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Numero do processo: 11543.000099/98-15
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009).
DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF.
O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe-195 DIVULG 10/10/2011).
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.968
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Nome do relator: Rodrigo Cardozo de Miranda
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10/10/2011). Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de recurso especial por divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 148 a 156) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 132 a 146) que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário. A presente hipótese trata de pedido de restituição, formulado em 28/12/1998 (fls. 03), de parcelas pagas a título de contribuição para o FINSOCIAL de setembro de 1989 a março de 1992 (fls. 13 a 16). Referida solicitação foi indeferida, inicialmente, através do r. Despacho Decisório de fls. 65 a 66, tendo sido apontado como razão de decidir o transcurso do prazo previsto no artigo 168, inciso I, do CTN. A ementa do v. acórdão ora recorrido é a seguinte: FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA EXERCER O DIREITO. O prazo para requerer o indébito tributário decorrente da declaração de inconstitucionalidade das majorações de alíquota do Finsocial é de 5 anos, contado de 12/6/98, data de publicação da Medida Provisória nº 1.62136/98, que, de forma definitiva, trouxe a manifestação do Poder Executivo no sentido de Fl. 213DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11543.000099/9815 Acórdão n.º 930301.968 CSRFT3 Fl. 205 3 reconhecer o direito e possibilitar ao contribuinte fazer a correspondente solicitação. Recurso a que se dá provimento, para determinar o retorno do processo à DRJ para exame do mérito. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso especial, alegando, em síntese, com base em divergência jurisprudencial, que o direito de pleitear a restituição extinguese nos termos do disposto no inciso I do artigo 168 do CTN. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 175 a 177. Contrarrazões às fls. 180 a 189, propugnando pela manutenção do v. acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. No tocante ao prazo para restituição de indébito, é de se destacar, inicialmente, que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I, I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inseri da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração. (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System des heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é Fl. 215DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11543.000099/9815 Acórdão n.º 930301.968 CSRFT3 Fl. 206 5 possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa." Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). Fl. 216DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça a chamada tese dos “cinco mais cinco”. Importante destacar, por outro lado, quanto a eventual alegação de aplicação retroativa da Lei Complementar nº 118/2005, que o Excelso Supremo Tribunal Federal entendeu recentemente que referida norma é aplicável apenas a partir de 09 de junho de 2005, conforme decidido em sede recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida. Referido julgado tem a seguinte ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação Fl. 217DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11543.000099/9815 Acórdão n.º 930301.968 CSRFT3 Fl. 207 7 combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) (grifos e destaques nossos) O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Fl. 218DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que referidas decisões proferidas respectivamente pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça e pelo Excelso Supremo Tribunal Federal deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Conforme relatado acima, a presente hipótese trata de pedido de restituição, formulado em 28/12/1998 (fls. 03), de parcelas pagas a título de contribuição para o FINSOCIAL de setembro de 1989 a março de 1992 (fls. 13 a 16). Aplicandose a tese dos “cinco mais cinco”, depreendese que o termo final para a formulação do pedido de restituição seria em 1999 e 2005, respectivamente. Como o pedido de restituição ora em apreço foi apresentado em 28/12/1998, considerando a tese dos “cinco mais cinco”, ele afigurase tempestivo. Por conseguinte, em face de todo o exposto e com arrimo no artigo 62A do RICARF, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, devendo os pedidos de restituição e eventual compensação, por conseqüência, serem analisados pela competente autoridade da Receita Federal. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 219DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11543.000099/9815 Acórdão n.º 930301.968 CSRFT3 Fl. 208 9 Fl. 220DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10746.000435/2007-79
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
IR. PESSOA FÍSICA. TITULARIDADE JURÍDICA. Os rendimentos atribuídos judicialmente a ex-cônjuge, assim como o correspondente IRRF, devem ser a ele imputados. A definição da sujeição passiva do IRPF decorre da titularidade jurídica do rendimento, e não das informações equivocadamente prestadas pela fonte pagadora em obrigações acessórias (DIRF). Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2202-001.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga e Antonio Lopo Martinez, que negavam provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann - Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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PESSOA FÍSICA. TITULARIDADE JURÍDICA. Os rendimentos atribuídos judicialmente a excônjuge, assim como o correspondente IRRF, devem ser a ele imputados. A definição da sujeição passiva do IRPF decorre da titularidade jurídica do rendimento, e não das informações equivocadamente prestadas pela fonte pagadora em obrigações acessórias (DIRF). Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga e Antonio Lopo Martinez, que negavam provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 00 04 35 /2 00 7- 79 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 2 Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10746.000435/200779 Acórdão n.º 2202001.849 S2C2T2 Fl. 80 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização e Notificação de Lançamento A recorrente foi intimada a apresentar esclarecimentos acerca do Imposto de Renda retido pela Secretaria de Segurança Pública quando do pagamento de rendimento de aluguel de imóvel no anocalendário 2003. Não respondida a intimação, sobreveio lançamento (fls. 2528), que teve por objeto a glosa da compensação do montante de R$ 6.663,52, declarado como Imposto Retido na Fonte, incidente sobre o recebimento de R$ 27.000,00 da Secretaria de Segurança Pública. O total do crédito tributário constituído foi de R$ 2.202,00, incluídos Imposto de Renda, multa de ofício de 75% e juros de mora, tendo a recorrente sido intimada do lançamento em 11/04/07. 2 Impugnação Indignada com a autuação, a recorrente apresentou impugnação tempestiva (fls. 12) alinhando os seguintes argumentos: a) O IRRF por ela informado diz respeito ao rendimento de R$ 27.000,00 por ela recebido, equivalente a 30% dos frutos do aluguel de uma sala comercial, a qual foi transferida para a recorrente por circunstância da separação de seu excônjuge; b) o valor total do aluguel pago pela Secretaria de Segurança Pública é de R$ 90.000,00, repassado a ela pelo seu excônjuge. Ocorre que a retenção do IRRF, pela fonte pagadora, é realizada no CPF do excônjuge; c) por diversas vezes passou pelo mesmo problema, e somente foi autuada desta vez por não ter respondido à intimação, por estar viajando quando da notificação; Em anexo, a recorrente juntou: a) comprovante de rendimentos pagos e de retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte em nome de seu excônjuge, no total de R$ 90.000,00, com retenção de R$ 22.211,52 (fl. 05); b) cópia do pedido de separação amigável, com proposta de repartição de bens (fls. 0608); c) cópia da sentença homologatória do pedido (fl. 09); d) cópia do pedido de conversão de separação judicial em divórcio (fl. 10 12); e) cópia de sentença deferindo a conversão (fl. 13). Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 4 3 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada pela 4ª Turma da DRJ/BSA, por unanimidade, pela procedência do lançamento (fls. 3033), sob os seguintes argumentos: a) o imposto de renda devido é determinado pela base de cálculo (soma de todos os rendimentos tributáveis ainda não tributados, subtraindose as deduções legais) multiplicada pela alíquota determinada, excluído o tributo já pago/retido na fonte; b) não obstante, o RIR/99, em seu art. 87, §2º, dispões que o Imposto Retido na Fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. No caso em tela, a postulante não possui comprovante em seu nome, pois os valores são pagos a seu excônjuge, não fazendo jus à compensação de IRRF, por inexistência de previsão legal de aproveitamento deste recolhimento por outro contribuinte, além do expresso no comprovante. 5 Recurso Voluntário O recurso voluntário foi interposto em 18/09/09, repisando os argumentos da impugnação e adicionando os seguintes: a) a Declaração de Ajuste Anual do excônjuge da recorrente, em anexo, demonstra que a compensação de IRRF foi efetuada na proporção do recebimento dos valores da Secretaria de Segurança Pública; b) reforça que, durante anos a fio vem prestando os mesmos esclarecimentos à Fazenda, tendo estes sido aceitos até então, quando foi lavrada a notificação ora guerreada. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10746.000435/200779 Acórdão n.º 2202001.849 S2C2T2 Fl. 81 5 Voto Conselheiro Relator Rafael Pandolfo O recurso atende a todos os requisitos legais do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece conhecimento. No presente caso, discutese a possibilidade da recorrente compensar IR retido quando do recebimento de sua parte de aluguel de imóvel, conforme definido judicialmente quando da sua separação judicial. A decisão recorrida busca esteio no art. 87 do RIR/99, abaixo reproduzido: Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos: § 2º O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos arts. 7º, §§ 1º e 2º, e 8º, § 1º (Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55). O art. 7º do RIR/99, de sua vez, dispõe: Art. 7º Cada cônjuge deverá incluir, em sua declaração, a totalidade dos rendimentos próprios e a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns. § 1º O imposto pago ou retido na fonte sobre os rendimentos produzidos pelos bens comuns deverá ser compensado na declaração, na proporção de cinqüenta por cento para cada um dos cônjuges, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. § 2º Na hipótese prevista no parágrafo único do artigo anterior, o imposto pago ou retido na fonte será compensado na declaração, em sua totalidade, pelo cônjuge que declarar os rendimentos, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. § 3º Os bens comuns deverão ser relacionados somente por um dos cônjuges, se ambos estiverem obrigados à apresentação da declaração, ou, obrigatoriamente, pelo cônjuge que estiver apresentando a declaração, quando o outro estiver desobrigado de apresentála. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 6 A lógica entabulada pelos enunciados normativos acima reproduzidos, interpretada à luz do Princípio da Capacidade Contributiva, revela que o rendimento deve ser tributado na proporção da sua titularidade jurídica. A decisão judicial – lei entre as partes – que homologou a partilha de bens (fls. 5762) atribui à recorrente a titularidade de 30% dos rendimentos auferidos com o imóvel locado (item 3.1., fl. 57). Nesse contexto, conquanto tenha ocorrido erro formal da fonte pagadora ao pagar e recolher na integralidade o tributo em nome do excônjuge, não pode a contribuinte ser frustrada em seu direito de aproveitar a compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte, ainda mais quando se coteja que as declarações de ambos complementamse tanto no valor recebido quanto no imposto retido. A título de esclarecimento, a DIRF, à fl. 05, demonstra que a Secretaria de Segurança Pública deveria pagar R$ 90.000,00, mas reteve R$ 22.211,52. A Declaração Anual de Ajuste de Arnito Pegoraro, excônjuge da recorrente, acusa o recebimento de R$ 63.000,00, tendo sofrido retenção de 15.548,00 (fl. 53), equivalente a 70% do valor dos rendimentos e do IRRF (conforme a proporção estabelecida na petição de separação judicial amigável às fls. 06 08, ratificada pela sentença de separação, à fl. 09), cabendo à recorrente a quantia de R$ 27.000,00, e IRRF proporcional de R$ 6.663,52 (fl. 22), conforme acertadamente declarou a recorrente. Com base no acima exposto, voto para que seja DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 84DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 10283.003679/95-94
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2006
Ementa: PIS – BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo do PIS das empresas industriais e comerciais, até a data em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida Provisória nº 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/02-02.209
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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A base de cálculo do PIS das empresas industriais e comerciais, até a data em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida Provisória n° 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos do recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS PRESIDENTE HENRIQUE PINHEIRO TORRES RELATOR FORMALIZADOS EM: 2 9 MA I 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes conselheiros: JOSEFA MARIA COELHO, ROGÉRIO GUSTAVO DREYER, ANTONIO CARLOS ATULIM, DALTON CÉSAR DE MIRANDA, ANTONIO BEZERRA NETO, FRANCISCO MAURÍCIO R. DE .ALBUQUERQUE, ADRIENE MARIA DE MIRANDA e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. Vvs Processo n° :10283.112744/95-94 Acórdão n° : CSRF/02-02.209 Recurso no : 201-112744 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessada : MINERAÇÃO TABOCA S.A. RELATÓRIO Por bem relatar os fatos em tela, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: "Trata-se de Auto de Infração (fls. 207/241) pelo não recolhimento da Contribuição ao PIS, no período de 31/10/89 a 31/12/94, tendo sido consignado pelas autoridades autuantes, no "Termo de Constatação" respectivo, o seguinte: a)levantaram a Contribuição para o PIS no período de julho de 1988 a dezembro de 1993 e constataram que a empresa recolheu algumas diferenças até 1990; b)também constataram que a empresa, a partir de 1991, deixou de incluir na base de cálculo os valores de outras receitas que compõem o lucro operacional, sob o argumento de inconstitucionalidade dos DL n's 2.445/88 e 2.449/88, bem como compensou indevidamente valores recolhidos anteriormente sobre a base de cálculo correta; c)em 1995, a empresa ajuizou ação própria, visando o direito 6 compensação acima sem efetuar depósito judicial, cuja cópia nos foi apresentada e é juntada ao presente processo fiscal; e d)procedemos ao lançamento do crédito tributário no resguardo do interesse da Fazenda Nacional, evitando-se a decadência enquanto se decide a lide judicial. Instalou-se a fase litigiosa, por oferecimento, pela Contribuinte autuada, de Impugnação (fls. 249/262), que teve os seguintes argumentos: a)6 improcedente o auto de infração, visto ter procedido dentro da estrita legalidade, sendo contribuinte do PIS, criado pela LC no 07/70, e tendo recolhido a referida contribuição, mediante o percentual estabelecido sobre a sua receita, nos termos dos Decretos-Leis n°s 2.445/88 e 2.449/88 e do art. 11 da Lei n° 7.689/88; b)0 STF julgou inconstitucionais os Decretos-Leis n°s. 2.445/88 e 2.449/88, em Sessão plenária realizada no dia 24.06.93, tendo sido, pois, indevidos os recolhimentos efetuados pela impugnante a titulo de PIS pela aliquota e base de cálculo determinadas pelos dispositivos declarados inconstitucionais, DL n° 2.445/88 (art. 1°, V — 0,65% da receita operacional bruta) e 2.449/88 e, por via de conseqüência, pelo art. 11 da Lei n° 7.689/88, que a ela se reportava, no quanto excederam a aliquota e base de cálculo estabelecidas pelas LC n°s 07/70 e 17/73 (0,75% do faturamento); ,i( 2 Processo n° Acórdão n° :10283.112744/95-94 : CS RF/02-02.209 c)cabe lembrar o Decreto n° 1.601/95 (arts. 1 0 e 2°) que dispensou a apresentação de recursos em ações judiciais na esfera de competência da PGFN, nos casos de manifestação jurisprudencial reiterada e uniforme e decisões definitivas do STF ou STJ , tendo a MP n° 1.110/95 (art. 17), cancelado os lançamentos e inscrições na divida ativa, relativas a matérias já decididas pela Suprema Corte, entendimento ratificado pela própria Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a exemplo do Acórdão n°. 101/86.860-DOU de 02.05.95; d)ao se comparar os dispositivos legais regedores do PIS, LC n°s 07/70 e 17/73, com os Decretos-Leis n`'s 2.445/88 e 2.449/88, conclui-se que estes últimos alteraram a aliquota, a base de cálculo e os sujeitos passivos da Contribuição ao PIS, sendo que, posteriormente, através da Lei n° 7.689/88, a aliquota da referida contribuição foi reduzida para 0,35%, mantida a base de cálculo, em relação a fatos geradores ocorridos entre 01/01 e 31/12 de 1989; e)obedecidas as condições do art. 66 da Lei n° 8.383/91, é legitimo o direito de compensar o PIS recolhido indevidamente com base nos Decretos-Leis n's. 2.445/88 e 2.449/88, não podendo ser constrangida pelo simples fato de tê-lo feito sem as restrições ilegais determinadas pela IN SRF n° 67/92; f)para valer seu legitimo direito 6 compensação, obteve liminar, cópia fls. 270/288, para que a compensação se fizesse sem as restrições da IN SRF n° 67/92, ressalvado o direito do Fisco, a qualquer tempo, verificar a correção dos valores, sem que, no entanto, fosse constrangida 6 autuação por parte dele; g)valendo-se de permissiva legal (art. 66 da Lei n° 8.383/91), exerceu seu direito de compensar o PIS com o PIS devido mês a mês, a partir da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n°s 2445/88 e 2449/88, obedecido o período prescricional, calculada a aliquota de 0,75%, nos termos das Leis complementares n°s 07/77 e 17/73; e h)espera serem recebidas as razões expendidas com a impugnação para declarar insubsistente o Auto de Infração, salvo quanto aos fatos geradores ocorridos em DARF, fls. 268, quitando os valores apurados. Posteriormente, às fls. 290, por despacho da DRJ competente, foi o processo devolvido 6 repartição de origem para retificação do lançamento original, na forma da orientação contida no Parecer MF/SRF/COSIT/DIPAC n° 156, de 07.05.96, tendo em vista o cancelamento do lançamento relativo 6 parcela do PIS exigida na forma dos Decretos-Leis n`'s 2.445/88 e 2.449/88, que tiveram sua aplicação suspensa pela Resolução do Senado Federal n° 49, na parte que excedesse o valor devido, com fulcro na LC n° 07/70 e alterações posteriores. 3 Processo n° Acórdão n° :10283.112744/95-94 : CS RF/02-02.209 Nos autos do processo administrativo, às fls. 315, consta informação do agente fiscal sobre a existência de Auto Complementar (fls. 292/313), lavrado em 22.10.98. Desse, Auto de Infração Complementar, o Contribuinte apresentou nova impugnação (fls. 323/354), nos seguintes termos: Preliminar: - foi lavrado Auto de Infração Complementar ao Auto de Infração em 29/08/95, retificando os termos ali consignados, no que tange aos valores pagos a titulo de PIS, porém, o enquadramento legal infringido é diferente do auto anterior, não podendo ser considerado como Auto de Infração Complementar e sim novo auto de infração, e, assim, nos termos do art. 156 do CTN, está extinto o crédito tributário, pois, em relação aos fatos geradores ocorridos nos meses de outubro de 1989 a outubro de 1993, ao contrário do que afirma o agente fiscal, a Fazenda Nacional decaiu do direito de efetuar o lançamento do crédito tributário, tendo em vista já haver decorrido mais de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, devendo, de plano, ser rejeitado; Mérito: a)nos reaálculos efetuados não foram levados em consideração a inconstitucionaldade declarada pelo STF relativamente aos Decretos-Leis n's 2.445/88 e 2.449/88, não efetuando o recálculo do PIS, nos termos da Lei Complementar n° 07/70 (art. 6°), tenha como base de cálculo o faturamento verificado no 6° mês anterior ao da incidência, o que certamente levaria o ilustre Auditor a concluir que os valores pagos pela impugnante estavam corretos, e a compensa cão efetuada nos termos da Lei 8.383/91 e as suas posteriores alterações é legitima, não ensejando, por parte da Fazenda Nacional, a apuração de qualquer débito tributário, sendo, conseqüentemente, totalmente improcedente a lavratura do presente Auto de Infração; b)sendo perfeitamente legal a compensação realizada pela impugnante, a saber, a compensação da diferença entre o PIS calculado às aliquotas dos Decretos-Leis ric's 2.445/88 e 2.449/88 e 7.689/88, todas sobre a receita operacional, julgadas inconstitucionais pelo STF, cuja execução foi suspensa pela Resolução do Senado Federal n° 49/95 e pela Ação Declaratória Cumulada com Repetição de Indébito n° 95.0038974-6 e indevidamente por ela recolhido, e recalculado na forma das LC n°s 07/70 e 17/73, tendo como base de cálculo o faturamento de seis meses anteriores, apurados mediante a aliquota de 0,75% do faturamento, com o recolhimento futuro dessa exação; c)a própria Secretaria da Receita Federal, através das Instruções Normativas n°s 21/97 e 73/97, por ela mesma expedidas admitiu e 4 Processo n° Acórdão n° :10283.112744/95-94 : CSRF/02-02.209 reconheceu o direito a compensação, assim, improcedente o Auto de Infra cão; d)o PIS devido pela impugnante é aquele recalculado nos termos da Lei n° 07/70, tendo como base de cálculo o faturamento do 6° mês anterior ao da incidência; e)nem há que se perquirir a aplicação das leis que alteraram o prazo de pagamento do imposto, realizadas sobre uma matriz inconstitucional, não se pode confundir base de cálculo do PIS com prazo de vencimento deste, como fez a Fazenda Nacional no Auto de Infração impugnado; e t)pede a total improcedência do lançamento complementar. A primeira instância administrativa ofereceu a Decisão DRJ/MNS/n° 0396/99-11.154 (fls. 381/402), nos seguintes termos: a)rejeita a preliminar de decadência alegada pela Contribuinte, em face da constituição do crédito antes de sua ocorrência, havendo alteração da fundamentação legal, como no caso dos autos, procedente o procedimento adotado pela fiscalização; b)não procedem as alegações da Contribuinte de que o prazo de recolhimento do PIS, até o advento da MP n° 1.512/95, tinha sempre como referência o faturamento do 6° mês anterior; c)na defesa de fls. 249/262, concorda em pagar as diferenças apuradas nos meses de 10/89 e 06/90, juntando DARF as fls. 268. Quanto ao valor de 10/89, deveria recolher R$ 27,60, tendo recolhido apenas R$ 2,76. Quanto ao valor de 06/90, recolheu o valor de 328,09 UFIR, sendo correto o valor de 555,35 UFIR; d)a compensação proferida pela Contribuinte não se efetivou, pois foi apurado que a diferença do recolhimento era maior que a suposta diferença a que teria direito a Contribuinte a compensar, em decorrência da não observância dos prazos de pagamento; e e)julga a decisão procedente o Auto de Infração relativo ao PIS (fls. 208/235), com a retificação procedida pelo Auto de Infração Complementar (fls. 293/308). Foi apresentado contra a decisão de primeira instância administrativa, pela Contribuinte, Recurso Voluntário (fls. 411/440), que, praticamente, renovou, em sua defesa, todos os argumentos (da preliminar e do mérito) levantados na impugnação primitiva acima mencionada. Consta as fls. 494/497 liminar em favor da Contribuinte, permitindo o seguimento do recurso voluntário apresentado, independentemente do depósito de 30% (trinta por cento) previsto na MP n°. 1863-52, de 27.08.99." 5 Processo n° :10283.112744/95-94 Acórdão n° : CSRF/02-02.209 Acordaram os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. A decisão foi assim ementada: "PIS — BASE DE CALCULO — FATURAMENTO DE SEIS MESES ANTERIORES — A base de cálculo da Contribuição ao PIS, eleita pela LC n° 07/70, art. 6°, parágrafo único ("A contribuição de julho será calculada com base do faturamento de janeiro, a de agosto, com base no fat uramento de fevereiro, e assim sucessivamente'), permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição da MP n° 1.212/95, quando, a partir desta, a base de cálculo do PIS passou a ser considerada "o faturamento do mês anterior". COMPENSA Vic) — o processo fiscal, decorrente de falta de pagamento de PIS, não é sede para se conhecer de compensação de eventuais créditos de PIS com outros tributos. RECOLHIMENTO A MENOR — Apontado na decisão recorrida o recolhimento a menor da Contribuição ao PIS, relativa aos meses de 06/89 e 10/90, não contestada pelo sujeito passivo. Recurso parcialmente provido." Dessa decisão, o Procurador da Fazenda Nacional recorreu à Câmara Superior de Recursos Fiscais, alegando divergência jurisprudencial quanto 6 interpretação dada 6 regra inserta no artigo 6°, § único, da Lei Complementar n° 07/70 (fls. 512/515). Pelo Despacho de fls. 552, o Presidente da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes recebeu o recurso da Fazenda Nacional, vez que devidamente revestido dos pressupostos de admissibilidade previstos na legislação de regência (Portaria MF n° 55/98), encaminhando os autos 6 repartição de origem para adoção das medidas cabíveis, nos termos do artigo 34 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. Ciente dos fatos, o sujeito passivo apresentou contra -razões ao recurso do Procurador da Fazenda Nacional (fls. 555/569) e Recurso Especial de divergência contra o Acórdão n° 201-73.868, quanto 6 parte da decisão que lhe foi desfavorável: compensação de eventuais créditos de PIS com outros tributos (fls. 570/573). Com base na Informação de fls. 596/598, a Presidência da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes deixou de admitir o Recurso Especial do sujeito passivo, em face do descumprimento do requisito de comprovação do dissídio jurisprudencial previsto no artigo 33, § 2°, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes aprovado pela Portaria MF n° 55/98 (fls. 599). Ciente da negativa de seguimento do recurso especial em 29/12/01 (fls. 600-verso), a interessada, em 14/01/02 (fls. 603), interpôs agravo requerendo reexame da admissibilidade do apelo. Este foi apresenado com inobservância do prazo regimental. //9 6 Processo n° :10283.112744/95-94 Acórdão n° : CSRF/02-02.209 0 Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu pelo não seguimento do agravo, fls. 617/618, apresentado pelo sujeito passivo, devendo, portanto, ser apreciado em instância superior apenas o recurso especial interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional de fls. 512/515. É o Relatório. // 7 Processo n° :10283.112744/95-94 Acórdão n° : CSRF/02-02.209 VOTO Conselheiro, HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator. 0 recurso apresentado pelo Procurador da Fazenda Nacional merece ser conhecido por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. Já o interposto pelo sujeito passivo não logrou admissibilidade no exame feito pela instância a quo. A teor do relatado, o apelo ora em análise cinge-se à questão da base de cálculo do PIS. Razão não assiste à reclamante, pois com a declaração da inconstitucionalidade dos Decretos-Leis 2.445/1988 e 2.449/1988, voltou a viger a Lei Complementar n° 07/1970 e alterações válidas. Por conseguinte, a base de cálculo da contribuição voltou a ser o faturamento do sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, como assentado na Jurisprudência administrativa e, também, na dos tribunais. Em arrimo ao aqui exposto citam-se os acórdãos n° 101- 87.950, n° 101-88.969, n°202-15526 e n°02.01.701. Desta forma, para os períodos de apuração compreendidos entre outubro de 1989 e 31/12/1994 a base de cálculo do PIS devido pela reclamante era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador dessa contribuição, sem correção monetária. Assim, não merece reparo o acórdão recorrido quando determinou que no cálculo da exação fosse observada a sistemática da semestralidade do PIS. Nestes termos, nego provimento ao recurso. Sala da Sessões — DF, em 24 de janeiro de 2006. 6-7 4 Henrique Pinheiro Torres'. - 8
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Numero do processo: 13748.000123/2008-14
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/08/2003
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA RECONHECIDA EM PARTE DO DÉBITO.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
No presente caso aplica-se a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente.
CONTABILIDADE QUE NÃO REGISTRA MOVIMENTO REAL DA REMUNERÇÃO PAGA AOS SEGURADOS. POSSIBILIDADE LEGAL DA AFERIÇÃO INDIRETA.
A fiscalização demonstrou que a contabilidade do sujeito passivo não espelhava o movimento real da remuneração paga pela mão-de-obra utilizada na construção civil.
Possibilidade de utilizar a metodologia da aferição indireta para o cálculo dos salários pagos em razão da mão de obra utilizada na construção civil.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA
Diante da inafastável aplicação da alínea c, inciso II, art. 106, do CTN, conclui-se pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte.
Numero da decisão: 2301-002.653
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN; b) em negar provimento na questão da aferição indireta, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; c) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto da Relatora. Redator designado: Adriano Gonzáles Silvério.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
(assinado digitalmente)
Adriano González Silvério - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 31/08/2003 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA RECONHECIDA EM PARTE DO DÉBITO. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso aplica-se a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. CONTABILIDADE QUE NÃO REGISTRA MOVIMENTO REAL DA REMUNERÇÃO PAGA AOS SEGURADOS. POSSIBILIDADE LEGAL DA AFERIÇÃO INDIRETA. A fiscalização demonstrou que a contabilidade do sujeito passivo não espelhava o movimento real da remuneração paga pela mão-de-obra utilizada na construção civil. Possibilidade de utilizar a metodologia da aferição indireta para o cálculo dos salários pagos em razão da mão de obra utilizada na construção civil. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA Diante da inafastável aplicação da alínea c, inciso II, art. 106, do CTN, conclui-se pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN; b) em negar provimento na questão da aferição indireta, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; c) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto da Relatora. Redator designado: Adriano Gonzáles Silvério. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes - Relator. (assinado digitalmente) Adriano González Silvério - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes.
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DECADÊNCIA RECONHECIDA EM PARTE DO DÉBITO. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso aplicase a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. CONTABILIDADE QUE NÃO REGISTRA MOVIMENTO REAL DA REMUNERÇÃO PAGA AOS SEGURADOS. POSSIBILIDADE LEGAL DA AFERIÇÃO INDIRETA. A fiscalização demonstrou que a contabilidade do sujeito passivo não espelhava o movimento real da remuneração paga pela mãodeobra utilizada na construção civil. Possibilidade de utilizar a metodologia da aferição indireta para o cálculo dos salários pagos em razão da mão de obra utilizada na construção civil. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA Diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 00 01 23 /2 00 8- 14 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN; b) em negar provimento na questão da aferição indireta, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; c) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto da Relatora. Redator designado: Adriano Gonzáles Silvério. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. (assinado digitalmente) Adriano González Silvério Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa SINCORA CONSTRUÇÃO E INCORPORAÇÃO LTDA contra a decisão de primeira instância que julgou procedente lançamento do crédito previdenciário apurado em desfavor do contribuinte, referente às competências do período de 01/2001 a 06/2003 e 08/2003. 2. Segundo consta do relatório fiscal, o débito lançado cingese nas “contribuições previdenciárias referentes a rubricas Segurados, não descontado, parte patronal e para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e contribuições sociais Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13748.000123/200814 Acórdão n.º 2301002.653 S2C3T1 Fl. 639 3 destinadas a outras entidades: FNDE, SESI, SENAI, INCRA e SEBRAE” (f. 571) e teve como objeto seguintes fatos: “Constatamos que a empresa no período de 1995 a 2003 procurou ocultar fatos geradores de contribuições previdenciárias através de registros contábeis com histórico diverso do real, registro de notas fiscais de materiais encobrindo mão de obra e salários indiretos, conforme cópias por amostragem de diversos documentos e lançamentos registrados nos livros contábeis. (...) O valor da mão de obra arbitrado com base nos valores dos saldos das contas de obras deduzidos dos valores da mão de obra evidenciada e dos encargos sociais, no período de 01/1995 a 12/1996 e 01/1999 e 12/2000, tendo em vista não serem aplicáveis os critérios de aferição indireta mais usuais, pois as obras da notificada incluem serviços urbanização e infraestrutura (calçamento, drenagem, ajardinamento, instalação de rede elétrica etc) uma vez que a notificada é incorporadora não emitindo na maioria das vezes notas fiscais de administração que igualmente não serviriam de base para aferição indireta da remuneração da mão de obra utilizada. Esse critério foi adotado, pois além de utilizarse de notas fiscais de materiais em substituição aos valores pagos a mão de obra, não lança em títulos próprios os fatos geradores de contribuições previdenciárias, fazendo constar na mesma conta mão de obra de pessoas físicas, mão de obra de pessoas jurídicas e materiais. Também os históricos não condizem com a realidade, pois por vezes lançamentos ‘compra de material’ ao verificarmos os documentos probantes encontramos pagamentos a pessoas físicas por serviços prestados de mão de obra direta, bem como ‘encargos de PJ’ constamos pagamentos a diversas pessoas físicas e finalizando, no período de 1995 a 1998 em diversas obras não foram apresentados nenhum elemento, anexamos cópia das explicações emitidas pela própria empresa, em outras apresenta rescisões contratuais com percentuais sem laudo que o comprove. Neste período arbitramos os valores de mão de obra em 20% do saldo das contas após a dedução das parcelas acima descritas. No período de 01/2001 a 12/2003 a notificada prosseguiu registrando contabilmente os fatos geradores de contribuições previdenciárias contas com registros diversos, registrou contabilmente históricos genéricos ‘Pagamentos efetuados na semana de__a__’, nos quais estão englobados fatos geradores de contribuições previdenciárias de natureza e contribuintes diversos, além de registros totalmente desvinculados dessas contribuições, mas não verificamos a ocorrência de históricos divergentes dos documentos apresentados. Também verificamos a utilização de notas fiscais de materiais de construção pra substituir fatos geradores de contribuições previdenciárias. Neste período arbitramos os valores da mão de obra com base em 20% (vinte por cento) do valor das notas fiscais emitidas pelas empresas emitentes das notas fiscais destinadas a encobrir a mão de obra aplicada e o valor dos pagamentos efetuados nos relatórios semanais contabilizado.” (ff. 428/428) 3. A Decisão recorrida foi assim ementada: “CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS APURADAS EM LANÇAMENTOS CONTÁBEIS E DOCUMENTOS DE CAIXA Nos termos do art. 30, I, alíneas "a" e "b" da lei 8.212/91, redação das leis 8.620/93, 9.063/95 e 9.876/99, a empresa é obrigada a descontar Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 a contribuição da parte de seus segurados empregados e recolhêlas, assim como as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre tais remunerações. Contribuições determinadas pelos arts. 20; 22, I e II e 94 da Lei 8.212/91. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO E CONTRIBUIÇÕES DE SEGURADOS E DA EMPRESA. Entendese por saláriode contribuição, para o empregado e o trabalhador avulso, a remuneração, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Incidem contribuições a cargo da empresa sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditas, a qualquer título, aos segurados empregados a seu serviço. LANÇAMENTO PROCEDENTE” (f. 571). 4. Em suas razões recursais, o recorrente defende a improcedência do lançamento fiscal, em síntese, com os seguintes fundamentos: a) decadência quinquenal dos débitos até a competência de 12/2001 com base no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional CTN; b) que não foi observada a Resolução do Senado Federal n° 14/95, publicada no DOU de 28.104.1995, que suspendeu a execução da expressão "avulsos, autônomos e administradores", do inciso I do art. 3° da Lei n° 7.787/89, baseada na decisão do Supremo Tribunal Federal no RE n. 177.296, que declarou inconstitucional a referida expressão; c) violação ao art. 174, inc. I do CTN, art. 78 do DecretoLei no. 5.844/1943 e art. 23 do Decreto n° 70.235/1972, uma vez que o contribuinte não teria sido intimado do lançamento; d) cerceamento de defesa em razão da falta de apontamento do dispositivo legal violado; e) violação ao art. 110 do CTN pela caracterização de vínculo empregatício em detrimento da competência da Justiça do Trabalho; f) violação à Lei Complementar 84/1996, que facultava o recolhimento da alíquota de 15 % sobre as remunerações dos segurados administradores e autônomos ou de 20 % sobre os seus saláriosbase; g) “inconstitucionalidade na cobrança das penalidades e acréscimos moratórios, da limitação percentual da multa, da inaplicabilidade dos juros, em que ambos devem ser instrumentos de reposição de poder de compra e não uma forma de realização de ganho real pelo fisco”. (f. 586) 6. Não houve contrarrazões do Fisco. Por fim, os autos foram encaminhados a este Colegiado para análise do recurso voluntário. É o relatório. Voto Vencido Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13748.000123/200814 Acórdão n.º 2301002.653 S2C3T1 Fl. 640 5 Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. 2. Registrese que a Justiça Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro determinou a admissibilidade do recurso sem o recolhimento do depósito recursal (f. 629). DAS PRELIMINARES. DA RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL N° 14/95 3. Defende o contribuinte que não teria sido observada a Resolução do Senado Federal n° 14/95, publicada no DOU de 28.04.1995, que suspendeu a execução da expressão "avulsos, autônomos e administradores". 4. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal STF, no RE n. 177.296, declarou a inconstitucionalidade da expressão "avulsos, autônomos e administradores", contida no inciso I do artigo 3° da Lei 7.787/89. E, por consequência, de acordo com o art. 52, inc. X da Constituição Federal – que atribui ao Senado Federal a competência para suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal – a Casa Legislativa suspendeu a execução da Lei n° 7.787/89 neste ponto por meio da Resolução n° 14/95. 5. Sobre a matéria, é imperioso notar que, com relação aos segurados administradores e autônomos, a inexigibilidade da contribuição foi apreciada pelo Supremo Tribunal Federal no RE 166.772/RS (DJU, 16.12.94); como dito, quanto aos segurados avulsos, no RE 177.296/RS (DJU, 9.12.94); e a ADIn 11022/DF cuidou da contribuição previdenciária dos empresários e autônomos. 6. Contudo, após a edição da Lei nº 9.876, de 26/11/99, que alterou a redação da Lei nº 8.212/91, o Superior Tribunal de Justiça – STJ chancelou a tributação da contribuição previdenciária sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais, verbis: “[...] 3. Aliás, é cediço na Corte que: "A dicção do art. 30, I, "b", da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99, é clara e não deixa margens para outras interpretações no sentido de que a empresa é obrigada a recolher a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, da mesma Lei, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência. [...]” [g.n.] (AgRg no Ag 727.948/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 28/08/2006, p. 224) 7. Portanto, atualmente, após a edição da Lei nº 9.876∕99, resta inquestionável a tributação das contribuições previdenciárias que se refere o art. 22 da Lei n. 8.212∕91 (cf. art. 30, I da Lei n. 8.212∕91), sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 8. Desta forma, neste ponto, a alegação do recorrente não prospera, vez que a decisão recorrida foi categórica em desconstituir os pagamentos contabilizados como mãode obra, estabelecendo a condição de “empregado” das pessoas que receberam tais pagamentos. 9. Citase, portanto, o excerto da decisão recorrida que atestou a condição de segurados empregados dos destinatários dos pagamentos verificados, verbis: “8.2. Como fica claríssimo do relatório fiscal e planilhas e relatórios a ele anexos, o que ocorreu foi que, constatando na contabilidade da empresa o registro de pagamentos a pessoas físicas, não tendo a empresa durante a fiscalização (nem o fez na impugnação) apresentado quaisquer documentos que atestassem não serem tais pessoas seguradas obrigatórias da Previdência Social, lançaramse as contribuições incidentes sobre a remuneração dessas pessoas, segundo as evidências contábeis quanto a seus vínculos previdenciários, no caso, como segurados empregados” (f. 573). 10. Nesta toada, uma vez considerados segurados “empregados” aqueles destinatários das verbas pagas às pessoas jurídicas, não há de se falar em insubsistência do lançamento por violação à ResoluçãoSF n. 14/95, nem tampouco ao decidido pelo STF na Ação Direta de Inconstitucionalidade n. 11022/DF. 11. Diante disso, rejeito a preliminar suscitada. DA IRREGULARIDADE NA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO 12. Muito embora o contribuinte alegue que o lançamento do débito deve ser considerado nulo, tendo em vista a inexistência de intimação pessoal do lançamento, tal assertiva não pode prosperar. 13. Isso porque consta do processo cópia de comprovante do envio dos documentos pelo correio e, não obstante a ausência de assinatura do recebimento, o recorrente protocolou sua defesa no prazo legal, inclusive citando expressamente o número e as informações trazidos na autuação fiscal. De maneira que eventual irregularidade no procedimento de entrega dos documentos foi claramente suprida pela apresentação tempestiva da defesa. 14. Da mesma forma, não há que se falar na hipótese de cerceamento de defesa, visto que houve o devido apontamento dos dispositivos legais que fundamentaram o lançamento, bem como a autoridade julgadora enfrentou as principais alegações que nortearam a defesa do contribuinte (cf. documento de ff. 341348). 15. Além disso, cumpre ressaltar que o lançamento encontrase devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99. 16. Nesse sentido, entendo que a decisão de primeira instância não deve ser retificada nesse ponto. Assim, rejeito as alegações de irregularidade. DA DECADÊNCIA 17. Ainda em sede de preliminar, sustenta a recorrente que os débitos até 12/2001 encontramse atingidos pela decadência, nos termos do artigo 150, §4º, do CTN. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13748.000123/200814 Acórdão n.º 2301002.653 S2C3T1 Fl. 641 7 18. Sobre essa questão, cumpre dizer que o Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: “Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 19. Os efeitos da Súmula Vinculante estão previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 20. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 21. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. 22. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência, prevista no Código Tributário Nacional – CTN, se aplica ao caso concreto. 23. Acerca das regras de verificação da decadência do crédito tributário, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça está consolidada no seguinte sentido: “[...] 1. Está assentado na jurisprudência desta Corte que, nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, é de se aplicar o art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. 150, § 4º, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. Precedente em recurso representativo de controvérsia (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009). [...] 3. Recurso especial parcialmente provido”. (REsp 1015907/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 10/09/2010) “[...] 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13748.000123/200814 Acórdão n.º 2301002.653 S2C3T1 Fl. 642 9 em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008”. (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/09/2009). 24. Compulsando os autos, verificase que houve recolhimento parcial, em face da totalidade das folhas de salários da empresa, sobre os valores lançados, vez que, no Termo de Encerramento de Auditoria Fiscal – TEAF, a fiscalização examinou as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações da Previdência Social – GFIP (f. 426) possui, também, recolhimentos em todo o período (RDA e RADA, ff. 310 e ss.). 25. O recolhimento comprovado de parte das contribuições sociais previdenciárias, ainda que a incidência seja sobre as demais parcelas não lançadas, me leva ao convencimento de que deve prevalecer a regra trazida pelo artigo 150, §4º do CTN. 26. Considerando que a recorrente foi cientificada do lançamento fiscal em 20/12/2005 – referente às contribuições do período de 01/1995 a 12/1996 e 01/1999 a 06/2003 e 08/2003 –, ficam alcançados pela decadência quinquenal as competências até 11/2000. Restando, entretanto, mantidas as competências de 12/2000 a 06/2003 e 08/2003. 27. Assim, como ainda há débito remanescente, passo a examinar as demais questões recursais. DO MÉRITO RECURSAL DA COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAR E LANÇAR DÉBITOS Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 28. A recorrente alega violação ao art. 110 do CTN, em virtude da caracterização de vínculo empregatício pela fiscalização, em detrimento da competência da Justiça do Trabalho para reconhecimento do vínculo laboral. 29. Contudo, em sentido oposto, entendo que, uma vez constatada alguma irregularidade na contratação de trabalhadores pela fiscalização é plenamente cabível a exigência da contribuição social previdenciária de contribuinte que mantém com os segurados relação de emprego. 30. O art. 37 da Lei n° 8.212/91, alterado pela Lei n. 11.941/2009, expressamente autorizou a lavração do auto de infração ou notificação de lançamento de débito, quando constatado o descumprimento de obrigação principal ou acessória das contribuições previdenciárias, não declaradas na forma do art. 32 da Lei. 31. Da mesma forma, o parágrafo único do art. 116 do CTN, acrescido pela Lei Complementar nº 104/2001, também autoriza a autoridade administrativa a desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. 32. Assim, não há que se falar em violação da legislação tributária como quis o recorrente. DO LANÇAMENTO 33. E seguindo a legislação posta, após a análise dos autos (ff. 341348), vê se que o Fisco estabeleceu a condição de empregado das pessoas físicas e jurídicas que receberam pagamentos contabilizados como mãodeobra, desconstituindo esses pagamentos conforme transcrição abaixo: “8.2. Como fica claríssimo do relatório fiscal e planilhas e relatórios a ele anexos, o que ocorreu foi que, constatando na contabilidade da empresa o registro de pagamentos a pessoas físicas, não tendo a empresa durante a fiscalização (nem o fez na impugnação) apresentado quaisquer documentos que atestassem não serem tais pessoas seguradas obrigatórias da Previdência Social, lançaramse as contribuições incidentes sobre a remuneração dessas pessoas, segundo as evidências contábeis quanto a seus vínculos previdenciários, no caso, como segurados empregados” (f. 573). 34. Assim, demonstrado o entendimento fiscal, cumpre enfrentar a questão de mérito trazida pelo contribuinte, qual seja, constatar se a descaracterização da intermediação na prestação de trabalho se deu em face de indicadores fundamentados de que, na realidade, os fatos não condizem com a situação jurídica da prestação de serviços, mas sim de vínculo empregatício. 35. Com efeito, a desconstituição dos atos empresariais para se configurar a relação de emprego – pressuposto de incidência da contribuição – depende da verificação dos elementos ensejadores da relação de emprego. 36. Pela legislação previdenciária empregado é aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração (art. 12, I, ‘a’ da Lei 8.212/91). Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13748.000123/200814 Acórdão n.º 2301002.653 S2C3T1 Fl. 643 11 37. A Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, que aplico ao caso por ser tratar de norma de regência das relações trabalhistas que não pode ser descartada, assevera em seu art. 3º que “considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário”. 38. Diante da verificação do período ainda em apuração – de 01/2001 a 06/2003 e 08/2003, em razão da decadência já reconhecida – pode ser verificado que a fiscalização deixou de formalizar a descrição individual de cada “empregado”, com o detalhamento da caracterização empregatícia, ou seja, a demonstração da existência dos elementos básicos da relação de emprego: alteridade, nãoeventualidade, pessoalidade, subordinação e onerosidade. 39. E tal requisito é essencial, visto que a imposição de tributo somente ocorre na forma em que a norma assim o determinar. Urge ressaltar: o lançamento fiscal decorrente de caracterização de prestador de serviço como empregado deve ser comprovado por intermédio da ocorrência dos elementos fáticojurídicos caracterizadores da relação de emprego. 40. O CARF tem entendimento sedimentado neste sentido: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 31/10/2005 PREVIDENCIÁRIO. NFLD. CONTRATO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. PRESENÇA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA RELAÇÃO DE EMPREGO. POSSIBILIDADE LEGAL DE DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO PACTUADO. A legislação previdenciária permite que o Auditor Fiscal, ao constatar a existência de vínculo empregatício, desconsidere contrato firmado entre pessoas jurídicas para encobrir a prestação de serviço por segurado empregado. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA RELAÇÃO EMPREGATÍCIA. O lançamento fiscal decorrente de caracterização de prestador de serviço como empregado da tomadora não pode prescindir da comprovação cabal da ocorrência dos elementos fáticojurídicos caracterizadores da relação de emprego. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.ACORDAM os membros da 6ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso”. (CARF. 2ª Seção. 6ª Turma Especial. Acórdão nº 280600159. Processo 35582002542200782. Data02/06/2009) Fl. 214DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 41. O Relator do aresto supracitado, Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, no bojo do voto condutor, foi categórico: “O que interessa nessa lide é verificar se efetivamente estão presentes no caso sob julgamento as condições que possam levar a caracterização da citada pessoa física como segurado empregado da recorrente. Em se confirmando essa hipótese, é, sem dúvida, cabível o procedimento adotado pelo fisco [...] Não se pode olvidar que a legislação autoriza a desconsideração de negócios jurídicos, o que pode levar a caracterização de relações empregatícias, todavia, para que a fiscalização adote essa medida, que considero extrema, necessário se faz que a constatação da existência de simulação seja amplamente demonstrada no processo, com a comprovação inquestionável nos autos de que ao invés de ajuste entre empresas, havia escondido uma contratação de trabalhador na condição de empregado”. 42. E da análise do relatório fiscal fica claro que, de fato, a autoridade que lavrou o lançamento deixou de fazer a caracterização e a prova da condição de segurados empregados da recorrente, o que acarreta na insustentabilidade da exação. (ff. 428431) 43. Tanto é verdade que, na decisão recorrida foi perpetrada a descaracterização dos pagamentos efetuados pela Recorrente, com o consequente reconhecimento do vínculo empregatício para fins previdenciários, pela simples análise do AFPS das Notas Fiscais em poder da Recorrente, conforme se extrai do exerto da decisão recorrida: “8.3. (...) Como é fácil observar, a Qualificação de segurados dada pela fiscalização foi absolutamente lógica, segundo a natureza dos pagamentos consignados na contabilidade, frente à falta de apresentação pela empresa de documentos contrários a tal qualificação, somandose à farta evidência de que a empresa se vale, para o registro dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, de expedientes não recomendados pelos princípios contábeis geralmente aceitos. 8.4. Reproduzimos abaixo os fatos reportados pelo Auditorfiscal, confrontandoos a seguir com a documentação juntada aos autos em amostragem de tais ocorrências: "O valor da mão de obra arbitrado com base nos valores dos saldos das contas de obras deduzidos dos valores da mão de obra evidenciada e dos encargos sociais, no período de 01/1995 a 12/1996 e 01/1999 e 12/2000, tendo em vista não serem aplicáveis os critérios de aferição indireta mais usuais, pois as obras da notificada incluem serviços urbanização e infraestrutura (calçamento, drenagem, ajardínamento, instalação de rede elétrica etc.) uma vez que a notificada é incorporadora não emitindo na maioria das vezes notas fiscais que pudessem servir de base para aferição, ou quando prestando serviços emite notas fiscais de administração que igualmente não serviriam de base para aferição indireta da remuneração da mão de obra utilizada. Esse critério foi adotado, pois além de utilizarse de notas fiscais de materiais em substituição aos valores pagos a mão de obra, não lança em títulos próprios os fatos geradores de contribuições Fl. 215DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13748.000123/200814 Acórdão n.º 2301002.653 S2C3T1 Fl. 644 13 previdenciárias, fazendo constar na mesma conta mão de obra de pessoas físicas, mão de obra de pessoas jurídicas e materiais. (...)" (ff. 573574) 44. A autuação foi alicerçada na emissão de Notas Fiscais, de pessoas jurídicas devidamente constituídas, que continham a expressão "serviços prestados" – mormente as de ff. 450513 e 530534, bem como pelo fato de haver valores pagos pela empresa recorrente diretamente a pessoas físicas, verbis: “8.4.1. às fls. 429/550, juntaramse cópias de diversas notas fiscais emitidas por várias empresas, em que consta a expressão "serviços prestados" manuscrita, cujos valores foram pagos a pessoas físicas pela empresa notificada e contabilizados como "Ref. Serviços prestados por PJ diversos" (sic), o que coincide com as conclusões tiradas pelo AuditorFiscal nos termos acima reproduzidos” (f. 574). 45. Levando em consideração que, em nenhum momento, nem a autuação fiscal (ff. 1 e ss. E 428431), nem a decisão recorrida (ff. 571575,) lograram êxito em provar a condição de segurados empregados do contribuinte, devese reconhecer a improcedência do lançamento. 46. Ante a inexistência de provas e a demonstração pormenorizada do vínculo empregatício por parte do auditorfiscal temse por insubsistente a desconstituição da relação jurídica existente entre recorrente e prestadores de serviços. 47. Desta forma, é imperioso o provimento do recurso para reformar a decisão recorrida e declarar desconstituir o débito lançado. DA MULTA APLICADA 48. Sobre a multa aplicada, cumpre ressaltar que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 49. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Fl. 216DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 50. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 51. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 52. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 53. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL nos termos alinhavados acima. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Voto Vencedor Conselheiro Adriano González Silverio, Redator Designado Peço vênia ao DD. Relator para dele divergir em relação ao ponto que se sustenta a caracterização de segurados como empregados. Analisando o caso concreto, entendo que a questão não se resume à mera análise da relação jurídica existente entre os segurados que prestaram serviços à autuada e suas respectivas qualidades jurídicas, se empregados ou contribuintes individuais. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13748.000123/200814 Acórdão n.º 2301002.653 S2C3T1 Fl. 645 15 De acordo com relato fiscal de fls. 428 e 429, durante a fiscalização foi apurado que a contabilidade do sujeito passivo não espelhava o movimento real da remuneração paga pela mãodeobra utilizada na construção civil, em serviços tais como urbanização e infraestrutura. Demonstrou a fiscalização que o sujeito passivo emitiu notas fiscais de materiais de modo a substituir os valores devidos em razão da mãodeobra tomada. Além disso, em conta contábil de mão de obra de pessoa física foram registradas despesas relativas a serviços prestados por pessoas juridicas e materiais. Em conta contábil denominada “encargos de PJ”, o Fisco verificou haver pagamentos a diversas pessoas físicas. Indo além, havia confusão no registro contábil, tal como demonstrado pelo fisco no histório contábil “pagamentos efetuados na semana de __ a ___.”, em que foram apurados lançamentos relativos a fatos geradores de contribuições previdenciárias, bem como outros que nada condizem com tais contribuições, o que, a meu ver, desrespeita o inciso II, do artigo 32 da Lei nº 8.212/91, cuja redação é a seguinte: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos;” Diante dessa realidade a fiscalização expõe claramente no item 3 do Relatório Fiscal que se utilizou da metodologia da aferição indireta para apurar as contribuições devidas pelo sujeito passivo, como se nota no seguinte excerto: “O valor da mão de obra arbitrado com base nos valores dos saldos das contas de obras deduzidos dos valores da mão de obra evidenciada e dos encargos sociais, no período de 01/1995 a 12/1996 e 01/1999 e 12/2000, tendo em vista não serem aplicáveis os critérios de aferição indireta mais usuais, pois as obras da notificada incluem serviços urbanização e infraestrutura (calçamento, drenagem, ajardinamento, instalação de rede elétrica etc.) uma vez que a notificada é incorporadora não emitindo na maioria das vezes notas fiscais que pudessem servir de base para aferição, ou quando prestando serviços emite notas fiscais de administração que igualmente não serviriam de base para aferição indireta da remuneração da mão de obra utilizada.” Devidamente justificada que a escrituração contábil não espelhava o movimento real da remuneração paga à mão de obra utilizada nos serviços de urbanização e infraestrutura, o Fisco valeuse da aferição indireta prevista no § 6º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91: “§ 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão Fl. 218DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 16 apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” E, nessa metodologia, o § 4º do citado artigo 33 determina que deverá ser apurado o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil”. Ou seja, a norma previdenciária pressupõe que foram pagos salários a segurados empregados, “cabendo à empresa o ônus da prova em contrário”, conforme o § 6º suso transcrito. Assim, sob a minha ótica, não houve mera descaracterização de pessoas jurídicas para qualificar seus sócios como segurados empregados do sujeito passivo, ou mesmo, caracterização de contribuintes individuais como segurados empregados, mas a utilização da metodologia da aferição indireta para o cálculo dos salários pagos em razão da mão de obra utilizada na construção civil, em conformidade com a interpretação conjunta dos §§ 4º e 6º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91. Pelo exposto, em relação à questão da aferição indireta, divirjo do voto do Ilustre Conselheiro Relator, para negar provimento ao recurso voluntário nessa parte. Adriano Gonzales Silvério Conselheiro Fl. 219DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10283.007237/2004-88
Data da sessão: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - FASE DE APURAÇÃO DO
CRÉDITO TRIBUTÁRIO - INAPLICABILIDADE DOS PRINCÍPIOS DO
CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA - Somente com a apresentação
da impugnação tempestiva, o sujeito passivo formaliza a existência da lide tributária no âmbito administrativo e transmuda o procedimento administrativo preparatório do ato de lançamento em processo administrativo de julgamento da lide fiscal, passando a assistir ao contribuinte as garantias
constitucionais e legais do devido processo legal.
IRPF - DECADÊNCIA - Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF se perfaz em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Não ocorrendo a homologação
expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN).
MULTA ISOLADA - MULTA DE OFÍCIO - CONCOMITÂNCIA - É inaplicável a multa isolada concomitantemente com a multa de oficio, tendo
ambas a mesma base de cálculo.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2101-000.242
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara
da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares. No mérito, por maioria de votos, em
DAR provimento ao recurso para excluir a multa aplicada isoladamente pela falta de recolhimento do Camê-leão, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Caio Marcos Candido que reduzia a multa a 50%
Nome do relator: Ana Neyle Olímpio Holanda
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IRPF - DECADÊNCIA - Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF se perfaz em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4" do CTN). MULTA ISOLADA - MULTA DE OFÍCIO - CONCOMITÂNCIA - É inaplicável a multa isolada concomitantemente com a multa de oficio, tendo ambas a mesma base de cálculo. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares. No mérito, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso para excluir a multa aplicada isoladamente pela falta de recolhimento do Camê- leão, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Caio Marcos Candido que reduzia a multa a 50%g , Processo n° 10283.007237/2004-88 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.24 Fl. 201 r--- -\ AF ilw 4,4 Al CAIS MARCOS CÂNGID• --=:--t -sidente , _ or ‘ ' 09.1n-,e-~--. LLI-JAL 'Ana Ikt-Olímpio rffilanda Relatora FORMALIZADO EM: a 5 9c/ 2009 Participaram, ainda do presente julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, Silvana Mancini Karam, Alexandre Naoki Nishioka e Gonçalo Bonet Allage. Relatório , Trata o presente processo de auto de infração referente a imposto sobre a, renda das pessoas fisicas (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 275.030,47, a título de imposto, acrescido de multa de oficio equivalente a 75% do valor do tributo apurado, além de juros de mora. 2. O período objeto da análise fiscal foi o ano-calendário 1999, exercício 2000. 3. Foram levantadas as seguintes infrações: I - omissão de rendimentos do trabalho sem vinculo empregaticio recebidos de pessoa jurídica, com base nos artigos 1°, 2°, 3°, e §§, da Lei n° 7.713, de 22/12/1988, artigos 1° e 2° da Lei n°8.134, de 27/12/1990, artigo 21 da Lei n°9.532, de 10/12/1997, e artigo 45 do Decreto n°3.000, de 26/03/1999, Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999; II - omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas jurídicas, com amparo nos artigos 1°, 2", 3°, e §§, da Lei n° 7.713, de 22/12/1988, artigos 1° a 3° da Lei n° 8.134, de 27/12/1990, artigo 21 da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, e artigos 49 a 53 do Decreto ri° 3.000, de 26/03/1999, Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999; III - omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas, com amparo nos artigos 1°, 2°, 3°, e §§, da Lei n° 7.713, de 22/12/1988, artigos 1" a 4° da Lei n° 8.134, de 27/12/1990, artigo 21 da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, e artigos 49, 106, I, 109 e 111 do Decreto n°3.000, de 26/03/1999, Regulamento do Imposto de Renda - RIR11999; # IV - acréscimo patrimonial a descoberto, com suporte nos artigos 1°, 2°, 3°, e • §§, da Lei if 7.713, de 22/12/1988, artigos 1 0 e 2° da Lei n° 8.134, de 27/12/1990, artigo 21 da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, e artigos 55, XIII, e parágrafo único, 806 e 807 do Decreto n° 3.000, de 26/03/1999, Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999; V - ganho de capital na alienação de bens e direitos, com base nos artigos I°, 2°, 3°, e §§, 16, 18 a 20 da Lei n° 7.713, de 22/12/1988, artigos 1° e 2° da Lei n° 8.134, de 27/12/1990, artigos 7°, 21 e 22 da Lei n° 8.981, de 20/01/1995, artigo 17 da Lei n° 9.249, de 26/12/1995, e artigos 123 a 125, 128, 138 e 142 do Decreto n° 3.000, de 26/03/1999, Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999; 2 Processo n° 10283.007237/2004-88 S2-C1T1 Acórdào n.° 2101-00.242 Fl. 202 VI — dedução indevida de pensão alimentícia judicial, com esteio no artigo 8°, II, f, da Lei n° 9.250, de 26/12/1995, e artigos 73, 78 e 83, II, do Decreto n° 3.000, de 26/03/1999, Regulamento do Imposto de Renda — RIR11999; VII — depósitos bancários de origem não comprovada, baseada nos artigos 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, artigo 4° da Lei n° 9.481, de 13/08/1997, artigo 21 da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, e artigo 849 do Decreto n° 3.000, de 26/03/1999, Regulamento do Imposto de Renda — RIR11999; VIII — multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de carnê-leão, respaldada pelo artigos 8° da Lei n° 7.713, c/c os artigos 43 e 44, § 1°, III, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, e artigo 957, parágrafo único, III, do Decreto n° 3.000, de 26/03/1999, Regulamento do Imposto de Renda — RIR/1999. 4. Cientificado do lançamento aos 23/12/2004, o sujeito passivo apresentou a impugnação de fls. 119 a 133, acompanhada dos documentos de fls. 272 a 277. 5. Levado o litígio a análise, os membros da 3 a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (PA) acordaram por dar o lançamento como parcialmente procedente, excluindo da base de cálculo da omissão de rendimentos com base em ganho de capital na alienação de bens e direitos o fato gerador ocorrido aos 30/11/1999, por ter se dado a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, resumindo o seu entendimento com base na ementa a seguir transcrita: Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1999 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados senz , entretanto,uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, cio Código Tributário Nacional. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. TRIBUNAIS SUPERIORES. ENTENDIMENTO DOMINANTE. SÚMULA MERAMENTE PERSUASIVA. VINCULA ÇÃO ADMINISTRATIVA. SÚMULA VINCULANTE. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento e às súmulas meramente persuasivas dos Tribunais Superiores, pois não fazem parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, salvo quando • tenha gerado unia súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional n" 45, DOU de 31/12/2004. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de • 3 Processo n° 10283.007237/2004-88 S2-C1 Ti Acórdão ri.° 2101-00.242 Fl. 203 constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. Assunto: NORMAS GERIAS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999 DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. FATO GERADOR. IRPF. ANUAL. No caso do IRPF anual, havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na fórmula do artigo 150, § 4" do CTN. MULTA ISOLADA. MULTA VINCULADA. As regras para definição do termo inicial do prazo de decadência para o lançamento de multas são as mesmas aplicáveis ao tributo correspondente, exceto no caso de lançamento de multa isolada em que o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. IRPF. RENDIMENTOS NÃO SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. Em relação aos rendimentos não sujeitos ao ajuste anual, com pagamento de imposto, inicia-se a contagem do prazo decadencial na data da ocorrência do fato gerador (artigo 150, § 4" do CTN). MULTA ISOLADA. CARNÊ-LEÃO. CINQÜENTA POR CENTO. REDUÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. Com a édiçc-io das Medidas Provisórias n" 303 e351, que alteraram a redação do artigo 44 da Lei te 9.430/96, a multa isolada aplicada sobre o valor não recolhido de Carnê-Leão Foi reduzida para cinqüenta por cento,devendo ser aplicada a fato pretérito ainda não definitivamente julgado, na forma do artigo 106, inciso II alínea "c" do CTN. Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1999 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei n"9.430/1996, vigente a partir dei" de janeiro de 1997, estabeleceu, em seu artigo 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito. PRESUNÇÃO `JURIS TANTUM'. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIA' RIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal Juris tantum' inverte o ônus da prova.Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar gueto 4 Processo n° 10283.007237/2004-88 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.242 Fl. 204 depósito bancário não comprovado (fato indiciário)corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário). Cabe ao Fisco simplesmente provar a ocorrência do fato indiciário; e ao contribuinte cumpre provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. ADEQUAÇÃO DA PRESUNÇÃO LEGAL. VINCULA CÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Não cabe ao julgador administrativo discutir se a presunção estabelecida em lei é apropriada ou não, PIS se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (artigo 116, inciso III, da Lei n° 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (artigo 142 do Código Tributário Nacional — CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de rendimentos (artigo 42, capta, da Lei n" 9.430/1996). ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PATRIMÔNIO NO FINAL DO ANO. RENDIMENTOS DO ANO ANTERIOR. Para justificar aumento patrimonial, é preciso que os rendimentos auferidos no ano anterior tenham se convertido de fato em patrimônio em 31 de dezembro daquele ano, pois, como sói acontecer, uma parcela de tais rendimentos destina-se a gastos e despesas do contribuinte, tais como, alimentação, contas de água, luz, transporte, saúde, educação, viagens a lazer e outros. FATO GERADOR ANUAL. FATO GERADOR MENSAL. O artigo 83, I, do RIR/1999 fixou uma regra geral, no sentido de que todos os rendimentos percebidos durante o 'Ano-calendário' conzpõem o a base de cálculo do imposto devido (no 'Ano- calendário), exceto os rendimentos isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva. Assim, o fato gerador é anual. Lançamento Procedente em Parte. 6. Intimado aos 13/07/2007, o sujeito passivo, irresignado, interpôs, tempestivamente, recurso voluntário, deixando de apresentar o arrolamento de bens exigido 2j-- pelo artigo 33, § 2°, do Decreto n" 70.235, de 06/03/1972, com as alterações da Lei n° 10.522, de 19/07/2002, face a manifestação do Supremo Tribunal Federal, no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 1.976, que declarou a inconstitucionalidade do dispositivo legal relativo à necessidade de arrolamento de bens para seguimento de recurso voluntário. 7. Na petição recursal o sujeito passivo apresenta, em síntese, os argumentos de defesa a seguir enumerados: I — a decisão de primeira instância não levou em consideração, nas razões de decidir; a eficácia dos princípios constitucionais da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, verdade real, moralidade, ampla defesa, segurança jurídica e interesse público; 5 Processo n° 10283.007237/2004-88 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.242 Fl. 205 II — preliminarmente, nulidade do auto de infração, por cerceamento de direito defesa e vício formal; III — no mérito, defende que o IRPF submete-se à apuração mensal, como confirma o Demonstrativo Mensal de Evolução Patrimonial, o que corrobora o entendimento de que o prazo decadência, para aquele tributo, deve ser considerado mensalmente ; IV — para a contagem do prazo decadencial, irrelevante que tenha ocorrido pagamento ou não do tributo devido, vez que o se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, no o tributo, eventualmente, recolhido de forma antecipada. 8. Ao final, requer seja provido o recurso, ou, alternativamente, seja o processo baixado em diligência, para que o juízo da 2 Vara Criminal Federal de Curitiba (PR) informe quem são os correntistas do banco sacado e do banco creditado. É o Relatório. Voto Conselheira ANA NEYLE OLÍMPIO HOLANDA, Relatora O recurso obedece aos requisitos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. O objeto do auto de infração é a cobrança de valores referentes ao imposto sobre a renda das pessoas fisicas (IRPF), no ano-calendário de 1999, exercício 2000, que trata da apuração das seguintes infrações: i) omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica, ii) omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas jurídicas, iii) omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas, iv) acréscimo patrimonial a descoberto, v) ganho de capital na alienação de bens e direitos, vi) dedução indevida de pensão alimentícia judicial, vil) depósitos bancários de origem não comprovada, e viii) multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê- leão. Preliminarmente, há que ser analisado a consideração acerca da nulidade do auto de infração, por cerceamento de direito defesa e vício formal. • Quanto à argumentação de cerceamento de defesa e afronta ao contraditório durante a ação fiscal, observamos que tais garantias constitucionais estão insculpidas no artigo 5", LV, da Constituição Federal de 1988, nos seguintes termos: LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. (destaques da transcrição) No dispositivo está demarcado que, no âmbito do processo administrativo ou judicial, são garantidos aos litigantes o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. dr 6 Processo n° 10283.007237/2004-88 S2-C1 Ti Acórdão n.° 2101-00.242 Fl. 206 No dispositivo está demarcado que, no âmbito do processo administrativo ou judicial, são garantidos aos litigantes o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. No tocante ao processo administrativo fiscal, a fase processual — contenciosa — da relação fisco-contribuinte inicia-se com a impugnação tempestiva do lançamento — artigo 14, do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972 — e se caracteriza pelo conflito de interesses submetido à Administração. Isso significa que, com a apresentação da impugnação tempestiva, o sujeito passivo formaliza a existência da lide tributária no âmbito administrativo e transmuda o procedimento administrativo preparatório do ato de lançamento em processo administrativo de julgamento da lide fiscal, passando a assistir a contribuinte as garantias constitucionais e legais do devido processo legal. Não é outro o entendimento de James Marins (Direito Processual Tributário Brasileiro - Administrativo e Judicial, São Paulo, Dialética, 2001, p. 180) que, ao dissertar sobre os princípios informativos do procedimento fiscal, reporta-se ao princípio da inquisitoriedade e diz do caráter inquisitório do procedimento administrativo que decorre da relativa liberdade que concedida à autoridade tributária em sua tarefa de fiscalização e apuração dos eventos de interesse tributário, e demarca a diferença entre o procedimento administrativo de lançamento e o processo administrativo tributário, dizendo ser o primeiro procedimento preparatório que pode vir a se tornar um processo, e releva a inquisitoriedade que preside o procedimento de lançamento, nos seguintes termos: Enquanto que a inquisitoriedade que preside o procedimento permite — dentro da lei — unia atuação mais célere e eficaz por parte da Administração, as garantias do processo enfeixam o atuar administrativo, criando para o contribuinte poderes de participação no iter do julgamento (contraditório, ampla defesa, recursos...). Então, o procedimento fiscal é informado pelo principio da inquisitoriedade no sentido de que os poderes legais investigatórios (princípio do dever de investigação) da autoridade administrativa devem ser suportados pelos particulares (principio do dever de colaboração) que não atuam como parte, já que na etapa averiguatória sequer existe, tecnicamente, pretensão fiscal. As garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa estão preservadas quando o contribuinte é notificado do lançamento, e lhe é garantido o prazo de trinta dias para impugnar o feito (Decreto n° 70.235, de 06/03/1972, artigo 15), ocasião em que pode alegar as razões de fato e direito a seu favor e produzir provas do alegado, requerendo inclusive diligências e perícias. Com efeito, rejeito a preliminar de nulidade do auto de infração por alegação de inobservância aos princípios do contraditório e da ampla defesa e de não oportunização de apresentação de provas durante a fase de apuração do crédito tributário. Aduz ainda que a decisão de primeira instância não levou em consideração, nas razões de decidir, a eficácia dos princípios constitucionais da legalidade, finalidade, DI 7 Processo n° 10283.007237/2004-88 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.242 Fl. 207 motivação, razoabilidade, verdade real, moralidade, ampla defesa, segurança jurídica e interesse público. Tais argumentos não devem ser aceitos, vez que o acórdão condutor do voto de vergastado apresenta de forma detalhada o relatório de todos os fatos ocorridos no processo até então, analisa todas as considerações de defesa aduzidas pelo autuado, apresentando a fundamentação para os entendimentos adotados, reportando-se aos fatos que deram origem à exação de forma que foram observadas as determinações do artigo 31 do Decreto n° 70.235, de 06/03/173, com a redação dada pela Lei n° 8.748, de 09/12/1993, nos seguintes moldes: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referir-se, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. Com efeito, não merecem guarida as considerações acerca de vícios no acórdãO de primeira instância. Ultrapassadas as preliminares, passamos à análise das questões de mérito. No mérito, defende que o IRPF submete-se à apuração mensal, como confirma o Demonstrativo Mensal de Evolução Patrimonial, o que corrobora o entendimento de que o prazo decadência, para aquele tributo, deve ser considerado mensalmente. Também que, para a contagem do prazo decadencial, irrelevante que tenha ocorrido pagamento ou não do tributo devido, vez que o se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, não o tributo, eventualmente, recolhido de forma antecipada. O deslinde da controvérsia da data do fato gerador daquele tributo perpassa pela análise dos mandamentos dos artigos 1 0, 2', 9° e 11 da Lei n° 8.134, de 27/12/1990, que determinam: Art. 1° A partir do exercício financeiro de 1991, os rendimentos e ganhos de capital percebidos por pessoas fisicas residentes ou domiciliadas no Brasil serão tributados pelo Imposto de Renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta lei. Art. 2° O Imposto de Renda das pessoas fisicas será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo cio ajuste estabelecido no art. 11. (..) Art. 9". As pessoas fisicas deverão apresentar anualmente declaração de rendimentos, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou a restituir. Art. 11. O saldo do imposto a pagar ou a restituir na declaração anual (art. 9°) será determinado com observância das seguintes normas: Processo n° 10283.007237/2004-88 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.242 Fl. 208 I - será apurado o imposto progressivo mediante aplicação da tabela (art. 12) sobre a base de cálculo (art. 10); II - será deduzido o valor original, excluída a correção monetária do imposto pago ou retido na fonte durante o ano- base, correspondente a rendimentos incluídos na base de cálculo (art. 10); III - o resultado será corrigido monetariamente (parágrafo único) e o montante assim determinado constituirá, se positivo, o saldo do imposto a pagar e, se negativo, o imposto a restitui O disposto no artigo 2° informa ser devido mensalmente o imposto sobre a renda das pessoas fisicas, na conformidade dos recebimentos dos rendimentos e ganhos de capital, sem prejuízo do ajuste estabelecido no artigo 11. Está assente o entendimento de que a tributação sobre o ganho de capital é definitiva, sendo obrigatório recolhimento do tributo devido por cada operação quando da ocorrência do fato gerador, não cabendo que sejam levados os valores recolhidos para serem considerados quando da declaração de ajuste anual de rendimentos. Entretanto, no tocante aos rendimentos auferidos mensalmente, embora a sua tributação se dê à medida que foram percebidos, devem ser submetidos ao ajuste anual. Isto porque, somente ao final de cada exercício fiscal, estabelecido pela legislação tributária como o período de doze meses do ano, é possível definir a renda a ser submetida de forma "definitiva" à tributação, após efetuadas as deduções autorizadas por lei. Destarte, embora a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica dos rendimentos se dê mensalmente, sendo tais rendimentos submetidos à tributação à medida em que foram sendo percebidos, tais recolhimentos são apenas antecipações do que for devido na declaração anual de rendimentos, pois que o fato gerador do imposto sobre a renda das pessoas físicas, salvo nos casos de tributação definitiva, somente se perfaz ao final de cada ano- calendário, submetendo-se, o conjunto dos rendimentos à tributação pela tabela progressiva anual. Este é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial n° 584.195/PE, de lavra do Relator Ministro Franciulli Netto, cujo excerto se transcreve: A retenção do imposto de renda na fonte cuida de mera antecipação do imposto devido na declaração anual de rendimentos, uma vez que o conceito de renda envolve necessariamente uni período, que, conforme determinado na Constituição Federal, é anual. Mais a mais, é complexa a hipótese de incidência do aludido imposto, cuja ocorrência dá-se apenas ao final do ano-base, quando poderá se verificar o último dos fatos requeridos pela hipótese de incidência do tributo. Desta forma, depreende-se que, o melhor entendimento para as normas que regem a tributação do imposto sobre a renda das pessoas fisicas é a de que a legislação determinou a obrigatoriedade, durante o ano-calendário, de o sujeito passivo submeter à tributa ção os determinados rendimentos de forma antecipada, cuja apuração definitiva somente se dará quando do acerto por meio da declaração de ajuste anual. 9 Processo n° 10283.007237/2004-88 S2-CITI Acórdão 2101-00.242 Fl. 209 Impende ainda que sejam feitas considerações no tocante à multa isolada aplicada por falta de recolhimento do carnê-leão, referente aos rendimentos de trabalho sem vinculo empregaticio recebidos de pessoas jurídicas e pessoas fisicas. Na espécie, referida penalidade foi aplicada em concomitância com aquela que diz respeito à falta de oferecimento dos rendimentos auferidos à tributação, ou seja, o objeto do lançamento. Tenho entendido pelo afastamento da penalidade sob o argumento da impossibilidade de coexistir a referida multa isolada conjuntamente com a multa de oficio normal, incidente sobre o tributo objeto do lançamento. Isto porque tal fato afronta toda nossa construção jurídica que repudia a dupla penalização, vez que, estando o contribuinte punido com a referida multa de ofício, não há como lhe imputar outra penalidade sobre a mesma base de cálcUlo. Forte no exposto, voto pelo provimento parcial do recurso de oficio, para excluir a multa aplicada por falta de recolhimento do camê-leão. Sala das Sessões-DF, em 30 de julho de 2009 L.A40941 -/Ana Jele O1ím.11Ho landa to
score : 1.0
Numero do processo: 15374.000549/99-18
Data da sessão: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/03/1992 a 31/08/1992 DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso da contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173,1.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/02-03.477
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de
Recurssos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Acompanharam o Conselheiro Relator, pelas conclusões, os Conselheiros Dalton César Cordeiro de Miranda, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior (Substituto convocado) e Antônio Carlos Guidoni Filho que contam o prazo decadêncial sempre a partir da ocorrência do fato gerador (art.150 do CTN).
Nome do relator: Júlio César Vieira Gomes
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/1992 a 31/08/1992 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso da contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173,1. Recurso especial negado.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recurssos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Acompanharam o Conselheiro Relator, pelas conclusões, os Conselheiros Dalton César Cordeiro de Miranda, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior (Substituto convocado) e Antônio Carlos Guidoni Filho que contam o prazo decadêncial sempre a partir da ocorrência do fato gerador (art.150 do CTN).
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Numero do processo: 10680.720837/2008-86
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2004
Ementa: ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de
reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel.
RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO. O § 8º do art. 16
da lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal) traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel da área de reserva legal. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal, condição indispensável para a exclusão dessas áreas na apuração da
base de cálculo do ITR.
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PROVA MEDIANTE LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. REQUISITOS. Para fazer prova do valor da terra nua o laudo de avaliação deve ser expedido por profissional
qualificado e que atenda aos padrões técnicos recomendados pela ABNT.
Sem esses requisitos, o laudo não tem força probante para infirmar o valor apurado pelo Fisco com base no SIPT.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2201-001.582
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente declarada. Vencidos os conselheiros Eduardo Tadeu Farah e Marcio de Lacerda Martins.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2004 Ementa: ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO. O § 8º do art. 16 da lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal) traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel da área de reserva legal. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal, condição indispensável para a exclusão dessas áreas na apuração da base de cálculo do ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PROVA MEDIANTE LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. REQUISITOS. Para fazer prova do valor da terra nua o laudo de avaliação deve ser expedido por profissional qualificado e que atenda aos padrões técnicos recomendados pela ABNT. Sem esses requisitos, o laudo não tem força probante para infirmar o valor apurado pelo Fisco com base no SIPT. Recurso parcialmente provido.
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ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO. O § 8º do art. 16 da lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal) traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel da área de reserva legal. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal, condição indispensável para a exclusão dessas áreas na apuração da base de cálculo do ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PROVA MEDIANTE LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. REQUISITOS. Para fazer prova do valor da terra nua o laudo de avaliação deve ser expedido por profissional qualificado e que atenda aos padrões técnicos recomendados pela ABNT. Sem esses requisitos, o laudo não tem força probante para infirmar o valor apurado pelo Fisco com base no SIPT. Recurso parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente declarada. Vencidos os conselheiros Eduardo Tadeu Farah e Marcio de Lacerda Martins. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em exercício e relator) EDITADO EM: 19/05/2012 Participaram da sessão: Pedro Paulo Pereira Barbosa (No exercício da presidência e Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Rayana Alves de Oliveira França e Marcio de Lacerda Martins. Relatório JAYRO LUIZ LESSA interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJ BRASÍLIA/DF (fls. 97) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio da Notificação de Lançamento de fls. 01/05, para exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, referente ao exercício de 2004, no valor de R$ 112.004,32, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 255.582,65. Segundo o relatório fiscal o lançamento decorre da revisão da DITR/2004 da qual foram glosados os valores declarados como área de preservação permanente (1.537,4ha) e reserva legal (523,3ha) e foi alterado o Valor da Terra Nua – VTN de R$ 819.432,32 para R$ 1.308.450,00. Reproduzo a seguir, para maior clareza, a descrição dos fatos da Notificação de Lançamento: Área de Preservação Permanente não comprovada Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Área de Reserva Legal não comprovada Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a titulo de reserva legal no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Valor da Terra Nua declarado não comprovado Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme Fl. 166DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10680.720837/200886 Acórdão n.º 220101.582 S2C2T1 Fl. 2 3 estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Pregos de Terra – SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Complemento da Descrição dos Fatos: As áreas declaradas como não tributáveis devem ser obrigatoriamente informadas em ADA (Ato Declaratório Ambiental) devidamente protocolizado. "A Lei 9.393/96 estabelece, em seu art. 14, que no caso de subavaliagão do valor do imóvel, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Determina ainda que as informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Para o município de Ouro Branco/MG, os valores constantes do SIPT Sistema de Pregos de Terra, instituído através da Portaria SRF n. 447 de 28/03/02, informados pela Secretaria Estadual de Agricultura de Minas Gerais para o exercício de 2004, estão evidenciados no extrato anexo. Com base nesses dados, foi então arbitrado o valor da terra nua VTN para 2004 em R$ 500,00/ha, perfazendo um total de R$ 1.308.450,00 conforme demonstrado abaixo: Área Total do Imóvel declarada 2 616,9 ha VTN/ha = R$ 500,00 VTN do Imóvel = VTN/ha X ,área do Imóvel. VTN do Imóvel = 500,00 * 2.616,9 = R$ 1.308.450,00 O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que são prescindíveis as formalidades de protocolo do ADA no IBAMA e averbação no registro de imóveis, para fins de isenção do ITR das áreas ambientais, que independem de prévia comprovação de sua existência, no teor do § 7° da MP 2.16667, incluído no artigo 10 da Lei n° 9.393/1996. Requer a nulidade do lançamento, por ofensa ao devido processo legal e cerceamento ao direito de defesa, face à ausência de inspeção in loco e aplicação indevida de presunções. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 Sustenta que o arbitramento do VTN foi feito com base em informações do SIPT sem a observância dos procedimentos legais instituídos para tal arbitramento. A DRJBRASÍLIA/DF julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que o lançamento ao está eivado de nenhum vício que possa ensejar sua nulidade, posto que formalização com a observância das normas que regem o procedimento e o processo administrativo fiscal e, quanto ao mérito, afirma que a exigência da apresentação do ADA, nos casos de área de preservação permanente e de reserva legal e, a averbação, no caso específico desta última, são exigências legais indispensáveis para o direito à isenção dessas áreas, e que o Contribuinte não fez prova de sua apresentação. Sobre o VTN observou que a autoridade administrativa considerou ter havido subavaliação do imóvel e procedeu ao arbitramento e que o Contribuinte não logrou comprovar o valor do imóvel por meio de laudo de avaliação válido. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 14/05/2009 (fls. 112) e, em 09/06/2009 (fls. 145) interpôs o recurso voluntário de fls. 120/144, que ora se examina, e no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, o lançamento decorre da glosa dos valores declarados como áreas de preservação permanente (1.537,4ha) e de reserva legal (523,3ha). E foi alterado o Valor da Terra Nua – VTN, de R$ 819.432,32 para R$ 1.308.450,00. Sobre as áreas ambientais, um dos fundamentos da glosa foi a falta de apresentação do ADA. Pois bem, o dispositivo que trata da obrigatoriedade do ADA, e que é o fundamento legal da autuação, é o art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, que deu nova redação ao artigo 17O da Lei nº 6.938/81, in verbis: Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. [...] § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. [...] Fl. 168DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10680.720837/200886 Acórdão n.º 220101.582 S2C2T1 Fl. 3 5 Inicialmente, embora admitindo como possibilidade a interpretação de que o dispositivo esteja a prescrever a necessidade do ADA para todas as situações de áreas ambientais como condição para a redução dessas áreas para fins de apuração do valor do ITR a pagar, conforme os atos normativos da RFB e do Ibama, não me parece que este sentido e alcance da norma estejam claramente delineados, a ponto de dispensar o esforço de interpretação. Isto é, não me parece que se aplique aqui o brocardo in claris cessat interpretatio. Não basta, portanto, simplesmente dizer que a lei impõe a necessidade do ADA, é preciso expor as razões que levam a esta conclusão. O que chama a atenção no dispositivo em apreço é que o mesmo tem como escopo claro a instituição de uma Taxa de Vistoria que deve ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, de uma taxa que tem como fato gerador o serviço público específico e divisível de realização da vistoria, que presumivelmente será realizada nos casos de apresentação do ADA, e não de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou de regular procedimentos de apuração do ITR. Também não se deve desprezar o fato de que a referência à obrigatoriedade do ADA vem apenas no parágrafo primeiro e, portanto, deve ser entendido levando em conta o quanto disposto no caput. E este, como se viu, restringe a tal taxa às situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, o que implica no reconhecimento da existência de reduções que não sejam baseadas no ADA. Aliás, a função sintática da expressão “com base em Ato Declaratório Ambiental” é exatamente denotar uma circunstância do fato expresso pelo verbo “beneficiar”. Ora, entendendose o chamado “benefício de redução” como sendo a exclusão de áreas ambientais para fins de apuração da base de cálculo do ITR, indagase se a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorre diretamente da lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”. Penso que não. Vejase o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 2º da lei nº 4.771, de 1965, e que existe “pelo só efeito desta lei”, in verbis: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: (sublinhei) E também o caso da área de reserva legal do art. 16 da mesma lei, a saber; Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis Fl. 169DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) No caso da área de preservação permanente, a lei define, objetivamente, por exemplo, que tanto metros à margem dos rios, conforme a largura deste, é área de preservação permanente, independentemente de qualquer ato do Poder Público. É a própria lei que impõe ao proprietário o dever de preservar essa área e, para tanto, este não deve esperar qualquer ato determinação do Poder Público. O mesmo ocorre com relação à área de reserva legal. A lei impõe que, conforme certas circunstâncias de localização etc. da propriedade, um mínimo das florestas e outras formas de vegetação nativa devem ser preservadas de forma permanente. E a lei também exige que estas áreas, identificadas mediante termo de compromisso com o órgão ambiental competente, sejam averbadas à margem da matricula do imóvel, vedada sua alteração em caso de transmissão a qualquer título. Também neste caso o proprietário não deve esperar qualquer ato do Poder Público determinando que tal ou qual área deve ser preservada. Por outro lado, a Lei nº 9.393, de 1996, ao cuidar da apuração do ITR define a área tributável como sendo a área total do imóvel subtraída de áreas diversas, dentre elas as de preservação permanente e de reserva legal, sem impor qualquer condição, in verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) Fl. 170DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10680.720837/200886 Acórdão n.º 220101.582 S2C2T1 Fl. 4 7 Se as áreas de preservação permanente e as de reserva legal independem de manifestação do Poder Público, outras áreas ambientais, passíveis de exclusão, para fins de apuração do ITR, dependem da manifestação de vontade do proprietário ou da imposição do próprio órgão ambiental, observadas certas circunstâncias específicas do imóvel. Vejase, por exemplo, o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 3º da Lei nº 4.771, de 1965, in verbis: Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. Aqui, a declaração da área como de preservação permanente deve ocorrer em cada caso, conforme entenda o órgão ambiental, considerada a necessidade específica em face de alguma circunstância de risco ao meio ambiente ou de preservação da fauna ou da flora. O mesmo se pode dizer das áreas de que trata a alínea “b” do § 1º do inciso II da lei nº 9.393, de 1996. Ali a área deve ser declarada de interesse ecológico visando à proteção de um determinado ecossistema. Ela não existe “pelo só efeito da lei”, e nem decorre de uma imposição legal genérica de preservação, de uma fração determinada da floresta ou mata nativa. Decorre do entendimento por parte do Poder Público, com base no exame do caso concreto, que aquela área deve ser preservada. Existe, portanto, uma clara diferença entre áreas ambientais: umas cujas existências decorrem diretamente da lei, sem necessidade de prévia manifestação por parte do Poder Público por meio de qualquer ato, e outras que devem ser declaradas ou reconhecidas pelo poder Público por meio de ato próprio. Dito isto, não me parece minimamente razoável que a exclusão, prevista em lei, de uma área ambiental, cuja existência independe de manifestação do Poder Público, fique condicionada a um ato formal de apresentação do tal ADA. Mas não há dúvida de que a lei poderia criar tal exigência: A questão aqui, entretanto, é se o art. 170, em que se baseiam os que defendem esta posição, permite esta interpretação; se é este o sentido e o alcance que se deve extrair da norma que melhor a harmonize com os demais princípios e normas que regem a tributação do ITR e a preservação do meio ambiente. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 8 Assim, em conclusão, penso que o art. 170 da Lei nº 6.938/81 impõe a exigência da apresentação tempestiva do ADA apenas nos casos em que a existência da área ambiental dependa de declaração ou reconhecimento por parte do Poder Público. Assim, como a glosa da área de preservação permanente teve como único fundamento a não apresentação do ADA, tendo o auto de infração feito apenas uma referência ao laudo apresentado pelo Contribuinte, deve ser restabelecida a área. Quanto à área de reserve legal, entretanto, além do ADA, foi indicado como fundamento da autuação a falta de averbação à margem da matrícula do imóvel. E, de fato, não consta dos autos prova dessa averbação. Ora, é entendimento pacífico neste Conselho, e é a posição que sustento há muito tempo, que a averbação da área de preservação permanente é condição para a exclusão da área ambiental para fins de apuração do ITR. Assim, sem a averbação deve ser mantida a glosa. Quanto ao VTN, deve ser dito, inicialmente, que, de fato, o VTN declarado esta subavaliado, dada sua discrepância com os valores constantes do cadastro da Secretaria da Receita Federal, este baseado nos preços de terras. Constatada a subavaliação, é lícito ao Fisco proceder ao arbitramento, podendo o Contribuinte infirmar o valor arbitrado mediante apresentação de laudo de avaliação. Ás fls. 11 consta o extrato do SIPT no qual se verifica a indicação das aptidões agrícolas, que foram consideradas no arbitramento. O Contribuinte, por sua vez, apresentou laudo (fls. 78/89) o qual, todavia, limitase a indicar o valor da terra nua, sem demonstrar os critérios técnicos utilizados para tanto. Assim, o laudo não atende ao requisito técnico definido pela ABNT, especialmente quanto ao grau de precisão. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª CAMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10680.720837/200886 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10680.720837/200886 Acórdão n.º 220101.582 S2C2T1 Fl. 5 9 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 220101.582. Brasília/DF, 19 de abril de 2012. Pedro Paulo Pereira Barbosa No exercício da presidência da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: // Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 173DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10820.000928/00-31
Data da sessão: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
Ementa: CONTRIBUIÇÃO AO PIS. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. RESOLUÇÃO N° 49 DO SENADO FEDERAL. O prazo para o sujeito passivo formular pedidos de restituição e de compensação de créditos de PIS decorrentes da aplicação da base de cálculo prevista no art. 6°, parágrafo único, da LC n° 7/70, é de 5 (cinco) anos, contados da Resolução n° 49 do Senado Federal, publicada no Diário Oficial, em 10/10/95, que retirou a eficácia da lei declarada inconstitucional.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/02-02.667
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Antonio Carlos Atulim e Antonio Bezerra Neto que deram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Flávio de Sá Munhoz.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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PRAZO PARA RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. RESOLUÇÃO N° 49 DO SENADO FEDERAL. 0 prazo para o sujeito passivo formular pedidos de restituição e de compensação de créditos de PIS decorrentes da aplicação da base de cálculo prevista no art. 6°, parágrafo único, da LC n° 7/70, é de 5 (cinco) anos, contados da Resolução n° 49 do Senado Federal, publicada no Diário Oficial, em 10/10/95, que retirou a eficácia da lei declarada inconstitucional. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL, ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Antonio Carlos Atulim e Antonio Bezerra Neto que deram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Flávio de SA Munhoz. 6----?..- (/' MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS PRESIDENTE FLAVIO DE SA MUNHOZ REDATOR DESIGNADO FORMALIZADO EM: 14 AGO 2007 Processo n. 2 :10820.000928/00-31 Acórdão n 2 : CSRF/02-02.667 Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JOSEFA MARIA COELHO MARQUES, GILENO GURJA0 BARRETO, MARIA TERESA MARTÍNEZ LOPES, DALTON CÉSAR CORDEIRO DE MIRANDA, HENRIQUE PINHEIRO TORRES e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. 2 Processo n. Q : 10820.000928/00-31 Acórdão n 2 : CSRF/02-02.667 Recurso n. 2 : 202-128557 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessada : CASASCO ARTES GRÁFICAS LTDA RELATÓRIO Por bem descrever os fatos adoto o relatório do acórdão recorrido. Trata-se de recurso voluntário manejado por CASASCO ARTES GRÁFICAS LTDA., contra Acórdão DRJ/RPO n2 6.350/2004, de fls. 364/368, que julgou improcedente o pleito de restituição formulado, por decaído. 0 referido pleito administrativo foi formulado em 21/6/2000, referente aos fatos geradores ocorridos entre janeiro de 1990 e setembro de 1995. A Camara a quo deu provimento parcial ao recurso. 0 acórdão foi assim ementado: PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. Cabível o pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior, a titulo de Contribuição para o PIS, nos moldes dos inconstitucionais Decretos-Leis n2s 2.445 e 2.449, de 1988, sendo que o prazo de decadência/prescrição de cinco anos deve ser contado a partir da edição da Resolução n2 49, do Senado Federal. Recurso provido em parte. O Procurador da Fazenda Nacional dissentiu da decisão que lhe foi desfavorável e apresentou recurso especial, fls. 405/415, por meio do qual postula a reforma do acórdão vergastado para que se restabeleça a decisão da Primeira Instancia Administrativa. Por meio do despacho de fls. 416 o recurso foi admitido pelo Presidente da P Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, quanto 6. decadência do direito de pleitear a restituição de tributo declarado inconstitucional. Contra-razões ãs fls. 421/433. I/ / o relatório. 3 Processo n • 2 : 10820.000928/00-31 Acórdão : CS R F/02-02.667 VOTO VENCIDO Conselheiro HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Relator. O recurso merece ser conhecido por ser tempestivo e atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como relatado, trata-se de pedido de restituição e compensação dos valores recolhidos a titulo de PIS, no período de apuração compreendido entre janeiro de 1990 a setembro de 1995, que a contribuinte pretende haver pago a maior, com base nos Decretos-Leis nos 2.445 e 2.449, ambos de 1988, posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Por meio da Decisão de fls. 364 a 368, a DRJ em Ribeirão Preto — SP indeferiu in totum a solicitação do Sujeito Passivo. A Câmara recorrida deu provimento ao recurso para afastar a decadência reconhecer a semestralidade — no tocante â. caducidade, sob o argumento de que o termo a quo do prazo decadencial era a data da publicação da Resolução n° 49 do Senado Federal (10/10/1995) e não da extinção do crédito pelo pagamento, como decidira a turma julgadora. O representante da Fazenda Nacional pede o restabelecimento da decisão de primeira instância, no tocante â questão da decadência/prescrição para repetição de indébito, por entender que o termo de inicio da contagem da decadência/prescrição é a extinção do crédito pelo pagamento. De imediato, passemos â. controvérsia sobre a decadência/prescrição do direito pleiteado. É de bom alvitre esclarecer que, muito embora existam divergências doutrinárias quanto â natureza do prazo para repetição do indébito - se decadencial ou prescricional - para o deslinde da matéria em apreço, esse questionamento não apresenta qualquer relevância, razão pela qual não será abordado. O direito a repetição de indébito é assegurado aos contribuintes no artigo 165 do Código Tributário Nacional - CTN. Todavia, como todo e qualquer direito esse também tem 4 Processo n. 2 :10820.000928/00-31 Acórdão n 2 : CSRF/02-02,667 prazo para ser exercido, in casu, 05 anos contados nos termos do artigo 168 do CTN, da seguinte forma: I. da data de extinção do crédito tributário nas hipóteses: a) de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstancias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; b) de erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da aliquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; II. da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória nas hipóteses: a) de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Como visto, duas são as datas que servem de marco inicial para contagem do prazo extintivo do direito de repetir o indébito, a de extinção do crédito tributário e a do transito em julgado de decisão administrativa ou judicial. A repetição em análise enquadra-se no primeiro caso em que o prazo inicial da contagem do prazo coincide com a extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado. Na hipótese de lançamento por homologação, uma questão se faz presente: quando se considera extinto o crédito tributário, na data da antecipação do pagamento ou na da homologação. 0 inciso I do artigo 156 do CTN elege o pagamento, puro e simples, como forma de extinção do crédito tributário, não fazendo qualquer alusão a sua homologação. Por seu turno, o § 1° do artigo 150 do Código é especifico quando se refere à extinção do crédito tributário pela antecipação de pagamento, nos lançamento por homologação. Diz o parágrafo: Art. 150 Omissis I- 0 pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. A exegese deste artigo não deixa margem à dúvida de que a extinção do crédito tributário dá-se no mesmo instante em que o pagamento e efetuado, pois a cláusula condicionante é resolutória, o que antecipa o inicio dos efeitos do ato para a data de sua realização. Em outras jr 5 NRI UE PINHEIRO TORRES Processo n. 9 :10820.000928/00-31 Acórdão ng : CSRF/02-02.667 palavras, o efeito extintivo do pagamento dá-se no exato instante de sua efetivação e assim permanece até a homologação do lançamento, quando a condição estará resolvida. Se a homologação não ocorrer quer expressa ou tacitamente, ai sim, o crédito é restabelecido por força da condição que não se implementou. Ademais, com a edição da Lei Complementar n° 118, de 09/02/2005, cujo artigo 3° deu interpretação autêntica ao artigo 168, inciso I do Código Tributário Nacional, estabelecendo que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1 2 da Lei 5.172/1966, o único entendimento possível é o trazido na novel Lei Complementar. Esclareça-se, por oportuno, que, em se tratando de norma expressamente interpretativa, deve ser obrigatoriamente aplicada aos casos não definitivamente julgados, por força do disposto no art. 106, I, do CTN. Contando-se, pois, a extinção do crédito tributário da data do pagamento antecipado, tem-se que, no caso concreto ora em análise, os créditos cujos pagamentos foram efetuados até 21 de junho de 1995 foram extintos pelo decurso de prazo, haja vista que o pedido fora protocolado em 21 de junho de 2.000. Com essas considerações, dou provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. Sala das Sessões — DF, em 23 de abril de 2007 6 Processo n. 2 : 10820.000928/00-31 Acórdão n 2 : CSRF/02-02.667 VOTO VENCEDOR Conselheiro FLAVIO DE SA MUNHOZ, Redator Designado. 0 Recurso Especial reline as condições de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. Com efeito, a decisão recorrida, proferida pela c. Segunda Câmara do E. Segundo Conselho de Contribuintes, não alcançou a unanimidade de votos e o recurso, tempestivamente interposto, foi fundamentado em suposta contrariedade â lei, nos termos do art. 32, inciso I do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria n° 55/98. A questão a ser enfrentada no julgamento do presente recurso se restringe â verificação do prazo de decadência do direito de o contribuinte pleitear a restituição e a compensação das parcelas de PIS recolhidas indevidamente com base nos Decretos-leis n° 2.445/88 e 2.449/88. Os Decretos-leis acima mencionados foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário n. 148.754. Posteriormente, foi publicada, em 10/10/95, a Resolução do Senado n° 49/95, suspendendo sua execução, ex tunc. Portanto, não há dúvida de que os recolhimentos efetuados com base na sistemática prevista nos Decretos-leis foram indevidos, devendo ser restituidos os valores recolhidos a maior, apurados pela diferença em relação ao critério de cálculo definido pela Lei Complementar n° 7/70. 0 prazo para requerer a restituição e a compensação de valores indevidamente recolhidos, tratando-se de direito decorrente de solução de situação conflituosa, somente se inicia com a declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal ou, no que interessa aos autos, com a publicação da Resolução do Senado Federal. da lavra do ex-Conselheiro José Antonio Minatel, da 8a Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, voto precursor nos Conselhos de Contribuintes a respeito deste tema, a seguir parcialmente transcrito: "0 mesmo não se pode dizer quando o indébito é exteriorizado no contexto de solução jurídica conflituosa, uma vez que o direito de repetir o valor indevidamente pago só nasce para o sujeito passivo coin a solução definitiva daquele conflito, sendo certo que ninguém poderá estar perdendo direito que não possa exercitá-lo. Aqui, esta coerente a regra que fixa o prazo de decadência para pleitear a restituição ou compensação só a partir Via data em que se tornar definitiva a decisão administrativa, ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória' (art. 168, II, do CTN). Pela estreita similitude, o mesmo tratamento deve 7 Processo n. 2 :10820.000928/00-31 Acórdão n 2 : CSRF/02-02.667 ser dispensado aos casos de solução jut-Mica com eficácia 'erga onutes', como acontece na hipótese de edição de resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norma declarada inconstitucional ou na situação em que é editada Medida Provisória ou mesmo ato administrativo para reconhecer a impertinência de exação tributária anteriormente exigida." (Acórdão n° 108-05.791, sessão de 13/07/1999) No caso dos autos, o pedido de restituição, acompanhado de pedido de compensação, foi protocolado em 21/06/2000, portanto, dentro do prazo decadencial de cinco anos, contados da publicação da Resolução n° 49, do Senado Federal, em 10/10/1995. 0 prazo de decadência se aplica tanto ao direito de restituição quanto ao direito de compensação. Finalmente, de rigor observar que, mesmo que se considere que o art. 3° da Lei Complementar n° 118/05 confira interpretação autêntica ao art. 168, I do CTN (há doutrina no sentido de que o dispositivo enfeixa norma de natureza constitutiva), no sentido de considerar ocorrida a extinção do crédito tributário no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150 do CTN, para fins de início da contagem do prazo de decadência, ainda assim, inaplicável ao caso dos autos, tendo em vista seu enquadramento no inciso II do art. 168, do CTN. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso. como voto. Sala das Sessões - DF, em 23 de abril de 2007 FLAVIO IA SA MUNHOZ 8
score : 1.0
Numero do processo: 10860.002058/2008-87
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INAPLICABILIDADE.
Uma vez que a legislação que dispõe sobre a isenção do IOF não esclarece o que seja um automóvel convencional ou adaptações especiais, não pode o aplicador do direito interpretar que o automóvel hidramático não é convencional ou que a direção hidráulica combinada com o câmbio automático não é uma adaptação especial. Interpretação literal não é interpretação restritiva. Não se pode interpretar aquilo que não está escrito. Hipótese de integração não analisada pela autoridade fiscal.
Numero da decisão: 3201-001.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator. Os Conselheiros Mércia Helena Trajano DAmorim e Paulo Sergio Celani votaram pelas conclusões.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Daniel Mariz Gudiño Relator
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Luciano Lopes de Almeida Morais , Mércia Helena Trajano DAmorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sergio Celani e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira.
Matéria: IOF- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INAPLICABILIDADE. Uma vez que a legislação que dispõe sobre a isenção do IOF não esclarece o que seja um automóvel convencional ou adaptações especiais, não pode o aplicador do direito interpretar que o automóvel hidramático não é convencional ou que a direção hidráulica combinada com o câmbio automático não é uma adaptação especial. Interpretação literal não é interpretação restritiva. Não se pode interpretar aquilo que não está escrito. Hipótese de integração não analisada pela autoridade fiscal.
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DEFICIÊNCIA FÍSICA REQUISITOS. A fruição de benefício pressupõe o atendimento de todas as condições materiais e formais estabelecidas pela legislação tributária. Ao lado da comprovação da deficiência é de ser comprovada a necessidade de adaptações especiais para a condução de veículo automotor, sem o que não é possível o gozo do benefício. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INAPLICABILIDADE. Uma vez que a legislação que dispõe sobre a isenção do IOF não esclarece o que seja um automóvel convencional ou adaptações especiais, não pode o aplicador do direito interpretar que o automóvel hidramático não é convencional ou que a direção hidráulica combinada com o câmbio automático não é uma adaptação especial. Interpretação literal não é interpretação restritiva. Não se pode interpretar aquilo que não está escrito. Hipótese de integração não analisada pela autoridade fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator. Os Conselheiros Mércia Helena Trajano D’Amorim e Paulo Sergio Celani votaram pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 20 58 /2 00 8- 87 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño – Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Luciano Lopes de Almeida Morais , Mércia Helena Trajano D’Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sergio Celani e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da manifestação de inconformidade, transcrevese o relatório da instância a quo, seguido da ementa da decisão recorrida e das razões do Recurso Voluntário ora examinado: Tratase de pedido de isenção do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e SeguroIOF, fl. 01, para aquisição de veículo com características especiais para pessoa com deficiência, nos termos da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Acompanha o pedido declaração de não utilização anterior do benefício, Certidão Conjunta Negativa, o Laudo de Avaliação Deficiência Física atestando a ocorrência de deformidade em ambas as mãos adquirida como sequela de artrite reumatóide, CID M13.8, Carteira Nacional de Habilitação e Declaração de Regularidade de Situação do Contribuinte Individual. A autoridade jurisdicionante emitiu a Intimação n° 116/2009, fl. 19, requerendo esclarecimento acerca do motivo de encontrarse apta para exercer a profissão de dentista, a qual utiliza exclusivamente as mãos (força, coordenação motora, etc...), ao mesmo tempo que alega necessitar de automóvel especial para dirigir em virtude de deformidade nas mãos. A requerente atendeu à intimação com o documento de fl. 20, esclarecendo a relação entre a deficiência atestada e suas atividades profissionais e informando o reconhecimento anterior de seu direito à isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados para aquisição de veículos por deficientes físicos. Apresenta outros documentos tendentes a elucidar sua deficiência, incluindo classificação CID à fl. 26. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10860.002058/200887 Acórdão n.º 3201001.193 S3C2T1 Fl. 65 3 Por meio do Despacho Decisório de fls. 28/29, a autoridade jurisdicionante indeferiu o pedido, com a seguinte fundamentação: As hipóteses de deficiência física contempladas com a isenção do IOF são estritamente aquelas relacionadas no artigo 4° inciso I, do Decreto nº 3.298/99. No caso em tela, a interessada apresentou laudo de avaliação (cópia à fl. 06) expedido pelo Departamento Estadual de Trânsito Detran, o qual atesta 'deformidade em ambas as mãos, adquirida como sequela de artrite reumatóide' (sic), CID 10 = m 13.8 (outras artrites especificadas fl. 26), apresentando '...limitação dos movimentos e força das mesmas' (sic). É imperioso salientar que, da análise da situação fiscal, verificouse que a requerente está cadastrada no INSS como contribuinte individual, na atividade 'dentista' (...), desde o ano de 2004, conforme DRSCI à fl. 18 e pesquisa à fl. 27. Á vista disso, identificouse grave contradição entre o laudo, que afirma haver deformidade nas duas mãos, motivando a necessidade de veículo especial, e a atividade profissional da interessada, que atua como dentista, o que afaz utilizar as duas mãos em manobras de força, destreza, precisão e coordenação motora. Por conseguinte, de acordo com a previsão do artigo 4° inciso I, do Decreto n° 3.298, de 1999, (...) concluise que a 'deformidade' da pleiteante não produz dificuldade para o desempenho de funções, e dessa maneira, não proporciona o direito à isenção do IOF, visto que tal beneficio é dirigido às pessoas que necessitam de veículos adaptados às suas necessidades físicas especiais. Posto isto e considerando o mais que dos autos consta. INDEFIRO o pedido de reconhecimento do direito à isenção do IOF, formulado pela requerente em epigrafe, em face da interpretação literal exigida para a legislação que disponha sobre outorga de isenção. Cientificada em 22/05/2009, a pleiteante apresentou em 19/06/2009, a manifestação de inconformidade de fl. 32, alegando, em síntese, o que segue: Conforme parecer do funcionário da Receita de Taubaté, a isenção de IPI e IOF me foi negada por eu ser cirurgiã dentista e exercer minha profissão, apesar de ser portadora de Artrite Reumatóide. O referido funcionário deveria ter se informado melhor sobre a doença a qual sou portadora há 17 anos, e os males que ela causa, e não sobre a minha profissão que exerço há 29 anos e sei o significado da minha especialidade, Ortodontia, sei também que mereço consideração e respeito, Fl. 66DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 pois a carta a mim enviada estava escrita de forma jocosa e irônica. Ao recebêla me senti ofendida e humilhada, pois a impressão que dá é que sou uma golpista tentando lesar o Erário, ao pleitear esta isenção. Sei de outras pessoas portadoras da mesma doença que conseguiram a isenção, afinal o direito é para todos, não importando a profissão. Envio junto uma cartilha que explica tudo sobre a doença. Faço parte de um programa de medicação de alto custo, a injeção Inbel, que (...) é indicada para melhorar os sintomas da doença e impedir a degeneração das articulações, também uma foto em que se nota a deformidade da mão. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas (SP), conforme se depreende da ementa do Acórdão nº 0526.699, de 04/09/2009: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2008 ISENÇÃO. DEFICIÊNCIA FÍSICA REQUISITOS. A fruição de benefício pressupõe o atendimento de todas as condições materiais e formais estabelecidas pela legislação tributária. Ao lado da comprovação da deficiência é de ser comprovada a necessidade de adaptações especiais para a condução de veículo automotor, sem o que não é possível o gozo do benefício. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Inconformada, o Recorrente interpôs seu recurso voluntário, de forma tempestiva, reiterando os argumentos suscitados em sua manifestação de inconformidade e acrescentando a impossibilidade de instituição de tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 22/11/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño – Relator O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10860.002058/200887 Acórdão n.º 3201001.193 S3C2T1 Fl. 66 5 O presente litígio referese ao preenchimento dos requisitos legais para a fruição da isenção do Imposto sobre Operações FinanceirasCrédito (IOF) na aquisição de automóveis por pessoas portadoras de deficiência física. A isenção em tela está prevista no art. 72, IV, da Lei nº 8.383, de 1991, e no art. 9º, VI, do Decreto nº 6.306, de 2007, que assim dispõem: Lei nº 8.383/91 Art. 72. Ficam isentas do IOF as operações de financiamento para a aquisição de automóveis de passageiros de fabricação nacional de até 127 HP de potência bruta (SAE), quando adquiridos por: [...] IV pessoas portadoras de deficiência física, atestada pelo Departamento de Trânsito do Estado onde residirem em caráter permanente, cujo laudo de perícia médica especifique: a) o tipo de defeito físico e a total incapacidade do requerente para dirigir automóveis convencionais; b) a habilitação do requerente para dirigir veículo com adaptações especiais, descritas no referido laudo; [...] § 1° O benefício previsto neste artigo: a) poderá ser utilizado uma única vez; b) será reconhecido pelo Departamento da Receita Federal mediante prévia verificação de que o adquirente possui os requisitos. [...] Decreto nº 6.306/2007 Art. 9 º É isenta do IOF a operação de crédito: [...] VI para a aquisição de automóvel de passageiros, de fabricação nacional, com até 127 HP de potência bruta (SAE), na forma do art. 72 da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991; [...] Analisando os dispositivos legais aplicáveis, vêse que há uma falha, pois não há qualquer indicação do que seja um automóvel convencional ou adaptações especiais para os fins da isenção do IOF. Tanto o laudo que instruiu o Requerimento de Isenção de IOF – Deficiência Física (fl. 06) quanto a Carteira Nacional de Habilitação da Recorrente (fl. 07) fazem referência a automóvel com direção hidráulica. Em outras palavras, por força do laudo que atesta a sua Fl. 68DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 deficiência física, a Recorrente está habilitada a dirigir somente veículos com direção hidráulica. Portanto, a essa altura do julgamento, fazse necessário saber se a direção hidráulica poderia ser qualificada como uma adaptação especial para automóveis destinados a portadores de deficiência física, tornandoo não convencional. Na decisão recorrida fica claro que o colegiado entendeu que a direção hidráulica é um item de série muito comum nos automóveis comercializados no Brasil, e, portanto, não seria suficiente para descaracterizar a condição de veículo convencional (fls 46/48). A instância a quo invoca o art. 111, II, do Código Tributário Nacional para corroborar o despacho decisório no sentido de que a direção hidráulica não seria uma adaptação especial (fls. 28/30). Contudo, se é verdade que o art. 111, II, do CTN impõe o método literal de interpretação para a aplicação de normas isencionais –e literal não é necessariamente restritivo–, não é menos verdade que a Lei nº 8.383, de 1991, e o Decreto nº 6.306, de 2007, deixaram de definir o que seja um veículo convencional ou adaptações especiais. Nesse sentido, não é possível afirmar que veículo munido de direção hidráulica é veículo convencional. Da mesma forma, é impossível afirmar que a instalação de direção hidráulica em automóvel não é uma adaptação especial. Logo, equivocase a instância a quo ao invocar o art. 111, II, do CTN para afastar a isenção em tela. Isso porque não se pode interpretar algo que não está escrito. O caso concreto seria, então, de integração e não de interpretação... Sendo a única premissa validadora do lançamento tributário a aplicabilidade da interpretação literal no caso concreto, é de se reconhecer a sua total improcedência frente à ausência de espaço para interpretação. Diante de todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo o crédito tributário integralmente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño – Relator Fl. 69DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001152/2003-42
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000
Ementa:MELHORIAS OU REPAROS REALIZADOS EM BENS DO ATIVO PERMANENTE. VIDA ÚTIL SUPERIOR A I ANO OU AUMENTO DA VIDA ÚTIL SUPERIOR A 1 ANO.
Para que os valores dispendidos devam ser ativados, se se tratar de melhorias
implementadas às máquinas, a vida útil das melhorias deve ser superior a 1
ano; sendo caso de reparos e conservação, deve haver aumento de vida útil
das máquinas superior a 1 ano. Melhorias implicam efetiva mais-valia
agregada às máquinas.
PROVA DE AUMENTO DE VIDA ÚTIL DE BENS DO PERMANENTE
OU DE MELHORIAS E SUA VIDA ÚTIL.
Elementos coletados para a atuação: valores relativamente altos das peças e
partes quanto ao valor contábil das máquinas, aquisição de centenas de peças
e partes, assim como o fato de várias máquinas se encontrarem integralmente
depreciadas, mas em condições de uso. Dados de fato que não são
insuficientes para comprovação de que houve melhorias agregadas às
máquinas, nem de que ocorreram reparos ou conservação que aumentaram a
vida útil das máquinas em mais de 1 ano.
O ônus da prova nessa matéria é da fiscalização. Para comprovação de sua
pretensão fiscal, caberia a ela se apoiar em laudos de órgãos ou entidades
técnicas para a avaliação da questão.
Numero da decisão: 1401-000.013
Decisão: ACORDAM os Membros da 4º Câmara P Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Marcos Shigueo Takata
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000 Ementa:MELHORIAS OU REPAROS REALIZADOS EM BENS DO ATIVO PERMANENTE. VIDA ÚTIL SUPERIOR A I ANO OU AUMENTO DA VIDA ÚTIL SUPERIOR A 1 ANO. Para que os valores dispendidos devam ser ativados, se se tratar de melhorias implementadas às máquinas, a vida útil das melhorias deve ser superior a 1 ano; sendo caso de reparos e conservação, deve haver aumento de vida útil das máquinas superior a 1 ano. Melhorias implicam efetiva mais-valia agregada às máquinas. PROVA DE AUMENTO DE VIDA ÚTIL DE BENS DO PERMANENTE OU DE MELHORIAS E SUA VIDA ÚTIL. Elementos coletados para a atuação: valores relativamente altos das peças e partes quanto ao valor contábil das máquinas, aquisição de centenas de peças e partes, assim como o fato de várias máquinas se encontrarem integralmente depreciadas, mas em condições de uso. Dados de fato que não são insuficientes para comprovação de que houve melhorias agregadas às máquinas, nem de que ocorreram reparos ou conservação que aumentaram a vida útil das máquinas em mais de 1 ano. O ônus da prova nessa matéria é da fiscalização. Para comprovação de sua pretensão fiscal, caberia a ela se apoiar em laudos de órgãos ou entidades técnicas para a avaliação da questão.
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Recorrida 5" TURMA/DRJ-PORTO ALEGRE/RS Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000 Ementa:MELHORIAS OU REPAROS REALIZADOS EM BENS DO ATIVO PERMANENTE. VIDA ÚTIL SUPERIOR A I ANO OU AUMENTO DA VIDA ÚTIL SUPERIOR A 1 ANO. Para que os valores dispendidos devam ser ativados, se se tratar de melhorias implementadas às máquinas, a vida útil das melhorias deve ser superior a 1 ano; sendo caso de reparos e conservação, deve haver aumento de vida útil das máquinas superior a 1 ano. Melhorias implicam efetiva mais-valia agregada às máquinas. PROVA DE AUMENTO DE VIDA ÚTIL DE BENS DO PERMANENTE OU DE MELHORIAS E SUA VIDA ÚTIL. Elementos coletados para a atuação: valores relativamente altos das peças e partes quanto ao valor contábil das máquinas, aquisição de centenas de peças e partes, assim como o fato de várias máquinas se encontrarem integralmente depreciadas, mas em condições de uso. Dados de fato que não são insuficientes para comprovação de que houve melhorias agregadas às máquinas, nem de que ocorreram reparos ou conservação que aumentaram a vida útil das máquinas em mais de 1 ano. O ônus da prova nessa matéria é da fiscalização. Para comprovação de sua pretensão fiscal, caberia a ela se apoiar em laudos de órgãos ou entidades técnicas para a avaliação da questão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BOX PRINT GRUPOGRAF LTDA. Processo n°11065.001152/2003-42 SI-C4TI Acórdão n.° 1401-00.013 Fl. 2 ACORDAM os Membros da 4 Câmara P Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a inte 5 a o presente julgado. VI MA in 1NICIUS NEDER DE LIMA Pre . dente MA ir SHIGUEO TA1CATA Relator Formalizado em: 5 M A I 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima, Valmar Fonseca de Menezes, Hugo Correia Sotero, Silvana Rescigno Guerra Barretto(Suplente Convocada) e Carlos Alberto Gonçalves Nunes. Ausente, justificadamente a Conselheira Silvia Bessa Ribeiro Biar. Relatório Do Lançamento A recorrente, nos anos-calendário 1999 e 2000, lançou, como despesa, oito notas fiscais de aquisição de partes e peças para substituição nas máquinas do parque fabril e uma nota fiscal de assistência técnica de instalação e instrução para utilização de parte substituída em máquina. O autuante entende "que os dados extraídos dos registros contábeis, das notas fiscais em questão e das informações prestadas pela fiscalizada revelam que as partes e peças adquiridas e utilizadas resultaram em aumento superior a um ano da vida útil das máquinas". Com isso, os valores deveriam ter sido ativados para futura depreciação. Diz que a convicção é respaldada pelos seguintesfatos (fl. 236): A) - Nove das 17 máquinas estavam totalmente depreciadas quando da aplicação das peças, conforme indica a fiscalizada no seu anexo 9 (máquinas identificadas pelos números 331, 685, 328, 294, 232, 236, 1018, 404 e 402). Atualmente, estão também depreciadas as identificadas pelos n°1044 e 408 (fls. 72). Conforme esclarece às fls. 56, as máquinas de n°1372, 1373 e 1374, foram adquiridas em 1989, 1991 e 1995, respectivamente. Só não estão hoje contabilmente depreciadas, se considerado o percentual adotado de 15'34 pelo fato de terem sido alienadas em 30/09/97, sob o sistema de leasing Back' e readquiridas em 03/11/2000, quando foram contabilizadas pelos valores residuais de R$ 4.159,00, R$ 450,00 e 6.827,00, respectivamente, para 2 Processo n°11065.001152/2003-42 SI-C4TI Acórdão n.°1401-00.013 Fl. 3 atender à exigência fiscal. Então, teríamos atualmente 14 máquinas depreciadas do total de 17. Se as máquinas já estavam totalmente depreciadas, é possível concluir que sua vida útil já havia se esgotado, tendo em vista que a taxa de depreciação é fixada em função da vida útil de um bem. [segue transcrição de acórdão do Conselho de Contribuintes, que omitimos] B) — Os valores das peças aplicadas são relativamente altos se comparados com os valores originais e contábeis das máquinas, o que indica que se tratou de operação de vulto e não de simples gastos para manter as mesmas em funcionamento. Se as partes e peças foram aplicadas em várias máquinas, não se cogita da hipótese de que o objetivo tenha sido o de manter em funcionamento uma determinada máquina, mas sim de uma ampla operação, provavelmente, a ampliação da capacidade das mesmas. [...1 Para melhor comparar, traçamos paralelos entre o valor das partes e peças adquiridas e aplicadas com o valor de aquisição de todas as máquinas e o valor contábil em 31/12/99 e em 31/12/00. Partes e PeçasAquisição31/12/9931/12/00 835.162,172.706.633,941.168.093,55815.902,40 (valores em R$) Pergunta-se: Faria investimento tão significativo a fiscalizada se não resultasse em aumento da vida útil das máquinas em pelo menos I (um) ano? O investimento corresponde a 31% do valor de aquisição; 72% do valor contábil em 31/12/99; e mais de 100% do valor contábil de 31/12/00. • — São centenas as partes e peças questionadas. Em alguns casos, foram adquiridas mais de uma unidade por item para aplicação em máquinas diferentes, como, por exemplo, a nota fiscal 010017. Aliando-se ao fato de que as partes e peças foram adquiridas e aplicadas em curto espaço de tempo, fica evidente que ocorreu uma ampla operação de reforma em todas as máquinas relacionadas e não uma simples operação para mantê- las em funcionamento. Foram aproveitados prejuízos operacionais para compensar o crédito tributário apurado com a infração antes descrita e, como decorrência, houve insuficiente saldo de prejuízos para suportar as compensações efetuadas pelo contribuinte no ano-calendário 2000, resultando em nova infração: glosa de prejuízos compensados indevidamente. Da Impugnação A recorrente impugnou as exigências através do arrazoado de fls. 258 a 277. As razões de defesa são articuladas como segue. 3 Processo n° 11065.001152/200342 SI-C4TI Acórdão n.° 1401-00.013 Fl. 4 A máquinas que têm relação com a autuação são máquinas impressoras, de corte e vinco e easy press. São máquinas de alta resolução, tecnologia e rotatividade, comparáveis às utilizadas pela Casa da Moeda e executam praticamente todo o serviço de impressão serigráfica da recorrente, que representa a quase totalidade do faturamento dessa. O seu parque fabril tem que estar tão corretamente afinado quanto um relógio Suíço ou um piano Alemão. A substituição de partes e peças ocorreu devido à necessidade única que era recuperar a capacidade produtiva. [...] essas partes e peças que vêm a ser ocasionalmente substituídas em períodos de tempo regulares ou não, na maioria das vezes são conjuntos que obrigatoriamente guardam simetria entre si, conjuntos estes formados normalmente de um ou mais pares. A substituição de uma pode obrigar a substituição de outra peça. Compara com um carro de fórmula um em que uma libra a mais num pneu pode acarretar uma grande diferença: Toda esta substituição feita em partes e peças visa apenas manter a máquina em funcionamento, jamais possibilitando que lhe fosse alterada a capacidade produtiva nem na espécie do produto, nem na quantidade produzida e nem sequer no aumento da vida útil das máquinas em questão. A nota fiscal de serviços de assistência técnica de instalação, no valor de R$ 58.125,00, foi utilizada por ocasião das adaptações das peças relacionadas na Nota Fiscal de n° 010017 da BOBST com venda de peças no valor total de R$ 420.000,00: No que se refere a esta assistência técnica de instalação e instrução, tornou-se necessária e indispensável, pois tendo presente alterações realizadas pela indústria produtora das máquinas, nas mesmas, para que pudessem continuar a ser usadas, necessária fez-se a instalação, com a conseqüente instrução no que respeita ao manuseio desta partes e peças devido alterações nas regulagens das mesmas [..J. Os bens de n° 1372 — impressora, n° 1373 e 1374 — corte e vinco, foram adquiridos através de operação de financiamento de leasing back, sendo que o início dos pagamentos foi em 03/12/1997 e finalizado em 03/11/2000, fazendo com que, impossível fosse, ativar o valor junto aos bens "leasados", eis que bens de terceiros. Traz ementa de acórdão do Conselho de Contribuintes. O contrato de lease-back e a identificação dos bens em questão foram informados ao autuante. O autuante peca quando refere que, do total de 17 máquinas, 14 estariam depreciadas. A análise teria que ser efetuada com base na situação existente em 1999 e 2000 e não na data do lançamento. Em 2000 eram 8 as máquinas totalmente depreciadas. A recorrente chama a atenção para que as peças usadas nas máquinas tem valores de R$ 1,28, R$ 1,54, R$ 1,87 até valores próximos de trinta mil reais. Nas máquinas depreciadas também há peças de valor muito baixo, a partir de R$ 50,00. Reclama que o autuante transcreveu ementa do Conselho de Contribuintes não guardando a devida veracidade. A ementa transcrita pelo agente do Fisco é esta: RECUPERAÇÃO DE BEM DEPRECIADO — São ativáveis as despesas com recuperação de bem já totalmente contabilizado na contabilidade. A ementa efetivamente proferida seria. 4 Processo rr 11065.001152/2003-42 S I -C4T I • Acórdão n.° 1401-00.013 Fl. 5 DESPESAS ATIVÁVEIS — São ativáveis as despesas com recuperação de bem já totalmente contabilizado na contabilidade. Em verdade, a recorrente se equivocou ao transcrever as duas versões da ementa, pois o final é "totalmente depreciado na contabilidade" e não como ela fez constar. Diz que a decisão não trata de bem depreciado, mas sim de recuperação de bem destruído e que a matéria objeto do recurso que originou a decisão do CC trata de recursos aplicados em aeronave acidentada, e que o acórdão refere que o bem não encontrava-se em condições de uso e que para voltar a operar necessitava de uma reforma. Reclama que o auditor compara uma indústria serigráfica em pleno funcionamento com seu parque fabril produzindo a todo vapor por um período diuturno de quase 18 horas, cujos equipamentos somente foram submetidos ao desgaste natural de sua utilização com uma situação totalmente diversa, de uma aeronave acidentada, sem condições de uso. Enfatiza que o conselheiro relator do acórdão antes referido, menciona que a aeronave, nos anos seguintes, não necessitou de serviços em montante igual, mas apenas despesas normais de manutenção. O autuante foi informado, em esclarecimentos da autuada, que nos anos subseqüentes ao do lançamento, continuou a ocorrer a manutenção e foram juntadas notas fiscais para comprovar. A recorrente diz que o valor das peças aplicadas não são altos se comparados com os valores originais e contábeis das máquinas, que, segundo o autuante seriam de R$ 2.706.633,94. A empresa diz desconhecer a origem do valor apontado, mostrando, na fl. 270 que o valor original corrigido é de R$ 4.940.746,92, o que faz com as peças de reposição correspondam a apenas 16,90% daquele valor. A autuada reclama também que o auditor usa pesos e medidas distintas quando refere o valor das máquinas, ora usando o valor total corrigido, ora o valor de aquisição. Indaga sobre a razão do procedimento. Arremata o tópico dizendo . Assim, podemos concluir que nenhuma das partes e peças poderia vir a ter ativado o seu valor, pois que não aumentou a vida útil do bem, nem ampliou sua capacidade produtiva; sendo por vezes adicionadas peças inclusive de ínfimo valor, e outras vezes aplicadas estas peças em bens de terceiros. Alega ainda, que a substituição por desgaste não aumenta a vida útil do bem, mas apenas repõe a capacidade de funcionamento e que caberia ao agente do fisco o ônus da prova no que respeita a sua alegação de aumento de vida útil do bem, ou aumento da capacidade produtiva. Enfatiza que as despesas com reparos e conservação dos bens, que objetivem manter estes bens em condições eficientes de operação são admitidas como custo ou despesa operacional. Traz jurisprudência. Combate também a compensação indevida de prejuízo fiscal e a exigência de CSL. Da Decisão da DRJ e Processo n°11065.001152/2003-42 Sl-C4T1 • Acórdão o.° 1401-00.013 Fl. 6 Do Recurso Voluntário O decisório a quo mantém parcialmente a autuação, deduzindo em síntese: - veicula distinção entre reparo e conservação com melhorias, citando aresto desta 7" Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, de relatoria do ilustre Conselheiro Natanael Martins, e observa que, para as melhorias, cabe a aplicação do art. 301, ao passo que, para reparos e conservação, deve-se aplicar o art. 346, ambos do RIR./99; - à luz do valor dispendido, significativamente alto em relação ao valor original e contábil das máquinas, aliado ao fato de ter havido assistência técnica de treinamento em face das alterações ocorridas, indicam que as peças e partes adquiridas da BOBST implicaram melhoria realizada no parque fabril; - o fato de as aquisições junto à MAN ROLAND, feitas entre outubro! 1999 e abril/2000, serem de grande quantidade, e se considerando que as máquinas nas quais foram aplicadas as peças e partes em questão são máquinas impressoras, e que as atividades de corte e vinco devem acontecer com simetria com a de impressão, como aduz a recorrente, como aquelas máquinas sofreram melhorias, as máquinas de impressão igualmente sofreram melhorias. O que houve foi a modenização e aprimoramento do parque fabril como um todo; - com relação à aquisição feita em 30/03/1999 da MAN ROLAND (nota fiscal n° 142), vez que distante em mais de 6 meses das demais aquisições, não há evidência de que aquela tenha sido destinada a melhorias no parque fabril, e que, à míngua de outros dados, deve-se aceitar a alegação da recorrente, não havendo a comprovação do fisco de que as máquinas reparadas tiveram aumento de sua vida útil em mais de 1 ano; - reconhece que o ónus da prova na matéria vertente é da fiscalização, mas que a prova pode ser indireta, mediante indícios, e que a realização de operações encadeadas em curto espaço de tempo em valores significativos demonstram que se está diante de melhorias implementadas às máquinas. No recurso voluntário, fundamentalmente, são reiteradas as razões já deduzidas em sua peça inaugural, acrescendo citações de acórdãos do 1° Conselho de Contribuintes. É o relatório. Voto Conselheiro — MARCOS SHIGUEO TA1CATA, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. 6 Processo n° 11065.001152/2003-42 SI-C4T1 • Acórdão n.• 1401-00.013 Fl. 7 Como elementos fáticos que dão suporte ao entendimento do autuante, são carreados: - o fato de 9 das 17 máquinas, objetos de reparo, conservação ou melhorias (o que será examinado adiante), encontrarem-se integralmente depreciados; - as máquinas de n's 1.372, 1.373 e 1.374 só não estão totalmente depreciadas em razão de terem sido alienadas em lease-back em 30/09/97, tendo sido, pois, readquiridas em 03/11/00, de modo que foram contabilizadas pelos valores residuais para atender a legislação fiscal. Outrossim, haveria 14 máquinas integralmente depreciadas, não fossem os lease-backs; - os valores das peças aplicadas às máquinas são relativamente altos comparativamente aos valores originais e contábeis das máquinas, o que indicaria que não se tratou de simples gastos para manter as máquinas em funcionamento; - faria sentido investimento tão significativo a recorrente se não resultasse disso aumento da vida útil das máquinas em pelo menos 1 ano? - são centenas de partes e peças questionadas. Aliado isso ao fato de elas terem sido adquiridas em curto espaço de tempo, fica evidenciada a concreção de ampla operação de reforma de todas as máquinas relacionadas, e não de simples operação para mantê- las em funcionamento. Pois bem. O primeiro ponto que coloco em apreciação é se o fato de as máquinas estarem integralmente depreciadas permite concluir, de per se, que as partes e peças adquiridas e naquelas instaladas aumentam a vida útil das máquinas em mais de 1 ano. Entendo que não. O fato de as máquinas se encontrarem totalmente depreciadas contabilmente não significa necessariamente que as partes e peças nelas instaladas irão aumentar em mais de 1 ano a vida útil daquelas. Até porque a depreciação pode ter-se dado com apoio na presunção fiscal que permite aplicar as taxas de depreciação divulgadas pela Receita Federal (no caso, dos anexos das I.N.'s 162/98 e 130/99). Diversa conclusão pode militar se as máquinas totalmente depreciadas contabilmente não se encontram em condições de uso. Aí, é bem possível que as partes e peças aplicadas nas máquinas lhes aumente a vida útil em mais de 1 anos. Mas, mesmo nessa hipótese, serão necessários mais elementos para chancelar tal conclusão. As máquinas de nt's 1.372 — impressora — 1.373 e 1.374 — corte e vinco — foram objeto de lease-back, em 30/09/97, e readquiridas em 03/11/00. Os valores das partes e peças adquiridas durante o período em que as máquinas se encontravam em lease-back, durante o período em que as máquinas não se encontravam ativadas no imobilizado da recorrente, poderiam ser imediatamente reconhecidos como despesas? Entendo que não, se tais partes e peças aumentarem a vida útil das máquinas em mais de 1 ano. Nesta hipótese, tais valores devem ser ativados para serem amortizados pelo prazo de vida útil restante das máquinas (considerado o aumento de suas vidas úteis). E, com a reaquisição das máquinas, objeto de lease-back, aqueles valores devem ser deslocados para (agregados na) conta contábil que registre os valores dessas máquinas, para seguirem seu curso de depreciação. 7 Processo n° 11065.001152/200342 SI-C4T1 • Acórdão n.° 1401-00.013 Fl. 8 Mas, se as partes e peças aplicadas às máquinas objeto de lease-back não aumentarem a vida útil dessas em mais de 1 ano, a situação será exatamente a mesma à supradescrita (bens integralmente depreciados contabilmente). Vale dizer, os valores em questão podem ser imediatamente reconhecidos como despesas. Ou, ainda, em outras palavras, o fato de certas máquinas terem sido objeto de lease-back em nada interfere no juízo quanto à aplicação das partes e peças adquiridas aumentarem a vida útil das máquinas em mais de 1 ano, e, pois, de tais valores das partes e peças serem imediatamente reconhecíveis como despesas. Aqui também, nada há, de per se, que signifique haver o aumento de vida útil das máquinas em mais de 1 ano. O art. 346, caput e §§ 1° e 2°, do RI12199, reproduzindo o art. 48 da Lei 4.506/64, dispõe: Subseção XI Despesas de Conservação de Bens e Instalações Art. 346. Serão admitidas, como custo ou despesa operacional, as despesas com reparos e conservação de bens e instalações destinadas a mantê-los em condições eficientes de operação (Lei n2 4.506, de 1964, art. 48). § P. Se dos reparos, da conservação ou da substituição de partes e peças resultar aumento da vida útil prevista no ato de aquisição do respectivo bem, as despesas correspondentes, quando aquele aumento for superior a um ano, deverão ser capitalizadas, a fim de servirem de base a depreciações futuras (Lei n2 4.506, de 1964, art. 48, parágrafo único). § 2°. Os gastos incorridos com reparos, conservação ou substituição de partes e peças de bens do ativo imobilizado, de que resulte aumento da vida útil superior a um ano, deverão ser incorporados ao valor do bem, para fins de depreciação do novo valor contábil, no novo prazo de vida útil previsto para o bem recuperado, ou, alternativamente, a pessoa jurídica poderá: I - aplicar o percentual de depreciação correspondente à parte não depreciada do bem sobre os custos de substituição das partes ou peças; II- apurar a diferença entre o total dos custos de substituição e o valor determinado no inciso anterior; III- escriturar o valor apurado no inciso Ia débito das contas de resultado; IV- escriturar o valor apurado no inciso II a débito da conta do ativo imobilizado que registra o bem, o qual terá seu novo valor contábil depreciado no novo prazo de vida útil previsto. De seu turno, o art. 301 do RIR/99, ao reproduzir e "atualizar" o art. 45, § 1°, da Lei 4.506/64, o art. 15 do Decreto-lei 1.598/77, o art. 20 da Lei 8.218/91 e o art. 30 da Lei 9.249/95, dispõe: Aplicações de Capital 8 Processo n° 11065.001152/2003-42 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.013 Fl. 9 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (Decreto-Lei n2 1.598, de 1977, art. 15, Lei n2 8.218, de 1991, art. 20, Lei n2 8.383, de 1991, art. 32, inciso II, e Lei n2 9.249, de 1995, art. 30). § 1°. Nas aquisições de bens, cujo valor unitário esteja dentro do limite a que se refere este artigo, a exceção contida no mesmo não contempla a hipótese onde a atividade exercida exija utilização de um conjunto desses bens. § 2°. Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado (Lei n2 4.506, de 1964, art. 45, §19. É de se notar que tem lugar a aplicação do art. 301, e não do art. 346, do RIR199, se a hipótese for de melhorias agregadas às máquinas, com a aquisição de partes e peças e sua aplicação às máquinas. Isso é extraivel do § 2° do art. 346 do RIR199 ao equiparar o tratamento de bens às melhorias implementadas nos bens. Vê-se que o legislador infralegal operou perfeita correção técnica ao inserir o preceito do art. 45, § 1 0, da Lei 4.506/64 ("ou das melhorias realizadas") no art. 301 do RIR199, e não no art. 346 do RIR. Aliás, observe-se que tanto o art. 346, caput e §§ 1° e 2° como o art. 301, § 2° decorrem do mesmo diploma legal — a Lei 4.506/64. Vale dizer, esta lei já equiparava a aquisição de bens com as melhorias agregadas aos bens, para fins de ativação dos valores ou reconhecimento imediato como despesas. Outrossim, nesse passo endosso as considerações deduzidas pelo ilustre Conselheiro Natanael Martins, que, sobre versar quanto à distinção entre melhorias e reparos e conservação no acórdão desta Câmara de n° 107-08.257, bem acentuou que melhorias implementadas aos bens se referem a "ações que, efetivamente, importem acrescer a bens já existentes efetivas benfeitorias, no sentido de a eles agregar maiores ou melhores qualidades", ao passo que os reparos e conservação de bens se prestam "a mantê-los em condições eficientes de operação". Ao teor, pois, do citado art. 301, § 2°, do RIR/99 o dever de se ativarem os valores das melhorias agregadas às máquinas se impõe, caso essas melhorias, em si mesma, tenham vida útil superior a 1 ano — diversamente da "condição legal" de se ativarem os valores, caso as máquinas, nas quais forem aplicadas as partes e peças, tenham aumento de suas vidas úteis superior a 1 ano. Do que já se deduziu, reputo importante manter em retentiva que "melhorias realizadas" devem representar efetiva agregação de mais-valia às máquinas. Aqui se coloca outro ponto. O fato de os valores das peças aplicadas às máquinas serem relativamente altos em relação aos valores originais e contábeis das máquinas autoriza concluir que não se está diante de gastos com reparação, conservação ou substituição de peças, mas de operação de ampla reforma das máquinas, nos dizeres do autuante, ou colocado o ponto em termos adequados, de melhorias agregadas às máquinas? 9 Processo n° 11065.001152/2003-42 SI-C4TI • Acórdão n.° 1401-00.013 Fl. 10 Não vejo como esse dado de fato possa conduzir ao juízo de que houve a concreção de melhorias das máquinas, ao invés de mantê-las ou deixá-las em eficiente forma de operação. As máquinas em questão são máquinas impressoras, de corte e vinco e easy press. A recorrente acentua que são máquinas de alta resolução, tecnologia e rotatividade, comparáveis às utilizadas pela Casa da Moeda, e que seu parque fabril deve estar tão corretamente afinado quanto um relógio suíço ou um piano alemão. E que as partes e peças devem ser substituídas de tempos em tempos, na maioria das vezes, em conjuntos que guardam simetria entre si. Tais asserções não foram infirmadas nem pela fiscalização nem pelo decisório de origem. Diante disso, é crível que as peças aplicadas às máquinas não lhes agregaram melhorias, ou seja, que elas não agregaram efetiva mais-valia às máquinas, pelo simples fato de os valores de tais peças serem relativamente altos quanto aos valores originais e contábeis das máquinas. Ou, dito em ordem correta: diante do que foi colocado, somente o dado de fato de que os valores das peças aplicadas às máquinas são relativamente altos não é elemento suficiente que denuncie terem sido implementadas melhorias, Le., que tenha sido agregada mais-valia efetiva às máquinas. E, retomando-se o primeiro ponto, o fato de as máquinas estarem integralmente depreciadas não autoriza concluir, de per se, que as peças e partes adquiridas e naquelas instaladas concretizaram melhorias, vale dizer, que agregaram às máquinas efetiva mais-valia. Nessa mesma senda, o dado de fato de as inversões de recursos serem de valores substantivos não significa aumento de vida útil em mais de 1 ano das máquinas, assim como não chancela o juízo de que, com isso, efetivamente houve melhorias das máquinas. Prosseguindo na mesma ordem de considerações, igualmente, não posso extrair o juízo de que o fato de terem sido adquiridas centenas de partes e peças aliada à suas aquisições e aplicações em curto espaço de tempo represente aumento de vida útil das máquinas em mais de 1 ano, nem de que signifique que se efetivaram melhorias das máquinas (mais-valia efetiva agregada às máquinas) Até porque, como foi colocado pela recorrente, as partes e peças devem ser substituídas de tempos em tempos, na maioria das vezes, em conjuntos que guardam simetria entre si, demandando um afinamento do parque fabril, semelhante a um piano alemão ou a um relógio suíço. Aqui, observo que é preciso muita cautela e diligência por parte da fiscalização para afirmar que peças e partes adquiridas e aplicadas nas máquinas importam em aumento de sua vida útil em mais de 1 ano, ou que as peças e partes implicam mais-valia efetiva agregada às máquinas, vale dizer, importam em melhorias — caso em que basta a vida útil dessas, e não das máquinas, ser superior a 1 ano. Não se pode esquecer que, nessa questão, o ónus da prova é da fiscalização. E qual seria essa cautela e diligência judiciosas a serem observadas pela fiscalização? O apoio em laudos de órgãos ou entidades técnicas para avaliação da questão em comentário. Como foi deduzido, não posso entrever a extração de juízo de que se operou efetiva agregação de mais-valia às máquinas, isto é, a concreção de melhorias nas máquinas, to • Processo n° 11065.00115212003-42 S I-C4T1• Acórdão n.° 1401-00.013 Fl. II nem de que se concretizou o aumento de vida útil das máquinas em mais de 1 ano, com esteio somente naquele suporte fálico, no qual se baseou o entendimento do autuante. Ademais, e a confirmar isso, se houve aumento da vida útil em mais de 1 ano, qual seria o período de aumento de vida útil? Ou, se houve melhorias agregadas às máquinas, qual seria o período, superior a 1 ano, de vida útil dessas melhorias? A resposta a essas perguntas é fundamental, pois o autuante teria de, ao prevalecer seu entendimento, glosar não a integralidade dos valores dispendidos, mas esses valores diminuídos do valor depreciável em relação aos valores dispendidos, no período da autuação. Ou seja, o autuante teria de considerar a depreciação do período de autuação em relação ao valor que supostamente deveria ter sido ativado. Isto é de rigor, em coerência com a linha de atuação da fiscalização. E isso só seria possível se o autuante determinasse qual o novo período de vida útil das máquinas, ou qual o período de vida útil superior a 1 ano das melhorias agregadas às máquinas. Nada disso ele o fez. Eis aí outra razão pela qual não vejo como possa prevalecer a autuação levada a cabo, e que corrobora aquela cautela e diligência impostas à fiscalização, a que me referi anteriormente. Qual seria esse aumento de vida útil das máquinas ou essa vida útil superior a 1 ano se se tratar de melhorias, a balizar a depreciação incorrida no próprio período de autuação, que teria de ser considerada, a se seguir o entendimento da autuante? Pelas razões deduzidas, e nessa ordem de juízo, dou provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões - DF, em 11 de março de 2009 Ir • HIGUEO TA1CATA I Page 1 _0002800.PDF Page 1 _0002900.PDF Page 1 _0003000.PDF Page 1 _0003100.PDF Page 1 _0003200.PDF Page 1 _0003300.PDF Page 1 _0003400.PDF Page 1 _0003500.PDF Page 1 _0003600.PDF Page 1 _0003700.PDF Page 1
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