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Numero do processo: 11020.006134/2008-88
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/11/2005
RECURSO INTEMPESTIVO.
A apresentação do recurso voluntário depois de transcorrido o prazo de trinta
dias previsto no art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, c/c com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99 c/c art. 33 do decreto nº 70.235/72 resulta no não conhecimento da peça defensiva.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2302-002.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Presidente.
Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Arlindo da Costa e Silva, André Luis Marsico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2003 a 30/11/2005 RECURSO INTEMPESTIVO. A apresentação do recurso voluntário depois de transcorrido o prazo de trinta dias previsto no art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, c/c com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99 c/c art. 33 do decreto nº 70.235/72 resulta no não conhecimento da peça defensiva. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Presidente. Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Arlindo da Costa e Silva, André Luis Marsico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 30/11/2005 RECURSO INTEMPESTIVO. A apresentação do recurso voluntário depois de transcorrido o prazo de trinta dias previsto no art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, c/c com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99 c/c art. 33 do decreto nº 70.235/72 resulta no não conhecimento da peça defensiva. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Presidente. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Arlindo da Costa e Silva, André Luis Marsico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 61 34 /2 00 8- 88 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 2 Tratase o presente lançamento de Auto de Infração de Obrigação Acessória (DEBCAD nº 37.193.8481) por ter deixado a empresa deve lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme art. 32, inciso II, da Lei n.º 8.212/91 combinado com o artigo 225, inciso II, parágrafos 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/1999. De acordo com o relatório fiscal de fls. 39, a empresa MTM Comércio de Peças e Serviços Ltda. foi autuada por lançar, em conta contábil SALARIOS — 274.4.2.1.02.03 e 189.4.5.1.01.02 — nos Livros Diário n° 01, 02 e 03, todos os valores pagos ou creditados aos segurados empregados a seu serviço, não efetuando a separação, em títulos próprios, das rubricas que são base de cálculo para incidência de contribuições, no período de 07/2003 a 11/2005, conforme o Relatório Fiscal da Infração. Intimada em 19/09/2008, a empresa apresentou impugnação tempestiva (fls. 70/75), alegando: a) Que o lançamento foi efetuado por interpretação equivocada do Auditor Fiscal, porque a separação, na escrituração contábil, das rubricas de abono de férias, 1/3 sobre o abono de ferias, férias indenizadas, 13° salário e indenizações trabalhistas, não é exigida e não caracteriza infração ao artigo 32 da Lei n° 8.212/91; b) Que a escrituração contábil foi elaborada dentro do prazo legal e de acordo com as normas técnicas e legais, contendo todos os fatos geradores e elementos exigidos, e com a entrega de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP retificadoras, que elidem totalmente a infração, deve o lançamento ser declarado nulo; c) Quanto à multa, afirmou ser ilegal sua aplicação por ausência de enquadramento na tipificação legal, pois a contabilidade da autuada possibilita que sejam identificados os fatos geradores de contribuição, estando discriminadas as quantias descontadas e as contribuições; d) Que o presente lançamento não deveria prosperar pelo fato de inexistir perante os Órgãos de Classe de Contabilidade, na doutrina especializada, na Receita Federal do Brasil — RFB ou em qualquer dispositivo legal, a obrigatoriedade de efetuar o lançamento, de forma discriminada, dos abono de férias, 1/3 sobre o abono de férias, férias indenizadas, 13° salário e indenizações trabalhistas. Salientou, ainda, que as contas Salário — 274.4.2.1.02.03 e 189.4.5.1.01.02 — correspondiam integralmente à conta contábil Ordenados, Salários, Gratificações e Outras Remunerações a Empregados — 3.05.01.07.02.01 — do Plano de Contas Referencial, da SPED Contábil, encontrado no "site" da RFB; e) Ao final, pleiteou a desconstituição do lançamento e, alternativamente, a aplicação dos valores constantes no artigo 283, inciso II, do RPS, correspondente ao da época da infração. Juntou Plano de Contas Referencial (RFB e SESCAP) e folhas de pagamento do período autuado, fls. 78'a 165. Encaminhados os autos para julgamento, os membros da DRJ/POA (Porto Alegre), julgaram procedente o lançamento. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 11020.006134/200888 Acórdão n.º 2302002.752 S2C3T2 Fl. 215 3 Devidamente intimado em 22/07/2009 (fls. 346), o contribuinte apresentou, em 24.07.2009, Embargos Declaratórios alegando omissão do julgado. No julgamento, a DRJ/POA não conheceu dos aclaratórios pelo fato deste recurso só ser cabível perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Afirmou ainda o Relator que não vislumbrava na decisão inexatidões materiais, erros de escrita ou de cálculos, elementos ensejadores da correção prevista no artigo 32 do Decreto n° 70.235/72. Em 26/08/2009, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ratificando todos os termos dispostos na impugnação (fls. 364/376). É o relatório. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 4 Voto Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora. Após tomar ciência da decisão da DRJ (fls. 346), em 22/07/2009, o Recorrente deixou transcorrer o prazo de 30 dias conferido pelo o art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, c/c com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99 c/c art. 33 do decreto nº 70.235/72, para apresentação de recurso (protocolado em 26/08/2009 fls. 364): "Lei n° 8213/91: Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento.". "Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99: Art.305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente.." Decreto nº 70.235/72: "Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão." Vale ressaltar que no dia 24/07/2009 o contribuinte apresentou Embargos Declaratórios alegando omissão do julgado proferido pela DRJ/POA, em 1º grau, os quais não foram conhecidos por não haver previsão legal da sua interposição em face da decisão de 1º grau. Por causa disso, a apresentação dos respectivos embargos não ensejaram a suspensão do prazo para interrupção do recurso voluntário. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 11020.006134/200888 Acórdão n.º 2302002.752 S2C3T2 Fl. 216 5 Por todo o exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário, por intempestivo, mantendo a decisão da DRJ. É como voto. Sala das Sessões, 18 de Setembro de 2013. Juliana Campos de Carvalho Cruz. Relatora Fl. 393DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ
score : 1.0
Numero do processo: 10711.005615/2005-82
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 11/07/2001
PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Incabida a alegação de cerceamento de defesa, quando existentes nos autos elementos suficientes para a formação do convencimento do julgador, quiçá quando não demonstrado de forma satisfatória no que consistiu o suposto cerceamento de defesa, posto que a pretensão deduzida na hipótese, poderia ter sido produzida pela própria Contribuinte no momento oportuno.
IMPOSIÇÃO DE MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES.
Somente se cogita da aplicação do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/97, quando a mercadoria importada estiver descrita com todos os elementos necessários A sua identificação e ao seu enquadramento tarifário.
Preliminar suscitada rejeitada. No mérito, recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.229
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Heroldes Bahr Neto e Gilberto de castro Moreira Junior, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Luiz Fregonazzi. Ausente justificadamente o conselheiro Presidente José Luiz Novo Rossari.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior Relator ad hoc
Charles Mayer de Castro Souza Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, João Luiz Fregonazzi, Gilberto de Castro Moreira Junior, Heroldes Bahr Neto, Rodrigo Cardozo Miranda e Maria Regina Godinho.
Nome do relator: Rodrigo Cardozo Miranda
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 11/07/2001 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Incabida a alegação de cerceamento de defesa, quando existentes nos autos elementos suficientes para a formação do convencimento do julgador, quiçá quando não demonstrado de forma satisfatória no que consistiu o suposto cerceamento de defesa, posto que a pretensão deduzida na hipótese, poderia ter sido produzida pela própria Contribuinte no momento oportuno. IMPOSIÇÃO DE MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Somente se cogita da aplicação do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/97, quando a mercadoria importada estiver descrita com todos os elementos necessários A sua identificação e ao seu enquadramento tarifário. Preliminar suscitada rejeitada. No mérito, recurso voluntário negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2338; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 101 1 100 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10711.005615/200582 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202000.229 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 8 de dezembro de 2010 Matéria MULTA REGULAMENTAR. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA Recorrente CHREEMTEX IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 11/07/2001 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Incabida a alegação de cerceamento de defesa, quando existentes nos autos elementos suficientes para a formação do convencimento do julgador, quiçá quando não demonstrado de forma satisfatória no que consistiu o suposto cerceamento de defesa, posto que a pretensão deduzida na hipótese, poderia ter sido produzida pela própria Contribuinte no momento oportuno. IMPOSIÇÃO DE MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Somente se cogita da aplicação do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/97, quando a mercadoria importada estiver descrita com todos os elementos necessários A sua identificação e ao seu enquadramento tarifário. Preliminar suscitada rejeitada. No mérito, recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Heroldes Bahr Neto e Gilberto de castro Moreira Junior, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Luiz Fregonazzi. Ausente justificadamente o conselheiro Presidente José Luiz Novo Rossari. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 56 15 /2 00 5- 82 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILBE RTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10711.005615/200582 Acórdão n.º 3202000.229 S3C2T2 Fl. 102 2 Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator ad hoc Charles Mayer de Castro Souza – Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, João Luiz Fregonazzi, Gilberto de Castro Moreira Junior, Heroldes Bahr Neto, Rodrigo Cardozo Miranda e Maria Regina Godinho. Relatório Por pertinente, adoto e transcrevo o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis (SC), conforme fls. 66/69, por bem esclarecer os fatos ocorridos até aquela fase processual: “Trata o presente Auto de Infração nº 258/05 – de fls. 01 a 05, lavrado contra a acima epigrafada, de quem se cobra o valor de R$ 19.417,41, a título de Multa do Controle Administrativo das Importações. O lançamento em epígrafe decorreu da constatação de que a contribuinte quando submeteu a despacho de importação, para consumo, as mercadorias objeto da Adição 001 da Declaração de Importação (DI) nº 01/06860954, registrada em 11.07.2001, fls. 09 a 26, descrita como sendo “Tecidos de Fio de Filamentos Sintéticos, Tintos, Sem Fios de Borracha, do Tipo Oxford, compostos de 100% Poliéster, largura 54’’, peso: 361g/m”, o fez ao desamparo da necessária Licença de Importação – LI, conforme relato de fls. 02. Entendendo, o autuante, com base no Laudo nº. 2658/01 (fl.08), que respectiva mercadoria, por se tratar de “de tecido plano, 100% poliéster (sintético), com 100% de fios multifilamentosos texturizados, de fios de diversas cores”, tem sua correta classificação na posição 5407.53.00, diferentemente da posição 5207.52.10, ambas da TEC, conforme declarou a importadora. Estando, portanto, sujeita à penalidade acima mencionada, uma vez que, além do erro de classificação fiscal verificado, a mercadoria não foi corretamente descrita com todos os elementos necessários para sua identificação. Inconformada com a autuação, a contribuinte, por meio de sua procuradora legalmente constituída, apresentou a impugnação de fls. 33 a 39, instruindo a com os documentos de fls. 40 a 64, argüindo que do simples confronto da conclusão do laudo do Labana com a descrição da mercadoria na DI é suficiente para demonstrar a inexistência de divergências substanciais quanto aos elementos constitutivos para sua correta e perfeita identificação, razão pela qual, igualmente inexiste justificativa para a imposição do respectivo gravame, conforme pretende a autoridade lançadora. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILBE RTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10711.005615/200582 Acórdão n.º 3202000.229 S3C2T2 Fl. 103 3 Corrobora seu entendimento no fato de que ambas posições tarifárias, tanto da contribuinte quanto da fiscalização são idênticas, inclusive com a mesma incidência tributária, não havendo, por conseguinte, diferença de impostos a recolher. Por fim, aduz que ante a ausência de qualquer intuito doloso ou máfé de sua parte e com supedâneo no entendimento insculpido no AD(N) nº 12, de 21.01.1997 e na farta jurisprudência administrativa do Conselho de Contribuinte e da Câmara Superior de Recursos Fiscais não havendo como prosperar a pretensão fiscal em tela. Nestes termos, a interessada julga correta a classificação fiscal da mercadoria, por ser exatamente aquela descrita na DI em tela. Requer, não obstante a reconhecida idoneidade do laboratório que elaborou o laudo de fls. 08, seja deferida a solicitação que pleiteia a elaboração de novo exame laboratorial da mercadoria em trato, a ser efetuado pelos peritos do Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil – CETIQT – DENAI, no intuito de demonstrar a veracidade do que ora se alega, indicando perito técnico de sua confiança e formulando quesitos. Mediante o expediente de fls. 65, o processo foi encaminhado a esta DRJ/FNS para prosseguimento. É o relatório.” Sobreveio decisão de primeira instância (fls. 66/69), na qual a Colenda Turma da DRJ de Florianópolis (SC), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento realizado, consubstanciado no Auto de Infração de fls. 01 a 05, mantendo a exigência fiscal, cuja decisão restou assim ementada: “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 11/07/2004 Ementa. Acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria SRF nº 1.364, de 10/11/2004. Lançamento Procedente.” Portanto, resumimos o declarado e o que foi objeto de autuação pelo Ilustre Auditor Fiscal, tendo atribuído à Recorrente a prática das seguintes infrações, que digase, foi integralmente mantido pela DRJSPO II: Infração Classif. Adotada pelo Contribuinte Classif. Adotada pelo Fisco Descrição dada pela Empresa Exigência 1 5207.52.10 5407.53.00 Tecidos de Fio de Filamentos Sintéticos, Tintos, Sem Fios de Borracha, do Tipo Oxford, compostos de 100% Poliéster, largura 54 ‐ Multa do controle administrativo das importações Fl. 103DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILBE RTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10711.005615/200582 Acórdão n.º 3202000.229 S3C2T2 Fl. 104 4 Inconformada com a decisão, a interessada apresentou tempestivamente o presente Recurso Voluntário (fls. 75/82). Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural, requerendo ao final, o conhecimento e provimento do recurso, com o acolhimento da preliminar arguida e declaração de nulidade da autuação no tocante à multa lançada. As razões de recurso, em síntese, são as seguintes: 1. Preliminarmente, arguiu nulidade da decisão por manifesto cerceamento do direito de defesa, uma vez que seu pedido de novo exame na amostra do produto têxtil importado não foi atendida pela autoridade fiscal; 2. No Mérito, reitera as alegações apresentadas na Impugnação de fls. 33 a 39; Em razão da finalização dos mandatos dos conselheiros Heroldes Bahr Neto e João Luiz Fregonazzi fui designado relator ad hoc deste processo. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator ad hoc. Satisfeitos estão os requisitos viabilizadores de admissibilidade deste recurso e, sendo tempestivo, dele conheço. Levando em conta o Auto de Infração, Impugnação, Decisão da DRJ e respectivo Recurso Voluntário, os pontos remanescentes a serem julgados são os seguintes: Exigência de penalidade pecuniária em razão de (i) reclassificação fiscal da mercadoria descrita na DI nº. 01/06860954 e sua (ii) descrição incorreta na Licença de Importação. Pela descrição incorreta e reclassificação foi lavrada autuação impondo a seguinte multa: (a) multa ao controle administrativo (multa de 30% do valor aduaneiro por falta de Licença de Importação), com base no art. 526, inciso II, do Decreto nº. 91.030/85 com a interpretação dada pelo Ato Declaratório Normativo nº. 12/97); Ante a presença de preliminar no presente caso, passo à sua apreciação antes de adentrar ao mérito. PRELIMINAR CERCEAMENTO DE DEFESA A Recorrente argüiu cerceamento de defesa, vez que teve seu pedido de produção de prova pericial com formulação de quesitos, negado. O objetivo da nova perícia era reavaliar, com base em novo exame laboratorial, a correta classificação fiscal da mercadoria em análise. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILBE RTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10711.005615/200582 Acórdão n.º 3202000.229 S3C2T2 Fl. 105 5 Primeiramente, cumpre esclarecer, que tanto no processo administrativo quanto no processo judicial, a prova pericial tem por fim precípuo, esclarecer questões que conduza tanto ao órgão julgador quanto às Partes envolvidas numa lide, a razoáveis dúvidas que possam influir na decisão da causa. Não por outra razão que as normas que tratam da presente matéria são claras em assentar que as perícias somente serão deferidas se forem necessárias. Ou seja, desde que imprescindíveis para firmar o convencimento do julgador incumbido de dirimir as controvérsias instauradas. Nesse diapasão, vejamos os dispositivos legais que regem a matéria, verbis: DECRETO Nº. 70.235/72, ART. 18: “A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL (Lei nº. 5.869/73), ART. 420: “A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação. Parágrafo único O juiz indeferirá a perícia quando: I a prova do fato não depender do conhecimento especial de técnico; II for desnecessária em vista de outras provas produzidas; III a verificação for impraticável.” Simples leitura dos dispositivos acima transcritos, evidenciam o poderdever do julgador em deferilas ou não, posto que lhe é assegurado o poder para, se entender impertinentes, e desde que devidamente fundamentada, indeferilas. Com efeito, na hipótese dos autos, o que se verifica, é que a Recorrente pretende verse atendida sua pretensão, consistente em produzir a mesma prova já produzida nos autos, somente que desta feita, por outro laboratório, o que, com todas as vênias, se apresenta totalmente desarrazoada, além de inoportuna. Contudo, como se demonstrará, apresentase totalmente desnecessária a produção da prova pretendida, qual seja, nova perícia, como bem demonstrou a d. DRJ/Florianópolis (SC). A autoridade fiscal, baseandose no laudo pericial elaborado pelo LABORAN, realizado a partir da coleta de amostra da mercadoria em questão, concluiu que além da classificação fiscal errônea existe também erro na identificação da mercadoria. Salienta em sua decisão que: “o simples fato de a Recorrente não concordar com a conclusão do laudo, sem que tenha apontado qualquer irregularidade e/ou vício e sem que tenha trazido nenhum elemento de prova capaz de infirmálo, não constitui motivo suficiente para que seja deferida a realização de novo exame na respectiva amostra”. Como se vê, assistelhe inteira razão, pois basta uma simples leitura nas razões expendidas pela ora Recorrente (fls. 76/78), para se concluir que não se trouxe qualquer elemento de convicção que pudesse eivar de nulidade referido Laudo, ou até mesmo pudesse colocálo, de alguma forma, em dúvida quanto à sua veracidade. Ora, assentar somente que “A medida requerida é de fundamental importância para a comprovação da correta classificação tarifária adotada pela Recorrente, e o mais importante, para demonstrar, inequivocamente, que o produto importado encontrase corretamente descrito, com todos os elementos necessários a sua perfeita identificação, de conformidade com a Licença de Importação expedida pelo DECEX e demais documentos que instruem o respectivo despacho aduaneiro”, quero me fazer crer, que não são suficientes a justificar o deferimento da pretensão deduzida. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILBE RTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10711.005615/200582 Acórdão n.º 3202000.229 S3C2T2 Fl. 106 6 Por derradeiro, é de se ressaltar, que como se verá na questão de mérito, o indeferimento da produção da prova pretendida não lhe trouxe nenhum prejuízo: a uma, porque pode a Recorrente exercer o efetivo contraditório e a ampla defesa, pois enfrentou todas as teses expendidas pela Autoridade Fazendária; e a duas, porque a solução na questão de mérito milita em seu favor. Diante do exposto, e o mais que dos autos consta, conheço da presente preliminar, e NEGOLHE PROVIMENTO. MÉRITO DA RECLASSIFICAÇÃO FISCAL No tocante à classificação fiscal pertinente à mercadoria em apreço, oportuno trazer à baila, a NCM aplicável à espécie, para uma melhor compreensão do caso sub judicie, verbum ad verbum: “NCM/Descrição POSIÇÃO 54: FILAMENTOS SINTÉTICOS OU ARTIFICIAIS; LÂMINAS E FORMAS SEMELHANTES DE MATÉRIAS TÊXTEIS SINTÉTICAS OU ARTIFICIAIS 54.07. Tecidos de fios de filamentos sintéticos, incluídos os tecidos obtidos a partir dos produtos da posição 54.04. 5407.5 Outros tecidos, contendo pelo menos 85%, em peso, de filamentos de poliéster texturizados; (...). 5407.52 – Tintos (...). 5407.52.10 – Sem fios de borracha (RECORRENTE) (...). 5407.53.00 – De fios de diversas cores (FISCO)” “SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 129/02 Superintendência Regional da Receita Federal SRRF / 7a. RF Diana ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: CÓDIGO TEC Mercadoria CÓDIGO TEC Mercadoria 5407.52.10. Tecido plano, 100% poliéster (sintético), com 100% de fios multifilamentosos texturizados, tinto, sem fios de borracha, denominados comercialmente "Tecido Renova", "Tecido Oxford" e "Tecido Peach Skin". CÓDIGO TEC Mercadoria 5407.53.00. Tecido plano, 100% poliéster (sintético), com 100% de fios multifilamentosos texturizados, fios de diversas cores, denominados comercialmente "Tecido Camisaria". DISPOSITIVOS LEGAIS: RGI 1ª (Textos das Posições 5515 e 5407), RGI 6ª (Textos das Fl. 106DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILBE RTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10711.005615/200582 Acórdão n.º 3202000.229 S3C2T2 Fl. 107 7 Subposições 5515.12, 5407.52, 5407.53, 5407.51 e 5407.61) e RGC1, da TEC Decreto nº 2376/1997. WALTER SANCHES SANCHES JUNIOR Chefe Data: 11/07/2002, publicado no DOU de 06/09/2002. Inexistem, como se pode observar, divergências substanciais quanto aos elementos constitutivos do tecido importado, objeto da presente questão. O fato determinante para a correta classificação na hipótese, decorre da minudente descrição da mercadoria importada, que no entendimento da Recorrente, restou equivocada, pois, conforme se depreende, a posição por ela adotada foi baseada no fato de a mesma não deter em sua composição, borracha (NCM 5407.52.10), ao passo que para a Fiscalização, que se apoiou no Laudo, a posição correta é a NCM 5407.53.00. Com efeito, a questão posta não se insere no fato de haver ou não na composição do tecido, borracha, e sim de fios de diversas cores. Assim, se a cor é o elemento determinante, tendo em vista a especificidade, interpretase a questão com base na Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº. 3 “a”, que informa que havendo posição mais específica, esta há de prevalecer sobre a mais genérica. Assim sendo, considerando o laudo da LABORAN, não infirmado pela Recorrente, e diante da Regra nº 3 “a” do Sistema Harmonizado c/c o art. 30 do Decreto nº. 70.235/72 que assenta, in verbis: “Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres.” ... ..., concluise que o código utilizado pela autoridade fiscal que deslocou o produto para outro NCM, é correto, pois conforme o laudo pericial acostado aos autos, o tecido objeto de análise, é confeccionado por fios multifilamentosos texturizados de diversas cores, que é a característica específica e fundamental para a reclassificação na posição do código NCM 5407.53.00. Diante do exposto, julgo no sentido de manter a reclassificação da mercadoria em apreço, passando a análise dos reflexos. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO POR DECLARAÇÃO INEXATA DE MERCADORIA A r. decisão recorrida decidiu que é cabível a multa prevista no art. 526, inciso II, do Dec. 91.030/85, na medida em que teria sido realizada importação sem a respectiva Licença de Importação, reflexo de descrição inexata da mercadoria. Porém, deve ser analisada a presente questão, como situação reflexa do entendimento no Item “2.1.” relativo à reclassificação fiscal realizada pela Receita Federal. A aplicação da multa de 30% sobre o valor aduaneiro por falta de LI, relativa ao Controle Administrativo de Importações, teve por base o art. art. 526, inciso II, do Dec. 91.030/85. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILBE RTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10711.005615/200582 Acórdão n.º 3202000.229 S3C2T2 Fl. 108 8 No caso em questão verificase que o produto foi classificado pela Recorrente em posição diferente da que a fiscalização julga ser correta, essencialmente em decorrência de terem sido declarados na DI nº 01/06860954, em sua adição 001 como “Tecidos de Fio de Filamentos Sintéticos, Tintos, Sem Fios de Borracha, do Tipo Oxford, compostos de 100% Poliéster, largura 54”, classificado no código 5407.52.10. Sobre o tema prescreve o art. 526, inciso II, do Decreto n° 91.030/85, que constitui infração administrativa ao controle das importações: “Art. 526 Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas as seguintes penas (Decretolei nº 37/66, art. 169, alterado pela Lei nº 6562/78, art. 2º): (...) II importar mercadoria do exterior sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria; e” Com o advento do SISCOMEX, a guia de importação foi substituída atualmente pela Licença de Importação (LI) ou Licenciamento Automático e Não Automático que é um documento concedido para a importação de uma mercadoria específica, com base na classificação fiscal declarada pelo importador. A Portaria SECEX nº 21/96, vigente à época da ocorrência do fato gerador, preceituava em seus arts. 7°, 8° e 14, que: “Art. 7º. O licenciamento das importações ocorrerá de forma automática e não automática e será efetuado por meio do SISCOMEX. (...) Art. 8º. Nos casos de licenciamento automático, as informações de que trata o artigo anterior deverão ser prestadas no Sistema em conjunto com as informações exigidas para a formulação da declaração para fins de despacho aduaneiro da mercadoria. (...) Art. 14. A descrição da mercadoria deverá conter o maior número de características identificadoras possíveis, tais como: marca, tipo, cor, acessórios e outras informações relativas ao produto.” Contudo, no caso presente, verificase que a matéria em apreço diz respeito essencialmente à divergência quanto à sua classificação fiscal e não necessariamente à descrição, até porque, ficou decidido que inexistem divergências substanciais quanto aos elementos constitutivos do tecido importado. Portanto, considerando que a Recorrente efetuou as respectivas importações descrevendo as mercadorias, ainda que de forma equivocada, porém condizente com a posição no NCM correspondente, não há que se aplicar a multa capitulada no artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro de 1985. Na hipótese dos autos, aplicável é o entendimento expresso no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12/97 que dispõe: “(...) não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior – SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante”. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILBE RTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10711.005615/200582 Acórdão n.º 3202000.229 S3C2T2 Fl. 109 9 Como se pode observar do exposto, inexistiu por parte da Recorrente qualquer ato de máfé ou intuito doloso no intuito de obter qualquer vantagem em detrimento da Fazenda Nacional, bem como de inserir informações que os induzissem em erro. Na medida em que a classificação fiscal não é o cerne da matéria sob exame, esta por si só não enseja a aplicação da penalidade imposta pelo art. 526, II do RA/85, uma vez que a posição adotada pela Recorrente não difere do da autoridade fiscal, pois possui a mesma incidência tributária, não havendo, portanto, qualquer diferença de imposto a apurar. Portanto, é incabível a aplicação da multa quando simples confronto do que foi declarado na DI e o que fora decidido pela fiscalização, se trata apenas de descrição indevida ou imprecisa da mercadoria, além ter restado evidenciado que não há alterações substanciais no produto que ensejam em mudanças significativas na merceologia da mercadoria ou ainda que exista erro na classificação tarifária. Nestes precisos termos, já se manifestou o CARF, posto que se trata de mesma situação fática versada nestes autos, verbis: ACÓRDÃO 30334.858 CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. DESCRIÇÃO DA MERCADORIA COM ELEMENTOS SUFICIENTES À SUA IDENTIFICAÇÃO. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DE IMPORTAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 526, INCISO II, DO REGULAMENTO ADUANEIRO (DECRETO 91.030, DE 05/03/1985). Verificado haver ocorrido apenas "imprecisa" descrição da mercadoria, a qual não torna inválida a Guia de Importação/LI que acoberta a importação, temse como descaracterizada a infração prevista pelo artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n.º 91.030, de 05/03/1985. Ato Declaratório Cosit nº. 12, de 21/01/1997. Recurso Voluntário Provido. ACÓRDÃO 30333.327 INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DE IMPORTAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 526, INCISO II, DO REGULAMENTO ADUANEIRO (DECRETO 91.030, DE 05.03.1985). Verificado haver ocorrido apenas "imprecisa" descrição da mercadoria, a qual não torna inválida a Guia de Importação/LI que acoberta a importação, temse como descaracterizada a infração prevista pelo artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n.º 91.030, de 05.03.1985. Ato Declaratório Cosit nº. 12, de 21.01.1997. Recurso voluntário provido. ACÓRDÃO 30134.319 MULTA POR FALTA DE DI ERRO DE CLASSIFICAÇÃO Quando a divergência de classificação fiscal é resolvida pela RGI 3 "c" e verificase que a mercadoria pareça que possa ser classificada em uma das classificações apresentada, inclusive a que corresponda à descrição da mercadoria que o contribuinte deu na DI, não há possibilidade lógica de afirmar que houve descrição incorreta da mercadoria. Diante disso, estando a mercadoria descrita de forma satisfatória para fins de identificação, aplicase o Ato Declaratório Normativo COSIT nº. 12, de 21/01/1997, excluindose a penalidade, capitulada no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro. Recurso provido em parte. ACÓRDÃO 30334.860 INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DE IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA ERRÔNEA. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 633, II, 'a', do REGULAMENTO ADUANEIRO/02 (artigo 526, inciso II, do RA/85). Não se subsume a multa prevista no art. 633, II, 'a', do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 4.543, de 26/12/02 (art. 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n.º 91.030, de 05/03/1985), quando o fato não está devidamente tipificado, uma vez que segundo o que dispõe o Ato Declaratório Cosit nº 12, de 21/01/1997, não constitui infração administrativa ao controle das importações classificação tarifária errônea. Recurso Voluntário Provido. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILBE RTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10711.005615/200582 Acórdão n.º 3202000.229 S3C2T2 Fl. 110 10 ACÓRDÃO CSRF/0302.788 MULTA DO ARTIGO 526 INCISO II DO REGULAMENTO ADUANEIRO. Não é cabível sua aplicação por não estar configurada a falta de Guia de Importação. Recurso Provido. ACÓRDÃO CSRF/032.575 IMPOSTO IMPORTAÇÃO. Multa do art. 526, II do RA. Incabível sua aplicação quando se tratar apenas de descrição indevida de mercadoria importada ao amparo da GI. Assim sendo, sou do entendimento pela exclusão desta multa de controle administrativo capitulada no art. 526, II, do Dec. 91.030/1985. Diante de todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada, e no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para excluir a multa imposta por falta de licenciamento, ainda que mantendo a reclassificação fiscal referente a mercadoria da Adição 001, nos moldes do voto acima. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator ad hoc. Segundo consta dos autos, a Recorrente importou, tal como descrito na DI, "Tecidos de fios de filamentos sintéticos, tintos, sem fios de borracha, do tipo oxford, compostos de 100% poliéster largura: 54" peso:361 gim". A fiscalização, todavia, constatou tratarse de produto diverso: “Tecido plano, 100% poliéster (sintético), com 100% de fios multifilamentosos texturizados, de fios de diversas cores". Como bem destacado na decisão recorrida, fator determinante para a correta classificação do produto importado é a cor dos fios que compõem o tecido, característica não informada pela Recorrente. Nesse contexto, as informações registradas na DI não foram suficientes para permitir a classificação, daí que inaplicável o disposto no Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/97. De conseguinte, devida a multa por infração administrativa ao controle administrativo da importação. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 110DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILBE RTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 35301.012629/2006-96
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2005
VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA
Segundo entendimento firmado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, o pagamento ou desconto de valores referentes ao benefício do Vale-Transporte não é integrante da remuneração do segurado, pois nítida a sua natureza não salarial, razão pela qual não pode integrar o salário de contribuição.
ALIMENTAÇÃO. PARCELA FORNECIDA NA FORMA DE TICKET, VALE ALIMENTAÇÃO OU EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Os valores despendidos pelo empregador em dinheiro ou na forma de ticket/vale alimentação fornecidos ao trabalhador integram o conceito de remuneração, na forma de benefícios, compondo assim o Salário de Contribuição dos segurados favorecidos para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias, eis que não encampadas expressamente nas hipóteses de não incidência tributária elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91.
Recurso VoluntárioProvido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria em dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os valores relativos ao vale-transporte em obediência à Súmula n.º 60, da Advocacia Geral da União - AGU, de 08/12/2011, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos o Conselheiro Relator e a Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz que entenderam que também deveriam ser excluídos do lançamento os fatos geradores relativos ao fornecimento de alimentação em pecúnia sem a inscrição no PAT. Designado para fazer o voto divergente vencedor o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Arlindo da Costa e Silva Redator Designado
Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2005 VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA Segundo entendimento firmado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, o pagamento ou desconto de valores referentes ao benefício do Vale Transporte não é integrante da remuneração do segurado, pois nítida a sua natureza não salarial, razão pela qual não pode integrar o salário de contribuição. ALIMENTAÇÃO. PARCELA FORNECIDA NA FORMA DE TICKET, VALE ALIMENTAÇÃO OU EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores despendidos pelo empregador em dinheiro ou na forma de ticket/vale alimentação fornecidos ao trabalhador integram o conceito de remuneração, na forma de benefícios, compondo assim o Salário de Contribuição dos segurados favorecidos para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias, eis que não encampadas expressamente nas hipóteses de não incidência tributária elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Recurso VoluntárioProvido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria em dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os valores relativos ao valetransporte em obediência à Súmula n.º 60, da Advocacia Geral da União AGU, de 08/12/2011, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos o Conselheiro Relator e a Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz que entenderam que também deveriam ser excluídos do lançamento os fatos geradores relativos ao fornecimento de alimentação em pecúnia sem a inscrição no PAT. Designado para fazer o voto divergente vencedor o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 30 1. 01 26 29 /2 00 6- 96 Fl. 479DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 481 2 Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Arlindo da Costa e Silva – Redator Designado Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 37.021.0611, lavrada em 14.09.2006, em face de ARTCON SERVIÇOS LTDA., no valor de R$ 111.747,34 (cento e onze mil setecentos e quarenta e sete reais e trinta e quatro centavos), pertinente às contribuições previdenciárias da parte dos segurados, da parte patronal, as destinadas a terceiros (Salárioeducação, SESC, SENAC, SEBRAE e INCRA) e aquelas para financiamento dos benefícios concedidos (aposentadoria especial) em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (RAT), incidentes sobre os valores pagos em pecúnia aos segurados empregados a título de auxílio alimentação e vale transporte, conforme se infere do Relatório Fiscal às fls. 50 e seguintes. Ciente da autuação, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva em 28/09/2006, às fls. 76 e seguintes, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Previdenciária do Rio de Janeiro – Centro (RJ), através de decisão às fls. 57/60, cuja ementa assim dispôs: SALÁRIO UTILIDADE ALIMENTAÇÃO E VALETRANSPORTE PAGOS EM DINHEIRO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. SONEGAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FORO COMPETENTE. O pagamento em pecúnia do salário utilidade alimentação e do vale transporte integram o saláriodecontribuição. O contencioso administrativo fiscal não é o foro competente para julgar a ocorrência do crime de apropriação indébita previdenciária. LANÇAMENTO PROCEDENTE Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, sob exame, às fls. 385 e seguintes, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: Fl. 480DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 482 3 1) Não é exigível a comprovação de depósito de 30% do valor do crédito tributário para fins de processamento do recurso voluntário, uma vez que tal exigência fere o princípio da ampla defesa e o direito de petição (art. 5º da CF/88), conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal. 2) O art. 458, parágrafo segundo, III, da CLT determinada que o transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público, não será considerado salário. 3) A empresa efetua o desconto de 6% nos salários dos empregados, a título de sua participação no custeio do vale transporte, conforme previsto em lei. 4) Nos termos do art. 28, parágrafo 9º, c, da Lei 8.212/91, o pagamento de verba alimentar, ainda que em pecúnia, tem caráter indenizatório, motivo pelo que não caracteriza base de cálculo de contribuições previdenciárias, independentemente de prévia inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador. Conforme se verifica às fls. 421 e seguintes, o referido Recurso foi inadmitido pela DRP, por deserção, uma vez que a Recorrente deixou de apresentar o comprovante do depósito de 30% do valor da autuação, conforme determina ao art. 126, parágrafo primeiro, da Lei 8.213/91. Contrarazões apresentadas às fls. 447 e 448, defendendo a procedência do lançamento. A Recorrente inform,a às fls. 452, a existência de decisão judicial concessiva de liminar em sede do Mandado de Segurança nº 2006.51.01.0231675, em trâmite perante a 8ª Vara Federal do Rio de Janeiro, que garantiulhe a interposição do presente Recurso independentemente do depósito prévio. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o Recurso tempestivo, passo ao seu exame. Do Mérito Da remuneração em forma de vale transporte Fl. 481DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 483 4 Aqui, o cerne da questão consiste na legalidade ou não dos valores pagos a titulo de “vale transporte” integrarem a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Ressaltese, desde já, que restou comprovado pela fiscalização que as parcelas que receberam o nome de “vale transporte” eram pagas em dinheiro. No meu sentir, a origem da verba paga tem natureza jurídica indenizatória, pois, destinada ao ressarcimento das quantias pagas em razão do transporte dos empregados, pois foi assim que a norma que criou o benefício deixou consignado. A Lei n.º8.212/91 tratou da matéria da seguinte forma: “Art. 28 Entendese por salário de contribuição: (...) Parágrafo 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) f) a parcela recebida a título de vale transporte, na forma da legislação própria; (...)” (negritamos e sublinhamos) Como se pode perceber, nos termos do art. 28, parágrafo 9º, alínea “f”, da Lei nº 8.212/91, a quantia (parcela) recebida a título de valetransporte não compõe o salário de contribuição, para fins de apuração da contribuição previdenciária. É dizer, não se pode admitir que a simples forma de pagamento possa descaracterizar ou alterar a natureza jurídica do vale transporte. Até porque, o fato de o empregador descontar parcela inferior ao exigido pelo Decreto regulamentador do benefício não agride o instituto, que continua mantendo a sua destinação específica, qual seja, a de ajudar no custeio do transporte dos empregados. De mais a mais, o fornecimento do transporte aos seus empregados é imprescindível para a execução do trabalho e não pela execução do mesmo. Ora, tal ordem de raciocínio é mais do que suficiente para afastar a legitimidade do lançamento efetivado, pois quando o benefício é ofertado para a execução do trabalho, o mesmo não pode compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. Nesse sentido, até mesmo nos casos em que o benefício é pago em espécie, o entendimento asseverado pelo Egrégio Tribunal Superior do Trabalho, ratifica o acima exposto quando reconheceu a validade da antecipação em dinheiro do valetransporte, acordado coletivamente, consoante se observa da ementa a seguir reproduzida: “ACORDO COLETIVO DE TRABALHO – PREVISÃO DE ANTECIPAÇÃO DO VALETRANSPORTE E REDUÇÃO DO PERCENTUAL DE PARTICIPAÇÃO DO EMPREGADO – VALIDADE. ‘Acordo coletivo – Validade – Antecipação do valetransporte em janeiro. Ao vedar a antecipação em dinheiro do valetransporte o decreto regulamentador extrapolou os limites da lei instituidora do benefício. Válido o ajuste coletivo que prevê a antecipação em dinheiro do vale transporte e a redução do percentual de participação do trabalhador.” Fl. 482DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 484 5 (Ac da SDC do TST – Ação Anulatória 366.360/97. 4 – Rel. Min. Fernando Eizo Ono – j. 1º.06.98 – Autor: Ministério Público do Trabalho; Réus: Federação Nacional dos Bancos e outros – DJU 1 07.08.98, pp 314/6 – ementa oficial)” (in “Repertório IOB de Jurisprudência, Caderno 2, pág. 381) (negritamos e sublinhamos) Deixo registrado, também, que o pagamento ora questionado não gera nenhum prejuízo ao trabalhador e a empresa não agiu com o intuito de sonegar tributos. Também não há ganho salarial para o trabalhador, pois a verba é paga especificamente para que o trabalhador faça o percurso para o seu trabalho, ou seja tem caráter estritamente indenizatório. Cabe registrar por fim que o Plenário do Supremo Tribunal Federal – STF enfrentou a matéria no exame do Recurso Extraordinário n.º 478.410/SP, julgado, em 10/03/2010, em que firmou convencimento no sentido de que o benefício em tela não constitui base de incidência de contribuição previdenciária. Nesse julgamento, ficou assente que o vale transporte mesmo quando pago em pecúnia, não perde o seu caráter indenizatório, sendo portanto, incabível a incidência de contribuição previdenciária sobre essa rubrica. Em conclusão, verificase que a exigência pretendida através do presente lançamento é descabida, razão pela qual deve a mesma ser afastada. Do auxílio alimentação Entendo que o auxílio alimentação pago aos empregados segurados, mesmo que em espécie, não tem caráter de remuneração e, por conseguinte, não incide a contribuição previdenciária sobre estas rubricas. Isto porque, com tal atitude, o Recorrente visa apenas a proporcionar o aumento da produtividade e eficiência laboral dos seus empregados. É dizer, a verba paga se aproxima muito mais de um instrumento para o próprio trabalho, já que não se admite que um trabalhador possa trabalhar seguidas horas diárias sem se alimentar. Noutras palavras, a alimentação é concedida “para” e não “pelo” trabalho, ou seja, como meio de tornar viável a própria prestação de serviços, em benefício do trabalhador. Ademais, como é sabido, o ambiente de trabalho é um local estratégico de promoção da saúde e alimentação saudável e, nesta linha de raciocínio, há de se acrescentar que a alimentação vem proteger a própria segurança e a saúde do empregado. Outrossim, seria completamente desprovido de sentido entender que o legislador isenta da contribuição previdenciária o auxilio fornecido em vales alimentação e tributa o que é pago em dinheiro, porquanto em ambas situações buscase a mesma finalidade para o trabalhador, ou seja, o reembolso pelos valores pagos para o exercício do próprio trabalho. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 485 6 É dizer, não se pode admitir que a simples forma de pagamento possa descaracterizar ou alterar a natureza jurídica de um benefício. Até porque, o pagamento em dinheiro não agride o instituto, que continua mantendo a sua destinação específica, qual seja, a de ajudar no custeio da alimentação. Ainda sobre a matéria, imperioso ressaltar que tais valores não integram o patrimônio do trabalhador, visto que todos os empregados da empresa necessitam de alimentação. Desta feita, as importâncias pagas se aproximam mais de uma forma de ressarcimento, pois diz respeito a verdadeira compensação de despesas que o trabalhador efetua com a sua alimentação, em decorrência da execução do trabalho. Frisese que qualquer ser humano, e não só o trabalhador, precisa se alimentar para o exercício de suas atividades, sendo certo que sem alimentação tornase inviável, quiçá impossível, o exercício de qualquer atividade profissional. Quanto à necessidade de inscrição no PAT, não vejo reprimenda legal para aquelas empresas que não obtiverem inscrição no respectivo programa. O próprio Superior de Tribunal de Justiça – STJ tem firmado entendimento que tal inscrição é dispensável, mitigando os ditames do artigo 3º da Lei nº 6.321/76, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR SALÁRIO IN NATURA DESNECESSIDADE DE INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADORPAT NÃOINCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA 1 Quando o pagamento é efetuado in natura, ou seja, o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, com o objetivo de proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante se a empresa está ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. 2 Recurso especial não provido. (STJ REsp 1.051.294 (2008/00873730) 2ª T. Relª Min. Eliana Calmon DJe 05.03.2009 p. 671) *** TRIBUTÁRIO PROCESSUAL CIVIL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA AUXÍLIOALIMENTAÇÃO IN NATURA NÃOINCIDÊNCIA INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT DESNECESSIDADE 1 Nos termos do art. 28, § 9º, "c", da Lei 8.212/1991, a parcela da alimentação recebida in natura não integra o salário de contribuição. 2 Pacífico o entendimento jurisprudencial que não é necessária a inscrição do empregador no Programa de Alimentação do TrabalhadorPAT, para a não Incidência da contribuição. 3 Apelação e remessa oficial a que se nega provimento. (TRF1ª R. ApRN 2007.35.00.0106684/GO 8ª T. Relª Desª Fed. Maria do Carmo Cardoso DJe 25.09.2009 p. 683) Desta feita, resta indubitável que a ajuda alimentação recebida em dinheiro não integra o salário de contribuição, bem como é desnecessária a inscrição no PAT para a não incidência daquela. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 486 7 Da Conclusão Ante ao exposto, conheço do Recurso, para, no mérito, DARLHE TOTAL PROVIMENTO, para que seja afastada a cobrança de contribuições previdenciárias sobre valores pagos, em pecúnia, a título de valetransporte e auxílio alimentação. É como voto. Sala das Sessões, em 18 de julho de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes Voto Vencedor DO AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO FORNECIDO EM PECÚNIA Ouso divergir, data maxima venia, do entendimento esposado pelo Ilustre Relator em relação à hipótese de isenção de contribuições previdenciárias incidentes sobre as verbas despendidas pela Empresa, a título de alimentação, fornecidas em pecúnia a segurados obrigatórios do RGPS . Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. Hoje, não mais. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" Fl. 485DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 487 8 que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) §1ºOs valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967)§ 2ºPara os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) §3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de cohabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustamnas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. O que dizer, também, do salário do jogador de futebol não titular, que passa a temporada inteira sem ser, sequer, escalado para o banco de reserva? Fl. 486DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 488 9 Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas. Assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada começou a perceber que o conceito de remuneração não mais se circunscrevia meramente à contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, tinha a sua abrangência elastecida a todas as verbas e vantagens auferidas pelo obreiro em decorrência do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o trabalhador estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora possam não representar contrapartida direta pelo trabalho realizado. Em magnífico trabalho doutrinário, Amauri Mascaro Nascimento compra essa briga, desenvolvendo uma releitura do conceito de remuneração, realçando as notas características da prestação pecuniária ora em debate: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei”Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 489 10 O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim,“folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, pelos lançamentos efetuados em favor do trabalhador e todas as parcelas a este devidas em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Em reforço a tal abrangência, de modo a espancar qualquer dúvida ainda renitente a cerca da real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque, o legislador constituinte fez questão de consignar no texto constitucional, de forma até pleonástica,que as contribuições previdenciárias incidiriam não somente a folha de salários como também sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência do conceito de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Portanto, a contar da EC n° 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Fl. 488DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 490 11 Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado. Nesse sentido caminha a jurisprudência trabalhista conforme de depreende do seguinte julgado: TRT7 Recurso Ordinário: Processo: RECORD 53007520095070011 CE 0005300 7520095070011 Relator(a):DULCINA DE HOLANDA PALHANO Órgão Julgador: TURMA 2 Publicação: 22/03/2010 DEJT RECURSO DA RECLAMANTE CTVA NATUREZA SALARIAL CONTRIBUIÇÃO A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A parcela CTVA, paga habitualmente e com destinação a servir de compromisso aos ganhos mensais do empregado, detém natureza salarial, devendo integrar a remuneração para todos os fins, inclusive para o cálculo da contribuição a entidade de previdência privada. RECURSO DO RECLAMADO CEF CTVA. Com efeito, se referidas gratificações são pagas com habitualidade se incorporam ao patrimônio jurídico do reclamante, de forma definitiva, compondo sua remuneração para todos os efeitos. Atentese que a natureza de tal verba não mais será de "gratificação" mas sim de "Adicional Compensatório de Perda de Função" A norma constitucional acima citada não exclui da tributação as rubricas recebidas em espécie de forma eventual. A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Ocorre, contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que o conceito trabalhista mencionado, compreendendo não somente o SALÁRIO (instituto de direito do trabalho), mas, também, os INCENTIVOS SALARIAIS, assim como os BENEFÍCIOS. Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram o conceito de Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do art. 28 da Lei nº 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º. Leinº8.212,de24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) Fl. 489DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 491 12 II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo segurado, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Da matriz jurídica e filosófica dos aludidos dispositivos, podese extrair, por decorrência lógica, que se encontram compreendidos no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho.Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”.Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 492 13 Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer vantagem concedida e/ou verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9ºNão integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; Fl. 491DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 493 14 i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) O abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no §8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 492DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 494 15 Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido § 9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Conjuguese, ainda, nesse mister, que o preceito encartado no art. 176 do CTN exige previsão legal para a concessão de isenção, não podendo tal requisito ser suprido por acordo coletivo de trabalho, os quais produzem efeitos, unicamente, entre as partes que os celebram, sendo imprestáveis para vincular o Estado aos termos pactuados em suas cláusulas. Código Tributário Nacional Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração. (grifos nossos) A alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatui, de forma expressa, que não integra o Salário de contribuição a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976. No caso ora em foco, a disciplina da matéria em relevo, no plano infraconstitucional, restou a cargo da Lei nº 6.321/76, a qual dispõe sobre os Programas de Alimentação do Trabalhador. Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976: Art. 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. (grifos nossos) Ressaltese que os preceptivos aqui enunciados não conflitam com as linhas traçadas pelo art. 5º do Decreto nº 5/1991, que aponta para o mesmo norte. Decreto nº 5, de 14 de janeiro de 1991 Fl. 493DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 495 16 Regulamenta a Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, que Trata do Programa de Alimentação do Trabalhador. Art. 3º Os Programas de Alimentação do Trabalhador deverão propiciar condições de avaliação do teor nutritivo da alimentação. Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (redação dada pelo Dec. 2.101/96) Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Art. 5º A pessoa jurídica que custear em comum as despesas definidas no Art. 4, poderá beneficiarse da dedução prevista na Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, pelo critério de rateio do custo total da alimentação. Art. 6º Nos Programas de Alimentação do Trabalhador PAT, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a parcela paga "in natura" pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador. (grifos nossos) Visando a brindar executoriedade ao Programa de Alimentação do Trabalhador, a Secretaria de Inspeção do Trabalho e o Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego baixaram a Portaria nº 03, de 1º de março de 2002, cujo art. 2º estatuiu como exigência formal para a fruição dos benefícios fiscais a devida inscrição no programa em foco, mediante o preenchimento de formulário adrede, cuja cópia e o respectivo comprovante oficial de postagem ao DSST/SIT ou o comprovante da adesão via Internet deve ser mantida nas dependências da empresa, matriz e filiais, à disposição da fiscalização federal. PORTARIA Nº 03, DE 1º DE MARÇO DE 2002 II – DAS PESSOAS JURÍDICAS BENEFICIÁRIAS Art. 2º Para inscreverse no Programa e usufruir dos benefícios fiscais, a pessoa jurídica deverá requerer sua inscrição à Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), através do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho (DSST), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em impresso próprio para esse fim a ser adquirido nos Correios ou por meio eletrônico utilizando o formulário constante da página do Ministério do Trabalho e Emprego na Internet (www.mte.gov.br). (grifos nossos) §1º A cópia do formulário e o respectivo comprovante oficial de postagem ao DSST/SIT ou o comprovante da adesão via Internet deverá ser mantida nas dependências da empresa, matriz e filiais, à disposição da fiscalização federal do trabalho. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 496 17 §2º A documentação relacionada aos gastos com o Programa e aos incentivos dele decorrentes será mantida à disposição da fiscalização federal do trabalho, de modo a possibilitar seu exame e confronto com os registros contábeis e fiscais exigidos pela legislação. §3º A pessoa jurídica beneficiária ou a prestadora de serviços de alimentação coletiva registradas no Programa de Alimentação do Trabalhador devem atualizar os dados constantes de seu registro sempre que houver alteração de informações cadastrais, sem prejuízo da obrigatoriedade de prestar informações a este Ministério por meio da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) Com efeito, a inscrição no PAT não se constitui mera formalidade ou capricho da Administração. É através do conhecimento da existência do programa em determinada empresa que o Ministério do Trabalho e Emprego, através de seu órgão de fiscalização, verificará o cumprimento do disposto no artigo 3° acima transcrito. Ao incentivo fiscal há uma contraprestação por parte da empresa: o fornecimento de alimentação com teor nutritivo adequado em ambiente que atenda as condições aceitáveis de higiene. De fato, a Portaria nº 03/2002 estabeleceu as instruções para a perfeita execução do Programa de Alimentação do Trabalhador, estabelecendo de forma taxativa que a execução inadequada do Programa de Alimentação do Trabalhador acarretará o cancelamento da inscrição ou registro no Ministério do Trabalho e Emprego, com a consequente perda do incentivo fiscal, sem prejuízo da aplicação das penalidades cabíveis. Revelase de extrema importância chamar a atenção para o fato de que a hipótese de não incidência legal de contribuições previdenciárias prevista alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, referese, exclusivamente, à parcela recebida "in natura" pelo empregado, ou seja, quando o próprio empregador fornece diretamente a alimentação pronta para consumo aos seus empregados, e desde que tal fornecimento esteja de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321/76. Deflui do exame dos dispositivos legais suso selecionados, apreciados segundo a exegese restritiva exigida pelo art. 111 do CTN, que para os valores despendidos pela empresa a título de alimentação aos empregados serem excluídos da base de incidência das contribuições sociais em foco é necessária a satisfação de dois requisitos fundamentais: a) Que a alimentação seja fornecida in natura, isto é, seja entregue ao empregado pronta para consumo imediato; b) Que o fornecimento de alimentação seja efetuado de acordo com o programa de alimentação ao trabalhador, aprovado pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321/76, o qual exige como formalidade indispensável, a inscrição formal do empregador, em atenção ao art. 2º, caput, da Portaria nº 03/2002 da Secretaria de Inspeção do Trabalho e do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, que estabelece as instruções para a execução do Programa de Alimentação do Trabalhador. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 497 18 Colhemos das letras da alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 que a hipótese de isenção de contribuições previdenciárias ora em relevo não se satisfaz com a singela inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador, exigindo o preceito legal acima mencionado, como condição indispensável para a fruição do direito à isenção, que a alimentação seja fornecida in natura pelo empregador a seus empregados. Como se observa, falha o caso em debate na satisfação dos requisitos fixados como essenciais pela lei de custeio da seguridade social, máxime em razão de a alimentação em apreço não haver sido por fornecida in natura, mas, sim, mediante pecúnia. Conforme já enaltecido alhures, tratandose de hipótese de renúncia fiscal, urge emprestarse exegese restritiva à fórmula isentiva acima abordada. Inferese, portanto, dos preceptivos ora revisitados, que a natureza in natura da alimentação fornecida e a adesão ao PAT constituemse condições sine qua non para a fruição dos benefícios fiscais tributários e previdenciário, conforme expressamente previsto na alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, verbatim: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) (...) c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; (grifos nossos) Cumpre alertar que o vertente lançamento não decorre das orientações plasmadas no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, mas, sim, diretamente, das disposições insculpidas na alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. A propósito, o próprio Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 houvese por erigido com fundamento no dispositivo legal indicado no parágrafo precedente e nas decisões exarados pelo Superior Tribunal de Justiça, consignado que a alimentação fornecida in natura, ou seja, quando a alimentação é fornecida pela empresa pronta para o consumo pelo empregado, não sofre a incidência da contribuição previdenciária. Tal orientação, portanto, não projeta efeitos sobre o caso em apreciação, uma vez que o dispositivo exposto em tal documento possui âmbito de influência restrito ao fornecimento de alimentação in natura, não alcançando as hipóteses pagamento em dinheiros ou de fornecimento na forma de vale refeição/alimentação, como assim se configura o presente caso. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a Fl. 496DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 498 19 não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. É de se salientar que a formulação do citado Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional decorreu da sedimentação da jurisprudência em torno da matéria no Superior Tribunal de Justiça, que pacificou o entendimento de que a alimentação in natura oferecida pela empresa ao trabalhador, ou seja, quando o próprio empregador fornece diretamente a alimentação pronta aos seus empregados, não se subsume à hipótese de incidência de contribuições previdenciárias, mesma que a empresa não esteja inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador, como assim se depreende dos seguintes julgados a seguir ementados: REsp nº 1.119.787SP Relator: Ministro Luiz Fux DJe 13/05/2010 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. FGTS. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. 1. O pagamento do auxílioalimentação in natura, ou seja, quando a alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, razão pela qual não integra as contribuições para o FGTS. Precedentes: REsp 827.832/RS, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/11/2007, DJ 10/12/2007 p. 298; AgRg no REsp 685.409/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/06/2006, DJ 24/08/2006 p. 102; REsp 719.714/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/04/2006, DJ 24/04/2006 p. 367; REsp 659.859/MG, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/03/2006, DJ 27/03/2006 p. 171. 2. Recurso especial a que se nega seguimento. Por outro lado, quando o auxílio alimentação for pago em espécie ou na forma de vales ou cartões, em caráter habitual, assume feição salarial e, desse modo, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Tal conclusão dessai, diretamente, dos termos assentados na alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 111 do CTN. Nesse sentido, ressaltamse excertos do julgado proferido pelo Min. Luiz Fux, nos autos do Recurso Especial nº 433.230/RS, publicado no DJe em 13/05/2010, cujos termos bem elucidam a questão: REsp nº 433.230/RS Relator: Ministro Luiz Fux DJe 17/02/2003 EMENTA: TRIBUTÁRIO. FGTS. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. PAT. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. NÃO INSCRIÇÃO. TICKETS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO RELATIVA AO FGTS. 1. O auxílio alimentação, quando pago em espécie e com habitualidade, passa a integrar a base de cálculo da Fl. 497DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 499 20 contribuição previdenciária, assumindo, pois, feição salarial, afastandose, somente, de referida incidência quando o pagamento é efetuado in natura, ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, estando ou não inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. Aplicação ao Enunciado n° 241, do TST. Há incidência da contribuição social, do FGTS, sobre o valor representado pelo fornecimento ao empregado, por força do contrato de trabalho, de vale refeição. 3. Recurso Especial desprovido. A lei é de precisão cirúrgica ao excluir da hipótese de incidência tributária somente, e tão somente, a parcela in natura recebida de acordo com o PAT. Assim, na visão oclusiva exigida pelo art. 111 do CTN, a parcela fornecida em espécie, em vales, tickets ou cartões Alimentação integra o conceito de Salário de Contribuição para os fins colimados pela Lei nº 8.212/91. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluídas do lançamento, tão somente, as obrigações tributárias relativas aos valores pagos pela empresa a título de vale transporte, em atenção à Súmula n.º 60 da Advocacia Geral da União AGU, de 08/12/2011. É como voto. Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Redator Designado Fl. 498DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 14041.001219/2007-39
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2001 a 01/01/2007
PEÇA RECURSAL. APRESENTAÇÃO APÓS EXTRAPOLAÇÃO DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE. SITUAÇÃO QUE VEDA O CONHECIMENTO DAS MATÉRIAS ALEGADAS.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2803-002.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator, em razão de sua intempestividade.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator, em razão de sua intempestividade. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 01/01/2007 PEÇA RECURSAL. APRESENTAÇÃO APÓS EXTRAPOLAÇÃO DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE. SITUAÇÃO QUE VEDA O CONHECIMENTO DAS MATÉRIAS ALEGADAS. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator, em razão de sua intempestividade. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 12 19 /2 00 7- 39 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14041.001219/200739 Acórdão n.º 2803002.362 S2TE03 Fl. 118 2 Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, DEBCAD 37.017.9200, objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias não adimplidas pelo empregador em relação à parte dos segurados, a parte patronal, ao SAT/RAT e aos terceiros – outras entidades e fundos, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores empregados, na forma de salário utilidade – auxílioalimentação em pecúnia, conforme Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, de fls. 14 a 26, com período de apuração de 03/2001 a 12/2006, conforme Mandado de Procedimento Fiscal MPF, de fls. 09. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 19/11/2007, conforme Folha de Rosto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões, acostada, as fls. 43 a 49, recebida, em 18/12/2007, estando acompanhada dos documentos, de fls. 50 a 79. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 80 e 81. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0324.324 7ª Turma da DRJ/BSA, em 28/02/2008, fls. 102 a 105, no qual o lançamento foi considerado procedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 11/07/2008, AR, fls. 107. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 108 a 113, recebida, em 15/08/2008, desacompanhado de qualquer documento. As teses recursais não serão sumariadas, o que se explicará no voto, exceto quanto a preliminar de tempestividade. Preliminar. · que o recurso é tempestivo, pois a greve dos correios, iniciada, em 30/06/2008, só possibilitou que a recorrente tivesse conhecimento da decisão de primeiro grau em 15/08/2008; · que sendo o prazo recursal de trinta dias este vence em 18/08/2008, portanto o recurso é tempestivo. O órgão preparador reconheceu a INTEMPESTIVIDADE do recurso, fls. 114 e 115. Os autos foram remetidos ao 2º Conselho de Contribuintes, fls. 115. É o Relatório. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14041.001219/200739 Acórdão n.º 2803002.362 S2TE03 Fl. 119 3 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator. O recurso voluntário é INTEMPESTIVO, e independentemente do preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, sua interposição tardia impede o conhecimento do seu mérito, mas a preliminar de tempestividade deve ser apreciada. Preliminar. O sujeito passivo foi cientificado do Acórdão a quo, em 11/07/2008, AR, de fls. 107, mas só impetrou o Recurso Voluntário, em 15/08/2008, fls. 108. O contribuinte recorrente tem razão os correios tiveram um movimento paredista de 01/07/2008 a 19/07/2008, conforme notícia veiculada e visualizada em http://www.estadao.com.br/noticias/economia,ministroanunciafimdagrevedos correios,208789,0.htm. Todavia, isto não promove nenhuma mudança na situação do recorrente o AR foi remetido e recebido em seu domicílio tributário e, assim, para fins de contagem do prazo recursal vale a data de recepção do AR, independentemente, de quem o tenha recebido, observe a jurisprudência. EMEN: HABEAS CORPUS. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. ART. 1º DA LEI 8.137/90. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ART. 23, II, DO DECRETO Nº 70.235/72. NOTIFICAÇÃO POSTAL. INTIMAÇÃO VÁLIDA. INÉPCIA DA DENÚNCIA. FALTA DE DESCRIÇÃO DA CONDUTA. VÍCIO NÃOCONFIGURADO. 1. Inicialmente, de ressaltar que o habeas corpus encontrase prejudicado em relação ao segundo paciente, já que as informações obtidas do sítio do Tribunal de origem na internet, dão conta do seu óbito, sendo declarada extinta a punibilidade, nos termos do artigo 107, I, do Código Penal. No que concerne ao primeiro paciente, o pedido não merece acolhimento. 2. Quanto à preliminar de nulidade absoluta do procedimento administrativofiscal que deu ensejo à ação penal, decorrente da ausência de intimação regular dos sóciosadministradores da empresa, a questão deveria ter sido impugnada em sede de mandado de segurança e não na via do habeas corpus. 3. Entretanto, em razão do procedimento administrativo de apuração de débitos tributários, segundo a atual jurisprudência desta Corte e do Supremo Tribunal Federal, consubstanciar uma condição objetiva de punibilidade, impõese a análise da arguição da nulidade invocada. 4. O fato de os administradores da empresa não terem sido cientificados pessoalmente do procedimento administrativofiscal que embasa a denúncia em nada macula o processo penal. Isso porque o art. 23 do Decreto nº 70.235/72 estabelece a possibilidade de intimação do contribuinte por via Fl. 136DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14041.001219/200739 Acórdão n.º 2803002.362 S2TE03 Fl. 120 4 postal, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. 5. O Agente Fiscal poderá adotar qualquer uma das formas de cientificação discriminadas nos incisos do caput do referido dispositivo, sendo certo que os meios de intimação pessoal e postal não se sujeitam à ordem de preferência (§ 3º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72). 6. No presente caso, as intimações por meio postal, com Aviso de Recebimento, ocorreram no endereço que a empresa mantinha junto ao fisco na época, sendo o termo de recebimento assinado por pessoa diversa do contribuinte/infrator, o que não invalida a intimação, visto que pode ser entregue ao interessado, seu representante, preposto ou empregado. Precedentes desta Corte. 7. Diante desse contexto, aferir se é procedente ou não a afirmação do impetrante de que os sócios da empresa nunca tomaram conhecimento da existência do procedimento administrativo, demandaria, necessariamente, a incursão no conjunto fáticoprobatório dos autos, defeso em sede de habeas corpus. 8. De outra parte, não há que se falar em denúncia inepta, visto que a peça inaugural obedeceu o disposto no art. 41 do Código de Processo Penal, contendo a exposição do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias, a qualificação dos acusados e a classificação do crime, além de apresentar elementos indiciários suficientes a respeito da autoria. 9. Ainda que assim não fosse, a jurisprudência desta Corte é pacífica no sentido de que, nos crimes societários, não se exige a descrição pormenorizada da conduta de cada réu, desde que demonstrado o liame entre o acusado e a conduta a ele imputada, de modo a tornar possível o exercício da ampla defesa, o que se verifica na hipótese. 10. Habeas corpus denegado. ..EMEN:(HC 200301614258, OG FERNANDES, STJ SEXTA TURMA, DJE DATA:06/04/2009 ..DTPB:.) (destaque meu) Não há nos autos registro da ocorrência de feriado municipal ou de qualquer outra causa que pudesse alterar a contagem do prazo recursal. Desta forma, tendo a peça recursal sido impetrada com mais de trinta dias, isto é, além do prazo legal, não há razão para conhecer o recurso. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo não conhecimento do recurso devido a sua intempestividade. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14041.001219/200739 Acórdão n.º 2803002.362 S2TE03 Fl. 121 5 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000566/2007-44
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1999 a 31/10/2006
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PAGAMENTOS A DIRETORES. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não comprovado o efetivo recebimento de parcela a título de prolabore, descabe a autuação, nesse ponto.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS.
Falece a este Colegiado competência para se manifestar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais, ex vi súmula nº 28.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.788
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para julgar improcedente o levantamento AU1-AFERIÇÃO DE REMUN DE DIRETOR.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/1999 a 31/10/2006 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PAGAMENTOS A DIRETORES. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovado o efetivo recebimento de parcela a título de prolabore, descabe a autuação, nesse ponto. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. Falece a este Colegiado competência para se manifestar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais, ex vi súmula nº 28. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para julgar improcedente o levantamento AU1-AFERIÇÃO DE REMUN DE DIRETOR. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
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PAGAMENTOS A DIRETORES. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovado o efetivo recebimento de parcela a título de prolabore, descabe a autuação, nesse ponto. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. Falece a este Colegiado competência para se manifestar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais, ex vi súmula nº 28. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para julgar improcedente o levantamento AU1AFERIÇÃO DE REMUN DE DIRETOR. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 05 66 /2 00 7- 44 Fl. 421DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14041.000566/200744 Acórdão n.º 2803002.788 S2TE03 Fl. 3 2 assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14041.000566/200744 Acórdão n.º 2803002.788 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a notificação fiscal lavrada, referente a contribuições devidas em razão de pagamentos a trabalhadores autônomos, pessoas físicas sem vínculo empregatício e aos sócios da empresa. O r. acórdão – fls 357 e ss, conclui pela procedência parcial da impugnação apresentada, retificando a Notificação lavrada em razão da decadência reconhecida nas competências 06/99 a 06/02. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · O lançamento fiscal constituiu créditos previdenciários através de aferição indireta (arbitramento) imputando uma remuneração ao Diretor Sr. José Edenildo Sales, mesmo sem haver pagamento ou crédito. · Em outro item da autuação, a NFLD cobra contribuições de autônomo sobre os pagamentos de honorários de contador, ao mesmo Sr. José Edenildo Sales. · O arbitramento de remuneração de Diretor como fez a NFLD não encontra respaldo na legislação previdenciária, isto porque a Lei n° 8.212/91 prevê a incidência de contribuições apenas sobre valores pagos ou creditados. · Por outro lado, o Sr. Edenildo, conforme reconhece o Relatório Fiscal e a própria decisão a quo, já é remunerado por se contador da empresa, conforme contrato de prestação de serviços nos autos. Dessa forma, mesmo que houvesse previsão em lei de que a não remuneração permitisse o seu arbitramento, ainda sim, não assistiria razão aos fundamentos do Auditor Fiscal e da r. decisão a quo, vez que iá há uma remuneração na empresa para o Sr. Edenildo. Assim, não há que se falar em gratuidade de prestação de serviços. · Deve ser levado em conta, ainda, que dentro da mesma empresa existe a unicidade de pagamento à determinada pessoa. No caso o Dr. Edenildo, como contribuinte individual , já recebeu pagamentos na função que exerce na empresa, conforme os próprios levantamentos fiscais (NFLD e AI). Dessa forma, ele foi devidamente remunerado, bem como, já contribui devidamente para a previdência social. · Somente no caso de recusa ou sonegação de documentos ou informações pela empresa é que há previsão de arbitramento de valores. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14041.000566/200744 Acórdão n.º 2803002.788 S2TE03 Fl. 5 4 · O lançamento fiscal constituiu valores considerados pagamentos a autônomos (contribuintes individuais), onde foram lançadas a parte patronal de 20% em todos os períodos e mais 11% de retenção a partir de 04/2003, mesmo não tendo sido realizada pela empresa. Ocorreram alguns equívocos do auditor, como por exemplo, a tributação de compra de equipamentos adquiridos de pessoa jurídica, conforme comprovado no recibo de fls. 23 a 25 do AI 37.108.8119. Aqui há uma contradição do auditor autuante, isto porque ele entendeu que houve um erro contábil, ou seja, a compra de equipamento não devia ser registrada em conta de serviços prestados. Ora, se houve erro, isso não poderia gerar contribuição previdenciária. · Estando ausente a materialidade penal das infrações citadas, conforme demonstrado nesta defesa, tomase injustificável o procedimento ou representação fiscal para fins penais contra o contribuinte. · Requer o provimento do recurso, para julgar improcedente a ação fiscal e o seu conseqüente lançamento, requerendo a anulação in totum do crédito tributário constante do Auto de Infração respectivo, bem como os efeitos dele decorrentes. É o relatório. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14041.000566/200744 Acórdão n.º 2803002.788 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Irresignase a recorrente acerca dos valores apurados na rubrica AU1 AFERIÇÃO DE REMUN DE DIRETOR, afirmando que não houve pagamento ao Sr José Edenildo Sales pelos serviços de diretor e sim pelos serviços de contador, o que já foi lançado. O relatório fiscal de fls 92 e ss informa que o Sr. Edenildo é, além de diretor, contador da empresa, sendo que não é remunerado pelos serviços prestados como Diretor, apesar de expressa previsão estatutária autorizando a remuneração. Conclui o auditor “...considerandose que na sociedade capitalista não há trabalho sem remuneração, exceto o trabalho voluntário, de caráter social, político, cultural, científico, assistencial e filantrópico, que não é o caso do contribuinte auditado; esta fiscalização arbitrou, por meio de aferição indireta, a remuneração do referido diretor, tomando como referência a média dos valores recebidos por outra diretora...” Do que posto, tenho que a previsão estatutária referente a prolabore, por si só, não constitui elemento bastante para o lançamento. Não foi apontado vício contábil que respaldasse a desconsideração da escrita, sendo que a remuneração foi arbitrada em razão de equivocada premissa de que todo empresário obrigatoriamente teria que ter uma retirada de prolabore, o que efetivamente não corresponde a realidade, pois empresários podem receber haveres através de distribuição de lucros, ou de outras fontes, inclusive o Sr Edenildo recebia valores pelos serviços de contabilidade prestados, o que foi devidamente lançado. Dessarte tenho como improcedente o lançamento referente a aferição de prolabore do sócio Edenildo, consubstanciado no levantamento AU1. Outro ponto suscitado foi em relação ao levantamento AUT PAGTO A CONTRIBUINTES INDIV, pois informa que se trata de compra de equipamentos adquiridos de pessoa jurídica, conforme comprovado no recibo de fls. 23 a 25 do AI 37.108.8119. A recorrente não traz tais recibos, tampouco informa os valores ou a qual competência se refere, informações essenciais para a demonstração do que alegado. Na falta de tais documentos, tenho não comprovado os fatos alegados, devendo o lançamento ser mantido, nesse ponto. Acrescentese que o relatório de lançamentos detalha todos os pagamentos efetuados, demonstrando que se referem efetivamente a contribuintes individuais e não aquisição de equipamentos. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14041.000566/200744 Acórdão n.º 2803002.788 S2TE03 Fl. 7 6 DO SEGUIMENTO DA REPRESENTAÇÃO PENAL PARA FINS PENAIS Acerca do seguimento da Representação Penal para Fins Penais, aplicase a súmula 28 do CARF, que transcrevo: Súmula CARF nº 28 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe parcial provimento para julgar improcedente o levantamento AU1AFERIÇÃO DE REMUN DE DIRETOR. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10875.002037/85-27
Data da sessão: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 1990
Ementa: PEDIDO DE PARCELAMENTO APÓS RECURSO VOLUNTÁRIO.
A confissão de dívida nele contida
correspondente á exigência do crédito
tributário então em lide, importa
na extinção do litígio, por
falta de objeto.
- Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 103-09.962
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira amara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, não tomar conhecimento do recurso, por falta de objeto.
Nome do relator: Braz Januário Pinto
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score : 1.0
Numero do processo: 12267.000482/2008-11
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2005
INTEMPESTIVIDADE. RECURSO APRESENTADO DEPOIS DE FINDO O PRAZO DE 30 DIAS.
Não pode ser conhecido o Recurso Voluntário apresentado após finalizado o prazo de 30 dias, contados da ciência do acórdão de impugnação, por parte do contribuinte.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2302-002.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso pela intempestividade, de acordo com o relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LEO MEIRELLES DO AMARAL, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, FABIO PALLARETTI CALCINI, ARLINDO DA COSTA E SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2005 INTEMPESTIVIDADE. RECURSO APRESENTADO DEPOIS DE FINDO O PRAZO DE 30 DIAS. Não pode ser conhecido o Recurso Voluntário apresentado após finalizado o prazo de 30 dias, contados da ciência do acórdão de impugnação, por parte do contribuinte. Recurso não conhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2005 INTEMPESTIVIDADE. RECURSO APRESENTADO DEPOIS DE FINDO O PRAZO DE 30 DIAS. Não pode ser conhecido o Recurso Voluntário apresentado após finalizado o prazo de 30 dias, contados da ciência do acórdão de impugnação, por parte do contribuinte. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso pela intempestividade, de acordo com o relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LEO MEIRELLES DO AMARAL, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, FABIO PALLARETTI CALCINI, ARLINDO DA COSTA E SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 7. 00 04 82 /2 00 8- 11 Fl. 297DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 12267.000482/200811 Acórdão n.º 2302002.706 S2C3T2 Fl. 147 2 Tratase de Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória nº 37.005.6914, lavrado em 16/10/2006, em face de LABORATÓRIO MUSA LTDA, no valor de R$ 224.139,76 (duzentos e vinte e quatro mil, centro e trinta e nove reais e setenta e seis centavos), referente à multa por ter o contribuinte apresentado a GFIP relativa à competência de 08/2007 com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias, infringindo, assim, o art. 32, IV, da Lei 8.212/91 c/c o art. 225, IV, e parágrafo 4º, do Decreto 3.048/99 – RPS (CFL 68). Segundo o Relatório Fiscal, a empresa deixou de informar em GFIP valores pagos a título de prêmios através de cartões FLEXCARD, no período de 12/2001 a 12/2005. A penalidade aplicada foi a prevista no art. 32, parágrafo 5º, da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.528/97, c/c arts. 284, II, e 373 do RPS. Ciente da autuação, o contribuinte apresentou impugnação às fls. 20/33, entretanto, a autuação foi mantida pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ, às fls. 88 e seguintes, cuja ementa assim dispôs: INFORMAÇOES AO INSS INEXATIDÃO Apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme o Art. 32, inciso IV e §5º, da Lei 8212/91, na redação da Lei 9.528/97, configura descumprimento de dever jurídico tributário instrumental, sujeito à lavratura de Auto de Infração, com vistas à constituição do crédito tributário, na forma do Art. 113, §2º, da Lei 5.172 Código Tributário Nacional e Art. 33, §7º, da Lei 8.212/91. AUTUAÇÃO PROCEDENTE. Irresignado, o contribuinte interpôs, em 02/04/2007, Recurso Voluntário, sob exame, às fls. 94 e seguintes, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: a) A autuação foi baseada em presunção de fraude ou conluio, sem que houvesse a devida comprovação pela fiscalização; b) Não há qualquer comprovação da ocorrência dos fatos geradores de contribuições previdenciárias; c) Ocorreu bis in idem, uma vez que à Recorrente foi aplicada mais de uma penalidade pelo mesmo fato. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 12267.000482/200811 Acórdão n.º 2302002.706 S2C3T2 Fl. 148 3 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Apesar de afirmar ter tomado ciência do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife no dia 31/01/2007, conforme se verifica do Aviso de Recebimento às fls. 93 dos autos, a ciência se deu em 30/01/2007, tendo a Recorrente apresentado seu Recurso Voluntário em 02/04/2007. Todavia, o art. 33, da Lei 70.235/75, diz que o prazo para a apresentação do referido Recurso é de 30 dias, contados a partir da ciência da decisão pelo contribuinte, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Desta feita, se a ciência da decisão deuse em 30/01/2007, o fim do prazo para a apresentação do Recurso ocorreu em 01/04/2007, uma quintafeira. Sendo assim, se a ora Recorrente apresentou suas razões em época posterior à data supramencionada (02/04/2007), temos que o Recurso em referência se encontra intempestivo, tornando, portanto, incabível sua apreciação por este Conselho. Da Conclusão Ante ao exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário, por ser este intempestivo. É como voto. Sala das Sessões, em 14 de agosto de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 299DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 12267.000482/200811 Acórdão n.º 2302002.706 S2C3T2 Fl. 149 4 Fl. 300DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI
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Numero do processo: 10283.006776/2005-81
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
DECADÊNCIA - TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - AUSÊNCIA DE PAGAMENTO - ACÓRDÃO EM RECURSO ESPECIAL Nº 973.733/SC SUBMETIDO AO REGIME DO ARTIGO 543-C, DO CPC - ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Segundo o entendimento do STJ, proferido no julgamento do Recurso Especial 973.733 submetido ao regime do artigo 543-C do CPC, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, não havendo pagamento, deve ser aplicado o prazo decadencial inserto no artigo 173, I do CTN. Aplicação do artigo 62A do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 9101-002.056
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: OTACILIO DANTAS CARTAXO (Presidente). MARCOS AURELIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO (Suplente Convocado), JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARA0.10, JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR e PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado).
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: OTACILIO DANTAS CARTAXO (Presidente). MARCOS AURELIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO (Suplente Convocado), JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARA0.10, JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR e PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado).
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 DECADÊNCIA TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ACÓRDÃO EM RECURSO ESPECIAL Nº 973.733/SC SUBMETIDO AO REGIME DO ARTIGO 543C, DO CPC ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Segundo o entendimento do STJ, proferido no julgamento do Recurso Especial 973.733 submetido ao regime do artigo 543C do CPC, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, não havendo pagamento, deve ser aplicado o prazo decadencial inserto no artigo 173, I do CTN. Aplicação do artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: OTACILIO DANTAS CARTAXO (Presidente). MARCOS AURELIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO (Suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 67 76 /2 00 5- 81 Fl. 679DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 2 Convocado), JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARA0.10, JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR e PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Especial (fls. 128/135) interposto pela Fazenda Nacional, com fundamento no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. O presente processo administrativo é decorrente de Auto de Infração lavrado em 20/12/2005 para constituição de crédito relativo ao IRPJ e lançamentos reflexos de CSLL, PIS e COFINS, referentes aos quatro trimestres do ano calendário de 2000. Insurgiuse a Recorrente contra o acórdão nº 110300.211, proferido pelos membros da Terceira Turma Ordinária, da Primeira Câmara, da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na parte em que, por maioria de votos, acolheram a preliminar de decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2000. O acórdão, na parte recorrida, foi assim ementado: “DECADÊNCIA – IRPJ E LANÇAMENTOS REFLEXOS DE CSLL, PIS E COFINS – Quando ausente dolo, fraude ou simulação, ao teor do disposto no art. 150, §4º, do CTN (Lei nº 5.172/1996), mesmo que ausentes pagamentos relacionados ao período, o Fisco dispõe de 5 (cinco) anos, a conta do respectivo fato gerador, para revisar o procedimento do contribuinte e, quando for o caso, constituir crédito tributário. Sob este enfoque, no caso, o lançamento, notificado ao contribuinte em 28/12/2005, não pode prosperar em relação a fatos geradores, mensais ou trimestrais, ocorridos anteriormente a 28/12/2000.” A Fazenda Nacional, em suas razões recursais, argumentou que o acórdão recorrido, em relação à verificação do termo inicial para a contagem do prazo decadencial do Fisco para constituir crédito relativo ao IRPJ e lançamentos reflexos de CSLL, PIS e COFINS, contrariou o artigo 173, I, do CTN, já que este deve ser aplicado quando não há pagamento prévio dos tributos, razão pela qual pugnou pelo afastamento da decadência parcial reconhecida. Trouxe como paradigma o acórdão assim ementado: “DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP n° 973.733 SC, submetido ao regime do art. 543 C, do CPC, e da Fl. 680DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 10283.006776/200581 Acórdão n.º 9101002.056 CSRFT1 Fl. 680 3 Resolução STJ 08/2008.” (CSRF, 1ª Turma, Acórdão nº 9101 00.460, de 04/11/09). Em sede de admissibilidade (fls. 142/143) foi dado seguimento ao Recurso. O contribuinte, devidamente intimado, deixou de apresentar contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O presente processo administrativo é decorrente de Auto de Infração lavrado em 20/12/2005 para constituição de crédito relativo ao IRPJ e lançamentos reflexos de CSLL, PIS e COFINS, referentes aos quatro trimestres do ano calendário de 2000. A ciência do contribuinte se deu em 28/12/2005. Em sede de Recurso Especial a questão a ser analisada restringese à definição da regra decadencial aplicável, se a do artigo 150, §4º ou do artigo 173, ambos do CTN. Em diversas oportunidades manifestei meu entendimento no sentido de que os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, por sua natureza, são passíveis de lançamento no prazo previsto no artigo 150 §4º do CTN, ou seja, o dies a quo do prazo quinquenal para constituição desses tributos é o fato gerador, independentemente de ter ou não havido pagamento. Assim ementava minhas decisões: “IRPJ Ex(s): 1999 IRPJ DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a decadência é contada de acordo com os ditames do artigo 150, § 4º do CTN, operandose cinco anos após a ocorrência do fato gerador. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” (1º Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 10196.373, em 18.10.2007 Publicado no DOU em: 09.09.2008) Com as alterações no Regimento Interno do CARF, foi incluído o mandamento do Art. 62 –A: Fl. 681DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 4 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Portanto, impõese a este tribunal administrativo a reprodução dos julgados definitivos proferidos pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543 C do Código de Processo Civil. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC, firmou o seguinte entendimento em relação a questão em debate: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” A interpretação do texto transcrito nos leva à conclusão de que devemos nos dirigir ao artigo 173, I, do CTN quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito que constitua o crédito tributário. Da análise dos autos verificase que: (i) tratase de tributo sujeito ao lançamento por homologação, (ii) não houve pagamento, já que não consta nos autos qualquer DARF relativo ao pagamento, bem como a DIPJ acostada aos autos está zerada e não trouxe qualquer informação sobre possível pagamento por meio da retenção na fonte e (iii) inexiste declaração prévia do débito que constitua crédito tributário. Assim, a contagem do prazo decadencial deve ocorrer nos termos do artigo 173, I, do CTN. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 10283.006776/200581 Acórdão n.º 9101002.056 CSRFT1 Fl. 681 5 No caso, o crédito é relativo ao IRPJ e lançamentos reflexos de CSLL, PIS e COFINS, referentes aos quatro trimestres do ano calendário de 2000 e a ciência da autuação se deu em 28/12/2005, portanto, nos termos no artigo 173 do CTN, não operouse a decadência do direito do fisco de efetuar o lançamento dos fatos geradores ocorridos em 2000. Pelo exposto, voto no sentido de DAR provimento ao Recurso Especial e tendo em vista que o acórdão recorrido já analisou o mérito em relação ao período que entendeu não abrangido pela decadência, bem como que as alegações são as mesmas que a do período aqui em discussão, deixo de determinar o retorno para sua análise. JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – relator. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR
score : 1.0
Numero do processo: 10825.002830/2005-44
Data da sessão: Thu May 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
IRPJ/CSL - SOCIEDADES COOPERATIVAS - COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS - Sujeitam-se à incidência tributária a receita e/ou os resultados obtidos pela sociedade cooperativa na prática de atos não cooperados. O encaminhamento de usuários a terceiros não associados, como hospitais, clínicas ou laboratórios, ainda que complementar ou indispensável à boa prestação do serviço profissional médico, constitui ato não cooperado. Norma impositiva contida no artigo 111 da Lei n" 5.674/71 (artigo 168, inciso II, do RIR/94). Se a contabilidade não permite vislumbrar resultados de atos cooperativos e resultados de atos não cooperativos, e mesmo intimada a Contribuinte não apresenta a segregação dos valores referentes a cada atividade, submete-se todo resultado às mesmas regras de tributação a que se obrigam as demais pessoas juridicas. (Acórdão 108-09.299)
Numero da decisão: 1102-000.201
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: João Carlos de Lima Junior
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 IRPJ/CSL - SOCIEDADES COOPERATIVAS - COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS - Sujeitam-se à incidência tributária a receita e/ou os resultados obtidos pela sociedade cooperativa na prática de atos não cooperados. O encaminhamento de usuários a terceiros não associados, como hospitais, clínicas ou laboratórios, ainda que complementar ou indispensável à boa prestação do serviço profissional médico, constitui ato não cooperado. Norma impositiva contida no artigo 111 da Lei n" 5.674/71 (artigo 168, inciso II, do RIR/94). Se a contabilidade não permite vislumbrar resultados de atos cooperativos e resultados de atos não cooperativos, e mesmo intimada a Contribuinte não apresenta a segregação dos valores referentes a cada atividade, submete-se todo resultado às mesmas regras de tributação a que se obrigam as demais pessoas juridicas. (Acórdão 108-09.299)
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PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10825..002830/2005-44 Recurso n" 168..223 Voluntário Acórdão n" 1102-00.201 — 1" Câmara / r Turma Ordinária Sessão de 20 de maio de 2010 Matéria 1RPJ e CSLL Recorrente UNIMED REGIONAL JAÚ COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. Recorrida DRJ - RIBEIRÃO PRETO (SP). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 200,3 IRPJ/CSL - SOCIEDADES COOPERATIVAS - COOPERATIVA DE. SERVIÇOS MÉDICOS - Sujeitam-se à incidência tributária a receita e/ou os resultados obtidos pela sociedade cooperativa na prática de atos não cooperados. O encaminhamento de usuários a terceiros não associados, como hospitais, clínicas ou laboratórios, ainda que complementar ou indispensável à boa prestação do serviço profissional médico, constitui ato não cooperado. Norma impositiva contida no artigo 111 da Lei n" 5.674/71 (artigo 168, inciso II, do RIR/94). Se a contabilidade não permite vislumbrar resultados de atos cooperativos e resultados de atos não cooperativos, e mesmo intimada a Contribuinte não apresenta a segregação dos valores referentes a cada atividade, submete-se todo resultado às mesmas regras de tributação a que se obrigam as demais pessoas .juridicas. (Acórdão 108-09.299) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos o Relator, e a Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barretto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselho :José Sérgio Gomes. 4,27 IVET MALA LQ25 ,P-E.SSOA MONTEIRO - Presidente . . , Jak f1L L S DE LIMA JUNIOR Relator U .JOSÉ - O Relator-designado Processo n" 10825.0028.30/2005-44 Sl-C t 12 Acórdão n ." 1102 -00,201 Fl 2 n EDITADO EM: 11 CU n UI Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros João Otavio Opperman Thome, Silvana Rescigno Barreto, José Sergio Gomes (Suplente convocado) e João Carlos Lima Junior(Vice-Presidente) e Manoel Mota Fonseca. 2 Processo n" 10525.002830/2005-44 SI-C1T2 •Acórdão n " 1102-00.201 Fl 3 Relatório Trata-se de Autos de Infração relacionados à exclusão indevida de resultados positivos provenientes de operações com não associados nos respectivos anos-calendários de 2001 a 200.3 que geraram crédito tributário no valor de R$ L189.672,04 ( um milhão, cento e oitenta e nove mil, seiscentos e setenta e dois reais e quatro centavos ) de IRPI e R$ 479.322,49 (quatrocentos e setenta e nove mil, trezentos e vinte e dois reais e quarenta e nove centavos) de CSLL, atualizados até outubro de 2005, incluídos juros, multa isolada e multa de 75%. Conforme se constata no Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização iniciou- se com a intimação da contribuinte para apresentar documentos fiscais que comprovassem a regularidade dos recolhimentos dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal (fls.. 28/33). Diante da documentação apresentada, a autoridade fiscal concluiu que a escrituração contábil da contribuinte não permite distinguir as receitas provenientes de atos cooperativos, das receitas provenientes de atos não cooperativos. Assim, em 29.10,05, a empresa foi intimada a comprovar ., explicitamente, a segregação de receitas oriundas dos atos cooperativos, quais sejam, do trabalho médico prestado pelos associados; das demais receitas oriundas dos atos não cooperativos, tais como, diárias e serviços hospitalares; serviços de laboratórios e institutos; serviços odontológicos; venda de medicamentos (farmácia); transporte terrestre e aéreo; seguro saúde cobrado conjuntamente com planos pré-pagos e demais serviços prestados por não associados, pessoas físicas ou jurídidas. Em resposta, a contribuinte esclareceu que todas as receitas derivadas de atos não cooperativos estavam devidamente segregadas, sendo que tal fato poderia ser constatado pela documentação entregue à fiscalização. Da análise das informações prestadas e dos documentos apresentados pela contribuinte, a fiscalização concluiu que as receitas correspondentes à comercialização de planos de seguro saúde e as derivadas de atos comerciais foram indevidamente classificadas e englobadas como atos cooperativos, nas mais variadas rubricas, tais como, "mensalidades empresa", "mensalidades pi f', "manutenção mensal", "intercâmbio", "outros ingresso",etc, Além disso, a fiscalização constatou que os resultados positivos obtidos com operações com atos não cooperativos foram distribuídas aos cooperados nos anos-calendários de 2001, 2002 e 200.3, infringindo assim, o §3°, artigo 24 da Lei n° 5.764/71 e §1° do artigo 182 do Regulamento do Imposto de Renda/99 (RIR199), Com as irregularidades acima, a fiscalização tributou o resultado total referente aos resultados obtidos com a prática de atos cooperativos e não cooperativos, utilizando-se para tanto dos seguintes argumentos: Por ter a sociedade cooperativa praticado, em caráter habitual, atos não cooperativos previstos na legislação própria — habitualisino na wercantilização de planos de saúde — 3 Processo n" 10825 002830/2005-44 Acórdão 1 F I 4 descaracterizando-se como tal e sujeitando-se todos os resultados às normas que regem a tributação das operações das demais sociedades civis e comerciais, como já decidiu o Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes em seus Acórdãos n°. 101- 79 879/90 — DO 05/06/90, 102-26.948/92- DO 22/09/92, 105- 12 817/99, inexistência da segregação da receita obtida com a prestação de serviços (atos cooperativos e não-cooperativos) não estar apoiada em documentação hábil que a legitime, não obedecendo CL' disposições contidas na lei n° 5,764/71, infringindo o artigo 182 do R.1R199 O Primeiro Conselho de Contribuintes através de seu Acórdão n° 101-92.455, de 08 2.98, entendeu que se a segregação da receita feita pela sociedade não estiver apoiada em documentação hábil que a legitime, o resultado global será tributado, por ser impossível a determinação da parcela não alcançado pela não incidência tributária, Ter distribuído os resultados apurados aos cooperados, quando sabe que parte dos mesmos, conforme demonstrado, corresponde a lucro obtido CO!?! atos não cooperativo.s e relacionado com receitas de serviços prestados por terceiros não associados, infringindo os parágralbs I° e 2° do art. 182 do 121R/99 e §.3° do cirt 24 da Lei 5 764, de 1971." Da mesma forma, aplicou multa isolada, por entender que a contribuinte não efetuou o recolhimento dos valores estimados calculados do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, nos termos do inciso, IV, parágrafo único do artigo 957 do RIR/99. Diante da autuação, o contribuinte apresentou impugnações aos lançamentos de IRPI e CS LL requerendo, em apertada síntese: --> A exclusão da multa isolada, em virtude de sua incompatibilidade com a multa de 75°A apurada sobre os tributos apurados; --> A retificação do lançamento, em virtude de autoridade fiscal não ter considerado os valores de Imposto de Renda retidos por instituições financeiras, na receita auferida em aplicações realizadas pela cooperativa; --> Além disso, argumenta sobre a natureza jurídica da sociedade cooperativa, bem como sobre a previsão constitucional de um tratamento adequado ao ato cooperativo que impede a equiparação deste tipo societário com as demais sociedades civis ou comerciais Neste contexto, afirma que a base de cálculo do IRPI e da CSLL é o lucro, inexistente na sociedade cooperativa, conforme preceitua o inciso VII do art, 4° da Lei n° 5..764/71, de modo que o lançamento de oficio foi realizado sobre resultados que não pertencem às cooperativas, mas sim, aos cooperados.. ---> Contesta, finalmente, o conceito de ato cooperativo dado pela autoridade fiscal, afirmando que o ato cooperativo alcança, não apenas o negócio fim, que no caso das cooperativas de médicos é a prestação de serviços diretamente por seus cooperados, mas também, os negócios-meio, assim entendidos aqueles que visam ao cumprimento dos objetivos sociais, de modo complementar ou auxiliar àqueles. 4 PI ()cesso o" 10825 002830/2005-44 Si-CI 1-2 Acórdão o" 1102-00201 Fl 5 Nestes termos, pugna pela insubsistência do lançamento fiscal, pleiteando, prova pericial para comprovar suas alegações, A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) de Ribeirão Preto entendeu que o lançamento tributário deveria ser mantido em parte, Em seu julgamento, afastou o pleito de diligência, por entender que o pedido não foi realizado nos termos previstos em lei (art. 16 do Decreto n° 70.235/72) e que os documentos acostados aos autos se mostraram suficientes para o deslinde da questão. No que tange à multa de oficio isolada a autoridade julgadora afirmou que há previsão legal para a sua incidência (artigo 44 da Lei 9,430/96) e que, iii casu, restou clara a desvinculação entre a multa decorrente da falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurados ao final do ano calendário e a multa isolada, aplicável em virtude da falta de pagamento de IRPJ e CSLL devidos por estimativa. Porém, em razão da alteração dada pelo art. 14 da Lei 11,488/2007, reduziu, de oficio, a aliquota aplicada, para o patamar de 50%, em virtude da retroatividade benigna prevista no art, 106, 11, "a" do CTN. Ademais, não acatou a argumentação da contribuinte de que as receitas provenientes de investimentos bancários, tiveram o Imposto retido na Fonte. Isso porque, nas D1PJ apresentadas pelo contribuintes (fis. 34-118), o contribuinte não informou os valores retidos, tampouco apresentou, em sua impugnação, os comprovantes de retenção de imposto de renda na fonte sobre aplicações financeiras. Em relação ao fato de a autoridade fiscal não ter segregado valores provenientes de atos-cooperativos, dos valores provenientes de atos não cooperativos, a DRJ entendeu correta a fiscalização. Afirmou que não poderia a autoridade fiscal segregar os referidos valores, por ausência de dispositivo legal neste sentido. Assim, foi correta a apuração dos créditos pelo total das receitas auferidas. Sendo que esta solução, tem respaldo neste Conselho, que por diversas vezes manifestou-se sobre o assunto. Da mesma forma, confirmou o entendimento fiscal de que não há qualquer possibilidade de o serviço hospitalar ou de qualquer outro serviço prestado por não cooperado, enquadrar-se como ato cooperativo, tais como, serviços laboratoriais e serviços prestados por médicos não cooperados. Tais serviços, apesar de complementar os serviços prestados pelos médicos associados de uma cooperativa, facilitando a vida do paciente, não fazem parte do trabalho médico profissional prestado pela cooperativa de serviços médicos, cujo objetivo é a exclusiva prestação de serviços médicos de seus associados e não a venda de remédios, de exames laboratoriais, de internações, etc. Nestes termos, o campo de não-incidência corresponde às atividades inerentes à cooperativa, o que exorbita desse campo é tributável. Com tudo isso, conclui que se a escrita, lastreada em documentação hábil, não especificar com clareza quais as receitas dos atos cooperativos e quais as dos atos não cooperativos, ter-se-á como integralmente tributado o resultado da sociedade, por ser impossível a determinação da parcela não lançada pela não incidência tributária. Diante da decisão acima, o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual reiterou, in 'annum os argumentos apresentados na impugnação, É o relatório 5 Processo n" 10825 0028.30/2005-44 Si-CI 12 Acordo n° 1102-00,201 Fl 6 Voto Vencido Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Relator, Por preencher os requisitos de admissibilidade admito o Recurso Voluntário: A análise do presente caso deve ser realizada com fundamento no regime jurídico cooperativo, o qual exige a fixação de algumas premissas importantes para o deslinde da questão. Assim, tal como já fizemos em outras oportunidades, traçaremos as premissas que devem orientar a incidência tributária sobre as cooperativas de serviços. Vejamos: Os atos praticados pelas cooperativas, podem ser divididos em negócios-fins e negócios-meio. Os primeiros, são atos realizados entre a cooperativa e os associados, ou entre estes e aquela, visando à promoção "da defesa ou fomento da economia dos cooperados mediante prestação de serviços" (In Walmor Franke. Direito das sociedades- direito cooperativo- Saraiva, 1973 ); já os negócios-meios são atos que condicionam a satisfação do negócio fim e, consequentemente, condicionam a finalidade da cooperativa. É pacifico que os negócios fins são atos cooperativos, não havendo qualquer controvérsia doutrinária ou jurisprudencial sobre o assunto. O mesmo não ocorre com os negócios-meio. Para estes, a doutrina divide-se entre aqueles que, de forma ampla, afirmam que todos os negócios-meios realizados, por visarem atingir ao objeto social, são atos cooperativos, independentemente da análise das partes envolvidas, e aqueles que defendem a tese de que os negócios-meio jamais poderiam ser considerados atos cooperativos, pois somente os negócios praticados entre a cooperativa e os cooperados, ou entre cooperativas associadas, teriam esta natureza. No presente caso, a contratação do serviço médico é por excelência ato fim realizado pela recorrente, que não pode estar sujeito à tributação. Por outro lado, a contratação de um serviço hospitalar ou farmacêutico, comumente negociado nos planos de saúde, são atos-meios que facilitam ou viabilizam a prestação de serviços e que, por conseqüência, não podem ser considerados atos cooperativos. Nestes termos, a receita proveniente de uma contratação com um hospital para que uma cirurgia seja realizada, deve ser objeto de tributação. Em contrapartida, as receitas oriundas de contratação de serviços médicos são atos cooperativos não sujeitos à incidência tributária.. A segunda premissa está em verificar se a contratação dos serviços da cooperativa, por clientes, não cooperados, pode ser considerada ato cooperativo. É evidente que sim, pois, a cooperativa de serviços é a reunião de profissionais que buscam facilitar a prestação de seus serviços, por intermédio da cooperativa. Tal serviço é prestado para clientes, cooperados e não cooperados e, mesmo quando prestados a estes últimos, possuem a natureza de ato cooperativo. Se entendêssemos de modo contrário, Pi ()cesso n" 10825.002830/2005-44 Sl-C1 Acórdào n " 1102-00.201 H. 7 chegaríamos à absurda conclusão de que urna cooperativa de taxi, somente poderia transportar OS próprios cooperados. De fato, as cooperativas podem ser contratadas por não cooperados, sendo que tais atividades representarão atos cooperativos quando exercidas com os clientes no exercício do objetivo social, Ademais, o plano de saúde é a forma de cobrança dos serviços prestados pela cooperativa a seus clientes, que como já vimos, podem ser cooperados e não cooperados. Porém, é notório que dentro de um plano de saúde, é possível a negociação de serviços médicos, juntamente com outros serviços, tais como, contratação de hospitais, leitos e farmácias. Assim, haveria a necessidade de se distinguir as receitas provenientes de contratação de serviços médicos, das receitas provenientes de atos meio, tais como a contratação de hospitais, farmácias, leitos, etc, isso porque, a recorrente, ao escriturar suas receitas, entendeu que todas derivavam de atos cooperativos, logo, caberia à fiscalização distinguir as receitas provenientes de contratação de serviços médicos das receitas provenientes de atos-meio, tais como contratação de hospitais, farmácias, leitos, etc. Neste sentido, pedimos vênia para trascrever parte do Voto do Douto Conselheiro José Clóvis Alves que em voto de sua relatoria afirma com clareza: "(,) No presente caso a cooperativa, dentro de sua interpretação da lei entendeu serem todos seus atos cooperativos, caberia à fiscalização então analisá-los para se fosse o caso segregar os- citas cooperativos dos não cooperativos. ( A fiscalização não aprofindou a auditoria para verificar a essência dos atos praticados, preferiu considerar toda a receita como ato não cooperativo por atacado, e assim, de .falo descaracterizou a cooperativo, o que como já vimos não poderia fazê-lo" (Processo 10320.001177/2003-15 — Acórdão 105-1.5.416) No presente Auto de Infração, ao invés de discriminar atos cooperativos de atos não cooperativos, a fiscalização preferiu lançar o tributo, utilizando como base de cálculo toda a receita auferida pela empresa, fato que maculou o auto de infração como um todo, não restando outra alternativa, senão, o expurgo dos valores lançados. A fiscalização, em que pese ter intimado o contribuinte a segregar os valores, não poderia descaracterizar os atos cooperativos em razão da falta de segregação do contribuinte, utilizando procedimento próprio da inversão do ônus da prova, o que só é possível nos casos em que a lei expressamente autoriza. De fato, a Unimed é obrigada à prestação de contas à ANS, através da qual demonstra, detalhadamente, toda a receita, sua origem e seu destino; assim, bastaria urna breve análise na contabilidade e relatórios da autuada para que a fiscalização enxergasse o que eram atos cooperativos e atos não cooperativos. Assim, não podemos transformar a falta de resposta à intimação da fiscalização para segregação em presunção de que todos os atos são não cooperados. 7 Psocesso n" I 0825 002830/2005-4 Si-C1 .12 Acórdão n " 1102-00,201 F I 8 Diante do exposto, DOU PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, sob os fundamentos acima descritos, É como voto. JOÃO CARLOS DE LIMA SUNIOR Processo o" 10825 002830/2005-44 SI-CIT2 AcOrdrio o " 1102-00.201 EL 9 i Voto Vencedor Conselheiro José Sérgio Gomes, Relator-designado Rogando venia ao entendimento exteriorizado no voto do insigne Conselheiro-Relator originário, abre-se a seguinte divergência. No presente caso o Fisco não se limitou, como em alguns litígios que tramitaram por este Conselho, a descaracterizar a sociedade cooperativa como tal pela prática habitual de atos não cooperativos. Ao contrário, examinou a escrituração e documentação da fiscalizada e constatou que no período a mesma classificou seus ingressos genericamente como receitas de atos cooperativos. Não segregou as receitas decorrentes de atos cooperativos daquelas auferidas em razão da prática de atos não-cooperativos, observando que em relação aos planos de saúde há contabilização das receitas nas mais variadas rubricas, tais como mensalidades empresa, mensalidade pif, manutenção mensal, intercâmbio, além de "outros ingressos", como taxas administrativas, guias de vendas, transporte uti móvel usuário, farmácia, comissões sobre seguros, receitas financeiras e outras receitas. A intimação fiscal foi suficientemente clara no sentido de que se providenciasse a segregação das receitas dos atos cooperativos, assim entendidos aqueles decorrentes do trabalho médico prestado pelos associados, daquelas provenientes dos atos não- cooperativos, quais sejam, diária e serviços hospitalares, serviços de laboratórios e institutos, serviços odontológicos, venda de medicamentos, transporte terrestre e aéreo, seguro saúde cobrado conjuntamente com os planos pré-pagos e outros serviços prestados por não associados. Ainda que a contribuinte sustente sua tese de que todos os seus ingressos caracterizam atos cooperativos, fato é que a atividade cooperada não pode ser presumida, razão . pela qual o Fisco oportunizou-lhe a separação nos moldes expressamente delineados. Com isso, salta aos olhos que o Fisco, embora consiga apartar' qualitativamente, identificando as nuances de cada serviço recebido, se viu impossibilitado de quantificar, pois, em contrário, teria apresentado os números logo de plano. Convenço-me, ainda, que o ônus é da contribuinte já que foi ela quem levou o registro à contabilidade. Não logrando fazê-lo, seja por inércia ou impossibilidade, todo o resultado submete-se às mesmas regras de tributação a que se obrigam as demais pessoas jurídicas.. Além dos precedentes judiciais colacionados na decisão recorrida, igualmente decidiu a então Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuitnes no Acórdão 108- 09299, julgamento em 26/04/2007. , IRPJ/CSL,— SOCIEDADES COOPERATIVAS — COOPERATIVA • DE SERVIÇOS MÉDICOS — Sujeitam-se à incidência tributária ... a receita e/ou os resultados obtidos pela sociedade cooperativa\ .. À , 9 Processo e 10825 002830/2005-44 SI-C1 T2 Acórdão n° 1102-00201 Fl 10 na prática de atos não cooperados O encaminhamento de usuários a terceiros . não associados, como hospitais, clínicas ou laboratórios, ainda que complementar ou indispensável à boa prestação do serviço profissional médico, constitui ato não cooperado Norma impositiva contida no artigo 111 da Lei n" 5.674/71 (artigo 168, inciso II, do RIR/94) Se a contabilidade não permite vislumbrar resultados de atos cooperativos e resultados de atos não cooperativos, e mesmo intimada, através de diligência, a Contribuinte não apresenta a segregação dos valores referentes a cada atividade, submete-se todo resultado às mesmas regras de tributação a que se obrigam as demais pessoas .juricicas. Cor s razões , VOTO pelo improvimento do recurso.. I 41. "tUat JOS ERGIO GOMES
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Numero do processo: 11610.021817/2002-20
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 12/12/2002
COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. CRÉDITO DE TERCEIRO. DECISÃO JUDICIAL. INAPLICABILIDADE.
A lei que rege a compensação é a vigente no momento em que se realiza o encontro de contas, e não aquela em vigor na data do surgimento do crédito. No caso sob exame, quando da apresentação da declaração de compensação, a lei então vigente vedava a compensação de débitos do contribuinte com créditos de terceiros. A decisão judicial a que se reporta o Recorrente afastou a aplicação de norma complementar editada em momento anterior ao da vigência da lei aplicável ao caso, não acobertando, por conseguinte, o pedido constante dos autos.
Numero da decisão: 3803-001.911
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: HÉLCIO LAFETÁ REIS
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LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. CRÉDITO DE TERCEIRO. DECISÃO JUDICIAL. INAPLICABILIDADE. A lei que rege a compensação é a vigente no momento em que se realiza o encontro de contas, e não aquela em vigor na data do surgimento do crédito. No caso sob exame, quando da apresentação da declaração de compensação, a lei então vigente vedava a compensação de débitos do contribuinte com créditos de terceiros. A decisão judicial a que se reporta o Recorrente afastou a aplicação de norma complementar editada em momento anterior ao da vigência da lei aplicável ao caso, não acobertando, por conseguinte, o pedido constante dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN Presidente. (assinado digitalmente) HÉLCIO LAFETÁ REIS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por HELCIO LAFETA REIS 2 Relatório Em 12 de dezembro de 2002, o contribuinte supra identificado apresentou Pedido de Compensação (fl. 01), pleiteando a compensação de débitos próprios com crédito pertencente ao contribuinte Nitriflex S/A Indústria e Comércio, CNPJ 42.147.496/000170, que, em ação judicial transitada em julgado, obtivera o reconhecimento de créditos a seu favor. Posteriormente, a Nitriflex impetrou Mandado de Segurança objetivando obter autorização judicial para compensar seus créditos com débitos de terceiros, tendo obtido provimento no sentido de invalidar a limitação prevista na Instrução Normativa SRF n° 41/2000, que vedava a compensação com débitos de terceiros. Em 5 de dezembro de 2005, a repartição de origem, por meio de despacho decisório (fls. 77 a 80), não homologou a compensação declarada neste processo, considerando que, a partir de 1º de outubro de 2002, a legislação de regência passou a vedar, expressamente, a compensação de débitos de um contribuinte com créditos de terceiros, sendo ressaltado, ainda, que teria perdido o objeto a decisão proferida em mandado de segurança baseada em legislação que veio a ser revogada e substituída por outra. No despacho decisório constou, ainda, que a decisão judicial invalidara a IN SRF nº 41/2000, que vedava a compensação de débitos com créditos de terceiros, por falta de suporte legal, conforme entendimento do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. O mesmo despacho decisório esclareceu que, a par da decisão judicial, favorável ao estabelecimento Nitriflex S/A Indústria e Comércio, no sentido de autorizar a compensação de débitos com créditos de terceiros, a compensação sob comento não poderia ser homologada, em razão da superveniência de legislação contrária à pretensão do declarante, no caso, a Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Ressaltou a autoridade administrativa de origem que o art. 49 da Lei nº 10.637/2002 deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430/1996, impossibilitando, a partir de 1º de outubro de 2002, a compensação de créditos apurados pelo sujeito passivo com débitos de terceiros. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 94 a 112), instruída com os documentos de fls. 88 a 119, e requereu a reforma do despacho decisório, com a homologação da declaração de compensação, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) em 21 de julho de 1998, a Nitriflex S/A Indústria e Comércio impetrara o Mandado de Segurança nº 98.00166580 para, tendo em conta o princípio constitucional da nãocumulatividade, obter o reconhecimento de créditos do IPI relativos a aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero, nos dez anos anteriores à impetração, tendo transitado em julgado, em 18 de abril de 2001, acórdão do TRF da 2ª Região, favorável à pretensão do impetrante; b) a coisa julgada material impediria a aplicação da superveniente Lei nº 10.637/2002, que passou a limitar a disponibilidade do crédito do IPI, cujas disposições somente valeriam para os créditos nascidos posteriormente à sua edição. O entendimento da Fl. 2DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11610.021817/200220 Acórdão n.º 380301.911 S3TE03 Fl. 272 3 repartição de origem configuraria descumprimento de uma ordem judicial, com desrespeito à coisa julgada material e aos princípios da nãocumulatividade do IPI e da irretroatividade das leis; c) o Mandado de Segurança nº 2001.51.10.0010250, impetrado em 26 de março de 2001, visava a impedir que a IN SRF nº 41/2000 obstasse a livre disposição do crédito do IPI, tendo sido obtido decisão favorável confirmando o direito de livre disposição do crédito assegurado judicialmente; d) tendo em vista o contido na IN SRF n° 600/2005, a Delegacia da Receita Federal de Florianópolis/SC seria incompetente para decidir acerca das compensações em questão, uma vez que os créditos oferecidos como lastro provinham de terceiro, cujo domicílio tributário pertencia à jurisdição da Delegacia da Receita Federal de Nova Iguaçu/RJ; e) considerando o prazo dos artigos 48 e 49 da Lei n° 9.784/1999, teria ocorrido a homologação tácita da compensação, em razão do decurso do prazo, uma vez que o processo de homologação havia sido instruído em 5 de julho de 2005 e ainda se encontrava sem decisão. A DRJ Ribeirão Preto/SP indeferiu a solicitação (fls. 160 a 165), tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do Fato Gerador: 12/12/2002 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIRO. IMPOSSIBILIDADE. As compensações declaradas a partir de 1º de outubro de 2002, de débitos do sujeito passivo, com crédito de terceiro, esbarram em inequívoca disposição legal, impeditiva de compensações da espécie. É descabida a pretensão de legitimar compensações de débitos do requerente, com crédito de terceiro, declaradas após 1º de outubro de 2002, pretensão essa fundada em decisão judicial, que afastou a vedação, outrora existente, em instrução normativa. Solicitação Indeferida Ressaltou o relator a quo que não prosperaria a alegação de que teria ocorrido homologação tácita da compensação, pelo fato de que a aplicação da Lei nº 9.784/1999 seria de aplicação subsidiária no Processo Administrativa Fiscal, não lhe sendo autorizado alterar os prazos previstos no Decreto n° 70.235/1972, e muito menos as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). Aplicarseia, no caso, o prazo constante do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela legislação superveniente, considerandose que a compensação efetuada por meio da apresentação do pedido de compensação extinguiria o crédito tributário sob condição resolutória, na forma prevista pelo art. 150 do CTN, mas contado da entrega da declaração, nos termos do § 5º do artigo citado da Lei nº 9.430/1996. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por HELCIO LAFETA REIS 4 Argumentou, ainda, a autoridade julgadora de piso que, com base nos elementos trazidos ao processo pelo contribuinte, o Mandado de Segurança nº 98.00166580 se referiria, exclusivamente, ao reconhecimento de créditos do IPI em favor da Nitriflex S/A Indústria e Comércio, sem qualquer referência à compensação desse mesmo crédito com débitos de terceiros. Em razão disso, a Nitriflex S/A Indústria e Comércio impetrou outro Mandado de Segurança, este de nº 2001.51100010250, em que deduziu pretensão específica de compensação de seus créditos com débitos de terceiros, em razão do que, considerou o relator que a menção do Impugnante ao Mandado de Segurança nº 98.00166580 seria impertinente. Registrouse, também, que, a vedação da IN SRF nº 41/2000, relativa à compensação de débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros, não foi simplesmente "repetida" no art. 30 da IN SRF nº 210/2002, mas decorreu da nova redação dada ao caput do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002. A partir da alteração legislativa, as compensações da espécie passaram a se esbarrar em novo obstáculo, qual seja, o dispositivo legal que impedia as compensações com créditos de terceiros, isso a partir de 1º de outubro de 2002, data do início da produção de efeitos da citada alteração no plano legal. Na sequência, informou o relator que a nova disposição legal não foi objeto de apreciação no Mandado de Segurança nº 2001.51100010250, em razão do que descaberia a alegação de coisa julgada. Verificouse, por conseguinte, que, a partir de 1º de outubro de 2002, a decisão judicial favorável à Nitriflex, obtida no Mandado de Segurança nº 2001.51100010250, não ampararia compensações de seus créditos com débitos de terceiros. Por fim, registrouse que, para o presente processo, em que Maximiliano Gaidzinski S.A. Indústria de Azulejos Eliane requer a compensação de débitos de sua titularidade com créditos de terceiros, a competência para proferir o despacho decisório é da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis que jurisdiciona o estabelecimento industrial do interessado, não se ignorando que os créditos da Nitriflex se encontrariam sob apreciação da DRF Nova Iguaçu/RJ. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, junta cópia de parecer doutrinário (fls. 210 a 260) e reitera seu pedido, alegando nulidade das decisões até então proferidas, por incompetência absoluta, ou, subsidiariamente, que se acolhe seu pedido de homologação da compensação pleiteada, repisando os mesmos argumentos, exceto em relação à alegada homologação tácita do pedido de compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Fl. 4DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11610.021817/200220 Acórdão n.º 380301.911 S3TE03 Fl. 273 5 O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. De início, registrese que nada há a reparar nas decisões precedentes. No que se refere à preliminar de nulidade arguida, registrese desde logo a sua rejeição, tendo em vista os fatos a seguir abordados. O pedido de compensação sobre o qual se controverte nos autos foi protocolizado pelo Recorrente em 12 de dezembro de 2002, quando já se encontrava vigente a nova redação do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, dada pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, que, expressamente, passou a restringir a compensação a créditos e débitos próprios dos contribuintes, vedandose, por conseguinte, o feito com base em créditos de terceiros. Em casos de compensação de tributos, a legislação que se aplica é a vigente no momento da formalização do pedido pelo interessado, independentemente da data de surgimento do crédito. Conforme bem salienta Leandro Paulsen1, é “inapropriada a invocação da proteção do direito adquirido, no caso, porque acaba consagrando um direito adquirido a regime jurídico de compensação, quando é certo que o STF não reconhece direito adquirido a regime jurídico. Ademais não se pode pensar em compensação senão em face do débito a ser compensado e do momento do encontro de contas”. Dessa forma, considerando que na compensação, há a extinção de um crédito tributário – o débito –, a legislação aplicável não pode ser aquela vigente à época do crédito que surgiu no passado, pois o instituto da compensação envolve o encontro de contas simultâneo entre saldo credor e saldo devedor, não havendo que se invocar um comando legal que não mais vigia no momento do surgimento do débito. O Superior Tribunal de Justiça já decidiu nesse sentido por mais de uma vez, conforme se depreende do excerto a seguir transcrito, extraído da decisão do Recurso Especial nº 492.627, julgado em maio de 2004: TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECLARADO INCONSTITUCIONAL PELO STF. COMPENSAÇÃO ENTRE TRIBUTOS DE ESPÉCIES DISTINTAS. 1. (...) a lei aplicável à compensação é a vigente na data do encontro entre os débitos e créditos (...) 2. No caso concreto, tendo em vista o regime vigente à época da postulação, deve a compensação do FINSOCIAL ser admitida apenas com parcelas da COFINS, ressalvado o direito da autora de proceder à compensação dos créditos na conformidade com as normas supervenientes. 3. Recurso especial provido. 1 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria dos Advogados, 2008, p. 1123. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por HELCIO LAFETA REIS 6 Esse mesmo entendimento consta dos Embargos de Declaração no Recurso Especial nº 419.757, julgados em março de 2004, conforme se constata a seguir: TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. FINSOCIAL. PRESCRIÇÃO. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS. POSSIBILIDADE. ART. 74 DA LEI Nº 9.430/96, COM REDAÇÃO CONFERIDA PELA LEI Nº 10.637/02. (...) 4. A lei que rege a compensação é aquela vigente no momento em que se realiza o encontro de contas, e não aquela em vigor na data em que se efetiva o pagamento indevido. Precedentes. Constatase, portanto, que, na data da protocolização do pedido de compensação, a legislação em vigor já vedava a compensação com créditos de terceiros, não havendo suporte legal ao pedido do ora Recorrente nos termos formulados. Além disso, naquela data, a Instrução Normativa SRF nº 21/1997, de que vale o Recorrente para arguir a nulidade da decisão de piso, não mais regia o caso sob análise, pois que regulamentava dispositivos da Lei nº 9.430/1996 que foram alterados pela legislação superveniente, conforme acima abordado, esta aplicável ao caso sob comento. Logo o disciplinameno acerca das jurisdições administrativas da Receita Federal, no que tange aos casos de compensação com créditos de terceiros, já havia sido revogado, dado que se encontrava incompatível com a legislação superveniente, que passou a vedar o procedimento então regulamentado pela referida Instrução Normativa. O novo disciplinamento dado por instruções normativas supervenientes, como a de número 600, de 2005, referenciada pelo contribuinte, se deu em conformidade com o novo ordenamento legal que se instaurou após as alterações legislativas acima abordadas, quando deixou de existir a figura da compensação com créditos de terceiros. Nesse novo contexto, deixou de existir a diferenciação entre repartição jurisdicionante do detentor do crédito e repartição jurisdicionante do detentor do débito, pois ambos se fundiram numa única pessoa, qual seja, o postulante à compensação. Rejeitase, portanto, a preliminar de nulidade argüida, relativa à incompetência da autoridade julgadora de primeira instância. Quanto à alegação de coisa julgada, temse que, além do fato de que o trânsito em julgado favoreceria expressamente apenas a sociedade empresária Nitriflex, pois o direito foi deferido nominalmente a ela, que poderia se valer dele para proceder às compensações de seus débitos sem o entrave da Instrução Normativa SRF nº 41/2000, o ora Recorrente, no presente caso, dela não se beneficia, pois, na data do seu pedido de compensação, essa Instrução Normativa não mais vigia, pois que fora revogada pela Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002. Se coisa julgada há que possa favorecer o Recorrente, conforme ele alega, a este processo ela não se aplica, pois o fundamento legal que embasara a decisão administrativa de origem não corresponde ao agasalhado na decisão judicial. Enquanto esta afasta as condições fixadas na IN SRF nº 41/2000 para fruição do direito à compensação, a base legal do despacho decisório foi a lei vigente na data da entrega do pedido de compensação, qual seja, o caput do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, que passou a prever a vedação de compensação com Fl. 6DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11610.021817/200220 Acórdão n.º 380301.911 S3TE03 Fl. 274 7 créditos de terceiros, esta hipótese veio a ser regulamentada por outra Instrução Normativa, qual seja, a de número 210/2002, esta amparada em dispositivo legal. O afastamento da aplicação da Instrução Normativa SRF nº 41/2000, determinado pela decisão judicial, fundouse no fato de que tal normativo vedava a compensação com créditos de terceiros sem haver uma lei dispondo no mesmo sentido, situação essa não condizente com a sob análise, pois, repitase, no momento da formalização do pedido de compensação, já havia lei vedando a compensação nos moldes ora pleiteados. Por fim, ressaltese, tendose em conta os documentos e as informações presentes nos autos, que não há na decisão judicial da Nitriflex nenhuma referência expressa ao ora Recorrente, não se vislumbrando razão para a alegação de coisa julgada a seu favor. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, em razão da existência de vedação legal de compensação de débitos da titularidade do contribuinte com créditos de terceiros. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 7DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por HELCIO LAFETA REIS 8 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 11610.021817/200220 Interessada: MAXIMILIANO GAIDZINSKI S/A INDÚSTRIA DE AZULEJOS ELIANE Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380301.911, de 01 de setembro de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 01 de setembro de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 8DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por HELCIO LAFETA REIS
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