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Numero do processo: 10730.003067/2002-85
Data da sessão: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ.
Fato Gerador 30/06/1997 e 30/09/1997
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE.
Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art.33 do Decreto n° 70.235/72.
Numero da decisão: 1802-000.082
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso por intempestivo nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - auto eletrônico (exceto glosa de comp.prej./LI)
Nome do relator: Ester Marques Lins de Sousa
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ. Fato Gerador 30/06/1997 e 30/09/1997 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art.33 do Decreto n° 70.235/72.
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INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art.33 do Decreto n° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do__colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso por intempe tivc(nos- termos do relatório e voto • ue integram o presente julgado. ER -J. S E SOliajhadr - • -. - e Relatora EDITADO EM: 26 AGO 2009 Participaram da sessão de julgamen • • s conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), José de Olivei . "erraz Corrêa Leonardo Lobo de Almeida, Décio Lima Jardim (Suplente Convocado) • wal Casoni de Paula Fernandes Júnior e João Francisco Bianco. Relatório TRANSPORTADORA RIO TINTO LTDA, já qualificada nos autos recorre a este colegiado da decisão de primeira instância, 9. Turma/DRJ/Rio de Janeiro/RJO I, que julgou procedente em parte o lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ, no valor de R$ 6.334,01, acrescido de 75% de multa de oficio e juros de mora (fl.43), considerado recebido em 28/06/2002 (extrato f1.56). A exigência relativa ao IRPJ, nos períodos de apuração de, 30/06/1997 e 30/09/1997, conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (f1.41) e valores registrados nos Demonstrativos, fls. 38/40, decorre de falta de recolhimento do referido tributo em razão de créditos vinculados e não confirmados, em confronto com as DCTFs apresentadas relacionadas aos trimestres verificados. Foi encaminhada à empresa, a decisão proferida mediante o Acórdão n° 8.802, de 07/11/2005, DRJ/Rio de JaneiroIRJO I (fls.61/66), conforme comunicado (fl.71), entretanto tal documento fora devolvido pelos correios (fl.72) com a justificativa: "MUDOU- SE". Conforme comunicação (fl.75) foi encaminhada novamente a referida decisão à empresa, por meio da sócia GABRIELA PINTO DE ARAÚJO PEREIRA, com Aviso de Recebimento (AR), fl.75, datado de 25/02/2006, dando-lhe também ciência do julgamento que seria dado por Edital a ser afixado na DRF/Niterói. O Edital n° 17 de 17/02/2006, fora afixado em 24/02/2006, conforme documento de fl.77, e, lavrado o termo de perempção em 12/04/2006 (fl.78). A empresa interessada, interpôs Recurso ao Conselho de Contribuintes, em 28/05/2006, (fls.80/87). Na peça recursal, a Recorrente alega em síntese, que o STF julgou inconstitucional o art.35 da Lei n° 7.713, de 1988 que foi objeto da Resolução no 82 do Senado Federal, desta forma constituiu um direito de crédito ao contribuinte, cujo direito foi por ele exercido para compensação do débito do IRPJ ora cobrado, pelo que requer o cancelamento do auto de infração ou suspender o trâmite do processo administrativo até a decisão do processo judicial. É o relatório. Voto Conselheira ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Relatora Conforme relatado acima, a empresa foi cientificada da decisão proferida mediante o Acórdão n° 8.802, de 07/11/2005, da 6° Turma da DRJ/Rio de Janeiro/RJO I, por meio da sócia GABRIELA PINTO DE ARAÚJO PEREIRA conforme Aviso de Recebimento (AR), fl.75, em 25/02/20063, e, ainda pelo Edital n° 17 de 17/02/2006, afixado em 24/02/2006, em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimaç o, conforme documento de 11.77, e, lavrado o termo de perempção em 12/04/2006 (fl.78). Lfl2 Processo n° 10730.003067/2002-85 SI-TE02 Acórdão n.° 1802-00.082 Fl. 2 Como se vê, a ciência da decisão de primeira instância, em consonância com o art.23 do Decreto n°70.235/72, ocorreu em 11/03/2006,(fl.91), ou seja, 15 (quinze) dias após a publicação do Edital, em 24/02/2006, tendo o recurso voluntário sido protocolizado somente em 28/05/2006, (fls.80/87), portanto, 43 dias após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art.33 do Decreto n°70.235/72. Diante do exposto, concluo que o presente recurso voluntário, é intempestivo, não preenche as condições de admissibilidade, nos termos do artigo 33 do Decreto n° 70.235/72, razão pela qual voto por nãoçConhecê-lo. E R ÁRQUES LINS DE . - * dato.. 3
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Numero do processo: 13004.000076/00-20
Data da sessão: Mon May 05 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2008
Ementa: PIS. COMPENSAÇÃO. NECESSÁRIA VINCULAÇÃO À DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO.
As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/02-03.038
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Maria Teresa Martínez Lopez, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Valmir Sandri (Substituto convocado) que deram provimento ao recurso. Fez sustentação oral o advogado da recorrente Dr. Dílson Gerent, OAB/RS nº 22.484.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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ementa_s : PIS. COMPENSAÇÃO. NECESSÁRIA VINCULAÇÃO À DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas. Recurso especial negado.
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Numero do processo: 10620.000712/2005-06
Data da sessão: Fri May 22 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2001
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. RECUSA AO PEDIDO DE PERÍCIA.
Não constitui cerceamento ao direito de defesa do contribuinte o indeferimento do pedido de diligência ou perícia, quando desnecessários à solução da lide.
ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
É obrigatória a utilização do Ato Declaratório Ambiental - ADA para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural pelo reconhecimento da isenção concedida às áreas de preservação e, ainda, a averbação na matricula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis das áreas de reserva legal, dentro do prazo estabelecido pela legislação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.303
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. RECUSA AO PEDIDO DE PERÍCIA. Não constitui cerceamento ao direito de defesa do contribuinte o indeferimento do pedido de diligência ou perícia, quando desnecessários à solução da lide. ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a utilização do Ato Declaratório Ambiental - ADA para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural pelo reconhecimento da isenção concedida às áreas de preservação e, ainda, a averbação na matricula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis das áreas de reserva legal, dentro do prazo estabelecido pela legislação. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-30T11:13:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-30T11:13:02Z; Last-Modified: 2009-09-30T11:13:03Z; dcterms:modified: 2009-09-30T11:13:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-30T11:13:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-30T11:13:03Z; meta:save-date: 2009-09-30T11:13:03Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-30T11:13:03Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-30T11:13:02Z; created: 2009-09-30T11:13:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2009-09-30T11:13:02Z; pdf:charsPerPage: 1371; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-30T11:13:02Z | Conteúdo => S3-C1T2 Fl. 187 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS_ •. TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 0. Processo n° 10620.000712/2005-06 Recurso n° 137.440 Voluntário Acórdão n° 3102-00.303 — 1' Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2009 Matéria Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Recorrente ACESITA S/A Recorrida MU-BRASÍLIA/DF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. RECUSA AO PEDIDO DE PERÍCIA. Não constitui cerceamento ao direito de defesa do contribuinte o indeferimento do pedido de diligência ou perícia, quando desnecessários à solução da lide. ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a utilização do Ato Declaratório Ambiental - ADA para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural pelo reconhecimento da isenção concedida às áreas de preservação e, ainda, a averbação na matricula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis das áreas de reserva legal, dentro do prazo estabelecido pela legislação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da I." câmara / 2' turma ordinária da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os o Processo n° 10620.000712/2005-06 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00303 Fl. 188 Conselheiros Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. 0 ri; 1 E E NJTRAJANO DAMORIM P n e Ási C • ULO ROSA Relato Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Corintho Oliveira Machado e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância que passo a transcrever. Por meio do auto de infração/anexos de fls. 01/10, a contribuinte em referência foi intimada a recolher o crédito tributário no montante de R$ 78.056,90, correspondente ao lançamento do ITR/2001, acrescido de multa de oficio (75,0%) e juros legais calculados até 30/09/2005, que incide sobre o imóvel rural "Ribeirão das Cabras e outros" (NIRF 3.322.199-5) com 4.948,9 ha, localizado no município de Turmalina — MG. A descrição dos fatos, os enquadramentos legais das infrações e o demonstrativo da multa de oficio e dos juros de mora constam às fls. 03 e 06/09. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão da DITR/2001 (fis. 11/13), teve início com a intimação de fls. 14/15, recepcionado em 07/07/2005 (fls. 16), para a contribuinte apresentar, dentre outros, os seguintes documentos: - matrícula atualizada do imóvel com averbação da área de reserva legal e Ato Declaratório Ambiental —ADA do IBAMA/órgão conveniado, ou protocolo de seu requerimento. Apesar de terem sido concedidos novos prazos para atendimento gls.19/20/21), a requerente não anexou os referidos documentos de prova. No procedimento de verificação da DITR/200I, a autoridade fiscal lavrou o citado auto de infração, com a glosa das áreas declaradas de preservação permanente (53,0 ha) e de utilização limitada (3.725,2 ha), com conseqüente aumento das áreas tributável e aproveitável, do VTN tributável e da alíquota de cálculo, pela redução do GU, tendo sido apurado imposto suplementar de R$ 31.657,10, conforme demonstrativo de fls. 02. Cientificada do lançamento em 19/10/2005 (AR de fls. 29), a contribuinte protocolizou em 18/11/2005 (fls. 30), por meio de 2 Processo n° 10620.000712/2005-06 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.303 Fl. 189 representantes legais, a impugnação de fls. 31/46, exposta nesta sessão e lastreada nos documentos de fls. 48/62 e 78/84, alegando, em síntese, que: - de início, faz um minucioso relato do procedimento fiscal, do qual discorda, por se ater à formalidade de apresentação do ADA para tributar áreas ambientais não passíveis de exploração e, por isso, isentas; - tece considerações jurídicas sobre o ADA, as áreas de preservação permanente e reserva legal, a área tributável e o ITR; cita as leis 4771/65 e 7803/89 para conceituar as áreas de interesse ambiental como não-tributáveis, o art. 187 da CF/1988 e a Lei 9.393/1996, com destaque para seu art.10, para referendar seus argumentos de ser política extrafiscal do ITR o incentivo à atividade produtiva, sendo um contra-senso a exigência de produção em áreas nas quais a lei a inibe ou a proíbe; - afirma que as áreas de preservação permanente e de reserva legal, com ou sem ADA, existem e são mantidas reservadas e não utilizadas na totalidade, nos termos da legislação ambiental, não podendo a empresa ser penalizada por nelas não ter produzido; - a exigência do ADA como única prova das referidas áreas fere o princípio constitucional da ampla defesa, uma vez que a legislação processual acata qualquer prova lícita, e o princípio da legalidade, por constar apenas de dispositivo infralegal, a IN/SRF 67/97; - o ADA somente poderia ser exigido para novos projetos de exploração, pois os antigos já estavam aprovados pelo IBAMA, reconhecendo as áreas de preservação permanente e de reserva legal, sob pena de ferir ato jurídico perfeito; - assim, o ADA deve ser considerado apenas obrigação acessória, valendo o que a realidade apurar por qualquer meio de prova existente; - a certidão do cartório de imóveis anexada supre a exigência do ADA, já que atesta o registro das áreas de preservação, ora em discussão; afirma que a jurisprudência administrativa e judicial referenda suas teses, transcrevendo entendimentos de tribunais federais; - solicita a realização de perícia, se necessária, indica representante e relaciona quesitos a serem respondidos, para demonstrar que as áreas de preservação permanente e reserva legal sempre foram respeitadas no imóvel. Ao final, requer seja dado provimento à presente impugnação, cancelando-se o referido auto de infração, pela insubsistência do lançamento, que desconsiderou as áreas de reserva legal e preservação permanente, não passíveis de tributação, nos termos do art.10 da Lei n°9.393/1996. 3 Processo n° 10620.000712/2005-06 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00303 Fl. 190 Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou sua decisão na ementa correspondente. Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. A área de utilização limitada /reserva legal, para ser excluída do ITR, deveria estar averbada à margem da matrícula do imóvel à época do respectivo fato gerador e ser reconhecida, juntamente com a área de preservação permanente, como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgii o conveniado, ou ter o protocolo do requerimento tempestivo do Ato Declarató rio Ambiental - ADA. É o relatório. Voto Conselheiro RICARDO PAULO ROSA, Relator Preenchidos os requisitos de admissibilidade, passo ao voto. Liminarmente, o contribuinte requer que seja declarada a nulidade do lançamento, por considerar que houve cerceamento de seu direito de defender-se, na medida em que viu negado seu pedido de perícia feito quando da impugnação. Assim determina o Decreto 70.325/72 e alterações posteriores, no que diz respeito à perícia. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993) (grifei) No presente feito, entendo ser desnecessária a realização da perícia solicitada pelo contribuinte, na medida em que, como está claro na decisão de primeira instância, o que aqui se discute não é a existência das áreas glosadas, mas o atendimento às condições definidas em lei para a fruição do beneficio. No mérito, deseja justamente comprovar as áreas de preservação permanente e de reserva legal por outros meios, afastando a necessidade de apresentação ou requerimento do Ato Declaratório Ambiental — ADA junto ao IBAMA, por entender que o importante é o caráter extrafiscal do ITR. Que a recusa à aceitação de uma prova lícita fere princípio constitucional, tanto em relação à exigência do ADA quanto à exigência da averbação em cartório. Que o território tributado estava desde o início atrelado a um programa de exploração de carvão vegetal e que tal programa dependia da aprovação de diversos órgãos públicos e que tal aprovação envolvia a realização de uma vistoria prévia de parte do órgão ambiental que 4 Processo n° 10620.000712/2005-06 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00303 Fl. 191 avaliava se o território estava de acordo com a legislação pertinente, inclusive no que diz respeito às áreas de reserva legal e preservação permanente. No tocante à exigência Ato Declaratório Ambiental como condição para a fruição do beneficio fiscal de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, trazemos a lume a legislação de regência. O artigo 179 do Código Tributário Nacional trata do assunto. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. (gr(ei) § I - omissis § 2 - omissis Não sendo a isenção de que aqui se trata concedida em caráter geral, depende sua efetivação do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei para sua concessão. O lançamento diz respeito ao exercício de 2001. Portanto, a DITR sub examine refere-se ao exercício de 2001, tendo o fato gerador do Imposto ocorrido no dia primeiro de janeiro daquele mesmo ano, conforme previsto no artigo 1° da Lei 9.393/96. Art. 1" O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1" de janeiro de cada ano. Tal consideração é de importância capital no que concerne aos efeitos do disposto do artigo 105 do Código Tributário Nacional na solução da presente lide. Art. 105 - A legislação tributária aplica-se imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início, mas não esteja • completa nos termos do artigo 116. Até a entrada em vigor da Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000, a exoneração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, em decorrência da existência de áreas de preservação permanente e de reserva legal estava vinculada às exigências contidas nas leis então vigentes, que não especificavam o Ato Declaratório Ambiental — ADA como documento indispensável à fruição da isenção. " Art. 17-0. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 5 Processo n° 10620.000712/2005-06 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00.303 Fl. 192 do Anexo VII da Lei if 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei n o 10.165, de 2000) § 1k-A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei n o 10.165, de 2000) § 1 Q A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei n° 10.165, de 2000)" (grifei) Considerado isto, o que se conclui é que a exigência do ADA estava definida em Lei na data da ocorrência do fato gerador do Imposto e, conforme comando cristalino contido no Código Tributário Nacional, a observância deste requisito é condição para a efetivação da isenção. De fato, não vislumbro qualquer razão para que esse colegiado afaste a aplicação de uma lei vigente à época da ocorrência do fato gerador. O próprio Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes delimita o universo no qual seus integrantes devem apoiar suas decisões, ao excluir da sua competência o controle da constitucionalidade das leis. Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Embora entenda que tais considerações sejam suficientes e, ainda mais, definitivas para decidir a presente lide, não será demais seguirmos um pouco adiante neste tema, no intento de contextualizar no mundo dos fatos concretos a obrigação positivada em lei. Como é cediço, fato que o próprio contribuinte alega em seu favor, o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural tem função extrafiscal, com a qual se lhe atribui finalidade mais ampla, superando a meramente arrecadatória, com vistas a utilização da propriedade particular em beneficio da coletividade. É exatamente esta a razão de desonerarem-se do pagamento do Imposto as áreas de reserva legal e de preservação permanente, entre outras. A Lei 6.938/81 e alterações posteriores, que "dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação", estabelece obrigações acessórias não somente para contribuinte do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, mas para as demais pessoas fisicas e jurídicas que se destinam a atividades capazes de interferir nas condições do meio. Art. 17. Fica instituído, sob a administração do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis - IBAMA: (Redação dada pela Lei n° 7.804, de 1989) 1- omissis II - Cadastro Técnico Federal de Atividades Potencialmente Poluidoras ou Utilizadoras de Recursos Ambientais, para registro obrigatório de pessoas físicas ou jurídicas que se dedicam a atividades potencialmente poluidoras e/ou à extração, 6 Processo n° 10620.000712/2005-06 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00.303 Fl. 193 produção, transporte e comercialização de produtos potencialmente perigosos ao meio ambiente, assim como de produtos e subprodutos da fauna e flora. (Incluído pela Lei o° 7.804, de 1989) Art. 17-B. Fica instituída a Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental — TCFA, cujo fato gerador é o exercício regular do poder de polícia conferido ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — IBAMA para controle e fiscalização das atividades potencialmente poluidoras e utilizadoras de recursos naturais.' (Redação dada pela Lei n° 10.165, de 2000) Art. I7-C. É sujeito passivo da TCFA todo aquele que exerça as atividades constantes do Anexo VIII desta Lei. (Redação dada pela Lei n° 10.165, de 2000) ssç 1 Q O sujeito passivo da TCFA é obrigado a entregar até o dia 31 de março de cada ano relatório das atividades exercidas no ano anterior, cujo modelo será definido pelo IBAMA, para o fim de colaborar com os procedimentos de controle e fiscalização. (Redação dada pela Lei n° 10.165, de 2000) (grifei) § 2° Os recursos arrecadados com a TCFA terão utilização restrita em atividades de controle e fiscalização ambiental. (Incluído pela Lei n° 11.284, de 2006) (grifei) Art. 17-0. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao 1BAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei n° 10.165, de 2000) ,¢ 1 2-A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(lncluído pela Lei n° 10.165, de 2000) § 1' A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n° 10.165, de 2000) O Decreto n° 4.382, de 19 de setembro de 2002 (Regulamento do ITR), assim dispõe: "Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: 1- de preservação permanente; II — de reserva legal; (.) § - O IBAMA realizará vistoria por amostragem nos imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos previstos no § 7 Processo n° 10620.000712/2005-06 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.303 Fl. 194 30 e, caso os dados constantes no Ato não coincidam com os efetivamente levantados por seus técnicos, estes lavrarão, de oficio, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, que apurará o ITR efetivamente devido e efetuará, de oficio, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis". O que se depreende do texto legal é que a obrigatoriedade de apresentação do ADA para fins de redução do valor a pagar do ITR está inserida em um programa mais amplo de controle do uso dos recursos naturais disponíveis, no qual se previu, inclusive, nova fonte de recursos destinada ao financiamento da fiscalização ambiental. Olhando sob este prisma, não me parece nem um pouco absurda a exigência de prestar informações ao órgão ambiental competente, com vistas à manutenção de um banco de dados, colaborando com a fiscalização do emprego da terra e demais recursos naturais e com financiamento da fiscalização correspondente. Essa é a razão para que o legislador tenha vinculado a desoneração tributária de áreas destinadas à preservação ambiental à adoção de medida que garanta a efetiva destinação dessas às finalidades previstas em Lei. Já no que diz respeito à obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal, trata-se de uma condição que remonta ao ano de 1.989, Lei n° 7.803, de 18 de julho daquele ano. Hoje vige o texto introduzido pela Medida Provisória n° 2.166-67, de 2001 que dá redação ao parágrafo 8° do artigo 16 da Lei 4.771/65 — Código Florestal. §82A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. Vale aqui a mesma lógica que faz prevalecer a exigência do Ato Declaratório Ambiental. Também não se trata de caso de valoração de provas ou de aplicação do princípio da verdade material, mas exclusivamente de aplicação do teor do Código Tributário Nacional no que tange à comprovação, pelo contribuinte, do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei para a concessão da isenção. Dentre estes está a averbação das áreas de reserva legal à margem da escritura do imóvel. Não obstante, considerando haver nos autos certidão emitida pela Divisão de Florestas do IBAMA dando conta da existência de averbação em escritura pública assim como de Ato Declaratório Ambiental, este colegiado entendeu por bem converter o julgamento em diligência para que fosse oficiado o IBAMA no intento de obterem-se esclarecimentos em relação a essa declaração. Em atendimento à diligência demandada, foram carreados aos autos cópia do Ato Declaratório Ambiental correspondente, certidão de averbação da área de reserva legal, conforme Termo de Responsabilidade de Preservação de Florestas, também apresentado. 8 Processo n° 10620.000712/2005-06 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00.303 Fl. 195 No que diz respeito à averbação da reserva legal, a recorrente apresenta uma certidão dando conta da existência de uma averbação, com base em Termo de Preservação de Florestas. Sem adentrar ao caráter precário desta inscrição, o fato é que não há na legislação previsão de que tal providência possa substituir aquela definida em Lei como necessária, qual seja, a averbação da área à margem da escritura do imóvel. Sobre o ADA, conforme carimbo do IBAMA aposto ao Ato Declaratório Ambiental, o documento foi protocolado em 31 de março de 2004. Tendo o fato gerador do Imposto ocorrido no dia 10 de janeiro do ano de 2001, será necessário que se avalie as conseqüências da solicitação extemporânea do Ato Declaratória Ambiental — ADA para o fim de redução do valor do Imposto a pagar pelo reconhecimento das áreas de reserva legal e de preservação permanente declaradas. Neste caso, não havia, como não há até hoje, prazo definido em lei para apresentação deste documento. É a Instrução Normativa n° 73, de 18 de julho de 2000, vigente à época da ocorrência do fato gerador, que determinava esse prazo. Art. 17. Para fins de apuração do ITR, as áreas de interesse ambiental de preservação permanente ou de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato do IBAMA, ou órgão delegado por convênio, observado o seguinte: I — as áreas de reserva legal, para fins de obtenção do ato declarató rio do IBAMA, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matricula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei n°4.771, de 1965; II — o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; e (grifei) III — se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for reconhecido pelo 'BAILIA, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar, recalculando o ITR devido. Nos termos da legislação que regula o processo administrativo fiscal, até dado momento é possível a apresentação dos documentos que façam prova em favor do contribuinte. Dito momento está especificado no Decreto 70.235/72 e alterações posteriores. Art. 16. A impugnação mencionará: 1- a autoridade julgadora a quem é dirigida; 11- a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1. 0 da Lei n." 8.748/93) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a 9 Processo n° 10620.000712/2005-06 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102 -00303 Fl. 196 formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; (Redação dada pelo art. 1. 0 da Lei n." 8.748/93) § 1. 0. Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Acrescido pelo art. 1." da Lei n.°8.748/93) § 2.°. É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de oficio ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. (Acrescido pelo art. 1." da Lei n." 8.748/93) § 3• 0• Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Acrescido pelo art. 1. 0 da Lei n." 8.748/93) § 4.°. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (grifei) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/97) § 5• 0• A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/97) § 6. 0. Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n." 9.532/97) (grifei) Até a impugnação, o contribuinte pode apresentar os meios de prova de que disponha, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento a menos que se constate uma das ocorrências previstas nas alíneas "a", "h" e "c" do § 4° do artigo 16, situação em que poderá fazê-lo mesmo depois de proferida a decisão de primeira instância. No que diz respeito à concessão da isenção e sua posterior revogação de oficio, assim especifica o Código Tributário Nacional. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. 10 Processo n° 10620.000712/2005-06 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.303 Fl. 197 § 1' Tratando-se de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2" O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicando-se, quando cabível, o disposto no artigo 155. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de oficio, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrando-se o crédito acrescido de juros de mora: (grifei) I - com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em beneficio daquele; - sem imposição de penalidade, nos demais casos. Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. Aplicando-se o artigo 155 ao processo de concessão de isenção, como reza o parágrafo 2° do artigo 176, tem-se que ela, a isenção, será revogada de oficio "sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor". Como já foi exaustivamente demonstrado, a obtenção do Ato Declaratório Ambiental e a averbação da área de reserva legal à margem da escritura do imóvel são dois requisitos definidos em lei necessários para a concessão da isenção. Sem que o contribuinte tenha tomado tais providências, inevitável considerar- se que o mesmo não cumpria os requisitos e condições para a concessão da isenção ao tempo em que efetivou a declaração do ITR revisada pela fiscalização, mesmo considerando a dilação do prazo oferecida em norma complementar editada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Ante o exposto, VOTO POR AFASTAR A PRELIMINAR de cerceamento do direito de defesa i no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado pelo contribuinte. S .1a is essões, em 22 de maio de 2009. ‘Ltk C .1)0 ULO ROSA II
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000354/2007-00
Data da sessão: Wed Dec 02 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Dec 02 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 06/01/2006
RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI Nº 8.212. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONITECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei nº 8.212 de 1991; entretanto tal
dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória nº 449 de 2008, convertida na Lei n.° 11941/2009. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser
reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN, Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2302-000.364
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
1.0 = *:*
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/01/2006 RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI Nº 8.212. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONITECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei nº 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória nº 449 de 2008, convertida na Lei n.° 11941/2009. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN, Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
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SEGIINDA SE 'O DE J,- - , -(,-A- . Processo n" 12045.000354/2007-00 Recurso n" 146.361 Voluntário Acórdão n° 2302-0(1.364 — 3" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 02 de dezembro de 2009 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: DIRIGENTE PÚBLICO Recorrente RAIMUNDO NONATO SALES DE MORAES Recorrida DRP DISTRITO FEDERAL/DF ASSUNTO: OBRIGACOES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/01/2006 RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N " 8.212. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONITECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n " 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo tbi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n " 449 de 2008, convertida na Lei n.° 11941/2009. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser eogente o caput do art. 106 do CTN, Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Câmara / 2' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), i.G5/1 LII.-.',GE LACROIX TI-TOMASI Presidenta e Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior, Licge Lacroix Thomasi, (presidenta)., J1 Relatório '[rata-se o presente de auto de infração lavrado em desfavor do sujeito passivo acima identificado, por infringência ao art. 32, inciso IV e parágrafos 3 0, e 90 • da Lei 8,212/91, acrescentados pela Lei 9„528/97, combinado com o artigo 225, inciso IV e parágrafos 2, 3 e 4 do "caput"do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3..048/99, por não ter a Câmara Municipal do Município do Novo Gama entregue a Guia de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social — GFIP das competências de 01/1999 a 12/1999, na rede arrecadadora, não prestando as informações ao INSS a que está obrigado. A multa aplicada é a prevista no Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto 1048/99, em seu artigo 284, inciso I, e parágrafbs 1". e 2". do caput, reajustada na forma do art. 373 do citado Regulamento.. O relatório fiscal aduz que a multa foi atenuada em 50%, em função da correção da .falta durante o procedimento de fiscalização.. A autuação foi lavrada na pessoa do Presidente da Câmara Municipal do Novo Gama, em exercício no período em que ocorreu a infração, conforme preceitua o artigo 41, da Lei n." 8.212/91. Após a apresentação da defesa. Decisão-Notificação de fis.122/126 , julgou a nula a autuação, devido a erro na aplicação da multa, sendo que para o agravamento da. penalidade não há possibilidade de saneamento. Os autos retornaram ao setor competente para a emissão de Al substitutivo, sendo que a fiscalização se posicionou pela correção da autuação, sendo emitida a Reforma de Decisão Notificação às fls. 133/138, que confirmou a multa aplicada e julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo onde alega em síntese que: a) não agiu de má-fé quanto as falhas verificadas; b) corrigiu a falta; c) o Regimento Interno da Câmara Municipal não atribui expressamente que a prestação de informação em GF1P deve ser do presidente da Câmara.; d) falta clareza no conteúdo do auto de infração, não permitindo a ampla defesa; e) deve subsistir a nulidade imposta na primeira decisão. Requer o provimento do recurso para que seja decretada a insubsistência do auto de infração e declarada a sua nulidade.. É o relatório., Voto Conselheira LIEGE LACROIX THOMAS1, Relatora Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame.. 2 Processo n' / 2045.000354/2007-00 S2-C3 Acórdão n 2302-00.364 . 2 Preliminarmente, há que ser observada a retroatividade benigna prevista no art.. 106, inciso II do CTN. A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n " 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n " 449 de 2008, convertida na Lei n." 11941/2009. Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração kderal, estadual, 'do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela omita aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a pai/ir do primeiro pagamento que se .seguir à requisição (Revogado pela Medida Provisória n° 449, de 2008) Conforme previsto no art.. 106, inciso 11 do Código Tributário Nacional., a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, no caso presente, aplica-se o art. 106, inciso II, alíneas "a" e "h" do CTN, A Medida. Provisória n " 449, ao revogar o art.. 41 da Lei n " 8,212, implica a não responsabilização do dirigente nas omissões e ações que geram o deseumprimento de Obrigações acessórias. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, °missiva OU comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a Medida Provisória deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Caso a fiscalização fosse autuar o presidente da câmara municipal na. data de hoje, por .fatos pretéritos, não poderia fazê-lo em função da MP n " 449. Assim, em relação ao dirigente a MP é, sem dúvida, mais benéfica; se antes da MP a autuação era em nome do dirigente, após a referida MP não cabe tal autuação. Pelo exposto, voto pelo provimento do recurso. Sala das Sessões, em 02 de dezembro de 2009 LIEGE LACROIX THOMASI - Relatora 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO Processo n": 12045.000354/2007-00 Recurso n": 146361 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3 0 do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, a tomar ciência do Acórdão n." 2302-00364. Brasília 29 de março de 2010 Patricia de Almeida Proença e Silva Chefe da Secretaria da Terceira Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Sem Recurso [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: --/- / Procurador (a) da Fazenda Nacional 4
score : 1.0
Numero do processo: 13839.001259/2004-07
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Data do fato gerador: 22/11/2000
MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a inocorrência de movimentação financeira capaz de ensejar a exigência de CPMF em conformidade com o termo conclusivo da ação fiscal, deve ser cancelado o lançamento.
Numero da decisão: 3402-001.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente-substituto.
Sílvia de Brito Oliveira Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Luiz Carlos Shimoyama (suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Matéria: CPMF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Data do fato gerador: 22/11/2000 MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. INOCORRÊNCIA. Comprovada a inocorrência de movimentação financeira capaz de ensejar a exigência de CPMF em conformidade com o termo conclusivo da ação fiscal, deve ser cancelado o lançamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente-substituto. Sílvia de Brito Oliveira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Luiz Carlos Shimoyama (suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
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Recorrente ELEQUEIROZ S/A Recorrida DRJ em CAMPINASSP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Data do fato gerador: 22/11/2000 MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. INOCORRÊNCIA. Comprovada a inocorrência de movimentação financeira capaz de ensejar a exigência de CPMF em conformidade com o termo conclusivo da ação fiscal, deve ser cancelado o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidentesubstituto. Sílvia de Brito Oliveira – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Luiz Carlos Shimoyama (suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 12 59 /2 00 4- 07 Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado para formalizar a exigência de Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF) decorrente de fatos geradores ocorridos no período de 15 de agosto de 1999 a 23 de novembro de 2003. A autuação decorreu de procedimento de verificação da suficiência dos depósitos judiciais efetuados em virtude do Mandado de Segurança n° 1999.61.05.0090637, da 2ª Vara Federal de CampinasSP, com sentença transitada em julgado desfavorável à contribuinte. Nesse procedimento, com base na Declaração n° 0800085 entregue ao Fisco pelo Banco Itaú S/A, verificouse que, em 22 de novembro de 2000, ocorreu movimentação financeira sujeita à incidência da CPMF no valor de R$ 20.468.037,48 (vinte milhões quatrocentos e sessenta e oito mil trinta e sete reais e quarenta e oito centavos) sem que houvesse o depósito judicial correspondente à CPMF. Na impugnação da exigência tributária, a contribuinte reconheceu a procedência de parte do auto de infração e alegou que os débitos constantes da Declaração n° 0800085 foram totalmente extintos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CampinasSP (DRJ/CPS) julgou o lançamento procedente, ensejando a interposição de recurso voluntário para alegar, em síntese, que a Declaração n° 0800085 possui erro material, pois sua movimentação bancária no mês de novembro de 2000 não possui nenhum débito sujeito a incidência da CPMF no valor de R$ 20.468.037,48 (vinte milhões quatrocentos e sessenta e oito mil trinta e sete reais e quarenta e oito centavos). Para comprovar sua alegação, a recorrente trouxe aos autos, às fls. 604 a 627, extrato de sua movimentação no Banco Itaú S/A relativo ao mês de novembro de 2000 e, ao final, solicitou a juntada de extratos bancários, a produção de prova pericial e a reforma da decisão recorrida para cancelar integralmente o auto de infração. Na sessão de 07 de abril de 2011, este colegiado decidiu converter o julgamento do recurso voluntário em diligência para que a unidade preparadora destes autos intimasse a contribuinte a apresentar os extratos bancários de todas as movimentações financeiras sujeitas à incidência da CPMF realizadas no Banco Itaú S/A no mês de novembro de 2000 e oficiar aquela instituição financeira a ratificar ou não a Declaração n° 0800085, juntando os extratos comprobatórios da movimentação financeira que deu origem à exigência da CPMF sobre o valor de R$ 20.468.037,48 (vinte milhões quatrocentos e sessenta e oito mil trinta e sete reais e quarenta e oito centavos). Foi realizada a diligência e o Banco Itaú S/A informou, à fl. 1.316, que a Declaração n° 0800085 referese ao período de 15 de julho a 08 de setembro de 1999 e apresentou planilha da base de cálculo e a correspondente CPMF desse mesmo período decorrente das movimentações financeiras da ora recorrente na conta n° 0019/661685. É o relatório. Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 13839.001259/200407 Acórdão n.º 3402001.916 S3C4T2 Fl. 1.383 3 Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira O recurso é tempestivo e seu julgamento está inserto nas esfera de competências regimentais da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), por isso deve ser conhecido. Tendo em vista que o suporte fático da autuação é a Declaração n° 0800085 apresentada pelo Banco Itaú S/A e que, em resposta à solicitação feita em diligência, foi informado que tal declaração referese a período que não alcança a data do suposto fato gerador da CPMF lançada e, ainda, que a listagem da movimentação financeira na conta corrente da contribuinte no Banco Itaú S/A, relativa ao mês de novembro de 2000, acostada a estes autos não retrata a existência de operação capaz de ensejar a exigência de CPMF sobre o valor de R$ 20.468.037,48 (vinte milhões quatrocentos e sessenta e oito mil trinta e sete reais e quarenta e oito centavos), no dia 22 de novembro de 2000, resta comprovada a insubsistência do lançamento. Diante do exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário. Sílvia de Brito Oliveira Relatora Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.008081/2005-76
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2008
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 15/08/2003, 14/11/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO.
Recurso apresentado após decorrido o prazo de 30 dias da ciência
da decisão de primeira instância não se toma conhecimento, por
perempto.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO
Numero da decisão: 302-40.063
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por perempto, nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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PEREMPÇÃO. Recurso apresentado após decorrido o prazo de 30 dias da ciência da decisão de primeira instância não se toma conhecimento, por perempto. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por perempto, nos termos do voto do relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Ricardo Paulo Rosa e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional Maria Cecilia Barbosa. • • Processo n° 10980.008081/2005-76 Acórdão n. ° 302 -40.063 CC03/CO2 Fls. 46 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instancia até aquela fase: Trata o presente processo de auto de infração, cientificado ao sujeito passivo em 27/06/2005(fl. 15), mediante o qual é exigido o crédito tributário total de R$ 1.000,00, referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF relativa ao segundo e ao terceiro trimestres de 2003, sendo que o prazo final para entrega ocorreu em 15/08/2003 e 14/11/2003, e a entrega efetiva ocorreu enz 19/08/2003 e 20/11/2003. Os fundamentos legais e normativos que embasam o lançamento estão descritos no campo 5 (Descrição dos fatos/fundamentação,) do auto de infração. Em 02/08/2005, o contribuinte apresentou impugnação onde alega, em síntese, que seria indevida a exigência de multa pela aplicação, ao caso, do instituto da denúncia espontânea da infração (CTN, art. 138), conforme inclusive já teriam decidido os Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda e também diversas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, cujas decisões encontram-se relacionadas através de suas ementas na impugnação. Na decisão de primeira instancia, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/CTA n° 17.806, de 25/04/2008, fls. 23/26: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 15/08/2003, 14/11/2003 DCTF. MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A disposição do artigo 138 do Código Tributário Nacional-CTN não alcança as penalidades impostas por descumprimento de obriga cão acessória como, por exemplo, a multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF. Lançanzento Procedente. As fls. 29 o contribuinte foi intimado da decisão supra, motivo pelo qual apresenta Recurso Voluntário de fls. , tendo sido dado, então, seguimento ao mesmo. o relatório. 2 Processo n° 10980.008081/2005-76 Acórdão n.° 302-40.063 CC03/CO2 Fls. 47 Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator A recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância no dia 12/05/2008, conforme Aviso de Recebimento constante das fls. 29, iniciando-se a contagem do prazo recursal no dia seguinte, 13/05/2008. A recorrente interpôs Recurso Voluntário contra a decisão a quo em 18/06/2008, conforme carimbo de fls. 30. Diz o artigo 33 do Decreto 70.235/72 que rege o Processo Administrativo Fiscal: Art. 33 - Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, coin efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Verifica-se que a irresignação do contribuinte foi protocolada fora do prazo legalmente previsto, sendo, portanto, intempestivo o recurso interposto. Como a recorrente não cumpriu o prazo previsto no artigo 33 do Decreto n° 70.235/72 para interposição de recurso contra a decisão do órgão julgador de primeira instância, voto por não conhecer o recurso, pois perempto. Sala das Sessões, em 11 de dezembro de 2008 LUCIANO LOPES MEIDA MORAES - Relator O 3
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Numero do processo: 11610.002062/00-31
Data da sessão: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2008
Ementa: FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO RESCRICIONAL. TERMO INICIAL.
O direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Ante à inexistência de ato específico do Senado Federal, o Parecer COSIT n° 58, de 2710/98, firmou entendimento de que o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar a partir da edição da Medida Provisória n° 1.110, em 31/08/95, primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%, expirando em 31/08/00. O presente pedido de restituição refere-se ao período de apuração de 01/01/91 a 31/03/92 e foi formulado em 31/08/00, portanto, antes de consumar-se o prazo prescricional.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/03-06.000
Decisão: Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos à DRF de origem para apreciação do mérito. Vencidas as Conselheiras Anelise Daudt Prieto que deu provimento ao recurso, e as Conselheiras Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando que deram provimento parcial ao recurso contando o prazo de 10 anos para o pleito da restituição, (tese dos 5 + 5), na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
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ementa_s : FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO RESCRICIONAL. TERMO INICIAL. O direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Ante à inexistência de ato específico do Senado Federal, o Parecer COSIT n° 58, de 2710/98, firmou entendimento de que o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar a partir da edição da Medida Provisória n° 1.110, em 31/08/95, primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%, expirando em 31/08/00. O presente pedido de restituição refere-se ao período de apuração de 01/01/91 a 31/03/92 e foi formulado em 31/08/00, portanto, antes de consumar-se o prazo prescricional. Recurso especial negado.
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Numero do processo: 10120.721372/2009-15
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2000
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL E DA OFICIALIDADE
Manifesto equívoco procedimental da Recorrente deve ser reconhecido de ofício pela Delegacia da Receita Federal.
PER/DCOMP. CANCELAMENTO.
A Per/DComp regularmente entregue produz efeitos na ordem jurídica, uma vez que para afastá-la deve ser cancelada no modo, no tempo e na forma prescritos em lei.
Aos Delegados da Receita Federal do Brasil incumbem, no âmbito da respectiva jurisdição, decidir sobre a revisão de ofício e sobre pedidos de cancelamento ou reativação de declarações.
Numero da decisão: 1801-001.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes.Ausente momentaneamente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2000 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL E DA OFICIALIDADE Manifesto equívoco procedimental da Recorrente deve ser reconhecido de ofício pela Delegacia da Receita Federal. PER/DCOMP. CANCELAMENTO. A Per/DComp regularmente entregue produz efeitos na ordem jurídica, uma vez que para afastá-la deve ser cancelada no modo, no tempo e na forma prescritos em lei. Aos Delegados da Receita Federal do Brasil incumbem, no âmbito da respectiva jurisdição, decidir sobre a revisão de ofício e sobre pedidos de cancelamento ou reativação de declarações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes.Ausente momentaneamente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1894; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 200 1 199 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.721372/200915 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.223 – 1ª Turma Especial Sessão de 04 de outubro de 2012 Matéria Restituição/Compensação Recorrente CENTRAIS ELÉTRICAS CACHOEIRA DOURADA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2000 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL E DA OFICIALIDADE Manifesto equívoco procedimental da Recorrente deve ser reconhecido de ofício pela Delegacia da Receita Federal. PER/DCOMP. CANCELAMENTO. A Per/DComp regularmente entregue produz efeitos na ordem jurídica, uma vez que para afastála deve ser cancelada no modo, no tempo e na forma prescritos em lei. Aos Delegados da Receita Federal do Brasil incumbem, no âmbito da respectiva jurisdição, decidir sobre a revisão de ofício e sobre pedidos de cancelamento ou reativação de declarações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 13 72 /2 00 9- 15 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/12/2012 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes.Ausente momentaneamente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Tratam os autos de DCOMPs referentes a débitos de IRPJ e CSLL, período de apuração de 2000, com créditos de pagamentos a maior de IRPJ e CSLL, arrecadados em 09/03/2001. A Recorrente apurou créditos oriundos de pagamento, via DARF, do IRPJ e da CSLL apurados na Declaração de Ajuste (DIPJ/2001), indevido ou a maior que o devido, no valor original total de R$10.797.222,46 (dez milhões, setecentos e noventa e sete mil, duzentos e vinte e dois reais, quarenta e seis centavos), entre IRPJ (R$7.529.665,40) e CSLL (R$2.855.274,93), transmitidos em 05/10/2005. Sobre o procedimento adotado pela Recorrente nos referidos pedidos, transcrevo excerto do Despacho Decisório n. 699 da DRF de Goiânia (fls. 1119), por esclarecedores: O contribuinte, ora analisado, entregou DIPJ, no exercício de 2001, ano calendário 2000, com a informação de que apurara o IRPJ e a CSLL sob a forma do Lucro Real, até o 3º trimestre. No quarto trimestre alterou o regime de apuração para o lucro presumido, com base em dispositivo da Lei n° 9.964, de 2000, que, excepcionalmente, naquele anocalendário, permitiu que as empresas, com ingresso no REFIS, pudessem fazer esta mudança de regime de tributação (fl. 39). Não obstante ter adotado aquele procedimento, o contribuinte declarou em DCTF, entregue no 1° trimestre/2001, o débito correspondente a tão somente uma parte do total do débito apurado no ajuste daquele exercício, além disso não declarou (nem efetuou o pagamento) do valor correspondente ao débito apurado no regime do lucro presumido. Efetuou, via DARF, apenas o pagamento do débito relativo ao ajuste (em valor menor que o declarado na DIPJ/2001). O pagamento com código de receita 2456, PA 30/09/2000 e vencimento 28/02/2001, foi realizado em 09/03/2001 no valor originário de R$7.529.665,40 (sete milhões, quinhentos e vinte e nove mil, seiscentos e sessenta e cinco reais e quarenta centavos). No caso da CSLL, para o mesmo PA e mesmo vencimento, o valor originário do pagamento é de R$ 2.855.274,93 (dois milhões, oitocentos e cinquenta e cinco mil, duzentos e setenta e quatro reais e noventa e três centavos). Por meio do processo n° 13126.000189/200589, o DARF supracitado foi alterado, mediante Redarf, passando a data de vencimento do débito nele informada (28/02/2001) para 30/03/2001, que é efetivamente a data de vencimento do débito correspondente ao ajuste daquele anocalendário (2000), conforme Agenda Tributaria editada pela RFB (fl. 35). Fl. 201DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/12/2012 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.721372/200915 Acórdão n.º 1801001.223 S1TE01 Fl. 201 3 Sendo o vencimento alterado para 30/03/2001, o pagamento passou a ser considerado antecipado, dispensando os encargos moratórios, calculados no DARF. Ocorre que antes de o sistema de controle da RFB processar a liquidação deste débito (declarado em DCTF), uma vez que fora recepcionado o pagamento, via DARF (registrado no sistema Sinal 01), o contribuinte entregou DCTF retificadora, em que alterava a forma de extinção do mesmo débito de "pagamento" (por meio de DARF) para "outras compensações". Na DCTF retificadora foi indicada a DCOMP em que foi efetuada a compensação, com a utilização do crédito correspondente ao valor do recolhimento efetuado no mencionado DARF. O mesmo procedimento foi adotado pelo contribuinte no pagamento do ajuste da CSLL. Como os referidos pagamentos ainda não haviam sido alocados, encontravam disponíveis para a correspondente vinculação de compensação na DCTF. Com a transmissão das DCOMP o sistema Sief — Per/Dcomp considerou a compensação efetuada, passando a registrar na situação/motivo do sistema Sief — Fisc. Eletr. (fl. 42) a indicação de ‘validado total’. Portanto, extraise dos autos que a Recorrente realizou os pagamentos do IRPJ e CSLL, computando a maior, nove dias, o que refletiu no cálculo dos juros de mora, bem como da multa de mora. Em 06/10/2005, procedeu à alteração dos referidos DARFs, mediante procedimento de ReDARF, contudo, antes mesmo que os sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal pudessem fazer a devida alocação do pagamento e extinção do débito, a Recorrente procedeu a pedidos de restituição para o reconhecimento da totalidade dos valores recolhidos como indébitos, ao mesmo tempo que vinculou esses mesmos indébitos a declarações de compensação. A Recorrente formalizou, nesse contexto, Pedidos de Restituição (PER) ns. 22390.98.427.051005.1.2.0.18671 e 35298.95091.051005.1.2.047530, além das Declarações de Compensação (DCOMPs) de ns. 06439.09376.051005.1.3.04 – 0070 e 19217.35302.051005.1.3.04 4411, para IRPJ e CSLL. As referidas declarações e pedidos foram objeto de fiscalização manual, que redundaram no Despacho Decisório n° 699 da DRF/GOI, de 14 de setembro de 2009, que reconheceu, em parte, o direito creditório, homologando a compensação efetuada pela Recorrente, até o limite do crédito reconhecido. No despacho decisório reconheceuse o total do crédito informado nos Pedidos de Restituição (PER), respectivamente, nos valores de R$ 7.753.296,46 (sete milhões, setecentos e cinquenta e três mil, duzentos e noventa e seis reais e quarenta e seis centavos), a título de IRPJ e R$2.912.951,48 (dois milhões, novecentos e doze mil, novecentos e cinquenta e um reais e quarenta e oito centavos), de CSLL, originados de recolhimentos com DARF, efetuados em 09/03/2001. Com relação às DCOMPs, foram homologadas parcialmente, até os valores (e nos limites dos créditos) demonstrados nos extratos de "Listagem de Débitos/Saldos Fl. 202DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/12/2012 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Remanescentes" e do "Demonstrativo Analítico de Compensação" do sistema NEOSAPO da RFB, uma vez que, ao efetuar o encontro de contas, os débitos da Recorrente que foram utilizados nas compensações, na data de apresentação da respectiva DCOMP, já se encontrariam vencidos, devendo sofrer a incidência de acréscimos moratórios (multa de mora e juros SELIC) até a data de valoração (data de apresentação da DCOMP). Assim, por força da insuficiência do direito creditório, em virtude dos acréscimos dos encargos moratórios, deixaram de ser reconhecidos, na ocasião, os valores originais de IRPJ (R$ 627.028,54) e de CSLL (R$ 261.920,43), determinandose a cobrança imediata dos referidos valores. Destarte, com relação às declarações de compensação, foi constatada a insuficiência de crédito, uma vez que a Recorrente não computou os valores, para efeitos de elaboração de suas declarações de compensação, de juros e multa de mora, pois teria utilizado seus supostos créditos para compensar IRPJ e CSLL do período de apuração da 30/09/2000, em DCOMP tãosomente transmitida em 05/10/2005. Irresignada com a homologação parcial da compensação, a Recorrente interpôs manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: i.cometeu equívoco ao preencher a data de vencimento nos DARFs recolhidos em 09/03/2001: em vez de informar o dia 30/03/2001 como vencimento do DARF, informou o dia 28/02/2001; ii. como resultado desse equívoco, foi indevidamente calculada multa de 0,33% por dia de atraso, que, em nove dias perfez o total de 2,97% (0,33% x 9 ) sobre o valor de R$ 7.529.665,40 para o IRPJ, totalizando a multa indevida o valor de R$ 223.631,06, e sobre o valor de R$ 2.855.274,93 para a CSLL, totalizando o valor de R$ 84.801,67; iii.quanto aos juros, no mês de fevereiro de 2001 a taxa Selic era de 1,02%, entretanto, também por equívoco, a Recorrente calculou a taxa Selic apenas à 1%, quando o correto seria 2,02%, de sorte que pagou juros a menor no valor de R$ 76.802,59 para o IRPJ e de R$ 29.123,80 para a CSLL; iv.não obstante, apesar dos equívocos cometidos, o valor recolhido por meio do DARF de 09/03/2001, alterado pelo ReDARF, seria suficiente para pagar o saldo do IRPJ e da CSLL devidos para o anocalendário 2000 e os juros Selic calculados de acordo com a Lei n° 9.430/96, apresentando planilhas que apontaram que o valor do seu crédito remanescente seria, respectivamente, de R$ 146.828, 47 (cento e quarenta e seis mil, oitocentos e vinte e oito reais e quarenta e sete centavos), e de R$55.677,87 (cinquenta e cinco mil, seiscentos e setenta e sete reais e oitenta e sete centavos); v.frisou que apesar de não ter incluído nos PER apresentados em 05/10/2005 a totalidade dos valores recolhidos nos DARFs em 09/03/2001, ainda assim, haveria crédito suficiente para utilização para o pagamento do IRPJ e da CSLL devidos. Requereu ao final de sua manifestação de inconformidade que, em virtude do pagamento a maior efetuado em 09/03/2001, fosse reconhecido não remanescer saldo a pagar de IRPJ nem CSLL relativamente ao ano –calendário 2000, afastandose a imputação proporcional. A 4ª Turma da Delegacia de Julgamento em Brasília negou provimento ao pedido da ora Recorrente, em decisão veiculada no Acórdão 03045.549 DRJ/BSB, ementada nos seguintes termos: Fl. 203DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/12/2012 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.721372/200915 Acórdão n.º 1801001.223 S1TE01 Fl. 202 5 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário:2000 Compensação em Atraso – Exigência de Multa e Juros de Mora Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não compensados nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa e juros de mora. Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário. A manifestação de inconformidade suspende a exigência do crédito tributário, relativamente ao débito objeto da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que a insuficiência dos créditos para absorver totalmente os débitos informados nas DCOMPs deveuse ao fato de que no advento da compensação a Recorrente não computou acréscimos legais de multa de mora e juros de mora na valoração dos débitos, conforme prescrições do art.61 da Lei n. 9430/96 e art. 28 da IN 460/2004. Considerandose que as DCOMPs foram transmitidas em 05/10/2005, data posterior aos vencimentos dos débitos tributários, a diferença não reconhecida no despacho decisório referirseia precisamente aos encargos moratórios do período. Da referida decisão, foi interposto recurso voluntário, no qual a Recorrente reiterou os argumentos da manifestação de inconformidade que versaram sobre os erros de cálculo relativos aos encargos moratórios, todavia, reconhecendo equívocos em seu procedimento. Com efeito, afirma que seu procedimento em face do erro da data de vencimento do débito e, por conseguinte, do cálculo de juros e multa de mora, deveria ter se limitado à retificação da data de vencimento dos DARFs, realocando os valores indevidamente pagos a título de encargos moratórios. Entretanto, procedeu aos pedidos de restituição já mencionados, para constituir direito creditório de IRPJ e CSLL e em relação aos mesmos créditos, emitiu DCOMPs para a quitação desses mesmos créditos, o que acabou gerando débitos desproporcionalmente maiores. Conclui, portanto, que a melhor opção teria sido pedir o cancelamento de todos os pedidos de restituição e compensação, o que, no entanto, seria vedado pela INSRF 460/2004, considerandose não mais estar pendente despacho decisório sobre esses pedidos. Asseverou que todos os equívocos cometidos não seriam hábeis a aniquilar o seu direito creditório, invocando ao seu favor o art.149 do CTN que prescreve que a autoridade administrativa para fazer a revisão de ofício do lançamento a qualquer tempo, nos casos como o dos autos, de erro de fato. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/12/2012 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Nesse contexto, à luz do Princípio da Verdade Material, da Proporcionalidade e da Razoabilidade, bem como dos arts.145, 147, III, §2º, 149, IV e VIII, todos do CTN, pleiteia que sejam determinados o cancelamento de ofício dos pedidos de compensação e restituição, e a correta realocação dos valores recolhidos em 09/03/2001, reconhecendose os pagamentos efetuados. Finalmente, requer que sejam paralisados quaisquer atos tendentes à cobrança dos débitos em litígio, nos termos do art.151, III do CTN c/c §11 da Lei n. 9430/96, de maneira que não sejam obstadas a obtenção das certidões referidas nos arts. 205 e 206 do CTN e que não haja a inclusão no CADIN. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora A análise dos autos demonstra que se está diante de uma sucessão de erros procedimentais, que transformaram uma simples retificação de data de vencimento do DARF, que gerou crédito originados de encargos moratórios pagos a maior, em um processo kafkaniano. Conforme relato, a Recorrente declarou em DCTF, relativa ao 1° trimestre/2001, débito correspondente a uma parte do total do débito apurado no ajuste daquele exercício, além de não declarar e pagar valor correspondente ao débito apurado no regime do lucro presumido, nos termos da Lei n. 9.964/2000, que teria permitido às empresas com ingresso no REFIS, a alteração do regime de apuração do IRPJ naquele anocalendário. Extraise dos autos, especialmente do Despacho Decisório n. 699 da DRF de Goiânia (fls. 1119), que a Recorrente realizou os pagamentos do IRPJ e CSLL, computando a maior, nove dias, o que refletiu no cálculo dos juros de mora, bem como da multa de mora, de sorte que realizou procedimento de ReDARF, no exercício de 2005. Todavia, o referido procedimento de ReDARF que deveria se cingir à alteração da data de vencimento das obrigações tributárias, e, por conseguinte, gerar um possível crédito decorrente dos encargos moratórios pagos a maior, acabou por adquirir espectro muito maior, em virtude de uma sucessão de erros da Recorrente. Destarte, a Recorrente apresentou DCTF retificadora, para alterar a forma de extinção dos mesmos débitos de IRPJ e CSLL pelos mencionados DARFs para "outras compensações", indicando as DCOMPs objeto dos autos, cujos créditos correspondentes ao valor do recolhimento efetuados nos mencionados DARFs. É de se observar, de acordo com informação veiculada no próprio despacho decisório da DRF, que os sistemas informatizados da Receita Federal deixaram de vincular o procedimento de ReDARFs para a quitação do respectivo crédito, pois teria sido anteriormente acusada, no mesmo sistema, a retificação da DCTF com a alteração da forma de quitação da obrigação tributária e as respectivas transmissões das DCOMPs. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/12/2012 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.721372/200915 Acórdão n.º 1801001.223 S1TE01 Fl. 203 7 Contudo, o tortuoso caminho procedimental eleito pela Recorrente desconsiderou o cômputo dos encargos moratórios incorridos desde a data do vencimento da obrigação tributária até o efetivo encontro de contas da compensação, no caso, cerca de cinco anos, motivo determinante para se apurar a insuficiência de créditos para quitação da obrigação, apurado pela instância administrativa a quo. É certo que o procedimento de retificação de DARF ou ReDARF, disciplinado pela Instrução Normativa SRF nº 672, de 30 de agosto de 2006, prestase à correções dos erros de preenchimento das referidas guias de pagamento, e se dessas correções advierem direitos creditórios do contribuinte, de pagamento indevido ou a maior, este deverá reaver esses valores mediante o rito da INSRF nº 900/2008. A INSRF nº 900/2088, por sua vez, estabelece, em seu art.2º, que poderão ser objeto de compensação/restituição “as quantias recolhidas a título de multa e de juros moratórios previstos nas leis instituidoras de obrigações tributárias principais ou acessórias relativas aos tributos administrados pela RFB”. Portanto, as evidências dos autos apontam que o erro primordial da Recorrente foi realizar as PER/DCOMPs consignando o valor relativo aos DARFs, quando o seu direito creditório seria tãosomente circunscrito aos noves dias de encargos moratórios indevidamente computados no advento do pagamento da obrigação. A respectiva retificação da DCTF acabou por consolidar a confusão. Com tudo, não se contestou o fato que os débitos de IRPJ e CSLL confessados em DCTF, relativos ao anocalendário de 2000, foram quitados pelos DARF recolhidos em tempo hábil (28/02/2001). Os recursos provenientes destes encargos tributários foram transferidos aos cofres públicos naquela data, sendo ilógico a Administração Tributária exigir juros e multa de tributos efetivamente quitados, pelo excesso de formalismo. Uma vez canceladas estas declarações, os ReDarfs resolvem o problema da quitação dos débitos, sem acréscimos. Caso a autoridade administrativa tenha conhecimento de erros evidentes dos contribuintes, deve atuar de ofício para saneálos, como revela as regras do art.147,§2º e 149 do CTN, respectivamente aplicáveis para os lançamentos por declaração e de ofício, mas que podem ser aplicados, analogicamente, aos casos de declaração de compensação, in verbis: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. [...] § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; Fl. 206DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/12/2012 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Da mesma forma, determina o artigo 302 do Regimento Interno da RFB: Art. 302. Aos Delegados da Receita Federal do Brasil e InspetoresChefes da Receita Federal do Brasil incumbem, no âmbito da respectiva jurisdição, as atividades relacionadas com a gerência e a modernização da administração tributária e aduaneira e, especificamente: I decidir sobre a revisão de ofício, a pedido do contribuinte ou no interesse da administração, inclusive quanto aos créditos tributários lançados, inscritos ou não em Dívida Ativa da União; (g.n.) E isso porque a obrigação tributária inserese em um ambiente de Estrita Legalidade, é dizer, a autoridade administrativa que detecta erros nas declarações de constituição da obrigação tributária tem o poderdever de saneálas de ofício, ainda que os sistemas informatizados não sejam hábeis a cruzar os dados, levando em conta as vicissitudes do caso concreto. Dos autos, depreendese que a DRF, ao realizar a análise das PER/DCOMPs já havia constatado os equívocos perpetrados, embora prosseguisse à análise do direito creditório, conforme se depreende do excerto do despacho decisório a seguir transcrito: Ocorre que antes de o sistema de controle da RFB processar a liquidação deste débito (declarado em DCTF), uma vez que fora recepcionado o pagamento, via DARF (registrado no sistema Sinal 01), o contribuinte entregou DCTF retificadora, em que alterava a forma de extinção do mesmo débito de "pagamento" (por meio de DARF) para "outras compensações". Fl. 207DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/12/2012 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.721372/200915 Acórdão n.º 1801001.223 S1TE01 Fl. 204 9 Na DCTF retificadora foi indicada a DCOMP em que foi efetuada a compensação, com a utilização do crédito correspondente ao valor do recolhimento efetuado no mencionado DARF. O mesmo procedimento foi adotado pelo contribuinte no pagamento do ajuste da CSLL. Como os referidos pagamentos ainda não haviam sido alocados, encontravam disponíveis para a correspondente vinculação de compensação na DCTF. Com a transmissão das DCOMP o sistema Sief — Per/Dcomp considerou a compensação efetuada, passando a registrar na situação/motivo do sistema Sief — Fisc. Eletr. (fl. 42) a indicação de ‘validado total’. O poderdever de controle de legalidade dos próprios atos, o Princípio da Verdade Material e o Princípio da Oficialidade, aplicados ao caso concreto, determinam que a autoridade administrativa, tendo ciência dos flagrantes equívocos cometidos pela Recorrente, os saneasse de ofício, determinando o cancelamento das PERD/COMPs, bem como da retificação da DCTF. O fato de os valores declarados pela Recorrente não coincidirem com a DIPJ entregue e relativa ao mesmo período, não pode servir de argumento para não se corrigir os erros, porque as informações veiculadas nas DIPJs são meramente informativas e não são hábeis para a confissão e a constituição de créditos. Esta verdade tem norteado a fiscalização e o julgamento de processos administrativos de forma incontroversa e não pode ser moldada conforme a situação proposta. Competia ao Fisco, no tempo hábil, proceder ao lançamento de ofício da diferença de valores, se fosse o caso, mas esta providência não pode ser tomada nestes autos, sequer por forma reversa. De igual forma, não pode a Recorrente mais pleitear a restituição dos acréscimos pagos, pelo decurso de prazo, muito embora se depreenda dos autos que não é este mais o seu foco, mas sim, requerer que não incidam acréscimos legais sobre valores pagos em datas hábeis. Contudo, refoge à competência deste Colegiado acolher o pedido formulado pela Recorrente, de cancelamento das respectivas DCOMPs, em conformidade com a prescrição do inciso I do artigo 302 do Regimento Interno da RFB: Art. 302. Aos Delegados da Receita Federal do Brasil e InspetoresChefes da Receita Federal do Brasil incumbem, no âmbito da respectiva jurisdição, as atividades relacionadas com a gerência e a modernização da administração tributária e aduaneira e, especificamente: [...] XI decidir sobre pedidos de cancelamento ou reativação de declarações; Em suma, compete à autoridade administrativa de origem rever de ofício os fatos aqui denunciados. Os cancelamentos das PER/DCOMPs e da DCTF entregue a posteriori, e a alocação dos créditos dos ReDARF recolhidos aos débitos de IRPJ e CSLL, devidamente Fl. 208DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/12/2012 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 constituídos, é a forma correta para evitar o dano à Recorrente e o enriquecimento indevido do Erário, evitando demanda judicial. Em face do exposto, e, considerandose a ausência de litígio no presente recurso voluntário, pois o direito creditório foi integralmente reconhecido pela autoridade administrativa julgadora a quo, deixo de conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 209DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/12/2012 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11516.000648/2001-81
Data da sessão: Wed Sep 23 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Sep 23 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1998,1999, 2000
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Súmula do Primeiro Conselho de Contribuintes n° 11.
CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA.
Não cabe à autoridade julgadora de instância administrativa competência para a apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias, tarefa privativa do Poder Judiciário.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO.
A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório dos tributos, se refere aos tributos e não às multas e dirige-se ao legislador, e não ao aplicador da lei.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte.
RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO
Numero da decisão: 2102-000.315
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR parcial provimento ao recurso para excluir o montante de R$ 13.200,00 da base de cálculo do acréscimo patrimonial a descoberto do ano-calendário 1997; vencidos o relator e a Conselheira
Nome do relator: Rubens Maurício Carvalho
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1998,1999, 2000 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Súmula do Primeiro Conselho de Contribuintes n° 11. CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. Não cabe à autoridade julgadora de instância administrativa competência para a apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias, tarefa privativa do Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório dos tributos, se refere aos tributos e não às multas e dirige-se ao legislador, e não ao aplicador da lei. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO
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Numero do processo: 13009.000642/2005-93
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
IRPF. GRATIFICAÇÃO DE LOCOMOÇÃO. OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR. NATUREZA INDENIZATÓRIA. Devido ao caráter indenizatório da verba paga sob a rubrica "gratificação de locomoção", constituindo ressarcimento de despesas gastas para o trabalho, não há que se falar em acréscimo patrimonial situado no campo de incidência do imposto de renda.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2101-001.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Celia Maria da Souza Murphy e Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Raimundo Tosta Santos.
(assinado digitalmente)
________________________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
________________________________________________
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora.
(assinado digitalmente)
_________________________________________________
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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GRATIFICAÇÃO DE LOCOMOÇÃO. OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR. NATUREZA INDENIZATÓRIA. Devido ao caráter indenizatório da verba paga sob a rubrica "gratificação de locomoção", constituindo ressarcimento de despesas gastas “para o trabalho”, não há que se falar em acréscimo patrimonial situado no campo de incidência do imposto de renda. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Celia Maria da Souza Murphy e Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Raimundo Tosta Santos. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 9. 00 06 42 /2 00 5- 93 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 _________________________________________________ JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração contra o contribuinte em epígrafe, no qual foi apurada omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício no anocalendário 1999 (fls. 10), do qual o contribuinte teve ciência em 26.8.2005 (fls. 41). Segundo relato da Fiscalização, o contribuinte entregou declaração retificadora em 9.12.2003, reduzindo indevidamente os rendimentos pagos pelo TJ/RJ. Assim, foi restabelecido o valor da declaração original. Em 20.09.2005, o contribuinte impugnou o lançamento (fls. 1 a 4), alegando, em síntese, que, como oficial de justiça avaliador, recebe gratificação de locomoção, isenta do imposto sobre a renda, por se tratar de ressarcimento do que foi gasto para efetivar as diligências determinadas pela autoridade judiciária. Assim sendo, a verba tem caráter indenizatório e não remuneratório. A 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) julgou o lançamento procedente, por meio do Acórdão n.º 1319.662, de 29 de abril de 2008, mediante a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999 IRPF. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. GRATIFICAÇÃO DE LOCOMOÇÃO. É tributável a verba recebida em pecúnia a titulo de gratificação por locomoção e paga de forma generalizada, haja vista tratar se de um percentual fixo do salário mensal. Lançamento Procedente Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 59 a 63, no qual, citando e transcrevendo ementas de julgados do Superior Tribunal de Justiça, os quais entende darem sustentação à sua tese, reitera as razões de impugnação e pede seja julgado procedente o recurso. É o Relatório. Voto Vencido Fl. 82DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13009.000642/200593 Acórdão n.º 2101001.960 S2C1T1 Fl. 80 3 Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. O lançamento perpetrado no presente processo ocorreu em função de revisão da declaração de ajuste anual do contribuinte, referente ao exercício 2000, na qual a Fiscalização apurou omissão de rendimentos tributáveis. Em sua declaração de ajuste anual original, o contribuinte havia declarado rendimento tributável recebido do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro no valor de R$ 40.501,93 e imposto retido na fonte de R$ 4.731,45 (fls 22), apurando imposto a restituir no valor de R$ 931,17. No entanto, em 9.12.2003, entregou declaração retificadora, na qual reduziu o montante dos rendimentos tributáveis para R$ 34.896,73 (fls. 24), e apurou imposto a restituir no valor de R$ 2.472,60. Em 28.6.2005, a Fiscalização lavrou o Auto de Infração às fls. 6 a 11, no qual restabeleceu o valor de rendimentos tributáveis anteriormente declarado e determinou a devolução de restituição indevida no valor corrigido de R$ 2.000,01. Na impugnação, o contribuinte esclareceu que o motivo da redução nos rendimentos tributáveis, que motivou a entrega da declaração retificadora, deveuse ao entendimento de que haviam sido declarados como rendimentos tributáveis valores isentos/nãotributáveis, consistentes em custas e emolumentos pagos exclusivamente pelos cofres públicos, recebidos por Oficiais de Justiça Avaliadores no exercício de suas funções (R$ 5.605,20). O interessado sustenta que o valor recebido a título de “gratificação de locomoção”, criada pela Lei Estadual n° 793 de 1984, é rendimento isento, com fulcro no artigo 8.º, § 1.º, da Lei n.º 7.713, de 1988, pois nada mais é do que o ressarcimento do valor gasto pelos Oficiais de Justiça Avaliadores na realização dos mandados. Assim sendo, a verba tem caráter indenizatório e não remuneratório. A DRJ no Rio de Janeiro II (RJ) não acolheu os argumentos, e indeferiu o pleito do contribuinte, por entender que a isenção é aplicável somente ao transporte fornecido, que não se confunde com o valor pago em espécie a título de gratificação de locomoção em percentual fixo de 20%. Sendo assim, segundo a DRJ, não existe amparo legal para o pedido. Em sede de recurso voluntário, o interessado repisa os mesmos argumentos da impugnação, fundamentando seu entendimento na decisão prolatada no Resp n.º 825.845 – RS, cuja cópia traz aos autos. Complementa que a Lei n° 2.524 de 1996, em seu artigo 3°, item II, define como receita do Fundo Especial do Tribunal de Justiça — FETJ "Custas e emolumentos judiciais", e o Ato Executivo n° 298, publicado no Diário Oficial do Rio de Janeiro, de 2001, veda, em seu artigo 1°, item IV, o pagamento da Gratificação de Locomoção instituída pela Lei Estadual n° 793, de 1984 ao Oficial de Justiça Avaliador que não se encontre no efetivo exercício das suas funções do cargo. Explica que, na função de Oficial de Justiça Avaliador, inicia as suas atividades pagando com recursos próprios as despesas para o fiel cumprimento dos mandados judiciais a ele designados, tais como: citações, intimações, buscas e apreensões, despejos, etc, além das despesas de passagens para o local de lotação, onde pega os referidos mandados, a Fl. 83DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 fim de realizar as diligências ordenadas. Portanto, o que recebe a título de “gratificação de locomoção” nada mais é do que o ressarcimento do que foi gasto na realização dos mandados. Sobre os argumentos trazidos à baila pelo recorrente, salientamos, por primeiro, que o Código Tributário Nacional – Lei n.º 5.172, de 1996, estipula, no caput do artigo 43, que o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos e de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda. Também estabelece, em seu parágrafo primeiro, que a incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Também nesse sentido, assim dispõe a Lei n.° 7.713, de 1988, cujo artigo 3.° a seguir transcrevese: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. § 5º Ficam revogados todos os dispositivos legais concessivos de isenção ou exclusão, da base de cálculo do imposto de renda das pessoas físicas, de rendimentos e proventos de qualquer natureza, bem como os que autorizam redução do imposto por investimento de interesse econômico ou social. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13009.000642/200593 Acórdão n.º 2101001.960 S2C1T1 Fl. 81 5 § 6º Ficam revogados todos os dispositivos legais que autorizam deduções cedulares ou abatimentos da renda bruta do contribuinte, para efeito de incidência do imposto de renda. (g.n.) Dos dispositivos acima, depreendese que toda a renda percebida pelo particular está sujeita ao imposto sobre a renda, independentemente da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. As exceções são especificamente previstas em lei, tal como ocorre com as isenções. Já a indenização visa a reparar um dano moral ou patrimonial causado ao lesado ou a reembolsar uma despesa feita. Cabe apreciar, no presente processo, se as verbas de “gratificação de locomoção” recebidas pelo recorrente representam acréscimo ao seu patrimônio, de modo a ensejar a incidência do imposto sobre a renda. A Lei do Estado do Rio de Janeiro n° 793, de 1984, à qual alude o recorrente, em sua peça recursal, ao instituir a gratificação de locomoção aos Oficiais de Justiça Avaliadores naquele Estado, assim dispôs, em seu artigo 12: Art. 12 A categoria funcional de Oficial de Justiça do Poder Judiciário do Estado passa a denominarse Oficial de Justiça Avaliador. [...] § 3º O Oficial da Justiça Avaliador fará jus a uma gratificação mensal de locomoção correspondente a 50% (cinqüenta por cento) do valor das custas recolhidas relativamente aos atos de que tenha participado. § 4º A gratificação a que se refere o parágrafo anterior não será inferior a 20% (vinte por cento) do vencimento mais elevado da categoria funcional da entrância a que pertencer o Oficial de Justiça Avaliador, fazendo jus a esta gratificação mensal os Oficiais de Justiça Avaliadores que tenham a incumbência de participar de atos que não gerem custas. [...] (g.n.) O Presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, por meio do Ato Executivo n° 298, que determina medidas de contenção de despesas com pessoal, visando ao cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar n.º 101, de 2000), assim resolveu: Art. 1.º Vedar o pagamento: [...] Fl. 85DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 IV. de gratificação de locomoção, instituída pela Lei estadual n° 793/84 (art. 7.º, § 3.º) ao Oficial de Justiça Avaliador que não se encontre em efetivo exercício das suas funções do cargo.” Ante o que se depreende dos textos acima transcritos, é possível, tal como fez esta Conselheira anteriormente, entender que se trata de verba indenizatória, correspondente ao ressarcimento de gastos efetuados no desempenho das atribuições inerentes ao cargo de Oficial de Justiça Avaliador. Tanto é que assim que, ao apreciar o tema das verbas de “gratificação de locomoção”, recebidas por Oficial de Justiça Avaliador do Estado do Rio de Janeiro, com base na Lei do Estado do Rio de Janeiro n° 793, de 1984, este Colegiado assim decidiu, por unanimidade de votos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2000 IRPF. GRATIFICAÇÃO DE LOCOMOÇÃO DE OFICIAL DE JUSTIÇA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. Devido ao caráter indenizatório da verba paga sob a rubrica "gratificação de locomoção", constituindo ressarcimento de despesas gastas “para o trabalho”, apenas recompondo o patrimônio do contribuinte, não há que se falar em acréscimo patrimonial, não incidindo, pois, no presente caso, o imposto sobre a renda. Recurso provido. (CARF, Segunda Seção de Julgamento, 1.ª Câmara, 1.ª Turma Ordinária. Acórdão n.º 2101001.531, de 13.3.2012). Todavia, aprofundando os estudos sobre o caso, revi a minha posição e constatei que tal conclusão não é a mais apropriada, haja vista que o valor da “gratificação de locomoção” devida aos Oficiais de Justiça Avaliadores do Estado do Rio de Janeiro não está, necessariamente, vinculado a uma despesa efetuada pelo servidor, conforme se demonstrará a seguir. Do exame do dispositivo legal que instituiu a “gratificação de locomoção”, artigo 12 da Lei do Estado do Rio de Janeiro n° 793, de 1984, temse que a verba assim denominada é calculada em função do valor das custas recolhidas relativamente aos atos dos quais o servidor tenha participado, não podendo ser inferior a um determinado limite, calculado em 20% sobre o valor do vencimento mais elevado da categoria funcional da entrância à qual pertencer o Oficial de Justiça Avaliador. Primeiramente, buscamos a composição do valor das custas recolhidas relativamente aos atos de que tenha participado, indicados no § 3.º do artigo 12 da Lei do Estado do Rio de Janeiro n° 793, de 1984, e encontramos a resposta na Lei n.º 3.350, de 1999, que dispõe sobre as custas judiciais e emolumentos dos serviços notariais e de registros no Estado do Rio de Janeiro: Art. 1º As custas judiciais devidas pelo processamento de feitos são fixadas segundo a natureza do processo e a espécie de recurso e os emolumentos dos serviços notariais e de registros, de acordo com o ato praticado, sendo ambos contados e Fl. 86DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13009.000642/200593 Acórdão n.º 2101001.960 S2C1T1 Fl. 82 7 cobrados de conformidade com a presente Lei e Tabelas anexas, que da mesma fazem parte integrante com todo o seu conteúdo. A Tabela 8, integrante da referida Lei, contempla as custas dos Atos dos Oficiais de Justiça Avaliadores: TABELA 8 ATOS DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA AVALIADORES ATOS CUSTAS (UFIR) 1. Citação ou intimação: uma pessoa 7,00 por pessoa que exceder no mesmo endereço 5,00 por pessoa que exceder em endereço diferente 7,00 por correio, por pessoa 1,00 2. Diligências de Verificação 7,00 por diligência excedente em endereço diferente, mais 5,00 3. Penhora, Seqüestro e Arresto, inclusive a avaliação prévia 10,00 por diligência excedente em endereço diferente, mais 5,00 4. Despejo, Busca e Apreensão, Imissão ou Reintegração de Posse 22,00 por diligência excedente em endereço diferente 5,00 5. Arrolamento de Bens 22,00 por diligência excedente em endereço diferente, mais 5,00 6. Outras diligências não especificadas 10,00 7. Praça ou Leilão Judicial: 1% (cinco por cento)sobre o valor pelo qual forem os bens arrematados, vendidos, adjudicados ou remidos. 8. Certidões (folha com 30 linhas) 5,00 por folha excedente a uma 1,00 NOTAS INTEGRANTES: 1. As custas desta tabela remuneram todos os atos necessários à execução da medida, tais como, condução, arrombamento, remoção, depósito, avaliação prévia e intimação das partes ou de terceiros para testemunharem a diligência, bem como a necessidade de mais de um oficial atuante. 2. As despesas com arrombamento ou remoção de bens correrão por conta do requerente que deverá providenciálas previamente. 3. Não serão devidas custas: nos pregões em audiência, nos casos de intimação do órgão do Ministério Público, Defensoria Pública ou servidores da Justiça, nos feitos em que funcionarem, nem serão pagas novas custas de citação ou intimação que tiverem que ser renovadas pelo não cumprimento da diligência inicial. 4. Nos editais de praça ou nos anúncios de leilão, bem como nos pregões, será obrigatória a informação sobre o valor das custas devidas pela realização do ato. 5. As custas da praça ou leilão serão recolhidas ao FETJ quando o ato for realizado por servidores remunerados pelos cofres públicos. 6. Os arrematantes ou adjudicatários remissos não ficarão dispensados do pagamento das custas da praça ou leilão. Verificase que a Tabela 8 da Lei n.º 3.350, de 1999, acima transcrita, ao estipular o valor das custas dos atos dos Oficiais de Justiça Avaliadores, remete ao tipo de ato praticado, e não à despesa na qual o servidor efetivamente incorreu ou poderia ter incorrido para se locomover até o local onde praticou o ato. Isto significa que, não obstante o valor Fl. 87DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 despendido pelo servidor com a sua locomoção até o local onde deve praticar o ato, o montante ao qual ele faz jus não varia de acordo com essa despesa, mas de acordo com a natureza do ato praticado. Em segundo lugar, ao explicar o conteúdo do Ato Executivo n.º 298, de 2001, o Ato SN 12/2001, emitido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, publicado no DORJIII, SI, nº 142, p. 4 (30.7.2001), esclarece que a verba denominada “gratificação de locomoção” é paga também a todos os servidores em gozo de licença médica e às servidoras em licença gestante, além de ser paga, também, nos primeiros trinta dias, ao servidor afastado de suas atribuições por outros motivos. Vejamos: “Para as respostas às indagações apresentadas pela Secretaria de Administração, hão de ser levados em consideração os objetivos visados pelo Ato Executivo n° 298/01, impondose a aplicação do seu art. 1°, II e IV a todos os afastamentos superiores a 30 (trinta) dias, inclusive nos casos de licenças, exceto as licenças médica e gestante. Durante o período de 30 (trinta) dias de afastamento não haverá a suspensão das gratificações de titularidade e de locomoção.” Por último, o pagamento mínimo do percentual fixo de 20% sobre o valor do vencimento mais elevado da categoria funcional da entrância à qual pertence o Oficial de Justiça Avaliador também não está relacionado com os gastos com locomoção em que incorre o servidor no desempenho de suas funções externas, seja em veículo próprio, utilizando transporte público ou qualquer outro meio de locomoção, de modo a caracterizar o reembolso de uma despesa por ele feita a fim de se deslocar, para o cumprimento de suas atribuições. Pelo contrário, é devido ao servidor mesmo que ele não tenha incorrido em qualquer despesa com locomoção no período considerado. Sendo assim, do exame mais aprofundado da legislação que rege a matéria e dos esclarecimentos prestados pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro acerca do pagamento da “gratificação de locomoção”, no Ato SN 12/2001, não é possível concluir que essa verba tenha caráter de reposição de despesas com locomoção do servidor para o desempenho de suas atribuições. Diferentemente, conforme se demonstrou, tratase de uma gratificação desvinculada de qualquer gasto comprovado pelo Oficial de Justiça Avaliador a esse título, e, denominada “gratificação de locomoção”, não varia não em função do dispêndio do servidor para esse fim, mas de acordo com parâmetros dissociados dessa finalidade, quais sejam: o valor das custas recolhidas relativamente aos atos dos quais o servidor tenha participado, em alguns casos, e, em outros como um percentual fixo do vencimento mais elevado da categoria funcional da entrância à qual pertencer o servidor, sendo devido o mínimo de 20% sobre esse valor, em qualquer caso, mesmo que o servidor não tenha feito qualquer despesa com locomoção no período, tal como prevê o §4.º do artigo 12 da Lei do Estado do Rio de Janeiro n° 793, de 1984. Por essas razões, entendo que o montante pago a título de “gratificação de locomoção” ao Oficial de Justiça Avaliador, por não guardar qualquer vínculo com as despesas eventualmente incorridas pelo servidor, tem a natureza de uma complementação de salário, estando, deste modo, incluída no conceito de rendimento tributável pelo imposto sobre a renda. No caso vertente, inclusive, o próprio Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro classificou essa verba como tributável, conforme se observa no Comprovante de Fl. 88DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13009.000642/200593 Acórdão n.º 2101001.960 S2C1T1 Fl. 83 9 Rendimentos Pagos e Retenção de Imposto de Renda na Fonte correspondente ao ano calendário 1999, objeto do litígio neste processo (fls. 12). Conforme salientado anteriormente, não é a denominação do rendimento que define se ele é tributável ou não, mas a sua natureza. E, no caso, concluiuse que a natureza da “gratificação de locomoção” recebida pelo interessado, Oficial Justiça Avaliador do Estado do Rio de Janeiro, é de rendimento tributável. Nesse sentido, o Acórdão n.º 2201001.054, de 13.4.2011, proferido pela 2.ª Câmara da 2.ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cuja ementa a seguir transcrevese: IRPF. AUXÍLIO TRANSPORTE. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. A mera designação de uma verba paga pelo empregador como sendo indenização não é suficiente para afastar a incidência do imposto. É preciso demonstrar que, efetivamente, a verba em questão tem natureza compensatória, destinada à reposição de gastos do beneficiário no exercício de suas funções. Assim, verbas recebidas como auxílio transporte só podem ser consideradas como indenizatórias nos casos em que ficar demonstrado que o seu pagamento somente é devido àqueles que utilizam veículo próprio a serviço do empregador e de que o seu pagamento destinase a repor estes gastos. (CARF, Segunda Seção de Julgamento, 2.ª Câmara, 1.ª Turma Ordinária. Acórdão n.º 2201001.054, de 13.4.2011). Cumpre, por fim, ressaltar que o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 256, de 22 de junho de 2009, no artigo 62A de seu Anexo II, acrescentado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010, determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática estabelecida nos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento dos recursos administrativos. Muito embora o contribuinte tenha juntado aos autos decisão favorável à consideração de verba de “auxíliocondução” paga a Oficial de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul como indenizatória, a decisão não vincula este Conselho, eis que não foi proferida na sistemática estabelecida nos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil. Além do mais, levou em conta legislação diversa da examinada no presente processo. Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 89DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 Voto Vencedor Conselheiro José Raimundo Tosta Santos Em que pese os fundamentos declinados pela i. Conselheira Célia Maria de Souza Murphy, peço vênia para divergir do seu entendimento, e seguir a jurisprudência deste Colegiado sobre o tema. Em sua defesa o recorrente argumenta que, na função de Oficial de Justiça Avaliador, inicia as suas atividades pagando com recursos próprios as despesas para o fiel cumprimento dos mandados judiciais a ele designados, tais como: citações, intimações, buscas e apreensões, despejos etc, além das despesas de passagens para o local de lotação, onde pegam os referidos mandados, a fim de realizarem as diligências ordenadas. Portanto, o que recebem a título de “gratificação de locomoção” nada mais é do que o ressarcimento do que foi gasto pelos Oficiais de Justiça na execução das diligências determinadas pela autoridade judiciária. Assim sendo, a verba tem caráter indenizatório e não remuneratório. Não há dúvidas, pela legislação do Estado do Rio de Janeiro, já transcrita neste Acórdão, que a gratificação de locomoção deve ser paga somente aos Oficiais de Justiça Avaliadores que estejam em efetivo exercício das suas funções. A forma como esta é calculada não descaracteriza a sua natureza indenizatória. O pagamento de diária ao servidor em deslocamento, por exemplo, pode ser insuficiente para cobrir os gastos efetivos (hospedagem, alimentação, transporte etc), mas também pode eventualmente haver alguma sobra. Em uma viagem pode ocorrer a primeira hipótese e nas seguintes pode ocorrer o inverso. É bastante que o servidor esteja efetivamente em viagem para que o recebimento de diária seja integralmente isenta, conforme determina a legislação fiscal, que não exige prestação de contas dos gastos. Da mesma forma, eventualmente o Oficial de Justiça poderá gastar mais ou menos do que recebe para realizar as diligências determinadas pelo poder Judiciário, e vários tipos de ocorrências podem ensejar maior dispêndio em combustível ou manutenção do veículo. É tributável o recebimento da gratificação para quem efetivamente não se encontra no efetivo exercício das funções de Oficial de Justiça Avaliador, pois tais valores terá natureza salarial. Contudo, entendo que não se pode tomar a exceção pela regra e tributar a “gratificação de locomoção”, desconsiderando a sua natureza indenizatória. Discutese nos autos, tãosomente, a natureza tributária da gratificação de locomoção, e não situações excepcionais que colocariam tal verba no campo de incidência do imposto de renda. A pretensão de tributar o valor recebido a título de "gratificação de locomoção" desrespeita o artigo 43, incisos I e II, do Código Tributário Nacional e vai de encontro ao princípio constitucional da capacidade contributiva, previsto no artigo 145, § 1°, da Carta da República. Pareceme evidente que são valores recebidos para o trabalho e não pelo trabalho. Os valores recebidos pelo trabalho se constituem rendimentos e estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda. As importâncias recebidas para o trabalho são recursos destinados para que alguém possa executar determinada atividade e, portanto, não se constituem em rendimentos, mas sim meios necessários ao exercício da função, do encargo ou do trabalho. O tema das verbas de “gratificação de locomoção”, recebidas por Oficial de Justiça Avaliador do Estado do Rio de Janeiro, com base na Lei do Estado do Rio de Janeiro n° 793, de 1984, já foi apreciado no âmbito deste Colegiado, que assim decidiu, por unanimidade de votos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Fl. 90DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13009.000642/200593 Acórdão n.º 2101001.960 S2C1T1 Fl. 84 11 Exercício: 2000 IRPF. GRATIFICAÇÃO DE LOCOMOÇÃO DE OFICIAL DE JUSTIÇA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. Devido ao caráter indenizatório da verba paga sob a rubrica "gratificação de locomoção", constituindo ressarcimento de despesas gastas “para o trabalho”, apenas recompondo o patrimônio do contribuinte, não há que se falar em acréscimo patrimonial, não incidindo, pois, no presente caso, o imposto sobre a renda. Recurso provido. (CARF, Segunda Seção de Julgamento, 1.ª Câmara, 1.ª Turma Ordinária. Acórdão n.º 2101001.531, de 13.3.2012). Com efeito, o fato gerador do imposto de renda é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica decorrente de acréscimo patrimonial (art. 43 do CTN). Dentro deste conceito se enquadram as verbas de natureza salarial ou as recebidas a título de aposentadoria. Diferentemente, verba denominada "gratificação de locomoção" objetiva compensar financeiramente o oficial de justiça pelas despesas com a utilização de seu veiculo (manutenção, pedágio e combustível) no exercício da função pública, razão pela qual tem nítido caráter indenizatório, ou seja, fora do campo de incidência do imposto de renda. Neste diapasão é uníssona a jurisprudência do STJ conforme arestos juntados aos autos pela recorrente (fls. 166/189). Na mesma linha de entendimento, confirase a ementa a seguir transcrita (REsp 825907 RS Relator Ministro LUIZ FUX Julgamento em 31/03/2008 Órgão Julgador: T1 PRIMEIRA TURMA – Publicação: DJ 12.05.2008 p. 1): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. "AUXÍLIOCONDUÇÃO". OFICIAL DE JUSTIÇA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O auxílio condução consubstancia compensação pelo desgaste do patrimônio dos servidores, que se utilizam de veículos próprios para o exercício da sua atividade profissional, inexistindo acréscimo patrimonial, mas uma mera recomposição ao estado anterior sem o incremento líquido necessário à qualificação de renda (Precedentes desta Corte: REsp 731.883/RS, Primeira Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ 03.04.2006; REsp 852.572/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJ 15.09.2006; REsp 840.634/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ 01.09.2006; e REsp 8516.77/RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ 25.09.2006). Em face ao exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 91DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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