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Numero do processo: 10580.726134/2009-71
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA.
A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.960
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: Jose Raimundo Tosta Santos
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DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 61 34 /2 00 9- 71 Fl. 242DF CARF MF Documento de 9 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0918.08382.PMHL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10580.726134/200971 Acórdão n.º 2102002.960 S2C1T2 Fl. 243 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canário da Silva, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1527.197, proferido pela 3ª Turma da DRJ Salvador (fl. 129), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física –IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 143.407,97, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal é improcedente, pois teve como objeto valores recebidos pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este Fl. 243DF CARF MF Documento de 9 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0918.08382.PMHL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10580.726134/200971 Acórdão n.º 2102002.960 S2C1T2 Fl. 244 3 tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; e) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; f) parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do imposto lançado; g) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; h) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 244DF CARF MF Documento de 9 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0918.08382.PMHL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10580.726134/200971 Acórdão n.º 2102002.960 S2C1T2 Fl. 245 4 Em seu apelo ao CARF, às fls. 137/227, a recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o juízo a quo. Efetuado sobrestamento do julgamento deste recurso, consoante Resolução nº 2101000.057, de 12/03/2012, nos termos do artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. Ocorre que o referido parágrafo 1º foi revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, de sorte que retomase o julgamento do recurso voluntário. É o Relatório. Voto Conselheira José Raimundo Tosta Santos, relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Consoante descrição dos fatos no auto de infração, este lançamento decorre da classificação indevida de rendimentos tributáveis, na Declaração de Ajuste Anual, como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram auferidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência dos artigos 2º e 3º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003, a seguir transcritos: Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei. Cuidase de processo idêntico a outro já apreciado nesta Turma, em sessão realizada em 08/06/2011, razão porque peço vênia para transcrever o voto proferido pelo ConselheiroPresidente Giovanni Christian Nunes Campos, no Acórdão nº 2102001.337, de 08/06/2011, que em tudo se aplica ao presente caso: Para o deslinde da controvérsia, trazse a Resolução STF nº 245/2002: RESOLUÇÃO Nº 245, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2002 Dispõe sobre a forma de cálculo do abono de que trata o artigo 2º e §§ da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. Fl. 245DF CARF MF Documento de 9 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0918.08382.PMHL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10580.726134/200971 Acórdão n.º 2102002.960 S2C1T2 Fl. 246 5 O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 13, XVII, combinado com o artigo 363, I, do Regimento Interno, Considerando o decidido pelo Tribunal, na sessão administrativa de 11 de dezembro de 2002, presentes os ministros Moreira Alves, Sydney Sanches, Sepúlveda Pertence, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Maurício Corrêa, Nelson Jobim, Ellen Gracie e Gilmar Mendes; Considerando a vigência do texto primitivo – anterior à Emenda nº 19/98 – da Constituição de 1988, relativo à remuneração da magistratura da União; Considerando a vigência da Lei Complementar nº 35, de 14 de março de 1979; Considerando o direito à gratificação de representação artigo 65, inciso V, da Lei Complementar nº 35, de 1979, e Decretolei nº 2.371, de 18 de novembro de 1987, nos percentuais fixados; Considerando o direito à gratificação adicional de cinco por cento por qüinqüênio de serviço, até o máximo de sete qüinqüênios artigo 65, inciso VIII, da Lei Complementar nº 35, de 1979; Considerando a absorção de todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos magistrados da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial pelos valores decorrentes da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002 artigos 1º, § 3º, e 2º, §§ 1º, 2º e 3º; Considerando o disposto na Resolução STF nº 235, de 10 de julho de 2002, que publicou a tabela da remuneração da Magistratura da União, decorrente da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando o escalonamento de cinco por cento entre os diversos níveis da remuneração da magistratura da União artigo 1º, § 2º, da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando a necessidade de, no cumprimento da Lei Complementar nº 35, de 1979, e da Lei nº 10.474, de 2002, adotarse critério uniforme, a ser observado pelos órgãos do Poder Judiciário da União, para cálculo e pagamento do abono; Considerando a publicidade dos atos da Administração Pública, RESOLVE: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Art. 2º Para os efeitos do artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, e para que se assegure isonomia de tratamento entre os beneficiários, o abono será calculado, individualmente, observandose, conjugadamente, os seguintes critérios: Fl. 246DF CARF MF Documento de 9 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0918.08382.PMHL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10580.726134/200971 Acórdão n.º 2102002.960 S2C1T2 Fl. 247 6 I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%); II o montante das diferenças mensais apuradas na forma do inciso I será dividido em vinte e quatro parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2003 a dezembro de 2004. Art. 3º Serão recalculados, mês a mês, no mesmo período definido no inciso I do artigo 2º, o valor da contribuição previdenciária e o do imposto de renda retido na fonte, expurgandose da base de cálculo todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período, a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais, por terem essas parcelas a mesma natureza conferida ao abono, nos termos do artigo 1º, observados os seguintes critérios: I o montante das diferenças mensais resultantes dos recálculos relativos à contribuição previdenciária será restituído aos magistrados na forma disciplinada no Manual SIAFI pela Secretaria do Tesouro Nacional; II o montante das diferenças mensais decorrentes dos recálculos relativos ao imposto de renda retido na fonte será demonstrado em documento formal fornecido pela unidade pagadora, para fins de restituição ou compensação tributária a ser obtida diretamente pelo magistrado junto à Receita Federal. Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Ministro MARCO AURÉLIO Pela Resolução STF nº 245/2002, especificamente em seu art. 3º, ficou determinado que “todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período [1998 a 2002], a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais”, percebidos pela Magistratura da União, com base no art. 6º da Lei nº 9.655/98 c/c o art. 2º da Lei nº 10.474/2002, inclusive as verbas referentes a diferenças de URV, ficaram excluídos da base de cálculo do imposto de renda, por terem a mesma natureza indenizatória do abono variável. O Sr. Ministro da Fazenda, com base no Parecer PGFN nº 529/2003, reconheceu o caráter indenizatório das verbas percebidas com base na legislação citada. Ocorre que foi publicada a Lei nº 10.477/2002, que, em seu art. 2º, estendeu aos Membros do Ministério Público Federal MPF as mesmas vantagens do art. 6º da Lei nº 9.655/98 dadas à Magistratura da União, e, instado o Sr. Ministro da Fazenda sobre o caráter dos valores percebidos no período 19982002 Fl. 247DF CARF MF Documento de 9 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0918.08382.PMHL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10580.726134/200971 Acórdão n.º 2102002.960 S2C1T2 Fl. 248 7 pelos Membros do MPF, aplicou a mesma interpretação do parágrafo precedente, em linha com o entendimento do Supremo Tribunal Federal para a Magistratura da União (Resolução STF nº 245/2002), apoiado no Parecer PGFN nº 923/2003. Interessante ressaltar que a Lei nº 9.655/98 estava voltada unicamente à Magistratura da União, com deferimento de abono variável a partir de janeiro de 1998, de forma a atingir o subsídio que se esperava vir a lume com publicação da Emenda Constitucional nº 19/1998, situação que não se concretizou, levando, posteriormente à publicação da Lei nº 10.474/2002, que majorou os estipêndios da Magistratura da União e determinou o pagamento das diferenças do período 19982002 em 24 parcelas a partir de janeiro de 2003. Os Membros do Ministério Público não tinham quaisquer expectativas de aumento de remuneração com base na Lei nº 9.655/98, pois lá não tinham sido contemplados. A despeito disso, quando o art. 2º da Lei nº 10.477/2002 fez remissão ao abono variável do art. 6º da Lei nº 9.655/1998, pugnaram a exclusão da base de cálculo do imposto de renda dos valores citados no art. 3º da Resolução STF nº 245/2002, obtendo, como se viu, o beneplácito do Ministro da Fazenda. Em minha leitura, o pagamento da diferença da URV previsto no art. 2º da Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 tem a mesma natureza daqueles pagos ao Ministério Público Federal, pois o Ministério Público do Estado da Bahia também não tinha qualquer expectativa de aumento salarial com a Lei nº 9.655/98, que era voltada apenas à Magistratura mantida pela União (por óbvio, somente a lei estadual poderia versar sobre estipêndios dos Membros do MP local). Veio a Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 e pagou as diferenças de URV, as quais, no caso dos membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda, pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar baiana nº 20/2003, referentes às mesmas diferenças de URV. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, trata de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas União e Estado da Bahia e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das Fl. 248DF CARF MF Documento de 9 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0918.08382.PMHL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10580.726134/200971 Acórdão n.º 2102002.960 S2C1T2 Fl. 249 8 diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Assim, se o Sr. Ministro da Fazenda, com esteio no Parecer PGFN nº 923/2003, com supedâneo último na Resolução STF nº 245/2002, entendeu que as diferenças auferidas pelos Membros do MPF com base no art. 2º da Lei nº 10.477/2002 tem caráter indenizatório, igual raciocínio deve ser aplicado às diferenças auferidas pelos Membros do Ministério Público da Bahia com base na Lei complementar nº 20/2003, pois onde há a mesma razão, deve haver o mesmo direito (ubi eadem ratio ibi idem ius). Com as razões acima, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Considerando as razões exaradas no voto acima transcrito, devese cancelar o lançamento em exame, de modo que se torna desnecessária a análise das demais questões suscitadas pela defesa. Por fim, cumpre registrar que o Superior Tribunal de Justiça se manifestou no mesmo sentido, no julgamento do Recurso Especial nº 1.187.109 MA (2010/00570259), sessão realizada em 17/08/2010, cuja ementa se transcreve: EMENTA TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL INCOMPETÊNCIA DO STJ IMPOSTO SOBRE A RENDA URV DIFERENÇAS RESOLUÇÃO N. 245/STF APLICAÇÃO. 1. Falece competência ao Superior Tribunal de Justiça para conhecer de alegações de ofensa à Constituição Federal. 2. A utilização de fundamento constitucional pelo tribunal local impede a admissão do recurso especial quanto à questão controvertida. 3. Cuidandose de remuneração percebida por magistrado estadual, aplicase na resolução da controvérsia a Resolução n. 245/STF, que considerou de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça "A Turma, por unanimidade, conheceu em parte do recurso e, nessa parte, negoulhe provimento, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins (Presidente), Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques votaram com a Sra. Ministra Relatora. Fl. 249DF CARF MF Documento de 9 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0918.08382.PMHL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10580.726134/200971 Acórdão n.º 2102002.960 S2C1T2 Fl. 250 9 BrasíliaDF, 17 de agosto de 2010(Data do Julgamento) MINISTRA ELIANA CALMON Relatora Em face ao exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo tosta Santos Fl. 250DF CARF MF Documento de 9 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0918.08382.PMHL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento autenticado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Corresponde à fé pública do servidor, referente à igualdade entre as imagens digitalizadas e os respectivos documentos ORIGINAIS. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS em 03/05/2014 12:08:00. Documento autenticado digitalmente por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS em 03/05/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 28/09/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP28.0918.08382.PMHL Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 70F914BA46103DFAE5C5EF98D332B240FCEB1754 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10580.726134/2009-71. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13161.720065/2007-59
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI - À autoridade administrativa não compete rejeitar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade da mesma, por se tratar de matéria de competência do Poder Judiciário, com atribuição determinada pelo artigo 102, I, a, e III, b, da Constituição Federal, IRPF - LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS -
Com a entrada em vigor da Lei n" 9430, de 1996, que em seu artigo 42 autoriza uma presunção legal de omissão de rendimentos sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, tomou-se despicienda a averiguação dos sinais exteriores de riqueza para dar suporte ao lançamento com base em depósitos bancários
PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art 42 da Lei n°
94.30, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
ÔNUS DA PROVA - Se o ônus da prova, por presunção legal, é do
contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações,.
MULTA DE OFÍCIO — PERCENTUAL - A inadimplência da obrigação
tributária principal, na medida em que implica descumprimento da norma tributária definidora dos prazos de vencimento, tem natureza de infração fiscal, e, em havendo infração, cabível a infligência de penalidade, desde que sua imposição se dê nos limites legalmente previstos,. Incabível a redução do percentual da multa de oficio, sem previsão legal para tal, vez que o
lançamento tributário deve ser estritamente balizado pelos ditames legais, devendo a Administração Pública cingir-se às determinações da lei para efetuá-lo ou alterá-lo.
PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE — EXAÇÃO FISCAL — Estando
a exação em conformidade com as normas legais, e, tratando-se de
dispositivos vigentes cuja inconstitucionalidade não foi declarada pelo Supremo Tribunal Federal, cabe aos órgãos da Administração Pública a observância e aplicação dos mandamentos por ela veiculados.
PEDIDO DE PERÍCIA - A autoridade julgadora determinará, de oficio ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligências ou perícias, quando as entender necessárias, indeferindo, fundamentadamente, aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis, não se configurando cerceamento de direito de defesa o indeferimento fundamentado (art. 18, do Dec. n° 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art.1° da Lei ri° 8.748, de
1993).
Preliminar rejeitada.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.408
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de ,vot9s, em REJEITAR a preliminar e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurSO, no's termos do voto da Relatora
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Ana Neyle Olimpio Holanda
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI - À autoridade administrativa não compete rejeitar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade da mesma, por se tratar de matéria de competência do Poder Judiciário, com atribuição determinada pelo artigo 102, I, a, e III, b, da Constituição Federal, IRPF - LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Com a entrada em vigor da Lei n" 9430, de 1996, que em seu artigo 42 autoriza uma presunção legal de omissão de rendimentos sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, tomou-se despicienda a averiguação dos sinais exteriores de riqueza para dar suporte ao lançamento com base em depósitos bancários PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art 42 da Lei n° 94.30, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA - Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações,. MULTA DE OFÍCIO — PERCENTUAL - A inadimplência da obrigação tributária principal, na medida em que implica descumprimento da norma tributária definidora dos prazos de vencimento, tem natureza de infração fiscal, e, em havendo infração, cabível a infligência de penalidade, desde que sua imposição se dê nos limites legalmente previstos,. Incabível a redução do percentual da multa de oficio, sem previsão legal para tal, vez que o lançamento tributário deve ser estritamente balizado pelos ditames legais, devendo a Administração Pública cingir-se às determinações da lei para efetuá-lo ou alterá-lo. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE — EXAÇÃO FISCAL — Estando a exação em conformidade com as normas legais, e, tratando-se de dispositivos vigentes cuja inconstitucionalidade não foi declarada pelo Supremo Tribunal Federal, cabe aos órgãos da Administração Pública a observância e aplicação dos mandamentos por ela veiculados. PEDIDO DE PERÍCIA - A autoridade julgadora determinará, de oficio ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligências ou perícias, quando as entender necessárias, indeferindo, fundamentadamente, aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis, não se configurando cerceamento de direito de defesa o indeferimento fundamentado (art. 18, do Dec. n° 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art.1° da Lei ri° 8.748, de 1993). Preliminar rejeitada. Recurso negado.
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ÔNUS DA PROVA - Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações,. MULTA DE OFÍCIO — PERCENTUAL - A inadimplência da obrigação tributária principal, na medida em que implica descumprimento da norma tributária definidora dos prazos de vencimento, tem natureza de infração fiscal, e, em havendo infração, cabível a infligência de penalidade, desde que sua imposição se dê nos limites legalmente previstos,. Incabível a redução do Processo o° 1316 I ,720065/2007-59 S2-C1-11 Acórdão n 2101-00,408 F 1 1 191 percentual da multa de oficio, sem previsão legal para tal, vez que o lançamento tributário deve ser estritamente balizado pelos ditames legais, devendo a Administração Pública cingir-se às determinações da lei para efetuá-lo ou alterá-lo. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE — EXAÇÃO FISCAL — Estando a exação em conformidade com as normas legais, e, tratando-se de dispositivos vigentes cuja inconstitucionalidade não foi declarada pelo Supremo Tribunal Federal, cabe aos órgãos da Administração Pública a observância e aplicação dos mandamentos por ela veiculados. PEDIDO DE PERÍCIA - A autoridade julgadora determinará, de oficio ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligências ou perícias, quando as entender necessárias, indeferindo, fundamentadamente, aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis, não se configurando cerceamento de direito de defesa o indeferimento fundamentado (art. 18, do Dec. n° 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art.1° da Lei ri° 8.748, de 1993). Preliminar rejeitada. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de ,vot9s, em REJEITAR a preliminar e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurSO, no's termos do voto da Relatora. — CAr0 MARÇOSps.NDIDO (-137se ¡dente 16,sL. irna Nele Olímpflo Holanda Relatora FORMALIZADO EM: 4 SEI 2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Robinson Passos de Castro e Silva, Gonçalo Bonet Allage, Caio Marcos Cândido e Ana Neyle Olímpio Holanda, Relatório 2 Processo n° 13161 720065/2007-59 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.408 Fl 192 Trata o presente processo de auto de infração referente a imposto sobre a renda das pessoas fisicas (IRPF), que exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 304334,36, a título de imposto sobre a renda de pessoa fisica (IRPF), que diz respeito aos anos-calendário 2003 a 2005, exercícios 2004 a 2006, acrescido de multa de oficio qualificada, no percentual de 150% do valor do tributo apurado além de juros de mora, em face de haver sido constata omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários cuja origem não restou comprovada, com base nas determinações do artigo 44, II, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, artigo 1° da Medida Provisória ri° 22, de 2002, convertida na Lei n° 10„451, de 10/05/2002, e artigo 849 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, RIR/1999. 2, Cientificado do auto de infração, aos 05/12/2007, o sujeito passivo, em contraposição, apresentou a impugnação de fis, 880 a 929. .3. Levado o litígio a julgamento, os membros da 2" Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), acordaram por dar o lançamento corno procedente em parte, para excluir da base de cálculo da exação depósitos bancários considerados em duplicidade e reduzir o percentual da multa de oficio a 75%, resumindo o seu entendimento nos termos a ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA — IRPF Ano-calendário 2003, 2004, 2005 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. 1 - É válido o lançamento de crédito tributário efetuado com base em depósitos bancários, diante da previsão contida no art. 42 da Lei e 9,430/1996, estando superada a sistemática prevista no art. 6° da Lei n" 8 021/1990, 2 - Os valores creditados em contas correntes ou de investimento, mantidos em instituição ,financeira, geram presunção `Itiris tantum" de omissão de rendimentos, quando o titular não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA, INCOMPATIBILIDADE COM A PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS, A presunção de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei n° 9.4.30/1996 é incompatível com a multa qualificada prevista no art, 44, inciso lido mesmo diploma legal. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS COMPETÊNCIA Não compete à Delegacia da Receita Federal de Julgamento apreciar a regularidade e o cabimento de representação para fins penais formalizada ao final do procedimento de fiscalização. Lançamento Procedente em Panei ..7a* 3 Processo n 13161 720065/2007-59 S2-C1T1 Acórdão ri 2101-00.408 FI 1 193 4. Cientificado aos 25/06/2008, o sujeito passivo, irresignado, interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. L148 a 1,186. 5. Na petição recursal, o sujeito passivo aduz considerações em sua defesa, nos seguintes termos: I — nulidade do auto de infração, por inexistência de subsunção da situação tática ao disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, vez que, ante a inexistência de obrigação acessória do contribuinte pessoa fisica escriturar as operações bancárias, cabe ao fisco a comprovação do que alegam ser renda, tendo em vista a impossibilidade de se apurar a origem de cada depósito bancário; II — a fiscalização não logrou demonstrar que a sua movimentação bancária é incompatível com os rendimentos, nem que há descompasso entre a sua variação patrimonial e seus ganhos; III — nenhuma lei ou ato normativo poderá inserir como fato gerador do imposto sobre a renda hipótese de tributação diversa de auferir renda ou proventos, não lhe sendo autorizada a tributação por presunção, desbordando o texto constitucional; IV — permanência da vigência do artigo 6 0 da Lei n° 8.021, de 1990, que impede a cobrança de imposto sobre a renda com base exclusivamente vem depósitos bancários, sem qualquer demonstração da incompatibilidade da renda com os sinais exteriores de riqueza; V — necessidade de reforma da base de cálculo do lançamento, para excluir todos as valores computados em duplicidade e justificados pelo sujeito passivo; VI — apesar da redução do percentual da multa de oficio a 75%, tal patamar se revela excessivo, impondo-se que seja adequada aos princípios da propriedade, razoabilidade e proporcionalidade; VII — direito à produção de prova pericial para comprovação da matéria alegada, com a documentação não apresentada pelas instituições financeiras a tempo.. 6. Ao final, protesta pelo acolhimento das razões apresentadas, para que seja declarada a nulidade do auto de infração. É o Relatório. Voto Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, Relatora O recurso obedece aos requisitos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento \ 4 Processo rf 13161 720065/2007-59 S2-C1T1 Acórdão n '2101-00.408 Fi 1 194 O objeto da controvérsia ora em análise é o auto de infração lavrado contra o sujeito passivo, referente ao imposto sobre a renda pessoa fisica (IRPF), que diz respeito aos 2003 a 2005, exercícios 2004 a 2006, em face de haver sido constata omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários cuja origem não restou comprovada. Em sua defesa, preliminarmente, alega o apelante a nulidade do auto de infração, por inexistência de subsunção da situação fática ao disposto no artigo 42 da Lei ri° 9.430, de 1996, vez que, ante a inexistência de obrigação acessória do contribuinte pessoa fisica escriturar as operações bancárias, cabe ao fisco a comprovação do que alegam ser renda, tendo em vista a impossibilidade de se apurar a origem de cada depósito bancário. As contas-correntes bancárias objeto da ação fiscal eram de titularidade do recorrente e o artigo 42 da Lei tf 9.430, de 27/12/1996, em seu capia, estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, litteris: Art, 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa ,física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. É a lei definindo que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos e não meros indícios de omissão; razão por que não há obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita e nem de se comprovar a ocorrência de acréscimo patrimonial. A hipótese em que existe a inversão do ônus da prova no direito tributário se opera quando, por transferência, compete ao sujeito passivo o ônus de provar que não houve o fato infringente, sendo que inversão sempre se origina da existência em lei. A presunção representa uma prova indireta, partindo-se de ocorrências de fatos secundários, fatos indiciarias, que apontam para o fato principal, necessariamente desconhecido, mas relacionado diretamente ao fato conhecido. Nas situações em que a lei presume a ocorrência do fato gerador, as chamadas presunções legais, a produção de tais provas é dispensada. Assim dispõe o Código de Processo Civil nos artigos 333 e 3.34: Art. 333. O ônus da prova incumbe: 1 ao autor; quanto ao fato constitutivo do seu direito; 11 — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, inadificativo ou extintivo do direito do autor. ) Art 334. Não dependem de prava as fatos: 5 Processo n° 13161.720065/2007-59 S2-C11-1 Acórdão n.° 2101-00.408 Fl, 1 195 ) IV — em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. Verifica-se no texto legal que a tributação por meio de depósitos bancários deriva de presunção de renda legalmente estabelecida, Trata-se, por outro lado, de presunção /uris tantran, ou seja, urna presunção relativa que pode a qualquer momento ser afastada mediante prova em contrário, cabendo ao contribuinte sua produção. No caso vertente, a autoridade autuante agiu com acerto: diante do indício de omissão de rendimentos detectado através da operação financeira objeto da autuação em tela, operou a inversão do ônus da prova, cabendo à interessada, a partir de então, provar a inocorrência do fato ou justificar sua existência. O procedimento da autoridade fiscal encontra-se em conformidade com o que preceitua o artigo 42 da Lei IV 9.430, de 1996, em que se presume como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, em relação aos quais o titular pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Das disposições exaradas pelo artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, e pelo o artigo 4' da Lei if 9.481, de 1997, pode-se extrair que para a determinação da omissão de rendimentos na pessoa fisica, a fiscalização deverá proceder a uma análise preliminar dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidos junto às instituições financeiras, ou seja: primeiro, os créditos deverão ser analisados um a um; segundo, não serão considerados os créditos de valor igual ou inferior a doze mil reais, desde que o somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de oitenta mil reais; terreiro, excluindo-se as transferências entre contas do mesmo titular. No caso em contenda, verifica-se que, quando da lavr atura do auto de infração, fbrarn devidamente observados nos termos da legislação vigente. Assim, resta demarcado que o procedimento fiscal está lastreado nas condições impostas legalmente. Portanto, para elidir a presunção legal de que depósitos em conta-corrente sem origem justificada são rendimentos omitidos, deveria o interessado ter comprovado a sua origem, apresentando documentos que denotem, inequivocamente, possuírem os depósitos em questionamentos origem já submetida à tributação ou isenta, do contrário, materializa-se a presunção legal formulada de omissão de receitas, por não ter sido elidida. Com efeito, não deve ser acatada a preliminar de nulidade do lançamento. No mérito, advoga o recorrente que os depósitos bancários não se prestam como fato gerador do imposto sobre a renda, devendo ser observada a existência de sinais exteriores de riqueza, que se configurariam como a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do sujeito passivo. 'Tal exigência advinha das determinações do artigo 6° da Lei n° 8.021, de 12/04/1990, quando exigia que o lançamento de oficio do imposto sobre a renda poderia ser feito mediante arbitramento dos rendimentos com base na renda presumida, mediante Processo n° 13161 720065/2007-59 S2-CIT1 Acórdão n° 2101-00,408 Fl. / 196 utilização dos sinais exteriores de riqueza, que se configurariam como a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do sujeito passivo. Entretanto, com a entrada em vigor da já citada Lei rf 9,430, de 1996, que em seu artigo 42 autoriza uma presunção legal de omissão de rendimentos sempre que o titular da conta bancária, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, tornou-se despicienda a averiguação dos sinais exteriores de riqueza para dar suporte ao lançamento com base em depósitos bancários, não havendo que serem acolhidas as reclamações da recorrente neste sentido. Também argumenta o recorrente que nenhuma lei ou ato normativo poderá inserir corno fato gerador do imposto sobre a renda hipótese de tributação diversa de auferir renda ou proventos, não lhe sendo autorizada a tributação por presunção, desbordando o texto constitucional. A Lei n° 9.430, de 1996, encontra-se em vigor, não tendo sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal, por tal deve ser observada pelos agentes da Administração Pública, a ela subordinados. Por outro lado, a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre a inconstitucionalidade das leis, atribuição reservada ao Poder Judiciário, conforme disposto nos incisos 1, a, e III, b, ambos do artigo 102 da Constituição Federal, onde estão configuradas as duas formas de controle de constitucionalidade das leis: o controle por via de ação ou concentrado, e o controle por via de exceção ou difuso. A depender da via utilizada para o controle de constitucionalidade de lei ou ato normativo, os efeitos produzidos pela declaração serão diversos. No controle de constitucionalidade por via de ação direta, o Supremo Tribunal Federal é provocado para se manifestar, pelas pessoas determinadas no artigo 103 da Constituição Federal, em uma ação cuja finalidade é o exame da validade da lei em si. O que se visa é expurgar do sistema jurídico a lei ou o ato considerado inconstitucional. A aplicação da lei declarada inconstitucional pela via de ação é negada para todas as hipóteses que se acham disciplinadas por ela, com efeito erga omnes. Quando a inconstitucionâidade é decidida na via de exceção, ou seja, por via de Recurso Extraordinário, a decisão proferida limita-se ao caso em litígio, fazendo, pois, coisa julgada apenas in casa et inter- partes, não vinculando outras decisões, nem mesmo judiciais. Não faz ela coisa julgada em relação à lei declarada inconstitucional, não anula nem revoga a lei, que permanece em vigor e eficaz até a suspensão de sua executoriedade pelo Senado Federal, de conformidade com o que dispõe o artigo 52, X, da Constituição Federal, À Administração Pública cumpre não praticar qualquer ato baseado em lei declarada inconstitucional pela via de ação, uma vez que a declaração de inconstitucionalidade proferida no controle abstrato acarreta a nulidade ipso jure da norma. Quando a declaração se dá pela via de exceção, apenas sujeita a Administração Pública ao caso examinado, salvo após suspensão da executoriedade pelo Senado Federal. Processo n° 13161720065/2007-59 S2-CIT1 Acórdo n," 2101-00.408 Fi 1,197 A propósito da controvérsia empreendida pelo contribuinte, citemos excerto do professor Hugo de Brito Machado (Temas de Direito Tributário, Vol. 1, Editora Revista dos Tribunais: São Paulo, 1994, p. 134): ) Não pode a autoridade administrativa deixar de aplicar uma lei ante o argumento de ser ela inconstitucional, Se não cumpri- la sujeita-se à pena de responsabilidade, artigo 142, parágrafo único, do CTN Há o inconformado de provocar o Judiciário, ou pedir a repetição do indébito, tratando-se de inconstitucionalidade já declarada A apreciação de matéria versando sobre constitucionalidade de leis ou ilegalidade de decretos, por órgão administrativo, é totalmente estéril e descabida, já que tal competência é privativa do Poder Judiciário. À instância administrativa compete, apenas, o controle da legalidade dos atos praticados por seus agentes, isto é, apreciar se tais atos observaram e deram cumprimento às determinações legais vigentes. Portanto, não devem ser acatadas as considerações do recorrente. Protesta, ainda, o recorrente pela necessidade de reforma da base de cálculo do lançamento, para excluir todos os valores computados em duplicidade e justificados pelo sujeito passivo. O colegiado julgador a quo empreendeu ajustes na base de cálculo da exação, excluindo os valores computados em duplicidade, e o apelante não logrou demonstrar a existência de outros valores além daqueles apontados pela primeira instância de julgamento, como também não trouxe aos autos elementos capazes de se prestarem a justificar a origem do numerário utilizado para os depósitos bancários, como alegado. O recorrente inconforma-se com o percentual da multa de oficio, afirmando que, mesmo reduzido a 75%, tal patamar se revela excessivo, impondo-se que seja adequada aos princípios da propriedade, razoabilidade e proporcionalidade. Consoante com o artigo 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento é "o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível". O não cumprimento do dever jurídico cometido ao sujeito passivo da obrigação de pagar o tributo devido enseja que a Fazenda Pública, desde que legalmente autorizada, ao cobrar o valor não pago, imponha sanções ao devedor, vez que a inadimplência da obrigação tributária principal, na medida em que implica descumprimento da norma tributária definidora dos prazos de vencimento, não tem outra natureza que não a de infração fiscal, e, em havendo infração, cabível a infligência de penalidade, desde que sua imposição se dê nos limites legalmente previstos. A multa pelo não pagamento do tributo devido é imposição de caráter punitivo, constituindo-se em sanção pela prática de ato ilícito, pelas infrações a disposições tributárias\ Processo n° 13161 720065/2007-59 82-C1111 Acórdão n." 2101-00408 A 1.198 Paulo de Barros Carvalho (Curso de Direito Tributário, 9' edição, Editora Saraiva: São Paulo, 1997, pp. 336 a 337) discorre sobre as características das sanções pecuniárias aplicadas quando da não observância das normas tributárias: a) As penalidades pecuniárias são as mais expressivas .formas do desígnio punitivo que a ordem jurídica nunnfesta, diante do comportamento lesivo dos deveres que estipula. Ao lado do indiscutível efeito psicológico que operam, evitando, muitas vezes, que a infração venha a ser consumada, é o modo por excelência de punir o autor da infração cometida. Agravam sensivelmente o débito fiscal e quase sempre são fixadas em níveis percentuais sobre o valor da dívida tributária. O permissivo legal que esteia a aplicação das multas punitivas encontra-se no artigo 161 do Código Tributário Nacional, quando afirma que a falta do pagamento devido enseja a aplicação de juros moratórios "sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária", extraindo-se dai o entendimento de que o crédito não pago no vencimento é acrescido de juros de mora e multa — de mora ou de oficio, dependendo se o débito fiscal foi apurado em procedimento de fiscalização ou não. A multa de oficio aplicada no lançamento teve esteio no artigo 45, 1, da Lei 9,4.30, de 27/12/1996, e a redução do seu percentual, como pleiteado pelo recorrente, não encontra guarida, vez que não há previsão legal para tal, e o lançamento tributário deve ser estritamente balizado pelos ditames legais, devendo a Administração Pública cingir-se às determinações da lei para efetuá-lo ou alterá-lo. Nesse passo, não é inoportuno lembrar que a vedação do confisco, inscrita no artigo 150, IV, da Constituição Federal, é dirigida aos tributos e não às multas, que como demonstrado, são penalidades por infração tributária. De outra banda, descabida a alegativa de que a aplicação da multa deixou de observar o princípio da proporcionalidade, pois que a exação se deu nos exatos termos da lei, e, se há reclamações no tocante ao teor da norma legal, como já afirmado, as instâncias julgadoras administrativas, não são o foro para tal discussão, pois que não possuem competência legal para se manifestar sobre a inconstitucionalidade das leis, atribuição reservada ao Poder Judiciário, conforme dispõe a Constituição Federal, Por derradeiro, protesta o recorrente por direito à produção de prova pericial para comprovação da matéria alegada, com a documentação não apresentada pelas instituições financeiras a tempo. Consoante com o artigo 16, IV, § 1°, do Decreto if 70235, de 06/0.3/1972, os pedidos de diligência ou perícia devem trazer a exposição dos motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito, após o que, a autoridade julgadora analisa a necessidade de tais providências para o julgamento da lide. A prova pericial protestada, além de não obedecer ao requisitos legais, se mostra desnecessária vez que se prestaria apenas a trazer aos autos provas documentais que o recorrente deveria ter apresentado, não se sustentando as alegativas da sua imperiosidade, pois que, o seu objetivo seria o de comprovar a ocorrência de mera movimentação fisica de 9 Processo n° 1 3 1 61. 720065/2007-59 S2-C1 11 Acórdão n.° 2101-00.408 Fl 1.199 numerário, como também que as receitas tributadas no auto de infração estão compreendidas nas suas declarações de rendimentos. Isto porque, para que sejam trazidos aos autos tais elementos probatórios não é necessária a intervenção de perito especializado. Pois que são informações que podem ser aduzidas pelo próprio sujeito passivo, cuja averiguação da extensão probatória pode ser avaliada pelo julgador administrativo, cujos conhecimentos, pela própria atividade exercida, são capazes de abranger a matéria tratada. Devendo-se ressaltar que a ação fiscal iniciou-se aos 14/12/2006, com lavratura do auto de infração aos 05/12/2007, razoável lapso temporal para o fiscalizado apresentasse as provas alegadas. Também, é curial que se traga à colação as determinações do § 4 0 do artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei n° 9.532, de 10/12/1997, que determina: Art. 16, A impugnação mencionará: 4" A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnantefazê-lo em outro momento processual, a menos que.. a) .fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior,. b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Com efeito, ainda que se quisesse amparar o requerente com os termos das alíneas do § 40 do supracitado artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, que admite ajuntada de prova documental após a impugnação somente quando respaldada pela impossibilidade de sua oportuna juntada pelos motivos ali elencados, não vislumbro possibilidade da ocorrência de força maior, não há fato superveniente, nem novos fatos ou razões trazidos aos autos, no caso em tela a justificar eventual impossibilidade da juntada da documentação no momento em que foi instado a tal pela Administração Tributária, ou pelo menos no momento da impugnação. Isto porque, embora o processo administrativo fiscal não seja sede para que sejam sobrelevadas as formalidades, nem por isso devem ser esquecidos princípios que o norteiam, assim como ao processo judicial, de que todas as provas necessárias à comprovação do direito reclamado devem ser de logo apresentadas para que à outra parte delas seja dado conhecimento, e, assim, sobre elas se manifestar. Ademais, se provas houvesse que o recorrente não pudera apresentar quando da impugnação, nada obstou que as trouxesse ao conhecimento deste colegiado julgador de segunda instância que, sob a ótica do princípio da verdade material, base do processo administrativo fiscal, não se absteria de analisá-las, após tomar as providências no sentido de dar conhecimento à Fazenda Pública da sua juntada, 1 0 Processo n° 1.3161.720065/2007-59 S2-C1T1 Acórdão n.4 2101-00.408 Fl 1 200 Dessarte, deixa-se de acolher o pedido do recorrente acerca da produção de prova pericial e as alegações de impossibilidade de apresentação de provas, que seriam fornecidas pelas instituições financeiras. Nesses termos, forte no exposto, somos por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Sala das Sessões, em 02 de fevereiro de 2010 QQ: JAW-N-kl f- Olimpiotnolanda 54-2 11
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000130/2006-80
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2001
OMISSÃO DE RECEITA - DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
O art. 42 da Lei 9.430/96 consubstancia presunção legal relativa, que inverte o ônus da prova em favor do fisco. Se o fisco demonstra que as conta correntes pesquisadas encontram-se sob titularidade de interposta pessoa, identifica os verdadeiros titulares, intima-os a identificarem os recursos de que pertencem a cada um deles e apresentar a documentação hábil e idônea que comprove sua origem, não tem ele o ônus de aprofundar investigação junto a clientes e fornecedores com vistas a segregar os recursos pertencentes a cada co-titular. Não se desincumbindo o contribuinte de seu ônus de demonstrar quais os recursos que lhe pertencem e a respectiva origem, está o Fisco autorizado, pelo dispositivo legal que veicula a presunção legal, a rateá-los em partes iguais entre os titulares (de direito ou de fato), na forma do seu § 6º.
Numero da decisão: 9101-001.690
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001 OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. O art. 42 da Lei 9.430/96 consubstancia presunção legal relativa, que inverte o ônus da prova em favor do fisco. Se o fisco demonstra que as conta correntes pesquisadas encontramse sob titularidade de interposta pessoa, identifica os verdadeiros titulares, intimaos a identificarem os recursos de que pertencem a cada um deles e apresentar a documentação hábil e idônea que comprove sua origem, não tem ele o ônus de aprofundar investigação junto a clientes e fornecedores com vistas a segregar os recursos pertencentes a cada cotitular. Não se desincumbindo o contribuinte de seu ônus de demonstrar quais os recursos que lhe pertencem e a respectiva origem, está o Fisco autorizado, pelo dispositivo legal que veicula a presunção legal, a rateálos em partes iguais entre os titulares (de direito ou de fato), na forma do seu § 6º. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 01 30 /2 00 6- 80 Fl. 1828DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15586.000130/200680 Acórdão n.º 9101001.690 CSRFT1 Fl. 3 2 VALMIR SANDRI Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Viviane Vidal Wagner (Suplente convocada), Karem Jureidini Dias, Plínio Rodrigues de Lima, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva e Suzy Gomes Hoffmann. Relatório Em sessão plenária de 05 de fevereiro de 2009, mediante o Acórdão nº 105 17.408, a 5ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso do contribuinte, afastando apenas a tributação relativa aos fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 2000, em decisão assim ementada: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Exercício: 2001 Ementa: RECURSO DE OFÍCIO Constatado que o montante de crédito tributário é inferior ao limite para interposição do recurso necessário, não há que se falar em nulidade do lançamento superveniente por ausência da referida providência. DEPÓSITOS BANCÁRIOS A partir da edição da Lei n° 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de oficio qualificada de 150%, prevista no inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996. DECADÊNCIA Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera. Nesses casos, a melhor exegese é aquela que direciona para aplicação da rega geral estampada no art. 173, I do mesmo diploma legal (Código Tributário Nacional). DECADÊNCIA CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, pelo Supremo Tribunal Federal (súmula vinculante n° 8 — DOU de 20 de junho de 2008), aplicase às contribuições sociais a regra Fl. 1829DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15586.000130/200680 Acórdão n.º 9101001.690 CSRFT1 Fl. 4 3 de decadência estampada no art. 173 do Código Tributário Nacional. LEI N° 10.174, DE 2001. RETROATIVIDADE As normas que autorizaram o acesso à movimentação bancária dos sujeitos passivos e a sua utilização para constituição de créditos tributários apresentam natureza procedimental, sendo, portanto, também aplicáveis a fatos pretéritos, ex vi do disposto no § 1° do art. 144 do CTN. JUROS SELIC A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados i)) ela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso especial, alegando dissídio jurisprudencial em relação à matéria questionada em recurso, referente à falta de previsão legal para a divisão da receita entre as pessoas jurídicas, resultando indevida apuração da base de cálculo. Concretamente, insurgese contra a utilização do critério previsto no § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, para a divisão do montante das receitas omitidas entre as pessoas jurídicas às quais se atribuiu a titularidade das contas correntes. Para comprovar a divergência, colaciona o Acórdão 108.09.554, proferido em julgamento de caso idêntico, de processo decorrente da mesma fiscalização, só que na parte que dos depósitos que foi atribuída a outra empresa, e transcreve trechos dos votos condutores dos acórdãos confrontados (recorrido e paradigma) que abordam o tema: Acórdão recorrido: "(...) Na medida em que as empresas MONTANA MADEIRAS LTDA, MADEIREIRA GRECCO LTDA E MADEIRAS TANGE LTDA (nova denominação de MADEIREIRA MONTANA LTDA), intimadas, não apresentaram quaisquer documentos comprobatórios das origens dos recursos depositados nas contas bancárias investigadas, a autoridade fiscal promoveu o lançamento com base no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Para fins de determinação do montante a ser tributado na Recorrente, utilizou as disposições do parágrafo 6° do referido artigo. Ainda que se possa argumentar que as disposições preconizadas pelo § 6° do art. 42 da Lei 9430/96 sejam mais apropriadamente aplicados em relação a pessoas físicas, não identifico óbice à aplicação do critério ali estabelecido no caso vertente, eis que, diante da convicção de que os valores movimentados em contas bancárias diversas pertencem às três empresas devidamente identificadas, e que estas, intimadas, não comprovaram a origem dos recursos movimentados, o valor das receitas, tidas por presunção legal como omitidas, efetivamente deve ser imputado a cada titular mediante divisão entre o total das receitas pela quantidade de titulares.”. Paradigma (Ac. 10809.554): Fl. 1830DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15586.000130/200680 Acórdão n.º 9101001.690 CSRFT1 Fl. 5 4 "A tributação com fulcro nas disposições do artigo 42 da lei 9.430/96, em se tratando de um critério com base em presunção, impõe rigorosa observação dos seus dispositivos, sob pena de macular de forma irreparável o lançamento tributário. (..) Entretanto, equivocouse na quantificação da base de cálculo que deveria ser tributada em cada uma das três pessoas jurídicas, visto que o critério de divisão entre os titulares, previsto no § 6° do artigo 42 da lei n° 9.430/96, aplicase na hipótese de contas conjuntas entre os titulares, dispositivo este tipicamente aplicável às pessoas físicas. No caso dos autos algumas das contas correntes eram de titularidade conjunta entre as pessoas físicas do senhor Cezar Antonio Grecco e sua esposa e entre ele e o senhor Ézio Cisconetti, inexistindo prova da existência de titularidade de contas correntes conjuntas entre as pessoas jurídicas autuadas entre si, ou entre elas e as pessoas físicas indicadas notadamente o senhor Cezar Antonio Grecco. A divisão pura e simples do montante dos depósitos tidos como de origem não comprovada entre as três pessoas jurídicas não encontra respaldo legal nas disposições do artigo 42 da lei n°9.430/96, ainda mais que o fisco verificou que parte significativa dos depósitos pesquisados tiveram sua origem e destinação comprovadas junto aos principais fornecedores e clientes das três madeireiras, fato que instaura insegurança e incerteza quanto à correção da base de cálculo dos tributos que cada pessoa jurídica deveria suportar.”. • , Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2000 IRRI — OMISSÃO DE RECEITAS — DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA — UTILIZAÇÃO DE CONTA BANCÁRIA EM NOME DE TERCEIRO ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430/96 — Comprovada a interposição de pessoa deve ser autuado o efetivo titular das contas correntes. A divisão do montante dos depósitos, tidos como de origem não comprovada, deve ocorrer entre os titulares de contas correntes conjuntas, não encontrando amparo legal nas disposições do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 a divisão do montante das receitas omitidas entre as pessoas jurídicas às quais se atribuiu a titularidade das contas correntes, especialmente identificadas a origem e destino de grande parte dos valores considerados omitidos, bem como as operações que lhes deram causa. Lançamento improcedente. Recurso Voluntário Provido. Fl. 1831DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15586.000130/200680 Acórdão n.º 9101001.690 CSRFT1 Fl. 6 5 O Presidente da 3ª Câmara deu seguimento ao recurso, assentado que a divergência de interpretação foi demonstrada, pois a sistemática de rateio dos valores omitidos utilizada na autuação de que tratam os presentes autos e endossada pela decisão recorrida foi claramente rechaçada no acórdão paradigma. A PFN apresentou contrarazões. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator. O recurso atende os pressupostos legais e regimentais que o autorizam. Dele conheço. A exigência litigada decorreu de procedimento levado a efeito no contribuinte CEZAR ANTÔNIO GRECCO, cuja movimentação financeira nos anos de 1999 e 2000, nos bancos BRADESCO; BANCOOB; BEMGE; BANESTES e ITAÚ foi da ordem de R$ 2.578.336,35 (1999) e R$ 4.853.215,34 (2000), ao passo que as declarações apresentas à Receita Federal indicam ter auferido rendimento total (tributáveis, isentos e não tributáveis), de R$ 27.070,00 (1999) e R$ 131.281,22, (2000). A Fiscalização constatou que a movimentação financeira efetuada nas contas bancárias titularizadas pelo Sr. Cezar Antônio Grecco era proveniente das atividades comerciais das empresas MADEIREIRA GRECCO LTDA., MADEIREIRA MONTANA LTDA. e MONTANA MADEIRAS LTDA., ou seja, a titularidade efetiva da conta seria das três pessoas jurídicas em conjunto. Não atendida a intimação para comprovação da origem dos recursos depositados, o fisco, após depurar as transferências entre contas, efetuou o lançamento de oficio por omissão de receitas, imputando a cada titular o montante correspondente à divisão do total das receitas pela quantidade de titulares, conforme previsto no § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430/96. A questão discutida é a legalidade do rateio do montante em partes iguais entre os cotitulares de fato. O procedimento do fisco está perfeitamente amparado nos §§ 5º e 6º do art. 42, que preveem: § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em Fl. 1832DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15586.000130/200680 Acórdão n.º 9101001.690 CSRFT1 Fl. 7 6 separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) No caso concreto, o fisco, mediante rastreamento de cheques emitidos e depósitos efetuados nas contas de titularidade do Sr. Grecco, comprovou que os valores movimentados pertenciam a três pessoas jurídicas, Madeireira Grecco Ltda., Madeireira Montana Ltda. e Montana Madeiras Ltda. Todas as pessoas jurídicas e físicas (Sr. Grecco e demais pessoas físicas que tinham procuração para movimentar as contas) envolvidas foram intimadas a comprovar a origem dos recursos movimentados nas contas correntes, e se omitiram de fazêlo. O paradigma assentou que: Assim, comprovado que os valores movimentados nas contas correntes pertenciam a terceiros, entre eles a autuada, mediante interposição de pessoa física o fisco procedeu de conformidade com as disposições do § 5° do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, ao autuar as pessoas jurídicas na condição de efetivas titulares das contas correntes. Entretanto, equivocouse na quantificação da base de cálculo que deveria ser tributada em cada uma das três pessoas jurídicas, visto que o critério de divisão entre os titulares, previsto no § 6° do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, aplicase na hipótese de contas conjuntas entre os titulares, dispositivo este tipicamente aplicável às pessoas físicas.”. Ao meu sentir, não procede o entendimento do paradigma, de erro na quantificação da base de cálculo. O critério previsto no § 6º não se aplica exclusivamente a pessoas físicas. O dispositivo trata de contas mantidas em conjunto cujos titulares apresentaram declaração de rendimentos ou de informações em separado, sem distinguir entre titulares pessoas físicas ou jurídicas. E estabelece critério a ser usado quando não apresentada a comprovação da origem que possibilite a análise individualizada de cada crédito. Notese que a pessoa jurídica foi expressamente intimada a informar, individualizadamente, os recursos de sua propriedade que se encontram relacionados no demonstrativo dos depósitos/créditos anexo à intimação, e apresentar a documentação hábil e idônea que comprove sua origem, deixando, contudo, de fazêlo. Não tendo havido manifestação, quer da pessoa física titular ostensiva (que, aliás, às fls. 913 a 925 dos autos informou que “a maior parte dos valores movimentados nas contas correntes que estão sendo analisadas por essa fiscalização é proveniente das receitas auferidas pelas empresas em que eu e minha exesposa fazíamos parte do quadro societário”), quer das pessoas jurídicas efetivas titulares conjuntas, ficou o fisco autorizado a utilizar o critério previsto no referido § 6º O fato é que foge completamente ao espírito da lei a interpretação dada pelo paradigma, quando se expressou que: Fl. 1833DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15586.000130/200680 Acórdão n.º 9101001.690 CSRFT1 Fl. 8 7 “Assim, de posse dos extratos bancários, dos documentos referentes à abertura das contas correntes, das cópias de cheques emitidos e dos depósitos efetuados, o fisco deveria ter continuado a investigação e a estendido aos demais clientes e fornecedores das autuadas com vistas a segregar os valores pertencentes a cada uma delas, verificar se valores omitidos nas respectivas escriturações contábeis e fiscais e, se não existentes, considerar a hipótese de arbitramentos dos lucros das três pessoas jurídicas, em consonância com as disposições dos §§ 1°, 2° e 5° do artigo 42 da Lei n° 9.430/96.” Ora, o art. 42 da Lei 9.430/96 consubstancia presunção legal relativa, que inverte o ônus da prova em favor do fisco. Se o fisco demonstra que as conta correntes pesquisadas encontramse sob titularidade de interposta pessoa, identifica os verdadeiros titulares e os intima a identificar os recursos que pertencem a cada um deles, e apresentar a documentação hábil e idônea que comprove sua origem, não tem ele o ônus de aprofundar investigação junto a clientes e fornecedores com vistas a segregar os recursos pertencentes a cada cotitular. Não se desincumbindo o contribuinte de seu ônus de demonstrar quais os recursos que lhe pertencem e sua origem, está o Fisco autorizado, pelo dispositivo legal que veicula a presunção legal, a rateálos em partes iguais entre os titulares (de direito ou de fato), na forma do seu § 6º. Isto posto, nego provimento ao recurso especial do contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, DF, em 16 de julho de 2013. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 1834DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 11065.101014/2007-96
Data da sessão: Wed May 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1998
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO, CONTAGEM DO PRAZO DE.
DECADÊNCIA. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário, assim entendida a data do pagamento antecipado, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação - arts. 165, I, e 168, I, da Lei n" 5,172 de 25 de outubro de 1966 (CTN),
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1301-000.305
Decisão: Acordam os membros do colegiada, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Ricardo Leal de Melo e Valmir Sandri
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: Waldir Viega Rocha
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1998 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO, CONTAGEM DO PRAZO DE. DECADÊNCIA. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário, assim entendida a data do pagamento antecipado, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação - arts. 165, I, e 168, I, da Lei n" 5,172 de 25 de outubro de 1966 (CTN), Recurso Voluntário Negado.
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Processo n" 11065,101014/2007-96 Recurso n° 167,002 Voluntário Acórdão n" 1301-00.305 — 3" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 19 de maio de 2010 Matéria CSLL Recorrente E. XAVIER KUNST ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida 5a TURMA/DR.J-PORTO ALEGRE/RS ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1998 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO, CONTAGEM DO PRAZO DE. DECADÊNCIA. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário, assim entendida a data do pagamento antecipado, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação - arts. 165, I, e 168, I, da Lei n" 5,172 de 25 de outubro de 1966 (CTN), Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Ricardo Leal de Melo e Valmir Sandri. LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente WALDIR VEI ROCHA - Relator • EDITADO EM: 12 AGO 2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Fábio Soares de Melo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Vahnir Sandri e Leonardo de Andrade Couto, Relatório F. XAVIER KUNST ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 10-15.753, de 18/04/2008, da 5" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, recorte voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgada: A lide pode ser bem compreendida a partir da síntese elaborada pelo relator do processo em primeira instância, a seguir transcrita: Em 02/08/2007, a interessada apresentou pedido de restituição (fls. 1) de R$ 11.792,07, relativos a saldo negativo de CSLL apurado no ano-calendário de 1997. Em 31/08/2007, tomou ciência (AR, fls. 44) de despacho decisório (fls., 36) que indeferiu a restituição, com base na decadência do direito à repetição. Em 28/09/2007, apresentou manifestação de inconformidade alegando que: - de acordo com a tese dos "cinco mais cinco", ainda não teria decaído seu direito; e - o disposto na Lei Complementar n" 118, de 09/02/2005, não se aplicaria a recolhimentos efetuados em 1999, A 5 da DRJ em Porto Alegre/RS analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n o 10-15.753, de 18/04/2008 (fis. 56/57), considerou-a improcedente, em decisão assim ementada: Assunto. Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário. 1997 DISPOSITIVO EM VIGOR, DESAPLICA ÇÃO IMPOSSIBILIDADE No julgamento administrativo, não se pode deixar de aplicar a legislação em vigor; no caso, não se pode afastar a aplicação de dispositivo que determina a retroatividade de regra relativa a decadência do direito à repetição de indébito. Assunto. Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário. 1997 RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O direito a restituição de indébito decai em cinco anos contados da data do pagamento indevido, Ciente da decisão de primeira instância em 19/05/2008, conforme Aviso de Recebimento à fl. 61, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 03/06/2008 conforme carimbo de recepção à folha 62. No recurso interposto (fls. 63/66), a interessada reitera os argumentos anteriormente aduzidos, ressaltando, ainda, o quanto segue: 2 Processo ri 11065 101014/2007-96 SI-C3T1 Acórdão n 1301-00305 F I . 2 6, Destacamos ainda, oportunamente, recente decisão do STJ proferida pelo relator Min.. TEORI ALBINO ZAVASCKI no Recurso Especial n° 946.790 - SP (2007/0097528-3), interposto pela Fazenda nacional contra o Acórdão do Tribunal Regional Federal da 3° Região sobre a aplicação do art. 3° da Lei Complementar n° 118, de 09 de fevereiro de 2005, cujo entendimento é de que o prazo de cinco anos estabelecido no art. 118 do CTN têm início a contar da data de homologação, expressa ou tácita, do lançamento - uma vez que é uma das hipóteses de extinção amparada pelo art. 156, VII, do CTN. Neste sentido, não havendo homologação expressa, o prazo para restituição do crédito tributário passa a ser de dez anos a contar do fato gerador. 7.. O termo inicial da prescrição, nos termos do art. 3° da Lei Complementar. n° 118/05, é a data do recolhimento do tributo considerado indevido, inclusive para recolhimentos anteriores à sua vigência (art. 4°, segunda parte). Todavia, quanto a essa determinação de retroatividade, a Corte Especial, apreciando incidente de inconstitucionandade (AI nos ERESP 644,736/PE, Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 06,06.2007), declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3 0, o disposto no art. 106, I, da Lei n'5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional", constante do dispositivo em questão. 8. Ora, sendo considerada ofensa à Constituição a aplicação retroativa do art. 40, segunda parte, LC 118/2005, sobretudo ao art.. 2° (que consagra a autonomia e independência do Poder Judiciário em relação ao Poder Legislativo) e ao inciso XXXVI do art. 5°, que resguarda, da aplicação da lei nova, o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; considerando o prazo prescricional de dez anos (cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco, a partir da homologação tácita), importa considerar como direito creditório da Impugnante o Saldo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL exercício 1998, ano- calendário 1997, no valor original de R$ 3.407,21 devidamente atualizado. Ao final, requer o provimento de seu recurso voluntário e o reconhecimento de seu direito à restituição pleiteada. É o Relatório. 3 Voto Conselheiro WALDIR VEIGA ROCHA O recurso é tempestivo e dele conheço, Gira a lide em tomo do termo inicial para a contagem do prazo decadencial para a repetição do indébito tributário. Sustenta a recorrente a aplicabilidade do entendimento da 1' Seção do STJ, tese conhecida corno "cinco mais cinco". Com todo o respeito devido àquele Tribunal, no extinto Primeiro Conselho de Contribuintes de há muito se encontrava consolidada a interpretação de que o prazo de cinco anos começava a contar a partir do pagamento indevido ou a maior, ou, como é o caso em tela, do momento em que teria aflorado o indébito e surgido o direito do contribuinte ao saldo negativo. Nesse sentido, são ilustrativas as decisões cujas ementas são a seguir transcritas: IRRI - RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO - CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA - O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário - arts. 165, 1 e 168, I da Lei 51 72 de 25 de outubro de 1966 (CTN) Tratando-se de imposto antecipado ao devido na declaração, com esta, se inicia a contagem do prazo decadencial, (Acórdão 108-08.115, de 02/12/2004, 8"C 1"CC, Relatora Conselheira bete Mala quias Pessoa Monteiro) (No mesmo sentido, o Acórdão 108-07,3 72, de 17/04/200» DECADÊNCIA - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - TERMO INICIAL - RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO - CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA - INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CIN - Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fálica não litigiosa, o prazo, de cinco anos, para pleitear a restituição ou a compensação tem início a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Esse termo não se altera em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, eis que nesse caso, o pagamento extingue o crédito sob condição resolutória, Mc 101-94,745) (Acórdão 105-16.356, de 28/03/2007, 5"C 1"CC, Relator Conselheiro Irineu Bianchi) RESTITUIÇÃO E COMPENSA (,:iro - CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA - O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido; extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário - arts 1651 e 168 Ida Lei 51 72 de 25 de outubro de 1966 (CTN). (Acórdão 105-15.158, de 17/06/2005, 5"C 1"CC, Relator Conselheiro José Clóvis Alves) 4 Processo n 11065.101014/2007-96 S1-C3T1 Acóydrio ." 1301-00305 Fl 3 Embora nesta Casa o entendimento estivesse pacificado, em 09/02/2005 os artigos .3° e 4' da Lei Complementar ri' 118/2005, a seguir transcritos, vieram lançar luz sobre a matéria, considerando-se as diferentes correntes interpretativas, Art. .3' Para efeito de interpretação do inciso Ido art. 168 da Lei n' 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1 0 do art 150 da referida Lei. Art 4°- Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao ar! 3', o disposto no ar!, 106, inciso I, da Lei n' 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional Como se vê, trata-se de dispositivo expressamente interpretativo, com aplicação retroativa, ex vi do disposto no art. 4°. No entanto, mesmo sobre isso há vozes divergentes, notadamente no Superior Tribunal de Justiça. A recorrente ressalta o quanto decidido naquela Corte no Recurso Especial n" 946,790/SP, do qual transcreve excerto da ementa. Em apertada síntese, aquele Tribunal decidiu que o disposto no art. 3" não tem eficácia retroativa, reportando-se, ainda, ao Incidente de Inconstitucionalidade no EResp 644,736/PE, Observo que o aresto trazido à colação pela interessada, ao declarar inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3", o disposto no art. 106, 1, da Lei n° .5172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional", constante do art. 4 0 , segunda parte, da referida Lei Complementar, exerceu a prerrogativa de controle de constitucionalidade pela via difusa. Tal decisão, no entanto, somente produz seus efeitos entre as partes, em que não se inclui a recorrente. Ademais, em consulta ao sítio eletrônico do ST.1 na intemet, constato que foi interposto recurso extraordinário no REsp ir 946.790, e que o processo foi "sobrestado em atendimento ao art. 543-13, § 1", do CPC (processo com a mesma controvérsia: RE 561908r Ou seja, a decisão mencionada pela recorrente se encontra pendente do que há de decidir a Corte Suprema acerca da questão constitucional envolvida. O controle de constitucionalidade, no sistema brasileiro, é de competência exclusiva do Poder Judiciário, sendo incompetente este colegiado para se manifestar sobre - a matéria ou mesmo para afastar a aplicação de lei plenamente inserida no ordenamento jurídico e não declarada inconstitucional pelo órgão para tanto competente. É o que dispõe o art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, a seguir transcrito: Art. 6.2. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do GARE afastar a aplicação ou deixar de observa,.. tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no capta não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo. I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal,- ou 5 II - que .fundamente crédito tributário objeto de. a) dispensa legal de constituição ou de ato declinatório do Procurador-Geral da Fazenda .Nacional, na fOrma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) sumula da Advocacia-Geral da União, na !brim do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art 40 da Lei Complementar IP 73, de 199.3. Essa vedação também consta da Súmula CARF IV 2, de aplicação obrigatória por seus membros, publicada na Portaria CARF n° 106/2009: Súmula CARF N2 2 . O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconsütucionalidade de ki tributária E, desde que os artigos 30 e 4" da Lei Complementar IV 118/2005 se encontram plenamente em vigor e não foram declarados inconstitucionais com efeitos erga ("nes, nem com efeitos hrter partes em ação da qual seja parte a interessada, nem ainda se enquadram em qualquer das exceções previstas no parágrafo único do art. 62 do RICARF, acima transcrito, suas disposições devem ser cumpridas. Nesse mesmo sentido decidiu a Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em 18/11/2009, ao julgar recurso especial do Procurador e dar-lhe provimento, nos autos do processo administrativo fiscal n° 13848,000073/99-95, restando a decisão assim ementada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração • 07/06/1994 a 25/06/1994 PIS REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O dias a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo . final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário -- . (__' WALDIR VEIG(ROCHA - RelatorI N) 6
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Numero do processo: 10280.003594/2006-69
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
Ementa:
NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
Numero da decisão: 3402-002.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para incluir os custos com serviços de terraplanagem no cálculo do crédito do PIS e da Cofins apurados no regime da não-cumulatividade e determinar que sejam homologadas as compensações até o limite do valor a ser ressarcido.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA.
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Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 Ementa: NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
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INSUMOS. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para incluir os custos com serviços de terraplanagem no cálculo do crédito do PIS e da Cofins apurados no regime da nãocumulatividade e determinar que sejam homologadas as compensações até o limite do valor a ser ressarcido. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 35 94 /2 00 6- 69 Fl. 592DF CARF MF Processo nº 10280.003594/200669 Acórdão n.º 3402002.566 S3C4T2 Fl. 205 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA. . Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos, colaciono o relatório da Resolução nº 3402000470, de 23 de outubro de 2012: Tratase de Pedido de Ressarcimento de crédito da Contribuição para a Cofins nãocumulativa no valor de R$ 974.421,90, conforme PER nº 17013.43613.040806.1.1.096103, transmitido em 04/08/2006, relativo ao 3º trimestre de 2004, cumulado com apresentação de DCOMP nº 27478.62315.040806.1.3.09.8660 e nº 16793.78596.290107.1.3.090806. A DRF/Belém, por intermédio do Parecer/Despacho de fls. 151/155, resolveu: a) Reconhecer o direito ao crédito no valor de R$ 166.610,75 (cento e sessenta e seis mil, seiscentos e dez reais e setenta e cinco centavos); b) Homologar a compensação pretendia nas DCOMP nºs 27478.62315.040806.1.3.098660 e 16793.78596.290107.1.3.090806, até o limite do crédito reconhecido. Segundo a Informação Fiscal de fls. 133/138, apesar de não haver sido incluído indevidamente nenhum valor no cômputo da receita bruta no período, assim como não ter havido glosa que modificasse a relação entre a receita total e de exportação, foram apurados coeficientes diferentes dos utilizados pelo contribuinte em seu Dacon. A Fiscalização indica os valores de receita total e de exportação utilizados no seu cálculo. Além disso, foram glosados: a) os gastos com combustíveis e lubrificantes, sob o argumento de que os mesmos não podem ser considerados insumos por não entrarem em contato com o produto fabricado (caulim); b) despesas com serviços de terraplenagem, por não haverem sido aplicados ou consumidos na produção do caulim. c) outros custos com direito a credito por serem computados em duplicidade; d) créditos apurados sobre depreciação de bens do ativo imobilizado adquiridos a partir de 01/05/2004, por descumprimento do disposto no art. 31 da Lei nº 10.865/2004. Fl. 593DF CARF MF Processo nº 10280.003594/200669 Acórdão n.º 3402002.566 S3C4T2 Fl. 206 3 Cientificada em 23.02.2011 (AR fl. 175), a interessada apresentou, tempestivamente, em 25.03.2011 , manifestação de inconformidade (fls. 176/208) na qual, em síntese: a) Indica ser nulo o Despacho por inexistência de descrição dos fatos e enquadramento legal. “A omissão é tão patente que em nenhum dos dois, parecer ou despacho, é feita sequer menção expressa ao RPF n° 0210100/201000599 (!), onde, de fato, encontramse os fundamentos que acarretaram na homologação parcial do crédito da REQUERENTE.”; b) “Com efeito, a REQUERENTE teve que fazer um verdadeiro trabalho investigativo para conseguir vincular o Parecer SEORT/DRF/BEL n° 025/2011 e o despacho decisório ao RPF n° 0210100/201000599. Ao analisar este último, verificou que (i) possuía o mesmo número de Processo Administrativo (PA n° 10280.003594/200669) do parecer e do despacho decisório; (ii) fazia menção à mesma PER/DCOMP e período objeto de apuração do crédito (PER/DCOMP n° 17013.43613.040806.1.1.096103/3º Trimestre de 2004); e, por fim, (iii) reconhecia o mesmo valor de crédito de COFINS (R$ 166.610,75).”; c) Entende haver feito a correta apuração da base da contribuição, não tendo a fiscalização exposto as razões que a levaram a apurar suposto erro no cálculo dos coeficientes utilizados pela empresa, o que, por si só, inviabiliza a sua defesa; d) “Vêse, pois, que a alteração dos coeficientes de cálculo pela Fiscalização está eivada de nulidade, nos termos do art. 59, II, Decreto n° 70.235/1 972, tendo em vista que a mesma não discrimina os motivos da referida alteração, cerceando o direito da REQUERENTE, por ausência de elementos para se defender.”; e) Defende que os valores pagos na aquisição de óleos combustível e lubrificante, e os despendidos com serviços de terraplanagem geram créditos por se caracterizarem como insumo; f) Argumenta que a definição de insumo trazida pelos atos normativos da Receita Federal foi pega de empréstimo, “de modo flagrantemente impróprio”, das legislações do ICMS e do IPI, não podendo ser utilizadas para a Cofins, uma vez que a materialidade desta última é muito maior que a dos impostos, devendo a possibilidade de creditamento também ser mais abrangente; g) “Por oportuno, ressaltese que no RPF n° 0210100/201000599 é feita remissão ao art. 66, § 50, II da IN/SRF no 247/2002, para indeferir o creditamento dos valores recolhidos a título de serviços de terraplanagem, quando o correto seria a indicação do inciso I do referido artigo, pois é este que cuida do creditamento de serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do Fl. 594DF CARF MF Processo nº 10280.003594/200669 Acórdão n.º 3402002.566 S3C4T2 Fl. 207 4 produto (o inciso II trata do serviço aplicado ou consumido na prestação de serviço), o que, por si só, enseja a nulidade do despacho decisório quanto aos créditos apurados relacionados com esse item.”; h) “Vêse, pois, que, o conceito de insumo, para fins de apuração de crédito da COFINS, deve abranger todo e qualquer bem ou serviço utilizado na obtenção de receita, sendo ilegais, portanto, as restrições contidas no art. 8°, § 4°, I, “a”, da IN/SRF n° 404/2004 e no art. 66, § 50, II, “b”, da IN/SRF n° 247/2002.”; i) Cita a Solução de Divergência nº 37, de 2008, da Cosit, que entende ser aplicável ao presente caso, na qual a administração teria concluído que os óleos combustíveis e créditos de Cofins, não havendo necessidade de que os mesmos ajam diretamente sobre o produto fabricado. Transcreve trechos do documento; j) Destaca que o óleo combustível é consumido como combustível no processo de evaporação do caulim. “Isso porque o processo de evaporação, que tem por objetivo diminuir o teor de umidade da polpa redispersa para níveis de 30 a 35%. O sistema de evaporação é composto por um vaso cilíndrico, termo compressor e conjunto de trocadores de calor tipo placas e de uma caldeira flamotubular, que utiliza óleo BPF1 A, como combustível.”; k) “Como se isso não fosse o bastante, na secagem, um dos processos de produção do 'caulim', o gás quente responsável pelo aquecimento do ar de secagem é obtido pela queima de combustível em uma fornalha revestida com tijolos refratários.”; l) “Desse modo, podese ainda afirmar que não só os óleos lubrificantes e combustíveis são consumidos no processo de fabricação do produto, como também atuam diretamente sobre esse processo produtivo. De fato, como visto, o óleo combustível atua diretamente no processo de redução de umidade do caulim.”; m) “Com relação aos serviços de terraplanagem, esses são preparatórios para a exploração mineral, visto que têm como objetivo aplainar o terreno, para que se possa iniciar a extração do 'caulim', restando também extreme de dúvida a sua importância dentro do processo produtivo.”; n) “No entanto, basta uma simples análise da DACON relativa ao 3º trimestre de 2004 (Doc. Nº 7), para se verificar que não houve indicação em duplicidade de créditos por parte da REQUERENTE. Ressaltese que aqui, mais uma vez, a Fiscalização faz afirmação de modo completamente arbitrário, sem elencar as razões pelas quais teria chegado a essa conclusão, repisese, de todo absurda.”; o) “Ora, a ‘interpretação’ dada pela Fiscalização ao art. 31 da Lei nº 10.865/2004 é completamente absurda. Isso porque o referido artigo não só não veda, como expressamente autoriza o Fl. 595DF CARF MF Processo nº 10280.003594/200669 Acórdão n.º 3402002.566 S3C4T2 Fl. 208 5 creditamento da COFINS sobre a depreciação de bens do ativo fixo adquiridos a partir de 01.05.2004, in verbis:”. p) Conclui: “Nas Seções anteriores encontrase devidamente demonstrado que a REQUERENTE tem direito a se creditar dos valores relativos aos óleos combustível e lubrificante e ao serviço de terraplanagem, tendo em vista que se tratam de bens e serviços utilizados para a obtenção de receita e, por conseguinte, podem ser classificados como insumos passíveis de creditamento, nos termos do art. 3º, II, da Lei n° 10.833/2003. No entanto, caso assim não se entenda, o que se admite apenas para argumentar, a REQUERENTE requer a realização de perícia, nos termos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/1 972, para que sejam respondidos os seguintes quesitos: a) Os óleos combustíveis e lubrificantes adquiridos pela REQUERENTE são utilizados e/ou consumidos no processo de fabricação do 'caulim' ou de qualquer outro produto da REQUERENTE? b) Os serviços de terraplanagem são utilizados e/ou consumidos no processo de fabricação do 'caulim' ou de qualquer outro produto da REQUERENTE? c) Os óleos combustíveis e lubrificantes adquiridos pela REQUERENTE têm ação direta no processo de fabricação do “caulim” ou de qualquer outro produto da REQUERENTE OU, ainda, os referidos bens integram de alguma forma o caulim ou qualquer outro produto final da REQUERENTE? Por oportuno, a REQUERENTE indica o Sr. Anselmo Duarte Pereira, engenheiro químico, inscrito no Conselho Regional de Química sob o n° 03.302.662 6ª Região, para atuar como seu perito. Por todo o exposto, a REQUERENTE requer a V.Sa. que seja dado integral provimento à sua manifestação de inconformidade, para que, ao final, seja homologado integralmente a compensação objeto da PER/DCOMP nº 17013.53613.040806.1.1.096103 (DCOMPS nºs 27478.62315.040806.1.3.098660 e 16793.78596.290107.1.3090806). A 3ª Turma da DRJ Belém (PA) julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte, nos termos do Acórdão nº 0122.574, de 09 de agosto de 2011, cuja ementa abaixo transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITO. Fl. 596DF CARF MF Processo nº 10280.003594/200669 Acórdão n.º 3402002.566 S3C4T2 Fl. 209 6 Do montante apurado para a contribuição, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores das aquisições efetuadas no mês de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os combustíveis e lubrificantes, assim como a energia elétrica, quando participantes do processo industrial, caracterizamse como insumos indiretos para os quais há determinação específica na legislação que permite o aproveitamento de créditos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Descontente com o deferimento parcial decidido pela instância a quo, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, exceto quanto ao aproveitamento dos custos com combustíveis e lubrificantes como insumo para fins de creditamento da exação, pois essa matéria foi reconhecida como seu direito pela instância a quo. Termina sua peça recursal requerendo integral provimento ao seu recurso para fins de que seja deferido integralmente o pedido de ressarcimento e homologada integralmente a compensação por ele efetuada. Como já mencionado, a 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF converteu o julgamento em diligência para que fosse esclarecida a participação do serviço de terraplanagem no processo produtivo da empresa. A Unidade de Origem realizou o trabalho e emitiu seu parecer. O recorrente teve ciência da informação fiscal e não se manifestou. Os autos retornaram ao CARF para seguimento do rito processual. É o brevíssimo relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo ao mérito. NULIDADES O recorrente alega cerceamento do direito de defesa em vista da dificuldade de obter pleno conhecimento dos motivos que levaram à alteração dos coeficientes aplicados Fl. 597DF CARF MF Processo nº 10280.003594/200669 Acórdão n.º 3402002.566 S3C4T2 Fl. 210 7 no cálculo da relação entre as receitas total e de exportação, motivo pelo qual deveria ser considerado nulo o despacho decisório. Ao meu sentir, não há razões para decretar a nulidade do despacho decisório, uma vez que restou claro o procedimento da fiscalização na apuração da relação entre receitas de exportação e receita total. Como mencionado na informação fiscal de fls. 140/145, não foram glosados nenhum valor declarado em DACON, apenas foi feita a operação aritmética que alterou os percentuais utilizando os mesmos valores de receita de exportação e totais informados pelo próprio recorrente. Assim sendo, afasto a preliminar de nulidade suscitada pelo recorrente. BENS E SERVIÇOS INSUMOS O Conselheiro Mauricio Taveira e Silva, no processo nº 16707002127/2005 65 de sua relatoria, enfrentou o tema com maestria, profundidade e didática, de sorte que reproduzo seu voto para embasar minha razão de decidir, in verbis: O tema em questão enseja as maiores polêmicas acerca do PIS e Cofins não cumulativos em decorrência do termo “insumo” utilizado pelo legislador, sem a devida definição de sua amplitude, ou seja, se o insumo a ser considerado deva ser somente o “direto” ou se o termo deve abarcar, também, os insumos “indiretos”. Nesse contexto, tornase necessária uma maior reflexão sobre o tema. Os arts 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, dispõem sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Visando normatizar o termo “insumo” a Receita Federal editou as Instruções Normativas, IN SRF nº 247/02, art. 66, § 5º, no caso do PIS e IN SRF nº 404/04, art. 8º, § 4º para a Cofins. Nelas, o fisco limitou a abrangência do termo “insumos” utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim, os serviços sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sendo aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço. De modo a esclarecer o alcance de tais normas em relação a casos concretos, foram editadas diversas Soluções de Consultas, por vezes conflitantes, as quais acabaram por ensejar a elaboração de inúmeras Soluções de Divergência. Na sequência dos acontecimentos, decorridos alguns anos desde a edição das leis criadoras do PIS e da Cofins na sistemática não cumulativa, Fl. 598DF CARF MF Processo nº 10280.003594/200669 Acórdão n.º 3402002.566 S3C4T2 Fl. 211 8 percebese ser cada vez mais intenso o coro a rejeitar a não cumulatividade dessas contribuições de modo tão restritivo, nos moldes do IPI. Nesse sentido, na doutrina preconizada por Fábio Pallaretti Calcini, a não cumulatividade vinculada ao produto (IPI) ou mercadoria (ICMS) não se presta a fundamentar a não cumulatividade do PIS e da Cofins, cujo pressuposto é a receita, ensejando, assim, uma maior amplitude para a obtenção dos créditos. A falta de pertinência se evidencia em se tratando de prestador de serviços. As restrições legalmente impostas cingemse ao art. 3º, § 2º, incisos I e II, das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, que tratam de vedação de crédito decorrente de mão de obra paga a pessoa física e aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Releva observar, em conformidade com o art. 3º, § 3º, incisos I e II, dos mesmos diplomas legais, a necessidade de que, tanto os bens e serviços adquiridos, como também os custos e despesas incorridos, pagos ou creditados, tenham como destino pessoa jurídica domiciliada no País. Desse modo, proclama o referido autor; vez que as restrições, com caráter de excepcionalidade, estão expressamente consignadas em lei, os demais dispositivos normativos não poderiam ser elaborados de forma restritiva. Conforme assevera Natanael Martins, levando em consideração o fato de que no caso das contribuições para o PIS e para a Cofins pelo regime não cumulativo a materialidade é a receita e não somente a atividade fabril, mercantil ou de serviços, constata que há a eleição de ‘outras hipóteses creditórias desvinculadas da atividade desenvolvida pelo contribuinte como é o caso das despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil’48, razão pela qual constata que, diante deste contexto, a noção de insumo ‘erigido pela nova sistemática do PIS e da Cofins não guarda simetria com aquele delineado pelas legislações do IPI e do ICMS, visto não estar limitado apenas a operações realizadas com mercadorias ou produtos industrializados, sendo, inclusive, aplicado aos prestadores de serviços. Nessa linha registra Pallaretti Calcini que as limitações à utilização do crédito são exaustivamente descritas nas duas leis, não comportando acréscimos. Assim, sustenta que a expressão insumo deve estar vinculada aos dispêndios relizados pelo contribuinte que, de forma direta ou indireta, contribuam para o pleno exercício de sua atividade econômica (indústria, comércio ou serviços) visando à obtenção de receita. Logo, os parâmetros trazidos pela Receita Federal seriam claramente restritivos, não se coaduando com o disposto nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03. No âmbito do CARF as decisões têm caminhado no sentido de se flexibilizar o entendimento acerca do que deva ser considerado Fl. 599DF CARF MF Processo nº 10280.003594/200669 Acórdão n.º 3402002.566 S3C4T2 Fl. 212 9 como insumo. Nesse contexto, relevantes as considerações do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres no voto condutor, na CSRF, do acórdão nº 930301.035 de 23/08/2010, processo nº 11065.101271/200647, conforme se observa de sua transcrição: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de Pis/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessa contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: “Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como “insumo” combustível e lubrificante, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos Fl. 600DF CARF MF Processo nº 10280.003594/200669 Acórdão n.º 3402002.566 S3C4T2 Fl. 213 10 incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrario, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: (...) As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no País, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de Pis/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional”. Mais recentemente fora prolatado o acórdão nº 320200.226, em 08/12/2010, processo nº 11020.001952/200622, de relatoria do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior que, após fazer diversas referências e citações doutrinárias, além de colacionar decisões administrativas, todas no sentido de que o conceito de “insumo” deve ser entendido em sentido menos restritivo do que o preconizado pelas normas editadas pelo Fisco Federal, arremata: É de se concluir, portanto, que o termo "insumo" utilizado para o cálculo do PIS e COFINS não cumulativos deve necessariamente compreender os custos e despesas operacionais da pessoa jurídica, na forma definida nos artigos 290 e 299 do RIR/99, e não se limitar apenas ao conceito trazido pelas Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 (embasadas exclusivamente na (inaplicável) legislação de IPI). No caso dos autos foram glosados pretendidos créditos relativos a valores de despesas que a Recorrente houve por bem classificar como insumos (materiais utilizados para manutenção de máquinas e equipamentos), em virtude da essencialidade dos mesmos para a fabricação dos produtos destinados à venda. Ora, constatase que sem a utilização dos mencionados materiais não haveria a possibilidade de a Recorrente destinar Fl. 601DF CARF MF Processo nº 10280.003594/200669 Acórdão n.º 3402002.566 S3C4T2 Fl. 214 11 seus produtos à venda, haja vista a inviabilidade de utilização das máquinas. Frisese que o material utilizado para manutenção sofre, inclusive, desgaste com o tempo. Em virtude doa argumentos expostos, em que pese o respeito pela I. decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), ao não admitir a apuração de créditos sobre os bens adquiridos pela Recorrente, entendo que tal glosa não deve prosperar, uma vez que os equipamentos adquiridos caracterizamse como despesas necessárias ao desenvolvimento de suas atividades, sendo certo o direito ao crédito sobre tais valores para desconto das contribuições para o PIS e COFINS. Em relação ao tema, o referido acórdão restou assim ementado: [...] REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Feitas estas colocações, passo a expressar meu posicionamento acerca da matéria. Conforme dito anteriormente, o cerne da questão reside no significado e abrangência do termo “insumo” consignado nos arts 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, cuja semelhante redação assim dispõem: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (destaquei) Em que pese a judiciosa motivação apresentada pelo conselheiro relator em seu brilhante voto condutor do aresto precitado, ouso discordar de sua conclusão assinalada na ementa, como segue: “O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser Fl. 602DF CARF MF Processo nº 10280.003594/200669 Acórdão n.º 3402002.566 S3C4T2 Fl. 215 12 entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ...” Travase aqui, a mesma discussão do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, ou seja, se o insumo deve ser compreendido em seu sentido lato, abrangendo, portanto, toda e qualquer matériaprima e produto intermediário, cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final, ou não. O art. 290 do RIR/99 mencionado no acórdão referencia o método de custeio por absorção o qual apropria todos os custos de produção dos bens, sejam diretos ou indiretos, variáveis ou fixos. Assim, o custo de produção dos bens ou serviços deverá compreender o custo de aquisição das matériasprimas e secundárias, o custo de mão de obra direta e indireta e os gastos gerais de fabricação, inclusive os custos fixos tais como os encargos de depreciação dos bens utilizados na produção. Já o art. 299, também do RIR/99, trata das despesas operacionais dedutíveis na determinação do lucro real como sendo as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora de receitas. Suas matrizes legais são: DecretoLei nº 1.598/77, art. 13, §§ 1º e 2º (art. 290 do RIR/99), que assim dispõe: Art. 13 O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; b) o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; c) os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; d) os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; e) os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. § 2º A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda de 5% do custo total dos produtos vendidos no exercício social anterior, poderá ser registrada diretamente como custo. Fl. 603DF CARF MF Processo nº 10280.003594/200669 Acórdão n.º 3402002.566 S3C4T2 Fl. 216 13 Por outro lado, o art. 299 do RIR/99 tem como matriz legal o art. 47, §§ 1º e 2º, da Lei nº 4.506/64, com o seguinte teor: Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Tendo em vista a extensa redação levada a efeito no caso do Imposto de Renda, não posso compreender que o simples termo “insumo” utilizado na norma tenha a mesma amplitude do citado imposto. Acaso o legislador pretendesse tal alcance do referido termo teria aberto mão deste vocábulo, “insumo”, assentando que os créditos seriam calculados em relação a “todo e qualquer custo ou despesa necessários à atividade da empresa ou à obtenção de receita”. Dispondo desse modo o legislador, sequer, precisaria fazer constar “inclusive combustíveis e lubrificantes”. Creio que o termo “insumo” foi precisamente colocado para expressar um significado mais abrangente do que MP, PI e ME, utilizados pelo IPI, porém, não com o mesmo alcance do IRPJ que possibilita a dedutibilidade dos custos e das despesas necessárias à atividade da empresa. Precisar onde se situar nesta escala é o cerne da questão. De se registrar que o próprio fisco vem flexibilizando seu conceito de insumo. Como exemplo temse que, em relação ao citado acórdão, o qual tratou de créditos de aquisições de materiais para manutenção de máquinas e equipamentos, a própria administração tributária já havia se manifestado favoravelmente à utilização de tais créditos, por meio da Solução de Divergência nº 35/08. Nela a Cosit registra a desnecessidade de contato direto com os bens que estão sendo fabricados, conforme segue: 17. Isso posto, chegase ao entendimento, de que todas as partes e peças de reposições utilizadas em máquinas e equipamentos diretamente responsáveis pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, aqui descritos ou exemplificados, que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida em todo o processo de produção ou de fabricação, independentemente, de entrarem ou não contato direto com os bens que estão sendo fabricados destinados à venda, ou seja, basta que referidas partes e peças sejam incorporadas às máquinas e equipamentos que estejam atuando no processo de fabricação ou produção dos referidos bens, geram direito à apuração de créditos a serem Fl. 604DF CARF MF Processo nº 10280.003594/200669 Acórdão n.º 3402002.566 S3C4T2 Fl. 217 14 descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, desde que não estejam escriturados no ativo imobilizado. (grifei) Em conclusão a Solução registra: 18.Diante do exposto, solucionase a presente divergência dandose provimento ao recurso interposto, orientando à recorrente que as despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição, que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de dezembro de 2002, e a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, respectivamente, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Destarte, entendo que o termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. Com base nas brilhantes linhas traçadas pelo Conselheiro Mauricio Taveira, entendo que em todo processo administrativo que envolver créditos referentes a não cumulatividade do PIS ou da Cofins, deve ser analisado cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo, para então definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. Regressando à lide, a 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF entendeu que os autos não estavam maduros para julgamento e retornouos para fase instrutória com o fim de sanar dúvidas que assombravam as mentes dos componentes do Colegiado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém realizou o trabalho de campo e ao final produziu um relatório fiscal, o qual o recorrente teve ciência. Reproduzo as conclusões da Autoridade Fiscal: (...) Em 03/abril/2014 o contribuinte deu ciência pessoal ao Termo de Início de Diligência, no qual solicitamos que fosse apresentado, basicamente, o detalhamento da participação dos serviços de 'terraplanagem' no processo industrial da Pará Pigmentos, de forma a ser possível comprovar que a terraplenagem integra seu processo produtivo na extração do Fl. 605DF CARF MF Processo nº 10280.003594/200669 Acórdão n.º 3402002.566 S3C4T2 Fl. 218 15 caulim, bem como que o total gasto com essas despesas de terraplenagem no ano fiscalizado (2004) coincide com o montante informado em DACON. 3) A empresa, após solicitar prorrogação de prazo, apresentou documentos, fotos, planilhas e demonstrativos que elucidam que os gastos realizados com a 'terraplanagem' foram necessários para que a empresa desse prosseguimento à sua rotina operacional, e que se refere a uma etapa crucial do processo produtivo. Dentre os documentos ressaltamos as notas fiscais relativas aos serviços pagos. Observamos que 'terraplanagem', na verdade, é um processo mais extenso do que o que supostamente o termo dá a entender. No caso do contribuinte diligenciado, a 'terraplanagem' é entendida, vista e considerada como um processo mais amplo, que é a própria lavra. Esta, por sua vez, significa o preparo da terra para que a extração do mineral (o caulim) seja possível. É possível observar, ainda, que o contribuinte não se credita de PIS/COFINS num momento pela lavra e em outro momento pela terraplenagem. O crédito é decorrente de um só processo, seja denominado lavra (mais amplo e correto), seja denominado 'terraplanagem'. Aliás, verificase que no campo da discriminação dos serviços nas notas fiscais que deram origem aos créditos é possível ler: "serviços de terraplenagem referente à lavra". Além disso, a Lei 10.833/2003, em seu art. 3°, II, é transparente ao considerar que valores pagos por bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda dão direito a crédito de PIS/COFINS. Ora, o bem produzido/gerado pelo contribuinte é o caulim. Se a 'terraplenagem' (lavra) é necessária e indispensável para sua exploração, os custos advindos desse serviço dão, obviamente, direito ao crédito. Portanto, salvo melhor juízo, e por tudo que foi possível compreender/conhecer a partir da leitura da documentação apresentada pelo contribuinte, e respondendo objetivamente ao questionamento levantado pelo CARF {qual a participação dos serviços de terraplanagem no processo produtivo do recorrente?), entendo que terraplanagem (termo inadequado/incompleto utilizado pelo contribuinte) referese, na verdade, à lavra do terreno de modo a permitir a extração do caulim, fazendo partem sim, indubitavelmente, do processo produtivo da empresa no que se refere a esse produto, com evidente direito a crédito de PIS/COFINS proporcionalmente aos custos despendidos, quando seguramente comprovados. Diante das informações prestadas pela Unidade de Origem, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para incluir os custos com serviços de terraplanagem no cálculo do crédito do PIS e da Cofins apurados no regime da nãocumulatividade e para determinar que sejam homologadas as compensações até o limite do valor a ser ressarcido. Fl. 606DF CARF MF Processo nº 10280.003594/200669 Acórdão n.º 3402002.566 S3C4T2 Fl. 219 16 É como voto. Sala das Sessões, em 10/12/2014 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 607DF CARF MF
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Numero do processo: 16707.000960/2003-11
Data da sessão: Mon Apr 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999,2000,2001,2002
Ementa: LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO. O contribuinte que tenha
sido excluído do Simples, e, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, está sujeito à tributação com base no lucro arbitrado.
MULTA DE OFÍCIO - O descumprimento da obrigação tributária impõe a aplicação da multa de oficio no percentual de 75%, conforme prevista no artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430/96.
APLICAÇÃO DOS JUROS SELIC - Súmula CARF Nº 4 A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para titulas federais.
EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI: Súmula CARF Nº 2 O
CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
CSLL - LANÇAMENTO REFLEXO - Decorrendo a exigência da mesma
imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda, desde que não presentes argüições especificas ou elementos de prova novos.
Numero da decisão: 1802-000.409
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Ester Marques Lins de Sousa
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CABIMENTO. O contribuinte que tenha sido excluído do Simples, e, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, está sujeito à tributação com base no lucro arbitrado. MULTA DE OFÍCIO - O descumprimento da obrigação tributária impõe a aplicação da multa de oficio no percentual de 75%, conforme prevista no artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430/96. APLICAÇÃO DOS JUROS SELIC - Súmula CARF Mo 4 A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para titulas federais. EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI: Súmula CARF N•.2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CSLL - LANÇAMENTO REFLEXO - Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda, desde que não presentes argüições especificas ou elementos de prova novos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 2 1 9 MAl 2010 / Participaram da se ao de julgamento os conselh~iros: Ester Marques Lins de Sousa, José De Oliveira Ferraz C rrêa, Gilberto Baptista (suplente convocado), Nelso Kichel, Edwal Casoni De Paula Fema es Júnior e João Francisco Bianco. Ausente justificadamente o conselheiro Leonardo Lobo,dé Almeida. EDITADO EM: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o re ~ QUÉs LINS DE i6tSA - P '~nte e Relatora. Processo nO 16707.00096012003-11 Acórdão n.o 1802-00.409 Relatório Sl-TE02 F1.2 Por bem descrever a lide, adoto o relatório da decisão recorrida de fls. 88/90, que transcrevo a seguir: Contra a contribuinte acima qualificadaforam lavrados os Autos de Infração das fl. 45/47 e 58/61 para exigência de crédito tributário referente aos anos calendários de 1998 a 2002, adiante especificado: CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM REAL TRIBUTO-FLS.-Imposto/ Contrib.-Juros de Mora-Multa Prop.-TOTAL Imposto de Renda Pessoa Jurídica-45-113.227,68-51.114,26- 84.920,71-249.262,65 Contribuição Social sobre o Lucro Liquido-58-84.138, 11-37.422,64-63.238,51-184.979,26 TOTAL-- -------434.241,91 o referido auto de infração é decorrente de ação fiscal efetuada junto à contribuinte, na qual a fiscalização constatou infração à legislação do IRPJ, cujo enquadramento legal encontram-se discriminados no auto de infração, às fls. 46/47, e no Relatório de Fiscalização, às fls. 64 e 65, que passam a integrar a presente decisão como se aqui transcritos fossem. A irregularidade constatada e sua conseqüência podem ser assim resumidas: 1- ARBITRAMENTO DO LUCRO - RECEITA OPERACIONAL APURADA -AC 1998 a 2002. Arbitramento do lucro tendo em vista que a contribuinte sujeito à tributação pelo lucro real trimestral, devido ao desenquadramento do SIMPLES, conforme Ato Declaratório Executivo n° 37 de 27 de março de 2003, não possui escrituração na forma das leis comerciais efiscais. Foram consideradas para as bases de cálculo do lucro arbitrado as receitas brutas conhecidas apuradas junto à Secretaria da Fazenda do Estado, às fls. 13 a 15. Narra o autuante, no Relatório de Fiscalização, às fls. 64 e 65, fatos relevantes que citamos a seguir: 1 - A empresa foi intimada, em 19 de fevereiro de 2003, a apresentar todos os documentos e livros de sua escrituração contábil e fiscal, em 10 dias, e solicitou em 12 de maço de 2003 a prorrogação do prazo que foi indeferida pela fiscalização. No dia 20 de março de 2003 a empresa foi reintimada a apresentar os mesmos elementos anteriormente solicitados, no entanto ~ novamente nada apresentou. No dia 25 de março a empresa foi ' reintimada e novamente nada apresentou. / J 2 - Diante da recusa em apresentar os livros e documentos da escrita contábil e fiscal foram solicitadas junto à Secretaria de Tributação do Estado do Rio Grande do Norte as informações contidas nas GIM'S. 3 - Diante dos valores de saídas registrados na Secretaria de Tributação do Estado a contribuinte foi intimada a informar se estes valores seriam todos de vendas, ou haveria transferências e devoluções de vendas. Contudo, a contribuinte continuou sem responder a intimação. 4 - A contribuinte, no ano calendário de 1997, auferiu receita bruta de R$ 1.508.897,76 acima do limite de R$ 720.000,00 para enquadramento no SIMPLES. Como a empresa permaneceu no SIMPLES nesta condição, se enquadrou em situação excludente, de acordo com o inciso I do art. 14 da Lei n° 9.317/1996. Assim, a partir de janeiro de 1998 a empresa já estava excluída do sistema integrado. Consta, ainda do presente processo, os quadros demonstrativos da composição da base de cálculo, às fls. 20 a 24. Foi lavrado, em decorrência da apuração pelo lucro arbitrado, o auto de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Devidamente notificada, e não se conformando com o procedimento fiscal, a contribuinte apresentou, tempestivamente, as suas razões de defesa, às fls. 111 e 112, nas quais questiona os autos de infração, alegando em síntese o seguinte: Preliminares .. l-MULTA CONFISCATÓRIA -Efetua a contribuinte, às fls. 73 a 75, alegações sobre o descumprimento do art. 150 inciso IV quando da aplicação da multa de oficio de 75%. 2 - ILEGALIDADE DA SELIC - Neste item relaciona a contribuinte, às fls. 76 a 78, argumentos para demonstrar a ilegalidade da utilização da Taxa Selic como juros moratórios. Mérito. 1 - A contribuinte, no ano calendário de 1997, auferiu receita bruta de R$ 1.508.897,76 acima do limite de R$ 720.000,00 para enquadramento no SIMPLES. Como a empresa permaneceu no SIMPLES nesta condição, se enquadrou em situação excludente, de acordo com o inciso I do art. 14 da Lei nO9.317/1996. Assim, a partir de janeiro de 1998 a empresa já estava excluída do sistema integrado. 2 - Continua afirmando que a IN SRF n° 104 de 24/08/1998 normatizou o regime de caixa para as empresas optantes pelo SIMPLES e se o contribuinte escritura o livro Caixa o regime tem que ser o de caixa e só incide tributos sobre as receitas efetivamente recebidas. O regime de caixa seria para todos os tributos e contribuições administrados pela SRF. 3 - Afirma que outro equívoco cometido pela fiscalização foi utilizar provas emprestadas do fisco estadual, no caso a GIM, sem verificar as transferências, devoluções de compras e etc. A 4 Processo nO 16707.00096012003-11 Acórdão n.o 1802-00.409 contribuinte conceitua prova emprestada citando voto de acórdão. 4 - Sobre o arbitramento a contribuinte alega que a capitulação do arbitramento não se vincula ao regime tributário do SIMPLES e sim ao lucro presumido, e como a empresa é optante pelo sistema integrado não há que se falar em arbitramento. Ainda, o auto de infração foi lavrado dentro do prazo para se efetuar a defesa contra o Ato declaratório que excluiu a empresa do SIMPLES. Finaliza requerendo a nulidade dos autos de infração do presente processo. SI-TE02 FI. 3 Em 06 de outubro de 2003, a 4a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife - PE, por unanimidade de votos, conheceu da impugnação e julgou procedentes os lançamentos, nos termos do ACÓRDÃO DRJ/REC N° 6.266 (fls. 85 a 94), assim ementado: ''Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998, 1999, 2000,2001,2002. Ementa: SIMPLES - EXCLUSÃO - ANO CALENDÁRIO DE 1997. A pessoa jurídica que ultrapassar a receita bruta de R$ 720.000,00 deverá ser excluída, espontaneamente ou de ojicio, do SIMPLES. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A não apresentação dos livros e documentos necessanos à apuração do lucro real trimestral implica no arbitramento do lucro. RECEITA BRUTA CONHECIDA. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando conhecida à receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuaisjixados no art. 519 - e seus parágrafos do RIRl1999, acrescidos de vinte por cento. PROVA EMPRESTADA - CONCEITO. Prova emprestada é aquela produzida num processo, seja por documento, depoimento pessoal ou exame pericial, que possa ser transladada e aproveitada em outro processo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL. A tributação reflexa é matéria consagrada na jurisprudência administrativa e amparada pela legislação de regência, devendo o entendimento adotado em relação aos respectivos Autos de Infração acompanharem o do principal em virtude da íntima relação de causa e efeito. 5 MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA (TAX4 SELIC) - INCONSTITUCIONALIDADE A cobrança em auto de infração da multa de oficio e dos juros de mora (calculados pela TAXA SELIC) decorre da aplicação de dispositivos legais vigentes e eficazes na época de sua lavratura, que, em decorrência dos princípios da legalidade e da indisponibilidade, são de aplicação compulsória pelos agentes públicos, até a sua retirada do mundo jurídico, mediante revogação ou resolução do Senado Federal, que declare sua inconstitucionalidade. MULTA DE OFÍCIO - JUROS DE MORA (TAXA SELIC) - INCONSTITUCIONALIDADE Não está compreendida no espectro de competência das Autoridades Administrativas de Julgamento a apreciação de alegação de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal. Lançamento Procedente. " Cientificada, em 30/10/2003, do Acórdão acima mencipnado (AR à fl. 104), a empresa interpôs, em 26/11/2003, tempestivamente, o Recurso de fls. 105 a 118, que fora encaminhado à Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, a qual por meio do Acórdão n° 302-37.561, de 25/05/2006 (fls.122/128), verificando que o processo de que se trata não tem como objeto a exclusão da empresa do Simples e, sim, a ação fiscal que ensejou a lavratura dos Autos de Infração, declinou da competência do julgamento deste processo em favor do Primeiro Conselho de Contribuintes. Pois bem, a peça dada como recurso voluntário é a mesma apresentada a título de impugnação, fls.72/73, portanto, são as mesmas razões de defesa acima relatadas. É o relatório. 6 Processo nO 16707.000960/2003-11 Acórdão n.O 1802-00.409 Voto Conselheira Relatora ESTER MARQUES LINS DE SOUSA SI-TE02 Fl. 4 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Assim, dele conheço. A Recorrente, argumenta que o Mandado de Procedimento Fiscal não determinava a verificação dos fatos relacionados com o ano calendário de 1997, e assim, não poderiam ser analisadas as receitas brutas deste ano. Ainda, que em 2003 não podem ser objeto de análise os fatos de 1997, pois já estariam atingidos pelo instituto da decadência (art. 150, S 40, do CTN). Afirma que a IN SRF nO 104 de 24/08/1998 normatizou o regime de caixa para as empresas optantes pelo SIMPLES, e, se o contribuinte escritura o livro Caixa, o regime tem que ser o de caixa, só incidindo tributos sobre as receitas efetivamente recebidas. O regime de caixa seria para todos os tributos e contribuições administrados pela SRF. Em nenhum momento a Recorrente discorda de que não excedeu seu faturamento, procura apenas justificá-lo dizendo que ano calendário de 1997 estaria atingido pela decadência. Não há lançamento tributário referente ao ano calendário de 1997, e, sim, para fatos geradores ocorridos nos trimestres de 1998 a 2002, portanto não há falar em prazo decadencial. Rejeitada pois, esta preliminar. Quanto a sua exclusão do SIMPLES, alega a Recorrente que, ainda que procedente fosse, só produziria seus efeitos a partir da publicação do Ato Declaratório Executivo pertinente, razão pela qual tais efeitos só atingem fatos geradores a partir de setembro de 2003, não podendo retroagir. Consta dos autos que a contribuinte foi excluída do SIMPLES, com efeitos a partir de 01/01/1998, conforme o Ato Declaratório Executivo de 27/03/2003 nO37(fls.16/17), por ter ultrapassado, no ano calendário de 1997, o limite da receita bruta para empresa de pequeno porte, sendo representada pelo processo nO16707.000790/2003-67. O mencionado processo encontra-se com decisão definitiva na órbita administrativa, conforme pesquisa no sítio do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, mediante o Acórdão nO 301-32507 de 22/02/2006, assim ementado, que negou provimento ao recurso ordinário impetrado pelo sujeito passivo: SIMPLES. EXCLUSÃO. RECEITA BRUTA ALFERIDA SUPERIOR AO LIMITE LEGAL. Pessoa jurídica, na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no ano- calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 (ummilhão e duzentos mil reais), não poderá optar pelo SIMPLES. (art. 9~ inciso 11, da Lei n° 9.317/1996). NEGADO PROVIMENTO. 7 Assim, diante da decisão irreformável na esfera administrativa tem-se que, os efeitos da exclusão são produzidos nos termos do mencionado Ato Declaratório Executivo, fi.17, ou seja a partir de 01/01/1998, não cabendo qualquer discussão sobre a referida matéria no processo nO16707.000960/2003-11, de que tratam os presentes autos. A recorrente alega que não foi intimada a apresentar o livro caixa, a que se obrigava por opção do Simples, ou para eventual enquadramento, de oficio, no lucro presumido. Com a exclusão do Simples, a pessoa jurídica ficou sujeita à tributação pelo lucro real, e, conforme relatado, os autos de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido referentes aos anos calendários de 1998 a 2002, decorrem do lucro arbitrado tendo em vista a não apresentação dos livros e documentos contábeis e fiscais. Diferente do alegado, consta dos autos fis.08 a 12, que a empresa foi intimada, em 19 de fevereiro de 2003, a apresentar, em dez (10) dias, todos os documentos e livros de sua escrituração contábil e fiscal. A empresa, solicitou em 12 de maço de 2003 a prorrogação do prazo, por mais 20 dias, que foi indeferida pela fiscalização. No dia 20 de março de 2003 a empresa recebeu o Termo de Reintimação n° 46 para apresentar os mesmos elementos anteriormente solicitados. No dia 25 de março a empresa foi reintimada e novamente nada apresentou. Diante da falta de apresentação dos livros e documentos da escrita contábil e fiscal, foram utilizados os valores constantes das GIMs fornecidas pela Secretaria de Tributação do Estado do Rio Grande do Norte. No que se refere ao Arbitramento do Lucro, a Recorrente insurge-se quanto a utilização de provas emprestadas do Fisco Estadual (GIM). Quanto às provas consideradas para apuração do lucro tributável, cabe esclarecer que, para o conhecimento da receita bruta, a legislação não limita os meios de prova admitidos, valendo para o processo fiscal a mesma regra do art. 332 do CPC: "Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funde a ação ou a defesa. " Com base nos autos, verifica-se que a autoridade fiscal alicerçou o lançamento tributário nas Guias de Informação da Secretaria da Fazenda Estadual que informam os valores de entradas e saídas das mercadorias. Nestas guias consta a informação das receitas auferidas pelo contribuinte, as quais subsumem-se perfeitamente no conceito de receita bruta contido no art. 224 do RIR/99. Logo, não havendo provas apresentadas pela recorrente, que infirmem os valores levantados pelo Fisco, e, entendendo verdadeiros tais valores, resta considerar como perfeitamente conhecidas as receitas brutas para os fatos geradores em discussão, não se aplicando ao caso as regras do lucro presumido pretendidas pelo sujeito passivo. Alegou, também, que, quando da apuração da receita bruta, pela Fiscalização, o AFRF designado deixou de considerar as transferências e as devoluções de compras (mercadorias devolvidas). Apesar de alegar, a recorrente não traz aos autos sequer um demonstrativo para provar de forma inequívoca a sua afirmação relativa a exclusão da receita bruta apurada. Os lucros referentes aos fatos geradores ocorridos em 1998 a 2002 foram arbitrados com base no que dispõe o art. 530, do RIR/99: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano- calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: 8 . ' Processo nO 16707.000960/2003~11 Acórdão n.o 1802-00.409 1- O contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; (..) 111- o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527: (Destaquei) S1-TE02 Fl.5 A hipótese de que cuida o inciso I do artigo acima tem aplicação à empresa que, excluída do Simples fica sujeita ao regime de tributação com base no lucro real trimestral, portanto deverá manter escrituração contábil escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. 'A ausência de elenientos concretos que permitam a apuração do lucro real da empresa e a inexistência de livros.~ documentos da escrituração contábil e fiscal autorizam o . arbitramento do lucro tributável. Registre-se que a autuada não fez opção pela tributação com base no lucro presumido. Desnecessário dizer que de acordo com a legislação tributária a opção do lucro presumido é faculdade do contribuinte, portanto tal forma de tributação não pode ser adotada de oficio. Assim, estando a empresa sujeita a apuração do lucro real trimestral, e, não apresentando \os livros e documentos contábeis e fiscais, não restou ao Fisco outro procedimento senão o arbitramento do lucro. À luz dos autos restou à evidência que a autuada não mantinha a escrituração contábil obrigatória, não havendo o Diário e o Razão ou, ainda que existentes, não foram entregues à fiscalização. Destarte, não restou outra alternativa a autoridade fiscal a não ser adotar as regras de arbitramento para os fins da apuração da base de cálculo nos trimestres de 1998 a 2002. Assim, não há, portanto, que se discutir sobre o cabimento do lucro presumido em vez do arbitramento do lucro efetuado pela autoridade fiscal, nem tampouco diligenciar acerca da veracidade de livro caixa, se existente. Cabe registrar que, entre o início da fiscalização (19/02/2003) e a lavratura do auto de infração (03/04/2003), o sujeito passivo teve tempo suficiente para providenciar a regularização de sua contabilidade. O prazo concedido pela autoridade fiscal demonstra claramente o seu intuito em buscar a verdade material e tentar todos os meios possíveis para a apuração do lucro real antes de proceder ao arbitramento. Vencida a questão do cabimento do arbitramento, passo a análise da aplicação da multa de 75% e juros selic. Logo no início da peça recursal, a empresa discorre sobre o caráter confiscatório da multa de 75% aplicada, sobre a ilegalidade da taxa SELIC para o cálculo dos 9 juros moratórios, bem como, acerca da competência dos Órgãos Julgadores para conhecerem inconstitucionalidade decretada pelo Poder Judiciário. A multa de oficio lançada, no percentual de 75%, escora-se no art. 44, inciso I, da Lei nO9.430/96, verbis: Art.44.Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1- de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (..) o mencionado dispositivo legal encontra-se indicado no Demonstrativo de Multa e Juros de Mora, fls.44 e 57, parte integrante dos autos de infração, em face do IRPJ e CSLL lançados de oficio. o descumprimento da obrigação tributária impõe a aplicação da multa de oficio no percentual de 75%, conforme prevista no inciso I do dispositivo legal acima transcrito. No que tange aos juros de mora, o artigo 161 do CTN, não deixa margem a serem afastados, seja qual for o motivo determinante da falta, vejamos, verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. ~ 10 Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. ~ ]O O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito Com efeito, tanto a multa de oficio quantos os juros de mora decorrem de expressa disposição legal, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo deixar de aplicá-la, encontrando óbice, inclusive nas Súmulas nO 2 e 4 deste E. Conselho Administrativo, consolidadas no Anexo IH da Portaria n° 106 de 21/12/2009, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 22/12/2009: Súmula CARF N.. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF N•.4 A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. 10 , " Processo nO 16707.000960/2003-11 Acórdão n.o 1802-00.409 SI-TE02 Fl.6 Quanto ao LANÇAMENTO REFLEXO da CSLL: Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda, desde que não presentes argüições especificas ou elementos de prova novos. 11 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011
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Numero do processo: 10711.009067/93-29
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2000
Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL — MULITA ZINCÔNIA FUNDIDA (Al203, ZrO2 e Si02). Classifica-se no código TAB 2818.10.9900.
RECURSO PROVIDO
Numero da decisão: CSRF/03-03.144
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do
relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Nilton Luiz Bartoli (Relator). Os Conselheiros Henrique Prado Megda, Paulo Roberto Cuco Antunes e João Holanda Costa acompanhavam o relator pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Moacyr Eloy de Medeiros. Presente ao julgamento o Dr. Júlio Cézar da Fonseca Furtado - OAB/RJ sob n° 9852.
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
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Classifica-se no código TAB 2818.10.9900. RECURSO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Nilton Luiz Bartoli (Relator). Os Conselheiros Henrique Prado Megda, Paulo Roberto Cuco Antunes e João Holanda Costa acompanhavam o relator pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Moacyr Eloy de Medeiros. Presente ao julgamento o Dr. Júlio Cézar da Fonseca Furtado - OAB/RJ sob n° 9852. - râ. 'SON P ;;41 Á ODRIGUES Presidente ELOY DE MEDEIROS Relator Designado Formalizado ern • 1 9 FE ti 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES E MARCIA REGINA MACHADO MELARÉ. ..„, Processo n° : 10711.009067/93-29 Acórdão n° : CSRF/03-03.144 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Recorrida : 1 a . CÂMARA DO 3° CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessada : MAGNESITA S/A RELATÓRIO Trata-se de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com fulcro no art. 30, inciso I, do Decreto n° 83.304/79, que apoia-se em decisão não unânime para reverter o julgado da Eg. Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, Acórdão n° 301-28.573, de 28/10/97, cuja decisão prolatada declinou a respeito da classificação fiscal do Produto "MULL1TE ZIRCONIA FUNDIDA (ÓXIDO DE ALUMÍNIO FUNDIDO) ZRM", entendendo que classifica-se na posição tarifária TAB 2818.109900i cuja ementa dispõe o que segue: "CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA — "MULLITE ZIRCONIA FUNDIDA", composto de mulite e óxido de zircônio — Preliminar de cerceamento de defesa não pronunciada, "ex-vi" do parágrafo 30 do art. 59 do Decreto 70.235/72, alterado pela Lei 8.748/93. O produto em questão classifica-se no código TAB 2818.10.9900. Recurso provido." O recurso sob análise funda-se no Laudo de fls. 13, que conclui que a mercadoria importada sob o amparo da Declaração de Importação n° 7538/91, "trata-se de uma composição refratária à base de mulita e óxido de zircônio", e na Informação Técnica n° 26/96 do LABANA, que concluiu que o produto "é, basicamente, uma mistura deliberada de dois componentes a saber: mulita (silicato de alumínio) e zircônia (óxido de alumínio)", ambos apresentando propriedades refratárias". Assim, argüi que a mercadoria não pode ser incluída na posição 2818, por ser esta dedicada a óxidos de alumínio puros. Pela natureza da mistura o produto deveria ser classificado na posição 3816. 2 Processo n° : 10711.009067/93-29 Acórdão n° : CSRF/03-03.144 Intimada a Recorrente, esta se manifestou em Contra-razões (fls. 91197), na qual reitera os argumentos expendidos em seu Recurso Voluntário, bem como, aduz quanto a inaplicabilidade da multa prevista no art. 4°, inciso I, da Lei n°8.218/91. É o Relatório. 3 Processo n° : 10711.009067/93-29 Acórdão n° : CSRF/03-03.144 VOTO VENCIDO CONSELHEIRO NILTON LUIZ BARTOLI - RELATOR A questão de mérito colocada neste processo, trata-se, fundamentalmente, de fixar a exata classificação fiscal do produto MULITA ZIRCÔNIA FUNDIDA. Ressalto que já tive a oportunidade de tratar da mesma matéria, nos autos do Processo Administrativo n° 10711.009068/93-91, Recurso n° 118.217, no qual a mesma Interessada postulava a classificação fiscal desse produto na posição 28.18.10.9900, quando entendi necessário converter o julgamento em diligência ao Instituto Nacional de Tecnologia — INT, a fim de que fosse esclarecidas dúvidas a respeito da composição e características do produto, para posteriormente, declinar meu entendimento a respeito. Nesse diapasão, adoto como fundamento de minha decisão o relatório e voto, no que pertinem, que contemplam meu entendimento quanto à classificação fiscal do produto em apreço, como segue: Trata-se o presente processo administrativo de questão relacionada à correta classificação do produto MULITA ZIRCÔNIA FUNDIDA, sendo que após o relatório de fls. 72, o qual adoto para o presente, a Egrégia 3a Câmara do Conselho de Contribuintes decidiu acolher o pedido de perícia técnica formulada pela Recorrente, convertendo o julgamento em diligência ao INT - Instituto Nacional de Tecnologia para que elaborasse competente Laudo Técnico para responder aos seguintes quesitos: $ 4 Processo n° : 10711.009067/93-29 Acórdão n° : CSRF/03-03.144 (i) O produto apresente características e ou propriedades refratárias? (ii) Trata-se de uma preparação ou composição refratária? Foram também remetidos ao INT os quesitos formulados pela Recorrente às fls. 36 (impugnação) dos quais destaca-se os seguintes: (i) Qual o elemento constituinte principal da MULITA ZIRCÔNIA FUNDIDA e que lhe confere característica essencial? (ii) Qual a aplicação industrial da MULITA ZIRCÕNIA FUNDIDA? Em atendimento ao Ofício/SESIT/n° 330/97, de 18/09/97, o INT - Instituto Nacional de Tecnologia pronunciou-se pelo Relatório Técnico n° 104080, de 09/02/98, o qual, respondendo aos quesitos formulados, conclui quanto ao produto MULITA ZIRCÔNIA FUNDIDA, resumidamente, que: (i) apresenta características e propriedades refratárias; (ii) é uma composição refratária; (iii) não é possível identificar um único elemento constituinte principal do produto MULITA ZIRCÔNIA FUNDIDA, uma vez que sem qualquer dos elementos químicos do produto, que se encontram na forma dos óxidos Al 2 03, Zr02 e Si02, não é possível a obtenção da composição de fases cristalinas mulita e zircônia, típica do produto em questão; (iv) a principal aplicação do produto se dá como matéria prima para a produção de refratários utilizados em revestimentos de fornos para fusão de vidros. 5 Processo n° : 10711.009067/93-29 Acórdão n° : CSRF/03-03.144 Entretanto, em funções de suas características de elevada refratariedade e resistência à corrosão pode ser utilizada em outras aplicações aonde o requisito principal seja a estabilidade térmica em alta temperatura. Os autos voltaram para julgamento. É o Relatório. VOTO A questão de mérito colocada neste processo, trata- se, fundamentalmente, de fixar a exata classificação fiscal do produto MULITA ZIRCÔNIA FUNDIDA. Preliminarmente, desconsidero as respostas dadas pelo INT - Instituto Nacional de Tecnologia quanto aos quesitos 4, 5 e 6, formulados pela Recorrente, vez que ao instituto não é conferida a competência para determinar a classificação fiscal de qualquer produto, devendo limitar-se a expor e esclarecer quanto às características técnica da amostra submetida à análise. É de notar-se que a Recorrente alega que atribuiu ao produto a classificação fiscal da posição 2818.10.9900, relativo ao Óxido de Alumínio, por entender que, segundo a Regra 3 das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, é a posição mais específica, pois tal matéria (Oxido de Alumínio) lhe confere a característica essenciaI.4 6 Processo n° : 10711.009067/93-29 Acórdão n° : CSRF/03-03.144 "a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerar-se, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as matérias apresentadas de sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificam-se pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. Contudo pelo que se observa do Relatório Técnico elaborado pelo INT - Instituto Nacional de Tecnologia, no produto Importado não é possível identificar um único elemento constituinte principal, uma vez que, sem qualquer dos elementos químicos do produto, que se encontram na forma dos óxidos Al 203, Zr02 e SiO2 , não é possível a obtenção da composição de fases cristalinas mulita e zircônia, típica do produto em questão. Aliás, a alínea "h" da Regra 3 das Regras Gerais para 4Interpretação do Sistema Harmonizado, em sua parte final 7 Processo n° : 10711.009067/93-29 Acórdão n° : CSRF/03-03.144 salienta: "quando for possível realizar essa determinação, ou seja, que a matéria que confere ao produto a característica essencial, depende da possibilidade verificar essa determinação. Não havendo a possibilidade de destacar um elemento dentre os demais, conforme afirma o Relatório Técnico do INT - Instituto Nacional de Tecnologia, torna-se impossível pretender a incidência dessa regra para determinar a classificação do produto MULITA ZIRCÔNIA FUNDIDA. Desta forma, não havendo preponderância de qualquer dos elementos que compõem o produto, e, ainda, sendo impossível obter o produto se excluído qualquer de seus elemento, devemos concluir que a tese atinente aos produtos misturados, cuja classificação é determinada pelo componente que lhe confira a característica essencial, não pode ser aceita. Outro alicerce probatório trazido na argumentação da defesa centra-se na afirmação de que o produto importado não é um produto refratário, e, ainda, "é matéria prima para a produção de refratários, mas não é, de modo algum, um refratário em si mesmo" (fls. 18 e 20). Todavia, o Relatório Técnico do INT, ao responder aos quesitos propostos por está Casa, afirmou que o produto em questão "apresenta características e propriedades $> refratárias" e, ademais, "é uma composição refratária"." 8 Processo n° . 10711.009067/93-29 Acórdão n° CSRF/03-03.144 Com estes argumentos dos quais estou convicto, entendo que o produto MULITA ZIRCONIA FUNDIDA tem sua classificação fiscal apresentada na posição 3816 00 9900. De outro lado, verifica-se dos autos, especificamente da Declaração de Importação (fls. 07), que a mercadoria foi corretamente declarada como "MULLITE ZIRCONIA FUNDIDA" , inclusive com sua composição química. Em relação à quantidade e valor nada foi apurado de irregularidade, motivo pelo qual entendo inaplicável a incidência da penalidade. Senão vejamos. Na D I, a descrição da mercadorias estão corretas, e mais, constata-se — e ninguém contesta que tal descrição está em perfeita consonância com a exata especificação apurada no laudo. O que se passou foi que, por entendê-la composta de substância outra predominante, declinou-a em incorreta classificação tarifária. Somente com laudo é que a dúvida quanto à substância predominante se aclarou. Isto é cristalino: não houvesse dúvida e não haveria laudo; portanto, compreensível e nada maliciosa a dúvida que assolara a Importadora quando da classificação da mercadoria no desembaraço. O direito penal (artigo 1° do C.P.) e o direito tributário penal (artigo 97°, II, do C.T.N ) estão subordinados ao princípio — que decorre do inciso XXXIX do artigo 5° da Constituição — da tipicidade da norma, i. e., o tipo de conduta ilegal deve estar perfeitamente identificado na norma jurídica. "Nullum crimen nulla poena sine lege" é o brocardo que, na sua simplicidade, se insere na busca de justiça para o caso em julgamento. Assim, para aplicação da norma penal, deve o fato presumível encaixar-se rigorosamente dentro do tipo descrito na lei 9 Processo n° :10711.009067/93-29 Acórdão n° : CSRF/03-03.144 A conduta dita como inadequada, e objeto da autuação, é a CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRONEA NA SOLICITAÇÃO DO DESPACHO ADUANEIRO. No caso em tela, a situação fática da Recorrente não se enquadra no artigo 4°, inciso I, da Lei n.° 8.218/91. Primeiramente pelo fato de a própria administração reconhecer a especificidade da aplicação da multa de ofício no Ato Declaratório Normativo - COSIT N.° 10/97: "não constitui infração punível com as multas previstas no artigo 4°, da Lei n.° 8.218/91, de 29 de agosto de 1991 e no artigo 44 da Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (Ex), desde que o produto esteja corretamente descrito com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do Declarante Da análise cuidadosa da orientação da Fazenda Nacional às repartições fiscalizadoras e julgadoras, percebe-se que a conjunção "e", que grifei no texto acima, impõe que as condutas relacionadas como infratoras deverão estar acompanhadas do intuito doloso ou da má-fé. Cabe ressaltar que a norma em comento foi redigida com o fim de excluir do abundante rol dos contribuintes sujeitos à multa de ofício, aqueles que não tiverem agido com dolo ou má-fé. $ io Processo n° : 10711.009067/93-29 Acórdão n° : CSRF/03-03.144 Ademais, também não se dá o enquadramento legal no que concerne a outras condutas que motivam a imposição da multa, isto é, a falta de declaração e a inexatidão desta, pois houve conteúdo declarativo suficientemente regular para a fiscalização lançar os tributos relativos à mercadoria nacionalizada. Contudo, não é de hoje que há invariável confusão entre as condutas de falta de recolhimento e de atraso de recolhimento. Tanto que entendi conveniente avançar a discussão nestes autos e trazer à baila a lição do Ex-Juiz Federal do Tribunal de Regional Federal da 5 a Região Hugo de Brito Machado: "a) Multa por falta de recolhimento do tributo. Não é fácil distinguir a falta de recolhimento do atraso no pagamento do tributo. Se dissermos que o atraso se distingue da falta porque no primeiro o sujeito passivo, mesmo com atraso, paga por sua própria iniciativa, antes de qualquer ação fiscal, não se poderá cogitar da multa pelo atraso, eis que a denúncia espontânea exclui a responsabilidade. Entendemos, portanto, que a falta de pagamento do tributo somente se caracteriza pela situação em que o fato gerador da correspondente obrigação não é levado ao conhecimento do fisco. b) Multa por atraso no pagamento do tributo. É a multa que tem como hipótese de incidência a situação em que o sujeito passivo, havendo cumprido todas as suas obrigações acessórias, e tendo dado conhecimento à autoridade administrativa da ocorrência do respectivo fato gerador, de sorte que esta fique com todas as condições de fazer o correspondente lançamento, não efetua ele o pagamento do tributo no prazo legal, ensejando a instauração 11 Processo n° : 10711.009067/93-29 Acórdão n° : CSRF/03-03.144 de ação fiscal cujo objetivo, no caso, não é apurar, mas simplesmente cobrar o tributo." (in Caderno de Pesquisas Tributárias, n.° 4, Sanção Tributária, Resenha Tributária, São Paulo, 1979, p.250 e 251.) Com efeito, admitindo para argumentar pudesse uma lei genérica se sobrepor sobre uma lei específica, ou seja, a Lei 8.218/91 ser aplicável nas infrações às importações, ainda assim esta se resumiu a dizer laconicamente no seu inciso I ao art. 4° que as infrações por ela apenadas seriam as de falta de recolhimento, de falta de declaração e as de declaração inexata. Por outras palavras, ad argumentadum, pudesse ser possível penalizar o contribuinte com base na Lei 8.218/91, ainda assim os tipos delituosos teriam que ser rigorosamente aqueles citados no inciso I ao artigo 40. Nem mais nem menos. Em face de todas essas considerações, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE O RECURSO ESPECIAL, para manter o lançamento tributário constituído no auto de infração de fls. 01, e EXCLUIR as penalidades aplicadas. Sala das sessões, Brasília, 15 de agosto de 2000 NIJON IZ BAR7OLI 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA ç:'Ngfo, CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA TURMA PROCESSO N° : 10711,009067/93-29 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-03.144 VOTO VENCEDOR O cerne do questionamento é a correta classificação do produto MULITA ZIRCÔNIA FUNDIDA (Al2, Zr02 e Si02), classificado pelo importador na posição TAB 2818.10.9900, desclassificado pela fiscalização para o código TAB 3823.90.9999, e mantido pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, na posição indicada na Dl. A douta Procuradoria da Fazenda Nacional argumenta que o mesmo é "próprio para uso refratário, principalmente na siderurgia em revestimento de fornos", e que portanto deve se posicionar no código 3816.00.9900. É fundamental considerar-se que a MULITA FUNDIDA é uma matéria-prima, e só após o processamento se transforma em produto refratário, e que se trata de uma mistura, conforme Laudo de Análise Técnica. Por outro lado, a Regra Geral para a Interpretação do Sistema Harmonizado, n° 3, letras a e b, determina que "a posição mais especifica deve prevalecer sobre os mais genéricos", e que "os produtos misturados classificam-se pela matéria que lhes confira a característica essencial". Outrossim, a nota c do capítulo 28, da NESH, admite a inclusão no mesmo, de produtos que não contenham elementos de constituição química definida. Isso posto, sendo que o produto em tela tem a sua classificação correta no código 2818.10.9900, nego provimento ao Recurso Especial da Procuradoria. Sala das Sessões, em 15 de agosto de 2000. MOACY~DE MEDEIROS — Relator designado 3 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1
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Numero do processo: 11684.001846/2006-35
Data da sessão: Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 17/05/2004
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO CONFIGURAÇÃO.
O lançamento de oficio com objetivo de formalizar a exigência de crédito tributário da União, efetivada por meio de auto de infração, concretiza a pretensão da Fazenda Nacional, momento em que é disponibilizado ao contribuinte o pleno exercício de seu direito de defesa mediante a apresentação de impugnação, não havendo em que se falar em ofensa aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa.
DESPACHO DE IMPORTAÇÃO. INSTRUÇÃO COM FATURAS COMERCIAIS FALSIFICADAS. MATERIALIDADE COMPROVADA. FRAUDE NA IMPORTAÇÃO.
A utilização de faturas comerciais inidôneas, visando obter o desembaraço aduaneiro de mercadorias importadas caracteriza o evidente intuito de fraude.
Constatado que a importação foi instruída com faturas comerciais falsas, tem-se como legítima a lavratura do auto de infração para a constituição do crédito Tributário correspondente à multa equivalente ao valor comercial das mercadorias.
SUBFATURAMENTO. PENALIDADES.
A declaração de valores inferiores aos reais, lastreada em faturas comerciais fraudadas, para fins de despacho aduaneiro de importação de mercadorias, caracteriza a prática do subfaturamento, o que justifica a imposição da multa relativa à conversão do perdimento das mercadorias importadas.
Recurso Voluntário Negado.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-000.250
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Luciano Lopes de Almeida Moraes
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''''‘' v\ •/"' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. 4 pr;41/4 s',J PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11684.001846/2006-35 Recurso n° 144.144 Voluntário Acórdão n° 3201-00.250 — 2a Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2009 Matéria MULTA DIVERSA Recorrente NIQUELFER COMÉRCIO DE METAIS LTDA. Recorrida DRJ - FLORIANÓPOLIS/SC ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 17/05/2004 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO CONFIGURAÇÃO. O lançamento de oficio com objetivo de formalizar a exigência de crédito tributário da União, efetivada por meio de auto de infração, concretiza a pretensão da Fazenda Nacional, momento em que é disponibilizado ao contribuinte o pleno exercício de seu direito de defesa mediante a apresentação de impugnação, não havendo em que se falar em ofensa aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. DESPACHO DE IMPORTAÇÃO. INSTRUÇÃO COM FATURAS COMERCIAIS FALSIFICADAS. MATERIALIDADE COMPROVADA. FRAUDE NA IMPORTAÇÃO. A utilização de faturas comerciais inidôneas, visando obter o desembaraço aduaneiro de mercadorias importadas caracteriza o evidente intuito de fraude. Constatado que a importação foi instruída com faturas comerciais falsas, tem- se como legítima a lavratura do auto de infração para a constituição do crédito Tributário correspondente à multa equivalente ao valor comercial das mercadorias. SUBFATURAMENTO. PENALIDADES. A declaração de valores inferiores aos reais, lastreada em faturas comerciais fraudadas, para fins de despacho aduaneiro de importação de mercadorias, caracteriza a prática do subfaturamento, o que justifica a imposição da multa relativa à conversão do perdimento das mercadorias importadas. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 1 Processo n° 11684.001846/2006-35 SI-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.250 Fl. 188 ACORDAM os membros da 2 Câmara / 1' Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. MI OL,C C./\_>•-a(-9"--- JUDITH i O . ' ' ' L MARCONDES ARMANDO) Presiden - LUCIANO LOP I, • ALMEIDA MORAES Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajam) D'Amorim, Rosa Maria de Jesus da Silva C. de Castro, Ricardo Paulo Rosa e Marcelo Ribeiro Nogueira. 2 Processo n° 11684.001846/2006-35 S1-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.250 Fl. 189 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo da autuação consubstanciada no Auto de Infração lavrado pela fiscalização aduaneira da Alfândega do Porto de Sepetiba, contra a interessada acima epigrafada, para a cobrança do crédito tributário de R$ 807.647,64, a título de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria importada, nos termos do § 3° do artigo 23 do Decreto-Lei n°1.455/76, com redação do artigo 59 da Lei n° 10.637/02, regulamentado pelas disposições do § 1° do artigo 618 do RA/02. O lançamento em apreço decorreu da constatação de a autuada passar a registrar suas importações de "Catodos de Níquel" com valores muito inferiores aos praticados no mercado internacional (Memorando Diana/SRRF/7"RF n° 469, de 17.09 .2004). Diante dessa constatação, a fiscalização procedeu à Revisão Aduaneira da Declaração de Importação (Dl) n° 04/0464425-7 (processo n°11684.000584/2005-19), intimando a importadora a fornecer os documentos originais que instruíram referido despacho de importação, notadamente as faturas comerciais emitidas pelo exportador francês de n° 14000188, ordem 7223, e 14000189, ordem 7224 -Intimação Saope n° 032/04-S, de 20.10.2004-31. 13. Esclarece a fiscalização que idêntico procedimento foi realizado pela Alfândega do Porto de Itaguaí, tendo como interessada a importadora, ocasião em que o exportador (ERAMET) indicou como seu representante comercial no Brasil a empresa Erasteel Latin América Ltda. Diante dessa informação a fiscalização aduaneira expediu a Intimação Saope 036/04-S, de 22.11.2004 (fl. 32), para requerer, da supra referida representante, as cópias de diversas faturas comerciais, dentre elas, as acima mencionadas (14000188 e 14000189). Confrontando as faturas comerciais encaminhadas pela importadora com aquelas enviadas pela representante do exportador estrangeiro no Brasil, a fiscalização constatou a fraude documental promovida pela importadora na operação de despacho, uma vez que fez uso de faturas comerciais adulteradas para subfaturar o preço da mercadoria importada ao declarar que seu custo unitário médio FOB era equivalente a US$ 2.967,65 a tonelada quando seu custo unitário médio FOB real era de US$ 14.838,24 a tonelada. 3 Processo n° 11684.001846/2006-35 SI-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.250 Fl. 190 1 Intimada da exação, a interessada apresenta a impugnação de I fls. 88 a 110, para, após sintetizar s fatos que lastrearam a presente autuação, aduzir, em preqminar, sua nulidade por entender que a lavratura do auto d infração, da forma como procedida, impossibilitou seu direito 4o contraditório na medida em que a fiscalização não propici u que apresentasse suas justificativas quanto às divergências de preço da mercadoria decorrente do confronto das mencionadas faturas comerciais, evidenciando a produção unilateral de prova, procedimentoi vedado pela Constituição Federal. I i 1 Salienta que no caso em apreço houve a inversão do ônus da prova, uma vez que a fatura encaminhada pelo representante do 1 exportador no Brasil constitui um documento isolado que não tem o condão de ilidir o desembaraço aduaneiro anteriormente realizado autuação; n'áo podendo o fisco utilizar-se do processo administrativo como instrumento par: coagir a importadora a entregar seus documentos e provar su inocência. Prosseguindo, a impugnante aduz que o valor aduaneiro indicado pelo fisco não prospera, seja em virtude do cerceamento de defesa havido, da inversão do ônus da prova ou ainda da ausência do devido proces4 legal, posto que a fatura comercial que instruiu o despacho àduaneiro foi considerada apta para os fins a que se destil izava, não havendo como sustentar a acusação de fraude doeu ental, pois o próprio fisco não produziu prova nesse sentido, a frio ser a apresentação de documento unilateral a sua revelia. I I ! Defende a impugnante que o procedimento que culminou na desconsideração da fatura comercia que instruiu o despacho aduaneiro deveria ter sido orientado segundo o disposto na MP n° 66, de 2002, notadamente quanto à lnecessidade de notificação do contribuinte para apresentar ètri 30 (trinta) dias os esclarecimentos e as provas que desejasse (artigos 16 e 17 da MP), uma vez que a norma descrita !no § único do artigo 116 possui eficácia limitada, já que depende de regulamentação. Por fim, esclarece que não obstante o artigo 18 da referida MP esclarecer que a desconsideração do negócio ou ato é procedimento autônomo em relaçap ao auto de infração, ensejando diversas defesas e em momentos distintos, referidos artigos não foram contemplados quando da conversão da referida Medida Provisória na Le n° 10.637/02, deixando ausente de regulação legislativa o procedimento de desconsideração em comento. Log ic), em procedimento de Revisão Aduaneira não há como á fisco ignorar a fatura apresentada no despacho aduaneiro *ara consumo (registro da DI), sob pena de cometer arbitrariedade e, por conseguinte, ofensa ao principio da legalidade. De outra feita, a impugnante alega ue a hipótese tratada na presente impugnação não se enquadra no artigo 23, § primeiro, do Decreto-Lei n° 1.455/76, não c4endo, por conseguinte, a aplicação da pena de perdimento de mercadoria e, conseqüente, ).--- 4 Processo n° 11684.001846/2006-35 SI-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.250 Fl. 191 conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro, pois se trata de mercadoria já desembaraçada, com documentação apta, e sujeita apenas a Revisão de Aduaneira. Pelo exposto, requer o acolhimento das preliminares aduzidas para que seja declarada a nulidade do procedimento e/ou do auto de infração, determinando que a impugnante seja intimada a se defender quanto às discrepâncias de preços verificadas do confronto das faturas comerciais em trato. No mérito, argumenta que a fatura comercial que possui o representante do exportador no Brasil não revela a transação final efetivada, posto que são diversos os contatos e negociações levadas a efeito para se chegar ao valor final de transação, na qual foi considerada, inclusive, a quantidade de mercadoria importada. Portanto, com vista a comprovar a veracidade das informações declaradas na fatura comercial que instruiu o despacho em apreço, providenciou ajuntada da cópia autenticada do contrato de câmbio, que demonstra que o valor da transação efetivamente pago pelas mercadorias importadas. Por todo o exposto requer a análise e o acolhimento das preliminares argüidas para o fim de declarar nulo o procedimento realizado, seja por conta do cerceamento de defesa, nele compreendido a inversão do ônus da prova e do contraditório, assim como também em razão da acusação estar fundamentada em legislação estranha aos fatos apurados ou, no mérito seja cancelado o auto de infração, em razão de restar demonstrado que o valor da mercadoria importada foi o efetivamente pago, conforme contrato de câmbio anexado. Dos autos emerge a informação de que fiscalização aduaneira procedeu a "Representação Fiscal para Fins Penais", formalizada por meio do processo administrativo n° 11684.000235/2008-31, que se encontra apensado ao presente processo «is. 133 a 137). Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/FNS n° 14.230, de 06/10/2008, fls.141/150: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 17/05/2004 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO CONFIGURAÇÃO. O lançamento de oficio com objetivo de formalizar a exigência de crédito tributário da União, efetivada por meio de auto de infração, concretiza a pretensão da Fazenda Nacional, momento em que é disponibilizado ao contribuinte o pleno exercício de seu direito de defesa mediante a apresentação de impugnação, não 5 Processo n° 11684.001846/2006-35 S1-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.250 Fl. 192 havendo em que se falar em ofensa aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA A FORMALIZAÇÃO DA EXIGÊNCIA. Nos lançamentos por homologação, o direito de a Fazenda Nacional apurar e constituir seus créditos relativos aos tributos incidentes nas operações de comércio exterior extingue-se depois de cinco da ocorrência do fato gerador. NORMAS PROCESSUAIS ADMINISTRATIVAS. CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da constitucionalidade ou legalidade da legislação tributária, pois se trata de competência privativa do Poder Judiciário. DESPACHO DE IMPORTAÇÃO. INSTRUÇÃO COM FATURAS COMERCIAIS FALSIFICADAS. MATERIALIDADE COMPROVADA. FRAUDE NA IMPORTAÇÃO. A utilização de faturas comerciais inidôneas, visando obter o desembaraço aduaneiro de mercadorias importadas caracteriza o evidente intuito defraude. Constatado que a importação foi instruída com faturas comerciais falsas, tem-se como legítima a lavratura do auto de infração para a constituição do crédito Tributário correspondente à multa equivalente ao valor comercial das mercadorias. REVISÃO ADUANEIRA. AUTORIDADE FISCAL. DEVER DE OFÍCIO. No curso do procedimento de revisão, constatado que o contribuinte agiu com fraude à legislação tributária, a autoridade administrativa, por dever de oficio, deverá exigir, por meio do lançamento, a penalidade aplicável. SUBFATURAMENTO. PENALIDADES. A declaração de valores inferiores aos reais, lastreada em faturas comerciais fraudadas, para fins de despacho aduaneiro de importação de mercadorias, caracteriza a prática do subfaturamento, utilizando-se de artifício doloso (fraude fiscal), resta caracterizado, em tese, crime contra a ordem tributária e de sonegação fiscal o que justifica a imposição da multa relativa à conversão do perdimento das mercadorias importadas. Lançamento Procedente. Às fls. 182/184 o contribuinte toma ciência da decisão, ofertando recurso voluntário de fls. 152/181 e, assim, é dado andamento ao processo. 6 Processo n° 11684.001846/2006-35 S1-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.250 Fl. 193 Voto Conselheiro LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Discute-se nos autos a aplicação de multa em face da conversão da pena de perdimento. Tal situação se deu porque, em processo de revisão aduaneira, o contribuinte teria se utilizado de faturas falsas. A recorrente recorre alegando cerceamento do direito de defesa, pois não lhe foi oportunizado o contraditório para fins de comprovar as suas alegações e por não ter tido acesso aos documentos que suportaram o lançamento. No mérito, alega que juntou documentação comprovando o valor pago das mercadorias que suportam suas faturas, bem como alega que documentos de terceiros não poderiam suportar o lançamento, dentre outros temas. Em que pese a defesa da recorrente, concordo integralmente com a decisão lavrada pela DRJ, motivo pelo qual tomo aqui seus fundamentos como minhas razões de decidir, já que entendo que bem analisa e julga o feito: Do cerceamento de defesa em face da unilateralidade da produção da prova Quanto ao inconformismo da impugnante que versa sobre eventuais ofensas aos princípios constitucionais, cumpre esclarecer, de plano, que o tratamento de questões desta natureza é de competência estrita e exclusiva do Poder Judiciário, em consonância ao princípio da supremacia das decisões judiciais sobre as administrativas, conforme albergado em nosso sistema jurídico. As instâncias de julgamento administrativo estão impedidas de se manifestarem acerca das argumentações de defesa que versem sobre inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de normas legais e/ou regulamentares, bem assim quanto a procedimentos administrativos inseridos em nosso sistema jurídico, uma vez que descabe ao aplicador da legislação tributária discutir o mérito ou a legitimidade dos referidos comandos normativos, visto a transcendem os limites de sua competência. Como fundamento desse entendimento, convém apontar a lição dada pelo mestre Ruy Barbosa Nogueira, que em sua obra intitulada "Da interpretação e da aplicação das leis tributárias", 1965, p. 32, nos ensina que: Devemos distinguir o exercício da administração ativa, da judicante. No exercício da administração ativa o funcionário não 7 Processo n° 11684.001846/2006-35 SI-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.250 Fl. 194 pode negar aplicação à lei, sob mera alegação de sua inconstitucionalidade, em primeiro lugar porque lhe não cabe a função de julgar, mas de cumprir e, em segundo, porque a sanção presidencial afastou do funcionário de administração ativa o exercício do poder executivo. Mais adiante, à p. 35, ao citar Tito Rezende, diz: É principio assente, e com muito sólido fundamento lógico, o de que os órgãos administrativos em geral não podem negar aplicação a uma lei ou decreto, porque lhes pareça inconstitucional. A presunção natural é que o Legislativo, ao estudar o projeto de lei, ou do Executivo, antes de baixar o decreto, tenham examinado a questão da constitucionalidade e chegado à conclusão de não haver choque com a Constituição: só o Poder Judiciário é que não está adstrito a essa presunção e pode examinar novamente aquela questão. É de registrar-se, também, a lição do Professor José Afonso da Silva (Curso de Direito Constitucional Positivo, 12' ed., São Paulo: Malheiros, p. 56), que leciona: Milita presunção de validade constitucional em favor de leis e atos normativos do Poder Público, que só se desfaz quando incide o mecanismo de controle jurisdicional estatuído na Constituição. Diante disso, é de se rejeitar tais assertivas. Não obstante o acima posto, convém salientar que dos autos depreende-se que o lançamento do questionado crédito tributário foi efetuado com absoluta observância dos requisitos inerentes aos atos administrativos em geral, além dos essenciais preconizados no art. 142 do CIN, atentando para a forma solene exigida pela lei instrumental (art. 9° do Decreto n° 70.235/72) para a validade jurídica própria dos atos administrativos, que tem por escopo a presunção de legitimidade na qual se assenta o princípio da estrita legalidade. Ainda que não seja o caso do processo em exame, quanto ao alegado cerceamento de defesa ou do contraditório, cumpre esclarecer que no âmbito da legislação que regula a atividade de lançamento de crédito tributário é perfeitamente dispensável a apresentação de esclarecimentos por parte da investigada quando os fatos que deram ensejo a sua constituição estiverem claramente demonstrados e apurados pela autoridade competente responsável pela elaboração dos procedimentos de fiscalização, a exemplo do que já dispunha a IN SRF n° 94, de 1997. Por fim, o momento para se discordar das provas colhidas e do entendimento firmado no transcurso do procedimento de revisão e respectiva autuação se dá na apresentação da impugnação contestando o lançamento efetuado de oficio, quando então a legislação processual oportuniza ao defendente o contraditório e a ampla defesa, a teor do que dispõe no art. 16 do Decreto n° 70.235/72. 0)N, 8 Processo n° 11684.001846/2006-35 S1-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.250 Fl. 195 A referendar tal posicionamento transcreve-se o seguinte Acórdão do 1° Conselho de Contribuintes: AUDIÊNCIA PRÉVIA DO CONTRIBUINTE — Sendo o procedimento de lançamento privativo da autoridade lançadora, não há qualquer nulidade ou sequer cerceamento do direito de defesa pelo fato de a fiscalização lavrar um auto de infração após apurar o ilícito, mesmo sem consultar o sujeito passivo ou sem intimá-lo a se manifestar, já que esta oportunidade é prevista em lei para a fase do contencioso administrativo. (Ac. 1° CC 103-10.196/90, publicado no DOU de 24/07/90) No mais, se observa com a mais nítida clareza que a autuada demonstrou total conhecimento dos fatos imputados no auto de infração em trato, bem como da legislação tributária aplicável, tendo exercido sua defesa de forma ampla, não havendo porque cogitar de qualquer hipótese de nulidade por conta do alegado cerceamento do direito de defesa ou, ainda, da irregular inversão do ônus da prova. Ademais, quanto à alegada inconstitucionalidade das normas que subsidiaram a autuação em tela, convém colacionar o entendimento manifestado pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (Parecer PGFN/CRE n°948, de 02.07.1998) acerca da disposição contida no Decreto n°2.346, de 10.10.1997. Não se olvide, ainda, que a Portaria MF n°103, de 23.04.2002, inseriu o art. 22.A. nos Regimentos da Câmara Superior de Recursos Fiscais e dos Conselhos de Contribuintes, aprovados pela Portaria MF n° 55, de 16.03.1998, vedando que seja afastada a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo em vigor, em virtude de inconstitucionalidade que não tenha sido anteriormente reconhecida, na forma e pelas autoridades dispostas em seu parágrafo único. Por decorrência, se aqueles órgãos de instância administrativa superior estão impedidos de apreciar questão de inconstitucionalidade, a mesma conclusão é de ser adotada para a instância inferior. Sobre o tema, trago à colação o teor da ementa do Acórdão n° 203-0863, de 21.08.2002, da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes: NORMAS PROCESSUAIS - PRELIMINAR - ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - Não compete à autoridade administrativa o juízo sobre constitucionalidade de norma tributária, prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, por força de dispositivo constitucional. Preliminar rejeitada. (.) Do enquadramento legal As autoridades autuantes assim expressaram no auto de infração, mais especificamente no quadro "Da Descrição dos fatos e Enquadramento(s) Legal(is)": "Conforme a informação 9 prestada pela empresa NIQUELFER, nos termos do 1° do Processo n° 11684.001846/2006-35 SI-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.250 Fl. 196 artigo 23 do Decreto-Lei n° 1.455/76, deve ser aplicada a pena de perdimento à mercadoria em questão, e, diante de seu consumo total, converter-se a pena de perdimento da mercadoria pela aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, nos termos do § 3 0 do artigo 23 do Decreto-Lei n° 1.455/76, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/02, concomitantemente às disposições presentes no § 10 do artigo 618 do Regulamento Aduaneiro em vigor". Adiante, o auto de infração enumera no campo "ENQUADRAMENTO LEGAL" os artigos 602, 604 e 618, IV e § 1°, do Decreto n° 4.543/02 e artigo 73, §§ 1 0 e 2° da Lei n° 10.833/03. Emana do acima exposto que a autuação em tela encontra-se erigida, com especial relevo, no artigo 618 do Decreto n° 4.543/02 (Regulamento Aduaneiro vigente à época do fato gerador) e no artigo 73 da Lei n° 10.833/03; vejamos o teor das mencionadas normas. O Decreto n° 4.543, de 26.12.2002, que regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior, em seu artigo 618, que se encontra inserido no Livro VI (Das Infrações e das Penalidades), Titulo II (Da Pena de Perdimento), Capitulo II (Do Perdimento da Mercadoria), dispõe, verbis: Art. 618. Aplica-se a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto- lei n°37, de 1966, art. 105, e Decreto-lei n° 1.455, de 1976, art. 23 e § 1°, com a redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002, art. 59): L.I VI - estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; § 1° A pena de que trata este artigo converte-se em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (Decreto-lei n°1.455, de 1976, art. 23, § 3 0, com a redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002, art. 59). A Lei n° 10.833, de 29.12.2003, que alterou a Legislação Tributária Federal e deu outras providências, em seu artigo 73, que se encontra inserido no Capitulo III (Das Disposições Relativas à Legislação Aduaneira), dispõe, verbis: Art. 73. Verificada a impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua não- localização ou consumo, extinguir-se-á o processo +01N-- 10 Processo n° 11684.001846/2006-35 SI-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.250 Fl. 197 administrativo instaurado para apuração da infração capitulada como dano ao Erário. § 1° Na hipótese prevista no caput, será instaurado processo administrativo para aplicação da multa prevista no § 3° do art. 23 do Decreto-Lei n° 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. § 2 0 A multa a que se refere o § I° será exigida mediante lançamento de oficio, que será processado e julgado nos termos da legislação que rege a determinação e exigência dos demais créditos tributários da União. De plano, conforme dispõe o artigo 493, inciso II, do RA/02, as Invoices n°3 14000188 e 14000189 que instruíram a Declaração de Importação n° 04/0464425-7 (fls. 17, 24 e 29), são documentos obrigatórios para o processamento do despacho de importação. Constatada a falsidade ideológica das mencionadas faturas comerciais, que oportunizou e fundamentou a declaração de preço abjeto para as mercadorias importadas evidencia-se ser plenamente cabível à aplicação da pena de perdimento, conforme disposição contida no art. 618, VI, do RA/02. No entanto, verificado que as mercadorias em apreço, à época da investigação já haviam sido destinadas a consumo, conforme esclarece o documento de fl. 61, coube à fiscalização a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro, em obediência ao disposto no art. 618, § 1°, do RA/02 cic o art. 73, §§ 1° e 2°, da Lei n° 10.833/03. Por fim, a autuada aduz não haver previsão legal para a aplicação da Pena de Perdimento ao caso vertente, por absoluta ausência de tipicidade. Desta argüição, uma vez mais, a impugnante demonstra a pouca acuidade com que examinou os fatos e documentos que se encontram acostados aos autos, notadamente àqueles que deram subsídio fático e jurídico à peça de exigência, uma vez que de uma simples leitura do auto de infração percebe-se nitidamente que as autoridades lançadoras expuseram de forma con-catenada e objetiva toda legislação referente aos fatos imponíveis, evidenciando apenas seu intento em ver procrastinado os efeitos da ação ilícita, utilizando-se para tal o expediente processual que ora se efetiva. Das invoices (faturas comerciais) Em sua impugnação, a recorrente afirma que "a fatura que possui o Representante do Exportador no Brasil não revela a transação final efetivada". Justifica sua assertiva no fato de que "são diversos contatos e negociações, levando em consideração a grande quantidade de mercadoria importada, já que foram objetos de Revisão Aduaneira dês Declarações de Importação 11 Processo n° 11684.001846/2006-35 SI-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.250 Fl. 198 distintas, mas referente ao mesmo produto e exportador, para ao final ser estabelecido um valor de compra, bem como, a data de entrega, forma de pagamento, etc". Pelos dados dispostos nas faturas comerciais (fls. 24 e 29) que instruíram o despacho, apresentadas pela interessada em atendimento à Intimação Saope n°032/04-5 (ll. 13) e os contidos nas faturas comerciais (lls. 50/51) apresentadas pela representante comercial no Brasil da empresa exportadora (Erasteel Latin América Ltda.), em cumprimento à Intimação n° 036/04-S (fl. 32), verifica-se que as únicas divergências constatadas dizem respeito ao valor unitário da mercadoria importada e ao frete marítimo, que já estava incluso, vejamos: Número da Valor Unit. Valor Frete Quantidade Valor Total Fatura Mercadoria Marítimo Merc. (Ton.) (USD) Fatura 14000188 2.996,20 164,92 3,600 10.786,32 original 14000189 2.960,20 632,24 13,801 40.853,72 Fatura 14000188 14.981,00 797,16 3,600 53.931,60 Erasteel (pág. 1) 14000189 15.801,00 797,16 14,801 204.268,60 Portanto, as afirmações da impugnante não condizem com a verdade uma vez demonstrado que todos os demais dados colhidos nas faturas apresentadas, pela Niquelfer Comércio de Metais Ltda., para instrução do despacho aduaneiro de para consumo dos "Catodos de Níquel" importados da Eramet francesa permaneceram inalterados em relação aos indicados na cópia das faturas entregues pela representante da exportadora no Brasil, evidenciando, de forma insofismável, que a empresa importadora valeu-se de ardil comumente observado por importadores que utilizam o reajustamento para menos, fraudando o preço efetivamente pago pela mercadoria, com a conseqüente diminuição artificial dos tributos e contribuições incidentes na aquisição dos respectivos produtos. A assertiva de que os preços declarados nas faturas que instruíram o despacho de importação decorreram de "diversos contatos e negociações" e da "grande quantidade de mercadoria importada", também é totalmente insubsistente, pois a simples leitura da legislação de regência (arts. 493, 497, 502 do RA/02), emerge a obrigatoriedade de o despacho de importação ser instruído com a fatura expedida pelo exportador, não havendo previsão legal para sua substituição por outras que expressem uma outra realidade. Ademais, o sç único do art. 497 ressalta que eventuais correções haverão que ser autenticadas pelo emitente, fato este que descarta totalmente a legalidade dos argumentos acima defendidos. Por derradeiro, o exame das faturas acostadas às fls. 50/51 demonstra ter havido alteração do preço unitário das mercadorias em todas as faturas que serviram de base para o lançamento. De outra parte, a impugnante, com exceção da cópia autenticada do contrato de câmbio (lis. 122 a 125), não d\,_ 12 Processo n° 11684.001846/2006-35 S1-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.250 Fl. 199 carreou aos autos quaisquer elementos de prova que infirmassem a presente acusação de fraude documental, não havendo, sob esse prisma, que se negar efeitos jurídicos, validade ou eficácia do documento que ensejou a autuação. No esteio desse raciocínio, importa trazer a lume o conceito de prova documental. Para tanto, com a devida vênia, transcreve-se as pertinentes considerações de Luiz Rodrigues Wambier, in . "Curso Avançado de Processo Civil. 3' ed., Revista dos Tribunais, 2001. v.1, p.506", abaixo reproduzidas: "...conceitua-se documento como todo objeto capaz de cristalizar um fato transeunte, tornando-o, sob certo aspecto, permanente. Tanto é documento o papel escrito como a fotografia, um mapa ou uma simples pedra com inscrições ou símbolos. O conceito de documento deve ser amplo, abrangendo não só aquilo que atualmente a ciência conhece, como também tudo o que possa vir a ser inventado capaz de conter a expressão de um pensamento. A holografia, a transmissão eletrônica de dados (via internet) também são documentos hábeis a demonstrar a ocorrência de fatos relevantes para o processo. O documento tem a função de tornar fixo, estático, um momento da vida humana. O fato, que acontece e desaparece, torna-se permanentemente retratado no documento, que exatamente a isso se presta." (grifou-se) A impugnante restringe-se em a alegar que "a fatura que possui o Representante do Exportador no Brasil não revela a transação final efetivada". Todavia, conforme demonstrado, nelas se verifica conteúdo que corrobora a prática materialmente demonstrada de adulteração das faturas comerciais. Ademais, pelos fatos trazidos aos autos, entendo que não há espaço para a sustentação da tese de que o fisco não produziu prova da fraude documental, ou de qualquer outra argumentação tendente a descaracterizar a materialidade do delito ou a afastá-lo por suposta ausência de tipicidade, uma vez que, conforme demonstrado, é correta a tipificação da infração no art. 618, VI e § 1°, do RA/02 c/c o art. 73, §§ 1° e 2°, da Lei n°10.833/03. Por fim, também não há que se considerar, como prova da regularidade da importação, o contrato de câmbio de fls. 122 a 125, pois o valor nele difere das faturas emitidas pelo exportador, posto que existindo duas faturas para a mesma operação comercial com informações divergentes, resta configurada a falsidade material daquela apresentada para despacho de importação, resultando, por conseguinte, na invalidade do ato jurídico consubstanciado no citado contrato de câmbio que, por não preencher as exigências legais, por estar escorado em documentos de importação (DI e Fatura Comercial) falsificados, não refletindo a realidade fática da operação em causa, não tem sua existência reconhecida, e em razão disso não produz quaisquer efeitos legais. Pelo contrário, referido contrato faz prova contra a importadora, posto que 01-N, 13 Processo n° 11684.001846/2006-35 S1-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.250 Fl. 200 além de conformar a fraude tributária, enseja o cometimento, também, de fraude cambial, pela remessa irregular de moeda estrangeira para o exterior, quanto ao quantitativo de moeda que foi expatriado de alguma forma não convencional. O art. 299 do Decreto-Lei n° 2.848/40 (Código Penal) define falsidade ideológica: Falsidade ideológica Art. 299. Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa, se o documento é particular. As faturas de fls. 24 e 29 foram emitidas com declaração falsa quanto ao real valor da mercadoria com o fim de eximir a importadora do pagamento integral dos direitos aduaneiros decorrentes da operação de importação consubstanciada na DI n°04/0464425-7. Portanto houve a prática da infração descrita no art. 23 do Decreto-Lei n°1.455/76, ensejando a aplicação da pena prevista no art. 105, VI, do Decreto-Lei n°37/66, ambos com alterações. Vejam-se os dispositivos: Decreto-Lei n°1.455/76, com alteração da Lei n°10.637/02: Art. 23. Consideram-se dano ao erário as infrações relativas às mercadorias: [...I IV - enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas a e b do parágrafo único do art. 104 e nos incisos I a XIX do art. 105, do Decreto-Lei n°37, de 18 de novembro de 1966. [4 Decreto-Lei n.° 37, de 18/11/1966: Art. 105. Aplica-se a pena de perda da mercadoria: [..] VI - estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; [....i Do acima exposto, verifica-se que não procede a alegação da impugnante no sentido de que as autoridades lançadoras não I_ 14 Processo n° 11684.001846/2006-35 S1-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.250 Fl. 201 demonstraram a prática de subfaturamento, e que agiram contrário ao ordenamento jurídico ao optarem pela metodologia do arbitramento para se chegar aos valores aduaneiros apurados. Por tudo mais que do processo consta, especialmente no que respeita à utilização de documentos fraudados, considerando, ainda, que a administração pública se sujeita ao princípio da legalidade, que, por sua vez, emana diretamente da Constituição da República, devendo a exigência tributária ser formulada com estrita observância de tal princípio, o que afasta qualquer pretensão no sentido de por ao largo os preceitos normativos que tratam da matéria em litígio, voto pela procedência do lançamento ora apreciado. Ante o exposto, voto ps negar provimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argumentos. Sala das Sessões, em 10 de j ho de 2009. LUCIANO LOPES DE 4 .A MORAES - elator 15
score : 1.0
Numero do processo: 11128.725280/2015-37
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 03/08/2011
MULTA ADMINISTRATIVA. INFRAÇÃO ADUANEIRA. INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA DA CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. Não há falar-se em denúncia espontânea, se o próprio registro extemporâneo da informação da carga materializa a conduta típica da infração do art.107, IV, alínea e, do Decreto-lei nº 37/1966. Aplicação da Súmula CARF n° 126, verbis: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (Vinculante, conformePortaria ME nº 129de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019).
MULTA. ART.107, IV, ALÍNEA E, DO DECRETO-LEI Nº 37/1966. CONFISCO. SÚMULA CARF N° 2.
A caracterização da multa como confiscatória implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula CARF n° 2.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-006.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/08/2011 MULTA ADMINISTRATIVA. INFRAÇÃO ADUANEIRA. INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA DA CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. Não há falar-se em denúncia espontânea, se o próprio registro extemporâneo da informação da carga materializa a conduta típica da infração do art.107, IV, alínea e, do Decreto-lei nº 37/1966. Aplicação da Súmula CARF n° 126, verbis: “A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.” (Vinculante, conformePortaria ME nº 129de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). MULTA. ART.107, IV, ALÍNEA E, DO DECRETO-LEI Nº 37/1966. CONFISCO. SÚMULA CARF N° 2. A caracterização da multa como confiscatória implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula CARF n° 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (documento assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 52 80 /2 01 5- 37 Fl. 158DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.596 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.725280/2015-37 Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente sobre exigência de crédito tributário no valor de R$ 5.000,00, formalizado em 16/11/2015, a título de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada ou sobre operações que executar. Relata a fiscalização que a empresa UTI DO BRASIL LTDA. incluiu (1) o conhecimento eletrônico HBL 151105135192603 a destempo em 03/08/2011, 11:17, relativamente à carga trazida pelo Navio M/V WEHR ALTONA, em sua viagem 003SN, com atracação registrada em porto nacional em 04/08/2011 06:26, portanto em tempo inferior a 48 horas antes do registro de atracação, descumprindo o estabelecido no art. 22, II, “d”, na IN SRF nº 800/2007; sendo a empresa considerada responsável para efeitos legais e fiscais pela apresentação dos dados e informações eletrônicas, conforme art. 4º do referido ato normativo, exige-se dela a multa pelo fato narrado por NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÕES QUE EXECUTAR, como previsto no art. 107, IV, e do Dec-lei 37/66. Regularmente intimada, em 29/01/2016 (fls. 40), a autuada apresentou impugnação de fls. 44/57, em 18/02/2016 (fl. 43), alegando que o auto de infração não observa os requisitos necessários a sua validade e que a impugnante em momento algum deixou de prestar as informações (a questão é dentro do prazo); cumpriu a obrigação acessória, pois procedeu à desconsolidação; a autoridade alfandegária não sofreu qualquer dificuldade para fiscalização, bem como para apuração de créditos destinados ao erário; a aplicação da penalidade afrontou os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, da moralidade e da segurança jurídica albergados na CF e no art 2º da Lei n° 9.784/99; aduz que a responsabilidade atribuída à impugnante foi excluída pela denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN e art. 102, §§ 1ºe 2º, do Dec-lei nº 37/66, citando doutrina de Hugo de Brito Machado e Leandro Paulsen (fls. 47/48) pugna pela sua aplicação em obrigação tributária acessória; argumenta, ainda, que nos termos da Lei 12.350/2010, é permitida, no âmbito aduaneiro, a aplicação da denúncia espontânea; assim, prestada as informações antes de qualquer fiscalização pela Receita Federal do Brasil, restou caracterizada a denúncia espontânea da infração, e cita jurisprudência da TRF da 1ª Região (fl.52); além disso, a penalidade imposta não obedece a qualquer critério de individualização, não se mostrando, ainda, proporcional ou razoável pela aplicação de idêntica penalidade a quem prestar informações com atraso de horas, bem como àquele que as presta com atraso de dias ou até meses; alegando, também, ofensa aos princípios da capacidade contributiva e da vedação do confisco, reputa inconstitucional o art. 107, IV, e, do Decreto-lei nº 37/66; ao final, requer seja a impugnante notificada da sessão de julgamento para nela comparecer para o fim de sustentar oralmente suas razões, garantindo a ampla defesa, albergado no artigo 2º, caput, da Lei nº 9.784/1999, e aguarda seja julgado improcedente o auto de infração. A 21ª Turma da DRJ/SPO, acórdão nº 16-73.952, negou provimento à impugnação, com decisão assim ementada: Fl. 159DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.596 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.725280/2015-37 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/08/2011 Prestação de informação sobre carga. CE eletrônico incluído a destempo. Infração prevista no art. 107, IV, “e”, do Decreto-lei nº 37/66 e IN RFB nº 800/2007. Tipificação. Norma de conduta. Inaplicabilidade da denúncia espontânea. Impugnação Improcedente. Em recurso voluntário, a empresa aduz as mesmas razões de sua impugnação, requerendo, ao final, o provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora. O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. A autuação decorreu da “não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar”, nos termos do Decreto-Lei n° 37/66, art. 107, inciso IV, alínea 'e'. Dispõe o referido dispositivo: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga; e Então, a autoridade consignou: OCORRÊNCIA Nº 1. - DATA DE REFERÊNCIA 03/08/2011 O Agente de Carga UTI DO BRASIL LTDA, CNPJ Nº02735565000819, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico (CE) MHBL 151105135192603 a destempo em/a partir de 03/08/2011 11:17, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB, com o registro extemporâneo do(s) Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL 151105136552360. Fl. 160DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.596 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.725280/2015-37 A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada no(s) container(es) NYKU4055248, pelo Navio M/V WEHR ALTONA, em sua viagem 003SN, com atracação registrada em 04/08/2011 06:26. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são: Escala 11000263015, Manifesto Eletrônico 1511501563124, Conhecimento Eletrônico (CE) MBL 151105131670454, Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) MHBL 151105135192603 e Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL 151105136552360. Para o caso concreto em análise, a perda de prazo se deu pela inclusão do conhecimento eletrônico house em referência em tempo inferior a quarenta e oito horas anteriores ao registro da atracação no porto de destino do conhecimento genérico. Destaque-se ainda que o Conhecimento Eletrônico (CE) MHBL 151105135192603 foi incluído em 01/08/2011 16:19, momento a partir do qual se tornou possível o registro do conhecimento eletrônico agregado. RESPONSÁVEL PELA INFRAÇÃO NO CASO Examinada a documentação juntada aos autos, especialmente os extratos com o registro da conclusão da desconsolidação, verifica-se que figura como agente de carga transportador/representante do NVOCC embarcador, para o(s) Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL 151105136552360, a empresa UTI DO BRASIL LTDA, CNPJ Nº 02735565000819. Nos termos das normas de procedimentos em vigor, a empresa supra é considerada responsável para efeitos legais e fiscais pela apresentação dos dados e informações eletrônicas na forma e no prazo estabelecidos pela Receita Federal do Brasil - RFB. Pelo relato da fiscalização, é certo que foi efetivamente prestada a informação, mas a destempo. O dispositivo legal prescreve a vinculação a forma e prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Não trouxe a empresa argumentos ou documentos que pudessem ilidir a acusação fiscal. Da exclusão da penalidade pela denúncia espontânea Sustenta que a responsabilidade foi indevidamente atribuída à Recorrente, já que houve denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN e art. 102, §§ 1º e 2º, do Decreto-Lei nº 37/66: Art.102 - A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º - Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Fl. 161DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.596 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.725280/2015-37 § 2 o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Não há falar-se em denúncia espontânea, se o próprio registro extemporâneo da informação da carga materializa a conduta típica da infração do art.107, IV, alínea e, do Decreto- lei nº 37/1966. Nesse sentido, cito os seguintes acórdãos: Acórdão n° 9303004.909 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Acórdão n° 3102-001.988 MULTA ADMINISTRATIVA. INFRAÇÃO ADUANEIRA. INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA DA CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação sobre a carga descarregada em porto alfandegado nacional não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. De toda a sorte, tal questão resta pacificada neste Conselho, com a edição da Súmula CARF n° 126: Súmula CARF nº 126 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Fl. 162DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-006.596 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.725280/2015-37 Proporcionalidade e da razoabilidade da multa imposta Defende que o art.107, IV, alínea e, do Decreto-lei nº 37/1966 é inconstitucional, por ofender aos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da individualização da pena, impondo-se a declaração de nulidade do auto de infração. Entretanto, esse argumento de inconstitucionalidade não pode sequer ser conhecido, por imperativo da Súmula CARF n° 2. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Fl. 163DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.720822/2010-58
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007 NULIDADE DE AUTUAÇÃO
As hipóteses de nulidade encontram-se previstas expressamente na legislação tributária, não restando quaisquer delas configuradas nos autos. O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF - é um instrumento interno e operacional de planejamento e controle das atividades de fiscalização, não tratando-se de norma destinada aos contribuintes, mas sim aos agentes públicos, motivo pelo qual deve ser também rejeitada a nulidade do lançamento.
OMISSÃO DE RECEITAS
Caracterizam-se omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados.
Numero da decisão: 1201-000.937
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Andre Almeida Blanco
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 NULIDADE DE AUTUAÇÃO As hipóteses de nulidade encontram-se previstas expressamente na legislação tributária, não restando quaisquer delas configuradas nos autos. O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF - é um instrumento interno e operacional de planejamento e controle das atividades de fiscalização, não tratando-se de norma destinada aos contribuintes, mas sim aos agentes públicos, motivo pelo qual deve ser também rejeitada a nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RECEITAS Caracterizam-se omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados.
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