Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,966)
- Primeira Turma Ordinária (16,484)
- Primeira Turma Ordinária (16,434)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Primeira Turma Ordinária (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,534)
- Primeira Turma Ordinária (13,106)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,516)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,721)
- Terceira Câmara (68,184)
- Segunda Câmara (57,010)
- Primeira Câmara (21,265)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,874)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (127,921)
- Segunda Seção de Julgamen (115,679)
- Primeira Seção de Julgame (77,486)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,117)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,476)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,545)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,893)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- WILDERSON BOTTO (2,657)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,651)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,653)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (18,907)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13116.901597/2012-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2006
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.946
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/08/2006 PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13116.901597/2012-06
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5757602
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-002.946
nome_arquivo_s : Decisao_13116901597201206.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13116901597201206_5757602.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
id : 6890626
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049467987427328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13116.901597/201206 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.946 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de junho de 2017 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2006 PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 15 97 /2 01 2- 06 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13116.901597/201206 Acórdão n.º 3201002.946 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.578, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13116.901597/201206 Acórdão n.º 3201002.946 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13116.901597/201206 Acórdão n.º 3201002.946 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13116.901597/201206 Acórdão n.º 3201002.946 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13116.901597/201206 Acórdão n.º 3201002.946 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13116.901597/201206 Acórdão n.º 3201002.946 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13116.901597/201206 Acórdão n.º 3201002.946 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13116.901597/201206 Acórdão n.º 3201002.946 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13116.901597/201206 Acórdão n.º 3201002.946 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13854.720200/2013-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. INCIDÊNCIA DO IRPF PELO REGIME DE COMPETÊNCIA.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO JUDICIAL. REVISÃO DE APOSENTADORIA. IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. Os rendimentos recebidos acumuladamente são tributáveis no mês de seu recebimento e na declaração de ajuste. Nos casos previstos no artigo 12-A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, disciplinado pelo disposto na Instrução Normativa RFB nº 1.127, de 7 de fevereiro de 2011, esses rendimentos, a partir de 28 de julho de 2010, relativos a anos-calendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.
Numero da decisão: 2401-004.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por maioria, dar-lhe provimento parcial para determinar, em relação aos rendimentos de aposentadoria recebidos acumuladamente, relativos ao ano-calendário 2010, o recálculo do imposto sobre a renda, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. INCIDÊNCIA DO IRPF PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO JUDICIAL. REVISÃO DE APOSENTADORIA. IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. Os rendimentos recebidos acumuladamente são tributáveis no mês de seu recebimento e na declaração de ajuste. Nos casos previstos no artigo 12-A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, disciplinado pelo disposto na Instrução Normativa RFB nº 1.127, de 7 de fevereiro de 2011, esses rendimentos, a partir de 28 de julho de 2010, relativos a anos-calendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13854.720200/2013-14
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5770201
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2401-004.964
nome_arquivo_s : Decisao_13854720200201314.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 13854720200201314_5770201.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por maioria, dar-lhe provimento parcial para determinar, em relação aos rendimentos de aposentadoria recebidos acumuladamente, relativos ao ano-calendário 2010, o recálculo do imposto sobre a renda, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
id : 6934089
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468000010240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1510; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13854.720200/201314 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.964 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 6 de julho de 2017 Matéria IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente PEDRO PAULO TREVIZAN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. INCIDÊNCIA DO IRPF PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO JUDICIAL. REVISÃO DE APOSENTADORIA. IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. Os rendimentos recebidos acumuladamente são tributáveis no mês de seu recebimento e na declaração de ajuste. Nos casos previstos no artigo 12A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, disciplinado pelo disposto na Instrução Normativa RFB nº 1.127, de 7 de fevereiro de 2011, esses rendimentos, a partir de 28 de julho de 2010, relativos a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 72 02 00 /2 01 3- 14 Fl. 40DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por maioria, darlhe provimento parcial para determinar, em relação aos rendimentos de aposentadoria recebidos acumuladamente, relativos ao anocalendário 2010, o recálculo do imposto sobre a renda, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 13854.720200/201314 Acórdão n.º 2401004.964 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento de imposto sobre a renda de pessoa física lavrada em 29/07/2013 (fls. 11/15), resultante de procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual exercício 2011, anocalendário 2010, por meio do qual se exige o crédito tributário de R$ 11.047,67, tendo o imposto suplementar sujeito a multa de ofício o valor originário de R$ 5.659,38. Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal (fl. 13), o lançamento de ofício decorre de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica oriundos de ação da Justiça Federal, no valor de R$ 60.049,51, correspondente ao precatório recebido do INSS no valor bruto de R$ 84.696,06, do qual foi deduzido o valor de R$ 24.646,55 referente a pagamento ao advogado, em virtude de ter o contribuinte declarado como rendimento isento e não rendimento recebido acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento por aviso de recebimento postal, em 08/08/2013 (fl. 16), e apresentou impugnação em 20/08/2013 (fls. 02/03 e 06), por meio da qual requer o cancelamento da notificação considerando o direito do contribuinte de exercer a opção pela tributação como rendimento recebido acumuladamente. Ademais, esclarece que ao preencher a declaração de rendimentos, buscava beneficiarse do direito de considerar o valor como tributado exclusivamente na fonte, porém deixou de consignar os valores nos campos próprios para tal; Sustenta que é prática comum da Receita Federal recalcular declarações mediante glosa de deduções indevidas e/ou inclusão de rendimentos não declarados, expedindo assim Notificações de Lançamento Complementar com seus respectivos acréscimos legais, razão pela qual pede que se pratique a mesma sistemática de correção de sua declaração, onde os valores sejam alocados nos quadros devidos, permitindo assim a não tributação dos rendimentos; Informa que se tivesse sido alertado em tempo hábil, certamente teria tomado providências no sentido de proceder no prazo legal às retificações devidas em sua declaração de rendimentos. Ao final reitera o pedido de cancelamento da cobrança, em vista da falta de recursos para o pagamento, e solicita prioridade na análise da impugnação de acordo com o artigo 71 do Estatuto do Idoso. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS) julgou improcedente a impugnação (Acórdão 0434.515 – fls. 25/30), nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 Fl. 42DF CARF MF 4 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE AÇÃO JUDICIAL Os rendimentos recebidos acumuladamente no anocalendário 2010 poderiam ser tributados na forma da Lei nº 12.350/2010, desde que tempestivamente incluídos em ficha própria da Declaração de Ajuste Anual do exercício 2011. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto Recurso Voluntário (fl. 34), com as seguintes considerações: “1 Após contribuir por uma vida inteira para o sistema previdenciário, o contribuinte necessitou impetrar ação judicial para que o seu benefício de aposentadoria fosse revisto de forma a ficar, pelo menos, mais próximo do que seria o valor justo, arcando ainda com os honorários advocatícios para tal fim. 2 Orientado de que o rendimento recebido acumuladamente não deveria ser oferecido à tributação, considerou o valor recebido como tributado exclusivamente na fonte quando deveria inserilo no campo RRA, deixando ainda, por desconhecer tal exigência, de proceder em tempo hábil à retificação da Declaração de Rendimentos. 3 Não se conforma o requerente do fato de que um simples erro de preenchimento da DAA venha descaracterizar a isenção e priválo do mesmo direito concedido a milhares de outros aposentados na mesma situação. 4 Lembra ainda que independente de retificação da DAA por parte do contribuinte a própria Receita Federal se encarrega de alocar nos campos próprios os rendimentos realmente tributáveis quando estes são lançados ou são considerados isentos pelo declarante, expedindo a respectiva notificação de cobrança suplementar do imposto. 5 Apela, portanto ao senso de justiça desta Corte, sem considerar a necessidade de relatar as dificuldades pelas quais passa o idoso, especialmente os que dependem exclusivamente de benefício previdenciário para sua subsistência.” É o relatório. Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13854.720200/201314 Acórdão n.º 2401004.964 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Pressupostos De Admissibilidade O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 03/01/2014, conforme fl. 35, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 17/01/2014 (fls.34 e 38). Do mérito Tratam os presentes autos de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação da Justiça Federal. De acordo com a fiscalização (descrição dos fatos – fl.13), devidamente intimado em 16/07/2013, o contribuinte apresentou NF/Recibo do advogado no valor de R$ 24.646,55 (vinte e quatro mil seiscentos e quarenta e seis reais e cinquenta e cinco centavos), que foi deduzido do valor do precatório de R$ 84.696,06 (oitenta e quatro mil seiscentos e noventa e seis reais e seis centavos), recebido no ano calendário 2009, exercício 2010, do INSS, através da Caixa Econômica Federal, e que resultou no rendimento tributável de R$ 60.049,51 (sessenta mil quarenta e nove reais e cinquenta e um centavos). Prossegue no sentido de que poderia o contribuinte ter optado pela tributação como rendimento recebido acumuladamente até 31/12/2011 conforme disciplina a Instrução Normativa RFB 1.127, de 07/02/2011, artigo 7º,§ 2º, inciso II, alínea ‘b’ e § 3º. Portanto, o prazo legal para a retificação da Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2011 foi até 31/12/2011, sendo que o contribuinte declarou como rendimento isento, e não como Rendimento Recebido Acumuladamente (RRA). Ao recorrer, o contribuinte requereu o cancelamento da notificação considerando o direito de exercer a opção pela tributação como rendimento recebido acumuladamente (fl.06), o que restou negado pela primeira instância administrativa. Os rendimentos recebidos acumuladamente são tributáveis no mês de seu recebimento e na declaração de ajuste. Nos casos previstos no artigo 12A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, disciplinado pelo disposto na Instrução Normativa RFB nº 1.127, de 7 de fevereiro de 2011, esses rendimentos, a partir de 28 de julho de 2010, relativos a anos calendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. Nesse sentido, será utilizada “tabela progressiva resultante da multiplicação de quantidade de meses a que se refiram os rendimentos”, com o propósito de compatibilizar o regime ao entendimento pacificado pela Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614. 406/RS. Confirase: Art. 12A. Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anoscalendário Fl. 44DF CARF MF 6 anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Redação dada pela Lei nº 13.149, de 2015) § 1o O imposto será retido pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 2o Poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 3o A base de cálculo será determinada mediante a dedução das seguintes despesas relativas ao montante dos rendimentos tributáveis: (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) I – importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública; e (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) II – contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o Não se aplica ao disposto neste artigo o constante no art. 27 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, salvo o previsto nos seus §§ 1o e 3o. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 5o O total dos rendimentos de que trata o caput, observado o disposto no § 2o, poderá integrar a base de cálculo do Imposto sobre a Renda na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário do recebimento, à opção irretratável do contribuinte. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 6o Na hipótese do § 5o, o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte será considerado antecipação do imposto devido apurado na Declaração de Ajuste Anual. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 7o Os rendimentos de que trata o caput, recebidos entre 1o de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei resultante da conversão da Medida Provisória no 497, de 27 de julho de 2010, poderão ser tributados na forma deste artigo, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 8o (VETADO) (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13854.720200/201314 Acórdão n.º 2401004.964 S2C4T1 Fl. 5 7 § 9o A Secretaria da Receita Federal do Brasil disciplinará o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) Art. 12B. Os rendimentos recebidos acumuladamente, quando correspondentes ao anocalendário em curso, serão tributados, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Observase, no dispositivo acima citado, que o imposto de renda será retido, pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito, e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se referem os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. Note caso a recorrente alega que houve retenção do imposto retido na fonte o que seria considerado antecipação do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual. O imposto decorrente da tributação exclusiva na fonte efetuada durante o anocalendário pela fonte pagadora é considerado antecipação do imposto devido apurado na referida DAA. Ressaltese que a referida opção deve ser marcada quando do preenchimento da DAA pelo contribuinte, no presente caso, tal opção não foi realizada pela Recorrente, e sim pela fiscalização; logo, como foi omitido o rendimento percebido de forma acumulada, deve permanecer, para fins de cálculo do montante de imposto devido, relativo à infração apurada, a regra geral, qual seja, a forma de tributação exclusiva/definitiva na fonte. Deste modo, incabível levar ao ajuste na DAA/2013 os rendimentos omitidos, por ser esta forma de tributação incompatível com a normativa regente, motivo pelo qual deve o contribuinte ser eximido do pagamento do imposto suplementar formalizado pela Notificação de Lançamento em referência nos autos. Por todo o exposto, em atenção a nova redação do artigo 12A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 , do Código Tributário Nacional, voto no sentido de, nesse específico particular, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo Contribuinte seja realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pela Recorrente. Nesse sentido entendimentos proferidos por esse egrégio Conselho Administrativo: IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não élegítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. (Acórdão nº 2202003.193, Processo nº 11080.731461/201324 , rel. Conselheiro Martin da Silva Gesto, j. em 17/02/2016) Fl. 46DF CARF MF 8 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 47DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.000913/2005-61
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário:2003
OPÇÃO PELO SIMPLES. ATIVIDADES VEDADAS.
Não pode optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que preste serviços
expressamente contemplados no rol de atividades vedadas para ingresso ou permanência na sistemática simplificada ou, ainda, atividades que se assemelhem àquelas ou de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida.
INÍCIO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES
A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições e passível de fiscalização posterior. A exclusão com efeitos retroativos, quando verificado que o contribuinte incluiu-se indevidamente no sistema, é admitida pela legislação.
Numero da decisão: 1801-000.632
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201106
ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário:2003 OPÇÃO PELO SIMPLES. ATIVIDADES VEDADAS. Não pode optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que preste serviços expressamente contemplados no rol de atividades vedadas para ingresso ou permanência na sistemática simplificada ou, ainda, atividades que se assemelhem àquelas ou de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. INÍCIO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições e passível de fiscalização posterior. A exclusão com efeitos retroativos, quando verificado que o contribuinte incluiu-se indevidamente no sistema, é admitida pela legislação.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 10845.000913/2005-61
conteudo_id_s : 5783648
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 06 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1801-000.632
nome_arquivo_s : Decisao_10845000913200561.pdf
nome_relator_s : Maria de Lourdes Ramirez
nome_arquivo_pdf_s : 10845000913200561_5783648.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
id : 6968432
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468009447424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1700; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 77 1 76 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10845.000913/200561 Recurso nº 144.079 Voluntário Acórdão nº 180100.632 – 1ª Turma Especial Sessão de 29 de junho de 2011 Matéria Simples Exclusão Recorrente RACING TRUCK EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 OPÇÃO PELO SIMPLES. ATIVIDADES VEDADAS. Não pode optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que preste serviços expressamente contemplados no rol de atividades vedadas para ingresso ou permanência na sistemática simplificada ou, ainda, atividades que se assemelhem àquelas ou de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. INÍCIO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições e passível de fiscalização posterior. A exclusão com efeitos retroativos, quando verificado que o contribuinte incluiuse indevidamente no sistema, é admitida pela legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Fl. 82DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 2 Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão da 1ª Turma da Delegacia de Julgamento em São Paulo/SPOI que, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade da interessada apresentada contra o indeferimento da Solicitação de Revisão de Exclusão do Simples. Por bem descrever os fatos adoto, integralmente, o relato da DRJ em São Paulo. Trata o presente processo de exclusão do Simples, em razão da emissão, em 02/08/2004, do Ato Declaratório Executivo DRF/STS n° 569.118 (fl. 18), tendo por situação excludente o exercício de atividade econômica vedada (evento 306), relacionada ao CNAEFiscal 9261402 (Organização e exploração de atividades desportivas), com efeitos retroativos a partir de 01/01/2003 e data de ocorrência em 02/09/2000 (a interessada optou pelo regime em 01/01/2003). 2. A exclusão foi fundamentada nos artigos 9o., inciso XIII, 12, 14, inciso I, e 15, inciso II e § 3°, da Lei n° 9.317, de 05/12/1996; art. 73 da Medida Provisória n° 2.15834, de 27/07/01; artigos 20, inciso XII, 21, 23, inciso I, 24, inciso II e parágrafo único, da Instrução Normativa SRF n° 355, de 29/08/2003. 3. Cientificada do ADE em 26/08/2004 (fls. 19 e 20), inicialmente a interessada apresentou, em 27/09/2004, a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (SRS cópia às fls. 11 a 13), alegando que a empresa não se enquadra na vedação preconizada no art. 9o., inciso XIII, da Lei n° 9.317/1996, tendo em vista ter como atividade principal o comércio de artigos de viagem, etc, e participação em autódromos (fl. 16). 4. A SRS foi considerada improcedente pela Seção de Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal em Santos, em despacho exarado em 04/02/2005, sob o argumento de que além da supracitada atividade principal a empresa também se dedica à organização e exploração de atividades desportivas, dentre outras atividades impeditivas ao Simples, conforme Contrato Social, que descreve participação em outras sociedades, representação de mercadorias por conta de terceiros, agenciamento e treinamento de mãodeobra (fl. 13). Fl. 83DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10845.000913/200561 Acórdão n.º 180100.632 S1TE01 Fl. 78 3 5. Cientificada do resultado da SRS em 28/02/2005 (fl. 23), a requerente apresentou manifestação de inconformidade ao despacho denegatório em 30/03/2005 (razões às fls. 1 a 4 e anexos às fls. 5 a 10). Alega, em síntese, que: 5.1. A SRF, ao proceder o enquadramento da contribuinte no Simples, aceitou sua inclusão no regime simplificado; assim, não procede a sua exclusão da sistemática com efeitos retroativos (transcreve julgados de tribunais às fls. 2 e 3). 5.2. A SRF não permitiu à interessada a possibilidade de prévia defesa, violando, neste ponto, o princípio constitucional do devido processo legal previsto no art. 5o., incisos LIV e LV, da Constituição Federal de 1988. 5.3. Devese proceder com cautela na análise das vedações constantes no art. 9° da Lei n° 9.317/1996, sob pena de afronta ao princípio da isonomia. Observese que o art. 146, inciso III, alínea d, da CF/1988, traz previsão de tratamento diferenciado e favorecido para as microempresas e empresas de pequeno porte, inclusive regimes especiais e simplificados. 5.4. Neste contexto, de forma mais contundente, encontrase a disposição inserta no art. 179 da CF/1988 (transcreve o "caput" do art. 179 à fl. 3). 5.5. A cobrança retroativa também se afigura inconstitucional tendo em vista que a SRF anuiu com a inclusão no Simples à época da opção, manifestandose, mesmo por omissão, favoravelmente ao enquadramento, nos termos da Lei n° 9.317/1996. 5.6. Se a SRF alterou sua interpretação acerca das atividades passíveis de inscrição no Simples, não pode aplicar referido método com efeitos retroativos, malferindo o princípio constitucional da irretroatividade da norma jurídica tributária, com fulcro no art. 150, inciso III, alínea a, da Carta Política. 5.7. Tendo em vista o descumprimento, pelo ato de exclusão que se discute, dos postulados constitucionais da isonomia, capacidade contributiva e proporcionalidade, solicitase o cancelamento do ADE. O pleito foi indeferido pela 1a. Turma da DRJ em São Paulo/SPOI. Na apreciação da defesa observou, em preliminares, que houve respeito aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Em síntese, no mérito, após reproduzir todas as atividades elencadas no contrato social da empresa, consignou o acerto da exclusão da empresa do Simples em virtude da prática da atividade de organização e exploração de atividades desportivas, que encontraria óbices legais para ingresso e permanência nessa sistemática. Quanto ao princípio da isonomia ressaltou que o dispositivo constitucional tem como finalidade assegurar a igualdade entre os sujeitos passivos da obrigação tributária que se encontrem em situações equivalentes, vedando distinção de qualquer natureza, mas que não haveria que se exigir a sua aplicação para empresas que se encontram em situação distinta. Na mesma direção o artigo 179 da CF não deixaria dúvida de que o tratamento diferenciado dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte restringirseia somente àquelas definidas em Lei. Salientou que não haveria direito adquirido em relação a permanência no Simples pelo fato de não haver pronunciamento expresso da Receita Federal vedando o ingresso por ocasião da opção, que haveria autorização legislativa permitindo que a exclusão Fl. 84DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 4 surtisse efeitos retroativos à data da situação excludente e que não teria havido mudança na interpretação da RF a respeito das atividades econômicas passíveis de permanência no Simples Intimada da decisão AR à fl. 49 – a interessada apresentou, em 17/11/2008 recurso voluntário. Como razões de defesa alega, em resumo, que sua atividade principal é a de "Empreendimentos e participações em autódromos, feiras e exposições” conforme consta no instrumento particular de alteração contratual que anexou, assim como exemplificariam as Notas Fiscais de números 317 e 323, apresentadas no intuito de comprovar que não exerce a atividade descrita pelo fisco. Estaria, assim, claramente demonstrado que não exerceria nenhuma outra atividade a não ser aquela descrita e não a organização de eventos pois, por um lapso, teria constado erroneamente no CNPJ — Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica o CNAE n° 9319 1/01 Produção e promoção de eventos esportivos, quando o correto seria o CNAE n° 830 0/01 — Serviços de Organização de Feiras, Congressos, Exposições e Festas. Adverte que a Lei Complementar no. 123, de 2006, teria suprimido a vedação imposta pelo inciso III do art. 9o. da lei no. 9.317, de 1996, permitindo o ingresso no Simples de pessoas jurídicas dedicadas às atividades de Serviços de Organização de Feiras, Congressos, Exposições e Festas e que desde o anocalendário 2007 estaria recolhendo os tributos pela sistemática do lucro presumido pois teria abandonado o Simples por opção própria. Invoca o princípio da estrita legalidade, discorre sobre as limitações do poder de tributar e classifica como bizarro e inconstitucional o efeito retroativo da exclusão. Cita jurisprudência. Ao final requer a manutenção na sistemática do Simples. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora A data de recebimento do AR de fl. 49 não se encontra legível, razão pela qual não é possível verificar a tempestividade do recurso interposto. Entretanto, para que não haja prejuízo no legítimo direito do contraditório e da ampla defesa da recorrente temse como tempestivo o recurso, razão pela qual dele tomo conhecimento. A empresa recorrente foi excluída da sistemática simplificada de apuração e pagamento de impostos e contribuições SIMPLES, por praticar atividades vedadas pela legislação de regência do SIMPLES. De acordo com a 5a. alteração e consolidação do contrato social – cópia às fls. 7 a 10 – datada de 1o. de dezembro de 2003 e devidamente registrada na JUCESP, a empresa pratica as seguintes atividades, de acordo com a descrição constante da cláusula terceira: 1) Empreendimentos e participações em autódromos, feiras e exposições. Fl. 85DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10845.000913/200561 Acórdão n.º 180100.632 S1TE01 Fl. 79 5 2) Promoção e organização de eventos turísticos, culturais, esportivos e assemelhados. 3) Serviços de comunicação, publicidade e propaganda. 4) Participações em outras sociedades, como quotistas ou acionistas. 5) Publicações periódicas em geral. 6) Comércio de artigos de viagem, roupas e acessórios do vestuário para prática de esportes e de uso geral. 7) Comércio de brinquedos, jogos e passatempos. 8) Serviços de distribuição e representação de mercadorias, por conta própria ou de terceiros, inclusive importação e exportação. 9) Comércio de veículos e implementos rodoviários, inclusive partes, componentes e acessórios de máquinas, veículos, implementos, dispositivos e meios de transportes. 10) Comércio de cronômetros, relógios e suas partes. 11) Serviços auxiliares de transportes em geral. 12) Serviços de agenciamento, treinamento e fornecimento de mãodeobra em geral. 13) Serviços auxiliares e correlatos das atividades financeiras. 14) Comércio e representação de óleos lubrificantes, graxas e combustíveis em geral. 15) Comércio de ferramentas e instrumentos portáteis acionados por força muscular. A Lei no. 9.317, de 1996, que instituiu e regulamentou o Simples Federal dispôs, no artigo 9o., sobre as vedações ao ingresso na sistemática simplificada: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica: I na condição de microempresa que tenha auferido, no ano calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais); II na condição de empresa de pequeno porte que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais); III constituída sob a forma de sociedade por ações; IV cuja atividade seja banco comercial, banco de investimentos, banco de desenvolvimento, caixa econômica, Fl. 86DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 6 sociedade de crédito, financiamento e investimento, sociedade de crédito imobiliário, sociedade corretora de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidora de títulos e valores mobiliários, empresa de arrendamento mercantil, cooperativa de crédito, empresa de seguros privados e de capitalização e entidade de previdência privada aberta; V que se dedique à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis; VI que tenha sócio estrangeiro residente no exterior; VII constituída sob qualquer forma, de cujo capital participe entidade da administração pública, direta ou indireta, federal, estadual ou municipal; VIII que seja filial, sucursal, agência ou representação, no País, de pessoa jurídica com sede no exterior; IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2º; X de cujo capital participe, como sócio, outra pessoa jurídica; ... XII que realize operações relativas a: ... b) locação ou administração de imóveis; c) armazenamento e depósito de produtos de terceiros; d) propaganda e publicidade, excluídos os veículos de comunicação; e) factoring; f) prestação de serviço de vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra; XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial , despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor , jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habil i tação profissional legalmente exigida; (destaques acrescidos) XIV que participe do capital de outra pessoa jurídica, ressalvados os investimentos provenientes de incentivos fiscais efetuados antes da vigência da Lei nº 7.256, de 27 de novembro de 1984, quando se tratar de microempresa, ou antes da vigência desta Lei, quando se tratar de empresa de pequeno porte; Fl. 87DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10845.000913/200561 Acórdão n.º 180100.632 S1TE01 Fl. 80 7 Pela leitura do dispositivo legal acima transcrito em confronto com as atividades consignadas na consolidação do contrato social constatase a prática, ou a previsão da prática das seguintes atividades vedadas: Atividade Descrita no Objeto Social Atividade vedada pelo art. 9o. da Lei 9.317/96 Organização de eventos turísticos, culturais, esportivos e assemelhados Serviços profissionais de administrador ou assemelhados (inc. XIII) Serviços de comunicação, publicidade e propaganda Serviços profissionais de publicitário ou assemelhados (XIII); Pessoa jurídica que realize operações relativas a propaganda e publicidade (inc. XII, “d”) Participações em outras sociedades, como quotistas ou acionistas Pessoa jurídica de cujo capital participe, como sócio, outra pessoa jurídica (inc. X) e pessoa jurídica que participe do capital de outra pessoa jurídica (inc. XIV) Publicações periódicas em geral Serviços profissionais de jornalista ou assemelhados (inc. XIII) Serviços de distribuição e representação de mercadorias, por conta própria ou de terceiros, inclusive importação e exportação Serviços profissionais de corretor, representante comercial e despachante (XIII) Serviços de agenciamento, treinamento e fornecimento de mãodeobra em geral. Pessoa jurídica que preste serviço de vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra (inc. XII, “f”) Serviços auxiliares e correlatos das atividades financeiras Pessoa jurídica cuja atividade seja banco comercial, banco de investimentos, banco de desenvolvimento, caixa econômica, sociedade de crédito, financiamento e investimento, sociedade de crédito imobiliário, sociedade corretora de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidora de títulos e valores mobiliários, empresa de arrendamento mercantil, cooperativa de crédito, empresa de seguros privados e de capitalização e entidade de previdência privada aberta (inciso IV) ou que realize operações relativa a factoring (inc. XII, “e” Comprovase, pois, que do total das 15 (quinze) atividades descritas no objeto social constante da consolidação do contrato social, ao menos 7 (sete) incluemse no rol de atividades vedadas determinadas pelo art. 9o. da Lei no. 9.317, de 1996. Acrescentese, ainda, que as únicas duas notas fiscais cujas cópias foram anexadas pela recorrente (fls. 63 e 64) no intuito de comprovar que pratica atividades não Fl. 88DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 8 vedadas apresentam, na coluna “discriminação dos serviços” a singela descrição de “serviços prestados” e nada mais, o que, obviamente, nada prova a seu favor. Além disso sua petição é absolutamente desprovida de conteúdo fático, limitandose a defesa de princípios jurídicos e argumentações vazias. Observese que as atividades praticadas estão expressamente contempladas nas vedações. E ainda que assim não fosse a lei tornou não exaustiva a lista de serviços profissionais relacionados, ao citar expressamente os assemelhados, alcançando, assim, a vedação, toda prestação de serviços que tenha similaridade ou semelhança com as atividades enumeradas no referido dispositivo legal. A empresa, ao dedicarse à prática de todas aquelas atividades descritas em seu objeto social e constantes do quadro acima atua, ainda que sem exclusividade, na prestação de serviços vedados pela Lei no. 9.317, de 1996, para ingresso e permanência na sistemática do Simples. No que tange à invocada aplicação ao caso da Lei Complementar nº. 123, de 14/12/2006, há que se esclarecer que referido dispositivo de fato revogou a Lei nº. 9.317/1996, pois promulgou o chamado SIMPLES NACIONAL, em substituição ao chamado SIMPLES FEDERAL, que fora instituído pela Lei nº. 9.317/1996. Com o novo SIMPLES NACIONAL, em 2006, as empresas optantes pelo antigo SIMPLES FEDERAL, previsto na Lei 9.317/1996, tiveram de refazer suas opções mediante a formalização de novos pedidos de inclusão no novo programa, para se enquadrarem e se adaptarem às exigências da Lei Complementar nº. 123, de 2006. Nesse contexto, as empresas optantes pelo SIMPLES FEDERAL, na vigência da Lei nº. 9.317, de 1996, deveriam observar e cumprir as exigências estabelecidas na Lei nº. 9.317, de 1996, como é o caso da Recorrente. In casu, a contribuinte, na vigência da Lei nº. 9.317, de 1996, descumpriu as exigências estabelecidas nesse comando normativo para usufruir o benefício da apuração e pagamento simplificado de impostos e contribuições. E com base nesse mesmo comando normativo foi excluída da sistemática, no período em que ela perdurou regulada pela Lei nº. 9.317, de 1996, pois optou de forma indevida. Resta evidente, portanto, a aplicação, ao presente caso, dos demais dispositivos da Lei nº. 9.317, de 1996, que determinam a exclusão obrigatória da sistemática do SIMPLES FEDERAL em casos de prática de atividades vedadas e seus efeitos: Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de ofício. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: ... II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9º; b) ... Fl. 89DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10845.000913/200561 Acórdão n.º 180100.632 S1TE01 Fl. 81 9 Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2º do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; ... Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: II a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9º; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835 de 24.08.2001) No que toca aos efeitos retroativos válido é o procedimento de exclusão fundamentado na Medida Provisória nº. 2.15834, convalidada pela MP nº. 2.15835, de 24/08/2001. As medidas provisórias editadas anteriormente a 12/09/2001 continuam em vigor até que medida provisória ulterior as revogue explicitamente ou até deliberação definitiva do Congresso Nacional. Ou seja, permanecem em vigor independentemente de conversão em lei, conforme determinou o art. 2º da Emenda Constitucional nº. 32 de 2001: EC Câmara dos Deputados/Senado Federal 32/01 EC Emenda Constitucional MESAS DA CÂMARA DOS DEPUTADOS E DO SENADO FEDERAL nº 32 de 11.09.2001 D.O.U.: 12.09.2001 Art. 2º As medidas provisórias editadas em data anterior à da publicação desta emenda continuam em vigor até que medida provisória ulterior as revogue explicitamente ou até deliberação definitiva do Congresso Nacional. Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 90DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 10 Fl. 91DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES
score : 1.0
Numero do processo: 10920.001959/2005-57
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Não se conhece de recurso acerca de matéria que não cabe mais discussão na esfera administrativa, em face da preclusão. PROTESTO GENÉRICO POR PRODUÇÃO DE PROVAS. É inadmissível o pleito genérico para produção posterior de provas ou perícias. Não se justifica a realização de diligências baseadas em meras alegações não respaldadas em elementos que as corroborem. Considera-se não formulada a solicitação de diligência/perícia que deixar de atender os requisitos elencados no Decreto n° 70.235/72. IRPJ E REFLEXOS (CSLL, PIS E COFINS). RECURSO. EFEITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, enquanto não apreciados.
Numero da decisão: 1802-000.863
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO
CONHECER do recurso quanto ao ato de exclusão do Simples, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: Nelso Kichel
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201103
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Não se conhece de recurso acerca de matéria que não cabe mais discussão na esfera administrativa, em face da preclusão. PROTESTO GENÉRICO POR PRODUÇÃO DE PROVAS. É inadmissível o pleito genérico para produção posterior de provas ou perícias. Não se justifica a realização de diligências baseadas em meras alegações não respaldadas em elementos que as corroborem. Considera-se não formulada a solicitação de diligência/perícia que deixar de atender os requisitos elencados no Decreto n° 70.235/72. IRPJ E REFLEXOS (CSLL, PIS E COFINS). RECURSO. EFEITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, enquanto não apreciados.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 10920.001959/2005-57
conteudo_id_s : 5753044
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1802-000.863
nome_arquivo_s : Decisao_10920001959200557.pdf
nome_relator_s : Nelso Kichel
nome_arquivo_pdf_s : 10920001959200557_5753044.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso quanto ao ato de exclusão do Simples, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
id : 6877910
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468048244736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1796; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.001959/200557 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 1802000.863 – 2ª Turma Especial Sessão de 31 de março de 2011 Matéria IRPJ E REFLEXOS Recorrente RELEVO TOPOGRAFIA E AGRIMENSURA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Não se conhece de recurso acerca de matéria que não cabe mais discussão na esfera administrativa, em face da preclusão. PROTESTO GENÉRICO POR PRODUÇÃO DE PROVAS. É inadmissível o pleito genérico para produção posterior de provas ou perícias. Não se justifica a realização de diligências baseadas em meras alegações não respaldadas em elementos que as corroborem. Considerase não formulada a solicitação de diligência/perícia que deixar de atender os requisitos elencados no Decreto n° 70.235/72. IRPJ E REFLEXOS (CSLL, PIS E COFINS). RECURSO. EFEITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, enquanto não apreciados. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso quanto ao ato de exclusão do Simples, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 585DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Andre Almeida Blanco, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Jose de Oliveira Ferraz Correa e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 528/550 contra decisão da 2ª Turma da DRJ/Curitiba (fls. 518/523) que julgou, por unanimidade de votos, pelo não conhecimento da impugnação contra o ato de exclusão do Simples, reconhecendoo como definitivo, e, no mérito, pela manutenção parcial do lançamento, para reduzir as exigências do IRPJ, da CSLL, da Contribuição para o PIS e da Cofins, dos anoscalendário 2002 e 2003. A decisão recorrida tem a seguinte ementa (fl.518): (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003 EXCLUSÃO DO SIMPLES. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO TEMPESTIVA.. DEFINITIVIDADE DA EXCLUSÃO. Não se conhece de pedidos relacionados à exclusão do Simples, quando o contribuinte deixa de apresentar impugnação tempestiva nos autos do processo de exclusão do Simples, o que torna o ADE definitivo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OBTIDA NO LIVRO CAIXA. DEDUÇÕES. PAGAMENTOS DE SIMPLES. IRRF SOBRE RECEITA BRUTA. Correta a base de cálculo do lucro presumido, obtido com base em livro caixa fornecido pelo contribuinte, devendo, contudo, o imposto sofrer dedução das respectivas parcelas de pagamentos do Simples e do IRRF sobre a receita bruta. LUCRO PRESUMIDO. VENDAS DO ATIVO IMOBILIZADO. ACRÉSCIMO À BASE DE CÁLCULO. Fl. 586DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10920.001959/200557 Acórdão n.º 1802000.863 S1TE02 Fl. 2 3 O ganho de capital nas alienações de bens do ativo permanente será acrescido à base de cálculo do lucro presumido. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, Cofins e CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte (...) Quantos aos fatos, transcrevo a descrição constante do Relatório Fiscal, parte integrante do lançamento fiscal,(fls. 185/189), in verbis: (...) 3. INFRAÇÕES APURADAS A contribuinte foi excluída do SIMPLES pelas razões que estão expostas no item anterior, materializada no ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO n° 020, de 18 de abril de 2005, fls. 138. Em 04 de maio de 2005, a empresa foi intimada, fls. 139, a manifestar a forma de tributação a ser adotada a partir de sua exclusão, ou seja, 01 de janeiro de 2002. Em sua resposta há a afirmação de sua opção pela tributação com base nos critérios do Lucro Presumido. Foi ainda intimada também a apresentar a escrituração contábil e fiscal. Em sua resposta, fls. 140, de 10/05/2005, afirmaque: "a escrituração contábil e fiscal solicitada já estão em poder da Receita Federal”, se referindo aos livros Caixa e Livros registro de saídas já entregues a esta Fiscalização. Da análise dos livros entregues pela contribuinte, pudemos apurar as receitas auferidas pela contribuinte que servirão ao fim e ao cabo para cálculo dos Impostos e Contribuições devidos e não recolhidos pela empresa RELEVO TOPOGRAFIA E AGRIMENSURA LTDA, CNPJ: 82.838.053/000140: (...) 5. CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS CONSTITUÍDOS Esta ação fiscal, que agora se encerra, resultou na lavratura de autos de infração de IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA, PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL, CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL Fl. 587DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 SOBRE O LUCRO LIQUIDO, FLS. 141/176. O crédito tributário constituído mediante lançamento pode assim ser apresentado: TRIBUTO JUROS DE MORA MULTA TOTAL IRPJ R$ 22.774,18 R$ 9.586,70 R$ 17.080,63 R$ 49.441,51 CSLL R$ 5.799,15 R$ 2.304,96 R$ 4.349,33 R$ 12.453,44 PIS R$ 3.083,97 R$ 1.345,44 R$ 2.312,91 R$ 6.742,32 COFINS R$ 14.233,83 R$ 6.210,21 R$ 10.675,34 R$ 31.119,38 Juros de mora calculados até 31/05/2005 (...) Na primeira instância, a contribuinte, em sua impugnação, aduziu razões, cuja síntese consta do relatório da decisão recorrida (fls. 519/520), in verbis: (...) 7. Cientificada em 30/06/2005, conforme fls. 146, 155, 164 e 172, tempestivamente, em 01/08/2005, a interessada apresentou impugnação aos lançamentos, às fls. 191/210, acompanhada dos documentos de fls. 211/301, que se resume a seguir: Inexistência de vedação à opção pelo Simples antes da IN/SRF 355/2003 a. Reclama que foi excluída do Simples, sob o argumento de suposta atividade vedada, conforme informações contidas no processo administrativo n° 10920.001048/200520, com efeitos retroativos a 01/01/2002; mas que, ao tempo da exclusão, não se achava sob o regime que lhe impusesse qualquer tipo de vedação à opção pelo Simples, eis que tal situação excludente somente veio a lhe afetar a partir de 29/08/2003, por força da IN/SRF n° 355; b. Justifica que, ao tomar conhecimento das modificações que lhe impunham nova condição, tratou de efetuar a comunicação para a alteração de sua nova condição, conforme solicitação de alteração promovida em dezembro de 2003, permanecendo, portanto, apenas 4 meses (setembro a dezembro) na situação de irregularidade fiscal; c. Em vista do princípio da irretroatividade das leis, a alteração pretendida não pode ser adotada, mas tão somente a partir de 29/08/2003, ou seja, a partir da edição da IN/SRF n° 355, com efeitos somente até dezembro de 2003, período ao qual efetivamente esteve em desacordo com o normativo fiscal; d. Acrescenta que deve ser levado em conta a boafé e lisura da empresa, haja vista que o lapso de tempo decorrido entre a divulgação da IN 355/2003 e a comunicação efetuada pela própria contribuinte pode ser considerado um prazo natural até Fl. 588DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10920.001959/200557 Acórdão n.º 1802000.863 S1TE02 Fl. 3 5 que se tome conhecimento da nova situação, o que foi efetivamente praticado pela empresa em dezembro do mesmo ano; e. Conclui que os efeitos da IN 355/03 devem operar tão somente a partir de 30/08/03, devendo ser atualizados os pretendidos créditos fiscais, efetuandose, antes, a devida compensação com créditos a favor, em face de ter pago a maior diversos tributos, conforme demonstrativo em planilha anexa, o que redundará num débito fiscal de R$ 2.226,00; f. Faz citações doutrinárias acerca da irretroatividade das leis; Suspensão da exigibilidade do crédito tributário g. Cita o art. 151, III do C'TN, e entende que eventual crédito tributário encontrase extinto e/ou suspenso, não podendo subsistir na ausência desse nexo relacional que atrela o sujeito pretensor ao objeto e que consubstancia seu direito subjetivo de exigir a prestação; h. Cita o art. 179 da Constituição Federal, e observa que se enquadra dentro da previsão constitucional, sendo merecedora do tratamento diferenciado, simplificado e com até mesmo redução na carga tributária; e se enquadra em todos os requisitos legais para obtenção do tratamento diferenciado, sendo que até mesmo se supostamente realizasse a sua atividade secundária prevista no contrato social; i. Entende que o art. 9º, inciso XIII, da Lei 9.317/96 deve ser interpretado de acordo com o art. 111 do CTN, ou seja, literalmente, não comportando interpretação analógica ou extensiva; j. Argumenta que a suposta vedação que ocasionou a exclusão do Simples é fruto de interpretação analógica ou mesmo extensiva, motivo pelo qual a decisão não pode prosperar; k. (...) Direito a tratamento isonômico l. Alega que deve receber tratamento isonômico dado a demais contribuintes que se encontrem em situação equivalente,(...); que o art. 9° da lei do Simples não veda expressamente a opção ao Simples (...); que é arbitrária e ilegal a decisão administrativa pela improcedência da solicitação de revisão da exclusão do Simples, que padece de vício pela inversão do ônus da prova e falta de motivação e fundamentação; m. Conclui que a exclusão é improcedente, dado que: i) o objetivo social é diverso do declinado pelo fisco; ii) inexistência de vedação legal para optar pelo Simples; iii) preenchimento dos requisitos legais para utilizarse do Simples; iv) direito de receber tratamento isonômico com demais contribuintes; Pedidos finais Fl. 589DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 n. Ao final, pede: i) (...) ii) que seja vedada a aplicação retroativa da IN/SRF 355/03, anulação da multa de 75%, ou aplicação sobre o saldo residual após compensados os valores pagos pelo Simples; iii) reconhecimento da suspensão da exigibilidade do débito; iv) direito de compensação dos valores pagos pelo Simples e a dedução do IRRF recolhidos por terceiros; v) direito de exclusão da base de cálculo os valores de venda dos ativos imobilizados (competência 02/03, R$ 10.900,00 e competência 03/03, R$ 32.500,00). (...) Como já mencionado inicialmente, a decisão a quo, não conheceu das razões contra o ato de exclusão do Simples (matéria preclusa na esfera administrativa) e em relação ao IRPJ e reflexos, manteve, em parte, o lançamento fiscal. Irresignada com a decisão recorrida (fls. 518/523), da qual tomou ciência em 20/11/2009 (fl.527), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 08/12/2009, de fls.528/550, para discutir o ato de exclusão do Simples, repetindo, reiterando, para tanto, as mesmas razões, nessa parte, que já haviam objeto da impugnação, de 01/08/2005, de fls. 191/210. Tanto nas razões do recurso, quanto da impugnação (em relação à exclusão do Simples), a contribuinte, por fim, pediu (fls. 549/550 e 209/210), in verbis: (...) III DA CONCLUSÃO Da análise sintética do exposto concluise que a exclusão da impugnante do SIMPLES é improcedente, haja vista, os seguintes aspectos: O objetivo social principal é o diverso de declinado pelo fisco; Inexistência de vedação legal para opção pelo SIMPLES; Preenchimento dos requisitos legais para utilizarse do SIMPLES; Garantia do direito da impugnante em optar pelo SIMPLES, através das respostas da Consulta n° 172/02 e da Solução de Divergência n° 10/02; O direito de receber tratamento isonômico com os demais contribuintes que se encontram em situação equivalente e que estão dentro do SIMPLES; pela falta de lei que vede expressamente a opção da impugnante pelo SIMPLES ofensa ao princípio da legalidade; uc Rubi . Da arbitrariedade no procedimento da exclusão do SIMPLES; A tentativa de inversão do ônus da prova do órgão fazendário; Fl. 590DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10920.001959/200557 Acórdão n.º 1802000.863 S1TE02 Fl. 4 7 Falta de motivação e fundamentação dos atos administrativos; Outros motivos elencados no petitório e previstos no ordenamento jurídico. IV — DO PEDIDO Posto isto, demonstrado de plano o direito da impugnante não só Através deste petitório, corno também pelos documentos anexos, apelando sempre ao notório conhecimento jurídico deste douto julgador, requerse a IMPROCEDÊNCIA do Ato Declaratório Executivo DRF/CTA n" 438.368, de 07/08/03, bem como da decisão proferida na Solicitação de Revisão da Exclusão do simples, MANTENDO A IMPUGNANTE COMO OPTANTE PELO SIMPLES — Sistema Simplificado de Pagamento de Impostos, pelas razões da fato e de direitos declinadas outrora, com a produção de todos os meios de provas em direito admitidos, notadamente a documental, com a juntada de novos documentos no curso do processo. (...) É o relatório. Fl. 591DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço quanto ao lançamento fiscal (IRPJ e reflexos). Por outro lado, não conheço do recurso contra o ato de exclusão do Simples, pois – como será demonstrado a seguir – sobre essa matéria já se operou a preclusão na órbita administrativa nos autos de processo conexo (processo nº 10920.001048/200520). Conforme relatado, a lide versa acerca dos autos de infração do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins) dos anoscalendário 2002 e 2003 (fls. 141/176), em face da recorrente ter sido excluída do Simples com efeito jurídico a partir de 01/01/2002, pelo Ato Declaratório nº 20, de 18 de abril de 2005, por fato excludente (infração) ocorrido em 2001 (fls. 135/138). O ato de exclusão do Simples – por exercício de atividade vedada de opção no Simples (Lei nº 9.317/96, art. 9º, XIII) foi objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 10920.001048/200520 (processo conexo). A propósito, antes da prolação da decisão a quo, os autos do presente processo retornaram à unidade de origem da RFB, para que fosse informada a situação de julgamento daquele processo, sua possível anexação para julgamento conjunto e outras providências, conforme despacho de 03/02/2009 (fl.306), in verbis: (...) Trata o processo de auto de infração de IRPJ e reflexos, dos anos calendários de 2002 e 2003, efetuados com base no lucro presumido, após procedimento de exclusão do Simples, com efeito a partir de 01/01/2002. Considerando que a exclusão do Simples deuse no processo administrativo n° 10920.001048/200520, que se encontra arquivado na DRF/Joinville, e que, na presente impugnação, o contribuinte juntou cópia de manifestação de inconformidade contra o ADE, protocolada em 29/07/2005, às fls. 300/301; e levando ainda em conta que no auto de infração não foram considerados os valores recolhido de Simples, proponho o encaminhamento dos autos à DRF/Joinville, a fim de que: • informe acerca da tempestividade da manifestação de inconformidade ao ADE; e em caso afirmativo, que o processo 10920.001048/200520 seja anexado ao presente, para apreciação conjunta com o auto de infração; • confirme os valores recolhidos a título de Simples no período alcançado pela ação fiscal em tela, verificando se não foram Fl. 592DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10920.001959/200557 Acórdão n.º 1802000.863 S1TE02 Fl. 5 9 restituídos, compensados com outros débitos ou alocados em outros períodos; • caso os pagamentos encontremse disponíveis, demonstre o valor das parcelas correspondentes ao IRPJ, PIS, Cofins CSLL, contidas nos recolhimentos unificados de Simples, que poderão serão deduzidas da exigência tratada nos autos. Após as providências solicitadas, retornese (...) a esta DRJ. (...) Por fim, realizado o saneamento do processo, os presentes autos retornaram à DRJ prontos para julgamento, conforme informação fiscal de fls. 517, in verbis: (...) Atendendo solicitação contida à fl. 303 e conforme pesquisa realizada nos sistemas da RFB, temos a informar: Tendo ocorrido a ciência do Despacho Decisório SACAT n° 116, de 18 de abril de 2005, e do conseqüente Ato Declaratório Executivo n° 20, de 18 de abril de 2005, pessoalmente à contribuinte em 4 de maio de 2005 (fls. 489 a 493), o prazo legal para manifestação encerrouse em 3 de junho daquele ano. Protocolada a manifestação da inconformidade em 29 de julho de 2005 (fls. 300 e 301), tal procedimento foi INTEMPESTIVO; Os valores recolhidos de SIMPLES no período abrangido pela ação fiscal (1° de janeiro de 2001 a 31 de dezembro de 2003) encontramse relacionados às fls. 500 e 509 e transcritos nas planilhas das fls. 501, 502 e 511; Os valores de SIMPLES continuam alocados aos débitos do período em questão não tendo sido objeto de compensação ou restituição (fls. 503 a 507 e 510); As parcelas correspondentes ao IRPJ, PIS, COFINS e CSLL estão discriminadas nas planilhas das fls. 501 , 502 e 511. Restituase este processo à DRJ/Curitiba para apreciação. (...) O voto condutor da decisão recorrida, por conseguinte, em face da preclusão administrativa, não conheceu da impugnação contra o ato de exclusão do Simples (fls. 520 verso e 521): (...) 16. A empresa foi excluída do Simples, através do Ato Declaratório Executivo n° 020, de 18/04/2005, (...), por motivo de atividade vedada (art. 9°, inciso XIII da Lei 9.317/96), com efeitos a partir de 01/01/2002, e que foi recebido pelo contribuinte em 04/05/2005, conforme termo de ciência de fl. 493. A exclusão deuse nos autos do processo 10920.001048/200520, juntado por anexação ao presente, às Fl. 593DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 fls. 306/497. Conforme despacho de fl. 496, datado de 17/06/2005, o referido processo havia sido arquivado por ausência de manifestação de inconformidade. A DRF/Joinville, pelo despacho de fl. 517, informou que o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 29/07/2005, que foi considerada intempestiva. 17. Isto posto, a exclusão do Simples, por ausência de impugnação tempestiva, tornouse definitiva, o que impede esta instância julgadora de conhecer de questões atinentes a essa matéria. Quanto ao pedido de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, este, de fato, encontrase suspenso, por força do art. 151, III do CTN. A matéria atinente às compensações de valores pagos a título de Simples será apreciada no exame do mérito do lançamento, (...). 22. A litigante também pediu, com razão, a dedução dos valores pagos de Simples e o imposto de renda retido sobre sua receita bruta. Verificase, efetivamente, que a autoridade fiscal não levou em conta os recolhimentos efetuados pelo contribuinte a título de Simples, nem as retenções de IRRF sobre a receita bruta. Nesse sentido, esta DRJ/Curitiba solicitou à DRF/Joinville que demonstrasse as parcelas dos pagamentos de Simples correspondentes ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, a fim de que tais valores pudessem ser deduzidos dos valores lançados. À fl. 228 a impugnante juntou planilha contendo as retenções de IRRF, confirmadas pelas cópias de notas fiscais de sua emissão nos anos de 2002 e 2003, às fls. 245/287, que informam os valores retidos. Dessa forma, com base nas planilhas de fls. 228, 501 e 502, temse os valores corrigidos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins conforme tabelas a seguir: (...) CONCLUSÃO. 23. À vista do exposto, voto no sentido de não conhecer da impugnação contra o ato de exclusão do Simples, reconhecendo o como definitivo, e, no mérito, julgar parcialmente procedente o lançamento, para reduzir as exigências de IRPJ e multa para R$ 15.785,15 e R$ 11.838,86, respectivamente, da CSLL e multa para R$ 2.053,08 e R$ 1.539,81, respectivamente, do PIS e multa para R$ 2.555,73 e R$ 1.916,80, respectivamente, e da Cofins e multa para R$ 5.663,22 e R$ 4.247,42, além de respectivos juros de mora. (...) Como demonstrado, em relação ao ato de exclusão do Simples, há decisão definitiva, não cabendo mais discussão na órbita administrativa (matéria preclusa). Por conseguinte, não conheço do do recurso contra o ato de exclusão do Simples. No mérito, quanto ao lançamento do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins) dos anoscalendário 2002 e 2003 a recorrente não se insurgiu contra a decisão a quo, que já concedeu/atendeu, naquilo que era plausível, aos reclamos ou às reivindicações da contribuinte; porém, a recorrente, em face de sua irresignação contra o ato de exclusão do Simples, suscitou que se dê efeito suspensivo ao crédito tributário remanescente, enquanto não julgado o recurso voluntário. Fl. 594DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10920.001959/200557 Acórdão n.º 1802000.863 S1TE02 Fl. 6 11 Despiciendo tal pedido de suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto dos autos. Tal efeito é automático do recurso administrativo. Toda contestação, impugnação ou recurso, na forma da legislação de regência, no caso de lançamento fiscal, implica, automaticamente, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, enquanto não apreciado ou julgado. Nesse sentido, transcrevo o art. 151 do CTN, in verbis: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. (Grifo meu) Protesto genérico pela produção de provas: É inadmissível o pleito genérico para produção posterior de provas, documentos ou perícias. A prova documental deve ser apresentada na impugnação sob pena de preclusão, salvo comprovação de motivo de força maior (Dec.70.235/72, art. 16, § 4º). Não se justifica a realização de diligências baseadas em meras alegações não respaldadas em elementos que as corroborem. Considerase não formulada a solicitação de diligência/perícia que deixar de atender os requisitos elencados no Decreto n° 70.235/1972 (art. 16, § 1º). Portanto, rejeito o protesto genérico de produção de provas. Fl. 595DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 Por tudo que foi exposto, voto para NÃO CONHECER do recurso contra o ato de exclusão do Simples, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 596DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 07/07/2011 por NELSO KICHEL, 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.900677/2012-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/07/2006
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDOS EM CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL.
Não se conhece de matéria submetida ao Poder Judiciário. Súmula Carf nº 1.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.992
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/07/2006 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDOS EM CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. Não se conhece de matéria submetida ao Poder Judiciário. Súmula Carf nº 1. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10580.900677/2012-61
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5761166
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-002.992
nome_arquivo_s : Decisao_10580900677201261.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10580900677201261_5761166.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6902493
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468051390464
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1668; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.900677/201261 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201002.992 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de junho de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente BAHIA SERVICOS DE SAUDE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/07/2006 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDOS EM CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. Não se conhece de matéria submetida ao Poder Judiciário. Súmula Carf nº 1. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 06 77 /2 01 2- 61 Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10580.900677/201261 Acórdão n.º 3201002.992 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório BAHIA SERVIÇOS DE SAÚDE S/A transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição (Cofins/PIS). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante alegou que efetuara o pagamento em valor maior que o devido e que retificara a DCTF, tendo sido observados todos os trâmites administrativos próprios à compensação, não havendo motivo para a negativa do seu pleito. Juntou cópia da DCTF retificadora e Dacon retificador. Nos termos do Acórdão nº 14052.337, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de que, por ser a DCTF instrumento de confissão de dívida, qualquer alegação de erro no seu preenchimento devia vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas. Destacou, ainda, que apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de decisão judicial em mandado de segurança assegurando lhe o direito à não incidência da contribuição para o PIS e da Cofins sobre medicamentos, cuja tributação se dá na forma prevista na Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores. Junta cópias de decisões judiciais. Em resumo, solicita: 1. “que se determine à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores.”; 2. que seja provido o Recurso Voluntário; 3. que se declare o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00”; 4. que se cumpra a decisão e sentença judicial. É o relatório. Voto Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10580.900677/201261 Acórdão n.º 3201002.992 S3C2T1 Fl. 4 3 Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.987, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 10580.900671/201294, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.987): Juízo de Conhecimento A questão da incidência com alíquota zero ou não incidência de Pis e Cofins sobre medicamentos está submetida ao Poder Judiciário, ensejando a aplicação da Súmula Carf nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Acrescento que a recorrente não trouxe prova de estar representada na demanda judicial, impetrada por “Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimento e Serviços”. De qualquer modo, a solução da presente lide independe desse processo judicial, pois aqui não controverte quanto à incidência ou não de Pis e Cofins sobre medicamentos. A controvérsia que se instalou no presente processo é quanto à prova do pagamento indevido do Darf em foco. Ora, não há, nos autos, quaisquer elementos de prova que vinculem esse pagamento à questão discutida na Justiça. Sem esses elementos, a questão a ser tratada aqui somente se refere à possibilidade de se deferir compensação com base em DCTF e Dacon retificadora. Tal questão se tratará no mérito. Desse modo, rejeito os pedidos 1, 3, e 4, por impertinentes à presente lide. Mérito O crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Pis, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10580.900677/201261 Acórdão n.º 3201002.992 S3C2T1 Fl. 5 4 e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I2 do CPC). Ressaltese que a DCTF e a Dacon que foram apresentadas na Manifestação de Inconformidade foram retificadas depois da cientificação do Despacho Decisório. Ora, a retificação após ciência de procedimento fiscal não é abrangida pelo espontaneidade, cf. art. 138, § único3 do CTN. Não há, também, qualquer prova de que esse pretendido crédito se vincule à questão judicial discutida no Mandado de Segurança 2009.34.00.0314472, conforme já mencionado. Sem os elementos de prova do direito da recorrente, atento aos requisitos de certeza e liquidez do crédito, de acordo com art. 1704 do CTN, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído, por meio da DCTF original. Pelo exposto, voto por não conhecer da matéria de fato quanto à incidência de Pis e Cofins sobre medicamentos, e por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço da matéria de fato quanto à incidência de PIS e Cofins sobre medicamentos, e nego provimento ao recurso voluntário. 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 3 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 4 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10580.900677/201261 Acórdão n.º 3201002.992 S3C2T1 Fl. 6 5 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 407DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.001878/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos.
SAT/RAT. INEXISTÊNCIA RE-ENQUADRAMENTO DE ALÍQUOTA PELA FISCALIZAÇÃO.
Diante da inexistência de reenquadramento de alíquota do SAT/RAT pela fiscalização, deverá ser mantido o enquadramento realizado pelo contribuinte.
MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA.
Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica.
Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-005.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por acolher os embargos de declaração para rerratificar a ementa e o voto do Relator do Acórdão nº 2803-001.856, para que conste que não houve re-enquadramento da alíquota de SAT/RAT pela fiscalização, de forma que a ementa, o item II e a conclusão do voto ficarão com as seguintes redações: Ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2008 SAT/RAT. INEXISTÊNCIA RE-ENQUADRAMENTO DE ALÍQUOTA PELA FISCALIZAÇÃO. Diante da inexistência de reenquadramento de alíquota do SAT/RAT pela fiscalização, deverá ser mantido o enquadramento realizado pelo contribuinte. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte". Voto: "(...) II - Quanto à aplicação das alíquotas do Seguro de Acidente do Trabalho - SAT, conforme o art. 22, II, da Lei n. 8.212/1991, considerando que não houve desenquadramento ou reenquadramento das alíquotas no Auto de Infração, tendo sido observado o enquadramento original feito pelo contribuinte, o lançamento deve ser mantido." "V - Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso, para no mérito DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido de (a) que a multa moratória sobre os créditos constituídos com base em fatos geradores registrados em GFIP seja aplicada em conformidade com o disposto no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, combinado com o art. 61, da Lei n. 9.430/1996, desde que mais favorável ao sujeito passivo, não devendo ser realizada qualquer comparação conjunta com as sanções dos arts. 32-A e art. 35-A, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela MP n. 449/2008 ou pela Lei n. 11.941/2009. (b) que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos com base a fatos geradores não registrados em GFIP seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.212-1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art. 35-A da Lei n. 8.2121-1991 (atual redação) combinado com o art. 44, I, da Lei n. 9.430-1996, desde que mais favorável ao sujeito passivo".
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
EDITADO EM: 08/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Fábio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira (suplente convocado), Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni (suplente convocado).
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. SAT/RAT. INEXISTÊNCIA RE-ENQUADRAMENTO DE ALÍQUOTA PELA FISCALIZAÇÃO. Diante da inexistência de reenquadramento de alíquota do SAT/RAT pela fiscalização, deverá ser mantido o enquadramento realizado pelo contribuinte. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11060.001878/2009-11
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5779940
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2301-005.101
nome_arquivo_s : Decisao_11060001878200911.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ALEXANDRE EVARISTO PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 11060001878200911_5779940.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por acolher os embargos de declaração para rerratificar a ementa e o voto do Relator do Acórdão nº 2803-001.856, para que conste que não houve re-enquadramento da alíquota de SAT/RAT pela fiscalização, de forma que a ementa, o item II e a conclusão do voto ficarão com as seguintes redações: Ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2008 SAT/RAT. INEXISTÊNCIA RE-ENQUADRAMENTO DE ALÍQUOTA PELA FISCALIZAÇÃO. Diante da inexistência de reenquadramento de alíquota do SAT/RAT pela fiscalização, deverá ser mantido o enquadramento realizado pelo contribuinte. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte". Voto: "(...) II - Quanto à aplicação das alíquotas do Seguro de Acidente do Trabalho - SAT, conforme o art. 22, II, da Lei n. 8.212/1991, considerando que não houve desenquadramento ou reenquadramento das alíquotas no Auto de Infração, tendo sido observado o enquadramento original feito pelo contribuinte, o lançamento deve ser mantido." "V - Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso, para no mérito DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido de (a) que a multa moratória sobre os créditos constituídos com base em fatos geradores registrados em GFIP seja aplicada em conformidade com o disposto no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, combinado com o art. 61, da Lei n. 9.430/1996, desde que mais favorável ao sujeito passivo, não devendo ser realizada qualquer comparação conjunta com as sanções dos arts. 32-A e art. 35-A, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela MP n. 449/2008 ou pela Lei n. 11.941/2009. (b) que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos com base a fatos geradores não registrados em GFIP seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.212-1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art. 35-A da Lei n. 8.2121-1991 (atual redação) combinado com o art. 44, I, da Lei n. 9.430-1996, desde que mais favorável ao sujeito passivo". (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator EDITADO EM: 08/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Fábio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira (suplente convocado), Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
id : 6960139
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468058730496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2041; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11060.001878/200911 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2301005.101 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de agosto de 2017 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Embargante Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria(RS) Interessado EMPRESA JORNALISTICA DE GRANDI LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. SAT/RAT. INEXISTÊNCIA REENQUADRAMENTO DE ALÍQUOTA PELA FISCALIZAÇÃO. Diante da inexistência de reenquadramento de alíquota do SAT/RAT pela fiscalização, deverá ser mantido o enquadramento realizado pelo contribuinte. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por acolher os embargos de declaração para rerratificar a ementa e o voto do Relator do Acórdão nº 2803 001.856, para que conste que não houve reenquadramento da alíquota de SAT/RAT pela fiscalização, de forma que a ementa, o item II e a conclusão do voto ficarão com as seguintes redações: Ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2008 SAT/RAT. INEXISTÊNCIA REENQUADRAMENTO DE ALÍQUOTA PELA FISCALIZAÇÃO. Diante da inexistência de reenquadramento de alíquota do SAT/RAT pela fiscalização, deverá ser mantido o enquadramento realizado pelo contribuinte. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 18 78 /2 00 9- 11 Fl. 243DF CARF MF 2 Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte". Voto: "(...) II Quanto à aplicação das alíquotas do Seguro de Acidente do Trabalho SAT, conforme o art. 22, II, da Lei n. 8.212/1991, considerando que não houve desenquadramento ou reenquadramento das alíquotas no Auto de Infração, tendo sido observado o enquadramento original feito pelo contribuinte, o lançamento deve ser mantido." "V Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido de (a) que a multa moratória sobre os créditos constituídos com base em fatos geradores registrados em GFIP seja aplicada em conformidade com o disposto no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, combinado com o art. 61, da Lei n. 9.430/1996, desde que mais favorável ao sujeito passivo, não devendo ser realizada qualquer comparação conjunta com as sanções dos arts. 32A e art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela MP n. 449/2008 ou pela Lei n. 11.941/2009. (b) que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos com base a fatos geradores não registrados em GFIP seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art. 35A da Lei n. 8.21211991 (atual redação) combinado com o art. 44, I, da Lei n. 9.4301996, desde que mais favorável ao sujeito passivo". (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator EDITADO EM: 08/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Fábio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira (suplente convocado), Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni (suplente convocado). Relatório Tratamse de Embargos de Declaração da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria(RS) opostos contra o Acórdão nº 2803001.856 (fls. 212 a 221), proferido em 16/10/2012, pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2º Seção de Julgamento, que deu provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2008 SAT/RAT. REENQUADRAMENTO DE ALÍQUOTA PELA FISCALIZAÇÃO. ATIVIDADE PREPONDERANTE PELO NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO FÁTICA. O reenquadramento de alíquota do SAT/RAT realizada pela fiscalização deve ser motivada com demonstração fática da Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11060.001878/200911 Acórdão n.º 2301005.101 S2C3T1 Fl. 3 3 atividade preponderante dos estabelecimentos na correspondência do número dos seus funcionários em cada atividade. A ausência de análise in loco é causa de nulidade por vício material. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte". A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria(RS)apresentou os presentes Embargos de Declaração (fls. 234 a 235) sustentando a conformidade do lançamento com a legislação de regência, o lançamento deve ser mantido integralmente, de forma que o acórdão merece reparo, uma vez que apesar de ter sido considerada como nula a alteração de alíquotas do SAT/RAT, a mesma não seria objeto do lançamento, mas sim apenas diferenças de folha de pagamentos e recolhimentos de contribuições, conforme pode ser observado abaixo: O voto do conselheiro Gustavo Vettorato (voto vencedor) considera ter havido no procedimento de lançamento o reenquadramento da atividade preponderante da empresa e a consequente alteração do grau de risco e alíquota da contribuição SAT/RAT, sem a necessária demonstração dos fatos que a motivaram. Diante do exposto, a turma decretou a parcial nulidade do crédito lançado a esse título, mantendo a contribuição em sua alíquota mínima, de 1%. A decisão , nesse particular, como a seguir será demonstrado, é estranha ao procedimento de lançamento, e, como tal, não deve repercutir no crédito tributário. No caso, a turma se pronunciou sobre situação diversa da qual devia se manifestar, de forma a justificar, pelos fatos omitidos, a interposição do presente Embargos de Declaração, nos termos do art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256/2009. A questão do prazo para interposição já foi apreciada no despacho da folha 229, e, por este instrumento, atendida a questão formal reclamada na folha 232. O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e feita mensalmente. É o que dispõe o §5º do art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3048/99. Na sua parte final, o dispositivo regulamentar esclarece que cabe à Receita Federal do Brasil rever o autoenquadramento a qualquer tempo. Acontece que a fiscalização não desenquadrou e/ou reenquadrou a empresa quanto a sua atividade preponderante, razão pela qual nada nesse sentido foi noticiado no Relatório Fiscal, isto é, a atividade da empresa considerada para fins de grau de risco é aquela por ela informada mensalmente em GFIP. A alíquota aplicada é decorrência natural do autoenquadramento na atividade. Fl. 245DF CARF MF 4 O anexo V do RPS previa alíquota de 2% para as empresas enquadradas no código CNAE 22.217 – impressão de jornais revistas e livros. Com a edição do Decreto nº 6.042, de 12/02/2007 – DOU 12/02/2007, que alterou o Anexo V do regulamento da previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, a atividade de impressão de jornais, revistas e livros, foi classificada no mínimo, de 1%. A reivindicada “justiça” na alíquota do SAT/RAT, a considerar o desempenho da empresa no risco da atividade exercida, aferido pelo fator Acidentário de Prevenção – FAP, que no entender da recorrente justificaria a redução, passou a vigorar a partir de 01/2010, seja para redução ou acréscimo na alíquota SAT. Assim, considerando o período do crédito previdenciário, não há de se considerar o FAP. Nas competências de 01/2005 a 05/2007 foi aplicado o percentual de 2% e no período seguinte 1%, de acordo com a alíquota prevista para a atividade do auto enquadramento. Isso posto, verificada, no tocante à contribuição do SAT/RAT, a conformidade do lançamento com a legislação de regência, o lançamento deve ser mantido integralmente, de forma que o acórdão merece reparo. Em 23/12/2014, o relator do Acórdão embargado emitiu "Informação em Embargos" no qual assinala que "na análise do acórdão proferido verificamos que há parcial razão na oposição dos embargos e em seus fundamentos". É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Os embargos de declaração são tempestivos e, por cumprir com as demais formalidades legais, deles conheço. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, o cabimento dos embargos de declaração está disciplinado em seu art. 65, nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Conforme pode ser depreendido do próprio auto de infração (fls. 8 a 11), verificase que o próprio contribuinte declarou o seu enquadramento pela alíquota de 2% até o período de maio de 2007, sendo que a partir de junho de 2007, passa a se enquadrar na alíquota de 1% em virtude da edição do Decreto nº 6.042/07. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 11060.001878/200911 Acórdão n.º 2301005.101 S2C3T1 Fl. 4 5 Dessa forma, não houve desenquadramento ou reenquadramento da alíquota do SAT/RAT pela fiscalização. Ocorre que o Acórdão embargado foi decidido com base na premissa de que a fiscalização tinha desenquadrado ou reenquadrado a alíquota do SAT, conforme pode ser observado abaixo: Em adição de tais argumentos, da mesma forma que está ratificado pelo PARECER PGFN/CRJ/Nº 2120/2011 (ATO DECLARATÓRIO Nº 11 /2011), observando a necessidade de uma fiscalização em loco exigida ao caso, verificase uma afronta ao que dispõe os artigos 142 e 147 do CTN, bem como dos artigos 33, §§ 3º e 6º, da Lei n. 8.212/1991, que exigem a demonstração pela fiscalização dos fatos precisos que motivaram o desenquadramento da situação anterior do SAT/RAT, bem como afeta diretamente a constituição da norma de incidência tributária na formação de sua alíquota (elemento quantitativo), sob pena de nulidade por vício material. Por esse motivo, os créditos lançados com base às contribuições ao SAT, devem ser julgadas improcedentes, restando as demais alegações prejudicadas quanto a esses aspectos. Tal decisão acabou sendo induzida pelas alegações da Recorrente tanto na Impugnação (fls. 141 a 142), quanto no Recurso Voluntário (fls. 197 a 198), visto que em ambas as petições o Recorrente apresentou o seguinte trecho Ocorre que a atividade preponderante desenvolvida pela empresa não é caracterizada como grau alto e sim, o grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho é leve devendo incidir a alíquota de 1%, forte no artigo 22, II, 'a' da Lei 8112/91. Não pode a fiscalização ao seu livre arbítrio atribuir o grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sendo totalmente ilegal a cobrança da contribuição ao SAT no percentual de 2%, devendo ser reduzida para 1% (grau leve). (...) Ocorre que, passados mais de 5 anos após a sua promulgação, a possibilidade de redução ainda não foi implementada por inoperância da Previdência Social. Atualmente, a sua aplicação foi novamente adiada para setembro de 2009 (Decreto n° 6.577, de 25 de setembro de 20 082), prejudicando mais uma vez os bons empregadores. Logo, estando ciente de que não é merecedora da alíquota máxima, resta agora à Embargante, em processo judicial, demonstrar o seu direito a recolher o percentual menor a título de SAT. Assim, em que pese haja tal argumentação pelo Recorrente, tratase de matéria não constante no auto de infração, de forma que fica comprovada contradição no Acórdão, de modo que o Acórdão merece ser reformado. Fl. 247DF CARF MF 6 Com base no exposto, voto por acolher os embargos de declaração para rerratificar a ementa e o voto do Relator do Acórdão nº 2803001.856, para que conste que não houve reenquadramento da alíquota de SAT/RAT pela fiscalização, de forma que a ementa, o item II e a conclusão do voto ficarão com as seguintes redações: Ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2008 SAT/RAT. INEXISTÊNCIA REENQUADRAMENTO DE ALÍQUOTA PELA FISCALIZAÇÃO. Diante da inexistência de reenquadramento de alíquota do SAT/RAT pela fiscalização, deverá ser mantido o enquadramento realizado pelo contribuinte. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte". Voto: "(...) II Quanto à aplicação das alíquotas do Seguro de Acidente do Trabalho SAT, conforme o art. 22, II, da Lei n. 8.212/1991, considerando que não houve desenquadramento ou reenquadramento das alíquotas no Auto de Infração, tendo sido observado o enquadramento original feito pelo contribuinte, o lançamento deve ser mantido." "V Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido de (a) que a multa moratória sobre os créditos constituídos com base em fatos geradores registrados em GFIP seja aplicada em conformidade com o disposto no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, combinado com o art. 61, da Lei n. 9.430/1996, desde que mais favorável ao sujeito passivo, não devendo ser realizada qualquer comparação conjunta com as sanções dos arts. 32A e art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela MP n. 449/2008 ou pela Lei n. 11.941/2009. (b) que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos com base a fatos geradores não registrados em GFIP seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art. 35A da Lei n. 8.21211991 (atual redação) combinado com o art. 44, I, da Lei n. 9.4301996, desde que mais favorável ao sujeito passivo". É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 248DF CARF MF Processo nº 11060.001878/200911 Acórdão n.º 2301005.101 S2C3T1 Fl. 5 7 Fl. 249DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.979300/2009-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE PERÍCIA.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10880.979300/2009-55
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5758693
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1201-001.722
nome_arquivo_s : Decisao_10880979300200955.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
nome_arquivo_pdf_s : 10880979300200955_5758693.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
dt_sessao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
id : 6898640
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468113256448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1623; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.979300/200955 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1201001.722 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2017 Matéria Compensação Recorrente TRANSPORTADORA GATÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 93 00 /2 00 9- 55 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.979300/200955 Acórdão n.º 1201001.722 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de pedido de compensação de crédito tributário com determinado débito de responsabilidade do próprio contribuinte. A DCOMP, após análise eletrônica, gerou a emissão de Despacho Decisório que não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de inexistência de crédito. Segundo o despacho, o pagamento indicado pelo contribuinte não possuiria saldo disponível para compensação, uma vez que já foi integralmente utilizado para quitação de outro débito tributário apurado pelo contribuinte. Inconformada com a exigência, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito é sim legítimo, pois decorrente de pagamento de tributo indevido. Tramitado o feito, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o entendimento de que a contribuinte não teria comprovado o seu direito creditório. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário. Reitera os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e pede perícia para verificar o crédito. É o relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.692, de 17.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.691176/200907, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.692): De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar outros débitos de sua responsabilidade. Também por esse mesmo motivo, e adotada a premissa de que a Recorrente não comprovou o direito líquido e certo do direito creditório, a decisão de primeiro grau não homologou a compensação. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.979300/200955 Acórdão n.º 1201001.722 S1C2T1 Fl. 4 3 Por ocasião do recurso voluntário, a Recorrente não apresenta nenhum esclarecimento ou prova complementar ou adicional, requerendo que seja feita perícia a fim de comprovar a origem do crédito alegado. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de prova pericial deve ser determinada pela autoridade julgadora quando imprescindível à solução da lide. Tratase de medida que busca esclarecer eventuais dúvidas dos julgadores, que possuem a faculdade, e não a obrigatoriedade, de se valerem ou não de tal expediente. Nessa situação particular, a solução da presente demanda não requer uma perícia em sentido técnico, limitando se a análise ou não do direito creditório na forma pela qual o processo está instruído. Isso porque as autoridades julgadoras devem apreciar as provas conforme produzidas no processo. E no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, como se sabe, a produção de provas documentais deve ser feita na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. Nesse sentido, entendo que o pedido de perícia requerido pela interessada não merece ser acolhido. A interessada, na verdade, ao requerer uma perícia, busca, de forma indevida, livrarse de seu ônus de prova o direito creditório alegado. Com efeito, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme prescreve o artigo 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Resta patente, portanto, que a Recorrente já deveria ter trazido aos autos os documentos comprobatórios do pretenso crédito Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10880.979300/200955 Acórdão n.º 1201001.722 S1C2T1 Fl. 5 4 tributário, não podendo valerse de um pedido de perícia para afastar este ônus. Ademais, convém assinalar que alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, cópia de pedido de restituição, relatório de auditoria independente ou qualquer outra documentação pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. Pelo contrário, as alegações e documentos trazidos aos autos não são capazes de provar o direito creditório que o contribuinte busca ser reconhecido. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o que se verifica dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). Nesse sentido, e em face do que foi exposto, CONHEÇO do Recurso para NEGARLHE provimento. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10880.979300/200955 Acórdão n.º 1201001.722 S1C2T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.005016/2007-87
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2004 VALORES RETIDOS. AUSÊNCIA DE VALORES RECOLHIDOS. Comprovado nos autos que o contribuinte informou a retenção de tributos em DIRF, consoante exigido na norma tributária, mas não procedeu ao repasse dos valores aos cofres da União, correto o procedimento fiscal de exigir tais valores ex officio, pela lavratura de Auto de Infração. NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não constitui cerceamento de defesa o indeferimento motivado do pedido de juntada de provas pela turma julgadora a quo, quando incongruente com o ilícito tributário apurado. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A turma julgadora é livre para forma sua convicção quanto à necessidade ou não da realização de provas para dirimir o litígio administrativo fiscal, podendo indeferir o pedido formulado pelo contribuinte (art. 18, caput, PAF)
Numero da decisão: 1801-000.699
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201109
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2004 VALORES RETIDOS. AUSÊNCIA DE VALORES RECOLHIDOS. Comprovado nos autos que o contribuinte informou a retenção de tributos em DIRF, consoante exigido na norma tributária, mas não procedeu ao repasse dos valores aos cofres da União, correto o procedimento fiscal de exigir tais valores ex officio, pela lavratura de Auto de Infração. NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não constitui cerceamento de defesa o indeferimento motivado do pedido de juntada de provas pela turma julgadora a quo, quando incongruente com o ilícito tributário apurado. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A turma julgadora é livre para forma sua convicção quanto à necessidade ou não da realização de provas para dirimir o litígio administrativo fiscal, podendo indeferir o pedido formulado pelo contribuinte (art. 18, caput, PAF)
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 10945.005016/2007-87
conteudo_id_s : 5785104
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1801-000.699
nome_arquivo_s : Decisao_10945005016200787.pdf
nome_relator_s : Ana de Barros Fernandes
nome_arquivo_pdf_s : 10945005016200787_5785104.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
dt_sessao_tdt : Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
id : 6973197
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468128985088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1789; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 164 1 163 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.005016/200787 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180100.699 – 1ª Turma Especial Sessão de 30 de setembro de 2011 Matéria CSLL Valores retidos e não recolhidos Recorrente MASSA INSOLVENTE DA IRMANDADE SANTA CASA MONSENHOR GUILHERME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 VALORES RETIDOS. AUSÊNCIA DE VALORES RECOLHIDOS. Comprovado nos autos que o contribuinte informou a retenção de tributos em DIRF, consoante exigido na norma tributária, mas não procedeu ao repasse dos valores aos cofres da União, correto o procedimento fiscal de exigir tais valores ex officio, pela lavratura de Auto de Infração. NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não constitui cerceamento de defesa o indeferimento motivado do pedido de juntada de provas pela turma julgadora a quo, quando incongruente com o ilícito tributário apurado. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A turma julgadora é livre para forma sua convicção quanto à necessidade ou não da realização de provas para dirimir o litígio administrativo fiscal, podendo indeferir o pedido formulado pelo contribuinte (art. 18, caput, PAF) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Fl. 167DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 0618.344/08 exarado pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba/PR, fls. 139 e ss, que manteve o lançamento tributário, consubstanciado no Auto de Infração lavrado para a exigência fiscal de CSLL relativas ao ano calendário de 2004, cujos valores foram retidos de terceiros, mas não recolhidos, perfazendo o total de R$ 59.012,67, incluídos os juros e a multa de ofício qualificada, pela apropriação indevida dos valores – fls. 115 e ss. Aproveito trechos do relatório do aresto vergastado para historiar os fatos: “O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 109/114: Falta de recolhimento da CSLL: no período de 02/2004 a 12/2004. Enquadramento legal no art. 841, incisos I, III e IV do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/99; arts. 30, 32, 36 e 93, inciso II da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003; art. 5o, art. 17, inciso II, "c" da Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004. Multa de 150%; 4. Cientificada em 21/09/2007, conforme AR de fl.126, tempestivamente, em 04/10/2007, a interessada apresentou impugnação aos lançamentos, às fls. 129/135, através de seu representante legal, procuração à fl. 137, que se resume a seguir: a. Afirma que, no período em que se iniciou o procedimento de fiscalização, a entidade foi submetida a intervenção judicial, momento em que não era possível identificar pessoa responsável pelo atendimento das intimações; b. Explica que, em 19/05/2006, foi declarada a insolvência da entidade, por meio de sentença judicial e, desde então a instituição está impossibilitada de apresentar quaisquer documentos contábeis, já que estes se encontram num depósito da entidade e, sem um contador responsável para a realização da diligência, não há possibilidade de localizálos; c. Frisa que, durante o procedimento fiscal, o contribuinte se manifestou demonstrando a impossibilidade de acesso aos documentos que perdura até hoje, por motivos alheios à sua vontade, tendo em vista que foi realizada a arrecadação dos documentos contábeis pelo juízo, porém, eles não foram descriminados, de modo que é praticamente impossível a localização sem a realização de uma auditoria por um contador responsável, autorizado pelo juízo do processo judicial; d. Justifica que, apesar de o administrador da massa insolvente estar em fase final de negociação com escritório contábil para a realização de tal trabalho, ainda não foi possível o acesso ao acervo da entidade, estando impossibilitado de atender às intimações e fazer prova do pagamento do tributo cobrado por meio deste auto de infração; e. Entende que, pelo fato de a apuração do valor cobrado ter sido feito por amostragem, em homenagem ao princípio da busca da verdade material, o auto de Fl. 168DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10945.005016/200787 Acórdão n.º 180100.699 S1TE01 Fl. 165 3 infração deverá ser desconsiderado, para que seja feita apuração do real débito tributário, caso ele exista, após a análise dos documentos contábeis da empresa; f. Aponta os princípios do procedimento tributário: ampla defesa, ampla instrução probatória, audiência do interessado, dever de investigação da Administração Pública, formalismo moderado, simplicidade, busca da verdade material, dentre outros, para que seja concedido a oportunidade de defesa sem formalismos exacerbados, de modo a ser verificada a verdade material dos fatos; Cita o art. 16 do decreto n° 70.235/72, que excepciona a apresentação da prova na impugnação, pela demonstração da impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; h. Cita doutrina e jurisprudência do Conselho de Contribuintes; i. Ao final, pede seja dada a oportunidade para apresentação de prova documental e aberto novo prazo para impugnação de eventual auto de infração que venha a ser lavrado, bem como seja julgado improcedente o presente auto de infração, nos termos do art. 16 do decreto n° 70.235/72. Requer ainda a concessão do prazo de dez dias para a juntada do original do instrumento de procuração. 5. Acompanha o presente o processo de Representação Fiscal n° 10945.005625/200736. [...] 7. Trata o processo de autos de infração de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, referentes ao ano calendário de 2004, decorrente de auditoria do programa DIRF x DARF.” Após breve histórico do procedimento fiscal (intimações, solicitações de prorrogações de fatos, termos judiciais etc), o aresto assim justificou o indeferimento de apresentação de provas após o prazo de impugnação: “A cronologia dos fatos indica que inexistiu força maior a impedir a apresentação de eventuais provas documentais tendentes a afastar o lançamento ora impugnado. Considerando o período compreendido entre 14/08/2006, data da ciência da primeira intimação após definido o administrador da entidade, e 21/11/2006, prazo final concedido pelo auditor fiscal, foi concedido ao contribuinte um prazo de cem dias para apresentar documentos e livros fiscais obrigatórios. Além disso, após o prazo final dado pelo autuante, o contribuinte insistiu com novo pedido de prorrogação por mais 60 dias, sendo que, entre a data deste pedido (22/11/2006) e o recebimento do auto de infração (21/09/2007), a interessada ainda dispôs de um período de dez meses para atender à solicitação. Dessa forma, não é razoável que, na impugnação, seja pedido mais tempo para apresentar provas, que deveriam ter sido encaminhada durante o procedimento de fiscalização, em que o contribuinte dispôs de 404 (quatrocentos e quatro) dias para providenciar. E ademais, não se pode aceitar a ausência de contador como justificativa da falta de atendimento do solicitado pela fiscalização, uma vez que é inadmissível que uma empresa demande tanto tempo para a contratação desse profissional. Nesse sentido, à fl. 51, consta Mandado de Intimação, exarado pelo Juízo de Direito da Comarca de Foz do Iguaçu, em que a Juíza de Direito determina à Irmandade Santa Casa Monsenhor Guilherme, na pessoa de seu representante legal, que indique o nome do contador encarregado da escrituração dos livros obrigatórios e deposite em cartório esses livros, no prazo de 24 horas, para que sejam entregues ao administrador Fl. 169DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 judicial. À fl. 52, consta declaração do Oficial de Justiça, dando conta de que não pôde cumprir o mandado, pelo fato de o representante legal da entidade não mais residir em Foz do Iguaçu. Ora, se a Juíza da causa, que acompanha diretamente os fatos, julga suficiente o prazo de um dia para o contribuinte arrumar um contador e apresentar os livros contábeis, é evidente que a justificativa de força maior é totalmente protelatória, e por isso mesmo deve ser rejeitado o pleito de juntada de novas provas. A respeito da argumentação de a autuação foi realizada com base em amostragem e sem verificação da contabilidade da empresa, esclareceu a turma julgadora: Responsabilidade da fonte pagadora “22. Antes de examinar a exatidão da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, convém ressaltar os fundamentos da responsabilidade da fonte pagadora com relação a essa contribuição. Essa responsabilidade foi introduzida pelo art. 30 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, que instituiu a retenção na fonte da CSLL, PIS e Cofins sobre os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de uma série de serviços relacionadas naquele dispositivo, abaixo transcrito: [cita atos normativos que regulamentam a norma] Cumprindo o acima disposto, a impugnante, efetivamente, em relação ao ano calendário de 2004, informou retenção da CSLL na DIRF, em relação a uma série de pessoas jurídicas ligadas à área de saúde, conforme fls. 68/85, ramo este que se encontra abrangido pela definição de "serviços profissionais" de que trata o art. 647, §1° do RIR/99, e que se inserem dentro dos serviços sujeitos a retenção na fonte da CSLL, conforme previsão do art. 30 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003. Há que se destacar ainda que os dados que serviram de lastro para o lançamento foram informados pelo próprio contribuinte, em documento oficial e obrigatório, condição esta que autoriza a presunção de veracidade das informações. Caberia ao contribuinte alegar e comprovar eventual descompasso com a realidade, o que não foi sequer aventado. A responsabilidade pela retenção da CSLL, nos moldes descritos na lei acima citada, é reconhecida administrativamente, conforme solução de consulta proferida pela Superintendência da 9a Região Fiscal: [...] 29. Dessa forma, resta incólume a condição de responsável pela contribuição social sobre o lucro líquido incidente sobre a prestação de serviços mencionados no art. 30 da Lei n° 10.8333/2003, devendo a CSLL ser exigida da impugnante. Base de cálculo A autoridade fiscal partiu das informações constantes nas DIRFs do ano calendário de 2004, às fls. 68/85, confrontados com os registros de pagamentos obtidos no banco de dados da SRF, às fls. 86/102. Às fls. 103/104, consta tabela de valores declarados nas DIRF do ano calendário 2004, por período mensal, sob o código 5952 (retenção de Cofins, CSLL, e PIS/Pasep sobre pagamento efetuado por pessoa jurídica de direito privado), e por beneficiário, pessoa jurídica. Os pagamentos foram consolidados por período, conforme tabelas de fls. 105/106. E a partir dessas tabelas, foram montadas as Fl. 170DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10945.005016/200787 Acórdão n.º 180100.699 S1TE01 Fl. 166 5 planilhas de fls. 107/108, que demonstram as diferenças entre valores declarados de retenção na fonte de PIS, Cofins e CSLL e respectivos pagamentos, por período.” A base de cálculo do imposto foi composta pelas diferenças positivas entre o valor declarado na DIRF e o respectivo recolhimento no período. Assim, não prospera a alegação da impugnante, que afirma que o lançamento foi realizado com base em amostragem. Na realidade, a CSLL foi apurada, em cada período, a partir de valores que o próprio contribuinte declarou em suas DIRFs, como sendo por ele retidas do beneficiário. Na condição de documento oficial e obrigatório, presumemse verdadeiros os dados nele constantes, cabendo à própria fonte pagadora a prova de eventual discrepância com a realidade, o que não foi feito.” (grifos não pertencem ao original) No que concerne à manutenção da multa qualificada: 34. Apesar de inexistir impugnação específica da multa aplicada, impõese o seu exame. A autoridade fiscal aplicou a multa qualificada de 150%, justificando que o contribuinte reteve a contribuição para recolher aos cofres públicos, mas não o fez, apoderandose de valores que não lhe pertencia. A previsão legal da multa qualificada de 150% encontrase no art. 44, II da Lei n° 9.430, de 1996, e Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, a seguir transcritos: [...] Os fatos explanados caracterizam a figura da sonegação. Pelas tabelas consolidadas de fls. 118/121, verificase que a soma de todos os valores retidos, objeto do presente processo, corresponde a R$ 93.358,69, dos quais R$ 227,28 foram recolhidos, o que representa somente irrisórios 0,24%. Isso significa que a entidade se apropriou indevidamente de praticamente toda a CSLL por ela retida, fato este que não pode ser creditado a simples erro contábil, ou esquecimento. Essa circunstância demonstra o elemento dolo, no sentido de ter a consciência e querer a conduta de sonegação descrita no art. 71 da Lei n° 4.502/64.” (grifos não pertencem ao original) Pelos fundamentos expostos o retro mencionado aresto manteve integralmente o lançamento tributário realizado para que a “massa insolvente da Irmandade” proceda aos valores efetivamente retidos a título de CSLL, incidente sobre pagamentos efetuados a terceiros, e não repassados aos cofres públicos. Tempestivamente, a massa insolvente da Irmandade Santa Casa Monsenhor Guilherme interpôs o Recurso de fls. 157 e ss argumentando, preliminarmente, que continua aguardando autorização do juízo pertinente para a arrecadação dos bens da massa e nomeação de um contador (dispor dos bens que foram remetidos a depósito por ordem judicial, inclusive os documentos de contabilidades) – processo de insolvência nº 229/06. Argumenta veemente que a não apresentação de documentação e impossibilidade de se defender da autuação imposta decorre de motivo alheio à sua vontade, sendo incabível o indeferimento do pedido de juntada de documentos posteriormente à impugnação, reprisando os termos da defesa exordial. Fl. 171DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Caso não seja anulado o acórdão prolatado, requer a realização de diligência em observância ao princípio da verdade material. Requer, por fim, a intimação pela imprensa oficial dos atos de julgamento seja feita de forma exclusiva na pessoa dos procuradores da massa insolvente. É o relatório. Passo à análise das razões recursais. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. I) Da preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento de defesa. Cumpre esclarecer à recorrente, reiterando o explicitado no aresto vergastado, que a autuação presente não está fundamentada nos registros contábeis da massa insolvente, sendo, portanto, desnecessária a apresentação de livros contábeis ou fiscais. A fiscalização, em vista da impossibilidade da apresentação dos livros e documentos fiscais, restringiu o procedimento de auditoria a verificar os valores informados em DIRF pela própria “Irmandade” (como fonte pagadora) e confrontálos com os pagamentos efetivamente efetuados, tudo pertinente ao anocalendário de 2004. Daí que a juntada de livros fiscais ou documentos que fundamentaram a escrituração não são hábeis para desconstituir a autuação fiscal. Somente o pagamento de tais valores, espontaneamente informados como devidamente retidos de terceiros, teria o condão de ilidir a tributação ora discutida. Por outro lado, impraticável, para a Fazenda Nacional, a providência solicitada pela recorrente de ficar estanque o processo até que a ordem de arrecadação dos bens da massa insolvente seja proferida em favor do administrador desta, se até a data de hoje nenhuma resposta foi obtida – já se passaram praticamente quatro anos completos da ciência do Auto de Infração. Aliás, a recorrente não junta à defesa ou ao recurso qualquer certidão de objeto de pé para comprovar o que alega, ou seja, que até esta data o representante responsável pela “Irmandade” ainda não fora encontrado, que a arrecadação dos bens não foi realizada, que o contador não pode ser nomeado, enfim, a impossibilidade ou acesso aos documentos contábeis da empresa. Mas, considerando ser possível que tais documentos e livros contábeis sequer sejam encontrados, dadas as circunstâncias delicadas que envolveram a intervenção judicial na “Irmandade”, como esclarece a própria advogada na petição judicial de fls. 65, 66 e 67, preocupada inclusive com o sumiço do acervo de documentos, repito, a apresentação ou não desta contabilidade não modificaria o fato oponível à autuada nesta fiscalização: a falta do repasse aos cofres da União dos valores que reteve, como responsável tributário, dos valores pagos a terceiros e informados em DIRF (grifei) Fl. 172DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10945.005016/200787 Acórdão n.º 180100.699 S1TE01 Fl. 167 7 Apenas para acrescer ao voto, esta conduta em direito penal tributário, em tese, constitui crime de mera conduta, consoante artigo 2º, inciso II, da Lei nº 8.137/90, tal sua gravidade (razão pela qual foi formulada a Representação Fiscal para Fins Penais): Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) [...] II deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos; Por conseguinte, o indeferimento da posterior juntada de provas não constitui cerceamento de defesa, pois desconexo o pedido formulado com o ilícito tributário constatado pela fiscalização. Ademais, não existe qualquer previsão legal no direito processual tributário para sobrestar o julgamento do processo administrativo fiscal em face de fato superveniente, que sequer sabese se acontecerá. Nem há possibilidade, atualmente, de suspender a exigibilidade do crédito tributário ora exigido, em vista das hipóteses taxativas enunciadas no artigo 151 do Código Tributário Nacional, após o julgamento do processo estar findo na esfera administrativa, exceto se a recorrente obter liminar (ou antecipação de tutela) em seu favor. A despeito dos contribuintes terem o direito processual potestativo de solicitar perícias ou realização de diligências, estas podem, diante das circunstâncias de cada caso, serem consideradas desnecessárias para formar a convicção do julgador, sem que isto signifique ofensa ou prejudique a sua defesa. O § único, inciso II, do art. 420 do CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF), assim dispõe: Parágrafo único. 0 juiz indeferirá a perícia quando: I aprova do fato não depender do conhecimento especial de técnico; II for desnecessária em vista de outras provas produzidas. (grifos não pertencem ao original) E sobre o indeferimento do pedido de provas o artigo 18, caput, do PAF reza: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993). Fl. 173DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 (grifos não pertencem ao original) Destarte, a decisão de primeira instância não padece de qualquer vício que possa lhe imputar a nulidade aventada, sobretudo por cerceamento de defesa. Afasto a nulidade suscitada pela recorrente, e, em sequência, indefiro o pedido de realização de diligência formulado pela recorrente, por desnecessária em vista dos documentos que consta dos autos – DIRF entregues pela “Irmandade” à época de seu funcionamento e relatório dos pagamentos efetuados pela mesma (sistema Sinal – DARF). No que respeita ao requerimento de que as intimações processuais sejam realizadas exclusivamente ou conjuntamente nas pessoas dos procuradores da recorrente (ou do administrador da massa insolvente), não há previsão legal no Decreto nº 70.235/72 – PAF para este procedimento, nem no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (Portaria MF nº 256/09), pelo que deve ser indeferido. No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto, em preliminar, em afastar a nulidade suscitada pela recorrente, em indeferir o pedido de realização de diligências, e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos deste voto. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 174DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10620.000647/2005-19
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 31/03/2000, 30/06/2000, 30/09/2000
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo havido apuração e pagamento antecipado, ainda que parcial do imposto sem prévio exame da autoridade administrativa, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue no prazo de 5 (cinco) anos a contar da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do disposto no parágrafo 4o. do artigo 150 do Código Tributário Nacional.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Data do fato gerador: 30/09/2000
REQUISITOSDA IMPUGNAÇÃO
A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento e deve explicitar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada.
Numero da decisão: 1801-000.399
Decisão: ACORDAM, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a decadência dos lançamentos de IRPJ relativos aos 1 o. e 2 o. trimestres de 2000 e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exigência em relação ao 3 o. trimestre de 2000, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarou-se impedida de votar a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro arbitrado
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201011
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2000, 30/06/2000, 30/09/2000 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo havido apuração e pagamento antecipado, ainda que parcial do imposto sem prévio exame da autoridade administrativa, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue no prazo de 5 (cinco) anos a contar da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do disposto no parágrafo 4o. do artigo 150 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2000 REQUISITOSDA IMPUGNAÇÃO A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento e deve explicitar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 10620.000647/2005-19
conteudo_id_s : 5776537
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1801-000.399
nome_arquivo_s : Decisao_10620000647200519.pdf
nome_relator_s : Maria de Lourdes Ramirez
nome_arquivo_pdf_s : 10620000647200519_5776537.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a decadência dos lançamentos de IRPJ relativos aos 1 o. e 2 o. trimestres de 2000 e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exigência em relação ao 3 o. trimestre de 2000, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarou-se impedida de votar a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva
dt_sessao_tdt : Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
id : 6941612
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468136325120
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-17T16:21:07Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2015993_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2010-11-17T16:21:07Z; Last-Modified: 2010-11-17T16:21:07Z; dcterms:modified: 2010-11-17T16:21:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2015993_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:70d973cc-64d3-4582-8b07-4c2b4bb6ae17; Last-Save-Date: 2010-11-17T16:21:07Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2010-11-17T16:21:07Z; meta:save-date: 2010-11-17T16:21:07Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2015993_0.doc; modified: 2010-11-17T16:21:07Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2010-11-17T16:21:07Z; created: 2010-11-17T16:21:07Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2010-11-17T16:21:07Z; pdf:charsPerPage: 2026; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2010-11-17T16:21:07Z | Conteúdo => S1-TE01 Fl. 231 1 230 S1-TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10620.000647/2005-19 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801-00.399 – 1ª Turma Especial Sessão de 10 de novembro de 2010 Matéria AI - IRPJ Recorrente INONIBRAS INOCULANTES E FERRO LIGAS NIPO BRASILEIRO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2000, 30/06/2000, 30/09/2000 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo havido apuração e pagamento antecipado, ainda que parcial do imposto sem prévio exame da autoridade administrativa, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue no prazo de 5 (cinco) anos a contar da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do disposto no parágrafo 4 o . do artigo 150 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2000 REQUISITOS DA IMPUGNAÇÃO A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento e deve explicitar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a decadência dos lançamentos de IRPJ relativos aos 1 o . e 2 o . trimestres de 2000 e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exigência em relação ao 3 o . trimestre de 2000, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarou-se impedida de votar a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva. Fl. 247DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 2 (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Editado em 10/11/2010. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, André Ricardo Lemes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata-se de auto de infração à legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, que exige da empresa acima qualificada o crédito tributário no valor total de R$ 140.673,85, aí incluídos o principal, a multa de ofício e os juros demora devidos até a data da lavratura. Da folha de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do auto de infração (fls. 04 a 11), na qual foram relatadas as irregularidades apuradas nos anos-calendário, são extraídos os seguintes trechos: ... Foi constatado que a 1NONIBRÁS, ao apurar o valor do IRPJ referente ao 1°, 2o. e 3o. trimestres do ano-calendário de 2000, relativamente à redução do IRPJ e adicionais não restituíveis de que trata o art. 14 da Lei n°4.239/63, utilizou o fator de 50% no cálculo da redução do referido tributo [..], contrariando a alteração efetuada pela Lei 9.532 de 1997, que, em seu artigo 3°, parag. 2°, inciso I, determinou que este favor passaria de 50% [..] para 37,5% [..], a partir de 1° de janeiro de 1998 até 31 de dezembro de 2003. [..] foi publicado pela DRF/Montes Claros [...] o Ato Declaratório 0054/2000 [..] reconhecendo ao contribuinte o direito à redução de 50% de 1RPJ e Adicionais não restituíveis [..] contrariamente ao disposto na Lei 9532 de 1997[...]. [...] a DRF/Curvelo emitiu o Ato Declaratório Executivo 007 de 31 de dezembro de 2001 [..], anulando o Ato 0054/2000 e reconhecendo que a INONIBRÁS faz jus à redução de 37,5% [...]. Cientificada do conteúdo do mencionado Ato Declaratório Executivo (ADE), em 7 de dezembro de 2001, e, inconformada, peticionou junto à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, sem sucesso. Não tendo sido paga a diferença devida em face da adoção errônea de percentual de redução, lavrou-se o presente Auto de Infração, do qual a interessada tomou conhecimento em 21 de setembro de 2005 , como atesta o A.R à fl. 82. Fl. 248DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10620.000647/2005-19 Acórdão n.º 1801-00.399 S1-TE01 Fl. 232 3 Também apresentou, em 5/10/2005, a impugnação de fls. 87/88, limitando-se a afirmar que o imposto cobrado no presente auto de infração estaria totalmente quitado via declaração de compensação – PERDCOM – cuja cópia foi juntada às fls. 100 a 105. A DRJ em Belo Horizonte converteu o julgamento em diligência para que fosse confirmada a autenticidade do PERDCOMP de fls. 100 a 105, bem como fosse informada a origem dos débitos nela declarados, ou seja, se haviam sido ou não incluídos em DCTF e se corresponderiam aos valores integrantes do auto de infração. Em resposta, aquela Repartição informou (fl. 154) - a [..] Dcomp de fls. 100/105 foi transmitida e se encontra nas bases de nossos sistemas de controle [..]; - os valores relativos aos tributos do mesmo período de apuração declarados em DCTF diferem dos valores informados na citada Dcomp. As compensações em análise não foram mencionadas em DCTF, fls. 13 a 15; - a referida compensação não foi homologada conforme cópia do Despacho Decisório do processo n° 13683.000271/2005-98, fls. 135 a 141, e Acórdão n° 02-13.339 da DRJ/BHE, 142/153. Cientificada do resultado desta diligência, a interessada apresentou a peça de fls. 157 a 165, na qual alegou, em resumo, a ocorrência de cobrança em duplicidade de IRPJ, aduzindo que ... tais valores já foram objeto de outra autuação, contra a qual foi apresentada impugnação tempestiva e fundamentada, e, recurso contra a primeira decisão, como confirmam os documentos em anexo, processo 13.683.000.271/2005-98 [...] ... Trata-se, pois de novo processo, cobrando-se, novamente, valores relativos processo tributário-administrativo ainda não julgado. ... A fim de não deixar qualquer margem a dúvida, a Impugnante, Recorrente, manifesta-se, nesta oportunidade, dentro do prazo concedido, reiterando, em todos os termos o recurso anterior, inconformada com a decisão proferida também no r. despacho, requerendo a sua apreciação pelo Colegiado [....] Seguem-se argumentos alusivos ao instituto da compensação. À fl. 196, encontra-se cópia de requerimento da interessada, o qual faz menção a recurso a ser encaminhado ao Conselho de Contribuintes, em razão de seu inconformismo com Acórdão prolatado no processo 13683.000271/2005-98. Apreciando o litígio a 4 a . Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG julgou o lançamento procedente ao argumento de que, limitando-se a contribuinte a afirmar, na impugnação contra a exigência, que o débito exigido nestes autos encontrava-se quitado por via Fl. 249DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 4 de compensação, teria conformado-se com o lançamento em toda linha. Entretanto, o referido débito não fora declarado em DCTF, tampouco fora compensado via Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação em data anterior à formalização da presente exigência. Assim, uma vez que a DCOMP de fl. 100 a 105 não foi homologada por inexistência do direito creditório reivindicado, manteve a exigência. Intimada da Acórdão da DRJ em Belo Horizonte/MG em 22/08/2008 (fls. 210, verso e 211), apresentou a interessada o Recurso Voluntário de fls. 212 a 228, em 29/08/2008. Nas razões de defesa a recorrente alega, uma vez mais, que o presente lançamento exige crédito tributário em duplicidade, posto que já objeto de outro procedimento e que o débito aqui exigido teria sido objeto de quitação, via declaração de compensação que, apesar de não homologada, ainda não se encontraria definitivamente julgada. Os demais argumentos referem-se, exclusivamente, ao seu inconformismo contra a não homologação das compensações veiculadas em DCOMP. Ao final requer: ... o total acolhimento e provimento do presente Recurso Especial, para que seja reconsiderado e anulado o acórdão, bem como o despacho denegatório relativo ao processo em questão 10620.000647/2005-19 e, via de conseqüência, seja acolhido o requerimento de retificação do pedido de homologação de compensação de créditos, objeto deste processo. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE. Cumpre reconhecer, preliminarmente, a decadência dos lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos nos 1 o . e 2 o . trimestres de 2000. O prazo decadencial para lançamento de tributos a favor da Fazenda Nacional encontra-se previsto no artigo 173 do Código Tributário Nacional. Assim, como regra geral, o prazo estabelecido pelo mencionado artigo é de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como exceção a essa regra o Código Tributário Nacional dispôs, no artigo 150, parágrafo 4 o ., prazo decadencial distinto para os tributos sujeitos ao chamado lançamento por homologação, determinando que este será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Fl. 250DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10620.000647/2005-19 Acórdão n.º 1801-00.399 S1-TE01 Fl. 233 5 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. No entendimento da recorrente o IRPJ é tributo sujeito ao lançamento por homologação, devendo ser observada a regra de contagem de prazo decadencial estabelecida pelo art. 150, parágrafo 4 o . do CTN, a partir do fato gerador, que em sua opinião, ocorre mensalmente, à medida em que os rendimentos vão sendo auferidos. Assim, tendo-se em conta que a ciência do lançamento relativo ao IRPJ ocorreu em 30/05/2005, estariam decaídos os fatos geradores ocorridos de janeiro de 1999 a abril de 2000. A autoridade lançadora e a autoridade julgadora de 1ª Instância entendem que o IRPJ seria, de fato, tributo sujeito a lançamento por homologação, nos termos do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN, mas a homologação recairia sobre a atividade praticada pelo sujeito passivo, consistente essa na apuração, no sentido literal do termo (levantamento de balanços, demonstrações financeiras, etc.) e pagamento antecipado do IRPJ calculado com base na apuração efetuada. Assim, no presente caso, como não teria havido apuração e pagamento de imposto sobre as receitas omitidas, não haveria atividade praticada pelo sujeito passivo a ser homologada pela autoridade fiscal. Esta relatora comunga do entendimento de que o IRPJ, dentre outros tributos, está sujeito ao lançamento por homologação, nos termos do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN. Entendo, também, que não basta que a legislação tenha atribuído ao sujeito passivo o dever de apurar e pagar o tributo competente, antes de qualquer procedimento de verificação pelo Fisco; é necessário que o sujeito passivo tenha, de fato, efetuado apuração e pagamento de tributo. Não se pode perder de vista que a regra de contagem de prazo decadencial para constituição de créditos tributários é dirigida justamente à autoridade administrativa fiscal, impondo-lhe limites temporais para exercer seu dever de ofício, no sentido de desestimular a inércia na prática dessa atividade. É por essa razão que a Lei prevê determinadas regras. Fl. 251DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 6 Nesse contexto, a atividade de homologação da Fazenda Pública deve incidir sobre o pagamento efetuado, não sendo possível a incidência da norma nos casos em que o sujeito passivo não apura IRPJ devido e nos casos em que apesar de apurar IRPJ devido, não efetua qualquer pagamento correspondente. Nesse sentido, o pagamento, enquanto modalidade de extinção de crédito tributário configura-se imprescindível para a antecipação da contagem do prazo decadencial do lançamento, nos moldes previstos no art. 150, §4º do CTN. Assim, ao efetuar a apuração e pagamento, ainda que parcial do tributo, o sujeito passivo já fornece as informações necessárias para que a administração tributária exerça o seu dever de ofício e proceda a homologação da atividade praticada pelo sujeito passivo ou, ao contrário, caso não a homologue, promova a competente constituição do crédito tributário que deixou de ser apurado e recolhido pelo sujeito passivo. Dada a grande divergência doutrinária e jurisprudencial acerca do tema, esclareço que a interpretação aqui adotada encontra respaldo em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Cito, a título de exemplo, a ementa do Recurso Especial nº 695.045 - RS (2004/0145619-0), julgado em 16 de fevereiro de 2006, no acórdão de relatado pelo Exmo. Ministro Teori Albino Zavascki, de seguinte teor: “TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º). PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual ‘o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, ‘ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa’ e ‘opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa’ —, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes da 1ª Seção: ERESP 101.407/SP, Min. Ari Pargendler, DJ de 08.05.2000; ERESP 279.473/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 11.10.2004; ERESP 278.727/DF, Min. Franciulli Netto, DJ de 28.10.2003. Fl. 252DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10620.000647/2005-19 Acórdão n.º 1801-00.399 S1-TE01 Fl. 234 7 3. Tratando-se de tributo sujeito a lançamento por homologação, mas ausente a antecipação do pagamento, ainda que parcial, há de se aplicar a norma prevista no art. 173, I, do CTN, contando-se o prazo qüinqüenal a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador (1989). Portanto, a contagem do prazo teve início em 01.01.1991 e, em junho/96, já havia decaído o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário. 4. Recurso especial a que se nega provimento.” No mesmo sentido, registre-se ainda os recentes julgados da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça: Processo AgRg nos EREsp 1061128 / SC AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO RECURSO ESPECIAL 2008/0221524-2 Relator(a) Ministro FRANCISCO FALCÃO (1116) Órgão Julgador S1 - PRIMEIRA SEÇÃO Data do Julgamento 13/05/2009 Data da Publicação/Fonte DJe 25/05/2009 Ementa TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. DECADÊNCIA. PRAZO. REGRA GERAL. CTN, ART. 173, I. I - A jurisprudência desta Corte está orientada no entendimento de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação cujo pagamento não foi antecipado pelo contribuinte, deve ser aplicado o prazo qüinqüenal estabelecido no art. 173, I, do CTN. Precedentes: REsp nº 439.133/SC, Rel. Minª DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 22/09/2008; AgRg no Ag nº 973.807/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, DJe de 03/11/2008; REsp nº 757.922/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, DJ de 11/10/2007; RESP nº 811.243/CE, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, DJ de 02/05/2006. II - Agravo regimental improvido. Processo EREsp 413265 / SC EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO RECURSO ESPECIAL 2004/0160983-7 Relator(a) Ministra DENISE ARRUDA (1126) Órgão Julgador S1 - PRIMEIRA SEÇÃO Data do Julgamento 11/10/2006 Data da Publicação/Fonte DJ 30/10/2006 p. 229 Ementa TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. EXTINÇÃO DO PROCESSO DE EXECUÇÃO. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECLARADO E NÃO-PAGO. CORRETA APLICAÇÃO DO Fl. 253DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 8 ART. 173, I, DO CTN. PRECEDENTES. RECURSO DESPROVIDO. 1. Esta Corte tem-se pronunciado no sentido de que o prazo decadencial para constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: (a) em regra, segue-se o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos contados ‘do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’; (b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos contados do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. 2. No caso dos autos, não houve antecipação do pagamento pela contribuinte, razão pela qual se aplica a orientação no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação cujo pagamento não foi antecipado pelo devedor, incide a regra do art. 173, I, do CTN. 3. Desse modo, conforme bem salientado no acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, mantido pelo aresto embargado, ‘declarado o débito e não pago, em dezembro/91, o Fisco tinha cinco anos, contados a partir de 1º.01.92 para constituir o crédito; não o fazendo, configurada está a decadência’. 4. Embargos de divergência desprovidos. Assim, na ausência dos pagamentos mensais dos tributos devidos, na sistemática do SIMPLES, no ano-calendário de 2003, a contagem deve ser feita conforme a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. In casu, relativamente aos fatos geradores ocorridos de janeiro a novembro de 2003, como o lançamento já poderia ter sido efetuado no próprio ano-calendário de 2003, o primeiro dia do exercício seguinte seria 01/01/2004, tendo por termo final o dia 31/12/2008, estando regularmente formalizado o lançamento cientificado ao contribuinte em 05/11/2008. “TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º). PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual ‘o direito de a Fazenda Pública consti tuir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’. Fl. 254DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10620.000647/2005-19 Acórdão n.º 1801-00.399 S1-TE01 Fl. 235 9 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, ‘ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa’ e ‘opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa’ —, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador , conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes da 1ª Seção: ERESP 101.407/SP, Min. Ari Pargendler, DJ de 08.05.2000; ERESP 279.473/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 11.10.2004; ERESP 278.727/DF, Min. Franciulli Netto, DJ de 28.10.2003. 3. Tratando-se de tributo sujeito a lançamento por homologação, mas ausente a antecipação do pagamento, ainda que parcial, há de se aplicar a norma prevista no art. 173, I, do CTN, contando-se o prazo qüinqüenal a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador (1989). Portanto, a contagem do prazo teve início em 01.01.1991 e, em junho/96, já havia decaído o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário. 4. Recurso especial a que se nega provimento” E, ainda, o Recurso Especial nº 973.733 - SC (2007/0176994-0), com efeitos de Recurso Repetitivo, julgado em 12 de agosto de 2009, no acórdão de relatado pelo Exmo. Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Fl. 255DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 10 julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No presente caso a recorrente optou pela apuração de seus resultados e pagamento do IRPJ devido com base nas regras do lucro real trimestral. Assim, os fatos geradores do IRPJ, com base nessa regra, ocorrem trimestralmente. Verifica-se, pela cópia da DIPJ, acostada às fls. 40 a 65, que nos 1 o ., 2 o . e 3 o . trimestres de 2000 foi apurado saldo de IRPJ a pagar. Às fls. 13 a 15 encontram-se cópias das DCTFs dos 1 o ., 2 o . e 3 o . trimestres de 2000 nas quais foram declarados os valores do IRPJ devido em cada um dos trimestres mencionados e as quitações a eles vinculadas. Portanto, diante da existência de apuração e do pagamento (DCTF), ainda que parcial do IRPJ, a regra de contagem de prazo decadencial a ser aplicada é aquela prevista Fl. 256DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10620.000647/2005-19 Acórdão n.º 1801-00.399 S1-TE01 Fl. 236 11 no artigo 150, §4º do CTN, ou seja, cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador. Dado que a ciência dos lançamentos se deu em 21/09/2005, os fatos geradores ocorridos em 31/03/2000, 30/06/2000, foram alcançados pela decadência, permanecendo, integro, apenas o lançamento relativo ao fato gerador ocorrido em 30/09/2000. MÉRITO. Tendo em conta o teor das alegações de defesa apresentadas no Recurso Voluntário, unicamente voltadas em protesto contra a não homologação das compensações veiculadas no processo no. 13683.000271/2005-98, cumpre esclarecer, inicialmente, que o presente processo não trata de declaração de compensação, e sim de constituição de crédito tributário por meio de auto de infração, razão pela qual não há como acolher alegações a respeito de matéria alheia, discutida em sede de outro processo administrativo. Cumpre ressaltar, inclusive, que como afirmou a própria recorrente, já houve interposição de recurso voluntário nos autos do processo no. 13683.000271/2005-98, julgado pela 4 a . Câmara do então Conselho de Contribuintes, pelo Acórdão no. 02-18.519, que também negou provimento ao recurso da contribuinte, ou seja, também indeferiu o pleito e não homologou a compensação. Assim, s.m.j., a matéria somente poderá ser discutida novamente naqueles autos em sede de Recurso Especial, se cabível. Entretanto, tudo o quanto posto até este momento se fez a título de esclarecimento pois, como consignado, o presente processo não trata de declaração de compensação e sim de auto de infração para exigência de IRPJ pago a menor em decorrência de utilização de percentual de redução de IRPJ e adicionais superior ao permitido pela legislação de regência. Nesse contexto a recorrente aduziu, na instância “a quo”, que o crédito tributário exigido nestes autos já teria sido objeto de pagamento, via compensação veiculada no processo no. 13683.000271/2005-98. Examinando a cópia da DCOMP de fls. 100/105, acostada a estes autos e objeto da não homologação no processo no. 13683.000271/2005-98, verificou a autoridade julgadora da DRJ que o débito de IRPJ relativo ao 3 o . trimestre de 2000, nela declarado não corresponde àquele exigido nos presentes autos. Com efeito, compulsando as cópias da DIPJ (fls. 40/65), DCTF (fls. 13/15) e DCOMP (fls. 100/105) anexadas neste processo verifica-se que a contribuinte declarou os seguintes valores: Débito de IRPJ – 3 o . Trimestre/2000: Declarado DCTF Declarado DIPJ Declarado DCOMP 42.607,68 42.607,68 21.443,50 (Vinculação Compensação Pgto Indevido ou a Maior) 42.607,68 O auto de infração, a seu turno, exige o crédito tributário de IRPJ, relativo ao 3 o . trimestre de 2000, no valor de R$ 18.232,49, valor este que não guarda qualquer relação com os valores acima indicados. Fl. 257DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 12 Assim, diante da ausência total de argumentos de defesa contra a exigência, já que, repita-se, limitou-se a recorrente a argumentações contra a não homologação da compensação veiculada no processo no. 13683.000271/2005-98, cuja cópia encontra-se às fls. 100/105, considera-se não impugnada a matéria não expressamente contestada, razão pela qual o lançamento deve ser mantido. Por todo o exposto voto no sentido de declarar a decadência dos lançamentos de IRPJ relativos aos 1 o . e 2 o . trimestres de 2000 e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exigência em relação ao 3 o . trimestre de 2000. Sala de Sessões, 10 de novembro de 2010. (assinado digitalmente) ________________________ Maria de Lourdes Ramirez Relatora Fl. 258DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000134/2007-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2001 a 31/07/2005
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91.
Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias.
AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO PROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO.
Impõe-se a manutenção da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em autuação fiscal por descumprimento da obrigação tributária principal correspondente, declarada, no mérito, procedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 2401-004.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial para que a multa seja recalculada nos termos da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 14/09. Vencidos o relator e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para que a multa fosse recalculada nos termos da Lei 8.212/91, art. 32-A. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente e Redatora Designada.
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2001 a 31/07/2005 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO PROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõe-se a manutenção da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em autuação fiscal por descumprimento da obrigação tributária principal correspondente, declarada, no mérito, procedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 12045.000134/2007-78
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5751030
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2401-004.949
nome_arquivo_s : Decisao_12045000134200778.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RAYD SANTANA FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 12045000134200778_5751030.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial para que a multa seja recalculada nos termos da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 14/09. Vencidos o relator e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para que a multa fosse recalculada nos termos da Lei 8.212/91, art. 32-A. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente e Redatora Designada. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
id : 6877726
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468143665152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1411; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 331 1 330 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12045.000134/200778 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.949 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de julho de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente GOIASA GOIATUBA ÁLCOOL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2001 a 31/07/2005 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO PROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõese a manutenção da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em autuação fiscal por descumprimento da obrigação tributária principal correspondente, declarada, no mérito, procedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 01 34 /2 00 7- 78 Fl. 332DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, por voto de qualidade, darlhe provimento parcial para que a multa seja recalculada nos termos da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 14/09. Vencidos o relator e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para que a multa fosse recalculada nos termos da Lei 8.212/91, art. 32A. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente e Redatora Designada. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 12045.000134/200778 Acórdão n.º 2401004.949 S2C4T1 Fl. 332 3 Relatório GOIASA GOIATUBA ÁLCOOL LTDA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da DecisãoNotificação (DN) n° 08.401.4/0020/2007 da antiga Delegacia de Goiânia, às efls. 161/165, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente a constatação de que a autuada apresentou GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, relativas às competências 11/2001 a 07/2005, com informações incorretas ou omissas, quais sejam, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme Auto de Infração, à efl.03, e demais documentos que instruem o processo. Inconformada com a Decisão recorrida a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 172/203, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, sustenta ser indevida a inclusão do ICMS e do IPI na base de cálculo da contribuição previdenciária, tratando de evidente excesso de tributação. Explica que no caso em questão o ICMS e o IPI não devem ser incluídos na receita bruta da contribuinte, posto que necessária a sua contabilização em conta específica, por integrarem receita própria do fisco. Argumenta não ser possível incluir o ICMS como receita, posto que seu recolhimento dáse por substituição tributária. Esclarece quanto ao IPI ser o valor destacado na nota fiscal, tendo em vista ter o vendedor a obrigação de transferir o valor arrecadado. Insurgese quanto a multa imputada por ser exacerbada. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração Principal e consectários legais decorrentes, tornandoos sem efeitos. Não houve apresentação de contrarrazões. Após, regular processamento do feito, em 22 de novembro de 2007, foi proposta resolução pela Nobre Conselheira Relatora Dra. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, acatada pela unanimidade do Colegiado, às efls 237/241, in verbis: Fl. 334DF CARF MF 4 Em resposta a diligência encimada, a autoridade administrativa elaborou uma manifestação fiscal às efls. 252/253, informando o seguinte: [...] 4. Com base no DAD – Discriminativo Analítico de Débito, constante às fl. 7/16 do processo nº 12045.000128/200711, constatase que a NFLD conexa ao Auto de Infração acima é a NFLD nº 35.844.5752, que tem base de cálculo idêntica à dos fatos geradores usados para lavratura do AIOA (vide Mapa de Valores Não Declarados em GFIP – AI Nº 35.844.5779 , fls. 10 do presente processo). 5.O AIOA e a NFLD sob análise tem como matéria a exclusão da parcela relativa ao IPI e ICMS por substituição tributária da base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a receita bruta da comercialização da produção rural devida pela agroindústria. 6.Às fls. 1131/1142 do processo nº 12045.000128/200711 (NFLD nº 35.844.5752) consta o Acórdão 20600.852, do Conselho de Contribuintes, de 09/05/2008, que teve como resultado “Recurso Voluntário Negado”. 7.Às fls. 1207/1210 do processo nº 12045.000128/200711 (NFLD nº 35.844.5752) consta o Despacho 029/2009, do CARF, de 26/03/2009, que negou seguimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. 8.Às fls. 1340 do processo nº 12045.000128/200711 (NFLD nº 35.844.5752) consta o Despacho 2400003/2011, do CARF, de 18/11/2011, que decidiu “REJEITAR o pedido formulado” no Agravo interposto contra a decisão que negou seguimento ao Recurso Especial. 9.Não consta no processo nº 12045.000128/200711 (NFLD nº 35.844.5752) a ciência pelo sujeito passivo do Despacho 2400 003/2011, do CARF, de 18/11/2011, que rejeitou o pedido formulado no Agravo. Tal ciência definiria o término do contencioso administrativo fiscal e o “trânsito em julgado” administrativo, o que remeteria ao prosseguimento da cobrança do AIOA sob análise. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 12045.000134/200778 Acórdão n.º 2401004.949 S2C4T1 Fl. 333 5 10.Porém, verificase que as NFLDs acima descritas encontram se na situação “Suspenso por Ação Judicial/Dep. Integral” do Sistema de Cobrança – Sicob. 11.A propositura de ação judicial implica renúncia ao contencioso administrativo no tocante à matéria levada à apreciação do Poder Judiciário, conforme ampla jurisprudência. Essa propositura caracterizou, portanto, o “trânsito em julgado” administrativo da NFLD conexa ao AIOA. 12.Às fls. 1353/1356 do processo nº 12045.000128/200711 (NFLD nº 35.844.5752) consta decisão judicial da Ação Cautelar nº 10336.88.2011.4.01.3500 que determina a “suspensão da exigibilidade dos créditos abrangidos pelo depósito”. 13.Assim, é necessário que a Equipe Subjudice deste Secat esclareça se o AIOA nº 35.844.5779 está com sua exigibilidade suspensa pela decisão judicial citada. 14.Caso não esteja suspenso o débito, o presente processo deverá ser remetido para a ARF Itumbiara para prosseguimento da cobrança. Em complemento a informação fiscal acima transcrita, em 04 de fevereiro de 2016, foi proferido despacho de fl. 255 nos seguintes termos: Em resposta ao questionamento efetuado às fls. 252 a 253, informo que a NFLD n°35.844.5779 não está com a exigibilidade suspensa em decorrência de ação cautelar n°10336.88.2011.4.01.3500, apenas a NFLD n°35.844.5752 está com exigibilidade suspensa em decorrência de depósito judicial do montante integral. Não há depósito judicial para o AIOA n°35.844.5779. Portanto, embora sejam conexos o AIOA n°35.844.5779 e a NFLD n°35.844.5752, devese prosseguir na cobrança do AIOA n°35.844.5779 porquanto não há qualquer previsão acerca da decisão judicial quanto à NFLD n°35.844.5752. Ante o exposto, encaminhase o processo à ARF de Itumbiara para prosseguimento da cobrança do AIOA n°35.844.577 9 e demais providências a seu cargo. A contribuinte em 22 de setembro de 2016 solicitou a juntada de petição contendo as seguintes explanações: Primeiramente faz um breve relato das fases processuais, bem como do despacho informativo sobre a não suspensão da exigibilidade do presente crédito, motivo pelo qual, em 18/02/2016, foi expedida carta cobrança para que a requerente. efetuasse o recolhimento dos débitos ora exigidos, no valor de R$ 151.258,39, sob pena de “adoção das medidas legais cabíveis, sendo uma delas a inclusão do devedor no CADIN (Cadastro de Inadimplentes)” (fls. 258), sendo certo que, em 13/06/2016, a multa exigida no presente feito foi inscrita na dívida ativa da União. Afirmar que, ao contrário do entendimento constante no despacho de fls. 255, o débito relativo ao auto de infração nº 35.844.5779 vinculado ao presente feito não poderia Fl. 336DF CARF MF 6 ter sido inscrito na dívida ativa da União. Isto porque, ainda que tenha havido o encerramento da discussão administrativa travada com relação à NFLD conexa ao presente feito (35.844.575 2), tal fato, por si só, não poderia acarretar no prosseguimento da cobrança do presente auto de infração, motivo pelo qual foi impetrado mandado de segurança pela contribuinte objetivando o cancelamento da inscrição do débito na dívida ativa e, conseqüentemente, o retorno do presente feito para julgamento perante o CARF. Esclarece já ter demonstrado em seu recurso voluntário a inaplicabilidade da multa que lhe foi imposta, a sua desproporcionalidade e ausência de razoabilidade, além de seu evidente intuito confiscatório, impende ressaltar, ainda, que a cobrança da referida multa não é mais admitida no ordenamento jurídico. Aduz existir uma alteração legislativa através da revogação do dispositivo legal que amparava a multa exigida, o que acarretou em substancial redução no valor do tipo de multa que foi aplicada à Reqte., quando então, por força do princípio da retroatividade benigna, que colhe os casos que ainda estão em julgamento, como é o caso vertente, a multa aplicada no percentual de 100% do valor das contribuições tidas como omitidas deve, quando menos, ser reduzida aos novos patamares previstos na legislação na continuidade do julgamento do Recurso Voluntário apresentado. Isto demonstra que, independentemente de terem sido mantidas as exigências das contribuições previdenciárias postas no auto de infração da NFLD conexa 35.844.5752, na remota hipótese de manutenção da penalidade que foi aplicada à Reqte. é certo que o seu valor deverá ser reduzido por este Eg. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força da retroatividade benigna agasalhada expressamente no artigo 106, II do CTN, colacionando jurisprudência da Câmara Superior a respeito do tema. Por fim reitera o pedido de improcedência do lançamento, e, caso não seja acolhido, requer a redução da multa em razão da revogação do §5° do artigo 32 da Lei 8.212/91 pelo artigo 79 da Lei n° 11.941/09 e, conseqüentemente, a aplicação do 32A ao presente feito. Após retorno ao Egrégio Conselho, os autos foram sorteados para minha relatoria e conseguinte inclusão em pauta. É o relatório. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 12045.000134/200778 Acórdão n.º 2401004.949 S2C4T1 Fl. 334 7 Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Em suas razões de recurso, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, sustentando ser indevida a inclusão do ICMS e do IPI na base de cálculo da contribuição previdenciária, tratando de evidente excesso de tributação. Explica que no caso em questão o ICMS e o IPI não devem ser incluídos na receita bruta da contribuinte, posto que necessária a sua contabilização em conta específica, por integrarem receita própria do fisco. Argumenta não ser possível incluir o ICMS como receita, posto que seu recolhimento dáse por substituição tributária. Esclarece quanto ao IPI ser o o valor destacado na nota fiscal, tendo em vista ter o vendedor a obrigação de transferir o valor arrecadado. Insurgese quanto a multa imputada por ser exacerbada. Não obstante o esforço da contribuinte, mais uma vez, seu insurgimento não é capaz de macular a exigência fiscal em comento. Da análise dos autos, concluise que a autoridade lançadora e, bem assim, o julgador recorrido, agiram da melhor forma, com estrita observância da legislação de regência, senão vejamos. Inicialmente devese frisar que, não obstante tratarse de autuação face a inobservância de obrigações acessórias, os argumentos da recorrente estão ligados basicamente à procedência da exigência fiscal consubstanciada na NFLD nº 35.844.5752 – Processo n° 12045.000128/200711 (Auto de Obrigação Principal), onde o Fisco promoveu os lançamentos tendo como matéria a exclusão da parcela relativa ao IPI e ICMS por substituição tributária da base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a receita bruta da comercialização da produção rural devida pela agroindústria. Registrese, que em nenhum momento a contribuinte alega não ter incorrido na falta imputada, se limitando a questionar o mérito da autuação fiscal correlata acima mencionada, apenas mencionando ser exacerbada a referida multa. Em verdade, a contribuinte faz confusão ao tratar da questão, trazendo à colação argumentos relativos à constituição de créditos previdenciários decorrentes do descumprimento de obrigações principais. Consoante se positiva do artigo 113 do Código Tributário Nacional, as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, obrigação principal e obrigação Fl. 338DF CARF MF 8 acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Por outro lado, a obrigação acessória, relacionase às prestações positivas ou negativas, constantes da legislação tributária de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento a contribuinte deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas contribuições previdenciárias, situação que se amolda ao caso sub examine. Com efeito, restou explicitado pela autoridade lançadora, que a lavratura do presente auto de infração se deu em virtude da contribuinte ter deixado de informar em GFIP’s a integralidade dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, contrariando o disposto no artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, ensejando a aplicação da penalidade calculada com arrimo no artigo 284, inciso II, do RPS. Ocorre que, a antiga 6° Câmara do Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes achou por bem negar provimento ao recurso voluntário interposto nos autos do processo n° 12045.000128/200711 (NFLD nº 35.844.5752), mantendo em sua integralidade o crédito tributário da Obrigação Principal, o fazendo sob o manto dos fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 30/07/2005 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INSS. AGROINDUSTRIA. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO IPI E ICMS POR SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. 1. A contribuição previdenciária da agroindústria tem como base de cálculo a receita bruta proveniente da comercialização da produção, nos termos do artigo 22A, da Lei n. 8.212/91. 2. Não há determinação legal para excluir a parcela relativa ao IPI e ICMS por substituição tributária da base de cálculo do INSS, para efeito da apuração da receita bruta da comercialização da produção rural devida pela agroindústria. Recurso Voluntário Negado. Dessa forma, no julgamento do presente Auto de Infração impõese à observância à decisão levada a efeito na autuação retromencionada, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, uma vez que os fatos geradores pretensamente não informados em GFIP foram caracterizados/lançados naquele lançamento principal. Na esteira desse entendimento, no mérito, uma vez mantida a exigência fiscal incidente da contribuição previdenciária sobre a receita bruta da comercialização da produção rural devida pela agroindústria, não há que se falar na improcedência da autuação sob análise, na forma que pretende fazer crer a recorrente, impondo seja mantida a exigência na forma lançada. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 12045.000134/200778 Acórdão n.º 2401004.949 S2C4T1 Fl. 335 9 DO CÁLCULO DA MULTA – LEI Nº 11.941/2009 RETROATIVIDADE A contribuinte na sua manifestação acerca da diligência, aduz existir uma alteração legislativa através da revogação do dispositivo legal que amparava a multa exigida, o que acarretou em substancial redução no valor do tipo de multa que foi aplicada à Reqte., quando então, por força do princípio da retroatividade benigna, que colhe os casos que ainda estão em julgamento, como é o caso vertente, a multa aplicada no percentual de 100% do valor das contribuições tidas como omitidas deve, quando menos, ser reduzida aos novos patamares previstos na legislação na continuidade do julgamento do Recurso Voluntário apresentado. Isto demonstra que, independentemente de terem sido mantidas as exigências das contribuições previdenciárias postas no auto de infração da NFLD conexa 35.844.5752, na remota hipótese de manutenção da penalidade que foi aplicada à Reqte. é certo que o seu valor deverá ser reduzido por este Eg. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força da retroatividade benigna agasalhada expressamente no artigo 106, II do CTN, colacionando jurisprudência da Câmara Superior a respeito do tema. Por derradeiro, em que pese à procedência do lançamento em seu mérito, destacase que posteriormente à lavratura do Auto de Infração fora publicada a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trazendo nova redação ao artigo 32 da Lei nº 8.212/91, acrescentando, ainda, o artigo 32A aquele Diploma Legal, estabelecendo nova forma do cálculo da multa ora exigida e, bem assim, determinando a exclusão da multa de mora do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, com a consequente aplicação das multas constantes da Lei nº 9.430/96, senão vejamos: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 340DF CARF MF 10 § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 7o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 8o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV do caput deste artigo ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicandose, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A desta Lei. § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV do caput deste artigo impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 341DF CARF MF Processo nº 12045.000134/200778 Acórdão n.º 2401004.949 S2C4T1 Fl. 336 11 § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).” Partindo dessa premissa, em face da legislação posterior contemplando penalidades mais benéficas para o mesmo fato gerador, impõese à aplicação desse novo calculo da multa, em observância ao disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, que assim prescreve: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” (grifamos) Antes mesmo de contemplar as razões meritórias, mister analisarmos o disposto no artigo 113 do Código Tributário Nacional, o qual determina que as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, principal e obrigação acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Fl. 342DF CARF MF 12 Por outro lado, a obrigação acessória relacionase às prestações positivas ou negativas constantes da legislação de regência, de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento deixar a contribuinte de informar em GFIP a totalidade dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, situação que se amolda ao caso sub examine. Após a unificação das Secretarias das Receitas Previdenciária e Federal, em Receita Federal do Brasil (“Super Receita”), as contribuições previdenciárias passaram a ser administradas pela RFB que, em curto lapso temporal, compatibilizou os procedimentos fiscalizatórios e, por conseguinte, de constituição de créditos tributários, estabelecendo, igualmente, para os tributos em epígrafe multas de ofício a serem aplicadas em observância à Lei n° 9.430/1996, conforme alterações na legislação introduzidas pela Lei nº 11.941/2009. Como se observa, a nova legislação, de fato, contemplou inédita formula de cálculo de aludidas multas que, em suma, vem sendo conduzida pelo Fisco, da seguinte forma: 1) Na hipótese do descumprimento de obrigações acessórias ocorrer de maneira isolada (p.ex. tão somente deixar de informar a totalidade dos fatos geradores em GFIP), com a ocorrência da observância da obrigação principal (pagamento do tributo devido), aplicarseá para o cálculo da multa o artigo 32A da Lei n° 8.212/91; 2) Por seu turno, quando o contribuinte, além de inobservar as obrigações acessórias, também deixar de recolher o tributo correspondente, a multa a ser aplicada deverá obedecer aos ditames do artigo 35A da Lei n° 8.212/91, que remete ao artigo 44 da Lei n° 9.430/96, determinando a aplicação de multa de ofício de 75%; Não obstante parecer simples, aludida matéria encontrase distante de remansoso desfecho. Isto porque, a legislação anterior apartava as autuações por descumprimento de obrigações acessórias das notificações fiscais (NFLD) decorrentes de inobservância das obrigações principais, levando a efeito multas distintas, inclusive, no segundo caso, com aplicação de multa de mora variável no decorrer do tempo (fases processuais). Assim, com a introdução de novas formas de cálculo da multa, nos casos de descumprimento de obrigações tributárias (principal e acessória), os lançamentos pretéritos, bem como aqueles mais recentes que abarcam fatos geradores relacionados a período anterior a referida alteração, tiveram que ser reanalisados com a finalidade de se verificar a melhor modalidade do cálculo da penalidade e, se mais benéfico, aplicálo. A propósito da matéria, o ilustre Conselheiro Júlio César Vieira Gomes se manifestou com muita propriedade, conforme se depreende do excerto do Voto condutor do Acórdão n° 2402001.895, exarado nos autos do processo n° 15983.000199/200892, de onde peço vênia para transcrever e adotar como razões de decidir: [...] O recorrente já se beneficiou do direito à relevação de parte da multa aplicada pela correção parcial da falta, mas ainda não quanto à retroatividade benéfica prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional e em face da regra trazida pelo artigo 26 da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 que introduziu na Lei n° 8.212, de 24/07/1991 o artigo 32A. Passo, então, ao exame desse direito. Seguem transcrições: [...] Fl. 343DF CARF MF Processo nº 12045.000134/200778 Acórdão n.º 2401004.949 S2C4T1 Fl. 337 13 Podemos identificar nas regras do artigo 32A os seguintes elementos: a) é regra aplicável a uma única espécie de declaração, dentre tantas outras existentes (DCTF, DCOMP, DIRF etc): a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. Inicialmente, esclarecese que a mesma lei revogou as regras anteriores que tratavam da aplicação da multa considerando cem por cento do valor devido limitado de acordo com o número de segurados da empresa: Art. 79. Ficam revogados: I – os §§ 1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35, os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 2º do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do caput do art. 80, o art. 81, os §§ 1º, 2º, 3º, 5º, 6º e 7º do art. 89 e o parágrafo único do art. 93 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; Para início de trabalho, como de costume, devese examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. No inciso II do artigo 32A em comento o legislador manteve a desvinculação que já havia entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 344DF CARF MF 14 Portanto, temos que o sujeito passivo, ainda que tenha efetuado o pagamento de cem por cento das contribuições previdenciárias, estará sujeito à multa de que trata o dispositivo. Comparando com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Melhor explicando essa diferença, apresentamos o seguinte exemplo: o sujeito passivo, obrigado ao pagamento de R$ 100.000,00 apenas declara em DCTF R$ 80.000,00, embora tenha efetuado o pagamento/recolhimento integral dos R$ 100.000,00 devidos, qual seria a multa de ofício a ser aplicada? Nenhuma. E se houvesse pagamento/recolhimento parcial de R$ 80.000,00? Incidiria a multa de 75% (considerando a inexistência de fraude) sobre a diferença de R$ 20.000,00. Isto porque a multa de ofício existe como decorrência da constituição do crédito pelo fisco, isto é, de ofício através do lançamento. Caso todo o valor de R$ 100.000,00 houvesse sido declarado, ainda que não pagos, a DCTF já teria constituiria o crédito tributário sem necessidade de autuação. A diferença reside aí. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991. Seguem transcrições: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de Fl. 345DF CARF MF Processo nº 12045.000134/200778 Acórdão n.º 2401004.949 S2C4T1 Fl. 338 15 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade a norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o artigo 43 da mesma lei: Auto de Infração sem Tributo Art.43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, nos casos que tenha sido lavrada NFLD (período em que não era a GFIP suficiente para a constituição do crédito nela declarado), qual tenha sido o valor nela lançado. E, aproveitando para tratar também dessas NFLD lavradas anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, não vejo como Fl. 346DF CARF MF 16 lhes aplicar o artigo 35A, que fez com que se estendesse às contribuições previdenciárias, a partir de então, o artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, pois haveria retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento/recolhimento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. [...] Retomando os autos de infração de GFIP lavrados anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, há um caso que parece ser o mais controvertido: o sujeito passivo deixou de realizar o pagamento das contribuições previdenciárias (para tanto foi lavrada a NFLD) e também de declarar os salários de contribuição em GFIP (lavrado AI). Qual o tratamento do fisco? Por tudo que já foi apresentado, não vejo como bis in idem que seja mantida na NFLD a multa que está nela sendo cobrada (ela decorre do falta de pagamento, mas não pode retroagir o artigo 44 por lhe ser mais prejudicial), sem prejuízo da multa no AI pela falta de declaração/omissão de fatos geradores (penalidade por infração de obrigação acessória ou instrumental para a concessão de benefícios previdenciários). Cada uma das multas possuem motivos e finalidades próprias que não se confundem, portanto inibem a sua unificação sob pretexto do bis in idem. Agora, temos que o valor da multa no AI deve ser reduzido para ajustálo às novas regras mais benéficas trazidas pelo artigo 32A da Lei n° 8.212/1991. Nada mais que a aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: [...] De fato, nelas há limites inferiores. No caso da falta de entrega da GFIP, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária e, no de omissão, R$ 20,00 a cada grupo de dez ocorrências: Art. 32A. (...): I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 12045.000134/200778 Acórdão n.º 2401004.949 S2C4T1 Fl. 339 17 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Certamente, nos eventuais casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras (por exemplo, quando a empresa possui pouquíssimos segurados, já que a multa era proporcional ao número de segurados), não há como se falar em retroatividade. Outra questão a ser examinada é a possibilidade de aplicação do §2° do artigo 32A: § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Deve ser esclarecido que o prazo a que se refere o dispositivo é aquele fixado na intimação para que o sujeito passivo corrija a falta. Essa possibilidade já existia antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Os artigos 291 e 292 que vigeram até sua revogação pelo Decreto nº 6.727, de 12/01/2009 já traziam a relevação e a atenuação no caso de correção da infração. E nos processos ainda pendentes de julgamento neste Conselho, os sujeitos passivos autuados, embora pudessem fazê lo, não corrigiram a falta no prazo de impugnação; do que resultaria a redução de 50% da multa ou mesmo seu cancelamento. Entendo, portanto, desnecessária nova intimação para a correção da falta, oportunidade já oferecida, mas que não interessou ao autuado. Resulta daí que não retroagem as reduções no §2°: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. ... CAPÍTULO VI DA GRADAÇÃO DAS MULTAS Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: Fl. 348DF CARF MF 18 ... V na ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinqüenta por cento. Retornando à aplicação do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ressaltase que a verificação da regra mais benéfica deve ser em relação ao valor da multa aplicada no autode infração, anteriormente à qualquer outra redução em face da correção parcial da falta ou outro motivo. Isto porque a retroatividade benéfica do artigo 106 do CTN se opera no plano da subsunção do fato à nova regra jurídica. A relevação de parte da multa pela correção parcial da falta do decorrer do processo deve ser realizada após a incidência da nova regra. Melhor explicando: devem ser comparadas as duas multas, a aplicada pela fiscalização com a prevista no artigo 32A, inciso II da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, prevalecendo a menor; após, a relevação de parte da multa remanescente na proporção da correção parcial da infração. [...] Na esteira desse entendimento, em que pese à procedência do lançamento em relação ao mérito, impõese determinar o recálculo da multa, com fulcro no artigo 32A da Lei n° 8212/91, na forma prescrita na legislação hodierna mais benéfica, retroagindo, portanto, para alcançar fatos pretéritos. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine parcialmente em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, somente para recalcular a multa nos termos do artigo 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/1991, se mais benéfico ao contribuinte, pelas razões de fato e de direito encimadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 349DF CARF MF Processo nº 12045.000134/200778 Acórdão n.º 2401004.949 S2C4T1 Fl. 340 19 Voto Vencedor Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, redatora designada. INFRAÇÃO E MULTA APLICADA Discordo do relator que entende que deve ser aplicado ao caso em análise o disposto na Lei 8.212/91, art. 32A. Quanto ao dispositivo legal da infração e da multa aplicada, devese observar os seguintes artigos do CTN: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 350DF CARF MF 20 Assim, a princípio, devese observar a lei vigente à época de ocorrência do fato gerador. Entretanto, em matéria de penalidades, deverá ser considerada a retroatividade da lei mais benéfica, de acordo com o CTN, artigo 106, inciso II. A falta praticada, que foi objeto da presente autuação, apesar de ter sua capitulação legal alterada, continua definida como infração: entrega de GFIP com omissões/incorreções relacionadas a fatos geradores. Sobre a multa aplicada, a partir de 4/12/08, com a publicação da MP 449/08, convertida na Lei 11.941/09, o auditor, ao emitir Auto de Infração por descumprimento de Obrigação Acessória – AIOA relacionado à GFIP, deve considerar a retroatividade da lei mais benéfica, de acordo com o CTN, artigo 106, inciso II. Para tanto, deve comparar as penalidades cabíveis consoante a legislação vigente antes e depois da referida MP, aplicando a multa mais favorável ao sujeito passivo. Contudo, a presente autuação foi lavrada antes de referida mudança, não tendo o auditor fiscal autuante, por óbvio, efetuado referido comparativo, que deverá ser feito por ocasião do pagamento. A multa aplicada tendo em vista as alterações introduzidas pela Lei 11.941/09, é explicada a seguir: Em 4/12/08, foi publicada a Medida Provisória no 449, de 3/12/08, convertida na Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, que modificou a sistemática do cálculo das multas de mora, de ofício e daquelas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias relacionadas à Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, anteriormente previstas nos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, acrescentando os artigos 32A e 35A. Assim, a partir da publicação da MP 449, de 3/12/2008, para os fatos geradores de contribuições previdenciárias anteriores a esta data, deverá ser avaliado o caso concreto e a norma atual deverá retroagir, se mais benéfica, pois em matéria de penalidades deve ser observado o disposto no CTN, artigo 106, inciso II, alínea ‘c’. Desta feita, devem ser vinculados os processos de contribuições não declaradas em GFIP, somandose as multas aplicadas aos lançamentos de obrigação principal com as multas pelo descumprimento de obrigação acessória, e comparando com a nova multa de ofício prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91, acrescida, se for o caso, da nova multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 (relativa a contribuição recolhida e não declarada em GFIP). Assim, a multa deve resultar do comparativo entre os valores que seriam lançados considerando a lei vigente à época do fato gerador (percentual de multa previsto na redação original do artigo 35 da Lei 8.212/91 somado ao valor de multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no artigo 32, §§ 4º, 5o e 6º da Lei 8.212/91) com o valor da multa de ofício que teria sido aplicada considerando a redação atual, conforme artigo 44 da Lei 9.430/96 (percentual de 75%) somado, se for o caso, ao valor da multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91. Ocorre, contudo, que os percentuais da multa tanto do artigo 35 da Lei 8.212/91, quanto do artigo 44 da Lei 9.430/96, sofrem variação de acordo com o prazo do pagamento do crédito. Logo, temse que a comparação entre uma e outra modalidade somente Fl. 351DF CARF MF Processo nº 12045.000134/200778 Acórdão n.º 2401004.949 S2C4T1 Fl. 341 21 poderá ser ratificada por ocasião do pagamento, devendo o valor da multa ser revisto, se for o caso, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14, de 4/12/09. Os dispositivos legais ora atacados encontravamse em vigor na época da ocorrência dos fatos geradores ou tiveram sua aplicação em razão do princípio da retroatividade benigna de que trata o Código Tributário Nacional, artigo 106, inciso II, alínea “c”. CONCLUSÃO Pelo exposto, no mérito, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que a multa seja recalculada, se for o caso, nos termos da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 14/09. Por ocasião do pagamento ou execução do crédito tributário remanescente, deverá ser calculada a multa mais benéfica, considerando o auto de infração conexo (processo n° 12045.000128/200711), em razão da alteração na legislação previdenciária promovida pela Lei 11.941/09, nos termos da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 14, de 4/12/09. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 352DF CARF MF
score : 1.0
