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Numero do processo: 10280.003394/2005-25
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF
Ano-calendário: 2004
Ementa:
PEDIDO DE PERÍCIA
A perícia, assim como a diligência, não se presta a substituir a atividade que compete ser desenvolvida pela parte (seja pelo fisco, seja pelo contribuinte) e a transformar o órgão julgador em fase de auditoria.
AUSÊNCIA DE CERTEZA DO CRÉDITO
A mera apresentação de DCTF retificadora do 1º trimestre de 2004, após o despacho não homologatório da compensação, desacompanhada de elementos documentais que constatem o erro da DCTF original, é insuficiente para derruir o indeferimento da compensação . Onus pro bandi do contribuinte, estando em jogo sua pretensão. Insuficiência e carência de certeza do crédito postulado.
Numero da decisão: 1103-000.353
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Ano-calendário: 2004 Ementa: PEDIDO DE PERÍCIA A perícia, assim como a diligência, não se presta a substituir a atividade que compete ser desenvolvida pela parte (seja pelo fisco, seja pelo contribuinte) e a transformar o órgão julgador em fase de auditoria. AUSÊNCIA DE CERTEZA DO CRÉDITO A mera apresentação de DCTF retificadora do 1º trimestre de 2004, após o despacho não homologatório da compensação, desacompanhada de elementos documentais que constatem o erro da DCTF original, é insuficiente para derruir o indeferimento da compensação . Onus pro bandi do contribuinte, estando em jogo sua pretensão. Insuficiência e carência de certeza do crédito postulado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Ano-calendário: 2004 Ementa: PEDIDO DE PERÍCIA A perícia, assim como a diligência, não se presta a substituir a atividade que compete ser desenvolvida pela parte (seja pelo fisco, seja pelo contribuinte) e a transformar o órgão julgador em fase de auditoria, AUSÊNCIA DE CERTEZA DO CRÉDITO A mera apresentação de DCTF retificadora do 1' trimestre de 2004, após o despacho não homologatório da compensação, desacompanhada de elementos documentais que constatem o erro da DCTF original, é insuficiente para derruir o indeferimento da compensação . Onus pro bandi do contribuinte, estando em jogo sua pretensão. Insuficiência e carência de certeza do crédito postulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros-dg colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos tern is dõ relatório) e voto que integram o presente julgado, ALOYSIO J8 C1fai\I DA SILVA — Presidente A JIGUEO TAKATA - Relator Processo n" 10280 003394/2005-25 Si -C1 13 AcárcIrlo n 1103-00353 Fl 2 EDITADO EM: 2 j Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aloysio Jose Percinio da Silva (Presidente), Mario Sergio Fernandes Barroso, Gervasio Nicolau Recketenvald, Marcos Shigueo Takata, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero (Vice presidente). Processo n" 10280. 003394/2005-25 S1 -ClT3 Acórdão n " 1103-00.353 Fl 3 Relatório DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO Trata o presente processo, protocolado em 22/07/2005, de compensação de tributos, declarada pela recorrente através do PER/DCOMP na 06856,97197,040504.1„3,04- 5079 (fls, 2 a 6), retificado, após o Termo de Intimação n° 201, através do PER/DCOMP 2320332263.210906.1.7.04-5278 (lls, 12 a 16). A recorrente alega crédito de pagamento indevido ou a maior no valor de R$ .335,62 de IRF sob o código 3208, originado através de um DARF no valor de R$ 772,22 (fl, 14), e declara a compensação do referido credito com o débito de IRF, no código 0588-01, período de apuração la semana de maio de 2004, no valor de R$ 335,62, DO DESPACHO DECISÓRIO A DRF de Belém/PA, por meio do despacho decisório de fls. 27 a 31, indeferiu a solicitação da recorrente, visto que o DARF informado, apesar de devidamente localizado e confirmado, foi totalmente utilizado para guitar o débito de IRF, código 3208, referente la semana de março de 2004. A vinculação e utilização do pagamento para a quitação do débito de IRF foram feitas pelo próprio contribuinte na DART' trimestral referente ao 1° trimestre de 2004, conforme fls. 18 a 21, DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do despacho e inconformado com o indeferimento de seu pedido, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade As lis, 39 a 43, requerendo DR.' a reforma da decisão proferida pela DRF, para que seja autorizada a restituição do IRF, cumulada com a compensação de débitos de IRF, alegando, em resumo, o que segue: • Que houve recolhimento a maior na apuração do IRF referente ã 1" semana de março de 2004; • Que constatado este recolhimento a maior fez-se a devida PER/DCOMP que compensou tais valores na apuração do IRF da la semana de maio de 2004 e que, portanto, não houve duplicidade no aproveitamento deste crédito; • Solicita, por fim, prova pericial, considerando-se a incompatibilidade entre a sua escrita contábil e as razões de "glosa" suscitadas pela "N. Fiscalização", juntando cópia de parte da DCTF retificadora de lis. 85 e 86, entregue em 30/11/2006, DA DECISÃO DA DILI E DO RECURSO VOLUNTÁRIO A 1" Turma da DIU de Belém, em 9/08/2007, julgou a restituição indeferida e a compensação não homologada, deduzindo, em síntese que: • A recorrente baseia a sua argumentação no fato de que houve recolhimento a maior, limitando-se a informar qual o DARF, código e valor recolhido e qual a Processo n" 10280003.394/2005-25 S1-C17- 3 Acórdao n 1103-00353 Fl 4 DCOMP utilizada, mas em nenhum momento demonstrou, seja argumentando, ou com documentos, que o débito pela recorrente na DCTF original referente ao IRF da 1" semana de março de 2004, e que foi informado com valor diferente em DCIF retificadora (somente entregue em 30/11/2006 - após a ciência da decisão que não homologou a compensação, conforme fls. 85 e 86), estivesse errado, visto que este DARF foi utilizado integralmente para este pagamento, até porque todos os dados informados o vinculam ao débito de março de 2004; • A simples entrega da DCTF retificadora após a ciência da decisão que não homologou a compensação não pode ser considerada como prova do erro do contribuinte; • A DCOMP não foi homologada, não pela inexistência do valor recolhido e sim pela inexistência de valor disponível do valor recolhido, pois o DARF foi alocado ao débito correspondente ao seu valor, imposto e período de apuração. A reCorrente teria que comprovar na sua manifestação de inconformidade que o débito ao qual foi alocado o DARF em questão e que foi por ele confessado em DCTF, foi declarado erroneamente com os respectivos documentos e livros contábeis comprobatórios, mas não foi o que aconteceu. • Quanta ao pedido de perícia, o Decreto 70.235/72 (PAF), em seu art. 16, § 10 (com a redação dada pela Lei 8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1°) estabelece que se considera não formulado o pedido de perícia que não nomear perito e indicar os seus motivos e os quesitos requeridos. No caso, a recorrente não indicou os motivos e nem formulou quesitos a serem atendidos, sendo o seu pleito, portanto, inepto. Em 5/09/2007, a recorrente foi cientificada do acórdão proferido pela DRT, interpondo recurso voluntário, no qual aduz, em síntese que: • Houve recolhimento a maior na apuração do 1 a trimestre de 2004, no código 3208 (IRF), o que é demonstrado através do DARF no valor de R$ 772,22, que segue anexo. Constatada a retenção indevida e o recolhimento a maior, foi feita PER/DCOMP 23203,72263,210906.1.7.04-5278, que compensou o valor referido acima com débito de IRF do código 0588-1 na apuração da P semana de maio de 2004, de acordo com as normas da SRF. Não há, assim, duplicidade no aproveitamento deste crédito; • A partir do confronto das PER/DCOMPs de es 06856.97197. 040504.1.3.04-5079 e 23203.72263.210906.1.7.04- 5278, trimestrais referentes ao 1° trimestre de 2004, juntamente com o DARF pago no valor de R$ 772,22, nota-se que o preenchimento da primeira foi feito de forma equivocada, e que a partir da confecção da segunda PER/DCOMP informada acima, a retificadora, pode-se verificar a origem do crédito indeferido pela STU no valor de R$ 335,62, uma vez que o débito original era no valor de R$ 436,60 e não de R$ 772,22, valor pago pela recorrente através do DARF mencionado., o relatório. 4 Processo n" 10280 003394/2005-25 Si-GlT3 Acórdiio n." 1103 -00,353 Fl 5 Voto Conselheiro MARCOS SHIGUEO TAKATA, O recurso 6 tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. Principio com o pedido de perícia da recorrente. Rejeito o pedido de perícia, Primeiro, porque carece de formulação de quesitos aos exames desejados, indispensável ao pedido, conforme o art 16, IV, do PAF (Decreto 70.235/72). Segundo, porque, no âmbito da distribuição dos ônus das provas no presente feito, entendo ser desnecessária. A perícia, assim como a diligência, não se presto a substituir a atividade que compete ser desenvolvida pela parte (seja pelo fisco, seja pelo contribuinte) e a transformar o órgão julgador em fase de auditoria. A perícia, tal como a diligência, tem cabimento quando, a par dos elementos probatórios colacionados aos autos, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte, conforme a pretensão em jogo seja de urn ou de outro e as alegações deduzidas, restem dúvidas saneáveis com a determinação daquela. Isso tudo ficará esclarecido adiante. Como se viu do relatório, a controvérsia se fixa na não homologação da compensação do pretenso crédito de IRF de R$ 335,62 sob o código 3208, com débito de IRF, sob o código 0588. O débito de IRF objetivado na compensação é referente A 1" semana de maio de 2004 (código 0588), sendo o pretendido crédito de IRF apurado na 1" semana de março de 2004, sob o código 3208, conforme a DCOMP retificadora e as DCTF's originais do 1' e 2' trimestres de 2004 (fls. 14 a 16, 18, 22, 24 a 26). Na peça inaugural, a recorrente informa a apresentação de DCTF retificadora do 1' trimestre de 2004, para especificar que o débito de IRF sob o código .3208 referente A 1' semana de março de .2004 é de RS 4.36,60 (e não de R$ 772,22), gerando o crédito de R$ 335,62, objetivado à compensação conforme a DCOMP. Na peça recursiva, a recorrente alega o seguinte. Do confronto das DCOMP ' s 06856.97197.040504.1.3.04-5079 e 23203.7226.3.210906.1.7.04-5278, juntamente com o DARF de R$ 772,22, nota-se que o preenchimento da primeira DCOMP fora equivocada e que a partir da segunda DCOMP (retificadora) verifica-se a origem do crédito de RS 335,62. Tal assertiva em nada contribui para pretensão da recorrente. Simplesmente que na DCOMP retificado (06856.97197.040504,13.04-5079) fora declarado DARF de R$ .335,62, sob o código 3208, relativo à 1" semana de março de 2004 (fl. 4), ao passo que na çk 5 Processo n' 10280 003394/2005-25 SI -CI T3 Acórdo n 1103-00353 Fl 6 DCOMP retificadora (2320172261210906.1.7.04-5278) fora declarado DARF correto de R$ 772,22, sob o código 3208, referente A la semana de março de 2004 (fl, 14). Isso nada demonstra quanto a ser o débito devido de IRF relativo A. 1" semana de março de 2004, sob o código 3208, de R$ 436,60 (R$ 772,22 — R$ 335,62), resultando num indébito tributário de R$ 335,62. Compulsando os autos, vejo que na DCTF original do 1° trimestre de 2004 é declarado débito de R$ 772,22, sob o código 3208, relativo A 1" semana de março de 2004 corn vinculação a crédito tributário do mesmo valor, resultando num saldo a pagar igual a zero. Nessa DCTF é indicado o pagamento desse crédito corn DARF (código 3208), com o pleno adimplemento do débito declarado, nem mais nem menos (fls. 18, 20 e 21) . E na DCTF do 2 0 trimestre de 2004 é inforrnada a compensação de RS 335,62 com o débito de IRF referente a la semana de maio de 2004, sob o código 0588, com vinculação à DCOMP 06856,97197,040504,11.04-5079 (DCOMP original, retificada) — fls. 24 a 26. De outra parte, a mera apresentação de DCTF retificadora do 1" trimestre de 2004, após o despacho não homologatório da compensação, desacompanhada de elementos documentais que constatem o erro da DCTF original, é insuficiente para derruir o indeferimento da compensação.. A recorrente não carreou aos autos nenhuma documentação que comprove ou no mínimo indicie o erro perpetrado na DCTF original do I' trimestre de 2004, vale dizer, que o débito de IRF, sob o código 3208, relativo h P semana de março de 2004 não é de R$ 772,22, mas de R$ 436,60. E, sobremais por se ter apresentado a retificadora da DCTF do 1' trimestre de 2004 só após a não homologação da compensação (que se deu justamente com apoio na alocação do débito feito conforme declarado pela recorrente em sua DC IF), à recorrente competiria trazer aos autos os documentos que denunciassem o erro da DCTF original. Estando em jogo a pretensão do contribuinte, deste é o onus probandi, Outrossim, padece de precariedade, de insuficiência e de carência de certeza o crédito postulado pela recorrente. A certeza do crédito é mister para a compensação, além da liquidez daquele, como predica o art, 170 do CTN. Sob essa ordem de consideraçôes e juizo, nego provimento ao recurso, o meu voto, SHIGUEO TAKATA 6
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Numero do processo: 15578.000129/2010-31
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE DIREITO CREDITÓRIO
O provimento judicial que deferiu o aumento do índice inflacionário sempre resultará num aumento das despesas de baixa de itens do ativo permanente, pois estes mesmos itens terão aumentado de valor.
O que o contribuinte pleiteou na ação judicial foi a atualização do seu balanço para fins de apropriar as despesas com as baixas do ativo permanente nos anos vindouros e isso foi reconhecido pela decisão passada em julgado.
Ademais, mesmo que a decisão tivesse os efeitos pretendidos pela autoridade fazendária, caberia a esta lançar o eventual lucro inflacionário e não glosar as despesas de baixa do ativo. Por outros termos, não é condição para a apropriação das despesas de baixa do ativo que a correção monetária destes tenha sido oferecida à tributação nos anos anteriores.
Numero da decisão: 1401-002.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano (Vice-Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado em substituição ao impedimento da Conselheira Leticia Domingues Costa Braga).
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE DIREITO CREDITÓRIO O provimento judicial que deferiu o aumento do índice inflacionário sempre resultará num aumento das despesas de baixa de itens do ativo permanente, pois estes mesmos itens terão aumentado de valor. O que o contribuinte pleiteou na ação judicial foi a atualização do seu balanço para fins de apropriar as despesas com as baixas do ativo permanente nos anos vindouros e isso foi reconhecido pela decisão passada em julgado. Ademais, mesmo que a decisão tivesse os efeitos pretendidos pela autoridade fazendária, caberia a esta lançar o eventual lucro inflacionário e não glosar as despesas de baixa do ativo. Por outros termos, não é condição para a apropriação das despesas de baixa do ativo que a correção monetária destes tenha sido oferecida à tributação nos anos anteriores.
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COMPROVAÇÃO DE DIREITO CREDITÓRIO O provimento judicial que deferiu o aumento do índice inflacionário sempre resultará num aumento das despesas de baixa de itens do ativo permanente, pois estes mesmos itens terão aumentado de valor. O que o contribuinte pleiteou na ação judicial foi a atualização do seu balanço para fins de apropriar as despesas com as baixas do ativo permanente nos anos vindouros e isso foi reconhecido pela decisão passada em julgado. Ademais, mesmo que a decisão tivesse os efeitos pretendidos pela autoridade fazendária, caberia a esta lançar o eventual lucro inflacionário e não glosar as despesas de baixa do ativo. Por outros termos, não é condição para a apropriação das despesas de baixa do ativo que a correção monetária destes tenha sido oferecida à tributação nos anos anteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator ad hoc AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 01 29 /2 01 0- 31 Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 15578.000129/201031 Acórdão n.º 1401002.188 S1C4T1 Fl. 344 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano (VicePresidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado em substituição ao impedimento da Conselheira Leticia Domingues Costa Braga). Relatório O presente feito já foi enfrentado neste colegiado, ocasião em que foi sobrestado pela resolução nº 1401000.323 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 23 de setembro de 2014 (fls. 9991333, eprocesso como as demais numerações desta decisão). Naquela oportunidade, assim se relatou: Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em face do Acórdão n° 0239.959, proferido pela 3ª Turma da DRJ de Belo Horizonte, Minas Gerais, em sessão de 22 de agosto de 2011. Cuida o processo de pedidos de compensação formalizados por meio das DCOMP´s de n°s 28043.68614.131108.1.7.020036 (fls. 19/26), 38637.39726.240709.1.7.022060 (fls. 27/79), 05846.74305.051208.1.3.021731 (fls. 02/05) e 05620.72615.240709.1.7.026532 (fls. 06/18), sendo pleiteada pelo contribuinte a compensação do montante de R$ 2.060.165,89, para o pagamento do IPI vencido em 25/11/2008, com o rateio do Saldo Negativo de IRPJ apurado em 01/09/2008, no evento da cisão parcial (empresa sucedida: ACERLORMITAL TUBARÃO COMERCIAL S/A). Em Despacho Decisório de n° 0202/2012 (fls. 247/251), exarado pela DRF em 10 de fevereiro de 2012, as DCOMP´s declaradas pelo contribuinte foram parcialmente homologadas, sob o fundamento de que não havia crédito suficiente de Saldo Negativo de IRPJ apontado pelo Contribuinte. Assim, foi decidido pela DRJ: homologação do PER/DCOMP de nº 28043.68614.131108.1.7.020036 até o limite do crédito apurado pela DRF, qual seja R$ 1.600.201,92 (já rateado após a cisão parcial); não homologação dos PER/DCOMP de nºs 38637.39726.240709.1.7.022060 (fls. 27/79), 05846.74305.051208.1.3.021731 (fls. 02/05) e 05620.72615.240709.1.7.026532; Em Manifestação de Inconformidade às fls. 325/362, o contribuinte sustenta que compensou o Saldo negativo de IRPJ proveniente de IRRF retido em seu nome, em 2008 (que por ocasião da DIPJ 2008 não fora contabilizado) e de estimativas pagas pela Cia em 2008, na proporção do patrimônio que lhe foi transferido em decorrência da cisão parcial. Assevera, ainda, que excluiu da apuração do Lucro Real as parcelas referentes a encargos do Plano Verão (diferença IPC/BTNF), na proporção do patrimônio transferido, conforme teria sido autorizada pela Ação Ordinária nº 95.0087464, transitada em julgado, juntada neste processo nas fls. 504/652. Em suma, o contribuinte requereu que: (i) sejam homologados todos os seus PER/DCOMP; (ii) que seja mantido o suposto Saldo Negativo de IRPJ de R$ 85.607.670,33 decorrente da cisão parcial; (iii) bem como que seja reconhecido o IRRF retido em seu nome. A Decisão de fls. 762/784, da DRJ de Belo Horizonte/MG julgou, por unanimidade dos votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte. A Decisão restou assim ementada: (...) Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 1.293/1.326) alegando, em síntese, que: (i) as exclusões realizadas a título dos encargos do Plano Verão se tratam de um direito concedido pela Ação Ordinária nº 95.0087477, transitada em julgado e não podem ser alteradas pela Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 15578.000129/201031 Acórdão n.º 1401002.188 S1C4T1 Fl. 345 3 Administração; (ii) a aplicação das normas gerais de correção monetária, para o seu caso é equivocada e gera efeitos na base de cálculo da CSLL, tornandoos nulos; (iii) se deve considerar a postergação do artigo 273 do RIR; (iv) deve poder apresentar documentos após a apresentação da Manifestação de Inconformidade. O voto condutor da resolução de sobrestamento teve o seguinte teor: Delimitando a lide, cuidase de homologação parcial de pedido de compensação, da qual o contribuinte recorre, alegando a existência e legitimidade do crédito na parte em que não homologado. Nesse sentido, o contribuinte sustenta que realizou exclusões do Lucro Real a título de encargos do Plano Verão, conforme direito concedido pela Ação Ordinária nº 95.0087464 transitada em julgado, a qual, segundo a requerente, teria autorizado o contribuinte a realizar correção monetária pela diferença IPC/BTNF apenas nas despesas de depreciação, amortização e baixa e à correção de prejuízo fiscal acumulado. Em relação a essa Ação Ordinária, a DRJ afirma que a sentença transitada em julgado aplicase a todas as demonstrações financeiras e não somente às despesas de depreciação, amortização e baixa e à correção de prejuízo fiscal acumulado, o que geraria apenas despesas. Tais exclusões compõem grande parte do crédito referente aos PER/DCOMPs do processo em análise. Cabe aqui mencionar que essas exclusões foram objeto de Auto de Infração, que deu origem ao Processo Administrativo nº 15586.720036/201116, fruto de Resolução de minha relatoria na sessão desta Turma em Julho de 2014, quando a Turma entendeu oportuno baixar o processo em diligência para averiguar os efeitos do provimento jurisdicional por meio dos seguintes quesitos, formulados à d. fiscalização: 1. Apurar os efeitos da correção monetária de balanço no ano de 1989, conforme decisão do TRF, complementadas pela decisão do STJ, que deferiu a correção da diferença do IPC/BTNF. 2. Projetar os efeitos dessa correção monetária nos anos seguintes até 2007, inclusive considerando a receita de lucro inflacionário diferido em relação a esses expurgos. 3. Limitar a glosa ao montante do reflexo da correção monetária de 1989 em 2007. Tendo em vista que o crédito pleiteado pelo contribuinte nos PER/DCOMPs depende do desfecho da lide no Processo Administrativo mencionado acima, entendo necessário aguardar o julgamento do PA nº 15586.720036/201116, a fim de entendermos o alcance da coisa julgada na Ação Ordinária nº 95.0087464 e, consequentemente, entender se de fato há ou não crédito de Saldo Negativo de CSLL. Por tal razão, entendo por bem suspender o presente processo, a fim de aguardar a diligência do Processo Administrativo nº 15586.720036/201116, relativa ao alcance da sentença da Ação Ordinária nº 95.0087464. Quando retornar a diligência do Processo Administrativo nº 15586.720036/201116, ambos os processos devem retornar para apreciação. Pois bem, a diligência foi realizada no processo nº 15586.720036/201116 e abaixo transcrevo o seu resultado (fls. 1.2521.253 daquele processo): Tendo em vista a solicitação de diligência pelo CARF, conforme resolução nº 1401000.312, com o objetivo de elucidar alguns questionamentos, os quais detalhamos abaixo: 1. Apurar os efeitos da correção monetária de balanço no ano de 1989, conforme decisão do TRF, complementadas pela decisão do STJ, que deferiu a correção da diferença do IPC/BTNF. Resposta: O acórdão do Tribunal Regional da 1a Região Fiscal, informa: “I – Em conformidade com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, em tema relativo a expurgos inflacionários, as demonstrações financeiras de 1990, anobase 1989, devem ser Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 15578.000129/201031 Acórdão n.º 1401002.188 S1C4T1 Fl. 346 4 corrigidas de acordo com o IPC de janeiro de 1989, o qual restou definido pelo Superior Tribunal de Justiça em 42,72% II – Apelação da autora parcialmente provida.” O acórdão do Superior Tribunal de Justiça – STJ, informa: “1 – Este tribunal, através da Corte Especial, ao reduzir o IPC de janeiro de 1989 de 70,28% para 42,72%, acolheu o entendimento de que o IPC do mês de fevereiro seguinte deve ser fixado no percentual de 10,41%. 2 – Recurso especial provido.” Da leitura do Balanço Patrimonial consolidado em 31/12/1998 (fls. 341e 342) e da Declaração de Imposto de Renda relativa ao exercício de 1990 (fls. 443 a 536), observase que o Ativo Permanente, cuja correção monetária gera receita passível de tributação, totaliza Cz$ 1.831.511.337.133,60 e o Patrimônio Líquido, cuja correção monetária gera despesa dedutível, totaliza Cz$ 1.581.013.583.114,94. Abaixo apresentamos a tabela com os efeitos da correção monetária pelo IPC/BTNF no ano de 1989: Data Índice (%) Ativo Permanente (1) Patrimônio Líquido (2) Saldo Credor de C.M. (1) – (2) 31.12.1988 Cz$ 1.831.511.337.133,60 Cz$ 1.581.013.583.114,94 Cz$ 250.497.754.018,66 31.01.1989 42,72% NCz$ 2.613.932.980,38 NCz$ 2.256.422.585,82 NCz$ 357.510.394,53 31.02.1989 10,14% NCz$ 2.878.985.784,59 NCz$ 2.485.223.836,02 NCz$ 393.761.948,5 Obs: Em janeiro de 1989 houve alteração da moeda Cruzado (Cz$) para Cruzado Novo (NCz$), dividindoa por 1.000. 2. Projetar os efeitos dessa correção monetária nos anos seguintes até 2007, inclusive considerando a receita de lucro inflacionário em relação a esses expurgos: Resposta: Para correção monetária dos valores do Ativo Permanente, Patrimônio Líquido e Saldo Credor da Correção Monetária (Lucro Inflacionário), utilizamos a tabela “Anexo I – Atualização Monetária”, conforme legislação pertinente descrita no anexo. Resumo da Atualização Monetária: Período Moeda Ativo Permanente Patrimônio Líquido Saldo Credor C.M. Dez/88 Cz$ 1.831.511.337.133,60 1.581.013.583.114,94 250.497.754.018,66 Dez/07 R$ 30.335.527.623,07 26.186.505.237,85 4.149.022.385,22 3. Limitar a glosa ao montante do reflexo da correção monetária de 1989 em 2007 Resposta: A glosa efetuada pela fiscalização se refere aos valores deduzidos como “outras exclusões – Exclusão dos efeitos decorrentes de ação judicial Plano Verão”, informados pelo contribuinte (fls. 40, 44 e 66) em resposta aos Termos de Intimação Fiscal. A glosa realizada está correta segundo, conforme determina o artigo 185 da Lei nº 6.404/76, portanto não há que se falar em limite, pois tratase de exclusões indevidas, tendo em vista que o contribuinte apenas havia realizado a correção monetária do Patrimônio Líquido em 1988, deixando de realizar a mesma para o Ativo Permanente. Diante desta situação, ao considerarmos a correção monetária do Ativo Permanente, chegamos a um saldo credor de correção monetária, em 31.12.1988, no valor de Cz$ 250.497.754.018,66 (cruzados), de forma que o contribuinte não possui direito às exclusões solicitadas. Venho ainda informar que existem processos neste CARF que versam sobre o mesmo assunto, são eles os processos 15578.000407/200757 (IRPJ) e 15578.000406/200718 (CSLL). Ambas as partes foram intimadas e se manifestaram nos autos acerca da diligência. Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 15578.000129/201031 Acórdão n.º 1401002.188 S1C4T1 Fl. 347 5 O contribuinte apresentou a peça de fls. 1.2621.277 do já citado processo nº 15586.720036/201116, que pode ser assim sintetizada: A fiscalização não teria respondido a contento nenhum dos quesitos da diligência, de modo que se obrigada a tecer suas próprias respostas e apresentar os documentos que as comprovam. Com relação ao primeiro quesito (Apurar os efeitos da correção monetária de balanço no ano de 1989, conforme decisão do TRF, complementadas pela decisão do STJ, que deferiu a correção da diferença do IPC/BTNF), não teria sido respondido pela fiscalização, uma vez que a fiscalização teria recalculado os saldos do ativo permanente e do patrimônio líquido sem se ater a situações específicas. A primeira delas diz respeito a itens do ativo permanente que não se submetiam à correção monetária, como terrenos e ativos diferidos; a segunda é relativa à necessidade de se subtrair do saldo utilizado as contas devedoras (depreciações e amortizações acumuladas em 1988). Ademais, discorreu sobre um suposto equívoco na conversão de valores. Abaixo, reproduzo a parte pertinente: Então apresentou o quadro. Seguiu ao aduzir que tributou (não diferiu, portanto) a tributação do saldo credor da correção monetária original, o que estaria comprovado pela DIPJ e LALUR apresentados (Anexo II). Assim, a fiscalização teria duas Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 15578.000129/201031 Acórdão n.º 1401002.188 S1C4T1 Fl. 348 6 opções: (i) apurar o diferimento do novo saldo credor da correção monetária, ou (ii) tributar de imediato, mas respeitandose a decadência e os saldos controlados pelo LALUR na época, especialmente, os prejuízos fiscais. Desse modo, ainda que o índice expurgado alcançasse todo o balanço e não apenas o ativo permanente como pedido na inicial, não haveria tributo a ser pago, uma vez que os prejuízos registrados no LALUR 1989 eram suficientes para compensar a diferença. Apresenta no Anexo IV como entende que se daria a compensação com o saldo de prejuízos fiscais. Segue ainda com as considerações abaixo reproduzidas: Com relação ao segundo quesito (Projetar os efeitos dessa correção monetária nos anos seguintes até 2007, inclusive considerando a receita de lucro inflacionário em relação a esses expurgos), aduz que os cálculos apresentados pela autoridade fiscal estão errados pelos seguintes motivos: (i) não aplicou a diferença IPC/BNFF, (ii) aplicou índices posteriores à extinção da UFIR. Passa então a explanar o que deveria ter sido apurado acerca dos efeitos da correção monetária do balanço para 2007: a) se houvesse saldo credor a ser tributado em 1989, este seria compensado com prejuízos fiscais ou seria convertido em lucro inflacionário a ser tributado na medida da realização dos itens do ativo permanente; b) deveria ter sido apurado toda a movimentação (depreciação, por exemplo) dos bens existentes no ativo permanente de 1989 com base na decisão judicial; Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 15578.000129/201031 Acórdão n.º 1401002.188 S1C4T1 Fl. 349 7 c) o eventual saldo credor ou lucro inflacionário deveria ser recalculado e deduzido, ano a ano, com direitos e créditos fiscais existentes no LALUR e, posteriormente, com as despesas de depreciação, amortização e baixas decorrentes da decisão judicial transitada em julgado; d) essa movimentação demonstraria se, em 2007, a correção monetária determinada pela decisão passada em julgado produziria efeitos positivos ou negativos; Aduz, então, o valor a que teria direito a depreciar. Com relação ao terceiro quesito (Limitar a glosa ao montante do reflexo da correção monetária de 1989 em 2007), contesta a conclusão da autoridade fiscal e entende que deixou de cumprir o que determinava a resolução de diligência. Passa então a discorrer como apurar o efeito líquido entre a tributação do saldo credor apurado em 1989 e a dedução de despesas de depreciação, amortização e baixas entre 1989 e 2007. A manifestação da PFN foi apresentada na peça de fls. 13771388, cujos razões são as que se seguem. A PFN parte do seguinte pressuposto: Não há controvérsia acerca dos índices aplicáveis. Não há tampouco, lide sobre os valores envolvidos na autuação. O interessado não nega que tenha feito, em 2007, as deduções glosadas, referentes a saldo negativo de correção monetária do ano de 1989, confirmando, ainda, que este saldo resultou da indexação, tão somente, de suas contas credoras. Assim, discorre sobre os efeitos da decisão judicial na ação ordinária de nº 95.00087464, cujos principais trechos valem ser colacionados: Portanto, contrariamente ao que afirma todo o tempo o interessado, ele jamais obteve permissão para corrigir, unicamente, suas despesas com depreciação, amortização, baixas e prejuízos fiscais. O que ele conseguiu foi uma decisão que, ao final, lhe foi desfavorável, já que lhe concedeu o direito de corrigir “as demonstrações financeiras” pelo IPC. E daí ele teria, na correção do balanço, saldo credor (RECEITA) a oferecer à tributação, através de adição ao lucro líquido, conforme se pode precisar dos valores do ativo permanente e do patrimônio líquido informados em sua DIRPJ e através das planilhas de folhas 443 a 536 (...) (...) Noutros termos, seja por meio das informações prestadas pelo próprio interessado, seja em virtude da análise dos termos do provimento judicial, seja pela conclusão externada no Relatório Fiscal sob análise, constatase que, em qualquer dos períodos acima (objeto da ação do IPC), ele teria saldos a adicionar ao lucro líquido, e não direito a deduções deste, QUANDO DA APURAÇÃO DO LUCRO REAL, razão pela qual a decisão de primeira instância não merece reparos nesse ponto. É o relatório. Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 15578.000129/201031 Acórdão n.º 1401002.188 S1C4T1 Fl. 350 8 Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva, Relator ad hoc Conforme podemos depreender da decisão recorrida, mas sobretudo do despacho decisório, a controvérsia se resume à glosa da exclusão de R$ 85.607.670,33 relativa ao intitulado expurgo inflacionário do plano verão (diferença IPC/BTNF); vide a fl. 147 do despacho decisório. Como bem assentado na resolução que havia sobrestado o presente feito, esse tema consta também do processo nº 15586.720036/201116. O que lá se decidir propaga os mesmos efeitos para cá. Pois bem, assim teci meu voto naquele processo: Glosa de expurgo inflacionário No próprio termo de verificação fiscal (fls. 587), a autoridade fiscal assim consigna: Através da ação ordinária 9500087464, o contribuinte requereu o direito de deduzir fiscalmente as despesas de depreciação, amortização e baixas, computandose a variação de 70,28%, referente ao IPC de janeiro de 1989, substituindose a OTN de Ncz$ 6,92 pela de Ncz$ 10,51 ou outro índice que a juíza julgasse adequado, na base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro, como se fosse ajuste de exercícios anteriores, com todos os efeitos daí decorrentes, tais como a correção dos prejuízos fiscais, ou ainda, como pedido sucessivo, compensar o imposto pago indevidamente nos últimos 5 (cinco) anos, em função do expurgo ocorrido na formação da despesa de depreciação, amortização e baixas, com os efeitos decorrentes de correção de prejuízos fiscais. Depois aduziu que a autora modificou seu pedido inicial no recurso com base no seguinte trecho da apelação: A Autora propôs a presente ação ordinária visando ao reconhecimento de seu direito constitucional de utilizar, em suas demonstrações financeiras e para efeitos de apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, um índice de correção monetária que efetivamente, correspondesse à realidade da variação econômica no período ...” A seguir reproduziu partes do provimento final do STJ: “Em sua petição inicial a Recorrente pediu a declaração do seu direito de deduzir fiscalmente as despesas de depreciação, amortização e baixas, computandose a variação do IPC ..... Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 15578.000129/201031 Acórdão n.º 1401002.188 S1C4T1 Fl. 351 9 ................................... A ação foi julgada improcedente em 1ª instância e parcialmente procedente no Egrégio TRF, que reconheceu o direito da Recorrente apenas à aplicação do índice de 42,72%, de janeiro deste ano.” .................................. ... A Recorrente requer a reforma do r. acórdão recorrido, para que seja reconhecido o seu direito à aplicação, na correção monetária de suas demonstrações financeiras ...” Daí conclui: E daí ele teria, na correção do balanço, saldo credor (RECEITA) a oferecer à tributação, através de adição ao lucro líquido, conforme se pode precisar dos valores do ativo permanente e do patrimônio líquido e através das planilhas, apresentadas quando das respostas aos termos de intimação. O Julgador de primeira instância, a PFN e, pelos termos do voto condutor da diligência que foi baixada seguiram pela mesma linha. Nada obstante e com a devida vênia a todos, as premissas estão equivocadas em função da confusão entre dois itens de resultado. Uma coisa é o resultado da correção monetária do balanço de um determinado ano, que poderá ser credor e, portanto, aumentar o resultado tributável do período em questão (no caso dos autos, o anocalendário de 1989) ou devedor e, assim, reduzir o referido resultado. Em termos genéricos, o saldo é credor quando o ativo permanente é maior que o patrimônio líquido, e é devedor quando ocorre o contrário. Outra coisa é a apropriação ao resultado de exercícios posteriores da redução dos itens do ativo permanente por depreciação, amortização, exaustão e simples baixa. Pois bem, ao se aumentar, como foi feito pela decisão judicial, o índice de correção monetária do período em questão (1989), o resultado da correção monetária do balanço e, conseguintemente, do chamado lucro inflacionário pode ser credor ou devedor. Isso dependerá da composição do balanço da interessada. No entanto, o provimento judicial que deferiu o aumento do índice inflacionário sempre resultará num aumento das despesas de baixa de itens do ativo permanente, pois estes mesmos itens terão aumentado de valor. Claro que este aumento poderia resultar num lucro inflacionário, mas um efeito não está necessariamente atrelado ao outro. Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 15578.000129/201031 Acórdão n.º 1401002.188 S1C4T1 Fl. 352 10 O que o contribuinte pleiteou na ação judicial foi a atualização do seu balanço para fins de apropriar as despesas com as baixas do ativo permanente nos anos vindouros e isso foi reconhecido pela decisão passada em julgado. Ademais, mesmo que a decisão tivesse os efeitos pretendidos pela autoridade fazendária, caberia a esta lançar o eventual lucro inflacionário e não glosar as despesas de baixa do ativo. Por outros termos, não é condição para a apropriação das despesas de baixa do ativo que a correção monetária destes tenha sido oferecida à tributação nos anos anteriores. A caracterização da natureza jurídica dos itens glosados pela autoridade fiscal consta não só das defesas administrativas, mas também das respostas apresentadas no próprio curso do procedimento fiscal (fl. 41), cujo trecho pertinente abaixo reproduzo: Desse modo, o fundamento da autuação está equivocado. Dou provimento ao recurso voluntário nesse item. Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso de ofício e para dar provimento parcial ao recurso voluntário com o fito de exonerar o lançamento relativamente à segunda infração, qual seja, a glosa das exclusões das despesas de baixas do ativo decorrentes da atualização do balanço reconhecida em decisão judicial. Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 15578.000129/201031 Acórdão n.º 1401002.188 S1C4T1 Fl. 353 11 A glosa da exclusão que repercutiu no lançamento realizado no feito 15586.720036/201116 e no não reconhecimento de parte do direito creditório aqui pleiteado teve fundamento equivocado pelos fundamentos que transcrevi acima. Aqui, poderia ser questionado se o contribuinte não deveria comprovar quantitativamente o valor glosado, se deveríamos enveredar por uma análise do valor apurado. Por outros termos, como as autoridades inferiores indeferiram por fundamento incorreto e mais genérico, poderia ser questionado se não deveríamos devolver para prosseguir a análise, como fazemos, por exemplo, quando reformamos uma decisão que indefere a restituição por prescrição do direito de repetição. Creio, contudo, que essa não é a melhor solução. A autoridade poderia ter aditado seu despacho inicial com o fundamento suplementar de que os cálculos do contribuinte estariam equivocados, uma vez que ele expressamente aduziu que os valores se referiam a baixas do ativo permanente corrigido pelo expurgo inflacionário judicialmente reposto. Se não o fez, é porque adotou esse critério de análise e não nos cabe determinar o seu critério de auditoria. Desse modo, os feitos relativos ao lançamento e à compensação devem ter a mesma solução. Conclusão Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário com o fito de reconhecer parcela adicional de saldo credor resultante do recálculo da base de cálculo do IRPJ ao se reestabelecer a exclusão de R$ 85.607.670,33 relativa às diferenças de baixa de itens do ativo corrigidos pelo expurgo inflacionário, bem como realizar as compensações até o montante do crédito tributário reconhecido. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 1039DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.003710/2004-44
Data da sessão: Thu May 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA IN I EG RAD° DE PAGA M EN IO DE I MPOS IOS E
CON I RIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DF; PEQUENO
PORTE - SIMPLES
Exercício: 2003
SIMPLES, ATO DE EXCLUSÃO. NULIDADE
Sob pena de nulidade, a exclusão da sistemática de recolhimento
simplificado, pelo exercício de atividade vedada por semelhança, deve estar acompanhada de prova inetorquivel da prestação de serviços de profissional habilitado que impeça a opção e possibilite a aferição da legalidade do ato de exclusão. (Inteligência do art. 9 0, inciso XIII da I,ei n" 9,31 7/96)
Numero da decisão: 1503-000.416
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator, que negava provimento ao recurso. Designado pala redigir o voto vencedor o Conselheiro Walter Adol1b Mareselr
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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ementa_s : SISTEMA IN I EG RAD° DE PAGA M EN IO DE I MPOS IOS E CON I RIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DF; PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2003 SIMPLES, ATO DE EXCLUSÃO. NULIDADE Sob pena de nulidade, a exclusão da sistemática de recolhimento simplificado, pelo exercício de atividade vedada por semelhança, deve estar acompanhada de prova inetorquivel da prestação de serviços de profissional habilitado que impeça a opção e possibilite a aferição da legalidade do ato de exclusão. (Inteligência do art. 9 0, inciso XIII da I,ei n" 9,31 7/96)
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(Inteligência do art. 9 0, inciso XIII da I,ei n" 9,31 7/96) Vistos, relatados e disculidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente .julgado. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator, que negava provimento ao recurso. Designado pala redigir o voto vencedor o Conselheiro Walter Adol1b Mareselr Moraes - Pre4deftte7.. Sérgio Rbdrigues M-Mes - Rei ator. ..., Jo,.9)-2_, Walter Adolfo Maresch7 - Redator Designado. 19 t Processo 1C 10675 0037 10/2001-41 81-11.:03 AuOrdão ri I 803-00 .416 P1 119 h:DR ADO KM: 20/05/2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiios: Solene Ferreira de Moraes, Benedieto Celso Benício Júnior, Walter Adolfb Maresch, Luciano lnocêncio dos Santos, Sérgio Rodrigues Mendes e 1)iniz Raposo e Silva Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (lis. 51.): A exclusão da interessada da Ni yiennitir:a de pagamento dos tributos e contribuições de que ti ata o ar! da Lei 9 317/96, denominada Simples, lin cf .:ditada por s-e enquadrar na condição impeditiva prevista no inciso XIII do art. 9' da reférida .4 tnani/sIanIe contesto, em síntese, tfa evelus-ão do Simples sob 05 .51'51iii?te5 argumentos 1 Não exclue atividade vedada lia ofensa a princípios consiiitieionciis Os efeitos da excluYrIO derem ser a partir do ato eu:Indente, não e t gi r. A.sim, requer que seja reconsiderada a decisão que determinou sua exclmsão e que se determine sua permanência no Simples A decisão da instância a quo foi assim ementada (Es, 50): ASSUNTO. INTEGRADO DL PAGA/VIENTO DE IMPOSTOS E CON'IRIBW(fOES DAS iVIICROEMPRE,SAS L DAS EMPRESAS DE PEOITENO POTOT: - SIMPLES Ano-ca lendário: 2002 Ementa OIN.-ão pelo Condição Vedada — Inipossibilidade Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que incorre em uma ou ii ais das veda “:;(:5' à ONC-10 estabelecidos em lei, Solicitação Indeferida ‘,\ f Cientificada da relérida decisão em 27/11/2007 (AR. de tis. 55), a tempo, eniliV 20/12/2007, apresenta a interessada recurso de fls, 56 a 63, instruido com os documentos de tis 64 a 1.15, nele reiterando Os argumentos anteriormente expendidos, inclusive requerendo que os efeitos da exclusão se dêem a partir de 01/01/2002 (fls. 61. e 62) ), e S5 Processo n" 1 0675 0037 1 0/20(14-44 S1 -T VO3 Acórdão n " 1803-00416 H 120 Ern mesa para julgamento. Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do lecurso.. Arit. 9", inciso XIII, da Lei n" 9.317, de 1996 Dispõe o art. 9", inciso XIII, da Lei n" 9.317, de 5 de dezembro de 1996 (grifou-se): Ari. 9" Não poderá optar pelo ,S71v[PLES, a pessoa jurídica • I- -1 a .X1111 - que pFC,Sle ,servios pssinais de corretor, , representante comercial, despachante ., ator, empt.C..5"(.»io, diretor Ou produtor de espetáculos-, Cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, Iisico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador; programadoi; analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, física/tom, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida, Por outro lado, consta do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples, de fis.. 8, emitido em 02/08/2(1)04, o seguinte (destacou-se): Ari. 1" Fica O contribuinte, a seguir identificado, excluído do S'imples a pai/ir do dia 01/01/2002, pela ocorrência da situação excludente indicada abaixo. Nome • PC SERVIÇOS DE IRR I G A ÇÃ O 1-_,TDA CNP 1 . 03 .683. 103/0001-9.1 Data da opção pelo Simples.: 08/03/2000 Situação excludente (evento 306).- De.serição — atividade econ6mica vedada . 2969-6/02 instalação, ,ççparação e manutenção outras máquinas e equipamentos de uso especifico cVrf.Data da ocorrência,• 08/03/2000 No caso da recorrente, a sua atividade se refere, especificamente., a "manutenção, recuperação e reparação de máquinas, equipamentos e sistemas de irrigação" (cláusula 3 a do contrato social, fls.. 9).. .9z Processo u" J1)675 01,137111/2001- é14 LO3 Acórdão a' 1803-00416 121 Para bem distinguir o alcance dos termos do art. 9 0, inciso XIII, da Lei n" 9,317, de 1996, notadamente no que se refere à expressa() "serviços profissionais de engenheiro OU issemelhados", é importante transcrever o contido no art.. 4" da Lei n" 1(1964, de 28 de outubro de 2004, com a redação dada pelo znt, 15 da Lei n" 11 051, de 29 de dezembro de 2004, como segue: /.1.rt 4 Ficam excetuada s da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9" da Lei ri) 9 .317, de 5 de dezembro de /996, as pessoas jurídicas que se dediquem às' seguintes atividades. (Redação dada pela Lei n" 1.1 051, de 2004) I: serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ónibus e outros veículos pesados, (Redação dada pela Lei ir 11.051, de 2004) // — de instalação, manutenção e reparação de acessórios para veículos automotores; (Redação dada pela I,ein" 11 ,051, de 2004) /// — .1. CrViÇON de manutenção e reparação de motocicletas, motonetas e bicicletas, (Redação dada pela Lei n" ii . 051, de, 2004) IV — serviços dé.' instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de infiwnática; (Redação dada pela Lei n" 11 051, de 2004) — SerViÇOS de manutenção e reparação de aparelhos eletrodomésticos. (Redação dada pela Lei 1.1 0 11 .051, de 2004) Como se verifica, os serviços de manutenção e reparação de veículos, acessórios de veículos, máquinas e aparelhos em geral estão excluídos do regime do Simples, à exceção dos expressamente referidos no dispositivo legal acima. Como os serviços de manutenção e reparação de máquinas, equipamentos e sistemas de irrigação não estão ressalvados nesse dispositivo legal, as empresas que se dedicam a essa atividade estão impedidas de optar pelo Simples. É que não iria o legislador excetuar da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9" da Lei n" 9,317, de :1996, situações que lá não estivessem incluídas, o que permite considerar referido dispositivo legal como um verdadeiro preceito interpretativo. Saliente-se, por fim, que, apenas com a edição da Lei Complementar n" 1.28, de 19 de dezembro de 2008, já na nova sistemática. do Simples Naciorud, foi permitida a opção, a partir de I" de janeiro de 2009, pelas empresas prestadoras de serviços de -instalação, de reparos e de manutenção em geral (art. 3"). Efeitos da exclusão do Simples Dispõe o art.. 15, incise) II, da Lei n" 9,3 17, de 5 de dezembro de 1996, com a redação vigente à época da edição do Ato Declaratorio .hxecutivo (ADE) de exclusão do Simples (02/08/2004 - tis, 8): ()cesso n' 10675 003710/2004-11 Si- I E03 Adi n " .1803-00.416 H 1 22 Ãrt 15 evcIusiio tio SIMP1.1,S" nas condições de que tratam a,s aits 13 e 14 tira efeito: 1- 1, - a ptsriit do iiev subseqüente ao que incorrida a ,situação exeludeme, nas hipóteses de que traiam OS 1flCISOS TH a A7X do art. 9",- (Redação dada pela Medida Pirovisória n." 2158-35, de 2001) Pelo que se observa, o art. 15, inciso II., da Lei n° 9.317, de 1996, com a redação da Medida Provisória n" 2.158-35, de 2001, é claro ao estabelecer que os efeitos da exclusão se iniciam no mês subseqüente ao em que for incorrida a situação excludente No caso, a situação excludenle se deu no mês de março de 2000 (mês cle sua abertura - lis 12), motivo pelo qual cotTeta a exclusão a partir do dia 01/01/2002 (data da vigência da Ml 2,158-35, de 2001, conforme entendimento do art.. 24, parágrafo único, inciso 11, da Instrução Normativa SRF n" 355, de 8 de agosto de 2003). Conclusão Em lace do exposto, e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NFGAR PROVIMENTO AO RECURSO como voto. Vy,2/ir Sérgio Rodrigues Medes Processo n" 10(175 003710/2001-31 SI-11(.03 Acóano n " 1803-00.416 II 123 Voto Vencedor Conselheiro Walter Adollb Maresch, Redator Designado Em que pesem os judiciosos argumentos trazidos pelo ilustre conselheiro relator para embasar suas conclusões, estes não foram acolhidos pelos demais integrantes desta Terceira Turma de Julgamento. Com efeito, a exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples, da forma como foi conduzida não se sustenta ante os princípios constitucionais que nortearam a criação do sistema simplificado de recolhimento de tributos e regem o devido processo legal administrativo. Inicialmente, há que se ter em mente que a sistemática instituída pela Lei n" 9.3 V7/96, fundada no art. 179 da Carta da República, conlorm.e seu ai:1_ 1" dispõe: (verbis) .A.rt. r Esta Lei regula, em eaufbrmidade COM O disposto no art 179 da Con.stituição. O tratamento diferenciado, simplificado e !aedo, aplicável às microempre.sas e a.s empresas de pequeno porte, ¡Altivo aos impostos e às contribuições que menciona. GriliD110.5 Conforme já deixa claro o ai t. .1" retro citado, pretende-se com a legislação em. debate, obter um tratamento diferenciado, simplificado e favorecido às microempresas e empresas de pequeno porte, libertando-as dos elevados ônus de exigências e carga tributária da.s demais empresas, combatendo a informalidade e o desemprego no Pa.ís. Assim, a exclusão de empresas da sistemática simplificada, deverá ser feita com parcimônia e cercada de cuidados que preserve desde que atendidas as exigências legais, o enquadramento realizado pelos contribuintes.. Considerando as graves repercussões na esfera econômica dos contribuintes, a exclusão deve observar o devido processo legal administrativo e a efetiva comprovação do exercício de atividade vedada ao sistema simplificado. No caso em tela, a recorrente foi excluída do SlM.PI,ES tendo em vista que o código (CNAE) foi considerado pela Secretaria da Receita Federal, como atividade vedada por ser assemelhada ao exercício de atividade de engenheiro. Na locução da norma invocada pela Secretaria da Receita Federal - art. 9", inciso XIII, não poderá Optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica que .preste serviços profissionais de (.) engenheiro, (...) ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida.. Ora, conforme se depreende dos elementos colacionados pela recorrente esta executa serviços de manutenção e reparação de aparelhos de ii.rigação -não havendo qualquer prova adicional por parte da Secretaria da Receita Federal, de que a empresa preste',. Processo n'' 10675 0037101200444 SI-1E03 Acórceio n " 1803-00.416 H 124 efetivamente qualquer sem-viço que exija o concurso de profissional corn diploma de engenheiro OU equivalente.. A ilação extraída de um simples código de atividade, não se presta a comprovar O exercício de atividade ainda mais por semelhança não prescindindo nestes casos de prova material que comprove a atuação de profissional habilitado com diploma de engenheiro ou equivalente. A liágil invocação do exercício de atividade vedada, fero os princípios constitucionais esculpidos no art. .37 da Carta Magna, repisados no art. 2" da Lei n° 9.784/99, que conduzem o agir da. Administração Pública, inquinando de nulidade o ato de, exclusão. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso, anulando-se o Ato Declaratório de Exclusão, ah ovo, nao produzindo quaisquer efeitos, seja na exigência no recolhimento de tributos como de obrigações acessórias adicionais. U101),,L4 -N- • 4--Y`"A, Walter .Adolfo -Mar ..-ch ?;-5.-- MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO Al)MIN1SI 1A1TVO DE RECURSOS FISCAIS _ . (").1..IAR' I A CÂMARA - PRIMEIRA. SE,CM-..) Processo n" : 10675.003710/2004-44 Acórdão n" : 1803-00.416 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um. dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do ai I. 81, § 3 0 , do anexo 1.1, do Regimento Interno do CARP, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 &junho de 2009 Brasília, 09 de . julho de 2010 - wa-Vtibon N ariVeeWáAW.Ms'a(--; 1\.o(.. — e.nria ( a C5mai a Ciência Data: Nome: l'ioeurad01(a) da l'azencia Nacional Encaminhamento da PFN: I_ _1 apenas com cieneia; [ 0001 Recurso Especial; [ 00111 Embargos de Dedal ação.
score : 1.0
Numero do processo: 13924.000167/96-43
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2002
Ementa: PIS — SEMESTRALIDADE - BASE DE CÁLCULO — A base de cálculo do PIS, até a edição da MP nº 1.212/95, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador (Primeira Seção STJ - REsp 144.708- RS - e CSRF), sem correção monetária. Aplica-se este entendimento, com base na LC nº 07/70, até os fatos geradores ocorridos até 29 de fevereiro de 1996, consoante dispõe o parágrafo único do art. 1º, da IN SRF nº 06, de 19/01/2000.
Recurso a que se dá provimento
Numero da decisão: CSRF/02-01.085
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Jorge Freire
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SEGUNDA TURMA Processo n° : 13924.000167/96-43 Recurso n° : RD1203-0.405 Matéria : PIS / FATURAMENTO Recorrente : NESTOR LACHAMAN & CIA. LTDA. Recorrida : TERCEIRA CÂMARA DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessada : FAZENDA NACIONAL Sessão de : 22 DE JANEIRO DE 2002 Acórdão n° : CSRF/02-01.085 PIS — SEMESTRALIDADE - BASE DE CÁLCULO — A base de cálculo do PIS, até a edição da MP n2 1.212/95, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador (Primeira Seção STJ - REsp 144.708- RS - e CSRF), sem correção monetária. Aplica-se este entendimento, com base na LC n 2 07/70, até os fatos geradores ocorridos até 29 de fevereiro de 1996, consoante dispõe o parágrafo único do art. 1 2, da IN SRF n2 06, de 19/01/2000. Recurso a que se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por NESTOR LACHAMAN & CIA. LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. .... ___, ÓN PÊL.------2 REI - - ODRIGUES PRES 113 - li,- JORG FREIRE RELATOR ... FORMALIZADO EM: ' . - / Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, SÉRGIO GOMES VELLOSO, MARCOS VINÍCIUS NEDER DE LIMA, DALTON CÉSAR CORDEIRO DE MIRANDA, OTACíLIO DANTAS CARTAXO e FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA. ' Processo n° :13924.000167/96-43 Acórdão n° : CSRF/02-01.085 Recurso n° : RD/203-0.405 Recorrente : NESTOR LACHAMAN & CIA. LTDA. RELATÓRIO Conforme consta dos autos, trata-se de Auto de Infração contra a empresa acima identificada, exigindo a contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, por falta ou insuficiência nos recolhimentos da referida contribuição, relativo ao período compreendido entre abril de 1991 a dezembro de 1995, tendo por fundamento a Lei Complementar n2 07, de 07 de setembro de 1970, onde o centro de divergência agora reside, na interpretação do parágrafo único do artigo 6 2 da referida Lei. Aduz a recorrente que, uma vez restaurada a sistemática da Lei Complementar n2 07/70, pela declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n" 2.445/88 e 2.449/88, pelo STF e Resolução do Senado Federal n 2 49 (DOU de 10/10/95), no cálculo da Contribuição ao PIS das empresas mercantis, a base de cálculo é a do sexto mês anterior, sem a atualização monetária, gerando-lhe, desta forma, um crédito a lhe ser restituído. A autoridade julgadora de primeira instância, através da Decisão de fls. 305 a 311, julgou procedente a exigência constante do auto de infração. Inconformada com a decisão monocrática, a interessada interpôs recurso voluntário, no qual reitera seus argumentos defendidos quando do pedido inicial. Em sessão plenária de 18 de maio de 1999, a Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes julgou o recurso voluntário n2 105.747, oportunidade em que o Colegiado decidiu, por unanimidade de votos, em negar 2 Processo n° :13924.000167/96-43 Acórdão n° : CSRF/02-01.085 provimento ao apelo. A decisão está consubstanciada no Acórdão n 2 203-05.496, que recebeu a seguinte ementa: "PIS/FATURAMENTO — VIGÊNCIA DAS LEIS COMPLEMENTARES 07/70 e 17/73 — A declaração de inconstitucionalidade dos DL n° 2.445/88 e 2.449/88, retirados do ordenamento jurídico nacional pela Resolução do Senado Federal n 2 49195, produziu efeitos ex tufo, significando dizer que, juridicamente, é como se nunca tivessem existido, em nada alterando a vigência dos dispositivos das leis complementares que pretenderam alterar. PRAZO DE VENCIMENTO/LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE — A legislação ordinária que estabeleceu novos prazos de recolhimento da Contribuição, alterando o prazo originalmente fixado na LC n 2 07/70, e que não foram objeto de questionamento, permanecem em vigor, surtindo todos os seus efeitos legais. BASE DE CÁLCULO — ICMS — DUPLA TRIBUTAÇÃO — NOÇÃO E BASE DE CÁLCULO E FATURAMENTO O 1CMS compõe a base de cálculo da contribuição. Não há dupla tributação, pois a noção juridicamente qualificada de faturamento é diferente da de valor de operação de saída de mercadorias. JUROS DE MORA E MULTA — INCIDÊNCIA — Aplicam-se ao crédito tributário as disposições do CTN sobre juros de mora, por se tratar de obrigação de direito público. Falta de declaração e recolhimento de tributos é infração tributária, punível com exigência de multa. CONSTITUIÇAO DO CREDITO TRIBUTÁRIO — LANÇAMENTO DE OFÍCIO — Constatada, em procedimento de fiscalização, a falta de cumprimento da obrigação tributária, seja principal ou acessória, obriga-se o agente fiscal a constituir o crédito tributário pelo lançamento, no uso da competência que lhe é privativa, vinculada e obrigatória. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — PRAZO — PRECLUSÃO — Escoado o prazo previsto no artigo 33 do Decreto n 2 70.235/72, opera-se a preclusão do direito da parte para reclamar direito não argüido na impugnação, consolidando-se a situação jurídica consubstanciada na decisão de primeira instância relativamente a essa matéria, não sendo cabível, na fase recursal de julgamento, rediscutir ou, menos ainda, redirecionar a discussão sobre aspectos já pacificados, mesmo porque tal impedimento ainda se faria presente no duplo grau de jurisdição, que deve ser observado no contencioso administrativo fiscal. TRD — Este Conselho, reiteradamente, tem decidido no sentido de que os encargos de juros moratórios só é cabível a partir do mês de agosto de 1991 (Acórdão CSRF/01-1.773/94). Recurso a que se nega provimento." 3 Processo n° : 13924.000167/96-43 Acórdão n° : CSRF/02-01.085 Irresignada, a contribuinte apresenta Recurso Especial de divergência, por defender que a decisão do Colegiado deu à norma de direito tributário federal interpretação divergente de outras Câmaras. Traz, em seu arrazoado, precedentes divergentes do Primeiro Conselho de Contribuintes, no sentido de que o parágrafo único do artigo 6 2 da LC 7/70, tratou de "base de cálculo" e não prazo de recolhimento. O Presidente da 32 Câmara do 22 CC, por meio do Despacho n2 203- 045 de fls. 452/454, considerou haver divergência do aresto recorrido com os Acórdãos n9J- 107-05.795, 107-06.109 e 107-06.110 e deu seguimento ao recurso do contribuinte. Às fls. 457/459, contra-razões ao Recurso Especial de divergência apresentada pela Fazenda Nacional na forma do disposto no § 1°- do art. 34 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, Anexo II da Portaria MF n2 55/98, requerendo a este Egrégio Colegiado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a manutenção da decisão da Instância "a quo" ora atacada, por estar, segundo seu entender, em conformidade com a legislação de regência da matéria e sua interpretação oficial. Ressalta a posição firmada pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN-CAT n2 437/98, entendendo que o fato gerador não é dissociado da base de cálculo. É o relatório. 5,7 4 Processo n° : 13924.000167/96-43 Acórdão n° : CSRF/02-01.085 VOTO Conselheiro JORGE FREIRE, Relator: O Recurso Especial atendeu aos pressupostos genéricos de tempestividade e regularidade formal e, desta forma, merece ser conhecido. Em variadas oportunidades manifestei-me no sentido da forma do cálculo que sustenta a decisão recorrida', entendendo, em ultima ratio, ser impossível dissociar-se base de cálculo e fato gerador. Entretanto, sempre averbei a precária redação dada a norma legal ora sob discussão. E, em verdade, sopesava duas situações: uma de técnica impositiva, e outra no sentido da estrita legalidade que deve nortear a interpretação da lei impositiva. E, neste último sentido, veio tornar-se consentânea a jurisprudência da CSRF2 e também do STJ. Assim, calcado nas decisões destas Cortes, dobrei-me à argumentação de que deve prevalecer a estrita legalidade, no sentido de resguardar a segurança jurídica do contribuinte, mesmo que para isso tenha-se como afrontada a melhor técnica tributária, a qual entende despropositada a disjunção de fato gerador e base de cálculo. É a aplicação do princípio da proporcionalidade, prevalecendo o direito que mais resguarde o ordenamento jurídico como um todo. 1 Acórdãos n°- 210-72.229, votado por maioria em 11/11/1998, e 201-72.362, votado à unanimidade em 10/12/98. 2 O Acórdão n2 CSRF/02-0.871 2 também adotou o mesmo entendimento firmado pelo STJ. Também nos RD/203-0.293 e 203-0.334, j. em 09/02/2001, em sua maioria, a CSRF esposou o entendimento de que a base de cálculo do PIS refere-se ao faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador (Acórdãos ainda não formalizados). E o RD 203-0.3000 (processo 11080.001223/96-38), votado em Sessões de junho do corrente ano, teve votação unânime nesse sentido. 5 Processo n° : 13924.000167/96-43 Acórdão n° : CSRF/02-01.085 E agora o Superior Tribunal de Justiça, através de sua Primeira Seção, 3 veio tornar pacífico o entendimento postulado pela recorrente, consoante depreende-se da ementa a seguir transcrita: "TRIBUTÁRIO — PIS — SEMESTRALIDADE — BASE DE CÁLCULO — CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. O PIS semestral, estabelecido na LC 07/70, diferentemente do PIS REPIQUE — art. 32, letra "a" da mesma lei — tem como fato gerador o faturamento mensal. 2. Em benefício do contribuinte, estabeleceu o legislador como base de cálculo, entendendo-se como tal a base numérica sobre a qual incide a aliquota do tributo, o faturamento, de seis meses anteriores à ocorrência do fato gerador — art. 62, parágrafo único da LC 07/70. 3. A incidência da correção monetária, segundo posição jurisprudencial, só pode ser calculada a partir do fato gerador. 4. Corrigir-se a base de cálculo do PIS é prática que não se alinha à previsão da lei e à posição da jurisprudência. Recurso Especial improvido." Portanto, até a edição da MP n2 1.212/95, convertida na Lei n2 9.715/98, é de ser dado provimento ao recurso para o fim de que o auto de infração seja retificado, considerando como base de cálculo o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, tendo como prazos de recolhimento aquele da lei (Leis n° 7.691/88, 8.019/90, 8.218/91, 8.383/91, 8.850/94, 9.069/95 e MP n2 812/94) do momento da ocorrência do fato gerador. E a IN SRF n2 006, de 19 de janeiro de 2000, no parágrafo único do art. 1 2, com base no decidido julgamento do Recurso Extraordinário 232.896-3-PA, aduz que "aos fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1 2 de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996 aplica-se o disposto na Lei Complementar n2 7, de 7 de setembro de 1970, e ri 2 8, de 3 de dezembro de 1970". Forte em todo o exposto, 3 Resp 144.708, rel. Ministra Eliane Calmon, j. em 29/05/2001, acórdão não formalizado. 6 Processo n° : 13924.000167/96-43 Acórdão n° : CSRF/02-01.085 DOU PROVIMENTO AO RECURSO PARA O FIM DE DECLARAR QUE A BASE DE CÁLCULO DO PIS, ATÉ 29/02/96, INCLUSIVE, DEVE SER CALCULADA COM BASE NO FATURAMENTO DO SEXTO MÊS ANTERIOR AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SEM CORREÇÃO MONETÁRIA, SENDO A ALíQUOTA DE 0,75%. Sala das Sessões-DF, em 21 de janeiro de 2002. JORGE FREIRE RELATOR 7 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10660.005327/2007-32
Data da sessão: Fri Jun 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. CONTAGEM DE PRAZO.
O prazo de 30 dias para impugnação do lançamento inicia-se no dia seguinte ao recebimento da notificação e termina no 30º dia, com exclusão do primeiro e inclusão do último.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-000.584
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Odmir Fernandes
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INTEMPESTIVIDADE. CONTAGEM DE PRAZO.. O prazo de 30 dias para impugnação do lançamento inicia-se no dia seguinte ao recebimento da notificação e termina no 30 0 dia, com exclusão do primeiro e inclusão do último. Recurso Voluntário Negado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. residente Odirr,Fe elator EDITADO EM: a 2 Liu 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Jose Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka e Ana Neyle Olimpio Holanda, Relatório Trata-se de Recurso Voluntário da decisão da 4" Turma da DRF de Julgamento de Juiz de Fora - MG que não conheceu da impugnação por intempestiva. Ao relatório da decisão de fls., que adoto, acrescento que a decisão recorrida considerou o Recorrente cientificado da autuação no dia 17.10.2007, uma quarta-feira, com inicio do prazo da impugnação de 30 dias, em 18.10.2007, uma quinta-feira, encerrando-se no 19.1 L2007, urna segunda-feira, dia de expediente normal. A impugnação foi protocolada no dia 20.11.2007, após o decurso dos 30 dias pare a impugnação. No Recurso Voluntário o Recorrente reitera a preliminar de tempestividade da impugnação, afirmando que tomou ciência da autuação no dia 19.10.2007, com inicio do prazo no dia 20.10.2007 (sábado), prorrogando-se para o dia 22.10,2007 e vencendo-se em 20.11.2007, nos termos do art, 5, Par, único do Decreto n" 70.235/72. Assim, pede reforma da decisão recorrida para que seja conhecida e provida a impugnação. o relatório, Voto Conselheiro Odmir Fernandes, Relator. O prazo de 30 dias para impugnação do lançamento inicia-se no dia seguinte ao recebimento da notificação e termina no 30° dia, com exclusão do primeiro e inclusão do filtimo. Esta é a forma de contagem dos prazos adotado em praticamente todos os sistemas processuais, adrninistrativo ou judicial.. Aqui, a lide limita-se saber a data em que o contribuinte foi notificado do lançamento, se em 17.10.2007 ou em 19.10.2007, uma sexta-feira, para efeito do inicio da contagem do prazo de impugnação. Conforme notificação postal de Hs. 24, o contribuinte foi notificado do lançamento no dia 17.10.2007, uma quarta-feira e não na sexta-feira, dia 19.10.2007, conforme sustenta em suas nas razões de recurso. Logo, a contagem do prazo teve inicio no dia 18.10.2007, quinta-feira, com o término de 30 dias em 16.11.2007, sexta feira. 0 mês de outubro é de 31 dias, corn isso, o prazo venceu no dia 16.11.2007 e não no dia 19,11.2007, conforme considerou a decisão de 1" instancia. A impugnação foi protocola no dia 20.11..2007, uma terça-feira, fora do prazo recursal de 30 dias, portanto . Assim, vemos que a decisão agiu com acerto ao não conhecer da impugnação interposta. Diante do exposto, conheço e nego provimento ao recurso para manter a ■ decisão recorrida, com a observação de que o termo final para a impugnação encerrou no dia i i 16.11.2007 e não no dia 19.11.2007, como considerou a decisão recorrida. A i i mandes - Relator Process() n" 10660 005327/2007-32 S2-C1T1 Acàrdio n 2101-00.584 Fl 2 3
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Numero do processo: 13876.000625/2002-94
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 1999
IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR COMPLEXIVO ANUAL. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE EXISTA PAGAMENTO ANTECIPADO.
OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 173, I, DO CTN. O lançamento do imposto de renda da pessoa física é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do ano-calendário, no caso de rendimentos sujeitos ao ajuste anual. Para esse tipo de lançamento, o
qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador, na forma do art. 150, § 4º, do CTN, desde que exista pagamento antecipado, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação ou ausência de pagamento antecipado, quando tem aplicação o art. 173, I, do CTN.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE REPASSE DE PARTE DOS RENDIMENTOS OMITIDOS.
MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO.
Não havendo comprovação de repasse a terceiro de parte dos rendimentos omitidos, deve o autuado sofrer a imputação total.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-002.283
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 1999 IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR COMPLEXIVO ANUAL. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE EXISTA PAGAMENTO ANTECIPADO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 173, I, DO CTN. O lançamento do imposto de renda da pessoa física é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do ano-calendário, no caso de rendimentos sujeitos ao ajuste anual. Para esse tipo de lançamento, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador, na forma do art. 150, § 4º, do CTN, desde que exista pagamento antecipado, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação ou ausência de pagamento antecipado, quando tem aplicação o art. 173, I, do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE REPASSE DE PARTE DOS RENDIMENTOS OMITIDOS. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Não havendo comprovação de repasse a terceiro de parte dos rendimentos omitidos, deve o autuado sofrer a imputação total. Recurso negado.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR COMPLEXIVO ANUAL. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE EXISTA PAGAMENTO ANTECIPADO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 173, I, DO CTN. O lançamento do imposto de renda da pessoa física é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do anocalendário, no caso de rendimentos sujeitos ao ajuste anual. Para esse tipo de lançamento, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador, na forma do art. 150, § 4º, do CTN, desde que exista pagamento antecipado, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação ou ausência de pagamento antecipado, quando tem aplicação o art. 173, I, do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE REPASSE DE PARTE DOS RENDIMENTOS OMITIDOS. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Não havendo comprovação de repasse a terceiro de parte dos rendimentos omitidos, deve o autuado sofrer a imputação total. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 00 06 25 /2 00 2- 94 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por ANTONIO ALMIR XIMENES, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 22/10/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Eivanice Canário da Silva e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Abaixo se transcreve o breve e sucinto relatório da decisão ora recorrida, que bem resume as razões da autuação e as suscitadas na impugnação ao lançamento (fl. 19): Contra o contribuinte, antes identificado, foi emitido o auto de infração de fls. 0307, no qual é exigido o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) Suplementar, relativamente ao ano calendário 1999, no valor de R$6.864,00, acrescido da multa de oficio e dos juros de mora. A infração descrita se refere a omissão de rendimentos recebidos da Cooperativa Habitacional de Itu, no valor de R$ 38.350,00. Esse valor foi somado ao recebido do Colégio Int. Monteiro Lobato S/C Ltda, no valor de R$ 22.800,00. O enquadramento legal está às fls. 05 e 07. Cientificado e não concordando com a exigência, o autuado apresenta a impugnação de fl. 01 e documento de fl. 02, alegando, em síntese, o seguinte: • Que firmou contrato de prestação de serviços com o INOCOOP — São Paulo, visando a comercialização de 160 apartamentos. Para vender as às unidades firmou parcerias com assistentes habitacionais, entre as quais a Senhora Áurea Aparecida Ferreira de Souza, a quem repassou o valor de R$26.000,00, conforme comprovante que está anexado ao Processo Trabalhista 1194/98, que tramita na Justiça do Trabalho em Itu SP. • Que a Senhora Áurea deixou de apresentar à Cooperativa as notas fiscais ou recibos de pagamento a autônomo conforme o combinado. Em conseqüência a Cooperativa lançou o valor citado em nome do impugnante. • O valor restante de R$ 2500,00 foi repassado a outros assistentes habitacionais que trabalharam no projeto. Ao final, requer o cancelamento do auto de infração, pois entende que somente o valor de R$10.000,00 é o seu rendimento, que deve ser somado ao valor recebido do Colégio Integrado Monteiro Lobato SC Ltda, no valor de R$ 22.800,00. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por ANTONIO ALMIR XIMENES, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13876.000625/200294 Acórdão n.º 2102002.283 S2C1T2 Fl. 46 3 A 1ª Turma da DJRSanta Maria (RS), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 4.395, de 27 de julho de 2005. A decisão acima rejeitou a pretensão do impugnante, argumentando que “... No presente caso, a comprovação desses pagamentos a terceiros não é necessária, pois o declarante apresentou a sua Declaração de Ajuste Anual no modelo Simplificado, onde é permitido o "Desconto Simplificado de 20%" sobre os rendimentos tributáveis, limitado ao valor de R$ 8.000,00. O Desconto Simplificado não necessita de comprovação e substitui as deduções legais cabíveis, conforme dispõem as Leis n°9.250, de 1995, art. 10 e n° 10.451, de 2002, art. 2°”. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 16/11/2007. Irresignado, interpôs recurso voluntário em 11/12/2007. No voluntário, o recorrente alegou, em síntese, que: I. devese reconhecer que a decadência extinguiu o crédito tributário lançado, pela fluência do prazo qüinqüenal legal; II. prestou serviços ao INOCOOPSão Paulo como Corretor de Imóveis, sendo que diversos outros corretores trabalharam com o recorrente, como a Sra. Áurea Aparecida Ferreira de Souza, que terminou ingressando com reclamatória trabalhista n° 1194/98, OP atual n° 01194.1998.018.15.00.8, perante a Vara do Trabalho de ItúSP, contra o autuado, cobrando dele o equivalente a R$ 26.000,00 do valor recebido do INOCOOP; III. apesar de o INOCOOP ter lançado todos os valores em nome do recorrente, os repasses aos demais corretores não podem integrar o rendimento tributável do autuado, inclusive porque a corretora citada ofertou o montante de R$ 26.000,00 à tributação; IV. a argumentação da decisão recorrida que restringiu todas as deduções possíveis se amparou na Instrução Normativa SRF n° 019, de 23 de fevereiro de 2000, posterior ao fato gerador, que não pode retroagir para prejudicar o contribuinte; V. Juntou aos autos cópia da reclamatória trabalhista citada acima, com a sentença respectiva (fls. 34 a 43). É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Fl. 53DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por ANTONIO ALMIR XIMENES, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 16/11/2007, sextafeira, e interpôs o recurso voluntário em 11/12/2007, dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 17/12/2007, segundafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Em relação ao pleito decadencial, devese observar que a infração referese a crédito tributário do anocalendário 1999, com fato gerador aperfeiçoado em 31/12/1999 (como se pode ver, por analogia, com a Súmula CARF nº 38 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário , que versa sobre rendimentos sujeitos ao ajuste anual, como ocorre com qualquer omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, como se viu nestes autos), com ciência do lançamento em 28/06/2002, ou seja, dentro do qüinqüênio legal, este que teve seu termo final em 31/12/2004, no caso da regra do art. 150, § 4º, do CTN, ou 31/12/2005, no caso da regra do art. 173, I, do CTN. Na forma acima, rejeitase a presente pretensão recursal. Nas demais questões de mérito, devese observar que o contribuinte, apesar de alegar que repassou R$ 26.000,00 para a corretora Sra. Áurea Aparecida Ferreira de Souza, dos trabalhos de venda de imóveis em prol da INOCOOP, não comprovou qualquer repasse. Ademais, a reclamatória trabalhista citada foi proposta em 1998 (fl. 06), quando a omissão de rendimentos ocorreu no anocalendário 1999, ou seja, sequer há identidade entre o ano da reclamatória e da omissão de rendimentos. Não se compreende como a corretora Áurea demandou valores que somente foram recebidos pelo recorrente no ano seguinte, pois a reclamatória trabalhista busca o acerto de trabalhos já realizados (vínculo empregatício até 27/04/2008 – fl. 40) e certamente já recebidos pelo recorrente. Por tudo, não se comprovou qualquer repasse da omissão de rendimentos imputada ao contribuinte, o que faz cair por terra toda a tese defensiva. Por último, devese anotar que o desconto simplificado foi instituído pelo art. 10 da Lei nº 9.250/95, nada havendo de equivocado na decisão recorrida, quando restringiu todas as deduções possíveis com amparou na Instrução Normativa SRF n° 019, de 23 de fevereiro de 2000, pois simplesmente citou uma Instrução Normativa que repisava o instituído no art. 10 da Lei nº 9.250/95. Entretanto, atentese, o direito do contribuinte nesta instância não foi deferido em decorrência de não ter havido a comprovação do repasse dos rendimentos omitidos a terceiros corretores, sendo irrelevante para o indeferimento da pretensão recursal a questão do desconto simplificado. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 54DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por ANTONIO ALMIR XIMENES, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13876.000625/200294 Acórdão n.º 2102002.283 S2C1T2 Fl. 47 5 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por ANTONIO ALMIR XIMENES, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 19679.007465/2005-60
Data da sessão: Fri Sep 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2005
IRPF, MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. CÁLCULO SOBRE O IMPOSTO DEVIDO E NÃO A PAGAR.
Estando o contribuinte obrigado à entrega da declaração de rendimentos, sua não apresentação no prazo estabelecido impõe a aplicação da multa por atraso na entrega correspondente a 1% ao mês ou fração sobre o imposto devido, limitada a 20%, com multa de no mínimo R$165,74.
O imposto devido é a diferença ene a soma de todos os rendimentos
percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva, e a soma das deduções autorizadas pela legislação.
Impossível se igualar os conceitos de imposto devido e de imposto a pagar.
Recurso Voluntário Negado..
Numero da decisão: 2101-000.781
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
Nome do relator: José Evande Carvalho Araujo
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CÁLCULO SOBRE O IMPOSTO DEVIDO E NÃO A PAGAR, Estando o contribuinte obrigado à entrega da declaração de rendimentos, sua não apresentação no prazo estabelecido impõe a aplicação da multa por atraso na entrega correspondente a 1% ao mês ou fração sobre o imposto devido, limitada a 20%, com multa de no mínimo R$165,74. O imposto devido é a diferença ene a soma de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva, e a soma das deduções autorizadas pela legislação. Impossível se igualar os conceitos de imposto devido e de imposto a pagar, Recurso Voluntário Negado.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, (assinado digitalmente) Caio Marcos Candido - Presidente, 2 E .M. (-ARI . N11 (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo- Relator. EDITADO EM: 05/10/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Candido, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Evande Carvalho Araujo, Alexandre Naoki Nishioka, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de li. 06, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, relativa à multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos, formalizando a exigência de multa no valor de R$2.556,45. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação (fls. 01 a 05), acatada como tempestiva, pleiteando a revisão da penalidade aplicada para o montante de R$ 165,74, vez que inexistente imposto a pagar na referida =FF, e a compensação desse valor do seu saldo de imposto , a restituir. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 11' Turma da DRJ/São Paulo II/SP julgou procedente o lançamento com base, em síntese, nas seguintes considerações (lis. 29 a 32): A declaração referente ao ano-calendário em questão foi entregue em 02/05/2005 (f123), após a data prevista na legislação (29/04/2005 — art, 3' da Instrução Normativa SRF 507, de 11/02/2005), aplicando-se a multa por atraso na entrega nos valores definidos pelo artigo 88 da Lei n° 8 981, de 20 de janeiro de 1995, convertido para reais de acordo com o disposto no artigo 30 da Lei 9 249/1995 Pelo exame dos autos, verifica-se, em primeira análise, que o contribuinte encontrava-se obrigado a apresentar a Declaração de Ajuste Anual por ter recebido rendimentos tributáveis acima limite de isenção. Em sua própria declaração entregue em atraso, o contribuinte afirma ter recebido o valor de R$ 984 790,32 (novecentos e oitenta e quatro mil, setecentos e noventa Reais e trinta e dois centavos - lis, 24) e, de acordo com a IN SRP if 507, de 11/02/2005, art. 1", inciso I, o valor limite para o ano-calendário era de R$ 12.696,00 (doze mil, seiscentos e noventa e seis Reais), In verbis: ) As alegações fundadas na incorreção da penalidade aplicada não merecem provimento De fato, a legislação é cristalina ao estabelecer que a multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual deve ser calculada com base no imposto devido, que não se confunde com o saldo do imposto a pagar ou a ser restituido iL 50 S2-C111 El 49 Processo o" 19679 00746512005-60 Acórdão o" 21(11-00,781 apurado na declaração. Na realidade, o conceito de imposto devido extrai-se da norma veiculada no art, 83 do Regulamento do Imposto de Renda — RIR199, aprovado pelo Decreto n". 3.000, de 26/03/99, in verbis: ( ) Assim, o imposto devido corresponde ao montante do imposto de renda incidente sobre todos os rendimentos tributáveis aferidos no ano-calendário, admitida a dedução na base-de-cálculo das seguintes importâncias: contribuição previdenciária (art. 74 do RIR/99), despesas escrituradas em livro-caixa (arts. 75 e 76 do RIR/99), dependentes (art, 77 do RIR/99), pensão alimentícia (art. 78 do RIR 199), proventos e pensões de maiores de 65 anos (art. 79 do RIR199), despesas médicas (art 80 do RIR/99), despesas com educação (art. 81 do R1R199) e contribuição aos fundos de aposentadoria programada individual (art 82 do RIR/99). Em face do exposto no parágrafo precedente, resta evidente que o montante do imposto de renda recolhido no curso do ano-calendário não se constitui em dedução do imposto anual devido, logo, a penalidade em comento não deve ser aplicada com base no saldo do imposto a pagar ou a restituir, apurado na Declaração de Ajuste Anual, conforme ventilado na defesa. Destarte, a base de cálculo da penalidade em testilha reside no montante do imposto devido, conforme preceitua o art. 88 da Lei n° 8 981/95, in verbis ( ) No caso vertente, o imposto devido remontou a R$ 255 645,78 (duzentos e cinqüenta e cinco mil, seiscentos e quarenta e cinco Reais e setenta e oito centavos — fls. 24) Logo, a penalidade aplicada correspondeu a I% do imposto devido, remontando a R$ 2 556,45 (dois mil, quinhentos c cinqüenta e seis Reais e quarenta e cinco centavos), pois o atraso na entrega da declaração foi de fração de um mês (entrega em 02/05/2005) O pedido relativo à compensação da penalidade em comento com o montante da restituição indicado na referida DIRPF não pode ser atendido, pois na DIRPF — retificadora do exercício 2005, entregue em 28/11/2007, o contribuinte informa que há saldo de imposto a pagar no valor de R$ 1 204,77 (um mil, duzentos e quatro Reais e setenta e sete centavos -- fls. 28). Logo, inviável cogitar-se de qualquer espécie de compensação, vez que o contribuinte não comprovou ser credor do Fisco. Ressalte-se, por oportuno, que a competência para apreciar o referido pedido de compensação é do Delegado da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo, em face da norma veiculada pelo art. 167, inciso VI, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n. 95, de 30/04/2007. Por fim, no que se refere às citações de acórdãos administrativos, cumpre destacar que não se aplicam ao presente processo, a teor do art. 100, II, do CTN, por inexistir lei que lhes atribua eficácia normativa. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 13/08/2008 (fl.. 39), o contribuinte apresentou, em 12/09/2008 (f1,. 40), o recurso de fls. 40 a 45, onde repisou os argumentos da impugnação, em especial que o cálculo da multa por atraso na entrega da 3 1r:0 I 4!•.•• • 1) l C AR i- 1-1. 51 declaração deve se dar sobre o saldo de imposto a pagar, aplicando-se a multa mínima quando este não existir, transcrevendo jurisprudência do Conselho de Contribuintes nesse sentido Ao final, pugnou pela aplicação da multa mínima de R$165,74 O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 47, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o Relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relatar O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há argüição de qualquer preliminar. O contribuinte apresentou, no dia 02/05/2005, Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física - DIRPF do exercício de 2005, declarando rendimentos tributáveis de R$984.790,32 (fi. 23), A Instrução Normativa SR.F. n°507, de 11 de fevereiro de 2005, era o ato legal que regulamentava a declaração daquele exercício, e determinava, em seu art inciso I, que estava obrigado a declarar quem recebesse rendimentos tributáveis acima de R$ 12.696,00, e fixava o prazo de entrega para 29/04/2005 (art. 3 0 ). Desta forma, por estar obrigado a apresentar declaração anual de ajuste e por fazê-lo em atraso, recebeu a multa no valor de R$2.556,45, correspondente a 1% sobre o imposto devido, percentual correspondente a 1% vezes o número de meses de atraso.. A exigência da multa por atraso na entrega da declaração, nos termos em que foi exigida no lançamento em exame, está devidamente alicerçada na legislação tributária. Confira-se: Lei n" 9.250, de 26 de dezembro de 1995. art. 7" A pessoa física deverá apurar o saldo em Reais do imposto a pagar ou o valor a ser restituido, relativamente aos rendimentos percebidos no ar2o-cakndário, e apresentar anualmente, até o último dia útil cio mês de abril do ano- calendário subseqüente, declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal ( ) Lei n°8.981 de 20 de janeiro de 1995. Ari 88 A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo . fixado, sujeitará a pessoa fisica ou juridica. 1 - à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago,. (Vide Lei n" 9 532, de 1997) ii - à multa de duzentas Urfirs a oito mil LIfirs, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. H. 52 Processo n" 19679 007465/2005-60 S2-C1T1 Acórdão n '2101-00.781 Fl 50 .§ I" O valo, mínimo a ser aplicado será a) de duzentas Ufirs, para as pessoasfisicas; b) de quinhentas 1.1.firs, para as pessoas jurídicas ) Lei n" 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Art. 27 A multa a que se refere o inciso 1 do art. 88 da Lei n" 8 981, de 1995, é limitada a vinte por cento do imposto de renda devido, respeitado o valor mínimo de que trata o .§ I" do referido ai!. 88, convertido em reais de acordo com o disposto no art 30 da Lei n" 9.249, de 26 de dezembro de 1995. ( Lei n"9.779, de 19 de janeh o de 1999. Ari 16 Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, fonna, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável Como se vê, de acordo com a legislação acima transcrita, resta claro que a falta de apresentação da declaração ou sua apresentação fora do prazo enseja o lançamento da multa por atraso correspondente a 1% por mês de atraso ou fração sobre o imposto devido, limitada a 20%, com o valor mínimo previsto no §1°, alínea "a", do artigo 88 da Lei IV 8,981, de 1995, quantia que, convertida para reais, resulta em R$ 165,74, A interpretação de que a multa por atraso deveria ser aplicada sobre o imposto a pagar teve algum sucesso no âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, como comprovam os acórdãos citados pelo recorrente. Afirmava-se, por meio de urna interpretação gramatical, que devido seria o tributo que sobrasse a ser pago depois da dedução do imposto já retido na fonte.. Contudo, essa tese teve pequena acolhida, sendo rapidamente superada, na medida em que contraria frontalmente o que determina a lei. Veja-se que o art. 88, inciso 1, da Lei IV 8,981, de 1995, define que a multa por atraso se aplica sobre o imposto de renda devido, ainda que integralmente pago. Ora, como afirmar que a lei dizia que o imposto devido seria o tributo a pagar, se o próprio texto legal determinava a penalidade no caso de imposto integralmente pago? Mais ainda. O art. 12 da referida lei define explicitamente o que vem a ser imposto devido: Ar!. .12, A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas 1- de todos os iendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivainente na fonte e os •sujeitos à tributação definitiva, - das deduções relativas. DF (.ARr ívf i. a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas. ocupacionais e hospitais, bem como as despesas provenientes de exames laboratoriais e serviços radiológicos,. b) a5 despesas realizadas com instrução regular do contribuinte e seus dependentes até o limite anual individual de R$ 1 500,00, c) as contribuições e doações efetuadas a entidades de que trata o uri 1" da Lei n" 3.8.30, de 25 de novembro de 1960, observadas as condições estabelecidas no art. 2"da mesma lei,. d) as doações feitas aos findos contratados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente; e) a soma dos valores referidos no art 9" desta lei. ) Já os arts. 15, 16 e 17 da mesma lei determinam, para se chegar ao valor do imposto a pagar, a aplicação da tabela progressiva sobre o imposto devido e a subtração dos incentivos permitidos em lei, do imposto retido na fonte ou pago, e do imposto pago no exterior. Assim, insustentáveis os argumentos no sentido de se aplicar a multa mínima no caso em que não for apurado tributo a pagar, pois a própria lei (pie instituiu a penalidade faz diferença expressa entre os conceitos de imposto devido e a pagar. A titulo de complementação, faço uma análise da jurisprudência do CAIU' apresentada. Verifico que uma das decisões do Conselho de Contribuintes apontada no recurso, o Acórdão n° 102-46.597, .foi reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRE, por meio do Acórdão n° CSRF/04-00.432, julgado na sessão de 12 de dezembro de 2006, que tem a seguinte ementa: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA — DENUNCIA ESPONTANLA — 1NAPLICABILIDADE — É cabível a exigência da multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual, visto que o instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal (precedentes do ST1 e dos Conselhos de Contribuintes). DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL —ATRASO NA ENTREGA —MULTA — BASE DE CALCULO — A base de cálculo da /radia por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual é o Imposto Devido, apurado antes da compensação com o ti ibuto antecipado ("art 88, incisa I, da Lei n°8 981, de 1995). Recurso especial pr'ovido Os outros dois julgados indicados, os Acórdãos n° 5 102-47 478 e 102-47.392, já tiveram recurso especial de divergência admitidos, e em breve serão apreciados pela CSRE, que, diante da jurisprudência majoritária desta Corte Administrativa, provavelmente os reformará. 6 5 1- Pmeesso n" 19679 007465/2005-60 S2-Ci1 1 Ac6idão n " 2101-00781 Fl 51 Para reforçar que é esse o entendimento pacificado da CSRF, acrescento as seguintes decisões: Acórdão a' CSRF/04-00,268, de 12 de junho de 2006, Acórdão n' CSRF/04-00.646, de 18 de setembro de 2007, Acórdão n° CSRF/04-00,729, de 12 de dezembro de 2007, Acórdão n° CSRF/04-01.,069, de 07 de outubro de 2008, e Acórdão n° 9202-00.258 — 2 1 Turma, de 22 de setembro de 2009. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. José Evande Carvalho Araujo 7
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Numero do processo: 10640.001137/2008-65
Data da sessão: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2003, 2006
SUJEIÇÃO PASSIVA. A cessão de quotas ou troca de seus sócios, bem
corno a alteração da denominação social não têm o condão de modificar substancialmente a personalidade, nem tirar a pessoa, na qualidade de contribuinte, do mundo jurídico.
PIS, COFINS, CSLL. Tratando-se de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1801-000.261
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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Recorrida FAZENDA NACONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2003, 2006 SUJEIÇÃO PASSIVA. A cessão de quotas ou troca de seus sócios, bem corno a alteração da denominação social não têm o condão de modificar substancialmente a personalidade, nem tirar a pessoa, na qualidade de contribuinte, do mundo jurídico, PIS, COFINS, CSLL. Tratando-se de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal, Recurso Voluntário Negado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ANA DE BARROS FERNANDES - Presidente CARMEN FERREIRA SARAIVA - Relatora EDITADO EM: 12 NOV 20 " Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Feneira Saraiva, Guilherme Polastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, André Almeida Blanco, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório 1 - Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 07/12, com a exigência do crédito tributário no valor de R$276.780,98, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ, juros de mora e multa de oficio proporcional qualificada, O lançamento se refere aos anos-calendário de 2002 e 200,5 e o IRPJ foi apurado pelo regime de tributação com base no lucro arbitrado trimestral, em decorrência da falta de apresentação da escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, conforme Relatório Fiscal, fls., 34/41. A infração se fundamenta na omissão de receitas apurada a partir dos valores creditados no Banco Bradesco S/A, agências n"s 3033 e 0080, contas correntes n's 9483-8 e 122797-1, fls. 76/83 e 91/100, respectivamente, no Banco BCN S/A, agência IV 0346, conta corrente n° 4638809-0, fls. 84/90, e no Banco ABN AMRO Real S/A, agência if 0177, conta corrente ri° 5740599-1, fls. 104/127, em relação aos quais a contribuinte titular, regularmente intimada, fls. 53/54, 61/62, 64/67 e 91/100, não comprovou a origem dos recursos utilizados nessas operações mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores. A Recorrente no ano-calendário de 2002 apresentou Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica DSPI-Inativa IV 8569512, fls. 42/43 e no ano-calendário de 2005 a Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ n° 0313106 pelo regime do lucro presumido sem qualquer valor informado, fls. 44/52, bem com não apresentou as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: inciso I do art, 27 da Lei tf 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e inciso III do art. 5.30, art. 532 e art. 537 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto IV 3,000, de 26 de março de 1999 - RIR, de 1999. Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II - O Auto de Infração às lis. 13/19 com a exigência do crédito tributário no valor de R$22.024,99 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, juros de mota e multa de oficio proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1' e art.. 3" da Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970, art.. 2" e art.. 3" da Lei n°9.718, de 27 de novembro de 1998, § 2' do art. 24 da Lei n°9.249, de 26 de dezembro de 1995, inciso I do art. 2°, inciso 1 do art, 8' e art. 9' da Lei rf 9.715, de 25 de novembro de 1998, bem como parágrafo único da alínea "a" do inciso 1 do art.. 2° art. 3", art. 10, art. 22 e art. 51 do Decreto n° 4.524, de 17 de dezembro de 2002, 111- O Auto de Infração às fls. 20/26 com a exigência do crédito tributário no valor de R$101.654,77 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, juros de mora e multa de oficio proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1" da Lei Complementar n" 70, de 30 de dezembro de 1991, art. 2", art. 3° e art. 8' da Lei n° 9.718, de 27 de nov&bro de 1998, § 2' do art, 24 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, Medida Provisória if 1.858, de 24 de setembro de 1999, e Medida Provisória 1.807, de 25 de fevereiro de 1999, bem como e parágrafo único do inciso do art.. 2' art. 3', art. 10, art. 22 e art. 51 do Decreto n" 4.524, de 17 de dezembro de 2002. 2 Processo n" 10640 001137/2008-65 Acórdão n 1801-00.261 SI-TE01 A 185 IV — O Auto de Infração às fls. 27/.32 a exigência do crédito tributário no valor de R54.3.168,20 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, juros de mora e multa de oficio proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 20 da Lei if 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 19 e art. 24 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, bem como art. 20 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. .29 da Lei ri° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art, 60 da Medida Provisória if 1.858-6, de 29 de junho de 1999. Cientificada em 25/03/2008, fls. 07, 1.3, 20 e 27, a Recorrente apresentou a impugnação, fi. 141, em 24/04/2008, argumentando em síntese que a exigência não deve prosperar. Suscita que A empresa COMERCIAL DE VEiCULOS RM LTDA, CNP! 05.123,205/0001-88, representada pela sócia gerente MICHELE FONSECA RAMOS, vem por meio desta defesa de impugnação que o débito levantado em auditoria feita com a Sra. auditora- fiscal VALERA ESTE VES COELHO BORGES, não se refere ao período da nossa gestão a qual estamos trabalhando e não temos nem o conhecimento a qual levou essa .fiscalização e que desconhecemos as atitudes anteriores dos sócios, por meio desta peço que o débito seja inscrito em nome pessoa .física dos sócios anteriores isentado a empresa e os sócios atuais desse processo a qual o valor e impossível pagar pela nova gestão e que nos encontramos a disposição para maiores informações Está registrado corno resultado do Acórdão da 2 a TURMA/DRI/Juiz de Fora/MG n° 09-19899, de 09/07/2008, fls. 15.3/156: "Lançamento Procedente", Consta que Deve-se destacar desde já que não houve, no caso, extinção ou mesmo sucessão de pessoa turidica, seja por incorporação, fusão ou cisão. Ao contrário, a pessoa jurídica que se declarou inativa relativamente ao ano de 2002, e que apresentou D1 Pizerada em relação ao ano de 2005, é a mesma pessoa jurídica que foi autuada no ano de .2008. O que ocorreu foi a alteração de seu quadro social no ano de 2006, fato esse que não representa solução de continuidade da existência da pessoa jurídica, até porque a personalidade das pessoas jurídicas não se confunde com a personalidade das pessoas dos respectivos sócios Assim sendo, caberia aos futuros sócios, antes da efetiva aquisição da participação .societária, apurar eventuais responsabilidades da empresa junto a terceiros, inclusive o Fisco. Se não o fizeram, não podem agora os novos sócios pleitear que, em razão de sua falta de cautela, os credores deixem de cobrar suas dívidas junto à empresa.. Notificada em 22/07/2008, fl. 162, a Recorrente apresentou o recurso voluntário, fls.. 163/164, em 21/08/2008, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. 3 Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e afirma: A empresa COMERCIAL DE VEICULOS RM LTDA, CNP,.1 05.123.205/0001-88, representada pela sócia gerente MICHELE FONSECA RAMOS, vem por meio desta defesa de impugnação que o débito levantado em auditoria feita com a Sra. auditora- fiscal VALERA ESTE VES COELHO BORGES, não se refere ao período da nossa gestão a qual estamos trabalhando e não temos nem o conhecimento a qual levou essa fiscalização e que desconhecemos as atitudes anteriores dos sócios, por meio desta peço que o débito seja inscrito em nome pessoa .fi_sica dos sócios anteriores isentado a empresa e os sócios atuais desse processo a qual o valor e impossível pagar pela nova gestão e que nos encontramos a disposição para maiores informações. Antes de defender queria que nesse momento vossa senhoria conhecesse os atuais sócios e suas posturas diante da sociedade e da empresa que ora regularizaram as suas responsabilidades, são pessoas simples, de família, trabalhadores, honestos com atitudes sociais e responsáveis dos atos atribuídos peço que, julguem com conhecimento que foram isentos dos atos anteriores que estão a disposição para ajudar no que fbr necessário. Referente aos atos feitos pela sociedade anterior e exclusivamente de responsabilidade dos sócios anteriores o qual tentaram manipular ou fraudar receitas e informações conforme item em relatório A, .B e C Referente ao item D do relatório os sócios atuais desconhece do movimento da sociedade anterior e logo que fbmos solicitados de comparecer com a documentação informamos em alicio qual a documentação que encontrava-se em nosso poder e conhecimento. Conforme os itens G, F, 1 e J. também fizemos a delésa e informamos que não era de nosso conhecimento as movimentações anteriores em banco ou outra repartição ConfOrme ao item K, os sócios atuais . não apresentaram a documentação porque não era de seu período e nem tinha conhecimento dessas movimentações no entanto fizemos a defesa e certamente era de obvio que os novos sócios não tem responsabilidade do debito apurado em fiscalização. Portanto os sócios anteriores residem na própria cidade do fato Tivemos toda cautela possível, no entanto quando realizamos a alteração contratual tivemos na repartição e retiramos uma pesquisa e não existia nenhum débito e nem informação de uma suposto fiscalização por isso executamos a alteração. Nesta solicito a esta junta julgadora do conselho do contribuinte que estude o caso e repense no relatório anterior repartição que condenou os novos sócios a devedores sem direito a pleitear um débito que não é de responsabilidade dos mesmos Aguardo comunicação via e-mail n.spaixaoePterracom.br É o Relatório. 4 Processo n" 10640.0011.37/2008-65 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00261 F1.186 Voto Conselheira CARMEN FERREIRA SARAIVA O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A recorrente solicita que seja notificada dos atos mediante o correio eletrônico. O Decreto n° 70,235, de 06 de março de 1972, prevê: Art. 23, Far-se-á a intimação I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei n" 9.53.2, de 1997) - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei n" 9_532, de 1997) III - por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante.' (Redação dada pela Lei n°11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei n" 11 .196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei n°11 196, de 2005) Os elementos essenciais são imprescindíveis à existência, à validade e à eficácia do ato administrativo, de modo que a inobservância das formalidades legais determina seus efeitos. No processo administrativo fiscal, a intimação da Recorrente se sujeita a procedimentos próprios,. Logo, a intimação pode ser pessoal ou feita por via postal no domicílio fiscal da Recorrente ou ainda por meio eletrônico depois do registro junto a RFB. A Recorrente discorda do procedimento fiscal ao argumento de que não é o sujeito passivo da obrigação. O Código Tributário Nacional determina: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento do tributo ou penalidade pecuniária. Art, 123, Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas á Fazenda Pública, para 5 modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. [ I Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ata Na ia Alteração Contratual registrada na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 18/12/2006 consta, fl 60: RONALDO JOSÉ MARTINS, CPF ,534.711,778-87, CI. 3.284.491 SSP/MG, nascido em 18,4,1964, comunhão parcial de bens; ANDREA CARLA COURA MARTINS, CPF 541.841 188-15, CI M-3.747.202 SSP/MG, nascida em 18.4.1985, casada comunhão parcial de bens,- EMANE APARECIA MARTINS, CPF 440,502,24645, Cl M- 1654497 SSP/MG, nascida em 6.10 1960, divorciada, Ambos, brasileiros, empresários, residentes á Rua Professora .Etelvina Faro, 173/302, Teixeiras, Juiz de Fora - MG - CEP 38033150 resolvem nesta fazer as seguintes alterações contratuais conforme clausulas seguintes. RETIRADA DE SÓCIO E TRANSFERÊNCIA DE COTAS Retira-se neste ato da sociedade o Srs. RONALDO JOSE MARTINS, ANDRÉA CARLA COURA MARTINS E ELIANE APARECIDA MARTINS, transferindo o total de suas cotas aos novos sócios recebendo neste ato R$20.000,00 (Vinte mil reais), proporcionalmente as suas cotas anteriores em moeda carente no pais, declarando nada mais ter a receber da sociedade e eu de seus atuais sócios, servindo esta como plena e inevogável quitação, os quais os novos sócios são responsáveis pelo ativo e passivo da empresa, a partir da presente data; ADMISSÃO DE SÓCIOS E aánitido neste ato os Srs. Michela Fonseca Ramos, CPF 061.195.936-40, Cl MG- 12 810 487 SSP/MG, nascida em 29,1 1982; Rildo Jose Benjamim, (TF 584.510.996-53, a M-4.076,772 SSP/MG, nascido em 21.9.1965, Ambos, brasileiros, solteiros, empresários, residentes nesta cidade a Rua Carlos Cal, 32, Fundos, Vila da Prata, CEP 36,100-000, declaram a não incorrer nos problemas de arquivamento prevista na Lei 8.934 cal. .35 inciso II de 18/11/94. RAZÃO SOCIAL SEDE E PRAZO. A empresa IVIA.RZIMM TURISMO LTDA ME, passe neste ata ter a razão social de COMERCIAL DE' VEiCULOS RM LTDA, transferindo sua sede da Rua Marechal Deodoro, 444/324, para 6 Processo n" 10640.0011.37/2008-65 SI-TE01 Acórdão 11 1801-00.261 Fl. 187 Avenida Sete de Setembro, 690/loja 1, centro, CEP 36070-000, Juiz de Fora - MG, com atividades iniciadas en? 27.62002; OBJETIVO SOCIAL O objetivo social da empresa passa neste ato a ser Comércio Varejista de automóveis e motocicletas novos e usados; CAPITAL SOCIAL O capital continua sendo de R$20.000,00 (vinte mil reais), representado em 20.000 cotas de, R$1,00 (Um real), .já totalmente subscritos e integralizados em moeda corrente no pais, proporcional a participação de cada um sacio novo, assim distribuído: Michela Fonseca Ramos 19,800 cotas a R$1,00 R$19,800,00 99,00% Ri/do Jose Benjamim 200 cotas a R$1,00 R$.200,00 1,00% A responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. Sobre a matéria, vale citar a seguinte jurisprudência (fonte: www.carLfazenda.gov.br em 31/05/2010): N" Recurso 156116 -Número do Processo 11065. 002013/2002- 55 -Turma 5" Câmara Contribuinte SANTA NDER BANESPA S/A ARREND MERCANTIL Tipo do Recurso Recurso Voluntário - Não Conhecido Por Unanimidade-Data da Sessão 17/04/2008 Relator(a) Marcos Rodrigues de Mello N" Acórdão 105-16950 -Tributo / MatériaIRPJ AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres,legal) Decisão Ementa [.,] RESPONSABILIDADE - CTN - SUCESSÃO - A alteração do quadro societário e denominação de uma sociedade comercial não caracteriza sucessão [J. Não há qualquer incorreção na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, urna vez que o titular das contas bancárias é a Marzimm Turismo Ltda, que é a denominação anterior da Recorrente Comercial de Veículos RM Ltda. Por ocasião da ciência do lançamento em 25/03/2008, fls. 07, 13, 20 e 27, a Recorrente estava ativa. A cessão de quotas ou troca de seus sócios, bem como a alteração da denominação social não têm o condão de modificar substancialmente sua personalidade jurídica, nem tirá-la, na qualidade de 7 contribuinte, do mundo jurídico. Assim, a Recorrente é o sujeito passivo das presentes obrigações tributárias, A Lei n° 9430, de 1997, determina: Art 42.Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou . jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1" O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, subineter-se-ão normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. A presunção de omissão de receitas fbi apurada a partir dos valores creditados no Banco Bradesco S/A, agências n's 3033 e 0080, contas correntes ri% 9483-8 e 122797-1, tis, 76/83 e 91/100, respectivamente, no Banco BCN S/A, agência n" 0346, conta corrente n" 4638809-0, fls. 84/90, e no Banco ABN A.MR0 Real S/A, agência if 0177, conta corrente n" 5740599-1, fls. 104/127, em relação aos quais a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nessas operações mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores. No presente caso foram observados todos requisitos legais que conferem validade e existência ao lançamento efetuado. Assim, fica demonstrada a omissão de receitas, Ademais diferentemente do seu entendimento, as convenções particulares e a sua boa-fé não têm força normativa para excluir a sua responsabilidade por infrações. Logo, não lhe cabe razão. Atinente ao PIS, à Cofins e à CSLL, tratando-se de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPL. Em face do exposto voto negar provimento ao recurso voluntário. CARMEN FERREIRA SARAIVA - Relatora 8
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Numero do processo: 10907.722144/2015-55
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 01/07/2015
DIREITO DE DEFESA. PRETERIÇÃO. DECISÃO. NULIDADE.
É nula a decisão de primeira instância proferida com preterição do direito de defesa, sem a análise de argumentos relevantes da impugnação, que seriam capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador.
Recurso voluntário provido
Numero da decisão: 3402-004.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade da decisão recorrida, determinando-se à autoridade a quo que profira nova decisão na boa e devida forma.
Assinatura Digital
Antonio Carlos Atulim - Presidente
Assinatura Digital
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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(Razão Social alterada para: CARVALHO IMPRESS ES DIGITAIS LTDA ME) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/07/2015 DIREITO DE DEFESA. PRETERIÇÃO. DECISÃO. NULIDADE. É nula a decisão de primeira instância proferida com preterição do direito de defesa, sem a análise de argumentos relevantes da impugnação, que seriam capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador. Recurso voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade da decisão recorrida, determinando se à autoridade a quo que profira nova decisão na boa e devida forma. Assinatura Digital Antonio Carlos Atulim Presidente Assinatura Digital Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 21 44 /2 01 5- 55 Fl. 937DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Florianópolis que julgou improcedente a impugnação da contribuinte, conforme ementa abaixo: NÃO OCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM. Em sede de interposição fraudulenta de terceiros, a pena de perdimento e a multa por cessão de nome não são sanções que se excluem, não se podendo falar em bis in idem. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS E MULTA POR CESSÃO DE NOME. É cabível o lançamento da multa por cessão de nome em face da interposição fraudulenta presumida (art.23 – §2º, do DecretoLei nº 1.455/76), numa operação de importação, se o conjunto probatório indica que o importador não consegue provar a origem dos recursos aplicados em suas operações de comércio exterior, em razão do acobertamento do real interessado. REDUÇÃO DA MULTA SUBSTITUTIVA AO PERDIMENTO. A redução da multa substitutiva ao perdimento, a teor do disposto no art.712 c/c art.737, do Decreto nº 6.759/2009, está submetida a um rito específico, consoante previsto no item “I”, alíneas “c” e “f”, da Portaria MF nº 214/79, c/c art.4º, da Portaria RFB nº 268/2012. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Versa o processo sobre a aplicação de multa pela cessão do nome da pessoa jurídica para a realização de operações de comércio exterior, prevista pelo artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários, no valor R$ 7.309,01. Conforme consta nos autos, a Declaração de Importação (DI) nº 15/117197 7, registrada em 01/07/2015, foi parametrizada, inicialmente, para o canal cinza, para verificação de elementos indiciários de fraude, inclusive no que se referia ao preço declarado. Assim, foi instaurado o procedimento especial regido pela Instrução Normativa RFB nº 1.169/2011, do qual a contribuinte foi notificada em 21/07/2015, com a retenção das mercadorias importadas. Ao final do procedimento especial de controle aduaneiro, concluiu o Auditor Fiscal que: (...) 7 . Enquadramento legal da infração e penalidade No decorrer do procedimento especial, a fiscalização detectou que as mercadorias importadas em nome da Salomão Comércio de Produtos para Comunicação Visual Ltda, sob o comando da Declaração de Importação nº 15/1171697, estavam destinadas a adquirente não declarado nos termos da legislação aplicável. A Sovinil Indústria de Auto Adesivos Ltda, CNPJ: 04.632.736/000133, foi identificada pela fiscalização como destinatária de todas as mercadorias na condição de adquirente, com base sobretudo nas seguintes constatações: i) O apoio administrativo e assessoria ao comércio exterior da autuada, Giovani Renato Coelho Magnani possui vínculo empregatício de trabalho assalariado com a pessoa jurídica Sovinil Indústria de Auto Adesivos Ltda. Fl. 938DF CARF MF Processo nº 10907.722144/201555 Acórdão n.º 3402004.134 S3C4T2 Fl. 938 3 ii) A Sovinil Indústria de Auto Adesivos Ltda foi responsável pelo frete das mercadorias da importação anterior (DI 15/07686813) do Porto de Paranaguá para o município de Mandaguaçu, município onde ambas possuem unidade operacional. iii) A autuada e a Sovinil Indústria de Auto Adesivos Ltda estão localizadas no mesmo município, atuam no mesmo segmento econômico e as mercadorias amparadas pela declaração de importação em análise são exatamente as mesmas que constam no catálogo de produtos da Sovinil Indústria de Auto Adesivos Ltda. iv) No transcorrer do ano de 2015 foram identificadas notas fiscais de venda de mercadorias da autuada, para diversos municípios, em que o nome do transportador indicava a pessoa jurídica Sovinil Indústria de Auto Adesivos Ltda. v) A ausência de pagamento do exportador estrangeiro pelas mercadorias importadas. Bem como transação comercial com prazos e formato completamente atípicas. vi) Impossibilidade da exata determinação da origem dos recursos utilizados na importação, ocasionada pela omissão do autuado em apresentar a documentação necessária a completa compreensão dos extratos bancários. vii) As declarações do imposto de renda pessoa física dos sócios não suportam a integralização de capital no momento da constituição da sociedade Salomão Comércio de Produtos para Comunicação Visual Ltda. vii) Pagamentos efetuados por cheque no valor de R$ 489.000,00 (quatrocentos e oitenta e nove mil reais) em favor de Angela Martins Brunieri, esposa de um exsócio da Sovinil Indústria de Auto Adesivos Ltda e nora dos atuais sócios, sem os devidos fatos econômicos e financeiros que justificaram os pagamentos. Assim, verificase que a atuação da SALOMÃO COMERCIO DE PRODUTOS PARA COMUNICAÇÃO VISUAL LTDA, foi no sentido de intermediar a operação de importação, servindo a SOVINIL INDUTRIA DE AUTO ADESIVOS LTDA como instrumento para sua comprovada ocultação. 7.1 Cessão do nome da pessoa jurídica com vistas no acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários O art. 33, da lei n. 11.488/2007, dispõe que a pessoa jurídica que ceder seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, fica sujeita à multa de 10% do valor da operação, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00: (...) Conforme amplamente comprovado ao longo desse relatório, a pessoa jurídica SALOMÃO COMÉRCIO DE PRODUTOS PARA COMUNICAÇÃO VISUAL LTDA. cedeu seu nome na importação relativa à DI 15/1171697, acobertando o real adquirente / encomendante das mercadorias. Aplicase, portanto, à SALOMÃO COMÉRCIO DE PRODUTOS PARA COMUNICAÇÃO VISUAL LTDA. multa no valor de R$ 7.309,01 (sete mil, trezentos e nove reais e m centavos), prevista Fl. 939DF CARF MF 4 no Art. 33 da lei n. 11.488/07, regulamentada pelo Art. 727 do Decreto n. 6.759/09. (...) A contribuinte apresentou sua impugnação, alegando, em síntese, conforme consta na decisão recorrida: Em sede preliminar: Nulidade pela ocorrência de bis in idem, em desatenção ao art. 112, do CTN, já que não seria aplicável a multa equivalente a 10% do valor aduaneiro da mercadoria cumulada com a pena de perdimento sobre essa mesma mercadoria importada; Quanto ao mérito: 1. A autoridade aduaneira aplicou equivocadamente a pena de perdimento das mercadorias importadas, constantes da DI nº 15/11716977, nos autos do processo administrativo nº 10907.722.099/201539, além da multa pecuniária constante do p.p., por entender ter sido materializada a hipótese de interposição fraudulenta presumida, uma vez que a conduta da impugnante é atípica; 2. A impugnante tem relação comercial com a empresa apontada como “destinatária oculta” das mercadorias importadas e que, supostamente, teria ficado às escondidas na operação de comércio exterior, conforme apontado pela fiscalização, mas são decorrentes de operações de compra e venda no próprio mercado interno nacional; 3. A impugnante obteve crédito junto ao fornecedor estrangeiro (alterado de 120 dias para 360 dias), o que permitiu realizar a importação em comento, por conta própria; 4. Não são relevantes os pagamentos feitos pela impugnante, mas sim os recursos recebidos por ela e usados para pagamento ao fornecedor, não tendo sido provado que a “adquirente oculta” fez pagamentos para a impugnante; 5. Deveria ser provado que ou a empresa apontada como “adquirente oculta” tinha expedido ordem expressa para realizar tal importação, ou presumir essa ordem através da comprovação de que os recursos utilizados provieram do “adquirente oculto”; 6. A impugnante acostou vários documentos que comprovam que tinha conhecimento das operações comerciais que resultaram na importação, não podendo ser classificada como uma espécie de “laranja”, de mera “interposta pessoa”; 7. O contrato de câmbio, o conhecimento de embarque e fatura estão em nome da impugnante, sem erros ou rasuras; 8. A maior parte das operações empresariais da impugnante, de onde provem a maior parte de suas receitas, decorrem de transações no próprio mercado interno, tendo realizado somente duas importações, até o momento; 9. A pena de perdimento deveria ser relevada, com base no art.737, do Decreto nº 6.759/2009, aplicandose a pena pecuniária prevista no art.712, do mesmo Decreto de 2009. Ao final, formulou pedido para que fosse julgado nulo ou improcedente o auto de infração ou, caso julgada procedente a autuação, que os autos fossem remetidos ao Ministro da Fazenda para julgar o “pedido de relevação da pena de multa aplicada”. Cientificada da decisão recorrida em 09/05/2016, a contribuinte apresentou seu recurso voluntário em 06/06/2016, repisando os argumentos da impugnação e acrescentando outros, sob os seguintes tópicos: 2. PRELIMINARES DE MÉRITO Fl. 940DF CARF MF Processo nº 10907.722144/201555 Acórdão n.º 3402004.134 S3C4T2 Fl. 939 5 2.1. Nulidade pela Ocorrência de "BIS IS IDEM" e Descumprimento do art. 112 do CTN 2.2. Nulidade pela violação do art. 31 do Decreto 70.235/72 3. Dos FUNDAMENTOS JURÍDICOS 3.1. Da improcedência do PAF ao qual foi submetido em razão da atipicidade da conduta da Recorrente 3.2. Da plena regularidade da importação e da origem dos recursos 3.3. Da relevação da pena de perdimento É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. PRELIMINARES DE MÉRITO 1. "Nulidade pela Ocorrência de "BIS IS IDEM" e Descumprimento do art. 112 do CTN" Como visto, versa o presente processo sobre a multa por cessão de nome na operação objeto da Declaração de Importação nº 15/11716977, registrada em 01/07/2015, enquanto que o processo nº 10907.722099/201539 trata da aplicação da pena de perdimento às mercadorias em face dos mesmos fatos no âmbito da própria Alfândega de Paranaguá. Conforme interpretação incorporada ao Regulamento Aduaneiro Decreto nº 6.759/2009, no seu art. 727, §3º, é legítima a cumulação da multa por cessão de nome com a aplicação da pena de perdimento às mercadorias, nos seguintes termos: Art.727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). §1oA multa de que trata o caput não poderá ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais)(Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). §2oEntendese por valor da operação aquele utilizado como base de cálculo do imposto de importação ou do imposto de exportação, de acordo com a legislação específica, para a operação em que tenha ocorrido o acobertamento. Fl. 941DF CARF MF 6 §3oA multa de que trata o caput não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias na importação ou na exportação. (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). Assim, tendo em vista que a disposição acima estava vigente à data dos fatos, sendo de aplicação obrigatória pelos membros do CARF a teor do seu Regimento Interno1, rejeitase a preliminar da recorrente acerca de bis in idem. 2. "Nulidade pela violação do art. 31 do Decreto 70.235/72" A recorrente suscita a nulidade da decisão recorrida nos seguintes termos: (...) A DRJ não enfrentou os argumentos expostos pela recorrente na impugnação; mal mencionou o que constava da impugnação; não verdadeiramente. Ora, nada falou a DRJ sobre a nota promissória para dar garantia ao exportador pelo crédito concedido à Recorrente, e sobre crédito em si, o prazo de 360 dias, a DRJ teceu uma única frase (em fl. 10, do acórdão), desconsiderandoo, mas sem dizer o porque de tal desconsideração. Ou seja, não falou a DRJ se se seriam tais argumentos motivos suficientes para a improcedência do auto. Quanto a isto, prevê o Decreto 70.235/72: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. Ou seja, a DRJ não cumpriu seu dever de se referir a todas as razões de defesa. É, portanto, decisão nula. Se a DRJ tivesse enfrentado verdadeiramente as razões de defesa, concluiria que a perdimento só é aplicável quando não se pode vislumbrar a origem do recurso. É o que diz a norma, que não diz que a origem não pode ser de terceiro (do exportador, que concede crédito), nem que não poderia ser de um comprador ou mesmo antecipado. Em suma: punese a interposição fraudulenta cujo indício é o desconhecimento da origem dos recursos. Este é o tipo legal, a conduta punível. Mas se o recurso tem a origem conhecida (no caso a Aduana, mal comentado crédito do exportador), a conduta é licita e impunível. Ou seja, a Aduana está fazendo uma interpretação extensiva do tipo legal de modo que possa presumir a interposição fraudulenta tanto quando não se conhece a origem dos recursos tanto quando se conhece, mas não são pela Aduana aceitos como aptos. Ora, para o primeiro caso a lei permite presumir, para o segundo, não. E não é dado à Aduana legislar. A DRJ nada falou sobre isso em seu acórdão. (...) 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) Fl. 942DF CARF MF Processo nº 10907.722144/201555 Acórdão n.º 3402004.134 S3C4T2 Fl. 940 7 Analisandose a decisão recorrida observase o seguinte comportamento por parte do relator na sua feitura: 1º) Análise de mérito da infração com a síntese dos elementos constantes na autuação, com o seguinte debate na sequência: (...) Vale lembrar que o art.23 §2°, do DecretoLei n° 1.455/76, não demanda que haja prova incontestável de que o "importador oculto" transferiu recursos para o "importador ostensivo", bastando que haja falta de comprovação da origem dos recursos empregados nas operações de comércio exterior. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) §2° Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei n° 10.637, de 30.12.2002) No presente caso, pelo relatado pela fiscalização, somandose às provas carreadas aos autos, isso ficou evidente, independentemente do prazo concedido pelo exportador estrangeiro para pagamento da importação. Aliás, o citado §2°, do art.23, do diploma legal de 1976, afasta totalmente a alegação do contribuinte acerca da suposta necessidade de ser provado que ou a empresa apontada como "adquirente oculta" tinha expedido ordem expressa para realizar tal importação, ou presumir essa ordem através da comprovação de que os recursos utilizados provieram do "adquirente oculto" (fls.843, primeiro parágrafo; fls.848, quarto parágrafo). (...) 2º) Debate do argumento da impugnante acerca da cumulação da pena de perdimento com a multa por cessão de nome sob o tópico: "Da não ocorrência de bis in idem". 3º) Negativa do pedido da impugnante para redução da multa sob o tópico "Da redução da multa substitutiva ao perdimento" Observase que, de fato, ficaram pendentes de análise pelo julgador de primeira instância os principais argumentos apresentados pela então impugnante no que concerne ao mérito, constantes resumidamente no relatório da decisão recorrida nos itens (1) a (8) do mérito. Em consonância com o disposto no art. 59, II do Decreto nº 70.235/72 e, subsidiariamente, no art. 489, §1º do novo CPC, deve então ser declarada a nulidade da decisão recorrida para que outra seja proferida em boa forma. 2 2 PAF Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 943DF CARF MF 8 A propósito das questões acima suscitadas pela recorrente, importante consignar que a infração que ora se julga neste processo é a prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007, pela cessão de nome em operação de comércio exterior com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários, e não aquela de que trata o art. 23, V, §1º do Decreto nº 1.455/76 e muito menos a presunção de interposição fraudulenta a que se refere o 2º deste dispositivo: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) CPC Art. 489. São elementos essenciais da sentença: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: I se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; II empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; III invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; V se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; VI deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. § 2o No caso de colisão entre normas, o juiz deve justificar o objeto e os critérios gerais da ponderação efetuada, enunciando as razões que autorizam a interferência na norma afastada e as premissas fáticas que fundamentam a conclusão. § 3o A decisão judicial deve ser interpretada a partir da conjugação de todos os seus elementos e em conformidade com o princípio da boafé. Fl. 944DF CARF MF Processo nº 10907.722144/201555 Acórdão n.º 3402004.134 S3C4T2 Fl. 941 9 Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Essa diferenciação é relevante porque a Declaração de Importação nº 15/1171977, sobre a qual incidiu a multa em análise, não teve a origem dos seus recursos analisada pela fiscalização em face de o pagamento da importação ainda não ter sido efetuado à época, ou seja, devido à impossibilidade de fiscalização de atos futuros, conforme esclarecido no próprio Relatório Fiscal3. Ademais, há a presunção de interposição fraudulenta prevista no §2º do art. 23 do Decreto nº 1.455/76 somente para a infração por dano ao Erário a que se refere o inciso V do art. 23 do deste Decreto, sendo que tal presunção inexiste na hipótese da infração por cessão de nome na importação (art. 33 da Lei nº 11.488/2007). Assim, nos termos do art. 59, II do Decreto nº 70.235/72, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade da decisão recorrida, determinando a autoridade a quo que profira nova decisão levando em consideração os argumentos relevantes de defesa contidos na impugnação. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora 3 (...) 5.3.1 Da impossibilidade de exata determinação da origem dos recursos utilizados na importação O prazo de até 360 (trezentos e sessenta) dias para o pagamento da operação de importação, com a consequente ausência de registro no extrato do contribuinte, inviabiliza a determinação da origem dos valores empregados na importação. (...) Fl. 945DF CARF MF
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Numero do processo: 10670.720063/2007-21
Data da sessão: Thu May 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A matéria tributável encontra-se devidamente descrita no lançamento e a impugnação o recurso voluntário apresentados pela contribuinte discutem, no mérito, o VTN arbitrado pela fiscalização, circunstância que evidencia inexistir o alegado cerceamento ao direito de defesa.
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO.
Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de formna inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços de 1º/01/2003.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.514
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A matéria tributável encontra-se devidamente descrita no lançamento e a impugnação o recurso voluntário apresentados pela contribuinte discutem, no mérito, o vrN arbitrado pela fiscalização, circunstância que evidencia inexistir o alegado cerceamento ao direito de defesa. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de follna inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços de 1 0/01/2003. 1SC Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. CAIO MARCO CAND,I - Presidente — . . C, JOSÉ RA III O TOSTA SANTOS - Relator 1 EDITADO EM: 1 8 j , rlur ano Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage e Odmir Fernandes. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão n° 03-25.286, proferido pela 1' Turma da DRJ Brasília (fls. 115/122), que, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, julgou procedente.a Notificação de Lançamento às fls. 01/08. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Contra a empresa identificada no preâmbulo foi emitida, em 02/07/2007, a Notificação de Lançamento n° 06108/00023/2007 (às fls. 01/08), consubstanciando o lançamento — do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - exercício de 2003, referente ao imóvel denominado "Fazenda Rio Claro", cadastrado na RFB, sob o n° 4.728.831-0, localizado no Município de Arinos – MG. O crédito tributário apurado pela autoridade fiscal compõe-se de diferença no valor do ITR de R$ 17.579,92 que, acrescida dos juros de mora, calculados até 31/05/2007 (R$ 9.865,85) e da multa proporcional (R$ 13.184,94), perfaz o montante de R$ 40.630,71. A ação fiscal iniciou-se com intimação ao contribuinte (fls. 09/10) para, relativamente as DITR, do exercício de 2003, apresentar os seguintes documentos de prova: 1 0 - cópia do Ato Declaratório Ambiental – ADA, requerido junto ao MAMA; 2° - Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, caso exista área de preservação permanente de que trata o art. 20 da Lei 4.771/65 (Código Florestal), acompanhado de ART registrada no CREA, com memorial descritivo da propriedade, de acordo com o art. 9° do Decreto 4.449/2002; 3° - Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3° da Lei 4.771/65 (Código Florestal), acompanhado do ato do poder público que assim declarou; 4° - cópia da matrícula do registro imobiliário, caso exista averbação de áreas de reserva legal, RPPN ou de servidão florestal; 50 - cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhada de Certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matrícula no registro imobiliário; 6° - Ato específico do órgão competente federal ou estadual, caso o imóvel ou parte dele tenha sido declarado como área de interesse ecológico, e V 2 Processo n° 10670.720063/2007-21 S2-C1T1 Acórdão n°2101-00.514 Fl. 162 7° - Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com Grau de Fundamentação e Grau de Precisão. II, com ART, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, sob pena de arbitramento de novo VTN com base no SIPT. Em resposta, foram apresentados os documentos de fls. 15, 16, 17/18, 19/27, 28/32, 33, 34, 35/40 e 41188. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada pela Contribuinte, e das informações constantes das DITR/2003 ("extrato" às fls. 12/14), decidiu-se pela rejeição do VTN declarado, de R$ 757.541,00 ou R$ 32,15/ha, que entendeu subavaliado, arbitrando o valor de R$ 9.326.633,03 ou R$ 395,79/ha, com base no Sistema de Preços de Terras (STPT), instituído pela Receita Federal, com conseqüente aumento do VTN tributável, disto resultando o imposto suplementar de R$ 17.579,92, conforme demonstrado às fls. 04. A descrição dos fatos e o enquadramento legal da inflação, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 02/03, 05 e 06/07. Da Impugnação Cientificada do lançamento em 17/07/2007 ("AR" de fls. 90), ingressou a contribuinte, em 10/08/2007 (envelope de fls. 111), com sua impugnação, anexada às fls. 91/96. Apoiada nos documentos de fls. 97/100, e no Laudo Técnico apresentado anteriormente, alega e requer o seguinte, em síntese: - faz um breve relato dos fatos, que resultaram na exigência do crédito tributário de R$40.630,71; - a fiscalização, insatisfeita com o valor atribuído ao imóvel no laudo técnico apresentado, elaborado por profissional competente, revestido das formalidades legais, inclusive ART junto ao CREA, arbitrou o VTN, utilizando, para tanto, um certo "SIPT — Sistema de Preços de Terras", aprovado pela Portaria SRF n° 477/2002, em mais de 1.000% do valor apurado pelo Contribuinte e corroborado pelo laudo técnico; - nos termos do art. 2° da citada Portaria SRF n° 477/2002, somente usuário devidamente habilitado tem acesso aos valores constantes do SlPT, não tendo o Contribuinte acesso a esses dados; - questiona a possibilidade de a fiscalização poder lançar qualquer valor, até mesmo superior ao constante do SIPT, sem a possibilidade de conferi-lo, uma vez que não tem acesso ao referido sistema de preços; tal procedimento implica em flagrante desrespeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa, IMPOSSIBILITANDO o Contribuinte de apresentar as suas razões de discordância. Assim, deve ser observado o entendimento do E. 3° Conselho de Contribuintes (Ac. 303-34.161, Sessão de 28/03/2007, Relator: Tarásio Campeio Borges e Ac. 303-34.193, Sessão de 29103/2007, Relator: Marciel Eder Costa); - a fiscalização, para efeito de tal arbitramento, considerou como terra apropriada ao plantio de florestas as áreas ambientais do imóvel (de preservação permanente e de utilização limitada, respectivamente, de 8.104,1 ha e 4.715,1 ha); - _ - - ocorre que, por definição legal, tanto as áreas de preservação permanente quanto de utilização limitada, não podem ser exploradas economicamente com agricultura ou pecuária. Assim, tais áreas, em uma propriedade destinada à exploração agropecuária, como é o caso dos 3 autos, têm valor muito inferior à área possível de exploração, não podendo, em hipótese alguma ser equiparado aos seus valores; - também não se coaduna com a realidade, o fato de a fiscalização ter considerado área de campos a área não aproveitável constante do laudo, de 1.010,0 ha; - por esses motivos, a notificação de lançamento padece de nulidade insanável, o que se requer; - ao contrário da fiscalização, o Contribuinte COMPROVOU o VTN lançado em sua DITR, mediante documentação hábil e idônea, ou seja, o Laudo Técnico, elaborado e subscrito por profissional qualificado a desenvolver o trabalho; - - o laudo está revestido de todos os requisitos intrínsecos e extrínsecos de validade, inclusive com a respectiva ART, junto ao CREA; motivos pelos quais, os dados nele apurados têm prevalência sobre aqueles arbitrados pela fiscalização, conforme entendimento do Terceiro Conselho de Contribuintes (Ac. 303-31.708, Sessão de 11/11/2004, Relator: Marciel Eder Costa); • - também, anexa duas escrituras comprovando negócios feitos na mesma região, onde aquela de fls. 027 do livro 12 do 2° Serviço Notarial de Arinos aponta valor unitário de hectare negociado como sendo de R$ 149,50 e outra, agora de fls. 050 do mesmo livro e Cartório, aponta valor unitário de hectare negociado de R$ 100,76, bem longe, portanto, do valor considerado pela fiscalização em seus trabalhos, e - por fim, pelo exposto, pede o cancelamento da Notificação de Lançamento sob defesa. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador a quo julgou manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 DA PRELIMINAR DE NULIDADE - DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo sido devidamente demonstrado o cálculo do VTN arbitrado, utilizando-se dos valores apontados no SIPT e observadas as características das terras do imóvel (aptidão agrícola), não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal, por eventual cerceamento do direito de defesa. DO VALOR DA TERRA NUA - SUBAVALIAÇÃO. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base nos VTN/ha apontados no SIPT, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT (NBR 14.653-3), demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto (1 0/01/2003), bem como a existência de características _ particulares desfavoráveis que justificassem tal revisão. Lançamento Procedente Em sua peça recursal (fls. 126/134), a contribuinte repisa as mesmas questões declinadas perante o Órgão julgador de primeiro grau. 4 Processo n° 10670.720063/2007-21 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.514 Fl. 163 É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento. A matéria tributável encontra-se devidamente descrita na Notificação às fls. 01 a 04. De fato, o imposto suplementar apurado pela autoridade fiscal decorreu da ausência de comprovação do VTN declarado, e sobre tal matéria é que a contribuinte discute o mérito do lançamento, na impugnação e recurso voluntário, circunstância que evidencia inexistir o alegado cerceamento ao direito de defesa. O acesso ao SIPT é restrito aos funcionários da Receita Federal do Brasil. No entanto, à fl. 11, consta o VTN médio por aptidão agrícola para o Município de Arinos, fornecido pela Secretaria Estadual de Agricultura. Desta forma, não procede a alegação da recorrente de que não tem acesso aos dados do SIPT. O mérito do litígio em exame decorre da discordância da recorrente em relação ao cálculo do VTN efetuado pela fiscalização (fl. 03), que considerou, inclusive, os diversos tipos de terras do imóvel (aptidão agrícola), conforme informado na sua DITR/2003, e os valores correspondes a esses tipos de solos, apontados no SIPT (fl. 11). Se a avaliação efetuada pela fiscalização não se presta à mensuração da base de cálculo do ITR, é o que se discutirá no mérito. Em relação às áreas de preservação permanente e reserva legal, verifica-se que estas não compuseram a área tributável do 'TR. - Conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, à fl. 04, a autoridade fiscal alterou o Valor da Terra Nua Tributável declarado de R5757.541,00 (R$ 32,15/ha), arbitrando-o em RS9.326.633,03 (R$395,79/ha), com suporte no menor VTN por aptidão agrícola, no exercício de 2003, para os imóveis rurais localizados no município de Arinos — MG, constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT - fl. 11), instituído nos termos do § 1° do art. 14 da Lei 9.393/1996, com base em valores fornecidos pela Secretaria Estadual de Agricultura de Minas Gerais. Referida norma dispõe que a fiscalização procederá à determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre preços de terra, constantes de sistema a ser por ela instituído, observados os critérios estabelecidos no . artigo 12, § 1°, inciso II da Lei n° 8.629, de 25/0211993, e levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Em suas alegações de mérito, a contribuinte entende que comprovou o VTN lançado em sua DITR, mediante Laudo Técnico elaborado e subscrito por profissional qualificado. A fiscalização já havia intimado a contribuinte a apresentar laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com Grau de Fundamentação e Grau de Precisão II, com ART, contendo todos os elementos de pesquisa identificados (às fls. 09/10) Referido laudo foi novamente analisado no voto condutor da decisão recorrida, que formou convicção de que não cabe ser ele aceito, por não atender às exigências da autoridade fiscal, não podendo ser classificado com Grau II de fundamentação e precisão, nos termos da NBR 14653 da ABNT e da intimação inicial. Confira-se: 5 No caso, é preciso observar que apesar de ter sido exigido que o laudo de avaliação atendesse às normas da ABNT (VBR 14.6 53- 3), com Grau II de Fundamentação e Precisão, consta que o presente laudo foi elaborado em consonância com as normas da antiga NBR 8799/85, da ABNT, sendo classificado como "EXPEDITO" (item 6 do Laudo — Nível de Precisão), cuja principal característica é a falta de. tratamento estatístico dos dados das amostras levantadas, bem como a falta de comprovação expressa dos elementos e métodos que levaram à adoção dos valores atribuídos ao imóvel avaliado. Portanto, o laudo é por demais sucinto, tendo o autor do trabalho optado pela avaliação expedita, não podendo- ser classificado, pelo menos, com Grau de fundamentação I, quando o que se exige é Grau II de fundamentação e precisão. No que concerne aos requisitos da NBR 14653-3, o item 9.2.3.3 desta Norma estabelece que são obrigatórios, em qualquer grau, "explicitação do critério adotado .e dos dados colhidos no mercado", que no presente caso, se restringiu à pauta fornecida pela Prefeitura Municipal de Arinos, quando o que se prevê é a utilização de dados de mercado (preços) referentes a pelo menos 05 (cinco) imóveis rurais, preferencialmente com características semelhantes às do imóvel avaliado, além do tratamento estatístico das amostras coletadas, conforme previsto no item 8.1 dessa mesma Norma, adotando-se, dependendo do caso, a análise de regressão ou a homogeneização dos dados, normatizados nos anexos A e B dessa Norma, respectivamente. Com efeito, também compartilho do entendimento de que o Laudo apresentado não atende aos requisitos estabelecidos na norma NBR 14.653-3 da ABNT, com a apuração de dados de mercado (ofertas/negociações/opiniões), referentes a pelo menos 05 (cinco) imóveis rurais, com o seu posterior tratamento estatístico (regressão linear ou fatores de homogeneização), de forma a apurar o valor mercado da terra nua do imóvel, a preços de 01/01/2003, sendo insuficiente para o propósito de comprovar o VTN da região a juntada das Escrituras às fls. 97/100. À mingua de elementos de prova hábil e idôneo a demonstrar que as características particulares desfavoráveis do imóvel, em relação à média da região, toma inviável a aplicação do VTN arbitrado, concluo que a decisão de primeiro grau não merece qualquer reparo. Em face ao exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 13 de maio de 2010. José Ri osta Santos 6
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