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7058613 #
Numero do processo: 10580.003901/2005-46
Data da sessão: Tue Aug 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2005 SIMPLES. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RECOLHIMENTOS. A entrega de DIPJS com valores zerados e a ausência de entrega de DCTF confessando os valores devidos dos tributos federais enseja os lançamentos tributários, de ofício, dos referidos tributos a fim de serem devidamente constituídos, ainda que a contribuinte tenha procedido aos recolhimentos. Em se verificando que os recolhimentos satisfizeram integralmente a obrigação tributária, inexigível se torna a exação fiscal.
Numero da decisão: 1801-000.300
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, ressalvando os pagamentos já efetuados pela recorrente antes de instaurada a ação fiscal, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes

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AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RECOLHIMENTOS. A entrega de DIPJS com valores zerados e a ausência de entrega de DCTF confessando os valores devidos dos tributos federais enseja os lançamentos tributários, de ofício, dos referidos tributos a fim de serem devidamente constituídos, ainda que a contribuinte tenha procedido aos recolhimentos. Em se verificando que os recolhimentos satisfizeram integralmente a obrigação tributária, inexigível se torna a exação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, ressalvando os pagamentos já efetuados pela recorrente antes de instaurada a ação fiscal, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ANA DE BARROS FERNANDES – Presidente e Relatora EDITADO EM: 23/09/2010 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pallastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, André Almeida Blanco, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Fl. 377DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 23/09/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A fiscalização no procedimento fiscal constatou que a empresa, optante do Simples, entregou a DIPJ S/04 com valores zerados relativamente ao ano-calendário de 2003. Verificados os livros fiscais e contábeis da empresa, apurou as receitas mensais que serviram de base de cálculo para a lavratura dos Autos de Infração para as exigências de IRPJ, PIS, CSLL, Cofins e INSS, na sistemática do Simples – fls. 139 a 172. A empresa impugnou os lançamentos tributários, fls. 175, argumentando que todos os recolhimentos foram efetuados nos prazos legais, comprovando-os com os DARF- Simples relativos a todos os meses do ano-calendário de 2003 – fls. 184 a 191. A Quarta Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA exarou o Acórdão nº 9.731/06 mantendo o lançamento em parte, com o objetivo precípuo de manter a constituição dos créditos tributários, exonerando a empresa do recolhimento de multa e dos juros moratórios – fls. 318 a 320. Restou explicitado no acórdão vergastado que embora a exigência se mantivesse, todos os DARF-Simples deveriam ser alocados para a quitação dos tributos federais, razão pela qual não haveria crédito a ser cobrado da empresa autuada. Assim restou esclarecido: 9. Como a contribuinte apresentou a PJSI-2004 zerada, sem ter informado os tributos devidos, é de se considerar procedente o lançamento na parte referente ao imposto e contribuições do Simples, procedendo-se a alocação dos pagamentos efetuados (fls. 185/191), e improcedente na parte relativa à multa de ofício e aos juros de mora. A empresa apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. a 342 solicitando a anulação dos lançamentos tributários realizados ex officio tendo em vista o adimplemento das obrigações tributárias, consubstanciadas nos recolhimentos efetuados a título de tributos federais pela sistemática do Simples. Argumenta que no acórdão vergastado reconheceu-se os recolhimentos efetuados de forma espontânea, antes do procedimento fiscal ter iniciado, inclusive com a exoneração dos acréscimos legais. Portanto, incabível serem mantidos os lançamentos tributários para a exigência em duplicidade das exações fiscais, o que acarretaria o enriquecimento sem causa do Estado. É o relatório. Passo a apreciar as razões recursais. Voto Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES, relatora Conheço do recurso voluntário, por tempestivo. Fl. 378DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 23/09/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.003901/2005-46 Acórdão n.º 1801-00.300 S1-TE01 Fl. 378 3 A questão a ser dirimida é simples, haja vista não haver propriamente um litígio ainda instaurado. A turma de julgamento de primeira instância reconheceu como devidamente recolhidos os tributos federais apurados pela sistemática do Simples, em vista dos DARF apresentados na impugnação pela recorrente. Com efeito, exonerou a cobrança da multa de ofício e dos juros moratórios. Ocorre que, e talvez esta parte não tenha sido alcançada pela recorrente, os tributos não foram constituídos pela recorrente, mas somente pagos. Explico. Os pagamentos realizados, na realidade, não se confundem com a constituição do crédito tributário que se dá pela declaração da contribuinte em DCTF, ou na DIPJS, ou de ofício, pela lavratura de Notificação ou Auto de Infração. É o caso. A contribuinte não ‘confessou’ os débitos tributários na DIPJS, a qual entregou com os valores zerados. Assim os pagamento ficaram aleatórios nos sistemas da Receita Federal do Brasil – RFB sem terem para onde serem computados. Se não houvesse a constituição destes créditos tributários, pelo lançamento realizado de ofício, futuramente, a própria recorrente poderia solicitar a restituição destes valores que não possuíam a contrapartida nos sistemas da RFB. Sem a lavratura do Auto de Infração, neste caso, não se constitui o crédito tributário devido pelas exigências de tributos, pelo Simples. O que a recorrente requer, na verdade, é que não lhe seja exigida a repetição dos pagamentos já efetuados. E esta providência o acórdão de primeira instância já lhe atendeu, embora não tenha entendido. Mas, a recorrente não pode confundir os conceitos de tributos devidos, constituídos de ofício, e tributos já pagos. Uma coisa é a constituição do crédito e outra, totalmente diversa, é a sua quitação. Destarte, o lançamento tributário deve ser mantido por não terem sido ilididas as bases de cálculo utilizadas e porque a autoridade fiscal observou rigidamente as normas tributárias pertinentes à constituição do crédito tributário. A ressalva é que já foi pago, segundo a recorrente, e de acordo com os DARF-Simples que apresenta. Cabe à unidade de jurisdição computar os pagamentos realizados aos créditos, o que denomina-se “alocar pagamentos”, e, SE FOR O CASO, somente exigir eventual diferença não recolhida, todavia, sem a multa de ofício por já haver sido exonerada na decisão de primeira instância. Em assim sendo, não é possível declarar insubsistentes os lançamentos tributários consubstanciados nos Autos de Infração porque assim declarar-se-ia que os tributos também não seriam devidos, por inexistentes (não constituídos), embora já quitados pela recorrente. E a quitação, sendo plena, torna os créditos substanciados nos Autos de Infração inexigíveis. Fl. 379DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 23/09/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Voto em negar provimento ao recurso voluntário, ressalvando os pagamentos já efetuados pela recorrente que tornam o crédito tributário correspondente inexigível. ANA DE BARROS FERNANDES - Relatora Fl. 380DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 23/09/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES

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6659823 #
Numero do processo: 19515.720309/2014-51
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010 Ementa: ARBITRAMENTO DOS LUCROS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. 2009 É cabível o arbitramento do lucro, se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, deixar de exibir sua escrituração contábil/fiscal, após intimação regular. OMISSÃO DE RECEITA - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais a contribuinte titular, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. INDEVIDA. A falta de entrega de declarações obrigatórias não são fundamento para a qualificação da multa, pois trata-se de uma conduta que, ao invés de dissimular ou esconder do Fisco bases tributáveis, expõe uma situação de irregularidade do contribuinte, ao contrário de situações em que o contribuinte dissimula suas bases tributáveis com a entrega de declarações “zeradas”. MULTA DE OFÍCIO DE 75% SOBRE O PRINCIPAL. IRRF. FALTA DE RETENÇÃO NA FONTE. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS Nos termos do inciso I, do artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, apurada falta de recolhimento ou mesmo a sua insuficiência, aplicável é a multa de 75% sobre o imposto apurado, a ser exigido de ofício. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL (IRPJ). Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e o que lhe é decorrente, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação deste, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. PAGAMENTOS SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO/CAUSA. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. OMISSÃO DE RECEITAS. PIS e COFINS Uma vez confirmada a omissão de receitas, a ausência de fundamentação para o arbitramento do lucro (vício que fulminou o lançamento principal) não repercute sobre o lançamento da Cofins no caso em que, independentemente do regime de tributação aplicável ao IRPJ, a Contribuinte deve submeter suas receitas ao regime cumulativo da referida contribuição, exatamente como adotado no auto de infração.
Numero da decisão: 1302-001.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a alegação preliminar de conexão com o PAF nº 16327.721256/2013-34. No mérito, RECURSO VOLUNTÁRIO, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso para: 1 - manter o arbitramento do lucros com relação ao ano de 2009 e lançamentos reflexos de CSLL, PIS e COFINS; 2 - manter a exigência de PIS e COFINS pelo regime cumulativo de 2010; 3 - manter a exigência de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados; e 4 - manter a incidência de juros sobre a multa de ofício; e, por maioria de votos: 5- afastar a qualificação da multa de ofício sobre a exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; e 6 - afastar a responsabilidade solidária de Marcos Bassit. Vencidos os Conselheiros Rogério Aparecido Gil (Relator), Marcelo Calheiros Soriano e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Com relação ao RECURSO DE OFÍCIO, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso: 1 - com relação exclusão da responsabilidade solidária de Muna Bassit; 2 - quanto o afastamento da multa agravada; e 3 - quanto a qualificação da multa de ofício, votando, nesta matéria, os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Felix e Luiz Tadeu Matosinho Machado pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010 Ementa: ARBITRAMENTO DOS LUCROS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. 2009 É cabível o arbitramento do lucro, se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, deixar de exibir sua escrituração contábil/fiscal, após intimação regular. OMISSÃO DE RECEITA - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais a contribuinte titular, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. INDEVIDA. A falta de entrega de declarações obrigatórias não são fundamento para a qualificação da multa, pois trata-se de uma conduta que, ao invés de dissimular ou esconder do Fisco bases tributáveis, expõe uma situação de irregularidade do contribuinte, ao contrário de situações em que o contribuinte dissimula suas bases tributáveis com a entrega de declarações “zeradas”. MULTA DE OFÍCIO DE 75% SOBRE O PRINCIPAL. IRRF. FALTA DE RETENÇÃO NA FONTE. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS Nos termos do inciso I, do artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, apurada falta de recolhimento ou mesmo a sua insuficiência, aplicável é a multa de 75% sobre o imposto apurado, a ser exigido de ofício. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL (IRPJ). Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e o que lhe é decorrente, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação deste, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. PAGAMENTOS SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO/CAUSA. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. OMISSÃO DE RECEITAS. PIS e COFINS Uma vez confirmada a omissão de receitas, a ausência de fundamentação para o arbitramento do lucro (vício que fulminou o lançamento principal) não repercute sobre o lançamento da Cofins no caso em que, independentemente do regime de tributação aplicável ao IRPJ, a Contribuinte deve submeter suas receitas ao regime cumulativo da referida contribuição, exatamente como adotado no auto de infração.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a alegação preliminar de conexão com o PAF nº 16327.721256/2013-34. No mérito, RECURSO VOLUNTÁRIO, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso para: 1 - manter o arbitramento do lucros com relação ao ano de 2009 e lançamentos reflexos de CSLL, PIS e COFINS; 2 - manter a exigência de PIS e COFINS pelo regime cumulativo de 2010; 3 - manter a exigência de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados; e 4 - manter a incidência de juros sobre a multa de ofício; e, por maioria de votos: 5- afastar a qualificação da multa de ofício sobre a exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; e 6 - afastar a responsabilidade solidária de Marcos Bassit. Vencidos os Conselheiros Rogério Aparecido Gil (Relator), Marcelo Calheiros Soriano e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Com relação ao RECURSO DE OFÍCIO, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso: 1 - com relação exclusão da responsabilidade solidária de Muna Bassit; 2 - quanto o afastamento da multa agravada; e 3 - quanto a qualificação da multa de ofício, votando, nesta matéria, os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Felix e Luiz Tadeu Matosinho Machado pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1734; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 2          1 1  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.720309/2014­51  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1302­001.952  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  10 de agosto de 2016  Matéria  IRPJ  Recorrente  BASSIT AGENTE AUTONOMO DE INVESTIMENTOS LTDA. E  MARCOS BASSIT  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2009, 2010  Ementa:  ARBITRAMENTO  DOS  LUCROS.  FALTA  DE  APRESENTAÇÃO  DE  LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. 2009  É cabível o arbitramento do lucro, se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal,  deixar de exibir sua escrituração contábil/fiscal, após intimação regular.   OMISSÃO DE RECEITA ­ DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO  COMPROVADA.   A  Lei  9.430,  de  1996,  em  seu  art.  42,  autoriza  a  presunção  de  omissão  de  receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais a  contribuinte  titular,  regularmente  intimada,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações.   MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA.  IRPJ.  CSLL.  PIS.  COFINS.  INDEVIDA.  A  falta  de  entrega  de  declarações  obrigatórias  não  são  fundamento  para  a  qualificação  da  multa,  pois  trata­se  de  uma  conduta  que,  ao  invés  de  dissimular  ou  esconder  do  Fisco  bases  tributáveis,  expõe  uma  situação  de  irregularidade  do  contribuinte,  ao  contrário  de  situações  em  que  o  contribuinte  dissimula  suas  bases  tributáveis  com  a  entrega  de  declarações  “zeradas”.  MULTA DE OFÍCIO DE 75% SOBRE O PRINCIPAL. IRRF. FALTA DE  RETENÇÃO  NA  FONTE.  PAGAMENTOS  SEM  CAUSA  OU  A  BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 03 09 /2 01 4- 51 Fl. 2396DF CARF MF Processo nº 19515.720309/2014­51  Acórdão n.º 1302­001.952  S1­C3T2  Fl. 3          2 Nos termos do inciso I, do artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, apurada falta  de  recolhimento ou mesmo a  sua  insuficiência,  aplicável  é  a multa de 75%  sobre o imposto apurado, a ser exigido de ofício.  ARGUIÇÕES  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  E  ILEGALIDADE  DA  LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.  As  autoridades  administrativas  estão  obrigadas  à  observância  da  legislação  tributária  vigente  no  País,  sendo  incompetentes  para  a  apreciação  de  argüições de  inconstitucionalidade e  ilegalidade de atos  legais  regularmente  editados.  CSLL.  LANÇAMENTO  DECORRENTE.  EFEITOS  DA  DECISÃO  RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL (IRPJ).  Em  razão  da  vinculação  entre  o  lançamento  principal  (IRPJ)  e  o  que  lhe  é  decorrente,  devem  as  conclusões  relativas  àquele  prevalecer  na  apreciação  deste, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova  novos.  PAGAMENTOS  SEM  COMPROVAÇÃO  DA  OPERAÇÃO/CAUSA.  TRIBUTAÇÃO NA FONTE.  Fica  sujeito  à  incidência  do  imposto  de  renda  exclusivamente  na  fonte,  à  alíquota  de  35%,  todo  pagamento  efetuado  pelas  pessoas  jurídicas  a  beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos  entregues  a  terceiros  ou  sócios,  contabilizados  ou  não,  quando  não  for  comprovada a operação ou a sua causa.  OMISSÃO DE RECEITAS. PIS e COFINS  Uma  vez  confirmada  a  omissão  de  receitas,  a  ausência  de  fundamentação  para o arbitramento do lucro (vício que fulminou o lançamento principal) não  repercute sobre o lançamento da Cofins no caso em que, independentemente  do regime de tributação aplicável ao IRPJ, a Contribuinte deve submeter suas  receitas  ao  regime  cumulativo  da  referida  contribuição,  exatamente  como  adotado no auto de infração.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  REJEITAR  a  alegação  preliminar  de  conexão  com  o  PAF  nº  16327.721256/2013­34.  No  mérito, RECURSO VOLUNTÁRIO,  por  unanimidade  de  votos,  em NEGAR provimento  ao  recurso para: 1 ­ manter o arbitramento do lucros com relação ao ano de 2009 e lançamentos  reflexos  de  CSLL,  PIS  e  COFINS;  2  ­  manter  a  exigência  de  PIS  e  COFINS  pelo  regime  cumulativo  de  2010;  3  ­ manter  a  exigência  de  IRRF  sobre  pagamentos  a  beneficiários  não  identificados;  e  4  ­ manter  a  incidência  de  juros  sobre  a multa  de  ofício;  e,  por maioria  de  votos:  5­  afastar  a  qualificação  da multa  de  ofício  sobre  a  exigência  de  IRPJ,  CSLL,  PIS  e  COFINS; e 6 ­ afastar a responsabilidade solidária de Marcos Bassit. Vencidos os Conselheiros  Rogério  Aparecido  Gil  (Relator),  Marcelo  Calheiros  Soriano  e  Ana  de  Barros  Fernandes  Wipprich. Com  relação ao RECURSO DE OFÍCIO, por unanimidade de votos,  em NEGAR  provimento ao recurso: 1 ­ com relação exclusão da responsabilidade solidária de Muna Bassit;  2  ­  quanto o  afastamento da multa  agravada;  e 3  ­ quanto  a qualificação da multa de ofício,  Fl. 2397DF CARF MF Processo nº 19515.720309/2014­51  Acórdão n.º 1302­001.952  S1­C3T2  Fl. 4          3 votando, nesta matéria, os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta  Felix  e  Luiz  Tadeu  Matosinho  Machado  pelas  conclusões.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior.  (documento assinado digitalmente)  LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO ­ Presidente.   (documento assinado digitalmente)  ROGÉRIO APARECIDO GIL ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho  Machado  (Presidente),  Ana  de  Barros  Fernandes  Wipprich,  Alberto  Pinto  Souza  Júnior,  Marcelo  Calheiros  Soriano,  Marcos  Antonio  Nepomuceno  Feitosa,  Rogério  Aparecido  Gil,  Talita Pimenta Félix.    Relatório  Tratam­se  de  recursos  voluntários  interpostos  pela  contribuinte  e  pelo  sujeito passivo solidário, face ao acórdão nº 07­37.605, de 17/07/2015, da 3ª Turma da DRJ em  Florianópolis,  o  qual  julgou  as  impugnações  parcialmente  procedentes,  e  em  voto  vencedor,  manteve  as  exigências  de  PIS  e  Cofins,  referente  ao  ano­calendário  2010,  além  de  IRRF,  referente aos fatos geradores de 2009, afastando­se as arguições de decadência.  Também ouve a  interposição de recurso de ofício pelo Presidente da DRJ,  em virtude de a decisão haver exonerado o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargo  de multa em montante superior ao limite fixado no art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro  de 2008 (R$1.000.000,00).  Assim, a autuação refere­se ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins que não teriam sido  recolhidos,  em  virtude  de  omissão  de  receitas,  não  apresentação  de  documentos  contábeis  e  falta de informações e esclarecimentos, em 2009 e 2010, o que teria ensejado o arbitramento do  lucro. O auto de infração para a exigência do IRRF foi motivado por supostos pagamentos sem  causa ou a beneficiários não identificados.   Em ambos os casos, as multas de ofício foram qualificadas, sob o argumento  de prática dolosa de sonegação e agravadas por embaraço à fiscalização, assim considerados os  pedidos de dilação de prazo pela recorrente para atendimento às reintimações, sem que tenham  sido apresentados os documentos e informações a que se comprometeu.  Lavrou­se  Termo  de  Sujeição  Passiva  Solidária  formalizado  contra  o  Recorrente, Marcos Bassit, com base nos arts. 124, I, e 135, III, do CTN.  Lavraram­se  Termos  de  Embaraço  à  Ação  Fiscal,  em  13/08/2012  e  01/08/2013.  Fl. 2398DF CARF MF Processo nº 19515.720309/2014­51  Acórdão n.º 1302­001.952  S1­C3T2  Fl. 5          4 A  DRJ,  nos  termos  do  acórdão  recorrido,  apreciou  as  impugnações  e  as  julgou  parcialmente  procedentes  para:  (i)  cancelar  o  agravamento  da  multa  qualificada,  por  entender inexistir embaraço à fiscalização; (ii) cancelar o lançamento de IRPJ e CSLL relativo  ao ano­calendário de 2010, tendo em vista a possibilidade de as Autoridades Fiscais apurarem  o Lucro Real e a base de cálculo da CSLL da Bassit ao invés de ter arbitrado seu lucro; e (iii)  cancelar a qualificação e o agravamento da multa de ofício exigida sobre o  IRRF decorrente  dos  supostos  pagamentos  sem  causa  ou  a  beneficiário  não  identificado;  (iv)  manter  como  sujeito passivo solidário, Marcos Bassit.  Dessa forma, o acórdão recorrido consignou a seguinte ementa:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2009, 2010  LUCRO ARBITRADO. HIPÓTESE LEGAL. BASE DE CÁLCULO.  Fatos geradores ocorridos em 2009. O imposto devido será determinado com base  nos  critérios  do  lucro  arbitrado  quando  o  contribuinte  deixar  de  apresentar  à  autoridade  tributária  os  livros  da  escrituração  comercial.  Quando  conhecida  a  receita bruta, esta será a base de cálculo do Lucro Arbitrado.  APRESENTAÇÃO  DE  LIVRO  DIÁRIO.  BALANCETES.  LUCRO  ARBITRADO.  INDEVIDO.  Fatos  geradores  ocorridos  em  2010.  Se  a  contribuinte  apresenta  o  Livro  Diário,  balancetes,  notas  fiscais  e  a  DIPJ,  mesmo  que  sob  intimação  fiscal,  não  pode  prevalecer  o  arbitramento  de  lucro  por  ausência  de  livro  contábil,  mormente  quando a autoridade autuante silencia­se quanto à veracidade dos mesmos.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2009, 2010  MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. MANTIDA.  A  empresa  que  subtrai  ao  conhecimento  da  Fazenda  Pública  as  receitas  de  sua  própria  atividade  econômica,  encontrava­se  omissa  na  entrega  da  DIPJ  e  não  declarava  tributos  e  contribuições  federais,  descaracteriza  o  caráter  fortuito  do  procedimento  da  contribuinte,  sendo  aplicável  a  multa  de  ofício  de  150%,  pois  constatado que a sua conduta esteve associada a sonegação e/ou fraude.  MULTA  DE  OFÍCIO.  AGRAVAMENTO.  INAPLICABILIDADE.  CANCELAMENTO.  O agravamento da multa de ofício permitido pelo inciso I do art. 959 do RIR/99 é  para  contemplar  aquelas  situações  em  que  o  não  atendimento  às  demandas  da  Fiscalização dificulta  e/ou  impede  o  exercício  da  investigação do  fato  em  si,  não  havendo, normalmente, nenhuma sanção específica para a ausência dos necessários  esclarecimentos por parte do fiscalizado.  Naquelas situações onde o descumprimento de certas regras acarreta uma sanção  ou  uma  conseqüência  tributária  específica,  não  há que  se aplicar multa de  ofício  agravada.  Fl. 2399DF CARF MF Processo nº 19515.720309/2014­51  Acórdão n.º 1302­001.952  S1­C3T2  Fl. 6          5 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO DE LEI.  Os diretores, gerentes ou representantes (de direito ou de fato) da pessoa jurídica  respondem  pessoalmente,  de  forma  solidária  com  a  Contribuinte,  pelos  créditos  tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados  com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.  RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA  SOLIDÁRIA.  INFRAÇÃO DE  LEI.  EFEITO  TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA. AFASTAMENTO.  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei,  contrato  social.  Eventual  descumprimento  ou  atos  que  não  tenha  efeito  tributário  não pode servir para fins de atribuição de responsabilidade tributária solidária.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2009, 2010  ARGUIÇÕES  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  E  ILEGALIDADE  DA  LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.  As  autoridades  administrativas  estão  obrigadas  à  observância  da  legislação  tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de  inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.  CSLL.  LANÇAMENTO  DECORRENTE.  EFEITOS  DA  DECISÃO  RELATIVA  AO  LANÇAMENTO PRINCIPAL (IRPJ).  Em  razão  da  vinculação  entre  o  lançamento  principal  (IRPJ)  e  o  que  lhe  é  decorrente,  devem as  conclusões  relativas àquele prevalecer na apreciação deste,  desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Ano­calendário: 2009, 2010  PAGAMENTOS  SEM  COMPROVAÇÃO DA  OPERAÇÃO/CAUSA.  TRIBUTAÇÃO  NA FONTE.  Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de  35%,  todo  pagamento  efetuado  pelas  pessoas  jurídicas  a  beneficiário  não  identificado,  assim  como  pagamentos  efetuados  ou  recursos  entregues  a  terceiros  ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua  causa.  MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA.  DUPLICAÇÃO  DO  PERCENTUAL  DA  MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE.  Constatado que na conduta da fiscalizada (não atendimento para apresentação de  documentos ou esclarecimentos) não existe a condição prevista no art. 72 da Lei nº  4.502, de 1964, incabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso  I  do  art.44 da Lei  nº  9.430/96  (com a  nova  redação do  artigo dada pela Medida  Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de  junho de  2007).  Fl. 2400DF CARF MF Processo nº 19515.720309/2014­51  Acórdão n.º 1302­001.952  S1­C3T2  Fl. 7          6 MULTA  DE  OFÍCIO.  AGRAVAMENTO.  INAPLICABILIDADE.  CANCELAMENTO.  O agravamento da multa de ofício permitido pelo inciso  I do art.959 do RIR/99 é  para  contemplar  aquelas  situações  em  que  o  não  atendimento  às  demandas  da  Fiscalização dificulta  e/ou  impede  o  exercício  da  investigação do  fato  em  si,  não  havendo, normalmente, nenhuma sanção específica para a ausência dos necessários  esclarecimentos por parte do fiscalizado.  Naquelas situações onde o descumprimento de certas regras acarreta uma sanção  ou  uma  consequência  tributária  específica,  não  há que  se aplicar multa de  ofício  agravada.    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS   Ano­calendário: 2010  OMISSÃO DE RECEITAS.  Uma vez  confirmada a omissão de  receitas,  a ausência de  fundamentação para o  arbitramento  do  lucro  (vício  que  fulminou o  lançamento  principal) não  repercute  sobre  o  lançamento  da Cofins  no  caso  em  que,  independentemente  do  regime  de  tributação aplicável ao IRPJ, a Contribuinte deve submeter suas receitas ao regime  cumulativo da referida contribuição, exatamente como adotado no auto de infração.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Ano­calendário: 2010  OMISSÃO DE RECEITAS.  Uma vez  confirmada a omissão de  receitas,  a ausência de  fundamentação para o  arbitramento  do  lucro  (vício  que  fulminou o  lançamento  principal) não  repercute  sobre  o  lançamento  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  no  caso  em  que,  independentemente do regime de tributação aplicável ao IRPJ, a Contribuinte deve  submeter suas receitas ao regime cumulativo da referida contribuição, exatamente  como adotado no auto de infração.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte  Acordam os membros da 3a Turma de Julgamento em julgar procedente em parte a  impugnação (empresa Bassit), mantido em parte o crédito tributário:  (I) Por unanimidade de votos, relativamente ao ano­calendário de 2009 cancelar o  agravamento da multa de ofício qualificada, permanecendo a multa em 150%.  (II)  Por  unanimidade  de  votos,  relativamente  ao  ano­calendário  de  2010  fica  cancelado o lançamento de IRPJ e CSLL.  Fl. 2401DF CARF MF Processo nº 19515.720309/2014­51  Acórdão n.º 1302­001.952  S1­C3T2  Fl. 8          7 (III)  Por  maioria  de  votos,  relativamente  ao  ano­calendário  de  2010, mantido  o  lançamento  de  PIS  e  COFINS,  vencido  o Relator. Designado  para  redigir  o Voto  Vencedor o julgador Murillo Lo Visco.  (IV)  Por  unanimidade  de  votos,  relativamente  ao  IRRF,  fica  cancelada  a  qualificação e o agravamento da multa de ofício, devendo permanecer a multa em  seu  patamar  típico,  de  75%  e,  por  maioria  de  votos,  pela  não  ocorrência  de  decadência, vencido o Relator. Designado para redigir o Voto Vencedor o julgador  Murillo Lo Visco.  (V) Por  unanimidade  de  votos,  afastar  a  Responsabilidade  Solidária  Tributária  de  Muna Bassit.      Os recorrentes foram devidamente intimados dessas decisões, em 28/07/2015  (fls.  2.083  e  2.084)  e  interpuseram  recursos  voluntários,  em  26.08.2015  (fls.  2.087/2.132),  cujas razões são sintetizadas a seguir.  Diante  desse  resultado,  os  recursos  voluntários  concentraram­se  nas  seguintes  alegações:  "(i)  a  improcedência  dos  autos  de  infração  lavrados  em  face  da Bassit  Agente  Autônomo  de  Investimentos  Ltda.,  relativos  a  IRPJ,  CSLL,  PIS,  Cofins  e  IRRF,  acrescidos de multa de oficio qualificadas e agravadas, relativos aos anos­calendário de 2009 e  2010;  e  (ii)  a  improcedência  do  Termo  de  Sujeição  Passiva  Solidária  formalizado  contra  o  Recorrente, Marcos Bassit, a partir dos artigos 124, I, e 135, III, do CTN".    RAZÕES DE RECURSO DE BASSIT AGENTE AUTÔNOMO DE INVESTIMENTOS LTDA.  A  recorrente,  Muna  Bassit  Agente  Autônomo  de  Investimentos  Ltda.,  posteriormente, Bassit Agente Autônomo de Investimentos Ltda., apresentou , em síntese, as seguintes  razões de recurso voluntário:  a)  conexão de processos ­ pugnou pelo julgamento em conjunto deste com o  processo  administrativo  nº  16327.721256/2013­34,  pois  ambos  estariam  vinculados por conexão (art. 6º, §1º, I, RICARF);  b)  valores  que  não  constituiriam  receita  ­  reforçou  o  argumento  sustentado  na  impugnação  no  tocante  a  inexistência  de  receita  tributável  Fl. 2402DF CARF MF Processo nº 19515.720309/2014­51  Acórdão n.º 1302­001.952  S1­C3T2  Fl. 9          8 pelo  IRPJ,  CSLL,  PIS  e  COFINS.  Alega  que  os  valores  tributados  (depósitos/créditos em contas bancárias) não teriam a natureza de receita e  não integrariam o lucro;  c)  IRRF, IRPJ e CSLL ­ defende a impossibilidade de tributação do IRPJ e  da CSLL, uma vez que, tendo o Fisco exigido o IRRF sobre os pagamentos  efetuados à recorrente, não seria cabível a exigência dos referidos tributos  sobre os mesmos valores;  d)  lucro  real  e  não  lucro  arbitrado  ­  alerta,  também,  pelo  equívoco  da  fiscalização  ao  apurar  o  tributo  consistente  na  falta  de  adoção  da  sistemática do lucro real para a determinação das bases de cálculo do IRPJ,  CSLL, PIS e COFINS de forma não cumulativa;  e) multa  qualificada  ­  sobre  a  multa  qualificada  de  150%,  reforça  a  tese  apresentada  na  impugnação,  de  que  não  houve  a  sonegação,  ou  qualquer  ato ou omissão de tributos tendentes a impedir o surgimento da obrigação.  E, defendeu que,  ainda  que  fosse possível  a  exigência de multa,  esta não  poderia ser qualificada;  f) pagamentos  não  identificados  ­  alega  que  a  autoridade  fiscal  fundou  o  lançamento  do  IRRF  em  pagamentos  supostamente  sem  causa  a  beneficiários não identificados. Entretanto, os saques foram motivados pela  distribuição de lucros da Recorrente a seus sócios e pelo compartilhamento  das comissões percebidas pela recorrente e seus sócios. Logo, identificados  os  beneficiários  dos  pagamentos,  resta  desautorizada  a  tributação  pelo  IRRF, nos termos do art. 674 do RIR/99;  g)  valores à margem da contabilidade  ­ sustenta que o arbitramento é o  procedimento  substitutivo  da  recomposição  da  base  de  cálculo  do  lucro  real. Por outro lado, entende que a imputação de pagamento sem causa visa  a coibir a prática de manutenção de movimentações financeiras à margem  da  contabilidade  da  empresa.  Assim  sendo,  considerar  que  houve  pagamento  sem  causa  seria  dizer  que  os  valores  dos  pagamentos  sem  sequer  transitaram  pela  contabilidade  do  contribuinte,  afastando  o  arbitramento de lucros;  h)  reajuste da base do IRRF ­ sobre o reajustamento da base de cálculo do  IR/  Fonte,  entende  que  deve  ser  cancelado  por  ser  desarrazoado  e  desproporcional;  i) juros sobre multa de ofício ­ no tocante a  incidência de juros de mora e  sobre  a multa  de  ofício,  entende  que  os  juros  não  podem  incidir  sobre  a  multa, quando esta não se trata de obrigação principal, mas sim de encargo  que se agrega ao valor da dívida;  j) lançamentos decorrentes  ­ CSLL, PIS/PASEP e COFINS ­ não seriam  devidos os lançamentos de CSLL, PIS e COFINS;  k)  recurso  de  ofício  ­  ao  final  requer  que  seja  negado  provimento  ao  Recurso de Ofício para a manutenção da decisão da DRJ no que se refere  Fl. 2403DF CARF MF Processo nº 19515.720309/2014­51  Acórdão n.º 1302­001.952  S1­C3T2  Fl. 10          9 ao cancelamento da exigência de IRPJ e CSLL, relativa ao ano­calendário  de  2010,  do  agravamento  da multa  de  ofício  lançada  dobre  IRPJ, CSLL,  PIS  e  COFINS  e  da  qualificação  e  do  agravamento  da  multa  de  ofício  imposta sobre o IR/ Fonte, reduzindo­se para 75%.        RAZÕES  DE  RECURSO  DO  SUJEITO  PASSIVO  SOLIDÁRIO,  MARCOS BASSIT  Por  sua  vez,  o  sujeito  passivo  solidário,  Marcos  Bassit,  apresentou  as  seguintes razões de recurso:  II. DA IMPROCEDÊNCIA DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA  11.1 ­ Do instituto da responsabilidade ­ artigo 135, III, do Código Tributário Nacional  9. As Autoridades Fiscais,  além de  terem considerado o Recorrente devedor  solidário com  base no artigo 124, do Código Tributário Nacional, o que foi afastado pela DRJ, também, de  maneira  contraditória,  fundamentaram  sua  sujeição  passiva  no  artigo  135,  III,  do  Código  Tributário Nacional:  "Art.  135.  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados  com  excesso  de  poderes  ou  infração de lei, contrato social ou estatutos:  ­ as pessoas referidas no artigo anterior;  ­ os mandatários, prepostos e empregados;  III  ­  os  diretores,  gerentes  ou  representantes  de  pessoas  jurídicas  de  direito  privado."  10.  Da  leitura  desse  dispositivo,  percebe­se  claramente  que  são  dois  os  requisitos  para  a  responsabilização:  (i)  a  prática  de  atos  com  excesso  de  poderes,  infração  à  lei  (que  não  corresponde  à mera  falta  de  pagamento  de  tributos)  ou  contrato  social  e  estatutos;  e  (ii)  a  prática de tais atos deve, necessariamente, resultar no surgimento de débitos fiscais.  12.  A finalidade dessa regra é proteger o interesse de companhias em face de atos de seus  administradores contrários à vontade social, razão pela qual a infração do contrato social ou  estatuto que  tenha repercussão  tributária,  isto é, a prática de um ato à  revelia da  sociedade  que  enseje  o  nascimento  de  uma  obrigação  jurídica  tributária,  é  combatida  pela  responsabilização do infrator.  13.  A  infração  à  lei  deve  ser  praticada  pelos  próprios  administradores  ou  diretores  e  não  pela sociedade para que se tenha presente a hipótese de responsabilidade descrita no artigo  135, III, do Código Tributário Nacional, como já decidido pelo STJ (...)  14. Inclusive, a Primeira Seção do STJ, que reúne as Turmas de Direito Público, em sede de  Embargos  de  Divergência,  reconheceu  a  necessidade  de  se  provar  o  ato  ilícito  do  administrador para responsabilizá­lo (...)  17.  Interpretação  diversa  a  essa  não  subsiste,  pois  ensejaria  a  responsabilização  de  todo  administrador e/ou sócio, minando o princípio da entidade e a ideia de personalidade jurídica  como  centro  de  imputação  de  direito  e  deveres.  Portanto,  a  aplicação  da  regra  de  Fl. 2404DF CARF MF Processo nº 19515.720309/2014­51  Acórdão n.º 1302­001.952  S1­C3T2  Fl. 11          10 responsabilização do artigo 135,  III, do Código Tributário Nacional  tem como pressuposto  inicial a prática de um ato ilícito não tributário ou a infração de contrato ou estatuto social.  18.  O  segundo  requisito,  a  vinculação  da  obrigação  jurídico­tributária  ao  ato  ilícito  não  tributário,  é,  na  verdade,  uma  consequência  do  primeiro:  do  ato  ilícito  não  tributário  deve  nascer uma obrigação jurídica tributária.  19.  Essa  exigência  nasce  não  só  do  texto  expresso  do  caput  do  artigo  135  do  Código  Tributário  Nacional  ("São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes de atos praticados..."),  como  também da determinação  do  artigo  128  do  Código  Tributário  Nacional,  regra  geral  aplicável  a  todas  as  hipóteses  de  responsabilidade tributária, que delimita a responsabilização aos casos em que terceiro esteja  vinculado ao fato jurídico tributário:  "Art.  128.  Sem  prejuízo  do  disposto  neste  capítulo,  a  lei  pode  atribuir  de  modo  expresso a responsabilidade pelo crédito  tributário a  terceira pessoa, vinculada ao  fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte  ou  atribuindo­a  a  este  em  caráter  supletivo  do  cumprimento  total  ou  parcial  da  referida obrigação."  24.  Depreende­se,  assim,  que  apenas  o  terceiro  que  age  contrariando  a  lei,  o mandato,  o  contrato social ou o estatuto, dos quais derivam os seus deveres, torna­se o responsável pelos  tributos decorrentes da infração praticada, mas somente nessa hipótese, e não todo e qualquer  gerente.  25.  Tendo isso em mente, cumpre analisar se as Autoridades Fiscais comprovaram a prática  de  condutas  ilícitas  não  tributárias  pelo  Recorrente  que  criaram  obrigações  jurídico­ tributárias.  Apenas  se,  da  prática  de  um  ilícito  não  tributário  pelo  Recorrente,  decorrer  o  nascimento de uma obrigação tributária, haverá o pressuposto de aplicação do artigo 135, III,  do Código Tributário Nacional.  11.1.1 ­ Da Ausência de Comprovação de Obrigações Tributárias Resultantes de Atos  Praticados com Excesso de Poderes ou Infração de Lei, Contrato Social ou Estatutos  26. O D. Agente Fiscal imputou ao Recorrente a responsabilidade pessoal por entender que  "­  o  contribuinte  não  estava  autorizado  pela  CVM  (Comissão  de  Valores  Mobiliários)  a  exercer qualquer tipo de atividade no mercado de valores mobiliários nos anos­calendário de  2009  e  2010,  conforme OFÍCIO CVM/SMI/GME  n°  0076/2013,  de  08/03/2013  (cópia  do  Anexo 3), incorrendo assim em crime contra o mercado de capitais, conforme artigo 27­E da  Lei n° 6.385/76;" (página 24 do TVF) .  27.  O único fundamento fático utilizado pela D. Agente Fiscal a "demonstrar" a prática de  atos com excesso de poderes é a mencionada suposta irregularidade perante a CVM. Assim,  em razão de hipotética irregularidade, que nada tem que ver com fatos jurídicos tributários, o  Recorrente  foi  considerado  responsável  pessoal  pelos  créditos  constituídos  em  face  da  empresa, os quais ultrapassam o montante de 360 milhões de reais.  28.  Em primeiro  lugar,  no mencionado OFÍCIO CVM/SMI/GME n°  0076/2013 utilizado  pela D. Fiscalização como prova da suposta irregularidade administrativa do Recorrente (fls.  1283/1286), NÃO CONSTA SEU NOME! De fato, o D. Agente Fiscal nem se preocupou em  verificar  se  o  Recorrente  estava  regularmente  cadastrado  perante  a  CVM  ou  não,  apenar  presumiu, de forma completamente arbitrária!  29. Aliás, o D. Agente Fiscal deveria ser mais cauteloso, uma vez que a imputação de prática  de crimes, sem a correspondente comprovação, não é vista com bons olhos pela  legislação  brasileira.  30.  Essa ilação infundada, acrescida da análise atenta dos autos e das demais alegações da  Fiscalização,  revelam que esta  já havia  tirado suas conclusões  a priori,  ou seja,  já  tinha se  convencido,  antes  mesmo  da  investigação  começar,  que  o  Recorrente  teria  praticado  os  supostos ilícitos de que é acusado, apenas e tão somente porque conclui (não se sabe como)  Fl. 2405DF CARF MF Processo nº 19515.720309/2014­51  Acórdão n.º 1302­001.952  S1­C3T2  Fl. 12          11 que este não  tinha autorização da CVM para atuar. A utilização de documento que não se  refere  ao  Recorrente  revela,  não  apenas  as  intenções  a  priori  do  D.  Agente  Fiscal,  como  demonstra  a  completa  inexistência  de  provas  e  de  motivo  para  a  responsabilização  do  Recorrente.  31.  Além da completa dissociação entre o suposto "ilícito" que ensejou a responsabilização  do  Recorrente  e  os  hipotéticos  fatos  jurídicos  tributários  que  deram  origem  ao  crédito  constituído,  é  importante  frisar  que  o  Recorrente  é  mero  procurador  da  Bassit,  conforme  procurações mencionadas pelo D. Agente Fiscal.  32.  Ademais, e mais importante, todos os atos descritos pela Fiscalização que supostamente  comprovariam  uma  "gestão  de  fato",  tida  como  fraudulenta,  foram  praticados  pelo  Recorrente em razão do quadro de saúde gravíssimo em que o sócio administrador, seu pai,  Sr. Muna Bassit, se encontrava.  33. De fato, o Sr. Muna Bassit foi diagnosticado com um quadro de osteossíntese de fêmur  D,  infarto  agudo  do  miocárdio,  insuficiência  vascular  periférica  e  doença  renal,  como  comprovam  os  atestados  médicos  expedidos  após  exames  realizados  no  Hospital  Israelita  Albert Einstein (fls. 174/175).  34. Evidentemente, com saúde debilitada, o Sr. Muna não estava em condições de exercer a  administração  da  sociedade  e  outorgou  algumas  procurações  ao  Recorrente  para  que  este  pudesse, pelo menos temporariamente, desenvolver as atividades mais básicas da Bassit.  35.  Além disso, em nenhum momento o comando da Bassit deixou de ser exercido pelo Sr.  Muna  Bassit.  O  Recorrente,  seu  filho,  apenas  exercia  as  atividades  que  eram  por  ele  ordenadas, sendo o pai o responsável pelos atos em última instância ­ os quais, frise­se, não  podem ser considerados ilícitos ou irregulares.  36.  O Recorrente era um mero executor das ordens de seu pai e, portanto, não poderia ser  responsabilizado por nenhum ato eventualmente considerado como ilícito, até porque, nessa  hipótese,  o  artigo  137,  I,  do Código  Tributário Nacional  exclui  qualquer  responsabilidade  daquele que cumpre ordens:  "Art. 137. A responsabilidade é pessoal ao agente:  I  ­  quanto  às  infrações  conceituadas  por  lei  como  crimes  ou  contravenções,  salvo  quando  praticadas  no  exercício  regular  de  administração, mandato,  função,  cargo  ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito;"  37.  Mas  isso  não  significa,  de  forma  alguma,  que  o Recorrente  tenha  cometido  qualquer  fraude  à  lei  ou  contrato  social!  Com  efeito,  a  simples  condição  de  procurador  (ou  "administrador de fato", como prefere a Fiscalização), não autoriza a responsabilização, pois  não constitui qualquer conduta ilícita e dolosa.  38.  Apenas com a prova clara e inequívoca da ocorrência de fraude, o que nunca foi feito,  os  atos do Recorrente poderiam  ser qualificados  como  "atos  com excesso de poderes".  Só  assim  estaria  cumprido  um  dos  requisitos  para  a  aplicação  do  artigo  135,  inciso  III,  do  Código Tributário Nacional.  39.  Haveria, ainda, a obrigação de provar que tais atos resultaram no nascimento de  uma obrigação tributária, o que também não foi feito. Não há, portanto, o preenchimento  dos  requisitos  necessários  à  aplicação  do  artigo  135,  inciso  III,  do  Código  Tributário  Nacional.  40.  Com efeito, o D. Agente Fiscal limitou­se a alegar que a inexistência de autorização da  CVM  para  atuação  no  mercado  de  valores  mobiliários  e  o  fato  de  o  Recorrente  ser  procurador  da Bassit  seriam  suficientes  para  o  preenchimento  dos  requisitos  previstos  no  artigo  135,  inciso  III,  do  Código  Tributário  Nacional,  o  que,  como  já  demonstrado,  não  procede.  Fl. 2406DF CARF MF Processo nº 19515.720309/2014­51  Acórdão n.º 1302­001.952  S1­C3T2  Fl. 13          12 41.  Ora,  em  nenhum  momento,  a  Fiscalização  provou  o  dolo,  a  intenção  específica  do  Recorrente  em  fraudar  o  Fisco  e,  muito  menos,  prejuízo  ao  Erário.  Além  de  não  existir  qualquer prova, o fato alegado pela Fiscalização para responsabilizar o Recorrente por todos  os tributos e multas lançados não tem qualquer nexo causal com o suposto ocultamento dos  fatos geradores.  42.  A própria DRJ, ao julgar a Impugnação do Recorrente, confundiu a possibilidade de sua  responsabilização  com  o  fato  de  a  Bassit  não  ter  apresentado  suas  declarações  fiscais  e,  supostamente, não contabilizado adequadamente suas receitas:  "O  impugnante  solidário  era,  DE  FATO,  administrador  da  Autuada,  de  forma  que  deve  estar  no  polo  passivo  da  autuação,  como  lhe  atribuiu  o  Termo  de  Sujeição  Passiva  Solidária  (fls.  1601­1602),  uma  vez  que  agiu  no  sentido  de  impedir  o  conhecimento  por  parte  da  Fazenda  Pública  Federal  das  receitas  tributáveis  da  Interessada, conforme  já  se mostrou no Voto, quando da análise da  impugnação da  Autuada, portanto, ambos (Interessada e seu Administrador, de fato) praticaram atos  com  infração da  lei, de  forma dolosa. A conduta deliberada para  fins exclusivos de  supressão  de  tributos  o  arrasta,  inexoravelmente,  para  a  condição  de  responsável  solidário.  Como evidenciado no exame de mérito do lançamento de IRPJ, com multa de ofício  qualificada  (150%),  a omissão  na  entrega da DIPJ  (só vindo  a  apresentar mediante  intimação  fiscal)  e  dissociada de qualquer  registro  contábil  (Livro Diário)  revelam,  inescapavelmente, o evidente intuito do administrador em lesara Fazenda Nacional.  A  pessoa  jurídica  (fiscalizada)  omitiu  seu  resultado  tributável,  revelando  que  seu  administrador,  Marcos  Bassit,  deliberadamente,  contribuiu  com  tal  omissão,  proporcionando, assim, o não aparecimento dos tributos devidos a recolher.  A  infração  à  lei  se  mostra  plenamente  demonstrada,  visto  que  a  fiscalização  caracterizou cabalmente a ofensa à  legislação tributária, por meio de atos cometidos  que, em tese, configuram ilícitos penais.  Constatada  a  infração  de  lei,  nos  termos  do  já  exposto,  o  Responsável  Solidário  Tributário  responde  pelo  crédito  tributário  apontado  nos  autos  de  infração,  nele  incluído  a  multa  de  ofício,  portanto,  contrariamente  ao  alegado,  não  há  como  prevalecer  sua alegação de que não  lhe  seria possível atribuir eventual penalidade."  (fl. 2.037, grifos do Recorrente)."  43. Ora,  em  nenhum momento  a DRJ  apontou  atos  ilícitos  não  tributários  praticados  pelo  Recorrente  do  qual  decorram  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  ­  frise­se,  requisito essencial para a caracterização da responsabilidade prevista no artigo 135,  III, do  Código Tributário Nacional.  44. Prova maior do  equívoco cometido pela DRJ ao manter  a  condição de  responsável do  Recorrente é ela ter desagravado e desqualificado a multa de ofício lançada sobre o IR/Fonte,  isto  é,  reconhecido  a  ausência  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  e,  ainda  assim,  mantido  a  responsabilidade do Recorrente.  45.  Portanto,  forçoso  concluir  pela  necessidade  de  cancelamento  da  responsabilidade  do  Recorrente  com  base  no  artigo  135,  inciso  III,  do  Código  Tributário  Nacional,  haja  vista  ausentes os requisitos para a aplicação dessa regra.  11.1.2 ­ Do Erro na Identificação do Sujeito Passivo  46.  A  imputação  de  responsabilidade  pessoal  ao  Recorrente,  decorrente  da  aplicação  do  artigo  135,  III,  do  Código  Tributário  Nacional,  implica  a  responsabilidade  exclusiva  do  diretor,  gerente  ou  representante  da  pessoa  jurídica,  não  podendo  prevalecer  quando  o  próprio contribuinte foi considerado responsável e, consequentemente, autuado.  Fl. 2407DF CARF MF Processo nº 19515.720309/2014­51  Acórdão n.º 1302­001.952  S1­C3T2  Fl. 14          13 47.  De fato, diferentemente do que estabelece o artigo 134 do Código Tributário Nacional,  o artigo 135 disciplina uma responsabilidade que não é subsidiária, mas sim integral e  exclusiva das pessoas nele relacionadas.  48.  Tal  responsabilização  decorre  da  prática  de  atos  abusivos  ou  com  infringência  de  lei,  contrato  social  ou  estatutos,  que  tenham  desencadeado  uma  relação  jurídica  obrigacional  stricto sensu entre Fisco e terceiros, que não praticaram estes atos.  49. Verifica­se,  portanto,  que  as  situações  disciplinadas  nos  artigos  134  e  135,  ambos  do  Código  Tributário  Nacional,  são  distintas.  Enquanto  o  artigo  134  do  Código  Tributário  Nacional,  em  função  do  fenômeno  da  transferência  da  responsabilidade,  estabelece  que  a  responsabilidade do terceiro, que agiu ou omitiu­se indevidamente, pressupõe o nascimento  da obrigação tributária advinda de ATO LÍCITO, ou ainda que ilícito, sem dolo, o artigo 135,  dispõe  sobre  uma  obrigação  tributária  decorrente  da  prática  de  ATO  ILÍCITO  NÃO  TRIBUTÁRIO por parte do terceiro, que DÊ NASCIMENTO à obrigação jurídica tributária,  disciplinando a hipótese de substituição da responsabilidade tributária.  50.  Ou seja, o artigo 134 contém previsão de situação na qual ocorrerá a  transferência da  responsabilidade tributária (obrigação tributária nasce para o contribuinte e é transferida para  o responsável), ao passo que o artigo 135 traz determinação que configura a substituição da  responsabilidade tributária (obrigação tributária já nasce para o responsável, que substituiu o  contribuinte).  51.  Dessa  forma,  em  um  exemplo  hipotético,  caso  o  diretor,  gerente  ou  representante  de  uma determinada entidade não tivesse agido de forma ilícita, jamais teria a empresa realizado  o fato jurídico tributário, impedindo, destarte, o nascimento da obrigação tributária.  52.  Ao realizar conduta  ilícita, o administrador passa a  integrar o polo passivo de relação  sancionatória, oportunidade na qual exclusivamente os seus bens responderão pela prestação  punitiva  administrativo­fiscal  que  lhes  compete.  A  RESPONSABILIDADE  NESSAS  HIPÓTESES É, PORTANTO, PESSOAL E EXCLUSIVA, E NÃO SOLIDÁRIA.  53. Depreende­se, assim, que o terceiro que age com dolo, contrariando a lei, o mandato, o  contrato  social  ou  o  estatuto,  dos  quais  decorrem  os  seus  deveres,  torna­se,  no  lugar  do  próprio contribuinte, o único responsável pelos tributos decorrentes da infração praticada.  (...)  58.  Verifica­se,  dessa  forma,  que  tanto  a  doutrina  quanto  a  jurisprudência  já  exararam  o  entendimento segundo o qual se um dos agentes arrolados no artigo 135 agir com excesso de  poderes  ou  infração  à  lei,  contrato  social  ou  estatuto,  em  detrimento  dos  interesses  do  contribuinte, essa pessoa será a única responsável pelos tributos decorrentes da infração.  59.  Evidente,  portanto,  que o  artigo 135 do Código Tributário Nacional  só  é  aplicável  às  hipóteses de responsabilidade pessoal do agente, ou seja, quando a Fiscalização verifica que  ele agiu com o dolo específico de fraudar o surgimento de obrigação tributária ou quando de  seus  atos  ilícitos  nascer  a  obrigação  tributária,  devendo,  consequentemente,  imputar­lhe  responsabilidade pessoal, i.e., exclusiva.  60.  Dando um passo adiante nesse raciocínio, conclui­se que não pode prevalecer autuação  fundamentada  no  artigo  135 do Código Tributário Nacional  quando a própria Fiscalização  coloca o contribuinte definido em  lei  no polo passivo da obrigação  tributária, pois haveria  claro erro na identificação do sujeito passivo.  61.  Nesse  sentido já decidiu o CARF, afastando a aplicação de responsabilidade solidária  motivada  no  dispositivo  legal  em  comento,  conforme  se  verifica  de  trecho  do  voto  do  Conselheiro  Pedro  Paulo  Pereira  Barbosa,  proferido  nos  autos  do  já mencionado  processo  administrativo n° 10218.000506/200469 (Acórdão n° 104­21.662, julgado em 21.06.2006):  "A autuação menciona, também, como fundamento da imputação de responsabilidade  solidária o art. 135, II e III, que a seguir transcrevo:  Fl. 2408DF CARF MF Processo nº 19515.720309/2014­51  Acórdão n.º 1302­001.952  S1­C3T2  Fl. 15          14 'Art.  135.  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes  ou infração de lei, contrato social ou estatutos:  (...)  II  ­ os mandatários, prepostos e empregados;  III  ­  os  diretores,  gerentes  ou  representantes  de  pessoas  jurídicas  de  direito privado.'  O  referido  artigo  do  CTN  versa,  expressamente  sobre  responsabilidade  pessoal,  portanto,  exclusiva.  E  dizer,  no  caso  de  aplicação  do  referido  comando  legal,  o  Contribuinte  deve  ser,  necessariamente,  excluído  do  polo  passivo  da  relação  obrigacional. Não foi o que ocorreu no caso concreto, que apontou a pessoa a pessoa  jurídica  Agropecuária  Bacuri  S/A  como  sujeito  passivo  e  que,  como  se  verá  mais  adiante, na condição de responsável, e os Srs. Tarley Helvécio Alves e José Maurício  Bicalho Dias como responsáveis solidários.  Para admitir­se, no caso, a responsabilidade solidária, com fundamento no 135,  II e  III, ter­se­ia, necessariamente, que excluir a contribuinte Agropecuária Bacuri S/A do  polo passivo.  (...)  Assim,  também  não  se  mantém  a  responsabilidade  solidária  com  fundamento  no  artigo 135 do CTN."  62. Além disso, e mais  importante,  conforme  já demonstrado,  a correta  interpretação a  ser  dada  ao  artigo  135,  inciso  III,  do  Código  Tributário  Nacional,  caminha  no  sentido  predominante  da  doutrina  e  da  jurisprudência  do  CARF:  a  responsabilidade  é  única  e  exclusiva do administrador que agiu com excesso de poderes, infração à lei, ao estatuto ou  contrato social.   63.  Apesar  disso,  no  presente  caso,  as Autoridades Fiscais  entenderam  que  o  artigo  135,  inciso  III, do Código Tributário Nacional, prevê hipótese de  responsabilidade solidária, ou  seja,  ao  invés  de  os  gerentes  e  dirigentes  responderem  exclusivamente  pelos  créditos  tributários oriundos de  seus  supostos  atos  ilícitos,  seriam solidários à pessoa  jurídica. Esse  mesmo  entendimento  foi  partilhado  pela  DRJ,  que,  apesar  de  excluir  a  aplicação  da  solidariedade  prevista  no  artigo  124,  I,  do  Código  Tributário  Nacional,  manteve  no  polo  passivo da autuação a Bassit e o Recorrente.  64.  Ou seja, no presente caso, pela D. Agente Fiscal ter autuado o contribuinte ­ a Bassit ­ e  não somente os sócios e diretores (no caso, o Recorrente) que agiram de forma supostamente  ilícita,  está presente o vício material de erro na  identificação do sujeito passivo,  consoante  jurisprudência do E. CARF.  65.  Portanto, os Autos de Infração lavrados contra a Bassit devem ser cancelados, em razão  da  existência  de  um  vício  na  identificação  do  sujeito  passivo,  que  é  material  e,  portanto,  insanável.  Ill ­ DA IMPROCEDÊNCIA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO  66.  Ainda que este E. Conselho entenda pela manutenção do Recorrente no polo passivo da  autuação, o que se admite apenas por amor ao debate, os créditos tributários não poderão ser  exigidos dele  em  função  de  sua manifesta  improcedência.  Isso  porque,  como demonstrado  pela Bassit em sua Impugnação e Recurso Voluntário:  (i) não há receita tributável pelo IRPJ, CSLL, PIS e COFINS;  Fl. 2409DF CARF MF Processo nº 19515.720309/2014­51  Acórdão n.º 1302­001.952  S1­C3T2  Fl. 16          15 (ii)  não  se  pode  exigir  IRPJ  e  CSLL  da  Recorrente,  pois  os  rendimentos  que  compuseram seu lucro foram tributados exclusivamente na fonte pelo Fisco nos autos  do Processo Administrativo nº 16327.721256/2013­34;  (iii) o  lançamento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS deve ser integralmente cancelado  pois o Fisco não poderia ter arbitrado os lucros da Recorrente;  (iv)  tendo  em  vista  o  cancelamento  dos  lançamentos  de  IRPJ  e  CSLL  para  o  ano­ calendário  de  2010  com  base  no  equivocado  arbitramento,  o  PIS  e  a  COFINS  também  devem  ser  cancelados  por  vício  material,  pois  o  arbitramento  indevido  modificou  a  sistemática  de  apuração  dessas  contribuições,  contaminando  o  lançamento;  (v)  a  multa  de  ofício  sobre  o  IRPJ,  CSLL,  PIS  e  COFINS  lançados  deve  ser  desqualificada, pois não houve sonegação;  (vi) não houve pagamento sem causa ou a beneficiários não identificados;  (vii) não é possível exigir o IR/Fonte concomitantemente ao arbitramento dos lucros;  (viii)  é indevido e desarrazoado reajustamento da base de cálculo do IR/Fonte; e  (ix) não se pode exigir juros de mora sobre a Multa de Oficio.  67. Portanto, diante de todas as alegações e provas apresentadas pela Bassit e aqui reiteradas,  resta  evidente  a  necessidade  de  provimento  do  presente  Recurso  Voluntário  para  cancelamento integral dos Autos de Infração.   68.  Diante  de  todo  o  exposto,  requer­se,  respeitosamente,  se  digne  essa  Turma  de  Julgamento dar integral provimento a este Recurso Voluntário, para determinar a reforma da  Decisão da DRJ e o consequente cancelamento do Termo de Sujeição Passiva.  69. Subsidiariamente, caso se entenda pela manutenção da solidariedade e responsabilidade  do  Recorrente,  requer­se  seja  determinado  o  cancelamento  dos  Autos  de  Infração,  como  medida de Direito e Justiça.  É o relatório.  Voto Vencido  Verifico  que  os  recorrentes  estão  regularmente  representados  (fl.  1994,  Marcos Bassit e fl. 2134, Bassit Agente Aut. Invest. Lt.; Contrato Social, fl. 1.414/1.419); que  a  empresa  Bassit  e  Marcos  Bassit  foram  intimados  em  28/07/2016  (fls.  2083  e  2084);  que  ambos os recursos voluntários foram interpostos, em 26/08/2016 (fl. 2087, Bassit; e fl. 2271,  Marcos Bassit).  Assim,  preenchidos  os  requisitos  de  admissibilidade  quanto  à  representação  processual e a  tempestividade, conheço dos recursos voluntários. Conheço, ainda, do recurso  de ofício interposto pela DRJ.  O Termo de Início de Fiscalização ­ TIF, consta às fls. 1406/1409, no qual há  a relação de documentos e informações requisitados à empresa Bassit.  Por  meio  do  primeiro  Termo  de  Reintimação,  de  07/05/2012,  fl.  44,  requisitou os seguintes documentos e informações não apresentados pelos recorrentes:  Fl. 2410DF CARF MF Processo nº 19515.720309/2014­51  Acórdão n.º 1302­001.952  S1­C3T2  Fl. 17          16     Juntaram­se  aos  autos,  Contrato  de  Prestação  de  Serviços  entre  Bassit  Agente Autônomo de Investimentos Ltda. e Quantia DTVM Ltda., fls. 71/74 e Relatórios  de Prestação de Serviços, fls. 74/79; e Notas Fiscais, fls. 80/163.  Lavraram­se os Termos de Embaraço, em 13/08/2012 e 01/08/2013, relativos  aos fatos geradores a partir de 01/04/1999, em virtude da não apresentação de livros contábeis  e  informações  essenciais  à  fiscalização;  de  pedidos  de  dilação  de  prazos,  sem,  contudo,  apresentar  os  documentos  a  que  se  comprometeu,  nem  mesmo  prestar  informações  ou  esclarecimentos a respeito.  Fl. 2411DF CARF MF Processo nº 19515.720309/2014­51  Acórdão n.º 1302­001.952  S1­C3T2  Fl. 18          17 Termo de Embaraço, de 13/08/2012, fl. 164/166.    Novo Termo de Reintimação, foi lavrado em 13/08/2012 (fl. 167), por meio  do  qual  requisitou­se  informações  e  esclarecimentos,  relativos  a  valores  declarados  por  terceiros como tendo sido pagos à empresa Bassit.  A  recorrente  empresa  Bassit  apresentou  petição,  defendendo­se  da  lavratura  do  Termo  de  Embaraço,  fl.  171/173,  de  24/04/2014,  sob  a  alegação  de  que  apresentou todos os documentos que existiam e que não teria causado embaraço à fiscalização.  Juntaram­se  Relatórios  Médicos  sobre  o  quadro  de  saúde  do  representante legal, Muna Bassit, 19/06/2012 (fl. 174 e 175), com o intuito de demonstrar o  motivo pelo qual o recorrente, Marcos Bassit, assumiu a administração dos negócios da Bassit  Agente Autônomo de Investimentos Ltda.    Preliminar. Conexão. Julgamento em Conjunto  O recorrente pugna pelo julgamento em conjunto deste caso, com o processo  administrativo  nº  16327.721256/2013­34,  sob  a  alegação  de  que  ambos  estariam  vinculados  por conexão.  A alegação de que haveria conexão entre este e aquele processo está baseada  no  fato de que neste  (PA nº 19515.720309/2014­51),  há  a  cobrança de valores  IRPJ, CSLL,  PIS  e COFINS  (2009  e  2010)  incidentes  sobre  receitas  auferidas  na  prestação  de  serviços  à  empresa Quantia Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda., enquanto que naquele  (PA  nº  16327.721256/2013­34)  tal  empresa  contratante  estaria  sendo  cobrada,  por  não  ter  procedido à retenção na fonte desses mesmos tributos devidos pela recorrente.  Não obstante, transcorrida a data devida para a referida retenção na fonte pela  empresa  tomadora  (Quantia)  dos  serviços  da  recorrente,  não  seria  devida  a  cobrança  dos  respectivos  valores  da  fonte  pagadora  (responsável  tributária),  mas  sim  da  contribuinte/recorrente.  Em  relação  à  fonte  pagadora  caberia,  se  for  o  caso,  a  cobrança  de  multa pelo descumprimento da obrigação legal de promover a retenção dos tributos devidos, no  pagamento pela empresa Quantia à recorrente pelos serviços que lhe foram prestados.  Sobretudo,  verifica­se  que  houve  o  julgamento  do  referido  processo  e  em  nada  obstou  o  julgamento  deste  caso  que  tem  por  base  matéria  independente  referente  ao  arbitramento do lucro, em relação ao 2009 e cobrança de tributos apurados com base no lucro  real referente a 2010.  Assim, com base em tais fatos e fundamentos, voto por rejeitar a preliminar  de sobrestamento deste processo.  Fl. 2412DF CARF MF Processo nº 19515.720309/2014­51  Acórdão n.º 1302­001.952  S1­C3T2  Fl. 19          18 No Mérito  As questões de mérito  serão  analisadas na  seguinte  sequência:  1º  razões de  recurso da empresa Bassit Agente Autônomo de Investimentos Ltda.; 2º razões de recurso do  sujeito passivo solidário, Marcos Bassit; 3º recurso de ofício da DRJ.  RAZÕES  DE  RECURSO  DA  EMPRESA  BASSIT  AGENTE  AUTÔNOMO DE INVESTIMENTOS LTDA. (BASSIT)  Lucro Arbitrado ­ 2009  A  recorrente  diverge  da  autoridade  fiscal  por  entender  que  não  caberia  lançamento  do  IRPJ,  CSLL,  PIS  e  COFINS  sobre  os  valores  discriminados  em  notas  fiscais emitidas pela recorrente, nem mesmo considerar esses valores como receita e utilizá­los  no cálculo do lucro arbitrado, relativamente a 2009. Alega que, apesar de os valores tributados  decorrerem de atividade empresarial, não teriam natureza de receita; não integrariam o lucro  e, logo, não poderiam atrair a incidência dos referidos tributos.  A  respeito,  verificam­se  as  seguintes  provas  colhidas  nos  autos  e  consideradas no acórdão recorrido:  Conforme  relatado, a  Impugnante alegou que em autuação na empresa QUANTIA  DTVM LTDA., as receitas ora tributadas e referentes a pagamentos por serviços  prestados  pela  Impugnante  para  esta  empresa,  foram  objeto  de  glosa  naquela  empresa,  por  falta  de  comprovação  dos  serviços  prestados  (Doc.03  da  impugnação).  Independentemente  da  razão  da  glosa  verificada  naquela  autuação,  tratam­se  de  situações  distintas,  que  devem  ser  examinadas  cada  qual  em  função  das  provas  pertinentes e existentes (ou não) em cada procedimento.  Assim,  não  vislumbro  a  hipótese  alegada  pela  Impugnante,  de  que  há  uma  contradição  entre  os  procedimentos  fiscais  ora  efetivados  e  aqueles  efetivados  naquela  empresa,  a  Quantia  DTVM  Ltda.  É  uma  questão  de  provas,  se  naquele  processo, por exemplo, não houver evidências de que a Quantia tenha realizado os  pagamentos  à  Impugnante,  a  Quantia  será  devidamente  tributada  por  glosa  de  despesas.  Aqui,  neste  processo,  estamos  lidando  com  valores  de  receitas  declaradas  pela  própria  Impugnante, que, em face de previsão legal, devem ser consideradas como  base de cálculo de Lucro Arbitrado, portanto, não há contradição e nem dúvidas na  sua natureza e utilização para apuração dos tributos ora devidos e lançados de ofício,  no caso, para o fato gerador relativo ao ano­calendário de 2009.  Assim, adotando­se as razões de decidir da DRJ, também nesse ponto, não há  como afastar os  lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, sobre os valores discriminados  em  notas  fiscais  emitidas  pela  contribuinte,  considerando  esses  valores  como  receita  e  utilizando­os  para  calcular o  lucro  arbitrado,  tendo  em vista  as  intimações  e  reintimações,  não  atendidas,  para  a  apresentação  da  documentação  contábil  e  informações  hábeis  a  demonstrar o lucro real.    Fl. 2413DF CARF MF Processo nº 19515.720309/2014­51  Acórdão n.º 1302­001.952  S1­C3T2  Fl. 20          19 Lucro Real ­ 2010 ­ Pis e Cofins ­ Regime Cumulativo  Aduziu a recorrente que a DRJ acertadamente cancelou a exigência de IRPJ  e CSLL relativa ao ano­calendário de 2010 em virtude do equivocado e indevido arbitramento  dos lucros naquele ano. No entanto, apesar de o voto vencido estender o cancelamento também  para  o  PIS  e  a  COFINS,  o  restante  da  turma  julgadora  entendeu  que  as  exigências  eram  independentes:  o  vício  no  arbitramento  dos  lucros  não  afetaria  a  incidência  do  PIS  e  da  COFINS,  pois  a  recorrente  estaria  submetida  ao  regime  cumulativo  de  apuração  do  PIS  e  COFINS.  Nesse  sentido,  fundamenta,  ainda,  que  mesmo  submetida  ao  regime  cumulativo  de  apuração  do  PIS  e  COFINS,  o  lançamento  deveria  ser  cancelado,  face  ao  disposto no art. 3º, § 6º, inc. I, da Lei nº 9.718/1998, a qual permite uma série de deduções da  base de cálculo das referidas contribuições que não foram consideradas pelo Fisco quando da  lavratura dos Autos de Infração.  Em  que  pese  tais  alegações,  não  se  verifica  a  aplicabilidade  de  tais  dispositivos  legais  ao  caso  vertente. Desse modo,  adotando­se  as  razões  de  decidir  da DRJ,  também nesse ponto, não há como afastar a cobrança do PIS e COFINS, em relação ao ano  calendário  2010,  face  à  obrigatoriedade  de  a  recorrente  submeter  suas  receitas  ao  regime  cumulativo da referida contribuição.  Da inexigibilidade da multa qualificada  No item VI.1. Qualificação da Multa de Ofício, a autoridade autuante assim  se manifestou para justificar sua aplicação:  46) Conforme descrito no item 31, sistematicamente e reiteradamente, o contribuinte  não escriturou as  receitas em livros  fiscais, DIPJs  (Declarações de Informações da  Pessoa  Jurídica)  e  DACONs  (Demonstrativos  de  Apuração  das  Contribuições  Sociais).  Assim,  incorreu  em  prática  de  sonegação  dolosa,  com  a  finalidade  de  retardar  o  conhecimento  pela  autoridade  fiscal  das  circunstâncias  materiais  da  ocorrência do  fato gerador, de acordo com o artigo 71 da Lei n° 4.502/64, abaixo  transcrito:[...]  Segundo a  Impugnante,  "...não  tendo sido demonstrado pela D. Fiscalização que a  Impugnante praticou, dolosamente, qualquer ato ou omissão tendentes a impedir ou  ocultar o surgimento da obrigação tributária, ainda que fosse possível a exigência da  multa de ofício, essa não poderia ser exigida de maneira qualificada"'  A Contribuinte estava omissa na entrega da DIPJ do ano­calendário de 2009 (e de  outros)  e não  apresentou DCTF relativa  a nenhum período de apuração do ano de  2009.  Entendo,  sim,  que  houve  uma  intenção  deliberada  da  Contribuinte  em  ocultar  da  Fazenda Nacional suas obrigações tributárias, que, aliás, só vieram à tona por força  de uma ação fiscalizadora.  Mantenho a qualificação da Multa de Ofício.  Dessa  forma,  na  análise  do  conjunto  probatório,  a  DRJ  concluiu  que  a  conduta da  recorrente  foi a  tentativa de esquivar­se da  fiscalização,  requerendo dilações de  prazo sem contudo apresentar os documentos solicitados.   Fl. 2414DF CARF MF Processo nº 19515.720309/2014­51  Acórdão n.º 1302­001.952  S1­C3T2  Fl. 21          20 A  DRJ  concluiu  que  essa  conduta  da  recorrente  não  se  coaduna  com  a  esperada  licitude  fiscal  e  a  boa­fé,  sobretudo  pelo  fato  de  que  a  própria  recorrente  é  que  requeria  dilações  de  prazo  para  atender  às  requisições  da  fiscalização,  sem  contudo,  cumprir,  como  se  verifica  dos  autos.  Essa  conduta  foi  considerada  protelatória  e  com  a  intenção de obstruir a fiscalização.   Nesses  termos,  adotando­se  as  razões  de  decidir  da  DRJ,  também  nesse  ponto,  não  há  como  afastar  a  qualificação  da multa  proporcional  de  ofício, majorando­a  de  75% para 150%.   Da  inexistência  de  pagamentos  sem  causa  a  beneficiários  não  identificados  Todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas, cuja operação ou causa não  for comprovada, está sujeito à incidência de  IR, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%,  cabendo reajustamento do rendimento bruto.  O acórdão recorrido consignou as seguintes razões de decidir, a respeito:  Na  incidência  do  IRRF  o  contribuinte  é  o  beneficiário  dos  pagamentos e é sobre esta base de cálculo que incide o tributo,  sendo  que,  na  hipótese  de  pagamento  sem  causa  ou  a  beneficiário  não  identificado,  a  fonte  pagadora  é  responsável  pelo recolhimento do imposto na forma de tributação exclusiva,  ou  seja,  não  mais  se  exige  o  tributo  do  beneficiário  do  pagamento.  Assim  é  que,  constatando­se,  como  foi  o  caso, a  ocorrência  de  recursos entregues a terceiros ou a sócios, escriturados ou não,  sem  a  comprovação  da  causa,  está­se  diante  da  subsunção  do  fato  concreto  à  hipótese  abstrata  contida  no  art.  61  da  Lei  nº  8.891,  de  1985,  sendo  de  rigor  a  constituição  do  crédito  tributário correspondente ao IRRF.  Tendo  em  vista  que  a  empresa  Fiscalizada  não  apresentou  qualquer elemento de prova convincente sobre qualquer uma das  saídas, foi efetuado o lançamento do IRRF, com suporte no que  prescreve o art. 674 do RIR/99 (grifos acrescidos):  “Art. 674. Está sujeito à  incidência do  imposto, exclusivamente  na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento  efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado,  ressalvado  o  disposto  em  normas  especiais  (Lei  nº  8.981,  de  1995, art. 61).  §  1º  A  incidência  prevista  neste  artigo  aplica­se,  também,  aos  pagamentos efetuados ou aos  recursos entregues a terceiros ou  sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não  for  comprovada  a  operação  ou  a  sua  causa  (Lei  nº  8.981,  de  1995, art. 61, § 1º).  §  2º  Considera­se  vencido  o  imposto  no  dia  do  pagamento  da  referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º).  Fl. 2415DF CARF MF Processo nº 19515.720309/2014­51  Acórdão n.º 1302­001.952  S1­C3T2  Fl. 22          21 §  3º  O  rendimento  será  considerado  líquido,  cabendo  o  reajustamento  do  respectivo  rendimento  bruto  sobre  o  qual  recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º).  Vê­se, portanto, que o pressuposto material para caracterização  da  infração  tipificada  no  dispositivo  é  a  constatação  de  que  tenha ocorrido, como de fato está provado nos autos, pagamento  ou  entrega  de  recursos,  contabilizados  ou  não,  quando  não  identificado  o  beneficiário  ou  quando  não  comprovada  a  operação ou a sua causa.  A  Contribuinte  Impugnante  nada  trouxe  aos  autos  que  não  tivesse informado durante a ação fiscal.  Afirmou  que  várias  saídas  foram  a  título  de  distribuição  de  lucros a seus sócios, entretanto, não identifica os valores e nem  a  destinação  específica  para  os  mesmos,  de  maneira  individualizada.  Em outra alegação, que as saídas (débitos) bancárias se deram  por compartilhamento de comissões a vários agentes financeiros,  que  recebeu  por  intermediações  de  valores  mobiliários,  entretanto  nada  ficou  provado,  alegou,  inclusive,  que  não  poderia  fornecer  os  nomes  dos  beneficiários  “por  questões  intrínsecas  a  seus  negócios”,  o  que  soa  meio  absurdo,  inaceitável, até porque, além de não poder se negar informações  à Administração Tributária, os agentes públicos tem o dever de  manter o devido sigilo fiscal.  De  forma  que,  diversamente  do  que  supõe  a  impugnante,  é  da  sua  incumbência  informar a que se  referem os débitos em suas  contas,  bem  assim  a  causa  da  operação  e  o  destinatário  do  pagamento ou entrega dos recursos.  Equivocada  também  a  alegação  da  Impugnante  de  que  as  informações  remetidas  pelas  instituições  financeiras,  em  atendimento  às  RMF,  já  permitiam  a  identificação  dos  beneficiários.  Afirmou  a  Impugnante  que  a  “Autoridade Fiscal  identificou os beneficiários dos pagamentos , o que desautoriza a  tributação pelo IRRF nos termos do artigo 674 do RIR/99. Isso  porque,  se  a  documentação  fornecida  pelas  instituições  financeiras,  no  entender  da  Fiscalização,  é  suficiente  para  a  comprovação dos destinatários dos recursos, e sua causa já  foi  esclarecida pelo Impugnante, não há que se falar em pagamento  sem causa a beneficiário não identificado.”  Esta afirmação, de certo, deveu­se ao relatado pela autoridade  fiscal em seu Termo de Verificação Fiscal, a saber:   28) Em 15/08/2013, foram emitidas Requisições de Informações  sobre  Movimentações  Financeiras  destinadas  aos  bancos  Itaú  S/A,  Real,  Santander  Brasil  S/A  e  Caixa  Econômica  Federal,  tendo sido fornecidos pelos bancos, extratos em meio magnético,  com  identificação  dos  beneficiários  dos  recursos  financeiros  associados a cada débito.  Fl. 2416DF CARF MF Processo nº 19515.720309/2014­51  Acórdão n.º 1302­001.952  S1­C3T2  Fl. 23          22 Na  realidade,  as  informações  bancárias  enviadas  (extratos  bancários), de fato, apontam os beneficiários de algumas saídas,  mas  não  da  grande maioria  dos  débitos  indicados.  Basta  uma  breve  leitura  nos  extratos  (arquivos  anexos,  fls.885  a  998)  que  acompanham os autos para constatar tal fato.  Não obstante, de se destacar que o art.61 da Lei 8.981/95 (base  legal do art. 674 do RIR/99, anteriormente transcrito) contempla  também a incidência de IRRF nos casos em que os pagamentos  efetuados,  mesmo  que  identificados  os  beneficiários,  não  comprovem a operação ou a sua causa.  Diante da ausência de comprovação da causa dos pagamentos efetuados e dos  seus beneficiários, informa a recorrente que a fiscalização lançou o IRRF, com base no art. 674  do  RIR/99  e,  ao  mesmo  tempo,  arbitrou  os  seus  lucros.  Desta  forma,  entende  que  o  arbitramento é um procedimento substitutivo da recomposição da base de cálculo do lucro real,  quando essa é impossível. Por outro lado, a imputação de pagamento sem causa visa a coibir a  prática de manutenção de movimentações financeiras à margem da contabilidade da empresa.  Nesse  sentido,  a  recorrente  afirma  sofrer  prejuízo  ao  tributar  duas  vezes  a  contribuinte,  além  de  impor­lhe  tributação  mais  onerosa  que  estabelecida  na  legislação  do  IRPJ e da CSLL.  Não obstante, não ocorre o que alega a recorrente. Na forma retro exposta e  em conformidade com as razões e fundamentos do acórdão recorrido, é devida a retenção na  fonte nos casos em tela, pelo motivo de que houve pagamento a terceiros, como alegado pela  própria recorrente e, assim, impõe­se a retenção a cargo da recorrente. Desse modo, adotando­ se  as  razões  de  decidir  da DRJ,  também nesse  ponto,  não  há  fundamento  para  acolher  esse  pedido.  Da ilegitimidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício  Sustenta a recorrente que desde o vencimento do prazo para recolhimento dos  créditos exigidos nos presente autos, as autoridades fiscais tem computado juros de mora sobre  a multa de ofício, não obstante os juros que já incidem sobre os tributos exigidos, aumentando  sobremaneira o valor da obrigação  tributária de  forma  totalmente  ilegítima e  ilegal,  e que os  juros não poderiam incidir sobre a multa na medida que essa não retrata a obrigação principal,  mas sim encargo que se agrega ao valor da dívida.  A DRJ, por sua vez, aduz que o § 1º do art. 113 do CTN reconhece que multa  de ofício tem natureza de obrigação tributária, aplicando­se o mesmo regime tributário previsto  para a cobrança de tributos.  Dispõe o art. 161 do CTN que o crédito tributário não pago no vencimento deve ser  acrescido de  juros de mora, qualquer que  seja o motivo da  sua  falta. Dispõe  ainda em seu parágrafo  primeiro que se a lei não dispuser de modo diverso os juros são calculado à taxa de 1% ao mês.  Ocorre que o legislador estabeleceu no art. 61 da Lei n° 9.430/1996 que, a partir de  janeiro de 1997, os débitos vencidos com a União serão acrescidos de  juros de mora calculados pela  taxa SELIC quando não pagos nos prazos previstos na  legislação  tributária,  até o mês anterior ao do  pagamento e de um por cento no mês de pagamento.  Fl. 2417DF CARF MF Processo nº 19515.720309/2014­51  Acórdão n.º 1302­001.952  S1­C3T2  Fl. 24          23 Não resta dúvida que os débitos a que se refere a Lei n° 9.430/1996 correspondem  ao crédito tributário de que dispõe o art. 161 do CTN.  O crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, decorre da obrigação principal e  tem a mesma natureza desta.  Por sua vez, o art. 113, em seu parágrafo primeiro define que a obrigação principal  surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária  e extingue­se juntamente com o crédito dela decorrente.  Ora, se o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza  desta deve abranger o tributo e a penalidade pecuniária.  Assim é que o art. 142 do CTN determina que a autoridade competente constitua o  crédito tributário, calculando o montante do tributo e a penalidade aplicável.  A  multa  de  oficio  é  prevista  no  art.  44  da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  e  é  exigida  juntamente com o tributo devido. Assim, uma vez constituído o crédito pelo lançamento de ofício, ao  tributo agrega­se a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal e, sobre ele  deve incidir integramente os juros à taxa SELIC.  Ainda sobre o cabimento dos juros de mora sobre multa, preconiza o art. 43,  parágrafo único da Lei nr. 9.430/1996, verbis:  Art.  43. Poderá  ser  formalizada  exigência  de  crédito  tributário  correspondente  exclusivamente  a  multa  ou  a  juros  de  mora,  isolada ou conjuntamente.  Parágrafo  único.  Sobre  o  crédito  constituído  na  forma  deste  artigo, não  pago  no  respectivo  vencimento,  incidirão  juros  de  mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir  do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até  o mês anterior ao do pagamento  e de um por cento no mês de  pagamento.  A jurisprudência das turmas desta câmara e da própria CSRF é majoritária a favor da  incidência dos juros SELIC sobre a multa de ofício:  Acórdão n° 1301­000.111, de 04/12/2012:  JUROS  SOBRE  MULTA.  INAPLICABILIDADE.  FALTA  DE  PREVISÃO LEGAL. NÃO OCORRÊNCIA.  A  obrigação  tributária  principal  dá­se  com  a  ocorrência  do  fato  gerador  e  tem  por  objeto  tanto  o  pagamento  do  tributo  como  a  penalidade pecuniária decorrente do  seu não pagamento,  incluindo a  multa  de  ofício  proporcional,  de  sorte  que  o  crédito  tributário  corresponde  à  obrigação  tributária  principal,  incluindo  a  multa  de  ofício  proporcional,  sobre  o  qual,  assim,  devem  incidir  os  juros  de  mora à taxa Selic.  Acórdão n° 1302­000.959, de 07/08/2012:  JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.  É escorreita a cobrança de juros, calculados à taxa Selic, sobre multa  de ofício, nos termos do §3°do art. 61 da Lei n°9.430/96.  Fl. 2418DF CARF MF Processo nº 19515.720309/2014­51  Acórdão n.º 1302­001.952  S1­C3T2  Fl. 25          24 Acórdão n° 9101­00.539, de 11/03/2010  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.   A obrigação  tributária principal compreende  tributo e multa de oficio  proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa  de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.  Assim, entendo devida a incidência de juros de mora sobre as multas.  Dos Lançamentos Decorrentes ­ CSLL, PIS/PASEP e COFINS  Sobre a alegação da recorrente de que não seriam devidos os lançamentos de  CSLL, PIS e COFINS, o acórdão recorrido concluiu que, são reflexos da mesma irregularidade  apurada  no  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  (IRPJ).  Assim  sendo,  por  possuírem  os  mesmos fundamentos fáticos, a decisão prolatada com relação ao Auto de Infração do IRPJ faz  coisa julgada em relação aos decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em vista  da íntima relação de causa e efeito.  Por  tais  fundamentos,  não  há  como  afastar  a  incidência  da  CSLL,  PIS  e  COFINS.  RAZÕES  DE  RECURSO  DO  SUJEITO  PASSIVO  SOLIDÁRIO,  MARCOS BASSIT  À  vista  das  razões  do  recurso  voluntário  interposto  pelo  sujeito  passivo  solidário, Marcos Bassit, destacam­se os seguintes fatos e fundamentos  Da sujeição passiva solidária de Marcos Bassit  Nas palavras do autuante:  III.2. Responsabilidade tributária de Marcos Bassit  40)  Considerando  que:  conforme  o  inciso  I  do  art.124  e  o  inciso  III  do  art.135  do  CTN,  os  representantes  de  pessoas  jurídicas  de  direito  privado  são solidariamente responsáveis pelos créditos tributários resultantes de atos  praticados com infração de lei;  o  contribuinte não estava autorizado pela CVM a exercer qualquer  tipo de  atividade no mercado de valores mobiliários nos anos­calendário de 2009 e  2010,  conforme  OFÍCIO  CVM/SMI/GME  n°  0076/2013,  de  08/03/2013  (cópia no Anexo 3), incorrendo assim em crime contra o mercado de capitais,  conforme artigo 27­E da Lei n° 6.385/76;  conforme  o  Inciso  I  do  art.124  da  Lei  n°  5.172/66  (Código  Tributário  Nacional),  são  solidariamente  obrigadas  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;  conforme  artigos  986,  987  e  990  do  Código  Civil  Brasileiro  (Lei  10.406/2002),  todos  os  sócios  respondem  solidária  e  ilimitadamente  pelas  obrigações sociais;  MARCOS  BASSIT,  CPF:  029.161.408­67,  atuou  como  administrador  de  acordo com as seguintes evidências:  Fl. 2419DF CARF MF Processo nº 19515.720309/2014­51  Acórdão n.º 1302­001.952  S1­C3T2  Fl. 26          25 de  acordo  com  o Contrato  de Cessão  de Uso  de  Instalações  de  Escritório  Comercial  e  respectivos  aditivos,  incluso  na  resposta  de  BESP  (Bolsa  de  Escritórios de São Paulo, de 15/10/2013 (cópias no Anexo 4), a cessionária,  Bassit Agente Autônomo de Investimentos Ltda., é representada por "Marcos  Bassit, brasileiro, separado, administrador de empresas, inscrito no CPF/MF  sob o n° [...]"No campo reservado para a assinatura da cessionária, consta a  assinatura  de  Marcos  Bassit,  idêntica  à  constante  da  Ficha­Padrão  de  Assinatura, depositada no 1° Cartório [...]"  de  acordo  com Procuração,  apresentada  na  resposta  da  Caixa  Econômica  Federal,  em  09/02/2009,  "Bassit  Agente  Autônomo  de  Investimentos  Ltda.,  nomeia  e  constitui  seu  bastante  procurador  MARCOS  BASSIT,  brasileiro,  separado,  administrador  de  empresas,  inscrito  no  CPF  [...]para  o  fim  especial  de,  em  nome  da  outorgante,  representá­la  em  conjunto  ou  separadamente,  independente  da  ordem  de  nomeação,  junto  a  Caixa  Econômica Federal, ..."(cópia no Anexo 11).  de acordo com Procuração, registrada no 24° Cartório de Registro Civil das  Pessoas Naturais, "aos vinte e sete (27) dias do mês de novembro do ano de  dois  mil  e  nove  (2009),....,  compareceu  como  outorgante,  Bassit  Agente  Autônomo  de  Investimentos  Ltda.,  que  por  este  público  instrumento  e  na  melhor  forma  de  direito,  nomeia  e  constitui  seu  bastante  procurador  MARCOS  BASSIT,  brasileiro,  separado  judicialmente,  administrador  de  empresas,  RG  n°  [...]inscrito  no  CPF  [...]a  quem  confere  amplos  poderes  para  abrir,  movimentar  e/ou  encerrar  contas  correntes  junto  a  quaisquer  Bancos, Caixas Econômicas e demais estabelecimentos de crédito, ..."(cópia  no Anexo 6).  de acordo com documentos enviados pela Caixa Econômica Federal, dezenas  de  cheques  de  Bassit  Agente  Autônomo  de  Investimentos  Ltda.  (cópias  no  Anexo 7), foram assinados por "Marcos Bassit, pois nos campos reservados  para as assinaturas, constam as assinaturas de Marcos Bassit,  idênticas às  constantes  da  Ficha­Padrão  de  Assinatura,  depositada  no  1°  Cartório  [...](cópia no Anexo 5);  os  numerários  relacionados  nos  cheques  referidos  no  item  anterior  foram  sacados  por  Marcos  Bassit,  conforme  identificações  dos  beneficiários  constantes destes cheques (cópias no Anexo 7);  ­  Estes  valores  sacados  totalizam  R$  6.604.201,63  e  R$  4.901.030,86,  respectivamente nos anos­calendário de 2009 e 2010;  [... ]  Da análise  No  item  II.4.  Da  Responsabilidade  Pessoal,  o  Impugnante  traz  um  extenso  arrazoado,  com posições doutrinárias  e  citações de decisões  administrativas  e  judiciais, para concluir que:  76.  Verifica­se, dessa forma, que tanto a doutrina quanto a jurisprudência  já exararam o entendimento segundo o qual se um dos agentes arrolados no  artigo 135 agir com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou  estatuto,  em  detrimento  dos  interesses  do  contribuinte,  essa  pessoa  será  a  única responsável pelos tributos decorrentes da infração;  Fl. 2420DF CARF MF Processo nº 19515.720309/2014­51  Acórdão n.º 1302­001.952  S1­C3T2  Fl. 27          26 77.  Evidente, portanto, que o artigo 135 do CTN só é aplicável às hipóteses  de  responsabilidade  pessoal  do  agente,  ou  seja,  quando  a  Fiscalização  verifica  que  ele  agiu  com  o  dolo  específico  de  fraudar  o  surgimento  de  obrigação  tributária  ou  quando  de  seus  atos  ilícitos  nascer  a  obrigação  tributária,  devendo,  consequentemente,  imputar­lhe  responsabilidade  pessoal, i.e., exclusiva.  Forçoso reconhecer que o disposto no caput do artigo 135 do CTN tem suscitado na  doutrina  divergências  no  que  tange  à  natureza  da  responsabilidade  a  que  alude  o  dispositivo: se de responsabilidade por substituição (os terceiros indicados no inciso  III  do  art.135  do CTN  responderiam  exclusivamente  pelo  crédito  tributário)  ou  se  responsabilidade solidária ou subsidiária.  Entretanto,  a  Administração  Tributária  já  se  posicionou  acerca  do  tema,  com  a  publicação  de  Parecer  da  Procuradoria­Geral  da  Fazenda,  o  que  vincula  esta  Delegacia de Julgamento ao seu inteiro teor.  Sobre  o  inciso  III  do  art.135  do  CTN,  a  Fazenda  Pública  Federal,  por meio  da  Procuradoria­Geral,  se  manifestou  acerca  do  tema,  conforme  consta  no  Parecer/PGFN/CRJ/CAT  n°  55/2009,  que  ora  se  reproduz  excertos  de  sua  conclusão:  VI. CONCLUSÃO  106. Em resumo, alinhamos aqui os fundamentos e as conclusões do presente  Parecer:  A responsabilidade do dito "sócio­gerente", de acordo com a jurisprudência  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  decorre  de  sua  condição  de  "gerente"  (administrador), e não da sua condição de sócio;  A responsabilidade do administrador, por força do art.135 do CTN, na linha  da jurisprudência do STJ, é subjetiva e decorre de prática de ato ilícito;  [...]  d) A responsabilidade dos administradores, de acordo com a jurisprudência  do  STJ,  não  pode  ser  entendida  como  exclusiva  (responsabilidade  substitutiva), porquanto se admite na Corte Superior que a ação de execução  fiscal  seja  ajuizada,  ao  mesmo  tempo,  contra  a  pessoa  jurídica  e  o  administrador;  [...]  j )   A  jurisprudência  do  STJ  aponta  para  a  responsabilidade  solidária,  inclusive  em  precedentes  desfavoráveis  à  Fazenda  Nacional,  em  que  se  afirma  que  o  sócio  gerente  só  pode  ser  responsabilizado  solidariamente  se  detiver poderes de gerência e se tiver praticado ato ilícito no exercício dessa  gerência, na forma do art.135, III, do CTN;  [...]  u) Sendo solidária a responsabilidade decorrente de ato ilícito praticado pelo  administrador,  este,  uma  vez  atestada  administrativamente  sua  responsabilidade,  está  sujeito  a  todos  instrumentos  de  proteção  do  crédito  tributário, como o arrolamento de bens e direitos, a inscrição no CADIN e a  Fl. 2421DF CARF MF Processo nº 19515.720309/2014­51  Acórdão n.º 1302­001.952  S1­C3T2  Fl. 28          27 medida cautelar  fiscal,  estando,  sujeito,  outrossim, à negativa de  expedição  de Certidão Negativa de Débito.    107.  Por  fim,  ressaltamos  que  nossas  conclusões  aplicam­se  exclusivamente  ao  regramento  ordinário  do  art.135,  III,  do  CTN,  não  alcançando,  portanto,  regras  especiais  previstas  na  legislação  que  responsabilizam com mais rigor os sócios ou os administradores das pessoas  jurídicas  Superada  esta  questão,  devo,  entretanto,  acatar  as  alegações  do  Impugnante  no  sentido de que a falta de autorização concedida pela CVM para o exercício de sua  atividade junto ao mercado de capitais não acarreta conseqüências tributárias.  A falta desta autorização não tem o condão que lhe atribuiu a autoridade fiscal, pois  eventual infração ao contrato social (da empresa) cometido pelo administrador, deve  estar vinculado a um eventual efeito  tributário, que, entretanto, não  foi objeto de  reconhecimento por parte da autoridade fiscal.  Entretanto,  outras  situações  apontadas  pela  Fiscalização  acarretaram  a  responsabilidade tributária solidária, que, oportunamente, serão comentadas.  Inicialmente,  antes  de  qualquer  destaque  dos  demais  argumentos  da  impugnação,  percebe­se que o enquadramento legal considerado pela autoridade fiscal contempla  dois  dispositivos  do  CTN,  inseridos  no  capítulo  que  trata  da  responsabilidade  tributária solidária.  Tratando­se  a  pessoa  de  Marcos  Bassit  como  o  administrador  de  fato  da  Contribuinte,  eventual  responsabilidade  tributária  a  lhe  ser  atribuído  deve  ser  em  função do comando legal e específico a que alude o inciso III do art.135 do CTN.  A menção ao  inciso  I do art.124 do CTN é equivocada, pois  seu dispositivo não  está dirigido à sócios (com poder de gerência) e/ou administradores (de direito ou de  fato) das empresas, uma vez que a  responsabilidade solidária  tributária atribuída a  pessoas com estas funções/condições, encontra­se disciplinada no art.135 do CTN.  Em assim sendo, devemos nos ater ao que se encontra no  inciso  III do art.135 do  CTN e a impugnação pertinente a este dispositivo legal.  Segundo o Termo Fiscal, o Sr. Marcos Bassit é o administrador, de fato, da autuada  sendo considerado responsável solidário de acordo com o artigo 135, inciso III, do  Código Tributário Nacional.  O artigo 135 do Código Tributário Nacional dispõe que:  "Art.  135.  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes  ou infração de lei, contrato social ou estatutos:  I  ­ as pessoas referidas no artigo anterior;  II  ­ os mandatários, prepostos e empregados;  III  ­  os  diretores,  gerentes  ou  representantes  de  pessoas  jurídicas  de  direito  O Impugnante alegou que "...procurador não tem poderes de gestão e não pode ser  responsabilizado!"  Fl. 2422DF CARF MF Processo nº 19515.720309/2014­51  Acórdão n.º 1302­001.952  S1­C3T2  Fl. 29          28 Depende do teor da procuração concedida pela Interessada e, no caso, o Sr. Marcos  Bassit detinha procuração com amplos poderes junto às instituições financeiras para  a movimentação de recursos da Interessada, em qualquer banco, o que já é suficiente  para considerá­lo como administrador de fato da Autuada.  O fato de ter assumido a condução dos negócios ou ter tomado a frente dos mesmos  em face de problemas de saúde de seu pai (Muna Bassit), apesar do zelo familiar, tal  situação não pode prevalecer se daí houver conflito com a legislação tributária.  O  impugnante  solidário  era,  DE  FATO,  administrador  da  Autuada,  de  forma  que  deve  estar  no  polo  passivo  da  autuação,  como  lhe  atribuiu  o  Termo  de  Sujeição  Passiva  Solidária  (fls.1601­1602),  uma  vez  que  agiu  no  sentido  de  impedir  o  conhecimento por parte da Fazenda Pública Federal das receitas tributáveis da  Interessada,  conforme  já  se  mostrou  no  Voto,  quando  da  análise  da  impugnação da Autuada, portanto, ambos (Interessada e seu Administrador, de  fato)  praticaram  atos  com  infração  da  lei,  de  forma  dolosa.  A  conduta  deliberada  para  fins  exclusivos  de  supressão  de  tributos  o  arrasta,  inexoravelmente, para a condição de responsável solidário.  Como evidenciado no exame de mérito do lançamento de IRPJ, com multa de ofício  qualificada (150%), a omissão na entrega da DIPJ (só vindo a apresentar mediante  intimação  fiscal)  e  dissociada  de  qualquer  registro  contábil  (Livro  Diário)  revelam, inescapavelmente, o evidente intuito do administrador em lesar a Fazenda  Nacional.  A pessoa jurídica (fiscalizada) omitiu seu resultado tributável, revelando que seu  administrador,  Marcos  Bassit,  deliberadamente,  contribuiu  com  tal  omissão,  proporcionando, assim, o não aparecimento dos tributos devidos a recolher.  A  infração  à  lei  se  mostra  plenamente  demonstrada,  visto  que  a  fiscalização  caracterizou cabalmente a ofensa à legislação tributária, por meio de atos cometidos  que, em tese, configuram ilícitos penais.  Constatada  a  infração  de  lei,  nos  termos  do  já  exposto,  o  Responsável  Solidário  Tributário  responde  pelo  crédito  tributário  apontado  nos  autos  de  infração,  nele  incluído  a  multa  de  ofício,  portanto,  contrariamente  ao  alegado,  não  há  como  prevalecer sua alegação de que não lhe seria possível atribuir eventual penalidade.  Desta  feita,  sendo este  senhor  ­ Marcos Bassit  ­ que administrava, DE FATO, os  negócios  da  empresa  fiscalizada  e  que  foram  praticados  atos  que  se  reputam  contrários à lei tributária e comercial j á   analisados neste Voto, justifica­se a sua  inclusão  polo  passivo  ao  lado  da  autuada,  como Responsável  Solidário,  conforme  consta nos Termo de Sujeição Passiva Solidária.  Portanto,  contrariamente  ao  alegado  pelo  impugnante  solidário,  comprovado  nos  autos que os atos foram praticados com excesso de poderes ou infração a lei ou ao  contrato, de forma ilícita, dolosa, para que se possa configurar a responsabilidade  solidária, de se manter o administrador, Sr. Marcos Bassit, no pólo passivo como  sujeito passivo solidário.  Conclusão  (I)  Relativamente  ao  IRPJ  e  decorrentes,  (i)  fica  cancelado  o  lançamento  correspondente  ao  ano­calendário  de  2010  (ii)  fica  cancelado  o  agravamento  da  multa de ofício qualificada para o ano de 2009;  Fl. 2423DF CARF MF Processo nº 19515.720309/2014­51  Acórdão n.º 1302­001.952  S1­C3T2  Fl. 30          29 (II) Relativamente ao IRRF, (i) fica cancelada a qualificação e o agravamento da  multa de ofício, devendo permanecer a multa em seu patamar típico, de 75% e (ii)  reconhecer,  de  ofício,  a  decadência  dos  lançamentos  efetivados  após  cinco  anos  contados da data do fato gerador;  (III) Afastar a Responsabilidade Solidária Tributária de Muna Bassit.  É o voto,  pela procedência  em parte da  impugnação, mantido  em parte do  crédito  tributário.  Cotejando­se  as  razões  de  decidir  do  acórdão  recorrido  com  as  razões  de  recurso  voluntário  do  sujeito  passivo  solidário,  Marcos  Bassit,  não  se  verifica  fato  ou  fundamento que pudesse levar a conclusão diversa da DRJ.   Não há como afastar a responsabilidade solidária do Sr. Marcos Bassit, pois  diante  do  quadro  de  saúde  do  Sr.  Muna  Bassit,  passou  a  ser,  de  fato,  o  responsável  pela  empresa  Bassit  Agente  Autônomo  de  Investimentos  Ltda.  (diga­se,  o  único  responsável,  de  fato, pois o sócio da empresa que figura no contrato social juntado aos autos, jamais constou de  qualquer  ato  da  empresa).  Sendo  assim,  adotando­se  as  razões  de  decidir  da  DRJ,  também  nesse ponto, mantenho como sujeito passivo solidário, o Sr. Marcos Bassit.  Por  todo  o  exposto,  voto  por  NEGAR  PROVIMENTO AOS  RECURSOS  VOLUNTÁRIOS de Bassit Agente Autônomo de Investimentos Ltda. e de Marcos Bassit.  Do Recurso de Ofício do Presidente da DRJ  Por fim, com relação ao recurso de ofício da DRJ, cujos termos transcrevem­ se a seguir, passo a analisar em sequência:  Desta  Decisão  RECORRO  DE  OFÍCIO,  tendo  em  vista  a  exoneração  do  sujeito  passivo  do  pagamento  de  tributo  e  encargo de multa em montante superior ao limite fixado no art.  1° da Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008, do Ministro de  Estado da Fazenda.  Nos termos da referida Portaria MF nº 3/2008, art. 1º, "o Presidente de Turma  de  Julgamento  da Delegacia da Receita Federal  do Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  recorrerá de  ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de  multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais)".  Com relação aos fundamentos do recurso de ofício quanto à impossibilidade  de  exclusão  de Muna Bassit  do  pólo  passivo,  verifica­se  que o  único  fundamento  dado pelo  TVF,  fls.  1.256. para  responsabilizar o Sr. Muna Bassit  foi  o  fato de  a  recorrente  atuar  sem  autorização da CVM, o que se enquadra como crime contra o mercado de capital.   Em que pese tais conclusões, deve­se ter presente que tal infração não parece  ter  qualquer  relação  com  as  infrações  tributárias  apuradas,  ou  seja,  não  se  utilizou  dessa  situação para sonegar ou fraudar o Fisco. Ademais, o fato em questão refere­se a uma autuação  que resultou em arbitramento do lucro.   Quanto à responsabilidade da recorrente como fonte pagadora de pagamento  sem  causa  ou  cujo  beneficiário  não  foi  identificado,  poder­se­ia  até  vislumbrar  uma  relação  entre  a  dificuldade  de  a  recorrente  ter  comprovantes  de  tais  pagamentos  e  o  fato  de  agir  à  Fl. 2424DF CARF MF Processo nº 19515.720309/2014­51  Acórdão n.º 1302­001.952  S1­C3T2  Fl. 31          30 margem  da  organização  do  mercado  de  capitais,  porém  isso  não  foi  sequer  aventado  pelos  autuantes.  Nesse  sentido,  é  correto  concluir  que  a  simples  constatação  de  que  a  recorrente  atuava  sem  autorização  da  CVM,  não  justifica  a  responsabilização  do  sócio,  Sr.  Muna Bassit com base no art. 135 do CTN.  No tocante ao cancelamento do agravamento da multa, relativamente ao ano­ calendário 2009 (IR, CSLL, PIS e COfins),  tem­se que o fundamento para o agravamento da  multa está no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, o qual consiste em não atender a intimações,  algo  que  não  se  verifica  nos  autos,  ainda  que  o  contribuinte  tenha  solicitado  diversas  prorrogações  de  prazo.  Não  atender  significa  não  responder  à  intimação,  assim  obsta  o  agravamento da multa qualquer resposta dada à intimação, ainda que não seja satisfatória para  a Fiscalização.  Assim,  com  base  nos  fatos  e  fundamentos  acima,  concluo  que  não  há  responsabilidade passiva solidária do Sr. Muna Bassit e não é devido o agravamento da multa  de  ofício  referente  ao  ano  calendário  2009,  razão  pela  qual  voto  por  negar  provimento  ao  recurso de ofício.  ROGÉRIO APARECIDO GIL ­ Relator    Voto Vencedor  Ouso divergir do I. Relator, no tocante à qualificação da multa de ofício nos  lançamentos  de  IRPJ,  CSLL,  PIS  e Cofins,  como  também,  com  relação  à  responsabilização  solidária de Marcos Bassit, pelas razões que a seguir passo a expor.  Os  autuantes  fundamentam,  no TVF  (a  fls.  1264),  a  qualificação  da multa  nos seguintes termos:    Ora, o fato de não escriturar livros contábeis tem como consequência legal o  arbitramento do  lucro. Por  sua vez,  venho  sustentando que  a  falta de  entrega de declarações  obrigatórias  não  são  fundamento  para  a qualificação  da multa,  pois  trata­se de  uma  conduta  que,  ao  invés  de  dissimular  ou  esconder  do  Fisco  bases  tributáveis,  expõe  uma  situação  de  irregularidade do contribuinte, ao contrário de situações em que o contribuinte dissimula suas  bases tributáveis com a entrega de declarações “zeradas”.  Fl. 2425DF CARF MF Processo nº 19515.720309/2014­51  Acórdão n.º 1302­001.952  S1­C3T2  Fl. 32          31 Assim, entendo que não houve fundamento para a qualificação da multa.    Por sua vez, no que tange à responsabilidade solidária de Marcos Bassit, os  autuantes constataram que o Sr. Marcos Bassit atuava como procurador da recorrente, fazendo  pagamentos e movimentando a conta bancária da recorrente. Isso, por si só, não demonstra que  tivesse  interesse comum nas operações que deram origem aos  fatos geradores ora  tributados,  mormente,  quando  se  verifica  que  o  sócio  da  recorrente,  Sr.  Muna  Bassit,  era  seu  pai  e  encontrava­se  doente,  como  apontado  pela  DRJ  a  fls.  2037.  Ora,  para  configurar  que  o  Sr.  Marcos  Bassit  tinha  interesse  comum,  deveria  a  Fiscalização  provar  que  ele  era  também  beneficiário  das  operações,  porém  a  Fiscalização  apenas  demonstrou  que  ele  atuou  como  administrador de fato da recorrente.  Por  sua  vez,  a  decisão  recorrida  justifica  a  responsabilização  de  Marcos  Bassit  com  base  nos mesmo  fatos  que  os  autuantes  justificaram  a  qualificação  da multa,  os  quais  conforme  já  enfrentados  não  poderiam  justificar  nem  a  qualificação  da  multa  nem  a  responsabilização pelo art. 135.  Alerto também que o fato de a recorrente atuar sem autorização da CVM, o  que se enquadra como crime contra o mercado de capital, não me parece que tenha qualquer  relação com as infrações tributárias apuradas, ou seja, não serviu ele para sonegar ou fraudar o  Fisco.  Ademais,  estamos  falando  de  uma  autuação  que  consiste  em  arbitramento  do  lucro.  Quanto à responsabilidade da recorrente como fonte pagadora de pagamento sem causa ou cujo  beneficiário não foi identificado, poder­se­ia até vislumbrar uma relação entre a dificuldade de  a recorrente ter comprovantes de tais pagamentos e o fato de agir à margem da organização do  mercado de capitais, porém isso não foi sequer aventado pelos autuantes.  Por essas razões, voto por afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindo  o seu percentual para 75%, como também, por afastar a responsabilidade tributária de Marcos  Bassit.   Alberto Pinto Souza Júnior ­ Redator designado                  Fl. 2426DF CARF MF

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Numero do processo: 13807.008264/2004-18
Data da sessão: Thu May 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999 DECADÊNCIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO, Na hipótese de penalidade por descumprimento de obrigações acessórias, a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em consonância com o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1803-000.427
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Luciano Inocêncio dos Santos e Sérgio Rodrigues Mendes, nos termos do relatório e voto que integram o presente. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Selene Ferreira de Moraes.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: Benedicto Cerlso Benicíco Júnior

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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO, Na hipótese de penalidade por descumprimento de obrigações acessórias, a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em consonância com o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Luciano Inocêncio dos Santos e Sérgio Rodrigues Mendes, nos termos do relatório e voto que integram o presente. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Selene Ferreira de Moraes. 5-lê-Ferreira de_Morae-s-2- Presidente e Redatora-Designada Benedictelso lenício Júnior — Relator ED14'AD O 4À 1 2 NOV 2010 Participaram, do presente julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Luciano Inocêncio dos Santos, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes, Benedicto Celso Benício Júnior e Diniz Raposo e Silva. Processo n° 13807008264/2004-18 S1-1 E03 Acórdão n ° 1803-00.427 F I 2 Relatório Por meio do Auto de Infração de fl. 03, o contribuinte acima identificado foi autuado e notificado a recolher o crédito tributário no valor de R$ 200,00, a titulo de multa por atraso na entrega da Declaração Simplificada de Rendimentos - Pessoa Jurídica, referente ao ano-calendário de 1998. O enquadramento legal consta da descrição dos fatos, como artigo 106, inciso II, letra "c", da Lei n° 5.172/1966; artigo 88 da Lei n° 8.981/1995; artigo 27 da Lei n°9.532/1997; artigo 7' da Lei n° 10426/2002; e IN SRF n'166/99. Não se conformando com o lançamento acima descrito, a interessada apresentou a impugnação de fls. 01 a 03, na qual alegou, em síntese, o seguinte: - que, por ocasião da entrega da declaração, cru 31/05/1999, tendo em vista o acúmulo de entregas no referido dia, houve entendimento por parte dos atendentes da Receita Federal de que se poderia deixar a declaração ou o lote de declarações com a fiscalização e retirar no dia seguinte, para agilizar o atendimento, pois havia funcionários incumbidos de processar as declarações; - que, após a constatação de que o carimbo aposto na declaração não foi de 31/05/1999 e, sim, de 01/06/1999, foi questionado o fato, mas a informação obtida foi a de que isto não acarretaria problema, tendo em vista que a declaração foi entregue no dia certo. A 5' TURMA — DRJ EM SÃO PAULO — SP I, analisando a impugnação apresentada, manteve inteiramente o lançamento, nos moldes da ementa adiante transcrita: "Assunto:' Obrigações Acessórias Ano-calendário: 1998 Ementa: MULTA POR ATRASO, DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS ENTREGA — Restando caracterizada a entrega em atraso de Declaração de Rendimentos, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória." Cientificado do acórdão em 19/11/2007, o contribuinte apresentou recurso a este conselho, em 28/11/2007, repetindo as razões já aduzidas na peça impugnatória e aventando, ainda, a decadência do direito do Fisco de formalizar a penalidade, por força da incidência do artigo 150,§ 4°, do CTN. É o relatório do essencial. Voto Vencido Dele conheço. Conselheiro Benedicto Celso Júnior, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Trata-se de insurgência contra a imposição de multa por atraso na entrega da Declaração Simplificada anual, obrigatória para as empresas optantes pelo regime do Simples Processolf 13807 008264/2004-18 81-TE03 Acórdão n ° 1803-00,427 Fi 3 Em primeiro lugar, aduz a recorrente ter havido decadência do direito fazendário de lavrar a peça acusatória, vez que a entrega da Declaração, realizada, extemporaneamente, em 01/06/1999, ocorrera há mais de cinco anos da ciência do lançamento da sanção, ocorrida em 15/10/2004. Sobre este tópico inicial, posiciono-me contrariamente à tese recursal proposta. Ainda que os tributos sujeitos à homologação tenham seu prazo deeadencial computados na forma do artigo 150, § 4 0, do CTN, é cediço que as multas por descumprimento de obrigações acessórias se inserem, ao revés, na sistemática dos lançamentos de oficio. Em conseqüência, aplica-se à matéria o mandamento do artigo 173, I, do Código, abaixo reproduzido, que determina que o dies ad quo do lustro deeadencial corresponda ao primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o lançamento poderia ter sido concretizado: "Art. 1 73. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (.) Nesse cenário, considerando-se que a multa poderia ter sido cominada já a partir de 01/06/1999, conta-se a decadência desde 01/01/2000, esgotando-se dito prazo em 31/12/2004 — depois da data em que o contribuinte foi cientificado da autuação. Assim vem decidindo este colegiado, consoante exemplificativa ementa abaixo exposta: "DIPJ - ENTREGA COM ATRASO - PENALIDADE - PRAZO DECADENCIAL - Em se tratando de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, a decadência se conta na forma do art. 173, I do CTIV: Efetuado o lançamento antes de terminado o qüinqüênio legal, não há se falar em decadência do direito de lançar. (Ac. I" CC — 105-16.541/07)" Em segundo lugar, no que respeita ao mérito da penalidade, escuda-se a peticionária na pretensa entrega tempestiva de sua Declaração. Segundo relata, a aposição de protocolo indevido, no qual se mencionou dia posterior ao do término do prazo cabível, foi fruto de erro dos agentes fazendários, que autorizaram o procedimento não-usual alhures relatado, alegadamente destinado a agilizar os trabalhos e a evitar o acúmulo de atendimentos. Independentemente da veracidade desta notícia, certo é que o contribuinte não carreou aos autos qualquer prova que corroborasse sua versão. Não é plausível que este Conselho exonere multa eseorreitamente imposta, apenas em razão de arguições em nada calçadas por elementos instrutórios mínimos. O contribuinte não se desincumbiu do ônus de provar suas alegações, sendo imperiosa, por conseguinte, a manutenção da multa aplicada. Isto posto, NEG0 ,1,3R9VIMENTO ao recurso. Benedfo Celso Peklício Júnior Processo n" 13807 008264/2004-18 S1-1 E 03 Acórdão n " 1803-00.427 Fl 4 Voto Vencedor Conselheira Selene Ferreira de Moraes - Redatora Designada Em que pese a coerência do voto do Relator, não esposo seu entendimento acerca da antecipação do termo inicial do prazo decadencial para a data da efetiva entrega da declaração. A tese defendida no voto vencido, ancorada no relatório apresentado por Rubens Gomes de Souza, é que na data da efetiva entrega da declaração de rendimentos, a autoridade administrativa teve conhecimento real, e não apenas presumido da infração cometida, no caso, o descumprimento do prazo previsto na legislação. Concordo com a afirmação de que na hipótese de penalidade por descumprimento de obrigações acessórias, a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em consonância com o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional — CTN (Lei n 2 5,172, de 25 de outubro de 1966). O art. 173 assim dispõe: "Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados; I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A regra é bem clara, afastada a aplicação do art, 150, § 4 0 , a contagem é efetuada nos termos do inciso I, havendo apenas que se levar em consideração a regra contida no parágrafo único. É oportuno transcrevermos trecho de Luciano Amaro sobre tal dispositivo: "O parágrafo único do art. 173 é um dispositivo perdido no tempo. Que ele é um terceiro comando sobre contagem da decadência, não há dúvida; o problema está em saber como ele interfere com a regra do item I do artigo. Começa por dizer que o direito de lançar, na hipótese ali prevista, se extingue definitivamente, como se, em alguma outra situação, a extinção do direito pudesse ser provisória, e o direito morto viesse a renascer das cinzas. Continua o dispositivo a divagar quando se reporta ao início de constituição do crédito tributário, que se traduziria em simples medida preparatória (e não integrante) do lançamento; aliás, medida que pode resultar- em coisa nenhuma, se a autoridade administrativa se convencer, após o atendimento da notificação Processo n" 13807.008264/2004-18 S1-11E03 Acórdão n " 1803 -00427 E 5 pelo sujeito passivo, de que nada há a ser lançado, Cuida-se aí, portanto, apenas da hipótese em que a autoridade administrativa inicia um processo de investigação (que poderá ou não resultar em lançamento), e o parágrafo manda, em verdade, que o prazo de decadência se conte a partir da notificação do sujeito passivo para a prática de alguma providência de interesse para a "constituição do crédito"; não há ainda notificação de lançamento. Se aquela notificação é feita antes do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderá ter sido efetuado, ela antecipa o início do prazo decadencial."(AMARO, Luciano.. Direito Tributário Brasileiro.1.5 ed. São Paulo: Saraiva, 2009), É certo que o sentido das leis se deduz tanto do espírito como de sua letra. No entanto, o texto legal não pode ser inteiramente abandonado. A hipótese prevista no parágrafo único aplica-se apenas nos casos em que a autoridade administrativa iniciou um processo de investigação. A situação que propicia a antecipação é um ato da autoridade administrativa e não do contribuinte. A entrega da declaração em atraso é ato do contribuinte. É a própria conduta ilícita passível de sanção. Por esse raciciocínio, a falta de entrega da declaração também deveria antecipar o termo inicial do prazo, uma vez, que o Fisco tem conhecimento real da ausência da declaração em seus sistemas. Pergunta-se: houve houve notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento? Não vislumbro nos autos a situação descrita no parágrafo único, e em conseqüência, afasto a única hipótese claramente prevista de antecipação do termo inicial do prazo decadencial. A recorrente foi cientificada da exigência em 23/10/2004, antes do transcurso do prazo previsto no art. 173, L Ante todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso 1 1\ À

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Numero do processo: 12719.002808/2008-80
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 08/09/2003 a 18/01/2005 DECADÊNCIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. CONVERSÃO DE PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. Em se tratando de Auto de Infração para impor multa por burla ao controle administrativo-aduaneiro, a legislação de regência é a aduaneira e não a tributária, uma vez que a exigência não tem natureza de tributo. Assim, o prazo decadencial é estabelecido pelos arts. 139 do Decreto-lei n. 37/66 e 669 do Regulamento Aduaneiro/02, vigente à época dos fatos, os quais estabelecem que o prazo para a constituição da sanção é de 05 (cinco) anos e cujo termo inicial é a data da infração, o que, em matéria aduaneira, ocorre o registro da Declaração de Importação. Precedentes do CARF. DECADÊNCIA. TRIBUTOS E INFRAÇÕES TRIBUTÁRIAS. Os tributos têm a contagem do prazo decadencial de acordo com a regra geral estabelecida pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, ou seja, inicia-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em casos de fraude comprovada. SUBFATURAMENTO. FALSIDADE MATERIAL DA FATURA. PENA DE PERDIMENTO. APLICAÇÃO DA MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de prática de subfaturamento mediante falsidade documental material, deve-se aplicar a penalidade prevista no artigo 23, IV, e § 3o, Decreto-Lei no 1.455/1976, combinado com o artigo 105, VI, do Decreto-Lei no 37/1966 (a pena de perdimento ou, na impossibilidade de aplicação, a multa que a substitui).
Numero da decisão: 3402-005.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em julgar o processo da seguinte maneira: (i) dar provimento parcial ao Recurso de Ofício da seguinte forma: pelo voto de qualidade, para afastar a decadência dos tributos e consectários legais autuados, com fulcro no art. 173, I, do CTN. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Renato Vieira de Avila e Cynthia Elena de Campos que negavam provimento integral ao recurso, nos termos do voto do relator; e (ii) dar provimento parcial ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (ii.1) pelo voto de qualidade, em conhecer e negar provimento às preliminares do recurso. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Renato Vieira de Avila e Cynthia Elena de Campos que não conheciam das preliminares face ao julgamento anterior pela Resolução nº 3101-00.115; (ii.2) pelo voto de qualidade, para afastar a multa aduaneira do controle administrativo incidente sobre a diferença entre o preço de importação declarado e o efetivamente praticado (art. 88, parágrafo único da MP n. 2.158-35/01) vez que, diante da falsidade material das faturas, seria cabível penalidade distinta. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Renato Vieira de Avila e Cynthia Elena de Campos que davam provimento integral ao recurso, nos termos do voto do relator. Designado o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO

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3402­005.545  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  28 de agosto de 2018  Matéria  Imposto de Importação  Recorrente  J RUETTE COMERCIAL, IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO ­ II  Período de apuração: 08/09/2003 a 18/01/2005  DECADÊNCIA.  INTERPOSIÇÃO  FRAUDULENTA.  CONVERSÃO  DE  PENA DE PERDIMENTO EM MULTA.  Em se tratando de Auto de Infração para impor multa por burla ao controle  administrativo­aduaneiro,  a  legislação  de  regência  é  a  aduaneira  e  não  a  tributária,  uma  vez  que  a  exigência  não  tem  natureza  de  tributo.  Assim,  o  prazo decadencial é estabelecido pelos arts. 139 do Decreto­lei n. 37/66 e 669  do  Regulamento  Aduaneiro/02,  vigente  à  época  dos  fatos,  os  quais  estabelecem que o prazo para a constituição da sanção é de 05 (cinco) anos e  cujo termo inicial é a data da infração, o que, em matéria aduaneira, ocorre o  registro da Declaração de Importação. Precedentes do CARF.  DECADÊNCIA. TRIBUTOS E INFRAÇÕES TRIBUTÁRIAS.  Os tributos têm a contagem do prazo decadencial de acordo com a regra geral  estabelecida pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, ou seja,  inicia­se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento  poderia ter sido efetuado, em casos de fraude comprovada.  SUBFATURAMENTO.  FALSIDADE  MATERIAL  DA  FATURA.  PENA  DE  PERDIMENTO.  APLICAÇÃO  DA  MULTA  EQUIVALENTE  AO  VALOR ADUANEIRO. POSSIBILIDADE.  Na  hipótese  de  prática  de  subfaturamento  mediante  falsidade  documental  material,  deve­se  aplicar  a  penalidade  prevista  no  artigo  23,  IV,  e  §  3o,  Decreto­Lei no 1.455/1976, combinado com o artigo 105, VI, do Decreto­Lei  no  37/1966  (a  pena  de  perdimento  ou,  na  impossibilidade  de  aplicação,  a  multa que a substitui).      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 71 9. 00 28 08 /2 00 8- 80 Fl. 3414DF CARF MF     2 Acordam  os  membros  do  Colegiado,  em  julgar  o  processo  da  seguinte  maneira:  (i)  dar  provimento  parcial  ao  Recurso  de  Ofício  da  seguinte  forma:  pelo  voto  de  qualidade, para afastar a decadência dos tributos e consectários legais autuados, com fulcro no  art.  173,  I,  do CTN. Vencidos  os  Conselheiros Diego Diniz  Ribeiro, Maysa  de  Sá  Pittondo  Deligne, Renato Vieira de Avila e Cynthia Elena de Campos que negavam provimento integral  ao recurso, nos termos do voto do relator; e (ii) dar provimento parcial ao Recurso Voluntário  da  seguinte  forma:  (ii.1)  pelo  voto  de  qualidade,  em  conhecer  e  negar  provimento  às  preliminares do recurso. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo  Deligne,  Renato  Vieira  de  Avila  e  Cynthia  Elena  de  Campos  que  não  conheciam  das  preliminares  face  ao  julgamento  anterior  pela Resolução  nº  3101­00.115;  (ii.2)  pelo  voto  de  qualidade, para afastar a multa aduaneira do controle administrativo incidente sobre a diferença  entre o preço de importação declarado e o efetivamente praticado (art. 88, parágrafo único da  MP n. 2.158­35/01) vez que, diante da falsidade material das faturas, seria cabível penalidade  distinta. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Renato  Vieira de Avila  e Cynthia Elena de Campos que davam provimento  integral  ao  recurso,  nos  termos do voto do relator. Designado o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes para redigir o  voto vencedor.  (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra Presidente.  (assinado digitalmente)  Diego Diniz Ribeiro Relator.  (assinado digitalmente)  Rodrigo Mineiro Fernandes ­ Redator designado.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  seguintes  Conselheiros:  Rodrigo  Mineiro  Fernandes,  Diego  Diniz  Ribeiro,  Maria  Aparecida Martins  de  Paula,  Maysa  de  Sá  Pittondo Deligne,  Cynthia  Elena  de  Campos,  Renato  Vieira  de  Ávila  (suplente  convocado),  Pedro  Sousa  Bispo,  Waldir  Navarro  Bezerra  (Presidente).  Ausente,  justificadamente,  a  conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila.  Relatório  1. Trata­se de Auto de Infração no valor de R$ 12.387.556,65 lavrado para a  exigência de Imposto de Importação, juros de mora e multa agravada (150%), bem como multa  do controle administrativo incidente sobre a diferença entre o preço de importação declarado e  o efetivamente praticado (art. 88, parágrafo único da MP n. 2.158­35/011). Segundo a acusação                                                              1 "Art. 88.  No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente  praticado na  importação, a base de cálculo dos  tributos e demais direitos  incidentes  será determinada mediante  arbitramento  do  preço  da  mercadoria,  em  conformidade  com  um  dos  seguintes  critérios,  observada  a  ordem  seqüencial:  (...)  Parágrafo único.  Aplica­se a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o  preço  efetivamente  praticado  na  importação  ou  entre  o  preço  declarado  e  o  preço  arbitrado,  sem  prejuízo  da  exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais  cabíveis."  Fl. 3415DF CARF MF Processo nº 12719.002808/2008­80  Acórdão n.º 3402­005.545  S3­C4T2  Fl. 3.415          3 fiscal o contribuinte teria importado mercadorias para o período em cobro (09/2003 a 01/2005)  com valor subfaturado, o que implicou a apuração e cobrança do tributo e consectários legais  sobre esta diferença, bem como a sobredita multa de controle administrativo.  2.  Para  melhor  ilustrar  a  acusação  em  análise,  convém  desde  já  destacar  alguns  trechos do relatório fiscal (fls. 47/49), in verbis:    (...).    (...).    Fl. 3416DF CARF MF     4   3. Devidamente  intimado da  autuação, o contribuinte  apresentou a  impugnação de  fls. 1.002 1.027 (vol. 06 do e­processo), oportunidade em quem em síntese, alegou:    4.  Uma  vez  processada,  referida  impugnação  foi  julgada  parcialmente  procedente  pela  DRJ­Florianópolis  (acórdão  n.  07­16.428  ­  fls.  2.274/2.288),  conforme  se  observa da ementa abaixo transcrita:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO ­ II  Período de apuração: 08/09/2003 a 18/01/2005  BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO.  Constatado  que  os  preços  das  mercadorias  consignados  nas  declarações  de  importação  e  correspondentes  faturas  não  Fl. 3417DF CARF MF Processo nº 12719.002808/2008­80  Acórdão n.º 3402­005.545  S3­C4T2  Fl. 3.416          5 correspondem  à  realidade  das  transações  e  são  inferiores  aos  preços  efetivamente  praticados  fica  caracterizado  o  sub  faturamento. Portanto, exigíveis os tributos aduaneiros devidos.  Alterada  a  base  de  cálculo  do  II,  por  mudança  no  valor  aduaneiro  torna­se  exigível  a  diferença  do  II,  resultante  desse  ato.  MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA.  Cabível a multa de ofício agravada, de 150% sobre o II apurado.  Constatada  a  fraude  na  importação  é  aplicável  a  multa  agravada de lançamento de ofício do II.  MULTA ADMINISTRATIVA.  Constatada  diferença  entre  o  preço  declarado  e  o  preço  efetivamente praticado nas importações é correta a exigência da  multa administrativa.  DECADÊNCIA. TRIBUTOS E INFRAÇÕES.  Os tributos têm a contagem do prazo decadencial de acordo com  a regra geral estabelecida pelo artigo 173,  inciso  I, do Código  Tributário  Nacional,  ou  seja,  inicia­se  no  primeiro  dia  do  exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido  efetuado.  A  fraude  constatada  afasta  a  homologação  tácita.  O  direito de impor penalidade extingue­se em cinco anos, a contar  da  data  da  infração,  conforme  estabelece  o  artigo  139  do  Decreto­Lei n° 37/66.  REVISÃO ADUANEIRA.  A  revisão  aduaneira  deverá  estar  concluída  no  prazo  de  cinco  anos, contado da data do registro da declaração de importação  correspondente.  Considera­se concluída a revisão aduaneira na data da ciência,  ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado.  Lançamento Procedente em Parte.  5. Em suma, a DRJ reconheceu a decadência de parte do crédito em cobro, o  que implicou a sua exoneração parcial nos seguintes termos:    6. Diante do valor exonerado, foi interposto o recurso de ofício em relação a  tal parcela. No que  tange ao  importe mantido, o contribuinte externou a  sua  irresignação por  Fl. 3418DF CARF MF     6 intermédio do recurso voluntário de fls. 2.296/2.326, oportunidade em que repisou as questões  desenvolvidas  em  impugnação.  A  União,  por  seu  turno,  apresentou  contrarrazões  as  fls.  2.330/2.360.  7.  Pautado  para  julgamento,  a  então  turma  julgadora,  por  intermédio  da  resolução  n.  3101­00.115  (fls.  2.362/2.368),  da  lavra  do  Conselheiro  Corintho  Oliveira  Machado,  afastou  as  preliminares  aventadas  pelo  Recorrente,  bem  como  determinou  que  a  fiscalização tomasse as seguintes providências:  (...).  i)  faça  quadro  comparativo  com  importações de bens  idênticos  ou similares, nas mesmas ou similares quantidades e na mesma  época das importações ora em discussão, colocando em epígrafe  as colunas que mostram os valores aduaneiros;  ii) trazer informações detalhadas dos processos que envolvem a  exportadora e a importadora (recorrente) na comarca de Itajaí,  tais  como  petições  iniciais,  decisões  prolatadas,  e  demais  provimentos que possam subsidiar essa lide;  iii)  solicite  a  instituição  abalizada,  perícia  grafotécnica  nas  faturas comerciais que instruíram os despachos aduaneiros ora  em  questão,  para  verificar  se  são  originais  as  assinaturas  apostas,  ou  se  são  cópias  de  outras  assinaturas;  e  nas  faturas  comerciais  apresentadas  pela  exportadora,  para  verificar  se  foram emitidas em 2003, 2004 e 2005, ou se foram emitidas em  período mais recente;  iv)  elaborar  Informação  Fiscal  conclusiva  sobre  a  imputação,  levando  em  consideração  as  informações  colhidas  nos  itens  anteriores.  (...).  8. Em resposta a tais indagações, a unidade preparadora produziu o relatório  fiscal de fls. 2.948/2.956, com as seguintes considerações:  (...).  Diante  dos  dados  acima  transcritos  constate­se  que  os  preços  declarados  por  J.  RUETTE  estiveram  sempre  abaixo  da média  dos  preços  unitários  por  par  de  luvas  praticados  nas  demais  importações brasileiras de mercadorias classificadas no subitem  da NCM 4015.1900 provenientes da Malásia. O preço declarado  pela J. RUETTE foi sempre inferior a 65% do preço médio das  demais importações. A comparação levando em conta o valor da  mercadoria  dividida  pelo  peso  líquido  também  aponta  para  a  prática de preços abaixo da média  (em torno de 70% do preço  médio, aproximadamente, de modo geral).  (...).  9.  Não  obstante  a  tal  consideração,  em  resposta  a  intimações  elaboradas  durante  a  fase  de  diligência,  o  contribuinte  apresentou  cópias  das  principais  peças  da  ação  judicial (autos n. 033.06.015845­2, com trâmite pela 3a V. Cível da Comarca de Itajaí/SC) em  que litiga, na qualidade de réu e também de reconvinte, com a empresa APL (fls. 2.370 e s.s.).  Fl. 3419DF CARF MF Processo nº 12719.002808/2008­80  Acórdão n.º 3402­005.545  S3­C4T2  Fl. 3.417          7 10. Trata­se de uma ação de cobrança proposta pela empresa APL em face da  recorrente  em  que  reclama  um  valor  inadimplido  de  importações  na  ordem  de  aproximadamente U$  3.000.000,00. Há  nesta  demanda,  inclusive,  um  incidente  de  falsidade  documental promovido pela recorrente, o qual  tem por fito questionar exatamente a falsidade  das  faturas  apresentadas  pela  empresa  APL  à  RFB  no  auto  de  infração  aqui  questionado.  Ressalte­se, ainda, que referida ação foi objeto de um acordo judicial, conforme se observa do  teor da decisão abaixo transcrita:  Cuida­se  de  Ação  de  Cobrança  aforada  por  APL  Products  DNBHD  em  face  de  J.  Ruette  Comercial  Importação  e  Exportação  Ltda.,  na  qual  as  partes  celebraram  a  composição  anexada  aos  autos.  Levando­se  em  conta  que  seus  termos  atendem  aos  interesses  das  partes,  o  acordo  deve  ser  homologado.  Isto  posto,  homologo  por  sentença,  para  que  em  direito surta os jurídicos e legais efeitos o acordo firmado entre  as  partes  e,  em  consequência,  DECLARO  EXTINTA  com  fundamento  no  art.  269,  III,  do  Código  de  Processo  Civil,  a  presente  ação  registrada  sob  o nº.  0015845­23.2006.8.24.0033,  ajuizada por APL Products DNBHD contra J. Ruette Comercial  Importação e Exportação Ltda.  Eventuais  custas  finais  pela  requerida.  Ademais,  cancelo  a  audiência aprazada.  P.R.I.  (...).  11.  Importante  também  registrar  que  a  informação  quanto  à  decisão  homologatória do aludido acordo não consta dos autos, tendo sido obtida por este Relator  por intermédio de consulta processual perante o sítio eletrônico do Tribunal de Justiça de  Santa Catarina. Todavia, não foi possível acessar o teor do referido acordo.  12.  Feitos  esses  esclarecimentos  e  retomando  o  iter  do  presente  processo  fiscal, o contribuinte foi intimado a se manifestar a respeito da diligência realizada, o que fez  por intermédio da petição de fls. 2.985/3.007.  13. Não obstante, após a manifestação do contribuinte, este trouxe aos autos  um  fato  novo,  devidamente  comprovado  pelo  documento  de  fls.  3.008/3.124.  Segundo  o  contribuinte,  a  empresa  APL,  i.e.,  a  empresa  exportadora  dos  bens  indicados  nas  DI's  aqui  fiscalizadas2  e  que  forneceu  à RFB  as  faturas  que  pautaram  a  presente  autuação,  entrou  em  processo de  liquidação na Malásia, o que suscitou a recorrente solicitar  junto aos  liquidantes  judiciais  indicados  pela  Corte  Superior  daquele  país  as  informações  quanto  às  operações  efetivamente ocorridas entre a APL e a recorrente.  14.  Foram  este  os  documentos  novos  colacionados  pela  recorrente,  acompanhados  da  sua  tradução  juramentada  e  que,  por  seu  turno,  foram  objeto  de  perícia                                                              2  Declarações  de  Importações  n°  03/0763427­  7  ,  03/0780880­1,  03/0876780­7,  03/0889220­2,  03/0957405­0,  03/0983949­6,  03/1004252­0,  03/1053397­4,  03/1081665­8,  04/0004933­8,  04/0009163­6,  04/0018139­2,  04/0138011­9,  04/0333611­7,  04/0407172­9,  04/0486110­0,  04/0563152­3,  04/0710423­7,  04/0721938­7,  04/0741278­0,  04/0767969­8,  04/0839641­0,  04/0839886­2,  04/0845737­0,  04/0845740­0,  04/0853346­8,  04/0988733­6,  04/1012134­1, 04/1139259­4, 04/1171006­5, 04/1171590­3, 04/1189640­1 e 05/0059554­7.  Fl. 3420DF CARF MF     8 realizada a mando da recorrente e que redundou no Parecer Técnico Documentoscópico de fls.  3.132/3.146. Referido parecer, contrapondo as faturas apresentadas pela APL para a RFB com  aquelas obtidas junto ao liquidante na Malásia, assim concluiu:    15. Diante deste novo fato, esta turma julgadora, na sua anterior composição,  acompanhou  o  voto  da  então  Relatora  do  caso,  Conselheira Valdete  Aparecida Marinheiro,  para  novamente  baixar  o  processo  em  diligência  (Resolução  n.  3402­000.790  ­  fls.  3.327/3.329) para que fossem tomadas as seguintes providências:  (...).já que a acusação  fiscal recaiu sobre a falsidade das notas  fiscais apresentadas pela Recorrente emitidas pela APL Malásia  e  a  diligência  realizada  não  foi  absolutamente  conclusiva  pela  falsidade,  por  falta  de  pressupostos  a  conferir  assinaturas  apostas  em  faturas,  proponho  a  conversão  do  julgamento  do  Recurso Voluntário em diligência para que a DRF de origem do  processo,  examine  os  documentos  juntados  pela Recorrente  em  fls.  2.811  a  2.867,  2.868  a  2.924  e  2.933  a  2.946  dos  autos  e  emita  relatório  de  análise  conclusivo  sobre  os  mesmos  documentos  em  obediência  ao  princípio  do  contraditório  e  em  busca da verdade material que ao final há de ser encontrada no  julgamento desse litígio.  Fl. 3421DF CARF MF Processo nº 12719.002808/2008­80  Acórdão n.º 3402­005.545  S3­C4T2  Fl. 3.418          9 (...).  16.  A  fl.  3.336  foi  acostado  o  relatório  fiscal  elaborado  pela  unidade  preparadora que laconicamente concluiu:  (...).  Após  analisar  os  documentos  conforme  solicitado,  não  teria  nada  a  acrescentar  ou  modificar  no  que  já  foi  exposto  no  Relatório de Procedimento Fiscal anexo a este (fls. 36 a 49).  Apenas  gostaria  de  ressaltar  daquele  relatório  que  todas  as  faturas comerciais que embasaram o trabalho foram enviadas à  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  por  representante  da  empresa APL Products SDN BHD, conforme consta em fls. 458 a  464.  Era o que tinha a informar  (...).  17.  Diante  deste  quadro  e  já  na  qualidade  de  Relator  do  presente  caso,  apresentei resolução aprovada por este colegiado nos seguintes termos:  18. Conforme se observa dos autos, no que tange ao mérito da  presente demanda, a questão central a ser resolvida gravita em  torno  de  uma  questão  de  ordem  probatória,  i.e.,  apurar  se  as  faturas comerciais apresentadas pela exportadora à RFB e que  deram fundamento à autuação em apreço são ou não fidedignas,  o  que  permitirá  responder  se  de  fato  houve  ou  não  subfaturamento para as DI's fiscalizadas.  19. Dentre  todos os documentos acostados nos autos,  incluindo  aqueles  que  foram  aqui  apresentados  como  resultado  das  diligências  perpetradas,  parece­me  que  seria  essencial  para  o  deslinde  da  presente  quaestio  o  resultado  do  incidente  de  falsidade documental  instaurado nos autos n.  033.06.015845­2,  com trâmite pela 3a. V. Cível da Comarca de Itajaí/SC. Acontece  que, para a surpresa deste Relator, referido processo foi objeto  de  acordo  entre  os  litigantes,  acordo  este  homologado  judicialmente.  20.  Não  obstante,  referida  informação  do  sobredito  acordo  foi  obtido por este Relator mediante pesquisa no sítio eletrônico do  TJ/SC, já que não há qualquer informação a respeito de tal fato  nos  autos.  Acontece  que,  embora  tenha  conseguido  referida  informação,  não  tive  acesso  ao  teor  do  acordo  homologado,  o  qual, por seu turno, a depender do seu teor, pode ser elucidativo  acerca  da  controvérsia que  gravita  em  torno  da  idoneidade  ou  não  das  faturas  fiscais  apresentadas  pela  exportadora  e  que  subsidiam a presente autuação.  (...).  22. Assim, resolvo determinar o sobrestamento do presente caso  neste Tribunal e determino que a secretaria deste CARF intime o  Fl. 3422DF CARF MF     10 recorrente para apresentar cópia do teor do aludido acordo no  prazo  de  30  (trinta)  dias.  Sublinhe­se  que  não  basta  a  apresentação  do  simples  teor  do  acordo,  devendo  ser  juntada  cópia da petição de acordo acostada no citado processo judicial  e que fora objeto de homologação.  (...).  18. Devidamente intimado, o contribuinte não apresentou cópia do resultado  do sobredito acordo.  19. É o relatório.  Voto Vencido  Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro  20. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de  admissibilidade, motivo  pelo  qual  dele  tomo  conhecimento. O mesmo  ocorre  em  relação  ao  recurso  de  ofício,  já  que  o  valor  exonerado  supera  o  importe  de  alçada,  o  que  torna  seu  conhecimento imperioso.  I. O recurso de ofício  21.  Conforme  relatado  alhures,  o  valor  exonerado3  supera  a  alçada  estabelecida pela Portaria MF nº 63/2017, atualmente vigente e que fixou o novo limite de R$  2.500.000,00  (dois  milhões  e  quinhentos  mil  reais)  para  fins  de  interposição  de  recurso  de  oficio.  22.  A  decisão  recorrida  de  ofício  exonerou  o  contribuinte  de  parcela  do  crédito tributário, bem como de parcela da multa do controle administrativo incidente sobre a  diferença entre o preço de importação declarado e o efetivamente praticado (art. 88, parágrafo  único da MP n. 2.158­35/01.  23. Ademais, conforme se observa dos autos, a presente exigência aduaneira­ fiscal compreende fatos infracionais e geradores ocorridos entre 08 de setembro de 2003 e 18  de janeiro de 2005. Por sua vez, a notificação do contribuinte para fins de cientificação de tais  exigência  só ocorreu em 17 de dezembro de 2008  (fl. 43). Percebe­se, pois, que a discussão  quanto à decadência gravita em torno dos fatos fiscalizados e ocorridos no ano de 2003.  24. Feitos esses esclarecimentos preambulares e para a melhor compreensão  das questões  aqui  tratadas,  convém cindir  a  análise desta decadência parcial  em duas partes:  uma  relacionada  a  exigência  da  sanção  aduaneira  e  outra  referente  a  exigência  tributária  e  consectários legais.  (i.a) Da decadência de parte da sanção aduaneira  25. Antes de  tratar da decadência de parte da  sanção aduaneira  imposta em  desfavor do contribuinte, mister se faz realçar um fato que é fundamental para o deslinde desde  tópico: o importe exigido em razão do disposto no parágrafo único do art. 88 da MP n. 2.158­ 35/01 não tem natureza tributária, uma vez que trata­se de sanção imposta em razão de burla  cometida  ao  controle  administrativo­aduaneiro.  Logo,  as  normas  de  regência  referentes  à                                                              3 De aproximadamente R$ 3.500.000,00 quando do advento do acórdão proferido pela instância "a quo".  Fl. 3423DF CARF MF Processo nº 12719.002808/2008­80  Acórdão n.º 3402­005.545  S3­C4T2  Fl. 3.419          11 decadência  da  específica  exigência  aqui  tratada  não  são  aquelas  positivadas  no  Código  Tributário Nacional, mas sim as disposições previstas nas específicas legislações aduaneiras.  26.  Assim,  convém  destacar  que  tanto  o  art.  139  do  Decreto­lei  n.  37/664  quanto o art. 669 do Regulamento Aduaneiro/025 (vigente à época dos fatos) estabelecem que,  na hipótese de  imposição de penalidades (exatamente como ocorre no caso em tela), o prazo  para a constituição desta sanção negativa é de 05 (cinco) anos e tem como termo inicial a data  da infração, o que, em matéria aduaneira ocorre com o registro da Declaração de Importação.  Neste mesmo sentido é a uníssona jurisprudência deste Tribunal Administrativo, conforme se  observa das ementas exemplarmente colacionadas abaixo:  Ementa   Assunto: Regimes Aduaneiros  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005  DECADÊNCIA.  OCORRÊNCIA  DA  INFRAÇÃO  NA  IMPORTAÇÃO. DATA REGISTRO DA DI.  O direito de impor penalidade se extingue no prazo de 05 anos a  contar  da  infração.  A  infração  de  dano  ao  erário  em  face  de  interposição  fraudulenta  de  terceiro,  na  operação  de  importação, ocorre na data de registro da DI, ocasião em que o  importador fornece as informações pertinentes.  (...).   (Número  do  Processo:  10783.720470/2010­67; Data  da  Sessão:  11/11/2014;  Relatora:  MARIA  DA  CONCEIÇÃO  ARNALDO  JACO; Acórdão n. 3302­002.759).    Ementa  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário  Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2011  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  IMPORTAÇÃO.  INTERPOSIÇÃO  FRAUDULENTA.  APLICAÇÃO  DE  PENALIDADE.  DECADÊNCIA.  O direito de aplicação de penalidade relacionada à interposição  fraudulenta de pessoa em operações de  importação extingue­se  em  cinco  anos  contados  da  data  do  registro  da Declaração de  Importação.  (...).                                                              4  "Art.139  ­ No mesmo prazo do artigo anterior  se extingue o direito de  impor penalidade, a contar da data da  infração."  5 "Art. 669. O direito de impor penalidade extingue­se em cinco anos, a contar da data da infração."  Fl. 3424DF CARF MF     12 (Número  do  Processo:  12466.724301/2011­03; Data  da  Sessão:  16/09/2014; Relatora: ALEXANDRE KERN; Acórdão n. 3403­ 003.225).    27. No mesmo sentido são os precedentes desta turma julgadora, conforme se  observa  de  caso  exemplarmente  colacionado  abaixo  e  de  relatoria  do  Conselheiro  Waldir  Navarro Bezerra:  Ementa  Assunto: Imposto sobre a Importação ­ II  Data do fato gerador: 21/06/2006  DECADÊNCIA.  INFRAÇÕES  ADUANEIRAS.  NORMA  ESPECIAL.  Em se  tratando de  infrações  aduaneiras,  a decadência  segue o  regramento especial previsto no art. 139 do Decreto­lei nº 37/66,  que dispõe que o prazo de decadência para impor penalidades é  de 5 anos a contar da data da ocorrência da infração.  (...).  28.  Ressalte­se,  ainda,  que  nenhum  dos  diplomas  legais  alhures  citados  trazem qualquer causa de suspensão ou interrupção do referido prazo decadencial6 .  29. Dito  isso,  resta claro que parte da  exigência  tipicamente aduaneira  aqui  tratada está decaída, o que atesta o acerto da decisão recorrida. Conforme se observa do Auto  de  Infração  em  comento,  as  importações  fiscalizadas  e  que  ensejaram  a  sanção  aduaneira  ocorreram  no  período  compreendido  entre  08/09/2003  e  18/01/2005.  Por  sua  vez,  o  contribuinte foi notificado pessoalmente da autuação em destaque no dia 17/12/2008  (fl. 43).  Logo,  realmente  está  decaída  a  parcela  da  multa  imposta  em  relação  aos  fatos  infracionais  ocorridos até 17/12/2003.  30. Nesse sentido, a decisão recorrida deve ser mantida.  (i.b) Da decadência do crédito tributário referente ao Imposto sobre Importação  31. Não obstante, a outra parcela dos valores originalmente exigidos e que foi  exonerada pela DRJ diz respeito ao I.I. objeto da autuação fiscal. Em relação a tal exigência, a  decisão a quo assim manifestou­se para justificar o reconhecimento da decadência:                                                              6  Em  verdade,  as  duas  únicas  causas  de  suspensão  existentes  na  legislação  aduaneira  se  referem  ao  prazo  prescricional (art. 140 do Decreto­lei n. 37/66), conforme se observa do art. 141 do citado veículo normativo, "in  verbis":  " Art.141 ­ O prazo a que se refere o artigo anterior não corre:  I ­ enquanto o processo de cobrança depender de exigência a ser satisfeita pelo contribuinte;  II  ­  até  que  a  autoridade  aduaneira  seja  diretamente  informada  pelo  Juízo  de  Direito,  Tribunal  ou  órgão  do  Ministério  Público,  da  revogação  de  ordem  ou  decisão  judicial  que  haja  suspenso,  anulado  ou  modificado  exigência, inclusive no caso de sobrestamento do processo."   Fl. 3425DF CARF MF Processo nº 12719.002808/2008­80  Acórdão n.º 3402­005.545  S3­C4T2  Fl. 3.420          13     Fl. 3426DF CARF MF     14   32. Da  leitura da decisão da DRJ,  é possível  concluir  que,  embora,  em um  primeiro momento, o julgador a quo faça a devida distinção de regimes jurídicos entre sanções  aduaneiras  e  exigências  tributárias  decorrentes  de  operações  aduaneiras,  ao  final,  em  conclusão,  a  imposição  de  multa  de  ofício  em  face  da  exigência  tributária  teria  caráter  sancionatório,  motivo  pelo  qual  a  revisão  aduaneira  não  poderia  extrapolar  5  (cinco)  anos  contados  do  fato  infracional.  Logo,  estaria  decaída  a multa  de  ofício,  os  juros  de mora  e  o  próprio tributo (I.I.).  33. Com a devida vênia, o julgador de piso confunde­se ao atribuir à revisão  aduaneira  status de  lançamento  tributário  e,  com  isso,  atribuir  a  todos  os  fatos  apurados  em  revisão  o  regime  jurídico  próprio  de  exigências  de  caráter  administrativo­aduaneiras.  Em  outros  termos,  o  tipo  formal  de  procedimento  administrativo  não  tem  o  condão  de  definir  a  natureza jurídica do fato apurado (aduaneiro ou tributário), uma vez que a forma não é capaz  de moldar o conteúdo da exigência.   34. Assim, embora o presente procedimento seja fruto de revisão aduaneira,  tal fato não é suficiente para afastar o status de tributo para aqueles valores apurados com esse  viés. Consequentemente, se parte do que foi apurado é tributo, o regime jurídico a ser imputado  Fl. 3427DF CARF MF Processo nº 12719.002808/2008­80  Acórdão n.º 3402­005.545  S3­C4T2  Fl. 3.421          15 a tal exigência é aquele atribuído pelo CTN e demais normas que tratam de tributos, inclusive  para fins de contagem de prazo decadencial.  35. No presente caso, portanto, o reconhecimento ou não quanto à decadência  de parte da exigência tributária aqui debatida, i.e., referente aos fatos anteriores a 17/12/2003,  tem a ver com a constatação ou não da incidência da parte final do art. 150, § 4º do CTN7, ou  seja, da comprovação ou não de dolo, fraude ou simulação por parte da recorrente. Acontece  que  tal  análise  se  confunde  com  o  próprio mérito  da  presente  demanda, motivo  pelo  qual  o  provimento ou não do recurso de ofício neste  item em particular será retomado em momento  oportuno no presente voto.  II. O recurso voluntário  (ii.a) As questões preliminares  36. Antes de  analisar o mérito da presente demanda, mister  se  faz destacar  que as questões preliminares desenvolvidas pela recorrente já foram julgadas por este Tribunal  Administrativo. É o que se depreende do teor da resolução n. 3101­00.115 (fls. 2.362/2.368),  da  lavra  do  Conselheiro  Corintho  Oliveira  Machado.  Naquela  oportunidade  o  colegiado  afastou as preliminares no sentido de (i) ser nulo o auto de infração por pretensa incompetência  da  autoridade  fiscalizadora,  bem  como  de  (ii)  uma  suposta  preclusão  administrativa  que  impossibilitaria a revisão das DI's referente ao período compreendido entre outubro de 2002 e  agosto de 2004.  37. Bem ou mal  tais  questões  estão  decididas,  havendo  uma  preclusão  pro  judicato para que este Colegiado em sua atual composição avalie tais questões. Assim, quanto  a  tais pontos, eventual  revisão do que fora decidido ficará sob responsabilidade da CSRF, na  hipótese do contribuinte oportunamente interpor eventual recurso especial para esse fim.  (ii.b) O mérito da demanda  (ii.b.i) A decadência parcial do crédito tributário  38.  Um  ponto  discutido  pelo  contribuinte  em  seu  recurso  voluntário  diz  respeito  a  decadência  de  parte  do  crédito  tributário, mais  precisamente  o  período  anterior  a  dezembro de 2003. Fundamenta seu recurso no disposto no art. 150, §4° do CTN.  39. Aparentemente tal questão  também teria sido decidida pela  resolução n.  3101­00.115 (fls. 2.362/2.368) quando assim prescreveu:  (...).  A  preliminar  de  decadência  dos  períodos  anteriores  à  competência de 12/2003, escorada no art. 150, §4°, do CTN, e                                                              7  "Art.  150. O  lançamento  por  homologação,  que  ocorre  quanto  aos  tributos  cuja  legislação  atribua  ao  sujeito  passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera­se pelo ato em  que  a  referida  autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado,  expressamente  a  homologa.  (...).  §  4º  Se  a  lei  não  fixar  prazo  a  homologação,  será  ele  de  cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera­se homologado o lançamento e  definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação."  Fl. 3428DF CARF MF     16 no  art.  54  do  DL  n°  37/66,  não merece  guarida,  pelo  menos  nesse  momento.  É  que  o  prazo  decadencial  tem  dies  a  quo  distinto da regra geral quando há fraude tributária, e nesse caso  deve­se  considerar  a  relação  jurídica  com  o  Fisco  in  statu  assertionis, ou  seja,  à  vista  do  que  pelo  autor  restou  afirmado,  porém, de forma provisória, pois quando tratar­se do mérito tal  questão  será  novamente  abordada.  Assim,  por  ora  aplica­se  o  prazo decadencial do art. 173,1, e não o do art. 150, § 4 o , do  CTN,  em virtude de mandamento do próprio § 4 o  retrocitado.  Ainda cumpre dizer que o art. 54 do DL n° 37/66 é a regra geral  de  decadência  para  o  imposto  de  importação,  e  não  pode  ser  interpretado à margem do sistema tributário, tendo de levar em  consideração as  normas  referentes  à  decadência  plasmadas  no  CTN  (lei  complementar  à  Constituição  da  República),  que  excetuam as hipóteses de fraude, dolo e conluio da regra geral.  (...) (negrito constante no original, sublinha nossa).  40. Acontece que, a leitura mais detalhada do citado excerto deixa claro que  tal questão foi  tratada a  título de obter dictum, uma vez que, como reconhecido pelo próprio  Relator  do  caso  à  época,  aparentemente  não  haveria  decadência  "naquele  momento"  processual. E é óbvio que, naquele instante, a análise quanto a incidência do art. art. 150, §4°  do CTN estava prejudicada, uma vez que dependia do resultado da própria diligência retratada  na  resolução n.  3101­00.115,  a qual pretendia  apurar  a  existência ou não de  conduta dolosa,  fraudulenta ou simulada por parte da recorrente.  41. Assim, compete a esse colegiado, neste momento processual, decidir  tal  questão  prejudicial  de  mérito.  Ocorre  que,  da  mesma  forma  que  acontece  com  o  recurso  voluntário, o conhecimento de tal questão se confunde com o mérito da lide, motivo pelo qual  o  provimento  ou  não  do  recurso  voluntário  neste  tópico  em  especial  será  retomado  no  item  subsequente.  (ii.b.ii) Da operação fiscalizada e o cerne da presente discussão  42.  Consoante  já  exposto  anteriormente,  o  ponto  central  da  presente  exigência  está  em  saber  se,  para  as  operações  de  importações  fiscalizadas,  houve  ou  não  subfaturamento por parte da recorrente.  43.  Segundo  a  acusação  fiscal,  tal  subfaturamento  estaria  comprovado  em  razão da divergência material entre os documentos emitidos pela recorrente e que ampararam  as DI's fiscalizadas e as faturas comercias emitidas pela empresa exportadora (APL Products) e  que foram entregues ao fisco após intimação fiscal com esse fito.  44. Logo, a questão central a ser resolvida gravita em torno de uma questão  de ordem probatória, i.e., apurar se as faturas comerciais apresentadas pela exportadora à RFB  e  que  deram  fundamento  à  autuação  em  apreço  são  ou  não  fidedignas,  o  que  permitirá  responder se de fato houve ou não subfaturamento para as DI's fiscalizadas.  45. Antes,  todavia, de seguir adiante nesta análise,  insta retomar a acusação  fiscal, em especial alguns fatos destacados no relatório de procedimento fiscal (fls. 45/49).  46. Primeiramente, insta sublinhar que no citado relatório fiscal a fiscalização  afirma que  a  recorrente,  ao  promover  as  importações  sub  judice,  instruiu  todas  as  correlatas  DI's  com  os  documentos  exigidos  nos  art.  482,  491  e  493  do  RA/2002,  vigente  à  época,  documentos  esses  que,  ainda  segundo  o  relatório  fiscal,  foram  entregues  à  fiscalização  em  Fl. 3429DF CARF MF Processo nº 12719.002808/2008­80  Acórdão n.º 3402­005.545  S3­C4T2  Fl. 3.422          17 resposta  a  intimação  fiscal  para  esse  fim.  É  o  que  se  observa  do  seguinte  trecho  da  manifestação fiscal:    48. Ainda em relação aos sobreditos documentos entregues pela recorrente e  que  instruíram  as  DI's  fiscalizadas,  foi  produzido  laudo  técnico  com  o  fito  de  atestar  a  autenticidade  de  tais  documentos  em  resposta  a  diligência  determinada  por  este  CARF  (resolução n. 3101­00.115). Embora não tenha sido conclusivo em alguns pontos, em relação  aos  documentos  apresentados  pelo  contribuinte  e  que  instruíram  as DI's  em  apreço  assim  se  manifestou o perito designado pela RFB (fls. 2.962/2.968):  (...).  Da observação das assinaturas encontradas nos documentos do  Anexo  II,  verifica­se  que  são  lançamentos  manuscritos  e  não  cópias diretas de alguma ou algumas assinaturas. Vide Figuras  3 e 4 a seguir.  (...).  Os  lançamentos manuscritos a  título de assinatura encontrados  nas  faturas  de  números  2278,  2288,  PF2376,  PF  2418,  2450,  2464 e PF2492, guardam semelhança gráfica (aspecto pictórico)  com aquelas imagens de lançamentos encontrados nas faturas do  Anexo I, que se apresentam na forma de cópias.  (...).  Realizados os confrontos grafoscópicos, entre as assinaturas das  faturas 2278, 2288, PF2376, PF 2418, 2450, 2464 e PF2492 e as  assinaturas  do  Anexo  I,  verificou­se  que  os  lançamentos,  conforme  já  mencionado,  têm  similaridade  gráfica,  com  inclinação da  escrita,  laçada  inicial  e  traço  sob  o  lançamento,  no entanto possuem diferenças marcantes, quanto ao ataque da  escrita,  remate  e  valores  angulares,  indicando  que  foram  produzidas  por  outro  punho  escriturador.  No  entanto  para  afirmar categoricamente que  tais  lançamentos são "cópias", ou  seja, falsificações das assinaturas existentes nos documentos do  Anexo  I,  necessário  se  fazem  a  identificação  das  pessoas  autorizadas a assinar  tais  faturas,  o  envio de material  (padrão  gráfico) reconhecidamente autêntico dessas pessoas, bem como,  o envio dos lançamentos originais (Anexo I).  (...).  49. Ao se analisar tais considerações de ordem técnica é possível concluir que  (i)  aqueles  documentos  entregues  pelo  contribuinte  à  fiscalização  e  que  instruíram  as  DI's  fiscalizadas  são documentos manuscritos  e não  cópias diretas,  o que pode  ser  indício de  sua  autenticidade; (ii) que o confronto dos documentos apresentados pelo contribuinte com aqueles  fornecidos  pela  exportadora  à  RFB  demonstram  uma  aparente  divergência  nas  assinaturas  Fl. 3430DF CARF MF     18 confrontadas, mas que não é possível atestar (ii.i) se de fato houve uma falsificação e, em caso  positivo, (ii.ii) qual seria o documento falsificado, uma vez que o documento apresentado pela  exportadora à RFB era cópia e não original.  50. Seguindo adiante na análise das provas produzidas nos autos, é possível  observar  a  existência  de  uma  demanda  judicial  entre  a  recorrente  e  a  exportadora,  a  qual  redundou no ajuizamento de uma ação de cobrança desta última em face da primeira em valor  de  aproximadamente R$ 3.000.0000,00,  ação  esta distribuída  em 09  de  outubro  de 2006  (fl.  2.370), i.e., antes da lavratura do auto de infração aqui debatido o que, por seu turno, já teria  gerado uma animosidade entre as empresas. Mais do que isso, os documentos de fls. 2.550 e  s.s.  atestam  que  a  recorrente  promoveu  uma  reconvenção  contra  a  empresa  exportadora,  vindicando  uma  indenização  próxima  de  R$  1.400.000,00,  o  que  só  potencializaria  tal  animosidade.  51.  Ademais,  a  recorrente  foi  buscar  informações  junto  a  empresa  exportadora (APL Products SDN BHD) em seu país de origem, i.e., na Malásia, oportunidade  em que obteve a informação que tal empresa estaria em processo de liquidação judicial. Diante  deste  quadro,  o  recorrente  teve  acesso  aos  liquidantes  da  exportadora  na Malásia,  os  quais  prestaram as seguintes informações (original as fls. 3.009/3.022 e tradução juramentada as fls.  3.066/3.122):    Fl. 3431DF CARF MF Processo nº 12719.002808/2008­80  Acórdão n.º 3402­005.545  S3­C4T2  Fl. 3.423          19   52.  A  respeito  de  tais  declarações,  a  fiscalização  limitou­se  a  assim  se  manifestar (fl. 3.336):  (...).  Após  analisar  os  documentos  conforme  solicitado,  não  teria  nada  a  acrescentar  ou  modificar  no  que  já  foi  exposto  no  Relatório de Procedimento Fiscal anexo a este (fls. 36 a 49).  Apenas  gostaria  de  ressaltar  daquele  relatório  que  todas  as  faturas comerciais que embasaram o trabalho foram enviadas à  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  por  representante  da  empresa APL Products SDN BHD, conforme consta em fls. 458 a  464.  Era o que tinha a informar  (...).  53. A  informação  fiscal  de  que  as  faturas  comerciais  foram  entregues  pela  própria  exportadora  causam  espanto  ainda  maior,  uma  vez  que  divergem  dos  documentos  apresentados  pelo  liquidante  da  empresa  e  que,  em  princípio,  atestariam  a  mesmíssima  operação empresarial perpetrada com a recorrente.   54. Diante de tudo o que fora dito até aqui, este Relator só consegue extrair  duas certezas:  Fl. 3432DF CARF MF     20 (i)  de  que  a  autuação  fiscal  foi  exclusivamente  embasada  nas  faturas  comerciais apresentadas pela exportadora acostada aos autos eletrônicos as fls 486 e s.s. 8; e  (ii) que existem fatos e contraprovas apresentados pelo recorrente no sentido  de por em dúvida a autenticidade do conteúdo das informações constantes nos documentos de  fls. 486 e s.s..  55.  A  única  vez  em  que  a  fiscalização  traz  outro  elemento  que,  em  tese,  poderia  chancelar  sua  acusação  de  subfaturamento,  é  em  sede  de  resposta  a  diligência  fiscal  (fls.  2.948/2.950),  quando  afirma  fazer  uma  comparação  entre  o  valor  das  mercadorias  importadas pela  recorrente e de equivalentes no mercado, oportunidade em que teria apurado  uma divergência para menor de aproximadamente 60% entre a mercadoria fiscalizada e aquelas  objeto de comparação. Acontece que, em resposta a tal assertiva, o contribuinte alega que:      56.  Ademais,  este  Conselho  tem  reiteradamente  afirmado  que  a  simples  divergência de valores entre mercadorias  importadas não é suficiente para a comprovação de  subfaturamento.  Poderia,  eventualmente,  configurar  um  indício,  mas  não  prova  cabal  de  tal  ilicitude.  Nesse  sentido,  inclusive,  é  o  posicionamento  majoritário  desta  turma  julgadora,  conforme se observa de julgado da lavra da conselheira Maria Aparecida Martins de Paula:                                                              8 Conforme se observa do seguinte trecho do relatório fiscal (fl. 49):  "(...).  Não  necessita  de  mais  elementos  esta  fiscalização  para  concluir  que  as  faturas  comercias  apresentadas  pelo  importador  J.  Ruette  nas  DIs  listadas  na  Tabela  2  (fl.  39)  não  foram  os  mesmos  documentos  emitidos  pelo  exportador, e que seriam de apresentação ojbrigatória no despacho aduaneiro conforme o item II do art. 493 do  Decreto n. 4.543, constituindo­se então em faturas comerciais falsas  (...)."  Fl. 3433DF CARF MF Processo nº 12719.002808/2008­80  Acórdão n.º 3402­005.545  S3­C4T2  Fl. 3.424          21 (...).  Também  a  constatação  de  que  os  valores  declarados  seriam  abaixo  dos  "parâmetros  estabelecidos  como  aceitáveis  pela  Administração  da  RFB",  sem  uma  justificativa  razoável  por  parte do importador, não se trata de elemento caracterizador de  fraude. Tal fato, por vezes adotado pela Aduana para a seleção  automática da Declaração de Importação para o canal cinza de  conferência  aduaneira,  pode  apenas  se  caracterizar  como  um  indício  de  subvaloração  ou  subfaturamento  das  mercadorias,  passível de ser melhor investigado pela fiscalização no curso do  despacho de importação ou em sede de revisão aduaneira.  O simples fato de um preço ser inferior aos preços correntes de  mercado  para  mercadorias  idênticas  não  é  motivo  suficiente  para  sua  rejeição,  conforme  concluiu  o  Comitê  Técnico  de  Valoração  Aduaneira,  da  Organização  Mundial  de  Aduanas  (OMA),  na  Opinião  Consultiva  2.1,  divulgada  pela  Instrução  Normativa SRF nº 318/2003:  OPINIÃO CONSULTIVA 2.1  ACEITABILIDADE  DE  UM  PREÇO  INFERIOR  AOS  PREÇOS  CORRENTES  DE  MERCADO  PARA  MERCADORIAS IDÊNTICAS  1. Foi formulada a questão acerca da aceitabilidade de um preço  inferior aos preços correntes de mercadorias idênticas quando da  aplicação  do  Artigo  1  do  Acordo  sobre  a  Implementação  do  Artigo  VII  do  Acordo  Geral  sobre  Tarifas  Aduaneiras  e  Comércio  2.  O  Comitê  Técnico  de  Valoração  Aduaneira  examinou  esta  questão  e  concluiu  que  o  simples  fato  de  um preço  ser  inferior  aos preços correntes de mercado para mercadorias idênticas não  poderia  ser motivo  para  sua  rejeição  para  os  fins  do Artigo  1,  sem  prejuízo,  no  entanto,  do  estabelecido  no  Artigo  17  do  Acordo.  Ora,  se o preço  inferior a um “mínimo desejado”,  por  si  só,  não  poderia  acarretar  sequer  a  descaracterização  do  valor  da  transação (1º método de valoração), ou seja, não possibilitaria  a utilização de métodos substitutivos de valoração, como poderia  caracterizar uma fraude, sonegação ou conluio no que concerne  ao valor aduaneiro?  (...).  57.  Assim,  diante  de  todo  o  quadro  aqui  formado,  tenho  para  mim  que  a  prova produzida pela fiscalização não é suficiente para caracterizar a conduta fraudulenta com  fins de faturamento. A consequência pragmática imediata para o presente acaso é: (i) de negar  provimento ao recurso de ofício interposto em relação à decadência do tributo, ainda que por  outros motivos determinantes;  (ii) a de dar provimento ao  recurso voluntário do contribuinte  para reconhecer a decadência de parcela do crédito tributário anterior a dezembro de 2003; e,  Fl. 3434DF CARF MF     22 por fim, em relação à exigência remanescente,  também dar provimento ao recurso voluntário  do contribuinte.  Dispositivo  58. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e dar  provimento ao recurso voluntário.  59. É como voto.  (assinado digitalmente)  Relator Diego Diniz Ribeiro.  Voto Vencedor  Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Redator Designado.   O ilustre Relator entendeu que a prova produzida pela fiscalização não seria  suficiente para caracterizar a conduta fraudulenta com fins de faturamento. Dessa forma, votou  no  sentido  de  negar  provimento  ao  recurso  de  ofício  interposto  em  relação  à  decadência  do  tributo; dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte para reconhecer a decadência de  parcela do crédito tributário anterior a dezembro de 2003; e, por fim, em relação à exigência  remanescente, também em dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte.  Não é o entendimento do colegiado.  Quanto às preliminares, o  i.  relator entendeu que as questões  já  teriam sido  julgadas por este Tribunal Administrativo, na sessão de julgamento que culminou na Resolução  3101­00.115  (fls.  2.362  a  2.368),  da  lavra  do  Conselheiro  Corintho  Oliveira  Machado.  O  colegiado, pelo voto de qualidade, divergiu do relator por entender que as apreciações feitas em  julgamento  anterior, que  resultaram em resolução, devem ser novamente apreciadas no novo  julgamento, conforme dispõe os § § 4º e 5º do art.63 do RICARF:  Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão  assinadas  pelo  presidente,  pelo  relator,  pelo  redator  designado  ou  por  conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos  conselheiros  presentes  e  dos  ausentes,  especificando­se,  se  houver,  os  conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos.  §  4º  A  decisão  será  em  forma  de  resolução  quando  for  cabível  à  turma  pronunciar­se sobre o mesmo recurso, em momento posterior.  § 5º No caso de resolução ou anulação de decisão de 1ª (primeira) instância,  as questões preliminares, prejudiciais ou mesmo de mérito já examinadas serão  reapreciadas  quando  do  julgamento  do  recurso,  por  ocasião  do  novo  julgamento.  Conhecido o recurso, em suas preliminares, o colegiado afastou­as.  Quanto  à preliminar  de  nulidade  do  auto  de  infração  por  incompetência  da  autoridade lançadora, o colegiado entendeu que a legislação à época dos fatos (art. 6º da Lei n°  10.593/2002,  com  a  redação  dada  pela  Lei  n°  11.457/07)  conferia  competência  ao Auditor­ Fiscal da Receita Federal do Brasil para constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e  Fl. 3435DF CARF MF Processo nº 12719.002808/2008­80  Acórdão n.º 3402­005.545  S3­C4T2  Fl. 3.425          23 de contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, competência ainda  existente.  Quanto  à  preliminar  de  preclusão  administrativa  de  parte  do  crédito  tributário,  por  impossibilidade de nova  revisão das declarações de  importação do período de  out/2002 a ago/2004, o colegiado afastou­a pela expressa previsão legal do instituto da Revisão  Aduaneira  (art.  54 do Decreto­lei  37/66),  regulado pelo  art. 638 do Regulamento Aduaneiro,  que  autoriza  a  revisão  de  todo  o  procedimento  de  importação  no  prazo  de  5  (cinco)  anos,  contado do registro da declaração de importação.  No  mérito,  o  colegiado  entendeu  pela  robustez  das  provas  carreadas  pela  Autoridade  Fiscal,  que  comprovam  a  conduta  fraudulenta  e  simulada  da  recorrente  nas  operações em questão.  A questão da falsidade material9 das faturas é clara, conforme documentos  apresentados  pelo  exportador,  corroborada  pelo  levantamento  de  preços  efetuado  pela  Autoridade  Fiscal  que  constatou  uma  média  de  subfaturamento  nas  faturas  de  60%,  evidenciando  o  preço  ficto  retratado  nas  faturas  apresentadas  à  fiscalização  no  despacho  aduaneiro.  Transcrevo excerto do voto  condutor do  acórdão  recorrido,  com a  expressa  manifestação  da  autoridade  julgadora  acerca  da  caracterização  da  fraude,  que  adoto  como  minhas razões de decidir:  "Também  não  prospera  a  alegação  de  que  a  fraude  inexiste  porque  haviam  contratos de câmbio e outros documentos que atestam os valores declarados pela  interessada.  A caracterização da fraude, no presente caso, decorre do fato de a interessada ter  apresentado no curso dos despachos de importação faturas que a autoridade fiscal  logrou  provar  serem  divergentes  das  faturas  efetivamente  emitidas  pelo  exportador, provas materiais de que ocorreu fraude.  As faturas foram colhidas em poder do próprio exportador, e neste sentido o fato  de a interessada e o exportador estarem em litígio judicial ou serem concorrentes  comerciais  não  afastam  as  provas  apresentadas  pela  autoridade  fiscal.  Também  não  afastam  as  provas  existentes,  os  "contratos"  ou  as  correspondências  eletrônicas entre as partes, primeiro porque deles não se pode aferir qual o valor  efetivamente praticado cm cada uma das transações comerciais (a indicação é de  que poderia ser reajustado) e, segundo porque tratam­se de ajustes que, a despeito  de  poderem  ter  sido  pactuados,  efetivamente  não  foram  praticados,  visto  que  o  próprio exportador apresentou a fatura de cada operação comercial. Ademais, tais  documentos  não  foram  regularmente  traduzidos  para  o  vernáculo  por  tradutor  juramentado,  sendo ainda, no  caso  destes  documentos,  impossível  se  atestar que                                                              9 “Na falsidade documental material, a ilicitude consiste na adulteração da forma do documento, no seu aspecto  externo. Ocorre esta prática fraudulenta quando, por exemplo, o importador ou seu representante substitui a fatura  enviada  pelo  exportador  por  outra  fatura.  O  documento  fraudulento  foi  produzido  pelo  importador,  por  seu  representante,  ou  por  sua  conta  e  ordem,  para  adulterar  os  elementos  principais  da  fatura  comercial  (nome  do  importador  ou  real  adquirente,  nos  casos  de  interposição  fraudulenta  e  ocultação;  preço,  no  caso  de  subfaturamento).  Este  procedimento  é  muito  frequente  nas  fraudes  apuradas  pela  Administração  Aduaneira  brasileira, com a conjugação de subfaturamento e interposição fraudulenta de terceiros, com a fraude documental  abrangendo  tanto  o  importador,  quanto  o  preço  praticado.”  (FERNANDES,  Rodrigo  Mineiro.  Introdução  ao  direito aduaneiro. São Paulo: Intelecto, 2018).      Fl. 3436DF CARF MF     24 efetivamente  foram  lavrados  nas  datas  neles  consignadas,  o  que,  dadas  as  alegações da interessada, seria imprescindível.  Como  se  percebe,  contrariamente  ao  que  defende  a  interessada,  as  provas  acostadas aos autos, não  se baseiam cm presunção, mas  sim em prova material,  qual  seja,  a  trazida  aos  autos  das  faturas  efetivamente  emitidas  pelo  exportador  por ocasião das transações comerciais."  Todas as alegações da  recorrente com o objetivo de desqualificar as  faturas  apresentadas  não  foram  suficientes  para  afastar  a  certeza  da  fraude  praticada,  visto  que  não  demonstraram,  de  forma  incontestável,  a  inidoneidade  das  faturas  apresentadas  pelo  representante  do  exportador.  A  declaração  apresentada  pelos  liquidantes  da  exportadora  na  Malásia,  (original  as  fls.  3.009/3.022  e  tradução  juramentada  as  fls.  3.066/3.122)  apenas  procurou  reproduzir  aquilo  que  estaria  escriturado  nos  livros  fiscais  naquele  país,  com  a  expressa  ressalva  que  eles  não  assumiam  nenhuma  declaração  ou  garantia  expressa  ou  implícita. Ou seja, uma declaração que não é uma declaração, não servindo para desclassificar  o documento anteriormente apresentado pela exportadora.  A  falsidade  documental  nos  documentos  instrutivos  da  importação  é  sancionada pela aplicação da pena de perdimento da mercadoria, de acordo com o disposto no  inciso VI do artigo 105 do Decreto­Lei nº 37/66:    Art. 105. Aplica­se a pena de perda da mercadoria:  [...]  VI  ­  estrangeira  ou  nacional,  na  importação  ou  na  exportação,  se  qualquer  documento  necessário10  ao  seu  embarque  ou  desembaraço  tiver  sido  falsificado ou adulterado; (grifo nosso)      A falsidade documental é caracterizada como dano ao erário, de acordo com  o disposto no inciso IV do artigo 23 do Decreto­Lei nº 1.455/7611. Destaca­se que o dano pela  prática ilícita em questão não é apenas o não recolhimento do tributo incidente, mas também a  violação  do  bem  jurídico  tutelado  pelo  Direito  Aduaneiro,  o  controle  aduaneiro,  e  suas  consequências econômicas na concorrência. Tal prática, punida com a pena de perdimento da  mercadoria,  pode  ser  sancionada,  em  substituição,  pelo  lançamento  da multa  equivalente  ao  valor aduaneiro da mercadoria na importação, em casos em que a mercadoria objeto da pena de  perdimento não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida.  Entretanto,  a  Autoridade  Fiscal  não  aplicou  a  pena  de  perdimento, mesmo  com a comprovação da falsidade material, mas a multa prevista no parágrafo único do artigo 88  da Medida Provisória nº 2.158, de 24/08/01, denominada de multa de diferença de preço.  Art. 88. [...]  Parágrafo  único. Aplica­se  a multa  administrativa  de  cem por  cento  sobre  a  diferença  entre  o  preço  declarado  e  o  preço  efetivamente  praticado  na  importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado,  sem prejuízo da                                                              10  O  artigo  46  do  Decreto­lei  37/66,  com  a  redação  dada  pelo  Decreto­lei  2.472/88,  trata  da  obrigatoriedade  da  apresentação  da  fatura  comercial  para  o  despacho  aduaneiro:  Art.46  ­  Além  da  declaração  de  que  trata  o  art.44  deste  Decreto­Lei  e  de  outros  documentos  previstos  em  leis  ou  regulamentos,  serão  exigidas,  para  o  processamento  do  despacho  aduaneiro,  a  prova  de  posse  ou  propriedade da mercadoria e a fatura comercial, com as exceções que estabelecer o regulamento.  11  Decreto­Lei  nº  1.455/76.  Art.  23. Consideram­se  dano  ao  Erário  as  infrações  relativas  às  mercadorias: [...] IV ­ enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único  do artigo 104 e nos  incisos  I a XIX do artigo 105, do Decreto­lei número 37, de 18 de novembro de  1966.  Fl. 3437DF CARF MF Processo nº 12719.002808/2008­80  Acórdão n.º 3402­005.545  S3­C4T2  Fl. 3.426          25 exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430,  de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis.    O Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 6.759/2009, introduziu  a  penalidade  disposta  no  parágrafo  único  do  artigo  88  da MP  2.158­35,  em  seu  artigo  703,  verbis:  Art. 703. Nas hipóteses em que o preço declarado for diferente do arbitrado na  forma do art. 86 ou do efetivamente praticado, aplica­se a multa de cem por  cento  sobre  a  diferença,  sem prejuízo  da  exigência dos  tributos,  da multa  de  ofício referida no art. 725 e dos acréscimos legais cabíveis (Medida Provisória  no 2.158­35, de 2001, art. 88, parágrafo único). (Redação dada pelo Decreto nº  7.213, de 2010).    Para evitar qualquer dúvida quanto a penalidade a ser aplicada, foi editado o  Decreto nº 7.213, de 2010, incluindo o § 3o­A no artigo 689 do Regulamento Aduaneiro, que  expressamente  esclarece  que  o  perdimento  deverá  ser  aplicado  inclusive  nos  os  casos  de  falsidade ideológica na fatura comercial. Tal dispositivo foi alterado pelo Decreto nº 8.010, de  2013, que melhorou a  redação do  referido parágrafo,  além de  incluir  o §1º­A ao  artigo 703,  esclarecendo a questão do conflito nas normas:  Art. 689.  Aplica­se  a  pena  de  perdimento  da  mercadoria  nas  seguintes  hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto­Lei nº 37, de 1966, art.  105; e Decreto­Lei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação  dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59):  [...]  VI ­ estrangeira  ou  nacional,  na  importação  ou  na  exportação,  se  qualquer  documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado  ou adulterado;  [...]  § 3º­A. O disposto no inciso VI do caput inclui os casos de falsidade material  ou ideológica.     Art. 703.   [...]  §  1º­A Verificando­se  que  a  conduta  praticada  enseja  a  aplicação  tanto  de  multa  referida  neste  artigo  quanto  da  pena  de  perdimento  da mercadoria,  aplica­se somente a pena de perdimento.  (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de  2013)    Portanto, a aplicação da pena de perdimento ou a multa de valor equivalente  ao  valor  aduaneiro  da  mercadoria  importada,  em  caso  de  sua  não  localização,  revenda  ou  consumo  é  compulsória  por  parte  dos  Auditores­Fiscais  da  Receita  Federal  do  Brasil  e  por  parte dos Conselheiros do CARF que julgam as referidas matérias, por se tratar de norma legal  expressa e determinação regulamentar (Decreto 6.759/2009).  No  presente  caso,  como  se  trata  de  falsidade  material,  não  se  aplica  o  disposto no Ato Declaratório PGFN nº 4, de 09 de maio de 2018, que autorizou a dispensa de  apresentação  de  contestação  e  de  interposição  de  recursos,  bem  como  a  desistência  dos  já  interpostos,  desde  que  inexista  outro  fundamento  relevante  "nas  ações  judiciais  que  visem  afastar a aplicação da pena de perdimento nas hipóteses de falsidade ideológica consistente no  Fl. 3438DF CARF MF     26 subfaturamento  do  valor  da mercadoria  na  declaração  de  importação,  aplicando­se  apenas  a  pena de multa".  Considerando  a  caracterização  da  falsidade  material  das  faturas  e  a  determinação  legal  e  regulamentar  para  aplicação  da  pena  de  perdimento  ou multa  no  valor  equivalente  ao  valor  aduaneiro  (art.105,  inciso VI,  do Decreto­Lei  nº  37/66;  art.689, VI,  do  R.A.),  o  colegiado  acordou  em dar  provimento  parcial  ao Recurso Voluntário  para  afastar  a  multa  aduaneira  do  controle  administrativo  incidente  sobre  a  diferença  entre  o  preço  de  importação  declarado  e  o  efetivamente  praticado  (art.  88,  parágrafo  único  da MP  n.  2.158­ 35/01)  vez  que,  diante  da  falsidade  material  das  faturas,  seria  cabível  penalidade  distinta  daquela lançada.  Considerando a ocorrência de fraude comprovada, conclui­se pela aplicação  da  regra  decadencial  do  artigo  173,  I,  relativo  à  parcela  do  auto  de  infração  relativo  ao  lançamento  da  diferença  de  tributos  e  multas  tributárias  lançadas.  Dessa  forma,  a  turma  julgadora concluiu pelo provimento parcial ao recurso de oficio, para afastar a decadência dos  tributos e consectários legais autuados, com fulcro no art. 173, I, do CTN.  É o voto vencedor.  (assinado digitalmente)  Rodrigo Mineiro Fernandes.                Fl. 3439DF CARF MF

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7750953 #
Numero do processo: 11080.011712/2007-11
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 9303-000.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO

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9303­000.116  –  3ª Turma  Data  20 de fevereiro de 2019  Assunto  SANEAMENTO DE ADMISSIBILIDADE   Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  CIBER EQUIPAMENTOS RODOVIARIOS LTDA    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  converter  o  julgamento do  recurso  em diligência  à câmara recorrida, para complementação da  análise de  admissibilidade  do  Recurso  Especial,  vencidos  os  conselheiros  Tatiana  Midori  Migiyama,  Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.  (assinado digitalmente)   Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em Exercício   (assinado digitalmente)  Demes Brito ­ Relator   Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto  Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro  Lock  Freire,  Érika  Costa  Camargos  Autran,  Vanessa Marini  Cecconello,  Rodrigo  da  Costa  Pôssas (Presidente em Exercício).             RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .0 11 71 2/ 20 07 -1 1 Fl. 345DF CARF MF Processo nº 11080.011712/2007­11  Resolução nº  9303­000.116  CSRF­T3  Fl. 345          2 Relatório  Trata­se  de  Recurso  Especial  de  divergência,  tempestivo,  interposto  pela  Fazenda  Nacional  ao  amparo  do  art.  67,  Anexo  II,  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de  junho  de  2009,  em  face  do  acórdão  nº  3400­00.334,  que  decidiu  afastar  a  incidência  de  COFINS não cumulativa sobre valores percebidos a título de cessão de créditos de ICMS, por  entendê­las  como  receita  não  operacional,  bem  como,  admitiu,  na  qualidade  de  insumo,  as  aquisições  de  bens  para  manutenção  de  máquinas  utilizadas  na  atividade  da  empresa,  cuja  ementa está assim redigida:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006  PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INCLUSÃO DE VALORES NA BASE  DE  CÁLCULO  DO  PIS  NÃO  CUMULATIVO.  VENDA  DO  ATIVO  PERMANENTE.  Por  determinação  expressa  do  §  3º,  inciso  II,  do  art.  1º  da  Lei  nº  10.833/03, a receita auferida com a venda de bem ativo não compõe a  base de cálculo da COFINS não cumulativa.  BASE  DE  CÁLCULO  DA  COFINS  NÃO­CUMULATIVA.  RECEITA  DA CESSÃO DE CRÉDITO DO ICMS.  Somente as  receitas operacionais compõem a base de cálculo do PIS  não cumulativo, sendo assim, o valor auferido com a cessão crédito do  ICMS não compõe a base de cálculo dessa contribuição, por se tratar  de receita não operacional.  CRÉDITO DA COFINS NÃO­CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE BENS  PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS.  A  aquisição  de  produto  para manutenção  de  máquinas  utilizadas  na  atividade da empresa gera crédito da COFINS não­ cumulativa por ser  essencial ao cumprimento do seu objeto social.   MANUTENÇÃO  DO  PRÉDIO  GERA  CRÉDITO  DA  COFINS  NÃO­ CUMULATIVA.  Em  razão  da  disposição  do  art.  3o,  inciso  VII  c/c  inciso  I,  art  15,  ambos da Lei nº 10.833/03, os gatos com manutenção do prédio onde  ocorre  o  processo  de  produção  geram  crédito  da  COFINS  não­ cumulativa, por se tratar de benfeitoria.  CRÉDITO  DA  COFINS  NÃO­  CUMULATIVO.  CUSTO  DO  FRETE  DE PRODUTO EM GARANTIA.  A  assistência  feita  ao  produto  em  garantia  faz  parte  do  processo  de  venda,  portanto,  o  frete  do  produto  em  garantia,  quando  suportado  pelo  sujeito  passivo  da  COFINS,  gera  crédito  da  COFINS  não­ cumulativa.  Fl. 346DF CARF MF Processo nº 11080.011712/2007­11  Resolução nº  9303­000.116  CSRF­T3  Fl. 346          3 LOCAÇÃO  DE  VEÍCULOS.  NECESSIDADE  DE  COMPROVAÇÃO  DE SUA ESSENCIALIDADE PARA GERAR CRÉDITO.  Se  o  sujeito  passivo  não  comprovar  que  a  locação  de  veículo  é  essencial  para  o  cumprimento  do  objeto  social  da  empresa,  deve  ser  negado o crédito da COFINS não­cumulativa.  CRÉDITO  DA  COFINS  NÃO­CUMULATIVA.  COMPRA  PARA  RECEBIMENTO FUTURO.  As  compras  para  recebimento  futuro,  desde  que  seja  de  insumos  essenciais ao processo de produção e já estejam pagas, geram crédito  da COFINS não­ cumulativa.  Recurso Provido em Parte.  A Fazenda Nacional, suscita divergência jurisprudencial em relação às seguintes  matérias: 1. incidência ou não do PIS e da COFINS não cumulativo sobre cessões onerosas de  ICMS, 2. Conceito de insumos nas aquisições de bens para manutenção de máquinas utilizadas  na atividade da empresa.   Em  seguida,  o  Presidente  da  Câmara,  deu  seguimento  ao  recurso,  conforme  depreende­se do despacho de admissibilidade, ás e­fls.139 /140.  No essencial é o relatório.   Voto  Conselheiro Demes Brito ­ Relator   Com  efeito,  a  decisão  recorrida  decidiu  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  para  admitir  o  creditamento  dos  valores  referentes  aos  custos  com  ativo  permanente,  a  recuperação de  despesas,  aos  fretes  de  produtos  com garantia  e  as  compras  para recebimento futuro comprovadas por notas fiscais idôneas constantes nos autos.  No especial obstaculizado, a Fazenda Nacional aduz divergência jurisprudencial  com relação às seguintes matérias: 1. incidência ou não do PIS e da COFINS não cumulativo  sobre  cessões  onerosas  de  ICMS,  2.  Conceito  de  insumos  nas  aquisições  de  bens  para  manutenção de máquinas utilizadas na atividade da empresa.   Para  comprovar  a  divergência  jurisprudencial,  aponta  como  paradigmas  os  acórdãos  nºs  280300.141  e  330100.231,  relativamente  à  cessão  de  créditos  de  ICMS,  e  acórdãos 20312.448  e 20400.795,  respeitante  à  abrangência do  termo  “insumo”,  juntada  dos  documentos de e­fls. 208/212.  Ocorre  que,  do  exame  de  admissibilidade,  o  Presidente  da  Câmara  deu  seguimento  ao  Recurso  (e­fls.139  /140),  sem  demonstrar  qual  legislação  estaria  sendo  interpretada  divergente  entre  o  dispositivo  da  decisão  recorrida  e  dos  acórdãos  paradigmas.  Transcreve­se:  "As matérias controvertidas foram objeto de debate na instância a quo,  de modo que atendido está o requisito do prequestionamento.  Fl. 347DF CARF MF Processo nº 11080.011712/2007­11  Resolução nº  9303­000.116  CSRF­T3  Fl. 347          4 Respeitante  à  existência  de  divergência,  procedente  a  controvérsia  assinalada pela recorrente.  Tocante a incidência de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos sobre as  cessões  onerosas  de  ICMS,  as  decisões  apontadas  como  divergentes  deram tratamento distinto à questão em relação ao acórdão recorrido,  dessumindo  aquelas  que  a  realização  de  tais  créditos,  seja  mediante  dinheiros,  mercadorias,  matérias­primas  ou  insumos,  está  sujeita  à  oneração por aludidas contribuições.  Concernente  à  caracterização  dos  insumos,  o  acórdão  paradigma  (20312.448),  examinando o  regime não  cumulativo  das  contribuições  para o PIS/Pasep e Cofins,  concluiu  ser o PN CST 65/79 plenamente  aplicável à definição de insumo constante da legislação de regência de  sobreditas exações, valendo a transcrição de excerto do voto condutor  exarado naquela assentada:  “O  termo  ‘insumo’  não  é  próprio  da  legislação  das  contribuições  sociais.  Como  é  cediço,  os  conceitos  devem  ser  buscados  no  seus  campos  específicos  onde  foram  originalmente  criados,  mormente  quando não há  outro  espaço  onde  procurálos,  como  é  o  caso  que  se  cuida. Por outro lado, o termo insumo sempre foi utilizado para definir  a amplitude dos denominados créditos básicos na aplicação da regra  da  não­cumulatividade  no âmbito  do  IPI,  que  sabidamente  tem  como  materialidade  de  incidência  a  realização  de  operações  com  produtos  industrializados.  Assim,  a  legislação  do  IPI  é  a  mais  adequada  para  estabelecer  o  conceito de ‘insumos’ no contexto da expressão ‘insumos utilizados na  fabricação de produtos’. E como é sabido, o conceito de ‘insumo’ já foi  consagrado  pelo  Parecer  Normativo  n°  65/79,  nos  seguintes  termos:  geram direito ao crédito, além dos insumos que se integram ao produto  final (matérias­primas e produtos intermediários strito sensu e material  de  embalagem),  quaisquer  outros  bens,  desde  que  não  contabilizados  pelo contribuinte no seu ativo permanente, que sofram, em  função de  ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou por ele  diretamente  sofrida,  alterações  tais  como  o  desgaste,  o  dano  ou  a  perda de propriedades físicas ou químicas.”  Assim,  confirmado  o  dissídio  jurisprudencial  entre  Colegiados  deste  Conselho  Administrativo, DOU SEGUIMENTO AO RECURSO ESPECIAL e,  por  força  do  art.  69  do  Regimento  Interno  do  CARF,  determino  o  encaminhamento à Unidade Local da RFB para ciência ao contribuinte  do  acórdão  recorrido  e  deste  despacho  para,  querendo,  apresentar  contrarrazões e recurso especial na parte que  lhe foi desfavorável, se  cabível".  No  que  pertine  aos  pressupostos  materiais  do  recurso  especial,  deve­se  ter  sempre em conta que o dissídio jurisprudencial consiste na interpretação divergente da mesma  norma  aplicada  a  fatos  iguais  ou  semelhantes,  o  que  implica  a  adoção  de  posicionamento  distinto  para  a mesma matéria  versada  em  hipóteses  semelhantes  na  configuração  dos  fatos  embasadores da questão jurídica.  Fl. 348DF CARF MF Processo nº 11080.011712/2007­11  Resolução nº  9303­000.116  CSRF­T3  Fl. 348          5   Ante  o  exposto,  converto  o  julgamento  do  recurso  em  diligência  à  Câmara  recorrida,  para  complementação  da  análise  de  admissibilidade  do  Recurso  Especial.  Após  a  complementação  da  admissibilidade,  o  processo  deve  ser distribuído  ao mesmo  relator,  para  que se prossiga o julgamento.  É como voto.   (Assinado digitalmente)  Demes Brito           Fl. 349DF CARF MF

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6674293 #
Numero do processo: 10380.028085/99-49
Data da sessão: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL Exercícios: 1999 e 2000 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE DÉBITO PRÓPRIO COM CRÉDITO DE TERCEIRO — DECLARAÇÃO DOS PASSIVOS EM DCTF — DECURSO DE CINCO ANOS, SEM ADOÇÃO DE QUALQUER MEDIDA DE COBRANÇA — PRESCRIÇÃO — Os débitos informados em DCTF não podem ser objeto de decadência, em virtude do caráter confessional que permeia aquela declaração. Ainda assim, não pode a Fazenda postergar, ad infinitum, o exercício de sua pretensão creditória. Na ausência de circunstâncias que suspendam a exigibilidade dos débitos, deve o Fisco adotar qualquer das medidas aptas à cobrança da dívida, sob pena de aperfeiçoamento da prescrição extintiva preceituada pelo artigo 174 do CTN.
Numero da decisão: 1803-000.450
Decisão: Acordam os membros do Colegiada, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, a Conselheira Selene Ferreira de Moraes votou pelas conclusões, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: Benedicto Celso Benício Júnior

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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL Exercícios: 1999 e 2000 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE DÉBITO PRÓPRIO COM CRÉDITO DE TERCEIRO — DECLARAÇÃO DOS PASSIVOS EM DCTF — DECURSO DE CINCO ANOS, SEM ADOÇÃO DE QUALQUER MEDIDA DE COBRANÇA — PRESCRIÇÃO — Os débitos informados em DCTF não podem ser objeto de decadência, em virtude do caráter confessional que permeia aquela declaração. Ainda assim, não pode a Fazenda postergar, ad infinitum, o exercício de sua pretensão creditória. Na ausência de circunstâncias que suspendam a exigibilidade dos débitos, deve o Fisco adotar qualquer das medidas aptas à cobrança da dívida, sob pena de aperfeiçoamento da prescrição extintiva preceituada pelo artigo 174 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiada, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, a Conselheira Selene Ferreira de Moraes votou pelas conclusões, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. . _........... " - -i,- . en-eira de Moraes - Presidente ,.---"- Benedicto CelSo B4tício Júnior - Relatar EDITADO EM: 04 /2010 1 Participaram do _preente julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Walter Adolfo Maresch, Luciano Inocêncio dos Santos, Roberto Annond Ferreira da Silva, Sérgio Rodrigues Mendes e Benedicto Celso Benicio Júnior. „.... 1 Processo e 103801028085/1999-49 S1-1 E03 Acórdiio 1803-00A50 F / 2 Relatório Trata-se de Pedido de Compensação de Crédito com Débitos de Terceiros, no valor de R$ 107,922,75, apresentado, em 15/10/1999 (fi, 01), por Sid Micraelettônica Segundo relato da fiscalização (fis, 07/14), a detentora do crédito ("cedente") não atendeu a intimação para apresentar os documentos que comprovariam o direito creditório pleiteado, impossibilitando a apreciação do mérito, A Diort da Derat/São Paulo/SP, diante da impossibilidade acima descrita, considerou não homologadas as compensações pleiteadas, incluindo a pertinente ao contribuinte em epígrafe ("cessionário"), partindo do entendimento de que as hipóteses de compensação com créditos de terceiros não haviam sido alcançadas pela conversão dos pedidos em declarações — motivo pelo qual inexistiria a homologação tácita prevista na legislação que rege a matéria. Ciente do despacho decisório em 11/12/2007, a empresa acima identificada apresentou, tempestivamente, em 09/01/2008, sua manifestação de inconformidade (fis„ 21/42) alegando, em síntese, que: - tem direito a apresentar manifestação de inconformidade, na condição de interessado, em respeito aos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade, da ampla defesa e do contraditório; - seu pedido teria sido convertido em declaração de compensação, motivo pelo qual já estaria homologada tacitamente a compensação por decurso de prazo, para a qual pede reconhecimento, e que incabível o entendimento contido na decisão a quo de que os pedidos de compensação de créditos com débitos de terceiros não teriam sido convertidos em declaração de compensação. Colaciona julgados do Conselho de Contribuintes que corroborariam a sua tese; - no que diz respeito ao direito creditório, não se pode aceitar, para fins de indeferimento do pedido de restituição/ressarcimento, "o fraco argumento de que não teria ficado claro o fato da não existência de processo de execução nos autos da ação ordinária n° 90,00,03532-5", pois, "se não há necessidade de instauração de fase executiva em processo que se declarou a inexistência de relação jurídica, (,.,), não há que se falar em comprovação de desistência da referida ação"; - uma vez que a manifestante possui o direito à denúncia espontânea, no. prazo de 30 dias contados da data da intimação do indeferimento definitivo do processo de compensação, o Fisco não poderia, de imediato, sem prévia intimação desta decisão, exigir qualquer tipo de multa sobre os débitos não-compensados, cobrados em razão da inconeta não- homologação; - não cabe a cobrança de juros pela taxa Selic, pois tal cominação é ilegal; - "sem que haja o competente lançamento de oficio por parte do fisco, o mesmo não pode alastrar seus tentáculos sobre os créditos que entende devido, de forma que a simples cobrança derivada da não homologação do pedido de compensação não pode ter o condão de qualquer . obrigatoriedade,"; - o fisco não pode vir a exigir valores supostamente não recolhidos a titulo de tributos, vez que teria decorrido período superior a cinco anos desde a ocorrência dos fitos geradores, sem que lançamento e ou qualquer tipo de cobrança tivesse sido formulada, Pi °cesso o" 10380 028085/1999-49 Sl-TE03 Acórdão 11:" 1803-00.450 Fl. 3 A 4a TURMA — DRJ EM FORTALEZA — CE, ao analisar a manifestação de inconformidade apresentada, manteve integralmente o despacho de não-homologação, ementando assim sua decisão: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário; 1998, 1999 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIROS, Os "Pedidos de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros", pendentes de apreciação, .ficaram de fora do rol daqueles que foram convertidos em "Declaração de Compensação", quando das modificações impostas pelas Leis n0 10.637, de 2002, e n° 10.8.33, de 2003, no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, motivo pelo qual não há que se . falar em homologação tácita para os mesmos. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIROS. ILEGITIMIDADE DO DEVEDOR PARA INTERPOR MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE CONTRA O INDEFERIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO, Negado o direito de restituição/ressarcimento de tributo ao titular do pedido, idêntica decisão se aplica ao terceiro que tenha compensado dívidas com o pretenso indébito fiscal daquele. Conseqüentemente, o devedor do débito que se pretende compensar é parte ilegítima para interpor manifestação de inconformidade contra o indeferimento do pleito," Cientificado da decisão em 18/07/2008, interpôs o interessado ("cessionário") recurso a este conselho, em 29/07/2008, aventando alegações idênticas às formuladas na manifestação inconfomnsta outrora trazida a lume. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Benedicto Celso Benicio Júnior, Relator (1) Da legitimidade recursal O recurso é, inegavelmente, tempestivo. Para que se dirimam todas as dúvidas relativas à sua admissibilidade, no entanto, é essencial perscrutarmos, preliminarmente, pela possibilidade de a ora peticionária se imiscuir na lide, na qualidade de interessada, A decisão recorrida entendeu que a recorrente não gozaria de legitimidade para discutir compensações que versassem sobre créditos de terceiros, ainda que os débitos respectivos ao ajuste de contas a ela se imputassem. Nesse sentido, em virtulle de o não Processo n° 10380 028085/1999-49 S1-1E03 Acórdão n.° 1803-00,450 H 4 reconhecimento dos direitos creditórios ter se dado em sede de outro processo administrativo (n" 13811.002062/1999-85), só poderia a titular dos débitos suportar, resignadamente, os reflexos efeitos da interpretação dada aos respectivos ativos, apoderados pela "cedente". Noutras palavras, segundo o decisum atacado, o fato de a compensação ter sido formulada por outrem, com base em créditos alheios, impediria, de pronto, que a recorrente intentasse opor sua pretensão à Fazenda, mesmo que as dívidas a serem extintas a ela tocassem. Cuidar-se-ia o caso, assim, de uma convenção exclusivamente particular', feita entre "cedente" e "cessionária", que nada diria respeito em referência ao Fisco. Entendo desarrazoada a exegese do colegiado ad quo. É verdade que o titular dos ativos representa, em princípio, o único legitimado para se insurgir contra o não-reconhecimento de seu direito creditório, derivado de sentença judicial transitada em julgado. A participação da ora pleiteante, naquele original processo administrativo, seria, por óbvio, desarrazoada, por lhe faltar legitimidade. A matéria objeto dos presentes autos, todavia, não se confunde com o debate sobre a lidimidade dos créditos. O cerne deste litígio corresponde, ao revés, à compensação de parte deste ativo com débitos de outro contribuinte — assunto que, embora conexo ao primeiro, guarda identidade própria, em razão da possibilidade de o ajuste de contas pleiteado ser reconhecido, por homologação tácita, mesmo no caso de os correspondentes créditos já terem sido preteritamente glosados ou desconsiderados. A legitimidade recursal de qualquer interessado tem guarida no artigo 58 da Lei if 9.784/99, responsável por estabelecer regras gerais pertinentes ao processo administrativo federal: "Art 58. Têm legitimidade para interpor recurso administrativo, - os titulares de direitos e interesses que forem parte no processo,. II - aqueles cujos direitos- ou interesses fbrem indiretamente afetados pela decisão recorrida,- III - as organizações e associações representativas, no tocante a direitos e interesses coletivos,. IV - os cidadãos ou associações, quanto a direitos ou interesses difusos.." Não cabe, aqui, como quiseram os julgadores ad quo, afastar este preceito, sob o argumento de que sua generalidade não alcançaria o específico regime dos processos. administrativos fiscais. Embora o artigo 69 daquela Lei n° 9.784/99 mantenha, com efeito, as regulamentações especiais preexistentes, certo é que os ditames deste genérico diploma têm aplicação subsidiária a todos os regramentos pertinentes a procedimentos administrativos :federais específicos, como o de índole fiscal. O Decreto IV 70,235/72 não traz nenhuma particular regra que restrinja, explicitamente, a legitimidade recursal do titular dos débitos, nos litígios em que se discutam compensações heterossubjetivas. O conceito amplo de interessado, trazido pela Lei a" 9.784/99, mostra-se, pois, escorreitamente aplicável à hipótese, a título de subsídio, na forma bem explicitada pela recorrente. E nem poderia ser diferente, diga-se de passagem, vez que este Conselho, em atenção aos princípios basilares que informam a atividade administrativa, tem buscado 4 jR, Processo n" 10380 028085/1999-49 SI-TE03 Acórdão n ° 1803-00,450 Fl 5 consagrar, tanto quanto possível, a mais ampla busca pela verdade material, calcada na extenso respeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Na medida em que os efeitos derivados da não-homologação da compensação em debate atingiram, frontalmente, o patrimônio da peticionária, a esta deve ser reconhecida a possibilidade de intervir no procedimento administrativo, demonstrando, se for o caso, a incorreção da interpretação fazendária, seja via manifestação de inconformidade, seja mediante recurso voluntário. A legitimidade da parte recorrente, destarte, é inquestionável. Presentes também os demais requisitos legais, deve-se, por ora, conhecer do recurso, passando-se, por conseguinte, ao destrinchamento do mérito suscitado. (2) Da prescrição Comprovada a legitimidade da recorrente, cumpre, agora, analisar outra questão preliminar, atinente à prescrição dos débitos objeto do ajuste de contas em estudo. O tópico não foi suscitado pela recorrente, em sua peça de irresignação. A despeito disso, por se cuidar de matéria de ordem pública, faz-se essencial perscrutarmos pela ocorrência ou pela inocorrência da prescrição extintiva dos passivos que se intenta compensar' com créditos de terceiro. Ilustrativaniente, veja-se a seguinte ementa de julgamento, lavrada por este próprio colegiado: "DECADÊNCIA MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. CONHECIMENTO DE OFICIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO/ DECADÊNCIA Extingue-se em cinco anos, contados da data da extinção do crédito e do pagamento indevido, o prazo para pedido de compensação ou restituição de indébito tributário (Ac, 20 CC — 203-10.697/06)" Pois bem, A postulante, em seu recurso, manifestou-se somente pela decadência do direito fazendário de constituir os débitos. Segundo seu entendimento, o pedido de compensação, isoladamente, não poderia ser assumido corno confissão, de maneira a ser indispensável que o Fisco lançasse de oficio os débitos tratados, para prevenção da caducidade. O acórdão atacado, contudo, afastou, escorreitamente, esta alegação, aventando que os passivos já teriam sido formalizados pelo próprio contribuinte, no momento em que este os relatou no corpo da DCTF/00 (tela de fl. 84). A partir disso, então, não haveria mais como se falar em decadência, eis ter se tomado dispensável o lançamento oficioso. Ocorre, porém, que, se é verdade que não haja mais curso de prazo de caducidade, não é possível, por outro lado, que se admita à Fazenda a possibilidade de postergação indefinida de sua pretensão creditícia. Tão-logo formalizados os passivos em debate, nasceu para os agentes fiscais competentes o dever de dar concretude à cobrança dos débitos, dentro do prazo quinquenal estatuído pelo artigo 174, caput, do CTN: prescreve rerstcrelv7e4enAi cinco anos, wpwas, lçaadatdao dacritoséldiatri constituição o coantacdoobs/ definitiva. ( ,.)" Uma vez não convertido o Pedido de Compensação original em DCOMP, em razão d& 10 objeto versado corresponder a compensação heterossubjetiva, nada haveria que Processo rt" 10380. 028085/1999-49 S1-1 103 Acórdão n ° 1803-90450 Fl 6 pudesse, de alguma forma, suspender ou interromper o interregno prescricional, na forma estabelecida pelo artigo 171 do CTN. Destarte, contado o lustro da entrega da DCIT, imperioso seria considerá-lo esgotado antes da data em que o despacho de indeferimento foi cientificado ao contribuinte — 11112/2007. Isto posto, DOU PROVIMENTO ao recurso, para reconhecer a prescrição dos débitos objeto da compensação inténtada_.. A ( ,. ) Benedicto Çáso et 'cio Júnior ...--/ ...:, F.V Processo n° 0380.028085/1999-49 S1-TE03 Acórdão n " 1803-00.450 Fl 7 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art, 81, § 3 0 , do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 05AGO 20 10 aristWàh*Is̀huojârTg,un--- stâria da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração. 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - CARF Processo n° 10380.028085/99-49 Interessado(a) RIGESA DO NORDESTE S,A, TERMO DE JUNTADA a Seção Declaro que juntei aos autos original do acórdão n° 1803-00.450, (fls. ), e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Procuradoria da Fazenda Nacional, para ciência do acórdão Em ASSINATURA

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Numero do processo: 10675.720035/2008-45
Data da sessão: Wed May 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2006 ÁREAS ALAGADAS. RESERVATÓRIOS DE USINAS HIDRELÉTRICAS. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. (Súmula CARF n° 45, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-000.592
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: NÚBIA MATOS MOURA

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RESERVATÓRIOS DE USINAS HIDRELÉTRICAS. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. (Súmula CARF n° 45, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) Recurso Voluntário Provido ,-- :- Vistos, relatados e-discutidos os presentes autos. 7 / Acordam os/Membros do polegiado, por unanimidade de votos, em, DA,R) provimento ao recurso, nos termos do vot i Ô d t á Relatora. , / //7 41 / I / GIOVANNI CHRIST i if• ' /Nil E CAMPOS — Presidente / - ,---, f. ii1/ 1 PI/ n 1,' NUBIA MATOS MO ' • — Relatora ( r),,I ii EDITADO EM/2,A 06/201' ti 0 1 i .'aiti‘am da sess o de julgamento os conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira de Lima, Ewan Teleái Aguiar, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. i Relatório Contra CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S/A foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 01/06, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do imóvel denominado Usina de Miranda, com 4.475,5 ha (NIRF 6.584.143-3), relativo ao exercício 2006, no valor de R$ 1.725.834,30, incluindo multa de oficio e juros de mora. A infração apurada pela autoridade fiscal foi, conforme Notificação de Lançamento, fls. 02/04, arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), mediante utilização do valor extraído do Sistema de Preços de Terra (SIPT), em razão de a contribuinte ter deixado de apresentar laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, que foi devidamente apreciada pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme acórdão DRJ/BSA n° 03-26.497, de 27/08/2008, fls. 68/79. Naquela oportunidade, decidiu-se, por unanimidade de votos, pela procedência do lançamento. Cientificada da decisão de primeira instância em 05/10/2008, fls. 82, a contribuinte apresentou, em 24/10/2008, recurso voluntário, fls. 84/115, onde alega, primordialmente, que as porções de terra cobertas pelas águas de reservatórios das usinas hidrelétricas — ou que lhe servem de margem legal, de preservação ou de segurança — são bens de domínio público da União e nunca poderiam ser colhidas no critério material da hipótese de incidência de qualquer tributo, quanto mais ainda de imposto de competência privativa e exclusiva daquela mesma pessoa política de direito público interno. É o Relatório. Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Muito embora o lançamento trate de arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), verifica-se que a lide instalada desde o início do procedimento fiscal gira em torno da possibilidade de se exigir, ou não, ITR sobre terras alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. Tal constatação confirma-se da leitura do Complemento da Descrição dos Fatos, fls. 02/04, parte integrante da Notificação de Lançamento, onde a autoridade fiscal discorre longamente sobre o tema. Já no recurso, assim como na impugnação, a contribuinte afiuna que o imóvel em questão está em grande parte coberta de água, não se prestando a nenhum outro fim, que o de reservar água, potencializando a força hidráulica para a geração de energia e que as margens dos reservatórios também não se prestam a qualquer outro objetivo, funcionando apenas como faixas de segurança para a variações normais do nível d'água. E, em assim sendo, defende a tese de que áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas_ _ _ hidroelétricas não se sujeitam à incidência do ITR. 4!? Processo n° 10675.720035/2008-45 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.592 Fl. 122 • Ocorre que tal matéria já se encontra pacificada neste Conselho, conforme Súmula CARF n° 45, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009, que a seguir se transcreve: Súmula CARF n°45 - O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. No presente caso, resta claro dos autos que o imóvel é utilizado como reservatório de usina hidrelétrica, estando suas áreas, portanto, submersas, de sorte que a exigência consubstanciada no lançamento não pode prosperar. Ante o exposto, VOTO por dar provimento ao recurso. 4,41 NUbia Matos Moura - Relatora - • 3

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7364765 #
Numero do processo: 13808.004125/2001-54
Data da sessão: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 1999 EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE, QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO, INOCORRÊNCIA. Descabida a alegação de quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, na situação em que os extratos bancários foram fornecidos à fiscalização pelo próprio titular da conta-corrente, em cumprimento do dever de prestar informações ao Fisco. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PROCEDÊNCIA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações, MULTA DE OFICIO. É correta a aplicação de multa de oficio proporcional, no percentual de 75%, quando apuradas receitas omitidas por presunção legal, sem a presença de qualquer outra circunstância que denote o intuito de fraude. A comprovação do intuito de fraude somente seria indispensável para a aplicação da multa qualificada de 150%, o que não é o caso dos autos. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1 2 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, Súmula n° 4 do CARF. Recurso Voluntário Negado,
Numero da decisão: 1301-000.339
Decisão: Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Waldir Viega Rocha

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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-21T10:01:21Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-21T10:01:18Z; Last-Modified: 2010-12-21T10:01:21Z; dcterms:modified: 2010-12-21T10:01:21Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:6dd0d5cf-358e-40cd-93cb-732945772534; Last-Save-Date: 2010-12-21T10:01:21Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-21T10:01:21Z; meta:save-date: 2010-12-21T10:01:21Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-21T10:01:21Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-21T10:01:18Z; created: 2010-12-21T10:01:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2010-12-21T10:01:18Z; pdf:charsPerPage: 1941; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-21T10:01:18Z | Conteúdo => SI-C3TI H 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo na 13808.004125/2001-54 Recurso n" 168,071 Voluntário Acórdão n" 1301-00.339 — 3" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 08 de julho de 2010 Matéria SIMPLES Recorrente MODELO SERVIÇOS COMERCIAIS LTDA. - ME Recorrida ia TURMAJDRJ SÃO PAULO/SP I ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 1999 EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE, QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO, INOCORRÊNCIA. Descabida a alegação de quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, na situação em que os extratos bancários foram fornecidos à fiscalização pelo próprio titular da conta-corrente, em cumprimento do dever de prestar informações ao Fisco. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PROCEDÊNCIA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações, MULTA DE OFICIO. É correta a aplicação de multa de oficio proporcional, no percentual de 75%, quando apuradas receitas omitidas por presunção legal, sem a presença de qualquer outra circunstância que denote o intuito de fraude. A comprovação do intuito de fraude somente seria indispensável para a aplicação da multa qualificada de 150%, o que não é o caso dos autos. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1 2 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, Súmula n° 4 do CARF. Recurso Voluntário Negado, ALDIR VEIGKRDCHA - Relator Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. 's eJr-c. LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente EDITADO EM: 12 NOV 2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Fábio Soares de Melo, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto, Relatório MODELO SERVIÇOS COMERCIAIS LTDA. - ME, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 8014, de 30/09/2005, da 1" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo - I / SP, recorre voluntariamente a este Colegiada, objetivando a reforma do referido julgado. Trata o presente processo de autos de infração, lavrados em 06/08/2001 (ciência em 07/08/2001), para constituição de crédito tributário referente aos tributos integrantes do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, quais sejam, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) (fl. 107), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) (fl, 112), Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) (fi, 117), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) (fl.. 122) e Contribuição para Seguridade Social (INSS) (fl. 127), acrescidos de multa de ofício de 75%, além de juros de mora, perfazendo o crédito tributário de R$ 58.220,60, tudo relativo ao ano-calendário 1998, conforme demonstrativo consolidado de fl. 03. As infrações apuradas pelo Fisco, discriminadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 108/109) e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 91/92), são, em apertada síntese: (i) omissão de receitas, apurada com base em depósitos bancários cuja origem a contribuinte, devidamente intimada, não logrou comprovar; e (ii) insuficiência de recolhimento, por variação do percentual aplicável ao SIMPLES, decorrente da omissão de receitas apurada. Cientificada das exigências e com elas inconformada, a contribuinte interpôs a impugnação de fls. 132/151, na qual aduziu argumentos que foram assim sintetizados pelo diligente relator do processo por ocasião do julgamento em primeira instância: 2 Processo nÕ 13808.004125/2001-54 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00339 F] 2 5.1 a movimentação bancária utilizada no lançamento refere-se a pagamentos de títulos protocolados em Cartório de Protesto de responsabilidade de seus clientes, não constituindo, portanto, sua receita, que é contabilizada em separado; 5.2.. seus clientes, mediante Contrato Particular de Prestação de Serviços e Procuração, a autorizam a receber intimações e a efetuar os pagamentos, por meio de cheques de sua própria emissão, referentes aos títulos protestados acrescidos das custas e emolumentos devidos, recebendo, para tanto, numerário através de cheques emitidos pelos próprios clientes ou por terceiros ou ainda em espécie; 5 3 . a autuação baseou-se em informações bancárias sem a necessária autorização judicial, pois a legislação que autorizou ao Fisco ter acesso a estas informações não estava vigente à época de ocorrência do suposto fato gerador; 5.4, no caso de dúvida, conforme dispõe o artigo 112 do CTN, deve-se interpretar em favor do réu, "inclusive em conseqüência do principio da estrita legalidade tributária, que não admite dúvida sobre o perfeito enquadramento do conceito do fato ao conceito da norma"; 5.5, na legislação que rege a matéria "não se vislumbra qualquer disposição legal que autorize o Fisco a, sem dispor de qualquer evidência concreta, tributar baseado em suposições pessoais"; 5.6. o procedimento fiscal adotado no presente caso viola os princípios da estrita legalidade e da tipicidade fechada, pois a exigência tributária somente se verifica com a existência concreta do fato gerador previsto em lei e o lançamento é atividade vinculada conforme dispõe o artigo 142 do CTN; 5.7, doutrina e jurisprudência transcritas dizem que as presunções, interpretações, conclusões ou indícios não são suficientes para fundamentar lançamentos tributários; 5 S. o auto de infração é nulo diante de todos os documentos juntados aos autos pela própria fiscalização e de sua inadequação às normas legais; 5.9, como a multa é acessória ao tributo e inexiste fundamento para cobrança do tributo, também inexiste fundamento para imposição de qualquer multa; 5,10, a lei exige para aplicação da penalidade a presença do evidente intuito de fraude, mas este, conforme os documentos constantes dos autos e diante da falta de comprovação das circunstâncias materiais do fato, não está configurado no presente processo; 5,11, a aplicação de juros de mora com base na Selic demonstra descabida majoração de penalidade imposta por lei posterior ao fato gerador ., o que afronta o princípio da segurança jurídica e os artigos 5 0 , incisos II, XXXVI e XL, e 150, incisos I e III, letra "a", da Constituição Federal e os artigos 105, 106, 142 e 144 do CTN, que determinam que a lei tributária somente se aplica a fatos geradores futuros e pendentes e que mesmo a lei interpretativa não pode retroagir para impor penalidade; 5i2. no caso em questão, a Lei n° 9.065/1995 retroagiu para alcançar um evento já consumado (período-base de 1994); 5.13. o artigo 13 da Lei n° 9.065/1995, que determinou o uso da Taxa Selic como juros de mora tributário, é inconstitucional e ilegal, pois esta taxa possui natureza remuneratória e não indenizatória, conforme dispõem as Circulares do 3 Banco Central do Brasil n° 466/1979, 1.594/1990, 2.311/1993 e 2,671/1996, que caracterizam esta como taxa que visa premiar o capital investido pelo tomador de títulos da dívida pública federal e que sofre influência das flutuações da economia de mercado; 5,14, em 1995 a Selic atingiu 4% ao mês, o que é um disparate, pois, diferentemente de tempos passados, possuímos uma economia estável com baixos índices de inflação; 5.15 os juros de mora tributários devem ter natureza de complemento indenizatório da obrigação principal, como determina o CTN e jurisprudência; 5„16, a Lei n° 9.065/1995 não estabeleceu nova forma de cálculo dos juros de mora a serem aplicados nas obrigações tributárias, nos termos do artigo 161, § 1', do CTN, mas apenas determinou a utilização de uma taxa de juros preexistente, de natureza remuneratória e instituída por circulares do Banco Central; 5.17. o uso da Taxa Selic como juros moratórios também ofende o princípio da segurança jurídica pelo fato de poder "ser alterada mediante a simples expedição de circular do Bacen dias antes do recolhimento do tributo, causando uma espécie de majoração disfarçada da base de cálculo do tributo"; 5.18. o uso da laxa Selic constitui verdadeira aplicação de juros sobre juros em percentuais mais elevados do que os 12% ao ano, estabelecidos no artigo 192, § 30, da Constituição Federal; 5.19. diante do principio da verdade material e sob pena de cerceamento do direito de defesa, requer a análise das cópias de cheques, procurações, contratos de prestação de serviços, títulos de responsabilidade dos clientes, depósitos bancários e demais documentos que acompanham a presente impugnação; e 5.20. diante de todo o exposto, requer e espera que a impugnação seja julgada procedente e seja determinado o cancelamento e o arquivamento do auto de infração A 1" Turma da DR' em São Paulo - 1/ SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão if 8014, de 30/09/2005 (fls. 262/275), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto.. Processo Administrativo Fiscal Data do fato getador. 31/01/1988, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998 Ementa: PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular, LANÇAMENTOS DECORRENTES PIS COFINS CSLL. O decidido quanto à infração que, além de implica, o lançamento de IRP.1 implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e da Contribuição para a Seguridade Social-INSS, também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível.. 4 Processo n° 13808.004125/2001-54 S1-C3TI Acórdão n " 1301-00339 FL 3 Assunto.. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Data do fato gerador. 31/01/1988, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/0.5/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 31/10/1998 Ementa: DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. RECEITA OMITIDA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostas e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Data do falo gerador; 31/01/1988, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 31/10/1998 Ementa.: PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS, APLICAÇÃO AO SIMPLES, Aplicam-se às pessoas jurídicas optantes pelo Simples todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos tributos abrangidos por este sistema simplfficado, desde que apuradas com base nos livros e documentos obrigatórios aos optantes pelo Simples. Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/01/1988, 28/0.2/1998, 31/0.3/1998, 30/04/1998, 31/0.5/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998 Ementa: MULTA. LANÇAMENTO DE OFICIO. O percentual da multa aplicada sobre os impostos e as contribuições apurados em lançamento de oficio é de 7.5% no mínimo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC Os tributos vencidos e ainda não pagos devem .ser acrescidos, a partir de 01/04/1995, de ¡uras de mora equivalentes à Taxa Ciente da decisão de primeira instância em 07/12/2007, conforme Aviso de Recebimento à fl. 276v, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 28/12/2007 conforme carimbo de recepção à folha 294. No recurso interposto (fls. 296/321), alega, em apertada síntese, que seu sigilo bancário teria sido ilegalmente quebrado, ao arrepio de disposições constitucionais. Colaciona jurisprudência administrativa que entende pertinente e invoca a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, a qual considera aplicável mesmo em face de legislação superveniente. Sustenta que a autuação foi feita por mera presunção, sem evidências concretas. Acrescenta que, diante de diferentes interpretações da legislação tributária e de dúvidas em face de circunstâncias materiais do fato, impor-se-ia a aplicação do art, 112 do CTN, em seu beneficio. Sobre os valores de sua movimentação bancária, a recorrente se manifesta à fl. 306 nos seguintes termos: A Atividade da Recorrente é de acompanhamento à seus clientes quanto ao pagamento de títulos protocolados em Cartório de Protesto, mediante Contrato Particular de Prestação de Serviços e Procurações documentos anexos às fls.), que transitam em sua conta corrente, tendo a saída dos mesmos valores em cheques de emissão dela, recorrente, para o pagamento dos títulos acrescidos de custas e emolumentos junto aos Cartório de Protestos Assim, a aludida movimentação bancária refere-se aos pagamentos de títulos de responsabilidade dos seus clientes, e não de receita da recorrente, que mantém sua contabilidade em separado. Prossegue, afirmando que não estaria perfeitamente caracterizada a ocorrência do fato gerador tributário, e insiste no uso, a seu ver inadequado, de presunção a fundamentar o lançamento. No que toca à multa e aos juros, a recorrente reitera os argumentos trazidos em sede de impugnação: por sua ótica, inexistente o crédito tributário, inaplicável a multa, desde que o acessório segue o principal. Ademais, restaria ausente o intuito de fraude exigido pela lei para a aplicação da penalidade. Também quanto aos juros, questiona a aplicação da taxa Selic, com os mesmos argumentos anteriormente aduzidos. É o Relatório. 6 Processo n" 13808 004125/2001-54 S1-C311 Acórdão n.° 1301-00339 Fl 4 Voto Conselheiro WALDIR VEIGA ROCHA O recurso é tempestivo e dele conheça A primeira reclamação da recorrente se dirige contra supostas irregularidades na obtenção de sua movimentação bancária. Sustenta a recorrente que seu sigilo bancário teria sido quebrado sem autorização judicial, com infração ao art 5', incisos X e XII, da Constituição Federal de 1988. Compulsando os autos, verifico que os extratos bancários (fis, 09/71) da conta-corrente n° 02-055836-7, mantida no Banco Mercantil do Brasil S.A. em nome da recorrente, foram apresentados pela então fiscalizada em atendimento a intimação específica (fl. 04), em 17/04/2001, cf fl. 07. Constato, assim, que o Fisco não se utilizou do instrumento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira — RMF, instituído pelo Decreto ri." 3.724/2001, ao regulamentar as disposições do art 6" da Lei Complementar n° 105/2001. Os extratos bancários utilizados no presente processo não foram fornecidos pela instituição financeira mas, ao contrário, foram apresentados ao Fisco pelos próprios titulares da conta-corrente, em cumprimento do dever de prestar informações, consignado, entre outros, no art, 927 do Decreto if 3,000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda — RI1R199): Art. 927. Todas as pessoas físicas ou furídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos Auditores-Fiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas .funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei n 2 2354, de 1954, art. 72). Assim, as reclamações da recorrente contra o que considera a quebra de seu sigilo bancário sem autorização judicial, com ofensa a princípios constitucionais, perde força pois, como visto, quebra de sigilo não ocorreu. A seguir, a recorrente reclama que o lançamento de imposto de renda com base exclusivamente em extratos bancários seria ilegítimo, à luz da súmula 182 do TFR,. Sustenta, ainda, que a autuação teria sido feita por mera presunção, sem evidências concretas, que restaria incomprovado o fato gerador tributário. A acusação trata de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art 42 da Lei n° 9.430, com a redação dada pela Lei n° 10,6.37/2002, a seguir transcrito: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, 7 § 1" O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2" Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3" Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados. 1- os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Li Trata-se, como é cediço, de presunção relativa, que admite prova em contrário. Mas essa prova cabe à recorrente. Ao Fisco cabe provar o fato indiciário, definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, qual seja, a ocorrência de depósitos bancários de origem não comprovada. Não há dúvidas de que os depósitos efetivamente ocorreram. No entanto, regularmente intimada, a recorrente poderia afastar a presunção de omissão de receitas, desde que apresentasse, nos termos da lei, documentação hábil e idônea que comprovasse, individualizadamente, a origem dos valores creditados em suas contas-correntes. Ressalto, aliás, que isso ocorreu com grande parte dos depósitos bancários que foram objeto de intimação por parte do Fisco (vide demonstrativo às fls. 74/90), e que somente integraram a autuação (demonstrativo de fl, 93) aqueles valores cuja origem, ao final do procedimento de fiscalização, restou incornprovada. A interessada prossegue, buscando esclarecer a natureza de suas atividades e o convencimento de que os valores que transitaram por sua conta bancária na verdade não lhe pertenceriam, mas sim a terceiros. Faz referência a documentos que teriam sido acostados aos autos, e que comprovariam sua assertiva. Esses documentos se encontram às fls. 158/214, e consistem em diversos instrumentos particulares de procuração, outorgados por clientes, com poderes de representação junto a cartórios de protestos de letras e títulos, contratos particulares de prestação de serviços no mesmo sentido, cópias de cheques, recibos de depósitos e demonstrativos intitulados "Relação de Títulos p/ Pagamento". Essa documentação foi minuciosamente analisada no julgamento em primeira instância, e considerada insuficiente. Procedi também à análise dos documentos e cheguei à mesma conclusão que a turma julgadora a quo. Na ausência de questionamentos específicos quanto a esta parte da matéria, ou de reclamações fundamentadas quanto aos motivos que levaram à rejeição dessa documentação como hábil a comprovar individualizadamente os depósitos bancários em tela, peço vênia para transcrever a análise empreendida pelo diligente relator do processo em primeira instância, cujos fundamentos, desde já, adoto também aqui como razões de decidir'. 14, Neste passo, cabe a análise dos documentos apresentados pela impugnante, Primeiramente cabe observar que os depósitos considerados não comprovados estão perfeitamente descritos nos demonstrativos de fls. 74 a 90 e 93, enquanto os documentos (fls 158 a 214) que a autuada afirma comprovar a origem destes depósitos bancários foram anexados sem nenhuma ordem aparente e sem indicação a qual depósito cada documentos se refere. Além disto, alguns destes 8 Processo tf 13808004125/2001-54 S1-C3T1 Acórdão n° 1301-00339 Fl. 5 documentos não são hábeis para provar a origem dos depósitos porque estão ilegíveis (fls. 19.3 e 207) ou foram xemcopiados sem nenhum cuidado, uns sobre os outros (fls.. 189, 194, 197, 199, 200 e 209), 15. As procurações e contratos de prestação de serviços apresentados (fls. 158 a 182) são inábeis para comprovar a origem dos depósitos bancários não comprovados durante a fiscalização, pois se referem a empresas cujos depósitos já foram considerados comprovados pela autoridade lançadora e não há relação documental destes contratos e procurações com os citados depósitos não comprovados. Além disto, os recibos emitidos pela própria interessada de fls.. 191, 194, 203, 204, 205, 209, 210 e 213 também se referem a valores já considerados comprovados. 16. Os demais documentos de fls. 183 a 214 (cópias de cheques, comprovantes de depósitos e outros recebidos emitidos pela própria interessada) apenas podem comprovar quem emitiu os cheques depositados e/ou realizou os depósitos bancários, mas não comprovam o motivo que ensejou os depósitos, nem que os valores depositados não são receitas tributáveis. Os recibos emitidos pela própria interessada também são inábeis para provar a origem dos recursos, pois não estão acompanhados de outros documentos tais como contratos de prestação dos serviços e/ou cópia dos títulos protestados e pagos. Observe-se que a soma dos valores escritos à caneta sobre os recibos de fls. 184 e 185, um pouco maiores que os valores impressos, coincidem com o valor depositado em 14/01/1998. Contudo, os recibos foram emitidos em nome de uma pessoa jurídica e o emissor do cheque depositado é uma pessoa física. Para as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES, situação da interessada, a obrigação de escriturar toda a movimentação financeira, inclusive bancária e, ainda, de guardar todos os documentos e demais papéis que sirvam de base para a escrituração está prevista no art. 7', § 1°, da Lei n° 9,317/1996, a seguir transcrito: AN, 7° A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do ano- calendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que tratam os arts„.3° e 4 0 . áç 1° A microempresa e a empresa de pequeno porte .ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano- calendário,. c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores. Ao descumptir essa obrigação, a recorrente queda sem meios hábeis para comprovação da origem dos valores que transitaram por sua conta-corrente. Não tendo a 9 interessada qualquer cautela em documentar adequadamente os fatos, ficam por sua conta e risco as conseqüências de tal negligência. No caso, a conseqüência é a aplicação da presunção legal de omissão de receitas, nos estritos termos da lei, conforme anteriormente mencionado. Também não é demais registrar que a Súmula n° 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos, bem assim a jurisprudência colacionada pela recorrente, se referem à legislação pretérita, anterior à vigência da Lei n° 9.430/1996, e se encontram superadas. Ao contrário do que pretende a recorrente, uma decisão administrativa ou judicial, bem assim eventuais súmulas delas decorrentes, sempre se baseiam na legislação então vigente. Sobrevindo leis que disponham de forma diferente, a jurisprudência não só pode como deve se alterar, para bem aplicar aos fatos o novo arcabouço legislativo. A recorrente requer a aplicação do art. 112 do CTN, verbis: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I - à capitulação legal do fato, 11 - à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; iii - à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV- à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.. Tal pedido não merece acolhida. O dispositivo encontra sua aplicabilidade na hipótese de dúvida quanto à interpretação da lei tributária, nas situações que especifica, o que não vislumbro no presente caso. Não há aqui qualquer dúvida, mas tão somente a falta de comprovação, por parte da interessada, da origem de valores depositados em sua conta- corrente, o que é suficiente para caracterizar a omissão de receitas a que se refere a lei, conforme anteriormente exposto. No que toca à multa de 75% aplicada, os argumentos da recorrente se mostram também insubsistentes. Em primeiro lugar, porque o principal (tributo) foi mantido, como visto, e, se o acessório deve seguir o principal, como sustenta a interessada, igualmente a multa deve ser mantida. Em segundo lugar, porque não se trata, aqui, da multa qualificada de 150% para a qual seria exigida a comprovação do evidente intuito de fraude. No caso sob exame, a multa de 75% encontra fundamento no inciso 1 do art, 44 da Lei n° 9430/1996, em sua redação vigente à época do lançamento, e é aplicável de forma objetiva, diante da falta de pagamento ou recolhimento do tributo, o que já foi adequadamente observado em primeira instância. Resta, afinal, examinar o questionamento da interessada acerca da aplicação da taxa Selic para o cálculo das juros moratórias. A matéria já foi inúmeras vezes discutida por este Colegiado, bem assim pelo extinto Primeiro Conselho de Contribuintes e pelo CARF, e se encontra pacificada, a ponto de resultar na súmula n° 4, a seguir reproduzida': Súmula CARF n" 4. A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de 1 Anexo III da Portaria CARF if 106, de 21/12/2009, publicada no DOU de 22/12/2009 10 11 Processo n 13808 004125/2001-54 S1-C3T1 Acórdão n 1301-00339 Fi 6 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. A teor do art, 72 do Anexo Il do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF IV 256/2009, as súmulas aprovadas pelo CARF são de observância obrigatória por seus membros. Por amor à clareza, trago à colação às disposições do art, 161, § 1°, do CTN (grifos não constam do original): Art. 161, O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual .for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidos de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.. § 1" Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês, Ocorre que a Lei n° 9,430/1996, em seu artigo 61, § 3°, conjugado com o art. 5", § 3', veio a dispor de modo diverso, estabelecendo a aplicação de juros equivalentes à taxa SELIC sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos não pagos, nos seguintes termos (grifos não constam do original): Art 5" O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1", será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração, [.1 § 3" As quotas do imposto serão acrescidas de furos equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos _federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. I Art. 61 . Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos .fatos geradores ocorrerem a partir de 1" de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, [J § 3" Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o .sç 3" do art. 5 0, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento Não acolho, pois, os questionamentos acerca da aplicação da taxa SELIC.

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Numero do processo: 13863.000206/2007-14
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2002 VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e,detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. LANÇAMENTO DECLARADO NULO. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO OU NOVO LANÇAMENTO. Para o deslinde da questão há de se esclarecer que ação fiscal que culminou com a lavratura da presente NFLD foi promovida com a finalidade de constituição de créditos anulados pelo CRPS, devido ao fato da empresa ter o direito à redução da multa prevista no art. 35, § 4º da Lei n.° 8.212/91, considerando que as contribuições foram declaradas em GFIP, conforme inciso IV do art. 32 da referida Lei, não tendo sido a redução contemplada quando da primeira Notificação Fiscal. É de vital importância a distinção entre vício formal e material para dimensionar os diferentes efeitos que, quanto à sua natureza e intensidade, cada um desses erros pode ter sobre o crédito tributário constituído. Há de se avaliar a ocorrência do erro como sendo "menos ou mais gravoso" e reforçando a idéia de que, também daí, pode-se extrair subsídios com vistas à classificação do vício como sendo de forma ou de substância Saliento que, não restou aqui reapreciada a natureza do vício declarado por ocasião da anulação do primeiro lançamento. Mas sim, foi apreciado a conformidade do novo lançamento com o lançamento a que pretende substituir. Neste contexto, é lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelam-se incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Com efeito, sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem efetivamente necessárias para o novo lançamento, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. Ocorre que, para que se aplique o art. 173, II do CTN o novo lançamento deve conformar-se materialmente com o lançamento anulado. Fazendo-se necessária perfeita identidade entre os dois lançamentos, posto que não pode haver inovação material no lançamento substitutivo ao lançamento anulado anteriormente. O que não ocorre no presente caso, posto o novo lançamento ter se omitido quanto aos motivos para a refiscalização (art. 149, do CTN). Destarte, o presente lançamento deve ser analisado como um novo lançamento e não como um lançamento substitutivo, o que acarreta a conclusão de que, no momento em que foi lançado, o crédito tributário a que se referia já se encontrava extinto pela decadência. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A compensação, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido, não pode ser superior a 30% (trinta por cento) do valor a ser recolhido em cada competência à Seguridade Social, excluídos os valores devidos a outras entidades e fundos, conforme estabelecido no art. 89 caput e § 3° da Lei 8.212, de 1991. Ao ser constatado pela fiscalização que o contribuinte não respeitou os limites impostos pelos dispositivos legais, a Autoridade Fiscal deve efetuar a glosa dos referidos valores que foram compensados em desacordo com a legislação previdenciária.
Numero da decisão: 2301-003.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício na anulação da autuação originária como material, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou pela conceituação do vício como formal; b) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 05/2001, anteriores a 06/2001, devido a regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Manoel Coelho Arruda Júnior. Sustentação oral: Elayne Lopes Lourenço Mustefaga. OAB: 28478/DF. João Bellini Júnior – Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão. Participaram do presente julgamento, os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS

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2301­003.514  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de maio de 2013  Matéria  TEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO  Recorrente  SOCIEDADE BRASILEIRA BENEFICIADORA DE CHÁ LTDA.  Recorrida  UNIÃO (REPRESENTADA PELA PROCURADORIA­GERAL DA  FAZENDA NACIONAL)    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2002  VÍCIOS  DO  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL  MPF.  ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA.  Falhas  quanto  a  prorrogação  do  MPF  ou  a  identificação  de  infrações  em  tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve  ao  fato  de  que  a  atividade  de  lançamento  é  obrigatória  e  vinculada,  e,detectada  a  ocorrência  da  situação  descrita  na  lei  como  necessária  e  suficiente  para  ensejar  o  fato  gerador  da  obrigação  tributária,  não  pode  o  agente  fiscal  deixar  de  efetuar  o  lançamento,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional.  LANÇAMENTO  DECLARADO  NULO.  LANÇAMENTO  SUBSTITUTIVO  OU  NOVO LANÇAMENTO.  Para o deslinde da questão há de se esclarecer que ação fiscal que culminou  com  a  lavratura  da  presente  NFLD  foi  promovida  com  a  finalidade  de  constituição de créditos anulados pelo CRPS, devido ao fato da empresa ter o  direito  à  redução  da  multa  prevista  no  art.  35,  §  4º  da  Lei  n.°  8.212/91,  considerando  que  as  contribuições  foram  declaradas  em  GFIP,  conforme  inciso  IV do art.  32 da  referida Lei,  não  tendo  sido  a  redução contemplada  quando da primeira Notificação Fiscal.  É de vital importância a distinção entre vício formal e material para dimensionar os  diferentes  efeitos  que,  quanto  à  sua  natureza  e  intensidade,  cada  um  desses  erros  pode ter sobre o crédito tributário constituído. Há de se avaliar a ocorrência do erro  como  sendo  "menos  ou  mais  gravoso"  e  reforçando  a  idéia  de  que,  também  daí,  pode­se extrair subsídios com vistas à classificação do vício como sendo de forma  ou de substância  Saliento que, não restou aqui reapreciada a natureza do vício declarado por ocasião  da  anulação  do  primeiro  lançamento.  Mas  sim,  foi  apreciado  a  conformidade  do  novo  lançamento  com  o  lançamento  a  que  pretende  substituir.  Neste  contexto,  é     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 3. 00 02 06 /2 00 7- 14 Fl. 514DF CARF MF     2 lícito  concluir  que  as  investigações  intentadas  no  sentido  de  determinar,  aferir,  precisar  o  fato  que  se  pretendeu  tributar  anteriormente,  revelam­se  incompatíveis  com  os  estreitos  limites  dos  procedimentos  reservados  ao  saneamento  do  vício  formal. Com efeito, sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o  Fisco  intimar  o  contribuinte  para  apresentar  informações,  esclarecimentos,  documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem  efetivamente  necessárias  para  o  novo  lançamento,  significa  que  a  obrigação  tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim,  de estrutura ou da essência do ato praticado. Ocorre que, para que se aplique o art.  173,  II  do  CTN  o  novo  lançamento  deve  conformar­se  materialmente  com  o  lançamento  anulado.  Fazendo­se  necessária  perfeita  identidade  entre  os  dois  lançamentos,  posto  que  não  pode  haver  inovação  material  no  lançamento  substitutivo ao lançamento anulado anteriormente.  O que não ocorre no presente caso, posto o novo lançamento ter se omitido quanto  aos  motivos  para  a  refiscalização  (art.  149,  do  CTN).  Destarte,  o  presente  lançamento  deve  ser  analisado  como  um  novo  lançamento  e  não  como  um  lançamento substitutivo, o que acarreta a conclusão de que, no momento em que foi  lançado, o crédito tributário a que se referia já se encontrava extinto pela decadência.  COMPENSAÇÃO  INDEVIDA  DE  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  A  compensação,  na  hipótese  de  pagamento  ou  recolhimento  indevido,  não  pode ser superior a 30% (trinta por cento) do valor a ser recolhido em cada  competência  à  Seguridade  Social,  excluídos  os  valores  devidos  a  outras  entidades  e  fundos,  conforme  estabelecido  no  art.  89  caput  e  §  3°  da  Lei  8.212,  de  1991. Ao  ser  constatado  pela  fiscalização  que  o  contribuinte  não  respeitou  os  limites  impostos  pelos  dispositivos  legais,  a Autoridade  Fiscal  deve  efetuar  a  glosa  dos  referidos  valores  que  foram  compensados  em  desacordo com a legislação previdenciária.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do  Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício na anulação da autuação originária  como material, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira  Barros, que votou pela conceituação do vício como formal; b) em dar provimento parcial ao  recurso,  para  excluir  do  lançamento  as  contribuições  apuradas  até  a  competência  05/2001,  anteriores a 06/2001, devido a regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do  Redator.  Vencidos  os  Conselheiros  Bernadete  de  Oliveira  Barros  e  Mauro  José  Silva,  que  votaram em aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; c) em dar provimento  parcial  ao Recurso,  no mérito,  para que seja  aplicada  a multa prevista no Art.  61,  da Lei nº  9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os  Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa  aplicada;  II)  Por  unanimidade  de  votos:  a)  em  negar  provimento  ao  Recurso  nas  demais  alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Manoel Coelho Arruda  Júnior. Sustentação oral: Elayne Lopes Lourenço Mustefaga. OAB: 28478/DF.  João Bellini Júnior – Presidente e redator ad hoc na data de formalização do  acórdão.  Participaram  do  presente  julgamento,  os  conselheiros  Marcelo  Oliveira  (Presidente),  Adriano  Gonzáles  Silvério,  Wilson  Antonio  de  Souza  Correa,  Bernadete  de  Oliveira Barros, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior.  Fl. 515DF CARF MF Processo nº 13863.000206/2007­14  Acórdão n.º 2301­003.514  S2­C3T1  Fl. 3          3 Relatório  Conselheiro João Bellini Júnior  Para  registro  e  esclarecimento,  consigno  que,  pelo  fato  do  conselheiro  Manoel  Coelho  Arruda  Júnior,  relator  original,  ter  deixado  o  CARF  antes  de  sua  formalização, fui designado ad hoc para fazê­lo.  Esclareço  que  me  atenho  aos  registros  de  votos  deixados  pelo  conselheiros nos sistemas do CARF e à decisão prolatada em sessão, conforme registrada  em ata, com os quais não necessariamente concordo.  Feito o registro.  Reproduzo o relatório constante do acórdão recorrido:  O  presente  lançamento  refere­se  à  glosa  de  compensações  efetuadas  pela  empresa  em  desconformidade  com  a  legislação  vigente,  ultrapassando  o  limite  de  30%  (trinta  por  cento)  das  contribuições  arrecadadas  e  administradas  pelo  INSS  para  a  Seguridade Social, excluídas as destinadas a outras entidades e  fundos, relativas às competências 01/1999 a 04/2002.  Consoante  o  Relatório  Fiscal  de  fls.  30  a  33,  a  presente  Notificação  Fiscal  foi  lavrada  em  substituição  a  NFLD  n.°  35.367.833­3  de  30/08/2002,  pelo  fato  dessa  última  ter  sido  julgada  nula  por  meio  da  Decisão­Notificaçáo  nº  21.433.4/0004/2006,  devido  ao  fato  da  empresa  ter  o  direito  à  redução da multa prevista no art. 35, § 4o da Lei n.° 8.212/91,  considerando que as contribuições  foram declaradas em GFIP,  conforme inciso IV do art. 32 da referida Lei, não  tendo sido a  redução  contemplada  quando  da  primeira  Notificação  Fiscal.  Ainda,  consoante  o  Relatório  Fiscal,  as  contribuições  devidas  foram  apuradas  com  base  nas  folhas  de  pagamento,  na  escrituração  contábil  e  nas Guias  de Recolhimento do FGTS  e  Informações à Previdência Social­GFIP.  3.  O  montante  total  do  débito  é  de  R$  175.146,88  (cento  e  setenta e cinco mil. cento e quarenta e seis reais e oitenta e oito  centavos), consolidado em 12/06/2006.  DA IMPUGNAÇÃO  4.  Dentro  do  prazo  regulamentar  a  empresa  apresentou  impugnação, as fls. 42 a 125, alegando em síntese que:  4.1  Cita  os  arts.  574  e  588  da  Instrução Normativa MPS/SRP  n.° 03/2005, aduzindo que não lhe foi dada ciência do Mandado  de Procedimento Fiscal­MPF quando do início do procedimento  de  fiscalização,  sendo que a publicidade do ato administrativo,  traduzida na ciência do início do procedimento fiscal, apresenta­ Fl. 516DF CARF MF     4 se como requisito imprescindível à perfeição desse, tornando­se  imperioso  à  validade  da  Notificação  Fiscal  que,  na  época  do  início  do  procedimento  de  fiscalização,  fosse  dada  ciência  à  impugnante  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal,  o  que  não  ocorreu. Aduz que tais vícios no MPF justificam o cancelamento  de  todo  o  processo  administrativo  Fiscal  dele  decorrente.  Cita  decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS e  do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda.  4.2  Ainda preliminarmente, alega a decadência do crédito fiscal  relativo aos meses de janeiro de 1999 a maio de 2001, aduzindo  que a D. Autoridade Fiscal deveria realizar a revisão de ofício  do lançamento antes de extinto o direito da Fazenda Publica ou  seja,  antes  da  ocorrência  da  decadência  desses  valores,  sendo  que, com relação aos valores originados no período de 01/99 até  05/2001,  a  D.  Autoridade  Administrativa  efetuou  a  revisão  do  lançamento após extinto o referido direito, posto que somente foi  notificada  da  nova  autuação  em  30/06/2006,  portanto,  após  transcorrido o prazo decadencial. Tece comentários a cerca da  decadência,  aduzindo  que  a  pretensão  de  cobrança  de  suposto  crédito  relativo  ao  período  mencionado  é  ilegal,  motivo  pelc  qual  a  presente  autuação  deverá  ser  cancelada,  sendo  a  contribuição previdenciária  lançamento por homologação, cujo  prazo  decadencial  é  contado  nos  termos  do  art.  150,  §  4°  do  CTN.  Cita  julgado  do  Superior  Tribunal  de  Justiça.  Também  alega  que  conforme  jurisprudência  do  Poder  Judiciário  e  dos  Tribunais  Administrativos,  o  art.  45  da  Lei  n.°  8.212/91  viola  frontalmente  a  Carta  Magna,  sendo  que  as  contribuições  previdenciárias,  em  sendo  tributos,  os  prazos  de  decadência  e  prescrição  estabelecidos  pelo  Código  Tributário  Nacional  não  pode ser ampliados por lei ordinária, o que somente poderia ser  feito por meio de lei complementar. Cita julgados e doutrina.  4.3  Alega  a  defendente  que,  ao  efetuar  as  compensações  indicadas  na  presente  Notificação  Fiscal  sem  a  devida  observação  do  limite  de  30%  (trinta  por  cento)  do  valor  a  ser  recolhido em cada competência,  não  realizou qualquer ato que  tenha  prejudicado  aos  cofres  públicos,  a  não  ser  quanto  aos  efeitos  da  postergação  do  recolhimento  das  contribuições  em  pauta,  já que, conforme documentação que será posteriormente  juntada,  nos  períodos  posteriores  aos  abrangidos  no  presente  lançamento,  procedeu  ao  recolhimento  das  contribuições  sem  aproveitar o limite de valores a compensar a que teria direito se  tivesse observado o disposto na lei, sendo que em não tendo a D  Autoridade  Fiscal  considerado  o  efeito  econômico  de  mero  diferimento,  exigindo  de  forma  indevida  tributo  já  recolhido,  deve a presente Notificação Fiscal ser cancelada.  4.4  Aduz que em virtude da documentação abranger um longo  intervalo de anos, bem como levando­se em conta o exíguo prazo  para  apresentação  de  defesa,  não  finalizou  a  busca  de  toda  a  documentação para demonstrar à fiscalização a lisura de todos  os  seus  procedimentos,  o  que  espera  realizar  o  mais  breve  possível.  4.5  Assim,  requer  que  a  presente  Notificação  Fiscal  seja  completamente' cancelada em todos os seus efeitos. Protesta por  todos os tipos de provas em direito admitidas.  Fl. 517DF CARF MF Processo nº 13863.000206/2007­14  Acórdão n.º 2301­003.514  S2­C3T1  Fl. 4          5     A  Delegacia  da  Receita  Previdenciária  em  Santos  julgou  procedente  o  lançamento, em decisão que recebeu a seguinte ementa:  CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  A decadência das contribuições previdenciárias opera­se em 10  (dez) anos, consoante art. 45 da Lei n." 8.212/91.  A  compensação,  na  hipótese  de  pagamento  ou  recolhimento  indevido, não pode ser superior a 30º (trinta por cento) do valor  a  ser  recolhido  em  cada  competência  à  Seguridade  Social,  excluídos  os  valores  devidos  a  outras  entidades  e  fundos,  conforme  estabelecido  no  art.  89  "caput''  e  §  3°  da  Lei  n.  8.212/91.  Ao  ser  constatado  pela  fiscalização  que  o  contribuinte  não  respeitou  os  limites  impostos  pelos  dispositivos  legais,  a  Autoridade Fiscal deve efetuar a glosa dos referidos valores que  foram  compensados  em  desacordo  com  a  legislação  previdenciária pertinente.  LANÇAMENTO PROCEDENTE.   O contribuinte foi cientificado dessa decisão em 23/04/2007 (e­fl. 147). Em  23/05/2007  apresentou  seu  recurso  voluntário,  alegando:  (a)  a  nulidade  do  mandado  de  procedimento fiscal (MPF); (b) a decadência do crédito fiscal relativo aos meses de janeiro de  1999  até maio  de  2001  (inclusive);  e  (c)  o  efeito  de mera  postergação  do  recolhimento  das  contribuições ora exigidas. Pediu o cancelamento da autuação.  É o relatório.  O processo foi distribuído para este redator ad hoc em 15/03/2017.  Voto             Conselheiro João Bellini Júnior  Para  registro  e  esclarecimento,  consigno  que,  pelo  fato  do  conselheiro  Manoel  Coelho  Arruda  Júnior,  relator  original,  ter  deixado  o  CARF  antes  de  sua  formalização, fui designado ad hoc para fazê­lo.  Esclareço  que  me  atenho  aos  registros  de  votos  deixados  pelo  conselheiros nos sistemas do CARF e à decisão prolatada em sessão, conforme registrada  em ata, com os quais não necessariamente concordo.  Feito o registro.  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade,  conheço  do  Recurso  Voluntário interposto e passo ao exame das razões recursais.  Fl. 518DF CARF MF     6 Em suas razões recursais, o recorrente alega que não lhe foi dada ciência do  MPF  quando  do  início  do  procedimento  de  fiscalização,  sendo  que  a  publicidade  do  ato  administrativo,  traduzida  na  ciência  do  início  do  procedimento  fiscal,  apresenta­se  como  requisito imprescindível à perfeição desse.  Não  obstante  possuir  entendimento  pessoal  convergente  aos  argumentos  colacionados  pelo  Contribuinte,  curvo­me  ao  posicionamento  consolidado  pelo  r.  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais­CARF, conforme se denotará a seguir.  A discussão em torno de nulidade acerca do MPF é irrelevante diante do fato  de  que o  lançamento  tributário  foi  efetuado  por  servidor  competente  e  contém os  elementos  exigidos pelo art. 10 do Decreto n°70.235, de 06 de março de 1972 e alterações, dispositivo  que regula o processo administrativo fiscal.  Além  disso,  a  atividade  do  lançamento  tributário  é  privativa  da  autoridade  administrativa, vinculada ao texto da lei, e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional  pelo seu descumprimento, nos termos no art. 142 do Código Tributário Nacional­CTN.  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,identificar  o  sujeito  passivo  e,  sendo  caso,  propor  a  aplicação da penalidade cabível.  Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.  Com efeito, foi atribuída aos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita  Federal  do  Brasil  o  lançamento  dos  tributos  e  contribuições  de  competência  da  União,  nos  termos do artigo 6°, da Lei n° 10.593/2002, com redação dada pela Lei 11.457/2007, que assim  dispõe:  Art. 6. São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal  da Receita Federal do Brasil:  I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal  do Brasil e em caráter privativo:  a)  constituir,  mediante  lançamento,  o  crédito  tributário  e  de  contribuições; (grifei)  Já  o  MPF,  foi  instituído  pela  Portaria  SRF  n°  1.265,  de  22  de  novembro  de1999, e regulado pela Portaria RFB n° 3.007/2001, vigente durante a ação fiscal sob análise,  consiste  em  documento  emitido  em  decorrência  de  normas  administrativas  que  regulam  a  execução da atividade fiscal, determinando que os procedimentos fiscais relativos aos tributos  administrados pela Receita Federal  sejam  levados  a  efeito de conformidade com uma ordem  específica, a qual pressupõe formalização mediante MPF.  O  MPF  constitui­se,  assim,  apenas  em  instrumento  de  controle  da  administração  tributária  em  relação  aos  procedimentos  realizados  pelos  seus  servidores  e  instrumento de garantia para o contribuinte, na medida em que este poderá conferir se de fato o  Auditor Fiscal que o esteja fiscalizando se encontra no exercício legal de suas funções.  Fl. 519DF CARF MF Processo nº 13863.000206/2007­14  Acórdão n.º 2301­003.514  S2­C3T1  Fl. 5          7 Eventuais incorreções, falta de intimação ou falta de prorrogação da validade  desse  instrumento  não  tem  o  condão  de  invalidar  o  lançamento  tributário,  porque  normas  administrativas  não  podem  se  sobrepor  à  lei.  Assim,  uma  vez  efetuado  o  lançamento  por  autoridade  administrativo  fiscal  competente,  nos  termos  do  art.  142  do CTN,  e  atendidas  as  disposições do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972 e alterações, o mesmo deve prevalecer  em relação aos atos normativos infra legais que criaram o MPF:  Acórdão n° 1402­00.385  Assunto:  Imposto  sobre  a Renda  da Pessoa  Jurídica  IRPJ Ano  calendário:2004  Ementa:VÍCIOS  DO  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL MPF.ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA.  Falhas  quanto  a  prorrogação  do  MPF  ou  a  identificação  de  infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no  lançamento.  Isto  se  deve  ao  fato  de  que  a  atividade  de  lançamento é obrigatória e vinculada, e,detectada a ocorrência  da  situação  descrita  na  lei  como  necessária  e  suficiente  para  ensejar  o  fato  gerador  da  obrigação  tributária,  não  pode  o  agente  fiscal  deixar  de  efetuar  o  lançamento,  sob  pena  de  responsabilidade funcional.    II DECADÊNCIA    A  discussão  gira  em  torno  da  apreciação  da  decadência  de  lançamento  realizado para sanear lançamento anterior anulado.  Para o deslinde da questão há de se esclarecer que ação fiscal que culminou  com a lavratura da presente NFLD foi promovida com a finalidade de constituição de créditos  anulados pelo CRPS, devido ao fato da empresa ter o direito à redução da multa prevista no art.  35,  §  4º  da Lei  n.°  8.212/91,  considerando que  as  contribuições  foram  declaradas  em GFIP,  conforme inciso IV do art. 32 da referida Lei, não tendo sido a redução contemplada quando da  primeira Notificação Fiscal.   É  de  vital  importância  a  distinção  entre  vício  formal  e  material  para  dimensionar  os  diferentes  efeitos  que,  quanto  à  sua  natureza  e  intensidade,  cada  um  desses  erros pode ter sobre o crédito tributário constituído. Há de se avaliar a ocorrência do erro como  sendo  "menos  ou  mais  gravoso"  e  reforçando  a  idéia  de  que,  também  daí,  pode­se  extrair  subsídios com vistas à classificação do vício como sendo de forma ou de substância.  Como efeito prático de se declarar a nulidade do lançamento por vício formal  ou material temos que: no caso de vício formal o prazo decadencial para a realização de outro  lançamento é restabelecido, passando a ser contado a partir da data da decisão definitiva que  declarou a nulidade por vício formal do lançamento, conforme estabelece o art. 173, inciso II,  do CTN. Já no caso de vício material, o prazo decadencial continua a ser contado da ocorrência  do fato gerador do tributo, no caso do artigo 150, §4°,do CTN, ou do primeiro dia do exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado,  tratando­se  do  artigos  173,  incisoI do CTN. Assim sendo, neste último caso, poderá o Fisco promover novo lançamento,  Fl. 520DF CARF MF     8 corrigindo  o  vício material  incorrido,conquanto  que  dentro  do  prazo  decadencial  estipulado,  sem o restabelecimento do prazo que é concedido na hipótese de se tratar de vício formal.  Portanto, a questão reside, assim, no estudo da natureza e intensidade do erro  cometido, de cujas conclusões se extrai a classificação necessária para se definira existência,  ou  não,  do  direito  de  o  sujeito  ativo  da  obrigação  efetuar  novo  lançamento,  levando­se  em  conta o princípio da segurança jurídica e os limites temporais dos atos administrativos.  As  incorreções  e  omissões  quanto  à  formalidade  do  ato  praticado  caracterizam o vício formal. Luiz Henrique Barros de Arruda, Processo Administrativo Fiscal,  Editora  Resenha  Tributária,  pág.  82,  define  assim  o  vício  formal:  "O  vício  de  forma  existe  sempre  que  na  formação  ou  na  declaração  da  vontade  traduzida  no  ato  administrativo  foi  preterida alguma formalidade essencial ou que o ato não reveste a forma legal."  Ou  seja,  os  vícios  formais  são  aqueles  que  não  interferem  no  litígio  propriamente dito, isto é, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão  dos  fatos  que  baseiam  as  infrações  imputadas.  Circunscrevem­se  a  exigências  legais  para  garantia da integridade do lançamento como ato de ofício,mas não pertencem ao seu conteúdo  material.  Por  outro  lado,  ocorre  vício material  quando o  lançamento  não  permitir  ao  sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, quer pela insuficiência na  descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, é igualmente nulo por falta de  materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido.  Destarte, a inobservância do que preconiza o art. 142 do CTN, que prevê ser  o lançamento procedimento administrativo atendente a verificar a ocorrência do fato gerador da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,identificar  o  sujeito  passivo  e,  sendo  caso,  propor  a  aplicação  da  penalidade  cabível,  caracteriza existência de vício de natureza material.  No presente caso a nulidade do primeiro lançamento foi declarada em face de  a  empresa  ter  o  direito  à  redução  da  multa  prevista  no  art.  35,  §  4º  da  Lei  n.°  8.212/91,  considerando que as contribuições foram declaradas em GFIP, conforme inciso IV do art. 32 da  referida Lei, não tendo sido a redução contemplada quando da primeira Notificação Fiscal, o  que caracteriza violação ao art. 142 do CTN.  Saliento que, não estou aqui reapreciando a natureza do vício declarado por  ocasião da anulação do primeiro lançamento. Estou sim, apreciando a conformidade do novo  lançamento como lançamento a que pretende substituir.  Neste contexto, é lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de  determinar,  aferir,  precisar  o  fato  que  se  pretendeu  tributar  anteriormente,  revelam­se  incompatíveis com os estreitos  limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício  formal.  Com efeito, sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o  Fisco  intimar  o  contribuinte  para  apresentar  informações,  esclarecimentos,  documentos,  etc.tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem efetivamente necessárias  para  o  novo  lançamento,  significa  que  a  obrigação  tributária  não  estava  definida  e  o  vício  apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado.  Ocorre  que,  para  que  se  aplique  o  art.  173,  II  do CTN o  novo  lançamento  deve  conformar­se materialmente  com o  lançamento  anulado. Fazendo­se necessária perfeita  Fl. 521DF CARF MF Processo nº 13863.000206/2007­14  Acórdão n.º 2301­003.514  S2­C3T1  Fl. 6          9 identidade  entre  os  dois  lançamentos,  posto  que  não  pode  haver  inovação  material  no  lançamento substitutivo ao lançamento anulado anteriormente.  O que não ocorre no presente caso, posto que o novo  lançamento omitiu­se  quanto  aos motivos para  a  refiscalização  (art.  149, do CTN). Em suma, não há coincidência  material entre o primeiro lançamento, tornado nulo, e o presente lançamento, que,em tese, teria  o condão de substituí­lo.  Destarte,  o  presente  lançamento  deve  ser  analisado  como  um  novo  lançamento  e  não  como  um  lançamento  substitutivo,  o  que  acarreta  a  conclusão  de  que,  no  momento em que foi lançado, o crédito tributário a que se referia já se encontrava extinto pela  decadência.  Esse é a propósito o entendimento da 2a Turma da CSRF:  Assunto:  Normas  Gerais  de  Direito  Tributário  Período  de  apuração:  01/04/1995  a  30/04/1995,  01/09/1995  a  30/11/1995  DECADÊNCIA.  LANÇAMENTO  DECLARADO  NULO.  LANÇAMENTO  SUBSTITUTIVO  OU  NOVO  LANÇAMENTO.  No  presente  caso  a  nulidade  do  primeiro  lançamento  foi  declarada  em  face  da  ausência  da  perfeita  descrição  do  fato  gerador  do  tributo,  em  virtude  da  não  caracterização  da  existência da cessão de mão de obra, o que caracteriza violação  ao art. 142 do CTN. Saliento que, não estou aqui reapreciando a  natureza  do  vício  declarado  por  ocasião  da  anulação  do  primeiro lançamento. Estou sim, apreciando a conformidade do  novo  lançamento  com  o  lançamento  a  que  pretende  substituir.  Neste contexto, é  lícito concluir que as investigações intentadas  no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu  tributar  anteriormente,  revelam­se  incompatíveis  com  os  estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do  vício  formal.  Com  efeito,  sob  o  pretexto  de  corrigir  o  vício  formal detectado, não pode o Fisco intimar o contribuinte para  apresentar  informações,  esclarecimentos,  documentos,  etc.  tendentes  a  apurar  a  matéria  tributável.  Se  tais  providências  forem  efetivamente  necessárias  para  o  novo  lançamento,  significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício  apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da  essência  do  ato  praticado.  Ocorre  que,  para  conformar­se  materialmente  com  o  lançamento  anulado.  Fazendo­se  necessária perfeita  identidade  entre os dois  lançamentos,  posto  que  não  pode  haver  inovação  material  no  lançamento  substitutivo  ao  lançamento  anulado  anteriormente.  O  que  não  ocorreu  no  presente  caso,  posto  que  o  novo  lançamento  introduziu  inovação  material  no  que  diz  respeito  à  caracterização  da  cessão  de  mão  de  obra.  Em  suma,  não  há  coincidência  material  entre  o  primeiro  lançamento,  tornado  nulo,  e o presente  lançamento,  que,  em tese,  teria o  condão de  substituí­lo. Destarte, o presente lançamento deve ser analisado  como  um  novo  lançamento  e  não  como  um  lançamento  substitutivo, o que acarreta a conclusão de que, no momento em  que  foi  lançado,  o  crédito  tributário  a  que  se  referia  já  se  encontrava extinto pela decadência. Recurso especial provido.  Fl. 522DF CARF MF     10 [Acórdão n. 9202­002.727, Conselheiro Relator: Elias Sampaio  Freire]    Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias   Período  de  apuração:  01/05/1995  a  31/05/1995,  01/11/1995  a  30/11/1995  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  DECADÊNCIA.  LANÇAMENTO  DECLARADO  NULO.  LANÇAMENTO  SUBSTITUTIVO OU NOVO LANÇAMENTO.  No  presente  caso  a  nulidade  do  primeiro  lançamento  foi  declarada  em  face  da  ausência  da  perfeita  descrição  do  fato  gerador  do  tributo,  em  virtude  da  não  caracterização  da  existência da cessão de mão de obra, o que caracteriza violação  ao art. 142 do CTN. Não se está aqui a reapreciar a natureza do  vício  declarado  por  ocasião  da  anulação  do  primeiro  lançamento, mas sim, a conformidade do novo lançamento com o  lançamento a que pretende substituir. Sob o pretexto de corrigir  o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar a contribuinte  para apresentar  informações, esclarecimentos, documentos, etc.  tendentes  a  apurar  a  matéria  tributável.  Se  tais  providências  forem  efetivamente  necessárias  para  o  novo  lançamento,  significa que a obrigação tributária não estava definida e não há  que  se  falar  em  lançamento  substitutivo,  mas,  sim,  em  novo  lançamento.  Assim,  no momento  em  que  foi  lançado,  o  crédito  tributário  a  que  se  referia  já  se  encontrava  extinto  pela  decadência. Recurso especial negado.  [Acórdão  n.  9202­003.185,  Conselheiro  Relator:  Luiz  Eduardo  de Oliveira Santos]  No  caso  presente,  estão  decadentes  os  débitos  cujos  fatos  geradores  ocorreram  entre  janeiro  de  1999  até  maio  de  2001  (inclusive),  tendo  a  Recorrente  tomado  ciência da nova NFLD somente no mês de junho de 2006.  Além disso, caso esse d. Colegiado não acolha a presente proposição, além  desse  motivo,  há  outro  para  o  reconhecimento  da  decadência  das  competências  01/99  a  05/2001.  Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo  Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n°  8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. 'In verbis':  Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar  Mendes, Relator:  Resultam  inconstitucionais,  portanto,  os artigos 45  e 46 da Lei  n°  8.212/91  e  o  parágrafo  único  do  art.5°  do  Decretolei  n°  1.569/77,  que  versando  sobre  normas  gerais  de  Direito  Tributário,  invadiram  conteúdo  material  sob  a  reserva  constitucional de lei complementar.  Sendo  inconstitucionais  os  dispositivos,  mantémse  hígida  a  legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e  Fl. 523DF CARF MF Processo nº 13863.000206/2007­14  Acórdão n.º 2301­003.514  S2­C3T1  Fl. 7          11 decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de  suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo  das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que,  como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social  sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, §4°, 173 e 174 do CTN.  Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes  nego  provimento,  para  confirmar  a  proclamada  inconstitucionalidade  dos  arts.  45  e  46  da  Lei  8.212/91,  por  violação  do  art.  146,  III,  b,  da  Constituição,  e  do  parágrafo  único do art. 5° do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1° do art.  18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda  Constitucional 01/69.  É como voto.  Súmula Vinculante n° 08:  "São  inconstitucionais  os  parágrafo  único  do  artigo  5°  do  Decreto­lei  1569/77  e  os  artigos  45  e  46  da  Lei  8.212/91,  que  tratam de prescrição e decadência de crédito tributário".  Os  efeitos  da  Súmula  Vinculante  são  previstos  no  artigo  103A  da  Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis:  Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por  provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros,  após  reiteradas  decisões  sobre matéria  constitucional,  aprovar  súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá  efeito  vinculante  em  relação  aos  demais  órgãos  do  Poder  Judiciário  e  à  administração  pública  direta  e  indireta,  nas  esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua  revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído  pela Emenda Constitucional n° 45, de 2004).  Lei n° 11.417, de 19/12/2006:  Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei  no  9.784,  de  29  de  janeiro  de  1999,  disciplinando  a  edição,  a  revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante  Art.  2o O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por  provocação,  após  reiteradas  decisões  sobre  matéria  constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua  publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação  aos  demais  órgãos  do  Poder  Judiciário  e  à  administração  pública  direta  e  indireta,  nas  esferas  federal,  estadual  e  municipal, bem como proceder à  sua  revisão ou cancelamento,  na forma prevista nesta Lei.  §  1o  O  enunciado  da  súmula  terá  por  objeto  a  validade,  a  interpretação e a  eficácia de normas determinadas, acerca das  quais  haja,  entre  órgãos  judiciários  ou  entre  esses  e  a  administração  pública,  controvérsia  atual  que  acarrete  grave  insegurança  jurídica  e  relevante  multiplicação  de  processos  sobre idêntica questão.  Fl. 524DF CARF MF     12 Assim,  a  partir  da  publicação,  que  se  deu  em  20/06/2008,  todos  os  órgãos  judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante.  Assim,  afastado  por  inconstitucionalidade  o  artigo  45  da  Lei  n°  8.212/91,  resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica  ao caso concreto.  Ocorre  que  este  Código  prevê  a  aplicação  de  duas  regras,  aparentemente  conflitantes, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4°), e a  segunda  o  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais:  Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja  legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da  autoridade  administrativa,  operase  pelo  ato  em  que  a  referida  autoridade,  tomando  conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.  (...).  § 4° Se a  lei não  fixar prazo a homologação, será ele de cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o  crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo,  fraude  ou simulação.  Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  1  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado;  II  da  data  em  que  se  tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal,  o lançamento anteriormente efetuado.  Harmonizando  as  normas  acima  transcritas,  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitar­se a lançamento por  homologação:  1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido  dolo, fraude ou simulação; 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito.  Cumpre  transcrever  o  acórdão  prolatado  em  sede  de  Recurso  Especial  representativo da controvérsia:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO    ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA    DE    PAGAMENTO    ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4°,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1.  O prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  oficio)  conta­se  do  primeiro  Fl. 525DF CARF MF Processo nº 13863.000206/2007­14  Acórdão n.º 2301­003.514  S2­C3T1  Fl. 8          13 dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3a  ed., Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4°, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3a  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.91/104;  Luciano  Amaro,  "Direito  Tributário  Brasileiro",  10a  ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário",  3aed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo  sujeito lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de  pagamento  antecipado  das  contribuições  previdenciárias  não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  7.  Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime  do  artigo  543C,  do  CPC,  e  da  Resolução  STJ  08/2008.  (REsp  Fl. 526DF CARF MF     14 973733/SC,  Rel.  Ministro  LUIZFUX,  PRIMEIRA  SEÇÃO,  julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009).  No  voto  lavrado  no  referido REsp  973.733/SC,  foi  transcrito  entendimento  firmado em outros julgamento (REsp 766.050PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que  limitam  a  aplicação  do  art.  150,  §4°  do  CTN  às  hipóteses  que  tratam  de  tributo  sujeito  a  lançamento por homologação, "quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente  devido,  sem  que  o  contribuinte  tenha  incorrido  em  fraude,  dolo  ou  simulação,  nem  sido  notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias" .  Deste  modo,  considerando  que  a  ciência  do  lançamento  ocorreu  em  30/06/2006 (e­fl. 44), consideram­se fulminados pela decadência os períodos 01/99 a 05/2001,  nos termos do artigo 150, §4º, do CTN.  Dessa  forma,  voto  no  sentido  de  DAR  PARCIAL  PROVIMENTO  ao  Recurso  do  contribuinte,  para  excluir  do  lançamento  as  contribuições  apuradas  até  a  competência 05/2001, anteriores a 06/2001, devido a regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN,.    MULTA  Em relação à multa há de se registrar que o dispositivo legal que lhe dá supedâneo  foi  alterado  pela  Lei  11.941,  de  27  de  maio  de  2009,  merecendo  verificar  a  questão  relativa  à  retroatividade  benigna  prevista  na  alínea  "c",  do  inciso  II,  do  artigo  106,  da Lei  n°  5.172,  de  25  de  outubro de 1966.  Segundo  as  novas  disposições  legais,  a  multa  de  mora  que  antes  respeitava  a  gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser  prevista  no  caput  desse  mesmo  artigo,  mas  agora  limitada  a  20%  (vinte  por  cento),  uma  vez  que  submetida às disposições do artigo 61 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35­A da Lei n° 8.212/91, já que  este  dispositivo  veicula  multa  de  ofício,  a  qual  não  existia  na  legislação  previdenciária  à  época  do  lançamento  e,  de  acordo com o artigo 106 do Código Tributário Nacional deve  ser verificado o  fato  punido.  Ora  se  o  fato  "atraso"  aqui  apurado  era  punido  com  multa  moratória,  consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel  multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado.  Incide  na  espécie  a  retroatividade  benigna  prevista  na  alínea  "c",  do  inciso  II,  do  artigo 106, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa  lançada na presente  autuação  ser calculada nos  termos do  artigo 35  caput da Lei n° 8.212, de 24 de  julho de 1991, com a  redação dada pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009,  se mais benéfica ao  contribuinte.  DA COMPENSAÇÃO INDEVIDA  Em relação às demais questões, assumo como minhas, mutatis mutandis, as  razões da autoridade recorrida, que enfrentou a matéria de modo convenniente:  13.  No que concerne aos argumentos da defendente de que, ao  efetuar  as  compensações  indicadas  na  presente  Notificação  Fiscal  sem  a  devida  observação  do  limite  de  30%  (trinta  por  cento)  do  valor  a  ser  recolhido  em  cada  competência,  não  realizou qualquer ato que tenha prejudicado aos cofres públicos,  Fl. 527DF CARF MF Processo nº 13863.000206/2007­14  Acórdão n.º 2301­003.514  S2­C3T1  Fl. 9          15 a não ser quanto aos efeitos da postergação do recolhimento das  contribuições em pauta, sendo que em não tendo a D. Autoridade  Fiscal  considerado  o  efeito  econômico  de  mero  diferimento,  exigindo de forma indevida tributo já recolhido, deve a presente  Notificação  Fiscal  ser  cancelada,  tem­se  tais  argumentos  da  defendente não merecem ser acolhidos, senão vejamos.  14.  Inicialmente,  deve­se  ressaltar  que  a  fiscalização  não  questiona  o  direito  garantido  à  empresa  através  da  Resolução  n.°  14/1995  do  Senado  Federal,  nem  pretende  restringir  a  faculdade  atribuída  ao  contribuinte  de  efetuar  a  compensação  dos  valores  recolhidos  indevidamente,  apenas  procedeu  ao  levantamento  do  débito  resultante  de  valores  compensados  em  desacordo com as instruções legais para tal procedimento.  15  Sendo  assim,  uma  vez  havendo  o  pagamento  de  valores  indevidos à Previdência Social, o sujeito passivo, de fato, tem a  faculdade  de  se  ressarcir  de  tais  quantias,  deduzindo­as  das  contribuições devidas, conforme se  infere do art. 89 da Lei no"  8.212/91, dos arts. 72 e 76 do Regulamento da Organização e do  Custeio da Seguridade Social­ROCS, aprovado pelo Decreto n.°  2.173/97 (aplicado até a competência 05/1999) e arts. 247 e 251  do  Regulamento  da  Previdência  Social­RPS,  aprovado  pelo  Decreto  n.°  3.048/99  (a  partir  da  competência  06/99);  no  entanto,  esse  ressarcimento  deve  obedecer  ainda  ao  que  prescrevem os arts. 89, § 3°da Lei n.° 8.212/91, art. 76, § 1o do  ROCS, bem como o art. 251, § 1o do RPS, in verbis:  a) Lei 8.212/91:  "Art. 89...  (...)  §3° Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior  a  trinta  por  cento  do  valor  a  ser  recolhido  em  cada  competência." (gn)  b) Decreto n.° 2.173/97:  "Art. 76...  §  1°  A  compensação,  independentemente  da  data  do  recolhimento, não pode ser superior a trinta por cento do valor a  ser  recolhido  em  cada  competência,  devendo  o  saldo  remanescente  em  favor  do  contribuinte  ser  compensado  nas  competências  subseqüentes,  aplicando­se  as  normas  previstas  nos § 1° e §2° do art. 72." (gn)  c) Decreto n.° 3.048/99:  "Art. 251...  §  1o  A  compensação,  independentemente  da  data  do  recolhimento não pode ser superior a trinta por cento do valor a  ser  recolhido  em  caca  competência,  devendo  o  saldo  remanescente  em  favor  do  contribuinte  ser  compensado  nas  Fl. 528DF CARF MF     16 competências  subseqüentes,  aplicando­se  as  normas  previstas  nos § 1° e 2° do art. 247." (gn)  16.  Assim,  ao  ser  constatado  pela  fiscalização  que  o  contribuinte não respeitou os limites impostos pelos dispositivos  legais supra citados, a Autoridade fiscal deve efetuar a glosa dos  referidos  valores  que  foram  compensados  em desacordo com a  legislação previdenciária pertinente. Bem como ainda no tocante  às alegações da defendente de que, nos períodos posteriores aos  abrangidos  no  presente  lançamento,  procedeu  ao  recolhimento  das  contribuições  sem  aproveitar  o  limite  de  valores  a  compensar a que teria direito se tivesse observado o disposto na  lei,  tem­se  que  a  impugnante  não  logrou  comprovar  suas  alegações,  não  juntando  aos  autos  qualquer  documento  que  fizesse  tal  prova,  bem  como  ainda  o  limite  de  30%  (trinta  por  cento)  para  o  contribuinte  efetuar  compensação  é  disposição  expressa em  lei,  conforme supra citado, sendo sua observância  de  caráter  obrigatório  portanto,  prevendo  a  lei  que  o  saldo  remanescente  deverá  ser  compensado  nas  competências  subseqüentes.  17.  No que concerne aos argumentos da impugnante de que, em  virtude da documentação abranger um longo intervalo de anos e  o  exíguo  prazo  para  apresentação  de  defesa,  não  finalizou  a  busca de toda a documentação para demonstrar à fiscalização a  lisura de todos os seus procedimentos, há que se ressaltas que o  art.  9o,  §  1o  Portaria MPS  n.°  520/04,  publicada  no DOU  de  20/05/2004 (cuja divisão também já se encontrava inserta no art.  16 do Decreto n.c 70.235/72) é bem claro ao dispor que:"§ 1° A  prova documental será apresentada na impugnação precluindo o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento  processual...",  prevendo  apenas  como  exceção  os  casos  de  impossibilidade demonstrada de sua apresentação oportuna por  motivo  de  força  maior,  ou  refira­se  a  fato  ou  direito  superveniente  ou  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente trazidas aos autos, prevendo ainda que a juntada  de  documentos  pós  a  impugnação  deve  ser  requerida  à  autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, de  forma fundamentada, a   ocorrência  de  uma  destas  condições citadas.  18. Finalmente, a presente Notificação Fiscal de Lançamento de  Débito  – NFLD  se  encontra  revestida  das  formalidades  legais,  tendo  sido  lavrada  de  acordo  com  os  dispositivos  legais  e  normativos que disciplinam o assunto, não  tendo o contribuinte  carreado aos autos elementos comprobatórios capazes de elidir  o  crédito  lançado,  bem  como  o  lançamento  fiscal  encontra­se  perfeitamente embasado, consoante ao disposto nos 3ris. 33, 34,  35 e 89 da Lei n.° 8.212/91, com as devidas atualizações.  CONCLUSÃO  Portanto, VOTO PELO PROVIMENTO PARCIAL do recurso para: a) conceituar  o  vício  na  anulação  da  autuação  originária  como material;  b)  para  excluir  do  lançamento  as  contribuições  apuradas  até  a  competência  05/2001,  anteriores  a  06/2001,  devido  a  regra  expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para  Fl. 529DF CARF MF Processo nº 13863.000206/2007­14  Acórdão n.º 2301­003.514  S2­C3T1  Fl. 10          17 que  seja  aplicada  a  multa  prevista  no  Art.  61,  da  Lei  nº  9.430/1996,  se  mais  benéfica  à  Recorrente; e d) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente.   É o voto.  ASSIM VOTOU O CONSELHEIRO NA SESSÃO DE JULGAMENTO.  João Bellini Júnior  Redator ad hoc na data da formalização do acórdão.              .                 Fl. 530DF CARF MF

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Numero do processo: 16327.001765/00-14
Data da sessão: Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1.998 EMENTA: PERC - VERIFICAÇÃO DA SITUAÇÃO FISCAL DA REQUERENTE - DIREITO AO CONTRADITÓRIO - O Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), por não representar pedido de concessão ou reconhecimento de incentivo ou beneficio fiscal, mas tão somente pedido de revisão de decisão administrativa, não se subsume à norma trazida como fundamento para verificação da situação fiscal do requerente (art. 60 da Lei n° 9.069, de 1995), devendo, em razão disso, ser objeto de apreciação por parte da autoridade administrativa competente. A não apreciação do pedido implicaria cerceamento do direito ao contraditório. Enunciado n.° 37 da Súmula do desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a saber: "Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n° 70.235/72."
Numero da decisão: 1402-000.115
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para determinar a remessa dos autos à Unidade de origem para que seja analisado o PERC, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarou-se impedido o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira

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Recorrida 8' TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP I Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1.998 EMENTA: PERC - VERIFICAÇÃO DA SITUAÇÃO FISCAL DA REQUERENTE - DIREITO AO CONTRADITÓRIO - O Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), por não representar pedido de concessão ou reconhecimento de incentivo ou beneficio fiscal, mas tão somente pedido de revisão de decisão administrativa, não se subsume à norma trazida como fundamento para verificação da situação fiscal do requerente (art. 60 da Lei n° 9.069, de 1995), devendo, em razão disso, ser objeto de apreciação por parte da autoridade administrativa competente. A não apreciação do pedido implicaria cerceamento do direito ao contraditório. Enunciado n.° 37 da Súmula do desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a saber: "Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n° 70.235/72." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para determinar a remessa dos autos à Unidade de origem para que seja analisado o PERC, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarou-se impedido o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta. A-7 AÇO c._ ALBERTINA SILVA/SANTOS DE L — Presidente Processo n° 16327.001765/00-14 S1-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.115 Fl. 2 LEONARDO HENRIQUE M. DE OLIVEIRA — Relator 'EDITADO EM: ; 21 M A 20 10 Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carmen Ferreira Saraiva, Marcelo de Assis Guerra e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório BANCO ABR — AMRO REAL SA, inconformado com a decisão consubstanciada no Acórdão n° 16-12.436 proferido pela 8 Turma da DRJ em São Paulo SP-I, que denegou o pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais, mantendo na íntegra o Despacho Decisório da DEINF SP de folhas 129/130 , interpôs o recurso voluntário de folhas 183 a 191 objetivando a reforma da decisão atacada. A contribuinte acima identificada ingressou, com o PERC — Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais de fls. 01, tendo em vista não que não houve emissão dos valores pleiteados para o FINAM, relativamente à sua opção por aplicação de parte do IRPJ relativo ao ano-calendário 1.997, tendo o extrato de aplicações em incentivos fiscais de folha 02 sido expedido com valor aplicado igual a zero. 2. Por meio do Despacho Decisório de fls. 129/130, proferido em junho/2005, a autoridade administrativa competente indeferiu o pedido, tendo em vista o resultado de consulta junto ao PROFISC, onde se verificou a existência de 4 processos inscritos na dívida ativa da União (fl. 130), concluindo portanto que na data do Despacho a empresa não preenchia a condição imposta pelo artigo 60 da Lei n° 9.069/95. 2. Inconformada com o referido Despacho Decisório, do qual foi devidamente cientificada, apresentou, em 20/03/2006, a manifestação de inconformidade de fls. 140 a 154, acompanhada da Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de débitos junto à SRF e PFN. Na peça de defesa a interessada argüi, em síntese, o seguinte: Que não pode se conformar com o indeferimento pois ao contrário do afirmado no Despacho Decisório sua situação fiscal é regular não havendo débitos vencidos e por isso junta a Certidão Conjunta Positiva de Débitos de Tributos e Contribuições Federais, com efeitos de Negativa emitida pela SRF e PGFN em 16.01.06. Transcreve os artigos 205 e 206 do CTN e diz ser infundada a argumentação trazida no Despacho Decisório. Cita decisões do Poder Judiciário e do Conselho de Contribuintes. 2 Processo n° 16327.001765/00-14 S1-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.115 Fl. 3 Transcreve da página da SRF o Guia do Contribuinte/ PERC, o qual traz a documentação necessária e a orientação que prevê a possibilidade da autoridade fiscal, antes de decidir solicitar documentos relacionados com seu pedido inclusive quando há tributo com exigibilidade suspensa, tendo o Delegado indeferido liminarmente seu pedido sem qualquer solicitação para comprovação de eventuais débitos. Transcreve ementa de três decisões da antiga 8a Câmara do 1° CC e postula o conhecimento da Manifestação de Inconformidade em apreço, para refoinia da decisão recorrida, reconhecendo-se o direito da interessada a usufruir o incentivo fiscal, tendo em vista a comprovação de sua total regularidade fiscal. A 8' Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo SP-I , analisou a manifestação da empresa contra o Despacho Decisório e decidiu pela sua manutenção, negando o PERC, tendo ementado o acórdão da seguinte folina: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1.997 PERC - QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS - PROVA. Nos termos do art. 60 da Lei 9.069/95, a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fiscal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Diante da ausência desta prova o PERC não pode ser deferido. Entendeu a decisão recorrida que a empresa não trouxe qualquer documento, além da certidão negativa que foi emitida por força do MS n° 2006.34.00.001378-4, conforme consignado no próprio corpo da certidão. Inconfounada a empresa apresentou o Recurso Voluntário de folhas 183 a 191 onde insiste que sua situação fiscal é regular pois quando do requerimento da certidão negativa apresentou cópia de todas as peças processuais, DARFs de recolhimento/depósito, DCTF's, Certidões de Objeto de Pé etc; que comprovam a extinção e/ou suspensão da exigibilidade dos "supostos" créditos apontados no sistema da SRF e da PFN. Além disso a situação regular foi reconhecida pelo Poder Judiciário através do MS 2006.34.00.001378-4. Argumenta que o artigo 60 da Lei n° 9.069/95 não especifica a forma de comprovação da regularidade fiscal. Cita o acórdão 105-16.164, no qual a Câmara entendeu descaber o indeferimento do PERC quando a alegada irregularidade fiscal não é contemporânea, mas, posterior à opção pelo beneficio fiscal. Repete a argumentação de que não fora intimado a comprovar as suposta irregularidades fiscais, e conclui pedindo o provimento do recurso. É o relatório. ((p 3 . , Processo n° 16327.001765/00-14 SI-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.115 Fl. 4 Voto Conselheiro: LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA - Relator O recurso é tempestivo dele conheço. Adoto como razão de decidir a tese pacificada no âmbito da 5' Câmara do 1° CC, espelhada no voto proferido pelo Conselheiro Waldir Veiga Rocha no acórdão 105- 17.144. "A matéria tem sido objeto de apreciação em diversas oportunidades por este colegiado. A decisão vinha sendo, de forma reiterada, de que, nos Pedidos de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), o momento em relação ao qual deve ser verificada a situação fiscal do contribuinte é a data da entrega da declaração de informações correspondente, eis que é ali que se configura o exercício, por parte do contribuinte, da opção pela aplicação de parcela do imposto em incentivos fiscais. Este posicionamento obteve seus fundamentos em decisão prolatada pela DRI Campinas (Acórdão n° 7.926, de 17/12/2004). Re-analisando a questão, passamos a entendê-la de forma diferente. Com efeito, o pedido de revisão em referência constitui meio, posto a disposição pela própria Administração Tributária, para que o contribuinte, exercendo o direito ao contraditório, ofereça contra-razões às eventuais modificações promovidas em sua opção (ou opções), em decorrência do processamento das informações consignadas na declaração apresentada. Nessa linha, o referido pedido (PERC) não representa pedido de concessão ou reconhecimento de incentivos fiscais, mas, sim, de revisão das alterações efetuadas, de oficio, relativamente à opção anteriormente exercida via declaração. Vistos sob essa ótica, tais pedidos não se amoldam à exigência do art. 60 da Lei n° 9.069, de 1995, eis que, conforme exposto, eles não se referem a pedido de concessão ou reconhecimento de incentivo ou beneficio fiscal, mas, sim, de revisão de pedido anteriormente formalizado. Observe-se que, entre outros motivos, as modificações promovidas na opção (ou opções) exercida (s) pelo contribuinte podem decorrer da constatação da existência de débito, e o pedido de revisão representa, exatamente, também como já exposto, o meio posto a disposição do contribuinte para que ele conteste tal informação. Nesse sentido, não admitir tal pedido com base na alegação de surgimento de débito superveniente ao exercício da opção, não possibilitando, assim, a revisão dos motivos que levaram às alterações da opção, representa frontal violação ao exercício do direito ao contraditório. Por outro lado, determinar que a verificação quanto à situação fiscal se reporte à data da entrega da declaração nada mais é do que, por via oblíqua, determinar que se refaça aquilo que se supõe já tenha sido feito por ocasião do pedido de concessão e/ou reconhecimento, isto é, verificação da referida situação fiscal no momento do processamento da declaração de informações. 4 Processo n° 16327.001765/00-14 S1-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.115 Fl. 5 Por fim, cabe transcrever o Enunciado n.° 37 da Súmula desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a saber: "Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n° 70.235/72." Diante do exposto, entendemos que o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), por não representar pedido de concessão ou reconhecimento de incentivo ou beneficio fiscal, não se subsume à norma trazida como fundamento para verificação da situação fiscal do requerente (art. 60 da Lei n° 9.069, de 1995), devendo, em razão disso, ser objeto de apreciação por parte da autoridade administrativa competente." Por todo o exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário, para que o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC tenha seu mérito apreciado pela autoridade administrativa competente. LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA ",..4kï-y_Ot CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO Processo n° : 16327.001765/00-14 Acórdão : 1402-00.115 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 2 1 MAI 2010 JVIanste a de Sousa Rodrigueá— Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: ' [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração.

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