tributário apontado nos autos de infração, nele incluído a multa de ofício, portanto, contrariamente ao alegado, não há como prevalecer sua alegação de que não lhe seria possível atribuir eventual penalidade." (fl. 2.037, grifos do Recorrente)." 43. Ora, em nenhum momento a DRJ apontou atos ilícitos não tributários praticados pelo Recorrente do qual decorram créditos correspondentes a obrigações tributárias frisese, requisito essencial para a caracterização da responsabilidade prevista no artigo 135, III, do Código Tributário Nacional. 44. Prova maior do equívoco cometido pela DRJ ao manter a condição de responsável do Recorrente é ela ter desagravado e desqualificado a multa de ofício lançada sobre o IR/Fonte, isto é, reconhecido a ausência de dolo, fraude ou simulação, e, ainda assim, mantido a responsabilidade do Recorrente. 45. Portanto, forçoso concluir pela necessidade de cancelamento da responsabilidade do Recorrente com base no artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, haja vista ausentes os requisitos para a aplicação dessa regra. 11.1.2 Do Erro na Identificação do Sujeito Passivo 46. A imputação de responsabilidade pessoal ao Recorrente, decorrente da aplicação do artigo 135, III, do Código Tributário Nacional, implica a responsabilidade exclusiva do diretor, gerente ou representante da pessoa jurídica, não podendo prevalecer quando o próprio contribuinte foi considerado responsável e, consequentemente, autuado. Fl. 2407DF CARF MF Processo nº 19515.720309/201451 Acórdão n.º 1302001.952 S1C3T2 Fl. 14 13 47. De fato, diferentemente do que estabelece o artigo 134 do Código Tributário Nacional, o artigo 135 disciplina uma responsabilidade que não é subsidiária, mas sim integral e exclusiva das pessoas nele relacionadas. 48. Tal responsabilização decorre da prática de atos abusivos ou com infringência de lei, contrato social ou estatutos, que tenham desencadeado uma relação jurídica obrigacional stricto sensu entre Fisco e terceiros, que não praticaram estes atos. 49. Verificase, portanto, que as situações disciplinadas nos artigos 134 e 135, ambos do Código Tributário Nacional, são distintas. Enquanto o artigo 134 do Código Tributário Nacional, em função do fenômeno da transferência da responsabilidade, estabelece que a responsabilidade do terceiro, que agiu ou omitiuse indevidamente, pressupõe o nascimento da obrigação tributária advinda de ATO LÍCITO, ou ainda que ilícito, sem dolo, o artigo 135, dispõe sobre uma obrigação tributária decorrente da prática de ATO ILÍCITO NÃO TRIBUTÁRIO por parte do terceiro, que DÊ NASCIMENTO à obrigação jurídica tributária, disciplinando a hipótese de substituição da responsabilidade tributária. 50. Ou seja, o artigo 134 contém previsão de situação na qual ocorrerá a transferência da responsabilidade tributária (obrigação tributária nasce para o contribuinte e é transferida para o responsável), ao passo que o artigo 135 traz determinação que configura a substituição da responsabilidade tributária (obrigação tributária já nasce para o responsável, que substituiu o contribuinte). 51. Dessa forma, em um exemplo hipotético, caso o diretor, gerente ou representante de uma determinada entidade não tivesse agido de forma ilícita, jamais teria a empresa realizado o fato jurídico tributário, impedindo, destarte, o nascimento da obrigação tributária. 52. Ao realizar conduta ilícita, o administrador passa a integrar o polo passivo de relação sancionatória, oportunidade na qual exclusivamente os seus bens responderão pela prestação punitiva administrativofiscal que lhes compete. A RESPONSABILIDADE NESSAS HIPÓTESES É, PORTANTO, PESSOAL E EXCLUSIVA, E NÃO SOLIDÁRIA. 53. Depreendese, assim, que o terceiro que age com dolo, contrariando a lei, o mandato, o contrato social ou o estatuto, dos quais decorrem os seus deveres, tornase, no lugar do próprio contribuinte, o único responsável pelos tributos decorrentes da infração praticada. (...) 58. Verificase, dessa forma, que tanto a doutrina quanto a jurisprudência já exararam o entendimento segundo o qual se um dos agentes arrolados no artigo 135 agir com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto, em detrimento dos interesses do contribuinte, essa pessoa será a única responsável pelos tributos decorrentes da infração. 59. Evidente, portanto, que o artigo 135 do Código Tributário Nacional só é aplicável às hipóteses de responsabilidade pessoal do agente, ou seja, quando a Fiscalização verifica que ele agiu com o dolo específico de fraudar o surgimento de obrigação tributária ou quando de seus atos ilícitos nascer a obrigação tributária, devendo, consequentemente, imputarlhe responsabilidade pessoal, i.e., exclusiva. 60. Dando um passo adiante nesse raciocínio, concluise que não pode prevalecer autuação fundamentada no artigo 135 do Código Tributário Nacional quando a própria Fiscalização coloca o contribuinte definido em lei no polo passivo da obrigação tributária, pois haveria claro erro na identificação do sujeito passivo. 61. Nesse sentido já decidiu o CARF, afastando a aplicação de responsabilidade solidária motivada no dispositivo legal em comento, conforme se verifica de trecho do voto do Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, proferido nos autos do já mencionado processo administrativo n° 10218.000506/200469 (Acórdão n° 10421.662, julgado em 21.06.2006): "A autuação menciona, também, como fundamento da imputação de responsabilidade solidária o art. 135, II e III, que a seguir transcrevo: Fl. 2408DF CARF MF Processo nº 19515.720309/201451 Acórdão n.º 1302001.952 S1C3T2 Fl. 15 14 'Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.' O referido artigo do CTN versa, expressamente sobre responsabilidade pessoal, portanto, exclusiva. E dizer, no caso de aplicação do referido comando legal, o Contribuinte deve ser, necessariamente, excluído do polo passivo da relação obrigacional. Não foi o que ocorreu no caso concreto, que apontou a pessoa a pessoa jurídica Agropecuária Bacuri S/A como sujeito passivo e que, como se verá mais adiante, na condição de responsável, e os Srs. Tarley Helvécio Alves e José Maurício Bicalho Dias como responsáveis solidários. Para admitirse, no caso, a responsabilidade solidária, com fundamento no 135, II e III, terseia, necessariamente, que excluir a contribuinte Agropecuária Bacuri S/A do polo passivo. (...) Assim, também não se mantém a responsabilidade solidária com fundamento no artigo 135 do CTN." 62. Além disso, e mais importante, conforme já demonstrado, a correta interpretação a ser dada ao artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, caminha no sentido predominante da doutrina e da jurisprudência do CARF: a responsabilidade é única e exclusiva do administrador que agiu com excesso de poderes, infração à lei, ao estatuto ou contrato social. 63. Apesar disso, no presente caso, as Autoridades Fiscais entenderam que o artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, prevê hipótese de responsabilidade solidária, ou seja, ao invés de os gerentes e dirigentes responderem exclusivamente pelos créditos tributários oriundos de seus supostos atos ilícitos, seriam solidários à pessoa jurídica. Esse mesmo entendimento foi partilhado pela DRJ, que, apesar de excluir a aplicação da solidariedade prevista no artigo 124, I, do Código Tributário Nacional, manteve no polo passivo da autuação a Bassit e o Recorrente. 64. Ou seja, no presente caso, pela D. Agente Fiscal ter autuado o contribuinte a Bassit e não somente os sócios e diretores (no caso, o Recorrente) que agiram de forma supostamente ilícita, está presente o vício material de erro na identificação do sujeito passivo, consoante jurisprudência do E. CARF. 65. Portanto, os Autos de Infração lavrados contra a Bassit devem ser cancelados, em razão da existência de um vício na identificação do sujeito passivo, que é material e, portanto, insanável. Ill DA IMPROCEDÊNCIA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO 66. Ainda que este E. Conselho entenda pela manutenção do Recorrente no polo passivo da autuação, o que se admite apenas por amor ao debate, os créditos tributários não poderão ser exigidos dele em função de sua manifesta improcedência. Isso porque, como demonstrado pela Bassit em sua Impugnação e Recurso Voluntário: (i) não há receita tributável pelo IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; Fl. 2409DF CARF MF Processo nº 19515.720309/201451 Acórdão n.º 1302001.952 S1C3T2 Fl. 16 15 (ii) não se pode exigir IRPJ e CSLL da Recorrente, pois os rendimentos que compuseram seu lucro foram tributados exclusivamente na fonte pelo Fisco nos autos do Processo Administrativo nº 16327.721256/201334; (iii) o lançamento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS deve ser integralmente cancelado pois o Fisco não poderia ter arbitrado os lucros da Recorrente; (iv) tendo em vista o cancelamento dos lançamentos de IRPJ e CSLL para o ano calendário de 2010 com base no equivocado arbitramento, o PIS e a COFINS também devem ser cancelados por vício material, pois o arbitramento indevido modificou a sistemática de apuração dessas contribuições, contaminando o lançamento; (v) a multa de ofício sobre o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS lançados deve ser desqualificada, pois não houve sonegação; (vi) não houve pagamento sem causa ou a beneficiários não identificados; (vii) não é possível exigir o IR/Fonte concomitantemente ao arbitramento dos lucros; (viii) é indevido e desarrazoado reajustamento da base de cálculo do IR/Fonte; e (ix) não se pode exigir juros de mora sobre a Multa de Oficio. 67. Portanto, diante de todas as alegações e provas apresentadas pela Bassit e aqui reiteradas, resta evidente a necessidade de provimento do presente Recurso Voluntário para cancelamento integral dos Autos de Infração. 68. Diante de todo o exposto, requerse, respeitosamente, se digne essa Turma de Julgamento dar integral provimento a este Recurso Voluntário, para determinar a reforma da Decisão da DRJ e o consequente cancelamento do Termo de Sujeição Passiva. 69. Subsidiariamente, caso se entenda pela manutenção da solidariedade e responsabilidade do Recorrente, requerse seja determinado o cancelamento dos Autos de Infração, como medida de Direito e Justiça. É o relatório. Voto Vencido Verifico que os recorrentes estão regularmente representados (fl. 1994, Marcos Bassit e fl. 2134, Bassit Agente Aut. Invest. Lt.; Contrato Social, fl. 1.414/1.419); que a empresa Bassit e Marcos Bassit foram intimados em 28/07/2016 (fls. 2083 e 2084); que ambos os recursos voluntários foram interpostos, em 26/08/2016 (fl. 2087, Bassit; e fl. 2271, Marcos Bassit). Assim, preenchidos os requisitos de admissibilidade quanto à representação processual e a tempestividade, conheço dos recursos voluntários. Conheço, ainda, do recurso de ofício interposto pela DRJ. O Termo de Início de Fiscalização TIF, consta às fls. 1406/1409, no qual há a relação de documentos e informações requisitados à empresa Bassit. Por meio do primeiro Termo de Reintimação, de 07/05/2012, fl. 44, requisitou os seguintes documentos e informações não apresentados pelos recorrentes: Fl. 2410DF CARF MF Processo nº 19515.720309/201451 Acórdão n.º 1302001.952 S1C3T2 Fl. 17 16 Juntaramse aos autos, Contrato de Prestação de Serviços entre Bassit Agente Autônomo de Investimentos Ltda. e Quantia DTVM Ltda., fls. 71/74 e Relatórios de Prestação de Serviços, fls. 74/79; e Notas Fiscais, fls. 80/163. Lavraramse os Termos de Embaraço, em 13/08/2012 e 01/08/2013, relativos aos fatos geradores a partir de 01/04/1999, em virtude da não apresentação de livros contábeis e informações essenciais à fiscalização; de pedidos de dilação de prazos, sem, contudo, apresentar os documentos a que se comprometeu, nem mesmo prestar informações ou esclarecimentos a respeito. Fl. 2411DF CARF MF Processo nº 19515.720309/201451 Acórdão n.º 1302001.952 S1C3T2 Fl. 18 17 Termo de Embaraço, de 13/08/2012, fl. 164/166. Novo Termo de Reintimação, foi lavrado em 13/08/2012 (fl. 167), por meio do qual requisitouse informações e esclarecimentos, relativos a valores declarados por terceiros como tendo sido pagos à empresa Bassit. A recorrente empresa Bassit apresentou petição, defendendose da lavratura do Termo de Embaraço, fl. 171/173, de 24/04/2014, sob a alegação de que apresentou todos os documentos que existiam e que não teria causado embaraço à fiscalização. Juntaramse Relatórios Médicos sobre o quadro de saúde do representante legal, Muna Bassit, 19/06/2012 (fl. 174 e 175), com o intuito de demonstrar o motivo pelo qual o recorrente, Marcos Bassit, assumiu a administração dos negócios da Bassit Agente Autônomo de Investimentos Ltda. Preliminar. Conexão. Julgamento em Conjunto O recorrente pugna pelo julgamento em conjunto deste caso, com o processo administrativo nº 16327.721256/201334, sob a alegação de que ambos estariam vinculados por conexão. A alegação de que haveria conexão entre este e aquele processo está baseada no fato de que neste (PA nº 19515.720309/201451), há a cobrança de valores IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (2009 e 2010) incidentes sobre receitas auferidas na prestação de serviços à empresa Quantia Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda., enquanto que naquele (PA nº 16327.721256/201334) tal empresa contratante estaria sendo cobrada, por não ter procedido à retenção na fonte desses mesmos tributos devidos pela recorrente. Não obstante, transcorrida a data devida para a referida retenção na fonte pela empresa tomadora (Quantia) dos serviços da recorrente, não seria devida a cobrança dos respectivos valores da fonte pagadora (responsável tributária), mas sim da contribuinte/recorrente. Em relação à fonte pagadora caberia, se for o caso, a cobrança de multa pelo descumprimento da obrigação legal de promover a retenção dos tributos devidos, no pagamento pela empresa Quantia à recorrente pelos serviços que lhe foram prestados. Sobretudo, verificase que houve o julgamento do referido processo e em nada obstou o julgamento deste caso que tem por base matéria independente referente ao arbitramento do lucro, em relação ao 2009 e cobrança de tributos apurados com base no lucro real referente a 2010. Assim, com base em tais fatos e fundamentos, voto por rejeitar a preliminar de sobrestamento deste processo. Fl. 2412DF CARF MF Processo nº 19515.720309/201451 Acórdão n.º 1302001.952 S1C3T2 Fl. 19 18 No Mérito As questões de mérito serão analisadas na seguinte sequência: 1º razões de recurso da empresa Bassit Agente Autônomo de Investimentos Ltda.; 2º razões de recurso do sujeito passivo solidário, Marcos Bassit; 3º recurso de ofício da DRJ. RAZÕES DE RECURSO DA EMPRESA BASSIT AGENTE AUTÔNOMO DE INVESTIMENTOS LTDA. (BASSIT) Lucro Arbitrado 2009 A recorrente diverge da autoridade fiscal por entender que não caberia lançamento do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre os valores discriminados em notas fiscais emitidas pela recorrente, nem mesmo considerar esses valores como receita e utilizálos no cálculo do lucro arbitrado, relativamente a 2009. Alega que, apesar de os valores tributados decorrerem de atividade empresarial, não teriam natureza de receita; não integrariam o lucro e, logo, não poderiam atrair a incidência dos referidos tributos. A respeito, verificamse as seguintes provas colhidas nos autos e consideradas no acórdão recorrido: Conforme relatado, a Impugnante alegou que em autuação na empresa QUANTIA DTVM LTDA., as receitas ora tributadas e referentes a pagamentos por serviços prestados pela Impugnante para esta empresa, foram objeto de glosa naquela empresa, por falta de comprovação dos serviços prestados (Doc.03 da impugnação). Independentemente da razão da glosa verificada naquela autuação, tratamse de situações distintas, que devem ser examinadas cada qual em função das provas pertinentes e existentes (ou não) em cada procedimento. Assim, não vislumbro a hipótese alegada pela Impugnante, de que há uma contradição entre os procedimentos fiscais ora efetivados e aqueles efetivados naquela empresa, a Quantia DTVM Ltda. É uma questão de provas, se naquele processo, por exemplo, não houver evidências de que a Quantia tenha realizado os pagamentos à Impugnante, a Quantia será devidamente tributada por glosa de despesas. Aqui, neste processo, estamos lidando com valores de receitas declaradas pela própria Impugnante, que, em face de previsão legal, devem ser consideradas como base de cálculo de Lucro Arbitrado, portanto, não há contradição e nem dúvidas na sua natureza e utilização para apuração dos tributos ora devidos e lançados de ofício, no caso, para o fato gerador relativo ao anocalendário de 2009. Assim, adotandose as razões de decidir da DRJ, também nesse ponto, não há como afastar os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, sobre os valores discriminados em notas fiscais emitidas pela contribuinte, considerando esses valores como receita e utilizandoos para calcular o lucro arbitrado, tendo em vista as intimações e reintimações, não atendidas, para a apresentação da documentação contábil e informações hábeis a demonstrar o lucro real. Fl. 2413DF CARF MF Processo nº 19515.720309/201451 Acórdão n.º 1302001.952 S1C3T2 Fl. 20 19 Lucro Real 2010 Pis e Cofins Regime Cumulativo Aduziu a recorrente que a DRJ acertadamente cancelou a exigência de IRPJ e CSLL relativa ao anocalendário de 2010 em virtude do equivocado e indevido arbitramento dos lucros naquele ano. No entanto, apesar de o voto vencido estender o cancelamento também para o PIS e a COFINS, o restante da turma julgadora entendeu que as exigências eram independentes: o vício no arbitramento dos lucros não afetaria a incidência do PIS e da COFINS, pois a recorrente estaria submetida ao regime cumulativo de apuração do PIS e COFINS. Nesse sentido, fundamenta, ainda, que mesmo submetida ao regime cumulativo de apuração do PIS e COFINS, o lançamento deveria ser cancelado, face ao disposto no art. 3º, § 6º, inc. I, da Lei nº 9.718/1998, a qual permite uma série de deduções da base de cálculo das referidas contribuições que não foram consideradas pelo Fisco quando da lavratura dos Autos de Infração. Em que pese tais alegações, não se verifica a aplicabilidade de tais dispositivos legais ao caso vertente. Desse modo, adotandose as razões de decidir da DRJ, também nesse ponto, não há como afastar a cobrança do PIS e COFINS, em relação ao ano calendário 2010, face à obrigatoriedade de a recorrente submeter suas receitas ao regime cumulativo da referida contribuição. Da inexigibilidade da multa qualificada No item VI.1. Qualificação da Multa de Ofício, a autoridade autuante assim se manifestou para justificar sua aplicação: 46) Conforme descrito no item 31, sistematicamente e reiteradamente, o contribuinte não escriturou as receitas em livros fiscais, DIPJs (Declarações de Informações da Pessoa Jurídica) e DACONs (Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais). Assim, incorreu em prática de sonegação dolosa, com a finalidade de retardar o conhecimento pela autoridade fiscal das circunstâncias materiais da ocorrência do fato gerador, de acordo com o artigo 71 da Lei n° 4.502/64, abaixo transcrito:[...] Segundo a Impugnante, "...não tendo sido demonstrado pela D. Fiscalização que a Impugnante praticou, dolosamente, qualquer ato ou omissão tendentes a impedir ou ocultar o surgimento da obrigação tributária, ainda que fosse possível a exigência da multa de ofício, essa não poderia ser exigida de maneira qualificada"' A Contribuinte estava omissa na entrega da DIPJ do anocalendário de 2009 (e de outros) e não apresentou DCTF relativa a nenhum período de apuração do ano de 2009. Entendo, sim, que houve uma intenção deliberada da Contribuinte em ocultar da Fazenda Nacional suas obrigações tributárias, que, aliás, só vieram à tona por força de uma ação fiscalizadora. Mantenho a qualificação da Multa de Ofício. Dessa forma, na análise do conjunto probatório, a DRJ concluiu que a conduta da recorrente foi a tentativa de esquivarse da fiscalização, requerendo dilações de prazo sem contudo apresentar os documentos solicitados. Fl. 2414DF CARF MF Processo nº 19515.720309/201451 Acórdão n.º 1302001.952 S1C3T2 Fl. 21 20 A DRJ concluiu que essa conduta da recorrente não se coaduna com a esperada licitude fiscal e a boafé, sobretudo pelo fato de que a própria recorrente é que requeria dilações de prazo para atender às requisições da fiscalização, sem contudo, cumprir, como se verifica dos autos. Essa conduta foi considerada protelatória e com a intenção de obstruir a fiscalização. Nesses termos, adotandose as razões de decidir da DRJ, também nesse ponto, não há como afastar a qualificação da multa proporcional de ofício, majorandoa de 75% para 150%. Da inexistência de pagamentos sem causa a beneficiários não identificados Todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas, cuja operação ou causa não for comprovada, está sujeito à incidência de IR, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, cabendo reajustamento do rendimento bruto. O acórdão recorrido consignou as seguintes razões de decidir, a respeito: Na incidência do IRRF o contribuinte é o beneficiário dos pagamentos e é sobre esta base de cálculo que incide o tributo, sendo que, na hipótese de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, a fonte pagadora é responsável pelo recolhimento do imposto na forma de tributação exclusiva, ou seja, não mais se exige o tributo do beneficiário do pagamento. Assim é que, constatandose, como foi o caso, a ocorrência de recursos entregues a terceiros ou a sócios, escriturados ou não, sem a comprovação da causa, estáse diante da subsunção do fato concreto à hipótese abstrata contida no art. 61 da Lei nº 8.891, de 1985, sendo de rigor a constituição do crédito tributário correspondente ao IRRF. Tendo em vista que a empresa Fiscalizada não apresentou qualquer elemento de prova convincente sobre qualquer uma das saídas, foi efetuado o lançamento do IRRF, com suporte no que prescreve o art. 674 do RIR/99 (grifos acrescidos): “Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). Fl. 2415DF CARF MF Processo nº 19515.720309/201451 Acórdão n.º 1302001.952 S1C3T2 Fl. 22 21 § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). Vêse, portanto, que o pressuposto material para caracterização da infração tipificada no dispositivo é a constatação de que tenha ocorrido, como de fato está provado nos autos, pagamento ou entrega de recursos, contabilizados ou não, quando não identificado o beneficiário ou quando não comprovada a operação ou a sua causa. A Contribuinte Impugnante nada trouxe aos autos que não tivesse informado durante a ação fiscal. Afirmou que várias saídas foram a título de distribuição de lucros a seus sócios, entretanto, não identifica os valores e nem a destinação específica para os mesmos, de maneira individualizada. Em outra alegação, que as saídas (débitos) bancárias se deram por compartilhamento de comissões a vários agentes financeiros, que recebeu por intermediações de valores mobiliários, entretanto nada ficou provado, alegou, inclusive, que não poderia fornecer os nomes dos beneficiários “por questões intrínsecas a seus negócios”, o que soa meio absurdo, inaceitável, até porque, além de não poder se negar informações à Administração Tributária, os agentes públicos tem o dever de manter o devido sigilo fiscal. De forma que, diversamente do que supõe a impugnante, é da sua incumbência informar a que se referem os débitos em suas contas, bem assim a causa da operação e o destinatário do pagamento ou entrega dos recursos. Equivocada também a alegação da Impugnante de que as informações remetidas pelas instituições financeiras, em atendimento às RMF, já permitiam a identificação dos beneficiários. Afirmou a Impugnante que a “Autoridade Fiscal identificou os beneficiários dos pagamentos , o que desautoriza a tributação pelo IRRF nos termos do artigo 674 do RIR/99. Isso porque, se a documentação fornecida pelas instituições financeiras, no entender da Fiscalização, é suficiente para a comprovação dos destinatários dos recursos, e sua causa já foi esclarecida pelo Impugnante, não há que se falar em pagamento sem causa a beneficiário não identificado.” Esta afirmação, de certo, deveuse ao relatado pela autoridade fiscal em seu Termo de Verificação Fiscal, a saber: 28) Em 15/08/2013, foram emitidas Requisições de Informações sobre Movimentações Financeiras destinadas aos bancos Itaú S/A, Real, Santander Brasil S/A e Caixa Econômica Federal, tendo sido fornecidos pelos bancos, extratos em meio magnético, com identificação dos beneficiários dos recursos financeiros associados a cada débito. Fl. 2416DF CARF MF Processo nº 19515.720309/201451 Acórdão n.º 1302001.952 S1C3T2 Fl. 23 22 Na realidade, as informações bancárias enviadas (extratos bancários), de fato, apontam os beneficiários de algumas saídas, mas não da grande maioria dos débitos indicados. Basta uma breve leitura nos extratos (arquivos anexos, fls.885 a 998) que acompanham os autos para constatar tal fato. Não obstante, de se destacar que o art.61 da Lei 8.981/95 (base legal do art. 674 do RIR/99, anteriormente transcrito) contempla também a incidência de IRRF nos casos em que os pagamentos efetuados, mesmo que identificados os beneficiários, não comprovem a operação ou a sua causa. Diante da ausência de comprovação da causa dos pagamentos efetuados e dos seus beneficiários, informa a recorrente que a fiscalização lançou o IRRF, com base no art. 674 do RIR/99 e, ao mesmo tempo, arbitrou os seus lucros. Desta forma, entende que o arbitramento é um procedimento substitutivo da recomposição da base de cálculo do lucro real, quando essa é impossível. Por outro lado, a imputação de pagamento sem causa visa a coibir a prática de manutenção de movimentações financeiras à margem da contabilidade da empresa. Nesse sentido, a recorrente afirma sofrer prejuízo ao tributar duas vezes a contribuinte, além de imporlhe tributação mais onerosa que estabelecida na legislação do IRPJ e da CSLL. Não obstante, não ocorre o que alega a recorrente. Na forma retro exposta e em conformidade com as razões e fundamentos do acórdão recorrido, é devida a retenção na fonte nos casos em tela, pelo motivo de que houve pagamento a terceiros, como alegado pela própria recorrente e, assim, impõese a retenção a cargo da recorrente. Desse modo, adotando se as razões de decidir da DRJ, também nesse ponto, não há fundamento para acolher esse pedido. Da ilegitimidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício Sustenta a recorrente que desde o vencimento do prazo para recolhimento dos créditos exigidos nos presente autos, as autoridades fiscais tem computado juros de mora sobre a multa de ofício, não obstante os juros que já incidem sobre os tributos exigidos, aumentando sobremaneira o valor da obrigação tributária de forma totalmente ilegítima e ilegal, e que os juros não poderiam incidir sobre a multa na medida que essa não retrata a obrigação principal, mas sim encargo que se agrega ao valor da dívida. A DRJ, por sua vez, aduz que o § 1º do art. 113 do CTN reconhece que multa de ofício tem natureza de obrigação tributária, aplicandose o mesmo regime tributário previsto para a cobrança de tributos. Dispõe o art. 161 do CTN que o crédito tributário não pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo da sua falta. Dispõe ainda em seu parágrafo primeiro que se a lei não dispuser de modo diverso os juros são calculado à taxa de 1% ao mês. Ocorre que o legislador estabeleceu no art. 61 da Lei n° 9.430/1996 que, a partir de janeiro de 1997, os débitos vencidos com a União serão acrescidos de juros de mora calculados pela taxa SELIC quando não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 2417DF CARF MF Processo nº 19515.720309/201451 Acórdão n.º 1302001.952 S1C3T2 Fl. 24 23 Não resta dúvida que os débitos a que se refere a Lei n° 9.430/1996 correspondem ao crédito tributário de que dispõe o art. 161 do CTN. O crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Por sua vez, o art. 113, em seu parágrafo primeiro define que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Ora, se o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta deve abranger o tributo e a penalidade pecuniária. Assim é que o art. 142 do CTN determina que a autoridade competente constitua o crédito tributário, calculando o montante do tributo e a penalidade aplicável. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida juntamente com o tributo devido. Assim, uma vez constituído o crédito pelo lançamento de ofício, ao tributo agregase a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal e, sobre ele deve incidir integramente os juros à taxa SELIC. Ainda sobre o cabimento dos juros de mora sobre multa, preconiza o art. 43, parágrafo único da Lei nr. 9.430/1996, verbis: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A jurisprudência das turmas desta câmara e da própria CSRF é majoritária a favor da incidência dos juros SELIC sobre a multa de ofício: Acórdão n° 1301000.111, de 04/12/2012: JUROS SOBRE MULTA. INAPLICABILIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. NÃO OCORRÊNCIA. A obrigação tributária principal dáse com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional, de sorte que o crédito tributário corresponde à obrigação tributária principal, incluindo a multa de ofício proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Acórdão n° 1302000.959, de 07/08/2012: JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É escorreita a cobrança de juros, calculados à taxa Selic, sobre multa de ofício, nos termos do §3°do art. 61 da Lei n°9.430/96. Fl. 2418DF CARF MF Processo nº 19515.720309/201451 Acórdão n.º 1302001.952 S1C3T2 Fl. 25 24 Acórdão n° 910100.539, de 11/03/2010 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Assim, entendo devida a incidência de juros de mora sobre as multas. Dos Lançamentos Decorrentes CSLL, PIS/PASEP e COFINS Sobre a alegação da recorrente de que não seriam devidos os lançamentos de CSLL, PIS e COFINS, o acórdão recorrido concluiu que, são reflexos da mesma irregularidade apurada no Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Assim sendo, por possuírem os mesmos fundamentos fáticos, a decisão prolatada com relação ao Auto de Infração do IRPJ faz coisa julgada em relação aos decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em vista da íntima relação de causa e efeito. Por tais fundamentos, não há como afastar a incidência da CSLL, PIS e COFINS. RAZÕES DE RECURSO DO SUJEITO PASSIVO SOLIDÁRIO, MARCOS BASSIT À vista das razões do recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo solidário, Marcos Bassit, destacamse os seguintes fatos e fundamentos Da sujeição passiva solidária de Marcos Bassit Nas palavras do autuante: III.2. Responsabilidade tributária de Marcos Bassit 40) Considerando que: conforme o inciso I do art.124 e o inciso III do art.135 do CTN, os representantes de pessoas jurídicas de direito privado são solidariamente responsáveis pelos créditos tributários resultantes de atos praticados com infração de lei; o contribuinte não estava autorizado pela CVM a exercer qualquer tipo de atividade no mercado de valores mobiliários nos anoscalendário de 2009 e 2010, conforme OFÍCIO CVM/SMI/GME n° 0076/2013, de 08/03/2013 (cópia no Anexo 3), incorrendo assim em crime contra o mercado de capitais, conforme artigo 27E da Lei n° 6.385/76; conforme o Inciso I do art.124 da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional), são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; conforme artigos 986, 987 e 990 do Código Civil Brasileiro (Lei 10.406/2002), todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais; MARCOS BASSIT, CPF: 029.161.40867, atuou como administrador de acordo com as seguintes evidências: Fl. 2419DF CARF MF Processo nº 19515.720309/201451 Acórdão n.º 1302001.952 S1C3T2 Fl. 26 25 de acordo com o Contrato de Cessão de Uso de Instalações de Escritório Comercial e respectivos aditivos, incluso na resposta de BESP (Bolsa de Escritórios de São Paulo, de 15/10/2013 (cópias no Anexo 4), a cessionária, Bassit Agente Autônomo de Investimentos Ltda., é representada por "Marcos Bassit, brasileiro, separado, administrador de empresas, inscrito no CPF/MF sob o n° [...]"No campo reservado para a assinatura da cessionária, consta a assinatura de Marcos Bassit, idêntica à constante da FichaPadrão de Assinatura, depositada no 1° Cartório [...]" de acordo com Procuração, apresentada na resposta da Caixa Econômica Federal, em 09/02/2009, "Bassit Agente Autônomo de Investimentos Ltda., nomeia e constitui seu bastante procurador MARCOS BASSIT, brasileiro, separado, administrador de empresas, inscrito no CPF [...]para o fim especial de, em nome da outorgante, representála em conjunto ou separadamente, independente da ordem de nomeação, junto a Caixa Econômica Federal, ..."(cópia no Anexo 11). de acordo com Procuração, registrada no 24° Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais, "aos vinte e sete (27) dias do mês de novembro do ano de dois mil e nove (2009),...., compareceu como outorgante, Bassit Agente Autônomo de Investimentos Ltda., que por este público instrumento e na melhor forma de direito, nomeia e constitui seu bastante procurador MARCOS BASSIT, brasileiro, separado judicialmente, administrador de empresas, RG n° [...]inscrito no CPF [...]a quem confere amplos poderes para abrir, movimentar e/ou encerrar contas correntes junto a quaisquer Bancos, Caixas Econômicas e demais estabelecimentos de crédito, ..."(cópia no Anexo 6). de acordo com documentos enviados pela Caixa Econômica Federal, dezenas de cheques de Bassit Agente Autônomo de Investimentos Ltda. (cópias no Anexo 7), foram assinados por "Marcos Bassit, pois nos campos reservados para as assinaturas, constam as assinaturas de Marcos Bassit, idênticas às constantes da FichaPadrão de Assinatura, depositada no 1° Cartório [...](cópia no Anexo 5); os numerários relacionados nos cheques referidos no item anterior foram sacados por Marcos Bassit, conforme identificações dos beneficiários constantes destes cheques (cópias no Anexo 7); Estes valores sacados totalizam R$ 6.604.201,63 e R$ 4.901.030,86, respectivamente nos anoscalendário de 2009 e 2010; [... ] Da análise No item II.4. Da Responsabilidade Pessoal, o Impugnante traz um extenso arrazoado, com posições doutrinárias e citações de decisões administrativas e judiciais, para concluir que: 76. Verificase, dessa forma, que tanto a doutrina quanto a jurisprudência já exararam o entendimento segundo o qual se um dos agentes arrolados no artigo 135 agir com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto, em detrimento dos interesses do contribuinte, essa pessoa será a única responsável pelos tributos decorrentes da infração; Fl. 2420DF CARF MF Processo nº 19515.720309/201451 Acórdão n.º 1302001.952 S1C3T2 Fl. 27 26 77. Evidente, portanto, que o artigo 135 do CTN só é aplicável às hipóteses de responsabilidade pessoal do agente, ou seja, quando a Fiscalização verifica que ele agiu com o dolo específico de fraudar o surgimento de obrigação tributária ou quando de seus atos ilícitos nascer a obrigação tributária, devendo, consequentemente, imputarlhe responsabilidade pessoal, i.e., exclusiva. Forçoso reconhecer que o disposto no caput do artigo 135 do CTN tem suscitado na doutrina divergências no que tange à natureza da responsabilidade a que alude o dispositivo: se de responsabilidade por substituição (os terceiros indicados no inciso III do art.135 do CTN responderiam exclusivamente pelo crédito tributário) ou se responsabilidade solidária ou subsidiária. Entretanto, a Administração Tributária já se posicionou acerca do tema, com a publicação de Parecer da ProcuradoriaGeral da Fazenda, o que vincula esta Delegacia de Julgamento ao seu inteiro teor. Sobre o inciso III do art.135 do CTN, a Fazenda Pública Federal, por meio da ProcuradoriaGeral, se manifestou acerca do tema, conforme consta no Parecer/PGFN/CRJ/CAT n° 55/2009, que ora se reproduz excertos de sua conclusão: VI. CONCLUSÃO 106. Em resumo, alinhamos aqui os fundamentos e as conclusões do presente Parecer: A responsabilidade do dito "sóciogerente", de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, decorre de sua condição de "gerente" (administrador), e não da sua condição de sócio; A responsabilidade do administrador, por força do art.135 do CTN, na linha da jurisprudência do STJ, é subjetiva e decorre de prática de ato ilícito; [...] d) A responsabilidade dos administradores, de acordo com a jurisprudência do STJ, não pode ser entendida como exclusiva (responsabilidade substitutiva), porquanto se admite na Corte Superior que a ação de execução fiscal seja ajuizada, ao mesmo tempo, contra a pessoa jurídica e o administrador; [...] j ) A jurisprudência do STJ aponta para a responsabilidade solidária, inclusive em precedentes desfavoráveis à Fazenda Nacional, em que se afirma que o sócio gerente só pode ser responsabilizado solidariamente se detiver poderes de gerência e se tiver praticado ato ilícito no exercício dessa gerência, na forma do art.135, III, do CTN; [...] u) Sendo solidária a responsabilidade decorrente de ato ilícito praticado pelo administrador, este, uma vez atestada administrativamente sua responsabilidade, está sujeito a todos instrumentos de proteção do crédito tributário, como o arrolamento de bens e direitos, a inscrição no CADIN e a Fl. 2421DF CARF MF Processo nº 19515.720309/201451 Acórdão n.º 1302001.952 S1C3T2 Fl. 28 27 medida cautelar fiscal, estando, sujeito, outrossim, à negativa de expedição de Certidão Negativa de Débito. 107. Por fim, ressaltamos que nossas conclusões aplicamse exclusivamente ao regramento ordinário do art.135, III, do CTN, não alcançando, portanto, regras especiais previstas na legislação que responsabilizam com mais rigor os sócios ou os administradores das pessoas jurídicas Superada esta questão, devo, entretanto, acatar as alegações do Impugnante no sentido de que a falta de autorização concedida pela CVM para o exercício de sua atividade junto ao mercado de capitais não acarreta conseqüências tributárias. A falta desta autorização não tem o condão que lhe atribuiu a autoridade fiscal, pois eventual infração ao contrato social (da empresa) cometido pelo administrador, deve estar vinculado a um eventual efeito tributário, que, entretanto, não foi objeto de reconhecimento por parte da autoridade fiscal. Entretanto, outras situações apontadas pela Fiscalização acarretaram a responsabilidade tributária solidária, que, oportunamente, serão comentadas. Inicialmente, antes de qualquer destaque dos demais argumentos da impugnação, percebese que o enquadramento legal considerado pela autoridade fiscal contempla dois dispositivos do CTN, inseridos no capítulo que trata da responsabilidade tributária solidária. Tratandose a pessoa de Marcos Bassit como o administrador de fato da Contribuinte, eventual responsabilidade tributária a lhe ser atribuído deve ser em função do comando legal e específico a que alude o inciso III do art.135 do CTN. A menção ao inciso I do art.124 do CTN é equivocada, pois seu dispositivo não está dirigido à sócios (com poder de gerência) e/ou administradores (de direito ou de fato) das empresas, uma vez que a responsabilidade solidária tributária atribuída a pessoas com estas funções/condições, encontrase disciplinada no art.135 do CTN. Em assim sendo, devemos nos ater ao que se encontra no inciso III do art.135 do CTN e a impugnação pertinente a este dispositivo legal. Segundo o Termo Fiscal, o Sr. Marcos Bassit é o administrador, de fato, da autuada sendo considerado responsável solidário de acordo com o artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional. O artigo 135 do Código Tributário Nacional dispõe que: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito O Impugnante alegou que "...procurador não tem poderes de gestão e não pode ser responsabilizado!" Fl. 2422DF CARF MF Processo nº 19515.720309/201451 Acórdão n.º 1302001.952 S1C3T2 Fl. 29 28 Depende do teor da procuração concedida pela Interessada e, no caso, o Sr. Marcos Bassit detinha procuração com amplos poderes junto às instituições financeiras para a movimentação de recursos da Interessada, em qualquer banco, o que já é suficiente para considerálo como administrador de fato da Autuada. O fato de ter assumido a condução dos negócios ou ter tomado a frente dos mesmos em face de problemas de saúde de seu pai (Muna Bassit), apesar do zelo familiar, tal situação não pode prevalecer se daí houver conflito com a legislação tributária. O impugnante solidário era, DE FATO, administrador da Autuada, de forma que deve estar no polo passivo da autuação, como lhe atribuiu o Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls.16011602), uma vez que agiu no sentido de impedir o conhecimento por parte da Fazenda Pública Federal das receitas tributáveis da Interessada, conforme já se mostrou no Voto, quando da análise da impugnação da Autuada, portanto, ambos (Interessada e seu Administrador, de fato) praticaram atos com infração da lei, de forma dolosa. A conduta deliberada para fins exclusivos de supressão de tributos o arrasta, inexoravelmente, para a condição de responsável solidário. Como evidenciado no exame de mérito do lançamento de IRPJ, com multa de ofício qualificada (150%), a omissão na entrega da DIPJ (só vindo a apresentar mediante intimação fiscal) e dissociada de qualquer registro contábil (Livro Diário) revelam, inescapavelmente, o evidente intuito do administrador em lesar a Fazenda Nacional. A pessoa jurídica (fiscalizada) omitiu seu resultado tributável, revelando que seu administrador, Marcos Bassit, deliberadamente, contribuiu com tal omissão, proporcionando, assim, o não aparecimento dos tributos devidos a recolher. A infração à lei se mostra plenamente demonstrada, visto que a fiscalização caracterizou cabalmente a ofensa à legislação tributária, por meio de atos cometidos que, em tese, configuram ilícitos penais. Constatada a infração de lei, nos termos do já exposto, o Responsável Solidário Tributário responde pelo crédito tributário apontado nos autos de infração, nele incluído a multa de ofício, portanto, contrariamente ao alegado, não há como prevalecer sua alegação de que não lhe seria possível atribuir eventual penalidade. Desta feita, sendo este senhor Marcos Bassit que administrava, DE FATO, os negócios da empresa fiscalizada e que foram praticados atos que se reputam contrários à lei tributária e comercial j á analisados neste Voto, justificase a sua inclusão polo passivo ao lado da autuada, como Responsável Solidário, conforme consta nos Termo de Sujeição Passiva Solidária. Portanto, contrariamente ao alegado pelo impugnante solidário, comprovado nos autos que os atos foram praticados com excesso de poderes ou infração a lei ou ao contrato, de forma ilícita, dolosa, para que se possa configurar a responsabilidade solidária, de se manter o administrador, Sr. Marcos Bassit, no pólo passivo como sujeito passivo solidário. Conclusão (I) Relativamente ao IRPJ e decorrentes, (i) fica cancelado o lançamento correspondente ao anocalendário de 2010 (ii) fica cancelado o agravamento da multa de ofício qualificada para o ano de 2009; Fl. 2423DF CARF MF Processo nº 19515.720309/201451 Acórdão n.º 1302001.952 S1C3T2 Fl. 30 29 (II) Relativamente ao IRRF, (i) fica cancelada a qualificação e o agravamento da multa de ofício, devendo permanecer a multa em seu patamar típico, de 75% e (ii) reconhecer, de ofício, a decadência dos lançamentos efetivados após cinco anos contados da data do fato gerador; (III) Afastar a Responsabilidade Solidária Tributária de Muna Bassit. É o voto, pela procedência em parte da impugnação, mantido em parte do crédito tributário. Cotejandose as razões de decidir do acórdão recorrido com as razões de recurso voluntário do sujeito passivo solidário, Marcos Bassit, não se verifica fato ou fundamento que pudesse levar a conclusão diversa da DRJ. Não há como afastar a responsabilidade solidária do Sr. Marcos Bassit, pois diante do quadro de saúde do Sr. Muna Bassit, passou a ser, de fato, o responsável pela empresa Bassit Agente Autônomo de Investimentos Ltda. (digase, o único responsável, de fato, pois o sócio da empresa que figura no contrato social juntado aos autos, jamais constou de qualquer ato da empresa). Sendo assim, adotandose as razões de decidir da DRJ, também nesse ponto, mantenho como sujeito passivo solidário, o Sr. Marcos Bassit. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO AOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS de Bassit Agente Autônomo de Investimentos Ltda. e de Marcos Bassit. Do Recurso de Ofício do Presidente da DRJ Por fim, com relação ao recurso de ofício da DRJ, cujos termos transcrevem se a seguir, passo a analisar em sequência: Desta Decisão RECORRO DE OFÍCIO, tendo em vista a exoneração do sujeito passivo do pagamento de tributo e encargo de multa em montante superior ao limite fixado no art. 1° da Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008, do Ministro de Estado da Fazenda. Nos termos da referida Portaria MF nº 3/2008, art. 1º, "o Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais)". Com relação aos fundamentos do recurso de ofício quanto à impossibilidade de exclusão de Muna Bassit do pólo passivo, verificase que o único fundamento dado pelo TVF, fls. 1.256. para responsabilizar o Sr. Muna Bassit foi o fato de a recorrente atuar sem autorização da CVM, o que se enquadra como crime contra o mercado de capital. Em que pese tais conclusões, devese ter presente que tal infração não parece ter qualquer relação com as infrações tributárias apuradas, ou seja, não se utilizou dessa situação para sonegar ou fraudar o Fisco. Ademais, o fato em questão referese a uma autuação que resultou em arbitramento do lucro. Quanto à responsabilidade da recorrente como fonte pagadora de pagamento sem causa ou cujo beneficiário não foi identificado, poderseia até vislumbrar uma relação entre a dificuldade de a recorrente ter comprovantes de tais pagamentos e o fato de agir à Fl. 2424DF CARF MF Processo nº 19515.720309/201451 Acórdão n.º 1302001.952 S1C3T2 Fl. 31 30 margem da organização do mercado de capitais, porém isso não foi sequer aventado pelos autuantes. Nesse sentido, é correto concluir que a simples constatação de que a recorrente atuava sem autorização da CVM, não justifica a responsabilização do sócio, Sr. Muna Bassit com base no art. 135 do CTN. No tocante ao cancelamento do agravamento da multa, relativamente ao ano calendário 2009 (IR, CSLL, PIS e COfins), temse que o fundamento para o agravamento da multa está no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, o qual consiste em não atender a intimações, algo que não se verifica nos autos, ainda que o contribuinte tenha solicitado diversas prorrogações de prazo. Não atender significa não responder à intimação, assim obsta o agravamento da multa qualquer resposta dada à intimação, ainda que não seja satisfatória para a Fiscalização. Assim, com base nos fatos e fundamentos acima, concluo que não há responsabilidade passiva solidária do Sr. Muna Bassit e não é devido o agravamento da multa de ofício referente ao ano calendário 2009, razão pela qual voto por negar provimento ao recurso de ofício. ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Voto Vencedor Ouso divergir do I. Relator, no tocante à qualificação da multa de ofício nos lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, como também, com relação à responsabilização solidária de Marcos Bassit, pelas razões que a seguir passo a expor. Os autuantes fundamentam, no TVF (a fls. 1264), a qualificação da multa nos seguintes termos: Ora, o fato de não escriturar livros contábeis tem como consequência legal o arbitramento do lucro. Por sua vez, venho sustentando que a falta de entrega de declarações obrigatórias não são fundamento para a qualificação da multa, pois tratase de uma conduta que, ao invés de dissimular ou esconder do Fisco bases tributáveis, expõe uma situação de irregularidade do contribuinte, ao contrário de situações em que o contribuinte dissimula suas bases tributáveis com a entrega de declarações “zeradas”. Fl. 2425DF CARF MF Processo nº 19515.720309/201451 Acórdão n.º 1302001.952 S1C3T2 Fl. 32 31 Assim, entendo que não houve fundamento para a qualificação da multa. Por sua vez, no que tange à responsabilidade solidária de Marcos Bassit, os autuantes constataram que o Sr. Marcos Bassit atuava como procurador da recorrente, fazendo pagamentos e movimentando a conta bancária da recorrente. Isso, por si só, não demonstra que tivesse interesse comum nas operações que deram origem aos fatos geradores ora tributados, mormente, quando se verifica que o sócio da recorrente, Sr. Muna Bassit, era seu pai e encontravase doente, como apontado pela DRJ a fls. 2037. Ora, para configurar que o Sr. Marcos Bassit tinha interesse comum, deveria a Fiscalização provar que ele era também beneficiário das operações, porém a Fiscalização apenas demonstrou que ele atuou como administrador de fato da recorrente. Por sua vez, a decisão recorrida justifica a responsabilização de Marcos Bassit com base nos mesmo fatos que os autuantes justificaram a qualificação da multa, os quais conforme já enfrentados não poderiam justificar nem a qualificação da multa nem a responsabilização pelo art. 135. Alerto também que o fato de a recorrente atuar sem autorização da CVM, o que se enquadra como crime contra o mercado de capital, não me parece que tenha qualquer relação com as infrações tributárias apuradas, ou seja, não serviu ele para sonegar ou fraudar o Fisco. Ademais, estamos falando de uma autuação que consiste em arbitramento do lucro. Quanto à responsabilidade da recorrente como fonte pagadora de pagamento sem causa ou cujo beneficiário não foi identificado, poderseia até vislumbrar uma relação entre a dificuldade de a recorrente ter comprovantes de tais pagamentos e o fato de agir à margem da organização do mercado de capitais, porém isso não foi sequer aventado pelos autuantes. Por essas razões, voto por afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindo o seu percentual para 75%, como também, por afastar a responsabilidade tributária de Marcos Bassit. Alberto Pinto Souza Júnior Redator designado Fl. 2426DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.008264/2004-18
Data da sessão: Thu May 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1999
DECADÊNCIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA
DECLARAÇÃO, Na hipótese de penalidade por descumprimento de
obrigações acessórias, a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em consonância com o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1803-000.427
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar
provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Luciano Inocêncio dos Santos e Sérgio Rodrigues Mendes, nos termos do relatório e voto que integram o presente. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Selene Ferreira de Moraes.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: Benedicto Cerlso Benicíco Júnior
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201005
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999 DECADÊNCIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO, Na hipótese de penalidade por descumprimento de obrigações acessórias, a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em consonância com o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional.
numero_processo_s : 13807.008264/2004-18
conteudo_id_s : 5692508
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1803-000.427
nome_arquivo_s : Decisao_13807008264200418.pdf
nome_relator_s : Benedicto Cerlso Benicíco Júnior
nome_arquivo_pdf_s : 13807008264200418_5692508.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Luciano Inocêncio dos Santos e Sérgio Rodrigues Mendes, nos termos do relatório e voto que integram o presente. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Selene Ferreira de Moraes.
dt_sessao_tdt : Thu May 20 00:00:00 UTC 2010
id : 6672709
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:14:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076781396361216
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-21T11:31:21Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-21T11:31:21Z; Last-Modified: 2010-12-21T11:31:21Z; dcterms:modified: 2010-12-21T11:31:21Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:5e2758a5-f65f-4bd7-94c5-b91b07c27409; Last-Save-Date: 2010-12-21T11:31:21Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-21T11:31:21Z; meta:save-date: 2010-12-21T11:31:21Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-21T11:31:21Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-21T11:31:21Z; created: 2010-12-21T11:31:21Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-12-21T11:31:21Z; pdf:charsPerPage: 1432; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-21T11:31:21Z | Conteúdo => SI-TEO3 Fl 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 13807,008264/2004-18 Recurso n" 141.948 Voluntário Acórdão n" 1803-00.427 — 3" Turma Especial Sessão de 20 de maio de 2010 Matéria MULTA DIVERSA Recorrente EMPRESA DE CARGAS TRANSITAL LTDA, Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999 DECADÊNCIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO, Na hipótese de penalidade por descumprimento de obrigações acessórias, a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em consonância com o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Luciano Inocêncio dos Santos e Sérgio Rodrigues Mendes, nos termos do relatório e voto que integram o presente. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Selene Ferreira de Moraes. 5-lê-Ferreira de_Morae-s-2- Presidente e Redatora-Designada Benedictelso lenício Júnior — Relator ED14'AD O 4À 1 2 NOV 2010 Participaram, do presente julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Luciano Inocêncio dos Santos, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes, Benedicto Celso Benício Júnior e Diniz Raposo e Silva. Processo n° 13807008264/2004-18 S1-1 E03 Acórdão n ° 1803-00.427 F I 2 Relatório Por meio do Auto de Infração de fl. 03, o contribuinte acima identificado foi autuado e notificado a recolher o crédito tributário no valor de R$ 200,00, a titulo de multa por atraso na entrega da Declaração Simplificada de Rendimentos - Pessoa Jurídica, referente ao ano-calendário de 1998. O enquadramento legal consta da descrição dos fatos, como artigo 106, inciso II, letra "c", da Lei n° 5.172/1966; artigo 88 da Lei n° 8.981/1995; artigo 27 da Lei n°9.532/1997; artigo 7' da Lei n° 10426/2002; e IN SRF n'166/99. Não se conformando com o lançamento acima descrito, a interessada apresentou a impugnação de fls. 01 a 03, na qual alegou, em síntese, o seguinte: - que, por ocasião da entrega da declaração, cru 31/05/1999, tendo em vista o acúmulo de entregas no referido dia, houve entendimento por parte dos atendentes da Receita Federal de que se poderia deixar a declaração ou o lote de declarações com a fiscalização e retirar no dia seguinte, para agilizar o atendimento, pois havia funcionários incumbidos de processar as declarações; - que, após a constatação de que o carimbo aposto na declaração não foi de 31/05/1999 e, sim, de 01/06/1999, foi questionado o fato, mas a informação obtida foi a de que isto não acarretaria problema, tendo em vista que a declaração foi entregue no dia certo. A 5' TURMA — DRJ EM SÃO PAULO — SP I, analisando a impugnação apresentada, manteve inteiramente o lançamento, nos moldes da ementa adiante transcrita: "Assunto:' Obrigações Acessórias Ano-calendário: 1998 Ementa: MULTA POR ATRASO, DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS ENTREGA — Restando caracterizada a entrega em atraso de Declaração de Rendimentos, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória." Cientificado do acórdão em 19/11/2007, o contribuinte apresentou recurso a este conselho, em 28/11/2007, repetindo as razões já aduzidas na peça impugnatória e aventando, ainda, a decadência do direito do Fisco de formalizar a penalidade, por força da incidência do artigo 150,§ 4°, do CTN. É o relatório do essencial. Voto Vencido Dele conheço. Conselheiro Benedicto Celso Júnior, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Trata-se de insurgência contra a imposição de multa por atraso na entrega da Declaração Simplificada anual, obrigatória para as empresas optantes pelo regime do Simples Processolf 13807 008264/2004-18 81-TE03 Acórdão n ° 1803-00,427 Fi 3 Em primeiro lugar, aduz a recorrente ter havido decadência do direito fazendário de lavrar a peça acusatória, vez que a entrega da Declaração, realizada, extemporaneamente, em 01/06/1999, ocorrera há mais de cinco anos da ciência do lançamento da sanção, ocorrida em 15/10/2004. Sobre este tópico inicial, posiciono-me contrariamente à tese recursal proposta. Ainda que os tributos sujeitos à homologação tenham seu prazo deeadencial computados na forma do artigo 150, § 4 0, do CTN, é cediço que as multas por descumprimento de obrigações acessórias se inserem, ao revés, na sistemática dos lançamentos de oficio. Em conseqüência, aplica-se à matéria o mandamento do artigo 173, I, do Código, abaixo reproduzido, que determina que o dies ad quo do lustro deeadencial corresponda ao primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o lançamento poderia ter sido concretizado: "Art. 1 73. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (.) Nesse cenário, considerando-se que a multa poderia ter sido cominada já a partir de 01/06/1999, conta-se a decadência desde 01/01/2000, esgotando-se dito prazo em 31/12/2004 — depois da data em que o contribuinte foi cientificado da autuação. Assim vem decidindo este colegiado, consoante exemplificativa ementa abaixo exposta: "DIPJ - ENTREGA COM ATRASO - PENALIDADE - PRAZO DECADENCIAL - Em se tratando de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, a decadência se conta na forma do art. 173, I do CTIV: Efetuado o lançamento antes de terminado o qüinqüênio legal, não há se falar em decadência do direito de lançar. (Ac. I" CC — 105-16.541/07)" Em segundo lugar, no que respeita ao mérito da penalidade, escuda-se a peticionária na pretensa entrega tempestiva de sua Declaração. Segundo relata, a aposição de protocolo indevido, no qual se mencionou dia posterior ao do término do prazo cabível, foi fruto de erro dos agentes fazendários, que autorizaram o procedimento não-usual alhures relatado, alegadamente destinado a agilizar os trabalhos e a evitar o acúmulo de atendimentos. Independentemente da veracidade desta notícia, certo é que o contribuinte não carreou aos autos qualquer prova que corroborasse sua versão. Não é plausível que este Conselho exonere multa eseorreitamente imposta, apenas em razão de arguições em nada calçadas por elementos instrutórios mínimos. O contribuinte não se desincumbiu do ônus de provar suas alegações, sendo imperiosa, por conseguinte, a manutenção da multa aplicada. Isto posto, NEG0 ,1,3R9VIMENTO ao recurso. Benedfo Celso Peklício Júnior Processo n" 13807 008264/2004-18 S1-1 E 03 Acórdão n " 1803-00.427 Fl 4 Voto Vencedor Conselheira Selene Ferreira de Moraes - Redatora Designada Em que pese a coerência do voto do Relator, não esposo seu entendimento acerca da antecipação do termo inicial do prazo decadencial para a data da efetiva entrega da declaração. A tese defendida no voto vencido, ancorada no relatório apresentado por Rubens Gomes de Souza, é que na data da efetiva entrega da declaração de rendimentos, a autoridade administrativa teve conhecimento real, e não apenas presumido da infração cometida, no caso, o descumprimento do prazo previsto na legislação. Concordo com a afirmação de que na hipótese de penalidade por descumprimento de obrigações acessórias, a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em consonância com o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional — CTN (Lei n 2 5,172, de 25 de outubro de 1966). O art. 173 assim dispõe: "Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados; I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A regra é bem clara, afastada a aplicação do art, 150, § 4 0 , a contagem é efetuada nos termos do inciso I, havendo apenas que se levar em consideração a regra contida no parágrafo único. É oportuno transcrevermos trecho de Luciano Amaro sobre tal dispositivo: "O parágrafo único do art. 173 é um dispositivo perdido no tempo. Que ele é um terceiro comando sobre contagem da decadência, não há dúvida; o problema está em saber como ele interfere com a regra do item I do artigo. Começa por dizer que o direito de lançar, na hipótese ali prevista, se extingue definitivamente, como se, em alguma outra situação, a extinção do direito pudesse ser provisória, e o direito morto viesse a renascer das cinzas. Continua o dispositivo a divagar quando se reporta ao início de constituição do crédito tributário, que se traduziria em simples medida preparatória (e não integrante) do lançamento; aliás, medida que pode resultar- em coisa nenhuma, se a autoridade administrativa se convencer, após o atendimento da notificação Processo n" 13807.008264/2004-18 S1-11E03 Acórdão n " 1803 -00427 E 5 pelo sujeito passivo, de que nada há a ser lançado, Cuida-se aí, portanto, apenas da hipótese em que a autoridade administrativa inicia um processo de investigação (que poderá ou não resultar em lançamento), e o parágrafo manda, em verdade, que o prazo de decadência se conte a partir da notificação do sujeito passivo para a prática de alguma providência de interesse para a "constituição do crédito"; não há ainda notificação de lançamento. Se aquela notificação é feita antes do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderá ter sido efetuado, ela antecipa o início do prazo decadencial."(AMARO, Luciano.. Direito Tributário Brasileiro.1.5 ed. São Paulo: Saraiva, 2009), É certo que o sentido das leis se deduz tanto do espírito como de sua letra. No entanto, o texto legal não pode ser inteiramente abandonado. A hipótese prevista no parágrafo único aplica-se apenas nos casos em que a autoridade administrativa iniciou um processo de investigação. A situação que propicia a antecipação é um ato da autoridade administrativa e não do contribuinte. A entrega da declaração em atraso é ato do contribuinte. É a própria conduta ilícita passível de sanção. Por esse raciciocínio, a falta de entrega da declaração também deveria antecipar o termo inicial do prazo, uma vez, que o Fisco tem conhecimento real da ausência da declaração em seus sistemas. Pergunta-se: houve houve notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento? Não vislumbro nos autos a situação descrita no parágrafo único, e em conseqüência, afasto a única hipótese claramente prevista de antecipação do termo inicial do prazo decadencial. A recorrente foi cientificada da exigência em 23/10/2004, antes do transcurso do prazo previsto no art. 173, L Ante todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso 1 1\ À
score : 1.0
Numero do processo: 12719.002808/2008-80
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 08/09/2003 a 18/01/2005
DECADÊNCIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. CONVERSÃO DE PENA DE PERDIMENTO EM MULTA.
Em se tratando de Auto de Infração para impor multa por burla ao controle administrativo-aduaneiro, a legislação de regência é a aduaneira e não a tributária, uma vez que a exigência não tem natureza de tributo. Assim, o prazo decadencial é estabelecido pelos arts. 139 do Decreto-lei n. 37/66 e 669 do Regulamento Aduaneiro/02, vigente à época dos fatos, os quais estabelecem que o prazo para a constituição da sanção é de 05 (cinco) anos e cujo termo inicial é a data da infração, o que, em matéria aduaneira, ocorre o registro da Declaração de Importação. Precedentes do CARF.
DECADÊNCIA. TRIBUTOS E INFRAÇÕES TRIBUTÁRIAS.
Os tributos têm a contagem do prazo decadencial de acordo com a regra geral estabelecida pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, ou seja, inicia-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em casos de fraude comprovada.
SUBFATURAMENTO. FALSIDADE MATERIAL DA FATURA. PENA DE PERDIMENTO. APLICAÇÃO DA MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. POSSIBILIDADE.
Na hipótese de prática de subfaturamento mediante falsidade documental material, deve-se aplicar a penalidade prevista no artigo 23, IV, e § 3o, Decreto-Lei no 1.455/1976, combinado com o artigo 105, VI, do Decreto-Lei no 37/1966 (a pena de perdimento ou, na impossibilidade de aplicação, a multa que a substitui).
Numero da decisão: 3402-005.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, em julgar o processo da seguinte maneira: (i) dar provimento parcial ao Recurso de Ofício da seguinte forma: pelo voto de qualidade, para afastar a decadência dos tributos e consectários legais autuados, com fulcro no art. 173, I, do CTN. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Renato Vieira de Avila e Cynthia Elena de Campos que negavam provimento integral ao recurso, nos termos do voto do relator; e (ii) dar provimento parcial ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (ii.1) pelo voto de qualidade, em conhecer e negar provimento às preliminares do recurso. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Renato Vieira de Avila e Cynthia Elena de Campos que não conheciam das preliminares face ao julgamento anterior pela Resolução nº 3101-00.115; (ii.2) pelo voto de qualidade, para afastar a multa aduaneira do controle administrativo incidente sobre a diferença entre o preço de importação declarado e o efetivamente praticado (art. 88, parágrafo único da MP n. 2.158-35/01) vez que, diante da falsidade material das faturas, seria cabível penalidade distinta. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Renato Vieira de Avila e Cynthia Elena de Campos que davam provimento integral ao recurso, nos termos do voto do relator. Designado o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 08/09/2003 a 18/01/2005 DECADÊNCIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. CONVERSÃO DE PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. Em se tratando de Auto de Infração para impor multa por burla ao controle administrativo-aduaneiro, a legislação de regência é a aduaneira e não a tributária, uma vez que a exigência não tem natureza de tributo. Assim, o prazo decadencial é estabelecido pelos arts. 139 do Decreto-lei n. 37/66 e 669 do Regulamento Aduaneiro/02, vigente à época dos fatos, os quais estabelecem que o prazo para a constituição da sanção é de 05 (cinco) anos e cujo termo inicial é a data da infração, o que, em matéria aduaneira, ocorre o registro da Declaração de Importação. Precedentes do CARF. DECADÊNCIA. TRIBUTOS E INFRAÇÕES TRIBUTÁRIAS. Os tributos têm a contagem do prazo decadencial de acordo com a regra geral estabelecida pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, ou seja, inicia-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em casos de fraude comprovada. SUBFATURAMENTO. FALSIDADE MATERIAL DA FATURA. PENA DE PERDIMENTO. APLICAÇÃO DA MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de prática de subfaturamento mediante falsidade documental material, deve-se aplicar a penalidade prevista no artigo 23, IV, e § 3o, Decreto-Lei no 1.455/1976, combinado com o artigo 105, VI, do Decreto-Lei no 37/1966 (a pena de perdimento ou, na impossibilidade de aplicação, a multa que a substitui).
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 12719.002808/2008-80
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5911567
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.545
nome_arquivo_s : Decisao_12719002808200880.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DIEGO DINIZ RIBEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 12719002808200880_5911567.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em julgar o processo da seguinte maneira: (i) dar provimento parcial ao Recurso de Ofício da seguinte forma: pelo voto de qualidade, para afastar a decadência dos tributos e consectários legais autuados, com fulcro no art. 173, I, do CTN. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Renato Vieira de Avila e Cynthia Elena de Campos que negavam provimento integral ao recurso, nos termos do voto do relator; e (ii) dar provimento parcial ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (ii.1) pelo voto de qualidade, em conhecer e negar provimento às preliminares do recurso. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Renato Vieira de Avila e Cynthia Elena de Campos que não conheciam das preliminares face ao julgamento anterior pela Resolução nº 3101-00.115; (ii.2) pelo voto de qualidade, para afastar a multa aduaneira do controle administrativo incidente sobre a diferença entre o preço de importação declarado e o efetivamente praticado (art. 88, parágrafo único da MP n. 2.158-35/01) vez que, diante da falsidade material das faturas, seria cabível penalidade distinta. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Renato Vieira de Avila e Cynthia Elena de Campos que davam provimento integral ao recurso, nos termos do voto do relator. Designado o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
id : 7438124
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:15:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076781409992704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2067; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 3.414 1 3.413 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12719.002808/200880 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.545 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de agosto de 2018 Matéria Imposto de Importação Recorrente J RUETTE COMERCIAL, IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 08/09/2003 a 18/01/2005 DECADÊNCIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. CONVERSÃO DE PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. Em se tratando de Auto de Infração para impor multa por burla ao controle administrativoaduaneiro, a legislação de regência é a aduaneira e não a tributária, uma vez que a exigência não tem natureza de tributo. Assim, o prazo decadencial é estabelecido pelos arts. 139 do Decretolei n. 37/66 e 669 do Regulamento Aduaneiro/02, vigente à época dos fatos, os quais estabelecem que o prazo para a constituição da sanção é de 05 (cinco) anos e cujo termo inicial é a data da infração, o que, em matéria aduaneira, ocorre o registro da Declaração de Importação. Precedentes do CARF. DECADÊNCIA. TRIBUTOS E INFRAÇÕES TRIBUTÁRIAS. Os tributos têm a contagem do prazo decadencial de acordo com a regra geral estabelecida pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, ou seja, iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em casos de fraude comprovada. SUBFATURAMENTO. FALSIDADE MATERIAL DA FATURA. PENA DE PERDIMENTO. APLICAÇÃO DA MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de prática de subfaturamento mediante falsidade documental material, devese aplicar a penalidade prevista no artigo 23, IV, e § 3o, DecretoLei no 1.455/1976, combinado com o artigo 105, VI, do DecretoLei no 37/1966 (a pena de perdimento ou, na impossibilidade de aplicação, a multa que a substitui). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 71 9. 00 28 08 /2 00 8- 80 Fl. 3414DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, em julgar o processo da seguinte maneira: (i) dar provimento parcial ao Recurso de Ofício da seguinte forma: pelo voto de qualidade, para afastar a decadência dos tributos e consectários legais autuados, com fulcro no art. 173, I, do CTN. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Renato Vieira de Avila e Cynthia Elena de Campos que negavam provimento integral ao recurso, nos termos do voto do relator; e (ii) dar provimento parcial ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (ii.1) pelo voto de qualidade, em conhecer e negar provimento às preliminares do recurso. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Renato Vieira de Avila e Cynthia Elena de Campos que não conheciam das preliminares face ao julgamento anterior pela Resolução nº 310100.115; (ii.2) pelo voto de qualidade, para afastar a multa aduaneira do controle administrativo incidente sobre a diferença entre o preço de importação declarado e o efetivamente praticado (art. 88, parágrafo único da MP n. 2.15835/01) vez que, diante da falsidade material das faturas, seria cabível penalidade distinta. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Renato Vieira de Avila e Cynthia Elena de Campos que davam provimento integral ao recurso, nos termos do voto do relator. Designado o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila. Relatório 1. Tratase de Auto de Infração no valor de R$ 12.387.556,65 lavrado para a exigência de Imposto de Importação, juros de mora e multa agravada (150%), bem como multa do controle administrativo incidente sobre a diferença entre o preço de importação declarado e o efetivamente praticado (art. 88, parágrafo único da MP n. 2.15835/011). Segundo a acusação 1 "Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: (...) Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis." Fl. 3415DF CARF MF Processo nº 12719.002808/200880 Acórdão n.º 3402005.545 S3C4T2 Fl. 3.415 3 fiscal o contribuinte teria importado mercadorias para o período em cobro (09/2003 a 01/2005) com valor subfaturado, o que implicou a apuração e cobrança do tributo e consectários legais sobre esta diferença, bem como a sobredita multa de controle administrativo. 2. Para melhor ilustrar a acusação em análise, convém desde já destacar alguns trechos do relatório fiscal (fls. 47/49), in verbis: (...). (...). Fl. 3416DF CARF MF 4 3. Devidamente intimado da autuação, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1.002 1.027 (vol. 06 do eprocesso), oportunidade em quem em síntese, alegou: 4. Uma vez processada, referida impugnação foi julgada parcialmente procedente pela DRJFlorianópolis (acórdão n. 0716.428 fls. 2.274/2.288), conforme se observa da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 08/09/2003 a 18/01/2005 BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. Constatado que os preços das mercadorias consignados nas declarações de importação e correspondentes faturas não Fl. 3417DF CARF MF Processo nº 12719.002808/200880 Acórdão n.º 3402005.545 S3C4T2 Fl. 3.416 5 correspondem à realidade das transações e são inferiores aos preços efetivamente praticados fica caracterizado o sub faturamento. Portanto, exigíveis os tributos aduaneiros devidos. Alterada a base de cálculo do II, por mudança no valor aduaneiro tornase exigível a diferença do II, resultante desse ato. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Cabível a multa de ofício agravada, de 150% sobre o II apurado. Constatada a fraude na importação é aplicável a multa agravada de lançamento de ofício do II. MULTA ADMINISTRATIVA. Constatada diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado nas importações é correta a exigência da multa administrativa. DECADÊNCIA. TRIBUTOS E INFRAÇÕES. Os tributos têm a contagem do prazo decadencial de acordo com a regra geral estabelecida pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, ou seja, iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A fraude constatada afasta a homologação tácita. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do DecretoLei n° 37/66. REVISÃO ADUANEIRA. A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data do registro da declaração de importação correspondente. Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. Lançamento Procedente em Parte. 5. Em suma, a DRJ reconheceu a decadência de parte do crédito em cobro, o que implicou a sua exoneração parcial nos seguintes termos: 6. Diante do valor exonerado, foi interposto o recurso de ofício em relação a tal parcela. No que tange ao importe mantido, o contribuinte externou a sua irresignação por Fl. 3418DF CARF MF 6 intermédio do recurso voluntário de fls. 2.296/2.326, oportunidade em que repisou as questões desenvolvidas em impugnação. A União, por seu turno, apresentou contrarrazões as fls. 2.330/2.360. 7. Pautado para julgamento, a então turma julgadora, por intermédio da resolução n. 310100.115 (fls. 2.362/2.368), da lavra do Conselheiro Corintho Oliveira Machado, afastou as preliminares aventadas pelo Recorrente, bem como determinou que a fiscalização tomasse as seguintes providências: (...). i) faça quadro comparativo com importações de bens idênticos ou similares, nas mesmas ou similares quantidades e na mesma época das importações ora em discussão, colocando em epígrafe as colunas que mostram os valores aduaneiros; ii) trazer informações detalhadas dos processos que envolvem a exportadora e a importadora (recorrente) na comarca de Itajaí, tais como petições iniciais, decisões prolatadas, e demais provimentos que possam subsidiar essa lide; iii) solicite a instituição abalizada, perícia grafotécnica nas faturas comerciais que instruíram os despachos aduaneiros ora em questão, para verificar se são originais as assinaturas apostas, ou se são cópias de outras assinaturas; e nas faturas comerciais apresentadas pela exportadora, para verificar se foram emitidas em 2003, 2004 e 2005, ou se foram emitidas em período mais recente; iv) elaborar Informação Fiscal conclusiva sobre a imputação, levando em consideração as informações colhidas nos itens anteriores. (...). 8. Em resposta a tais indagações, a unidade preparadora produziu o relatório fiscal de fls. 2.948/2.956, com as seguintes considerações: (...). Diante dos dados acima transcritos constatese que os preços declarados por J. RUETTE estiveram sempre abaixo da média dos preços unitários por par de luvas praticados nas demais importações brasileiras de mercadorias classificadas no subitem da NCM 4015.1900 provenientes da Malásia. O preço declarado pela J. RUETTE foi sempre inferior a 65% do preço médio das demais importações. A comparação levando em conta o valor da mercadoria dividida pelo peso líquido também aponta para a prática de preços abaixo da média (em torno de 70% do preço médio, aproximadamente, de modo geral). (...). 9. Não obstante a tal consideração, em resposta a intimações elaboradas durante a fase de diligência, o contribuinte apresentou cópias das principais peças da ação judicial (autos n. 033.06.0158452, com trâmite pela 3a V. Cível da Comarca de Itajaí/SC) em que litiga, na qualidade de réu e também de reconvinte, com a empresa APL (fls. 2.370 e s.s.). Fl. 3419DF CARF MF Processo nº 12719.002808/200880 Acórdão n.º 3402005.545 S3C4T2 Fl. 3.417 7 10. Tratase de uma ação de cobrança proposta pela empresa APL em face da recorrente em que reclama um valor inadimplido de importações na ordem de aproximadamente U$ 3.000.000,00. Há nesta demanda, inclusive, um incidente de falsidade documental promovido pela recorrente, o qual tem por fito questionar exatamente a falsidade das faturas apresentadas pela empresa APL à RFB no auto de infração aqui questionado. Ressaltese, ainda, que referida ação foi objeto de um acordo judicial, conforme se observa do teor da decisão abaixo transcrita: Cuidase de Ação de Cobrança aforada por APL Products DNBHD em face de J. Ruette Comercial Importação e Exportação Ltda., na qual as partes celebraram a composição anexada aos autos. Levandose em conta que seus termos atendem aos interesses das partes, o acordo deve ser homologado. Isto posto, homologo por sentença, para que em direito surta os jurídicos e legais efeitos o acordo firmado entre as partes e, em consequência, DECLARO EXTINTA com fundamento no art. 269, III, do Código de Processo Civil, a presente ação registrada sob o nº. 001584523.2006.8.24.0033, ajuizada por APL Products DNBHD contra J. Ruette Comercial Importação e Exportação Ltda. Eventuais custas finais pela requerida. Ademais, cancelo a audiência aprazada. P.R.I. (...). 11. Importante também registrar que a informação quanto à decisão homologatória do aludido acordo não consta dos autos, tendo sido obtida por este Relator por intermédio de consulta processual perante o sítio eletrônico do Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Todavia, não foi possível acessar o teor do referido acordo. 12. Feitos esses esclarecimentos e retomando o iter do presente processo fiscal, o contribuinte foi intimado a se manifestar a respeito da diligência realizada, o que fez por intermédio da petição de fls. 2.985/3.007. 13. Não obstante, após a manifestação do contribuinte, este trouxe aos autos um fato novo, devidamente comprovado pelo documento de fls. 3.008/3.124. Segundo o contribuinte, a empresa APL, i.e., a empresa exportadora dos bens indicados nas DI's aqui fiscalizadas2 e que forneceu à RFB as faturas que pautaram a presente autuação, entrou em processo de liquidação na Malásia, o que suscitou a recorrente solicitar junto aos liquidantes judiciais indicados pela Corte Superior daquele país as informações quanto às operações efetivamente ocorridas entre a APL e a recorrente. 14. Foram este os documentos novos colacionados pela recorrente, acompanhados da sua tradução juramentada e que, por seu turno, foram objeto de perícia 2 Declarações de Importações n° 03/0763427 7 , 03/07808801, 03/08767807, 03/08892202, 03/09574050, 03/09839496, 03/10042520, 03/10533974, 03/10816658, 04/00049338, 04/00091636, 04/00181392, 04/01380119, 04/03336117, 04/04071729, 04/04861100, 04/05631523, 04/07104237, 04/07219387, 04/07412780, 04/07679698, 04/08396410, 04/08398862, 04/08457370, 04/08457400, 04/08533468, 04/09887336, 04/10121341, 04/11392594, 04/11710065, 04/11715903, 04/11896401 e 05/00595547. Fl. 3420DF CARF MF 8 realizada a mando da recorrente e que redundou no Parecer Técnico Documentoscópico de fls. 3.132/3.146. Referido parecer, contrapondo as faturas apresentadas pela APL para a RFB com aquelas obtidas junto ao liquidante na Malásia, assim concluiu: 15. Diante deste novo fato, esta turma julgadora, na sua anterior composição, acompanhou o voto da então Relatora do caso, Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, para novamente baixar o processo em diligência (Resolução n. 3402000.790 fls. 3.327/3.329) para que fossem tomadas as seguintes providências: (...).já que a acusação fiscal recaiu sobre a falsidade das notas fiscais apresentadas pela Recorrente emitidas pela APL Malásia e a diligência realizada não foi absolutamente conclusiva pela falsidade, por falta de pressupostos a conferir assinaturas apostas em faturas, proponho a conversão do julgamento do Recurso Voluntário em diligência para que a DRF de origem do processo, examine os documentos juntados pela Recorrente em fls. 2.811 a 2.867, 2.868 a 2.924 e 2.933 a 2.946 dos autos e emita relatório de análise conclusivo sobre os mesmos documentos em obediência ao princípio do contraditório e em busca da verdade material que ao final há de ser encontrada no julgamento desse litígio. Fl. 3421DF CARF MF Processo nº 12719.002808/200880 Acórdão n.º 3402005.545 S3C4T2 Fl. 3.418 9 (...). 16. A fl. 3.336 foi acostado o relatório fiscal elaborado pela unidade preparadora que laconicamente concluiu: (...). Após analisar os documentos conforme solicitado, não teria nada a acrescentar ou modificar no que já foi exposto no Relatório de Procedimento Fiscal anexo a este (fls. 36 a 49). Apenas gostaria de ressaltar daquele relatório que todas as faturas comerciais que embasaram o trabalho foram enviadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil por representante da empresa APL Products SDN BHD, conforme consta em fls. 458 a 464. Era o que tinha a informar (...). 17. Diante deste quadro e já na qualidade de Relator do presente caso, apresentei resolução aprovada por este colegiado nos seguintes termos: 18. Conforme se observa dos autos, no que tange ao mérito da presente demanda, a questão central a ser resolvida gravita em torno de uma questão de ordem probatória, i.e., apurar se as faturas comerciais apresentadas pela exportadora à RFB e que deram fundamento à autuação em apreço são ou não fidedignas, o que permitirá responder se de fato houve ou não subfaturamento para as DI's fiscalizadas. 19. Dentre todos os documentos acostados nos autos, incluindo aqueles que foram aqui apresentados como resultado das diligências perpetradas, pareceme que seria essencial para o deslinde da presente quaestio o resultado do incidente de falsidade documental instaurado nos autos n. 033.06.0158452, com trâmite pela 3a. V. Cível da Comarca de Itajaí/SC. Acontece que, para a surpresa deste Relator, referido processo foi objeto de acordo entre os litigantes, acordo este homologado judicialmente. 20. Não obstante, referida informação do sobredito acordo foi obtido por este Relator mediante pesquisa no sítio eletrônico do TJ/SC, já que não há qualquer informação a respeito de tal fato nos autos. Acontece que, embora tenha conseguido referida informação, não tive acesso ao teor do acordo homologado, o qual, por seu turno, a depender do seu teor, pode ser elucidativo acerca da controvérsia que gravita em torno da idoneidade ou não das faturas fiscais apresentadas pela exportadora e que subsidiam a presente autuação. (...). 22. Assim, resolvo determinar o sobrestamento do presente caso neste Tribunal e determino que a secretaria deste CARF intime o Fl. 3422DF CARF MF 10 recorrente para apresentar cópia do teor do aludido acordo no prazo de 30 (trinta) dias. Sublinhese que não basta a apresentação do simples teor do acordo, devendo ser juntada cópia da petição de acordo acostada no citado processo judicial e que fora objeto de homologação. (...). 18. Devidamente intimado, o contribuinte não apresentou cópia do resultado do sobredito acordo. 19. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 20. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. O mesmo ocorre em relação ao recurso de ofício, já que o valor exonerado supera o importe de alçada, o que torna seu conhecimento imperioso. I. O recurso de ofício 21. Conforme relatado alhures, o valor exonerado3 supera a alçada estabelecida pela Portaria MF nº 63/2017, atualmente vigente e que fixou o novo limite de R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) para fins de interposição de recurso de oficio. 22. A decisão recorrida de ofício exonerou o contribuinte de parcela do crédito tributário, bem como de parcela da multa do controle administrativo incidente sobre a diferença entre o preço de importação declarado e o efetivamente praticado (art. 88, parágrafo único da MP n. 2.15835/01. 23. Ademais, conforme se observa dos autos, a presente exigência aduaneira fiscal compreende fatos infracionais e geradores ocorridos entre 08 de setembro de 2003 e 18 de janeiro de 2005. Por sua vez, a notificação do contribuinte para fins de cientificação de tais exigência só ocorreu em 17 de dezembro de 2008 (fl. 43). Percebese, pois, que a discussão quanto à decadência gravita em torno dos fatos fiscalizados e ocorridos no ano de 2003. 24. Feitos esses esclarecimentos preambulares e para a melhor compreensão das questões aqui tratadas, convém cindir a análise desta decadência parcial em duas partes: uma relacionada a exigência da sanção aduaneira e outra referente a exigência tributária e consectários legais. (i.a) Da decadência de parte da sanção aduaneira 25. Antes de tratar da decadência de parte da sanção aduaneira imposta em desfavor do contribuinte, mister se faz realçar um fato que é fundamental para o deslinde desde tópico: o importe exigido em razão do disposto no parágrafo único do art. 88 da MP n. 2.158 35/01 não tem natureza tributária, uma vez que tratase de sanção imposta em razão de burla cometida ao controle administrativoaduaneiro. Logo, as normas de regência referentes à 3 De aproximadamente R$ 3.500.000,00 quando do advento do acórdão proferido pela instância "a quo". Fl. 3423DF CARF MF Processo nº 12719.002808/200880 Acórdão n.º 3402005.545 S3C4T2 Fl. 3.419 11 decadência da específica exigência aqui tratada não são aquelas positivadas no Código Tributário Nacional, mas sim as disposições previstas nas específicas legislações aduaneiras. 26. Assim, convém destacar que tanto o art. 139 do Decretolei n. 37/664 quanto o art. 669 do Regulamento Aduaneiro/025 (vigente à época dos fatos) estabelecem que, na hipótese de imposição de penalidades (exatamente como ocorre no caso em tela), o prazo para a constituição desta sanção negativa é de 05 (cinco) anos e tem como termo inicial a data da infração, o que, em matéria aduaneira ocorre com o registro da Declaração de Importação. Neste mesmo sentido é a uníssona jurisprudência deste Tribunal Administrativo, conforme se observa das ementas exemplarmente colacionadas abaixo: Ementa Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA DA INFRAÇÃO NA IMPORTAÇÃO. DATA REGISTRO DA DI. O direito de impor penalidade se extingue no prazo de 05 anos a contar da infração. A infração de dano ao erário em face de interposição fraudulenta de terceiro, na operação de importação, ocorre na data de registro da DI, ocasião em que o importador fornece as informações pertinentes. (...). (Número do Processo: 10783.720470/201067; Data da Sessão: 11/11/2014; Relatora: MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACO; Acórdão n. 3302002.759). Ementa Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2011 AUTO DE INFRAÇÃO. IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. DECADÊNCIA. O direito de aplicação de penalidade relacionada à interposição fraudulenta de pessoa em operações de importação extinguese em cinco anos contados da data do registro da Declaração de Importação. (...). 4 "Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração." 5 "Art. 669. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração." Fl. 3424DF CARF MF 12 (Número do Processo: 12466.724301/201103; Data da Sessão: 16/09/2014; Relatora: ALEXANDRE KERN; Acórdão n. 3403 003.225). 27. No mesmo sentido são os precedentes desta turma julgadora, conforme se observa de caso exemplarmente colacionado abaixo e de relatoria do Conselheiro Waldir Navarro Bezerra: Ementa Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 21/06/2006 DECADÊNCIA. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. NORMA ESPECIAL. Em se tratando de infrações aduaneiras, a decadência segue o regramento especial previsto no art. 139 do Decretolei nº 37/66, que dispõe que o prazo de decadência para impor penalidades é de 5 anos a contar da data da ocorrência da infração. (...). 28. Ressaltese, ainda, que nenhum dos diplomas legais alhures citados trazem qualquer causa de suspensão ou interrupção do referido prazo decadencial6 . 29. Dito isso, resta claro que parte da exigência tipicamente aduaneira aqui tratada está decaída, o que atesta o acerto da decisão recorrida. Conforme se observa do Auto de Infração em comento, as importações fiscalizadas e que ensejaram a sanção aduaneira ocorreram no período compreendido entre 08/09/2003 e 18/01/2005. Por sua vez, o contribuinte foi notificado pessoalmente da autuação em destaque no dia 17/12/2008 (fl. 43). Logo, realmente está decaída a parcela da multa imposta em relação aos fatos infracionais ocorridos até 17/12/2003. 30. Nesse sentido, a decisão recorrida deve ser mantida. (i.b) Da decadência do crédito tributário referente ao Imposto sobre Importação 31. Não obstante, a outra parcela dos valores originalmente exigidos e que foi exonerada pela DRJ diz respeito ao I.I. objeto da autuação fiscal. Em relação a tal exigência, a decisão a quo assim manifestouse para justificar o reconhecimento da decadência: 6 Em verdade, as duas únicas causas de suspensão existentes na legislação aduaneira se referem ao prazo prescricional (art. 140 do Decretolei n. 37/66), conforme se observa do art. 141 do citado veículo normativo, "in verbis": " Art.141 O prazo a que se refere o artigo anterior não corre: I enquanto o processo de cobrança depender de exigência a ser satisfeita pelo contribuinte; II até que a autoridade aduaneira seja diretamente informada pelo Juízo de Direito, Tribunal ou órgão do Ministério Público, da revogação de ordem ou decisão judicial que haja suspenso, anulado ou modificado exigência, inclusive no caso de sobrestamento do processo." Fl. 3425DF CARF MF Processo nº 12719.002808/200880 Acórdão n.º 3402005.545 S3C4T2 Fl. 3.420 13 Fl. 3426DF CARF MF 14 32. Da leitura da decisão da DRJ, é possível concluir que, embora, em um primeiro momento, o julgador a quo faça a devida distinção de regimes jurídicos entre sanções aduaneiras e exigências tributárias decorrentes de operações aduaneiras, ao final, em conclusão, a imposição de multa de ofício em face da exigência tributária teria caráter sancionatório, motivo pelo qual a revisão aduaneira não poderia extrapolar 5 (cinco) anos contados do fato infracional. Logo, estaria decaída a multa de ofício, os juros de mora e o próprio tributo (I.I.). 33. Com a devida vênia, o julgador de piso confundese ao atribuir à revisão aduaneira status de lançamento tributário e, com isso, atribuir a todos os fatos apurados em revisão o regime jurídico próprio de exigências de caráter administrativoaduaneiras. Em outros termos, o tipo formal de procedimento administrativo não tem o condão de definir a natureza jurídica do fato apurado (aduaneiro ou tributário), uma vez que a forma não é capaz de moldar o conteúdo da exigência. 34. Assim, embora o presente procedimento seja fruto de revisão aduaneira, tal fato não é suficiente para afastar o status de tributo para aqueles valores apurados com esse viés. Consequentemente, se parte do que foi apurado é tributo, o regime jurídico a ser imputado Fl. 3427DF CARF MF Processo nº 12719.002808/200880 Acórdão n.º 3402005.545 S3C4T2 Fl. 3.421 15 a tal exigência é aquele atribuído pelo CTN e demais normas que tratam de tributos, inclusive para fins de contagem de prazo decadencial. 35. No presente caso, portanto, o reconhecimento ou não quanto à decadência de parte da exigência tributária aqui debatida, i.e., referente aos fatos anteriores a 17/12/2003, tem a ver com a constatação ou não da incidência da parte final do art. 150, § 4º do CTN7, ou seja, da comprovação ou não de dolo, fraude ou simulação por parte da recorrente. Acontece que tal análise se confunde com o próprio mérito da presente demanda, motivo pelo qual o provimento ou não do recurso de ofício neste item em particular será retomado em momento oportuno no presente voto. II. O recurso voluntário (ii.a) As questões preliminares 36. Antes de analisar o mérito da presente demanda, mister se faz destacar que as questões preliminares desenvolvidas pela recorrente já foram julgadas por este Tribunal Administrativo. É o que se depreende do teor da resolução n. 310100.115 (fls. 2.362/2.368), da lavra do Conselheiro Corintho Oliveira Machado. Naquela oportunidade o colegiado afastou as preliminares no sentido de (i) ser nulo o auto de infração por pretensa incompetência da autoridade fiscalizadora, bem como de (ii) uma suposta preclusão administrativa que impossibilitaria a revisão das DI's referente ao período compreendido entre outubro de 2002 e agosto de 2004. 37. Bem ou mal tais questões estão decididas, havendo uma preclusão pro judicato para que este Colegiado em sua atual composição avalie tais questões. Assim, quanto a tais pontos, eventual revisão do que fora decidido ficará sob responsabilidade da CSRF, na hipótese do contribuinte oportunamente interpor eventual recurso especial para esse fim. (ii.b) O mérito da demanda (ii.b.i) A decadência parcial do crédito tributário 38. Um ponto discutido pelo contribuinte em seu recurso voluntário diz respeito a decadência de parte do crédito tributário, mais precisamente o período anterior a dezembro de 2003. Fundamenta seu recurso no disposto no art. 150, §4° do CTN. 39. Aparentemente tal questão também teria sido decidida pela resolução n. 310100.115 (fls. 2.362/2.368) quando assim prescreveu: (...). A preliminar de decadência dos períodos anteriores à competência de 12/2003, escorada no art. 150, §4°, do CTN, e 7 "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Fl. 3428DF CARF MF 16 no art. 54 do DL n° 37/66, não merece guarida, pelo menos nesse momento. É que o prazo decadencial tem dies a quo distinto da regra geral quando há fraude tributária, e nesse caso devese considerar a relação jurídica com o Fisco in statu assertionis, ou seja, à vista do que pelo autor restou afirmado, porém, de forma provisória, pois quando tratarse do mérito tal questão será novamente abordada. Assim, por ora aplicase o prazo decadencial do art. 173,1, e não o do art. 150, § 4 o , do CTN, em virtude de mandamento do próprio § 4 o retrocitado. Ainda cumpre dizer que o art. 54 do DL n° 37/66 é a regra geral de decadência para o imposto de importação, e não pode ser interpretado à margem do sistema tributário, tendo de levar em consideração as normas referentes à decadência plasmadas no CTN (lei complementar à Constituição da República), que excetuam as hipóteses de fraude, dolo e conluio da regra geral. (...) (negrito constante no original, sublinha nossa). 40. Acontece que, a leitura mais detalhada do citado excerto deixa claro que tal questão foi tratada a título de obter dictum, uma vez que, como reconhecido pelo próprio Relator do caso à época, aparentemente não haveria decadência "naquele momento" processual. E é óbvio que, naquele instante, a análise quanto a incidência do art. art. 150, §4° do CTN estava prejudicada, uma vez que dependia do resultado da própria diligência retratada na resolução n. 310100.115, a qual pretendia apurar a existência ou não de conduta dolosa, fraudulenta ou simulada por parte da recorrente. 41. Assim, compete a esse colegiado, neste momento processual, decidir tal questão prejudicial de mérito. Ocorre que, da mesma forma que acontece com o recurso voluntário, o conhecimento de tal questão se confunde com o mérito da lide, motivo pelo qual o provimento ou não do recurso voluntário neste tópico em especial será retomado no item subsequente. (ii.b.ii) Da operação fiscalizada e o cerne da presente discussão 42. Consoante já exposto anteriormente, o ponto central da presente exigência está em saber se, para as operações de importações fiscalizadas, houve ou não subfaturamento por parte da recorrente. 43. Segundo a acusação fiscal, tal subfaturamento estaria comprovado em razão da divergência material entre os documentos emitidos pela recorrente e que ampararam as DI's fiscalizadas e as faturas comercias emitidas pela empresa exportadora (APL Products) e que foram entregues ao fisco após intimação fiscal com esse fito. 44. Logo, a questão central a ser resolvida gravita em torno de uma questão de ordem probatória, i.e., apurar se as faturas comerciais apresentadas pela exportadora à RFB e que deram fundamento à autuação em apreço são ou não fidedignas, o que permitirá responder se de fato houve ou não subfaturamento para as DI's fiscalizadas. 45. Antes, todavia, de seguir adiante nesta análise, insta retomar a acusação fiscal, em especial alguns fatos destacados no relatório de procedimento fiscal (fls. 45/49). 46. Primeiramente, insta sublinhar que no citado relatório fiscal a fiscalização afirma que a recorrente, ao promover as importações sub judice, instruiu todas as correlatas DI's com os documentos exigidos nos art. 482, 491 e 493 do RA/2002, vigente à época, documentos esses que, ainda segundo o relatório fiscal, foram entregues à fiscalização em Fl. 3429DF CARF MF Processo nº 12719.002808/200880 Acórdão n.º 3402005.545 S3C4T2 Fl. 3.422 17 resposta a intimação fiscal para esse fim. É o que se observa do seguinte trecho da manifestação fiscal: 48. Ainda em relação aos sobreditos documentos entregues pela recorrente e que instruíram as DI's fiscalizadas, foi produzido laudo técnico com o fito de atestar a autenticidade de tais documentos em resposta a diligência determinada por este CARF (resolução n. 310100.115). Embora não tenha sido conclusivo em alguns pontos, em relação aos documentos apresentados pelo contribuinte e que instruíram as DI's em apreço assim se manifestou o perito designado pela RFB (fls. 2.962/2.968): (...). Da observação das assinaturas encontradas nos documentos do Anexo II, verificase que são lançamentos manuscritos e não cópias diretas de alguma ou algumas assinaturas. Vide Figuras 3 e 4 a seguir. (...). Os lançamentos manuscritos a título de assinatura encontrados nas faturas de números 2278, 2288, PF2376, PF 2418, 2450, 2464 e PF2492, guardam semelhança gráfica (aspecto pictórico) com aquelas imagens de lançamentos encontrados nas faturas do Anexo I, que se apresentam na forma de cópias. (...). Realizados os confrontos grafoscópicos, entre as assinaturas das faturas 2278, 2288, PF2376, PF 2418, 2450, 2464 e PF2492 e as assinaturas do Anexo I, verificouse que os lançamentos, conforme já mencionado, têm similaridade gráfica, com inclinação da escrita, laçada inicial e traço sob o lançamento, no entanto possuem diferenças marcantes, quanto ao ataque da escrita, remate e valores angulares, indicando que foram produzidas por outro punho escriturador. No entanto para afirmar categoricamente que tais lançamentos são "cópias", ou seja, falsificações das assinaturas existentes nos documentos do Anexo I, necessário se fazem a identificação das pessoas autorizadas a assinar tais faturas, o envio de material (padrão gráfico) reconhecidamente autêntico dessas pessoas, bem como, o envio dos lançamentos originais (Anexo I). (...). 49. Ao se analisar tais considerações de ordem técnica é possível concluir que (i) aqueles documentos entregues pelo contribuinte à fiscalização e que instruíram as DI's fiscalizadas são documentos manuscritos e não cópias diretas, o que pode ser indício de sua autenticidade; (ii) que o confronto dos documentos apresentados pelo contribuinte com aqueles fornecidos pela exportadora à RFB demonstram uma aparente divergência nas assinaturas Fl. 3430DF CARF MF 18 confrontadas, mas que não é possível atestar (ii.i) se de fato houve uma falsificação e, em caso positivo, (ii.ii) qual seria o documento falsificado, uma vez que o documento apresentado pela exportadora à RFB era cópia e não original. 50. Seguindo adiante na análise das provas produzidas nos autos, é possível observar a existência de uma demanda judicial entre a recorrente e a exportadora, a qual redundou no ajuizamento de uma ação de cobrança desta última em face da primeira em valor de aproximadamente R$ 3.000.0000,00, ação esta distribuída em 09 de outubro de 2006 (fl. 2.370), i.e., antes da lavratura do auto de infração aqui debatido o que, por seu turno, já teria gerado uma animosidade entre as empresas. Mais do que isso, os documentos de fls. 2.550 e s.s. atestam que a recorrente promoveu uma reconvenção contra a empresa exportadora, vindicando uma indenização próxima de R$ 1.400.000,00, o que só potencializaria tal animosidade. 51. Ademais, a recorrente foi buscar informações junto a empresa exportadora (APL Products SDN BHD) em seu país de origem, i.e., na Malásia, oportunidade em que obteve a informação que tal empresa estaria em processo de liquidação judicial. Diante deste quadro, o recorrente teve acesso aos liquidantes da exportadora na Malásia, os quais prestaram as seguintes informações (original as fls. 3.009/3.022 e tradução juramentada as fls. 3.066/3.122): Fl. 3431DF CARF MF Processo nº 12719.002808/200880 Acórdão n.º 3402005.545 S3C4T2 Fl. 3.423 19 52. A respeito de tais declarações, a fiscalização limitouse a assim se manifestar (fl. 3.336): (...). Após analisar os documentos conforme solicitado, não teria nada a acrescentar ou modificar no que já foi exposto no Relatório de Procedimento Fiscal anexo a este (fls. 36 a 49). Apenas gostaria de ressaltar daquele relatório que todas as faturas comerciais que embasaram o trabalho foram enviadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil por representante da empresa APL Products SDN BHD, conforme consta em fls. 458 a 464. Era o que tinha a informar (...). 53. A informação fiscal de que as faturas comerciais foram entregues pela própria exportadora causam espanto ainda maior, uma vez que divergem dos documentos apresentados pelo liquidante da empresa e que, em princípio, atestariam a mesmíssima operação empresarial perpetrada com a recorrente. 54. Diante de tudo o que fora dito até aqui, este Relator só consegue extrair duas certezas: Fl. 3432DF CARF MF 20 (i) de que a autuação fiscal foi exclusivamente embasada nas faturas comerciais apresentadas pela exportadora acostada aos autos eletrônicos as fls 486 e s.s. 8; e (ii) que existem fatos e contraprovas apresentados pelo recorrente no sentido de por em dúvida a autenticidade do conteúdo das informações constantes nos documentos de fls. 486 e s.s.. 55. A única vez em que a fiscalização traz outro elemento que, em tese, poderia chancelar sua acusação de subfaturamento, é em sede de resposta a diligência fiscal (fls. 2.948/2.950), quando afirma fazer uma comparação entre o valor das mercadorias importadas pela recorrente e de equivalentes no mercado, oportunidade em que teria apurado uma divergência para menor de aproximadamente 60% entre a mercadoria fiscalizada e aquelas objeto de comparação. Acontece que, em resposta a tal assertiva, o contribuinte alega que: 56. Ademais, este Conselho tem reiteradamente afirmado que a simples divergência de valores entre mercadorias importadas não é suficiente para a comprovação de subfaturamento. Poderia, eventualmente, configurar um indício, mas não prova cabal de tal ilicitude. Nesse sentido, inclusive, é o posicionamento majoritário desta turma julgadora, conforme se observa de julgado da lavra da conselheira Maria Aparecida Martins de Paula: 8 Conforme se observa do seguinte trecho do relatório fiscal (fl. 49): "(...). Não necessita de mais elementos esta fiscalização para concluir que as faturas comercias apresentadas pelo importador J. Ruette nas DIs listadas na Tabela 2 (fl. 39) não foram os mesmos documentos emitidos pelo exportador, e que seriam de apresentação ojbrigatória no despacho aduaneiro conforme o item II do art. 493 do Decreto n. 4.543, constituindose então em faturas comerciais falsas (...)." Fl. 3433DF CARF MF Processo nº 12719.002808/200880 Acórdão n.º 3402005.545 S3C4T2 Fl. 3.424 21 (...). Também a constatação de que os valores declarados seriam abaixo dos "parâmetros estabelecidos como aceitáveis pela Administração da RFB", sem uma justificativa razoável por parte do importador, não se trata de elemento caracterizador de fraude. Tal fato, por vezes adotado pela Aduana para a seleção automática da Declaração de Importação para o canal cinza de conferência aduaneira, pode apenas se caracterizar como um indício de subvaloração ou subfaturamento das mercadorias, passível de ser melhor investigado pela fiscalização no curso do despacho de importação ou em sede de revisão aduaneira. O simples fato de um preço ser inferior aos preços correntes de mercado para mercadorias idênticas não é motivo suficiente para sua rejeição, conforme concluiu o Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial de Aduanas (OMA), na Opinião Consultiva 2.1, divulgada pela Instrução Normativa SRF nº 318/2003: OPINIÃO CONSULTIVA 2.1 ACEITABILIDADE DE UM PREÇO INFERIOR AOS PREÇOS CORRENTES DE MERCADO PARA MERCADORIAS IDÊNTICAS 1. Foi formulada a questão acerca da aceitabilidade de um preço inferior aos preços correntes de mercadorias idênticas quando da aplicação do Artigo 1 do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira examinou esta questão e concluiu que o simples fato de um preço ser inferior aos preços correntes de mercado para mercadorias idênticas não poderia ser motivo para sua rejeição para os fins do Artigo 1, sem prejuízo, no entanto, do estabelecido no Artigo 17 do Acordo. Ora, se o preço inferior a um “mínimo desejado”, por si só, não poderia acarretar sequer a descaracterização do valor da transação (1º método de valoração), ou seja, não possibilitaria a utilização de métodos substitutivos de valoração, como poderia caracterizar uma fraude, sonegação ou conluio no que concerne ao valor aduaneiro? (...). 57. Assim, diante de todo o quadro aqui formado, tenho para mim que a prova produzida pela fiscalização não é suficiente para caracterizar a conduta fraudulenta com fins de faturamento. A consequência pragmática imediata para o presente acaso é: (i) de negar provimento ao recurso de ofício interposto em relação à decadência do tributo, ainda que por outros motivos determinantes; (ii) a de dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte para reconhecer a decadência de parcela do crédito tributário anterior a dezembro de 2003; e, Fl. 3434DF CARF MF 22 por fim, em relação à exigência remanescente, também dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Dispositivo 58. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. 59. É como voto. (assinado digitalmente) Relator Diego Diniz Ribeiro. Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Redator Designado. O ilustre Relator entendeu que a prova produzida pela fiscalização não seria suficiente para caracterizar a conduta fraudulenta com fins de faturamento. Dessa forma, votou no sentido de negar provimento ao recurso de ofício interposto em relação à decadência do tributo; dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte para reconhecer a decadência de parcela do crédito tributário anterior a dezembro de 2003; e, por fim, em relação à exigência remanescente, também em dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Não é o entendimento do colegiado. Quanto às preliminares, o i. relator entendeu que as questões já teriam sido julgadas por este Tribunal Administrativo, na sessão de julgamento que culminou na Resolução 310100.115 (fls. 2.362 a 2.368), da lavra do Conselheiro Corintho Oliveira Machado. O colegiado, pelo voto de qualidade, divergiu do relator por entender que as apreciações feitas em julgamento anterior, que resultaram em resolução, devem ser novamente apreciadas no novo julgamento, conforme dispõe os § § 4º e 5º do art.63 do RICARF: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. § 4º A decisão será em forma de resolução quando for cabível à turma pronunciarse sobre o mesmo recurso, em momento posterior. § 5º No caso de resolução ou anulação de decisão de 1ª (primeira) instância, as questões preliminares, prejudiciais ou mesmo de mérito já examinadas serão reapreciadas quando do julgamento do recurso, por ocasião do novo julgamento. Conhecido o recurso, em suas preliminares, o colegiado afastouas. Quanto à preliminar de nulidade do auto de infração por incompetência da autoridade lançadora, o colegiado entendeu que a legislação à época dos fatos (art. 6º da Lei n° 10.593/2002, com a redação dada pela Lei n° 11.457/07) conferia competência ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil para constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e Fl. 3435DF CARF MF Processo nº 12719.002808/200880 Acórdão n.º 3402005.545 S3C4T2 Fl. 3.425 23 de contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, competência ainda existente. Quanto à preliminar de preclusão administrativa de parte do crédito tributário, por impossibilidade de nova revisão das declarações de importação do período de out/2002 a ago/2004, o colegiado afastoua pela expressa previsão legal do instituto da Revisão Aduaneira (art. 54 do Decretolei 37/66), regulado pelo art. 638 do Regulamento Aduaneiro, que autoriza a revisão de todo o procedimento de importação no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de importação. No mérito, o colegiado entendeu pela robustez das provas carreadas pela Autoridade Fiscal, que comprovam a conduta fraudulenta e simulada da recorrente nas operações em questão. A questão da falsidade material9 das faturas é clara, conforme documentos apresentados pelo exportador, corroborada pelo levantamento de preços efetuado pela Autoridade Fiscal que constatou uma média de subfaturamento nas faturas de 60%, evidenciando o preço ficto retratado nas faturas apresentadas à fiscalização no despacho aduaneiro. Transcrevo excerto do voto condutor do acórdão recorrido, com a expressa manifestação da autoridade julgadora acerca da caracterização da fraude, que adoto como minhas razões de decidir: "Também não prospera a alegação de que a fraude inexiste porque haviam contratos de câmbio e outros documentos que atestam os valores declarados pela interessada. A caracterização da fraude, no presente caso, decorre do fato de a interessada ter apresentado no curso dos despachos de importação faturas que a autoridade fiscal logrou provar serem divergentes das faturas efetivamente emitidas pelo exportador, provas materiais de que ocorreu fraude. As faturas foram colhidas em poder do próprio exportador, e neste sentido o fato de a interessada e o exportador estarem em litígio judicial ou serem concorrentes comerciais não afastam as provas apresentadas pela autoridade fiscal. Também não afastam as provas existentes, os "contratos" ou as correspondências eletrônicas entre as partes, primeiro porque deles não se pode aferir qual o valor efetivamente praticado cm cada uma das transações comerciais (a indicação é de que poderia ser reajustado) e, segundo porque tratamse de ajustes que, a despeito de poderem ter sido pactuados, efetivamente não foram praticados, visto que o próprio exportador apresentou a fatura de cada operação comercial. Ademais, tais documentos não foram regularmente traduzidos para o vernáculo por tradutor juramentado, sendo ainda, no caso destes documentos, impossível se atestar que 9 “Na falsidade documental material, a ilicitude consiste na adulteração da forma do documento, no seu aspecto externo. Ocorre esta prática fraudulenta quando, por exemplo, o importador ou seu representante substitui a fatura enviada pelo exportador por outra fatura. O documento fraudulento foi produzido pelo importador, por seu representante, ou por sua conta e ordem, para adulterar os elementos principais da fatura comercial (nome do importador ou real adquirente, nos casos de interposição fraudulenta e ocultação; preço, no caso de subfaturamento). Este procedimento é muito frequente nas fraudes apuradas pela Administração Aduaneira brasileira, com a conjugação de subfaturamento e interposição fraudulenta de terceiros, com a fraude documental abrangendo tanto o importador, quanto o preço praticado.” (FERNANDES, Rodrigo Mineiro. Introdução ao direito aduaneiro. São Paulo: Intelecto, 2018). Fl. 3436DF CARF MF 24 efetivamente foram lavrados nas datas neles consignadas, o que, dadas as alegações da interessada, seria imprescindível. Como se percebe, contrariamente ao que defende a interessada, as provas acostadas aos autos, não se baseiam cm presunção, mas sim em prova material, qual seja, a trazida aos autos das faturas efetivamente emitidas pelo exportador por ocasião das transações comerciais." Todas as alegações da recorrente com o objetivo de desqualificar as faturas apresentadas não foram suficientes para afastar a certeza da fraude praticada, visto que não demonstraram, de forma incontestável, a inidoneidade das faturas apresentadas pelo representante do exportador. A declaração apresentada pelos liquidantes da exportadora na Malásia, (original as fls. 3.009/3.022 e tradução juramentada as fls. 3.066/3.122) apenas procurou reproduzir aquilo que estaria escriturado nos livros fiscais naquele país, com a expressa ressalva que eles não assumiam nenhuma declaração ou garantia expressa ou implícita. Ou seja, uma declaração que não é uma declaração, não servindo para desclassificar o documento anteriormente apresentado pela exportadora. A falsidade documental nos documentos instrutivos da importação é sancionada pela aplicação da pena de perdimento da mercadoria, de acordo com o disposto no inciso VI do artigo 105 do DecretoLei nº 37/66: Art. 105. Aplicase a pena de perda da mercadoria: [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário10 ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; (grifo nosso) A falsidade documental é caracterizada como dano ao erário, de acordo com o disposto no inciso IV do artigo 23 do DecretoLei nº 1.455/7611. Destacase que o dano pela prática ilícita em questão não é apenas o não recolhimento do tributo incidente, mas também a violação do bem jurídico tutelado pelo Direito Aduaneiro, o controle aduaneiro, e suas consequências econômicas na concorrência. Tal prática, punida com a pena de perdimento da mercadoria, pode ser sancionada, em substituição, pelo lançamento da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria na importação, em casos em que a mercadoria objeto da pena de perdimento não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida. Entretanto, a Autoridade Fiscal não aplicou a pena de perdimento, mesmo com a comprovação da falsidade material, mas a multa prevista no parágrafo único do artigo 88 da Medida Provisória nº 2.158, de 24/08/01, denominada de multa de diferença de preço. Art. 88. [...] Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da 10 O artigo 46 do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo Decretolei 2.472/88, trata da obrigatoriedade da apresentação da fatura comercial para o despacho aduaneiro: Art.46 Além da declaração de que trata o art.44 deste DecretoLei e de outros documentos previstos em leis ou regulamentos, serão exigidas, para o processamento do despacho aduaneiro, a prova de posse ou propriedade da mercadoria e a fatura comercial, com as exceções que estabelecer o regulamento. 11 DecretoLei nº 1.455/76. Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. Fl. 3437DF CARF MF Processo nº 12719.002808/200880 Acórdão n.º 3402005.545 S3C4T2 Fl. 3.426 25 exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. O Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 6.759/2009, introduziu a penalidade disposta no parágrafo único do artigo 88 da MP 2.15835, em seu artigo 703, verbis: Art. 703. Nas hipóteses em que o preço declarado for diferente do arbitrado na forma do art. 86 ou do efetivamente praticado, aplicase a multa de cem por cento sobre a diferença, sem prejuízo da exigência dos tributos, da multa de ofício referida no art. 725 e dos acréscimos legais cabíveis (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 88, parágrafo único). (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). Para evitar qualquer dúvida quanto a penalidade a ser aplicada, foi editado o Decreto nº 7.213, de 2010, incluindo o § 3oA no artigo 689 do Regulamento Aduaneiro, que expressamente esclarece que o perdimento deverá ser aplicado inclusive nos os casos de falsidade ideológica na fatura comercial. Tal dispositivo foi alterado pelo Decreto nº 8.010, de 2013, que melhorou a redação do referido parágrafo, além de incluir o §1ºA ao artigo 703, esclarecendo a questão do conflito nas normas: Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; [...] § 3ºA. O disposto no inciso VI do caput inclui os casos de falsidade material ou ideológica. Art. 703. [...] § 1ºA Verificandose que a conduta praticada enseja a aplicação tanto de multa referida neste artigo quanto da pena de perdimento da mercadoria, aplicase somente a pena de perdimento. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Portanto, a aplicação da pena de perdimento ou a multa de valor equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria importada, em caso de sua não localização, revenda ou consumo é compulsória por parte dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil e por parte dos Conselheiros do CARF que julgam as referidas matérias, por se tratar de norma legal expressa e determinação regulamentar (Decreto 6.759/2009). No presente caso, como se trata de falsidade material, não se aplica o disposto no Ato Declaratório PGFN nº 4, de 09 de maio de 2018, que autorizou a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante "nas ações judiciais que visem afastar a aplicação da pena de perdimento nas hipóteses de falsidade ideológica consistente no Fl. 3438DF CARF MF 26 subfaturamento do valor da mercadoria na declaração de importação, aplicandose apenas a pena de multa". Considerando a caracterização da falsidade material das faturas e a determinação legal e regulamentar para aplicação da pena de perdimento ou multa no valor equivalente ao valor aduaneiro (art.105, inciso VI, do DecretoLei nº 37/66; art.689, VI, do R.A.), o colegiado acordou em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a multa aduaneira do controle administrativo incidente sobre a diferença entre o preço de importação declarado e o efetivamente praticado (art. 88, parágrafo único da MP n. 2.158 35/01) vez que, diante da falsidade material das faturas, seria cabível penalidade distinta daquela lançada. Considerando a ocorrência de fraude comprovada, concluise pela aplicação da regra decadencial do artigo 173, I, relativo à parcela do auto de infração relativo ao lançamento da diferença de tributos e multas tributárias lançadas. Dessa forma, a turma julgadora concluiu pelo provimento parcial ao recurso de oficio, para afastar a decadência dos tributos e consectários legais autuados, com fulcro no art. 173, I, do CTN. É o voto vencedor. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes. Fl. 3439DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.011712/2007-11
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 9303-000.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
dt_publicacao_tdt : Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11080.011712/2007-11
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6009743
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-000.116
nome_arquivo_s : Decisao_11080011712200711.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : DEMES BRITO
nome_arquivo_pdf_s : 11080011712200711_6009743.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
id : 7750953
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:16:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076781418381312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1234; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 344 1 343 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.011712/200711 Recurso nº Especial do Procurador Resolução nº 9303000.116 – 3ª Turma Data 20 de fevereiro de 2019 Assunto SANEAMENTO DE ADMISSIBILIDADE Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CIBER EQUIPAMENTOS RODOVIARIOS LTDA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .0 11 71 2/ 20 07 -1 1 Fl. 345DF CARF MF Processo nº 11080.011712/200711 Resolução nº 9303000.116 CSRFT3 Fl. 345 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do acórdão nº 340000.334, que decidiu afastar a incidência de COFINS não cumulativa sobre valores percebidos a título de cessão de créditos de ICMS, por entendêlas como receita não operacional, bem como, admitiu, na qualidade de insumo, as aquisições de bens para manutenção de máquinas utilizadas na atividade da empresa, cuja ementa está assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INCLUSÃO DE VALORES NA BASE DE CÁLCULO DO PIS NÃO CUMULATIVO. VENDA DO ATIVO PERMANENTE. Por determinação expressa do § 3º, inciso II, do art. 1º da Lei nº 10.833/03, a receita auferida com a venda de bem ativo não compõe a base de cálculo da COFINS não cumulativa. BASE DE CÁLCULO DA COFINS NÃOCUMULATIVA. RECEITA DA CESSÃO DE CRÉDITO DO ICMS. Somente as receitas operacionais compõem a base de cálculo do PIS não cumulativo, sendo assim, o valor auferido com a cessão crédito do ICMS não compõe a base de cálculo dessa contribuição, por se tratar de receita não operacional. CRÉDITO DA COFINS NÃOCUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE BENS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. A aquisição de produto para manutenção de máquinas utilizadas na atividade da empresa gera crédito da COFINS não cumulativa por ser essencial ao cumprimento do seu objeto social. MANUTENÇÃO DO PRÉDIO GERA CRÉDITO DA COFINS NÃO CUMULATIVA. Em razão da disposição do art. 3o, inciso VII c/c inciso I, art 15, ambos da Lei nº 10.833/03, os gatos com manutenção do prédio onde ocorre o processo de produção geram crédito da COFINS não cumulativa, por se tratar de benfeitoria. CRÉDITO DA COFINS NÃO CUMULATIVO. CUSTO DO FRETE DE PRODUTO EM GARANTIA. A assistência feita ao produto em garantia faz parte do processo de venda, portanto, o frete do produto em garantia, quando suportado pelo sujeito passivo da COFINS, gera crédito da COFINS não cumulativa. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 11080.011712/200711 Resolução nº 9303000.116 CSRFT3 Fl. 346 3 LOCAÇÃO DE VEÍCULOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE SUA ESSENCIALIDADE PARA GERAR CRÉDITO. Se o sujeito passivo não comprovar que a locação de veículo é essencial para o cumprimento do objeto social da empresa, deve ser negado o crédito da COFINS nãocumulativa. CRÉDITO DA COFINS NÃOCUMULATIVA. COMPRA PARA RECEBIMENTO FUTURO. As compras para recebimento futuro, desde que seja de insumos essenciais ao processo de produção e já estejam pagas, geram crédito da COFINS não cumulativa. Recurso Provido em Parte. A Fazenda Nacional, suscita divergência jurisprudencial em relação às seguintes matérias: 1. incidência ou não do PIS e da COFINS não cumulativo sobre cessões onerosas de ICMS, 2. Conceito de insumos nas aquisições de bens para manutenção de máquinas utilizadas na atividade da empresa. Em seguida, o Presidente da Câmara, deu seguimento ao recurso, conforme depreendese do despacho de admissibilidade, ás efls.139 /140. No essencial é o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator Com efeito, a decisão recorrida decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário, para admitir o creditamento dos valores referentes aos custos com ativo permanente, a recuperação de despesas, aos fretes de produtos com garantia e as compras para recebimento futuro comprovadas por notas fiscais idôneas constantes nos autos. No especial obstaculizado, a Fazenda Nacional aduz divergência jurisprudencial com relação às seguintes matérias: 1. incidência ou não do PIS e da COFINS não cumulativo sobre cessões onerosas de ICMS, 2. Conceito de insumos nas aquisições de bens para manutenção de máquinas utilizadas na atividade da empresa. Para comprovar a divergência jurisprudencial, aponta como paradigmas os acórdãos nºs 280300.141 e 330100.231, relativamente à cessão de créditos de ICMS, e acórdãos 20312.448 e 20400.795, respeitante à abrangência do termo “insumo”, juntada dos documentos de efls. 208/212. Ocorre que, do exame de admissibilidade, o Presidente da Câmara deu seguimento ao Recurso (efls.139 /140), sem demonstrar qual legislação estaria sendo interpretada divergente entre o dispositivo da decisão recorrida e dos acórdãos paradigmas. Transcrevese: "As matérias controvertidas foram objeto de debate na instância a quo, de modo que atendido está o requisito do prequestionamento. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 11080.011712/200711 Resolução nº 9303000.116 CSRFT3 Fl. 347 4 Respeitante à existência de divergência, procedente a controvérsia assinalada pela recorrente. Tocante a incidência de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos sobre as cessões onerosas de ICMS, as decisões apontadas como divergentes deram tratamento distinto à questão em relação ao acórdão recorrido, dessumindo aquelas que a realização de tais créditos, seja mediante dinheiros, mercadorias, matériasprimas ou insumos, está sujeita à oneração por aludidas contribuições. Concernente à caracterização dos insumos, o acórdão paradigma (20312.448), examinando o regime não cumulativo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, concluiu ser o PN CST 65/79 plenamente aplicável à definição de insumo constante da legislação de regência de sobreditas exações, valendo a transcrição de excerto do voto condutor exarado naquela assentada: “O termo ‘insumo’ não é próprio da legislação das contribuições sociais. Como é cediço, os conceitos devem ser buscados no seus campos específicos onde foram originalmente criados, mormente quando não há outro espaço onde procurálos, como é o caso que se cuida. Por outro lado, o termo insumo sempre foi utilizado para definir a amplitude dos denominados créditos básicos na aplicação da regra da nãocumulatividade no âmbito do IPI, que sabidamente tem como materialidade de incidência a realização de operações com produtos industrializados. Assim, a legislação do IPI é a mais adequada para estabelecer o conceito de ‘insumos’ no contexto da expressão ‘insumos utilizados na fabricação de produtos’. E como é sabido, o conceito de ‘insumo’ já foi consagrado pelo Parecer Normativo n° 65/79, nos seguintes termos: geram direito ao crédito, além dos insumos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários strito sensu e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte no seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou por ele diretamente sofrida, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas.” Assim, confirmado o dissídio jurisprudencial entre Colegiados deste Conselho Administrativo, DOU SEGUIMENTO AO RECURSO ESPECIAL e, por força do art. 69 do Regimento Interno do CARF, determino o encaminhamento à Unidade Local da RFB para ciência ao contribuinte do acórdão recorrido e deste despacho para, querendo, apresentar contrarrazões e recurso especial na parte que lhe foi desfavorável, se cabível". No que pertine aos pressupostos materiais do recurso especial, devese ter sempre em conta que o dissídio jurisprudencial consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de posicionamento distinto para a mesma matéria versada em hipóteses semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica. Fl. 348DF CARF MF Processo nº 11080.011712/200711 Resolução nº 9303000.116 CSRFT3 Fl. 348 5 Ante o exposto, converto o julgamento do recurso em diligência à Câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial. Após a complementação da admissibilidade, o processo deve ser distribuído ao mesmo relator, para que se prossiga o julgamento. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 349DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.028085/99-49
Data da sessão: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL
Exercícios: 1999 e 2000
Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE DÉBITO PRÓPRIO COM
CRÉDITO DE TERCEIRO — DECLARAÇÃO DOS PASSIVOS EM DCTF — DECURSO DE CINCO ANOS, SEM ADOÇÃO DE QUALQUER MEDIDA DE COBRANÇA — PRESCRIÇÃO — Os débitos informados em DCTF não podem ser objeto de decadência, em virtude do caráter confessional que permeia aquela declaração. Ainda assim, não pode a Fazenda postergar, ad infinitum, o exercício de sua pretensão creditória. Na ausência de circunstâncias que suspendam a exigibilidade dos débitos, deve o Fisco adotar qualquer das medidas aptas à cobrança da dívida, sob pena de aperfeiçoamento da prescrição extintiva preceituada pelo artigo 174 do CTN.
Numero da decisão: 1803-000.450
Decisão: Acordam os membros do Colegiada, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, a Conselheira Selene Ferreira de Moraes votou pelas conclusões, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: Benedicto Celso Benício Júnior
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201007
ementa_s : Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL Exercícios: 1999 e 2000 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE DÉBITO PRÓPRIO COM CRÉDITO DE TERCEIRO — DECLARAÇÃO DOS PASSIVOS EM DCTF — DECURSO DE CINCO ANOS, SEM ADOÇÃO DE QUALQUER MEDIDA DE COBRANÇA — PRESCRIÇÃO — Os débitos informados em DCTF não podem ser objeto de decadência, em virtude do caráter confessional que permeia aquela declaração. Ainda assim, não pode a Fazenda postergar, ad infinitum, o exercício de sua pretensão creditória. Na ausência de circunstâncias que suspendam a exigibilidade dos débitos, deve o Fisco adotar qualquer das medidas aptas à cobrança da dívida, sob pena de aperfeiçoamento da prescrição extintiva preceituada pelo artigo 174 do CTN.
numero_processo_s : 10380.028085/99-49
conteudo_id_s : 5693294
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1803-000.450
nome_arquivo_s : Decisao_103800280859949.pdf
nome_relator_s : Benedicto Celso Benício Júnior
nome_arquivo_pdf_s : 103800280859949_5693294.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiada, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, a Conselheira Selene Ferreira de Moraes votou pelas conclusões, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
id : 6674293
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:14:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076781419429888
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-02T00:10:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-02T00:10:10Z; Last-Modified: 2010-09-02T00:10:10Z; dcterms:modified: 2010-09-02T00:10:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:b9750016-88a8-4f72-b1e8-d98ec38bb159; Last-Save-Date: 2010-09-02T00:10:10Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-02T00:10:10Z; meta:save-date: 2010-09-02T00:10:10Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-02T00:10:10Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-02T00:10:10Z; created: 2010-09-02T00:10:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2010-09-02T00:10:10Z; pdf:charsPerPage: 1714; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-02T00:10:10Z | Conteúdo => S 1 -TE03 Fl 1 \ - .,.;5(1?:',MI:r MINISTÉRIO DA FAZENDA •giVV:;.044-• CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS c„ PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10380.028085/1999-49 Recurso n" 169.362 Voluntário Acórdão n° 1803-00.450 — 3" Turma Especial Sessão de 08 de julho de 2010 Matéria CSLL Recorrente RIGESA DO NORDESTE S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL Exercícios: 1999 e 2000 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE DÉBITO PRÓPRIO COM CRÉDITO DE TERCEIRO — DECLARAÇÃO DOS PASSIVOS EM DCTF — DECURSO DE CINCO ANOS, SEM ADOÇÃO DE QUALQUER MEDIDA DE COBRANÇA — PRESCRIÇÃO — Os débitos informados em DCTF não podem ser objeto de decadência, em virtude do caráter confessional que permeia aquela declaração. Ainda assim, não pode a Fazenda postergar, ad infinitum, o exercício de sua pretensão creditória. Na ausência de circunstâncias que suspendam a exigibilidade dos débitos, deve o Fisco adotar qualquer das medidas aptas à cobrança da dívida, sob pena de aperfeiçoamento da prescrição extintiva preceituada pelo artigo 174 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiada, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, a Conselheira Selene Ferreira de Moraes votou pelas conclusões, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. . _........... " - -i,- . en-eira de Moraes - Presidente ,.---"- Benedicto CelSo B4tício Júnior - Relatar EDITADO EM: 04 /2010 1 Participaram do _preente julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Walter Adolfo Maresch, Luciano Inocêncio dos Santos, Roberto Annond Ferreira da Silva, Sérgio Rodrigues Mendes e Benedicto Celso Benicio Júnior. „.... 1 Processo e 103801028085/1999-49 S1-1 E03 Acórdiio 1803-00A50 F / 2 Relatório Trata-se de Pedido de Compensação de Crédito com Débitos de Terceiros, no valor de R$ 107,922,75, apresentado, em 15/10/1999 (fi, 01), por Sid Micraelettônica Segundo relato da fiscalização (fis, 07/14), a detentora do crédito ("cedente") não atendeu a intimação para apresentar os documentos que comprovariam o direito creditório pleiteado, impossibilitando a apreciação do mérito, A Diort da Derat/São Paulo/SP, diante da impossibilidade acima descrita, considerou não homologadas as compensações pleiteadas, incluindo a pertinente ao contribuinte em epígrafe ("cessionário"), partindo do entendimento de que as hipóteses de compensação com créditos de terceiros não haviam sido alcançadas pela conversão dos pedidos em declarações — motivo pelo qual inexistiria a homologação tácita prevista na legislação que rege a matéria. Ciente do despacho decisório em 11/12/2007, a empresa acima identificada apresentou, tempestivamente, em 09/01/2008, sua manifestação de inconformidade (fis„ 21/42) alegando, em síntese, que: - tem direito a apresentar manifestação de inconformidade, na condição de interessado, em respeito aos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade, da ampla defesa e do contraditório; - seu pedido teria sido convertido em declaração de compensação, motivo pelo qual já estaria homologada tacitamente a compensação por decurso de prazo, para a qual pede reconhecimento, e que incabível o entendimento contido na decisão a quo de que os pedidos de compensação de créditos com débitos de terceiros não teriam sido convertidos em declaração de compensação. Colaciona julgados do Conselho de Contribuintes que corroborariam a sua tese; - no que diz respeito ao direito creditório, não se pode aceitar, para fins de indeferimento do pedido de restituição/ressarcimento, "o fraco argumento de que não teria ficado claro o fato da não existência de processo de execução nos autos da ação ordinária n° 90,00,03532-5", pois, "se não há necessidade de instauração de fase executiva em processo que se declarou a inexistência de relação jurídica, (,.,), não há que se falar em comprovação de desistência da referida ação"; - uma vez que a manifestante possui o direito à denúncia espontânea, no. prazo de 30 dias contados da data da intimação do indeferimento definitivo do processo de compensação, o Fisco não poderia, de imediato, sem prévia intimação desta decisão, exigir qualquer tipo de multa sobre os débitos não-compensados, cobrados em razão da inconeta não- homologação; - não cabe a cobrança de juros pela taxa Selic, pois tal cominação é ilegal; - "sem que haja o competente lançamento de oficio por parte do fisco, o mesmo não pode alastrar seus tentáculos sobre os créditos que entende devido, de forma que a simples cobrança derivada da não homologação do pedido de compensação não pode ter o condão de qualquer . obrigatoriedade,"; - o fisco não pode vir a exigir valores supostamente não recolhidos a titulo de tributos, vez que teria decorrido período superior a cinco anos desde a ocorrência dos fitos geradores, sem que lançamento e ou qualquer tipo de cobrança tivesse sido formulada, Pi °cesso o" 10380 028085/1999-49 Sl-TE03 Acórdão 11:" 1803-00.450 Fl. 3 A 4a TURMA — DRJ EM FORTALEZA — CE, ao analisar a manifestação de inconformidade apresentada, manteve integralmente o despacho de não-homologação, ementando assim sua decisão: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário; 1998, 1999 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIROS, Os "Pedidos de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros", pendentes de apreciação, .ficaram de fora do rol daqueles que foram convertidos em "Declaração de Compensação", quando das modificações impostas pelas Leis n0 10.637, de 2002, e n° 10.8.33, de 2003, no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, motivo pelo qual não há que se . falar em homologação tácita para os mesmos. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIROS. ILEGITIMIDADE DO DEVEDOR PARA INTERPOR MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE CONTRA O INDEFERIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO, Negado o direito de restituição/ressarcimento de tributo ao titular do pedido, idêntica decisão se aplica ao terceiro que tenha compensado dívidas com o pretenso indébito fiscal daquele. Conseqüentemente, o devedor do débito que se pretende compensar é parte ilegítima para interpor manifestação de inconformidade contra o indeferimento do pleito," Cientificado da decisão em 18/07/2008, interpôs o interessado ("cessionário") recurso a este conselho, em 29/07/2008, aventando alegações idênticas às formuladas na manifestação inconfomnsta outrora trazida a lume. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Benedicto Celso Benicio Júnior, Relator (1) Da legitimidade recursal O recurso é, inegavelmente, tempestivo. Para que se dirimam todas as dúvidas relativas à sua admissibilidade, no entanto, é essencial perscrutarmos, preliminarmente, pela possibilidade de a ora peticionária se imiscuir na lide, na qualidade de interessada, A decisão recorrida entendeu que a recorrente não gozaria de legitimidade para discutir compensações que versassem sobre créditos de terceiros, ainda que os débitos respectivos ao ajuste de contas a ela se imputassem. Nesse sentido, em virtulle de o não Processo n° 10380 028085/1999-49 S1-1E03 Acórdão n.° 1803-00,450 H 4 reconhecimento dos direitos creditórios ter se dado em sede de outro processo administrativo (n" 13811.002062/1999-85), só poderia a titular dos débitos suportar, resignadamente, os reflexos efeitos da interpretação dada aos respectivos ativos, apoderados pela "cedente". Noutras palavras, segundo o decisum atacado, o fato de a compensação ter sido formulada por outrem, com base em créditos alheios, impediria, de pronto, que a recorrente intentasse opor sua pretensão à Fazenda, mesmo que as dívidas a serem extintas a ela tocassem. Cuidar-se-ia o caso, assim, de uma convenção exclusivamente particular', feita entre "cedente" e "cessionária", que nada diria respeito em referência ao Fisco. Entendo desarrazoada a exegese do colegiado ad quo. É verdade que o titular dos ativos representa, em princípio, o único legitimado para se insurgir contra o não-reconhecimento de seu direito creditório, derivado de sentença judicial transitada em julgado. A participação da ora pleiteante, naquele original processo administrativo, seria, por óbvio, desarrazoada, por lhe faltar legitimidade. A matéria objeto dos presentes autos, todavia, não se confunde com o debate sobre a lidimidade dos créditos. O cerne deste litígio corresponde, ao revés, à compensação de parte deste ativo com débitos de outro contribuinte — assunto que, embora conexo ao primeiro, guarda identidade própria, em razão da possibilidade de o ajuste de contas pleiteado ser reconhecido, por homologação tácita, mesmo no caso de os correspondentes créditos já terem sido preteritamente glosados ou desconsiderados. A legitimidade recursal de qualquer interessado tem guarida no artigo 58 da Lei if 9.784/99, responsável por estabelecer regras gerais pertinentes ao processo administrativo federal: "Art 58. Têm legitimidade para interpor recurso administrativo, - os titulares de direitos e interesses que forem parte no processo,. II - aqueles cujos direitos- ou interesses fbrem indiretamente afetados pela decisão recorrida,- III - as organizações e associações representativas, no tocante a direitos e interesses coletivos,. IV - os cidadãos ou associações, quanto a direitos ou interesses difusos.." Não cabe, aqui, como quiseram os julgadores ad quo, afastar este preceito, sob o argumento de que sua generalidade não alcançaria o específico regime dos processos. administrativos fiscais. Embora o artigo 69 daquela Lei n° 9.784/99 mantenha, com efeito, as regulamentações especiais preexistentes, certo é que os ditames deste genérico diploma têm aplicação subsidiária a todos os regramentos pertinentes a procedimentos administrativos :federais específicos, como o de índole fiscal. O Decreto IV 70,235/72 não traz nenhuma particular regra que restrinja, explicitamente, a legitimidade recursal do titular dos débitos, nos litígios em que se discutam compensações heterossubjetivas. O conceito amplo de interessado, trazido pela Lei a" 9.784/99, mostra-se, pois, escorreitamente aplicável à hipótese, a título de subsídio, na forma bem explicitada pela recorrente. E nem poderia ser diferente, diga-se de passagem, vez que este Conselho, em atenção aos princípios basilares que informam a atividade administrativa, tem buscado 4 jR, Processo n" 10380 028085/1999-49 SI-TE03 Acórdão n ° 1803-00,450 Fl 5 consagrar, tanto quanto possível, a mais ampla busca pela verdade material, calcada na extenso respeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Na medida em que os efeitos derivados da não-homologação da compensação em debate atingiram, frontalmente, o patrimônio da peticionária, a esta deve ser reconhecida a possibilidade de intervir no procedimento administrativo, demonstrando, se for o caso, a incorreção da interpretação fazendária, seja via manifestação de inconformidade, seja mediante recurso voluntário. A legitimidade da parte recorrente, destarte, é inquestionável. Presentes também os demais requisitos legais, deve-se, por ora, conhecer do recurso, passando-se, por conseguinte, ao destrinchamento do mérito suscitado. (2) Da prescrição Comprovada a legitimidade da recorrente, cumpre, agora, analisar outra questão preliminar, atinente à prescrição dos débitos objeto do ajuste de contas em estudo. O tópico não foi suscitado pela recorrente, em sua peça de irresignação. A despeito disso, por se cuidar de matéria de ordem pública, faz-se essencial perscrutarmos pela ocorrência ou pela inocorrência da prescrição extintiva dos passivos que se intenta compensar' com créditos de terceiro. Ilustrativaniente, veja-se a seguinte ementa de julgamento, lavrada por este próprio colegiado: "DECADÊNCIA MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. CONHECIMENTO DE OFICIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO/ DECADÊNCIA Extingue-se em cinco anos, contados da data da extinção do crédito e do pagamento indevido, o prazo para pedido de compensação ou restituição de indébito tributário (Ac, 20 CC — 203-10.697/06)" Pois bem, A postulante, em seu recurso, manifestou-se somente pela decadência do direito fazendário de constituir os débitos. Segundo seu entendimento, o pedido de compensação, isoladamente, não poderia ser assumido corno confissão, de maneira a ser indispensável que o Fisco lançasse de oficio os débitos tratados, para prevenção da caducidade. O acórdão atacado, contudo, afastou, escorreitamente, esta alegação, aventando que os passivos já teriam sido formalizados pelo próprio contribuinte, no momento em que este os relatou no corpo da DCTF/00 (tela de fl. 84). A partir disso, então, não haveria mais como se falar em decadência, eis ter se tomado dispensável o lançamento oficioso. Ocorre, porém, que, se é verdade que não haja mais curso de prazo de caducidade, não é possível, por outro lado, que se admita à Fazenda a possibilidade de postergação indefinida de sua pretensão creditícia. Tão-logo formalizados os passivos em debate, nasceu para os agentes fiscais competentes o dever de dar concretude à cobrança dos débitos, dentro do prazo quinquenal estatuído pelo artigo 174, caput, do CTN: prescreve rerstcrelv7e4enAi cinco anos, wpwas, lçaadatdao dacritoséldiatri constituição o coantacdoobs/ definitiva. ( ,.)" Uma vez não convertido o Pedido de Compensação original em DCOMP, em razão d& 10 objeto versado corresponder a compensação heterossubjetiva, nada haveria que Processo rt" 10380. 028085/1999-49 S1-1 103 Acórdão n ° 1803-90450 Fl 6 pudesse, de alguma forma, suspender ou interromper o interregno prescricional, na forma estabelecida pelo artigo 171 do CTN. Destarte, contado o lustro da entrega da DCIT, imperioso seria considerá-lo esgotado antes da data em que o despacho de indeferimento foi cientificado ao contribuinte — 11112/2007. Isto posto, DOU PROVIMENTO ao recurso, para reconhecer a prescrição dos débitos objeto da compensação inténtada_.. A ( ,. ) Benedicto Çáso et 'cio Júnior ...--/ ...:, F.V Processo n° 0380.028085/1999-49 S1-TE03 Acórdão n " 1803-00.450 Fl 7 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art, 81, § 3 0 , do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 05AGO 20 10 aristWàh*Is̀huojârTg,un--- stâria da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração. 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - CARF Processo n° 10380.028085/99-49 Interessado(a) RIGESA DO NORDESTE S,A, TERMO DE JUNTADA a Seção Declaro que juntei aos autos original do acórdão n° 1803-00.450, (fls. ), e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Procuradoria da Fazenda Nacional, para ciência do acórdão Em ASSINATURA
score : 1.0
Numero do processo: 10675.720035/2008-45
Data da sessão: Wed May 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2006
ÁREAS ALAGADAS. RESERVATÓRIOS DE USINAS
HIDRELÉTRICAS.
O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas.
(Súmula CARF n° 45, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-000.592
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: NÚBIA MATOS MOURA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201005
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2006 ÁREAS ALAGADAS. RESERVATÓRIOS DE USINAS HIDRELÉTRICAS. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. (Súmula CARF n° 45, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) Recurso Voluntário Provido
numero_processo_s : 10675.720035/2008-45
conteudo_id_s : 6039288
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2102-000.592
nome_arquivo_s : 210200592_344111_10675720035200845_003.PDF
nome_relator_s : NÚBIA MATOS MOURA
nome_arquivo_pdf_s : 10675720035200845_6039288.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
dt_sessao_tdt : Wed May 12 00:00:00 UTC 2010
id : 7838090
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:16:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076781427818496
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-07-13T14:03:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-07-13T14:03:13Z; Last-Modified: 2010-07-13T14:03:13Z; dcterms:modified: 2010-07-13T14:03:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:d09907d1-b8ea-4adf-8737-cf1d4e4135eb; Last-Save-Date: 2010-07-13T14:03:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-07-13T14:03:13Z; meta:save-date: 2010-07-13T14:03:13Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-07-13T14:03:13Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-07-13T14:03:13Z; created: 2010-07-13T14:03:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2010-07-13T14:03:13Z; pdf:charsPerPage: 1288; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-07-13T14:03:13Z | Conteúdo => S2-CIT2 Fl. 121 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS *0 SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n°n° 10675.720035/2008-45 Recurso n° 344.111 Voluntário Acórdão n° 2102-00.592 — ia Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 12 de maio de 2010 Matéria ITR - Áreas alagadas Recorrente CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S/A Recorrida PRIMEIRA TURMA DA DRJ BRASÍLIA/DF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2006 ÁREAS ALAGADAS. RESERVATÓRIOS DE USINAS HIDRELÉTRICAS. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. (Súmula CARF n° 45, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) Recurso Voluntário Provido ,-- :- Vistos, relatados e-discutidos os presentes autos. 7 / Acordam os/Membros do polegiado, por unanimidade de votos, em, DA,R) provimento ao recurso, nos termos do vot i Ô d t á Relatora. , / //7 41 / I / GIOVANNI CHRIST i if• ' /Nil E CAMPOS — Presidente / - ,---, f. ii1/ 1 PI/ n 1,' NUBIA MATOS MO ' • — Relatora ( r),,I ii EDITADO EM/2,A 06/201' ti 0 1 i .'aiti‘am da sess o de julgamento os conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira de Lima, Ewan Teleái Aguiar, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. i Relatório Contra CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S/A foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 01/06, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do imóvel denominado Usina de Miranda, com 4.475,5 ha (NIRF 6.584.143-3), relativo ao exercício 2006, no valor de R$ 1.725.834,30, incluindo multa de oficio e juros de mora. A infração apurada pela autoridade fiscal foi, conforme Notificação de Lançamento, fls. 02/04, arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), mediante utilização do valor extraído do Sistema de Preços de Terra (SIPT), em razão de a contribuinte ter deixado de apresentar laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, que foi devidamente apreciada pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme acórdão DRJ/BSA n° 03-26.497, de 27/08/2008, fls. 68/79. Naquela oportunidade, decidiu-se, por unanimidade de votos, pela procedência do lançamento. Cientificada da decisão de primeira instância em 05/10/2008, fls. 82, a contribuinte apresentou, em 24/10/2008, recurso voluntário, fls. 84/115, onde alega, primordialmente, que as porções de terra cobertas pelas águas de reservatórios das usinas hidrelétricas — ou que lhe servem de margem legal, de preservação ou de segurança — são bens de domínio público da União e nunca poderiam ser colhidas no critério material da hipótese de incidência de qualquer tributo, quanto mais ainda de imposto de competência privativa e exclusiva daquela mesma pessoa política de direito público interno. É o Relatório. Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Muito embora o lançamento trate de arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), verifica-se que a lide instalada desde o início do procedimento fiscal gira em torno da possibilidade de se exigir, ou não, ITR sobre terras alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. Tal constatação confirma-se da leitura do Complemento da Descrição dos Fatos, fls. 02/04, parte integrante da Notificação de Lançamento, onde a autoridade fiscal discorre longamente sobre o tema. Já no recurso, assim como na impugnação, a contribuinte afiuna que o imóvel em questão está em grande parte coberta de água, não se prestando a nenhum outro fim, que o de reservar água, potencializando a força hidráulica para a geração de energia e que as margens dos reservatórios também não se prestam a qualquer outro objetivo, funcionando apenas como faixas de segurança para a variações normais do nível d'água. E, em assim sendo, defende a tese de que áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas_ _ _ hidroelétricas não se sujeitam à incidência do ITR. 4!? Processo n° 10675.720035/2008-45 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.592 Fl. 122 • Ocorre que tal matéria já se encontra pacificada neste Conselho, conforme Súmula CARF n° 45, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009, que a seguir se transcreve: Súmula CARF n°45 - O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. No presente caso, resta claro dos autos que o imóvel é utilizado como reservatório de usina hidrelétrica, estando suas áreas, portanto, submersas, de sorte que a exigência consubstanciada no lançamento não pode prosperar. Ante o exposto, VOTO por dar provimento ao recurso. 4,41 NUbia Matos Moura - Relatora - • 3
score : 1.0
Numero do processo: 13808.004125/2001-54
Data da sessão: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Exercício: 1999
EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE, QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO, INOCORRÊNCIA.
Descabida a alegação de quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, na situação em que os extratos bancários foram fornecidos à fiscalização pelo próprio titular da conta-corrente, em cumprimento do dever de prestar informações ao Fisco.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM
NÃO COMPROVADA. PROCEDÊNCIA. Caracterizam omissão de receita
os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações, MULTA DE OFICIO. É correta a aplicação de multa de oficio proporcional,
no percentual de 75%, quando apuradas receitas omitidas por presunção legal, sem a presença de qualquer outra circunstância que denote o intuito de fraude. A comprovação do intuito de fraude somente seria indispensável para a aplicação da multa qualificada de 150%, o que não é o caso dos autos.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1 2 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, Súmula n° 4 do CARF.
Recurso Voluntário Negado,
Numero da decisão: 1301-000.339
Decisão: Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Waldir Viega Rocha
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201007
ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 1999 EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE, QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO, INOCORRÊNCIA. Descabida a alegação de quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, na situação em que os extratos bancários foram fornecidos à fiscalização pelo próprio titular da conta-corrente, em cumprimento do dever de prestar informações ao Fisco. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PROCEDÊNCIA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações, MULTA DE OFICIO. É correta a aplicação de multa de oficio proporcional, no percentual de 75%, quando apuradas receitas omitidas por presunção legal, sem a presença de qualquer outra circunstância que denote o intuito de fraude. A comprovação do intuito de fraude somente seria indispensável para a aplicação da multa qualificada de 150%, o que não é o caso dos autos. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1 2 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, Súmula n° 4 do CARF. Recurso Voluntário Negado,
numero_processo_s : 13808.004125/2001-54
conteudo_id_s : 5881144
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-000.339
nome_arquivo_s : Decisao_13808004125200154.pdf
nome_relator_s : Waldir Viega Rocha
nome_arquivo_pdf_s : 13808004125200154_5881144.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
id : 7364765
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:15:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076781434109952
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-21T10:01:21Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-21T10:01:18Z; Last-Modified: 2010-12-21T10:01:21Z; dcterms:modified: 2010-12-21T10:01:21Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:6dd0d5cf-358e-40cd-93cb-732945772534; Last-Save-Date: 2010-12-21T10:01:21Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-21T10:01:21Z; meta:save-date: 2010-12-21T10:01:21Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-21T10:01:21Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-21T10:01:18Z; created: 2010-12-21T10:01:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2010-12-21T10:01:18Z; pdf:charsPerPage: 1941; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-21T10:01:18Z | Conteúdo => SI-C3TI H 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo na 13808.004125/2001-54 Recurso n" 168,071 Voluntário Acórdão n" 1301-00.339 — 3" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 08 de julho de 2010 Matéria SIMPLES Recorrente MODELO SERVIÇOS COMERCIAIS LTDA. - ME Recorrida ia TURMAJDRJ SÃO PAULO/SP I ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 1999 EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE, QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO, INOCORRÊNCIA. Descabida a alegação de quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, na situação em que os extratos bancários foram fornecidos à fiscalização pelo próprio titular da conta-corrente, em cumprimento do dever de prestar informações ao Fisco. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PROCEDÊNCIA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações, MULTA DE OFICIO. É correta a aplicação de multa de oficio proporcional, no percentual de 75%, quando apuradas receitas omitidas por presunção legal, sem a presença de qualquer outra circunstância que denote o intuito de fraude. A comprovação do intuito de fraude somente seria indispensável para a aplicação da multa qualificada de 150%, o que não é o caso dos autos. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1 2 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, Súmula n° 4 do CARF. Recurso Voluntário Negado, ALDIR VEIGKRDCHA - Relator Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. 's eJr-c. LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente EDITADO EM: 12 NOV 2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Fábio Soares de Melo, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto, Relatório MODELO SERVIÇOS COMERCIAIS LTDA. - ME, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 8014, de 30/09/2005, da 1" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo - I / SP, recorre voluntariamente a este Colegiada, objetivando a reforma do referido julgado. Trata o presente processo de autos de infração, lavrados em 06/08/2001 (ciência em 07/08/2001), para constituição de crédito tributário referente aos tributos integrantes do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, quais sejam, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) (fl. 107), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) (fl, 112), Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) (fi, 117), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) (fl.. 122) e Contribuição para Seguridade Social (INSS) (fl. 127), acrescidos de multa de ofício de 75%, além de juros de mora, perfazendo o crédito tributário de R$ 58.220,60, tudo relativo ao ano-calendário 1998, conforme demonstrativo consolidado de fl. 03. As infrações apuradas pelo Fisco, discriminadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 108/109) e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 91/92), são, em apertada síntese: (i) omissão de receitas, apurada com base em depósitos bancários cuja origem a contribuinte, devidamente intimada, não logrou comprovar; e (ii) insuficiência de recolhimento, por variação do percentual aplicável ao SIMPLES, decorrente da omissão de receitas apurada. Cientificada das exigências e com elas inconformada, a contribuinte interpôs a impugnação de fls. 132/151, na qual aduziu argumentos que foram assim sintetizados pelo diligente relator do processo por ocasião do julgamento em primeira instância: 2 Processo nÕ 13808.004125/2001-54 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00339 F] 2 5.1 a movimentação bancária utilizada no lançamento refere-se a pagamentos de títulos protocolados em Cartório de Protesto de responsabilidade de seus clientes, não constituindo, portanto, sua receita, que é contabilizada em separado; 5.2.. seus clientes, mediante Contrato Particular de Prestação de Serviços e Procuração, a autorizam a receber intimações e a efetuar os pagamentos, por meio de cheques de sua própria emissão, referentes aos títulos protestados acrescidos das custas e emolumentos devidos, recebendo, para tanto, numerário através de cheques emitidos pelos próprios clientes ou por terceiros ou ainda em espécie; 5 3 . a autuação baseou-se em informações bancárias sem a necessária autorização judicial, pois a legislação que autorizou ao Fisco ter acesso a estas informações não estava vigente à época de ocorrência do suposto fato gerador; 5.4, no caso de dúvida, conforme dispõe o artigo 112 do CTN, deve-se interpretar em favor do réu, "inclusive em conseqüência do principio da estrita legalidade tributária, que não admite dúvida sobre o perfeito enquadramento do conceito do fato ao conceito da norma"; 5.5, na legislação que rege a matéria "não se vislumbra qualquer disposição legal que autorize o Fisco a, sem dispor de qualquer evidência concreta, tributar baseado em suposições pessoais"; 5.6. o procedimento fiscal adotado no presente caso viola os princípios da estrita legalidade e da tipicidade fechada, pois a exigência tributária somente se verifica com a existência concreta do fato gerador previsto em lei e o lançamento é atividade vinculada conforme dispõe o artigo 142 do CTN; 5.7, doutrina e jurisprudência transcritas dizem que as presunções, interpretações, conclusões ou indícios não são suficientes para fundamentar lançamentos tributários; 5 S. o auto de infração é nulo diante de todos os documentos juntados aos autos pela própria fiscalização e de sua inadequação às normas legais; 5.9, como a multa é acessória ao tributo e inexiste fundamento para cobrança do tributo, também inexiste fundamento para imposição de qualquer multa; 5,10, a lei exige para aplicação da penalidade a presença do evidente intuito de fraude, mas este, conforme os documentos constantes dos autos e diante da falta de comprovação das circunstâncias materiais do fato, não está configurado no presente processo; 5,11, a aplicação de juros de mora com base na Selic demonstra descabida majoração de penalidade imposta por lei posterior ao fato gerador ., o que afronta o princípio da segurança jurídica e os artigos 5 0 , incisos II, XXXVI e XL, e 150, incisos I e III, letra "a", da Constituição Federal e os artigos 105, 106, 142 e 144 do CTN, que determinam que a lei tributária somente se aplica a fatos geradores futuros e pendentes e que mesmo a lei interpretativa não pode retroagir para impor penalidade; 5i2. no caso em questão, a Lei n° 9.065/1995 retroagiu para alcançar um evento já consumado (período-base de 1994); 5.13. o artigo 13 da Lei n° 9.065/1995, que determinou o uso da Taxa Selic como juros de mora tributário, é inconstitucional e ilegal, pois esta taxa possui natureza remuneratória e não indenizatória, conforme dispõem as Circulares do 3 Banco Central do Brasil n° 466/1979, 1.594/1990, 2.311/1993 e 2,671/1996, que caracterizam esta como taxa que visa premiar o capital investido pelo tomador de títulos da dívida pública federal e que sofre influência das flutuações da economia de mercado; 5,14, em 1995 a Selic atingiu 4% ao mês, o que é um disparate, pois, diferentemente de tempos passados, possuímos uma economia estável com baixos índices de inflação; 5.15 os juros de mora tributários devem ter natureza de complemento indenizatório da obrigação principal, como determina o CTN e jurisprudência; 5„16, a Lei n° 9.065/1995 não estabeleceu nova forma de cálculo dos juros de mora a serem aplicados nas obrigações tributárias, nos termos do artigo 161, § 1', do CTN, mas apenas determinou a utilização de uma taxa de juros preexistente, de natureza remuneratória e instituída por circulares do Banco Central; 5.17. o uso da Taxa Selic como juros moratórios também ofende o princípio da segurança jurídica pelo fato de poder "ser alterada mediante a simples expedição de circular do Bacen dias antes do recolhimento do tributo, causando uma espécie de majoração disfarçada da base de cálculo do tributo"; 5.18. o uso da laxa Selic constitui verdadeira aplicação de juros sobre juros em percentuais mais elevados do que os 12% ao ano, estabelecidos no artigo 192, § 30, da Constituição Federal; 5.19. diante do principio da verdade material e sob pena de cerceamento do direito de defesa, requer a análise das cópias de cheques, procurações, contratos de prestação de serviços, títulos de responsabilidade dos clientes, depósitos bancários e demais documentos que acompanham a presente impugnação; e 5.20. diante de todo o exposto, requer e espera que a impugnação seja julgada procedente e seja determinado o cancelamento e o arquivamento do auto de infração A 1" Turma da DR' em São Paulo - 1/ SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão if 8014, de 30/09/2005 (fls. 262/275), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto.. Processo Administrativo Fiscal Data do fato getador. 31/01/1988, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998 Ementa: PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular, LANÇAMENTOS DECORRENTES PIS COFINS CSLL. O decidido quanto à infração que, além de implica, o lançamento de IRP.1 implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e da Contribuição para a Seguridade Social-INSS, também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível.. 4 Processo n° 13808.004125/2001-54 S1-C3TI Acórdão n " 1301-00339 FL 3 Assunto.. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Data do fato gerador. 31/01/1988, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/0.5/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 31/10/1998 Ementa: DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. RECEITA OMITIDA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostas e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Data do falo gerador; 31/01/1988, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 31/10/1998 Ementa.: PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS, APLICAÇÃO AO SIMPLES, Aplicam-se às pessoas jurídicas optantes pelo Simples todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos tributos abrangidos por este sistema simplfficado, desde que apuradas com base nos livros e documentos obrigatórios aos optantes pelo Simples. Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/01/1988, 28/0.2/1998, 31/0.3/1998, 30/04/1998, 31/0.5/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998 Ementa: MULTA. LANÇAMENTO DE OFICIO. O percentual da multa aplicada sobre os impostos e as contribuições apurados em lançamento de oficio é de 7.5% no mínimo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC Os tributos vencidos e ainda não pagos devem .ser acrescidos, a partir de 01/04/1995, de ¡uras de mora equivalentes à Taxa Ciente da decisão de primeira instância em 07/12/2007, conforme Aviso de Recebimento à fl. 276v, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 28/12/2007 conforme carimbo de recepção à folha 294. No recurso interposto (fls. 296/321), alega, em apertada síntese, que seu sigilo bancário teria sido ilegalmente quebrado, ao arrepio de disposições constitucionais. Colaciona jurisprudência administrativa que entende pertinente e invoca a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, a qual considera aplicável mesmo em face de legislação superveniente. Sustenta que a autuação foi feita por mera presunção, sem evidências concretas. Acrescenta que, diante de diferentes interpretações da legislação tributária e de dúvidas em face de circunstâncias materiais do fato, impor-se-ia a aplicação do art, 112 do CTN, em seu beneficio. Sobre os valores de sua movimentação bancária, a recorrente se manifesta à fl. 306 nos seguintes termos: A Atividade da Recorrente é de acompanhamento à seus clientes quanto ao pagamento de títulos protocolados em Cartório de Protesto, mediante Contrato Particular de Prestação de Serviços e Procurações documentos anexos às fls.), que transitam em sua conta corrente, tendo a saída dos mesmos valores em cheques de emissão dela, recorrente, para o pagamento dos títulos acrescidos de custas e emolumentos junto aos Cartório de Protestos Assim, a aludida movimentação bancária refere-se aos pagamentos de títulos de responsabilidade dos seus clientes, e não de receita da recorrente, que mantém sua contabilidade em separado. Prossegue, afirmando que não estaria perfeitamente caracterizada a ocorrência do fato gerador tributário, e insiste no uso, a seu ver inadequado, de presunção a fundamentar o lançamento. No que toca à multa e aos juros, a recorrente reitera os argumentos trazidos em sede de impugnação: por sua ótica, inexistente o crédito tributário, inaplicável a multa, desde que o acessório segue o principal. Ademais, restaria ausente o intuito de fraude exigido pela lei para a aplicação da penalidade. Também quanto aos juros, questiona a aplicação da taxa Selic, com os mesmos argumentos anteriormente aduzidos. É o Relatório. 6 Processo n" 13808 004125/2001-54 S1-C311 Acórdão n.° 1301-00339 Fl 4 Voto Conselheiro WALDIR VEIGA ROCHA O recurso é tempestivo e dele conheça A primeira reclamação da recorrente se dirige contra supostas irregularidades na obtenção de sua movimentação bancária. Sustenta a recorrente que seu sigilo bancário teria sido quebrado sem autorização judicial, com infração ao art 5', incisos X e XII, da Constituição Federal de 1988. Compulsando os autos, verifico que os extratos bancários (fis, 09/71) da conta-corrente n° 02-055836-7, mantida no Banco Mercantil do Brasil S.A. em nome da recorrente, foram apresentados pela então fiscalizada em atendimento a intimação específica (fl. 04), em 17/04/2001, cf fl. 07. Constato, assim, que o Fisco não se utilizou do instrumento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira — RMF, instituído pelo Decreto ri." 3.724/2001, ao regulamentar as disposições do art 6" da Lei Complementar n° 105/2001. Os extratos bancários utilizados no presente processo não foram fornecidos pela instituição financeira mas, ao contrário, foram apresentados ao Fisco pelos próprios titulares da conta-corrente, em cumprimento do dever de prestar informações, consignado, entre outros, no art, 927 do Decreto if 3,000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda — RI1R199): Art. 927. Todas as pessoas físicas ou furídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos Auditores-Fiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas .funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei n 2 2354, de 1954, art. 72). Assim, as reclamações da recorrente contra o que considera a quebra de seu sigilo bancário sem autorização judicial, com ofensa a princípios constitucionais, perde força pois, como visto, quebra de sigilo não ocorreu. A seguir, a recorrente reclama que o lançamento de imposto de renda com base exclusivamente em extratos bancários seria ilegítimo, à luz da súmula 182 do TFR,. Sustenta, ainda, que a autuação teria sido feita por mera presunção, sem evidências concretas, que restaria incomprovado o fato gerador tributário. A acusação trata de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art 42 da Lei n° 9.430, com a redação dada pela Lei n° 10,6.37/2002, a seguir transcrito: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, 7 § 1" O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2" Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3" Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados. 1- os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Li Trata-se, como é cediço, de presunção relativa, que admite prova em contrário. Mas essa prova cabe à recorrente. Ao Fisco cabe provar o fato indiciário, definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, qual seja, a ocorrência de depósitos bancários de origem não comprovada. Não há dúvidas de que os depósitos efetivamente ocorreram. No entanto, regularmente intimada, a recorrente poderia afastar a presunção de omissão de receitas, desde que apresentasse, nos termos da lei, documentação hábil e idônea que comprovasse, individualizadamente, a origem dos valores creditados em suas contas-correntes. Ressalto, aliás, que isso ocorreu com grande parte dos depósitos bancários que foram objeto de intimação por parte do Fisco (vide demonstrativo às fls. 74/90), e que somente integraram a autuação (demonstrativo de fl, 93) aqueles valores cuja origem, ao final do procedimento de fiscalização, restou incornprovada. A interessada prossegue, buscando esclarecer a natureza de suas atividades e o convencimento de que os valores que transitaram por sua conta bancária na verdade não lhe pertenceriam, mas sim a terceiros. Faz referência a documentos que teriam sido acostados aos autos, e que comprovariam sua assertiva. Esses documentos se encontram às fls. 158/214, e consistem em diversos instrumentos particulares de procuração, outorgados por clientes, com poderes de representação junto a cartórios de protestos de letras e títulos, contratos particulares de prestação de serviços no mesmo sentido, cópias de cheques, recibos de depósitos e demonstrativos intitulados "Relação de Títulos p/ Pagamento". Essa documentação foi minuciosamente analisada no julgamento em primeira instância, e considerada insuficiente. Procedi também à análise dos documentos e cheguei à mesma conclusão que a turma julgadora a quo. Na ausência de questionamentos específicos quanto a esta parte da matéria, ou de reclamações fundamentadas quanto aos motivos que levaram à rejeição dessa documentação como hábil a comprovar individualizadamente os depósitos bancários em tela, peço vênia para transcrever a análise empreendida pelo diligente relator do processo em primeira instância, cujos fundamentos, desde já, adoto também aqui como razões de decidir'. 14, Neste passo, cabe a análise dos documentos apresentados pela impugnante, Primeiramente cabe observar que os depósitos considerados não comprovados estão perfeitamente descritos nos demonstrativos de fls. 74 a 90 e 93, enquanto os documentos (fls 158 a 214) que a autuada afirma comprovar a origem destes depósitos bancários foram anexados sem nenhuma ordem aparente e sem indicação a qual depósito cada documentos se refere. Além disto, alguns destes 8 Processo tf 13808004125/2001-54 S1-C3T1 Acórdão n° 1301-00339 Fl. 5 documentos não são hábeis para provar a origem dos depósitos porque estão ilegíveis (fls. 19.3 e 207) ou foram xemcopiados sem nenhum cuidado, uns sobre os outros (fls.. 189, 194, 197, 199, 200 e 209), 15. As procurações e contratos de prestação de serviços apresentados (fls. 158 a 182) são inábeis para comprovar a origem dos depósitos bancários não comprovados durante a fiscalização, pois se referem a empresas cujos depósitos já foram considerados comprovados pela autoridade lançadora e não há relação documental destes contratos e procurações com os citados depósitos não comprovados. Além disto, os recibos emitidos pela própria interessada de fls.. 191, 194, 203, 204, 205, 209, 210 e 213 também se referem a valores já considerados comprovados. 16. Os demais documentos de fls. 183 a 214 (cópias de cheques, comprovantes de depósitos e outros recebidos emitidos pela própria interessada) apenas podem comprovar quem emitiu os cheques depositados e/ou realizou os depósitos bancários, mas não comprovam o motivo que ensejou os depósitos, nem que os valores depositados não são receitas tributáveis. Os recibos emitidos pela própria interessada também são inábeis para provar a origem dos recursos, pois não estão acompanhados de outros documentos tais como contratos de prestação dos serviços e/ou cópia dos títulos protestados e pagos. Observe-se que a soma dos valores escritos à caneta sobre os recibos de fls. 184 e 185, um pouco maiores que os valores impressos, coincidem com o valor depositado em 14/01/1998. Contudo, os recibos foram emitidos em nome de uma pessoa jurídica e o emissor do cheque depositado é uma pessoa física. Para as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES, situação da interessada, a obrigação de escriturar toda a movimentação financeira, inclusive bancária e, ainda, de guardar todos os documentos e demais papéis que sirvam de base para a escrituração está prevista no art. 7', § 1°, da Lei n° 9,317/1996, a seguir transcrito: AN, 7° A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do ano- calendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que tratam os arts„.3° e 4 0 . áç 1° A microempresa e a empresa de pequeno porte .ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano- calendário,. c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores. Ao descumptir essa obrigação, a recorrente queda sem meios hábeis para comprovação da origem dos valores que transitaram por sua conta-corrente. Não tendo a 9 interessada qualquer cautela em documentar adequadamente os fatos, ficam por sua conta e risco as conseqüências de tal negligência. No caso, a conseqüência é a aplicação da presunção legal de omissão de receitas, nos estritos termos da lei, conforme anteriormente mencionado. Também não é demais registrar que a Súmula n° 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos, bem assim a jurisprudência colacionada pela recorrente, se referem à legislação pretérita, anterior à vigência da Lei n° 9.430/1996, e se encontram superadas. Ao contrário do que pretende a recorrente, uma decisão administrativa ou judicial, bem assim eventuais súmulas delas decorrentes, sempre se baseiam na legislação então vigente. Sobrevindo leis que disponham de forma diferente, a jurisprudência não só pode como deve se alterar, para bem aplicar aos fatos o novo arcabouço legislativo. A recorrente requer a aplicação do art. 112 do CTN, verbis: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I - à capitulação legal do fato, 11 - à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; iii - à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV- à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.. Tal pedido não merece acolhida. O dispositivo encontra sua aplicabilidade na hipótese de dúvida quanto à interpretação da lei tributária, nas situações que especifica, o que não vislumbro no presente caso. Não há aqui qualquer dúvida, mas tão somente a falta de comprovação, por parte da interessada, da origem de valores depositados em sua conta- corrente, o que é suficiente para caracterizar a omissão de receitas a que se refere a lei, conforme anteriormente exposto. No que toca à multa de 75% aplicada, os argumentos da recorrente se mostram também insubsistentes. Em primeiro lugar, porque o principal (tributo) foi mantido, como visto, e, se o acessório deve seguir o principal, como sustenta a interessada, igualmente a multa deve ser mantida. Em segundo lugar, porque não se trata, aqui, da multa qualificada de 150% para a qual seria exigida a comprovação do evidente intuito de fraude. No caso sob exame, a multa de 75% encontra fundamento no inciso 1 do art, 44 da Lei n° 9430/1996, em sua redação vigente à época do lançamento, e é aplicável de forma objetiva, diante da falta de pagamento ou recolhimento do tributo, o que já foi adequadamente observado em primeira instância. Resta, afinal, examinar o questionamento da interessada acerca da aplicação da taxa Selic para o cálculo das juros moratórias. A matéria já foi inúmeras vezes discutida por este Colegiado, bem assim pelo extinto Primeiro Conselho de Contribuintes e pelo CARF, e se encontra pacificada, a ponto de resultar na súmula n° 4, a seguir reproduzida': Súmula CARF n" 4. A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de 1 Anexo III da Portaria CARF if 106, de 21/12/2009, publicada no DOU de 22/12/2009 10 11 Processo n 13808 004125/2001-54 S1-C3T1 Acórdão n 1301-00339 Fi 6 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. A teor do art, 72 do Anexo Il do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF IV 256/2009, as súmulas aprovadas pelo CARF são de observância obrigatória por seus membros. Por amor à clareza, trago à colação às disposições do art, 161, § 1°, do CTN (grifos não constam do original): Art. 161, O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual .for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidos de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.. § 1" Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês, Ocorre que a Lei n° 9,430/1996, em seu artigo 61, § 3°, conjugado com o art. 5", § 3', veio a dispor de modo diverso, estabelecendo a aplicação de juros equivalentes à taxa SELIC sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos não pagos, nos seguintes termos (grifos não constam do original): Art 5" O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1", será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração, [.1 § 3" As quotas do imposto serão acrescidas de furos equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos _federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. I Art. 61 . Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos .fatos geradores ocorrerem a partir de 1" de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, [J § 3" Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o .sç 3" do art. 5 0, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento Não acolho, pois, os questionamentos acerca da aplicação da taxa SELIC.
score : 1.0
Numero do processo: 13863.000206/2007-14
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2002
VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e,detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional.
LANÇAMENTO DECLARADO NULO. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO OU NOVO LANÇAMENTO.
Para o deslinde da questão há de se esclarecer que ação fiscal que culminou com a lavratura da presente NFLD foi promovida com a finalidade de constituição de créditos anulados pelo CRPS, devido ao fato da empresa ter o direito à redução da multa prevista no art. 35, § 4º da Lei n.° 8.212/91, considerando que as contribuições foram declaradas em GFIP, conforme inciso IV do art. 32 da referida Lei, não tendo sido a redução contemplada quando da primeira Notificação Fiscal.
É de vital importância a distinção entre vício formal e material para dimensionar os diferentes efeitos que, quanto à sua natureza e intensidade, cada um desses erros pode ter sobre o crédito tributário constituído. Há de se avaliar a ocorrência do erro como sendo "menos ou mais gravoso" e reforçando a idéia de que, também daí, pode-se extrair subsídios com vistas à classificação do vício como sendo de forma ou de substância
Saliento que, não restou aqui reapreciada a natureza do vício declarado por ocasião da anulação do primeiro lançamento. Mas sim, foi apreciado a conformidade do novo lançamento com o lançamento a que pretende substituir. Neste contexto, é lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelam-se incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Com efeito, sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem efetivamente necessárias para o novo lançamento, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. Ocorre que, para que se aplique o art. 173, II do CTN o novo lançamento deve conformar-se materialmente com o lançamento anulado. Fazendo-se necessária perfeita identidade entre os dois lançamentos, posto que não pode haver inovação material no lançamento substitutivo ao lançamento anulado anteriormente.
O que não ocorre no presente caso, posto o novo lançamento ter se omitido quanto aos motivos para a refiscalização (art. 149, do CTN). Destarte, o presente lançamento deve ser analisado como um novo lançamento e não como um lançamento substitutivo, o que acarreta a conclusão de que, no momento em que foi lançado, o crédito tributário a que se referia já se encontrava extinto pela decadência.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
A compensação, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido, não pode ser superior a 30% (trinta por cento) do valor a ser recolhido em cada competência à Seguridade Social, excluídos os valores devidos a outras entidades e fundos, conforme estabelecido no art. 89 caput e § 3° da Lei 8.212, de 1991. Ao ser constatado pela fiscalização que o contribuinte não respeitou os limites impostos pelos dispositivos legais, a Autoridade Fiscal deve efetuar a glosa dos referidos valores que foram compensados em desacordo com a legislação previdenciária.
Numero da decisão: 2301-003.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício na anulação da autuação originária como material, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou pela conceituação do vício como formal; b) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 05/2001, anteriores a 06/2001, devido a regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Manoel Coelho Arruda Júnior. Sustentação oral: Elayne Lopes Lourenço Mustefaga. OAB: 28478/DF.
João Bellini Júnior Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão.
Participaram do presente julgamento, os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2002 VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e,detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. LANÇAMENTO DECLARADO NULO. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO OU NOVO LANÇAMENTO. Para o deslinde da questão há de se esclarecer que ação fiscal que culminou com a lavratura da presente NFLD foi promovida com a finalidade de constituição de créditos anulados pelo CRPS, devido ao fato da empresa ter o direito à redução da multa prevista no art. 35, § 4º da Lei n.° 8.212/91, considerando que as contribuições foram declaradas em GFIP, conforme inciso IV do art. 32 da referida Lei, não tendo sido a redução contemplada quando da primeira Notificação Fiscal. É de vital importância a distinção entre vício formal e material para dimensionar os diferentes efeitos que, quanto à sua natureza e intensidade, cada um desses erros pode ter sobre o crédito tributário constituído. Há de se avaliar a ocorrência do erro como sendo "menos ou mais gravoso" e reforçando a idéia de que, também daí, pode-se extrair subsídios com vistas à classificação do vício como sendo de forma ou de substância Saliento que, não restou aqui reapreciada a natureza do vício declarado por ocasião da anulação do primeiro lançamento. Mas sim, foi apreciado a conformidade do novo lançamento com o lançamento a que pretende substituir. Neste contexto, é lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelam-se incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Com efeito, sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem efetivamente necessárias para o novo lançamento, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. Ocorre que, para que se aplique o art. 173, II do CTN o novo lançamento deve conformar-se materialmente com o lançamento anulado. Fazendo-se necessária perfeita identidade entre os dois lançamentos, posto que não pode haver inovação material no lançamento substitutivo ao lançamento anulado anteriormente. O que não ocorre no presente caso, posto o novo lançamento ter se omitido quanto aos motivos para a refiscalização (art. 149, do CTN). Destarte, o presente lançamento deve ser analisado como um novo lançamento e não como um lançamento substitutivo, o que acarreta a conclusão de que, no momento em que foi lançado, o crédito tributário a que se referia já se encontrava extinto pela decadência. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A compensação, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido, não pode ser superior a 30% (trinta por cento) do valor a ser recolhido em cada competência à Seguridade Social, excluídos os valores devidos a outras entidades e fundos, conforme estabelecido no art. 89 caput e § 3° da Lei 8.212, de 1991. Ao ser constatado pela fiscalização que o contribuinte não respeitou os limites impostos pelos dispositivos legais, a Autoridade Fiscal deve efetuar a glosa dos referidos valores que foram compensados em desacordo com a legislação previdenciária.
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13863.000206/2007-14
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5700270
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2301-003.514
nome_arquivo_s : Decisao_13863000206200714.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
nome_arquivo_pdf_s : 13863000206200714_5700270.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício na anulação da autuação originária como material, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou pela conceituação do vício como formal; b) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 05/2001, anteriores a 06/2001, devido a regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Manoel Coelho Arruda Júnior. Sustentação oral: Elayne Lopes Lourenço Mustefaga. OAB: 28478/DF. João Bellini Júnior Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão. Participaram do presente julgamento, os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior.
dt_sessao_tdt : Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
id : 6688529
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:14:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076781452984320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2369; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13863.000206/200714 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301003.514 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2013 Matéria TEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Recorrente SOCIEDADE BRASILEIRA BENEFICIADORA DE CHÁ LTDA. Recorrida UNIÃO (REPRESENTADA PELA PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2002 VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e,detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. LANÇAMENTO DECLARADO NULO. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO OU NOVO LANÇAMENTO. Para o deslinde da questão há de se esclarecer que ação fiscal que culminou com a lavratura da presente NFLD foi promovida com a finalidade de constituição de créditos anulados pelo CRPS, devido ao fato da empresa ter o direito à redução da multa prevista no art. 35, § 4º da Lei n.° 8.212/91, considerando que as contribuições foram declaradas em GFIP, conforme inciso IV do art. 32 da referida Lei, não tendo sido a redução contemplada quando da primeira Notificação Fiscal. É de vital importância a distinção entre vício formal e material para dimensionar os diferentes efeitos que, quanto à sua natureza e intensidade, cada um desses erros pode ter sobre o crédito tributário constituído. Há de se avaliar a ocorrência do erro como sendo "menos ou mais gravoso" e reforçando a idéia de que, também daí, podese extrair subsídios com vistas à classificação do vício como sendo de forma ou de substância Saliento que, não restou aqui reapreciada a natureza do vício declarado por ocasião da anulação do primeiro lançamento. Mas sim, foi apreciado a conformidade do novo lançamento com o lançamento a que pretende substituir. Neste contexto, é AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 3. 00 02 06 /2 00 7- 14 Fl. 514DF CARF MF 2 lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Com efeito, sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem efetivamente necessárias para o novo lançamento, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. Ocorre que, para que se aplique o art. 173, II do CTN o novo lançamento deve conformarse materialmente com o lançamento anulado. Fazendose necessária perfeita identidade entre os dois lançamentos, posto que não pode haver inovação material no lançamento substitutivo ao lançamento anulado anteriormente. O que não ocorre no presente caso, posto o novo lançamento ter se omitido quanto aos motivos para a refiscalização (art. 149, do CTN). Destarte, o presente lançamento deve ser analisado como um novo lançamento e não como um lançamento substitutivo, o que acarreta a conclusão de que, no momento em que foi lançado, o crédito tributário a que se referia já se encontrava extinto pela decadência. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A compensação, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido, não pode ser superior a 30% (trinta por cento) do valor a ser recolhido em cada competência à Seguridade Social, excluídos os valores devidos a outras entidades e fundos, conforme estabelecido no art. 89 caput e § 3° da Lei 8.212, de 1991. Ao ser constatado pela fiscalização que o contribuinte não respeitou os limites impostos pelos dispositivos legais, a Autoridade Fiscal deve efetuar a glosa dos referidos valores que foram compensados em desacordo com a legislação previdenciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício na anulação da autuação originária como material, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou pela conceituação do vício como formal; b) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 05/2001, anteriores a 06/2001, devido a regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Manoel Coelho Arruda Júnior. Sustentação oral: Elayne Lopes Lourenço Mustefaga. OAB: 28478/DF. João Bellini Júnior – Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão. Participaram do presente julgamento, os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 13863.000206/200714 Acórdão n.º 2301003.514 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Conselheiro João Bellini Júnior Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato do conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, relator original, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado ad hoc para fazêlo. Esclareço que me atenho aos registros de votos deixados pelo conselheiros nos sistemas do CARF e à decisão prolatada em sessão, conforme registrada em ata, com os quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Reproduzo o relatório constante do acórdão recorrido: O presente lançamento referese à glosa de compensações efetuadas pela empresa em desconformidade com a legislação vigente, ultrapassando o limite de 30% (trinta por cento) das contribuições arrecadadas e administradas pelo INSS para a Seguridade Social, excluídas as destinadas a outras entidades e fundos, relativas às competências 01/1999 a 04/2002. Consoante o Relatório Fiscal de fls. 30 a 33, a presente Notificação Fiscal foi lavrada em substituição a NFLD n.° 35.367.8333 de 30/08/2002, pelo fato dessa última ter sido julgada nula por meio da DecisãoNotificaçáo nº 21.433.4/0004/2006, devido ao fato da empresa ter o direito à redução da multa prevista no art. 35, § 4o da Lei n.° 8.212/91, considerando que as contribuições foram declaradas em GFIP, conforme inciso IV do art. 32 da referida Lei, não tendo sido a redução contemplada quando da primeira Notificação Fiscal. Ainda, consoante o Relatório Fiscal, as contribuições devidas foram apuradas com base nas folhas de pagamento, na escrituração contábil e nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência SocialGFIP. 3. O montante total do débito é de R$ 175.146,88 (cento e setenta e cinco mil. cento e quarenta e seis reais e oitenta e oito centavos), consolidado em 12/06/2006. DA IMPUGNAÇÃO 4. Dentro do prazo regulamentar a empresa apresentou impugnação, as fls. 42 a 125, alegando em síntese que: 4.1 Cita os arts. 574 e 588 da Instrução Normativa MPS/SRP n.° 03/2005, aduzindo que não lhe foi dada ciência do Mandado de Procedimento FiscalMPF quando do início do procedimento de fiscalização, sendo que a publicidade do ato administrativo, traduzida na ciência do início do procedimento fiscal, apresenta Fl. 516DF CARF MF 4 se como requisito imprescindível à perfeição desse, tornandose imperioso à validade da Notificação Fiscal que, na época do início do procedimento de fiscalização, fosse dada ciência à impugnante do Mandado de Procedimento Fiscal, o que não ocorreu. Aduz que tais vícios no MPF justificam o cancelamento de todo o processo administrativo Fiscal dele decorrente. Cita decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS e do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. 4.2 Ainda preliminarmente, alega a decadência do crédito fiscal relativo aos meses de janeiro de 1999 a maio de 2001, aduzindo que a D. Autoridade Fiscal deveria realizar a revisão de ofício do lançamento antes de extinto o direito da Fazenda Publica ou seja, antes da ocorrência da decadência desses valores, sendo que, com relação aos valores originados no período de 01/99 até 05/2001, a D. Autoridade Administrativa efetuou a revisão do lançamento após extinto o referido direito, posto que somente foi notificada da nova autuação em 30/06/2006, portanto, após transcorrido o prazo decadencial. Tece comentários a cerca da decadência, aduzindo que a pretensão de cobrança de suposto crédito relativo ao período mencionado é ilegal, motivo pelc qual a presente autuação deverá ser cancelada, sendo a contribuição previdenciária lançamento por homologação, cujo prazo decadencial é contado nos termos do art. 150, § 4° do CTN. Cita julgado do Superior Tribunal de Justiça. Também alega que conforme jurisprudência do Poder Judiciário e dos Tribunais Administrativos, o art. 45 da Lei n.° 8.212/91 viola frontalmente a Carta Magna, sendo que as contribuições previdenciárias, em sendo tributos, os prazos de decadência e prescrição estabelecidos pelo Código Tributário Nacional não pode ser ampliados por lei ordinária, o que somente poderia ser feito por meio de lei complementar. Cita julgados e doutrina. 4.3 Alega a defendente que, ao efetuar as compensações indicadas na presente Notificação Fiscal sem a devida observação do limite de 30% (trinta por cento) do valor a ser recolhido em cada competência, não realizou qualquer ato que tenha prejudicado aos cofres públicos, a não ser quanto aos efeitos da postergação do recolhimento das contribuições em pauta, já que, conforme documentação que será posteriormente juntada, nos períodos posteriores aos abrangidos no presente lançamento, procedeu ao recolhimento das contribuições sem aproveitar o limite de valores a compensar a que teria direito se tivesse observado o disposto na lei, sendo que em não tendo a D Autoridade Fiscal considerado o efeito econômico de mero diferimento, exigindo de forma indevida tributo já recolhido, deve a presente Notificação Fiscal ser cancelada. 4.4 Aduz que em virtude da documentação abranger um longo intervalo de anos, bem como levandose em conta o exíguo prazo para apresentação de defesa, não finalizou a busca de toda a documentação para demonstrar à fiscalização a lisura de todos os seus procedimentos, o que espera realizar o mais breve possível. 4.5 Assim, requer que a presente Notificação Fiscal seja completamente' cancelada em todos os seus efeitos. Protesta por todos os tipos de provas em direito admitidas. Fl. 517DF CARF MF Processo nº 13863.000206/200714 Acórdão n.º 2301003.514 S2C3T1 Fl. 4 5 A Delegacia da Receita Previdenciária em Santos julgou procedente o lançamento, em decisão que recebeu a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A decadência das contribuições previdenciárias operase em 10 (dez) anos, consoante art. 45 da Lei n." 8.212/91. A compensação, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido, não pode ser superior a 30º (trinta por cento) do valor a ser recolhido em cada competência à Seguridade Social, excluídos os valores devidos a outras entidades e fundos, conforme estabelecido no art. 89 "caput'' e § 3° da Lei n. 8.212/91. Ao ser constatado pela fiscalização que o contribuinte não respeitou os limites impostos pelos dispositivos legais, a Autoridade Fiscal deve efetuar a glosa dos referidos valores que foram compensados em desacordo com a legislação previdenciária pertinente. LANÇAMENTO PROCEDENTE. O contribuinte foi cientificado dessa decisão em 23/04/2007 (efl. 147). Em 23/05/2007 apresentou seu recurso voluntário, alegando: (a) a nulidade do mandado de procedimento fiscal (MPF); (b) a decadência do crédito fiscal relativo aos meses de janeiro de 1999 até maio de 2001 (inclusive); e (c) o efeito de mera postergação do recolhimento das contribuições ora exigidas. Pediu o cancelamento da autuação. É o relatório. O processo foi distribuído para este redator ad hoc em 15/03/2017. Voto Conselheiro João Bellini Júnior Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato do conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, relator original, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado ad hoc para fazêlo. Esclareço que me atenho aos registros de votos deixados pelo conselheiros nos sistemas do CARF e à decisão prolatada em sessão, conforme registrada em ata, com os quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário interposto e passo ao exame das razões recursais. Fl. 518DF CARF MF 6 Em suas razões recursais, o recorrente alega que não lhe foi dada ciência do MPF quando do início do procedimento de fiscalização, sendo que a publicidade do ato administrativo, traduzida na ciência do início do procedimento fiscal, apresentase como requisito imprescindível à perfeição desse. Não obstante possuir entendimento pessoal convergente aos argumentos colacionados pelo Contribuinte, curvome ao posicionamento consolidado pelo r. Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, conforme se denotará a seguir. A discussão em torno de nulidade acerca do MPF é irrelevante diante do fato de que o lançamento tributário foi efetuado por servidor competente e contém os elementos exigidos pelo art. 10 do Decreto n°70.235, de 06 de março de 1972 e alterações, dispositivo que regula o processo administrativo fiscal. Além disso, a atividade do lançamento tributário é privativa da autoridade administrativa, vinculada ao texto da lei, e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional pelo seu descumprimento, nos termos no art. 142 do Código Tributário NacionalCTN. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido,identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Com efeito, foi atribuída aos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil o lançamento dos tributos e contribuições de competência da União, nos termos do artigo 6°, da Lei n° 10.593/2002, com redação dada pela Lei 11.457/2007, que assim dispõe: Art. 6. São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (grifei) Já o MPF, foi instituído pela Portaria SRF n° 1.265, de 22 de novembro de1999, e regulado pela Portaria RFB n° 3.007/2001, vigente durante a ação fiscal sob análise, consiste em documento emitido em decorrência de normas administrativas que regulam a execução da atividade fiscal, determinando que os procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Receita Federal sejam levados a efeito de conformidade com uma ordem específica, a qual pressupõe formalização mediante MPF. O MPF constituise, assim, apenas em instrumento de controle da administração tributária em relação aos procedimentos realizados pelos seus servidores e instrumento de garantia para o contribuinte, na medida em que este poderá conferir se de fato o Auditor Fiscal que o esteja fiscalizando se encontra no exercício legal de suas funções. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 13863.000206/200714 Acórdão n.º 2301003.514 S2C3T1 Fl. 5 7 Eventuais incorreções, falta de intimação ou falta de prorrogação da validade desse instrumento não tem o condão de invalidar o lançamento tributário, porque normas administrativas não podem se sobrepor à lei. Assim, uma vez efetuado o lançamento por autoridade administrativo fiscal competente, nos termos do art. 142 do CTN, e atendidas as disposições do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972 e alterações, o mesmo deve prevalecer em relação aos atos normativos infra legais que criaram o MPF: Acórdão n° 140200.385 Assunto: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário:2004 Ementa:VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF.ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e,detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. II DECADÊNCIA A discussão gira em torno da apreciação da decadência de lançamento realizado para sanear lançamento anterior anulado. Para o deslinde da questão há de se esclarecer que ação fiscal que culminou com a lavratura da presente NFLD foi promovida com a finalidade de constituição de créditos anulados pelo CRPS, devido ao fato da empresa ter o direito à redução da multa prevista no art. 35, § 4º da Lei n.° 8.212/91, considerando que as contribuições foram declaradas em GFIP, conforme inciso IV do art. 32 da referida Lei, não tendo sido a redução contemplada quando da primeira Notificação Fiscal. É de vital importância a distinção entre vício formal e material para dimensionar os diferentes efeitos que, quanto à sua natureza e intensidade, cada um desses erros pode ter sobre o crédito tributário constituído. Há de se avaliar a ocorrência do erro como sendo "menos ou mais gravoso" e reforçando a idéia de que, também daí, podese extrair subsídios com vistas à classificação do vício como sendo de forma ou de substância. Como efeito prático de se declarar a nulidade do lançamento por vício formal ou material temos que: no caso de vício formal o prazo decadencial para a realização de outro lançamento é restabelecido, passando a ser contado a partir da data da decisão definitiva que declarou a nulidade por vício formal do lançamento, conforme estabelece o art. 173, inciso II, do CTN. Já no caso de vício material, o prazo decadencial continua a ser contado da ocorrência do fato gerador do tributo, no caso do artigo 150, §4°,do CTN, ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, tratandose do artigos 173, incisoI do CTN. Assim sendo, neste último caso, poderá o Fisco promover novo lançamento, Fl. 520DF CARF MF 8 corrigindo o vício material incorrido,conquanto que dentro do prazo decadencial estipulado, sem o restabelecimento do prazo que é concedido na hipótese de se tratar de vício formal. Portanto, a questão reside, assim, no estudo da natureza e intensidade do erro cometido, de cujas conclusões se extrai a classificação necessária para se definira existência, ou não, do direito de o sujeito ativo da obrigação efetuar novo lançamento, levandose em conta o princípio da segurança jurídica e os limites temporais dos atos administrativos. As incorreções e omissões quanto à formalidade do ato praticado caracterizam o vício formal. Luiz Henrique Barros de Arruda, Processo Administrativo Fiscal, Editora Resenha Tributária, pág. 82, define assim o vício formal: "O vício de forma existe sempre que na formação ou na declaração da vontade traduzida no ato administrativo foi preterida alguma formalidade essencial ou que o ato não reveste a forma legal." Ou seja, os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, isto é, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício,mas não pertencem ao seu conteúdo material. Por outro lado, ocorre vício material quando o lançamento não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, é igualmente nulo por falta de materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Destarte, a inobservância do que preconiza o art. 142 do CTN, que prevê ser o lançamento procedimento administrativo atendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido,identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, caracteriza existência de vício de natureza material. No presente caso a nulidade do primeiro lançamento foi declarada em face de a empresa ter o direito à redução da multa prevista no art. 35, § 4º da Lei n.° 8.212/91, considerando que as contribuições foram declaradas em GFIP, conforme inciso IV do art. 32 da referida Lei, não tendo sido a redução contemplada quando da primeira Notificação Fiscal, o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN. Saliento que, não estou aqui reapreciando a natureza do vício declarado por ocasião da anulação do primeiro lançamento. Estou sim, apreciando a conformidade do novo lançamento como lançamento a que pretende substituir. Neste contexto, é lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Com efeito, sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc.tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem efetivamente necessárias para o novo lançamento, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. Ocorre que, para que se aplique o art. 173, II do CTN o novo lançamento deve conformarse materialmente com o lançamento anulado. Fazendose necessária perfeita Fl. 521DF CARF MF Processo nº 13863.000206/200714 Acórdão n.º 2301003.514 S2C3T1 Fl. 6 9 identidade entre os dois lançamentos, posto que não pode haver inovação material no lançamento substitutivo ao lançamento anulado anteriormente. O que não ocorre no presente caso, posto que o novo lançamento omitiuse quanto aos motivos para a refiscalização (art. 149, do CTN). Em suma, não há coincidência material entre o primeiro lançamento, tornado nulo, e o presente lançamento, que,em tese, teria o condão de substituílo. Destarte, o presente lançamento deve ser analisado como um novo lançamento e não como um lançamento substitutivo, o que acarreta a conclusão de que, no momento em que foi lançado, o crédito tributário a que se referia já se encontrava extinto pela decadência. Esse é a propósito o entendimento da 2a Turma da CSRF: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/1995 a 30/04/1995, 01/09/1995 a 30/11/1995 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DECLARADO NULO. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO OU NOVO LANÇAMENTO. No presente caso a nulidade do primeiro lançamento foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude da não caracterização da existência da cessão de mão de obra, o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN. Saliento que, não estou aqui reapreciando a natureza do vício declarado por ocasião da anulação do primeiro lançamento. Estou sim, apreciando a conformidade do novo lançamento com o lançamento a que pretende substituir. Neste contexto, é lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Com efeito, sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem efetivamente necessárias para o novo lançamento, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. Ocorre que, para conformarse materialmente com o lançamento anulado. Fazendose necessária perfeita identidade entre os dois lançamentos, posto que não pode haver inovação material no lançamento substitutivo ao lançamento anulado anteriormente. O que não ocorreu no presente caso, posto que o novo lançamento introduziu inovação material no que diz respeito à caracterização da cessão de mão de obra. Em suma, não há coincidência material entre o primeiro lançamento, tornado nulo, e o presente lançamento, que, em tese, teria o condão de substituílo. Destarte, o presente lançamento deve ser analisado como um novo lançamento e não como um lançamento substitutivo, o que acarreta a conclusão de que, no momento em que foi lançado, o crédito tributário a que se referia já se encontrava extinto pela decadência. Recurso especial provido. Fl. 522DF CARF MF 10 [Acórdão n. 9202002.727, Conselheiro Relator: Elias Sampaio Freire] Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1995 a 31/05/1995, 01/11/1995 a 30/11/1995 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DECLARADO NULO. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO OU NOVO LANÇAMENTO. No presente caso a nulidade do primeiro lançamento foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude da não caracterização da existência da cessão de mão de obra, o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN. Não se está aqui a reapreciar a natureza do vício declarado por ocasião da anulação do primeiro lançamento, mas sim, a conformidade do novo lançamento com o lançamento a que pretende substituir. Sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar a contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem efetivamente necessárias para o novo lançamento, significa que a obrigação tributária não estava definida e não há que se falar em lançamento substitutivo, mas, sim, em novo lançamento. Assim, no momento em que foi lançado, o crédito tributário a que se referia já se encontrava extinto pela decadência. Recurso especial negado. [Acórdão n. 9202003.185, Conselheiro Relator: Luiz Eduardo de Oliveira Santos] No caso presente, estão decadentes os débitos cujos fatos geradores ocorreram entre janeiro de 1999 até maio de 2001 (inclusive), tendo a Recorrente tomado ciência da nova NFLD somente no mês de junho de 2006. Além disso, caso esse d. Colegiado não acolha a presente proposição, além desse motivo, há outro para o reconhecimento da decadência das competências 01/99 a 05/2001. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. 'In verbis': Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e Fl. 523DF CARF MF Processo nº 13863.000206/200714 Acórdão n.º 2301003.514 S2C3T1 Fl. 7 11 decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, §4°, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5° do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1° do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n° 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Fl. 524DF CARF MF 12 Assim, a partir da publicação, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto. Ocorre que este Código prevê a aplicação de duas regras, aparentemente conflitantes, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4°), e a segunda o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...). § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: 1 do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Harmonizando as normas acima transcritas, o Superior Tribunal de Justiça esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitarse a lançamento por homologação: 1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação; 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito. Cumpre transcrever o acórdão prolatado em sede de Recurso Especial representativo da controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4°, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio) contase do primeiro Fl. 525DF CARF MF Processo nº 13863.000206/200714 Acórdão n.º 2301003.514 S2C3T1 Fl. 8 13 dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3a ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4°, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3a ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10a ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3aed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp Fl. 526DF CARF MF 14 973733/SC, Rel. Ministro LUIZFUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4° do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, "quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias" . Deste modo, considerando que a ciência do lançamento ocorreu em 30/06/2006 (efl. 44), consideramse fulminados pela decadência os períodos 01/99 a 05/2001, nos termos do artigo 150, §4º, do CTN. Dessa forma, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso do contribuinte, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 05/2001, anteriores a 06/2001, devido a regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN,. MULTA Em relação à multa há de se registrar que o dispositivo legal que lhe dá supedâneo foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea "c", do inciso II, do artigo 106, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei n° 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o artigo 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato "atraso" aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea "c", do inciso II, do artigo 106, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. DA COMPENSAÇÃO INDEVIDA Em relação às demais questões, assumo como minhas, mutatis mutandis, as razões da autoridade recorrida, que enfrentou a matéria de modo convenniente: 13. No que concerne aos argumentos da defendente de que, ao efetuar as compensações indicadas na presente Notificação Fiscal sem a devida observação do limite de 30% (trinta por cento) do valor a ser recolhido em cada competência, não realizou qualquer ato que tenha prejudicado aos cofres públicos, Fl. 527DF CARF MF Processo nº 13863.000206/200714 Acórdão n.º 2301003.514 S2C3T1 Fl. 9 15 a não ser quanto aos efeitos da postergação do recolhimento das contribuições em pauta, sendo que em não tendo a D. Autoridade Fiscal considerado o efeito econômico de mero diferimento, exigindo de forma indevida tributo já recolhido, deve a presente Notificação Fiscal ser cancelada, temse tais argumentos da defendente não merecem ser acolhidos, senão vejamos. 14. Inicialmente, devese ressaltar que a fiscalização não questiona o direito garantido à empresa através da Resolução n.° 14/1995 do Senado Federal, nem pretende restringir a faculdade atribuída ao contribuinte de efetuar a compensação dos valores recolhidos indevidamente, apenas procedeu ao levantamento do débito resultante de valores compensados em desacordo com as instruções legais para tal procedimento. 15 Sendo assim, uma vez havendo o pagamento de valores indevidos à Previdência Social, o sujeito passivo, de fato, tem a faculdade de se ressarcir de tais quantias, deduzindoas das contribuições devidas, conforme se infere do art. 89 da Lei no" 8.212/91, dos arts. 72 e 76 do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade SocialROCS, aprovado pelo Decreto n.° 2.173/97 (aplicado até a competência 05/1999) e arts. 247 e 251 do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99 (a partir da competência 06/99); no entanto, esse ressarcimento deve obedecer ainda ao que prescrevem os arts. 89, § 3°da Lei n.° 8.212/91, art. 76, § 1o do ROCS, bem como o art. 251, § 1o do RPS, in verbis: a) Lei 8.212/91: "Art. 89... (...) §3° Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência." (gn) b) Decreto n.° 2.173/97: "Art. 76... § 1° A compensação, independentemente da data do recolhimento, não pode ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência, devendo o saldo remanescente em favor do contribuinte ser compensado nas competências subseqüentes, aplicandose as normas previstas nos § 1° e §2° do art. 72." (gn) c) Decreto n.° 3.048/99: "Art. 251... § 1o A compensação, independentemente da data do recolhimento não pode ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em caca competência, devendo o saldo remanescente em favor do contribuinte ser compensado nas Fl. 528DF CARF MF 16 competências subseqüentes, aplicandose as normas previstas nos § 1° e 2° do art. 247." (gn) 16. Assim, ao ser constatado pela fiscalização que o contribuinte não respeitou os limites impostos pelos dispositivos legais supra citados, a Autoridade fiscal deve efetuar a glosa dos referidos valores que foram compensados em desacordo com a legislação previdenciária pertinente. Bem como ainda no tocante às alegações da defendente de que, nos períodos posteriores aos abrangidos no presente lançamento, procedeu ao recolhimento das contribuições sem aproveitar o limite de valores a compensar a que teria direito se tivesse observado o disposto na lei, temse que a impugnante não logrou comprovar suas alegações, não juntando aos autos qualquer documento que fizesse tal prova, bem como ainda o limite de 30% (trinta por cento) para o contribuinte efetuar compensação é disposição expressa em lei, conforme supra citado, sendo sua observância de caráter obrigatório portanto, prevendo a lei que o saldo remanescente deverá ser compensado nas competências subseqüentes. 17. No que concerne aos argumentos da impugnante de que, em virtude da documentação abranger um longo intervalo de anos e o exíguo prazo para apresentação de defesa, não finalizou a busca de toda a documentação para demonstrar à fiscalização a lisura de todos os seus procedimentos, há que se ressaltas que o art. 9o, § 1o Portaria MPS n.° 520/04, publicada no DOU de 20/05/2004 (cuja divisão também já se encontrava inserta no art. 16 do Decreto n.c 70.235/72) é bem claro ao dispor que:"§ 1° A prova documental será apresentada na impugnação precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual...", prevendo apenas como exceção os casos de impossibilidade demonstrada de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, ou refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, prevendo ainda que a juntada de documentos pós a impugnação deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, de forma fundamentada, a ocorrência de uma destas condições citadas. 18. Finalmente, a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD se encontra revestida das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, não tendo o contribuinte carreado aos autos elementos comprobatórios capazes de elidir o crédito lançado, bem como o lançamento fiscal encontrase perfeitamente embasado, consoante ao disposto nos 3ris. 33, 34, 35 e 89 da Lei n.° 8.212/91, com as devidas atualizações. CONCLUSÃO Portanto, VOTO PELO PROVIMENTO PARCIAL do recurso para: a) conceituar o vício na anulação da autuação originária como material; b) para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 05/2001, anteriores a 06/2001, devido a regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para Fl. 529DF CARF MF Processo nº 13863.000206/200714 Acórdão n.º 2301003.514 S2C3T1 Fl. 10 17 que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; e d) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente. É o voto. ASSIM VOTOU O CONSELHEIRO NA SESSÃO DE JULGAMENTO. João Bellini Júnior Redator ad hoc na data da formalização do acórdão. . Fl. 530DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001765/00-14
Data da sessão: Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1.998
EMENTA: PERC - VERIFICAÇÃO DA SITUAÇÃO FISCAL DA REQUERENTE - DIREITO AO CONTRADITÓRIO - O Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), por não representar
pedido de concessão ou reconhecimento de incentivo ou beneficio fiscal, mas tão somente pedido de revisão de decisão administrativa, não se subsume à norma trazida como fundamento para verificação da situação fiscal do requerente (art. 60 da Lei n° 9.069, de 1995), devendo, em razão disso, ser objeto de apreciação por parte da autoridade administrativa competente. A
não apreciação do pedido implicaria cerceamento do direito ao contraditório.
Enunciado n.° 37 da Súmula do desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a saber: "Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n° 70.235/72."
Numero da decisão: 1402-000.115
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, para determinar a remessa dos autos à Unidade de origem para que seja analisado o PERC, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarou-se
impedido o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201003
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1.998 EMENTA: PERC - VERIFICAÇÃO DA SITUAÇÃO FISCAL DA REQUERENTE - DIREITO AO CONTRADITÓRIO - O Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), por não representar pedido de concessão ou reconhecimento de incentivo ou beneficio fiscal, mas tão somente pedido de revisão de decisão administrativa, não se subsume à norma trazida como fundamento para verificação da situação fiscal do requerente (art. 60 da Lei n° 9.069, de 1995), devendo, em razão disso, ser objeto de apreciação por parte da autoridade administrativa competente. A não apreciação do pedido implicaria cerceamento do direito ao contraditório. Enunciado n.° 37 da Súmula do desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a saber: "Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n° 70.235/72."
numero_processo_s : 16327.001765/00-14
conteudo_id_s : 5833573
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-000.115
nome_arquivo_s : Decisao_163270017650014.pdf
nome_relator_s : Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
nome_arquivo_pdf_s : 163270017650014_5833573.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para determinar a remessa dos autos à Unidade de origem para que seja analisado o PERC, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarou-se impedido o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2010
id : 7134703
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:15:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076781459275776
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-07-13T13:29:41Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-07-13T13:29:41Z; Last-Modified: 2010-07-13T13:29:41Z; dcterms:modified: 2010-07-13T13:29:41Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:1b73b61a-5239-48c4-a5b1-0be3eb5c7b73; Last-Save-Date: 2010-07-13T13:29:41Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-07-13T13:29:41Z; meta:save-date: 2010-07-13T13:29:41Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-07-13T13:29:41Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-07-13T13:29:41Z; created: 2010-07-13T13:29:41Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2010-07-13T13:29:41Z; pdf:charsPerPage: 1919; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-07-13T13:29:41Z | Conteúdo => S1-C4T2 Fl. 1 • MINISTÉRIO DA FAZENDA :511'1 • 14' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 16327.001765/00-14 Recurso n° 157.827 Voluntário Acórdão n° 1402-00.115 — 4 a Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2010 Matéria IRPJ - ANO-CALENDÁRIO: 1999 Recorrente BANCO ABN - AMRO REAL S.A. Recorrida 8' TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP I Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1.998 EMENTA: PERC - VERIFICAÇÃO DA SITUAÇÃO FISCAL DA REQUERENTE - DIREITO AO CONTRADITÓRIO - O Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), por não representar pedido de concessão ou reconhecimento de incentivo ou beneficio fiscal, mas tão somente pedido de revisão de decisão administrativa, não se subsume à norma trazida como fundamento para verificação da situação fiscal do requerente (art. 60 da Lei n° 9.069, de 1995), devendo, em razão disso, ser objeto de apreciação por parte da autoridade administrativa competente. A não apreciação do pedido implicaria cerceamento do direito ao contraditório. Enunciado n.° 37 da Súmula do desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a saber: "Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n° 70.235/72." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para determinar a remessa dos autos à Unidade de origem para que seja analisado o PERC, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarou-se impedido o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta. A-7 AÇO c._ ALBERTINA SILVA/SANTOS DE L — Presidente Processo n° 16327.001765/00-14 S1-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.115 Fl. 2 LEONARDO HENRIQUE M. DE OLIVEIRA — Relator 'EDITADO EM: ; 21 M A 20 10 Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carmen Ferreira Saraiva, Marcelo de Assis Guerra e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório BANCO ABR — AMRO REAL SA, inconformado com a decisão consubstanciada no Acórdão n° 16-12.436 proferido pela 8 Turma da DRJ em São Paulo SP-I, que denegou o pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais, mantendo na íntegra o Despacho Decisório da DEINF SP de folhas 129/130 , interpôs o recurso voluntário de folhas 183 a 191 objetivando a reforma da decisão atacada. A contribuinte acima identificada ingressou, com o PERC — Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais de fls. 01, tendo em vista não que não houve emissão dos valores pleiteados para o FINAM, relativamente à sua opção por aplicação de parte do IRPJ relativo ao ano-calendário 1.997, tendo o extrato de aplicações em incentivos fiscais de folha 02 sido expedido com valor aplicado igual a zero. 2. Por meio do Despacho Decisório de fls. 129/130, proferido em junho/2005, a autoridade administrativa competente indeferiu o pedido, tendo em vista o resultado de consulta junto ao PROFISC, onde se verificou a existência de 4 processos inscritos na dívida ativa da União (fl. 130), concluindo portanto que na data do Despacho a empresa não preenchia a condição imposta pelo artigo 60 da Lei n° 9.069/95. 2. Inconformada com o referido Despacho Decisório, do qual foi devidamente cientificada, apresentou, em 20/03/2006, a manifestação de inconformidade de fls. 140 a 154, acompanhada da Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de débitos junto à SRF e PFN. Na peça de defesa a interessada argüi, em síntese, o seguinte: Que não pode se conformar com o indeferimento pois ao contrário do afirmado no Despacho Decisório sua situação fiscal é regular não havendo débitos vencidos e por isso junta a Certidão Conjunta Positiva de Débitos de Tributos e Contribuições Federais, com efeitos de Negativa emitida pela SRF e PGFN em 16.01.06. Transcreve os artigos 205 e 206 do CTN e diz ser infundada a argumentação trazida no Despacho Decisório. Cita decisões do Poder Judiciário e do Conselho de Contribuintes. 2 Processo n° 16327.001765/00-14 S1-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.115 Fl. 3 Transcreve da página da SRF o Guia do Contribuinte/ PERC, o qual traz a documentação necessária e a orientação que prevê a possibilidade da autoridade fiscal, antes de decidir solicitar documentos relacionados com seu pedido inclusive quando há tributo com exigibilidade suspensa, tendo o Delegado indeferido liminarmente seu pedido sem qualquer solicitação para comprovação de eventuais débitos. Transcreve ementa de três decisões da antiga 8a Câmara do 1° CC e postula o conhecimento da Manifestação de Inconformidade em apreço, para refoinia da decisão recorrida, reconhecendo-se o direito da interessada a usufruir o incentivo fiscal, tendo em vista a comprovação de sua total regularidade fiscal. A 8' Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo SP-I , analisou a manifestação da empresa contra o Despacho Decisório e decidiu pela sua manutenção, negando o PERC, tendo ementado o acórdão da seguinte folina: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1.997 PERC - QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS - PROVA. Nos termos do art. 60 da Lei 9.069/95, a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fiscal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Diante da ausência desta prova o PERC não pode ser deferido. Entendeu a decisão recorrida que a empresa não trouxe qualquer documento, além da certidão negativa que foi emitida por força do MS n° 2006.34.00.001378-4, conforme consignado no próprio corpo da certidão. Inconfounada a empresa apresentou o Recurso Voluntário de folhas 183 a 191 onde insiste que sua situação fiscal é regular pois quando do requerimento da certidão negativa apresentou cópia de todas as peças processuais, DARFs de recolhimento/depósito, DCTF's, Certidões de Objeto de Pé etc; que comprovam a extinção e/ou suspensão da exigibilidade dos "supostos" créditos apontados no sistema da SRF e da PFN. Além disso a situação regular foi reconhecida pelo Poder Judiciário através do MS 2006.34.00.001378-4. Argumenta que o artigo 60 da Lei n° 9.069/95 não especifica a forma de comprovação da regularidade fiscal. Cita o acórdão 105-16.164, no qual a Câmara entendeu descaber o indeferimento do PERC quando a alegada irregularidade fiscal não é contemporânea, mas, posterior à opção pelo beneficio fiscal. Repete a argumentação de que não fora intimado a comprovar as suposta irregularidades fiscais, e conclui pedindo o provimento do recurso. É o relatório. ((p 3 . , Processo n° 16327.001765/00-14 SI-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.115 Fl. 4 Voto Conselheiro: LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA - Relator O recurso é tempestivo dele conheço. Adoto como razão de decidir a tese pacificada no âmbito da 5' Câmara do 1° CC, espelhada no voto proferido pelo Conselheiro Waldir Veiga Rocha no acórdão 105- 17.144. "A matéria tem sido objeto de apreciação em diversas oportunidades por este colegiado. A decisão vinha sendo, de forma reiterada, de que, nos Pedidos de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), o momento em relação ao qual deve ser verificada a situação fiscal do contribuinte é a data da entrega da declaração de informações correspondente, eis que é ali que se configura o exercício, por parte do contribuinte, da opção pela aplicação de parcela do imposto em incentivos fiscais. Este posicionamento obteve seus fundamentos em decisão prolatada pela DRI Campinas (Acórdão n° 7.926, de 17/12/2004). Re-analisando a questão, passamos a entendê-la de forma diferente. Com efeito, o pedido de revisão em referência constitui meio, posto a disposição pela própria Administração Tributária, para que o contribuinte, exercendo o direito ao contraditório, ofereça contra-razões às eventuais modificações promovidas em sua opção (ou opções), em decorrência do processamento das informações consignadas na declaração apresentada. Nessa linha, o referido pedido (PERC) não representa pedido de concessão ou reconhecimento de incentivos fiscais, mas, sim, de revisão das alterações efetuadas, de oficio, relativamente à opção anteriormente exercida via declaração. Vistos sob essa ótica, tais pedidos não se amoldam à exigência do art. 60 da Lei n° 9.069, de 1995, eis que, conforme exposto, eles não se referem a pedido de concessão ou reconhecimento de incentivo ou beneficio fiscal, mas, sim, de revisão de pedido anteriormente formalizado. Observe-se que, entre outros motivos, as modificações promovidas na opção (ou opções) exercida (s) pelo contribuinte podem decorrer da constatação da existência de débito, e o pedido de revisão representa, exatamente, também como já exposto, o meio posto a disposição do contribuinte para que ele conteste tal informação. Nesse sentido, não admitir tal pedido com base na alegação de surgimento de débito superveniente ao exercício da opção, não possibilitando, assim, a revisão dos motivos que levaram às alterações da opção, representa frontal violação ao exercício do direito ao contraditório. Por outro lado, determinar que a verificação quanto à situação fiscal se reporte à data da entrega da declaração nada mais é do que, por via oblíqua, determinar que se refaça aquilo que se supõe já tenha sido feito por ocasião do pedido de concessão e/ou reconhecimento, isto é, verificação da referida situação fiscal no momento do processamento da declaração de informações. 4 Processo n° 16327.001765/00-14 S1-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.115 Fl. 5 Por fim, cabe transcrever o Enunciado n.° 37 da Súmula desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a saber: "Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n° 70.235/72." Diante do exposto, entendemos que o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), por não representar pedido de concessão ou reconhecimento de incentivo ou beneficio fiscal, não se subsume à norma trazida como fundamento para verificação da situação fiscal do requerente (art. 60 da Lei n° 9.069, de 1995), devendo, em razão disso, ser objeto de apreciação por parte da autoridade administrativa competente." Por todo o exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário, para que o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC tenha seu mérito apreciado pela autoridade administrativa competente. LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA ",..4kï-y_Ot CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO Processo n° : 16327.001765/00-14 Acórdão : 1402-00.115 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 2 1 MAI 2010 JVIanste a de Sousa Rodrigueá— Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: ' [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração.
score : 1.0
