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Numero do processo: 13748.000367/97-74
Data da sessão: Tue Jun 17 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Jun 17 00:00:00 UTC 2008
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
F1NSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO.
É entendimento deste Colegiado que o prazo para pleitear
restituição dos valores pagos a titulo de Contribuição para o
Finsocial com alíquotas superiores a 0,5% é de cinco anos
contados da data da edição da MP n° 1.110, em 31/08/95.
Ressalvada a posição desta Relatora, ao entender que somente os
pleitos protocolados até a edição do Ato Declaratório SRF n° 96,
cm 30/11/99, que alterou o entendimento contido no Parecer
COSIT n° 58, de 27/10/98, devem ser considerados tempestivos.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: CSRF/03-05.745
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso especial nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem, para apreciação as demais matérias. As Conselheiras Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes acompanharam a Conselheira Relatora pelas suas conclusões quanto ao prazo para pleitear o direito.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Anelise Daudt Prieto
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materia_s : Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
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ementa_s : OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 F1NSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. É entendimento deste Colegiado que o prazo para pleitear restituição dos valores pagos a titulo de Contribuição para o Finsocial com alíquotas superiores a 0,5% é de cinco anos contados da data da edição da MP n° 1.110, em 31/08/95. Ressalvada a posição desta Relatora, ao entender que somente os pleitos protocolados até a edição do Ato Declaratório SRF n° 96, cm 30/11/99, que alterou o entendimento contido no Parecer COSIT n° 58, de 27/10/98, devem ser considerados tempestivos. Recurso Especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem, para apreciação as demais matérias. As Conselheiras Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes acompanharam a Conselheira Relatora pelas suas conclusões quanto ao prazo para pleitear o direito.
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Numero do processo: 10830.006590/93-47
Data da sessão: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
Ementa: IPI – INDUSTRIALIZAÇÃO – o desbobinamento do papel em sua forma “jumbo” e o corte para adequá-lo aos padrões de máquinas de “fac-simile” o rebobinamento em dimensões apropriada para o encaixe nas mencionadas máquinas, e o acondicionamento para em embalagem para venda a consumidor final, com alteração da classificação fiscal, configura operação de industrialização, na modalidade de transformação.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: CSRF/02-02.629
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ementa_s : IPI – INDUSTRIALIZAÇÃO – o desbobinamento do papel em sua forma “jumbo” e o corte para adequá-lo aos padrões de máquinas de “fac-simile” o rebobinamento em dimensões apropriada para o encaixe nas mencionadas máquinas, e o acondicionamento para em embalagem para venda a consumidor final, com alteração da classificação fiscal, configura operação de industrialização, na modalidade de transformação. Recurso especial provido.
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Numero do processo: 15983.000283/2007-25
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004
DECADÊNCIA - Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF, tratando-se de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais.
JUROS - TAXA SELIC - A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Preliminar rejeitada.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de decadência suscitada pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto Relator.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiros Helenilson Cunha Pontes.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003, 2004 DECADÊNCIA - Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF, tratando-se de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN). OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. JUROS - TAXA SELIC - A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Preliminar rejeitada. Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de decadência suscitada pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiros Helenilson Cunha Pontes.
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O fato gerador do IRPF, tratandose de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN). OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. JUROS TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Preliminar rejeitada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 02 83 /2 00 7- 25 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de decadência suscitada pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiros Helenilson Cunha Pontes. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15983.000283/200725 Acórdão n.º 2202002.074 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, DAVID AMANDIO DE FARIA PIMENTA, foi lavrado Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF, fls. 05/10, relativo aos anoscalendário 2002 e 2003, para formalização de exigência e cobrança de crédito tributário no valor total de R$ 729.425,14. A infração apurada pela Fiscalização, relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais, fls. 06, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. O contribuinte teve depositado em suas contas bancárias, no anocalendário 2002, recursos cujo montante atingiu R$ 760.845,75, contra R$ 71.462,11 de rendimentos tributáveis e isentos declarados, sendo que, no anocalendário 2003, este montante atingiu o valor de R$ 375.857,16, contra' 41.141,19 de rendimentos tributáveis e isentos declarados. Assim, tendo em vista a incompatibilidade da referida movimentação financeira com os rendimentos declarados, foi intimado pela fiscalização a comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme planilha de fls. 15/29. Em resposta à intimação, o contribuinte informou que na condição de prestador de serviços de advogado para várias empresas, recebia numerários para pagamentos de custas judiciais e extrajudiciais, assessoria em importação e exportação, recebendo e pagando valores e que não teria como identificar ou individualizar cada crédito e que os valores recebidos sujeitos ao recolhimento do carnêleão decorreram da prestação de serviços advocatícios, não tendo apresentado qualquer documento probante de suas alegações. Sendo assim, a fiscalização considerou evidenciada a existência de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, efetuando presente lançamento com base no artigo 42 da Lei 9.430/96. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação em 17.08.2007, fls. 82/137, alegando em breve síntese que: Ilegalidade do lançamento exofício por abranger período em que já se operou a decadência nos termos do art. 150, § 4° do CTN. É suficiente examinar o período excogitado no item 001 do AI ora impugnado, para constatar que os mesmos abrangem operações realizadas no período de jan/02 a jul/02 que, à data da notificação do lançamento, já não poderiam ser objeto de revisão de lançamento, por ter se operado a decadência do direito do fisco de sobre elas constituir o crédito tributário; Ilegalidade do lançamento exofício por abranger "informações" de valor mensal inferior ao admitido pela Lei 9.430/96 A fiscalização não considerou os limites legais estabelecidos pela Lei 9.430/96; Ilegalidade do lançamento de IRPF com base exclusivamente em extratos de movimentos bancários já proclamada pela jurisprudência judicial e administrativa Tanto a acusação como Fl. 179DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 o lançamento fiscal, já de inicio, mostramse manifestamente ilegais por violar o sigilo bancário da Requerente e por contrariarem flagrantemente a Jurisprudência Judicial cristalizada na Súmula n° 182 do extinto E. Tribunal Federal de Recursos; Ilegalidade da exigência cumulada de juros moratérios e "Taxa Sele" sobre o suposto débito A cobrança simultânea e cumulativa de verbas de caráter moratório já teve sua inconstitucionalidade proclamada pela jurisprudência do STF, que consagrou definitivamente o entendimento de que tal cobrança é confiscatória, atentando contra o disposto no artigo 153, parágrafo 11 da antiga Constituição de 1969; A cumulação dos juros moratórios de 1% ao mês, com juros equivalentes à Taxa SELIC, todos sobre o valor corrigido do suposto "débito" se traduz numa cobrança puramente arbitrária e ilegal, mais uma vez comprometendo a validade do lançamento; Requer, ante o exposto, sejam julgados nulos e insubsistentes, tanto a acusação de "infração", como o lançamento exoficio, cancelando as exigências de IRPF, multa e acréscimos. A DRJSão Paulo II ao apreciar as razões do contribuinte, julgou o lançamento procedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003 Ementa: PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Somente serão excluídos da presunção de omissão de rendimentos os depósitos bancários de valor igual ou inferior à R$ 12.000,00 quando seu somatório dentro do anocalendário seja inferior R$ 80.000,00. SIGILO BANCÁRIO. PRELIMINAR. É lícito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto instituições financeiras por parte do Fisco, a par de amparada legalmente, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto, em contrapartida, está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de oficio. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15983.000283/200725 Acórdão n.º 2202002.074 S2C2T2 Fl. 4 5 JURISPRUDÊNCIA. As decisões judiciais e administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário, aplicandose somente à questão em análise e vinculando as partes envolvidas no litígio. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO E DE JUROS DE MORA. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de oficio no percentual de 75% e de juros de mora com base na variação da taxa Selic, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverão ser exigidos juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. Lançamento Procedente Insatisfeito, o contribuinte interpõe recurso voluntário ao Conselho onde reitera as mesmas alegações da impugnação: Ilegalidade do lançamento exofício por abranger período em que já se operou a decadência nos termos do art. 150, § 4° do CTN; Ilegalidade do lançamento exofício por abranger "informações" de valor mensal inferior ao admitido pela Lei 9.430/96; Ilegalidade do lançamento de IRPF com base exclusivamente em extratos de movimentos bancários já proclamada pela jurisprudência judicial e administrativa Tanto a acusação como o lançamento fiscal, já de inicio, mostramse manifestamente ilegais por violar o sigilo bancário da Requerente e por contrariarem flagrantemente a Jurisprudência Judicial cristalizada na Súmula n° 182 do extinto E. Tribunal Federal de Recursos; Ilegalidade da exigência cumulada de juros moratérios e "Taxa Selic" sobre o suposto débito A cobrança simultânea e cumulativa de verbas de caráter moratório já teve sua inconstitucionalidade proclamada pela jurisprudência do STF, que consagrou definitivamente o entendimento de que tal cobrança é confiscatória, atentando contra o disposto no artigo 153, parágrafo 11 da antiga Constituição de 1969; É o relatório. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da preliminar de Decadência O termo inicial para a contagem do prazo decadencial para os rendimentos omitidos que ocorreram ao longo do ano de 2002, previsto no art. 150, parágrafo 4º, do CTN é de 1º de janeiro de 2003, posto que é o 1º dia após a ocorrência do fato gerador. Desta forma, o lançamento poderia ser realizado até a data de 31/12/2007, para que pudesse alcançar os valores percebidos no anocalendário de 2002. Tendo em vista que o contribuinte teve ciência do auto de infração em 28/11/2007, data em que entendo não havia decaído o direito da fazenda constituir o referido crédito tributário. Como é sabido, o lançamento é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, identificar o seu sujeito passivo, determinar a matéria tributável e calcular ou por outra forma definir o montante do crédito tributário, aplicando, se for o caso, a penalidade cabível. Com o lançamento constituise o crédito tributário, de modo que antes do lançamento, tendo ocorrido o fato imponível, ou seja, aquela circunstância descrita na lei como hipótese em que há incidência de tributo, verificase, tão somente, obrigação tributária, que não deixa de caracterizar relação jurídica tributária. É sabido, que são utilizados, na cobrança de impostos e/ou contribuições, tanto o lançamento por declaração quanto o lançamento por homologação. Aplicase o lançamento por declaração (artigo 147 do Código Tributário Nacional) quando há participação da administração tributária com base em informações prestadas pelo sujeito passivo, ou quando, tendo havido recolhimentos antecipados, é apresentada a declaração respectiva, para o juste final do tributo efetivamente devido, cobrandose as insuficiências ou apurandose os excessos, com posterior restituição. Por outro lado, nos precisos termos do artigo 150 do CTN, ocorre o lançamento por homologação quando a legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, a qual, tomando conhecimento da atividade assim exercida, expressamente a homologa. Inexistindo essa homologação expressa, ocorrerá ela no prazo de 05(cinco) anos, a contar do fato gerador do tributo. Com outras palavras, no lançamento por homologação, o contribuinte apura o montante e efetua o recolhimento do tributo de forma definitiva, independentemente de ajustes posteriores. Neste ponto está a distinção fundamental entre uma sistemática e outra, ou seja, para se saber o regime de lançamento de um tributo, basta compulsar a sua legislação e verificar quando nasce o dever de cumprimento da obrigação tributária pelo sujeito passivo: se dependente de atividade da administração tributária, com base em informações prestadas pelos sujeitos passivos (lançamento por declaração), hipótese em que, antes de notificado do lançamento, nada deve o sujeito passivo; se, independente do pronunciamento da administração tributária, deve o sujeito passivo ir calculando e pagando o tributo, na forma estipulada pela legislação, sem exame do sujeito ativo lançamento por homologação, que, a Fl. 182DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15983.000283/200725 Acórdão n.º 2202002.074 S2C2T2 Fl. 5 7 rigor técnico, não é lançamento, porquanto quando se homologa nada se constitui, pelo contrário, declarase à existência de um crédito que já está extinto pelo pagamento. Registrese igualmente que no que toca a decadência mensal já está sumulada ao posição: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário (Súmula CARF nº 38) Em suma, não há como considerar o lançamento do ano de 2002 como decadente. Diante do exposto, rejeito a preliminar de decadência. Da Presunção baseada em Depósitos Bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, Fl. 183DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). Dos Limites previstos no Art. 42 da Lei. 9.430/96 No que toca aos limites percebese da analise dos autos que os valores movimentados na conta bancária da recorrente, e que embasaram o lançamento, foi respectivamente de R$ 762.205,75 e R$ 375.857,16, nos anos calendários de 2002 e 2003. Desta forma, resta verificar se o procedimento fiscal atentou ao limites disposto na legislação vigente. Para uma correta elucidação acerca deste ponto cabe transcrever os excertos legais pertinentes: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). (Alterado pela Lei nº 9.481, de 13.8.97) (grifos postos) Depreendese do excerto transcrito que não se pode considerar, para efeitos de determinação da receita omitida, os depósitos individuais iguais e inferiores a quantia de R$ 12.000,00, desde que o somatório destes não ultrapassem o valor de R$ 80.000,00. Com base no quadro de fls.15 a 29, apurase os valores lançados como omissão depósitos bancários por ano, segregando entre aqueles quais são iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 e os que são superiores. Pelo que se nota o lançamento está perfeito não merecendo qualquer reparo. Da Inconstitucionalidade das Normas No referente a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, que determinariam a aplicação de multas e juros de natureza confiscatória, acompanho a posição sumulada pelo CARF de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15983.000283/200725 Acórdão n.º 2202002.074 S2C2T2 Fl. 6 9 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Cabe esclarecer o contribuinte que a falta de recolhimento do tributo ou declaração inexata, apurada em lançamento de ofício, enseja o lançamento da multa de 75%, prevista no art. 44, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não podendo a autoridade lançadora deixar de aplicála ou reduzir seu percentual ao seu livre arbítrio.Nestes termos, como a multa de ofício está prevista em disposições literais de lei e como as instâncias julgadoras não podem negar validade a estas disposições, não se pode aqui acatar a alegação da contribuinte. É de se manter, assim, a penalidade de 75%. Da Inaplicabilidade da Selic como Taxa de Juros Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic, como juros de mora, aplicável o conteúdo da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Assim, é de se negar provimento também nessa parte. Ante ao exposto, voto por rejeitar as preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 185DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 11080.011585/2003-18
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Dec 11 00:00:00 UTC 2009
Ementa: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO — PROCESSOS DECORRENTES —
Provido o recurso voluntário nos autos do processo administrativo tributário que deu causa à glosa da compensação dos prejuízos fiscais, deve ser restabelecido o direito à compensação dos prejuízos fiscais relativamente aos anos de 1998 e 1999.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 1401-000.139
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos temos do relatório e voto que passam a integrar o presente ju1gado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: Alexandre Antônio Alkmim Teixeira
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Recorrida 5' TURMA/DRJ-PORTO ALEGRE/RS COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO — PROCESSOS DECORRENTES — Provido o recurso voluntário nos autos do processo administrativo tributário que deu causa à glosa da compensação dos prejuízos fiscais, deve ser restabelecido o direito à compensação dos prejuízos fiscais relativamente aos anos de 1998 e 1999. Recurso voluntário provido., Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos temos do relatório e voto que passam a integrar o presente ju1gado.Ausente, justificae ‘ mente, a Conselheira Karem Jureidini Dias. A IV Ir ALA G UIAS P SOA MONTEIRO— Presidente ALEXAN.41.311111E AN-4°.—TONIO.---AL----J--IM TEIXEIRA — Relator EDITADO EM: 2 1 NA; 2010 Participaram, da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, José Sérgio Gomes, Nelso Kichel, João Francisco Bianco e Karem Jureidini Dias. Relatório Trata o presente feito de auto de infração lavrado em desfavor de BL INDÚSTRIA ÓTICA LTDA., para exigência de IRPJ com os devidos acréscimos legais, cujos fatos geradores supostamente ocorreram em 1998 e 1999. O auto de infração em evidência baseou-se no entendimento de que a Recorrente havia compensado prejuízos fiscais indevidamente apurados em anos anteriores, o que ocasionou, por reflexo, na diminuição do lucro tributável para fins de IRPJ nos anos calendários de 1998 e 1999. Apenas em decorrência do auto de infração lavrado anteriormente que foi formalizado o presente auto, conforme se verifica no próprio Auto de Infração (fl. 05) "Considerando-se as alterações citadas anteriormente, efetivadas através do auto de infração processo n° 13710.000325/96-71, verifica-se que, nos anos-calendários de 1998 e 1999, não havia o valor de prejuízo fiscal compensado pela contribuinte nas DIPJs dos citados períodos, conforme Demonstrativo da Compensação de Prejuízos Fiscais do Sistema SAPLI (fls. 343 a 351). Em decorrência do exposto e considerando o prazo decadencial, formalizamos o presente auto de infração através do qual foi limitada a compensação de prejuízo fiscal, no ano-calendário 1998, ao valor do saldo de prejuízo fiscal existente no Sistema SAPLI (fl. 349). No ano-calendário de 1999, foi excluída a compensação que havia sido declarada pela empresa em função de que não havia mais saldo de prejuízo a compensar no Sistema SAPLI (fl. 350). Nos dois períodos citados, foram efetuados os cálculos do Imposto de Renda devido." A contribuinte impugnou tempestivamente as exigências, confoillie fls. 446 a 459, alegando que a presente decorre do lançamento consubstanciado no processo n° 13710.000325/96-71, por meio do qual o "Fisco glosou as despesas relativas à variação cambial de contratos de mútuo firmados pela Recorrente com sua controladora no exterior nos anos de 1989 e 1990". Segundo o relatório da DRJ: "A infração constatada foi compensação de prejuízo fiscal excedente ao saldo existente no Sistema SAPLI., nos anos- calendário 1998 e 1999. A autuante explica a razão da divergência entre o sistema informatizado da Receita Federal e os livros e da contribuinte: "Essa divergência ocorreu em virtude de que, no Sistema SAPLI, constam os valores de prejuízo fiscal e/ou lucro real e as respectivas compensações de prejuízo apuradas através de lançamento de oficio, o qual foi consubstanciado no auto de infração processo 13710.000325/96-71. - 2 Processo n° 11080.011585/2003-18 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.139 Fl. 2 Considerando-se as alterações citadas anteriormente, efetivadas através do auto de infração processo n° 13710.000325/96-71, verifica-se que, nos anos-calendário de 1998 e 1999, não havia o valor de prejuízo fiscal compensado pela contribuinte nas DIPJs dos citados períodos [..] " Diante dessas constatações, aduz a Recorrente que o destino do presente processo estaria "umbilicalmente vinculado à decisão final a ser proferida nos autos do processo n° 13710.000325/96-71", uma vez que caso seja reconhecida a dedutibilidade das despesas com variação cambial, corretos também estaria a utilização do prejuízo fiscal relacionado a essas despesas. Alega, ainda, que o principal argumento da decisão recorrida é que a decisão proferida nos autos do processo n° 13710.000325/96-71 ainda não havia transitado em julgado. "Entretanto, tal situação não mais ocorre, posto que o trânsito em julgado da demanda já ocorreu conforme cabalmente demonstrado (...), situação esta que impõe a necessidade de cancelamento do auto de lançamento em evidência" (f1.517). Aduz que, não sendo consideradas corretas as alterações ocorridas no Sistema SAPLI, decorrentes da infração autuada em 1996, o procedimento da contribuinte está de acordo com o RIR. Analisa cada um dos artigos mencionados no auto de infração para demonstrar que não infringiu nenhum. O feito foi julgado improcedente no âmbito da DRJ, tendo a decisão sido assim ementada: PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Constatada a inexistência de saldo de prejuízo fiscal a compensar, haja vista ter sido absorvido por infração lançada em período anterior, mantém-se o lançamento, por indevida compensação de prejuízos fiscais. Lançamento procedente. Inconformada, a Recorrente aviou recurso para esse CARF, ratificando suas razões de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Relatar O recurso é tempestivo e, atendidos os demais requisitos legais, dele conheço. O deslinde do presente recurso se pauta apenas na decisão do processo n° 13710.000325/96-71, tendo-se em vista que o presente lançamento nada mais é senão um reflexo daquele. , 3 A contribuinte acosta aos autos a Certidão de fls (548), dando conta de que a citada decisão não foi objeto de embargos nem da apresentação de Recurso Especial, assumindo a condição de definitiva na esfera administrativa. Como a exigência de que cuidam os presentes autos tem origem nas questões discutidas nos autos do processo n° 13710.000325/96-71, e sendo certo que a decisão foi no todo favorável à tese defendida pelo sujeito passivo, cabe aqui reconhecer seus reflexos e, de conseqüência, restabelecer o direito à compensação dos prejuízos fiscais objeto de glosa nos anos de 1998 e 1999. Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. É como voto. 4~1P, ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 ,..,4 MINISTÉRIO DA FAZENDA t:07,41 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS -,.lvs., '~' QUARTA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO:- Processo n° : 11080.011585/2003-18 Acórdão n° : 1401-00.139 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3 0 , do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 2 1 !,,i r\ i 2010 , , , ,,_ ,.. j4u oe .arit'sVacdhiiiáLaÃigNeeretária da Câmara Ciência Data: / / Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: { ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração.
score : 1.0
Numero do processo: 13637.000229/2007-94
Data da sessão: Tue Dec 01 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Dec 01 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS
Data do fato gerador: 06/12/2006 EMPRESA CEDENTE DE MÃO-DE-OBRA. AUSÊNCIA DE DESTAQUE DA RETENÇÃO NA NOTA FISCAL.
Constitui infração deixar a empresa cedente de mão-de-obra de destacar onze por cento do valor bruto das Notas Fiscais de Serviço, conforme o art. 31, § 1° da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2301-000.800
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária da segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: Bernadete de Oliveira Barros
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Data do fato gerador: 06/12/2006 EMPRESA CEDENTE DE MÃO-DE-OBRA. AUSÊNCIA DE DESTAQUE DA RETENÇÃO NA NOTA FISCAL. Constitui infração deixar a empresa cedente de mão-de-obra de destacar onze por cento do valor bruto das Notas Fiscais de Serviço, conforme o art. 31, § 1° da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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Numero do processo: 19647.006142/2007-98
Data da sessão: Wed Dec 02 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Dec 02 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/09/1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO. PERDA DO PRAZO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ALEGAÇÕES INTEMPESTIVIDADE.
I - Apresentada à impugnação fora do prazo concedido na legislação que regula o contencioso administrativo fiscal, correto o seu não conheço em decorrência da sua intempestividade; II - A justificativa para apresentação extemporânea da peça de defesa deve estar assentada em elementos probatórios que confirmam os fatos alegados.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 2402-000.370
Decisão: ACORDAM os membros da 4ªCâmara / 2ªTurma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ROGERIO DE LELLIS PINTO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/09/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO. PERDA DO PRAZO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ALEGAÇÕES INTEMPESTIVIDADE. I - Apresentada à impugnação fora do prazo concedido na legislação que regula o contencioso administrativo fiscal, correto o seu não conheço em decorrência da sua intempestividade; II - A justificativa para apresentação extemporânea da peça de defesa deve estar assentada em elementos probatórios que confirmam os fatos alegados. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
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IMPUGNAÇÃO. PERDA DO PRAZO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ALEGAÇÕES INTEMPESTIVIDADE. I - Apresentada à impugnação fora do prazo concedido na legislação que regula o contencioso administrativo fiscal, correto o seu não conheço em decorrência da sua intempestividade; II - A justificativa para apresentação extemporânea da peça de defesa deve estar assentada em elementos probatórios que confirmam os fatos alegados. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os membros da 4a Câmara / 28 Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por_unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator é • RC $ 'á EIRA - Presidente RI tr - 1110 DE LELLIS PINTO—Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogério—deellis—Pinto,—Lourenço -Ferreira— do—Prado, Marcelo Freitas de Souza Costa (Convocado) e Núbia Moreira Barros Mazza (Suplente). 2 Processo n° 19647.006142/2007-98 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00370 Fl. 161 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto pela empresa SENO — SERVIÇO DE ENGENHARIA DO NORDESTE LTDA contra decisão exarada pela douta 7 Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Recife-PE, a qual julgou procedente a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito-NFLD, no valor originário de R$ 710.822,52 (setecentos e dez mil oitocentos e vinte e dois reais e cinqüenta e dois centavos), tendo como fato gerador as remunerações pagas a segurados obrigatórios da Previdência Social. A empresa recorre questionando a Decisão recorrida que teria equivocadamente considerado intempestiva a impugnação apresentada. Argumenta que na data fatal do prazo para impugnação, teria se dirigido a uma das unidades do Orgão arrecadador, sendo que um funcionário teria se negado a recebê-la sob alegação de que deveria apresentada em outro endereço. Aduz que dirigindo-se ao local informado, não conseguiu dar entrada em sua defesa uma vez que por determinação interna da unidade, as impugnações somente poderiam ser apresentadas até às 17:00, o que a levou a dar entrada na sua defesa apenas no dia seguinte. Coloca que a repartição pública pode alterar o horário de atendimento ao público mas tal prerrogativa não pode significar esteio para a não prorrogação de defesas fora do horário especificado, especialmente oportunizando a apresentação no dia útil seguinte, sob pena de configurar-se cerceamento do seu direito de defesa. Sem contra-razões me vieram os autos. Eis o essencial para o julgamento. •É o relatório.» 3 Voto Conselheiro Rogério de Lellis Pinto, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Em que pese o enonne esforço argumentativo demonstrado pelo ilustre subscritor da peça inconformista, não há como conferir-lhe razão na sua insurreição contra a reconhecida intempestividade da peça impugnatória. Segundo as nomias que regulam o contencioso administrativo fiscal, ao contribuinte autuado é concedido o prazo de 30 (trinta) dias, contados da notificação do lançamento, para a apresentação de impugnação (art. 15, do Dec. 70.235/72). Está assim escrito no Decreto: Art.15 - A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. A contagem de tal prazo, segundo o art. 5° e o seu parágrafo único do mesmo Decreto, será continua, excluindo-se o dia do começo e incluindo-se o dia final, observando-se ainda que tanto o inicio quanto o fim do prazo, devem se dar em dia de expediente normal no Órgão em que o ato tenha que ser realizado. No caso dos presentes autos, a empresa foi notificada do lançamento, segundo as fls. 104, no dia 28/06/07, uma quinta-feira, findando-se os 30 dias em 28/07/07 (um sábado), prorrogando-se o final do prazo para o primeiro dia útil seguinte, ou seja, dia 30/07/07 (segunda-feira). A impugnação, por sua vez, somente foi apresentada ao Órgão competente, no dia imediatamente subseqüente (dia 31/07, fls. 107), o que toma nítida a extemporaneidade da defesa apresentada. A Recorrente sustenta que teria se dirigido a uma das unidades do Órgão autuante no dia 30/07 apara apresentar sua impugnação, mas que o servidor público que a atendeu teria se negado a receber a defesa, em razão de não ser a unidade competente, tendo então se dirigido a outra repartição, onde chegou após as 17:00 horas, horário em que já não havia mais expediente. Todavia, ainda que consideremos razoáveis as alegações do contribuinte, não se dignou este a carrear aos autos elementos comprobatórios sequer quanto a suposta ida a repartição pública no dia mencionado, quanto mais a negativa do dito servidor em receber sua impugnação, sendo seus argumentos, nesse sentido, meras hipóteses, insuficientes para desconstituir a intempestividade reconhecida na decisão recorrida. Com efeito, é uníssono que em terreno processual, a argumentação, para ter força desconstitutiva de um fato ou de reconhecimento, deve estar calcada em um suporte probatório suficiente para lhe conferir a certeza da sua existência, já que não se basta alegar, é necessário também provar, o que não foi observado pelo Contribuinte. 4 Processo n° 19647.006142/2007-98 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.370 Fl. 162 Não se trata, é obvio, de simplesmente duvidar daquilo que sustenta a recorrente, mas sim da exigência processual de se trazer ao julgador por intermédio dos autos, a comprovação de que aquilo que se está alegando efetivamente ocorreu, até porque não há como conferir presunção de veracidade nesses casos. Desta feita, como não há comprovação quanto aos supostos acontecimentos do dia 30/07/07, não há porque considerarmos a possibilidade de prorrogação do prazo de defesa para o dia Mil imediatamente subseqüente, como requer a empresa, de forma que agiu acertadamente a douta DRJ ao considerar intempestiva a impugnação apresentada. Diante do exposto, voto no sentido não conhecer do recurso. Sala das Sessiir si em 2 de dezembro de 2009 kgf 41) RO J ELLIS PINTO - Relator • fi) •
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Numero do processo: 10480.012274/2001-39
Data da sessão: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2009
Ementa: ISENÇÃO II- IPI
Data do fato gerador: 20/12/1996, 08/01/1997
ISENÇÃO II IPI. BENEFICIO FISCAL BEFIEX. A mercadoria importada
com beneficio fiscal deve obrigatoriamente ser transportada por navio de bandeira brasileira, sob pena de perda do beneficio.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-000.001
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso especial. Vencida a Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro que deu provimento parcial ao recurso apenas para afastar a incidência de juros e multa
nos termos do art. 100, § Único do CTN, e o Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Nanci Gama e Antonio Carlos Guidoni Filho que deram provimento integral ao recurso.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: ISENÇÃO II- IPI Data do fato gerador: 20/12/1996, 08/01/1997 ISENÇÃO II IPI. BENEFICIO FISCAL BEFIEX. A mercadoria importada com beneficio fiscal deve obrigatoriamente ser transportada por navio de bandeira brasileira, sob pena de perda do beneficio. Recurso Especial do Contribuinte Negado. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencida a Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro que deu provimento parcial ao recurso apenas para afastar a incidência de juros e multa nos termos do art. 100, § Único do CTN, e o . Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Nanci Gama e Antonio Carlos Guie mi Filho que deram provimento integral ao recurso. Carlos Alberto Fr t á arreto - Presidente m.à • Ot Susy Gom^:irte n - Relat §ra Editado em: 10/05/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Susy Gomes Hoffi-nann, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Irene Souza da Trindade Torres, Nanci Gama, Antonio Carlos Guidoni Filho e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Relatório Trata o presente de Recurso Especial por Divergência (fls. 143/152) interposto pelo contribuinte, contra decisão proferida pela 1' Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que entendeu que a exigência de transporte de mercadoria em navio de bandeira brasileira é pré-condição de toda a lei concedente de isenção de tributos na importação. O contribuinte fora autuado, tendo em vista que importou mercadoria com beneficio fiscal BEFIEX, por meio de navio de bandeira estrangeira, o que resultou na exigência do imposto de importação e imposto sobre produtos industrializados, acrescidos de multa e juros. Segundo a fiscalização, tal ocorrência desobedeceu a legislação vigente e tampouco foi apresentado documento de liberação de carga expedida pelo órgão competente do Ministério dos Transportes. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 49/55, fazendo um breve relato dos fatos e alegando síntese que: A MP 1508-10/96 concedeu isenção do IPI nas importações de equipamentos, máquinas, aparelhos e instrumentos novos relacionados no anexo, não havendo que se falar em exigência de pagamento de imposto, ou qualquer condição para fazer jus ao beneficio; No presente caso deve ser observado o princípio da reciprocidade de tratamento; A presente autuação não obedeceu ao princípio da legalidade e às normas previstas no Código Tributário Nacional; Afirma ainda, que com base em documento emitido pelo Ministério dos Transportes, à época não era necessário a emissão do certificado de liberação, tendo em vista o Acordo "Equal Access" firmado entre Brasil e EUA; A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza proferiu acórdão às fls. 83/94, julgando o lançamento procedente, pois "no caso de mercadoria beneficiada com isenção, o transporte por via aquática deve obrigatoriamente ser efetuado em navio de bandeira brasileira, sob pena de perda do beneficio fiscal." Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 101/110), reiterando todos os argumentos aduzidos na Impugnação. Em sessão realizada no dia 17 de setembro de 2004, os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes proferiram acórdão (fls 130/136), negando provimento ao recurso voluntário por unanimidade de votos. Entenderam os Ilustres Conselheiros que "a exigência de transporte de mercadoria em navio de bandeira brasileira (DL 666/69, art. 2° e RA, art. 217, III e 218, II) é 2 Processo n° 10480.012274/2001-39 CSRF-'1'3 Acórdão n." 9303-00.001 Fl. 172 urna pré-condição, instituída em caráter geral, que implicitamente integra toda e qualquer lei concedente de isenção de tributos na importação." O contribuinte apresentou então, o presente Recurso Especial por divergência jurisprudencial com relação à possibilidade de importar mercadoria com beneficio fiscal em navio de bandeira estrangeira, apresentando corno paradigmas, acórdãos proferidos pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho. Despacho de admissibilidade às fls. 161/163. Contra-razões da União às fls. 164/168, requerendo a manutenção na íntegra da decisão recorrida. Em síntese é o relatório. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffinann, Relatora. O presente recurso e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão porque dele tomo conhecimento. Nos presentes autos verifica-se que a questão central cinge-se na análise da possibilidade de importar mercadoria com beneficio fiscal, por meio de navio de bandeira estrangeira. O contribuinte era titular do beneficio fiscal BEFIEX e importou mercadoria com isenção de Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados, contudo, tal mercadoria fora transportada por navio de bandeira estrangeira. Vejamos como regulamentava a legislação vigente à época, qual seja, Decreto-Lei 666/69: Art 2° Será feito, obrigatoriamente, em navios de bandeira brasileira, respeitado o principio da reciprocidade, o transporte de mercadorias importadas por qualquer Órgão da administração pública federal, estadual e municipal, direta ou indireta inclusive emprêsas públicas e sociedades de economia mista, bem como as importadas com quaisquer favores governamentais e, ainda, as adquiridas com financiamento, total ou parcial, de estabelecimento oficial de crédito, assim também com financiamento externos, concedidos a órgãos da administração pública federal, direta ou indireta. § 1° Estão igualmente sujeitas à obrigatoriedade prevista neste artigo as mercadorias nacionais exportadas com quaisquer dos beneficios nêle deferidos. § 2° A obrigatoriedade prevista neste artigo será extensivo às mercadorias cujo transporte esteja regulado em acôrdos ou convênios firmados ou reconhecidos pelas autoridades brasileiras obedecidas as condições nos mesmos fixadas. 3 (.) Art 6° Entende-se como favor governamental qualquer isenção ou redução tributária, tratamento tarifário protecionista e beneficio de qualquer natureza concedido pelo Governo Federal. Como se verifica, a legislação pertinente na ocasião da importação sob julgamento previa expressamente a obrigatoriedade no transporte em navio de bandeira brasileira para os casos cobertos por beneficios fiscais. Desta forma, não faz jus ao beneficio fiscal o contribuintê que não cumprir a determinação. Neste sentido, veja-se o entendimento jurisprudencial do Conselho de Contribuintes: "IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS.PROTEÇÃO À BANDEIRA BRASILEIRA. O transporte, via marítima, de mercadorias importadas com favores governamentais, há que ser feito sob bandeira brasileira, obrigatoriamente, sob pena de perda dosbeneficios de ordem fiscal, cambial ou financeiras, sem prejuízo dassançães legais cabíveis". Recurso não provido por Unanimidade. Acórdão rt° 301-28148. Primeira Câmara. Processo n°10480.014333/94-96. Relator Moacyr Eloy de Medeiros. Julgado em 22/08/1996. "O descumprimento do requisito de transporte em navio de bandeira brasileira ou da apresentação da liberação de carga, emitida pelo órgão competente do Ministério dos transportes, impede o reconhecimento do benefício fiscal pleiteado". Recurso voluntário desprovido por Unanimidade. Acórdão 303-30468. Terceira Câmara. Processo n° 10480.002349/2001-73. Relator João Holanda Costa. Julgado em 16/10/2002. Da mesma forma, verifica-se o entendimento do. Superior Tribunal de Justiça, veja-se: TRIBUTÁRIO - ISENÇÃO DO IPI - MERCADORIA IMPORTADA — EXIGÊNCIAS NORMATIVAS (LEI N. 8.191/91 E DL N. 666/69) - TRANSPORTE POR MEIO DE EMBARCAÇÃO DE BANDEIRA BRASILEIRA - EXIGIBILIDADE AFASTADA PELA INSTÂNCIA ORDINÁRIA - RECURSO ESPECIAL DA UNIÃO FEDERAL — PRETENDIDA REFORMA INTEGRAL DO DECISUM DA CORTE REGIONAL FEDERAL. Do cotejo dos dispositivos normativos que, no particular, regulam a matéria debatida nos presentes autos (Lei n. 8.191/91 e DLn.666/69 e art. 111 do CTN), constata-se que a isenção do • IPI deve ser enfocado com os termos do Decreto-lei 666/69, de maneira que o benefício só há de ser aplicado para mercadorias importadas e transportadas em navio de bandeira brasileira. Esse modo de pensar se harmoniza com remansosa jurisprudência desta Corte Superior de Justiça. A propósito, vem a calhar o pronunciamento da colenda 2' Turma, em voto condutor da lavra da ilustre Ministra Eliana Calmon, no sentido de que "o DL 666/69, seguindo jurisprudência consolidada do STJ, deve ser observado conjuntamente com a regra de isenção, de tal modo que o beneficio seja aplicado somente para 4 Processo n° 10480.012274/2001-39 CSRF-T3 Acórdão rx.° 9303-00.001 Fl. 173 importação de mercadorias transportadas em navio de bandeira brasileira" (REsp 262.587-CE, DJ 22/4/2002). No mesmo eito, assim já se pronunciou o preclaro Ministro João Otávio de Noronha (cf AG 348.925-SP, DJ 13/6/2003). Merece ser lembrado, também, o pronunciamento da colenda I" Turma (REsp 268.910-PR, Rel. Min. José Delgado, DJ 05/3/2001). (grifo nosso). Recurso especial provido por unanimidade. REsp 499905/RJ. Ministro Franciulli Netto — Segunda Turma. Julgamento em 28/09/2004. Desta forma, entendo que a r. decisão ora combatida não merece reforma, tendo em vista o fato de que o contribuinte perdeu o beneficio fiscal relativo ao II e ao IPI por haver importado a mercadoria em navio de bandeira estrangeira. Por fim, relativamente à informação constante do documento de fls. 79 - assim como decido no v. acórdão da Primeira Câmara - entendo que não tem o condão de manter o beneficio fiscal em tela. Isso por tratar-se de uma informação sobre eventual aceitação do embarque em navio de bandeira estrangeira e não urna autorização, o que seria viável por meio do "Waiver". Isto posto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE, mantendo na íntegra a r. decisão combatida. n Susy Gol )- - of ann 5
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Numero do processo: 15504.014891/2008-43
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
FUNCIONÁRIOS DE CARTÓRIOS ADMITIDOS ANTES DE 1994 E REGIDOS PELO REGIME ESTATUTÁRIO. NÃO VINCULAÇÃO AO REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL.
Os escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial, admitidos antes da vigência da Lei 8.935/94 e não optantes pelo regime celetista, continuarão vinculados à legislação previdenciária que anteriormente os regia, e, desde que estejam amparados por regime próprio de previdência que lhes garanta, entre outros benefícios, a aposentadoria, ficam, conseqüentemente, excluídos do RGPS conforme disposição contida no art. 13 da Lei n° 8.212/91. A EC 20/98 ao excluir do RGPS somente os detentores de cargo efetivo não atinge o direito adquirido dos funcionários de cartórios. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-002.865
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 FUNCIONÁRIOS DE CARTÓRIOS ADMITIDOS ANTES DE 1994 E REGIDOS PELO REGIME ESTATUTÁRIO. NÃO VINCULAÇÃO AO REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. Os escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial, admitidos antes da vigência da Lei 8.935/94 e não optantes pelo regime celetista, continuarão vinculados à legislação previdenciária que anteriormente os regia, e, desde que estejam amparados por regime próprio de previdência que lhes garanta, entre outros benefícios, a aposentadoria, ficam, conseqüentemente, excluídos do RGPS conforme disposição contida no art. 13 da Lei n° 8.212/91. A EC 20/98 ao excluir do RGPS somente os detentores de cargo efetivo não atinge o direito adquirido dos funcionários de cartórios. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrente MAURÍCIO LEONARDO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 FUNCIONÁRIOS DE CARTÓRIOS ADMITIDOS ANTES DE 1994 E REGIDOS PELO REGIME ESTATUTÁRIO. NÃO VINCULAÇÃO AO REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. Os escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial, admitidos antes da vigência da Lei 8.935/94 e não optantes pelo regime celetista, continuarão vinculados à legislação previdenciária que anteriormente os regia, e, desde que estejam amparados por regime próprio de previdência que lhes garanta, entre outros benefícios, a aposentadoria, ficam, conseqüentemente, excluídos do RGPS conforme disposição contida no art. 13 da Lei n° 8.212/91. A EC 20/98 ao excluir do RGPS somente os detentores de cargo efetivo não atinge o direito adquirido dos funcionários de cartórios. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15504.014891/200843 Acórdão n.º 230102.865 S2C3T1 Fl. 165 3 Relatório Tratase de Auto de Infração (AI) nº 37.184.2911, lavrado em 19/08/2008, por ter o contribuinte acima identificado deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço conforme registros constantes da folha de pagamento dos funcionários do Cartório fiscalizado, no período de 01/2004 a 12/2004, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 1.254,89, fls. 01. A autoridade fiscal entendeu que os funcionários listados no Anexo I não seriam detentores de cargo efetivo e não estariam abrangidos pelo Regime Próprio de Previdência do Estado de Minas Gerais. Após tomar ciência postal da autuação em 27/08/2008, fls. 29, a recorrente apresentou impugnação, fls. 31/43, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 9ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, no Acórdão de fls. 136/144, julgou o lançamento procedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 02/12/2009, fls. 148. O recurso voluntário, apresentado em 22/12/2009, fls. 149/160, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Afirma que os funcionários listados pela fiscalização foram contratados pelo regime estatutário antes da publicação da Lei 8.935/84 que concedeu a estes a faculdade de optar, expressamente, pelo regime celetista, conforme o art. 48 da referida Lei. Os funcionários citados não optaram pela transformação de seus regimes jurídicos e, portanto, continuaram regidos pelas normas aplicáveis aos funcionários públicos. Assim sendo, estariam excluídos expressamente do Regime Geral da Previdência Social, conforme art. 13 da Lei 8.212/91. Sustenta que a exclusão dos escreventes e auxiliares de Cartório Extrajudicial que não fizeram a opção pelo art. 48 da Lei 8.835/84 foi integralmente confirmada pela Portaria MPAS 2.701/95. Referese ao RPS (art. 9º, inciso I, alínea “o”) para registrar que o Decreto regulamentador apenas inclui no RGPS os funcionários de cartórios contratados a partir de 21/11/1994, o que não é o caso dos autos. Conclui que os funcionários listados no Anexo do lançamento não são vinculados ao Regime da Previdência Social e tampouco têm vínculo trabalhista regulado pelas normas da CLT, sendo indevidas quaisquer cobranças de contribuição para o fisco ou para terceiros. É o relatório. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Funcionários de Cartórios admitidos antes de 1994 e regidos pelo Regime Estatutário. A lei 8.212/91 assim dispõe sobre a aplicação ou não do Regime Geral da Previdência aos servidores dos Estados, Distrito Federal ou dos Municípios: Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Como se vê, o servidor público, além de ocupante de cargo efetivo, ou seja, além de regido pelo regime estatutário, deve estar amparado por Regime Próprio de Previdência Social para que não esteja submetido ao Regime Geral de Previdência Social. O regime jurídico dos funcionários dos cartórios foi alterado pela Lei 8.935/1994. A Portaria MPAS 2.701/95 regulamentou a situação da seguinte forma: PORTARIA MPAS Nº 2.701, DE 24 DE OUTUBRO DE 1995 DOU DE 26/10/1995 O MINISTRO DE ESTADO DA PREVIDÊNCIA E ASSISTÊNCIA SOCIAL, no uso das atribuições que lhe confere o parágrafo único, inciso II, do art. 87 da Constituição Federal. (...) Art. 1º O notário ou tabelião, oficial de registro ou registrador que são os titulares de serviços notariais e de registro, conforme disposto no art. 5º da Lei nº 8.935, de 18 de novembro de 1994, têm a seguinte vinculação previdenciária: a) aqueles que foram admitidos até 20 de novembro de 1994, véspera da publicação da Lei nº 8.935./94, continuarão vinculados à legislação previdenciária que anteriormente os regia; b) aqueles que foram admitidos a partir de 21 de novembro de 1994, são segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social, como pessoa física, na qualidade de Fl. 168DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15504.014891/200843 Acórdão n.º 230102.865 S2C3T1 Fl. 166 5 trabalhador autônomo, nos termos do inciso IV do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Parágrafo único. O enquadramento na escala de salário base, dos profissionais a que se refere a alínea b deste artigo, darseá em conformidade com as disposições dos §§ 2º e 3º do art. 29 da Lei nº 8.212/91. Art. 2º A partir de 21 de novembro de 1994, os escreventes e auxiliares contratados por titular de serviços notarias e de registro serão admitidos na qualidade de empregados, vinculados obrigatoriamente ao Regime Geral de Previdência Social, nos termos da alínea a do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91. § 1º Os escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial, contratados por titular de serviços notariais e de registro antes da vigência da Lei nº 8.935/94. que fizeram opção, expressa, pela transformação do seu regime jurídico para o da Consolidação das Leis do Trabalho, serão segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social como empregados e terão o tempo de serviço prestado no regime anterior integralmente considerado para todos os efeitos de direito, conforme o disposto nos arts. 94 a 99 da Lei nº 8.213/91 § 2º Não tendo havido a opção de que trata o parágrafo anterior, os escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial continuarão vinculados à legislação previdenciária que anteriormente os regia, desde que mantenham as contribuições nela estipuladas até a data do deferimento de sua aposentadoria, ficando, conseqüentemente, excluídos do RGPS conforme disposição contida no art. 13 da Lei nº 8.212/91. Art. 3º Os titulares de serviços notariais e de registro são considerados empresa em relação a segurado que lhe preste serviço na condição de empregado, nos termos do art. 15 da Lei nº 8.212/91, sendo devidas as contribuições para a seguridade de que trata a referida Lei. Parágrafo único. Os titulares de serviços notariais e de registro, embora pessoas físicas, que em virtude de suas atribuições estão obrigados ao registro no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da FazendaCGC, identificarseão junto ao Instituto Nacional do Seguro SociallNSS pela aposição do número do CGC nas guias de recolhimento, e os demais, dispensados deste, farão a sua identificação pelo número que será fornecido pelo INSS por ocasião da matrícula do contribuinte, naquela Autarquia. Art. 4º Esta portaria entra em vigor na data de sua publicação, com os efeitos financeiros retroativos a 21 de novembro de 1994, revogadas as disposições em contrário. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 Como pode ser observado, o regime jurídico da contratação dos servidores dos cartórios depende da data de admissão destes e, se admitidos antes até 20 de novembro de 1994, da existência ou não de Termo de Opção pelo regime celetista. Por fim, observamos que o §14º do art. 40 da Constituição Federal (CF), incluído pela EC 20/98 não pode atingir o direito adquirido em 1994 pelos funcionários de cartório, em obediência à cláusula pétrea do inciso XXXVI do art. 5º da CF. No caso em epígrafe, os documentos que constam em fls. 48/ 108 dos autos do processo 15504.014889/200874 demonstram que os trabalhadores listados pela fiscalização foram admitidos pelo cartório antes de 1994 e não há provas de que fizeram a opção pelo regime celetista, permanecendo, portanto, regidos pelo regime estatutário e sendo beneficiário de regime próprio de previdência, o que os exclui do RGPS, segundo o art. 13 da Lei 8.212/91. Observamos inclusive em fls. que um dos funcionários listados pela fiscalização já foi aposentado pelo regime próprio do Estado de Minas Gerais. Desta maneira, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB) não tem competência para exigir eventuais contribuições. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 170DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 14751.000415/2008-61
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006
PROCESSO JUDICIAL COM TRÂNSITO EM JULGADO. INTERFERÊNCIA NO LANÇAMENTO. SUSPENSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe a suspensão do processo administrativo fiscal, posto que o processo judicial, que supostamente poderia interferir no mesmo, teve trânsito em julgado, com decisão desfavorável ao sujeito passivo.
FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Tendo o Fisco comprovado que o sujeito passivo recebeu o anexo Fundamentos Legais do Débito - FLD, em que está discriminada a base legal das contribuições lançadas, incabível o argumento de que faltou a fundamentação jurídica do lançamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-002.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) negar o pedido de suspensão do processo; II) rejeitar a preliminar de nulidade; III) não acolher a argüição de decadência; e IV) no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para que sejam apropriados os valores de contribuição previdenciária constantes nos recolhimentos efetuados na sistemática do Simples.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Walter Murilo Melo Andrade e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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EFEITOS A PARTIR DO MÊS SUBSEQUENTE AO QUE SE DEU A SITUAÇÃO IRREGULAR OU DA DATA DA OPÇÃO. Incorrendo a empresa em vedação à opção pelo Simples, em razão de exercício de atividade incompatível com o sistema, os efeitos do ato cancelatório de exclusão se dão a partir do mês subsequente ao que ocorreu a situação excludente ou da data da opção. RECOLHIMENTOS PARA O SIMPLES. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DA PARCELA RELATIVA ÀS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Sob pena de haver bis in idem, devem ser considerados na apuração das contribuições previdenciárias, os valores recolhidos nas guias do Simples que foram destinados à Previdência Social. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. CONTAGEM PELA REGRA DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN. Inexistindo antecipação de recolhimento das contribuições previdenciárias, a contagem do prazo decadencial tem como marco inicial o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que os tributos poderiam ter sido lançados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 04 15 /2 00 8- 61 Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 PROCESSO JUDICIAL COM TRÂNSITO EM JULGADO. INTERFERÊNCIA NO LANÇAMENTO. SUSPENSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Não cabe a suspensão do processo administrativo fiscal, posto que o processo judicial, que supostamente poderia interferir no mesmo, teve trânsito em julgado, com decisão desfavorável ao sujeito passivo. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo o Fisco comprovado que o sujeito passivo recebeu o anexo Fundamentos Legais do Débito FLD, em que está discriminada a base legal das contribuições lançadas, incabível o argumento de que faltou a fundamentação jurídica do lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) negar o pedido de suspensão do processo; II) rejeitar a preliminar de nulidade; III) não acolher a argüição de decadência; e IV) no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para que sejam apropriados os valores de contribuição previdenciária constantes nos recolhimentos efetuados na sistemática do Simples. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Walter Murilo Melo Andrade e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14751.000415/200861 Acórdão n.º 2401002.728 S2C4T1 Fl. 1.026 3 Relatório Tratase do Auto de Infração n.º 37.098.3505, lavrado contra o sujeito passivo acima identificado para exigência de contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 114/119, as contribuições lançadas incidiram sobre: a) remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados (declaradas parcialmente em GFIP); b) remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais sócios e contador (não declaradas em GFIP). Foram também lançados valores relativos a glosas de saláriofamília, em razão da não comprovação do pagamento regular do benefício. Informase que a empresa foi excluída do Simples com efeitos retroativos a 01/01/2002, por prestar serviço em atividade vedada pela legislação que rege o referido sistema. Cientificada da autuação em 06/06/2008, a empresa ofertou impugnação, fls. 127/151, na qual alegou, em síntese, que: a) o processo deve ser suspenso até o transito em julgado do Recurso Especial REsp n.º 815.981, o qual foi impetrado pelo Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Paraíba, com o objetivo da inclusão da Autuada no Simples; b) o período de 02/2002 a 06/2003 foi alcançado pela decadência; c) como o ato de exclusão do Simples é de 2006, somente podem ser exigidas as contribuições originadas após esse marco, não sendo legítima a tributação retroativa; d) o Fisco não apresentou a fundamentação legal em que se baseou para efetuar a lavratura, o que torna nulo o AI; e) devem ser compensados os valores recolhidos na sistemática do Simples. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Recife (PE), julgou parcialmente procedente a lavratura, ver fls. 912/918. Foram excluídos, por transcurso do prazo decadencial, os períodos de 01 a 11/2002, 13/2002 e 01 a 03/2003. Na delimitação do prazo decadencial, foram utilizados o § 4.º do art. 150 do CTN para as competências em que se comprovou recolhimento antecipado das contribuições e o inciso I do art. 173, também do CTN, para os períodos sem antecipação de pagamento. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Quanto à suspensão do processo requerida pela empresa, a DRJ assinalou que a ação judicial não tinha o condão de paralisar o feito tributário, posto que o Tribunal Regional Federal da 5.ª Região denegara a pretensão da empresa, tendo havido recursos aos tribunais superiores com recebimento apenas no efeito devolutivo. Entendeu o órgão recorrido que os efeitos da exclusão do sistema simplificado de tributação se processam a partir do mês subsequente ao que ocorreu a situação excludente, conforme determina a legislação de regência, portanto, perfeitamente cabível a exigência das contribuições em período anterior ao ato que cancelou a opção da empresa pelo Simples. Também foi afastada a nulidade decorrente da falta de citação da base legal, por entender a DRJ que consta dos autos comprovante de recebimento do AI e seus anexos, dentre os quais, destacase o discriminativo denominado Fundamentos Legais do Débito. O pedido de compensação deixou de ser acatado em face da inexistência de comprovantes dos recolhimentos, além da impossibilidade de se fazer encontro de contas com contribuições não administradas pelo INSS. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 1.009/1.024, no qual, apresentou as mesmas alegações defensórias. Ao final, requereu: a) a suspensão do feito até decisão final no processo judicial mencionado; b) a exclusão, por decadência, dos fatos geradores ocorridos até 06/2003; c) que os efeitos da exclusão do Simples somente sejam produzidos no ano subsequente ao ato de exclusão; d) a nulidade do AI, posto que não foi apresentada a fundamentação legal que lhe deu sustentação; e) o abatimento das contribuições recolhidas na sistemática do Simples. É o relatório. Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14751.000415/200861 Acórdão n.º 2401002.728 S2C4T1 Fl. 1.027 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Suspensão do processo O sujeito passivo pede a suspensão do processo pelo fato de estar pendente de decisão o REsp n.º 815.931/PB, relativo ao Mandado de Segurança Coletivo impetrado pelo Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Paraíba, com o objetivo de manter a Recorrente no Simples. Verificase que esse pedido perdeu objeto. É que a referida ação transitou em julgado em outubro de 2010, conforme acordaram os membros da Segunda Turma do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: RECURSO ESPECIAL Nº 815.931 PB (2006/00223500) ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos esses autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, o seguinte resultado de julgamento: "A Turma, por unanimidade, conheceu em parte do recurso e, nessa parte, negoulhe provimento, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." Os Srs. Ministros Humberto Martins (Presidente) e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. Impedido o Sr. Ministro Castro Meira. Brasília (DF), 07 de outubro de 2010. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES , Relator Devese indeferir o pedido de suspensão do processo. Nulidade A Recorrente suscitou a nulidade do lançamento em razão da falta de citação da base legal que suportaria o lançamento. Essa alegação não deve prosperar. O Relatório Fiscal no seu item 6, trata especificamente dessa questão: 6. DISPOSIÇÕES GERAIS Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 6.1.0s dispositivos legais que prevêem a cobrança das contribuições em questão estão relacionados no relatório Fundamentos Legais do Débito FLD. De fato, encontramse os fundamentos devidamente elencados, por período e rubrica, no relatório de Fundamentos Legais do Débito, fls. 44/47, parte integrante do lançamento ora contestado, do qual foi cientificado o sócio gerente da empresa, consoante fl. 01 dos autos. Afastase a preliminar de nulidade. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14751.000415/200861 Acórdão n.º 2401002.728 S2C4T1 Fl. 1.028 7 Conforme relatado, a DRJ não acolheu a alegação de decadência para as competências 12/2002, 04, 05 e 06/2006. Para o período em questão, o prazo decadencial foi aferido pela norma do inciso I do art. 173 do CTN, sob a justificativa de que para as mesmas não teria havido antecipação de pagamento. De fato, analisando as guias de recolhimento discriminadas no Relatório de Documentos Apresentados – RDA, fls. 42/43, não há pagamentos para as referidas competências. Assim, acertou o órgão recorrido em aplicar o inciso I do art. 173 do CTN, para afastar a decadência para as competências 12/2002, 04, 05 e 06/2003, haja vista que a ciência do lançamento deuse em 06/06/2008. Produção de efeitos do ato de exclusão do Simples De início, cabe estabelecer que esse ponto não faz parte da ação judicial acima mencionada, por isso, não há óbice ao seu conhecimento. Conforme bem demonstrou a DRJ, os efeitos do ato de exclusão do Simples retroagem a data em que se verificou o impedimento, conforme previsto na Lei n.º 9.317/1996, na redação dada pela 11.196/2005: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...) II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9o desta Lei; (...) A causa de exclusão do Simples para a Recorrente foi a prestação de atividade incompatível com o sistema (inciso XIII do art. 9.º da Lei n.º 9.317/1996), portanto, a retroação dos efeitos do ato de exclusão à data em que ocorreu a situação excludente é legítima, sendo cabível a exigência das contribuições lançadas. Demais disso, há de se ter em conta que o STJ se manifestou sobre essa questão na sistemática dos recursos repetitivos (art. 534C do CPC). Eis julgado que comprova essa assertiva: TRIBUTÁRIO. INSTITUIÇÃO DE ENSINO. OPÇÃO PELO SIMPLES À ÉPOCA DA VEDAÇÃO DA LEI N. 9.317/96. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N. 10.034/00. SÚMULA N. 448/STJ. ENTENDIMENTO ADOTADO EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. EFEITO RETROATIVO DO ATO DE EXCLUSÃO DO SISTEMA. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 1. A jurisprudência desta Corte já se manifestou, quando do julgamento do REsp n. 1.021.263/SP, na sistemática do art. 543 C, do CPC, no sentido de que a Lei n. 10.034/00, que possibilitou que instituições de ensino optassem pelo SIMPLES Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 não pode ter efeitos retroativos, visto que ela não se enquadra em nenhuma das hipóteses do art. 106 do CTN. 2. No caso, a dívida constante do título executivo é do período compreendido entre janeiro de 1997 e fevereiro de 1998, época em que a ora recorrida não poderia ter optado pelo SIMPLES, haja vista a vedação da Lei n. 9.317/99. Assim, é de se reconhecer a possibilidade de atribuição de efeito retroativo ao ato que exclui a sociedade do SIMPLES, visto que desde a época da opção ela não preencheu os requisitos para aderir ao sistema. Precedentes. 3. Recurso especial provido.(grifei) (REsp 1194524 / RJ, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 01/09/2010). Essa decisão, por força do art. 62A do RI CARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, vincula os julgamentos desse Tribunal, justificandose, mais uma vez, o não acolhimento da alegação recursal sobre esse ponto. Pedido de compensação Dois foram os motivos que levaram a DRJ a não reconhecer direito creditório relativo a contribuições recolhidas pela Recorrente na sistemática do Simples: i) não apresentação dos comprovantes de recolhimento e ii) impossibilidade de haver compensação com contribuições não arrecadadas pelo INSS. Sobre esse ponto hei de discordar do posicionamento do órgão recorrido. Com a criação da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, mediante a Lei n.º 11.457/2007, não há mais a separação da administração dos tributos e das contribuições previdenciárias, posto que a arrecadação passou a ser do novo órgão criado pela fusão da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria da Receita Previdenciária. Quando à falta de apresentação das guias de recolhimento pelo sujeito passivo, verificase que esse obstáculo é facilmente contornado, posto que os recolhimentos constam do banco de dados da RFB. Não há, portanto, qualquer dificuldade em identificar nos recolhimentos efetuados na sistemática do Simples a parcela referente às contribuições previdenciárias patronais, a qual representa um percentual previsto na Lei n.º 9.317/1996. Diante dessas considerações e para que não haja um indesejado bis in idem, devem ser consideradas na apuração a parte dos recolhimentos para o Simples que foram destinadas à Seguridade Social. Conclusão Voto por afastar a preliminar de nulidade, por denegar o pedido de suspensão do processo, por não acatar a decadência e, no mérito, por dar parcial provimento ao recurso, para que sejam apropriados os valores de contribuição previdenciária constantes nos recolhimentos efetuados na sistemática do Simples. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14751.000415/200861 Acórdão n.º 2401002.728 S2C4T1 Fl. 1.029 9 Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10835.000310/2006-69
Data da sessão: Wed Sep 23 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Sep 23 00:00:00 UTC 2009
Ementa: : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004 DESPESAS LIVRO CAIXA. GLOSA.
Correia a glosa das despesas de livro Caixa, quando o contribuinte não logra comprová-las mediante documentação hábil.
RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA DECLARADOS E POSTERIORMENTE NEGADOS -PROFISSIONAL EMITENTE DE RECIBOS INIDÔNEOS.
Restou concluído nos autos que o contribuinte emitiu recibos fictícios sem a prestação dos serviços e sem o recebimento dos respectivos pagamentos; comprovado, ainda, que sua movimentação financeira foi baixa em relação aos rendimentos declarados e que, no período, não era proprietário de bens imóveis e nem de veículos. Presentes, portanto, nos autos, fartos indícios de que os rendimentos de fato recebidos não foram aqueles declarados, estes rendimentos devem ser desconsiderados.
MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO - CONCOMITÂNCIA.
Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1º, inciso III, da Lei n°. 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo.
MULTA QUALIFICADA. FALTA DE PROVAS.
Cabe ao auditor-fiscal provar que a ação ou omissão do contribuinte foi dolosa, requisito indispensável para a aplicação
da penalidade qualificada com base nos tipos descritos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964.
Numero da decisão: 2201-000.417
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, desqualificar a multa de oficio e, por maioria de votos, excluir da exigência a multa isolada. Vencida a conselheira Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), que mantinha a multa isolada, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Janaína Mesquita Lourenço de Souza
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