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Numero do processo: 10508.000279/2007-59
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPENDENTES
Os proventos de dependentes não incluídos na Declaração de Ajuste Anual caracterizam omissão de rendimentos.
Numero da decisão: 2001-001.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPENDENTES Os proventos de dependentes não incluídos na Declaração de Ajuste Anual caracterizam omissão de rendimentos.
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DEPENDENTES Os proventos de dependentes não incluídos na Declaração de Ajuste Anual caracterizam omissão de rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 00 02 79 /2 00 7- 59 Fl. 56DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2005, anocalendário de 2004. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foi apurada a omissão de rendimentos tributáveis pagos por duas fontes distintas, no valor de R$21.918,27, assim como retenção de imposto de renda por uma destas fontes, resultando no lançamento de imposto suplementar de R$5.328,09, acrescido de multa de ofício e juros de mora, totalizando R$l0.549,07. Regularmente cientificado da Notificação, o contribuinte apresentou Solicitação de Retificação de Lançamento (SRL), a qual foi indeferida (fl. 22). Assim, impugnou o lançamento (fls. 1/4) por entender ser inadmissível recolher imposto de renda de rendimentos tributáveis próprios de seu cônjuge, Maria Aparecida Almeida Rabelo, pois todos os seus rendimentos foram oferecidos à tributação. Alega ainda que é facultado ao contribuinte casado apresentar a declaração em separado, incluindo a totalidade de rendimentos próprios e a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns. Afirma anexar a Declaração de Ajuste Anual de seu cônjuge, assim como os comprovantes de seus rendimentos auferidos como professora. Requer o provimento da impugnação. Foram anexadas ao processo, cópias da SRL (fl. 05); da Notificação de Lançamento (fls. O6/08); recibos de entrega de suas Dirpf (original retificadora); de comprovante de rendimentos próprios (fl. 11) e do resultado da SRL, em duplicidade (fls.12/13). Apesar de afirmado textualmente, não foi anexada cópia da Dirpf do cônjuge, mas há no processo, cópia de Declaração de Ajuste Anual em nome de Maria Aparecida Almeida Rabelo, CPF 074.518.73587 com os rendimentos próprios, apresentada pelo contribuinte em anexo à SRL (fl. 23). Ressaltese que nesta mesma folha consta a observação de que não existe qualquer Dirpf exercício 2005 entregue pelo CPF 074.518.735 87. A DRJ Salvador, na análise da peça impugnatória, esclareceu, em primeiro lugar, não há na base de dados da Secretaria da Receita da Fazenda qualquer DIRPF exercício 2005 em nome da sra Maria Aparecida Almeida Rabelo. Ou seja, o documento anexado foi um mero rascunho. Adicionalmente, no campo Dependentes da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, exercício 2005, apresentada em modelo simplificado (fls. 29/30) consta a senhora Maria Aparecida Almeida Rabelo, CPF 074.518.73587. Posteriormente afirma a DRJ que o contribuinte tomou ciência da Notificação de Lançamento em outubro de 2006, e a partir de então há impedimento para a apresentação de declarações de ajuste anual em separado, a sua, retificadora, excluindo o cônjuge como dependente e a deste, inicial, oferecendo à tributação os próprios rendimentos, porque a retificação é inadmissível após a notificação do lançamento, como dispõe o artigo 147, § 1°, do Código Tributário Nacional (CTN). Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte as mesmas razões aventadas na Impugnação e aduz se tratar de erro de inclusão de dependente na sua declaração. É o relatório. Voto Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10508.000279/200759 Acórdão n.º 2001001.038 S2C0T1 Fl. 3 3 Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Omissão de rendimentos Dependentes O presente lançamento decorre sobre suposta omissão de rendimentos recebidos pelo dependente do contribuinte, ora Recorrente. Como exposto pela DRJ Salvador, em primeiro lugar, não há na base de dados da Secretaria da Receita da Fazenda qualquer DIRPF exercício 2005 em nome da sra Maria Aparecida Almeida Rabelo. Adicionalmente, no campo Dependentes da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, exercício 2005, apresentada em modelo simplificado (fls. 29/30) consta a senhora Maria Aparecida Almeida Rabelo, CPF 074.518.73587. O contribuinte sustenta então que foi um equívoco e sustenta seu direito de apresentar declaração em separado. No entanto, repitase, por escolha própria optou por apresentar sua Declaração de Ajuste Anual (Dirpf) exercício 2005, mesmo que em modelo simplificado, constando como dependente o cônjuge. Tal fato, combinado com a inexistência na base de dados qualquer Dirpf em nome do cônjuge significa que o casal optou por apresentar a declaração em conjunto, na qual devem ser oferecidos à tributação todos os rendimentos próprios e comuns, porventura auferidos por ambos. Merece ratificar o que fora colocado na decisão a quo, ou seja , de que depois da ciência da Notificação de Lançamento há impedimento para a apresentação de declarações de ajuste anual em separado, excluindo o cônjuge como dependente e a deste, inicial, oferecendo à tributação os próprios rendimentos, porque a retificação é inadmissível após a notificação do lançamento, como dispõe o artigo 147, § 1°, do Código Tributário Nacional (CTN). Portanto, o rendimento considerado omitido deveria ter sido declarado como tributável e passível de ajuste na DIRPF do contribuinte . Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. Fl. 58DF CARF MF 4 A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Tendo em vista que a decisão a quo foi clara e objetiva, com claro respaldo e fundamentação, entendo que não merece qualquer reparo. Nesta senda, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário e manter o lançamentos nos mesmos moldes efetuados pela autoridade lançadora. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, conforme acima mencionado. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10508.000279/200759 Acórdão n.º 2001001.038 S2C0T1 Fl. 4 5 Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.726961/2015-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. PERÍODO AQUISITIVO COMPROVADO
A contribuinte comprovou o período aquisitivo do direito que originou o fato gerador, o que enseja o reconhecimento do direito creditório. Os documentos comprovam as retenções efetuadas e a quantidade de meses a que se referiam o crédito.
Numero da decisão: 2401-005.875
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório da contribuinte considerando que os rendimentos recebidos acumuladamente ser referem a 51 meses.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. PERÍODO AQUISITIVO COMPROVADO A contribuinte comprovou o período aquisitivo do direito que originou o fato gerador, o que enseja o reconhecimento do direito creditório. Os documentos comprovam as retenções efetuadas e a quantidade de meses a que se referiam o crédito.
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RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. PERÍODO AQUISITIVO COMPROVADO A contribuinte comprovou o período aquisitivo do direito que originou o fato gerador, o que enseja o reconhecimento do direito creditório. Os documentos comprovam as retenções efetuadas e a quantidade de meses a que se referiam o crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório da contribuinte considerando que os rendimentos recebidos acumuladamente ser referem a 51 meses. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 69 61 /2 01 5- 14 Fl. 226DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador – BA (DRJ/SDR), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, extinguindo o crédito tributário, mas sem reconhecimento de direito creditório, conforme ementa do Acórdão nº 15 41.191 (fls. 89/91): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. O imposto de renda referente a rendimentos recebidos acumuladamente, relativos a fatos geradores ocorridos no ano calendário 2010 estão sujeitos à tributação exclusiva na fonte, salvo opção pelo contribuinte de integrálos à base de cálculo anual. Os rendimentos recebidos no anocalendário 2010, mas antes da publicação da MPv nº 497, de 27 de julho de 2010, publicada no DOU de 28/07/2010, podiam ser tributados exclusivamente na fonte, na forma autorizada pelo § 7º do art. 12A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. O reconhecimento do direito creditório demanda comprovação do período aquisitivo do direito que originou o fato gerador por devida instrução processual. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Exonerado O presente processo trata de Notificação de Lançamento (fls. 18/26) lavrada em 08/06/2015, relativo ao anocalendário de 2010, por meio da qual é constituído o crédito tributário de Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza da Pessoa Física IRPF, no valor de R$ 28.095,44. O Contribuinte requereu restituição de R$ 23.278,83, na sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física DIRPF, decorrente do cálculo sobre o montante dos rendimentos pagos antecipadamente, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses referentes aos rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 20/21), o lançamento de ofício foi efetuado em razão de rendimentos recebidos acumuladamente de Fl. 227DF CARF MF Processo nº 11080.726961/201514 Acórdão n.º 2401005.875 S2C4T1 Fl. 3 3 pessoa jurídica, no valor de R$ 272.798,55, sem comprovação do número de meses de aquisição do direito. Intimada para apresentar as planilhas de cálculo que comprovasse o número de meses, não apresentou, razão pela qual foi considerado pela Fiscalização como um mês. Em 15/06/2015 o Contribuinte tomou ciência da Notificação, via Correio (AR fl. 74) e, em 03/07/2015, tempestivamente, apresentou sua Impugnação de fl. 02. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/SDR para julgamento, onde, através do Acórdão nº 1541.191, em 24/01/2017 a 5ª Turma resolveu pela procedência parcial da impugnação, extinguindo o crédito tributário, mas sem reconhecimento do direito creditório, sob o seguinte fundamento: Por outro lado, o reconhecimento do direito creditório pleiteado na DIRPF, demanda comprovação do período aquisitivo do direito que originou o fato gerador por devida instrução processual. O sujeito passivo não logrou esta comprovação, de modo que não permite firmar a convicção do número de meses a que corresponde o direito aquisitivo. As cópias simples apresentadas com a impugnação não são documentos comprobatórios do período e não são oficiais da Justiça do Trabalho. Não há documentos que instruam a peça processual do sujeito passivo que comprovem esse período, razão pela qual não é possível o reconhecimento do pleito. Em 27/01/2017 o Contribuinte tomou ciência do Acórdão (AR – fl. 93) e, em 22/02/2017, tempestivamente, interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fl. 96, instruído com os documentos relacionados nas fls. 97 a 204. Em seu Recurso Voluntário aduz que o não reconhecimento do seu direito creditório foi pelo fato de ter apresentado cópias simples dos documentos comprobatórios do período. Por esse motivo anexa ao processo 84 cópias autenticadas de documentos comprovando os 51 meses. Conclui seu RV asseverando restar demonstrado o número de meses e requerendo seu acolhimento para o fim de assim ser decidido, considerando o crédito pleiteado. É o relatório Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 228DF CARF MF 4 Mérito O Recurso voluntário apresentado à fl. 96 cingese no questionamento acerca do direito creditório pleiteado na DIRPF, decorrente do cálculo sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se referem os recebimentos ou crédito. No Demonstrativo de Apuração das Alterações dos Dados Declarados na Ficha RRA Exclusivo na Fonte (fl. 22), o número de meses foi alterado para 1, concluindo pelas seguintes diferenças apuradas: Imposto de Renda Devido RRA = 51.374,22; Imposto Retido RRA = 0,00. A decisão de piso julgou improcedente o pleito do contribuinte aduzindo que o reconhecimento ao direito creditório pleiteado na DIRPF, demandaria de comprovação do período aquisitivo do direito que originou o fato gerador, sendo que o sujeito passivo não logrou comprovar o número de meses correspondente ao direito aquisitivo. Compulsando os autos, verifico que os documentos adunados às fls. 6, 182 e 183, demonstram a ocorrência da retenção do tributo sobre os rendimentos recebidos de forma acumulada decorrentes da ação trabalhista. Os cálculos de liquidação da sentença (fls. 126/140) indicam a quantidade de 51 meses a que se referiam os rendimentos. O despacho proferido desde 2009 (fl. 64, 141 e 143) comprova que a planilha apresentada faz parte do processo judicial, pois há indicação das folhas 378/394 do processo judicial, que coincidem com o número das folhas indicadas nos documentos de fls. 126/140 destes autos, por serem cópias extraídas da ação judicial interposta. Assim, entendo que assiste razão à contribuinte quanto ao direito creditório considerando que os Rendimentos Recebidos Acumuladamente se referem a 51 meses. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e DOULHE PROVIMENTO para reconhecer o direito creditório da contribuinte levando em consideração o período aquisitivo de 51 meses. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 229DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13681.000003/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 1999, 2000
RECOLHIMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ainda que o recolhimento se mostre indevido, por ser decorrente de exigência prevista em preceito legal declarado inconstitucional pelo STF, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contado da extinção do crédito tributário pelo pagamento.
Numero da decisão: 2201-004.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 1999, 2000 RECOLHIMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ainda que o recolhimento se mostre indevido, por ser decorrente de exigência prevista em preceito legal declarado inconstitucional pelo STF, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contado da extinção do crédito tributário pelo pagamento.
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RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ainda que o recolhimento se mostre indevido, por ser decorrente de exigência prevista em preceito legal declarado inconstitucional pelo STF, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contado da extinção do crédito tributário pelo pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata o presente de recurso formalizado em face do Despacho Decisório nº 181/2009, exarado por delegação de competência do Titular Delegacia da Receita Federal do Brasil em Montes Claros/MG, fl. 33 e 34. O objeto da lide administrativa, formalizada em 05 de janeiro de 2009, é um requerimento de restituição de valores indevidos recolhidos à Previdência Social, no período de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 68 1. 00 00 03 /2 00 9- 10 Fl. 39DF CARF MF Processo nº 13681.000003/200910 Acórdão n.º 2201004.839 S2C2T1 Fl. 40 2 01/1999 a 12/2000, com base na alínea "h" do art. 12 da lei 8.212/91, que tinha a seguinte redação: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: (...) h) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; O pleito foi indeferido, em caráter preliminar, em razão do que prevê o art. 3º da IN MPS/SRF nº 15/20061, que disciplinou especificamente a devolução de valores arrecadados pela Previdência Social com base na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Cientificado do indeferimento do pleito, o contribuinte formalizou, tempestivamente, o recurso de fl. 36 e 37, em que apresenta, em síntese, sua convicção de que o prazo para pleitear a restituição deve ser contado a partir do reconhecimento da dívida por parte do INSS e, portanto, não se deve falar em início da contagem de tal prazo antes de se tornar definitiva a decisão judicial sobre o tema. Ademais, sustenta que as Instruções Normativas MPS/SRP não poderia retroagir nem revogar um direito líquido e certo. É o relatório necessário. 1 Art. 3º O direito de efetuar compensação ou de solicitar restituição a que se refere esta Instrução Normativa prescreve em cinco anos, contados a partir do pagamento. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRP nº 18, de 10 de novembro de 2006) Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por atender às demais condições de admissibilidade, conheço do recurso voluntário. A questão em tela não é nova nesta Corte administrativa e restringese a se definir o momento do início da fluência do prazo decadencial para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo pago indevidamente, em razão de norma declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. É fato que a contribuição previdenciária, na condição de empregado, do exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, que não estivesse vinculado a regime próprio de previdência social, prevista na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei 8.212/91, foi declarada inconstitucional em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, Fl. 40DF CARF MF Processo nº 13681.000003/200910 Acórdão n.º 2201004.839 S2C2T1 Fl. 41 3 nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171 Paraná, dando azo à Resolução do Senado Federal nº 26/2005 determinando a suspensão da vigência do texto legal, gerando assim efeitos erga omnes. A limitação temporal que motivou o indeferimento do pedido de restituição, embora tenha sido citada pela decisão que esta se deu ao amparo da IN MPS/SRP nº 15/2006, tem seu lastro legal de validade no art. 168 da Lei 5.172/66 (CTN), que assim dispõe: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Portanto, não há de se falar em retroação ou revogação de direito líquido e certo levadas a termo por Instrução Normativa. A previsão contida no inciso II não alcança ao presente caso concreto, já que o valor pleiteado não decorreu de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, mas tão só do recolhimento efetuado de forma regular, no que se conhece por lançamento por homologação que, nos termos do art. 150 do mesmo CTN, ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Portanto, o caso ora sob apreço, enquadrase no inciso I do citado art. 168, por corresponder a cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou a maior. Assim, tendo em vista que o referido comando legal não traz em seu bojo qualquer ressalva, é evidente que o marco inicial para contagem do prazo decadencial é a data da extinção do crédito tributário, que, neste caso, ocorreu com o pagamento. É neste momento que ocorre a violação do direito e, portanto, ocorre o pagamento indevido. Tanto é assim que a Lei Complementar nº 108/2005 tratou de "interpretar" o citado inciso I, prevendo: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966– Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Em julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, o Supremo Tribunal Federal concluiu: RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE Fl. 41DF CARF MF Processo nº 13681.000003/200910 Acórdão n.º 2201004.839 S2C2T1 Fl. 42 4 DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, 1, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer Outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vatatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. lnaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de Fl. 42DF CARF MF Processo nº 13681.000003/200910 Acórdão n.º 2201004.839 S2C2T1 Fl. 43 5 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido O instituto da decadência se caracteriza pela extinção de um direito por não ter sido exercido no prazo legal, o que leva ao perecimento do próprio direito pela inércia de seu titular. Portando, deveria o contribuinte, no prazo especificado, promover a ação necessária à tutela do seus interesses, já que até o dia 08 de junho de 2005, ainda remanescia intacto seu direito de pleitear a restituição do valor que se discute no presente. Após essa data, aplicável o prazo fixado no art. 168 do CTN e reproduzido no art. 3º da IN MPS/SRF nº 15/2006, cuja fluência, sem o exercício do direito, resulta no necessário reconhecimento de que a inércia do seu titular levou a sua extinção. Assim, não há mácula que imponha a reforma da decisão recorrida. Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais que integram o presente, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 43DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721952/2017-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2012 a 30/06/2016
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SONEGAÇÃO OU FRAUDE. NÃO CONFIGURADAS. REDUÇÃO AO PERCENTUAL ORIGINAL.
Em que pese a reprovabilidade da conduta para redução indevida do saldo de IPI a recolher nos períodos de apuração autuados, seja pela ausência de declaração em DCTF ou seja pelo registro de estornos inexistentes, a fiscalização não demonstrou efetivamente a configuração da sonegação e da fraude, cabendo exonerar do lançamento a qualificação da multa de ofício, a qual deve ser exigida somente em seu percentual original.
Para a caracterização da sonegação, a conduta do contribuinte deve ser no sentido de ocultar do Fisco a ocorrência do fato gerador, sua natureza ou suas circunstâncias materiais; ou as condições pessoais de contribuinte do imposto. A fraude exige para a sua configuração que a conduta do contribuinte seja tendente a impedir ou retardar a própria ocorrência do fato gerador ou a excluir ou modificar suas características essenciais.
A DCTF não demonstra a ocorrência do fato gerador, mas somente o confronto final entre débitos e créditos no período de apuração caso o saldo seja devedor.
No caso, pela análise da Escrituração Fiscal Digital (EFD), dos Livros de Registro de Entradas e do Livro de Registro de Apuração do IPI, a fiscalização tomou completo conhecimento das ocorrências de todos os fatos geradores do IPI (saídas dos produtos do estabelecimento industrial) e das condições pessoais do contribuinte, não havendo que se falar em sonegação, nem tampouco em fraude, nos termos delimitados pelos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64.
Recurso de Ofício negado
Numero da decisão: 3402-006.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra, que davam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2012 a 30/06/2016 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SONEGAÇÃO OU FRAUDE. NÃO CONFIGURADAS. REDUÇÃO AO PERCENTUAL ORIGINAL. Em que pese a reprovabilidade da conduta para redução indevida do saldo de IPI a recolher nos períodos de apuração autuados, seja pela ausência de declaração em DCTF ou seja pelo registro de estornos inexistentes, a fiscalização não demonstrou efetivamente a configuração da sonegação e da fraude, cabendo exonerar do lançamento a qualificação da multa de ofício, a qual deve ser exigida somente em seu percentual original. Para a caracterização da sonegação, a conduta do contribuinte deve ser no sentido de ocultar do Fisco a ocorrência do fato gerador, sua natureza ou suas circunstâncias materiais; ou as condições pessoais de contribuinte do imposto. A fraude exige para a sua configuração que a conduta do contribuinte seja tendente a impedir ou retardar a própria ocorrência do fato gerador ou a excluir ou modificar suas características essenciais. A DCTF não demonstra a ocorrência do fato gerador, mas somente o confronto final entre débitos e créditos no período de apuração caso o saldo seja devedor. No caso, pela análise da Escrituração Fiscal Digital (EFD), dos Livros de Registro de Entradas e do Livro de Registro de Apuração do IPI, a fiscalização tomou completo conhecimento das ocorrências de todos os fatos geradores do IPI (saídas dos produtos do estabelecimento industrial) e das condições pessoais do contribuinte, não havendo que se falar em sonegação, nem tampouco em fraude, nos termos delimitados pelos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64. Recurso de Ofício negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra, que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2179; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 201 1 200 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.721952/201723 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3402006.027 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de dezembro de 2018 Matéria MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado IMBRALIT INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ARTEFATOS E FIBROCIMENTO LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2012 a 30/06/2016 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SONEGAÇÃO OU FRAUDE. NÃO CONFIGURADAS. REDUÇÃO AO PERCENTUAL ORIGINAL. Em que pese a reprovabilidade da conduta para redução indevida do saldo de IPI a recolher nos períodos de apuração autuados, seja pela ausência de declaração em DCTF ou seja pelo registro de estornos inexistentes, a fiscalização não demonstrou efetivamente a configuração da sonegação e da fraude, cabendo exonerar do lançamento a qualificação da multa de ofício, a qual deve ser exigida somente em seu percentual original. Para a caracterização da sonegação, a conduta do contribuinte deve ser no sentido de ocultar do Fisco a ocorrência do fato gerador, sua natureza ou suas circunstâncias materiais; ou as condições pessoais de contribuinte do imposto. A fraude exige para a sua configuração que a conduta do contribuinte seja tendente a impedir ou retardar a própria ocorrência do fato gerador ou a excluir ou modificar suas características essenciais. A DCTF não demonstra a ocorrência do fato gerador, mas somente o confronto final entre débitos e créditos no período de apuração caso o saldo seja devedor. No caso, pela análise da Escrituração Fiscal Digital (EFD), dos Livros de Registro de Entradas e do Livro de Registro de Apuração do IPI, a fiscalização tomou completo conhecimento das ocorrências de todos os fatos geradores do IPI (saídas dos produtos do estabelecimento industrial) e das condições pessoais do contribuinte, não havendo que se falar em sonegação, nem tampouco em fraude, nos termos delimitados pelos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64. Recurso de Ofício negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 19 52 /2 01 7- 23 Fl. 201DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra, que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila. Relatório Tratase de recurso de ofício em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora que reduziu a multa de ofício para o percentual de 75%, resultando na exoneração do lançamento do valor de R$ 26.918.111,90. Versam os autos sobre auto de infração para a exigência de IPI, multa de ofício de 150% e juros de mora, no montante total de R$102.054.786,35, calculado até 05/2017. Constatou a fiscalização as seguintes irregularidades: i) Relativamente aos períodos de apuração de 05 a 12/2012 e 02/2013, falta de declaração/recolhimento do saldo devedor do IPI escriturado. Na Escrituração Fiscal Digital (EFD) e no Livro de Registro de Apuração de IPI da contribuinte foi apurado que cerca de 90% do saldo de IPI a recolher não foi declarado em DCTF, nem pago. ii) Escrituração e utilização de créditos indevidos de IPI no período de 01/2013 a 06/2016 (exceto 02/2013). Foi apurado que a empresa escriturou como créditos os valores do imposto destacados nas notas fiscais de saídas, com o intuito de reduzir o saldo devedor de IPI a pagar. A multa de ofício foi qualificada em face da sonegação fiscal, caracterizada pela conduta reiterada de omitir nas DCTF´s dolosamente 90% do saldo devedor do IPI apurado; bem como em face de fraude reiterada na escrituração do Livro de Registro de Apuração do IPI, mediante o registro reiterado de créditos inexistentes, descritos como "estorno de débitos", com intuito doloso de reduzir o montante do imposto devido. A interessada impugnou o lançamento, alegando, em síntese: a) nulidade do lançamento; b) legitimidade do crédito e do seu aproveitamento; c) inaplicabilidade da multa qualificada de 150%; e d) não incidência dos juros sobre a multa. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 11516.721952/201723 Acórdão n.º 3402006.027 S3C4T2 Fl. 202 3 A Delegacia de julgamento acatou parcialmente as razões de defesa da impugnante sob os seguintes fundamentos principais: Não tendo sido contestada a exigência relativa à "falta de declaração/ recolhimento do saldo devedor do IPI escriturado (total ou parcial)", tornase a mesma definitiva na esfera administrativa. As hipóteses atinentes ao direito de crédito para anular débito do imposto na saída encontramse restritas ao disposto no §1º do art. 225 do RIPI/2010, assim como os créditos de outra natureza admitidos estão especificados no art. 240 desse Regulamento. Créditos por “estorno de débitos” fora das hipóteses acima mencionadas não encontram respaldo na legislação que rege o imposto, não devendo, portanto, ser acatados, configurando infração à legislação de regência do IPI. Partindose do conceito de sonegação e fraude temse por procedente a reclamação do contribuinte contra a aplicação da multa de 150%. O que se depreende dos fatos apurados e dos documentos constantes do processo, é que o contribuinte destacou corretamente o imposto nas notas fiscais de saída e o registrou, também corretamente, nos livros fiscais. Não há contestação desse fato pela fiscalização. A delimitação do conceito de sonegação conduz ao comportamento do infrator caracterizado pelo esforço deliberado no sentido de retardar ou impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca do acontecimento do fato jurídico ou, ainda, dos traços peculiares à identificação daquele evento [natureza ou circunstancias materiais], tudo dirigido ao escopo de não pagar a quantia devida a título de imposto. Tal conduta não ocorreu no presente caso. Do mesmo modo, não restou configurada a fraude tal qual definida no art. 72 da Lei nº 4.502/64. Se há nota fiscal emitida, não há de se falar em impedimento ou retardamento da ocorrência do fato gerador, e se a operação descrita na nota fiscal evidencia o fato tal qual ocorrido no mundo real, sem excluir ou modificar as suas circunstâncias materiais ou características essenciais, não se pode cogitar a ocorrência de fraude. A interessada foi intimada dessa decisão, mas não apresentou recurso voluntário no prazo legal. Em razão de o crédito tributário exonerado extrapolar o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 63/2017, recorreuse de ofício da decisão de primeira instância, que foi submetida à apreciação deste CARF. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso de ofício. Fl. 203DF CARF MF 4 A Delegacia de Julgamento exonerou do lançamento a duplicação da multa de ofício, reduzindoa ao seu percentual original de 75%, eis que entendeu não restarem configuradas as hipóteses de sonegação ou fraude nas condutas da contribuinte de, respectivamente, omitir reiteradamente nas DCTF´s 90% do saldo devedor do IPI apurado; bem como registrar reiteradamente créditos inexistentes, descritos como "estorno de débitos", com intuito de reduzir o montante do imposto devido. O AuditorFiscal autuante havia duplicado a multa de ofício com fundamento nos arts. 569, II; 561 e 562 do RIPI/2010, que assim dispõem: Art. 569. A falta de destaque do valor, total ou parcial, do imposto na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto destacado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser destacado ou recolhido (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, e Lei nº 11.488, de 2007, art. 13). (...) § 6º O percentual de multa a que se refere o caput, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será (Lei no 4.502, de 1964, art. 80, § 6º, e Lei n 11.488, de 2007, art. 13): (...) II duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante, e nos casos previstos nos arts. 561, 562 e 563 (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, § 6º, inciso II, e Lei nº 11.488, de 2007, art. 13). Art. 561. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária (Lei nº 4.502, de 1964, art. 71): I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais (Lei nº 4.502, de 1964, art. 71, inciso I); e II das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 71, inciso II).” Art. 562. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 72). A base legal para a sonegação e a fraude está nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, que as delimita nos seguintes termos: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Como se observa nos dispositivos acima, na sonegação, a conduta do contribuinte é no sentido de ocultar do Fisco: i) a ocorrência do fato gerador, sua natureza ou suas circunstâncias materiais; ou ii) as condições pessoais de contribuinte do imposto. Enquanto que, na fraude, a conduta do contribuinte deve ser tendente a: a) impedir ou retardar a própria ocorrência do fato gerador ou b) excluir ou modificar suas características essenciais. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 11516.721952/201723 Acórdão n.º 3402006.027 S3C4T2 Fl. 203 5 No caso, impende primeiro analisar se a "conduta reiterada de omitir, nas DCTFs, dolosamente, 90% do saldo devedor do IPI apurado, nos períodos retro mencionados, com o deliberado intuito de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária" configuraria ou não sonegação fiscal. Como relatado pela fiscalização, a primeira irregularidade autuada (4.1) foi assim constatada: (...) 4) Da análise da Escrituração Fiscal Digital (EFD), dos Livros de Registro de Entradas e do Livro de Registro de Apuração do IPI, das DCTFs apresentadas pelo contribuinte, constatei as seguintes irregularidades: 4.1) IPI APURADO E NÃO DECLARADO EM DCTF E NEM PAGO APROPRIAÇÃO INDÉBITA Foi identificado na Escrituração Fiscal Digital (EFD), no Livro de Registro de Apuração do IPI, os saldos de IPI a Recolher, conforme quadro abaixo. Confrontando os saldos de IPI a Recolher com os valores declarados em DCTF, verificase que do valor apurado, restou 90% do valor de “IPI não Declarado” conforme consta na última coluna da planilha. Em resposta ao Termo de Início de procedimento Fiscal a empresa informa que os valores de “IPI não Declarado”, NÃO foram pagos NEM compensados nos PERDCOMP e também NÃO foram incluídos em nenhum Parcelamento Especial. (...) Pelo que se denota, não houve qualquer ocultação ao Fisco dos fatos geradores, pelo contrário, a fiscalização tomou conhecimento de suas ocorrências, naturezas e circunstâncias materiais pela análise da Escrituração Fiscal Digital (EFD), dos Livros de Registro de Entradas e do Livro de Registro de Apuração do IPI, todos apresentados pelo contribuinte. Dessa forma, a primeira irregularidade ocorrida, ainda que seja uma conduta reprovável e reiterada, envolvendo grande percentagem do total do saldo devedor do IPI no período, diz respeito apenas à falta de declaração em DCTF, e a consequente falta de recolhimento, do saldo devedor de IPI nos períodos de apuração autuados, razão pela qual cabível a incidência da multa de ofício somente em seu percentual original de 75% (não duplicado) pela "falta de recolhimento do imposto destacado", conforme previsto no caput do art. 569 do RIPI/2010. Relativamente à segunda irregularidade autuada, a duplicação da multa de ofício pela fraude foi assim justificada pela fiscalização: 4.3.2) O contribuinte também fraudou a escrituração do Livro de Registro de Apuração do IPI, nos períodos de janeiro/2013 e de março de 2013 a junho de 2016, mediante o registro reiterado, de créditos inexistentes, descritos como “ESTORNO DE DÉBITOS”, no montante de R$ 29.824.794,34, com o intuito doloso de reduzir o montante do imposto devido (IPI) a ser pago e declarado nas DCTFs. Conforme detalhado no item 4.2, acima, não existe previsão legal para efetuar crédito do IPI para anular um débito que foi destacado corretamente nas notas fiscais, de acordo com a legislação vigente à época dos fatos geradores. (...) Assim, a fraude fiscal realizada pelo contribuinte de escriturar créditos inexistentes, no Livro de Registro de Apuração do IPI, como sendo de “ESTORNO DE DÉBITOS”, no montante de R$ 29.824.794,34, que reduziram o montante do IPI a ser declarado na DCTF, tratase, na verdade de APROPRIAÇÃO INDÉBITA do Fl. 205DF CARF MF 6 IPI destacado nas notas fiscais de saídas e não Declarados e nem recolhidos aos cofres da União. Portanto, a fraude fiscal REITERADA descrita acima, que ocorreu em janeiro/2013 e de março de 2013 a junho de 2016, enseja a aplicação de multa qualificada de 150% do IPI não recolhido, com base nos seguintes artigos do RIPI/2010, abaixo transcritos, que corresponde, respectivamente aos artigos 488, inciso II e 481, do RIPI/2002: (...) Problema semelhante se constata na caracterização da fraude pela fiscalização, que não laborou no sentido de demonstrar que a conduta da contribuinte, de registrar no Livro de Registro de Apuração do IPI créditos inexistentes nos mesmos valores das saídas tributadas (estornos indevidos), acarretaria impedimento ou atraso na ocorrência do fato gerador ou a exclusão ou alteração das suas características essenciais. Ao que consta, os fatos geradores do IPI foram devidamente destacados nas notas fiscais e registrados nos livros pertinentes, apesar da também reprovável conduta da contribuinte no sentido de reduzir indevidamente o saldo devedor do tributo nos períodos de apuração autuados. Por essas razões entendo que a decisão recorrida, na parte que reduziu o percentual da multa de ofício ao percentual de 75%, deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos, abaixo transcritos: (...) Seguindo a análise, partindose do conceito de sonegação e fraude tenho por procedente a reclamação do contribuinte contra a aplicação da multa de 150%. O que se depreende dos fatos apurados e dos documentos constantes do processo, é que o contribuinte destacou corretamente o imposto nas notas fiscais de saída e o registrou, também corretamente, nos livros fiscais. Não há contestação desse fato pela fiscalização. A delimitação do conceito de sonegação tal qual expresso no dispositivo legal conduz ao comportamento do infrator caracterizado pelo esforço deliberado no sentido de retardar ou impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca do acontecimento do fato jurídico [isto é, da ocorrência do fato gerador, que no caso do IPI é a operação de saída do produto industrializado], ou, ainda, dos traços peculiares à identificação daquele evento [natureza ou circunstancias materiais], tudo dirigido ao escopo de não pagar a quantia devida a título de imposto. No entendimento desta Relatora, tal conduta não ocorreu no presente caso. Houve, sim, a prática da infração de não recolhimento do imposto lançado/destacado nas notas fiscais de saída, mas isso não retardou ou impediu o conhecimento pela autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador do imposto, que permaneceu intacto e foi devidamente lançado nos documentos e livros fiscais, passíveis de verificação pela Fiscalização a qualquer momento6. A omissão ou erro na informação do valor do imposto declarado em DCTF, ainda que expressiva e reiterada, por si só, não configura o conceito de sonegação tal qual definido no dispositivo legal [art. 71 da Lei nº 4.502,64]. O que se afigura, é que o imposto destacado e pago pelo adquirente do produto não foi declarado e nem recolhido ao Tesouro Nacional ensejando, por conseqüência, o lançamento de ofício mediante auto de infração. Do mesmo modo entendo não restar configurado o conceito de fraude, repita se, tal qual definido no dispositivo legal, qual seja, o art. 72 da Lei nº 4.502/64. Notese que, do mesmo modo que na sonegação, a ação dolosa atribuída ao conceito de fraude também vinculase à ocorrência do fato gerador da obrigação principal [a operação de saída do produto industrializado no caso do IPI], que restará impedida ou retardada, ou ainda, à modificação ou exclusão das suas características essenciais, tudo dirigido ao escopo de reduzir, evitar ou diferir o pagamento da quantia devida a título de imposto. Se há nota fiscal emitida, não há de se falar em Fl. 206DF CARF MF Processo nº 11516.721952/201723 Acórdão n.º 3402006.027 S3C4T2 Fl. 204 7 impedimento ou retardamento da ocorrência do fato gerador, e se a operação descrita na nota fiscal evidencia o fato tal qual ocorrido no mundo real, sem excluir ou modificar as suas circunstâncias materiais ou características essenciais, não se pode cogitar a ocorrência de fraude, frisese, tal qual o conceito definido no art. 72 da Lei nº 4.502/64. Sendo assim, não há de prosperar a qualificação da multa de ofício promovida na autuação, seja no motivo de autuação 4.1 seja no motivo 4.2: aos olhos da legislação pertinente (arts. 71, inciso I, e 72 da Lei nº 4.502, de 1964), não houve sonegação nem fraude, pois inexistiram estas condutas típicas, não tendo a Fiscalizada impedido ou retardado a existência ou o conhecimento da ocorrência do fato gerador, ou da natureza deste, não se observando, igualmente, qualquer modificação de suas circunstâncias materiais ou características essenciais. Destaquese que a Terceira Turma da DRJJuiz de Fora, da qual a presente julgadora é integrante, há muito firmou o entendimento de que o parâmetro para análise de ocorrência dos tipos infracionais em questão encontrase nos elementos constantes da nota fiscal de saída emitida, que traduz a ocorrência do fato gerador do IPI, ou ainda na detecção da falta de emissão da referida nota. Em suma, qualificar como fraude ou sonegação condutas que se encontram afastadas do fato gerador do IPI (operação de saída) denotase inadequado no juízo desta turma de julgamento, nos termos do Acórdão nº 0954.416, de 22/08/2014, cujo voto a seguir se transcreve na parte que interessa, e cujos fundamentos são aqui adotados como razões de decidir. (...) A meu sentir, no que diz respeito ao IPI, a partir do momento em que o contribuinte emite a nota fiscal não há mais que se falar em ocultação do fato gerador ou mesmo no retardamento de sua ocorrência. Se o documento em questão não foi questionado nem do ponto de vista material, nem do ponto de vista ideológico, lá estão expostos todos os elementos constitutivos do crédito tributário, a saber, o sujeito passivo, o destinatário da mercadoria, a natureza desta e do negócio jurídico praticado entre as partes (venda, consignação, transferência etc.). Não se deve deixar de considerar também o advento do SPED fiscal, cuja plataforma de escrituração virtual permite ao Fisco acesso a qualquer momento – a todos os elementos da escrituração atinentes a qualquer empresa obrigada a tal sistemática, o que fragiliza, e muito, a alegação de retardamento de informação a ser prestada ao fisco via obrigação acessória, já que o dado ou valor não informado encontrase à disposição do Fisco em seu elemento de origem (livros fiscais, contábeis, notas fiscais etc.). Dentro do raciocínio supra, assomase indefensável, ao menos a meu sentir, a idéia de que um valor não lançado na DCTF tenha gerado atraso de conhecimento do fato gerador quando o livro de entrada, as notas fiscais e o RAIPI estão no ambiente SPED, como no presente caso (vide TVF. fl.18). O argumento do autuante é falho em outro ponto. A DCTF não demonstra o fato gerador, mas sim o confronto final entre débitos e créditos e se, e somente se, o saldo resultante for devedor. Se o saldo for credor, houve fato gerador demonstrado nas notas fiscais, mas o produto final não deve ser declarado, pois não há crédito tributário a ser satisfeito. Quer dizer, criar vínculo lógico entre a DCTF e o retardamento de conhecimento do fato gerador me parece inconsistente. (...) Esclareçase, neste ponto, por oportuno, que a linha de entendimento adotada pela 3ª Turma da DRJJuiz de Fora é no sentido de que, em se evidenciando conduta que, como dito acima, não guarda relação com a operação ínsita ao fato gerador do IPI mas que se encontra eivada de comportamento doloso a ser rechaçado na seara tributária, a forma eleita pelo legislador para reprimir tal conduta arrimase na disposição do § 1º do art. 68, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964 (com a Fl. 207DF CARF MF 8 redação dada pelo Decretolei nº 34, de 1966), que trata das circunstâncias agravantes (e não das qualificadoras) da sanção pecuniária de ofício aplicada. Neste sentido reproduzse excerto do voto condutor do Acórdão antes mencionado: (...) Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 208DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.730045/2016-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o encaminhamento à Unidade Local para que proceda à apensação destes autos com o Processo nº 10166.904102/2014-71, devendo ambos retornarem conjuntamente ao CARF, após a realização da providência prevista no referido processo, sobrestando-se o presente feito até que cumprida a diligência determinada.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Relatório
Trata-se de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário (fls. 338 a 348) interposto contra v. Acórdão (fls. 326 a 317) proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Ribeirão Preto/SP, que deu provimento parcial à Impugnação apresentada pela Contribuinte (fls. 09 a 240), oposta em face de Notificação de Lançamento de Multa por Compensação Não Homologada (fls. 2).
Em resumo, os autos versam exclusivamente sobre multa isolada aplicada em razão da não homologação das compensações debatidas no Processo Administrativo nº 10166.904102/2014-71.
Por muito bem resumir o início da lide, adota-se a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo:
Trata-se de Notificação de Lançamento de multa isolada no valor total de R$ 53.425.094,74, referente à não homologação de compensações tratadas no processo administrativo nº 10166.904102/2014-71, com base na fundamentação fática e jurídica que ora se transcreve:
Cientificada da Notificação de Lançamento em 05/12/2016 (Termo de Ciência às fls. 07), a interessada apresentou em 19/12/2016 (fls. 08) a impugnação de fls. 09 a 18, acompanhada dos documentos de fls. 19 a 240, onde alega, em síntese:
- solicita o apensamento dos autos ao processo nº 10166.904102/2014-71;
- que o fato gerador da presente autuação não mais subsiste em relação à Dcomp nº 08864.73182.270912.1.3.02-0670, a qual foi homologada em parte;
- a nulidade da autuação por vício, omissão ou incorreção;
- que a penalidade aplicada é injusta, desarrazoada e totalmente desproporcional, havendo duplicidade de autuações e cumulação na cobrança de multas, pois aplica multa moratória sobre os débitos não homologados e também agora cobra vultosa multa de ofício diante da não homologação das Dcomps e cita a Súmula/CARF nº 105;
- a inconstitucionalidade do §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, por violar o exercício regular do direito de petição e o devido processo legal assegurados pela CF/88, traduzindo-se em sanção política, cuja cobrança abusiva e desarrazoada atenta contra o direito de propriedade e o postulado da proporcionalidade, conforme jurisprudência citada;
- que a imposição da multa seria cabível somente em caso de má-fé por parte do contribuinte, o que nem de longe é a situação fática vivenciada no presente feito;
- que a multa aplicada em face da não homologação das Dcomps apresentadas, além de indevida tem intuito nitidamente arrecadatório, violando preceitos constitucionais.
Ao final requer seja acolhida a impugnação para reconhecer a improcedência da autuação lavrada, declarando insubsistente a crédito tributário impugnado, diante da decisão proferida pela própria DRF que reconheceu parcialmente o direito creditório declarado em uma das Dcomps objurgadas, estando assim comprometido tanto o enquadramento legal da autuação quanto a inexigibilidade da multa aplicada.
Processada a Defesa, foi proferido pela 6ª Turma da DRJ/RPO o v. Acórdão, ora recorrido, dando provimento parcial às razões apresentadas, em face da homologação parcial das DCOMPs, inicialmente denegadas:
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2012, 2013
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972.
CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA.
No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, a menos que o ato tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal - STF.
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Deve ser aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada.
MULTA ISOLADA. MULTA DE MORA. CONCOMITÂNCIA.
É cabível a aplicação da multa isolada exigida em face da não homologação de compensações, concomitantemente com a cobrança de multa de mora incidente sobre os tributos cujas compensações não foram homologadas, haja vista as respectivas hipóteses de incidência cuidarem de situações distintas.
ACÓRDÃO. CRÉDITO EXONERADO. LIMITE. RECURSO DE OFÍCIO.
Em razão de a parcela eximida ter ultrapassado R$ 2.500.000,00 (dois milhões, quinhentos mil reais), deve ser o Acórdão levado à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) em grau de recurso de ofício.
Impugnação Procedente em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Diante de tal cancelamento parcial da penalidade foram interpostos Recurso de Ofício e Recurso Voluntário. Em suma, o Contribuinte traz as mesmas alegações de Impugnação, apontando as razões de improcedência do v. Acórdão recorrido, pleiteando sua reforma.
Na sequência, por meio de r. Despacho do N. Presidente desta C. 1ª Seção, os autos foram encaminhados por conexão para este Conselheiro relatar e votar.
É o relatório.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o encaminhamento à Unidade Local para que proceda à apensação destes autos com o Processo nº 10166.904102/2014-71, devendo ambos retornarem conjuntamente ao CARF, após a realização da providência prevista no referido processo, sobrestando-se o presente feito até que cumprida a diligência determinada. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Relatório Trata-se de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário (fls. 338 a 348) interposto contra v. Acórdão (fls. 326 a 317) proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Ribeirão Preto/SP, que deu provimento parcial à Impugnação apresentada pela Contribuinte (fls. 09 a 240), oposta em face de Notificação de Lançamento de Multa por Compensação Não Homologada (fls. 2). Em resumo, os autos versam exclusivamente sobre multa isolada aplicada em razão da não homologação das compensações debatidas no Processo Administrativo nº 10166.904102/2014-71. Por muito bem resumir o início da lide, adota-se a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: Trata-se de Notificação de Lançamento de multa isolada no valor total de R$ 53.425.094,74, referente à não homologação de compensações tratadas no processo administrativo nº 10166.904102/2014-71, com base na fundamentação fática e jurídica que ora se transcreve: Cientificada da Notificação de Lançamento em 05/12/2016 (Termo de Ciência às fls. 07), a interessada apresentou em 19/12/2016 (fls. 08) a impugnação de fls. 09 a 18, acompanhada dos documentos de fls. 19 a 240, onde alega, em síntese: - solicita o apensamento dos autos ao processo nº 10166.904102/2014-71; - que o fato gerador da presente autuação não mais subsiste em relação à Dcomp nº 08864.73182.270912.1.3.02-0670, a qual foi homologada em parte; - a nulidade da autuação por vício, omissão ou incorreção; - que a penalidade aplicada é injusta, desarrazoada e totalmente desproporcional, havendo duplicidade de autuações e cumulação na cobrança de multas, pois aplica multa moratória sobre os débitos não homologados e também agora cobra vultosa multa de ofício diante da não homologação das Dcomps e cita a Súmula/CARF nº 105; - a inconstitucionalidade do §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, por violar o exercício regular do direito de petição e o devido processo legal assegurados pela CF/88, traduzindo-se em sanção política, cuja cobrança abusiva e desarrazoada atenta contra o direito de propriedade e o postulado da proporcionalidade, conforme jurisprudência citada; - que a imposição da multa seria cabível somente em caso de má-fé por parte do contribuinte, o que nem de longe é a situação fática vivenciada no presente feito; - que a multa aplicada em face da não homologação das Dcomps apresentadas, além de indevida tem intuito nitidamente arrecadatório, violando preceitos constitucionais. Ao final requer seja acolhida a impugnação para reconhecer a improcedência da autuação lavrada, declarando insubsistente a crédito tributário impugnado, diante da decisão proferida pela própria DRF que reconheceu parcialmente o direito creditório declarado em uma das Dcomps objurgadas, estando assim comprometido tanto o enquadramento legal da autuação quanto a inexigibilidade da multa aplicada. Processada a Defesa, foi proferido pela 6ª Turma da DRJ/RPO o v. Acórdão, ora recorrido, dando provimento parcial às razões apresentadas, em face da homologação parcial das DCOMPs, inicialmente denegadas: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2012, 2013 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, a menos que o ato tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal - STF. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Deve ser aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada. MULTA ISOLADA. MULTA DE MORA. CONCOMITÂNCIA. É cabível a aplicação da multa isolada exigida em face da não homologação de compensações, concomitantemente com a cobrança de multa de mora incidente sobre os tributos cujas compensações não foram homologadas, haja vista as respectivas hipóteses de incidência cuidarem de situações distintas. ACÓRDÃO. CRÉDITO EXONERADO. LIMITE. RECURSO DE OFÍCIO. Em razão de a parcela eximida ter ultrapassado R$ 2.500.000,00 (dois milhões, quinhentos mil reais), deve ser o Acórdão levado à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) em grau de recurso de ofício. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Diante de tal cancelamento parcial da penalidade foram interpostos Recurso de Ofício e Recurso Voluntário. Em suma, o Contribuinte traz as mesmas alegações de Impugnação, apontando as razões de improcedência do v. Acórdão recorrido, pleiteando sua reforma. Na sequência, por meio de r. Despacho do N. Presidente desta C. 1ª Seção, os autos foram encaminhados por conexão para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o encaminhamento à Unidade Local para que proceda à apensação destes autos com o Processo nº 10166.904102/201471, devendo ambos retornarem conjuntamente ao CARF, após a realização da providência prevista no referido processo, sobrestandose o presente feito até que cumprida a diligência determinada. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 30 04 5/ 20 16 -5 1 Fl. 378DF CARF MF Processo nº 11080.730045/201651 Resolução nº 1402000.784 S1C4T2 Fl. 379 2 Relatório Tratase de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário (fls. 338 a 348) interposto contra v. Acórdão (fls. 326 a 317) proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Ribeirão Preto/SP, que deu provimento parcial à Impugnação apresentada pela Contribuinte (fls. 09 a 240), oposta em face de Notificação de Lançamento de Multa por Compensação Não Homologada (fls. 2). Em resumo, os autos versam exclusivamente sobre multa isolada aplicada em razão da não homologação das compensações debatidas no Processo Administrativo nº 10166.904102/201471. Por muito bem resumir o início da lide, adotase a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: Tratase de Notificação de Lançamento de multa isolada no valor total de R$ 53.425.094,74, referente à não homologação de compensações tratadas no processo administrativo nº 10166.904102/201471, com base na fundamentação fática e jurídica que ora se transcreve: Cientificada da Notificação de Lançamento em 05/12/2016 (Termo de Ciência às fls. 07), a interessada apresentou em 19/12/2016 (fls. 08) a impugnação de fls. 09 a 18, acompanhada dos documentos de fls. 19 a 240, onde alega, em síntese: solicita o apensamento dos autos ao processo nº 10166.904102/2014 71; que o fato gerador da presente autuação não mais subsiste em relação à Dcomp nº 08864.73182.270912.1.3.020670, a qual foi homologada em parte; Fl. 379DF CARF MF Processo nº 11080.730045/201651 Resolução nº 1402000.784 S1C4T2 Fl. 380 3 a nulidade da autuação por vício, omissão ou incorreção; que a penalidade aplicada é injusta, desarrazoada e totalmente desproporcional, havendo duplicidade de autuações e cumulação na cobrança de multas, pois aplica multa moratória sobre os débitos não homologados e também agora cobra vultosa multa de ofício diante da não homologação das Dcomps e cita a Súmula/CARF nº 105; a inconstitucionalidade do §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, por violar o exercício regular do direito de petição e o devido processo legal assegurados pela CF/88, traduzindose em sanção política, cuja cobrança abusiva e desarrazoada atenta contra o direito de propriedade e o postulado da proporcionalidade, conforme jurisprudência citada; que a imposição da multa seria cabível somente em caso de máfé por parte do contribuinte, o que nem de longe é a situação fática vivenciada no presente feito; que a multa aplicada em face da não homologação das Dcomps apresentadas, além de indevida tem intuito nitidamente arrecadatório, violando preceitos constitucionais. Ao final requer seja acolhida a impugnação para reconhecer a improcedência da autuação lavrada, declarando insubsistente a crédito tributário impugnado, diante da decisão proferida pela própria DRF que reconheceu parcialmente o direito creditório declarado em uma das Dcomps objurgadas, estando assim comprometido tanto o enquadramento legal da autuação quanto a inexigibilidade da multa aplicada. Processada a Defesa, foi proferido pela 6ª Turma da DRJ/RPO o v. Acórdão, ora recorrido, dando provimento parcial às razões apresentadas, em face da homologação parcial das DCOMPs, inicialmente denegadas: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2012, 2013 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, a menos que o ato tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal STF. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 11080.730045/201651 Resolução nº 1402000.784 S1C4T2 Fl. 381 4 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Deve ser aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada. MULTA ISOLADA. MULTA DE MORA. CONCOMITÂNCIA. É cabível a aplicação da multa isolada exigida em face da não homologação de compensações, concomitantemente com a cobrança de multa de mora incidente sobre os tributos cujas compensações não foram homologadas, haja vista as respectivas hipóteses de incidência cuidarem de situações distintas. ACÓRDÃO. CRÉDITO EXONERADO. LIMITE. RECURSO DE OFÍCIO. Em razão de a parcela eximida ter ultrapassado R$ 2.500.000,00 (dois milhões, quinhentos mil reais), deve ser o Acórdão levado à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) em grau de recurso de ofício. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Diante de tal cancelamento parcial da penalidade foram interpostos Recurso de Ofício e Recurso Voluntário. Em suma, o Contribuinte traz as mesmas alegações de Impugnação, apontando as razões de improcedência do v. Acórdão recorrido, pleiteando sua reforma. Na sequência, por meio de r. Despacho do N. Presidente desta C. 1ª Seção, os autos foram encaminhados por conexão para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 11080.730045/201651 Resolução nº 1402000.784 S1C4T2 Fl. 382 5 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. O Recurso de Ofício atende aos requisitos da Portaria MF nº 63/2017 Como relatado, o objeto exclusivo destes autos é multa isolada, imposta ao Contribuinte em razão da não homologação de compensações debatidas no Processo Administrativo nº 10166.904102/201471. Tal processo é de relatoria deste mesmo Conselheiro, razão pela qual, por meio do r. Despacho de fls. 373 a 374, os presentes autos foram devolvidos pelo I. Relator inicialmente sorteado, sendo posteriormente redistribuídos por conexão. Comprovando tal relação, as razões para a redução da sanção sofrida pela ora Recorrente foi, exclusivamente, a homologação parcial, referente a crédito adicionalmente reconhecido como procedente, promovida pela mesma C. DRJ a quo naquele outro feito. Feita tal observação, temos aqui legítima e didática relação de conexão por prejudicialidade e dependência, em grau absoluto, na medida que o fundamento causal e a premissa essencial (sine qua non) para a multa de ofício aplica ao contribuinte é a denegação inicial das compensações debatidas no Processo Administrativo nº 10166.904102/201471. Ora, se forem completamente homologadas as compensações, no mesmo grau recursal de julgamento da presente causa, não existirá mais suporte material digase até lógicojurídico para a manutenção da multa de ofício aplicada, independente e previamente a qualquer elucubração sobre sua legalidade ou cabimento no caso apurado. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 11080.730045/201651 Resolução nº 1402000.784 S1C4T2 Fl. 383 6 Confirase a lição de Fredie Didier Jr1. em Parecer de sua lavra sobre o tema: Essa visão autorizanos a concluir pela existência de conexão por prejudicialidade ou preliminaridade: se uma causa é prejudicial/preliminar a outra há conexão e a reunião se exige, respeitados os limites impostos para qualquer reunião. Então, desde já, como já mencionado pela DRJ a quo, mas não cumprido, as demandas em questão deveriam ter sido processadas de maneira reunida. A reunião dos autos em comento é imperiosa, inclusive em harmonia com o disposto no art. 6º do Anexo II do RICARF vigen, e mostrandose solução segura e garantida da inexistência de dissonâncias decisórias, promovendo higidez e racionalidade processual até seu definitivo desfecho. Posto isso, temos que o Processo Administrativo nº 10166.904102/201471, de relatoria deste Conselheiro foi pautado para esta mesma sessão de julgamento (propositalmente, por consequência das razões acima trazidas). Contudo, lá entendeuse pela determinação de realização de nova diligência, para se esclarecer a situação processual de uma terceira causa, conexa àquele feito que versa sobre compensação. Por tal motivo, não há como se prosseguir com o julgamento desta pendenga enquanto nos autos principais se realiza diligência. Caso contrário, haverá anacronismo lógicoprocessual na jurisdição prestada por este E. CARF. Mais do que isso, entendese que a situação ideal deveria ser a promoção do julgamento conjunto de tais causas o que deve e pode ser feito, aproveitando que aquele outro processo é objeto de v. Resolução, podendo ser reunião promovida já na Unidade Local, antes da devolução para seu devido julgamento. Diante de todo o exposto, resolvese por encaminhar os autos para a Unidade Local, para que se proceda à apensação destes autos com aqueles do Processo Administrativo nº 10166.904102/201471, devendo ambos os feitos retornarem conjuntamente a este E. CARF, 1 Parecer: Ações concorrentes. Prejudicialidade e preliminaridade. Conexão. Suspensão do processo. Litispendência. Continência. Cumulação subsidiária de pedidos. Cumulação ulterior de pedidos. Honorários advocatícios. http://www.frediedidier.com.br/artigos/parecerconexaopreliminaridade/ Fl. 383DF CARF MF Processo nº 11080.730045/201651 Resolução nº 1402000.784 S1C4T2 Fl. 384 7 após a realização da diligência determinada naquele outro feito. Até então, fica sobrestado o presente processo. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 384DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.907228/2012-00
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3003-000.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem tome as providências delineadas nos termos do voto do relator.
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa e Vinícius Guimarães. O Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva declarou-se impedido.
Relatório
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem tome as providências delineadas nos termos do voto do relator. Marcos Antonio Borges Presidente. Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa e Vinícius Guimarães. O Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva declarouse impedido. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .9 07 22 8/ 20 12 -0 0 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 13819.907228/201200 Resolução nº 3003000.001 S3C0T3 Fl. 3 2 Relatório Por bem retratar os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento do Pedido de Restituição (PER) de nº 02955.71127.190411.1.2.042783, nos termos do despacho decisório emitido em 05/12/2012 pela DRF de São Bernardo do Campo/SP (rastreamento de n° 041046381). No referido PER, a contribuinte indicou um crédito de R$ 19.757,54, referente ao pagamento efetuado em 23/01/2009, de Cofins, 5856, do período de apuração encerrado em 31/12/2008, no valor total de R$ 100.392,75. Segundo o despacho decisório recorrido, a restituição foi indeferida porque o DARF indicado como crédito estava totalmente utilizado para extinção de débito de mesmo tributo e período de apuração, de acordo com as informações da DCTF apresentada pela interessada. Em decorrência, o PER foi indeferido com base no art. 165 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Cientificada em 17/12/2012, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade em 16/01/2013, alegando que o confronto entre o DARF indicado como crédito no PER em análise e o débito descrito na DCTF retificadora do respectivo período de apuração “revela a absoluta improcedência dos argumentos sustentados pelo Despacho Decisório”. Aduz que o valor devido de Cofins é menor que o indicado no Despacho Decisório. Afirma que entregou DCTF retificadora e que as informações do referido despacho encontram amparo apenas na DCTF original, que foi integralmente substituída e cancelada. Assevera que o valor informado na DCTF retificadora está em absoluta confomidade com o demonstrado no Dacon retificador. Requer o reconhecimento integral do crédito pleiteado. A 3ª Turma da DRJ em Curitiba proferiu decisão cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 23/01/2009 RETIFICAÇÃO DE DCTF. NECESSIDADE DE PROVAS. A retificação de declaração apresentada à RFB que vise a reduzir tributo somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original (art. 147 § 1º, do CTN). PROVAS. INSUFICIÊNCIA. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13819.907228/201200 Resolução nº 3003000.001 S3C0T3 Fl. 4 3 As provas trazidas aos autos não foram suficientes para comprovar a ocorrência de pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, abordando, em síntese, os seguintes pontos: 1. Decadência para a revisão da apuração da COFINS: a recorrente sustenta que passaramse mais de oito anos da ocorrência do fato gerador da COFINS, e mais de cinco anos da transmissão do PER/DCOMP, ensejando a extinção do direito do Fisco em rever a apuração e declaração da recorrente. Nessa esteira, a recorrente aduz que para "demonstrar com documentos hábeis a disponibilidade do crédito pleiteado, seria necessária a abertura da apuração do tributo, com a possibilidade de revisão das suas bases de cálculo pela autoridade administrativa". Tal questão seria ilegítima, tendo em vista que "todos os valores declarados foram chancelados pelo fisco, tornandoos imutáveis". 2. Comprovação do direito creditório da COFINS: a recorrente busca demonstrar seu direito creditório por meio de sua escrituração contábil. Apresenta demonstrativo de apuração da COFINS que exprime as diferenças entre a apuração original e a retificada. Segundo a recorrente, as retificações "consistem na apropriação de créditos relativos aos serviços de transporte tomados junto a empresas optantes pelo Simples Nacional, nos termos do art. 3º, inciso II, das Leis n.° 10.637/2002 e 10.833/20033 c/c o Ato Declaratório Interpretativo n.° 15, de 26 de setembro de 20074, e na eliminação dos créditos anteriormente tomados, relativos a serviços de Vigilância Patrimonial". Além disso, a recorrente esclarece que houve "correções nos valores lançados a título de Fretes Cancelados, Faturamento, Receitas Financeiras e Energia Elétrica, assim como na apropriação de créditos relativos ao Seguro no Transporte de Automóveis, porquanto estar enquadrado como Bens e Serviços Utilizados como Insumo". Com seu recurso, a recorrente traz, ao processo, DACON, DCTF, Balancete Analítico e Razões Analíticos, com o fim de comprovar a apuração da COFINS. Pede, por fim, pela juntada de documentos e baixa do feito em diligência para comprovação de suas afirmações. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13819.907228/201200 Resolução nº 3003000.001 S3C0T3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio está dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. 1. Decadência para a revisão da apuração da COFINS A recorrente sustenta que a apuração da COFINS, constante da DCTF retificadora, é imutável, uma vez que já teria passado o prazo para que o Fisco pudesse discutir a apuração da referida contribuição, configurandose a decadência. Tal argumento de decadência não tem fundamento. Explico. A análise de pedidos de restituição pressupõe a própria análise dos créditos pleiteados. No caso concreto, o crédito almejado pela recorrente tem origem em redução de débito de COFINS da competência 12/2008. Conforme narra a recorrente, o valor devido de COFINS foi reduzido por causa de revisão da base de cálculo da COFINS, com alteração dos valores de algumas contas ("Vendas Canceladas" e "Receitas Financeiras"), e do incremento nos valores de créditos apurados, tendo havido, neste caso, entre outros ajustes, dedução de créditos a título de "Seguro no Transporte de Automóveis". O exame do pedido de restituição passa precisamente pela essencial aferição dos vários elementos que compõem o crédito pleiteado, a fim de se perquirir a subsistência do direito creditório. Diferentemente do que sustentou a recorrente, tal procedimento não representa nova apuração do tributo não há qualquer ato de constituição do crédito tributário , mas mera apuração da natureza, extensão e disponibilidade do crédito pleiteado: buscase a certeza e liquidez do crédito. Assim, não há que se falar em decadência na análise de direito creditório, uma vez que a verificação fiscal de direito creditório não se confunde com autuação fiscal. Esse entendimento tem sido adotado em diversas decisões do CARF, entre as quais, vejase, por exemplo, o Acórdão nº. 9303007.478, da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), Redator Designado Andrada Marcio Canuto Natal, julgado na sessão de 16 de outubro de 2018, cuja ementa é transcrita na parte que interessa ao tema ora abordado (grifei partes): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. MONTANTE SOLICITADO/ COMPENSADO. CERTEZA/LIQUIDEZ. VALOR DEVIDO. LANÇAMENTO. DE OFÍCIO. DESNECESSIDADE. DECADÊNCIA. Nos pedidos de restituição/compensação é dever da Autoridade Administrativa apurar a certeza e a liquidez do valor total pleiteado, mediante a apuração da contribuição devida, com base na documentação contábil e fiscal do contribuinte, nos termos da respectiva legislação tributária, efetuando a restituição/compensação apenas e tão somente do saldo credor a que o contribuinte faz jus, inexistindo obrigação legal de lançamento de ofício da diferença entre o valor da contribuição considerado pelo contribuinte e o valor Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13819.907228/201200 Resolução nº 3003000.001 S3C0T3 Fl. 6 5 apurado pela autoridade administrativa. Como esse procedimento não implica lançamento algum, não há que se falar em decadência. Como bem assinalado na ementa transcrita, é dever da autoridade fiscal apurar a certeza e liquidez dos créditos que são objeto de pedidos de restituição/compensação. O exercício de tal verificação de consistência do direito creditório pleiteado não "implica lançamento algum", devendo ser afastado o argumento de decadência. Os excertos do voto vencedor, a seguir transcritos, deixam clara a inaplicabilidade da decadência ao procedimento fiscal de análise da certeza e liquidez de créditos objeto de compensação/restituição (grifei partes): (...) A autoridade fiscal é competente para, nos termos do art. 170 do CTN, apurar a liquidez e certeza do crédito a ser restituído e, para tanto, deve verificar a correta apuração da base de cálculo do tributo, fazendo os ajustes necessários ao valor a ser enfim restituído. Ressalto que esse procedimento não leva a qualquer cerceamento do direito de defesa ao contribuinte. Os ajustes efetuados são cientificados a ele, o qual terá amplo direito de defesa quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Caberá aos órgãos julgadores apreciar as razões do seu inconformismo e confirmar ou não a correta apuração efetuada pela autoridade administrativa. Exatamente como está sendo feita no presente processo administrativo.(...) Assim, visando apurar os pagamentos indevidos e/ ou a maior, efetuados pelo contribuinte, a Autoridade Administrativa fez um encontro de contas entre os valores da contribuição devida sobre a receita operacional bruta, apurados nos termos da decisão judicial transitada em julgado, e os valores recolhidos sobre a totalidade das receitas. O fato de a Autoridade Administrativa ter incluído na base de cálculo receitas operacionais que não foram consideradas pelo contribuinte, sob o entendimento equivocado de que não estavam sujeitas a contribuição, mas que, de fato, estavam, não implicou constituição de crédito tributário por meio de lançamento de ofício. Tal procedimento tornouse imprescindível para se apurar os créditos e o montante a que o contribuinte tem direito de repetir/compensar, nos termos da decisão judicial transitada em julgado. Sem o encontro de contas, não há como se apurar a certeza e liquidez do valor pleiteado/compensado, nos estritos termos previstos no art. 170 do CTN, abaixo transcrito: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Esse procedimento não implicou constituição de crédito tributário por meio de lançamento de ofício. Assim, não há que se falar em decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir crédito tributário. Da leitura dos trechos transcritos, percebese, mais uma vez, que o procedimento de análise da certeza e liquidez de créditos pleiteados por meio de pedido de restituição/compensação não se confunde com aquele outro procedimento de constituição do crédito tributário, não se aplicando a decadência às análises fiscais de direito creditório. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 13819.907228/201200 Resolução nº 3003000.001 S3C0T3 Fl. 7 6 2. Comprovação do direito creditório da COFINS O quadro demonstrativo abaixo foi apresentado pela recorrente, a fim de elucidar a retificação da apuração da COFINS, da qual resultou o crédito pleiteado: Conforme se observa, a apuração original da COFINS resultou em débito de COFINS de R$ 121.178,70, enquanto que a apuração final, a qual deu origem à DCTF retificadora, resultou em débito de R$ 101.421,14. Verificase, ainda, que a diferença nas duas apurações consiste em divergências de valores de faturamento, vendas canceladas, receitas financeiras e de créditos apurados. No tocante aos créditos apurados, a recorrente explicou que "consistem na apropriação de créditos relativos aos serviços de transporte tomados junto a empresas optantes pelo Simples Nacional, nos termos do art. 3º, inciso II, das Leis n.° 10.637/2002 e 10.833/20033 c/c o Ato Declaratório Interpretativo n.° 15, de 26 de setembro de 20074, e na eliminação dos créditos anteriormente tomados, relativos a serviços de Vigilância Patrimonial". Assinala, ainda, que foram apropriados "créditos relativos ao Seguro no Transporte de Automóveis, porquanto estar enquadrado como Bens e Serviços Utilizados como Insumo". Para os créditos apurados, a recorrente apresentou o seguinte quadro: Fl. 157DF CARF MF Processo nº 13819.907228/201200 Resolução nº 3003000.001 S3C0T3 Fl. 8 7 O crédito pleiteado pela recorrente pode ser visto no quadro a seguir: Pois bem. Para comprovar o direito creditório a partir das retificações acima introduzidas, a recorrente apresentou, junto ao Recurso Voluntário, cópias do DACON (fls. 119 a 121), DCTF (fls. 122 a 128), Balancete Analítico (fls. 108 a 117), DARF (fl. 118) e Razões Analíticos (fls 132 a 149). Considerando que, no despacho eletrônico, a recorrente não foi informada sobre quais documentos probatórios deveria apresentar, e que, em sede de Recurso Voluntário apresentou robusta documentação, como forma de contrapor as razões da decisão recorrida, podendose aplicar, no caso concreto, a exceção prevista no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.237/72, e tendo em vista o princípio da verdade material, voto por converter o presente julgamento em diligência para que a Unidade de Origem tome as seguintes providências: 1. Analisar o direito creditório atinente à COFINS objeto do presente litígio, levando em consideração os documentos juntados pela recorrente às fls. 112 a 153, assim como outros documentos e informações que se mostrarem necessários. Todas as contas que resultaram na redução do débito de COFINS deverão ser analisadas, devendo ser realizado o exame da consistência, extensão e natureza das contas que teriam dado origem à redução do débito e, também, a apuração da consistência e disponibilidade dos pagamentos e depósitos judiciais efetuados com a aferição de eventuais ações judiciais, conversão de depósitos, etc. Especificamente, no tocante aos créditos vinculados (seguros de automóveis, fretes de transportes junto a empresas do SIMPLES Nacional, etc.), analisar, à luz das normas vigentes, sua essencialidade e relevância para a execução da atividade econômica da empresa, bem como sua efetiva disponibilidade, consistência, escrituração e documentos que a embasam, juntando ao processo todos os documentos necessários. 2. Apresentar relatório com parecer conclusivo, justificando, de forma minuciosa e fundamentada, as análises acima enunciadas, trazendo todos os documentos e esclarecimentos necessários para sustentar seu parecer. O parecer deverá, ao final, trazer manifestação conclusiva quanto à disponibilidade do direito creditório, informando em que medida tal direito é reconhecido e por quais fundamentos e elementos probatórios; 3. Prestar as informações e os esclarecimentos que julgar importante para o deslinde da questão; 4. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. Vinícius Guimarães Relator Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.721433/2013-92
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-000.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil (relator), que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil (relator), que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 14 33 /2 01 3- 92 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10980.721433/201392 Acórdão n.º 2002000.666 S2C0T2 Fl. 68 2 Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 46/54) contra decisão de primeira instância (fls. 36/39), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Contra o contribuinte qualificado foi emitida a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF de fls. 26/30, em 04/02/2013, referente ao exercício 2011, anocalendário de 2010, que lhe exige o recolhimento de crédito tributário no valor de R$ 7.210,73, atualizado até 28/02/2013. Decorre tal lançamento de revisão procedida em sua declaração de ajuste anual do exercício de 2011, anocalendário de 2010, quando foram verificadas as seguintes infrações: Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas – glosa de dedução de despesas médicas, pleiteadas indevidamente pelo contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2011, anocalendário 2010. Valor: R$ 13.631,86. Motivo da glosa: Foi considerada a metade do valor declarado pago à Amil Ass Med, uma vez que o contribuinte declara que a cônjuge é beneficiária do plano, porém não apresenta valores descriminados por beneficiário. Regularmente intimado a comprovar o pagamento, o contribuinte apenas declarou ter efetuado o pagamento em espécie, não apresentado nenhuma comprovação. Os enquadramentos legais encontramse na referida notificação. Conforme documento de fls 31, o contribuinte foi cientificado do lançamento em 15/02/2013. Em 08/03/2013, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento (fls. 2/8), na qual alega, em síntese: Concorda com a glosa da despesa paga a Amil, tendo efetuado o pagamento do imposto da parte incontroversa; A declaração do prestador de serviço é a prova cabal da despesa com o tratamento odontológico, pois apresenta todos os requisitos exigidos na legislação; Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10980.721433/201392 Acórdão n.º 2002000.666 S2C0T2 Fl. 69 3 Colaciona decisões administrativas e judiciais. O resumo da decisão revisanda está condensado na ementa do seguinte julgamento: IMPUGNAÇÃO PARCIAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESA MÉDICA (PARCIAL) Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, cujos valores sujeitamse à imediata cobrança e não são objeto de análise no julgamento administrativo. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, juntando novos documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Vencido Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 12/08/2018 (fl. 44); Recurso Voluntário protocolado em 15/08/2018 (fl. 46), assinado pelo próprio contribuinte. Responde nestes autos o contribuinte, pela seguinte infração: a) Dedução Indevida de Despesas Médicas. Rela o SR. AFR, que “Foi considerada a metade do valor declarado pago à Amil Ass Med uma vez que o contribuinte declara que a conjuge é beneficiária do plano porém não apresenta valores discriminado por beneficiário”. Diz que o contribuinte foi regularmente intimado a comprovar o pagamento e este, apenas declarou ter efetuado o pagamento em espécie, não apresentando nenhuma comprovação. A r. decisão de origem, ressalta “que o contribuinte não se manifesta quanto à infração Dedução Indevida de Despesa Médica (parcial). Desta forma, conforme previsto no art. 17 do Decreto nº 70.23572, considerase não impugnada a matéria que não foi Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10980.721433/201392 Acórdão n.º 2002000.666 S2C0T2 Fl. 70 4 expressamente contestada, razão pela qual se mantém o lançamento da referida infração”. Diz que “a dedução das despesas médicas na Declaração de Imposto de Renda está sujeita à comprovação a critério da Autoridade Lançadora”, ou seja, o pagamento das despesas médicas. Nesta quadra, a r. decisão julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o lançamento. Por primeiro, o processo administrativo fiscal, busca aperfeiçoar o lançamento, para que o contribuinte tenha oportunidade de apresentar suas razões de defesa, com a juntada de documentos, que devem sim ser analisados, em qualquer circunstância, para que depois, caso a lide vá para o Judiciário, o Estado não ser condenado em honorários de sucumbência, além de que, se podemos resolver aqui a controvérsia, não existe o menor sentido as causas irem para o já carregado judiciário. Irresignado o recorrente maneja recurso próprio, atacando o mérito da decisão recorrida. O recorrente, pugna pela prioridade do seu recurso, tendo como estribo o Estatuto do Idoso. (Acolho) Referente às despesas com o profissional da odontologia, o documento de fl. 14, é uma “Declaração”, assinada pelo profissional, com todos os quesitos necessários para seu aceite, que a legislação no particular exige. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10980.721433/201392 Acórdão n.º 2002000.666 S2C0T2 Fl. 71 5 Voto Vencedor Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll – Redatora Designada. Com a devida vênia, divirjo do Relator quanto à comprovação da despesa médica em litígio. Extraise da Notificação de Lançamento (efls. 25/30) que a autoridade fiscal procedeu à glosa das despesas declaradas para Luciano Zanetti por não ter o contribuinte, devidamente intimado, comprovado o seu efetivo pagamento. A decisão recorrida manteve o lançamento, corroborando as razões apontadas pela fiscalização conforme excertos a seguir reproduzidos (efls. 39): Durante a fase impugnatória, visando comprovar as deduções de despesas médicas glosadas, o contribuinte novamente não apresentou documentos que comprovem o repasse de valores, limitandose a alegar que a declaração comprova a prestação dos serviços e o pagamento da despesa médica. Os documentos anexados na impugnação (declaração) não são suficientes para demonstrar o efetivo pagamento, requisito solicitado pela Autoridade Fiscal. Não obstante, nenhum outro elemento de prova foi juntado pelo recorrente para a finalidade pretendida. Cumpre esclarecer que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Dessa forma, ainda que o contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelos profissionais, é licito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comproválas de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. As decisões a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, corroboram esse entendimento: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10980.721433/201392 Acórdão n.º 2002000.666 S2C0T2 Fl. 72 6 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) O contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ele e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. É possível que o sujeito passivo tenha feito seus pagamentos em espécie, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, ao optar por pagamento em dinheiro, o contribuinte abre mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a sua comprovação. Importa salientar que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte quem deve apresentar as devidas comprovações quando solicitado. Isto porque, sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual nada mais do que um benefício concedido pela legislação, incumbe ao interessado provar que faz jus ao direito pleiteado. Em vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10980.721433/201392 Acórdão n.º 2002000.666 S2C0T2 Fl. 73 7 (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.909465/2009-95
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2005
CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA.
A distinção no regramento analisado por acórdão recorrido e acórdão paradigma impede o conhecimento do recurso especial, na medida em que justifica as soluções jurídicas diversas adotadas pelos Colegiados.
O efeito de confissão de dívida atribuído à declaração de compensação, pela Lei nº 10.833/2003, distingue o tratamento da compensação de estimativa no acórdão recorrido daquele conferido pelo acórdão paradigma.
Numero da decisão: 9101-003.958
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2005 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA. A distinção no regramento analisado por acórdão recorrido e acórdão paradigma impede o conhecimento do recurso especial, na medida em que justifica as soluções jurídicas diversas adotadas pelos Colegiados. O efeito de confissão de dívida atribuído à declaração de compensação, pela Lei nº 10.833/2003, distingue o tratamento da compensação de estimativa no acórdão recorrido daquele conferido pelo acórdão paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora Fl. 713DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano. Relatório Trata-se de processo originado por compensação de crédito de saldo negativo de IRPJ, do ano-calendário de 2005, com débito do contribuinte de PIS e COFINS em junho de 2006. A compensação foi parcialmente homologada pela Delegacia da Receita Federal em Uberlândia (fls. 18). Após a manifestação de inconformidade (fls. 26), a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora determinou a realização de diligência (fls. 344, volume 2, pdf. 139). Após o resultado de diligência, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora reconheceu parte do crédito pleiteado, conforme acórdão às fls. 509. O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls.), ao qual a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu provimento, (acórdão 1102-0001.195, fls. 631). O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano-calendário: 2005 Ementa: DECADÊNCIA. DIREITO DO FISCO DE VERIFICAR EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Não há decadência do direito do Fisco verificar existência do direito creditório, pois não houve o transcurso do prazo de cinco anos entre a constituição do saldo negativo e o despacho decisório. O prazo decadencial, se tivesse o efeito de impedir a Fiscalização de verificar o efetivo recolhimento de tributos pela Contribuinte, não se iniciaria na data do pagamento das estimativas. DIREITO CREDITÓRIO. ESTIMATIVAS DECLARADAS. A partir da inclusão do § 6º ao art. 74 da Lei nº 9.430/96, feita pela Lei nº 10.833/2003, a declaração de compensação passou a constituir instrumento de confissão de dívida, a partir do qual o débito lá informado pode ser inscrito em dívida ativa e cobrado. Nesse sentido, não cabe a glosa de estimativa objeto de compensação não homologada do saldo negativo, já que esta será cobrada com base na própria DCOMP. Precedentes do CARF. Recurso voluntário provido. Fl. 714DF CARF MF Processo nº 10675.909465/2009-95 Acórdão n.º 9101-003.958 CSRF-T1 Fl. 714 3 Os autos foram remetidos à Procuradoria em 23/02/2015 (fls. 637), que interpôs recurso especial em 05/03/2015 (fls. 638). Neste recurso, alega divergência na interpretação da lei tributária, apontando como paradigma o acórdão nº 1301-001.532, no qual se decidiu: “Correta a glosa do saldo negativo de IRPJ, de estimativas que teriam sido quitadas por compensação, mas que não restaram homologadas”. O recurso especial da Procuradoria foi admitido pelo Presidente da 1ª Câmara da Primeira Seção deste Conselho (Conselheiro André Mendes de Moura), destacando-se trecho desta decisão: Como se constata pelo simples cotejo das ementas, os dois acórdãos decidiram em sentidos opostos. Enquanto na julgado combatido foi decidido: “não cabe a glosa de estimativa objeto de compensação não homologada do saldo negativo, já que esta será cobrada com base na própria DCOMP. Precedentes do CARF”, no paradigma entendeu-se: “Correta a glosa do saldo negativo de IRPJ, de estimativas que teriam sido quitadas por compensação, mas que não restaram homologadas.” (...) Em razão de terem sido preenchidos os requisitos do art. 67 do RICARF, DOU SEGUIMENTO AO RECURSO ESPECIAL POR DIVERGÊNCIA. Em 01/04/2015, o contribuinte foi intimado quanto ao acórdão da Turma Ordinária, recurso especial e despacho de admissibilidade (fls. 661). Nesse contexto, apresentou contrarrazões ao recurso, alegando, em síntese: (i) Falta de similitude fática entre acórdão recorrido e paradigma, que impediria o conhecimento do recurso especial; (ii) No mérito, sustenta que a PERDCOMP é instrumento de confissão de dívida, permitindo a inscrição em dívida ativa. Assim, pede a manutenção do acórdão recorrido, com o reconhecimento do saldo negativo do período. É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora O contribuinte pede não seja conhecido o recurso especial pela falta de similitude entre acórdão recorrido e o paradigma indicado pela Procuradoria (1301-001.532). Assim, analiso as condições de conhecimento. O acórdão paradigma nº 1301-001.532 tem o seguinte contexto fático conforme relatório: Fl. 715DF CARF MF 4 Trata a lide de pedido de compensação de saldo negativo de IRPJ relativo ao ano-calendário 2001. A unidade administrativa (DERAT/SP) que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa os indeferiu, após concluir que não restou comprovada a existência de IRRF no montante de 172.116,90 em relação ao total pleiteado (R$ 2.949.972,39) e ainda que não foi comprovada a quitação de estimativas no valor de R$ 52.138,25 relativa ao mês de janeiro de 2001. (grifamos) Diante desse contexto, decidiu a Turma prolatora deste acórdão paradigma (1301-001.532): A querela se dá em torno de dois pontos específicos. (...) O segundo aspecto do recurso refere-se à comprovação de quitação de estimativas relativas ao mês de janeiro/2001, no montante de R$ 52.138,25. Alega a recorrente que não encontrou o comprovante de recolhimento do valor, mas que a própria administração deve reconhecê-lo na medida em que se trata de documento que detém em seu poder (...) Como se constata do excerto transcrito do acórdão recorrido a diferença refere-se à estimativa que teria sido quitada por meio de compensação com saldo negativo de IRPJ do ano 2000. Ocorre que tal débito não restou extinto por compensação, na medida em que as compensações relativas ao saldo negativo de IRPJ do ano 2000, analisadas no processo administrativo nº 11831.001354/200102, não incluem este período, uma vez que o crédito reconhecido não foi suficiente para quitar todas as compensações pleiteadas. Não se trata, portanto, de recolhimento mediante DARF que a própria administração teria registro em seus arquivos, como alega a recorrente. Desta feita, não tendo sido homologada a compensação pleiteada, com o saldo negativo de IRPJ do ano 2000, deve ser mantida a glosa do valor de R$ 52.138,25 do montante do direito creditório reconhecido. (grifamos) O acórdão recorrido trata da seguinte situação fática, conforme voto condutor do ex-Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho: No mérito, conforme relatório supra, cinge-se a discussão a respeito da procedência de declaração de compensação de créditos de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2005, cujo “recolhimento” do IRRF correspondente foi realizado, em parte, com compensações não homologadas no PA n. 10675.900174/2010-75, no valor de R$ 585.499,67. Sem prejuízo da procedência das citadas declarações de compensação, as quais são objeto do PA acima referido, alega a Contribuinte que faz jus à utilização dos valores correspondentes pelo fato a declaração de compensação caracterizar confissão de dívida passível de execução pela PGFN. Fosse negado o Fl. 716DF CARF MF Processo nº 10675.909465/2009-95 Acórdão n.º 9101-003.958 CSRF-T1 Fl. 715 5 direito creditório respectivo, a Contribuinte seria penalizada em duplicidade pelo mesmo fato, (a) a primeira, por não ver homologada sua compensação; (b) a segunda, por ter contra si ajuizada execução para cobrança de tributo confessado. Nesse ponto, razão assiste à Contribuinte. A partir da inclusão do § 6º ao art. 74 da Lei nº 9.430/96, feita pela Lei nº 10.833/2003, a declaração de compensação passou a constituir instrumento de confissão de dívida, a partir do qual o débito lá informado pode ser inscrito em dívida ativa e cobrado, exatamente como ocorre no caso dos autos. (...) O Parecer PGFN/CAT nº 88/2014 corrobora com esse entendimento, ao dispor sobre a possibilidade de cobrança dos valores oriundos de compensações não homologadas de estimativas, cujo fato (cobrança das estimativas), no caso, é incontroverso Nota-se que não há similitude fática e divergência na interpretação da lei tributária entre acórdão paradigma e recorrido. Com efeito, o acórdão paradigma nº 1301-001.532 trata de pedido de compensação apresentado em 2001, enquanto o acórdão recorrido trata de declaração de compensação transmitida em 2005. A distinção é evidente quando verificadas as alterações legislativas tratando da compensação na esfera federal, notadamente pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003. Essa distinção, inclusive, é notada na fundamentação do acórdão recorrido, acima reproduzida. A Lei nº 9.430/1996 rege a compensação no âmbito da Receita Federal do Brasil, destacando-se a previsão do artigo 74, com a seguinte redação em 2001, quando apresentado pedido de compensação analisado pelo acórdão paradigma (1301-001.532): Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Posteriormente, houve substancial alteração deste dispositivo legal, notadamente para se atribuir o efeito de confissão de dívida às Perdcomps conforme Lei nº 10.833/2003, fruto da conversão da Medida Provisória nº 135/2003, verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos Fl. 717DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10637.htm#art49 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10637.htm#art49 6 débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (grifamos) A distinção de tratamento de compensações (em 2001, pelo paradigma, e 2005, pelo recorrido) tem razão jurídica diante dos distintos regramentos, tratados pela legislação federal. O acórdão paradigma desconsidera compensações em 2001 - quando o regramento não atribuía efeitos de confissão de dívida relativamente às estimativas extintas por compensação -, enquanto o acórdão recorrido manifesta-se pela confissão de dívida em 2005 e, assim, admite as estimativas no cômputo do crédito tributário (saldo negativo). O regramento é distinto e justifica a conclusão jurídica diversa adotada pelos Colegiados. Esta Turma da CSRF analisou casos similares, nos quais também foi identificado o citado acórdão paradigma (acórdão 9101-003.705). Assim, concluo por não conhecer do recurso especial da Procuradoria. Conclusão Assim, voto por não conhecer o recurso especial. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 718DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10637.htm#art49 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10637.htm#art49 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2003/L10.833.htm#art17 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2003/L10.833.htm#art17 Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13882.720011/2015-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
DENÚNCIA ESPONTA^NEA. COMPENSAÇA~O.
A regular compensação realizada pelo contribuinte é meio hábil para a caracterização de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, cuja eficácia normativa não se restringe ao adimplemento em dinheiro do débito tributário.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA.
Forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que profira despacho decisório complementar sobre o mérito do pedido, reiniciando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior, Nelso Kichel e Giovana Pereira de Paiva Leite que votaram por lhe negar provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13882.720016/2015-91, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 DENÚNCIA ESPONTA^NEA. COMPENSAÇA~O. A regular compensação realizada pelo contribuinte é meio hábil para a caracterização de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, cuja eficácia normativa não se restringe ao adimplemento em dinheiro do débito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. Forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1857; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13882.720011/201568 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1301003.694 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de janeiro de 2019 Matéria IRPJ Recorrente ORICA BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. A regular compensação realizada pelo contribuinte é meio hábil para a caracterização de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, cuja eficácia normativa não se restringe ao adimplemento em dinheiro do débito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. Forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que profira despacho decisório complementar sobre o mérito do pedido, reiniciandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior, Nelso Kichel e Giovana Pereira de Paiva Leite que votaram por lhe negar provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13882.720016/201591, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 2. 72 00 11 /2 01 5- 68 Fl. 256DF CARF MF Processo nº 13882.720011/201568 Acórdão n.º 1301003.694 S1C3T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Tratase de pedido de restituição transmitido pelo contribuinte em epígrafe com vistas a reaver o valor da multa de mora incidente sobre débitos Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, objeto de declaração espontânea do contribuinte, anteriormente às atividades fiscalizatórias da Receita Federal, e compensado através de PER/DCOMP. A DRF em Taubaté indeferiu o pedido sob o argumento de ser inaplicável a denúncia espontânea quando o sujeito passivo extingue o débito confessado mediante apresentação de declaração de compensação. Cientificado, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aduzindo o reconhecimento do crédito referente ao montante que afirma ter recolhido a título de multa moratória, mediante DCOMP, antes de qualquer procedimento fiscalizatório e antes da entrega da DCTF retificadora, e que a compensação deveria ser equiparada ao pagamento para fins da caracterização da denúncia espontânea. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, razão pela qual o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, repisando suas razões aduzidas inicialmente. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator . O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.691, de 24/01/2019, proferido no julgamento do Processo nº 13882.720016/2015 91, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº:1301003.691): Fl. 257DF CARF MF Processo nº 13882.720011/201568 Acórdão n.º 1301003.694 S1C3T1 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido pelo Colegiado. O mérito da discussão deste processo diz respeito a dois pontos: a) a concomitância entre denúncia e quitação, para fins do art. 138 do CTN; b) os efeitos da denúncia espontânea sobre as multas de mora; c) a possibilidade da compensação ser utilizada para quitação do tributo, após a denúncia da infração; Sobre os dois primeiros pontos, friso que já me manifestei sobre eles no Processo nº 10860.901695/201567, razão pela qual reproduzo abaixo minhas considerações. O art. 138 do Código Tributário Nacional determina: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Analiticamente, verificase que o parágrafo único estabelece uma condição de impossibilidade absoluta para a denúncia espontânea: o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados à infração. Essa premissa se encontra fora de discussão, no presente caso, por não haver qualquer questionamento sobre isso. Desse modo, passando ao caput, verificase que o dispositivo exige: i) a denúncia espontânea da infração acompanhada, se for o caso, do ii) pagamento do tributo devido e dos juros de mora. Há, claramente, uma dupla exigência, devendo o contribuinte realizar ato próprio para constituir juridicamente diria Paulo de Barros Carvalho, em linguagem competente , perante a fiscalização, o crédito tributário no montante correto, acompanhado do seu pagamento integral. Não basta, portanto, que haja apenas o pagamento, ou apenas denúncia da infração através da retificação da DCTF, é preciso que ambos estejam presentes antes que se inicie qualquer procedimento fiscalizatório da infração, para que se verifiquem os efeitos do art. 138 do CTN. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 13882.720011/201568 Acórdão n.º 1301003.694 S1C3T1 Fl. 5 4 O REsp nº 1.149.022/SP, julgado sob a sistemática de Recurso Repetitivo, analisou a hipótese em que o contribuinte, verificando a declaração e pagamento parcial do débito tributário, retifica sua DCTF e, noticiando a diferença a maior, paga concomitantemente o tributo devido. O presente caso, entretanto, traz a situação inversa: o contribuinte declarou e pagou parcialmente o tributo, e constatou que pagara a menor, recolhendo a diferença, e apenas posteriormente retificando a sua declaração. Aduz o Ministro Luís Fux que: a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. É que se o contribuinte não efetuasse a retificação, o fisco não poderia executálo sem antes proceder à constituição do crédito tributário atinente à parte não declarada, razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN No seu entender, o cerne do benefício é dispensar a fiscalização de verificar a infração e proceder o lançamento de ofício para posterior cobrança do montante recolhido a menor. Podemos afirmar, entretanto, que não há como se aplicar de forma direta o precedente mencionado à questão da concomitância da retificação e do pagamento integral, visto se tratarem de situações fáticas distintas, impedindo a adequação do precedente, cuja compreensão deve sempre se dar sob uma perspectiva analógicoproblemática, e não lógicosubsuntiva. A DRJ, ao analisar o caso, prosseguiu pela seguinte linha de raciocínio: Existe uma dissintonia entre o momento do pagamento sobre o qual a contribuinte alega possuir crédito e a datas em que o tributo foi declarado, todas elas posteriores ao pagamento. Diante dessa situação, não se poderia afirmar que o pagamento, quando efetivado, seria relativo a tributo devido, uma vez que sequer havia sido confirmado definitivamente o valor do tributo. Invocou, pois, o argumento da concomitância, com fundamento no Recurso Especial supramencionado e no Ato Declaratório PGFN 8/11, que reitera o trecho já citado anteriormente. Pois bem, parecenos equivocado o entendimento perfilhado pela instância a quo, o qual impacta necessariamente na inteligência do art. 138 do CTN. Em primeiro lugar, é preciso consignar o CTN estabelece uma distinção entre a obrigação tributária e o crédito tributário, ao dispor, em seus arts. 113, §1º e 139, verbis: Fl. 259DF CARF MF Processo nº 13882.720011/201568 Acórdão n.º 1301003.694 S1C3T1 Fl. 6 5 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. O vínculo entre o Estado e o Contribuinte, relativo ao pagamento do tributo, nasce da ocorrência do fato gerador, e não do lançamento. O lançamento tem efeitos constitutivos em relação ao crédito tributário, mas declaratórios em relação à obrigação decorrente do fato gerador, estabelecendo marco de exigibilidade do tributo devido, à partir de sua quantificação. Desse modo, não nos parece adequado concluir que o pagamento efetuado após a realização do fato gerador, mas antes da constituição do crédito tributário (seja pelo contribuinte, seja pela fiscalização), não seja considerado como pagamento devido. É devido, justamente pela existência de obrigação tributária cujo objeto é o seu pagamento, posto que inexigível enquanto pendente de acertamento definitivo. A denúncia a que se refere o art. 138 do CTN é o ato de retificar a declaração de tributos, constituindo o crédito tributário no valor correto. O escopo do dispositivo é premiar aquele que denuncia a infração, poupando esforços da burocracia fiscal, e paga o tributo com juros, evitando custosos procedimentos de cobrança exigese, pois, que uma vez retificado crédito, se verifique a sua extinção pelo pagamento. Nos casos em que há a retificação, mas não há o pagamento, na esteira de diversos precedentes da 1ª Seção do STJ, realmente não há que se verificar a ocorrência de denúncia espontânea, pela necessidade do Fisco de perseguir a satisfação do crédito tributário. No presente caso, entretanto, em que o pagamento foi feito anteriormente à retificação, o mesmo é feito em relação à obrigação tributária existente por decorrência do fato gerador e fica na pendência de sua conferência com o crédito tributário constituído. Após a retificação da DCTF, pode a autoridade fiscal constatar se o pagamento efetuado corresponde ao crédito constituído, apurando à partir daí a correção ou não do pagamento antecipado, bem como eventual crédito sobressalente, passível de compensação ou restituição, como no presente caso. No momento da retificação, portanto, podese dizer que eram existentes, de forma concomitante, os dois elementos necessários para a configuração da denúncia espontânea, haja vista que nesta data não havia nenhum procedimento fiscalizatório em curso. Situação absolutamente distinta seria se, entre a data do pagamento e a retificação, tivesse o Fisco iniciado qualquer Fl. 260DF CARF MF Processo nº 13882.720011/201568 Acórdão n.º 1301003.694 S1C3T1 Fl. 7 6 medida de apuração da infração, hipótese em que nos parece que não caberia mais o benefício da denúncia espontânea. Configurada a ocorrência da denúncia espontânea no presente caso, cabe aplicar o REsp 1.149.022/SP no tocante à abrangência do benefício às multas moratórias, como dispõe em sua ementa: Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. Nesse ponto, há similitude entre o caso decidendo e o precedente invocado, justificando a sua observância. Cabe agora enfrentar a questão da eficácia da compensação tributária, para fins de aplicação do art. 138 do CTN. O tema da possibilidade de compensar o tributo objeto de retificação das declarações do contribuinte é tormentoso no âmbito do CARF, não faltando manifestações em ambos os sentidos. No âmbito da infralegal, a Receita Federal do Brasil exarou, em 2012. a Nota Técnica Cosit nº 1/2012, reconhecendo que a declaração de compensação, se atendidos os demais requisitos, poderia configurar denúncia espontânea. Tal entendimento pautavase no fato de a compensação ou quaisquer outras formas de adimplemento de obrigação serem formas de pagamento que acarretam a extinção da obrigação tributária. Aduziu a RFB, na ocasião: 18. Com relação à aplicabilidade da denúncia espontânea na compensação de tributos, não se pode perder de vista que pagamento e compensação se equivalem; ambos apresentam a mesma natureza jurídica, seus efeitos são exatamente os mesmos: a extinção do crédito tributário. Como conseqüência, a compensação também é instrumento apto a configurar a denúncia espontânea. 18.1 Tanto é assim que o art. 28 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, ao dar nova redação ao art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, conferiu à compensação o mesmo tratamento dado ao pagamento para efeito de redução das multas de lançamento de ofício. 18.2 Essa equiparação do pagamento e compensação na denúncia espontânea resulta da aplicação da analogia, prevista como método de integração da legislação pelo art. 108, I, do CTN. 18.3 Dessa forma, respondendo às indagações formuladas nas letras h e i do item 3 desta Nota Técnica: Fl. 261DF CARF MF Processo nº 13882.720011/201568 Acórdão n.º 1301003.694 S1C3T1 Fl. 8 7 a) se o contribuinte não declara o débito na DCTF, porém efetua a compensação desse débito na Dcomp, sendo os atos de confessar e compensar concomitantes, aplicase o mesmo raciocínio previsto no item 10, ou seja, neste caso resta configurada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN; b) se o contribuinte declara o débito na DCTF, e efetua a compensação posteriormente por meio da Dcomp, a situação é semelhante à dos tributos declarados, mas pagos a destempo (subitem 9.1), requerendo, em conseqüência, o mesmo tratamento ali previsto ou seja, a incidência da multa de mora. Esse entendimento foi reformado pela Nota Técnica Cosit nº 19/2012, cujo conteúdo, além de cancelar a nota anterior, determinando que não se considera ocorrida denúncia espontânea quando o sujeito passivo compensa o débito confessado, mediante apresentação de DCOMP. Tratase de um dispositivo que, desde a sua gênese, se relaciona à reparação de um mal, feita pelo próprio agente infrator. Aliomar Baleeiro já apontava, há muito, que essa disposição equiparase ao art. 13 do Código Penal Brasileiro, que estabelecia o arrependimento voluntário e eficaz do agente delitivo, imputandolhe sanção apenas pelos atos já praticados1. Mutatis mutandis, o art. 138 vem justamente estabelecer uma sanção premial para o contribuinte que, ciente de infração por ele realizada e que permanece desconhecida pela fiscalização tributária, espontaneamente comparece para satisfazer o interesse do Erário. Uma investigação histórica acerca de seu escopo é essencial para a correta compreensão do dispositivo, mormente em razão do mesmo ter sido elucidado de forma expressa nos trabalhos da comissão de elaboração do Código Tributário Nacional, sob a batuta de Rubens Gomes de Sousa, constituindo a exposição de motivos dessa lei2: Por último, o art. 174 abre exceção ao princípio da objetividade, admitindo a exclusão da responsabilidade penal nos casos de denúncia espontânea da infração e sua concomitante REPARAÇÃO. A regra, que vem do art. 289 do Anteprojeto, já é consagrada pelo direito vigente (Consolidação das Leis do Impôsto de Consumo, Decreto nº 26.149 de 1949, art. 200), rejeitada em consequência a sugestão supressiva 1.048, prejudicadas as de ns. 23, 200, 221, 379, 419 e 799 por não ter sido aproveitado o restante do citado art. 289, e ainda as de ns. 46, 49, 231 e 234 por falta de objeto, visto que objetivam exatamente o que no art. 174 se dispõe. 1 BALEEIRO, Aliomar. Direito Tributário Brasileiro, 11ªed. Rio de Janeiro: Forense, 2007, p.764. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA. Trabalhos da Comissão Especial do Código Tributário Nacional. Rio de Janeiro, 1954, p.245. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 13882.720011/201568 Acórdão n.º 1301003.694 S1C3T1 Fl. 9 8 49. (A) Idem. (B) Acrescentar dispositivo novo com a seguinte redação: "Nenhuma penalidade será aplicada ao contribuinte que, em qualquer tempo, antes de instaurado o processo fiscal, apresentarse espontâneamente à Repartição fiscal competente para REGULARIZAR a sua situação para com o fisco". (C) Omissa; (D) Prejudicada3. Como se vê, o dispositivo sempre teve em vistas a reparação do dano causado pela infração, é dizer ,o atendimento ao interesse do Erário, que se encontra satisfeito através de qualquer dos meios de extinção do crédito tributário, com o suficiente adimplemento da exação. Visa, pois, a regularização do contribuinte que espontaneamente comparece à repartição para quitar o tributo devido esse é o real conteúdo normativo do art. 138 do CTN. Os principais argumentos suscitados em sentido contrário dizem respeito: i) ao fato da compensação e o pagamento serem arrolados no art. 156 do CTN como formas de extinção do crédito tributário; e ii) à circunstância do pagamento extinguir o crédito a partir do momento em que realizado, enquanto a compensação está sujeita a posterior homologação, sob condição resolutória, podendo ser confirmada ou não a quitação do tributo, a depender da homologação da compensação. Além disso, fazse referência também a recente decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, no AgInt no REsp 1.568.857, em julgamento realizado em 16/05/2017. Em relação ao primeiro argumento, de que o CTN foi taxativo na distinção entre pagamento e compensação, como formas de extinção do crédito tributário, tratase de um ponto que, data vênia, é apenas parcialmente correto. Na verdade, a despeito da cientificidade empregada na elaboração do CTN, a referida distinção semântica entre os termos "pagamento" e "compensação" é utilizada (ainda sem muito rigor) apenas em uma parte específica da legislação, no Capítulo IV do Título III, correspondente ao intervalo entre os arts. 156 e 174. No restante do CTN, a expressão "pagamento" é utilizada de forma indiscriminada, como sinônimo de adimplemento. Estender a distinção do trecho apontado acima para o restante do Código implicaria em situações absolutamente canhestras e sem qualquer sentido técnico. Vejamos alguns exemplos: Art. 36. Ressalvado o disposto no artigo seguinte, o imposto não incide sobre a transmissão dos bens ou direitos referidos no artigo anterior: I quando efetuada para sua incorporação ao patrimônio de pessoa jurídica em pagamento de capital nela subscrito; 3 Idem, ibidem, p. 417. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 13882.720011/201568 Acórdão n.º 1301003.694 S1C3T1 Fl. 10 9 O referido artigo trata da não incidência do ITBI nos casos em que o imóvel é incorporado ao capital social de uma empresa, em subscrição de ações. O dispositivo fala em pagamento, mas a operação de alienação não é propriamente isto, mas sim uma permuta, na qual se aliena o bem imóvel, recebendo em troca o valor dele em ações/quotas no patrimônio da empresa. art. 82 (...) § 2º Por ocasião do respectivo lançamento, cada contribuinte deverá ser notificado do montante da contribuição, da forma e dos prazos de seu pagamento e dos elementos que integram o respectivo cálculo. Este dispositivo se refere ao lançamento de contribuição de melhoria, determinando que no ato administrativo deverá ser informado o prazo para pagamento. Se considerada a distinção entre pagamento e os demais métodos de extinção do crédito tributário, estarseia concluindo que a única forma de se quitar dívida da referida contribuição seria através do pagamento em sentido estrito. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Novamente, o termo pagamento é utilizado no sentido de inadimplemento do tributo, abarcando todas as formas de extinção. Art. 108. (...) § 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Novamente o dispositivo estabelece que a obrigatoriedade do adimplemento da obrigação tributária não pode ser afastado através de um juízo de equidade. A invocação da distinção mencionada anteriormente geraria o resultado absurdo de que a equidade não poderia dispensar o pagamento do tributo, mas poderia obstar a compensação de ofício, nos casos cabíveis legalmente, o que não faz sentido. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Esse dispositivo talvez seja o mais representativo da erronia da interpretação dada pela DRJ ao art. 138 do CTN. Caso levada Fl. 264DF CARF MF Processo nº 13882.720011/201568 Acórdão n.º 1301003.694 S1C3T1 Fl. 11 10 às últimas consequências, teríamos que convir que qualquer meio de adimplemento da obrigação, que não seja o pagamento, não teria efeitos extintivos, já que o objeto da prestação seria um dar específico (pagamento). O dispositivo claramente utiliza a expressão "pagamento" no sentido de adimplemento este sim, a obrigação do contribuinte, após a realização do fato gerador. Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; Novamente, a expressão é utilizada como sinônimo de "adimplemento". Caso contrário, adotando de forma extrema a distinção entre "pagamento" e "compensação", poderíamos argumentar contrario sensu que as convenções particulares relativas à responsabilidade pela compensação do tributo, ou pela dação de bens em pagamento, poderiam ser opostas à Fazenda Pública, o que é, novamente, um absurdo técnico. No art. 125, nova situação esdrúxula: teríamos que aceitar, à luz da referida distinção, que no caso de um dos coobrigados compensar ou realizar dação de bem, para extinguir o tributo que deve solidariamente, essa prestação não aproveita aos demais, que continuariam devedores da integralidade do crédito tributário. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Mais uma vez: aplicada a distinção em questão, seríamos obrigados a reconhecer que nos casos de lançamento por homologação, o contribuinte não poderia compensar o tributo por ele constituído, pois a lei exigiria a antecipação de pagamento essa leitura, obviamente, contrasta com diversos outros dispositivos legais e se constitui em rotundo absurdo, haja Fl. 265DF CARF MF Processo nº 13882.720011/201568 Acórdão n.º 1301003.694 S1C3T1 Fl. 12 11 vista ser absolutamente cediça a transmissão de DCOMPs para a extinção de créditos tributários constituídos pelo próprio contribuinte. E mais, mesmo entre os arts. 157 a 164 do CTN verificamos hipóteses em que a expressão "pagamento" é utilizada no sentido de "adimplemento": Art. 160. Quando a legislação tributária não fixar o tempo do pagamento, o vencimento do crédito ocorre trinta dias depois da data em que se considera o sujeito passivo notificado do lançamento. Contrario sensu o prazo de vencimento não se aplicaria nos casos em que o contribuinte opte por adimplir a obrigação através de compensação? Mesmo no artigo 164, que versa sobre a ação de consignação em pagamento, o seu §2º chama essa medida, hipótese de extinção prevista no art. 156, VIII do CTN, de pagamento: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; Art. 164. A importância de crédito tributário pode ser consignada judicialmente pelo sujeito passivo, nos casos: § 2º Julgada procedente a consignação, o pagamento se reputa efetuado e a importância consignada é convertida em renda; julgada improcedente a consignação no todo ou em parte, cobrase o crédito acrescido de juros de mora, sem prejuízo das penalidades cabíveis. Na senda percorrida pela DRJ, chegaríamos a uma situação esdrúxula: o sujeito procedeu à denúncia espontânea de infração, e ao tentar recolher o valor aos cofres públicos encontrou resistência do órgão arrecadador. Para superar a mora accipiendi, utilizase da ação de consignação em pagamento (que, na literalidade do art. 156, é meio distinto do pagamento), e deposita o valor em juízo. Julgada procedente a ação, a RFB poderia lhe cobrar a multa moratória, pois a extinção se deu através de ação de consignação, e não através de pagamento. Por fim, uma última menção que nos parece definitiva: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: O dispositivo menciona expressamente "modalidade do seu pagamento", reconhecendo que o "pagamento" aí é utilizado como gênero de modalidades de extinção do crédito tributário, e não como o pagamento em moeda corrente. Ou alguém diria que Fl. 266DF CARF MF Processo nº 13882.720011/201568 Acórdão n.º 1301003.694 S1C3T1 Fl. 13 12 o sujeito não tem direito à restituição do valor de bem imóvel dado para a extinção do tributo devido? A menção dos dispositivos é longa, mas não exaustiva, e tem a função de demonstrar que a expressão "pagamento" não é utilizada em um sentido estrito no CTN. Pelo contrário, ela é reiteradamente utilizada no sentido de "adimplemento", sentido este que é compatível com diversas formas distintas de extinção do crédito tributário, e igualmente adequado a uma leitura originalista, genética, do art. 138 do CTN, que se refere expressamente à reparação do dano, e não ao pagamento do tributo independente da forma de extinção, se por pagamento ou por compensação, o Erário será atendido. Desse modo, considerada a distinção entre pagamento e os demais meios de adimplemento do crédito tributo, o CTN seria conduzido a regras absolutamente desprovidas de lógica. Como já dissera, há muito, Carlos Maximiliano, em sua clássica obra sobre Hermenêutica Jurídica, "Deve o Direito ser interpretado inteligentemente: não de modo que a ordem legal envolva um absurdo, prescreva inconveniências , vá ter a conclusões inconsistentes ou impossíveis." 4 Passando ao segundo argumento, de que pagamento extinguiria o crédito instantaneamente, enquanto a compensação está sujeita a posterior homologação, sob condição resolutória, podendo ser confirmada ou não a quitação do tributo, temos que o mesmo também não procede. De pronto, a premissa assumida, de que o pagamento extingue o crédito tributário instantaneamente, se revela equivocada. Basta rememorar que no caso de pagamento por cheque, o crédito só é considerado extinto com o resgate deste pelo sacado, nos termos do art. 162, §2º do CTN, e no caso de pagamento através de estampilha, o próprio CTN frisa, no art. 162, §3º, que a inutilização dele só terá efeito extintivo após a homologação expressa ou tácita da autoridade administrativa. E mesmo em relação ao pagamento em moeda, dentro da sistemática do art. 150 do CTN, por cerca de 50 anos se considerou que o mesmo não possuía eficácia extintiva, ficando sempre condicionado à homologação do ente fiscalizador, situação esta que foi modificada apenas com o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, que no exercício de uma "interpretação autêntica", cuja retroação foi rechaçada pelo Recurso Extraordinário nº 566.621, cuja ementa é expressa: Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A 4 Hermenêutica e Aplicação do Direito. Rio de Janeiro: Forense, 1990, p. 166. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 13882.720011/201568 Acórdão n.º 1301003.694 S1C3T1 Fl. 14 13 LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova.(RE 566.621, Relator(a): Min. Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, Repercussão Geral). É dizer, o precedente vinculante do Supremo Tribunal Federal reconheceu expressamente que antes da LC nº 118/2005, o pagamento feito na sistemática do lançamento por homologação não tinha natureza extintiva, ficando condicionado à homologação posterior. A premissa assumida contraria diametralmente o conteúdo normativo do CTN préLC 118/2005, para estabelecer uma distinção que, originalmente, nunca existiu naquela legislação. Nessa linha, mais um absurdo: teríamos que concordar que o prazo para o pedido de restituição do tributo seria de 5 anos contados do adimplemento, no caso de pagamento em moeda corrente, mas 10 anos nos casos em que o adimplemento se deu de outro modo, retomando a "tese do cinco mais cinco" para os casos em que a extinção não tenha se dado através de pagamento em sentido estrito. Voltando os olhos à compensação, o art. 170 determina: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. A exigência de homologação do pedido de compensação para a extinção do crédito não advém do CTN, mas de determinação expressa da legislação federal, mormente os arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, e essa exigência nada mais é do que uma garantia do Erário, para evitar que o contribuinte utilize créditos inexistentes para quitar tributos devidos. Mas a forma que essa garantia é realizada não é estabelecida de forma alguma pelo CTN pelo contrário, cabe ao ente tributante regulamentála. E tampouco a exigência de garantias é um privilégio da compensação: o art. 162, §1º determina que a legislação tributária pode determinar as garantias exigidas para o pagamento por cheque ou vale postal. Ora, seria plenamente possível que o ente tributante criasse uma lei exigindo que os pagamentos por cheque ou vale postal ficassem sujeitos à homologação da autoridade, submetendose a regime similar ao da compensação, sem que qualquer pessoa contestasse a sua natureza de "pagamento". No sentido oposto, também seria plenamente possível (e tem se tornado uma realidade, com os fast tracks de aproveitamento de créditos) que o legislador estabelecesse um sistema de validação prévio do crédito ou do contribuinte (como nos programas de Fl. 268DF CARF MF Processo nº 13882.720011/201568 Acórdão n.º 1301003.694 S1C3T1 Fl. 15 14 discriminações positivas) que dispensasse a homologação posterior da compensação efetuada sem que qualquer pessoa ousasse defender que agora deveria se chamar "pagamento". Esse argumento se baseia no art. 74, §2º da Lei nº 9.430/96, que diz: Art. 74. (...) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Caso não existisse o referido dispositivo, em lei ordinária federal, o alcance do art. 138 do CTN, que tem natureza de lei complementar e alcance de norma geral, seria ampliado por conta disso? Certamente que não. O raciocínio inverso deixa claro que o estabelecimento de condições e garantias à compensação não afeta o conteúdo das regras estabelecidas pelo CTN, especialmente aquela relativa à denúncia espontânea. Como se vê, o critério da sujeição a homologação é absolutamente frágil, não encontrando respaldo no CTN e decorrente de uma compreensão equivocada das garantias que são atribuídas ao crédito tributário. Quanto ao precedente do Superior Tribunal de Justiça mencionado, temos que, de fato, há um entendimento preponderante em favor da tese encampada pela decisão a quo, no sentido de que a compensação não poderia gerar os efeitos da denúncia espontânea. Como explica Thais de Laurentiis, a ratio decidendi dos acórdãos baseiase exclusivamente no fato de a extinção do crédito tributário por meio de compensação estar sujeita à condição resolutória de sua homologação, conforme determina o art. 74, §2º da Lei nº 9.430/965, adotando a tese já suficientemente rechaçada anteriormente. Aduz essa Conselheira, no seu voto vencedor no Acórdão nº 3402003.486, que em razão do próprio conceito de compensação tributária, qual seja, sistemática que acarreta num encontro de contas, tendo como resultado a extinção de duas obrigações contrapostas: relação jurídica tributária, em que o contribuinte tem débito perante o Fisco; e relação jurídica de restituição de indébito ou ressarcimento, na qual o contribuinte tem direito a crédito a ser pago pelo Fisco, até o limite que se equivalerem (artigo 170, CTN e artigo 74 da Lei n. 9.430/96). Há, portanto, concomitante pagamento de tributo e restituição do indébito ou ressarcimento do tributo. Ou seja, na compensação tributária há sim pagamento, com o único diferencial de que tal pagamento ocorre simultaneamente com a 5 LAURENTIIS, Thais de. Compensação Tributária e Denúncia Espontânea: Uma análise crítica da jurisprudência do STJ. In Estudos de direito processual e tributário e em homenagem ao Ministro Teori Zavascki. Belo Horizonte: D'Placido, 2018, p.1161. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 13882.720011/201568 Acórdão n.º 1301003.694 S1C3T1 Fl. 16 15 restituição ou ressarcimento de tributos, de modo que tal encontro de contas se anulam mutuamente. Vejamos, por exemplo, o precedente firmado no REsp 1.122.131/SC, de relatoria do Min. Napoleão Nunes, no qual se reconhece que a compensação é espécie de pagamento: TRIBUTÁRIO. INTERPRETAÇÃO DE NORMA LEGAL. ART. 9º. DA MP 303/06, CUJA ABRANGÊNCIA NÃO PODE RESTRINGIRSE AO PAGAMENTO PURO E SIMPLES, EM ESPÉCIE E À VISTA, DO TRIBUTO DEVIDO. INCLUSÃO DA HIPÓTESE DE COMPENSAÇÃO, COMO ESPÉCIE DO GÊNERO PAGAMENTO, INCLUSIVE PORQUE O VALOR DEVIDO JÁ SE ACHA EM PODER DO PRÓPRIO CREDOR. PLETORA DE PRECEDENTES DO STJ QUE COMPARTILHAM DESSA ABORDAGEM INTELECTIVA. NECESSIDADE DA ATUAÇÃO JUDICIAL MODERADORA, PARA DISTENCIONAR AS RELAÇÕES ENTRE O PODER TRIBUTANTE E OS SEUS CONTRIBUINTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE DÁ PROVIMENTO. 1. Tratase de extinção do crédito tributário mediante compensação de ofício; circunstância que o Recorrente afirma comportar a incidência do art. 9º., caput da MP 303/06, o qual prevê hipóteses de desconto nos débitos tributários. 2. O art. 9º. da MP 303/2006 criou, alternativamente ao benefício do parcelamento excepcional previsto nos arts. 1o. e 8o., a possibilidade de pagamento à vista ou parcelado no âmbito de cada órgão, com a redução de 30% do valor dos juros de mora e 80% da multa de mora e de ofício; o conceito da expressão pagamento, em matéria tributária, deve abranger, também, a hipótese de compensação de tributos, porquanto tal expressão (compensação) deve ser entendida como uma modalidade, dentre outras, de pagamento da obrigação fiscal. 3. É usual tratarse a compensação como uma espécie do gênero pagamento, colhendose da jurisprudência do STJ uma pletora de precedentes que compartilham dessa abordagem intelectiva da espécie jurídica em debate: AgRg no REsp. 1.556.446/RS, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 13.11.2015; REsp. 1.189.926/RJ, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 1.10.2013; REsp. 1.245.347/RJ, Rel. Min. CASTRO MEIRA, Rel. p/acórdão Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 11.10.2013; AgRg no Ag. 1.423.063/DF, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, DJe 29.6.2012; AgRg no Ag. 569.075/RS, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, Rel. p/acórdão Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ 18.4.2005. 4. Considerandose a compensação uma modalidade que pressupõe credores e devedores recíprocos, ela, ontologicamente, não se distingue de um pagamento no Fl. 270DF CARF MF Processo nº 13882.720011/201568 Acórdão n.º 1301003.694 S1C3T1 Fl. 17 16 qual, imediatamente depois de pagar determinados valores (e extinguir um débito), o sujeito os recebe de volta (e assim tem extinto um crédito). Por essa razão, mesmo a interpretação positivista e normativista do art. 9o. da MP 303/06, deve conduzir o intérprete a albergar, no sentido da expressão pagamento, a extinção da obrigação pela via compensatória, especialmente na modalidade ex officio, como se deu neste caso. 5. Ainda que não se considerasse que a compensação configura, na hipótese específica destes autos, uma modalidade de pagamento da dívida tributária, ganha relevo o fato de a compensação ter sido realizada de ofício, pois demonstra que o Fisco suprimiu até mesmo a possibilidade de o contribuinte, depois de receber o valor que lhe era devido, resolver aderir à forma favorecida de pagamento, prevista no art. 9o. da MP 303/06. 6. A interpretação das normas tributárias não deve conduzir ao ilogismo jurídico de afirmar a preponderância irrefreável do interesse do fiscal na arrecadação de tributos, por legítima que seja essa pretensão, porquanto os dispositivos que integram a Legislação Tributária têm por escopo harmonizar as relações entre o poder tributante e os seus contribuintes, tradicional e historicamente tensas, sendo essencial, para o propósito pacificador, a atuação judicial de feitio moderador. 7. Recurso Especial da empresa BUSSCAR ÔNIBUS S/A provido. (REsp 1122131/SC, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/05/2016, DJe 02/06/2016) E por fim, no âmbito do CARF, podese apontar pronunciamentos recentes favoráveis, no âmbito das Câmaras Superiores, ao pedido do contribuinte, a exemplo do Acórdão CSRF nº 9101003.559, julgado em Abril de 2018, cujo voto vencedor foi redigido pelo Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, cujo fundamento é expresso neste trecho: Nesse rumo, o instituto da denúncia espontânea é perfeitamente aplicável aos casos em que o pagamento do tributo é realizado através da compensação. Isso porque a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, ainda que sob condição resolutória de sua ulterior homologação, conforme previsto no art. 74 da Lei n.º 9.430/96, ou seja, informada a compensação, o crédito tributário se extingue, desde logo, exceto se o Fisco não o homologar. Ademais, o próprio CTN prevê, no art. 156, II, que a compensação extingue o crédito tributário, não havendo razão para não equiparála a pagamento. No mesmo sentido, digno de nota é o Acórdão CSRF nº 9101 003.688, de relatoria do Conselheiro Luís Flávio Neto, e julgado em Agosto de 2018, no qual aduziu: Fl. 271DF CARF MF Processo nº 13882.720011/201568 Acórdão n.º 1301003.694 S1C3T1 Fl. 18 17 De início, é necessário observar que o legislador nem sempre utiliza o vocábulo “pagamento” no sentido de quitação em dinheiro, valendose deste em sua acepção mais ampla de adimplemento. É o que se verifica em variados exemplos colhidos tanto de leis ordinárias como de leis complementares, conforme se passa a analisar antes de adentrar ao mérito em si do art. 138 do CTN. (...) Nesse cenário, a norma do art. 138 do CTN não se aplica apenas às hipóteses de pagamento em dinheiro: a norma de denúncia espontânea incide igualmente em face de outras hipóteses em que haja equivalente adimplemento, como é o caso da regular compensação tributária. Não se trata de interpretacã̧o ampliativa ou restritiva, mas de reconhecimento do âmbito de incidência prescrito pelo legislador. Não há que se falar, por conseguinte, em ofensa ao art. 111 do CTN. Desse modo, verificamos que há essa orientação prevalente no âmbito da CSRF, na linha por nós aduzida. Conclusão Ante o exposto, votamos por dar Provimento Parcial ao Recurso Voluntário, determinando o retorno dos autos à DRF para analisar o crédito pleiteado. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 272DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.001154/2003-77
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR DE ESCRITA.
Com o advento do art. 11 da Lei nº 9.779/99 o legislador ordinário excedeu a garantia constitucional e, além da possibilidade de transferência do saldo credor para os períodos seguintes, instituiu o direito ao ressarcimento e à compensação desse saldo.
SALDO CREDOR DE ESCRITA TRANSPORTADO DE PERÍODOS ANTERIORES. RESSARCIMENTO .
As Instruções Normativas SRF nº 210/2002, 460/2004 e 600/2005, com a redação que lhe foi dada pela IN SRF nº 728/2007, quando interpretadas em consonância com as normas de hierarquia superior não vedaram o direito ao ressarcimento do saldo credor de IPI transportado de períodos anteriores
Numero da decisão: 9303-007.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran,Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR DE ESCRITA. Com o advento do art. 11 da Lei nº 9.779/99 o legislador ordinário excedeu a garantia constitucional e, além da possibilidade de transferência do saldo credor para os períodos seguintes, instituiu o direito ao ressarcimento e à compensação desse saldo. SALDO CREDOR DE ESCRITA TRANSPORTADO DE PERÍODOS ANTERIORES. RESSARCIMENTO . As Instruções Normativas SRF nº 210/2002, 460/2004 e 600/2005, com a redação que lhe foi dada pela IN SRF nº 728/2007, quando interpretadas em consonância com as normas de hierarquia superior não vedaram o direito ao ressarcimento do saldo credor de IPI transportado de períodos anteriores Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 11 54 /2 00 3- 77 Fl. 1409DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran,Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de ressarcimento de créditos de IPI oriundos de saldo credor, conforme art. 11 da Lei nº 9779 de 19/01/1999, no montante originário de R$ 12.287.569,00, referente ao quarto trimestre do ano de 2002, de acordo com o Pedido de 29/04/2003, à efl. 009. Esse pedido foi acompanhado de declarações de compensação de débitos diversos, às efls. 005 e 006. O Parecer SEORT nº 13884.572/2007 da DRF em São José dos Campos, de efls. 187 a 193, não reconheceu a integralidade do crédito, reconhecendo apenas o direito creditório de R$ 483.062,50, em 17/09/2007. Tal redução decorreu de a contribuinte não efetuou seu pedido com base na legislação, para o saldo do 4º trimestre de 2002 apenas, mas sim o acumulado desde o ano de 1999 até aquele trimestre. Com base nesse parecer, o Delegado de São José dos Campos emitiu Despacho Decisório de efl. 194, em 18/09/2007, deferindo parcialmente o pedido de ressarcimento no valor reconhecido, homologando as compensações pleiteadas até aquele limite. Intimada do despacho (efl. 210), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às efls. 218 a 246, para que fossem declarado insubsistente o despacho decisório e reconhecido o direito creditório objeto do pedido de ressarcimento do presente processo, para que se homologue as compensações a ele vinculadas. A 2ª Turma da DRJ/RPO, propôs a realização de diligência proposta às efls. 280 e 281, para verificar o montante do crédito transferido dos anos anteriores para o 4º trimestre de 2002. A referida diligência concluiu, às efls. 1031 a 1035, pela não comprovação de R$ 2.549.955,17 dos valores pedidos pelo contribuinte. Cientificada do resultado da diligência em 28/12/2010, a contribuinte apresentou manifestação complementar às efls. 1050 a 1057, em 07/01/2011. Já a 8ª Turma da DRJ/RPO, em 07/06/2011, apreciou as manifestações da contribuinte, resultando o acórdão nº 1434.019, às efls. 1060 a 1068, considerando procedente em parte a manifestação de inconformidade pra reconhecer o valor de R$ 597.339,80 como saldo credor passível de ressarcimento para o 4º trimestre de 2002. Intimada do acórdão da DRJ a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às e fls. 1071 a 1106. A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, às e fls. 1156 a 1162, decidiu pela nulidade do julgamento de primeira instância para que nova decisão fosse elaborada considerandose o resultado da diligência, mas levandose em conta todo o saldo credor acumulado em ter janeiro de 1999 e dezembro de 2002. A nova decisão da 8ª Turma da DRJ/RPO, às efls. 1167 a 1179, igualmente considerou procedente em parte a manifestação de inconformidade da contribuinte, concluindo, novamente, que, dos R$ 12.287.569,66 pleiteados pela contribuinte, R$ 597.339,80 era o valor dos créditos passíveis de ressarcimento para compensação referentes ao 4º trimestre de 2002; da diferença entre esses valores R$ 11.222,45 eram créditos indevidos, relativos aos ativos da empresa; R$ 2.538.732,72 foram glosados pois não foram comprovados; e R$ 9.140.274,69 referiamse a créditos escriturados em outro período. Fl. 1410DF CARF MF Processo nº 13811.001154/200377 Acórdão n.º 9303007.910 CSRFT3 Fl. 1.410 3 Cientificada do novo acórdão da DRJ em 25/10/2013 (efl. 1209), a contribuinte voltou a interpor recurso voluntário, agora às efls. 1212 a 1254, em 14/11/2013. Em apertada síntese, o recurso trouxe as seguintes alegações, reproduzidas a partir do relatório do acórdão sobre o qual aqui se controverte, às efls. 1299 e 1300: a) a DRJ ignorou a determinação contida no Acórdão 3401002.310 e mais uma vez não se manifestou sobre a diligência que analisou a legitimidade dos créditos acumulados de trimestres anteriores; b) a questão da falta de apresentação de documento comprobatórios dos créditos acumulados de períodos anteriores foi superada pela realização da diligência fiscal, que atestou a legitimidade do valor de R$ 9.737.614,49; c) o verdadeiro motivo para o indeferimento desses créditos foi o óbice de natureza puramente formal envolvendo a periodicidade do pedido de ressarcimento; d) a IN 210/2002 não pode ser aplicada retroativamente aos créditos gerados antes de sua vigência, além do que, atos administrativos não podem estabelecer restrições não previstas em lei; e) não foi possível retificar os pedidos de ressarcimento fracionandoos por trimestre calendário em razão da decadência; f) o princípio da nãocumulatividade garante o direito à transferência dos créditos para os períodos subsequentes (art. 49 do CTN); e g) protestou pela juntada posterior dos documentos comprobatórios da parcela de créditos de IPI não comprovados em sede de diligência, no valor de R$ 2.538.732,72. O recurso voluntário foi apreciado pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 16/09/2014, resultando no acórdão nº 3403003.223, que tem as seguintes ementas: IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. O princípio da nãocumulatividade garante aos contribuintes o direito ao crédito do imposto que for pago nas operações anteriores para abatimento com o IPI devido nas posteriores, assim como o transporte do saldo credor da escrita para períodos de apuração subseqüentes para a mesma finalidade. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR DE ESCRITA. Com o advento do art. 11 da Lei nº 9.779/99 o legislador ordinário excedeu a garantia constitucional e, além da possibilidade de transferência do saldo credor para os períodos seguintes, instituiu o direito ao ressarcimento e à compensação desse saldo. SALDO CREDOR DE ESCRITA TRANSPORTADO DE PERÍODOS ANTERIORES. RESSARCIMENTO . As Instruções Normativas SRF nº 210/2002, 460/2004 e 600/2005, com a redação que lhe foi dada pela IN SRF nº 728/2007, quando interpretadas em consonância com as normas de hierarquia superior não vedaram o direito ao ressarcimento do saldo credor de IPI transportado de períodos anteriores. Fl. 1411DF CARF MF 4 RESSARCIMENTO. LIMITAÇÃO DO PEDIDO A UM TRIMESTRE CALENDÁRIO. Com o advento da IN SRF 728/2007 cada pedido de ressarcimento de saldo credor da escrita deve se referir a um único trimestre calendário. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito oposto à Administração. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer do direito de o contribuinte utilizar o valor remanescente de R$ 9.140.274,69, correspondente a saldo credor de IPI transferido para o 4º Trimestre de 2002, para ressarcimento e compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal. Sustentou pela recorrente o Dr. Ricardo Valim de Camargo, OAB/SP 163.086. A questão central da discussão, concernente à possibilidade de ressarcimento de saldos credores relativos a mais de um trimestre, teve o seguinte argumento esgrimido pelo relator, às efls. 1304 e 1305: Desse modo, o fato de as instruções normativas mencionarem que “somente são passíveis de ressarcimento os créditos escriturados no período ou no trimestrecalendário”, não autoriza a conclusão de que a Receita Federal está vedando o ressarcimento do saldo credor acumulado em virtude de transporte de trimestres anteriores, mesmo porque não é esse o comando emanado do regime jurídico de créditos do IPI atualmente em vigor. Tendo em vista que a administração pública só age dentro dos lindes da legalidade, a menção contida nas instruções normativas, no sentido de que “somente são passíveis de ressarcimento os créditos escriturados no período”, só pode ser entendida no sentido de que somente poderão ser ressarcidos os créditos que possuírem existência jurídica, ou seja, aqueles que estiverem devidamente escriturados no livro. As instruções normativas citadas na fundamentação do voto condutor do acórdão de primeira instância, em momento algum vedaram de forma expressa o direito ao ressarcimento do saldo credor de IPI transportado de períodos anteriores. (...) Assim, a conclusão a que se chega é no sentido de que, atualmente, embora haja vedação de se incluir no pedido de ressarcimento saldos credores de mais de um trimestre calendário, não existe óbice algum quanto ao direito ao ressarcimento do saldo credor de IPI que chegou por transporte de períodos anteriores ao trimestre calendário objeto do pedido. Fl. 1412DF CARF MF Processo nº 13811.001154/200377 Acórdão n.º 9303007.910 CSRFT3 Fl. 1.411 5 Uma coisa é a restrição procedimental de vincular um pedido de ressarcimento a cada trimestrecalendário, e outra coisa totalmente distinta é entender que essa limitação impede o ressarcimento do saldo credor de escrita que veio por transporte de trimestres anteriores. (negritos do original) Recurso especial de Fazenda Intimada para ciência do acórdão em 26/09/2014 (efl. 1307), a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência às efls. 1308 a 1317, em 29/10/2014. Os acórdãos paradigmas, de nº 3302001.845 e nº 3401002.023, trazem o entendimento de que o saldo anterior acumulado na escrituração não pode ser ressarcido como se fosse valor relativo ao trimestre do pedido de ressarcimento, sendo passíveis de manutenção na escrita fiscal, porém devendo ser objeto de pedido específico relativo ao trimestre de sua escrituração. Em divergência, foram aqueles arestos paragonados ao acórdão a quo, que concluiu não existir óbice quanto ao direito ao ressarcimento do saldo credor de IPI que chegou por transporte de períodos anteriores ao trimestre calendário objeto do pedido. O Presidente da 4ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência do Procurador, no despacho e efls. 1323 a 1327, em 29/03/2015, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256 de 22/06/2009, dandolhe seguimento. Contrarrazões da contribuinte A contribuinte foi cientificada (efl. 1329) do acórdão nº 3403003.223, recurso especial de divergência e do despacho de sua admissibilidade em 18/05/2015 e apresentou contrarrazões em 02/06/2015, às efls. 1334 a 1365. Inicia pleiteando que não se conheça do recurso especial do Procurador, pois os paradigmas não atenderiam ao disposto o § 10 do art. 67 do RICARF, que afirma não servem de paradigmas os acórdãos que tenham tese já superada na Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. A contribuinte afirma que os acórdãos paradigmáticos ainda se encontrariam pendentes da decisão de recursos especiais de divergência a eles interpostos; isso implicaria na precariedade dos próprios acórdãos como paradigmas, bem como do conhecimento do presente recurso com base naqueles que somente deveria ocorrer após a confirmação do entendimento neles disposto com os seus julgamentos pela CSRF. No mérito, repisa argumentos já esgrimidos em seus recurso e impugnação anteriores, concluindo com o pedido da denegação do provimento ao recurso especial de divergência do Procurador. Encontrase no processo petição da contribuinte na qual, expressamente, requer desistência de impugnação ou recurso administrativo para fins de desistência parcial relativa aos tributos que foram compensados com os créditos de IPI no montante de R$ 2.549.955,17, cuja comprovação estava em litígio nos autos. Os débitos que se pretendera compensar com os referidos créditos já haviam sido transferidos para outro processo com a inclusão no Programa de Regularização Tributária PR.T Fl. 1413DF CARF MF 6 É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência da Fazenda é tempestivo. Preliminarmente há que se enfrentar o pleito de não conhecimento do recurso efetuado pela contribuinte em suas contrarrazões. Não tem razão nesse seu pedido com fulcro no § 10 do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256 de 22/06/2009. Esse dispositivo tinha a seguinte redação: § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. (Negritei.) A simples leitura da parte destacada no parágrafo transcrito já demonstra que o requisito de não estarem superados os paradigmas pela CSRF há que ser verificado na data da interposição do recurso, e não em momento futuro, como pretende a contribuinte. Além disso, a prevalecer a tese da contribuinte, se fosse necessária a posição final da CSRF para que se interpusessem os recursos especiais de divergência, o próprio instituto do recurso especial ficaria congelado no tempo, haja vista que nenhuma matéria nova teria paradigma que permitisse subir recurso à CSRF. Mérito Quanto ao mérito, uma vez que, em face das diligências solicitadas, foi reconhecida a legitimidade dos créditos dos períodos anteriores ao 4º trimestre de 2002, no montante de R$ 9.140.274,69, comungo da decisão prolatada no acórdão recorrido, pois julgo corretas as razões de decidir da decisão a quo, e por essa razão as reproduzo: (...) Relativamente aos créditos incentivados, ao contrário do que ocorria com os créditos escriturais, eram eles concedidos a título de incentivos fiscais. Não tinham (e não têm) nem previsão e nem óbice constitucional a sua instituição por meio de lei e podiam ser passíveis de manutenção na escrita fiscal, ou de manutenção e de ressarcimento em dinheiro, conforme previsão específica na lei do incentivo. Essa situação perdurou até janeiro de 1999, quando entrou em vigor a Lei nº 9.779, de 19/01/1999, que na prática acabou com a distinção entre créditos básicos e incentivados e instituiu a possibilidade de utilização do saldo credor da escrita fiscal de IPI para compensação ou ressarcimento ao estabelecer no seu artigo 11 que (...) O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, Fl. 1414DF CARF MF Processo nº 13811.001154/200377 Acórdão n.º 9303007.910 CSRFT3 Fl. 1.412 7 decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda.(...)" (grifei). Ao editar esse dispositivo legal, o legislador ordinário excedeu a garantia constitucional concedida pela nãocumulatividade, pois, na prática, além de acabar com a figura do crédito incentivado, instituiu o direito de compensação e de ressarcimento do saldo credor da conta corrente de IPI, direito inexistente até então, e ao qual não estava obrigado pela Constituição. Dessa breve análise do regime jurídico dos créditos de IPI, verificase que a lei sempre foi imperativa no sentido de determinar a transferência do saldo credor de um determinado período para o período seguinte com a finalidade de que fosse utilizado prioritariamente no abatimento de débitos futuros do imposto. E com o advento do art. 11 da Lei nº 9.779/99, o saldo credor acumulado em cada trimestrecalendário continuou a ser prioritariamente utilizado no abatimento de débitos do imposto, mas o eventual saldo credor resultante dessa operação, ao final de cada trimestrecalendário, deixou de ser um crédito meramente escritural e passou a ser um crédito ressarcível e compensável com outros tributos. Para o fim de interpretar as instruções normativas, é importante frisar que no art. 11 da Lei nº 9.779/99 o legislador utilizou a expressão “saldo credor de IPI acumulado em cada trimestre calendário” e não a expressão “saldo credor de IPI gerado em cada trimestre calendário”. Resulta daí que o entendimento da DRJ ao expurgar do saldo passível de ressarcimento o saldo credor acumulado por transporte de períodos anteriores, configura uma aplicação ilegal as instruções normativas citadas, pois conforme se viu alhures, as normas de hierarquia superior são imperativas quanto ao direito de os contribuintes transferirem o saldo credor de escrita para os períodos de apuração subseqüentes a fim de ser utilizado na amortização de débitos do imposto e, na hipótese de ainda sobrar crédito, utilizálo via compensação ou ressarcimento. Os referidos atos administrativos, conforme já mencionado, possuem presunção de legalidade e devem ser interpretados conforme o dispositivo legal que visam regulamentar, no caso o art. 11 da Lei nº 9.779/99. A faculdade concedida à administração tributária na parte final do “caput” do art. 11 da Lei nº 9.779/99 e também no art. 74, § 14, da Lei nº 9.430/96, certamente não inclui a possibilidade de suprimir o direito que foi concedido por lei. são passíveis de ressarcimento os créditos escriturados no período”, não decorre logicamente a conclusão de que o saldo Fl. 1415DF CARF MF 8 credor acumulado por transporte de períodos anteriores não possa ser objeto de ressarcimento ou compensação. A uma, porque essa interpretação literal não encontra guarida nas normas de hierarquia superior, uma vez que o art. 11 da Lei nº 9.779/99 valeuse da expressão “saldo credor acumulado” e não “saldo credor gerado”. E a duas, porque o saldo credor de período anterior também deve ser escriturado no período seguinte para que possa se “acumular” com os créditos gerados nesse período. Não se olvide de que a regra é no sentido de que o crédito de IPI só tem existência jurídica se estiver escriturado (a exceção é o art. 252 do RIPI/2010). Não existe crédito de IPI fora do livro de IPI. Assim, para que o saldo credor do período anterior tenha existência jurídica ele precisa ser necessariamente escriturado no período seguinte. E se ele foi escriturado no período seguinte, obviamente que atendeu à determinação das instruções normativas, que jamais poderiam admitir o ressarcimento de créditos que não estivessem escriturados no período. Desse modo, o fato de as instruções normativas mencionarem que “somente são passíveis de ressarcimento os créditos escriturados no período ou no trimestrecalendário”, não autoriza a conclusão de que a Receita Federal está vedando o ressarcimento do saldo credor acumulado em virtude de transporte de trimestres anteriores, mesmo porque não é esse o comando emanado do regime jurídico de créditos do IPI atualmente em vigor. Tendo em vista que a administração pública só age dentro dos lindes da legalidade, a menção contida nas instruções normativas, no sentido de que “somente são passíveis de ressarcimento os créditos escriturados no período”, só pode ser entendida no sentido de que somente poderão ser ressarcidos os créditos que possuírem existência jurídica, ou seja, aqueles que estiverem devidamente escriturados no livro. As instruções normativas citadas na fundamentação do voto condutor do acórdão de primeira instância, em momento algum vedaram de forma expressa o direito ao ressarcimento do saldo credor de IPI transportado de períodos anteriores. A interpretação acima exposta foi ratificada pela IN 728/2007, que acrescentou o § 7º ao art. 16 da IN 600/2005. O referido § 7º está em total harmonia com o art. 11 da Lei nº 9.779/99, ao prescrever que cada pedido de ressarcimento deve se referir a um único trimestrecalendário, devendo ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, após efetuadas as deduções na escrituração fiscal. Tal determinação está em consonância com o art. 11 da Lei nº 9.779/99, pois a primeira utilização do saldo credor continua sendo o abatimento dos débitos no período de apuração. Somente na hipótese de ainda restar saldo credor acumulado no período é que será possível o aproveitamento mediante ressarcimento ou compensação. Fl. 1416DF CARF MF Processo nº 13811.001154/200377 Acórdão n.º 9303007.910 CSRFT3 Fl. 1.413 9 Quanto à obrigatoriedade de cada pedido de ressarcimento se referir a um único trimestre calendário, não existe nenhuma ilegalidade em tal limitação, pois o aspecto procedimental do pedido está incluído no poder normativo da administração tributária estabelecido no art. 11, parte final, da Lei nº 9.779/99 e também no art. 74, § 14 da Lei nº 9.430/96. Observese que o próprio art. 11 da Lei nº 9.779/99 já impõe que o período de apuração do ressarcimento seja trimestral. O que a IN 728/2007 fez foi impedir que um mesmo Perdecomp contemple saldos credores de dois ou mais trimestres calendário. Assim, a conclusão a que se chega é no sentido de que, atualmente, embora haja vedação de se incluir no pedido de ressarcimento saldos credores de mais de um trimestre calendário, não existe óbice algum quanto ao direito ao ressarcimento do saldo credor de IPI que chegou por transporte de períodos anteriores ao trimestre calendário objeto do pedido. Uma coisa é a restrição procedimental de vincular um pedido de ressarcimento a cada trimestrecalendário, e outra coisa totalmente distinta é entender que essa limitação impede o ressarcimento do saldo credor de escrita que veio por transporte de trimestres anteriores. Deve o acórdão de primeira instância ser reformado quanto a este aspecto, pois a interpretação literal das instruções normativas, fazem com que aqueles atos administrativos pareçam ilegais, quando na verdade não o são. No caso concreto, a legitimidade do saldo credor acumulado por transporte de períodos anteriores foi aferida pela autoridade administrativa no termo de diligência de fls. 1031 a 1035 e houve indeferimento expresso por parte da 8ª Turma da DRJ Ribeirão Preto nas fls. 1179, in verbis: (omissis) Sendo assim, é evidente que a DRJ homologou o resultado da diligência ao autorizar o aproveitamento do saldo credor transferido de período anterior na escrita fiscal para abatimento do IPI. Se esses créditos fossem ilegítimos, eles já teriam sido glosados pela fiscalização no termo de diligência, o que não ocorreu. Dessarte, no caso concreto não vejo reparos a fazer em relação à decisão a quo. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Fl. 1417DF CARF MF 10 Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1418DF CARF MF
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