Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11060.721408/2017-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 05 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Nov 18 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2013 a 30/04/2015
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E PARA OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS.
A empresa é obrigada a recolher as contribuições para a previdência social a seu cargo e para outras entidades e fundos.
PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA.
Em decorrência do princípio da primazia da realidade e da busca da verdade material, norteadores do contencioso administrativo, a legalidade formal dos atos praticados não se sobrepõe à realidade fática.
SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO.
Entende-se por salário-de-contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades.
LANÇAMENTO. RETIFICAÇÃO. DECLARAÇÃO EM GFIP.
Não se pode excluir do lançamento valores de contribuições apuradas a partir das informações prestadas pelo próprio contribuinte em GFIP, p por força do comando normativo da Lei nº 8.212/1991, artigo 32, inciso IV, §2º.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO.
A multa de ofício aplicada deve ser agravada quando configurada as hipóteses previstas na Lei nº 4.502/1964, artigos 71, 72 e 73.
SÓCIO-ADMINISTRADOR. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
É cabível a imputação de responsabilidade tributária a sócio-administrador de pessoa jurídica quando restar comprovada nos autos a prática de atos com excesso de poderes, infração de lei e/ou contrato social dos quais teria resultado a obrigação tributária correspondente ao crédito tributário exigido.
A autoridade julgadora de primeira instância rejeitará a realização de perícia quando entendê-la desnecessária.
JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTO.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual.
INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO.
Os avisos, intimações e notificações ao contribuinte devem ser efetuados no domicílio tributário do sujeito passivo, que corresponde ao endereço fornecido pelo próprio contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS. INFRAÇÃO À LEI.
Restando comprovados nos autos, atos de administração / gerência / representação, praticados com excesso de poderes ou com infração à lei, contrato social ou estatutos à época dos fatos, torna-se cabível a manutenção do sócio / mandatário no polo passivo como responsável solidários.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. COLHIDA DE DEPOIMENTO. NOVAS PROVAS .IMPOSSIBILIDADE
Se existe nos autos matéria fática suficiente para formação da convicção do julgador, indefere-se o pedido de realização de diligência, apresentação de novas provas ou depoimentos, por se prescindível ou desnecessária para o deslinde da controvérsia.
MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. QUALIFICAÇÃO.
A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta, simulada, planejada e executada mediante ajuste doloso.
DECISÕES JUDICIAIS. PROCESSO ADMINISTRATIVO.
Mesmo que reiteradas, se não forem vinculantes, as decisões administrativas e/ou judiciais não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Numero da decisão: 2201-009.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Francisco Nogueira Guarita Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado) e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: Francisco Nogueira Guarita
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Nov 20 09:00:03 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202110
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 30/04/2015 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E PARA OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições para a previdência social a seu cargo e para outras entidades e fundos. PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA. Em decorrência do princípio da primazia da realidade e da busca da verdade material, norteadores do contencioso administrativo, a legalidade formal dos atos praticados não se sobrepõe à realidade fática. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. Entende-se por salário-de-contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades. LANÇAMENTO. RETIFICAÇÃO. DECLARAÇÃO EM GFIP. Não se pode excluir do lançamento valores de contribuições apuradas a partir das informações prestadas pelo próprio contribuinte em GFIP, p por força do comando normativo da Lei nº 8.212/1991, artigo 32, inciso IV, §2º. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. A multa de ofício aplicada deve ser agravada quando configurada as hipóteses previstas na Lei nº 4.502/1964, artigos 71, 72 e 73. SÓCIO-ADMINISTRADOR. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. É cabível a imputação de responsabilidade tributária a sócio-administrador de pessoa jurídica quando restar comprovada nos autos a prática de atos com excesso de poderes, infração de lei e/ou contrato social dos quais teria resultado a obrigação tributária correspondente ao crédito tributário exigido. A autoridade julgadora de primeira instância rejeitará a realização de perícia quando entendê-la desnecessária. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. Os avisos, intimações e notificações ao contribuinte devem ser efetuados no domicílio tributário do sujeito passivo, que corresponde ao endereço fornecido pelo próprio contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS. INFRAÇÃO À LEI. Restando comprovados nos autos, atos de administração / gerência / representação, praticados com excesso de poderes ou com infração à lei, contrato social ou estatutos à época dos fatos, torna-se cabível a manutenção do sócio / mandatário no polo passivo como responsável solidários. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. COLHIDA DE DEPOIMENTO. NOVAS PROVAS .IMPOSSIBILIDADE Se existe nos autos matéria fática suficiente para formação da convicção do julgador, indefere-se o pedido de realização de diligência, apresentação de novas provas ou depoimentos, por se prescindível ou desnecessária para o deslinde da controvérsia. MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. QUALIFICAÇÃO. A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta, simulada, planejada e executada mediante ajuste doloso. DECISÕES JUDICIAIS. PROCESSO ADMINISTRATIVO. Mesmo que reiteradas, se não forem vinculantes, as decisões administrativas e/ou judiciais não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 18 00:00:00 UTC 2021
numero_processo_s : 11060.721408/2017-87
anomes_publicacao_s : 202111
conteudo_id_s : 6522616
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 19 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2201-009.297
nome_arquivo_s : Decisao_11060721408201787.PDF
ano_publicacao_s : 2021
nome_relator_s : Francisco Nogueira Guarita
nome_arquivo_pdf_s : 11060721408201787_6522616.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado) e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Oct 05 00:00:00 UTC 2021
id : 9066702
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 20 13:07:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1716952695795875840
conteudo_txt : Metadados => date: 2021-11-13T19:59:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-11-13T19:59:31Z; Last-Modified: 2021-11-13T19:59:31Z; dcterms:modified: 2021-11-13T19:59:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-11-13T19:59:31Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-11-13T19:59:31Z; meta:save-date: 2021-11-13T19:59:31Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-11-13T19:59:31Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-11-13T19:59:31Z; created: 2021-11-13T19:59:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; Creation-Date: 2021-11-13T19:59:31Z; pdf:charsPerPage: 2099; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-11-13T19:59:31Z | Conteúdo => S2-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11060.721408/2017-87 Recurso Voluntário Acórdão nº 2201-009.297 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de outubro de 2021 Recorrente EGALI INTERCAMBIO LTDA - EPP Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 30/04/2015 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E PARA OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições para a previdência social a seu cargo e para outras entidades e fundos. PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA. Em decorrência do princípio da primazia da realidade e da busca da verdade material, norteadores do contencioso administrativo, a legalidade formal dos atos praticados não se sobrepõe à realidade fática. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. Entende-se por salário-de-contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades. LANÇAMENTO. RETIFICAÇÃO. DECLARAÇÃO EM GFIP. Não se pode excluir do lançamento valores de contribuições apuradas a partir das informações prestadas pelo próprio contribuinte em GFIP, p por força do comando normativo da Lei nº 8.212/1991, artigo 32, inciso IV, §2º. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. A multa de ofício aplicada deve ser agravada quando configurada as hipóteses previstas na Lei nº 4.502/1964, artigos 71, 72 e 73. SÓCIO-ADMINISTRADOR. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. É cabível a imputação de responsabilidade tributária a sócio-administrador de pessoa jurídica quando restar comprovada nos autos a prática de atos com excesso de poderes, infração de lei e/ou contrato social dos quais teria resultado a obrigação tributária correspondente ao crédito tributário exigido. A autoridade julgadora de primeira instância rejeitará a realização de perícia quando entendê-la desnecessária. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 14 08 /2 01 7- 87 Fl. 1410DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-009.297 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721408/2017-87 A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. Os avisos, intimações e notificações ao contribuinte devem ser efetuados no domicílio tributário do sujeito passivo, que corresponde ao endereço fornecido pelo próprio contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS. INFRAÇÃO À LEI. Restando comprovados nos autos, atos de administração / gerência / representação, praticados com excesso de poderes ou com infração à lei, contrato social ou estatutos à época dos fatos, torna-se cabível a manutenção do sócio / mandatário no polo passivo como responsável solidários. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. COLHIDA DE DEPOIMENTO. NOVAS PROVAS .IMPOSSIBILIDADE Se existe nos autos matéria fática suficiente para formação da convicção do julgador, indefere-se o pedido de realização de diligência, apresentação de novas provas ou depoimentos, por se prescindível ou desnecessária para o deslinde da controvérsia. MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. QUALIFICAÇÃO. A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta, simulada, planejada e executada mediante ajuste doloso. DECISÕES JUDICIAIS. PROCESSO ADMINISTRATIVO. Mesmo que reiteradas, se não forem vinculantes, as decisões administrativas e/ou judiciais não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Fl. 1411DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-009.297 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721408/2017-87 Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado) e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório O presente processo trata de recurso voluntário em face do Acórdão nº 03-78.348 - 5ª Turma da DRJ/BSB, fls. 1.238 a 1.261. Trata de autuação referente a contribuições sociais destinadas à Seguridade Social e, por sua precisão e clareza, utilizarei o relatório elaborado no curso do voto condutor relativo ao julgamento de 1ª Instância. Os lançamentos lavrados contra Egali Intercâmbio Ltda – EPP foram revistos de ofício para incluir como responsáveis solidários os sócios-administradores da empresa, os senhores Cristiano Carvalho Martins, CPF 007.914.870-08, e Guilherme Alves Reischl, CPF 989.546.520-34, conforme Despacho Decisório de Revisão de Lançamento para Inclusão de Responsável Tributário, de 17/7/2017, fl. 324, a seguir reproduzido: A existência de erro de fato que deva ser retificado nos termos dos artigos 145, inciso III e 149 da Lei 5.172 de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional - CTN, constatada pelo Auditor Fiscal da Receita federal do Brasil, no período de tempo entre a ciência do autuado e a data da impugnação do lançamento de ofício, implica que o mesmo deverá ser revisto de ofício, na forma da Portaria RFB N° 719, de 05 de maio de 2016, publicada no Diário Oficial da União em 06/05/2016. De acordo com o artigo 145 do CTN, o lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: III - iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. De acordo com o artigo 149 do CTN, o lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. Nos Autos de Infração hora (sic) revistos, foram incluídos como responsáveis solidários os sócios-administradores Cristiano Carvalho Martins, CPF 007.914.870-08 e Guilherme Alves Reischl, CPF 989.546.520-34, pelas razões demonstradas no novo Relatório de Fiscalização. Não houve alteração do valor de lançamento, apenas a atualização monetária do mês anterior para o mês atual. A Egali foi cientificada do mencionado Despacho-Decisório em 27/7/2017, conforme Aviso de Recebimento de fl. 326. O crédito tributário lançado pela fiscalização contra o sujeito passivo e os responsáveis solidários acima indicados se referem à: Contribuição Previdenciária da Empresa e do Empregador, incluindo a contribuição social destinada à seguridade social correspondente à diferença de contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), no valor de R$ 8.227.013,08, conforme demonstrativo de crédito do auto de infração - AI de fls. 327/328, lavrado em 17/7/2017, referente às competências 1/2013 a 4/2015; e Fl. 1412DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-009.297 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721408/2017-87 Contribuição para outras entidades e fundos, no montante de R$ 2.281.894,98, conforme demonstrativo de crédito do AI de fls. 343/344, lavrado em 17/7/2017, referentes às competências 1/2013 a 4/2015. Segundo Relatório Fiscal (fls. 650/655): A Egali Intercâmbio Ltda – EPP, cujo objeto social consiste na prestação de “serviços de assessoramento e planejamento de viagens nacionais e internacionais; agências de viagens e turismo; serviços de organização de feiras, congressos, exposições e festas; preparação de documentos e serviços especializados de apoio administrativo”, foi constituída em 20/4/2007 e, desde 1/7/2007, estava inserida Simples Nacional, conforme documento de fl. 406. Em 7/5/2013, a empresa foi excluída deste regime simplificado de tributação por comunicação obrigatória do contribuinte, por participação no capital de outra pessoa jurídica, com efeitos a partir de 1/1/2013 (fl. 406). Ainda segundo a Fiscalização, os sócios da autuada simularam a abertura e os registros na Junta Comercial do Rio Grande do Sul das empresas Trafalgar Square Agência de Intercâmbio Eireli, CNPJ 17.669.707/0001-98, Manor House Agência de Intercâmbio Eireli, CNPJ 17.289.776/0001-76 e Thames River Agência de Intercâmbio Eireli, CNPJ 17.027.596/0001-16, doravante denominadas Trafalgar Square, Manor House e Thames River, em 28/2/2013, 31/10/2012 e 26/9/2012, respectivamente, com o objetivo de evasão fiscal das contribuições previdenciárias e para outras entidades e fundos (terceiros). Tais empresas foram posteriormente incorporadas pela Egali em 22/04/2015. As conclusões quanto a existência da simulação advêm dos seguintes fatos apontados no item 2.1 do Relatório Fiscal, quais sejam: - que parentes e pessoas próximas dos sócios da Egali passaram a compor o quadro societário das empresas citadas; - que as empresas possuíam objetos sociais similares ao da Egali: “agência de viagens e de intercâmbio, serviços de organizações de feiras, congressos, exposições e festas”; - que os empregados da Egali foram desligados da empresa em 31/12/2012 e, ato contínuo, em 1/1/2013, foram admitidos nas empresas Manor House e Thames River, sendo que, em 1/4/2013, houve nova transferência de trabalhadores da Manor House e da Thames River para a Trafalgar Square. Com as incorporações em 4/2015, os empregados das empresas Manor Hause, Thames River e Trafalgar Squere foram transferidos para a Egali; - que os estabelecimentos matriz das empresas Manor House, Thames River e Trafalgar Square possuíam o mesmo endereço da filial 0027-02 da Egali e os endereços de algumas das filiais da Egali eram os mesmos de algumas das filiais da Thames River ou da Manor House, conforme quadro demonstrativo inserido no item 3.1 do Relatório Fiscal; - que o envio das GFIP das empresas, nas competências 1/2013 a 4/2014, foi feito por um único responsável, sendo que todas as GFIP foram enviadas do mesmo computador, no mesmo horário; - que, da análise da escrituração contábil das empresas Manor House, Thames River e Trafalgar Square, constatou-se que as mesmas não possuíam equipamentos, computadores, impressoras ou mobiliário e não registravam despesas com aluguel, telefone ou energia elétrica, somente despesas com pessoal. Segundo a Fiscalização, o fato gerador das contribuições lançadas “[...] ocorre na simulação da admissão dos empregados utilizados nas empresas THAMES RIVER Fl. 1413DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-009.297 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721408/2017-87 AGÊNCIA DE INTERCÂMBIO EIRELI, CNPJ 17.027.596/0001- 16; 2) MANOR HOUSE AGÊNCIA DE INTERCÂMBIO EIRELI, CNPJ 17.289.776/0001-76 e, 3) TRAFALGAR SQUARE AGÊNCIA DE INTERCÂMBIO EIRELI, CNPJ 17.669.707/0001-98, optantes do Simples Nacional, visando a redução da contribuição social previdenciária e para outras entidades e fundos – terceiros”. Foi lançada de ofício, em nome da Egali, a contribuição previdenciária patronal e para outras entidades e fundos – terceiros sobre as folhas de pagamento das empresas Trafalgar Square, Manor House Agência e Thames River. Os valores dos salários de contribuição dos segurados empregados e dos contribuintes individuais foram obtidos nos arquivos das GFIP transmitidos pelas empresas. Foi aplicada multa qualificada (150%), tendo em vista a ocorrência de simulação. Conforme Demonstrativo de Responsáveis Tributários (fls. 329 e 344), a responsabilidade solidária imputada aos sócios-administradores da Egali fundamenta-se no CTN, artigo 135, por terem os mesmos simulado a abertura das empresas Thames River, Manor House e Trafalgar Square, com o objetivo de evitar o pagamento da contribuição previdenciária patronal e a contribuição para outras entidades e fundos. Impugnação O contribuinte e o responsável solidário Cristiano Carvalho Martins foram cientificados das autuações em 20/7/2017 (Termo de Ciência de Lançamentos e Encerramento Total do Procedimento Fiscal e Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento Total do Procedimento Fiscal – Responsabilidade Tributária – fls. 638/639 e 642/643) e o responsável solidário Guilherme Alves Reischl em 27/7/2017 (Termo de Ciência de Lançamentos Encerramento Total do Procedimento Fiscal – Responsabilidade Tributária – fls. 645/646 e Aviso de Recebimento – fl. 649). Em 18/8/2017 (protocolo – fl. 663), o contribuinte e os responsáveis solidários apresentaram a impugnação conjunta de fls. 663/693, acompanhada de documentos, fls. 694/1.212, na qual alegam o que segue: Das atividades das empresas - que a Egali adotou planejamento tributário indicado pela Cassel Consultores Ltda para se adequar ao mercado competitivo em que estava inserida, de agenciamento de viagens e promoção de intercâmbio; - que os seus concorrentes contavam com sistemas de franquias, mas, devido ao alto custo para instituir este modelo de negócios, a empresa optou, em um primeiro momento, por orientação da Cassel, em descentralizar a Egali, que passaria a contar com prestadores de serviços que, potencialmente, em um segundo momento, se transformariam em empresas franqueadas, quando a Egali passaria a desenvolver exclusivamente a administração de contatos no exterior, manutenção da marca, marketing, transmissão do know how, etc; - que, tratando-se de projeto em fase de gestação, a Egali garantiria para as prestadoras de serviços todo o sistema de gestão, estabelecimento de contrato com as empresas do exterior, padrão de atendimento perante clientes, subsídio parcial no custo de aluguel, cessão de equipamentos, cessão de uso da marca, treinamento dos funcionários e transmissão do know how para o desenvolvimento dos negócios e as prestadoras de serviços, por seu turno, teriam a obrigação de remunerar a Egali com parte direta de seus resultados, responsabilizando-se pela realização de toda a parte operacional de vendas, contratação no exterior e contratação de equipe; Fl. 1414DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-009.297 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721408/2017-87 - que a estratégia definida tinha por objetivo permitir a evolução das prestadoras de serviços para oportunizar a futura criação de um sistema de franquias, quando, existindo histórico de sucesso, o objeto social da Egali passaria a ser a transformação em franqueadora para passar a vender o produto para demais empresas interessadas; - que, por se tratar de início de projeto, as pessoas interessadas pela abertura das prestadoras de serviços foram do próprio círculo familiar dos sócios, o que se justifica pelo fato de que, naquele momento, inexistia qualquer projeção acerca do potencial resultado que obteriam; - que, em termos operacionais, para fins de estabelecer o nicho de mercado de cada prestadora de serviços (Thames River, Manor House e Trafalgar Square), criou-se um mecanismo de venda de intercâmbio mediante o qual as empresas eram contratadas pelas escolas no exterior para atender clientes brasileiros; esses, por sua vez, realizavam o respectivo pagamento por meio de um sistema único perante a própria Egali e essa, enfim, transferia a integralidade dos recursos para as escolas conveniadas no exterior, as quais seriam responsáveis por eventual comissionamento da empresa que realizou a venda do produto e da própria Egali; - que, de forma específica, a empresa Manor House era responsável pelos programas de intercâmbio junto às escolas da Irlanda; a Thames River pela venda de intercâmbio na Austrália e Inglaterra e a Trafalgar pela venda de programas de Juniors; - que, transcorridos três anos do projeto piloto, de criação descentralizada, aferiu-se a inviabilidade do sistema, porquanto as empresas prestadoras de serviços, mesmo recebendo subsídios da Egali em relação a aluguel e equipamentos, estavam operando em prejuízo; - que, em homenagem ao princípio da boa-fé, não restou outra alternativa à Egali senão amenizar os prejuízos que seus parceiros sofreram e proceder na incorporação das empresas em 22/4/2015; - que, conforme exposto, é certo afirmar que a constituição das empresas foi lícita, uma vez que seguiu a forma legal (artigos 593 e seguintes do Código Civil); - que toda a apuração tributária, bem como todos os registros contábeis, constavam realizados na forma correta, sem qualquer sonegação ou omissão de informações; - que, antes de qualquer medida societária, os sócios buscaram a contratação de assessoria contábil, tributária e societária para o estudo, análise, proposição e consolidação de sistema; - que há que se afastar as alegações fiscais, de que o sistema das empresas indicaria mesma atividade, porque, sendo a mesma empresa contábil a entabular toda a operação das empresas então instituídas, nada mais natural que a mesma ficasse responsável pela transmissão de todas as declarações fiscais, fato que justifica a emissão das declarações sob o mesmo ‘IP’; - que, sobre o espaço físico, a Egali possui atualmente sede em Caçapava do Sul e as empresas prestadoras de serviços operavam em Porto Alegre, de forma cooperativa, uma vez que os prestadores de serviços tinham liberdade para buscar clientes fora de suas sedes; - que o lançamento carece de amparo material suficiente para sua manutenção, uma vez que a constituição das empresas se deu de forma lícita, sem qualquer óbice legal, e que, no caso, se identifica razão econômica subjacente ao negócio que não apenas a economia tributária, sendo impossível atribuir sonegação de tributos ao contribuinte; Fl. 1415DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-009.297 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721408/2017-87 - que o CARF já julgou casos análogos e se posicionou no sentido de que ‘para que se possa caracterizar a simulação, em atos jurídicos, é indispensável que os atos praticados não pudessem ser realizados, fosse por vedação legal ou por qualquer outra razão”; - que o conselho indica que há impossibilidade de desconsideração de atos praticados sob o mero argumento de inexistência de propósito negocial ou abuso de formas; - que invoca-se o artigo 110 do CTN, uma vez que a fiscalização deixou de aplicar institutos válidos no âmbito privado para considerar pessoas jurídicas distintas como uma única empresa; - que o lançamento deve ser anulado, uma vez que as empresas fiscalizadas comportavam-se como organismos distintos, respeitando a forma legal, e com substrato econômico suficiente; Da responsabilidade de terceiros e da necessidade de exclusão dos sócios - que o auditor fiscal, ao longo de seis meses de fiscalização, não indicou a existência de qualquer dolo por parte dos sócios, tanto que o auto de infração lavrado em 28/6/2017 tinha como único sujeito passivo a Egali Intercâmbio Ltda EPP; - que o direcionamento da infração aos sócios ocorreu apenas em razão de ordem de superior hierárquico, que, nos termos do artigo 148 do CTN, determinou a anulação do auto de lançamento original para redigir um novo em que constassem os sócios da Egali no polo passivo; - que o superior hierárquico não tinha conhecimento da realidade fática da empresa; Da inaplicabilidade do artigo 149 do CTN. Impossibilidade de retificação de ofício do auto de lançamento. - que a retificação realizada pela fiscalização carece de amparo legal e material, uma vez que inexistiu qualquer fato novo, erro de fato ou de direito que autorizasse a alteração do lançamento; - que a fiscalização já havia sido finalizada, assim como havia expirado a vigência do TDPF; - que a retificação foi realizada sob a justificativa de ocorrência de fraude (artigo 149 do CTN), todavia, as provas colhidas durante a ação fiscal levaram à conclusão fiscal de que a empresa não havia incidido em fraude, mas mero excesso de forma, o que são situações completamente distintas; - que a modificação promovida pela fiscalização se caracteriza como modificação de critério jurídico, sendo que o artigo 149 do CTN apenas permite a modificação de lançamento nos casos em que se identificar conduta dolosa pelo fiscalizado ou pelo agente fiscal, o que não é o caso dos autos; - cita doutrina segundo a qual a autoridade administrativa, depois de efetivado o lançamento, não pode alterá-lo, de ofício, sob o argumento de que a interpretação jurídica adotada não era a correta, a melhor ou a mais justa; - que, no caso, a mudança de critério jurídico foi direcionada ao entendimento acerca da abrangência da responsabilidade passiva, sendo que, a partir do novo entendimento, consolidado sobre os mesmíssimos fatos e provas que haviam sido colhidos pela fiscalização, optou-se por direcionar o auto de lançamento aos sócios-administradores da pessoa jurídica; - que o CARF também já definiu posicionamento sobre a impossibilidade de modificação do critério jurídico, ao dispor que, havendo consolidação do lançamento por meio de ato administrativo da autoridade competente, está definido o critério Fl. 1416DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-009.297 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721408/2017-87 jurídico, o que, se for alterado, somente poderá produzir efeitos em relação a fatos geradores futuros; - que diante da inexistência de qualquer ato jurídico apto a ensejar a retificação de ofício do lançamento, é nula a modificação promovida, de modo que os sócios devem ser excluídos do polo passivo da autuação; - e, ainda, que a alteração no entendimento fiscal negou vigência ao artigo 112 do CTN, uma vez que a dúvida levantada pelo superior hierárquico, que não participou da fiscalização, deveria ter sido interpretada da forma mais favorável ao contribuinte; Responsabilidade Tributária: da aplicabilidade dos artigos 124,135,136 e 137 do CTN - que os sócios-administradores da Egali não agiram com excesso de poder ou contrariamente ao contrato social, bem como não tinham interesse no fato gerador da obrigação tributária; - que a legitimidade passiva e, de forma sucessiva, a responsabilidade pelo pagamento da multa tributária, deve ser direcionada de forma exclusiva para a empresa Cassel Consultoria Gestão Estratégica de Tributos Ltda, que idealizou o sistema de prestação de serviços, ou seja, que operacionalizou todos os sistemas e que se beneficiou pelos fatos geradores; - que os sócios-administradores, à época da fundação da Egali, eram estudantes sem conhecimento na área do direito societário, tributário ou empresarial, razão pela qual buscaram assessoria da Cassel Consultoria, empresa renomada em Porto Alegre, para expansão do negócio; - que o objeto do contrato firmado entre a Egali e a Cassel consistia na “[...] realização de estudos de Planejamento Tributário Administrativo e orientação sobre legislação tributária e adequação da estrutura societária para a empresa e suas ligadas, coligadas e controladas, de forma a atender adequadamente a realidade de seus negócios, tendente à redução da carga fiscal”; - que restou definido que a remuneração da Cassel pelos serviços contratados seria aferida mediante aplicação de percentual de 20% sobre toda economia tributária gerada ao longo de 3 anos após a implantação de cada medida de planejamento tributário; - que a Cassel indicou a necessidade de mudança na empresa que prestava serviços contábeis; - que a Cassel recebeu da Egali, a título de honorários em razão do benefício gerado, mais de R$ 500.000,00; - que a Cassel também recebia parte de seus honorários por meio da empresa Raiway Serviços Administrativos Ltda; - que a Egali, “[...] com o amadurecimento dos sócios no campo empresarial, conjugado com informações de mercado obtidas ao longo do tempo, tão logo foi possível identificar o risco gerado pela consultoria prestada [...]”, optou por não renovar o contrato com a Cassel, assim como rescindiu contrato com a empresa de assessoria contábil indicada por esta; - que os artigos 135 e 137 do CTN atribuem responsabilidade pessoal ao agente executor dos atos com excesso de poderes ou infração à lei, de modo que, caso se entenda que as empresas não poderiam ter sido criadas, ou que a sua criação tenha sido como a única finalidade de burlar a lei, a Egali se tornou vítima e não agente da autuação fiscal; Fl. 1417DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-009.297 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721408/2017-87 - que consta prescrito o elemento doloso da Cassel no momento em que orientou a Egali a buscar determinada assessoria contábil para implementar ‘planejamento’ societário e tributário e que foi remunerada de acordo com a suposta economia que gerou; - cita doutrina segundo a qual, nos termos do artigo 136 do CTN, ocorrendo infração à legislação tributária, há presunção relativa de culpa do sujeito passivo, mas, vindo este a provar que não teve culpa no cometimento da infração, não há que se falar em sua autuação; - que, no presente caso, é oportuna a aplicação do artigo 137 do CTN, uma vez que a consultoria contratada, na busca de realizar economia tributária, praticou ato ilícito; - que o primeiro elemento constitutivo do dolo é a consciência do agente na conduta ilícita, sendo que, no caso, é impossível atribuir conduta dolosa aos Srs. Cristiano Martins e Guilherme Alves Reischl, impondo-se o direcionamento da infração à empresa Cassel Consultoria Ltda; - que, de forma sucessiva, com base nos artigos 135 a 137 do CTN, impõem-se também que o direcionamento da multa tributária seja inferido de forma exclusiva à empresa Cassel Consultoria, uma vez que o elemento volitivo consciente somente pode ser a ela atribuído; Do mérito. Da base de cálculo das contribuições previdenciárias. - que, caso superadas as preliminares de legitimidade, a base de cálculo das contribuições deve ser retificada; - que, em nosso ordenamento jurídico, fixou-se o entendimento de que o termo remuneração corresponde à contraprestação devida pelo empregador pelos serviços prestados pelo empregado; - que a remuneração é constituída essencialmente pelo salário; - que a fiscalização, todavia, fez incidir contribuições sobre verbas estranhas à sua matriz tributária, como verbas creditadas a colaboradores a título de terço de férias; férias indenizadas, adicional de horas extras, auxílio doença/benéfico acidentário e referente à transporte; - discorre de forma individualizada sobre a necessidade de se excluir da base de cálculo verbas pagas a título de férias indenizadas, abono de férias, terço constitucional de férias, pagamentos referentes à afastamento nos primeiros 15 dias por motivo de doença/acidente, bônus por serviços/indenização por deslocamento, aviso prévio indenizado e salário maternidade, tendo em vista a sua natureza não salarial, mas indenizatória/compensatória. Cita jurisprudência. Da ilegalidade da aplicação da multa qualificada - que a multa deve ser reduzida para o patamar de 75% diante da inexistência de elementos objetivos para a aplicação da multa agravada; - que a fiscalização não identificou inicialmente que os sócios agiram com o intuito de fraudar a lei e, mesmo que se entenda que tenha havido excesso de forma, o contribuinte não sonegou qualquer valor, realizou todas as suas declarações de forma tempestiva e ofereceu à tributação a totalidade de seus rendimentos, fazendo-se impossível atribuir aos sócios-administradores qualquer conduta dolosa, pois ausente o elemento de consciência no ato societário; - que, segundo doutrina, para que se possa vislumbrar dolo na conduta do contribuinte, é necessário que ele aja com a vontade de praticar a fraude ou a sonegação, bem como a consciência de estar a cometer tais ilícitos, atitude esta incompatível com as situações Fl. 1418DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-009.297 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721408/2017-87 em que o contribuinte, às claras, pratica negócio lícito, sobretudo quando se tem em mente “[...] que quando o contribuinte se dá ao trabalho de estruturar seu negócio com o objetivo de evitar a prática do fato gerador, o faz justamente porque, embora visando à economia tributária, não quer praticar ilícito algum”; - que a multa agravada não se aplica nas situações em que o contribuinte, às claras e sem tentar ocultar a ocorrência do fato gerador ou de algum de seus elementos, pratica atos ou negócios que, embora lícitos, tenham seus efeitos tributários desconsiderados pelo Fisco; - que, ainda que tais atos ou negócios jurídicos tenham por única ou principal finalidade a economia tributária, tal fato, por si só, não configura ‘dolo’ capaz de justificar a imposição da multa qualificada; - que o CARF já se manifestou inúmeras vezes neste sentido, conforme jurisprudência de cita; - acrescenta que o contribuinte é réu primário e não falsificou qualquer documento, devendo a multa ser rebaixada para 75%, nos termos do artigo 957, inciso I, do RIR/99; - que, sucessivamente, a multa deve ser reduzida para o patamar de 100%, por força do julgamento do Recurso Extraordinário nº 582.461/SP, de relatoria do Ministro Gilmar Mendes, que foi julgado com repercussão geral, quando ficou sedimentado o entendimento de que as multas que extrapolam o valor devido do tributo são consideradas confiscatórias, como é o caso da multa aplicada nos autos; - que as turmas de julgamento do CARF, via de regra, não podem afastar a aplicação de determinada norma sob o fundamento da inconstitucionalidade, entretanto, vinculam os conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ sob a sistemática dos artigos 543-B e 543-C do CPC, conforme artigo 62, §2º, do Regimento Interno do CARF; Da produção de provas Requer produção de prova pericial, para que o expert indicado, com base nos documentos juntados aos autos e na contabilidade: 1) esclareça a base de cálculo das contribuições previdenciárias, excluindo-se as verbas creditadas aos colaboradores a título de terço de férias, férias indenizadas, adicional de horas extras, auxílio doença/benefício acidentário e indenização referente a transporte; 2) identifique, de forma destacada, os referidos pagamentos por meio de extrato analítico; 3) ‘[...] uma vez identificados os pagamentos realizados aos funcionários coma finalidade de indenizá-los pelo deslocamento na venda de intercâmbio [...]”, apure o valor exato dos tributos incidentes sobre a folha de pagamento; e 4) evidencie o início e término de vigência de cada contrato com as empresas que prestaram serviços contábeis para a ora impugnante. Dos pedidos Requer seja dado integral provimento à impugnação, para julgar improcedente o lançamento. Juntamente com a impugnação, foram apresentados os seguintes documentos: 1) Parecer Contábil e Demonstrações de Cálculo (fls. 714/755); 2) registros contábeis (fls. 756/928); 3) Relatório Cassel Consultoria e arquivos Cassel (fls. 930/997); e notas fiscais (fls. 999/1212). Ao analisar a impugnação, o órgão julgador de 1ª instância, decidiu que não assiste razão à contribuinte, de acordo com a seguinte ementa e decisão, respectivamente: Fl. 1419DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-009.297 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721408/2017-87 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 30/04/2015 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E PARA OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições para a previdência social a seu cargo e para outras entidades e fundos. PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA. Em decorrência do princípio da primazia da realidade e da busca da verdade material, norteadores do contencioso administrativo, a legalidade formal dos atos praticados não se sobrepõe à realidade fática. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. Entende-se por salário-de-contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades. LANÇAMENTO. RETIFICAÇÃO. DECLARAÇÃO EM GFIP. Não se pode excluir do lançamento valores de contribuições apuradas a partir das informações prestadas pelo próprio contribuinte em GFIP, p por força do comando normativo da Lei nº 8.212/1991, artigo 32, inciso IV, §2º. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. A multa de ofício aplicada deve ser agravada quando configurada as hipóteses previstas na Lei nº 4.502/1964, artigos 71, 72 e 73. SÓCIO-ADMINISTRADOR. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. É cabível a imputação de responsabilidade tributária a sócio-administrador de pessoa jurídica quando restar comprovada nos autos a prática de atos com excesso de poderes, infração de lei e/ou contrato social dos quais teria resultado a obrigação tributária correspondente ao crédito tributário exigido. A autoridade julgadora de primeira instância rejeitará a realização de perícia quando entendê-la desnecessária. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. Os avisos, intimações e notificações ao contribuinte devem ser efetuados no domicílio tributário do sujeito passivo, que corresponde ao endereço fornecido pelo próprio contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1420DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 2201-009.297 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721408/2017-87 Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido nos autos de infração e a responsabilidade solidária imputada aos Srs. Cristiano Carvalho Martins, CPF 007.914.870-08, e Guilherme Alves Reischl, CPF 989.546.520-34. Considerando que a contribuinte apresentou tempestivamente este recurso voluntário às fls. 1.346 a 1.386, conheço do mesmo, que será analisado conforme o voto apresentado a seguir. Voto Conselheiro Francisco Nogueira Guarita, Relator Por ser tempestivo e por atender as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Antes de iniciar o seu recurso, a recorrente tece comentários relativos à demonstração da necessidade de anulação ou reforma da decisão de primeira instância porque, além da mesma conter nulidades, desconsiderou as ilegalidades perpetradas no lançamento fiscal, dando uma visão geral do que vem a ser debatido ao longo de sua insurgência, conforme os termos iniciais do seu recurso a seguir apresentados: Pretende-se com o presente Recurso Voluntário demonstrar a necessidade de anulação ou reforma da decisão de primeira instância porque, além da mesma conter nulidades, desconsiderou as ilegalidades perpetradas no lançamento fiscal, tais como: i) Nulidade da decisão pelo cerceamento do direito de defesa – baixa em diligência; ii) Nulidade da retificação do lançamento tributário pela negativa de vigência ao artigo 142 do CTN; iii) Ilegitimidade passiva: a inocorrência de responsabilidade DOS sócios, negativa de vigência ao art. 135 do CTN ao caso; Direcionamento das penalidades ao responsável; iv) Planejamento lícito: a estrutura societária válida e conforme ao Direito adotada pela impugnante Egali e sociedades empresárias incorporadas (Manor House, Thames River, Trafalgar Square); v) Constituição de crédito sobre BC errônea: lançamento de contribuição previdenciária e de terceiros realizado sobre verbas indenizatórias vi) Ilegalidade da multa qualificada imposta. Em seguida, faz um breve histórico sobre o seu zelo no cumprimento dos deveres tributários, mencionando os procedimentos adotados, com o resumo da autuação, para ao final, tentar se esquivar de sua obrigação tributária ao sugerir que a mesma seja imputada à empresa de consultoria tributária, contratada para o seu planejamento tributário, pois segundo a recorrente, foi a única beneficiária do referido planejamento, nos seguintes termos: A ora recorrente, cumprindo com seus deveres de colaboração, apresentou todas planilhas e documentos (GFIP, MANAD, GPS, Contratos Sociais; Extrato de faturamento, etc.) necessários para que se fizesse perfeita a fiscalização tributária. Outrossim, a recorrente evidenciou sua preocupação na busca constante em estar de acordo com a legislação fiscal uma vez que realizou significativos investimentos na Fl. 1421DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 2201-009.297 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721408/2017-87 contratação da empresa especializada CASSEL CONSULTORES LTDA., a qual, mediante significativa remuneração, realizou a estruturação societária e plano de negócios da recorrente. Em que pese o seu legítimo esforço em cumprir com a legislação tributária, a fiscalização entendeu que a recorrente teria realizado planejamento tributário indevido, imputando que as empresas THAMES RIVER, MANOR HOUSE, TRAFALGAR SQUARE e EGALI INTERCÂMBIO seriam uma única e mesma entidade, fato que acarretaria em sua exclusão do SIMPLES NACIONAL com consequente lançamento de contribuições previdenciárias. Como decorrência desse entendimento, a fiscalização realizou o lançamento objeto de impugnação administrativa, do qual constaram as seguintes imputações: a. Rubricas a Segurados Empregados não Oferecidas à Tributação, realizando lançamento de Contribuição Previdenciária Patronal no valor de R$ 2.731.093,82; e b. GILRAT sobre rubricas de empregados não oferecidas à tributação com lançamento tributário no valor de R$ 123.992,47; Somados os lançamentos à incidência de juros moratórios e multa punitiva no percentual de 150%, restou consolidado contra a contribuinte neste primeiro auto de infração o valor de R$ 8.203.888,07. A fiscalização tributária ainda realizou lançamento em relação à Contribuição Social destinada à terceiros, sobre o qual consta as seguintes imputações: a. Salario Educação – FNDE – Contribuições lançadas no valor de R$ 341.386,33. b. INCRA- Contribuições lançadas no valor de R$ 27.310,53. c. SENAC – Contribuições Lançadas no valor de R$ 136.554,33. d. SESC – Contribuições Lançadas no valor de R$ 204.831,67. e. SEBRAE – Contribuições Lançadas no valor de R$ 81.932,39. Também em relação aos terceiros a fiscalização aplicou multa punitiva no percentual de 150% resultando no valor total de R$ 2.275.483,40. Buscando adequar o lançamento à legislação tributária, foi oferecida pelos ora recorrentes impugnação, na qual se salientou, dentre outros aspectos, que o lançamento realizado carecia de amparo material e sua anulação parcial era medida que se impunha pela aplicação direta do artigo 142 do CTN, porquanto o auditor fiscal equiparou empresas que operavam de forma distinta como se fossem uma mesma entidade, negando vigência aos artigos ns. 110, 124, 135 e 137 do CTN. Ademais, caso a fiscalização entendesse que as empresas eram de fato uma única entidade empresarial, impunha-se ainda a retificação do lançamento para o fim de direcioná-lo para o responsável pela ocorrência tributária que foi quem operacionalizou o sistema de prestação de serviços ora sob análise e que se beneficiou de forma direta pelo ocorrido, impondo, por fim, a devida correção na base de cálculo das contribuições lançadas, bem como a requalificação da multa tributária. Ainda, antes de entrar em suas razões de direito, a empresa faz esclarecimentos acerca da atividade das empresas EGALI, MANOR HOUSE, THAMES RIVER e TRAFALGAR SQUARE – PLANEJAMENTO VÁLIDO, de acordo com algumas de suas explicações a seguir a expostas: Fl. 1422DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 2201-009.297 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721408/2017-87 Nesse sentido, se esclarece que a empresa EGALI INTERCÂMBIO iniciou sua atividade no ano de 2007, quando os sócios fundadores, então estudantes que contavam com 23 anos de idade, sendo ainda meros estudantes universitários, integralizaram com muito esforço o capital social de R$ 60.000,00. Desde a origem, a EGALI é sociedade empresária destinada ao agenciamento de viagens e promoção de intercâmbios. O nicho de mercado em que a EGALI está inserida é permeado por grandes conglomerados – nacionais e multinacionais - como as empresas STB, CVC, CI e Global Study, as quais adotam o modelo de franquias para sua estruturação, impondo ainda maior competitividade. Frente ao desconhecimento dos sócios acerca de como operacionalizar as atividades para competir nesse nicho, buscaram a assessoria da empresa CASSEL CONSULTORES LTDA., a qual traçou orientação no sentido de descentralização da EGALI através do modelo de prestadoras de serviço, como forma de incubar um projeto de franquias e, assim, evitar em um primeiro momento os altos custos que envolvem a implementação do sistema de franquias. Pelo sistema de prestadoras de serviço, a EGALI comprometer-se-ia ao fornecimento do sistema de gestão, estabelecimento de contratos com empresas no exterior, padrão de atendimento, treinamento de funcionários, cessão de equipamentos, know how e uso da marca para desenvolvimento do negócio em fase inicial. As prestadoras de serviço em contrapartida deveriam remunerar a EGALI com parte direta de seus resultados, realizando a parte operacional de vendas, contratação no exterior e da equipe. O sistema desenvolvido pela consultoria da empresa CASSEL destinar-se-ia a preparar a atividade empresarial para a adoção do sistema de franquias a médio prazo. Evidentemente que, tratando-se de projeto em fase inicial, a abertura das empresas prestadoras de serviço deu-se justamente com membros do núcleo familiar dos sócios, proceder que é lícito nos termos da legislação brasileira. Imbuídos com esses objetivos foi idealizado o sistema, consolidando que: i) a empresa MANOR HOUSE, ficou responsável pelos intercâmbios junto às escolas da Irlanda; ii) a empresa THAMES RIVER, pelos intercâmbios na Austrália e Inglaterra; e iii) a empresa TRAFALGAR SQUARE com a venda de programas de Juniors. Contados três anos da implantação do sistema de prestadoras de serviços, verificou-se não ter sido a melhor opção, visto que as empresas prestadoras constituídas estavam operando em prejuízo, restando à EGALI, socorrer os parceiros comerciais para incorporar as empresas em 22 de abril de 2015. A conduta da recorrente é pautada pela legalidade, o que fica evidenciado pelos seguintes aspectos: a. A constituição das empresas foi lícita, seguindo a forma legal prescrita pelo Código Civil e legislação comercial; b. A realidade do mercado impunha a concretização do modelo de negócios adotado; c. Os negócios jurídicos eram separados em razão dos contratos entabulados com escolas no exterior, conforme documentação constante dos autos; d. A apuração dos tributos foi realizado na forma correta, bem como os registros contáveis; Fl. 1423DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 2201-009.297 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721408/2017-87 e. Os sócios agiram de boa-fé, tanto que envidaram esforços e recursos para conseguir assessoria empresarial e tributária, formalizada pelo contrato com a empresa CASSEL CONSULTORES LTDA. a qual recebeu honorários milionários considerando a totalidade da contratação; Ao demandar interferência deste órgão julgador no que diz respeito ao seu direito, propriamente dito, a recorrente passa a demonstrar a necessidade de ANULAÇÃO PARA BAIXAR EM DILIGÊNCIA ou para REFORMAR a decisão ora recorrida, uma vez que a mesma não analisou na forma esperada os fatos descritos no lançamento. No tópico “DAS PRELIMINARES – NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA”, a recorrente busca providências no sentido de que o processo seja baixado em Diligência para permitir a Produção de Provas, de ser dada a possibilidade de juntada de documentação a posteriori e da necessidade da colhida do depoimento do AFRFB. Para demonstrar a necessidade de diligência/perícia, a recorrente argumenta: A ora recorrente requereu, na oportunidade da apresentação da Impugnação Administrativa, fosse-lhe oportunizada a produção de prova pericial, bem como a juntada de documentos, em especial das notas fiscais de serviço, as quais possuíam volume muito significativo, sendo que se identificou durante o trâmite do processo, também, a necessidade da intimação do AFRFB que lavrou o auto de infração para que prestasse informações. ( ... ) No caso, a ora recorrente evidenciou ao longo da impugnação (e reitera aqui esses termos) a existência de inadequações na base de cálculo estipulada pelo agente fiscalizador, havendo verbas as quais não deveriam compor o salário de contribuição. Tendo em vista esta particularidade, foi requerida a perícia, sendo na oportunidade juntado laudo confeccionado por assistente técnico (conforme fls. 751/755) e formulados os quesitos necessários à elucidação da controvérsia. ( ... ) A parte recorrente fundamentou seu pedido de juntada de documentação posteriormente, salientando que havia diligenciado para obter dados junto à empresa de contabilidade com a qual a recorrente havia rompido contrato (ASSESCOM). Ou seja, tratam-se de documentos cuja obtenção depende de partes terceiras, estranhas ao processo, sendo razoável a demora para o seu recebimento. De forma que, ao negar o pedido de juntada posterior, incorreram os dignos julgadores em formalismo exacerbado e prejudicial à busca pela verdade dos fatos, afrontando os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. ( ... ) Com a devida vênia, o ilustre fiscal esteve na empresa e a fiscalizou ao longo de mais de 6 meses, tendo identificado que jamais existiu dolo na conduta dos sócios, tanto que não os incluiu no polo passivo da demanda no primeiro lançamento e até mesmo verbalizou isso aos mesmos e a este procurador. O AFRFB relatou às partes que a retificação do lançamento se deu por ordem de superior hierárquico, o qual, refere-se à Vossas Excelências, JAMAIS realizou qualquer fiscalização na empresa. Conforme será demonstrado, os jovens sócios da empresa não agiram com má-fé ou tentaram burlar a lei, mas foram vítimas de consultores que Fl. 1424DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 2201-009.297 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721408/2017-87 enriqueceram ilicitamente, sendo esses os responsáveis por agir com eventual excesso de poderes. ( ... ) Tratavam-se, portanto, de estudantes, sem conhecimento societário, tributário ou empresarial, sendo que, sabedores de sua falta de conhecimento, buscaram assessoria para expansão do negócio nos termos que serão expostos (tópico 3.2 do Recurso), tendo contratado a empresa CASSEL CONSULTORIA4, a qual atua no mercado de Porto Alegre há mais de 20 anos e é situada em um dos polos empresariais de maior destaque, tendo como seus sócios-diretores dois ex-executivos do Grupo GERDAU. (4 http://www.casselconsultoria.com.br/portal/index.php) Tal fato estava claro para a fiscalização, que o identificou como ausência de dolo, tanto que não incluiu os sócios no lançamento, sendo que a narrativa da DRJ altera a verdade dos fatos ao afirmar que teria sido mero erro do fiscal. ISSO POSTO, diante da necessidade de esclarecimento do referido ponto, requer seja baixado em diligência o presente processo para permitir a oitiva do ARFB para que esclareça se houve erro na indicação do polo passivo do auto de lançamento ou se a retificação ocorreu por ordem de superior hierárquico. Em relação a essas preliminares arguidas, vale lembrar que o momento adequado para a juntada de provas deve ser por ocasião da impugnação. Além das hipóteses previstas em lei, com relação à apresentação de novos elementos, não porque se baixar o processo em diligência, ou aceitar a juntada posterior de documentos ou mesmo o acolhimento do depoimento do AFRFB, haja vista o fato de que os elementos em que se funda a decisão estão e sempre estiveram nos autos, sem qualquer recusa dos documentos juntados em momento diverso. Recusas documentais estas que também não ocorreram por ocasião da protocolização deste recurso. Portanto, a solicitação da requisição de diligência/perícia, cabe ser indeferida, em observância ao art. 18 do Decreto n.º 70.235/1972 (PAF), por não haver matéria de complexidade que demande sua realização, tendo em vista que o lançamento decorreu de procedimento fiscal de verificação de obrigações tributárias, sem nenhum impedimento para realizá-lo apenas com base nas provas documentais anexadas, sem necessidade de se devolver ao órgão julgador de origem o processo para fazer verificações ou constatações que deveriam ter sido apresentadas por ocasião da impugnação. Quanto ao insurgimento de que devem ser excluídas da base cálculo algumas rubricas, conforme o parecer contábil apresentado, como as férias indenizadas, o terço de férias, o adicional de horas extras, os auxílios e a indenização de transporte, vale lembrar que, como acertadamente decidiu o órgão julgador de piso, não existem motivos para que se aceite os argumentos apresentados pela recorrente, haja vista o fato de que os valores foram lançados conforme declarados em GFIP’s pela contribuinte. Veja-se então, os argumentos apresentados pela decisão recorrida, com os quais eu concordo: No caso, foram as próprias empresas que, ao preencherem suas respectivas GFIP, indicaram as parcelas que consideravam integrantes do salário de contribuição que. Por sua vez, compuseram a base de cálculo das contribuições apuradas e que também serão consideradas para fins de concessão dos benefícios previdenciários futuros. Fl. 1425DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 2201-009.297 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721408/2017-87 A GFIP constitui instrumento de confissão de dívida, sendo este. inclusive, o entendimento do STJ consubstanciado na Súmula 436, segundo a qual: A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco, Não há notícia nos autos de que o contribuinte tenha providenciado a retificação das GFIP das empresas Trafalgar Square. Manor Honse e Thames River consideradas no presente lançamento, o que, a meu ver. impede que os lançamentos sejam ora retificados. Por força do comando normativo da Lei n° 8.212/1991. aitigo 32, inciso IV, §2°, não se pode excluir do lançamento valores de contribuições apuradas a partir das informações prestadas pelo próprio contribuinte em GFIP, uma vez que, por constarem neste documento, serão consideradas para fins de concessão de futuros benefícios previdenciários a serem pleiteados pelos segurados da autuada. Em relação às afirmações e solicitações sobre o entendimento do fiscal autuador, para que esclareça se houve erro na indicação do polo passivo do auto de lançamento ou se a retificação ocorreu por ordem de superior hierárquico, entendo que caberia à recorrente ter apresentado elementos que confirmassem o afirmado. Portanto não serão acatadas essas demandas, pois a recorrente não apresentou provas ou elementos que justifiquem o pleito. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, exceto as hipóteses do § 4º do art.16 do Decreto nº 70.235/1972. Senão, veja- se o referido artigo, a seguir transcrito: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe- á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: Fl. 1426DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 2201-009.297 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721408/2017-87 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Já no tópico “DO MÉRITO – DA NECESSIDADE DE REFORMA DA DECISÃO DA DRJ”, a recorrente faz contestações sobre a negativa de vigência ao art. 149 do CTN - impossibilidade de retificação de ofício do auto de lançamento no caso, sobre a ilegitimidade passiva dos sócios, sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias e sobre a inadequação da incidência de multa qualificada. Da negativa de vigência ao art. 149 do CTN. Impossibilidade de retificação de ofício do auto de lançamento no caso. Antes de se adentrar no mérito desta insurgência, adaptando ao caso, segundo o artigo 149 do CTN, tem-se: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I - quando a lei assim o determine; II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI - quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Fl. 1427DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 2201-009.297 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721408/2017-87 Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Ao argumentar sobre a impossibilidade de retificação de ofício do auto de lançamento, demonstrar-se-á no tópico a seguir, sobre a ilegitimidade passiva dos sócios, sobre os atos praticados pelos sócios que em tese, comprovariam a infração à lei através do artifício de simulação dos procedimentos praticados perante o planejamento tributário contratado pelos mesmos. De antemão informo que carece de razão os argumentos relacionados á impossibilidade de retificação do auto de infração utilizados perante este recurso. DA ILEGITIMIDADE PASSIVA DOS SÓCIOS Antes de se pronunciar sobre a responsabilidade solidária dos sócios, veja-se inicialmente os elementos descritos pela fiscalização que caracterizariam a simulação dos atos empresariais suscitadas pela autuação. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 338 a 344, consta na Junta comercial, o quadro societário das empresas, com praticamente os mesmos objetos sociais de acordo com os quadros societários a seguir apresentados: 1 – EGALI INTERCAMBIO LTDA – EPP 2 – THAMES RIVER AGÊNCIA INTERCÂMBIO LTDA EIRELI 3 – MANOR HOUSE AGÊNCIA DE INTERCÂMBIO EIRELI 4 – TRAFALGAR SQUARE AGÊNCIA DE INTERCÂMBIO EIRELI Fl. 1428DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 2201-009.297 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721408/2017-87 De acordo com os quadros acima, analisando os referidos contratos sociais, percebe-se que todas as empresas vinculadas à EGALI INTERCAMBIO LTDA – EPP tinham como sócios fundadores os mesmos sócios proprietários da EGALI INTERCAMBIO LTDA – EPP, os senhores Cristiano Carvalho Martins e o senhor Guilherme Alves Reischl. Vê-se também que todas as 3 empresas vinculadas à EGALI INTERCAMBIO – EPP foram abertas no decorrer do ano de 2012, ou no início de 2013. Nos meses de janeiro e fevereiro de 2013 (primeiro ano calendário objeto da autuação), os referidos sócios foram excluídos das empresas vinculadas, passando a ser proprietárias das mesmas, individualmente em cada empresa, a mãe dos sócios permanentes da EGALI INTERCAMBIO LTDA – EPP e uma terceira pessoa vinculada aos mesmos que tinham como endereço o endereço do sócio Guilherme Alves Reischl. Ainda, segundo o relatório fiscal, a simulação é caracterizada nos seguintes termos: Diante do crescimento da empresa, que a levou a ultrapassar o limite da receita bruta em empresa poderia ser optante do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES NACIONAL, tendo em vista que no exercício de 2013 o faturamento declarado das 4 empresas foi de RS 7.161.388.02 e em 2014 o faturamento declarado foi RS 15.339.78239 e, conforme reportagem da revista Exame de 21/05.2015, em 2014 o faturamento da empresa foi de RS 84.000.000.00 http://exame.abrilxom.br/pme/a- ambev-dos A empresa foi excluída, em 07/05/2013, por comunicação obrigatória do contribuinte, por participação no capital de outra Pessoa Jurídica, com efeitos a partir de 01/01/2013. Os sócios da Egali Intercâmbio Ltda, CNPJ 08.777.465/0001-65, Cristiano Carvalho Martins - CPF 007.914.870-08 e Guilherme Alves Reischl - CPF 989.546.520-34. simularam a abertura e os registros na Junta Comercial do Rio Grande do Sul das empresas 1) TRAFALGAR SQUARE AGÊNCIA DE INTERCÂMBIO EIRELI, CNPJ 17.669.707/0001-98; 2) MANOR HOUSE AGÊNCIA DE INTERCÂMBIO EIRELI, CNPJ 17.289.776/0001-76 e, 3) THAMES RIVER AGÊNCIA DE INTERCÂMBIO EIRELI. CNPJ 17.027.596/0001-16, que foram incorporadas pela EGALI INTERCÂMBIO LTDA - EPP. em 22/04/2015. O objetivo da simulação da abertura das empresas foi a evasão fiscal das contribuições previdenciárias e para outras entidades e fluidos - terceiros. Além dos indícios de simulação apresentados, a fiscalização aponta uma série de outros indícios, conforme transcritos a seguir: 1 - o fato de que os endereços dos estabelecimentos matriz das empresas Trafalgar Square Agência de Intercâmbio Eireli, Manor House Agência de Intercâmbio Eireli e Thames River Agência de Intercâmbio Eireli é o mesmo da filial 0027-02 da Egali Intercâmbio Ltda – EPP, Rua Felipe Neri 148, sala 405 ou sala 202, como também os endereços de algumas das filiais da Egali Intercâmbio Ltda - EPP serem os mesmos de algumas das filiais da Thames River Agência de Intercâmbio Eireli ou Manor House Agência de Intercâmbio Eireli. 2 – O reduzido quadro de pessoal da EGALI INTERCÂMBIO LTDA – EPP, sendo que após a movimentação a Egali Matriz ficou com apenas 2 empregados em 03/2013 e 1 em 05/2013, Mariana Padilha Accurso. Fl. 1429DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 2201-009.297 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721408/2017-87 3 – As remessas de GFIP’s de todas as empresas de algumas competências foram enviadas do mesmo computador, do mesmo responsável e horário da EGALI INTERCAMBIO LTDA - EPP. 4 – Da análise da contabilidade, foi constatado que as empresas vinculadas à EGALI INTERCÂMBIO LTDA - EPP não possuíam equipamentos, computadores e imobiliários, como também não apresentavam despesas com aluguel, telefone e energia elétrica. Analisando os atos acima apresentados, levando em consideração toda a arquitetura utilizada pela contribuinte e pela CASSEL, desde a abertura das empresas no decorrer de 2012 e início de 2013, corroborado pelo reconhecimento do esquema engendrado pelos mesmos, onde o representante da própria contribuinte concorda que houve o planejamento tributário e que a responsabilidade seja direcionada à empresa de consultoria CASSEL, demonstrando a possível fraude contra o fisco através da simulação na abertura de empresas para se enquadrarem nas hipóteses de tributação regidas pelo SIMPLES NACIONAL, não tem porque se descaracterizar o conluio entre os atores envolvidos cujos objetivos, não seriam outro a não ser a simulação que, em consequência, no decorrer dos 3 anos calendários em questão vieram a lesar o fisco, com a redução do valor a pagar das contribuições previdenciárias. Quanto ao argumento da recorrente ao dizer que a legitimidade passiva e, de forma sucessiva, a responsabilidade pelo pagamento da multa tributária, deve ser direcionada de forma exclusiva para a empresa Cassel Consultoria Gestão Estratégica de Tributos Ltda, que idealizou o sistema de prestação de serviços, ou seja, que operacionalizou todos os sistemas e que se beneficiou pelos fatos geradores e que por conta disso, eximiu-se de suas obrigações tributárias, pois, que consta prescrito o elemento doloso da Cassel no momento em que orientou a Egali a buscar determinada assessoria contábil para implementar ‘planejamento’ societário e tributário e que foi remunerada de acordo com a suposta economia que gerou, também não tem porque serem acatados estes argumentos. Vale lembrar que este tipo de argumento não é cabível, haja vista os mandamentos legais mencionarem que os acordos e convenções particulares não poderem ser opostos ao fisco, conforme a lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional): Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considera-se ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I - tratando-se de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II - tratando-se de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária (grifo nosso). Fl. 1430DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 2201-009.297 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721408/2017-87 ( ... ) Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se: I - da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II - dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. ( ... ) Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se: I - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes (grifo nosso). No caso concreto, tem-se que os sócios titulares da Egali, contrataram a empresa de consultoria Cassel, que os orientou para um planejamento tributário abusivo de forma simulada. A própria forma e condução dos atos de abertura, exclusão dos sócios e admissão dos novos sócios, grau de parentesco e vínculos dos sócios e endereços das empresas vinculadas, corroborada com a incorporação das empresas abertas no terceiro ano-calendário pela empresa matriz, onde a empresa a Egali, inicialmente dispensa praticamente todos os seus empregados, ficando apenas com um, corroborado com o fato de que as empresas vinculadas à EGALI INTERCÂMBIO LTDA - EPP não possuíam equipamentos, computadores e imobiliários, como também não apresentavam despesas com aluguel, telefone e energia elétrica, não tem como prosperarem os argumentos da recorrente no sentido de desmerecer a autuação e muito menos sobre a relevação da qualificação da multa de ofício. Da base de cálculo das contribuições previdenciárias A recorrente ao se insurgir quanto à base de cálculo das contribuições devidas utilizada pela fiscalização por ocasião da autuação, para reforçar os seus argumentos, lança mão de várias decisões administrativas e judiciais que a socorreriam em seus argumentos. A contribuinte colacionou aos autos várias decisões judiciais e/ou administrativas que corroborariam com seu entendimento. Quanto a estes insurgimentos, vale lembrar que, mesmo que reiteradas, se não forem vinculantes, as decisões administrativas e/ou judiciais não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 1431DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 23 do Acórdão n.º 2201-009.297 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721408/2017-87 Quanto à jurisprudência trazida aos autos, impõe-se observar o disposto no artigo 472, do Código de Processo Civil, o qual estabelece que a "sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros... ". Assim, não sendo parte nos litígios objetos dos acórdãos citados na impugnação, a impugnante não pode usufruir dos efeitos das sentenças ali prolatadas. As decisões administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário sem uma lei que lhes atribua eficácia normativa, o que se depreende do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional. No âmbito do processo administrativo fiscal, inexiste, até o momento, norma legal que atribua às decisões de órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa tal efeito. Portanto, mesmo que reiteradas, as decisões administrativas e judiciais não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas por este Conselho. Quanto ao insurgimento da recorrente em relação à base de cálculo utilizada, conforme já debatido em parte nas preliminares deste acórdão, onde a contribuinte entende que devem ser excluídas da base cálculo algumas rubricas, conforme o parecer contábil apresentado, como as férias indenizadas, terço de férias, adicional de horas extras, auxílios e indenização de transporte, vale lembrar que, conforme acertadamente decidiu o órgão julgador de piso, não deve ser acatado o solicitado pela recorrente, haja vista o fato de que os valores foram lançados conforme declarados em GFIP’s pela contribuinte. Para rebater o defendido pela recorrente, veja-se então os argumentos apresentados pela decisão recorrida, com os quais eu concordo e acolho: O contribuinte aduz que a Fiscalização considerou como base de cálculo das contribuições lançadas verbas pagas a título de férias indenizadas, abono de férias, terço constitucional de férias, pagamentos referentes a afastamento nos primeiros 15 dias por motivo de doença/acidente, bônus por serviços/indenização por deslocamento, aviso prévio indenizado e salário maternidade, que não integram o salário de contribuição, uma vez que não possuem natureza de contraprestação pelos serviços prestados pelo trabalhador. Anexa, inclusive, perícia contábil para comprovar suas alegações. Inicialmente, cabe registrar que, conforme Relatório Fiscal, os valores considerados pela Fiscalização como base de cálculo das contribuições lançadas correspondem aos valores de remunerações pagas a segurados empregados e a contribuintes individuais informados e declarados pelas empresas Trafalgar Square, Manor House e Thames River nas suas respectivas GFIP. Segundo Relatório Fiscal: 5. Do Crédito Tributário [...] Os valores dos salários de contribuição dos segurados empregados e dos contribuintes individuais foram obtidos nos arquivos das GFIP 's transmitidas pelas empresas. Conforme a Lei n° 8.212/1991: Ari. 32. A empresa é também obrigada a: [...] IV — declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço — FGTS. na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; Fl. 1432DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 24 do Acórdão n.º 2201-009.297 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721408/2017-87 [...] § 2 a A declaração de que trata o inciso IV do capul deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigencia do crédito tributario, e saos informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos beneficios previdenciários. No caso, foram as próprias empresas que, ao preencherem suas respectivas GFIP, indicaram as parcelas que consideravam integrantes do salário de contribuição que. Por sua vez, compuseram a base de cálculo das contribuições apuradas e que também serão consideradas para fins de concessão dos benefícios previdenciários futuros. A GFIP constitui instrumento de confissão de dívida, sendo este. inclusive, o entendimento do STJ consubstanciado na Súmula 436, segundo a qual: A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco, Não há notícia nos autos de que o contribuinte tenha providenciado a retificação das GFIP das empresas Trafalgar Square. Manor Honse e Thames River consideradas no presente lançamento, o que. a meu ver. impede que os lançamentos sejam ora retificados. Por força do comando normativo da Lei n° 8.212/1991, artigo 32, inciso IV, §2°, não se pode excluir do lançamento valores de contribuições apuradas a partir das informações prestadas pelo próprio contribuinte em GFIP. uma vez que. por constarem neste documento, serão consideradas para fins de concessão de futuros benefícios previdenciários a serem pleiteados pelos segurados da autuada. E é justamente este raciocínio, amparado em lei, que impede que até mesmo os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, cuja não incidência já foi reconhecida pela Receita Federal do Brasil, conforme Nota PGFN/CRJ n° 485/2016 e Solução de Consulta COSIT n° 249/2017. identificados nos 'Demonstrativos de Cálculo' de fls. 716/742. apresentados pelo contribuinte em sede de defesa, sejam excluídos dos presentes lançamentos fiscais. Repise-se que, sem a retificação das GFIP para excluir as parcelas não incidentes de contribuição inicialmente declaradas, resta, obstada eventuais retificações nos lançamentos ora sob análise por força de lei. Quanto à alegação de que não incide contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de terço constitucional de férias, afastamento nos primeiros 15 dias por motivo de doença/acidente e salário maternidade, diga-se que sobre elas deve incidir contribuições sociais e previdenciárias, uma vez que não constam no rol exaustivo das parcelas que não integram o salário de contribuição da Lei n° 8.212/1991, artigo 28, 9 o . Cabe registrar que inexiste decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, com trânsito em julgado, na sistemática dos recursos repetitivos, reconhecendo a não incidência da contribuição previdenciária sobre tais parcelas. No momento, o REsp n° 1.230.957/RS . cujo julgamento reconheceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de terço constitucional de férias c sobre o pagamento de salário nos quinze primeiros dias em caso de afastamento por doença ou acidente do empregado, encontra-se sobrestado em razão do reconhecimento da repercussão da matéria discutida no Tema 163/STF ("contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, a gratificação natalina, os serviços extraordinários, o adicional noturno e o adicional de insalubridade"), cujo paradigma é o RE n° 593.068, pendente de julgamento. Fl. 1433DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 25 do Acórdão n.º 2201-009.297 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721408/2017-87 Sem prejuízo disso, há de ser observado ainda o disposto no artigo !9. incisos V. §5°, da Lei n° 10.522/2002 1 , segundo o qual o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos, apenas será observado pelas unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil após manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, tal como ocorreu no caso envolvendo o aviso prévio indenizado. Pelo exposto, a base de cálculo considerada na apuração das contribuições lançadas não deve ser alterada. Da inadequação da incidência de multa qualificada Diante do acima demonstrado, pelas circunstâncias e elementos acostados aos autos, analisados sob a ótica da autuação, da decisão ora recorrida e do insurgimento da contribuinte, confirmados pelos elementos probatórios apresentados, tem-se que o Relatório de Fiscalização integrante do auto de infração, anexo às fls. 338 a 344, foi muito coeso ao demonstrar os motivos da autuação, mais especificamente, começando pela descrição dos elementos que levaram à autuação, descrevendo as diligências realizadas, da formação do quadro societário, dos elementos de convicção para a caracterização da simulação, onde demonstra as coincidências dos endereços das empresas, redução brusca do números de funcionários da matriz Egali, o envio das GFIP’s e as constatações obtidas na contabilidade das empresas vinculadas, onde fica demonstrado nas mesmas a inexistência de equipamentos, computadores e imobiliários, como também o fato de que as mesmas não apresentavam despesas com aluguel, telefone e energia elétrica, demonstrando de forma cabal, a contundência, organização, disciplina, especificidade e zelo na condução dos trabalhos por ocasião da autuação, não restando dúvidas de que a fiscalização foi bem específica e pontual ao demonstrar a simulação existente entre os atores do processo de elaboração do planejamento tributário abusivo. Por conta disso, não tem existem motivos para desmerecer a qualificação da multa imposta pela autuação. Corroborando com este entendimento, transcrevo a seguir, os indícios relatados pela decisão de piso que sugerem a interposição de pessoas: As conclusões quanto a existência da simulação advêm dos seguintes fatos apontados no item 2.1 do Relatório Fiscal, quais sejam: - que parentes e pessoas próximas dos sócios da Egali passaram a compor o quadro societário das empresas citadas; - que as empresas possuíam objetos sociais similares ao da Egali: “agência de viagens e de intercâmbio, serviços de organizações de feiras, congressos, exposições e festas”; - que os empregados da Egali foram desligados da empresa em 31/12/2012 e, ato contínuo, em 1/1/2013, foram admitidos nas empresas Manor House e Thames River, sendo que, em 1/4/2013, houve nova transferência de trabalhadores da Manor House e da Thames River para a Trafalgar Square. Com as incorporações em 4/2015, os empregados das empresas Manor Hause, Thames River e Trafalgar Squere foram transferidos para a Egali; - que os estabelecimentos matriz das empresas Manor House, Thames River e Trafalgar Square possuíam o mesmo endereço da filial 0027-02 da Egali e os endereços de algumas das filiais da Egali eram os mesmos de algumas das filiais da Thames River ou da Manor House, conforme quadro demonstrativo inserido no item 3.1 do Relatório Fiscal; Fl. 1434DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 26 do Acórdão n.º 2201-009.297 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721408/2017-87 - que o envio das GFIP das empresas, nas competências 1/2013 a 4/2014, foi feito por um único responsável, sendo que todas as GFIP foram enviadas do mesmo computador, no mesmo horário; - que, da análise da escrituração contábil das empresas Manor House, Thames River e Trafalgar Square, constatou-se que as mesmas não possuíam equipamentos, computadores, impressoras ou mobiliário e não registravam despesas com aluguel, telefone ou energia elétrica, somente despesas com pessoal. Segundo a Fiscalização, , o fato gerador das contribuições lançadas “[...] ocorre na simulação da admissão dos empregados utilizados nas empresas THAMES RIVER AGÊNCIA DE INTERCÂMBIO EIRELI, CNPJ 17.027.596/0001- 16; 2) MANOR HOUSE AGÊNCIA DE INTERCÂMBIO EIRELI, CNPJ 17.289.776/0001-76 e, 3) TRAFALGAR SQUARE AGÊNCIA DE INTERCÂMBIO EIRELI, CNPJ 17.669.707/0001-98, optantes do Simples Nacional, visando a redução da contribuição social previdenciária e para outras entidades e fundos – terceiros”. No que diz respeito à suposta ilegalidade da revisão de ofício do lançamento, entendo que a decisão ora atacada foi muito precisa e enfática ao apresentar os fundamentos que justificam a manutenção do lançamento. Destarte, em acolhimento ao decidido pelo órgão julgador de piso, apresento a seguir, como minhas razões de decidir, a transcrição dos tópicos da referida decisão recorrida sobre o tema: Verifica-se, portanto, que, na retificação, não foram alterados elementos objetivos e subjetivos da relação jurídica tributária. Não houve fato novo a ensejar a retificação do lançamento, muito menos erro material ou alteração do critério jurídico adotado, como alega a defesa, mas, sim, erro de fato, na medida em que não havia sido imputada a devida responsabilidade solidária aos sócios-administradores da Egali, cuja atuação ilegal na condução dos negócios já havia sido apontada no Relatório Fiscal substituído. Repise-se que não houve mudança de critério jurídico quanto à abrangência da responsabilidade passiva; não houve dualidade interpretativa quanto à determinada situação jurídica. O que ocorreu foi que a Fiscalização, terminada a ação fiscal, concluiu que os sócios-administradores simularam a abertura de empresas com o objetivo de evasão fiscal, tal como consta no Relatório Fiscal, e aplicou a multa qualificada. Ou seja, a conduta ilegal dos sócios sempre esteve caracterizada nos autos, o que faltou, por erro de fato, foi imputar-lhes de imediato a responsabilidade solidária pelos valores lançados. A retificação efetuada trouxe mais clareza ao lançamento, na medida em que, após, passou-se a verificar a necessária consonância entre o relato fiscal da simulação e os reais responsáveis tributários pelos valores lançados. Diga-se ainda que a retificação não causou prejuízo ao direito de defesa os interessados. Primeiramente, porque, conforme visto, não houve inovação quanto aos fatos apurados na ação fiscal e identificados no Relatório Fiscal substituído. Segundo, porque o contribuinte e os responsáveis solidários foram devidamente cientificados da retificação, com abertura de prazo para impugnação. Pelo exposto, a retificação do lançamento para inclusão de responsáveis tributários foi realizada dentro da legalidade, razão pela qual afasta-se a preliminar aventada pela defesa quanto a este tópico. Quanto à simulação, igualmente nos tópicos anteriores, também acolho o posicionamento adotado pela decisão de piso, o qual, transcrevo a seguir: Fl. 1435DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 27 do Acórdão n.º 2201-009.297 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721408/2017-87 Apesar dos argumentos apresentados na defesa, resta claro que a autuada praticou planejamento tributário abusivo, na medida em que, através de seus sócios administradores, simulou a abertura de empresas optantes pelo Simples Nacional com o objetivo de reduzir a carga tributária da Egali, transferindo para as empresas recém- criadas a totalidade de seus empregados, que, na prática, continuaram a lhe prestar os mesmos serviços para os quais foram inicialmente contratados. Verifica-se que as empresas criadas, apesar de existirem formalmente, não eram independentes e autônomas, mas totalmente vinculadas à Egali, o que permite afirmar, com base nas informações colacionadas aos autos pela Fiscalização e pela própria autuada, que a Egali e as empresas Manor House, Thames River e Trafalgar Square compunham, em realidade, um único empreendimento, sob administração dos sócios- administradores da Egali. É o que se depreende, por exemplo, das informações prestadas pelo contribuinte ao descrever as atividades praticadas pelas empresas, em que se constata a total dependência das ‘prestadoras de serviços’ para com a Egali, que era quem de fato assumia os riscos do negócio: ( ... ) Constata-se que as diretrizes do negócio eram traçadas e conduzidas unicamente pela Egali, que ‘subsidiava’ o aluguel das empresas, ‘cedia’ equipamentos e know how, responsabilizava-se pelo sistema de gestão e pela manutenção do padrão de atendimento, estabelecia contratos com empresas no exterior e até mesmo recebia dos próprios clientes da Manor House, Thames River e Trafalgar Square os pagamentos pelos ‘serviços contratados’ destas empresas, que eram remetidos pela Egali às empresas no exterior. Ou seja, apesar de a defesa sustentar que as ‘prestadoras de serviços’ (Manor House, Thames River e Trafalgar Square) atuavam de forma autônoma e que tal modelo de negócios consistia em passo inicial para a implantação futura de sistema de franquias, o fato é que, no período objeto da autuação, da análise conjunta das provas dos autos, pode-se afirmar que as empresas Manor House, Thames River e Trafalgar Square existiam apenas formalmente, já que, na prática, formavam juntamente com a Egali um único empreendimento, sob o comando dos sócios da Egali, que optaram pelo fracionamento das atividades da empresa com o objetivo de reduzir sua carga tributária. Diga-se que, havendo suspeitas de condutas que visem a reduzir as contribuições devidas, a Fiscalização está legitimada a buscar a verdade material (observância ao princípio da primazia da realidade), com fulcro no Decreto nº 70.235/1972, artigo 29, que assim dispõe: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.(grifo nosso). A partir da análise das provas, resta demonstrada a intenção do contribuinte de expor uma falsa verdade com o intuito de ludibriar o Fisco. Houve simulação na medida em que as empresas adotaram uma realidade fictícia para manter a verdade ocultada. A aparência de pessoas jurídicas atuando de forma autônoma e independente (Manor House, Thames River, Trafalgar Square e Egali) permitiu que três delas - Manor House, Thames River, Trafalgar Square – se mantivessem inseridas no Simples Nacional, o que importou em redução no recolhimento de tributos e contribuições, uma vez que receberam tratamento tributário favorecido, o que levou a verdadeiro prejuízo ao erário. Para se esquivar do lançamento e da responsabilidade tributária, os recorrentes tentam imputar a responsabilidade à empresa de consultoria Cassel, responsável pelo fiasco planejamento tributário conforme os trechos de seus recursos a seguir apresentados: Fl. 1436DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 28 do Acórdão n.º 2201-009.297 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721408/2017-87 Das atividades das empresas - que a Egali adotou planejamento tributário indicado pela Cassel Consultores Ltda para se adequar ao mercado competitivo em que estava inserida, de agenciamento de viagens e promoção de intercâmbio; - que os seus concorrentes contavam com sistemas de franquias, mas, devido ao alto custo para instituir este modelo de negócios, a empresa optou, em um primeiro momento, por orientação da Cassel, em descentralizar a Egali, que passaria a contar com prestadores de serviços que, potencialmente, em um segundo momento, se transformariam em empresas franqueadas, quando a Egali passaria a desenvolver exclusivamente a administração de contatos no exterior, manutenção da marca, marketing, transmissão do know how, etc; - que, tratando-se de projeto em fase de gestação, a Egali garantiria para as prestadoras de serviços todo o sistema de gestão, estabelecimento de contrato com as empresas do exterior, padrão de atendimento perante clientes, subsídio parcial no custo de aluguel, cessão de equipamentos, cessão de uso da marca, treinamento dos funcionários e transmissão do know how para o desenvolvimento dos negócios e as prestadoras de serviços, por seu turno, teriam a obrigação de remunerar a Egali com parte direta de seus resultados, responsabilizando-se pela realização de toda a parte operacional de vendas, contratação no exterior e contratação de equipe; - que a estratégia definida tinha por objetivo permitir a evolução das prestadoras de serviços para oportunizar a futura criação de um sistema de franquias, quando, existindo histórico de sucesso, o objeto social da Egali passaria a ser a transformação em franqueadora para passar a vender o produto para demais empresas interessadas; ( ... ) Responsabilidade Tributária: da aplicabilidade dos artigos 124,135,136 e 137 do CTN - que os sócios-administradores da Egali não agiram com excesso de poder ou contrariamente ao contrato social, bem como não tinham interesse no fato gerador da obrigação tributária; - que a legitimidade passiva e, de forma sucessiva, a responsabilidade pelo pagamento da multa tributária, deve ser direcionada de forma exclusiva para a empresa Cassel Consultoria Gestão Estratégica de Tributos Ltda, que idealizou o sistema de prestação de serviços, ou seja, que operacionalizou todos os sistemas e que se beneficiou pelos fatos geradores; - que os sócios-administradores, à época da fundação da Egali, eram estudantes sem conhecimento na área do direito societário, tributário ou empresarial, razão pela qual buscaram assessoria da Cassel Consultoria, empresa renomada em Porto Alegre, para expansão do negócio; - que o objeto do contrato firmado entre a Egali e a Cassel consistia na “[...] realização de estudos de Planejamento Tributário Administrativo e orientação sobre legislação tributária e adequação da estrutura societária para a empresa e suas ligadas, coligadas e controladas, de forma a atender adequadamente a realidade de seus negócios, tendente à redução da carga fiscal”; - que restou definido que a remuneração da Cassel pelos serviços contratados seria aferida mediante aplicação de percentual de 20% sobre toda economia tributária gerada ao longo de 3 anos após a implantação de cada medida de planejamento tributário; - que a Cassel indicou a necessidade de mudança na empresa que prestava serviços contábeis; Fl. 1437DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 29 do Acórdão n.º 2201-009.297 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721408/2017-87 - que a Cassel recebeu da Egali, a título de honorários em razão do benefício gerado, mais de R$ 500.000,00; - que a Cassel também recebia parte de seus honorários por meio da empresa Raiway Serviços Administrativos Ltda; - que a Egali, “[...] com o amadurecimento dos sócios no campo empresarial, conjugado com informações de mercado obtidas ao longo do tempo, tão logo foi possível identificar o risco gerado pela consultoria prestada [...]”, optou por não renovar o contrato com a Cassel, assim como rescindiu contrato com a empresa de assessoria contábil indicada por esta; - que os artigos 135 e 137 do CTN atribuem responsabilidade pessoal ao agente executor dos atos com excesso de poderes ou infração à lei, de modo que, caso se entenda que as empresas não poderiam ter sido criadas, ou que a sua criação tenha sido como a única finalidade de burlar a lei, a Egali se tornou vítima e não agente da autuação fiscal; - que consta prescrito o elemento doloso da Cassel no momento em que orientou a Egali a buscar determinada assessoria contábil para implementar ‘planejamento’ societário e tributário e que foi remunerada de acordo com a suposta economia que gerou; Analisando os argumentos da recorrente, observa-se que a mesma quer se eximir de sua obrigação tributária, seja pelo argumento de que os sócios eram muitos jovens e imaturos, seja pela necessidade de que seja atribuída a responsabilidade tributária à empresa de consultoria, no caso a Cassel. Diante de todo este contexto, vê-se que não tem previsão legal para que se aceite os argumentos ora trazidos ao recurso, pois independente da idade e da responsabilidade dos terceiros eleitos pela contribuinte para a elaboração do planejamento tributário, tem-se que as convenções particulares não podem ser opostas ao fisco para fins de exclusão da responsabilidade tributária, como também, tem-se o fato de que a capacidade tributária independe da capacidade ou maturidade civil, sendo que estes argumentos não podem ser considerados para fins de exclusão da responsabilidade tributária. Conclusão Assim, tendo em vista tudo o que consta nos autos, bem como na descrição dos fatos e fundamentos legais que integram o presente, conheço do recurso, para NEGAR-LHE provimento. (assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita Fl. 1438DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 30 do Acórdão n.º 2201-009.297 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721408/2017-87 Fl. 1439DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10983.901057/2008-21
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PIS
Período de apuração: 01/05/2002 a 30/05/2002
Ementa:
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DILIGÊNCIA. COMPROVAÇÃO DE CRÉDITO. VERDADE MATERIAL.
Comprovada a existência de crédito, o pedido da contribuinte deve ser deferido.
Numero da decisão: 3401-001.697
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária do terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Nov 26 20:05:42 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
ementa_s : PIS Período de apuração: 01/05/2002 a 30/05/2002 Ementa: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DILIGÊNCIA. COMPROVAÇÃO DE CRÉDITO. VERDADE MATERIAL. Comprovada a existência de crédito, o pedido da contribuinte deve ser deferido.
numero_processo_s : 10983.901057/2008-21
conteudo_id_s : 5230151
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 23 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 3401-001.697
nome_arquivo_s : Decisao_10983901057200821.pdf
nome_relator_s : JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
nome_arquivo_pdf_s : 10983901057200821_5230151.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária do terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
id : 4579161
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Nov 26 20:09:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1717522854531039232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1586; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 110 1 109 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.901057/200821 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401001.697 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de fevereiro de 2012 Matéria Pedido de Compensação Recorrente Fundação Celesc de Seguridade Social Recorrida DRJ/Florianópolis SC Assunto: PIS Período de apuração: 01/05/2002 a 30/05/2002 Ementa: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DILIGÊNCIA. COMPROVAÇÃO DE CRÉDITO. VERDADE MATERIAL. Comprovada a existência de crédito, o pedido da contribuinte deve ser deferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária do terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Fernando Marques Cleto Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas De Assis, Odassi Guerzoni Filho e Adriana Oliveira e Ribeiro. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /04/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento transmitido por Dcomp em 31/03/2004, em decorrência de pagamento indevido ou a maior, a título de COFINS. A DRF em Florianópolis/SC indeferiu o pedido por despacho decisório eletrônico (fls. 05) em razão de não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados em PER/Dcomp. Irresignada, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade/Impugnação, alegando tão somente que é uma entidade fechada de previdência complementar, sem fins lucrativos com autonomia administrativa e financeira; e que deixou de retificar a DCTF nos períodos informados, o que ocasionou o despacho decisório, mas que em 30/05/2008 tomou tal providência no sentido de solucionar a diferença apresentada. A DRJ em Florianópolis/SC manteve a decisão da DRF, prolatando a seguinte ementa (fls. 11): “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A Contribuinte foi intimada da decisão da DRJ em 23/02/2010 (fls. 14) e interpôs Recurso Voluntário em 24/03/2010 (fls. 15/27) alegando, em resumo, o seguinte: 1. O crédito no valor original de R$ 26.195,78 é decorrente do pagamento a maior realizado em 14/06/2002; 2. A Recorrente constatou que, por um equívoco, deixou de retificar a DCTF, mas que em 30/05/2008 apresentou Manifestação de Inconformidade e informou a retificação demonstrando “existência inequívoca” do crédito pleiteado; 3. A compensação não poderia ter sido indeferida sob alegação de que a retificação da DCTF afasta a certeza e liquidez do crédito informado; 4. A decisão afronta os princípios da legalidade e da moralidade administrativa, além de configurar em ilícito do Estado; 5. A autoridade julgadora negou a homologação sem qualquer fundamento legal. Houve superficialidade na análise e ausência de motivação adequada, fatores que implicam em nulidade do acórdão; Fl. 111DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /04/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983.901057/200821 Acórdão n.º 3401001.697 S3C4T1 Fl. 111 3 6. Afirma que houve preenchimento equivocado da DCTF, na qual constou o montante de R$ 46.871,90, após, devidamente retificado para R$ 20.676,12; 7. Que utilizou o valor recolhido a maior para efetuar a compensação que ora se nega, pois o Fisco, sem realizar qualquer diligência, entendeu que a Recorrente não detinha crédito líquido e certo quando da compensação; 8. O direito ao ressarcimento do pagamento a maior nasce no exato momento do pagamento indevido e “independe de qualquer pronunciamento administrativo ou judicial, que terá natureza meramente declaratória, e não constitutiva.”. Ao final, pede a Recorrente que o Recurso Voluntário seja acolhido para determinar o retorno do processo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, devido à nulidade procedimental, ou ainda, em sendo o caso de julgamento de mérito deste Recurso, requer a reforma daquela decisão. Submetido ao CARF, o julgamento do presente processo foi convertido em diligência, fls. 65/66, nos seguintes termos: “Em face de todo o exposto e considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho a conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: a) Aferir a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) Informar se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) Informar se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; d) Elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados.” A DRF em Santa Catarina respondeu, respectivamente, aos quesitos formulados pelo CARF, fls 73: 1. À época do Despacho Decisório o crédito era improcedente, pois passou a existir com a retificação da DCTF, motivada pela nãohomologação da compensação. O valor do crédito corresponderia à diferença entre o débito indicado na DCTF antes da não homologação da Dcomp e o valor informado na retificadora; Fl. 112DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /04/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 2. Após a retificação da DCTF, a diferença ficou “desvinculada” e, através de consulta ao sistema SIEF, verificouse não haver outras Dcomp que tenham utilizado como crédito alguma parcela do DARF; 3. A alocação dos R$ 26.195,78 do débito compensado na Dcomp indica que o valor é suficiente para a compensação declarada. A Recorrente foi intimada do resultado da diligência em 09/03/2011 e manifestouse, às fls. 76/79: 1. O relatório da delegacia de origem confirmou a existência do crédito e em valor suficiente para a compensação, além de ter informado que o crédito não foi utilizado em outra Declaração de Compensação; 2. Reconhecido o direito através da diligência, a decisão que negou a homologação não pode subsistir; Ao final, reitera o pedido para que o Recurso Voluntário seja acolhido e a decisão, reformada. É o relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Inicialmente é imperativo esclarece que este processo foi apreciado, originalmente, pela 3a Turma Ordinária, da 4a Câmara, desta Terceira Seção do CARF. Após a realização de diligência e devolução dos autos, o processo foi distribuído para esta 1a Turma Ordinária, para este Conselheiro. Ultrapassado esse esclarecimento, passase à análise do caso: Como verificado pelo relatório, o cerne da questão consiste na existência ou não do crédito tributário utilizado na compensação. A perícia constatou que a Contribuinte protocolou o pedido de compensação com base em um DCTF, o qual levou a equipe fiscal concluir pela inexistência do crédito requerido. Após a emissão do despacho decisório, a Recorrente retificou o DCTF e, após a retificação, constatouse a existência de crédito suficiência para compensar o valor declarado no pedido de compensação. Muito embora a existência do crédito seja inequívoca, pois constatada em diligência pericial, devese analisar outra questão, qual seja: a retificação do DCTF após o despacho decisório. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /04/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983.901057/200821 Acórdão n.º 3401001.697 S3C4T1 Fl. 112 5 É certo que o § 1o, do art. 147, do CTN, dispõe que a retificação da declaração deve ocorrer antes da notificação do lançamento. Como a declaração de compensação é confissão de dívida, nos termos §6o, do art.74, da Lei nº 9.430/96, o lançamento, no caso, seria a homologação por meio do despacho decisório, ou seja, a Recorrente deveria apresentar a retificação antes da emissão do despacho decisório. Não obstante, entendo que essa regra deve ser flexibilizada, pois ela busca inibir erros dolosos na declaração, com o fim de ludibriar o fisco. No caso em tela, verificase que o erro na declaração excluiu os créditos da Recorrente, e não os do fisco, o que evidencia a falta de vontade de fraudar a arrecadação. Além disso, a processo administrativo deve prezar pela verdade material e uma vez constatada, por diligência, a existência de crédito em favor da Recorrente, não se pode indeferilos, sob pena de enriquecimento ilícito da União. Há de se destacar que, durante a ação fiscal que visou apurar o crédito, antes da emissão do despacho decisório, a própria autoridade fiscal já tinha condições de verificar o crédito da Contribuinte e não o fez. Diante dessas considerações, deve ser reconhecido o direito creditório e homologada as compensações efetuadas. Ex positis, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto, reconhecendo o direito creditório da Recorrente e homologando integralmente a compensação objeto do presente processo. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 114DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /04/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10240.900366/2008-77
Data da sessão: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3403-000.135
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Nov 26 20:05:42 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201010
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 10240.900366/2008-77
anomes_publicacao_s : 201010
conteudo_id_s : 6524696
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 24 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 3403-000.135
nome_arquivo_s : 340300135_10240900366200877_201010.pdf
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : MARCOS TRANCHESI ORTIZ
nome_arquivo_pdf_s : 10240900366200877_6524696.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
id : 4641522
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Nov 26 20:09:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1717522854667354112
conteudo_txt : Metadados => date: 2021-01-20T20:25:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; xmp:CreatorTool: CNC Capture; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: CNC Solution; dcterms:created: 2012-07-02T22:10:44Z; Last-Modified: 2021-01-20T20:25:03Z; dcterms:modified: 2021-01-20T20:25:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:666abddb-be34-4f95-ba3c-49b1ef780ac5; Last-Save-Date: 2021-01-20T20:25:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC Capture; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-01-20T20:25:03Z; meta:save-date: 2021-01-20T20:25:03Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-01-20T20:25:03Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solution; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solution; meta:author: CNC Solution; meta:creation-date: 2012-07-02T22:10:44Z; created: 2012-07-02T22:10:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2012-07-02T22:10:44Z; pdf:charsPerPage: 297; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: CNC Solution; producer: CNC Solution; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solution; pdf:docinfo:created: 2012-07-02T22:10:44Z | Conteúdo => Fl. 184RO PORTO VELHO DRF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.17322.I316. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 185RO PORTO VELHO DRF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.17322.I316. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 186RO PORTO VELHO DRF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.17322.I316. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 187RO PORTO VELHO DRF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.17322.I316. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 188RO PORTO VELHO DRF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.17322.I316. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 189RO PORTO VELHO DRF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.17322.I316. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento juntado ao processo decorrente de ato do servidor habilitado e reconhecido via certificado digital. Corresponde à fé pública do servidor. Histórico de ações sobre o documento: Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 20/01/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP20.0121.17322.I316 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: F9C390FA9F2A5F9CF61C592A80CC7083FB5598E7 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10240.900366/2008-77. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000922/2007-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2007
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO INFRAÇÃO
Consiste em descumprimento de obrigação acessória sujeita à multa
estabelecida em lei, a empresa cedente de mão de obra deixar de destacar nas notas fiscais/fatura de serviços emitidas contra a tomadora de serviços, o valor da retenção da contribuição referente aos 11% incidentes sobre os totais destas notas fiscais/faturas prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/1991, em sua redação atual
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-001.694
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Nov 26 20:05:42 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201104
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória sujeita à multa estabelecida em lei, a empresa cedente de mão de obra deixar de destacar nas notas fiscais/fatura de serviços emitidas contra a tomadora de serviços, o valor da retenção da contribuição referente aos 11% incidentes sobre os totais destas notas fiscais/faturas prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/1991, em sua redação atual Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 15983.000922/2007-52
conteudo_id_s : 6523296
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 22 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2402-001.694
nome_arquivo_s : Decisao_15983000922200752.pdf
nome_relator_s : ANA MARIA BANDEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 15983000922200752_6523296.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
dt_sessao_tdt : Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
id : 9070809
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Nov 26 20:10:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1717522855464271872
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1417; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 55 1 54 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15983.000922/200752 Recurso nº 266.832 Voluntário Acórdão nº 2402001.694 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2011 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente EMBRAPS EMPRESA BRASILEIRA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS S/C Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória sujeita à multa estabelecida em lei, a empresa cedente de mão de obra deixar de destacar nas notas fiscais/fatura de serviços emitidas contra a tomadora de serviços, o valor da retenção da contribuição referente aos 11% incidentes sobre os totais destas notas fiscais/faturas prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/1991, em sua redação atual Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes Presidente. Ana Maria Bandeira Relatora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000922/200752 Acórdão n.º 2402001.694 S2C4T2 Fl. 56 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo e Igor Araújo Soares. Ausentes os Conselheiros Lourenço Ferreira do Prado e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000922/200752 Acórdão n.º 2402001.694 S2C4T2 Fl. 57 3 Relatório Tratase de descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 31, § 1º da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 9.711/1998 c/c o art. 219, § 4º do Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa cedente de mãodeobra deixar de destacar onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 04/06), a auditoria fiscal verificou que havia divergência entre o valor do Vale Transporte destacado nas Notas Fiscais de Serviço para dedução da base de cálculo objeto da retenção prevista na Lei 9.711/98 e as importâncias constantes nas contas 460.0223 — Vale Transporte e 4.2.01.01.011 — Vale Transporte. Foi solicitado à empresa, por meio de TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos específico que esclarecesse a questão, uma vez que os valores líquidos contabilizados eram bem superiores aos valores líquidos das Folhas de Pagamento apresentadas. Também foram solicitados esclarecimentos a respeito da divergência apurada entre o valor do Vale Transporte destacado nas Notas Fiscais de Serviço para dedução da base de cálculo objeto da retenção prevista na Lei 9.711/98 e as importâncias constantes nas contas 460.0223 — Vale Transporte e 4.2.01.01.011 — Vale Transporte. Com essa última irregularidade apurada (Vale Transporte em valor bem superior nas Notas Fiscais de Serviço que o contabilizado) foi possível à auditoria fiscal obter a confirmação que as evidências já apontavam pela diferença do valor líquido da FP na Contabilidade, ou seja, parte do Vale Transporte é pago em dinheiro, mas não consta no histórico da contabilidade na conta Salários, como pagamento a título de Vale Transporte bem como não consta na Folha de Pagamento como proventos. Portanto, as contas relativas a Vale Transporte supracitadas não incorporam o ValeTransporte pago em dinheiro (em desacordo com a Lei 7.418/85). Quanto às importâncias constantes das Notas Fiscais de Serviço, que foram objeto de dedução da base de cálculo da Retenção e que não conferem com nenhum documento apresentado, foi esclarecido pela empresa que é apurada uma média para lançar nas NFS. A auditoria fiscal salienta que a legislação não contempla tal possibilidade de "média", mesmo que tais importâncias fossem realmente originárias de ValeTransporte pago em conformidade com a Lei 7.418/85. No entanto, a maior parte de tais valores se referem a pagamento em dinheiro, que integram o salário de contribuição e jamais poderiam ser objeto de informação nas Notas Fiscais de Serviço para redução da base de cálculo. A auditoria fiscal concluiu que o procedimento adotado, que impõe destaque da Retenção a menor, significa descumprimento da obrigação acessória e, portanto, constitui infração a Lei 8.212/1991, art. 31, parágrafo 1°, na redação dada pela Lei n° 9.711, de Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000922/200752 Acórdão n.º 2402001.694 S2C4T2 Fl. 58 4 20/11/1998, combinado com o art. 219, parágrafo 40, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. É informado que não constam Autos de Infração lavrados contra a empresa, em ações fiscais anteriores, bem como não ocorreram outras circunstâncias agravantes. A autuada foi intimada da autuação em 07/11/2007 e apresentou defesa (fls. 30/32) alegando que a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, DEVERÁ reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida. Dessa forma, conclui que a requerente não incorreu na infração apontada pela auditora fiscal, pois não é de sua competência reter o percentual de onze por cento e, sim, da empresa contratante dos serviços. Pelo Acórdão nº 1726.450 (fls. 39/42) a 9ª Turma da DRJ/São Paulo II (SP) considerou a autuação procedente. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 44/46), onde efetua a repetição das alegações de defesa. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000922/200752 Acórdão n.º 2402001.694 S2C4T2 Fl. 59 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A empresa alega tão somente que a obrigação de reter os 11% sobre o total da nota fiscal/fatura de serviços é da tomadora de serviços e não da cedente, no caso, a recorrente. Percebese que a recorrente está equivocada quanto às obrigações. De fato, a tomadora de serviços tem a obrigação de reter e recolher a contribuição, conforme dispõe o art. 31 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação atual, in verbis: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. Observase que a obrigação da tomadora de serviços não consubstancia em obrigação acessória, mas em obrigação principal. Não obstante a existência da obrigação principal a cargo da tomadora como substituta tributária, a lei atribuiu à empresa cedente de mão de obra a obrigação acessória de efetuar o destaque da retenção nas notas fiscais/faturas de serviços emitidas contra a tomadora de serviços. Conforme informado à recorrente, tal obrigação está prevista no art. 31, § 1º da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 9.711/1998 c/c o art. 219, § 4º do Decreto nº 3.048/1999, abaixo transcritos: Lei nº 8.212/1991 § 1o O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (g.n.) Decreto nº 3.048/1999 Art.219.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000922/200752 Acórdão n.º 2402001.694 S2C4T2 Fl. 60 6 trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) (...) §4º O valor retido de que trata este artigo deverá ser destacado na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, sendo compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa contratada quando do recolhimento das contribuições destinadas à seguridade social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados Diante do exposto e considerando tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 6DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11060.005919/2008-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/04/2007
CONTESTAÇÃO JUDICIAL DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PREVIDENCIÁRIA. DIREITO À COMPENSAÇÃO. NÃO PERMITIDO.
É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno.
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais.
JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE.
O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-001.725
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
dt_index_tdt : Fri Nov 26 20:05:42 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201105
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 30/04/2007 CONTESTAÇÃO JUDICIAL DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PREVIDENCIÁRIA. DIREITO À COMPENSAÇÃO. NÃO PERMITIDO. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 11060.005919/2008-67
anomes_publicacao_s : 201105
conteudo_id_s : 4872894
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 23 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2402-001.725
nome_arquivo_s : 2402001725_11060005919200867_201105.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : RONALDO DE LIMA MACEDO
nome_arquivo_pdf_s : 11060005919200867_4872894.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
id : 4741198
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Nov 26 20:09:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1717522855521943552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2071; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 823 1 822 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11060.005919/200867 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 2402001.725 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de maio de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS : PARCELA PATRONAL, SAT/GILRAT E TERCEIROS Recorrente COOPERATIVA TRITÍCOLA JÚLIO DE CASTILHOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 30/04/2007 CONTESTAÇÃO JUDICIAL DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PREVIDENCIÁRIA. DIREITO À COMPENSAÇÃO. NÃO PERMITIDO. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 601DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ana Maria Bandeira – Presidente em exercício. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Leôncio Nobre de Medeiros e Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Ausente o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Fl. 602DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 11060.005919/200867 Acórdão n.º 2402001.725 S2C4T2 Fl. 824 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, lavrado em face da sociedade empresária Cooperativa Tritícola Júlio de Castilhos Ltda, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativas às contribuições da parte patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas às outras Entidades (TERCEIROS), para o período de 01/2003 a 04/2007. O Relatório Fiscal do Auto de Infração de Obrigação Principal (fls. 598/599 – Volume III) informa que a empresa realizou compensação nas GFIP’s em decorrência de ter argüido na Justiça a inconstitucionalidade da contribuição sobre a comercialização da produção rural por meio processo no 1999.7100.01.10.92:9, passando, então, a efetuar a compensação mensal de 30% até 04/2007 de tal contribuição. Com isso, a auditoria fiscal procedeu a glosa desta compensação, o que gerou o presente lançamento fiscal. Esse Relatório Fiscal informa ainda que o credito foi apurado mediante as informações prestadas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP’s), resumos de folhas de pagamento, Guia de Recolhimento da Previdência (GPS) e nos sistemas informatizadas da Receita Federal do Brasil. Os valores originários das contribuições apuradas, as alíquotas utilizadas, os valores já recolhidos, as deduções legalmente permitidas e as diferenças existentes, descritos por competência e item de cobrança, constam do Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) no anexo “Discriminativo Analítico de Débito – DAD” (fls. 4/464). A base imponível é apresentada no “Relatório de Lançamentos” (fls. 268/384) e os fundamentos legais do débito afiguramse nas folhas 587/589. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 24/12/2008 (fls. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 601/620 – Volume IV), alegando, em síntese, que: 1. Ilegalidade/inconstitucionalidade da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural. Ingressou com a Ação Ordinária n° 1999.71.00.0104668 perante o juízo Federal de Porto Alegre, a qual no momento aguarda julgamento perante o Supremo Tribunal Federal; 2. Do direito à compensação. Em virtude do entendimento que o FUNRURAL é inconstitucional, bem como em razão da ação ajuizada, a autuada passou a compensar os valores correspondentes a esta exação com aqueles a titulo de contribuições incidentes sobre a folha de salários, com supedâneo na Lei n° 8.383/1991; Fl. 603DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 4 3. Da decadência de parte dos valores autuados. Na presente autuação, constam as competências 01/2003 a 12/2003, portanto, há mais de 05 anos da data do lançamento (art. 173, inciso 1, do CTN); 4. Dos valores correspondentes às competências compreendidas entre 08/2006 a 02/2007 que foram pagos. Os valores referentes a essas competências foram devidamente regularizados através de pagamento efetuado ao erário, conforme cópia das guias de recolhimento em anexo; 5. a utilização da taxa SELIC para a elaboração do cálculo de atualização dos tributos federais, demonstrase ilegal e notadamente onerosa ao contribuinte. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Santa Maria (RS) – por meio do Acórdão 1810.825 da 3a Turma da DRJ/STM (fls. 798/802 – Volume IV) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que acatou a decadência para as competências 01/2003 a 11/2003, implicando crédito remanescente de R$1.092.021,31 (um milhão, noventa e dois mil, vinte e um reais e trinta e um centavos), consolidado na mesma data do documento original (16/12/2008). A Notificada apresentou recurso (fls. 807/818 – Volume V), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados na notificação e no mais efetua repetição das alegações de defesa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria RS informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fls. 821/822). É o relatório. Fl. 604DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 11060.005919/200867 Acórdão n.º 2402001.725 S2C4T2 Fl. 825 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo (fl. 822). Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DO MÉRITO: Com relação ao direito de compensação, esclarecemos que tal compensação utilizada pela Recorrente não é permitida pela arcabouço jurídicotributário a seguir delineado. A Recorrente argumenta que se utilizou, para fins de compensação, dos valores que entende serem indevidos a título de FUNRURAL, pois estaria discutindo judicialmente esses valores por meio da Ação Ordinária n° 1999.71.00.0104668, cujo objeto é a ilegalidade ou inconstitucionalidade da contribuição decorrente da comercialização da produção rural realizada por produtores rurais pessoa física. Verificase que, no presente caso, tratase de tributo em que a Recorrente entende ser indevido pela invalidade da lei que o instituiu, Lei n° 8.540/1992. A compensação de créditos tributários darseá quando o valor do crédito for líquido e certo, vencido ou vincendo, e não estar sendo discutido judicialmente, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Além disso, o direito à compensação não é autoaplicável, depende de lei autorizadora que defina os casos em que o instituto será aplicado. A Lei Complementar no 104/2001 inovou ao trazer o art. 170A do Código Tributário Nacional (CTN), Lei no 5.172/1966, exigindo o trânsito em julgado da sentença para viabilizar a compensação tributária mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, in verbis: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (art. Acrescentado pela Lei Complementar n° 104, de 10 de janeiro de 2001). Diante do dispositivo acima, percebese que a legislação veda a compensação de créditos cuja repetição está sendo contestada judicialmente, que é o caso ora analisado. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem o mesmo entendimento sumulado pela impossibilidade de autorização da compensação por meio de liminar judicial: Súmula 212: A compensação de créditos tributários não pode ser deferida em ação cautelar ou por medida liminar cautelar ou antecipatória. Fl. 605DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 6 No período utilizado para a compensação pela Recorrente, a legislação previdenciária admitia apenas a restituição ou compensação de contribuição a cargo da empresa na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. Era o que preconizava o art. 89 da Lei n° 8.212/91: Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a seguridade social arrecada pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. A contribuição do segurado especial, que é objeto da exigência fiscal, tem previsão constitucional no § 8° do art. 195 da CF/88, in verbis: Art. 195. (...) § 8° O produtor, parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais e o pescador artesanal, bem como os respectivos cônjuges, que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes, contribuirão para a seguridade social mediante a aplicação de uma alíquota sobre o resultado da comercialização da produção e farão jus aos benefícios nos termos da lei. O art. 25 da Lei n° 8.212/1991 está vigente no ordenamento jurídico para dar suporte à cobrança da contribuição do segurado especial e à contribuição do produtor rural pessoa física: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea “a” do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). Estando a lei ainda em pleno vigor – no caso em tela as regras da Lei n° 8.212/1991 que dispõem sobre as contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, na redação dada pela Lei no 10.256/2001 – é necessário o ajuizamento pelo sujeito passivo de ação perante o Poder Judiciário, além do trânsito em julgado de decisão que lhe seja favorável para que se opere a compensação tributária nos termos do art. 170A do CTN. Por outro lado, se já houvesse declaração de inconstitucionalidade das regras estabelecidas por meio da Lei n° 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ou Resolução do Senado Federal a respeito do tema, ou se tratar de mero erro de cálculo, entendemos que seria possível a não aplicação do art. 170A do CTN, bem como também seria possível a aplicação das regras disposta no art. 66 da Lei n° 8.383/1991, registrada pela Recorrente na peça recursal (fls. 807/818 – Volume V), permitindose a compensação realizada pela Recorrente. É importante frisar que nenhuma dessas hipóteses retromencionadas foram encontradas no presente processo. Assim, não se conhece do pretenso crédito do contribuinte frente à seguridade social, sob o fundamento de ilegalidade/inconstitucionalidade, enquanto o mesmo não for definitivamente declarado inquinado com tal vício pelo Poder Judiciário, em decisão que lhe aproveite (extensiva a todos) ou de ato que lhe outorgue forma enunciativa “erga singulum”. Fl. 606DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 11060.005919/200867 Acórdão n.º 2402001.725 S2C4T2 Fl. 826 7 A Recorrente alega inconstitucionalidade do novo FUNRURAL, já que as alterações introduzidas pelo artigo 25 da Lei n° 8.212/1991, redação dada pela Lei n° 8.540/1992, afrontariam a Constituição Federal, criando uma nova contribuição para a Seguridade Social por lei ordinária e não por meio de lei complementar. Tal alegação não deve prosperar pelos fatos, pela legislação de regência e pela jurisprudência deste Conselho, todos a seguir delineados neste voto. No que diz respeito a alegação de que a Lei n° 8.540/1992 é inconstitucional e não poderia regulamentar dispositivos constitucionais, vale esclarecer que a própria Constituição Federal não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, conforme disposto no seu artigo 102, in verbis: Art. 102. compete ao supremo tribunal federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; (...) Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, ou seja, declarada suspensa pelo Senado Federal nos termos art. 52, X, da Constituição Federal, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, o Regimento Interno (RI) do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) veda aos membros de Turmas de julgamento afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, e o próprio Conselho uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 2 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), transcrito a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da Recorrente para reconhecer inconstitucionalidade do artigo 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n° Lei n° 8.540/1992. Além disso, esclarecemos que, no presente caso, foram aplicada as regras da Lei n° 8.212/1991, com as alterações supervenientes incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, na redação dada pela Lei no 10.256/2001. Esta Lei, por sua vez, alterou totalmente as regras estabelecidas pelo caput do artigo 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n° 8.540/1992. No que tange à arguição de inconstitucionalidade, ou ilegalidade, de legislação previdenciária que dispõe sobre a utilização taxa de juros (taxa SELIC), frise se que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei n° 8.212/1991. Isso está em Fl. 607DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 8 consonância com o enunciado nº 2 de Súmula do CARF retromencionado na análise da inconstitucionalidade da contribuição social previdenciária instituída pela Lei n° 8.540/1992. Esclarecemos que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois o art. 144 do CTN dispõe que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC) estava prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, transcrito abaixo: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento Fl. 608DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 11060.005919/200867 Acórdão n.º 2402001.725 S2C4T2 Fl. 827 9 similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando os valores descritos no lançamento fiscal, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária, eis que o art. 34 da Lei nº 8.212/1991 dispunha que as contribuições sociais não recolhidas à época própria ficavam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Isso está em consonância com o próprio art. 161, § 1°, do CTN, pois havendo legislação especifica dispondo de modo diverso, abrese a possibilidade de que seja aplicada outra taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa utilizada é a SELIC. LEI nº 5.172/1966 CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (g.n.) O disposto no art.161 do CTN não estabelece norma geral em matéria de legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei de igual status, não havendo necessidade de lei complementar. Ainda, conforme estabelece os arts. 34 e 35 da Lei n° 8.212/1991, a multa de mora é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Além disso, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. O art. 35 da Lei n° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Fl. 609DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 10 a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora Fl. 610DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 11060.005919/200867 Acórdão n.º 2402001.725 S2C4T2 Fl. 828 11 a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança da multa, estando os valores descritos no lançamento fiscal, bem como os seus fundamentos legais (fls. 587/589), em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária. Quanto ao argumento de que a multa aplicada tem caráter confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal, já que ela seria abusiva e desproporcional, e deveria ser relevada, razão não confiro ao Recorrente, já que a multa foi aplicada em conformidade à legislação tributáriaprevidenciária descrita acima. Ademais, conforme registramos anteriormente, a verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. Logo, essa verificação de que a multa aplicada vai de encontro ao princípio constitucional da isonomia e teria caráter confiscatório, ora pretendida pela Recorrente, exacerba a competência originária dessa Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Registramos que a vedação constitucional quanto ao caráter confiscatório se dá em relação ao tributo e não à multa pecuniária ora discutida pela recorrente, sendo esta última a apreciada no caso concreto. Nesse sentido preceitua o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988: Art. 150 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; Portanto, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei n° 8.212/1991, já que se trata de uma multa pecuniária. Não recolhendo na época própria o sujeito passivo tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Finalmente, pela análise dos autos, chegamos à conclusão de que o lançamento foi lavrado na estrita observância das determinações legais vigentes. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 611DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 12 Fl. 612DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 12269.001035/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/12/2006
AÇÃO JUDICIAL. LIMINAR CONCEDIDA EM MANDADO DE SEGURANÇA CONFIRMADA POR SENTENÇA. POSTERIOR CONCESSÃO DE EFEITO SUSPENSIVO A RECURSO EXTRAORDINÁRIO. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. PREVENÇÃO
DA DECADÊNCIA. A constituição do crédito tributário para a prevenção da decadência pode ser lavada a efeito, mesmo diante da concessão de medida liminar pelo Poder Judiciário, ficando sobrestados, pelo tempo que for válida a ordem, somente os atos tendentes a cobrança do crédito. Não obstante, no caso dos autos, o lançamento foi efetuado quando sequer o contribuinte
possuía ordem válida do Poder Judiciário desobrigando-o
do recolhimento das contribuições lançadas.
MANDADO DE SEGURANÇA. ESFERA ADMINISTRATIVA.
RENÚNCIA. A impetração de ação judicial, por qualquer modalidade, antes ou após o lançamento de ofício importa a renúncia da esfera administrativa.
Súmula CARF n. 01.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-001.720
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Nov 26 20:05:42 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201105
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 31/12/2006 AÇÃO JUDICIAL. LIMINAR CONCEDIDA EM MANDADO DE SEGURANÇA CONFIRMADA POR SENTENÇA. POSTERIOR CONCESSÃO DE EFEITO SUSPENSIVO A RECURSO EXTRAORDINÁRIO. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. A constituição do crédito tributário para a prevenção da decadência pode ser lavada a efeito, mesmo diante da concessão de medida liminar pelo Poder Judiciário, ficando sobrestados, pelo tempo que for válida a ordem, somente os atos tendentes a cobrança do crédito. Não obstante, no caso dos autos, o lançamento foi efetuado quando sequer o contribuinte possuía ordem válida do Poder Judiciário desobrigando-o do recolhimento das contribuições lançadas. MANDADO DE SEGURANÇA. ESFERA ADMINISTRATIVA. RENÚNCIA. A impetração de ação judicial, por qualquer modalidade, antes ou após o lançamento de ofício importa a renúncia da esfera administrativa. Súmula CARF n. 01. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 12269.001035/2009-41
anomes_publicacao_s : 201105
conteudo_id_s : 4872865
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 23 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2402-001.720
nome_arquivo_s : 2402001720_12269001035200941_201105.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : LOURENCO FERREIRA DO PRADO
nome_arquivo_pdf_s : 12269001035200941_4872865.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
id : 4741199
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Nov 26 20:09:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1717522855534526464
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1893; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 121 1 120 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12269.001035/200941 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 2402001.720 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de maio de 2011 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL. LANÇAMENTO EM TÍTULOS PRÓPRIOS. PAGAMENTOS A COOPERATIVAS DE TRABALHO. Recorrente ASSOCIAÇÃO GAÚCHA DOS SERVIDORES DO SENAI AGASE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 31/12/2006 AÇÃO JUDICIAL. LIMINAR CONCEDIDA EM MANDADO DE SEGURANÇA CONFIRMADA POR SENTENÇA. POSTERIOR CONCESSÃO DE EFEITO SUSPENSIVO A RECURSO EXTRAORDINÁRIO. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. A constituição do crédito tributário para a prevenção da decadência pode ser lavada a efeito, mesmo diante da concessão de medida liminar pelo Poder Judiciário, ficando sobrestados, pelo tempo que for válida a ordem, somente os atos tendentes a cobrança do crédito. Não obstante, no caso dos autos, o lançamento foi efetuado quando sequer o contribuinte possuía ordem válida do Poder Judiciário desobrigandoo do recolhimento das contribuições lançadas. MANDADO DE SEGURANÇA. ESFERA ADMINISTRATIVA. RENÚNCIA. A impetração de ação judicial, por qualquer modalidade, antes ou após o lançamento de ofício importa a renúncia da esfera administrativa. Súmula CARF n. 01. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ana Maria Bandeira – Presidente Substituta. Fl. 134DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Assinado digitalmente em 23/05/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 26/05/2011 por ANA MARIA BANDEIR A 2 Lourenço Ferreira Do Prado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, Leôncio Nobre de Medeiros, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Ausente o conselheiro Júlio César Vieira Gomes. Fl. 135DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Assinado digitalmente em 23/05/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 26/05/2011 por ANA MARIA BANDEIR A Processo nº 12269.001035/200941 Acórdão n.º 2402001.720 S2C4T2 Fl. 122 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por ASSOCIAÇÃO GAÚCHA DOS SERVIDORES DO SENAI, em face de acórdão que manteve a integralidade da multa lançada por meio do Auto de Infração 37.076.4900, por ter a recorrente deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias a seu cargo. Consta do relatório fiscal (fls. 06) que a recorrente não reconhece como despesa os valores pagos por serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, os quais foram lançados em conta transitória de passivo em contrapartida da conta de caixa e/ou bancos. A multa lançada compreende o período de 03/2000 a 12/2006, tendo sido o contribuinte cientificado em 29/11/2007 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 64/67) , o contribuinte interpôs o competente recurso voluntário de fls. 115/122, através do qual sustenta: 1. que impetrou o Mandado de Segurança n. 2000.71.00.0135463, na justiça federal de Porto alegre obtendo medida liminar, confirmada por sentença de mérito que a desobrigava do recolhimento da contribuição prevista no art. 22, IV da Lei 8.212/91, bem como determinava a abstenção da Fazenda nacional em tomar quaisquer medidas tendentes a cobrança da contribuição decorrente dos pagamentos efetuados a cooperativas de trabalhos médicos; 2. que a sentença de mérito fora cassada pelo TRF da 4a Região, contudo, a recorrente obteve a concessão de efeito suspensivo no Recurso Extraordinário interposto contra referido acórdão, no julgamento do mérito da AC 1.236, junto ao Supremo Tribunal Federal; 3. que por tais motivos, deve ser declarada a nulidade do Auto de Infração combatido, pela inobservância do disposto no art. 151, IV do CTN; 4. que o art. 1° da Lei n° 9.876/99 ao inserir o inciso IV ao art. 22 da Lei 8.212191(contribuição sobre serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho), instituiu uma nova fonte de custeio da seguridade social, ofendendo ao disposto no art. 195, I, "a" da Constituição Federal, por representar tributação de pagamentos efetuados a outra pessoa jurídica (cooperativa), quando o dispositivo constitucional prevê que tal exação só se legitima na ocorrência de vínculo jurídico com pessoa física e que feriu também o art. 154, I, por força do § 4°, do inciso II do art. 195 da Constituição Federal, pois a nova fonte de custeio deveria ter sido elaborada por meio de lei 5. que é inconstitucional o art. 22, IV, da Lei 8.212/91; Fl. 136DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Assinado digitalmente em 23/05/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 26/05/2011 por ANA MARIA BANDEIR A 4 Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 137DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Assinado digitalmente em 23/05/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 26/05/2011 por ANA MARIA BANDEIR A Processo nº 12269.001035/200941 Acórdão n.º 2402001.720 S2C4T2 Fl. 123 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Antes mesmo de adentrar ao mérito das alegações de defesa objeto do recurso voluntário, o contribuinte defende que o Auto de Infração deve ser anulado em razão da impetração de Mandado de Segurança Preventivo, sob o argumento da impossibilidade de lançamento em face daquilo o que disposto no art. 151, IV do CTN. Da verificação dos documentos juntados no Mandado de Segurança impetrado no ano de 2000, percebese que a liminar concedida o foi ainda no ano de 2000. A sua confirmação por sentença de mérito deuse em 2003. Já no ano de 2004 o TRF deu provimento a apelação da União e à remessa oficial, reformando a sentença antes favorável à recorrente para declarar a exigibilidade das contribuições em agosto de 2004. Foi apresentado RE em 2005, o qual fora devidamente admitido e está autuado no STF sob o n...... A parte impetrou, ainda, MC junto ao STF (Ac 2136) a qual foi provida no sentido de conferir efeito suspensivo ao Recurso Extraordinário impetrado, somente em setembro de 2008. Tal situação demonstra que no momento em que fora lavado a efeito o lançamento (2007), a recorrente não possuía nenhuma ordem emanada do Poder Judiciário que determinasse à Fazenda Nacional que se abstivesse de tomar quaisquer medidas de cobrança do crédito, ou mesmo quaisquer medidas tendentes a não prevenirse dos efeitos da decadência. Logo, não haviam empecilhos para que o crédito tributário objeto do presente Auto de Infração fosse lançado. Ademais, mesmo que assim não o fosse, ou seja, caso se entendessem válidos os efeitos da liminar e da concessão do efeito suspensivo ao Recurso Extraordinário impetrado, resta claro da jurisprudência pátria que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial não impossibilita a constituição do crédito tributário, mas apenas a sua cobrança, que no caso dos autos somente poderá ser levada a efeito após a decisão definitiva no Recurso Extraordinário impetrado pela empresa e que aguarda julgamento do Supremo Tribunal Federal. Confirase a propósito, recente julgado do Eg. Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. EXCEÇÃO DE PRÉ EXECUTIVIDADE. CAUSAS SUSPENSIVAS DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE ÓBICE. DECADÊNCIA. Fl. 138DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Assinado digitalmente em 23/05/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 26/05/2011 por ANA MARIA BANDEIR A 6 1. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito. Precedente: EREsp 572.603/PR, Rel. Min. Castro Meira, Primeira Seção, DJ 05/09/2005. 2. O lançamento do ISS referente aos meses de Janeiro a Setembro de 1991 somente ocorreu em 27 de junho de 2001. A liminar conferida em Mandado de Segurança, anteriormente impetrado pelo contribuinte, com a finalidade de ver reconhecida isenção quanto ao tributo não impede a fluência do prazo decadencial, apenas obstando a realização de atos de cobrança posteriores à constituição. Nesse sentido: REsp 1.140.956/SP, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 03/12/2010, julgado nos termos do artigo 543C do Código de Processo Civil. 3. Recurso especial provido. (REsp 1129450/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/02/2011, DJe 28/02/2011) Assim, não há qualquer nulidade a ser reconhecida. MÉRITO O presente caso tratase do lançamento de multa em razão da recorrente não ter lançado em títulos próprios de sua contabilidade, os valores pagos a cooperativas de trabalho médico, infração que em momento algum sustentou o contribuinte não ter cometido. Assim, a sua ocorrência é incontroversa nos autos. Ademais, ainda considerando a impetração do Mandado de Segurança Preventivo, verifico de sua petição inicial que o contribuinte formula os seguintes pedidos: (fls.107) : a) a concessão de medida liminar, inaudita altera parte, nos termos docpedido, visando ao sobrestamento, ainda que provisório, dos efeitos do inciso IV, do artigo 22, da Lei 8.212/91, introduzido pela Lei n° 9.876/99, e, ato contínuo, decretar a inexigibilidade da contribuição social de que trata o dispositivo inquinado, até decisão final de mérito do presente mandamus; c) sejam, afinal, no mérito, acolhidos os fundamentos de fato e de direito aqui alinhados, julgando procedente a presente ação mandamental, com a concessão definitiva da segurança reclamada, nos termos do pedido, declarando, incidenter tantum, a inconstitucionalidade do inciso IV, do artigo 22, da Lei n° 8.212/91 e, ipso facto, da multicitada contribuição social de que trata o aludido inciso IV, desobrigando a Impetrante do recolhimento daquela exação, em face da relação jurídica que mantém com a UNIMED, isto é, de pessoa jurídica para pessoa jurídica, restabelecendo, com efeito, a segurança normativa, então ofendida Fl. 139DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Assinado digitalmente em 23/05/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 26/05/2011 por ANA MARIA BANDEIR A Processo nº 12269.001035/200941 Acórdão n.º 2402001.720 S2C4T2 Fl. 124 7 Verifico também, que os contratos que ensejaram a cobrança das contribuições que pretende o contribuinte sejam declaradas inconstitucionais pelo Poder Judiciário, foram os realizados com a UNIMED PORTO ALEGRE — SOCIEDADE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO LTDA e UNIDONTO/RS — FEDERAÇÃO DAS COOPERATIVAS ODONTOLÓGICAS DO RIO GRANDE DO SUL LTDA, ou seja, os mesmos contratos que deram ensejo aos fatos geradores da multa objeto do presente Auto de Infração. Além do mais, toda a matéria trazida a discussão nos autos do Recurso voluntário são exatamente as mesmas objeto do Mandado de Segurança preventivo, de modo que a discussão levada a efeito nas duas esferas de julgamento é idêntica, o que atrai a incidência da Súmula CARF n. 01, a seguir: Súmula CARF n. 01 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 140DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Assinado digitalmente em 23/05/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 26/05/2011 por ANA MARIA BANDEIR A
score : 1.0
Numero do processo: 10820.001692/2007-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1992 a 30/09/2003
OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AVISO DE REGULARIZAÇÃO DE OBRA. NFLD SUBSTITUTIVA.
No caso da NFLD anterior ter sido anulada em decorrência do reconhecimento de erro formal, o lançamento poderá ser renovado nos termos e prazos do art. 173, II do CTN.
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08. ART. 173, I DO CTN.
É de 05 (cinco) anos o prazo para o lançamento de contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-001.689
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado, nos termos do artigo 173, I do CTN.
Nome do relator: IGOR ARAÚJO SOARES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Nov 26 20:05:42 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201104
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1992 a 30/09/2003 OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AVISO DE REGULARIZAÇÃO DE OBRA. NFLD SUBSTITUTIVA. No caso da NFLD anterior ter sido anulada em decorrência do reconhecimento de erro formal, o lançamento poderá ser renovado nos termos e prazos do art. 173, II do CTN. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08. ART. 173, I DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo para o lançamento de contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10820.001692/2007-98
conteudo_id_s : 5384928
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 22 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2402-001.689
nome_arquivo_s : Decisao_10820001692200798.pdf
nome_relator_s : IGOR ARAÚJO SOARES
nome_arquivo_pdf_s : 10820001692200798_5384928.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado, nos termos do artigo 173, I do CTN.
dt_sessao_tdt : Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
id : 5646188
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Nov 26 20:09:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1717522855859585024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1739; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 161 1 160 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10820.001692/200798 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 240201.689 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2011 Matéria CONSTRUÇÃO CIVIL: ARBITRAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES Recorrente JOSÉ LUIZ DAVATZ MENDES SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1992 a 30/09/2003 OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AVISO DE REGULARIZAÇÃO DE OBRA. NFLD SUBSTITUTIVA. No caso da NFLD anterior ter sido anulada em decorrência do reconhecimento de erro formal, o lançamento poderá ser renovado nos termos e prazos do art. 173, II do CTN. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08. ART. 173, I DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo para o lançamento de contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado, nos termos do artigo 173, I do CTN Júlio César Gomes Vieira Presidente. Igor Araújo Soares Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo e Igor Araújo Soares. Ausentes os Conselheiros Lourenço Ferreira do Prado e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 27/04/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, 28/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela JOSÉ LUIZ DAVATZ MENDES SILVA, irresignado com a Decisão Notificação de fls. 117/125, por meio do qual fora mantida a integralidade da NFLD n. 35.888.5000, lavrada para a cobrança de contribuições sociais parte da empresa e empregados, destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e terceiros, incidentes sobre o valor de mãodeobra arbitrada em obra de construção civil, em razão do recorrente não ter apresentado de forma regular o montante dos salários pagos para a execução da obra. Depreendese do relatório fiscal (fls. 07/09) que se trata de NFLD substitutiva, pois o lançamento efetuado na NFLD anterior foi considerado nulo por vício formal, em decorrência de não ter sido precedido de Mandado de Procedimento Fiscal válido. Não obstante, informa o relatório fiscal, que a presente NFLD foi lavrada com base no Aviso Para Regularização de Obra — ARO retificado, emitido pelo Setor de Arrecadação da Unidade de Atendimento da Receita Previdenciária em Andradina em 17/09/2003, pois restou comprovado que se tratava de obra inacabada, motivo pelo qual houve a necessidade de retificação do débito. Em seu recurso, defende o recorrente a decadência do direito de o fisco efetuar o lançamento, bem como que tanto a descrição e o relato contidos no relatório fiscal, não se coadunam aos fatos efetivamente ocorridos, configurandose, assim, ofensa ao disposto no art. 142 do CTN e ao princípio da verdade material. Acrescenta que o procedimento de arbitramento foi feito com inobservância do período de execução da obra e sem respeitar a realidade física da construção que não contém, como afirmado pelo fiscal, 02 pavimentos e 03 quartos, mas sim apenas 01 pavimento e 02 quartos, influenciando decisivamente no valor do CUB, afrontando o disposto no Art. 91 da IN INSS/DC no 69/2002, vigente à época. No aspecto temporal, sustenta o recorrente que apesar do lançamento dizer que a incidência da contribuição ocorre em Set/2003, em verdade, a obra, como já reiteradamente provado, foi iniciada em 1993 e está paralisada desde 1995. Finaliza argumentando que o ARO emitido pelo Setor de Arrecadação em 17/09/2003 é nulo e sem qualquer valor jurídico, por ter sido emitido por pessoa incompetente para a prática do ato e antes do início legal da ação fiscal. Enviado o processo a este Eg. Conselho, esta Eg. Segunda Turma determinou a conversão do julgamento em diligência, com a finalidade de obter elementos para saber inequivocamente quais os períodos em que a decadência já teria produzido os seus efeitos no lançamento anterior, que iniciavase em 1993. Requereuse, portanto, fosse esclarecido: a) quando exatamente o contribuinte foi cientificado da NFLD anulada; b) qual o valor das contribuições lançadas por cada competência, e não apenas o valor global para declaração, pois, para efeito da verificação da decadência, já que ela opera ou por períodos (de acordo com alguns), ou por exercício (de acordo com Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 27/04/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, 28/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10820.001692/200798 Acórdão n.º 240201.689 S2C4T2 Fl. 162 3 outros), não há como ter certeza dos valores decaídos se o lançamento não se reporta a nenhum desses elementos. Resposta da fiscalização às fls. 147/154, esclarecendo o seguinte: a que com o advento da Súmula Vinculante n. 08, e respeitado o período decadencial desta obra de construção civil, o cálculo foi refeito, o ARO foi retificado com a data da ciência do contribuinte para a NFLD anterior (04/03/2005), ratificando as demais informações, ou seja, conforme ARO de fls. 26, o início da obra ocorrido em 01/01/1993, e o término parcial da obra em 17/09/2003, (lembrando que aqui está sendo cobrado um percentual de 86% do total da obra conforme Laudo de Avaliação de fls. 23 a 25), o que resultou nos mesmos 129 meses de execução da obra, agora considerados como decadentes um total de 84 meses. Portanto, retificada a data da emissão do ARO para 04/03/2005, e mantidas as outras informações do ARO emitido anteriormente (fls. 26), esclarecemos que o valor originário devido pelo contribuinte em 04/03/2005 resultou em R$ 4.278,25 (fls. 150). b a ciência do contribuinte no que se refere à lavratura na NFLD anterior, de n. 35.598.7260, que foi anulada, ocorreu em 04/03/2005. (observar fls. 149); c que não há como declinar o valor, das contribuições previdenciárias para cada competência, tendo em vista tratarse de um valor total apurado através de AFERIÇÃO; d não é possível definir o que foi executado na obra em cada competência, a aferição engloba o período da obra, mas não trata individualmente das contribuições previdenciárias por competência. Intimado o contribuinte do resultado da diligência, quando, então, apresentou novo recurso voluntário de fls. 156/158, aduziu que o fiscal não cumpriu a diligência determinada por esta Turma, na medida em que o ARO não se reportou a data do fato gerador, requerendo, por fim, seja declarada a remissão do lançamento, nos termos da Lei 11.941/09, já que se trata de débito atualizado em valor inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). É o relatório Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 27/04/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, 28/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARMENTE Quanto ao pedido para o reconhecimento da decadência, há se de considerar que Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, quando, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91, foi determinada a edição da Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, cujo teor é o seguinte: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Logo, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004 (teor transcrito a seguir), o enunciado das Súmulas Vinculantes editadas e aprovadas pelo Eg. STF devem obrigatoriamente ser observados pelos órgãos da administração pública direta e indireta, como é o caso do CARF, confirase: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Em assim sendo, resta patente a necessidade de que para a contagem do prazo decadencial, em se tratando de lançamento por homologação, deverão ser aplicadas as regras dispostas pelo Código Tributário Nacional, seja a do art. 150, §4º, seja a do art. 173, I, cuja aplicação deverá ser verificada caso a caso, conforme tenha ou não havido antecipação, mesmo que parcial, do pagamento do tributo ou contribuição devida. No caso de ter havido antecipação, mesmo que parcial, deverá ser aplicado, para fins de contagem, o art. 150, §4º do CTN e quando não houve qualquer antecipação, deverá ser aplicado o art. 173, I. Tal orientação acerca da aplicação das regras de contagem do prazo decadencial, já fora inclusive objeto de análise e confirmação pelo Eg. Superior Tribunal de Justiça, quando do julgamento do RESP 973.733, julgado em 12/08/2009 , que se deu sobre o Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 27/04/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, 28/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10820.001692/200798 Acórdão n.º 240201.689 S2C4T2 Fl. 163 5 rito dos recursos repetitivos, com fundamento no art. 543B do Código de Processo Civil Brasileiro. Concluise, portanto, por força do art. 49 do RICARF, o qual determina que este Conselho “reproduza” as decisões já tomadas pelo STJ nos julgamentos de Recursos Repetitivos. No caso dos autos, tratase da aferição indireta de contribuições devidas pela realização de obra de construção civil. O período de realização da obra, conforme aponta o contribuinte, ora recorrente abrangeu os anos de 1992 a 1995, quando, então, esta fora paralisada, por incabada, ao passo em que, conforme apurou a fiscalização, referida obra fora finalizada, ainda por inacabada em setembro de 2003, data da emissão do ARO que fundamentou o presente lançamento, o qual restou devidamente retificado na data de ciência da NFLD substitutiva, ora sob julgamento, conforme informações constantes no resultado da diligência requerida por este Eg. Conselho. Ademais, ainda com o fito de analisar efetivamente qual fora o momento de finalização de obra, esteja acabada ou não, da verificação dos documentos colacionados nos autos, verificase que em se tratando da aferição indireta com base no CUB, o recorrente não logrou êxito em trazer elementos suficientes a demonstrar suas alegações de que a obra, de fato, estava paralisada desde 1995, situação esta que ensejaria, a meu ver, o reconhecimento da decadência para todo o período lançado. Por tais motivos, não vejo como outra conclusão possível, diante dos elementos constantes nos autos, a necessidade de considerarse que a obra de construção civil que ensejou a lavratura da NFLD perdurou até 09/2003, motivo pelo qual, será tal competência considerada como a última em que ocorreu o fato gerador das contribuições previdenciárias. A data da ciência do lançamento efetuado, por se tratar de NFLD substitutiva obedecerá o disposto no art. 173, II do CTN, remontando a data de 04/03/2005. Não obstante, há de se considerar outrossim, em se tratando de caso no qual estão sendo lançadas contribuições através do instituto da aferição indireta e nos autos não consta qualquer elemento ou informação firme acerca da realização de recolhimentos parciais durante o período de execução da obra, tanto que, conforme se verifica dos autos, o período do lançamento compreende todo aquele no qual fora executada a obra de construção civil, ou seja, desde o seu início, até sua conclusão, mesmo que parcial, resta claro a necessidade de aplicação do disposto no art. 173, I do CTN. Logo, de todos os períodos objeto do lançamento, tenho que estão decadentes as competências lançadas até 11/1999, inclusive, devendo ser considerados como não decadentes, apenas o período entre 12/1999 a 09/2003. Quanto as demais alegações constantes no recurso, tenho que as mesmas foram bem analisadas quando do julgamento de primeira instância, motivo pelo qual peço vênias para ao julgador relator para adotar seus fundamentos na oportunidade do presente julgamento: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 27/04/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, 28/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Por fim, quanto ao requerimento para o reconhecimento da remissão concedida pela Lei 11.941/09, tenho qual tal verificação deverá ser levada a efeito na própria DRJ de origem, antes mesmo da execução do presente julgado, após sua decisão transitada em julgado, quem de fato deterá todas as informações acerca dos valores devidos e atualizados, motivo pelo qual deixou de conhecer do recurso nesta parte. Ante todo o exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO apenas para acolher a preliminar de decadência declarando extinto o lançamento das competências anteriores a 11/1999, nos termos do art. 173, I, do CTN. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 27/04/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, 28/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 16832.000716/2009-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 05 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Nov 22 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2005 a 30/11/2005
CONTRIBUIÇÃO - SEGURIDADE SOCIAL - GANHO EVENTUAL - NÃO INCIDÊNCIA.
Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal firmado no julgamento da repercussão geral no RE nº 565160/SC, da interpretação conjunta entre disposto no artigo 201, caput e § 11 e no artigo 195, inciso I, a, da Constituição, só deve compor a base de cálculo da contribuição previdenciária as parcelas pagas com habitualidade, em razão do trabalho, e que, via de consequência, serão efetivamente passíveis de incorporação aos proventos da aposentadoria.
Desse modo, demonstrado que o valor pago ao segurado se trata de ganho eventual, sobre ele não incide contribuição previdenciária.
CONTRIBUIÇÃO - SEGURIDADE SOCIAL - VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA - NÃO INCIDÊNCIA.
Consideradas as expressões postas na CF/88 ao tratar da contribuição social, não se admite a sua incidência sobre verbas de natureza indenizatória, pois esses não estão abrangidos pelas expressões folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço (
) ou ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Se a finalidade das verbas indenizatórias é a simples recomposição do patrimônio do empregado, não há como enquadrá-las como salário, rendimentos ou ganhos.
Numero da decisão: 2402-010.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, em face do empate no julgamento, dar-lhe provimento parcial para excluir do lançamento os Levantamentos 236, 428, Z1 e 432, relativos aos valores pagos aos segurados empregados a título de ganho eventual/abono. Vencidos os Conselheiros Márcio Augusto Sekeff Sallem, Francisco Ibiapino Luz, Marcelo Rocha Paura e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcio Augusto Sekeff Sallem, Gregorio Rechmann Junior, Francisco Ibiapino Luz, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Marcelo Rocha Paura (suplente convocado), Ana Claudia Borges de Oliveira e Denny Medeiros da Silveira (Presidente).
Nome do relator: Renata Toratti Cassini
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Nov 26 20:05:42 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202110
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2005 a 30/11/2005 CONTRIBUIÇÃO - SEGURIDADE SOCIAL - GANHO EVENTUAL - NÃO INCIDÊNCIA. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal firmado no julgamento da repercussão geral no RE nº 565160/SC, da interpretação conjunta entre disposto no artigo 201, caput e § 11 e no artigo 195, inciso I, a, da Constituição, só deve compor a base de cálculo da contribuição previdenciária as parcelas pagas com habitualidade, em razão do trabalho, e que, via de consequência, serão efetivamente passíveis de incorporação aos proventos da aposentadoria. Desse modo, demonstrado que o valor pago ao segurado se trata de ganho eventual, sobre ele não incide contribuição previdenciária. CONTRIBUIÇÃO - SEGURIDADE SOCIAL - VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA - NÃO INCIDÊNCIA. Consideradas as expressões postas na CF/88 ao tratar da contribuição social, não se admite a sua incidência sobre verbas de natureza indenizatória, pois esses não estão abrangidos pelas expressões folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço ( ) ou ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Se a finalidade das verbas indenizatórias é a simples recomposição do patrimônio do empregado, não há como enquadrá-las como salário, rendimentos ou ganhos.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 22 00:00:00 UTC 2021
numero_processo_s : 16832.000716/2009-09
anomes_publicacao_s : 202111
conteudo_id_s : 6523494
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 22 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2402-010.497
nome_arquivo_s : Decisao_16832000716200909.PDF
ano_publicacao_s : 2021
nome_relator_s : Renata Toratti Cassini
nome_arquivo_pdf_s : 16832000716200909_6523494.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, em face do empate no julgamento, dar-lhe provimento parcial para excluir do lançamento os Levantamentos 236, 428, Z1 e 432, relativos aos valores pagos aos segurados empregados a título de ganho eventual/abono. Vencidos os Conselheiros Márcio Augusto Sekeff Sallem, Francisco Ibiapino Luz, Marcelo Rocha Paura e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcio Augusto Sekeff Sallem, Gregorio Rechmann Junior, Francisco Ibiapino Luz, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Marcelo Rocha Paura (suplente convocado), Ana Claudia Borges de Oliveira e Denny Medeiros da Silveira (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Oct 05 00:00:00 UTC 2021
id : 9070857
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Fri Nov 26 20:10:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1717522855896285184
conteudo_txt : Metadados => date: 2021-11-17T17:58:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-11-17T17:58:27Z; Last-Modified: 2021-11-17T17:58:27Z; dcterms:modified: 2021-11-17T17:58:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-11-17T17:58:27Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-11-17T17:58:27Z; meta:save-date: 2021-11-17T17:58:27Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-11-17T17:58:27Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-11-17T17:58:27Z; created: 2021-11-17T17:58:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2021-11-17T17:58:27Z; pdf:charsPerPage: 2570; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-11-17T17:58:27Z | Conteúdo => SS22--CC44TT22 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA EECCOONNOOMMIIAA CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 16832.000716/2009-09 RReeccuurrssoo Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 2402-010.497 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 5 de outubro de 2021 RReeccoorrrreennttee RÁDIO GLOBO ELDORADO LTDA. IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2005 a 30/11/2005 CONTRIBUIÇÃO - SEGURIDADE SOCIAL - GANHO EVENTUAL - NÃO INCIDÊNCIA. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal firmado no julgamento da repercussão geral no RE nº 565160/SC, da interpretação conjunta entre disposto no artigo 201, “caput” e § 11 e no artigo 195, inciso I, “a”, da Constituição, só deve compor a base de cálculo da contribuição previdenciária as parcelas pagas com habitualidade, em razão do trabalho, e que, via de consequência, serão efetivamente passíveis de incorporação aos proventos da aposentadoria. Desse modo, demonstrado que o valor pago ao segurado se trata de ganho eventual, sobre ele não incide contribuição previdenciária. CONTRIBUIÇÃO - SEGURIDADE SOCIAL - VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA - NÃO INCIDÊNCIA. Consideradas as expressões postas na CF/88 ao tratar da contribuição social, não se admite a sua incidência sobre verbas de natureza indenizatória, pois esses não estão abrangidos pelas expressões “folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço (…)” ou “ganhos habituais do empregado, a qualquer título”. Se a finalidade das verbas indenizatórias é a simples recomposição do patrimônio do empregado, não há como enquadrá-las como salário, rendimentos ou ganhos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, em face do empate no julgamento, dar-lhe provimento parcial para excluir do lançamento os Levantamentos 236, 428, Z1 e 432, relativos aos valores pagos aos segurados empregados a título de ganho eventual/abono. Vencidos os Conselheiros Márcio Augusto Sekeff Sallem, Francisco Ibiapino Luz, Marcelo Rocha Paura e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 07 16 /2 00 9- 09 Fl. 485DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-010.497 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16832.000716/2009-09 (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcio Augusto Sekeff Sallem, Gregorio Rechmann Junior, Francisco Ibiapino Luz, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Marcelo Rocha Paura (suplente convocado), Ana Claudia Borges de Oliveira e Denny Medeiros da Silveira (Presidente). Relatório Trata-se de auto de infração visando à constituição de crédito tributário de contribuições à seguridade social não recolhidas, correspondentes a contribuição do segurado empregado, não descontada pela empresa, incidentes sobre valores pagos pelo contribuinte a segurados empregados a título de ganho eventual/abono previsto em Convenção Coletiva de Trabalho ou em Acordo Coletivo de Trabalho (Levantamentos 236, 428, Z1 e 432), respeitando o limite máximo do salário de contribuição vigente à época, apuradas na folha de pagamento no período de março, maio, junho, julho e novembro de 2005. Notificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, bem sintetizada no relatório da decisão recorrida, nos seguintes termos: IMPUGNAÇÃO 3.1. O contribuinte foi cientificado pessoalmente aos 28/08/2009 (fls. 1), apresentando a defesa aos 29/09/2009, de fls. 43/50. 3.2. Alega a defendente 3.2.1. ilegalidade e inconstitucionalidade do lançamento. 3.2.2. os valores pagos aos empregados correspondem a abonos e ganhos eventuais previstos em normas coletivas, portanto, de cumprimento obrigatório pelo interessado, motivo pelo qual devem ser enquadrados na hipótese de isenção prevista no art. 214, parágrafo 9°, V, “j” do Regulamento da Previdência Social, aprova pelo Decreto 3.048/99. Até porque o art. 28°, parágrafo 9°, e.7 da lei 8.212/91 não impõe como requisito para isenção que o abono seja instituído por lei, bastando que seja expressamente desvinculado do salário. 3.2.3. estes mesmos valoresnão têm natureza salarial, não tem habitualidade, não tem natureza contra prestativa e não é passível (sic) de incorporação ao salário. 3.2.4. , a Convenção Coletiva de Trabalho prevê expressamente que o abono pago não tem natureza salarial. 3.2.5. confusão na aplicação da multa moratória e da multa de oficio. A 4ª turma da DRJ/RJ1 julgou a impugnação improcedente, em decisão assim mentada: Fl. 486DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-010.497 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16832.000716/2009-09 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2005 a 30/11/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DOS SEGURADOS EMPREGADOS PARA A SEGURIDADE SOCIAL. INCIDÊNCIA SOBRE ABONOS PAGOS PELO EMPREGADOR. É devida a contribuição previdenciária dos segurados empregados sobre os abonos pagos pelo empregador (art.20, 28, I da Lei 8.212/91). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificado dessa decisão aos 29/06/10 (fls. 429), o contribuinte interpôs recurso voluntário aos 29/07/10 (fls. 430 ss.), no qual reitera os argumentos de defesa apresentados em primeira instância de julgamento. Não houve contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini, Relatora. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos formais de admissibilidade, pelo que dele conheço. Trata-se de auto de infração visando à constituição de crédito tributário de contribuições à seguridade social não recolhidas, correspondentes a contribuição do segurado empregado, não descontada pela empresa, incidentes sobre valores pagos pelo contribuinte a segurados empregados a título de ganho eventual/abono previsto em Convenção Coletiva de Trabalho ou em Acordo Coletivo de Trabalho (Levantamentos 236, 428, Z1 e 432), respeitando o limite máximo do salário de contribuição vigente à época, apuradas na folha de pagamento no período de março, maio, junho, julho e novembro de 2005. Notificado do lançamento, a impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente pela DRJ/RJ1 e, em seu recurso voluntário, o contribuinte reitera os argumentos de defesa apresentados em primeira instância de julgamento, alegando que: (a) realizou os pagamentos a título de abonos/ganhos eventuais em decorrência de determinação expressa contida em Convenção Coletiva de Trabalho e em Acordo Coletivo de Trabalho, cujo descumprimento o sujeita pena de multa, nos termos do art. 622 da CTL. Os pagamento em questão, portanto, decorrem de lei lato sensu, e não de liberalidade ou gratificação unilateral de sua parte, e não são passíveis de incidência de contribuição social, nos termos do art. 28, § 9º, “e”, item 7 da Lei nº 8212 e do entendimento do STJ a respeito da matéria. Acrescenta que o valor pago pela aos seus empregados em cumprimento à Convenção Coletiva de Trabalho não tem natureza salarial, nem habitualidade e também não é passível de Fl. 487DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-010.497 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16832.000716/2009-09 incorporação ao salário. Afirma que se trata de valor desvinculado do salário, na medida em que não há nenhuma contraprestação por parte dos empregados; e (b) que a multa aplicada está equivocada, uma vez que a multa prevista no art. 35- A da Lei 8212/91, incluído pela Lei nº 11941/09, não se aplica ao presenta caso por força do princípio da irretroatividade, e a multa prevista no art. 35, II da Lei nº 8212/91, que embasa a multa cobrada já não se encontrava mais vigente deste a publicação da MP 449/08; e (c) por fim, requer a reforma da decisão recorrida para que sejam inteiramente cancelados os lançamentos. Pois bem. Do abono/ganho eventual pago em decorrência de Convenção Coletiva e/ou Acordo Coletivo de Trabalho. Sobre os valores pagos pelo contribuinte a esse título, relata a autoridade autuante no Relatório do Auto de infração que: (...) 13.Verificamos que as remunerações recebidas pelos segurados empregados da empresa mencionadas nos itens 10, 11 e 12 acima [Levantamentos 236, 428, Z1 e 432] estão vinculados ao salário recebido por cada segurado. Verificamos, também, que esses valores não foram instituídos por lei. Assim, conforme expresso no artigo 214 do decreto 3.048, de 06 de maio de 1999, relacionado abaixo, consideramos essas rubricas como base de cálculo da contribuição dos segurados empregados e procedemos ao cálculo da contribuição de segurado, conforme planilha anexa. “Art. 214... ... § 9 Não integram o salário-de-contribuição, exclusivamente: ... V – as importâncias recebidas a título de: ... j) ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados da salário por forca de lei: (Redação dada pelo Decreto n“3.265 de 1999)” (grifo nosso) O julgador “a quo” ratificou o entendimento da autoridade fiscal autuante, entendendo que da Convenção e do Acordo coletivos que embasaram o pagamento, ... (...) 10.6. Nota-se, destarte, que os valores pagos a título de GANHO EVENTUAL ou ABONO demonstra (sic) inequivocamente a periodicidade anual do pagamento da verba. Presente está a habitualidade, uma vez que o pagamento da verba está ajustado expressamente nas Convenções Coletivas de Trabalho, conferindo ao empregado o direito subjetivo de exigir o seu pagamento. 10.7. Por sua vez, o caráter contra prestativo da verba é evidente, já que a verba só é paga aos empregados da notificada, em decorrência do contrato de emprego entre eles celebrado. 10.8. O parágrafo 9°, alínea “e”, item 7, do art. 28 da lei 8.212/91, na redação dada pela MP n° 1.586-9, de 21/05/98, reeditada e posteriormente Fl. 488DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-010.497 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16832.000716/2009-09 convertida na Lei n° 9.711/98, dispõe que não integram o salário-de- contribuição, para efeitos de incidência das contribuições devidas à Seguridade Social, as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário. Esta desvinculação, obviamente, só pode ser feita por Lei federal, conforme art.214, parágrafo 9°, “j” do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, tendo em vista que somente esta espécie normativa tem o condão de excluir da base de cálculo das contribuições previdenciárias verbas de natureza salarial: (...). (Destaquei) Em suma, embora reconhecendo o caráter indenizatório da verba em questão e que se trata de ganho eventual (“...a referida verba tem natureza jurídica de abono, para compensar perdas salariais anteriores. Trata-se de um ganho eventual instituído por norma coletiva ou regulamento da empresa para indenizar perdas salariais, via de regra, em decorrência da inflação e da demora do reajuste salarial, tendo, portanto, natureza jurídica de abono”), o julgador “a quo” entendeu estar presente a habitualidade, em decorrência da periodicidade anual do pagamento e de estar previsto em norma coletiva de trabalho. Acrescenta que somente gozam da isenção prevista no art. 28, § 9º, “e”, item 7 da Lei nº 8212/91 os abonos expressamente desvinculados de salário por força de Lei Federal, conforme prevê o art. 214, § 9º, “j” do Decreto nº 3048/99. Dispõe o art. 20, “caput”, da Lei nº 8212/91 que: Art. 20. A contribuição do empregado, inclusive o doméstico, e a do trabalhador avulso é calculada mediante a aplicação da correspondente alíquota sobre o seu salário-de- contribuição mensal, de forma não cumulativa, observado o disposto no art. 28, de acordo com a seguinte tabela:(Redação dada pela Lei n° 9.032, de 28.4.95)(Vide Lei Complementar nº 150, de 2015) O art. 28, I, da mesma lei, por seu turno, dispõe: Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97); (...) § 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) e) as importâncias:14(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) Fl. 489DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-010.497 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16832.000716/2009-09 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário;(Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998) (...). Nesse ponto, necessário esclarecer que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE nº 565160/SC, que teve repercussão geral reconhecida visando esclarecer o alcance da expressão “folha de salários”, contida no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, para fins de incidência de contribuições previdenciárias (Tema 20), manifestou-se no sentido de que ... antes mesmo da vinda à balha da Emenda nº 20, já se tinha o versado no artigo 201, então § 4º – posteriormente tornou-se o § 11 –, a sinalizar que “os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei”. Nem se diga que esse dispositivo estaria ligado apenas à contribuição do empregado, porquanto não tem qualquer cláusula que assim o restrinja. Encerra alusão à contribuição previdenciária. Então, cabe proceder à interpretação sistemática dos diversos preceitos da Constituição Federal. Se, de um lado, o artigo 195, inciso I, nela contido disciplinava, antes da Emenda nº 20/1998, o cálculo da contribuição devida pelos empregadores a partir da folha de salários, estes últimos vieram a ser revelados, quanto ao alcance, pelo citado § 4º – hoje § 11 – do artigo 201. Pelo disposto, remeteu-se à remuneração percebida pelo empregado, ou seja, às parcelas diversas satisfeitas pelo tomador dos serviços, exigindo-se, apenas, a habitualidade. O art. 201, § 11 da CF, dispõe, por seu turno, que: Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma do Regime Geral de Previdência Social, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, na forma da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019) (...) § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei.(Incluído dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (Destaquei) Extrai-se, assim, da decisão proferida no mencionado RE nº 565160/SC, que a habitualidade é requisito para que sobre os ganhos auferidos pelo segurado incidam as contribuições previdenciárias. Pois bem. No presente caso, entendeu o julgador de primeira instância, como dito, que embora a verba questionada nestes autos se trate de ganho eventual, estaria presente, no caso, a habitualidade, em decorrência da periodicidade anual do pagamento e de estar previsto em norma coletiva de trabalho. No entanto, conforme ensina a doutrina, “habitual é tudo aquilo que tem repetição frequente. Logo, podemos considerar que uma parcela é habitual quando ela se repete metade ou mais da metade de um período. O conceito de período depende da parcela que se pretende pagar. Desse modo, o período pode ser a semana (RSR), o ano civil (13º salário), o ano de Fl. 490DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-010.497 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16832.000716/2009-09 vigência do contrato (férias), os 12 meses que antecedem a despedida (aviso prévio e parcelas da rescisão)” 1 No presente caso, a Convenção Coletiva e o Acordo Coletivo de Trabalho que embasaram os pagamentos questionados têm periodicidade anual e bienal, respectivamente. No primeiro caso, o prazo de vigência da Convenção é expresso na Cláusula 60ª do documento, nos seguintes termos: “Cláusula 60ª - VIGÊNCIA - As cláusulas e condições da presente Convenção Coletiva vigorarão de 1° de outubro de 2005 até 30 de setembro de 2006” (fls. 88 – destaquei). O Acordo Coletivo, por seu turno, não tem prazo de vigência expresso, mas dado que, no termos do § 3º do art. 614 da CLT, “não será permitido estipular duração de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho superior a dois anos...”, o prazo máximo de validade que se lhe pode atribuir é de 2 anos. Nesse sentido, tanto um como outro documento deixam claro que o pagamento dos abonos aqui questionados foi efetivado uma única vez em cada período, o que é reconhecido pelo próprio julgador “a quo” quando afirma que “os valores pagos a título de GANHO EVENTUAL ou ABONO demonstra (sic) inequivocamente a periodicidade anual do pagamento da verba” (Destaquei). Assim, diferentemente do entendimento manifestado na decisão recorrida e de acordo com o ensinamento da melhor doutrina, acima exposto, não se há falar em “habitualidade” de tais pagamentos que, foram, de fato, eventuais, dado que ocorreram uma única vez no período. Desse modo, tratando-se de verba cujo pagamento, inquestionavelmente, foi eventual, não revestido, portanto, do requisito da habitualidade, sobre ela não incidem contribuições previdenciárias. Acresça-se a isso que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, reconhecendo que “o STJ consagra, de modo pacífico, o entendimento no sentido de que o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, sendo desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não sofre a incidência de contribuição previdenciária” 2 (destaquei), editou o ATO DECLARATÓRIO PGFN nº 16, DE 20 DE DEZEMBRO DE 2011, no qual ...declara que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária". Esse entendimento, nos termos do que disposto no art. 62,§ 1º, “c” do RICARF, é de observância obrigatória pelos membros das turmas de julgamento que integram este Conselho. Acrescente-se, por fim, que como também expressamente reconhecido pelo julgador “a quo”, a verba aqui questionada tem natureza indenizatória: 1 CASSAR, Vólia Bomfim. DIREITO DO TRABALHO: de acordo com a reforma trabalhista. Rio de Janeiro: Forense, São Paulo: Método, 2018, p. 845/846. 2 PARECER PGFN/CRJ/nº 2114 /2011 Fl. 491DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-010.497 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16832.000716/2009-09 ...conclui-se que a referida verba tem natureza jurídica de abono, para compensar perdas salariais anteriores. Trata-se de um ganho eventual instituído por norma coletiva ou regulamento da empresa para indenizar perdas salariais, via de regra, em decorrência da inflação e da demora do reajuste salarial, tendo, portanto, natureza jurídica de abono. (Destaquei) Desse modo, também por essa razão, sobre ela não incidem contribuições à Seguridade Social, uma vez que, conforme jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal Federal 3 e do Superior Tribunal de Justiça 4 , as importâncias pagas a título de indenização não correspondem a serviços prestados, nem ao tempo à disposição do empregador.' Veja-se, a respeito, trecho do voto proferido pela Min. Carmen Lúcia no mencionado RE nº 565160/SC: (...) 13. Consideradas as expressões postas na Constituição da República ao tratar da contribuição social, não se pode admitir que sua incidência se dê sobre verbas de natureza indenizatória, pois essas não estão abrangidas pelas expressões “folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço (…)” ou “ganhos habituais do empregado, a qualquer título”. Se a finalidade das verbas indenizatórias é a simples recomposição do patrimônio do empregado, não há como enquadrá-las como salário, rendimentos ou ganhos. Nesse sentido, ao deferir a medida cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade n. 1.659 (Relator o Ministro Moreira Alves, Tribunal Pleno, DJ 8.5.1998), o Plenário deste Supremo Tribunal seguiu, por unanimidade, o voto do Relator no sentido de que as parcelas de caráter indenizatório não integram a definição de salário, nem a incorporação a ele determinada pela norma originária do art. 201, § 4º, da Constituição da República: “Por outro lado, no tocante à segunda parte do parágrafo em causa [referindo- se ao § 2º do art. 22 da Lei nº 8212/91, na redação dada pela MP nº 1523-14] (‘bem como as parcelas denominadas indenizatórias pagas ou creditadas a qualquer título, inclusive em razão da rescisão do contrato de trabalho, ressalvado o disposto no § 9º do art. 28’), é também relevante, com maio razão de ser – e isso porque as verdadeiras indenizações, por sua natureza, não integram o salário em sentido técnico nem a incorporação a ele determinada pelo § 4º do artigo 201 da Constituição, e as falsas (com que as informações justificam a constitucionalidade do preceito) não serão indenizações –,a fundamentação jurídica da arguição de sua inconstitucionalidade, não cabendo igualmente aqui interpretação conforme à Constituição, pois é manifesto que o dispositivo quer alcançar todas as indenizações (‘pagas ou creditadas a qualquer título’), exceto as que expressamente vêm excluídas na enumeração do § 9º do artigo 28 da Lei 8.212 na sua redação original ou alterada”. (...) Por todas essas razões, entendo que não incidem contribuições previdenciárias sobre o valor pago pelo contribuinte aos segurados empregados a título de abono/ganho eventual, objeto dos Levantamentos 236, 428, Z1 e 432, que devem ser excluídos do lançamento. Da multa mais benéfica 3 ADI/MD nº 1659. 4 REsp nº 1902565 / PR, dentre vários outros no mesmo sentido, inclusive citados nesse julgado. Fl. 492DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-010.497 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16832.000716/2009-09 De acordo com o informado no Relatório do Auto de Infração, no presente caso, tendo em vista que as infrações praticadas são decorrentes de fatos geradores ocorridos anteriormente a 04/12/2008, data da entrada em vigor da MP n° 449/2008, a multa aplicada observa o princípio da retroatividade benigna (Código Tributário Nacional - CTN, art. 106, inc. II, c). Assim, a multa mais benéfica foi apurada pela autoridade fiscal autuante mediante a comparação, em cada competência, entre a multa imposta pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador e a imposta pela legislação superveniente. A esse respeito, o recorrente alega em seu recuso que a multa aplicada está equivocada, pois a multa cobrada pela autoridade lançadora “já se encontrava revogada quanto da lavratura da autuação. Nesse sentido, alega que a multa prevista no art. 35-A da Lei 8212/91, incluída pela Lei nº 11941/09, não se aplica ao presenta caso por força do princípio da irretroatividade da lei nova, e a multa prevista no art. 35, II da Lei nº 8212/91, já não se encontrava mais vigente deste a publicação da MP 449/08. Pois bem. Os fatos geradores objeto do presente auto de infração estão compreendidos entre os meses de fevereiro a agosto, e outubro e novembro de 2005. Portanto, a legislação vigente à época que dispunha sobre a multa no presente era o art. 35, II da Lei nº 8212/91. Nesse ponto, importante observar que nos termos do art. 144, “caput” do CTN dispõe que “o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”. Desse modo, para que determinada legislação seja aplicável a um dado lançamento, o que importa é que esteja vigente na data da ocorrência do fato gerador, e não na data da lavratura do auto de infração. Assim, a legislação que rege a multa aplicável ao presente caso é o art. 35 da Lei nº 8212/91, na redação anterior às alterações introduzidas pela MP Nº 449/08, disciplina essa que somente prevalece em face daquela primeira nos casos em que a nova penalidade seja mais benéfica em relação à prevista naquela legislação por força do que dispõe o art. 106, II, “c” do CTN. E foi exatamente nesses termos que procedeu à autoridade autuante que, por força do que determina esse último dispositivo legal, procedeu à comparação, por competência, das multas aplicadas à luz da MP 449 e também pela ótica da legislação anterior, de modo a apurar qual a legislação mais benéfica ao contribuinte em cada caso, o que resultou nas tabelas 1 e 2 constantes do Relatório do Auto de Infração, a fls. 70/71. Esse procedimento, aliás, está de acordo com entendimento pacífico deste Conselho sobre o tema, expresso no enunciado de nº 119 da súmula de sua jurisprudência, de teor vinculante, nos seguintes temos: Enunciado CARF nº 119: No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 493DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2402-010.497 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16832.000716/2009-09 Desse modo, não há nenhum reparo a ser feito quanto a esse ponto. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir dos lançamentos os Levantamentos 236, 428, Z1 e 432, relativos aos valores pagos aos segurados empregados a título de ganho eventual/abono. (documento assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Fl. 494DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10240.900372/2008-24
Data da sessão: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3403-000.130
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Nov 26 20:05:42 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201010
numero_processo_s : 10240.900372/2008-24
conteudo_id_s : 6524192
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 23 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 3403-000.130
nome_arquivo_s : Decisao_10240900372200824.pdf
nome_relator_s : MARCOS TRANCHESI ORTIZ
nome_arquivo_pdf_s : 10240900372200824_6524192.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
id : 9071745
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Nov 26 20:10:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1717522856120680448
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-01-12T12:07:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2506197_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2011-01-12T12:07:18Z; Last-Modified: 2011-01-12T12:07:18Z; dcterms:modified: 2011-01-12T12:07:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2506197_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:20633cb5-ed4c-43cd-966f-7312cc2cf0a3; Last-Save-Date: 2011-01-12T12:07:18Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2011-01-12T12:07:18Z; meta:save-date: 2011-01-12T12:07:18Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2506197_0.doc; modified: 2011-01-12T12:07:18Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2011-01-12T12:07:18Z; created: 2011-01-12T12:07:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2011-01-12T12:07:18Z; pdf:charsPerPage: 1942; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2011-01-12T12:07:18Z | Conteúdo => S3-C4T3 Fl. 153 1 152 S3-C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10240.900372/2008-24 Recurso nº 518.297 Resolução nº 3403-00.130 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 28 de outubro de 2010 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente TERMO NORTE ENERGIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Antonio Carlos Atulim – Presidente Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Relatório O recurso voluntário em julgamento tem origem em declaração de compensação, transmitida por meio do programa PER/DCOMP em 27.02.2004, através da qual a recorrente extinguiu débitos tributários federais oferecendo, em contrapartida, afirmados créditos resultantes de pagamentos a maior da COFINS, apurada com base no fato gerador praticado em 30 de setembro de 2003. Na DRF-Porto Velho/RO, a homologação da compensação foi recusada sumariamente, por meio do despacho decisório mecânico de fls. 6, não precedido de qualquer providência investigativa ou mesmo de intimação que oportunizasse à interessada a produção de prova quanto à existência e ao montante do crédito alegado. Sintética fundamentação exposta no quadro 3 do decisum elucida que o resultado decorreu – apenas – da transmissão da DCOMP sem prévia retificação da DCTF pertinente ao período de apuração do suposto indébito. É dizer: tendo apurado o montante de COFINS a pagar naquela competência e efetuado regularmente o recolhimento correspectivo, o sujeito passivo refez os cálculos da base Fl. 161DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.17246.KSQB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10240.900372/2008-24 Resolução n.º 3403-00.130 S3-C4T3 Fl. 154 2 imponível do tributo e verificou ter promovido pagamento a maior. Transmitiu, então, a declaração de compensação indicando, como crédito, o suposto excesso, sem, todavia, corrigir a DCTF já entregue, a fim de reduzir o débito confessado aos novos valores. Foi no que se apegou a DRF para recusar a homologação, ao argumento de que, sem retificação, a quantia recolhida permanecia integralmente alocada para quitação da própria COFINS de setembro de 2003. Irresignada, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 8/12). Falando pela primeira vez nos autos, relatou que o indébito provinha do equívoco de ter inicialmente acrescido à base de cálculo do tributo a receita de venda de energia elétrica a sociedades de economia mista antes que o respectivo recebimento se desse, conforme lhe facultava o artigo 7 o , da Lei no. 9.718/98. Trouxe aos autos a DCTF retificada posteriormente à intimação do despacho decisório e também a DIPJ relativa ao ano-calendário do fato gerador e tempestivamente entregue, na qual, segundo afirma, teria informado corretamente o tributo devido. Mais importante que isso, porém, advogou infração aos princípios da verdade material e do formalismo moderado no procedimento da autoridade preparadora, eis que, realmente, a negativa veio antes que a existência e o montante do crédito fossem minimamente investigados. Sobreveio, na sequência, aresto da DRJ-Belém/PA desprovendo a manifestação de inconformidade (fls. 93/96). Repetiu-se o fundamento do despacho decisório, acrescentando-se, ainda, que o sujeito passivo, tendo tido a ocasião para documentar a existência do crédito alegado, disperdiçara a oportunidade sem se desincumbir do respectivo ônus. No recurso voluntário manejado, a recorrente, então, procurou detalhar as etapas do procedimento de apuração da base imponível da exação para o período em consideração e, com isso, demonstrar o indébito cujo reconhecimento pretende. Com a peça, trouxe também, além da guia DARF comprobatória do recolhimento supostamente excessivo e das DCTFs original e retificadora, cópia de balancete patrimonial levantado para 30 de setembro de 2003 (fls. 139/149) e de trecho do Livro Razão onde escrituradas operações do período (fls. 150/151). Eis, em síntese, o relatório. Voto Tempestivamente interposto, o recurso atende também às demais formalidades aplicáveis, razão pela qual dele se conhece. Não é de boa técnica que a proposta de conversão do julgamento em diligência antecipe o enfrentamento de questões que, a rigor, serão melhor examinadas quando do retorno dos autos. É por esta razão que entendo mais apropriado expor, aqui, somente o necessário a justificar, perante meus pares, a solução que venho lhes apresentar. Mesmo assim, alguma discussão de caráter procedimental é indispensável – e dela não me furtarei – confortável quanto à permissão regimental de que estes mesmos temas sejam novamente debatidos por ocasião da conclusão do julgamento (artigo 63, §6 o , Anexo II, Portaria MF no. 256/2009). Fl. 162DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.17246.KSQB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10240.900372/2008-24 Resolução n.º 3403-00.130 S3-C4T3 Fl. 155 3 O objeto central dos processos administrativo-fiscais formados de pedidos de restituição e de declarações de compensação está, justamente, na investigação da existência e dimensão do crédito tributário pretendido pelo sujeito passivo. E como bem expôs a DRJ recorrida, o crédito restituendo constitui, nesta espécie de procedimento, fato constitutivo do direito do contribuinte e, portanto, ocorrência cuja prova em princípio cabe a ele, contribuinte, realizar (CPC, artigo 333, I). Por isso mesmo, é com certa reserva que observo a prolação do despacho decisório, em compensações declaradas em via eletrônica, sem que a negativa seja precedida de oportunidade para produção da prova, via intimação do contribuinte. Por ocasião da prolação do despacho decisório de fls. 6, vigorava a IN/SRF no. 600/05, cujo artigo 3 o estabelecia: “Art. 3o. (...) §1o A restituição de que trata o inciso I será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Pedido de Restituição constante do Anexo I, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. §2 o . Na hipótese de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo, o requerente deverá apresentar à SRF procuração conferida por instrumento público ou por instrumento particular com firma reconhecida, termo de tutela ou curatela ou, quando for o caso, alvará ou decisão judicial que o autorize a requerer a quantia. §3o. Tratando-se de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do Programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o §2o serão apresentados à SRF após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido.” De ordinário, portanto, a declaração de compensação será transmitida eletronicamente. Somente nas hipóteses em que o programa PER/DCOMP não é aplicável, seja por limitação normativa, seja por limitação técnica, é que o contribuinte tem permissão para formalizar o ato via formulário físico. O importante é que, dadas as especificidades destas alternativas, apenas no último caso, isto é, na declaração de compensação em formulário físico o contribuinte tinha o ônus de, desde logo, produzir a prova documental do direito creditório. Nas hipóteses em que estivesse compelido a usar o formulário eletrônico – a exemplo do caso dos autos – competia ao sujeito passivo simplesmente formalizar a declaração e aguardar que a unidade processadora lhe oportunizasse o momento para a produção da prova. Daí porque, o indeferimento da restituição eletrônica sem prévia intimação do contribuinte lhe subtrai valiosa oportunidade para documentação do direito alegado, o que, a meu ver, é especialmente relevante se a recusa vem fundada na suposta inexistência ou insuficiência do crédito. E se esta imperfeição procedimental não é drástica o bastante para nulificar a decisão, é um elemento a considerar na aplicação, contra o contribuinte, das regras relativas à preclusão da prova. A rejeição do pleito amparada apenas na omissão do sujeito passivo em retificar, para baixo, o débito confessado em DCTF, além de inconsistente, é excessivamente formal. Fl. 163DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.17246.KSQB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10240.900372/2008-24 Resolução n.º 3403-00.130 S3-C4T3 Fl. 156 4 Distancia-se do princípio da verdade material e ignora que “o processo fiscal tem por finalidade primeira garantir a legalidade da apuração do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado” (NEDER, Marcos Vinicius. LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo administrativo fiscal federal comentado. 3 a ed., 2010, p. 305). E digo que é inconsistente porque a retificação prévia da DCTF não é condição necessária ou suficiente para se reconhecer ao sujeito passivo o crédito vindicado. Não é – e não era – condição necessária porque a IN/SRF no. 255/02 vigente à época dos fatos não a exigia como pressuposto da válida formalização da compensação. Não é condição suficiente porque, para convencer da existência e do montante do crédito, é preciso que o interessado o comprove por elementos aos quais a legislação atribua força probatória. E, decididamente, a retificação da DCTF não detém o atributo. Com amparo no artigo 16, do Decreto no. 70.235/72, poder-se-ia argumentar que, mesmo privada de oportunidade instrutória prévia ao despacho decisório, a recorrente poderia ter se desincumbido do ônus quando da manifestação de inconformidade e que, in casu, teria desperdiçado a chance deixando de produzir documentos contábeis que apenas vieram aos autos com o recurso voluntário. Diante do fundamento em que escorado o despacho decisório – não retificação da DCTF – a manifestação de inconformidade o atacou precipuamente (não exclusivamente) sob a perspectiva da infração à verdade material e, pois, com argumentos de natureza procedimental. E sendo este o contexto, mais do que demonstrar a existência do crédito, competia à recorrente convencer da própria prescindibilidade da prévia retificação. Esse, afinal, o principal objeto controvertido até então. De acordo com o processualista Moacyr Amaral Santos, um dos propósitos mais importantes em se estabelecer fases ou prazos apropriados à produção de documentos “é vedar a ocultação deles na fase de integração da lide, quer dizer, na fase da formação da questão sujeita a debate das partes e sobre a qual deverá decidir o órgão judicial. O que a lei visa é afastar ou, ao menos reduzir a possibilidade de ficarem o Juiz e as partes à mercê de surpresas consistentes no aparecimento de documentos de que a parte, premeditadamente, guarde segredo para, ocasião propícia, quando não haja mais oportunidade para discussões e mais provas, oferecê-los em juízo” (Prova judiciária no Cível e Comercial, vol.4, São Paulo: Max Limonad, 1972, p. 416). Não vislumbro, na conduta processual da recorrente, indícios de semelhante intenção. De mais a mais, as provas carreadas aos autos com o recurso voluntário – provenientes da escrituração contábil da pessoa jurídica – se conhecidas, podem conferir ao julgamento níveis de certeza quanto aos fatos em debate que tanto a DRF/Porto Velho como a DRJ-Belém estiveram longe de obter. É em consideração à verdade material e por não estar convencido dos motivos da não-homologação nestas instâncias decisórias que proponho a conversão do julgamento em diligência a fim de que, partindo dos documentos carreados aos autos pela recorrente, as seguintes perguntas sejam respondidas: (a) a escrituração contábil da recorrente reveste-se das formalidades aplicáveis? Fl. 164DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.17246.KSQB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10240.900372/2008-24 Resolução n.º 3403-00.130 S3-C4T3 Fl. 157 5 (b) a partir da escrituração contábil do período (setembro/2003), em quanto monta a base de cálculo da exação? Que natureza (origem) de receitas integram a base de cálculo (venda de energia elétrica, receitas financeiras, etc.)? Quais as exclusões aplicadas? (c) qual a origem da diferença, caso existente, entre a importância recolhida a maior pela recorrente e aquela efetivamente devida, conforme a base de cálculo apurada no item anterior? Qual o montante das vendas, no período, de bens e serviços a empresas públicas e sociedades de economia mista pelas quais a recorrente efetivamente recebeu? (d) as receitas de vendas a empresas públicas e sociedades de economia mista que, ao recalcular o tributo, a recorrente excluiu da respectiva base imponível, foram oferecidas à tributação por ocasião do efetivo recebimento, em períodos de apuração subseqüentes? (e) o crédito determinado no item anterior é suficiente para liquidar por inteiro a compensação realizada? Pede-se à unidade de origem que, colhidas as respostas, elabore relatório circunstanciado, ao qual poderá acrescer informações adicionais que repute relevantes. Após, dê-se vista do relatório à recorrente, facultando-se-lhe manifestação em 30 (trinta) dias, findos os quais retornem os autos para conclusão do julgamento. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 165DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.17246.KSQB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MARCOS TRANCHESI ORTIZ em 12/01/2011 09:33:45. Documento autenticado digitalmente por MARCOS TRANCHESI ORTIZ em 12/01/2011. Documento assinado digitalmente por: ANTONIO CARLOS ATULIM em 15/01/2011 e MARCOS TRANCHESI ORTIZ em 12/01/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 20/01/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP20.0121.17246.KSQB Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 916FC5488166BB6C4E655B9F68378B4CFE9C4E8E Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10240.900372/2008-24. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 10240.900465/2009-30
Data da sessão: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3403-000.127
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Nov 26 20:05:42 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201010
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 10240.900465/2009-30
anomes_publicacao_s : 201010
conteudo_id_s : 6524108
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 23 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 3403-000.127
nome_arquivo_s : 340300127_10240900465200930_201010.pdf
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : MARCOS TRANCHESI ORTIZ
nome_arquivo_pdf_s : 10240900465200930_6524108.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
id : 4641523
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Nov 26 20:09:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => date: 2021-11-23T11:58:15Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 340300127_10240900465200930_201010.pdf; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 1.4.2; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CARF; dcterms:created: 2021-11-23T11:58:15Z; Last-Modified: 2021-11-23T11:58:15Z; dcterms:modified: 2021-11-23T11:58:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 340300127_10240900465200930_201010.pdf; xmpMM:DocumentID: uuid:36dbb36f-4eb0-11ec-0000-7d9250e9a5f4; Last-Save-Date: 2021-11-23T11:58:15Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 1.4.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2021-11-23T11:58:15Z; meta:save-date: 2021-11-23T11:58:15Z; pdf:encrypted: false; dc:title: 340300127_10240900465200930_201010.pdf; modified: 2021-11-23T11:58:15Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CARF; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CARF; meta:author: CARF; dc:subject: ; meta:creation-date: 2021-11-23T11:58:15Z; created: 2021-11-23T11:58:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2021-11-23T11:58:15Z; pdf:charsPerPage: 0; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CARF; producer: GPL Ghostscript 9.05; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: GPL Ghostscript 9.05; pdf:docinfo:created: 2021-11-23T11:58:15Z | Conteúdo =>
_version_ : 1717522856187789312
score : 1.0
