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Numero do processo: 10768.012943/99-06
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1997
PENSÃO ALIMENTÍCIA - DEDUÇÃO - SENTENÇA JUDICIAL. CONCEITO SECULAR DO DIREITO DE FAMÍLIA
As importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando em cumprimento de decisão judicial são dedutíveis do imposto de renda, compreendidos no conceito de alimentos tudo que for necessário a manutenção, ao sustento, à habitação, à roupa e à educação.
DESPESAS COM INSTRUÇÃO - DEDUTIBILIDADE - LIMITE
São dedutíveis da base de cálculo no ajuste anual os gastos com instrução, desde que referentes ao próprio contribuinte ou a seu dependente, bem como nos casos de responsabilidade pelo pagamento da instrução, atribuída judicialmente, até o limite individual estabelecido em lei.
Numero da decisão: 2201-001.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso para acolher a dedução dos seguintes valores: Plano de Saúde (1996): R$ 1.554,12; Aluguel/96: R$ 9.676,97; e Pensão R$ 12.614,79
PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Presidente em exercício
(assinatura digital)
RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE - Relator.
(assinatura digital)
Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em Exercício), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves de Oliveira Franca, Gustavo Lian Haddad e Margareth Valentini. Ausente justificadamente Eduardo Tadeu Farah.
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1997 PENSÃO ALIMENTÍCIA - DEDUÇÃO - SENTENÇA JUDICIAL. CONCEITO SECULAR DO DIREITO DE FAMÍLIA As importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando em cumprimento de decisão judicial são dedutíveis do imposto de renda, compreendidos no conceito de alimentos tudo que for necessário a manutenção, ao sustento, à habitação, à roupa e à educação. DESPESAS COM INSTRUÇÃO - DEDUTIBILIDADE - LIMITE São dedutíveis da base de cálculo no ajuste anual os gastos com instrução, desde que referentes ao próprio contribuinte ou a seu dependente, bem como nos casos de responsabilidade pelo pagamento da instrução, atribuída judicialmente, até o limite individual estabelecido em lei.
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CONCEITO SECULAR DO DIREITO DE FAMÍLIA As importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando em cumprimento de decisão judicial são dedutíveis do imposto de renda, compreendidos no conceito de alimentos tudo que for necessário a manutenção, ao sustento, à habitação, à roupa e à educação. DESPESAS COM INSTRUÇÃO DEDUTIBILIDADE LIMITE São dedutíveis da base de cálculo no ajuste anual os gastos com instrução, desde que referentes ao próprio contribuinte ou a seu dependente, bem como nos casos de responsabilidade pelo pagamento da instrução, atribuída judicialmente, até o limite individual estabelecido em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso para acolher a dedução dos seguintes valores: Plano de Saúde (1996): R$ 1.554,12; Aluguel/96: R$ 9.676,97; e Pensão R$ 12.614,79 PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA – Presidente em exercício (assinatura digital) RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Relator. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 29 43 /9 9- 06 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 7/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por PEDRO PAULO PER EIRA BARBOSA 2 Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em Exercício), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves de Oliveira Franca, Gustavo Lian Haddad e Margareth Valentini. Ausente justificadamente Eduardo Tadeu Farah. Relatório Tratase o presente feito de recurso voluntário interposto em face do ACÓRDÃO nº 1.390 da 3ª Turma da DRJ/RJOII que julgou procedente o auto de infração de fls.05 a 09, consubstanciando exigência de Imposto Suplementar sobre a Renda Pessoa Física no valor de R$8.421,29 (oito mil, quatrocentos e vinte e um reais e vinte e nove centavos), multa de setenta e cinco por cento e demais acréscimos legais. O referido lançamento é proveniente da revisão da declaração de fls.32 a 40, em razão da glosa de parte da dedução feita a título de pensão alimentícia, alterandose o valor declarado de R$31.606,38 para R$8.805,48, bem como alterando o rendimento declarado, matéria esta não imugnada. Segundo o relatório fiscal “o contribuinte apresentou como comprovante de pagamento da pensão as guias de depósito na contacorrente da exmulher no total de R$8.805,48; despesas com instrução dos alimentandos no valor de R$ 7.278,70; despesas gerais no valor de R$ 3.909,31; despesas com aluguel e condomínio de R$ 8.908,81”. Sendo que a despesa com instrução dos alimentandos foi admitida até o limite de despesas com instrução de dependentes. A DRJ houve por bem julgar procedente o lançamento tributário. Inconformado o contribuinte recorre juntando novos documentos e pleiteando o restabelecimento da dedução integral de pensão alimentícia no valor de R$31.606,38. composta pelas seguintes parcelas: 1 — Colégio São Paulo — 1996 — R$ 7.278,70 2 — Plano de Saúde— 1996 — R$ 1623,12 3 — Aluguel/96 apto. 502 Visc.Pirajá. 169 Ipanema — R$ 9.676,97 4— Pensão R$ depósitos em Moeda —96 = R$ 13.027.59 TOTAL R$ 31.606,38 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe O recurso é tempestivo dele conheço. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 7/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por PEDRO PAULO PER EIRA BARBOSA Processo nº 10768.012943/9906 Acórdão n.º 2201001.539 S2C2T1 Fl. 247 3 Cabe frisar que o presente feito vem somente agora para julgamento em razão da discussão judicial sobre a exigibilidade do depósito prévio de 30% (trinta por cento) do valor do crédito tributário como condição de conhecimento do recurso administrativo e que foi declarada inconstitucional pelo Plenário do A. Supremo Tribunal Federal. Resumidamente a que se coloca em debate neste feito é o conceito de pensão alimentícia, o que está incluso neste conceito. Mas antes disso deve ser lembrado que o alimentando não é considerado dependente para efeitos de imposto de renda do alimentante, mas sim de quem detém a sua guarda. No presente caso os alimentandos são dependentes da exmulher do recorrente. Desta forma não se pode cogitar como legítima a solução proposta pela fiscalização de admitir a dedução com despesas de instrução como se os alimentandos fossem dependentes, como bem esclarece o perguntas e respostas da Receita Federal do Brasil e do RIR/94, in verbis: 324 Contribuinte que paga pensão alimentícia judicial a ex cônjuge e filhos pode considerálos dependentes na declaração? Não. Entretanto, excepcionalmente, no ano em que se iniciar o pagamento da pensão, o contribuinte pode efetuar a dedução correspondente ao valor total anual, caso os filhos tenham sido considerados seus dependentes nos meses que antecederam o pagamento da pensão naquele ano. Art. 54. São tributáveis os valores percebidos, em dinheiro, a título de alimentos ou pensões, em cumprimento de acordo ou decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei n° 7.713/88, art. 3°, § 4°). Parágrafo único. Integram o rendimento tributável as importâncias recebidas a título de despesa com instrução e médica, desde que fixadas em acordo ou sentença judicial. Outro conceito que se deve lembrar antes de adentrarmos o mérito é que a pensão alimentícia recebida pelos alimentandos é receita tributável destes, conforme determina a Instrução Normativa SRF n º 15, de 6 de fevereiro de 2001, arts . 49 e 50. Art. 49. Podem ser deduzidas as importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais. Parágrafo único. É vedada a dedução cumulativa dos valores correspondentes à pensão alimentícia e a de dependente, quando se referirem à mesma pessoa, exceto na hipótese de mudança na relação de dependência no decorrer do anocalendário. Art. 50. Quando a fonte pagadora não for responsável pelo desconto da pensão, o valor mensal pago pode ser considerado para fins de determinação da base de cálculo sujeita ao imposto na fonte, desde que o alimentante forneça à fonte pagadora o comprovante do pagamento. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 7/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por PEDRO PAULO PER EIRA BARBOSA 4 § 1º O valor da pensão alimentícia não utilizado como dedução, no próprio mês de seu pagamento, pode ser deduzido nos meses subseqüentes. § 2º As despesas de educação e médicas dos alimentandos, quando pagas pelo alimentante em cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, são passíveis de dedução pelo alimentante na Declaração de Ajuste Anual, a título de despesa de instrução, observado o limite individual de R$ 1.700,00 (um mil e setecentos reais), e a título de despesa médica, conforme os arts. 37 e 38, respectivamente. No mesmo sentido é a Lei 9250/95, senão vejamos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; b) a pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de R$ 1.700,00 (um mil e setecentos reais); (omissis) § 3º As despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea b do inciso II deste artigo. Assim, acertado é o lançamento fiscal no que tange as despesas com instrução. No que tange as demais despesas, tais como assistência médica e moradia, razão assiste ao contribuinte. È que, como salientado anteriormente a lei tributária manda observar a legislação civil. E como bem lembra Pontes de Miranda, alimentos1 inclui tudo o que for necessário ao sustento, in verbis: “A palavra ‘alimento’ tem, em direito, acepção técnica. Na linguagem comum significa o que serve à subsistência animal; juridicamente, os ‘alimentos’ compreendem tudo o que for necessário ao sustento, à habitação, à roupa (Ordenações 1 Tratado de Direito Privado, Volume 9, página 253, Campinas: Bookseller, 2000. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 7/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por PEDRO PAULO PER EIRA BARBOSA Processo nº 10768.012943/9906 Acórdão n.º 2201001.539 S2C2T1 Fl. 248 5 Filipinas, Livro I, Título 88, § 15: ‘...o que lhes necessário for para seu mantimento, vestido e calçados e todo o mais’), ao tratamento de moléstias (coelho da Rocha, Direito Civil Português, I, 219) e, se o alimentário é menor, às despesas de criação e educação(Ordenações Filipinas, Livro I, Título 88, § 15: ‘E mandará ensinar a ler e escrever àqueles que forem para isso’).” Assim, entendo como legítimas a deduções de despesas com moradia, pensão em sentido estrito e assistência médica devidamente comprovadas nos autos Ante o exposto, voto no sentido de restabelecer os seguintes valores comprovados nos autos: Plano de Saúde— 1996 — R$ 1.554,12; — Aluguel/96 apto. 502 Visc.Pirajá. 169 Ipanema — R$ 9.676,97 e — Pensão R$ depósitos em Moeda —96 = R$ 112.614,79, tudo conforme documentos de fls., 71/116. É como voto. Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe Relator Fl. 266DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 7/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por PEDRO PAULO PER EIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 37166.001195/2007-15
Data da sessão: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 24/10/2006
RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA
FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA.
Os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e se destinam a esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, a fim de subsidiarem futuras ações executórias de cobrança. Esses relatórios não são suficientes para se
atribuir responsabilidade pessoal.
AUTO-DE-INFRAÇÃO. DEIXAR DE PRESTAR INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS. INFRAÇÃO.
Constitui infração deixar a empresa de prestar ao INSS todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo e os esclarecimentos necessários à fiscalização. Artigo 32, inciso III da Lei n° 8.212/91.
RELEVAÇÃO. REQUISITOS.
A multa somente será relevada se o infrator primário não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção da falta durante o prazo para impugnação, nos termos do artigo 291, § 1° do Regulamento da Previdência Social.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-000.162
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
1.0 = *:*
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/10/2006 RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. Os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e se destinam a esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, a fim de subsidiarem futuras ações executórias de cobrança. Esses relatórios não são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal. AUTO-DE-INFRAÇÃO. DEIXAR DE PRESTAR INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS. INFRAÇÃO. Constitui infração deixar a empresa de prestar ao INSS todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo e os esclarecimentos necessários à fiscalização. Artigo 32, inciso III da Lei n° 8.212/91. RELEVAÇÃO. REQUISITOS. A multa somente será relevada se o infrator primário não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção da falta durante o prazo para impugnação, nos termos do artigo 291, § 1° do Regulamento da Previdência Social. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-10-14T15:46:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-10-14T15:46:22Z; Last-Modified: 2009-10-14T15:46:23Z; dcterms:modified: 2009-10-14T15:46:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-10-14T15:46:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-10-14T15:46:23Z; meta:save-date: 2009-10-14T15:46:23Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-10-14T15:46:23Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-10-14T15:46:22Z; created: 2009-10-14T15:46:22Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2009-10-14T15:46:22Z; pdf:charsPerPage: 1496; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-10-14T15:46:22Z | Conteúdo => , , S2-C3T2 Fl. 106 t;-,, \ ,. . MINISTÉRIO DA FAZENDA \-N:' • . • .rw' 1. 1.'.' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 37166.001195/2007-15 Recurso n° 143.090 Voluntário Acórdão n° 2302-00.162 — 3a Câmara / 2' Turma Ordinária Sessão de 20 de agosto de 2009 Matéria Auto de Infração: Obrigações Acessórias em Geral Recorrente FARMA SERVICE DISTRIBUIDORA LTDA. Recorrida DRP/BRASÍLIA/DF ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/10/2006 RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA.• Os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e se destinam a esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, a fim de subsidiarem futuras ações executórias de cobrança. Esses relatórios não são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal. AUTO-DE-INFRAÇÃO. DEIXAR DE PRESTAR INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS. INFRAÇÃO. Constitui infração deixar a empresa de prestar ao INSS todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo e os esclarecimentos necessários à fiscalização. Artigo 32, inciso III da Lei n.° 8.212/91. RELEVAÇÃO. REQUISITOS. A multa somente será relevada se o infrator primário não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção da falta durante o prazo para impugnação, nos termos do artigo 291, § 1° do Regulamento da Previdência Social. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. /1 Processo n°37166.001195/2007-15 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.162 Fl. 107 ACORDAM os membros da 3' Câmara / 2a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. • LIÉGE L CROIX THOMASI Presidente e Relatora • • Participaram do julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior e Liége Lacroix Thomasi (Presidente). 2 Processo n°37166.001195/2007-15 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.162 Fl. 108 Relatório Trata o presente de auto de infração lavrado em desfavor do sujeito passivo por ter deixado de prestar as informações contábeis 'e financeiras do interesse da Secretaria da Receita Previdenciária, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, em especial não apresentou o contrato de prestação de serviço com empresa Incentive House S/A e seus aditivos; arquivos digitais de Fornecedores/Contas/Representantes a pagar, contendo a relação de notas fiscais ou faturas emitidas pela Incentive House e a relação discriminando os valores pagos por segurado e por competência relativos às notas fiscais/faturas emitidas pela incentive House a fim de se identificar os beneficiários do sistema de premiação. Os documentos foram formalmente solicitados através da emissão do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD de fls. 09. Após a apresentação da defesa, Decisão-Notificação de fls. 70/75, julgou a autuação procedente. Inconformado o contribuinte apresentou recurso tempestivo onde alega em síntese: a exclusão dos sócios como co-responsáveis; que apresentou os arquivos digitais solicitados, mas não localizou o contrato e que a não apresentação do mesmo se justifica por não ser documento obrigatório; que é impossível apresentar relação com discriminação de valores pagos por segurado e competência relativa às notas fiscais porque a gestão do programa de prêmios e bonificações foi realizada exclusivamente pela prestadora dos serviços de marketing e os beneficiários não são pessoas físicas e não são segurados obrigatórios da previdência social; que apresentou todos os documentos solicitados, mas mesmo assim o lançamento foi efetuado por arbitramento; que a multa deve ser relevada porque não houve omissão, ou no mínimo aplicada em seu valor mínimo porque a Portaria não pode alterar Decreto e o artigo 373 do RPS para ter eficácia exige a publicação de ato normativo de igual hierarquia. Requer a reforma da Decisão recorrida para que seja declarada a improcedência do auto de infração, com seu arquivamento, ou alternativamente, que seja relevada a multa ou aplicada na sua forma mais branda. É o relatório. yl 3 Processo n°37166.001195/2007-15 S2-C3 T2 Acórdão n.° 2302-00.162 Fl. 109 Voto Conselheira LIÉGE LACRODC THOMASI, Relatora Sendo tempestivo conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar Quanto à solicitada exclusão dos sócios gerentes, cabe esclarecer que a relação de co-responsáveis, anexada aos autos pela Fiscalização, não tem como escopo incluir os sócios da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas fisicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com o parágrafo 3' do artigo 4' da Lei n 2 6.830/80, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. A responsabilização dos sócios somente ocorrerá por ordem judicial, nas hipóteses previstas na lei e após o devido processo legal. A autuação foi efetuada somente contra a pessoa jurídica e, neste momento, os sócios não sofreram restrições em seus direitos. Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial, na hipótese dos responsáveis serem convocados, por decisão judicial, para satisfação do crédito. Ademais, os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação:5, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas fisicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativo-fiscais e esclarece: Art. 660. Constituem peças de instrucão do processo administrativo-fiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (.) X - Relação de Co-Responsáveis - CORESP, que lista todas as pessoas fisicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI - Relação de Vínculos - VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; k 4 Processo n°37166.001195/2007-15 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.162 Fl. 110 Do Mérito O processo em questão trata da lavratura de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, que vem definida em legislação. O auto de infração é o documento lavrado pelo auditor fiscal, para o fim específico de registrar a ocorrência de infração à legislação previdenciária, em descumprimento de uma obrigação acessória e constituir o crédito decorrente da multa aplicada. A atividade administrativa de lavratura de auto de infração é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional: Assim, ao constatar a ocorrência de uma infração o auditor fiscal deve, obrigatoriamente, porque a lei não lhe dá discricionariedade, lavrar o auto e aplicar a multa. No caso presente, foi lavrado o Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação acessória, pois conforme consta no Relatório Fiscal da Infração a recorrente deixou de apresentar documentos, já citados em parágrafos anteriores, que embora não seja de apresentação obrigatória como diz a recorrente acerca de contrato efetuado com empresa responsável por prêmios de incentivo, são necessários para uma eficaz ação fiscalizatória por parte da Seguridade Social. Os documentos foram devidamente solicitados através de termo próprio, fls. 09 e se mostravam indispensáveis à fiscalização, para a apuração das contribuições previdenci ári as. O artigo 32, inciso III da Lei n.° 8.212/91, diz expressamente que a empresa é obrigada a prestar ao INSS as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, assim como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Ainda, o artigo 8° da Lei n.° 10.666, de 08/05/2003, traz in verbis: Art. 8° A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. Também o artigo 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, dispõe: Art.225 A empresa é também obrigada a: (.) III- prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis do interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; §22 A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a lf 5 Processo n°37166.001195/2007-15 S2-C3 T2 Acórdão n.° 2302-00.162 Fl. 111 arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. Desta forma ao não apresentar os documentos solicitados que são de sua posse, guarda e responsabilidade dentro do período fiscalizado, a autuada infringiu o dispositivo legal acima referido, sendo inócua a alegação de que não os possui. Não procede a argüição da recorrente de que entregou todos os documentos solicitados, posto que no relatório fiscal da infração o auditor autuante diz que o arquivo digital fornecido não continha a relação das notas fiscais emitidas pela empresa Incentive House S/A, conforme foi verificado nos livros contábeis. A recorrente apenas alega, mas não faz prova de que entregou os documentos que motivaram a lavratura do AI. Ademais, embora não alegado, é de se ressalvar que mesmo após o entendimento do Supremo Tribunal Federal quanto à inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n.° 8.212/91, que tratava da decadência decenal e devendo agora serem obedecidos os parâmetros decadências qüinqüenais expostos no Código Tributário Nacional, a empresa teria a obrigação de guardar e apresentar os documentos solicitados em tal prazo. De acordo com o TIAD de fls. 09, os documentos foram solicitados para o período de 11/2000 a 12/2005, sendo ao auto de infração lavrado em 24/10/2006, com ciência pelo sujeito passivo em 01/11/2006, a empresa estava obrigada a fornecer os dados a partir da competência 12/2000, o que efetivamente não ocorreu. Relativamente à aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, me reporto ao preceito contido no artigo 92 da Lei n.° 8.212/91, de que infração a qualquer dispositivo daquela lei, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, sujeitará o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável conforme dispuser o regulamento. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, está contida no artigo 283, inciso II, letra "b", do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.° 8.212/91, está dentro dos pressupostos legais e constitucionais, não foi enquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa. O artigo 283, inciso II, especifica a multa a ser aplicada frente à conduta da autuada e o artigo 373, determina que os valores expressos em moeda corrente referidos no Regulamento serão reajustados nas mesmas épocas e nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Frente à disposição legal, a multa foi aplicada de acordo com os valores constantes da Portaria Ministerial n°. 342, de 16/08/2006, vigente à época da autuação e que reajustou o valor da multa prevista no artigo 283, do Regulamento da Previdência Social. . tf 6 .. Processo n° 37166.001195/2007-15 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.162 Fl. 112 , São inócuas as argüições de que a Portaria não pode alterar o Decreto, eis que tal fato não se configurou, o próprio Regulamento da Previdência Social estabelece através do artigo 373, que haverá correção dos valores expressos em moeda corrente que constarem de seu texto, não se tratando de alteração do decreto. É também improcedente a solicitação de relevação da multa aplicada pois não restou configurada a correção da falta, pressuposto contido no parágrafo primeiro do artigo 291, do citado Regulamento: Art. 291 Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. §1 0 A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que o infrator seja primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 20 de agosto de 2009 lea--1 .LIÉGE LAC OIXATHOMASI - Relatora • 7 •
score : 1.0
Numero do processo: 13888.003093/2006-31
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2001
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA DE MORA O art. 138 do CTN veicula norma de exclusão da responsabilidade tributária, sem criar qualquer distinção entre as multas de mora ou de ofício. Sendo assim, estando configurada a denúncia espontânea, é correta a exclusão da multa de mora. Recurso voluntário provido
Numero da decisão: 2202-001.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann - Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Matéria: DCTF_IRF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRF)
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2001 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA DE MORA O art. 138 do CTN veicula norma de exclusão da responsabilidade tributária, sem criar qualquer distinção entre as multas de mora ou de ofício. Sendo assim, estando configurada a denúncia espontânea, é correta a exclusão da multa de mora. Recurso voluntário provido
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ART. 138, CTN. MULTA DE MORA O art. 138 do CTN veicula norma de exclusão da responsabilidade tributária, sem criar qualquer distinção entre as multas de mora ou de ofício. Sendo assim, estando configurada a denúncia espontânea, é correta a exclusão da multa de mora. Recurso voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 30 93 /2 00 6- 31 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 2 Relatório 1 Auto de Infração O recorrente foi notificado do auto de infração em 1º/12/06 (fls. 1018), o qual tinha por objeto a exigência de multa de mora incidente sobre IRRF recolhido com atraso. O tributo foi declarado em DCTF em 19/06/02, e o principal foi recolhido em conjunto com juros de mora em 31/05/02. O crédito tributário, no montante de R$ 10.095,00, é relativo a retenções realizadas sobre o pagamento de juros sobre o capital próprio no ano calendário de 2001. 2 Impugnação O recorrente apresentou impugnação em 15/12/06, expondo os seguintes argumentos de defesa: a) faz jus à “denúncia espontânea”, pois recolheu o tributo antes do início do procedimento fiscal; b) nunca teve como objetivo evitar o pagamento do IRRF, tanto que declarou o débito e recolheu o tributo, ainda que em atraso; c) a denúncia espontânea abarca toda e qualquer multa, inclusive a de mora, conforme a jurisprudência dominante dos tribunais judiciais e administrativo; 3 Acórdão de Impugnação A 5ª Turma de DRJ/RPO acordou, por unanimidade, pelo não provimento da impugnação, a partir dos seguintes fundamentos: a) não há controvérsia acerca do fato de o tributo ter sido recolhido com atraso; b) só há denúncia espontânea quando a empresa traz algo novo que não estava registrado nos livros fiscais, pois o objetivo do instituto da denúncia espontânea é incentivar o reconhecimento de ilícito pelos contribuintes; e c) mesmo inexistente registro na DCTF, se os fatos estiverem presentes na escrituração contábil da empresa, não cabe denúncia espontânea, motivo pelo qual esta não se aplica ao presente caso. 4 Recurso Voluntário A notificação do resultado do julgamento foi recebida em 16/01/09, tendo o recorrente interposto recurso voluntário em 10/02/09, no qual repisa os argumentos da impugnação e acrescenta que: Fl. 100DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13888.003093/200631 Acórdão n.º 2202001.939 S2C2T2 Fl. 100 3 a) em caso análogo, o recorrente teve seu recurso provido por unanimidade no Conselho de Contribuintes, conforme documento juntado (fls. 7984); b) a empresa confessou voluntariamente o débito e o pagou com os juros devidos, sem que houvesse prejuízo algum ao fisco; c) informa, ainda, que efetuou o depósito do valor da multa (fl. 91), para que, na eventualidade de o recurso voluntário ser julgado improcedente, o recorrente faça jus à redução da multa. É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 4 Voto Conselheiro Relator Rafael Pandolfo O presente recurso atende aos requisitos legais de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Ainda antes de analisar a matéria de fundo, devese esclarecer que a matéria controvertida no presente processo está adstrita à amplitude das consequências jurídicas contidas no art. 138 do CTN, restando incontroversa a existência da situação que configura o pressuposto fático desse enunciado prescritivo. Após amplo debate doutrinário e jurisprudencial, consolidouse no STJ o entendimento de que o art. 138, do CTN, não cria distinção alguma entre multa moratória e multa de ofício, motivo pelo qual, estando configurada a denúncia espontânea, restam excluídas todas as multas. A ementa abaixo reproduzida (REsp 1.149.022) retrata esse contexto: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ. Primeira Sessão. REsp 1.149.022. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. julg. 09 de jun. de 2010) O supracitado REsp foi julgado sob o regime do art. 543C do CPC, ao qual esta Corte está vinculada por força do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho. Sendo assim, deverá ser excluída a multa moratória, com a consequente desconstituição do auto de infração. Com base no acima exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 102DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13888.003093/200631 Acórdão n.º 2202001.939 S2C2T2 Fl. 101 5 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 15374.001375/2001-13
Data da sessão: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CARTÃO MAGNÉTICO. COMPOSIÇÃO GRÁFICA.
A confecção de cartões de plástico com tarja magnética, comumente
denominados "cartões magnéticos", vendidos a clientes finais consiste na prestação de um serviço de composição gráfica e não se enquadra na hipótese de incidência do IPI.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: CSRF/02-03.490
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Antonio Carlos Atulim, Gileno Gurjão Barreto e Gilson Macedo Rosenburg Filho que deram provimento ao recurso.
Nome do relator: Josefa Maria Coelho Marques
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COMPOSIÇÃO GRÁFICA. A confecção de cartões de plástico com tarja magnética, comumente denominados "cartões magnéticos", vendidos a clientes finais consiste na prestação de um serviço de composição gráfica e não se enquadra na hipótese de incidência do IPI. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Antonio Carlos Atulim, Gileno Gurjão Barreto e Gilson Macedo Rosenburg Filho que deram provimento ao recurso. fi ‘g ' ' i ' L ' I/Antonio Jo' é Pr _a de Souza - Presidente . n J' i i, _ .)eilL4,,,(,eci,L1.1 uvAxyw-vg(t/cezà... .osefa Maria Coelho Marques - Relatora t! , il/ , 1 Editado em: 17/06/2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Praga (Presidente da CSRF), Antonio Carlos Guidoni Filho (substituto do vice-presidente da CSRF), Josefa Maria Coelho Marques, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martínez Lopez, Antonio Carlos Atulim, Gileno Gurjão Barreto, Júlio César Vieira Gomes, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado). Relatório Trata-se de recurso de divergência da Fazenda Nacional (fls. 129 a 134) apresentado em 11 de abril de 2005 contra o Acórdão n° 202-15.596 (fls. 122 a 127), da 2a Câmara do 2° Conselho de Contribuintes, que deu provimento ao recurso voluntário da interessada no processo nos seguintes termos: IPI INCIDÊNCIA. SERVIÇO DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA. Estando a operação incluída na Lista de Serviços anexa ao Decreto-Lei n°406/68, sobre ela ocorre a incidência, apenas, do ISS, com exclusão, pois, do IPI. Recurso ao qual se dá provimento. A exigência refere-se ao IPI do ano de 1997 incidente sobre bobinas de papéis impressas personalizadas. Na impugnação, alegando tratar-se de prestação de serviços de terceiros, a interessada juntou amostras dos produtos ao processo (fls. 60 a 65). O acórdão recorrido considerou que, com "a circunstância de se tratar de serviço personalizado, para o Direito Civil nasce a chamada obrigação de fazer, e não de dar, como se mera compra e venda fosse". Aplicou a disposição do art.1° do Decreto-lei n.406, dei 968, considerando que o serviço constaria do item 77 da lista de serviços, nos termos das Súmulas n. 143 do extinto TFR e n. 156 do Superior Tribunal de Justiça. A recorrente alegou, no recurso, haver divergência quanto à matéria e ter sido a decisão proferida contrariamente ao art. 46, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (Lei n. 5.172, de 1966). Reproduziu parte do acórdão de primeira instância, no que disse respeito à análise da diferença entre serviço de composição gráfica e atividade de produção de bobinas por encomenda. A atividade de composição gráfica seria artística e relativa à parte tipográfica de um dispositivo, enquanto que a produção de bobinas diria respeito a produção de um objeto. _ Ademais, a interessada, "após adquirir o papel já industrializado, em bobinas, e efetuar o seu corte na largura e comprimentos desejados, imprime as características gráficas 2 Processo n° 15374.001375/2001-13 CSRF-T2 Acórdão n.° 02-03.490 Fl. 185 particulares solicitadas por seus encomendantes, e, depois, efetua a sua rebobinagem [...]", o que representaria três etapas diferentes de industrialização. Dessa forma, não se aplicariam ao caso os fundamentos do acórdão recorrido. O despacho de fls. 141 e 142 admitiu o seguimento do recurso. Em suas contra-razões (fls. 155 a 163), a interessada reafirmou os termos do acórdão recorrido, afirmando tratar-se de atividade sujeita ao ISS. Transcreveu ementas de acórdãos do Superior Tribunal de Justiça e do 2° Conselho de Contribuintes que trataram da matéria. É o relatório. Voto Conselheira Josefa Maria Coelho Marques, Relatora O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendo-se tomar conhecimento. Não só no acórdão recorrido, como também no Acórdão n. 201-80.210, também da Primeira Câmara, acompanhei o entendimento de que, tratando-se de serviços e ainda mais sujeitos ao IS S, descabe a incidência do IPI. As questões levantadas pela recorrente são irrelevantes para o caso, uma vez que não se trata de encomendas de contribuintes de IPI. Nesse contexto, adoto os demais fundamentos do Acórdão n. 201-80.210, de relatoria do Conselheiro Mauricio Taveira e Silva, que reproduzo abaixo: Sobre o tema em relevo oportuno apresentar as considerações do ilustre autor Hélio Barthem Neto in "LC 116/03 - Conflitos de Incidência entre o ISS e o IPL" RDDT 123/31, dez/05, apud "Direito Tributário Constituição e Código Tributário à luz da Doutrina e da Jurisprudência", 8" edição, Ed. Livraria do Advogado, Porto Alegre, 2006, p. 877/878: "... durante a vigência do DL 406/68, referidos conflitos de incidência eram dirimidos por meio de ressalvas constantes da lista que definia os serviços tributáveis pelo ISS, bem como em razão da norma contida no § 1 0, do art. 8°, daquele diploma; ; com a edição da LC 116/03, as ressalvas acerca da incidência do ISS, constantes de alguns dos itens da lista de serviços, deixaram de existir. Outrossim, o § 1°, do art. 8°, do DL 406/68, foi revogado, o que supostamente teria viabilizado a incidência concomitante do ISS e do IPI sobre prestações de serviços e operações com produtos industrializados; esse raciocínio, entretanto, não é válido, tendo em vista que as normas constitucionais relativas à repartição de competências impedem que o mesmo pressuposto de incidência ... seja onerado por mais de uma pessoa política, eis que a competência r 3 tributária é conferida com exclusividade a cada uma dessas pessoas; ... a incidência do ISS e do IPI ... continua a observar as seguintes regras: estando inserida no ciclo de produção de -um bem, a atividade será considerada industrialização, cujo resultado é um produto industrializado tributável pelo IPI, objeto de um negócio jurídico; nas hipótese em que tais atividades forem exercidas de forma personalizada, sob encomenda ou para atender às necessidades de usuário final, tratar-se-á de prestação de serviço, tributável apenas pelo ISS." Corroborando esse entendimento, o extinto o Tribunal Federal de Recursos editou a Súmula no 143, em 08/11/1983, que abaixo se transcreve: "Os serviços de composição e impressão gráficas, personalizados, previstos no artigo 8°, par. 1°, do Decreto-Lei n° 406, ele 1968, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n° 834, de 1969, estão sujeitos apenas ao ISS, não incidindo o IPI." No mesmo diapasão se manifestou o Superior Tribunal de Justiça, por meio da Súmula no 156, verbis: "A prestação de serviços de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita apenas ao ISS." Ademais, nesse sentido tem decidido tanto este Conselho quanto os tribunais, conforme demonstram as ementas abaixo colacionadas: "IPL INCIDÊNCIA DE IMPOSTO. SERVIÇO DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA. A elaboração dos cartões com as características requeridas pelo destinatário, que é aquele que encomenda o serviço, tais como a logomarca, a cor, eventuais dados e símbolos, indica de pronto a prestação de um serviço de composição gráfica, enquadrado no item 77 da Lista de Serviços anexa ao Decreto-Lei n° 406/68. Considerada a circunstância de se tratar de serviço personalizado, destinados os cartões, de pronto, ao consumidor final, que neles inserirá os dados pertinentes e não raro sigilosos, conclui-se que a atividade não é fato gerador do IPI. Recurso provido." (Acórdão no 201-78.520; Recurso no 110.313; Relator Gustavo Vieira de Melo Monteiro; Data da Sessão: 06/07/2005). "IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO DE ADESIVOS POR ENCOMENDA. Os serviços gráficos personalizados, ainda quando envolvam o fornecimento de mercadorias, ficam sujeitos apenas ao ISS, não incidindo o IP!. In casu a atividade de elaboração de películas adesivas sob encomenda desenvolvida pela Recorrente não se enquadra na hipótese de incidência do IPI, posto que é nítida a prestação de serviço. Recurso provido." (Acórdão no 202-15.523; Recurso no 119.196; Relator Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowski; Data da Sessão: 13/04/2004). "IPI. SERVIÇOS DE ARTES GRÁFICAS PERSONALIZADOS E POR ENCOMENDA. Os serviços gráficos personalizados, ainda quando envolvam o fornecimento de mercadorias, ficam sujeitos apenas ao ISS, não incidindo o IPI. In casu a atividade de elaboração de películas adesivas sob encomenda desenvolvida 4 Processo n° 15374.001375/2001-13 CSRF-T2- Acórdão n.° 02-03.490 Fl. 186 pela Recorrente não se enquadra na hipótese de incidência do IPI, posto que é nítida a prestação de serviço. Recurso provido." (Acórdão no 202-15.600; Recurso no 125.614; Relatora Nayra Bastos Manatta; Data da Sessão: 12/05/2004). Pela semelhança ao presente caso, apropriada a transcrição da ementa do Egrégio TRF da 4" Região: "TRIBUTÁRIO. SERVIÇOS GRÁFICOS. ISS. IPI. DEL 406/68, ART. 8°, PAR 1°. SÚMULA 156 DO STJ. Os serviços gráficos personalizados, ainda quando envolvam o fornecimento de mercadorias, ficam sujeitos apenas ao ISS, não incidindo o IPI. In casu a atividade de elaboração de cartões de PVC sob encomenda desenvolvida pela autora não se enquadra na hipótese de incidência do IPI, posto que é nítida prestação de serviço." (TRF - 4a Região, la Turma, Remessa ex-officio no 199970000331877/PR, rel. Desembargadora Federal Maria Lúcia Luz Leiria, unânime, DJU de 24/09/2003, p. 370). Por fim, cabe trazer à colação a elucidativa ementa do acórdão prolatado pela Segunda Turma do STJ, no REsp no 437.324/RS, publicado no DJ de 22/09/2003, p. 235, cuja relatoria coube ao ilustre Ministro Franciulli Netto, concluindo que a atividade de confeccionar cartões magnéticos e de crédito não é fato gerador de IPI: "RECURSO ESPECIAL - ALÍNEAS 'A' E 'C' - TRIBUTÁRIO - MANDADO DE SEGURANÇA - PRELIMINAR DE PERDA DE OBJETO DA IMPETRAÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DE OFÍCIO DA QUESTÃO - CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS E DE CRÉDITO - SERVIÇO DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA SUJEITO UNICAMENTE AO ISS - VIOLAÇÃO AO DISPOSTO NO § 1° DO ARTIGO 8° DO DECRETO-LEI N. 406/68 - SÚMULA No 156 DO STJ. Cumpre a este Sodalício examinar eventual afronta a • dispositivos de lei federal, nos termos da letra 'a' do permissivo constitucional, ou, pela letra 'c', sanar possível dissenso pretoriano acerca de determinada questão. Assim, não prevalece o entendimento sustentado pela recorrente no sentido de que deve o Superior Tribunal de Justiça reconhecer de oficio a extinção do mandado de segurança preventivo. Embora pre questionada a questão da perda de objeto da impetração, que entendeu a Corte de origem não existir, - pretendeu a recorrente, quanto a esse ponto, configurar o dissenso pretoriano com julgados deste Sodalício sem, contudo, realizar o indispensável cotejo analítico, vindo em desacordo com o estabelecido nos arts. 541, do CPC e 255, §§ 1° e 2°, do RISTJ. A elaboração dos cartões com as características requeridas pelo destinatário, que é aquele que encomenda o serviço, tais como a logomarca, a cor, eventuais dados e símbolos, indica de pronto a , , 5 prestação de um serviço de composição gráfica, enquadrado no item 77 da Lista de Serviços anexa ao Decreto-lei no 406/68. Há, portanto, nítida violação ao disposto no 55' 1° do artigo 8° do Decreto-Lei n. 406/68, uma vez que a hipótese dos autos configura prestação de serviços de composição gráfica personalizados, sujeitos apenas à incidência do ISS (Súmulas nos 156/STJ e 143 do extinto TFR). Considerada a circunstância de se tratar de serviço personalizado, destinados os cartões, de pronto, ao consumidor final, que neles inserirá os dados pertinentes e não raro sigilosos, conclui-se que a atividade não é fato gerador do Tanto isso é exato que, se forem embaralhadas as entregas, com a troca de destinatários, um estabelecimento não poderá servir- se da encomenda de outro, que veio ter a suas mãos por mero acaso ou acidente de percurso. Dissídio jurisprudencial configurado quanto ao mérito. Recurso especial provido." Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso. .Q1(0e0-1 atb, _ , io s e fa aria Coelho Marques 6
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Numero do processo: 10840.002372/2003-93
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1997 a 03/04/2003
IPI - NÃO CUMULATIVIDADE - SALDOS CREDORES - DIREITO AO RESSARCIMENTO NÃO RECONHECIDO EM PROCESSO ANTECEDENTE - COMPENSAÇÃO - IMPOSSIBILIDADE.
Ante a inexistência, iliquidez e incerteza do valor do suposto crédito ressarciendo de IPI, já proclamada por decisão no processo administrativo de ressarcimento, inexiste o direito à sua compensação com débitos (vencidos ou vincendos), donde decorre que estes últimos devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9430/96 (na redação dada pela Lei nº 10.833/03).
Numero da decisão: 3402-001.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negou-se provimento ao recurso. Fez sustentação oral Drª. Paula Beatriz Loureiro Pires OAB 207573.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 03/04/2003 IPI - NÃO CUMULATIVIDADE - SALDOS CREDORES - DIREITO AO RESSARCIMENTO NÃO RECONHECIDO EM PROCESSO ANTECEDENTE - COMPENSAÇÃO - IMPOSSIBILIDADE. Ante a inexistência, iliquidez e incerteza do valor do suposto crédito ressarciendo de IPI, já proclamada por decisão no processo administrativo de ressarcimento, inexiste o direito à sua compensação com débitos (vencidos ou vincendos), donde decorre que estes últimos devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9430/96 (na redação dada pela Lei nº 10.833/03).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negou-se provimento ao recurso. Fez sustentação oral Drª. Paula Beatriz Loureiro Pires OAB 207573. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1970; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.002372/200393 Recurso nº 129.279 Voluntário Acórdão nº 3402001.951 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2012 Matéria IPI COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO DECADÊNCIA Recorrente AÇUCAREIRA BORTOLO CAROLO S/A Recorrida DRJ RIBEIRÃO PRETO SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 03/04/2003 IPI NÃO CUMULATIVIDADE SALDOS CREDORES DIREITO AO RESSARCIMENTO NÃO RECONHECIDO EM PROCESSO ANTECEDENTE COMPENSAÇÃO IMPOSSIBILIDADE. Ante a inexistência, iliquidez e incerteza do valor do suposto crédito ressarciendo de IPI, já proclamada por decisão no processo administrativo de ressarcimento, inexiste o direito à sua compensação com débitos (vencidos ou vincendos), donde decorre que estes últimos devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9430/96 (na redação dada pela Lei nº 10.833/03). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negouse provimento ao recurso. Fez sustentação oral Drª. Paula Beatriz Loureiro Pires OAB 207573. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Silvia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 23 72 /2 00 3- 93 Fl. 534DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 03/01/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 110/147) contra o v. Acórdão nº 5.456 de 28/04/04 constante de fls. 81/101 exarado pela 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto SP que, por unanimidade de votos, houve por bem “indeferir a solicitação” contida na manifestação de inconformidade de fls. 39/71, mantendo o Despacho Decisório da SAORT da DRF de Ribeirão Preto e respectivo Parecer (fls. 28/29), que indeferiu e deixou de homologar a Declaração de Compensação de créditos do IPI, cujo ressarcimento fora pleiteado por meio do processo administrativo n° 10840.002284/200391, no valor total de R$ 77.058.869,40, com débitos vencidos de IPI que no presente processo perfazem R$ 13.721.045,23, referentes aos períodos de apuração 1/01/1997 a 3/04/2003, nos termos da IN/SRF n° 210, de 30/09/02 (arts. 21 a 23). O r. Despacho Decisório da SAORT da DRF de Ribeirão Preto e respectivo Parecer (fls. 28/29), que indeferiu e deixou de homologar a Declaração de Compensação de créditos do IPI, aos fundamentos de que: “Trata o presente processo de Declarações de Compensação apresentadas em 04/07/2003 pela empresa acima identificada, mediante a utilização do formulário previsto na IN SRF nº. 210, de 30/09/2002 . No quadro 3 dos formulários de fls. 01/22 , a empresa informa como origem do crédito, o processo de restituição/ressarcimento nº. 10840.002284/200391 . É o relatório. A princípio, é de se ressaltar que a compensação de tributos e contribuições foi alterada a partir da edição da Medida Provisória nº. 66 de 29/08/2002 . Nos termos do artigo 49 do referido diploma legal, que altera o artigo 74 da Lei 9.430/96, a compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação . Ocorre que a compensação ora declarada, decorre de crédito postulado através de outro processo administrativo – o de nº. 10840.002284/200391 . Naquele processo administrativo, o contribuinte pleiteava o ressarcimento de valores, que alegava tratarse de créditos de IPI de insumos, fundamentando o pedido nos "artigos 155, parágrafo 2°, I , da CF ; artigo 73 e 74 da Lei nº. 9.430 e artigo 11 da Lei nr. 9779/99" . Contudo, verificase que tal processo administrativo já foi objeto de apreciação, não tendo ocorrido o reconhecimento de qualquer direito creditório do sujeito passivo, pelas razões expostas na decisão ali proferida . Inexiste, portanto, até a presente data, qualquer crédito decorrente do processo referido, a ser compensado . Fl. 535DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 03/01/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.002372/200393 Acórdão n.º 3402001.951 S3C4T2 Fl. 3 3 Nestes termos, proponho a não homologação das declarações de compensação apresentadas no presente processo . À consideração superior . José Evaldo Antunes de Miranda AFRF – Matr. 19.984 (...) DESPACHO DECISÓRIO Assunto : Compensação A compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação . Conforme Parecer de fls. 28 , que aprovo, bem como da legislação pertinente à espécie, deixo de homologar as Declarações de Compensação apresentadas no presente processo. Dêse ciência do presente Despacho Decisório e Parecer de fls. 28 à interessada, e demais providências cabíveis conforme determina a Instrução Normativa SRF nr. 210, de 30/09/2002 , com as alterações da IN SRF nr. 323/2003.” Por seu turno a r. decisão de fls. 81/101 da 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto SP, houve por bem “indeferir a solicitação” contida na manifestação de inconformidade de fls. 39/71, mantendo o Despacho Decisório da SAORT da DRF de Ribeirão Preto e respectivo Parecer (fls. 28/29), aos fundamentos sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DE IPI COM DÉBITOS DO MESMO TRIBUTO. ADMISSIBILIDADE. É incabível a homologação da compensação, instituto jurídico idôneo a extinguir o crédito tributário sob condição resolutória da referida atividade, se o direito creditório reclamado não for admitido à luz da legislação tributária. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: NULIDADE.CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Ainda que haja omissão no ato administrativo de intimação para cobrança de débitos concernentes a compensações não homologadas, quanto à possibilidade de o sujeito passivo Fl. 536DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 03/01/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 apresentar contestação, a recepção da manifestação de inconformidade pelo órgão competente com o pleno exercício do direito de defesa supre a falta que poderia dar azo à nulidade que, todavia, afetaria apenas a inscrição dos débitos na Dívida Ativa da União e a conseqüente execução fiscal. Solicitação Indeferida” Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 110/147) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta que a reforma da r. decisão recorrida e a legitimidade do crédito ressarciendo, tendo em vista: a) preliminarmente o cerceamento de defesa pela suposta nulidade da notificação antes do exaurimento das instancias administrativas de discussão do crédito; b) a legitimidade dos créditos e do pedido de ressarcimento eis que ao assegurar o aproveitamento do crédito na entrada de insumos tributados à alíquota zero, não tributados ou isentos, está se aplicando, da melhor forma possível, o princípio da não cumulatividade, tributandose apenas o que for agregado ao novo produto, tal como proclamado nos v. arestos que cita; c) a incidência da Taxa SELIC sobre o valor ressarciendo. Submetido o processo a Julgamento, esta C. 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF em sessão de 29/09/10, acolhendo voto da ínclita Cons. Silvia de Brito Oliveira, através da Resolução nº 340200.098 (fls. 1289/1290), por maioria de votos (vencidos os Cons. Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça, Relator, e Paulo Sérgio Celani, Suplente), houve por bem “converter o julgamento em diligência”, “para que a unidade de origem providencie a anexação da decisão final administrativa relativa ao processon°10840.002284/200391. No cumprimento da diligência determinada, através de r. despacho a SEORT de DRF de Ribeirão Preto – SP, fez juntar aos autos o v. Acórdão nº 127.336 (Rec. nº 201 78.486) exarado em 15/06/05 pela C. 1ª Câm. do antigo 2º CC no Proc. nº 10840.002284/2003 91 que tramitou em nome da Recorrente, e cuja ementa é a seguinte: “IPI. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DECADÊNCIA. Decai o direito de creditarse do IPI referente à aquisição de produtos após decorridos 05 (cinco) anos da data de sua aquisição. CRÉDITOS RELATIVOS ÀS AQUISIÇÕES DE INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS E TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. O princípio da nãocumulatividade do IPI operase pelo aproveitamento do montante pago na operação anterior. Descabido, portanto, o crédito de IPI na aquisição de insumos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero. CRÉDITOS RELATIVOS À AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS APLICADOS EM PRODUTOS N/T. À míngua de previsão legal, não é possível creditarse do IPI de produtos adquiridos aplicados em produtos saídos sob a rubrica N/T. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por AÇUCAREIRA BORTOLO CAROLO S/A. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 03/01/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.002372/200393 Acórdão n.º 3402001.951 S3C4T2 Fl. 4 5 ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em negar provimento ao recurso nos seguintes termos: I) por unanimidade de votos, para reconhecer a decadência dos créditos relativos às entradas até 27/06/98 e quanto aos créditos de insumos tributados aplicados em produto não tributado (Nfr); e II) pelo voto de qualidade, quanto aos créditos relativos aos insumos isentos e não tributados (N/T) aplicados em produto tributado. Vencidos os Conselheiros Rogério Gustavo Dreyer (Relator), Antonio Mario de Abreu Pinto, Cláudia de Souza Arzua (Suplente) e Gustavo Vieira de Melo Monteiro. Designado o Conselheiro Maurício Taveira e Silva para redigir o voto vencedor nesta parte. Sala das Sessões, em 15 de junho de 2005” É o Relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade mas, no mérito não merece provimento. Inicialmente afasto a preliminar de cerceamento de defesa, pela suposta nulidade da notificação para pagamento dos débitos compensados antes do exaurimento das instancias administrativas de discussão do crédito, bem afastada pela r. decisão recorrida cujos fundamentos incorporo, não só porque as razões da manifestação de inconformidade foram analisadas e consideradas na decisão administrativa, mas porque, tratandose de processos administrativos distintos (ressarcimento e compensação) embora conseqüentes, a interposição de manifestação de inconformidade no processo de compensação suspende a exigibilidade do crédito tributário compensando até final decisão (art. 74 da Lei nº 9.430/96, na redação lhe foi dada pela Lei nº 10.833/2003, c/c o art. 151, III, do CTN), não havendo qualquer prejuízo para a defesa, vez que antes da decisão final do processo de compensação, não há como se cogitar de retardamento culposo ou de incidência de multa punitiva, enquanto regularmente suspensa a exigibilidade do crédito compensando. Se não bastasse, no caso concreto do resultado da diligência verificase que a decisão definitiva do processo que denegou ressarcimento foi proferida muito antes do julgamento do presente recurso. Quanto ao mérito, melhor sorte não está reservada ao apelo recursal. Realmente, já assentou o E. STJ que “só pode haver compensação se o crédito do contribuinte for líquido e certo, isto é, determinado em sua quantia” sendo que “só após esse estado de liquidez e certeza é que o contribuinte pode fazer o lançamento, efetuando a operação de compensação, sujeita a homologação pelo Fisco”, ou seja, “a liquidez e certeza só podem ser apuradas mediante operação que demanda provas e contas” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no REsp. nº 100.523, Reg. 96/00427453, em sessão de 07/11/96, Rel. Min. José Fl. 538DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 03/01/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 Delgado, publ. in DJU de 09/12/96), obviamente só apuráveis após o trânsito em julgado, através da liquidação da decisão (administrativa ou judicial) que reconhece o direito à repetição do indébito tributário. No caso concreto, verificase que o motivo determinante do indeferimento da compensação ora pleiteada, invocado pelo r. Despacho Decisório da SAORT da DRF de Ribeirão Preto e respectivo Parecer (fls. 28/29), foi a inexistência de suposto crédito de IPI a ser ressarcido, já proclamada em decisão exarada em outro processo administrativo (Proc. nº 10840.002284/200391) que indeferiu o ressarcimento do crédito de IPI, aos fundamentos sintetizados na ementa do Acórdão nº 5.455 de 28/04/04, da mesma DRJ de Ribeirão Preto (transcrito pela r. decisão ora recorrida): "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: CRÉDITOS DE INSUMOS TRIBUTADOS. RESSARCIMENTO. ADMISSIBILIDADE. Até 31 de dezembro de 1998, somente os créditos do imposto com manutenção e utilização assegurados por lei, como os créditos incentivados, relativos a insumos tributados (na acepção restrita dada pela legislação tributária) empregados em produtos ao abrigo de estímulo fiscal, faziam jus ao ressarcimento em espécie ou com a cumulação de pedido de compensação, respeitado o requisito normativo do critério de rateio para a apuração dos créditos referentes a insumos com destinação comum no processo produtivo, sendo os créditos básicos mantidos na escrita fiscal para compensação com débitos do imposto; a partir de 1999, exceto no que se refere a créditos atrelados a insumos destinados a produtos não tributados, que devem ser estornados, todos os créditos, básicos ou incentivados, alusivos a insumos tributados (onerados pelo imposto), são passíveis de ressarcimento / compensação ao cabo do trimestrecalendário. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa é incompetente para se manifestar acerca de suscitada inconstitucionalidade de atos normativos regularmente editados. CRÉDITOS. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA UFIR. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela conversão em Ufir e a incidência da taxa Selic sobre os montantes pleiteados. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Fl. 539DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 03/01/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.002372/200393 Acórdão n.º 3402001.951 S3C4T2 Fl. 5 7 Anocalendário: 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: DÍVIDA PASSIVA DA UNIÃO. DECADÊNCIA. O prazo decadencial qüinqüenal é aplicável aos pleitos administrativos referentes a créditos do imposto, conforme a legislação tributária. Solicitação Indeferida Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo, acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e do voto que integram este acórdão, INDEFERIR a solicitação no valor de RS 77.058.869,40.” Da diligência determinada por esta Câmara verificase que a r. decisão denegatória do crédito foi mantida através de decisão definitiva da instância administrativa (cf. Acórdão nº 127.336 C. 1ª Câm. do antigo 2º CC, Rec. nº 20178.486, Proc. nº 10840.002284/200391, em sessão de 15/06/05, Rel. Cons. Maurício Taveira e Silva) cuja ementa é a seguinte: “IPI. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DECADÊNCIA. Decai o direito de creditarse do IPI referente à aquisição de produtos após decorridos 05 (cinco) anos da data de sua aquisição. CRÉDITOS RELATIVOS ÀS AQUISIÇÕES DE INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS E TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. O princípio da nãocumulatividade do IPI operase pelo aproveitamento do montante pago na operação anterior. Descabido, portanto, o crédito de IPI na aquisição de insumos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero. CRÉDITOS RELATIVOS À AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS APLICADOS EM PRODUTOS N/T. À míngua de previsão legal, não é possível creditarse do IPI de produtos adquiridos aplicados em produtos saídos sob a rubrica N/T. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por AÇUCAREIRA BORTOLO CAROLO S/A. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em negar provimento ao recurso nos seguintes termos: I) por unanimidade de votos, para reconhecer a decadência dos créditos relativos às entradas até 27/06/98 e quanto aos créditos de insumos tributados aplicados em produto não tributado (Nfr); e II) pelo voto de qualidade, quanto aos créditos relativos aos insumos isentos e não tributados (N/T) Fl. 540DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 03/01/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 8 aplicados em produto tributado. Vencidos os Conselheiros Rogério Gustavo Dreyer (Relator), Antonio Mario de Abreu Pinto, Cláudia de Souza Arzua (Suplente) e Gustavo Vieira de Melo Monteiro. Designado o Conselheiro Maurício Taveira e Silva para redigir o voto vencedor nesta parte. Sala das Sessões, em 15 de junho de 2005” Ante a inexistência, e portanto, iliquidez e incerteza do valor do suposto crédito ressarciendo de IPI, já proclamada por decisão no processo administrativo nº 10840.002284/200391, é evidente que inexiste o direito à sua compensação com débitos (vencidos ou vincendos), donde decorre que estes débitos devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9430/96 (na redação dada pela Lei nº 10.833/03) Não se justifica, assim a reforma da r. decisão recorrida que deve ser mantida por seus próprios e jurídicos fundamentos, considerandose ainda que tanto na fase instrutória, como na fase recursal, a ora a Recorrente não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar a motivação invocada pela d. Fiscalização, para o indeferimento do ressarcimento. Considerando a inexistência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública, os débitos eventual e indevidamente compensados, devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (redação da Lei nº 10.833, de 2003). Isto posto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter a r. decisão recorrida por seus próprios e jurídicos fundamentos. É o meu voto. Sala das Sessões, em 27 de novembro de 2012. FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 541DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 03/01/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 14485.000788/2007-48
Data da sessão: Wed Dec 02 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Dec 02 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 08/12/2006
GFIP EM DESCONFORMIDADE COM MANUAL DE ORIENTAÇÃO.
INFRAÇÃO.
Constitui infração a empresa apresentar GFIP em desconformidade com o respectivo Manual de Orientação.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2402-000.375
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/12/2006 GFIP EM DESCONFORMIDADE COM MANUAL DE ORIENTAÇÃO. INFRAÇÃO. Constitui infração a empresa apresentar GFIP em desconformidade com o respectivo Manual de Orientação. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁR1A - SRP ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/12/2006 GFIP EM DESCONFORMIDADE COM MANUAL DE ORIENTAÇÃO. INFRAÇÃO. Constitui infração a empresa apresentar GFIP em desconformidade com o respectivo Manual de Orientação. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4" Câmara / 28 Tuima Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Ir' Ofirr ARC LO OLIVEIRA Presidente e Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado, Marcelo Freitas de Souza Costa (Convocado) e Núbia Moreira Barros Mazza (Suplente). Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciaria (DRP), São Paulo / Sul, fls. 040 a 047, que julgou procedente a autuação motivada por descumprimento de obrigação tributária legal acessória, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 007, a autuação refere-se a recorrente ter apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) em desconformidade com seu respectivo manual de orientação. Os motivos que ensejaram a autuação estão descritos no RF e nos demais anexos da autuação. Em 08/12/2006 foi dada ciência à recorrente da autuação, fls. 001. Contra a autuação, a recorrente apresentou impugnação, fls. 023 a 027, acompanhada de anexos. A Delegacia analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 053 a 057, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: A recorrente foi autuada por mero descumprimento de dever instrumental, que nenhum prejuízo causou ao Erário; O Fisco não pode autuar a recorrente, pois o valor devido foi recolhido; A manutenção da multa magoa o Principio do "não-confisco"; Diante do exposto, requer a admissão do recurso e a declaração de improcedência da autuação. Posteriormente, os autos foram enviados a.o Conselho, para análise e decisão, fls. 061. É o relatório. 2 Processo n° 14485.00078812007-48 52-C4T2 Acórdão n.° 2402-00375 Fl. 63 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR Preliminarmente a recorrente afirma que a manutenção da multa magoa o Principio do "não-confisco", configurando, assim, descumprimento da Constituição Federal de 1988. Esclarecemos à recorrente que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Poder Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III, do Titulo IV, da Constituição Federal, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observa-se que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercê-la, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos eolegiados administrativos o reconhecimento da constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vicio de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in "Mandado de Segurança em Matéria Tributária", Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: "Á conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro -vigente,- portanto ,= há- de-ser-no -sentido - de=que7t, mánvidade_administrativa não pode-deixa, de aplicar urna lei por considerá-la inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional." Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poder-se-ia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciar-se em sentido inverso. 3 Por essa razão é que através de Súmula os Conselhos de Contribuintes se auto-impuseram regra proibitiva nesse sentido: Súmula 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DQUdC 26'09/1007. "O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária" Portanto, não há razão no argumento. Por todo o exposto, rejeito as preliminares e passo ao exame do mérito. DO MÉRITO Quanto ao mérito, cumpre ressaltar que, em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte e o Fisco, o Código Tributário Nacional, em seu art. 113, abaixo transcrito, prevê duas espécies de obrigações tributárias: uma denominada principal, outra denominada acessória. 'Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2° A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos § 3' A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniário A obrigação principal consiste no dever de pagar tributo ou penalidade pecuniária e surge com a ocorrência do fato gerador. Trata-se de uma obrigação de dar, consistente na entrega de dinheiro ao Fisco. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). A obrigação tributária principal decorre da lei, ao passo que a obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária. O descumprimento da obrigação tributária principal (obrigação de dar/pagar) obriga o Fisco a constituir o crédito tributário por meio de Notificação Fiscal de Lançamento de débito. iff\L Desctunprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder e o dever de lavrar o Auto-de-Infração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma converte-se em obrigação principal, na forma do § 3 0 do art. 113 do CTN. 4 Processo rd 14485.000788/200748 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.375 Fl. 64 Portanto, o Fisco possui o dever, sob pena de responsabilidade funcional, de lavrar a autuação por descumprimerito de obrigação acessória. A obrigação acessória existe, conforme demonstrado nos fundamentos da autuação, e a omissão da conduta por parte da recorrente ocorreu. Portanto, correta a autuação. Finalmente, pela análise dos autos, chegamos à conclusão de que o lançamento e a decisão foram lavrados na estrita observância das determinações legais vigentes, sendo que tiveram por base o que determina a Legislação. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto por negar provimento ao recurso, conforme o voto. Sala das Sessi , ,- ezembro de 2009 CE 4 •LIVEIRA — Relator • 5 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado, Marcelo Freitas de Souza Costa (Convocada)-e3AFérbiaMoreira Barros Maz-^ (e-n. 2 • Processo n° 12045.00057712007-69 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.377 Fl. 229 • Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado em desfavor de DISMOBRÁS IMP. E EXP. E DISTRIBUIDORA DE MOVEIS E ELETRODOMÉSTICOS LTDA, com fundamento nos arts. 92 e 102 da Lei 8.212/91, por ter deixado a recorrente de apresentar à fiscalização livros razão e diário dos anos de 1996 a 2005, conforme requerido no TIAD. Mantida a integralidade da autuação em primeira instância, foi interposto o presente recurso voluntário, por meio do qual sustenta o contribuinte: que com relação aos livros diário e razão dos anos-base 1996 a 2005, foi informado o auditor fiscal de que no período de 1996 a 1999 a empresa era optante pelo lucro presumido de forma que não mantinha a contabilidade escriturada em livros razão e diário; que o período de 1996 a 1999 encontra-se prescrito já que a obrigação legal de manutenção dos livros fiscais é de 05 (cinco) anos; que a contabilidade de 2000 a 2005 foi apresentada em meio digital, sendo suficiente para os trabalhos da fiscalização, sendo irrelevante o fato de que deveria estar autenticada pela junta comercial; a falta da apresentação dos documentos não causou qualquer embaraço aos trabalhos da fiscalização. Com contrarrazões às fls. 226/227, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relató 3 • Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço Inicialmente, com relação a obrigação legal de guarda da documentação fiscal por prazo de 10 (dez) anos, conforme veio a ser decidido pela decisão de primeira instância, tenho que o contribuinte preza pela melhor forma quando sustenta que referido prazo, é , em verdade, de 05 (cinco) anos. A regra geral disposta no Código Tributário Nacional é de que a obrigação da guarda dos livros de escrituração contábil deve ser mantida até que ocorra a prescrição decorrente dos créditos tributários a que se refiram, de sorte que ultrapassado referido prazo, não mais pode ser imputada ao contribuinte a obrigação de apresentá-los a fiscalização. Confira-se o teor do art. 195 do CTN: "Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibi-los. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Dessa forma, considerando que o STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n° 8, senão vejamos: Súmula Vinculante n° 8"Sâo inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". O texto constitucional em seu art. 103-A deixa claro a extensão dos efeitos da • / aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiada deverá aplicá-la de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. I03-A, O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecid • 4 • Processo n°12045.000577/2007-69 S2-C4T2 Acórdão n." 2402-00377 FI, 230 Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212, prevalecem as disposieSes contidas no Código Tributário Nacional — CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Portanto, tanto o prazo decadencial (art. 173, I e 150 4° do CTN) quanto o prescricional para que a Fazenda possa constituir ou efetuar a cobrança judicial de seus créditos passou a ser de 05 (cinco) anos. Não mais se justifica, portanto, com base na legislação vigente a determinação do recorrente, inclusive sob pena da imposição de multa, da apresentação de livros fiscais referentes a período superior ao encimado. Entretanto, mesmo que a tese acatada pelo contribuinte viesse a ser acatada, tenho que esta não produzirá quaisquer efeitos práticos no presente processo. É que o reconhecimento da decadência não atinge a totalidade do período para o qual fora aplicada a penalidade em face da não apresentação dos livros, de sorte que não haverá modificação do valor da multa aplicada, já que esta o fora com supedâneo nos arts. 92 e 102, ambos da Lei 8.212191 c/c os arts. 283, II, "j" e 373, ambos do Decreto 3.048/99, que assim dispõem: "Art.283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis M s 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de RS 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicando-se-lhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto n°4.862, de 2003) II-a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos)nas seguintes infrações: j)deixar a empresa o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentá-los sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; d/,PoMis motivos, rejeito a preliminar de decadência ora suscitada. Ademais, ainda da análise da legislação supra, percebe-se que a infração pela não apresentação dos livros fiscais decorre apenas do simples ato de omitir-se o contribuinte em fazê-lo, diante de solicitação do órgão fiscalizados, não necessitando, para a aplicação da multa, que sua omissão venha a ensejar qualquer dificuldade aos trabalhos realizados pela fiscalização ou mesmo embaraço a esta. Basta o simples não fazer, sem a justificativa plausível para tal ou mesmo a demonstração de que a documentação requerida não detém qualquer correlação ao objeto da fiscalização, para atrair a incidência da norma que dispõe sobre a infração cominada. Ressalte-se que em nenhum momento o recorrente alegou ter apresentado a documentação que foi requerida pela fiscalização e culminou na lavr uto de infração. 5 Noutro giro, o relatório fiscal da multa deixa claro que o contribuinte, no período em que alega estar sujeito ao regime de tributação do lucro presumido também não apresentou os livros Caixa e Registro de Inventário, fato que também enseja a manutenção da multa aplicada. Com relação ao período de 2000 a 2005, cuja documentação fora apresentada por meio magnético, contudo, sem a devida autenticação prévia por parte da junta comercial, também não merece qualquer reparo a decisão de primeira instância, já que, ainda com base no art. 1.181 do Código Civil, bem reconheceu que a documentação foi apresentada sem a observância das formalidades legais exigidas para sua apresentação, qual seja a comprovação de veracidade e abertura, restando, mais uma vez a demonstração da infração cometida. Por fim, a alegação da recorrente no sentido de que os sócios, pessoas físicas, são partes ilegítimas para figurarem no pólo passivo da presente demanda tenho que esta não merece prosperar por um único e exclusivo motivo. Estes não foram incluídos como responsáveis solidários na presente NFLD. Também não foram notificados para impugnar a exigÊncia fiscal. O que ocorreu foi, simplesmente, a lavratura do CORRESP, em claro atendimento ao que disposto no art. 606 da IN 03/2005, sendo que, tal fato não induz ao entendimento de que houve a inclusão dos sócios no pólo passivo da NFLD. O documento apenas indicativo de quais eram os sócios que geriam a empresa à época dos fatos geradores das contribuições sociais objeto da cobrança, contudo, sem que estes estejam sendo responsabilizados por qualquer pagamento das contribuições em tela. Por tais razões os sócios não foram incluídos como responsáveis solidários relativamente aos fatos geradores objeto da NFLD ora combatida, o que não enseja qualquer acatamento da tese aventada para a sua exclusão. Ante todo o exposto, VOTO por CONHECER DO RECURSO E NEGAR- LHE PROVIMENTO. É como voto Sala das Sessões, em 2 de dezembro de 2009 • LOURENÇO FERREIRA DO PRADO — Relator 6
score : 1.0
Numero do processo: 10830.007987/97-80
Data da sessão: Tue Sep 15 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Sep 15 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/11/1995 a 31/12/1996
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ADITAMENTO DE RECURSO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
Ao interpor recurso, a parte pratica ato processual, pelo qual consuma o seu direito de recorrer. Por conseqüência, não pode, posteriormente, ‘complementar’ o recurso, ‘aditá-lo’, ou ‘corrigi-lo’, pois já se operou a preclusão consumativa.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-000.236
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Susy Gomes Hoffmann, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martínez López (Relatora) e Leonardo Siade Manzan. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: Maria Teresa Martinez Lopez
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/11/1995 a 31/12/1996 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ADITAMENTO DE RECURSO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. Ao interpor recurso, a parte pratica ato processual, pelo qual consuma o seu direito de recorrer. Por conseqüência, não pode, posteriormente, ‘complementar’ o recurso, ‘aditálo’, ou ‘corrigilo’, pois já se operou a preclusão consumativa. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Susy Gomes Hoffmann, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martínez López (Relatora) e Leonardo Siade Manzan. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Maria Teresa Martínez López Relatora Henrique Pinheiro Torres Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 79 87 /9 7- 80 Fl. 1669DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA TERESA MARTIN EZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Susy Gomes Hoffmann, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martínez López, Leonardo Siade Manzan e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório A contribuinte, com fundamento no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, contra decisão consubstanciada no acórdão nº 202 16.383, da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, interpõe recurso especial a esta Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A ementa da decisão recorrida possui a seguinte redação: IPI. CRÉDITO GLOSADO. NOTAS INIDÔNEAS. Inexistindo prova do efetivo recebimento e incorporação ao estoque dos produtos consignados em notas fiscais inidôneas, são cabíveis a glosa dos créditos de IPI e o lançamento do imposto não recolhido. Recurso negado. Por entender que houve obscuridade, contradição e omissões no referido Acórdão, a contribuinte opôs embargos declaratórios, os quais foram declarados improcedentes, conforme despacho nº 202045 (fls. 1425/1426). No recurso especial interposto, a contribuinte alegou, em apertada síntese: a) nulidade do acórdão por cerceamento ao direito de defesa: entende a recorrente que houve duas inovações no voto do relator designado: i) mudança de entendimento a respeito da eficácia das conclusões da auditoria de produção e; ii) mudança do fundamento da autuação diante da afirmação do RelatorDesignado de que pode ter havido aquisição de insumos de uma terceira empresa desconhecida. b) inexistência da preclusão quanto à entrega das razões recursais aditivas; c) omissão quanto a documentos acostados aos autos que comprovariam os pagamentos efetuados; d) divergências jurisprudenciais quanto: i) às notas inidôneas; ii) ineficácia da súmula de documentação em relação às operações pretéritas; iii) força probante dos registros lançados no “livro modelo 3” e; iv) impossibilidade da aplicação da multa agravada. Fl. 1670DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA TERESA MARTIN EZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10830.007987/9780 Acórdão n.º 9303000.236 CSRFT3 Fl. 1.639 3 Por meio do despacho nº 202062, de fl. 1579, em análise dos requisitos de admissibilidade, por carecer o apelo, em parte, de condição essencial de demonstração do dissídio, o recurso foi admitido unicamente na questão relativa à preclusão na apresentação das razões aditivas vindas aos autos após vencido o prazo para oferecimento do recurso voluntário. Relativamente às omissões, seriam as seguintes: (i) falta de avaliação do efeito retroativo conferido à súmula sobre documentação fiscal da recorrente; e(ii) falta de apreciação das razões relativas à cumulação de penalidades. A Procuradoria, apresentou contrarazões às fls. 1581/1585, defendendo, basicamente, a manutenção da decisão recorrida. Após cientificada do despacho que recebeu parcialmente o recurso especial, a contribuinte apresentou, tempestivamente, agravo contra a parte não acolhida. Às fls. 1615/1616, por meio de despacho, o agravo foi rejeitado, mantendose a decisão agravada que recebeu o recurso especial parcialmente. Cientificada da rejeição do agravo, a contribuinte apresenta embargos de declaração alegando que a ciência que lhe foi dada do referido despacho foi na condição de “recurso especial não admitido”, com a cobrança do crédito tributário, razão porque requer a suspensão da cobrança e regular processamento do recurso especial, na parte em que fora conhecido. Os embargos foram rejeitados de plano por falta de previsão legal para sua oposição, determinandose o prosseguimento do feito quanto ao recurso especial pendente de julgamento. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora O recurso especial é tempestivo, e dele tomo conhecimento na parte em que foi admitido. Conforme já relatado, o recurso especial foi recebido somente quanto à questão relativa à preclusão na apresentação das razões aditivas aos autos após vencido o prazo para oferecimento do recurso voluntário. Relativamente às omissões, seriam as seguintes: (i) falta de avaliação do efeito retroativo conferido à súmula sobre documentação fiscal da recorrente; e(ii) falta de apreciação das razões relativas à cumulação de penalidades. A contribuinte foi autuada em 07/11/1997, em decorrência da suposta insuficiência no recolhimento do IPI, decorrente da glosa de créditos, relativos à apropriação na conta gráfica do imposto, de valores relativos a fornecimentos de matériaprima provenientes de pessoa jurídica, com emissão de notas fiscais inidôneas. As aquisições que deram origem aos créditos reportamse ao período de 01/11/1995 a 15/05/1996. Fl. 1671DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA TERESA MARTIN EZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 O que ocorreu foi o seguinte: Em vista da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, em que o lançamento foi julgado procedente, o qual foi cientificado em 01/08/2001, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 172/178), em 24/08/2001. Em 12/11/2002, às fls. 244/252, a contribuinte apresentou “razões aditivas ao recurso voluntário”, com os autos já no então Segundo Conselho de Contribuintes, mas antes de sua distribuição ao Conselheiro que o relataria. Como referidas razões aditivas não foram conhecidas pelo Conselheiro Designado, sob o entendimento de ter ocorrido preclusão para sua apresentação, no recurso especial de divergência, a contribuinte apresentou acórdão paradigma em sentido contrário e pugnou por seu recebimento e análise. Por considerar que a autuação se deu basicamente em função da “Súmula de Documentação Tributariamente Ineficaz” é que a contribuinte apresentou as “razões aditivas”, vez que em seu recurso voluntário nada se falou a esse respeito. Também aproveitou a oportunidade para afirmar que não seria possível a aplicação da multa agravada de 150%, cumulada com a multa de 100% sobre o valor da mercadoria. Muito bem, podemos verificar no presente processo que: 1) É fato ser a Súmula de Documentação Tributariamente Ineficaz (fls. 32/36) o principal supedâneo para a autuação da contribuinte autuada; 2) É fato que as operações realizadas pela contribuinte, e que deram causa à autuação, são anteriores à referida Súmula, datada de 30/10/1996; 3) É fato serem o início da fiscalização e a autuação posteriores à edição de referida Súmula; 4) É fato ser o objeto da Súmula a empresa Atlas Com. e Representação de Produtos Químicos Ltda., com a qual a contribuinte manteve as operações que motivaram a autuação; 5) É fato serem os efeitos da referida Súmula no sentido de que “Todas as empresas e nomes envolvidos com ou por ATLAS COMERCIO E REPRESENTAÇÃO DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA são comuns as considerações acerca da concentração de comportamento delituoso”; 6) É fato a conclusão de que as notas fiscais emitidas pela empresa ATLAS COMERCIO E REPRESENTAÇÃO DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA. são documentos inidôneos, por serem frias do tipo inconsistente, sem qualquer eficácia a partir do início da atividade que se deu em abril/1992; 7) É fato que a Súmula foi expressamente considerada no voto do ConselheiroDesignado, conforme se verifica do 3º parágrafo constante da fl. 1.407. As razões aditivas, como já exposto anteriormente, não foram conhecidas pelo ConselheiroDesignado por entender este que o momento adequado para apresentar razões Fl. 1672DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA TERESA MARTIN EZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10830.007987/9780 Acórdão n.º 9303000.236 CSRFT3 Fl. 1.640 5 de recurso é o prazo de 30 dias a contar da ciência do Acórdão que se pretende recorrer, ou seja, o prazo recursal previsto no Decreto nº 70.235/72, o que restou claro no despacho nº 202 045 (fls. 1425/1426), no qual foram declarados improcedentes os embargos de declaração opostos pela contribuinte. Penso que há de se separar duas coisas distintas. Uma, diz respeito à interrupção do prazo de apresentação do recurso (preclusão temporal), que é de 30 dias a contar da ciência do Acórdão. Outra, diz respeito à apresentação de razões aditivas ao recurso apresentado tempestivamente. Sabese que por “preclusão” devese entender como a “impossibilidade de praticar um ato processual ...” ; “Preclusão vem do latim praecludo, que significa fechar, tapar, encerrar. (...) é a perda de uma faculdade ou direito processual, que, por haver esgotado ou por não ter sido exercido em tempo e momento oportunos, fica praticamente extinto. No processo administrativo fiscal objetivamente entendida, a preclusão consiste no acontecimento de um fato impeditivo, destinado a garantir o avanço progressivo da relação processual e a obstar ao seu recuo para as fases anteriores do procedimento. Não nos podemos olvidar estar o processo administrativo fiscal federal regido pelo princípio do informalismo, ainda que moderado, mas sendo menos rígido que o processo conduzido na esfera judicial. Inclusive é o que orienta a Lei nº 9.784/99, aplicável ao processo administrativo, em seu artigo 2º, inciso IX quando prevê a “adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza e respeito aos direitos dos administrados”. Atentemonos ao fato de que essa informalidade está aberta à busca da verdade material, sempre com foco nos direitos do administrado, que não podem e não devem ser relevados a segundo plano. Sobre essa matéria, Hely Lopes Meirelles é enfático: “O princípio do informalismo dispensa ritos sacramentais e formas rígidas para o processo administrativo, principalmente para os atos a cargo do particular. Bastam as formalidades estritamente necessárias à obtenção da certeza jurídica e à segurança procedimental. Garrido lembra com oportunidade que este princípio é de ser aplicado com espírito de benignidade e sempre em benefício do administrado, para que, por defeito de forma, não se rejeitem atos de defesa e recursos mal qualificados. Realmente, o processo administrativo deve ser simples, despido de exigências formais excessivas, tanto mais que a defesa pode ficar a cargo do próprio administrado, nem sempre familiarizado com os meandros processuais”. Reitero o exposto anteriormente. No processo administrativo fiscal, a preclusão temporal visa a garantir o avanço progressivo da relação processual e a obstar o seu recuo para as fases anteriores do procedimento. Frisese que a juntada das razões aditivas sequer atrasaram o normal processamento do feito, ou atrapalharam a eficiência da sua condução, não se caracterizando ato intencional de protelação, o que, aí sim, poderia prejudicar o Fisco. Fl. 1673DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA TERESA MARTIN EZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Há que se considerar que as razões aditivas foram apresentadas posteriormente ao recurso voluntário, mas anteriormente à distribuição do processo ao Conselheiro que o relataria, não causando qualquer prejuízo ao feito o seu conhecimento por ocasião do julgamento, afinal, se nada há na legislação que autorize tal procedimento, também nada há que o desautorize. Demais disso, se a debatida Súmula foi considerada pelo Conselheiro Designado em seu voto, eis que se admitiu que seria essa a base da motivação da autuação, não se pode dizer que a contribuinte tratou de fato estranho, afinal, a existência da Súmula já foi admitida, somente a sua regularidade e aplicabilidade ao caso concreto é que não foi analisada, sendo esta a pretensão da contribuinte. O mesmo vale para a alegação de inaplicabilidade da penalidade, isso porque nada obsta e nem prejudica se o julgador conhecer das razões aditivas como razões de recurso voluntário, vez que apresentadas em momento anterior ao julgamento. Desta forma, é de se concluir que o recebimento das razões aditivas como razões de recurso voluntário atende aos princípios da informalidade moderada, não representando neste caso prejuízo à Fazenda eis que não se caracteriza como protelação. Por todo o exposto, dou provimento ao recurso especial, na parte em que conhecido, para anular o Acórdão nº 20216.383, sessão de 14/06/2005, e determinar que outro seja proferido considerandose as razões aditivas apresentadas pela contribuinte em prazo ideal, como razões de recurso voluntário. Maria Teresa Martínez López Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado A matéria controvertida cingese, exclusivamente, a uma questão processual, qual seja, a da aplicabilidade ou não, nas instâncias administrativas, das preclusão consumativa, e, também, da temporal. Com o devido respeito, ouso divergir da relatora e admitir a aplicação desses institutos processuais na instâncias administrativas. O processo é o meio pelo qual o indivíduo busca resolver um determinado conflito de interesses. Existem situações que podem comprometer o andamento processual, como, por exemplo, a perda do prazo da apresentação de um recurso, a não compatibilidade de um ato processual com outra já existente, ou até, a repetição de um ato já praticado. Para que esses tipos de irregularidades não ocorram, temse o instituto chamado preclusão. A doutrina, em sua grande maioria, baseada nas lições de Giuseppe Chiovenda, classifica a preclusão como sendo a perda da faculdade de praticar determinado ato processual. Segundo LUIZ GUILHERME MARIRONI, “... a preclusão consiste – fazendose um paralelo com figuras do direito material, como a prescrição e a decadência – na perda de “direitos processuais”, que pode decorrer de várias causas. Assim como acontece com o direito material, também no processo a relação jurídica estabelecida entre os sujeitos processuais pode levar à extinção de direitos processuais, o que acontece, digase, tão freqüentemente quanto em relações jurídicas de direito material. A preclusão é o resultado Fl. 1674DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA TERESA MARTIN EZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10830.007987/9780 Acórdão n.º 9303000.236 CSRFT3 Fl. 1.641 7 dessa extinção, e é precisamente o elemento (aliado à ordem legal dos atos, estabelecida na lei) responsável pelo avanço da tramitação processual.” (MARINONI, Luiz Guilherme. Manual do Processo de Conhecimento, cit., p. 665.) Diversos são os artigos do Código de Processo Civil que tratam desse instituto, a exemplo dos arts. 1831 e 2452 A preclusão pode ser temporal, lógica e ou consumativa, e, ainda a pro judicato. Diante dessas considerações, podemos conceituar a preclusão como sendo a extinção do direito processual em virtude do decurso do prazo (preclusão temporal); da prática incompatível com aquele que é facultado pela lei (preclusão lógica); e da própria prática do ato facultado pela lei (preclusão consumativa). Considerase, assim, que a natureza jurídica da preclusão seja um mero efeito jurídico. A preclusão temporal é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em razão de haver exaurido o prazo fixado na lei. Como exemplo, podese citar a não apresentação da impugnação de lançamento no prazo de 30 dias a contar da ciência do lançamento tributário. Assim, a peça impugnatória não poderá ser apresentada no trigésimo primeiro dia, visto que já ocorreu a preclusão. O já citado art. 183 do Código de Processo Civil menciona justamente tal conseqüência, evitando que a parte pratique um ato processual após aquele prazo fixado na lei. Isso seria uma forma de evitar a demora do processo, respeitando, assim, o Princípio da Celeridade Processual. A preclusão lógica é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude da não compatibilidade de um ato com outro já realizado. Por exemplo: o sujeito passivo, ao ser notificado do lançamento fiscal, faz a confissão da dívida e entra com pedido de parcelamento do débito, logicamente, concordou com o lançamento fiscal. Em seguida, impugna esse lançamento. Ora, se concordou com a dívida e entrou com o pedido de parcelamento do débito, com que finalidade impugna a exigência fiscal? Como o próprio nome já diz, a lógica seria a não impugnação. Já a preclusão consumativa é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em razão de já haver ocorrido a oportunidade para tanto. Por exemplo: o autuado apresentou a impugnação de lançamento no vigésimo nono dia. No dia seguinte, viu que se esquecera de mencionar um fato e tenta apresentar aditar a impugnação. Tal aditamento não poderá ser praticado em virtude da já apresentada impugnação anterior. Uma vez praticado o ato processual, não poderá ser mais uma vez oferecido, haja vista a existência do instituto da preclusão consumativa. Esta preclusão decorre do princípio da eventualidade, positivado no art. 3003 do CPC. Por esse princípio, o momento processual oportuno para apresentação de TODA matéria de defesa, circunscrevese ao prazo de apresentação, no processo administrativo fiscal, da impugnação de lançamento. 1 Art. 183. Decorrido o prazo, extinguese, independentemente de declaração judicial, o direito de praticar o ato, ficando salvo, porém, à parte provar que o não realizou por justa causa. 2 Art. 245. A nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunidade em que couber à parte falar nos autos, sob pena de preclusão. 3 Art. 300. Compete ao réu alegar, na contestação, toda a matéria de defesa, expondo as razões de fato e de direito, com que impugna o pedido do autor e especificando as provas que pretende produzir. Fl. 1675DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA TERESA MARTIN EZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 O Princípio da Eventualidade deve ser obersvado pelo autuado, quando da apresentação de sua impugnação, pois, caso não alegue TODA matéria de defesa em tal ocasião, ocorrerá a denominada preclusão consumativa, ou seja, não lhe será lícito, após o prazo de apresentação de contestação, alegar matéria que deveria ter alegado na impugnação45. Anotese, por oportuno, que o princípio da eventualidade deve ser interpretado com o princípio da impugnação específica, enunciado no art. 302 do CPC. Por tal princípio, caberá ao acusado impugnar todos os fatos, um a um, aduzidos pelo Autor. Sobre aquele não impugnado incidirão os efeitos da revelia, e, por conseguinte, o ônus processual respectivo. Convém consignar o escólio dos ilustres juristas 6Nelson Nery Júnior e Rosa Maria Andrade Nery, ao tecer considerações acerca do instituto da preclusão consumativa, ao comentarem o artigo 183 do Código de Processo Civil. Vejamos: 4. Preclusão consumativa. Dizse consumativa a preclusão, quando a perda da faculdade de praticar o ato processual decorre do fato de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, isto é, de o ato já haver sido praticado e, portanto, não pode tornar a sêlo. Exemplos: a) se a parte apelou no 3º dia do prazo, já exerceu a faculdade, de sorte que não poderá mais recorrer ou completar seu recurso, mesmo que ainda não se tenha esgotado o prazo de 15 dias; b) se o réu contestou no 10º dia de prazo, não pode reconvir, ainda que dentro do prazo da resposta, porque a reconvenção deve ser ajuizada simultaneamente com a contestação (CPC 299): apresentada esta, a oportunidade para ajuizar reconvenção já terá ocorrido; c) se a parte recorreu no 10º dia do prazo, já exerceu a faculdade de modo que não poderá efetuar posteriormente o preparo, pois a lei exige que este seja feito juntamente com a interposição do recurso (CPC 511). Normalmente a preclusão consumativa ocorre quando se trata de ato complexo, isto é, de mais de um ato processual que devam ser praticados simultaneamente, na mesma oportunidade. De todo o exposto, podese concluir que a preclusão pode ser conceituada como a perda da faculdade de praticar determinado ato processual. Assim, um dos efeitos desse instituto será justamente a extinção do direito de praticar o ato processual, funcionando como força motriz que impulsiona o processo ao seu destino final, que é o provimento jurisdicional. A grande importância, pois, da preclusão no ordenamento jurídico brasileiro, é evitar que os atos processuais sejam feitos fora dos prazos previstos na lei; que sejam incompatíveis com outros atos já existentes; e que sejam repetidos de forma indevida. Após essa breve explanação sobre o instituto da preclusão e dos princípios da eventualidade e da impugnação específica, voltemos aos autos. 4 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 5 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. 6 (in Código de Processo Civil Comentado, 2ª edição, Ed. Revista dos Tribunais, página 611/612, 1996) Fl. 1676DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA TERESA MARTIN EZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10830.007987/9780 Acórdão n.º 9303000.236 CSRFT3 Fl. 1.642 9 Como bem relatado, a contribuinte foi cientificada, em 01/08/2001, da decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal. Em 24/08/2001, apresentou, tempestivamente, recurso voluntário (fls. 172/178) contra essa decisão. Todavia, em 12/11/2002, apresentou “razões aditivas ao recurso voluntário” (fls. 244/252), com os autos já no então Segundo Conselho de Contribuintes, mas antes de sua distribuição ao Conselheiro que o relataria. O órgão julgador de segunda instância aplicou a preclusão e não conheceu dessas razões aditivas. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso especial de divergência insurgindose, justamente, contra a preclusão aplicada pelo julgador a quo. A nobre Relatora acatou as razões recursais e afastou a preclusão, e entendeu possível o aditamento de recurso. A meu sentir, razão não assiste à reclamante, pois, como demonstrado linhas acima, as partes têm o momento certo para praticar seus atos processuais sobre pena de preclusão, que um de seus efeitos é justamente a extinção do direito de praticar o ato processual, funcionando como força motriz que impulsiona o processo ao seu destino final, evitando que os atos processuais sejam feitos fora dos prazos previstos na lei; que sejam incompatíveis com outros atos já existentes; e que sejam repetidos de forma indevida. Ora, no caso sob exame, incorreuse em duas preclusões: a consumativa, pois ao apresentar o recurso voluntário, a recorrente exauriu sua participação nesta fase processual. Por conseguinte não poderia mais revisitála seja a qualquer título, ainda que sob a denominação de aditamento. Ora, praticado o ato, acabouse, não pode mais repetilo; e a temporal, haja vista que predito aditamento ocorreu muito além do prazo recursal, que findou em 31 de agosto de 2001 e o aditamento somente foi protocolado em 12 de novembro de 2002. Sobre o tema o Superior Tribunal de Justiça, tratando de matéria processual análoga, posicionouse da seguinte forma: “Preclusão Consumativa. Complementação do recurso. Ao interpor recurso, a parte pratica ato processual, pelo qual consuma o seu direito de recorrer e antecipa o dias ad quem do prazo recursal (caso o recurso não tenha sido interposto no último dia do prazo). Por conseqüência, não pode, posteriormente, ‘complementar’ o recurso, ‘aditálo’, ou ‘corrigilo’, pois já se operou a preclusão consumativa (STJRT 745/197).” (Destaques no original).7 Repisese que as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituise em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surge para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazerposteriormente, pois nesta hipótese, operase o fenômeno denominado de preclusão, isto porque, o processo é um caminhar para frente, não se admitindo, em regra, realização de instrução probatória tardia, pertinente a fases já ultrapassadas. Em outro giro, o princípio da verdade material não é remédio para todos os males processuais; não pode nem deve servir de salvo conduto para que se desvirtue o caminhar para frente, o ordenamento e a concatenação dos procedimentos processuais essência de qualquer processo administrativo ou judicial. 7 “Código de Processo Civil Comentado e Legislação Processual Civil Extravagante em Vigor” – Nelson Nery Júnior e Rosa Maria Andrade Nery, 4ª edição, Editora Revista dos Tribunais, p. 991 Fl. 1677DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA TERESA MARTIN EZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 Na realidade, a verdade material contrapõese ao formalismo exacerbado, presente no Processo civil, mas, de maneira alguma, priva o procedimento administrativo das necessárias formalidades. Daí se dizer que no Processo Administrativo Fiscal convivem harmonicamente os princípios da verdade material e da formalidade moderada. De sorte que se busque a verdade real, mas preservando as normas processuais que asseguram a segurança, a celeridade, a eficiência e o bom andamento do processo. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial apresentado pelo sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 1678DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA TERESA MARTIN EZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10680.010308/2005-28
Data da sessão: Fri May 22 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2001
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF pelas pessoas jurídicas obrigadas, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.310
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: Luciano Lopes de Almeida Moraes
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF pelas pessoas jurídicas obrigadas, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por 'unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. i , M ' CH.P1).,EL- A -1 1j . ' Á Jf1\10 DAMORIM - Presidente.\...i LUCIANO LOP IDE A EIDA MORAES - ' elator ff EDITADO EM: 14 de outubro de • 009 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. , i 1 1 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Contra o interessado acima identificado, foi lavrado o auto de infração de fl. 4, para formalizar exigência de multas por atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), referentes aos quatro trimestres do ano- ' calendário de 2001, no valor de R$ 800,00. Como enquadramento legal foram citados: 5S. 3° do art. 113 e art. 160 da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional — CTN); art. 4°, combinado com o art. 2°, da Instrução Normativa SRF n° 73, de 19 de dezembro de 1996; art. 2° e 6° da Instrução Normativa SRF n.° 126, de 30 de outubro de 1998, combinado com o item 1 da Portaria do Ministério da Fazenda n." 118, de 26 de agosto de 1984; art. 5" do Decreto-lei n.'2.124, de 13 de junho de 1984; art. 7° da Media Provisória n.° 16, de 27 de dezembro de 2001, convertida na Lei n.° 10.426, de 24 de abril de 2002. A ciência do lançamento se deu em 27/06/2005 (AR, fl. 06). A data de vecimento do auto de infração é 02/08/2005. Em 29/07/2005, foi apresentada a impugnação de fls. 1 e 2. Nela, são apresentados os argumentos a seguir resumidos: a empresa encontra-se fechada sem receber nenhuma renda e atravessando enorme crise; em 18/12/1997, foi entregue o Termo de Opção do Simples na Receita Federal, conforme xerox em anexo; até 01/01/2002, a contribuinte na° foi informada a respeito do seu desenquadratnento, quando voltou afazer nova opção; mesmo não sendo obrigada, apresentou as DCTF dos quatro trimestres de 2001, para que o seu imposto de renda fosse liberado e entregue via Internet; a Receita Federal não levou em conta seu primeiro termo de opção, aplicando as multas inoportunas; ainda não foi possível dar baixa na empresa, por causa dessas multa, não havendo nenhuma outra pendência; deve-se aplicar ao caso o principio "in dúbio pro réu", contido no art. 112 do CTN. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte/MG indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/BHE n° 13.582, de 14/03/07, fls. 14/17: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2001 2 Processo n° 10680.010308/2005-28 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00312 Fl. 29 DCTF. MULTA POR ATRASO. O contribuinte que está obrigado a entregar DCTF se sujeita às penalidades previstas na legislação vigente, quando deixar de apresentá-la ou apresentá-la em atraso. Lançamento Procedente. Às fls. 21 o contribuinte foi intimado da decisão supra, motivo pelo qual apresenta Recurso Voluntário de fls.22, tendo sido dado, então, seguimento ao mesmo. É o Relatório. Voto Conselheiro LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Discute-se nos autos a aplicação de multa por atraso na entrega da DCTF. O contribuinte alega estar no SIMPLES, entretanto, a decisão administrativa de seu pedido foi indeferida, como bem dispõe a decisão recorrida: Não se confirma a condição alegada, referente ao enquadramento no SIMPLES, para que a contribuinte seja considerada desobrigada de apresentar as DCTF dos quatro trimestres do ano-calendário de 2001. Foi objeto do processo n.°13680.004471/2003-90 pedido de inclusão no sistema, retroativa a 01/01/2001, que foi negado. Naquele processo, foi prolatado o despacho decisório juntado nas fls. 10 e 11 deste, do qual se extraem os seguintes trechos: "O presente processo trata de pedido de inclusão no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno' Porte (Simples), retroativo a 01 de janeiro de 2001. O contribuinte demonstrou a intenção de , enquadrar-se no Simples retroativamente, entretanto, como não preenche os requisitos necessários para tal, proponho o ,indeferimento do pedido." Aqui não cabe deliberar sobre a procedência ou não daquele pedido ou do respectivo indeferimento. A análise de qualquer argumento referente ao cabimento do enquadramento só poderia ser feita no processo competente. Referida discussão é estranha à presente lide. Para a solução do pleito, basta saber que, não estando enquadrada no SIMPLES, a contribuinte não satisfaz a condição do inciso 1 do art. 3' da IN SRÉ n.° 126, para a dispensa da obrigação acessória em questão. 3 Ademais, o simples fato de não entregar a tempo a DCTF já configura infração à legislação tributária, ensejando, de pronto, a aplicação da penalidade cabível. A obrigação acessória relativa à entrega da DCTF decorre de lei, a qual estabelece prazo para sua realização. Salvo a ocorrência de caso fortuito ou força maior, não comprovado nos autos, não há que se falar em afastamento da penalidade aplicada. De acordo com os termos do § 40, art. 11 do Decreto-lei 2.065/83, bem como entendimento do Superior Tribunal de Justiça "a multa é devida mesmo no caso de entrega a destempo antes de qualquer procedimento de oficio. Trata-se, portanto, de disposição expressa de ato legal, a qual não pode deixar de ser aplicada, uma vez que é princípio assente na doutrina pátria de que os órgãos administrativos não podem negar aplicação a leis regularmente emanadas do Poder competente, que gozam de presunção natural de constitucionalidade, presunção esta que só pode ser afastada pelo Poder Judiciário". Ante o exposto, voto p • negar provimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argumentos. LUCIANO LOPES DE tik ' E PA MORAES 4
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Numero do processo: 10980.010527/2006-11
Data da sessão: Wed Sep 23 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Sep 23 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
CARÁTER CONFISCATORIO - PRINCiPIOS CONSTITUCIONAIS - PRINCiPIOS QUE OBJETIVAM A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA - IMPOSSIBILIDADE - Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária. pois essa se submete ao principio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando o
principio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de oficio). Ora, é cediço que somente os órgãos judiciais têm esse poder. E, no caso especifico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem
aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto, nomsa regimental que tem sede no art. 26-A do Decreto n° 70.235/72, na redação dada pela Lei n° 11.941/2009.
JUROS DE MORA -ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS
PELA TAXA SELIC - POSSIBILIDADE - No âmbito dos Conselhos de
Contribuintes e agora do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais -
CARF, pacifica a utilização da taxa Sebe, quer como juros de mora a incidir
sobre crédito tributário em atraso, quer para atualizar os indébitos do
contribuinte em face da Fazenda Federal. Entendimento em linha com o
enunciado da Súmula 1° CC n° 4: "A partir de 1° de abril de 1995, os juros
moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela
Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadunplência, à
taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para
titulas federais". Ainda, com espeque no art. 72, caput e § 4°, do Regimento
Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF 0 256, de 22 de junho de 2009 (DOU
de 23 de junho de 2009), deve-se ressaltar que os enunciados sumulares dos
Conselhos de Contribuintes e do CAR_F são de aplicação obrigatória nos
julgamentos de 2° grau.
Numero da decisão: 2102-000.330
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRF- ação fiscal - outros
Nome do relator: Giovanni Christian Nunes Campos
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JUROS DE MORA -ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PELA TAXA SELIC - POSSIBILIDADE - No âmbito dos Conselhos de Contribuintes e agora do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, pacifica a utilização da taxa Sebe, quer como juros de mora a incidir sobre crédito tributário em atraso, quer para atualizar os indébitos do contribuinte em face da Fazenda Federal. Entendimento em linha com o enunciado da Súmula 1° CC n° 4: "A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadunplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para titulas federais". Ainda, com espeque no art. 72, caput e § 4°, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF 0 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), deve-se ressaltar que os enunciados sumulares dos Conselhos de Contribuintes e do CAR_F são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2° grau. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os • bros colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. — G111A/ \INI CHRLS I • 41_1ES CA í í • S - Relator e Presidente. EDITADO EM: 3 e/i e' P. - .1 1.. • •• • • essão d- lulgamento os conselheiros: Nàbia Matos Moura, Vanessa Pereira Rodrigues Do ene, • e ns Mauricio Carvalho, Júlio Cezar da Fonseca Furtado e Marcelo Magalhães Pe . oto. Relatório Em face do contribuinte Sconntec Construtora de Obras Ltda, CNPJ/MF 01.283.982/0001-39, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 20/09/2006, auto de infração (fls. 26 a 36), com ciência postal em 28/09/2006 (f1.39). Abaixo, discrimina-se o crédito tributário constitaido pelo auto de infração antes informado, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 37.509,63 — - -MULTA DE OFICIO R$28 132,09 — — - Em decorrência de verificações no âmbito do programa de fiscalização (malha) denominado DIRFxDARF, constatou-se que o fiscalizado não recolhera ou confessara em DCTF valores de imposto de renda retido na fonte sobre o trabalho assalariado nos anos- calendário 2003 a 2005, o que levou a concretização do presente lançamento de oficio, sendo essa conduta apenada com multa de oficio de 75%. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida á Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A Turma de Julgamento da DRJ-Curitiba (PR), por unanimidade de votos, não acolheu a preliminar de nulidade e julgou procedente o lançamento impugnado, em decisão de fls. 116 a 119, consubstanciada no Acórdão n° 06-13.274, de 25 de janeiro de 2007. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 21/02/2007 (111.125). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 22/03/2007 (fl. 126). No voluntário, o recorrente reconhece a pertinência do imposto lançado, porém, corno já fez na impugnação, vergasta a multa de oficio e os juros de mora à taxa Selic. Em síntese, alega que a multa de oficio viola o princípio constitucional do não-confisco e que 2 Processo n° 10980.010527/2006-11 82-0 T2 Acórdão n." 2102-00.330 Fl. 141 os juros de mora à taxa Selic ultrapassam o limite constitucional (e legal) dos juros e que há defeitos formais e materiais na instituição dessa última cominação legal, não sendo esta compatível com a natureza da atividade tributária, urna vez que a taxa Selic tem como finalidade precipua a remuneração de capitais no âmbito da atividade econômico-financeira. Este recurso voluntário compôs o lote n° 10, sorteado para este relator na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF de 30/07/2009. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Primeiramente, declara-se a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 21/02/2007 (f1.125), quarta-feira, e interpôs o recurso voluntário em 22/03/2007 (f1.126), dentro do trintidio legal, este que teve seu termo final em 23/03h007, sexta-feira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passa-se a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. De plano, deve-se observar que não há controvérsia no tocante ao principal da exação lançada, mas apenas no tocante aos consectários legais que incidem sobre o - principal, in casu, a multa de oficio e os juros de mora à taxa Selic. O recorrente afirma que a multa de oficio tem caráter confiscatório. Aqui, um pequeno parêntese, antes da análise dogmática dessa irresignação. O principio da proibição de efeito de confisco é de difícil constatação, e, como diz Heinrich Kruse, quando fala do "imposto sufocante", mais se assemelha ao "monstro do Lago Ness do Direito Tributário: ninguém o viu e todos escrevem sobre ele". Agora, transcreve-se a norma constitucional que positivou tal principio: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IaIJI- omissis; IV- utilizar tributo com efeito de confisco; (.) (grifou-se) Vê-se que o principio do não-confisco se aplica a tributos. Como estampado no art. 3° do Código Tributário Nacional, tributo é toda prestação pecuniária compulsória, que não constitua sanção de ato ilícito. A sanção de ato ilícito, como já enfatizado anteriormente, tem na multa pecuniária uma de suas espécies. Assim, tratando-se de multa pecuniária, não há que falar em principio do não-confisco. Apud Schoueri, Luis Eduardo. Normas Tributárias Indutoras e Intervenção Econômica. l a ed., Rio de Janeiro 2005, p. 302. Ainda, • deve-se ressaltar que os. princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária, pois esta se submete ao principio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar atei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando o principio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de oficio). Ora, como é cediço, somente os órgãos judiciais têm esse poder. No caso especifico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno (Portaria ME n° 256, de 22 de junho de 2007, DOU de 23 de junho de 2009), que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto, norma regimental que tem sede no art. 26-A do Decreto n° 70.235/72, na redação dada pela Lei n° 11.941/2009, verbis: • Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do GARE afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: 1 - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II - que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n°10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementarn° 73, de 1993. O entendimento acima, que já existia no antigo Regimento Interno dos Conselhos de Contribuinte, foi objeto da Súmula 1°CC n° 2: "O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária", e, com espeque no art. 72, caput e §4°, do Regimento Interno do CARF 2 , deve-se ressaltar que o enunciado sumular é de aplicação obrigatória nos julgamentos de 20 grau. Com as considerações acima, rejeita-se a tese defensiva de que a multa de oficio tem caráter confiscatório. Por fim, o recorrente vergasta os juros de mora, à taxa Selic. A aplicação dos juros de mora, à taxa Selic, é matéria pacificada no âmbito do Primeiro Conselho de Contribuintes, objeto, inclusive, do enunciado Sumular 1° CC n° 4: "A partir de I° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários Á 2 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARI:. § 10 a § 30 Omissis; § 40 As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARI. 4 Processo n° 10980.010527/2006-1! S2-CIT2 Acórdão n.° 2102-00.330 Fl. 142 administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SEL1C para títulos federais". E, como já dito, os enunciados sumulares são de aplicação obrigatório no âmbito dos julgamentos de segundo grau. Mais uma vez, sem razão o recorrente. Ante o exposto, vs o no s: tido de NEGAR provimento ao recurso. Sala das Se: 6es, em 23 d . setembro de 2009 . Gio amn Christia. . / 7 5
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Numero do processo: 13807.013221/99-17
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 31/10/1994 a 30/09/1995
LANÇAMENTO. VEDAÇÃO LEGAL.
É incabível o lançamento de ofício das diferenças do PIS pela LC nº 7/70, em relação ao que foi recolhido com base nos DL nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988, quando o contribuinte houver extinguido totalmente o crédito tributário de acordo com o que era devido com base nestes Decretos-leis.
Recursos especiais da Fazenda Nacional negado e do Contribuinte provido
Numero da decisão: CSRF/02-03.621
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 1) por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; 2) por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso especial do Contribuinte.
Nome do relator: Antonio Carlos Atulim
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