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Numero do processo: 10909.900448/2008-11
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
RECOLHIMENTOS A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA.
A denúncia espontânea não alcança os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação, que serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% por dia de atraso, observado o limite de 20%.
Numero da decisão: 3803-000.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato
Nome do relator: Relator Belchior Melo de Sousa
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. A denúncia espontânea não alcança os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação, que serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% por dia de atraso, observado o limite de 20%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 90 04 48 /2 00 8- 11 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0715.809, de 17 de abril de 2009, da DRJFlorianópolis/SC, fls. 55 a 58, que indeferiu a solicitação de reforma do despacho decisório que homologou parcialmente as compensações declaradas por insuficiência de crédito, em face da incidência de multa de mora por extinção do débito fora do prazo. Contra a não homologação integral de sua compensação, a Contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade des folhas 08 a 17, na qual discordou do critério de imputação adotado pela DRF/Itajaí/SC. Alegou que a autoridade fiscal partiu da equivocada e ilegal premissa de que, sendo o débito em questão vencido em data anterior e tendo sido efetivada a compensação via DCOMP apenas em período posterior, haveria a incidência de multa mora sobre a compensação. Consignou que, em face do artigo 138 do Código Tributário Nacional CTN, o adimplemento de um valor já vencido, antes da instauração de procedimento de ofício e antes da declaração em DCTF, torna inaplicável a imposição da multa de mora. Juntou jurisprudência e doutrina que estariam a corroborar sua tese. Manifestouse pela ilegalidade ou inconstitucionalidade do que está expressamente previsto no artigo 61 da Lei n.o 9.430/1996, segundo o qual “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.” A DRJFlorianópolis, refutou os argumentos da impugnante assentando que em face de às instâncias administrativas, pelo caráter vinculado de sua atuação, não ser dada a atribuição de apreciar questões relacionadas com a legalidade ou constitucionalidade de qualquer ato legal, descabidas tornamse quaisquer manifestações deste juízo, sobretudo quando se trata de disposição literal de lei regularmente editada. Citou tanto a jurisprudência judicial quanto as reiteradas manifestações do Primeiro Conselho de Contribuintes, traduzidas estas em inúmeros de seus acórdãos; citese, entre estes, o de n.o 10607.303, de 05/06/95, n sentido desta limitação de competência, verbis: CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS Não compete ao Conselho de Contribuintes, como tribunal administrativo que é, e, tampouco ao juízo de primeira instância, o exame da constitucionalidade das leis e normas administrativas. Aduziu, ainda, que não tem efeito sobre a aplicação da penalidade o fato de o valor devido ter sido ou não declarado em DCTF ou a circunstância de o sujeito passivo encontrarse já em procedimento de ofício ou não. Ciente da decisão em 27 de maio de 2009, irresignada apresenta recurso voluntário de fls. 62 a 74, em 26 de junho de 2009, manejando os mesmo argumentos acima relatados, trazidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator Fl. 98DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10909.900448/200811 Acórdão n.º 3803000.673 S3TE03 Fl. 98 3 O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Toda a controvérsia restringese à possibilidade ou não do uso do instituto da denúncia espontânea para o fato presente. A responsabilidade que refere o art. 138 do CTN é relativa a infrações tais como os ilícitos tributáriospenais, dolosos (sonegação, fraude, conluio e outros crimes contra a ordem tributária), e outros ilícitos tributários, não dolosos (nãoprestação de informações obrigatórias às autoridades fazendárias, concernentes à existência do fato gerador, declarações inexatas, etc). Não ao mero inadimplemento de tributo. Dessa distinção resulta a graduação de penalidades, diferenciandose em multa de ofício e multa de mora, esta, mais branda, que visa indenizar o Erário pela demora no recebimento do seu crédito, aquela, punitiva, aplicável às infrações relativas à obrigação tributária principal. A demonstrar o caráter de indenização da multa de mora, o seu percentual é proporcional à quantidade de dias de atraso, até o limite de vinte por cento do valor do tributo, conforme fixados em lei. Se não é atípico que haja possibilidade de previsão de multa de mora nas obrigações contratuais privadas, comumente pactuada, além dos juros, pelo atraso no cumprimento das obrigações, assim também acontece na obrigação tributária, com a diferença de que nesta a multa é estabelecida em lei, face ao caráter ex lege da obrigação tributária. Se um contribuinte declara o tributo e por alguma razão não pode pagálo no prazo, sujeitase à multa de mora. Outro, que sequer declara e espera a inércia do sujeito ativo, ao sobrevir um procedimento fiscal, na espécie, arca com penalidade maior, segundo a previsão legal. É esta última penalidade que é excluída pela denúncia espontânea, quando o contribuinte se antecipa a qualquer procedimento fiscal. A primeira, não. Ora, isto é que é razoável: o contribuinte meramente inadimplente arca com uma multa menor, e aquele que pratica as demais infrações tributárias será punido com uma multa maior, submetendose à multa menor caso promova a autodenúncia. Escorome no escólio de Zelmo Denari, in Infrações Tributárias e Delitos Fiscais, Paulo José da Costa Jr. e Zelmo Denari, 2ª ed., São Paulo, Saraiva, 1996, p. 24, para apreender a distinção entre multa punitiva e multa indenizatória, para, ao fim, entender em que se aplica o instituo da denúncia espontânea: “A nosso ver, as multas de mora – derivadas do inadimplemento puro e simples de obrigação tributária regularmente constituída – são sanções inconfundíveis com as multas por infração. Estas são cominadas pelos agentes administrativos e constituídas pela Administração Pública em decorrência da violação de leis reguladoras da conduta fiscal, ao passo que aquelas são aplicadas em razão da violação do direito subjetivo de crédito. (...) Como é intuitivo, a estrutura formal de cada uma dessas sanções é diferente, pois, enquanto as multas por infração são infligidas com caráter intimidativo, as multas de mora são aplicadas com caráter indenizatório. De uma maneira mais sintética, Kelsen refere que, ao passo que o Direito Penal busca intimidar, o Direito Civil quer ressarcir, (...). Como derradeiro argumento, as multas de mora, enquanto sanções civis, Fl. 99DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN 4 qualificamse como acessórias da obrigação tributária, cujo objeto principal é o pagamento do tributo. Essa acessoriedade, em contraposição à autonomia, as tornam inconfundíveis com as multas punitivas.” A respeito da incidência da multa de mora na denúncia espontânea, cumulativamente com os juros de mora, assim se pronuncia Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, São Paulo, Saraiva, 6ª edição, 1993, p. 348/351, verbis: “Modo de exclusão da responsabilidade por infrações à legislação tributária é a denúncia espontânea do ilícito (...). A confissão do infrator, entretanto, haverá se ser feita antes que tenha início qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com o fato ilícito, sob pena de perder seu teor de espontaneidade (art. 138, parágrafo único). A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância desses requisitos, tem a virtude de evitar a aplicação de multas de natureza punitiva, porém não afasta os juros de mora e a chamada multa de mora, de índole indenizatória e destituída do caráter de punição. Entendemos, outrossim, que as duas medidas juros de mora e multa de mora por não se excluírem mutuamente, podem ser exigidas de modo simultâneo: uma e outra. O art. 138 do CTN, ao determinar que “a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora”, precisa ser interpretado em conjunto com o art. 161 do mesmo Código, que informa: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (negrito acrescentado). Consoante o art. 161, transcrito, seja qual for o motivo determinante do atraso a parcela do crédito tributário não pago no vencimento é acrescida de juros de mora e das penalidades cabíveis. Dentre essas penalidades, que precisam estar estabelecidas em lei, encontrase exatamente a multa de mora. E é cediço que as leis sempre estipularam, ao lado dos juros de mora, também a multa moratória. Assim, é que veio compor o ordenamento jurídico pátrio idêntica previsão, no artigo 61, e parágrafos, da Lei n.o 9.430/1996, verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” Fl. 100DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10909.900448/200811 Acórdão n.º 3803000.673 S3TE03 Fl. 99 5 Com o respeito que é devido à Corte Superior de Justiça, divirjo do seu entendimento e penso ser indiferente, para afastar ou não a denúncia espontânea, o fato de o contribuinte apresentar ou não a DCTF. Considerar este evento o ponto de corte entre ambos os efeitos só é possível se se desconsiderar a mecânica de apresentação desta obrigação acessória. Para o período que cobre a apuração dos débitos deste processo, julho e agosto/2003, a obrigação de apresentar a DCTF era trimestral, e a partir do anocalendário 2005, semestral, salvo a exceção prevista, de apresentação mensal. Não há razoabilidade, cogito, em considerar que dois contribuintes que recolheram tributos com um ou dois meses de atraso, um esteja coberto pela denúncia espontânea pelo fato de descumprir a obrigação acessória de apresentar a DCTF, destaquese, três ou seis meses depois do fato gerador, e após o pagamento atrasado, e o outro não esteja, pelo fato de têla cumprido. Segundo este critério, quem errou mais será mais beneficiado do que quem errou menos. De imaginarse, ainda, que seguro da cobertura do dito instituto, o primeiro contribuinte pode executar um atraso deliberado de seus recolhimentos, enquanto o segundo, que pode têlos executado por dificuldade financeira, submeterse a um ônus maior com o pagamento da multa, sendo correto no cumprimento de sua obrigação acessória. Por isso, não vejo nenhuma razão para a dicotomia. Depreendo que o efeito deste lapso de tempo entre o pagamento atrasado e a posterior apresentação da DCTF pode não ter sido sintonizado pela E. Corte Superior. Destaquese uma vez mais, ante a mecânica descrita acima, que a lei conferiu ao contribuinte a prerrogativa de substituir o Poder Público no procedimento de apurar o próprio quantum debeatur e recolhêlo “sem prévio exame da autoridade administrativa”, mantida a (prerrogativa) da Fazenda de, “tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa” dentro do prazo “de cinco anos a contar do fato gerador.”. Ademais, no caso concreto, como remate de todos os argumentos expendidos, na data da transmissão da DComp, 08/10/2004, ela tinha o mesmo efeito de confissão de dívida da DCTF, consoante o art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 10.833/2003. Art. 17. O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. [...]. § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Em conseqüência, os débitos por ela compensados podem ser objeto de remessa à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de inscrição na Dívida Ativa, tal como ocorre com os confessados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Noutra palavra, isto significa que cai por terra o argumento da recorrente de que efetuou a extinção do débito, por meio da compensação, antes de ser declarado/constituído, pois a própria declaração de compensação foi o meio dessa constituição. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso Fl. 101DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN 6 Sala das sessões, 24 de agosto de 2010 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 102DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10183.006496/2005-09
Data da sessão: Thu May 21 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
No tocante à Área de Preservação Permanente, deve ser considerada a área de 200ha declarada pelo contribuinte e comprovada por laudo técnico produzido por engenheiro agrônomo com a devida ART.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. FALTA DE AVERBAÇÃO.
Não se pode excluir da área tributável, para fins de incidência do ITR, área declarada pelo contribuinte como reserva legal que não se encontre devidamente averbada à margem da matrícula do registro do imóvel.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3201-000.138
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para afastar a exigência
relativa a 200ha de área de preservação permanente, e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto à área de reserva legal.
Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Nilton Luiz Bartoli e Heroldes Bahr Neto, que davam provimento também nesta parte. Designada para redigir o voto vencedor, nesta parte, a Conselheira Anelise Daudt Prieto.A Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, que, quanto à área de reserva legal, dava provimento para acolher a área de 2.259,8ha, em segunda votação, aderiu à posição vencedora.
Nome do relator: José Luiz Feistauer de Oliveira – Relator ad hoc
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Recorrente MOZART ROSSI VILELA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 Ementa: ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. No tocante à Área de Preservação Permanente, deve ser considerada a área de 200ha declarada pelo contribuinte e comprovada por laudo técnico produzido por engenheiro agrônomo com a devida ART. ÁREA DE RESERVA LEGAL. FALTA DE AVERBAÇÃO. Não se pode excluir da área tributável, para fins de incidência do ITR, área declarada pelo contribuinte como reserva legal que não se encontre devidamente averbada à margem da matrícula do registro do imóvel Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para afastar a exigência relativa a 200ha de área de preservação permanente, e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto à área de reserva legal. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Nilton Luiz Bartoli e Heroldes Bahr Neto, que davam provimento também nesta parte. Designada para redigir o voto vencedor, nesta parte, a Conselheira Anelise Daudt Prieto.A Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, que, quanto à área de reserva legal, dava provimento para acolher a área de 2.259,8ha, em segunda votação, aderiu à posição vencedora. Joel Miyazaki – Presidente atual Fl. 159DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 14/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo nº 10183.006496/2005-09 Acórdão n.º 3201-00.138 S3-C2T1 Fl. 160 2 José Luiz Feistauer de Oliveira – Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luís Marcelo Guerra de Castro, Anelise Daudt Prieto, Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Heroldes Bahr Neto, Nanci Gama, Nilton Luiz Bartoli , Celso Lopes Pereira Neto e Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Adoto na íntegra o relatório proferido pela DRJ/Campo Grande/MS, o qual passo a transcrever: “Exige-se do interessado o pagamento do crédito tributário lançado em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, relativamente ao ITR, aos juros de mora e à multa por informação inexata na Declaração do ITR – DIAC/DIAT/2002, no valor total de R$ 597.869,52, referente ao imóvel rural denominado: Fazenda Jaçanã, com área total de 18.280,5 ha, com Número na Receita Federal – NIRF 0.744.099-5, localizado no município de Nova Maringá – MT, conforme Auto de Infração de fls. 01 a 08, cuja descrição dos fatos e enquadramentos legais constam das fls. 03 e 06. Inicialmente, com a finalidade de viabilizar a análise dos dados declarados, especialmente as áreas isentas, 200,0 ha de Preservação Permanente e 14.624,4 ha de Utilização Limitada, o interessado foi intimado a apresentar, com base na legislação pertinente detalhada no Termo de Intimação, fls. 18 a 20, diversos documentos. Alguns deles foram: Certidão ou Matrícula atualizada do imóvel, constando todas as averbações dos últimos 10 anos; relativamente às áreas de Utilização Limitada, documentos que as enquadrem como de Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN ou imprestável para atividade produtiva, declarada de interesse ecológico, tais como portarias do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA; Laudo técnico caracterizando as condições e dimensões da área de Preservação Permanente de acordo com a legislação pertinente, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART e Ato Declaratório Ambiental – ADA, protocolado no IBAMA no prazo regulamentar para o exercício em análise, contendo as dimensões dessas áreas. A intimação foi emitida para os exercícios de 2000 a 2002, destacando-se que, somente, para 2000 foi solicitada comprovação da área objeto de implantação de Projeto Técnico. Em resposta, através da carta de fls. 23, foram apresentados os documentos de fls. 24 a 77, entre eles: cópia de carta-laudo discriminando o imóvel, mapa da propriedade; cópia do Termo de Intimação; da DITR; do ADA e de matrículas do imóvel. No laudo, entre outros assuntos, foi explanado sobre imagem de satélite, que comprova a vegetação e pastagem. Explicou que foi autuado por suposta queimada sem autorização, cujo pagamento da multa está sendo discutido, bem como informa que o IBAMA não emitiu, até então, a certidão autorizando a averbação de 80,0% da área, por entender que existe uma pendência relativa ao Auto de Infração Ambiental. Esse fato, corroborado com as demais explicações, justifica a não averbação de Reserva Legal de 80,0% nas matrículas, não por falta de vontade e, sim, por impedimento do Órgão Ambiental. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 14/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo nº 10183.006496/2005-09 Acórdão n.º 3201-00.138 S3-C2T1 Fl. 161 3 Com a análise da documentação, relativamente às áreas isentas, a autoridade fiscal verificou que o laudo não discriminou, caso a caso, as de Preservação Permanente com base no enquadramento legal. Com referência à área de Utilização Limitada, apenas parte da dimensão declarada consta de averbação na matrícula do imóvel em data anterior à do fato gerador. Tendo em vista a referida constatação de ausência de comprovação no tocante à Preservação Permanente foi procedida à glosa da mesma; relativamente à área de Utilização Limitada foi aceita a dimensão constante de averbação e alterados demais dados conseqüentes. As razões de fato e de direito foram expostas pela autoridade lançadora para proceder às alterações. Apurado o crédito tributário foi lavrado o Auto de Infração, cuja ciência ao interessado, de acordo com o AR de fl. 78, foi dada em 26/12/2005. Em 23/01/2006 foi apresentado Laudo Técnico de Impugnação, fls. 82 a 91, no qual, após explanar sobre os fatos até aqui conhecidos, bem como reproduzindo parte do Auto de Infração, além da questão especifica do exercício 2000, área objeto de projeto técnico, o impugnante alegou, em síntese, o seguinte: Em da Área de Preservação Permanente, explanou sobre a legislação respectiva para dizer que a preservação permanente existe pelo só efeito da lei, não é preciso averbar e nem demarcar e prosseguiu no assunto, definindo esse tipo de área com base na lei e afirma que é exatamente o que ocorre no imóvel. Relativamente às matrículas comentou sobre as averbações. Lembrou da apresentação na primeira impugnação, inclusive com documentos comprobatórios e justificativas, que entende ser perfeitamente válidas a respeito do assunto. Disse resumir e reiterar sua argumentação, na qual, entre outros assuntos, afirma que em 2000, da área total, apenas 2.800,0 ha eram destinados à produção, vegetal e pastagem, o resto era mata nativa. Afirmou a existência de averbação de 50,0% de área de Utilização Limitada, que pela localização, Amazônia Legal, deverá ser de 80,0%. Na seqüência comentou sobre o ADA e, relativamente ao IBAMA, reiterou a questão da não emissão de certidão para averbação dos 80,0%. Repetiu que, como não foi ainda desmatada, ainda existe tal área, não havendo outra razão para não averbar na matrícula. Destacou que no ADA as áreas já estão declaradas e reiterou a questão da certidão do IBAMA. Nas considerações finais disse esperar ter expressado de forma compreensível a intimação e coloca-se a disposição para esclarecimentos que se fizerem necessários. Das fls. 95 a 98 constam providencias quanto à comprovação de identificação e assinatura do impugnante.” Das fls. 116 a 122 constam o julgamento da DRJ Campo Grande – MS, o qual julgou o lançamento procedente em parte, onde a ementa passo a transcrever: Fl. 161DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 14/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo nº 10183.006496/2005-09 Acórdão n.º 3201-00.138 S3-C2T1 Fl. 162 4 “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 Preservação Permanente - Reserva Legal Para ser considerada isenta a área de reserva legal, além de estar devidamente averbada na matrícula do imóvel, deve ser reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental - ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR, e tem como requisito básico a referida averbação. Da mesma forma a área de preservação permanente necessita do ADA para sua isenção, além do laudo técnico específico que demonstre em quais artigos da legislação pertinente se enquadram as pretensas áreas. Lançamento Procedente” Às efls. 123/129, o Recorrente apresentou recurso voluntário, no qual sustenta que a ementa da decisão recorrida é clara no pertinente aos limites da controvérsia, no que tange a: (i) averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel; (ii) requerimento do Ato Declaratório Ambiental – ADA, protocolado no IBAMA, até seis meses após o prazo final para entrega da declaração do ITR e, por fim, (iii) laudo técnico específico que demonstre em quais artigos da legislação pertinente se enquadram as pretensas áreas. O Recorrente ainda alega que as exigências apontadas nos itens “i” e “ii” foram sepultadas por verdadeira avalancha de decisões deste Conselho de Contribuintes, e quanto ao item “iii”entende bastante o que já está nos autos. Todavia, observado o princípio da verdade material, encomendou outro laudo técnico, constante às fls. 125 a 140. Por fim, em seu recurso, o Contribuinte requer o recebimento, processamento, conhecimento e, com fundamento no art. 59, § 3º, do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, que seja provido no mérito para julgar improcedente o lançamento. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira, Redator ad hoc Por intermédio de despacho do Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento deste CARF, nos termos da disposição dos art. 17, III e 18, XVII, do RICARF, e do art. 1º, I, da Portaria CARF nº 24, de 25 de maio de 2015, incumbiu-me o Senhor Presidente de formalizar o Acórdão nº. 3201-00.138, em razão de a relatora original deste processo, a ex- conselheira Nanci Gama, bem como a redatora do voto vencedor, a ex-conselheira Anelise Daudt Prieto, não mais integrarem nenhum dos Colegiados deste Conselho. Desta forma, tem-se que a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pela relatora original e pela redatora designada para redigir o voto vencedor. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 14/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo nº 10183.006496/2005-09 Acórdão n.º 3201-00.138 S3-C2T1 Fl. 163 5 A relatora original apresentou a minuta do voto na sessão de julgamento, a qual será integralmente adotada na presente formalização. Transcreve-se, a seguir, o voto que consta da minuta apresentada: “Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário por conter matéria de competência deste Egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes. Recorre o contribuinte do acórdão proferido pela 1ª turma da DRJ/CGE em Campo Grande – MS, que julgou o procedente lançamento, objeto do presente processo, consubstanciado no Auto de Infração em matéria de ITR – Imposto sobre Território Rural, exercício de 2002, referente ao imóvel denominado “Fazenda Jaçanã”, localizado no Município de Nova Maringá – MT. Com efeito, não foram aceitas pela fiscalização a área de preservação permanente, e área de reserva legal declaradas pelo Contribuinte, bem assim considerados em sua maior parte. Por conseguinte, no tocante à Área de Preservação Permamente, entendo por considerar a área declarada pelo contribuinte, e comprovada por laudo técnico produzido por engenheiro agrônomo com a devida ART, como sendo de 200,00 ha, e não de “zero” como considerado na decisão da DRJ de Campo Grande. Vale ressaltar, ademais, a não comprovação por parte do Fisco da inexistência da mata ciliar de Preservação Permanente, demonstrada em laudo técnico antes mencionado. Ressalte-se ainda que, não obstante entender que não há a necessidade de apresentação de ADA para comprovação da área de preservação permanente ou, até mesmo, da área de reserva legal, especialmente, quando demonstrada por outros meios de provas, o recorrente trouxe aos autos Ato Declaratório Ambiental – ADA, o qual consta a Área de Preservação Permanente como sendo de 200,00 ha, exatamente como por ele declarado. Quanto à Área de Reserva Legal entendo bastante o Laudo Técnico acostado aos autos e a Lei nº 4.771/65 – Código Florestal, para comprovar o sustentado pelo Recorrente no sentido de 80% da área do imóvel em questão ser de Reserva Legal devido ao fato da fazenda em voga encontrar-se em área de floresta localizada na Amazônia Legal, suprimindo, dessa forma, a exigência dos diversos documentos solicitados pelo Fisco para comprovação da Área de Reserva Legal, a ver: “Art.16.As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo I-oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; (...) §6 o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: Fl. 163DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 14/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo nº 10183.006496/2005-09 Acórdão n.º 3201-00.138 S3-C2T1 Fl. 164 6 I-oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal;” Ressalto, ainda, que o Contribuinte alega que o IBAMA não emitiu a devida certidão autorizando a averbação de 80% da área de Reserva Legal, conforme disposto no art. 37 da Lei nº 4.771/65 – Código Florestal, devido a uma autuação por uma suposta queimada sem autorização, cujo pagamento da multa está sendo discutido em Auto de Infração Ambiental. Por todo exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para reconhecer a Área de Preservação Permanente e a Área de Reserva Legal declaradas pelo Contribuinte.” Nestes termos, portanto, o voto proferido pela relatora original. José Luiz Feistauer de Oliveira Voto Vencedor José Luiz Feistauer de Oliveira, Redator ad hoc Trata-se de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte já identificado, para exigência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR/2002, multa de ofício de 75% e juros de mora, perfazendo o total de R$ 597.869,52 Conforme se vê à efl. 3, o contribuinte teve glosada, em sua totalidade, a área de preservação permanente, declarada em 200ha, em razão de o laudo apresentado não haver discriminado a referida área. Foi também glosada a área de utilização limitada, declarada em 14.624,4ha, tendo a Fiscalização considerado a área de 6.220,07ha, em razão da não apresentação da averbação da área, em cartório de registro de imóveis, à margem da matrícula do imóvel, em data anterior ao fato gerador do ITR Este voto trata apenas da parte discordante em relação ao voto do relator, relativa à área de reserva legal, tendo em vista que a área de preservação permanente foi reconhecida por unanimidade de votos. Da Área de Reserva Legal Razão não assiste ao contribuinte quanto à desnecessidade de averbação da área de reserva legal. Na apreciação de processos que tratavam dessa matéria, esta Conselheira, na linha do pensamento preconizado pela Primeira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, vinha adotando o entendimento de que a comprovação da existência da área de reserva legal não estava condicionada à sua averbação na matrícula do registro do imóvel, podendo ser comprovada a sua existência por meio de outras provas idôneas. Todavia, refletindo melhor sobre o tema, passei a adotar entendimento diverso, firme em tal convicção e nos termos a seguir expostos. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 14/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo nº 10183.006496/2005-09 Acórdão n.º 3201-00.138 S3-C2T1 Fl. 165 7 A Lei nº. 9.393/96 exclui a área de reserva legal da área tributável para fins de incidência do ITR, a saber: Art. 10. (...) § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (...) II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) A definição da área de reserva legal é dada pelo Código Florestal Brasileiro (Lei nº. 4.771/1965): Art. 1°. (...) (...) § 2 o Para os efeitos deste Código, entende-se por: (redação dada pela MP n o 2.166-67, de 24/8/2001) (...) III - Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas; O art. 16 do Código Florestal normatiza a área de reserva legal em diversos aspectos, estabelecendo o seguinte: Art. 16 (...) § 2 o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (acrescentado pela MP n o 2.166-67, de 24/8/2001) Interpretar a norma é alcançar-lhe o sentido e não apenas ater-se ao mero significado literal das palavras. A lei não traz em si palavras inúteis, sendo que todos os termos nela utilizados desempenham uma função útil na disposição normativa. Assim, entender que o Código Florestal não cria a obrigação da averbação à margem da inscrição de matrícula do registro do imóvel da área de reserva legal é ater-se a uma interpretação extremamente superficial e descabida. O fato de a lei utilizar-se da palavra “deve”, não quer dizer que não traz em si um comando. “Dever”, nos termos utilizados pela lei, não é mero aconselhamento, não é mero indicativo de uma possibilidade. Observe-se o disposto no §4º do mesmo artigo: § 4 o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes Fl. 165DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 14/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo nº 10183.006496/2005-09 Acórdão n.º 3201-00.138 S3-C2T1 Fl. 166 8 critérios e instrumentos, quando houver: (acrescentado pela MP no 2.166-67, de 24/8/2001) O mesmo diploma legal traz, neste parágrafo, outro momento em que se utiliza da palavra “deve” e, no entanto, não se há de interpretar que seja prescindível a aprovação da localização da reserva legal pelo órgão ambiental competente ou outra instituição devidamente habilitada, pois, se assim o fosse, qualquer pessoa poderia tomar uma área e atribuí-la como sendo de reserva legal, sem nenhuma aprovação prévia do Poder Público. Do mesmo modo, não pode o órgão responsável, ao aprovar a localização de uma reserva legal, prescindir de avaliar a função social da propriedade, simplesmente por entender que a palavra “deve” não lhe imputa uma obrigação. Assim, a pretensa área de reserva legal cuja localização não tenha sido aprovada pelo órgão ambiental competente, nos termos do §4º do art. 16 do Código Florestal, poderá ser qualquer outra área, mas nunca será a área de reserva legal caracterizada na lei, vez que para assim ser considerada e gozar de todas as prerrogativas que a legislação lhe confira, será necessário obedecer àquela determinação. Do mesmo modo, a pretensa área de reserva legal que não esteja averbada à margem da matrícula do registro do imóvel, nos termos do §8º do art. 16 da Lei nº. 4771/1965, também poderá ser qualquer outra área, mas nunca será área de reserva legal prevista na lei, por descumprir elemento essencial à sua caracterização, não podendo, portanto, gozar dos benefícios que a legislação porventura venha a lhe atribuir. Tal medida visa - e aí sim é captar a mens legis - não simplesmente que a área exista de fato, mas sim criar mecanismos de proteção da área para que ela exista de fato ao longo do tempo. O sentido da lei não é a mera existência de fato da área, mas a proteção para viabilizar a existência de fato da área. Retirar esse mecanismo de proteção que o legislador criou é esvaziar o conteúdo da lei. Nesse ponto, valho-me do posicionamento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, no Voto proferido pelo Exmº. Sr. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, nos autos do Recurso em Mandado de Segurança nº. 18.301-MG, processo nº. 2004/0075380-0, do qual transcrevo excertos: “ A controvérsia cinge-se à correta interpretação dos arts. 16 e 44 da Lei nº. 4.771/65 (Código Florestal) (...) Como se dessume dos dispositivos transcritos, mormente o §8º do art. 16, há determinação de que a área de reserva legal seja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel. Mencionada determinação existe desde o advento do Código Florestal. (...) O que se tem presente é o interesse público prevalecendo sobre o privado, interesse coletivo que inclusive afeta o proprietário da terra reservada, no sentido de que também será beneficiado com um meio ambiente estável e equilibrado. Assim, a reserva legal compõe parte de terras do domínio privado e constitui verdadeira restrição do direito de propriedade. Observa-se, inclusive que o legislador responsabilizou o proprietário das terras quanto à recomposição da reserva, que deverá ser feita ao longo dos anos, na forma estabelecida no art. 99 da Lei nº. 8.171/99. Trata-se, portanto, indubitavelmente, de legislação impositiva de restrição ao uso da propriedade, considerando Fl. 166DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 14/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo nº 10183.006496/2005-09 Acórdão n.º 3201-00.138 S3-C2T1 Fl. 167 9 que, assim não fosse, jamais as reserva legais, no domínio privado, seriam recompostas, o que abalaria o objetivo da legislação de assegurar a preservação e equilíbrio ambientais. (...) Nesse sentido, desobrigar os proprietários da averbação é o mesmo que esvaziar a Lei nº. de seu conteúdo. (...) Assim, entendo que não agiu o magistrado com acerto ao baixar uma portaria, com base em interpretação da Lei nº. 4.177/65, que desconsiderou o bem jurídico por ela protegido, como se averbação na Lei referida tratasse-se de ato notorial, e não obrigação legal.” Assim, entendo ser indubitável a obrigação da averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do registro imobiliário para que referida área possa ser excluída da área tributável para fins de cálculo do ITR. Não se trata de prevalecer a forma sobre o fato, mas de cumprimento do comando da lei, visando a proteção de bem jurídico tutelado. No caso em questão, verifica-se que o contribuinte, à época do fato gerador do ITR/2002, possuía averbada uma área de utilização limitada de 50% do imóvel (vide efl. 80), que perfazia um total de 6.220,0ha, referentes aos imóveis constantes dos registros às efls. 78 e 79, de 6.134,ha e 6.306ha, respectivamente, razão pela qual somente esta área de 6.220,0 área foi excluída da incidência do ITR-2002. Nada há, portanto, o que se reparar na autuação. Restando a área averbada na matrícula do registro imobiliário como reserva legal, correto o entendimento da autoridade autuante que reconheceu apenas a área de 6.220,07ha como de utilização limitada (reserva legal) excluindo-a do cálculo do ITR-2002. Nestes termos, portanto, o Colegiado DEU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, tão somente para afastar a glosa relativa a 200,0ha de área de preservação permanente. Essas são as considerações possíveis para suprir a inexistência dos votos vencidos e vencedor. José Luiz Feistauer de Oliveira Fl. 167DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 14/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA
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Numero do processo: 10980.007175/2004-47
Data da sessão: Thu Apr 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES
Ano-calendário: 2003
EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXCESSO DE RECEITA BRUTA GLOBAL Não podem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, e a receita bruta global ultrapasse o limite anual fixado em lei, ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARFn° 2).
EXCLUSÃO. RETROATIVIDADE, A exclusão do Simples pode operar efeitos retroativos à data da situação impeditiva, nos casos em que a lei assim
prevê.
INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES DIREITO ADQUIRIDO O ingresso ou a permanência no Simples é situação precária, sujeita à reapreciação da satisfação dos requisitos exigidos em Lei, seja pela própria contribuinte, seja pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
Numero da decisão: 1101-000.272
Decisão: Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso para manter a exclusão do contribuinte do SIMPLES, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES Ano-calendário: 2003 EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXCESSO DE RECEITA BRUTA GLOBAL Não podem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, e a receita bruta global ultrapasse o limite anual fixado em lei, ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARFn° 2). EXCLUSÃO. RETROATIVIDADE, A exclusão do Simples pode operar efeitos retroativos à data da situação impeditiva, nos casos em que a lei assim prevê. INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES DIREITO ADQUIRIDO O ingresso ou a permanência no Simples é situação precária, sujeita à reapreciação da satisfação dos requisitos exigidos em Lei, seja pela própria contribuinte, seja pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
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EXCESSO DE RECEITA BRUTA GLOBAL Não podem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, e a receita bruta global ultrapasse o limite anual fixado em lei, ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARFn° 2). EXCLUSÃO. RETROATIVIDADE, A exclusão do Simples pode operar efeitos retroativos à data da situação impeditiva, nos casos em que a lei assim prevê. INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES DIREITO ADQUIRIDO O ingresso ou a permanência no Simples é situação precária, sujeita à reapreciação da satisfação dos requisitos exigidos em Lei, seja pela própria contribuinte, seja pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso para manter a exclusão do contribuinte do SIMPLES, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado /Xj.CL4E.frlafi:à9SA (Presidente Substituta e Relatora EDITADO EM: 19/05/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente substituta da turma), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (vice-presidente), Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Jose Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Shelley Henrique Dalcamim, 2 Processo n' 10980 007175/2004-47 Acórdão n " 1101-00,272 S1-C/TÉ FL Relatório METALÚRGICA R.ODRIAÇO LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR, que por unanimidade de votos, INDEFERIU a manifestação de inconformidade interposta contra o Ato Declaratório Executivo n° 526,049, de 02 de agosto de 2004, emitido pelo Delegado da Receita Federal em Curitiba/PR (fl. 16), o qual a excluiu do SIMPLES al partir de 01/01/2003. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: A contribuinte acima qualificada, mediante Ato Declaratório Executivo 526.049, de 02 de agosto de 2004, de emissão do Delegado da Receita Federal em Curitiba, foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), com efeitos a partir de 01/01/2003, informando como causa do evento a atividade económica vedada à opção, no caso, "sócio ou titular participa de outras empresas com mais de 10% e a receita bruta global no ano-calendário de 2002 ultrapassou o limite legal", previsto no artigo 9o, inciso IX da Lei n° 9.317, de 1996. Inconformada, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade de lis. 18/24, onde alega; que o ato de exclusão não está fundamentado e a situação, excludente não restou comprovada, devendo ser declarado nulo; que a jurisprudência tem se manifestado favorável à sua tese; que a legislação norteadora é a Instrução Normativa SRF n° 3.55, de 29/08/2003, que transcreve na seqüência, que embora a norma estabeleça algumas hipóteses de exclusão, caso esta seja imotivada, deverá ser considerada inconstitucional, que as vedações previstas na lei ferem o disposto na Constituição Federal, principalmente no que tange à isono mia, conforme orientação de Célio Armando Janczesk-i; que o efeito retroativo do ato fere o princípio da irretroatividade, conforme já decidido pelo TRF da 3a Região e, assim, requer; a reforma do ato atacado, a não cobrança de valores retroativos, e que seja considerado o fato de, em 22/12/2003 ter havido alteinção do Contrato Social para excluir do quadro societário da reclamante o sócio portador do CPF 071 875.309-78. A 2 Turma da DR.J/Curitiba afastou tais alegações argumentando que: o o ato recorrido é valido, porque regularmente formalizado e compreendido pelo interessado, com conseqüente enfrentamento dos motivos que o ensejaram, o Extrapolado o limite de receita bruta no ano-calendário 2002, tendo em conta as empresas das quais o sócio identificado pelo CPE 071 875.309-78 participa, cumpria à interessada promover sua exclusão do SIMPLES a partir de 01/01/2003, o que não fez_. ensejando a exclusão de oficio, com efeitos retroativos àquela data.. • A alegação de que o sócio em questão deixou de compor o quadro, societário da reclamante a partir de 22/12/2003 também não a socorre, posto que a situação que determinou sua exclusão ao Simples ocorreu em 31/12/2002 o Caso a contribuinte entenda que preenche os requisitas para aderir ao beneficio, cabe a ela tomar as medidas cabíveis, previstas na norma, para pleitear um novo ingresso, assegurada a possibilidade de nova exclusão, caso reste caracterizado qualquer impedimento, Cientificada da decisão de primeira instância em 19/12/2007 (fl. 26), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 15/01/2008 (fls. 27/31). Questiona não se ter levado em conta que o simples fato do contribuinte não ter observado o cumprimento de uma obrigação acessória, não o impossibilita de continuar a participar do regime ao qual aderiu para pagamento de impostos de forma simplificada, cumprindo de forma adequada a obrigação principal, esta sim obrigatória. Apenas teria deixado de informar tempestivamente a retirada de sócio, e não poderia por isso arcar com o pagamento de tributos retroativamente, Invoca ofensa à segurança jurídica, uma vez que a mesma possui todos os meios necessários, para que dentro do próprio exercício, sejam tomadas as providências no sentido de informar, que o contribuinte está violando as normas em vigor para a continuidade neste regime. Pede, também, que não se deixe de avaliar a função social da empresa, a qual gera empregos e desenvolvimento para a nação, Em seu entendimento, a inscrição no Simples não é ato de vontade do contribuinte, mas ato administrativo unilateral de competência de autoridade vinculada à Secretaria da Receita Federal, de tal sorte que inscrição só ganha eficácia e passa a produzir efeitos . jurídicos após decisão da autoridade, comprovando estarem presentes, naquele momento, todos os requisitos exigidos por lei para a fruição dos benefícios do sistema SIMPLES. E assim sendo, o Estado vincula-se àquele ato decisório por ele mesmo produzido, através de órgão seu, não se admitindo o desfazimento do ato e suas conseqüências por motivo diverso da ilegalidade, quando os efeitos da invalidação do ato operam-se "ex tunc", isto é, retroativamente, Admitida a inclusão, esta deve ser mantida até o momento da exclusão, quando verificou-se não mais estarem presentes os requisitos exigidos para a permanência no SIMPLES, decisão essa que tem efeitos "ex nunc". Destaca que o termo inicial da exclusão deveria ser 02/09/2004, mês seguinte ao do ato declaratório, consoante entendimento esposado pelo Tribunal Regional Federal TRF/3 a Região e entendimento trazido pela Lei n° 11.196/2005. Outrossim há que se considerar que no ano de 2003 a causa do impedimento foi sanada, tendo sido excluído do quadro social o sócio causador do litígio, não havendo óbice para a permanência da pessoa jurídica no sistema simplificado de tributação Logo o ato administrativo perdeu seu efeito na totalidade devido à falta de interesse de agir da Administração, devendo ser anulado.. Cita entendimento do 'TRF/4" Região neste sentido, Argúi genericamente a inconstitucionalidade de várias das legislações elencadas no auto que está a embasar tal exigência e invoca sua apreciação na esfera administrativa com vistas a evitar demanda judicial, É o relatório Processo n° 10980 007175/2004-47 S1-C111-fi Acórdão n° 1101-00.272 FL 3 Voto Conselheiro EDELI PEREIRA BESSA A recorrente não discute o motivo apresentado para sua exclusão da sistemática simplificada de recolhimento. Alega apenas que tal causa foi sanada com a. exclusão do sócio e, como os efeitos do ato questionado, em seu entendimento, somente poderiam se operar a partir de sua edição, sua permanência no SIMPLES estaria garantida cotim a regularização antes promovida. Não há dúvida, portanto, que sócio ou titular da recorrente participa de outras empresas com mais de 10% e a receita bruta global no ano-calendário de 2002 ultrapassou o limite de R$ 1 200 000,00, E, neste contexto, importa inicialmente esclarecer que a adesão dar contribuinte ao SIMPLES FEDERAL não implica direito adquirido de ingresso ou permanência na referida sistemática. A recepção ou o aceite da Receita Federal se faz semi qualquer crítica acerca do cumprimento dos requisitos de admissibilidade/permanência, conformidade com o que disciplina a Lei n° 9,317/96 Isto porque a Lei admite que a contribuinte, a juízo próprio e exclusivo., ingresse na sistemática simplificada de recolhimento mediante alteração cadastral prevista no seu art. 8', §1 0, e só depois incumbe a RFB de apreciar cumprimento dos requisitos necessários ao ingresso ou permanência do interessado naquela universo, encargo este dividido com a própria contribuinte, que deve pleitear sua exclusão ao constatar que se enquadra em uma das vedações previstas (art. 8', § 6° e art. 13, caput, inciso II, e seu § 3°, ambos da Lei rf 9,317/96), Para maior clareza, as disposições legais referidas são, a seguir, transcritas: Art. 8° A opção pelo SIMPLES dar-se-á mediante a inscrição da pessoa jurídico enquadrada na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda - CGC/MF, quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto: 1- especificação dos impostos, dos quais é contribuinte (IPI, ICMS ou ISS),- II - ao porte da pessoa jurídica (microempresa ou empresa de pequeno porte). § I° As pessoas jurídicas já devidamente cadastradas no CGC/MF exercerão sults opção pelo SIMPLES mediante alteração cadastral. 2° A opção exercida de conformidade com este artigo submeterá a pessoa jurídica à sistemática do SIMPLES a partir do primeiro dia do ano-calendário subsequente, sendo definitiva para todo o período áç 3° Excepcionalmente, no ano-calendário de 1997, a opção poderá ser efetuada até 31 de março, com efeitos a partir de 1° de janeiro daquele ano .§ 4' O prazo para a opção a que se refere o parágrafo anteiior poderá sor prorrogado por ato da Secretaria da Receita Federal. 5° As pessoas jurídicas inscritas no SIIVIPLES deverão manter em seus estabelecimentos, em local visível ao público, placa indicativa que esclareça tratar- r.‘ se de microempresa ou empresa de pequeno porte inscrita no SIMPLES .5"Cir § 6o O indeferimento da opção pelo SIMPLES, mediante despacho decisório de autoridade da Secretaria da Receita Federal, submeter-se-á ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972 (Incluído pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003) [ Art 13 A exclusão mediante comunicação da pessoa juridica dar-se-á: - por opção, II - obrigatoriamente, quando [ 1 § 3° No caso do inciso II e do parágrafo anterior, a comunicação deverá ser efetuada. a) até o último dia útil do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente àquele em que 5e deu o excesso de receita bruta, nas hipóteses dos incisos I e lido art 9', b) até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que houver ocorrido o fato que deu ensejo à exclusão, nas hipóteses dos demais incisos do art. 9° e da alinea "b" do inciso ii deste artigo. Precedentes da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça confirmam o efeito declaratório do ato de exclusão, atribuindo-lhe eficácia retroativa se a lei assim prevê, e evidenciando que não se cogita, neste âmbito, de direito adquirido: SIMPLES LEI 9.317/96 EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO EFEITOS INCIDENTES NOS TERMOS DO ART 15 DA LEI 9317/96. FALTA DE PREOLIESTION,WENTO. INOCORRENCIA I - A questão central do presente recurso é descobrir se os efeitos tributários da exclusão do SIMPLES se dão a partir da notificação da exclusão ou nos termos do art 15 da Lei 9.317/96, a partir da data da ocorrência da situação que originou a exclusão II - Conforme relatado no v acórdão, foi constatada pela autoridade impetrada ocorrência de situação excludente, na forma da lei, configurada pela participação de um dos sócios com mais de 10% do capital de outra empresa e extrapolação da receita bruta global no ano-calendário 2002, promoveu-se, acertadamente a exclusão da impetrante do SIMPLES a partir de 1°/01/2003 Assim, a Receita Federal, em 02/08/2004, identificando situação excludente ocorrida em 31/12/2002, declarou a exclusão do contribuinte do SIMPLES, determinando os efeitos deveriam ter como termo a quo a data da ocorrência da situação que originou a exclusão, ou seja, 1 0/03/2003, for força do disposto no art. 15, II, da Lei 9 317/96, sendo que a notificação só ocorreu em 26/08/2004. III - Considerando que os recolhimentos por este Sistema são feitos sob lançamento por homologação, deveria a recorrente, sabendo que não era considerada empresa de pequeno porte, adimplir seus tributos de acordo com a legislação aplicável ás demais empresas, e não pela Lei 9 317/96. IV - Ademais, o ato de exclusão do SIMPLES é apenas declaratório, pois a empresa-recorrida já não era beneficiária do Sistema desde 1° de janeiro de 2003, conforme preceitua o art 15, IV, da Lei 9 317/96 Precedente: REsp ri° 1 039 973/RS, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Die de 27/08/2008 - Agravo regimental improvido. (REsp n° 1 021.095/RS, Data do .Julgamento: 04/11/2008, publicado no Die em 31/03/2009) SIMPLES EXCLUSÃO RETROATIVIDADE. INOCORRÊNCIA CONFLITO APARENTE DE NORMAS INOCORRÊNCIA. 6 Processo n°10980 007175/2004-47 Acórclào n " 1101-00272 SI-C11-1 H 4 I - Considerando que os recolhimentos por este Sistema são feitos sob lançamento por homologação, deveria a recorrente, sabendo que não era considerada empresa de pequeno porte, adimplir seus tributos de acordo com a legislação aplicável às demais empresas, e não pela Lei 9.317/96. II - O ato de exclusão do SIMPLES é apenas declaratório, pois a empresa- recorrente já não era beneficiária do Sistema desde 1"de janeiro de 2004, tendo em vista a ultrapassagem do limite de receita bruta previsto no art 9" do referido diploma legal III - No que pertine ao art. 103 do CTN, melhor sorte não assiste a recorrente, eis que, pelo princípio da especialidade, no caso de conflito aparente de 'w mas, leis especiais são aplicáveis em detrimento das gerais - lex especialis derrogai generali.. IV - Recurso especial improvido. . (REsp n° 1.039 973/RS, Data do Julgamento: 17/06/2008, publicado no DJe em 27/08/2008) Assim sendo, tem a contribuinte o dever de adotar a sistemática normal de recolhimento de tributos a partir do dia seguinte ao ano-calendário em que exceder o limite fixado para receita global das empresas de que seu sócio participa. Se não o faz, sujeita-se à exclusão de oficio por parte da Receita Federal, E, quanto aos efeitos deste ato, importa lembrar que o art. 73, da Medida Provisória n° 2,158-34, de 27 de julho de 2001, convalidada pela Medida Provisória ri° 2158-35, de 24 de agosto de 2001, que permaneceu vigente por força da Emenda Constitucional n° 32, de 11 de setembro de 2001, alterou a redação do art. 15 da Lei n° 9 317, de 1996, passando a haver autorização legislativa para que a exclusão se desse com efeitos retroativos à data da situação excludente. De fato, antes da referida alteração, a Lei n° 9,317/96, por força da redação atribuída pela Lei n° 9732/98, estipulava que a exclusão do SIMPLES FEDERAL, na maioria dos casos (incisos III a XIV do art.. 9° daquela Lei), somente surtiria efeitos a partir do mês subseqüente àquele em que se procedesse à exclusão: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: III - constituída sob a forma de sociedade por ações, IV - cuja atividade seja banco comercial, banco de investimentos, banco de desenvolvimento, caixa econômica, sociedade de crédito, financiamento e investimento, sociedade de crédito imobiliário, sociedade corretora de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidora de títulos e valores mobiliários, empresa de arrendamento mercantil, cooperativa de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidade de previdência privada aberta,- V - que se dedique à compra e à venda, ao tateamento, à incorporação ou à construção de imóveis, VI - que tenha sócio estrangeiro, residente no exterior,. VII - constituída sob qualquer forma, de cujo capital participe entidade da administração pública, direta ou indireta, federal, estadual ou municipal; VIII - que seja filial, .sucursal, agência ou representação, no país, de pessoa jurídica com sede no exterior, Lk" - cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do cri 2°, X- de cujo capital participe, como sócio, outra pessoa juridica; Xl - cuja receita decorrente da venda de bens importados seja superior a 50% (cinqüenta por cento) de sua receita bruta total, XII - que realize operações relativas a a) importação de produtos estrangeiros, h) locação ou administração de imóveis,. c) armazenamento e depósito de produtos de terceiros, J) propaganda e publicidade, excluídos os veículos de comunicação, e) factor D prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mão-de-obra, XIII - que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor; músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, fisico, químico, economista, contador; auditor, consultor; estatístico, administrador; programador; analista de sistema, advogado, psicólogo, professor jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida, ,X1V - que participe do capital de outra pessoa jur •idica, ressalvados os investimentos provenientes de incentivos fiscais efetuados antes da vigência da Lei nO 7 256, de 27 de novembro de 1984, quando se tratar de microempresa, ou antes da vigência desta Lei, quando se tratar de empresa de pequeno porte, XV que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa, XVI- cujo titular, ou sócio que participe de seu capital com mais de 10% (dez por. cento), esteja inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa, XVII- que seja resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica, salvo em relação aos eventos ocorridos antes da vigência desta Lei; XVIII - cujo titular, ou sócio com participação em seu capital superior a 10% (dez por cento), adquira bens ou realize gastos em valor incompatível com os rendimentos por ele declarados. Art 15 A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts 13 e 14 surtirá efeito LI II - a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão, ainda que de oficio, em virtude de constatação de situação exchidente prevista nos incisos III a "Will do art. 9 0, (Redação dada pela Lei n°9.732, de 11.12 1998) Admitia-se, portanto, que mesmo praticando atividades vedadas pela Lei, a contribuinte permanecesse na sistemática simplificada de recolhimento até que ela pleiteasse sua exclusão ou, antes disso, que a autoridade administrativa promovesse a exclusão de oficio Esta impropriedade foi corrigida com a Medida Provisória n° 2158, desde sua edição de 27/07/2001, atribuindo ao art is, inciso ri da Lei ri° 9 317/96 a seguinte redação: Ari 73 - O inciso II do art. 15 da Lei n° 9 317, de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação. 8 Processo nu 10980 007175/2004-47 S1-C1T1 Acórdão n ° 1101-00,272 F1 5 — a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóte.ses de que tratam os incisos III a XIX do art Disto já se vê que não há qualquer dubiedade quanto ao sentido da expressão "situação excludente". A evolução legislativa mostra que os efeitos da exclusão deixaram de ter por referência o ato que a declara e passaram a retroagir ao fato que a enseja, ainda que posterior seja a sua declaração. Impróprio, assim, caracterizar como "situação excludente" a versão do fato excludente em linguagem, mediante edição do ato de exclusão pela autoridade competente. Esclareça-se que a redação trazida com a Medida Provisória n° 2 158- 34/2001 subsistiu, relativamente à maior parte das vedações antes mencionadas, após a edição da Lei n° 1L196/2005 (fruto da conversão da Medida Provisória n° 255/2005), que assim dispôs: Art. 33. Os arts 2°c 15 da Lei n° 9 317, de 5 de dezembro de 1996, passam a vigorai. com a seguinte redação ,] II - a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do capta do art 90 desta Lei; VI - a partir do ano-calendário subseqüente ao da ciência do ato declaratório de exclusão, nos casos dos incisos XV e XVI do capta do art.. 9" desta Lei. ,§ 5' Na hipótese do inciso VI do capta deste artigo, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples mediante a comprovação, na unidade da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o seu domicílio fiscal, da quitação do débito inscrito no prazo de até 30 (trinta) dias contado a partir da ciência do ato declaratório de exclusão." Art. 132. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos.' ,1 - desde 14 de outubro de 2005, em relação ao disposto - a) no art 33 desta Lei, relativamente ao art. 15 da Lei n" 9.317, de .5 de dezembro de 1996, E , .1 Art 133 Ficam revogados. •] II - o art 73 da Medida Provisória n'2 158-35, de 24 de agosto de 2001, Confrontando a redação dos dois dispositivos, resta claro que desde a edição da Medida Provisória n° 2.158-34, e não apenas a partir da Lei n' 11.196/2005, a exclusão 9 decorrente de uma das situações previstas nos incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9', tem efeitos a partir do mês subseqüente ao que incorrer a dita vedação. A Medida Provisória n° 2 158-35/2001, que se seguiu à Medida Provisória n° 2,158-34, somente deixou de ter vigência com a revogação promovida pela própria Lei n° 11 196/2005, não se cogitando de qualquer interrupção na aplicação da norma questionada. Diante deste contexto, verificando-se a situação excludente ao final do ano- calendário 2002, quando já vigente a Medida Provisória n° 2,158-34/2001, não há dúvida que os efeitos da exclusão se operam a partir de 01/01/2003 No mais, as abordagens relacionadas à segurança jurídica, função social da empresa e outras ofensas a princípios constitucionais, conduziriam o julgamento à apreciação da constitucionalidade das normas aqui aplicadas, e antes descritas, sendo certo que o CART não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CAREn° 2). Registre-se, por fim, que relativamente ao saneamento da causa de impedimento, providenciado apenas em 2003, tal não impediria a manutenção dos efeitos da exclusão em 2004, mormente' se não provado que o contribuinte reunia todos os demais requisitos exigidos pela lei para opção pelo SIMPLES. Assim, cientificado da exclusão em 2004, com efeitos a partir de 01/01/2003, somente lhe restava pleitear seu ingresso no SIMPLES a partir de 01/10/2005, não sendo o recurso voluntário o meio para implementação de tal pretensão. Por todo o exposto, VOTO no sentido de negar provimento ao recurso voluntário e reconheço a validade do Ato Declaratório Executivo DRE/CTA n° 526 049, de 02 de agosto de 2004, que excluiu a contribuinte da sistemática do SIMPLES FEDERAL a partir de 01/01/2003. 20 dt'llít,uit&c--/a-VDELI PEREIRA BESSA - Relatora 10
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Numero do processo: 10880.012924/95-42
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. IRPJ. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO.
- Comprovado que o lançamento remanescente foi alvo de auto de infração especifico e que o contribuinte recolheu integralmente a exigência, não há como persistir a cobrança, sob pena de exigência em duplicidade.
Numero da decisão: 1102-000.255
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Silvana Rescigno Guerra Barreto
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TRU. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS, COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO. - Comprovado que o lançamento remanescente foi alvo de auto de infração especifico e que o contribuinte recolheu integralmente a exigência, não há como persistir a cobrança, sob pena de exigência em duplicidade Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. IVETE-WALAOLJAAS PESSOA MONTEIRO - Presidente. SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relator, EDITADO EM: 03/09/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente), João Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente), José Sérgio Gomes, Silvana Rescigno Guerra Barretto (Relatora), João Otávio Opperman Thomé e Manoel Mota Fonseca (Suplente Convocado). Relatório Contra a Recorrente foram lavrados Autos de infração relativos ao IRPJ, CSLL e PIS referentes aos exercícios de 1992,1993, 1994 e 1995, em razão de efetivação de depósitos judiciais dos valores devidos, sem o cômputo de correção monetária, reduzindo desta forma o lucro líquido dos respectivos períodos, bem como de compensações indevidas de prejuízos fiscais. Cientificada do lançamento, a Recorrente apresentou Impugnação (fls. 107/127), aduzindo, em síntese, que: i) a fiscalização teria sido irregular, por não ter sido observado o art. 950, do RIR/94, enquadrando-se a conduta da autoridade administrativa corno crime de prevaricação; ii) teria havido excesso de exação e caracterizada a prática do crime capitulado no art, 316, cio Código Penal; iii) seria nulo o lançamento em razão da atualização monetária com base em índices já repudiados pelo Judiciário -- .TR e TRD; iv) seria nula a aplicação de juros moratórios, porquanto exarcebada e contrária ao comando do art. 192, §3°, da CF6/88 e do art, 1062, do Código Civil que autorizam taxa de até 6% ano; v) inaplicável a multa punitiva, em razão das declarações de rendimentos apresentadas com a demonstração da base de cálculo dos valores depositados em juízo; vi) os depósitos judiciais referentes ao PIS decorrem de ação judicial proposta contra as alterações determinadas pelos já declarados inconstitucionais Decretos-lei n.° 2A45/88 e n.° 2,449/88, e os valores referentes a COFINS foram convertidos em renda, em razão da declaração de constitucionalidade declarada pelo STF; vii) foram registrados em contas do ativo, nas demonstrações financeiras da Recorrente, de forma meramente escritura!, os depósitos judiciais efetuados, por serem indisponíveis e representarem um passivo a pagar, de forma a refletir a situação financeira da empresa; viii) a determinação do art. 320, do RIR/94 para inclusão do lucro operacional das contrapartidas de variações monetárias dos depósitos judiciais em garantia e adição à base de cálculo do IRPJ esbarrariam na Constituição Federal; ix) não teria havido acréscimo patrimonial a autorizar a exigência do IRPJ, o que ensejaria afronta aos arts., 146 e 153, III, da CF/88, e arts. 43 e 110, do CTN; x) teriam sido violados os princípios da capacidade contributiva, da vedação ao confisco, do livre acesso à jurisdição e da isonomia i) ii) v) vi) Processo n" 0880.012924/95-42 SI-C11-2 Acórdão o" 1102-00.255 Fl 487 processual, previstos nos artigos 5 0 , XXXV; 145, §1; e 150, IV, da CF/88. A 2" Turma, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador, Bahia, afastou as preliminares de nulidade e manteve, em parte, o lançamento, com base nos seguintes fundamentos: os juros de mora não foram apurados com base na TRD, mas nos termos do art. 161, do CTN e do art. 54, §2°, da Lei n.° 8.383/91 que determinam o montante de I% ao ano; cabível a imposição de multa prevista na legislação vigente, sob pena de afronta ao art. 142, do CTN, além de os valores lançados não terem sido declarados pela Recorrente, iii) as acusações quanto à suposta prática do crime de prevaricação e do excesso de exação são vagas e inexiste qualquer indício de que teriam ocorrido; iv) as autoridades .julgadoras são incompetentes para apreciar constitucionalidade de normas; não há necessidade de reconhecimento contábil da atualização monetária dos depósitos judiciais, haja vista que deverá ser apropriada com receita no exercício em que reconhecida a improcedência da pretensão fiscal, o que enseja a exoneração do crédito tributário correspondente; foram efetuadas compensações de prejuízos fiscais, em valores superiores aos saldos de prejuízos, o que exigiu a manutenção da glosa; Cientificada do acórdão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário aduzindo, em síntese, o seguinte: i) a compensação a maior dos prejuízos fiscais não teria sido objeto do Auto de Infração, haja vista que estaria limitado a glosar toda a compensação realizada, de modo que os valores exigidos decorreriam de nova análise do balanço e da DIPJ apresentada; ii) os valores cobrados teriam sido integralmente pagos quando intimada a Recorrente quanto à lavratura do Auto de Infração .21-04118, lavrado em março de 1998 que exige especificamente IRPJ, em razão da ausência de prejuízo fiscal a ser apurado nos ano-calendário de 1993 e 1994.. É o relatório 3 Voto Conheço do recurso, por atender os pressupostos legais. Após decisão da DRJ, remanesceu apenas a exigência do 1RPJ em razão da constatação de compensações de prejuizos fiscais a maior, relativo aos fatos geradores ocorridos em 28 de fevereiro de 1993 (CR$ 183.732,00), março de 1993 (CR$ 230,942,00) e dezembro de 1993 (CR$ 27.523,00). Considerando que a Recorrente comprovou através de cópia do Auto de Infração ri.° 21-04118 448/449), ter sido intimada para pagamento das diferenças de IRPJ acima identificadas e o recolhimento integral dos valores exigidos, conforme prova guia de pagamento constante na ft 457, forçoso o reconhecimento da necessidade de cancelamento das exigência remanescentes, sob pena de pagamento em duplicidade Com base nas sucintas considerações acima, dou provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Silvana R6s(kigno Guerra Barretto 4
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Numero do processo: 18471.002042/2007-89
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário:2002
EXCLUSÃO DO LUCRO REAL. REVERSÃO DE PROVISÕES.
A provisão que não está prevista como dedutível na legislação tributária e é anulada extra-contabilmente, a sua reversão, desde que sensibilize o lucro líquido, pode ser excluída do lucro real. Deve ser cancelada a autuação quando comprovado, por meio de documentação hábil e suficiente, alegado nexo entre as exclusões autuadas e anteriores provisões.
Numero da decisão: 1401-001.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado,por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário:2002 EXCLUSÃO DO LUCRO REAL. REVERSÃO DE PROVISÕES. A provisão que não está prevista como dedutível na legislação tributária e é anulada extra-contabilmente, a sua reversão, desde que sensibilize o lucro líquido, pode ser excluída do lucro real. Deve ser cancelada a autuação quando comprovado, por meio de documentação hábil e suficiente, alegado nexo entre as exclusões autuadas e anteriores provisões.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado,por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1781; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2.566 1 2.565 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.002042/200789 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1401001.012 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de agosto de 2013 Matéria IRPJ Recorrente IBM Brasil Indústria Máquinas e Serviços Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2002 EXCLUSÃO DO LUCRO REAL. REVERSÃO DE PROVISÕES. A provisão que não está prevista como dedutível na legislação tributária e é anulada extracontabilmente, a sua reversão, desde que sensibilize o lucro líquido, pode ser excluída do lucro real. Deve ser cancelada a autuação quando comprovado, por meio de documentação hábil e suficiente, alegado nexo entre as exclusões autuadas e anteriores provisões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado,por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 20 42 /2 00 7- 89 Fl. 2566DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002042/200789 Acórdão n.º 1401001.012 S1C4T1 Fl. 2.567 2 Fl. 2567DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002042/200789 Acórdão n.º 1401001.012 S1C4T1 Fl. 2.568 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1218.779, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Rio de Janeiro I RJ. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Versa o presente processo sobre o Auto de Infração, de fls. 270/277, lavrado pela DEFIS/RJ, com ciência em 17 de dezembro de 2007, por meio do qual foi exigido da interessada acima identificada, para o exercício de 2003, IRPJ, no valor de R$ 5.124.066,54, com multa de oficio de 75 % e pertinentes acréscimos legais, no total de crédito tributário de R$ 12.883.440,49 (fl. 02). DA AUTUAÇÃO 2. Houve a autuação, descrita como finalização parcial de ação fiscal (fl.270), após análise da escrituração, com intimações e esclarecimentos prestados (fl. 78/103,104/199, 201/246, 247/303, 304), por haverem sido apuradas exclusões indevidas no cálculo do Lucro Real da IBM Business Consulting Services S/C Ltda, CNPJ n ° 62.799.507/000104, incorporada, em 1 ° de janeiro de 2003 (fl. 249/269) pela interessada (fl. 278/303, 335/375). 3. A autoridade fiscal intimou a interessada a apresentar documentação comprobatória das exclusões efetuadas no LALUR, no total de R$ 20.496.266,15 e o LALUR n ° 1 (fl. 109). Em resposta (fl. 110/111), juntando o livro (fl. 121/125), apresentou demonstrativo de movimentação no LALUR (fl. 116). 4. A autoridade fiscal, entendendo que não havia menção ao número das ações judiciais e situação atualizada que justificassem as adições e exclusões do LALUR e em razão da falta de apresentação de escrituração contábil para os anoscalendário de 1997 a 2002, informou que questionou verbalmente a interessada. 5. Em sua nova resposta (fl. 112/115), a interessada, informou que as exclusões, no anocalendário de 2002, no seu entender, sem efeito fiscal, se referiam a reversões, efetuadas com base em orientação jurisprudencial (fl. 115), de provisões feitas em períodos anteriores (fl. 116), relativas aos seguintes processos judiciais, nos quais discutia a exigência de Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza (ISS) e Contribuição ao Serviço Social do Comércio (SESC): a) Ação Declaratória, distribuída por dependência, à Medida Cautelar n ° 1.030005917 (fl. 127/145 e 146/179, 180/183, 184/192), em 23 de abril de 1997, com pedido (fl.144) de declaração de inexistência de relação jurídicotributária entre a interessada e o município do Rio de Janeiro, quanto ao ISS de forma diversa da prevista no Art. 9 ° §§ 1 ° e 3 ° do Decreto n ° 406, de 1968 e declaração de ilegalidade do Art. 29, caput e parágrafo único da Lei Municipal n° 691, de 1984 e da Lei n ° 2.080, de 1993; b) Mandado de Segurança Preventivo com Pedido de Liminar (fl. 194/199, 202/217, 293/298), com pedido (fl.216) de medida liminar a fim de suspender, até o julgamento final da ação, a exigibilidade dos créditos tributários, referentes à contribuição ao SESC e o seu recolhimento (fl. 217). Fl. 2568DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002042/200789 Acórdão n.º 1401001.012 S1C4T1 Fl. 2.569 4 6. A interessada apresentou demonstrativo (fl. 116) das provisões de ISS, com exigibilidade suspensa, adicionadas no LALUR de 1997, 1998, 2000 e 2001 respectivamente, nos valores de R$ 1.861.168,32 (fl. 123), R$ 2.420.160,27 (fl. 124), R$ 7.040.746,79 e R$ 8.691.934,98 e de contribuição ao SESC, no valor de R$ 482.255,79, para 1998, que teriam sido revertidas, no total de R$ 20.014.010,36, em 2002. 7. A interessada apresentou demonstrativo de andamento processual e situação de ações judiciais, com relatório de perspectiva de êxito, por ação, relacionando autor, réu, processo, objeto, processos pendentes e valor da causa na data do pedido (fl. 224/240) e listagem de projetos e processos da IBM, em 2007 (fl. 241/246). 8. A autoridade fiscal, de acordo com Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fl. 270/272), integrante do Auto (fl. 275), procedeu A autuação, do valor de R$ 20.496.266,15, nos termos do Art. 8 ° da Lei n ° 8.541, de 1992 e do Art. 250,1 do RIR/1999, em razão de entender que a decisão de reverter provisões e efetuar as exclusões ocorreu por orientação jurisprudencial, a despeito de as ações judiciais ainda estarem vigentes (t1.126/223), que a interessada não comprovou que as ações judiciais eram concernentes As exclusões efetuadas e que os valores adicionados e excluídos foram contabilizados. 9. Acrescentou, ainda, que a interessada não apresentou demonstrativo de cálculos, justificando os valores adicionados e excluídos, que de acordo com listagem de projetos e processos (fl. 224/246), existiam diversas ações judiciais sobre ISS . e Contribuição ao SESC, mesmo objeto das exclusões em questão e nos LALUR n ° 1 e 2 não havia identificação das ações judiciais. DA IMPUGNAÇÃO PRELIMINARMENTE 10. A interessada interpôs sua impugnação (fl. 306/332), juntando documentação (fls. 333/399 e 402/507), em 15 de janeiro de 2008, argüindo, preliminarmente, a nulidade do Auto de Infração (fl. 308/309), com fulcro no Art. 10, IV do Decreto n ° 70.235, de 1972, por erro na base legal que não se prestava para justificar a autuação. 11. Argumentou, em síntese, que o Art. 250, I do RIR11999 se referia unicamente a exclusões fiscais, conforme Parecer Normativo COSIT n ° 96, de 1978, transcrito (fl. 312/313), enquanto a autuação se referia a exclusões de natureza contábil, já que a reversão essa provisão aumentou o resultado contábil do exercício, exatamente, pelo valor da reversão, no montante de R$ 20.496.266,15 (fl. 309). A interessada esclareceu (fl. 312/313) que a exclusão se referia à reversão de provisões anteriormente constituídas, relacionadas com contingências fiscais, não deduzidas do Lucro Real, logo com natureza puramente contábil e, não, fiscal. DO MÉRITO 12. Alegou que a decisão de constituir e de reverter uma provisão é decisão dos administradores da sociedade, com orientação de seu contabilista, não havendo na legislação tributária dispositivo que obrigue uma empresa a constituir uma provisão para atender despesas e gastos incertos ou que também permita a sua reversão em momentos específicos (fl. 309). Fl. 2569DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002042/200789 Acórdão n.º 1401001.012 S1C4T1 Fl. 2.570 5 13. A interessada acrescentou que a empresa reverteu as provisões, em decisão técnicocontábil, sem qualquer efeito fiscal, conforme quadros demonstrativos de (fl.322/323), anulando adições anteriormente efetuadas, com base em decisões judiciais existentes naquele momento em relação a matérias relacionadas a contingências fiscais e que a lei tributária não continha, e nem poderia conter, nenhuma vedação a esse procedimento. Alegou que as exclusões questionadas correspondiam a estornos contábeis (fl. 325). 14. Argumentou que a reversão de tais valores foi acertada, uma vez que o débito fiscal relativo a provisão foi desconstituido pelo STF, em 1 ° de junho de 2005, quanto a Ação Declaratória n ° 1.03.000591 (fl. 318), obtendo sentença favorável também quanto à contribuição ao SESC (fl. 319). Alegou que, mantida a exigência fiscal, deveria haver a imputação quanto a recolhimento indevido, por antecipação, efetuado em períodos anteriores, quanto As adições efetuadas. Citou ementa de Acórdão do Primeiro Conselho de Contribuintes (fl. 324). 15. Citou que a Deliberação da CVM n ° 489, de 2005, definiu provisão como passivo de prazo ou valor incertos, registros contábeis de encargos ou riscos conhecidos e calculáveis que se destinavam ao pagamento de eventuais passivos que poderiam, ou não, se concretizarem no futuro. Citou decisões do STJ, acerca da exigência de ISSQN (fl. 317/318 e 319/321) que entendia ser jurisprudência favorável acerca da matéria. 16. Alegou que a lei não previa e nem poderia prever a obrigatoriedade de manutenção de provisões que a empresa considerava que não mais se justificavam, sendo improcedente o lançamento. 17. A interessada alegou, ainda, que não poderia prevalecer a multa de oficio de 75 % lançada, tendo em vista ser sucessora por incorporação da IBM Business Consulting Services S/C Ltda, existindo impedimento pelo Art. 132 do CTN, pelo caráter personalíssimo da penalidade e pelo fato de se tratar de responsabilidade da sucessora por tributos, conforme Art 3 ° do CTN e, não, multa (fl. 327/331). 18. A interessada protestou pela produção de todas as provas em direito admitidas, inclusive, juntada de novos documentos. 19. Requereu que fosse resguardado seu direito a ser notificada da juntada de qualquer documento pelas autoridades administrativas ou fato superveniente aos autos, para exercer seu direito de defesa. 20. t o relatório. A DRJ, manteve integralmente o lançamento, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO, INOCORRÊNCIA. Tendo sido respeitados os devidos procedimentos fiscais, sem cerceamento do direito de defesa da interessada, improcede a preliminar de nulidade quanto aos Autos de Infração. Fl. 2570DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002042/200789 Acórdão n.º 1401001.012 S1C4T1 Fl. 2.571 6 EXCLUSÃO DO LUCRO REAL. REVERSÃO DE PROVISÕES. Deve ser mantida a autuação quando não comprovado, por meio de documentação hábil e suficiente, alegado nexo entre as exclusões autuadas e anteriores provisões. MULTA DE OFÍCIO. SUCESSORA POR INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.A incorporadora é responsável pelo pagamento da multa de oficio decorrente de infração atribuída incorporada. Irresignada com a decisão de primeira instância a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. Acuso a anexação de memoriais às fls. 2.545/2645 que foi deferido pelo Presidente da Turma. Tais memoriais repisam o recurso voluntário, apenas dispondo de forma mais didática a produção de certas provas. É o relatório. Fl. 2571DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002042/200789 Acórdão n.º 1401001.012 S1C4T1 Fl. 2.572 7 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Admitido os pressupostos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. A empresa foi autuada em face de diminuição indevida da base tributável do IRPJ e da CSLL relativa ao ano calendário de 2002. No caso, segundo a fiscalização, procedeu a exclusões não autorizadas pela legislação de regência. Segundo a Recorrente, tais valores foram excluídos da base de cálculo do IRPJ corretamente, uma vez que a lei não previa e nem poderia prever a obrigatoriedade de manutenção de provisões que a empresa considerava que não mais se justificavam, sendo improcedente o lançamento. Alegou ainda que a decisão de constituir e de reverter uma provisão é decisão dos administradores da sociedade, com orientação de seu contabilista, não havendo na legislação tributária dispositivo que obrigue uma empresa a constituir uma provisão para atender despesas e gastos incertos ou que também permita a sua reversão em momentos específicos. Acrescentou que a empresa reverteu as provisões, em decisão técnicocontábil, sem qualquer efeito fiscal, conforme quadros demonstrativos de (fl.322/323), anulando adições anteriormente efetuadas, com base em decisões judiciais existentes naquele momento em relação a matérias relacionadas a contingências fiscais e que a lei tributária não continha, e nem poderia conter, nenhuma vedação a esse procedimento. Em síntese, defende que as exclusões questionadas correspondiam a estornos contábeis (fl. 325). O que está em questão aqui não é a possibilidade da pessoa jurídica poderem constituir contabilmente as provisões que não se encontrem expressamente previstas como dedutíveis para fins da legislação do imposto de renda, bem assim ter o direito de fazer a sua respectiva reversão em momento oportuno. Esta questão de cunho meramente teórico está definitivamente fora de questão. A pessoa jurídica pode continuar constituindo contabilmente as provisões que entenda serem necessárias à sua atividade por meio de previsão de possível perda que o princípio da prudência impõe de forma a espelhar com fidedignidade a situação patrimonial da pessoa jurídica naquele momento. Entretanto, na hipótese de a provisão constituída na contabilidade ser considerada indedutível para fins da legislação do imposto de renda, como é o caso de se discutir na justiça o recolhimento de determinado tributo, a pessoa jurídica deverá realizar a adição do respectivo valor ao lucro líquido do período, para a apuração do lucro real (Lalur). Apenas no período em que a provisão for revertida contabilmente, ela poderá ser excluída do lucro líquido para fins de determinação do lucro real. Pelo que consta dos autos, a lide é composta de aspecto meramente probatório. Então o ponto é este: saber se a provisão foi efetivamente revertida contabilmente, aumentando o lucro líquido contábil para daí poder ter o direito de anular seus efeitos extracontabilmente. Fl. 2572DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002042/200789 Acórdão n.º 1401001.012 S1C4T1 Fl. 2.573 8 Nesse sentido, não procede a argumentação da Recorrente no sentido de simplesmente defender que as exclusões questionadas seriam apenas estornos contábeis. Ora, é justamente isso que tem que ser provado. Tudo aquilo que está sendo excluído extracontabilmente tem que ter uma vinculação do que foi efetivamente tributado via lucro líquido anteriormente. É por isso que as vinculações tem que ser bem feitas entre uma coisa e outra, sendo esse ônus do contribuinte e não da fiscalização ou dos Órgãos julgadores. Vêse, portanto, pela sua defesa, que o contribuinte não foi bem orientado a respeito ou não entendeu bem a questão relevante, adentrando em aspectos irrelevantes para o deslinde da questão. De fato, foram juntados aos autos uma série de documentos: contábeis e extracontábeis que ao meu ver demonstram as adições das provisões anteriormente feitas, as reversões de provisões contábeis, e o respectivo reconhecimento das receitas (estorno de despesas) na apuração do lucro líquido contábil. Porém, o mais importante ao meu ver, nesse caso concreto é a prova de que a reversão da provisão sensibilizara realmente o lucro líquido positivamente. Pois, somente nessa situação é que se vislumbra a sua exclusão no lucro real. De fato no recurso e, melhor ainda, nos memoriais juntados às fls. 2.545/2645, a Recorrente centra força apenas na demonstração de que de fato em períodos anteriores a Recorrente adicionou no lucro líquido determinadas provisões. Nesse sentido ela envidou todos os esforços para demonstrar que a reversão feita extracontabilmente, no período ora autuado, e que fora glosada se vincula pelos valores globais aos valores anteriormente adicionados. E esse último ponto, como se verá mais adiante, as provas dos autos de fato demonstram muito bem isso. Vamos rememorar como seria os esquemas contábeis em casos de provisões não dedutíveis como esse, pois ao meu ver tanto o fiscal quanto a DRJ e, a Recorrente induzida pelos dois primeiros não centrou forças no ponto mais relevante da questão, que seria exatamente a prova de que aquelas exclusões tem sua contrapartida contabilmente no lucro líquido. Se determinado tributo está sendo questionado judicialmente é justo que a recorrente faça a respectiva provisão debitando a conta de despesas e conseqüentemente diminuindo o seu lucro líquido. Como fiscalmente não há previsão legal para que tal provisão seja dedutível, a legislação comanda que nesses casos se faça a respectiva adição ao lucro líquido para anular extracontabilmente aquele efeito de dedutibilidade. Até aí, tudo bem. Veja se que nada fora deduzido ou tributado fiscalmente, apenas houve dedução contábil sem efeitos fiscais. Foi o que a Recorrente fez. Porém, se em período subseqüente ela afirma que ganhou na justiça o direito de não recolher tal ou qual tributo que fora anteriormente provisionado, ela não pode simplesmente reverter a provisão e fazer a exclusão extrafiscal, justamente porque ela não precisa recolher o tributo. O que ela deveria fazer contabilmente era reverter a proviisão através da sensibilização do lucro líquido, estornando, portanto, contabilmente aquela dedução contábil inicial e, assim, anulado o que foi feito contabilmente. Ao fazer essa anulação ela está na verdade oferecendo a tributação aquela parcela e isso não condiz com a realidade. A empresa , nesse momento, para não ser prejudicada e ser tributada injustamente, deve também anular esse efeito contábil através de uma exclusão extracontábil exatamente no valor total das provisões anteriormente constituídas. Veja que a motivação imediata da exclusão extracontábil não é simplesmente o fato de ela ter ganho na justiça (essa é a motivação mediata), mas sim o fato de ela ter sensibilizado o lucro líquido, como se uma receita ingressasse contabilmmente, justamente como já se colocou, para anular o efeito da despesa contábil anteriormente Fl. 2573DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002042/200789 Acórdão n.º 1401001.012 S1C4T1 Fl. 2.574 9 contabilizada, afinal pela venceu a ação judicial.A partir, então, desse evento (aumento do lucro líquido contábil) é que ela então está autorizada a fazer a indigatada exclusão extracontábil, ora motivo do auto de infração. Apesar de a Recorrente não ter enfatizado esse aspecto em suas defesas, sem procurar demonstrar essa prova, em tempo, analisando as provas dos autos, verifico que ocorreu de fato a sensibilização do lucro líquido(fls. 191, fls.1993, fls.1995) positivamente, o que me conduz a formar minha convicção favoravelmente à Recorrente nesse aspecto relevante. Também não assiste razão à DRJ ao colocar condicionantes para a referida reversão de provisões: Verificase que, ainda que tivesse restado comprovada a relação entre a exclusão tributada e a provisão de anos anteriores, a reversão não poderia ter sido efetuada no momento em que ocorreu, isto é, antes do trânsito em julgado das sentenças judiciais pertinentes às ações relativas a ISS e contribuição ao SESC, por falta de previsão legal, ainda que depois, tenha havido sentenças favoráveis, conforme alegado pela interessada em sua impugnação. 45. No caso em tela, a dedutibilidade de provisão para contingências relativamente a ações judiciais ainda não transitadas em julgado, efetivamente, não encontra amparo legal. Observese que a interessada não comprovou a escrituração das anteriores provisões. Ora, se a provisão não está prevista como dedutível na legislação tributária e é anulada extracontabilmente, a sua reversão desde que sensibilize o lucro líquido, pode ser excluída do lucro real independente da condição da ação judicial estar ou não transitada em julgado. É um juízo de oportunidade que deve ser feito pela própria empresa. A Recorrente em relação ao outro ponto, qual seja, a prova da relação entre a exclusão realizada e a provisão de anos anteriores, embora não tenha sido registrada no Lalur de forma precisa, constando os números das ações judiciais relacionadas, se desincumbe a contento. Nesse sentido, a Recorrente envidou todos os esforços para demonstrar que a reversão feita extracontabilmente no período de 2002 que fora glosada se vincula pelos valores globais aos valores anteriormente adicionados, senão vejamos: Segundo se infere da cópia do Livro de Apuração do Lucro Real anexada à peça impugnatória, verificase que nos anos de 1997, 1998, 2000 e 2001 foram efetivadas as seguintes adições na base de cálculo do lucro real: Tributo * Competência, Histórico, V Vaior adicionado ; ISSQN janeiro a dezembro de 1997 Provisão relacionada ao período RS 1.861.168,32 ISSQN janeiro a dezembro de 1998 Provisão relacionada ao período RS 2.420.160,27 ISSQN janeiro a dezembro de 2000 Provisão relacionada ao período RS 7.040.746,79 ISSQN janeiro a dezembro de 2001 Provisão relacionada ao período RS 8.691.934,98 Total adicionado em relação ao ISSQN ' ' R$ 20.014.010,36 Tributo.. , v Competência , Histórico i " , , ‐, Valor adicionado Contribuição ao SESC janeiro a dezembro de 1998 Provisão relacionada ao período R$ 482.255,79 Fl. 2574DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002042/200789 Acórdão n.º 1401001.012 S1C4T1 Fl. 2.575 10 =Tptal adicionado èm relação à Contribuição ao SESC , R$ 482.255,79 .. Essas adições estavam relacionadas a exigências do ISSQN e da Contribuição ao SESC que estavam sendo discutidas judicialmente pela Recorrente e o procedimento de adicionar tais valores objetivou justamente dar cumprimento ao artigo 8o da Lei n° 8.541/92, evitando reduzir indevidamente o lucro real. Os saldos das contas contábeis eram os seguintes: Tributo Competência: Valor adicionado1 ISSQN 1997 Saldo de Provisão RS 1.861.168,32 ISSQN 1998 Saldo de Provisão R$ 4.162.300,40 ISSQN 1999 Saldo de Provisão RS 4.365.697,20 ISSQN 2000 Saldo de Provisão R$ 11.406.707,99 ISSQN 2001 Saldo de Provisão RS 20.057.912,61 ISSQN 30/09/2002 Saldo de Provisão RS 00.000.000,00 Total do estorno em relação ao ISSQN R$ 23.459.887,39 Total do valor excluído em relação ao ISSQN conf. LALUR RS 20.014.010,36 (1) A diferença entre o valor revertido e o saldo do ano anterior no valor de R$ 3.401.974,42, referese ao valor provisionado no exercício. (2) Na conta de resultado do exercício, o valor da reversão foi ajustado por R$ 3.396.965,68, contra a conta de 1SS dedução de vendas. Assim, a conta de outras receitas operacionais na Ficha 6A Demonstração do Resultado, linha 30 (outras receitas operacionais) da DIPJ, pode ser assim demonstrada: Itens Valores REVERSÃO PROVISÃO DO 1SS 23.459.887,39 () Transferência de contas 3.396.965,68 20.062.921,71 REVERSÃO PROVISÃO SESC/INSS 482.256,79 Receitas não operacionais (v. balanço patrimonial de 31/12/2002) 513.074,84 Total da linha 30 outra receitas operacionais FICHA 6A 21.059.253,34 A diferença de R$ 5.009,10 referese ao um ajuste realizado em janeiro de 2002, não analisado em face da imaterialidade. Com relação à provisão da Contribuição ao SESC, a situação contábil pode ser assim Posteriormente, nos meses de setembro a dezembro de 2002, com base na orientação dos advogados, foram revertidas as provisões em questão, constituídas e tributadas em anos anteriores, tendo sido feitas as seguintes exclusões na apuração do lucro real: ^Tributo: Competência N „ Histórico í * j Valor excluído Tributo Competência '. ^HistóricòíçS ̂ ; Valor adicionado Contribuição ao SESC 1998 Saldo de Provisão R$ 482.255,79 1999 Saldo de Provisão R$ 482.255,79 2000 Saldo de Provisão RS 482.255,79 2001 Saldo de Provisão* RS 991.518,21 30/09/2002 Saldo de Provisão* RS 928.659,85 Total da reversão em 30/09/2002 RS 482.255,79 Total adicionado em relação à Contribuição ao SESC RS 482.255,79 (*) A partir de 2001 a conta passou a receber os lançamentos referente à folha de pagamento (Fopag). Valores não contestados judicialmente e normalmente pagos. Fl. 2575DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002042/200789 Acórdão n.º 1401001.012 S1C4T1 Fl. 2.576 11 ISSQN setembro a dezembro de 2002 Reversão de provisão relacionada ao período RS 20.014.010,36 Total excluído em relação ao ISSQN „ * R$20.014.010,36 : Tributo ' . Competência *> Histórico "* Valor excluído Contribuição ao SESC setembro a dezembro de 2002 Reversão de provisão relacionada ao período RS 482.255,79 Total excluído em relação à Contribuição ao SESC R$ 482.255,79 Como se vê, foi bem explicado inclusive a diferença de cálculo entre as provisões anteriormente feitas e a reversões feitas, no caso do ISS: Itens ^ p Valores" * REVERSÃO PROVISÃO DO 1SS 23.459.887,39 () Transferência de contas 3.396.965,68 20.062.921,71 REVERSÃO PROVISÃO SESC/INSS 482.256,79 Receitas não operacionais (v. balanço patrimonial de 31/12/2002) 513.074,84 Total da linha 30 outra receitas operacionais FICHA 6A 21.059.253,34 Pelo exposto, DOU provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 2576DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 13819.001941/2003-49
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 11/02/1994 a 04/07/1998
INDÉBITO TRIBUTÁRIO - RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA EXERCER O DIREITO.
O prazo para repetição de indébito,para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5+5), a partir de 9 de junho de 2005, com a vigência do art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado.
Para Restituição/Compensação de créditos relativos a fatos geradores ocorridos entre fevereiro de 1994 e julho de 1998, cujo pedido tenha sido protocolado até 08 de junho de 2005, aplicava-se o prazo decenal - tese dos 5+5.
RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO
Numero da decisão: 3101-001.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a decadência do período de 11/02/1994 a 04/07/1998 e determinar o retorno dos autos a DRJ recorrida para análise dos indébitos como um todo.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente e Waldir Navarro Bezerra.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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PRAZO PARA EXERCER O DIREITO. O PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO,PARA PEDIDOS EFETUADOS ATÉ 08 DE JUNHO DE 2005, ERA DE 10 ANOS, CONTADOS DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO TRIBUTO PAGO INDEVIDAMENTE OU A MAIOR QUE O DEVIDO (TESE DOS 5+5), A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005, COM A VIGÊNCIA DO ART. 3º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005, ESSE PRAZO PASSOU A SER DE 5 ANOS, CONTADOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO PELO PAGAMENTO EFETUADO. PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A FATOS GERADORES OCORRIDOS ENTRE FEVEREIRO DE 1994 E JULHO DE 1998, CUJO PEDIDO TENHA SIDO PROTOCOLADO ATÉ 08 DE JUNHO DE 2005, APLICAVASE O PRAZO DECENAL TESE DOS 5+5. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a decadência do período de 11/02/1994 a 04/07/1998 e determinar o retorno dos autos a DRJ recorrida para análise dos indébitos como um todo. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 19 41 /2 00 3- 49 Fl. 495DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 04 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13819.001941/200349 Acórdão n.º 3101001.447 S3C1T1 Fl. 4 2 Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 399 dos autos emanados da decisão DRJ/CPS, por meio do voto da relatora Maria Bernadete Batista, nos seguintes termos: “Tratase de pedido protocolizado em 04/07/2003 (fl. 01) solicitando a restituição do valor de R$ 3.582.433,39, somatória de vários tributos e contribuições federais, apontando o seguinte MOTIVO DO PEDIDO: Recolhimentos efetuados no período de fevereiro/1994 a julho/2001 fora da data de vencimento, de maneira espontânea, de forma atualizada e com imposição de multa punitiva. A peticionária inicialmente esclarece as fls. 02/05 não ter sido possível utilizar o Programa Gerenciador do PER/DCOMP, nos termos da IN SRF n° 320, de 11/04/2003, em virtude de interrupção do preenchimento do item "data de arrecadação", sendo gerada a informação: DARF apresenta data de arrecadação com mais de cinco anos com relação à data de cria cão (Artigo 168 do CTN). As fls. 08/23 o pedido é fundamentado na inserção aos pagamentos realizados após a data de vencimento do tributo, de juros calculados pela taxa SELIC e de multa moratória de 0,33% ao dia, limitada ao máximo de 20%, conquanto o art. 138 do CTN faça ressalva de que na antecipação ao pagamento pelo contribuinte infrator, por meio da denúncia espontânea, sua responsabilidade é elidida pelo cumprimento da obrigação, ficando descaracterizada a imposição da multa, cujos valores constituem pagamento indevido. Cita Jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Constam, ainda, 'dos autos, os demonstrativos dos "créditos tributários" decorrentes da inclusão da multa nos pagamentos de IPI, PIS, COFINS e IRRF, fls. 63/75, bem como cópias de DARF As fls. 129/293. Por meio do Despacho Decisório n° 325, de 2007, proferido pela autoridade administrativa da DRF São Bernardo do Campo/SP em 01/08/2007, fls. 316/322, a solicitação de restituição foi indeferida e não homologadas eventuais compensações realizadas com base no crédito tributário pleiteado, conforme ementa adiante reproduzida: RESTITUIÇÃO DE MULTA MORATÓRIA DENÚNCIA ESPONTÂNEA Recolhimentos efetuados de fevereiro de 1994 a julho de 2001. DECADÊNCIA Período de fevereiro de 1994 a junho de 1998. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 04 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13819.001941/200349 Acórdão n.º 3101001.447 S3C1T1 Fl. 5 3 Para os recolhimentos efetuados neste período, encontrase extinto o direito de pleitear a restituição. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. Período de julho de 1998 a julho de 2001. Incorrendo o contribuinte em mora, deve este arcar com a incidência da multa moratória, de natureza indenizatória e desprovida de qualquer punição. Descaracterizada a denúncia espontânea de infração, deve ser mantida a exigência de multa de mora. Solicitação Indeferida.” Tendo tomado ciência da decisão em 13/08/2007 por via postal, Aviso de Recebimento — AR a fl. 325, a peticionária interpôs em 06/09/2007 a manifestação de inconformidade de fls. 326/639, assinada por seu procurador (procuração de fl. 374), apresentando as razões de fato e de direito adiante sintetizadas. Preliminarmente contesta a extinção do direito de pleitear a restituição declarada pela autoridade administrativa, com relação aos recolhimentos efetuados no período de fevereiro, com base nos artigos 165, inc. I, e 168, inc. I, do CTN. Assevera a manifestante que a decadência alegada ainda não ocorreu conforme entendimento já firmado pelo Superior Tribunal de Justiça de ser o prazo para restituição de 10 (dez) anos, ou seja, 05 (cinco) anos decadenciais para a Fazenda efetuar a homologação do lançamento (§4°), mais 05 (cinco) anos contados a partir da homologação expressa ou das informações declaradas pelo contribuinte, prazo prescricional, portanto, do direito do contribuinte para reaver tributo pago a maior e/ou indevidamente (Art. 168, I, do CTN). Discorre sobre o lançamento por homologação e transcreve jurisprudência judicial e administrativa, bem como doutrinadores, com o objetivo de afastar o caráter meramente interpretativo atribuído a Lei Complementar n° 118, sendo inaplicável ao caso presente, pois, segundo entendimento que impera no Conselho de Contribuintes, o prazo de cinco anos para pleitear a restituição restringese aos pedidos iniciados após a sua vigência em 10/06/2005. Quanto a não aplicabilidade do art. 138 do CTN em que se fundamenta o mérito do despacho decisório, afirma ser descabida a distinção feita entre multa fiscal moratória e multa fiscal punitiva, uma vez que a função da multa moratória é e sempre foi, de fato, punir o inadimplemento e não remunerar o capital, que seria função dos juros, nem, muito menos recompor o valor real da moeda o que viria a ser feito pela correção monetária. Cita doutrinadores. Tece arrazoado sobre a exigência a partir de fevereiro de 1995 da taxa SELIC, que tem como função compensar o Fisco pelo custo financeiro representado pelo tempo em que o valor do tributo devido permaneceu em poder do contribuinte, para concluir pela inaplicabilidade conjunta da multa de mora quando configurada a denúncia espontânea, conforme já pacificado pelo STJ. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 04 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13819.001941/200349 Acórdão n.º 3101001.447 S3C1T1 Fl. 6 4 Por fim, requer seja reformado o despacho decisório n° 327/2007 a fim de garantir o direito líquido e certo da contribuinte, uma vez que o pleito não estaria alcançado pela decadência/prescrição, devendo os valores indevidamente recolhidos, a título de multa de Mora, serem restituídos a interessada, por ser medida de justiça.” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 0520.793 de fls. 398 traz a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 11/02/1994 a 04/07/1998 EXTINÇÃO DO DIREITO. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RESTITUIÇÃO. O direito de pleitear o reconhecimento do indébito tributário, para fins de fundamentação do direito restituição ou à compensação, extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento indevido, nos termos do art. 168 do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 05/07/1998 a 13/07/2001 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ONUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. MULTA DE MORA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento. Precedentes do STJ. Solicitação Indeferida O contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF (fls. 407 a 441) onde faz em resumo as alegações a seguir: DECADÊNCIA: “1) Muito embora o ordenamento jurídico brasileiro admita a utilização de leis interpretativas em matéria fiscal (artigo 106, inciso I do Código Tributário Nacional), a sua legitimidade estará vinculada a real necessidade de aclaramento do conteúdo de determinado dispositivo legal; bem como a evidência de benefício ao contribuinte (ou não ocorrência de prejuízo); 2) 0 artigo 3° da Lei n° 118/05, portanto, contraria o disposto no artigo 106, inciso I do Código Tributário Nacional por se pretender interpretar dispositivo cujo o entendimento, diverso daquele manifestado, já se encontra consolidado pelo Poder Judiciário; Fl. 498DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 04 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13819.001941/200349 Acórdão n.º 3101001.447 S3C1T1 Fl. 7 5 3) Por caracterizar abuso de poder de legislar e desvio da finalidade do ato legislativo, por usurpar competência do Poder Judiciário e afrontar orientação já firmada pelo C. STJ é norma eivada de nulidade, além de contrariar diretamente princípios constitucionais; 4) Sendo nulo o artigo 3° da LC 118/2005 e não tendo sido alterada a redação do artigo 168, inciso I do CTN, este último subsiste integralmente, sem qualquer inovação e com todos os efeitos jurídicos daí decorrentes, devendo ser aplicado o entendimento já consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça acerca da matéria. Conforme exposto, tornase evidente a não aplicação do disposto no artigo 3° da Lei Complementar n° 118/05 no presente processo administrativo, devendo ser mantido o entendimento jurisprudencial consolidado no âmbito do C. STJ acerca da prescrição dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Diante dos fundamentos acima narrados, deverão ser afastados os institutos da decadência e da prescrição, reformandose a decisão do acórdão ora recorrido.” DA MULTA “A Priori, cabe ressaltar que o r. acórdão recorrido está equivocado quando afirma que em relação aos "recolhimentos efetuados no período de 05/07/1998 a julho de 2001, inexistem nos autos fundamentos fáticos e jurídicos válidos de que os recolhimentos avocados constituiriam indébitos da empresa, cujo ônus da prova é da peticionaria". Não pode prosperar tal entendimento, vez que, a Recorrente acostou ao referido pedido de restituição, planilha de cálculos e guias de recolhimentos(DARF), demonstrando e comprovando o crédito apontado no pedido de restituição, o que se constitui nos fundamento fáticos.” Também: “...a distinção entre multa fiscal moratória e multa fiscal punitiva é descabida, porquanto a função da multa moratória é e sempre foi, de fato, punir o inadimplemento, e não remunerar o capital – que seria função dos juros nem, muito menos, recompor o valor real da moeda – o que viria a ser feito pela correção monetária. ” Finalmente requer: “Diante de todo o exposto, requer que seja REFORMADO o presente acórdão n° 0520.793 r. Turma DRJ/CPS, de 11 de janeiro de 2008, dando PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário, para que seja garantido o incontroverso direito da Recorrente decorrente da não incidência da decadência, bem como, da caracterização da denúncia espontânea excluir a incidência da multa de mora, em face de tudo o que foi exposto, A FIM DE GARANTIR O DIREITO LIQUIDO E CERTO PARA QUE SEJAM RESTITUIDOS RECORRENTE, OS VALORES INDEVIDAMENTE RECOLHIDOS A TITULO DE MULTA DE MORA, no período compreendido entre fevereiro de 1994 a julho de 2001, tudo por ser medida de JUSTIÇA!” É o relatório. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 04 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13819.001941/200349 Acórdão n.º 3101001.447 S3C1T1 Fl. 8 6 Voto Conselheiro Relator Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Tratase de pedido protocolizado em 04/07/2003 (fl. 01) solicitando a restituição do valor de R$ 3.582.433,39, somatória de vários tributos e contribuições federais, apontando como MOTIVO DO PEDIDO recolhimentos efetuados no período de fevereiro/1994 a julho/2001 fora da data de vencimento, de maneira espontânea, de forma atualizada e com imposição de multa punitiva. Inicialmente a decisão recorrida, afastou do pedido o período de apuração de: 11/02/1994 a 04/07/1998, por EXTINÇÃO DO DIREITO em razão de que o direito de pleitear o reconhecimento do indébito tributário, para fins de fundamentação do direito à restituição ou à compensação, extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento indevido, nos termos do art. 168 do CTN, cuja razões, encontramse no voto condutor da decisão recorrida. Ocorre, que essa matéria já é pacífica no CARF e a respeito, vou adotar o voto do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres dado no Processo 13.832.000095/9970 julgando o Recurso Especial 228.882 em 07/02/2013 Acordão 93.03003.200 da 3º turma da CSRF que bem explica nossa posição a respeito da decadência e a tese do 5+5, ou seja: Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A teor do relatado a matéria posta em debate cingese à questão do termo inicial da prescrição para repetição de indébito. Em especial a Fazenda Nacional defende a aplicação do art. 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005. De outro lado, em contrarrazões, o sujeito passivo pede a manutenção do acórdão recorrido por seus próprios fundamentos. Analisando os autos, verificase que o crédito pleiteado referese a períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 1991 e maio de 1992, enquanto que o pedido de restituição/compensação foi protocolado em 23 de julho de 1999. Feito esse esclarecimento, passemos, de imediato, ao enfrentamento da questão. Nesta matéria, já me pronunciei inúmeras vezes, entendendo que o termo inicial para repetir indébito é o previsto no artigo 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005, ou seja, o da extinção do crédito pelo pagamento indevido. Esse entendimento vinha prevalecendo neste Colegiado, quando se resolveu sobrestar Fl. 500DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 04 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13819.001941/200349 Acórdão n.º 3101001.447 S3C1T1 Fl. 9 7 a matéria até que o Supremo Tribunal Federal se pronunciasse sobre a constitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar suso mencionada, que determinava a aplicação retroativa da interpretação autêntica dada pelo citado artigo 3º. A decisão do STF foi no sentido de que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já para as ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo dos 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir), prevalente no Superior Tribunal de Justiça. Para melhor clareza do aqui exposto, transcrevese a ementa do acórdão pretoriano que decidiu a questão. 04/08/2011 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA: MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150 § 4º, 156, VII e 168, I do CTN. A LC 118/05 implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência de violação à autonomia dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 04 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13819.001941/200349 Acórdão n.º 3101001.447 S3C1T1 Fl. 10 8 A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vatatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. lnaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 54343, § 3, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. ACORDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a RE 66.621/RS Presidência do Senhor Ministro Cezar Peluso, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário, nos termos do voto da relatora. Essa decisão não deixa margem a dúvida de que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 só produziram efeitos a partir de 9 de junho de 2005, com isso, quem ajuizou ação judicial de repetição de indébito, em período anterior a essa data, gozava do prazo decenal (tese dos 5 + 5) para repetição de indébito, contado a partir do fato gerador da obrigação tributária. Ademais, não se pode olvidar que a Constituição é aquilo que o Supremo Tribunal Federal diz que ela é, com isso, em matéria de controle de constitucionalidade, a última palavra é do STF, por conseguinte, deve todos os demais tribunais e órgãos administrativos observarem suas decisões. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 04 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13819.001941/200349 Acórdão n.º 3101001.447 S3C1T1 Fl. 11 9 Doutro lado, não se alegue que predita decisão seria inaplicável ao CARF já que o acórdão do STF teria vedado a aplicação retroativa da lei aos casos de ação judicial impetradas até o início da vigência da lei interpretativa, pois o fundamento para declarar a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º acima citado, foi justamente a ofensa ao princípio da segurança jurídica e da confiança, o que se aplica, de igual modo, aos pedidos administrativos, não havendo qualquer motivo, nesse quesito – segurança jurídica – para diferenciálos dos pedidos judiciais. De todo o exposto, concluise que aos pedidos administrativos de repetição de indébito, formalizados até 8 de junho de 2005, aplicase o prazo decenal. Assim, no caso sob exame temse que os créditos pleiteados, na data em que protocolado o pedido de repetição de indébito (23/07/1999), ainda não haviam sido alcançados pela prescrição, posto que estes referemse a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1991, portanto, dentro do prazo decenal da tese dos 5 + 5. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional.” Isto posto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para afastar a extinção do direito pela decadência do período de 11/02/1994 a 04/07/1998 e determinar o retorno do processo a DRJ para análise dos indébitos como um todo. É como voto Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 503DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 04 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 11516.001485/2007-40
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005
IRFONTE - NATUREZA INDENIZATÓRIA
O imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa.(Súmula CARF nº 87).
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-002.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado), Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado), Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt e Pedro Paulo Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 14 85 /2 00 7- 40 Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor da contribuinte, IDELI SALVATI, foi lavrado auto de infração de folhas 797 a 808, onde exigese a importância de R$ 27.984,00, acrescida de multa de oficio de 75% e juros de mora, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2004 e 2005, anoscalendário 2003 e 2004. Da Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is), às folhas 798 a 802, verificase que a autuação é decorrente da apuração de omissão de rendimentos do trabalho com vinculo empregatício recebidos de pessoa jurídica. A autoridade fiscal fundamenta o lançamento: Conforme os comprovantes de rendimentos emitidos pela fonte pagadora SENADO FEDERAL, CNPJ 00.530.279/000115, a interessada recebeu rendimentos a titulo de Ajuda de Custo, informados como rendimentos isentos e não tributáveis, conforme segue (fls. 26, 28, 33, 39, 40, 41 e 52); [..] [R$ 50.880,00, em uma parcela de R$ 25.440,00 e duas de R$ 12.720,00, no anocalendário 2003; e R$ 50.880,00, em quatro parcelas de R$ 12.720,00, no anocalendário 2004] Como se pode observar, no presente caso, o pagamento feito contribuinte a titulo de "Ajuda de Custo" não se enquadra dentro da previsão legal para a concessão de isenção do imposto. O rendimento em questão, ainda que denominado "Ajuda de Custo", pela fonte pagadora, traduz, na realidade, aquisição de disponibilidade econômica, porquanto acresce o patrimônio do beneficiário e não repõe patrimônio anteriormente existente. Tanto isso é verdade que se não considerarmos os valores recebidos a titulo de "Ajuda de Custo" ocorre o acréscimo patrimonial a descoberto — ou seja, os recursos declarados se mostram insuficientes para cobrir todas as aplicações realizadas pela interessada no ano de 2003 — nos seguintes meses: Setembro de 2003 — R$ 1.763,83 Dezembro de 2003 — R$ 8.639,12 A contribuinte foi intimada a prestar esclarecimentos acerca do acréscimo patrimonial a descoberto e assim se manifestou: Quanto ao item (h), essa D. Fiscalização apresenta Demonstrativo Mensal de Evolução Patrimonial 2003 e requer à contribuinte que apresente as explicações que entender necessárias. Assim, vem a contribuinte esclarecer, de inicio, que não foram considerados por essa D. Fiscalização, como recursos recebidos em 2003, os valores pagos pelo Senado Federal nos dias 02/07/2003, 31/07/2003 e 09/12/2003, no montante de R$ 12.720,00 cada depósito, valores esses que, conforme comprovam os extratos e as folhas de pagamento anexos, foram efetivamente recebidos pela contribuinte em casos de Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.001485/200740 Acórdão n.º 2202002.355 S2C2T2 Fl. 3 3 convocação extraordinária durante o período de férias/recesso, e não poderiam ter sido desconsiderados por essa D. Fiscalização. Destaquese que tais valores não foram tributados na fonte em razão do que já restou decidido pelo Superior Tribunal de Justiça: 'Súmula 125 — pagamento de férias não gozadas por necessidade do serviço não está sujeito á incidência do Imposto de Renda' [..] Apesar das alegações da interessada, consideramos que os valores recebidos pela contribuinte a titulo de "Ajuda de Custo" nos anos calendário de 2003 e 2004 se configuram como remuneração por serviços prestados, constituindo rendimento produzido pelo trabalho, revestindose de todas as características formais e legais de fato gerador do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Inconformada com o lançamento, a contribuinte, mediante procurador (folhas 23 e 24) apresenta a impugnação de folhas 812 a 841, na qual, após a descrição dos fatos, expõe suas razões de contestação: Sob o titulo Da descaracterização da Ajuda de Custo e das Diárias como Renda a contribuinte tece diversas considerações acerca do conceito de renda e da natureza jurídica de ajuda de custo/diária, como verbas indenizatórias. A contribuinte, com base nos conceitos jurídicos expostos, discorda do entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB de que seus rendimentos, recebidos do Senado sob a rubrica diárias/ajudas de custo, sofram incidência do imposto de renda. Defende a impugnante que os valores recebidos a titulo de diárias e ajudas de custo, nos anoscalendário 2003 e 2004, se coadunam com a situação hipotética prevista em lei. Alega que todos os documentos necessários e solicitados pela autoridade fiscal foram entregues, cumprindo o que determina a legislação. Explica que os valores recebidos e creditados em conta corrente foram destinados a cobrir despesas de alimentação, deslocamento, com o fim de se realizar serviços eventuais por determinação do empregador. Ressalta o caráter de indenização — com o fim inegável de ressarcir despesas — e conclui que, como não configura acréscimo patrimonial para fins de imposto de renda, as verbas são isentas. A contribuinte transcreve parte da Portaria n° 02/2003, editada pelo próprio Senado Federal, que regulamenta o pagamento da verba indenizatória pelo exercício da atividade parlamentar, instituída pelo Ato da Comissão Diretora n° 3/2003, a qual dispõe que o pagamento da verba indenizatória farseá por meio de ressarcimento ao Senador das despesas efetuadas, entre outras, com aluguel de imóvel e outras taxas; aquisição de material de consumo para o escritório; locomoção do parlamentar e de servidores em cargos de comissão de seu gabinete; combustível; contratação de serviços de apoio ao Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 mandato parlamentar e divulgação da atividade parlamentar. E, conclui: Assim, não obstante que a terminologia utilizada no Ato en, comento se refira a ajuda de custo com caráter indenizatório, é nítida afina/idade exclusivamente repara/ária do pagamento das verbas indeniza/árias aqui tratadas (ajudas de custo/diárias), não sendo possível caracterizálas como qualquer tipo de beneficio tributável, pois, como manifestado reiteradas vezes anteriormente, não representam acréscimo patrimonial. Em sua defesa a contribuinte cita jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, do Conselho de Contribuinte do Ministério da Fazenda e de órgãos da RFB, bem como junta, As folhas 843 a 848, Parecer n° 151/2007 da Advocacia Geral do Senado Federal — ADVOSF. Por fim, a impugnante transcreve trechos da Lei n° 8.112/90 — Estatuto dos Servidores Públicos, a fim de reforçar a tese de que indenizações, ajudas de custo e diárias não são tributáveis. No tópico III Da Falta de Sujeição Passiva por Parte da Impugnante, As folhas 834 a 837, a contribuinte alega não ser o sujeito passivo da obrigação tributária. Ao defender sua tese, fundamentada no artigo 121 do CTN e doutos doutrinadores, a impugnante argumenta que a responsabilidade pela retenção do Imposto de Renda Pessoa Física é da fonte pagadora, no caso, o Senado Federal. A impugnante cita, ainda, o Parecer Normativo COSIT n° 01/2002 que determina que, no caso do imposto de renda incidente exclusivamente na fonte, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da fonte pagadora e a Instrução Normativa n° 306/2003, a qual esclarece que a obrigação pela retenção do imposto de renda incidente sobre o pagamento efetuado é da fonte pagadora. Em sua defesa, a contribuinte cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda para concluir que a responsabilidade pelo recolhimento do imposto de renda é exclusiva da fonte pagadora. Como última contestação, a contribuinte alega no tópico IV — Da taxa Selic, As folhas 878 a 881, por razões de variada ordem, a inconstitucionalidade e ilegalidade da utilização da taxa Selic como juros de mora. Por fim, solicita a impugnante — IV— Do Pedido — por todos os meios de prova em direito admitidos, requerendo a improcedência total do lançamento. Os membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis proferiram Acórdão que considerou procedente o lançamento, nos termos da Ementa a seguir transcrita. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.001485/200740 Acórdão n.º 2202002.355 S2C2T2 Fl. 4 5 SUJEITO PASSIVO. CONTRIBUINTE.APURAÇÃO DEFINITIVA. BENEFICIÁRIO DO RENDIMENTO. 0 sujeito passivo da relação jurídico tributária é o contribuinte, obrigado a informar todos os rendimentos quando da apuração definitiva do imposto de renda na declaração de ajuste anual, independentemente de ter havido a retenção do imposto por antecipação, cuja responsabilidade é da fonte pagadora. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004 NATUREZA INDENIZATÓRIA NA.0 COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO. Não logrando o contribuinte comprovar a natureza indenizatória/reparatória dos rendimentos recebidos a titulo de ajuda de custo paga com habitualidade a membros do Senado Federal, constituem eles acréscimo patrimonial incluído no âmbito de incidência do imposto de renda. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. JUNTADA DE PROVAS. LIMITE TEMPORAL. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por Conselhos de Contribuintes não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, sendo aquela objeto da decisão. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à disposição literal de lei, quando não Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 comprovado que o contribuinte figurou como parte na referida ação judicial. Lançamento Procedente A contribuinte, se mostrando irresignada, apresentou o Recurso Voluntário, de fls. 905/932, onde reitera as razões da impugnação, que podem aqui ser sintetizadas: Da preliminar de nulidade do lançamento por ilegitimidade passiva, atribuindo a responsabilidade a fonte pagadora; Da descaracterização de ajuda de custo e das diárias como renda; Da natureza jurídica das diárias e da ajuda de custo; Da ilegalidade e da inconstitucionalidade da utilização da taxa selic. Em memorial distribuído na sessão de julgamento de 16/06/2012, a recorrente representado por seu patrono, solicita que seja baixado o processo em diligência, intimando o Senado Federal para que este apresente os comprovantes de gastos relativos a “ajuda de custos”. Esta Turma na sessão de Junho de 2012, resolveu converter o processo em diligência, para que se intimase o Senado Federal a apresentar os comprovantes argumentados pela Recorrente, com os quais alega que comprovaria a “ajuda de custo”. Adicionalmente, foi solicitado que a autoridade fiscal se manifeste, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre a validade das provas eventualmente apresentadas, dandose vista a Recorrente, com prazo de 20 (vinte) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. Como resultado da diligência apresentase documentação de fls. 1023 e 1029, onde a diretoria geral do Senado reitera o caráter indenizatório de referida verba. O processo retorna a esta Câmara, mas não consta a ciência da interessada no relativo aos documentos juntados. Às fls. 1046 a 1056, o recorrente adita ao recurso voluntário, indicando: que a ajuda de custo não se sujeita a tributação; que a fiscalização não comprovou ( e não pretendeu comprovar) que a verba de ajuda de custo foi destinada a despesas. que a multa poderia ser afastada por erro escusável. É o relatório. Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.001485/200740 Acórdão n.º 2202002.355 S2C2T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso é tempestivo e preenche o seu pressuposto de admissibilidade. Dele, então, tomo conhecimento. O lançamento teve por base valores recebidos pela Contribuinte, na condição de Parlamentar, a título de ajuda de custo. A autoridade lançadora entendeu que tais verbas constituem rendimento tributável. Vale ressaltar que não é a denominação que se dá aos rendimentos pagos que vai determinar sua natureza tributável (ou não), mas os efeitos que esses recebimentos têm sobre o patrimônio do Autuado. No caso de verbas destinadas à reposição de gastos, de fato, não se configura o fenômeno renda, pois não se verifica o acréscimo patrimonial. Para tanto, todavia, é indispensável que o pagamento desses valores esteja vinculado à efetiva comprovação dos gastos a cuja reposição se destina. E, neste caso, o Contribuinte não comprova a efetividade desses gastos. É nesse sentido, aliás, o art. 40, I do RIR/94 o qual trata, na verdade, de hipótese de não incidência e que exige a efetiva comprovação dos gastos. A contribuinte apresenta nos autos uma série de recibos com os quais justifica perante o Senado Federal o recebimento de “verba indenizatória”, que é diferente da “ajuda de custo” que foi objeto do lançamento. É certo que a possibilidade de recebimento de verbas indenizatórias destinadas a reposição de gastos não se limita àquelas mencionadas no referido dispositivo, mas é incontestável que tais gastos, em qualquer caso, devem ser comprovados para que se considerem os pagamentos destinados à sua reposição como sendo indenizatórios. Nesse sentido tem decidido reiteradamente este Conselho de Contribuintes, conforme exemplifica o Acórdãos 10614201, cuja ementa reproduzo a seguir: IRPF AJUDA DE CUSTO Somente tem natureza indenizatória, isenta do imposto sobre a renda pessoa física, a ajuda de custo destinada a atender despesas com transporte, frete e locomoção do beneficiado e de seus familiares, em caso de remoção de um município para outro, nos termos do artigo 6°, inciso XX, da Lei n° 7.713/88. Os valores recebidos a título de ajuda de custo que deixem de preencher as condições legais estabelecidas devem integrar a base de cálculo do imposto de renda na declaração de ajuste anual.(AC. 10614201) IRPF NATUREZA INDENIZATÓRIA Não logrando o contribuinte comprovar a natureza indenizatória/reparatória dos rendimentos recebidos a título de ajuda de custo paga com habitualidade a membros do Poder Legislativo Estadual, Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 constituem eles acréscimo patrimonial incluído no âmbito de incidência do imposto de renda.(Ac. 10421668). Sem a efetiva comprovação do caráter indenizatório das verbas recebidas, portanto, é de se considerar como tributáveis os rendimentos recebidos. Acrescentese, por pertinente, que a diligência efetuada no Senado Federal em nada socorreu a recorrente, tendo em vista que não foram apresentados documentos que elidissem o lançamento. Quanto à alegação de que, como a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da fonte pagadora, é dela que deve ser exigido o imposto. Ocorre que, sem prejuízo da responsabilidade de reter e recolher o imposto, permanece o dever do beneficiário dos rendimentos de declarálos para fins de apuração do imposto devido, quando do ajuste anual. O Contribuinte é o beneficiário dos rendimentos, que não pode se furtar à tributação porque a fonte pagadora não procedeu à retenção do Imposto. É dizer, sendo a retenção do imposto pela fonte pagadora mera antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual, não há falar em responsabilidade pelo imposto concentrada exclusivamente na fonte pagadora. Assim, este conselho de Contribuintes tem reiteradamente decidido. Como exemplo menciono o já citado Ac. 10421668, conforme ementa a seguir reproduzida, verbis: IRFONTE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Em se tratando de imposto na fonte por antecipação do devido pelo beneficiário, incabível a responsabilidade tributária concentrada, exclusivamente, na fonte pagadora Quanto à incidência da multa de ofício, esta tem previsão expressa em dispositivo de lei. Ainda que a fonte pagadora tenha deixado de proceder à retenção, o Contribuinte ter oferecido os rendimentos à tributação e não o tendo feito, fica sujeito à multa prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento), sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entretanto não pode se deixar de reconhecer que recorrente teria sido induzido a erro pelas informações prestadas pela fonte pagadora. Incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comportando multa de ofício. A inclusão de rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual, na parte relativa a rendimentos não tributáveis, seguindo a rubrica constante do comprovante de rendimento fornecido pela fonte pagadora, demonstra que o contribuinte fora induzido a erro. Nesses casos excluise a penalidade, pois houve erro escusável por parte do declarante. Nesse sentido esta Câmara já tem se pronunciado, tal como se depreende do Acórdão 10421.668 : Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.001485/200740 Acórdão n.º 2202002.355 S2C2T2 Fl. 6 9 MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. No que toca ao juros de mora é de se manter o lançamento, tendo em vista que o mesmo não tem a intenção de penalizar, mas de compensar o sujeito passivo pelo atraso no pagamento. Em face do exposto e da pertinência da cobrança do imposto, é de se manter o juros de mora. No que toca ilegalidade e inconstitucionalidade da utilização da taxa selic, cabe registrar que resta pacificado no CARF a Súmula a seguir: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Porém urge registrar que em dezembro de 2012, foi aprovada pelo CARF a Súmula nº 87, a qual as decisões de segunda instância deve acompanhar. O imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa.(Súmula CARF nº 87) Como as verbas em cotejo, ajuda de custo, tem a mesma natureza a que se refere aquelas descritas na Súmula No. 87, entendo que a mesma deve ser aplicada ao caso concreto, tal como se constata da apreciação do Decreto que instituiu tal verba em cotejo. Acrescentese, por pertinente, que não houve nos autos uma demonstração concreta pela fiscalização, que evidencie a utilização dos recursos em benefício próprio da recorrente em atividade não relacionada com a função legislativa. Não há como ignorar, que na fase inicial do procedimento fiscal, foi evidenciado um acréscimo patrimonial a descoberto, que só seria eliminado com a ajuda de custo. Porém, aquela apuração não tinha como foco a identificação de despesas relacionadas ou não a atividade legislativa, não se prestando como um demonstrativo que evidencie de modo inequívoco a utilização de recurso pela recorrente em seu próprio benefício. Ante ao exposto, em observância a Sumula No. 87 do CARF, voto por dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10814.008225/95-19
Data da sessão: Wed Jul 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: REGIMES ADUANEIROS
Data do fato gerador: 14/11/1994
TRÂNSITO ADUANEIRO SIMPLIFICADO. DTA-S.
Descumprida a obrigação acessória prevista no art. 521 alínea “C” inciso III do RA/85, cabível a aplicação da penalidade ali prevista.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-000.136
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencida a Conselheira Susy Gomes Hoffmann (Relatora). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando
Nome do relator: Antonio Carlos Atulim
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ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 14/11/1994 TRÂNSITO ADUANEIRO SIMPLIFICADO. DTA-S. Descumprida a obrigação acessória prevista no art. 521 alínea “C” inciso III do RA/85, cabível a aplicação da penalidade ali prevista. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencida a Conselheira Susy Gomes Hoffmann (Relatora). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. Carlos Alberto de Freitas Barreto - Presidente Antonio Carlos Atulim- Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Susy Gomes Hoffmann, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martínez López, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, Leonardo Siade Manzan e Carlos Alberto Freitas Barreto. Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Relatório Cuida-se de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão 303-32.718, por meio do qual a antiga 3ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes negou provimento ao recurso de ofício, sob o fundamento de que empresa estrangeira não pode operar em regime aduaneiro, sendo portanto, parte ilegítima para figurar o pólo passivo da relação jurídica instalada nos presentes autos. Tal decisão está escorada no Parecer MF/SFR/COSIT/DIPEX nº 47/97, ADN nº 20/97 e Lei nº 7.565/86. Regularmente notificada do referido Acórdão em 06/08/2007, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial de divergência na mesma data, alegando, em síntese, divergência em relação ao Acórdão nº 301-30.415. Segundo a Procuradoria, o lançamento deveria ser mantido contra a American Airlines, pois a empresa estrangeira que requer o trânsito aduaneiro assume a condição de beneficiária do regime, passando assim, a ter legitimidade passiva na obrigação tributária, a teor do art. 257 do Regulamento Aduaneiro. O recurso especial foi admitido por meio do despacho de fls. 1241/1243. Regularmente notificada do Acórdão nº 303-32.718, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento (fls. 1249/1250), a American Airlines absteve-se de apresentar contrarrazões. Em síntese é o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc Nos termos do art. 17, III, do RICARF 1 , incumbiu-me o Senhor Presidente do Colegiado de formalizar o Acórdão 9303-00.136, em virtude da aposentadoria da redatora designada, Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando, ter sido publicada antes da formalização e assinatura deste acórdão. Para fins de formalização do voto vencido, adoto o texto entregue à secretaria pela relatora originária, Conselheira Susy Gomes Hoffmann, in verbis: "O presente recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. A discussão dos presentes autos restringe-se na análise da possibilidade de uma empresa estrangeira operar o regime de trânsito aduaneiro brasileiro e, assim, poder figurar no pólo passivo da relação jurídica tributária instalada por meio do Auto de Infração dos presentes autos. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III - designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazê-lo ou não mais componha o colegiado; Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10814.008225/95-19 Acórdão n.º 9303-00.136 CSRF-T3 Fl. 1.235 3 Neste sentido, entendo que não merece reparos a decisão recorrida, tendo em vista que abordou a legislação pertinente e concluiu pela ilegitimidade da empresa estrangeira para compor a relação jurídica ora discutida. Trata o Regime de Trânsito Aduaneiro de benefício de suspensão dos tributos incidentes na importação e exportação durante o transporte de mercadoria sob controle aduaneiro, de forma, a possibilitar diminuição e melhor organização dos trabalhos nas repartições aduaneiras, bem como conferir maior facilidade nas operações de importação/exportação. Para que uma empresa esteja devidamente habilitada a operar no regime de trânsito aduaneiro, diversos requisitos devem ser atendidos, como por exemplo a comprovação de inscrição no CNPJ, balanço da empresa e Certidões Negativas de Débitos perante os órgãos da administração publica, entre outros. Além disso, imprescindível para habilitação da empresa, que ela seja nacional, posto que a empresa estrangeira não pode requerer habilitação para operar neste regime. Neste sentido, é o que prescreve o Ato Declaratório Normativo nº 20/1997: "Dispõe sobre a habilitação de empresas aéreas nacionais, ao regime especial de trânsito aduaneiro. O COORDENADOR-GERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições, que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no Parecer MF/SRF/COSIT/COTIP/DIPEX/Nº 47, de 26 de junho de 1997,Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que: I - somente as empresas aéreas nacionais podem ser habilitadas a operar o regime especial de trânsito aduaneiro por via aérea, e como tal, requerê-lo nos termos do art. 257, inciso V, alínea "a", do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985; II - na hipótese de comprovação, fora do prazo, da chegada da mercadoria ao local de destino, nos casos de trânsito aduaneiro, é de ser aplicada ao beneficiário do regime a penalidade prevista no art. 106, inciso IV, alínea "c", do Decreto-lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, reproduzida no art. 521, inciso III, alínea "c", do Regulamento Aduaneiro. Este é inclusive o entendimento da própria Receita Federal do Brasil. Senão veja-se: DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM SÃO PAULO - 1 º TURMA ACÓRDÃO Nº 17-21555 de 12 de Novembro de 2007 Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO javascript:ITEM0000('LNK1') 4 ASSUNTO: Regimes Aduaneiros EMENTA: Trânsito Aduaneiro: Penalidade tributária ILEGITIMIDADE PASSIVA: A empresa estrangeira não pode operar em regime de trânsito aduaneiro, tampouco, configurar como pólo passivo de obrigação tributária. EMPRESA NACIONAL HABILITADA A OPERAR EM REGIME DE TRÂNSITO ADUANEIRO: É cabível a aplicação de multa do artigo 521, inciso III, alínea "c" do Regulamento Aduaneiro à comprovação extemporânea da conclusão do trânsito aduaneiro perante a repartição de origem. Data do fato gerador: : 28/01/2005 a 28/01/2005 DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM SÃO PAULO II - 1ª TURMA ACÓRDÃO Nº 2068, DE 28 DE JANEIRO DE 2003 ASSUNTO: Regimes Aduaneiros EMENTA: TRÂNSITO ADUANEIRO RESPONSABILIDADE PELA COMPROVAÇÃO EXTEMPORÂNEA DA CHEGADA. Não é imputável ao transportador estrangeiro responsabilidades inerentes ao Regime de trânsito Aduaneiro - Parecer MF/SRF/COSIT/COTIP/DIPEX n.º 47 de 20 de junho de 1997. DATA DO FATO GERADOR: 13/01/1994 RESULTADO DO JULGAMENTO: Lançamento Improcedente Posto isto, voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela FAZENDA NACIONAL, a fim de manter a decisão proferida pela 3ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. É como voto." Antonio Carlos Atulim Voto Vencedor Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc Tendo em vista que a redatora designada, Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando, deixou o colegiado sem entregar a minuta do voto vencedor, valho-me do voto por ela proferido em questão semelhante, objeto do Acórdão 9303-00.132, in verbis: "Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando, Relatora Adoto, por economia processual o voto vencido que consta às fls 371 a 375. Trata o presente processo da exigência da multa capitulada no art. 521, inciso III, alínea “c”, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, por comprovação, a destempo, da conclusão da operação de trânsito aduaneiro. Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10814.008225/95-19 Acórdão n.º 9303-00.136 CSRF-T3 Fl. 1.236 5 À ora recorrente foi atribuída a responsabilidade solidária pela infração, sendo que o crédito tributário dela está sendo exigido porque a empresa aérea internacional, por não poder operar em regime de trânsito aduaneiro, foi afastada do pólo passivo da obrigação tributária. Argumenta a requerente, em síntese, que: Tanto a Instrução Normativa SRF nº 8/82, quanto a Instrução Normativa SRF nº 70/97, conferiam, à repartição de destino, o encargo de comunicar à repartição de origem, a conclusão da operação de trânsito aduaneiro. A IN SRF nº 8/82 não distingue o trânsito aduaneiro simplificado dos demais tipos comuns de trânsito, sendo perfeitamente aplicável à hipótese dos autos. Embora vigesse, à época dos fatos, a Instrução Normativa SRF nº 84/89, que atribuía ao beneficiário, comprovar a conclusão do trânsito aduaneiro, esta foi alterada pela IN SRF nº 70/97, que delegou, expressamente, à repartição de destino, a responsabilidade de remeter à repartição de origem a torna-guia das DTA-S ou do Manifesto de Carga. Aplica-se, assim, o disposto no art. 106, do CTN, que trata do emprego da lei mais benéfica. Ademais, o Ato Declaratório Cosit nº 2/97 entende que não se aplica a multa do art. 521, III, “c”, do RA, quando ocorre a comprovação fora do prazo da chegada da mercadoria ao local de destino. Não existe a suposta solidariedade tributária, pois cabe ao agente da Receita Federal da repartição de destino o envio das torna-guias para a repartição de origem. Está comprovado nos autos que a obrigação principal (pagamento dos tributos) foi cumprida. Também está claro que houve a conclusão do trânsito, por meio das competentes torna-guias. Passemos à análise dos argumentos apresentados. Reza o art. 521, III, “c”, do Regulamento Aduaneiro – RA, in verbis: “Art. 521. Aplicam-se as seguintes multas, proporcionais ao valor do imposto incidente sobre a importação da mercadoria ou o que incidiria se não houvesse isenção ou redução (DL 37/66, art. 106, I, II, IV, e V): ... III – de 10% (dez por cento): Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 ... c) pela comprovação, fora do prazo, da chegada da mercadoria ao local do destino, nos casos de trânsito aduaneiro; ...”. O dispositivo legal transcrito prevê, assim, expressamente, a exigência de penalidade por comprovação, a destempo, da conclusão do trânsito aduaneiro. A Instrução Normativa SRF nº 84/87, vigente à época dos fatos, instituiu normas simplificadoras do regime de trânsito aduaneiro para cargas aéreas, criando um formulário próprio para esta modalidade de trânsito simplificado, a DTA-S. Em seu item 21, aquela Instrução determinava que, in verbis: “21. Caberá ao beneficiário comprovar a conclusão do trânsito aduaneiro, entregando a 4ª (quarta) via (torna-guia) da DTA-S ou do Manifesto de Carga Aérea, devidamente atestado, à repartição de origem, num prazo máximo de 15 (quinze) dias”. Ora, A IN SRF nº 84/87, como salientado, veio a facilitar a concessão do regime de trânsito aduaneiro, beneficiando o interessado. Em contra-partida, criou algumas obrigações, entre elas a da comprovação da conclusão do trânsito, pelo próprio interessado. É evidente que a citada Instrução Normativa foi gerada dentro de um contexto e é dentro dele que ela deve ser entendida e aplicada. Legislação posterior que a tenha alterado se refere a um outro contexto, seja a lei no sentido estrito, seja legislação complementar. É esta a determinação contida no art. 144 do CTN, in verbis: “Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”. O Ato Declaratório COSIT nº 2/97 não tem o condão de modificar dispositivo contido em decreto que, por sua vez, está respaldado em decreto-lei (é o caso do art. 521, III, “c”, do RA, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, que tem fundamento no art. 106, IV, do Decreto-lei nº 37/66). Por outro lado, o art. 113 do Código Tributário Nacional dispõe que, in verbis: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. ... § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10814.008225/95-19 Acórdão n.º 9303-00.136 CSRF-T3 Fl. 1.237 7 § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”. No caso dos autos, a comprovação da conclusão do trânsito aduaneiro está ligada a interesse da fiscalização, no que tange à mercadoria dele objeto, seja em sua qualidade, seja em relação à quantidade. Se legislação posterior alterou os procedimentos com referência a esta comprovação, principalmente no que se refere ao trânsito aduaneiro simplificado, isto não pode e não deve ser analisado isoladamente. Quanto à responsabilidade solidária, nos termos do art. 124 do CTN, in verbis: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II – as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem”.. Complementam aquele dispositivo legal, no caso, os arts. 274 e 275 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 91.030/85, in verbis: “Art. 274. As obrigações fiscais relativas a mercadoria em regime especial de trânsito aduaneiro serão constituídas em Termo de Responsabilidade que assegure sua eventual liquidação e cobrança (DL 37/66, art. 74). ... Art. 275. Em qualquer caso, os beneficiários a que se refere o art. 257 e o transportador serão solidários, perante a Fazenda Nacional, nas responsabilidades decorrentes da operação de trânsito aduaneiro”. Não há, portanto, que se falar em ausência de solidariedade. Ressalve-se mais uma vez que a Instrução Normativa SRF nº 84/89, vigente à época dos fatos, era expressa em atribuir ao beneficiário do trânsito aduaneiro o ônus de sua comprovação. Pelo exposto e por tudo o mais que do processo consta, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO. Sala das Sessões, em 12 de novembro de 2004 ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO Conselheira Por todo o exposto, dou provimento integral ao Recurso interposto em nome da Fazenda Nacional. Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Judith do Amaral Marcondes Armando" Embora não concorde com os termos do referido voto, foi essa a tese que arregimentou a maioria dos votos dos membros presentes na assentada do dia 08 de julho de 2009 da Câmara Superior, razão pela qual a adoto para fins de formalização deste voto vencedor. O provimento do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional significa o provimento do recurso de ofício interposto em face do acórdão da DRJ e, consequentemente, o restabelecimento da autuação em relação à American Airlines. Antonio Carlos Atulim Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13830.001760/2003-64
Data da sessão: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2008
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2004
SIMPLES. ATIVIDADE NÃO IMPEDIDA.
A atividade de fabricação e comércio de estruturas metálicas, que inclua sua eventual instalação e/ou manutenção, não configura, por si só, atividade abrangida no conceito de atividade auxiliar de engenharia civil vedada ao SIMPLES.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: CSRF/03-06.235
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro (Relatora), Maria Cristina Roza da Costa e Antonio Praga que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nanci Gama.
Nome do relator: Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc
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ATIVIDADE NÃO IMPEDIDA. A atividade de fabricação e comércio de estruturas metálicas, que inclua sua eventual instalação e/ou manutenção, não configura, por si só, atividade abrangida no conceito de atividade auxiliar de engenharia civil vedada ao SIMPLES. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro (Relatora), Maria Cristina Roza da Costa e Antonio Praga que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nanci Gama. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho, Anelise Daudt Prieto, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Judith do Amaral Marcondes Armando, Nanci Gama, Maria Cristina Roza da Costa, Luiz Roberto Fl. 719DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13830.001760/2003-64 Acórdão n.º 03-006.235 CSRF/T03 Fls. 720 _________ 2 Domingo e Antônio José Praga de Souza. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Trata-se de Recurso Especial por maioria (fls. 608/623) interposto pela i. Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 303-33.461 (fls. 582/602), exarado pela E. Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, sintetizado na ementa abaixo transcrita: SIMPLES. ATIVIDADE NÃO IMPEDIDA. A atividade de fabricação e comércio de estruturas metálicas, que inclua sua eventual instalação e/ou manutenção, não configura, por si só, atividade abrangida no conceito de atividade auxiliar de engenharia civil vedada ao SIMPLES. PERMANÊNCIA NO SIMPLES. O ADE é ato meramente declaratório e apenas comunica a decisão do fisco de excluir a empresa do SIMPLES sob condição suspensiva. Os efeitos legais da exclusão comunicada não se efetivam se, no prazo legal para contestar os fatos determinantes da exclusão, o interessado comprova a improcedência da motivação legal alegada para tanto. Confirmado o direito do recorrente de permanecer enquadrada na sistemática do SIMPLES. Recurso Voluntário Provido Em suas razões recursais, a i. Procuradoria alega, em síntese, que a montagem de estruturas metálicas em imóveis enquadra-se no conceito de “execução de obras da construção civil”, independentemente da qualificação profissional dos sócios ou prestadores de serviço que a realizam. Regularmente intimada do supra citado recurso em 03 de agosto de 2007, a contribuinte em epígrafe (doravante denominada Interessada) apresentou suas contra-razões no dia 27 de agosto de do mesmo ano (fls. 662/708). Nesta peça, a Interessada sustenta a manutenção do inteiro teor do acórdão recorrido, com fulcro em decisões emanadas pelo próprio Conselho de Contribuintes. É o Relatório. Voto Vencido Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc Fl. 720DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13830.001760/2003-64 Acórdão n.º 03-006.235 CSRF/T03 Fls. 721 _________ 3 Nos termos do art. 17, III, do RICARF1, incumbiu-me o Senhor Presidente do Colegiado de formalizar o presente acórdão, tendo em vista que a relatora originária, Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa e Castro e a redatora designada para o voto vencedor, Conselheira Nanci Gama, deixaram o colegiado antes da formalização e assinatura do acórdão. Para o fim de formalizar o voto vencido, adoto a fundamentação lançada na minuta de voto lida em sessão e entregue pela ilustre relatora originária por ocasião da sessão de julgamento, in verbis: "O recurso deve ser conhecido por preencher os devidos requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, trata-se de recurso especial privativo do Procurador que demonstra insurgência contra acórdão que reintegra a Interessada ao SIMPLES, reformando decisão da DRJ que mantinha sua exclusão. A Fazenda alega, em síntese, violação ao inciso V, e § 4º, do art. 9º, da Lei nº. 9.317/96, acrescido pela Medida Provisória nº. 1.523-7/97, pois esta norma legal veda a inclusão no SIMPLES de empresa que se dedique a compra, venda, loteamento, incorporação ou construção de imóveis, compreendendo-se, nessa atividade, a execução de obras de construção civil, tais como construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou ao subsolo. Em suas contra-razões de fls. 341 e seguintes, a Interessada reitera os argumentos expendidos no curso do processo sobre a impossibilidade de classificação das atividades da empresa com de construção civil, alegando que a montagem das peças no local da entrega se faz absolutamente necessária em vista das peculiaridades do produto. Aduz que seus empregados são metalúrgicos, e não funcionários do ramo de construção civil. A prestação de serviços, segunda a Interessada, é eventual. Ao se analisar a prova dos autos, há de se concordar com a Recorrente. A Interessada, pelo menos desde janeiro de 2002, tem se proposto não somente a vender estruturas metálicas, mas também a prestar serviços de construção civil, na forma de subempreitada, construindo galpões de barcos, estruturas para camping, palcos, coberturas, coisas típicas da construção civil. A circunstância de que a empresa teoricamente fabrique as peças de metal que vende, fato que vem colocado no contrato social de fls. 18 dos autos, não impede que ela aufira receitas relativas ao serviço de sua montagem. Nos contratos e notas fiscais trazidas aos autos se observa que a empresa se compromete a fornecer material e mão-de-obra, realizando inclusive serviços de carpintaria, cobertura com telhas francesas, telhas de barro. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III - designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazê-lo ou não mais componha o colegiado; Fl. 721DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13830.001760/2003-64 Acórdão n.º 03-006.235 CSRF/T03 Fls. 722 _________ 4 Às fls. 113 e seguintes encontram-se notas fiscais de serviços emitidas entre 2000 e 2003 referentes a consertos e montagens de estruturas metálicas. À toda evidência, a empresa tem como objeto principal, ainda que não contratual, o fornecimento de estruturas metálicas já montadas e a prestação de serviço de manutenção e reforma. Eventualmente presta outros serviços de construção civil, como os acima identificados. A fabricação e venda dessas estruturas não é, portanto, o cerne do negócio, uma vez que sua atividade típica é participar, como empreiteira ou subempreiteira, de construções que demandem tais estruturas. Contudo, para lembrança dos meus pares, devo ressaltar que várias decisões deste Conselho (com as quais não se solidarizo) têm concluído pela possibilidade de se aplicar, retroativamente, as disposições contidas na Lei Complementar nº 123/2006, segundo as quais, os serviços em evidência não seriam motivo para exclusão do SIMPLES: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) § 1º As vedações relativas a exercício de atividades previstas no caput deste artigo não se aplicam às pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às atividades seguintes ou as exerçam em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação no caput deste artigo: (...) XIII - construção de imóveis e obras de engenharia em geral, inclusive sob a forma de sub-empreitada; Isto posto, voto por DAR provimento ao recurso interposto pela i. Fazenda Nacional para excluir a empresa do SIMPLES. " Antonio Carlos Atulim Voto Vencedor Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc Para o fim de formalizar o voto vencedor, adoto a fundamentação do acórdão recorrido, tendo em vista que foi esta a tese que angariou a maioria dos votos na CSRF, in verbis: "(...) A decisão recorrida apresentou basicamente duas razões para indeferir o pedido da ora recorrente, de permanecer enquadrada no regime do SIMPLES. Lembra-se que a empresa está enquadrada na sistemática do SIMPLES desde 01101/1997. As razões foram: Fl. 722DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13830.001760/2003-64 Acórdão n.º 03-006.235 CSRF/T03 Fls. 723 _________ 5 1) A Lei 9.317/96 veda a opção pelo SIMPLES à pessoa jurídica que se dedique à construção de imóveis, e entende a r. DRJ que a fabricação, comércio, eventual instalação e manutenção de estruturas metálicas, representa serviço auxiliar de construção civil. Os atos normativos da SRF, notadamente o Ato Declaratório COSIT 30/99, considera que a atividade vedada de construção de imóveis abrange obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, entre os quais se encontra a colocação de esquadrias. 2) O entendimento oficial da SRF, através da COSIT, também adverte que se ocorrer receita da empresa advinda de atividade vedada ao SIMPLES, em qualquer montante, haverá impedimento para a opção. Devo dizer que quanto ao que se afirma no item "2" acima, entendo ser correta a interpretação da legislação vigente, ou seja, se no Contrato Social da empresa houver cláusula prevendo um rol de atividades, e entre elas estiver descrita atividade impedida ao SIMPLES, porém não exercida efetivamente, não haverá óbice ao enquadramento no regime simplificado, porém, por outro lado, se dentre as atividades exercidas se verificar pelo menos uma que seja vedada, acessória que seja, mas da qual a empresa obtém receita, então esta empresa não reunirá condições de enquadramento enquanto exercer a atividade impedida ao regime. A discussão que resta é instigante e se dá em tomo do que está descrito no Ítem "1" acima. Está fora de questão que a Lei do SIMPLES veda a opção por empresa que se dedique à construção de imóveis. A proibição expressa está no art. 9°,V, e § 4°, mas para a boa interpretação da norma convém observar atentamente o seu texto: "Art. 9~Não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica: [...] v - que se dedique à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis; ... ". [...] 4~ Compreende-se na atividade de construção de imóveis, de que trata o inciso V deste artigo, a execução de obra de construção civil, própria ou de terceiros, como a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou ao subsolo". A recorrente indaga com oportuna propriedade, se uma empresa, como ela é, que fabrica, comercializa e instala estruturas metálicas, pode de algum modo ser confundida com uma pessoa jurídica que se dedique a qualquer daquelas atividades enumeradas no item V do art. 9° da Lei 9.3 I 7/96. A resposta que flui naturalmente é não, não pode ser confundida nem mesmo com a empreiteira de obras que faça a colocação de esquadrias e vidros na obra de edificações. Para o mais desatento observador não passará despercebido que é de todo diferente um serviço auxiliar de construção civil de outro exercido por empresa industrial e comercial, que vende estruturas metálicas, peças a serem montadas no local Fl. 723DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13830.001760/2003-64 Acórdão n.º 03-006.235 CSRF/T03 Fls. 724 _________ 6 pretendido pelo cliente. O primeiro caso, de empreiteiro de construção civil, consiste em uma pequena empresa que oferece a mão-de-obra de ferreiro, serralheiro ou pedreiro de acabamento, que na obra de construção, se põe sob as ordens de um engenheiro, e complementando o serviço de construção da edificação, têm a responsabilidade de montar e assentar esquadrias ou estruturas metálicas, ou eventualmente apenas assentá-las, segundo o previsto no projeto arquitetônico e de cálculo estrutural, sob a supervisão direta do mestre de obras e, indireta, do engenheiro da obra. No segundo caso, em geral, estão os fabricantes/comerciantes de materiais de construção, entre estes as estruturas metálicas, cuja atividade não se enquadra como serviço auxiliar de engenharia. Neste ponto, é forte o argumento da recorrente quando, com razão, destaca que as empresas que vendem materiais de construção claramente não estão impedidas de se enquadrar no SIMPLES, e o fisco efetivamente não as tem impedido de optar. Pois bem, é intuitivo perceber que o fabricante de estruturas metálicas, ainda que eventualmente ofereça ao comprador a instalação no local, ou apenas a manutenção dessas estruturas, cujas peculiaridades exigem mão-de-obra especifica e especializada, está muito mais próximo da empresa que vende material de construção do que da empreiteira de obras. A nossa experiência com os processos que tratam de exclusão do SIMPLES demonstra que a SRF, encarregada de supervisionar e fiscalizar o regime simplificado, não tem focado a sua importância estratégica e arrecadatória, bem como o caráter sócio-econômico do SIMPLES, apesar do registro aparentemente contraditório, de que a sua concepção e proposição à sociedade, surgiram da própria SRF. O que resulta da falta de contextualização dos casos concretos, da deficiência de atividade de campo, da interpretação capenga da norma legal, do conservador e pernicioso apego excessivo à forma em detrimento da substância, leva a que a ênfase se coloque, taticamente equivocada, na exclusão e não na inclusão. Contudo, advirta-se sempre que, evidentemente, não se pode, e nem se deve, abandonar a vigilância necessária sobre os inevitáveis aproveitadores e oportunistas. Sobre o mérito envolvido neste processo me filio ao entendimento, evocado no recurso voluntário, exarado no voto condutor do acórdão proferido pela Segunda Câmara do Segundo Conselho, em 18.04.2001, com relação ao Recurso nº 114.145, no qual o eminente relator Adolfo Montelo destrinchou o tema com clareza de modo a concluir que "a instalação de box para banheiros, vitraux e pintura de esquadrias metálicas e calhas, quando realizadas pelo próprio fabricante, não é considerada como serviço auxiliar da construção civil, não constituindo, portanto, atividade vedada à opção pelo SIMPLES" . Em conclusão, entendo que no caso concreto, a excessiva abrangência que a decisão recorrida pretendeu dar ao conceito de "serviço auxiliar de construção de imóveis" não atinge a atividade de fabricação e comércio de estruturas metálicas, ainda que eventualmente a venda inclua a instalação da peça in loco, nem tampouco quando o serviço se restrinja à manutenção de estruturas metálicas já instaladas, dada a sua especificidade. Do que se expôs até aqui se conclui pela adequação da atividade desenvolvida ao enquadramento no SIMPLES. Portanto, entendo que não há razão para impedir a sua permanência no SIMPLES, ao qual optou desde o primeiro momento em Fl. 724DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13830.001760/2003-64 Acórdão n.º 03-006.235 CSRF/T03 Fls. 725 _________ 7 01/01/1997, devendo ser cancelado o ADE nº 05/2004 expedido pela DRF/Marilia/SP. (...)" Antonio Carlos Atulim Fl. 725DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 18471.002408/2003-96
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1998
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MULTA REGULAMENTAR.
Não confrontado, por prova documental consistente, o arcabouço fático trazido pela autoridade administrativa, é de se reconhecer legítima a exigência de multa regulamentar a contribuinte que entregou a consumo produto de procedência estrangeira, com entrada de forma irregular, nos termos do art. 463, I, do RIPI/98.
Numero da decisão: 3802-002.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Conselheiro relator.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras.
Ausência momentânea da conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim (presidente).
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 1998 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MULTA REGULAMENTAR. Não confrontado, por prova documental consistente, o arcabouço fático trazido pela autoridade administrativa, é de se reconhecer legítima a exigência de multa regulamentar a contribuinte que entregou a consumo produto de procedência estrangeira, com entrada de forma irregular, nos termos do art. 463, I, do RIPI/98.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. REABERTURA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL PARA APURAR FATOS NÃO VERIFICADOS EM MPF JÁ ENCERRADO. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não é nulo o lançamento tributário destinado a complementar lançamento prévio, para exigir crédito tributário relativo a outros estabelecimentos do contribuinte não considerados anteriormente. Erro de fato que permite revisão de ofício do lançamento diante do art. 149, VIII e IX, do CTN. Ausência de cerceamento de defesa se, efetivado o lançamento, o sujeito passivo dispõe de todo o procedimento revisional para apresentar suas razões. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1998 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MULTA REGULAMENTAR. Não confrontado, por prova documental consistente, o arcabouço fático trazido pela autoridade administrativa, é de se reconhecer legítima a exigência de multa regulamentar a contribuinte que entregou a consumo produto de procedência estrangeira, com entrada de forma irregular, nos termos do art. 463, I, do RIPI/98. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Conselheiro relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 24 08 /2 00 3- 96 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 19/0 8/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Mércia Helena Trajano D’amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausência momentânea da conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim (presidente). Relatório A contribuinte NATAN JÓIAS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 078.461, proferido em primeira instância pela 2ª Turma da DRJ de Florianópolis/SC, que julgou procedente o crédito tributário formalizado no Auto de Infração objeto de revisão no processo sob exame, mantendoo. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 26/28) lavrado para a exigência da multa regulamentar prevista no art. 463, inciso I do Decreto n.° 2.637/98 (RIPI 98), no valor de R$ 541.668,15, conforme descrição dos fatos e demonstrativos às fls. 10 a 17 e 20 a 25. Segundo as autoridades lançadoras, do procedimento fiscal em tela restou demonstrado que a empresa fiscalizada fez uso de notas fiscais comprovadamente inidôneas, querendo com tal intento dar suporte a entrada de mercadorias de procedência estrangeira (relógios da marca Bulgari e Breitling) introduzida no território brasileiro de forma irregular. Em autuação anterior foi procedido ao lançamento das multas do ano calendário 1998 referentes à matriz e filiais cujo Auto de Infração foi protocolado sob n.° 18471.002063/2003 71. Posteriormente, verificado a não inclusão das vendas feitas pelas filiais Oscar Freire e Fashion Mall, foi reaberto o exame com autorização do Delegado da Defic/Rio de Janeiro, com base no inciso IX do artigo 149 do CTN e por não estar encerrada a ação fiscal. Por esta razão foi lavrado o Auto de Infração em tela com base no artigo 83, Inciso I, da Lei n.° 4.502/64. As fls. 10 a 17, a relação dos relógios da marca Breitling e Bulgari, comercializados pelas e filiais Oscar Freire e Fashion Mall da empresa autuada, cuja planilha informa ainda a referência, o número da nota fiscal e/ou conta caixa, a data da emissão do documentário fiscal que acobertou a saída da mercadoria, o valor das mercadorias e as folhas dos respectivos anexos em que se encontram juntadas as notas fiscais e/ou conta caixa, que formam a base de cálculo desta multa, conforme síntese demonstrada às fls. 21/22. O Memorando Defic/RJ n.° 751/2003 que autorizou o reexame da matéria encontrase às fls. 9. Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal às fls. 8. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 19/0 8/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 18471.002408/200396 Acórdão n.º 3802002.365 S3TE02 Fl. 112 3 Todos os documentos que embasaram a presente autuação são os mesmos da autuação anterior e foram anexados por cópia no Anexo I que acompanha o presente processo. As notas fiscais de entrada destas mercadorias emitidas pela empresa Comercial Hispano Lusitano Ltda e apresentadas pela interessada encontramse às fls. 18, 21, 22 e 28, do Anexo I. Nas referidas notas constam as respectivas informações quanto à origem das mercadorias importadas. Todas fazem referência a Leilões da Receita Federal. Documentos para comprovar a existência ou não destes leilões bem como do conteúdo dos mesmos estão acompanhando as notas fiscais acima referidas. Cópia da página da Internet que abriga o site da autuada às fls. 84 e 86. Cientificada da exigência que lhe foi imposta, a autuada apresentou a impugnação de fls. 51 a 70, aduzindo preliminarmente a nulidade do procedimento fiscal, pelas seguintes razões: o Auto de Infração Complementar — foi encerrada a fiscalização para o exercício de 1998, não podendo haver nova autuação complementar. Não ocorreu nenhuma hipótese prevista no inciso IX do art. 149, do CTN, e só possui competência para agravamento da exigência a Delegacia da Receita Federal de Julgamento nos termos dos arts. 15, § único, e 18, § 3.° do Decreto n.° 70.235/70; o Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização emitido contra si não autorizava a fiscalização verificar fatos relacionados com o IPI, pois somente após 03.09.2003, data em que foi cientificada do MPF Complementar n1) 07.0.90.00200203585303, expedido em 26.08.2003, é que a autoridade competente autorizou a fiscalização proceder à verificação de fatos concernentes ao 1PI, uma vez que o MPFF originalmente expedido tinha por objeto a fiscalização do IRPJ; fato que por si só caracteriza o cerceamento do seu direito de defesa; a autorização expedida por meio do despacho de fls. 97, que deu ensejo ao MPF Complementar (fls. 05), está calcada em premissa imotivada e ilegal, na medida que permitiu a reabertura de ação fiscal relativamente a período e fato imponível objeto de auditoria fiscal procedida anteriormente. Os elementos fáticos já eram do conhecimento das autoridades fiscais quando analisaram os anos de 1996 a 2000. 0 argumento de que fato novo não conhecido à época permitiria revisão, carece de qualquer sustentação; o depoimento prestado pelo Sr. Pedro Feliciano Quilon Rodrigues, sócio da Comercial Hispano Lusitana Ltda., relativamente às notas fiscais emitidas para acobertar as vendas das mercadorias adquiridas pela impugnante de que as mesmas foram tidas como se fossem "de favor", não se prestando, portanto, para comprovar as operações nelas descritas, tomado por termo do depoimento de fls. 35 do Anexo I, não se presta para servir como prova para a lavratura do presente lançamento, pelo fato de não se saber em que circunstâncias tais declarações foram efetuadas e por não se encontrar assistido por advogado, conforme assegura a lei processual. Logo, o procedimento fiscal, por se encontrar erigido sob referido elemento de prova, é nulo de pleno direito, na medida que a autuada não foi intimada a comparecer ao mesmo, evidenciando cerceamento ao seu direito de defesa e ao contraditório; Fl. 250DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 19/0 8/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 outra circunstância que vem demonstrar a imprestabilidade do depoimento colhido pela fiscalização é a constatação de que contra o depoente está sendo requerida sua interdição em face de seu estado de saúde, devendo, por mais este fundamento ser anulado o presente Auto de Infração; o lançamento consubstanciado no Auto de Infração, cientificado em 24/10/2003, não trata da cobrança de tributo, mas de penalidade administrativa por infração a norma legal. Desta feita, relativamente aos fatos ocorridos anteriores a 24.10.1998, operouse os efeitos da decadência do direito da Fazenda Pública de impor a penalidade inscrita nos arts. 365, I, do RIPI/82 e 463, I, do RIPI/98, por força do que dispõem os arts. 150, § 4o, do CTN, 1o e 2o da Lei n. 9.873/99 e 78 da Lei n. 4.502/64, razão pela qual descabe a autuação referente às operações amparadas pelas Notas Fiscais n. 14 e n. 172, emitidas em 09.04.1997 e 21.05.1998, respectivamente; Ultrapassadas as alegações preliminares, no mérito a impugnante aduz mais às seguintes razões, que: a penalidade aplicada no Auto de Infração não guarda relação com os fatos descritos pela fiscalização, na medida que a autuada adquiriu da Comercial Hispano Lusitana Ltda., portanto no mercado interno, produtos adquiridos em leilão da Secretaria da Receita Federal, cuja entrada no estabelecimento da impugnante foi acobertada por Notas Fiscais de Saídas emitidas pela citada empresa. Logo, as referidas aquisições de mercadorias estavam amparadas por documentos hábeis, tanto que providenciou sua escrituração no livro fiscal próprio; o depoimento prestado pelo titular da empresa que emitiu as notas fiscais não tem o condão de desqualificála como prova da regular entrada das mercadorias no estabelecimento da autuada, na medida que é nulo de pleno direito tendo em vista as condições em que foi tomado e por conta do processo de interdição judicial do depoente; verificada a ausência de tipicidade penaltributária que pudesse ensejar a cobrança da penalidade, não resta configurada suposta infração à legislação tributária, tornandose impraticável a aplicação da multa regulamentar em apreço; é incabível a aplicação da penalidade prescrita no art. 365, I, do RIPI/82 à impugnante, na medida que adquiriu as mercadorias no mercado interno da Comercial Hispano Lusitana Ltda., que, por sua vez, as adquiriu em leilões realizados pela Secretaria da Receita Federal, demonstrando que a autuada, quando efetuou as respectivas aquisições, o fez em observância da legislação tributária e comercial, conforme demonstram os documentos de fls. 22, 24 e 25; ademais, não procede a alegação da autoridade lançadora quando afirma que os relógios adquiridos por meio da Nota Fiscal n2 177, não são aqueles mencionados nos documentos referentes ao Leilão IV 009/98 haja vista não possuírem marca, pois a descrição das mercadorias licitadas em absoluto se referem a relógios sem marca, mas a relógios cujas marcas não foram especificadas; por não restar evidenciada circunstância que pudesse desacreditar da idoneidade da empresa Comercial Hispano Lusitana Ltda., emissora das mencionadas notas fiscais, a autuada entendeu ser absolutamente regular a operação efetuada pela citada empresa arrematante; Fl. 251DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 19/0 8/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 18471.002408/200396 Acórdão n.º 3802002.365 S3TE02 Fl. 113 5 adquiriu de boa fé no mercado interno as mercadorias, não podendo o Fisco imputar à impugnante a responsabilidade para aferir a lisura dos procedimentos adotados pela citada empresa, uma vez que tal verificação é exclusiva das autoridades fazendárias, posto que a autuada não detém os meios legais para aferir acerca da forma como se deu a entrada das mercadorias no estabelecimento da Comercial Hispano Lusitana Ltda; a apuração do montante que serviu de base de cálculo da multa aplicada está incorreta na medida que a fiscalização utilizouse do valor das notas fiscais de saída emitida pela autuada, quando da revenda dos citados relógios, quando deveria, conforme prescreve a norma penaltributária aplicada, aplicar a multa com base no valor comercial atribuído para a mercadoria relativamente ao ato tido por ilícito, qual seja a entrada irregular do produto no estabelecimento da autuada, uma vez que este foi o negócio jurídico que a autoridade lançadora entendeu realizado de maneira fraudulenta; em face do decurso do prazo qüinqüenal que dispunha o Fisco para impor a propalada sanção, improcede o montante da multa embasada nos fatos ocorridos em 1997, logo o estoque encerrado em 31.12.1997 não podem ser objetos de contestação, razão pela qual devem ser excluídos os valores das multas apuradas com base nas vendas efetuadas anteriormente ao recebimento das mercadorias acobertadas pela Nota Fiscal n. 1772, emitida em 21.05.1998; outro motivo para a improcedência da multa aplicada reside no fato de que a fiscalização não logrou êxito em apurar o exato valor comercial de cada relógio, para sua correta quantificação, especificando suas respectivas marcas e modelos, bem como a quantidade efetiva que a autuada deu saída de seu estabelecimento comercial. Desta feita, requer o cancelamento do Auto de Infração em apreço. Em 23 de junho de 2004, a interessada, por meio de seu representante legal, subscreveu a petição de fls. 109/110, com a finalidade de requerer a juntada aos autos da Escritura Declaratória lavrada em 12.03.2004, por meio do qual o Sr. Pedro Feliciano Quilon Rodriguez presta esclarecimentos acerca do seu depoimento tomado a termo em 10.02.2003 (fls. 114 a 116). Citado documento foi juntado ao processo pela DRJ em Juiz de Fora (MG), em 28.06.2004 (fls. 117). Em janeiro de 2005, uma vez mais, a interessada, por meio de seu representante legal, subscreveu a petição de fls. 118, objetivando requerer a juntada aos autos dos documentos de fls. 119 a 126, a fim de que fique demonstrado que as operações por ela praticadas foram acobertadas por documentação hábil, devidamente escrituradas nos livros fiscais e comerciais próprios, inclusive com prova do recebimento das mercadorias e seu respectivo pagamento do preço acordado. Referida documentação foi também objeto de juntada ao processo pela DRJ/JFA, em 03.02.2005 (fls. 127). São partes integrantes dos autos deste processo os Anexos I e II, que tiveram suas folhas numeradas de 001 a 297. Este é o Relatório. Indeferida a impugnação apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da ementa que segue: Fl. 252DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 19/0 8/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1998 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF O MPF contém dois aspectos um interno e outro externo. No interno tratase de uma ordem de serviço do superior hierárquico (delegado/inspetor) a seu subordinado, sobre cujo cumprimento, ou não, os julgadores administrativos de primeira e segunda instância não têm competência para emitir opinião, por estarem estruturalmente dissociados daquele ramo de hierarquia. É da competência exclusiva do delegado/inspetor autorizado a emitir o respectivo MPF mandar dar seguimento ou arquivar o lançamento processado com vícios nesse documento. No aspecto externo o MPF é o instrumento pelo qual se assegura ao contribuinte, desde o inicio do procedimento fiscal, o pleno conhecimento do objeto e da abrangência da ação, em especial em relação aos tributos e períodos a serem examinados, com fixação de prazo para a sua execução, dando a ele (contribuinte), certos direitos que antes não dispunha. A ausência, ou a extinção do MPF dá ao contribuinte o direito de resistência passiva, ou seja, o direito de não responder às intimações da autoridade fiscal, ou apresentar os documentos solicitados. Instituído por legislação infralegal, apenas especifica a competência genérica que detém o AFRF, por expressa disposição legal, portanto, seus vícios (do MPF) e mesmo sua ausência geram problemas de incompetência. Os vícios ou a ausência do MPF tampouco são capazes de provocar vicio formal, haja vista que, por definição legal, o vicio de forma somente ocorre na violação de forma prescrita ou não defesa em lei e não em legislação. A violação na forma prescrita em legislação infralegal, em sede de processo administrativo fiscal, constitui mera irregularidade. Mesmo quando a forma for prescrita em lei, se não houver expressa cominação de nulidade, para os casos de sua infringência, o julgador deve, pelo principio da economia processual, considerar válido o ato que realizado sem essa formalidade alcançar sua finalidade. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998 Ementa: LANÇAMENTO COMPLEMENTAR. HIPÓTESES DE REVISÃO DE OFÍCIO. Ocorrendo uma das hipóteses do art. 149 do CTN, a revisão de oficio que apurar crédito tributário, enseja o lançamento complementar. AÇÃO FISCAL. FATO NOVO Caracterizase como fato novo, dando autorização para nova ação fiscal para um período que já houve fiscalização de tributos internos, a constatação de irregularidade na comprovação da entrada de mercadorias estrangeiras. DECADÊNCIA. MULTA. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 19/0 8/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 18471.002408/200396 Acórdão n.º 3802002.365 S3TE02 Fl. 114 7 O direito do fisco de constituir crédito tributário por imposição de penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da infração. Porém na ocorrência de dolo, fraude ou simulação o prazo, o termo inicial da contagem do prazo de decadência é sempre o primeiro dia do exercício seguinte ao daquele em que o crédito já poderia ter sido constituído. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados I P I Anocalendário: 1998 Ementa: MULTA DO ART. 463, I, DO RIPI/98. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DAS MERCADORIAS. A adquirente deve comprovar a origem das mercadorias estrangeiras que vende em seu estabelecimento e não serve como prova notas fiscais com informações falsas acerca da origem das mesmas. É seu dever suspeitar da origem dos bens adquiridos, com as cautelas próprias do negócio que possui. MULTA DO ART. 463, I, DO RIPI/98. CONFIGURAÇÃO DA INFRAÇÃO. A infração fica configurada, quando já tendo dado saída das mercadorias estrangeiras sem comprovação de sua regular importação, na data da emissão das notas fiscais de venda. Lançamento Procedente. Cientificada acerca da decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ de Florianópolis – DRJ/FNS, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua peça impugnatória, e requer o reconhecimento da nulidade do lançamento por vício formal, o reconhecimento de decadência, senão total, parcial, e, no mérito, a improcedência do auto de infração ante os seguintes fundamentos: A regular entrada das mercadorias no estabelecimento da Recorrente, adquiridas no mercado interno de arrematante em leilões da RFB (fl. 191); A improcedência da penalidade aplicada, pois “exigida de pessoa jurídica que não praticou a suposta infração objeto da norma legal” (fl. 196); A incorreta apuração do valor que serviu de base para cálculo da multa, o qual, ao invés de ser o valor de saída, deveria ser o de aquisição (fl. 202); A improcedência da autuação por calcular a penalidade com base em todas as vendas realizadas pela Recorrente, pois, dentre outras alegações, não foi demonstrado pela fiscalização o valor exato de cada relógio (fl. 203). É o relatório. Voto Fl. 254DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 19/0 8/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. A Recorrente fundamenta seu pedido na ocorrência de diversos vícios, formais e materiais, que levariam a uma anulação do lançamento ou, alternativamente, ao reconhecimento de sua improcedência. Vamos a eles. Do vício formal – nulidade do MPF complementar e do lançamento dele decorrente A Recorrente inicia seu combate ao lançamento arguindo sua nulidade, ante o fato de que o Mandado de Procedimento Fiscal complementar que o lastreou se referiu a tributo diverso do MPF principal. Entende que, em razão disso, teria ocorrido cerceamento do seu direito de defesa. Não comungo da tese da Recorrente. Isso porque, de plano, reconheço tratar se de MPF complementar em virtude de erro de fato – no lançamento inicial, objeto do processo administrativo 18471.002063/200371, não foram considerados dois estabelecimentos da Recorrente, o que motivou a reabertura da ação fiscal. Em se tratando de erro quanto às circunstâncias fáticas do lançamento, sua revisão é não somente possível como mesmo desejável ao sistema jurídico, sendo poderdever da autoridade administrativa proceder à sua revisão, de ofício, nos termos do art. 149, VIII e IX, do CTN. Assim, do ponto de vista puramente formal, se foram observados os requisitos normativos para reabertura da ação fiscal – e no caso concreto é incontroverso que houve autorização expressa do Delegado da Receita Federal para reabertura do MPF –, a revisão de ofício se revela possível. Por outro lado, não vejo cerceamento do direito de defesa ao contribuinte se, em decorrência de erro de fato, houve reabertura da ação fiscal, com lavratura de lançamento complementar. Isso porque ao lançamento se segue todo um processo administrativo revisional, em que é assegurado ao sujeito passivo o pleno exercício de seu contraditório e ampla defesa, como aliás vem sendo feito em tela. Logo, nem mesmo se adotássemos a concepção (doutrinariamente vencida) do acertamento tributário, comungada por Marco Aurélio Greco e Aurélio Pitanga Seixas Filho, de que o lançamento se destina a um acertamento do crédito tributário, sendo um complexo de atos que se desdobram desde as medidas de fiscalização até a decisão administrativa final sobre o crédito tributário, seria possível dar guarida ao pleito de cerceamento de defesa. No máximo há um risco maior de o lançamento ser reconhecido como improcedente, caso não se reúnam todos os elementos necessários à sua confecção. No entanto, tendo toda a materialidade para lançar, despicienda a participação do contribuinte nos atos fiscalizatórios, precisamente pelo fato de que, antes do lançamento, ainda não há crédito tributário formalizado contra si. Após esse ato inicial de exigência do crédito sim, a participação do sujeito passivo é imprescindível. Frisese ainda que, em se tratando de lançamento complementar, o trabalho de defesa do sujeito passivo já se encontra basicamente delineado na tese posta no auto de infração inicial. Assim, não havendo prejuízo, não há como se reconhecer nulidade – valendo o brocardo pas de nullité sans grief. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 19/0 8/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 18471.002408/200396 Acórdão n.º 3802002.365 S3TE02 Fl. 115 9 Destarte, não acolho o primeiro argumento do recurso. Da decadência Em seguida ao primeiro argumento, a Recorrente requer seja atestada a decadência do crédito tributário, diante do fato de que (i) a notificação regular do lançamento ocorreu após o decurso do prazo a que se refere o art, 150, § 4o, do CTN, ou mesmo, (ii) com relação à nota fiscal n. 14, ainda que se aplique a regra do art. 173, I, do CTN, seria forçoso reconhecer sua caducidade para fins de lançamento. O auto de infração foi regularmente notificado ao sujeito passivo no dia 24/10/2003, conforme se vê de fl. 25. As notas fiscais objeto do questionamento do contribuinte (ns. 14 e 172) foram emitidas respectivamente em 09/4/1997 e 21/5/1998. Com relação aos fatos objeto do presente lançamento, entendo ser aplicável a regra do art. 173, I, do CTN. Isso porque, como bem destaca a decisão recorrida, o art. 150, § 4o, do CTN, por disposição expressa não é aplicável aos casos de dolo, fraude ou simulação. No caso em tela, a situação que se afigura é de fraude – pois nitidamente se percebem incongruências nas informações constantes das notas fiscais e a realidade fática das mercadorias postas à venda pela Recorrente e mesmo do seu ramo do comércio, o que será ventilado mais pormenorizadamente no exame do mérito. De todo modo, no que tange a aplicação da regra para contagem do prazo decadencial, filiome à tese da decisão recorrida e também da decisão proferida pelo CARF à própria Recorrente no processo 18471.002063/200371, destinado à revisão do lançamento tributário principal, objeto de revisão de ofício para fins de complementação da matéria fática pelo auto de infração que ora é objeto de julgamento. Tomo a liberdade de transcrever o excerto do Acórdão vencedor – vencedor precisamente na matéria de decadência: DECADÊNCIA. MULTA. O direito de o fisco efetuar o lançamento de ofício para imposição de multa regulamentar se extingue em cinco anos, consoante regra prevista no art. 173, I, do CTN. (Acórdão n. 330100.151 – 3a Câmara – 1a TO – Relator Designado Cons. Maurício Taveira e Silva – sessão de 09 de julho de 2009) No entanto, independente da regra de decadência aplicável, o que se tem em termos concretos é a desconsideração das notas fiscais da Comercial Hispano Lusitana Ltda. como documentos hábeis para acobertar a entrada regular das mercadorias. Tanto assim que o demonstrativo de apuração confeccionado pela autoridade administrativa se refere somente ao exercício de 1998, e em nenhum momento o montante autuado se identifica com a nota fiscal n. 14 (a única que, em tese, seria objeto de decadência). Assim, rejeito a preliminar de decadência do crédito tributário objeto do presente lançamento. Quanto ao mérito Fl. 256DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 19/0 8/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Iniciando a análise do mérito, percebese que a Recorrente se preocupa excessivamente com um depoimento prestado pelo vendedor das mercadorias, emitente dos documentos fiscais que deram azo à ação fiscal que desembocou no lançamento ora sob exame. A Recorrente busca, a todo custo, desconstituir o depoimento do Sr. Pedro Rodriguez, que declarou à Receita Federal, durante ação fiscal, ter emitido as notas “de favor” para permitir o acobertamento das entradas de mercadorias revendidas pela Recorrente. Inclusive um dos pleitos preliminares da Recorrente, abordado em conjunto com a presente alegação de mérito, é o pedido de anulação do lançamento porquanto baseado em um depoimento nulo por problemas particulares do depoente. Além disso, a Recorrente é bastante enfática na circunstância de que adquiriu as mercadorias regularmente no mercado interno, junto a revendedor arrematante de mercadorias em leilões da RFB. Sobre o depoimento do Sr. Pedro Rodriguez, entendo que sua anulação em nada auxilia a Recorrente, e seu eventual desentranhamento dos autos, ou mesmo desconsideração para os fins do presente processo, não desnaturam a exigência da multa regulamentar. Isso porque o depoimento prestado é apenas um indício – aliás, o mais fraco de todos eles. Declarações de particulares não se prestam a muito relevo em matéria tributária, seara na qual a documentação tende a refletir a verdade material tão perseguida na revisão do lançamento tributário, seja na via administrativa ou judicial. A rigor, sendo bastante objetivo os fatos postos a julgamento são: uma joalheria de renome internacional alega ter adquirido, para revenda, relógios de marcas mundialmente festejadas a aproximadamente R$ 100,00, junto a arrematante de mercadorias apreendidas em leilões da Receita Federal do Brasil. A alegação da Recorrente chega a ser assustadora do ponto de vista das relações jurídicas de direito privado que mantém com seus clientes. Felizmente o processo administrativo fiscal é revestido de sigilo, que impede que certas informações cheguem a público. Pois o mesmo motivo que expõe ser bastante duvidoso o recebimento dessa alegação pelo mercado consumidor, ocorre com o julgador: a alegação foge ao senso comum. Mercadorias apreendidas em leilões da Receita Federal são de procedência duvidosa, e o preço de aquisição destoa em absoluto do preço médio dessas mercadorias. Qual seria então o dever instrumental da Recorrente, para tentar desfazer esse senso comum que norteia a interpretação de seus atos? Provar, em primeiro lugar, que o preço de aquisição no mercado é esse. Juntar notas fiscais emitidas pelos fabricantes, ou distribuidores dessas mercadorias para revenda. Essa comprovação poderia vir ainda por demonstração contábil, indicando o custo médio de aquisição dessas mercadorias; bem como outras formas mais robustas do que o mero ataque retórico ao quanto levantado pela ação fiscal. Igualmente, buscar comprovar a regularidade da operação pelos documentos que, além de questionados pelo fisco, possuem informações que efetivamente escapam do senso comum, não oferece grande socorro ao sujeito passivo. Ausente essa documentação, a defesa começa a se revelar vulnerável. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 19/0 8/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 18471.002408/200396 Acórdão n.º 3802002.365 S3TE02 Fl. 116 11 Restam duvidosas, portanto, as alegações de mérito da Recorrente, pois em momento algum ela demonstra que realmente aqueles relógios, adquiridos por um preço praticamente simbólico, foram postos à venda para o mercado de varejo, junto com outros. Toda a defesa então fica posta em xeque se documentalmente a Recorrente não confronta essa questão singela levantada pelo lançamento, quanto ao mérito: os relógios postos para revenda foram adquiridos de forma irregular, pois as notas fiscais que acobertam suas entradas contêm informações indignas de fé. Essas circunstâncias, aliadas à inidoneidade da pessoa jurídica arrematante fornecedora em dado período, confrontam mais ainda a robustez dos argumentos da Recorrente. Assim é que, quanto ao mérito, nada obstante todo o esforço despendido pelo sujeito passivo, não encontro razões suficientes para ilidir a ação fiscal, filiandome ao quanto decidido no processo 18471.002063/200371, cuja ementa tomo a liberdade de transcrever: CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MULTA REGULAMENTAR. Constatado por meio de fiscalização regular que a contribuinte entregou a consumo produto de procedência estrangeira, com entrada em seu estabelecimento de forma irregular, nos termos do art. 463, I, do RIPI/98, enseja a aplicação da multa igual ao valor comercial da mercadoria. Por fim, no que tange à equivocada quantificação da base de cálculo para aplicação da multa regulamentar, também não encontro vícios na apuração efetuada pela autoridade administrativa. Isso porque o valor comercial não é necessariamente o valor de entrada das mercadorias, e sim o valor de mercado. E, ainda que assim não fosse, o valor das entradas das mercadorias objeto do presente lançamento é totalmente questionável – tendo sido inclusive o que despertou a autoridade administrativa para detectar a aquisição irregular dos produtos postos à venda. Conclusão Ante todo o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento, mantendo o crédito tributário formalizado no auto de infração ora guerreado. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 258DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 19/0 8/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 19/0 8/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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