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Numero do processo: 18471.000297/2003-83
Data da sessão: Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Exercício: 2000
IRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA.
ALIQUOTA.
Os pagamentos efetuados ou os recursos entreguem a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando incomprovada a operação ou a sua causa sujeita-se à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte à alíquota de 35%.
Recurso de Oficio Negado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-000.438
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso de oficio. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRF- ação fiscal - ñ retenção ou recolhimento(antecipação)
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Exercício: 2000 IRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA. ALIQUOTA. . Os pagamentos efetuados ou os recursos entreguem a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando incomprovada a operação ou a sua causa sujeita-se à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte à alíquota de 35%. Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ne . o'n' Mil . —'Vri'esidente/ Ats'11 A) (v ),,11,1, onio Lopo Ma inez — • ator EDITADO EM: r" 1 '' ' JUN 201C i Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Helenilson Cunha Pontes, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mailmann (Presidente). 2 Processo n° 18471.000297/2003-83 82-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.438 Fl. 2 • Relatório Em desfavor da contribuinIe, CIAR PARTICIPAÇÕES LTDA., foi lavrado o auto de infração sendo exigido Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 1.096.159,06, com multa de 75% e juros de mora, no total de R$ 2.743.676,09 (fls. 02), com ciência em 14/02/2003, fls. 140. Segundo o termo de constatação fiscal de fls.130/139, em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, a Fiscalização constatou remuneração indireta (fringe benefits), com fulcro no art. 622 e 675 do IR 1999, com reajustamento da base de cálculo. Quanto a esse item da autuação, verifica-se que a autoridade autuante entendeu que a totalidade dos comprovantes apresentados não identificavam o beneficiário dos gastos nem a causa que justificou o desembolso. O fato gerador da autuação oscila de janeiro de 1998 a dezembro de 1999. Acrescente-se que o Termo de Verificação que foi constatado pagamentos sem causa, no valor de R$ 1.910.000,00, à CBF, lastrado em contratos sem requisitos founais como registro ou reconhecimento de firma. No tocante a esse valor alegou que realizou contrato de mutuo com à CBF, identificando fonte e destinatário, O fato gerador deste item foi em 09/12/1998 Em 25 de setembro de 2006, os membros da 5' turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Rio de Janeiro,. proferiram o Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2000 Ementa: REMUNERAÇÃO INDIRETA. DESPESAS DIVERSAS. A falta de identificação do beneficiário das despesas e vantagens a que se refere o art. 622 e a sua não incorporação ao salário dos beneficiários, implicará a tributação exclusiva na fonte dos respectivos valores, à ai/quota de trinta e cinco por cento, sendo responsável a pessoa jurídica. PAGAMENTO SEM CAUSA. EMPRÉSTIMO COMPROVADO. Comprovado, por meio de documentos hábeis e idôneos, o empréstimo concedido pela interessada, incabível a autuação por pagamento sem causa. TAXA SELIC. Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento, com fatos geradores ocorridos a partir de I o de janeiro de 1995, serão acrescidos de juros de mora, equivalentes, a partir de I o'de abril de 1995, à taxa referencial do SELIC para títulos federais. 3 Lançamento Procedente em Parte. Ao analisar os fatos a autoridade recorrida entendeu estar devidamente demonstrado o segundo item da autuação no valor de RS 1.910.000,00, à CBF. Desse decisão recorreu de oficio ao Conselho de Contribuintes. Devidamente cientificado acerca do teor do supracitado Acórdão, em 22/01/2007, conforme AR de fls. 234, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou, em 21/02/2007, o Recurso Voluntário, de fls. 236/242, reiterando as razões da sua impugnação, às quais já foram devidamente explicitadas anteriormente no presente relatório, particularmente no tocante aos fringe benefis. É o relatório. ‘, 4 \ \ Processo n° 18471.000297/2003-83 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.438 Fl. 3 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso de oficio preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. A questão cinge-se a pagamento sem causa. A autoridade recorrida entendeu indevido o lançamento do item 02 do auto de infração Ao apreciar os argumentos do recorrente assim se pronunciou a autoridade julgadora, ao concluir a análise do lançamento objeto da lide: 29.Em relação ao empréstimo, cumpre, de plano, mencionar que a interessada, foi autuada quanto ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, conforme Processo n o 18471.00029612003-39,para o exercício de 2000, ano-calendário de 1999, com fulcro nos Art. 528 e 845, 11 do RIR11999. A autuação foi por omissão de receitas, referente a recebimento, em 9 de janeiro de 1999, no valor de R$ 2.000.000,00, de valor concedido a título de empréstimo à CBF, correspondente ao somatório de R$ 1.910.000,00 e juros de R$ 90.000,00. 30. O mencionado processo foi julgado improcedente por esta Quinta Turma, conforme Acórdão (Anexo), devendo ser acolhidas, no presente Voto, na íntegra, os esclarecimentos transcritos a seguir, que se referem, também às circunstâncias em que ocorreu a presente autuação: 22.Da análise do presente processo, verifica-se que a autuação ocorreu, considerando-se o regime de tributação do Lucro Presumido e, não, pelo Lucro Real, conforme alegado pela interessada, conforme Auto de Infração ffl. 116). A autuação ocorreu, para o exercício de 2000, ano-calendário de 1999, com fulcro nos Art. 251, 527, 528, 845, 11 e 923 do RIR1I 999 (ti. 112 e 115), com a presunção de omissão de receitas operacionais. 23. Cumpre mencionar que não houve menção, no enquadramento legal no Art. 282 do RIR11999, apesar da intimação dejls. 107, ou, se fosse o caso, no Art. 42 da Lei n o 9.430, de 1996, os quais prevêem possibilidade de autuação por presunção de omissão de receitas, respectivamente, por suprimento de numerário e por existência de depósitos bancários, de origem não comprovada. 24. Os livros fiscais foram solicitados, por meio do Termo de Início de Ação Fiscal (fi. 59), sendo apresentado Livro Razão da interessada, conforme jl. 67/85, o qual deve ser analisado, para exame da operação de empréstimo alegado pela interessada, -\\\H tendo em *vista que o Art. 259 do RIR11999, em seu ,5Ç 3 prevê a dispensa de seu registro ou de autenticação. 25. A autoridade autuante, ao deiconsiderar a escrituração da interessada e o contrato de empréstimo, baseou-se nas informações contidas no Livro Razão da CBF, onde constou escrito devolução de valor adiantado (/i. 90). Tal conclusão decorreu do fato de haver, na contabilidade da CBF, cópia do cheque nominal n o 041035 do Banco Real, por esta emitido à interessada, no montante de R$ 2.000.000,00, datado de 8 de dezembro de 1998, data anterior à prevista no contrato para quitação da dívida, no caso, trinta dias após, em 8 de janeiro de 1999. 26. Desta forma, o cerne da questão é concluir, se há provas inequívocas do empréstimo da interessada à CBF, no valor de R$ 1.910.000,00, em 8 de dezembro de 1998, com posterior quitação, em 8 de janeiro de 1999, com juros de R$ 90.000,00 (fi. 65, 93, 99/100, — 153/155, 158/159), totalizando R$ 2.000.000,00. 27. Da análise do presente processo e da documentação carreada aos autos pela interessada, na fase impugnatória, verifica-se que, em 9 de dezembro de 1998, foi depositado o valor de R$ 1.910.000,00 na conta n o 3.715.235-5, da CBF 154/155, 158/161), a título de empréstimo, lastreado em contrato de fls. 61/63. Verifica-se, ainda, que, em 8 de janeiro de 1999, foi descontado o cheque n o 041035, da CBF, dado em garantia (tIl 165/166), no valor de R$ 2.000.000,00, com o cumprimento das obrigações assumidas pela CBF, a qual não é sócia ou administradora da interessada. 28. Concluo que foi comprovado, de forma inequívoca, o empréstimo, com sua posterior quitação pela CBF. 29. Em face do exposto, concluo pela improcedência do lançamento. Uma vez demonstrado nos autos, os pagamentos objeto do lançamento não há o que reparar no julgamento de primeira instância. Ou seja, conclui-se que foi comprovada a operação de empréstimo, concedido à CBF, com a comprovação do posterior pagamento, pela CBF, dos valores contratados. Ante ao exposto, diante da análise dos autos, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso de oficio. No que toca ao recurso voluntário, este preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço Em relação à autuação do IRRF, cabível mesmo no caso de opção pelo Lucro Presumido, por se tratar de tributação exclusiva, aplicável a qualquer regime de tributação, nos tennos da supra transcrita legislação, verifica-se que foram juntadas pela autoridade autuante as notas fiscais e comprovantes de despesas (fls. 83/130), confoillie demonstrativo de fl. 130, referentes a bares e restaurantes, passagens aéreas, festas, seguros, outras despesas. Em seu recurso o recorrente tenta identificar falhas na linha de argumentação esboçada pela autoridade recorrida, selecionando partes nas quais procura identificar falácias na argumentação do recorrente. \j/\\ 6 Processo n° 18471.000297/2003-83 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.438 Fl. 4 O fato concreto é que o recorrente não traz outros elementos além daqueles que já foram questionados pela autoridade lançadora. As deficiências apontadas são nítidas e exigiriam por parte do recorrente um esforço maior no sentido de comprovar seus argumentos. É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: "Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa." Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova 'é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato". Já no campo objetivo, as provas "sã' o meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos. fatos deduzidos em juizo." Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto - são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade - a foimação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário - o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigem-se ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá founar a sua convicção. Pode-se então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para urna tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. - No fato concreto, os documentos apresentados, não se constituem em documentos de força probante, capaz de elidir os lançamentos. Provar nesse contexto seria demonstrar por meios objetivos e subjetivos — aceitos pelo sistema jurídico, de que ocorreu ou deixou de ocorrer certo fato. Diante disso, é de se negar provimento ao recurso voluntário. Ante ao exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso de oficio e por NEGAR provimento recurso voluntário./ • A In, -v ntonio L po artinez 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA , - CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS\ T' CAMARA/2 SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n°: 18471.000297/2003-83 Recurso n°: 165.576 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2202 -00.438. Brasília/DF, f2 1 JUN2g1° 14/.5tH EVELINE COÊLHO DE MELO HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10530.000090/2006-06
Data da sessão: Wed Jun 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2004
DIRPF, CONSTITUIÇÃO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Comprovado nos autos que a contribuinte não obteve rendimentos tributáveis no ano-calendário em apreço, deve ser cancelada a notificação de lançamento.
Recurso provido
Numero da decisão: 2201-000.703
Decisão: Acordam os membros do ,Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2004 DIRPF, CONSTITUIÇÃO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Comprovado nos autos que a contribuinte não obteve rendimentos tributáveis no ano-calendário em apreço, deve ser cancelada a notificação de lançamento. Recurso provido
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-14T17:13:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-14T17:13:58Z; Last-Modified: 2010-12-14T17:13:59Z; dcterms:modified: 2010-12-14T17:13:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:d7be9c02-1cfb-4a6a-953d-6a8b345f0f2c; Last-Save-Date: 2010-12-14T17:13:59Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-14T17:13:59Z; meta:save-date: 2010-12-14T17:13:59Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-14T17:13:59Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-14T17:13:58Z; created: 2010-12-14T17:13:58Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2010-12-14T17:13:58Z; pdf:charsPerPage: 1194; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-14T17:13:58Z | Conteúdo => Assis de Oliveira Júnior - Presidente deu Farah — Relator EDITADO EM: /2/2. OUT 2010 S2-C2TI Fl I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10530.000901/2006-06 Recurso n" 162.736 Voluntário Acórdão n" 2201-00.703 — 2" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 16 de junho de 2010 Matéria IRPF - Ex.: 2004 Recorrente JANIRA DE JESUS SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2004 DIRPF, CONSTITUIÇÃO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Comprovado nos autos que a contribuinte não obteve rendimentos tributáveis no ano-calendário em apreço, deve ser cancelada a notificação de lançamento.. Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do ,Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termgs do voto do Relator. Participaram, ainda, dó presente Algamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Percha Batbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Fatah, Janaina Mesquita Lourenço de Souza, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausência momentânea justificada do Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi lavrada a notificação de lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física — IRPF (11 02), para exigência de crédito tributário no valor de R$ 216,17, incluída a multa de oficio no percentual de 75% e juros de mora. O valor foi apurado com base nos rendimentos tributários declarados na DIRPF/2005 - Simplificada, relativa ao ano calendário 2004. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresenta impugnação (fls. 01/15), alegando, em síntese, que se enganou no preenchimento de sua DIRPF, pois não recebeu, no ano-calendário de 2004, o valor de R$ 17.671,44, que corresponde a 12 (doze) vezes a pensão mensal de R$ 1.472,62. A 3" Turma/DRJ/Salvador/BA julgou integralmente procedente a exigência, consubstanciada na ementa abaixo transcrita: DIRPF LANÇAMENTO CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUIÇÃO. É cabivel lançamento .fiscal para a constituição de crédito tributário relativo imposto apurado com base infbrmações constantes em DIRPF Intimada da decisão de primeira instância, Janira de Jesus Santos interpõe tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, exatamente, os mesmos argumentos postos em sua impugnação.. É o relatório. Far ahEduarc IJ Processo n" 10530 000901/2006-06 S2-C2T1 Acórdão n." 2201-00,703 Fl 2 Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. De um lado, alega a recorrente que a notificação de lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física — IRPF, correspondente ao ano calendário de 2004 é improcedente, posto que não recebeu, a titulo de pensão alimentícia, os rendimentos ali consignados, o que veio a ocorrer somente a partir de fevereiro de 2005. Por outro lado, a autoridade recorrida manteve integralmente a exigência sob argumento que a recorrente não apresentou prova dos fatos alegados. Pois bem, compulsando os autos verifica-se que a suplicante junta ao Recurso Voluntário documento da 6 Região Militar — 35 0 Batalhão de Infantaria do Exército Brasileiro, declarando que o Centro de Pagamento do Exército - CPEX efetuou pagamentos para a recorrente somente a partir de fevereiro de 2005 e, por conseguinte, não houve qualquer pagamento a contribuinte relativo ao ano-calendário de 2004.. Assim, de acordo com a prova trazida aos autos entendo estar resolvida a controvérsia instaurada, não restando qualquer dúvida que a contribuinte não auferiu, no ano- calendário de 2004, o valor erroneamente consignado em sua declaração. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso.. 3 Data da ciência: :1711? MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n": 10530 000901/2006-06 Recurso n" : 162..736 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3" do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial IV 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão ri" 2201-00.703. Brasília/DF, 28 de outubro de 2010.. EVELINE COÊLHO DE MELO HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: Apenas com ciência Com Recurso Especial Com Embargos de Declaração Procurador(a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10314.012469/2007-96
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: REGIMES ADUANEIROS
Período de apuração: 27/06/2005 a 28/11/2007
LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. AÇÃO JUDICIAL.
A discussão na esfera judicial não impede o lançamento para
constituir o crédito tributário, visando a prevenir os efeitos da decadência. No entanto, não cabe a cobrança da multa de oficio, no caso de lançamento destinado à prevenção da decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa.
RECURSO DE OFÍCIO NEGADO RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA, OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL.
A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, com objeto idêntico ao discutido no processo administrativo, importa renúncia às instâncias administrativas e a desistência do recurso interposto.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 3201-000.493
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio e não conhecer ao recurso voluntário por concomitância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Mércia Helena Trajano D'Amorim
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AÇÃO JUDICIAL. A discussão na esfera judicial não impede o lançamento para constituir o crédito tributário, visando a prevenir os efeitos da decadência. No entanto, não cabe a cobrança da multa de oficio, no caso de lançamento destinado à prevenção da decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA, OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, com objeto idêntico ao discutido no processo administrativo, importa renúncia às instâncias administrativas e a desistência do recurso interposto. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio e não conhecer ao recurso voluntário por concomitância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. LAJUDITH Dio/ÁIVal Íj) RA L(MARC- á-lnl 'a-2\ARMT("A-(N2Db- Presidente -\ J Processo n" 103 I 4 012469/2007-96 Acórdão n ° 3201-00 493 S3-C2 TI Fl 114 1 étiR 41_ )10~- ERCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM -Relator FORMALIZADO EM: 03 de agosto de 2010. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Mércia Trajano D'Amorim, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Ricardo Paulo Rosa e Tatiana Midori Migiyama (Suplente). 2 Processo na 10314 012469/2007-96 S3 -C2T1 Acórdão ri ° 3201-0(.493 Fl. 115 Relatório A DRJ acima identificada recorre de oficio a este Conselho, tendo em vista recurso de oficio, nos termos do art. 34, do Decreto n" 70,235/72, com as alterações introduzidas pela Lei n° 9,532/97 e Portaria MF n° .3, de 03/01/2008, O interessado acima identificado, também, recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância, até então, às fis, 510/511 , que transcrevo, a seguir: "Cuida o presente sobre exigência fiscal no valor total de R$ 10.250.264,62, a título de imposto de importação e de imposto sobre produtos industrializados, multas de oficio e furos de mora, em razão de falta de recolhimento de tributos nas operações de importação relativas às DI's relacionadas às ,f1s, 04 a 06 do presente; conforme a Fiscalização, o presente Auto de Infração encontra-se com a exigibilidade suspensa por força de medida liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança n" 2007 34..00..000427-1, da 1" Vara Federal/DF; diz ela que a autuada promoveu importações de mercadorias, no regime de drawback suspensão, ao amparo do Ato Concessório n° 20040276147, que, em razão do processo n" 52500,000420/2006-52, instaurado para revisão do referido ato concessório, foi declarado nulo, com efeito retroativo à data de sua emissão, pela Decisão n° 472/DECEX-2006, de 31/08/2006 (Relatório Fiscal de fls. 73/78); dessa forma, a Fiscalização identificou nos sistemas da Receita Federal do Brasil as importações indicadas às fls. 75/76, procedendo ao lançamento dos tributos, em 21/11/2007, com a exigibilidade suspensa nos termos do art.. 151, II e IV, do CTN, Regularmente intimada, em 27/11/2007, a autuada apresentou impugnação, em 13/12/2007, alegando, em síntese, que a) conforme autuação, cumpridas todas as obrigações que lhe são impostas por lei, não há como prevalecer a descaracterização do Drawback, bem como as exigências a título de imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, cofins-importação, pá-importação, multa regulamentar e multa proporcional; b) a autuação tem como fundamento único e exclusivo a declaração, pelo DECEX, de nulidade do ato concessó rio do drawback, razão da lavratura do auto de infração com a exigibilidade suspensa, o que decorre da decisão da Desembargadora Federal MARIA DO CARMO CARDOSO, do E. Tribunal Regional Federal da I" Região, que ao analisar, o pedido de antecipação de tutela da pretensão recursal nos autos 3 Processo tin 10314.012469)2007-96 S3-C2T1 Acórdão ri n 3201-00.493 Fl. 116 do Agravo de Instrumento n" 2007,34,00.000427-1, " ..verificou não existir ilegalidade na operação que resultou na concessão de drawback.... " à impugnante, razão pela qual suspendeu os feitos da decisão administrativa que decretou a nulidade do ato concessório". c) repisa que o Auto de Infração está calcado apenas na anulação do ato concessório 20040276147, sem considerar os motivos que levaram o DE'CEX a anular citado ato concessório, e que referida anulação foi afastada, d) e, considerando que as razões da anulação não são objeto da autuação .fiscal, requer a insubsistência do auto de infração, por ilegitimidade da exigência fiscal, com o argumento de que no caso vertente houve inudança de interpretação da legislação tributária, que não se confunde com nulidade ou ilegalidade, porque examinando o processo administrativo n" 52500,000420/2006-52, em nenhum momento, foi apontado qualquer indício de . fraude no deferimento do ato concessório, decidindo por anulá-lo em função de uma simples mudança de interpretação da legislação, confirmada pelas informações prestadas pela autoridade impetrada no Mandado de Segurança n" 2007.34.00.000427-1, quando faz referência à abrangência do conceito de licitação internacional, albergado pelo art. 5" da Lei n" 8.032, de 1990. e) sustentando que a mudança de interpretação da legislação tributária não autoriza a anulação do Ato Concessório e, conseqüentemente, a lavratura do Auto de Infração, nos termos da Súmula 473/STF e do art. 53 da Lei n" 9.784/99 e, ainda que fosse possível prevalecer nova interpretação do art. 5" da Lei n" 8,032/90, não é possível a anulação do Ato Concessório 200402 76147 alcance situações jurídicas já consolidadas, para o que invoca lição do Prof Celso Antônio Bandeira de Mello, relativa ao principio da segurança jurídica e princípio da boa-fé, e, bem assim, jurisprudência no mesmo sentido, I) reflita, igualmente, a exigência das multas cominadas e dos juros de mora alegando que a concessão, às empresas privadas, do beneficio previsto no art. 5" da Lei n° 8,032/90 era uma prática reiterada, tal como previsto no ar!, 100, III, do CM, e que, no entendimento da jurisprudência, a prática reiterada da Administração exclui o contribuinte da imposição de penalidades e da cobrança de juros de mora, É o relatório," O pleito foi julgado procedente em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão DRJ/SPO II IV 17-25279, de 27/05/2008, às fls, 509/513, proferida pelos membros da 1" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, cuja ementa dispõe, verbis: "Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração„' 27/06/2005 a 28/11/2007 4 Processo n° 10314 012469/2007-96 S3-C2T1 Acórdão n 3201-00.493 Fl. 117 Ementa: DRAWBACK Declaração de nulidade do ato concessório. Efeito suspensivo deferido por decisão judicial. Manutenção dos efeitos do ato concessário. Ação fiscal para cobrança de tributos. Conexão entre PROCESSO ADMINISTRATIVO e JUDICIAL. Não se conhece da impugnação quanto ao .fundamento da exigência de tributos, cuja validade (fundamento) é objeto de ação mandamental. Indevida a Multa Proporcional. Aplicabilidade do art, 63 da Lei n." 9.430 de 1996 Exigibilidade dos juros de mora, LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE," O julgado foi no sentido de considerar que a autuação foi efetuada, para efeito de prevenir decadência, sob o pressuposto da nulidade do ato concessório n" 20040276147, e não se conhecendo das razões que motivaram a anulação desse ato concessório, porque objeto do processo judicial n° 2007.34,00.000427-1, que ao final definirá a validade ou não do fundamento que sustenta a ação fiscal, em face da prevalência da decisão judicial sobre a administrativa e declarar a PROCEDÊNCIA EM PARTE da ação fiscal. Considerada indevida a Multa Proporcional, Aplicabilidade do art. 63 da Lei 9.4.30 de 1996, A DR.]. recorreu de ofício a este Conselho, tendo em vista recurso de oficio, nos termos do art, 34, do Decreto n° 70,235/72, com as alterações introduzidas pela Lei ri." 9.532/97 e Portaria MF n° 3, de 03/01/2008. Inconformado, o interessado apresenta, tempestivamente, recurso, repisando os mesmos argumentos anteriores. O processo foi distribuído a esta Conselheira. É o relatório. 5 Processo n 10314.012469/2007-96 S3-C2T1 Acórdão n" 3201-00.493 Fl. 118 Voto Conselheira MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM, Relatora Inicialmente, a DRJ recorre de oficio. Como relatado, o Auto de Infração encontra-se com a exigibilidade suspensa por força de medida liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança ri." 2007,34,00,000427-1, da P Vara Federal/DF, A empresa promoveu importações de mercadorias, no regime especial de d'awback suspensão, ao amparo do Ato Concessório n° 20040276147, que, em razão do processo n" 52500.000420/2006-52, instaurado para revisão do referido ato concessório, foi declarado nulo, com efeito retroativo à data de sua emissão, pela Decisão n° 472/DECEX-2006, de 31/08/2006 (Relatório Fiscal de fls. 73/78); dessa forma, a Fiscalização identificou nos sistemas da Receita Federal do Brasil as importações indicadas às fls. 75/76, procedendo ao lançamento dos tributos, em 21/11/2007, com a exigibilidade suspensa nos termos do art 151, II e IV, do CTN. Trata-se de discussão na esfera judicial, no entanto, não impede o lançamento para constituir o crédito tributário, visando a prevenir os efeitos da decadência. No entanto, não cabe a cobrança da multa de oficio, no caso de lançamento destinado à prevenção da decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa. Ao caso, devem ser aplicadas as disposições contidas no Ato Declaratório Normativo if 03, de 1996, bem como o artigo 63 da Lei n° 9.430, de 1996, abaixo transcritos: ATO DECLARATORIO NORMATIVO COSIT N° 3, DE 14 DE FEVEREIRO DE 1996: "a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação Judicial - por qualquer modalidade processual - antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou a desistência de eventual recurso interposto. b) conseqüentemente, quando difèrentes os objetos do processo .judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria difèrenciada (p, ex. aspectos formais do lançamento, base de cálculo etc), c) no caso da letra "a", a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão . formal, declarató ria da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do MV, d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, proceder-se-á a inscrição em dívida ativa, deixando- se de fazê-lo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente 6 Processo n° 10314.012469/2007-96 S3-C2T1 Acórdão o ° 3201-00493 Fl 119 quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos 11 (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança), do art. 151, do CTN. e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento do mérito (art. 267 do CPC). LEI N° 9,430/96: "Art. 63, Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 1.51 da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de Oleio." Destarte, não cabe a cobrança da multa de oficio, no caso de lançamento destinado à prevenção da decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa. Não merecer reparo o voto da DRJ. Pelo exposto e por tudo o mais que do processo consta, nego provimento ao recurso oficio. Quanto ao recurso voluntário, argumenta a empresa que o objeto da exigência de tributos e acréscimos legais, não se identifica com a matéria, objeto do processo mandamental (processo judicial n° 2007.34.00,000427-1), cuja discussão diz respeito à questão da legitimidade ou não da declaração de nulidade (do Diretor do DECEX) do ato concessário n° 20040276147. No entanto, a exigência de tributos, no caso, é decorrente da existência ou não do ato concessório e em razão da necessidade de prevenir a decadência procedeu-se à autuação fiscal. A exigência fiscal deste processo depende do resultado na esfera judicial, com total conexão de matérias, pois, confirmada a declaração de nulidade do ato concessário, logo, o crédito tributário ora lançado é devido. Percebe-se que a situação fática da autuação tem o mesmo objeto da apreciação do Poder Judiciário, ou seja, a validade ou não do ato concessório que abarcou a operação de drawback. De outra parte, está pacificamente assentado, na esfera administrativa, o entendimento de que a opção do contribuinte pela via judicial implica renúncia às instâncias julgadoras da via administrativa ou desistência de eventual recurso interposto, no caso de o objeto da lide ser idêntico em ambas. E que diante do dispositivo constitucional há prevalência da esfera judicial sobre a administrativa. Tal dispositivo encontra-se em consonância com o principio constitucional da unidade de jurisdição, consagrado no art, 5°, XXXV da Constituição Federal/88, segundo o qual a decisão judicial sempre prevalece sobre a administrativa. Desse modo, a ação judicial tratando de determinada matéria infirma a competência administrativa para decidir de modo diverso, uma vez que, se todas as questões podem ser levadas ao Poder Judiciário, a ele é conferida a capacidade de examiná-las de forma definitiva e com o efeito de coisa julgada. \_. Processo n 10314.012469/2007-96 S3-C211 Acórdão n.° 3201-00,493 Fl, 120 A respeito, já dispunha a Lei nQ 6,830/1980, em seu art, 38, parágrafo único, que a proposituta, pelo contribuinte, de mandado de segurança importa renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Cumpre ressaltar que o mesmo tratamento foi adotado pelo Ministro de Estado da Fazenda no art. 26 da Portaria n 258/2001, ao estabelecer que a propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa a desistência do processo. Portanto, a propositura de ação judicial pela recorrente, em razão disso, nos pontos em que haja idêntico questionamento, torna ineficaz o processo administrativo. De fato, havendo o deslocamento da lide para o Poder Judiciário, perde o sentido a apreciação da mesma matéria na via administrativa. Do contrário, ter-se-ia a absurda hipótese de modificação de decisão judicial transitada em julgado e, portanto, definitiva, pela autoridade administrativa. Assim sendo, a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário, jamais pode ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento fere a Constitucional Federal que adota o modelo de jurisdição una, em que são soberanas as decisões judiciais. Dessa forma, tendo a interessada buscado a via judicial para resguardar sua pretensão, renunciando à instância administrativa, nos termos do Ato Declaratório (Normativo) n.° 3/96 do Coordenador-Geral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal. Ressalte-se que o art. 63 da Lei n° 9.430/96 dispõe sobre o lançamento de oficio, destinado à prevenção da decadência, para a constituição de crédito tributário cuja exigibilidade houver sido suspensa em face da existência de liminar concedida em mandado de segurança ou outra medida judicial acautelatória. Logo, a constituição do crédito tributário, visando prevenir a decadência, não deve ser confundida com algum procedimento fiscal visando efetivar cobrança e/ou a execução de crédito. Não merecer reparo a decisão a qua Pelo exposto e por tudo o mais que do processo consta, nego provimento ao recurso de oficio. E, por não caber o pronunciamento quanto ao mérito, voto por que não se tome conhecimento do recurso voluntário,
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Numero do processo: 19647.011771/2006-59
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar competência para a primeira seção de julgamento do CARF
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Maria Teresa Martinez López - Relatora.
EDITADO EM: 16/04/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros JOSÉ ADÃO VITORINO DE MORAIS, ANTÔNIO LISBOA CARDOSO, ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL. e FÁBIA REGINA FREITAS
A) DOS FATOS
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar competência para a primeira seção de julgamento do CARF Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Maria Teresa Martinez López Relatora. EDITADO EM: 16/04/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros JOSÉ ADÃO VITORINO DE MORAIS, ANTÔNIO LISBOA CARDOSO, ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL. e FÁBIA REGINA FREITAS A) DOS FATOS Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 061/1) lavrado contra a recorrente, em virtude de falta de lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, caracterizada pela saída do estabelecimento de produto sem a emissão de nota fiscal, apurada em decorrência de receita não comprovada. Consta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 13/22) que, de acordo com os elementos constantes da Representação Fiscal n° 479/05 (fl. 56), no anocalendário 2001 a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 11 77 1/ 20 06 -5 9 Fl. 633DF CARF MF Processo nº 19647.011771/200659 Resolução nº 3301000.190 S3C3T1 Fl. 9 2 empresa autuada remeteu recursos ao exterior movimentados através da empresa Beacon Hill Service Corporation na subconta Larrett International Inc. n° 311050 no banco JP Morgan Chase Bank NY (fls. 57/60). Informa o autuante que, em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização (fls.23/25), a empresa apresentou livros e documentos de sua escrituração relativos ao ano calendário de 2001 (fls. 41/43). Porém, neles não constava a escrituração da origem dos recursos, pagamentos e/ou remessas feitas ao exterior movimentados através da citada conta "Laurrett 31050". Intimada em 14/08/2006 (fls. 33/34) e reintimada em 05/09/2006 (fls. 35/37) a esclarecer os pagamentos efetuados no exterior, a empresa informou às folhas 46/47 desconhecer as operações mencionadas à folha 37, bem como as partes envolvidas. Desta forma, foi lavrado o Auto de Infração em tela, sendo aplicada a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, uma vez que, segundo o autuante, "não consta a escrituração dos valores apurados pela fiscalização, através dos dados transferidos pela Polícia Federal". E complementa que tal prática "evidencia, em tese, a vontade do agente em praticar o dolo e tipifica a hipótese de sonegação fiscal descrita no art. 71 da Lei n° 4.502/64". Pelos fatos expostos, formalizouse o processo n° 19647.011770/200612 de Representação Fiscal para Fins Penais. Nos itens "3.1" a "3.6" do referido Termo de Verificação Fiscal (fls. 13/22), o autuante informa a lavratura de autos de infração sobre o valor da operação, relativos ao IRPJ e tributação reflexa (CSLL, PIS e Cofins), bem como da multa isolada do IRPJ e da CSLL. Além dos documentos já mencionados, ao presente processo foram ainda anexados: Mandado de Procedimento Fiscal MPF (fls. 01/04); Termo de Ciência e Continuação de Procedimento Fiscal (fls. 26/32 e 38/39); Termo de Devolução de Livros e Documentos (fl. 40); documentos relativos ao "Caso Banestado" (fls. 61/94); Livro de Registro de IPI (fls. 95/103); contrato social (fls. 104/125); DIPJ/2002 (fls. 126/177). A contribuinte foi cíentíficada do lançamento em 27/12/2006 (fl. 06) e apresenta em 26/01/2007 a impugnação de folhas 182/196, alegando em sua defesa, em síntese: 1 Autos Nulos por Vícios Formais: Ilegitimidade Passiva; Cerceamento do Direito de Defesa; Erro nos Enquadramentos Legais; etc. A impugnante afirma que a tributação foi efetuada com base unicamente na Representação Fiscal 479/05, onde constam três registros em que no campo "Order Customer" há a expressão "B/O D'MARCAS COAV CONS AGUIAR S/N RECIFE PEBRAZIL BHSC/LARRET INTL INC" a partir da qual a equipe de fiscalização vinculou ao nome da contribuinte, D'Marcas Comércio Ltda. A empresa afirma desconhecer totalmente tais transações e por esta razão não apresentou a documentação hábil e idônea requerida pela fiscalização. A movimentação financeira apresentada envolve a conta LARRETT, da empresa Beacon Hill, e a conta do beneficiário, provavelmente os Srs. Henrich Heller, Anston Hsutter e Waldemar Bernahauser, todos desconhecidos da impugnante. Disto não resulta Fl. 634DF CARF MF Processo nº 19647.011771/200659 Resolução nº 3301000.190 S3C3T1 Fl. 10 3 razoável se concluir que a impugnante seja proprietária dos recursos, antes ou após a movimentação. Em nenhum dos documentos apresentados aparece o nome da defendente, D'Marcas Comércio Ltda., não há coincidência de razão social e tampouco de endereço já que a empresa jamais foi localizada na Av. Cons. Aguiar, Recife/PE. O auditor ao invés de investigar e identificar a realidade dos fatos, penalizou esta contribuinte como autora de suposta omissão de receitas, não se sabe como, porque e com que base legal. Questiona a impugnante como pode um documento produzido unilateralmente pelo Fisco se constituir em elemento de prova para que o próprio Fisco possa "presumir" que a empresa remeteu recursos ao exterior sem contabilização. Conclui que os lançamentos tributários foram realizados ao arrepio da lei, lavrados a partir de presunções de omissões de receitas inexistentes e inconsistentes e com erro na escolha do sujeito passivo. Solicita a nulidade dos autos. Rebate a aplicação da multa de 150%, afirmando ser pacífico na melhor doutrina e jurisprudência a impossibilidade de se poder configurar "evidente intuito de fraude" em infrações lançadas por meras "presunções legais". 2 Decadência do Direito de Lançar. Os autos de infração foram lavrados em 27/12/2006 e tratam de tributos sujeitos à lançamento por homologação, e cujos supostos fator geradores teriam ocorrido em datas de 01/08/2001, 02/08/2001 e 06/08/2001. Nos termos do art. 150 do Código Tributário Nacional, decorrido o prazo de cinco anos contados do pagamento antecipado, o crédito tributário é definitivamente extinto, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude, ou simulação, o que segundo a defendente não é o caso em tela. Assim, o direito de lançar os fatos geradores ocorridos em 08/2001 tornouse caduco em 01/09/2006, invalidando os lançamentos ora impugnados. 3 Da Falta de Prova para Configurar a Infração tributária e da Necessidade de o Sujeito Ativo Provar o Ilícito no Processo Administrativo Tributário. De acordo com a contribuinte, inexiste no processo elemento que se constitua em prova material da prática de quaisquer ilícitos fiscais. A simples existência de um elemento formal constituído pelo próprio sujeito ativo a partir de arquivos digitais do que supostamente seriam as movimentações financeiras de uma empresa estrangeira e com base em um campo com título "order customer" cujo nome se assemelha ao da impugnante, não é suficiente para deixar evidenciado que ocorreram omissões de registros de receita. Em qualquer processo administrativotributário o ônus da prova da ocorrência dos fatos geradores compete à autoridade que efetuou o lançamento. Fl. 635DF CARF MF Processo nº 19647.011771/200659 Resolução nº 3301000.190 S3C3T1 Fl. 11 4 4 Das Multas e Juros Aplicados em Valores que se Constituem Confiscos Proibição Constitucional de Tributação Confiscatória. Reclama do caráter confiscatório da multa aplicada e da inconstitucionalidade da taxa SELIC. Por meio do Acórdão DRJ/SDR nº 1513.490, de 21 de agosto de 2007, os Membros da 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador/BA decidiram, por unanimidade de votos, julgar procedente o lançamento. A Ementa dessa decisão possui a seguinte redação: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 10/08/2001 Ementa: LANÇAMENTO. IPI. DECADÊNCIA. 0 prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário do IPI não declarado e nem recolhido é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, mormente se constatado o evidente intuito de fraude. IPI. LANÇAMENTO DECORRENTE DO IRPJ. 0 decidido no lançamento do IRPJ deve ser estendido aos demais lançamentos decorrentes, em face da relação de causa e efeito que os vincula. OMISSÃO DE RECEITAS. REMESSAS DE RECURSOS AO EXTERIOR. PRESUNÇÕES LEGAIS. Caracterizase como omissão de receita a falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, que regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PROVA. LAUDOS TÉCNICOS DO INSTITUTO NACIONAL DE CRIMINALÍSTICA. Válidas as informações veiculadas em relatório da Secretaria da Receita Federal SRF, decorrentes de Laudos Técnicos do Instituto Nacional de Criminalística, elaborados a partir das mídias eletrônicas e documentos apresentados pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque à Comissão Parlamentar de Inquérito/CPMI do Banestado. MULTA DE OFÍCIO. INFRAÇÃO QUALIFICADA. Havendo fortes indícios do intuito de fraude, impõese a aplicação da multa de 150%, por infração qualificada. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão prolatada pela primeira instância, a contribuinte apresenta recurso voluntário a este Eg.Conselho, no qual, em síntese e fundamentalmente, alega que (i) o auto de infração é nulo por vícios formais uma vez caracterizada a ilegitimidade passiva e a falta de provas de que a contribuinte tenha efetuado qualquer remessa ou recebimento de numerários não contabilizados para o exterior; (ii) não há base legal para promover a tributação de um mesmo ato como sendo indício de omissão de receitas e pagamentos de terceiros, ao mesmo tempo; (iii) operouse a decadência do direito de lançar; e (iv) as multas e juros aplicados são confiscatórios. Fl. 636DF CARF MF Processo nº 19647.011771/200659 Resolução nº 3301000.190 S3C3T1 Fl. 12 5 Por meio da Resolução nº 20201.247, o colegiado converteu o julgamento do processo em Diligência para que se aguardasse o desfecho final do processo de nº 19647.011754/200611. Retornam os autos para julgamento, após cientificado, o contribuinte, do resultado da Diligência. Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 13 a 22, a fiscalização constatou ilícito fiscal relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e seus reflexos decorrentes (CSLL, Cofins, PIS, IRRF e IPI). Como referido ilícito trata de omissão de receita caracterizada pela não escrituração da origem de recursos, pagamentos e/ou remessas feitas ao exterior, e sendo a contribuinte estabelecimento equiparado a industrial/importador direto, o IPI foi lançado com base nos parágrafos 1º e 2º do artigo 423 do Decreto nº 2.637/981 RIPI (art. 448 do Decreto nº 4.544/2002). Por ser o presente auto de infração decorrente do processo administrativo fiscal nº 19647.011754/200611, que versa sobre a cobrança do IRPJ e tributação reflexa, de competência do Eg. Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme citado às fls. 182 e 234, foi proposto a CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA para aguardar o deslinde do processo nº 19647.011754/200611, de competência do Eg. Primeiro Conselho de Contribuintes. Retornam os autos para julgamento, após cientificado, o contribuinte, do resultado da Diligência, com a informação, de que a interessada perdeu prazo para apresentação do recurso no processo principal. O acórdão, prolatado pela 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária possue a seguinte ementa: Acórdão nº 140200.197 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 PEREMPÇÃO O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância; recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, 'visto que a decisão já se tornou definitiva. Recurso Voluntário Não Conhecido. 1 Art. 423. Constituem elementos subsidiários, para o cálculo da produção, e correspondente pagamento do imposto, dos estabelecimentos industriais, o valor e quantidade das matériasprimas, produtos intermediários e embalagens adquiridos e empregados na industrialização e acondicionamento dos produtos, o valor das despesas gerais efetivamente feitas, o da mãodeobra empregada e o dos demais componentes do custo de produção, assim como as variações dos estoques de matériasprimas, produtos intermediários e embalagens. § 1º Apurada qualquer falta no confronto da produção resultante do cálculo dos elementos constantes deste artigo com a registrada pelo estabelecimento, exigirseá o imposto correspondente, o qual, no caso de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, será calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento. § 2º Apuradas, também, receitas cuja origem não seja comprovada, considerarseão provenientes de vendas não registradas e sobre elas será exigido o imposto, mediante adoção do critério estabelecido no parágrafo anterior. Fl. 637DF CARF MF Processo nº 19647.011771/200659 Resolução nº 3301000.190 S3C3T1 Fl. 13 6 B) DA ANÁLISE DOS FATOS sob a égide do atual Regimento do CARF: Antes de adentrarmos na questão de fundo, suscito, preliminar de incompetência deste Colegiado para examinar matéria decorrente de IRPJ. No caso do CARF, as atribuições foram elencadas, numerus clausus, no seu Regimento Interno, Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações trazidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009,e 586, de 21 de dezembro de 2010 – Do Regimento Interno não consta a competência para julgar tal matéria. Para demonstrar o que se alega, transcrevese, como exemplo, os artigos 2º, 3º e 4º do citado Regimento, que fixam a competência das três Seções de Julgamento do CARF. Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); VI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF); II Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); III Imposto Territorial Rural (ITR); Fl. 638DF CARF MF Processo nº 19647.011771/200659 Resolução nº 3301000.190 S3C3T1 Fl. 14 7 IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; e V penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo. Art. 4° À Terceira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), inclusive as incidentes na importação de bens e serviços; II Contribuição para o Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL); III Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); IV Crédito Presumido de IPI para ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS; V Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF); VI Imposto Provisório sobre a Movimentação Financeira (IPMF); VII Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro e sobre Operações relativas a Títulos e Valores Mobiliários (IOF); VIII Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE); IX Imposto sobre a Importação (II); X Imposto sobre a Exportação (IE); XI contribuições, taxas e infrações cambiais e administrativas relacionadas com a importação e a exportação; XII classificação tarifária de mercadorias; XIII isenção, redução e suspensão de tributos incidentes na importação e na exportação; XIV vistoria aduaneira, dano ou avaria, falta ou extravio de mercadoria; XV omissão, incorreção, falta de manifesto ou documento equivalente, bem como falta de volume manifestado; XVI infração relativa à fatura comercial e a outros documentos exigidos na importação e na exportação; XVII trânsito aduaneiro e demais regimes aduaneiros especiais, e dos regimes aplicados em áreas especiais, salvo a hipótese prevista no inciso XVII do art. 105 do DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966; XVIII remessa postal internacional, salvo as hipóteses previstas nos incisos XV e XVI, do art. 105, do DecretoLei n° 37, de 1966; Fl. 639DF CARF MF Processo nº 19647.011771/200659 Resolução nº 3301000.190 S3C3T1 Fl. 15 8 XIX valor aduaneiro; XX bagagem; e XXI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo. Parágrafo único. Cabe, ainda, à Terceira Seção processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância relativos aos lançamentos decorrentes do descumprimento de normas antidumping ou de medidas compensatórias. Como se vê, regimentalmente, foi dada à Primeira Seção do CARF competência para examinar questão envolvendo exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Conclusão: Com essas considerações, voto no sentido de não conhecer do Recurso apresentado pelo contribuinte para declinar competência em favor da Primeira Seção do CARF. Maria Teresa Martinez López Relatora Fl. 640DF CARF MF
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Numero do processo: 13976.000246/00-98
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2006
Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA. ELEMENTO DE PROVAS.
A energia elétrica consumida no processo produtivo gera direito
ao ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo ao
PIS/Cofins, desde que provada tal circunstância pelo
contribuinte.
INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. POSSIBILIDADE.
Despesas incorridas a titulo de industrialização por encomenda
geram direito ao crédito presumido, desde que atendidos os
demais requisitos estabelecidos na Lei nº 9.363/96.
TAXA SELIC INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Inviável a incidência de correção monetária ou o pagamento de
juros equivalentes à variação da taxa Selic a valores objeto de
ressarcimento de crédito presumido de IPI dada a inexistência de
previsão legal.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 202-16.919
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes: I) por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso quanto à industrialização por encomenda; e II) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso quanto à atualização do ressarcimento pela taxa Selic e à inclusão de energia elétrica no cálculo do beneficio. Vencidos os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Raimar da Silva Aguiar e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda quanto à taxa Selic e apenas os dois últimos quanto à energia elétrica.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowski
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ementa_s : IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA. ELEMENTO DE PROVAS. A energia elétrica consumida no processo produtivo gera direito ao ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo ao PIS/Cofins, desde que provada tal circunstância pelo contribuinte. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. POSSIBILIDADE. Despesas incorridas a titulo de industrialização por encomenda geram direito ao crédito presumido, desde que atendidos os demais requisitos estabelecidos na Lei nº 9.363/96. TAXA SELIC INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Inviável a incidência de correção monetária ou o pagamento de juros equivalentes à variação da taxa Selic a valores objeto de ressarcimento de crédito presumido de IPI dada a inexistência de previsão legal. Recurso provido em parte.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes: I) por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso quanto à industrialização por encomenda; e II) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso quanto à atualização do ressarcimento pela taxa Selic e à inclusão de energia elétrica no cálculo do beneficio. Vencidos os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Raimar da Silva Aguiar e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda quanto à taxa Selic e apenas os dois últimos quanto à energia elétrica.
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CC-MF -a-; V, Ministério da Fazenda Fl. '14:r.S1 Segundo Conselho de Contribuintes flPios" soo o u Processo n2 : 13976.000246/00-98 o. Recurso : 128.669 .er Acórdão n2 : 202-16.919 Co; t Recorrente : INDÚSTRIAS ZIPPERER S/A Recorrida : DRJ em Porto Alegre - RS • IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA. ELEMENTO DE PROVAS. A energia elétrica consumida no processo produtivo gera direito ao ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo ao PIS/Cofins, desde que provada tal circunstância pelo MINISTÉRIO DA FAZENDA contribuinte. Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COMO ORIGIMI, INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. POSSI- BrasIlia-DF. em ri )) r~ BILIDADE. Despesas incorridas a titulo de industrialização por encomenda euz aj Secretário da % ka poda Câ uit mara geram direito ao crédito presumido, desde que atendidos os demais requisitos estabelecidos na Lei n 2 9.363/96. TAXA SELIC INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Inviável a incidência de correção monetária ou o pagamento de juros equivalentes à variação da taxa Selic a valores objeto de ressarcimento de crédito presumido de IPI dada a inexistência de previsão legal. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por INDÚSTRIAS ZIPPERER S/A. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes: I) por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso quanto à industrialização por encomenda; e II) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso quanto à atualização do ressarcimento pela taxa Selic e à inclusão de energia elétrica no cálculo do beneficio. Vencidos os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Raimar da Silva Aguiar e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda quanto à taxa Selic e apenas os dois últimos quanto à energia elétrica. Sala Sessões,' 20 de fevereiro de 2006. tomo Carlos Atu int Presidente areei Marcondes Meyer-Ko ow i Relator Participaram, ainda, do presente julgamento e e selheiros Maria Cristina Roza da Costa, Antonio Zomer e Ana Maria Barbosa Ribeiro (Suplente). 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA M Segundo Conselho de Contribuintes CC-MF-• inistério d a Fazenda CONFERE COMO ORIGINAL, Fl. P̀P Segundo Conselho de Contribuintes Brasilia-DF. em /.9" /) I U09 Processo u! : 13976.000246/00-98 4u4StrElz tafuji Recurso n2 : 128.669 Secagens da Segunda Câmara Acórdão n2 : 202-16.919 Recorrente : INDÚSTRIAS ZIPPERER S/A • RELATÓRIO Por bem descrever os atos praticados no presente feito, adoto como relatório aquele constante do acórdão recorrido, a seguir transcrito em sua inteireza: "O estabelecimento acima identificado requereu, em 11/12/2000, ressarcimento do crédito presumido do IPI, autorizado pela Lei ng 9.363, de 13 de dezembro de 1996, para se ressarcir do valor das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, incidentes nas aquisições de insumos empregados na industrialização de produtos exportados, referente ao segundo trimestre de 2000, no valor de RS 53.900,76, conforme Pedido da fl. 01, retificado pelo Pedido de fls. 227. 1.1. O pleito foi deferido parcialmente, no valor de apenas RS 47.972,81, mediante Despacho Decisório da DRF/Joinville, das fls. 242/244, apurado com base nos demonstrativos de cálculo e documentos apresentados, das fls. 03 a 240. 1.2. A diferença, segundo o Despacho Decisório, se deve ao fato do contribuinte ter incluído indevidamente nas "compras com direito ao crédito presumido" as operações de industrialização sob encomenda (CF0Ps 1.13 e 2.13) e as operações de consumo de energia elétrica (CFOP 1.42), que não são utilizadas na base de cálculo para apuração do ressarcimento. A Delegacia da Receita Federal em Joinville/SC, entende que, conforme art. 1° da Lei n° 9.363, de 1996, somente as aquisições de insumos utilizados no processo produtivo é que dão direito ao crédito presumido do IPI, sendo que as citadas aquisições não se enquadram no conceito de insumos. 2. O interessado manifestou sua inconformidade, tempestivamente, por meio do arrazoado das fls. 254 a 267, discordando das glosas efetuadas no cálculo do ressarcimento, apresentando as seguintes razões: a) sustenta que a Lei n° 9.363, de 1996, instituidora do beneficio fiscal, previu o ressarcimento das contribuições incidentes sobre todos os insumos empregados na industrialização dos produtos exportados, mesmo que o emprego se dê de forma indireta; b) a energia elétrica, se inclui no conceito de matéria-prima e produto intermediário previsto no art. 147, Ido Decreto n°2.637, de 25 de junho de 1998 (RIPI198), pois é consumida no processo de industrialização, mesmo que indiretamente; c) os serviços de industrialização prestados por terceiros, se integram ao produto exportado final, já que o interessado remete madeira em estado bruto e semi-elaborada, retornando com algum tipo de beneficiamento, tal como, pintura, tornearia e serraria. Desse modo, essa operação de industrialização por encomenda, sofre a incidência das contribuições que o beneficio fiscal visa ressarcir, razão pela qual também deve compor a base de cálculo do crédito presumido;) reproduz, em apoio às teses acima, ementas de Acórdãos do Segundo Conselho de Contribuintes sobre as matérias. 2.1. Requer, por fim, a reforma do despacho decisório para se ver ressarcido da integralidade do crédito presumido solicitado." Ao apreciar a manifestação de inconformidade da requerente, decidiu a DRI em Porto Alegre - RS pelo seu indeferimento, na forma do acórdão de fls. 303/309, assim ementado: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA„ Segundo Conselho de Contribuintes 28 CC-MF Ministério da Fazenda„- CONFERE COMO ORIGINAI/ Fl. S'ill:n 14" Segundo Conselho de Contribuintes °radia-DF. em /-9- / 11 /___:4W_P Processo n! : 13976.000246/00-98 afuji Recurso n2 : 128.669 sraitirMeteáruazde ugunda Acórdão n2 : 202-16.919 Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI— BASE DE CÁLCULO. Os valores pagos pelo consumo de energia elétrica bem tomo, o serviço de beneficiamento dos insumos efetuado por terceiros, uma vez que se trata de prestação de serviços, não entram na base de cálculo do beneficio, por não se enquadrarem no conceito de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, únicos insumos autorizados pela lei. Solicitação Indeferida". Irresignada com essa decisão, apresentou a requerente seu recurso voluntário de fls. 310/324, basicamente repisando os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. 3 ./. n MINISTÉRIO DA FAZENDA 2* CC-MF Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Segundo Conselho de ContribuintesCONFERE COM O IIP,RIGINM.- Fl. Brasliia-DF. em / 1 IS__ Jaa.Ly. Processo n2 : 13976.000246/00-98 áltráafuji Recurso n2 : 128.669 %cretina da Segunde Clame Acórdão n2 : 202-16.919 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR • MARCELO MARCONDES MEYER-KOZLOWSKI Verifico, inicialmente, que o recurso voluntário é tempestivo e trata de matéria de competência deste Egrégio Conselho, razão pela qual dele conheço. Duas são as questões abordadas no presente apelo administrativo, a saber: (i) creditamento da energia elétrica consumida no processo produtivo dos produtos exportados e (ii) creditamento dos valores pagos a título de industrialização por encomenda de insumos de produtos posteriormente exportados. Vejamos cada um deles. No que diz respeito às aquisições de energia elétrica, entendo não merecer provimento o recurso voluntário. É bem verdade que, reiteradamente, este Egrégio Colegiado vem reconhecendo aos contribuintes o direito de crédito relativo às aquisições de energia elétrica, mas sempre ressaltando que o mesmo apenas é possível quando provado que esta foi efetivamente consumida no processo produtivo, de tal sorte a restar caracterizada como matéria-prima ou produto intermediário. Observa-se, entretanto, que a recorrente apenas aduz que a energia elétrica foi consumida no processo produtivo, não apresentando aos autos qualquer prova a corroborar sua afirmação, nem indicando a quantidade de energia que é efetivamente empregada na elaboração do produto exportado. Na forma do art. 36 da Lei n2 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, da mesma forma como incumbe ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito, de acordo com o disposto no inciso I do art. 333 do Código de Processo Civil. Nesse diapasão, ao se protocolizar um pedido de ressarcimento, incumbe ao requerente a demonstração de que o valor pleiteado goza de liquidez e certeza. Em não o fazendo, impossível o acolhimento da pretensão. Em relação às despesas incorridas a título de industrialização por encomenda, entendo merecer guarida a tese da recorrente. Sobre o tema, reiteradamente vem decidindo este Egrégio Colegiado que, uma vez caracterizado que o produto que se industrializou se identifica com um dos componentes básicos para o cálculo do crédito presumido (MP, PI e ME), empfegado no processo produtivo do encomendante, fica evidenciado o direito de esse insumo integrar a base de cálculo do incentivo fiscal e, conseqüentemente, de ser aferido pelo custo total a ele inerentes, desde que também observados os demais requisitos estabelecidos àquela fruição, nos termos da Lei n 2 9.363/96 (22 CC, Cam. Ac. N2 202-16.109, julgado em 09/11/05, Rel. Maria Cristina Roza da Costa). Por derradeiro, no que se refere à atualização do valor postulado mediante a aplicação da variação da taxa Selic, entendo ser a mesma impossível, dada a ausência de previsão legal. Sua concessão representaria, isto sim, verdadeira violação ao princípio da legalidade administrativa, segundo a qual à Administração somente é dado fazer o que a lei determina. . 4 • . e . 4'.• I: • is, MINISTÉRIO DA FAZENDA 29 CC-MF • ',is-,.. Ministério da Fazenda. Segundo Conselho de Contribuintes Fl. • 'vg":4:1! Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COMO ORIGINAL" BrasIlia-DF, em fi I 11 I /VOO Processo n2 : 13976.000246/00-98 di. 4. za 4 . . eu tk afio Recurso n-2 : 128.669 %atira da Segunda Cima,. Acórdão n2 : 202-16.919 Por essas razões, dou PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 20 de fevereiro de 2006. • e )\----ç •MAR ELO M CONDES MEYE4ILLOWSKI • ' • 5 Page 1 _0011100.PDF Page 1 _0011200.PDF Page 1 _0011300.PDF Page 1 _0011400.PDF Page 1
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Numero do processo: 11065.000851/2004-56
Data da sessão: Fri Jul 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA
Período de apuração: 01/01/2001 a .31/0.3/2001, 01/07/2001 a 30/09/2001, 01/01/2002 a 31/0.3/2002, 01/04/2002 a .30/06/2002, 01./10/200.3 a 31/1.2/2003
LUCRO PRESUMIDO, BASE DE CÁLCULO. DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS. EXCLUSÃO DO ICMS, COMPROVAÇÃO. Demonstrado que o ICMS incidente sobre vendas devolvidas foi contabilizado a crédito da conta que registra tais devoluções, retifica-se a exigência para considerar as deduções pelo valor bruto.
DEDUÇÃO DO IRRF. CÔMPUTO EM Período INCORRETO, ALEGAÇÃO DE INDÉBITO DESCONSIDERADO NO LANÇAMENTO,
Incumbe à contribuinte pleitear a restituição de eventuais indébitos ou promover sua compensação, A autoridade lançadora não tem o dever de reduzir o crédito tributário apurado em um período em razão de recolhimentos a maior que possam existir no intervalo fiscalizado, mormente se estas análises decorrem do mero confronto entre valores escriturados e declarados/pagos, sem qualquer aprofundamento acerca da efetiva existência do indébito.
Numero da decisão: 1101-000.328
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a exigência em virtude das deduções admitidas a título de devoluções de vendas, nos valores constantes dos demonstrativos de cálculo, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA Período de apuração: 01/01/2001 a .31/0.3/2001, 01/07/2001 a 30/09/2001, 01/01/2002 a 31/0.3/2002, 01/04/2002 a .30/06/2002, 01./10/200.3 a 31/1.2/2003 LUCRO PRESUMIDO, BASE DE CÁLCULO. DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS. EXCLUSÃO DO ICMS, COMPROVAÇÃO. Demonstrado que o ICMS incidente sobre vendas devolvidas foi contabilizado a crédito da conta que registra tais devoluções, retifica-se a exigência para considerar as deduções pelo valor bruto. DEDUÇÃO DO IRRF. CÔMPUTO EM Período INCORRETO, ALEGAÇÃO DE INDÉBITO DESCONSIDERADO NO LANÇAMENTO, Incumbe à contribuinte pleitear a restituição de eventuais indébitos ou promover sua compensação, A autoridade lançadora não tem o dever de reduzir o crédito tributário apurado em um período em razão de recolhimentos a maior que possam existir no intervalo fiscalizado, mormente se estas análises decorrem do mero confronto entre valores escriturados e declarados/pagos, sem qualquer aprofundamento acerca da efetiva existência do indébito.
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CALÇADOS VINIPAM LTDA Recorrida 1" Turma da DRJ/Santa Maria ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JUIÚD/CA Período de apuração: 01/01/2001 a .31/0.3/2001, 01/07/2001 a .30/09/2001, 01/01/2002 a 31/0.3/2002, 01/04/2002 a .30/06/2002, 01./10/200.3 a 31/1.2/2003 LUCRO PRESUMIDO, BASE DE CÁLCULO. DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS. EXCLUSÃO DO ICMS, COMPROVAÇÃO. Demonstrado que o ICMS incidente sobre vendas devolvidas foi contabilizado a crédito da conta que registra tais devoluções, retifica-se a exigência para considerar as deduções pelo valor bruto. DEDUÇÃO DO IRRF. CÔMPUTO EM PERiODO INCORRETO, ALEGAÇÃO DE INDÉBITO DESCONSIDERADO NO LANÇAMENTO, Incumbe à contribuinte pleitear a restituição de eventuais indébitos ou promover sua compensação, A autoridade lançadora não tem o dever de reduzir o crédito tributário apurado em um período em razão de recolhimentos a maior que possam existir no intervalo fiscalizado, mormente se estas análises decorrem do mero confronto entre valores escriturados e declarados/pagos, sem qualquer aprofundamento acerca da efetiva existência do indébito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a exigência em virtude das deduções admitidas a título de devoluções de vendas, nos valores constantes dos demonstrativos de cálculo, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado,. FRAN .CO DE ,:A S RIBEIRO DE QUEIROZ - Presidente, Wtit 'LU 4W E I PEREIRA BESSA elatora EDITADO EM: 04/08/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (presidente da turma), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (vice- presidente), Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva g Shelley Henrique Dalcamim é, 2 Processo n" 11065 000851/2004-56 SI-CITI Acórdão n " 1101-00.328 Fl 2 Relatório INDÚSTRIA DE CALÇADOS VINIPAM LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela I" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Santa Maria/RS que, por unanimidade de votos, julgou PROCEDENTE o lançamento formalizado em 19/03/2004, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 225A63,28. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Versa o presente processo sobre Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), às fls. 03-08, referente aos fatos geradores (trimestrais) dos anos- calendário de 2001, 200.2 e .2003, pelos quais exige-se da empresa em epígrafe crédito tributário no valor total de R$ 2.25 463,.28 (discriminado à f1. 02), inclusos os consectários legais até 27/02/2004. A autuação decorre de diferenças entre o valor escriturado e o declarado/pago, apuradas com a inclusão das receitas de aplicações ..financeiras e de variações cambiais na base de cálculo do tributo, Nas planilhas def1s. 37 a 43, consta o levantamento dos valores para .fbrmação base de cálculo, obtidos a partir dos documentos contábeis e fiscais (11s 1.2-28) e dos balancetes mensais apresentados «is 70-137) O autuado, nos anos-calendário de .2001 a 2003, apresentou declaração pelo regime de lucro presumido (fls. 138-1 71), De acordo com os demonstrativos de apuração (fls. 17.2-180), o lançamento de diferença do imposto ocorreu nos fatos geradores trimestrais encerrados em 31/03/2001, 30/09/2001, 31/03/200.2, 30/06/2002 e 31/12/2003. Quanto aos demais períodos de apuração trimestrais encenados em 30/06/2001, .31/12/2001, 30/09/2002, 31/12/2002, .31/03/2003, 30/06/2003 e 30/09/200.3 não houve lançamento de crédito tributário, porque o imposto declarado eni DCTF pelo contribuinte .foi maior que o apurado pela fiscalização, conforme o demonstrativo de compensação de valores (f1. 1 78) • As bases legais das infrações estão citadas nos Autos de huriações Cientificado do lançamento em 19/03/2004, o contribuinte apresenta em 16/04/2004, a impugnação de MJ 83 a 186, alegando, em síntese, que.' • O montante das devoluções de mercadorias deduzidas na formação da base de cálculo do imposto, constante do levantamento fiscal, foi efetuada pelo valor líquido (valor contábil (-) ICMS), o que não concorda, uma vez que, não há previsão legal para deduzir o ICMS sobre as vendas, logo as devoluções também devem ser deduzidas pelo valor contábil (-) • O imposto declarado a maior em DCTF, coa/brame apurado pela fiscalização (fl. 178), deveria ter sido compensado com a diferença do imposto a pagar apurados nos trimestres seguintes, o que não ocorreu. Observa que a não utilização dos referidos créditos 01. 1 78) com os débitos apurados resultou )111711 elevado aumento do montante .final apagam; o que é injusto e ilegal. • O IRI?F s/ rendimentos de aplicações . financeiras do primeiro, segundo e terceiro trimestres de 2003 .foram compensados pela impugnante juntamente com o quarto trimestre de 2003, num total de R$ 76.077,9.5 g 3 Alega que não há norma legal impeditiva em compensar IMF em período posterior ao de apuração. Por isso, discorda do levantamento .fiscal que procedeu a compensação dos valores retidos nos respectivos trimestres do ano de 2003 e apurou a diferença de IRRI a pagar no valor de R$ 57.801,20 no 4 0 trimestre de 2003, uma vez que tal filio caracteriza o enriquecimento ilícito • Os débitos de IRP1 declarados em DM . relativos aos anos de 2001, 2002 e 200.3 fbrain todos compensados com créditos de IPI, conforme processos ele compensação e DCOMP que informa à5 fls. 185/186 Ao final, o impugnante requer: a) o acolhimento da impugnação, b) a compensação de todos os valores relativos aos créditos apurados em favor da impugnante com as diferenças de imposto a pagar; c) a elaboração e apresentação de um novo demonstrativo da5 diferenças de impostos apagar, após a total compensação dos créditos referidos na letra "b", d) que na compensação da letra "c", os créditos originais sejam também acrescidos da multa e juros proporcionais, uma vez que o.s. débitos foram compensados com os referidos acréscimos legais quando do pedido de compensação dote DCOMP Ein decorrência da transferência da competência definida na Portaria RFB n° 4.34, de 10 de mar Ça de 2008, o processo foi encaminhado para julgamento nesta DR' (fl 188). A Turma Julgadora recorrida afastou tais alegações argumentando que: o A Fiscalização deduziu as devoluções de vendas constantes dos balancetes, e a impugnante nada trouxe para demonstrar que ali estariam consignados os valores líquidos cio 1CM • Quanto aos períodos nos quais não houve autuação, registrou que as constatações fiscais apenas evidenciaram que o valor declarado em DCTF era superior ao apurado pela Fiscalização, o que não assegura a existência de incorreções, já que os dados utilizados para o cálculo do imposto foram obtidos da escrituração contábil e balancetes mensais fornecidos pela própria empresa. Demais disto, a autoridade autuante não tem o dever- de efetuar compensações de valores declarados a maior de um período-base com créditos tributários de outros períodos, ainda que se trata de mesmo tributos. A compensação ou restituição de tais valores é de iniciativa do contribuinte, nos termos da Instrução Normativa SRF n" 210/2002, atualmente substituída pela Instrução Normativa SRF n" 600/2005.. o Asseverou que o art, 773 do RIR/99 determina que o imposto retido será deduzido do apurado no encerramento de cada período de apuração trimestral, pois a tributação da pessoa .jurídica autuada se deu pelo regime do Lucro Presumido, inexistindo •previsão legal para que seja computado MN-7' em trimestre posteriorao que corresponde o- •• • • rendimento . oferecido a • tributação; • coMo quer o . iMpiignante: - - Cientificada da decisão de primeira instância em 15/12/2008 (11, 203), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 14/01/2009 (fis, 206/213), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação. Demonstra os valores contabilizados a título de devoluções de vendas, para evidenciar que fOram considerados os valores líquidos como deduções, quando o correto seria computar, também, o ICMS destacado na operação. Junta cópia do Livro Razão, da conta "Devoluções de Venda.s", cujos valores escriturados, bem como o saldo, conferem caiu os valores dos balancetes, que serviram de instrumento para levantamento das infbrmações pelo Auditor-Fiscal(d 4 1- Processo n" 11065 000851/2004-56 SI-C1T1 Acórdào n° 1101-00328 FI 3 Esclarece que deduziu o IRRF apenas no trimestre seguinte ao da retenção em razão dos extratos bancários serem entregues à recorrente quando já encerrado o trimestre respectivo. Daí os recolhimentos a maior verificados pela Fiscalização, quando deduzido o IRRF do trimestre anterior.. Destaca que no 2' trimestre/2001 foi apurado imposto pago a maior de R$ 1.103,80, enquanto no trimestre anterior o imposto a pagar exigido foi de R$ L203,30. Da mesma forma, o imposto pago a maior nos três primeiros trimestres de 2003 (R$ 5L99.3,90) aproxima-se da exigência feita no 4° trimestre/2003 (R$ 57,801,20). Invoca os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, reproduzindo doutrina a respeito, para concluir que não se afigura razoável que a fiscalização ao apurar a existência de um crédito em .favor do contribuinte deixe de compensá-lo com um crédito seu, particularmente quando ambos originam-se de um mesmo fluo jurídico. Pede, assim, que o lançamento seja desconstituído na totalidade ou, subsidiariamente, que ao menos seja admitida a compensação dos valores recolhidos a maior pela recorrente com os créditos apurados pela fiscalização tributária. É o relatório, Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Inicialmente com referência à dedução de devolução de vendas, observa-se à fL 04 que a autoridade lançadora, para determinar o IRRI devido nos períodos de apuração auditados, valeu-se dos Balancetes Mensais apresentados e documentos contábeis/fiscais, cujas cópias fàzem parte do presente Auto de Infração. Por sua vez, os balancetes juntados às fls.. 70/137 apontam movimentação na conta relativa a devoluções tecebidas de vendas, registradas a débito e a crédito, em alguns períodos. De outro lado, não há urna conta destinada ao registro do ICMS sobre devoluções de vendas, mas apenas a conta ICMS s/ Vendas e Revendas, que somente recebe lançamentos a débito nos períodos analisados, à exceção do registro, ao final do ano, de transferência do saldo para a apuração do resultado do período. Diante deste contexto, há indícios de que a contribuinte, ao receber uma devolução de vendas sobre a qual incidiu ICMS, para registrar a recuperação deste crédito, tenha se valido da própria conta de devolução de vendas, ao invés de creditar a conta de ICMS sobre devolução de vendas e debitar a conta de ICMS a recuperar. E, para demonstrar que assim procedeu, a recorrente junta cópia simples do Razão Analítico da conta Devoluções de Vendas, no qual consta, em vários meses de 2001 a 2003, um lançamento no último dia do período com o histórico VLR. ICMS S/ DEVOLUÇÕES RECEBIDAS NO MÊS XX/XX CFE RAI= (fls. 217/236). Embora se trate de cópia simples, os valores escriturados nos períodos que aqui interessam coincidem com a consolidação contida nos balancetes juntados pela autoridade lançadora (fls. 70/137), bem corno observa-se que, para fins de apuração da COFINS, a contribuinte considerou devoluções de vendas pelo valor bruto contabilizado, consoante evidenciado nos demonstrativos de apuração reproduzidos nas DIPj dos anos-calendário 2001 e 2002 que estão juntadas aos autos (fis. (fis. 138/171). Em consequência, cumpre admitir que, nos períodos aqui autuados, as deduções a título de devoluções de vendas devem ser acrescidas do ICMS sobre elas incidente, . nos valores abaixo indicados: . . - Período Devolução ICMS Devolução Admitida Recalculada Julho/2001 17,43 3,57 21,00 Agosto/2001 3.010,86 339,74 3.350,60 Junho/2002 377,49 77,31 454,80 Outubro/2003 40.199,15 5.461,01 45.660,16 Novembro/2003 24.478,97 3.565,03 28.044,00 Dezembro/2003 3.313,63 477,07 3.790,70 6 1`,k) n- Processo n" 11065 000851/2004-56 SI-C1TI Acórdão ri" 1101-00,328 El 4 E por esta razão, as exigências do .3° trimestre/2001, do 2° trimestre/2002 e do 3° trimestre/200.3 são assim recalculadas: 3" trimestre/2001 Jul/2001 Ago/2001 Set/2001 3" Trim/2001 Vendas a prazo 202.639,50 385.071,82 421.642,80 1.009.354,12 Revenda de Mercadorias a Prazo 10.000,00 202.366,90 212.366,90 Vendas de exportação 142.451,20 142.451,20 Vendas a Comi Exportadora 345.656,88 421.151,98 - 766.808,86 Devoluções Recebidas de Vendas (21,00) (3.350,60) - (3371,60) IPI sobre Vendas e Revendas - Devoluções de Vendas a Comi Exp (53.790,30) - (53.790,30) Total Receitas da Atividade 548.275,38 759.082,90 766.460,90 2.073.819,18 Total Receitas Financeiras 12.757,87 18.270,43 15.230,08 46.258,38 Total Outras Rec Operacionais 18.300,45 18.300,45 Receita Bruta Tributável em 8% 548.275,38 759.082,90 766.460,90 2.073.819,18 Base de Cálculo do percentual 8% 43.862,03 60.726,63 61.316,87 165.905,53 Demais Receitas 31.058,32 18.270,43 15.230,08 64.558,83 Total da Base de Cálculo do IRPJ 74.920,35 78.997,06 76.546,95 230.464,36 1RPJ aliquota 15% 34.569,65 Adicional IRPJ 17.046,44 !RN Total Apurado 51.616,09 (-) IRRF (8.372,54) IRPJ a Pagar 43.243,55. IRPJ declarado na DCTF (35.488,96) Diferença lançada 7.754,59 2" trimestre/2002 Abr/2002 Mai/2002 Jun/2002 2" Trirn/2002 Vencias a prazo 375.443,90 437.504,50 320.526,90 1.133.475,30 Revenda de Mercadorias a Prazo 770,00 770,00 Vendas de exportação 604.196,67 732.799,46 147.276,46 1.484.272,59 Vendas a Comi Exportadora 73.280,90 102.846,18 125.902,36 302.029,44 Devoluções Recebidas de Vendas (454,80) (454,80) Devoluções de Vendas a Comi Exp (29.548,80) - (29.548,80) Devoluções de Venda Merc Externo (22.469,78) (22.843,13) - (45.312,91) Total Receitas da Atividade 1.001.672,89 1.250.307,01 593.250,92 2.845.230,82 Total Receitas Financeiras 17.184,66 10.084,20 11.672,67 38.941,53 Total Outras Rec Operacionais - Receita Bruta Tributável em 8% 1.001.672,89 1.250.307,01 593.250,92 2.845.230,82 Base de Cálculo do percentual 8% 80.133,83 100.024,56 47.460,07 227.618,47 Demais Receitas 17.184,66 10.084,20 11.672,67 38.941,53 Total da Base de Cálculo do IRPJ 97.318,49 110.108,76 59.132,74 266.560,00 kR 7 IRPJ aliquota 15% 39.984,00 Adicional IRPJ 20.656,00 IRPJ Total Apurado 60.640,00 (-) IRRF (5.215,50 ) IRPJ a Pagar 55.424,50 IRPJ declarado na DCIF (51.170,38) Diferença lançada 4.254,12 4" trimestre/2003 Out/2003 Nov/2003 Dez12003 4" Trim/2003 Vendas a prazo 304.373,60 124.284,04 58.954,40 487.612,04 Revenda de Mercadorias a Prazo - Vendas de exportação 209.688,31 265.399,72 475.088,03 Vendas a Comi Exportadora 39.936,98 81.503,35 39.387,44 160.827,77 Devoluções Recebidas de Vendas (45.660,16) (28.044,00) (3.790,70) (77.494,86) IPI sobre Vendas e Revendas (28,64) (28,64) Devoluções de Vendas a Comi Exp (6.240,13) (6.240,13) Total Receitas da Atividade 292.410,29 387.403,06 359.950,86 1.039.764,21 Total Receitas Financeiras 94.865,67 28.777,75 25.601,75 149.245,17 Total Outras Ree Operacionais 577.647,91 577.647,91 Receita Bruta Tributável em 8% 292.410,29 387.403,06 359.950,86 1.039.764,21 Base de Cálculo do percentual 8% 23.392,82 30.992,24 28.796,07 83.181,14 Demais Receitas 672.513,58 28.777,75 25.601,75 726.893,08 Total da Base de Cálculo do IRPJ 695.906,40 59.769,99 54.397,82 810.074,22 IRPJ aliquota 15% 121.511,13 Adicional IRPJ 75.007,42 IRPJ 'Total Apurado 196.518,55 (-) IRRF (16.971,05) IRP.1 a Pagar 179.547,50 IRPJ declarado na DCTF (121.936,37) Diferença lançada 57.611,13 Já quanto ao IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras, consoante mencionado na decisão recorrida, o art, 773 do RIR/99 fixa como momento para sua dedução o... . . encerramento de cada período de apuração, o que significa dizer que a dedução deve ser feita no momento em que os rendimentos forem auferidos, e assim computados na apuração para fins de sua tributação definitiva. No mesmo sentido, o RI.R/99 assim define relativamente à apuração do lucro presumido: Art. 526 Para efeito de pagamento, a pessoa . jurídica poderá deduzis do imposto devido no período de apuração, o imposto pago ou retido na fonte sobre as. receitas que integraram a base de cálculo, vedada qualquer dedução a título de incentivo fiscal (Lei n" 8.981, de 1995, art. 34, Lei n" 9.06.5, de 1995, art. I", Lei n" 9430, de 1996, art 51, parágrafo único, e Lei n°9 532, de 1997, ar! 10) 8 It Processo n" 11065 000851/2004-56 SI-CM Acórdão n." 1101-00.328 Fl 5 Parágrafo láliCO. No caso em que o imposto retido na finue ou pago seja superior ao devido, a diferença poderá ser compensada com o impo to a pagar relativo aos períodos de apuração suhseqüentes. Desta forma, a contribuinte deveria diligenciar para obter as informações relativas ao IRRF antes do prazo de pagamento do IRPJ, de forma a proceder sua apuração em conformidade com a lei. Se não o faz, ao ter conhecimento de urna dedução que alteraria aquela apuração, e conseqüentemente reduziria o imposto já pago, não lhe cabe opor esta dedução em outro período, mas sim reconstituir os cálculos do período pertinente, e, determinando um recolhimento a maior, pleitear sua restituição ou compensação. Assim procedendo, a contribuinte sujeitará os cálculos do indébito à verificação fiscal que será desenvolvida com vistas a deferir a restituição ou convalidar/homologar a compensação. Aqui, ao contrário, tendo por foco apenas a exigência de crédito tributário que deixou de ser recolhido, a autoridade lançadora não aprofundou as análises nos períodos em que o recolhimento se mostrou suficiente, de forma que não há lastro documental nestes autos para, sequer, admitir que, de fato, houve recolhimento a maior nos períodos em que a contribuinte alega. Destaque-se, neste ponto, que conforme consta à ti 04, o procedimento de qficio foi motivado por irregularidades constatadas quando das Verificações Preliminares do Procedimento de Oficio para verificação posteriori da legitimidade do Crédito Presunzido do IP1 e Ressarcimento de 11'1 pleiteado pelo contribuinte acima identificado, mediante processos números 11065,003056/2001-77, 11065..000430/2002-63, 11065,003373/2002-74 e 11065..000427/2002-40, consistindo, tão só, na verificação da compatibilidade entre o valor escriturado e o declarado/pago. Assim, ainda que fosse possível transferir para o Fisco a incumbência de viabilizar restituição/compensação de crédito não pleiteado pela contribuinte, não haveria prova nos autos para se afirmar a existência do indébito.. Acrescente-se, por fim, que a legislação sempre reservou à contribuinte o direito de dar aos créditos decorrentes de indébitos tributários a destinação que melhor lhe aproveitasse.. Neste sentido, na vigência da Lei n° 8.38.3/91, a contribuinte promovia esta destinação escrituralmente, se entre tributos de mesma espécie, ou mediante prévio pedido administrativo, trazido pela Lei n° 9.430/96 c/c Instrução Normativa SRF n" 21/97, no caso de compensação entre tributos de espécies diferentes. Já no momento em que o procedimento fiscal foi desenvolvido, a Lei n" 9.430/96 havia sido alterada pela Medida Provisória n" 66/2002, convertida na Lei n" 10.637/2002, fixando como essência da compensação a apresentação de Declaração de Compensação — DCOMP pela contribuinte. Sem este documento não há compensação entre tributos administrados pela antiga Secretaria da Receita Federal, de modo que corretamente procedeu a autoridade lançadora ao considerar, em seus cálculos, o IRRF no período de apuração correspondente, formalizando a exigência integral dos demais débitos apurados, sem compensar quaisquer outros valores agora pretendidos pela recorrente. Não é o caso, portanto, de agir segundo os princípios da proporcionalidade ou da razoabilidade, mas sim conforme a lei. 9 11j( Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reduzir a exigência em virtude das deduções admitidas a título de devoluções de vendas, nos valores demonstrados nos quadros anteriores. LI • E RE IR BESSA Relatora lo _ _
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Numero do processo: 13984.901372/2009-17
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO EM DILIGÊNCIA.
Cabe a homologação da compensação quando o direito creditório restar comprovado por meio de diligência fiscal.
Numero da decisão: 1201-002.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: Luis Henrique Marotti Toselli
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COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO EM DILIGÊNCIA. Cabe a homologação da compensação quando o direito creditório restar comprovado por meio de diligência fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 90 13 72 /2 00 9- 17 Fl. 295DF CARF MF Processo nº 13984.901372/200917 Acórdão n.º 1201002.065 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório A Recorrente transmitiu DCOMP, pleiteando a compensação de créditos de tributos recolhidos no SIMPLES com determinados débitos de sua responsabilidade. O Despacho Decisório não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de insuficiência de saldo credor. A contribuinte, então, apresentou Manifestação de Inconformidade, sustentando que houve retificação da DSPJ em face de ter adotados alíquotas superiores a devida em 50%. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, uma vez que entendeu que o referido crédito não teria sido comprovado. Cientificada da decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, instruído com documentação que, no seu entender, definitivamente comprovaria o direito creditório. O julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência, pois, segundo o I. Relator, os esclarecimentos e documentos juntados pelo contribuinte deveriam ser confrontados com os sistemas da fiscalização. Em atendimento à diligência, a autoridade fiscal se manifestou por meio de Relatório Fiscal específico, do qual a contribuinte não foi chamada a se manifestar. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201 002.057, de 23.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13984.901377/200940, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pagamento a maior de SIMPLES no AC 2005. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.057): "O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 296DF CARF MF Processo nº 13984.901372/200917 Acórdão n.º 1201002.065 S1C2T1 Fl. 4 3 A presente discussão diz respeito à legitimidade ou não de créditos de tributos supostamente recolhidos a maior no âmbito do SIMPLES no AC de [...]. Por ocasião da diligência que foi determinada pelo CARF, o relatório fiscal atesta a legitimidade do direito creditório, merecendo destaque a seguinte passagem: Consultando o histórico do CNPJ quanto ao porte, constatase que a empresa estava enquadrada como microempresa nos anos 2004 e 2005, tendo alterado o enquadramento para empresa de pequeno porte a partir do ano 2006: [...] O CNAE que consta nas Declarações Simplificadas apresentadas é 64114/02 Atividades do Correio Nacional executadas por franchising. Consultando as declarações relativas aos anos de 2003 a 2005, verificase a evolução do faturamento da seguinte forma: EVOLUÇÃO DO FATURAMENTO ano receita auferida 2003 42.484,37 2004 112.927,51 2005 132.270,87 Portanto, possível o enquadramento como microempresa nos anos 2004 e 2005. LEGISLAÇÃO As franqueadas dos Correios passaram a poder optar pelo Simples com a publicação da Lei 10.684/2003, que alterou a Lei 10.034/2000. A Lei 10.684/2003 determinava ainda que essas empresas estariam sujeitas aos percentuais majorados em 50%. A IN SRF 355/2003 dispunha, à época, sobre o Simples nos seguintes termos: "PERCENTUAIS DIFERENCIADOS Art. 8° No caso de estabelecimentos de ensino fundamental, de centros de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga, de agências lotéricas, de agências terceirizadas de correios e de pessoas jurídicas que aufiram receita bruta acumulada decorrente da prestação de serviços em montante igual ou superior a 30% (trinta por cento) da receita bruta total acumulada, inscritas no Simples na condição de microempresas, o valor devido mensalmente será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: I até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais): 4,5% (quatro inteiros e cinco décimos por cento); II de R$ 60.000,01 (sessenta mil reais e um centavo) a R$ 90.000,00 (noventa mil reais): 6% (seis por cento); III de R$ 90.000,01 (noventa mil reais e um centavo) a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais): 7,5% (sete inteiros e cinco décimos por cento). Fl. 297DF CARF MF Processo nº 13984.901372/200917 Acórdão n.º 1201002.065 S1C2T1 Fl. 5 4 § 1° O percentual a ser aplicado em cada mês, na forma deste artigo, será o correspondente à receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês.(...)" (grifouse) Com o advento da Lei 10.833/2003, que também alterou a Lei 10.034/2000, as franqueadas dos Correios deixaram de estar sujeitas aos percentuais majorados em 50% e a instrução normativa acima passou a vigorar com o seguinte teor: "PERCENTUAIS DIFERENCIADOS Art. 8° No caso de estabelecimentos de ensino fundamental, de centros de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga, de agências lotéricas e de pessoas jurídicas que aufiram receita bruta acumulada decorrente da prestação de serviços em montante igual ou superior a 30% (trinta por cento) da receita bruta total acumulada, inscritas no Simples na condição de microempresas, o valor devido mensalmente será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF n° 391, de 30 de janeiro de 2004) I até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais): 4,5% (quatro inteiros e cinco décimos por cento); II de R$ 60.000,01 (sessenta mil reais e um centavo) a R$ 90.000,00 (noventa mil reais): 6% (seis por cento); III de R$ 90.000,01 (noventa mil reais e um centavo) a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais): 7,5% (sete inteiros e cinco décimos por cento). § 1° O percentual a ser aplicado em cada mês, na forma deste artigo, será o correspondente à receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês. (...) § 6° O disposto no caput também se aplica às agências terceirizadas de correios no período de 31 de maio a 30 de novembro de 2003." Portanto, as franqueadas dos Correios estiveram sujeitas a percentuais diferenciados, majorados em 50%, no período de 31/05 a 30/11/2013 e, para os períodos posteriores, sujeitaram se às alíquotas normais. ALÍQUOTAS APLICÁVEIS NO CASO CONCRETO Estes processos tratam de Simples dos anos 2004 e 2005, portanto, os valores devem ser apurados com alíquotas normais, aplicáveis às microempresas, previstas no art. 7° da instrução normativa: "Das Microempresas Optantes pelo Simples Percentuais aplicáveis Art. 7° O valor devido mensalmente pelas microempresas, inscritas no Simples nessa condição, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: I até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais): 3% (três por cento); Fl. 298DF CARF MF Processo nº 13984.901372/200917 Acórdão n.º 1201002.065 S1C2T1 Fl. 6 5 II de R$ 60.000,01 (sessenta mil reais e um centavo) a R$ 90.000,00 (noventa mil reais): 4% (quatro por cento); III de R$ 90.000,01 (noventa mil reais e um centavo) a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais): 5% (cinco por cento). § 1° O percentual a ser aplicado em cada mês, na forma deste artigo, será o correspondente à receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês." O contribuinte foi intimado a apresentar os Livros Contábeis e as notas fiscais relativas aos anos 2004 e 2005. Com base na documentação apresentada, foram confeccionadas as planilhas abaixo, que contêm a receita, a receita acumulada e a alíquota de Simples aplicável a cada período de apuração. ALMIR RODRIGUES ‐ Simples ‐ 2004 MÊS RECEITA RECEITA ALÍQUOTA ACUMULADA 01/04 7.316,75 7.316,75 3% 02/04 7.595,37 14.912,12 3% 03/04 9.473,60 24.385,72 3% 04/04 8.594,39 32.980,11 3% 05/04 8.407,44 41.387,55 3% 06/04 9.510,98 50.898,53 3% 07/04 9.075,25 59.973,78 3% 08/04 9.195,16 69.168,94 4% 09/04 8.809,84 77.978,78 4% 10/04 9.485,46 87.464,24 4% 11/04 11.169,36 98.633,60 5% 12/04 13.293,91 111.927,51 5% ALMIR RODRIGUES ‐ Simples ‐ 2005 MÊS RECEITA RECEITA ALÍQUOTA ACUMULADA 01/05 10.119,01 10.119,01 3% 02/05 10.524,11 20.643,12 3% 03/05 12.160,20 32.803,32 3% 04/05 12.089,40 44.892,72 3% 05/05 10.857,54 55.750,26 3% 06/05 10.745,30 66.495,56 4% 07/05 10.087,06 76.582,62 4% 08/05 11.123,58 87.706,20 4% 09/05 10.096,33 97.802,53 5% 10/05 10.633,29 108.435,82 5% 11/05 10.996,57 119.432,39 5% 12/05* 12.838,48 132.270,87 567,61 5% 12.270,87 5,4% Analisando os pagamentos, observase que foram feitos considerando percentuais diferenciados (alíquotas majoradas em 50%). Fl. 299DF CARF MF Processo nº 13984.901372/200917 Acórdão n.º 1201002.065 S1C2T1 Fl. 7 6 Como se percebe, restou demonstrado pela diligência que o contribuinte utilizou alíquota superior a devida (em 50%), razão pela qual o crédito ora pleiteado é líquido e certo. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 300DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.002519/2001-79
Data da sessão: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Exercício: 1992
CORREÇÃO MONETÁRIA ADICIONAI, DA LEI N. 8200 - CÁLCULO
DA DEPRECIAÇÃO - EMPRESAS DE ARRENDAMENTO MERCANTIL
O parágrafo 2º do artigo 41 do Decreto n. 332, de 1991, determinava que a parcela dos encargos de depreciação, correspondente à diferença entre a variação do IPC- e do BTNF em 1990, deveria ser adicionada à base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, O objetivo da norma era anular os efeitos da correção monetária adicional, prevista na Lei nº 8200,
de 1991, para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. Sem entrar no mérito da discussão sobre a ilegalidade desse dispositivo, o fato é que as empresas de arrendamento mercantil, sujeitas aos critérios de contabilização da depreciação previstos na Circular BACEN nº, 1,429, de 1 989, já tinham na
época anulados na contabilidade os efeitos da depreciação adicional, conforme apurado em diligência. Desse modo, desnecessário o ajuste determinado pelo parágrafo 2º do artigo 41 acima mencionado.
Numero da decisão: 1802-000.508
Decisão: ACORDAM Os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram, o presente julgado.
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: JOÃO FRANCISCO BIANCO
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Sem entrar no mérito da discussão sobre a ilegalidade desse dispositivo, o fato é que as empresas de arrendamento mercantil, sujeitas aos critérios de contabilização da depreciação previstos na Circular BACEN n", 1,429, de 1 989, já tinham na época anulados na contabilidade os efeitos da depreciação adicional, conforme apurado em diligência. Desse modo, desnecessário o ajuste determinado pelo parágrafo 2" do artigo 41 acima mencionado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM Os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar _ movimento ao iecurso, nos terinos do_rel-atôfiO e votosue integram, o presente julgado.. Processo n' 16327 00251912001-79 51.-TE02 Acórdão n 1802-00508 Fl Francisco Bianco - Relator EDITADO EM: ti 5 Ain 2,010 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Con.selheiros.Ester Marques Lins de Sousa (Presidente de Turma), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casou' de Paula Fernandes Júnior. , -Nelso Kichel, Gilberto Baptista (Suplente Convocado), João Francisco Nane() (Vice Presidente de Turma) Relatório Tratam os presentes autos de exigência de CSLL, tendo em vista a suposta falta de adição na base de cálculo da contribuição, no ano-calendário de 1991, da parcela adicional da variação do 1PC/BTNF sobre os encargos de depreciação,. Intimada, a recorrente apresentou impugnação (fls. 09) alegando que a desconsideração do diferencial 1PC/BTNF na depreciação implica ilícita tributação sobre o - patrimônio. Além disso, aduziu também que, no caso de arrendadoras mercantis, o mecanismo de contabilização determinado pela Circular n". .1429/89 do BACEN elimina nas contas de resultado qualquer efeito da depreciação adicional que se pretende glosar. Para provar o alegado, requereu a realização de perícia. A DRJ manteve o trabalho fiscal (fls. 38). A decisão recorrida afastou a necessidade de perícia, tendo em vista que a matéria estava devidamente documentada nos autos.. Em seguida alegou que as matérias de cunho constitucional não poderiam ser apreciadas por fugirem da sua competência. Por fim, sustentou que a alegação de anulação dos eleitos da insuficiência da depreciação, em lace de eventual reconhecimento de receita de idêntico teor, não estava devidamente comprovada nos autos. Inconformada, a recorrente apresentou recurso vo ['tarjo (lis. 49) sustentando, em linhas gerais, que (i) a Lei n". 8.200/91 reconheceu a dedutibilidade da variação adicional cio IPC/BTN-F nas demonstrações financeiras para fins fiscais, não trazendo qualquer vedação para a CSLL; e (ii.) a circular do BACEN n". 1429/89 faz com que os ajustes da Lei n. 8200 não produza efeitos fiscais. Iniciado o exame do recurso (lis 73), deliberou a E. 8a Câmara converter o julgamento em diligência, para que Ibssem esclarecidos os seguintes pontos e tomadas as seguintes providências: 1. apurar e demonstrar as contabilizações no ano de 1991 dos encargos de depreciações e amortizações da diferença IPC/BTNF 90 (valores informados pelo contribuinte às lis 17); Processo ti 002519/2001-79 51-TE02 Acórdão n 1802-00508 H 3 2. demonstrar, segundo o Lalur partes A e B, a partir do ano de 1991, a. adição ou exclusão dos encargos de depreciações e amortizações, diferença IPC/BTNE 90, apurando a extensão dos efeitos liscais nos anos subsequentes (anexar cópias das folhas dom Lalur); e 3„ elaboração do termo fiscal substanciado e conclusivo sobre a matéria, esclarecendo sobre a existência. ou não dos efeitos tributários, com a devida ciência ao contribuinte.. A recorrente voltou a se manifestar sobre a diligência (fls. 90), desta vez explicando como funcionaria a sistemática contábil prevista na Circular BACEN n".. 1.429/89, com o intuito de demonstrar a alegada inexistência de feitos fiscais no cálculo da parcela de depreciação em função da correção adicional do IPC/BTNI.,'. Em sua explicação, a recorrente apontou que as empresas de arrendamento mercantil devem sempre manler seus ativos registrados pelo seu "valor presente". Dai decorrem duas conseqüências: (i) caso o valor dos ativos exceda seu "valor presente", registrar- se-á uma "insuficiência" de depreciação em contrapartida a uma despesa de arrendamento; (ii) caso o valor dos ativos seja inferior ao "valor presente", registrar-se-á uma "superveniência" de depreciação em contrapartida a uma receita no resultado. Com dita explicação, argumentou que eventual "aumento no valor do bem/contrato" em virtude da correção monetária adicional do 1.PC/BT.N.F geraria uma "insuficiência" de depreciação (registrada em conta de "despesa de arrendamento") e após, por efeito da depreciação do hem, geraria uma "superveniência", computada como receita no resultado, Por esse raciocínio, seria anulada a parcela computada como despesa relativa ao diferencial IPC/BTNF da Lei n", 8,200/91. 'Feita a diligência, foi lavrado o Termo de Conclusão de Diligência Fiscal (fls. 327). Concluíram as autoridades fiscais que "sem adentramos no mérito da legalidade ou não da legislação pertinente, entendemos que de ..fato o "valor absoluto" da base de cálculo da CSII, permaneceu inalterado, o que não quer dizer que concordemos com a lese da alegado inexistência de efeitos fiscais A falta da adição prevista no Decreto e. 332/91 não se confunde com a tributação de urna parcela de igual valor, mas de sifflerveniência, apurada em decorrência da sistemática coniábil prevista na Circular RAC1N n L429/89". Depois de mencionada conclusão, as autoridades fiscais responderam a todos os quesitos. A recorrente então apresentou nova mainfestação (lis. 337), reafirmando seus argumentos com relação à não influência do diferencial fPC/13TNI.,' na apuração da CSL,L, correlacionando às conclusões do termo de conclusão da diligência fiscal suas afirmativas nas manifestações anteriores. É o relatório. Voto Conselheiro, João Francisco Bianco - Relator 3 Processo n" 16:327 002510/2001-79 S1-TE02 Acórfflo n." 1802-00508 1:14 O recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Passo a apreciá-lo.. A matéria em discussão nestes autos versa sobre a necessidade de adição à base de cálculo da CSLL da parcela dos encargos de depreciação e de amortização que corresponder à correção monetária adicional do 1PC/BTNF prevista na 1,ei n. 8200, de 1991, conforme determinam os artigos 39 e 41 do Decreto n, 332, de 1991, Esses dispositivos têm a seguinte redação: Art. 39. Para fins de determinação do lucro real, a parcela dos encargos de depreciação, amortização, exaustão, ou do custo de bem baixado a qualquer título, que corresponder à dikr coça de correção monetária peto IPC e pelo .13TAT Fiscal somente poderá .ser deduzida a partir do exercício financeiro de _1994, período- base de 1993 §. I" Os valores a quc, .se refere este artigo, cornputados em conta de resultado anteriormente ao período-base de 1993, deverão ser adicionados. ao lucro liquido, para determinação do lucro 2" As quantias adit'iomidas serão controladas na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real, para exclusão a partir do exercício financeiro de 1994, corrigidas monetariamente com base no INPC. Art. 41. O resultado da correção monetária de que trata este Capítulo 11ãO influirá na base de cálculo da contribuição .social (Lei n" 7.689/88) e do imposto de renda na finte .sobre o lucro líquido (Lei n"7.713/88, art, 35. ) I" Caso o resultado .sc/a credor, sua distribuição a sócio ou acionista pessoa física acarretará a cobrança do imposto de renda na firme. calculado segundo o previsto no art 25 da Lei 7.713, de 22 de dezerribro de 1988, devendo essa incidência ocorrer, também, na hipótese da redução do capital aumentado com parcela do referido resultado, na proporção do mlor da redução. §. 2" Os valores a que .S'e ré:kre o art. 39, computados em conta de resultado, deverão ser adicionados ao lucro líquido na determinação da base de cálculo da contribuição social (Lei n" 7.68.9/88) e do imposto sobre o lucro liquido (Lei n" 7.713/88, (rt. 35 ). 3" Não será atribuído custo as ações ou quotas recebidas bonificação pelos acionistas Ou .sócio.s em razão da capitalização do saldo credor da correção monetária das contas rciéridas neste capitulo. I' ro cesso II" 16327 00251912001-79 Si -TE02 Acórdão n 1802-00508 Fl . 5 O dispositivo que nos interessa mais especificamente é o parágrafo 2" do artigo 41, que prevê a obrigatoriedade de adição à -base de cálculo da CS1L da parcela dos encargos de depreciação e amortização que corresponder à diferença de correção entre o [PC e o BTN11 prevista na Lei a 8200, de 1991. Sustenta a decisão recorrida que a determinação prevista no decreto deve ser atendida pela recorrente e urna sua eventual ilegalidade ou inconstitucional idade não pode ser apreciada pelo julgador administrativo, .tá a recorrente lança mão de dois tipos de argumentos para sustentar seu ponto de vista. Primeiro alega que a ilegalidade do artigo 41 do Decreto n.. 332, de 1991, foi reconhecida por pacífica jurisprudência administrativa, inclusive pela Câmara. Superior de Recursos Fiscais. Segundo, sustenta. que a contabilidade das empresas de arrendamento mercantil deve obedecer Os critérios estabelecidos na Circular 13acen n. 1429, de 1989, que prevê um regime especial de reconhecimento das despesas 'de depreciação que anularia a necessidade de adição da correção monetária adicional prevista no artigo 41 do Decreto 332. Examino cada um deles separadamente Efetivamente, a ilegalidade do artigo 41 do Decreto n. 332, de 1991, é entendimento pacificado na jurisprudência deste Conselho.. São várias as manifestações nesse sentido, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Pessoalmente, nunca tive dúvidas sobre a correção do entendimento jurisprudencial. E nem o que restou decidido pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário n. 201.465-6/MG, de 02.05.2002, que decidiu pela constitucionalidade do inciso I do artigo 3' da I,ei n. 8200, de 1991, autoriza uma revisão desse entendimento pois as matérias são completamente diversas. Desse modo, só por esse motivo já votaria pelo provimento d.o recurso voluntário. Mas há mais.. No caso especifico em exame, existem umas particularidades no cálculo da depreciação das empresas de arrendamento mercantil que autorizam a conclusão de que a adição da parcela adicional dos encargos de depreciação e amortização na base de cálculo da CSLL é incorreta. Com efeito, abstraindo-se de qualquer consideração acerca da ilegalidade do citado artigo 41, o exame do seu teor indica que o objetivo da adição da parcela adicional de depreciação na base de cálculo da CSLL foi anular os efeitos do acréscimo de valor do bem do ativo permanente, determinado pela Lei n.. 8200. Isso porque, segundo o Decreto n. 332, o resultado da correção adicional não deveria influenciar a base de cálculo da CSLL (artigo 41 do Decreto). Mas para as empresas de arrendamento mercantil, a adição seria desnecessária, pois em função do cálculo especifico de depreciação dessas entidades, o acréscimo de valor do ativo permanente pela correção adicional já seria automaticamente anulado, Essa questão não passou despercebida da E. 8`1 Câmara, que, por meio de pedido de diligência, deliberou um maior aprofundamento da matéria. E no Termo de fls 327, a Processo n' 16327.002519/2001-79 Si -TE02 Acórdão n." 1802-00508 Fl 6 fiscalização acabou concluindo que os argumentos sustentados pela recorrente estariam corretos.. Contira-se: "Sobre a.s alegações da contribuinte no sentido de que a .sistemática contábil adotada em obediência à Circular Bacen n 1429/89 resulta em inexistência de efeitos fiscais, a tese resta comprovada se levarmos em conta que tais deito.s estejam re.sfritos ao valor final da base de cálculo Sob esse aspecto, as contrapartidas das despesa .s contabilizadas oneram o valor da superventência e o diferencial recompõe a base de cálculo da CS1.1„ como receita tributável, por inexistèricia de previsão legal para deduzi-la.s do lucro".(fls .334) Diante de todo o exposto, seja em virtude da ilegalidade do artigo 41 do Decreto n. 332, de 1991, seja pelo resultado da diligência que eviden.ciou a inexistência de Prejuízo ao erário, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em05 de julho de 2010 f.--- A Nü rir?„ R ator João "Francisco Bianco 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSET HO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CAMARA - PRIMEIRA SEÇÃO TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Proeuradoies da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do ali. 81, 3', do anexo II, do Regimento Interno do CARI, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009 Biasília, 09 dc agosto de 2010. Maria Conceição 4 ousa ffbdrigires - Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [1 com Embargos de Declaração
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Numero do processo: 16327.001307/2004-17
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2001
INCENTIVOS FISCAIS - "PERC" - COMPROVAÇÃO DA
REGULARIDADE FISCAL.
A comprovação da regularidade fiscal deve se reportar A. data da opção do beneficio, pelo contribuinte, com a entrega da declaração de rendimentos. Comprovada a regularidade fiscal em qualquer fase do processo ou não logrando a administração tributária comprovar irregularidades que se reportem ao momento da opção pelo beneficio, deve ser deferida a apreciação
do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais - PERC.
Numero da decisão: 1803-000.322
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso para afastar a preliminar de descumprimento do art. 60 da Lei n° 9.069/1995, devendo a repartição de origem prosseguir a análise do mérito do pedido, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Sergio Rodrigues Mendes votou pelas conclusties, Declarou-se impedida a Conselheira Selene Ferreira de Moraes.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Luciano Inocêncio dos Santos
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TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP I ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001 INCENTIVOS FISCAIS - "PERC" - COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. A comprovação da regularidade fiscal deve se reportar A. data da opção do beneficio, pelo contribuinte, com a entrega da declaração de rendimentos. Comprovada a regularidade fiscal em qualquer fase do processo ou não logrando a administração tributária comprovar irregula ridades que se reportem ao momenta da opção pelo beneficio, deve ser deferida a apreciação do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais - PERC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para afastar a preliminar de descumprimento do art. 60 da Lei n° 9.069/1995, devendo a repartição de origem prosseguir a análise do mérito do pedido, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Sergio Rodrigues Mendes votou pelas conclusties, Declarou-se impedida a Conselheira Selene Ferreira de Moraes. Processo n° 16327.001307/2004-17 si -T E03 Acórao n.° 1803-00322 F l 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Walter Adolfo Maresch, Benedicto Celso Benicio Júnior, Sergio Rodrigues Mendes, Luciano Inocêncio dos Santos. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ que manteve o indeferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC apresentado pela empresa já qualificada nos autos deste PAP, relativo aos valores aplicados no FINOR de parte do IRPJ do ano-calendário 2001, exercício 2002, em razão do descumprimento da condição estipulada pelo art. 60, da Lei 9.069/1995, qual seja, comprovação da quitação de tributos e contribuições federais perante a Secretaria da Receita Federal — SRF, Procuradoria Geral da Fazenda Nacional — PGFN, Instituto Nacional da Seguridade Social — INSS e perante a Caixa Econômica Federal (CEF)/FGTS. Ao indeferir o pedido, o auditor fiscal designado informou por meio do Despacho Decisório proferido em março/2006 que: 5- 0 interessado original do feito foi objeto de opera cão societária que resultou na sua incorporação pelo contribuinte inscrito no CNPJ sob re 33.055,146/0001-93 (Bradesco Seguros SA), cuja situação cadastral junto ao CNPJ é de "ativa", pertencendo ti jurisdição desta unidade administrativa (Ils. 59/60). Em face de tal quadro a eventual acolhida do pedido em questão deve ser antecedida pela averiguação da regularidade fiscal de ambos contribuintes, incorporado e incorporador. 6 o interessado apresentou uma única DIPJ relativa ao período de apuração de 01/01/2001 a 31/10/2001, tendo sido a mesma processada e liberada sem o registro de eventos. Os valores declarados da base de cálculo e do valor liquido do incentivo e seus correspondentes normalizados que são os valores declarados ajustados por processamento eletrônico aos limites determinados pela legislação; são coincidentes e indicam opção de aplicação dirigida ao FINOR no montante de R$ 190.904,28 «is. 51/57). 7. Antes de apreciar o pleito do interessado quanto ao seu mérito convém verificar, em caráter preliminar se o mesmo poderia usufruir o incentivo .fiscal em questão, considerando o que dispõe a legislação que rege a matéria. Nesse intuito foram consultados os dados do incorporado e do incorporador manlidos junto ao CADIN, bem como os registros de regularidade mantidos pela SRF, PGFN, INSS e CEF/F'GTS 61/87), 8- A aludida consulta indica que:- o incorporado encontra- se inscrito no Cadin 1. 87» - o incorporador está em situação irregular junto à PGFN al 84); e a mais recente CND emitida 41. 4. Processo e 16327.001307/2004-17 S 1 -TE03 AcOran n 1803-00.322 Fl 3 pela SRF encontra-se vencida desde 26/11/2005 (1E65), estando da mesma forma irregular sua situação junto a este órgão (fls. 66/67; 79; 83) - impedindo-o de apresentar a comprovação atualizada da quitação de tributos e contribuições federais, com o que . ficam materializadas as vedações previstas na legislação transcrita: (..)" Irresignada corn o referido Despacho Decisório, do qual foi devidamente cientificada em 28/04/2006 (fl. 93), a recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade (fls. 94/100), aduzindo as razões de seu inconformismo, que, por unanimidade de votos, foi indeferida pela OITAVA TURMA DIU/SÃO PAULO — SPOI, conforme se verifica pela transcrição da ementa abaixo: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendtirio: 2001 PERC - QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS - PROVA, Nos termos do art, 60 da Lei 9.069/95, a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo,fiscal fica condicionada comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Diante da ausência desta prova o PERC não pode ser deferido." Regularmente intimada do teor da decisão recorrida em 29 de outubro de 2007, a interessada apresentou Recurso Voluntário no dia 27 de novembro do mesmo ano. Nesta peça, a Interessada apresenta as seguintes argumentações em ataque ao decisum: a) A Certidão Negativa de Débitos (CND) ou positiva com efeitos de negativa (CPD-EN) emitidas nos termos dos artigos 205 c 206, do CTN, respectivamente, são provas de situação tributária regular perante o Fisco, e, portanto, documentos hábeis ao cumprimento da condição estabelecida para concessão dos referidos incentivos fiscais. b) Em respeito ao principio da segurança jurídica, o momento que o contribuinte deve encontrar-se regular diante das suas obrigações fiscais é quando há a concessão do beneficio, ou seja, quando ocorre o processamento da DIPJ. c) Alega cerceamento de defesa, em afronta ao preceito constitucional que assegura os direitos à ampla defesa e ao contraditório, pois não lhe foi dado conhecimento dos débitos que restringiram a concessão do beneficio antes do indeferimento do PERC, ato que impossibilitou o esclarecimento ou justificação da situação fiscal que lhe foi imposta. d) Aponta afronta o principio da isonomia na concessão do beneficio àqueles que optaram pela aplicação de parte do imposto de renda devido em investimentos ao Finor através de pagamento por DARF específico em detrimento daqueles que escolheram optar quando da Processo n° 16327.001307/2004-17 S1-1 E03 Acórdão n ° 1803-00-322 Fl 4 entrega da DIRT, eis que as alterações advindas da MP n.° 2.145/2001 não determinaram o prazo de 02/05/2001 para opção ao beneficio no exercício de 2001, permanecendo inalterada a possibilidade de opção quando da entrega da DIPJ. E o relatório. Voto Conselheiro Luciano Inocêncio dos Santos, Relator 0 recurso é tempestivo e preenche os requisitos essenciais A sua admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Na análise Mica da regularidade fiscal da recorrente, verifica-se que no período transcorrido entre a apresentação do Pedido de Revisão de ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC (fls. 1) e a data de emissão dos débitos apontados corno impeditivos de fruição do beneficio fiscal (fls. 66/67, 79/80 e 83/84), que a empresa obteve certidão de regularidade fiscal (fis. 477), contudo, devido à oscilações na regularidade fiscal do contribuinte, percebeu-se a existência de débitos no momento da análise do PERC (30/03/2006), situação restritiva à concessão do beneficio. Este Conselho reiteradamente tern se manifestado no sentido de que não 6 razoável exigir do contribuinte a comprovação de sua regularidade fiscal em momento (incerto) de exame do PERC, devendo esta comprovação se reportar ao momento da opção pelo incentivo fiscal, com a entrega da DIN, que no presente caso se deu em 29/11/2001. Com efeito, esse entendimento já se encontra assentado neste conselho, como se extrai do brilhante voto da lavra do Conselheiro Caio Marcos Cândido, no acórdão n° 101- 96.863 de 13/08/2008, da P Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que assevera (in verbis): "0 sentido da lei não é impedir que o contribuinte em débito usufrua o beneficio fiscal, mas sim, condicionar seu gozo quitação do débito, Dessa forma, a comprovação da regularidade fiscal, visando o deferimento do PERC, deve recair sabre aqueles débitos existentes na data da entrega da declaração, o que poderá ser feito em qualquer fase do processo." (Nossos Grifos) Por outro lado, a falta de definição legal acerca do momento em que a regularidade fiscal deve ser comprovada, tem induzido a autoridade fiscal à discricionariedade de deslocar a análise da regularidade fiscal para o momento de apreciação do PERC, desde que se atenha ao período de opção ao beneficio e respeite os direitos do contribuinte A. ampla defesa e ao contraditório, de modo a lhe permitir que comprove sua aptidão à concessão em qualquer fase do processo. Processo n° 16327001307/2004-17 SI-TE 03 Acórdão n.° 1803-00.322 Fl 5 Tal entendimento, após reiteradas decisões do anterior Conselho de Contribuintes, foi sumulado pelo atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cujo teor da sumula assim assevera (in verbis): Súmula CARF n° 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prom da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto le 70.235172. Assim, acompanhando os fundamentos dos aduzidos votos proferidos por este conselho e da Súmula do CARF ri..° 37, os quais pego vênia para fundamentar as minhas conclusões e, conquanto provada a regularidade fiscal em momento posterior à apresentação do pedido de revisão, DOU PROVIMENTO ao recurso para deferir a apreciação do PERC. .t. como vot . j .11 . Luciano hihcêncidos Santos EY7 Processo n° 16327 001307/2004-17 S1-TE03 PI. 6 Acórdão rt.° 1803-00322 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art, SI, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARP, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasilia, 12 11 DV 20 10 \ p VOzpaiga.._ Jansteia ae Sousa Roarigues - Secretatia da Camara Ciência Data: Nome: Proem ador (a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [j apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; []com Embargos de Declaração. 6
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Numero do processo: 10680.015606/2004-23
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1999
AUTO DE INFRAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. AÇÃO RESCISÓRIA.
Não pode a ação rescisória convalidar auto de infração lavrado na existência de coisa julgada favorável ao sujeito passivo.
Numero da decisão: 1803-000.692
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes e Walter Adolfo Maresch. Designado o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-30T03:36:07Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2109283_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2010-11-30T03:36:07Z; Last-Modified: 2010-11-30T03:36:07Z; dcterms:modified: 2010-11-30T03:36:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2109283_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:e464051d-eb18-4a5f-bc28-73efadfab3a1; Last-Save-Date: 2010-11-30T03:36:07Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2010-11-30T03:36:07Z; meta:save-date: 2010-11-30T03:36:07Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2109283_0.doc; modified: 2010-11-30T03:36:07Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2010-11-30T03:36:07Z; created: 2010-11-30T03:36:07Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2010-11-30T03:36:07Z; pdf:charsPerPage: 1307; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2010-11-30T03:36:07Z | Conteúdo => S1-TE03 Fl. 330 1 329 S1-TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.015606/2004-23 Recurso nº 864.076 Voluntário Acórdão nº 1803-00.692 – 3ª Turma Especial Sessão de 10 de novembro de 2010 Matéria CSLL Recorrente TAMASA ENGENHARIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1999 AUTO DE INFRAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. AÇÃO RESCISÓRIA. Não pode a ação rescisória convalidar auto de infração lavrado na existência de coisa julgada favorável ao sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes e Walter Adolfo Maresch. Designado o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes – Redator designado. EDITADO EM: 30/11/2010 Fl. 707DF CARF MF Emitido em 30/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 30/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 30/11/2010 por SELENE FERREIRA DE M ORAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Rodrigues Mendes, Luciano Inocêncio dos Santos. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Contra o Contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 05/08, que exige a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, no valor de R$ 461.412,28, cumulada com multa de oficio, no percentual de 75% , e juros de mora pertinentes calculados até 29/10/2004. Lançamento da CSLL. Descrição dos Fatos. Na descrição dos fatos, a Fiscalização fez as anotações abaixo transcritas: "001 —CSLL. DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO (VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS) Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados, conforme Termo de Verificação Fiscal, em anexo". Do Termo de Verificação Fiscal — TVF (fls. 12/15). Substancialmente, a Fiscalização relata que o Contribuinte, empresa filiada ao SICEPOT/MG, apresentou para justificar a falta de declaração e recolhimento da CSLL, cópias de ações judiciais. Da Impugnação. Tendo sido dele cientificado, em 14/12/2004, o sujeito passivo contestou o lançamento, em 07/01/2005, mediante o instrumento de fls. 231/249. Adiante compendiam-se suas razões. Inicialmente, o Impugnante ressalta a tempestividade da defesa apresentada. DOS FATOS/DO DIREITO. Salienta que o cerne da questão em discussão se consubstancia no fato que a Autuada possui ação transitada em julgada, não se sujeitando, assim, aos recolhimentos da CSLL, em respeito ao art. 5°, XXXVI, da Constituição Federal (coisa julgada). Diz que a pretensão fiscal está a violar expressamente o citado art. da Constituição Federal, e o 467 do CPC, já que desrespeita a coisa julgada. Fl. 708DF CARF MF Emitido em 30/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 30/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 30/11/2010 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10680.015606/2004-23 Acórdão n.º 1803-00.692 S1-TE03 Fl. 331 3 É esse o entendimento da 4ª Turma do TRF da 1ª Região, por meio de acórdão da lavra da Exma. Juíza Eliana Calmon, no agravo de instrumento 1997.01.00.017225-1/MG, DJU/2, 13/4/98, p. 167-167. DA INDEVIDA APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO E DOS JUROS DE MORA. Alega que foram acrescidos, indevidamente e ilegalmente, aos valores exigidos multa de lançamento de oficio, no percentual de 75%, bem como juros de mora. Com relação à multa de lançamento de oficio, flagrante a ilegalidade de sua aplicação, haja vista que é, por excelência, sanção pelo inadimplemento. Não se pode admitir que o contribuinte, que acode ao Judiciário e que, mostra uma pretensão plausível, seja qualificado de inadimplente. Defende que não deve prevalecer a incidência de juros moratórios e a multa de oficio. DA INAPLICABILIDADE DA TAXA DE JUROS COM BASE NA SELIC. Fundamentalmente, discorda da cobrança de juros de mora, com base na Taxa Selic. Ao final, requer seja julgado improcedente a presente autuação.” A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, em decisão assim ementada: “Coisa Julgada. A declaração da inconstitucionalidade da Lei 7.689/88 e a exclusão de sua eficácia, em caráter permanente e definitivo, só podiam ser obtidas mediante ação direta de inconstitucionalidade. Na via incidental, o reconhecimento da inconstitucionalidade constitui pressuposto da decisão e apenas afasta a aplicação da lei ao caso concreto, mas ela continua a vigorar. As razões de decidir e as questões julgadas incidentemente no processo não integram a coisa julgada. Lei Superveniente. A Lei n° 8.212/91 por si só legitima a exigência de contribuição social sobre o lucro. Ação Rescisória. Fl. 709DF CARF MF Emitido em 30/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 30/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 30/11/2010 por SELENE FERREIRA DE M ORAES 4 Os efeitos da coisa julgada decorrentes de provimento judicial no qual se reconhecera a inconstitucionalidade da CSLL com fundamento na Lei n° 7.689/88 que instituiu a CSLL, não atingem relações futuras, regidas por normas supervenientes ( Lei n° 7.856/89 - art. 2°; Lei n° 8.034/90 - art. 2°; Lei n° 8.212/91 - art. 23, II e Lei Complementar n° 70/91- art. 11), do que se conclui ser legítima a cobrança da contribuição a partir da lei n° 7.856/89, observada, por óbvio, a anterioridade nonagesimal. Contudo, ainda que se entenda que a Lei n° 7.856/89 (art. 2°) não tenha restaurado a referida contribuição, posto que alterou dispositivo considerado inconstitucional, por decisão com eficácia inter partes, certo é que a Lei n° 8.212/91 (art. 23, II) dispôs autonomamente sobre a CSLL, reinstituindo-a partir da definição de todos os aspectos da hipótese de incidência. Multa de Ofício. Segundo a legislação vigente, nos casos de lançamento de oficio, será aplicada multa de 75%, sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição não recolhida.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, além de reiterar as alegações contidas na impugnação, acrescenta as seguintes considerações: a) Equivocou-se, data vênia, o julgador de 1ª a instância ao entender que a Lei 8.212 de 1991 teve o condão de restituir a CSLL e que, desse modo, não haveria motivo para o cancelamento da autuação. b) A legislação ulterior à Lei 7.689/88 não alterou, na essência, a CSLL, que ainda é o mesmo tributo de antes. c) Ainda que a Lei 8.212/91 se refira à CSLL, os mecanismos de apuração da base de cálculo e o tipo legal - fato gerador (lucro) continuam regrados pela mesma Lei 7.689/89. Além disto, as normas da Lei 7.689/88 foram expressamente mantidas pelo art. 72 dc ADCT, inciso III. d) Se de fato, a Lei n° 7.689/88, não mais vigorasse desde 1991, não haveria de constar em uma Medida Provisória expedida no ano 2001, ou seja, dez anos após, uma alteração da Lei n° 7.689/88, mas, sim, da indigitada Lei n° 8.212/91. e) A presente autuação ofende sim o art. 5°, XXXVI, da Constituição Federal. Afinal, ainda que tivesse havido nova lei instituidora da CSLL (o que não é verdade, como visto e expresso em normas transcritas), ela ainda não poderia afetar coisa julgada. f) O Poder Judiciário repugna a cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro (feito a pretexto da Lei 8.212), porque reconhece que coisa julgada impede tal cobrança. g) Também na vigência da Lei 8.212/91, o SICEPOT propôs novo Mandado de Segurança Coletivo a fim de colocar um ponto final nas insistentes pretensões do Fisco, apesar do entendimento de que a questão já estava decida e sanada com a decisão transitada em julgado do primeiro mandado de segurança interposto. Fl. 710DF CARF MF Emitido em 30/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 30/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 30/11/2010 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10680.015606/2004-23 Acórdão n.º 1803-00.692 S1-TE03 Fl. 332 5 h) O acórdão referente a ação rescisória do Recorrido que acabou por reformar o acórdão concessivo de segurança da contribuinte, dizendo, por fim, ser exigível a CSLL (art. 23, II, da Lei n° 8.212/91), evocando fundamentos inconsistentes posto desviados da verdade fático-jurídica, não pode ser rescindível. i) A decisão judicial que respalda o ora recorrente a não recolher a CSLL é aquela proferida nos autos do primeiro Mandado de Segurança (Pn° 1989.00.01256-8), posto ser do entendimento majoritário tanto da doutrina quanto da jurisprudência que a Lei 7.689/88 ainda vigora. j) A multa de ofício exigida do contribuinte é indevida, sendo inconstitucional em face da afronta ao princípio da razoabilidade. k) Caso, absurdamente, se entenda pela aplicação da multa neste caso concreto, importante salientar que a Câmara de Recursos Fiscais limite a aplicação desta "multa isolada" ao saldo de imposto anual apurado, o que equivale a não aceitar a aplicação da multa quando o lucro real anual é negativo e a fiscalização se dá após o encerramento do ano- calendário. l) Ilegalidade da multa de ofício e dos juros moratórios aplicados aos supostos débitos tributários. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 09/02/2010 (AR de fls. 282). O recurso foi protocolado em 23/02/2010, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. O cerne da questão em debate é definir os efeitos das decisões com trânsito em julgado sobre o crédito tributário objeto da presente autuação. O lançamento tem como fundamentos legais o art. 2º, e §§, da Lei 7.689/1988, e a Lei nº 8.212/1991. A seguir demonstramos o objeto das ações judiciais que afetam o presente lançamento: • Mandado de Segurança Coletivo nº 1989.00.01256-8: “II - DOS FATOS E DO DIREITO 2.1. A União, através da Medida Provisória nr. 22, de 6 dezembro de 1.988, posteriormente transformada na Lei nr. 7.689, de 15 de dezembro de 1.988, instituiu a contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas. As empresas Fl. 711DF CARF MF Emitido em 30/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 30/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 30/11/2010 por SELENE FERREIRA DE M ORAES 6 associadas ao Impetrante, a partir de abril do corrente, estão sujeitas ao pagamento desta contribuição à base de 8% do valor do resultado do exercício encerrado em 31 de dezembro do 1988, na forma da lei instituidora. IV - DO PEDIDO 4.1. Ante o exposto, requer a concessão da liminar, notificando- se o Impetrado para que, desde já, abstenha-se de cobrar a contribuição ora impugnada, sendo, após prestadas as informações, deferido o "writ", assegurando-se às associadas do Impetrante o direito de não recolherem a contribuição social instituída pela MedidaProvisória nr. 22 em razão dos vícios de inconstitucionalidade demonstrados acima.” • Mandado de Segurança Coletivo nº 96.0036458-3 (número no Tribunal 1998.01.00.074844-4 - fls. 117/123): “2- DOS FATOS 2.1. O Impetrante patrocinou, em favor das empresas associadas, mandado de segurança coletivo contra a exigência da Contribuição Social sobre o Lucro, instituída pela Lei 7.689, de 15.12.88, processo que tramitou perante o Juízo da 2ª Vara Federal desta Capital, sob o n° 89.0001256-8. A segurança foi acolhida na primeira instância, dispensando as empresas do pagamento da contribuição, consoante sentença anexa. O Tribunal Regional Federal, ao julgar os recursos voluntário e o de ofício, confirmou a sentença de primeiro grau, decisão que transitou em julgado em dezembro de 1991, inexistindo iniciativa da Fazenda quanto à ação rescisória no prazo legal. 2.2. Recentemente, várias empresas integrantes daquela ação coletiva requereram à Secretaria da Receita Federal, chefiada pela Autoridade Coatora, a Certidão Negativa de Débito. A CND foi negada, sendo enviado às empresas o aviso de cobrança anexo, discriminando o tributo cobrado, incluindo multa, juros e correção monetária, que, segundo a Autoridade impetrada, seria devido em relação ao lucro apurado a partir do ano-base de 1991, inclusive.” 6- DO PEDIDO 6.1. Requer, após concedida a liminar, seja notificado o Impetrado para prestar as informações de praxe, julgando-se procedente a segurança, para ordenar, de forma definitiva, à Autoridade que se abstenha de cobrar das empresas associadas do Impetrante a contribuição social sobre o lucro, além de determinar à mesma que não se utilize dos alegados débitos desta contribuição como fatores impeditivos à obtenção de certidões negativas ou outros direitos quaisquer, cuja condição seja a quitação tributária”. Ambos os mandados de segurança tiveram decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, com trânsito em julgado. Fl. 712DF CARF MF Emitido em 30/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 30/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 30/11/2010 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10680.015606/2004-23 Acórdão n.º 1803-00.692 S1-TE03 Fl. 333 7 No entanto, a decisão do Tribunal no mandado de segurança n° 96.0036458- 3, com trânsito em julgado 22/04/1999, foi objeto da ação rescisória n° 2001.01.00.015071-8. Esta ação rescisória foi julgada procedente, em decisão assim ementada (fls. 263/264): “AÇÃO RESCISÓRIA- PROCESSO CIVIL - TRIBUTÁRIO — DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI N° 7.689/88 QUE INSTITUIU A CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO-CSLL — EFEITOS OBJETIVOS DA COISA JULGADA — RELAÇÕES CONSTITUÍDAS COM BASE EM LEIS SUPERVENIENTES — SÚMULA N° 239/STF - LEGITIMIDADE DA COBRANÇA - INAPLICABILIDADE DA SÚMULA N° 343/STF. 1 — Descabida a incidência da Súmula n° 3431STF, porquanto a questão envolve matéria de índole constitucional, qual seja, a dimensão objetiva da coisa julgada em face De norma superveniente (art. 5° XXXVI, inicio da fruição do benefício pelo contribuinte. Deve ser comprovado CF). 2 - Os efeitos da coisa julgada decorrentes de provimento judicial no qual se reconhecera a inconstitucionalidade da cobrança da CSLL com fundamento na Lei n° 7.689/88, que instituiu a CSLL, não atingem relações futuras, regidas por normas supervenientes (Lei n° 7.856/89— art. 2°; Lei n° 8.034/90 - art. 20; Lei n° 8.212/91 — art. 23, II e Lei Complementar n° 70/91 - art. 11), do que se conclui ser legítima a cobrança da contribuição a partir da Lei n° 7.856/89, observada, por óbvio, a anterioridade nonagesimal. 3 - Nesse sentido: (AR n° 2002.01.00.029739-5/MG, Rel. Des. Federal Leomar Barros Amorim de Sousa, 4ª Seção, DJ de 25.8.2005; AC n° 1999.38.00.014275-0/MG, Rel. Juiz Conv. Carlos Alberto Simões de Tomaz, DJ de 19/12/2005 e AgRg no RESP n° 703.526/MG, Rel. p/ ACÓRDÃO acórdão Min. Teori Albino Zavaski, DJ de 19/9/2005). 4 - De acordo com o STF, Súmula n° 239: "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores. 5 - No caso específico dos autos, assegurou-se às empresas associadas do sindicato o direito de não recolherem a CSLL, por se haver reconhecido a inconstitucionaiidade formal da norma (Lei n° 7.689/88), ao fundamento de que indispensável seria o manejo de lei complementar para instituição do referido tributo (AMS n° 90.01.05115-4/MG. Rel. Juiz, Leite Soares, julgado em 30.10.1991). 6 - Contudo, ainda que se entenda que a Lei n° 7.856/89 (art. 2°) não tenha restaurado a referida contribuição, posto que alterou dispositivo considerado inconstitucional, por decisão com eficácia inter partes, certo é que a Lei n° 8.212/91 (art. 23, II) Fl. 713DF CARF MF Emitido em 30/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 30/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 30/11/2010 por SELENE FERREIRA DE M ORAES 8 dispôs autonomamente sobre a CSLL, reinstituindo-a a partir da definição de todos os aspectos da hipótese de incidência. 7— Pedido rescisório procedente. 8 —Apelação da Fazenda Nacional provida. 9 — Segurança denegada.” O lançamento foi efetuado em 14/12/2004, ou seja, após a interposição da ação rescisória, mas antes da decisão que julgou o pedido rescisório procedente. A súmula CARF n° 1 assim dispõe: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Esta súmula não é diretamente aplicável ao presente caso, porque a ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo, não foi proposta pelo sujeito passivo, mas pela Fazenda Pública. No momento em que foi efetuado o lançamento, com base na tese da inovação legal trazida pela Lei n° 8.212/1991, já estava correndo a ação rescisória interposta pela Fazenda Pública. É inegável que há concomitância entre o processo judicial e o administrativo, no que diz respeito à cobrança da CSLL com base na Lei n° 8.212/1991. Logo, pelas mesmas razões que motivaram a súmula CARF n° 1, a discussão acerca da possibilidade de cobrança da CSLL não deve ser conhecida na esfera administrativa. Isto porque, a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Assim, no presente caso, resta-nos cumprir a decisão judicial proferida na ação rescisória n° 2001.01.00.015071-8, que concluiu que é cabível a cobrança da CSLL a partir da Lei n° 8.212/91 (art. 23, II), sob o argumento de que ela dispôs autonomamente sobre a CSLL, reinstituindo-a a partir da definição de todos os aspectos da hipótese de incidência. No tocante à multa de ofício, é cabível sua discussão na esfera administrativa, uma vez que é matéria distinta da constante do processo judicial. O art. 63 da Lei n° 9.430/1996, e os incisos IV e V do art. 151 do CTN assim dispõem: “Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício.” CTN Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) Fl. 714DF CARF MF Emitido em 30/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 30/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 30/11/2010 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10680.015606/2004-23 Acórdão n.º 1803-00.692 S1-TE03 Fl. 334 9 IV - a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V - a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial;” Ora, se não é cabível lançamento de multa de ofício quando há liminar ou tutela antecipada em ação judicial, mais improcedente ainda é o seu lançamento no presente caso, em que a contribuinte possuía decisão judicial com trânsito em julgado ainda válida. É certo que tal decisão já era objeto de ação rescisória, mas ainda não havia sido proferida nova decisão acolhendo o pedido rescisório. Por fim, quanto ao cabimento da taxa Selic, deve ser trazida à colação a Súmula CARF nº 4: “Súmula CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais”. Ante todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso, para aplicar ao presente processo administrativo a decisão proferida nos autos da ação rescisória n° 2001.01.00.015071-8, e excluir da tributação a multa de ofício de 75% . (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Voto Vencedor Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Redator Designado Tive vista do processo para melhor examinar a questão ora em julgamento. Conforme se observa dos autos, a ação rescisória da Fazenda Nacional foi provida em 2009. Mas, em 2004, ano do lançamento, o sujeito passivo estava amparado por ação judicial transitada em julgado em seu favor, que impedia a exigência de CSLL. Tenho que a ação rescisória não pode convalidar um auto de infração lavrado na existência de coisa julgada favorável ao sujeito passivo. Por força de sentença judicial definitiva, não havia qualquer infração a ser objeto de auto de infração. Não havia inadimplemento. Entendo que, para se aquilatar do cabimento ou não do auto de infração, deve-se examinar a situação à época de sua lavratura, não podendo influir nessa avaliação fatos ocorridos posteriormente. Diz o acórdão recorrido o seguinte (fls. 278): Fl. 715DF CARF MF Emitido em 30/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 30/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 30/11/2010 por SELENE FERREIRA DE M ORAES 10 Em suma, no caso de ação judicial finda, cuja decisão tenha transitado em julgado a favor do sujeito passivo, mas que posteriormente restou rescindida por violar expressamente disposição literal de lei, não ocorre a extinção do crédito tributário e o lançamento por falta de recolhimento do imposto ou da contribuição (objeto da discussão judicial) há de ser efetuado com a exigência normal tanto da multa prevista como dos juros de mora, ambos previstos em lei. O lançamento há de ser efetuado, sim, com certeza. Mas apenas após a rescisão da decisão transitada em julgado a favor do sujeito passivo. Não antes! No momento em que foi lavrado o auto de infração isso não era possível, por afrontar a coisa julgada. Depois da rescisão dessa coisa julgada, sim, pode a Fazenda Nacional efetuar a lavratura de auto de infração, não havendo que se falar, nessa hipótese, em decadência, por estar, até então, impossibilitada aquela lavratura. Concorda-se inteiramente com o seguinte trecho do Recurso interposto (fls. 302): 59. Resta comprovado que o fisco está punindo a empresa contribuinte, ora recorrente, por não haver feito um pagamento que não era devido por força de decisão judicial e, o que é pior, a penalidade é calculada sobre o montante desse pagamento. Absurdo! Voto pelo provimento do Recurso. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 716DF CARF MF Emitido em 30/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 30/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 30/11/2010 por SELENE FERREIRA DE M ORAES
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