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Numero do processo: 14041.001035/2005-15
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2000
IRPJ. INCENTIVOS FISCAIS..As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão manifestar a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais na declaração de rendimentos ou no curso do anocalendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado, apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 1402-000.216
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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INCENTIVOS FISCAIS..As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão manifestar a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais na declaração de rendimentos ou no curso do ano- calendário,nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado, apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Edijalmo Antônio da Cruz, Sergio Luiz Bezerra Presta, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE 2 Relatório A 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília DF, cumprindo o disposto no art. 34 do Decreto 70.235/1972, com observância da Portaria MF 03/2008, interpôs recurso de oficio em relação ao Acórdão 03-22.364, fl. 237. Adoto o relatório da DRJ), verbis:. Em 30/11/2005, em face de procedimento interno de revisão da DIPJ do exercício 2001, ano-calendário 2000, foi lavrado auto de infração do IRPJ, cujo crédito tributário perfaz o montante de R$ 1.671.068,88, assim discriminado (fls. 01/09): IRPJ, R$ 643.065,07; Juros de Mora (calculados até 30/11/2005), R$ 545.705,01 ; Multa de Ofício (75%), R$ 482.298,80. Infração imputada: Consta do auto de infração a seguinte descrição (fls. 03/04), in verbis: (...) FUNDOS DE INVESTIMENTO – FINOR, FINAM, FUNRES. APLICAÇÃO – EXCESSO EM DETRIMENTO DO IMPOSTO Em procedimento de revisão interna da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativa ao ano-calendário 2000, exercício 2001 (DIPJ nº 1012645), apresentada pela Companhia Energética de Brasília, CNPJ nº 00.070.698/0001-11, em 29/06/2001, verificou-se a opção pela aplicação do imposto de renda em incentivo fiscal regional (FINAM), conforme informação retirada da ficha 29 desta Declaração. A opção foi manifestada através do recolhimento de parte do IRPJ apurado por estimativa no código 6692 (IRPJ Estimativa – FINAM), no valor de R$ 643.065,07. Esta opção só seria confirmada pela Secretaria da Receita Federal após processamento da DIPJ (MP nº 2058/2000, art. 14), sendo a apresentação desta Declaração, condição indispensável para a ratificação e usufruto do benefício. A data limite para usufruir o benefício, a priori, era 25 de maio de 2001, véspera da publicação da MP nº 2.128-10, de 2001. Entretanto, considerando que a MP nº 2.145, de 02 de maio de 2001, revogou expressamente a legislação de regência dos incentivos fiscais regionais, ressalvando apenas o direito ao incentivo para pessoas jurídicas ou grupos de empresas de que trata o art. 9º da Lei nº 8.167, de 1991 (contribuintes com projeto próprio na região incentivada aprovado até 02 de maio de 2001), o usufruto desde benefício para as demais empresas não enquadradas no art. 9º desta Lei, ficou limitado à confirmação da opção até o dia 02 de maio de 2001. Considerando que a empresa em questão não dispõe de projeto próprio aprovado na região incentivada (não estando enquadrada, portanto, no art. 9º da Lei nº 8.167/1991) e que manifestou em DIPJ a opção pelo incentivo apenas em 29/06/2001, data da recepção da declaração, após a data limite para gozo do Fl. 2DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 14041.001035/2005-15 Acórdão n.º 1402-00.216 S1-C4T2 Fl. 2 3 benefício (02/05/2001), não há direito à dedução, na apuração do IRPJ devido, dos valores recolhidos para o FINAM, no código 6692. Estes valores, conforme previsão legal (art.4º, § 6º, da Lei nº 9.532/1997), foram tratados como subscrição voluntária para o FINAM, sendo emitido ao contribuinte pela Secretaria da Receita Federal, extrato com esta informação. Após ciência deste extrato, caberia até 28/11/2003, conforme Ato Declaratório Executivo Corat nº 52, de 30 de julho de 2003, contestação mediante Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais – PERC. Este pedido, entretanto, não foi apresentado pelo contribuinte. Ante o exposto, considerando que os valores recolhidos ao FINAM não constituem pagamento de imposto e sim subscrição voluntária a este Fundo, lança- se de ofício, com base no art. 4º, § 7º, da Lei nº 9.532/1997, a diferença de IRPJ não recolhida no período em virtude do excesso de valores destinados ao Fundo, calculada com base no “Demonstrativo de Apuração – Excesso de Aplicação em Incentivos Fiscais”, em anexo, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora. (...) Fundamentos legais: RIR/99, art. 601, §§ 6º e 7º; MP nº 2.058/00 e reedições (arts. 13, § 7º, e 14); MP nº 2.158-10, de 2001; MP nº 2.145, de 02 de maio de 2001; e Lei nº 8.167/1991. Aos autos do presente processo foram apensados os autos do processo nº 14033.000571/2005-94 (representação para cobrança do imposto, em face do resultado da auditoria interna da DIPJ 2001, ano-calendário 2000, contendo 39 folhas). A contribuinte tomou ciência do auto de infração em 22/12/2005 por via postal, conforme AR à fl. 45; apresentou impugnação em 23/01/2005 às fls. 48/56, juntando, ainda, os documentos às fls. 57/235. Consta da impugnação do sujeito passivo, em síntese, que o entendimento da autoridade autuante merece revisão, pois aplicou de forma equivocada a legislação tributária, além de ferir princípios constitucionais relativos às limitações ao poder de tributar, pelo seguinte: 1) – DO AMPARO LEGAL DA CONDUTA DA IMPUGNANTE: que o art. 4º da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, facultava às pessaos jurídicas com base no lucro real manifestar a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais na declaração de rendimentos ou no curso do ano-calendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado, apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente; que a opção, no curso do ano-calendário, era manifestada mediante o recolhimento, por meio de DARF específico; que a opção assim manifestada era irretratável, não podendo ser alterada; que a impugnante no ano-calendário 2000 era tributada com base no lucro real anual; que de fato o art. 4º da Lei nº 9.532/97 foi revogado; porém, não pelas MP nºs 2.058/2000 e 2.128- 10/2001, mas sim pela MP nº 2.199-14, de 24 de agosto de 2001; que – como se vê – a impugnante fez a opção pela dedução no momento em que pagou cada um dos documentos de arrecadação (DARF) preenchidos com o código relativo ao Fundo FINAM, código 6692; que, ademais, a DIPJ 2001, ano-calendário 2000, foi entregue, devidamente, em 29/06/2001, anteriormente, portanto, à entrada em vigor da MP nº 2.199-14, de 24 de agosto de 2001; que não há, portanto, que se falar na impossibilidade de dedução do valor de R$ 643.065,07, aplicados no Fundo de Fl. 3DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE 4 Investimento Regional FINAM, pois havia, sim, na época, amparo legal para a conduta de recolhimento de imposto ao citado incentivo regional. 2) – DA INEXISTÊNCIA DE AMPARO LEGAL DA LIMITAÇÃO TEMPORAL APLICADA: que as MP nºs 2.128-10/2001 e a 2.145/2001 nada trazem acerca de prazo para a realização da opão pela dedução dos investimentos, como autorizava a Lei anterior; que a assertiva da autoridade tributária de estabelecer como limite a data de 02/05/2001 é fruto de interpretação equivocada da Fiscalização. 3) - DA VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA: que a impugnante recolheu os valores referentes à aplicação em investimentos dedutíveis, conforme ditava a lei em vigência na época, ou seja, a Lei nº 9.532/97 (art. 4º); que não há como se questionar a existência de um ato jurídico perfeito, no caso; que o fato gerador do imposto ocorreu anteriormente às normas indicadas pela autoridade tributária autuante, por isso não se pode aplicar a nova legislação retroativamente. 4) – DO CERTIFICADO DE INVESTIMENTO DO FINAM: que o Banco da Amazônia - BASA emitiu o Certificado de Investimento no FINAM em nome da autuada, no valor de R$ 643.065,07, quanto ao ano-calendário 2000 (fl. 222); que na hipótese de se entender pela procedência da autuação, requer seja quitado o débito existente com os valores decorrentes do Certificado de Investimento no FINAM de R$ 643.065,07 (fl. 222); que, nesse caso, incabível a exigência de juros de mora, pois a impugnante mantém o valor do imposto supostamente devido intacto, sob a forma de um título público. Por fim, em face de tudo que foi exposto, a impugnante pediu a improcedência do lançamento fiscal. Levado a julgamento a 2ª Turma da DRJ em Brasília DF decidiu pelo afastamento do Lançamento por entender não aplicável retroativa a restrição de aplicação no FINAM-FINOR-FUNRES por parte das empresas que não possuem projeto próprio de investimento, sintetizada na ementa do acórdão nº 03-22.364, verbis: “INCENTIVO FISCAL REGIONAL. APLICAÇÃO NO FINAM. GLOSA TOTAL. AFASTAMENTO DA GLOSA.Afasta-se a glosa da aplicação do imposto no FINAM, quando a opção foi manifestada tempestivamente, materializada pelos recolhimentos efetuados em DARF específicos, por ocasião dos pagamentos do imposto no próprio ano-calendário. Além disso, para as opções manifestadas em DARF até 02/05/2001, é inaplicável a restrição de aplicação tão-somente em projeto próprio de investimento na região incentivada.” Ato contínuo, o processo foi encaminhado a esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Em síntese, é o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 14041.001035/2005-15 Acórdão n.º 1402-00.216 S1-C4T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator. O recurso deve ser acolhido eis que o valor do IRPJ e multa ultrapassa o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 03/1998. A questão solucionada pela DRJ em Brasília e pendente de confirmação neste CARF, diz respeito à aplicação, ou não, da norma contida na MP 2.145 de 02 de maio de 2.001, para os fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2.000, ou seja, se a vedação de aplicação em fundos regionais já deveriam valer para o referido ano calendário uma vez que a opção pode ser feita na DIPJ e a mesma foi entregue após a publicação da referida norma. Examinando os autos verifico que assiste razão ao recorrente pois a questão é idêntica àquela já julgada pela 7ª Câmara do 1º CC, tendo o acórdão 107-08.652 a relatoria do eminente Conselheiro Natanael Martins, a qual adoto como razão de decidir e peço vênia para aqui transcreve-la: “Trata-se, como visto, de Recurso Voluntário interposto em face da decisão proferida pela d. Autoridade Julgadora que indeferiu o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Certificado de Investimento — PERC, sob o fundamento de que o direito ao Primeiramente, convém trazer à baila o que dispõe o artigo 50, inciso XVIII, da Medida Provisória n° 2.145, de 02.05.2001) verbis: "Art. 50. Ficam revogados: (...) XVIII— o inciso I do art. 1° da Lei n°8.167, de 16 de abril de 1991;" Por sua vez, o artigo 1°, inciso I, da Lei n° 8.167191 possui a seguinte redação, litteratim: "Art. 1°. A partir do exercício financeiro de 1991, correspondente ao período- base de 1990, fica restabelecida a faculdade da pessoa jurídica optar pela aplicação de parcelas do imposto de renda devido: I — no Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor) ou no Fundo de Investimentos da Amazónia (Finam) (Decreto-lei n° 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 11, alínea a), bem assim no Fundo de Recuperação Económica do Espírito Santo (Funres) (Decreto-lei n° 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 11, V);" O direito à aplicação em incentivos fiscais encontra-se veiculado nos arts. 592 e seguintes do Regulamento do Imposto de Renda, (...) Do emaranhado das normas supra, depreende-se que a pessoa Jurídica podia optar por destinar parcelas do imposto de renda devido em incentivos regionais, tal como o FINOR, in casu, mediante a aplicação de percentuais relativos, manifestando tal opção por meio da entrega de DIPJ ou, caso a opção seja feita durante o ano-calendário, mediante DARF's com códigos de arrecadação específicos, devidamente declarados na DIPJ. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE 6 No presente caso, o recorrente optou por destinar parcela do imposto de renda devido e recolhido no ano-calendário de 2000 ao FINOR, por intermédio da entrega da DIPJ em 28.06.2001. A Medida Provisória n° 2.145 foi editada em 02.05.2001, de modo que a revogação trazida em seu bojo — em face do principio constitucional da irretroatividade-, somente pode se aplicar em relação aos fatos geradores de imposto de renda ocorridos a partir daquela data, ou melhor, a partir do ano calendário de sua edição. Com efeito, ainda que a opção pelo incentivo fiscal tenha sido formalizada quando da entrega da DIPJ, não se pode perder de vista de que este ato somente tem o condão de formalizar direito que, a luz da lei vigente ao tempo de sua percepção, já seria de sua titularidade. A opção, por assim dizer, tinha o condão, apenas, de realizar direito já adquirido que, em face da Constituição, não poderia, jamais, ser vulnerado por norma posterior. (...) Aliás, conclusão diversa certamente acabaria por criar situações que vulnerariam o principio da isonomia inserto no caput do art. 5º da Constituição Federal - que prescreve que "todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza" -, na medida em que aqueles que tivessem feito opção no curso do próprio ano calendário de 2000, mediante recolhimento do incentivo em código de DARF específico e aqueles que tivessem antecipado a entrega de sua DIPJ teriam o seu direito assegurado. Certamente que esta não é a solução, muito menos a intenção, desejada pela ordem constitucional e pelo legislador ordinário ao editar referida MP. Tanto isso é verdade que a própria DIPJ atinente ao ano calendário de 2000, entregue no exercício financeiro de 2001, trazia em seu âmago a possibilidade de destinação de parcela do imposto de renda para aplicação em incentivos fiscais que, por sinal, não fora concedido pela Receita Federal não porque não existiria, mas, sim, porque o recorrente, segundo a administração, como visto, não estaria em situação de regularidade.”incentivo fiscal fora revogado. Ora os fatos geradores relativos ao ano calendário de 2.000 já haviam se esgotado em 31 de dezembro do referido ano, não podendo assim a revogação feita em 02. de maio de 2.001, atingir o direito adquirido das empresas que ao longo do ano contaram com a possibilidade de aplicação nos fundos regionais, independentemente de terem projetos próprios nas áreas beneficiadas. Assim incorreta a interpretação dada pela fiscalização no lançamento de que a data limite para usufruir o beneficio seria 02 de maio de 2001, pois nesta data todos os fatos geradores já haviam transcorrido não podendo como vimos a revogação retroagir. Cabe lembrar que a empresa durante o ano calendário fez recolhimentos de IRPJ com base na estimativa e informou a opção por aplicação no FINAM conforme dito pela decisão recorrida, esta era uma das formas de opção, que também poderia ser feita trimestralmente ou mesmo na DIPJ conforme texto da lei transcrita. Assim voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio, confirmando a decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ em Brasília. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 14041.001035/2005-15 Acórdão n.º 1402-00.216 S1-C4T2 Fl. 4 7 Fl. 7DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE
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Numero do processo: 10855.002514/2006-04
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.144
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Conselheira Relatora
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Conselheira Relatora. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 678DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0820.15251.63LC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.002514/2006-04 Resolução n.º 2202-00.144 S2-C2T2 Fl. 2 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 290 a 294, integrado pelos demonstrativos de fls. 287 a 289, pelo qual se exige a importância de R$753.287,43, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, referente ao ano-calendário 2004, além de Multa Isolada no valor de R$323.977,51, referente à falta de recolhimento do IRPF relativo ao carnê-leão devido no ano-calendário 2004. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 292 a 294), foram apuradas as seguintes infrações: 1. Omissão de rendimentos recebidos do exterior; 2. Omissão de rendimentos caracterizado por depósitos bancários de origem não comprovada; e 3. Multa Isolada relativo ao carnê-leão devido e não pago. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal encontra-se descrito no Termo de Constatação Fiscal nº 001 de fls. 277 a 286, no qual o autuante esclarece que: • em 19/06/2006, o contribuinte foi intimado a apresentar os extratos bancários de conta corrente e de aplicações de todas as instituições financeiras no Brasil e no exterior; assim como a documentação comprobatória de todos os valores lançados a título de Rendimentos Isentos e Não Tributáveis, no montante de R$2.363.892,50 e toda a documentação de aquisição e/ou alienação de seus bens; • analisando a documentação apresentada pelo fiscalizado, o autuante concluiu que o aumento real dos bens do contribuinte foi de R$1.356.961,41, suportado pelo pró-labore recebido da ItaBrasp Italo Brasileira Participações Ltda., no valor de R$3.120,00, e por rendimentos isentos e não tributáveis por ele declarados, no montante de R$2.363.892,50; • em resposta a intimação fiscal, o contribuinte afirmou que os rendimentos isentos não tinham origem na distribuição de lucros das empresas brasileiras, e sim, na remessa de euros da Itália para o Brasil, conforme documentos do Bradesco de compra de câmbio de taxas flutuantes em operações de transferências, cujos valores foram creditados na conta corrente do referido banco, no 222.115-2, agência no 0085-0. Informou, ainda, que a origem dessas remessas foi a venda de uma participação societária na Itália, em abril de 2001, tributada naquele país; Fl. 679DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0820.15251.63LC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.002514/2006-04 Resolução n.º 2202-00.144 S2-C2T2 Fl. 3 3 • nas declarações apresentadas pelo contribuinte, referentes aos exercícios 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, não constou quaisquer bens ou direitos fora do território nacional e, neste período, não houve entrega de Declaração de Saída definitiva do Pais, caracterizando-o como residente no Brasil, nos termos da legislação vigente; • examinando os documentos apresentados pelo fiscalizado, a fiscalização concluiu que não foi possível identificar a origem dos recursos provenientes da Itália, tributando o valor das remessas como rendimentos recebidos de fonte no exterior; • analisando os extratos bancários do Banco Bradesco relativos à conta corrente no 25.155-0, agência no 0364-6, e à conta corrente no 222.115-2, agência no 0085-0, e as justificativas apresentadas pelo contribuinte, a fiscalização considerou comprovados os depósitos efetuados nos dias 19/11/2004 e 17/12/2004, tributando os demais como omissão de rendimentos, nos termos do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 302 a 308, instruída com os documentos de fls. 310 a 339, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 450 a 454): Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 14/09/2006, fls. 296, o contribuinte apresentou impugnação em 11/10/2006, fls. 302/308, mediante instrumento procuratório, fls. 310 e 351, apresentando as alegações a seguir parcialmente transcritas: Trata-se de lançamento efetuado de ofício, imputando ao Impugnante a prática de três condutas: a) classificação como isentos e não tributáveis, de rendimentos recebidos de fonte no exterior; b) depósitos bancários de origem não comprovada (omissão de rendimentos) e; c) falta de recolhimento do imposto de renda pelo carnê-leão, pois recebeu rendimentos tributáveis de fontes no exterior, sujeitos a este regime de pagamento [...] I - DA ORIGEM DO DINHEIRO TRAZIDO DO EXTERIOR Por primeiro, o Impugnante assevera que, ainda que a documentação apresentada aos autos realmente não esteja em consonância com a legislação pátria, mormente pelo fato de grande parte não estar traduzida para o vernáculo, é possível verificar-se a lisura da origem do dinheiro remetido para o nosso país. Todavia, para que não reste dúvida alguma, o Impugnante que se encontra na Itália, requer a concessão do prazo de 30 (trinta) dias, para colacionar aos autos os documentos já apresentados, porém com a devida tradução para o vernáculo e, quando possível, chancelados pelo Consulado Brasileiro na Itália, bem como outros que se fizerem necessários aos esclarecimentos dos fatos. Fl. 680DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0820.15251.63LC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.002514/2006-04 Resolução n.º 2202-00.144 S2-C2T2 Fl. 4 4 Seguindo nessa linha, o documento acostado à fls. 253/256 dos autos, demonstra claramente que o Impugnante em data de 11 de abril de 2001, cedeu parte de suas cotas sociais (4.000.000 de liras) da empresa "2D INTERMEDIARIA IMMOBILIARE — Società a responsabilità limitata", pela quantia de 2.975.000.000 (dois milhões, novecentos setenta e cinco milhões de liras italianas). Este documento foi elaborado e registrado por Notário (Tabelião) em Roma, na Itália, goza portanto, de fé pública. Esse documento está sendo providenciado junto ao Notário italiano e será entregue devidamente traduzido para o vernáculo, por tradutor juramentado. Assim, o Impugnante cumprindo com suas obrigações tributárias em seu país de origem, apresentou declaração ao Imposto de Renda, ano base 2001, exercício 2002, o instrumento da cessão de suas cotas sociais. Nesse sentido, pode-se verificar pelo documento devidamente traduzido, acostado à fls. 77/85, mais especificamente à fls. 85 no Quadro RT 23 (Mais valia sujeita a imposto substituto), RT 21 (total dos correspondentes: 2.975.000.000), RT 22 (total dos custos ou dos valores de aquisição:4.000.000) e resultado demonstrado no quadro RT 23 (mais valia sujeitas a imposto), com valor de 2.971.000.000, sendo devido o imposto de 371.375.000. Todos esses valores são em liras italianas. A simples confrontação dos documentos supramencionados demonstra a efetiva cessão das cotas sociais da empresa do Impugnante, por valor à época equivalente a EUR 1.535.674,09 (...). Referida quantia foi apurada da divisão do valor da cessão em liras italianas pela taxa de conversão em euros, sendo um euro equivalente a 1.937,26 liras italianas (resultado de 2.975.000.000 : 1.937,26). II - DO PAGAMENTO DO TRIBUTO NO EXTERIOR Além do valor decorrente da cessão das cotas, o Impugnante no ano base 2001, exercício 2002, declarou ter recebido 622.146.000 liras italianas (conforme se infere à fls. 79 — Rendimentos Quadro RN — item RN1 Renda Total), quantia equivalente a EUR 321.147,39 (...),à razão de 622.146.000: 1.937,26. Assim, no ano em questão o Impugnante recebeu o importe de EUR 1.856.821,48 (...) de rendimentos, representado pela somatória dos quadros RN e RT (fls.79 e 85). Outrossim, o Impugnante firmou acordo de parcelamento com o Fisco Italiano, tendo por objeto os impostos devidos no ano de 2001. Nesta oportunidade, apresenta o mencionado documento, cujo parcelamento alcança o valor de EUR 305.753,26 (...), dividido em 57 (...) parcelas, demonstrando ainda, que está em dia com as prestações perante o Fisco Italiano, consoante comprovam o recibo de entrega da declaração exercício 2002 (doc. 02), a intimação do órgão fiscalizador (doc. 03) e o pacto de parcelamento (doc. 04) e os comprovantes de recolhimento das parcelas (doc. 05), todos devidamente traduzidos para o vernáculo. Ademais, pela análise dos referidos documentos, depreende-se tanto a inclusão do valor constante do quadro RN (622.146.000), como a do quadro RT (371.375.000: 1.937,26 = 191.799,18 euros). Assim, data máxima vênia:, resta claro que o Impugnante obteve ganho na Itália, de quantia mais do que suficiente para transferir o total de Fl. 681DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0820.15251.63LC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.002514/2006-04 Resolução n.º 2202-00.144 S2-C2T2 Fl. 5 5 R$2.363.892,50 (...) para nosso país, estando comprovado que declarou seus rendimentos e ganhos de capital, e esta pagando os respectivos tributos junto ao Governo Italiano. III - DOS CONTRATOS DE CÂMBIO FIRMADOS Tendo em vista a quantia angariada pelo Impugnante em seu país, este optou por investir no Brasil, sendo que para tal mister, efetuou as seguintes operações de câmbio para remessa de numerário (fls. 42/47; 265/270): Data Valor em euros Taxa cambial Valor em R$ 14/06/04 EUR 10.000 3,806 38.060,00 20/07/04 EUR 20.000 3,708 74.160,00 28/07/04 EUR 100.000 3,679 367.900,00 24/08/04 EUR 300.000 3,5780 1.073.400,00 17/11/04 EUR 100.000 3,610 361.000,00 01/12/04 EUR 114.500 3,6050 412.772,50 15/12/04 EUR 10.000 3,660 36.600,00 Valor Total 2.363.892,50 Assim, concessa vênia, demonstrou o Impugnante por documentos hábeis (contratos de câmbio) que trouxe para o Brasil de maneira regular a quantia total de R$2.363.892,50(...) Ademais, consoante se infere pela análise da movimentação financeira entregue voluntariamente pelo Impugnante (fls.119/135), os valores constantes dos contratos de câmbio foram efetivamente depositados em sua conta-corrente (fls. 128,129, 130,131,133 e 134). A simples confrontação dos extratos e datas de depósitos são suficientes para comprovar a origem e licitude dos volumes de recursos constantes nas contas correntes do Impugnante, ou seja, o numerário enviado da Itália foi distribuído nas contas bancárias do Impugnante no Brasil, possuindo a mesma origem lícita. III - DAS IMPOSIÇÕES CONSTANTES NO AUTO DE INFRAÇÃO REFERENTES AOS RENDIMENTOS DO EXTERIOR (itens 01 e 03) No item 01 do Auto de Infração, esta DD Autoridade Fiscal tributou todos os valores que foram objeto dos contratos de câmbio firmados pelo Impugnante. De igual maneira, o item 03 também teve como origem os mesmos valores. Assim, no tocante a estes tributos, conforme bem lembrado pelo DD Fiscal, de se verificar o teor do Decreto n° 85.985/81, que promulgou a Convenção Destinada a Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Imposto sobre a Renda, entre o Brasil e Itália. Pela análise preliminar da documentação apresentada pelo Impugnante, o DD Fiscal entendeu ser aplicável o art. 22 da Convenção, tratando-se de rendimentos não expressamente mencionados nos artigos precedentes, sendo assim, tributáveis em ambos os Estados Contratantes. Todavia, consoante comprovado, o rendimento do Impugnante adveio de efetiva cessão de cotas sociais e ganhos de capital, o bastante, concessa vênia, para se afastar a incidência do art. 22 em questão. Demais disso, o valor da cessão foi declarado ao Fisco Italiano e o imposto esta sendo pago naquele país. Fl. 682DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0820.15251.63LC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.002514/2006-04 Resolução n.º 2202-00.144 S2-C2T2 Fl. 6 6 Portanto, a Convenção é aplicável ao caso, consoante art. 98 do Código Tributário Nacional (CTN), que consiste na introdução e modificação da legislação tributária interna. O art. 100 do mesmo diploma legal é o que deve incidir sobre a hipótese, porquanto os atos normativos inferiores (instruções normativas, decretos etc.) a Legislação Complementar (Código Tributário Nacional) a esta são subordinados. (...) Com relação a aplicação do Tratado Internacional Brasil - Itália (Estados Contratantes), os dispositivos legais correspondentes a hipótese de incidência prevista na normatização são os contidos nos arts. 2°, item 1, alínea b (Dos Impostos Visados, o imposto sobre a renda das pessoas físicas – “imposta sul reddito delle persone fisiche”); art. 10, item 4 (Dividendos — rendimentos provenientes de ações ou direitos sobre lucros ou capital assemelhados, tributados no Estado Contratante em que a sociedade distribuidora seja residente); art. 13, item 1 (ganhos provenientes de alienação de imóveis são tributados no Estado em que os bens estiverem situados); o art. 23, item 1 (Dupla Tributação — os rendimentos tributáveis na Itália, devem ser deduzidos do valor a ser pago a título do tributo correspondente no Brasil), e entre outros, o art. 24 (não discriminar estrangeiros quanto a tributação ou obrigação mais onerosa). Cumpre ressaltar que, neste art. 23, item 1, existe uma ressalva de que o abatimento do tributo no Brasil não poderá exceder à fração do Imposto de Renda, calculado antes da dedução. A simples análise dos cálculos efetuados sobre os rendimentos e a aplicação das alíquotas do imposto italiano sobre a renda, verificamos que o montante alcança o patamar de 40% (...), muito superior a maior alíquota do imposto de renda brasileiro (27,5%). Se lido fosse a citada ressalva, o Impugnante deveria perceber do Fisco brasileiro o correspondente ao percentual resultante da aplicação das alíquotas no Brasil e na Itália. Portanto, configurada a subsunção da hipótese de incidência ocorrida sobre os rendimentos do Impugnante no território italiano, devidamente discriminados e comprovados pelas declarações de renda entregues ao Fisco da Itália, resta clarividente a imposição do Tratado Internacional Brasil - Itália visando a não bi-tributação dos mesmos rendimentos, objeto de exação naquele país. Requer o Impugnante, caso seja necessário ao deslinde do feito, a concessão do prazo de 30 (...) dias para complementação de documentos e traduções juramentadas para justificar e comprovar as alegações e corroborar com os documentos anteriormente exibidos. Requer ainda, a concessão do prazo de 15 (...) dias para a juntada do instrumento de mandato original, consoante inserto no art. 5°, § 1° e art. 7°, da Lei n°8.906/94. Pelo exposto, e por mais que dos autos constam, requer se dignem Vossas Senhorias determinar o CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO imposto ao Impugnante, como homenagem ao Direito e por ser medida de Justiça! Requer afinal, provar o alegado por todos os meios em Direito admitidos, sem exceção. Fl. 683DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0820.15251.63LC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.002514/2006-04 Resolução n.º 2202-00.144 S2-C2T2 Fl. 7 7 Em 26/10/2006, o contribuinte apresentou a petição de fl. 350, requerendo a juntada aos autos dos seguintes documentos de fls. 351/421 (procuração original, Instrumento de Cessão de Quotas, chancelado pelo Consulado Brasileiro na Itália e traduzido para o vernáculo e declarações de rendimentos dos anos 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004 apresentadas ao Fisco italiano, devidamente chanceladas pelo Consulado Brasileiro na Itália e traduzidos para o vernáculo) Em 08/05/2007 (fl. 426), o interessado acostou aos autos cópia das Declarações de Ajuste Anual Simplificadas, referente aos anos-calendário 2002, 2003, 2004 e 2005 (fls. 427 a 447). DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza (CE) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 08-15.804 (fls. 449 a 457), de 30/06/2009, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTES SITUADAS NO EXTERIOR. Prevalece o lançamento de oficio de rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior não oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual. A decisão a quo considerou não impugnada a parcela do crédito tributário referente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 17 do Decreto no 70.235, de 1972. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Encontra-se anexado aos autos Recuso Voluntário interposto pelo contribuinte, em 28/10/2009, às fls. 473 a 483, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 351), no qual ele expõe as razões de sua irresignação. Conforme despacho da autoridade preparadora de 24/11/2009 (fl. 674 da numeração do e-processo), no recurso o contribuinte se insurgiu contra a matéria considerada não impugnada pela decisão de primeira instância (omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada), entendendo que os autos deveriam retornar à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) para que Presidente da 1ª Turma daquela unidade se manifestasse. Em 06/01/2010, assim se manifestou o presidente do Colegiado de primeiro grau (fl. 546): Considerando que na petição apresentada pelo contribuinte as fls. 473/483, o contribuinte não demonstra ter qualquer dúvida quanto ao conteúdo do Acórdão no 08- 15804, de 30/06/2009, proferido pela 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Brasil em Fortaleza, fls. 449/457, não há como acolher a Fl. 684DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0820.15251.63LC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.002514/2006-04 Resolução n.º 2202-00.144 S2-C2T2 Fl. 8 8 referida petição como embargos de declaração, conforme sugerido pelo despacho de fls. 545. Encaminhe-se o presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para as providências a seu cargo. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 02, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 25/07/20011, veio numerado até à fl. 546 (última folha digitalizada)1. 1 Não foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira. Recebido apenas o arquivo digital. Na sequência, foi adicionado no e-processo despacho de encaminhamento do Presidente da Segunda Câmara da Segunda Sessão do CARF para sorteio e distribuição. Fl. 685DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0820.15251.63LC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.002514/2006-04 Resolução n.º 2202-00.144 S2-C2T2 Fl. 9 9 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. A apreciação do presente recurso por este Colegiado encontra-se prejudicada por uma questão preliminar. Inicialmente, importa salientar que não se encontra acostado aos autos o Aviso de Recebimento referente à ciência da decisão de primeira instância, prolatada em 30/06/2009 (fls. 449 a 457), gerando dúvidas quanto à tempestividade do recurso protocolado em 28/10/2009 (fls. 473 a 483). Dessa forma, a fim de que se possa formar convicção acerca da tempestividade do presente recurso, voto no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora esclareça qual a data da ciência da decisão de primeira instância, juntando os documentos comprobatórios. Ao final, antes da devolução dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, a recorrente deve ser cientificada do resultado da diligência para que se manifeste, se assim o desejar. Ressalte-se que as cópias de documentos a serem anexadas ao presente processo deverão ser autenticadas a vista do original, com a devida identificação do servidor responsável. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 686DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0820.15251.63LC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA em 15/02/2012 08:59:13. Documento autenticado digitalmente por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA em 15/02/2012. Documento assinado digitalmente por: NELSON MALLMANN em 29/02/2012 e MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA em 15/02/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 08/08/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP08.0820.15251.63LC Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 23768864C073E2850D1F5D3AB547D7FB9E673E65 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10855.002514/2006-04. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 35416.000578/2007-43
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/1998 a 28/02/2002
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991.
Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN.
Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização.
SEGURADO EMPRESÁRIO. TITULAR DE FIRMA INDIVIDUAL. SALÁRIO-BASE.
O titular de firma individual é segurado obrigatório do RGPS. Na época dos fatos geradores, o segurado deveria recolher as contribuições sobre o salário-base.
Numero da decisão: 2302-000.431
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, por maioria de votos, com fundamento no artigo 173, I do CTN, vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Fábio Soares de Melo que entenderam que deveria se aplicar o artigo 150, § 4º do CTN, acatar a preliminar de decadência de parte do período para provimento parcial e no mérito, por unanimidade de votos, em manter os demais valores, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. 0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n `) 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. SEGURADO EMPRESÁRIO. TITULAR DE FIRMA INDIVIDUAL. SALÁRIO-BASE. 0 titular de firma individual é segurado obrigatório do RGPS. Na época dos fatos geradores, o segurado deveria recolher as contribuições sobre o salário- base. Vistos, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 1 Presidente ACORDAM os membros da 3a Camara / 2 Turma Ordinária, por maioria de votos , com fundamento no artigo 173, I do CTN, vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Fábio Soares de Melo que entenderam que deveria se aplicar o artigo 150, § 40 do CTN, acatar a preliminar de decadência de parte do período para provimento parcial e no mérito, por unanimidade de votos, em manter os demais valores, nos termos do voto do relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva, Fábio Soares de Melo, Manoel Coelho de Arruda Júnior, Eduardo de Oliveira(suplente), Marco André Ramos Vieira (presidente). Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo do segurado, referente ao período compreendido entre as competências dezembro de 1998 a fevereiro de 2002. De acordo com a fiscalização, não foram recolhidas as contribuições sobre a remuneração da empresária, conforme fls. 28 a 29. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa, fls. 37 a 39. Foi exarada a Decisão-Notificação, que confirmou a procedência do lançamento, fls. 48 a 57. Não concordando com a decisão do órgão previdencidrio, foi interposto recurso, conforme fls. 61 a 63. Em síntese o recorrente alega o seguinte: • 0 lançamento já foi atingido pelo prazo previsto no art. 173 do CTN; • A recorrente não exercia nenhuma atividade remunerada na empresa; • Requerendo cancelamento da NFLD. Contra-razões apresentadas pelo órgão fazenddrio, fls. 66 e 67, sugerindo a manutenção do lançamento. É o Relatório. Voto Conselheiro MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA, Relator # 2 Processo n° 35416.000578/2007-43 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.431 Fl. 2 0 recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 65; pressuposto de admissibilidade superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO: Quanto à. questão preliminar suscitada pela recorrente, na peça recursal, de que o lançamento já fora atingido pela decadência de acordo com o disposto no art. 173 do CTN, razão lhe confiro em parte. 0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante n° 8"Scio inconstitucionais os parcigrafb único do artigo 50 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal a Súmula de n 0 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la. Art. 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n ° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. No presente caso trata-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; a obrigação não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1998 a fevereiro de 2002. 0 lançamento foi realizado em 17 de junho de 2005. Seguindo a interpretação da l a Seção do STJ, conta-se do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário quando, a despeito da previsão legal para pagamento antecipado, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. Pelo exposto encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência novembro de 1999, inclusive esta. A competência dezembro de 1999 não decaiu, pois o crédito somente poderia ser constituído após o vencimento, ou seja em 2 de janeiro de 2000; assim o prazo de decadência, para tal competência, possui como termo de inicio o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja o dia 10 de janeiro de 2001, a qual findaria em 1 0 de janeiro de 2006. Quanto ao período não decadente, é bem verdade que o titular e firma individual é segurado obrigatório do RGPS, na condição de contribuinte individual, forme 3 expressamente previsto no art. 12, inciso V. alínea f da Lei n ° 8212. Nesse período a base de cálculo para o contribuinte individual era o salário-base, conforme previsto no art. 278-A do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048 de 1999, nestas palavras: Art. 278-A. Para os segurados contribuinte individual e facultativo filiados ao Regime Geral de Previdência Social até o dia 28 de novembro de 1999, considera-se salário-de- contribuição o salário-base determinado conforme art. 215 deste Regulamento, na redação vigente até aquela data. fArtiko incluído pelo Decreto n' 3.265, de 29.11.99) Conforme previsto no art. 215 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048 de 1999, a base de cálculo minima do salário-base era um salário-mínimo. Uma vez que há provas de que a firma individual estava ativa no período objeto do lançamento, e considerando que a segurada não possuía escolha ao se filiar ao RGPS, deveria ter recolhido as contribuições previdencidrias sobre o salário-base, 0 fato de a empresa estar ativa gera a presunção do exercício de atividade pela segurada titular da firma individual. 0 argumento de que a segurada exercia atividade como empregada é irrelevante para afastar a incidência das contribuições, pois conforme previsto no art. 215, parágrafo 4 ° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048 de 1999, o segurado que passar a exercer atividade sujeita a salário-base será enquadrado na classe inicial, nestas palavras: 4" 0 segurado empregado, inclusive o doméstico, e o trabalhador avulso que passar a exercer, simultaneamente, atividade sujeita a salário-base, sera enquadrado na classe inicial, podendo ser ,fracionado o valor do respectivo salário- base, de forma que a soma dos seus salários-de-contribuição obedeça ao limite a que se refere o § 5 0 do art. 214. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso, para no mérito CONCEDER-LHE PROVIMENTO PARCIAL, reconhecendo que parte do lançamento foi atingido pela fluência do prazo decadencial. É o voto. Sala das Sessões, em 25 de fevereiro d 2010 -.4110" Ar414ett :111*.t A .4411 _AI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003883/2008-01
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCLARIAS
Período de apuração: 01/03/2004 a 30/03/2004
REMUNERAÇÃO INDIRETA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS
Para ocorrei a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a titulo
de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a
legislação especifica sobre a matéria.
Ao ocorrer o descumprimento da Lei 10,101/2000, as quantias creditadas
pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas,
portanto, à incidência da contribuição previdenciária.
o PRL pago em desacordo corn o mencionado diploma legal integra o salário
de contribuição . Sobre a verba paga incide a contribuição previdenciária, corn
o pagamento de remuneração aos segurados contribuintes individuais. A
distribuição de lucros dos administradores não empregados das Sociedades
Anônimas prevista na Lei 6.404/76 não isenta os valores pagos a esse titulo
da tributação previdencidria.
Recurso Voluntário Negado
Credito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2301-001.766
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitadas as preliminares, em negar provimento ao recurso, o voto do(a) Relator(a)
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCLARIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 30/03/2004 REMUNERAÇÃO INDIRETA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Para ocorrei a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a titulo de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação especifica sobre a matéria. Ao ocorrer o descumprimento da Lei 10,101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária. o PRL pago em desacordo corn o mencionado diploma legal integra o salário de contribuição . Sobre a verba paga incide a contribuição previdenciária, corn o pagamento de remuneração aos segurados contribuintes individuais. A distribuição de lucros dos administradores não empregados das Sociedades Anônimas prevista na Lei 6.404/76 não isenta os valores pagos a esse titulo da tributação previdencidria. Recurso Voluntário Negado Credito Tributário Mantido
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-03-10T12:58:17Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 8; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-03-10T12:58:15Z; Last-Modified: 2011-03-10T12:58:17Z; dcterms:modified: 2011-03-10T12:58:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:c26cb736-5383-4179-8d78-0d26903c2b13; Last-Save-Date: 2011-03-10T12:58:17Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-03-10T12:58:17Z; meta:save-date: 2011-03-10T12:58:17Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-03-10T12:58:17Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-03-10T12:58:15Z; created: 2011-03-10T12:58:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2011-03-10T12:58:15Z; pdf:charsPerPage: 1712; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-03-10T12:58:15Z | Conteúdo => SI-C311 Fl MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 19515.003883/2008-01 Recurso 515,367 Voluntário Acórdão o" 2301-01.766 — 3" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 2 de dezembro de 2010 Matéria SALÁRIO INDIRETO: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS Recorrente CONSORCIO ALFA DE ADMINISTRAÇÃO S/A Recorrida DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM SAO PAULO - SPOI ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCLARIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 30/03/2004 REMUNERAÇÃO INDIRETA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Para ocorrei a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a titulo de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação especifica sobre a matéria. Ao ocorrer o descumprimento da Lei 10,101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária. o PRL pago em desacordo corn o mencionado diploma legal integra o salário de contribuição . Sobre a verba paga incide a contribuição previdenciária, corn o pagamento de remuneração aos segurados contribuintes individuais. A distribuição de lucros dos administradores não empregados das Sociedades Anônimas prevista na Lei 6.404/76 não isenta os valores pagos a esse titulo da tributação previdencidria. Recurso Voluntário Negado Credito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Câmara / 1" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por la imidade de votos, rejeitadas as preliminares, em negar provimento ao recurso, o voto do(a) Relator(a). JULIO A EIRA GOMES Presidente BERNADETE DE. OLIVEIRA BARROS - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Bemadete de Oliveira Banos, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Adriano Gonalles Silvério, Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente),. Relatório Trata-se de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente As contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa, incidente sobe a remuneração do contribuinte individual. Consta do Relatório Fiscal da NFLD (fis, 44) que o fato gerador das contribuições lançadas foi o pagamento, aos dirigentes eleitos, segurados contribuintes individuais, de valores a titulo de "Participação nos Lucros". A autoridade lançadora esclarece que a participação nos lucros de administradores eleitos ( não empregados) está prevista na Lei n°, 6,404, que em nenhum momento se manifesta a respeito da não tributação dos valores pagos a esse titulo. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 16-20.305, da 12Turma da DRJ/ SPOI, (fis. 113)julgou o lançamento procedente . Inconformada corn a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. repetindo basicamente as alegações já apresentadas na impugnação. Preliminarmente, alega nulidade do lançamento tendo em vista A ilegalidade do instrumento de lançamento fiscal firmado in casu, qual seja, o Auto de Infração, quando o correto, no seu entendimento, seria o lançamento do débito por meio de NL, Notificação de Lançamento, tal qual definido pelos art. 33, § 70, da Lei n o 8212/91 e arts. 243, 244 e 293 do Decreto 3048/99. Observa que o disposto nos arts.. 10 e 11 do Decreto no 70.235/72, só vem confirmar a argumentação utilizada in casu, pois, expressa de forma inequivoca que auto de inflação constitui faltas (deveres instrumentais / obrigações acessórias) enquanto que notificação de lançamento constitui tributos (obrigação principal). Entende que não se pode considerar válido este lançamento fiscal pois tanto as disposições do Decreto 3048/99, quanto as disposições do Decreto 70,235/72 atestam a impossibilidade de se lançar obrigações principais por intermédio de auto de infração. Reitera que, diferentemente do externado no acórdão recorrido, a fiscalização realmente se valeu do arbitramento/aferição in casu, merecendo destaque o sedimentado posicionamento jurisprudencial-administrativo no sentido de ser nulo o lançamento on na aferição indireta, quando faltar-lhe, em seus intrínsecos elementos, a indicação da correspondente fundamentação legal. Reafirma que, no caso dos presentes autos, não há nenhuma indicação no RE.F1SC/AI ou no FLD/AI a respeito da utilização da aferição indireta/arbitramento, fato este reconhecido pelo acórdão recorrido, havendo, pelo contrário, a negativa da utilização deste 2 Processo 11° 19515.003883/2008-01 S2-C31 1 Aeárdfio n.' 2301-01:166 Fl 2 critério de fiscalização — aferição indireta — justamente diante do argumento de que os registros contábeis não foram desconsiderados, o que não pode ser considerado como verdadeiro, na medida em que os registros contábeis vinculados aos valores e fatos geradores envolvidos neste lançamento foram sim desconsiderados, al -ids, expressamente pelo conteúdo do REFIS. No mérito, esclarece que a recorrente buscou, e ainda busca, o reconhecimento fiscal de que as quantias vertidas aos diretores não empregados, independentemente de sua nomenclatura contábil, são pura e simplesmente retribuição decorrente de ganhos de capital, ou seja, não pode ser considerada base de incidência previdenciária. Argumenta que, como o lucro distribuído, em sua natureza, não é retribuição pelo trabalho, não há que se falar em incidência de contribuição previdencidria sobre o mesmo, valendo como exemplo, a disciplina inserida no art. 201, § 1 0 do Decreto n o 304811999, Sustenta que, tal qual o dividendo distribuído aos sócios/empresários, também os dividendos distribuídos na forma da Lei 6404/76 aos administradores da companhia, têm a mesma natureza de retribuir o capital, restando indiscutível que os Administradores que ostentam parcela do capital da Companhia, como no caso em estudo, tem no recebimento de dividendos a caracterização de tal parcela como não retribuição por prestação de serviços e, via de conseqüência, não se materializa o fato gerador de obrigações previdencidrias. Frisa que em nenhum momento foi enfrentado pelo acórdão recorrido a consistência das robustas provas apresentadas em defesa, e que basta uma singela verificação da Ata da Assembléia Geral Ordinária e Extraordinária, datada de 16/03/2004, mais especi fi camente o item 02, do Capitulo "DELIBERAÇÕES TOMADAS POR VOTAÇÃO UNANIME EM ASSEMBLÉIA GERAL ORDINÁRIA" (fis.. 86/107), que ratificou a distribuição de dividendos relativos ao primeiro e ao segundo semestres de 2003. Assevera que não pode a autoridade fiscal, com base em sua interpretação, querer transformar a distribuição de lucro, proveniente de FATOR CAPITAL, em Participação nos Lucros e Resultados (PLR), proveniente do vinculo laboral, isto é, retribuição do trabalho, pois tratam-se de rendimentos de origens diversas, que são tratados diferentemente pela legislação do imposto de renda, que tributa o PLR e isenta a distribuição de lucros, tanto na fonte como na declaração do sócio beneficiário, nos termos do art.. 10 da Lei n o 9.249/95. Destaca que a cobrança pretendida 6 absolutamente inconstitucional e também ilegal por lhe faltarem os suportes normativos, so servindo aos propósitos condenáveis de arrecadar sem verificar a natureza real das relações jurídicas, e se há nos autos tratamento de distribuição de lucro como se fosse pagamento de PLR, obviamente estará alterando o conceito de renda, incorrendo na proibição do art 110 do CTN.. Insiste no entendimento de que os dividendos distribuídos aos administradores, na forma ora retratada, não se caracteriza como fato gerador de obrigações previdenciárias, mormente em se tratando de administrador cam participação no capital da companhia, situação esta que não pode deixar de ser desconsiderada no âmbito do contencioso ora instaurado, 3 Transcreve o art art. 201, § 5°, II, do Decreto 3..048/1999, para afirmar que, na hipótese de o contribuinte pagar lucros e dividendos a sócios ou a empresário, a empresa deve manter escrituração comercial regular ., entre outras providências a serem tomadas, e que somente na hipótese de não terem sido observados esses procedimentos mínimos, o Fisco Federal poderia cobrar a contribuição previdenciária patronal sobre os valores pagos, descaracterizando a distribuição de lucros e dividendos, atitudes essas que não foram tomadas pela fiscalização no caso concreto . Ressalta que, se não ha especifica demonstração de desrespeito ao procedimento de distribuição dos lucros aos segurados contribuintes individuais (diretores não empregados), não ha motivação fatica que legitime a descaracterização da distribuição dos lucros e dividendos, mormente invocando texto legal a envolver questões afetas aos rendimentos do trabalhador (Lei I 0,101/00). Repete que a motivação genérica impede h contribuinte exercer plenamente o seu direito de defesa, pois o atual REFISC/AI não lhe permite conhecer o motivo especificado na lei que deu causa à descaracterização da verba . Entende que valer-se de uma motivação como a inserida no relatório fiscal desta autuação, que se alicerça no contido na Lei 10101/00, para tentar validar a cobrança do quanto lançado neste lançamento, somente em razão de uma titulação levada a efeito no âmbito contábil da defendente (cf. item 2.7 / REFISC), é caracterizar uma viciada motivação, hábil a tornar nulo o lançamento como um todo . o relatório Vo to Conselheira BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Relatara O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento,. Preliminarmente, a recorrente alega nulidade do lançamento, pois entende que o instrumento de lançamento fiscal firmado, qual seja, o Auto de Infração, é ilegal.. Sustenta que o instrumento correto seria uma Notificação de Lançamento, pois, conforme art. 33, § 70, da Lei n o 8,212/91 e arts, 243, 244 e 293 do Decreto 3048199, e arts, 10 e 11 do Decreto n o 70,235/72, não é passivel lançar obrigações principais por intermédio de auto de infração . Contudo, não procede o entendimento defendido pela recorrente . O art, 90, do Decreto 70,2.35/72, com a redação dada pela Medida Provisória n" 449 de 2008, apenas estabelece que a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade . Constata-se que o referido Decreto não veda a formalização do lançamento de débito decorrente de descumprimento de obrigação principal por meio de Al.„ Não ha a obrigatoriedade legal de se lançar a contribuição devida por meio de NL, 4 Processo n" 19515.003883/2008-01 S2-C311 Acerdtio ii " 2301-01,766 Fl 3 0 Art. 10, do Decreto 70.235/72, estabelece que Art 10, 0 auto de infração sera lavrado por servidor competente, no local da verificação da fit/ta, e conterá obrigatoriamente - 1 - a qualificação do autuado, ii o local, a data e a hora da lavratura, III - a descrição do fato, IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugna-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de sea cargo ou função e o número de matricula. Verifica-se, dos autos, que o Al em discussão atende a todos os requisitos legais listados acima . Por todo o exposto, entendo que o Al não deve ser anulado, mesmo porque o Decreto n" 70.235/72, citado tantas vezes pela recorrente em seu recurso, dispõe, em seu art, 59, que são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso presente, não houve a ocorrência de nenhuma das hipóteses de nulidade elencadas acima, já que o AI foi lavrado por autoridade competente e não ficou configurada a preterição do direito de defesa, pois foi dada ciência ao contribuinte do Auto de Infração juntamente com todos os relatórios que o integram, e entre eles o Relatório Fiscal, que encerra toda informação necessária para proporcionar, à autuada, a ampla defesa. Esse também é o entendimento da Consultoria Jurídica do MPS, fixado por meio do PARECER/CJ N" 3,014/2003: 9, Consoante uníssono entendimentojurisprudencial, a edegação de nulidade deve vir acompanhada da demonstração objetiva tio prejuízo para a defesa, bent assim sua influência na apuração tia verdade substancial esetts reflexos na decisão da causa (nesse sentido.. STJ , REsp n" 250 086/RR, Sexta TUrnia, Rel Vicente Leal, DJ de 12/11/2001, p 178; IRE/1" Regido, ACR 93.01,052614/BA, Quarta Dania, Rei Juiz Hilton Queiroz, DJ de 18/01/2002). (grifei) E, como não fi cou demonstrado, nos autos, que houve prejuízo para a defesa do contribuinte o fato de o instrumento utilizado para o lançamento do débito ser um AI, e não uma NL, não há que se alegar nulidade do lançamento„ Assim, entendo que inexistiu prejuizo ao contribuinte, tratando-se a questão de ordem meramente formal. E na lição de Nelson Nery Júnior "Formalidade e Ibrmalisi77o, juiz deve desapegar-se do fOrmalismo, procurando agir de modo a propiciar its partes o atingimento ddfinalidade do processo." Vale invocar, aqui, o princípio da instrumentalidade das formas, já que sua aplicabilidade não está restrita tão-somente à esfera processual. O STI já se manifestou nesse sentido, como se pode inferir da parte transcrita do seguinte julgado: "PRINCiP10 DA 1NSTRUMENT4LIDADE DAS FORMAS NO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. O concurso público, como procedimento administrativo, dove observar o principio da instrumentalidade das fbrmas (CPC 244). Em sede de concurso público não se dove perder de vista a .finalidade para a qual se dirige o procedimento Na avaliação da nulidade do ato adininistrativo é necessário temperar a rigidez do principio da legalidade, para que se coloque wn harmonia coin os principios da estabilidade das relações jurídicas, da boa-fé e outros valores essenciais à perpetuação do Estado de Direito." (RESP 6518/RJ — Min Gomes de Barros 1"Turma — DJ 16.09_1994 Nesse contexto, a decisão que propugne pela nulidade do lançamento, nas condições expostas, certamente estará impregnada de excesso de formalismo, em evidente desprezo pela finalidade buscada, a qual, em essência, restou concretizada, Assim sendo, concluo que o AI foi lavrado corretamente, de acordo corn os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem o Al, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura do Auto e o relatório Fundamentos Legais do Débito — FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa h notificada. Dessa forma, não há que se falar em nulidade do AI, como pretende a autuada. A recorrente alega, ainda, nulidade do AI sob o argumento de que o fiscal autuante, ao promover o lançamento, o fez incorretamente, omitindo, no anexo Fundamentos Legais do Débito — FLD, o dispositivo legal que ampara o procedimento de aferição indireta das contribuições previdenciárias, e entendendo que tal omissão se constitui em vicio insanável, Porém, da leitura do Relatório Fiscal constata-se que os valores que serviram de base de cálculo do debito foram extraidos da ESCRITURAÇÃO CONTABIL da autuada, e se referem a pagamento efetuado pela recorrente aos administradores eleitos, não empregados, a título de Participação nos Lucros, e que a empresa não considerou corno sendo remuneração de contribuinte individual, Portanto, não houve aferição indireta da base de cálculo da contribuição previdenciária. A fiscalização apenas constatou, na contabilidade, o pagamento de remuneração aos contribuintes individuais e lançou a contribuição previdenciária devida, incidente sobre os valores pagos. 6 Processo n" 19515.003883/2008-01 S2-C3T1 Acerdilo n.°2.301-01.766 Fl 4 A autuada entende que houve desconsideração de sua contabilidade e argumenta que, quando a fiscalização reconhece que a contabilidade do contribuinte não corresponde a real remuneração dos segurados em decorrência do entendimento da empresa de que sobre verba decorrente de "suposta" PLR não ocorre a incidência da contribuição social, e apura a base de cálculo, não pode a Fiscalização se valer de outro instituto que não seja o da aferição indireta. Porém, a contabilidade da recorrente não foi desconsiderada pela autoridade fiscal. Para desconsiderar a contabilidade e aferir o débito, a autoridade fiscal deve provar que a contabilidade não obedece aos Princípios Fundamentais da Contabilidade e às Normas Brasileiras de Contabilidade, ou que não espelha a realidade económico-financeira da empresa, por omissão de lançamento contábil. No caso presente, não houve omissão de lançamento contábil referente a pagamentos realizados a pessoas físicas, mas apenas registro de valores em contas impróprias, já que, reitera-se, a empresa não considerou o pagamento realizado a titulo de PLR como sendo remuneração. Ademais, só para argumentar, 6 oportuno esclarecer que, mesmo que o débito tivesse sido apurado por aferição indireta, o que, conforme exposto acima, não é o caso dos presentes autos, a ausência do fundamento legal do arbitramento não enseja a nulidade do Al, conforme já se decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais. Nesse sentido, rejeito as preliminares de nulidade cio Al. No mérito, a recorrente tenta demonstrar que não incide contribuição previdencidria sobre a Participação nos Lucros concedidas aos seus administradores não empregados. Argumenta que, como o lucro distribuído, em sua natureza, não é retribuição pelo trabalho, não há que se falar em incidência de contribuição previdencidria sobre o mesmo, valendo como exemplo, a disciplina inserida no art. 201, § 1 °, do Decreto n 3048/1999. Todavia, o referido dispositivo legal trata do lucro distribuído ao segurado empresário, o que não 6 o caso em tela, Entendo que se houvesse a intenção de isentar, da contribuição previdenciária, também a participação nos lucros dos segurados administradores não empregados das Sociedades Anónimas, o legislador os teria incluido na ressalva do art 201, referido acima, ou teria incluído a PL no rol dos pagamentos que não integram o salário de contribuição do § 9 0, do art, 28, da Lei 8.212/91. E como, conforme art,111 do CTN, interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção, não há como acolher a alegação da recorrente de que o lucro distribuído aos administradores não empregados da S.A, por, no seu entendimento, ter a mesma natureza dos lucros distribuidos aos segurados empresários, não integram o salário de contribuição. 7 A distribuição de lucros dos administradores não empregados das Sociedades Anônimas esta prevista na Lei 6,404/76 que, em nenhum momento, isenta os valores pagos a esse titulo da tributação previdenciária. A autuada afirma que em nenhum momento foi enfrentado pelo acórdão recorrido a consistência das robustas provas apresentadas em defesa, e que basta uma singela veri ficação da Ata da Assembléia Geral Ordinária e Extraordinária, datada de 16/03/2004, mais especificamente o item 02, do Capitulo "DELIBERAÇÕES TOMADAS POR VOTAÇÃO UNANIME EM ASSEMBLÉIA GERAL ORDINÁRIA" (fls. 86/107), que rati ficou a distribuição de dividendos relativos ao primeiro e ao segundo semestres de 2003. Ocorre que o referido documento não prova que não incide contribuição previdencidria sobre os valores pagos a titulo de participação nos lucros, mas apenas demonstra que o pagamento foi realizado em observância à Lei 6.404/76, Mas o que a fiscalização deixou bem claro é que a isenção pretendida pela recorrente não encontra amparo legal. A recorrente alega que não pode a autoridade fiscal, com base em sua interpretação, querer transformar a distribuição de lucro, proveniente de FATOR CAPITAL, em Participação nos Lucros e Resultados (PLR), proveniente do vínculo laboral, isto retribuição do trabalho, pois tratam-se de rendimentos de origens diversas, que são tratados diferentemente pela legislação do imposto de renda, que tributa o PLR e isenta a distribuição de lucros, tanto na fonte como na declaração do sócio beneficiário, nos termos do art, 10 da Lei n o 9,249/95, Contudo, em nenhum momento a autoridade fiscal teve tal pretensão, tratando sempre a verba paga pela empresa corno a Participação nos Lucros de que trata a Lei 6.404/96, E, enquanto a Lei 9..249/95, citada pela recorrente, dispõe sobre o Imposto de Renda das pessoas juridicas, a Lei 8.212/91 trata das contribuições previdencidrias, objeto do lançamento discutido por meio do presente processo administrativo fiscal, e ern nenhum momento houve a tentativa de alterar o conceito de renda, ou alguma violação ao art, 110 do CTN, conforme entendeu de forma equivocada a recorrente. Conforme já exposto acima, o art, art. 201, § 5 0 , II, do Decreto 3,048/1999, transcrito pela recorrente, trata de sócio e empresário de sociedades civis de prestação de serviços relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, o que não é o caso da recorrente . A recorrente argumenta que, se não há especifica demonstração de desrespeito ao procedimento de distribuição dos lucros aos segurados contribuintes individuais (diretores não empregados), não há motivação fitica que legitime a descaracterização da distribuição dos lucros e dividendos, mormente invocando texto legal a envolver questões afetas aos rendimentos do trabalhador (Lei 10101/00), Porem, ern nenhum momento a fiscalização pretendeu descaracterizar a distribuição de lucros, como também não alicerçou o lançamento no contido na Lei 10.101/00, conforme quer fazer crer a recorrente,. 8 Processo n" 19515 003883/2008-01 S2-C3 11 Acórao n " 2301-01.766 A. 5 Restou claro, no REFISC/AI que o motivo do lançamento é a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, com o pagamento de remuneração aos segurados contribuintes individuais listados pela fiscalização. Assim, não houve a descaracterização da velba, e sim a constatação de que sobre a verba paga incide a contribuição, pois a Lei não isenta o PL concedido pela empresa do tributo lançado por meio do Al discutido„ E sendo o lançamento um ato vinculado, e não sendo facultado ao servidor público eximir-se de aplicar a lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar a ocorrência do fato gerador e o descumprimento de obrigação principal, lavrou o competente Al, em observância legislação que rege a matéria . Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta. VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO e, no mérito, NEGAR- LHE PROVIMENTO. -E corno voto Sala das Sessões, em 2 de dezembro de 2010 BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 9
score : 1.0
Numero do processo: 12269.004712/2008-00
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2007
Ementa: CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. SIMPLES PROTESTO.
A recorrente não tem que protestar pelas provas documentais no processo administrativo, mas sim tem que produzi-las.
Como as demonstrações das alegações são provas documentais, as mesmas tem que ser colacionadas na peça de defesa, no processo judicial tal procedimento não é distinto, pois cabe ao autor juntar na exordial as provas, assim como ao réu colacioná-las
na contestação.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. INDEFERIMENTO DA PROVA PERICIAL.
Quanto à prova pericial a mesma tem que ser requerida na peça inaugural da defesa, conforme disposição expressa no regulamento do Processo Administrativo.
No presente caso, a perícia é despicienda; pois toda a matéria probatória já consta nos autos. E como já afirmado, caberia à parte adversa, no caso o contribuinte, a contraprova.
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. REMUNERAÇÃO. BOLSAS DE ENSINO. LEI 8.958.
A condição para que os valores sejam enquadrados como bolsas é justamente não ser contraprestação a serviços executados pelos beneficiários, conforme previsto no art. 6º do Decreto n 5.205.
Retribuindo o serviço prestado pelo segurados, os valores não podem ser enquadrados como doação. De acordo com o disposto no art. 538 do Código Civil, considera-se doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra. Assim, os valores foram devidos aos segurados não por uma liberalidade da empresa; pois a liberalidade não teria uma causa jurídica. Os valores foram devidos em virtude de serviços prestados (a verdadeira causa jurídica) no interesse da entidade. Como se sabe, a prestação de serviços remunerada é fato gerador de contribuição previdenciária.
Não haveria incidência de contribuição previdenciária se os valores fossem pagos de acordo com a Lei n 8.958. Todavia restou demonstrada a desobediência do comando legal.
Numero da decisão: 2302-001.476
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Quanto à preliminar de decadência, vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas que entenderam aplicar-se o art. 150, paragrafo 4 do CTN. Quanto ao mérito vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior que entendeu pela exclusão apenas dos valores relativos à bolsa de extensão.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2007 Ementa: CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. SIMPLES PROTESTO. A recorrente não tem que protestar pelas provas documentais no processo administrativo, mas sim tem que produzi-las. Como as demonstrações das alegações são provas documentais, as mesmas tem que ser colacionadas na peça de defesa, no processo judicial tal procedimento não é distinto, pois cabe ao autor juntar na exordial as provas, assim como ao réu colacioná-las na contestação. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. INDEFERIMENTO DA PROVA PERICIAL. Quanto à prova pericial a mesma tem que ser requerida na peça inaugural da defesa, conforme disposição expressa no regulamento do Processo Administrativo. No presente caso, a perícia é despicienda; pois toda a matéria probatória já consta nos autos. E como já afirmado, caberia à parte adversa, no caso o contribuinte, a contraprova. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. REMUNERAÇÃO. BOLSAS DE ENSINO. LEI 8.958. A condição para que os valores sejam enquadrados como bolsas é justamente não ser contraprestação a serviços executados pelos beneficiários, conforme previsto no art. 6º do Decreto n 5.205. Retribuindo o serviço prestado pelo segurados, os valores não podem ser enquadrados como doação. De acordo com o disposto no art. 538 do Código Civil, considera-se doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra. Assim, os valores foram devidos aos segurados não por uma liberalidade da empresa; pois a liberalidade não teria uma causa jurídica. Os valores foram devidos em virtude de serviços prestados (a verdadeira causa jurídica) no interesse da entidade. Como se sabe, a prestação de serviços remunerada é fato gerador de contribuição previdenciária. Não haveria incidência de contribuição previdenciária se os valores fossem pagos de acordo com a Lei n 8.958. Todavia restou demonstrada a desobediência do comando legal.
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Recorrente FUNDAÇÃO MÉDICA DO RIO GRANDE DO SUL Recorrida DRJ JUIZ DE FORA MG Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2007 Ementa: CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. SIMPLES PROTESTO. A recorrente não tem que protestar pelas provas documentais no processo administrativo, mas sim tem que produzilas. Como as demonstrações das alegações são provas documentais, as mesmas tem que ser colacionadas na peça de defesa, no processo judicial tal procedimento não é distinto, pois cabe ao autor juntar na exordial as provas, assim como ao réu colacionálas na contestação. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. INDEFERIMENTO DA PROVA PERICIAL. Quanto à prova pericial a mesma tem que ser requerida na peça inaugural da defesa, conforme disposição expressa no regulamento do Processo Administrativo. No presente caso, a perícia é despicienda; pois toda a matéria probatória já consta nos autos. E como já afirmado, caberia à parte adversa, no caso o contribuinte, a contraprova. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. REMUNERAÇÃO. BOLSAS DE ENSINO. LEI 8.958. A condição para que os valores sejam enquadrados como bolsas é justamente não ser contraprestação a serviços executados pelos beneficiários, conforme previsto no art. 6º do Decreto n 5.205. Retribuindo o serviço prestado pelo segurados, os valores não podem ser enquadrados como doação. De acordo com o disposto no art. 538 do Código Civil, considerase doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra. Assim, os valores foram devidos aos segurados não por uma liberalidade da empresa; Fl. 1321DF CARF MF Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1019.10455.UFJP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 pois a liberalidade não teria uma causa jurídica. Os valores foram devidos em virtude de serviços prestados (a verdadeira causa jurídica) no interesse da entidade. Como se sabe, a prestação de serviços remunerada é fato gerador de contribuição previdenciária. Não haveria incidência de contribuição previdenciária se os valores fossem pagos de acordo com a Lei n 8.958. Todavia restou demonstrada a desobediência do comando legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Quanto à preliminar de decadência, vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas que entenderam aplicarse o art. 150, paragrafo 4 do CTN. Quanto ao mérito vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior que entendeu pela exclusão apenas dos valores relativos à bolsa de extensão. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Júnior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas. Fl. 1322DF CARF MF Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1019.10455.UFJP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12269.004712/200800 Acórdão n.º 230201.476 S2C3T2 Fl. 359 3 Relatório Trata o presente lançamento relativo ao período de 01/04/2003 a 30/12/2007, contendo a cobrança de contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social parcela devida pelos segurados contribuintes individuais; conforme relatório fiscal às fls. 28 a 33. Não concordando com o lançamento, foi apresentada impugnação pela autuada, fls. 36 a 142. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora proferiu a decisão de fls. 202 a 208, mantendo o lançamento em sua integralidade. Inconformada com a decisão a quo, a autuada interpôs recurso voluntário, conforme fls. 213 a 251. Alega em síntese que: a) Não foi oferecida a produção de prova, nem perícia; b) É nula a decisão por cerceamento do direito de defesa; c) as bolsas de pesquisa e extensão atenderam integralmente ao disposto previsto na Lei n° 8.958/94 e o respectivo Decreto n° 5.205/04 que o regulamenta, de forma que estão totalmente isentas de quaisquer recolhimentos de contribuições sociais. d) Outrossim, os profissionais que receberam as respectivas bolsas, jamais podem ser considerados como contribuintes individuais, haja vista que não recebem valores a título de remuneração e sim como mera doação, ou seja, recebem os valores como ressarcimento ou indenização pelo desenvolvimento de pesquisa ou pela extensão. e) Há norma específica da Previdência Social dispondo que não há incidência sobre os valores pagos a título de bolsa na forma da Lei 8.958; f) O doador não se beneficiou da atividade dos beneficiários; g) Não há a prestação de serviço de assistência médica por parte do professor médico preceptor, que tem por único objetivo o ensino. h) A recorrente possui direito à imunidade; i) Não há certeza nem liquidez na presente autuação; Não foram apresentadas contrarazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 1323DF CARF MF Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1019.10455.UFJP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 357. Pressuposto de admissibilidade superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Quanto ao argumento de que houve cerceamento de defesa, pois foi julgado o processo administrativo sem oportunizar à recorrente a produção de provas pelas quais expressamente protestou; não lhe assiste razão. A recorrente não tem que protestar pelas provas documentais no processo administrativo, mas sim tem que produzilas. Como as demonstrações das alegações são provas documentais, as mesmas tem que ser colacionadas na peça de defesa, no processo judicial tal procedimento não é distinto, pois cabe ao autor juntar na exordial as provas, assim como ao réu colacionálas na contestação. Quanto à prova pericial a mesma tem que ser requerida na peça inaugural da defesa, conforme disposição expressa no regulamento do Processo Administrativo. Nesse sentido dispõe o Decreto n ° 70.235/1972 sobre o processo administrativo fiscal, nestas palavras: Art. 17. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligência, inclusive perícias quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Parágrafo único. O sujeito passivo apresentará os pontos de discordância e as razões e provas que tiver e indicará, no caso de perícia, o nome e o endereço do seu perito. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) (...) A necessidade de o requerimento da perícia ter que constar na peça de impugnação não fere a ampla defesa, pois no processo judicial, rito sumário, os quesitos da perícia tem que constar na petição inicial, bem como na contestação. No presente caso, a perícia é despicienda; pois toda a matéria probatória já consta nos autos. E como já afirmado, caberia à parte adversa, no caso o contribuinte, a contra prova. Quanto ao argumento da recorrente de que houve omissão por parte da autoridade no julgamento proferido na decisão de primeira instância; não lhe confiro razão. Todos os pontos relevantes e controversos para o deslinde da questão, sejam preliminares ou de mérito foram apreciados pela autoridade julgadora, conforme fls. 254 a 260. Fl. 1324DF CARF MF Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1019.10455.UFJP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12269.004712/200800 Acórdão n.º 230201.476 S2C3T2 Fl. 360 5 De acordo com o entendimento pacificado nos tribunais superiores, STF e STJ, o julgador não é obrigado a se manifestar expressamente sobre todos os pontos levantados pelas partes. Nesse sentido segue acórdão proferido pela 1ª Turma do STJ no Recurso Especial n ° 667603, publicado no DJ em 01/08/2005, nestas palavras: MANDADO DE SEGURANÇA. AUTO DE INFRAÇÃO. DIREITO DE AMPLA DEFESA. 1. A violação do art. 535 do CPC ocorre quando há omissão, obscuridade ou contrariedade no acórdão recorrido. Inocorre a violação posto não estar o juiz obrigado a tecer comentários exaustivos sobre todos os pontos alegados pela parte, mas antes, a analisar as questões relevantes para o deslinde da controvérsia. 2. São princípios basilares do processo administrativo e judicial a ampla defesa e o contraditório, insculpidos no artigo 5º, LV, do Texto Constitucional, o qual estabelece que: "aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes". 3. A ampla defesa, constitucionalmente reconhecida, traduz a exigência de que o exercício do poder jurídicopúblico se realize de maneira justa, implicando para o Administrado o direito de conhecer os fatos e fundamentos invocados pela Autoridade, o direito de ser ouvido e de contraporse às alegações do adversário. 4. Deveras, esse postulado da ampla defesa, ou do direito de audiência, configura direito à participação procedimental, assegurando ao administrado, na maior extensão possível, a oportunidade do seu exercício pleno, com produção de provas e apresentação de alegações que lhe favoreçam. 5. Atestando a instância a quo a inexistência da intimação da decisão, a verificação que a Fazenda pretende em seu recurso esbarra em matéria fática, mercê de o cumprimento do due process of law não exonerar o contribuinte do pagamento, apenas diferindoo até o cumprimento da exigência legal. 6. Recurso especial desprovido. O simples protesto, vago e genérico, pela produção de provas não é suficiente para se instaurar um ponto controvertido a merecer enfrentamento pela decisão a quo. Quanto ao argumento de que as bolsas de pesquisa e extensão teriam atendido integralmente ao disposto na Lei n° 8.958/94 e no respectivo Decreto n° 5.205/04 que o regulamenta, de forma que estão totalmente isentas de quaisquer recolhimentos de contribuições sociais; não assiste razão à recorrente. De acordo com o disposto no art. 4º, paragrafo 1º da Lei 8.958 de 1994, a participação de servidores das instituições federais contratantes nas atividades previstas no art. 1º desta lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, concederem bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão. Dessa forma é bem verdade que não há vínculo empregatício, mas é possível o enquadramento dos segurados como contribuintes individuais. No presente caso o tributo foi lançado considerando os segurados como contribuintes individuais. Conforme previsto no art. 6o do Decreto 5.205 de 2004, as bolsas de ensino, pesquisa e extensão a que se refere o art. 4º, § 1º, da Lei 8.958, de 1994, constituemse em doação civil a servidores das instituições apoiadas para a realização de estudos e pesquisas e Fl. 1325DF CARF MF Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1019.10455.UFJP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 sua disseminação à sociedade, cujos resultados não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta, nem importem contraprestação de serviços. Além do mais, no paragrafo 4º do mesmo artigo do Decreto, é previsto que somente poderão ser caracterizadas como bolsas, aquelas que estiverem expressamente previstas, identificados valores, periodicidade, duração e beneficiários, no teor dos projetos a que se refere esse artigo. Desse modo, o ponto controvertido é justamente a verificação se os valores pagos aos segurados se enquadraram como bolsas para fins de isenção de contribuição previdenciária. Conforme informado pelo Auditor Fiscal no relatório às fls. 28 a 33, não há no convênio firmado entre a Fundação Médica e o Hospital de Clínicas de Porto Alegre, referência à bolsa de extensão e coordenação do Programa de Docência em Residência Médica e Assistência à Saúde; o que infringe o disposto no parágrafo 4º do art. 6º do Decreto n 5.205. Assim, os valores pagos não podem ser caracterizadas como bolsas. Os valores relativos às bolsas não eram fixados nos convênios, pois os valores seriam fixados mensalmente pela Diretoria da Fundação. Também consta do relatório fiscal que parte integrante das atividades do professores/médicos vinculados a Fundação Médica do RS era a prestação de serviços médicos à população usuária do Sistema Único de Saúde conforme demonstra os Relatórios de Ação de Extensão. Ora, a condição para que os valores sejam enquadrados como bolsas é justamente não ser contraprestação a serviços executados pelos beneficiários, conforme previsto no art. 6º do Decreto n 5.205. Retribuindo o serviço prestado pelo segurados, os valores não podem ser enquadrados como doação. De acordo com o disposto no art. 538 do Código Civil, considera se doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra. Assim, os valores foram devidos aos segurados não por uma liberalidade da empresa; pois a liberalidade não teria uma causa jurídica. Os valores foram devidos em virtude de serviços prestados (a verdadeira causa jurídica) no interesse da entidade. Como se sabe, a prestação de serviços remunerada é fato gerador de contribuição previdenciária. Quanto ao valores pagos a título de pesquisa, é relatado pela Auditoria Fiscal que o contrato firmado entre a Fundação Médica e os Patrocinadores está revestido de características de contratos de prestação de serviço, apresentando cláusulas em que o desenvolvimento da pesquisa fica condicionada a aprovação, supervisão e subordinação ao Patrocinador. Ainda consta no relatório fiscal que o outro item que mostra o caráter de prestação de serviços é o que determina que os resultados do estudo e quaisquer informações, dados e registros relativo ao estudo serão propriedade exclusiva da Patrocinadora, revertendo o(s) benefício(s) da pesquisa a terceiros na medida em que tratamse de pesquisa farmacêutica (neste caso vacinas) que serão comercializadas no futuro, resultando retorno financeiro a Patrocinadora. Desse modo fica patente a violação ao art. 6º do Decreto n 5.205 de 2004, configurando a retribuição pela prestação de serviços. O pesquisador deveria se submeter a qualquer tempo à fiscalização pela Concedente, do andamento da pesquisa, a sugestão de adoção de procedimentos técnicos, operacionais, a prestação de contas. Pelo exposto não procede o argumento recursal de que os profissionais que receberam as respectivas bolsas, jamais poderiam ser considerados como contribuintes individuais, haja vista que não recebem valores a título de remuneração e sim como mera Fl. 1326DF CARF MF Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1019.10455.UFJP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12269.004712/200800 Acórdão n.º 230201.476 S2C3T2 Fl. 361 7 doação, ou seja, recebem os valores como ressarcimento ou indenização pelo desenvolvimento de pesquisa ou pela extensão. Restou caracterizada a remuneração por serviços prestados, não se tratando de doação. Não haveria incidência de contribuição previdenciária se os valores fossem pagos de acordo com a Lei n 8.958. Todavia restou demonstrada a desobediência do comando legal. Conforme indicado nos documentos anexos ao relatório fiscal, fls. 169, 181, 188, do Anexo VI, e fls. 09, 17 do Anexo VII, consta expressamente como justificativa e objetivo do programa o seguinte: Este Programa de extensão é uma iniciativa dos professores da Faculdade de Medicina que atuam no HCPA e tem as finalidades de apoiar as atividades de treinamento de profissionais médicos recémformados, através de preceptoria para a residência médica e de prestar assistência médica à população que utiliza os serviços de saúde através do SUS. 3. Em relação à assistência médica a população: Atender a demanda dos pacientes que procuram o HCPA para atendimento médico; possibilitar o acesso da população aos meios diagnósticos e terapêuticos disponíveis através do SUS; executar ações preventivas e educativas que promovam a saúde da população. Assim, ao contrário do afirmado pela recorrente, há prestação de serviço de assistência médica por parte do professor médico preceptor. Essa prestação é traduzida tanto na prestação de serviços de ensino, como também no atendimento ao SUS. Não há razão à recorrente ao afirmar que o doador não se beneficiou da atividade dos beneficiários. Ao utilizarse da mãodeobra dos segurados, a entidade conseguiu cumprir os contratos e convênios, e com isso auferiu rendimento pelos serviços executados. A recorrente não possui direito à imunidade de contribuições previdenciárias. Somente as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos de lei na forma do art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal possuem tal direito. A imunidade prevista no art. 150, inciso VI da Constituição Federal não se confunde com a prevista no art. 195, parágrafo 7º. Quanto à questão preliminar suscitada pela recorrente, na peça recursal, de que o lançamento já fora atingido pela decadência, não lhe confiro razão. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Fl. 1327DF CARF MF Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1019.10455.UFJP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. No presente caso tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação, cujo pagamento não foi realizado, sendo necessário o lançamento de ofício. Por não ter pago, nem declarado em GFIP, os valores somente conseguiriam ser apurados em ação fiscal, daí a aplicabilidade do art. 173, inciso I do CTN, para efeitos da contagem do prazo decadencial. Mesmo porquê para aplicação do art. 150, parágrafo 4º ou 173, inciso I do CTN, há que se analisar o recolhimento rubrica por rubrica, pois na hipótese de o contribuinte não reconhecer determinada parcela como incidente, a mesma somente conseguiria ser apurada em uma ação fiscal. A obrigação não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2007. O lançamento foi realizado em 23 de dezembro de 2008. Caso o sujeito passivo não antecipe o pagamento, porque entende que o tributo não é devido, obviamente não haverá crédito a ser extinto por homologação. Seguindo a interpretação da 1a Seção do STJ (Recurso Especial n 973.733, cuja ementa foi publicada no DJe de 18/09/2009) contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário quando, a despeito da previsão legal para pagamento antecipado, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. Pelo exposto não fluiu o prazo decadencial. A competência abril de 2003 não decaiu, o prazo de decadência, para tal competência, possui como termo de início o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja o dia 1o de janeiro de 2004, a qual findaria em 1o de janeiro de 2009. Por todo o exposto, o lançamento seguiu os ditames legais, devendo ser mantida a decisão recorrida, tendo certeza e liquidez o crédito apurado. CONCLUSÃO: Voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. Fl. 1328DF CARF MF Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1019.10455.UFJP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12269.004712/200800 Acórdão n.º 230201.476 S2C3T2 Fl. 362 9 Marco André Ramos Vieira Fl. 1329DF CARF MF Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1019.10455.UFJP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA em 13/12/2011 11:56:26. Documento autenticado digitalmente por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA em 13/12/2011. Documento assinado digitalmente por: MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA em 13/12/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 02/10/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP02.1019.10455.UFJP Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 6D71AABA7067C238805607E2DC6DAB905B3E4C0A Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 12269.004712/2008-00. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 35183.002700/2007-05
Data da sessão: Wed Jun 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 19/10/2007
RECURSO INTEMPESTIVO
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 2402-000.875
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto da relatora
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 19/10/2007 RECURSO INTEMPESTIVO É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
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Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4 a Câmara / 2a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimid,cle-tles, em não conhecer do recurso, nos termos do voto da relatora. ,MARCELO OLIVEIRA - Presidente /(1)ARIA BAN EIRA — Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado- e Ronaldo de Lima Macedo. Relatório A auditoria fiscal efetuou procedimento na entidade em questão, com o objetivo de verificar o cumprimento dos requisitos para a continuidade do usufruto da isenção. Tal procedimento resultou na Informação Fiscal (fls. 01/08), segundo a qual a entidade desenvolve atividade de contratar, por prazo determinado, adolescentes, a fim de colocá-los à disposição de empresas, para desempenhar atividades de apoio, sem complexidades, como digitação, entrega de documentos, reprografia, etc. A mão de obra dos menores é oferecida às empresas, mediante convênio. A auditoria fiscal entende que tal atividade se assemelharia a cessão de mão de obra, pois seria exercida em caráter permanente e abrangeria a maioria dos vínculos empregatícios da entidade. Além disso, a situação configuraria, em tese, o descumprimento do - inciso III, do art. 55, da Lei n° 8.212/1991, conforme estabeleceria o Parecer CJ n° 3272/2004. A entidade apresentou defesa (fls. 16/25) que, submetida à análise resultou na manifestação de folha n° 66, pela manutenção da Informação Fiscal e emissão de ato cancelatório. Em 19/10/2007, foi emitido o Ato Cancelatório n° 0006/2007 (fl. 71), cancelando a isenção da entidade pelo descumprimento do inciso III, do art. 55, da Lei n° 8112/1991, a partir de 01/07/2004. Contra a emissão do Ato Cancelatório foi apresentado recurso intempestivo (fls. 76/90) onde a entidade discute a tempestividade do mesmo, sob o argumento de que a citação não foi efetuada na pessoa do Representante Legal outorgado, no caso, a vice presidente da entidade. Argumenta que possuiria direito adquirido à imunidade tributária. / Informa que não pode ser comparada com uma presa de terceirização de cessão de mão de obra, uma vez que desenvolve programa denominado Programa de Aprendizagem Profissional no CEMADE — Centro de Aprendizagem Profissional Maria Adelaide, preparando adolescentes em sua formação pessoal e profissional, com vistas à sua qualificação profissional e conhecimento do mundo do trabalho em consonância com a legislação vigente. Afirma que celebra convênios com entidades parceiras com objetivo de estabelecer parceria de trabalho, a fim de atender à Lei do Aprendiz (Lei 10,097/2000), promovendo a integração do jovem cuja renda familiar necessita de complementação, bem como oportunizando-lhe melhorias na qualidade de vida. Tais adolescentes seriam oriundos dos Programas Sociais da Prefeitura Municipal de Curitiba, através da Fundação de Ação Social e muitos deles ao final do prazo acabam sendo contratados como empregados efetivos das empresas parceiras. A entidade argumenta que ainda desenvolveria outros projetos sociais, kio\ caso a Escola Epheta que oferece ensino especial a portadores de deficiência auditiva 2 Processo n° 35183.002700/2007-05 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.875 Fl. 166 Centro Social de Vila Guairá com projetos para geração de renda e erradicação do trabalho infantil. Posteriormente, a entidade junta aos autos cópias dos autos de Ação Declaratória de Inexigibilidade de Débito, Acumulada com Pedido de Tutela Antecipada e Repetição de Indébito impetrada junto à Justiça Federal do Paraná onde pleiteia a suspensão dos efeitos do ato cancelatório, bem como da exigibilidade dos créditos pretendidos desde 01/07/2004 e sua cobrança judicial. Solicita o reconhecimento do direito da Autora à imunidade constitucional, devolução de todos os eventuais valores pagos a título de contribuição patronal e seguro acidente de trabalho. A cópia da sentença de primeira instância encontra-se juntada às folhas\. 151/156. É o relatório. n \ 3 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora Quanto à apresentação do • recurso, verifica-se que a recorrente foi intimada do Ato Cancelatório em 26/10/2007 (fl 75) e apresentou recurso em 14/12/2007, portanto, após findo o prazo para apresentação do mesmo. O § 1° do art. 305 do Decreto n° 3.048/1999 estabelece o prazo para a apresentação de recurso contra decisão do INSS de interesse dos contribuintes e este, após alteração trazida pelo Decreto n° 4.729 de 09/06/2003, é de trinta dias. A alegação da recorrente de que a intimação não teria sido válida por não ter sido efetuada na pessoa da responsável legal outorgada, no caso, a vice presidente da entidade, não pode prevalecer. Conforme dispõe o art. 23, Inciso II, do Decreto 70.235/1972, abaixo transcrito, a intimação via postal demanda apenas que haja prova do recebimento no domicílio tributário do sujeito passivo, não havendo qualquer determinação de que o recebimento seja efetuado obrigatoriamente pelo representante legal. Art. 23. Far-se-á a intimação: (.) H - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo; Assim, o recurso apresentado pela interessada foi intempestivo e, dessa forma, não foi cumprido requisito de admissibilidade o que impede o seu conhecimento. Nesse sentido e considerando tudo o mais que dos autos consta. Voto por NÃO CONHECER DO RECURSO, por ser intempestivo. É como voto. Sala das Sessões, em 9 de junho de 2010 (\fi N 1' IA BAND RA - Relatora • - - - 4
score : 1.0
Numero do processo: 10314.001006/94-96
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 1997
Numero da decisão: 302-00.863
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em encaminhar o processo a douta Procuradoria da Fazenda Nacional, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: RICARDO LUZ DE BARROS BARRETO
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Numero do processo: 10580.002198/2006-30
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 12 00:00:00 UTC 2021
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2001
EXAME DE RECURSO DE OFÍCIO - EMBARGOS - COMPETÊNCIA
Declinação de competência para que o exame da matéria seja feita pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, na qual se prolatou o acórdão.
Numero da decisão: 1103-001.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, declinar competência para a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS TAKATA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2001 EXAME DE RECURSO DE OFÍCIO - EMBARGOS - COMPETÊNCIA Declinação de competência para que o exame da matéria seja feita pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, na qual se prolatou o acórdão.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1381; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 1.768 1 1.767 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.002198/200630 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1103001.175 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 5 de fevereiro de 2015 Matéria IRPJ, CSLL, PIS e COFINS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COELHO E GODEIRO LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001 EXAME DE RECURSO DE OFÍCIO EMBARGOS COMPETÊNCIA Declinação de competência para que o exame da matéria seja feita pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, na qual se prolatou o acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, declinar competência para a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 21 98 /2 00 6- 30 Fl. 1768DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10580.002198/200630 Acórdão n.º 1103001.175 S1C1T3 Fl. 1.769 2 Relatório DOS AUTOS DE INFRAÇÃO Tratase de autos de infração de IRPJ, CSL, PIS e Cofins relativos ao ano calendário de 2001, acrescidos de juros e de multa, no valor total de R$ 2.357.213,50, em razão da constatação de depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada. Haja vista a imprestabilidade da escrita fiscal da recorrente para identificar a efetiva movimentação nos meses de março, junho, setembro e dezembro de 2001, foi realizado o arbitramento do lucro, com base nas receitas omitidas por presunção legal e nas receitas informadas na DIPJ/2002. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a recorrente apresentou impugnação de fls. 1210 a 1217 (e processo). Preliminarmente, alegou a nulidade do termo de início de fiscalização e das intimações que lhe seguiram, do procedimento e dos autos de infração. No mérito, aduziu que o arbitramento é medida excepcional e que nem todos os ingressos de recursos nas contas da autuada constituem receita. Apontou como incorreta a exigência de PIS e Cofins, uma vez que a Lei 9.718/98 instituiu o dever de as refinarias de petróleo cobrarem e recolherem, na condição de contribuintes substitutos, as contribuições devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas de combustíveis, excluindo do polo passivo o substituído. Requereu, por fim, a realização de diligência nos livros e documentos do estabelecimento. DA DECISÃO DA DRJ Em 26/12/2008, acordaram os membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ/Salvador, por unanimidade de votos, julgar parcialmente procedentes os autos de infração, de fls. 4 a 37, mantendo o IRPJ, no valor de R$ 66.348,57 e a CSL, no valor de R$ 194.099,58 e excluindo os valores lançados relativos à Cofins, no valor de RS 549.370,85 e ao PIS, no valor de R$ 119.03031, além da multa proporcional e dos juros de mora a eles correspondentes. Primeiramente, entendeu que descabe a arguição de nulidade quando se verifica que o auto de infração identifica o fato gerador, a base de cálculo e o montante dos tributos devidos, permitindo ao contribuinte o exercício do seu direito de defesa. Consignou que descabe a realização de diligência para que sejam trazidas aos autos provas que a recorrente deveria ter apresentado juntamente com a sua impugnação. Fl. 1769DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10580.002198/200630 Acórdão n.º 1103001.175 S1C1T3 Fl. 1.770 3 Quanto ao IRPJ, entendeu que os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira configuram omissão de receitas, pois o titular, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. Estendeu as conclusões advindas da apreciação do lançamento do IRPJ ao lançamento relativo à CSL. Em relação à Cofins a ao PIS, registrou que o auditor considerou que a receita bruta omitida teve origem nas operações da empresa. Consignou que o artigo 43 da Medida Provisória 1.99115, de 10/3/2000, reeditada pela Medida Provisória 2.15835, de 2004, reduziu a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da comercialização de combustíveis, e que, de acordo com o inciso II do art. 45 da referida medida provisória, as disposições contidas no art. 43 produziram efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos desde 1º de julho de 2000. Assim, considerou que as receitas omitidas decorrentes da comercialização de combustíveis submetemse à alíquota zero de PIS e da Cofins, e, por conseguinte, improcedem os autos de infração relativos a essas contribuições. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário de fls. 1642 a 1711 (eprocesso), reiterando o alegado em sede de impugnação, sintetizando a divergência em quatro pontos: i) Necessidade de realização de perícia; ii) Rejeição sumária das preliminares de nulidade; iii) Aceitação do arbitramento pelo acórdão, desconsiderando toda movimentação real e as escritas fiscal e contábil; iv) Aceitação da quebra do sigilo bancário, sem ampla justificativa; Ademais, repetiu o argumento deduzido na impugnação relacionado às já canceladas exigências de PIS e da Cofins, qual seja o regime de substituição tributária estatuído pela Lei 9.718/98. Acrescentou, ao final, indagações sobre os procedimentos adotados e requereu, por fim, a decretação da nulidade ou improcedência dos lançamentos. DO ACÓRDÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO Em 2/9/2010, acordaram os membros da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. É o Acórdão nº 110200.308. Fl. 1770DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10580.002198/200630 Acórdão n.º 1103001.175 S1C1T3 Fl. 1.771 4 Primeiramente, quanto a preliminar de nulidade, entendeu que oportunizado o necessário direito ao contraditório e à ampla defesa, bem como incontestável a competência das autoridades administrativas, deve ser rejeitada a nulidade, nos termos do art. 59 do Decreto 70.535/72. Quanto ao pedido de perícia, consignou que o pedido de perícia sem os requisitos do art. 16 do Decreto 70.235/72 considerase não formulado. Com relação ao IRPJ, registrou que o ônus da prova quanto à origem dos recursos depositados é da recorrente, de acordo com o art. 42 da Lei 9.430/96. Considerou, ainda, correto o arbitramento do lucro em vista da ausência de documentação hábil para a verificação efetiva dos tributos devidos. Quanto aos depósitos contabilizados, mas não comprovados, entendeu ser devido o lançamento dos tributos correspondentes, nos termos do art. 923 do RIR/99. A questão relacionada ao cancelamento da exigência do PIS e da Cofins não foi enfrentada. Por fim, invocou as Súmulas 2 e 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes para afastar as alegações de ofensa a princípios constitucionais e a tentativa de afastar a aplicação da taxa Selic. É o relatório. Fl. 1771DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10580.002198/200630 Acórdão n.º 1103001.175 S1C1T3 Fl. 1.772 5 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata Tratase de remessa de ofício ou, na linguagem do PAF, de recurso de ofício, nos termos do art. 34, I, do Decreto 70.235/72. Como se vê dos autos – fls. 4 e 22 somente a exigência de Cofins com os consectários ao tempo de seu lançamento, em 9/3/06, já supera o limite de alçada do art. 1º da Portaria MF 3/08. Sequer se faz necessária a verificação do valor atual da exigência de PIS e de Cofins com seus consectários. Conheço, pois, do recurso de ofício. Conforme anotado no relatório, o Acórdão nº 110200.308, da sessão de 2/9/10, da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, deixou de enfrentar o recurso de ofício. Diante disso, houve despacho da DRF/Salvador acentuando a ausência de enfrenteamento do recurso de ofício, remetendo os autos ao CARF. O despacho do órgão de origem deve ser recebido como embargos declaratórios, opostos no prazo previsto para tanto (art. 65, § 1º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF – RICARF). A ilustre relatora do referido acórdão não mais pertence ao colegiado (Turma) que o prolatou; aliás, a ilustre relatora é mais Conselheira do CARF. Conforme o art. 49, § 7º, do Anexo II, do RICARF, havendo oposição de embargos, se o relator não mais pertencer ao colegiado, eles devem ser apreciados pela Turma de origem, com designação de relator ad hoc. É o caso. Por conseguinte, declino a competência para julgamento dos embargos, para encaminhálos à 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, que é a competente para apreciação dos aclaratórios. É o meu voto. Sala das Sessões, em 5 de fevereiro de 2015 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 1772DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10580.002198/200630 Acórdão n.º 1103001.175 S1C1T3 Fl. 1.773 6 Fl. 1773DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 16561.000155/2008-96
Data da sessão: Fri Feb 04 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3201-000.194
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto do relator. Luciano Lopes de Almeida Moraes – Presidente em exercício. Daniel Mariz Gudiño Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luiz Eduardo Garrossino Barbieri, Daniel Mariz Gudiño e Mônica Monteiro Garcia de los Rios. Ausente justificadamente a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 16561.000155/200896 Resolução n.º 3201000 194 S3C2T1 Fl. 671 2 Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, os demais acontecimentos relevantes: O presente processo versa acerca de auto de infração, lavrado em 07/11/2008 (fls. 366/384), atinente à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico — Remessa ao Exterior (C1DE — Remessa ao Exterior), relativo a fatos geradores dos anoscalendário de 2004 a 2006, com crédito tributário total de R$ 103.277,26 (cento e três mil, duzentos e setenta e sete reais e vinte e seis centavos), composto de principal, multa de ofício de 75% e de juros de mora vinculados, calculados até 31/10/2008. O referido auto de infração decorreu de ilícitos caracterizados em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias perante o sujeito passivo em epígrafe, segundo o qual restou configurada a ocorrência das infrações abaixo especificadas, cuja descrição dos fatos e enquadramentos legais encontramse pormenorizados no corpo dos mencionados autos de infração e do Termo de Verificação Fiscal (fls. 385/390), ora integrante e indissociável do lançamento: 1) Defronte dos recolhimentos de CIDE incidentes sobre remessa de royalties ocorridas nos anos de 2004, 2005 e 2006, evidenciase que a fiscalizada calculou a referida contribuição aplicando a alíquota sobre o valor líquido remetido, sem considerar o IRRF incidente sobre a transação de remessa, consoante determina o art. 2°, §32 da Lei n° 10.168, de 29/12/2000, com a redação dada pela Lei n° 10.332, de 19/12/2001, resultando em recolhimento a menor da contribuição; 2) Além deste aspecto, contatouse que não foram localizados recolhimentos de CIDE sobre os valores de royalties devidos à beneficiária no exterior EF Electrifil Automotive, sediada na França, cujas transações ocorreram no transcurso do anocalendário de 2006. Cientificado pessoalmente do lançamento, em 07/11/2008, (fl. 384), o contribuinte apresentou a impugnação em 05/12/2008 (fls. 395/401), acompanhado da documentação de fls. 402/579 e 582/612, na qual requer o cancelamento do auto de infração, em síntese, apoiandose nas seguintes alegações de fato e de direito: 1) Em caráter preliminar, após breve relato dos fatos, assevera a improcedência dos autos de infração; 2) No mérito, reclama do relato consignado pela autoridade fiscal, no tocante aos fatos correlatos à infração associada à falta de pagamento de 1RRF incidente sobre os remessa ao exterior, asseverando que a questão referese à importação de mercadoria ao amparo da Lei n° 3.420, de 1996; 3) Argumenta que as transações equivalem a pequenas encomendas entregues "via courier", estando sujeito ao Regime de Tributação Simplificada fixado pela Portaria MF n° 156, de 24 de junho de 1999, conforme intenta demonstrar mediante juntada de cópias de contratos de fechamento de câmbio. Sob este prisma, visando demonstrar as Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 16561.000155/200896 Resolução n.º 3201000 194 S3C2T1 Fl. 672 3 assertivas, aduz novos quadrosdemonstrativos dos importes citados em suas contrarazões; Ato contínuo, a autoridade preparadora encaminha os autos à DRJ/SPO1 para julgamento da impugnação. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 27/05/2009, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou o lançamento procedente, conforme Acórdão n° 1621.569 de fls. 618 a 626: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2004, 2005, 2006 REMESSAS AO EXTERIOR. ROYALTIES. CIDEROYALTIES. INCIDÊNCIA. VERDADE MATERIAL As importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas por pessoa jurídica domiciliada no Brasil à pessoa jurídica com sede no exterior a título de remuneração de contratos que prevêem a transferência de conhecimentos e tecnologia na fabricação de produtos e prestação de serviços, bem como pelo uso de marca, estão sujeitas à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 10% (dez por cento), por caracterizarem royalties. Lançamento Procedente A Recorrente foi cientificada do teor do acórdão supra por A.R., em 19/11/2009 (f1.631v), tendo interposto recurso voluntário, em 09/12/2009 (fls. 636/642), com base nos mesmos argumentos suscitados na impugnação (fls. 395/401). Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 27/8/2010. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Presentes os pressupostos de admissibilidade de que trata o Decreto nº 70.235, de 1972, conheço o recurso voluntário e passo a analisálo a começar pela preliminar supostamente suscitada pela Recorrente. Esclareço: a preliminar resumese à seguinte sentença: “Improcedência no Auto de Infração, bem como seja revisto o Acórdão n° 21569”. Com efeito, não está clara a preliminar suscitada, de modo que a sua análise tornase impossível. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 16561.000155/200896 Resolução n.º 3201000 194 S3C2T1 Fl. 673 4 No mérito, os valores cobrados da Recorrente decorrem de: (i) insuficiência de recolhimento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE devida na remessa de royalties ao exterior, uma vez que o Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF foi excluído da sua base de cálculo; e (ii) falta de recolhimento da CIDE sobre pagamentos realizados à empresa francesa EF Electrifil Automotive. Quanto à primeira questão de mérito, a análise dos autos do processo demonstra que não assiste razão à Recorrente, eis que os contratos de câmbio revelam que o IRRF foi, de fato, excluído da base de cálculo da CIDE (fls. 135/227), e os Documentos de Arrecadação de Receitas Federais – DARFs que forma juntados aos autos do processo confirmam as informações dos referidos contratos (fls. 228/263). Vejamos um exemplo prático: a Recorrente celebrou com o banco comercial o contrato de câmbio nº 06/006567 em 07/03/2006, empregando R$ 32.929,94 para remeter ao exterior € 12.765,62 (fls. 222/223). O valor do IRRF pago nesta operação corresponde a R$ 5.811,17. Logo, como a alíquota aplicável era de 15%, depreendese que o valor da obrigação contratual era R$ 38.741,13, e não R$ 32.929,94 (valor líquido da remessa). O DARF relativo ao recolhimento da CIDE apresenta o valor de R$ 3.292,99 (fl. 256), e não R$ 3.874,11, como deveria ser. Interessante notar que os núcleos do fato gerador do IRRF e da CIDE são os mesmos. Confirase: Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999 Art. 685. Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no País, a pessoa física ou jurídica residente no exterior, estão sujeitos à incidência na fonte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 100, Lei nº 3.470, de 1958, art. 77, Lei nº 9.249, de 1995, art. 23, e Lei nº 9.779, de 1999, arts. 7º e 8º): (...) Lei nº 10.168, de 2000 Art. 2º. (...) § 3º. A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2o deste artigo.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) E nem poderia ser diferente. Com efeito, a CIDE devida nas remessas de royalties ao exterior foi instituída pela Lei nº 10.168, de 2000, com alíquota de 10%. Até então, tais remessas estavam sujeitas apenas à incidência do IRRF à alíquota de 25%. Entretanto, a Medida Provisória nº 2.15970, de 2001, estabeleceu, em seu art. 3º, que a alíquota do IRRF passaria a ser 15% uma vez que a CIDE se tornasse exigível. Da sucessão desses Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 16561.000155/200896 Resolução n.º 3201000 194 S3C2T1 Fl. 674 5 acontecimentos legislativos, depreendese que a CIDE nada mais é do que o IRRF, porém, com destinação específica para as finalidades de que trata a sua lei instituidora. Ora, conhecendo a origem da CIDE em tela, percebese que não há distinção entre a sua base de cálculo e a do IRRF, razão pela qual não se pode admitir a exclusão do IRRF da base de cálculo da contribuição. Entretanto, não é menos verdade que o art. 4º, § 1º, I, “b” e II, da citada Medida Provisória nº 2.15970, de 2001, estabelece que, em se tratando de remessa de royalties realizadas entre 01/01/2004 e 31/12/2008, decorrentes de contrato licença de exploração de patente, o contribuinte fará jus a crédito de 60% do valor da CIDE efetivamente recolhido para abater do valor da CIDE devida em remessas posteriores. Com efeito, havendo contratos de licença de exploração de patentes entre os contratos apresentados pela Recorrente, e sendo a atividade do lançamento vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, a autoridade fiscal encarregada do lançamento que deu origem ao presente processo administrativo deveria ter procedido à recomposição das bases de cálculo da CIDE considerando os créditos acima referidos. Sobre a segunda questão de mérito, uma rápida análise dos autos do processo parece demonstrar que assiste razão à Recorrente, eis que, no contrato que firmou com a empresa francesa EF Electrifil Automotive e a empresa alemã KACO GmbH + Co. KG Dichtungswerke (fls. 94/117), especificamente no seu Artigo 10, consta que o pagamento pelo knowhow transferido pela empresa francesa deve ser realizado exclusivamente pela empresa alemã. Além disso, o item 3.2.5 do Artigo 3 do referido contrato prevê, ainda, que constitui obrigação da Recorrente adquirir da EF Electrifil Automotive sensores e peças chamadas multipole wheels para montagem final, confirmando, assim, a sua alegação de que os pagamentos realizados à empresa francesa não se deram sob a rubrica de royalties, e sim como preço pelas mercadorias importadas. Analisando a questão mais detidamente, percebese que a EF Electrifil Automotive emitiu várias invoices contra a Recorrente, visando lhe cobrar management fees (fls. 283, 287, 291, 295, 299, etc), o que, de fato, é estranho à luz do contrato acima mencionado. As referidas faturas foram devidamente quitadas, conforme se depreende dos respectivos contratos de câmbio (fls. 284, 288, 292, 296, 300, etc). Em todos esses contratos de câmbio consta que a natureza da operação está enquadrada no código 48804 – Serviços Diversos/Encomendas Internacionais, que, de acordo com o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais – RMCCI diz respeito a “pagamento de importações ou recebimento de exportações que não tenham sido objeto de registro no Siscomex, conforme regulamentação da SRF e Secex”. Com efeito, apesar de as invoices emitidas pela EF Electrifil Automotive fazerem referência a management fees, a princípio, procedem as alegações da Recorrente no sentido de que as importações em questão são “pequenas encomendas entregues via courier”, as quais estão sujeitas ao Regime de Tributação Simplificada – RTS previsto na Portaria MF n°156, de 1999. Isso porque a referida portaria estabelece que tal regime se aplica somente a bens cujo valor FOB não supere US$ 3,000.00, sendo certo que todos os contratos de câmbio acima mencionados têm o valor de US$ 2,336.02. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 16561.000155/200896 Resolução n.º 3201000 194 S3C2T1 Fl. 675 6 A fundamentação do acórdão recorrido de que a Recorrente não fez prova das suas alegações no tocante às importações realizadas ao amparo da Portaira MF nº 156, de 1999, com toda a vênia, não merece prosperar face ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo fiscal. Com efeito, a Recorrente apresentou à fiscalização todos os documentos por ela requeridos durante a ação fiscal, e o colegiado de 1ª instância, por sua vez, poderia perfeitamente ter requerido de ofício a diligência para confirmar tais alegações, pois, entre os documentos apresentados pela Recorrente na impugnação, há fortes indícios de que as suas alegações são verossimilhantes. Diante do exposto, voto para ser realizada a diligência no sentido de esclarecer os seguintes quesitos: a) no que se refere aos contratos abrangidos pelo lançamento em tela, exceto o contrato celebrado entre a Recorrente e a EF Electrifil Automotive, informar qual é o valor da diferença da CIDE pendente de recolhimento, considerandose o crédito a que se refere o art. 4º, § 1º, I, “b” e II, da Medida Provisória nº 2.15970, de 2001; b) no que se refere ao contrato celebrado entre a Recorrente e a EF Electrifil Automotive, informar se, de fato, houve importações amparadas pela Portaria MF nº 156, de 2009, a serem comprovadas mediante apresentação das respectivas Declarações Simplificadas de Importação – DSI, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 13, de 1999, com redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 96, de 1999. Antes da realização da diligência, deve ser intimado o contribuinte para que, se quiser, apresentar quesitos adicionais para a perícia, assim como a autoridade preparadora, se entender cabível. Realizada a diligência, deverá ser dado vista ao recorrente para se manifestar, querendo, pelo prazo de 30 dias. Após, devem ser encaminhados os autos para vista à PGFN da perícia realizada. Por fim, devem os autos retornar a este Conselheiro para fins de julgamento. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 6DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO
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Numero do processo: 35464.004436/2005-18
Data da sessão: Wed Mar 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/1995 a 31/12/1998
PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991.
Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN.
Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2302-000.435
Decisão: ACORDAM os membros da 3' Câmara / 2" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. O Conselheiro e Manoel Coelho Arruda Júnior acompanhou o relator nas conclusões. O Conselheiro Fábio Soares de Melo declarou-se impedido de votar
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do C'TN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Câmara / 2" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos telluos do voto do relator. O Conselhei e Manoel Coelho Arruda Júnior acompanhou o relator nas conclusões. O Conselheiro Fábio Soares d- elo declarou-se impedido de votar. dief„...... . Bi .. . y OS VIEIRA - Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo de Oliveira (Suplente), Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva, Fábio Soares de Melo, Manoel Coelho Arruda Junior e Marco André Ramos Vieira (Presidente). Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social em virtude do instituto da responsabilidade solidária decorrente da contratação de serviços da empresa LEOPARDI TREINAMENTO SC LTDA, conforme previsão no art. 31 da Lei n ° 8.212/1991. O período compreende as competências Junho de 1995 a Dezembro de 1998, conforme relatório fiscal às fls. 52 a 67. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela sociedade empresária, fls. 85 a 157. A Decisão-Notificação confirmou a procedência do lançamento, fls. 214 a 226. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, fls. 241 a 280. É o Relatório. Voto Conselheiro MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, fl. 305. Pressuposto superado, passo para o exame das questões preliminares de mérito. Quanto à questão preliminar relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser reconhecida. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante n° 8"São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 50 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal a Súmula de n ° 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la. Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, depois de reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais 2 Processo n°35464.004436/2005-18 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.435 Fl. 2 órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n ° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4° do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observar-se-á a extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, se não houver o pagamento antecipado não se aplica o disposto no art. 156, inciso VII do CTN, devendo assim ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN; havendo a necessidade de lançamento de oficio substitutivo, conforme previsto no art. 149, inciso V do CTN. Nessa hipótese, caso não haja o lançamento, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observada o disposto no art. 150, parágrafo 4° do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No presente caso o lançamento foi efetuado em 16 de dezembro de 2005, fl. 01; como não houve pagamento antecipado sobre os valores lançados, conforme relatório fiscal; assim, aplica-se a regra prevista no art. 173, inciso I do CTN. Pelo exposto encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Para a competência mais recente o termo inicial do prazo decadencial é 1 de janeiro de 2000, o que findaria em 1 de janeiro de 2005. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por CONHECER do recurso do notificado, para no mérito CONCEDER-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, eme 24 de março de 2010. 4111r,•°:„~400-", • - n1"-'5" 'VIEIRA - Relat Gr 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (N‘ 11:-.4\, SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 35464.004436/2005-18 Recurso o": 257788 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3 0 do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, a tomar ciência do Acórdão n.° 2302-00435. Brasília 24 de maio de 2010 ku\f"i Patricia de 'À1:71meida Proença e Silva Chefe da Secretaria da Terceira Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Sem Recurso [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional 4
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