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8343418 #
Numero do processo: 35349.001847/2006-59
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 01/06/2005 GFIP. REMUNERAÇÕES SEGURADOS. AUSÊNCIA DE LANÇAMENTO EM TÍTULOS PRÓPRIOS NA CONTABILIDADE. Constitui infração a legislação previdenciária, o não lançamento em títulos próprios da contabilidade da empresa, das remunerações de segurados cujos valores não foram incluídos nas folhas de pagamento "oficiais' da empresa, não tendo sido, também, realizada a arrecadação, mediante desconto nas remunerações, das contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2301-001.265
Decisão: ACORDAM os membros da 3° câmara / 1ª turma ordinária Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES

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OUTROS DADOS Recorrente ROTABELA TRANSPORTE E TURISMO LTDA EPP Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCLÁRIA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 01/06/2005 GFIP. REMUNERAÇÕES SEGURADOS. AUSÊNCIA DE LANÇAMENTO EM TÍTULOS PRÓPRIOS NA CONTABILIDADE. Constitui infração a legislação previdenciária, o não lançamento em títulos próprios da contabilidade da empresa, das remunerações de segurados cujos valores não foram incluídos nas folhas de pagamento "oficiais' da empresa, não tendo sido, também, realizada a arrecadação, mediante desconto nas remunerações, das contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3° câmara / V turma ordináriada Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. n ft, JULIO ESAR V e • dO 5 — Presidente LEI I ARD," KC PIRES LOPES — Relator Processo n° 35349.001847)2006-59 S2-C3T1 Ac450250 a° 2301-01.265 Fl. 155 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Bemadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Edgar Silva Vidal (suplente), Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado em desfavor de Rotabela Transporte e Turismo Ltda, originado em virtude do descumprimento do art. 32, inciso II, da Lei n 8.212/91 combinado com o art. 225, H, §13° ao 17° do RPS. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, a ora Recorrente deixou de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, no período de 01/2004 a 06/2005, sendo cominada multa no valor de R$11.017,46. Inconformada, apresentou Defesa às fls. 129/134, tendo a Decisão Notificação de fls. 136/139, julgado totalmente procedente o lançamento. Assim, ainda irresignada, interpôs Recurso Voluntário tempestivo de fls. 145/149, alegando, em síntese: a) a nulidade do Auto de Infração, eis que a empresa não foi notificada para demonstrar o motivo da suposta irregularidade apontada, acarretando, assim, cerceamento ao direito de defesa; b) a intimação foi feita via AR, quando deveria ter sido feita pessoalmente, na pessoa do seu representante legal, razão pela qual é nula; c) houve erro na nomenclatura dos documentos, sem o intuito de sonegar. A empresa não deixou de contabilizar os valores pagos, mas sim de lançá- los de forma adequada. Contra-Razões às fls. 153 aduzindo que a recorrente não apresentou nenhum argumento ou fato novo que justifique a retificação do crédito. Desta feita, conclui pela manutenção do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade 2 Processo n°35349.001847/2006-59 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-01.265 Fl. 156 Sendo tempestivo, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do Mérito O ceme da questão cinge-se ao fato de a fiscalização ter identificado em diligência realizada na empresa ora Recorrente remunerações de segurados cujos valores não foram incluídos nas folhas de pagamento "oficiais' da empresa e não foram lançados em títulos próprios da contabilidade, não tendo sido, também, realizada arrecadação, mediante desconto nas remunerações, das contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais. Outrossim, fora constada que os pagamentos realizados na conta "mão-de- obra autônomos" correspondem a remunerações de segurados empregados ou de sócios da empresa, e não de supostos autônomos, como quer fazer crer o nome da conta contábil. Visando a desconstituição do credito previdenciário, a Recorrente alega que não foi devidamente notificada a demonstrar o motivo da suposta irregularidade, havendo, desta feita, cerceamento ao direito de defesa e arbitrariedade fiscal. Não merece prosperar tal alegação, uma vez que não há qualquer previsão normativa para que a empresa seja previamente notificada para justificar o motivo que ensejou sua inegularidade. Assim, conforme disposto no art. 293 do RPS, verificada pela fiscalização a ocorrência de infração à legislação previdenciária, é dever da autoridade fiscal proceder a lavratura do Auto de Infração, posto que este ê ato vinculado, que não dá ensejo a discricionariedade. No tocante a nulidade do Auto de Infração requerida pela Recorrente, posto que a autuação fora enviada via Aviso de Recebimento — AR, quando supostamente deveria ter sido feita pessoalmente, também não merece guarida. De acordo com o art. 33 da Portaria MPS n.° 520, de 19/05/2004 "a intimação dos atos processuais será efetuada por ciência no processo, via postal com aviso de recebimento, telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado, sem sujeição a ordem de preferência." Desta feita, resta claro que não há qualquer ordem de preferência entre a intimação pessoal e a via AR, não havendo que se falar em nulidade do Auto de Infração, até porque a ora Recorrente foi devidamente cientificada e apresentou defesa e recurso dentro do prazo previsto em lei, o que sanaria o suposto vício. Quanto a remuneração dos sócios, Srs. Alirio Marcilio, Osmar Floriani e Valdir Minatti estas foram lançadas como pagamentos a autônomos. Assim, não resta dúvida de que houve a pretensão de burlar a incidência de contribuição previdenciária. Pois bem. Conforme ressaltado pela fiscalização, a contabilidade da ora Recorrente possui duas contas apropriadas para este tipo de lançamento, quais sejam: "Pró Labore" e "Pró- Labore a pagar", no entanto, os pagamentos aos sócios Srs. Alirio Marcilio, Osmar Floriani e Valdir Minatti foram lançados como pagamentos a autônomos. Assim, não resta dúvida de que houve a pretensão de burlar a incidência de contribuição previdenciária. 3 , . Processo n°35349.001847(2006-59 S2-C3T1 Achnlão n.° 230101.265 Fl. 157 Nota-se, desta feita, que houve infração ao art. 32, inciso II, da Lei n° 8.212/91, caracterizada pela ausência de lançamento ou pelo lançamento incorreto. Dessa forma, ainda que a Recorrente tenha lançado os fatos geradores, deveria tê-los lançados em títulos próprios da contabilidade. Ademais, fora constatado pela fiscalização a existência de pagamentos efetuados a 11 segurados empregados que foram lançados na conta contábil de "mão-de-obra autônomos", no entanto, de acordo com as cópias dos recibos juntados, compreende-se que se referiam a pagamentos relativos a "salário", "horas extras", "130 salário", "FGTS" e "férias". Logo, não há qualquer dúvida de que esses segurados são empregados. Em seu recurso, alega que houve apenas erro na nomenclatura de tais documentos. No entanto, mesmo que tais documentos não contivessem informações verdadeiras, conforme alegado pela Recorrente, mas não provado, a empresa seria autuada por apresentá-los com informação diversa da realidade, infringindo, de qualquer forma, a legislação previdenciária. Portanto, a Recorrente não poderia ter lançado remunerações pagas aos segurados empregados e aos sócios como remunerações pagas a autônomos. Ao agir dessa forma, ela lançou fatos geradores das contribuições previdenciárias em rubricas impróprias da contabilidade, infringiu o art. 32, inciso II, da Lei n.°8.212/91, razão pela qual esta autuação é procedente. Da Conclusão Ante ao exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO. Ê como voto. 1 i i Sala das Seja, em-25 de fevereiro de 2010 ONARDO ./.. r. ..-- 'IRES LOPES - Relator ir 4

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8214001 #
Numero do processo: 13896.000280/2003-11
Data da sessão: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 15/04/1996 a 13/02/1998 INDÉBITO FISCAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA A decadência do direito de se pleitear restituição e/ ou compensação de indébito fiscal ocorre em cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento. CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1996 a 31/10/1998 FUNDAMENTO LEGAL A partir de 10 de março de 1996, a contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) tornou-se devida nos termos da Medida Provisória (MP) n° 1.212, de 28/11/1995, e suas reedições, convertida na Lei n° 9.715, de 25/11/1998, que elegeu como base de cálculo dessa contribuição o faturamento mensal da pessoa jurídica. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de debito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante entrega de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-000.771
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de voto provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: José Adão Vitorino de Morais

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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 15/04/1996 a 13/02/1998 INDÉBITO FISCAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA A decadência do direito de se pleitear restituição e/ ou compensação de indébito fiscal ocorre em cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1996 a 31/10/1998 FUNDAMENTO LEGAL A partir de 10 de março de 1996, a contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) tornou-se devida nos termos da Medida Provisória (MP) n° 1.212, de 28/11/1995, e suas reedições, convertida na Lei n° 9.715, de 25/11/1998, que elegeu como base de cálculo dessa contribuição o faturamento mensal da pessoa jurídica. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de debito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante entrega de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de voto provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. provimento ao José srino de Morais - Relator EDITADO EM: 20/12/2 residente P ssas Ro Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais (Relator), Antônio Lisboa Cardoso, Mauricio Taveira e Silva, Maria Teresa Martinez Lôpez e Rodrigo da Costa Possas (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Suplente Rodrigo Pereira de Mello. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto pela recorrente contra a decisão proferida pela DRJ Campinas, SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra o despacho decisório que não homologou a compensação dos débitos fiscais declarados na declaração de compensação (Dcomp), objeto deste processo, protocolada em 14/02/2003. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Osasco, SP, não reconheceu os créditos financeiros e não homologou a compensação dos débitos fiscais declarados sob o argumento de que não foram comprovados recolhimentos indevidos e/ ou a maior. Inconformada com a não-homologação, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 14/22), insistindo na homologação, alegando, em síntese, que seu pedido de restituição/compensação está fundamentado na ADIN n° 1417-0, transitada em julgado na data de 04/04/2001, e sendo Ação Direta de Inconstitucionalidade produz efeitos 'erga oi alem de ter eficácia 'ex tune'; a Lei n° 9.715, de 1998, não poderia ser estendida a é pretéritas; assim, a contribuição apurada e paga com fundamento na MP n° 1.212, de para os fatos geradores de março de 1995 a outubro de 1998 foi indevida, constituin indébito tributário passível de restituição/compensação. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgou-a improcedente, conforme acórdão n° 05-20.286, As fls. 37/41, assim ementado: "RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. EXTINÇÃO DO DIREITO. AD SRF 96/99. VINCULA ÇÃO. Consoante Ato Declaratório SRF 96/99, que vincula este órgão, o direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data do pagamento, inclusive nos casos de tributos sujeito à homologação ou de declaração de inconstitucionalidade. PIS. MEDIDA PROVISÓRIA N° 1.212. EFICÁCIA. PRAZO NONA GE SIMAL. A exigência da contribuição ao PIS baseada na MP n° 1.212, de 1995, - convalidada pelas suas reedições, até ser convertida na Lei 9.715, de 1998 - iniciou-se após decorrido o prazo de 2 Processo no 13896.000280/2003-11 S3-C3T1 AcOrdilo n.° 3301-00.771 Fl. 81 noventa dias de sua edição. Até então o PIS era devido com base na Lei Complementar n° 7, de 1970. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSA CÃO. IMPOSSIBILIDADE. Pagamentos feitos em conformidade com a legislação em vigor não são indevidos e não dão origem a direito creditório da contribuinte em face da União. E ilegítima a compensação declarada com suporte em direito creditório inexistente." Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs o presente recurso voluntário (fls. 46/56), requerendo a sua reforma a fim de que se reconheça seu direito de repetir/compensar os valores reclamados e determine a homologação da compensação dos débitos fiscais declarados. Para fundamentar seu recurso expendeu extenso arrazoado sobre: i) extinção do direito de utilização de crédito; e, ii) a Lei n° 9.715/98 e aplicação da Lei Complementar 7/70; concluindo, ao final, que: i) não ocorreu a decadência do seu direito, uma vez que se tratando de pagamentos efetuados sob norma julgada inconstitucional o prazo qüinqüenal deve ser efetuado a partir da data do julgamento que declarou sua inconstitucionalidade, no presente caso, da data do julgamento da ADIN 1.417-0 em 04/04/2001; e, ii) a Lei n° 9.715, de 25/11/1998, não pode ser aplicada a fatos pretéritos e sendo esta resultado da conversão da MP no 1.212, de 25/11/1995, não pode retroagir a outubro de 1995; também a LC n° 7/70 não poderia ser aplicada no período de outubro de 1995 a outubro de 1998 por ter sido den Eada ou revogada por aquela MP; assim, os recolhimentos efetuados com base nessa MP fora\ indevidos, constituindo-se em indébitos tributários passíveis de repetição/compensação. o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, Relator 0 recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Na Dcomp em discussão, a recorrente declarou créditos financeiros decorrentes de pagamentos a titulo de PIS, referentes aos fatos geradores ocorridos no período de competência de março de 1996 a outubro de 1998, efetuados entre as datas de 15/04/1996 e 13/11/1998. A homologação de compensação de créditos financeiros contra a Fazenda Nacional com débitos fiscais, mediante a entrega de Dcomp, está condicionada a certeza e liquidez dos valores declarados. No presente caso, ao contrário do entendimento da recorrente, ainda que os valores reclamados constituíssem indébitos tributários, o que não é o caso, na data de protocolo da presente Dcomp, o seu direito à repetição compensação de sua quase totalidade já havia decaído pelo decurso do prazo qüinqüenal. 3 O Código Tributário Nacional (CTN), art. 168, I, estabelece que o direito repetição/compensação de indébitos tributários decai com o decurso do prazo de 05 (cinco) anos contados das datas dos respectivos recolhimentos indevidos e/ ou a maior, in verbis: "Art. 165. 0 sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, et restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no sç 4° do artigo 162, nos seguintes casos.. I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstancias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Art. 168. 0 direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados.. I - nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (...)."(grifos não-originais) Em se tratando de lançamento por homologação, como no caso da contribuição em discussão, a extinção do credito tributário, por previsão expressa do CTN, ocorre quando do pagamento e não em outro momento, conforme disposto a seguir: "Art. 150. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autori ade, tomando conhecimento da atividade assim exercida elo obrigado, expressamente a homologa. I" - 0 pagamento antecipado pelo obrigado nos termos de artigo extingue o crédito, sob condição resolutó ria da ulteri homologação do lançamento. Art. 156 Extinguem o crédito Tributário: 64- VII - o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus parágrafos 1 e 4; (...).(grifos não-originais) Além destes dispositivos, para o presente caso, aplica-se também a Lei Complementar n° 118, de 09/02/2005, art. 3°, que assim dispõe, in verbis: "Art. 3 0. Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamnentoantçipado de que trata o ,5Ç 1° do art. 150 da referida Lei." 4 Processo n° 13896.000280/2003-11 S3 -C3T1 Acórdão n.° 3301-00.771 Fl. 82 Dessa forma, na data de protocolo da Dcomp, em 14/02/2003, o direito de a recorrente repetir/compensar os valores decorrentes dos pagamentos efetuados entre as datas de 15/04/1996 e 13/02/1998 já havia decaído pelo decurso do prazo qüinqüenal, contado dos respectivos pagamentos indevidos e/ ou a maior. Remanescem, todavia os valores não atingidos pela decadência qüinqüenal, ou seja, decorrentes de pagamentos efetuados entre as datas de 14/02/1998 e 13/11/1998. Contudo, tanto os valores atingidos pela decadência como os não-atingidos, ao contrário do entendimento da recorrente, eram devidos por ela, a titulo de contribuição para o PIS, e não constituem indébitos tributários. A exigência da contribuição para o PIS, no período objeto do pedido de restituição, ou seja, de 10 de março de 1996 a 31 de outubro de 1998, tem sua fundamentação amparada na MP n° 1.212, de 28/11/1995, e s/ reedições, convertida na Lei n° 9.715, de 25/11/1998. No julgamento da ADIN n° 1.417-0 pelo Supremo Tribunal Federal apenas foi julgado inconstitucional a parte do art. 15 daquela MP que determinava sua aplicação retroativa a partir de 10 de outubro de 1995. Os demais dispositivos e sua aplicação foram julgados constitucionais depois do cumprimento da carência nonagesimal prevista na Constituição Federal de 1988, art. 195, § 6°. Dessa forma, cumprida aquela carência, a referida MP entrou em vigor, nos tennos da Constituição Federal de 1988, art. 62, aplicando-se aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de março de 1996. Quanto à utilização de medidas provisórias para instituição de tributos, o Supremo Tribunal Federal já exarou entendimento de que as medidas provisórias tem força, eficácia e valor de lei, assim decidindo: "As medidas provisórias configuram, no Direito Constitucional positivo brasileiro, uma categoria especial de atos normativos primários emanados pelo Poder Executivo, que se revestem de força, eficácia e valor de lei." (ADInMC n°293 —DE) Alem disso, também, já se pronunciou aquela Corte Suprema a resp .ei possibilidade de reedições de medidas provisórias não rejeitadas pelo Congresso Nacional: "Não perde a eficácia a medida provisória, com força de lei, não apreciada pelo Congresso Nacional, mas reeditada, por meio de outro provimento da mesma espécie, dentro de seu prazo de validade de tributa dias. " (ADInMC " 1.617/MS.) Portanto, ao contrário do entendimento da recorrente, nos meses de competência de março de 1996 a outubro de 1998, a contribuição para o PIS era devida nos termos da MP n°1.212, de 28/11/1995, e suas reedições, convertidas na Lei n° 9.715, de 1998. Assim, a contribuição apurada e recolhida por ela correspondente àquele período de competência, nos termos daquela MP, era devida e não constitui indébito tributar-o. Dessa forma, demonstrado que os créditos financeiros declarados em discussão são incertos e ilíquidos, mantém-s a não-homologação da compen débitos declarados. coQp ção dos Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, nego provimento ao presente recurso voluntário. José A 6

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8319061 #
Numero do processo: 11176.000169/2007-59
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 20/12/1998 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regas do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-001.091
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressalta-se que no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a competência de ocorrência do fato gerador mais recente do lançamento.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 20/12/1998 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regas do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.

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decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressalta-se que no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a competência de ocorrência do fato gerador mais recente do lançamento.

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Numero do processo: 35464.000091/2006-12
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/11/1995 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-001.189
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressalta-se que no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a competência de ocorrência do fato gerador mais recente do lançamento. A data de 20/12 correspondente ao décimo terceiro salário.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Câmara / 1" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressalta-se e no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a competência de ocorrência' do fato gerador mais recente do lançamento. A data de 20/12 corresponde ao décimo tçrceirorsalári . \\ / 1, .\ ,1 JL 5\\,,,g 1/42\-„, JULIO QESAR VIEIRA GOMES — Presidente e Relator \ Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Edgar Silva Vidal (suplente), Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). i Relatório Adotou-se no julgamento do presente recurso o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Dessa forma, a solução que foi adotada no julgamento do recurso-padrão, abaixo discriminado, foi aplicada a este recurso e a todos os demais repetitivos, conforme divulgado através da pauta de julgamento: No julgamento dos itens 28 (recurso-padrão) e 29 a 325 (demais recursos repetitivos) será adotado o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 DOU de 29/09/2009, tendo como idêntica questão de direito a aplicação da Súmula Vinculante n° 08 do STF, de 12/06/2008. ACÓRDÃO N° 2301-01.05728 - Recurso: 150240 Tipo: RV Processo: 37311.009749/2005-31 Recorrente: HOPI H_ARI S/A Recorrida: SRP-SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIA' RIA Matéria: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). É o relatório. Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso. Confrontando-se a data da ciência do lançamento, 21/12/2005, com os relatórios preparados pela fiscalização, contata-se que todo o período objeto do lançamento está integralmente alcançado pela decadência, independentemente da regra aplicável, artigo 173, I ou artigo 150, §4° do C'TN; motivo pelo qual adoto a decisão proferida no recurso- padrão, conforme relatório acima. Assim, voto pelo provimento do recurso. É como voto. Sala das èssõesji 24 de fevereiro de 2010. _ JULIO\t '5\)SAlt.EIRA GOMES - Relator 2 S2-C3T1 Fl. 1 0:MM MINISTÉRIO DA FAZENDA40. ( .._•‘,-, , CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS''' ‘,..67 7 ",,,.i... ... 4 , SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 35464.004441/2005-21 Recurso n° 160.241 Voluntário Acórdão n° 2301-01.188 — 3 a Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria DECADÊNCIA Recorrente UNILEVER BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/12/1998 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressalta-seno campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a 1bcompetência de ocorrência 9 , fato :I erador mais recente do lançamento. A data de 20/12 corresponde ao décimo ter eira irrio. 1 , , f \ \I 1, ''': , \iR JULIO CE VIEIRA GOMES — Presidente e Relator Participarain do presente julgamento, os Conselheiros Bernadete de Oliveira, Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Edgar Silva Vidal (suplente), Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes @residente). 1 Relatório Adotou-se no julgamento do presente recurso o procedimento previsto na Portaria GARE n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Dessa forma, a solução que foi adotada no julgamento do recurso-padrão, abaixo discriminado, foi aplicada a este recurso e a todos os demais repetitivos, conforme divulgado através da pauta de julgamento: No julgamento dos itens 28 (recurso-padrão) e 29 a 325 (demais recursos repetitivos) será adotado o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 DOU de 29/09/2009, tendo como idêntica questão de direito a aplicação da Súmula Vinculante n° 08 do STF, de 12/06/2008. ACÓRDÃO N° 2301-01.05728 - Recurso: 150240 Tipo: RV Processo: 37311.009749/2005-31 Recorrente: HOPI HARI S/A Recorrida: SRP-SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Matéria: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). É o relatório. Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso. . Confrontando-se a data da ciência do lançamento, 16/12/2005, com os relatórios preparados pela fiscalização, contata-se que todo o período objeto do lançamento está integralmente alcançado pela decadência, independentemente da regra aplicável, artigo 173, I ou artigo 150, §4° do CTN; motivo pelo qual adoto a decisão proferida no recurso- padrão, conforme relatório acima. Assim, voto pelo provimento do recurso. É como voto. n \_ It. Sala das Seás7, rm 2 4 de fevereiro de 2010. 1 i g, i .‘ I lik ‘i A ' ..1 .; \I II r- n i JULIO C SAR VIEIRA GOMES - Relator \I 2 S2-C3T1 Fl. 1 , MINISTÉRIO DA FAZENDA :Y24. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 16045.000337/2007-15 Recurso n° 160.312 Voluntário Acórdão n° 2301-01.187 — 3' Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria DECADÊNCIA Recorrente CONFAB MONTAGENS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/08/1998 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regas do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressailta-se flue no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a competência de ocorrênc4do fato gerador mais recente do lançamento. A data de 20/12 corresponde ao décimo t rcei b salárip. JULIO CESAR y IRA GOMES — Presidente e Relator Participgam do presente julgamento, os Conselheiros Bemadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Edgar Silva Vidal (suplente), Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). Relatório Adotou-se no julgamento do presente recurso o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Dessa forma, a solução que foi adotada no julgamento do recurso-padrão, abaixo discriminado, foi aplicada a este recurso e a todos os demais repetitivos, conforme divulgado através da pauta de julgamento: No julgamento dos itens 28 (recurso-padrão) e 29 a 325 (demais recursos repetitivos) será adotado o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 DOU de 29/09/2009, tendo como idêntica questão de direito a aplicação da Súmula Vinculante n° 08 do STF, de 12/06/2008. ACÓRDÃO N° 2301-01.05728 - Recurso: 150240 Tipo: RV Processo: 37311.009749/2005-31 Recorrente: HOP1 H_ARI S/A Recorrida: SRP-SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁR.IA Matéria: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). É o relatório. Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso. Confrontando-se a data da ciência do lançamento, 21/9/2006, com os relatórios preparados pela fiscalização, contata-se que todo o período objeto do lançamento está integralmente alcançado pela decadência, independentemente da regra aplicável, artigo 173, I ou artigo 150, §4° do CTN; motivo pelo qual adoto a decisão proferida no recurso- padrão, conforme relatório acima. Assim, voto pelo provimento do recurso. É como voto. Sala das \tessõ s, m 24 de fevereiro de 2010. \\ nit \kt, JULIO \ ESA VIEIRA GOMES - Relator \) 2 S2-C3T1 Fl. 1 --."•,•'. çtt'''' -, MINISTÉRIO DA FAZENDA-Nt CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 35464.004431/2005-95 Recurso n° 160.242 Voluntário Acórdão n° 2301-01.186 — 3' Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria DECADÊNCIA Recorrente UNILEVER BRASIL LTDA. E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/09/1997 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressaltarse que no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a )\ \, competência de ocorrência d\ ador mais recente do lançamento. A data de 20/12 corresponde ao décimo terJ *rC) s "ar o. \ N \ \'` .1\\--' JULIO CESAR VIEIRA — Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Edgar Silva Vidal (suplente), Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). I. Relatório Adotou-se no julgamento do presente recurso o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Dessa forma, a solução que foi adotada no julgamento do recurso-padrão, abaixo discriminado, foi aplicada a este recurso e a todos os demais repetitivos, conforme divulgado através da pauta de julgamento: No julgamento dos itens 28 (recurso-padrão) e 29 a 325 (demais recursos repetitivos) será adotado o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 DOU de 29/09/2009, tendo como idêntica questão de direito a aplicação da Súmula Vinculante n° 08 do STF, de 12/06/2008. ACÓRDÃO N° 2301-01.05728 - Recurso: 150240 Tipo: RV Processo: 37311.009749/2005-31 Recorrente: HOPI HARI S/A Recorrida: SRP-SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Matéria.. CONTRIBUIÇÃO P RE VIDENCIÁ RIA por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). É o relatório. Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso. Confrontando-se a data da ciência do lançamento, 16/12/2005, com os relatórios preparados pela fiscalização, contata-se que todo o período objeto do lançamento está integralmente alcançado pela decadência, independentemente da regra aplicável, artigo 173, I ou artigo 150, §4° do CTN; motivo pelo qual adoto a decisão proferida no recurso- padrão, conforme relatório acima. Assim, voto pelo provimento do recurso. É como voto. Sala das Sessóes,ím 74 de fevereiro de 2010. 1,b/1 ;4. JULIO CESAR VIEIRA GOMES - Relator 2 S2—C3T1 Fl. 1 :•:.',-:%•`.,„.r MINISTÉRIO DA FAZENDA tki7/4 ' • ,•", ;,,,,,ii,-.. • • i2,:.' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO 4•1;a, 3 ,,,i'-' Processo n° 17546.000643/2007-73 Recurso n° 160.490 Voluntário Acórdão n° 2301-01.185 — 3' Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria DECADÊNCIA Recorrente CEBRACE CRISTAL PLANO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/08/1996 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressalfa-se que no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a competência de ocorrência s o, fateç erador mais recente do lançamento. A data de 20/12 corresponde ao décimo te\icei ó 's lá-io. _\\< \‘̀ ),; \-, , JULIO CESAR VI IRA GOMES — Presidente e Relator \i NI Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Edgar Silva Vidal (suplente), Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). i Relatório Adotou-se no julgamento do presente recurso o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Dessa forma, a solução que foi adotada no julgamento do recurso-padrão, abaixo discriminado, foi aplicada a este recurso e a todos os demais repetitivos, confotme divulgado através da pauta de julgamento: No julgamento dos itens 28 (recurso-padrão) e 29 a 325 (demais recursos repetitivos) será adotado o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 DOU de 29/09/2009, tendo como idêntica questão de direito a aplicação da Súmula Vinculante n° 08 do STF, de 12/06/2008. ACÓRDÃO N° 2301-01.05728 - Recurso: 150240 Tipo: RV Processo: 37311.009749/2005-31 Recorrente: HOPI H_ARI S/A Recorrida: SRP-SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Matéria: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). É o relatório. Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso. Confrontando-se a data da ciência do lançamento, 21/12/2006, com os relatórios preparados pela fiscalização, contata-se que todo o período objeto do lançamento está integralmente alcançado pela decadência, independentemente da regra aplicável, artigo 173, I ou artigo 150, §4° do CTN; motivo pelo qual adoto a decisão proferida no recurso- padrão, conforme relatório acima. Assim, voto pelo provimento do recurso. É como voto. Sala das SeSs e 24 de fevereiro de 2010. JULIO CtSAR ' TE • • GOMES - Relator \11 2 S2-C3T1 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS --?-3---,--,-,1 SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 17546.000650/2007-75 Recurso n° 160.084 Voluntário Acórdão n° 2301-01.184 — 3' Câmara / i a Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria DECADÊNCIA Recorrente CEBRACE CRISTAL PLANO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/12/1996 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressalta 7 que,no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a \competência de ocorrência dó i f(ato .(g-rador mais recente do lançamento. A data de 20/12 corresponde ao décimo terceiro sal' 'o. \\ \, .)/,, NrJULIO CESA ' ti l 4 GOMES — Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Edgar Silva Vidal (suplente), Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). 1 Relatório Adotou-se no julgamento do presente recurso o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Dessa forma, a solução que foi adotada no julgamento do recurso-padrão, abaixo discriminado, foi aplicada a este recurso e a todos os demais repetitivos, conforme divulgado através da pauta de julgamento: No julgamento dos itens 28 (recurso-padrão) e 29 a 325 (demais recursos repetitivos) será adotado o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 DOU de 29/09/2009, tendo como idêntica questão de direito a aplicação da Súmula Vinculante n° 08 do STF, de 12/06/2008. ACÓRDÃO N° 2301-01.05728 - Recurso: 150240 Tipo: RV Processo: 37311.009749/2005-31 Recorrente: HOPI HARI S/A Recorrida: SRP-SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Matéria: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). É o relatório. Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso. Confrontando-se a data da ciência do lançamento, 21/12/2006, com os relatórios preparados pela fiscalização, contata-se que todo o período objeto do lançamento está integralmente alcançado pela decadência, independentemente da regra aplicável, artigo 173, I ou artigo 150, §4° do CTN; motivo pelo qual adoto a decisão proferida no recurso- padrão, conforme relatório acima. Assim, voto pelo provimento do recurso. É como voto. Sala das ,g ssõ - 24 de fevereiro de 2010. \\, I .1 — v JULIO CE A' IEIRA GOMES - Relator \I' 2

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8746796 #
Numero do processo: 10530.723582/2013-94
Data da sessão: Tue Mar 16 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Apr 07 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Exercício: 2007, 2008, 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. OMISSÃO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. Demonstrando a existência de omissão, nos termos do art. 65 do RICARF, deve-se acolher os embargos de declaração.
Numero da decisão: 1201-004.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para afastar a responsabilidade tributária do embargante, Modezil Ferreira de Cerqueira. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente (documento assinado digitalmente) Jeferson Teodorovicz - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Júnior, Gisele Barra Bossa, Wilson Kazumi Nakayama, Jeferson Teodorovicz, Fredy José Gomes de Albuquerque e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: Jeferson Teodorovicz

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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Exercício: 2007, 2008, 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. OMISSÃO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. Demonstrando a existência de omissão, nos termos do art. 65 do RICARF, deve-se acolher os embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para afastar a responsabilidade tributária do embargante, Modezil Ferreira de Cerqueira. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente (documento assinado digitalmente) Jeferson Teodorovicz - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Júnior, Gisele Barra Bossa, Wilson Kazumi Nakayama, Jeferson Teodorovicz, Fredy José Gomes de Albuquerque e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário, apresentado pelo Sócio Sr. Modezil Ferreira de Cerqueira, fls. 3403, contra Acórdão da DRJ que negou provimento à impugnação, mantendo o termo de responsabilidade solidária junto à contribuinte NORAUTO CAMINHÕES S.A. Por bem representar a lide, reproduzo o Relatório do Acórdão do CARF, fls. 3149/3212, por sua vez baseado no Relatório do Acórdão da DRJ, fls. 2887/2995: Trata-se dos autos de infração de fls. 3/20 e 21/38, relativos aos anos calendário de 2007 a 2009, lavrados em 28/05/2013, que pretendem a cobrança, respectivamente: do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$285.389,12 (duzentos e oitenta e cinco mil, trezentos e oitenta e nove reais e doze centavos), além AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 35 82 /2 01 3- 94 Fl. 3551DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 da multa de ofício no percentual de 150% e dos juros de mora, e da Multa Isolada, decorrente da falta de recolhimento do IRPJ sobre base de cálculo estimada, no valor de R$177.532,41 (cento e setenta e sete mil, quinhentos e trinta e dois reais e cinquenta e um centavos); da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$110.878,05 (cento e dez mil, oitocentos e setenta e oito reais e cinco centavos), além da multa de ofício, no percentual de 150%, e dos juros de mora, e da Multa Isolada, decorrente da falta de recolhimento da CSLL sobre base de cálculo estimada, no valor de R$66.867,49 (sessenta e seis mil, oitocentos e sessenta e sete reais e quarenta e nove centavos). No Termo de Verificação Fiscal de fls. 39 a 71, parte integrante dos autos de infração, o autuante apresenta as informações a seguir: 1. DO HISTÓRICO a) em 17/04/2012, o contribuinte foi intimado a apresentar os livros e documentos listados no Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 91/93): arquivos digitais relativos aos registros contábeis 2006 e 2009, e de notas fiscais de 2006, novembro de 2007 e 2010; contrato social/estatuto e suas alterações/consolidações; atas de reuniões diversas; LALUR; balanço patrimonial e DRE; declaração expressa acerca da existência de ação judicial relativa a IRPJ e demais tributos administrados pela Receita Federal do Brasil - RFB; contratos de prestação de serviços com a empresa MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda, CNPJ 08.578.708/0001-36, bem como notas fiscais e comprovantes de pagamento com a indicação/apresentação do documento de liquidação (extratos, livros/documentos contábeis, etc); demonstrativo em papel e meio magnético contendo a relação das notas fiscais do item 12, as datas das respectivas prestações de serviços, os valores dos respectivos pagamentos e as retenções dos tributos administrados pela RFB; b) em 18/05/2012, o contribuinte foi intimado (Termo de Intimação Fiscal nº 0001, de fls. 99/100) a apresentar arquivos digitais referentes à folha de pagamento, livros registros de empregados, entre outros; c) em 20/05/2012, o contribuinte solicitou dilação de prazo para cumprimento integral do quanto requerido na última intimação, que foi deferida, tendo, em 30/05/2012 e 14/06/2012, apresentado documentos em atendimento aos Termos de Início de Procedimento Fiscal e de Intimação Fiscal nº 0001, respectivamente; d) em 29/06/2012, o contribuinte foi intimado, mediante Termo de Intimação Fiscal nº 0002 (fls. 112/113) a apresentar, entre outros, os seguintes documentos: contratos de prestação de serviços com a empresa MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda, e cópias da inicial e das decisões ocorridas nos processos em que litiga, bem como certidão de objeto e pé; e) em 12/07/2012 o contribuinte apresentou parte do quanto solicitado, e em 14/08/2012 apresentou documentos complementares referentes às intimações anteriores; f) em 27/08/2012, o contribuinte foi intimado (Termo de Intimação Fiscal nº 0003, de fls. 118/119) a apresentar, dentre outros documentos, demonstrativo identificando as rubricas que compuseram o cálculo dos débitos e créditos de PIS e COFINS, referentes aos anos-calendário 2008 e 2009, e a informar rubrica contábil referente aos lançamentos de retorno de financiamento, bem como classificação destas receitas; g) decorrido o prazo legal, inclusive a dilação do prazo deferida, constatou-se que o contribuinte não cumprira o pactuado, por isso, em 08/10/2012 foi reintimado pessoalmente, mediante Termo de Reintimação Fiscal nº 0001 (fls. 121/122) a apresentar o quanto requerido, tendo apresentado o quanto solicitado em 23/10/2012; h) em 19/11/2012, o contribuinte foi intimado (Termo de Intimação Fiscal nº 0004, de fls. 159/161) a apresentar notas fiscais relativas aos serviços tomados junto à empresa Fl. 3552DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda, entre outros. Na referida intimação foi integrada a constatação realizada nas sedes das empresas Anira Veículos Ltda, Morena Veículos Ltda e MC Assessoria. Em 05/12/2012, o contribuinte apresentou parte do quanto solicitado; i) em 19/12/2012, o contribuinte foi intimado (Termo de Constatação Fiscal nº 0001, fl. 164) da inclusão dos tributos PIS e Cofins referentes aos anos-calendário 2008 e 2009. A empresa MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda foi intimada a retificar DCTF relativa ao 2º trimestre de 2009, referente ao IRPJ e CSLL, e assim o fez; j) em 04/02/20013 o contribuinte foi intimado da continuidade desta Auditoria (fl. 165); k) em 04/04/2013 o contribuinte foi cientificado (Termo de Constatação Fiscal nº 0002, fl. 166) da inclusão dos tributos IRPJ e CSLL, referente ao ano-calendário de 2007, na presente Auditoria. 2. DO DESENVOLVIMENTO DA AÇÃO FISCAL. A auditoria realizada demonstrou a ligação/controle entre as empresas Norauto Caminhões Ltda, Norauto Veículos Ltda, Morena Veículos Ltda, Anira Veículos Ltda e MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda, bem como os efeitos tributários no que se refere à dedução de despesas com prestação de serviços tomados da MC Assessoria. 2.1. Do controle comum, através dos mesmos quotistas, entre as empresas Norauto Caminhões Ltda e MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda. A empresa Norauto Caminhões Ltda iniciou suas atividades, de acordo com o Contrato Social, em 20/12/2004 (fls. 193/200), cujos quotistas estavam dispostos da seguinte forma: Norauto Veículos Ltda (99,9998%), Modezil Ferreira de Cerqueira (0,0001%) e Florisberto Ferreira de Cerqueira (0,0001%). De acordo com a cláusula 7ª do citado contrato a sociedade era administrada pelos Srs. Modezil Ferreira de Cerqueira e Florisberto Ferreira de Cerqueira, com as funções respectivas de Diretor Presidente e Diretor Superintendente. A composição societária da empresa Norauto Veículos Ltda, na época da constituição da Norauto Caminhões Ltda era a indicada no demonstrativo de fl. 42, onde se vê que os sócios com maiores participações são os Srs. Modezil Ferreira de Cerqueira (26,67%) e Florisberto Ferreira de Cerqueira (20,83%), que ocupam as funções respectivas de Diretor Presidente e Diretor Superintendente. No que se refere aos anos auditados (2007 a 2009) o quadro societário da Norauto Caminhões Ltda é o indicado na fl. 43. 2.2. Da Constituição da empresa MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda. A empresa MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda foi constituída em 29/09/2006 e registrada na JUCEB em 12/01/2007, data esta também indicada nos dados cadastrais na Receita Federal do Brasil – RFB. Observa-se que a empresa está situada em endereço similar ao da Anira Veículos Ltda (empresa administrada pelos Srs. Modezil Ferreira de Cerqueira e Florisberto Ferreira de Cerqueira e controlada pela Morena Veículos Ltda.), tem como objeto a prestação de serviços de assessoria em gestão empresarial e possuía o quadro societário formado pela Morena Veículos Ltda, Jacuípe Veículos Ltda, Norauto Veículos Ltda, Anira Veículos Ltda e Norauto Caminhões Ltda, com os percentuais indicados na tabela de fl. 44. Em 10/07/2007, de acordo com a 1ª alteração do Contrato Social da MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda., os sócios acima mencionados retiraram-se da sociedade, cedendo suas cotas para as seguintes pessoas físicas: Modezil Ferreira de Cerqueira (30%), Florisberto Ferreira de Cerqueira (30%), Modezil Rodrigues Ferreira de Cerqueira (15%), Myllene Rodrigues de Cerqueira (15%) e Luiz José Pimenta (10%). Fl. 3553DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 Esta alteração contratual foi a última a ter efeito nos períodos compreendidos nesta auditoria. Assim, constata-se que a empresa MC Assessoria possui Diretor Presidente e Diretor Superintendente idênticos aos da Norauto Caminhões Ltda. De acordo com a cláusula sétima do contrato social da MC Assessoria os seus administradores (Diretor Presidente e Diretor Superintendente) são idênticos aos da Norauto Caminhões Ltda. Esta situação encontra-se resumida no quadro de fl. 45. Resta claro que o controle das empresas Norauto Caminhões Ltda e MC Assessoria, no período compreendido por esta auditoria, é exercido majoritariamente pela família Ferreira de Cerqueira e que a gestão dos negócios é realizada pelos Srs. Modezil Ferreira de Cerqueira e Florisberto Ferreira de Cerqueira. Observa-se ainda que os diretores Presidente e Superintendente da empresa Morena Veículos Ltda administram e controlam a Norauto Veículos, Norauto Caminhões e MC Assessoria, conforme se observa no demonstrativo de fl. 46. A cláusula 7ª da 11ª alteração contratual da empresa Morena Veículos Ltda dispõe que a sociedade era administrada pelos Srs. Modezil Ferreira de Cerqueira, Florisberto Ferreira de Cerqueira, Luiz José Pimenta, Modezil Rodrigues Ferreira e Cerqueira e Myllene Rodrigues de Cerqueira Telles de Souza, com as funções respectivas de Diretor Presidente, Diretor Superintendente, Diretor Financeiro, Diretor Comercial e Diretora Administrativa. Outro ponto que merece destaque para o deslinde desta auditoria é a ligação entre as empresas Anira Veículos Ltda, Norauto Veículos Ltda, Norauto Caminhões Ltda e Morena Veículos Ltda, nos períodos investigados (2007 a 2009) conforme mostram os diagramas de fls. 47/48. De todo o exposto conclui-se que, no período compreendido entre os anos de 2007 e 2009, a empresa Anira Veículos Ltda é controlada diretamente pela empresa Morena Veículos Ltda, que por sua vez é controlada por pessoas físicas diversas, sendo que duas delas, Srs. Modezil Ferreira de Cerqueira e Florisberto Ferreira de Cerqueira, administram as empresas Norauto Veículos Ltda, Norauto Caminhões Ltda e MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda, conforme mostrado no diagrama de fl. 48. 2.3. Da artificialidade na constituição da MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda. A empresa MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda foi constituída em janeiro de 2007, todavia, apenas em 15 de junho do corrente ano houve integralização de capital no valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), de acordo com Razão da conta “Capital Registrado”, código 2301010001. De acordo com análise realizada nos arquivos digitais de folha de pagamento apresentados pela MC Assessoria é possível perceber que a empresa iniciou suas atividades com 46 funcionários (dados limitados até 11/06/2007), sendo que 42 deles oriundos do próprio grupo econômico, conforme mostra a planilha de fls. 48/49. Ainda de acordo com os citados arquivos de folha de pagamento, os funcionários transferidos das empresas do grupo econômico para a empresa MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda continuaram a receber, em sua grande maioria, os mesmos proventos e não tiveram alteração do cargo após transferência. No caso específico da Norauto Caminhões Ltda o único funcionário transferido para a MC Assessoria foi contratado em 02/04/2007, cujos proventos no período de experiência correspondiam a R$420,00 (quatrocentos e vinte reais) e em junho de 2007, portanto, após a transferência, correspondia a R$ 1.080,00 (um mil e oitenta reais), não tendo havido alteração do cargo após a transferência. Resta claro ter havido apenas transferência de funcionários entre empresas do próprio grupo, principalmente quando se observa a data de admissão na empresa MC Assessoria, anterior a sua constituição de fato. Observa-se ainda que todos os funcionários transferidos, bem como os novos contratados pela MC Assessoria, trabalham fisicamente nas dependências da empresa Morena Veículos Ltda, que inicialmente a constituiu, juntamente com a Norauto Caminhões Ltda e, posteriormente Fl. 3554DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 mantém sócios e diretoria comum com aquela (MC), demonstrando, cabalmente que as três empresas são parte integrantes do mesmo grupo econômico, formado ainda por Aníra Veículos, Jacuípe Veículos Ltda, Norauto Veículos Ltda, Jubiabá Veículos Ltda, Brune Veículos Ltda e Jubiabá Autos e Comerciais Ltda. Em 3 de abril de 2012 esta auditoria compareceu ao endereço cadastral da empresa Anira Veículos Ltda e constatou que a empresa MC Assessoria está localizada fisicamente nas dependências daquela, no segundo andar. Inquirido acerca da localização da empresa MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda., o Sr. Aurivalter C. P. Silva Júnior, Diretor Executivo da Anira Veículos Ltda, se limitou a dizer que a mesma funciona numa sala, com uma mesa e algumas cadeiras, e que não há responsável pela gerência naquele local. A autoridade fiscal lavrou Termo de Intimação Fiscal n° 0004, cuja ciência ao contribuinte (Norauto Caminhões Ltda) se deu de forma pessoal, contendo constatação acerca do que fora observado na visita acima mencionada, todavia, não houve qualquer manifestação por parte da empresa. Salienta-se também que a Sra. Rita dos Santos Campos, Supervisora Contábil do grupo, corroborou a informação de que os funcionários lotados na área contábil/financeira, inclusive staff, das empresas investigadas nesta auditoria trabalham nas dependências da empresa Morena Veículos Ltda., exceção feita aos funcionários da empresa TV Subaé Ltda, localizada no município de Feira de Santana - Bahia. A empresa MC Assessoria foi intimada pessoalmente a apresentar cópias das contas de luz e aluguel, bem como informar motivo da constituição da empresa, já que funciona no mesmo local e dispõe de quadros societário idêntico ao das empresas tomadoras dos serviços. Em resposta a intimação fiscal, a empresa MC informa que não possui contas de luz, utilizando, portanto, a energia da cedente Anira Veículos Ltda. Apresenta ainda, contrato de cessão de uso sem ônus do espaço físico referente ao imóvel localizado a Via Urbana, n° 5.520, Centro Industrial de Aratu, Cia Sul, Simões Filho - Bahia, de propriedade da empresa Anira Veículos Ltda. Em relação ao motivo da constituição da citada empresa, o contribuinte alega que a sociedade foi criada para promover gestão integrada dos partícipes do grupo econômico, entre outros. A análise da escrita contábil da empresa MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda mostrou que os saldos das contas de luz e aluguéis estão zerados, ou seja, não apresentaram movimentação. Ressalta-se que estas contas apresentaram o mesmo padrão em 2008 e 2009. Em 19 de novembro de 2012, a empresa Norauto Caminhões Ltda foi intimada, através de Termo de Intimação Fiscal n° 0004, a apresentar o relatório de atividades desenvolvidas pela empresa MC Assessoria, respondendo inicialmente, de modo verbal, através do procurador, Sr. José Carlos dos Santos Campos, que não dispunha de tal controle, essencial para existência/dedutibilidade de despesas contabilizadas e deduzidas da base de cálculo do lucro tributável. Todavia, após diversos contatos, em 5 de dezembro de 2012 o contribuinte apresentou arrazoado cujo teor versava sobre rol de serviços genericamente prestados referente a cada área operacional da empresa, tais como, Contabilidade, Escritório Pós-Vendas, entre outros. Frisa-se que as notas fiscais emitidas pela prestadora para a contratante não discriminam os serviços desenvolvidos, contendo apenas indicação genérica de prestação de serviços. Conclui-se, portanto, que o arrazoado produzido não demonstra quais são os serviços oferecidos, os custos, tampouco a mão de obra envolvida, não se prestando a comprovar a efetividade da prestação. Outrossim, não se pode olvidar que as tarefas elencadas genericamente no arrazoado são idênticas as prestadas por qualquer funcionário em uma empresa. Analisando-se as DIPJ, ano calendário 2007, ficha 03, página 02, das diversas empresas do grupo, constata-se que a responsável pelo preenchimento das informações ali contidas é a Sra. Rita dos Santos Campos, Supervisora Contábil do grupo, anteriormente lotada na empresa Morena Veículos Ltda e transferida para a empresa MC Assessoria. Frisa-se que o correio eletrônico informado nas DIPJ citadas é idêntico, qual seja, CONTABILIDADE@MORENAVEICULOS.COM.BR. Fl. 3555DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 Converge ainda, na linha de artificialidade na constituição da MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda o fato do contato informado na GFIP da empresa Norauto Caminhões Ltda ser a Sra. Rosane Ferreira Andrade, Supervisora de Pessoal, admitida no quadro de funcionários da Morena Veículos Ltda em 17/06/1997 e transferida para a MC Assessoria em 01/06/2007. A despeito da MC Assessoria ter sido constituída para promover gestão integrada dos partícipes do grupo econômico sequer é responsável pelo envio da GFIP da Norauto Caminhões Ltda, tarefa esta realizada pelo próprio impugnante, pela Norauto Veículos Ltda e, em alguns meses pela Morena Veículos (maio a outubro de 2007 e novembro, dezembro e décimo terceiro de 2009). Constatou-se também que a MC Assessoria sequer envia sua própria GFIP, em alguns meses, tarefa esta realizada pela empresa Morena Veículos Ltda. Estas constatações demonstram cabalmente, no mínimo, a confusão patrimonial que existia entre as empresas acima citadas. Diante do exposto, restou comprovado que a empresa MC Assessoria possui endereço cadastral no mesmo local da Anira Veículos Ltda, não possui qualquer estrutura física/operacional condizente com uma empresa prestadora de serviços, tais como despesas de luz, aluguel, ou qualquer outra comum à atividade empresarial. Ressalta-se que de acordo com a DRE 2007, apresentada pela empresa MC Assessoria, só é possível observar despesas com pessoal (ordenados da administração e bolsa de estagiários) e seus encargos, bem como pagamento de tributos. Constatou-se, ainda, que a MC Assessoria iniciou suas atividades com a transferência de funcionários das empresas para as quais prestaria serviço, cuja remuneração destes alterou infimamente, com auferimento de receitas e elevada margem de lucro. Observa-se, por fim, mas não de forma exaustiva, que a empresa MC Assessoria utiliza as dependências físicas da empresa Morena Veículos Ltda, bem como presta os mesmos serviços que os funcionários transferidos prestavam na lotação anterior (empresas do grupo econômico), inclusive com mesmos proventos. Merece ainda atenção o fato de que todo o atendimento a esta Auditoria para prestação de informações foi realizado pela mesma pessoa, qual seja, Rita dos Santos Campos, Supervisora Contábil do grupo. Estas afirmações estão corroboradas, entre outros, pelos seguintes fatos: a) envio das GFIP por pessoa comum ao grupo (Rosane Ferreira Andrade); b) envio das DIPJ por pessoa comum ao grupo (Rita dos Santos Campos); c) manutenção dos proventos pagos antes da constituição da MC e após a transferência dos funcionários mencionados na planilha; d) data de admissão dos funcionários na empresa MC Assessoria convergente com a data de admissão na antiga lotação conforme dados obtidos nos arquivos de folha de pagamento apresentado pelas empresas do grupo investigado; e) ausência de relatórios de atividades comprovando a efetividade dos serviços prestados, requisito essencial à idoneidade da despesa contabilizada e deduzida do lucro tributável, bem como, identificação genérica dos serviços prestados no corpo das notas fiscais; f) gestão dos negócios realizada pelos mesmos responsáveis, quais sejam, Srs. Modezil Ferreira de Cerqueira e Florisberto Ferreira de Cerqueira, ambos quotistas/administradores das empresas investigadas por esta auditoria; g) prestação de serviços pela empresa MC Assessoria apenas a empresas do grupo econômico com elevada margem de lucro; h) endereço cadastral similar/idêntico e comprovação posterior de localização no mesmo lugar entre a Anira Veículos Ltda e MC Assessoria, está última sem qualquer estrutura física/operacional; i) ausência de rubricas contábeis na empresa MC Assessoria, referentes a despesas convencionais observadas em qualquer sociedade. Fl. 3556DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 Esta Auditoria comprova ao término deste Termo de Verificação Fiscal que a empresa MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda não existe de fato, tendo sido constituída apenas com fito de reduzir tributos e maximizar distribuição de lucros aos quotistas, utilizando-se do instituto da simulação para consecução dos objetivos. 2.4. Da consolidação das operações de prestação de serviços entre as empresas MC Assessoria Gestão Empresarial Ltda (prestadora) e a Norauto Caminhões Ltda (tomadora) e a consequente infração de glosa de despesas não necessárias/ existentes: Nos tópicos anteriores, esta auditoria demonstrou que os quotistas da empresa Norauto Caminhões Ltda controlam a MC Assessoria, bem como a administram, conforme Contrato Social. Foi constatado que a MC Assessoria foi constituída em endereço idêntico ao da Anira Veículos Ltda (controlada pela Morena Veículos Ltda e ligada à Norauto Caminhões Ltda), sem capacidade operacional, com o objetivo de oferecer os mesmos serviços que já eram prestados pelos funcionários nas lotações anteriores, repise-se, empresas do mesmo grupo econômico. Ademais, constatou-se ainda que os proventos dos funcionários transferidos das empresas do grupo econômico para a empresa MC Assessoria não se modificaram na grande maioria. Analisando-se a questão profundamente percebeu-se que a empresa Norauto Caminhões Ltda possuía gasto com pessoal (proventos verificados nos arquivos de folha de pagamento apresentados referentes ao único funcionário transferido) no valor de R$1.145,00, entre abril e maio de 2007, ou seja, antes do início das atividades da MC Assessoria. Observa-se que após o citado início de atividades da MC Assessoria, a Norauto Caminhões Ltda transferiu um funcionário para a MC Assessoria, cujos proventos, após a transferência, totalizaram R$9.091,80. Todavia, constatou-se que a despesa contabilizada, com a tomada de serviços, na empresa Norauto Caminhões Ltda, totalizou R$296.252,55. As notas fiscais de prestação dos serviços emitidas pela empresa MC Assessoria sequer discriminam os serviços prestados e, em resposta à intimação, a empresa Norauto Caminhões Ltda se limitou a apresentar arrazoado contendo rol de atividades, em tese, realizadas por setores da empresa. Por si só, este preâmbulo já seria suficiente para glosar as despesas com a citada prestação de serviços, pela falta de sua efetiva comprovação, através dos relatórios de atividades desenvolvidas na atividade comercial, que se tornam mais importantes, sobretudo, por se tratar de empresas de um mesmo grupo econômico. Todavia, esta auditoria demonstra em detalhe a real intenção das empresas ao constituir uma empresa de prestação de serviços sob controle comum. Inicialmente, observa-se que a Norauto Caminhões Ltda é tributada pelo Lucro Real Anual, com recolhimento de estimativas mensais, conforme se depreende da ficha 01 da DIPJ ano calendário 2007, portanto, tem seu lucro tributável reduzido pelas despesas contabilizadas e não adicionadas ao Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR. Nota- se, no caso em tela, que não se verifica qualquer adição a título de despesas com prestação de serviços no referido livro. Da análise realizada na escrita contábil, relativa ao ano calendário 2007, apresentada pela Norauto Caminhões Ltda, percebe-se que as citadas despesas estão contabilizadas na conta "Legais e Profissionais", código n° 462101010121, e, que reduzem o lucro tributável no montante de R$ 296.252,55. Ressalta-se que o citado valor contabilizado diverge um pouco da informação prestada pelo contribuinte na DIPJ do ano-calendário 2007 e planilha, porém, esta auditoria utilizou a informação contábil coincidente inclusive com as notas fiscais. No outro lado desta questão surge a constituição, em tese, da empresa MC Assessoria, que de acordo com a DIPJ ficha 01, página 01, fez opção por tributar seu lucro de forma presumida, com recolhimentos trimestrais. Da análise do artigo 51, parágrafo 2º, da Instrução Normativa SRF n° 11, de 21 de fevereiro de 1996, constata-se que, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, a parcela dos lucros ou dividendos que exceder o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os Fl. 3557DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica, também poderá ser distribuída sem a incidência do imposto, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido ou arbitrado. De acordo com o regramento acima descrito, o lucro contábil pode ser distribuído sem a incidência de impostos. No caso concreto, conforme mostram os demonstrativos 1 e 2 (fls. 54/55), a despesa transferida da Norauto Caminhões Ltda para a empresa MC Assessoria (um funcionário) tem efeito na tributação e no lucro a distribuir da empresa Norauto Caminhões Ltda (a maior). Ressalta-se que a relação entre tributos a recolher e Lucro Líquido a distribuir variou de 37,72% (antes da auditoria) para 42,02% (após a auditoria). À fl. 55 encontra-se demonstrado o benefício auferido com a constituição da empresa MC Assessoria, que, além de reduzir a tributação do grupo econômico, apura um lucro contábil bem superior ao lucro presumido, possibilitando uma distribuição favorecida aos sócios. Constatou-se que o lucro a distribuir representa cerca de 85,6% da receita auferida da forma como a operação foi realizada e que a relação entre tributos a recolher e Lucro Líquido a distribuir equivale a 16,72%, aproximadamente 1,96 vezes (32,72/16,72) melhor que a configuração verificada na empresa Norauto Caminhões Ltda. Após estes esclarecimentos, resta claro que o objetivo da constituição da empresa MC Assessoria é transformar despesas com pessoal de empresas optantes pelo Lucro Real em receitas de prestação de serviço com tributação favorecida e alta margem de lucro para distribuí-lo aos quotistas comuns. Outrossim, ressalta-se que há vantagem econômico/financeira substancial, no que se refere à redução da tributação das empresas optantes pelo Lucro Real, em face da criação de despesas elevadas com prestação de serviços. Do acima exposto, conclui-se que a constituição da empresa MC Assessoria se deu apenas no papel, respeitando as formalidades legais, todavia, restou comprovado que de fato a empresa não existe e cumpre apenas seu objetivo de redução da tributação e aumento da distribuição de lucros de forma ilícita. Insta salientar que esta conduta perpetrada pela empresa Norauto Caminhões Ltda tem como consequência a glosa de despesas com a referida prestação de serviços e lavratura de Auto de Infração, referentes aos anos calendário de 2007 a 2009, planilha a seguir: Norauto Caminhões Ltda. Ano de 2007 Ano de 2008 Ano de 2009 Despesa glosada R$296.252,55 651.346,90 598.112,51 Conforme já mencionado, de acordo com os arquivos digitais de folha de pagamento apresentados pela empresa Morena Veículos Ltda, todos os funcionários da área contábil/financeira estavam ali lotados, todavia, estes prestavam serviços para todas as empresas do grupo, exceto a TV Subaé Ltda. Por isso, entende esta Auditoria que existem despesas de pessoal a serem rateadas por todas as empresas do grupo. O critério utilizado foi reduzir o montante relativo à lavratura do Auto de Infração dos tributos (IRPJ e CSLL) efetivamente declarados em DCTF e/ou pagos pela empresa MC Assessoria, que de fato não existe, proporcionalmente ao faturamento das referidas empresas, situação que se encontra sintetizada nos demonstrativos de fls. 56/57. 2.5. Da simulação e consequente glosa das despesas com a prestação de serviços tomada da empresa MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda, inexistente de fato. Fl. 3558DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 De acordo com todo o acima exposto, não resta qualquer dúvida que a empresa MC Assessoria não existe de fato e que foi constituída com objetivo de reduzir a carga tributária do grupo econômico e maximizar a distribuição de lucros/dividendos. A citada distribuição de dividendos está evidenciada na ficha 51A, páginas 08 e 12 das DIPJ dos anos calendário 2007 e 2008, respectivamente, e ficha 61A, página 18, da DIPJ ano-calendário 2009, bem como, registrada na conta contábil “Exercício Seguinte”, código nº 2303020002. Esta afirmação se baseia em diversos aspectos já pormenorizados neste Termo de Verificação Fiscal, cuja consequência é a glosa da referida despesa. Anteriormente à constituição da MC Assessoria a empresa Norauto Caminhões Ltda. deduzia do lucro tributável suas despesas com pessoal, entre outras. Posteriormente à constituição daquela foi possível planejar, de forma ilícita, o montante a deduzir do lucro real, cuja consequência é a redução da carga tributária desta, bem como a elevação da distribuição de dividendos, mediante apuração de altos lucros em empresa recém criada e optante pelo Lucro Presumido (MC Assessoria). No curso deste procedimento fiscal, ficou comprovado, consoante conjunto probatório vasto, que a empresa MC Assessoria presta os mesmos serviços outrora prestados pelos funcionários integrantes do grupo econômico, porém, com elevado custo para os optantes do lucro real. Ressalta-se que o mais importante é que os serviços prestados não foram devidamente comprovados, através de relatórios de atividades, requisito essencial para dedução das despesas nas empresas optantes pelo lucro real. Outrossim, percebe-se que a indicação dos serviços prestados no corpo das notas fiscais fora feita de forma genérica. Não se pode olvidar que o contribuinte simulou a prestação dos referidos serviços cumprindo as formalidades legais, com objetivo claro de redução da carga tributária e maximização da distribuição dos lucros e dividendos. Neste caso, observa-se claramente que substância e forma das operações, como foram realizadas, não se coadunam. Conclui-se que o negócio realizado aparentemente, ou, simulado, não subsistirá, ou seja, a prestação dos serviços realizados pela MC Assessoria de fato não ocorreu, consequentemente, impondo-se a glosa das despesas respectivas. O Código Civil do Brasil, aprovado pela Lei n° 10.406, de 2002, estabelece que: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; (...) A essência do negócio jurídico ocorrido foi a criação de despesas não comprovadas, através de atos simulados, cujo objetivo maior era a redução da carga tributária, conforme relato. A simulação, tal qual se verifica na espécie, pressupõe que se procure fingir, disfarçar, mostrar o irreal como verdadeiro, dissimular a verdade. No campo eminentemente privado, os atos anuláveis podem ser retificados, ou seja, as partes podem corrigir os vícios neles existentes, de forma a se compatibilizarem com a vontade da lei. De outra parte, o ato nulo é insanável, de modo que o ato simulado é nulo, não podendo produzir qualquer efeito, nem ser sanado. O artigo 109 do Código Tributário Nacional dispõe, in verbis: Fl. 3559DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 Os princípios gerais de direito privado utilizam-se para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. (...) Art. 118, do referido Código dispõe, in verbis: A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se: I - da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II - dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. O texto reproduzido traz as linhas gerais de interpretação e aplicação da legislação tributária aos fatos econômicos, quando intervém atos jurídicos simulados. O artigo 109 determina que os princípios gerais de direito privado não devem ser utilizados para definir ou conformar os efeitos tributários de seus institutos, conceitos e formas. Portanto, os fatos relevantes para o nascimento da obrigação tributária (fatos econômicos, essencialmente) devem ser analisados com abstração das formas jurídicas sob as quais se apresentarem, sempre que a realidade econômica dos fatos, subjacentes à forma jurídica utilizada, se mostrarem vigorosamente distintos da roupagem jurídica que lhes foi imposta, mormente com artificialidade evidente. Ainda é possível observar que o artigo 149, inciso VII, do referido Código dispõe que o lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. Enquadramento Legal: Infração - Glosa de Despesa não comprovada/existente na apuração do IRPJ: • Artigos 247; 248; 249, inciso I; 251; 277; 278; 299 e 300 do RIR/99; • Artigos 109; 116; 118 e 149 do CTN. Infração - Glosa de Despesa não comprovada/existente na apuração da CSLL: • Artigo 2º e 3º, inciso II, da lei 7.689 de 15 de dezembro de 1988 e alterações posteriores; • Artigo 57, da Lei 8.981 de 20 de janeiro de 1995 e alterações posteriores; • Artigo 1º da Lei 9.316 de 22 de novembro de 1996; • Artigo 28, da Lei 9.430 de 27 de dezembro de 1996. 2.6 Da qualificação da multa de ofício pela prática de Sonegação, Fraude e Conluio: A Norauto Caminhões Ltda apura seu resultado fundamentado no Lucro Real Anual com pagamento de estimativas mensais calculadas com base em balanços de redução/suspensão. Este resultado é composto por contas de resultado representado por receitas, despesas e custos, cujo confronto ajustado concebe o fato gerador do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. As condutas supracitadas do contribuinte tiveram a finalidade, de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, além de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento, conforme descrição abaixo. De acordo com todo arrazoado produzido, não se questiona que a empresa Norauto Caminhões Ltda participou, inicialmente, da constituição da empresa MC Assessoria, Fl. 3560DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 todavia, em seguida cedeu as suas cotas para seus gestores, que por sua vez a controlam diretamente, configurando, assim, o supracitado grupo econômico. Ato contínuo à constituição da MC Assessoria observa-se que os serviços anteriormente executados por funcionários próprios passaram a ser executados por valores muito superiores pela empresa recém criada. Contudo constatou-se que os funcionários desta vieram transferidos das empresas agora tomadoras dos serviços. Conclui-se ainda que a empresa MC Assessoria não existe de fato, tendo sido constituída de forma simulada, para atender a objetivos específicos do grupo econômico. O processo de constituição da empresa MC Assessoria se baseou nas benesses concedidas pelo artigo 51, parágrafo 2º, da Instrução Normativa SRF n° 11, de 21 de fevereiro de 1996, que possibilita a distribuição do lucro contábil quando superior ao presumido. Diante deste regramento, algumas empresas pertencentes ao grupo econômico, quais sejam, Norauto Veículos Ltda, Jacuípe Veículos Ltda, Morena Veículos Ltda, Anira Veículos Ltda e Norauto Caminhões Ltda, estabeleceram que deveriam criar uma situação jurídica para se beneficiar diante do universo legal estabelecido. A forma encontrada para conseguir o intento foi constituir fictamente uma empresa optante pelo lucro presumido para prestar serviços apenas a empresas ligadas com elevada margem de lucro. Percebe-se que o grupo econômico demonstrou no papel, através de operações formais, uma intenção que não foi corroborada com os atos efetivamente praticados, ou seja, essência e forma não se coadunam. Os atos públicos praticados não tiveram outra finalidade a não ser esconder/dissimular os verdadeiros. Após a leitura deste Termo de Verificação Fiscal não resta qualquer dúvida que a empresa MC Assessoria não existe de fato. Esta conduta intencional de criar operações sem qualquer substância econômica ou propósito negocial, a não ser o de elidir tributos, aumentou as despesas operacionais da Norauto Caminhões Ltda, reduzindo sensivelmente o valor do tributo a recolher, mediante comportamento doloso, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, bem como alteração das características fundamentais do fato gerador, qual seja, o lucro tributável. O artigo 71, da Lei 4.502 de 30 de novembro de 1964, dispõe o seguinte, in verbis: Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. O artigo 72, da Lei 4.502 de 30 de novembro de 1964, dispõe o seguinte, in verbis: Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Neste cenário observa-se ainda que o artigo 73, da referida Lei, dispõe o seguinte, in verbis: Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fl. 3561DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 Entende esta Auditoria, consoante arrazoado elaborado neste item e em todo o trabalho realizado, que a conduta intencional adotada pela Norauto Caminhões Ltda para reduzir seu lucro tributável encaixa-se com perfeição nos conceitos acima mencionados. Assim, conclui-se que de acordo com artigo 44, inciso II, da lei 9.430 de 27 de dezembro de 1996, com nova redação dada pela lei 11.488, de 15 de junho de 2007, a multa de ofício será duplicada, mormente ter havido Sonegação, Fraude e Conluio praticada pelas empresas Norauto Caminhões Ltda, Morena Veículos Ltda, através de seus quotistas/administradores comuns, Norauto Veículos Ltda, Anira Veículos Ltda e MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda, entre outros partícipes do Grupo Econômico. 2.7. Das considerações acerca da possibilidade do lançamento referente ao ano- calendário 2007: Havendo sido demonstrada a sonegação, o intuito de fraude, o dolo, a simulação e o conluio, o prazo de decadência não é mais contado da data da ocorrência do fato gerador, conforme o §4º do art. 150 do CTN, conclui-se que o início da contagem do prazo, a teor do inciso I do art. 173 do CTN, se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, qual seja 1º de janeiro de 2009, decaindo somente em 1º de janeiro de 2014, podendo, portanto, a glosa de despesas não comprovadas/existentes ser lançada de ofício até 31/12/2013. 2.8. Da Infração referente à Multa pelo não pagamento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL: Tendo em vista que para os anos-calendário de 2007 a 2009 a empresa optou pela forma de tributação do IRPJ e da CSLL com base no lucro real anual, com pagamento de estimativas mensais, e em se considerando as infrações apuradas por esta fiscalização que alteram os resultados fiscais dos períodos e das estimativas citados, constata-se que a empresa deixou de efetuar diversos pagamentos do IRPJ e da CSLL estimados. A falta do pagamento do IRPJ e da CSLL devidos mensalmente por estimativa está sujeita a multa de 50% sobre o valor que deixou de ser pago, conforme disposto no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, inciso II, alínea b, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei n° 11.488, de 15/06/2007 (conversão da Medida Provisória n° 351 de 22/01/2007), que diz: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas multas: ... II – de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: ... na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Corroborando entendimento do citado diploma legal, em 24 de dezembro de 1997, a Receita Federal do Brasil publicou Instrução Normativa SRF n° 93, cujo artigo 16, determina o seguinte: Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do ano-calendário, o lançamento de ofício abrangerá: I – a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; Fl. 3562DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 II - o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora, contados do vencimento da quota única do imposto. Do todo acima exposto, foram cobradas as multas isoladas pela falta dos pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, conforme constatação nos Demonstrativos de Apuração dos anos-calendário específicos, parte integrante deste Auto de Infração. DA CONCLUSÃO: Da análise da escrita contábil/fiscal e dos fatos acima expostos conclui-se que a despesa com prestação de serviços tomados da empresa MC Assessoria, nos moldes utilizados pela Norauto Caminhões Ltda, é indevida consoante diplomas legais vigentes. Em função desta constatação foram recompostas as bases de cálculo do IRPJ e CSLL, glosando-se as despesas acima citadas. A multa de ofício referente a esta infração foi duplicada nos termos do artigo 44, inciso II, da Lei 9.430/96, com nova redação dada pela Lei 11.488/2007, por entender esta Auditoria que houve Sonegação, Fraude e Conluio nas operações intragrupo realizadas. Ainda neste contexto, observa-se outra infração cometida pelo contribuinte cuja penalidade é a aplicação de multa isolada pelo não pagamento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL. Dos Termos de Sujeição Passiva Solidária. Em razão da infração cometida pelo contribuinte, já descrita no Termo de Verificação Fiscal, foram lavrados os Termos de Sujeição Passiva Solidária contra os diretores da Norauto Caminhões Ltda: Modezil Ferreira de Cerqueira (Diretor Presidente), fls. 77/83, e Florisberto Ferreira de Cerqueira (Diretor Superintendente), fls. 84/90. Nos referidos Termos encontra-se descrita a conduta da empresa que resultou na autuação fiscal, já pormenorizadamente detalhada no Termo de Verificação Fiscal anteriormente citado e a razão da lavratura dos Termos de Solidariedade Passiva: • de acordo com a cláusula 7ª do Contrato de Constituição da Norauto Caminhões Ltda, vigente durante o período que impacta esta auditoria (2007 a 2009), a sociedade era administrada pelos sócios Modezil Ferreira de Cerqueira (Diretor Presidente), Florisberto Ferreira de Cerqueira (Diretor Superintendente). • os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964, tratam da sonegação, fraude e conluio que consoante arrazoado elaborado neste item e em todo o trabalho fiscal realizado se encaixa com perfeição na conduta materializada; • a cláusula 17ª da consolidação citada dispõe que compete à Diretoria cumprir e fazer cumprir as cláusulas e condições deste contrato, com poder legal para garantir o regular funcionamento da sociedade, investidos de mais os seguintes: (a) Manter, sob sua guarda e responsabilidade, todos os títulos e valores mobiliários da sociedade; (b) Decidir sobre a celebração de contratos, convênios, acordos, empréstimos e financiamentos do interesse da sociedade; (c) Decidir sobre aquisição, locação, alienação, oneração ou gravame de bens imóveis; (d) Decidir sobre a lotação de pessoal; (e) Praticar todos os demais atos necessários ao exercício da administração social, exceto os que por lei sejam contrários aos interesses da sociedade ou que, por esse contrato sejam de atribuição da Reunião de Quotistas. (grifos nossos). • de todo o exposto nos Termos de Solidariedade Passiva e no Termo de Verificação Fiscal, conclui-se que houve infração a lei, Contrato Social ou Estatutos em face do não Fl. 3563DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 cumprimento da legislação em vigor, mediante conduta simulada dos diretores empossados; • O artigo 135 do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25/10/1966), dispõe in verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – as pessoas referidas no artigo anterior; II – os mandatários, prepostos e empregados; III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Grifos nossos. • ante o exposto, restou caracterizada a sujeição passiva pessoal dos Srs. Modezil Ferreira de Cerqueira (Diretor Presidente) e Florisberto Ferreira de Cerqueira (Diretor Superintendente), nos termos do art. 135 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN). IMPUGNAÇÃO O contribuinte tomou ciência dos autos de infração em 28/05/2013 e apresentou a impugnação em 27/06/2013 (fls. 2.694/2.793), alegando, em síntese: • a nulidade da autuação, pela incompetência da autoridade administrativa para decretar a desconsideração da personalidade jurídica da MC Assessoria e Gestão Empresarial Ltda, empresa prestadora de serviços, haja vista a necessidade de lei regulamentadora prevendo o procedimento para a decretação; • o impugnante integra um grupo de empresas estruturadas a partir de sistema de gestão pelo qual há uma empresa, a MC Assessoria, especificamente dedicada a prover as demais empresas nas necessidades de serviços-meio e back office (serviços contábeis, de recursos humanos, tecnologia da informação, serviços gerais, dentre outros tipicamente abrangidos sobre uma estrutura de serviços compartilhados), através de uma Central de Serviços Compartilhados e Central de Compras; • a autoridade fiscal compondo um cenário em que tal estrutura de serviços compartilhados consubstancia um suposto estratagema fraudulento, decretou a desconsideração da personalidade jurídica da MC Assessoria, reputando-a "inexistente" e atribuindo suas atividades às empresas que contratam os seus serviços, ou seja, as empresas operacionais do grupo empresarial, dentre as quais o impugnante. Após cerca de nove meses de auditoria na contabilidade, documentos e atividades da contribuinte, a fiscalização, iniciada em 29/03/2012, restou concluída via lavratura de auto de infração que decretou a "inexistência" de uma terceira empresa fornecedora do impugnante e glosou as despesas contratadas pelo impugnante junto à MC Assessoria, para efeito de apuração do IRPJ e CSLL; • a autoridade autuante desconsiderou a existência jurídica da empresa MC Assessoria como ente personalizado, decretando a ineficácia dos seus atos constitutivos, e, conseguintemente, dos atos civis praticados pela empresa, inclusive o contrato de prestação de serviços celebrado com o impugnante, seus consectários obrigacionais e fiscais; • a decretação da desconsideração da personalidade jurídica para efeitos tributários, pela Autoridade Administrativa, é matéria regida pelo Código Tributário Nacional, em seu art. 116, parágrafo único, inserido pela Lei Complementar n° 104/2001. Ocorre que, consoante se infere da redação do dispositivo, a forma de decretação da desconsideração de atos ou negócios jurídicos visando dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo deverá observar "os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária". A norma, como se vê, carece de regulamentação. Sem a lei estabelecendo o procedimento, resta Fl. 3564DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 inaplicável a desconsideração dos atos ou negócios jurídicos supostamente dissimulados; • em dado momento, foi editada a Medida Provisória n° 66/02, em cujos artigos 13 a 19 foram editados os dispositivos estabelecendo "Procedimentos Relativos à Norma Geral Anti-Elisão", regulamentando, assim, a regra do art. 116 do CTN, mas durante o trâmite do diploma normativo nas instâncias legislativas, contudo, até a sua conversão na Lei n° 10.637/02, o texto referente à regulamentação do procedimento relativo à desconsideração foi suprimido, de modo que esta possibilidade de atuação da Autoridade Administrativa continua pendente de autorização no direito positivo. A propósito, é reiterado entendimento do CARF quanto à natureza do dispositivo do art. 116 do CTN, que, de eficácia limitada, queda inaplicável enquanto não sobrevier sua regulamentação; • pretender fugir ao regime jurídico do art. 116 do CTN e aplicar regras análogas a do Código Civil, para elidir a inaplicabilidade do regime fiscal de desconsideração, tampouco traz melhor sorte à pretensão fiscal, pois, de logo, já se reputa prejudicada a aplicabilidade da legislação civil geral para a espécie, na medida em que a lei tributária é norma especial, quando se trata de ato de lançamento de obrigação tributária, não podendo, ante o princípio da especialidade, recusar a sua aplicação em prol de norma geral, tal qual a lei civil. Por sua vez, o regime de desconsideração da personalidade jurídica do direito civil, sobre se aplicar preferencialmente ao regime tributário, ante o postulado da especialidade, requer, ainda mais, a decretação pela autoridade judicial, consoante se infere do art. 50 da codificação privada, a saber: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. • na mesma esteira, o regime jurídico de simulação, do art. 167 da lei civil, evocado pela autoridade autuante para fundamentar o seu ato de desconsideração da personalidade jurídica, também requer a intervenção do órgão do Poder Judiciário. De efeito, a simulação, enquanto vício, da vontade na produção do ato jurídico, é hipótese de nulidade, e, como tal, não pode ser reconhecida senão por decisão do órgão jurisdicional, conforme determinado no art. 168, parágrafo único, do Código Civil; • demonstra-se que nem mesmo a aplicação do regime geral de desconsideração, tampouco a hipótese de simulação, enquanto vício de vontade passível de macular o ato jurídico, ambos da lei civil, lastreiam a atuação da autoridade autuante no caso concreto, ao arrogar-se competência para decretar veredito normativo que, nos termos da lei, é privativo da autoridade judicial; • a autoridade fiscal decretou a desconsideração da personalidade jurídica da MC Assessoria, reputando-a "inexistente", ao supostamente vislumbrar nesta estrutura de gestão de redundâncias e sinergias, com a otimização do atendimento às necessidades comuns de todas as empresas através de uma única estrutura hospedada por uma empresa focada exclusivamente em tais atividades meio, um suposto engenhoso esquema fraudulento que pretendeu combater com o presente Auto de Infração; • ocorre que o procedimento administrativo em pauta, no qual se operou a análise das atividades do impugnante, que teve a sua contabilidade auditada e os recolhimentos tributários escrutinados, corresponde a procedimento administrativo em que o contribuinte fiscalizado, e, assim, parte no PAF que daí foi instaurado, é o próprio Impugnante, e não a MC Assessoria; • todas as alegações e supostos elementos que conduziram à autuação não se referem ao autuado, mas sim à MC Assessoria: quais as atividades da MC Assessoria? Ela prestava serviços? Ela tinha conta em banco? Ela tinha empregados em folha, quantos e desenvolvendo quais atividades? Ela tinha contratos com fornecedores? Quais os custos e despesas da MC Assessoria? Os custos e despesas estavam contabilizados? A MC Fl. 3565DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 Assessoria detinha contrato de prestação de serviços com as empresas do grupo? Ela emitia nota fiscal? A MC Assessoria declarava e recolhia os tributos sobre as receitas auferidas? Essas são as questões fundamentais para o deslinde do feito, porém, nenhuma dessas questões foi respondida pela auditoria realizada pela Autoridade Fiscal, exatamente porque sua análise se centrou na empresa fiscalizada e autuada e não a MC Assessoria; • demonstra-se, destarte, a total incongruência do ato de lançamento: decreta a desconsideração da personalidade jurídica de uma empresa dentro de um procedimento fiscalizatório que tem como objeto uma outra empresa. Mutatis mutandis, é como se o Ministério Público movesse uma denúncia criminal contra Fulano de Tal, e, na peça acusatória, descrevesse como fundamento um ato cometido por Beltrano; • a incongruência, verdadeira inépcia do ato de lançamento, está expressa e simbolizada em uma constatação: um ato jurídico, ou é válido ou não é; ou é nulo ou não é. Não pode ser um e outro ao mesmo tempo. Temos, porém, que este mesmo Auto de Infração que decreta a nulidade da constituição da MC Assessoria foi lavrado contra 9 empresas, dentre as quais o impugnante, e deverá ainda ser, certamente, lavrado contra outras tantas, na medida em que o mesmo grupo empresarial é composto por mais de 10 empresas que contratam os mesmos serviços junto à MC Assessoria; • lógico e coerente, do ponto de vista formal/procedimental, seria que fosse instaurado um procedimento de desconsideração contra a própria MC Assessoria, e, caso fosse afinal consumada a desconsideração, os lançamentos contra as empresas que contrataram seus serviços seriam meros reflexos. Agora, contudo, corre-se o risco, completamente inusitado, de que a MC Assessoria tenha decretada sua nulidade em um auto lavrado contra uma determinada empresa; e seja mantida, na apreciação dos outros autos de Infração, válida para as demais, ou vice-versa!; • medida excepcional que é, a desconsideração da personalidade jurídica, inclusive na hipótese de alegada simulação, exige, como premissa fundamental de segurança, como método de máximo suporte fático e probatório do ato de desconsideração e a oferta do contraditório à pessoa cuja desconsideração é pretendida; • fato é que o procedimento administrativo instaurado contra um determinado contribuinte não é idôneo para decretar a desconsideração da personalidade jurídica de um outro contribuinte, totalmente alheio ao procedimento fiscalizatório epigrafado. Trata-se de absoluta ineficácia do procedimento administrativo fiscal que pretende afetar a esfera jurídica de outrem além daquele sujeito passivo que é objeto da auditoria, ficando patente o desvio de forma que enseja a nulidade. Vale ainda ressaltar que este auto de infração é modelo idêntico para as diversas empresas do grupo empresarial em epígrafe, que contratam serviços compartilhados nos mesmos moldes, perante a mesma MC Assessoria; • o fato é que o impugnante integra grupo empresarial composto por mais de uma dezena de empresas, preponderantemente do ramo do varejo automotivo. Tal cenário, que o fiscal autuante falhou em descrever com precisão, demanda, como um paradigma de gestão, eficiência e plataforma para a expansão das atividades e negócios do grupo empresarial, a instalação de uma central de serviços compartilhados para atender a todos os negócios existentes e àqueles a serem futuramente instalados; • as necessidades de um ambiente econômico crescentemente competitivo, em que os negócios, sobretudo aqueles que operam no varejo, via mera revenda, trabalham com margens de lucro cada vez mais exíguas, exigem uma estrutura de compartilhamento de serviços-meio, ou seja, serviços que não dizem respeito ao negócio principal da empresa e geram redundâncias quando instalados em cada uma das unidades do grupo isoladamente. Uma empresa do grupo hospeda a central de serviços e fornece às demais unidades de negócio tais utilidades que geram demanda comum a todas elas, de modo que aquilo que o fiscal autuante pretendeu caracterizar como fraude não é senão o paradigma do mercado Fl. 3566DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 quando se trata de estrutura de gestão de serviços-meio, administrativos e back office em grupos empresariais; • o autuante, revelando, reiteradamente, pouco rigor e descompromisso com a verdade material, sobre não escrutinar as bases econômicas e fáticas que pautaram a estrutura de serviços compartilhados fornecida pela MC Assessoria, tampouco, manteve-se fiel à realidade, inclusive fiscal e contábil, dos fatos, quando pretendeu apurar o IRPJ e a CSLL do impugnante partindo da "inexistência" da MC Assessoria. De fato, para neutralizar a existência da MC Assessoria como pessoa jurídica autônoma, o autuante imputou os valores de IRPJ e CSLL pagos por esta empresa às empresas contratantes, inclusive o impugnante. Deveria, porém, além de haver imputado tais valores de IRPJ, fazê-lo igualmente quanto aos demais tributos federais, inclusive PIS/Cofins e contribuições sociais, além de, igualmente, atribuir às contratantes também as despesas incorridas pela própria MC Assessoria, inclusive despesas com pessoal, fornecedores, e todas aquelas assim admitidas, como dedutíveis, pela legislação do IRPJ; • os dispêndios incorridos pela pessoa jurídica são, ou não, dedutíveis para efeito de apuração de IRPJ e CSLL na estrita medida em que se conformam aos critérios do art. 299 do Regulamento do Imposto sobre a Renda, aprovado pelo Decreto n° 3000/99 (RIR/99). Trata-se de aspectos técnicos, de fundamental relevância, que a lavratura em momento algum considerou; • o lançamento manteve a sua verve persecutória quando determinou a aplicação da multa qualificada. Para tanto, atribuiu ao impugnante atos de sonegação e fraude com a aplicação da multa em dobro do art. 44, §1°, da Lei n° 9.430/96. A mansa jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), entende que a aplicação da multa qualificada requer a demonstração específica e inequívoca do dolo do contribuinte sob a forma da intenção de fraudar o Erário, logro probatório do qual a lavratura sequer se aproxima; • a lavratura está permeada de uma má compreensão generalizada da estrutura negocial e de gestão do impugnante, e do grupo de empresas que integra, o que, refletindo diretamente o modelo amplamente adotado no mercado, e reconhecido pela própria Receita Federal do Brasil, fornece o grau de incompatibilidade que a lavratura aufere a partir dos fatos que pautam a lide e das normas jurídicas que regem o tema, tudo o que, subsequente e especificamente, nas suas diversas nuanças e vertentes, restará demonstrado, como suficiente para o cancelamento da autuação; • o estabelecimento de uma estrutura de serviços compartilhados na MC Assessoria não consubstancia mero capricho, muito menos engenho fraudulento como surpreendentemente pretendeu caracterizar o autuante, mas sim um passo do grupo empresarial, e do Impugnante como unidade de negócio nele inserida, visando atender a exigências inexoráveis da realidade de mercado, quanto à otimização dos custos do negócio via capitalização das sinergias e ganhos de escala tão necessários em um mercado que pratica margens cada vez mais estreitas, conforme relata no item III da impugnação “A racionalidade econômica e o propósito negocial da estruturação de central de serviços compartilhados, via MC Assessoria”; • salta aos olhos que, após nove meses de auditoria dentro das diversas empresas do grupo empresarial, a fiscalização tenha passado ao largo das atividades e negócios realizados pela MC Assessoria e, conseguintemente, da constatação do valor agregado pela empresa à estrutura do grupo. A mensagem que o Termo de Verificação Fiscal transmite para aquele que o lê é de que a MC Assessoria não detém custos nem despesas, não tem qualquer legitimidade contratual perante terceiros, não realiza qualquer operação ou negociação em prol do grupo de empresas, enfim, não desenvolve qualquer atividade; • apesar de haver sido objeto das diligências da autoridade fiscal, conforme atestam os Termos de Intimação anexos, endereçados pela fiscalização diretamente à MC Assessoria, em momento algum esta empresa foi, ela própria, retratada nos autos do PAF como uma entidade per se, com sua contabilidade, custos, despesas, contratos, ativos e passivos, analisados e auditados. Tal circunstância, ou seja, a virtual ausência Fl. 3567DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 da MC Assessoria do PAF, observa-se, foi utilizada pela fiscalização como plataforma de sustentação da pretensão fiscal empunhada na autuação, baseada na desconsideração da personalidade jurídica da MC Assessoria, por suposta "inexistência", o que explica porque a MC Assessoria não foi autuada, fosse a título de alvo da desconsideração, como co-devedora ou qualquer outra modalidade; • a auditoria, dado que teve como alvo o impugnante, não analisou a contabilidade da MC Assessoria, que é empresa distinta, não arrolou os negócios em que esta figura, não abriu seus custos e despesas, que são insumos para a prestação dos serviços às demais empresas do grupo e justificam o preço cobrado e as despesas incorridas nas contratantes. A única referência, no Termo de Verificação Fiscal, às atividades da MC Assessoria é o seu quadro de funcionários. E assim o faz a fiscalização no afã de comprovar a sua tese de que a MC Assessoria é mero repositório de empregados, sem qualquer atividade. Observa-se que a própria auditoria, ao identificar o quadro de empregados da MC Assessoria, e as funções que exercem, demonstra e reconhece que a empresa presta serviços e, mais ainda, quais os serviços que presta, exatamente aqueles que são objeto da função das pessoas ali arroladas e de cada uma das equipes que, podemos identificar, ali estão descritas. • é natural que, em se tratando da implementação de um compartilhamento intra-grupo, os empregados que serão alocados à empresa hospedeira da Central de Serviços Compartilhados – CSC, sejam oriundos de cada uma das unidades que serão atendidas pela provedora dos serviços, dado que não há ruptura no relacionamento de um lado ou de outro, aproveita-se a experiência acumulada pelo colaborador, garante-se a sucessão trabalhista e os direitos dos empregados, e se alavanca o vínculo patrão-empregado a partir de uma relação pessoal já consolidada, pelo empregado, dentro do próprio grupo; • é de estranhar o questionamento da fiscalização quanto ao local de trabalho dos empregados da MC Assessoria, que se encontram baseados nas empresas contratantes. Se uma determinada empresa contrata com a KPMG, por exemplo, um outsourcing de compliance fiscal, onde será que os colaboradores cedidos vão trabalhar, escriturando os lançamentos, preenchendo as declarações, gerando os documentos de arrecadação e efetuando os recolhimentos? É evidente que as pessoas cedidas ficarão alocadas dentro do cliente, onde toda a documentação que é utilizada no dia-a-dia do trabalho está baseada. A lógica utilizada pela fiscalização, para questionar os serviços contratados pelo impugnante e prestados pela MC Assessoria, diferente da lógica que pautou as empresas na estruturação da CSC, não guarda qualquer compromisso com a racionalidade econômica e o propósito negocial, não podendo se considerar compreensível sob uma perspectiva empresarial de desempenho e eficiência; • são inúmeras as transações, despesas, custos e negócios em geral que a MC ASSESSORIA celebra no mercado, sempre com a finalidade de prover serviços e centralizar despesas das empresas operacionais que compõem o Grupo MC. Apenas revendedoras de veículos, como já descrito nesta impugnação, são 14 unidades e estabelecimentos, cuja demanda por serviços de back office e fornecimento de insumos e outras utilidades, cada vez maior, é atendida pela MC Assessoria; • a MC Assessoria provê, efetivamente, utilidades às contratantes, via prestação de serviços realizada por seu quadro de empregados, cujas equipes e respectivas funções são identificadas e descritas no relatório da própria auditoria. Assim, no intuito de exaurir as informações relativas às atividades da MC Assessoria é de se escrutinar, e trazer a lume e ao crivo do julgador administrativo, suprindo omissão da auditoria fiscal neste ponto fundamental e caro à pretensão fiscal, as despesas, custos e atividades especificamente desenvolvidas pela citada empresa, demonstradas a partir da escrituração contábil, documentos e evidências que, disponibilizadas à fiscalização, foram ignoradas na lavratura. Objetivamente, temos que as atividades da MC Assessoria se centram em: Central de Serviços Compartilhados, prestados pela própria MC Assessoria via fornecimento de mão-de-obra em serviços-meio e central de compras e contratação de fornecedores comuns às diversas empresas do grupo; Fl. 3568DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 • todas as despesas, custos, contratos, negócios e atividades em geral, promovidas pela MC Assessoria, estão amparados e lastreados em documentos anexos, notadamente a contabilidade da empresa (Doc. N° 05), além de instrumentos, notas fiscais e documentos que formalizam as transações respectivas (Doc. N° 06). Finalmente, acompanha a presente impugnação Relatório de Especialista elaborado pela consultoria Ernst & Young Terço, avaliando e atestando todas as atividades desenvolvidas pela MC Assessoria, desde o seu estabelecimento até 2011, conforme anexo (Doc. N° 07); • a descrição do quadro de funcionários da MC Assessoria, com destaque para a função exercida, e a composição das equipes setoriais, representadas na folha de pagamento da empresa, comprovam e identificam os serviços prestados pela MC Assessoria, que compõem a Central de Serviços Compartilhados, tudo conforme descrição realizada pelo próprio autuante; • demonstra-se, conforme relatório transcrito no Termo de Verificação Fiscal e folha de pagamento da MC Assessoria (anexa em Doc. N° 02), a prestação, a partir da força de trabalho da própria prestadora, dos seguintes serviços compartilhados, às demais empresas do grupo: (a) serviço de contabilidade; (b) serviço de compliance fiscal; (c) serviço de consultoria em recursos humanos; (d) serviço de tecnologia da informação; (e) serviço de crédito e cobrança; (f) serviço de consultoria financeira e securitária (F&I). • o volume de serviços prestados pela MC Assessoria expandiu-se significativamente desde a sua instalação, exigindo o aumento do seu quadro de empregados, ao longo dos anos. A empresa saiu de 46 empregados em 2007 para 127 empregados em 2011, conforme demonstram as folhas de pagamento anexas (Doc. N° 02), e destacado ainda pelo Relatório da Ernst & Young Terco (Doc. N° 07); • observa-se que, na linha de uma estrutura típica de serviços compartilhados, não se identifica a alocação ao CSC de atividades vinculadas ao negócio principal das empresas operacionais, ou seja, não houve incorporação, ao quadro de pessoal da MC Assessoria, de vendedores, gerentes de vendas, consultores de oficina, mecânicos e demais colaboradores vinculados ao core business das empresas. A estrutura de back office e serviços compartilhados deve se resumir a atividades meio, e assim se dá na MC Assessoria; • por meio da centralização dos relacionamentos com fornecedores diversos, de insumos, mercadorias e serviços comuns às empresas do Grupo MC, a MC Assessoria viabiliza ganho de escala e gestão uniformizada e centralizada dos processos de compras, agregando valor ao grupo via estruturação de uma central de compras e contratação de fornecedores comuns; • todas estas transações, operações, negociações e contratações estão devidamente documentadas e contabilizadas na empresa, e demonstram, reiteradamente, e em conjunto com as demais evidências já apontadas, a existência, necessidade e o valor da MC Assessoria dentro do grupo empresarial, como prestadora de serviços ao impugnante e às demais empresas do Grupo MC; • conforme lançamentos contábeis (Doc. N° 05 anexo), lastreados em instrumentos, notas fiscais e documentos que formalizam as transações respectivas, também colacionados aos autos (Doc. N° 06 anexo), identificam-se diversas áreas de atuação da central de compras, como estrutura proporcionadora de escala na aquisição de insumos e contratação de fornecedores, dentre as quais podemos indicar as seguintes: (a) serviço de assistência médica aos colaboradores do grupo; (b) aquisição de vestuário padronizado para os colaboradores do grupo; Fl. 3569DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 (c) serviço de catering e alimentação para os colaboradores do grupo; (d) serviço de consultoria em tecnologia da informação para as empresas do grupo; (e) serviços de auditoria e consultoria para as empresas do grupo; (f) aquisição de insumos de informática; (g) aquisição de material de escritório; (h) contratação de financiamento para as empresas do grupo junto a instituições financeiras; (i) contratação de escritórios de advocacia para as empresas do grupo; (j) contratação de serviços de propaganda e marketing para as empresas do grupo. • não passa despercebido que figuram entre as fornecedoras da MC Assessoria empresas de reconhecida credibilidade no mercado, dentre outras entidades que negociaram e entabularam com a MC Assessoria negócios jurídicos válidos e representativos operacional e economicamente. Desnecessário afirmar que tais entidades nunca se prestariam a colaborar com um teatro fraudulento como aquele roteirizado pela fiscalização no Auto de Infração em epígrafe; • salta aos olhos a disparidade que se identifica do cotejo entre o cenário idealizado pelo autuante, em que a operação da MC Assessoria é fictícia, e a realidade negocial, em que a empresa detém volume significativo de operações, com múltiplos e idôneos fornecedores, legitimadas jurídica e economicamente a partir de uma estrutura racional imposta pelo mercado, baseada na eficiência e na redução de custos; • queda assim demonstrada, mais uma vez, a precariedade da lavratura, quanto ao suporte fático que pretende construir, na medida em que, ao resumir as atividades da empresa à folha de pagamento, ignora vertente relevante e estratégica da atuação da MC Assessoria, que é a operação de centro de compras e contratação de fornecedores comuns; • sendo esta estrutura uma opção racional do contribuinte, consectário do direito à autonomia privada e livre exercício da atividade econômica, visando a maior eficiência de sua atividade econômica, veremos afinal a caracterização jurídica desta estrutura, que, ver-se-á, não representa novidade para o Fisco, cujo entendimento em nada reprime a autonomia privada do contribuinte ao formatar as suas operações, baseado em critérios de eficiência, fazendo uso do formato dos serviços compartilhados intragrupo; • neste contexto, o contrato de prestação de serviços compartilhados provê ao grupo empresarial integrado por interesse comum uma estrutura jurídica que viabiliza uma gestão integrada de custos e despesas, incrementando a eficiência dos processos vinculados aos serviços-meio, entre empresas do grupo, e, por consequência, a eficiência da própria gestão do core business de cada unidade empresarial; • o contrato de prestação de serviços compartilhados é um negócio jurídico que implementa a gestão centralizada de serviços administrativos, back office, custos e/ou despesas comuns a todas as empresas do grupo, de modo que uma entidade empresarial otimize as sinergias e agregue escala às operações redundantes das empresas, centralizando-as e, afinal, reduzindo custos e agregando valor ao grupo como um todo. São objeto de contrato de prestação de serviços compartilhados, dentre outros: serviços de assessoria contábil, assessoria jurídica, programação, coordenação, controle orçamentário, consultoria financeira, serviços de informática, assistência no domínio da produção, das compras, serviços de recrutamento e treinamento, prestados pela própria Central de Serviços Compartilhados; e também a centralização de despesas comuns e compartilhadas entre as empresas do grupo, a exemplo de despesas com pessoal terceirizado, relativas a publicidade, marketing, divulgação, informação de conjuntura, métodos de gestão, assistência de cobrança, consultorias especializadas, serviços gerais, serviços legais, dentre outros, contratados de forma centralizada em fornecedores terceiros; Fl. 3570DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 • o contrato de prestação de serviços compartilhados não se confunde, ressalte-se, com o contrato de rateio de despesas. Malgrado tenham objeto semelhante o contrato de rateio de despesas e o contrato de prestação de serviços compartilhados guardam diferença em elemento fundamental, que é a causa do negócio. O contrato de rateio de despesas é transação fora do mercado, que tem como objeto prestações que são marginais ao objeto social da prestadora, e visa atender exclusivamente a entidades sob controle comum e sem auferir qualquer mais-valia; ao passo que o contrato de prestação de serviços compartilhados é prestação de serviços a mercado, tendo como objeto prestações que constituem a própria expertise da prestadora, ou seja, seu objeto social, o que faz com fito de lucro, podendo oferecê-los não apenas a unidades do mesmo grupo de empresas, mas também, eventualmente, a outras empresas alheias ao grupo empresarial. Daí porque sua prestação é formalizada via emissão de nota fiscal, e os pagamentos pelos serviços prestados consubstanciam receita e são tributáveis na empresa que centraliza o rateio, inclusive por PIS/Cofins; • o contrato de prestação de serviços compartilhados é, efetivamente, a estrutura implementada pela MC Assessoria, que presta serviços em condições de mercado e, sobre o preço cobrado, emite nota fiscal e recolhe todos os tributos incidentes, inclusive IRPJ, CSLL e PlS/Cofins, nos termos de DIPJs anexas (Doc. N° 08). Daí porque, na medida em que não realiza rateio, mas sim desenvolve atividade econômica como qualquer outra, com fito de lucro, a MC Assessoria agrega margens de lucro (markup) aos seus preços, como retribuição, ou contraprestação, à mais-valia gerada às empresas contratantes, pelo valor que lhes agrega a partir da estrutura que disponibiliza, do expertise consolidado sobre os serviços oferecidos, da uniformização de padrões e procedimentos, da centralização e otimização de processos, e da redução de custos; • não há qualquer grau de ilicitude na contratação com empresas do mesmo grupo econômico, muito menos em uma estrutura em que uma das causas da sua criação reside justamente no fato de se tratar de empresas do mesmo grupo; do contrário, não seria compartilhamento, centralizado e com padrões uniformes. O contrato intragrupo é, per se, negócio jurídico lícito e válido; • sabe-se, sim, que os negócios jurídicos realizados entre empresas do mesmo grupo econômico sofrem, quanto às margens de lucro aplicáveis, o controle das normas de distribuição disfarçada de lucros "DDL", do art. 60 do Decreto-Lei n° 1.598/77 e art. 464 do RIR/99, que exigem que tais transações sejam concretizadas em condições análogas às de mercado. Em nenhum momento, porém, as margens de lucro empregadas na prestação de serviços realizada pela MC Assessoria foram objeto de questionamento por parte da auditoria, o que só reitera a regularidade da estrutura implementada sob todos os aspectos, inclusive sob o controle fiscal das margens de lucro nas transações intragrupo, proporcionado pelas regras de DDL. E se a auditoria não aplicou as regras de DDL, ou seja, não utilizou os controles fiscais de markup intragrupo, é porque os preços da prestação realizada pela MC Assessoria são absolutamente normais e razoáveis, por compatíveis com a realidade de mercado; • em dado momento, algo que en passant, a Autoridade Fiscal pretende apontar, sem exatamente quantificar, ou melhor, sem questionar tecnicamente, nas despesas contraídas, bases de preço superiores às que entende adequadas à prestação de serviços da MC Assessoria, entretanto, tal juízo, equivocado, decorre exatamente da total sub- representação da realidade contábil, financeira e jurídica da MC Assessoria nos autos do PAF, do qual consta, dentre as diversas atividades, custos e despesas da entidade, apenas a folha de pagamento. De fato, a Autoridade Fiscal, quando analisa os cenários de despesas do impugnante pré e pós MC, compõe um quadro distorcido, exatamente porque a sua visão estava limitada à despesa com empregados, quando os custos, e, portanto, os serviços, da MC Assessoria, não se referem apenas a empregados (cessão de mão-de-obra especializada), mas também e, substancialmente, em valores, a serviços, insumos e utilidades diversas que adquire, como central de compras, de terceiros no mercado para fornecer às empresas do Grupo MC; • não procede a tese, da auditoria, de que os trabalhadores após migrarem para a MC Assessoria passaram a custar mais caro, mas sim que, entre os custos faturados pela MC Fl. 3571DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 Assessoria às empresas operacionais, estão não apenas na mão-de-obra cedida, mas também inúmeros outros custos e despesas compartilhados entre o grupo através da estrutura criada, a exemplo da contratação de escritórios de advocacia, assistência médica para os colaboradores do grupo, consultorias e auditorias, e até mesmo aquisição de vestuário padronizado para todo o grupo. Tal circunstância exigiria, para o comparativo, proposto pela fiscalização, ser fiel à realidade, que, às despesas de empregados anteriores à migração, fossem acrescentadas as despesas outras incorridas na MC que compuseram os custos desta empresa na prestação de serviços compartilhados ao impugnante; • a comprovar que os níveis de preço praticados pela MC Assessoria são absolutamente razoáveis, e mesmo módicos, está a proporção entre o custo da MC e o faturamento das empresas do grupo, cujos serviços de back office, administrativos, centrais de compras e fornecedores comuns estão todos concentrados e custeados na MC Assessoria. Vê-se que as despesas que a MC Assessoria fatura às empresas operacionais correspondem, no período fiscalizado, a um percentual anual médio de 0,97% da receita bruta das empresas, conforme mostra demonstrativo de fl. 2744, número que se pode de plano afirmar é pequeno para o nível de serviço demandado pelas empresas do grupo, e o escopo abrangente dos serviços prestados, como já retratado acima. Decerto que, caso se almejasse engendrar um estratagema fraudulento para drenar recursos das empresas e escapar à tributação, não soaria compreensível tamanha exposição, com riscos legais de toda ordem, para lograr um benefício de meros 0,97%; • a MC Assessoria, portanto, como qualquer outra empresa, prestando serviços, cobra preço, no qual está incluída margem de lucro que viabilizará a continuidade das suas atividades, a expansão e a evolução do negócio, investimentos no aprimoramento dos serviços prestados e contratação de mais quadros, cenário que, como já retratado nesta impugnação e demonstram as folhas de pagamento anexas (Doc. N° 02), caracterizou, desde o surgimento, a dinâmica da MC Assessoria, que iniciou com folha de 46 empregados e em 2011 passou abrigar 127 pessoas em seus quadros; • de todo o exposto, fica caracterizada: I) a existência da MC Assessoria como entidade dotada de substância jurídica e de fato, figurando como sujeito contratante em negócios jurídicos entabulados com inúmeros fornecedores, empregados, pessoas físicas e pessoas jurídicas, terceiros em geral sem qualquer vinculação com a empresa, muitos deles instituições reconhecidamente idôneas e rigorosas em seus relacionamentos no mercado; II) a validade do contrato de prestação de serviços compartilhados, como ato jurídico dotado de propósito negocial e racionalidade econômica e executado através de efetiva prestação de serviços realizada pela MC Assessoria. • demonstra-se, com base em todas as evidências acima referidas, inclusive aquelas descritas pela própria auditoria no Termo de Verificação Fiscal, que a vontade manifestada e consumada contratualmente, seja na constituição da MC Assessoria, como ente personalizado, seja na celebração e cumprimento do contrato de prestação de serviços compartilhados e central de custos e despesas, celebrado entre esta empresa e as demais que compõem o grupo empresarial, guarda perfeita e absoluta consonância e correspondência com a realidade dos fatos, tanto objetiva quanto subjetivamente, ou seja, tanto pela prestação contratada quanto pelas pessoas obrigadas, sendo inaplicável a desconsideração da personalidade jurídica, pretendida pelo autuante, como também o art. 167 do Código Civil, sendo absolutamente despropositado falar-se em simulação, quando o ato jurídico reflete exatamente a vontade manifestada e as pessoas que nele intervieram, com as respectivas obrigações; • a jurisprudência do CARF é absolutamente rigorosa no sentido de que a aplicação da desconsideração da personalidade jurídica, inclusive sob alegação de simulação, deve ser acompanhada de demonstração robusta e inequívoca, por parte da autoridade fiscal, da fraude alegada. Análise criteriosa dos autos do PAF revela que em momento algum a autoridade fiscal se vale de provas efetivas, muito menos contundentes, da fraude ou simulação que alega. Sua pretensão, de desconsideração da personalidade jurídica, pauta-se efetivamente numa pré concepção de má-fé do contribuinte, que impregna o Fl. 3572DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 23 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 juízo da auditoria, e a impede de realizar um escrutínio isento e técnico da realidade negocial do impugnante e do grupo econômico que integra; • todos os elementos que a autoridade autuante pretende utilizar para caracterizar o suposto enredo fraudulento na verdade são dados e circunstâncias de fato que, pelo contrário, justificam, do ponto de vista negocial, e, mais ainda, exigem a implementação da estrutura de serviços compartilhados adotada pela Impugnante: a existência de um grupo de empresas sob controle comum; a alocação de funcionários das empresas operacionais numa Central de Serviços Compartilhados recém instalada, na MC Assessoria; a cessão dos empregados para prestação de serviços de back office e administrativos nas dependências das empresas operacionais; a centralização da contratação de despesas e aquisição de insumos numa central de compras que atende a todo o grupo; • demonstrada a substância negocial e econômica, além da formal e jurídica, do negócio sob o qual a MC Assessoria presta serviços compartilhados ao impugnante e demais empresas do Grupo MC, não pode subsistir a glosa de despesas decretada pela autoridade fiscal, impondo-se o cancelamento de lavratura, o que se requer desde já; • para constituir crédito tributário referente a IRPJ e CSLL, como levou a cabo na lavratura em epígrafe, o autuante glosou as despesas contratadas pelo impugnante junto à MC Assessoria, reputando-lhes indedutíveis para efeito de apuração dos tributos sobre a renda e o lucro da pessoa jurídica. A lavratura simplesmente decretou, genericamente, a desnecessidade ou inexistência de despesa dedutível. Eximiu-se de escrutinar os critérios de dedutibilidade da legislação do IRPJ, ou cotejá-los com a atividade desenvolvida pela prestadora, MC Assessoria, no caso concreto; • efetivamente, não existe despesa dedutível ou indedutível per se, mas sim despesas que, individualmente consideradas, se subsumem ou não aos critérios do art. 299 do RIR/99, que em seu caput e §§1° e 2º, enuncia cláusula geral de dedutibilidade dos dispêndios não ativáveis, verbis: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n°4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47, §2°). • as despesas dedutíveis são aquelas necessárias às atividades da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, ou seja, são as despesas usuais ou normais para a realidade negocial, operacional e empresarial da pessoa jurídica. A definição de despesa necessária, e, portanto, dedutível, é complementada via contraposição à mera liberalidade, que é exatamente a despesa não necessária: o ato gracioso e de mero favor que a empresa realiza e, assim, não guarda coerência com a lógica segundo a qual a atuação empresarial deve visar a mais-valia, o lucro. Todos os dispêndios que, não sendo custos, são realizados dentro da perspectiva de destinar-se a produzir e gerar resultado positivo na atividade econômica da pessoa jurídica, sendo inerentes ao contexto empresarial e compreensíveis dentro dessa moldura, são considerados despesas dedutíveis. Fixada tal premissa, não requer grande esforço para constatar que os serviços prestados ao impugnante pela MC Assessoria consubstanciam despesas necessárias às atividades do impugnante, na medida em que provêem de utilidades absolutamente necessárias para o desenvolvimento de suas atividades empresariais, conforme já relatado nesta impugnação; • do conteúdo dos serviços prestados ao impugnante pela MC Assessoria, já citados, deflui claramente que os dispêndios a eles relacionados consubstanciam despesas Fl. 3573DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 24 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 necessárias às atividades do impugnante, na medida em que a provêem de utilidades absolutamente necessárias para o desenvolvimento de suas atividades. Sem poder contar com serviços de contabilidade, recursos humanos e tecnologia da informação, por exemplo, o impugnante não terá a mínima estrutura para poder desenvolver a sua atividade fim que é a venda a varejo de veículos automotores, partes e acessórios, e prestação de serviço de manutenção e instalação de peças em veículos automotores; • os serviços prestados pela MC Assessoria, que compõem a Central de Serviços Compartilhados são comprovados e identificados a partir da descrição, realizada pelo próprio auditor fiscal, do quadro de funcionários da MC Assessoria, apontando a função que cada um exerce, e permitindo identificar, pelo cotejo da função e o cargo, a composição das equipes setoriais, representadas na folha de pagamento da empresa, conforme reprodução digitalizada de passagem do Termo de Verificação Fiscal e folha de pagamento da MC Assessoria, anexa à presente. Ali estão demonstrados os serviços de contabilidade; serviço de compliance fiscal; serviço de consultoria em recursos humanos; serviço de tecnologia da informação; serviço de crédito e cobrança; serviço de consultoria financeira e securitária (F&I); dentre outros; • o fornecimento de utilidades e serviços comuns contratados pela MC Assessoria perante terceiros, via central de compras, para provimento de despesas e custos comuns do impugnante e demais empresas do Grupo MC, encontram-se demonstradas e comprovadas via lançamentos contábeis (Doc. N° 05 anexo), instrumentos contratuais, notas fiscais e documentos que formalizam as transações respectivas (Doc. N° 06 anexo), identificam-se diversas as áreas de atuação da central de compras, como estrutura proporcionadora de escala na aquisição de insumos e contratação de fornecedores, dentre as quais podemos indicar as seguintes: serviço de assistência médica aos colaboradores do grupo; aquisição de vestuário padronizado para os colaboradores do grupo; serviço de catering e alimentação para os colaboradores do grupo; serviço de consultoria em tecnologia da informação para as empresas do grupo; serviços de auditoria e consultoria para as empresas do grupo; aquisição de insumos de informática; aquisição de material de escritório; contratação de financiamento para as empresas do grupo junto a instituições financeiras; contratação de escritórios de advocacia para as empresas do grupo; • comprovada a efetiva realização dos serviços pela MC Assessoria, via fornecimento das utilidades e atendimento das demandas de serviços administrativos, back office e central de compras, do impugnante e demais empresas operacionais do grupo empresarial, incumbiria à fiscalização, como motivação absolutamente imprescindível à glosa das despesas, apontar e demonstrar, especificamente, dentro do universo de despesas contratadas e dedutíveis, qual a parcela, fração ou item que efetivamente não foi prestado, no seu julgamento; • falta à autoridade fiscal competência para, e tampouco é ato compatível com a regra- matriz do imposto sobre a renda e o modo de sua apuração, glosar genericamente despesas, por supostamente inexistentes, quando se sabe, e a própria fiscalização em seu relatório reconhece, que existiu volume substancioso de serviços que foi prestado, senão todo ele, pela MC Assessoria; • na ausência de demonstração precisa, via elementos de prova, da inidoneidade de despesas específicas, mediante a comprovação da sua inexistência ou da sua indedutibilidade, à luz do art. 299 do RIR/99, não subsiste glosa genérica, nos moldes pretendidos pela autoridade fiscal, que não pode se arrogar soberana para além da Lei e dos fatos, como aparentemente pretendeu colocar-se. Assim tem se manifestado o CARF em seu entendimento sobre a matéria, exigindo da fiscalização, como fundamento à pretensão de glosa e desconsideração, a demonstração e comprovação das operações especificamente apontadas como supostamente irregulares, como se infere dos acórdãos citados nesta impugnação; • a fiscalização, de fato, não conseguiu reunir qualquer elemento de prova, apenas se apegou, como em todo o curso da peça de lavratura, a uma idéia pré-concebida, verdadeira presunção ad hoc, de que toda a atividade do contribuinte é fraudulenta, o Fl. 3574DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 25 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 que, à luz da dialética do PAF, não é expediente idôneo a fundamentar, com suporte fático e probatório suficiente, a sua pretensão fiscal; • é inaplicável, no caso, a multa qualificada de 150%, a título de penalidade, pelo não recolhimento dos valores apurados como devidos, após a desconsideração da personalidade jurídica da MC Assessoria, com arrimo no art. 957, II do RIR/99 e no art. 44, inciso I e §1°, da Lei n° 9.430/96, sob alegação de atuação com evidente intuito de fraude. Decerto, a Autoridade Fiscal, conquanto tenha se referido aos dispositivos legais que instituem a referida multa, não reuniu elementos probatórios que são essenciais à caracterização dessa figura excepcional da legislação. A aplicação da multa qualificada pressupõe o dolo, a intenção inequívoca para praticar especificamente o ilícito tributário de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sendo, para tanto, absolutamente irrelevante, a bem de fundamentar a válida aplicação da sanção epigrafada, ter o contribuinte optado por uma estrutura negocial mais eficiente, inclusive quanto aos custos fiscais incidentes; • a mera alegação de fraude, sem descrever os elementos de fato, especialmente o dolo, o ânimo de fraudar, e sem apresentar elementos de prova, não tem o condão de lastrear a aplicação da multa agravada. De fato, em momento algum aponta o Fisco dados ou subsídios que demonstrem a intenção do contribuinte de se esvair da imposição fiscal. E a mera remissão a uma estrutura negocial, que, ademais, é padrão no mercado e paradigma de eficiência na gestão de grupos empresariais, não autoriza, per se, a imposição da multa qualificada. Sobre o tema, há jurisprudência torrencial do Egrégio CARF (transcreve ementas de Acórdãos); • a propósito da exigência da multa agravada nos lançamentos em que se empunha pretensão de desconsideração da personalidade jurídica, inclusive por alegada simulação, o CARF também mantém mesma linha de entendimento, de que não se pode presumir a fraude ou simulação, com base em meras conjecturas, devendo ser provada especificamente a intenção dolosa, conforme mostra acórdãos transcritos. Não destoa dos argumentos trazidos pelo impugnante as lições que a doutrina nos presta acerca da indigitada penalidade, a fraude fiscal e a sua prova (transcreve excertos doutrinários); • o impugnante não praticou qualquer ato que induzisse a erro a fiscalização, ou terceiro, tendo colaborado, de forma ampla e irrestrita, com a fiscalização, fornecendo toda a documentação solicitada e ao seu alcance, o que provam as respostas à miríade de intimações fiscais fornecidas pelo impugnante, em atendimento às requisições, do fisco, e que integram o PAF nos autos originariamente formados pela autoridade autuante; • em nenhum ponto da lavratura restou demonstrada a concorrência dos elementos da fraude, conforme a sua definição legal. Não se desincumbiu o autuante do ônus de construir o suporte fático da fraude no caso concreto, haja vista que não descreveu fatos específicos de cunho fraudulento, muito menos reuniu elementos de prova a eles relativos; • ainda que não se entenda pela integral improcedência do auto de infração, o que se admite apenas para argumentar, há que se reconhecer a improcedência da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Havendo lançamento de ofício, há a incidência de multa à razão de 75%, na forma prevista no art. 44 da Lei n.° 9.430/96. Tal sanção ocorre quando o contribuinte não declara o seu débito, fato este que obrigará o fisco a apurar de ofício o crédito tributário respectivo. Na seara tributária, há espaço somente para a incidência de juros de natureza moratória. Afinal, o Estado, no exercício de sua competência tributária, não empresta dinheiro ao contribuinte, não havendo, portanto, como cobrar juros compensatórios; • não há previsão legal para a incidência de juros sobre multa. O §3º do artigo 61 da Lei n° 9.430/96 determina que "sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. À evidência, a expressão "sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora", que inaugura o dispositivo supra citado, diz respeito somente ao valor do principal relativo à obrigação tributária não paga no vencimento; Fl. 3575DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 26 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 • quando o legislador ordinário pretendeu autorizar a incidência de juros sobre a multa decorrente de lançamento de ofício, fê-lo expressamente. Nesse sentido, vejamos o quanto determinado pelo artigo 43 da Lei 9.430/96, cujo parágrafo único determina a incidência de juros moratórios sobre as multas e os juros exigidos isoladamente. Feita esta análise, mostra-se inafastável concluir que não há previsão legal para a cobrança de juros de mora sobre a multa lançada de ofício nos casos que não foram abrangidos pelo artigo 43 da Lei n° 9.430/96, como já decidido pela C. Câmara Superior de Recursos Fiscais nos autos do processo administrativo n° 10680.002472/2007-23; • pelo princípio da eventualidade, e a bem do dever de concentração e exaustão de todos os elementos de defesa na peça impugnatória, o contribuinte vem protestar por elementos de defesa na hipótese, que não se espera em qualquer circunstância, em que a controvertida desconsideração da personalidade jurídica da MC Assessoria seja mantida por este Colegiado Julgador. Abstraindo-se o mérito da desconsideração, já ampla e robustamente impugnada e contraditada nesta impugnação, tem-se que, a se admitir a inexistência da MC Assessoria, os atos por ela praticados, com seus reflexos fiscais, devem sim, inexoravelmente, ser imputados àquelas entidades que a fiscalização aponta como as entidades que, na suposta simulação subjetiva, eram responsáveis por aquelas atividades, e que estariam se utilizando da entidade desconsiderada como um instrumento de ardil; • o autuante aplicou esse raciocínio quando, ao apurar o IRPJ e a CSLL do impugnante, após a glosa das despesas, imputou o IRPJ e a CSLL recolhidos pela MC Assessoria às diversas empresas operacionais, inclusive o impugnante, em cujas apurações esses valores foram compensados em benefício de cada uma das empresas, conforme reprodução da fl. 62 dos autos, a saber: que existem despesas de pessoal a serem rateadas por todas as empresas do grupo. O critério utilizado por esta auditoria é reduzir o montante relativo à lavratura do auto de infração dos tributos (IRPJ e CSLL) efetivamente declarados em DCTF e/ou pagos pela empresa MC Assessoria que, segundo o autuante, de fato não existe, proporcionalmente pelo faturamento das referidas empresas, conforme sintetizado nos demonstrativos; • considerando que são várias as empresas do grupo às quais a MC Assessoria presta serviços, a fiscalização utilizou como critério de rateio, para imputação, a cada uma das empresas, dos valores pagos a título de IRPJ e CSLL pela empresa desconsiderada, o faturamento de cada uma em face da soma total de todas, o que, decerto, é um critério razoável, admitido, inclusive, pela própria Receita Federal, como critério para rateio de despesas. Por tal critério, ao impugnante, dentre as demais empresas autuadas, conforme se vê nas planilhas produzidas no Termo de Verificação Fiscal, foi atribuída com os percentuais de participação no rateio, correspondentes à sua participação no total da receita bruta auferida pelas empresas, por ano. Ocorre que a imputação rateada que o autuante realizou sobre as atividades da MC Assessoria restringiu-se apenas ao IRPJ e a CSLL, de sorte que, conforme itens subsequentes, a bem de manter-se coerente com a decretação da desconsideração, faz-se necessário imputar também, para efeito dos tributos federais auditados e apurados, as despesas realizadas pela MC Assessoria e os demais tributos federais recolhidos pela empresa; • ocorre que esta imputação, rateada segundo percentuais acima descritos, foi realizada pela autoridade fiscal de forma apenas parcial, restrita aos IRPJ e CSLL recolhidos pela MC Assessoria. Esta empresa, porém, efetuou vasta gama de despesas no período, que devem ser consideradas, no cenário da despersonalização, como despesas do impugnante e demais empresas operacionais. Para começar, a própria despesa com empregados da MC Assessoria, que a autoridade fiscal, repetidamente, indica que em verdade se trata de empregados do próprio impugnante e das outras empresas operacionais. A propósito, quando vai apurar o IRPJ e a CSLL, o próprio autuante reconhece que existem despesas de pessoal a serem rateadas entre as empresas; • na apuração dos tributos referidos não foi efetuado o rateio dessas despesas em momento algum, de modo que a lavratura, para se manter coerente, ou seja, para que a apuração quantitativa dos tributos guarde consonância com o ato concreto de lançamento, baseado na despersonalização, deve efetivamente promover o rateio, não Fl. 3576DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 27 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 apenas das despesas de pessoal, mas de todas as despesas incorridas pela MC Assessoria, inclusive despesas com tributos, despesas com fornecedores, enfim, todas as despesas dedutíveis assim contabilizadas na MC Assessoria e declaradas ao fisco. Dessa forma, considerando o erro apontado, o impugnante refez os cálculos de IRPJ e CSLL, rateando todas as despesas dedutíveis contabilizadas na MC Assessoria, devidamente declaradas em DIPJ, com base no mesmo critério e nos mesmos percentuais de rateio utilizados pelo fiscal autuante, resultando nos valores demonstrados nas planilhas de fls. 2.774/2.779; • a imputação ampla de todas as despesas, como se viu no item anterior, implicou a correção das bases de cálculo de IRPJ e CSLL, quanto ao lucro apurado no final do exercício. Ocorre que idêntica correção deve ser promovida quanto aos recolhimentos das estimativas mensais, apropriando-se os saldos de despesas mensais da MC na proporção do rateio, ou seja, na proporção da participação da empresa na receita bruta total. Decorrente disso, a imputação das despesas na apuração das estimativas mensais implicará redução da multa isolada aplicada, o que desde logo se requer; • em qualquer hipótese é inexigível a multa isolada na hipótese em que, ao final ao exercício, a base de cálculo efetivamente apurada é inferior aos valores mensais de estimativa, um exemplo típico do que é exatamente a hipótese em que é apurado prejuízo ao final do exercício prejuízo, ou seja, não há lucro tributável sujeito à incidência de IRPJ ou CSLL. Tendo em vista que o impugnante é sujeito ao lucro real anual para efeito da apuração do IRPJ e da CSLL, as estimativas mensais que a empresa recolhe, apuradas com base na receita bruta ou balanços de suspensão/redução, consubstanciam, em verdade, antecipações relativamente ao imposto que será apurado sobre o lucro eventualmente auferido no final do exercício. Inexistente o lucro ao final do exercício, ou sendo o lucro anual inferior às estimativas exigidas, não há falar-se em IRPJ ou CSLL devidos a título de estimativa mensal, quanto ao valor que supera o lucro real anual, de sorte que resta inaplicável a multa pela falta do recolhimento antecipado. A propósito, é reiterada a jurisprudência do CARF a esse propósito. Na hipótese em que os valores mensais de estimativa são superiores à base de cálculo efetivamente devida ao final do exercício, inclusive, mas não apenas, na hipótese de apuração de prejuízo, não se pode considerar aplicável a multa isolada, na medida em que não há saldo de crédito tributário devido em favor do Fisco; • considerando a imputação e o rateio das despesas da MC Assessoria no cálculo das estimativas mensais de IRPJ e CSLL do impugnante e a inexigibilidade das estimativas mensais naquilo que superam, em valor, o lucro real apurado ao final do exercício, deve ser excluída, ou, se for o caso, reduzida a multa isolada aplicada; • não se limitam às despesas rateadas os reflexos fiscais da decretação da desconsideração da personalidade jurídica da MC Assessoria. De fato, a desconsideração, a determinar a inexistência da empresa, implica que os eventos contábeis registrados em sua escrituração passem a ser atribuídos às empresas operacionais, que contrataram sua prestação de serviços. Levantando o véu que representa a suposta e alegada pessoa simulada, surgem os supostos efetivos protagonistas das operações, e, tal se aplica a todos os eventos, o que, para efeito de apuração de tributos federais, tem reflexo não apenas no que se refere às despesas incorridas pelo ente despersonalizado, como descrito no item anterior, mas também quanto aos tributos federais recolhidos pela MC Assessoria; • a auditoria considerou os valores de IRPJ e CSLL recolhidos pela MC Assessoria e efetuou o rateio e a compensação desses valores em benefício das empresas operacionais. Efetivamente, se a MC Assessoria não existe, e os serviços não foram prestados, como pretende a lavratura, os pagamentos realizados não têm relevância para efeitos jurídico fiscais, e assim não houve receita apurada e os tributos recolhidos pela MC Assessoria são indevidos. Ocorre que os mesmos efeitos que tiveram os recolhimentos de IRPJ e CSLL, aplicam-se aos recolhimentos de PIS/Cofins realizados pela empresa despersonalizada, o que o autuante, equivocadamente, não considerou ao efetuar o rateio e a compensação dos tributos federais recolhidos pelo ente que teve a despersonalização decretada; Fl. 3577DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 28 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 • não sendo considerados eficazes para efeitos jurídico-físcais as receitas de prestação de serviço da MC Assessoria, mas sim considerados pagamentos das empresas contratantes, inclusive a Impugnante, para elas próprias, não há incidência de PIS/Cofins, e os valores recolhidos a este título são indevidos e devem ser compensados ou, se for o caso, restituídos. A propósito, considerando o erro apontado, o impugnante, a partir das DIPJ e DARF de PIS/Cofins, em anexo, recolhidos pela MC ASSESSORIA, rateou tais valores entre as empresas contratantes, inclusive o impugnante, com base no mesmo critério e nos mesmos percentuais de rateio utilizados pelo fiscal autuante, resultando nos valores indicados na fl. 2.785, os quais devem ser compensados ou restituídos em benefício do impugnante. Na parte final da sua contestação protesta o impugnante pela produção de todas as provas em Direito admitidas. Os Srs. Modezil Ferreira de Cerqueira e Florisberto Ferreira de Cerqueira apresentaram impugnação conjunta aos autos de infração e aos termos de sujeição passiva às fls. 2.509 a 2618. Contestam os autos de infração com os mesmos argumentos apresentados pela Norauto Caminhões Ltda, já mencionados neste relatório. Quanto aos termos de sujeição passiva, alegam: • a ilegitimidade passiva como devedores solidários, por ausência de demonstração de atuação pessoal nas circunstâncias de fato que embasaram a pretensão fiscal; • a autoridade autuante considerou que o estabelecimento de uma central de serviços compartilhados e central de compras na MC Assessoria, para atender à pessoa jurídica autuada e às demais empresas do grupo empresarial que integra, composto por 14 concessionárias de veículos e outras empresas de ramo distinto de atividade, consubstanciaria uma articulação de suposta arquitetura fraudulenta, visando sonegar tributos e lesar o Fisco; • decerto que o estabelecimento de uma central de serviços compartilhados e central de compras, através de empresa especificamente constituída para desenvolver tal expertise, dotada de estrutura própria de empregados, contratos com fornecedores diversos, regularmente operantes, com toda receita declarada e tributada, e, ainda mais, efetivamente prestando os serviços para as empresas clientes, focadas no negócio principal do grupo, nem de longe pode consubstanciar engenho ardiloso, muito menos para fraudar o Fisco, senão estrutura de gestão de redundâncias e sinergias em grupos empresariais que todo o mercado utiliza, visando a eficiência administrativa e redução de custos; • a autoridade fiscal não apenas atribuiu natureza fraudulenta à atividade da pessoa jurídica autuada, no que se refere à contratação da MC Assessoria, como também imputou responsabilidade pessoal ao impugnante, sob o fundamento de que a mera existência do suposto esquema fraudulento implicaria responsabilização dos impugnantes pelo mero fato de serem membros da diretoria da pessoa jurídica, pela prática de atos com infração à lei, nos termos do art. 135 da Lei nº 5.172, de 1966, Código Tributário Nacional – CTN; • a responsabilidade tributária do art. 135 do CTN, contudo, é pessoal, consoante expressamente dispõe a norma, e é aquela imputada à pessoa por atos por ela praticados, comprovada e demonstradamente. A mera condição de membro da diretoria não fornece o liame subjetivo entre a conduta apontada como fraudulenta e a pessoa reputada responsável: imperiosa é (i) a descrição do protagonismo da pessoa responsabilizada no fato infracional; e também (ii) a demonstração, com provas e documentos idôneos, de que os fatos supostamente ilícitos tenham sido praticados pela imputada pessoa. A necessidade de descrição e comprovação das hipóteses do art. 135 do CTN é requisito reiteradamente exigido pela jurisprudência quanto à responsabilização dos gestores, consoante julgados do CARF e do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, cujas ementas transcreve; • nos autos, a autoridade autuante nem descreveu em que medida o impugnante atuou com finalidade de sonegar tributo, nem tampouco demonstrou tal intenção com os Fl. 3578DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 29 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 indispensáveis elementos de prova. Fundamentar a responsabilidade pessoal na mera condição formal de membro da diretoria da pessoa jurídica autuada não atende decerto aos requisitos legais da responsabilidade tributária do art. 135 do CTN, e implica derrogar, por vias oblíquas, o regime legal que é de responsabilidade limitada, para que seja ilimitada a responsabilidade dos sócios e administradores. A simples figuração na diretoria da pessoa jurídica não vincula o administrador a todos os atos praticados pela empresa, sendo necessário demonstrar que tal tenha ocorrido relativamente aos supostos atos fraudulentos em que a fiscalização pretende fundamentar o ato de lançamento; • o impugnante Sr. Modezil Ferreira de Cerqueira há anos vem sofrendo de problemas de saúde que afetam o seu discernimento e impedem que exerça uma atividade profissional, afigura-se, por decisão do Exmo Juízo da 1ª Vara de Família e Sucessões da Comarca de Salvador, conforme documento de fl. 2.713, subtraído da sua plena capacidade civil, sendo representado pelo seu curador, que é seu filho Modezil Rodrigues Ferreira de Cerqueira. O impugnante está, portanto, há anos afastado do dia- a-dia das empresas de que é sócio, não podendo a ele ser imputado, em hipótese alguma, qualquer ato de cunho positivo ou negativo, praticado pelas empresas, sendo este apenas o caso mais aviltante, o que não dispensa que, quanto aos demais imputados responsáveis, haja a demonstração específica e cabal da conduta supostamente fraudulenta que se lhes quer atribuir como ensejadora de responsabilidade solidária; • resta demonstrado que a responsabilização em pauta não prescinde da descrição e comprovação da atuação específica do reputado responsável nos atos inquinados de infringentes à lei. Falhando a lavratura em apontar os elementos de fato assim necessários para atender à aplicabilidade do art. 135 do CTN, e, ainda mais, em comprová-los via suporte documental idôneo, fica descaracterizada a responsabilidade tributária do impugnante, havendo de ser acolhida a presente preambular para reconhecer a sua ilegitimidade passiva, como se requer; • para determinar a aplicação da responsabilização, o fiscal autuante partiu da estrutura de serviços compartilhados intragrupo, providos pela MC Assessoria à pessoa jurídica autuada e demais empresas do grupo empresarial, como fato suficiente para caracterizar a fraude descrita na lei, conforme se infere de descrição nos autos do PAF; • a aplicação do regime de responsabilidade pessoa, do art. 135, do CTN pressupõe o dolo, a intenção inequívoca para praticar especificamente o ilícito tributário, de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sendo, para tanto, absolutamente irrelevante, a bem de fundamentar a válida aplicação da sanção epigrafada, ter o contribuinte optado por uma estrutura negocial mais eficiente, inclusive quanto aos custos fiscais incidentes; • em momento algum aponta o Fisco dados ou subsídios que demonstrem a intenção da empresa autuada de se esvair da imposição fiscal; muito menos qualquer contribuição do impugnante, via atos específicos de sua autoria, neste sentido. E a mera remissão a uma estrutura negocial, que, ademais, é padrão no mercado e paradigma de eficiência na gestão de grupos empresariais, não autoriza, per se, a caracterização de fraude. O autuante sequer descreveu onde está ou qual foi a fraude praticada pelo contribuinte, que teve todos os seus documentos escrutinados, tem toda a sua documentação idônea e em momento algum deixou de atender à fiscalização, havendo contribuído com pletora de documentos e atendido a todas as demandas da fiscalização. • a estrutura apontada como fraudulenta, consoante resta demonstrado à saciedade na presente impugnação, está absolutamente calcada em critérios de eficiência e de desempenho financeiro e administrativo do autuado e das demais pessoas jurídicas que integram o mesmo grupo empresarial. Por sua vez, o Acórdão da DRJ concedeu provimento em parte à pretensão impugnatória do contribuinte e dos responsáveis solidários, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 3579DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 30 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo os autos de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de impugnar os lançamentos, descabe a alegação de nulidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Comprovado que o autuado simulou a prestação de serviços por empresa que, apesar de criada atendendo às formalidades legais, de fato não existe, cabe a responsabilização dos diretores da empresa autuada por infração de lei e do contrato social, restando caracterizada a solidariedade e justificada a reunião da empresa e das pessoas físicas indicadas nos autos de infração no mesmo polo passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 DESPESAS OPERACIONAIS. INDEDUDITIBILIDADE. GLOSA. As despesas operacionais devem estar lastreadas em documentação hábil e idônea, bem como sua dedutibilidade condiciona-se à comprovação de que são necessárias às atividades da empresa. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. Os atos ilícitos praticados pelo contribuinte e pelos responsáveis tributários, dentre os quais a simulação, por interposição de pessoa, configuram procedimento doloso, visando a impedir ou retardar, total ou parcialmente, que a autoridade fazendária tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador, ou ainda visando a modificar as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar o seu pagamento, demonstrando o objetivo de sonegação de tributos, e sujeitam a pessoa jurídica à multa de ofício qualificada, no percentual de 150%. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. A matéria relativa à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício faz parte do lançamento e deve ser conhecida por este órgão julgador, entendendo-se que a multa de ofício, como parcela integrante do crédito tributário, está sujeita aos juros de mora, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. MULTA ISOLADA. Aplica-se a multa isolada no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal no ano-calendário correspondente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 DESPESAS OPERACIONAIS. INDEDUTIBILIDADE. GLOSA. As despesas operacionais devem estar lastreadas em documentação hábil e idônea, bem como sua dedutibilidade condiciona-se à comprovação de que são necessárias às atividades da empresa. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. Fl. 3580DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 31 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 Os atos ilícitos praticados pelo contribuinte e pelos responsáveis tributários, dentre os quais a simulação, por interposição de pessoa, configuram procedimento doloso, visando a impedir ou retardar, total ou parcialmente, que a autoridade fazendária tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador, ou ainda visando a modificar as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar o seu pagamento, demonstrando o objetivo de sonegação de tributos, e sujeitam a pessoa jurídica à multa de ofício qualificada, no percentual de 150%. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. A matéria relativa à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício faz parte do lançamento e deve ser conhecida por este órgão julgador, entendendo-se que a multa de ofício, como parcela integrante do crédito tributário, está sujeita aos juros de mora, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. MULTA ISOLADA. Aplica-se a multa isolada no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento da contribuição social deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa no ano-calendário correspondente. Impugnação Procedente em Parte. Irresignados, os Recorrentes apresentaram respectivamente Recursos Voluntários, em 07/12/2015, fls. 3100/3136 (Sr. Florisberto Ferreira de Cerqueira); fls. 2963/3072, (NORAUTO CAMINHÕES S.A.), em 07/09/2014 e, ambos, com idênticos pedidos e conclusões. (a) Não existe previsão legal para a prática do ato de desconsideração da personalidade jurídica tal qual levado a cabo pela Autoridade Autuante no caso concreto, por falta de regulamentação do art. 116 do CTN, norma de eficácia limitada; inaplicável o regime jurídico de desconsideração da personalidade jurídica da lei civil geral, como também o de simulação da codificação privada; sendo necessária e privativa da atuação do órgão jurisdicional a decisão judicial que decreta a nulidade de ato jurídico pretensamente simulado, como também a desconsideração de ato jurídico em geral; demonstrando-se assim a incompetência, e violação à forma legal, para a Autoridade Fiscal decretar, corno o fez, a desconsideração da personalidade jurídica da MC ASSESSORIA; (b) Dentro do regime jurídico geral do PAF, e das categorias fundamentais do Direito e do processo, resta total e juridicamente impossível promover a desconstituição de uma empresa no processo movido contra outra empresa; demonstrado o risco inadmissível de gerar decisões contraditórias nos diversos PAFs, "constituindo" e "desconstituindo" a mesma empresa simultaneamente; implicando a absoluta ineficácia do procedimento administrativo fiscal que pretende afetar a esfera jurídica de outrem que não o sujeito passivo que é objeto da auditoria; (e) Os negócios do Grupo MC cresceram exponencialmente, porém, cada urna, de mais de dezena de empresas possuía estruturas departamentais idênticas, gerando redundâncias e ineficiências incompatíveis, para os padrões de mercado, com uni grupo de empresas, de modo que o estabelecimento da MC ASSESSORIA, como provedora de serviços compartilhados dentro do Grupo MC, veio para neutralizar as redundâncias e ineficiências decorrentes do nível de escala, com múltiplas revendas de diversas marcas, que o mercado, e o próprio grupo, passaram a exibir, capitalizando sobre as sinergias surgidas entre as diversas unidades de negócio, e assim endereçando urna demanda por redução de custos imposta pela realidade do mercado competitivo e praticante de margens sempre minguantes, a demonstrar o propósito negocial específico e a racionalidade econômica do estabelecimento e da contratação desta empresa, pela Autuada e demais empresas do grupo; (d) Visando atender a estes propósitos de eficiência de gestão e otimização da eficiência econômica e financeira do negócio, a MC ASSESSORIA foi estabelecida desenvolvendo as atividades de (i) Central de Serviços Compartilhados, prestados pela Fl. 3581DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 32 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 própria MC ASSESSORIA via fornecimento de mão-de-obra em serviços-meio; (ii) Central de compras e contratação de fornecedores comuns às diversas empresas do grupo; (e) Fica comprovada a prestação de serviços compartilhados realizada pela MC ASSESSORIA, a partir de relatório do próprio Fiscal Autuante no TVF nas fls. 47/48, reiterado ainda pela folha de pagamento da MC ASSESSORIA (Doc. Ni) 02 anexo à Impugnação de fls.), serviços realizados a partir da força de trabalho da própria prestadora, às demais empresas do grupo, nos seguintes setores departamentais: serviço de contabilidade; serviço de compliance fiscal; serviço de consultoria em recursos humanos; serviço de tecnologia da informação; serviço de crédito e cobrança; serviço de consultoria financeira e securitária (F&I); (1) Fica comprovada a atuação da MC ASSESSORIA corno central de compras, conforme lançamentos contábeis (Doc. N" 05 anexo à Impugnação de lis.), lastreados em instrumentos, notas fiscais e documentos que formalizam as transações respectivas (Doc. NG 06 anexo à Impugnação de fls,), implementando estrutura proporcionadora de escala na aquisição de insumos e contratação de fornecedores nas diversas áreas de demanda das empresas do grupo, dentre as quais podemos indicar as seguintes: serviço de assistência médica aos colaboradores do grupo; aquisição de vestuário padronizado para os colaboradores do grupo; serviço dc catering e alimentação para os colaboradores do grupo; serviço de consultoria em tecnologia da informação para as empresas do grupo; serviços dc auditoria e consultoria para as empresas do grupo; aquisição de insumos de informática; aquisição de material de escritório; contratação de financiamento para as empresas do grupo junto a instituições financeiras; contratação de escritórios de advocacia para as empresas do grupo; contratação de serviços de propaganda e marketing para as empresas do grupo; (g) A própria decisão recorrida, o v. Acórdão de n° 15-36.051, proferido pela Egrégia 2' Turma da DR.I/S-DR, ao reconhecer que todas as despesas da MC ASSESSORIA são legítimas e devem ser apropriadas para efeito de dedutibilidade na apuração do lucro tributável, confirma, para todos os efeitos de Direito, que a MC ASSESSORIA detém atividade regular, com fornecedores e clientes, custos e receitas, não se podendo afirmar que urna empresa dotada de 131 empregados e que detém em valores anuais RS3,236.949,00 (três milhões, duzentos e trinta e seis mil, novecentos e quarenta e nove reais) de despesas reais, legítimas e dedutíveis, realizadas no exercício de sua atividade econômica e com o fim de mantê-la, seja dita inexistente, simulada ou que não realiza qualquer atividade ou que suas atividades são simuladas. (h) Caracterizado o propósito negociai e a racionalidade econômica, no estabelecimento e na contratação da MC ASSESSORIA, e comprovada a efetiva prestação dos serviços contratados, demonstra-se que a vontade manifestada e consumada contratualmente, seja na constituição da MC ASSESSORIA, corno ente personalizado, seja na celebração e cumprimento do contrato de prestação de serviços compartilhados e central de custos e despesas, celebrado entre esta empresa e as demais que compõem o grupo empresarial, guarda perfeita e absoluta consonância e correspondência com a realidade dos fatos, tanto objetiva quanto subjetivamente, ou seja, tanto pela prestação contratada quanto pelas pessoas obrigadas, sendo, portanto, inaplicável a desconsideração da personalidade jurídica, pretendida pela Autoridade Fiscal; (i) Não subsiste glosa genérica das despesas, nos moldes pretendidos pela Autoridade Fiscal, à ausência de demonstração precisa, via elementos de prova, da inidoneidade de despesas esPecificas. mediante a comprovação da sua inexistência ou da sua indedutibilidade, à luz do art. 299 do RIR/99, mormente diante da comprovação pela contribuinte da prestação dos serviços; das circunstâncias de que a própria fiscalização em seu relatório reconhece, e que a decisão recorrida confirma, que existe volume substancioso de atividades, sob a forma de serviços prestados, pela MC ASSESSORIA, reiterado pela realidade representada pelo quadro de empregados da empresa, a partir do qual se demonstra a atuação da MC ASSESSORIA, através de seus colaboradores, nos Fl. 3582DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 33 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 serviços correspondentes às funções dos empregados e das equipes que cada um integra; c também reiterado pela comprovação específica, através de contratos, notas fiscais de venda de- mercadorias e de serviços, da contratação, pela MC ASSESSORIA, junto a terceiros, empresas e prestadores autônomos, de serviços, insumos e suprimentos diversos que visam a atender demanda comum da Autuada e demais empresas do grupo empresarial; (j) a multa de 150% não pode subsistir quando inexiste descrição e demonstração dos elementos de fato necessários à configuração do tipo, mais precisamente o dolo, o ânimo de fraudar, e sem apresentar os respectivos elementos de prova; mas mera alusão a uma estrutura negocia!, o que não consubstancia a fraude tipificada na lei; (k) Não há previsão legal para a cobrança de juros de mora sobre a multa lançada de oficio, em qualquer hipótese; (I) Na eventual manutenção da desconsideração da personalidade jurídica da MC ASSESSORIA, a imputação rateada que o Fiscal Autuante realizou sobre as atividades da MC ASSESSORIA deve ser corrigida para não mais se restringir apenas ao IRPJ e a CSLL recolhidos pela MC ASSESSORIA, de sorte que, a bem de manter-se coerente com a decretação da desconsideração, faz-se necessário imputar também, para efeito dos tributos federais auditados e apurados, (i) as despesas realizadas pela MC ASSESSORIA, para dedução e (ii) os demais tributos federais recolhidos pela empresa, mais precisamente PIS/Cofins, para compensação ou restituição; devendo o cálculo do tributo apurado ser corrigido para endereçar o erro apontado; (m) Os reflexos fiscais decorrentes do AI n° 10530.728133/2012-51, lavrado na mesma data do presente Auto de Infração, para exigência de PIS/Cofins relativo ao mesmo período objeto do PAF sub oculi, não foram devidamente observados peia Autoridade Fiscal, quanto aos seus reflexos na apuração do IRPJ e da CSLL do período, na quantificação dos tributos auditados, de modo que impende que sejam considerados, com a correspondente dedução do lucro tributável, para todos os efeitos de Direito; (n) A imputação e o rateio das despesas da MC ASSESSORIA também reflete no cálculo das estimativas mensais de IRPJ e CSLL da Autuada; e apresentam-se inexigíveis as estimativas mensais naquilo que superam, em valor, o lucro real apurado ao final do exercício; tomando indevida, total ou parcialmente, a multa isolada aplicada. Vem o Recorrente rogar sej a dado provimento ao presente Recurso Voluntário para que seja: (i) o Recorrente excluído do polo passivo da relação jurídica tributária, afastando a responsabilidade atribuída no auto de infração; (ii) Julgado totalmente Improcedente o Auto de Infração, cancelando-se a glosa das despesas contraídas pela Autuada perante a MC ASSESSORIA e a exigência fiscal daí decorrente; (iii) caso, por fim, pelo princípio da eventualidade, se mantenha a desconsideração da personalidade jurídica da MC ASSESSORIA e a glosa genérica de despesas, sejam retificados os cálculos dos tributos apurados para considerar-se em benefício da Autuada, para efeito dos tributos federais apurados e auditados, (a) as despesas decorrentes do AI nº 10530.728133/2012-51, para dedução e (b) os demais tributos federais recolhidos pela empresa, mais precisamente PIS/Cofins, para compensação ou restituição, com todos os seus consectários e reflexos legais. O sujeito passivo solidário Modezil Ferreira de Cerqueira não apresentou recurso voluntário, apesar de cientificado da decisão de piso (Intimação 322/2015 – fls. 3083 e AR de fls. 3098). (grifo nosso) Em face dessa circunstância, o sujeito passivo (Sr. Modezil Ferreira de Cerqueira) foi considerado precluso, nos termos do art. 15 do Decreto 70.235/72 c/c com o art. 233 do CPC. O Acórdão do CARF, por maioria de votos, decidiu o seguinte, em ementa abaixo reproduzida: Fl. 3583DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 34 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA JURÍDICA – IRPJ. Ano Calendário: 2007, 2008 e 2009. DESPESAS NECESSÁRIAS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. As despesas consideradas necessárias ou operacionais devem ser comprovadas pelo contribuinte com documentação hábil e idônea, sob pena de glosa. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. Na hipótese de existir dolo, fraude ou simulação, e havendo pagamento antecipado do tributo, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se segundo previsto no art.150, parágrafo 4ª do CTN, ou seja, em cinco anos contados da ocorrência do fato gerador do tributo, conforme precedente vinculante do STJ. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE. SONEGAÇÃO. DOLO. NÃO PAGAMENTO DO TRIBUTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Uma vez ausente a figura do dolo, fraude ou simulação, a multa qualificada deve ser afastada. O não pagamento de tributo, por si só, não revela conduta dolosa. Trata-se, na verdade, de situação típica que enseja a aplicação da multa de ofício ordinária, de 75%, nos termos do art. 44, I, da Lei 9430/1996. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. ART. 135, III, DO CTN. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. IMPROCEDÊNCIA. Inexistindo motivação ou prova de que a pessoa praticou conduta dolosa que caracterize excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto social, não há que se falar em responsabilidade tributária dos sócios, ainda que detenha poderes de gestão. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicação à tributação reflexa, de CSLL, idêntica solução dada ao IRPJ. Reproduz-se abaixo a decisão prolatada em sede recursal: Cientificada da decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração contra a decisão recursal (fls. 3214/3215), que foi rejeitado por Despacho de Admissibilidade da Presidência da Primeira Turma Ordinária, 2ª Câmara da Primeira Seção, às fls. 3218/3221. Paralelamente, importante destacar que a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, fls. 3223/3239, contra o Acórdão Recursal, direcionado à Câmara Superior de Recursos Fiscais. O Recurso Especial teve seguimento NEGADO, conforme Despacho de Admissibilidade fls. 3243/3260. Em Resposta, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Agravo contra o Despacho que negou seguimento ao Recurso Especial, fls. 3263/3275, para dar seguimento à mesma peça recursal. No entanto, o seguimento do Agravo foi REJEITADO pela presidência da CSRF, que confirmou a negativa de seguimento do Recurso Especial, conforme fls. 3341/3351, em 09 de agosto de 2019, esgotando assim as instâncias administrativas recursais. Nada obstante, a contribuinte (NORAUTO CAMINHÕES S.A.), fls. 3294/3339, e o responsável solidário Sr. MODEZIL FERREIRA DE CERQUEIRA apresentram embargos de Fl. 3584DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 35 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 declaração, fls. 3280/3287, alegando que o Sr. MODEZIL FERREIRA DE CERQUEIRA realizou protocolo do Recurso Voluntário, em termos idênticos aos apresentados pelo contribuinte e pelo Sr. FLORISVAL FERREIRA DE CERQUEIRA, na mesma data 07/12/2015, fl. 3403, devendo assim ser apreciado o Recurso Voluntário, conforme comprovante juntado pelo embargante em 02/03/2020, fls. 3406/3540, para excluir a responsabilidade solidária do mesmo, nos mesmos termos da decisão do CARF. Em síntese, alegou a embargante que o Acórdão recorrido incorreu em omissão e contradição ao não se manifestar sobre o recurso voluntário interposto pelo devedor solidário Sr. MODEZIL FERREIRA DE CERQUEIRA, ao mesmo tempo em que afastou a multa de ofício qualificada por considerar não comprovada a imputada simulação. Em Despacho de Admissibilidade, fls. 3545/3548, que sucedeu Despacho Saneador da mesma Presidência, reconheceu-se que, por lapso evidente, o Recurso Voluntário do Sr. MODEZIL FERREIRA DE CERQUEIRA foi devidamente protocolado na mesma data do Recurso Voluntário do Sr. FLORISVAL FERREIRA DE CERQUEIRA, mas por erro manifesto, conforme atestado às fls. 3542, não foi juntado aos Autos, conforme abaixo reproduzido: Resta comprovado, pois, que, por equívoco, o recurso voluntário não havia sido anexado aos autos até a data da sessão de julgamento, embora tempestivamente apresentado pelo Sr. Modezil Ferreira de Cerqueira. Desta forma, restando devidamente comprovado que o acórdão embargado não apreciou matéria que deveria pronunciar-se, devem ser acolhidos os embargos de declaração, nos termos do art. 65 do RICARF. CONCLUSÃO Diante do exposto, ACOLHO os Embargos Declaratórios, nos termos do art. 65 do Anexo II do RICARF, para que o Colegiado se manifeste sobre o recurso voluntário apresentado pelo devedor solidário Modezil Ferreira de Cerqueira. À SECAM, para providenciar o sorteio dos presentes Embargos dentre os Conselheiros da 1ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Seção, para inclusão em pauta de julgamento. Logo, os Embargos foram sorteados à minha relatoria, para apreciação dos Embargos e do Recurso Voluntário que não foi devidamente apreciado em esfera recursal. É o Relatório. Voto Conselheiro Jeferson Teodorovicz, Relator. Os embargos de declaração são tempestivos e, cumprindo os demais requisitos de admissibilidade, deles tomo conhecimento. Nos termos do art. 65 do RICARF, os embargos de declaração prestam para o seguinte objetivo: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. (documento assinado digitalmente) Fl. 3585DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 36 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 Entendo, concordando com o Despacho de Admissibilidade e os Embargos apresentados pelo contribuinte e sócio solidário, que houve clara e comprovada omissão ao não reconhecer a juntada do Recurso Voluntário do responsável solidário Sr. Modezil Ferreira de Cerqueira, nos termos do comprovante da peça recursal às fls. 3406/3540. Tal omissão, ainda que tenha sido fruto de lapso ocorrido no momento da juntada da petição recursal aos autos, causou grave prejuízo ao responsável solidário supracitado, que teve sua pretensão recursal preterida nos termos do art. 15 do Decreto 70.235/72. Por tais motivos, voto por ACOLHER OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, com efeitos infringentes, para a apreciação devida do Recurso Voluntário interposto pelo Sr. Modezil Ferreira de Cerqueira, conforme abaixo: Recurso Voluntário Voto Conselheiro Jeferson Teodorovicz, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. Delimitação da controvérsia e a coisa julgada administrativa (e reflexos na apreciação do presente recurso voluntário. Trata-se de análise Recurso Voluntário apresentado pelo Responsável Solidário, Sr. Modezil Ferreira de Cerqueira, que, embora devidamente e tempestivamente protocolado, não foi objeto de conhecimento e análise por este Tribunal Administrativo. Não obstante o não conhecimento do Recurso protocolado pelo Sr. Modezil, alguns fatos importantes devem ser considerados, antes da análise do Recurso Voluntário: a) Já houve apresentação tempestiva de Recurso Voluntário pela contribuinte e de Recurso Voluntário do responsável tributário, Sr. Florisberto, de cujas razões de pedir eram precisamente as mesmas do presente Recurso Voluntário agora analisado, pois centradas nas mesmas circunstâncias fáticas e jurídicas; b) Já houve Acórdão do CARF, que concedeu parcial provimento à pretensão recursal, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA JURÍDICA – IRPJ. Ano Calendário: 2007, 2008 e 2009. DESPESAS NECESSÁRIAS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. As despesas consideradas necessárias ou operacionais devem ser comprovadas pelo contribuinte com documentação hábil e idônea, sob pena de glosa. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. Na hipótese de existir dolo, fraude ou simulação, e havendo pagamento antecipado do tributo, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se segundo previsto no art.150, parágrafo 4ª do CTN, ou seja, em cinco anos contados da ocorrência do fato gerador do tributo, conforme precedente vinculante do STJ. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE. SONEGAÇÃO. DOLO. NÃO PAGAMENTO DO TRIBUTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Fl. 3586DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 37 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 Uma vez ausente a figura do dolo, fraude ou simulação, a multa qualificada deve ser afastada. O não pagamento de tributo, por si só, não revela conduta dolosa. Trata-se, na verdade, de situação típica que enseja a aplicação da multa de ofício ordinária, de 75%, nos termos do art. 44, I, da Lei 9430/1996. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. ART. 135, III, DO CTN. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. IMPROCEDÊNCIA. Inexistindo motivação ou prova de que a pessoa praticou conduta dolosa que caracterize excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto social, não há que se falar em responsabilidade tributária dos sócios, ainda que detenha poderes de gestão. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicação à tributação reflexa, de CSLL, idêntica solução dada ao IRPJ. Reproduz-se abaixo a decisão prolatada em sede recursal: c) Assim, o Acórdão recursal afastou a aplicação da multa qualificada de 150%, passando a ser de 75% (pois não identificou ocorrência de simulação, fraude ou conluio), e reputando legítimas as operações societárias praticadas pelo contribuinte; d) Em consequência disso, aplicou o art. 150, parágrafo 4ª do CTN, ao contrário do Acórdão da DRJ, reconhecendo a decadência do IRPJ e CSLL em relação ao ano calendário de 2007; e) Afastou a responsabilidade do Sr. Florisberto Ferreira de Cequeira, pelo fato de que apenas ser sócio administrador não é razão suficiente para a aplicação do art. 135, III, do CTN, conforme jurisprudência dominante. Também é importante considerar que, sobre o Acórdão do CARF supramencionado, foram interpostos embargos pela PGFN (que não foram acolhidos), Recurso Especial de divergência dirigido à Câmara Superior de Recursos Fiscais (que foi rejeitado) e Agravo ao despacho que rejeitou o Recurso Especial (cuja rejeição foi confirmada). Entendo, assim, que o Acórdão do CARF relativo aos dois sujeitos passivos supramencionados já foi atingido pelo instituto da coisa julgada administrativa, prevista no art. 42 do Decreto 70.235/72 e, portanto, não cabe mais reanálise na esfera administrativa, já que não cabem mais recursos para alteração do dispositivo relativo àqueles sujeitos passivos: Art. 42. São definitivas as decisões: I - de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II - de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III - de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Fl. 3587DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 38 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 Nada obstante, como os fundamentos de fato e de direito que são apresentados (assim como os pedidos) são, em síntese, os mesmos apresentados e já julgados em instância recursal, entendo que se aplicam da mesma forma ao Recurso Voluntário apresentado pelo Sr. Modezil Ferreira de Cerqueira (inclusive, reforce-se que os mesmo argumentos utilizados no TVF, fls. 39/65, para imputar responsabilidade solidária ao Sr. Florisberto Ferreira da Cerqueira foram também adotados para imputar responsabilidade solidária ao Sr. Modezil Ferreira de Cerqueira, sem qualquer diferença, isto é, de que ambos seriam sócios administradores da empresa), ao qual tomo a liberdade de replicar o entendimento já manifestado pelo voto vencedor do Acórdão Recursal, o qual concordo integralmente: Fl. 3588DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 39 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 Fl. 3589DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 40 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 É importante notar que a Recorrente, no período de apuração (AC 2007 a 2009), efetuou pagamentos de IRPJ e CSLL como antecipação, conforme o TVF na seguinte passagem: O Poder Judiciário, representado pelo STJ em sede de recurso repetitivo, consolidou o entendimento de que o termo inicial para contagem de decadência de tributos sujeitos ao lançamento por homologação – caso do IRPJ e CSLL – depende de dois fatores: existência ou não de pagamento antecipado e constataçaõ ou não de fraude, dolo ou simulação. Fl. 3590DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 41 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 Nessa conformidade, a regra que prevalece – e que vincula o presente Julgador à luz do art. 62-A do Regimento Interno do CARF – é a de que aplica-se o artigo 150, parágrafo 4ª do CTN (5 anos a contar do fato gerador) no caso de existir pagamento antecipado pelo contribuinte e desde que ele não tenha cometido fraude, dolo ou simulação. Caso contrário, ou seja, apenas na hipótese de inexistir pagamento antecipado OU restando demonstrada a ocorrência do dolo, fraude ou simulação, aplicável o art.173, I, do CTN. Nessa situação em particular, tendo em vista que houve a descaracterização de simulação e antecipação de pagamento de tributo, aplicável o artigo 150, parágrafo 4º. Assim, considerando que a ciência do lançamento ocorreu em 28/05/2013, entendo que as cobranças de IRPJ e CSLL referentes ao ano-calendário de 2007 foram atingidas pela decadência. Responsabilidade Solidária Finalmente, cumpre observar que a motivação para a qualificação da solidariedade da pessoa física Sr. Florisberto Ferreira de Cerqueira (Diretor Superintendente e Minoritário) restringiu-se ao fato dele ter figurado como sócio administrador. E, como fundamento legal, invocou a autoridade responsável pelo lançamento o artigo 135, III, do CTN, in verbis: Dispõe o art. 135: Fl. 3591DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 42 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 Logo, concordando integralmente com o racional exposto no voto vencedor do Acórdão supra referido, adoto o mesmo fundamento para afastar a imputação de responsabilidade solidária ao Sr. Modezil Cerqueira de Ferreira, haja vista que a mera configuração como sócio administrador não é condição sine qua non para a imputação da responsabilidade solidária prevista no art. 135, III, do CTN. Da mesma forma, o não reconhecimento da ocorrência da simulação leva à desqualificação a multa qualificada de 150%, aplicando-se a multa de ofício no período em que não foi acobertado pela decadência (art. 150, parágrafo 4ª do CTN). Conclusão Diante do exposto, conhecendo dos embargos, voto para acolher os embargos com efeitos infringentes, para afastar a responsabilidade tributária do Sr. Modezil Ferreira de Cerqueira. É como voto. Jeferson Teodorovicz Fl. 3592DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 43 do Acórdão n.º 1201-004.722 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.723582/2013-94 Fl. 3593DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 13974.000281/2003-96
Data da sessão: Wed May 06 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 2202-000.014
Decisão: RESOLVEM os Membros da 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, da Segunda Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS

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RESOLVEM os Membros da r Câmara/2a Turma Ordinária, da Segunda Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. \ç,í1 NATRA À ATTAROi Presidenta Ji11,10 CÉSAR ALVES RAMOS Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rodrigo Remardes de Carvalho, Silvia de Brito Oliveira, Ali Zraik Junior, Alexandre Kern (Suplente), Marcos Tranchesi Ortiz e Leonardo Siade Manzan. Processo n° 13974.000281/2003-96 S2-C2T1 Resolução n.° 2202-00.014 Fl. 2 RELATÓRIO E VOTO DO CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS, Relator Sobe a exame do Colegiado recurso do contribuinte contra decisão que considerou procedente lançamento de oficio por meio do qual a Administração tributária lhe exige a COFINS não recolhida nos meses de março/2002, abril/2002, maio/2002, junho/2002) julho/2002, agosto/2002, setembro/2002 e outubro/2002. O lançamento decorre das disposições do art. 90 da Medida Provisória n° 2.158/2001, visto que a empresa comunicara tê-los compensado com supostos indébitos de PIS dos meses de outubro de 1995 a outubro de 1998, surgidos em decorrência da declaração de inconstitucionalidade do art. 18 da Medida Provisória 1.212/95. A restituição de tais valores foi requerida mediante os processos administrativos de n's 13974.000202/2001-85 e 13974.000222/2001-56, e posteriormente foram apresentados formulários de compensação com os débitos ora constituídos de oficio. Além deles, foi também protocolizado pedido de compensação de COFINS com indébito de Finsocial decorrente das alíquotas superiores a 0,5% postulado por meio do processo administrativo de n° 13974.000108/2002-15. O lançamento foi cientificado ao contribuinte em 23/9/2003 (fl. 103), um mês, portanto, antes da edição da MP 135, que modificou aquele art. 90, e nele a autoridade autuante ressalta que os débitos haviam sido incluídos pelo contribuinte em sua DCTF do período na condição de compensados, inclusive com a indicação dos respectivos números. Seu julgamento administrativo ocorreu já sob tais novas disposições (20 de dezembro de 2007) e anteriormente à decisão definitiva nos processos de restituição/compensação que estavam, à época, submetidos a recurso a esta Casa. Mesmo assim, foi ele mantido integralmente, inclusive quanto à multa de oficio. Em vista do relatado, e conforme já decidido em inúmeros outros processos semelhantes, faz-se imprescindível retornar os autos à unidade preparadora para que faça juntar cópia da decisão definitiva que tenha sido proferida nos processos administrativos relativos às restituições/compensações postuladas (processos administrativos de n's 13974.000202/2001- 85, 13974.000222/2001-56 e 13974.000108/2002-15). Caso até a presente data, não tenha ainda havido solução definitiva naqueles processos, que aguardem os autos naquela unidade até que se possa cumprir a providência requerida, só então retornando-os a esta Casa para julgamento definitivo deste. Registro que o sistema eletrônico que permite o acompanhamento dos julgamentos do Conselho de Contribuintes aponta que o segundo dos processos acima já teve julgamento nesta mesma Câmara, a qual negou provimento ao recurso do contribuinte, e que os autos foram baixados à unidade de origem desde 2006. Em situação idêntica se encontra o processo relativo ao Finsocial cujo recurso do contribuinte foi julgado no Terceiro Conselho em 2007, tendo sido encaminhados os autos no mesmo ano à unidade de origem. Não há notícia quanto à existência de recursos a essas decisões. Já quanto ao primeiro, o mesmo sistema informa estar ainda pendente de julgamento o recurso do contribuinte. Requeiro, pois, a diligência nos termos acima. ç\f-IN Processo n° 13974.000281/2003-96 S2-C2T1 Resolução n.° 2202-00.014 Fl. 3 É COMO voto. Sala das Sessões, -m 06 de maio de 2009 n - (7' / Li,k, Ovv CI SELHEIRO JÚLIO ÉSAR ALVES RAMOS 3

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8150795 #
Numero do processo: 19515.001930/2006-11
Data da sessão: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. GANHOS DE CAPITAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO. A tributação das pessoas físicas fica sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do ano-calendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação, o mesmo se aplica aos ganhos de capital. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados do fato gerador (31 de dezembro de cada ano-calendário questionado), que, nos casos de ganhos de capital, ocorre no mês da alienação do bem. Entretanto, na inexistência de pagamento antecipado, ou nos casos em que for caracterizado o evidente intuito de fraude, a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Somente ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa. DILIGÊNCIA/PERÍCIA FISCAL. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A determinação de realização de diligências e/ou perícias compete à autoridade julgadora de Primeira Instância, podendo a mesma ser de ofício ou a requerimento do impugnante. A sua falta não acarreta a nulidade do processo administrativo fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO. Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitar-se ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia técnica destina-se a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitando-se ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM OS RECURSOS DECLARADOS. FORMA DE APURAÇÃO. FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO MENSAL. ÔNUS DA PROVA. Quando a autoridade lançadora promove o fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos (apuração de acréscimo patrimonial a descoberto) este deve ser apurado mensalmente, considerandose todos os ingressos de recursos (entradas) e todos os dispêndios (saídas) no mês. A lei somente autoriza a presunção de omissão de rendimentos nos casos em que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatível com os recursos disponíveis (tributados, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte). Assim, quando for o caso, devem ser considerados, na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, todos os recursos auferidos pelo contribuinte (tributados, isentos e não tributáveis e os tributados exclusivamente na fonte), abrangendo os declarados e os lançados de ofício pela autoridade lançadora. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. Cabe à autoridade lançadora o ônus de provar o fato gerador do imposto de renda. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que à autoridade lançadora comprove o aumento do patrimônio sem justificativa nos recursos declarados. Por outro lado, valores alegados, oriundos de saldos bancários, disponibilidades, resgates de aplicações, dívidas e ônus reais, como os demais recursos declarados, são objeto de prova por quem as invoca como justificativa de eventual aumento patrimonial. As operações declaradas, que importem em origem de recursos, devem ser comprovadas por documentos hábeis e idôneos que indiquem a natureza, o valor e a data de sua ocorrência. MEIOS DE PROVA. INFRAÇÃO FISCAL. A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. RENDIMENTOS ISENTOS OU NÃO TRIBUTÁVEIS. TRANSFERÊNCIAS PATRIMONIAIS. DOAÇÕES. DOAÇÃO DE NUMERÁRIO DE PAI PARA FILHO. Se os rendimentos e os bens do doador têm origem justificada e se trata de doação de pai para filho, quase sempre feito de maneira informal em se tratando de dinheiro, e se o valor doado está consignado na declaração de rendimentos do doador e do donatário, o valor doado, para fins de apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, deve constar no "fluxo de caixa" mensal como fonte de origens do donatário e como fonte de aplicações do doador. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. MULTA DE OFICIO. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Argüição de decadência não acolhida. Pedido de perícia rejeitado. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-001.280
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência, o pedido de perícia e as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 1.250.000,00, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: NELSON MALLMAN

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Entretanto, na inexistência de pagamento antecipado, ou nos casos em que for caracterizado o evidente intuito de fraude, a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Somente ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa. DILIGÊNCIA/PERÍCIA FISCAL. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A determinação de realização de diligências e/ou perícias compete à autoridade julgadora de Primeira Instância, podendo a mesma ser de ofício ou a requerimento do impugnante. A sua falta não acarreta a nulidade do processo administrativo fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO. Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitar-se ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. 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MULTA DE OFICIO. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. 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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 41; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2388; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 1          1             S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.001930/2006­11  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2202­01.280  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de julho de 2011  Matéria  IRPF  Recorrente  WILSON EDUARDO DISSENHA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2002  DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  IMPOSTO  DE  RENDA  PESSOA  FÍSICA.  GANHOS  DE  CAPITAL.  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  EXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  CARACTERIZAÇÃO  DO  EVIDENTE  INTUITO  DE  FRAUDE.  TERMO  INICIAL  PARA  A  CONTAGEM  DO  PRAZO.  A tributação das pessoas físicas fica sujeita ao ajuste na declaração anual, em  31  de  dezembro  do  ano­calendário,  e  independente  de  exame  prévio  da  autoridade  administrativa  o  lançamento  é  por  homologação,  o  mesmo  se  aplica aos ganhos de capital. Havendo pagamento antecipado o direito de a  Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados do fato gerador (31  de dezembro de cada ano­calendário questionado), que, nos casos de ganhos  de capital, ocorre no mês da alienação do bem. Entretanto, na inexistência de  pagamento  antecipado,  ou  nos  casos  em  que  for  caracterizado  o  evidente  intuito de fraude, a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia  do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.  Somente ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de  ofício  opera­se  a  decadência,  a  atividade  exercida  pelo  contribuinte  está  tacitamente homologada  e o  crédito  tributário  extinto,  nos  termos do  artigo  150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional.  AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.  Não  está  inquinado  de  nulidade  o  auto  de  infração  lavrado  por  autoridade  competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado  em  consonância  com  o  que  preceitua  o  art.  142  do  Código  Tributário  Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno  conhecimento  dos  fatos  que  ensejaram  a  sua  lavratura,  exercendo,  atentamente, o seu direito de defesa.      Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN   2 DILIGÊNCIA/PERÍCIA  FISCAL.  INDEFERIMENTO  PELA  AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.  A  determinação  de  realização  de  diligências  e/ou  perícias  compete  à  autoridade julgadora de Primeira Instância, podendo a mesma ser de ofício ou  a  requerimento  do  impugnante.  A  sua  falta  não  acarreta  a  nulidade  do  processo administrativo fiscal.  PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO.  Descabe  o  pedido  de  diligência  quando  presentes  nos  autos  todos  os  elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção.  Por  outro  lado,  as  perícias  devem  limitar­se  ao  aprofundamento  de  investigações  sobre  o  conteúdo  de  provas  já  incluídas  no  processo,  ou  à  confrontação  de  dois  ou  mais  elementos  de  prova  também  incluídos  nos  autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal.  Assim,  a perícia  técnica destina­se  a  subsidiar a  formação da  convicção do  julgador,  limitando­se  ao  aprofundamento  de  questões  sobre  provas  e  elementos  incluídos  nos  autos  não  podendo  ser  utilizada  para  suprir  o  descumprimento de uma obrigação prevista na legislação.  ACRÉSCIMO  PATRIMONIAL  A  DESCOBERTO.  GASTOS  E/OU  APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM OS RECURSOS DECLARADOS.  FORMA DE APURAÇÃO. FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CÁLCULO.  APURAÇÃO MENSAL. ÔNUS DA PROVA.  Quando  a  autoridade  lançadora  promove  o  fluxo  financeiro  de  origens  e  aplicações de recursos (apuração de acréscimo patrimonial a descoberto) este  deve  ser  apurado  mensalmente,  considerando­se  todos  os  ingressos  de  recursos  (entradas)  e  todos  os  dispêndios  (saídas)  no  mês.  A  lei  somente  autoriza  a  presunção  de  omissão  de  rendimentos  nos  casos  em  que  a  autoridade  lançadora comprove gastos e/ou aplicações  incompatível com os  recursos disponíveis (tributados, não tributáveis ou tributados exclusivamente  na fonte). Assim, quando for o caso, devem ser considerados, na apuração do  acréscimo  patrimonial  a  descoberto,  todos  os  recursos  auferidos  pelo  contribuinte  (tributados,  isentos  e  não  tributáveis  e  os  tributados  exclusivamente na fonte), abrangendo os declarados e os lançados de ofício  pela autoridade lançadora.  ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA.  Cabe à autoridade lançadora o ônus de provar o fato gerador do imposto de  renda. A  lei  autoriza  a  presunção  de  omissão  de  rendimentos,  desde  que  à  autoridade  lançadora  comprove  o  aumento  do  patrimônio  sem  justificativa  nos recursos declarados. Por outro lado, valores alegados, oriundos de saldos  bancários,  disponibilidades,  resgates  de  aplicações,  dívidas  e  ônus  reais,  como os demais recursos declarados, são objeto de prova por quem as invoca  como justificativa de eventual aumento patrimonial. As operações declaradas,  que  importem  em  origem  de  recursos,  devem  ser  comprovadas  por  documentos hábeis e idôneos que indiquem a natureza, o valor e a data de sua  ocorrência.  MEIOS DE PROVA. INFRAÇÃO FISCAL.  A prova de infração fiscal pode realizar­se por todos os meios admitidos em  Direito,  inclusive  a  presuntiva  com  base  em  indícios  veementes,  sendo,  outrossim, livre a convicção do julgador.  Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.001930/2006­11  Acórdão n.º 2202­01.280  S2­C2T2  Fl. 2          3 RENDIMENTOS  ISENTOS  OU  NÃO  TRIBUTÁVEIS.  TRANSFERÊNCIAS  PATRIMONIAIS.  DOAÇÕES.  DOAÇÃO  DE  NUMERÁRIO DE PAI PARA FILHO.  Se os  rendimentos e os bens do doador têm origem justificada e se  trata de  doação  de  pai  para  filho,  quase  sempre  feito  de  maneira  informal  em  se  tratando  de  dinheiro,  e  se  o  valor  doado  está  consignado  na  declaração  de  rendimentos do doador e do donatário, o valor doado, para fins de apuração  de  acréscimo  patrimonial  a  descoberto,  deve  constar  no  "fluxo  de  caixa"  mensal  como  fonte  de  origens  do  donatário  e  como  fonte  de  aplicações  do  doador.  RESPONSABILIDADE OBJETIVA. MULTA DE OFICIO.  A  responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributária  independe  da  intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má­fé do contribuinte  não descaracteriza o poder­dever da Administração de  lançar com multa de  oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste.  MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  CARÁTER  DE  CONFISCO.  INOCORRÊNCIA.   A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento  de  ofício,  para  exigi­lo  com  acréscimos  e  penalidades  legais.  A  multa  de  lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo  Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista  em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150  da Constituição Federal.   INCONSTITUCIONALIDADE.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária (Súmula CARF nº 2).  ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS.  A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).  Argüição de decadência não acolhida.  Pedido de perícia rejeitado.  Preliminares rejeitadas.  Recurso parcialmente provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  a  arguição de decadência, o pedido de perícia e as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no  mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo  da  exigência  o  valor  de  R$  1.250.000,00,  nos  termos  do  voto  do  Relator.  Vencida  a  Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga.    Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN   4   (Assinado digitalmente)   Nelson Mallmann – Presidente e Relator.    Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de  Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de  Souza,  Pedro  Anan  Júnior  e  Nelson  Mallmann.  Ausente  justificadamente,  o  Conselheiro  Helenilson Cunha Pontes.    Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.001930/2006­11  Acórdão n.º 2202­01.280  S2­C2T2  Fl. 3          5 Relatório  WILSON  EDUARDO  DISSENHA,  contribuinte  inscrito  no  CPF/MF  074.668.698­66,  com  domicílio  fiscal  na  cidade  de  São  Paulo,  Estado  de  São  Paulo,  à  Rua  Deputado Laércio Corte, nº. 1465 – apto 131 – Bairro Panambi, jurisdicionado a Delegacia da  Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo ­ SP, inconformado com a  decisão de Primeira Instância de fls. 185/202, prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita  Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP II recorre, a este Conselho Administrativo  de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 208/231.  Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 25/09/2006, Auto de  Infração  de  Imposto  de Renda  Pessoa  Física  (fls.  130/135),  com  ciência  através  de AR,  em  03/10/2006  (fls.  137),  exigindo­se  o  recolhimento  do  crédito  tributário  no  valor  total  de R$  1.254.590,59  (padrão  monetário  da  época  do  lançamento  do  crédito  tributário),  a  título  de  Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e  dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda,  relativo ao exercício de 2002, correspondente ao ano­calendário de 2001.   A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização  de  revisão  de Declaração  de Ajuste Anual  referente  ao  exercício  de  2002 onde  a  autoridade  lançadora  entendeu  haver  omissão  de  rendimentos,  tendo  em  vista  a  apuração  de  acréscimo  patrimonial  a  descoberto,  onde  se  verificou  excesso  de  aplicações  sobre  origens,  não  respaldado por rendimentos declarados / comprovados, conforme Termo de Verificação Fiscal  em anexo. Infração capitulada nos artigos 1º, 2º, 3º, e §§, da Lei n º 7.713, de 1988; artigos 1º  ao 2º, da Lei n º 8.134, de 1990, art. 1º da Lei nº 9.887, de 1999, combinados com o art. 6º e  §§, da Lei 8.021, de 1990 e art. 9º e §, da Lei nº 8.846, de 1994.  O Auditor­Fiscal da Receita Federal do Brasil  responsável pela constituição  do crédito  tributário  lançado esclarece, ainda, através do Termo de Verificação Fiscal de  fls.  126/129, entre outros, os seguintes aspectos:  ­  que  em  relação  ao  ano­calendário  2001,  o  contribuinte  apresentou  em  30/04/2002 Declaração de Ajuste Anual ­ 2002 (fls. 05 a 07). Posteriormente, em 27/04/2006,  apresentou  Declaração  Retificadora  (fls.  08  a  10).  Tendo  examinado  os  documentos  apresentados, preenchemos a planilha "demonstrativo de variação patrimonial" (fls. 118/119):  conforme abaixo:  1.1)  rendimentos  tributáveis na fonte(jurídica/fonte/exterior):  referem­se aos  valores dos rendimentos constantes no "Comprovante de Rendimentos Pagos..."  relativos aos  valores recebidos de Madepar Laminados S/A, distribuídos mensalmente conforme extrato do  sistema da SRF;  1.2)  saldos  bancários  credor/devedor  em  conta  corrente:  obtidos  com  base  nos extratos bancários apresentados pelo contribuinte relativo à conta corrente mantida junto ao  Banco Bradesco;  Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN   6  1.3) doações e transferências patrimoniais recebidas: o contribuinte declarou,  em  sua  Declaração  de  Rendimentos  do  ano­calendário  2001,  haver  recebido  a  título  de  transferências patrimoniais­doações o valor de R$ 1.250.000,00. O mesmo valor foi declarado  pelo  suposto  doador  ­  Sr. Wilson Dissenha  –  CPF  008.783.838­91  ­  em  sua Declaração  de  rendimentos.  Porém,  apesar  de  formalmente  intimado  a  apresentar  a  documentação  comprobatória das doações recebidas, conforme Termos de Intimação Fiscal de 07/06/2006 e  de  03/08/2006,  o  contribuinte  não  logrou  fazê­lo,  não  apresentando  nenhum  documento  e  tampouco apresentou  justificativas por  escrito; motivo pelo qual o valor não  foi  considerado  como origem de recursos.  Em sua peça impugnatória de fls. 139/159, instruída pelos documentos de fls.  160/182,  apresentada,  tempestivamente,  em  31/10/2006  o  contribuinte,  se  indispõe  contra  a  exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à  impugnação para declarar a insubsistência do  Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos;  ­  que  entre  as  várias  formas  de  lançamento  tributário,  o  CTN  abriga  o  lançamento  por  homologação  (artigo  150),  também  erroneamente  chamado  de  auto  lançamento, que decorre de fatos momentâneos ou instantâneos;  ­ que o lançamento por homologação, como é o caso, por exemplo, do ICMS,  do  IPI  e  também do  IR,  se caracteriza pelo  fato de que, como no caso presente,  a  legislação  específica  atribui  ao  contribuinte  o  dever  de  elaborar  a  declaração  de  rendimentos,  apurar  o  montante devido e efetuar o pagamento do imposto, tudo antes que a Fazenda Pública efetue o  lançamento;  ­  que  a  autoridade  lançadora,  como  bem  acentua  o  Prof.  Ruy  Barbosa  Nogueira  (A Decadência no Direito Tributário Brasileiro,  IBDT/Ed. Resenha Tributária, São  Paulo, 1982), "sob pena de decair do direito de lançar de oficio, do qual enquanto existente não  abdicou, tem o prazo de 5 anos, a contar da data da ocorrência do fato gerador, para homologá­ lo, salvo dolo, fraude ou simulação (art. 150 e § 4° do CTN);  ­ que, no mesmo teor, acentuando a imposição legal feita ao sujeito ativo da  obrigação tributária, sob pena de responsabilidade funcional, preleciona o saudoso Prof. Fábio  Fanucch;  ­  que,  no  caso  presente,  constata­se  que  o Auto  de  Infração  em  tela  indica  como meses  de  ocorrência dos  fatos  geradores:  janeiro/2001  a  dezembro/2001,  bem como  a  data de notificação do sujeito passivo, ou seja, 04/10/2006;  ­ que, data vênia, de tais colocações, fácil é a conclusão de que o Fisco, por  sua inércia, deixou decorrer "in albis" o prazo decadencial de 05 anos, com relação aos meses  de janeiro a setembro/2001, o que implica no perecimento de seu direito;  ­ que analisando o Demonstrativo de Variação Patrimonial anexo ao Termo  de  Verificação  Fiscal,  no  qual  o  Sr.  Autuante  apurou  o  suposto  acréscimo  patrimonial  a  descoberto  /  excesso  de  gastos  sobre  a  renda  disponível,  constata­se  que  houve  a  desconsideração  da  transferência  patrimonial  —  doação  recebida,  no  importe  de  R$1.250.000,00 (um milhão, duzentos e cinqüenta mil reais), em razão da não apresentação de  documentos comprobatórios dessa operação;  ­  que,  contudo,  conforme  já  exposto  no  preâmbulo  dessa  Impugnação,  é  suficiente para amparar  tal  lançamento, que a doação  tenha constado em ambas Declarações,  seja do doador, seja do donatário;  Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.001930/2006­11  Acórdão n.º 2202­01.280  S2­C2T2  Fl. 4          7 ­ que é o que ocorreu no caso presente, vez que a operação foi devidamente  lançada na Declaração do Sr. Wilson Dissenha, inscrito no CPF/MF sob o n° 008.783.838­91,  na  condição  de  doador,  o mesmo  ocorrendo  da  Declaração  do  Impugnante,  na  condição  de  donatário. É o que basta;  ­  que  segundo  consta  do  Termo  de  Verificação  Fiscal  anexo  ao  Auto  de  Infração,  o Recorrente  entregou Declaração Retificadora,  em  27/04/2006,  incluindo  entre  os  seus bens o imóvel em epígrafe, pelo valor de R$1.537.899,53;  ­ que em razão da negativa de fornecimento de comprovantes de pagamento,  houve  a  intimação  da  empresa  vendedora,  Parinvest,  que  apresentou  relação  de  pagamentos  efetuados em 2001, no valor total de R$ 626.367,64;  ­ que conforme constou na retificação entregue em abril/2006, o valor  total  declarado foi pago no ato da aquisição, em 01/09/1999, conforme, aliás, consta da Escritura de  Venda e Compra lavrada pelo 12° Cartório de Notas de São Paulo (doc. incluso);  ­ que, assim, os valores tidos por devidos relativos ao ano de 2001 (embora  essa  fosse  a  previsão  inicial)  foram  pagos  antecipadamente,  em  virtude  de  disponibilidade  financeira naquele momento;  ­  que,  portanto,  excluindo­se  o  valor  referente  ao  imóvel  em  tela  (R$626.367,64),  da  diferença  retro  apontada  (R$586.603,09),  temos  pela  existência  de  saldo  credor de R$39.764,55,  ou  seja,  inexiste qualquer  acréscimo patrimonial  a descoberto,  como  erroneamente concluiu o Sr. Agente Fiscal;  ­ que em relação à multa aplicada, à razão de 75% (setenta e cinco por cento),  observa­se que tal percentual abusivo decorre do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 que se aplica até  mesmo no caso de simples falta de pagamento do tributo devido, unicamente em decorrência  do lançamento ser procedimento de oficio. Portanto, esse simples fato (o lançamento de oficio),  faculta a elevação da multa de mora de 20% para 75%;  ­  que não obstante  taxas  referenciais  como a TR,  a TRD e  a SELIC  serem  materializadas,  via  lei  ordinária,  como  juros  moratórios  que  devem  incidir  sobre  débitos  tributários,  as  mesmas  não  possuem  tal  natureza,  por  traduzirem,  como  já  preceituado,  fenômeno  monetário  de  pagamento  pelo  uso  do  dinheiro,  com  caráter  estritamente  remuneratório. Deste modo, não poderia o Fisco reclamar o pagamento de juros de mora sobre  tributos vencidos, calculado por taxas de juros de natureza remuneratória, sob pena de ofensa  ao conceito jurídico e econômico de juros moratórios, e de ferir os mandamentos contidos no §  1 do artigo 161 do Código Tributário Nacional e no § 30 do artigo 192 da Constituição Federal;  ­  que  protestando  por  provar  o  alegado  por  todos  os  meios  de  prova  em  direito  admitidos,  inclusive  pela  juntada  de  novos  documentos  (em  conformidade  com  as  disposições do artigo 16, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, com redação conferida pela Lei n°  8.748/93),  perícia  (quesitos,  nome,  endereço  e  qualificação  profissional  do  perito  abaixo  referidos  —  artigo  16,  inciso  IV,  do  mesmo  Decreto),  é  a  presente  para,  sempre  respeitosamente,  requerer  o  cancelamento  da  imposição  em  tela,  com  o  conseqüente  arquivamento do respectivo auto de infração.  Após  resumir  os  fatos  constantes  da  autuação  e  as  principais  razões  apresentadas pelo  impugnante a Quarta Turma da Delegacia da Receita Federal  do Brasil de  Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN   8 Julgamento em São Paulo – SP II conclui pela procedência da ação fiscal e pela manutenção do  crédito tributário, com base nas seguintes considerações:   ­ que o autuado alega que os fatos geradores ocorridos entre janeiro/2001 a  setembro/2001 foram atingidos pelo prazo decadencial de 05 anos, haja vista ser o lançamento  por  homologação  (artigo  150  do  CTN),  que  estabelece  que  a  contagem  se  dê  a  partir  da  ocorrência  do  fato  gerador,  o  que  se  dá  mensalmente,  conforme  determinação  da  Lei  n.°  7.713/88;  ­ que o exercício em que o lançamento pode ser efetuado, no caso do imposto  de renda das pessoas físicas, é o ano em que se instaura a possibilidade de o Fisco lançar. Ou  seja,  para  proceder  ao  lançamento  referente  à  omissão  de  rendimentos  ocorrida  no  ano­ calendário de 2001, o Fisco deveria esperar a entrega da Declaração de Ajuste correspondente,  cujo prazo final para apresentá­la se deu em 30/04/2002. Portanto, diferentemente da contagem  do  contribuinte  na peça  impugnatória,  o  lançamento  da  omissão  de  rendimentos  relativa  aos  fatos geradores ocorridos em 2001 só poderia ter sido efetuado a partir de 30/04/2002, sendo  01/01/2003 o termo inicial do prazo decadencial, primeiro dia do exercício seguinte ao que o  Auto de Infração poderia ter sido lavrado, e 31/12/2007 o termo final;  ­ que tendo a ciência ao Auto de Infração ocorrido em 04/10/2006 (fl. 137),  constata­se que não ocorreu o instituto da decadência quanto ao direito de lançar a omissão de  rendimentos relativa ao ano­calendário de 2001;  ­ que quanto ao acréscimo patrimonial a descoberto, releva dizer que se trata  de presunção legalmente estabelecida. Tal lançamento já estava previsto no Código Tributário  Nacional em seu artigo 43, inciso II. Posteriormente, em 1988, a Lei 7.713, no artigo 3°, § 1°,  preceituou que constituem rendimento bruto os proventos de qualquer natureza, assim também  entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados;  ­ que, em sua defesa, o contribuinte alega ter recebido doação no valor de R$  1.250.000,00, constando tal doação das Declarações do doador, Senhor Wilson Dissenha, e do  donatário;  ­ que a justificação do acréscimo patrimonial, seja por doação de terceiros ou  qualquer outro meio, traz ao sujeito passivo o ônus de fazer prova na sua boa e devida forma,  não só da existência de recursos por parte do doador, mas da realização da  transferência dos  recursos  ao  beneficiário.  Não  basta  tão  somente  o  lançamento  em  campos  próprios  nas  respectivas Declarações de Ajuste Anual, mas também, a demonstração clara e inequívoca da  transferência do numerário;  ­ que a declaração de ajuste anual apresentada pelo contribuinte não é, por si  só, comprovante de quaisquer informações nela contida. Cada informação nela prestada deve  ser comprovada por documentação hábil e idônea, sempre que requisitada pela Fiscalização. O  artigo  806  do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda,  aprovado  pelo  Decreto  3.000/99,  fundamenta esta exigência;  ­  que  é  pouco  crível  que  em  operações  de  doação,  envolvendo  valores  expressivos, as partes não  tenham o zelo de guardar cópia de extratos, de cheques, depósitos  bancários ou citar o número do cheque e da conta bancária, para eventual solicitação ao banco;  ­ que a luz do disposto no Código Civil, seria necessário para "doar" o valor  de R$ 1.250.000,00 (cuja doação não poderia ser verbal pelo fato de não ser considerado bem  Fl. 8DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.001930/2006­11  Acórdão n.º 2202­01.280  S2­C2T2  Fl. 5          9 móvel de pequeno valor), instrumento particular de doação. Tal documento não foi apresentado  na ação fiscal e nem na impugnação;  ­ que afirma ainda o contribuinte, em sua defesa, que o apartamento 131 da  Rua Deputado  Laércio Corte,  1465  foi  pago  no  ato  da  aquisição,  em  01/09/1999,  conforme  consta da Escritura de Venda e Compra lavrada pelo 12° Cartório de Notas de São Paulo (cópia  as fls. 161/165). Todavia, tal escritura foi passada em 27 de junho de 2003 e registra que por  instrumento particular datado de 01.09.1999, "a Parinvest prometeu vender ao Comprador, as  seguintes  frações...".  Não  há  declaração  de  ter  sido  recebido  integralmente  o  valor  do  apartamento  em  1999,  mas  há  declaração  de  haver  recebido  integralmente,  na  forma  e  condições expostas, R$ 1.537.899,53 anteriormente a 27 de junho de 2003 e R$ 550.103,72 no  ato da lavratura da citada Escritura de Venda e Compra;  ­ que, assim, e diante dos comprovantes de pagamento efetuados no ano de  2001,  fornecidos  pela  Parinvest  e  contabilizados  no  Livro  Razão Analítico  da  empresa  (fls.  61/84), vê­se que não há possibilidade de acatar o alegado pelo  impugnante, mantendo­se na  íntegra o lançamento efetuado;  ­ que quanto à alegação de que a multa aplicada e os juros de mora calculados  pela taxa Selic ferem princípios constitucionais há de se esclarecer que não cabe às autoridades  julgadoras administrativas a apreciação e decisão de questões referentes à constitucionalidade  de  atos  legais,  visto  que  a  Constituição  Federal,  por meio  dos  artigos  97  e  102,  confere  tal  competência  exclusivamente  ao  Poder  Judiciário.  Aos  julgadores  desta  instância  do  contencioso  administrativo,  composta  exclusivamente  por  Auditores  Fiscais  da  Receita  Federal, cabe, por dever de oficio, observar o estrito cumprimento das leis, bem como dos atos  normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal;  ­ que analisando os quesitos formulados, reputo prescindível a realização da  perícia solicitada,  tendo em vista que os elementos presentes nos autos são suficientes para a  formação  de  convicção.  Por  outro  lado,  a  solução  das  questões  trazidas  não  demanda  conhecimento  técnico  especializado e  complementar,  sendo que parte das  informações que o  impugnante pretende sejam prestadas por perito são as que cabem a ele produzir;  ­ que o próprio impugnante poderia, durante o procedimento de fiscalização,  ter apresentado todos os seus esclarecimentos e documentos ao fiscal autuante, em atendimento  às intimações feitas, notadamente em relação à origem do acréscimo patrimonial constante do  Auto de Infração e não o fez, ficando no mero terreno abstrato das alegações sem prova;  ­  que  ao  ingressar  com  a presente  impugnação,  o  contribuinte  também não  apresentou qualquer documentação adicional referente ao objeto da perícia pleiteada;  ­  que  acresça­se  a  isso  o  fato  de  que,  para  fins  de  justificar  acréscimo  patrimonial  a  descoberto,  o  ônus  da prova  cabe  ao  contribuinte,  não  havendo  cabimento  em  atender um pedido de perícia cujo objetivo é dar cumprimento a uma obrigação pertinente ao  próprio  impugnante,  ainda  mais  que  durante  todo  o  procedimento  fiscal  lhe  foram  dadas  oportunidades para isso.  As ementas que consubstanciam a presente decisão são as seguintes:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­  IRPF  Fl. 9DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN   10 Ano­calendário: 2001  DECADÊNCIA.  Tratando­se  de  lançamento  ex  officio,  a  regra  aplicável na  contagem do prazo decadencial  é a estatuída pelo  art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciando­se o prazo  decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que  o lançamento poderia ter sido efetuado.  ACRÉSCIMO  PATRIMONIAL  A  DESCOBERTO.  O  acréscimo  patrimonial,  não  justificado  pelos  rendimentos  tributáveis,  não  tributáveis ou isentos e  tributados exclusivamente na  fonte  só é  elidido mediante a apresentação de documentação hábil que não  deixe margem a dúvida.  RECURSOS  DE  DOAÇÃO.  ACEITABILIDADE.  O  valor  de  doação  somente  pode  justificar  o  acréscimo  patrimonial  a  descoberto  quando  for  comprovada  a  efetiva  transferência  do  numerário e a disponibilidade de recursos do doador, prova que  cabe ao contribuinte que alega e pretende aproveitar a doação.  MULTA DE OFÍCIO.  APLICABILIDADE.  A multa  de  ofício  é  prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático  a  revisão  de  lançamento,  pela  autoridade  administrativa  competente,  que  implique  imposto  ou  diferença  de  imposto  a  pagar, não podendo a autoridade administrativa furtar­se à sua  aplicação.  JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. A  exigência  juros  de mora  com  base  na  Taxa  Selic  decorre  de  disposições  expressas em lei, não podendo as autoridades administrativas de  lançamento e de julgamento afastar sua aplicação.  DECISÕES  ADMINISTRATIVAS  E  JUDICIAIS.  EFEITOS.  As  decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de  Contribuintes,  e  as  judiciais,  excetuando­se  as  proferidas  pelo  STF  sobre  a  inconstitucionalidade  das  normas  legais,  não  se  constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não  se  aproveitam  em  relação  a  qualquer  outra  ocorrência,  senão  àquela objeto da decisão.  DOUTRINA. A doutrina transcrita não pode ser oposta ao texto  explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito  tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade.  PEDIDO  DE  PERÍCIA.  DESCABIMENTO.  Não  tendo  o  contribuinte cumprido a  incumbência de trazer aos autos,  tanto  durante  a  fiscalização  quanto  na  impugnação,  documentos  e  esclarecimentos que tivessem o condão de elidir a tributação em  questão,  é  de  se  indeferir  a  solicitação  de  perícia  quando  a  prova do fato não depende de conhecimento especial de técnico e  sua  demonstração  pode  ser  efetuada  pela  juntada  de  documentos.  Lançamento Procedente  Cientificado  da  decisão  de  Primeira  Instância,  em  13/03/2009,  conforme  Termo constante às fls. 205/206, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em  tempo hábil (31/03/2009), o recurso voluntário de fls. 208/231, no qual demonstra irresignação  Fl. 10DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.001930/2006­11  Acórdão n.º 2202­01.280  S2­C2T2  Fl. 6          11 parcial  contra  a  decisão  supra,  baseado,  em  síntese,  nas mesmas  razões  expendidas  na  fase  impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações:  ­  que  conforme  se  constata,  na  Impugnação  de  fls.,  precisamente  no  item  ENCERRAMENTO, a Recorrente pugnou pela produção de prova pericial, para comprovar os  graves equívocos cometidos na apuração procedida pelo Agente Fiscal, sem qualquer critério,  especialmente no que tange à forma de apuração do débito, feita de maneira vaga e lacônica;  ­ que, todavia, concluiu a d. Julgadora em negar a prova técnica, embasando  seu  entendimento  no  suposta  desnecessidade  de  interveniência  de  especialista,  ante  a  inexistência de pontos obscuros,  além do que  todos os  elementos  necessários  à  formação da  convicção já se fazem presentes nos autos;  ­  que,  na  verdade,  ao  invés  de  simplesmente  indeferir  as  provas  requeridas  (de forma equivocada, diga­se de passagem, como adiante restará demonstrado), deveria a C.  Turma  Julgadora  permitir  a  ampla  instrução  probatória,  em  homenagem  ao  princípio  da  verdade  real  e  de  uma  condução  imparcial  e  preocupada  em  solucionar  o  litígio  de  forma  definitiva, de modo a desafogar um Poder Judiciário que já não possui condições de suportar a  quantidade estelar de processos, muitos originários da relação entre o contribuinte e o Fisco;  ­  que,  com  efeito,  os  quesitos  previamente  formulados  pelo Recorrente,  de  natureza  essencialmente  técnica,  só  poderiam  ser  respondidos  por  Expert  contábil,  o  qual  poderia, com a devida certeza, confirmar os saldos credores mencionados pelo Sr. Fiscal, mês a  mês,  bem  como  os  denominados  "outros  débitos  em  contas  correntes"  mencionados  nas  planilhas  anexas  ao Termo  de Verificação  Fiscal,  em  especial  com  relação  aos  lançamentos  AMERICAN  EXPRESS  /  Gastos  com  cartões  de  crédito  /  AMEX,  analisando  eventual  duplicidade de registros;  ­  que  igualmente  poderia  verificar  a  exatidão  dos  valores  apontados  no  extrato do sistema VIC, da SRF, em relaão aos rendimentos tributáveis na fonte, recebidos da  empresa Madepar Laminados S/A; a correção dos valores indicados nos quadros denominados  "Demonstrativo  de  Variação  Patrimonial"  e  a  possibilidade  de  que  um  determinado  valor  constante do Livro Razão Analítico, que conste como baixado em determinado mês, tenha, na  realidade, sido pago em período anterior, a título de antecipação, dentre outras questões;  ­  que  em  respeito  aos  argumentos  expostos,  mister  faz­se  a  anulação  da  Decisão proferida, para que, diante das provas a serem oferecidas, nova Decisão seja tomada.  É o relatório.  Fl. 11DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN   12 Voto             Conselheiro Nelson Mallmann, Relator  O  presente  recurso  voluntário  reúne  os  pressupostos  de  admissibilidade  previstos  na  legislação  que  rege  o  processo  administrativo  fiscal  e  deve,  portanto,  ser  conhecido por esta Turma de Julgamento.  Da  análise  preliminar  da  matéria,  verifica­se  que  a  autoridade  lançadora  entendeu  haver  omissão  de  rendimentos  diante  da  constatação  de  variação  patrimonial  a  descoberto,  apurado  através  de  “fluxo  financeiro”,  onde  se  verificou  excesso  de  aplicações  sobre  as  origens,  não  respaldados  por  recursos  com  origem  declarada  e/ou  comprovada  (tributados, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte).  Da mesma forma, resta claro, que o acréscimo patrimonial a descoberto tem  origem, em sua maior parte, na desconsideração da transferência patrimonial (doação recebida  do pai) declarada em sua Declaração de Ajuste Anual no ano­calendário de 2001, no valor R$  1.250.000,00  e  nas  aquisições  de  imóveis,  lançados  como  dispêndios  no  demonstrativo  de  apuração do acréscimo patrimonial descoberto.   A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  resolveu  julgar  procedente  o  lançamento,  por  entender  que  o  contribuinte  não  logrou  comprovar  a  origem  dos  recursos  utilizados para satisfazer os dispêndios realizados no ano­calendário questionado.  Inconformado,  em  virtude  de  não  ter  logrando  êxito  na  instância  inicial,  o  contribuinte  apresenta  a  sua  peça  recursal  a  este  E.  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde se insurge contra  o  lançamento  mantido  pela  autoridade  julgadora,  argüindo  inicialmente  a  preliminar  de  decadência e solicita a realização de perícia, bem como suscita preliminares de nulidade e, no  mérito, tece várias considerações sobre a impossibilidade de se tributar por mera presunção, já  que  entende  que  as  variações  patrimoniais  a  descoberto  somente  surgiram  diante  do  fato  da  autoridade lançadora não ter computado, para este fim, os valores de forma correta e por via de  conseqüência se insurge contra a multa de ofício e a taxa Selic.   Desta  forma,  a  discussão  neste  colegiado  se  prende,  tão  somente,  sobre  acréscimo patrimonial a descoberto, previsto no § 1º do artigo 3º da Lei nº. 7.713, de 1988.  Quanto  à  preliminar  de  decadência,  levantada  pelo  suplicante,  sob  o  argumento de que o lançamento de imposto de renda das pessoas físicas é por homologação e  que  o  fato  gerador  é  mensal,  estou  com  a  corrente  que  entende  que  a  modalidade  de  lançamento a que se sujeita o imposto sobre a renda de pessoas físicas é a do lançamento por  homologação, com a ressalva de que o fato gerador só se completa no encerramento do ano­ calendário,  ou  seja,  o  fato  gerador  é  anual  e  só  ocorre  em  31  de  dezembro  do  ano  em  que  ocorre o fato questionado.   Assim sendo, entendo que imposto lançado (IRPF), considerando a contagem  do prazo decadencial na forma mais favorável ao recorrente (sem a constatação da ocorrência  do  evidente  intuito  de  fraude  (multa  qualificada)  e  considerando  que  houve  pagamento  antecipado de  Imposto  de Renda  de Pessoa Física),  não  se  encontrava  alcançado pelo  prazo  Fl. 12DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.001930/2006­11  Acórdão n.º 2202­01.280  S2­C2T2  Fl. 7          13 decadencial  na  data  da  ciência  do  auto  de  infração  (03/10/2006),  de  acordo  com  as  regras  contidas nos artigos 150, § 4° e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional.   A  decadência  em  matéria  tributária  consiste  na  inércia  das  autoridades  fiscais, pelo prazo de cinco anos, para efetivar a constituição do crédito  tributário,  tendo por  início da contagem do tempo o instante em que o direito nasce. Durante o qüinqüênio, qualquer  atividade por parte do fisco em relação ao tributo faz com que o prazo volte ao estado original,  ou seja, no caso de um tributo cujo prazo para sua decadência esteja para ocorrer faltando um  dia, e ocorrendo o lançamento por parte do fisco, não há mais que se falar em decadência.   Inércia em matéria tributária é a falta de iniciativa das autoridades fiscais em  tomar uma atitude para reparar a lesão sofrida. Tal inércia, dia a dia, corrói o direito de agir, até  que ele se perca – é a fluência do prazo decadencial.  É  de  se  esclarecer,  que  os  fatos  geradores  das  obrigações  tributárias  são  classificados como instantâneos ou complexivos. O fato gerador instantâneo, como o próprio  nome revela, dá nascimento à obrigação tributária pela ocorrência de um acontecimento, sendo  este  suficiente  por  si  só  (imposto  de  renda  na  fonte).  Em  contraposição,  os  fatos  geradores  complexivos são aqueles que se completam após o transcurso de um determinado período de  tempo e abrangem um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são  destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Este conjunto de fatos se  corporifica, depois de determinado lapso temporal, em um fato imponível. Exemplo clássico de  tributo que se enquadra nesta classificação de fato gerador complexivo é o imposto de renda da  pessoa física, apurado no ajuste anual.  Aliás, a despeito da inovação introduzida pelo artigo 2° da Lei n° 7.713, de  1988,  pelo  qual  se  estipulou  que  “o  imposto  de  renda  das  pessoas  físicas  será  devido,  mensalmente, à medida que os  rendimentos  e ganhos de capital  forem  recebidos”, há que se  ressaltar a relevância dos arts. 24 e 29 deste mesmo diploma legal e dos arts. 12 e 13 da Lei n°  8.383,  de  1991 mantiveram  o  regime  de  tributação  anual  (fato  gerador  complexivo)  para  as  pessoas físicas.  Não há dúvidas, que a base de cálculo da declaração de rendimentos abrange  todos os  rendimentos  tributáveis  recebidos durante o ano­calendário diminuído das deduções  pleiteadas.  Não é sem razão que o § 2º do art. 2º do Decreto nº. 3.000, de 1999 – RIR/99,  cuja  base  legal  é  o  art.  2º  da  lei  nº.  8.134,  de  1990,  dispõe  que:  “O  imposto  será  devido  mensalmente  na medida  em  que  os  rendimentos  e  ganhos  de  capital  forem  percebidos,  sem  prejuízo do ajuste estabelecido no art. 85”. O ajuste de que trata o artigo 85 do RIR/99 refere­ se  à  apuração  anual  do  imposto  de  renda,  da  declaração  de  ajuste  anual,  relativamente  aos  rendimentos percebidos no ano­calendário.   Em  relação  ao  cômputo  mensal  do  prazo  decadencial,  como  dito,  anteriormente, é de se observar que a Lei nº. 7.713, de 1988, instituiu, com relação ao imposto  de renda das pessoas físicas, a tributação mensal à medida que os rendimentos forem auferidos.  Contudo,  embora  devido  mensalmente,  quando  o  sujeito  passivo  deve  apurar  e  recolher  o  imposto  de  renda,  o  seu  fato  gerador  continuou  sendo  anual.  Durante  o  decorrer  do  ano­ calendário o contribuinte antecipa, mediante a  retenção na  fonte ou por meio de pagamentos  espontâneos e obrigatórios, o imposto que será apurado em definitivo quando da apresentação  Fl. 13DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN   14 da Declaração de Ajuste Anual, nos termos, especialmente, dos artigos 9º e 11 da Lei nº. 8.134,  de 1990. É nessa oportunidade que o fato gerador do imposto de renda estará concluído. Por ser  do  tipo complexivo,  segundo a  classificação doutrinária, o  fato gerador do  imposto de  renda  surge  completo  no  último  dia  do  exercício  social.  Só  então  o  contribuinte  pode  realizar  os  devidos ajustes de sua situação de sujeito passivo, considerando os rendimentos auferidos, as  despesas  realizadas,  as  deduções  legais  por  dependentes  e  outras,  as  antecipações  feitas  e,  assim, realizar a Declaração de Imposto de Renda a ser submetida à homologação do Fisco.  Ora,  a  base  de  cálculo  da  declaração  de  rendimentos  abrange  todos  os  rendimentos  tributáveis  recebidos  durante  o  ano­calendário.  Desta  forma,  o  fato  gerador  do  imposto  apurado  relativamente  aos  rendimentos  sujeitos  ao  ajuste  anual  se  perfaz  em  31  de  dezembro de cada ano.  No  caso  em  discussão,  vale  a  pena  traçar  alguns  comentários  acerca  do  denominado  lançamento por homologação, previsto no art. 150, caput, do Código Tributário  Nacional,  no  qual  o  contribuinte  auxilia  ostensivamente  a  Fazenda  Pública  na  atividade  do  lançamento, cabendo ao fisco realizá­lo de modo privativo, homologando­o, conferindo a sua  exatidão.  Verifica­se,  que  o  grau  de  participação  do  particular  nesta  espécie  de  lançamento  atinge  nível  de  suficiência  capaz  de  compor  a  pretensão  tributária  limitando­se  a  autoridade  administrativa  competente  tão­somente  a  uma  atividade  de  controle  a  posteriori  do  procedimento de apuração exercido.   No lançamento por homologação, o direito subjetivo da Fazenda Nacional em  constituir créditos tributários decai em cinco anos a contar da ocorrência do fato imponível, nos  termos do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional.  A  jurisprudência  pacificou­se  no  sentido  de  que  o  prazo  decadencial  para  Fazenda  Pública  constituir  crédito  tributário  no  lançamento  por  homologação  é  de  5  (cinco)  anos a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude  ou simulação.  Por  outro  lado,  nos  precisos  termos  do  artigo  150  do  Código  Tributário  Nacional, ocorre o lançamento por homologação quando a legislação atribui ao sujeito passivo  o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa,  a  qual,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida,  expressamente  a  homologa.  Inexistindo  essa homologação expressa, ocorrerá ela no prazo de 05(cinco) anos, a contar do fato gerador  do  tributo.  Com  outras  palavras,  no  lançamento  por  homologação,  o  contribuinte  apura  o  montante e efetua o recolhimento do tributo de forma definitiva, independentemente de ajustes  posteriores.  Ora,  o  próprio  Código  Tributário  Nacional  fixou  períodos  de  tempo  diferenciados  para  atividade  da  administração  tributária.  Se  a  regra  era  o  lançamento  por  declaração, que pressupunha atividade prévia do sujeito ativo determinou o art. 173 do Código,  que o prazo qüinqüenal  teria  início a partir “do dia primeiro do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado”,  imaginando  um  tempo  hábil  para  que  as  informações  pudessem  ser  compulsadas  e,  com  base  nelas,  a  administração  tributária  preparasse o lançamento. Essa é a regra básica da decadência.  De  outra  parte,  sendo  exceção  o  recolhimento  antecipado,  fixou  o Código,  também, regra excepcional de tempo para a prática dos atos da administração tributária, onde  os mesmos cinco anos já não mais dependem de uma carência para o início da contagem, uma  vez que não se exige a prática de atos administrativos prévios. Ocorrido o fato gerador, já nasce  para  o  sujeito  passivo  à  obrigação  de  apurar  e  liquidar  o  crédito  tributário,  sem  qualquer  Fl. 14DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.001930/2006­11  Acórdão n.º 2202­01.280  S2­C2T2  Fl. 8          15 participação do sujeito ativo que, de outra parte,  já  tem o direito de investigar a regularidade  dos procedimentos adotados pelo sujeito passivo a cada fato gerador, independente de qualquer  informação ser­lhe prestada. É o que está expresso no § 4º, do artigo 150, do CTN.  Nesta  ordem,  sempre  refutei  nos  meus  votos  o  argumento  daqueles  que  entendem que só pode haver homologação se houver pagamento e, por conseqüência, como o  lançamento  efetuado  pelo  fisco  decorre  da  falta  de  recolhimento  de  imposto  de  renda,  o  procedimento  fiscal  não  mais  estaria  no  campo  da  homologação,  deslocando­se  para  a  modalidade de lançamento de ofício, sempre sujeito à regra geral de decadência do art. 173 do  Código Tributário Nacional.  É fantasioso. Em primeiro lugar, porque não é isto que está escrito no caput  do art. 150 do Código Tributário Nacional, cujo comando não pode ser sepultado na vala da  conveniência interpretativa, porque, queiram ou não, o citado artigo define com todas as letras  que  “o  lançamento  por  homologação  (...)  opera­se  pelo  ato  em  que  a  referida  autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado,  expressamente  a  homologa”.  O que é passível de ser ou não homologada é a atividade exercida pelo sujeito  passivo, em todos os seus contornos legais, dos quais sobressaem os efeitos tributários. Limitar  a  atividade  de  homologação  exclusivamente  à  quantia  paga  significa  reduzir  a  atividade  da  administração  tributária  a  um nada,  ou  a  um procedimento  de  obviedade  absoluta,  visto  que  toda quantia ingressada deveria ser homologada e, a contrário sensu, não homologando o que  não está pago.  Em segundo  lugar, mesmo que assim não  fosse,  é certo que  a  avaliação da  suficiência  de  uma  quantia  recolhida  implica,  inexoravelmente,  no  exame  de  todos  os  fatos  sujeitos  à  tributação,  ou  seja,  o  procedimento  da  autoridade  administrativa  tendente  à  homologação fica condicionado ao “conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado,  na linguagem do próprio Código Tributário Nacional”.  Nos  dias  atuais  esta  discussão  se  tornou  irrelevante  já  que  em  21/12/2010,  houve  a  edição  da  Portaria  MF  nº.  586,  que  alterou  o  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho  de 2009. Diante disso, a redação do art.62 do RICARF dispôs:  Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do  CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.  Parágrafo único. O disposto no caput não  se aplica aos casos  de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou   II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e  19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002;  Fl. 15DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN   16 b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da  Lei Complementar n° 73, de 1993; ou  c)  parecer  do  Advogado­Geral  da  União  aprovado  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar n° 73, de 1993.  Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  §  1º  Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma  matéria,  até  que  seja  proferida  decisão nos termos do art. 543­B.  § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo  relator ou por provocação das partes.  Diante disso, resta claro que os julgados proferidos pelas turmas integrantes  do  CARF  devem  se  adaptar,  nos  casos  de  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional,  na sistemática prevista pelos artigos 543­B e 543­C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código de Processo Civil, a estes  julgados. Assim sendo, a contagem do prazo decadencial é  um destes temas.  A  Primeira  Seção  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  decidiu,  por  ocasião  do  julgamento do Recurso Especial nº. 973.733 – SC (2007/0176994­0), que a contagem do prazo  decadencial dos tributos ou contribuições, cujo lançamento é por homologação, deveria seguir  o  rito  do  julgamento  do  recurso  especial  representativo  de  controvérsia,  cuja  ementa  é  a  seguinte:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da Primeira  Seção: Resp  766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  Fl. 16DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.001930/2006­11  Acórdão n.º 2202­01.280  S2­C2T2  Fl. 9          17 julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  Documento: 6162167 ­ EMENTA / ACÓRDÃO ­ Site certificado  ­ DJe:  18/09/2009 Página  1  de  2  Superior Tribunal  de  Justiça  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  Nos  julgados  posteriores,  sobre  o  mesmo  assunto  (contagem  do  prazo  decadencial),  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  aplicou  a  mesma  decisão  acima  transcrita,  conforme  se  constata  no  julgado  do  AgRg  no  RECURSO ESPECIAL Nº.  1.203.986  ­ MG  (2010/0139559­7), verbis:  Fl. 17DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN   18  PROCESSUAL  CIVIL.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA  N°  973.733/SC.  ARTIGO  543­C,  DO  CPC.  PRESCRIÇÃO  DO  DIREITO  DE  COBRANÇA  JUDICIAL  PELO  FISCO.  PRAZO  QÜINQÜENAL.  TRIBUTO  SUJEITO  À  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA.  1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência,  causa  extintiva  do  crédito  tributário,  assim  estabelece  em  seu  artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir  o crédito tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:I ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado;  II  ­  da  data  em  que  se  tornar definitiva a decisão que houver anulado,por vício formal,  o lançamento anteriormente efetuado.Parágrafo único. O direito  a  que  se  refere  este  artigo  extingue­se  definitivamente  com  o  decurso  do  prazo  nele  previsto,  contado da  data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória  indispensável ao lançamento."  2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras  jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência  do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento  de ofício, ou nos casos dos  tributos sujeitos ao  lançamento por  homologação  em  que  o  contribuinte  não  efetua  o  pagamento  antecipado;  (ii)  regra  da  decadência  do  direito  de  lançar  nos  casos em que notificado o  contribuinte de medida preparatória  do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento  de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação  em  que  inocorre  o  pagamento  antecipado;  (iii)  regra  da  decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a  lançamento por homologação em que há parcial pagamento da  exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em  que  o  pagamento  antecipado  se  dá  com  fraude,  dolo  ou  simulação,  ocorrendo  notificação  do  contribuinte  acerca  de  medida  preparatória;  e  (v)  regra  da  decadência  do  direito  de  lançar  perante  anulação  do  lançamento  anterior  (In:  Decadência  e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos  Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210).  Documento: 12878841 ­ EMENTA / ACÓRDÃO ­ Site certificado  ­ DJe: 24/11/2010 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça 3.  A Primeira Seção, quando do  julgamento do REsp 973.733/SC,  sujeito  ao  regime  dos  recursos  repetitivos,  reafirmou  o  entendimento  de  que  “o  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida regra decadencial rege­se pelo disposto no artigo 173, I,  do CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  Fl. 18DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.001930/2006­11  Acórdão n.º 2202­01.280  S2­C2T2  Fl. 10          19 seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo,  2004, págs.  183/199).  (Rel. Ministro  Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR)  4.  À  luz  da  novel  metodologia  legal,  publicado  o  acórdão  do  julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no  artigo  534­C,  do  CPC,  os  demais  recursos  já  distribuídos,  fundados  em  idêntica  controvérsia,  deverão  ser  julgados  pelo  relator, nos termos do artigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ  8/2008).  5.  In  casu:  (a)  cuida­se  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado  de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente  ao  fato  gerador  compreendido  a  partir  de  1995,  consoante  consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar  iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a  constituição  do  crédito  tributário  pertinente  ocorreu  em  15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito  que  formalizou  os  créditos  tributários  em  questão,  sendo  a  execução ajuizada tão somente em 21.03.2005.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  7. Agravo regimental desprovido.  É de  se  esclarecer,  que  na  solução  dos Embargos  de Declaração  impetrado  pela  Fazenda  Nacional  no  Recurso  Especial  nº.  674.497  ­  PR  (2004/0109978­2),  houve  o  acolhimento  em  parte  do  embargo  pelo  STJ  para  modificar  o  entendimento  sobre  os  fatos  geradores ocorridos em dezembro cuja exação só poderia ser exigida a partir de janeiro do ano  seguinte, verbis:  PROCESSUAL  CIVIL.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.  RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS.  ART.  173,  I,  DO  CTN.  DECADÊNCIA.  ERRO  MATERIAL.  OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS.  EXCEPCIONALIDADE.  1.  Trata­se  de  embargos  de  declaração  opostos  pela  Fazenda  Nacional  objetivando  afastar  a  decadência  de  créditos  tributários  referentes a  fatos geradores ocorridos em dezembro  de 1993.  Fl. 19DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN   20 2.  Na  espécie,  os  fatos  geradores  do  tributo  em  questão  são  relativos  ao  período  de  1º  a  31.12.1993,  ou  seja,  a  exação  só  poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo  assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve  início  somente  em  1º.1.1995,  expirando­se  em  1º.1.2000.  Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999,  tem­se por não consumada a decadência, in casu.  3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos,  para dar parcial provimento ao recurso especial.  O ministro Mauro Campbell Marques, relator do processo, em síntese, assim  se manifestou em seu voto:  Sobre  o  tema,  a  Primeira  Seção  desta  Corte,  utilizando­se  da  sistemática  prevista  no  art.  543­C  do  CPC,  introduzido  no  ordenamento  jurídico  pátrio  por  meio  da  Lei  dos  Recursos  Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j.  12.8.2009),  reiterou  o  entendimento  no  sentido  de  que,  em  se  tratando de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação não  declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe  de  cinco  anos  contados  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado  para  a  constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173,  I, do  CTN.  Somente  nos  casos  em  que  o  pagamento  foi  feito  antecipadamente,  o  prazo  será  de  cinco  anos  a  contar  do  fato  gerador (art. 150, § 4º, do CTN)  (...)  Na  espécie,  os  fatos  geradores  do  tributo  em  questão  são  relativos  ao  período  de  1º  a  31.12.1993,  ou  seja,  a  exação  só  poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994.  Sendo  assim,  na  forma  do  art.  173,  I,  do  CTN,  o  prazo  decadencial  teve  início  somente  em 1º.1.1995,  expirando­se  em  1º.1.2000. Considerando que o auto de  infração  foi  lavrado em  29.11.1999, tem­se por não consumada a decadência, in casu.  Desta  forma, para  lançamentos em que não houve pagamento antecipado, é  de se observar que os julgados do Superior Tribunal de Justiça firmaram posição no sentido de  que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado  corresponde,  de  fato,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia ter sido efetuado, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação,  revelando­se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos  150, § 4º, e 173, do Código Tributário Nacional.  Por outro  lado, para os  lançamentos em que houve pagamento antecipado a  contagem  do  prazo  decadencial  tem  início  na  data  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  discutida.  O caso em questão trata de imposto de renda pessoa física, cujo lançamento é  por presunção de omissão de rendimentos, por via de conseqüência o fato gerador do imposto é  31/12/2001 (ajuste anual).   Fl. 20DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.001930/2006­11  Acórdão n.º 2202­01.280  S2­C2T2  Fl. 11          21 Sob o meu ponto de vista o maior obstáculo neste tipo de interpretação dada  pelo  Superior  Tribunal  de  justiça  está  em  definir  o  que  seria  considerado  “pagamento  antecipado” nos futuros julgados por este tribunal Administrativo.  Ora, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o escoamento do  prazo  do  art.  150,  §  4º,  sem  manifestação  do  Fisco,  significa  a  aquiescência  implícita  aos  valores  declarados  pelo  contribuinte,  porque  o  silêncio,  neste  caso,  é  qualificado  pela  lei,  trazendo efeitos. A única diferença de regime está consubstanciada na hipótese em que não há  pagamento  antecipado,  que  de  acordo  com  Superior  Tribunal  de  Justiça,  se  aplicaria,  para  efeitos  de marco  inicial  do  prazo  decadencial,  o  art.  173,  I,  do  Código  Tributário  Nacional  (regra geral, que deverá ser seguido conforme a interpretação dada pelo STJ), por força do que  dispõe  o  parágrafo  único  deste  mesmo  preceptivo.  Exaurido  o  prazo,  o  Fisco  não  poderá  manifestar  qualquer  intenção  de  cobrar  os  valores.  Há,  pois,  falar­se  em  decadência  nos  tributos sujeitos ao lançamento por homologação.  No presente caso se torna irrelevante continuar a discussão sobre qual seria o  significado de “pagamento antecipado”,  já que houve recolhimento de imposto de renda pelo  recorrente,  como  restou  consignado  em  sua  Declaração  de  Ajuste  Anual,  relativo  ao  ano­ calendário de 2001 (fls. 05/07) e considerado no cálculo do Auto de Infração (fls.130/135).  Assim sendo, no ponto de vista dos julgados do Superior Tribunal de Justiça,  o termo inicial da contagem do prazo decadencial é 31/12/2001, já que o fato gerador ocorreu  em 31/12/2001. Ou seja, de acordo com a linguagem do Superior Tribunal de Justiça “o termo  inicial para contagem do prazo decadencial, nos casos em que houve pagamento antecipado, é  a data do fato gerador da exigência tributária". O prazo fatal para a constituição do lançamento  ocorreria  em  31/12/2006,  tendo  ocorrido  a  ciência  do  lançamento  em  03/10/2006,  não  está  decadente o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário questionado.  Somente para fins de argumentação, não aplicável ao presente caso, é de se  dizer, que nos casos de argüição de decadência quanto restar caracterizado o evidente intuito de  fraude,  que  não  se  aplica  ao  presente  caso,  já  que  o  voto  condutor  do  aresto  é  pela  desqualificação  da  multa  de  ofício,  merece  transcrição  à  lição  de  SÍLVIO  RODRIGUES  (Direito Civil. São Paulo: Saraiva, 1995, p. 226):  Age em fraude à lei a pessoa que, para burlar princípio cogente,  usa  de  procedimento  aparentemente  lícito.  Ela  altera  deliberadamente  a  situação  de  fato  em  que  se  encontra,  para  fugir à incidência da norma. O sujeito se coloca simuladamente  em uma situação em que a lei não o atinge, procurando livrar­se  de seus efeitos.  A  simulação  consiste  na  "prática  de  ato  ou  negócio  que  esconde  a  real  intenção" (SILVIO DE SALVO VENOSA. Direito Civil. São Paulo: Atlas, 2003, p. 467), sem  necessidade de prejuízo a terceiros (2003, p. 470).  A verificação do fato de determinada vontade tendente a ocultar a ocorrência  do fato gerador ou encobrir suas reais dimensões, manifestada de forma efetiva na consecução  distorcida das obrigações formais do contribuinte, serve como base material para a verificação  da existência de dolo, fraude ou simulação.   Fl. 21DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN   22 Assim, a configuração desse  ilícito  interessa ao direito  tributário na medida  em que colabora na determinação da regra da decadência aplicável ao caso concreto.  O fato jurídico da existência ou não de dolo, fraude ou simulação (parte final  do  art.  150,  §  4º.,  do  CTN)  deve,  para  consecução  dos  objetivos  estabelecidos  nestes  dispositivos,  ser  constituída  na  via  administrativa,  determinando,  desse  modo,  a  obrigatoriedade  do  lançamento  de  ofício  (art.  149,  VII,  do  CTN)  ou  a  impossibilidade  da  extinção do crédito pela homologação tácita. Deve­se observar que a ocorrência de dolo, fraude  ou  simulação  só  é  relevante  nos  casos  de  efetivo  pagamento  antecipado.  Se  não  houver  pagamento antecipado, seja porque o contribuinte não o efetuou, ou porque o  tributo por sua  natureza se sujeita ao lançamento de ofício, o dolo, a fraude e a simulação hão de ser apurados  no  procedimento  administrativo  de  fiscalização  realizado  de  ofício,  não  servindo  como  hipóteses determinantes no prazo diferenciado de decadência.  Nestes casos o Código Tributário Nacional não fixa um prazo específico para  operar a decadência, exigindo um esforço enorme do hermeneuta para a solução dessa questão  sem deixar, no entanto, de atender, também, o princípio da segurança nas relações jurídicas, de  modo  que  os  prazos  não  fiquem  ad  eternum  em  aberto.  Os  prazos  do  Direito  Civil  são  inaplicáveis por serem específicos às relações de natureza particular.   A solução mais adequada e pacífica nos tribunais superiores é no sentido de  se aplicar à regra do art. 173, I (exercício seguinte) para os casos do art. 150, § 4º do Código  Tributário Nacional (lançamento por homologação); e a regra do art. 173, parágrafo único do  Código Tributário Nacional nos demais casos – lançamento não efetuado em época própria ou  a partir da data da notificação de medida preparatória do lançamento pela Fazenda Pública .  Embora o prejuízo a  terceiro, que, no caso, é a Administração Pública,  não  seja requisito desses vícios, o fato é que, conforme já dito acima, não se concebe que alguém  deles se utilize sem interesse econômico.  Por isso, ainda que tenha havido pagamento, a existência de dolo, fraude ou  simulação causa suspeita, razão pela qual o Código Tributário Nacional impede a extinção do  crédito tributário no caso da ocorrência desses ilícitos.  É  nessa  linha  que  autores  como  JOSÉ  SOUTO  MAIOR  BORGES,  mencionado por EURICO MARCOS DINIZ DI SANTI  (Decadência e Prescrição no Direito  Tributário. São Paulo: Max Lomonad, 2001, p. 165),  assinala que ao direito  tributário o que  importa não é o dolo, a fraude ou a simulação, mas seu resultado.  Quanto  a  isso,  vale  lembrar  o  que  dispõe  o  art.  136  do  Código  Tributário  Nacional, verbis:  Art.  136.  Salvo  disposição  de  lei  em  contrário,  a  responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributária  independe  da  intenção  do  agente  ou  do  responsável  e  da  efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.  Isso,  obviamente,  não  afasta  a  aplicação  de  eventuais  sanções  especificamente  pelas  condutas  dolosas,  fraudulentas  ou  simuladas,  conforme  se  infere,  por  exemplo,  da  Lei  Federal  n.º  8.137,  de  1990,  e  do  art.  137  do  próprio  Código  Tributário  Nacional.  Sem embargo da exposição feita nesse tópico, costuma­se apontar nessa parte  final do § 4.º do art. 150 do Código Tributário Nacional uma lacuna, uma vez que não haveria  Fl. 22DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.001930/2006­11  Acórdão n.º 2202­01.280  S2­C2T2  Fl. 12          23 tratamento  legal  quanto  ao  prazo  para  lançar  quando  presente  dolo,  fraude  ou  simulação  (LUCIANO AMARO. Direito Tributário Brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2002, p. 356; p. 394).  Seguindo esse entendimento, alguns doutrinadores defendem que se deveria  aplicar, por analogia, a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.  Assim, por exemplo, PAULO DE BARROS CARVALHO (Curso de Direito  Tributário. São Paulo: Saraiva,1996, p. 291):  b) falta de recolhimento, integral ou parcial, de tributo, cometida  com  dolo,  fraude  ou  simulação  –  o  trato  de  tempo  para  a  formalização da exigência e para a aplicação de penalidades é  de  cinco  anos,  contados  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado.  Assim  sendo  e  tendo  em  vista,  que  o  Código  Tributário  Nacional,  como  norma  complementar  à  Constituição,  é  o  diploma  legal  que  detém  legitimidade  para  fixar  o  prazo  decadencial  para  a  constituição  dos  créditos  tributários  pelo  Fisco  e  inexistindo  regra  específica, no  tocante  ao prazo decadencial aplicável aos  casos de evidente  intuito de  fraude  (fraude, dolo, simulação ou conluio) deverá ser adotada a regra geral contida no artigo 173 do  Código  Tributário  Nacional,  tendo  em  vista  que  nenhuma  relação  jurídico­tributária  poderá  protelar­se indefinidamente no tempo, sob pena de insegurança jurídica.  Quanto às questões das preliminares de nulidades do lançamento e da decisão  de  Primeira  Instância  suscitadas  pelo  suplicante,  sob  o  entendimento  de  que  tenha  ocorrido  ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, já que o recorrente entende que  a decisão recorrida não garantiu o devido processo legal não apenas em seu aspecto formal mas  também  em  seu  aspecto  material,  já  que  não  foram  levadas  em  conta,  nem  ofertadas,  nem  asseguradas, as circunstâncias relativas ao caso concreto, como, por exemplo, o deferimento da  perícia solicitada de modo a influir na convicção do decisório e, em última análise, termina por  caracteriza­se  a  violação  do  direito  de  defesa,  pois  não  há motivos  que  justificassem  a  sua  rejeição.  Quanto à preliminar de nulidade argüida, sob o entendimento de que de que  houve,  em  síntese,  ofensa  ao  princípio  constitucional  do  contraditório  e  ampla  defesa,  assegurado no art. 5º,  inciso LV, da Constituição Federal de 1988, por discordar, em síntese,  dos procedimentos adotados pela fiscalização para lavratura do presente Auto de infração, é de  se dizer que não tem razão o suplicante, pelos motivos que se seguem.  Entendo,  que  o  procedimento  fiscal  realizado  pelo  agente  do  fisco  foi  efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que  regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer  ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal.  Resta  claro,  no  desenvolvimento  do  procedimento  fiscal,  que  os  demonstrativos esclarecem de maneira convincente a origem dos valores que tomaram parte do  demonstrativo de apuração do acréscimo patrimonial a descoberto questionado.  Ora, é dever do contribuinte  informar e,  se  for o caso, comprovar os dados  nos  campos  próprios  das  correspondentes  declarações  de  rendimentos  e,  conseqüentemente,  calcular  e  pagar  o montante  do  imposto  apurado,  por  outro  lado,  cabe  a  autoridade  fiscal  o  Fl. 23DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN   24 dever  da  conferência  destes  dados.  Assim,  na  ausência  de  comprovação,  por  meio  de  documentação hábil e idônea, das deduções realizadas na base de cálculo do imposto de renda,  é dever de a autoridade fiscal efetuar a sua glosa.   O princípio da verdade material  tem por escopo, como a própria expressão  indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no  sentido  de  que  a Administração  possa  valer­se  de  qualquer meio  de  prova  que  a  autoridade  processante ou julgadora tome conhecimento, levando­as aos autos, naturalmente, e desde que,  obviamente  dela  dê  conhecimento  às  partes;  ao  mesmo  tempo  em  que  deva  reconhecer  ao  contribuinte  o  direito  de  juntar  provas  ao  processo  até  a  fase  de  interposição  do  recurso  voluntário.  O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a  notificação  de  lançamento  como  instrumentos  de  formalização  da  exigência  do  crédito  tributário, quando afirma:  A  exigência  do  crédito  tributário  será  formalizado  em  auto  de  infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo  Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748/93:  A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal  e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos  de  infração ou notificações  de  lançamento,  distintos para  cada  imposto,  contribuição  ou  penalidade,  os  quais  deverão  estar  instruídos  com  todos  os  termos,  depoimentos,  laudos  e  demais  elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.  O auto de infração, bem como a notificação de lançamento por constituírem  peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a  sua  lavratura  e  expedição,  sendo  que  a  sua  lavratura  tem  por  fim  deixar  consignado  a  ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um  crédito  fiscal,  seja  com  o  objetivo  de  neutralizar,  no  todo  ou  em  parte,  os  efeitos  da  compensação  de  prejuízos  a  que  o  contribuinte  tenha  direito,  e  a  falta  do  cumprimento  de  forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver  vício na forma, o ato pode invalidar­se.  Ora, não procede à nulidade do lançamento suscitada sob o argumento de que  o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art. 10 do Decreto nº.  70.235, de 1972, ou seja, que a sua lavratura foi efetuada de forma a prejudicar a ampla defesa.   Com a devida vênia, o Auto de Infração foi lavrado tendo por base os valores  constantes em documentos oficiais enviados pelas instituições envolvidas, bem com a própria  declaração  de  rendimentos  do  suplicante,  onde  consta  de  forma clara  que  houve  omissão  de  ganhos  de  capital,  devidamente  individualizadas  e  detalhados  nos  relatórios,  que  são  partes  integrantes do Auto de  Infração,  sendo que o mesmo,  identifica por nome e CPF o  autuado,  esclarece onde foi lavrado, cuja ciência foi por AR e descreve a irregularidade praticada e o seu  enquadramento legal assinado pelo Auditor­Fiscal da Receita Federal do Brasil, cumprindo o  disposto  no  art.  142  do  Código  Tributário  Nacional,  ou  seja,  o  ato  é  próprio  do  agente  administrativo investido no cargo de Auditor­Fiscal.  Não  tenho  dúvidas,  que  o  excesso  de  formalismo,  a  vedação  à  atuação  de  ofício do julgador na produção de provas e a declaração de nulidades puramente formais são  Fl. 24DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.001930/2006­11  Acórdão n.º 2202­01.280  S2­C2T2  Fl. 13          25 exemplos possíveis de serem extraídos da prática forense e estranhos ao ambiente do processo  administrativo fiscal.  A etapa contenciosa caracteriza­se pelo aparecimento formalizado no conflito  de interesses, isto é, transmuda­se a atividade administrativa de procedimento para processo no  momento  em  que  o  contribuinte  registra  seu  inconformismo  com  o  ato  praticado  pela  administração, seja ato de  lançamento de  tributo ou qualquer outro ato que, no seu entender,  causa­lhe  gravame  com  a  aplicação  de  multa  por  suposto  não­cumprimento  de  dever  instrumental.  Assim,  a  etapa  anterior  à  lavratura  do  auto  de  infração  e  ao  processo  administrativo fiscal, constitui efetivamente uma fase inquisitória, que apesar de estar regrada  em  leis  e  regulamentos,  faculta  à  Administração  a  mais  completa  liberdade  no  escopo  de  flagrar a ocorrência do fato gerador. Nessa fase não há contraditório, porque o fisco está apenas  coletando  dados  para  se  convencer  ou  não  da  ocorrência  do  fato  imponível  ensejador  da  tributação.  Não  há,  ainda,  exigência  de  crédito  tributário  formalizada,  inexistindo,  conseqüentemente, resistência a ser oposta pelo sujeito fiscalizado.  O  lançamento,  como  ato  administrativo  vinculado,  celebra­se  com  estrita  observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional, cuja  motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo  de  oportunidade  e  conveniência  pela  autoridade  fiscal.  O  ato  administrativo  deve  estar  consubstanciado  por  instrumentos  capazes  de  demonstrar,  com  segurança  e  certeza,  os  legítimos  fundamentos  reveladores  da  ocorrência  do  fato  jurídico  tributário.  Isso  tudo  foi  observado  quando  da  determinação  do  tributo  devido,  através  do Auto  de  Infração  lavrado.  Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas  pelo  recorrente,  neste  processo,  já  que  o  mesmo  preenche  todos  os  requisitos  legais  necessários.   Nunca  é  demais  lembrar,  que  até  a  interposição  da  peça  impugnatória  pelo  contribuinte,  o  conflito  de  interesses  ainda  não  está  configurado.  Os  atos  anteriores  ao  lançamento  referem­se  à  investigação  fiscal  propriamente  dita,  constituindo­se  medidas  preparatórias  tendentes a definir a pretensão da Fazenda. Ou seja, são simples procedimentos  que tão­somente poderão conduzir a constituição do crédito tributário.  Na fase procedimental não há que se falar em contraditório ou ampla defesa,  pois  não  há  ainda,  qualquer  espécie de  pretensão  fiscal  sendo  exigida  pela Fazenda Pública,  mas  tão­somente  o  exercício  da  faculdade  da  administração  tributária  em  verificar  o  fiel  cumprimento  da  legislação  tributária  por  parte  do  sujeito  passivo.  O  litígio  só  vem  a  ser  instaurado a partir da impugnação tempestiva da exigência, na chamada fase contenciosa, não  se podendo cogitar de preterição do direito de defesa antes de materializada a própria exigência  fiscal por intermédio de auto de infração ou notificação do lançamento.  Assim,  após  a  impugnação,  oportuniza­se  ao  contribuinte  a  contestação  da  exigência fiscal. A partir daí, instaura­se o processo, ou seja, configura­se o litígio.  Ora,  não  há  como  negar  que  as  irregularidades  apontadas  pela  autoridade  lançadora foram devidamente caracterizadas e compreendidas pelo suplicante, tanto é verdade  que a mesma contestou o referido auto de  infração de forma a não deixar dúvidas quanto ao  perfeito  conhecimento  dos  fatos,  através  da  Impugnação.  Portanto,  o  fundamental  é  que  o  contribuinte  tenha  tomado  ciência  do  presente  auto  de  infração,  e  tenha  exercido  de  forma  Fl. 25DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN   26 plena,  dentro  do  prazo  legal,  o  seu  direito  de  defesa  e  oportunidade  para  apresentar  dos  documentos comprobatórios de suas alegações.   Enfim, no caso dos autos, a autoridade lançadora cumpriu todos os preceitos  estabelecidos  na  legislação  em  vigor  e  o  lançamento  foi  efetuado  com  base  em  dados  reais  sobre  a  suplicante,  conforme  se  constata  nos  autos,  com  perfeito  embasamento  legal  e  tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pela  recorrente,  ou  seja,  não  se  verificam,  por  isso,  os  pressupostos  exigidos  que  permitam  a  declaração de nulidade do Auto de Infração.  No que diz respeito ao pedido de diligência/perícia, é de se esclarecer, que da  análise dos autos, se verifica que a decisão de Primeira Instância entendeu que não merece ser  acolhida às  alegações  apresentadas,  já que do  exame dos quesitos  formulados,  vê­se que, na  essência, o contribuinte deseja reforçar a sua defesa no sentido de convencer os julgadores de  que  o  acréscimo  patrimonial  a  descoberto  (presunção  de  omissão  de  rendimentos)  não  ocorreram.  Ou  seja,  a  autoridade  julgadora  analisando  os  quesitos  formulados,  reputou  prescindível a realização da perícia solicitada, tendo em vista que os elementos presentes nos  autos são suficientes para a formação de convicção.   Entendeu, ainda, a autoridade julgadora, que a solução das questões trazidas  não  demanda  conhecimento  técnico  especializado  e  complementar,  sendo  que  parte  das  informações  que  o  contribuinte  pretende  sejam  prestadas  por  perito  são  as  que  cabem  a  ele  produzir.  Por fim, entendeu a autoridade julgadora que o próprio impugnante poderia,  durante  o  procedimento  de  fiscalização,  ter  apresentado  todos  os  seus  esclarecimentos  e  documentos ao fiscal autuante, em atendimento às intimações feitas, notadamente em relação à  origem do acréscimo patrimonial constante do Auto de Infração e não o fez, ficando no mero  terreno abstrato das alegações sem prova.  Ora, como visto, a autoridade julgadora fundamentou com rigor a negativa da  perícia  solicitada,  com  fundamentos  convincentes. É de  se  alertar de que para um pedido de  perícia  seja  deferido  é  necessário  que  existam  dúvidas  de  ordem  técnica  que  exijam  a  manifestação de um profissional capacitado a esclarecê­las, bem como entende que o ônus da  prova  recai  sobre  o  contribuinte,  responsável  pela  comprovação  dos  valores  contestados  e  demais documentos.  Só posso confirmar a negativa da autoridade de primeira instância, já que, a  princípio, a responsabilidade pela apresentação das provas do alegado compete ao contribuinte  que  praticou  a  irregularidade  fiscal,  não  cabendo  a  determinação  de  diligência  ou  perícia  de  ofício para a busca de provas em favor do contribuinte.   Ora, o Decreto n.º 72.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº. 8.748, de  1993 ­ Processo Administrativo Fiscal ­ diz:  Art. 16 – A impugnação mencionará:   (...).  IV – as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam  efetuadas,  expostos  os  motivos  que  as  justifiquem,  com  a  formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim  como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação  profissional do seu perito.  Fl. 26DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.001930/2006­11  Acórdão n.º 2202­01.280  S2­C2T2  Fl. 14          27 § 1º. Considerar­se­á não  formulado o pedido de diligência ou  perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no  inciso  IV do art. 16.      (...).  Art.  18  ­  A  autoridade  julgadora  de  Primeira  Instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.  § 1º. Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua  realização,  a  autoridade  designará  servidor  para,  como  perito  da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a  realizar  o  exame  requerido,  cabendo  a  ambos  apresentar  os  respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de  complexidade dos trabalhos a serem executados.  Como se verifica do dispositivo legal, o colegiado que proferiu a decisão tem  a competência para decidir sobre o pedido de diligência ou perícia, e é a própria lei que atribui  à autoridade julgadora de primeira instância o poder discricionário para deferir ou indeferir os  pedidos  de  diligência  ou  perícia,  quando  prescindíveis  ou  impossíveis,  devendo  o  indeferimento constar da própria decisão proferida.   É  de  se  ressaltar,  que  o  poder  discricionário  para  indeferir  pedidos  de  diligência  e perícia  não  foi  concedido  ao  agente  público  para  que  ele  disponha  segundo  sua  conveniência pessoal, mas sim para atingir a finalidade traçada pelo ordenamento do sistema,  que,  em  última  análise,  consiste  em  fazer  aflorar  a  verdade  material  com  o  propósito  de  certificar a legitimidade do lançamento.  Já  se manifestou a autoridade  julgadora de primeira  instância no sentido de  que  as  perícias  destinam­se  à  formação  da  convicção  do  julgador,  devendo  limitar­se  ao  aprofundamento  de  investigações  sobre o  conteúdo de provas  já  incluídas  no  processo,  ou  à  confrontação  de  dois  ou  mais  elementos  de  prova  também  já  incluídos  nos  autos.  Jamais  poderão as perícias estender­se à produção de novas provas ou à reabertura, por via indireta, da  ação fiscal.   Ademais, descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os  elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. As perícias devem  limitar­se  ao  aprofundamento  de  investigações  sobre  o  conteúdo  de  provas  já  incluídas  no  processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos,  não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal e busca de provas que são  de competência exclusiva do recorrente.  Ora, o que se questiona nos autos desde o início do procedimento fiscal é a  comprovação documental dos  fatos. O  recorrente  somente alega que sua declaração  reflete  a  real situação de seu patrimônio e nada comprova, quer transferir o ônus da prova, que é de sua  responsabilidade, para a responsabilidade da autoridade fiscal.  Fl. 27DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN   28  Por  fim,  faz­se necessário esclarecer, que a Secretaria da Receita Federal é  um órgão apolítico, destinada a prestar serviços ao Estado, na condição de Instituição e não a  um Governo específico dando conta de seus trabalhos à população em geral na forma prescrita  na  legislação.  Neste  diapasão,  deve  agir  com  imparcialidade  e  justiça,  mas,  também,  com  absoluto rigor, buscando e exigindo o cumprimento das normas por parte daqueles que faltam  com seu dever de participação.  Da análise do mérito se verifica que a autoridade lançadora constatou, através  do levantamento de entradas e saídas de recursos – fluxo financeiro (“fluxo de caixa”), que o  contribuinte  apresentou,  durante  o  ano­calendário  de  2001,  saldos  negativos,  representando  desta  forma  presunção  de  omissão  de  rendimentos,  já  que  consumia/aplicava  mais  do  que  possuía de recursos com origem justificada, através de rendimentos tributados, não tributáveis,  isentos, tributados exclusivamente na fonte, ou que provinham de empréstimos, etc.  Não  há  dúvidas,  nos  autos,  que  o  suplicante  foi  tributado  diante  da  constatação  de  omissão  de  rendimentos,  pelo  fato  do  fisco  ter  verificado,  através  do  levantamento  mensal  de  origens  e  aplicações  de  recursos,  que  o  mesmo  apresentava  “um  acréscimo patrimonial a descoberto”, “saldo negativo mensal”, ou seja, aplicava e/ou consumia  mais do que possuía de recursos com origem justificada.    Sobre este “acréscimo patrimonial a descoberto”, “saldo negativo” cabe tecer  algumas considerações.   Sempre  que  se  apura  de  forma  inequívoca  um  acréscimo  patrimonial  a  descoberto, na acepção do termo, é lícito à presunção de que tal acréscimo foi construído com  recursos não indicados na declaração de rendimentos do contribuinte.   A situação patrimonial do contribuinte é medida em dois momentos distintos.  No início do período considerado e no seu final, pela apropriação dos valores constantes de sua  declaração  de  bens. O  eventual  acréscimo  na  situação  patrimonial  constatado  na  posição  do  final  do  período  em  comparação  da  mesma  situação  no  seu  início  é  considerado  como  acréscimo patrimonial. Para haver equilíbrio fiscal deve corresponder, tal acréscimo (que leva  em  consideração  os  bens,  direitos  e  obrigações  do  contribuinte)  deve  estar  respaldado  em  rendimentos  auferidos  (tributadas,  não  tributáveis,  isentas  ou  tributadas  exclusivamente  na  fonte) e/ou empréstimos, etc.  No  caso  em  questão,  a  tributação  não  decorreu  do  comparativo  entre  as  situações  patrimoniais  do  contribuinte  ao  final  e  início  do  período,  ou  seja,  na  acepção  do  termo  “acréscimo  patrimonial”.  Portanto,  não  pode  ser  tratada  como  simples  acréscimo  patrimonial. Desta forma, não há que se falar de acréscimo patrimonial a descoberto apurado  na declaração anual de ajuste.  Vistos esses fatos, cabe mencionar a definição do fato gerador da obrigação  tributária  principal  que  é  a  situação  definida  em  lei  como  necessária  e  suficiente  à  sua  ocorrência (art. 114 do CTN).  Esta  situação  é  definida  no  art.  43  do  Código  Tributário  Nacional,  como  sendo  a  aquisição  de  disponibilidade  econômica  ou  jurídica  de  renda  ou  de  proventos  de  qualquer natureza, que no caso em pauta é a omissão de rendimentos.  Ocorrendo  o  fato  gerador,  compete  à  autoridade  administrativa  constituir  o  crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a  verificar  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  Fl. 28DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.001930/2006­11  Acórdão n.º 2202­01.280  S2­C2T2  Fl. 15          29 tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso,  propor a aplicação da penalidade cabível (CTN, art. 142).  Ainda, segundo o parágrafo único, deste artigo, a atividade administrativa do  lançamento é vinculada, ou seja, constitui procedimento vinculado à norma legal. Os princípios  da legalidade estrita e da tipicidade são fundamentais para delinear que a exigência tributária se  dê exclusivamente de acordo com a lei e os preceitos constitucionais.  Assim, o imposto de renda somente pode ser exigido se efetivamente ocorrer  o fato gerador, ou o lançamento será constituído quando se constatar que concretamente houve  a disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza.  Desta  forma,  podemos  concluir  que  o  lançamento  somente  poderá  ser  constituído  a  partir  de  fatos  comprovadamente  existentes,  ou  quando  os  esclarecimentos  prestados  forem  impugnados  pelos  lançadores  com  elemento  seguro  de  prova  ou  indício  veemente de falsidade ou inexatidão.  Ora, se o fisco faz prova, através de demonstrativos de origens e aplicações  de  recursos  ­  fluxo  financeiro,  que  a  recorrente  efetuou  gastos  além  da  disponibilidade  de  recursos declarados, é evidente que houve omissão de rendimentos e esta omissão deverá ser  apurada no mês em que ocorreu o fato.   Diz a norma legal que rege o assunto:  Lei n.º 7.713, de 1988:  Artigo  1º  ­  Os  rendimentos  e  ganhos  de  capital  percebidos  a  partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou  domiciliadas  no Brasil  serão  tributados  pelo  Imposto  de  renda  na  forma  da  legislação  vigente,  com  as  modificações  introduzidas por esta Lei.  Artigo 2º ­ O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido,  mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital  forem percebidos.  Artigo  3º  ­  O  Imposto  incidirá  sobre  o  rendimento  bruto,  sem  qualquer  dedução,  ressalvando  o  disposto  nos  artigos  9º  a  14  desta Lei.  § 1º. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do  trabalho,  ou  da  combinação  de  ambos,  os  alimentos  e  pensões  percebidos  em  dinheiro,  e  ainda  os  proventos  de  qualquer  natureza,  assim  também entendidos  os  acréscimos  patrimoniais  correspondentes aos rendimentos declarados.  Lei n.º 8.134, de 1990:  Art. 1º ­ A partir do exercício­financeiro de 1991, os rendimentos  e ganhos de capital percebidos por pessoas físicas residentes ou  domiciliadas no Brasil  serão  tributados pelo  Imposto de Renda  na  forma  da  legislação  vigente,  com  as  modificações  introduzidas por esta Lei.  Fl. 29DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN   30 Art. 2º  ­ O Imposto de Renda das pessoas  físicas será devido à  medida  que  os  rendimentos  e  ganhos  de  capital  forem  percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no artigo 11.  (...).  Art. 4º  ­ Em relação aos rendimentos percebidos a partir de 1º  de janeiro de 1991, o imposto de que trata o artigo 8º da Lei n.º  7.713, de 1988:  I  ­  será  calculado  sobre os  rendimentos  efetivamente  recebidos  no mês.  Lei n.º 8.021, de 1990:  Art. 6º ­ O lançamento de ofício, além dos casos já especificados  em  lei,  far­se­á  arbitrando  os  rendimentos  com  base  na  renda  presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza.  §  1º  ­  Considera­se  sinal  exterior  de  riqueza  a  realização  de  gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte.  §  2º  ­  Constitui  renda  disponível  a  receita  auferida  pelo  contribuinte,  diminuída  dos  abatimentos  e  deduções  admitidos  pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de  Renda pago pelo contribuinte.  Como se depreende da  legislação,  anteriormente mencionada, o  imposto de  renda das pessoas físicas será apurado mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de  capital  forem  percebidos,  já  que  com  a  edição  da  Lei  n.º  8.134,  de  1990,  que  introduziu  a  declaração  anual  de  ajuste  para  efeito  de  apuração  do  imposto  devido  pelas  pessoas  físicas,  tanto  o  imposto  devido  como  o  saldo  do  imposto  a  pagar  ou  a  restituir,  passaram  a  ser  determinados  anualmente,  donde  se  conclui  que  o  recolhimento  mensal  passou  a  ser  considerado como antecipação do devido e não como pagamento definitivo.  Nesta  altura  deve  ser  esclarecido,  que  os  fatos  geradores  das  obrigações  tributárias  são  classificados  como  instantâneos  ou  complexivos.  O  fato  gerador  instantâneo,  como  o  próprio  nome  revela,  dá  nascimento  à  obrigação  tributária  pela  ocorrência  de  um  acontecimento, sendo este suficiente por si só (imposto de renda na fonte). Em contraposição,  os  fatos  geradores  complexivos  são  aqueles  que  se  completam  após  o  transcurso  de  um  determinado  período  de  tempo  e  abrangem  um  conjunto  de  fatos  e  circunstâncias  que,  isoladamente  considerados,  são  destituídos  de  capacidade  para  gerar  a  obrigação  tributária  exigível. Este conjunto de fatos se corporifica, depois de determinado lapso temporal, em um  fato imponível. Exemplo clássico de tributo que se enquadra nesta classificação de fato gerador  complexivo é o imposto de renda da pessoa física, apurado no ajuste anual.  Aliás, a despeito da inovação introduzida pelo artigo 2° da Lei n° 7.713, de  1988,  pelo  qual  se  estipulou  que  “o  imposto  de  renda  das  pessoas  físicas  será  devido,  mensalmente, à medida que os  rendimentos  e ganhos de capital  forem  recebidos”, há que se  ressaltar a relevância dos arts. 24 e 29 deste mesmo diploma legal e dos arts. 12 e 13 da Lei n°  8.383,  de  1991 mantiveram  o  regime  de  tributação  anual  (fato  gerador  complexivo)  para  as  pessoas físicas.  É de se observar, que para as  infrações relativas à omissão de rendimentos,  tem­se que, embora as quantias sejam recebidas mensalmente, o valor apurado será acrescido  aos  rendimentos  tributáveis  na  Declaração  de  Ajuste  Anual,  submetendo­se  à  aplicação  das  Fl. 30DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.001930/2006­11  Acórdão n.º 2202­01.280  S2­C2T2  Fl. 16          31 alíquotas constantes da tabela progressiva anual. Portanto, no presente caso, não há que se falar  de  fato gerador mensal,  haja vista que somente no dia 31/12 de cada ano se completa o  fato  gerador complexivo objeto da autuação em questão.   Em relação ao cômputo mensal do fato gerador, é de se observar que a Lei nº.  7.713,  de  1988,  instituiu,  com  relação  ao  imposto  de  renda  das  pessoas  físicas,  a  tributação  mensal à medida que os rendimentos forem auferidos. Contudo, embora devido mensalmente,  quando  o  sujeito  passivo  deve  apurar  e  recolher  o  imposto  de  renda,  o  seu  fato  gerador  continuou sendo anual. Durante o decorrer do ano­calendário o contribuinte antecipa, mediante  a retenção na fonte ou por meio de pagamentos espontâneos e obrigatórios, o imposto que será  apurado  em  definitivo  quando  da  apresentação  da Declaração  de Ajuste Anual,  nos  termos,  especialmente, dos artigos 9º e 11 da Lei nº. 8.134, de 1990. É nessa oportunidade, que o fato  gerador  do  imposto  de  renda  estará  concluído.  Por  ser  do  tipo  complexivo,  segundo  a  classificação doutrinária, o fato gerador do imposto de renda surge completo no último dia do  exercício  social.  Só  então  o  contribuinte pode  realizar  os  devidos  ajustes  de  sua  situação  de  sujeito  passivo,  considerando  os  rendimentos  auferidos,  as  despesas  realizadas,  as  deduções  legais  por  dependentes  e  outras,  as  antecipações  feitas  e,  assim,  realizar  a  Declaração  de  Imposto de Renda a ser submetida à homologação do Fisco.  Ora,  a  base  de  cálculo  da  declaração  de  rendimentos  abrange  todos  os  rendimentos  tributáveis  recebidos  durante  o  ano­calendário.  Desta  forma,  o  fato  gerador  do  imposto  apurado  relativamente  aos  rendimentos  sujeitos  ao  ajuste  anual  se  perfaz  em  31  de  dezembro de cada ano.  Nesse  contexto,  deve­se  atentar  com  relação  ao  caso  em  concreto  que,  embora a autoridade lançadora tenha discriminado o mês do fato gerador, o que se considerou  para  efeito  de  tributação  foi  o  total  de  rendimentos  percebidos  pelo  interessado  no  ano­ calendário em questão sujeitos à tributação anual, conforme legislação vigente.  É  certo  que  a  Lei  n.º  7.713,  de  1988,  determinou  a  obrigatoriedade  da  apuração mensal do  imposto sobre a  renda das pessoas físicas, não  importando a origem dos  rendimentos nem a natureza  jurídica da fonte pagadora, se pessoa jurídica ou física. Como o  imposto era apurado mensalmente, as pessoas físicas tinham o dever de cumprir sua obrigação  com base nessa apuração, o que vale dizer, seu fato gerador era mensal, regra que teve vigência  plena, somente, no ano de 1989.   Entretanto, a partir do ano de 1990, não  é possível exigir do contribuinte o  pagamento mensal  do  imposto  de  renda,  ainda  que  a  fonte  pagadora  não  tenha  cumprido  o  dever  legal de efetuar a  retenção do  imposto por antecipação do da declaração. Sem dúvidas  que  o  imposto  de  renda  na  fonte  e  o  imposto  de  renda  recolhido  na  forma  de  “carnê­leão”,  apesar da denominação de imposto devido mensalmente, representam simples antecipações do  imposto efetivamente apurado na declaração de ajuste anual.   Desse modo, o imposto devido, a partir do período base de 1990, passou a ser  determinado mediante a aplicação da tabela progressiva sobre a base de cálculo apurada com a  inclusão de todos os rendimentos de que trata o art. 10 da Lei n.º 8.134, de 1990, e o saldo a  pagar ou a restituir, mediante a dedução do imposto retido na fonte ou pago pelo contribuinte  pessoa física, mensalmente, quando auferisse rendimentos de outras pessoas físicas.  Fl. 31DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN   32 Relevante  observar,  que  a  obrigatoriedade  do  recolhimento  mensal  nasceu  com o advento da Lei n.º 7.713, de 1988, que introduziu na legislação do imposto de renda das  pessoas físicas o sistema de bases correntes.   Assim,  entendo  que  os  rendimentos  omitidos  apurados,  mensalmente,  pela  fiscalização, a partir de 01/01/90, estão sujeita à tabela progressiva anual (IN SRF n.º 46/97).  É evidente que o arbitramento da renda presumida cabe quando existe o sinal  exterior  de  riqueza  caracterizado  pelos  gastos  excedentes  da  renda  disponível,  e  deve  ser  quantificada em função destes.  Não  comungo  com  a  corrente,  que  entende  que  os  saldos  positivos  (disponibilidades)  apurados  em  um  ano  possam  ser  utilizados  no  ano  seguinte,  pura  e  simplesmente, já que é pensamento pacífico nesta Câmara que o Imposto de Renda das pessoas  físicas, a partir de 01/01/90, será apurado, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos  de  capital  forem  percebidos,  incluindo­se,  quando  comprovada  pelo  Fisco,  a  omissão  de  rendimentos  apurados  através  de  planilha  financeira  onde  são  considerados  os  ingressos  e  dispêndios realizados pelo contribuinte.   Entretanto,  por  inexistir  a  obrigatoriedade  de  apresentação  de  declaração  mensal  de  bens,  incluindo  dívidas  e  ônus  reais  e  pela  inexistência  de  previsão  legal  para  se  considerar  como  renda  consumida,  o  saldo  de  disponibilidade  pode  ser  aproveitado  no mês  subseqüente, desde que seja dentro do mesmo ano­calendário.   Assim,  somente  poderá  ser  aproveitado,  no  ano  subseqüente,  o  saldo  de  disponibilidade  que  constar  na  declaração  do  imposto  de  renda  ­  declaração  de  bens,  devidamente lastreado em documentação hábil e idônea.   No  presente  caso,  a  tributação  levada  a  efeito  baseou­se  em  levantamentos  mensais de origem e aplicações de recursos (fluxo financeiro ou de caixa), onde, a princípio,  constata­se  que  houve  a  disponibilidade  econômica  de  renda maior  do  que  a  declarada  pelo  suplicante, caracterizando omissão de rendimentos passíveis de tributação.  É  entendimento  pacífico,  nesta  Turma  de  Julgamento,  que  quando  a  fiscalização  promove  o  fluxo  financeiro  (“fluxo  de  caixa”)  do  contribuinte,  através  de  demonstrativos de origens e aplicações de recursos devem ser considerados todos os ingressos  (entradas)  e  todos  os  dispêndios  (saídas),  ou  seja,  devem  ser  considerados  todos  os  rendimentos, retornos de investimentos e empréstimos, (já tributados, não tributáveis, isentos e  os  tributados  exclusivamente  na  fonte),  bem  como  todos  os  dispêndios/aplicações/investimentos/aquisições possíveis de se apurar, a exemplo de: despesas  bancárias, aplicações financeiras, água, luz, telefone, empregada doméstica, cartões de crédito,  juros  pagos,  pagamentos  diversos,  aquisições  de  bens  e  direitos  (móveis  e  imóveis),  etc.,  apurados  mensalmente.  Assim  sendo,  não  há  controvérsia  que  o  lançamento  foi  realizado  dentro dos parâmetros legais.   Consta de forma clara, nos autos, que o suplicante foi tributado por presunção  legal de omissão de  rendimentos, caracterizado através do  levantamento mensal de origens  e  aplicações  de  recursos,  onde  se  constata  um  “acréscimo  patrimonial  a  descoberto”  ­  “saldo  negativo  mensal”,  ou  seja,  o  suplicante  aplicava  e/ou  consumia  mais  do  que  possuía  de  recursos com origem justificada, sendo que nestes casos a responsabilidade pela apresentação  das provas para elidir a presunção legal compete ao contribuinte que praticou a irregularidade  fiscal.  Fl. 32DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.001930/2006­11  Acórdão n.º 2202­01.280  S2­C2T2  Fl. 17          33 No âmbito da teoria geral da prova, não há dúvidas de que o ônus probante,  em  princípio,  cabe  a  quem  alega  determinado  fato. Mas  algumas  aferições  complementares,  por vezes, devem ser feitas, a fim de que se tenha, em cada caso concreto, a correta atribuição  do ônus da prova.  Em não  raros casos  tal  atribuição do ônus da prova  resulta na exigência de  produção de prova negativa, consistente na comprovação de que algo não ocorreu, coisa que, à  evidência, não é admitida tanto pelo direito quanto pelo bom senso. Afinal, como comprovar o  não  recebimento  de  um  rendimento?  Como  evidenciar  que  um  contrato  não  foi  firmado?  Enfim, como demonstrar que algo não ocorreu?  Não  se  pode  esquecer,  que  o Direito Tributário  é  dos  ramos  jurídicos mais  afeitos a concretude, à materialidade dos fatos, e menos à sua exteriorização formal (exemplo  disso é que mesmos os rendimentos oriundos de atividades ilícitas são tributáveis).   Nesse  sentido,  é  de  suma  importância  ressaltar  o  conceito  de  provas  no  âmbito  do  processo  administrativo  tributário.  Com  efeito,  entende­se  como  prova  todos  os  meios de demonstrar a existência (ou inexistência) de um fato jurídico ou, ainda, de fornecer ao  julgador o conhecimento da verdade dos fatos.  Não há, no processo administrativo tributário, disposições específicas quanto  aos meios de prova admitidos, sendo, portanto, razoável como emprego subsidiário o Código  de Processo Civil, que dispõe:   Art.  332.  Todos  os  meios  legais,  bem  como  os  moralmente  legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis  para  provar  a  verdade  dos  fatos,  em  que  se  funda  a  ação  ou  defesa  Da mera  leitura  deste  dispositivo  legal,  depreende­se  que  no  curso  de  um  processo,  judicial  ou  administrativo,  todas  as  provas  legais  devem  ser  consideradas  pelo  julgador como elemento de formação de seu convencimento, visando à solução legal e justa da  divergência entre as partes.  Assim,  tendo  em  vista  a  mais  renomada  doutrina,  assim  como,  a  iterativa  jurisprudência, administrativa e judicial, a respeito da questão vê­se que o processo fiscal tem  por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição  do  crédito  tributário,  devendo  o  julgador  pesquisar  exaustivamente  se,  de  fato,  ocorreu  à  hipótese  abstratamente  prevista  na  norma  e,  em  caso  de  recurso  do  contribuinte,  verificar  aquilo que é realmente verdade, independentemente até mesmo do que foi alegado.  Assim, se de um lado, o contribuinte tem o dever de declarar, cabe a este, não  à administração, a prova do declarado. De outro lado, se o declarado não existe, cabe a glosa  pelo fisco. O mesmo vale quanto à formação das demais provas, as mesmas devem ser claras,  não permitindo dúvidas na formação de juízo do julgador.  Como  se  sabe,  no  caso,  em  discussão,  os  valores  apurados  nos  demonstrativos pela fiscalização caracterizam presunção legal, do tipo condicional ou relativa  (júris  tantum)  que,  embora  estabelecida  em  lei,  não  tem  caráter  de  verdade  indiscutível,  valendo enquanto prova em contrário não a vier desfazer ou mostrar sua falsidade.  Fl. 33DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN   34 Observe­se,  que  as  presunções  júris  tantum,  embora  admitam  prova  em  contrário,  dispensam  do  ônus  da  prova  aquele  a  favor  de  quem  se  estabeleceu,  cabendo  ao  sujeito passivo, no caso, a produção de provas em contrário, no sentido de ilidi­las.  O  Código  Tributário  Nacional  prevê  na  distribuição  do  ônus  da  prova  nos  lançamentos  de  ofício  que  sempre  recairá  sobre  o  Fisco  o  ônus  da  comprovação  dos  fatos  constitutivos do direito de efetuar o lançamento (artigo 149, inciso IV). É ao Fisco que cabe a  comprovação da falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação  tributária como sendo de declaração obrigatória. Deste modo, havendo esta comprovação, ou  seja,  em  face  das  provas  produzidas  e  das  planilhas  que  atestam  o  acréscimo  patrimonial,  a  autoridade fiscal não só tem o poder de efetuar de ofício o lançamento, como também o dever.  No  caso  específico  dos  autos,  resta  tão  somente,  deslindar  a  questão  da  transferência patrimonial efetuada a título de doação, bem como os valores relativo aos gastos  com  imóveis. Ou  seja,  o  contribuinte  sustenta que  recebeu  de  seu  pai  a  título  de  doação R$  1.250.000,00  e  que  houve  um  equívoco  nas  informações  prestadas  pela  construtora  com  relação aos gastos aplicados nos imóveis.  Ora,  uma  vez  efetuado  o  demonstrativo  de  evolução  patrimonial  do  Contribuinte e apurado o acréscimo patrimonial a descoberto pela autoridade fiscal lançadora,  caracterizada  está  a ocorrência do  fato gerador do  Imposto de Renda, nos  termos do  art.  43,  inciso II do Código Tributário Nacional. Nessa hipótese, cabe ao Contribuinte a comprovação  da existência  recursos  suficientes para afastar o acréscimo patrimonial a descoberto apurado,  uma vez que se opera a inversão do ônus da prova, legalmente prevista.  Esclareça­se,  mais  uma  vez,  que  os  dados  constantes  da  Declaração  de  Rendimentos  e de Bens  do Contribuinte  são  informações prestadas voluntariamente,  sob  sua  responsabilidade, e estão sujeitos à comprovação, se o Fisco entender necessário. O artigo 806  do Decreto n° 3.000, de 1999, assim determina:  Art.  806.  A  autoridade  fiscal  poderá  exigir  do  contribuinte  os  esclarecimentos  que  julgar  necessários  acerca  da  origem  dos  recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que  as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição  do patrimônio (Lei n° 4.069/1962, art 51, § 1°).  Entretanto,  no  que  diz  respeito  da  cobertura  do  acréscimo  patrimonial  a  descoberto pela doação de numerário entre pai e  filho,  se  faz necessário uma maior  reflexão  quanto a matéria de prova.  Tenho para mim, que nestes casos específicos, se os rendimentos e os bens do  doador tem origem justificada e se trata de fato de doação de pai para filho, quase sempre feito  de  maneira  informal  em  se  tratando  de  dinheiro,  e  se  o  valor  doado  está  consignado  na  declaração de rendimentos do doador e do donatário, o valor doado, para fins de apuração de  acréscimo patrimonial  a descoberto,  deve  constar no  "fluxo de caixa" mensal  como  fonte de  origens do donatário e como fonte de aplicações do doador.  Resta  claro  nos  autos  que  o  valor  de  R$  1.250.000,00  está  devidamente  declarado na Declaração de Ajuste Anual do doador Wilson Dissenha – CPF 008.783.838­91  (fls. 26), bem com está claro que o valor consta da Declaração de Ajuste do Donatário Wilson  Eduardo Dissenha (fls. 06).  Assim sendo, acredito que nestes casos é suficiente a prova de que houve a  doação  questionada.  Invertendo  o  ônus  da  prova  em  contrário  para  o  fisco,  ou  seja,  o  fisco  Fl. 34DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.001930/2006­11  Acórdão n.º 2202­01.280  S2­C2T2  Fl. 18          35 deveria  comprovar  que  o  doador  não  tinha  recursos  suficientes  para  realizar  a  respectiva  doação, através da realização do “fluxo financeiro” (Demonstrativo de Apuração de Acréscimo  Patrimonial  a  Descoberto)  e  tributar,  se  fosse  o  caso,  o  valor  no  doador,  por  acréscimo  patrimonial a descoberto.   É de se ressaltar, ainda, que a lavratura da doação no registro público, não é  obrigatória  por  lei.  O  objetivo  da  lavratura  é  a  de  dar  aspecto  de  legalidade  e  maior  credibilidade. Como também, por si só, não constitui prova da realização do ato nas condições  ali informadas, visto que, para efeitos fiscais, a princípio, se faz necessário provar a efetividade  da transferência dos recursos.   Não há dúvidas de que o regime jurídico na análise das provas no Processo  Administrativo  Fiscal  é  a  de  prevalecer  o  princípio  da  verdade  material,  por  oposição  ao  princípio  da  verdade  formal.  Enquanto  que  no  processo  civil  o  juiz  deve  necessariamente  limitar­se  a  julgar  segundo  as  provas  aportadas  pelas  partes  (verdade  formal),  no  processo  administrativo o julgador que deve decidir está sujeito ao princípio da verdade material e deve,  em  conseqüência,  ajustar­se  aos  fatos,  prescindindo  de  que  eles  hajam  sido  alegados  e  provados pelo suplicante ou não.   Nesta  linha de raciocínio entendo, que deixa de prevalecer as exigências de  maior monta  de  provas  quando  a  doação  de  numerário  é  realizada  entre  pai  e  filho,  já  que  usualmente estas operações de doações são realizadas a margem do rigor técnico, ou seja, são  realizadas, normalmente, de maneira informal.   Assim, só posso concordar com a informação inicial do contribuinte de que a  doação teria sido efetivada em data e no valor informado nas Declarações de Ajuste Anual do  doador  e  donatário. Como  não  houve  a  preocupação  da  autoridade  lançadora  em  saber  qual  seriam a datas das doações é de se aplicar a interpretação mais favorável para o contribuinte.   Afirma  ainda  o  recorrente,  em  sua  defesa,  que  o  apartamento  131  da  Rua  Deputado Laércio Corte, 1465 foi pago no ato da aquisição, em 01/09/1999, conforme consta  da Escritura de Venda e Compra lavrada pelo 12° Cartório de Notas de São Paulo (cópia as fls.  161/165).  Todavia,  tal  escritura  foi  passada  em  27  de  junho  de  2003  e  registra  que  por  instrumento particular datado de 01.09.1999, "a Parinvest prometeu vender ao Comprador, as  seguintes frações...".   Ora,  não  há  declaração  de  ter  sido  recebido  integralmente  o  valor  do  apartamento  em  1999,  mas  há  declaração  de  haver  recebido  integralmente,  na  forma  e  condições expostas, R$ 1.537.899,53 anteriormente a 27 de junho de 2003 e R$ 550.103,72 no  ato da lavratura da citada Escritura de Venda e Compra.  Assim, e diante dos comprovantes de pagamento efetuados no ano de 2001,  fornecidos pela Parinvest e contabilizados no Livro Razão Analítico da empresa  (fls. 61/84),  vê­se que não há possibilidade de acatar o alegado pelo impugnante, mantendo­se na íntegra o  lançamento efetuado nesta parte.  Se o contribuinte foi autuado por acréscimo patrimonial a descoberto, através  do  levantamento  do  fluxo  financeiro.  Ou  seja,  através  da  análise  das  entradas  e  saídas  de  recursos à fiscalização apurou saldo negativo. Nesta situação o suplicante fica na obrigação de  apresentar elementos comprobatórios de recursos com origem justificada para fazer frente ao  acréscimo  patrimonial  a  descoberto  apurado  pela  fiscalização,  de  nada  adianta  a  simples  Fl. 35DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN   36 alegação  de  que  se  fosse  considerado  isso  ou  aquilo  à  acusação  fiscal  não  teria  fundamento  para sua aplicação, pois, estes supostos recursos, dariam causa ao dito “acréscimo patrimonial a  descoberto apurado”.   Por fim, é de se ressaltar, que o fluxo financeiro de origens e aplicações de  recursos será apurado, mensalmente, onde serão considerados todos os ingressos e dispêndios  realizados no mês,  pelo contribuinte. A  lei  autoriza  a presunção de omissão de  rendimentos,  desde  que  à  autoridade  lançadora  comprove  gastos  e/ou  aplicações  incompatíveis  com  os  recursos  declarados  disponíveis  (tributados,  isentos,  não  tributáveis  ou  tributados  exclusivamente na fonte).   Todas  as  informações  registradas  pelo  contribuinte  em  sua  Declaração  de  Ajuste Anual, até prova em contrário, são consideradas expressão da verdade. Por outro lado,  se o contribuinte for  intimado a fazer a comprovação dos valores lançados,  tempestivamente,  em  sua  Declaração  de  Ajuste  Anual  e/ou  Declaração  de  Bens  e  Direitos  e  não  o  fizer  é  perfeitamente justificável a glosa destes valores.   No  que  diz  respeito  à  exclusão  ou  inclusão  de  recursos,  bem  como  à  consideração de dívidas  e ônus  reais no  fluxo de caixa,  seria ocioso mencionar que  todos os  valores constantes da declaração de ajuste anual são passíveis de comprovação. E, no tocante a  dinheiro em espécie, doações, empréstimos ou recebimento de créditos por empréstimos junto  a terceiros ou fornecedores, os quais, eventualmente, justifiquem acréscimos patrimoniais, sua  comprovação  se  processa  mediante  observação  de  uma  conjunção  de  procedimentos  que  permitam a livre formação de convicção do julgador.  Da mesma forma, não cabe razão ao recorrente no que tange às alegações de  ilegalidade  /  ofensas  a princípios constitucionais  (razoabilidade, capacidade contributiva, não  confisco  e  juros  abusivos),  o  exame  das  mesmas  escapa  à  competência  da  autoridade  administrativa julgadora.   Há que se destacar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento  da  legislação  em vigor,  independentemente  de  questões  de  discordância,  pelos  contribuintes,  acerca  de  alegadas  ilegalidades/inconstitucionalidades,  sendo  a  atividade  de  lançamento  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional,  como  previsto  no  art.  142,  parágrafo único, do Código Tributário Nacional.  Não  há  dúvidas  de  que  se  entende  como  procedimento  fiscal  à  ação  fiscal  para  apuração  de  infrações  e  que  se  concretize  com  a  lavratura  do  ato  cabível,  assim  considerado  o  termo  de  início  de  fiscalização,  termo  de  apreensão,  auto  de  infração,  notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de  suas  funções  inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles  tomar conhecimento pela intimação.  Os  atos  que  formalizam  o  início  do  procedimento  fiscal  encontram­se  elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo  138,  parágrafo  único  do  Código  Tributário  Nacional,  esses  atos  têm  o  condão  de  excluir  a  espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a  ser verificadas.  Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito  passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não  exclui  suas  responsabilidades,  sujeitando­os  às  penalidades  próprias  dos  procedimentos  de  Fl. 36DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.001930/2006­11  Acórdão n.º 2202­01.280  S2­C2T2  Fl. 19          37 ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e  torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização.  Ressalte­se, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada  pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida  de  fiscalização  tem o condão de constituir­se  em marco  inicial da ação  fiscal, mas,  também,  consoante  reza  o  mencionado  dispositivo  legal,  “qualquer  procedimento  administrativo”  relacionado  com  a  infração  é  fato  deflagrador  do  processo  administrativo  tributário  e  da  conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável  sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na  forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972.  O  entendimento,  aqui  esposado,  é  doutrina  consagrada,  conforme  ensina  o  mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220:  O processo  contencioso administrativo  terá  início  por  uma das  seguintes formas:  1.  pedido  de  esclarecimentos  sobre  situação  jurídico­tributária  do sujeito passivo, através de intimação a esse;  2.  representação  ou  denúncia  de  agente  fiscal  ou  terceiro,  a  respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo  à assunção de responsabilidades tributárias;  3 ­ autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular  perante a legislação tributária;  4.  inconformismo  expressamente  manifestado  pelo  sujeito  passivo, insurgindo­se ele contra lançamento efetuado.  (...).  A  representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da  intimação  para  esclarecimentos,  sendo  peças  iniciais  do  processo que irá se estender até a solução final, através de uma  decisão  que  as  julguem  procedentes  ou  improcedentes,  com os  efeitos naturais que possam produzir tais conclusões.  No  mesmo  sentido,  transcrevo  comentário  de  A.A.  CONTREIRAS  DE  CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando  de Atos e Termos Processuais:  Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários.  São atos processuais os que se realizam conforme as regras do  processo,  visando  dar  existência  à  relação  jurídico­processual.  Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas  em  razão  de  outro  processo,  do  qual  depende.  No  processo  administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros:  a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a  notificação  (...).  Fl. 37DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN   38 Mas,  retornando  a  nossa  referência  aos  atos  processuais,  é  de  assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada,  privativamente,  por  agentes  fiscais,  em  fiscalização  externa,  já  no  que  concerne  às  faltas  apuradas  em  serviço  interno  da  Repartição  fiscal,  a  peça que  as  documenta  é a  representação.  Note­se que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal  (...).  Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a  penalidade  aplicável,  a  sua  ausência  implicará  na  invalidade  do  lançamento.  A  falta  ou  insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigi­lo com  acréscimos e penalidades legais.   É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte,  entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levando­se em conta a ausência de má­fé,  de  dolo,  e  antecedentes  do  contribuinte. A multa  que  excede  o montante  do  próprio  crédito  tributário,  somente  pode  ser  admitida  se,  em  processo  regular,  nos  casos  de  minuciosa  comprovação,  em  contraditório  pleno  e  amplo,  nos  termos  do  artigo  5º,  inciso  LV,  da  Constituição  Federal,  restar  provado  um  prejuízo  para  fazenda  Pública,  decorrente  de  ato  praticado pelo contribuinte.  Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de  1988,  é  dirigida  ao  legislador.  Tal  princípio  orienta  a  feitura  da  lei,  que  deve  observar  a  capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse  princípio,  a  lei  deixa  de  integrar o mundo  jurídico  por  inconstitucional. Além disso,  é  de  se  ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas  pelo Direito Fiscal e, por não constituir  tributo, mas penalidade pecuniária prevista em  lei,  é  inaplicável o conceito de confisco previsto no  inciso V, do art. 150 da Constituição Federal,  não cabendo às autoridades administrativas estendê­lo.  Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração  às  regras  instituídas  pela  legislação  fiscal  não  declarada  inconstitucional  pelo  Supremo  Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em  lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150,  IV da CF., não conflitando  com o estatuído no  art.  5°, XXII  da CF.,  que  se  refere  à  garantia do direito de propriedade.  Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência.   Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados  pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém,  com  exclusividade,  tal  prerrogativa.  É  inócuo,  portanto,  suscitar  tais  alegações  na  esfera  administrativa.  De  qualquer  forma,  há  que  se  esclarecer  que  o  Imposto  Renda  da  Pessoa  Física é um tributo calculado sobre a renda tributável auferida. Ou seja, é calculado levando­se  em  consideração  aos  rendimentos  tributáveis  auferidos  e  em  razão  do  valor  é  enquadrada  dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito  passivo da obrigação tributária.   Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na  elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que  orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo  a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis.  Fl. 38DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.001930/2006­11  Acórdão n.º 2202­01.280  S2­C2T2  Fl. 20          39 Da  mesma  forma,  não  vejo  como  se  poderia  acolher  o  argumento  de  inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício e da taxa SELIC aplicada como  juros  de  mora  sobre  o  débito  exigido  no  presente  processo  com  base  na  Lei  n.º  9.065,  de  20/06/95,  que  instituiu  no  seu  bojo  a  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia de Títulos Federais (SELIC).  É meu entendimento, acompanhado pelos pares desta Turma de Julgamento,  que  quanto  à  discussão  sobre  a  inconstitucionalidade  de  normas  legais,  os  órgãos  administrativos  judicantes  estão  impedidos  de  declarar  a  inconstitucionalidade  de  lei  ou  regulamento, face à inexistência de previsão constitucional.  No  sistema  jurídico  brasileiro,  somente  o  Poder  Judiciário  pode  declarar  a  inconstitucionalidade de  lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle  incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade.  No caso de  lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle  seria  mesmo  incabível,  por  ilógico,  pois  se  o  Chefe  Supremo  da  Administração  Federal  já  fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a  lei,  não  seria  razoável  que  subordinados,  na  escala  hierárquica  administrativa,  considerasse  inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional.  Exercendo  a  jurisdição  no  limite  de  sua  competência,  o  julgador  administrativo  não  pode  nunca  ferir  o  princípio  de  ampla  defesa,  já  que  esta  só  pode  ser  apreciada no foro próprio.  Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda  inconstitucional, maior  insegurança  teriam  os  cidadãos,  por  ficarem  à mercê  do  alvedrio  do  Executivo.  O  poder  Executivo  haverá  de  cumprir  o  que  emana  da  lei,  ainda  que  materialmente possa ela ser  inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo  afasta ­ sob o ponto de vista formal ­ a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no  seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetá­la­ia, nos termos do artigo  66,  §  1º  da Constituição. Rejeitado  o  veto,  ao  teor  do  §  4º  do mesmo  artigo  constitucional,  promulgue­a ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza,  não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Faculta­se­lhe,  tão­somente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a  decisão,  continuará  o  Poder  Executivo  a  lhe  dar  execução.  Imagine­se  se  assim  não  fosse,  facultando­se  ao  Poder  Executivo,  através  de  seus  diversos  departamentos,  desconhecer  a  norma  legislativa  ou  simplesmente negar­lhe  executoriedade por  entendê­la,  unilateralmente,  inconstitucional.  A evolução do direito,  como quer o  suplicante, não deve pôr em risco  toda  uma construção  sistêmica baseada na  independência  e na harmonia dos Poderes,  e  em cujos  princípios repousa o estado democrático.  Não  se  deve  a  pretexto  de  negar  validade  a  uma  lei  pretensamente  inconstitucional, praticar­se inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de  competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder.   Fl. 39DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN   40 Ademais, matéria  já pacificada no  âmbito  administrativo,  razão pela qual o  Presidente  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes,  objetivando  a  condensação  da  jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento  Interno dos Conselhos de Contribuintes  (RICC),  aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de  março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas  no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas  a partir de 28 de julho de 2006.  Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais  – CARF,  pela Portaria CARF  nº  106,  de  2009  (publicadas  no DOU de  22/12/2009),  assim  redigidas:  “O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).”  Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas  as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido rejeitar a  arguição de decadência, o pedido de perícia e as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no  mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor  de R$ 1.250.000,00.  (Assinado digitalmente)   Nelson Mallmann                             Fl. 40DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.001930/2006­11  Acórdão n.º 2202­01.280  S2­C2T2  Fl. 21          41 MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO      TERMO DE INTIMAÇÃO    Em  cumprimento  ao  disposto  no  §  3º  do  art.  81  do  Regimento  Interno  do  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº. 256, de 22  de  junho  de  2009,  intime­se  o  (a)  Senhor  (a)  Procurador  (a)  Representante  da  Fazenda  Nacional,  credenciado  junto  à  Segunda  Câmara  da  Segunda  Seção,  a  tomar  ciência  do  Acórdão nº 2202­01..  Brasília/DF, 27 de julho de 2011    (Assinado digitalmente)  Nelson Mallmann  Presidente da 2ª Turma Ordinária  Segunda Câmara da Segunda Seção    Ciente, com a observação abaixo:  (......) Apenas com ciência  (......) Com Recurso Especial  (......) Com Embargos de Declaração  Data da ciência: _______/_______/_________  Procurador (a) da Fazenda Nacional            Fl. 41DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 03/08/2011 por NELSON MALLMANN

score : 1.0
8841302 #
Numero do processo: 37218.002394/2007-80
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2302-000.122
Decisão: RESOLVEM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1741; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T2  Fl. 206          1 205  S2­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  37218.002394/2007­80  Recurso nº  250.381  Resolução nº  2302­00.122  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  30 de novembro de 2011  Assunto  Solicitação de Diligência  Recorrente  TECNOSONDA SA  Recorrida  SRP ­ SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  RESOLVEM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda  Seção  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  por  unanimidade  em  converter  o  julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.    Marco André Ramos Vieira ­ Presidente e Relator    Participaram  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  Marco  André  Ramos  Vieira  (Presidente),  Liege  Lacroix  Thomasi,  Arlindo  da  Costa  e  Silva,  Wilson  Antônio  de  Souza Correa, Adriana Sato.    Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado  em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva  aplicada  conforme  dispõe  o  art.  284,  II  do  RPS,  aprovado  pelo  Decreto  n  °  3.048/1999.  Segundo a  fiscalização previdenciária, a autuada não  informou à previdência social por meio  da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, fls. 06 a 07.  Não conformada com a autuação, a recorrente apresentou impugnação, fls. 109 a  123.   A  Delegacia  da  Receita  Previdenciária  emitiu  a  Decisão  de  fls.  144  a  152,  mantendo a autuação na integralidade.     Fl. 224DF CARF MF Emitido em 12/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     2 Não  concordando  com  a  decisão  emitida  pelo  órgão  previdenciário,  foi  interposto recurso pela autuada, fls. 162 a 170. A autuada alega em síntese:  1.  Não é possível aferir qual o multiplicador usado pela fiscalização para determinação da  multa;  2.  Devem ser excluídos os co­responsáveis;  3.  Deve ser considerada a infração continuada;  4.  Requerendo provimento ao recurso interposto.  Não foram apresentadas contrarrazões.  É o relato suficiente.  Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator  O  recurso  é  tempestivo,  conforme  fl.  199;  pressuposto  de  admissibilidade  superado passo para o exame das questões preliminares ao mérito.  DAS QUESTÕES PRELIMINARES:  Há questão prejudicial para o presente julgamento. A decisão da procedência ou  não do presente auto de infração está ligado à análise das NFLD conexas. Ainda mais pelo fato  de que uma das notificações teve o julgamento convertido em diligência, por meio de decisão  proferida por esta Turma.  Assim,  para  evitar  decisões  discordantes  é  imprescindível  a  análise  conjunta  com as referidas Notificações Fiscais.  Este auto de infração deve ser apensado às NFLD conexas para julgamento em  conjunto. Caso  as  referidas NFLD  já  tenham sido quitadas ou  tenham sido parceladas,  ou  já  estejam inscritas em Dívida Ativa, deve ser colacionada tal informação aos presentes autos.  CONCLUSÃO:  Voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, devendo a unidade  descentralizada  da  Receita  Federal  do  Brasil  apensar  este  auto  de  infração  às  Notificações  Fiscais conexas ou caso as referidas NFLD já tenham sido quitadas ou tenham sido parceladas,  ou  já  estejam  inscritas  em Dívida Ativa,  deve  ser  colacionada  tal  informação  aos  presentes  autos.  Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado, deve  ser conferida ciência ao recorrente.  É como voto.  Marco André Ramos Vieira    Fl. 225DF CARF MF Emitido em 12/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA

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8391027 #
Numero do processo: 10935.002000/2005-70
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2000 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR, NÃO DESCARACTERIZAÇÃO DO ANIMUS DOMINI; AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA TRANSMISSÃO EFETIVA DA POSSE DO IMÓVEL PARA A POPULAÇÃO REASSENTADA, USINA HIDRELÉTRICA.. MANUTENÇÃO NO PÓLO PASSIVO. Se o sujeito passivo não comprova que efetivamente houve a transmissão da posse do imóvel à população ribeirinha, desapropriada de sua moradia originária, não há como retirá-lo do pólo passivo da obrigação tributária. Presunção de ocorrência de reassentamento da população ribeirinha em decorrência da desapropriação da área destinada ao reservatório da usina que não se mostra suficiente à comprovação da transmissão da posse. Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-001.152
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a exigência no tocante à área de 433,1 hectares.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: Gustavo Lian Haddad

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MANUTENÇÃO NO PÓLO PASSIVO. Se o sujeito passivo não comprova que efetivamente houve a transmissão da posse do imóvel à população ribeirinha, desapropriada de sua moradia originária, não há como retirá-lo do pólo passivo da obrigação tributária. Presunção de ocorrência de reassentamento da população ribeirinha em decorrência da desapropriação da área destinada ao reservatório da usina que não se mostra suficiente à comprovação da transmissão da posse. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a exigência no tocante à área de 433,1 hectares. Recurso especial provido ern parte. 5 4 Recurso especial provido ern parte. Erro! Nome de propriedade do documento desconhecido. Carlos Albertó Itrelitas Barreio — Presidente c-\ La ri ''''#14 if.Gustavo i)an Ha• dad — Relator EDITADO EM: NU/ 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Companhia Paranaense de Energia - Copel foi lavrado o auto de infração de fls. 53/55, objetivando a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 2000, tendo sido apurada a infração de falta de recolhimento do referido imposto tendo em vista a atribuição indevida de isenção à área da Fazenda Três Barras do Paraná pela contribuinte. A Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 303-34394, que se encontra às fls. 264/270 e cuja ementa é a seguinte: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - 1TR Exercício: 2000 Ementa: ITR/2000. ILEGITIMIDADE PASSIVA EMPRESA GERADORA DE ENERGIA. ÁREA DESTINADA PARA REASSENTAMENTO FAZENDA TRÊS BARRAS ÁREA DE INTERESSE SOCIAL REGULADA POR LEI Não se formou a relação juridico-tributária entre a União e a empresa autuada, tendo em vista a aquisição de imóvel para cumprimento de programa de reassentamento, previsto em Decreto Estadual (Decreto n'. 1.778 de 1405,I996), o que torna o imóvel inalienável, indisponível e não utilizável, a não ser para a única finalidade prevista no referido Decreto." A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por maioria de votos, acolheu a preliminar de ilegitimidade passiva, dando provimento ao recurso. Intimada pessoalmente do acórdão em 21/02/2008 (fls. 271) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 276/284, em que sustenta, em apertada síntese, que o imóvel não é isento para fins do ITR tendo em vista a inexistência de decreto expropriatório federal, bem como a legitimidade da contribuinte para figurar como sujeito passivo da exação tributária, na medida em que não efetuou a comprovação da transferência da totalidade da área relativa ao imóvel objeto do lançamento. 2 Erro! Nome de propriedade do documento desconhecido 3 s°34 Processo n" 109.35.002000/2005-70 Acórdão o" 9202-0L152 CSRF-T2 El ) Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho IV 108/2008, de 05/0312008 (fls. .286/287). Intimada sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional a contribuinte apresentou as contra-razões de fls. 292/298, É o Relatório, Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. A matéria já é bem conhecida desta E. Câmara Superior. A Procuradoria da Fazenda Nacional busca reformar o v. acórdão recorrido por entender, conforme paradigma colacionado aos autos, que o artigo 4» da Lei n° 9.393/1996 elegeu como contribuinte do ITR o proprietário de imóvel rural e, sendo a COPEL proprietária à época do fato gerador, não haveria como se falar em sua exclusão do polo passivo, bem como pela ausência da comprovação da transferência às famílias reassentadas da totalidade da área do imóvel objeto do lançamento. A contribuinte, por sua vez, sustenta que o imóvel foi adquirido especificamente para o reassentamento de moradores que foram prejudicados pela construção de usina hidrelétrica, sendo a área em questão declarada de interesse social pelo Estado do Paraná, razão pela qual não caberia a exigência. Logo, a discussão nos presentes autos diz respeito à legitimidade passiva da contribuinte se sujeitar ao ITR incidente sobre o imóvel rural autuado, em face da existência de programa especial de reassentamento da população local que foi desalojadas das áreas alagadas pelo reservatório da Usina Hidroelétrica de Salto Caxias. Entendo, em casos como o presente, que a solução da questão em litígio depende da análise das provas constantes dos autos. Rportando-me aos fundamentos do voto proferido pela Conselheira Suzy Gomes Hoffinann, no voto vencedor do Acórdão n° 9201- 0L035 julgado por esta C. Câmara Superior em sessão de 18/08/2010, que veicula fundamentação à qual me filio: "Sobre a matéria debatida no presente recurso, tem prevalecido que, destinando-se o imóvel adquirido para a finalidade de reassentamento de população atingida pela construção de usina hidrelétrica, esta não pode figurar no pólo passivo da obrigação tributária, relativa ao ITR, em razão, sobretudo, da falta de animus doinini Contudo, tal entendimento somente sode encontrar res quando comprovada nos autos — ainda que com documentos não oficiais - a transmissão da posse dos imóveis, componentes da área destinada ao reassentamento, à população remanejada. Não se mostra suficiente a constatação de que houve, de fato, o desalojamento da população de suas moradias originais, em virtude da construção do reservatório da usina, localizado em área que, com base em decreto, fora desapropriada. Para que a CHESF, autuada, seja excluída do pólo passivo da obrigação tributária, impende que ateste a sua falta de animas domini por intermédio de documentos que retratem a transmissão efetiva da posse e, registro, tal prova documental, no entender da Turma, pode ser feito, por meio das provas admitidas em direito e não necessariamente pelo documento formal da transmissão da posse e propriedade, no caso, escritura de compra e venda lavrada em cartório de notas e devidamente registrada no cartório de registro de imóveis. Tais elementos probatórios, que deveriam comprovar a translação da posse, não existem nos presentes autos, O Voto Vencido entendeu que basta, no caso, o raciocínio que se houve a desapropriação da população em razão da construção da Usina, é óbvio que eles tiveram que ser reassentados em outro local. Esta conclusão tem a aparência de retratar a realidade, mas, para tanto, são necessárias provas de que efetivamente houve tal reassentamento, bem como a demonstração sobre a data na qual foi transmitida a posse, pois, a Recorrida teria que ter adquirido imóvel para fazer o referido reassentamento, além disso teria que ter feito a divisão da área, construído as casas e demais benfeitorias pala proporcionar a moradia da população ribeirinha. No presente caso, não há prova destes fatos nos autos, o que teria sido muito simples de ser feito, como tem ocorrido em diversos outros julgados desta Turma. Trata-se de questão envolvendo o ônus da prova, que, na hipótese, obviamente recai sobre o contribuinte. A área objeto da autuação foi adquirida pela CHESF. É, portanto, de sua propriedade, o que, nos termos do artigo 31 do Código Tributário Nacional, lhe confere a característica de contribuinte do UR. caberia ao contribuinte com provar, destarte, além da destinação especifica do imóvel, também a ocorrência real da transmissão da sua posse aos inteerantes da vomilacão removida. Assim não procedendo, persiste a incidência do artigo 31 do CTN. Obviamente, na medida em que se entende que a ausência do animus domini, em casos que tais, afasta o contribuinte autuado do pólo passivo da obrigação tributária, é dele a incumbência de atestar, por meio de elementos probatórios idôneos, a materialidade dos .fatos que ensejam o afastamento daquele anbmis. No caso, a transmissão da posse aos ribeirinhos. Com afeito, pautando-se, a atuação, no fato de a área ser de propriedade da CHESF, o ônus probatório da alegação de fato obstativo desse . fundamento, qual seja a inexistência de animas domini, materializada na transferência da posse da propriedade, 4 Processo o' 10935 002000/2005-70 CSRF-T2 Acórdão n." 9202-01.152 Fl. 3 sob qualquer ângulo que se analise a questão, recai sobre o contribuinte. Primeiro porque é o contribuinte quem alega tal fato, e segundo porque é o contribuinte quem pode produzir a respectiva prova. Desta forma, seja imperando a distribuição estática do ônus da prova, positivada no artigo 333 do Código de Processo Civil, seja aplicando-se a teoria da distribuição dinâmica do ônus da prova, segundo a qual a prova incumbe à parte que apresenta melhores condições de produzi-la, no caso, o ônus probatório, necessariamente, refere-se à CHEM'''. Não havendo prova da efetiva transferência da posse à população removida, prevalece o fundamento da autuação em relação ao contribuinte, e que acarreta a incidência do artigo 31 do CTN: a propriedade do imóvel rural " (original sem grifo) No caso dos autos foi devidamente comprovado que a área em questão (Fazenda Três Barras do Paraná), compreendida pelas matrículas de fls. 29134, foi declarada de interesse social para fins de desapropriação para reassentamento, sendo que, nos termos do Decreto Estadual n° 1778/1996, caberia à COPEL efetuar a desapropriação (lis 91/104). Entendo, no entanto, que caberia à COPEL comprovar, além da destinação legal do imóvel, a ocorrência real da transmissão da integralidade da sua posse aos integrantes da população removida. As cópias das Escrituras Públicas de Dação em Pagamento com encargos (fis.105-185) comprovam o reassentamento de 27 famílias, sendo que da área total de 1010,3ha somente restou comprovada a efetiva transferência da área de 577,2 ha. Dessa forma, não há prova nos autos da destinação dada à área remanescente de 433,1ha, não sendo possível presumir a transferência da posse desta parcela corno exposto acima. Nesses termos, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, restabelecendo a exigência no tocante à área de 43.3,1ha, ç Gus vo Lian Ha dad DUI(G1J1 Errol Nome de propriedade do documento desconhecido,

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Numero do processo: 13603.001937/2007-30
Data da sessão: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 PREMIAÇÃO DE INCENTIVO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSORIA„ RECURSO GENÉRICO, PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputa-se impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2301-001.563
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES

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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSORIA„ RECURSO GENÉRICO, PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputa-se impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDA4 os membros da 3" Câmara / 1" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, port iina lidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provim o e rso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Processo rt° 13603 001937/2007-30 S2-C3I 1 Aeártiao n° 2301-01.563 Ft 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Edgar Silva Vidal (suplente), Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). Relatório Trata-se de Auto de Infração, lavrado em 30/10/2006, em desfavor da Gráfica e Editora Del Rey Indústria e Comercio Ltda, originado em virtude do descumprimento ao art. .32, I, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 225, I, §9°, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 1048/99, uma vez que os pagamentos dos "prêmios" corn intermediação da empresa Incentive House S/A não foram devidamente incluídos em folhas de pagamento, durante o periodo de 01/2004 a 12/2005. De acordo corn o Relatório Fiscal de fls. 23/24, tem-se como fato gerador a empresa ter deixado de preparar as folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados ao seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Secretaria da Receita Previdencidria, Inconformada, apresentou Defesa tempestiva de fls. 102/104, tendo a Decisão-Notificação de fls. 108/112, julgado procedente o lançamento. Irresignada interpôs Recurso Voluntário tempestivo de fls. 119/120, alegando, em síntese, que toda documentação solicitada pela fiscalização foi devidamente entregue, inclusive tais cópias encontram-se anexas ao presente processo. Sem Contra-Razões. 1=2, o relatório Voto Conselheiro LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo tempestivo, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do Mérito O cerne da presente autuação consiste no fato de a ora Recorrente ter disponibilizado, através de cartões de premiação denominados "Flexcard" e "Premium Card", da empresa Incentive House SA, pagamento de prêmios a segurados empregados e empresários, sem, no entanto, incluir' tais valores nas folhas de pagamento, referente ao período de 01/2004 a 12/2005. Desta feita, fora lavrado o presente Auto de Infração, por descumprimento ao art. 32, I, da Lei 8,212/91, in verbis: Process() n° 13603 001937/2007-30 S2-C3T1 Acórd5o ii 2301-01..563 Fl. 3 Art. 32. A empresa é também obrigada a.• I - preparar .161bas-de-pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; Ocorre que, relativamente ao mérito da questão, ou seja, ao descumprimento da obrigação acessória, a Recorrente sequer se defendeu, apresentando Defesa e Recurso genéricos, não se desincumbindo do "onus da prova em contrario. Pois bem, A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9 0, §6° da Portaria n° 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9°A impugnação mencionará .§ 6° Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta feita, conclui-se, do acima exposto, que reputar-se-á não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado . Nota-se, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto a pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: "Entende-se que a preclusclo está intimamente relacionada com o onus, que, como se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito. A parte detentora de Onus clever(' praticar ato processual em seu próprio beneficio, no prazo legal, e de forma correta. se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqüências danosas para ela, (..) a precluseio decorre do não-atendimento de um Onus, com prática de ato-lato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos hellos, conformes com o direita Corn isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. No tocante a única alegação em sua defesa, trazida no Recurso Voluntario (fls. 119/120), de que foi entregue à fiscalização toda a documentação solicitada, tal fato não tem o condão de ilidir o presente crédito tributário, como requer a Recorrente, pois a questão em apreço diz respeito a falta de inclusão nas folhas de pagamento dos valores pagos a titulo de premiação de incentivo, e não o aduzido pelo contribuinte. 3 Processo n° 1360.3 001937/2007-30 S2-C3T1 Aedirdao n 2301-01,563 H 4 Ou seja, o argumento trazido em sua defesa pela Recorrente, não traz qualquer peitiancia com o presente lançamento, razão pela qual deverá ser mantida incólume a Decisão-Notificação de fis, 108/111 Da Conclusão Em virtude do exposto, conheço do recurso, para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. É COMO voto. Sala das Sessões, em 8 o de 2010 LEON PIRES LOPES 4

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