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Numero do processo: 11007.001701/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 04/09/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A matéria suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
Numero da decisão: 3401-012.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por rejeitar a preliminar de prescrição intercorrente e, face a concomitância do presente processo administrativo e da Ação Ordinária no 5000745-88.2011.404.7103/RS, cabível a aplicação da Súmula CARF no 1 para fins de se caracterizar a renúncia ao julgamento nas instâncias administrativas e não conhecer dos demais argumentos do Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Sabrina Coutinho Barbosa e Marcos Roberto da Silva (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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CONCOMITÂNCIA. A matéria suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por rejeitar a preliminar de prescrição intercorrente e, face a concomitância do presente processo administrativo e da Ação Ordinária no 5000745-88.2011.404.7103/RS, cabível a aplicação da Súmula CARF no 1 para fins de se caracterizar a renúncia ao julgamento nas instâncias administrativas e não conhecer dos demais argumentos do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Sabrina Coutinho Barbosa e Marcos Roberto da Silva (Presidente). Relatório Por economia processual e por relatar a realidade dos fatos de maneira clara e concisa, reproduzo o relatório da decisão de piso: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 10.032,22 referente à multa prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 decorrente da cessão do nome para acobertamento do real adquirente das mercadorias importadas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 00 7. 00 17 01 /2 00 9- 69 Fl. 453DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-012.787 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11007.001701/2009-69 A interessada foi submetida a procedimento especial de fiscalização da Instrução Normativa SRF nº 206/2002, aplicado à mercadoria relacionada ao 4º e último embarque parcial da Declaração de Importação-DI nº 09/1163691-3, DI registrada na modalidade de entrega fracionada, para importação de preformas PET de origem uruguaia, com base em indícios de ocultação irregular de terceiro. O procedimento objeto dos autos originou-se a partir de procedimento fiscal anterior em que ficou constatado que a empresa First S.A atuava por encomenda de terceiros, sem que estes fossem devidamente identificados, de acordo com a legislação tributária. Em diligência a empresa transportadora Tora Transportes Industriais Ltda foram encontrados documentos que demonstravam que a mercadoria relacionada na fatura que instruiu a DI objeto destes autos destinava-se à empresa Refrescos Bandeirantes Indústria e Comércio Ltda. Durante o primeiro procedimento de fiscalização foram efetuadas diversas intimações solicitando documentação e esclarecimentos para a empresa First S.A foram tomados depoimentos dos intervenientes nas operações- transportador e despachantes aduaneiros-, bem como do próprio diretor da empresa First, também foram colhidas mensagens eletrônicas das empresas First e da transportadora Tora Transportes Industriais. No procedimento relativos a estes autos também foi intimada a empresa Refrescos Bandeirantes Indústria e Comércio Ltda, destinatária das mercadorias, a apresentar esclarecimentos e documentos relativos a operação. Em síntese concluiu a fiscalização - A First S.A. atuava como mera intermediária nas operações de importação de preformas destinadas à empresa Refrescos Bandeirantes. - As preformas a serem importadas eram definidas pela empresa Refrescos Bandeirantes que encaminhava os pedidos diretamente à empresa exportadora Cristalpet S.A. - A empresa Refrescos Bandeirantes mantinha contato direto com a empresa Cristalpet, inclusive definindo características das mercadorias a serem importadas. - A empresa Refrescos Bandeirantes mantinha contato direto com a empresa Tora Transportes Industriais Ltda., tratando da logística das entregas de preformas, desde o carregamento junto ao fabricante até a entrega junto à sua planta industrial. - A empresa First procurou ocultar da fiscalização, no decorrer do procedimento fiscal, que as preformas por ela importadas, tinham destinatários predeterminados. A empresa somente veio a admitir esse fato a partir da descoberta de provas irrefutáveis pela fiscalização, em diligência junto à transportadora. - A mercadoria importada através da DI n° 09/1163691-3 tinha como destinatário final e predeterminado a empresa Refrescos Bandeirantes. - Os recursos utilizados nas operações de importação pertenciam, ao que tudo indica, à empresa First S.A. - A empresa First S.A. atuava por encomenda de empresas que utilizam preformas Pet em seus processos produtivos, entre elas a empresa Refrescos Bandeirantes. A operação em questão enquadrou-se na modalidade de importação por encomenda, mas foi declarada em nome próprio ocultando a condição da empresa Refrescos Bandeirantes de encomendante e real destinatário das mercadorias. - As empresas Refrescos Bandeirantes (encomendante) e First S.A. (importadora) não cumpriram com os requisitos estabelecidos na IN SRF 634/2006 para a realização de importações por encomenda. Portanto, as importações, inclusive a relacionada à Dl n°09/1163691-3, foram irregulares. Fl. 454DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-012.787 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11007.001701/2009-69 - A verdadeira responsável pela operação de importação relativa à Dl nº 09/1163691-3, ou seja, aquela que deu causa à operação, foi a empresa Refrescos Bandeirantes. - A conduta da empresa First S.A. configura a prática de ato simulado, uma vez que o verdadeiro negócio jurídico realizado (importação por encomenda) permaneceu oculto. - Houve, em tese, utilização indevida de benefício fiscal relativo ao ICMS pelas empresas First S.A e Refrescos Bandeirantes, o que configura fraude tributária. Desta forma finalmente concluiu que a empresa First S.A. ocultou a verdadeira destinatária da mercadoria e responsável pela operação relacionada à DI 09/1163691-3, empresa Refrescos Bandeirantes Indústria e Comércio Ltda., configurando a pratica de ocultação do real comprador e responsável pela operação, mediante fraude e simulação. Regularmente cientificada em 24/12/2009, a interessada apresentou impugnação de folhas 327 e seguintes. Em síntese, traz as alegações: vários vícios que maculam sua legalidade; produtos e da habitualidade de seus clientes; nta própria e não por encomenda, não houve qualquer dano ao erário porque a tributação independe da modalidade de importação e os tributos foram pagos; ilegal a manutenção de ambas as exigências; Ao final requer o processamento da impugnação para o fim de cancelar integralmente o Auto de Infração afastando-se as penalidades aplicadas e que seja apresentado o pedido de prorrogação do prazo para a conclusão do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), nos termos dos arts. 11 e 12 da Portaria RFB n 2 11.371, de 12 de dezembro de 2007. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba – PR julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado conforme ementa do Acórdão n o 06-63.127 a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 04/09/2009 Acórdão sem ementa, em cumprimento ao disposto no art. 2º da Portaria RFB nº. 2.724, de 27 de setembro de 2017 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em síntese, a decisão recorrida foi no seguinte sentido: Da análise das provas carreadas aos autos não resta nenhuma dúvida de que, efetivamente, a importadora First S.A., ao registrar as Declarações de Importação como se tratassem de importações diretas, estava, em verdade, ocultando a verdadeira adquirente das mercadorias importadas. Fl. 455DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-012.787 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11007.001701/2009-69 Essa é a conclusão que se chega quando se verifica que as notas fiscais de saída que ampararam as vendas às adquirentes das mercadorias possuem data de emissão coincidente ou de poucos dias depois da emissão das notas fiscais de entrada, que ampararam as mercadorias quando de sua importação. Para as mercadorias objeto destes autos a Nota Fiscal de saída foi emitida na mesma data da Nota Fiscal de entrada e antes mesmo de sua nacionalização. Da mesma forma, comprovam a ocultação as mensagens eletrônicas trocadas diretamente entre a real adquirente Refrescos Bandeirantes e a exportadora no Uruguai sobre os pedidos, suas alterações, as programações e os problemas ocorridos com o carregamento das mercadorias (fls. 115 a 129 e 149 a 153); e, ainda, as mensagens entre Refrescos Bandeirantes e a transportadora sobre a logística da operação. Merecem destaque as duas mensagens coladas abaixo: a primeira em que a empresa de comércio exterior responsável pela declaração de exportação no Uruguai menciona e anexa a Fatura nº 7382 da Cristalpet (exportadora) para a Refrescos Bandeirantes (real adquirente) revelando que a mercadoria da DI nº 09/1163691-3, objeto destes autos, destinava-se à empresa Refrescos Bandeirantes (fl. 175)3; e a segunda em que o Grupo José Alves ao qual pertence a empresa Refrescos Bandeirantes apresenta reclamação sobre o produto diretamente para o exportador, que emitiu carta de crédito em virtude dos problemas ocorridos: (...) Temos portanto, que restou plenamente demonstrado que a empresa Refrescos Bandeirantes possui o domínio de fato da operação de importação. Também fazem concluir no mesmo sentido as declarações do despachante aduaneiro responsável pelo registro das Declarações de Importação em nome da First S.A. que recebia e providenciava, inicialmente, a troca das notas fiscais de entrada e saída. Resta claro que, quando a importadora realizava as importações já sabia previamente qual seria a destinatária das mercadorias importadas, todavia, não declarava o fato à fiscalização, querendo fazer crer que se tratava de importações próprias quando, em verdade, não o eram. Após diligência na empresa transportadora houve mudança de postura por parte da empresa First que passou a admitir que as mercadorias objeto deste processo estavam previamente destinadas à Refrescos Bandeirantes. Vide declaração do próprio diretor da empresa First para a fiscalização (fl. 204): (...) Um dos objetivos traçados pela Receita Federal do Brasil é pretender possuir controle absoluto sobre o destino de todas mercadorias e bens importados por empresas nacionais. A aplicação desta pena, assim como a de perdimento da mercadoria, não deriva da sonegação de tributos, muito embora tal fato se constate como efeito subsidiário, mas da burla aos controles aduaneiros. Constatada a prática das duas condutas, ocultação e cessão de nome devem ser aplicadas as penalidades específicas para cada uma delas, visto que cada uma das multas tem natureza jurídica diversa devendo a fiscalização aplicá-las cumulativamente (art. 727, §3º do Decreto 6.759/20093). visto o caráter vinculativo de sua ação. Inconformada com a decisão da DRJ, a interessada apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância com os argumentos a seguir elencados. Preliminarmente alega o seguinte: 1) A multa foi afastada judicialmente na Ação Ordinária n o 5000745- 88.2011.404.7103/RS; 2) A ocorrência da prescrição intercorrente. No mérito apresenta as Fl. 456DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-012.787 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11007.001701/2009-69 seguintes alegações: 1) Das Razões para a Reforma do Acórdão; 2) Da inocorrência de Interposição Fraudulenta de Terceiros, mediante Ocultação do Real Adquirente – Descabimento da Multa pela Cessão de Nome de Pessoa Jurídica; 3) Da Inexistência de Fraude e Simulação – Indevida Desconstituição/Desconsideração do Negócio Jurídico; 4) Dos Vícios de Motivação e Finalidade do Ato Administrativo; 5) Da Inaplicabilidade da Multa pela Cessão de Nome de Pessoa Jurídica (Lei nº 11.488/07, art. 33), e da Configuração de Indevido Bis In Idem; 6) Da Necessidade de Relevação da Multa ante a Ausência do Elemento Danoso e Da Aplicação da Penalidade menos Gravosa em função da Presunção de Boa-Fé. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Roberto da Silva, Relator. Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos formais de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar A Recorrente alega dois pontos em sede de preliminar: 1) A multa foi afastada judicialmente na Ação Ordinária n o 5000745-88.2011.404.7103/RS; e 2) o reconhecimento da ocorrência da prescrição intercorrente tendo em vista que o processo foi movimentado somente 8 anos após a apresentação da impugnação tempestiva. 1) Do afastamento da multa por decisão judicial na Ação Ordinária n o 5000745-88.2011.404.7103/RS A Recorrente afirma que a multa foi afastada nos autos da decisão judicial da Ação Ordinária n o 5000745-88.2011.404.7103/RS com trânsito em julgado nos seguintes termos: 7. A referida sentença declarou a insubsistência da pena de perdimento aplicada às mercadorias importadas pela Recorrente, relacionadas no Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal nº 1015600/27851/09, sob o argumento de não restarem configuradas as alegações de fraude ou simulação, indispensáveis à imposição da referida pena. Ademais, condenou a União ao pagamento de indenização em valor equivalente ao dos produtos registrados na DI nº 09/116369-1, alvo do perdimento administrativo. 8. A propósito da parte dispositiva da sentença, a Recorrente apresentou Embargos de Declaração, defendendo a inaplicabilidade até mesmo da multa prevista no art. 33, da Lei nº 11.488/2007, que também pressupõe conduta dolosa. E os Declaratórios foram acolhidos, sendo a referida multa afastada e substituída pela prevista no art. 711, III, do Regulamento Aduaneiro. Ante o exposto, acolho os embargos para o fim de declarar a existência de contradição e, por conseguinte, alterar a parte dispositiva da sentença do Ev. 93, que passa a ter a seguinte formatação: Fl. 457DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-012.787 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11007.001701/2009-69 'Ante o exposto, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTES os pedidos para (a) declarar insubsistente a pena de perdimento aplicada às mercadorias relacionadas no Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal nº 1015600/27851/09, lavrado contra a autora, que originou o procedimento administrativo nº 11007.001699/2009-28; (b) afastar a multa prevista no art. 33 da Lei n.º 11.488/2007, substituindo-a pela prevista no art. 711, III, do Regulamento Aduaneiro (Decreto n.º 6.759/2009), bem como (c) para condenar a União ao pagamento de indenização em valor equivalente ao dos produtos registrados na DI n.º 09/1163691-3, alvo do perdimento administrativo. (Grifou-se). Verifica-se de fato que a decisão judicial consubstanciada nos autos da Ação Ordinária n o 5000745-88.2011.404.7103/RS trata da pena de perdimento veiculada nos PAF 11007.001699/2009-28 e da penalidade prevista no art. 33 da Lei n o 11.488/07 formalizada nos autos ora em análise. Conforme consta do relatório acima, a penalidade aplicada refere-se especificamente à cessão de nome consubstanciada na DI n o 09/1163691-3. Apesar de a Recorrente ter juntado decisão deste Conselho no sentido de aplicar a decisão judicial para resolução definitiva do PAF já nesta instância administrativa, entendo que cabe à unidade de origem a aplicação da decisão judicial transitada em julgado face a concomitância verificada nesse estágio do processo administrativo. Portanto, considerando a identificação da coincidência de objeto, pedido e causa de pedir do presente processo administrativo e da ação judicial em questão, cabível a aplicação da Súmula CARF n o 1 para fins de se caracterizar a renúncia ao julgamento nas instâncias administrativas. Diante do exposto, voto por não reconhecer do Recurso Voluntário. 2) Da Prescrição Intercorrente Ainda em sede de preliminares, a respeito dos argumentos relacionados a prescrição intercorrente, é pacífica a jurisprudência deste Tribunal quanto a inexistência desse instituto no âmbito do processo administrativo tributário. Neste sentido, foi editada a Súmula CARF nº 11 nos seguintes termos: “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo-fiscal”. Cabe destacar que a citada Súmula é de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF). Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de prescrição intercorrente. Considerando a concomitância, restam prejudicados os demais argumentos do recurso voluntário. Destaque-se que a decisão judicial em 2ª instância decidiu pela substituição da multa, portanto relevante a decretação da concomitância para fins de se adequar o processo à decisão judicial. Fl. 458DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-012.787 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11007.001701/2009-69 Conclusões Diante do exposto, VOTO por rejeitar a preliminar de prescrição intercorrente e, face a concomitância do presente processo administrativo e da Ação Ordinária n o 5000745- 88.2011.404.7103/RS, cabível a aplicação da Súmula CARF n o 1 para fins de se caracterizar a renúncia ao julgamento nas instâncias administrativas e não conhecer dos demais argumentos do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 459DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11030.002480/2004-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
Ementa: Embargos de Declaração Acolhidos e Providos em Parte por
ocorrência de inexatidão material devido a lapso manifesto na ementa do acórdão recorrido e no dispositivo do voto.
EMBARGOS PARCIALMENTE PROVIDOS
Numero da decisão: 3101-001.161
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento aos embargos de declaração, para rerratificar o Acórdão 3101.000.771 de 02 de junho de 2011, sem efeitos infringentes, e DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para:
(1) incluir na receita bruta de exportação os produtos exportados pela Recorrente, ainda que classificados como NT na TIPI; (2) afastar a glosa dos créditos referentes á aquisição de
matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem de pessoa fisicas e cooperativas; e (3) determinar o retorno dos autos do processo ao órgão julgador de primeira instância para análise dias demais questões de mérito.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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E EXPORTAÇÃO LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - WI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 Ementa: Embargos de Declaração Acolhidos e Providos em Parte por ocorrência de inexatidão material devido a lapso manifesto na ementa do acórdão recorrido e no dispositivo do voto. EMBARGOS PARCIALMENTE PROVIDOS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1 Câmara / P Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento aos embargos de declaração, pára rerratificar o Acórdão 3101.000.771 de 02 de junho de 2011, sein efeitos infringentes, e DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para: (1) incluir na receita bruta de exportação os produtos exportados pela Recorrente, ainda que classificados como NT na TIPI; (2) afastar a glosa dos créditos referentes á aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem de pessoa fisicas e cooperativas; e (3) determinar o retorno dos autos do processo ao órgão julgador de primeira instância para análise dias demais questões de mérito. jf TARÁSIO CA PELO BORGES Presidente Substituto VALDETE APARECIIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Corinth° Oliveira Machado, Elias Fernandes Eufrásio, Mônica Monteiro Garcia de lós Rios e Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Tratam os autos de embargos de declaração manejados pela Fazenda Nacional, L111 face do acórdão 3101-000.771 de 02.06.2011 da lavra dessa relatora, cujo voto aqui reproduzo: "0 Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, cabe destacar que o motivo principal de controvérsia no presente processo se deve ao fato da fiscalização ter considerado que os produtos exportados pelo interessado estariam classificados na TIPI com a notação "NT" (não-tributado), ou seja, são produtos que não são considerados industrializados pela legislação do WI e. portanto. sem direito ao crédito presumido do IPI. Nesse sentido, a decisão recorrida, analisou a classificação fiscal dos produtos exportados e concluiu "... que se tratam de produtos que se encontram fora do campo dc incidência do IPI, ou seja, indicação típica de produtos que não são considerados industrializados pela legislação do IPI e, por essa razão, sem direito ao crédito presumido do IPI pela legislação que trata do beneficio fiscal". Assim, não obstante, demais considerações é importante lembrar que o IPI é um imposto seletivo em virtude da essencialidade do produto, e não cumulativo conforme artigo 153 § 3 0 da CF/88, logo, por imposição constitucional, o IPI deve ser seletivo, não- cumulativo e não poderá incidir sobre produtos industrializados, destinados ao exterior. Esses são os limites mínimos a serem respeitados pelo legislador infraconstitucional. Verifica-se na TIPI, que inumeros produtos ficaram sem tributação , outros tantos. reduzidos à alíquota zero, outros, ainda, tiveram isenções decretadas por leis especi ficas. No caso concreto, como o produto exportado está na TIPI como produto não tributado, significa que o objeto encontra-se fora do campo abrangido pela tributação, isto 6, é fato de não estar contemplado na norma jurídica definidora do fato gerador da obrigação tributária. Acontece que o fato gerador do IPI é a industrialização e a lei definiu o que seja produto industrializado (artigo 46 do CTN e art. 3° da Lei n° 4.502/64). Assim, uma tabela aprovada por mero decreto ao promover enumeração de produtos não tributados, motivados tão-somente pelo caráter da seletização gradual do imposto, não pode implicar em alteração do fato gerador, a ponto de excluir os produtos não tributados do rol de produtos industrializados, abrangidos pela definição do fato gerador do IPI. Logo, produto classificado na TIPI como NT, não significa necessáriamente tratar-se de produto não industrializado. Portanto, o relevante é que a Recorrente tenha exportado produtos industrializados, ainda que esses produtos estejam classificados na TIPI como NT, nada considerável, também, que seus insumos sejam classificados como NT, pois, não estamos Processo n° 11030.002480/2004-44 S3-C IT1 AcOrd5o n.° 3101-01-01.161 Fl. 125 tratando de créditos normais de IPI, mas um crédito pressumido, uma ficção, onde as bases para sua apuração estão contempladas pela Lei 9.363/96. (-.) Diante do todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO determinando afastar a exclusão na receita bruta de exportação, os produtos exportados pela Recorrente, ainda que classificados como NT na TIPI, por estar afastados do campo de tributação, mas, não afastados do fato gerador do IPI; afastar a glosa dos créditos referentes a aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem de pessoa fisicas e cooperativas e determinar o retorno do processo ao órgão julgador de primeira instância para análise dos demais pressupostos a garantir o crédito pleiteado." No entanto, a Fazenda Nacional embarga a decisão denunciando ter havido contradições e omissões, nestas palavras: "0 nacórdão proveu parcialmente o recurso voluntário para 'afastar o impedimento do uso do beneficio em face da saída de produtos classificados como NT na TIPI, por estar afastados do campo de tributação, mas , não afastados do fato gerador do IPI'. Contudo, smj, o entendimento do r.acórdão vai de encontro ao enunciado de Sumula n°20 do e.CARF, que diz: "Não há direito aos créditos de IPI em relação ás aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT" 0 referido enunciado está ancorado na jurisprudência consolidada do CARF, que, em sessão plenária de aprovação do enunciado, indicou como precedentes os r.acórdão n° 202-15266, 202-15366, 202-15455, 202-16141, 204-00488. Consoante os referidos paradigmas, o produto classificado na TIPI como Não Tributado (NT) não legitima o crédito de IPI, verbis: (---) Ern face disso, caber conferir efeitos infringentes aos presentes embargos para adequar o r. acórdão ao enunciado de Sumula n° 20 do e. CARP. 2) Sobrestamento. Outrossim, o e. STF reconheceu a repercussão geral sobre o reconhecimento de créditos de insumos NT ou isentos, verbis "IPI - CREDITAMENTO - ALIQUOTA ZERO -PRODUTO NÃO TRIBUTADO E ISENÇÃO - RESCISÓRIA - ADMISSIBILIDADE NA ORIGEM Possui repercussão geral controvérsia envolvendo a rescisão de julgado fundamentado em corrente jurisprudencial majoritária existente à época da formalização do acórdão rescindendo, em razão de entendimento posteriormente firmado pelo Supremo, bem como a relativa ao creditamento no caso de insumos isentos, não tributados ou sujeitos a aliquota zero. (RE 590809 RG, Relator(a): Min.MARCO AURÉLIO, julgado em 13/11/2008, DA-048 DIVULG 12-03-2009 PUBLIC 13-03-2009 EMENT VOL-02352- 10 PP-02040 LEXSTF v. 31, n.363, 2009, p.301-3 06)" Por consequinte, na forma do disposto no Regimento Interno do e, CARF, art. 62-A, §§ 1° e 2°, caberia o sobrestamento do recurso voluntário até o julgamento de mérito pelo e. STF. Por fim, "requer o conhecimento e provimento destes embargos declaratórios para serem sanadas as contradições e as omissões acima indicadas". o relatório. Voto Conselheira Relator Valdete Aparecida Marinheiro, Conheço dos embargos de declaração porque tempestivos e atendidos os demais requisitos para sua admissibilidade. Conforme o relatado, a embargante aponta omissão e contradição no acórdão embargado. Porém, não há de se falar em subordinação da matéria objeto do acórdão embargado à Súmula CARF 20. A súmula referida trata de créditos escriturais. Os créditos litigiosos objeto deste litígio tern natureza diversa: são créditos presumidos. Quanto ao pretendido sobrestamento do julgamento do recurso voluntário até o julgamento do mérito do RE 590.809 RG pelo Supremo Tribunal Federal, em face da repercussão geral reconhecida pelo Pretório Excelso, essa pretensão é contrária à determinação contida na Portaria CARF n° 1, de 3 de janeiro de 2012, artigo 1°, parágrafo único, verbis: 0 procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente sera aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal — STF o sobrestamento de processos relativos a matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. No caso concreto, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral, mas não determinou o sobrestamento de processos. Por outro lado, reconheço, no acórdão embargado, a existência de inexatidão material devida a lapso manifesto, em duas passagens: na ementa e no dispositivo do voto. Assim, na ementa: - onde consta: "a receita deve corresponder à venda para o exterior de produtos industrializados, conforme fato gerador do IPI, não sendo confundidos com produtos "NT" que se encontram apenas fora do campo abrangido pela tributação do imposto"; - retifico para: "a receita de exportação alcançava, indistintamente, todas as mercadorias nacionais". Do dispositivo do voto condutor do acórdão embargado, retiro o trecho: "por estar afastados do campo de tributação, mas, não afastados do fato gerador do IPI" e faço a devida correção de "Dar Provimento" para "Dar Parcial Provimento". E como voto Relatora Valdete Ap re el . a Marinheiro Processo n° 11030.002480/2004-44 S3-CITI Acórd5o n.° 3101-01-01.161 Fl. 126 Com essas considerações, dou parcial provimento aos embargos manejados pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para rerratificar o Acórdão 3101-000.771, de 2 de junho de 2011, sem efeitos infringentes e DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para: (1) incluir na receita bruta de exportação os produtos exportados pela Recorrente, ainda que classificados como NT na TIPI; (2) afastar a glosa dos créditos referentes A. aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem de pessoa fisicas e cooperativas; e (3) determinar o retorno dos autos do processo ao órgão julgador de primeira instância para análise das demais questões de mérito. 5
score : 1.0
Numero do processo: 10166.724869/2017-61
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2012
DIREITO SUPERVENIENTE. IRRF. SÚMULA CARF.
Na apuração do Imposto de Renda, a pessoa física poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto.
A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.
Tem-se que no processo administrativo fiscal a Administração deve se pautar no princípio da verdade material, flexibilizando a preclusão no que se refere a apresentação de documentos, a fim de que se busque ao máximo a incidência tributária (Parecer PGFN nº 591, de 17 de abril de 2014).
Numero da decisão: 1003-004.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para aplicação do direito superveniente previsto nas determinação da Súmula CARF nº 143 para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório declarado na DAA devendo o rito processual ser retomado desde o início.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Márcio Avito Ribeiro Faria - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: MARCIO AVITO RIBEIRO FARIA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2012 DIREITO SUPERVENIENTE. IRRF. SÚMULA CARF. Na apuração do Imposto de Renda, a pessoa física poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Tem-se que no processo administrativo fiscal a Administração deve se pautar no princípio da verdade material, flexibilizando a preclusão no que se refere a apresentação de documentos, a fim de que se busque ao máximo a incidência tributária (Parecer PGFN nº 591, de 17 de abril de 2014).
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IRRF. SÚMULA CARF. Na apuração do Imposto de Renda, a pessoa física poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Tem-se que no processo administrativo fiscal a Administração deve se pautar no princípio da verdade material, flexibilizando a preclusão no que se refere a apresentação de documentos, a fim de que se busque ao máximo a incidência tributária (Parecer PGFN nº 591, de 17 de abril de 2014). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para aplicação do direito superveniente previsto nas determinação da Súmula CARF nº 143 para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório declarado na DAA devendo o rito processual ser retomado desde o início. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Márcio Avito Ribeiro Faria - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 48 69 /2 01 7- 61 Fl. 162DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-004.358 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.724869/2017-61 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário em face do Acórdão, nº 15-51.050 (fls. 62/64), proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação. O litigio foi instaurado com a apresentação tempestiva de Impugnação contra notificação de lançamento expedida contra o sujeito passivo acima identificado, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2013, ano-calendário 2012 (fls. 43/46), por meio da qual formalizou-se a exigência de imposto suplementar, no valor de R$31.488,60, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, detalhados no respectivo Demonstrativo de Apuração. Na declaração de ajuste anual a que se reporta o lançamento, o sujeito passivo apurou o valor de R$13.351,57 como Imposto a Pagar. O lançamento foi motivado por compensação indevida de imposto de renda retido na fonte pela Unirio Manutenção e Serviços Ltda., no valor de R$ 31.488,60, por falta de comprovação. Regularmente intimada a fazê-lo, a contribuinte não apresentou contrato de locação, comprovação de propriedade do bem locado, nem extratos bancários referentes aos valores recebidos. Aí ressaltou-se que extratos emitidos pela administradora do imóvel não são documentos hábeis para comprovar a retenção do imposto de renda. O sujeito passivo contesta o lançamento, argumentando em síntese que o imposto foi efetivamente retido pela Azevedo Imobiliária Ltda., que promoveu a retenção, repassando-lhe apenas o valor liquido correspondente ao aluguel, aí descontados a comissão da imobiliária e o imposto retido. Ratifica ser proprietária do imóvel locado, conforme contrato de locação celebrado com a empresa Unirio Manutenção e Serviços Ltda., que junta aos autos. Requer seja a locatária considerada como responsável tributária. Na impossibilidade de qualificá-la como tal, que seja chamada ao polo passivo a empresa Azevedo Imobiliária Ltda., promotora da retenção do imposto de renda junto à locatária, e contratada para a devida aplicação da legislação. E que seja declarada a contribuinte isenta do imposto ora imputado à sua pessoa física e contido na notificação de lançamento (fls.3 e 9/10). A a d. DRJ rejeitou todas as alegações e ante a ausência de comprovação da retenção em DIRF, julgou improcedente a Impugnação: Como a efetiva retenção do imposto não restou comprovada em Dirf, a contribuinte não apresentou comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora dos rendimentos e nem apresentou extratos bancários referentes aos valores líquidos que diz recebidos, mantém-se indevida a compensação declarada, como apurado no lançamento. Fl. 163DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-004.358 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.724869/2017-61 Isso posto, voto por julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário em litígio, com os acréscimos legais pertinentes. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Regularmente cientificado, por via postal, em 11.1.2021, conforme Aviso de Recebimento dos correios, à fl. 70, interpôs seu Recurso Voluntário em 5.2.2021 (fls. 74 e seguintes). Em sua defesa a Recorrente colacionou documentos e explicações/alegações que no seu entender seriam hábeis para comprovar/demonstrar o seu direito. Segue relação de documentos e explicações/alegações: 1) Escritura de propriedade e Certidão de ônus do imóvel então alugado No que respeita ao documento 3, trata-se da Escritura do imóvel, objeto da locação e respectiva certidão de ônus reais, que comprovam a propriedade da Requerente. 2) Contrato de locação do imóvel com a Requerente, representada pela Azevedo Imóveis Ltda e a UNIRIO Manutenção e Serviços Ltda Atesta que a Requerente contratou a Azevedo Imóveis Ltda para proceder à locação do Imóvel. 3) Contrato de Administração do Imóvel ajustado entre a Requerente e a Azevedo Imóveis Ltda, com a devida procuração Prova que a Requerente foi representada pela Azevedo Imóveis Ltda no ajuste com a Unirio Manutenção e Serviços LTDA, locatária do imóvel. 4) Extratos de repasse dos alugueis, onde aparece deduzida a parcela do valor do IR mensal e o líquido do aluguel recebido pela Requerente Extratos bancários da Requerente, mês a mês, demonstrando os valores recebidos na mesma data. Menção especial se faz aos documentos 6 e 7, porquanto atestam a veracidade dos fatos com provas bancárias e onde reside o cerne da Intimação. O aluguel em questão foi ajustado no valor de R$ 12.000,00, deduzidas a taxa de administração da Imobiliária e a parcela do Imposto de Renda. O documento 6 registra o comprovante de repasses dos alugueis, onde aparecem deduzidas a taxa de administração e a parcela do valor do IR mensal e, por fim, o repasse líquido do aluguel recebido pela Requerente, ou seja, R$ 8.256,53, normalmente depositado entre os dias 5 a 10 de cada mês, e a partir de setembro a dezembro o valor de R$ 8.805,93. Corroborando tal assertiva, o documento 7, expedido pelo Banco Itaú, consiste nos extratos bancários da Requerente durante o exercício de 2012, que atestam o depósito dos alugueis, em sua conta corrente , no valor líquido da locação, excluídas as parcelas enumeradas no documento 6. A Requerente afirmou ter tentado, em vão, localizar a UNIRIO para conseguir os comprovantes do recolhimento junto à Receita Federal. A referida empresa abandonou o imóvel, antes do término do contrato, levando a Azevedo Imóveis Ltda. a assinar o Termo de Imissão de Posse do Imóvel ( doc 7). Asseverou que a locatária teria deixado de pagar vários meses de aluguel, tendo a Requerente ajuizado a Ação de Execução n° 2013.01.1.164077-4 (doc.8), que tramita no TJDFT, Fl. 164DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-004.358 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.724869/2017-61 sem haver obtido sucesso, até hoje, na citação da UNIRIO. Tais ações demonstram a intenção e a determinação da Requerente em localizar a UNIRIO. É o relatório. Voto Conselheiro Márcio Avito Ribeiro Faria, Relator. Submete-se à apreciação desta Turma de Julgamento o recurso voluntário oferecido pela contribuinte JOANA LUCIA DE OLIVEIRA. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal – PAF, inclusive para os fins do inciso III, do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional – CTN. Assim, dele toma-se conhecimento. O litígio sob análise neste processo corresponde a compensação indevida (na Declaração Anual de Ajuste – DAA da Pessoa Física, ora Recorrente) de Imposto de Renda Retido na Fonte pela Unirio Manutenção e Serviços Ltda., no valor de R$ 31.488,60, por falta de comprovação. Pois bem. A Recorrente em sua defesa e a partir do acórdão recorrido colaciona diversos documentos, que no seu entender seriam hábeis a comprovar seu direito. Para a análise das provas, cabe a aplicação do enunciado estabelecido nos termos do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Súmula CARF nº 143 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Ademais, tem-se que no processo administrativo fiscal a Administração deve se pautar no princípio da verdade material, flexibilizando a preclusão no que se refere a apresentação de documentos, a fim de que se busque ao máximo a incidência tributária (Parecer PGFN nº 591, de 17 de abril de 2014). Tendo em vista as divergências identificadas no recurso voluntário é possível analisar a possibilidade de deferimento do indébito, conforme a Súmula CARF 143, em cuja apuração do Imposto de Renda da Pessoa Física foram deduzidas as retenções de tributos, conforme o farto acervo fático-probatório. Direito Superveniente Fl. 165DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-004.358 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.724869/2017-61 Os efeitos da aplicação do direito superveniente fixa a relação de causalidade com a possibilidade de compensação na DAA. Esta legislação impõe, pois, o retorno dos autos a DRF de origem que inaugurou o litígio sob esse fundamento para que seja analisado o conjunto probatório produzido junto com o recurso voluntário referente ao mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, desde que evidenciada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais em cotejo com os registros internos da RFB. O procedimento previsto no rito do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pode ser revisto no caso em que foi instaurada a fase litigiosa no procedimento ou ainda que pela autoridade administrativa quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião ao ato original decorrente de fato ou a direito superveniente, e ainda se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, caso em que é elaborado ato administrativo complementar com efeito retroativo ao tempo de sua execução. Assim, no rito do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, sendo afastado o óbice da Notificação de Lançamento original em que a compensação não foi aceita, cabe a autoridade preparadora retomar a verificação do indébito. Registre-se que não se tratar de nova lide, mas sim a continuação de análise do direito creditório pleiteado considerando o saneamento no seu exame. Por conseguinte, não há que se falar em preclusão do direito de a Fazenda Pública rever o Lançamento nesse segundo momento, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa desde a instauração do litígio. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito da compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte no aceite das compensações promovidas, deve ser possibilitada a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, conforme o rito processual do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Princípio da Legalidade Tem-se que nos estritos termos legais este procedimento está de acordo com o princípio da legalidade ao qual o agente público está vinculado em razão da obrigatoriedade da aplicação da lei de ofício. Trata-se de poder-dever funcional irrenunciável vinculado à norma jurídica, cuja atuação está direcionada ao cumprimentos das determinações constantes no ordenamento jurídico. Como corolário encontra-se o princípio da indisponibilidade que decorre da supremacia do interesse público no que tange aos direitos fundamentais (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Dispositivo Em assim sucedendo, voto em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para aplicação do direito superveniente previsto nas determinação da Súmula CARF nº 143 para Fl. 166DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-004.358 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.724869/2017-61 fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório declarado na DAA devendo o rito processual ser retomado desde o início. É como voto. (documento assinado digitalmente) Márcio Avito Ribeiro Faria Fl. 167DF CARF MF Original
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Numero do processo: 11020.000512/2004-96
Data da sessão: Wed May 18 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Wed May 18 00:00:00 UTC 2005
Ementa: TDA. COMPETÊNCIA. COMPENSAÇÃO. A análise de pedido de compensação de Títulos da Dívida Agrária - TDA com contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal, se estiver na competência de um dos Conselhos de Contribuintes, estará na do Terceiro que detém a competência residual.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 204-00.184
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, para declinar competência para o Terceiro Conselho de Contribuintes.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: RODRIGO BERNARDES DE CARVALHO
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VISTO Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 11020.000512/2004-96 Recurso n° : 127.556 Acórdão n° : 204-00.184 4 Recorrente : FASOLO ARTEFATOS DE COURO LTDA. Recorrida : DRJ em Porto Alegre - RS TDA. COMPETÊNCIA. COMPENSAÇÃO. A análise de pedido de compensação de Títulos da Divida Agrária - TDA com contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal, se estiver na competência de um dos Conselhos de Contribuintes, estará na do Terceiro que detém a competência pesidual. Recurso não conhecido. 7 - 2 CC BP,ASiLIA 0 ! r 06 /MI.' 'I a.......a.rmrra ...sr.ormafaaraatwmarwa....oareer.r.... Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: FASOLO ARTEFATOS DE COURO LTDA. ACORDAM os Membros da Quarta Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, para declinar competência para o Terceiro Conselho de Contribuintes. Sala das Sessões, em 18 de maio de 2005 •-•-■ .4 4—e • e Henrique Pinheiro Torres Presidente Rodrigo Bernardes de Carvalho Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Flavio de SA Munhoz, Nayra Bastos Manatta, Júlio César Alves Ramos, Sandra Barbon Lewis e Adriene Maria de Miranda. Imp/fclb 1 ivoNi -- DA FT CC O ERAZ, ILJA CC-MF Fl. • Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 11020.000512/2004-96 vis ro Recurso n° : 127.556 Acórdão n° : 204-00.184 Recorrente : FASOLO ARTEFATOS DE COURO LTDA. RELATÓRIO Com vistas a uma apresentação sisternútica e abrangente deste feito sirvo-me do relatório contido na decisão recorrida de fls. 53/58: 1. Trata o presente processo de litígio acerca do lançamento de fls. 3/5 contra o qual insurge-se a autuada, tempestivamente, afls. 22/37, no qual o Fisco Federal está a exigir valores de multa de oficio isolada prevista no art. 90, da Medida Provisória n°2.158-35, de 24/08/2001, combinado com o art. 18, da Lei n° 10.833, de 29/12/2003 concernente Contribuição Para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins compensada indevidamente nos períodos de setembro /98 a fevereiro/99 no valor de R$319.173,70. 2. 0 lançamento ora analisado tem sua origem a partir de representação 13016.000788/2002-05 feita pelo Agente da Receita Federal em Bento Gonçalves ao Chefe da Safis diante dos sucessivos pleitos de compensação de débitos de tributos e contribuições administrados pela SRF (listados a fls. 11/12) com supostos direitos creditórios advindos de processos de desapropriação promovidos pelo INCRA, oferecendo em decorrência, Títulos da Divida Agrária —TDA's, sendo todos os pedidos indeferidos pela Delegacia de origem. 3. A multa foi lançada no percentual de 150%, estabelecido no art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, uma vez que, conforme o Ato Declaratório Interpretativo n° 17, de 02/10/2002, o oferecimento à compensação de créditos de natureza não-tributária (caso dos TDA) caracteriza evidente intuito defraude. 4. Tendo tomado ciência do auto de infração em 29/03/2004 (AR, fls. 20), a autuada impugnou-o em 26/04/2004, pedindo sua desconstituição por: a) haver previsão legal para a compensação que efetuou; b) ser a multa inconstitucional a multa, por seu caráter confiscatório; c) inexistir prova de conduta fraudulenta. 5. Esta Delegacia de Julgamento, cotejando os períodos de apuração incluídos no presente processo com os períodos incluídos em autuação anteriormente apreciada por esta 2' Turma (processo 11020.003390/99-99), constatou concomitância de exigência quanto ao crédito tributário relativo aos períodos setembro/1998 a dezembro/1998, conforme se comprova pelos relatórios Profisc a fls. 48/51 e cópia do Acórdão DRJ Poa 2.425 de 16 de maio de 2003 a fls. 46/45, relativo àquele processo fiscal. A Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre - RS que julgou parcialmente procedente o lançamento, fê-lo por meio do Acórdão DRJ/POA n°3.962, de 30 de junho de 2004: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1998 a 28/02/1999 Ementa:Cancela-se a parcela do lançamento que já estiver constituída em processo administrativo-fiscalformalizado anteriormente. if i (1). 2 CC-MF Fl. Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 11020.000512/2004-96 Recurso n° : 127.556 Acórdão n° : 204-00.184 IV N. 1.) r", • A YiSTO Não compete à autoridade administrativa decidir sobre a legalidade ou a constitucionalidade dos atos emanados dos Poderes Legislativo e Executivo; desconhece- se, portanto, das alegações a respeito do caráter confiscatório da multa, tendo existir fundamento legal para ela. TÍTULOS DA DÍVIDA AGRARIA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTARIA. IMPOSSIBILIDADE. IMPOSIÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. É procedente a imposição de multa de oficio qualificada nos casos cm que o crédito oferecido pelo contribuinte a compensação não se reveste de natureza tributária. Lançamento Procedente em Parte Irresignada com a decisão retro, a recorrente lançou mão do presente Recurso Voluntário (fls. 64/78), oportunidade em que discorreu sobre o cabimento da dação em pagamento dos Títulos da Divida Agrária para extinção da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins e sobre a possibilidade de apreciação por este Conselho de aspectos como a constitucionalidade e legalidade das normas. No que se refere à imposição de multa qualificada pela autoridade a quo é de se destacar que não houve impugnação expressa do recorrente. Foi apresentada relação de arrolamento de bens e direitos, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72. o relatório. 3 fr Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 11020.000512/2004-96 Recurso n° : 127.556 Acórdão n° : 204-00.184 CC-MF Fl. .....ammear bar awrommage...Floo....a.... • i .!.77f:". ■..;!..i.:, 1 ER::,;.,.'.....- _, .. ... VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR RODRIGO BERNARDES DE CARVALHO Note-se que, de acordo com o artigo 10 da recente Portaria CC no 1 dos Conselhos de Contribuintes, publicada em 06.04.2004, compete ao Terceiro Conselho de Contribuintes "o julgamento de pedidos de compensação de TDA - Títulos da Divida Agrária e de ADP - Apólices da Divida Pública com impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal." Diante do exposto, por entender que a Portaria mencionada se aplica a hipótese dos autos, não conheço do recurso e voto no sentido de declinar a competência de julgamento para o Terceiro Conselho de Contribuintes. Sala de Sessões, em 18 de maio de 2005. 4,2,06c,c,c() RORIGO BETZNARDES DE CAR ALHO 4
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Numero do processo: 10435.720772/2014-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecida matéria estranha à lide.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo se instaura com a Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, sendo este o momento no qual o contribuinte deve aduzir todas as suas razões de defesa, considerando-se preclusa a matéria que não tiver sido diretamente enfrentada naquela oportunidade, salvo nas hipóteses de fato superveniente ou questões de ordem pública.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. DIREITO DE ANÁLISE DO FISCO. Nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, é de 5 (cinco) anos, contados da transmissão do PER/DCOMP, o prazo de que dispõe a administração pública para verificar a validade das informações.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DO DIREITO CREDITÓRIO. PRAZO DE GUARDA DE DOCUMENTOS FISCAIS. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial.
APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS. EXIGÊNCIA DE MANUTENÇÃO EM BOA GUARDA, ENQUANTO RESTAR PENDENTE A ANÁLISE DE PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. Existindo pedidos de compensação ou ressarcimento, o contribuinte fica obrigado a manter em boa guarda os livros e documentos fiscais até que sejam definitivamente solucionados os pedidos, nos termos do artigo 195 do CTN.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ARQUIVOS DIGITAIS. Na apreciação de pedidos de ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas, a Autoridade de origem pode condicionar o reconhecimento à apresentação de arquivos digitais.
AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA À CONFIRMAÇÃO DOS CRÉDITOS PARA RESSARCIMENTO. Para fim de confirmação dos créditos, o declarante está obrigado a apresentar os arquivos digitais, os documentos fiscais e contábeis e demais esclarecimentos necessários à comprovação dos créditos declarados. A falta de apresentação dos citados documentos implica impossibilidade de confirmação dos valores dos créditos declarados para ressarcimento.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. ÔNUS DA PROVA.
A certeza e liquidez do direito creditório pleiteado pelo contribuinte são requisitos essenciais ao seu reconhecimento, incumbindo-lhe o ônus da prova.
Numero da decisão: 3201-011.639
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por inovação dos argumentos de defesa (preclusão), e, na parte conhecida, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em lhe negar provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-011.635, de 19 de março de 2024, prolatado no julgamento do processo 10435.720766/2014-61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio, Márcio Robson Costa, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Mateus Soares de Oliveira, Joana Maria de Oliveira Guimarães e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Ricardo Sierra Fernandes, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Marcos Antônio Borges.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecida matéria estranha à lide. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo se instaura com a Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, sendo este o momento no qual o contribuinte deve aduzir todas as suas razões de defesa, considerando-se preclusa a matéria que não tiver sido diretamente enfrentada naquela oportunidade, salvo nas hipóteses de fato superveniente ou questões de ordem pública. PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. DIREITO DE ANÁLISE DO FISCO. Nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, é de 5 (cinco) anos, contados da transmissão do PER/DCOMP, o prazo de que dispõe a administração pública para verificar a validade das informações. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DO DIREITO CREDITÓRIO. PRAZO DE GUARDA DE DOCUMENTOS FISCAIS. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS. EXIGÊNCIA DE MANUTENÇÃO EM BOA GUARDA, ENQUANTO RESTAR PENDENTE A ANÁLISE DE PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. Existindo pedidos de compensação ou ressarcimento, o contribuinte fica obrigado a manter em boa guarda os livros e documentos fiscais até que sejam definitivamente solucionados os pedidos, nos termos do artigo 195 do CTN. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ARQUIVOS DIGITAIS. Na apreciação de pedidos de ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas, a Autoridade de origem pode condicionar o reconhecimento à apresentação de arquivos digitais. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA À CONFIRMAÇÃO DOS CRÉDITOS PARA RESSARCIMENTO. Para fim AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 07 72 /2 01 4- 19 Fl. 84DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-011.639 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10435.720772/2014-19 de confirmação dos créditos, o declarante está obrigado a apresentar os arquivos digitais, os documentos fiscais e contábeis e demais esclarecimentos necessários à comprovação dos créditos declarados. A falta de apresentação dos citados documentos implica impossibilidade de confirmação dos valores dos créditos declarados para ressarcimento. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. ÔNUS DA PROVA. A certeza e liquidez do direito creditório pleiteado pelo contribuinte são requisitos essenciais ao seu reconhecimento, incumbindo-lhe o ônus da prova. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por inovação dos argumentos de defesa (preclusão), e, na parte conhecida, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em lhe negar provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-011.635, de 19 de março de 2024, prolatado no julgamento do processo 10435.720766/2014-61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio, Márcio Robson Costa, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Mateus Soares de Oliveira, Joana Maria de Oliveira Guimarães e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Ricardo Sierra Fernandes, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Marcos Antônio Borges. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou Improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que denegara o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O Pedido de Ressarcimento (PER) n° 15901.09191.101209.1.1.11-8109, transmitido pelo contribuinte acima identificado em 10/12/2009, por meio do qual solicita o ressarcimento de um crédito no valor de R$ 179.491,43, relativo à COFINS não cumulativa MERCADO INTERNO do período de apuração (PA) 3º TRIMESTRE/2008. Fl. 85DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-011.639 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10435.720772/2014-19 Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, estão sumariados os fundamentos da decisão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. ÔNUS DA PROVA. A certeza e liquidez do direito creditório pleiteado pelo contribuinte são condições essenciais ao seu reconhecimento, incumbindo-lhe o ônus da prova. PROVA. JUNTADA POSTERIOR. A prova documental deverá ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a interessada fazê-lo em outro momento processual, a menos que ela demonstre, com fundamentos, a impossibilidade de apresentação por motivo de força maior, a referência a fato ou direito superveniente, ou a intenção de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A decisão de primeira instância foi objeto de Recurso Voluntário, no qual a Recorrente alega, em síntese, que: (a) cumpriu o dever instrumental de prestar informações e documentos que comprovam o direito creditório, pois é justamente do cruzamento das informações prestadas com aquelas descritas no PERDCOMP que se analisará a procedência do pedido de ressarcimento; (b) É indevida a exigência da Autoridade Fiscal no sentido de que o aproveitamento extemporâneo de créditos de referidas contribuições seja acompanhado de prévia retificação das respectivas obrigações acessórias – DACON, EFD-Contribuições e DCTF; (c) A única consequência legal para o preenchimento incorreto do DACON são as multas previstas no art. 7º da Lei nº 10.426/2002, não havendo previsão legal para glosar os créditos da não cumulatividade; (d) Não há o que vislumbrar um possível indeferimento do PER/DCOMP pelo simples fato deste abranger mais de um trimestre e sem cruzamento com o DACON, em decorrência da apuração extemporânea dos créditos; (e) O crédito tem por fundamento o art. 17 da Lei nº 11.033/2001 c/c art. 16 da Lei nº 11.116/2005, podendo ser utilizado tanto na dedução da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno, quanto na Fl. 86DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-011.639 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10435.720772/2014-19 compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela RFB; (f) Não pode a fiscalização indeferir ressarcimento ou glosar créditos por vício formal no preenchimento das obrigações acessórias sem intimar a Recorrente para retificar os documentos ou prestar esclarecimentos; (g) Em virtude da sistemática da não-cumulatividade, é permitido o desconto de créditos em relação aos demais custos, despesas e encargos relacionados à revenda de bens, tais como a energia elétrica e os encargos com a locação de prédios e equipamentos; (h) A partir de agosto de 2004, com a edição da Lei n° 11.033/2004, o direito ao crédito oriundo das aquisições de bens para a revenda foi conferido também às empresas que têm suas saídas com alíquotas reduzidas à zero, em face do disposto no artigo 17 do referido diploma legal. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Matéria estranha aos autos e inovação recursal Vê-se que a peça recursal, claramente, trata de matéria alheia aos autos, ao referir-se a créditos extemporâneos e ao indeferimento do ressarcimento com suposto fundamento na ausência de retificação do DACON, da EFD- Contribuições e da DCTF. Não se conhece do recurso na parte que se relaciona a matéria estranha à lide, consoante entendimento já adotado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecida matéria estranha à lide.” (CARF, Processo nº 11020.912378/2011- 05, Acórdão nº 3201-008.192 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Sessão de 25 de março de 2021) Ademais, os supostos fundamentos legais do direito ao crédito postulado trazidos nas razões do Recurso Voluntário configuram flagrante inovação nos argumentos de defesa, uma vez que tais fundamentos não foram aventados na primeira instância, tendo-se por configurada, por conseguinte, a preclusão prevista no artigo 17 do Decreto n. 70.235/1972, não se podendo deles conhecer. Fl. 87DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-011.639 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10435.720772/2014-19 A jurisprudência do CARF é farta a esse respeito: “RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. A Impugnação/Manifestação de Inconformidade, que instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, é o momento no qual o contribuinte deve aduzir todas as suas razões de defesa. Não se admite, pois, a apresentação, em sede recursal, de argumentos não debatidos na origem, salvo nas hipóteses de fato superveniente ou questões de ordem pública.” (CARF, Processo nº 11020.901506/2013-49, Acórdão nº 3201-010.443 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 23 de março de 2023) “INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente deduzida em manifestação de inconformidade. Opera-se a preclusão do direito alegar novos fatos em sede recursal. O limite da matéria em julgamento é delimitado pelo que vier a ser alegado em impugnação ou manifestação de inconformidade.” (CARF, Processo nº 10980.920569/2012-01, Acórdão 3003- 001.812, Relatora Conselheira Ariene dArc Diniz e Amaral, sessão de 15/06/2021) “INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente deduzida em manifestação de inconformidade. Opera-se a preclusão do direito (alegar novos fatos em sede recursal. O limite da matéria em julgamento é delimitado pelo que vier a ser alegado em impugnação ou manifestação de inconformidade.” (CARF, Processo nº 10183.901236/2011-89, Acórdão nº 3302009.054, Relator Conselheiro Jorge Lima Abud, sessão de 25/08/2020) Preliminares de nulidade Em relação às preliminares de nulidade das decisões por cumprimento dos devedores instrumentais necessários à análise do pleito de restituição e nulidade do Despacho Decisório por ausência de fundamentação, razão não assiste à Recorrente. O artigo 195 do CTN é claro ao estabelecer o dever do contribuinte de manter em guarda sua documentação contábil e fiscal até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram: “Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibi-los. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram.” No mesmo sentido, dispõe o artigo 1.194 do Código Civil: “Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados.” Fl. 88DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-011.639 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10435.720772/2014-19 Desse modo, estando pendente de apreciação na esfera administrativa pedido de ressarcimento formulado pela Recorrente, era dever desta manter sob sua guarda a documentação comprobatória do direito creditório alegado. Além disso, de acordo com o disposto no artigo 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96, “O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. Neste sentido, são inúmeros os precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS. EXIGÊNCIA DE MANUTENÇÃO EM BOA GUARDA, ENQUANTO RESTAR PENDENTE A ANÁLISE DE PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. Existindo pedidos de compensação ou ressarcimento, o contribuinte fica obrigado a manter em boa guarda os livros e documentos fiscais até que seja definitivamente solucionada os pedidos nos termos do art. 195 do CTN e do art. 4º do Decreto-lei nº 486/69.” (CARF, Processo nº 10880.720780/2006-05, Acórdão nº 3201002.303 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator Winderley Morais Pereira, Sessão de 23 de agosto de 2016) “PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. DIREITO DE ANÁLISE DO FISCO. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. Via de regra, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, é de 5 (cinco) anos, contados da transmissão do PER/D-COMP, o prazo de que dispõe a administração pública para verificar a validade das informações. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem de tal prazo será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DO DIREITO CREDITÓRIO. PRAZO DE GUARDA DE DOCUMENTOS FISCAIS. Enquanto perdurar o prazo de exame do direito creditório, o contribuinte deverá manter sob guarda a respectiva documentação, podendo, dependendo do caso concreto, tal prazo ser superior a 5 anos.” (CARF, Processo nº 10840.720587/2008-02, Recurso Voluntário, Acórdão nº 3201-007.419 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 22 de outubro de 2020) “GUARDA DE LIVROS E DOCUMENTOS. PRAZO. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial.” (CARF, Processo nº 10880.973249/201273, Acórdão nº 3201005.168 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 27 de março de 2019) Dessa forma, devem ser rejeitadas as preliminares de nulidade. Mérito No mérito, melhor sorte não assiste à Recorrente. A Recorrente quedou-se inerte na apresentação de documentos e informações para o reconhecimento do direito creditório, não o fazendo em sua Manifestação de Inconformidade e tampouco no Recurso Voluntário. Fl. 89DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-011.639 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10435.720772/2014-19 Cabe ao contribuinte comprovar o direito creditório pretendido, não tendo a Recorrente se desincumbido de tal ônus. Outrossim, na apreciação de pedidos de ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas, a Autoridade de origem pode condicionar o reconhecimento à apresentação de arquivos digitais, com fundamento no artigo 65, parágrafo 3º, da IN RFB n° 900/2008, incluído pela IN RFB n° 981/2009. Corroborando esse entendimento, converge a jurisprudência do CARF: “PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ARQUIVOS DIGITAIS. Na apreciação de pedidos de ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas, a autoridade da RFB pode condicionar o reconhecimento à apresentação de arquivos digitais.”(CARF, Processo nº 10880.973249/201273, Acórdão nº 3201005.168 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 27 de março de 2019) Ressalte-se que inobstante a IN RFB n° 981/2009 tenha sido publicada em 21/12/2009, o referido diploma pode ser aplicado inclusive na análise de PER/DCOMP transmitido em data anterior, em vista do disposto no artigo 144, parágrafo 1º, do CTN: “Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido.” (g.n.) Pelo exposto, voto no sentido de não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por inovação dos argumentos de defesa, tendo se configurada a preclusão, e, na parte conhecida, em rejeitar as preliminares de nulidade e negar provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer de parte do Fl. 90DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-011.639 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10435.720772/2014-19 Recurso Voluntário, por inovação dos argumentos de defesa (preclusão), e, na parte conhecida, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em lhe negar provimento. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Presidente Redator Fl. 91DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13986.000033/2005-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Ano-calendário: 2005
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO
CONTRIBUINTE.
O raciocínio formulado pela recorrente apresenta equívoco evidente ao dizer que demonstrou seus créditos conforme intimação da auditoria-fiscal, e bem por isso não apresentou a comprovação de seus créditos na manifestação de inconformidade. Ora, a manifestação de inconformidade é o recurso manejável contra o despacho decisório que apontou a ilegitimidade da comprovação apresentada pela recorrente com pertinência aos créditos pleiteados. Cumpria à manifestante apontar nos autos os documentos que eventualmente comprovariam seus créditos, ou trazer cópia deles, de forma organizada, para que os julgadores pudessem analisar tais comprovantes.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES
DE CREDITAMENTO.
As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tão-somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. ESTOQUE DE ABERTURA
DE CRÉDITOS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
Em virtude de o estoque de abertura de créditos, neste caso, ter sido recalculado em função da glosa do item embalagens (foram subtraídos da base de crédito dos estoques de abertura em 31.01.2004, o valor de R$ 551.083,05, estoque de embalagens, pois essas foram utilizadas exclusivamente no transporte dos produtos), a manutenção daquela glosa tem reflexos negativos para a recorrente também neste item.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES.
CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não-cumulatividade, as aquisições de serviços de frete que: estejam relacionados à aquisição de bens para revenda; sejam tidos como um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem; estejam associadas à operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM
COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE
CREDITAMENTO.
Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não-cumulatividade, as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM
DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
Apenas os bens do ativo permanente que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da não-cumulatividade.
CÁLCULO DO RATEIO PROPORCIONAL DOS CUSTOS
VINCULADOS ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO.
A rubrica Outras receitas integram o total das receitas, mas não
necessariamente a receita total sujeita à incidência não-cumulativa. Para que ficasse evidenciada a impropriedade do cálculo apresentado pela recorrente, devia a auditoria-fiscal
provar que as Outras receitas eram decorrentes de operações que, por suas naturezas, consubstanciassem venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia. Em outras palavras, aqui o ônus de provar o erro do cálculo apresentado pela recorrente é da auditoria-fiscal, pois Outras receitas é rubrica residual, que engloba todas as demais receitas não incluídas nas linhas anteriores do DACON, inclusive as decorrentes de venda de bens do ativo permanente, sendo irrelevante a classificação contábil adotada para essas receitas, e assim não devem entrar
automaticamente na parcela do denominador para que se encontre o
percentual de rateio referente às receitas de exportação.
Numero da decisão: 3101-000.795
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso quanto ao rateio proporcional; negar provimento ao recurso quanto às glosas de fretes, de combustíveis e de depreciação; e por voto de qualidade, negar provimento
ao recurso quanto às glosas de embalagens e de estoque de abertura de créditos. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Vanessa Albuquerque Valente e Wilson Sampaio Sahade Filho, que davam provimento ao recurso, nessa parte.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. O raciocínio formulado pela recorrente apresenta equívoco evidente ao dizer que demonstrou seus créditos conforme intimação da auditoria-fiscal, e bem por isso não apresentou a comprovação de seus créditos na manifestação de inconformidade. Ora, a manifestação de inconformidade é o recurso manejável contra o despacho decisório que apontou a ilegitimidade da comprovação apresentada pela recorrente com pertinência aos créditos pleiteados. Cumpria à manifestante apontar nos autos os documentos que eventualmente comprovariam seus créditos, ou trazer cópia deles, de forma organizada, para que os julgadores pudessem analisar tais comprovantes. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tão-somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. ESTOQUE DE ABERTURA DE CRÉDITOS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Em virtude de o estoque de abertura de créditos, neste caso, ter sido recalculado em função da glosa do item embalagens (foram subtraídos da base de crédito dos estoques de abertura em 31.01.2004, o valor de R$ 551.083,05, estoque de embalagens, pois essas foram utilizadas exclusivamente no transporte dos produtos), a manutenção daquela glosa tem reflexos negativos para a recorrente também neste item. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não-cumulatividade, as aquisições de serviços de frete que: estejam relacionados à aquisição de bens para revenda; sejam tidos como um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem; estejam associadas à operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não-cumulatividade, as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas os bens do ativo permanente que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da não-cumulatividade. CÁLCULO DO RATEIO PROPORCIONAL DOS CUSTOS VINCULADOS ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. A rubrica Outras receitas integram o total das receitas, mas não necessariamente a receita total sujeita à incidência não-cumulativa. Para que ficasse evidenciada a impropriedade do cálculo apresentado pela recorrente, devia a auditoria-fiscal provar que as Outras receitas eram decorrentes de operações que, por suas naturezas, consubstanciassem venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia. Em outras palavras, aqui o ônus de provar o erro do cálculo apresentado pela recorrente é da auditoria-fiscal, pois Outras receitas é rubrica residual, que engloba todas as demais receitas não incluídas nas linhas anteriores do DACON, inclusive as decorrentes de venda de bens do ativo permanente, sendo irrelevante a classificação contábil adotada para essas receitas, e assim não devem entrar automaticamente na parcela do denominador para que se encontre o percentual de rateio referente às receitas de exportação.
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ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. O raciocínio formulado pela recorrente apresenta equívoco evidente ao dizer que demonstrou seus créditos conforme intimação da auditoriafiscal, e bem por isso não apresentou a comprovação de seus créditos na manifestação de inconformidade. Ora, a manifestação de inconformidade é o recurso manejável contra o despacho decisório que apontou a ilegitimidade da comprovação apresentada pela recorrente com pertinência aos créditos pleiteados. Cumpria à manifestante apontar nos autos os documentos que eventualmente comprovariam seus créditos, ou trazer cópia deles, de forma organizada, para que os julgadores pudessem analisar tais comprovantes. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. ESTOQUE DE ABERTURA DE CRÉDITOS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Em virtude de o estoque de abertura de créditos, neste caso, ter sido recalculado em função da glosa do item embalagens (foram subtraídos da base de crédito dos estoques de abertura em 31.01.2004, o valor de R$ 551.083,05, estoque de embalagens, pois essas foram utilizadas exclusivamente no transporte dos produtos), a manutenção daquela glosa tem reflexos negativos para a recorrente também neste item. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da nãocumulatividade, as aquisições de serviços de frete que: estejam relacionados à aquisição de bens para revenda; sejam tidos como um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem; estejam associadas à operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da nãocumulatividade, as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas os bens do ativo permanente que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da nãocumulatividade. CÁLCULO DO RATEIO PROPORCIONAL DOS CUSTOS VINCULADOS ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. A rubrica Outras receitas integram o total das receitas, mas não necessariamente a receita total sujeita à incidência nãocumulativa. Para que ficasse evidenciada a impropriedade do cálculo apresentado pela recorrente, devia a auditoriafiscal provar que as Outras receitas eram decorrentes de operações que, por suas naturezas, consubstanciassem venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia. Em outras palavras, aqui o ônus de provar o erro do cálculo apresentado pela recorrente é da auditoria fiscal, pois Outras receitas é rubrica residual, que engloba todas as demais receitas não incluídas nas linhas anteriores do DACON, inclusive as decorrentes de venda de bens do ativo permanente, sendo irrelevante a classificação contábil adotada para essas receitas, e assim não devem entrar automaticamente na parcela do denominador para que se encontre o percentual de rateio referente às receitas de exportação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso quanto ao rateio proporcional; negar provimento ao recurso quanto às glosas de fretes, de combustíveis e de depreciação; e por voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto às glosas de embalagens e de estoque de abertura de créditos. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Vanessa Albuquerque Valente e Wilson Sampaio Sahade Filho, que davam provimento ao recurso, nessa parte. (assinado digitalmente) Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000033/200578 Acórdão n.º 310100.795 S3C1T1 Fl. 1.824 3 Henrique Pinheiro Torres Presidente. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 10/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Wilson Sampaio Sahade Filho, Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins nãocumulativa, relativos ao primeiro trimestre de 2005. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC pelo seu deferimento parcial (Despacho Decisório, às folhas 1721 e 1722, e Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal, às folhas 1695 a 1720), fazendoo com base no não acatamento da apuração de créditos em relação às seguintes operações: (a) aquisição de embalagens destinadas somente ao transporte dos produtos industrializados: entendeu a autoridade fiscal que, dentre as embalagens adquiridas, estariam incluídas algumas que se destinariam apenas ao transporte de produtos elaborados, o que as descaracterizaria como "embalagens de apresentação" e justificaria sua exclusão da lista de embalagens passíveis de gerarem créditos. Em razão do critério adotado, não apenas foram efetuadas as glosas respectivas, como também foram excluídos, do estoque existente em 31/01/2004, para fins de cálculo do estoque de abertura passível de geração de créditos, os valores referentes às embalagens para transporte existentes em estoque até aquela data; (b) aquisição de serviços de transportes não vinculados a operações de venda: a autoridade fiscal glosou os créditos Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 apropriados pela contribuinte relativos a aquisição de serviços de transporte vinculados a compra de produtos, a transporte de funcionários, a fretes de documentos e a fretes de produtos entre matriz e filial, entre outros. Afirma a autoridade fiscal que apenas o transporte associado às operações de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, é que dá direito ao creditamento a título da contribuição; (c) aquisição de combustíveis e lubrificantes não caracterizados como insumos no processo produtivo: a autoridade fiscal glosou os créditos relativos às aquisições de combustíveis e lubrificantes consumidos por diversos automóveis da contribuinte, bem como às aquisições de tintas, tinner, pneus e remédios, com base da afirmação de que só dão direito ao creditamento as aquisições de combustíveis e lubrificantes aplicados diretamente no cultivo da maçã; (d) depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado: em relação aos créditos apurados, foram eles glosados em razão de que estariam associados a "máquinas e equipamentos que não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso específico a produção de maçã". Além das glosas de créditos acima indicadas, constatou a autoridade fiscal, ainda, outra irregularidade: a incorreta apuração do rateio proporcional destinado à segregação dos créditos relativos às operações de exportação dos créditos relativos às operações no mercado interno. É que a contribuinte, ao efetuar o cálculo dos percentuais relativos ao mencionado rateio proporcional, teria deixado de incluir na receita bruta total os valores lançados nas linhas 07 e 09 das Fichas 07 e 13 da DACON a título de "outras receitas", distorcendo, com isso, a apuração dos percentuais. Irresignada com o indeferimento de seu pleito, encaminhou a contribuinte, por meio de seu procurador mandato à folha 1752 , a manifestação de inconformidade às folhas 1724 a 1748, na qual contesta a decisão da DRF/Joaçaba/SC, pelas razões a seguir expostas. Inicialmente, no item 3.1.1., às folhas 1726 a 1733, contesta a contribuinte a glosa dos créditos relativos às aquisições de embalagens, discordando da assertiva fiscal de que as mesmas foram utilizadas unicamente no transporte de produtos e que não serviram à valorização da apresentação dos produtos ou a indicação promocional. Assim se expressa (folha 1727): Na realidade, as embalagens utilizadas, tanto internas como externas, além da proteção à integridade de seu conteúdo (no caso específico a maçã), ainda tem objetivo promocional, tanto do produto como da marca utilizada pela requerente, o que conseqüentemente vem a valorizar o produto, elevam os insumos na elaboração dos produtos (vejase os valores expressivos glosados), motivam a compra do produto, inclusive pela marca apresentada, e, caracterizando inclusive embalagem de apresentação, conforme se infere nas fotos anexas (Doc. 3). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000033/200578 Acórdão n.º 310100.795 S3C1T1 Fl. 1.825 5 Inclusive porquê, a marca da requerente é valorizada e conhecida, e ainda divulgada tanto no mercado interno como no mercado externo. A prova disso é a nova marca e embalagem que passou a ser usada no mercado externo a partir de 2007 para atrair novos clientes internacionais, de nome "snow apple", anexa foto ao Doc. 3. Alega, também, que a legislação em vigor permite a utilização de créditos das compras de embalagens, considerada insumos pela requerente, sem a restrição imposta pela autoridade fiscal. Faz expressa remissão aos artigos 3.o e 5.o da Lei n.o 10.637/2002, ao artigo 66 da Instrução Normativa SRF n.o 247/2002 e ao artigo 8.o da Instrução Normativa SRF n.o 404/2004, para fins de afirmar que tanto a Lei quanto os atos da Receita Federal, quando tratam de insumos, o fazem incluindo entre eles as embalagens, sem quaisquer restrições, já que elas (as embalagens) fazem parte do produto final destinado à venda. Menciona a contribuinte, ainda, disposições de outros tributos (IPI e ICMS) e de outra figura jurídicotributária (o crédito presumido do IPI) que, a seu juízo, também autorizariam uma acepção ampla para o conceito de insumo. E faz referência a manifestações administrativas (consulta respondida pela SRRF da 2.a Região Fiscal e decisão da DRJ/Salvador/BA) que estariam a respaldar seu entendimento. Na seqüência, no item 3.1.2, às folhas 1733 a 1738, insurgese a contribuinte contra a glosa dos créditos relativos à aquisição de serviços de transportes. Entende que "todos os bens e serviços utilizados como insumos, na fabricação de bens e produtos destinados à venda, são autorizados a escrituração de créditos, tendo o contribuinte / requerente agido de acordo com os ditames legais" (folha 1734). Alega que em relação aos serviços em geral utilizados como insumos, que englobam os serviços de transportes utilizados para o transporte das compras dos insumos, o direito de crédito está expressamente garantido pelo inciso II do artigo 3.o e pelo artigo 5.o da Lei n.o 10.637/2002; também os incisos II e IX do artigo 3.o da Lei n.o 10.833/2003, trariam esta garantia. Em relação especificamente ao inciso IX do artigo 3.o da Lei n.o 10.833/2003, argumenta a contribuinte que (folha 1734): O que podemos extrair desse inciso, é que também, quando o vendedor suportar o ônus do frete, quando da venda de seus produtos, também poderá apropriar o crédito, porém, essa é mais uma opção de crédito, e não pode ser entendido como uma restrição em relação aos serviços utilizados como insumos. Assim, se para aquisição de determinado insumo para a fabricação / produção do produto, é necessário o desembolso com o frete, este está também amparado pelo direito ao crédito. Da mesma forma, se para a fabricação / produção do produto, é necessário a utilização de serviços correspondentes, esse também está amparado pelo direito ao crédito, entre eles: fretes pagos com o transporte dos funcionários que fazem a colheita da maçã, Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 fretes pagos de produtos (insumos) entre matriz e filiais, entre outros. Como os locais de produção, são distantes entre um e outro local, é necessário o pagamento de frete para o transporte dos produtos (insumos) que estão em estoque para o local de produção, a ser utilizado na formação do produto destinado à venda. Ao final deste item de sua manifestação de inconformidade, alega a contribuinte que seu entendimento está corroborado não apenas por soluções de consulta prolatadas por algumas SRRF (transcritas no texto), mas também pelos próprios termos das instruções de preenchimento da DACON e da alínea "b" do inciso I do parágrafo 5.o do artigo 66 da Instrução Normativa SRF n.o 247/2002, que orientam no sentido de que os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, são tidos como insumos para fins de direito a crédito. Em outro item de sua manifestação de inconformidade. o 3.1.3, às folhas 1738 a 1740, contesta a contribuinte a glosa de créditos relativos à aquisição de combustíveis e lubrificantes. Afirma que seu direito ao crédito está expresso de forma literal tanto no inciso II do artigo 3.o da Lei n.o 10.833/2003 quanto no inciso II do artigo 3.o da Lei n.o 10.637/2002, dispositivos estes que determinam o direito dos contribuintes de se aproveitarem de créditos calculados em relação a "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". Cita, ainda, os termos da alínea "b" do inciso I do artigo 66 da Instrução Normativa SRF n.o 247/2002, que reproduz a autorização legal posta naquelas Leis. A partir destes atos legais, argumenta a contribuinte que o Despacho Decisório da DRF/Joaçaba/SC impôs restrições não legalmente postas. Reafirma seu direito aos créditos, "mesmo porquê, sendo a atividade da requerente/contribuinte, o cultivo de maçã, é necessário a preparação do solo, a preparação da terra, drenagem, entre outras atividades, para a garantia da formação e produção do produto, sendo necessário utilizarse de máquinas e outros equipamentos movidos a combustíveis e lubrificantes para a fabricação ou produção do produto da venda" (folha 1740). No item 3.1.4, às folhas 1740 e 1741, a contribuinte faz menção à glosa efetuada em relação ao crédito associado ao estoque de abertura existente em 31/01/2004. Como a autoridade fiscal glosou créditos relativos a despesas com embalagens e, em face disto, acabou recalculando o valor dos créditos referentes ao estoque de abertura (pela exclusão dos créditos vinculados às embalagens objeto de glosa), limitase a contribuinte a contestar o recálculo por via da reafirmação de sua discordância quanto às mencionadas glosas dos créditos de embalagens (item 3.1.1). Já no item 3.1.5 de sua manifestação de inconformidade, às folhas 1742 a 1744, discorda a contribuinte da glosa dos créditos vinculados aos encargos com depreciação de máquinas, Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000033/200578 Acórdão n.º 310100.795 S3C1T1 Fl. 1.826 7 equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. Assim se expressa: Na análise dos créditos pleiteados pelo contribuinte, foram subtraídos da linha 9/10 da ficha 6 da DACON (encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado), o valor de R$ 12.480,32 (...), relativo encargos de depreciação, pois foram considerados que mencionados encargos não fazem parte de máquinas do processo produtivo para efeito de apuração dos créditos de COFINS. Conforme consta em relatórios inseridos no processo administrativo em exame, segue alguns exemplos outros: carretão c/ rolete (transporte maçãs), registrador eletrônico de temperatura (câmaras frigoríficas, entre outros, indispensáveis para a formação do produto da venda. Entende a contribuinte que seu direito ao crédito está expresso de forma literal tanto no inciso III do parágrafo 1.o do artigo 3.o da Lei n.o 10.637/2002 quanto no inciso III do parágrafo 1.o do artigo 3.o da Lei n.o 10.833/2003, dispositivos estes que determinam o direito dos contribuintes de se aproveitarem de créditos calculados em relação a "encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês". Cita, ainda, os termos do artigo 4.o do Ato Declaratório SRF n.o 02/2003, no qual está expresso que "a apuração dos créditos decorrentes de depreciação e de amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do art. 3.o da Lei n.o 10.637, de 2002, alcança os encargos incorridos em cada mês, independentemente da data de aquisição desses bens". Alega, assim, que "a legislação argumentada e apresentada não fazem as restrições apontadas pela análise fiscal. Motivo pelo qual é legítimo o direito do contribuinte" (folha 1743). No item 3.1.6 de sua manifestação de inconformidade, à folha 1744, contesta a contribuinte o critério adotado pela autoridade fiscal para o cálculo do rateio proporcional dos créditos vinculados a operações de exportação e a operações no mercado interno. Entende que aplicou o critério segundo as instruções de preenchimento da DACON, razão pela qual pleiteia a manutenção do cálculo original. Ao final de sua manifestação de inconformidade, às folhas 1745 e 1746, resume a contribuinte suas razões de discordância, nos seguintes termos: a) Das embalagens utilizadas como insumos, inclusive embalagens do estoque de abertura em 31.01.2004: as embalagens foram consideradas pela análise fiscal como destinadas somente ao transporte dos produtos. Porém, as embalagens utilizadas pela requerente, além de proteger o produto, tem efeitos promocionais, elevam as despesas, motivam a compra do produto em vista da marca apresentada, e servem de embalagem de apresentação valorizando a marca e produto da requerente, entre outros efeitos. Ademais, a legislação Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 8 argumentada e apresentada não fazem as restrições apontadas pela análise fiscal. Motivo pelo qual é legítimo o direito do contribuinte. b) Das aquisições de serviços de transportes utilizados como insumos: pela análise fiscal, apenas os fretes relativos a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda autorizam o crédito do imposto, ignorandose os fretes pagos quando da aquisição de insumos e prestação de serviços aplicados nos produtos das vendas e também de transferência de insumos entre um e outro estabelecimento. Nesse caso, também a legislação argumentada e apresentada não fazem as restrições apontadas pela análise fiscal. Motivo pelo qual é legítimo o direito do contribuinte. c) Das aquisições de combustíveis e/ou lubrificantes: pela análise fiscal, os combustíveis e lubrificantes não fazem parte do processo produtivo para efeito de apuração dos créditos de COFINS, e por esse motivo foram desconsiderados. Porém, sendo a atividade da requerente / contribuinte, o cultivo de maçã, é necessário a preparação do solo, a preparação da terra, drenagem, entre outras atividades, para a garantia formação e produção do produto, sendo necessário utilizarse de máquinas e outros equipamentos movidos a combustíveis e lubrificantes para a fabricação ou produção do produto da venda. A legislação argumentada e apresentada não fazem as restrições apontadas pela análise fiscal. Motivo pelo qual é legítimo o direito do contribuinte. d) Dos encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado: na análise dos créditos pleiteados pelo contribuinte, foram desconsiderados os encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, pois foram considerados que mencionados encargos não fazem parte de máquinas do processo produtivo para efeito de apuração dos créditos de COFINS. Conforme consta em relatórios inseridos no processo administrativo em questão, segue alguns exemplos de máquinas ou equipamentos utilizados no processo produtivo, entre outros: carretão c/ rolete (transporte maçãs), registrador eletrônico de temperatura (câmaras frigoríficas, entre outros, indispensáveis para a formação do produto da venda. A legislação argumentada e apresentada está em vigor, e não fazem as restrições apontadas pela análise fiscal. Motivo pelo qual é legítimo o direito do contribuinte. e) Cálculo do Rateio Proporcional: pela análise tributária, houve alteração da forma de cálculo do Rateio Proporcional, porém, o cálculo do contribuinte foi de acordo com instruções de preenchimento da DACON, e a autoridade administrativa não apresentou base legal para alteração do cálculo. Em face do todo exposto, a requerente agiu em conformidade com a lei, na apropriação dos créditos pleiteados no processo administrativo, objeto de julgamento pelo despacho decisório em questão, motivo pelo qual, requer, o deferimento total dos créditos pleiteados com a reforma da decisão no despacho decisório. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000033/200578 Acórdão n.º 310100.795 S3C1T1 Fl. 1.827 9 A DRJ em FLORIANÓPOLIS/SC julgou procedente o lançamento, ementando assim o acórdão: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. As diligências, passíveis de serem promovidas em sede de julgamento administrativo, não se destinam a suprir a omissão na produção da prova por parte daquele a quem tal ônus incumbia, mas apenas à dirimição de dúvidas pontuais acerca dos elementos de prova trazidos aos autos. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2005 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 10 Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade, as aquisições de serviços de frete que: estejam relacionados à aquisição de bens para revenda; sejam tidos como um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem; estejam associadas à operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade, as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas os bens do ativo permanente que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da não cumulatividade. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL PARA ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional previsto para a apuração de créditos da contribuição, referente a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante do somatório somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos nos regimes da nãocumulatividade e da cumulatividade. Solicitação Indeferida. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 1.788 e seguintes, onde não aponta preliminares, e no mérito, diz que: i) não transferiu para o julgador o ônus da prova, pois as provas já faziam parte do processo administrativo. Na manifestação de inconformidade não foi apresentada a composição dos créditos porque a contribuinte já havia apresentado todos os elementos necessários para a auditoriafiscal, tanto é que parte do pedido foi deferida e outra, indeferida, mencionando inclusive o quantum deferido; ii) as embalagens utilizadas pela recorrente, além de proteger o produto, tem efeitos promocionais, elevam as despesas, motivam a compra do produto em vista da marca apresentada, e servem de embalagem de apresentação, valorizando a marca e produto da recorrente, entre outros efeitos. Ademais, a legislação da COFINS não faz as restrições apontadas; iii) pela análise fiscal, apenas os fretes relativos a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda autorizam o crédito do imposto, ignorandose os fretes Fl. 10DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000033/200578 Acórdão n.º 310100.795 S3C1T1 Fl. 1.828 11 pagos quando da aquisição de insumos e prestação de serviços aplicados nos produtos das vendas e também de transferência de insumos entre um e outro estabelecimento; iv) sendo a atividade da recorrente, o cultivo de maçã, é necessária a preparação do solo, a drenagem, entre outras atividades, para garantir a formação do produto, e para tanto utilizase máquinas e outros equipamentos movidos a combustíveis e lubrificantes; v) sobre o direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens existentes em 31/01/2004 (item 2.2.2. do Despacho Decisório 655/2007), diz que este item não foi contestado no Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, motivo pelo qual devem ser deferido os créditos pleiteados em sua totalidade; vi) foram desconsiderados, erroneamente, encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, ao argumento de que não fazem parte de máquinas do processo produtivo, segue alguns exemplos: carretão c/ rolete (transporte maçãs), registrador eletrônico de temperatura (câmaras frigoríficas), entre outros, indispensáveis para a formação do produto da venda; e vii) houve alteração, por parte do Fisco, da forma de cálculo do Rateio Proporcional, sem base legal, pois o cálculo do contribuinte foi feito de acordo com as instruções de preenchimento da DACON. Por fim, requer a reforma do acórdão recorrido e a subsistência total da compensação efetivada. Após alguma tramitação, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação deste órgão julgador de segunda instância. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. CONSIDERAÇÕES INICIAIS Fl. 11DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 12 Embora não haja preliminares neste contencioso, tanto a decisão recorrida como o recurso voluntário apresentam algumas considerações iniciais que têm repercussão direta na solução dos demais pontos controversos. A decisão a quo tece comentários acerca do ônus da prova e do conceito de insumos; o recurso voluntário, por seu turno, comenta somente o ônus da prova. Em síntese apertada, a decisão recorrida disse: Ônus da prova (...) No caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas, não lhe sendo lícito simplesmente juntar uma massa de documentos ao processo, sem indicação individualizada de a quais registros se referem. A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios. Não é tarefa do julgador contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um pedido de restituição, compensação ou ressarcimento, tanto quanto não é contextualizar os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal no âmbito de um lançamento de ofício. Quem acusa deve provar, contextualizando os elementos de prova que evidenciam a infração; da mesma forma, quem pleiteia repetição deve provar a existência do direito creditório, contextualizando os elementos de prova que evidenciam o indébito. (...) A razão pela qual estas considerações são feitas neste item preambular do voto é a de que, como se verá em relação a grande parte dos créditos pleiteados no presente processo (ver itens a seguir), a contribuinte se limita a apresentar listagens, registros contábeis e documentos nos quais a falta de vinculação Fl. 12DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000033/200578 Acórdão n.º 310100.795 S3C1T1 Fl. 1.829 13 entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos, impossibilita a perfeita e minudente cognição do conteúdo das operações negociais instrumentadas por aqueles registros, listagens e documentos. O que se quer aqui firmar, portanto, é que quando tal imprecisão na identificação da origem e natureza do crédito atinge de modo generalizado o pedido formulado pelo contribuinte, não há como, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão do contribuinte (em termos de cumprimento de seus onus probandi) por via, por exemplo, de diligências ou perícias, já que, como acima já foi exposto, tais institutos não se destinam a tanto. Conceito de insumos (...) Como se percebe, as transcritas Instruções Normativas SRF ( nº 247/2002 e nº 404/2004) estabeleceram, de forma explícita, que se deve ter por insumos aqueles bens "que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado". Ou seja, estáse aqui diante de um conceito jurídico de insumo que, apesar de não necessariamente coincidir com o conceito econômico, está formalizado em atos legais que compõem a legislação tributária e que, como já dito, têm efeito vinculante para os agentes públicos que compõem a Administração Tributária Federal. É importante ressaltar que a acima posta delimitação do conceito de insumos não fere a Constituição Federal, como afirma parte da doutrina, em razão de que o regime da não cumulatividade do PIS e da Cofins não tem assento constitucional como o têm o IPI e o ICMS. Em verdade, a não cumulatividade destas contribuições está, toda ela, prevista em legislação ordinária, tendo, inclusive, uma sistemática de apuração diversa, por exemplo, do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. No caso do IPI, a nãocumulatividade do imposto é efetivada pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período; já no caso do PIS e da Cofins, a legislação vigente permite atribuir créditos não apenas sobre os valores das aquisições efetuadas no mês, mas também sobre despesas e custos incorridos no mês. De outro lado, os créditos, no âmbito do PIS e da Cofins, são apenas aqueles expressamente previstos na legislação, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização da essencialidade ou obrigatoriedade da despesa ou do custo. Assim, como se vê, não há impeditivos constitucionais que impeçam a adoção de contornos delimitados para o conceito de insumo. Por conta destas considerações é que não pode prosperar o argumento de que é da natureza da nãocumulatividade que Fl. 13DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 14 qualquer custo ou despesa que concorra para a formação da receita deva gerar direito ao crédito. Em verdade, o conceito e o alcance da nãocumulatividade do PIS e da Cofins encontramse definidos em lei, e a terse por correto o argumento posto, terse ia de rejeitar, no mesmo diapasão, qualquer exclusão da base de cálculo das contribuições, já que estas, em princípio, incidem sobre o total das receitas. De outro lado, não se pode dizer, igualmente, que as Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e nº 404/2004 tenham extrapolado seus limites legais, criando ou definindo limitações ao uso e gozo de créditos da contribuição. Com efeito, a leitura do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, acima transcritos, já faz perceber que tais dispositivos definem os limites dos créditos a serem aproveitados, deixando claro o escopo dos mesmos, ou seja, os bens e serviços "utilizados no processo produtivo". Portanto, não são as Instruções Normativas que impõem um limite injustificado ao exercício pleno da não cumulatividade que seria o de permitir o creditamento sobre toda e qualquer despesa , mas, ao contrário, essa é uma limitação decorrente de lei, conforme acima visto. Assim, o legislador adotou o critério de enumerar os bens e serviços capazes de gerar crédito, vinculandoos a determinadas atividades e usos, assim como fez ao enumerar de forma minudente as exclusões a serem efetuadas nas bases de cálculo das contribuições. Portanto, as Instruções Normativas apenas esclareceram aquilo que as Leis já previam; em relação, especificamente, ao conceito de insumo, somente elucidam que este deve ser entendido como os bens e serviços utilizados especificamente na fabricação ou produção de bens, não podendo ser considerados como tais, bens ou serviços prestados por pessoas jurídicas que não foram aplicados diretamente na produção. (...) De tal sorte, nos itens seguintes deste voto adotarseá o conceito de insumo resultante do cruzamento dos artigos 3ºs das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 com o artigo 66 da Instrução Normativa SRF nº 247/2002 e com o artigo 8º da Instrução Normativa SRF nº 404/2004. Em outras palavras, não serão considerados como insumos passíveis de geração de créditos, aqueles que não estejam intrinsecamente associados ao processo produtivo da empresa produtora. Da mesma forma, por coerência lógica, não serão admitidos com bens passíveis de gerarem créditos a título de depreciação, aqueles que, apesar de constantes do ativo imobilizado da pessoa jurídica, não estejam intrinsecamente associados ao processo produtivo do empreendimento. O recurso voluntário diz o seguinte sobre ônus da prova: Ônus da Prova: O contribuinte não transferiu para o julgador o ônus da prova. Ref. o ônus da prova: provas já faziam parte do processo administrativo (Doc. 1). Fl. 14DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000033/200578 Acórdão n.º 310100.795 S3C1T1 Fl. 1.830 15 O pedido de ressarcimento efetuado pelo contribuinte, conforme instruções da Receita Federal do Brasil, funciona da seguinte maneira: 1º o contribuinte faz o pedido conforme normas da Receita Federal, declarando os valores dos créditos. 2º o auditor fiscal intima o contribuinte para fornecer informações e composições que lhe auxiliem na análise do pedido. 3º O contribuinte apresenta as composições e provas de acordo com pedido do auditor fiscal. 4º o auditor fiscal defere / indefere os créditos apurados e apresentados. Vejase que o pedido do contribuinte é de ressarcimento, e não de restituição. Mesmo se fosse de restituição, a Instrução Normativa nº 600 assim estipula: Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: (...) § 3º Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do Programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 2º serão apresentados à SRF após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. Grifo Nosso. Regularmente intimado, a contribuinte apresentou composição de todos os créditos apurados, nota a nota, tanto é que o auditor fiscal em sua análise, pode quantificar o que iria deferir e o que não seria deferido. Salientase que intimação enviada pela Delegacia da Receita Federal em Joaçaba ao contribuinte foi totalmente cumprida pelo contribuinte (Doc. 1), tanto é que no Despacho Decisório o auditor fiscal não se decidiu pelo indeferimento parcial por falta de documentos ou provas, muito pelo contrário, com os documentos e provas apresentados o auditor fiscal quantificou conforme o entendimento do mesmo, do que seria ou não de direito de crédito ao contribuinte. Portanto, a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, não se tratava em discutir primariamente o montante do crédito em si, mas sim o direito ao crédito, pois em algumas situações apresentadas pela contribuinte, apesar de ter a composição de todos os créditos, o auditor entendeu que ela não teria direito. Na manifestação de inconformidade não foram apresentados composição dos créditos (sic), em vista que, quando do início do processo administrativo, com a intimação pelo auditor fiscal, tudo constante nos autos, a contribuinte apresentou todos os elementos necessários para análise fiscal, tanto é que o auditor fiscal, com base nas informações da contribuinte, deferiu parte Fl. 15DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 16 do pedido, e indeferiu outra parte, mencionando inclusive o quantum deferido. Os créditos desconsiderados pelo auditor fiscal (totalmente apurados e demonstrados), não foram desconsiderados por falta de demonstração da origem, porém, por interpretação do auditor que tais créditos não seriam de direito do contribuinte. No despacho decisório constante nos autos, o auditor não mencionou falta de provas, porém o indeferimento foi pelo entendimento do mesmo, de que em algumas situações, mesmo com provas do valor, o contribuinte não teria o direito ao crédito. Nesse Norte, o nobre julgador equivocouse quando diz que a contribuinte não demonstrou seu crédito. Pelo contrário a mesma demonstrou, inclusive demonstrando conforme intimação do auditor fiscal. (...) O que se percebe no Acórdão em questão, é que o Julgador menciona folhas do processo administrativo sempre de um determinado número para frente. Ora, para se analisar e decidir, certamente antes dessas folhas existem elementos de prova que auxiliam na decisão que não foram utilizados. A partir desse raciocínio, a recorrente tratou de rebater em cada ponto controverso a seguir, passível de comprovação, (embalagens, serviços de transporte, combustíveis e lubrificantes, depreciação do ativo imobilizado) a carência de comprovação de seus créditos, porquanto ao trazer a documentação para a auditoriafiscal, seus créditos ficaram provados, tanto que o Fisco pôde quantificálos em corretos e incorretos. Pois bem, declinadas as premissas das partes, cabe dizer que as considerações expendidas pelo i. julgador a quo, ao meu sentir, estão bastante razoáveis, tanto no que tange ao ônus da prova como no que diz com o conceito de insumos para fins das contribuições do PIS e da COFINS nãocumulativas, e nesse último aspecto, acorde com a jurisprudência dos tribunais. 1 1 (...) o legislador estabeleceu a possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e de COFINS calculados em relação aos "insumos" adquiridos pela pessoa jurídica, assim considerados os bens e serviços utilizados na prestação de serviços e na fabricação de mercadorias destinadas à venda, nos termos do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. 3. Podese entender como insumo, portanto, todo bem que agrupado a outros componentes, qualifica, completa e valoriza o produto industrializado a que se destina. (...) TRF4 APELREEX 200772010002444; JOEL ILAN PACIORNIK; D.E. 25/11/2008 (...) II Estando as regras da nãocumulatividade das contribuições sociais afetas à definição infraconstitucional, concluise que: 1º) o conceito de "insumo" para definição dos bens e serviços que dão direito a creditamento na apuração do PIS e COFINS deve ser extraído do inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, sem vício das regras insertas nas Instruções Normativas SRF nº 247/02 (artigo 66, § 5º, I e II, inserido pela IN nº 358/03) e nº 404/04 (artigo 8º, § 4º, I e II), não havendo direito de creditamento sem qualquer limitação para abranger qualquer outro bem ou serviço que não seja diretamente utilizado na fabricação dos produtos destinados à venda ou na prestação dos serviços; (...) TRF3 AMS 200561000285868; JUIZ CONVOCADO SOUZA RIBEIRO; DJF3 CJ2 DATA:07/04/2009 PÁGINA: 442 Fl. 16DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000033/200578 Acórdão n.º 310100.795 S3C1T1 Fl. 1.831 17 O raciocínio formulado pela recorrente apresenta equívoco evidente ao dizer que demonstrou seus créditos conforme intimação da auditoriafiscal, e bem por isso não apresentou a comprovação de seus créditos na manifestação de inconformidade. Ora, a manifestação de inconformidade é o recurso manejável contra o despacho decisório que apontou a ilegitimidade da comprovação apresentada pela recorrente com pertinência aos créditos pleiteados. Cumpria à manifestante apontar nos autos os documentos que eventualmente comprovariam seus créditos, ou trazer cópia deles, de forma organizada, para que os julgadores, e não a auditoriafiscal, pudessem analisar tais comprovantes. Também poderia têlo feito agora, em sede recursal, porém optou por dizer que tudo está nos autos e basta os integrantes deste Colegiado acreditarem que esse trabalho já foi feito pela auditoriafiscal, que glosou os créditos por interpretação errônea do direito, e não porque não estavam devidamente provadas as origens dos créditos. Esse erro da defesa, que já teve repercussão negativa para a manifestante, ao meu ver, nesta instância certamente terá, novamente, péssimas conseqüências para a recorrente. DAS EMBALAGENS A recorrente diz que suas embalagens, mesmo servindo para transporte das maçãs que produz, não se caracterizam como tal, pois além de proteger o produto, tem efeitos promocionais, elevam as despesas, motivam a compra do produto em vista da marca apresentada, e servem de embalagem de apresentação, valorizando a marca e produto da recorrente, entre outros efeitos. Ademais, a legislação do PIS não faz as restrições apontadas. Relativamente à diferenciação entre embalagem de apresentação e embalagem de transporte, já cristalizada pela legislação do IPI, penso que tais conceitos são aplicáveis também às contribuições do PIS e COFINS não cumulativas, pois as leis instituidoras dos tributos quando tratam dos créditos passíveis de desconto das contribuições apuradas, no que tange aos insumos dos bens ou produtos destinados à venda, utiliza os verbos PRODUÇÃO e FABRICAÇÃO desses bens ou produtos, o que não autoriza pensar em insumos para diante dessas etapas comercialização e entrega (transporte). Essa matéria já foi tratada inclusive em nível de Tribunal Regional Federal da 4ª Região, e a lição passada é a que segue: TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. LEIS NºS 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DE INSUMOS. 1. A orientação da nãocumulatividade do PIS e da COFINS foi dada pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, por meio de concessão de créditos taxativamente previstos em seus preceitos para que sejam aproveitados por meio de dedução da contribuição incidente sobre o faturamento apurado na etapa posterior. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 18 2. Nessa ordem, o legislador estabeleceu a possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e de COFINS calculados em relação aos "insumos" adquiridos pela pessoa jurídica, assim considerados os bens e serviços utilizados na prestação de serviços e na fabricação de mercadorias destinadas à venda, nos termos do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. 3. Podese entender como insumo, portanto, todo bem que agrupado a outros componentes, qualifica, completa e valoriza o produto industrializado a que se destina. Logo, as embalagens utilizadas especificamente para acondicionar mercadorias para transporte não estão abrangidas pela definição de insumos, porquanto não foram utilizadas no processo de industrialização e transformação do produto final. 4. A aplicação do princípio da nãocumulatividade do PIS e da COFINS em relação aos insumos utilizados na fabricação de bens e serviços não implica estender sua interpretação, de modo a permitir que sejam deduzidos, sem restrição, todos e quaisquer custos da empresa despendidos no processo de industrialização e comercialização do produto fabricado. 5. Apelação e remessa oficial providas. TRF4 APELREEX 200772010002444; JOEL ILAN PACIORNIK; D.E. 25/11/2008 (Grifouse). Quanto às glosas a título de embalagens utilizadas pela recorrente, notase, à evidência, o creditamento de elementos de transporte, tais como pallets de madeira bruta, bandejas plásticas, traypacks, grampos, colas, fundos de papelão, tampas de papelão, lâminas de plástico e fitas adesivas, e outros bens sequer caracterizáveis como embalagens (como os termógrafos registradores de temperaturas) que não podem ser classificados como material de embalagem de apresentação do produto. De outra banda, a recorrente, mais uma vez, não se esforçou para provar quais itens glosados seriam passíveis de serem classificados como embalagens dos bens produzidos por ela, cingindose a reforçar que o contribuinte provou todos os valores de seus créditos, tanto é que o auditor fiscal quando de sua análise, separou todos os créditos, ou seja, aqueles que ele entendia de direito ao contribuinte, e aqueles que o mesmo entendia que não davam direito ao crédito, valorando os mesmos. Se o contribuinte não tivesse provado todos os créditos que estava requerendo, não haveria possibilidade dessa valoração pelo auditor fiscal. Para evidenciar a impossibilidade de reconhecimento do direito pleiteado pela recorrente, no particular, vale a pena reproduzir excerto da decisão recorrida afeta ao assunto: É certo que a contribuinte anexa à sua manifestação de inconformidade algumas fotos e amostras de embalagens que estariam incluídas dentre aquelas constantes da planilha às folhas 1700 a 1701. Entretanto, tais elementos não ajudam muito. Primeiro, apesar de as fotos de caixas de papelão, à folha 1760, evidenciarem que se tratam, aparentemente, de embalagens que poderiam ser classificadas como embalagens de apresentação, não tratou a contribuinte de indicar quais são as operações de aquisição constantes da lista de notas fiscais que Fl. 18DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000033/200578 Acórdão n.º 310100.795 S3C1T1 Fl. 1.832 19 se referem especificamente às aquisições destes bens, comprovando documentalmente tal vinculação. Segundo, as amostras dos guardanapos para enrolar maçãs e dos rótulos de maçã (folhas 1756 e 1758) são irrelevantes para o presente processo, uma vez que, dentre as aquisições objeto de glosa, não consta qualquer aquisição de guardanapos de papel e rótulos ou bens assemelhados. DOS SERVIÇOS DE TRANSPORTES A decisão recorrida deixou claro que não concordava totalmente com as assertivas da auditoriafiscal, no sentido de que todos os fretes apontados: fretes na aquisição de produtos, fretes de transporte de funcionários, fretes de documentos, fretes de produtos entre matriz e filial, entre outros, não seriam passíveis de serem insumo. Nada obstante, manteve as glosas porque as informações fornecidas acerca da natureza das operações de frete que adquiriu são inconclusivas (dada a descrição genérica) ou evidenciadoras da aquisição de fretes não aptos à geração de créditos nos termos da lei. Às fls. 1.778 e 1.778v constam os detalhes das operações glosadas, trazidos pela autoridade julgadora de primeiro grau: Como da listagem das despesas com fretes glosadas se pode inferir (folhas 1704 a 1706), a contribuinte usava escriturar, sob dois CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações) 1352 (Aquisição de serviço de transporte por estabelecimento industrial Entradas ou aquisições de serviços do Estado) e 2352 (Aquisição de serviço de transporte por estabelecimento industrial Entradas ou aquisições de serviços de outros Estados) operações com fretes de variada ordem, muitas delas descritas genericamente como "transportes diversos" e outras tantas como transporte de funcionários, fretes de envelopes/documentos, transporte impressora para conserto, serviços de terceiros Variglog, transporte de equipamentos diversos, etc. Como se percebe, para além das descrições genéricas ("transportes diversos"), os registros da contribuinte que permitem a identificação da natureza dos transportes realizados evidenciam a inclusão, dentre as operações que a contribuinte quer ver como geradoras do direito ao crédito, de despesas com fretes que não estão incluídas entre aquelas, já anteriormente indicadas no presente item deste voto, que efetivamente dão ensejo a tal direito. Com efeito, transporte de documentos e de funcionários, de impressoras e equipamentos, de malote e de mercadoria de informática, bem como de outros bens não intrinsecamente ligados à produção dos produtos, não geram créditos a título de fretes pagos. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte reclama do critério restritivo adotado pela autoridade fiscal, defendendo Fl. 19DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 20 uma acepção ampla para o creditamento relacionado com as despesas com fretes. Entretanto, é preciso dizer que, como já acima exposto, não é qualquer despesa com frete que dá direito a crédito. Mesmo que, como se expôs neste voto, os critérios não sejam tão restritos quanto o adotado pela autoridade fiscal, verdade é que, mesmo diante do critério mais largo aqui adotado, as operações em relação às quais há identificação da natureza da operação na planilha às folhas 1704 a 1706, não se mostram como aptas à gerarem créditos (repetindose: despesas com transporte de documentos, de funcionários, de impressoras, de equipamentos, de malote, de mercadoria de informática, de outros bens não intrinsecamente ligados à produção dos produtos). Como a contribuinte defende o direito ao crédito em relação aos fretes vinculados às operações de aquisição de insumos e de transporte de produtos entre seus estabelecimentos, é de se deduzir, na falta de indicação, na planilha às folhas 1704 a 1706, que as operações descritas como "transportes diversos" (que são a maioria dos registros lá postos) representem estas operações. Ocorre, porém, que como as hipóteses de creditamento relativas a fretes estão especificamente previstas na legislação, não se estendendo a todo e qualquer frete, torna se imprescindível, para a definição quanto à existência ou não do direito, da minudente identificação da natureza dos fretes em relação aos quais é pleiteado o crédito. Ora, na medida em que a operação é descrita genericamente como "transportes diversos", inviabilizado resta o reconhecimento do direito; e isto mesmo que, em tese, se concorde que algumas despesas com fretes de aquisição de produtos e com fretes entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica dêem direito a crédito. De se lembrar que, como já foi exposto no item 1.1 deste voto, o ônus de comprovar minudentemente a origem do direito creditório pleiteado é do contribuinte/pleiteante. Como lá se viu, não cumpre seu ônus o contribuinte que se limita a listar operações de aquisição de forma genérica, sem que a natureza destas operações e a sua identificação sejam definidas/produzidas. Deste modo, evidenciada a imprecisa definição das operações, inviabilizado resta o reconhecimento do direito. No recurso voluntário, a recorrente discorre acerca do direito de crédito de fretes, trazendo a letra da lei, Soluções de consulta da RFB, Instruções Normativas, instruções de preenchimento do DACON Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, e diz que entre seus créditos estão fretes pagos com o transporte dos funcionários que fazem a colheita da maçã. fretes pagos de produtos (insumos) entre matriz e filiais, entretanto, quando se trata de apontar seus créditos, de fato, no processo, repete o desnecessário que está tudo provado perante a auditoriafiscal, etc. Ao meu sentir, despiciendo alongar nesta questão, pois conforme já explicitado no item CONSIDERAÇÕES INICIAIS, supra, a prova até pode estar no processo, porém deve ser apontada pela defesa, inclusive com sua localização, sob pena de Fl. 20DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000033/200578 Acórdão n.º 310100.795 S3C1T1 Fl. 1.833 21 inviabilizar sua apreciação e consequente demonstração, porquanto não cabe ao julgador/conselheiro compulsar todas as folhas do processo em busca de alguma prova que se encaixe no modelo alegado pela parte. DOS COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES A ratificação da glosa a título de combustíveis e/ou lubrificantes, pela decisão recorrida, teve o seguinte teor, no que diz respeito aos elementos de fato: Como da listagem das aquisições de combustíveis e lubrificantes objeto de glosas se pode inferir (folhas 1707 a 1711), a contribuinte escriturou, sob dois CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações) 1407 (Compra de mercadoria para uso ou consumo cuja mercadoria está sujeita ao regime de substituição tributária Entradas ou aquisições de serviços do Estado) e 2407 (Compra de mercadoria para uso ou consumo cuja mercadoria está sujeita ao regime de substituição tributária Entradas ou aquisições de serviços de outros Estados) aquisições de bens de variada ordem que evidenciam, por seus conteúdos, duas conclusões: (a) primeiro, dentre as aquisições aparecem muitos produtos e serviços que sequer se caracterizam como combustíveis e lubrificantes, como é o caso de pneus, lâmpadas, câmaras de ar, medicamentos, despesas de diárias e refeições para participação em congresso, material para manutenção, tintas, peças diversas, materiais diversos; (b) segundo, observandose as aquisições de combustíveis listadas, percebese que a quase totalidade delas referese a aquisições de gasolina comum efetuadas em postos de abastecimento da cidade, em quantidades pequenas destinadas, no mais das vezes, ao abastecimento de automóveis. Nada há que permita inferir o uso destes combustíveis no processo produtivo da contribuinte. Ora, as aquisições relativas ao primeiro grupo não podem ser objeto de creditamento, pelo simples fato de que não se referem a aquisições de combustíveis e lubrificantes. As do segundo também não podem gerar créditos, em razão de que não há evidência de que os combustíveis adquiridos tenham sido utilizados como insumo pela pessoa jurídica; como o creditamento relativo a combustíveis e lubrificantes não se estende a toda e qualquer aquisição efetuada a este título, torna se imprescindível, para a definição quanto à existência ou não do direito, a minudente identificação da natureza das aquisições em relação às quais é pleiteado o crédito. E o ônus de comprovar a natureza destas aquisições é do contribuinte/pleiteante do crédito, nos termos em que já se expôs detalhadamente no item 1.1 deste voto. Como lá se viu, não cumpre seu ônus o contribuinte que se limita a listar operações Fl. 21DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 22 de aquisição de forma genérica, sem que a natureza destas operações e a sua identificação sejam definidas/produzidas. Deste modo, evidenciada a imprecisa definição das operações, inviabilizado resta o reconhecimento do direito. Em sua peça recursal, a recorrente não trouxe nada de concreto para apreciação, apenas o discurso de que as provas estão todas nos autos, e a lei, a legislação infralegal e os atos normativos do Fisco (individuais, como soluções de consulta, e genéricos, como soluções de divergência) prevêem os combustíveis e lubrificantes como modalidade de insumo. DOS CRÉDITOS REFERENTES AO ESTOQUE DE ABERTURA Afirma a recorrente que o item sobre o direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens existentes em 31/01/2004 (item 2.2.2. do Despacho Decisório 655/2007) não foi contestado no Acórdão da DRJ, e portanto devem ser deferidos os créditos pleiteados em sua totalidade, entretanto equivocase no particular a argumentante, porquanto a decisão recorrida tratou sim do aludido item, à fl. 1985 2 e como o estoque de abertura, neste caso, está ligado diretamente ao item das embalagens (foram subtraídos da base de crédito dos estoques de abertura em 31.01.2004, o valor de R$ 551.083,05, estoque de embalagens, pois essas foram utilizadas exclusivamente no transporte dos produtos), o quanto dito lá naquele item pregresso reflete aqui, com conseqüências negativas para a recorrente. DA DEPRECIAÇÃO DE MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS E OUTROS BENS DO ATIVO IMOBILIZADO As glosas de créditos sob a rubrica encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado efetuadas pela auditoriafiscal ocorreram em razão de os créditos estarem associados a "máquinas e equipamentos que não 2 Assim demonstrada a impossibilidade de acatamento das razões da contribuinte em relação ao creditamento associado às despesas com embalagens objeto do presente litígio, desnecessárias tornamse, aqui, considerações acerca das alegações postas pela contribuinte no item 3.1.4 de sua manifestação de inconformidade (folhas 1740 e 1742). Como lá se vê, a contribuinte faz menção à glosa efetuada em relação ao crédito associado ao estoque de abertura existente em 31/01/2004; como a autoridade fiscal glosou créditos relativos a despesas com embalagens e, em face disto, acabou recalculando o valor dos créditos referentes ao estoque de abertura (pela exclusão dos créditos vinculados às embalagens objeto de glosa), contesta a contribuinte o recálculo por via da reafirmação de sua discordância quanto às mencionadas glosas dos créditos de embalagens. Ora, na medida em que as glosas foram consideradas procedentes, ou seja, na medida em que a única alegação contra o recálculo não foi acolhida, mantido resta o recálculo contestado. Fl. 22DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000033/200578 Acórdão n.º 310100.795 S3C1T1 Fl. 1.834 23 são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso específico a produção de maçã". O decisum guerreado elenca as condições para o direito ao crédito relativo aos encargos de depreciação: a) os bens incorporados ao ativo imobilizado devem ser aqueles envolvidos diretamente com o processo produtivo; b) para períodos de apuração até julho de 2004, os bens do ativo imobilizado geram créditos, independentemente das datas de suas aquisições; c) para períodos de apuração a partir de agosto de 2004, os bens do ativo imobilizado geram créditos, desde que adquiridos a partir de 01/05/2004. E pondera que independentemente da data de aquisição do bem do ativo imobilizado, uma condição deve sempre estar presente: os bens que geram os créditos relacionados com a depreciação, devem ser aqueles envolvidos diretamente com o processo produtivo. Agora, focando o recurso voluntário como um todo, notase que a recorrente defende, mais uma vez, sua visão de ônus da prova (seus créditos foram provados perante a auditoriafiscal) e reprisa sua insurgência, tal qual apresentada na manifestação de inconformidade, contra a glosa dos equipamentos e máquinas não utilizados na produção de maçã, razão pela qual me sinto a vontade para adotar as razões de fato apontadas pela decisão recorrida, uma vez que as razões de direito, relativas ao ônus da prova, foram em itens anteriores sobejamente declinadas: Compulsandose a planilha onde constam os bens que geraram os créditos relacionados à depreciação (Anexo I, às folhas 1717 a 1720), percebese que, à luz das informações ofertadas pela contribuinte acerca da natureza e forma de aplicação dos bens do ativo imobilizado que estariam a dar direito ao crédito relativo à depreciação, não há como acatar a contestação posta na manifestação de inconformidade. É que, como a seguir se verá, da planilha de bens confeccionada com base nas informações trazidas pela contribuinte, inferese que os bens listados se conformam como: (a) máquinas e equipamentos que não guardam qualquer relação com o processo produtivo; e (b) bens descritos de forma genérica e/ou sem identificação dos locais e/ou sistemas onde estão locados/aplicados. Ou seja, o conjunto de dados fornecidos pela contribuinte demonstra um alto grau de incorreções técnicas (caracterizadas pelo expressivo volume de bens claramente impassíveis de gerarem créditos) e de imprecisões relativas a questões de fato (descrição genérica dos bens e de sua utilização), que impedem a consideração de tal conjunto de dados como elemento apto a justificar o reconhecimento do direito ao crédito pretendido pela contribuinte. A clarificação do que consta dos dados fornecidos pela contribuinte serve à consubstanciação do que se afirma. Como se disse no parágrafo anterior, os bens listados pela contribuinte podem ser classificados em três grupos, tendose em conta o conteúdo da descrição de cada bem. O primeiro grupo mostra que a expressiva maioria das máquinas e equipamentos listados não guardam, inequivocamente, qualquer relação com o Fl. 23DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 24 processo produtivo, por mais larga que fosse a acepção de processo produtivo que se pudesse adotar. Com efeito, lá constam: aparelhos de ar condicionado, aparelhos de telefone, automóveis de passeio (Gol e Santana), câmeras fotográficas, calculadoras financeiras, microcomputadores, notebooks, aparelho celular, registro de marcas, etc. Como se vê, tais itens se conformam como bens que, apesar de poderem estar regularmente incluídos do ativo imobilizado de qualquer empresa, não podem ser considerados como diretamente associados ao processo produtivo da contribuinte, ou seja, como estritamente vinculados à produção dos produtos que a empresa posteriormente destina a venda, nos termos do exigido pelo inciso VI do artigo 3.o, tanto da Lei n.o 10.637/2002 quanto da Lei n.o 10.833/2003 ("máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços"). O segundo grupo é o que inclui itens que, em face de sua descrição genérica e da absoluta falta de identificação dos locais e/ou sistemas onde estão locados/aplicados, não podem igualmente ser acatados como aptos a gerarem o direito ao creditamento. Exemplos deste tipo de bens são: registradores eletrônicos de temperatura, esticadores, esmirilhadeiras, seladoras, bombas, conversor de freqüência, etc. A ausência de maiores informações acerca da forma e do local de uso destes bens, inviabiliza a aferição inequívoca de suas naturezas e de suas conexões com a atividade produtiva da contribuinte stricto sensu e, por extensão, o reconhecimento do direito ao crédito relativo a suas depreciações. Como se percebe, o direito pretendido pela contribuinte não pode ser acatado porque, primeiro, ela classifica incorretamente grande parte dos bens do ativo imobilizado que gerariam créditos (inclui bens que não estão associados ao processo produtivo ou que sequer se mostram como bens do ativo imobilizado) e, segundo, porque descreve de forma excessivamente sumária outra boa parte dos bens (deixa de definir a função do bem dentro da empresa). Em outras palavras, o pleito não pode ser provido, parcialmente em face de impossibilidade legal e parcialmente em face de falta de comprovação da forma de utilização dos bens. Em verdade, dado o alto grau de imprecisões técnicas relacionadas com a apropriação de créditos pretendida pela contribuinte e exteriorizada nas informações prestadas constante da planilha às folhas 1717 a 1720, não se pode ter tais informações como instrumento suficiente à comprovação do direito pretendido. O alto grau de imprecisão quanto a questões de direito (classificação dos bens) e de fato (descrição dos bens) constante do conjunto de dados fornecidos pela contribuinte durante os procedimentos da DRF/Joaçaba/SC que levaram à formalização do Despacho Decisório contestado, não restou infirmado pela contribuinte na oportunidade da contestação do feito fiscal junto a esta Delegacia de Julgamento. É que como se pode inferir de sua manifestação de inconformidade, ao contestar as glosas a Fl. 24DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000033/200578 Acórdão n.º 310100.795 S3C1T1 Fl. 1.835 25 contribuinte se limita a mencionar, genericamente, "alguns exemplos de máquinas ou equipamentos utilizados no processo produtivo, entre outros: carretão c/ rolete (transporte maçãs), registrador eletrônico de temperatura (câmaras frigoríficas, entre outros, indispensáveis para a formação do produto da venda". Como se vê, também em sede de contestação ao Despacho Decisório, nada mais traz a contribuinte que a reafirmação, pura e simples, de que alguns dos equipamentos objeto das glosas comporiam, sim, seu processo produtivo, nos termos da lei. Ou seja, pouco acrescenta a contribuinte que sirva à evidenciação de seu direito. De qualquer modo, dentre os "exemplos" citados de forma sumária pela contribuinte, constam alguns que, apesar da vinculação que quer ela estabelecer com o processo produtivo, já podem, de plano, mesmo neste nível sumário de cognição, ser descaracterizados como passíveis de gerarem créditos, como é o caso dos equipamentos que compõem as câmaras frigoríficas e as escadas. DO RATEIO PROPORCIONAL A imputação, quando se refere à Inclusão de Receitas não Consideradas pelo Contribuinte no Rateio Proporcional, diz o seguinte: A administração tributária ao regulamentar a matéria determina que a pessoa jurídica que efetuar, concomitantemente, operações de vendas de produtos ou prestação de serviços no mercado interno e exportação de produtos para o exterior, ou prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente no exterior, com pagamento em moeda conversível, ou de vendas a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação, deve segregar os custos vinculados às receitas de exportação, utilizandose em sua determinação, a critério da pessoa jurídica, os métodos de: a) apropriação direta, aplicandose ao valor dos bens utilizados como insumos, aos custos, às despesas e aos encargos comuns, adquiridos no mês, a relação percentual entre os custos vinculados à receita de exportação e os custos totais incorridos no mês, apurados por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou b) rateio proporcional, aplicandose ao valor dos bens utilizados como insumos, aos custos, às despesas e aos encargos comuns, adquiridos no mês, a relação percentual existente entre a receita bruta de exportação e a receita bruta total, auferidas no mês. Os valores "Outras Receitas" informados nos campos 07 e 09, Ficha 07 da DACON, não foram considerados no cálculo de rateio e tais valores modificam a participação proporcional das Fl. 25DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 26 receitas decorrentes de operações com o mercado externo e o total global das receitas auferidas pela empresa, e deveriam ter sido considerados pela requerente quando do preenchimento da DACON. O contribuinte repete, em sede recursal, o quanto dito na manifestação de inconformidade: Na análise dos créditos pleiteados pelo contribuinte, a autoridade administrativa alterou a forma de distribuição das receitas pelo Rateio Proporcional, porém, não apresentou base legal para tal alteração. Tendo em vista que o contribuinte efetuou o cálculo de acordo com preenchimento da DACON, através da versão 2.0, disponibilizada pela Receita Federal, requer o contribuinte que seja mantido o cálculo original, elaborado pelo contribuinte, de acordo com orientações de preenchimento da DACON. A decisão recorrida, após breve digressão acerca das normas legais que regulam a questão, pontifica: Como se percebe, pelo critério legal posto só poderia haver exclusão de receitas do montante da receita bruta total no cálculo do rateio proporcional, caso tais receitas não tivessem sido objeto de recolhimento das contribuições, o que não é o caso das "outras receitas" registradas pela contribuinte, pelo menos a partir do que da DACON e dos autos consta. Correta mostrase, portanto, a medida adotada pela DRF/Joaçaba/SC. Com isso, fica mantido o recálculo efetuado no âmbito do despacho decisório contestado. Em princípio, tem razão a recorrente quando afirma que o seu cálculo foi de acordo com as instruções de preenchimento do DACON, porquanto na ajuda da Ficha 12 da versão 2.0 do DACON, quando são tratadas as receitas de exportação e os custos vinculados às receitas de exportação, o critério de rateio apontado é o percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas no mês. Pois bem, ao meu ver, Outras receitas integram o total das receitas (a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica), mas não necessariamente a receita bruta total, que vem a ser a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia, nos dizeres da Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 1º. Para que ficasse evidenciada a impropriedade do cálculo apresentado pela recorrente, devia a auditoriafiscal provar que as Outras receitas eram decorrentes de operações que, por suas naturezas, consubstanciassem venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia. Em outras palavras, aqui o ônus de provar o erro do cálculo apresentado pela recorrente é da Fl. 26DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000033/200578 Acórdão n.º 310100.795 S3C1T1 Fl. 1.836 27 auditoriafiscal, pois Outras receitas é rubrica residual, que engloba todas as demais receitas não incluídas nas linhas anteriores, inclusive as decorrentes de venda de bens do ativo permanente, sendo irrelevante a classificação contábil adotada para essas receitas (nos dizeres da ajuda da Ficha 13 do DACON versão 2.0), e assim não devem entrar automaticamente na parcela do denominador para que se encontre o percentual de rateio referente às receitas de exportação. Ante o exposto, voto por PROVER PARCIALMENTE o recurso voluntário, tão somente no que diz respeito ao cálculo do rateio proporcional para chegar aos custos vinculados às receitas de exportação. Sala das Sessões, em 02 de junho de 2011. (assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 27DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 10925.000376/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2005
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO
CONTRIBUINTE.
O raciocínio formulado pela recorrente apresenta equívoco evidente ao dizer que demonstrou seus créditos conforme intimação da auditoria-fiscal, e bem por isso não apresentou a comprovação de seus créditos na manifestação de inconformidade. Ora, a manifestação de inconformidade é o recurso manejável contra o despacho decisório que apontou a ilegitimidade da comprovação apresentada pela recorrente com pertinência aos créditos pleiteados. Cumpria à manifestante apontar nos autos os documentos que eventualmente comprovariam seus créditos, ou trazer cópia deles, de forma organizada, para que os julgadores pudessem analisar tais comprovantes.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES
DE CREDITAMENTO.
As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tão-somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES.
CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não-cumulatividade, as aquisições de serviços de frete que: estejam relacionados à aquisição de bens para revenda; sejam tidos como um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem; estejam associadas à operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor.
Numero da decisão: 3101-000.801
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Vanessa Albuquerque Valente e Wilson Sampaio Sahade Filho, que davam provimento integral quanto à glosa de embalagens e parcial quanto à glosa de fretes.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. O raciocínio formulado pela recorrente apresenta equívoco evidente ao dizer que demonstrou seus créditos conforme intimação da auditoriafiscal, e bem por isso não apresentou a comprovação de seus créditos na manifestação de inconformidade. Ora, a manifestação de inconformidade é o recurso manejável contra o despacho decisório que apontou a ilegitimidade da comprovação apresentada pela recorrente com pertinência aos créditos pleiteados. Cumpria à manifestante apontar nos autos os documentos que eventualmente comprovariam seus créditos, ou trazer cópia deles, de forma organizada, para que os julgadores pudessem analisar tais comprovantes. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da nãocumulatividade, as aquisições de serviços de frete que: estejam relacionados à aquisição de bens para revenda; sejam tidos como um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem; estejam associadas à operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Vanessa Albuquerque Valente e Wilson Sampaio Sahade Filho, que davam provimento integral quanto à glosa de embalagens e parcial quanto à glosa de fretes. (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 10/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Wilson Sampaio Sahade Filho, Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, relativos ao quarto trimestre de 2005. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC pelo seu deferimento parcial (Despacho Decisório, às folhas 436 e 437, e Parecer Fiscal, às folhas 416 a 435), fazendoo com base no não acatamento da apuração de créditos em relação a operações de aquisição de bens não caracterizados como insumos e de bens caracterizados como embalagens destinadas precipuamente ao transporte de produtos acabados, bem como de operações de fretes não instrumentadas por documentação hábil. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, encaminhou a contribuinte, por meio de seu procurador mandato à folha 443 , a manifestação de inconformidade às folhas 459 a 462, na qual contesta a decisão da DRF/Joaçaba/SC, nos seguintes termos: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10925.000376/200721 Acórdão n.º 310100.801 S3C1T1 Fl. 516 3 As mercadorias e suas respectivas notas fiscais que não foram aceitas pelo fisco, referem‐se, principalmente, a aquisições de embalagens, para o acondicionamento das mercadorias produzidas pela recorrente, e a contratação de serviços de fretes, para a entrega dos produtos industrializados ou para o transporte dos insumos da recorrente. Entretanto, a recorrente entende ser equivocado o procedimento de glosa das aquisições de embalagens e da contratação dos serviços de frete para o transporte dos insumos e dos produtos industrializados pela recorrente, uma vez que as referidas embalagens são utilizadas para transportar os insumos e os produtos industrializados pela recorrente, quando não para entregar os produtos industrializados aos clientes da recorrente, sem as quais (embalagens) não seria possível o desenvolvimento das suas atividades. Nos termos do incido II do art. 3.o da Lei 10.637/02, fica assegurado ao contribuinte o desconto de créditos da contribuição ao PIS na alíquota de 1,65%, sobre todos os bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens ou produtos destinados à venda. [...]No que se refere aos materiais de embalagens adquiridos para o acondicionamento dos produtos industrializados pela recorrente, tem‐se que estas mercadorias integram o conceito de matéria‐prima, tal como ocorre com a matéria‐ prima direta e indireta, razão pela qual, já nesta primeira parte, a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Joaçaba deve ser reformada, para o efeito de deferir o crédito da contribuição para ao PIS descontado sobre as embalagens indicadas no relatório do parecer fiscal. No que se refere aos fretes igualmente glosados pelo fisco, vale observar que assim como ocorre com as embalagens, tais serviços representam custo de produção, ou simplesmente insumos (na forma de serviços), pois se referem a prestações de serviços contratadas para o transporte de insumos, como pintos, frangos vivos, mercadorias industrializadas, e insumos outros, todos utilizados estritamente na industrialização dos produtos fabricados pela recorrente, de acordo com seu objeto social. Pleiteia a contribuinte, assim, o deferimento integral de seu pleito repetitório. A DRJ em FLORIANÓPOLIS/SC julgou procedente o lançamento, ementando assim o acórdão: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. As diligências, passíveis de serem promovidas em sede de julgamento administrativo, não se destinam a suprir a omissão na produção da prova por parte daquele a quem tal ônus incumbia, mas apenas à dirimição de dúvidas pontuais acerca dos elementos de prova trazidos aos autos. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2005 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade, as aquisições de serviços de frete que: estejam relacionados à aquisição de bens para revenda; sejam tidos como um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem; estejam associadas à operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Solicitação Indeferida. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 482 e seguintes, onde não aponta preliminares, e no mérito, diz que: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10925.000376/200721 Acórdão n.º 310100.801 S3C1T1 Fl. 517 5 i) as embalagens maiores utilizadas pela recorrente, além de proteger o produto, são necessárias, pois seria impossível entregar o produto aos clientes nas embalagens menores, com isso elevam as despesas e motivam a compra do produto. Ademais, a legislação do PIS/COFINS não faz as restrições apontadas; ii) com relação aos serviços de transporte, os conhecimentos de frete, de fato, não continham a identificação e o endereço do remetente, constando apenas a expressão "diversos", tal situação, entretanto, decorre unicamente do fato de que os transportadores prestam diversos serviços de fretes mensalmente à recorrente (transporte de frangos vivos) e emitem uma única nota fiscal mensal para cobrar esses serviços, pois possuem regime especial de emissão de documentos fiscais, concedido pelo Estado de Santa Catarina, que os dispensa de emitir um conhecimento de frete para cada carga de frango ou de pintos de um dia, já que o cliente pagador é sempre o mesmo (a recorrente); Por fim, requer a reforma do acórdão recorrido e a subsistência total da compensação efetivada. Após alguma tramitação, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação deste órgão julgador de segunda instância. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. CONSIDERAÇÕES INICIAIS A decisão recorrida apresenta algumas considerações iniciais que têm repercussão direta na solução dos demais pontos controversos. Em síntese apertada, a decisão recorrida disse: Ônus da prova (...) No caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas, não lhe sendo lícito simplesmente juntar uma massa de documentos ao processo, sem indicação individualizada de a quais registros se referem. A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios. Não é tarefa do julgador contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10925.000376/200721 Acórdão n.º 310100.801 S3C1T1 Fl. 518 7 pedido de restituição, compensação ou ressarcimento, tanto quanto não é contextualizar os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal no âmbito de um lançamento de ofício. Quem acusa deve provar, contextualizando os elementos de prova que evidenciam a infração; da mesma forma, quem pleiteia repetição deve provar a existência do direito creditório, contextualizando os elementos de prova que evidenciam o indébito. (...) A razão pela qual estas considerações são feitas neste item preambular do voto é a de que, como se verá em relação a grande parte dos créditos pleiteados no presente processo (ver itens a seguir), a contribuinte se limita a apresentar listagens, registros contábeis e documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos, impossibilita a perfeita e minudente cognição do conteúdo das operações negociais instrumentadas por aqueles registros, listagens e documentos. O que se quer aqui firmar, portanto, é que quando tal imprecisão na identificação da origem e natureza do crédito atinge de modo generalizado o pedido formulado pelo contribuinte, não há como, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão do contribuinte (em termos de cumprimento de seus onus probandi) por via, por exemplo, de diligências ou perícias, já que, como acima já foi exposto, tais institutos não se destinam a tanto. Conceito de insumos (...) Como se percebe, as transcritas Instruções Normativas SRF ( nº 247/2002 e nº 404/2004) estabeleceram, de forma explícita, que se deve ter por insumos aqueles bens "que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado". Ou seja, estáse aqui diante de um conceito jurídico de insumo que, apesar de não necessariamente coincidir com o conceito econômico, está formalizado em atos legais que compõem a legislação tributária e que, como já dito, têm efeito vinculante para os agentes públicos que compõem a Administração Tributária Federal. É importante ressaltar que a acima posta delimitação do conceito de insumos não fere a Constituição Federal, como afirma parte da doutrina, em razão de que o regime da não cumulatividade do PIS e da Cofins não tem assento constitucional como o têm o IPI e o ICMS. Em verdade, a não cumulatividade destas contribuições está, toda ela, prevista em legislação ordinária, tendo, inclusive, uma sistemática de apuração diversa, por exemplo, do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. No caso do IPI, a nãocumulatividade do imposto é efetivada pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 8 produtos dele saídos, num mesmo período; já no caso do PIS e da Cofins, a legislação vigente permite atribuir créditos não apenas sobre os valores das aquisições efetuadas no mês, mas também sobre despesas e custos incorridos no mês. De outro lado, os créditos, no âmbito do PIS e da Cofins, são apenas aqueles expressamente previstos na legislação, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização da essencialidade ou obrigatoriedade da despesa ou do custo. Assim, como se vê, não há impeditivos constitucionais que impeçam a adoção de contornos delimitados para o conceito de insumo. Por conta destas considerações é que não pode prosperar o argumento de que é da natureza da nãocumulatividade que qualquer custo ou despesa que concorra para a formação da receita deva gerar direito ao crédito. Em verdade, o conceito e o alcance da nãocumulatividade do PIS e da Cofins encontramse definidos em lei, e a terse por correto o argumento posto, terse ia de rejeitar, no mesmo diapasão, qualquer exclusão da base de cálculo das contribuições, já que estas, em princípio, incidem sobre o total das receitas. De outro lado, não se pode dizer, igualmente, que as Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e nº 404/2004 tenham extrapolado seus limites legais, criando ou definindo limitações ao uso e gozo de créditos da contribuição. Com efeito, a leitura do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, acima transcritos, já faz perceber que tais dispositivos definem os limites dos créditos a serem aproveitados, deixando claro o escopo dos mesmos, ou seja, os bens e serviços "utilizados no processo produtivo". Portanto, não são as Instruções Normativas que impõem um limite injustificado ao exercício pleno da não cumulatividade que seria o de permitir o creditamento sobre toda e qualquer despesa , mas, ao contrário, essa é uma limitação decorrente de lei, conforme acima visto. Assim, o legislador adotou o critério de enumerar os bens e serviços capazes de gerar crédito, vinculandoos a determinadas atividades e usos, assim como fez ao enumerar de forma minudente as exclusões a serem efetuadas nas bases de cálculo das contribuições. Portanto, as Instruções Normativas apenas esclareceram aquilo que as Leis já previam; em relação, especificamente, ao conceito de insumo, somente elucidam que este deve ser entendido como os bens e serviços utilizados especificamente na fabricação ou produção de bens, não podendo ser considerados como tais, bens ou serviços prestados por pessoas jurídicas que não foram aplicados diretamente na produção. (...) De tal sorte, nos itens seguintes deste voto adotarseá o conceito de insumo resultante do cruzamento dos artigos 3ºs das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 com o artigo 66 da Instrução Normativa SRF nº 247/2002 e com o artigo 8º da Instrução Normativa SRF nº 404/2004. Em outras palavras, não serão considerados como insumos passíveis de geração de créditos, aqueles que não estejam intrinsecamente associados ao processo produtivo da empresa produtora. Da mesma forma, por coerência lógica, não serão admitidos com bens passíveis de gerarem créditos a título de depreciação, aqueles que, apesar de Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10925.000376/200721 Acórdão n.º 310100.801 S3C1T1 Fl. 519 9 constantes do ativo imobilizado da pessoa jurídica, não estejam intrinsecamente associados ao processo produtivo do empreendimento. A esse passo, cabe dizer que as considerações expendidas pelo i. julgador a quo, ao meu sentir, estão bastante razoáveis, tanto no que tange ao ônus da prova como no que diz com o conceito de insumos para fins das contribuições do PIS e da COFINS não cumulativas, e nesse último aspecto, acorde com a jurisprudência dos tribunais. 1 DAS EMBALAGENS A recorrente diz que suas embalagens, mesmo servindo para transporte das maçãs que produz, não se caracterizam como tal, pois além de proteger o produto, tem efeitos promocionais, elevam as despesas, motivam a compra do produto em vista da marca apresentada, e servem de embalagem de apresentação, valorizando a marca e produto da recorrente, entre outros efeitos. Ademais, a legislação do PIS não faz as restrições apontadas. Relativamente à diferenciação entre embalagem de apresentação e embalagem de transporte, já cristalizada pela legislação do IPI, penso que tais conceitos são aplicáveis também às contribuições do PIS e COFINS não cumulativas, pois as leis instituidoras dos tributos quando tratam dos créditos passíveis de desconto das contribuições apuradas, no que tange aos insumos dos bens ou produtos destinados à venda, utiliza os verbos PRODUÇÃO e FABRICAÇÃO desses bens ou produtos, o que não autoriza pensar em insumos para diante dessas etapas comercialização e entrega (transporte). Essa matéria já foi tratada inclusive em nível de Tribunal Regional Federal da 4ª Região, e a lição passada é a que segue: 1 (...) o legislador estabeleceu a possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e de COFINS calculados em relação aos "insumos" adquiridos pela pessoa jurídica, assim considerados os bens e serviços utilizados na prestação de serviços e na fabricação de mercadorias destinadas à venda, nos termos do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. 3. Podese entender como insumo, portanto, todo bem que agrupado a outros componentes, qualifica, completa e valoriza o produto industrializado a que se destina. (...) TRF4 APELREEX 200772010002444; JOEL ILAN PACIORNIK; D.E. 25/11/2008 (...) II Estando as regras da nãocumulatividade das contribuições sociais afetas à definição infraconstitucional, concluise que: 1º) o conceito de "insumo" para definição dos bens e serviços que dão direito a creditamento na apuração do PIS e COFINS deve ser extraído do inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, sem vício das regras insertas nas Instruções Normativas SRF nº 247/02 (artigo 66, § 5º, I e II, inserido pela IN nº 358/03) e nº 404/04 (artigo 8º, § 4º, I e II), não havendo direito de creditamento sem qualquer limitação para abranger qualquer outro bem ou serviço que não seja diretamente utilizado na fabricação dos produtos destinados à venda ou na prestação dos serviços; (...) TRF3 AMS 200561000285868; JUIZ CONVOCADO SOUZA RIBEIRO; DJF3 CJ2 DATA:07/04/2009 PÁGINA: 442 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 10 TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. LEIS NºS 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DE INSUMOS. 1. A orientação da nãocumulatividade do PIS e da COFINS foi dada pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, por meio de concessão de créditos taxativamente previstos em seus preceitos para que sejam aproveitados por meio de dedução da contribuição incidente sobre o faturamento apurado na etapa posterior. 2. Nessa ordem, o legislador estabeleceu a possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e de COFINS calculados em relação aos "insumos" adquiridos pela pessoa jurídica, assim considerados os bens e serviços utilizados na prestação de serviços e na fabricação de mercadorias destinadas à venda, nos termos do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. 3. Podese entender como insumo, portanto, todo bem que agrupado a outros componentes, qualifica, completa e valoriza o produto industrializado a que se destina. Logo, as embalagens utilizadas especificamente para acondicionar mercadorias para transporte não estão abrangidas pela definição de insumos, porquanto não foram utilizadas no processo de industrialização e transformação do produto final. 4. A aplicação do princípio da nãocumulatividade do PIS e da COFINS em relação aos insumos utilizados na fabricação de bens e serviços não implica estender sua interpretação, de modo a permitir que sejam deduzidos, sem restrição, todos e quaisquer custos da empresa despendidos no processo de industrialização e comercialização do produto fabricado. 5. Apelação e remessa oficial providas. TRF4 APELREEX 200772010002444; JOEL ILAN PACIORNIK; D.E. 25/11/2008 (Grifouse). Quanto às glosas a título de embalagens utilizadas pela recorrente, o creditamento de elementos de transporte é confesso no que se refere às embalagens, são elas utilizadas para transportar os produtos industrializados aos clientes da recorrente, sem as quais (embalagens) não seria possível o desenvolvimento das suas atividades que não podem ser classificados como material de embalagem de apresentação do produto. Para evidenciar a impossibilidade de reconhecimento do direito pleiteado pela recorrente, no particular, vale a pena reproduzir excerto da decisão recorrida afeta ao assunto: Como da listagem das aquisições de embalagens objeto de glosas se pode inferir, a contribuinte escriturou aquisições de bens de variada ordem que, à evidência, denotam a adoção, por parte da contribuinte, do critério que defende, qual seja o de que toda e qualquer embalagem dá direito a crédito, por falta de restrição legal. Em razão disso, supõese, é que a contribuinte incluiu dentre as embalagens passíveis de crédito, várias peças de papelão (fundos lisos e tampas, em sua expressiva maioria), Fl. 10DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10925.000376/200721 Acórdão n.º 310100.801 S3C1T1 Fl. 520 11 em relação às quais nenhuma evidência há de que possam se caracterizar como "embalagem de apresentação". Em verdade, são descrições genéricas de partes de papelão, que talvez tenham sido assim contabilizadas justamente em razão, repita se, de que a contribuinte entende que quaisquer embalagens, de apresentação ou para transporte, geram créditos (com efeito, para quem entende que toda e qualquer embalagem dá direito a crédito, a distinção entre um tipo e outro deixa de ter maior relevância). Ocorre, porém, que como acima se viu, apenas as embalagens de apresentação é que geram o direito ao crédito, o que faz com que não se possa acatar como aptas à geração de créditos as aquisições de embalagens retromencionadas; é que estas, em face da impossibilidade de identificação específica de suas destinações, não permitem a definição acerca de qual delas poderia eventualmente gerar o direito ao crédito. DOS SERVIÇOS DE TRANSPORTES No que tange aos serviços de transporte, reconhece a recorrente que os conhecimentos de frete apresentados não continham a identificação e o endereço do remetente, constando apenas a expressão diversos, e pretende justificar tal situação como decorrência do regime especial de emissão de documentos fiscais, concedido pelo Estado de Santa Catarina aos transportadores que prestam serviços de fretes mensalmente à recorrente (transporte de frangos vivos ou de pintos de um dia). Ora, não obstante a existência de regime especial do Fisco do Estado de Santa Catarina para os transportadores nomeados pela recorrente, se ela pretende creditarse de tais serviços, à guisa de insumos para seus produtos, no regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS, tem o ônus de provar que tais serviços amoldamse não só às características de serviços utilizados na sua produção, mas também por pessoas caracterizadas como legítimas prestadoras de tais serviços. Como bem disse a decisão recorrida, apenas no caso em que todas as operações de fretes dessem direito a crédito, independentemente de quem é o prestador do serviço ou de quem é o fornecedor dos bens adquiridos, é que poderseia, aí sim, conceder o crédito com base em documentos que contêm imprecisões como as acima indicadas. Ante o exposto, voto por DESPROVER o recurso voluntário. Sala das Sessões, em 03 de junho de 2011. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 11DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 12 Fl. 12DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 11634.720837/2011-08
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
CONHECIMENTO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2.)
CONHECIMENTO. MATÉRIA JÁ DECIDIDA EM OUTRO PROCESSO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA.
Não é possível a rediscussão de matéria enfrentada em contencioso diverso cuja decisão já fez coisa julgada administrativa.
SOBRESTAMENTO OU SUSPENSÃO DO JULGAMENTO. MATÉRIA AFETADA POR RECONHECIMENTO DE REPERCUSSÃO GERAL PELO STF.
A afetação de matéria submetida a julgamento sob o rito de repercussão geral pelo STF não permite o sobrestamento do julgamento administrativo.
NULIDADE DO LANÇAMENTO EFETUADO NA PENDÊNCIA DE DECISÃO SOBRE A EXCLUSÃO DO SIMPLES.
A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. (Súmula Carf nº 77.)
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA.
A autoridade julgadora determinará, de ofício ou a requerimento da parte, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. O indeferimento motivado do pedido de diligência não implica cerceamento do direito de defesa. Diligências e perícias são instrumentos para esclarecer dúvidas da autoridade julgadora e não se prestam a substituir a parte no se encargo de produzir as provas que infirmem o lançamento.
Numero da decisão: 2002-008.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário interposto, não conhecendo das questões relacionadas à nulidade do lançamento realizado com base exclusivamente na movimentação financeira e a inaplicabilidade do art. 42 da Lei nº 9.430, de 2006, à ilegalidade da exclusão do Simples e das alegações de inconstitucionalidade (Súmula Carf nº 2). Por voto de qualidade, não conhecer da alegação acerca da multa, vencidos os conselheiros Marcelo de Freitas de Souza Costa e André Barros de Moura, que conheceram também a multa por entender que as alegações não são apenas de natureza constitucional. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sáteles - Presidente
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, André Barros de Moura, Marcelo de Sousa Sáteles (Presidente).
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONHECIMENTO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2.) CONHECIMENTO. MATÉRIA JÁ DECIDIDA EM OUTRO PROCESSO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. Não é possível a rediscussão de matéria enfrentada em contencioso diverso cuja decisão já fez coisa julgada administrativa. SOBRESTAMENTO OU SUSPENSÃO DO JULGAMENTO. MATÉRIA AFETADA POR RECONHECIMENTO DE REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. A afetação de matéria submetida a julgamento sob o rito de repercussão geral pelo STF não permite o sobrestamento do julgamento administrativo. NULIDADE DO LANÇAMENTO EFETUADO NA PENDÊNCIA DE DECISÃO SOBRE A EXCLUSÃO DO SIMPLES. A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. (Súmula Carf nº 77.) NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A autoridade julgadora determinará, de ofício ou a requerimento da parte, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. O indeferimento motivado do pedido de diligência não implica cerceamento do direito de defesa. Diligências e perícias são instrumentos para esclarecer dúvidas da autoridade julgadora e não se prestam a substituir a parte no se encargo de produzir as provas que infirmem o lançamento.
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ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2.) CONHECIMENTO. MATÉRIA JÁ DECIDIDA EM OUTRO PROCESSO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. Não é possível a rediscussão de matéria enfrentada em contencioso diverso cuja decisão já fez coisa julgada administrativa. SOBRESTAMENTO OU SUSPENSÃO DO JULGAMENTO. MATÉRIA AFETADA POR RECONHECIMENTO DE REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. A afetação de matéria submetida a julgamento sob o rito de repercussão geral pelo STF não permite o sobrestamento do julgamento administrativo. NULIDADE DO LANÇAMENTO EFETUADO NA PENDÊNCIA DE DECISÃO SOBRE A EXCLUSÃO DO SIMPLES. A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. (Súmula Carf nº 77.) NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A autoridade julgadora determinará, de ofício ou a requerimento da parte, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. O indeferimento motivado do pedido de diligência não implica cerceamento do direito de defesa. Diligências e perícias são instrumentos para esclarecer dúvidas da autoridade julgadora e não se prestam a substituir a parte no se encargo de produzir as provas que infirmem o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 08 37 /2 01 1- 08 Fl. 320DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-008.326 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720837/2011-08 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário interposto, não conhecendo das questões relacionadas à nulidade do lançamento realizado com base exclusivamente na movimentação financeira e a inaplicabilidade do art. 42 da Lei nº 9.430, de 2006, à ilegalidade da exclusão do Simples e das alegações de inconstitucionalidade (Súmula Carf nº 2). Por voto de qualidade, não conhecer da alegação acerca da multa, vencidos os conselheiros Marcelo de Freitas de Souza Costa e André Barros de Moura, que conheceram também a multa por entender que as alegações não são apenas de natureza constitucional. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles - Presidente (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, André Barros de Moura, Marcelo de Sousa Sáteles (Presidente). Relatório Tratam-se de lançamentos de contribuição previdenciária, parte patronal, Debcad nº 37.307.830-7, e a parte devida a terceiros, Debcad nº 37.307.831-5, decorrentes da exclusão do contribuinte dos sistemas de tributação Simples Federal e Simples Nacional, no período de 01/01/2007 a 31/12/2008. O lançamento foi impugnado (fls. 233 a 243) e a impugnação foi considerada improcedente (fls. 289 a 297). Manejou-se recurso voluntário (fls. 301 a 313) em que se arguiu: a) a suspensão do processo administrativa em face do reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral quanto à possibilidade de utilização de informações bancárias para o lançamento tributário, Tema 225; b) a nulidade dos lançamentos por terem sido efetuados na pendência da decisão acerca da manifestação de inconformidade de exclusão no Simples; c) a nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa em razão do indeferimento do pedido de produção de provas e realização de diligências; d) a nulidade do lançamento realizado com base exclusivamente na movimentação financeira e a inaplicabilidade do art. 42 da Lei nº 9.430, de 2006; e) a inconstitucionalidade da multa em razão do seu caráter confiscatório; f) a ilegalidade da exclusão do Simples. Fl. 321DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-008.326 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720837/2011-08 É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital, Relator. 1 Conhecimento O recurso é tempestivo. Dele não conheço, todavia, das alegações de inconstitucionalidade (Súmula Carf nº 2), inclusive da inconstitucionalidade da multa por ofensa ao princípio da vedação ao confisco. Também não conheço da questão relacionada à exclusão do Simples. Isso porque o contribuinte questionou os atos declaratórios DRF/LON nº 46 e nº 47, de 17/06/2011, que o excluíram do Simples Federal e do Simples Nacional, respectivamente, com efeitos a partir de 01/01/2007, no Processo nº 11634.720286/2011-74 e nele a matéria foi definitivamente decidida na esfera administrativa. Conforme consta do Acórdão nº 06-37.640, de 26/07/2012, da 2ª Turma da DRJ de Curitiba, o motivo da exclusão do Simples foi a receita incompatível, apurada com base na movimentação financeira da empresa: 2. O ADE nº 46, de 17/06/2011 foi expedido em face da Representação Fiscal de fls. 301¬303, onde restou comprovado que a contribuinte em análise, auferiu no ano calendário de 2006 movimentação bancária de R$16.456.958,68, sendo que deste montante, ofereceu à tributação apenas R$1.341.347,59. Após a análise das justificativas do contribuinte, foi considerado como receita omitida o importe de R$15.115.611,09, conforme detalhado na representação. A fundamentação para a emissão do ato foi afronta ao disposto no artigo 9º, inciso II e artigo 13, inciso II, da Lei nº 9.317, de 1996, com efeitos a partir de 01/01/2007. 3. Já o ADE nº 47, de 17/06/2011, foi emitido em face da mesma Representação Fiscal já mencionada e sob o mesmo argumento, com efeitos a partir de 01/07/2007, tendo como fundamento legal afronta ao disposto no artigo 12, inciso I da Resolução CGSN nº 4, de 30/05/2007 e artigo 5º, inciso IX e 6º, inciso VII, ambos da Resolução nº 15, de 23/07/2007. O contencioso em que o contribuinte contestou a exclusão do Simples e a forma de apuração do excesso de receita bruta, que se fundou em movimentação bancária, tramitou nos autos do Processo nº 11634.720286/2011-74, cujo deslinde está consubstanciado no Acórdão nº 1202-001.117, de 12 de março de 2014, da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Carf, que assim decidiu: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade; em NÃO CONHECER do pedido de perícia; e, no mérito, por maioria de votos, em DAR provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencido o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, que negava integralmente provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro João Bellini Junior. Fl. 322DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-008.326 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720837/2011-08 Naquele processo, discutiu-se a exclusão da empresa do Simples e, também, os motivos dessa exclusão, inclusive quanto à presunção legal da receita bruta, com base em depósitos bancários não justificados, com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Após a integração do Acórdão nº 1202-001.117, de 2014, com o Acórdão 1201- 001.770, de 20 de junho de 2017, que julgou os embargos opostos pelo recorrente e negou-lhe efeitos infringentes, fez-se coisa julgada administrativa. Portanto, não é possível a discussão, neste processo, das questões relacionadas ao enquadramento do contribuinte no Simples e nem aquelas relativas ao motivo determinante da exclusão, que foi o excesso de receita bruta além do limite estabelecido legalmente para empresas optantes, apurado com base em depósitos bancários não justificados. Portanto, não conheço das alegações de ilegalidade de exclusão do Simples e de nulidade do lançamento por utilizar presunção legal para determinação da receita bruta, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, porque essas questões já foram enfrentadas em outro contencioso cuja decisão fez coisa julgada administrativa. Conheço do restante do recurso. Registre-se que, abstraindo-se das questões relacionadas à exclusão do Simples, inclusive aquelas relativas aos motivos que a determinaram, o recorrente não se insurgiu contra qualquer outro aspecto do lançamento das contribuições previdenciárias, alegando apenas questões preliminares. 2 Preliminares 2.1 DA SUSPENSÃO DA MARCHA PROCESSUAL O recorrente alegou que, em face do reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral quanto à possibilidade de utilização de informações bancárias para o lançamento tributário, Tema 225, o processo deveria ter seu curso suspenso. Ocorre que, consoante art. 100 do Regimento Interno do Carf – Ricarf, o fato de o tema da lide estar afetado por julgamento sob o rito de repercussão geral não permite o sobrestamento do julgamento: Art. 100. A decisão pela afetação de tema submetido a julgamento segundo a sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos não permite o sobrestamento de julgamento de processo administrativo fiscal no âmbito do CARF, contudo o sobrestamento do julgamento será obrigatório nos casos em que houver acórdão de mérito ainda não transitado em julgado, proferido pelo Supremo Tribunal Federal e que declare a norma inconstitucional ou, no caso de matéria exclusivamente infraconstitucional, proferido pelo Superior Tribunal de Justiça e que declare ilegalidade da norma. Fl. 323DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-008.326 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720837/2011-08 2.2 DA NULIDADE DOS LANÇAMENTOS O recorrente alegou que os lançamentos deveriam ser anulados, porquanto efetuados na pendência do julgamento de manifestação de inconformidade acerca dos atos declaratórios que o excluíram do Simples Federal e do Simples Nacional. Sem razão, o recorrente. A Súmula Carf nº 77 esclarece que a discussão acerca da exclusão do Simples não impede o lançamento tributário decorrente: A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. 2.3 DA NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA O recorrente alegou a nulidade da decisão recorrida porque não deferiu os pedidos de diligência feitos na peça impugnatória. As diligências e perícias são instrumentos para esclarecer os julgadores sobre fatos processuais. Não se prestam a substituir a parte na produção de provas a seu cargo. O art. 18 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, deixa claro que a realização de diligência ou perícia somente ocorre quando a autoridade julgadora entender que sejam necessárias: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) No presente caso, a autoridade julgadora de primeira instância, ao negar os pedidos e decidir a partir das provas dos autos, entendeu desnecessário o aditamento da instrução processual. Além disso, negou o pedido de diligência para oitiva de testemunha por ausência dos requisitos previstos no inc. IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1976. Quanto ao pedido de produção de prova documental, a decisão recorrida esclareceu que, a teor do que consta do art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1976, a impugnação deveria ter sido apresentada já instruída com os documentos em que se fundamentou, precluindo-se o direito de fazê-lo posteriormente, como estabelece o § 4º do art. 16 daquele decreto, salvo exceções que não se aplicam ao caso. O recorrente alegou ter requerido a diligência para obter elementos a contrapor a presunção de receita prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ocorre que o dispositivo é cristalino ao determinar que o ônus probatório a afastar a presunção legal é inteiramente do contribuinte, ao estabelecer que a omissão de receita restará presumida quando, intimada, a pessoa física ou jurídica deixar de comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Claro está, portanto, que essa prova não deve e não pode ser feita pela autoridade julgadora, mediante diligência na fase contenciosa. Portanto, não vislumbro a nulidade alegada por indeferimento dos pedidos de produção de provas que competia ao contribuinte carrear aos autos. A propósito, aplica-se ao caso a Súmula Carf nº 163: Fl. 324DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-008.326 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720837/2011-08 O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Conclusão Voto por conhecer, em parte, do recurso, não conhecendo das questões relacionadas à nulidade do lançamento realizado com base exclusivamente na movimentação financeira e a inaplicabilidade do art. 42 da Lei nº 9.430, de 2006, à ilegalidade da exclusão do Simples e das alegações de inconstitucionalidade (Súmula Carf nº 2). Na parte conhecida, voto por afastar as preliminares e negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital Fl. 325DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10950.001454/2002-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 3º trimestre de 2001
IPI. RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO
PARA RESSARCIMENTO PIS-PASEP E COFINS. BASE DE
CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS.
No regime da Lei 9.363, de 1996, os insumos correspondentes a matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas integram a base de cálculo do crédito presumido.
Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda e do Superior Tribunal de Justiça.
IPI. RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO
PARA RESSARCIMENTO PIS-PASEP E COFINS. BASE DE
CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA.
Antes da vigência e da opção do contribuinte pelo regime alternativo oferecido pela Lei 10.276, de 2001, não há se falar em inclusão do montante da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda dentre os custos que integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI.
IPI. RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO
PARA RESSARCIMENTO PIS-PASEP E COFINS. ATUALIZAÇÃO
MONETÁRIA. TAXA SELIC.
Carece de amparo legal a atualização monetária dos créditos do IPI decorrentes do princípio constitucional da não-cuumlatividade
(créditos escriturais). Resistência oposta pelo fisco em face da utilização do direito de crédito de IPI descaracteriza esse crédito como escritural. Para evitar o enriquecimento sem causa da Fazenda Nacional, exsurge a legitimidade da atualização dos créditos presumidos do IPI pela taxa Selic, desde a data do
protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento em dinheiro ou a supressão dos óbices opostos pelo fisco contra pretendida compensação. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda e do Superior Tribunal de Justiça.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3101-000.741
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial
provimento ao recurso voluntário, para: (1) INCLUIR na base de cálculo do crédito presumido, as matérias-primas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas; (2) CONCEDER a atualização dos créditos presumidos do IPI
pela taxa Selic, a partir do protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento em dinheiro ou a supressão dos óbices opostos pelo fisco contra pretendida compensação.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: TARASIO CAMPELO BORGES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 3º trimestre de 2001 IPI. RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PISPASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. No regime da Lei 9.363, de 1996, os insumos correspondentes a matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas integram a base de cálculo do crédito presumido. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda e do Superior Tribunal de Justiça. IPI. RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PISPASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Antes da vigência e da opção do contribuinte pelo regime alternativo oferecido pela Lei 10.276, de 2001, não há se falar em inclusão do montante da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda dentre os custos que integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI. IPI. RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PISPASEP E COFINS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Carece de amparo legal a atualização monetária dos créditos do IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocuumlatividade (créditos escriturais). Resistência oposta pelo fisco em face da utilização do direito de crédito de IPI descaracteriza esse crédito como escritural. Para evitar o enriquecimento sem causa da Fazenda Nacional, exsurge a legitimidade da atualização dos créditos presumidos do IPI pela taxa Selic, desde a data do protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento em dinheiro ou a supressão Fl. 219DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 10/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 10950.001454/200292 Acórdão nº 310100.741 S3C1T1 Fl. 201 _________ dos óbices opostos pelo fisco contra pretendida compensação. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda e do Superior Tribunal de Justiça. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para: (1) INCLUIR na base de cálculo do crédito presumido, as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas; (2) CONCEDER a atualização dos créditos presumidos do IPI pela taxa Selic, a partir do protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento em dinheiro ou a supressão dos óbices opostos pelo fisco contra pretendida compensação. Henrique Pinheiro Torres Presidente Tarásio Campelo Borges Relator Formalizado em: 10/05/2011 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges e Valdete Aparecida Marinheiro. Fl. 220DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 10/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 10950.001454/200292 Acórdão nº 310100.741 S3C1T1 Fl. 202 _________ Relatório Cuidase de recurso voluntário contra acórdão unânime da Segunda Turma da DRJ Ribeirão Preto (SP) que rejeitou parcialmente [1] manifestação de inconformidade [2] contra indeferimento de pedidos de ressarcimento de crédito presumido do imposto sobre produtos industrializados (IPI), para ressarcimento do PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo de mercadorias exportadas para o exterior, benefício fiscal instituído pela Lei 9.363, de 13 de dezembro de 1996. O ressarcimento ora discutido, apurado no 3º trimestre de 2001, está atrelado a declarações de compensação com débitos de natureza tributária administrados pela RFB [3]. Indeferido parte do pedido pela Delegacia da Receita Federal competente [4], a interessada tempestivamente manifestou sua inconformidade. Adoto e reproduzo o trecho do relatório do aresto do órgão a quo: [...] manifestação de inconformidade de fls. 91/111, alegando, em resumo, o seguinte: 1. Requer a conexão dos processos relativos aos primeiro, segundo e terceiro trimestres de 2001, pois a decisão de um interfere no resultado de outro; 2. Há erros de cálculo na planilha elaborada no item 9 do Despacho Decisório (fl. 77), relativo ao cálculo dos insumos aplicados nos produtos fabricados, pois a auditoria excluiu o estoque duas vezes, em janeiro e setembro, distorcendo o resultado; 3. Defende o direito à inclusão dos insumos adquiridos de pessoas físicas, sustentando que a legislação não limita o seu direito; requer seja afastada a aplicabilidade do art. 2º da IN SRF nº 303/2003, por ser posterior ao período em análise; transcreve jurisprudência administrativa em seu favor; 4. Alega que tem o direito à atualização do crédito presumido através da taxa SELIC. Em 13/02/2008, mediante a Resolução nº 1.003 desta Turma de Julgamento (fls. 129/131), o processo foi encaminhado à Delegacia da Receita 1 Inteiro teor do acórdão recorrido às folhas 154 a 165. 2 Manifestação de inconformidade acostada às folhas 91 a 111 e 148 a 151. 3 Pedidos de ressarcimento e declarações de compensação eletrônicos acostados às folhas 1, 58 a 60 e 79 a 82. Data protocolo do pedido: 2 de abril de 2002. 4 Indeferimento do ressarcimento às folhas 86 a 88. Fl. 221DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 10/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 10950.001454/200292 Acórdão nº 310100.741 S3C1T1 Fl. 203 _________ Federal em Maringá para a realização de diligência fiscal, a fim de esclarecer, no cálculo do benefício, sobre os valores alocados como matériasprimas consumidas nos meses de janeiro a setembro de 2001, e a origem do valor de R$ 3.976.964,14 excluído como estoque com base no inciso III, do art. 4º da IN SRF nº 69/2001. A Delegacia de origem elaborou a informação fiscal de fls. 139/143, na qual realizou a revisão do cálculo do crédito presumido, com o detalhamento dos valores de matériasprimas, por mês. Informa o auditor diligenciador que na revisão excluiu os valores referentes à industrialização efetuada por terceiros, valores estes que não haviam sido excluídos no cálculo inicial. Concluiu que o valor correto do direito creditório da interessada é de R$ 204.021,43, e que as compensações pleiteadas podem ser homologadas até este valor, na forma demonstrada à fl. 142. Cientificada, a interessada se manifestou às fls. 148/151, alegando que: 1. A auditoria deveria ter se limitado ao cumprimento do que foi determinado pela Resolução da Delegacia de Julgamento, e não podia efetuar novas exclusões no cômputo da base de cálculo; 2. As novas exclusões devem ser desconsideradas, pois afrontam os princípios gerais do processo; 3. Embora a fiscalização tenha utilizado critério diferente para a apuração dos estoques, concorda com os valores utilizados a título de estoques inicial e final; 4. Contesta a exclusão dos valores de industrialização efetuada por terceiros, apresentando jurisprudência do Conselho de Contribuintes em seu favor; 5. O auditor excluiu em duplicidade o valor das importações em trimestres anteriores, o que prejudica o cálculo do trimestre em tela; 6. Reitera as razões expostas anteriormente na manifestação de inconformidade em relação às aquisições de pessoas físicas. Por fim, requer o provimento do recurso. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão consubstanciados na ementa que transcrevo: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. São glosados os valores referentes a aquisições de insumos de pessoas físicas, não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS, pois, conforme a legislação de regência, os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Fl. 222DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 10/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 10950.001454/200292 Acórdão nº 310100.741 S3C1T1 Fl. 204 _________ É incabível a concessão do estímulo Fiscal acrescido de juros de mora pela taxa SELIC, por ausência de autorização legal. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. O valor referente ao beneficiamento dos insumos, efetuado por terceiros, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido, uma vez que se trata de prestação de serviços, que não está compreendida no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. Solicitação Deferida em Parte Ciente do inteiro teor desse acórdão, recurso voluntário foi interposto às folhas 174 a 197. Nessa petição, PRELIMINARMENTE, postula a conexão dos processos 10950.003963/200179, 10950.003964/200113 e 10950.001454/200292. No MÉRITO, assevera: (1) erro no cálculo do crédito presumido do trimestre provocado por exclusão em duplicidade, nos trimestres anteriores, de aquisições de insumos no mercado externo; (2) indevida glosa de insumos, porque adquiridos de pessoas físicas; (3) indevida glosa de valores relativos ao pagamento de industrialização por terceiros; e (4) descabido indeferimento da atualização de seus créditos pela taxa Selic. A autoridade competente deu por encerrado o preparo do processo e encaminhou para a segunda instância administrativa [5] os autos posteriormente distribuídos a este conselheiro e submetidos a julgamento em único volume, ora processado com 199 folhas. É o relatório. 5 Despacho acostado à folha 199 determina o encaminhamento dos autos para o outrora denominado Segundo Conselho de Contribuintes. Fl. 223DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 10/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 10950.001454/200292 Acórdão nº 310100.741 S3C1T1 Fl. 205 _________ Voto Conselheiro Tarásio Campelo Borges (Relator) Conheço do recurso voluntário interposto às folhas 174 a 197, porque tempestivo e atendidos os demais requisitos para sua admissibilidade. Versa o litígio, conforme relatado, acerca do indeferimento parcial de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI, para ressarcimento do PISPasep e da Cofins incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de MP, PI e ME utilizados no processo produtivo de mercadorias exportadas para o exterior, benefício fiscal instituído pela Lei 9.363, de 13 de dezembro de 1996. Preliminarmente, tenho por prejudicado o pretendido reconhecimento de conexão processual, porquanto os processos 10950.003963/200179 e 10950.003964/200113 já foram julgados, em sessão de 8 de dezembro de 2010, pela Segunda Turma Especial (3802) desta Terceira Seção de Julgamento, sob a relatoria da conselheira Mara Cristina Sifuentes. No mérito, são quatro as questões remanescentes: (1) exclusão em duplicidade de aquisições de insumos no mercado externo; (2) glosa de insumos adquiridos de pessoas físicas; (3) glosa de industrialização por terceiros; e (4) atualização dos créditos pela taxa Selic. Na primeira das quatro questões, a recorrente denuncia erro no cálculo do crédito presumido do trimestre por exclusão em duplicidade, nos trimestres anteriores, de aquisições de mercadorias no mercado externo. Nada obstante, esse defeito já foi reparado no quadro demonstrativo de folha 140, fato consignado nos fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido [6], senão vejamos: INSUMOS IMPORTADOS A interessada alega que na revisão dos cálculos elaborada na informação fiscal de fls. 139/143, o auditor cometeu um equívoco ao excluir em duplicidade o valor das importações de insumos nos dois primeiros trimestres do ano, e que isto causaria prejuízo para o cálculo do 3º trimestre. Entretanto, ao se verificar o quadro demonstrativo à fl. 140, constatase que o próprio auditor já 6 Voto condutor do acórdão recorrido, folha 164, título INSUMOS IMPORTADOS. Fl. 224DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 10/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 10950.001454/200292 Acórdão nº 310100.741 S3C1T1 Fl. 206 _________ corrigiu o equívoco, colocando os valores corretos para fevereiro, março e abril, meses estes em que havia excluído as importações em duplicidade. Essa mencionada correção do equívoco pelo próprio auditor no quadro demonstrativo de folha 140 é fato não controvertido pela recorrente. A propósito da exclusão em duplicidade, o recurso voluntário contém meras alegações genéricas [7], senão vejamos: III.a) Do erro no cálculo do crédito presumido 8. Conforme já argumentado, o presente trimestre sofre prejuízo de cálculo referente à indevida exclusão de aquisições de mercadoria no mercado externo (importações) realizadas em duplicidade nos trimestres anteriores, conforme demonstrado nos respectivos processos, circunstância que deve ser sanada, sob pena de colocar em grave prejuízo a Requerente. 9. Por este motivo, requer sejam adequados os valores relativos aos trimestres anteriores, na forma acima mencionada em razão de seu reflexo direito no cálculo do presente processo. Como o reparo do defeito referido no julgamento de primeira instância não é matéria controvertida, entendo operada a preclusão e não conheço das evasivas razões do recurso, neste particular. No que respeita ao segundo ponto de mérito da peça recursal, glosa de insumos adquiridos de pessoas físicas, entendo carente de reparo o acórdão recorrido. Com efeito, no regime da Lei 9.363, de 1996, a descabida exclusão, da base de cálculo do crédito presumido, de insumos correspondentes a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, tão somente porque adquiridos de pessoas físicas, é tema já pacificado, em favor dos contribuintes, tanto pela Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda quanto pelo Superior Tribunal de Justiça, cujo Recurso Especial 993.164, da relatoria do Ministro Luiz Fux, aguarda trânsito em julgado em procedimento previsto para os recursos repetitivos [8]. Quanto ao terceiro ponto do recurso voluntário, o acórdão recorrido não merece reparos. In casu, no regime da Lei 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a base de cálculo do crédito presumido é o valor total das aquisições, para uso no processo produtivo, de matériasprimas, de produtos intermediários e de materiais de embalagem [9]. A possibilidade de aproveitamento dos valores relativos ao pagamento de industrialização por encomenda para compor a base de cálculo do crédito presumido do IPI instituído pela Lei 9.363, de 1996, é inovação somente introduzida no nosso ordenamento jurídico quando criado o regime alternativo oferecido pela Lei 10.276, de 10 de setembro de 2001, verbis: 7 Recurso voluntário, folha 176. 8 Recurso Especial julgado em 13 de dezembro de 2010. Embargos de declaração pendentes de julgamento. 9 Lei 9.363, de 1996, artigo 2º c/c artigo 1º. Fl. 225DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 10/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 10950.001454/200292 Acórdão nº 310100.741 S3C1T1 Fl. 207 _________ Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. Consequentemente, antes da vigência e da opção do contribuinte pelo regime alternativo de que cuida a Lei 10.276, de 2001, não há se falar em inclusão do “valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda” [10] dentre os custos que integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI. Por fim, trago ao colegiado a discutida atualização dos créditos presumidos pela taxa Selic. É certo que carece de amparo legal a atualização monetária dos créditos do IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade. São os denominados créditos escriturais, porque lançados pelo próprio sujeito passivo da obrigação tributária em seus livros fiscais. No entanto, no julgamento do REsp 1.035.847 (RS) [11], sob a relatoria do Ministro Luiz Fux, em procedimento previsto para os recursos repetitivos, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de considerar que a resistência oposta pelo fisco em face da utilização do direito de crédito de IPI retira desse crédito a sua natureza escritural. Assim, para evitar o enriquecimento sem causa da Fazenda Nacional, exsurge a legitimidade da atualização dos créditos presumidos do IPI pela taxa Selic, desde a data do protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento ou supressão dos óbices opostos pelo fisco contra pretendida compensação. Nesse sentido, outros precedentes da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça [12]: 10 Lei 10.276, de 2001, artigo 1º, § 1º, inciso II. 11 REsp 1.035.847 (RS), julgado em 24 de junho de 2009, DJe de 3 de agosto de 2009. 12 REsp 1.035.847 (RS), ementa, item 4. Fl. 226DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 10/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 10950.001454/200292 Acórdão nº 310100.741 S3C1T1 Fl. 208 _________ EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008. Do âmbito administrativo, cito precedente da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda: Acórdão 930301.377, de 4 de abril de 2011, unânime, da lavra do Presidente e relator Henrique Pinheiro Torres. Com essas considerações, dou parcial provimento ao recurso voluntário para: (1) INCLUIR na base de cálculo do crédito presumido, as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas; e (2) CONCEDER a atualização dos créditos presumidos do IPI pela taxa Selic, a partir do protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento em dinheiro ou a supressão dos óbices opostos pelo fisco contra pretendida compensação. Tarásio Campelo Borges Fl. 227DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 10/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES
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Numero do processo: 18471.001339/2005-65
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2000
NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS PARA ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Para conhecimento do recurso especial, é necessário que o recorrente comprove divergência jurisprudencial, mediante a apresentação de acórdão paradigma em que, discutindo-se a mesma matéria posta na decisão recorrida, em caso semelhante, o colegiado tenha aplicado a legislação tributária de forma diversa. Hipótese em que a divergência suscitada não se refere a casos semelhantes, havendo relevantes diferenças nos cenários analisados pelo acórdão recorrido e pelo paradigma colacionado.
Numero da decisão: 9303-014.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial interposto pelo Contribuinte.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Vinícius Guimarães, Tatiana Josefovicz Belisário, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Alexandre Freitas Costa, Cynthia Elena de Campos (suplente convocada), e Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial interposto pelo Contribuinte. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Vinícius Guimarães, Tatiana Josefovicz Belisário, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Alexandre Freitas Costa, Cynthia Elena de Campos (suplente convocada), e Liziane Angelotti Meira (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2000 NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS PARA ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Para conhecimento do recurso especial, é necessário que o recorrente comprove divergência jurisprudencial, mediante a apresentação de acórdão paradigma em que, discutindo-se a mesma matéria posta na decisão recorrida, em caso semelhante, o colegiado tenha aplicado a legislação tributária de forma diversa. Hipótese em que a divergência suscitada não se refere a casos semelhantes, havendo relevantes diferenças nos cenários analisados pelo acórdão recorrido e pelo paradigma colacionado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial interposto pelo Contribuinte. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Vinícius Guimarães, Tatiana Josefovicz Belisário, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Alexandre Freitas Costa, Cynthia Elena de Campos (suplente convocada), e Liziane Angelotti Meira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 13 39 /2 00 5- 65 Fl. 3232DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-014.720 - CSRF/3ª Turma Processo nº 18471.001339/2005-65 Relatório Trata-se de Recurso Especial de divergência interposto pelo Contribuinte contra a decisão consubstanciada no Acórdão n o 1302-001.795, de 01/03/2016 (fls. 2.778 a 2.800) 1 , proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF, que unanimemente deu parcial provimento ao Recurso Voluntário apresentado. Breve síntese do processo O processo versa sobre Autos de Infração de fls. 122 a 146, em que são exigidos o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ, a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL, a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, com multa de ofício (75%) e juros de mora. O lançamento decorre de fatos descritos no Anexo ao Auto de Infração (fls. 118 a 121 e 123 a 127), informando que foram apuradas a seguintes infrações: 001 - Omissão de Receitas (Receitas não Contabilizadas), em virtude da substituição de itens em estoque sem registro de aquisição de novos e também da baixa de equipamentos antigos que estavam em estoque, sem emissão de nota fiscal; 002 - Omissão de Receitas (Matéria-Prima e Outros Insumos não Contabilizados), que constitui Omissão de Receita Operacional devida a não contabilização da aquisição de mercadorias; 003 - Custos ou Despesas Não Comprovadas (Glosa de Custos) - não comprovação de despesas contabilizadas na conta 312.89.120 e na conta 312.29.140 (Contas Baixadas Faturamento); 004 - Custos ou Despesas Não Comprovadas (Glosa de Despesas), decorrente do fato de a empresa ter contabilizado na conta 312.89.150 (Perda por não Pagamento de Assinantes) como despesa de Perda de Crédito; 005 - Despesa com Assistência Técnica, Cientifica ou Tecnológica (Beneficiário no Exterior / Inobservância dos Requisitos Legais), a fiscalização apurou que empresa deduziu indevidamente como despesa de Assistência Técnica Tel. Mov. com pessoa jurídica domiciliada no exterior, conta 313.31.610 (falta de comprovação da efetividade dos serviços prestados, infringindo o disposto nos art. 352 a 354 do RIR199); e 006 - Despesas Indedutíveis, em face de ter a fiscalizada contabilizado indevidamente como despesa a doação na conta 312.89.820 os valores distribuídos através de cartões de celular pré-pagos, sob a alegação de ter sido cortesia. Os Autos de Infração relativos à Contribuição para o PIS/PASEP, à COFINS e à CSLL foram lavrados em decorrência da apuração das infrações que ensejaram o lançamento principal, de IRPJ. Cientificada dos Autos de Infração, a empresa apresentou a Impugnação (fls. 167 a 182), argumentando, em síntese, que: (a) há nulidade dos lançamentos por suposto cerceamento ao direito de defesa, em virtude de não sido concedida dilação de prazo; (b) a jurisprudência é pacifica no sentido de que o prazo decadencial é de 5 anos, contados do fato gerador sendo o fato gerador do IRPJ e da CSLL de bases mensais/trimestrais, bem como suas formas de pagamento, não havendo que se exigir o pagamento do IR e das Contribuições relativas aos meses de Janeiro a Setembro de 2000, porque atingidas pela decadência (fundamentando no disposto no art. 150, § 4 o , do CTN); (c) é necessária a realização de perícia/diligência, indicando nome do perito, seu endereço e os quesitos, em consonância com a disposição legal do art. 16 do Decreto n o 70.235/1972; (d) quanto à infração 001 - Omissão de 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (e-processos). Fl. 3233DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-014.720 - CSRF/3ª Turma Processo nº 18471.001339/2005-65 Receitas (Receitas não Contabilizadas), cuja autuação deu-se em razão de a empresa fiscalizada ter contabilizado diretamente compras e vendas de aparelhos celulares sem discriminação de modelo, número de serie, valor unitário, na conta 32081290 (Out. Perdas Baixadas Alm. Operação), sem identificar a baixa no estoque, alega que em decorrência do novo sistema contábil (SAP - parametrização do módulo MM), adotou procedimentos para receber o novo sistema, transferindo os saldos das contas patrimoniais da antiga nomenclatura para a nova, utilizou em contra partida a conta de despesa 320.81.290, debitando e creditando o mesmo valor no exercício; (e) relativamente à infração 002 - Omissão de Receitas (Matéria-Prima e Outros Insumos não Contabilizados), alegou que na compra de uma determinada quantidade de produtos de seus fornecedores, faz jus a uma bonificação (em aparelhos) estipulada em dólares americanos, da LG ELECTRONICS, contabilizada a crédito da conta de despesa 320.81.290 (Perdas Baixadas Almoxarifado) em contra partida da conta 112.31.310 (Contas a Receber), e que, ato continuo, debitou a conta de estoque (112.76.100) pelo valor equivalente dos aparelhos recebidos, em contra partida da conta 112.31.310 (Contas a Receber), não tendo havido a alegada "omissão de receita"; (f) quanto à infração 003 - Custos ou Despesas Não Comprovadas (Glosa de Custos), alega que mantém milhares de contratos de prestação de serviços de telefonia, e seus registros contábeis, até pela estrutura da empresa e pela complexidade na localização das receitas por mês de competência, em confronto com as perdas contabilizadas por cliente, não permite buscar, com a rapidez desejada, as informações solicitadas pela fiscalização, não sendo foi possível atender a intimação da fiscalização, em virtude de não ter sido concedida a dilação de prazo, e que a legislação do IRPJ permite a dedução das perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica (art. 340 do RIR/1999); (g) no tocante à infração 004 - Custos ou Despesas Não Comprovadas (Glosa de Despesas), limitou-se a dizer que, considerando a complexidade do sistema e o exíguo prazo para cumprimento da intimação nos moldes solicitados, solicitava prazo de 75 (setenta e cinco) dias para desenvolver um programa especifico capaz de detalhar as informações desejadas, o que não foi concedido pela Fiscalização; e que as perdas efetivamente ocorreram em decorrência das fraudes (linhas clonadas) e do cancelamento de faturas emitidas em duplicidade; (h) quanto à infração 005 - Despesa com Assistência Técnica, Cientifica ou Tecnológica (Beneficiário não Identificado / Inobservância dos Requisitos Legais), argumenta que em 10/01/2000 formalizou junto ao INPI processo de consulta e posterior averbação do Contrato de Prestação de Serviços de Consultoria celebrado com a TISA, e o INPI solicitou esclarecimentos a fim de dar continuidade ao pedido de averbação, e que os serviços de assistência técnica na área de telefonia ajustam-se ao conceito de despesa necessária a atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte; e (i) no que concerne ao item 006 - Despesas Indedutíveis, afirma que a doação trata-se de custo de produção de bens e dos serviços prestados, constituindo redução da receita bruta (art. 290 do RIR199, c/c art. 187 da Lei 6.404/1976). O contencioso foi julgado pela DRJ/Rio de Janeiro I/RJ, por meio do Acórdão n o 09-764, de 09/03/2006 (fls. 498 a 519), no qual se considerou improcedente a Impugnação, sob os seguintes fundamentos: (a) não houve nulidade do lançamento; (b) inicia-se a contagem do período decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia vir a ser lançado, na forma do inciso I do artigo 173 do CTN; (c) não se concede a realização de perícia ou a juntada posterior de documentos; e (d) são, portanto, procedentes os lançamentos nos valores consignados nos respectivos Autos de Infração. Cientificado do Acórdão da DRJ, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 556 a 573) reprisando os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade, reforçando, Fl. 3234DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-014.720 - CSRF/3ª Turma Processo nº 18471.001339/2005-65 em resumo: (a) a demanda por perícia, entendendo a não realização como cerceamento do direito de defesa; (b) que, com o advento da Lei 8.383/1991, o IR das pessoas jurídicas passou a ser devido mensalmente, à medida que os lucros fossem auferidos e, portanto, com a obrigatoriedade de as empresas apurarem a base de cálculo e o imposto devido a cada mês, sendo que, nenhuma solução de continuidade houve com a superveniência das Leis 8.541/1992 e 8.981/1995, que mantiveram o sistema de bases correntes para as pessoas jurídicas; (c) que, relativamente à CSLL, determinam os diplomas legais acima citados que a ela aplicam-se as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ (art. 38 da Lei 8.541/1992 e art. 57 da Lei 8.981/1995); e (d) que os Autos de infração foram lavrados em 18/10/2005, tendo o Contribuinte tomado ciência em 20/10/2005, e nele foram lançados fatos geradores de janeiro a e setembro de 2000; logo, nos termos do §4 o do art. 150 do CTN, operou-se a preclusão total, decaindo o direito de a Fazenda Nacional constituir o suposto crédito tributário, não havendo, assim, que se exigir o pagamento do IRPJ e das Contribuições relativas aos meses de janeiro a setembro de 2000, porque atingidos pela decadência. Com a Petição de 17/12/2008 à fl. 1.839, o Contribuinte requereu a juntada de documentos anexos - Relatório da Diligência determinada pela Quinta Câmara nos autos do PAF 18471.001408/2005-31 (também do Contribuinte), às fls. 1.840 e seguintes, a fim de subsidiar as informações prestadas na petição protocolada naqueles autos. Os autos, então, vieram ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário, e a Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário, resolveu converter o julgamento em Diligência (Resolução n o 103-01.898, de 17/12/2008 (fls. 2.015 a 2.034), “a fim de franquear ao contribuinte uma derradeira oportunidade, no âmbito administrativo, de reunir e apresentar a comprovação hábil das despesas glosadas relativas aos os itens 3 e 4 da autuação”. Em resposta à Diligência solicitada pelo Conselho, a DRF/Londrina/PR, procedeu à Informação Fiscal, de 06/06/2012, às fls. 2.343 a 2.345. O processo foi devolvido ao CARF para prosseguimento do julgamento. Em 10/06/2013, o julgamento foi novamente convertido em Diligência (Resolução n o 1302-000.249, fls.2.381 a 2.384), para que a DRF/Londrina/PR desse ciência do resultado da referida Diligência (Informação Fiscal) ao Contribuinte e lhe concedesse prazo para se manifestar nos autos. Cientificado do resultado da Diligência, o Contribuinte se manifestou nos autos, conforme documento as fls. 2.389 a 2.397. Em 07/01/2014, o Contribuinte apresentou nova Petição (às fls. 2.481 a 2.488), na qual informou que desiste parcialmente do recurso voluntário de forma irretratável, renunciando expressamente ao direito sobre o qual se funda o processo administrativo exclusivamente em relação aos seguintes itens: “item 005” do Auto de Infração relativo ao IRPJ, capitulado como "Despesas com Assistência Técnica, Científica ou Tecnológica", bem como o lançamento de CSLL decorrente; e “item 006” do Auto de Infração relativo ao IRPJ, capitulado como "Despesas Indedutíveis", bem como lançamento de CSLL decorrente. Na mesma petição, requer o prosseguimento no julgamento do recurso voluntário. Em 03/06/2014, a Turma julgadora converteu novamente o julgamento em Diligência (Resolução n o 1302-000.318, às fls. 2.548/2.549), para que a Unidade de Origem informasse se houve a efetiva quitação dos referidos débitos, juntando aos autos o Despacho de deferimento de pagamento à vista dos valores lançados. Fl. 3235DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-014.720 - CSRF/3ª Turma Processo nº 18471.001339/2005-65 Em 08/01/2014, em Petição endereçada à DEMAC/SP (fls. 2.551 a 2.616), a Contribuinte informa/detalha os valores dos débitos pagos (com os encargos legais) aproveitando dos benefícios no âmbito do REFIS - Lei 11.941/2013 (junta cópia de documentos). Os autos retornaram ao CARF, e o Colegiado exarou a decisão consubstanciada no Acórdão n o 1302-001.795, de 01/03/2016, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: (a) para rejeitar a arguição de nulidade da decisão da DRJ; (b) para indeferir o pedido de conexão processual; (c) para acolher parcialmente a arguição de Decadência; (d) para dar provimento ao Recurso Voluntário relativamente aos itens 001 e 002 do Auto de infração de IRPJ; e (e) para negar provimento relativamente ao item 004 do Auto de Infração de IRPJ. Destaca que, não há créditos tributários extintos pela decadência nos lançamentos do IRPJ e da CSLL. Quanto a decadência, no que toca aos créditos de COFINS e de Contribuição para o PIS/PASEP, aplica-se o prazo de 5 (cinco) anos estabelecido no art. 150, § 4 o , do CTN, uma vez que que o art. 45 da Lei 8.212/1991 já foi definitivamente declarado inconstitucional pelo STF (Súmula Vinculante 8). Logo, restou extinto pela decadência o crédito relativo ao fato gerador de 31/03/2000 (referente à Omissão de Receita Operacional). Cientificada do Acórdão 1302-001.795, a Fazenda Nacional opôs os Embargos de declaração de fls. 2.802 a 2.810, aduzindo, em síntese, a existência de omissão no julgado, uma vez que não foi indicada a existência de recolhimentos parciais dos tributos exigidos (PIS e COFINS) para o período reconhecido como decaído (fato gerador ocorrido em 31/03/2000). Ao analisar o recurso, em Despacho em embargos de 21/06/2016, exarado pelo Presidente da 2ª Turma Ordinária (fls. 2.813 a 2.815), entendeu-se que, como foi afastada a aplicação do art. 45 da Lei 8.202/1991, a decisão embargada incorreu em omissão ao não reproduzir o disposto no REsp 973.733, para fins de fixação da regra decadencial aplicável ao caso, conforme exige o RICARF. Desta forma foram admitidos os Embargos opostos. Os autos retornaram para julgamento dos Embargos e a Turma julgadora, resolveu converter mais uma vez os autos em Diligência, conforme Resolução n o 1302-000.485, de 11/04/2017 (fls. 2.836 a 2.842), para que a Unidade de Origem informasse se consta para o CNPJ da Contribuinte, no Sistema sinal pagamento, recolhimento de COFINS e PIS referentes ao fato gerador de março de 2000. No Relatório de fl. 2.845, a autoridade administrativa responsável pela Diligência informou que, para o período de apuração de março de 2000, constam pagamentos de PIS, no valor de R$894.154,26 e COFINS, no valor de R$4.126.865,81, em nome do Contribuinte. O Contribuinte apresentou Manifestação sobre a Diligência, reafirmando que, ante a confirmação do recolhimento, é inquestionável a aplicação da regra decadencial prevista pelo art. 150, § 4 o do CTN (fls. 2.865 a 2.868). Os autos retornaram ao CARF e a Turma julgadora prolatou o Acórdão (Embargos) n o 1302-002.869, de 14/06/2018 (fls. 2.887 a 2.892), entendendo que assiste razão ao Embargante, motivo pelo qual conheceu dos Embargos e os acolheu, sem efeitos infringentes, para suprir a omissão quanto à fundamentação do reconhecimento da decadência dos lançamentos de PIS e COFINS, forte no § 4 o do art. 150 do CTN, uma vez que decorre do entendimento do REsp 973.733/SC, que fixa que o termo inicial para a contagem do prazo Fl. 3236DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-014.720 - CSRF/3ª Turma Processo nº 18471.001339/2005-65 decadencial, nos casos de lançamento por homologação com pagamento antecipado pelo contribuinte, é o fato gerador do tributo. Cientificado, em 05/02/2019 o Contribuinte apresentou os Embargos de declaração de fls. 2.952 a 2.959, opostos em face do Acórdão 1302-001.795, integrado pelo Acórdão (de Embargos) 1302-002.869, suscitando a ocorrência de omissão em relação ao item 004 da autuação ("Perda por não Pagamento de Assinantes"), alegando que o único fundamento para a manutenção da glosa da despesa em questão teria sido a suposta falta de juntada aos autos do controles auxiliares ao razão contábil ("CAR"). Analisado o Recurso, o Presidente da 2ª TO, com base nas considerações tecidas no Despacho em embargos de 03/04/2019 de fls. 3.000 a 3.002, não vislumbrou qualquer omissão na decisão recorrida, motivo pelo qual, rejeitou os Embargos de Declaração interpostos pelo sujeito passivo. Da matéria submetida à CSRF O Contribuinte apresentou Recurso Especial (fls. 3.012 a 3.027) apontando divergência jurisprudencial em relação às seguintes matérias: (a) nulidade por cerceamento ao direito de defesa; e (b) momento da ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL, indicando como paradigmas os Acórdãos 9101-002.871 e 3201-001.878, para a matéria “a”, e os Acórdãos 1101-001.225 e 1301-00.007, para a matéria “b”. Em relação à matéria “a”, no Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial, entendeu-se, após analises dos arestos confrontados, que a matéria não foi objeto de demonstração de divergência (por existência de fundamento adicional) e, por conseguinte, por insuficiência recursal, o apelo não pode ser admitido. Quanto à matéria “b” (momento da ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL), concluiu-se, no Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial, que ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, mas somente pelo Acórdão paradigma 1101-001.225, de 02/12/2014, observando-se que no Acórdão recorrido adotou-se a tese de que o contribuinte dispõe da opção de determinar o IRPJ e a CSLL com base em fatos geradores trimestrais ou anuais. No caso em análise, o Contribuinte optou pelo lucro real anual (ano calendário 2000), conforme prova a sua DIPJ, à fl. 8 dos autos. Já no Acórdão paradigma (1101-001.225), o voto condutor baseou-se no entendimento de que os fatos geradores do IRPJ e da CSLL são peremptoriamente trimestrais. Nesse cenário, entende-se comprovada a divergência entre os Acórdãos cotejados, tendo em conta o fato de que o paradigma é taxativo, sem qualquer alusão à possibilidade de ocorrerem fatos geradores anuais, diferentemente da decisão recorrida. Em 01/08/2019, no contexto do Despacho de Admissibilidade de fls. 3.111 a 3.116, o presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF deu seguimento parcial ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, uma vez que após análise de divergência, em juízo de cognição sumária, concluiu pela caracterização, em parte, das divergências de interpretação suscitadas, somente quanto a matéria “b”: momento da ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL (somente quanto ao Acórdão paradigma 1101-001.225, de 2014). Cientificado do Despacho de Admissibilidade, o Contribuinte interpôs o recurso de Agravo (fls. 3.135 a 3.142), requerendo o seguimento total do Recurso Especial, o que foi rejeitado pela Presidente da CSRF, conforme Despacho em Agravo – CSRF / 1ª Turma, de 30/09/2019 às fls. 3.205 a 3.212, mantendo-se o seguimento parcial do recurso. Fl. 3237DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-014.720 - CSRF/3ª Turma Processo nº 18471.001339/2005-65 Em sede de Contrarrazões (fls. 3.220 a 3.227), a Fazenda Nacional demanda o não conhecimento do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, sob a seguinte alegação: “(...) verifica-se que na realidade o recorrente não demonstrou a similitude dos casos concretos cotejados de forma a provar que, embora pudessem ter entendido no mesmo sentido, os Colegiados divergiram quanto às teses jurídicas adotadas”. Caso não seja este o entendimento sufragado, requereu a Fazenda Nacional que, no mérito, seja negado provimento ao recurso, mantendo-se o Acórdão proferido, quanto à matéria objeto de Recurso Especial, por seus próprios fundamentos, bem como com fundamento nas razões expendidas. Conforme prorrogação de competência dada a esta 3ª Turma da CSRF (Portaria CARF n o 15.081/2020), em 18/05/2023 o processo foi, então, distribuído, por sorteio, a este Conselheiro, para dar prosseguimento à análise do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. Do Conhecimento O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo, conforme consta do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial S/Nº, 3ª Câmara, de 01/08/2019 (fls. 3.111 a 3.116), exarado pelo Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF. Contudo, em face dos argumentos apresentados em sede de contrarrazões pela Fazenda Nacional, entendo ser necessária a análise dos demais requisitos de admissibilidade do recurso. Isto porque pede a Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, que o Recurso Especial não seja conhecido. A matéria que teve seguimento, na admissibilidade monocrática, trata do momento da ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL, sendo a divergência suscitada entre o acórdão recorrido e o paradigma 1101-001.225 (único aceito no Despacho de Admissibilidade). No voto condutor do Acórdão recorrido, o Colegiado, analisando o ano-calendário 2000, assentou, unanimemente, que, “...não há créditos tributários extintos pela decadência nos lançamentos ora em análise”, e que “Não procede o entendimento da recorrente de que o fato gerador do IRPJ seja mensal, pois, em 2000, já estava em vigor a Lei nº 9.430/96, a qual só prevê duas modalidades de apuração: fatos geradores trimestrais ou anual.” E, no caso em análise, restou claro que o Contribuinte, diante da opção de determinar o IRPJ e a CSLL com base em fatos geradores trimestrais ou anuais, decidiu, como comprova cópia da DIPJ - 2000, à fl. 8 dos autos, pelo lucro real anual (com apuração do IRPJ e da CSLL anual). O colegiado aplicou, no caso, a regra do art. 150, § 4 o , do CTN. Fl. 3238DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-014.720 - CSRF/3ª Turma Processo nº 18471.001339/2005-65 De outro lado, no Acórdão paradigma 1101-001.225, no voto condutor, a Turma julgadora entendeu, analisando o período de apuração de 01/10/2005 a 31/12/2005, que: “Ao tratar do aspecto temporal do imposto de renda das pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, o artigo 1º da Lei nº 9.430, de 1996, assim dispõe: (...)” (grifo nosso), transcrevendo-o, e complementando: (...) Da norma acima transcrita depreende-se de que durante o ano-calendário, para as pessoas tributadas com base real, presumido ou arbitrado, tem-se a ocorrência de quatro períodos de apuração e de ocorrência dos respectivos fatos geradores do IRPJ e da CSLL. (...).” (grifo nosso) Como se vê, pelo trecho acima reproduzido, o voto condutor do Acórdão paradigma baseou-se no entendimento de que os fatos geradores do IRPJ e da CSLL (pessoas tributadas com base real, presumido ou arbitrado) são peremptoriamente trimestrais (4 períodos de apuração), e que seria aplicável, no caso, a regra do art. 173, I, do CTN, tendo em vista a inexistência de antecipação de pagamento, invocando o REsp 973.733/SC, decidido em sede de recursos repetitivos, vinculante para o CARF, o que culminou na rejeição da alegação de decadência, naquele caso. A aparente conclusão retirada da ementa do julgado do paradigma, no exame de admissibilidade, não capta o efetivo teor do julgado, que reproduz apenas o caput do art. 1 o da Lei 9.430/1996, que trata de uma das situações previstas na lei (e não a única). Bastaria que se seguisse a transcrição do art. 2 o da mesma lei para que se evidenciasse que não há peremptoriedade na afirmação, mas apenas transcrição do que interessou no julgamento daquele caso, presente no paradigma, onde não havia explícita opção pela apuração anual (como há no presente processo). Cabe ainda salientar que o paradigma foi objeto de embargos, apreciados no Acórdão 1402-002.623, de 22/06/2017, onde se decidiu haver inexatidão material, retificando-se a ementa da seguinte forma: - Onde se lê - Leia-se TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. APURAÇÃO TRIMESTRAL SEM ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. RECURSOS REPETITIVOS (STJ). CONTAGEM A PARTIR DO FATO GERADOR. ART. 173, I, DO CTN. Considerando a inexistência de antecipação de pagamento, anão tendo ocorrido circunstâncias capazes de caracterizar dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deve ser contato a partir da data do fato gerador, em conformidade com o art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional (CTN, bem como pelo fato de tratar-se de assunto pacificado pelo colendo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos termos do art. 543- C do Código de Processo Civil, nos autos do RE Nº973.733/SC, em sede de recursos repetitivos, o qual deve ser reproduzido por este colendo TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. APURAÇÃO TRIMESTRAL SEM ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. RECURSOS REPETITIVOS (STJ). CONTAGEM A PARTIR DO FATO GERADOR. ART. 173, I, DO CTN. Considerando a inexistência de antecipação de pagamento o prazo decadencial deve ser contato (sic) nos termos do artigo 173, inciso I do CTN, mesmo não tendo ocorrido circunstâncias capazes de caracterizar dolo, fraude ou simulação. Este matéria (sic) foi pacificada pelo colendo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos termos do art. 543- C do Código de Processo Civil, nos autos do RE Nº973.733/SC, em sede de recursos repetitivos, o qual deve ser reproduzido por este colendo CARF, por força do disposto no art. 62-A do RICARF. Fl. 3239DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 9303-014.720 - CSRF/3ª Turma Processo nº 18471.001339/2005-65 CARF, por força do disposto no art. 62-A do RICARF. Assim, enquanto no acórdão recorrido se aplica a regra do art. 150, § 4 o , do CTN, para o fato gerador de 30/11/2005, em função da incorporação (tratada não no caput do art. 1 o da Lei 9.430/1996, mas em seu § 1 o ), e da explícita opção pela apuração anual, no único paradigma aceito a regra decadencial aplicável para situação distinta (apuração trimestral sem debate sobre incorporação, fusão ou cisão) foi a do art. 173, I, do CTN. Em síntese, recorrido e paradigma tratam de situações diferentes, às quais se aplica distinta legislação, não havendo necessária divergência em seu teor. Diante do exposto, não é possível concluir que o colegiado que apreciou o paradigma decidiria de forma distinta se estivesse diante da situação evidenciada no acórdão recorrido, o que só endossa a inexistência de dissidência jurídica/jurisprudencial. Portanto, em razão da falta de similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma colacionado, não é possível evidenciar a divergência jurisprudencial alegada, o que enseja o não conhecimento do recurso especial interposto pelo Contribuinte. Conclusão Pelo exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 3240DF CARF MF Original
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