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Numero do processo: 15586.000055/2006-57
Data da sessão: Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: COMPENSAÇÃO NÃO-DECLARADA. APLICAÇÃO DE MULTA
ISOLADA. CABIMENTO. PERCENTUAL DEVIDO. NÃO-CABIMENTO
DE MULTA QUALIFICADA. AUSENCIA DOS PRESSUPOSTOS
LEGAIS DE QUALIFICAÇÃO. Cabe lançamento de multa isolada quando a
compensação é indevida ou não-declarada. O percentual aplicável deve obedecer a disposição dos incisos I e II da Lei 9.430/96. Incabível a aplicação da multa de 150% no caso de não ocorrência das hipóteses previstas nos artigos 71 a 73 da Lei 4502164.
Numero da decisão: 1402-000.055
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, reduzir a multa isolada de 150% (cento e cinqüenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Marcos Shigueo Takata,
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: Carlos Pelá
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Recorrida 3a TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ I COMPENSAÇÃO NÃO-DECLARADA. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. CABIMENTO. PERCENTUAL DEVIDO. NÃO-CABIMENTO DE MULTA QUALIFICADA. AUSENCIA DOS PRESSUPOSTOS LEGAIS DE QUALIFICAÇÃO. Cabe lançamento de multa isolada quando a compensação é indevida ou não-declarada. O percentual aplicável deve obedecer a disposição dos incisos I e II da Lei 9.430/96. Incabível a aplicação da multa de 150% no caso de não ocorrência das hipóteses previstas nos artigos 71 a 73 da Lei 4502164. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, reduzir a multa isolada de 150% (cento e cinqüenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Marcos Shigueo Takata, Albertina Ilya 8/ants de L . Presidente C los Peld - Relator EDITADO EM: 12 1J011 2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Carmen Ferreira Saraiva, Carlos Pelá, Ana de Barros Fernandes, Marcos Shigueo Takata e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório Trtata-se de recurso voluntário contra decisão da DRJ/R.TI, que manteve lançamento de multa isolada aplicada em razão de compensação indevida levada a efeito pelo contribuinte. O contribuinte efetuou compensações de crédito-prêmio de IPI cedido a ele por terceiros corn débitos de IRPJ e CSL. As compensações foram autuadas em dois processos administrativos, quais sejam, 15578.000008/2005-21 e 15578.000021/2005-81. A DRF, fundada ern pareceres emitidos pela SEORT, considerou as compensações "não-declaradas", em razão de serem oriundas de crédito-prêmio de IPI e terem se originado em relações juridicas em que figuravam terceiros. Por conta do indeferimento das compensações, tendo sido os créditos já declarados e constituídos pelo contribuinte, foi realizado lançamento de multa isolada no percentual de 150%, sob o fundamento de que o contribuinte inseriu informação falsa na DCOMP, uma vez que, segundo a acusação, declarou que os créditos não eram de terceiros, "e sim apurados por ela própria". De acordo com a autoridade autuante, o procedimento "configura crime contra a ordem tributária". 0 lançamento de multa isolada, portanto, teve como fundamento a impossibilidade de compensação dos créditos por serem de terceiros, por se originarem de crédito prêmio de IPI e por caracterizar crime contra a ordem tributária. lançamento foi fundamentado no artigo 18 da Lei 10.833/2003 e no artigo 90 da Medida Provisória 2.158-35/2001, além de dispositivos infralegais que vinculam a Administração. Contra o lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese: — o auto de infração é nulo, visto que é decorrente de processos administrativos, nos quais se verifica cerceamento de defesa, inconstitucionalidade, violava.° aos princípios da irretroatividade da lei tributária e da ampla defesa; — a administração tributária equivocou-se ao considerar os creditas compensados como se de terceiros fossem, visto que a cessão de crédito contratada pelo interessado, onde figura como cessionária, trata-se de alienação de crédito, decorrente de direito litigioso, reconhecido através de sentença judicial, transitada em julgado. Portanto, o crédito adquirido pelo interessado, como cessionário, converteu-se em crédito próprio, a teor do disposto nos art. 42, § 3o. e 567, II, ambos do Código de Processo Civil; — a Lei 9.430/96 não impede a transferência de créditos entre contribuintes diversos, quanta mais que o cessionário utilize tais créditos para compensação de seus débitos junto ao fisco; — a cessão de crédito, instituto previsto no Novo Código Civil (art. 286 e seguintes) e no Código Civil de 1916 (art. 1065 e seguintes) não e, e não pode ser vedada pelo Direito Tributário, eis que este não pode restringir o alcance daquele ramo do direito (art. 1)0 do C7W); — o Decreto Lei le 491/69, em seus §§ lo. e 2o. elenca os meios de utilização do crédito tributário, especificamente para o 2 Processo n° 15586.000055/2006-57 SI-C4T1 Acordo n.° 1402-00,055 Fl 2 crédito-prêmio de IPI, e em momento algum proibi a transferencia para terceiros; - ao fF1 crédito-prêmio e as suas formas de utilização se aplicam unicamente as regras contidas na legislação especifica, não sendo aplicável a vedação do art. 74 da Lei 9.430/96 e suas alterações (Leis te 10.637/2002 e 11,051/2004), pela aplicação do principio da hermeniutica em que a lei geral posterior não revoga a lei especial anterior (1,1CC art. 2"., § 2".); — a aplicação de critérios novos e mais rígidos aos procedimentos de compensação, definidos pela Lei e 11.051, de 30/12/2004 (posterior aos pedidos de compensação enviados entre 23/04/2004 e 12/11/2004), resulta em ilegalidade a violação de direito adquirido/fato consumado; — é flagrante a inconstitucionalidade da nova redação do art.. 74 da Lei 9.430/96 dada pela Lei n", 11.051/2004, na medida em que confronta os direitos constitucionais de petição, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa nos processos administrativos; — a multa em questão é ilegal, seja porque os processos administrativos a que se refere o auto de infração são nulos, seja porque a autuada não descumpriu qualquer obrigação tributária acessória, seja porque o procedimento de compensação tributária por levado a efeito não apresenta qualquer ilegalidade, seja porque a penalidade em questão viola os princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade, não-confisco e da capacidade contributiva, bem como pela aplicação de penalidades, por agentes de fiscalização, sent a observância dos princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, além do que não há possibilidade do interessado suportar a multa ora exigida; — a multa majorada pela fiscalização, com base no art, 25 da Lei n" 11.051/04, .foi aplicada ilegalmente, visto que os pedidos de compensação foram entregues em data anterior a vigência da citada norma, o que impede sua aplicação retroativa. Houve, assim, a majoração de penalidade coin base em legislação posterior, inaplicável, em razão do principio de irretroatividade da lei tributária a fatos anteriores. — a inviabilidade do procedimento de compensação tributária levada a efeito pelo interessado, por si só, não induz a existência de . fraude, a justificar a aplicação da multa quahficada ou no grau máximo, visto que a compensação de crédito-premio de IP1 não era proibida pela legislação anterior, vigente à incursão no ordenanzento jurídico pátrio da Lei n°12.051/04. Encerra a impugnação requerendo que: a) seja acolhida a preliminar de nulidade do auto de infração; b) seja julgada ilegal e improcedente a multa isolada; 3 c) alternativamente, na hipótese de que seja mantida a multa isolada, requer seja reduzida ao percentual de 75% (art. 44, inciso Ida Lei n°9.430/96,). A DRJ negou provimento A impugnação do contribuinte através de decisão que está assim ementada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 142 do CTN e 10 e 59 do PAP. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. A prova documental deve ser apresentada ,juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE Não compete à Delegacia da Receita Federal de Julgamento declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei CESSÃO DE CRÉDITO. CONVENÇÕES PARTICULARES. As convenções particulares não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo dos obrigações tributárias correspondentes. JURISPRUDÊNCIA ADM17VISTRATIVA. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados, sem lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário, Assunto. Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2004 IRPJ CSLL, CESSÃO DE CRÉDITO. CRÉDITO DE TERCEIRO. Caracteriza-se como de terceiro, o crédito obtido por meio de contrato de cessão. 11W CSLL. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS, Ao sujeito passivo é defeso compensar débitos próprios com créditos de terceiros. IRPJCSLL. COMPENSAÇÃO. MULTA ISOLADA , cabível a multa isolada de 150% sobre os débitos indevidamente compensados, quando comprovado que o interessado utilizou créditos não passíveis de compensação, 4 Processo n° 15586000055/2006-57 S1-C4T1 Acórdão n ° 1402-00.055 Fl 3 CSLL. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. PERCENTUAL. VIGÉNC1A. A previsdo para a exigência da multa isolada de 150%, decorrente de compensação indevida, foi inaugurada com a Lei n"10.833, de 29/12/2003.. O contribuinte apresentou recurso voluntário em que repisa os argumentos da impugnação, já transcritos acima. o relatório. Voto Conselheiro Carlos Pelá - Relator 0 recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Com relação à alegação de nulidade/cerceamento de defesa entendo que o contribuinte não tem razão. 0 auto de infração, lavrado por autoridade competente, descreve os fatos e os fundamentos jurídicos que levaram o agente a imputar ao contribuinte a multa isolada que se cobra através deste processo. A discussão sobre o cabimento ou não de manifestação de inconformidade contra a não-homologação das compensações não faz parte destes autos, pois discutidos em processos autonômos, a esta altura já decididos, inclusive. Em verdade, o presente processo administrativo limita-se A aplicação da multa isolada em face de as compensações efetuadas pelo contribuinte não terem sido aceitas. A regularidade das compensações não está em debate neste processo, embora as partes tenham gastado muita energia no seu debate. Nos restringiremos, portanto, ao objeto deste. As compensações foram efetuadas em 23/04/2004 e 12/11/2004, tendo sido indeferidas porque realizadas fora das hipóteses legais, segundo a autoridade administrativa, que sequer possibilitou ao contribuinte apresentar manifestação de inconformidade, entendendo que a compensação deveria ser considerada não-declarada, portanto, sem possibilidade de recurso contra sua recusa. Constatada a impossibilidade de compensação, determinou fosse aberta uma respresentação fiscal para aplicação de multa isolada. A legislação utilizada para aplicação da multa isolada foi o artigo 90 da Medida Provisória 2.158-35/2001, verbis: Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, 5 decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e as contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. A medida provisória, a época do lançamento, era complementada pela Lei 10.833/2003, que determinava: Art. 18. 0 lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisária n°2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada sobre as diferenças- apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar-se-á unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito set de natureza não tributória, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964: § 1 0 Nas hipóteses de que trata o copra, aplica-se ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6° a 11 do art. 74 da Lei n°9,430, de 27 de dezembro de 1996, § 2° A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos 1 e 11 ou no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. 3° Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não- homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das nudtas a que se refere este artigo, as peps serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. Entendeu a fiscalização que o contribuinte incidiu nas hipóteses acima em razão de o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, além de ter se originado de conduta caracterizada como crime contra a ordem tributária. No tocante à vedação de compensação por expressa disposição legal, fundamentou sua decisão no fato de que o crédito não poderia ser compensado com débito do contribuinte porque originado de relação tributária em que figurava terceiro, não ele, conforme vedação prevista na Lei 10.63712002, artigo 49, bem como na legislação do WI, que estabelecia as formas pela qual o crédito-prémio seria aproveitado, limitando este aproveitamento ao próprio exportador. No tocante à conduta tida como criminosa, cita a declaração falsa feita pelo contribuinte, mas não enquadra esta conduta em nenhuma norma legal expressa. Com isso, aplicou multa qualificada de 150%. A respeito da aplicação da multa isolada, dispunha a Lei 10.833/2003: § 2' A multa isolada a que se refere o capta é a prevista nos incisos I e II ou no Ç 2° do art. 44 da Lei le 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso A Lei 9 430/96, por sua vez, dispunha, na ocasião: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferenga de tributo ou contribuição: 6 Processo n° 15586.000055/2006-57 S1-C4T1 AcOrcido n.° 1402-00.055 Fl 4 I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei le 4,502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Note-se que a aplicação da multa qualificada, prevista no inciso II acima, restringia-se aos casos em que ficasse caraterizada alguma das condutas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, cuja redação é a seguinte: Art. 71. Sonegação é Oda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade,fazendária - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tóda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardai; total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impósto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art, 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. A parte o fato de a autoridade não ter tipificado a conduta, identificando-a com uma das hipóteses acima, o que por si so invalidaria a qualificação da multa, não se verifica, do ato praticado pelo contribuinte, qualquer das hipóteses normativamente descritas. Com efeito, o contribuinte declarou o valor do tributo apurado, o que já afasta a hipótese de sonegação, uma vez que ele não pretendeu esconder a ocorrência do fato gerador, que, aliás, não foi afetado pela compensação, que atua na extinção do crédito declarado, não no seu surgimento. Da mesma forma, a fraude também se reporta ao surgimento do fato gerador do tributo ou a ações que modificam suas características, com vistas a reduzir o montante, a evitar ou a diferir seu pagamento. Ao contrário do que afirma a autoridade, o contribuinte não informa que apurou, ele próprio, o tributo devido, declarou apenas, como era a exigência do programa de compensação da época, que o credito não era de terceiro. De fato, uma operação de cessão de crédito, seja ele da natureza que for, fiscal inclusive, 6. absolatamente possível de ser realizada, B um negócio civil, não só não- vedado, como expressamente previsto no Código Civil, O fato de ele não ser compensável corn débitos do contribuinte perante o Fisco, uma vez que a compensação segue regras que a legislação tributária estabelece, não significa que o crédito não exista, nem que não pertença a lI 7 ele., Quando o contribuinte delcarou que o crédito não era de terceiros, afirmou algo que refletia extamente o negócio jurídico que fez com terceiro, que cedeu a ele referido crédito. Não 6 compensivel, é verdade, mas não signfica que não pertença a ele e que não deva a ele ser devolvido pela União, devedora que é do valor respectivo. Afirmar, portanto, que o contribuinte declarou que o crédito foi "apurado por ele próprio", como fez a autoridade, não corresponde h. realidade, uma vez que a declaração mandava apenas indicar se o crédito pertencia ou não a ele. Parece-me claro que o contribuinte interpretou equivocadamente as normas que autorizavm a compensação, sem intenção aparente de lesar o Fisco, uma vez que utilizou crédito existente para compensar débitos que ele próprio declarou. Tampouco me parece ter havido conluio, já que o negócio perpetrado entre cedente e cessionário foi absolutamente legal (cessão de crédito), feito As claras e informado h. Receita e h Procuradoria. Assim, não pode prevalecer a imposição de multa qualificada prevista no inciso IT do artigo 44 da Lei 9.430/96, por não se poder enquadrar nas suas hipóteses o fato praticado pelo contribuinte, isso sem mencionar que o auto não faz nenhum enquadramento, limitando-se a mencionar a ocorrência de ilícito penal, sem especificá-lo ou tipificá-lo. No tocante h. imposição de multa de lançamento de oficio, aplicada isoladamente por força do artigo 18 da Lei 10.833/2003, sua regularidade pressupõe o indeferimento da compensação nos processos administrativos em que se debateram as compensações efetuadas. A propósito, este processo administrativo, em que se discute a aplicação de multa isolada, deveria ter sido reunido aos anteriores para decisão simultânea, uma vez que a aplicação da multa isolada pressupõe decisão anterior que considera indevida ou ilegal a compensação. Não é outro o entendimento que se pode extrair dos parágrafos 10 e 2° do artigo 18 da Lei 10.833/2003, que novamente transcrevo: Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n°2,158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á a imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar-se-6 unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributciria, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964.. § I' Nas hipóteses de que trata o caput, aplica-se ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6' a 11 do art. 74 • da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996 § 2' A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2' do art. 44 da Lei le 9,430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 3" Ocorrendo manifestagdo de inconformidade contra a lido- homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peps serão reunidas em um único processo para serem t decididas simultaneamente. (grifei) O sistema tinha uma lógica perfeita: certas compensações não eram permitidas. Realizadas compensações não-permitidas, o procedimento não deveria ser homologado e a ele deveria ser aplicada multa isolada. Para evitar decisões divergentes, os 8 Processo n° 15586.000055/2006-57 S1-C4T1 Acórdão n ° 1402-00.055 FL 5 processos, tanto o que analisava a compensação, quanto o que aplicava a multa de oficio deveriam ser decididos conjuntamente. Os parágrafos 6° ao 11 do artigo 74 da Lei 9.4.30/96, introduzidos pela mesma Lei 10.833/2003, estabelecia o rito de apreciação das compensações e das manifestações de inconformidade contra sua não homologação. Vejamos: § 6° A declaração de compensação constitui confisslio de divida e instrumento hábil e sufi ciente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, § Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados, § 8° Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § r, o débito serci encaminhado a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da Unido, ressalvado o disposto no § § facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no ,§ apresentar manifestação de inconformidade contra a não- homologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestagdo de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes, § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 92 e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto )12 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei n2 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. Portanto, o presente recurso deveria estar sendo decidido conjuntamente com os recursos eventualmente interpostos contra a não-homologação das compensações. Ocorre que os processos em que se discutem as compensações, já informados, encerraram-se no âmbito administrativo sem que fosse dada oportunidade ao contribuinte para apresentar manifestação de inconformidade, uma vez que as compensações foram consideradas não- declaradas. A impossibilidade de apresentação de manifestação de inconformidade naqueles processos, repito, não está em julgamento nestes autos, que tratam apenas da multa, mas certamente representam uma subversão da lógica do sistema vigente na ocasião da apresentação das compensações. Tanto que a lei 11.051/2004, que passou a viger a partir de 2005, posteriormente h compensações discutidas, incluiu as hipóteses de compensações que seriam consideradas não-declaradas, através da modificação do §12 do artigo 74 da Lei 9.430/96 (art. 4°), ao mesmo tempo em que modificou o artigo 18 da Lei 10.833/2003 (art. 25) que dispunha sobre a aplicação das multas isoladas. Vejam o novo texto do artigo 18 da Lei 10.833/2003: 'Art. 18, 0 lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória te 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar- se-á a imposição de multa isolada em razão da não- 9 homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts, 71 a 73 da Lei re 4.502, de 30 de novembro de 1964. 0 novo artigo 18 da Lai 10.833/2003 deixou de prever a aplicação da multa isolada nas hipóteses de "o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária", mantida a previsão das compensações em que ha prática de atos de sonegação, fraude ou conluio. Novamente apelo para a lógica do sistema: se nos casos de impossibilidade legal ou crédito não-tributário não se considera declarada a compensação, não há sentido aplicar a esta compensação multas isoladas, uma vez que haverá apenas e tão-somente lançamento de oficio, já acrescido das multas correspondentes. Quando o sistema foi modificado, para prever a hipótese de compensação não-declarada, mudou-se também a lógica da imposição de multas isoladas. Tanto que se fosse possível considerar não-declarada a compensação, a multa isolada nem caberia, a menos que constatadas as práticas criminosas que, como vimos, não foram identificadas. No entanto, mais uma vez repito, nestes autos, não se discute a possibilidade ou não das compensações, uma vez que estas compensações foram analisadas em outros processos e já consideradas não-declaradas, por aplicação de uma norma e de um sistema que época dos fatos não era vigente. Todavia, considerando a decisão já tomada nos autos precedentes, que teve como indevidas as compensações, e na impossibilidade de julgar estes autos conjuntamente com aqueles, partimos destas decisões para apreciar a multa isolada. Sendo indevidas as compensações, porque o credito era de terceiro e porque crédito não era passível de compensação pela sua natureza, parece-me configurada a hipótese de aplicação da multa isolada prevista no artigo 18 da Lei 10.833/2003. Por falta de configuração de qualquer das hipóteses previstas nos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64, contudo, a multa isolada deve ser reduzida para o percentual previsto no inciso I do artigo 44 da Lei 9.430/96, ou seja 75%. Deixo de apreciar as demais matérias alegadas no recurso por não terem relação com o objeto nestes autos discutido. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso interposto e dar-lhe parcial provimento para reduzir a multa isolada ao patamar de 75% previsto no inciso I do artigo 44 da Lei 9.430/96, nos termos o artigo 18 da lei 10.8'33/2003. • • 10 Processo n° 1558600005512006-57 S1-C4T1 Actirdao no 1402-N.055 Fl 6 TERMO DE IINTEVIAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3 0 , do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasilia, 12 NOV 2010 ,Maristetabie Sousaaodrigues - Secretaria da Cãmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [] apenas com ciência; [ com Recurso Especial; []com Embargos de Declaração. 11
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Numero do processo: 11128.007227/2002-36
Data da sessão: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 29/10/2002
MULTA POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS
IMPORTAÇÕES. FALTA DE GUIA DE IMPORTAÇÃO.
DECLARAÇÃO INEXATA DA MERCADORIA.
Há de ser mantida a multa por infração administrativa por falta de Guia de Importação, quando o contribuinte não indicar corretamente, nos documentos aduaneiros, a descrição correta da mercadoria importada, ex vi do inciso II do artigo 526 do Regulamento Aduaneiro, Decreto n° 91.030/85.
MULTA POR ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Se o contribuinte concorda que a classificação fiscal das mercadorias é diversa da indicada nos documentos aduaneiros, não há que recorrer da multa por classificação incorreta, visto que se trata do caso típico de sua aplicação.
A infração capitulada no art. 84 da Medida Provisória n° 2.158-35, de agosto de 2001, insere-se no plano da responsabilidade objetiva, hão reclamando, portanto, para sua caracterização, a presença de intuito doloso ou má-fé por parte do sujeito passivo.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-000.174
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Vanessa Albuquerque Valente
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Recorrida DRJ-SÃO PAULO/SP ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 29/10/2002 MULTA POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. FALTA DE GUIA DE IMPORTAÇÃO. DECLARAÇÃO INEXATA DA MERCADORIA. Há de ser mantida a multa por infração administrativa por falta de Guia de Importação, quando o contribuinte não indicar corretamente, nos documentos aduaneiros, a descrição correta da mercadoria importada, ex vi do inciso II do artigo 526 do Regulamento Aduaneiro, Decreto n° 91.030/85 MULTA POR ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Se o contribuinte concorda que a classificação fiscal das mercadorias é diversa da indicada nos documentos aduaneiros, não há que recorrer da multa por classificação incorreta, visto que se trata do caso típico de sua aplicação. A infração capitulada no art. 84 da Medida Provisória n° 2.158-35, de agosto de 2001, insere-se no plano da responsabilidade objetiva, hão reclamando, portanto, para sua caracterização, a presença de intuito doloso ou má-fé por parte do sujeito passivo. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2 Câmara / P Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente Vis,NESSA ALBUQUERQUE VALENTE Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Irene Souza da Trindade Torres, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Nilton Luiz Bartoli e Heroldes Bahr Neto. Processo n° 11128.007227/2002-36 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.174 Fl. 79 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto integralmente o relatório componente da decisão recorrida, às fls. 115/124, que transcrevo, a seguir: "Através da Declaração de Importação n° 02/0949473-4, registrada em 29/10/2002 , a empresa acima qualificada submeteu a despacho de importação, adição 001, nos itens 001 e 002, as mercadorias descritas como: 001 — 32.000 fardas de entretelas tecidas width 58/60", T-5060; 002 — 22.000 jardas de entretelas tecidas width 58/60", IT-7760. Em ato de conferência física foi solicitada assistência técnica de engenheiro credenciado através da SAR 2515 GCOF. O Laudo Sat 2515, fls.22 descreveu: Quesito 01 — Correlação do material têxtil com o descrito na DI Na análise observa-se dois tipos de padronagem (contrução) e identificado pelo fabricante como TR5060 e IT7760 conforme amostras em anexo. Com auxílio de uma lente de contar fios, observei a diferença na contrução do tecido assim como a presença de resina em uma das superfícies do tecido. Esta resina pode ser observada no tecido sem auxílio da lente, basta observar os pontos de brilho no tecido que corresponde a resina na superfície. Este tipo de tecido com resina recebe o nome de entretela sendo sua aplicação na área têxtil, sua função é ser anexada a outro tecido através da fusão da resina e assim proporcionar uma estabilidade ao tecido principal. Quesito 02 — Qual a composição do tecido? Os artigos identificados como T 5060 e IT 7760 apresentam o mesmo material têxtil: filamentos: Poliester texturizado composição: 100% cor/largura: Natural/larg. 150cm • Quesito 3 - Demais considerações julgadas pertinentes. Para identificação do material têxtil analisado não há necessidade de outras informações técnicas. (,L4 3 Foram formulados novos quesitos, posteriormente, fls. 25, os quais assim foram respondidos: Quesito 01 - A designação "entretela" especifica o tipo de tecido e sua composição ou refere-se a aplicação/utilização do mesmo? R. Para nós técnicos entretela é a composição de um tecido, uma malha ou um não tecido mais uma resina. Um tecido sem esta resina não pode ser chamado de entretela e sim tecido. A resina somente não pode se chamada de entretela. A junção destes dois elementos chamamos de entretela e automaticamente, já sabemos de sua função na área têxtil. A composição, trata-se de material têxtil do qual o tecido, a malha ou não tecido é produzido, em quase sua totalidade a composição é de fibras sintéticas. Quesito 02 - A designação "entretela tecida width: 58/60" contém todos os elementos necessários a identificação da mercadoria e seu enquadramento tarifário? R. Para o técnico têxtil a designação entretela já informa a aplicação na área têxtil. Quesito 03 - Trata-se de malha ou tecido plano? Amostra 1— com sua aplicação, temos entretela de tecido plano; Amostra II — com sua aplicação, temos entretela de malha. Quesito 04- Em se tratando de malha é de trama ou urdidura? R. Na amostra II trata-se de malha de urdideira. Quesito 05 - Trata-se de tecido de fibra sintética ou artificial? Trata-se de filamentos sintético. Quesito 06 - Descrever detalhadamente as mercadorias, informando sua composição, e se são tecidos crus, branqueados, tingidos, com fios de diversas cores ou estampados, de forma a permitir seu correto enquadramento tarifário. R. Para amostra I e II — fil. Poliestr 100% textur., cor natural do fio(sem tingi.) Para amostra I, artigo: tecido plano + res. Para amostra II, artigo: malha de urdideira + res. Quesito 07- Demais considerações julgadas pertinentes. • R. Não sendo necessárias outras informações adicionais. Assim entendeu a fiscalização que a mercadoria do item 001 — entretela de tecido plano de fibra sintética de poliéster (100%), texturizado, cor natural, deve ser classificada no código 5407.51.00; Item 002 entretela de tecido em malha de urdidura, de fibra sintética de poliéster (100%), texturizado, cor natural, deve ser classificada no código 6005.31.00. 401 ,̀ Processo n° 11128.007227/2002-36 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.174 Fl. 80 Assim, entendeu a fiscalização que foram as mercadorias importadas ao desamparo de Guia de Importação, incorrendo na multa capitulada no artigo 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro, combinado com Ato Declaratório Normativo Cosit 12/97, uma vez que a descrição das mercadorias não continha todos os elementos necessários a sua identificação e ao seu enquadramento tarifário. Foi também lançada a multa por erro de classificação (M.P. 2158/01) por ter a empresa classificado incorretamente as mercadorias na NCM, ficando sujeita, assim, ao recolhimento da multa prevista no inciso I, do artigo 84 da Medida Provisória n°2158/01. A empresa solicitou, com base na Portaria MF389/76 a liberação da mercadoria. Entretanto, de acordo com a informação de fls. 107, a nova NCM determinada pelo fisco para a mercadoria constante do item 002 da adição 6005.31.00 exige LI não automática, com anuência do DECEX. O item 6, alínea b da citada Poraria estabelece a sua inaplicabilidade no caso de mercadoria importada ao desamparo de Guia de Importação ou documento equivalente. O pedido foi assim indeferido. Posteriormente mediante garantia representada pelos depósitos dos valores objeto do auto de infração, o pedido de liberação da mercadoria foi deferido, fls. 71 do processo anexo. Ciente da Autuação em 19/12/02, em 23/12/02, a interessada apresentou a impugnação de fls. 33 a 53, onde alegou: - a defendente declarou genericamente o produto como: "TECIDO DE FILAMENTO POLIÉSTER TEXTURIZADO 85% FIOS DE DIVERSAS CORES"; e, especificamente: "T-5060 entretelas tecidas width: 58/60!". Qtde: 32.000 JARDAS — e, IT-7760 ENTRETELAS tecidas width; 58/60" Qtde: 22.000 JARDAS". - o único erro existente foi o da citação de que os FIOS SERIAM DE DIVERSAS CORES, quando, na realidade, os fios são de uma só cor, natural (branca), conforme se observa das amostras que fazem parte integrante do Laudo emitido por aquele Assistente Técnico. O código 5407.53 alberga os fios de diversas cores e o código 5407.51 abriga os fios crus ou branqueados, daí a reclassificação efetuada pela Fiscalização para o material do Item 001 da Adição 001 da Declaração de Importação de que se trata. Á posição 5407, acolhe os TECIDOS DE FIOS DE FILAMENTOS SINTÉTICOS; - O Sr. Fiscal alega que a mercadoria desse Item 001 seria uma "entretela de tecido plano de FIBRA sintética de poliéster (100%)" (destácou-se), mas a enquadra na Posição 5407 que dá guarida AOS TECIDOS, DE FIOS DE FILAMENTOS SINTÉTICOS, incluídos os tecidos da posição 5404, que nada tem a ver com a FIBRA sintética! Com efeito, apesar de dizer que se trataria de tecido de fibra sintética o Sr. Auditor Fiscal o enquadra, repita-se, entre os tecidos de fios de filamentos sintéticos; Ad, 5 - se trata mesmo de entretelas tecidas com fios de filamentos sintéticos poliéster texturizados 100%, classificável, sem dúvida, no código 5407.51.00 da NCM- NBM-TEC; - os tipos T-5060 (item 001) e IT- 7760 (Item 002) também são coincidentes, assim, como o são a própria mercadoria importada e declarada, qual seja, ENTRETELA TECIDA com fios de filamentos sintéticos texturizados 110%; - o texto da peça fiscal autuante, no entanto, do modo como esta redigido, evidencia que o digno Sr. Fiscal interpretou de forma equivocada o teor do Laudo que ele próprio cita em tal peça como sendo base da autuação, vez que as ENTRETELAS CONSTANTES DOS Itens 001 e 002 da DI , exatamente como declaradas e aqui chegadas, não foram consideradas pelo Sr. Assistente Técnico como sendo DE FIBRAS SINTÉTICAS!! Uma leitura mais atenta da peça técnica revelará que as entretelas são TECIDAS COM FIOS DE FILAMENTOS SINTÉTICOS POLIÉSTER TEXTURIZADOS 100%; - é de capital importância destacar o fato de que o Sr. Assistente Técnico afirmou, de forma clara e insofismável, que "Os artigos identificados como T 5060 e IT 7760 APRESENTAM o mesmo material TEXTIL"; - se o material fosse um tecido de FIBRA sintética, di-lo-ia o Sr. Assistente Técnico em seu Laudo e este não afirmou que os tecidos seriam de fibra sintética. Enfatizou, ao contrário, que são efetivamente tecidos compostos de filamentos de poliéster texturizados 100%. E esta afirmação se contém no laudo primitivo (Resposta ao Quesito n° 2); - o Sr. Assistente Técnico, em momento algum, afirmou que as amostras examinadas revelaram tratar-se de material têxtil de fibra sintética. O que ocorreu é que a Resposta não foi direta, preferindo aquele profissional tecer considerações genéricas e didáticas acerca do que é , para eles, técnicos têxteis, uma entretela e quais os elementos que podem compô-la, tanto que a Resposta está revestida de caráter geral; - os dois tipos de material importado são TECIDOS DE FIOS DE FILAMENTO SINTÉTICO (POLIÉSTER) 100% TEXTURIXADOS, é óbvio que os mesmos classificam-se no código 5407.51.00 da NCM — NBM — TEC, que alberga nominalmente os "TECIDOS DE FIOS DE FILAMETNOS SINÉTICOS" (branqueados) e não entre os produtos compostos de FIBRA sintética ou artificial, donde se conclui que o presente caso comporta tão-somente a mudança dos dois tipos de tecidos do código 5407.53.00 para 5407.51.00, em razão de na declaração constar diversas cores e se tratar de uma só cor (natural — branqueada); - e a subposição 51 engloba os tecidos que tenham pelo menos 85%, em peso, de filamentos de poliéster texturizados e os Crus ou Branqueados, sendo indiscutível, portanto, que os dois artigos importados e declarados estão enquadrados no código 5407.51.00 da NCM-NBM-TEC, pois o Sr. Assistente técnico não desmente que os artigos importados e declarados possuem 85%, em peso, de filamentos de poliéster texturizados.; - incabível, a multa por suposta falta de licença de Importação para os produtos em questão, sob a infundada alegação de que a composição dos mesmos seria Processo n° 11128.007227/2002-36 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.174 Fl. 81 FIBRA, quando o Sr. Laudista não fez essa afirmação, mas, ao contrário, foi taxativo ao se referir a ambos os tipos como constituídos Por filamentos de poliéster texturizados 100%; - requer seja a presente ação fiscal julgada improcedente." Os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II - SP, a qual considerou o lançamento procedente e proferiu Acórdão, do qual extrai-se a seguinte ementa: "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS DATA DO FATO GERADOR: 29/10/2002 Ementa FALTA DE LICENCIAMENTO. MULTA POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. Cabível a penalidade administrativa em razão de descrição incompleta da mercadoria na declaração de importação. Lançamento Procedente" Regularmente intimada da decisão de 1' Instância, a Contribuinte intepôs Recurso Voluntário, em 14/05/2007, no qual repisou os argumentos trazidos por ocasião de sua impugnação, requerendo, ao final, a reforma da decisão recorrida. É o Relatório. \1 7 Voto Conselheira VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE, Relatora O Recurso Voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade pievistos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Câmara. Conforme se constata do relatório, trata o presente processo de importação realizada pela empresa FREUDENBERG NÃO TECIDOS LTDA & CIA. Recorre a Contribuinte da decisão proferida pela DRJ de origem, que julgou procedente o lançamento por entender correta a reclassificação feita pela autoridade fiscal. Em suas razões recursais, sustenta a Recorrente, que a exigência capitulada no art. 526, inc. II, do Regulamento Aduaneiro, é incabível ao caso concreto, por se tratar apenas de erro formal de classificação, estando a mercadoria perfeitamente identificada nos documentos de importação. Aduz, que bastava a fiscalização ter reclassificado as entretelas do código 5407.53.00 para o código 5407.51.00, vez que a única divergência constatada foi quanto à cor da mercadoria, não havendo nenhuma repercussão fiscal, tributária ou cambial. Na presente questão, segundo se verifica, busca a Recorrente afastar a aplicação da multa de controle administrativo, prevista no art. 526, inc. II, do Regulamento Aduaneiro, Decreto 91.030/85, em face da desclassificação do produto importado. Da análise de mérito, no que diz respeito à multa por falta de Guia de Importação ou documento equivalente, por descrição inexata da mercadoria, extraio o entendimento de que tal multa deve prosperar. Na espécie, impende explicitar que a classificação fiscal deve levar em consideração as características intrínsecas e extrínsecas da mercadoria analisada. Para tanto, é imprescindível que a descrição de fato da mercadoria seja coincidente com a descrição da hipótese da norma de incidência contida na NCM. Toda classificação tem como pressuposto um valor, uma característica essencial, uma série de requisitos conotativos que comparados aos elementos definirá se cada um deles pertence ou não a um determinado sistema, ou seja, a classificação impõe a determinação de características que diferenciará as classes a que pertencem cada elemento, por isso, classificação. No presente processo, conforme bem ressaltado pela autoridade julgadora de P instância, verifica-se que a interessada solicitou licença para importar "entretela", tendo omitido, em sua descrição, a cor da mercadoria. Para a entretela do item 002, cujo código a fiscalização considerou como correto o 6005.31.00,entendeu a DRJ, perfeitamente correto o feito fiscal, uma vez que o tecido foi identificado no laudo técnico como malha de urdideira. gl-P1111".1 Processo n° 11128.007227/2002-36 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.174 Fl. 82 Diante dessas constatações, a decisão recorrida considerou procedente o lançamento, por entender que restou caracterizada a descrição incompleta da mercadoria na Licença de Importação, e, em conseqüência, configurada a infração. No caso em pauta, entendo que assiste razão à autoridade julgadora de primeira instância, em seus fundamentos, pois, de fato, o conhecimento da cor da mercadoria, in casu, é vital para a perfeita identificação e classificação fiscal da mercadoria. Da análise das peças processuais que compõem a lide ora em julgamento, observa-se que a descrição das mercadorias efetuada pela Recorrente não preenche a condição de estarem corretamente descritas com todos os elementos indispensáveis à siia identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. A respeito da identificação das mercadorias importadas, é de se esclarecer, que o "Laudo Técnico" às fls. 22/23, e seu "Aditamento", fls.26/27, atestam que tais mercadorias são de cor natural, diferentemente do que consta na Declaração de Importação n° 02/0949473. Constata-se da informação técnica, supra-citada, que as mercadorias em questão tratam-se de filamentos sintéticos, sendo: "Amostra I — entretela de tecido plano; Amostra II— entretela de malha de urdideira." Na presente questão, não vejo como acolher a alegação da Recorrente de que as mercadorias estariam perfeitamente descritas com todos os elementos necessários à sua correta identificação. Note-se, reconhece, a própria Contribuinte, que houve falha na descrição das mercadorias, pois, tanto em sua Impugnação quanto em seu Recurso Voluntário, explicita que: "A Única falha da Declarante foi a de ter citado, erroneamente, que os FIOS SERIAild DE DIVERSAS CORES, quando na realidade são de uma só cor, natural (branca), como se depreende das amostras retiradas, devendo-se dizer que o código 5407.53 acolhe os fios de diversas cores e o código 5407.51 os de uma só cor, devendo os mesmos, portanto ser classificados no código 5407.51 e não no 5407-53". Do que consta dos autos, está claro que a Contribuinte não descreveu corretamente as mercadorias na Declaração de Importação n° 02/0949473, apresentada à autoridade fiscalizadora. No caso "in concretum", a leitura da norma tida como violada é clara ao tratar da matéria: Art. 526. Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas: (.) H — Importar mercadoria do exterior sem guia de importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais; multa de trinta por cento (30%) do valor da mercadoria; (..) r/ 9 Com o advento do SISCOMEX, a guia de importação foi substituída pela Licença de Importação ( automática ou não-automática), conforme dispõe o § 1° do art. 6° do Decreto n° 660/92: "Para todos os efeitos legais, os registros informatizados das operações de exportação ou de importação no Siscomex, equivalem à Guia de Exportação, à Declaração de Exportação, ao Documento Especial de Exportação, à Guia de Importação e à Declaração de Importação". Com isso, toda mercadoria importada está sujeita a um crivo, à anuência de um ou vários órgãos competentes, ainda que seja para verificação da não-existência, no momento do registro da declaração, de restrições ou requisitos a serem cumpridos à sua importação. Esse entendimento de que todas as importações estão sujeitas a licenciamento encontra respaldo legal na Portaria SECEX n° 21, de 12/12/96, que determina que "o licenciamento das importações ocorrerá de forma automática e não automática e será efetuado por meio do Siscomex"(caput do art. 79, que "nos casos de licenciamento automático, as - informações de que trata o artigo anterior deverão ser prestadas no Sistema em conjunto com as informações exigidas para a formulação da declaração para fins de despacho aduaneiro da mercadoria"(art. 8°), e que "nas importações sujeitas a licenciamento não automático, o importador deverá prestar no Sistema as informações a que se refere o art. 8°, previamente ao embarque da mercadoria no exterior ou antes do despacho aduaneiro, conforme o caso"( art.99. Da leitura dos artigos, acima- transcritos, verifica-se que o licenciamento poderá ser automático e não automático, mas que sempre haverá licença. De fato, no caso de licenciamento automático, observa-se que as informações necessárias são prestadas concomitantemente com a formulação da Declaração de Importação (Licença Automática), ao passo que no não-automático a formulação e o deferimento da Licença ocorrem previamente ao Registro da Declaração de Importação (Licença não- automática). No presente caso, conforme já explicitado, a Recorrente não descreveu corretamente as mercadorias importadas, classificando-as, inclusive, erroneamente na NCM, de tal forma que, a importação foi feita ao desamparo do documento aduaneiro em vista da descrição inexata dessas mercadorias. Se isso não bastasse, verifica-se, ainda, que com a nova NCM determinada pelo fisco para a mercadoria constante no item 002 da adição 001, tal mercadoria teve o seu regime de licenciamento alterado, vez que a nova NCM exige LI não-automática. No que diz respeito ao inciso II do artigo 526 do Regulamento Aduaneiro, dispõe o Ato Declaratório Normativo d- 12, de 21/01/1997, da Coordenação-Geral de Tributação — COSIT, publicado no DOU, em 22/01/1997: O COORDENADOR-GERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa n2 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n' 91.030, de 5 .ç:)fr Processo n° 11128.007227/2002-36 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.174 Fl. 83 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional - Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior - ' SISCOMEX; cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. (negritos acrescidos) Como se vê, o Ato Declaratório Cosit n' 12/1997 exige uma dupla condição para a não aplicação da multa por falta de LI, sendo que a ausência de intuito 'doloso, ou má-fé é apenas uma delas. A outra é que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. Com efeito, o ADN COSIT n2 12/1997, confirmando o seu caráter meramente interpretativo, nada mais fez senão corroborar com tudo o que já foi exposto anteriormente. Deferida uma LI, concedida está a importação do produto nela descrito. Se a descrição feita na LI não traz todos os elementos necessários para identific lação do produto efetivamente importado, obviamente, não existe LI para ampará-lo, infração perfeitamente tipificada no inciso II do artigo 526 do RA, que regulamenta a alínea "b"do inciso I do art. 169 do Decreto-Lei 37/66, com a redação dada pelo art. 2° da Lei N. 6.562/78. No caso que se cuida, não se questiona o intuito doloso ou a má fé por parte da declarante, vez que a infração foi aplicada pela declaração inexata da mercadoria. Portanto, inaplicável o previsto no ADN Cosit d- 12/97. De fato, a multa administrativa é perfeitamente aplicável ao caso concreto, à medida que, as mercadorias foram importadas sem a respectiva licença de importação do órgão competente. No que concerne à multa em razão da Classificação Tarifária Incorreta, melhor sorte não favorece a ora Recorrente, pois o mero fato da mercadoria estar erroneamente classificada leva à sua aplicação, conforme se depreende do art. 84, da Medida Provisória n' 2.158-35 de 24/08/2001 - DOU 27/08/2001, in verbis: Art. 84. Aplica-se a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I - classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou c,..(1 11 II - quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. § 1° O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2° Á aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. (negritos acrescidos) Na presente questão, segundo se verifica, houve classificação incorreta das mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul pela Contribuinte, resultando na aplicação da multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria. Conforme mencionado, a própria recorrente reconhece que classificou erroneamente as mercadorias no código 5407.53.00. Assim, não há como se cogitar o afastamento de tal penalidade, haja vista tratar-se de expressa disposição legal, devendo esta ser aplicada independentemente da intenção do agente ou do resultado produzido. Por todo o exposto, ratificando os fundamentos do Acórdão recorrido, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, mantendo integralmente a decisão prolatada em primeira instância. Sala das Sessões, em 17 de junho de 2009 • e VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE-Relatora 27
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Numero do processo: 18471.001298/2004-26
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1999
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO.
Com a edição da súmula vinculante nº 8 pelo Supremo Tribunal Federal, o art. 45 da Lei nº 8.212/1991 não pode mais ser aplicado pela Administração Pública.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Nos casos de lançamento por homologação, em que ocorreu o pagamento, o prazo decadencial para o fisco constituir o crédito tributário via lançamento de ofício, começa a fluir a partir da data do fato gerador da obrigação tributária.
Numero da decisão: 1803-001.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Victor Humberto da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Ausente justificadamente o Conselheiro Walter Adolfo Maresch.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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(atual HARSCO DO BRASIL PARTICIPAÇÕES E SERVIÇOS SIDERÙRGICOS LTDA. ) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1999 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. Com a edição da súmula vinculante nº 8 pelo Supremo Tribunal Federal, o art. 45 da Lei nº 8.212/1991 não pode mais ser aplicado pela Administração Pública. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos casos de lançamento por homologação, em que ocorreu o pagamento, o prazo decadencial para o fisco constituir o crédito tributário via lançamento de ofício, começa a fluir a partir da data do fato gerador da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 12 98 /2 00 4- 26 Fl. 330DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Victor Humberto da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Ausente justificadamente o Conselheiro Walter Adolfo Maresch. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do acórdão n° 3803001773, da 3ª Turma Especial, que não conheceu do recurso e declinou a competência à Primeira Seção do CARF: “Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 1315.641– 5ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro II, de 29 de março de 2007, fls. 190 a 197, que decidiu pelo procedência do lançamento. O auto de infração para o mês de fevereiro de 1999 decorreu da divergência na base de cálculo da contribuição relativamente aos valores escriturados pela empresa como "Outras Receitas Auferidas". Quanto aos demais períodos de apuração, março a agosto de 1999, a contribuição exigida referese à insuficiência dos valores de depósitos judiciais efetuados com ampara em autorização obtida na ação ordinária n° 96.00098573. Consta do Termo de Verificação Fiscal, fls. 49 a 55, em síntese, que: a) ajuizou a Ação Ordinária n° 96.00098573 solicitando o reconhecimento do direito de não recolher o PIS com base na MP 1.212/95 e suas reedições e sim com base no § 3°, do art. 3° da LC 7/70, à base de 5% do imposto de renda devido; b) impetrou o Mandado de Segurança n° 2001.51.01.0060263 contestando a base de cálculo do PIS estabelecida pela Lei 9.718/98, a partir de fevereiro de 1999 e entendendo estar obrigada ao recolhimento do PIS com base no faturamento, tal como previsto na Lei 9.715/98. c) efetuou depósitos judiciais para o PIS, referentes ao processo 96.00098573, no período de 01/99 a 01/01 e em 03/01, correspondentes à diferença entre os valores do PIS na forma da Lei 9.715/98 (0,65% do faturamento mensal) e os valores mensais pagos para o PISREPIQUE, nos termos da LC 07/70 (5% do imposto de renda devido); d) a omissão de receita em fevereiro de 1999 resultou em um auto de infração de IRPJ e outros três dos reflexos, CSLL, PIS e COFINS, processos 18471.001296/200437, 18471.001298/200426 e 18471.001297/200481, sendo os dois últimos com exigibilidade suspensa em decorrência das medidas judiciais impetradas pelo contribuinte; Ciência da autuação em 28/09/2004, fl. 126. Em sua impugnação em que alegou a interessada que: Fl. 331DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001298/200426 Acórdão n.º 1803001.494 S1TE03 Fl. 3 3 a) Em que pese o fato de a exigibilidade do crédito tributário encontrarse suspensa, há prejudicial para a própria constituição do crédito em exame, qual seja, o decurso do prazo decadencial para a lavratura do auto de infração; b) no caso em exame houve depósito em juízo, ainda que supostamente a menor, a contagem do prazo decadencial segue a regra do art. 150, § 4° do CTN; c) É esta a orientação da jurisprudência do Conselho ^de Contribuintes; d) Nem se diga que o prazo decadencial aplicável à espécie seria o previsto na Lei 8.212/91. O art. 146, inciso III, alínea "h" da CF estabelece que o trato da decadência em matéria tributária encontrase sujeito à reserva de lei complementar; e) Ainda que se pudesse afirmar que o PIS possui natureza de contribuição previdenciária, sujeitandose à legislação que trata do custeio da seguridade social, forçoso se faz reconhecer que a legislação previdenciária, ao dispor sobre prescrição e decadência agrediu frontalmente o CTN e, por conseqüência, a CF; f) O argumento de que a lei especial (legislação previdenciária) prefere a lei geral (CTN) é desprovido de qualquer fundamentação jurídica; g) O Poder Judiciário já reconheceu a inconstitucionalidade da legislação previdenciária fixar prazo da decadência diverso daquele constante em lei complementar; h) Pelo exposto, requer seja decretada a insubsistência do lançamento, na medida em que os alegados créditos tributários já se encontram extintos pelo decurso do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4° do CTN. Em seu julgamento a DRJ/Belo Horizonte aduziu que os valores relativos à base de cálculo e à contribuição devida apurados no auto de infração não foram impugnados pela autuada, nos termos do artigo 17 do Decreto n° 70.235/72. Em do vista disso, considerou definitivos os valores da contribuição exigidos na presente autuação, uma vez que não se instaurou o contencioso administrativo relativamente à sua apuração. Em sendo o primeiro fato gerador ocorreu em fevereiro de 1999, vencendo a contribuição devida em março de 1999, tendo ocorrido a ciência da autuação em setembro de 2004, contou o prazo a partir de 01/01/2000, e o considerou ncerrado somente em 31/12/2009 Não deu eco às alegações acerca da inconstitucionalidade da Lei 8.212, de 1991, esclarecendo que tais questões não são oponíveis na esfera administrativa de julgamento, falecendolhe competência legal para examinar hipóteses violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 4 Cientificada de decisão em 19 de março de 2008, irresignada, apresentou a interessada o recurso voluntário de fls. 221 a 230, em 08 de abril de 2008, em que apenas reclama pela decadência do direito da Fazenda lançar a contribuição em apreço.” O processo foi redistribuído a esta Turma de Julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 19/03/2008 (AR de fls. 247). O recurso foi protocolado em 08/04/2008, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. O presente auto de infração tem por objeto as seguintes infrações: “1 divergências na composição do faturamento I – Fev/99 "Outras Receitas Auferidas" a divergência ocorreu na composição do seu valor, em função de dois registros equivocados, sendo a diferença apurada de R$ 270.794,10; Observações: I esta omissão de receita resulta em um auto de infração de IRPJ, e outros três dos reflexos, CSLL, PIS e COFINS. II os créditos tributários referentes ao IRPJ e a CSLL estão apurados através de autos de infração constantes do processo n° 18741.001296/200437. III os créditos tributários originados pelos reflexos da omissão da receita, referente ao PIS esta apurado através de auto de infração constante do processo n° 18741.001298/200426, e referente a COFINS ,esta apurado através de auto de infração constante do processo n° 18741.001297/200481, sendo que ambos com exigibilidade suspensa em decorrência de medidas judiciais impetradas pelo contribuinte, e, até está data, ainda não decididas em definitivo. 2PIS O contribuinte está amparado por uma Medida judicial no período em que apuramos as diferenças nos depósitos judiciais: (...) Nos 06 (seis) meses (abaixo discriminados, apuramos valores dos depósitos judiciais inferiores as diferenças corretas: I – O crédito tributário originado pelas diferenças acima discriminadas referente ao PIS esta apurado através de auto de infração constante do processo n° 18741.001298/200426, sendo que, com exigibilidade suspensa em decorrência de medidas Fl. 333DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001298/200426 Acórdão n.º 1803001.494 S1TE03 Fl. 4 5 judiciais impetradas pelo contribuinte e até está data ainda não decididas em definitivo.” A única alegação da recorrente gira em torno da decadência. A Delegacia de Julgamento aplicou o prazo decadencial de 10 anos previsto no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Ocorre porém que, o Supremo Tribunal Federal editou a súmula vinculante nº 8, cujo enunciado tem o seguinte teor: “SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5º DO DECRETOLEI Nº 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI Nº 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Data de Aprovação Sessão Plenária de 12/06/2008 Fonte de Publicação DJe nº 112/2008, p. 1, em 20/6/2008. DO de 20/6/2008, p. 1.” Por conseguinte, o art. 45 da Lei nº 8.212/19 não pode mais ser aplicado pela administração pública, nos termos do art. 2º da Lei nº 11.417/2006, que assim dispõe: “Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei.” Em que pese ter findado a discussão acerca do prazo decadencial, não existindo mais dúvidas de que ele é quinquenal, permanece a questão relativa ao seu termo inicial: a data do fato gerador, nos termos do § 4º, do art. 150, ou o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme o art. 173, I. O Superior Tribunal de Justiça proferiu acórdão submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, fixando o seguinte entendimento acerca da decadência: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento Fl. 334DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 6 antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, “Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, “Direito Tributário Brasileiro”, 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). [...]. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Por sua vez, o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, assim dispõe: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 335DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001298/200426 Acórdão n.º 1803001.494 S1TE03 Fl. 5 7 Assim, restanos apurar se, no caso concreto, ficou caracterizada a decadência, de acordo com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça. A recorrente efetuou recolhimentos de PISrepique, de acordo com sentença proferida no processo n° 96.00098573. Assim, deve ser aplicada a regra do § 4°, do art. 150, do CTN, para contagem do prazo decadencial, in verbis: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressomente a homologa. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Considerando que a ciência do lançamento se deu em 28/09/2004 (fls. 157), devese reconhecer a decadência do direito de constituir o crédito tributário, pois o último fato gerador lançado ocorreu em agosto de 1999. Ante todo o exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 336DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 13808.004968/98-21
Data da sessão: Wed Nov 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Nov 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 16/09/1989 a 31/12/1990
PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-000.455
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Susy Gomes Hoffmann, Rodrigo Cardozo Miranda, Maria Teresa Martínez López e Leonardo Siade Manzan, que davam provimento.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 16/09/1989 a 31/12/1990 PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Susy Gomes Hoffmann, Rodrigo Cardozo Miranda, Maria Teresa Martínez López e Leonardo Siade Manzan, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator EDITADO EM: 23/04/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Susy Gomes Hoffmann, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo Cardozo Miranda, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martínez López, Leonardo Siade Manzan e Carlos Alberto Freitas Barreto. Fl. 1DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Relatório Trata-se de pedido de Restituição/Compensação de indébitos pertinentes a tributo supostamente pago a maior que o devido. O pleito do sujeito passivo foi indeferido em primeira instância sob o argumento de o direito à repetição dos eventuais créditos, na data da protocolização do pedido, encontrar-se extinto pelo decurso do prazo qüinqüenal contado nos termos do art. 168 do CTN. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes. A Câmara recorrida negou provimento ao recurso, mantendo a decisão de primeira instância. Cientificada da decisão, interpôs recurso especial, o qual foi admitido pelo Presidente da Câmara recorrida. A contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial, tendo os autos sido remetidos a esta Câmara Superior. O julgamento deste recurso tem como paradigma o Recurso nº 225.808, julgado na sessão imediatamente anterior a esta, sendo-lhe aplicada a mesma tese daquele julgado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O recurso merece ser conhecido por ser tempestivo e atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A teor do relatado, a questão devolvida a este Colegiado cinge-se a do termo inicial do prazo extintivo para repetição de indébito de tributos pagos a maior do que o devido. Nos termos do § 2º, in fine, do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, adoto a tese do julgamento do Recurso nº 225.808, paradigma para o caso em discussão. A Câmara recorrida afastou a prescrição e determinou o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para que fossem julgadas as demais questões de mérito. O representante da Fazenda Nacional pede o restabelecimento da decisão de primeira instância, por entender que o termo de início da contagem da prescrição para repetição de indébito é a extinção do crédito pelo pagamento, nos termos do art. 168, inc. I, do CTN. Fl. 2DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13808.004698/98-21 Acórdão n.º 9303-00.455 CSRF-T3 Fl. 264 3 De imediato, passemos à controvérsia sobre a prescrição do direito pleiteado. Antes, porém, devo registrar que na elaboração deste voto, socorri-me dos conhecimentos do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, a quem, desde já agradeço pelos relevantes argumentos sobre a matéria, e peço licença para mais adiante, transcrever excerto do voto por ele proferido no julgamento do Recurso Voluntário nº 133.010, na Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. É de bom alvitre esclarecer que, muito embora existam divergências doutrinárias quanto à natureza do prazo para repetição do indébito – se decadencial ou prescricional – para o deslinde da matéria em apreço, esse questionamento não apresenta qualquer relevância, razão pela qual não será aqui abordado. Até o advento da Lei Complementar nº 118, de 10 de fevereiro de 2005, a maioria esmagadora da doutrina e da jurisprudência de nossos tribunais, abalizadas em posicionamento consolidado no STJ, entendia que o critério correto para se contar o prazo prescricional de repetição de indébito era o da tese dos “cinco mais cinco anos”. Como é de todos sabido, a premissa dessa tese consistia em assumir que a extinção do crédito tributário só se daria quando da homologação do lançamento, fosse ela tácita ou expressa. Como o prazo para homologação é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, no caso da homologação tácita, somente após o decurso dos cinco anos se iniciaria o prazo prescricional para a postulação da restituição do valor indevidamente recolhido. Todavia, essa apascentada jurisprudência foi violentamente atacada com a publicação da Lei Complementar nº 118, em 10 de fevereiro de 2005. Predita lei, além de adaptar o Código Tributário Nacional à nova legislação falimentar, pretendeu reverter esse entendimento sobre a interpretação do inciso I do art. 168 do CTN, para tanto, em seu artigo 3º, assim dispôs: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art 150 da referida Lei. Ora, com esse dispositivo, ressurge no ordenamento jurídico contemporâneo de nosso País a interpretação autêntica. Tal dispositivo recebeu duras críticas da doutrina e, sobretudo, do STJ, que viu o entendimento, até então dominante nessa Corte guardiã da legislação federal, ser alterado por via legislativa direta. O escopo dessa lei era restabelecer o entendimento, que vigia no STF quando a Corte Maior detinha a função de tutor da legislação federal, segundo o qual a contagem do prazo Fl. 3DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 prescricional para repetição de indébito, no caso de lançamento por homologação, se iniciaria a partir da data do pagamento. Apesar das críticas de abalizada doutrina, como por exemplo, Carlos Maximiliano, para quem o mecanismo por meio do qual o Legislador, de forma transversa, pretende substituir-se às funções do Juiz, vige no Supremo Tribunal Federal a concepção de que, em tese, a lei interpretativa é válida, desde que esta seja proveniente da mesma fonte legislativa do ato primitivo interpretado; que tenha a mesma hierarquia jurídica do comando jurídico originário; e que seus efeitos não prejudiquem o direito adquirido, a coisa julgada e o ato jurídico perfeito. A partir dessa lei, a questão, então, passou a ser a data a partir de quando se espraiem os efeitos da interpretação trazida em seu art. 3º. Se prospectiva ou retroativa. Isso porque o STJ e boa parte da doutrina entenderam que a eficácia operava-se a partir de junho de 2005, enquanto o art. 4º da lei em comento determinou a aplicação retroativa, nos termos seguintes: Art. 4º. Esta lei entra em vigor em 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. A seu turno, esse dispositivo do CTN tem a seguinte dicção: Art 106. A lei aplica-se ao ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (...) De outro lado, os críticos da Lei Complementar nº 118/2005 alegam que a diretriz interpretativa da novel legislação, na realidade, modificou a força normativa da legislação anterior, ao menos em seu sentido até então, majoritariamente, extraído, por essa razão, a pretensa interpretação nela veiculada há de ser tratada como lei nova, e, como tal, deveria respeitar suas características, inclusive, a dos efeitos prospectivos. Assim, a “interpretação” dada ao art. 168 do CTN pelo art. 3º da novel lei complementar não poderia retroagir para alcançar fatos pretéritos, sob pena de violação dos princípios da não surpresa e da segurança jurídica, já que esse dispositivo legal alterou o entendimento consagrado há mais de uma década pelo STJ. Como arrimo dessas críticas, é comum a citação do julgamento da ADIN 605 MC, da relatoria do Ministro Sepúlveda Pertence, onde o STF decidiu: Se, no entanto, a título de lei interpretativa, a segunda lei extrapola da interpretação, é lei nova, que altera a lei antiga, modificando-a ou adicionando-lhe normas inexistentes. E assim há de ser examinada. No âmbito judicial, o Superior Tribunal de Justiça, inicialmente, sem declarar formalmente a inconstitucionalidade do art. 4º dessa lei, decidiu, reiteradamente, por meio de sua 1º Seção, que Fl. 4DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13808.004698/98-21 Acórdão n.º 9303-00.455 CSRF-T3 Fl. 265 5 a Lei Complementar nº 118/2005, no tocante ao art. 3º, somente entraria em vigor, em sua integralidade, à partir do mês de junho de 2005. Contra esse entendimento insurgiu-se a Fazenda Nacional, que recorreu ao STF. Acolhido o recurso extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional, o pleno da corte maior deu provimento ao RE 482.090-1 SP, e determinou que o STJ observasse a reserva de plenário para afastar a aplicação do art. 4º dessa lei complementar. Aqui, peço licença para transcrever excerto do acórdão do STF, por ser emblemático ao deslinde da questão ora submetida a debate. EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSO CIVIL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ACÓRDÃO QUE AFASTA A INCIDÊNCIA DE NORMA FEDERAL. CAUSA DECIDIDA SOB CRITÉRIOS DIVERSOS ALEGADAMENTE EXTRAÍDOS DA CONSTITUIÇÃO. RESERVA DE PLENÁRIO. ART. 97 DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/2005, ARTS. 3º E 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (LEI 5.172/1966), ART. 106, I. RETROAÇÃO DE NORMA AUTO-INTITULADA INTERPRETATIVA. “Reputa-se declaratório de inconstitucionalidade o acórdão que - embora sem o explicitar - afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide para decidi-la sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição” (RE 240.096, rel. min. Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJ de 21.05.1999). Viola a reserva de Plenário (art. 97 da Constituição) acórdão prolatado por órgão fracionário em que há declaração parcial de inconstitucionalidade, sem amparo em anterior decisão proferida por Órgão Especial ou Plenário. Recurso extraordinário conhecido e provido, para devolver a matéria ao exame do Órgão Fracionário do Superior Tribunal de Justiça. ......................................................................................................... Brasília, 18 de junho de 2008. V O T O O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA - (Relator): Inicialmente, enfatizo que a discussão travada neste recurso extraordinário se limita à argüida necessidade de submissão do exame incidental de inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/2005 ao Órgão Especial do Superior Tribunal de Justiça, nos termos do art. 97 da Constituição. Não se discute neste recurso extraordinário a constitucionalidade da norma que fixou a validade de uma única interpretação para a contagem do prazo prescricional para a restituição do indébito tributário. Fl. 5DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Registro também que o e. Superior Tribunal de Justiça, em outro recurso especial e após a submissão deste recurso extraordinário ao conhecimento e julgamento do Pleno, resolveu por submeter questão análoga ao respectivo Órgão Especial, após decisão proferida pelo eminente Ministro Sepúlveda Pertence, nos autos do RE 486.888 {DJ de 31.08.2006). O referido precedente, firmado por ocasião do julgamento da Argüição de Inconstitucionalidade nos Embargos de Divergência no Recurso Especial 644.736 (rel. min. Teori Zavascki, DJ de 27.08.2007), foi assim ementado: “CONSTITUCIONAL.TRIBUTÁRIO.LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO, NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LC 118/2005: NATUREZA MODIFICATIVA (E NÃO SIMPLESMENTE INTERPRETATIVA) DO SEU ARTIGO 3º. INCONSTITUCIONALIDADE DO SEU ART. 4º, NA PARTE QUE DETERMINA A APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre o tema relacionado com a prescrição da ação de repetição de indébito tributário, a jurisprudência do STJ (1a Seção) é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos,previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na datado recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação - expressa ou tácita - do lançamento.Segundo entende o Tribunal, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento: é indispensável a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergada pelo art. 156, VII, do CTN. Assim, somente a partir dessa homologação é que teria início o prazo previsto no art. 168, I. E, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a contar do fato gerador. 2. Esse entendimento, embora não tenha a adesão uniforme da doutrina e nem de todos os juizes, é o que legitimamente define o conteúdo e o sentido das normas que disciplinam a matéria, já que se trata do entendimento emanado do órgão do Poder Judiciário que tem a atribuição constitucional de interpretá-las. 3. O art. 3º da LC 118/2005, a pretexto de interpretar esses mesmos enunciados, conferiu-lhes, na verdade, um sentido e um alcance diferente daquele dado pelo Judiciário. Ainda que defensável a f interpretação' dada, não há como negar que a Lei inovou no plano normativo, pois retirou das disposições interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação federal. 4. Assim, tratando-se de preceito normativo modificativo, e não simplesmente interpretativo, o art. 3º da LC 118/2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. 5. O artigo 4º, segunda parte, da LC 118/2005, que determina a aplicação retroativa do seu art. 3º, para alcançar inclusive fatos passados, ofende o princípio constitucional da autonomia e Fl. 6DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13808.004698/98-21 Acórdão n.º 9303-00.455 CSRF-T3 Fl. 266 7 independência dos poderes (CF, art. 2º) e o da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (CF, art. 5º, XXXVI). 6. Argüição de inconstitucionalidade acolhida.” Passo ao exame do recurso. Esta é a redação dada aos arts. 3º e 4o da Lei Complementar 118/2005: “Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado/ quanto ao art. 3-, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional.” Por sua vez, o art. 106, I, do Código Tributário Nacional tem a seguinte redação: “Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;” Discute-se no recurso extraordinário se o acórdão recorrido violou a reserva de Plenário para declaração de inconstitucionalidade de lei (art. 97 da Constituição) na medida em que deixou de aplicar retroativamente o art. 3º da LC 118/2005, como determinam o art. 4º da mesma lei e o art. 106, I, do Código Tributário Nacional. Passo a examinar, então, a questão de fundo. Os arts. 3º e 4º da Lei Complementar 118/2 005 objetivam estabelecer, com eficácia retroativa, que a prescrição do direito do contribuinte à restituição do indébito tributário pertinente às exações sujeitas ao lançamento por homologação ocorre em cinco anos contados do pagamento antecipado. Na linha do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, interpretado literalmente, a retroatividade de normas meramente interpretativas é irrestrita e, portanto, o disposto no art. 3º da LC 118/2005 também se aplica aos recolhimentos indevidos que se deram antes da publicação da referida lei complementar, independentemente da data de ajuizamento da respectiva ação judicial. Dito de outro modo, o art. 3º e o art. 106, I, do Código tributário Nacional não colocam qualquer limitação ao alcance retroativo da norma que estabelece como o prazo prescricional deverá ser computado. Fl. 7DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 Anteriormente à publicação da LC 118/2005, o Superior Tribunal de Justiça firmara orientação segundo a qual o prazo para restituição do indébito tributário era de cinco anos, contados a partir da homologação do lançamento (art. 156, VII, do CTN), que poderia ser expressa ou tácita. Como o prazo de que dispõe a autoridade fiscal para homologação é de cinco anos (art. 150, §§ 1º e 4º, do CTN), a prescrição do direito à restituição do indébito tributário poderia chegar a dez anos, contados do momento em que ocorria o fato gerador, se houvesse a homologação tácita do lançamento. O art. 3º da LC 118/2005, em um primeiro exame, busca superar o entendimento e firmar uma única possibilidade interpretativa para a contagem do prazo de prescrição de indébito relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação. (Destaquei). Para afastar a aplicação conjunta dos arts. 3º e 4º da Lei 118/2005 e do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, assim limitando a retroação às ações ajuizadas após a entrada em vigência da lei complementar em questão, o acórdão recorrido invocou precedente da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (EREsp 327.043). 0 mencionado precedente, ainda não publicado, apoia-se no principio constitucional da segurança jurídica, como se lê no registro feito pelo eminente relator do acórdão recorrido. Ministro Luiz Fux: “O acórdão embargado assentou que a Primeira Seção reconsolidou a jurisprudência desta Corte acerca da cognominada tese dos cinco mais cinco para a definição do termo a quo do prazo prescricional das ações de repetição/compensação de valores indevidamente recolhidos a titulo de tributo sujeito a lançamento por homologação, desde que ajuizadas até 09 de junho de 2005 (EREsp 327043/DF, Relator Ministro João Otávio de Noronha, julgado em 27.04.2005)”. A Lei Complementar 118/2005 não foi declarada inconstitucional pela Primeira Seção, tendo apenas sido limitada sua incidência às demandas ajuizadas após sua entrada em vigor (09 de junho de 2005), em homenagem, entre outros, ao princípio da segurança jurídica, consoante perfilhado no voto-vista desta relatoria: “a Lei Complementar 118, de 09 de fevereiro de 2005, aplica-se, tão somente, aos fatos geradores pretéritos ainda não submetidos ao crivo judicial, pelo que o novo regramento não é retroativo mercê de interpretativo. É que toda lei interpretativa, como toda lei, não pode retroagir. Outrossim, as lições de outrora coadunam-se com as novas conquistas constitucionais, notadamente a segurança jurídica da qual é corolário a vedação à denominada “surpresa fiscal”. Na lúcida percepção dos doutrinadores, “Em todas essas normas, a Constituição Federal dá uma nota de previsibilidade e de proteção de expectativas legitimamente constituídas e que, por isso mesmo, não podem ser frustradas pelo exercício da atividade estatal.” (Humberto Ávila in Sistema Constitucional Tributário, 2 0 04, pág. 295 a 300) . (...) À mingua de prequestionamento por impossibilidade jurídica absoluta de engendrá-lo, e considerando que não há inconstitucionalidade nas leis interpretativas como decidiu em recentíssimo pronunciamento o Pretório Excelso, o preconizado na presente sugestão de decisão ao colegiado, sob o prisma institucional, deixa incólume a jurisprudência do Tribunal ao Fl. 8DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13808.004698/98-21 Acórdão n.º 9303-00.455 CSRF-T3 Fl. 267 9 ângulo da máxima tempus regit actum, permite o prosseguimento do julgamento dos feitos de acordo com a jurisprudência reinante, sem invalidar a vontade do legislador através suscitação de incidente de inconstitucionalidade de resultado moroso e duvidoso a afrontar a efetividade da prestação jurisdicional, mantendo hígida a norma com eficácia aos fatos pretéritos ainda não sujeitos à apreciação judicial, máxime porque o artigo 106 do CTN é de constitucionalidade induvidosa até então e ensejou a edição da LC 118/2005, constitucionalmente imune de vícios”. Ao deixar de aplicar os dispositivos em questão por risco de violação da segurança jurídica (principio constitucional), é inequívoco que o acórdão recorrido declarou-lhes implícita e incidentalmente a inconstitucionalidade parcial. Vale dizer, como observou a Primeira Turma desta Corte por ocasião do julgamento do RE 24 0.096 (rei. min. Sepúlveda Pertence, DJ de 21.05.1999), “reputa-se declaratório de inconstitucionalidade o acórdão que - embora sem o explicitar -afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide para decidi-la sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição”. Portanto, ao invocar precedente da Seção, e não do Órgão Especial, para decidir pela inaplicabilidade de norma ordinária federal com base em disposição constitucional, entendo que o acórdão recorrido deixou de observar a necessária reserva de Plenário, nos termos do art, 97 da Constituição. Em sentido semelhante, registro as seguintes passagens do voto proferido pelo eminente Ministro Sepúlveda Pertence, por ocasião do julgamento de recente precedente (RE 544.246, rei. min. Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJ de 08.06.2007): “A inaplicação dos dispositivo questionados da LC 118/05 a todos processos pendentes reclamava, pois, a declaração de sua inconstitucionalidade, ainda que parcial. Foi o que fez, na verdade, o acórdão recorrido. Não importa que o precedente invocado da Primeira Seção do Tribunal a quo, EREsp 328043 tenha declarado incidir a lei nova nas ações propostas a partir de sua vigência. O distinguo - dada a irretroatividade irrestrita preceituada nos arts. 3º e 4º da LC 118/05 importou na declaração de inconstitucionalidade parcial deles, malgrado sem redução de texto. Estou, pois, em que, assim decidindo – com fundamento em precedente da Seção e não, do Órgão Especial o acórdão recorrido contrariou efetivamente a norma constitucional da “reserva de plenário”, do art. 97 da Lei Fundamental.” É como voto. Do exposto, conheço do recurso extraordinário e dou-lhe provimento, para que a matéria seja devolvida ao órgão Fl. 9DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 fracionário do Superior Tribunal de Justiça, para que seja observado o art. 97 da Constituição. Da leitura do acórdão, dúvida não há que, segundo o Supremo Tribunal Federal, qualquer medida no sentido de afastar a aplicação de dispositivo de lei vigente, importa em controle incidental de inconstitucionalidade. Diante desse posicionamento da Corte Maior, o STJ, por sua corte especial, declarou a inconstitucionalidade da parte final do art. 4º da lei em comento, e, após isso, firmou o entendimento de que o disposto no art. 3º da citada lei somente produz efeitos sobre as ações de repetição que se referirem a indébitos pertinentes a fatos geradores ocorridos a partir de junho de 2005. Em outro giro, como bem destacou o Ministro Joaquim Barbosa no voto condutor do acórdão transcrito linhas acima, o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005 pretendeu superar o entendimento vigente sobre o termo inicial da prescrição e firmar uma única possibilidade interpretativa para a contagem do prazo de prescrição de indébito relativo a tributo sujeito a lançamento por homologação. Agora, se o art. 4º, que determinou a aplicação retroativa da interpretação trazida no art. 3º, padece de vício de inconstitucionalidade, não cabe a este Colegiado isto declarar, como será demonstrado a seguir. Para começar este tema, faremos um breve passeio na história do controle de constitucionalidade. O mundo conhece hoje, no dizer 1 Cappelletti, dois grandes tipos de sistemas de controle da legitimidade constitucional das leis: O “sistema difuso”, isto é, aquele em que o poder de controle pertence a todos os órgãos judiciários de um dado ordenamento jurídico, que os exercitam incidentalmente, na ocasião da decisão das causas de sua competência; e O “sistema concentrado”, em que o poder de controle se concentra, ao contrário, em um único órgão judiciário. O primeiro deles, o difuso, é também conhecido como sistema de controle do tipo americano, em razão da percepção equivocada de alguns constitucionalistas de que esse sistema tenha sido inaugurado pelos norte americanos no famoso caso Marbury versus Madison, em 1803. O segundo, o concentrado, também pode ser denominado, agora com razão, de sistema austríaco de controle, ou ainda como sistema europeu, porquanto foi inaugurado na Constituição da Áustria de 1º de outubro de 1920, redigida com base em projeto elaborado pelo Mestre da Escola Jurídica de Viena, o grande Hans Kelsen. No Brasil, até a promulgação da Constituição da República de 1891, não existia qualquer controle Judicial de Constitucionalidade. Por influência do jacobinismo parlamentar francês e da idéia inglesa da supremacia do parlamento, o 1 M. CAPPELLETTI, O controle Judicial de Constitucionalidade das Leis no Direito Comparado, 2ª ed, Sergio Antônio Fabris Editor, Porto Alegre 1992, p 67 ss. Fl. 10DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13808.004698/98-21 Acórdão n.º 9303-00.455 CSRF-T3 Fl. 268 11 Constituinte de 1824 outorgou ao Poder Legislativo a atribuição de fazer leis, interpretá-las, suspendê-las e revogá-las, bem como velar na guarda da Constituição (art. 15, itens 8º e 9º). Nesse sistema, não havia lugar para o mais incipiente modelo de controle judicial de constitucionalidade. Consagrava-se, assim, o dogma da soberania do Parlamento. Com a adoção do regime republicano em 1889, os ventos da mudança também sopraram no sistema 2 jurídico brasileiro, sobretudo, no que concerne ao papel a ser exercido pelo Poder Judiciário. A Constituição Republicana de 1891 adotou o sistema norte americano, defendido entusiasticamente por Rui Barbosa, personagem principal na elaboração da Carta. A Constituição de 1934 trouxe uma figura nova no controle brasileiro de constitucionalidade, a ADIn Interventiva, que deveria ser proposta pelo Procurador-Geral da República, perante o Supremo Tribunal Federal, contra lei ou ato normativo estadual que violassem a Constituição Federal. Essa ADIn Interventiva inseriu no nosso ordenamento jurídico um tímido sistema de controle concentrado de constitucionalidade. A Emenda Constitucional nº 16, de 26 de novembro de 1965, inseriu, de forma clara, o controle concentrado, mas restrito às pessoas legitimadas a propor a ação de inconstitucionalidade. Somente com a Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 é que se consagrou, de forma ampla, o sistema de controle concentrado, também denominado sistema abstrato ou do tipo europeu. Desde então, o Brasil passou a conviver harmonicamente com os dois tipos de controle, o concentrado e o difuso. Deixemos de lado o sistema europeu, para voltarmos ao que, de fato, interessa ao nosso tema, o controle difuso, que, como dito linhas acima, alguns constitucionalistas apressados atribuíram sua origem à famosa decisão da Suprema Corte norte americana, prolatada em 1803, no caso Marbury versus Madison, cuja sentença foi redigida pelo juiz John Marshall, que fixou, por um lado, aquilo que ficou conhecido como a supremacia da constituição e, por outro, o poder-dever dos juízes negarem aplicação às leis contrárias à constituição. Para se chegar àquela decisão, Marshall partiu do seguinte raciocínio: ou a constituição prepondera sobre os atos legislativos que com ela contrastam ou o Poder Legislativo pode mudá-la por meio de lei ordinária. Não há meio termo, asseverou o Chefe da Suprema Corte, ou a constituição é uma lei fundamental superior e não mutável por dispositivos ordinários, ou seja, é rígida; ou ela é colocada em pé de igualdade com os atos legislativos ordinários, portanto, flexível, e, por conseguinte, pode ser alterada sem qualquer entrave pelo Poder Legislativo. Todavia, se é correto a primeira alternativa, e assim 2 O Decreto 848, de 11 de outubro de 1890, estabeleceu que, na guarda e aplicação da Constituição e das leis nacionais, a magistratura federal só interviria em espécie e por provocação da parte. Fl. 11DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 concluiu Marshall, um ato do legislativo contrário à constituição não é lei, é nulo, é como se não existisse. Ao proclamar a prevalência da constituição sobre os demais atos legislativos e reconhecer o poder dos juízes de não aplicar as leis inconstitucionais, a Suprema Corte Americana não só inaugurou no mundo moderno o sistema judicial de controle de constitucionalidade, mas, sobretudo, rompeu com o dogma da supremacia do Poder Legislativo, que vige até hoje na Inglaterra e nos demais países que adotam constituições flexíveis. Os fundamentos da inovadora e corajosa decisão da Suprema Corte no caso Marbury versus Madison já haviam sido muito bem delineados por Alexander Hamilton em sua obra-prima The Federalist, e partiu do seguinte raciocínio: - a função de todos os juízes é a de interpretar as leis e aplicá- las ao caso concreto submetido a seu julgamento; - a regra básica de interpretação das leis determina que quando dois dispositivos legislativos estiverem contrastando entre si, deve o juiz aplicar a prevalente. Se ambas tiverem igual densidade normativa, deve-se valer dos critérios tradicionais, segundo os quais: lex posteriori derogat legi priori, lex specialis derogat legi generali, etc. Mas todos esses critérios são desnecessários quando o contraste dá-se entre dispositivos de densidade normativa diversa, aí, o critério é o da lex superior derogat legi inferiori. Neste caso, a norma constitucional prevalecerá sempre sobre a lei ordinária, quando a constituição for rígida e não flexível. Do mesmo modo, a lei prevalecerá sempre sobre os decretos. De tudo o que foi exposto, a conclusão óbvia é no sentido de que todo e qualquer juiz, encontrando-se no dever de decidir uma lide onde seja relevante ao caso uma lei ordinária que contrasta com a constituição, deve preservar a Carta Magna e não aplicar a norma de menor hierarquia. Vejamos agora como é dividido o controle de constitucionalidade no Brasil. Quanto ao momento de sua realização, o controle é dividido em preventivo e repressivo, o primeiro realizado durante o processo legislativo e, o segundo, após a entrada em vigor da lei. O preventivo é exercido, inicialmente, pelas Comissões de Constituição e Justiça do Poder Legislativo (art. 32, III, do Regimento Interno da Câmara Federal e art. 110 do Regimento Interno do Senado Federal, todos fundamentados no art. 58 da CF/88) e, posteriormente, pela participação do Chefe do Executivo no processo legislativo, quando poderá vetar a lei aprovada pelo Congresso Nacional por entendê-la inconstitucional, nos termos do art. 66, § 1º, da CF/88, denominado veto jurídico. Por sua vez, se o projeto de lei é de iniciativa do Poder Executivo, ou se se trata de Medida Provisória, há, ainda, além dos controles de constitucionalidade acima mencionados, o realizado previamente, no âmbito do Poder Executivo, pela Casa Fl. 12DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13808.004698/98-21 Acórdão n.º 9303-00.455 CSRF-T3 Fl. 269 13 Civil da Presidência da República, por força do estatuído no art. 2º da Lei nº 9.649, de 27/05/1998, que assim dispõe: Art. 2º. À Casa Civil da Presidência da República compete assistir direta e imediatamente ao Presidente da República no desempenho de suas atribuições, especialmente na coordenação e na integração das ações do governo, na verificação prévia da constitucionalidade e legalidade dos atos presidenciais, ... (grifo nosso). O repressivo, por sua vez, poderá se dar de maneira concentrada, por via de ação direta de inconstitucionalidade ou de ação declaratória de constitucionalidade, competindo em ambos os casos, somente, ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar tais ações, conforme dispõe a alínea “a” do inciso I do art. 102 da Constituição Federal de 1988. Pode ainda o controle repressivo dar-se de forma difusa, ou seja, como incidente processual, no julgamento de casos concretos. Depois de tudo o que aqui foi dito, pergunta-se: - podem os órgãos judicantes da administração afastar a aplicação de lei inconstitucional? - podem esses órgãos afastar a aplicação de lei que entenderem inconstitucional ou incompatível com a constituição? A resposta à primeira pergunta é positiva, pois a lei inconstitucional, como bem asseverou Marshal, não é lei, é ato nulo. Por conseguinte, não obriga, não vincula ninguém. Já a resposta à segunda pergunta é negativa, pois da interpretação sistemática da Constituição Federal (especialmente dos seus arts. 97; 102, III, “a” e “c”; e 105, II, “a” e “b”), tem-se que a competência para realizar o controle difuso de constitucionalidade é exclusiva do Poder Judiciário e estendida a todos os seus componentes. Nesse sentido, valiosas são as palavras do ex-Procurador-Geral da República e Professor Titular da Universidade de Brasília, Dr. Inocêncio Mártires Coelho, conforme elucidativo artigo por ele publicado na Revista Jurídica Virtual (nº 13) da Presidência da República, do qual transcrevemos o seguinte trecho: ...Nessa linha de raciocínio - que ousaríamos chamar fática, livre e realista - e ainda acompanhando o pensamento do maior jurista do século XX, pode-se dizer, igualmente, que sem aquela declaração de incompatibilidade, proferida pelo órgão a tanto legitimado, nenhuma norma será reputada inconstitucional; que onde a Constituição não atribuir a algum órgão, distinto do que produz as leis, a prerrogativa de aferir-lhes a constitucionalidade, norma alguma poderá reputar-se inconstitucional; e que, finalmente, enquanto não for anulada - e nos limites em que o seja - toda lei é simplesmente constitucional... (grifo nosso). Fl. 13DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 14 Por tais razões, pode-se concluir, que, não tendo a Constituição Federal de 1998 dado competência a órgãos da administração para efetuarem o controle repressivo de constitucionalidade das leis, não podem seus órgãos judicantes afastar a aplicação de lei que julgarem inconstitucional, pois competência não tem quem quer, mas quem a teve atribuída pela Constituição. No mesmo sentido, é a lição de Lúcio Bittencourt 3 a respeito da incompetência dos órgãos do Poder Executivo para afastar a aplicação de uma lei sob alegação de sua inconstitucionalidade: É princípio assente entre os autores, reproduzindo a orientação pacífica da jurisprudência, que milita sempre em favor dos atos do Congresso a presunção de constitucionalidade. É que ao Parlamento, tanto quanto ao Judiciário, cabe a interpretação do Texto constitucional, de sorte que, quando uma lei é posta em vigor, já o problema de sua conformidade com o Estatuto Político foi objeto de exame e apreciação, devendo-se presumir boa e válida a resolução adotada. (...) Oscar Saraiva entende que o julgamento da inconstitucionalidade é privativo do Judiciário, porque, se êste cabe, por fôrça de preceito expresso, a função em aprêço, nenhum dos outros podêres tem competência para exercê-la 'sob pena de se confundirem as atribuições dêstes, o que a nossa Constituição veda, ao prescrever a sua separação e independência'. Não acolhemos, todavia, êsse entendimento do culto e esclarecido jurisconsulto, que se choca, aliás, com a opinião unânime dos doutôres. Damo-lhe razão, apenas quando nega aos funcionários administrativos competência para se recusar a aplicar uma lei sob alegação de sua inconstitucionalidade. É que a sanção presidencial afasta qualquer possível manifestação dos funcionários administrativos, que não dispõem do exercício do poder executivo. (sic) Desta feita, se o órgão administrativo deixa de aplicar lei vigente por considerá-la inconstitucional, não apenas invade a esfera de competência do Poder Judiciário como também fere de morte um dos princípios norteadores da administração pública, qual seja, o princípio da hierarquia, pois se está discordando do Chefe do Poder Executivo que, ao não vetar a lei, está reconhecendo sua constitucionalidade. Em face do exposto, parece-nos equivocada a afirmação daqueles que pregam que se a administração é vinculada aos ditames da lei, muito mais será aos da Lei Maior, logo pode negar aplicação à lei manifestamente inconstitucional. Rotundo engano, pois, primeiro, milita a favor de todas as leis a presunção de constitucionalidade; segundo, mesmo sendo uma presunção juris tantum, só ao órgão legitimamente indicado pela Constituição Federal como competente para exercer o controle de constitucionalidade cabe desconstituir a presunção. 3 Bittencourt, Lúcio - O Contrôle Jurisdicional da Constitucionalidade, Forense, 1968, 2º edição, págs.91 a 96. Fl. 14DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13808.004698/98-21 Acórdão n.º 9303-00.455 CSRF-T3 Fl. 270 15 Pertinente trazer à colação as conclusões de Lúcio Bittencourt sobre o tema, na obra já citada: A lei, enquanto não declarada pelos tribunais incompatível com a Constituição, é lei - não se presume lei - é para todos os efeitos. Submete ao seu império tôdas as relações jurídicas a que visa disciplinar e conserva plena e íntegra aquela fôrça formal que a torna irrefragável, segundo a expressão de Otto Mayer. Aliás, em relação à lei, ocorre ainda situação diversa da que se manifesta no tocante aos atos jurídicos públicos ou privados, e que reforça a idéia de sua eficácia enquanto não declarada por via jurisdicional. É que, em relação a ela, existe o princípio da obrigatoriedade, que constitui, dentro de qualquer doutrina de direito público, a garantia e a segurança da ordem jurídica. Sendo a lei obrigatória, por natureza e por definição, não seria possível facilitar a quem quer que fôsse furtar-se a obedecer-lhes os preceitos sob o pretexto de que a considera contrária à Carta Política. A lei, enquanto não declarada inoperante, não se presume válida: ela é válida, eficaz e obrigatória. (sic) Ainda sobre o tema, não menos valiosos são os ensinamentos do festejado constitucionalista Luís Roberto Barroso 4 : A presunção de constitucionalidade das leis encerra, naturalmente, uma presunção iuris tantum, que pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário do órgão jurisdicional competente. O princípio desempenha uma função pragmática indispensável na manutenção da imperatividade das normas jurídicas e, por via de conseqüência, na harmonia do sistema. O descumprimento ou não-aplicação da lei, sob o fundamento de inconstitucionalidade, antes que o vício haja sido proclamado pelo órgão competente, sujeita a vontade insubmissa às sanções prescritas pelo ordenamento. Antes da decisão judicial, quem subtrair-se à lei o fará por sua conta e risco. (grifo nosso). A meu sentir, é imperioso reconhecer que, no Direito brasileiro, o controle de constitucionalidade das leis em vigor é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Com isso, não sendo declarada a inconstitucionalidade pelo Jurisdicional, seja com efeitos erga omnes no controle concentrado de constitucionalidade, seja com efeito inter partes no controle difuso, a lei goza de presunção de constitucionalidade, e, por conseguinte, é válida e tem aplicação cogente em todo o território nacional. A declaração incidental de inconstitucionalidade de lei é ato de tamanha gravidade, que, desde a Constituição Federal de 1934, há exigência expressa de reserva de plenário para que os tribunais exerçam o controle difuso de constitucionalidade. Por essa regra, suscitado o incidente de inconstitucionalidade por 4 BARROSO, Luís Roberto. Interpretação e Aplicação da Constituição. São Paulo: ed. Saraiva, 3º edição, pp 170 e 171. Fl. 15DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 16 um dos membros do tribunal, suspende-se o julgamento do processo e remete-se a questão incidental para o pleno ou órgão que o represente. A inconstitucionalidade somente será declarada por voto da maioria absoluta dos membros do tribunal (art. 97 da Seção I do Capítulo III - Do Poder Judiciário - do Título IV - Das Organizações dos Poderes da CF/88). Essa exigência veio para uniformizar a interpretação constitucional no âmbito de cada tribunal. E como se processaria o incidente de inconstitucionalidade no processo administrativo, já que, diferentemente do que ocorre nos tribunais do Judiciário, nos administrativos não há a previsão para tal. Aliás, não poderia mesmo haver, pois, conforme já fartamente demonstrado, órgão nenhum da administração tem poderes para exercer o controle difuso de constitucionalidade. Ora, se para os tribunais do Judiciário é exigida a reserva de plenário, como então, querer que os órgãos judicantes da administração, por suas turmas ou Câmaras, possam exercer o controle de constitucionalidade. Se assim fosse possível, a esfera administrativa estaria investida de mais poder do que o próprio judiciário. E o que dizer, então, da impossibilidade de a Fazenda Nacional recorrer ao Supremo Tribunal Federal quando a instância administrativa julgar determinada lei inconstitucional, o que não ocorre quando o controle é feito no Judiciário. Veja-se ao absurdo a que chegaríamos: se determinada lei fosse declarada inconstitucional em controle difuso, a questão, se as partes forem diligentes, iria ser decidida, em última instância, pelo STF. Agora reparem, se a inconstitucionalidade fosse apontada na esfera administrativa, a questão sequer chegaria a ser discutida no Judiciário, que dirá no Supremo Tribunal Federal. Com isso, a decisão administrativa teria mais força do que a de todos os outros órgãos do Poder Judiciário, à exceção do Supremo. Em outras palavras, em matéria de inconstitucionalidade, a Câmara Superior de Recursos Fiscais estaria alçada no mesmo patamar do STF, pois da decisão que declarasse alguma lei inconstitucional, assim como ocorre no STF, não caberia qualquer recurso. De tudo o que foi dito, resta concluir que falece aos órgãos judicantes da Administração competência para afastar a aplicação de lei ainda vigente. Missão atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário. Aliás, há disposição legal expressa no sentido de vedar este colegiado afastar aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade, salvo as exceções nele previstas, o que não é o caso dos autos. Vide art. 26-A do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009. A norma inserta nesse dispositivo do Processo Administrativo Fiscal foi reproduzida no art. 62 do atual regimento interno do CARF. Demais disso, cabe ressaltar que sobre essa matéria os antigos 1º, 2º e 3º Conselhos de Contribuintes sumularam o entendimento de falecer competência aos órgãos administrativos afastar a aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade. Fl. 16DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13808.004698/98-21 Acórdão n.º 9303-00.455 CSRF-T3 Fl. 271 17 Por outro lado, não me parece razoável o entendimento de parte da doutrina de que essa lei complementar não se aplicaria ao caso em discussão, pois a normatização da repetição de indébito é toda dada pelo CTN, mais especificamente, no art. 168, e o caso dos autos está amparado, justamente, nesse dispositivo, o qual recebeu a interpretação autêntica trazida pelo art. 3º da Lei complementar nº 118/2005. Aliás, há disposição legal expressa no sentido de vedar este colegiado afastar aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade, salvo as exceções nele previstas, o que não é o caso dos autos. Vide art. 26-A do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009. A norma inserta nesse dispositivo do Processo Administrativo Fiscal foi reproduzida no art. 62 do atual regimento interno do CARF. Demais disso, cabe ressaltar que sobre essa matéria os antigos 1º, 2º e 3º Conselhos de Contribuintes sumularam o entendimento de falecer competência aos órgãos administrativos afastar a aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade. Por outro lado, não me parece razoável o entendimento de parte da doutrina de que essa lei complementar não se aplicaria ao caso em discussão, pois a normatização da repetição de indébito é toda dada pelo CTN, mais especificamente, no art. 168, e o caso dos autos está amparado, justamente, nesse dispositivo, o qual recebeu a interpretação autêntica trazida pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. Ultrapassada a questão da inconstitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar nº 118/2005, passa-se à análise do termo inicial da prescrição do direito de a reclamante repetir o indébito objeto destes autos. O direito à repetição de indébito é assegurado aos contribuintes no art. 165 5 do Código Tributário Nacional - CTN. Todavia, como todo e qualquer direito, esse também tem prazo para ser exercido. A Carta Política da República, de 1988, exigiu lei complementar para estabelecer normas gerais de prescrição e decadência tributários, conforme se vê da alínea “b” do inciso III do art. 146. Art. 146. Cabe à lei complementar: I - .................................................................................................... III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: 5 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Fl. 17DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 18 a) ..................................................................................................... b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; A lei com o status exigido pela Constituição para fixar as hipóteses de prescrição e decadência tributária, quer para a cobrança do débito quer para a devolução do indébito, como é de todos sabido, é a Lei nº 5.172/1966, alçada a categoria de Código Tributário Nacional, recepcionada pela Constituição como lei complementar. Para o caso aqui em debate interessa, apenas, essa última hipótese, a qual é tratada no art. 168 do Código, que estabelece o prazo de 05 anos para a repetição, contados da seguinte forma: I - da data de extinção do crédito tributário nas hipóteses: a) de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; b) de erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; II - da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória nas hipóteses: a) de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. A exegese desse artigo não deixa margem a dúvida de que o prazo prescricional para repetição de indébito é de 05 anos. A celeuma que se instaurou na doutrina, e também na jurisprudência gira em torno do termo inicial da contagem do prazo. O art. 1686 fixa duas datas distintas, como não poderia deixar de ser, para hipóteses também distintas. A primeira - data da extinção do crédito tributário – aplica-se aos casos previstos nos incisos I e II do art. 165 do CTN; e a segunda – data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou judicial ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória, destina-se, exclusivamente, às hipóteses enumeradas no inciso II do mencionado art. 165. A exegese, como todos sabem, é a arte de se extrair da norma o seu conteúdo por meio das técnicas de interpretação. Todavia, não pode ir além disso, ou seja, não pode extrair aquilo que não está na norma. O exegeta não pode criar, não pode inventar, tem que se ater ao comando normativo, sob pena de transformar-se 6 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário. Fl. 18DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13808.004698/98-21 Acórdão n.º 9303-00.455 CSRF-T3 Fl. 272 19 em legislador positivo, usurpando competência que não lhe foi dada. Em outro giro, a lei complementar fixou, numerus clausus, os eventos que servem como data do termo de início da contagem do prazo prescricional de repetição de indébito – a extinção do crédito tributário que se pretende repetir, e da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória – afora essas duas hipóteses, nenhum outro dispositivo legal versa sobre o termo inicial da prescrição para repetir o indébito. Assim, toda a engenharia jurídica e criativa utilizada para dar sustentação a outros marcos temporais da contagem desse prazo não encontra respaldo no arcabouço jurídico nacional. Aliás, é de se ressaltar que essas teses que criaram termos de início alternativos ao dado pelo CTN, não só carecem de amparo legal, como afrontam o ordenamento jurídico, in casu, a própria Constituição, art. 146, III, “b”, e o Código Tributário Nacional que detém o status normativo exigido na Carta Cidadã para disciplinar essa matéria. Nesse ponto, transcrevo excerto do voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro 7 : Nessa linha, penso, portanto, que a inexistência de Lei em sentido formal ou material que apóie a jurisprudência administrativa da qual ora se diverge, faz com que a mesma entre em conflito com o princípio da legalidade, insculpido no art. 37 da Constituição Federal de 19888, na medida em que, uma vez afastada a regra jurídica formalmente vigente, simplesmente não existe outra de igual concretude para ser aplicada. Nesse ponto, não custa relembrar que, sob o ponto de vista da atuação da Administração Pública, onde inegavelmente está inserida este Colegiado, dito princípio assume feições diversas da prevista no art. 5o, II da CF de 19889, denominado Autonomia da Vontade. Diferentemente deste último, à Administração Pública só é permitido fazer aquilo que a lei (regra jurídica) prevê. Sobre esse aspecto, peço licença para trazer a lição de JJ Gomes Canotilho10, que assim esquadrinha os diferentes ângulos de atuação do princípio em discussão: “O princípio da legalidade postula dois princípios fundamentais: o princípio da supremacia ou prevalência da lei (Vorrang des Gesetzes) e o princípio da reserva de lei (Vorbehalt des Gesetzes). Estes princípios permanecem válidos, pois num Estado democrático-constitucional a lei parlamentar é, ainda, a 7 julgamento do recurso voluntário nº 133.010, na Terceira Câmara do do Terceiro Conselho de Contribuintes. 8 “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência...” 9 “II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;” 10 Canotilho, Joaquim José Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. Coimbra, Portugal, Almedina, 2000, 7ª Edição, p. 256 Fl. 19DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 20 expressão privilegiada do princípio democrático (daí a sua supremacia) e o instrumento mais apropriado e seguro para definir os regimes de certas matérias, sobretudo dos direitos fundamentais e da vertebração democrática do Estado (daí a reserva de lei). De uma forma genérica, o princípio da supremacia da lei e o princípio da reserva de lei apontam para a vinculação jurídico-constitucional do poder executivo (cfr., infra. fontes de direito e estruturas normativas)”. (grifei) Ou seja, como é cediço, o princípio da legalidade é o alicerce do Estado de Direito e, nessa condição, irradia seus efeitos sobre os demais valores defendidos no plano constitucional, inclusive sobre a Segurança Jurídica, invocado como fundamento para a decisão em debate. Nesse aspecto, recorro à lição de Sacha Calmon Navarro - membro de corrente doutrinária contrária àquela que inspirou a prolação dos votos vencedores - que, baseado na doutrina alemã11, pontifica: “O conceito de segurança jurídica é considerado conquista especial do Estado de Direito. Sua função é a de proteger o indivíduo de atos arbitrários do poder estatal, já que as intervenções do Estado nos direitos dos cidadãos podem ser muito pesadas e, às vezes, injustas. No entanto, se tais intervenções têm base em lei e visam o bem-estar público, será preciso decidir-se pela avaliação conjunta do interesse coletivo e do interesse do particular afetado para se aferir a juridicidade (conformação do direito) da medida estatal. Esse princípio é freqüentemente denominado ‘princípio da proporcionalidade’...” (grifei). Poder-se-ia então argumentar que a solução ora discutida seria então resultado do sopesamento entre os princípios constitucionais aparentemente conflitantes, mediante a redução da “força” do princípio da legalidade. Ocorre que essa solução só seria possível, penso, se os princípios constitucionais invocados possuissem o mesmo grau de concretude das normas cuja aplicação tem sido afastada. Ou seja, se os princípios em conflito pudessem ser traduzidos em regras jurídicas, passíveis de aplicação imediata, independente de lei complementar ou ordinária. Nesse ponto, é importante reforçar que, malgrado seu poder, que os torna aptos a, nas palavras de Paulo de Barros Carvalho12, informar e iluminar a compreensão de segmentos normativos, os princípios invocados, a bem da verdade, não são regras jurídicas, conforme a que precisa lição de Alexy, para quem os primeiros, 11 STEIN Torstein, A Segurança Jurídica na Ordem Legal da República Federal da Alemanha, apud Navarro, Sacha Calmon, Reflexões Sobre o Artigo 3º da Lei Complementar 118. Segurança Jurídica e a Boa-Fé como Valores Constitucionais. As Leis Interpretativas no Direito Tributário Brasileiro. Disponível em http://www.sacha.adv.br/admin/arq_publica/bc7f621451b4f5df308a8e098112185d.pdf 12 Curso de direito tributário. 3ª edição, p.72 Fl. 20DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13808.004698/98-21 Acórdão n.º 9303-00.455 CSRF-T3 Fl. 273 21 enquanto “mandatos de otimização”13, assim se distinguem das últimas: “El punto decisivo para la distinción entre reglas y principios es que los principios son normas que ordenan que algo sea realizado en la mayor medida posible, dentro de las posibilidades jurídicas y reales existentes. Por lo tanto, los principios son mandatos de optmización, que están caracterizados por el hecho de que pueden ser cumplidos en diferente grado y que la medida debida de su cumplimiento no sólo depende de las posibilidades reales sino también de las jurídicas. El ámbito de las posibilidades jurídicas es determinado por los principios y reglas opuestos. En cambio, las regias son normas que sólo pueden ser cumplidas o no. Si una regla es válida, entonces de hacerse exactamente lo que el exige, ni más ni menos. Por lo tanto, las reglas contienen determinaciones en el ámbito de lo fáctica y jurídicamente posible. Esto significa que la diferencia entre reglas y principios es cualitativa y no de grado. Toda norma es o bien una regla o un principio” (grifei) Como esclarece José Afonso da Silva14, apesar de sempre vigentes, as normas principiológicas constitucionais normalmente não reúnem todos os elementos necessários para sua incidência direta. Às vezes, falta-lhes o que Alexy definiu como “possibilidade jurídica”. Daí porque, desenvolveu o mestre paulista a clássica distinção entre normas de eficácia plena, contida e limitada: “Quando essa regulamentação normativa é tal que se pode saber, com precisão, qual a conduta positiva ou negativa a seguir relativamente ao interesse descrito na norma, é possível afirmar-se que está é completa e juridicamente dotada de plena eficácia”. Ainda sob o prisma da concretude, esclarecem Manuel Atienza e Juan Ruiz Manero15 que as regras: “constituem concreções relativas às circunstâncias genéricas que constituem suas condições de aplicação, derivadas do balanço entre os princípios relevantes em ditas circunstâncias. Estas concreções, constituídas pelas regras, pretendem ser concludentes e excluir, como base para adotar um curso de ação, a deliberação de seu destinatário sobre o balanço de razões aplicáveis ao caso. Esta pretensão, sem embargo, resulta em ocasiões falida: quando o resultado de aplicar a regra é inaceitável a luz dos princípios do sistema que determinam a justificação e o alcance da própria regra. Em tais casos, a 13 Teoria de los Derechos Fundamentales, apud Inocêncio Mártires Coelho. Interpretação Constitucional. Porto Alegre, 1997, Sérgio Antonio Fabris Editor, p. 85. 14Aplicabilidade das Normas Constitucionais. 3ª. ed., São Paulo, Malheiros, 1998, p. 99: 15 Ilícitos atípicos apud Decadência e Prescrição do Direito do Contribuinte e a LC 118: Entre Regras e Princípios, in Temas de Direito Público — Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá, pp 149 a 178 Fl. 21DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 22 pretensão concludente e excludente das regras fracassa e o ordenado ou permitido por elas alcança só um valor prima facie que se vê finalmente, uma vez consideradas todas as circunstâncias, afastado” Assim sendo, um princípio constitucional que não reúne os elementos condicionantes para sua eficácia plena não pode substituir a regra jurídica insculpida no CTN, no máximo, afastar sua aplicação por meio dos adequados instrumentos de controle da constitucionalidade, medida que foge à competência deste colegiado. Ou seja, se efetivamente fosse afastada a aplicação da norma, o resultado seria igualmente a improcedência do pedido, pois essa medida não faria surgir uma nova em seu lugar e, nessa condição, o tornaria carente de fundamento legal. Relembre-se, o Decreto nº 20.910, de 1932 não pode servir de base para a concessão de restituição tributária. 2. Interpretação Conforme a Constituição Doutrinadores de peso, como Paulo Bonavides16, defendem a interpretação conforme a Constituição, como método de harmonização da norma infraconstitucional aos princípios constitucionais, pretendendo, ao que parece, conferir a essa técnica contornos de mera busca pelo verdadeiro sentido do texto da norma hierarquicamente inferior à Constituição. Ocorre que tal linha, que, ao que parece, tem sido seguida majoritariamente por este Colegiado, diverge daquela que tem sido adotada pelo Supremo Tribunal Federal, que firmou norte no sentido de que a interpretação conforme a Constituição, em verdade, corresponde a um método de controle da constitucionalidade, sentido igualmente atribuído por Celso Ribeiro Bastos17 e Jorge Miranda18. Tal convicção ganha força em função da leitura do parágrafo único, do art. 28, da Lei nº 9.868, de 10 de novembro de 1999, que assim disciplina os possíveis resultados da Ação Declaratória de Inconstitucionalidade ou da Ação Declaratória de Constitucionalidade. Parágrafo único. A declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive a interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto, têm eficácia contra todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal, estadual e municipal. (grifei) 16 Curso de direito constitucional, p. 518. 17 Hermenêutica e interpretação constitucional, apud Sérgio Augusto Zampol Pavani. A Interpretação Conforme e Constituição e o Controle Difuso de Constitucionalidade. Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá. pp. 581 a 599. 18 Manual de direito constitucional, tomo II, p. 267. A Interpretação Conforme e Constituição e o Controle Difuso de Constitucionalidade. Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá. pp. 581 a 599. Fl. 22DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13808.004698/98-21 Acórdão n.º 9303-00.455 CSRF-T3 Fl. 274 23 Nesse sentido, trago à colação manifestação do Ministro Carlos Ayres Britto, em voto vista proferido em questão de ordem suscitada nos autos da ADPF no 54: “38. Em remate, a interpretação conforme não se exprime num típico exercício de hermenêutica, pois o típico exercício de hermenêutica se dá é num precedente contexto de serena aceitação da validade do dispositivo sobre que recai. Ela se inscreve é entre os mecanismos de controle de constitucionalidade, como exigência do sumo princípio da supremacia material da Constituição. Por isso que, já no citado segundo momento processual de sua aplicabilidade, ela é manejada como instrumento de sindicabilidade jurídica do ato público de menor escalão hierárquico. Por conseguinte, mecanismo pelo qual se afere tanto a validade formal quanto material de um modelo jurídico-positivo posto em cotejo com a Magna Carta.” Nesse diapasão, penso que falta competência legal a este Colegiado para, por meio da pré-falada técnica, interferir no texto do Código Tributário como se encontra vigente ou afastar a sua aplicação a hipóteses que, sem a pretensa colisão com os princípios constitucionais invocados nos votos vencedores, se subsumiriam perfeitamente ao seu texto. Aliás, ainda que tivéssemos competência para tanto, a técnica da interpretação conforme, na lição de J.J. Gomes Canotilho19, não admite alteração do texto normativo. Leciona o autor: “...daqui se conclui que a interpretação conforme só permite a escolha entre dois ou mais sentidos possíveis da lei mas nunca a revisão de seu conteúdo. A interpretação conforme a constituição tem, assim, os seus limites na ‘letra e na clara vontade do legislador’, devendo ‘respeitar a economia da lei’ e não podendo traduzir-se na ‘reconstrução’ de uma norma que não esteja devidamente explícita no texto”.(grifei) Nesse mesmo sentido, concluiu o Tribunal Pleno do STF, nos autos da ADI 3046/SP20: “III. Interpretação conforme a Constituição: técnica de controle de constitucionalidade que encontra o limite de sua utilização no raio das possibilidades hermenêuticas de extrair do texto uma significação normativa harmônica com a Constituição.” Importa ponderar, noutro giro, que nem a interpretação conforme nem qualquer outro método de controle da constitucionalidade admite que o intérprete inove em relação ao texto da lei, conforme deixou claro o Pretório Excelso na decisão proferida nos autos da Representação no 1.417-721: 19Op. cit., p. 1265/1266 20 Relator Min. Sepúlveda Pertence (resp. pelo acórdão), DJ 28.05.2004. 21 Relator Min. Moreira Alves, DJ 15.04.1988. Fl. 23DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 24 “O princípio da interpretação conforme a Constituição (Verfassungskonforme Auslegung) é princípio que se situa no âmbito do controle da constitucionalidade e não apenas simples regra de interpretação. A aplicação desse princípio sofre, porém, restrições, uma vez que, ao declarar a inconstitucionalidade de uma lei em tese, o STF - em sua função de Corte Constitucional - atua como legislador negativo, mas não tem o poder de agir como legislador positivo para criar norma jurídica diversa da instituída pelo Poder Legislativo. Por isso, se a única interpretação possível para compatibilizar a norma com a Constituição contrariar o sentido inequívoco que o Poder Legislativo lhe pretendeu dar, não se pode aplicar o princípio da interpretação conforme à Constituição que implicaria, em verdade, criação de norma jurídica, o que é privativo do legislador positivo. (...) - No caso, não se pode aplicar a interpretação conforme a Constituição por não se coadunar essa com a finalidade inequivocamente colimada pelo legislador, expressa literalmente no dispositivo em causa, e que dele ressalta pelos elementos da interpretação lógica.” (os grifos constam do original) Nessa linha, importa relembrar, que, como é cediço, no Regime Constitucional vigente, o “remédio” contra a omissão do legislador que ameace a efetividade dos direitos e garantias, não é a criação ou alteração do texto legal, por qualquer dos meios de controle da constitucionalidade, mas o Mandado de Injunção, ex vi do art. 5º, caput, inciso VXXI e §1º22. Nem a Ação de Inconstitucionalidade por Omissão, definida no § 2o do art 103, tem o efeito positivo ou inovador aplicado no voto do qual se discorda. Não se vê, portanto, como, em sede de recurso voluntário, conciliar a pretensão do interessado e a aplicação da legislação como se encontra vigente. Todavia, deve-se reconhecer que, na jurisprudência dos antigos conselhos de contribuintes, proliferaram-se teses e mais teses criando várias outras hipóteses de marco inicial da contagem desse prazo. Como exemplo, pode-se citar a data da publicação da resolução do Senado nos casos em que o indébito decorresse de lei declarada inconstitucional em controle difuso pelo STF; a data do dispositivo legal 23 , por meio do qual a administração teria reconhecido o direito de não mais se pagar o tributo inconstitucional; a tese do 5 mais 5 e por aí vai. 22 LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania; § 1º - As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. 23 Pacificou-se, noutro giro, o entendimento de que, independentemente da modalidade de controle da constitucionalidade, considera-se como início da contagem do prazo prescricional a data da publicação da lei que dispense os agentes públicos de adotar providências tendentes à cobrança dos tributos declarados inconstitucionais. Fl. 24DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13808.004698/98-21 Acórdão n.º 9303-00.455 CSRF-T3 Fl. 275 25 Entretanto, com a edição da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005, cujo artigo 3º deu interpretação autêntica ao art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, estabelecendo que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1º, da Lei nº 5.172/1966, o único entendimento possível é o trazido na novel lei complementar. Esclareça-se, por oportuno, que em se tratando de norma expressamente interpretativa, deve ser obrigatoriamente aplicada aos casos não definitivamente julgados, por força do disposto no art. 106, I, do CTN. Aliás, não se pode olvidar que o entendimento segundo o qual o termo inicial da prescrição é a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento era o adotado pelo STF antes de a competência para apreciar este tipo de matéria passar para o STJ. Aqui sobreleva citar as palavras do Ministro Marco Aurélio de Mello proferida na votação do RE acima transcrito: O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Presidente, diria mesmo que a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça foi surpresada com os embargos declaratórios e a veiculação da matéria, isso porque o caso não é simplesmente de aplicação da lei no tempo, mas, sim, de afastamento peremptório de preceito que revelou, ou melhor, explicitou mais ainda, se é que era preciso, o princípio segundo o qual a prescrição tem como termo inicial a data do nascimento da ação. E se afastou a Lei Complementar nº 118/2005, mais precisamente o artigo esclarecedor, artigo 4º, no que remeteu ao artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional, que versa, justamente, a aplicação da lei a ato ou fato pretérito, em qualquer hipótese, quando seja expressamente - para mim, ela foi simplesmente interpretativa - interpretativa, excluída a aplicação de penalidade no caso de infração. Aqui estamos diante daquela situação concreta em que se dobrou o prazo alusivo à prescrição mediante uma interpretação inteligente, sem dúvida alguma, mas que, a meu ver, de início, não se coaduna com o que se contém no Código Tributário Nacional. Acompanho, integralmente, o relator no voto proferido, em situação que viria a ser apanhada pelo nosso verbete. Em outro giro, embora não concorde com a tese dos 5 + 5 adotada pelo Superior Tribunal de Justiça, por entender que a homologação tem efeitos declaratórios, e, portanto, seus efeitos retroagem à data do pagamento,deve-se reconhecer que tal tese tem sua lógica, posto que, assim como o CTN, o termo inicial é a data da extinção do crédito tributário. A divergência reside na interpretação de quando se deu essa extinção. Aqui, ao contrário das demais teses adotadas para refutar o disposto no art. 168 do CTN, parte deste dispositivo e, como dito linhas acima, interpreta-o de forma a fixar quando se deu o evento da extinção Fl. 25DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 26 do crédito tributário. Não se inventou nada, apenas se interpretou a lei. Interpretação esta, a meu sentir, não escorreita, já que diferenciada da que foi dada pelo legislador. De qualquer sorte, na interpretação do STJ, continua valendo o marco estabelecido no CTN, o que varia é o momento em que ele se deu, já nas teses outras, aqui combatida, o interprete buscou outro termo de início, sem qualquer pertinência com o estabelecido em lei. Gize-se que nenhum tribunal pátrio abriga hoje em dia qualquer dessas teses inovadoras adotadas nos antigos Conselhos de Contribuintes, já que o STJ, a partir de novembro de 2005, espancou qualquer tese que não tivesse como marco temporal da prescrição a data da extinção do crédito tributário, e consolidou a posição de que a decretação da inconstitucionalidade pelo STF ou a edição de resolução do Senado não exercem qualquer influência sobre a contagem do prazo de prescrição. Vejamos: EREsp na 435.835 / SC SC 24 : CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LEI N° 7.787/89. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO PRAZO. PRECEDENTES. 1.Está uniforme na Ia Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicam-se a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. 2.Não há que se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. A pretensão foi formulada no prazo concebido pela jurisprudência desta Casa Julgadora como admissível, visto que a ação não está alcançada pela prescrição, nem o direito pela decadência. Aplica-se, assim, o prazo prescricional nos molde sem que pacificado pelo STJ, id est, a corrente dos cinco mais cinco. AgRg no REsp 852086 / RJ 25 : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ADMINISTRADORES E AUTÔNOMOS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO. I - Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo prescricional para se pleitear a compensação ou a restituição do crédito tributário somente se opera quando decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos, contados a partir da homologação tácita, em nada influenciando o termo inicial da prescrição, a declaração de inconstitucionalidade 24 Relator (para o acórdão): Ministro José Delgado, julgado em 24/03/2004, publicado no DJ de 04/06/2007; 25 Relator: Ministro Castro Meira, julgado em 17/05/2007, publicado no DJ de 29.05.2007. Fl. 26DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13808.004698/98-21 Acórdão n.º 9303-00.455 CSRF-T3 Fl. 276 27 da exação, pelo STF, seja em controle difuso ou concentrado, conforme restou decidido no julgamento dos EREsp n° 435.835/SC, Rei. p/ acórdão Min. JOSÉ DELGADO, julgado em 24/03/2004. REsp 841652 / PR 26 : TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COFINS.PRESCRIÇÃO. SOCIEDADE CIVIL. ISENÇÃO. ACÓRDÃO VERGASTADO.ENFOQUE EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. Nos tributos lançados por homologação, o prazo para a propositura da ação de repetição de indébito será de dez anos a contar do fato gerador, se a homologação for tácita (tese dos "cinco mais cinco"), e de cinco anos a contar da homologação, se expressa. Precedentes. O Tribunal a quo negou a pretensão recursal sob enfoque eminentemente constitucional, cujo reexame é da competência exclusiva do STF. Recurso especial conhecido em parte e improvido. De outro modo não poderia ser, pois ao se deslocar o prazo de prescrição da data da extinção do crédito tributário para qualquer outra data, estar-se-ia criando direito novo, totalmente incompatível com o CTN, e também, com o art. 146 da Constituição da República. Impõe-se ressaltar que o interprete não pode dar à norma um alcance maior do que a ela o legislador não deu, sob pena de se transformar o ato de interpretar em ato de legislar. Aquele, da alçada do aplicador da lei; esse, com exclusividade, da do legislador. Sobre a tese do termo de início ser deslocado da extinção do crédito tributário, para a data da publicação da resolução do Senado que retirou do mundo jurídico a lei declarada inconstitucional pelo STF, deve-se esclarecer que ela encontra- se totalmente desvinculada da jurisprudência de nossos tribunais, bem como da boa doutrina, como se pode ver a seguir. Regina Maria Macedo Nery Ferrari 27 , apoiada na doutrina de Oswaldo Aranha Bandeira de Melo 28 , leciona que a Resolução Senatorial que dá efeitos erga omnes à decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de lei teria efeito constitutivo e, nessa condição, somente após a publicação surtiria efeitos para as partes que não integraram o litígio. O Conselheiro Luis Marcelo, no aludido voto proferido na Terceira Câmara do Terceiro Conselho, aduz que um dos efeitos que pode ser afastado de plano é o da imprescritibilidade, 26 Relator: Ministro Castro Meira, julgado em 17/05/2007, publicado no DJ de 29.05.2007. 27 Efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, 5ª ed., p. 205. 28 A Teoria das Constituições Rígidas, apud Efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, 5ª ed. Fl. 27DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 28 característica própria da ADI e das demais ações de cunho declaratório. Todavia, depois da suspensão efetuada pelo Senado, perde a lei ou ato normativo sua eficácia; perde sua executoriedade, vale dizer, a sua revogação, e, a partir daí, não mais pode ser considerada em vigor. Ora, parece-nos claro, dentro de tal colocação de idéias, que só a partir dessa suspensão é que a lei perde a eficácia, o que nos leva a admitir seu caráter constitutivo. A lei até tal momento existiu e, portanto, obrigou, criou direitos, deveres, com toda sua carga de obrigatoriedade, e só a partir do ato do Senado é que ela vai passar a não obrigar mais, já que, enquanto tal providência não se concretizar, pode o próprio Supremo, que decidiu sobre sua invalidade, alterar seu entendimento, conforme manifestação dos próprios ministros do Supremo, em voto proferido na decisão do Mandado de Segurança 16.512, de maio de 1966. Assim sendo, não estão com a razão aqueles que consideram ter efeito retroativo a suspensão pelo Senado, pois, se não podemos negar o caráter normativo de tal ato, o mesmo, embora não se confunda com a revogação, opera como ela, já que retira, por disposição constitucional, a eficácia da lei ou ato normativo tido por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. José Afonso da Silva 29 , apoiado em doutrinadores da envergadura de Pontes de Miranda, Alfredo Buzaid e Themístocles Brandão Cavalcanti, esclarece que: O problema deve ser decidido, pois, considerando-se dois aspectos. No que tange ao caso concreto, a declaração surte efeitos ex tunc, isto é, fulmina a relação jurídica fundada na lei inconstitucional desde o seu nascimento. No entanto, a lei continua eficaz e aplicável, até que o Senado suspenda sua executoriedade; essa manifestação do Senado, que não revoga nem anula a lei, mas simplesmente lhe retira a eficácia, só tem efeitos, daí por diante, ex nunc. Pois, até então, a lei existiu. Se existiu, foi aplicada, revelou eficácia, produziu validamente seus efeitos. O Ministro Teori Albino Zavascki 30 , em obra dedicada ao tema, citado no voto do Conselheiro Luis Marcelo, estabelece limites temporais para o poder vinculativo advindo da Resolução Senatorial, a saber: Em qualquer caso, o efeito vinculante da declaração de inconstitucionalidade é, sob o aspecto temporal, logicamente posterior ao efeito da inconstitucionalidade em si: esta é ex tunc, desde a edição da norma; aquele só é vinculante a partir do ato do qual decorre, que é superveniente à norma inconstitucional [Essa linha de entendimento norteou o acórdão do Supremo Tribunal Federal no Recurso em Mandado de Segurança 17.976, Relator Min. Amaral Santos (julgamento de 13.09.68), em cujo 29 Curso de Direito Constitucional Positivo. São Paulo. Malheiros, 1994, 10ª ed., p. 57. 30 Eficácia das Sentenças na Jurisdição Constitucional. São Paulo. Revista dos Tribunais, 2001, pp. 81-101 Fl. 28DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13808.004698/98-21 Acórdão n.º 9303-00.455 CSRF-T3 Fl. 277 29 voto está dito que 'a suspensão da vigência da lei por inconstitucionalidade torna sem efeito os atos praticados sob o império da lei inconstitucional. Contudo, a nulidade da decisão transitada em julgado só pode ser declarada por via de ação rescisória'. Esclareceu o Min. Eloy da Rocha, na oportunidade, que 'a suspensão da execução da lei, pelo Senado, tem efeito ex nunc']. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça 31 , sobre o tema, firmou-se no seguinte sentido: REsp nº 547.744/MG32: Como a ADIN é imprescritível, todas as ações que tiverem por objeto direitos subjetivos decorrentes de lei cuja constitucionalidade ainda não foi apreciada, ficariam sujeitas à reabertura do prazo de prescrição, por tempo indefinido. Assim, disseminaria-se a imprescritibilidade no direito, tornando os direitos subjetivos instáveis até que a constitucionalidade da lei seja objeto de controle pelo STF. Ocorre que, se a decadência e a prescrição perdessem o seu efeito operante diante do controle direto de constitucionalidade, então todos os direitos subjetivos tornar-se-iam imprescritíveis. A decadência e a prescrição rompem o processo de positivação do direito, determinando a imutabilidade dos direitos subjetivos protegidos pelos seus efeitos, estabilizando as relações jurídicas, independentemente de ulterior controle de constitucionalidade da lei. (grifei) O acórdão em ADIN que declarar a inconstitucionalidade da lei tributária serve de fundamento para configurar juridicamente o conceito de pagamento indevido, proporcionando a repetição do débito do Fisco somente se pleiteada tempestivamente em face dos prazos de decadência e prescrição: a decisão em controle direto não tem o efeito de reabrir os prazos de decadência e prescrição. Descabe, portanto, justificar que, com o trânsito em julgado do acórdão do STF, a reabertura do prazo de prescrição se dá em razão do princípio da actio nata. Trata-se de petição de princípio: significa sobrepor como premissa a conclusão que se pretende. O acórdão em ADIN não faz surgir novo direito de ação ainda não desconstituído pela ação do tempo no direito. Respeitados os limites do controle da constitucionalidade e da imprescritibilidade da ADIN, os prazos de prescrição do direito do contribuinte ao débito do Fisco permanecem regulados pelas três regras que construímos a partir dos dispositivos do CTN. (grifei) O Ministro Teori Albino Zavascki, em declaração de voto proferida nos autos EREsp n° 423.994/MG33, entendeu que: 31 jurisprudência trazida à colação no voto proferido pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, no voto proferido no julgamento do Recurso Voluntário nº 133.010, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. 32 Publicado no DJ de 09/12/2003, Relator: Ministro Luiz Fux. Fl. 29DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 30 Em suma, não há como afirmar que a declaração de inconstitucionalidade, notadamente quando formulada em controle difuso, importe, no plano da norma, qualquer efeito extintivo ou modificativo. A norma permanece nula, como sempre foi. Também nenhum efeito dessa espécie ocorre no plano das relações jurídicas individuais (salvo, evidentemente, a que envolve as partes diretamente vinculadas à ação individual proposta). Mas, mesmo havendo sentença de inconstitucionalidade proferida em ação de controle concentrado, as relações jurídicas individuais formadas inconstitucionalmente (como, v. g., o pagamento de um tributo inconstitucional), não são diretamente atingidas pela declaração e muito menos desfeitas de modo automático. A seu turno, o Ministro Gilmar Ferreira Mendes 34 , sobre os efeitos desconstitutivos da sentença proferida em sede de controle da constitucionalidade, pondera: Não se está a negar caráter de princípio constitucional ao princípio da nulidade da lei inconstitucional. Entende-se, porém, que tal princípio não poderá ser aplicado nos casos em que se revelar absolutamente inidôneo para a finalidade perseguida (casos de omissão; exclusão de benefício incompatível com o princípio da igualdade), bem como nas hipóteses em que a sua aplicação pudesse trazer danos para o próprio sistema jurídico constitucional (grave ameaça à segurança jurídica). (...) Acentue-se, desde logo, que, no direito brasileiro, jamais se aceitou a idéia de que a nulidade da lei importaria na eventual nulidade de todos os atos que com base nela viessem a ser praticados. Embora a ordem jurídica brasileira não disponha de preceitos semelhantes aos constantes do § 79 da Lei do Bundesverfassungsgericht que prescreve a intangibilidade dos atos não mais suscetíveis de impugnação, não se deve supor que a declaração de inconstitucionalidade afete todos os atos praticados com fundamento na lei inconstitucional. Embora o nosso ordenamento não contenha regra expressa sobre o assunto e se aceite, genericamente, a idéia de que o ato fundado em lei inconstitucional está eivado, igualmente, de iliceidade concede-se proteção ao ato singular, em homenagem ao princípio da segurança jurídica, procedendo-se à diferenciação entre o efeito da decisão no plano normativo (Normebene) e no plano do ato singular (Einzelaktebene) mediante a utilização das chama das fórmulas de preclusão. De qualquer sorte, os atos praticados com base na lei inconstitucional que não mais se afigurem suscetíveis de revisão não são afetados pela declaração de inconstitucionalidade. (os grifos não constam do original) Nesse mesmo sentido é a doutrina de JJ Canotilho 35 : 33 Publicado no DJ de 05/04/2004. 34 Jurisdicão Constitucional. Brasilia. Forense. 2005, 5ª edição, pp. 333 e 334. Fl. 30DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13808.004698/98-21 Acórdão n.º 9303-00.455 CSRF-T3 Fl. 278 31 Pode também entender-se que os limites à retroactividade se encontram na definitiva consolidação de situações, actos, relações, negócios a que se referia a norma declarada inconstitucional. Se as questões de facto ou de direito regulados pela norma julgada inconstitucional se encontram definitivamente encerradas porque sobre elas incidiu caso julgado judicial, porque se perdeu um direito por prescrição ou caducidade, porque o acto se tornou inimpugnável, porque a relação se extinguiu com o cumprimento da obrigação, então a dedução de inconstitucionalidade, com a conseqüente nulidade ipso jure, não perturba, através da sua eficácia retroactiva, esta vasta gama de situações ou relações consolidadas. Como bem asseverou o Conselheiro Luis Marcelo, no voto já citado linhas acima: (...) um exemplo claro da aplicação das chamadas normas de preclusão pode ser extraído da decisão proferida nos autos do Resp nº 686.05836 - MG, em que se discutia o cabimento de ação rescisória em face da decretação da inconstitucionalidade de lei que fundamentou a sentença: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EFICÁCIA TEMPORAL DA COISA JULGADA. DESCONSTITUIÇÃO DOS EFEITOS PRETÉRITOS DE SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO, TENDO EM VISTA A POSTERIOR DECLARAÇÃO PELO STF, EM CONTROLE DIFUSO, DA INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI EM QUE SE FUNDA. IMPRESCINDIBILIDADE DA AÇÃO RESCISÓRIA. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO DAS NORMAS PELO SENADO FEDERAL. MODIFICAÇÃO NO ESTADO DE DIREITO QUE FAZ CESSAR, DESDE A EDIÇÃO DA RESOLUÇÃO, AUTOMATICAMENTE, A FORÇA VINCULANTE DO PROVIMENTO JURISDICIONAL. (...) 4. Em nosso sistema, as decisões tomadas em controle difuso de constitucionalidade, ainda que pelo STF, limitam sua força vinculante às partes envolvidas no litígio. Não afetam, por isso, de forma automática, como decorrência de sua simples prolação, eventuais sentenças transitadas em julgado em sentido contrário, para cuja desconstituição é indispensável o ajuizamento de ação rescisória. 5. A edição de Resolução do Senado Federal suspendendo a execução das normas declaradas inconstitucionais, contudo, confere à decisão in concreto efeitos erga omnes, universalizando o reconhecimento estatal da inconstitucionalidade do preceito normativo, e acarretando, a partir de seu advento, mudança no estado de direito capaz de sustar a eficácia vinculante da coisa 35 Canotilho, José Joaquim Gomes. Direito Constitucional, apud Jurisdição Constitucional. Brasília. Forense. 2005, 5ª edição, p. 388. 36 Relator designado: Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 19/10/2006, publicado no DJ de 16/11/2006. Fl. 31DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 32 julgada, submetida, nas relações jurídicas de trato sucessivo, à cláusula rebus sic stantibus. 6. No caso concreto, tem-se ação ordinária por meio da qual se busca desconstituir os efeitos pretéritos da aplicação do art. 3º, I, da Lei 7.787⁄89, emanados de sentença transitada em julgado, invocando a posterior declaração de sua inconstitucionalidade pelo STF em controle difuso. Uma vez esgotado, porém, o prazo para a propositura da ação rescisória, tal intento é inviável.(grifei) Conclui o ilustre Conselheiro: (...) ainda que se discutam os efeitos da declaração de inconstitucionalidade, tornou-se pacífico na jurisprudência da Corte Constitucional, que a reclamada nulidade só atinge o ato que ainda encontra condições de ser revisto, o que não ocorre, v.g. com aquele atingido pela prescrição. Como prova de tais conclusões, o reconhecido constitucionalista, cita voto proferido pelo Ministro Rodrigues Alckmin, nos autos do RE 86.05637: Não contendo a ordem jurídica brasileira disciplina geral sobre o direito-dever de revogar ou anular os atos administrativos ou sobre o prazo dentro do qual isso possa ocorrer afigura-se difícil afirmar, com segurança, o dever do Poder Público de anular todos os atos praticados com base na lei inconstitucional. É certo que, por analogia, poder-se-ia cogitar da aplicação dos prazos prescricionais a essa situação, de modo que seria admissível o dever de a Administração proceder à revisão apenas dos atos ainda suscetíveis de impugnação na via judicial. Releva ainda mencionar a posição do Ministro Teori Zavascki, em voto proferido no EREsp n° 423.994/MG38: O caso dos autos é paradigmático, porque põe em confronto duas orientações do STJ, adotadas há muito tempo, mas que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, se mostram incompatíveis, expondo a fragilidade dos fundamentos que as sustentam. Tal fragilidade reside, segundo penso, na circunstância de terem, ambas, se assentado sobre bases que desconsideram inteiramente um princípio universal em matéria de prescrição: o princípio da actio nata, segundo o qual a prescrição se inicia com o nascimento da pretensão ou da ação (Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado, Bookseller Editora, 2.000, p. 332). Realmente, ocorrendo o pagamento indevido, nasce desde logo o direito a haver a repetição do respectivo valor, e, se for o caso, a pretensão e a correspondente ação para a sua tutela jurisdicional. Direito, pretensão e ação são incondicionados, não estando subordinados a qualquer ato do Fisco ou a decurso de tempo.(grifei) (...) 37 DJ 01/07/1977. 38 Julgado em 08/10/2003, publicado no DJ de 05/04/2004. Fl. 32DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13808.004698/98-21 Acórdão n.º 9303-00.455 CSRF-T3 Fl. 279 33 Por tais razões, não se pode justificar, do ponto de vista constitucional, a orientação segundo a qual, relativamente à repetição de tributos inconstitucionais, o prazo prescricional somente corre a partir da data da decisão do STF que declara a sua inconstitucionalidade. Isso significaria, conforme já se disse, atribuir eficácia constitutiva àquela declaração. Significaria, também, atrelar o início do prazo prescricional não a um termo (= fato futuro e certo), mas a uma condição (= fato futuro e incerto). Não haveria termo a quo do prazo, e sim condição suspensiva. Isso equivale a eliminar a própria existência do prazo prescricional de cinco anos previsto no art. 168 do CTN, já que, sem termo "a quo", o termo "ad quem" será indeterminado. O prazo prescricional será incerto, aleatório e eventual, já que, se ninguém tomar a iniciativa de provocar jurisdicionalmente a declaração de inconstitucionalidade, não estará em curso prazo prescricional algum, mesmo que o recolhimento do tributo indevido tenha ocorrido há cinco, dez ou vinte anos. Em palestra proferida no XX CONGRESSO BRASILEIRO DE DIREITO TRIBUTÁRIO, publicada na revista RDT da Malheiros, o Professor e Doutor Eurico de Santi, com a costumeira maestria, demonstra que a prescrição para repetir tributo tem como termo inicial a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento. Com a palavra o mestre de Santi: 3. Desafios da interpretação I, “o início do caos”: a origem da tese dos 10 anos IR, IPI, ICMS, ISS, IPVA etc, demais contribuições e outros tributos, sujeitos ao lançamento por homologação, sempre tiveram suas leis discutidas e os respectivos indébitos reconhecidos em nome do princípio da legalidade, mas sempre sujeitos ao limite temporal desse controle da legalidade, balizado pela regra de prescrição do direito à repetição do indébito, cujo prazo desde a CF67 foi de 5 anos, contados do momento pagamento indevido. Assim foi recepcionada na CF/88, a regra do Art. 168 do CTN: “O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: (...) I – nas hipóteses do inciso I (“pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável”) e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário”. Sendo que, por quase trinta anos, doutrina e jurisprudência foram uníssonas no entendimento de que o dies a quo deste prazo é o momento do pagamento indevido, i.é, a data da extinção do crédito: a regra parecia tão clara que sequer se falava de interpretação (tampouco em “tese”), passavam-se 5 anos e, simplesmente, “ocorria” a prescrição do direito de repetir o indébito (por exemplo, no TIT, decadência e prescrição sequer precisavam de paradigmas, no recurso especial). Tudo começou com o reconhecimento, pelo STF, da inconstitucionalidade do Art. 10, primeira parte, do Decreto-lei nº 2.288/86, que instituiu o controvertido empréstimo Fl. 33DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 34 compulsório sobre consumo de combustíveis, justamente, depois de esgotado o prazo para propositura da ação de repetição do indébito deste tributo – i.é, cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário ex vi do Art. 168, I, do CTN. Deveras, o simples fato era que havia ocorrido a prescrição: bastava aplicar, então, a clara regra prevista no Art. 168 do CTN. É por isso que as regras de prescrição elegem em seus suportes facticos o tempo, o tempo é um fator objetivo e indiscutível: todos tendem a concordar com os dias do calendário e com os ponteiros do relógio: assim, pela legalidade da prescrição, a tipicidade do tempo realiza a segurança jurídica em detrimento da própria legalidade do tributo. Além disso, convenhamos, tratava-se de um tributo irrelevante, contingente e provisório: o empréstimo compulsório sobre combustíveis. Que, alías, enquanto empréstimo, mesmo passado o prazo de ação para questionar o indébito tributário, ensejaria, simplesmente, a exigência do cumprimento de sua claúsula de restituição, tal qual prevista na lei instituidora: novamente, bastava aplicar a lei. 4. Ruptura da legalidade: a sede de fazer justiça! Mas a sede de “justiça” foi maior. Assim, em nome da luta pela reparação da ilegalidade do empréstimo compulsório, corrompeu-se sistemicamente, a legalidade da regra de prescrição, disciplinada na própria Constituição ex vi do Art. 146, III, “c”. A partir daí, os prazos de decadência e prescrição, que tem na segurança jurídica sua única razão de existir - servindo como técnicas de limitação do próprio princípio da legalidade - encontraram-se modificados por mera tese. Assim, sem a devida lei complementar e mediante mera e contingente interpretação, alterou-se o prazo de prescrição de praticamente todos nossos tributos federais, estaduais e municipais. Tudo, decorrência de uma criativa e sedutora tese que clamava por “Justiça”. E o STJ fez sua justiça salomônica: tese de 10 para cá, tese de 10 para lá. E todos nós ficamos no meio! Até hoje incertos do prazo, mas sempre certos que somos sempre nós, contribuintes, que pagamos a conta. Não lutamos contra gigantes abstratos, o Estado é um moinho concreto que se alimenta do nosso trabalho: é nosso dinheiro que entra; e bem ou mal, é nosso dinheiro que sai para prover o numerário para as restituições de indébito pleiteadas. E se a carga tributária aumenta, é, também, porque alguém tem que pagar mais, para que outros, ou os mesmos, possam restituir mais. Assim, corrompendo-se a legalidade em nome da legalidade, mas em absurdo desrespeito a segurança jurídica, o termo inicial do prazo deixou de ser o “pagamento antecipado” e passou a ser o momento da homologação tácita ou expressa desse pagamento, sob a alegação de que a extinção do crédito só se realiza com a ulterior homologação do pagamento, ex vi do Art. 156, VII do CTN. Firmou-se, assim, a denominada tese dos dez anos, conforme o seguinte acórdão do STJ: Fl. 34DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13808.004698/98-21 Acórdão n.º 9303-00.455 CSRF-T3 Fl. 280 35 Embargos de Divergência em Recurso Especial nº 43.995-5/RS Relator: Min. Cesar Asfor Rocha EMENTA: Tributário – Empréstimo Compulsório sobre a aquisição de combustíveis – Decreto-Lei nº 2.288/86 – Restituição - Decadência – Prescrição – Inocorrência. Consoante entendimento fixado pela egrégia Primeira Seção, sendo o empréstimo compulsório sobre a aquisição de combustíveis sujeito a lançamento por homologação, à falta deste, o prazo decadencial só começa a fluir após o decurso de cinco anos da ocorrência do fato gerador, somados de mais cinco anos, contados estes da homologação tácita do lançamento. Por sua vez, o prazo prescricional tem como termo inicial a data da declaração de inconstitucionalidade da Lei em que se fundamentou o gravame.”(DJ: 24/04/1995) 5. Restaurando a legalidade: dura lex, lex sed A efetivação do princípio da legalidade exige o respeito a sua tríplice dimensão: irretroatividade, reserva legal e tipicidade. A tese dos dez anos fere, num só golpe, estas três perspectivas: (i) corrompeu a irretroatividade, criando, projetando e introduzindo, no passado, novo critério legal de prescrição (como o efeito que agora se pretende com a LC 118, só que, aqui, mediante lei); (ii) desrespeitou, flagrantemente, a reserva legal, arrostando matéria de lei para a discrionariedade do Poder Judiciário, ignorando o princípio da separação dos Poderes; e (iii) afrontou a tipicidade do Art. 168, fundamental nas regras de decadência e prescrição, sobrepondo à clareza objetiva do critério da regra posta, a incerta subjetividade de valores contingentes. A legalidade se realiza no ato de aplicação, mas não muda. O artigo 168 sempre esteve lá, da mesma forma, e a LC 118 em nada o alterou. O prazo legal sempre foi, e continua sendo, de 5 anos a contar do pagamento antecipado: primeiro, porque pagamento antecipado não significa pagamento provisório à espera de seus efeitos, mas pagamento efetivo, realizado antes e independentemente de ato de lançamento; segundo, porque se interpretou o “sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento” de forma equivocada como se fosse, necessariamente, uma condição suspensiva que desloca o efeito do pagamento para a data da homologação39. Ocorre que o Art. 150 § 1º refere-se a “condição resolutiva” que, como tal, não impede a plena eficácia do pagamento antecipado que equivale, assim, para todos os efeitos à data da extinção do crédito tributário, no caso dos tributos sujeitos ao Art. 150 do CTN. Desta forma, é a data efetiva em que o contribuinte recolhe 39 LUCIANO AMARO aponta a impropriedade técnica de o CTN dirigir a homologação como condição resolutiva: “Ora, os sinais aí estão trocados. Ou se deveria prever, como condição resolutória, a negativa de homologação (de tal sorte que, implementada essa negativa, a extinção restaria resolvida) ou teria de definir-se, como condição suspensiva, a homologação (no sentido de que a extinção ficaria suspensa até o implemento da homologação). Direito tributário brasileiro, p. 344 Fl. 35DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 36 o valor, a título de tributo, que haverá de funcionar como dies a quo do prazo de prescrição. Em suma, legalmente, o contribuinte sempre gozou de cinco anos para pleitear o débito do Fisco, e nunca dez. 6. Concluindo: legalidade e as decisões judiciais HERBERT HART 40 , analisando a definitividade e a infalibilidade das decisões dos tribunais superiores, faz uma instigante analogia com os jogos em que, num primeiro momento, não há a figura do juiz, mas que, quando instituído, funcionará como marcador oficial dos pontos e cujas decisões serão definitivas. Explica que nesse tipo de sistema passa a ocorrer um novo tipo de interação entre os actantes do jogo, que deixam de opinar sobre a pontuação ou sobre as regras do jogo, porque as determinações do marcador oficial são indisputáveis e definitivas. E continua: Não difere dessa situação os julgados do STJ (“marcador oficial”) com relação às regras do termo inicial do prazo de prescrição do direito ao indébito: é certo que a autoridade e a definitividade das decisões do STJ são inquestionáveis. Contudo, como ensina HERBERT HART 41 : “‘O resultado é o que o marcador diz que é’ não é uma regra de marcação: é uma regra que atribui autoridade e definitividade à aplicação por ele em casos concretos da regra de pontuação”. Não é a legalidade: é o simples efeito concreto da coisa julgada. Remanesce, assim, o seguinte problema, como diz o legendário titular da Cadeira de Jurisprudência da Universidade de Oxford: “o fato de as decisões oficiais em descompasso com a regra de jogo serem aceitas não significa que o jogo de críquete ou de basebol já não esteja a jogar-se; por outro lado, se estas distorções forem freqüentes ou se o juiz repudiar a regra do jogo positivada, há que chegar um ponto em que, ou os jogadores não aceitam mais as determinações destoantes do marcador ou, se o fazem, o jogo vem a alterar-se; já não é críquete ou basebol que se joga, mas “o jogo do Juiz” 42 . Enfim, a partir do direito e da aplicação efetiva da legalidade, continuamos entendendo, como aliás vimos defendendo desde 23 de maio de 2000, que nunca coube falar em prazo de 10 anos: nem antes, nem depois da tese dos 10 anos; nem antes, nem depois da LC 118. Em suma, o prazo de prescrição no CTN e o direito continuam os mesmos: tudo não passou de um pesadelo e, agora, o dia está amanhecendo, há luz, e todos nós, acordados, podemos nos dar conta deste simples fato: os tribunais interpretam a lei, podendo até alterar sua eficácia legal, mas não alteram a lei... Outro ponto que clama por refutar a tese adotada no acórdão recorrido é o da total inversão da finalidade da prescrição. Explico: esse instituto extintivo do direito de ação, oriundo do 40 O conceito de direito, p. 155-6 41 O conceito de direito, p. 156-9. 42 Tradução livre do original: The concept of law, Oxford university Press, 1961. Fl. 36DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13808.004698/98-21 Acórdão n.º 9303-00.455 CSRF-T3 Fl. 281 37 direito civil, tem por escopo estabilizar as relações jurídicas e contribuir para a estabilidade social, na medida em que impede que conflitos jurídicos se perpetuem no tempo e passe de uma geração para outra. A tese adotada no acórdão recorrido, simplesmente, mantém a possibilidade de conflitos extintos em um passado distante sejam ressuscitados e venham assombrar a geração presente ou futura. Tome-se, por exemplo, o caso da Lei nº 4.502/1964 – lei básica do IPI – que prevê a incidência desse tributo sobre produtos das indústrias gráficas. O Judiciário, sistematicamente, vem decidindo em sentido contrário, que sobre tais produtos incide apenas ISS, e não o imposto federal. A prevalecer a tese esposada no acórdão recorrido, se a União vier a editar qualquer ato dispensando a fiscalização de lançar o IPI sobre esses produtos, o prazo de prescrição do tributo pago desde 1964 seria reaberto, a partir desse ato, que passaria a ser o termo inicial da prescrição. Com isso, poder-se-ia repetir eventuais indébitos relativos a tributos ocorridos no longínquo ano do golpe militar, ou seja, meio século depois. Tal fato acarretaria ônus insuportável aos cofres públicos, de tal monta que, a geração sobrevivente dos anos de chumbo sucumbiria ao caos financeiro decorrente dessa canhestra engenharia jurídica inventada para legitimar, ao arrepio da lei e da constituição, a devolução de um tributo pago por uma geração, que, aliás, dele se beneficiou. Por derradeiro, transcrevo excerto do voto do Luis Marcelo para refutar a tese que defende a renúncia da Fazenda Pública à prescrição. Outro ponto da matéria sob exame que foi objeto de análise pelo Superior Tribunal de Justiça, é a definição dos efeitos do ato governamental que, a teor do artigo 18 da Lei 10.522/2002, resultado de sucessivas conversões da Medida Provisória 1.110, de 1995, que dispensa a adoção de medidas tendentes à cobrança administrativa ou judicial dos tributos declarados inconstitucionais. Conforme já foi dito, este colegiado tem equiparado esses atos à confissão de indébito, capaz de interromper ou de caracterizar renúncia à prescrição que, nesses casos, militaria em favor da Fazenda Pública. Mais uma vez, peço vênia a meus pares para discordar de mais um dos pontos em que se baseia a tese vencedora ora contestada. Em primeiro lugar, penso, estribado na doutrina de Pontes de Miranda43, que é impossível estender, por analogia, as hipóteses 43 Tratado de direito privado, apud Eurico Marcos Diniz de Santi. Decadência e Prescrição do Direito do Contribuinte e a LC 118: Entre Regras e Princípios, in Temas de Direito Público — Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba. Juruá, 2005, pp 149 a 178. Fl. 37DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 38 de interrupção da prescrição taxativamente expressas na legislação tributária. Por outro lado, independentemente da indisponibilidade dos bens públicos, admitindo, apenas para argumentar, que os interesses em testilha fossem privados, é cediço que, nos termos da Lei nº 10.406, de 2002 (Novo Código Civil), o ato de renúncia44 deve ser interpretado restritivamente e que a renúncia tácita à prescrição somente se opera pela prática de atos incompatíveis com esse fato preclusivo45. Dessa forma, não consigo enxergar nos atos em questão os efeitos vislumbrados nos votos vencedores. Ao meu ver, no caso da medida provisória nº 1.110, de 1995, que, após sucessivas reedições, foi convertida na Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, esse raciocínio ganha ainda mais força dada a ressalva expressa contida no § 3º do seu art. 1846. Nesse aspecto, transcrevo trecho do voto vencedor do Recurso Especial no 747.09147 “Sem razão, contudo. Em nosso sistema, considerado o princípio da indisponibilidade dos bens públicos, está assentado o entendimento de que a renúncia à prescrição já consumada em favor da Fazenda Pública não pode ser simplesmente tácita, daí porque, segundo orientação já antiga do próprio STF, é “incensurável a tese de que a renúncia da prescrição em favor da Fazenda Pública só possa fazer-se por lei” (RE 80.153⁄SP, Segunda Turma, Min. Leitão de Abreu, 13.10.1976). A doutrina posiciona-se em igual sentido: “O Poder Público pode renunciar a direito próprio, mas esse ato de liberalidade não pode ser praticado discricionariamente, dependendo de lei que o autorize. A renúncia tem caráter abdicativo e em se tratando de ato de renúncia por parte da Administração depende sempre de lei autorizadora, porque importa no despojamento de bens ou direitos que extravasam dos poderes comuns do administrador público” (NOBRE JUNIOR, Edilson Pereira. Prescrição: decretação de ofício em favor da Fazenda Pública in Revista Forense 345⁄35). “A administração, uma vez consumado o prazo prescricional, não pode satisfazer o direito prescrito, salvo autorização legislativa, vez que isso importaria em liberalidade com o patrimônio público, que o executor da lei só pode praticar por determinação da própria lei” (CARVALHO, Selma Drumond. Aplicabilidade das normas sobre prescrição à Fazenda Pública in Informativo Jurídico Consulex, Volume 14, nº 40, página 11). 44Art. 114. Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente. 45Art. 191. A renúncia da prescrição pode ser expressa ou tácita, e só valerá, sendo feita, sem prejuízo de terceiro, depois que a prescrição se consumar; tácita é a renúncia quando se presume de fatos do interessado, incompatíveis com a prescrição. 46§ 3º O disposto neste artigo não implicará restituição ex officio de quantia paga. 47 Relator: Ministro Teori Albino Zavascki, publicado no DJ de 06/02/2006 Fl. 38DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13808.004698/98-21 Acórdão n.º 9303-00.455 CSRF-T3 Fl. 282 39 No presente caso, o art. 18 da Lei 10.522⁄2002 simplesmente dispensou “a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União e o ajuizamento da respectiva execução fiscal” relativamente à quota de contribuição para exportação para o café. Nada dispôs sobre renúncia a prescrição. Pelo contrário, em seu §3º expressamente dispôs que a dispensa nela prevista não autorizava a restituição ex officio de quantias já pagas. Portanto, além de não fazer menção alguma à renúncia à prescrição, a lei deixou claro que não abria mão, espontaneamente, dos valores já recebidos, muito menos, portanto, dos valores já recebidos e insuscetíveis de lhe serem exigidos por via judicial, quando consumada a prescrição. Em outras palavras: não houve renúncia alguma, nem expressa e nem tácita, mas, ao contrário, houve a clara e expressa manifestação no sentido de não abrir mão dos valores já recebidos. Diante do exposto e considerando que no caso em análise o pedido foi protocolado após o transcurso do prazo qüinqüenal, contado a partir da extinção do crédito tributário pelo pagamento, é de se concluir que o direito à repetição pleiteado nestes autos foi alcançado pela prescrição. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo para restabelecer a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento e declarar extinto o direito à repetição do indébito objeto do recurso ora em exame. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 39DF CSRF MF Documento de 39 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0219.11290.BWEW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por CLEUZA TAKAFUJI em 07/05/2010 09:43:32. Documento autenticado digitalmente por CLEUZA TAKAFUJI em 07/05/2010. Documento assinado digitalmente por: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO em 19/05/2010. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 11/02/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP11.0219.11290.BWEW Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 6BEB470DD4E37E5F10C9455769E6CD8EA047A0C9 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 138080049689821. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 12466.000155/98-16
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 29/11/1993 a 02/09/1994
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. VALORAÇÃO ADUANEIRA. REMUNERAÇÃO PAGA POR CONCESSIONÁRIAS ÀS DETENTORAS DO USO DA MARCA NO PAÍS POR SERVIÇOS PRESTADOS. NÃO INCLUSÃO.
Para efeito dos arts. 8º, § 1º, alíneas "c" e "d", do Acordo de Valoração Aduaneira promulgado pelo Decreto n° 92.930, de 16/07/86, bem como da Ata Final que incorpora os Resultados da Rodada Uruguai de Negociações Comerciais Multilaterais do GATT, promulgada pelo Decreto 1.355 de 30/12/94, não integram o valor aduaneiro as parcelas pagas pelos Concessionários à Detentora do Uso da Marca estrangeira no País pelos serviços efetivamente contratados e prestados, às custas deles, no Brasil.
Numero da decisão: 9303-002.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Redator designado.
EDITADO EM: 26/11/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rebelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Redator designado. EDITADO EM: 26/11/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rebelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
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BASE DE CÁLCULO. VALORAÇÃO ADUANEIRA. REMUNERAÇÃO PAGA POR CONCESSIONÁRIAS ÀS DETENTORAS DO USO DA MARCA NO PAÍS POR SERVIÇOS PRESTADOS. NÃO INCLUSÃO. Para efeito dos arts. 8º, § 1º, alíneas "c" e "d", do Acordo de Valoração Aduaneira promulgado pelo Decreto n° 92.930, de 16/07/86, bem como da Ata Final que incorpora os Resultados da Rodada Uruguai de Negociações Comerciais Multilaterais do GATT, promulgada pelo Decreto 1.355 de 30/12/94, não integram o valor aduaneiro as parcelas pagas pelos Concessionários à Detentora do Uso da Marca estrangeira no País pelos serviços efetivamente contratados e prestados, às custas deles, no Brasil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 01 55 /9 8- 16 Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, As sinado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Redator designado. EDITADO EM: 26/11/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rebelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Adotaremos o relatório da DRJ, com os alterações e acréscimos que se fazem necessários. Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão proferido pela Primeira Câmara da 3ª Sejul do CARF que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso, conforme ementa transcrita abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO –II Período de apuração: 29/11/1993 a 02/09/1994 VALOR ADUANEIRO. BASE DE CÁLCULO. AJUSTES. COMISSÕES PAGAS PELAS REVENDEDORAS À DETENTORA DO USO DA MARCA NO PAÍS. Não integram o Valor Aduaneiro, base de cálculo dos tributos incidentes na importação de veículos (II e IPI vinculado), para os fins previstos no art. 8°, §1°, alínea "a", inciso "I", as comissões pagas pelas vendedoras à detentora do uso da marca no País, no caso representante da exportadora, relativamente aos serviços contratados entre elas, que se referem a operações completamente distintas e independentes, não guardando qualquer vínculo com as importações questionadas. Aplicação das Decisões COSIT nos 14 e 15, de 1997. Procedentes do Terceiro Conselho de Contribuintes. Recurso Voluntário Provido. De ação fiscal levada a efeito no estabelecimento da empresa em referência, decorreu a constatação de que as importações realizadas por meio das Declarações constantes dos demonstrativos de fls. 9 a 34 foram tributadas com base em valor aduaneiro menor que o real. Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, As sinado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 12466.000155/9816 Acórdão n.º 9303002.105 CSRFT3 Fl. 20 3 Em conseqüência, foi lavrado o Auto de Infração que dá início ao presente processo, para fins de lançamento do correspondente crédito tributário, no valor de R$607.206,41, constituído das diferenças do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados, dos juros moratórios e das multas de ofício de 75%, previstas no art. 4º, inciso I, da Lei nº 8.218/1991, c/c art. 44, inciso I, e no art. 364, inciso I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Dec. nº 87.981/1982, c/c, respectivamente, com os arts. 44, inciso I e 45 da Lei nº 9.430/1996. A exigência em questão está calcada na hipótese de ajuste do valor aduaneiro, prevista no art. 8º, item 1, alínea “c”, do Acordo de Valoração Aduaneira, por referirse a valores cobrados dos revendedores pelo distribuidor da mercadoria importada, a título de uso da marca, conforme atestam as notas fiscais de serviços vinculadas à operação de distribuição da mercadoria no mercado interno, juntadas aos autos. A importação de que se trata foi realizada em nome da autuada, Cia de Importação e Exportação – Coimex, que, operando na qualidade de companhia comercial de importação, introduziu no país veículos Mitsubishi, marca cujos direitos no Brasil são exclusivos da empresa MMC Automotores do Brasil, sucessora da empresa Brabus Autosport Ltda, na qualidade de distribuidora da empresa Mitsubishi Motors Corporation, doravante denominada MMC do Japão, fabricante de veículos. Contrato de Distribuição firmado entre o fabricanteexportador e o distribuidorcomprador juntado por original da tradução às fls. 455 a 480, dá conta das cláusulas obrigacionais estipuladas pelos contratantes, entre as quais figura a cláusula 13, intitulada “Propaganda”, que transfere ao importador o ônus da promoção, divulgação e proteção da marca no mercado nacional. Assim, a fiscalização promoveu a alteração da base de cálculo dos tributos incidentes sobre a operação de importação, adicionando ao valor declarado as quantias auferidas pelo distribuidor a título de concessão de uso da marca, cuja promoção nacional corre por sua conta, em favor de seu proprietário, o exportador. Tais valores, adicionados ao valor de transação declarado, constante das faturas comerciais que instruíram os diversos despachos de importação submetidos à revisão aduaneira, foram apurados a partir do exame da documentação inserida nos autos, obtida em resposta às sucessivas intimações da fiscalização dirigidas às empresas interessadas nas importações, em procedimentos adotados em estrita obediência às determinações constantes do Acordo de Valoração Aduaneira. Integra essa documentação cópias das notas fiscais de serviços e dos apontamentos contábeis mantidos pela empresa distribuidora da marca Mitsubishi no Brasil, MMC Automotores do Brasil Ltda, doravante denominada MMC do Brasil, notas fiscais essas emitidas contra seus concessionários, para cobrança, entre outros, de valores referentes à: “remuneração pela autorização para utilização da marca e para sua divulgação”, obtidos mediante diligência realizada “in locu” pela fiscalização, por força das sucessivas recusas da empresa em atender às intimações que cuidavam da solicitação desses documentos. A sujeição passiva estabelecida na peça acusatória não alcança a empresa MMC do Brasil, contudo, foilhe dada ciência da autuação e consignada na descrição dos fatos contida na peça acusatória sua solidariedade com a autuada, em face de seu interesse na situação que constitui o fato gerador dos tributos em questão. Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, As sinado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Das diligências promovidas por meio de intimações, tanto junto à importadora, quanto junto à distribuidora Mitsubishi no Brasil, resultaram respostas contendo protestos das intimadas, cujo teor, por terem sido reprisados na impugnação, serão oportunamente objeto deste relatório. O conhecimento dos fatos nos quais se fundamenta a exigência, decorreu dessas diversas diligências promovidas, sendo de se salientar que foram evasivamente respondidas pelas intimadas as solicitações de elementos probatórios capazes de demonstrar, inequivocamente, a procedência da informação por elas fornecidas, de que as receitas vinculadas ao direito sobre a marca correspondem a um percentual de 10% do valor CIF de cada veículo. Assim, com referência ao parâmetro utilizado para o cálculo do valor faturado pela distribuidora, a título de pagamento pela licença concedida aos revendedores para uso da marca, foi consignado o que consta do documento de fls.533 a 534, que esclarece sobre a metodologia aplicada para produção dos quadros demonstrativos de fls.511 a 526. Irresignada e em tempo hábil, a autuada apresenta a impugnação de fls. 570 a 612, argüindo em preliminar a nulidade do auto de infração, em face da impossibilidade de revisão do valor aduaneiro, com base no disposto no art. 447 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Dec. 91.030/1985, que estabelece o prazo de 5 dias, a contar do término da conferência, para formalização de eventual exigência de crédito tributário relativo, entre outros elementos do despacho, ao valor aduaneiro. Considera que sendo o imposto de importação lançado por declaração, cabe ao contribuinte fornecer os elementos de fato e à Administração Tributária, no curso do despacho, aplicar o direito, posteriormente ao exame documental e à conferência física, encerrando os procedimentos que culminam com o lançamento definido no art. 142 do CTN. Tem por inadmissível o lançamento de ofício após esse prazo, a não ser em face da constatação de erro de fato, relativo às circunstâncias materiais, estando precluso nos casos de erro de direito, por força do princípio da imutabilidade dos atos administrativos criadores de situações jurídicas individuais, consagradas em nosso direito positivo no art. 145, c/c o art. 149, ambos do CTN. Igualmente em preliminar, argúi a nulidade do Auto de Infração pelo não atendimento do processo legal, instituído pelo Código de Valoração Aduaneira (Decreto no 92.930/86), em franco cerceamento do direito de defesa do importador de apresentar as justificativas que determinaram o valor aduaneiro declarado. Afirma que o procedimento adotado pela fiscalização aduaneira subverte as previsões legais, atribuindo ao contribuinte a responsabilidade pela produção de provas negativas, o que se afigura incompatível com o ordenamento jurídico vigente e atenta contra os princípios atinentes ao lançamento tributário, desrespeitando o Código de Valoração Aduaneira, além de negar vigência ao “caput” do art. 142 do CTN. Por fim, nos termos do que dispõe art. 16, IV, da Lei no 8.748, de 09/12/1993, ainda preliminarmente, reivindica a conversão do julgamento em diligência, para a realização de competente Prova Pericial, indicando assistente técnico e formulando os quesitos que entende necessários, além de protestar pela posterior apresentação de quesitos suplementares. Quanto ao mérito, argumenta que: Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, As sinado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 12466.000155/9816 Acórdão n.º 9303002.105 CSRFT3 Fl. 21 5 a suplicante opera apenas como empresa fundapiana, não mantendo qualquer vínculo com o exportador; que não desempenha o papel de intermediária da importação, uma vez que adquire mercadorias importadas de diversas procedências e promove sua venda no mercado interno para várias empresas, praticando preço compatível com o mercado e efetuando o recolhimento dos impostos incidentes na importação sobre o valor real da transação, razão pela qual não se justifica a suposição de vinculação formulada pelo Fisco; caberia ao Fisco comprovar a existência de vínculo, uma vez que contraria o bom direito exigirse da defendente a responsabilidade pela realização de prova de natureza negativa; improcede a alegação das autoridades lançadoras, quando afirmam que a autuada figuraria como mera intermediária entre a exportadora e a empresa MMC Automotores do Brasil Ltda., pelo que restaria caracterizada a vinculação, por associação em negócios; inexiste qualquer contrato entre importador e exportador neste sentido (intermediação) e a empresa que detém no Brasil a licença de uso e comercialização da marca Mitsubishi não procedeu a qualquer importação no período compreendido pelo Auto de Infração, operação esta efetuada pela interessada, que revende, a posteriori, os veículos para os concessionários Mitsubishi; a importadora não está, não é, nem foi vinculada ao exportador (Mitsubishi Motor Co.), donde improcede a revisão do valor aduaneiro declarado, prevalecendo o mesmo como sendo o valor da transação; a teor do Acordo de Valoração Aduaneira, o valor de transação é aceitável para fins aduaneiros, quando o preço de venda é o valor de mercado, com pequenas variações, conforme sucede no presente caso: o preço FOB tem por parâmetro o da Lista de Preços fornecida pelo fabricante estrangeiro, tratandose, portanto, de preço internacional; procurando atender às solicitações feitas no curso do procedimento fiscal, a requerente consignou documentalmente que o preço FOB da transação de veículos exportados, para mercadorias parelhas, é similar, desta forma, tratase efetivamente de preço aceitável para fins aduaneiros; ainda que houvessem diferenças de impostos passíveis de cobrança, não poderia o Fisco arbitrar valores, sem fundamento nas operações de fato ocorridas e sem prova da existência dos pressupostos a que se referem o Código de Valoração Aduaneiro, objeto de impugnação nos itens antecedentes; o quadro levantado pela fiscalização não é autoexplicativo, de sorte que dele não se consegue a metodologia adotada para se chegar aos ajustes pretendidos; a fiscalização informou que os percentuais obtidos da ordem de 30% a 40% resultam da divisão do valor da nota fiscal de serviço (emitida pela MMC Brasil) pelo valor tributável (CIF), multiplicandose o resultado por cem, obtendose, pois, os percentuais indicados; não tendo a impugnante, qualquer ligação com a empresa MMC Brasil, não tem conhecimento quanto aos critérios por ela adotados no tocante aos valores cobrados a título de prestação de serviços, licença pelo uso da marca, treinamento, etc., logo, os valores que a Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, As sinado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 detentora do direito de uso da marca Mitsubishi cobra das concessionárias não têm qualquer relação como aqueles cobrados pela Coimex por ocasião da venda dos veículos importados; os citados cálculos estabelecem uma relação percentual absolutamente inócua e despropositada, já que sequer foi enfocado o fundamento legal da memória de cálculo que levou a fiscalização à adoção deste procedimento de cálculo, o que vicia de ilegalidade, por fazer supor que a base de cálculo utilizada nas importações seria merecedora de ajuste, implicando na cobrança de valores absolutamente fictícios e desprovidos de correlação com as operações em causa; o IPI pago pela importação foi tomado a crédito pela empresa importadora, em virtude de nas suas vendas no mercado interno, por equiparação a industrial, estar obrigada a destacar e recolher novamente o imposto federal, o que significa que a exigência do IPI, por suposto “ajuste” do valor aduaneiro declarado, viola o princípio constitucional da não cumulatividade, porque o recolhimento do referido imposto na etapa subseqüente de circulação abrange o da fase anterior, vale dizer, o imposto que deveria ser pago em duas fases, teria sido recolhido de uma só vez; todo o IPI devido já foi pago, estando extinta a obrigação tributária nos termos do art. 156, I, do CTN, que exigir mais imposto do que já foi efetivamente pago seria incidir em “bis in idem”, o que é expressamente vedado pela Constituição Federal; com a edição das Decisões no 14 e 15, exaradas pelo Coordenador do Sistema de Tributação COSIT, em 15/12/1997, em respostas a duas consultas formuladas pela Confederação Nacional do Comércio CNC, no sentido de que os valores pagos pelas concessionárias às detentoras do uso da marca no País, a título de treinamento, garantia, divulgação da marca, etc., não constituem acréscimos ao valor aduaneiro da mercadoria para fins de cálculo do II e do IPI, no caso deste último imposto, ainda que as detentoras de uso da marca tenham atuado como agente de compra das importadoras; a pretensão fiscal veiculada pelo presente auto de infração já foi afastada por aquela CoordenadoriaGeral (COSIT), o que impõe o cancelamento do lançamento, posto que o entendimento da Administração vincula todos os seus órgãos, sob pena de violação do disposto no art. 37 da Constituição Federal. Cita, em defesa de suas alegações, Ruy de Mello e Raul Reis, “Manual de Imposto de Importação”, ed. Revista dos Tribunais, 1970, pág. 84; Aliomar Baleeiro “Direito Tributário Brasileiro”, 6ª ed., Forense, Rio, pág. 450; Américo Masset Lacombe, Crédito Tributário, Lançamento, “Comentários ao Código Tributário Nacional”, vol. II, Bushatsky, pág. 175; Rubens Gomes de Sousa, Limites dos Poderes do Fisco quanto à Revisão dos Lançamentos, “Estudos de Direito Tributário”, Saraiva, 1950, págs. 232/233; José Souto Maior Borges, “Tratado de Direito Tributário Brasileiro”, vol. IV, pág. 108 e demais autores, além de transcrever diversas jurisprudências exaradas pelas instâncias judiciais e administrativas. Em face do exposto, requer que sejam considerados improcedentes os lançamentos referentes ao presente litígio, cancelandose o auto de infração em exame, por insubsistente. Intimada da autuação, na condição de responsável solidária, insurgese contra a imputação a empresa MMC Automotores do Brasil Ltda, reprisando em parte os mesmos argumentos expendidos pela autuada e argüindo sua ilegitimidade passiva. Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, As sinado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 12466.000155/9816 Acórdão n.º 9303002.105 CSRFT3 Fl. 22 7 Nesse aspecto defende que a atividade por ela exercida consiste na prestação de serviços, no mercado interno, decorrente de contrato de distribuição firmado com a empresa MMC do Japão, em razão do qual tem o direito de uso da marca “Mitsubishi” no Brasil. Ainda, em função deste mesmo contrato, por ser responsável pela criação e manutenção da rede de concessionários, recebe remuneração de seus concessionários, pelos serviços de garantia, treinamento, assistência técnica, publicidade etc. Vale dizer, a ora impugnante não importa veículos. Apenas detém o direito ao uso da marca “Mitsubishi” no território nacional, não tendo, no período abrangido pelo auto de infração, sido intermediária nas importações realizadas pela Coimex, com quem, ressaltese, não tem qualquer vinculação. Alega, ainda, não ter firmado nenhum contrato com a importadora, mas sim com a rede de concessionários da marca para a prestação dos serviços já referidos, figurando ilegitimamente no pólo passivo da acusação fiscal. Às fls. 664 a 665 encontrase, em aditamento à impugnação apresentada em 28/01/1999, petição assinada pela MMCB, cuja intempestividade é flagrante, em face da data de ciência dos autos, ocorrida em 13/01/1998. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro RODRIGO DA COSTA PÔSSAS O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A admissibilidade ficou caracterizada pois foi apresentado pela PGFN os paradigmas nos exatos preceitos regimentais. O recurso foi corretamente admitido pelo presidente da 1ª câmara da 1º Sejul do Carf, Dr. Henrique Pinheiro Torres. Não há como prosperar a alegação da recorrida como preliminar, em contra razões, de que a tese adotada pelo acórdão contraposto ao acórdão recorrido esteja superada pela CSRF, vez que, no recurso mencionado, não houve votação contrária à tese , mas somente uma votação com certas especificidades, diante das provas ali acostadas. Prova disso é que a metade do colegiado votou pelas conclusões, ou seja, sem ter que concordar com a tese jurídica constante no voto. Cabe frisar que será feita a análise do recurso somente em relação ao valor aduaneiro, vez que foi a única matéria admitida no exame de admissibilidade exarado pela presidente da 1ª Câmara da 3º Sejul do CARF. Correta a interpretação da presidente já que foram anexados os paradigmas, onde se contata a divergência apenas sobre o valor aduaneiro dos bens importados com a inclusão de parcelas pagas pelos concessionários à detentora do uso da marca no país. Com efeito, para a exata delimitação do objeto da presente lide, farseá necessário a análise da juridicidade da inclusão da rubrica denominada “comissão pelo uso da Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, As sinado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 marca” no valor aduaneiro declarado pela recorrida e usado para fins de tributação relacionadas a sua base de cálculo. Primeiramente teremos que verificar a participação dos intervenientes nas operações de importação que tiveram o seu valor contestado pela fiscalização. Foi feito um acerto no valor aduaneiro a fim de tornálo mais real de acordo com a legislação aduaneira vigente. A Coimex, ora recorrida, é um empresa comercial importadora responsável pela importação de veículos automotores do fabricante, Mitsubishi Motors Corporation (MMC do Japão). No Brasil, a MMC Automotores do Brasil, é que detém os direitos de comercialização da marca, mediante contrato específico. Ela é a responsável pelos despachos de importação dos veículos, na condição de intermediária, por conta e ordem da MMC automotores do Brasil. Também emitia notas fiscais em seu próprio nome para os concessionários vinculados à MMC, ou seja, a efetiva transação se dava entre a MMC Brasil e a MMC Japão. Os revendedores no Brasil pagam um percentual pelo a título de comissão pelo uso da marca à MMC do Brasil. São essas comissões que foram levantadas pela fiscalização e acrescidas ao valor aduaneiro, que não tinha sido feito pelo importador. A Coimex usufrui dos benefícios tributários do Fundap e age por conta e ordem da MMC Brasil. Ela emite as notas fiscais em seu próprio nome. No valor constante de todas as notas fiscais emitidas pela recorrente conta o valor de aquisição dos veículos e também um percentual, a título de “autorização pelo uso da marca” destinado a MMC Brasil. Sendo o valor dos veículos a somatória desses valores, com qual fundamentação legal não constaria no valor aduaneiro a ser usados como base de cálculo dos tributos incidentes sobre a importação? A MMC Automotores do Brasil ltda. é do detentora do direito de uso da marca Mitsubishi no Brasil, sem exclusividade, tendo contrato de distribuição no Brasil, sendo responsável pela divulgação de seus produtos, em decorrência do que cria e mantém rede de concessionários, recebendo remuneração pelos serviços de garantia, treinamento, assistência técnica etc. A cada importação, efetuada a pedido de um concessionário de sua rede, tem direito a remuneração proporcional ao preço do veiculo importado, cobrada pela licença de uso da marca Mitsubishi e pela prestação de serviços. Também é interveniente nos contratos entre a Coimex e os concessionários e, por fim, pedia a emissão da Guia de Importação, determinando como seriam introduzidos os veículos no Brasil, tendo poder de mando na operação, efetuando os pagamentos e repassando as cartas de crédito ao exportador. Assim, é mister deixar claro que conta nos autos várias faturas, notas de serviços, emitidas pela MMC Automotores do Brasil, para as suas revendedoras, que são cobradas das mesmas importâncias, em valor fixo, a título de “comissão pelo uso da marca”, propaganda e treinamento. O preço de repasse era acrescida de um percentual em cima de uma tabela fornecida pela MMC Motors do Japão. Costa também obrigação contratual (cláusula 17 do contrato), a obrigação de a MMC do Brasil fazer investimento em propaganda e publicidade. Como dizer que esse desembolso feito pela MMC do Brasil não desonera possíveis gastos da matriz japonesa? Como inferir também que esses valores investidos no fortalecimento e valorização da marca Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, As sinado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 12466.000155/9816 Acórdão n.º 9303002.105 CSRFT3 Fl. 23 9 não favorecem a dona da marca? Isso não significa benefício ou repasse indireto de valores? Esses valores dispendidos no país Brasil pela MMC do Brasil desoneram sobremaneira as despesas com a promoção da marca que seriam efetuadas pela matriz. Novamente fica demonstrado o repasse indireto de valores da MMC do Brasil à MMC do Japão. Como sabemos, a marca faz parte do ativo da empresa. É um bem intangível e que, em muitos casos, valem mais do que todos os outros ativos da empresa em conjunto. Uma valorização da marca traz, por conseqüência, um aumento no ativo da empresa, o que a torna mais atrativa para o mercado acionário, caso ela emita ações. Não tem como negar o efetivo ganho da proprietária da marca, em muitas vezes em proporções bem maiores do que o investimento alocado. Esse aumento do valor traz ganhos pecuniários efetivos para a matriz japonesa. A meu ver não cabe aqui a discussão se há o efetivo vínculo entre a MMC Brasil e a MMC Japão, bastando a comprovação de interesse comum. Quem duvida que há interesse mútuo de ambas organizações empresariais em tudo a que se refere à promoção da marca Mitsubishi. Todos os gastos que resultam em uma valoração da marca, independentemente de quem os realiza beneficia a ambas organizações empresariais. Assim, o cerne da questão não é a vinculação entre as interessadas e o exportador estrangeiro e a sua influência no preço da transação, mas sim a correta determinação do valor aduaneiro. Como já dito foi apenas feito a ajuste previsto no art. 8º do Acordo de Valoração Aduaneira. É irrelevante a vinculação para a determinação do valor aduaneiro. Aqui basta este colegiado decidir se foi correto ou não o ajuste feito pela fiscalização. Todos os valores cobrados das concessionária e repassadas ao consumidor final, inclusive aqueles que são arrecadados e aplicados no Brasil, reverte, mesmo que indiretamente ao exportador (MMC Japão), o que corrobora o acerto do ajuste do valor aduaneiro efetuado. Esses valores eram todos repassados à MMC Brasil. Os ajustes não foram feitos de forma aleatória, mas teve toda a sua base legal devidamente demonstrada e foram todos calculados em elementos e planilhas fornecidas pelas interessadas. Em momento algum houve a presunção de valores. Toda a apuração se deu em exame de documentos e das respostas e explicações dadas pelas interessadas. Assim a questão fática não está em discussão mas somente a questão jurídica da inclusão, ou não, dos valores cobrados pela Coimex e repassados pra a MMC Brasil a título de “comissões pelo uso da marca”. Podese concluir, portanto, que os ajustes promovidos pela fiscalização foram calculados com base nos dados fornecidos pelas próprias empresas participantes da operação de revenda. Aliás, cabe destacar que os ajustes do artigo 8° do AVA não se limitam àqueles valores ligados diretamente às operações de importação, cujo ônus recaia sobre o comprador, mas inclui também os valores que, em revendas subseqüentes beneficiem direta ou indiretamente o exportador. Quanto a esse ponto, quem pode afirmar que não houve reversão de valores à matriz japonesa, como já exposto acima. O interesse e envolvimento da distribuidora MMC do Brasil na operação somente vêm à luz nos contratos firmados entre ela, suas concessionárias e a Coimex, conforme revelam os exemplares do Contrato de Compra e Venda por Encomenda e do Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, As sinado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 Contrato de Prestação de Serviços, especialmente de sua cláusula 3ª, e do Contrato de Câmbio, cujo fechamento foi operado em nome da empresa distribuidora, MMC do Brasil, conforme demonstram os documentos de fls.423 a 430. Com efeito, estruturação empresarial feita para a comercialização dos veículos automores adquiridos da MMC Japão, resultou a divisão das responsabilidades decorrentes da importação. Contudo, intactas permanecem as disposições legais vigentes, sobretudo no que concerne à impossibilidade de se opor à Fazenda Pública, por meio de associações particulares em negócio, a pretensão de impor ao Estado, a prevalência de acordos particulares diante de franca evasão de tributos, aos quais estamos todos obrigados. Diante de todas as planilhas e esclarecimento apresentados pelas interessadas foi feito o ajuste do preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas, segundo critérios acordados no âmbito do GATT, estando contidos no artigo 8 do Acordo de Valoração Aduaneira, que assim dispõe: “Artigo 8 Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do Art. 1, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: (...) (c) royalties e direitos de licença relacionados com as mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda dessas mercadorias, na medida em que tais royalties e direitos de licença não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar; (d) o valor de qualquer parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subseqüente das mercadorias importadas, que reverta direta ou indiretamente ao vendedor.”(destaquei) É importante destacar que o aperfeiçoamento do valor aduaneiro, resultado da aplicação dos ajustes previstos no AVA não significa desqualificar o valor de transação. Aqui não estamos tratando de subfaturamento, o que implicaria rito diferente de apreciação da operação comercial. Neste caso, o valor da transação foi aceito e ajustado em cumprimento do que determinam as normas de valoração Aduaneira. Como é possível verificar, diferentemente do que se poderia indagar, o AVA/GATT não condiciona o acréscimo do Direitos de Licença ao fato deles terem sido pagos diretamente ao exportador, basta que eles estejam atrelados ao valor da mercadoria. Da mesma forma, não há que se falar na necessidade de reversão direta quando se discute o ajuste consignado na alínea “d”: Se algum percentual da revenda beneficia o exportador, ainda que indiretamente, esse benefício deve ser considerado para efeito de cálculo do valor de transação. Ainda com relação à necessidade dos ajustes promovidos, tomo emprestadas as considerações do i. Conselheiro José Luiz Novo Rossari, assentadas no voto condutor do Acórdão 320200.113, de 25 de maio de 2010, que trata de uma interpretação do AVA. O Acordo é claro no sentido de determinar a aplicação dos ajustes ali referidos, não estabelecendo ressalvas no tocante aos aspectos comerciais ou operacionais nas importações. No caso Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, As sinado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 12466.000155/9816 Acórdão n.º 9303002.105 CSRFT3 Fl. 24 11 em exame, a marca é um bem em relação ao qual há uma preocupação permanente no sentido de manter e aumentar a sua valorização, o que implica inequivocamente benefício direto para o seu proprietário, em termos de acréscimos de vendas em função da valorização do produto. A condição de venda traduzse pela obrigação de que, em cada revenda, se fizesse o pagamento de parcela à distribuidora, o que torna inequívoca a existência de reversão de valores à empresa que autorizou a importação, participante de contrato de distribuição com a (omiti), e que constou como interveniente nos contratos de compra e venda, hipótese prevista no art. 8o, 1, "d", do Acordo. De destacarse que o Acordo não estabelece que o pagamento deva ser feito ao exportador, e sim, como pagamento direto ou indireto. No caso, mesmo que não tenha promovido a revenda, a (omiti), como empresa pactuada com a exportadora, recebeu parcelas compulsórias a título de direitos de licença. Pelo exposto, e considerando que as comissões pelo uso da marca pagas não foram incluídas no valor aduaneiro e que, sem a realização do ajuste feito pela fiscalização, em atendimento ao que dispõe o art. 1º, do Código de Valoração Aduaneira, combinado com seu art. 8º, haveria uma contrariedade à Legislação Aduaneira então vigente, causando uma valoração irreal das mercadorias em questão, voto pelo provimento ao recurso especial interposto pelo procurador. Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Voto Vencedor Fui distinguido pela Presidência para redigir o acórdão em razão de a maioria ter divergido da proposta do i. relator, que mantinha o lançamento. Nesse mister, tornase necessário primeiro fazer aqui as complementações ao relatório da DRJ a que o n. relator fez referência no início do seu relatório. É que a peça de recurso buscou fundamento em divergência jurisprudencial e citou como paradigma o acórdão nº 30130602 proferido no processo n° 12466.000833/9897. E essa fundamentação veio a ser contestada em contrarazões, dado que a posição ali defendida calhou de ser reformada pela Câmara Superior, por meio, entre outras, da decisão nº 9303- 00.208, proferida por maioria em favor da empresa. Aventou, por isso, o recorrido a disposição regimental do art. 67, § 10. Na reanálise de admissibilidade feita pelo Colegiado, restou consignado pelo i. Conselheiro e Presidente desta Seção, dr. Henrique Pinheiro Torres, único integrante da atual Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, As sinado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 composição que participara daquela votação, que a razão fundamental para que, naqueloutro processo, a empresa tivesse obtido a maioria fora que não se confirmara a afirmação feita pelo relator na Primeira Câmara do então Terceiro Conselho de que: 1. A recorrente, COIMEX ... c) o preço constante de suas notas fiscais para as concessionárias correspondia ao preço de aquisição dos veículos, acrescido de parcela destinada à MMC do Brasil, correspondente a um percentual do valor do veículo, exigido pela "autorização pelo uso de marca", tendo como parâmetro a lista de preços do fabricante estrangeiro. Segundo o Presidente Henrique, quando da votação, na Câmara Superior, do recurso especial do procurador no processo 12466.001106/9838 (acórdão 9303.00.208), foi afirmado pela relatora que, naqueles autos, não havia notas fiscais emitidas pela COIMEX que permitissem afirmar que o valor em discussão delas constava, como fizera o relator do acórdão ora impugnado. Essa, então, a fundamentação para que ele, Conselheiro Henrique, além de outros, tenha acompanhado a relatora pelas conclusões. E esse aspecto daquele julgamento justificou a admissibilidade deste recurso, na medida em que, entendeuse, uma votação com essas peculiaridades não atende aos requisitos do dispositivo regimental alegado pela defesa. Tal informação é de suma importância na medida em que, nestes autos, se passa exatamente o mesmo, apesar da peremptória afirmação em contrário constante do relatório da DRJ reproduzido pelo n. relator. Com efeito, em nenhuma das mais de mil e quatrocentas folhas que compõem o processo digital (e que, necessariamente, devem corresponder às que compõem os autos em papel) consta uma só nota fiscal emitida pela COIMEX. Quanto às notas emitidas pela MMCB, há apenas sete delas (fls. 433/439). Em todas consta sempre a expressão: “Remuneracao pela autorização, pelo uso da marca MITSUBISHI MOTORS, pela divulgacao da marca e prestacao de servico, assistencia tecnica através do treinamento do pessoal (sic) Esses documentos parecem confirmar a tese da defesa segundo a qual os valores em discussão são cobrados diretamente pela MMCB aos concessionários, não transitando pela COIMEX ou sendo por ela cobrados em suas notas fiscais, até porque, do contrário, haveria dupla cobrança pelos mesmos valores. Essa conclusão poderia, é certo, ser afastada pelo exame das notas fiscais da COIMEX, estivessem elas nos autos. Cumpre ainda registrar em complemento – ou correção – ao relatório da DRJ, que a acusação fiscal em momento algum cita os itens “c” ou “d” do parágrafo 1 do artigo 8º do Acordo de Valoração Aduaneira, que foram usados por aquela instância de julgamento como fundamentos para manter a autuação. Lá só existe referência ao “artigo 8 do Acordo em seu parágrafo 1 (a) (i)” (fls. 08). Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, As sinado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 12466.000155/9816 Acórdão n.º 9303002.105 CSRFT3 Fl. 25 13 E isso porque a fiscalização entendeu serem as parcelas cobradas pela MMCB (fls. 08): "comissão pelo uso da marca", eis que a mesma e suportada pelo comprador (no caso presente quem esta importando a mercadoria, sendo no caso o comprador, e cada concessionario que e quem paga a referida comissão cada vez que importa um veiculo) e nao se trata de uma "comissão de compra" (ipsis litteris) E essa é a única passagem do auto de infração que faz expressa menção ao dispositivo do Acordo de Valoração Aduaneira em que, supostamente, estaria baseada a autuação. Essa conclusão se impõe, na medida em que o “enquadramento legal” apenas cita (fls. 23): ENQUADRAMENTO LEGAL: II Artigos 87, inciso I; 89, inciso II; 220; 499 e 542, do RA, aprovado pelo Decreto 91.030/85. IPI Artigos 29, inciso I; 55, inciso I, alinea "a"; 63, inciso I, alinea "a" e 112, inciso I, do RIPI, aprovado pelo Decreto 87.981/82. Vale esclarecer que não há aqui autuação de IPI embora o enquadramento legal mencione o seu regulamento. Destarte, o que se tem é um lançamento que interpretou as rubricas em discussão como sendo comissão enquadrável na disposição do art. 8, parágrafo 1, letra, a), item i, do Acordo de Valoração Aduaneira e que foi mantido pela DRJ sob interpretação completamente distinta. De fato, consignou o acórdão da primeira instância (fls. 683/684) Tendo em vista ditas condições negociais foi proposto o ajuste do preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas, segundo critérios acordados no âmbito do GATT, estando contidos no artigo 8 do Acordo de Valoração Aduaneira, que assim dispõe: "Artigo 8 Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do Art. 1, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: (...) (c) royalties e direitos de licença relacionados com as mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda dessas mercadorias, na medida em que tais royalties e direitos de Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, As sinado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 14 licença não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar; (d) o valor de qualquer parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subseqüente das mercadorias importadas, que reverta direta ou indiretamente ao vendedor. "(destaquei) Conforme tais disposições, estão sujeitas a ajuste de preço somente as mercadorias cujo valor aduaneiro tenha por base o valor de transação, que, por sua vez, tem sua adoção condicionada às regras estabelecidas no art 1 do referido acordo, que determina: "Art. 1° O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o pais e importação, ajustado de acordo com as disposições do artigo 8, desde que: (C) nenhuma parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subseqüente das mercadorias pelo comprador beneficie direta ou indiretamente o vendedor, a menos que um ajuste adequado possa ser feito, de conformidade com as disposições do Artigo 8; e (d) e que não haja vinculação entre o comprador e o vendedor ou se houver, que o valor de transação sej a aceitável para fins aduaneiros, conforme as disposições do parágrafo 2 deste Artigo."(os destaques não pertencem ao original)". Depreendese desse disciplinamento que o ajuste do valor aduaneiro declarado pelo importador não está condicionado aos mesmos critérios a serem obedecidos para a desqualificação do valor de transação. Pelo contrário. Representando tal ajuste um aperfeiçoamento desse valor, sua prática somente está autorizada quando for esse passível de aceitação. Despiciendo, portanto, comprovar a existência de vínculo entre o vendedor e o comprador. O ajuste, conforme previsto e definido no já mencionado artigo 8, revelase, de acordo com as condições negociais, um instrumento de uso obrigatório nas valorações decorrentes da aplicação do método do valor de transação, aplicável nas mais comuns das operações de importação: aquelas contratadas entre pessoas cuja relação não possa ser identificada com as circunstâncias enumeradas nos parágrafos 4 e 5 do artigo 15 do Acordo de Valoração Aduaneira Somadas tais razões à inexistência nos autos de acusação da ocorrência de subfaturamento, haja vista ter sido acolhido para todos os fins, inclusive para fins do ajuste proposto, o valor de transação constante da fatura comercial que instruiu o despacho aduaneiro, temse por insubsistentes os argumentos insistentemente trazidos pela impugnante, no sentido de demonstrar a inexistência de vínculo entre ela e as demais empresas envolvidas com a operação de importação em causa Muito embora irrelevante para a sustentação da presente ação fiscal o vínculo legal entre o exportador e o importador, é de se notar que a empresa MMC do Brasil Ltda, detentora do direito Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, As sinado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 12466.000155/9816 Acórdão n.º 9303002.105 CSRFT3 Fl. 26 15 de comercialização no território nacional dos veículos importados e da marca que os distingue,..é quem autoriza, sob condições por ela estabelecidas, a contratação direta das importações, firmadas entre os Concessionários da marca e a autuada. E prossegue o relator de então para fundamentar a exigência nas disposições não cogitadas pelos autuantes: A respeito do que representa a marca para o ativo das empresas, é vasta a doutrina. Constituindo parte de seus ativos intangíveis, reunidos sob a denominação de fundo de comércio, à marca vem sendo, a cada dia, atribuído maior valia, a ponto de nos depararmos com as ditas empresas virtuais, que sequer encontramse estabelecidas, cujo faturamento obtido apenas com a concessão de uso da marca atinge cifras inimagináveis. Indiscutível tratarse esse de bem cuja concessão de uso, ainda que não prevista legalmente no acordo para fins de vinculação entre cedente e cessionário, bem traduz o fático interesse negocial comum que se estabelece entre as diversas empresas responsáveis por sua inserção no mercado consumidor. Representando um dos mais valiosos bens do ativo das empresas, é igualmente indiscutível que os investimentos dos quais decorre a valorização da marca revertemse, necessariamente, em beneficio direto para seu proprietário, no caso o fabricante exportador. É assim, ainda que a retribuição pelo seu uso não se dê pela via direta do pagamento, porém em decorrência de cláusula contratual onerosa que condiciona sua utilização à realização, por conta e ordem de seu cessionário e distribuidor, de publicidade exaustiva do produto negociado, conforme sucede no contrato de fls. , firmado entre a Mitsubishi Motors Corporation (MMC do Japão) e a empresa Brabus Autosport Ltda, atualmente denominada MMC Automotores do Brasil (MMC do Brasil), cujo artigo 13 assim reza: "Artigo 13. PROPAGANDA O DISTRIBUIDOR reconhece que uma ampla campanha promocional será necessária para estabelecer de maneira bem sucedida um mercado para os Produtos no Território. O DISTRIBUIDOR concorda em assumir tais responsabilidades de propaganda e em apresentar à MMC, para sua aprovação, uma descrição geral de sua estratégia de propaganda, incluindo se sua propaganda será realizada através de cartazes, jornais, revistas, rádio, televisão ou de outra forma. O DISTRIBUIDOR não irá utilizar, ou fazer com que ou permitir que qualquer de seus concessionários utilize qualquer tendência de propaganda para prejudicar a MMC ou para enganar o público. O DISTRIBUIDOR concorda em gastar não menos que os valores periodicamente pactuados pela MMC e pelo DISTRIBUIDOR para a propaganda dos Produtos. (...)" Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, As sinado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 16 Ditos encargos, sabidamente onerosos, são transferidos pelo Distribuidor da marca no Brasil aos seus concessionários autorizados, arrebanhando recursos para implementar a clausula contratada, mediante a emissão de notas fiscais de serviço em que são faturados valores a titulo de licença de uso da marca, conforme previsão contratual estabelecida entre o Distribuidor, o Importador e o Revendedor. Evidente, pois, o interesse negocial em comum nas importações realizadas, ratificados por contratos sociais suficientes para satisfazer os requisitos estabelecidos no art. 15, §§ 4 e 5, do Acordo de Valoração Aduaneira, ao comprovar o liame entre a comercial operadora da importação, a distribuidora e as concessionárias. Igualmente evidente o fato de que a maior interessada na importação em questão, a distribuidora de veículos MMC do Brasil, incorre, como condição—de—venda, despesas promocionais da marca comercializada, segundo dão conta as cláusulas obrigacionais estipuladas em contrato firmado entre o fabricante e importador. Conforme consta desse contrato, a marca permanece na propriedade do fabricante, bem como todos os seus direitos, e os valores faturados como concessão do seu uso, ao invés de serem remetidos para o exterior, são investidos no seu fortalecimento, razão por devem ser adicionados ao valor de transação_para_ fins do ajuste obrigatório do valor aduaneiro, previsto nos itens c e d do art. 8° do Acordo de Valoração Aduaneira, a ser efetuado consoante os procedimentos determinados no art. 6° do Decreto n° 2.498, de 1998. De se notar que o Acordo de Valoração Aduaneira ao prever o ajuste de preço, nos termos de seu art. 8°, além de instituílo como procedimento obrigatório, determina que os custos ali relacionados, desde que suportados pelo comprador e não inclusos no preço pago ou a pagar pela mercadoria, sejam acrescentados nesse preço, sem qualquer restrição quanto à modalidade operacional da importação, independentemente de convenções particulares não oponíveis à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Observase que a decisão da DRJ omitese de afirmar se as rubricas adicionadas são mesmo comissões, como defendera a autoridade autuante. É de se depreender que o n. relator entenda que não, na medida em que não poderiam ser, ao mesmo tempo, comissões, parcela de revenda posterior e direitos de licença. Ocorre que se essa dedução estiver correta, entendo que o lançamento somente poderia, em segundo grau, vir a ser mantido se entendêssemos correta a acusação fiscal, isto é, se de comissões mesmo se tratasse. Em outras palavras, defendo, como em tantos outros processos, que a autoridade julgadora não pode “reenquadrar juridicamente” o lançamento, devendo guardar respeito não apenas aos fatos mas também aos fundamentos jurídicos que embasam a peça de acusação. Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, As sinado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 12466.000155/9816 Acórdão n.º 9303002.105 CSRFT3 Fl. 27 17 Pois bem, uma vez enquadrada pelos autuantes como comissões previstas no item a do parágrafo 1 do artigo 8º do AVA, entendo que a análise a ser promovida pelas instâncias julgadoras somente pode levar a uma de duas conclusões: ou se trata mesmo de comissões, aí enquadráveis e sujeitas a adição ao valor aduaneiro, cabendo manter o lançamento, ou, ao contrário, disso não se trata e cabe declarar sua improcedência. Não cabe ao julgador perquirir se é enquadrável em alguma outra hipótese ensejadora de inclusão no valor aduaneiro se esta outra sequer foi cogitada na peça de acusação. E para se concluir que não se trata mesmo de comissões não parece necessário muito esforço. Demonstrouo a defesa pela transcrição de ato da própria Administração (IN SRF 17/98) que a define como a receita proveniente de intermediação. Segundo a Instrução Normativa, ela é devida “a um agente que compra ou vende mercadorias, às vezes em seu próprio nome, porém sempre por conta de um comitente”. Esse agente “participa da conclusão de um contrato de venda, representando seja o vendedor, seja o comprador”. Tal remuneração do agente é “geralmente expressa em uma percentagem do preço das mercadorias”. Em outras palavras, comissões de venda são valores pagos a um agente que atuará, no exterior, para a colocação dos produtos objeto de exportação. E não é por outro motivo que devem integrar o valor de transação quando suportadas pelo importador. Ora, poderseia atribuir tal caracterização ao valor recebido pela COIMEX, pois é ela quem “participa da conclusão de um contrato de venda”. A parcela objeto da autuação, porém, devida que é à MMCB, não decorre, de nenhum modo, de participação desta última em tal contrato. Ela decorre da efetiva prestação de serviço, depois que o contrato de compra e venda já se consumou, conforme reconhecido pelas próprias autoridades autuantes. Essas considerações, pois, bastariam a mim para desconstituir o lançamento. Ao assim interpretar a disposição do art. 282, III do CPC, filiome à corrente – sabidamente minoritária – que entende não ter o código adotado em sua inteireza a teoria da substanciação. Para ela, ainda que o código exija a descrição completa dos fatos, exige igualmente sua fundamentação jurídica, não sendo legítimo concluir daí ter ele ratificado o princípio de que apenas aos fatos está adstrito o julgador. Como se sabe, tem prevalecido em nossos tribunais, a tese contrária, que admite ser o juiz inteiramente livre na interpretação jurídica dos fatos expostos na inicial, o que lhe permite, até mesmo, fazer o que neste caso concreto fez a DRJ: adotar fundamentos completamente ausentes na peça de acusação. Reconhecendo ser minoritária essa minha posição é que passo ao exame da posição defendida pela instância de piso e reiterada pelo n. relator, dr. Rodrigo Pôssas, isto é, que as verbas objeto da autuação constituam “parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subseqüente das mercadorias, que reverta direta ou indiretamente ao vendedor” (art. 8º, parágrafo 1, item d, com destaques meus). Inicialmente, e como se observa do destaque que fiz, de modo algum se sustenta a afirmação contida na passagem do voto do Conselheiro Luiz Novo Rossari citada pelo dr. Rodrigo. Tudo ao contrário, o Acordo é expresso no sentido de que o valor a ser adicionado segundo a cláusula d do parágrafo 1 do art. 8º deve reverter ao vendedor. E que no Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, As sinado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 18 AVA tal expressão se refere ao exportador não parece merecer discussão, até porque é a definição que lhe dá a própria Administração Tributária (IN SRF 327/03, art. 10): Art. 10. O preço efetivamente pago ou a pagar compreende todos os pagamentos efetuados ou a efetuar, como condição de venda das mercadorias objeto de valoração, pelo comprador ao vendedor, ou pelo comprador a terceiro, para satisfazer uma obrigação do vendedor, assim considerados: I comprador, a pessoa que adquire a mercadoria e se compromete a pagar ao vendedor o preço negociado, mesmo que se utilize de terceiro, nos casos admitidos pela legislação de regência, para honrar essa obrigação ou promover o despacho aduaneiro de importação; II vendedor, a pessoa que, em decorrência da transação comercial, transfere ao comprador a propriedade da mercadoria que lhe pertence e se compromete a entregála conforme termos e condições acordados, mesmo que se utilize de terceiro, nos casos admitidos pela legislação de regência, para honrar essa obrigação ou promover o despacho aduaneiro de exportação. (destaquei) Essa transcrição, ao meu ver, já basta para afastar a pretensão fazendária. Em primeiro lugar, porque os valores aqui discutidos não constituem parcela de revenda subseqüente efetuada pelos concessionários, ainda que se admitisse, como dizem os autuantes, serem eles, concessionários, os importadores. Do que se extrai dos autos, ao contrário, tais valores são pagos à distribuidora no Brasil independentemente de qualquer revenda efetuada pelos concessionários e presumivelmente antes que ela ocorra. E que esses aspectos não sejam claramente esclarecidos nos autos se justifica por não terem sido os fundamentos dos autuantes... Não bastasse isso, induvidoso que tais parcelas não revertem diretamente ao exportador. É que por reversão direta, pareceme, só se pode conceber a efetiva transferência de numerário, nem sequer cogitada na autuação. Ela, a meu sentir, nem se aproxima da “valorização da marca” aduzida pelo n. relator. Sobre isso, aliás, partilho, in totum, os fundamentos expendidos pela Conselheira Judith do Amaral Marcondes no já referido voto condutor do acórdão 930300.028 e em outros envolvendo as mesmas operações: eventual valorização da marca decorrente de um bom trabalho realizado pela distribuidora no País pode reverter futuramente em benefício da exportadora pela ampliação de seu mercado no Brasil. Significará ela maiores vendas ou maiores preços, que, quando concretizados, se refletirão em maior imposto arrecadado. Todavia, no momento mesmo em que a marca é protegida nenhuma reversão ocorre, nem mesmo indiretamente. O n. relator procura validála na hipótese de reversão indireta prevista no dispositivo e um tanto obscura porquanto não objeto de definição pelo próprio AVA. A lacuna pode, no entanto, ser preenchida pelo recurso à analogia, tomandose emprestada a definição de “pagamento indireto” prevista no Acordo. Assim o fez o artigo da Instrução Normativa acima transcrito: reversão indireta é o ato de saldar algum compromisso do exportador junto a terceiro. Ou seja, fosse esse o enquadramento dado pelas autoridades autuantes, a elas caberia a demonstração de que a MMCB era credora da empresa japonesa, obrigação essa que estivesse sendo adimplida pelos concessionários mediante o pagamento das rubricas objeto do Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, As sinado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 12466.000155/9816 Acórdão n.º 9303002.105 CSRFT3 Fl. 28 19 lançamento. Notese, ademais, que isso exige novamente que se considerem os concessionários os verdadeiros importadores ainda que contra eles não se dirija o lançamento. Não se precisa dizer que nenhuma prova disso há nos autos, novamente porque da hipótese não cogitaram os autuantes... Por fim, lembrandose que discutimos autuação de imposto de importação, parece realmente estranho que se conclua por aplicar um dispositivo que exige sejam os importadores pessoas que não figuram como sujeitos passivos no lançamento. Foi com essas considerações que votei pela improcedência do lançamento, sendo este o acórdão que me coube redigir. CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS REDATOR PARA O ACÓRDÃO. Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, As sinado digitalmente em 26/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10183.005741/2005-52
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício:2003
PRELIMINAR. NULIDADE. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA.
Não procedem as alegações de nulidade do lançamento quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972.
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. FISIOTERAPIA FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto.
SÚMULA CARF Nº 40
A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2802-002.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: por unanimidade de votos rejeitar a preliminar suscitada, indeferir o pedido de perícia e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM:26/2/2013
Participaram, do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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NULIDADE. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade do lançamento quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. FISIOTERAPIA FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto. SÚMULA CARF Nº 40 A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: por unanimidade de votos rejeitar a preliminar suscitada, indeferir o pedido de perícia e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 57 41 /2 00 5- 52 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 27/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso –Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM:26/2/2013 Participaram, do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido na primeira instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento Campo Grande (MS), que considerou improcedente, a impugnação apresentada, contra o lançamento por meio do qual exigese da recorrente, IRPF suplementar relativo ao anocalendário, 2002, em virtude de: DESPESAS MÉDICAS Dedução indevida a título de despesas médicas. Intimado , apresentou recibos, não foram considerados os seguintes recibos: Dr. Jaime da C B Assumpção CPF n° 482.011.20159, Fisioterapeuta, valor R$ 15.350,00. O contribuinte não comprovou o efetivo desembolso e a efetiva prestação dos serviço, além de existir Ato Declaratrio Executivo n° 212 D O U 05/08/04 que declara . inidôneo os recibos emitidos pelo profissional no período de 1999 a 2002. Enquadramento Legal: Art. 8º, inciso II, alínea 'a', e §§ 2º e 3º, da Lei nº 9.250/95;arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF nº. 15/2001, A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Campo Grande(MS), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 0415.778, de 05 de novembro de 2008, que se encontra às fls. 61 a 67, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DESPESAS MÉDICAS Para que o contribuinte comprove que as despesas médicas são dedutíveis deve comprovar o efetivo pagamento, o tratamento efetuado e quem é o paciente do tratamento para que se subsuma à norma que prevê a dedução. PEDIDO DE PERÍCIA Não tendo utilidade a perícia para comprovar o efetivo desembolso esta deve ser indeferida. Lançamento Procedente Fl. 102DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 27/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10183.005741/200552 Acórdão n.º 2802002.151 S2TE02 Fl. 597 3 A ciência de tal julgado se deu por via postal em 11/12/2008, consoante o AR – Aviso de Recebimento –. (fls. 85). À vista da decisão, foi protocolizado, em 08/01/2009, recurso voluntário dirigido a este colegiado, fls. 72 no qual o pólo passivo, com vistas a obter a reforma do julgado, reintera os argumentos apresentados em primeira instância, e ainda: · Tece considerações acerca da validade dos Recibos É da lei que o pagamento se prova mediante o recibo, conforme elucida o artigo 320 do Código Civil; · Transcreve, várias ementas deste colegiado relativas a comprovação de despesas médicas; · Assevera que a declaração de inidoneidade dos recibos emitidos' pelo profissional Dr. Jaime da C. B. Assumpção, no período de 1999 a 2002, realizada pelo Ato Declaratório Executivo n. 212, publicado no DOU de 05/08/04, não pode alcançar a recorrente. É regra de direito que os atos apenas produzem seus efeitos para o futuro.Com efeito, tendo sido os documentos do Dr. Jaime da C. B. Assumpção declarados inidôneos, tal decisão administrativa apenas produziria seus efeitos para o futuro, não podendo retroagir e prejudicar aquilo que se convencionou chamar de ato jurídico perfeito, no caso as relações mantidas entre a recorrente e o Dr. Jaime no ano de 2002, por força de um tratamento de saúde. · Argumenta que a fim de comprovar sua alegação, elucidar os fatos e fazer a realidade imperar sobre as divagações do órgão administrativo, apresentou os documentos exigidos, bem como provas complementares de sua validade (declarações médicas), postulou ainda, também como meio complementar de prova, na forma do inciso IV, do artigo 16, da Lei 70.235/72, a realização de diligência, para a apuração da efetiva realização da cirurgia, bem como a necessidade das sessões posteriores de fisioterapia indicando para tanto nome, endereço e qualificação profissional de um perito, além de ter formulado os pertinentes quesitos e exposto os motivos justificativos. A diligência, em que pese ter sido formulada em estrita conformidade com o dispositivo legal respectivo, foi rejeitada sob o argumento de que o ônus da prova cabe a quem dele aproveita, e que no caso èla não teria utilidade alguma. · Afirma que, houve o cerceamento de defesa, e no caso em prejuízo da recorrente, já que foram glosados valores referentes a documentos não admitidos, que poderiam ser facilmente esclarecidos caso restasse determinada a perícia. Solicita : § Seja recebido o presente recurso voluntário e, após análise e realização da perícia, se assim entender Fl. 103DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 27/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 necessária a autoridade julgadora, para a apuração da matéria de fato, julgado procedente para considerar v‘ álida a declaração de IR apresentada, bem como as deduções pretendidas a título de despesas médicas; § Seja, em conseqüência, cancelado, o auto de infração, ou declarada sua nulidade e obviamente os lançamentos nele apontados, a título de multa, juros e imposto complementar; É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite,Relatora O recurso é tempestivo. Estando dotado, ainda, dos demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. Inicialmente, no tocante à alegação de nulidade do Auto de Infração, ressalte se que não restou especificada nenhuma hipótese que a propicie, a saber, os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente, como também os despachos e as decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores). Quanto ao pedido de perícia entendese correta a argumentação desenvolvida pela autoridade de primeira instância, abaixo transcrita: DO PEDIDO DE PERÍCIA: O interessado diz que a efetiva comprovação da realização do serviço é feita por perícia, ora requerida. O interessado requer a realização de perícia para a constatação do ato cirúrgico por ela notificado, assim como a realização de tratamentos ortopédicos posteriores e a efetiva necessidade de tratamento fisioterápico. O interessado apresenta os quesitos que pretende sejam respondidos pelo expert. Cumpre esclarecer que o que o interessado deve provar é que houve a despesa médica e que esta foi paga. O interessado não trouxe aos autos documentos que comprovem o efetivo Pagamento das despesas. A realização de perícia não teria utilidade para o processo pois comprovaria que o interessado teve ou não a enfermidade mas não comprovaria o efetivo desembolso para pagamento do profissional. Assim, a perícia deve ser indeferida Para o exame da questão de mérito transcrevem se a seguir os dispositivos que regulam a matéria: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 27/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10183.005741/200552 Acórdão n.º 2802002.151 S2TE02 Fl. 598 5 Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Conforme se depreende dos dispositivos acima, cabe ao contribuinte que pleiteou a dedução provar que realmente efetuou os pagamentos nos valores e nas datas constantes nos comprovantes, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à idoneidade do documento por parte do Fisco, pode este solicitar provas não só da efetividade do pagamento, mas também da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais. Neste processo, discutese as seguintes glosas Dr. Jaime da C B Assumpção CPF n° 482.011.20159, Fisioterapeuta, valor R$ 15.350,00. (ano calendário 2002) Recibos Sumulados, fl. 34/42. Em pesquisa realizada na internet, em 14/02/2013, às 11:15 horas, no site: http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/core/consulta2.action, está o Ato Declaratório Executivo nº 212 da Delegacia da Receita Federal em Cuiabá, publicado no DOU de 05/08/2004, que assim dispõe: O Ato Declaratório Executivo Nº 212 – Homologada, relativamente aos anoscalendário 1999 a 2002, a apuração de inidoneidade dos recibos emitidos ou supostamente emitidos por JAIME DA CRUZ BORGES ASSUMPÇÃO, CPF 482.011.20159, Fl. 105DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 27/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 porventura apresentados à Administração Tributária para dedução na rubrica de despesas médicas, consoante apurado no processo administrativo n.º 10183.002984/200458. O contribuinte, desde o início dessa fiscalização, para comprovar a efetividade das despesas juntou apenas os recibos indicados. Ora, somente a apresentação destes recibos não solidificam uma contraposição minimamente suficiente para rebater as provas e razões que embasaram o lançamento, não reforçando em matéria de prova a substância que se procura. Como bem destacou o relator de primeira instância, “Além disso, os recibos apresentados estão em formulário padrão, sem numeração, e com a descrição genérica "tratamento de fisioterapia domiciliar", sendo que dois recibos estão sem o carimbo do profissional. O ônus da prova foi invertido pela lei que permitiu ao AuditorFiscal a exigência de comprovação das deduções conforme seu juízo e esses elementos citados demonstram que não há provas suficientes para aceitação das despesas pleiteadas. Assim, a interessada somente fará jus à despesa declarada se comprovar o efetivo desembolso para pagamento da despesa, em razão de todos os motivos acima e também pelo seu elevado valor (R$ 15.350,00).” A comprovação citada no Decreto acima deve ser feita com a apresentação de documentos auxiliares para formar um conjunto probante convincente, como a apresentação de cópias de cheque e/ou extratos bancários ou, ainda, exames, fichas de atendimento e laudos médicos atestando e justificando o serviço prestado, o que até este ponto do processo não foi feito. Cumpre, ainda, ressaltar que o imposto de renda tem relação direta com os fatos econômicos. Quando a um ato jurídico se segue a tributação, não quer dizer que se tribute aquele, mas sim o fenômeno econômico que está por detrás dele. Não pode o contribuinte alegar simples forma jurídica, pleiteando a aceitação de simples recibos, como comprovação de despesas médicas pleiteadas, se o fenômeno econômico não ficar provado. Mais uma vez, é oportuno citar o art. 333 do Código de Processo Civil: Art. 333 O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Concluise, portanto, que o ônus da prova recai sobre aquele que aproveita o reconhecimento do fato. Ademais, tal matéria não é nova neste Colegiado que a tem exaustivamente discutido e firmado o entendimento de que, em situações tais como a que se verifica nos autos, em que há inclusive o pleito de dedução de despesas médicas referentes ao profissional para a qual foi emitida Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, portanto, em que pairam dúvidas acerca da prestação de serviços e dos correspondentes desembolsos, e, ao mesmo tempo o contribuinte só tem em seu poder recibos e documentos que à semelhança dos recibos são passíveis de confecção a qualquer tempo, indispensável a comprovação da efetividade dos pagamentos para que se acate a dedução pleiteada. Aliás, tal entendimento já se encontra pacificado neste Colegiado, conforme súmula, abaixo transcrita, aplicável ao caso: Fl. 106DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 27/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10183.005741/200552 Acórdão n.º 2802002.151 S2TE02 Fl. 599 7 Súmula CARF nº 40: A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada, indeferir o pedido de perícia e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora Fl. 107DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 27/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.004392/2004-07
Data da sessão: Fri May 22 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu May 21 00:00:00 UTC 2009
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS DECLARATORIOS. INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE. Merecem ser conhecidos, porém não providos os embargos declaratórios interpostos, uma vez que não existe obscuridade no acórdão embargado, apenas a fundamentação acolhe exegese da lei que não é aceita pela recorrente.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3102-000.293
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e rejeitar os embargos.
Nome do relator: Corintho Oliveira Machado
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 EMBARGOS DECLARATORIOS. INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE. Merecem ser conhecidos, porém não providos os embargos declaratórios interpostos, uma vez que não existe obscuridade no acórdão embargado, apenas a fundamentação acolhe exegese da lei que não é aceita pela recorrente. Embargos Rejeitados.
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INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE. 1 Merecem ser conhecidos, porém não providos os embargos declaratórios interpostos, uma vez que não existe obscuridade no acórdão embargado, apenas a fundamentação acolhe exegese da lei que não é aceita pela recorrente. I Embargos Rejeitados. 1 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e rejeitar os embargos. ‘1 , M r 'CIA HÉLENA JANO D'AMORIM - Presidente / ii il çi i 1 I i/ CORINTHO OLLI TRA MACHADO — Relator EDITADO EM: 09/09/2009 Ii Participaram do pres nte julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajam) Darnorim, Ricardo Paulo Rosa, Co . tho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida ii Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. I 1 , Relatório Reporto-me ao relato de fl. 46, por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, e adotado quando do julgamento por este Colegiado, que culminou na seguinte ementa sufragada pela unanimidade de meus pares: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE NÃO VEDADA. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE APLICÁVEL A ATO AINDA NÃO JULGADO DEFINITIVAMENTE. A exclusão do contribuinte do regime especial de tributação do SIMPLES não pode prosperar, uma vez que no curso do julgamento do ato administrativo sobreveio lei que trata da matéria, e nela consta, literalmente, que a atividade praticada pela recorrente (academia de dança, de atividades físicas e desportivas) não se constitui em vedação à opção pelo indigitado regime especial de tributação. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Em 20/01/2009, foram opostos embargos declaratórios, fls. 54 e seguintes, tempestivos, pela Procuradoria da Fazenda Nacional, alegando obscuridade no acórdão, decorrente da utilização da norma do art. 106, II, b, do CTN, para estribar o uso da LC n° 123/2006 de forma retroativa, sendo impróprio tal uso, ante a ausência de tipificação de infração de penalidade mais benéfica na LC n° 123/2006. À fl. 59, despacho da insigne Presidente desta Câmara, encaminhando os embargos a este Relator. É o Relatório. Voto Conselheiro CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Relator Os embargos declaratórios são tempestivos, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passa-se de plano ao mérito dos embargos declaratórios, que consiste em saber-se se, de fato, houve obscuridade no acórdão embargado. A douta Procuradoria da Fazenda Nacional diz que a utilização da norma do art. 106, II, b, do CTN, para estribar o uso da LC n° 123/2006 de forma retroativa é imprópria, pois inexiste tipificação de infração de penalidade mais benéfica na LC n° 123/2006. O que existe são dois sistemas de pagamento unificado de tributos (Lei n° 9.317/96 e LC n° 123/2006) que se sucederam no tempo, ambos com razões de política tributário-financeiras diversas, em suas respectivas épocas. 2 Processo n° 10830.004392/2004-07 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00.293 Fl. 61 Quanto à exegese do art. 106, II, b, retrocitado, diz que ali está contemplada a hipótese de penalidade em virtude de obrigação acessória; ao passo que na alínea a do inciso II está a penalidade em virtude de obrigação principal. Trago abaixo todo o dispositivo. Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Em que pese os muito bem lançados argumentos da douta Procuradoria da Fazenda Nacional, estribados em respeitável doutrina, não me convenço nem da exegese proclamada (do artigo supra declinado), nem de que houve a obscuridade alentada no acórdão. Para mim, a alínea a do inciso II do art. 106, contempla tanto a penalidade em virtude de obrigação principal como a penalidade em virtude de obrigação acessória, até porque a letra do Código (art. 113, § 3 0) diz que a obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. A alínea b, utilizada para estribar o acórdão vergastado, tem amplitude maior ao meu sentir, e se presta a excluir qualquer exigência de ação ou omissão em situações como a destes autos, em que se tem um regime especial de tributação sujeito a vários condicionantes, Outro exemplo prático seria o caso de parcelamento, em que o contribuinte também está condicionado a várias exigências de ações ou omissões. E relativamente ao fato de o SIMPLES e o SIMPLES NACIONAL serem dois sistemas de pagamento unificado de tributos (Lei n° 9.317/96 e LC n° 123/2006) que se sucederam no tempo, ambos com razões de política tributário-financeiras diversas, em suas respectivas épocas, conquanto eu concorde com a assertiva, também não posso deixar de prender-me ao sentido da expressão utilizada pela própria Procuradoria da Fazenda Nacional - que se sucederam no tempo - atribuindo a essas palavras uma dimensão bem mais elastecida, no sentido de que o Estado brasileiro quer, em verdade, tanto na época da edição da primeira lei como agora, dar tratamento diferenciado e favorecido às microempresas e empresas de pequeno porte no 'âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Ante o exposto, conhéço dos embargos, e NEGO-LHES PROVIMENTO. r CORINTHO OLIVIOA, MACHADO 3
score : 1.0
Numero do processo: 13709.003116/2004-15
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2002
Ementa: PROCESSUAL - RECURSO VOLUNTÁRIO — INTEMPESTIVIDADE — NÃO-CONHECIMENTO.
A apresentação do recurso voluntário fora do prazo legal impede o
conhecimento do apelo.
Numero da decisão: 1803-000.285
Decisão: Acordam os membros do Colegiada por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso por intempestividade, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira
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ementa_s : Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002 Ementa: PROCESSUAL - RECURSO VOLUNTÁRIO — INTEMPESTIVIDADE — NÃO-CONHECIMENTO. A apresentação do recurso voluntário fora do prazo legal impede o conhecimento do apelo.
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A apresentação do recurso voluntário fora do prazo legal impede o conhecimento do apelo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiada por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. 4rlit1 MaRAES - Presidente e jerMORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA — Relator EDITADO EM: 09 A 8R 2010 Participaram, da presente sessão de julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benicio Júnior, Luciano Inocêncio dos Santos, Walter Adolfo Maresch, Marco Antônio Pires e Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira. Processo n°13709003116/2004-15 51-TE03 Acórdão n.° 1803-00.285 Fl. 2 Relatório Em 04/10/2004 a contribuinte foi autuada por multa mínima devida em função do atraso na entrega da DCTF. A contribuinte houvera entregado a DCTF espontaneamente antes de procedimento fiscal. Em 10/11/2004 a contribuinte apresentou sua impugnação alegando que denunciou espontaneamente a sua infração, merecendo dispensa da multa de oficio, nos termos do artigo 138 do CTN na forma melhor interpretada por Ives Gandra Martins. Justifica ainda a empresa que o atraso deu-se porque a Secretaria do Estado da Saúde do Rio de Janeiro interditou a empresa. Em 30/11/2006 a Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro proferiu sua decisão julgando integralmente procedente o lançamento. A DRJ entendeu que a denúncia espontânea não se aplica à multa pelo atraso na entrega da DCTF. Isso porque a denúncia espontânea exige que o fato, que culminou na infração, tenha sido, à sua época, desconhecido pela contribuinte. No futuro, então, tomando a contribuinte conhecimento do fato, ela o denuncia espontaneamente à autoridade, afastando a multa. A entrega da DCTF é obrigação legal regulamentada, com prazo determinado para cumprimento, que não é desconhecida. Ainda mais, a Lei estabelece a multa pelo atraso-na entrega da DC1T e sua-- - redução em 50% no caso da entrega espontânea da DCTF, ainda que atrasada, mas antes da ação fiscal. Aplicar o artigo 138 do CTN ao caso significa considerar que a Lei é natimorta. A contrario senso, deve a administração pública seguir a Lei que determina a exigência da multa. A DIU explicou ainda que a Secretaria do Estado da Saúde do Rio de Janeiro impediu a Quimibras Ltda, não a impugnante, de temporariamente fabricar determinados produtos, mas isso não explica o atraso na entrega da DCTF pela impugnante Citada da decisão em 15/01/07, em 22/02/07 a contribuinte postou seu Recurso Voluntário à autoridade preparadora. Às fis. 31, acusa a autoridade fiscal a intempestividade do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA, Relatora O Decreto 70.235/72 determina: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do inicio e incluindo-se o do vencimento. \‘‘. Processo n°13709.003116/2004-15 SI-TE03 Acórdão A° 1803-00.285 Fl. 3 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Neste caso,-a contribuinte foi citada da decisão-em 15/01/07,-expirando seu prazo para apresentação do recurso em 14/02/07, quarta-feira, não acusada como feriado no calendário oficial do Rio de Janeiro. O recurso foi postado à repartição pública, nos correios, apenas em 22/02/07, razão pela qual é intempestivo. A intempestividade na apresentação do recurso acarreta sua perempção. Assim, precluso está o direito de demandar da parte recorrente, que deixou de apresentar a defesa no prazo legal. Nestes termos, não conheço o recurso voluntário dada a intempestividade na sua apresentação. É como voto. iseros," L '0; MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002318/2005-76
Data da sessão: Wed Aug 26 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Aug 26 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2002, 2003, 2004
IRPJ. ARBITRAMENTO. NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES.
CABIMENTO. A não apresentação pelo contribuinte dos livros e da
documentação contábil, apesar de reiteradas e sucessivas intimações, implica no arbitramento do lucro.
IRPJ. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS.
PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam como omissão de receitas os valores
creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
CONSTITUCIONALIDADE/LEGALIDADE DE NORMAS INSERIDAS
LEGALMENTE NO ORDENAMENTO JURÍDICO PÁTRIO. MULTA DE
OFÍCIO. CONFISCO. "Súmula 1°.CC n. 2: O Primeiro Conselho de
Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a
inconstitucionalidade de lei tributária".
JUROS SELIC. "Súmula 1°.CC n. 4: A partir de 1°. De abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para
títulos federais".
TRIBUTOS REFLEXOS. CSLL, PIS E COFINS Tendo em vista a íntima
relação de causa e efeito que possuem com o lançamento principal, a decisão proferida em relação ao IRPJ deve ser estendida às exigências reflexas.
Numero da decisão: 1301-000.189
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para reduzir a multa aplicada de 112,5% para 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Valmir Sandri
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2002, 2003, 2004 IRPJ. ARBITRAMENTO. NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. CABIMENTO. A não apresentação pelo contribuinte dos livros e da documentação contábil, apesar de reiteradas e sucessivas intimações, implica no arbitramento do lucro. IRPJ. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CONSTITUCIONALIDADE/LEGALIDADE DE NORMAS INSERIDAS LEGALMENTE NO ORDENAMENTO JURÍDICO PÁTRIO. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. "Súmula 1°.CC n. 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". JUROS SELIC. "Súmula 1°.CC n. 4: A partir de 1°. De abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais". TRIBUTOS REFLEXOS. CSLL, PIS E COFINS Tendo em vista a íntima relação de causa e efeito que possuem com o lançamento principal, a decisão proferida em relação ao IRPJ deve ser estendida às exigências reflexas.
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Recorrida P TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2002, 2003, 2004 IRPJ. ARBITRAMENTO. NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. CABIMENTO. A não apresentação pelo contribuinte dos livros e da documentação contábil, apesar de reiteradas e sucessivas intimações, implica no arbitramento do lucro. !ARI. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CONSTITUCIONALIDADE/LEGALIDADE DE NORMAS INSERIDAS LEGALMENTE NO ORDENAMENTO JURÍDICO PÁTRIO. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. "Súmula 1°.CC n. 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstriucionalidade de lei tributária". JUROS SELIC. "Súmula 1°.CC n. 4: A partir de 1°. De abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais". TRIBUTOS REFLEXOS. CSLL, PIS E COFINS Tendo em vista a íntima relação de causa e efeito que possuem com o lançamento principal, a decisão proferida em relação ao IRPJ deve ser estendida às exigências reflexas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa aplicada de 112,5% para 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. WALDIR VEIG OCHA - Presidente em Exercício VA I: _ • • IRI - Relator EDITADO EM: 0 9 ABR 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana de Barros Femandes, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Décio Lima Jardim, João Francisco Bianco, Valmir Sandri e Waldir Veiga Rocha. Relatório CHURRASCARIA E PIZZARIA NAÇÕES UNIDAS LTDA., já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela l a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo - SP, que por unanimidade de votos, JULGOU procedentes os lançamentos efetuados. De acordo com a autoridade administrativa, o presente processo teve origem em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, no qual a fiscalização arbitrou o lucro da contribuinte, com base nos depósitos bancários e créditos de quatro contas correntes de sua titularidade, uma vez que apesar de intimada diversas vezes para apresentar sua escrituração fiscal e contábil, referente aos anos-calendário 2001, 2002 e 2003, nada apresentou, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal, fls. 397/406. Dessa forma, foram lavrados os autos de infração a titulo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (lRPJ, fls. 646/649), no valor de R$ 692.088,52, Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS, fls. 657/660), no valor de R$ 236.050,10, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS, fls. 668/671), no valor de R$ 1.089.464,71 e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL, fls. 680/683), no valor de R$ 389.842,84, formalizando crédito tributário no montante de R$ 2.407.446,17, já incluídos os juros de mora calculados até 29.07.2005 e a multa de oficio de 112%. Importante observar que a contribuinte através do Ato Declaratório Executivo n° 13, publicado em 23/03/2005 — Processo Administrativo n° 19515.001374/2004- 11 — fls. 389/390, foi excluída do Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, com efeito desde a sua constituição. • 2 Processo n° 19515.002318/2005-76 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-01189 Fl. 2 Cientificada dos lançamentos em 09.08.2005, a Contribuinte apresentou em 02.09.2005, sua impugnação às fls. 688/717, juntando, ainda, os documentos de fls. 719/1.021 alegando em síntese que: Apresentou vasta documentação para a fiscalização, que não poderia efetuar o lançamento por presunção, razão pela qual devem ser cancelados os autos de infração. (ii) Prossegue afirmando que "é ressalvado ao contribuinte, na hipótese de ele ter seu lucro arbitrado, o direito à tributação pelo lucro real, se ele dispuser de escrituração que demonstre efetivamente, o lucro obtido no período". (iii) Destaca que irregularidade na apresentação da Declaração de Imposto de Renda, quando muito, ensejaria penalidade por descumprimento de obrigação acessória, desde que não sanasse esse erro no prazo assinalado pela fiscalização. (iv) Entende que o fato de não haver registro regular dos livros apresentados não impossibilita a constatação da receita da contribuinte. (v) Salienta que o art. 195 do CTN obriga os contribuintes apenas à prestação de informações contábeis/fiscais e não à prestação de informações bancárias, pois estas são protegidas por sigilo. Ademais, afirma que os dados relativos a CPMF não poderiam ser utilizados pela fiscalização, quebrando o sigilo bancário da contribuinte. (vi) Ressalta que a alteração da Lei n° 9.311/1996 pela Lei n° 10.17412001, que permitiu a utilização dos dados obtidos na apuração da CPMF para apuração de outros tributos, afronta diversos direitos constitucionalmente protegidos. (vii) Destaca que a multa de 112,5% aplicada tem caráter confiscatório, em evidente confronto ao disposto no art. 150, IV da CF/88. Devendo ser fixada, no máximo, em 10% do valor devido a titulo de tributo. (viii) Insurge-se, ainda, face a aplicação da taxa Selic, por considerá-la inconstitucional, na medida em que foi criada por Circular do Banco Central e não por lei, além de ter caráter remuneratório e não compensatório. Devendo ser aplicada a taxa de juros de 1% prevista no art. 161 do CTN. (ix) Afirma que nos termos do art. 56 da Lei n° 9.784/99, é admissivel a não aplicação, pela Administração Pública, de ato ou norma ilegal, sem que isto represente desrespeito à divisão de poderes, conforme jurisprudência do STF. À vista da Impugnação, a i a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo - SP, por unanimidade de votos, julgou procedentes os lançamenufs efetuados pelas razões a seguir sintetizadas: Inicialmente, consignaram que a atividade administrativa é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos tennos do art. 142 do CTN, razão pela qual, ao contrário do que entende a contribuinte os órgãos administrativos não podem declarar e/ou reconhecer a inconstitucionalidade de norma jurídica, competência esta exclusiva do Poder Judiciário. Esclareceram que o art. 56 da Lei n° 9.784/99, não dispõe que as decisões administrativas podem declarar a inconstitucionalidade, mas penas que os recursos podi.ni se basear em razões de legalidade e mérito. Em relação à alegação da contribuinte de que a autoridade administrativa não poderia quebrar o seu sigilo bancário sem a devida autorização judicial, os julgadores transcreveram os arts. I, 6, 8, 10 e 11 da Lei Complementar n° 105/2001, para então concluir que não houve a quebra do sigilo bancário, mas sim a transferência de dados à Secretaria da Receita Federal, nos estritos termos da lei. Salientaram que o art. 11, §3° da Lei n° 9.311/1996 foi alterado pela Lei n° 10.174/2001. Após relatar uma a uma as intimações recebidas pela contribuinte para apresentar sua escrituração fiscal, e demais documentos os julgadores concluíram que não restou alternativa a fiscalização senão arbitrar o lucro nos teimos do art. 530, III do RIR/99 e art. 42 da Lei n° 9.430/96. Mantiveram a multa de oficio agravada exigida por considerar que restou evidenciado nos autos o embaraço a fiscalização causado pela contribuinte ao não entregar, entregar com atraso ou apenas parte dos documentos solicitados, art. 44, §2° da Lei n° 9.430/96. Esclareceram que ao contrário do que alega a contribuinte em sua defesa, não existe multa de oficio de 10%. E que a vedação ao confisco aplica-se somente aos tributos. Em relação à Taxa Selic, afirmaram o art. 161 do CTN, possibilita a fixação de juros diversos ao 1% ao mês, o que o Legislador fez através do art. 13 da Lei n° 9.065/1995, não havendo, portanto, qualquer irregularidade na aplicação da referida taxa. Aplicaram para os lançamentos reflexos as mesmas razões de decidir utilizadas para o lançamento principal. Pelas razões acima expostas é que a 1°. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo - SP, por unanimidade de votos, julgou procedentes os lançamentos efetuados. Intimada da decisão de primeira instância em 02.04.2007, às fls. 1.077, a contribuinte recorreu a este E. Conselho de Contribuintes, tempestivamente, em 24.04.2007, às fls. 1.078/1.100, alegando em síntese os mesmos argumentos apresentados em sua impugnação, quais sejam: Inicialmente, afirma que apresentou vasta documentação para a fiscalização, que não poderia efetuar o lançamento por presunção, razão pela qual devem ser cancelados os autos de infração. 4 Processo n° 19515.002318/2005-76 51-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.189 Fl. 3 Prossegue afirmando que "é ressalvado ao contribuinte, na hipótese de ele ter seu lucro arbitrado, o direito à tributação pelo lucro real, se ele dispuser de escrituração que demonstre efetivamente, o lucro obtido no período". Destaca que irregularidade na apresentação da Declaração de Imposto de Renda, quando muito, ensejaria penalidade por descumprimento de obrigação acessória, desde que não sanasse esse eno no prazo assinalado pela fiscalização. Entende que o fato de não haver registro regular dos livros apresentados não impossibilita a constatação da receita da contribuinte. Observa que o art. 195 do CTN obriga os contribuintes apenas à prestação de informações contábeis/fiscais e 'não à prestação de informações bancárias, pois estas são protegidas por sigilo. Ademais, afirma que os dados relativos a CPMF não poderiam ser utilizados pela fiscalização, quebrando o sigilo bancário da contribuinte. Ressalta que a alteração da Lei n°9.311/1996 pela Lei n° 10.174/2001, que permitiu a utilização dos dados obtidos na apuração da CPMF para apuração de outros tributos, afronta diversos direitos constitucionalmente protegidos. Afirma que a multa de 112,5% aplicada tem caráter confiscatório, em evidente confronto ao disposto no art. 150, IV da CF/88. Devendo ser fixada, no máximo, em 10% do valor devido a título de tributo. Insurge-se, ainda, face à aplicação da Taxa Selic, por considerá-la inconstitucional, na medida em que foi criada por Circular do Banco Central e não por lei, além de ter caráter remuneratório e não compensatório. Devendo ser aplicada à taxa de juros de 1% prevista no art. 161 do CTN. Observa que nos termos do art. 56 da Lei n° 9.784/99, é admissível a não aplicação, pela Administração Pública, de ato ou norma ilegal, sem que isto represente desrespeito à divisão de poderes, conforme jurisprudência do STF. Ao final requer sejam anulados os autos de infração lavrados. É o relatório. 5 Voto Conselheiro VALMIR SANDRI O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos previstos em lei, razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório, a matéria posta à análise desta E. Câmara diz respeito à exigência do imposto de renda pessoa jurídica e reflexos apurado com base no arbitramento do lucro, decorrente de depósitos bancários, relativo aos anos-calendário 2001, 2002 e 2003, tendo em vista que a contribuinte, apesar de intimada diversas vezes não apresentou sua escrituração fiscal e contábil. Por seu turno, para afastar a exigência, alega a Recorrente argumentação de variada ordem ou seja, que a quebra do seu sigilo fiscal foi feita de forma ilegal, que o Fisco não poderia efetuar o lançamento por presunção; que as receitas supostamente omitidas a partir dos extratos bancários foi feito com falha e imprecisão, que na lavratura do auto de infração ocorreu ofensa ao principio da legalidade, bem como da inconstitucionalidade da multa confiscatória de 112,50% e da impossibilidade da adoção da taxa SELIC como juros moratórios. Quanto ao arbitramento do lucro da contribuinte, necessário esclarecer que o mesmo só se deu em face da completa ausência de escrituração fiscal e contábil no período fiscalizado, eis que, a despeito da contribuinte ter sido intimada e reintimada a apresentação dos livros contábil e fiscal para que a fiscalização procedesse à análise da correta escrituração de suas receitas, em nenhum momento se prontificou a fazê-lo, não restando outra alternativa a fiscalização senão arbitrar o seu lucro com base na receita conhecida, nos termos do inciso III, art. 530 do RIR/99, que prescreve: "Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano- calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n9 8.981, de 1995, art. 47, e Lei 119 9.430, de 1996, art. 19): III - o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527. Como se pode concluir do Termo de Verificação Fiscal de fls. 398/406, não merece prosperar o argumento da contribuinte de que a fiscalização desprezou os documentos apresentados, uma vez que o lançamento foi efetuado pelo arbitramento do lucro, diante da ausência de escrituração fiscal e contábil da contribuinte, nos termo da expressa previsão legal anteriormente transcrita. Dessa forma, correto o arbitramento efetuado pela autoridade administrativa, ante a ausência dos documentos solicitados. Quanto à argumentação de que a quebra de seu sigilo fiscal foi feita de forma ilegal, importa esclarecer que as informações relativas à CPMF, sob a égide da Lei ri° 9.311, de 1996, impedia a sua utilização para formalizar créditos relativos a outras contribuições e Processo n° / 9515.002318/2005-76 31-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.189 Fl. 4 impostos. Todavia, a partir da vigência da Lei n° 10.174, de 2001, tal proibição foi afastada, em face do disposto no seu art. 1°, in verbis: "Art. lo O art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Anil "§ 30 A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores." (NR) 30-A. (VETADO)" Por seu turno, o § 3 0, Ill, do art. 1° da Lei Complementar n° 105, de 2001 (regulamentada pelo Decreto n°3.724, de 2001), dispõe: 32 Não constitui violação do dever de sigilo: III— o fornecimento das informações de que trata o § 2,2 do art. 11 da Lei na 9.311, de 24 de outubro de 1996; (g.n) Resta evidente, portanto, que a partir da vigência dos diplomas legais acima transcritos, não há o que se falar em ilegalidade por quebra de sigilo bancário, tampouco na impossibilidade de formalização de outros créditos, decorrentes - de informações de tal contribuição. Quanto à irretroatividade de lei tributária que autoriza a utilização de informações pretéritas, impende esclarecer que, em regra, a norma só diz respeito a comportamentos futuros, nada obstante poder referir-se a condutas passadas, tendo então força retroativa. A retroatividade e/ou irretroatividade não podem ser visualizadas como princípios absolutos, o que, segundo palavras de Maria Helena Diniz (Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro Interpretado, Editora Saraiva, 3' edição) "O ideal será que a lei nova retroaja em alguns casos e em outros não. Á irretroatividade das leis é somente um princípio de utilidade social, dai não ser absoluto, sofrer exceções, pois em certos casos, urna lei nova poderá atingir situações passadas ou efeitos de determinados atos". Ao tratar da questão acima referida, o § 1° art. 144, § 1° do CTN, dispõe: "Árt. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § I°. Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste 1 último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros." (gn). In casa, as normas ora questionadas são desse tipo, ou seja, foram editadas com a finalidade precipua de ampliar os poderes de investigação, sendo, ipso facto, completamente aplicáveis aos fatos anteriores as suas publicações. Nesse sentido, vale reproduzir a lição do Juiz Federal Zuudi Sakakihara, no livro Código Tributário Nacional Comentado: "... na atividade do lançamento é preciso distinguir entre a lei material, que descreve o fato típico tributário e contém a respectiva implicação consistente no pagamento do tributo, das outras leis de natureza apenas adjetiva, que dizem respeito ao modo pelo qual é realizada a atividade do lançamento. A lei material é aquela aplicada na atividade do lançamento, segundo os critérios da qual é determinada e quantificada a obripactio tributária principal e o correlativo crédito tributário . Integra o próprio objeto do lançamento, na medida em que é dele a fonte formal e, por isso, há de ser aquela vigente na data em que surgiram a obrigação e o respectivo crédito. É o que diz o caput deste artigo. Já as leis meramente adjetivas não integram o objeto do lançamento, valendo dizer que não são aplicadas pelo lançamento, mas aplicadas à atividade do lançamento . Dizem respeito à atividade e não ao objeto do lançamento. Em razão disso, são aplicáveis aquelas vigentes na data em que é exercida a atividade sendo irrelevante que sejam posteriores ao surgimento do direito que é objeto do lancamento . É esse o sentido do § I° deste artigo. Com efeito, as leis que instituam novos critérios de apuração ou novos processos de fiscalização, ou, ainda, que ampliem os poderes de investigação das autoridades administrativas, são todas, por assim dizer, externas ao fato gerador, no senado de que não alteram nenhum dos aspectos da hipótese de incidência tributária, afetando, apenas, a atividade do lançamento, e não o crédito tributário. Esclareça-se, por oportuno, que os critérios de apuração são unicamente aqueles investigató rios, e não os que se destinem à quantificação do tributo devido, pois estes afetam diretamente a materialidade da hipótese de incidência no seu aspecto dimensivel" (g.n) Também nesse diapasão, o Poder judiciário vem adotando posicionamento no sentido de que o acesso a informações junto a instituições financeiras, para fins de apuração de ilícito fiscal, não configura ofensa ao principio da inviolabilidade do sigilo bancário, desde que cumpridas as formalidades exigidas pela Lei Complementar n° 105/01 e pelo Decreto n° 3.724/01, como se vê da seguinte ementa: "TRIBUTÁRIO. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. LCP n° 105/01. PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRENCIA. 1. A Lei n° 10.174/01, que deu nova redação ao § 3° do art. 11 da Lei n°9311, permitindo o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, disciplina o procedimento de fiscalização em si, e não os fatos económicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir de janeiro 2001 Processo n° 19515.002318/2005-76 51-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.189 Fl. 5 poderão valer-se dessas informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos, (CTN, art;144, 1°). Trata-se de aplicação imediata da norma, não se podendo falar em retroatividade. 2. O art. 60 da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto n° 3.724/01, autoriza a autoridade fiscal a requisitar informações acerca da movimentação financeira do contribuinte, desde que já instaurado o procedimento de fiscalização e o exame dos documentos seja indispensável à instrução, preservado o caráter sigiloso da informação. 3. O acesso a informações junto a instituições financeiras, para fins de apuração de ilícito fiscal, não configura ofensa ao principio da inviolabilidade do sigilo bancário, desde que cumpridas as formalidades exigidas pela Lei Complementar n°105/01 e pelo Decreto n° 3.724/01" (Ac. 1" T do TRF da 4a R — mv — ag 2002.04.01.003040-0/PR —Bel. Des. Fed. Maria Lúcia Luz Leiria — j 02.05.02 — Ágte.: Joaquim Costa; Agdas.: União Federal/Fazenda Nacional — DJU 2 05.06.02, p 164)." Portanto, não resta dúvida que os mencionados diplomas legais alcançam situações ocorridas anteriores a sua edição, não havendo, portanto, o que se falar em ilegal quebra do seu sigilo fiscal e/ou ilegalidade de uso de informações bancárias obtidas via CPMF. Quanto a utilização das informações bancárias para efeito de apuração de omissão de receitas, é de se verificar que a partir de 01/01/1997 — entrada em vigor da Lei n° 9.430 -, a existência de depósitos não escriturados ou de origens não comprovadas tornou-se uma nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas, que veio a se juntar a outras já existentes no ordenamento jurídico, sendo que a partir daí atenuou-se à carga probatória atribuída ao fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada para satisfazer o onus probandi a seu cargo. Antes, tal previsão inexistia, e com isso o fisco necessitava, nos estritos termos do art. 6°, caput e § 5°, da Lei n° 8.021/1990, não apenas constatar a existência dos depósitos bancários, mas estabelecer uma conexão, um nexo causal, entre tais depósitos e alguma exteriorização de riqueza e/ou operação concreta do sujeito passivo que pudesse dar ensejo à omissão de receitas. O fato é que após a edição da Lei n° 9.430/1996, a movimentação bancária mantida ao largo da escrituração contábil da empresa ou sem comprovação adequada, presume- se realizada com valores omitidos à tributação, salvo prova em contrário, não se aplicando, portanto, mais o entendimento exarado na Súmula 182 do extinto TRF, que determinou o cancelamento dos débitos para com a Fazenda Nacional, originários de cobrança do imposto de renda, arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou comprovantes de depósitos bancários a luz do Decreto-lei n°2.471/88. Portanto, ao fisco cabe provar o fato constitutivo do seu direito, no caso em questão, a existência de depósito bancário sem origem comprovada. À contribuinte cabe comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, o que não foi feito em nenhum momento do processo, não restando alternativa a fiscalização senão considerar tais depósitos como receitas omitidas e arbitrar o lucro da Recorrente, ante a não apresentação dos livros fiscais e contábeis para que se pudesse apurar o verdadeiro lucro real da contribuinte. 9 Nesse passo, é de se reiterar que a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósitá bancário, considerada isoladamente, abstraída das circunstâncias fáticas, até mesmo porque, depósito bancário não configura disponibilidade econômica ou jurídica de renda, conforme lembra a recorrente ao mencionar o art. 43 do CTN. Ao contrário, a caracterização está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados, conforme dicção literal da lei. Existe, portanto uma correlação lógica entre o fato conhecido - ser beneficiado com um depósito bancário sem origem — e o fato desconhecido — auferir rendimentos. Essa correlação autoriza plenamente o estabelecimento da presunção legal de que o dinheiro surgido na conta provém de receitas omitidas. Pelas informações e documentos constantes dos autos, verifica-se que o lançamento em questão decorre de presunção legal, não havendo, portanto, qualquer falha e/ou• imprecisão na base de cálculo do tributo, muito menos ofensa ao princípio da legalidade, eis que havia um antecedente texto de lei autorizando que se procedesse ao lançamento para a exigência do tributo quando o contribuinte regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Quanto à alegação de inconstitucionalidade da multa de oficio de 112.50% que entende confiscatória, é de se observar que não cabe ao julgador administrativo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal, tarefa essa privativa do Poder Judiciário, devendo este se limitar a aplicá-la, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade, a não ser nos casos em que a norma em discussão já tiver sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou no difuso, este a partir do momento e na hipótese de produzir efeitos "erga armes". Quanto a arguição do confisco em si, é de se observar que a Constituição Federal, em seu art. 150, IV, veda a utilização de tributo com o efeito de confisco. Trata-se de limitação ao poder de tributar que visa evitar o excesso de carga tributária, que implique agravamento exagerado na situação do contribuinte. Porém não existe um patamar pré- definido que permita dizer que um tributo tem ou não efeito confiscatório, cabendo essa valoração ao legislador ou, mediante provocação, ao órgão judicante competente. Assim em primeiro plano, pode-se dizer que o princípio do não confisco é uma limitação imposta pelo legislador constituinte ao legislador infraconstitucional, não podendo este último instituir tributo que tenha efeito confiscatório, onerando excessivamente o contribuinte. Em segundo plano, o principio dirige-se, eventualmente, ao poder judiciário, que deve aplicá-lo no controle difuso ou concentrado da constitucionalidade das leis. Dessa forma, não compete à instância administrativa a análise sobre a matéria, pois a vedação constitucional quanto à utilização de tributo com efeito de confisco dirige-se ao legislador, e não ao aplicador da lei. • E sendo assim, por estar as multas de oficio previstas em ato legal vigente (art. 44 da Lei n2 9430, de 27 de dezembro de 1996), descabida mostra-se qualquer manifestação deste órgão julgador no sentido do afastamento de sua aplicação e/ou eficácia. Entretanto, entendo que merece uma pequena reforma a r. decisão recorrida quanto ao agravamento da multa de 75% para 112.50%, pelo fato da contribuinte não ter apresentado os documentos solicitados pela fiscalização. to Processo n° 19515.002318/2005-76 S 1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.189 Fl. 6 Isto porque, por ocasião do procedimento fiscal, a contribuinte, embora de forma tímida, apresentou os livros fiscais de saída e cópia da D1PJ-Simplificada dos anos- calendário de 2001 e 2002 (fl. 251), aliado ao fato de que o arbitramento se deu, como visto, pela não apresentação da escrituração contábil, não justificando, portanto, o agravamento da multa, quanto a sua causa (arbitramento) foi a negativa do contribuinte em apresentar os documentos solicitados pela fiscalização. Quanto à alegação de ilegalidade da aplicação da taxa SELIC para o cálculo dos juros moratórios, é de se observar que a mesma esta sendo aplica em consonância com os dispositivos legais validamente editados, no caso, a Lei n° 8.981/95 que estabeleceu, no seu art. 84, I, que os juros de mora seriam equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional, relativa à Divida Mobiliária Federal Interna. A MP n° 947, de 23/03/1995, em seus arts. 13 e 14, alterou o disposto para juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, a serem aplicados a partir de 01/04/1995. Por seu turno, a MP n°972, de 22/04/1995, convalidou a Medida Provisória anterior e, finalmente, a Lei n°9065, de 21/06/1995, no seu art. 13, convalidou o art. 13 das duas Medidas Provisórias antes mencionadas, sendo posteriormente ratificados pelo art. 61 da Lei n°9.430/96, que vigora até o dia de hoje. O fato é que a questão dos juros moratórios calculados com base na taxa Selic não comporta mais discussão neste E. Conselho, tendo em vista que a matéria já se encontra inclusive sumulada, senão vejamos: "Súmula I°.CC n. 4: Á partir de 1". De abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SEL1C para títulos federais". Como se vê, a exigência de juros de mora calculados com base na taxa Selic foi prevista de forma literal no artigo 13 da Lei ra=-) 9.065/95, e no § 3° do art. 61 da Lei ra2 9.430/96, não havendo, portanto, como afastá-la sem expurgar os dispositivos literais de lei, bem como, a súmula desse E. Conselho de Contribuintes. Quanto aos lançamentos decorrentes e/ou relfexos (CSLL PIS e COFINS), por possuírem os mesmos fundamentos fáticos da presente exigência, a decisão aqui prolatada faz coisa julgada em relação a eles, em vista da íntima relação de causa e efeito que os une. Pelo exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir o agravamento da multa de oficio de 112.5% para 75%. É como voto. • deraW"'"-- • P RI - Relator 11
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Numero do processo: 10580.019323/99-14
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2002
Ementa: DECADÊNCIA – PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – TERMO INICIAL – O termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente, em caso de situação fática conflituosa, inicia-se a partir da data em que o contribuinte viu seu direito reconhecido pela administração tributária.
Recurso especial da Fazenda Nacional conhecido e não provido.
Numero da decisão: CSRF/01-04.117
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber, Leila Maria Scherrer Leitão e Verinaldo Henrique da Silva
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CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n °. : 10580019323/99-14 Recurso n.°. : RP/106-0 645 Matéria : IRPF - PDV Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessada CARLOS ALBERTO PEDREIRA BAMBERG Recorrida 6A CÂMARA DO 1° CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sessão de : 20 DE AGOSTO DE 2002 Acórdão n°. CSRF/01-04.117 DECADÊNCIA — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — TERMO INICIAL — O termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente, em caso de situação fática conflituosa, inicia-se a partir da data em que o contribuinte viu seu direito reconhecido pela administração tributária Recurso especial da Fazenda Nacional conhecido e não provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber, Leila Maria Scherrer Leitão e Verinaldo Henrique da Silva 1 o • fr"-~- ES 41' PRE rj,f / JO 1 CARLOS PASSUEL O RE ÁTOR FORMALIZADO EM: O 9 DEZ 2002 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros. CELSO ALVES FEITOSA, ANTONIO DE FREITAS DUTRA, MARIA GORETTI DE BULHÕES 2 Processo n°., 10580019323/99-14 Acórdão n ° CSRF/01-04 117 CARVALHO, VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE, REMIS ALMEIDA ESTOL, ZUELTON FURTADO, WILFRIDO AUGUSTO 1 , - • I S, JOSÉ CLOVIS ALVES, CALOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, M- OEL ANTONIO GADELHA DIAS e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR 2 3 Processo n.°. 10580.019323/99-14 Acórdão n ° CSRF/01-04 117 Recurso n.°. : 106-123864 (RP/106-0.864) Recorrente : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Trata-se de Recurso Especial, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com fulcro no art„ 32, I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes 1 (fls. 65 a 76), que teve seguimento apoiado no Despacho n° 106- 1.588 (fls. 77 e 78) A decisão recorrida, da 6a Câmara, está consubstanciada no Acórdão n° 106-11.883 (fls. 57 a 63), cuja decisão foi tirada por maioria, e tem como ementa: "DECADÊNCIA — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — TERMO INICIAL — O termo inicial para contagem do prazo decadencál do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente, em caso de situação fática conflituosa, inicia-se a partir da data em que o contribuinte viu seu direito reconhecido pela administração tributária. IRPF — PROGRAMA DE INCENTIVO À APOSENTADORIA — ESPÉCIE DO GÊNERO PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO — Os valores pagos por pessoa jurídica a seus empregados a título de incentivo à adesão ao Programa de Incentivo à Aposentadoria, assim como em caso de adesão ao PDV, por ter natureza indenizatória, não se sujeitam ao imposto de renda na fonte, nem na Declaração de Ajuste Anual, consoante entendimento já pacificado no âmbito deste Conselho e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso provido" O Ilustre Relator, Dr., Wilfrido Augusto Marques, resumidamente, assim colocou a questão, na peça decisória:: 1 Art 32 Caberá recurso especial à Câmara Supe . or de "ecursos Fiscais I - de decisão não unânime de Câmara, quando for ( +o p t ária à lei ou à evidência da prova, e ( ) 409 3 4 Processo n.°. 10580019323/99-14 Acórdão n.° CSRF/01-04 117 "A hipótese legal pertinente à matéria isenção de tributo em programa de demissão voluntária está prevista no inciso XVIII do artigo 40 do R1R194 Para configurar-se a isenção, segundo tal dispositivo, basta que haja indenização por rescisão do contrato de trabalho ou demissão Em ambas as hipóteses o que importa, portanto, é o rompimento do contrato de trabalho, seja por acordo entre as partes, seja por ato voluntário do empregador No caso em apreciação houve o rompimento do contrato de trabalho em virtude de acordo celebrado por ocasião da adesão pelo contribuinte a plano de incentivo à aposentadoria Quanto à verba percebida, tem nitidamente caráter reparatório pelo rompimento imotivado do pacto laborai, enquadrando-se, assim, no conceito de indenização A verba auferida pelo contribuinte não tem outro caráter senão o indenizatório A adesão do contribuinte ao plano de desligamento só se deu em virtude de tal indenização, do contrário qual beneficio adviria a esta optando pelo desemprego? O valor percebido não tem caráter de renda, nem proventos, mas de compensação pela perda do emprego e não representa nenhum acréscimo patrimonial. O fato de ter o mesmo se aposentado posteriormente ou concomitantemente à adesão é irrelevante já que o que importa é o recebimento ou não de indenização por ocasião de término do vínculo empregatício Outrossim, é irrisório também o nome dado ao plano, se de incentivo à aposentadoria ou de incentivo ao desligamento, haja vista que todos são espécies do gênero plano de desligamento voluntário. Cabe salientar, ainda, que o entendimento acima esposado já está pacificado neste Conselho e também na Câmara Superior de Recursos Fiscais, consoante acórdãos 106-10728, 106- 44059, 106-11090, CSRF 01-02.687 e CSRF 01-02 690." O Douto Procurador da Fazenda Nacional, após extenso arrazoado, veio (fls. 76) assim finalizar seu pedido: "Portanto, Sr. Relator: primeiro, não há qualquer contradição entre os efeitos da decisão de inconstitucionalidade do Poder Judiciário no controle direto e no controle difuso (em virtude da qual a IN n° 165/98 foi editada) e a decadência é a data da extinção do crédito tributário .8- • ..rre com o pagamento), saiba o contribuinte ou não o e pagou indevidamente, terceiro, o art 168, I do Código Tribu ii.' "ndepende completamente da fra / d 4 5 Processo n.°. :10580019323/99-14 Acórdão n.° CSRF/01-04 117 data da decisão de inconstitucionalidade, quarto, a decisão de inconstitucionalidade deve respeitar, tal qual toda e qualquer lei, as situações definitivamente constituídas, quinto, exatamente porque passados cinco anos da data do pagamento (que extinguiu o crédito), o contribuinte perde o direito à repetição (art.. 168, I do Código Tributário) e a decisão de inconstitucionalidade, qualquer que seja ela, não pode mais atingir essa situação que, bem o mal, justa ou injustamente, já definitivamente se consolidou; sexto, para a intercorrência da prescrição, o Código não exige o prévio conhecimento que o contribuinte pagou indevidamente, sétimo, o choro de contribuintes pela perda de uns méseros cruzeiros Enfim, como diz velho brocardo jurídico, universalmente conhecido e repetido, o Direito não protege os que dormem . Pelo exposto, requer a Fazenda Nacional que V. Ex. a dê provimento a este Recurso Especial, mantendo a douta decisão monocrática que considerou caduco pedido de restituição, por corresponder à melhor exegesse do dispositivo tributário " Portanto, a questão é claramente posta e se busca o deslinde à dúvida sobre a data que deve ser adotada como sendo inicializadora da contagem do prazo decadencial, para a hipótese de tributo tratado na Instrução Normativa n° 165/98, relativamente à incidência do imposto de renda devido por pessoas físicas referente a verbas indenizatórias pagas em decorrência de incentivo à demissão voluntária (PDV) O recurso especial ateve-se exclusivamente à tese acerca da contagem do prazo decadencial, deixando de lado a apreciação da prova ou da efetiva natureza indenizatória da verba sobre a qual se questiona a tributação, o que restringe a discussão à matéria de direito, unicamente Assim se apresenta o processo para julgamento do recurso especial. É o relatório. 5 , 6 Processo n,° : 10580019323/99-14 Acórdão n.° CSRF701-04 117 VOTO CONSELHEIRO JOSÉ CARLOS PASSUELLO, RELATOR O recurso especial foi devidamente acolhido e deve ser apreciado A divergência discutida é única e diz respeito tão somente ao prazo conferido ao contribuinte que sofreu indevidamente retenção do imposto de renda na fonte sobre rendimentos decorrentes de Plano de Desligamento Voluntário (ou de Demissão Voluntária) — PDV. A par da argumentação expendida pela Fazenda Nacional, de que o prazo para o contribuinte pleitear a devolução das parcelas indevidamente gravadas pelo imposto de renda na fonte se iniciaria da data da retenção e se extinguiria em cinco anos, na forma do artigo 168, I, do Código Tributário Nacional 2 , data em que se teria como extinto o crédito tributário. A questão, porém, não é tão simples e já encontra posicionamento firme em todo Primeiro Conselho de Contribuintes, inclusive nesta Câmara. Como bem ressaltou o Conselheiro Remis Almeida Estol, ao proferir o voto condutor da decisão consubstanciada no Acórdão n° CSRF/01-03,593 (processo n° 13706.001667/99-92), de 05.11.2001, casos semelhantes ao presente guardam diferenças fundamentas ao raciocínio simplista da tese trazida no recurso especial. 2 Art 168 - O direito de pleitear a restituição extingue-se o o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data .0/ . ção do crédito tributário; ( ) P 6 7 Processo n.°. . 10580019323/99-14 Acórdão n.° CSRF/01-04 117 Por ter termos mais precisos do que eu poderia produzir, transcrevo os argumentos trazidos no voto citado, de onde posso extrair, principalmente: "Nesse contexto, cumpre inicialmente enfrentar a questão do termo inicial do prazo decadencial, especificamente em relação ao pedido de restituição do imposto retido na fonte, incidente sobre a verba percebida por força da adesão ao Programa de Desligamento Voluntário Antes de mais nada, é da maior importância ressaltar que não estamos diante de um recolhimento espontâneo feito pelo contribuinte, mas de uma retenção compulsória efetuada pela fonte pagadora em obediência a um comando legal, então válido, inexistindo qualquer razão que justificasse o descumprimento da norma. Feito isso, me parece induvidoso que o termo inicial não seria o momento da retenção do imposto, isto porque o Código Tributário Nacional, em seu artigo 168, simplesmente não contempla esta hipótese e, por outro lado, a retenção do imposto pela fonte pagadora não extingue o crédito tributário, isto porque não se trata de tributação definitiva, mas apenas antecipação do tributo devido na declaração Da mesma forma, também não vejo a data da entrega da declaração como o momento próprio para o termo inicial da contagem do prazo decadencial para o requerimento da restituição. Tenho a firma convicção de que o termo inicial para a apresentação do pedido de restituição está estritamente vinculado ao momento em que o imposto passou a ser indevido. Antes deste momento as retenções efetuadas pelas fontes pagadoras eram pertinentes, já que em cumprimento de ordem legal, o mesmo ocorrendo com o imposto devido apurado pelo contribuinte na sua declaração de ajuste anual. Isso significa dizer que, anterio ente ao ato da Administração atribuindo efeito erga o , nes" quanto a intributabilidade das verbas rel:tivas as chamados PDV, objetivada na Instrução Normati ;:áf., 165, de 31 de dezembro 4 7 8 Processo n.°. : 10580019323/99-14 Acórdão n° CSRF/01-04 117 de 1998, tanto o empregador quanto o contribuinte nortearam seus procedimentos adstritos à presunção de legalidade e constitucionalidade próprias das leis Concluindo, não tenho dúvida de que o termo inicial para a contagem do prazo para requerer a restituição do imposto retido, incidente sobre a verba recebida em decorrência da adesão ao Plano de Desligamento Voluntário é a data da publicação da Instrução Normativa n° 165, ou seja, 06 de janeiro de 1999, sendo irrelevante a data da efetiva retenção que, no presente caso, não se presta para marcar o início do prazo extintivo. Comungo da certeza de que uma visão diferente, fatalmente levaria a situações inaceitáveis como, por exemplo, o reconhecimento pela administração pública de que determinado tributo é indevido quando já transcorrido o prazo decadencial para o contribuinte pleitear a restituição, constituindo verdadeiro enriquecimento ilícito do Estado e tratamento diferenciado para situações idênticas, o que atentaria, inclusive, contra a moralidade que deve nortear a imposição tributária. Assim, com essas considerações, meu voto é no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial formulado pelo ilustre representante da Procuradoria da Fazenda Nacional" Essa posição, com a qual me perfilho, embasa meu voto, no mesmo sentido e no sentido convergente da jurisprudência dominante nas diversas Câmaras do Colegiado. Assim, diante do que consta do processo, voto por conhecer do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional e, no mérito, negar-lhe provimento. Sala d-s Se sões - DF, em 20 de agosto de 2002 4(Prilt JOS CAR OS PASSU LLO 8 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1
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