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Numero do processo: 11817.000153/2008-34
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 10/06/2008
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO
ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO DAS MERCADORIAS.
CONVERSÃO EM MULTA.
Aplica-se a pena de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida, em substituição à pena de perdimento, no caso de dano ao Erário caracterizado pela importação de mercadorias mediante interposição fraudulenta de terceiros.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS DL Nº 1.455/76.
CESSÃO DE NOME DE PESSOA JURÍDICA LEI Nº 11.488/2007.
CENSURAS AUTÔNOMAS. NATUREZAS DISTINTAS.
A pena de perdimento da mercadoria e a penalidade substitutiva de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando não localizada ou consumida , prescrita no art. 23, inciso V e parágrafos do Decreto-lei nº 1.455/1976, e a penalidade pecuniária estabelecida no art. 33 da Lei nº 11.488/2007 exprimem censuras de naturezas distintas e, portanto, autônomas e passíveis de aplicação cumulativa.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3802-000.669
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de
Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Caberá ao relator, nos termos do art. 63, § 9º do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 2009 (Regimento Interno do CARF), incluído pela Portaria MF nº 586, de 2010, reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os
fundamentos adotados pela maioria dos Conselheiros (Regis Holanda, Tatiana Migiyama, Solon Sehn e Bruno Curi).
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 10/06/2008 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO DAS MERCADORIAS. CONVERSÃO EM MULTA. Aplica-se a pena de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida, em substituição à pena de perdimento, no caso de dano ao Erário caracterizado pela importação de mercadorias mediante interposição fraudulenta de terceiros. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS DL Nº 1.455/76. CESSÃO DE NOME DE PESSOA JURÍDICA LEI Nº 11.488/2007. CENSURAS AUTÔNOMAS. NATUREZAS DISTINTAS. A pena de perdimento da mercadoria e a penalidade substitutiva de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando não localizada ou consumida , prescrita no art. 23, inciso V e parágrafos do Decreto-lei nº 1.455/1976, e a penalidade pecuniária estabelecida no art. 33 da Lei nº 11.488/2007 exprimem censuras de naturezas distintas e, portanto, autônomas e passíveis de aplicação cumulativa. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 10/06/2008 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO DAS MERCADORIAS. CONVERSÃO EM MULTA. Aplicase a pena de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida, em substituição à pena de perdimento, no caso de dano ao Erário caracterizado pela importação de mercadorias mediante interposição fraudulenta de terceiros. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS DL Nº 1.455/76. CESSÃO DE NOME DE PESSOA JURÍDICA LEI Nº 11.488/2007. CENSURAS AUTÔNOMAS. NATUREZAS DISTINTAS. A pena de perdimento da mercadoria e a penalidade substitutiva de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando não localizada ou consumida , prescrita no art. 23, inciso V e parágrafos do Decretolei nº 1.455/1976, e a penalidade pecuniária estabelecida no art. 33 da Lei nº 11.488/2007 exprimem censuras de naturezas distintas e, portanto, autônomas e passíveis de aplicação cumulativa. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Caberá ao relator, nos termos do art. 63, § 9º do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 2009 (Regimento Interno do CARF), incluído pela Portaria MF nº 586, de 2010, reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos Conselheiros (Regis Holanda, Tatiana Migiyama, Solon Sehn e Bruno Curi). Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 12/09/2011 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, José Fernandes do Nascimento, Tatiana Midori Migiyama, Sólon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi. O Conselheiro Francisco José Barroso Rios declarouse impedido. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 0816.984, de 27 de janeiro de 2010 (fls. 176/181v), proferido pelos membros da 7ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE (DRJ/FOR), em que, por unidade de votos, preliminarmente, rejeitaram as arguições de nulidade suscitadas pela reclamante, e no mérito, negaram provimento à impugnação apresentada pelo sujeito passivo, mantendo, na integralidade, o crédito tributário objeto da lide, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 10/06/2008 IMPORTAÇÃO SISTEMÁTICA DE MERCADORIAS EM OPERAÇÃO MATERIALMENTE CARACTERÍSTICA DE IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. OMISSÃO DO REAL INTERVENIENTE. APLICAÇÃO DA MULTA PELA CESSÃO DO NOME DA EMPRESA PARA A REALIZAÇÃO DE OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR COM ACOBERTAMENTO DO REAL IMPORTADOR. Incorre na multa tipificada no artigo 33 da Lei nº 11.488, de 2007, a pessoa jurídica importadora que, na documentação de importação, omitir os dados acerca de empresa a qual, muito embora não esteja habilitada a operar no comércio exterior, tenha encomendado as mercadorias mediante o adiantamento dos recursos necessários à sua aquisição, em operação que, materialmente, caracterize a importação por conta e ordem de terceiro. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Por bem descrever os fatos ocorridos até prolação da decisão de primeiro, adoto o Relatório encartado no Acórdão recorrido, que segue transcrito: Do lançamento Tratase de lançamento no valor de R$ 18.244,95, inerente à cominação da multa tipificada no artigo 33 da Lei nº 11.488, de Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11817.000153/200834 Acórdão n.º 380200.669 S3TE02 Fl. 202 3 15/06/2007, aplicável “a pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários [...]”, equivalente a 10% do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Segundo o auto de infração de fls. 02/07, combinado com o relatório fiscal de fls. 08/18, o sujeito passivo, regularmente habilitado no SISCOMEX, foi contratado informalmente para realizar importações de interesse da empresa Vendor Comercial de Manufaturados Ltda., CNPJ 03.871.914/000116. Ressaltam também as autoridades fiscais que “[...] a totalidade da carga importada pela Fabiamce era transferida, de imediato ao ato de importação, para a empresa Vendor”, que, por sua vez, não era habilitada no SISCOMEX. Relatam também os auditores fiscais incumbidos da fiscalização, dentre outras questões, o seguinte: a) que a empresa Vendor antecipou valores para a autuada, valores enviados via Banco, sob o título “Adiantamento a Fornecedores” em datas que antecederam o registro das declarações de importação, de forma sistemática e continuada, em relação às declarações de importação relacionadas no Demonstrativo de Valor Aduaneiro, conforme comprova o seu Livro Diário 2007 – fls. 04; 07; 11; 69; 71; 68; 72; 69; 83; 86; 87; 85; 91; 95. (Doc. nos autos). A antecipação se dava antes mesmo do registro da Declaração de Importação, formalmente lançada pela empresa Fabiamce, que se declarava ao Fisco como Importadora e como Adquirente da Mercadoria; b) que havia “uma relação de confiança mútua entre as empresas envolvidas, uma vez que a Fabiamce chega a emitir nota fiscal de venda com data de emissão antes mesmo de ocorrer o registro da DI”; c) que a atuação de pessoa jurídica importadora em operações por conta e ordem de terceiros deve obedecer a certos requisitos contidos na IN SRF nº 225, de 18 de outubro de 2002, notadamente o disposto no parágrafo único de seu artigo 1º, bem como em seu artigo 2º; d) que não existia contrato formal entre as empresas envolvidas, tendo a empresa Fabiamce, em resposta a intimação da fiscalização, respondido literalmente: “A empresa Vendor é nossa cliente e já efetuamos algumas vendas de produtos importados a ela, conforme NF’s: 016170, 015149, 016333, 016401 e 016737. Essa venda é de mercadorias já nacionalizadas e com todos os impostos pagos, por isso não mencionamos nas notas os números das DI’s de origem. (Segue em anexo as referidas DI’s de importação) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 Segue também os contratos de frete interno, no qual as cargas vêem (sic) consolidadas de São Paulo para Goiânia, sempre acompanhadas de notas de entrada. Quanto a estabelecer contrato de importação por conta e ordem, não fizemos este, pois não tratamos de importação de encomenda. Somos uma empresa estabelecida há 25 anos e há mais de 15 anos iniciamos com importação ...” (nos autos) e) que ocorrera, ainda que informalmente, operação por conta e ordem e sob encomenda, uma vez que a totalidade da carga de cada uma das declarações de importação foi entregue, transferida com utilização de emissão de nota fiscal de venda, da Fabiamce para a Vendor. Tanto a Vendor quanto a Fabiamce faziam, de forma simultânea, contatos com a China (exportadores) para instruílos sobre questões de natureza operacional e para acertos de pagamentos aos exportadores localizados na China. Tais valores, como já se relatou, eram adiantados pela Vendor para a Fabiamce, antes do registro da DI, sem constar a Vendor – real adquirente oculto, nos documentos obrigatórios do despacho aduaneiro, somente aparecendo na dupla condição de importadora e de real adquirente a Fabiamce, a qual tinha pleno conhecimento que fazia nas Declarações de Importação, sob auditoria, uma declaração, ainda que em tese, falsa. A documentação comprova que tanto a Fabiamce quanto a Vendor agiam de forma combinada, planejada e preparada, antes mesmo da prática do ato de importação, que tem como marco jurídico o registro da Declaração de Importação no Siscomex. (Doc. probante nos autos). f) reproduz o artigo 3º da IN SRF nº 225 de 2002, relativo à obrigatoriedade de o importador por conta e ordem de terceiros informar, na DI, o CNPJ do adquirente da mercadoria, além do endosso ou consignação em favor do importador no conhecimento de carga, e da identificação do adquirente na fatura comercial; g) que a empresa Fabiamce, embora tivesse apresentado declaração tentando demonstrar que a comercialização dos produtos para a autuada não teria sido premeditada, fora, na verdade, contratada informalmente pela Vendor – que, à época, não estava autorizada pela RFB a praticar atos de importação e exportação; h) que a empresa Vendor praticou “[...] ato de importação por conta e ordem, inclusive, comprovadamente, com a antecipação dos pagamentos a serem enviados ao exterior para cumprir os contratos externos em nome da empresa Fabiamce, que por sua vez emprestava a sua estrutura operacional” (conf. fls. 12); i) que tudo fora feito “de forma a não declarar o real adquirente e fonte dos recursos financeiros para as operações de importação em seqüência e continuadas”; nesse sentido, e com base em documento encontrado no escritório da empresa Vendor, em Brasília, (“[...] (troca de Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11817.000153/200834 Acórdão n.º 380200.669 S3TE02 Fl. 203 5 efeitos comerciais) entre os intervenientes localizados no exterior (China) e as empresas Vendor e Fabiamce)”, ressaltam que a pessoa jurídica Fabiamce “[...] não fez as operações sob fiscalização, que são seqüenciadas e contínuas, de modo aleatório, mas sim de forma combinada, organizada entre ambas as empresas, com antecipação de valores, conforme registram os lançamentos do Livro Diário 2007”. Asseveram ainda, verbis: [...] Os repasses das mercadorias entre a Fabiamce e a Vendor se davam a baixo custo e com mínimo valores agregados e quando a Vendor efetivamente vendia a mercadoria para terceiros, em geral, órgãos públicos, na maior parte das vezes, o fazia com valores expressivos de agregação. Neste momento, a documentação apenas demonstrava que eram mercadorias estrangeiras adquiridas no mercado interno, portanto, sem tributação do imposto sobre produtos industrializados, enquanto na documentação da Fabiamce, apesar de não constar como deveria o valor do imposto sobre produtos industrializados pela saída de mercadoria de importação, fato gerador interno e não ligado ao desembaraço aduaneiro, caso houvesse o lançamento o seria por valores ínfimos, uma vez que restaria, como restou prejudicado o real valor agregado, em face da ocultação do real beneficiário e financiador das importações realizadas. Tais custos restam demonstrados e comprovados pela documentação fiscal e serão relatados no Demonstrativo de Valor Aduaneiro. Por tais razões, e, notadamente, em vista de os fatos acima se enquadrarem no tipo infracional disposto no artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15/06/2007, foi aplicada a multa capitulada no mesmo dispositivo, equivalente a equivalente a 10% do valor da operação acobertada (não podendo ser inferior a R$ 5.000,00). Os cálculos inerentes à aplicação da penalidade em comento estão dispostos às fls. 15/16 dos autos. Cumpre destacar, finalmente, que os fatos acima descritos ensejaram a formalização de representação fiscal para fins penais, a qual é objeto do processo administrativo nº 11817.000154/200889. Da impugnação Cientificada do lançamento em 16/06/2008 (conforme AR de fls. 157), a autuada insurgiuse contra a exigência, tendo apresentado, em 14/07/2008, a impugnação de fls. 160/168, onde apresenta os argumentos que, entende, demonstrariam a insubsistência do lançamento formalizado contra si, a seguir relatados. Primeiramente, ressalta que a autoridade fiscal, para dar alcance ao comando da lei tributária, incorrera na proibição de que trata o artigo 110 do Código Tributário Nacional, que veda a desnaturação dos institutos do direito privado. Com Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 fundamento nos artigos 481, 482 e 331 do Código Civil, defende que, inobstante tenha se entendido tratarse de operação de importação por conta e ordem de terceiro, o que ocorreu foi a compra e venda simples. Assevera que “o fato de o pagamento ter sido feito de forma adiantada não desnatura a natureza da compra e venda simples de que trata o Código Civil, pois, como é sabido, além das partes já terem acordado acerca do objeto e do preço das coisas, a compra e venda de coisas móveis se aperfeiçoa com a tradição, conforme preceitua o artigo 1.267 do Código Civil [...]”. Desse modo, a compra e venda se aperfeiçoou com a entrega das mercadorias, “[...] não importando a modalidade do pagamento, se adiantado, no ato da entrega ou parcelado. Assim, não há falar em adiantamento de recurso para aquisição, mas sim em pagamento.” Ressalta que, “[...] ao entender que o pagamento antecipado das mercadorias desvirtuou a natureza da operação de compra e venda simples, a autoridade fiscal, data vênia, infringiu o disposto no artigo 110 do CTN”. Às fls. 163/164, colaciona jurisprudência do STF concernente à inadmissibilidade de alteração da definição e do alcance da locação de bens para fins de incidência do Imposto sobre Serviços – ISS. Pelas razões acima expostas, defende que o lançamento deveria ser anulado ou considerado insubsistente, [...] porquanto não tratou de importação por conta e ordem de terceiros, mas de compra e venda simples, conforme autoriza a legislação civil, podendose concluir, dessarte, que era absolutamente irrelevante a existência do “contrato” de que trata o artigo 2º da IN SRF 225, de 18/10/2002. Se não se trata de importação por conta e ordem de terceiros não há falar em celebração do referido instrumento, já que a compra e venda pode ser celebrada e materializada verbalmente ou por qualquer outra forma que exprima a verdadeira intenção das partes contratantes. As compras por telefone, pela internet, atualmente, superam as compras formalizadas por instrumento escrito, e nem por isso deixam de ser contratos de compra e venda. Em outro tópico procura demonstrar que os valores agregados ao preço das mercadorias de forma alguma poderiam ser considerados ínfimos, visto que, conforme tabela demonstrativa de fls. 165, o menor percentual de agregação seria de 18,49 %. Afirma que o fato de a empresa VENDOR ter praticado preços de venda bem superiores aos da aquisição não contamina a compra e venda anterior, uma vez que esta já se encontrava consolidada e cumprida a avença entra as partes. É de se observar, ainda, com averba o laudo de auditoria, ter se tratado de venda ao Poder Público. Não se pode admitir a sugestão subliminar do Laudo de Auditoria de que a impugnante poderia ter se aproveitado de tal fato, pois, além de não possuir qualquer liame com as vendas posteriores, não pode ser responsabilizada por ato de terceiros. O “REAL VALOR AGREGADO” na Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11817.000153/200834 Acórdão n.º 380200.669 S3TE02 Fl. 204 7 operação de compra e venda realizada pela Impugnante é o constante dos documentos fiscais de saída, que em qualquer país do mundo são considerados mais do que razoáveis. Também não se pode atribuir qualquer efeito em relação à pessoa da Impugnante a correspondência descrita às fls. 05 do Relatório de Auditoria, pois sequer há coincidência com qualquer dos fornecedores das mercadorias importadas, podendo ter sido cotações realizadas pela empresa Vendor por conta própria. Não existe, pois, a referida “engrenagem montada” para lesar o erário, especialmente considerando que a Impugnante jamais se beneficiou de qualquer valor ou do lucro que porventura tenha obtido a empresa VENDOR com a revenda das mercadorias. Dizse, ainda, eventual lucro, porquanto o calote do poder público é fato cotidiano em nosso país. Finalmente, a autuada assevera não ter havido dano ao Erário, posto que afirma haver pago todos os tributos aduaneiros e relativos à venda das mercadorias. Aduz ainda que Jamais existiu, por parte da Impugnante, qualquer máfé ou intenção de lesar o erário, uma vez que, se se tratasse, verdadeiramente, de importação por conta e ordem de terceiro, não haveria qualquer problema em mencionar a empresa VENDOR como adquirente das mercadorias, pois nenhum ônus a mais seria gerado para a sua pessoa. Ao contrário do que entenderam os ilustres Auditores, é preciso verificar, sim, a existência de boafé (“juízo de valor”) e bem como “quais foram os efeitos do ato praticado”, ainda que venha a ser considerado como importação por conta e ordem de terceiros, pois a atividade finalística da pena é de coibir a prática tributária espúria, o que inocorreu por parte da Impugnante, que sempre agiu, repetese, de boafé e no desempenho de sua atividade. Pelas razões acima aduzidas, requer seja julgado improcedente o lançamento objeto do litígio. Sobreveio o Acórdão recorrido, sendo dele cientificada a Autuada, por via postal (fl. 186), em 03/03/2010. Inconformada, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 189/199, protocolado em 24/03/2010 (fl. 189), em que reafirmou as alegações aduzidas na impugnação. Em aditamento, em síntese, apresentou as seguintes alegações: a) o acórdão recorrido preferira centrarse na legislação tributária que entendia aplicável no caso, a enfrentar, com proficiência, uma questão de importância crucial para o deslinde da controvérsia recursal, atinente à alegada desnaturação dos institutos de direito privado; b) o entendimento consignado no aresto recorrido de que se tratava de uma encomenda, e não de uma compra e venda mercantil, violava o artigo 110 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 8 do CTN, que “veda a desnaturação dos institutos do direito privado para dar alcance ao comando da lei tributária”; e c) não se tratava de importação por conta e ordem de terceiros, mas de compra e venda simples, autorizada pela legislação civil, portanto, absolutamente irrelevante a existência do “contrato” previsto no artigo 2° da Instrução Normativa SRF nº 225, de 18 de outubro de 2002. No final, requereu o conhecimento e provimento do presente Recurso, para que fosse anulado o presente Auto de Infração ou julgado insubsistente/improcedente. Em cumprimento ao despacho de fl. 200, os presentes autos foram enviados a este e. Conselho, onde, por sorteio, foi distribuído ao Conselheiro Francisco José Barroso Rios que, nos termos do Despacho nº 380200.007, de 11/04/2011, alegou o impedimento previsto no inciso IV do artigo 42 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações posteriores, devolvendo os presentes autos ao Sr. Presidente desta Segunda Turma Especial, para que fosse redistribuído a outro Conselheiro. Em 19/04/2011, por correspondência eletrônica, fui comunicado pelo Sr. Presidente que, nos termos do parágrafo único do artigo 44 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, os presentes autos foram redistribuídos para este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso foi apresentado por parte legítima e em tempo hábil, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, portanto, dele tomo conhecimento. Do objeto da presente controvérsia. De acordo Relatório de Auditoria Fiscal de fls. 08/18, que integra o presente Auto de Infração (fls. 02/05), o motivo da aplicação da presente penalidade fora o cometimento da infração por interposição fraudulenta cometida nas operações de importação das mercadorias despachadas por meio das Declarações de Importação (DI), relacionadas no demonstrativo de fl. 15, tipificada no art. art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, e materializada pela cessão do nome da Autuada, com o objetivo de ocultar o real adquirente das mercadorias, a pessoa jurídica Vendor Comercial de Manufaturados Ltda., fornecedora da totalidade dos recursos financeiros utilizados no custeamento da operação. Com base no argumento de que os recursos financeiros utilizados no pagamento das custos/despesas atinentes às citadas operações de importação foram transferidos da real adquirente das mercadorias, entenderam os membros da Turma de Julgamento de primeiro grau, ratificando as conclusões das Autoridades Fiscais autoras do procedimento fiscal em apreço, que as ditas operações de importação caracterizavamse como importação por conta e ordem de terceiros, com a ocultação do real adquirente das mercadorias. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11817.000153/200834 Acórdão n.º 380200.669 S3TE02 Fl. 205 9 Por outro lado, com base no argumento de que eram ínfimos os valores agregados aos preços de venda das mercadorias, alegou a Autuada que as referidas operações de importação tratavamse de compra e venda simples e não de importação por conta e ordem de terceiros, como havia entendido a Fiscalização. Ainda segundo a Autuada, a descaracterização da operação de compra e venda mercantil violava o artigo 110 do CTN. Dessa forma, fica delineado que o cerne da presente controvérsia diz respeito à qualificação jurídica atribuída às operações de importação objeto da presente autuação, isto é, se se trata de uma operação de importação por conta e ordem (simulada) ou de uma operação de importação por conta própria, como sustenta Recorrente. Em face da complexidade da matéria jurídica objeto da presente lide, entendo oportuno, antes de adentrar na análise da questão fáticoprobatória, apresentar uma breve digressão acerca da definição e dos efeitos jurídicos concernentes à interposição fraudulenta de terceiro (comprovada e presumida) nas operações de comércio exterior. Da interposição fraudulenta na importação: requisitos materiais e formais. De modo geral, considerase interposição fraudulenta (ou ilícita) a operação em que uma determinada pessoa (a interposta pessoa) realiza, em nome próprio, negócio jurídico de outrem (o real beneficiário), substituindo e ocultando este último do conhecimento de terceiros prejudicados com a operação fraudulenta. No âmbito das operações de comércio exterior, a interposta pessoa é aquela que se coloca entre o importador/exportador estrangeiro e o comprador/vendedor no País, ocultando um ou outro do conhecimento dos órgãos de controle e fiscalização das atividades de comércio exterior. No âmbito da operação de importação, a interposição fraudulenta consiste no ajuste doloso (conluio) entre o importador ostensivo e o real adquirente da mercadoria estrangeira (o importador oculto), omitindo a participação deste último nos documentos que amparam a operação e no respectivo procedimento de despacho aduaneiro de importação e assim ocultando real importador do conhecimento dos órgãos de controle das atividades de comércio exterior, de modo a isentálo dos encargos e responsabilidades decorrentes da referida operação. A materialização da referida infração exige, necessariamente, a participação de pelo menos duas pessoas jurídicas, sendo uma oculta (o importador oculto ou real beneficiário da operação), que fornece os recursos financeiros utilizados na operação (requisito material), e a outra ostensiva (importador ostensivo), a cedente do nome, inclusive dos documentos, com vistas à realização dos procedimentos de despacho aduaneiro da mercadoria (requisito formal). Das modalidades de interposição fraudulenta na operação de importação. De acordo com a legislação vigente, a interposição fraudulenta (latu sensu) divididese em: a) interposição fraudulenta (comprovada), prevista no inciso V do caput do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a nova redação da Lei nº 10.637, de 2002, combinado com o disposto no art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007; e b) interposição fraudulenta Fl. 10DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 10 presumida, definida no § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a nova redação da Lei nº 10.637, de 2002. O que diferencia uma modalidade da outra é a existência ou não da comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos financeiros empregados na operação de importação, por parte do importador responsável pelo procedimento de despacho aduaneiro de importação. Na interposição fraudulenta presumida, o importador ostensivo não comprova a origem, disponibilidade e transferência dos recursos financeiros utilizados na operação de importação por conta própria (simulada). Nessa modalidade de interposição fraudulenta, são presumidas a operação de importação por conta e ordem de terceiro e a participação do real importador que, por força das circunstâncias, não é identificado, permanecendo oculto ou desconhecido da Fiscalização aduaneira. A interposição fraudulenta (comprovada) é aquela em que o importador ostensivo comprova a origem, disponibilidade e transferência dos recursos financeiros utilizados na operação de importação por conta própria (simulada ou aparente). Neste tipo de interposição são comprovadas a operação de importação por conta e ordem de terceiro (dissimulada) e a participação do real importador (ocultado), identificado como o provedor dos recursos financeiros utilizados na operação e real adquirente da mercadoria importada. Dos efeitos jurídicos da prática da interposição fraudulenta presumida. No que tange às operações de comércio exterior, a hipótese de interposição fraudulenta presumida está prevista no § 2º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, a seguir reproduzido: Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (...). (grifos originais) Com base no referido preceito legal, por operação de inferência lógica, tem se que a nãocomprovação da origem, disponibilidade ou transferência dos recursos financeiros empregados nas operações de comércio exterior constitui o fato provado (ou presuntivo) que leva a presunção de veracidade do fato probando (ou presumido) consistente na realização da operação de interposição fraudulenta no âmbito das operações de comércio exterior. Além disso, a nãocomprovação da origem, disponibilidade ou transferência dos recursos financeiros empregados nas operações de comércio exterior constitui hipótese de inidoneidade da pessoa jurídica suficiente para imposição da declaração de inaptidão da sua inscrição no CNPJ, conforme determina o § 1º do art. 81 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, a seguir transcrito: Art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual Fl. 11DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11817.000153/200834 Acórdão n.º 380200.669 S3TE02 Fl. 206 11 de imposto de renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato1. § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002). [...] (grifos não originais). Dessa forma, demonstrado que, nas duas hipóteses anteriormente explicitadas, o real adquirente da mercadoria é presumido ou pressuposto, portando desconhecido da Fiscalização aduaneira, induvidosamente, pela prática da interposição fraudulenta presumida, apenas o importador ostensivo responde pelas seguintes sanções: a) pena de perdimento da mercadoria, por dano ao erário, prevista no § 1º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, ou multa de 100% (cem por cento) do valor aduaneiro, estabelecida no § 3º do citado art. 23, se não localizada ou consumida a mercadoria; e b) declaração de inaptidão da sua inscrição no CNPJ, nos termos do § 1º do art. 81 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002. Dos efeitos jurídicos da prática da interposição fraudulenta (comprovada). Até a vigência do art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, a tipificação da infração por interposição fraudulenta (comprovada) nas operações de comércio exterior, incluindo a conduta tanto do real beneficiário quanto a da interposta pessoa, era definida, exclusivamente, no inciso V do caput do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a nova redação da Lei nº 10.637, de 2002, com os seguintes termos: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. [...] 1 Atualmente, o caput deste artigo tem a seguinte redação: "Art. 81. Poderá ser declarada inapta, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que, estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos em 2 (dois) exercícios consecutivos". (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 12DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 12 § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. [...] (grifos não originais) Com o advento da Lei nº 11.488, de 2007, a conduta da interposta pessoa, consistente na cessão do nome, incluindo a disponibilização de documentos, passou a ser disciplinada no art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, a seguir transcrito: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Induvidosamente, o preceito legal em destaque trata da conduta da interposta pessoa no âmbito da infração por interposição fraudulenta (comprovada), atribuindolhe duas consequências jurídicas. No caput, a interposta pessoa que apenas cede o nome, inclusive disponibilizando documentos, foi imputada a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). No parágrafo único, excluiu a referida conduta da situação equiparada a inexistência de fato, eximindo a interposta pessoa da declaração de inaptidão no CNPJ, anteriormente prevista para a referida infração. Em decorrência dessa alteração, cabe esclarecer que, até a vigência do art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, predominava o entendimento de que, pela prática da interposição fraudulenta (comprovada), respondia: a) pela pena de perdimento, ou multa equivalente ao valor aduaneiro, a interposta pessoa, em coautoria com o real beneficiário da operação; e b) pela declaração de inaptidão da inscrição no CNPJ, por inexistência de fato, nos termos do inciso III do art. 34, combinado com o inciso III do art. 41, da Instrução Normativa SRF no 568, de 20052, apenas a interposta pessoa. Após a vigência do referido preceito legal, em conformidade com o disposto no art. 100 do Decretolei nº 37, de 19663, pela prática da infração em apreço, a interposta 2 "Art. 34. Será declarada inapta a inscrição no CNPJ de entidade: [...] III – inexistente de fato; [...] Art. 41. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica que: [...] III – tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários; [...]" 3 "Art.100 Se do processo se apurar responsabilidade de duas ou mais pessoas, será imposta a cada uma delas a pena relativa à infração que houver cometido". Fl. 13DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11817.000153/200834 Acórdão n.º 380200.669 S3TE02 Fl. 207 13 pessoa passou a responder apenas pela multa de 10% (dez por cento) do valor operação, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). O motivo para que não haja cumulação de penalidades (multa de 100% mais multa de 10%) sobre a mesma pessoa jurídica infratora (no caso, a interposta pessoa) decorre do fato de ambas as penalidades sancionarem infração idêntica (a interposição fraudulenta), o que é expressamente vedado pelo princípio do non bis in idem que, em matéria de infração, consiste na proibição de dupla penalização sobre idêntica conduta ilícita ou de dupla valoração de circunstância gravosa com vista à determinação do grau da pena aplicável. Não se deve olvidar que, no âmbito da legislação aduaneira, tal princípio encontrase positivado no caput do art. 99 do Decretolei nº 37, de 1966, a seguir reproduzido: Art. 99 Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicam se cumulativamente, no grau correspondente, quando for o caso, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas. [...] (grifos não originais) Não é demais repisar que, com o advento do art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, embora esse preceito legal e o art. 23, V, do Decretolei nº 1.455, de 1976, refiramse a mesma infração (interposição fraudulenta no comércio exterior), não há dúvida que as condutas sancionadas são complementares e os agentes distintos. No inciso V do art. 23, a conduta sancionada passou a ser apenas o fornecimento dos recursos financeiros (requisito material da infração), conduta atribuída apenas o real beneficiário da operação. Enquanto no art. 33, a conduta sancionada é a cessão do nome (requisito formal da infração), conduta reservada apenas a interposta pessoa. Em suma, a partir da vigência do art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, a penalidade decorrente da prática da infração tipificada no artigo 23, V, do Decretolei nº 1.455, de 1976, passou ser imputável apenas ao real importador ou exportador, ao passo que o importador ou exportador ostensivo, passou a responder apenas pela multa do artigo 33 da Lei nº 11.488, de 2007. Esse também tem sido o entendimento esposado pelo E. Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) que, por unanimidade, negou provimento ao recurso de Apelação no Mandado de Segurança (AMS) nº 2005.72.08.0051666/SC (TRF4)4, de cuja ementa transcrevo os seguintes excertos: [...] 2. O auto de infração, que redundou na aplicação da pena de perdimento, está devidamente fundamentado, encontrando lastro nos documentos produzidos no procedimento administrativo, que dão conta de que a impetrante, de fato, promoveu a importação em favor de terceiro, sem o observância das regras pertinentes. [...] 5. O artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, não tem o condão de afastar a pena de perdimento, porquanto não 4 2ª Turma, Relator Des. Otávio Roberto Pamplona, publicado em 01/08/2007 Fl. 14DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 14 implicou em revogação do artigo 23 do DL nº 1.455/76, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002. Isso porque, a pena de perdimento atinge, em verdade, o real adquirente da mercadoria, sujeito oculto da operação de importação. A pena de multa de 10% sobre a operação, prevista no referido dispositivo legal, revelase como pena pessoal da empresa que, cedendo seu nome, faz a importação, em nome próprio, para terceiros. O parágrafo único do aludido artigo, por sua vez, estatui que "à hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996". Essa complementação legal, constante do parágrafo único, abona o entendimento de que não houve a revogação da pena de perdimento para a hipótese retratada nos autos. Antes o confirma, porquanto exclui, expressamente, apenas a possibilidade da aplicação da sanção de inaptidão do CNPJ. Quanto às demais penas, permanecem incólumes, havendo a previsão, agora também, da pena pecuniária, nos termos do caput do aludido preceptivo legal. [...] (grifos não originais) De acordo com o referido julgado, a multa de 10% (dez por cento), prevista no caput do referido preceito legal, aplicase apenas ao importador ostensivo que, em nome próprio, cedendo seu nome, realiza o procedimento de importação do interesse do importador oculto, enquanto que pela pena de perdimento, ou a multa equivalente ao valor aduaneiro, responde apenas o real importador. Esse entendimento está em perfeita consonância com o disposto no § 3º do art. 7275 do Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009, que dispõe sobre o Regulamento Aduaneiro de 2009. Além disso, tendo em conta a gravidade das infrações e os danos delas decorrentes, entendo que a minoração da penalidade aplicada à interposta pessoa pela conduta da cessão do nome, que caracteriza a interposição fraudulenta comprovada, está em perfeita consonância com os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Com efeito, é inquestionável que a interposição fraudulenta caracterizada pela nãocomprovação da origem lícita dos recursos, aqui denominada de interposição fraudulenta presumida, consiste numa infração muito mais danosa à sociedade do que aquel’outra em que resta comprovada apenas a utilização dos recursos de terceiros, porém, sem o atendimento dos requisitos e condições exigidos para o procedimento de importação por conta e ordem de terceiros. A razão é óbvia, em decorrência da prática da primeira infração, além dos crimes contra ordem tributária, em tese, poderão ainda coexistir outros delitos de grande poder ofensivo, tais como os crimes de evasão de divisas, de lavagem de dinheiro etc. 5 "Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 1o A multa de que trata o caput não poderá ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais) (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 2o Entendese por valor da operação aquele utilizado como base de cálculo do imposto de importação ou do imposto de exportação, de acordo com a legislação específica, para a operação em que tenha ocorrido o acobertamento. § 3o A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas". Fl. 15DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11817.000153/200834 Acórdão n.º 380200.669 S3TE02 Fl. 208 15 Da infração objeto da presente autuação. No Relatório de Auditoria de fls. 08/18, que integra o presente Auto de Infração, com base nos depósitos bancários registrados no livro Diário (fls. 122/144) da pessoa jurídica Vendor (apontada como a real adquirente das mercadorias), concluíram as Autoridades Fiscais que, de forma sistemática e continuada, a referida pessoa jurídica, em datas que antecederam os registros das DI, transferia para a contacorrente bancária da Autuada os recursos financeiros utilizados na liquidação das correspondentes operações de importação. Em relação a essa transferência de recursos financeiros, a Recorrente apenas alegou que o fato de o pagamento ter sido feito de forma adiantada não desnaturava a natureza da operação de compra e venda simples, tornando incontroversa, portanto, a constatação feita pelas Autoridades Fiscais. De fato, no meu entendimento, os depósitos bancários representam provas imediatas e cabais da efetiva transferência dos recursos financeiros empregados nas mencionadas operações de importação, o que ratifica a conclusão no sentido de que a Autuada atuava como interposta pessoa, cedendo o seu nome, com vista a ocultar a efetiva participação, nas referidas operações de importação, da pessoa jurídica Vendor, a real adquirente das mercadorias. Dessa forma, apesar dos mencionados despachos aduaneiros de importação representam, formalmente e de forma aparente (simulada), uma operação de importação por conta própria, de fato, a real operação de importação foi do tipo por conta e ordem de terceiro (dissimulada), portanto, sem cumprimento das formalidades legais estabelecidas na legislação, situação que se subsume perfeitamente à definição de interposição fraudulenta (comprovada), anteriormente definida. Além disso, há nos autos outras provas indiciárias (mediatas) que corroboram a prática da referida infração, dentre as quais, destaco as seguintes: a) a venda das mercadorias importadas era feita a preços com baixo valor agregado e com exclusividade à pessoa jurídica Vendor que as revendia, em seguida, por preços com expressivo valor agregado (fls. 21/63); e b) tanto a Autuada quanto Vendor faziam, de forma simultânea, contatos com os exportadores na China, para instruílos sob questões de natureza operacional e para acertos de pagamentos das mercadorias importadas, conforme se verifica na correspondência de fls. 92/120). Por todas essas razões, além da existência das provas documentais, retratando a transferência dos recursos financeiros da Vendor para a Autuada, o que, por si só, já seria suficiente para comprovar a prática da infração em tela, há nos autos um conjunto de provas indiciárias que, de modo congruente, conduz a conclusão inevitável de que Autuada apenas cedera o seu nome, com vista a ocultação da real adquirente da mercadoria, complementando o ajuste doloso que resultou na concretização da infração por interposição fraudulenta, sancionada com a multa objeto da presente autuação. Das alegações da Autuada. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 16 Alegou a Autuada que as referidas operações de importação tratavamse de compra e venda simples e não de importação por conta e ordem de terceiros, como entendera a Fiscalização. Ainda segundo a Autuada, a desnaturação da operação de compra e venda mercantil violava o artigo 110 do CTN. Em alguns equívocos, com a devida vênia, incorreu a Recorrente. O primeiro deles, diz respeito a desnaturação da operação de compra e venda mercantil. Na verdade, o que as Autoridades Fiscais desconsideram foi a natureza da operação de importação e não a operação de compra e venda mercantil, seja a que lhe antecedeu, no mercado externo, seja a que lhe foi posterior, no mercado interno. E ao proceder dessa forma, ao meu ver, agiram dentro da estrita legalidade, pois, conforme já demonstrado, as referidas operações de importação foram realizadas com recursos financeiros de terceiros, no caso, a pessoa jurídica Vendor, o que, por presunção legal, equiparase a uma importação por conta e ordem de terceiro, conforme dispões o art. 27 da Lei nº 10.637, de 2002, a seguir transcrito: Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. O segundo equívoco, referese à aplicação do art. 110 do CTN, que tem a seguinte dicção, in verbis: Art. 110 A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. (grifos não originais). Diante da clareza do conteúdo normativo expresso no referido preceito legal, dúvida alguma remanesce no sentido de que ele se dirige ao legislador da lei ordinária tributária e se refere “a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal (...), para definir ou limitar competências tributárias”. Em outras palavras, os institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados pela Constituição, para estabelecer ou limitar as competências tributárias, não podem ser alterados pelo legislador para o fim de alargar a materialidade dos fatos geradores dos tributos nela discriminados. Evidentemente, tal norma não se aplica ao caso em tela, haja vista que objeto da presente controvérsia referese à aplicação da legislação sobre infração e penalidade previstas na legislação aduaneira. Também não se aplica à presente autuação, a alegação da Recorrente de jamais existiu “qualquer máfé ou intenção de lesar erário”, pois, como consabido, a infração à legislação aduaneira tem natureza objetiva, conforme estabelece o art. 94 do Decretolei nº 37, de 1966, a seguir transcrito: Art. 94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11817.000153/200834 Acórdão n.º 380200.669 S3TE02 Fl. 209 17 § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (grifos não originais) Por todas essas razões, fica demonstrada a improcedência das alegações suscitadas pela Recorrente. Dos fundamentos jurídicos da maioria. Em cumprimento ao disposto no § 9º do art. 63 do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (Regimento Interno do Carf), incluído pela Portaria MF nº 586, de 2010, reproduzo a seguir parte do Voto Vencedor da lavra do i. Conselheiro Regis Xavier Holanda, que serviu de base para o Acórdão nº 380200.668, proferido no âmbito do julgamento do Recurso Voluntário nº 504.482 (Processo nº 12466.003440/200896), que reflete o entendimento da maioria dos membros do Colegiado acerca dos fundamentos jurídicos atinentes à matéria em apreço, in verbis: [...] Vencida a questão probatória pelo voto apresentado pelo i. relator, restanos agora a análise de questão eminentemente jurídica também suscitada nos presentes autos: o cabimento ou não de aplicação retroativa do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 à importadora ostensiva. O dispositivo em comento apresenta a seguinte redação, in verbis: Lei nº 11.488/2007 Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O referido artigo 816 da Lei nº 9.430/96 assim dispõe: Art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição 6 Redação atual do caput do art. 81 da Lei nº 9.430/96, dada pela Lei nº 11.941, de 2009: Art. 81. Poderá ser declarada inapta, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que, estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos em 2 (dois) exercícios consecutivos. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 18 da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato. § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. § 2o Para fins do disposto no § 1o, a comprovação da origem de recursos provenientes do exterior darseá mediante, cumulativamente: I prova do regular fechamento da operação de câmbio, inclusive com a identificação da instituição financeira no exterior encarregada da remessa dos recursos para o País; II identificação do remetente dos recursos, assim entendido como a pessoa física ou jurídica titular dos recursos remetidos. § 3o No caso de o remetente referido no inciso II do § 2o ser pessoa jurídica deverão ser também identificados os integrantes de seus quadros societário e gerencial. § 4o O disposto nos §§ 2o e 3o aplicase, também, na hipótese de que trata o §2º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976. Após análise conjunta da regra do art. 33 da Lei nº 11.488/07 com a disposta no art. 23, V e parágrafos do Decretolei nº 1.455/76, curvome ao entendimento de que a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada conferiu uma nova penalidade que é aplicável ao importador ou exportador ostensivo cumulativamente ao perdimento da mercadoria importada ou à sua conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Com efeito, temos aqui penalidades de naturezas diversas: uma relativa ao controle aduaneiro consubstanciada no perdimento da mercadoria; e a outra advinda do descumprimento de uma obrigação tributária acessória. Sobre a matéria, pela profundidade e clareza com que o tema foi abordado, adoto como fundamento trechos do voto proferido pelo i. julgador Fernando Sérgio Tavares e Sales em julgamento realizado pela 7ª Turma da DRJ/FOR relativo ao Processo nº 10142.000462/200821, abaixo reproduzidos literalmente: “Da alegação da cessão de nome da pessoa jurídica ................................................................................................. .. De pronto, não é demais ressaltar que toda cessão fraudulenta de nome empresarial a terceiros para o escamoteado exercício do comércio internacional provoca a ocorrência, simultânea, de interposição fraudulenta, obtendo tal situação fática reprimenda, de forma Fl. 19DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11817.000153/200834 Acórdão n.º 380200.669 S3TE02 Fl. 210 19 cumulativa, tanto relacionada ao objetivo perdimento da mercadoria – Dano ao Erário: pena de natureza administrativa/controle aduaneiro quanto à penalidade inaugurada no artigo 33 acima colocado – Obrigação tributária acessória: pena face ao seu descumprimento. Porém, nem toda interposição fraudulenta de terceiros é alimentada pela cessão indevida do nome empresarial da importadora/exportadora como podemos citar a presunção debatida nestes autos , subsumindose tal acontecimento à pena de perdimento, no entanto motivando o afastamento da segunda penalidade aqui em debate. ................................................................................................. .. De qualquer sorte, apesar de fugir ao caso específico em apreço, cabe revelar que a pena de perdimento da mercadoria, prescrita no inciso V do art. 23 do Decretolei nº 1.455/1976, e a penalidade pecuniária estabelecida no art. 33 da Lei nº 11.488/2007 exprimem censuras autônomas, conseqüentemente, são passíveis de aplicação cumulativa. ................................................................................................. .. Ao caso, portanto, é aplicável a pena de perdimento às mercadorias, no entanto não passível de operacionalização em virtude da impossibilidade material da cominação dessa sanção, tendo em vista a ausência da localização das mercadorias ou mesmo a ocorrência do seu consumo. Dessa maneira, conforme já exposto, o diploma legal estabelece a aplicação de penalidade substitutiva, no importe equivalente ao valor destas, no entanto, vale firmar: aludida ação punitiva substitutiva, em que pese apresentarse sob feição tributária, não desnatura a sua essência aduaneira/administrativa, ou melhor, não tributária. Portanto, o lançamento tem seu núcleo centrado na pena de perdimento da mercadoria. O objeto primário da reprimenda administrativa, desse modo, é a apreensão da mercadoria em face, “primeiro”, do importador/exportador ostensivo – explicitado no conhecimento de transporte/fatura/nota fiscal/registro da DI/RE e ulterior decretação de sua perda em favor da União. Recorri ao termo “primeiro”, pois é assente, nos termos da legislação norteadora da matéria (art. 95, Decretolei nº 37/66), que eventual outro agente que concorra para tal prática, igualmente, integrará o pólo passivo da demanda fiscal, desta feita, sob condição solidária. O crédito tributário, na espécie, é fruto da impossibilidade da execução dessa sanção administrativa, redundando, logo, em exação no importe equivalente ao quantum dessas mercadorias. Logo, fossem, nesse passo, apresentadas as Fl. 20DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 20 mercadorias não existiria o presente crédito tributário. Ou mesmo, se citada inflição fosse decretada no anterior curso do despacho aduaneiro, portanto com as mercadorias então palpáveis, igualmente, aludido crédito tributário não se lhe sucederia, pois a pena de perdimento seria ali cominada em face daquele agente apresentado como importador. Tal mesma exegese não se pode colher do escopo legal emanado do artigo 33 da Lei n° 11.488/07, adiante posto: ................................................................................................. .. Analisando o dispositivo, percebese que citado diploma legal visa punir a pessoa jurídica que cede seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas a eclipsálos, ou seja, ocultando seus reais intervenientes ou beneficiários. Desse modo, a pena administrativa de perdimento aqui tratada assenta a implementação de seu foco punitivo, de per si, na mercadoria, ou melhor, no afastamento de sua propriedade; já a punição estabelecida pela novel norma, sem prejuízo da primeira cominação, materializase em penalidade pecuniária específica a quem lhe deu causa, ou seja, ao específico agente que promoveu a cessão de seu nome a outrem com o fito de afastar, da ciência das autoridades aduaneiras, a participação da cessionária. ................................................................................................. .. Na nova norma punitiva supra, depreendese que o verbo do seu tipo é ceder. Tal norma se destina, assim, a censurar, mediante aplicação de multa pecuniária, o específico ato do agente que promove a cessão de seu nome empresarial a outrem para subtraílo da figuração, notadamente, do ato primeiro do iter procedimental da importação, e último, da exportação. Convém, logo, realçar que o tipo colocado pela Lei nº 11.488/07 não encampa conduta meramente culposa do agente infrator, pois nele próprio há previsão explícita do nocivo desiderato do agente, qual seja, “com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários”, o que atrai a natureza dolosa desse cometimento. A censura à interposição fraudulenta de terceiros, nos termos do inciso V do art. 23 do Decretolei nº 1.455/1976, repercute no bem objeto da transação simulada e, por conseqüência, sobretudo, em seu então proprietário, explicitado no B/L, fatura, nota fiscal, contratos, etc. Diante da inviabilidade da materialização da sanção, conforme visto, há que ser promovida a constituição do crédito tributário, sob a vertente da penalidade pecuniária. Nesse novo turno, em desfavor de quem? Ora, em desfavor Fl. 21DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11817.000153/200834 Acórdão n.º 380200.669 S3TE02 Fl. 211 21 do proprietário da mercadoria, bem como daquele que efetivamente logrou fomentar a interposição vedada, decisivamente concorreu para a interposição fraudulenta, aquele, portanto, que almejou beneficiarse da operação simulada, conforme norte claro emanado do art. 95 do Decretolei nº 1.455/1976. A reprimenda à cessão é personalíssima ao agente cedente, logo destinada especificamente:“a pessoa jurídica que ceder seu nome”, diferentemente da interposição fraudulenta, a qual comporta repreender o fato: interposição dolosa, mediante a incidência da decretação da perda do bem ali envolvido, portanto em desfavor, em última análise, do seu proprietário, bem como de quem concorreu, indevidamente, para essa relação de propriedade, mesmo que, naquele ínterim, velado. Na ausência do objeto dessa inflição, toma assento, alternativamente, o crédito tributário. Conseqüentemente, na espécie, os agentes que, inequivocamente, entremearam se para tal fato, qual seja, a vedada interposição, colocam se perante o fisco na condição de solidários em face da exação substituta, pois, cristalinamente, concorreram para referida defesa prática, sendo a pluralidade da sujeição passiva do lançamento intrínseca à infração. ................................................................................................. .. Ao revés, trilho o entendimento de que tal pena de 10% veio acompanhar a cominação da penalidade substitutiva do perdimento, sendo a primeira com foco exclusivo no cedente, ao passo que a última endereçada tanto ao cedente quanto àquele que concorreu dolosamente para o fato: interposição fraudulenta, por exemplo, o agente adquirente do bem. ................................................................................................. .. Sobre o aspecto da vedação à decretação da inaptidão do CNPJ do cedente, por seu turno, desta forma estabelecia o então vigente caput do dispositivo acima referenciado da Lei nº 9.430/96, posteriormente alterado pela MP 449/2008 e pela Lei nº 11.941/2009, assim como os demais dispositivos do artigo em referência: Art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato.7 7 Redação atual do caput do art. 81 da Lei 9.430/96, dada pela Lei nº 11.941/2009: Fl. 22DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 22 § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. § 2o Para fins do disposto no § 1o, a comprovação da origem de recursos provenientes do exterior darseá mediante, cumulativamente: I prova do regular fechamento da operação de câmbio, inclusive com a identificação da instituição financeira no exterior encarregada da remessa dos recursos para o País; II identificação do remetente dos recursos, assim entendido como a pessoa física ou jurídica titular dos recursos remetidos. § 3o No caso de o remetente referido no inciso II do § 2o ser pessoa jurídica deverão ser também identificados os integrantes de seus quadros societário e gerencial. § 4o O disposto nos §§ 2o e 3o aplicase, também, na hipótese de que trata o § 2o do art. 23 do DecretoLei no 1.455, de 7 de abril de 1976. [...]Convém iterar que o parágrafo único do supramencionado art. 33 da Lei nº 11.488/07 reforça a intenção do legislador de punir, também, a estrita indevida conduta da cessão jungida ao nome da pessoa jurídica, quando estabelece que, em tal hipótese, não se aplica o disposto no artigo 81 da Lei n° 9.430/96, que determina, sem prejuízo da pena de perdimento do bem, a declaração de inaptidão do correspondente CNPJ instrumento de exercício do poder de polícia com o intuito de evitar fraudes e combater o uso abusivo da pessoa jurídica. Com a edição da Lei nº 11.488/2007, em razão do contido no parágrafo único de seu artigo 33, o parlamento entendeu não mais aplicar o disposto no artigo 81 da Lei nº 9.430/1996, ou seja, não mais se declarar inapta a pessoa jurídica naquelas situações que especifica. ................................................................................................. .. Vale sublinhar, por último, que a pena de perdimento, com efeito, tem natureza diversa da sanção de inaptidão do CNPJ, a despeito de ambas, para o caso em apreço, descenderem do mesmo fato jurígeno. Enquanto esta tem como objeto de execução direta o alicerce cadastral da pessoa jurídica – interditando, por conseguinte, a continuidade do seu exercício empresarial, aquela é de controle aduaneiro, pesando sua aplicação sobre as mercadorias importadas ou exportadas em situação irregular. Dessa maneira, conseqüentemente, são passíveis também, de forma legítima, de aplicação cumulativa. “Art. 81. Poderá ser declarada inapta, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que, estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos em 2 (dois) exercícios consecutivos.” Fl. 23DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11817.000153/200834 Acórdão n.º 380200.669 S3TE02 Fl. 212 23 A Lei nº 11.488/2007, no específico dispositivo em estudo, ao mesmo tempo em que determinou a obstaculização da sanção de inaptidão à pessoa jurídica infratora, previu a exigência de multa pecuniária por tal defeso agir. Essa substituição de penalidade, ou mesmo, essa impressão de maior rigor civil a tal cometimento em nada altera sua natureza e, portanto, resta mantida a possibilidade de sua exigência simultânea com a pena de perdimento – ou a que lhe é substitutiva que, notese, até a presente data, não foi revogada. Conforme o exposto, concluise que, a partir da introdução da multa pelo artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, além do perdimento do bem correspondente, a nova lei atribuiu penalidade pecuniária dirigida diretamente àquele que cedeu o seu nome para acobertar a operação de comércio exterior de terceiros, não se tratando, pois, de abrandamento de uma penalidade para determinada infração, mas a introdução da aplicação de uma penalidade pecuniária diretamente sobre o agente da ação. Ainda, nesse diapasão, como pressuposto subsidiário à conclusão aqui chegada, a existência ou não das mercadorias, seu consumo ou não, sua localização ou não, enfim, todas estas possíveis situações não afetariam a constituição do crédito tributário fundado no artigo 33 da Lei n° 11.488/07. Portanto, clara está a natureza distinta das previsões legais, não se acatando portanto a preliminar suscitada. Por derradeiro, apenas a título complementar, cumpre assinalar, por oportuno, que, em cunho simplesmente interpretativo e elucidativo, o novo regulamento aduaneiro, estabelecido pelo Decreto nº 6.759, de 05/02/2009, revela a perfeita independência entre as infrações em tela, descabendo falar no afastamento da pena de perdimento em prol da cominação exclusiva insculpida no art. 33 da Lei nº 11.488/07. Deste modo prescreve esse diploma normativo: Art.727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). §1o A multa de que trata o caput não poderá ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais)(Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). §2o Entendese por valor da operação aquele utilizado como base de cálculo do imposto de importação ou do imposto de exportação, de acordo com a legislação específica, para a operação em que tenha ocorrido o acobertamento. Fl. 24DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 24 §3o A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas.(grifei). Assim, descabe acolhimento quanto ao entendimento da impugnante a respeito da eventual substituição da multa ora exigida pela multa prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. Em verdade, aludida propositura da impugnante não promove a nulidade desta exação, antes solidifica seus fundamentos.” Dessa forma, exprimindo a pena de perdimento da mercadoria – e a penalidade substitutiva de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando não localizada ou consumida , prescrita no art. 23, inciso V e parágrafos do Decretolei nº 1.455/1976, e a penalidade pecuniária estabelecida no art. 33 da Lei nº 11.488/2007 censuras autônomas e passíveis, portanto, de aplicação cumulativa, não há que se falar em aplicação retroativa benigna desse último dispositivo normativo no presente caso. Da conclusão. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso, para manter na íntegra o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 25DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.100708/2003-45
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Ano-calendário: 1998
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO. PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE
PROVA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
O reconhecimento da extinção do crédito tributário, quando não é confirmado pelos sistemas de controle da Receita Federal, depende da apresentação de prova por parte do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3802-000.614
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: SOLON SEHN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1515; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 201 1 200 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.100708/200345 Recurso nº 511.093 Voluntário Acórdão nº 380200.614 – 2ª Turma Especial Sessão de 07 de julho de 2011 Matéria COFINS PAGAMENTO Recorrente IMENEZES E CIA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1998 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO. PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. O reconhecimento da extinção do crédito tributário, quando não é confirmado pelos sistemas de controle da Receita Federal, depende da apresentação de prova por parte do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 13/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Tatiana Midori Migiyama, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi. Fl. 226DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/07/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (PA), assim ementado (fls. 81): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1998. DCTF. É procedente lançamento quando fundado em declarações do contribuinte, que depois as alega errôneas, mas não prova o alegado. Lançamento Procedente O lançamento decorre de auditoria interna na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (Dctf), na qual foi constatada a não ocorrencia dos pagamentos declarados pelo sujeito passivo. As razões recursais se resumem aos seguintes argumentos (fls. 88): Prezados Conselheiros houve realmente um erro da Sra. (contadora) Helena Keiko Nishimoto Kawatiresponsável pelo preenchimento das DCTFs dos períodos de 1°,2°,3° e 4°trimestres de 1998 ao preencher a DCTF em vez da filial 003 preencheu erroneamente com a DCTF da filial 002. Juntase todos os DARFs referentes aos recolhimentos da filial 03. Demonstrase através da declaração de Imposto de Renda do período que houve somente movimentos desta filial e não da outra; Demonstrase também as DAMs da época em que fica evidenciado somente movimento na inscrição 003. Demonstrase ainda os devidos pagamentos dos DARFS. Assim, requerse a V.S.a que nos assegure esta oportunidade de considerar este pedido procedente, pois houve sim um ERRO DE PREENCHIMENTO e não má fé em lesionar a Receita Federal e que, na primeira solicitação de impugnação, por falta de mais conhecimento e empenho deixouse de apresentar todos os argumentos necessários, chegando assim ao não deferimento da solicitação,assim demonstrando todo ocorrido. Caso não seja aceita requeremos que seja aplicada o artigo 14 da Medida Provisória 449 de 03.12.2008. É o relatório. Voto Fl. 227DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/07/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10283.100708/200345 Acórdão n.º 380200.614 S3TE02 Fl. 202 3 Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão recorrida ocorreu em 29/04/2009 (fls. 86), ao passo que o recurso foi protocolizado em 26/05/2009 (fls. 87), dentro do prazo legal. A matéria em debate está inserida na competência da Terceira Seção, de sorte que, presentes os demais requisitos de admissibilidade, o recurso pode ser conhecido. No mérito, não há como acolher as razões arepsentadas pelo Recorrente. Isso porque, se o pagamento não é confirmado pelos sistemas de controle da Receita Federal, o reconhecimento da extinção do crédito tributário depende da apresentação de prova por parte do sujeito passivo. Esta, por sua vez, não foi apresentada no caso em exame, consoante destacado pelo acórdão recorrido (fls. 8283): [...] o impugnante não traz provas de que os fatos geradores do tributo devido ocorrerem na filial 04.317.939/000305. O auto de infração 0002454 foi elaborado com base em declarações do próprio contribuinte; ao alegar erro deveria mostrar provas de sua alegação, enquadrandose, embora em um processo administrativo tributário, no disposto no art. 333 do Código de Processo Civil, que imputa ao autor, no caso o impugnante, o dever de provar o alegado. Por fim, quanto ao pedido de aplicação da remissão prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/20091, este deverá ser apreciado na unidade da Receita Federal de origem, com o retorno dos autos após a decisão do Carf. O recurso, assim, deve ser conhecido e desprovido em sua integralidade, com a manutenção da decisão recorrida. Solon Sehn Relator 1 "Art. 14. Ficam remitidos os débitos com a Fazenda Nacional, inclusive aqueles com exigibilidade suspensa que, em 31 de dezembro de 2007, estejam vencidos há 5 (cinco) anos ou mais e cujo valor total consolidado, nessa mesma data, seja igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais)". Fl. 228DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/07/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722282/2012-70
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE.
Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovado a existência de matéria constante do Acórdão que não foi devidamente apontada na conclusão do voto, cabe a admissibilidade dos embargos para sanar a obscuridade. Embargos Acolhidos sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 9101-006.574
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para correção da obscuridade apontada, sem efeitos infringentes, e ratificar o resultado do julgamento no acórdão embargado.
(documento assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente em exercício.
(documento assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Lívia De Carli Germano, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Luis Henrique Marotti Toselli, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Alexandre Evaristo Pinto, Gustavo Guimarães da Fonseca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente em exercício).
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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OBSCURIDADE. Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovado a existência de matéria constante do Acórdão que não foi devidamente apontada na conclusão do voto, cabe a admissibilidade dos embargos para sanar a obscuridade. Embargos Acolhidos sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para correção da obscuridade apontada, sem efeitos infringentes, e ratificar o resultado do julgamento no acórdão embargado. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Lívia De Carli Germano, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Luis Henrique Marotti Toselli, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Alexandre Evaristo Pinto, Gustavo Guimarães da Fonseca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente em exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 22 82 /2 01 2- 70 Fl. 2139DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-006.574 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.722282/2012-70 Trata-se de Embargos de Declaração (e-fls. 2127/2129) opostos pela unidade de jurisdição – DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM CAMPINAS/SP – contra o Acórdão nº 9101-005.952 (e-fls. 2083/2122), proferido na sessão de julgamento realizada em 07/02/2022, na qual o Colegiado prolatou a seguinte decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas em relação à matéria “plena e imediata dedutibilidade de despesas incorridas com o pagamento de encargos setoriais estabelecidos pela ANEEL”. No mérito, por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, em face do empate no julgamento, deu-se provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Edeli Pereira Bessa (relatora), Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Andréa Duek Simantob que votaram por negar-lhe provimento. Designado pare redigir o voto vencedor o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto. O acórdão embargado recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2008 POSTERGAÇÃO. RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. CONTEXTOS FÁTICOS E JURÍDICOS DIFERENTES. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. Não se conhece de recurso especial cujo acórdão apresentado para demonstrar a divergência evidencia decisão em contexto fático distinto, concernente aos critérios de cálculo do tributo na hipótese de inobservância do regime de escrituração, e não para critérios fáticos de caracterização da inobservância do regime de escrituração. SETOR ELÉTRICO. INVESTIMENTOS. PESQUISA E DESENVOLVIMENTO. A constituição de passivo relativo a gastos com a pesquisa e desenvolvimento do setor elétrico determinada por lei configura contas a pagar, não se caracterizando como provisão, uma vez que os valores a serem despendidos são líquidos e certos, calculados com base na receita. Assim, a contrapartida da constituição do passivo como despesa no resultado é dedutível para fins de IRPJ e CSLL. A Fazenda Nacional foi cientificada da decisão e não se manifestou, a teor do documento de e-fl. 2124. Em apertada síntese, a embargante lembra que o recurso especial foi admitido apenas em relação à matéria “plena e imediata dedutibilidade de despesas incorridas com o pagamento de encargos setoriais estabelecidos pela ANEEL”, e que a decisão de mérito foi pelo provimento do recurso especial do sujeito passivo. Nesse contexto, surge a alegada obscuridade e a solicitação de esclarecimento quanto ao alcance da decisão. Nas palavras da embargante: Fl. 2140DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-006.574 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.722282/2012-70 6. Diante do exposto, informamos que no Auto de Infração, fl 1595 o fiscal discorre sobre os tres itens Os investimentos dividem-se em três partes distintas: a) Contribuição ao FNDC/FINEP, que deve ser provisionado pelo contribuinte mensalmente durante 2008 e recolhido em parcela única em 2009; b) Contribuição para o MME (Ministério das Minas e Energia), também provisionado pelo contribuinte mensalmente durante 2008 e recolhido em parcela única em 2009; c) Investimento direto: essa parcela deve ser investida diretamente pelo contribuinte em programas de pesquisa e desenvolvimento. Considerando as parcelas a e b despesas efetivas e a parcela c “mera provisão”. O item c na parte de investimento foi provisionado na conta contábil 21181803 e a sua despesa na conta 6199005 no valor de R$ 6.387.412,65, fl 1596. A conta 21181803 recebeu ainda a incidência da variação monetária passiva, cuja conta de despesa financeira foi a 63503007 no valor de R$ 2.088.636,55 perfazendo o total de autuação de R$ 8.476.049,20. Assim a parcela do investimento direto item c recebeu dois valores pelo interessado, o investimento e sua variação monetária. 7. Considerando-se que o acórdão de recurso especial, deu provimento parcial apenas em relação à matéria “plena e imediata dedutibilidade de despesas incorridas com o pagamento de encargos setoriais estabelecidos pela ANEEL”, solicita-se posicionamento/esclarecimento por parte deste Conselho - CARF - acerca da abrangência do provimento, esclarecendo se está também contemplada além da parcela no valor de R$ 6.387.412,65, a parcela da variação monetária passiva no valor de R$ 2.088.636,55, a qual foi lançada em outra conta de despesa apesar de ser lançada na mesma conta de provisão. [...] Os embargos foram admitidos nos seguintes termos: O exame do acórdão embargado leva à constatação de que, no voto vencido, as parcelas correspondentes a provisão e as correspondentes variações monetárias passivas foram consideradas indedutíveis, recebendo menção e tratamento individualizados. Confira-se (e-fls. 2114/2115): Assim, sendo incerta a aplicação dos recursos em investimentos no momento em que o passivo é constituído, sua contrapartida representa provisão e o fato de decorrer de uma obrigação legal não permite sua dedutibilidade, na medida em que os requisitos de dedutibilidade para encargos desta natureza estão assim postos na legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/99: Fl. 2141DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-006.574 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.722282/2012-70 [...] Na mesma toada, sendo indedutível a provisão, indedutíveis também são as variações monetárias destinadas a atualizar seu saldo contábil. Em sentido contrário, o voto vencedor considerou que, não obstante o nome de provisão, aquela rubrica de fato se revestia de características de despesas dedutíveis. Entretanto, ao contrário do que ocorreu no voto vencido, não se encontra menção específica às variações monetárias que as acompanharam no montante total lançado. Confira-se (e-fls. 2118/2121): Por mais que os passivos registrados pela Recorrente (e cuja constituição teve contrapartida no resultado do exercício) tenham o nome de provisão, inclusive por determinação legal, é importante perceber que o passivo decorreu de uma obrigação legal oriunda da legislação regulatória. [...] Diante da falta de incerteza com relação a tais passivos, entendo que não se tratam de provisões no sentido estrito da Contabilidade, de forma que as despesas relativas a tais passivos não merecem o tratamento tributário do artigo 13, I, da Lei n. 9.249/95. É importante salientar ainda que a constituição de quaisquer contas a pagar independe do eventual pagamento futuro ou não. Em outras palavras, com a constituição do passivo de contas a pagar em contrapartida à despesa no resultado do exercício, se está demonstrando na contabilidade de acordo com o regime de competência que aquela obrigação é devida pela entidade. No caso específico da obrigação em tela, trata-se de obrigação líquida e certa oriunda de determinação legal e calculada com base na receita, de forma que não há que se falar em incerteza com relação ao seu montante. Assim, ainda que um determinado saldo de contas a pagar tenha sido devidamente contabilizado, mas não tenha sido pago em um momento posterior, isso não descaracteriza a obrigatoriedade do registro do passivo de contas a pagar e a dedutibilidade da despesa correspondente. A título de exemplo, um simples saldo de contas a pagar de água e esgoto permanecerá registrado como passivo (que foi constituído em contrapartida ao resultado), mesmo que a entidade não venha a adimplir com aquela obrigação. Logo, não há que se olhar para a destinação do saldo registrado como contas a pagar. Diferentemente acontece com uma provisão em que muito provavelmente o valor a ser pago no futuro dificilmente coincidirá com o valor registrado no passivo. Ante o exposto, entendo que não há característica de provisão contábil na conta em apreço, visto que ela é mandatória, oriunda de lei e necessária à Fl. 2142DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-006.574 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.722282/2012-70 manutenção da fonte produtora, sendo obrigatória, portanto, para quem está no âmbito de regulação da ANEEL. Dessa forma, a partir da análise dos dispositivos normativos regulatórios relativos aos passivos aqui discutidos, verifica-se que as contas aqui discutidas não possuem características de provisão. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial. Assim, tem-se por adequadamente demonstrada a obscuridade alegada pela embargante. Diante do exposto, com fundamento no art. 65 do Anexo II do RICARF, ADMITO os embargos de declaração opostos pela Unidade de origem, para que o Colegiado se manifeste acerca do alegado vício de obscuridade suscitado pela Embargante, especificamente quanto ao alcance da decisão embargada, no que se refere à parcela das variações monetárias passivas incidentes sobre as provisões/despesas cuja glosa foi afastada. É em síntese o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE EVARISTO PINTO, Relator. Embargos - Admissibilidade Tempestivos os embargos de declaração. Assim dispõe o RICARF no art. 65 de seu Anexo II acerca dos Embargos de Declaração: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I - por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II - pelo contribuinte, responsável ou preposto; III - pelo Procurador da Fazenda Nacional; Fl. 2143DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-006.574 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.722282/2012-70 IV - pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de decisões da delegacia da qual é titular; (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) V - pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão; ou (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) VI - pelo Presidente da Turma encarregada pelo cumprimento do acórdão de recurso especial. (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) §2º O presidente da Turma poderá designar o relator ou redator do voto vencedor objeto dos embargos para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração. § 3º O Presidente não conhecerá os embargos intempestivos e rejeitará, em caráter definitivo, os embargos em que as alegações de omissão, contradição ou obscuridade sejam manifestamente improcedentes ou não estiverem objetivamente apontadas. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 4º Do despacho que não conhecer ou rejeitar os embargos de declaração será dada ciência ao embargante. § 5º Somente os embargos de declaração opostos tempestivamente interrompem o prazo para a interposição de recurso especial. § 6º As disposições previstas neste artigo aplicam-se, no que couber, às decisões em forma de resolução. § 7º Não poderão ser incluídos em pauta de julgamento embargos de declaração para os quais não haja despacho de admissibilidade. § 8º Admite-se sustentação oral nos termos do art. 58 aos julgamentos de embargos. Conforme já relatado, a Unidade de Jurisdição apresenta embargos de declaração face ao acórdão 9101-005.952 (e-fls. 2083/2122), proferido na sessão de julgamento realizada em 07/02/2022, em razão de suposta obscuridade. Preenchidos os requisitos de conhecimento, conforme despacho de admissibilidade de fls. 2133 e seguintes. A meu ver, demonstrada a obscuridade necessária para o manejo do especial, razão pela qual o acolho. Mérito Analisando-se o acórdão recorrido, pode-se chegar a conclusão de que há a alegada obscuridade. Ao menos em primeira leitura. Fl. 2144DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-006.574 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.722282/2012-70 A leitura do voto vencido, demonstra que a Conselheira relatora não distinguiu a natureza das parcelas, tratando-as como provisão e dando-lhes o mesmo tratamento jurídico tributário: Assim, sendo incerta a aplicação dos recursos em investimentos no momento em que o passivo é constituído, sua contrapartida representa provisão e o fato de decorrer de uma obrigação legal não permite sua dedutibilidade, na medida em que os requisitos de dedutibilidade para encargos desta natureza estão assim postos na legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/99: [...] Na mesma toada, sendo indedutível a provisão, indedutíveis também são as variações monetárias destinadas a atualizar seu saldo contábil Assim, ao prevalecer o entendimento de que tal conta não caracteriza provisão, mas sim passivo da Recorrente, ao determinar a dedutibilidade do principal, decorre a dedutibilidade da integralidade da conta, inclusive em relação às variações monetárias destinadas a atualizar seu saldo contábil. Assim, voto por acolher os Embargos para correção da obscuridade apontada, sem efeitos infringentes, e ratificar o resultado do julgamento no acórdão embargado. É como voto. (documento assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator Fl. 2145DF CARF MF Original
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Numero do processo: 16095.720038/2011-91
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2007
FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. CABIMENTO.
No caso de falta de recolhimento de estimativa mensal, o art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, com alterações promovidas pela Lei nº 11.488 de 2007, prevê a imposição de multa de 50%, mesmo no caso de apuração de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, sendo exigida isoladamente, de modo que pode ser exigida mesmo após o encerramento do exercício. Tal entendimento está expresso na súmula CARF n° 178.
MULTA ISOLADA. MULTA DE MORA. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE.
É cabível a aplicação da multa isolada exigida em face da falta de pagamento de imposto apurado mensalmente, sobre bases estimadas, concomitantemente com a cobrança de multa de mora incidente sobre o crédito tributário constituído por meio do auto de infração, haja vista as respectivas hipóteses de incidência cuidarem de situações distintas.
Numero da decisão: 1001-002.944
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Fernando Beltcher da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Sidnei de Sousa Pereira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Beltcher da Silva, José Roberto Adelino da Silva e Sidnei de Sousa Pereira.
Nome do relator: SIDNEI DE SOUSA PEREIRA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2007 FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. No caso de falta de recolhimento de estimativa mensal, o art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, com alterações promovidas pela Lei nº 11.488 de 2007, prevê a imposição de multa de 50%, mesmo no caso de apuração de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, sendo exigida isoladamente, de modo que pode ser exigida mesmo após o encerramento do exercício. Tal entendimento está expresso na súmula CARF n° 178. MULTA ISOLADA. MULTA DE MORA. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE. É cabível a aplicação da multa isolada exigida em face da falta de pagamento de imposto apurado mensalmente, sobre bases estimadas, concomitantemente com a cobrança de multa de mora incidente sobre o crédito tributário constituído por meio do auto de infração, haja vista as respectivas hipóteses de incidência cuidarem de situações distintas.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2007 FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. No caso de falta de recolhimento de estimativa mensal, o art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, com alterações promovidas pela Lei nº 11.488 de 2007, prevê a imposição de multa de 50%, mesmo no caso de apuração de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, sendo exigida isoladamente, de modo que pode ser exigida mesmo após o encerramento do exercício. Tal entendimento está expresso na súmula CARF n° 178. MULTA ISOLADA. MULTA DE MORA. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE. É cabível a aplicação da multa isolada exigida em face da falta de pagamento de imposto apurado mensalmente, sobre bases estimadas, concomitantemente com a cobrança de multa de mora incidente sobre o crédito tributário constituído por meio do auto de infração, haja vista as respectivas hipóteses de incidência cuidarem de situações distintas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Fernando Beltcher da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Sidnei de Sousa Pereira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Beltcher da Silva, José Roberto Adelino da Silva e Sidnei de Sousa Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 00 38 /2 01 1- 91 Fl. 342DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-002.944 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 16095.720038/2011-91 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra acórdão da DRJ que julgou Impugnação procedente em parte. Por meio do “Termo de Constatação de Irregularidades – IRPJ” (TCI), de 5/5/2011, a autoridade fiscal relata, em síntese: O contribuinte foi intimado para apresentar o demonstrativo de apuração das bases se cálculo do imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), os livros Diário, Razão e LALUR e documentação referente a cisão ocorrida em Jan/2007. Da análise das informações prestadas pelo contribuinte e daquelas disponíveis nos sistemas informatizados, apurou-se que, para o mês de Jan/2007 (cisão), o contribuinte apresentou a declaração de imposto de renda pessoa jurídica com valores nulos nas fichas de apuração do IRPJ (Ficha 16) e da CSLL (Ficha 17). Os valores devidos para o IRPJ, para esse período, foram apurados através das informações constantes do LALUR, conforme demonstrado na planilha anexa. Para o restante do ano calendário, foram apuradas diferenças entre os valores declarados em DCTF quando comparados aos constantes da DIPJ (estimativa). Para os valores de IRPJ declarados a menor em DCTF, foram aplicadas as multas isoladas capituladas nos arts. 222 e 843 do RIR/99; art. 44, incisos II, alínea "b", e inciso IV da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/07, conforme planilha anexa. Para a CSLL referente a Jan/2007, houve apuração de valor devido e não recolhido, conforme planilha de apuração anexa. A partir dos fatos apontados no TCI, foi lavrado auto de infração a título de Multa Exigida Isoladamente pela falta de pagamento de IRPJ sobre bases estimadas: Fl. 343DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-002.944 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 16095.720038/2011-91 Contra a exigência fiscal, a contribuinte apresentou Impugnação, com as seguintes razões de fato e de direito: Conforme consta do Termo de Constatação de Irregularidades - IRPJ que dá supedâneo ao auto de infração a apuração relativa ao mês de janeiro de 2007 corresponde a DIPJ relativa a cisão efetuada pela empresa. No caso de cisão parcial, como é o caso, estabelece o parágrafo 4.2 do artigo 21 da Lei 9.249 de 26 de dezembro de 1995, a obrigatoriedade de apresentação da DIPJ na data do evento, tornando portanto definitivo o imposto de renda correspondente. Logo, o imposto devido em 31 de janeiro de 2007 é definitivo e não se trata de imposto devido por estimativa. O dispositivo legal em que foi feita a capitulação prevê a aplicação da multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) no caso de pagamento mensal que deixar de ser efetuado na forma prevista no artigo 2.2 da Lei 9.430/96 [...] [...] o dispositivo legal em que foi capitulada a autuação refere-se a antecipação de recolhimento por estimativa, o que não ocorre no caso de cisão em que o imposto é definitivo. Dessa forma, é de todo improcedente a exigência feita em relação ao período de 31/01/2007. Em relação aos demais períodos, a exigência também é improcedente pois o recolhimento em atraso já implica no pagamento de multa de mora e a exigência de multa isolada constitui uma dupla penalidade sobre o mesmo fato. O referido entendimento está evidenciado nas ementas dos acórdãos do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda [...] O Conselho de Contribuintes e a Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda também têm acatado, conforme se verifica das ementas abaixo transcritas, outros entendimentos semelhantes ao da concomitância de multas, segundo os quais as multas isoladas por falta do recolhimento mensal da antecipação do imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro (CSL) por estimativa (Lei n2 9.430/96, arts. 22 e 30), não seriam exigíveis, porque, entre outros argumentos, versariam sobre desatendimento "de mera obrigação acessória apurada após o encerramento do ano-calendário, sem repercussão na órbita do tributo"; porque deveria prevalecer apenas o imposto (definitivo) efetivamente apurado com base no lucro real ou porque se apurou prejuízo no ano-calendário [...] [...] Assim, conforme demonstrado, não cabe a exigência de multa isolada visto que o recolhimento em atraso do tributo já incorpora a multa de mora, constituindo assim a exigência objeto dos presentes autos como uma dupla penalidade. Em Sessão de 26/7/2018, a DRJ apreciou a Impugnação e julgou-as procedente em parte, com os seguintes fundamentos de fato e de direito (destaques do original): Com efeito, a regra geral para as empresas que optam pelo pagamento do IR por estimativa é a apuração do lucro real em 31 de dezembro de cada ano (Art. 2º, § 3º da Lei nº 9.430/1996). [...] No entanto, há exceção à regra geral, conforme disposto no próprio art. 2º, § 3º da Lei nº 9.430/1996, exceção esta que se refere às hipóteses de incorporação, fusão, cisão e extinção da empresa, pois nestes casos a apuração da base de cálculo e do imposto a pagar ou saldo negativo ocorrerá na data do evento. [...] Fl. 344DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-002.944 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 16095.720038/2011-91 [...] tendo o contribuinte informado em DIPJ o evento "cisão" em 31/01/2007, o tributo ali calculado é definitivo, não comportando falar-se em recolhimento de estimativas. Logo, a multa lançada para a competência janeiro de 2007 não pode subsistir. Por outro giro, nada há a obstar no tocante a incidência da multa isolada em concomitância com a multa de mora e/ou de ofício que lhe foi cominada nas demais competências, na medida em que são duas obrigações tributárias autônomas e distintas entre si, qual seja a de recolher o tributo devido (obrigação principal) e de promover o recolhimento das estimativas mensais (obrigação acessória). As multas em comento têm fatos geradores distintos, a saber o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96 e o inciso II, alínea “b”, do mesmo artigo [...] A multa de ofício, portanto, tem fato gerador no imposto apurado ao final do período, que deixou de ser recolhido e declarado (art. 44, I), ao passo que a multa isolada tem por fato gerador a falta de recolhimento das antecipações mensais do IRPJ e CSLL (art. 44, II, b), penalidade devida mesmo em caso de apuração de prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL. A exigência concomitante da multa de ofício e da multa isolada encontra-se expressamente prevista no art. 16 da Instrução Normativa SRF nº 93/1997 e normatizações posteriores [...] Tal comando encontra-se ainda mais nítido na atualíssima leitura da Instrução Normativa nº 1700, de 14 de março de 2017, cujo artigo 53 acresceu à redação original a conjunção aditiva "e", de maneira a não deixar dúvida quanto à incidência de ambas as multas [...] Em que pese a existência de decisões em sentido contrário - as quais, vale observar, não têm eficácia vinculante nesta instância decisória -, conforme salientado no texto impugnatório, a autoridade administrativa de primeira instância encontra-se vinculada ao disposto no referido ato normativo, conforme disposto pelo art. 116, III, da Lei nº 8.112/1990, mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN). De toda a forma, destaco a seguir decisões recentes do CARF que corroboram o entendimento de que é cabível a exigência da multa em questão [cita acórdãos CARF de 2016)] [...] Em consonância com o acima exposto, fica o Auto retificado de ofício, conforme segue, para valores consolidados à época da autuação: O acórdão da DRJ foi cientificado à contribuinte em 9/8/2018. Inconformada com a decisão do colegiado de piso, a contribuinte apresentou, em 21/8/2018, Recurso Voluntário, aduzindo, em sua defesa: Fl. 345DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1001-002.944 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 16095.720038/2011-91 [...] No caso de cisão parcial, como é o caso, estabelece o parágrafo 4º do artigo 21 da Lei 9.249 de 26 de dezembro de 1995 a obrigatoriedade de apresentação da DIPJ na data do evento, tornando, portanto, definitivo o Imposto de Renda correspondente. Logo, o imposto devido em 31 de janeiro de 2007 é definitivo e não se trata de imposto devido por estimativa. Acertou, portanto, o N. Julgador Tributário ao entender indevida a aplicação da multa isolada para o período de janeiro/2007. Entretanto, também é indevida a exigência em relação aos demais períodos, o que deverá ser reconhecido por este Egrégio Conselho, pois o recolhimento em atraso já implica no pagamento de multa de mora e a exigência de multa isolada constitui uma dupla penalidade sobre o mesmo fato. O referido entendimento está evidenciado nas ementas dos acórdãos do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda [...] [...] O Conselho de Contribuintes e a Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda também têm acatado, conforme se verifica das ementas abaixo transcritas, outros entendimentos semelhantes ao da concomitância de multas, segundo os quais as multas isoladas por falta do recolhimento mensal da antecipação do imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro (CSL) por estimativa (Lei nº 9.430/96, arts. 2º e 30), não seriam exigíveis, porque, entre outros argumentos, versariam sobre desatendimento "de mera obrigação acessória apurada após o encerramento do ano-calendário, sem repercussão na órbita do tributo"; porque deveria prevalecer apenas o imposto (definitivo) efetivamente apurado com base no lucro real ou porque se apurou prejuízo no ano-calendário [...] [...] [...] não cabe a exigência de multa isolada também para os períodos de outubro e dezembro de 2007, visto que o recolhimento em atraso do tributo já incorpora a multa de mora, constituindo assim a exigência objeto dos presentes autos como uma dupla penalidade. Restando demonstrado que não houve qualquer atentado à ordem jurídica tributária, requer-se a reforma do V. Acórdão proferido pela 10ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto/SP, com o CANCELAMENTO INTEGRAL do Auto de Infração lavrado [...] É o relatório. Voto Conselheiro Sidnei de Sousa Pereira, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, conheço. Fl. 346DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1001-002.944 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 16095.720038/2011-91 A recorrente pleiteia o cancelamento da multa isolada de 50% apurada em face de falta de recolhimento da estimativa do tributo devido, feito sob argumento de impossibilidade de cumulação com a multa de mora. Da Multa Exigida Isoladamente – Estimativa Mensal O imposto de renda das pessoas jurídicas é determinado com base no lucro real de apuração trimestral. Por opção do contribuinte a apuração do imposto de renda pode ser anual., mas nesse caso o pagamento do tributo tem periodicidade mensal com base em estimativa. O contribuinte só pode deixar de recolher as estimativas se demonstrar, mediante balanço ou balancete de suspensão ou redução, que o valor acumulado do tributo recolhido excede o tributo devido no período, de acordo com o § 2º,do art. 35 da Lei n° 8.981 de 20 de janeiro de 1995: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do ano-calendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do ano-calendário. No caso de descumprimento do recolhimento de estimativas o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações promovidas pela Lei nº 11.488, de 2007, estabeleceu sanções específicas de acordo com a conduta praticada: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II - de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Como se vê, no caso de falta de recolhimento de estimativa mensal, a lei prevê a imposição de multa de 50%, mesmo no caso de apuração de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, sendo exigida isoladamente, de modo que pode ser exigida mesmo após o encerramento do exercício. Fl. 347DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1001-002.944 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 16095.720038/2011-91 Tal entendimento foi pacificado recentemente neste Colegiado com a aprovação da súmula CARF n° 178 pela 1ª Turma da CSRF, cujo verbete é o abaixo transcrito: Súmula CARF nº 178 A inexistência de tributo apurado ao final do ano-calendário não impede a aplicação de multa isolada por falta de recolhimento de estimativa na forma autorizada desde a redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Acórdãos Precedentes: 9101-003.353, 9101-005.362, 9101-005.078, 9101-004.290, 9101-004.320, 9101-004.416, 9101-004.544, 9101-002.777, 1802-00.572, 1202- 000.732, 1401-00.361, 1101-00.255 e 1301-001.787. Logo, devida a exigência de multa isolada pela falta de pagamento do IRPJ em bases estimadas. Da Concomitância da Exigência da Multa Isolada e Multa de Mora/Ofício A recorrente alega, ainda que a exigência da exigência da multa isolada juntamente com a multa de mora configura dupla penalidade sobre o mesmo fato. A razão não está com a contribuinte. Vejamos. Registre-se, por oportuno, que o auto de infração questionado exige tão somente multa isolada pela falta de pagamento do IRPJ sobre bases estimadas. A multa de mora, por seu turno, será exigida a partir da constituição do crédito tributário de ofício (auto de infração), na hipótese de manutenção da exigência sob litígio, como decorrência do pagamento após o vencimento do prazo previsto, conforme previsão do art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, não tendo as referidas multas a mesma hipótese de incidência, não há óbice na imposição concomitante da multa isolada com a multa de mora, devida pelo pagamento do débito (auto de infração) após o vencimento. Posto isso, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Sidnei de Sousa Pereira Fl. 348DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1001-002.944 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 16095.720038/2011-91 Fl. 349DF CARF MF Original
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Numero do processo: 13971.001962/2007-25
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAL JUROS SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO DECADÊNCIA.
1- De acordo com o artigo 34 da Lei nº 8212/91, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas elo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal e lançamento, pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia -SELIC incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.
2- A teor do disposto no art. 49 do Regimento Interno deste Conselho é vedado ao Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, sem que tenham sido assim declaradas pelos órgãos competentes. A matéria encontra-se sumulada, de acordo com a Súmula nº 2 do 2º Conselho de Contribuintes.
3- DECADÊNCIA - É inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante nº 8 do STF.
Termo Inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
No caso, trata-se de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento, portanto, a regra do art. 150 § 4º do CTN.
4- CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS DESCONTO E RECOLHIMENTO. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA.
1- Na forma do art. 30, I, alíneas “a” e “b” da Lei nº 8212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, mediante desconto em suas respectivas remunerações e recolher as essas bem como as contribuições a seu cargo, até o dia 2 do mês seguinte àquele a que se referirem.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 206-01.690
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 04/2002; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAL JUROS SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO DECADÊNCIA. 1- De acordo com o artigo 34 da Lei nº 8212/91, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas elo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal e lançamento, pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia -SELIC incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. 2- A teor do disposto no art. 49 do Regimento Interno deste Conselho é vedado ao Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, sem que tenham sido assim declaradas pelos órgãos competentes. A matéria encontra-se sumulada, de acordo com a Súmula nº 2 do 2º Conselho de Contribuintes. 3- DECADÊNCIA - É inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante nº 8 do STF. Termo Inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso, trata-se de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento, portanto, a regra do art. 150 § 4º do CTN. 4- CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS DESCONTO E RECOLHIMENTO. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. 1- Na forma do art. 30, I, alíneas “a” e “b” da Lei nº 8212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, mediante desconto em suas respectivas remunerações e recolher as essas bem como as contribuições a seu cargo, até o dia 2 do mês seguinte àquele a que se referirem. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° 13971.001962/2007-25 Recurso xis 151.493 Voluntário Matéria DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÃO - ACRÉSCIMOS LEGAIS Acórdão n° 206-01.690 Sessão de 03 de dezembro de 2008 Recorrente GRÁFICA EDITORA E PAPELARIA ZF LTDA Recorrida SRP - SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRJA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAL JUROS SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO DECADÊNCIA. 1-De acordo com o artigo 34 da Lei n°8212/91, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas elo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal e lançamento, pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia -SELIC incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. 2- A teor do disposto no art. 49 do Regimento Interno deste Conselho é vedado ao Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, sem que tenham sido assim declaradas pelos órgãos competentes. A matéria encontra-se sumulada, de acordo com a Súmula n° 2 do 2° Conselho de Contribuintes. 3- DECADÊNCIA - É inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n°8 do STF. Termo Inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°). No caso, trata-se de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento, portanto, a regra do art. 150 § 4° do CTN. lç1/2 Mi :Si DO CONSELHO DE CONTRIBU CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 13971.001962/2007-25 }trata,. .2) / O / CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.690fls. 121 Maria de Fátima Ferreira de Cuvalho Mat. Siape 731683 4- CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS DESCONTO E RECOLHIMENTO. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. 1- Na forma do art. 30, I, alíneas "a" e "b" da Lei n° 8212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, mediante desconto em suas respectivas remunerações e recolher as essas bem corno as contribuições a seu cargo, até o dia 2 do mês seguinte àquele a que se referirem Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 04/2002; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso. ELIAS S AIO FREIRE Presidente CLEUSA I .) E SOUZA Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa, Bemadete de Oliveira Barros, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 - Processo o° 13971.001962/2007-25 MV - SFOUNr yi à coNSELHO DE cnrcrr inb;NrEs CCO2/C06 Acórdão o.' 206-01.690 C uNt ERE COM o coneirJ.:! Fls. 122 Azie_.:„... _ , cx? - Maria de 1,..“..-na creita de Camelo Mat Sispe 151083 Relatório Trata-se de Crédito Previdenciário lançado contra a empresa em epígrafe, constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito —NFLD n° 38.060.386-0 que, de acordo com o relatório fiscal, fls. 43/50, refere-se a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados, não descontadas pela empresa, aparte da empresa, financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e às outra entidades (SESI, SENAI SEBRAE, INCRA e Salário Educação), nos períodos de 01/1999 a 12/2001 e 10/2006 a 02/2007, inclusive as competências correspondentes aos décimo-terceiros salários de 1999, 2000, 2001 e 2006. Segundo o referido relatório fiscal, constituem fatos geradores das contribuições objeto do presente lançamento a remuneração paga, devida ou credita aos segurados empregados Júlio César Miranda,Auxiliar de Produção, Edson Luiz Pereira, Operador de Guilhotina e Emílio Henkels, Impressor offset, por meio de declaração dos próprios segurados, tendo em vista que não constavam os respectivos registros legais dos mesmos em Fichas de Registro de Trabalho —FRE, assim como em folhas de pagamento, Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — MI') ou escrituração Contábil. Informa o Referido Relatório Fiscal que, em verificação fisica nas dependências da empresa, em 07/03/2007, com inicio às 11:00 horas e término ao meio dia, foram • entrevistados os trabalhadores que ali estavam no desempenho de suas atividades. Apurou-se que os segurados acima citados, encontravam-se sem os devidos registros na FRE. A remuneração destes empregados, ausentes das folhas de pagamento, GFIP e escrita contábil foi aferida com base em seus próprios depoimentos, conforme Termos de Entrevista de fls. 52/55. Informa ainda o citado relatório fiscal que, o Contribuinte efetuou opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Imposto e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES com efeitos a partir de 01/01/1997. Constatou-se, entretanto que o mesmo havia feito à Secretaria da Receita Federal, concernente à forma de tributação do imposto de renda, referente ao ano base 1999: INATIVA; 2000: Lucro Presumido e 2001 Lucro presumido. De acordo com as informações prestadas pela Delegacia da Receita Federal em Blumenau, mediante of. GAB n° 042/2007, em anexo (fls.51), a empresa teve regime de tributação pelo SIMPLES de 01/1997 a 12/1998 e 01/2002 em diante. Para apuração dos valores lançados foram analisados os seguintes documentos: folhas de pagamento, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social —GFIP, Fichas de Registro de Empregados —FRE, Contrato Social e alterações, Livro Caixa, no período de 01/1998 a 12/2006; GRPS e GPS. Tempestivamente o contribuinte apresentou sua contestação, fls. 59/78, em que preliminarmente alegou cerceamento de defesa, eis que apesar de a notificação relacionar diversos relatórios, nenhum deles foi entregue à notificada. Alegou que parte das contribuições, supostamente não recolhidas, referem a períodos 01/1999 a 1212001, já estariam alcançadas pela Decadência, nos termos do artigo 150 §4° do CTN. &) 3 _ _ n i T rf 11MelOo lt • Processo n• 13971.001962/2007-25 _ CCO2/036 Acórdão n.°206-01.690 Vis 123 ; Outrossim, alegou, no que se refere aos valores entre 10/2006 e 02/2007,também não podem ser exigidos, tendo em vista que a notificada é optante pelo SIMPLES, ou seja os valores devidos pela notificada ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS foram devidamente pagos, de forma unificada, através do SIMPLES, conforme comprovantes de pagamento em anexo. Argüiu que a multa aplicada é excessiva e totalmente desproporcional com a realidade em que vivemos. Alega que se a cobrança é inválida por não existir fato gerador, incabível é a multa por não haver infração à lei. A violação ao ordenamento legal foi do próprio fisco e não do contribuinte. Por derradeiro, alegou a ilegalidade da aplicação da Taxa SELIC, que estando o contribuinte em mora, obviamente os juros aplicados serão os moratórios, previstos no artigo 161 do CTN e concluiu requerendo o cancelamento da notificação fiscal; assim não compreendendo, que sejam excluídos os valores ilegalmente exigidos em função da decadência, bem como da opção pelo SIMPLES. A Quinta Turma da DRJ de Florianópolis, por meio do Acórdão n° 07.10.993, julgou procedente o lançamento, trazendo a referida decisão a seguinte ementa: "CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA As contribuições previdenciárias estão sujeitas ao prazo decadencial de dez anos, previsto no artigo 45 da Lei n°8212/91. MULTA DE MORA Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS, incidirá multa de mora, de caráter irrelevável. TAXA SELIC As contribuições em atraso estão sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC) AFERIÇÃO INDIRETA. LANÇAMENTO ARBITRADO Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ónus da prova em contrário CIÊNCIA. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO E ANEXOS. A assinatura o sujeito passivo ou do seu representante legal na folha de rosto da IVFLD comprova o recebimento de todos os anexos arrolados nesse documento. DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES. AUSÊNCL4 DE NULIDADE (J) 4 MF - Sh.iU NDO CONSELFIOD€ CONTRIBUI.' rrES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n°13971.00196212007-25 1) 3 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.690 Fls. 124 Maria de F. * ateira de Candi» Mat. Siape 751683 A notificação e seus anexos discriminam de forma clara e precisa os fatos geradores, a base de cálculo, as contribuições devidas, os períodos a que se referem e os fundamentos legais que lhe dão sustentação. não havendo que se falar em nulidade. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÁNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de argüição de inconstitucionalidade e ilegalidade. LANÇAMENTO PROCEDENTE." Inconformada com a Decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 101/115, reproduzindo as razões aduzidas em sua impugnação, argüindo cerceamento de defesa, insistindo em afirmar que somente recebeu apenas a Notificação com o IPC; FLD e o Refisc — Relatório Fiscal, sendo que os demais relatórios não foram entregues juntamente com a Notificação; argúi a decadência doas contribuições até a competência 12/2001, nos termos do artigo 150 §4° do CTN; insurge contra a aplicação da multa e da taxa SELIC para apuração dos juros de mora. Outrossim, alegou, no que se refere aos , valores entre 10/2006 e 02/2007,também não podem ser exigidos, tendo em vista que a notificada é optante pelo SIMPLES, ou seja os valores devidos pela notificada ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS foram devidamente pagos, de forma unificada, através do SIMPLES, conforme comprovantes de pagamento em anexo. Argüiu que a multa aplicada é excessiva e totalmente desproporcional com a realidade em que vivemos. Alega que se a cobrança é inválida por não existir fato gerador, incabível é a multa por não haver infração à lei. A violação ao ordenamento legal foi do próprio fisco e não do contribuinte. Por derradeiro, alegou a ilegalidade da aplicação da Taxa SELIC, que estando o contribuinte em mora, obviamente os juros aplicados serão os moratórios, previstos no artigo 161 do CTN e concluiu requerendo o cancelamento da notificação fiscal; assim não compreendendo, que sejam excluídos os valores ilegalmente exigidos em função da decadência. Não houve depósito prévio de 30% por se encontrar a empresa amparada por Medida Liminar, deferida em Mandado de Segurança n° 2007.72.05.004702-5, dispensando-a do referido depósito. É o relatório. s _ _ Processo e 13971.001962/2007-25 CCO2C6 Acórdão n.°206-01.690 pdp . SEGUNDO comatio DE CONTRIBUINTES Fls. 125CONFERE C evt O nnIGINAL anu. 2q 03 P9 - Maria de Ulula afira de Carvalho Mat. Siape 751683 Voto Conselheira CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Relatora Presentes os pressupostos de admissibilidade, porquanto o recurso é tempestivo e dispensado do depósito recursal, por se encontrar a empresa amparada por Medida Liminar, deferida em Mandado de Segurança n° 2007.72.05.004702-5. Antes de proceder à análise de mérito das razões do presente recurso, cumpre apreciar a argüição de cerceamento de defesa trazida pela recorrente, afirma que lhe foi entregue com a notificação apenas as Instruções para o Contribuinte —IPC, Fundamentos Legais do Débito —FLD e o Relatório Fiscal -REFISC e os demais relatórios não lhe foram entregues., que por essa razão a NFLD padece de vício por omissão de formalidade essencial e violação de obrigação ex lege, que cerceia o direito de defesa do autuado, além de não completar o ciclo legal e normal do nascimento regular e eficaz do próprio crédito tributário ou contribuição de qualquer natureza, desde que sujeitas a cobrança judicial pela via de execução fiscal. Nesse sentido, cumpre recordar, conforme já devidamente enfrentado no voto condutor do Acórdão n° 07.10.993, que não é possível o acolhimento dessa alegação, eis que conforme se verifica da folha de rosto da NFLD, fls. 01, consta a assinatura do contribuinte/representante legal da empresa, atestando o recebimento da NFLD e anexos dela integrantes. Dessa maneira, comprovada, como de fato o foi, a ciência da NFLD e anexos pelo representante legal do contribuinte, no caso, houve a confirmação de que tais documentos foram recepcionados pelo sócio-gerente José Amaro Zeferino, não há que se falar em vício no procedimento fiscal. Além disso, cabe, ainda, salientar que, havendo interesse, é assegurado ao sujeito passivo ou seu representante legal, o direito à vista ao processo e a obtenção de cópias reprográficas dos dados e documentos que o integram, ressalvados os dados e documentos de terceiros protegidos por sigilo. Alega, ainda, o contribuinte que necessário seria um demonstrativo analítico que individualize e identifique quais segurados, quais os salários de contribuição desses segurados quais os períodos de cada um, qual o valor de contribuição do empregador, a parte devida a título de segurado empregador se o débito é originário ou débito por solidariedade. Tal alegação, também, não tem a menor procedência, porquanto, conforme constado Relatório Fiscal, a NFLD compreende dois levantamento distintos. O levantamento FPG, que tem por fato gerador a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais, constantes da folha de pagamento, GFIP e Livro Caixa, apresentados na ação fiscal pela própria empresa, relativos a períodos em que o contribuinte procedeu aos recolhimentos de tributos como empresa optante pelo SIMPLES, enquanto que, perante a Secretaria da Receita Federal, declarou-se como INATIVA em 1999 ou optante pelo Lucro Presumido em 2000 e 2001. &i 6 _ _ _ ME.St ONLY) CC .)! 01 C r :NTRIE kl3n.S CONFERE CRSA O OWAVN AL Processo e 13971.001962/2007-25 11"1.2 / <29 CCO2JC06 Acórdão n.• 206-01.690 Fia 126 e.n le . e dt an v • ' • dl , '5 Int; 3 Por seu turno, o levantamento ARF contempla a remune gção paga aos segurados empregados Júlio César Mitanda,Auxiliar de Produção, Edson Luiz Pereira, Operador de Guilhotina e Emílio Henkels, Impressor offset, a qual foi aferida indiretamente, com base em declarações prestadas pelos segurados que encontravam laborando no estabelecimento fiscalizados, nas não estavam registrados e não constavam das folhas de pagamento, GFIP e na escrita contábil, o lançamento arbitrado tem amparo no artigo 33 §6° da Lei n° 8212/91, tendo sido ele devidamente motivado pela fiscalização. Além do fato que no Discriminativo Analítico do Débito — DAI), fls.04/14 encontram-se detalhados, por competência e por levantamento, os valores das bases de cálculo • e as alíquotas aplicada por rubrica; esclarecendo, que o lançamento somente envolve • contribuições descontadas dos segurados, portanto, não há contribuição do empregador (parte da empresa). Esclareça-se mais que por se tratar de diferença de contribuições, nos Relatórios de Documentos Apresentados —RDA e Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados —RADA (fis.26/28 e 34/38) há a identificação, por estabelecimento e por competência, as parcelas que foram deduzidas das contribuições apuradas, constituídas por recolhimentos e como as GPS apresentadas foram apropriadas pela fiscalização. Assim, atende o lançamento ao disposto no artigo 142 Código Tributário Nacional e artigos 33 e 37 da Lei n° 8212/91, razão pela qual rejeito a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa suscita. Ainda em sede de preliminar o contribuinte argúi a decadência do direito de constituição do crédito relativo às contribuições até a competência 12/2001. Nesse sentido vale esclarecer que até a seção de julgamento realizada no mês de maio/2008, esta Câmara de Julgamento, bem como esta Conselheira mantinha o entendimento de que a constituição do crédito previdenciário, aplicava-se as disposições contidas na Lei n° 8212/91, art. 45 que determina: "O direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se em após dez anos a contar do 1° dia do exercício seguinte àquele que o crédito poderia ter sido constituído." Entretanto, o Supremo Tribunal Federal - STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante n° 8, senão vejamos: Súmula Vinculante n • 8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." No REsp 879.058/PR, DJ 22.02.2007, a 1' Turma do STJ pronunciou-se nos temos da seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO RECORRIDO ASSENTADO SOBRE FUNDAMENTA ÇÃO DE NATUREZA CON.577TUCIONAL. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. TRIBUTÁRIO. 7 - — • - Sk....U4L10 CONSELHO uè. CONYRItst.,.:ITES CONFERE COMO ORIGINAL PTOCCSSO e 13971.001962/2007-25 Brunis. a /,;(elit_ CCOVC06 Acórdão n.• 206-01.690 Fls. 127 Maria de Flitlf03 errctra de Carvallxi Mat. Siapc 731683 TRIBUTO SUJEITO A LANÇA.MENT'0 POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCL4L DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCICIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CT1V, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CIN ART. 150, § 49.PRECEDENTES DA 1° SEÇÃO. I. omissis 2.omissis 3. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art.173, I, do CTN, segundo o qual 'direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 4. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CT1V; 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4° do art. 150 do CTN. Precedentes da 1° Seção: ERESP 101.407/SP, Min. Ari Pargendler, DJ de 08.05.2000; ERESP 278.727/DF, Min.Franciulli Netto, DJ de 28.10.2003; ERESP 279.473/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 11.10.2004; AgRg nos ERESP 216.758/SP, Min. Teori Zavasch.1, DJ de 10.04.2006. 5. No caso concreto, todavia, não houve pagamento. Aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 6.Recurso especial a que se nega provimento." E ainda, no REsp 757.922/SC, DJ 11.10.2007, a 1 1 Turma do STJ, mais uma vez, pronunciou-se nos temos da ementa colacionada: "EMENTA CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENaiRL4. ARTIGO 45 DA LEI 8.212/91. OFENSA AO ART. 146, Hl, B, DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCICIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (C1N, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (C77V, ART. 150, § 4°). PRECEDENTES DA 1° SEÇÃO. 8 MU - SEU 1.4490 rONNELti.; C (X.TION,..1TÇS UNFTRI: ONA O ORIGI I. Processo ne 1397100196212007-25 manai . 219' / O C9 CCO2/016 Adira° 206-01.690 Fls. 128 Maria d. 1- ald o Fe. wird de Cartánlo I re 75144i3 1. "As contribuições sociais, inclusive as destina dãs a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no art. 146, 111, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 81212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdéncia Social" (Corte Especial, Argüição de lnconstitudonalidade no REsp n° 616348/MG) 2. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art 173. I, do CTN, segundo o qual "o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". 3. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do C77V, "ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa "e "opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa " — , regra especifica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por pane do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4° do art. 150 do CT1V. Precedentes jurisprudenciais. 4. No caso, trata-se de contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 173, I, do CIN. 5. Recurso especial a que se nega provimento." É a orientação também defendida em doutrina: "Há uma discussão importante acerca do prazo decadencial para que o Fisco constitua o crédito tributário relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Nos parece claro e lógico que o prazo deste § 4° tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias da espécie. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte e que supre a necessidade de um lançamento por parte do Fisco, satisfeito que estará o respectivo crédito. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, entendendo que é insuficiente, fazendo o lançamento de oficio através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelá-lo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, pois, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4° deste art. 150 é regra especial 9 ME- SWUNDO tnNSELtic, LJE CNN-Rio. '15• CONFERI. .:0M O :PT. ' N. AL Processo n°13971.001962/2007-25 13"1" 621( / CCO2C06 Acórdão n.• 206-01.690LJcc Fls. 129 Maria de Fatima meus de Carsallio Mat. Siape 731683 relativamente à do art. 173. I, deste mesmo Código. E. em havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos." (Leandro Paulsen, Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, Ed. Livraria do Advogado, 6° ed., p. 1011) "Ora, no caso da homologação tácita, pela qual se aperfeiçoa o lançamento, o C1N estabelece expressamente prazo dentro do qual se deve considerar homologado o pagamento, prazo que corre contra os interesses fazendários, conforme 4o do art. 150 em análise. A conseqüência —homologação tácita, extintiva do crédito — ao transcurso in albis do prazo previsto para a homologação apressa do pagamento está igualmente nele consignada" (Misabel A. Machado Derzi, Comentários ao CTN, Ed. Forense, 3a ed., p. 404) No caso em exame, por se tratar de lançamento por homologação com antecipação de pagamento, que há que se manter a regra geral e aplicar-se ao caso a regra do art. 150, §4°, do CTN, ou seja, conta-se o prazo decadencial a partir do fato gerador. Portanto, na data da ciência da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, que se deu em 05/2007, as contribuições apuradas referentes ao período de 01/1999 a 04/2002 já se encontravam fulminadas pela decadência, razão porque devem ser excluídas do presente lançamento. Superada as preliminares suscitas, passo à análise das razões de mérito. Conforme relatado, trata-se de Crédito Previdenciário lançado contra a empresa em epígrafe, constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito —NFLD n° 38.060.386-9 que, de acordo com o relatório fiscal, fls. 43/50, refere-se a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados, não descontadas pela empresa, aparte da empresa, financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e às outra entidades (SESI, SENAI SEBRAE, INCRA e Salário Educação), nos períodos de 01/1999 a 12/2001 e 10/2006 a 02/2007, inclusive as competências correspondentes aos décimo-terceiros salários de 1999, 2000, 2001 e 2006. Segundo o referido relatório fiscal, para apuração dos valores lançados foram analisados os seguintes documentos: folhas de pagamento, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social —GFIP, Fichas de Registro de Empregados —FRE, Contrato Social e alterações, Livro Caixa, no período de 01/1998 a 12/2006; GRPS e GPS. As contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregados, previstas no art. 20 da Lei n° 8212/91, bem como aquelas devidas pelos segurados contribuintes individuais, a partir de abril/2003, nos termos da Lei n° 10666/2003, devem ser arrecadas pela empresa, mediante desconto nas respectivas remunerações dos segurados e recolhidas conforme disposto no art. 30, inciso I, alíneas "a" e "b", da mesma lei (in verbis). "Art. 30 - (.) 1- "a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração; 10 - — • klf XSEGUNL fiCONSk LHU U1E CONT—R.113..... TF,/ CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 13971.001962/2007-25 CCO2/C06 Brasília. Acórdão n.° 206-01.690 Fls. 130 Maria de Fatima Ferreira de Carvalho Mi. Siape 751683 recolher o produto arrecadado, ad o, na orm d a a alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer titulo, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência." Em suas razões de mérito, o contribuinte insurge contra a aplicação da SELIC na apuração dos juros de mora, importa salientar que as contribuições sociais arrecadadas pelo INSS estão sujeitas à taxa referencial do SELIC — Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei n° 8.212/91, não prosperando a alegação da impossibilidade de utilização para a fixação de juros de mora, senão vejamos: "Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela n° 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei n° 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei n° 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei)" Nesse sentido, devida a contribuição e não sendo recolhida até a data do vencimento, fica sujeita aos acréscimos legais na forma da legislação de regência. Portanto, correta a aplicação da taxa SELIC, com fulcro no artigo 34, da Lei n°8.212/91, e bem assim da multa moratória, nos termos do artigo 35, do mesmo Diploma Legal. Em que pesem as alegações de ilegalidade efou inconstitucionalidade suscitadas pela recorrente, além da exigência dos tributos ora lançados, com os respectivos acréscimos legais, encontrar respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Note-se, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. Cumpre destacar, outrossim, que nos termos do artigo 49 do Regimento Interno dos Conselhos dos Contribuintes, no julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionalidade. A corroborar esse entendimento, a Súmula n° 02, do 2° Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, assim estabelece: "O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária." (j 11 St..WM :1 • '7')NSt 1/4 .4777.1V COMEU. kE cl Si O OU 1.1N A Processo n° 13971.001962/2007-25 Bras 5y o 9 CCO2/C06_ Acórdão n.• 206-01.690 // / ns. 131 .:t e. de Carvalho 75 I NU Em que pese a alegação de que no que se refere aos valores entre 10/2006 e 02/2007, também não podem ser exigidos, tendo em vista que a notificada é optante pelo SIMPLES, ou seja os valores devidos pela notificada ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS foram devidamente pagos, de forma unificada, através do SIMPLES, vale esclarecer que, também não procede tal alegação, eis que, conforme se verifica do Discriminativo Analítico do Débito, de fls. 4/5, somente estão sendo lançadas as contribuições dos segurados empregados, e estas, não obstante o fato de a empresa ser optante pelo SIMPLES, cabe a ela a arrecadação e o recolhimentos das referidas contribuições conforme disposto no artigo 30 da Lei n° 8212/91, retro transcrito. Assim, correto é o lançamento, uma vez que se encontra revestido das formalidades legais exigidas para a sua constituição, mormente o art. 37 da Lei n° 8212/91, e, apesar da argumentação apresentada pela recorrente, não vejo nela qualquer fundamento que possa levar à desconstituição do crédito previdenciário ora atacado. Pelo exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa, suscitada, ACOLHER A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA, das contribuições relativas às competências 01/1999 a 04/2002, para exclui-las do presente lançamento e no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO. Sala das Sessões, em 03 de dezembro de 2008 CLEUSA VI DE OUZA 12 Page 1 _0079000.PDF Page 1 _0079100.PDF Page 1 _0079200.PDF Page 1 _0079300.PDF Page 1 _0079400.PDF Page 1 _0079500.PDF Page 1 _0079600.PDF Page 1 _0079700.PDF Page 1 _0079800.PDF Page 1 _0079900.PDF Page 1 _0080000.PDF Page 1
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Numero do processo: 17546.000635/2007-27
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/1999 a 31/07/2005
PREVIDENCIÁRIO. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÃO 11%. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. TOMADOR DE SERVIÇO. De conformidade com os preceitos contidos no artigo 31 da Lei 8.212/91, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-deobra
deverá efetuar a retenção de 11% do valor bruto da nota fiscal ou
fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observado o disposto no § 5° daquele dispositivo legal.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência,
especialmente artigo 142 do CTN, não se cogita em nulidade do
lançamento.
TAXA SELIC E MULTA. LEGALIDADE. Não há que se falar em
inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei n°8.212/91.
Incide multa de mora sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, de acordo com o artigo 35 da Lei n° 8.212/91 e demais alterações.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do artigo 49 do
Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, c/c a Súmula n° 2 do 2° CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 206-01.537
Decisão: ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, I) por unanimidade de votos em acolher a preliminar de decadência; II) por maioria de votos em declarar a decadência até a competência 03/2001. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram por declarar a decadência até 11/1999 e Ana Maria Bandeira, que votou por declarar a decadência até 11/2000. III) por unanimidade de votos: a) em rejeitar a preliminar de nulidade
do lançamento; e b) no mérito, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA
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Siape 751683 4.4(AS) MINISTÉRIO DA FAZ ,N SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .';';'`--"-,%n`:è SEXTA CÂMARA Processo u• 17546.000635/2007-27 Recurso n° 151.558 Voluntário Matéria RETENÇÃO 11% Acórdão te 206-01.537 Sessão de 05 de novembro de 2008 Recorrente AMSTED - MAXION FUNDIÇÃO E EQUIPAMENTOS FERROVIÁRIOS S/A Recorrida 6a TURMA DA DRJ - CAMPINAS/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1999 a 31/07/2005 PREVIDENCIÁRIO. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÃO 11%. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. TOMADOR DE SERVIÇO. De conformidade com os preceitos contidos no artigo 31 da Lei 8.212/91, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de- obra deverá efetuar a retenção de 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observado o disposto no § 5° daquele dispositivo legal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 40, do Código Tributário Nacional, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's d's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não se cogita em nulidade do lançamento. TAXA SELIC E MULTA. LEGALIDADE. Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC tAF- SEGUNDO CONSELHO DE CON I RIB. ca I CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 17546.000635/2007-27 Brasília. / CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.537 Fls. 200 Marie de F i errou de Carvalho Ma . Siepe 751683 para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei n°8.212/91. Incide multa de mora sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, de acordo com o artigo 35 da Lei n° 8.212/91 e demais alterações. • PAI?. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do artigo 49 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, c/c a Súmula n° 2 do 2° CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, I) por unanimidade de votos em acolher a preliminar de decadência; II) por maioria de votos em declarar a decadência até a competência 03/2001. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram por declarar a decadência até 11/1999 e Ana Maria Bandeira, que votou por declarar a decadência até 11/2000. III) por unanimidade de votos: a) em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e b) no mérito, em negar provimento ao recurso. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presi ste I 3L-4211* 4-1 RYC • 'Ó IIHENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA Rel tor Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e silva Vieira, Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Cleusa Vieira de Souza, Ana Maria Bandeira e Lourenço Ferreira do Prado. 2 • Processo n° 17546.000635/2007-27 omnisuNns I CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01337 MF • SEGUNDO CONSELHO D.E Eis. 201 jq CONFERE COM O ORIGINAL 1 Btes106.---/ dewCa (irfr x.3 Relatório Maria de rt..siapeen7e5it136d8e3Carvalho AMSTED - MAXION FUNDIÇÃO E EQUIPAMENTOS FERROVIÁRIOS S/A, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6' Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP, Acórdão n° 05-19.453, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas ao INSS pela empresa, na qualidade de tomadora de serviços, nos termos do artigo 31 da Lei n° 8.212/91, concementes à retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor da nota fiscal/fatura de prestação de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra por empresa contratada, em relação ao período de 10/1999 a 07/2005, conforme Relatório Fiscal às fls. 43/53. Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, lavrada em 28/04/2006, contra a contribuinte acima identificada, constituindo-se crédito no valor de R$ 24.030,61 (Vinte e quatro mil e trinta reais e sessenta e um centavos). De acordo com o Relatório Fiscal a contribuinte, em que pese ter contratado serviços prestados mediante cessão de mão-de-obra pela empresa ARCTEST SERVIÇOS TÉCNICOS DE INSPEÇÃO E MANUTENÇÃO INDUSTRIAL LTDA., deixou de efetuar o recolhimento da retenção de 11% de que trata o artigo 31 da Lei n° 8.212/91, ensejando a constituição do crédito previdenciário em questão. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 173/194, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pretende seja reconhecida a decadência pleiteada em sua impugnação, sob o argumento que a Lei n° 8.212/91 não poderia definir prazo decadencial diverso do estipulado no Código Tributário Nacional, de cinco anos, sob pena de incorrer em vício insanável de ilegalidade e inconstitucionalidade, ao conflitar com normatização de hierarquia superior, violando o artigo 146, III, "b", da Constituição Federal, restando decaído o crédito previdenciário lançado fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, nos moldes do artigo 150, §4°, do CTN. Em defesa de sua pretensão, traz à colação jurisprudência a propósito da matéria. Ainda em sede de preliminar, pugna pela decretação da nulidade do lançamento, por entender que o fiscal autuante, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, contrariando o disposto no artigo 142 do CTN, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da notificada, conforme se extrai da doutrina e jurisprudência, baseando a notificação em meras presunções. Assevera que a contribuinte nunca se recusou a prestar os esclarecimentos e documentos solicitados pela fiscalização no decorrer da ação fiscal, não se justificando a constituição do crédito previdenciário a partir de presunções em detrimento da documentação ofertado pela notificada, sendo dever do fisco comprovar a efetiva ocorrência do fato gerador do tributo ora lançado, qual seja, a prestação de serviços mediante cessão de mão-de-obra. 3 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBL -"ES CONFERE COM O r'r:114AL Processo n° 17546.000635/2007-27 Brasília, ,q , Dr , 102 ccove06 Acórdão ri." 206-01.537 Fls. 202 Maria de Fáti nora de Carvalho Mat. tape 751683 Insurge-se contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, sob a alegação de não haver prestação de serviços mediante cessão de mão-de-obra, ao contrário do entendimento do fiscal autuante, sobretudo quando este sequer logrou comprovar as alegações fiscais, não se baseando em qualquer contrato para verificar se havia ou não equipe à disposição do tomador de serviços. Sustenta que a empresa prestadora de serviços não detém equipe dedicada exclusivamente a recorrente, nem serviço continuo, possibilitando, inclusive, oferecer o mesmo serviço para outras empresas simultaneamente, não se cogitando em cessão de mão-de-obra, mormente quando tais serviços são executados de forma eventual. Argúi a inconstitucionalidade da TAXA SELIC, argumentando, entre outros motivos, que sua instituição decorreu de resolução do Banco Central, e não por lei, não podendo, dessa forma, ser utilizada em matéria tributária, por desrespeitar o Principio da Legalidade. Alega, ainda, tratar-se referida taxa de juros remuneratórios, o que a toma ilegal e inconstitucional. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos, tomando-a sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contra-razões. É o relatório. Voto Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e dispensada do recolhimento do recolhimento do depósito recursal, por força de decisão judicial, conheço do recurso e passo a examinar as alegações recursais. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Preliminarmente, vindica a contribuinte seja acolhida a decadência de 05 (cinco) anos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, em detrimento do prazo decenal insculpido no art. 45, da Lei n° 8.212/91, por considerá-lo inconstitucional, restando maculada a exigência cujo fato gerador tenha ocorrido fora do prazo encimado, hipótese que se amolda ao presente caso. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações. O artigo 45, inciso I, da Lei n° 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, senão vejamos: "Art. 45 — O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: 4 a, s una U Cl* , !tS!JI Si CONFERE COMO rui TONAL Bras/lia, O (22 ccovco6 Processo n°17546.000635/2007-27• Acórdão n.• 206-01.537 ti Fls. 203 MmSdcFF r te e arvalho Mal. Siape 751683 I — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; 11 -1 ." Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, in verbis: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: Com mais especificidade, o artigo 150, § 4°, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: "Art.150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. 4°- Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destaca-se o lançamento de oficio ou direto, previsto no artigo 149, do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150, do CTN, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades tributárias. Dessa forma, sendo as contribuições previdenciárias tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4°, do CTN, conforme se extrai de recentes decisões de nossos Tribunais Superiores, uma das quais com sua ementa abaixo transcrita: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AÇÃO DECLARATÓRL4. IMPRESCRITIBILIDADE. IIVOCORRÊNCL4. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. PRAZO DECADENCIAL PARA O I - SEGUNDO CONSELHO DE CONT1UBU. ansibaC7 COM O n^811NAL Processo n° 17546.000635/2007-27 — CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.537 I firt; Fls 204 I Maria de Fát fer; cir. & de Carvalho MM. Siape 751683 LANÇAMENTO. LVCONSTITUCIONALI.DADE DO ARTIGO 45 DA LEI 8.212, DE 1991. OFENSA AO ART. 146, .11L B, DA CONS77TUIÇÃO. L-1. 2. As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no artigo 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social." (AgRg no Recurso Especial n° 616.348 — MG — I° Turma do STJ, Acórdão publicado em 14/02/2005 - Unânime). Mais a mais, a Constituição Federal, em seu artigo 146, é por demais enfática, clara e objetiva ao disciplinar a matéria, estabelecendo que obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários são matérias reservadas à Lei Complementar: "Art. 146. Cabe à Lei complementar III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: [... b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários:" Nesse diapasão, não faz o menor sentido prevalecer o prazo decadencial inscrito no artigo 45, da Lei n° 8.212/91, por tratar-se de lei ordinária e a matéria necessitar de lei complementar para sua regulamentação, sob pena de se ferir flagrantemente a Constituição Federal. Em verdade, o instituto da decadência, bem como da prescrição, devem ser aplicados obedecendo ao prazo qüinqüenal do Código Tributário Nacional, por se tratar de lei complementar, estando em perfeita consonância com nossa Carta Magna. Dito isso, aplicando-se o prazo decadencial do artigo 45, da Lei n° 8.212/91, qual seja, 10 (dez) anos, nos quedamos aos ditames de uma norma hierarquicamente inferior (lei ordinária) sobre o que define outra superior (lei complementar), o que é absolutamente repudiado por nosso ordenamento jurídico, sobretudo quando a Constituição Federal estabelece que referida matéria deve ser disciplinada por lei complementar, in casu, o Código Tributário Nacional, a qual para aprovação necessita de quorum qualificado, diferente da lei ordinária. • Deve-se frisar, ainda, que o entendimento de que a Lei n° 8.212/91, por ser lei especial, deve sobrepor ao CTN (norma geral) também não tem o condão de prosperar. A norma geral serve justamente como base, para nortear, todas as outras normas especiais, não 6 • Processo n° 17546.000635/2007-27 urlSilia ji3GCUSONirti_RT(.7),M ELbre"D'Erie°1N_ANTE: L_ JUS conico6 Acórdão n.° 206-01337 Fls. 205 ardeír Maria'de eneira de Lan e "o podendo estas se contraporem ao que àquela,e Pcspsieacialsi 68me 3nte quando a matéria está reservada a lei complementar por força da Constituição Federal, tendo em vista a hierarquia material, hipótese que se amolda ao presente caso. Se assim não fosse, de que serviriam as normas gerais, se a qualquer momento pudessem ser revogadas por leis especiais hierarquicamente inferiores. Observe-se que o principio da especialidade poderá ser aplicado quando duas leis hierarquicamente iguais se contraporem, por exemplo, duas leis ordinárias, ou quando a matéria não for reservada constitucionalmente a lei complementar, e estiver prevista concomitantemente nesta última e em lei ordinária, o que não se vislumbra na hipótese vertente. A sujeição das contribuições previdenciárias às normas gerais de direito tributário já foi chancelada em diversas oportunidades por nossos Tribunais Superiores e corroborada pela doutrina, conforme se extrai do excerto da obra DIREITO DA SEGURIDADE SOCIAL, de autoria de Leandro Paulsen e Simone Barbisan Fortes, nos seguintes termos: "As Contribuições especiais, dentre as quais as contribuições de seguridade social, por configurarem tributo, sujeitam-se, ainda, às normas gerais de direito tributário que estão sob a reserva de lei complementar (art. 146, III, da CF). O STF, em novembro de 2003, mais uma vez reafirmou este entendimento, conforme se vê da explicação de voto do Min. Carlos Velloso: [..j as contribuições estão sujeitas, hoje, à lei complementar de normas gerais (C.F., art. 143, III). Antes da Constituição de 1988, a discussão era extensa...Então, o que fez o constituinte de 1988? Acabou com as discussões, estabelecendo que às contribuições aplica-se a lei complementar de normas gerais. vale dizer, aplica-se o Código Tributário nacional. especialmente, no que diz respeito à obrigação. lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários (C.F.. art. 146. inciso iii. b) . e quanto aos impostos, a lei complementar definiria os respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes (CF, art. 146, 111, a). (STF, RE 396.266-3/SC, nov/2003). II.J. As contribuições sujeitam-se às normas gerais de direito tributários estabelecidos pelo Livro II do CTN (art. 96 em diante), do que são exemplo o modo de constituição do crédito tributário, as hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, os prazos decadencial e prescricional e as normas atinentes à certificação da situação do contribuinte perante o Fisco. [..] " (Direito da Seguridade Social: prestações e custeio da previdência, assistência e saúde — Simone Barbisan Fortes, Leandro Paulsen — Porto Alegre: Livraria do Advogado Ed., 2005, págs. 356/358) (grifamos). 7 MF - SEGUNDO CO N SELHO DE CONTRA CONFERE COM O nR1O1NAL• Processo n° 17546.000635a007-27 Brasília, _J-9_ 0 Á '_Qq- CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.537 (011 Fls. 206 Maria de Pari - Federa de Carvalho Ma Siape 751683 Ademais, ao admitirmos o prazo decadencial inscrito na Lei n° 8.212/91, • estamos fazendo letra morta da nossa Constituição Federal e bem assim do Código Tributário Nacional. Nesse sentido, foi entendimento da Egrégia Primeira Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça que, ao analisar o Recurso Especial n° 616.348, em 15/08/2007, decidiu por unanimidade de votos declarar a inconstitucionalidade do artigo 45, da Lei n° 8.212/91, senão vejamos: "CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. INCIDENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. DO ARTIGO 45 DA LEI 8.212, DE 1991. OFENSA AO ART. 146, III, B, DA CONSTITUIÇÃO. I. As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social. 2. Argüição de inconstitucionalidade julgada procedente." Como se observa, a decisão encimada espelha a farta e mansa jurisprudência judicial a propósito da matéria, impondo seja aplicado o prazo decadencial inscrito no CTN, igualmente, para as contribuições previdenciárias. Aliás, esse sempre foi o posicionamento deste Conselheiro que, somente não admitia o prazo qüinqüenal para as contribuições previdenciárias em virtude do disposto na Súmula n° 02, do 2° Conselho de Contribuintes, a qual determina ser defeso ao julgador administrativo afastar a aplicação de legislação vigente a pretexto de inconstitucionalidade. Entrementes, após melhor estudo a respeito do tema, levando-se em consideração os recentes julgados da l' Turma da CSRF, concluímos que o fato de afastar os ditames do artigo 45, da Lei n° 8.212/91, aplicando-se os artigos 150, § 4°, ou 173 (no caso de fraude comprovada) do CTN, não implica dizer que estar-se-ia declarando a inconstitucionalidade do dispositivo legal daquela lei ordinária. Com efeito, se assim o fosse, ao admitir o prazo estipulado no artigo 45, da Lei n° 8.212/91, em detrimento ao disposto nos artigos 150, § 4°, e 173, do CTN, igualmente, estaríamos declarando a inconstitudonalidade dessas últimas normas legais. No entanto, após muitas discussões a propósito da matéria, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE's n's 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante n° 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco. ‘. ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTEIS/ '''TES' CONF RE COM O r"InINAL Processo n° 17546.000635/2007-27 Basais. ,[32 C2/C06 Acórdão n.°206-01337 Fls. 207 Ntaria de Fiou encha de Carvalho Siape 751683 "Súmula n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." Registre-se, ainda, que na mesma sessão plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Assim, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de acolher o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, na forma do Código Tributário Nacional, em observância aos preceitos consignados na Constituição Federal, CTN, jurisprudência pacífica e doutrina majoritária. Na hipótese dos autos, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 28/04/2006, com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto da notificação, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, em relação aos fatos geradores ocorridos durante o período de 10/1999 a 03/2001, os quais encontram-se fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Em suas razões recursais, pretende a recorrente seja declarada a nulidade do feito, sob o argumento de que a autoridade lançadora não logrou motivar/fundamentar o ato administrativo do lançamento, de forma a explicitar clara e precisamente os motivos e dispositivos legais que embasaram a notificação, contrariando a legislação de regência, notadamente o artigo 142 do crN e, bem assim, os princípios da ampla defesa e do contraditório. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, conclui-se que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresenta-se incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com o presente lançamento. A simples leitura do anexo "Fundamentos Legais do Débito — FLD", às fls. 13/15, e Relatório Fiscal da Notificação, mais precisamente no item I, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção da NFLD. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhe suportaram, ou melhor, os fatos geradores das contribuições previdenciárias ora exigidas, não se cogitando na nulidade do procedimento, ou mesmo lançamento com base em meras presunções. 9 ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBL"ItS' CONE RE COMO r"inTNAL r• Processo n° 17546.000635/2007-27 Brasília, CCO2/036 Acórdão n.° 206-01337 ArS / Fls. 208 t Maria de Fituna Ferreira de C pp Mat. Siape 7$1683 Melhor elucidando, os cálculos dos valores objetos do lançamento foram extraídos do Contrato Social, Estatuto Social, Escrituração Contábil (Livros Diário e Razão), Notas Fiscais de Prestação de Serviços, e demais documentos contábeis, fornecidos pela própria recorrente, não deixando margem a qualquer dúvida quanto a regularidade da conduta fiscal, como procura demonstrar a notificada: Dessa forma, não há se falar em irregularidade e/ou ilegalidade, ou mesmo em presunções no procedimento levado a efeito pela autoridade lançadora ao promover o lançamento, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência. MÉRITO No mérito, em síntese, pugna a contribuinte pela reforma da decisão recorrida, a qual manteve integralmente a exigência fiscal, aduzindo para tanto que os serviços prestados pela empresa contratada não se fizeram mediante cessão de mão-de-obra, ao contrário do entendimento da autoridade lançadora, mormente quando esta sequer comprovou as alegações fiscais, a partir de exames nos contratos, com o fito de constatar se havia equipe à disposição do tomador de serviços. Antes mesmo de se adentrar às questões de mérito propriamente ditas, impende transcrever os dispositivos legais que regulam a matéria, indispensáveis ao deslinde da controvérsia, senão vejamos: Com efeito, o artigo 31 da Lei n° 8.212/91, determina que as empresas tomadoras de serviços prestados mediante cessão de mão-de-obra, por substituição tributária, deverão reter 11% (onze por cento) da nota fiscal ou fatura do serviço, a titulo de contribuição previdenciária, o que de antemão já rechaça a alegação da contribuinte de que a prestadora recolheu os tributos lançados, como segue: "Art 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observado o disposto no ,sç 5° do art. 33." Por sua vez, o § 3° do dispositivo legal encimado, traz em seu bojo a definição de cessão de mão-de-obra, para efeito do perfeito enquadramento dos casos concretos à norma supratranscrita, ou seja, subsunção da norma ao fato, in verbis: ",f 3 0 Para os fins desta Lei, entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade-fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e afonia de contrafação." Ao regulamentar a matéria, o Decreto n° 3.048/99, em seu artigo 219 e parágrafos, reiterou os preceitos legais acima esposados, trazendo, ainda, a exemplo do § 4°, do artigo 31 da Lei n° 8.212/91, rol taxativo dos serviços a serem enquadrados como cessão de mão-de-obra, nos seguintes termos: 10 ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUTNTES n10INAL• CONFERE O .181 O • Processo n• 17546.00063512007-27 11-1hits - CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.537 IFFPF Fls. 209 Maria de Fát et retta de Carit Siape 751683 Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 50 do art. 216. § 1° Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei n° 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. § 2° Enquadram-se na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mão-de-obra: 1- limpeza, conservação e zeladoria; II - vigilância e segurança; III - construção civil; V - serviços rurais; • V - digitação e preparação de dados para processamento; VI - acabamento, embalagem e acondicionamento de produtos; VII- cobrança; VIII - coleta e reciclagem de lixo e resíduos; IX-copa e hotelaria; X- cone e ligação de serviços públicos; - ,e1a - distribuição; XII- treinamento e ensino; XIII - entrega de contas e documentos; XIV- ligação e leitura de medidores; XV - manutenção de instalações, de máquinas e de equipamentos; XVI - montagem; XVII - operação de máquinas, equipamentos e veículos; XVIII - operação de pedágio e de terminais de transporte; XIX - operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou sub-concessão; (Redação alterada pelo Decreto n° 4.729, de 09/06/03). 4"/ 11 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBL!'"c.S • CONFERE COM O n"W11NAL • Processo n° 17546.000635/2007-27 Brasília, ti..? CCO2/C06 Acórdão n.• 206-01.537 ero (r)-9 Fls. 210 bAaria de Fátima Ferieira de - Mat. Siape 751683 ORIGINAL -XIX- operação de transporte de cargas e passageiros; XX - portaria, recepção e ascensorista; XXI - recepção, triagem e movimentação de materiais; JOU( - promoção de vendas e eventos; XXIII - secretaria e expediente; XXIV-saúde; e XXV-telefonia, inclusive telemarketing. ff 3° Os serviços relacionados nos incisos Ia V também estão sujeitos à retenção de que trata o caput quando contratados mediante empreitada de mão-de-obra. [...] " (gnfimos). Conforme se extrai dos dispositivos legais retro, tratando-se de serviços efetivamente/comorovadamente prestados mediante cessão de mão-de-obra, estarão sujeitos à retenção de 11% de que trata o artigo 31 da Lei n°8.212/91. Frise-se, porém, que o entendimento majoritário levado a efeito nesta egrégia Câmara é no sentido de que não basta que a autoridade lançadora informe o serviço prestado, enquadrando-o no rol acima mencionado. Deverá, ainda, comprovar mediante documentação hábil e idônea a ocorrência do fato gerador do tributo, in casu, a execução do serviço mediante cessão de mão-de-obra, exceto nos casos em que a contribuinte não ofertou os contratos e/ou outros documentos solicitados pela fiscalização, hipótese em que o fiscal autuante poderá presumir tal situação a partir de outros elementos colocados à disposição do Fisco (Notas Fiscais, escrituração contábil, p. ex.), o que se vislumbra no caso vertente, ou quando a retenção de 11% já se encontra destacada na própria nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. Cumpre esclarecer que referida conduta da fiscalização, em demonstrar cabalmente a ocorrência do fato gerador, com espeque no artigo 142 do CTN, encontra sustentáculo, igualmente, na própria vontade do legislador ordinário que, ao disciplinar a matéria, fez questão de elucidar a conceituação de cessão de mão-de-obra, no § 3°, do artigo 31 da Lei n° 8.212/91. Se assim não fosse, bastaria arrolar os serviços que se enquadram como cessão de mão-de-obra, sem conquanto conceituá-lo. Nesse sentido, não restam dúvidas de que a legislação previdenciária pertinente à matéria impõe ao agente lançador que demonstre o enquadramento do serviço prestado no rol taxativo constante dos dispositivos legais supra, comprovando, ainda, ter sido executado mediante cessão de mão-de-obra. É o que determina o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, nos seguintes termos: "Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das dr) contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento." (grifamos). 12 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBI 'TES • CONFERE COM O 11"1"-ONAL • Processo n°17546.000635/2007-27 ) i atti. CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.537 ger CleeK) Fls. 211 Maria de F tucá* de Carvalho Mat. Siape 751683 Conforme se extrai da documentação acostada aos autos, conclui-se que o conjunto dos elementos de provas, corroborado com os argumentos da fiscalização, são suficientemente capazes de demonstrar que os serviços, de fato, foram prestados mediante cessão de mão-de-obra. Como se verifica, o Fisco logrou demonstrar o fato gerador dos tributos ora exigidos, ainda que sem muita especificidade, fato devidamente justificável pela ausência dos contratos de prestação de serviços, não fornecidos pela contribuinte. Na esteira desse entendimento, não se cogita em improcedência do feito, uma vez que o fiscal autuante agiu da melhor forma, com estrita observância da legislação de regência, impondo a manutenção do feito em sua plenitude. DA MULTA E TAXA SELIC Por fim, insurge-se a contribuinte contra a aplicação da multa moratória e da Taxa Selic, por entender ser ilegal e inconstitucional, entendimento que, igualmente, não tem o condão de macular a exigência em questão. Destarte, as contribuições sociais arrecadadas pelo INSS estão sujeitas à taxa referencial do SELIC — Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei n° 8.212/91, não prosperando a alegação da impossibilidade de utilização para a fixação de juros de mora, senão vejamos: "Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notcação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP n° 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei n° 9.528197. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei n° 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei)." Por sua vez, de conformidade com o artigo 35, inciso I, da Lei 8.212/91, as contribuições previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso, senão vejamos: "Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes temos: I - para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: 14." Nesse sentido, devida a contribuição e não sendo recolhida até a data do vencimento, fica sujeita aos acréscimos legais na forma da legislação de regência. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC, com fulcro no artigo 34 da Lei n°8.212/91, e bem assim da multa moratória, nos termos do artigo 35 do mesmo Diploma Legal. 13 NI I P - SkAWNL() CONSELHO DE CONTRIM 'TES CONFERE COM O O^ inINAL Basilia,) r Processo n° 17546.000635/2007-27 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01337 Fls. 212 Maria de Fato Fel eira de Cama° Mat. Siape 751683 DA APRECIAÇÃO DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Relativamente ao inconformismo à cobrança das contribuições previdenciárias ora lançadas a pretexto de ilegalidades e/ou inconstitucionalidades, além da exigência de tais tributos encontrar respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Note-se, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF n° 147/2007, que aprovou o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: "Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundanzento de inconstitucionalidade. Observe-se, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Sumula n° 02, do 2° Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, assim estabelece: "O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária." E, segundo o artigo 53, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória pelo respectivo Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, "a" da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: "Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: 1— processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratária de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; 14." 14 Mi -1 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRI1R rrESI CONFERE Cx1M o n/' inINAL Processo n° 17546.000635/2007-27 Us- CCOVC06 Acórdão n.° 206-01.537 efr-- Fls. 213 Maria de Fári esteira de Carv Siape 731683 Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte também em relação a ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. Quanto as demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida e/ou macular o crédito previdenciário ora exigido, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente debatidas/rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, no mérito, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando a NFLD sub examine parcialmente em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, acolher a preliminar de decadência em relação ao período de 10/1999 a 03/2001, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito NEGAR -LHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Sala das Sessões, em 05 de novembro de 2008 _ inata RYCA • è NRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA • 15 Page 1 _0031800.PDF Page 1 _0031900.PDF Page 1 _0032000.PDF Page 1 _0032100.PDF Page 1 _0032200.PDF Page 1 _0032300.PDF Page 1 _0032400.PDF Page 1 _0032500.PDF Page 1 _0032600.PDF Page 1 _0032700.PDF Page 1 _0032800.PDF Page 1 _0032900.PDF Page 1 _0033000.PDF Page 1 _0033100.PDF Page 1
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Numero do processo: 10830.729573/2020-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon May 29 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2018
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SUJEITO PASSIVO.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula Carf nº 12.)
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACORDO TRABALHISTA. ASPECTO TEMPORAL DO FATO GERADOR.
No caso de acordo trabalhista em que não são discriminadas as verbas nele constantes, de forma a se identificar o período em que eram devidas, aplica-se o regime de caixa para determinar o aspecto temporal do fato gerador.
Numero da decisão: 2301-010.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flávia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Mauricio Dalri Timm do Valle, João Mauricio Vital (Presidente). Ausente o conselheiro Alfredo Jorge Madeira Rosa.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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SUJEITO PASSIVO. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula Carf nº 12.) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACORDO TRABALHISTA. ASPECTO TEMPORAL DO FATO GERADOR. No caso de acordo trabalhista em que não são discriminadas as verbas nele constantes, de forma a se identificar o período em que eram devidas, aplica-se o regime de caixa para determinar o aspecto temporal do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flávia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Mauricio Dalri Timm do Valle, João Mauricio Vital (Presidente). Ausente o conselheiro Alfredo Jorge Madeira Rosa. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 95 73 /2 02 0- 51 Fl. 215DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-010.526 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.729573/2020-51 Trata-se de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) incidente sobre dedução indevida de contribuição previdenciária e informação incorreta acerca dos meses a que se referiram os rendimentos recebidos acumuladamente, tudo relativo ao exercício de 2019. O lançamento foi impugnado (e-fls. 2 a 5) e a impugnação foi considerada parcialmente procedente (e-fls. 60 a 68), ocasião em que se admitiu a dedução da contribuição previdenciária comprovada pelo impugnante. Manejou-se recurso voluntário (e-fls. 77 a 92) em que se arguiu que: a) preliminarmente, erro de sujeição passiva, porquanto a decisão judicial trabalhista teria determinado o recolhimento do IRPF pela reclamada, e b) tendo, o tributo, incidido sobre verba recebida em decorrência de homologação judicial de acordo em ação trabalhista, inexiste planilha comprobatória dos meses a que se referiria o montante recebido em decorrência da avença, que estabeleceu um valor global, e, portanto, deveria ser considerado o que constou da petição do reclamante. É o relatório suficiente. Voto Conselheiro João Maurício Vital, Relator. O recurso é tempestivo e dele conheço. Preliminarmente, o recorrente questionou sua condição de sujeito passivo, sob o fundamento de que o recolhimento do Imposto de Renda, por determinação judicial, caberia à fonte pagadora. Afasto a preliminar com base no que estabelece a Súmula Carf nº 12, segundo a qual: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. O contribuinte não questionou o montante ou a natureza tributável da verba recebida na ação trabalhista, limitando-se a afirmar que ela se referiu ao período em que teria prestado serviços à reclamada, que seria de 01/05/2004 a 20/01/2011, o que corresponderia a 80,5 meses para efeito de aplicação da regra de tributação de rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) prevista no § 1º do art. 12-A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Fl. 216DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-010.526 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.729573/2020-51 Afirmou também, o recorrente, que, nos autos da ação trabalhista, as partes protocolaram petição conjunta de acordo no valor líquido de R$ 158.000,00, por mera liberalidade, em 03 parcelas iguais a serem pagas em 18/05/2011, 20/06/2011 e 18/07/2011 (e- fl. 4). A decisão recorrida negou razão ao contribuinte porque ele não logrou comprovar que o valor recebido correspondeu a rendimentos que deveriam ter sido pagos em anos anteriores. Na verdade, o valor decorreu de liberalidade no âmbito do acordo celebrado entre as partes (e-fl. 66): Para que se enquadrem como rendimentos recebidos acumuladamente é necessário, conforme dispositivo legal acima transcrito, que os rendimentos correspondam a anos- calendário anteriores ao do recebimento. No caso em questão, como o valor foi pago por mera liberalidade e não há nos autos planilha indicando os valores recebidos seriam diferenças salariais que teriam sido recebidas e a qual período se refeririam, mas apenas a menção ao período em o reclamante alegou ter trabalhado para a Reclamada, não se pode dar razão ao impugnante, devendo ser mantido o número de meses apurado como 1,0 (um). Pois bem, entendo que não cabe reparo à decisão recorrida. De fato, na ausência de decisão judicial que estabelecesse os direitos do reclamante, não é possível afirmar que os valores por ele recebidos se referiram às verbas pleiteadas na peça inicial da reclamatória trabalhista. Tampouco o acordo celebrado entre as partes discriminou a que verbas correspondeu e os respectivos períodos. Na petição inicial da reclamação trabalhista (e-fls. 105 a 111), o reclamante pleiteou o pagamento de verbas rescisórias, férias, 13º salário e FGTS, cada qual referente a distintos períodos, que totalizariam R$ 381,189,14. Ocorre que as partes compuseram (e-fls. 112 a 114) e concordaram com o pagamento de um montante de R$ 158.000,00. Entretanto, não discriminaram as verbas acordadas e respectivos períodos, sequer houve o reconhecimento da relação de emprego; pelo contrário, fizeram destacar que o valor pago seria uma liberalidade, não estando relacionado com as parcelas pleiteadas pelo reclamante. Ora, diante desse cenário, é impossível afirmar se, e em que medida, o valor recebido, ou parte dele, equivaleu a alguma parcela pretérita. O fato é que, ao celebrar acordo, o reclamante claramente abriu mão da demanda trabalhista e, por conseguinte, do reconhecimento judicial das verbas que alegou lhe serem devidas no período de 01/05/2004 a 20/01/2011, concordando em receber um novo valor, totalmente desconectado com seu pedido. Percebo, então, que não se trata de fato gerador ocorrido no anos anteriores ao recebimento do rendimento, mas no momento da aquisição da disponibilidade, que foi quando do recebimento das parcelas acordadas. Não descuro do que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu no RE 614.406/RS, em sede de repercussão geral, Tema 368. Vejo, porém, tratar-se de hipótese de distinção, pois o caso não se amolda ao conceito de recebimento acumulado de rendimentos devidos ao longo do tempo, porquanto o acordo celebrado entre as partes não fez referência a nenhuma verba trabalhista decorrente da relação laboral alegada pelo reclamante, sendo, portanto, um valor novo, fruto do acordo celebrado. Fl. 217DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-010.526 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.729573/2020-51 Por fim, destaco que o próprio contribuinte admitiu (e-fl. 123), nas contrarrazões apresentadas ao recurso ordinário interposto pela União em face da decisão que homologou o acordo trabalhista, que o valor recebido em decorrência da avença não estava relacionado a parcelas trabalhistas devidas ao longo do tempo laboral e que, inclusive, sequer foi reconhecido, no acordo, qualquer vínculo empregatício: Da análise do acima transcrito, percebe-se que foi negada pelas partes a relação de emprego. Ainda, não foi feita qualquer menção de que os valores pagos seriam uma contraprestação ao trabalho da Reclamante. Aliás, nem mesmo foi reconhecida a prestação de serviços pelo Reclamante. Ao contrário, ficou muito claro que o acordo se refere exclusivamente a uma indenização paga por mera liberalidade pela Reclamada, não havendo como se falar em incidência de contribuições previdenciárias. Ora, desse contexto, se conclui que o pagamento das verbas, acordadas não se refere a qualquer remuneração ao Reclamante, mas possui caráter evidentemente indenizatório, de forma, que não há incidência de recolhimentos de INSS. (Grifo do original.) Em resumo, no caso de acordo trabalhista em que não são discriminadas as verbas nele constantes, de forma a permitir a identificação do período em que eram devidas, aplica-se o regime de caixa para determinar o aspecto temporal do fato gerador, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990. Conclusão Voto por rejeitar a preliminar e por negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital Fl. 218DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10909.000935/2002-96
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1997
DCTF. AUDITORIA INTERNA. COMPENSAÇÃO DOS DÉBITOS
DECLARADOS. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS RECONHECIDOS
JUDICIALMENTE. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM
JULGADO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS.
IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A
FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Se decorrentes de decisão judicial, tais créditos só adquirem tal condição depois de transitada em julgado a correspondente sentença judicial.
A Lei Complementar n° 104 de 2001, ao inserir no Código Tributário Nacional o artigo 170-A, não trouxe nenhuma novidade, pois a vedação à utilização para compensação de créditos reconhecidos judicialmente antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial já estava contida no caput do artigo 170 do CTN, onde está claro que a compensação não pode ser
efetivada com a utilização de “créditos” precários.
A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados
impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento
Numero da decisão: 3802-000.757
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 DCTF. AUDITORIA INTERNA. COMPENSAÇÃO DOS DÉBITOS DECLARADOS. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Se decorrentes de decisão judicial, tais créditos só adquirem tal condição depois de transitada em julgado a correspondente sentença judicial. A Lei Complementar no 104 de 2001, ao inserir no Código Tributário Nacional o artigo 170A, não trouxe nenhuma novidade, pois a vedação à utilização para compensação de créditos reconhecidos judicialmente antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial já estava contida no caput do artigo 170 do CTN, onde está claro que a compensação não pode ser efetivada com a utilização de “créditos” precários. A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 163DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11473.64LN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. EDITADO EM: 02/12/2011 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Tatiana Midori Migiyama. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ Florianópolis (fls. 89/90), a qual, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração lavrado contra o sujeito passivo, que aborda os fatos descritos no relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Tratase de Auto de Infração decorrente de procedimento fiscal de auditoria interna das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF do anocalendário de 1997, emitido contra a interessada acima identificada por falta de pagamento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), relativa ao terceiro e ao quarto trimestres de 1998, no valor R$ 22.176,94, conforme demonstrativos anexos ao Auto de Infração. A motivação do lançamento (folha 05) consta ser “FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA”. Extraise do DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS (fls. 06/07) que os débitos, com vencimentos em 10/10/1997, 10/11/1997, 10/12/1997 e 01/01/1998, não foram compensados pois o crédito a estes vinculado, referente ao processo de nº 97.20037903, não teria sido comprovado. Inconformada com o lançamento, a contribuinte interpôs impugnação onde alega, que “O imposto COFINS com vencimento em 10/10/1997, foi compensado através do processo nº 97.20037865, ao qual (sic) não foi localizado pela SRF”. Ao final, requer o cancelamento do Auto de Infração. Consta dos autos que: a autuada foi intimada pela SARAC/DRF/ITJ a apresentar: relação do faturamento mensal dos períodos de apuração que geraram os créditos de FINSOCIAL; livros fiscais e balancetes do referido período; demonstrativos de apuração e compensação dos indébitos; e escrituração contábil relativa as compensações alegadas (fl. 33/34); em resposta a esta intimação, a interessada trouxe os documentos à folhas 36 a 84, diante dos quais a EAC 02/DRF/ITJ manifestouse pelo “atendimento precário à intimação, especialmente no que se refere aos documentos necessários para a conferência da formação do alegado crédito decorrente as decisão judicial transitada em julgado”; o processo foi, então, encaminhado para julgamento. Fl. 164DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11473.64LN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10909.000935/200296 Acórdão n.º 380200.757 S3TE02 Fl. 159 3 A DRJ Florianópolis indeferiu o recurso fundamentada na não comprovação da liquidez e certeza dos créditos apontados pela empresa, requisitos indispensáveis para a extinção do crédito tributário por compensação, nos termos do artigo 170 do CTN. Ressaltou ainda a autoridade julgadora que a ação judicial patrocinada pela impugnante ainda não tinha transitado em julgado, fato também impeditivo da compensação, nos termos do artigo 170A do CTN e § 7° do artigo 12, e § 6o do artigo 14, ambos da IN SRF no 21, de 10/03/1997. Ainda sobre a questão, assim se manifestou a i. Relatora Andréa Luiza Vasconcelos Mendes: No caso que aqui se tem, não resta dúvidas que, a contribuinte ao proceder as compensações informadas nas DCTF (apresentadas em 28/11/1997 e 04/02/1998), ainda não detinha decisão judicial transitada em julgado que lhe assegurasse, de forma líquida, certa e definitiva, o crédito contra a Fazenda Nacional de que se utilizou conforme se verifica da consulta processual juntada à folha 28, o processo judicial do qual decorreria o crédito utilizado nas compensações declaradas somente transitou em julgado em 10/09/2002. Portanto, as compensações pretendidas não ocorreram de fato, pois, à época da apresentação das DCTF, estava ausente requisito essencial a sua concretização, independentemente de, posteriormente, ter a contribuinte acabado por ter reconhecido seu direito creditório na via judicial. Com esses argumentos, o lançamento foi mantido na primeira instância de julgamento, resultado o qual foi cientificado à recorrente em 28/04/2010 (fls. 93). Inconformada, a autuada apresentou, em 27/05/2010 (fls. 94), o recurso voluntário de fls. 94/108, onde se insurge contra o lançamento com fundamento nos seguintes argumentos: a) que a decisão judicial, proferida em 18/02/1999, transitou em julgado em 10/09/2002, tendo a recorrente, depois da decisão judicial, compensado o crédito judicial com débitos da COFINS do período de setembro/1997 a janeiro/1998; b) se socorre no Direito Civil e em respeitável doutrina acerca da interpretação do artigo 170 do CTN para defender seu direito à compensação desejada; c) tece comentários sobre o mecanismo de compensação de que trata o artigo 66 da Lei no 8.383/91, com base no qual defende a legitimidade da conduta adotada; d) ressalta que a situação não se confunde com a prevista no § 3o do artigo 16 da Lei 6.830/80; e) defende que o artigo 66 da Lei no 8.383/91 e a IN SRF no 21/97 dispensariam autorização administrativa para a compensação, e que o artigo 170A ainda não havia sido incorporado ao Código Tributário quando da compensação realizada. Fl. 165DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11473.64LN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Diante do exposto, requer seja provido seu recurso, nos termos do pedido de fls. 108. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Admissibilidade do recurso Conforme relatado, a ciência da decisão de primeira instância se deu em 28/04/2010 (fls. 93). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 27/05/2010 (fls. 94), tempestivamente, portanto. Ademais, nos termos do instrumento de mandato de fls. 111, vêse que o signatário da petição de recurso voluntário detém legitimidade para representar a empresa perante este foro. Quanto à matéria, esta se encontra dentre os assuntos que são da competência desta Turma de julgamento. Todavia, há alguns argumentos que só foram aduzidos nesta instância recursal, os quais não podem ser conhecidos por força do disposto no artigo 17 do Decreto no 70.235/72, segundo o qual “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Com efeito, a autuada, na sua impugnação (fls. 01), alegou exclusivamente o seguinte: OS FATOS: O imposto COFINS com vencimento em 10/10/1997, foi compensado através do processo no 97.20037903, ao qual não foi localizado pela SRF. O DIREITO: O processo e decisão encontrase em anexo para a devida comprovação de devida compensação, ao qual foi informado na DCTF. Pedese a alocação dos valores pela SRF. • DIANTE DO EXPOSTO, A EMPRESA ACIMA IDENTIFICADA, VEM REQUERER O CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO, ELIMINANDO A PENDÊNCIA REGISTRADA NO SERPRO SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS. Como se vê, na impugnação – de apenas uma lauda – a reclamante se limitou a informar que compensara o débito exigido com créditos reconhecidos no processo judicial no 97.20037903. Assim, examinarseá exclusivamente, nesta instância, a possibilidade legal de se aceitar a compensação com os alegados créditos judiciais da empresa, isso considerando, também, as razões em que se alicerçou a decisão de primeira instância, estando preclusos todos os outros argumentos só aduzidos no recurso de fls. 94/108, estes, não dispensados do requisito de prequestionamento por não dizerem respeito a matéria de ordem pública, e ainda, por não corresponderem a nenhuma das hipóteses de apresentação de prova documental elencadas no § 4º do artigo 16 do Decreto no 70.235/72. Conhecese, pois, parcialmente do recurso, nos termos acima expostos. Fl. 166DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11473.64LN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10909.000935/200296 Acórdão n.º 380200.757 S3TE02 Fl. 160 5 Mérito É incontroverso que o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito creditório da recorrente só se materializou posteriormente à apresentação das DCTF cujas compensações não foram homologadas. Efetivamente, não há como reconhecer como correta a conduta defendida pelo sujeito passivo, posto que os créditos reconhecidos pelo Poder Judiciário só poderão ser objeto de compensação depois do trânsito em julgado da respectiva ação judicial, e isso mesmo antes da inserção, no Código Tributário Nacional, do artigo 170A, o que se deu pela Lei Complementar no 104, de 10/01/2001. Com efeito, a Lei Complementar no 104/2001, ao inserir no Código Tributário Nacional o artigo 170A, a rigor, não trouxe nenhuma novidade, já que a vedação à utilização para compensação de créditos reconhecidos judicialmente antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial já estava contemplada pelo caput do artigo 170 do CTN, o qual autoriza a utilização, para fins de compensação com débitos do sujeito passivo para com a Fazenda Pública, exclusivamente, de créditos “[...] líquidos e certos, vencidos ou vincendos [...]” (destaquei). Repetindo: o artigo 170 do CTN trata expressamente da possibilidade de compensação, mas desde que seja ela feita com a utilização de créditos líquidos e certos. E o próprio alcance conceitual dos termos em evidência deixa claro que a compensação não pode ser efetivada com a utilização de “créditos” precários, ilíquidos e incertos, medida, aliás, essencial para resguardar o Erário e a própria sociedade da dilapidação dos recursos tão necessários para o bem coletivo. Assim, se não há a certeza da existência e da liquidez dos créditos alegados, não é possível a extinção do crédito tributário por compensação, entendimento este, repitase mais uma vez, extraído unicamente do artigo 170 do CTN, conforme razões acima aduzidas. Nesse sentido, a seguinte decisão do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS. FINSOCIAL COM O CONFINS. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS AUTORIZATIVOS. LEI 8.383/91. ART. 170 DO CTN. A Lei no 8.383/91 não revogou normas consignadas no Código Tributário Nacional (art. 170), que é Lei Complementar e dispõe acerca dos pressupostos necessários a autorizar o instituto da compensação. Hipótese expressa na legislação (art. 156 do CTN) de extinção do crédito tributário, a compensação, nos termos em que está definida em lei (art. 170 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza. Líquidos e certos, na definição legal (para justificarem a compensação), são os créditos tributários expressamente declarados pelo Fisco e os reconhecidos, como tais, por sentença judicial com trânsito em julgado. A liquidez e certeza do crédito é pressuposto indesjungível da compensação, tal qual como concebida na legislação pertinente e devem ser provados pelo credor, sendo inválido, para tal fim, a confissão ficta da Fazenda respectiva. Fl. 167DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11473.64LN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 A jurisprudência se firmou no sentido de que a compensação da contribuição para o FINSOCIAL paga indevidamente depende do reconhecimento judicial da inconstitucionalidade em cada caso concreto, desservindo de título para esse fim os precedentes judiciais que, incidentalmente, deixaram de aplicar o art. 92 da Lei no 7.689/88. Recurso provido. Decisão unânime. (Recurso Especial no 98.899/SC. Relator Min. Demócrito Reinaldo. Publicado no D.J. de 29/10/1996 – grifos nossos) Enfim, o artigo 170A do CTN em nada inovou a ordem jurídica, não cabendo, pois, falar em retroatividade de sua aplicação, pois o que aludido dispositivo pretendia regrar já se encontrava alicerçado no próprio Código Tributário Nacional, notadamente, em seu artigo 170, reforçado, ainda, pelo disposto nos incisos II e X de seu artigo 156. De fato, colocar a compensação como modalidade de extinção do crédito tributário (artigo 156, II) não guarda coerência lógica com a precariedade de uma decisão judicial, decisão esta que, a teor do inciso X do mesmo artigo 156, é também modalidade de extinção do crédito, mas desde que a decisão já tenha “passado em julgado”. Inadmitida a compensação pleiteada pela recorrente, legítima a cobrança dos créditos tributários que intentava extinguir por compensação informada em DCTF, com os encargos moratórios daí decorrentes. Da conclusão Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 21 de novembro de 2011. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 168DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11473.64LN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS em 02/12/2011 00:53:43. Documento autenticado digitalmente por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS em 02/12/2011. Documento assinado digitalmente por: REGIS XAVIER HOLANDA em 16/12/2011 e FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS em 02/12/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 29/03/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP29.0320.11473.64LN Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 0A39B7AAE3A3AEFFCF9E63D2EDE157399C7D130A Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10909.000935/2002-96. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 11330.000897/2007-31
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1995 a 30/11/1998
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - RECURSO DE OFICIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - PROCEDIMENTO FISCAL NA CONTRATADA - EXAME DA CONTABILIDADE - LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE.
A autoridade fiscal constatando que um ou mais dos devedores
solidários havia sido objeto de auditoria fiscal com exame da
contabilidade, o auditor deveria abster-se de constituir o crédito previdenciário.
Recurso de Oficio Negado.
Numero da decisão: 206-01.550
Decisão: ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Fez sustentação oral o(a) advogado(a) da recorrente Dr(a). Renato de Oliveira Silva, OAB/RJ n° 133.477.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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S . 751683 ; MINISTÉRIO DA FAZENDA trZt.;:f SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4'"r-.*.n21/).. SEXTA CÂMARA Processo no 11330.000897/2007-31 Recurso n° 150.620 De Oficio Matéria RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Acórdão n° 206-01.550 Sessão de 06 de novembro de 2008 Recorrente DRJ - RIO DE JANEIRO Interessado PETROBRÁS - PETRÓLEO BRASILEIRO S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PRENTIDENCIÁRJAS Período de apuração: 01/05/1995 a 30/11/1998 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - RECURSO DE OFICIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - PROCEDIMENTO FISCAL NA CONTRATADA - EXAME DA CONTABILIDADE - LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. A autoridade fiscal constatando que um ou mais dos devedores solidários havia sido objeto de auditoria fiscal com exame da contabilidade, o auditor deveria abster-se de constituir o crédito previdenciário. Recurso de Oficio Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Pç)( ,i1 SBOUNDO CONSELHO DE CONTEI:M.~3S CONFERE COM 0 ORIGINAL Processo n° 11330.000897/2007-31 Batia, CJime /M CCO21036 Acórclào n.° 206-01.550 Fls. 831 idtdr mwis de i; e etipto t. Siepe 751683 --- ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Fez sustentação oral o(a) advogado(a) da recorrente Dr(a). Renato de Oliveira Silva, OAB/RJ n° 133.477. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente CX-22-7-1' ELAINE CRISTINA MMITEIRCTESTLVA VIEIRA Relatora • Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Cleusa Vieira de Souza, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo a° 11330.000897/2007-31 p.a- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUISTES. CCO2/C06CONFERE COM O ORIGINAL Acórdão ri. 206-01.550 2Fls. 83 Mgr* /51 9- , le2 e ta ri Maria de FitieCF-ensire de/Carvalho C Mat 5' 751633 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social em virtude do instituto da responsabilidade solidária, na contratação de serviços mediante cessão de mão de obra. O período compreende as competências maio/1995 a novembro/1998. A base de cálculo dos segurados utilizados na prestação de serviços mediante cessão de mão de obra pela empresa LIDER TAXI AEREO S/A — AR BRASIL foram obtidas mediante a verificação das notas fiscais e contratos. A base de cálculo apurada por meio de aferição do salário de contribuição seguiu os parâmetros do art. 33 da Lei 8212/91, c.//c com a regra estabelecida na Ordem de Serviço INSS/DAF n° 83/1993, OS n° 176/1997 e IN n° 70/2002, cada uma dentro do seu período de vigência, conforme descrito no relatório fiscal. A empresa contratante, ora notificada, na qualidade de responsável solidária, deveria manter toda a documentação capaz de elidir a referida responsabilidade, o que não fez, deixando, pois, de apresentar perante a autoridade fiscal: as folhas de pagamento, guias de recolhimento e declaração de contabilidade. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deu-se em 29/09/2003, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido na mesma data. Contudo, relevante informar que o procedimento fiscal teve início em 10/10/2002, com a ciência do MPF, servindo este como medida preparatória para o lançamento. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 64 a 70. Manifestou-se também a empresa contratada, às fls. 74 a 97, no sentido de não existirem contribuições a serem recolhidas, posto o seu pagamento na época devida, ademais o período encontrava-se decadente. A Decisão-Notificação confirmou a procedência parcial do lançamento fiscal, fls. 583 a 613. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 618 a 624. Em síntese, a recorrente alega o seguinte: decadência das contribuições exigidas, conforme CTN; inexistência de cessão de mão de obra que justificasse a responsabilidade solidária; antes da cobrança do devedor solidário, deve o crédito ser lançado contra o devedor principal; a base de cálculo apurada encontra-se indevida; não tem competência o tomador dos serviços para fiscalizar a regularidade do prestador; requer o cancelamento da NFLD. A empresa prestadora também apresenta seu recurso às fls. 628 a 665. A autoridade previdenciária apresenta suas contra-razões às fls. 720 a 725. O processo foi apreciado no âmbito da 2' Caj, que decidiu pela nulidade da decisão notificação para que sejam adotadas as cautelas mínimas por parte da autoridade fiscal evitando o lançamento em duplicidade, fls. 726 a 730. (ti". MI- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBL.`1171S • CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 11330.000897/2007-31 91-/9— C RS 1 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.550 Fls. 833 Maria de ' entra de Carvalho Siape 751683 Não concordando com a decisão do CRPS a unidade descentralizada da SRP, pediu revisão de acórdão, consubstanciado no art. 60 da Portaria/MPS n° 88/2004, fls. 723 a 727. A empresa notificada apresenta contra-razões às fls. 731 a 737, bem como a empresa contratada, fls. 742 a 776. A 2' Ca.1 não acatou o pedido revisional por entender tratar-se de mera rediscussão da matéria, visto não ter a autoridade previdenciária não ter apresentado os dispositivos legais infringidos quando do julgamento anterior. Foi exarada nova decisão notificação que concluiu pela improcedência do lançamento, visto a ocorrência de ação fiscal com exame da contabilidade na empresa contratada, o que ao teor dos atos normativos que regem o tema o toma insubsistente, fls. 821 a 828. É o Relatório. Voto Conselheira ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Trata-se de Recurso de Oficio apresentado pela unidade local da SRP, nos termos do art. 366, § 2°, do RPS e art. 1°, Ida Portaria MPS n° 158, de 11 de abril de 2007, por ter sido julgado improcedente lançamento decorrente da responsabilidade solidária. DO MÉRITO Conforme demonstrado no relatório fiscal a empresa Petrobrás contratou serviços mediante cessão de mão de obra da empresa LIDER TAXI AEREO S/A — AIR BRASIL, todavia restou comprovado a ocorrência de ação fiscal na empresa contratada, com fiscalização total, por meio do exame da contabilidade de todo o período. Note-se que o processo em questão já foi objeto de apreciação no âmbito da 2' CaliCRPS, que por meio do acórdão 516/2004, decidiu pela nulidade da DN, determinando que o INSS deveria apresentar elementos, obtidos da análise contábil da empresa notificada, que justificassem o procedimento adotado. Após a negativa de pedido de revisão formulado pela SRP, que discordava da nulidade da DN, houve a manifestação do Conselho Pleno do CRPS que exarou o Enunciado n° 30 editado pela Resolução n° 1/20007, publicado no DOU de 05/02/2007, que dispõe: "Enunciado n° 30: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador do serviços, mesmo que não haja apuração prévia no prestador do serviço." SIskicoNFEREUNDOr COCONSMELOH08 CON01300INALTR- 1B • Processo n• 11330.000897/2007-31 Bruma, / / egg CCO2/C06 Acórdão n.'206-01.550 Fls. 834 Maria de Fica Mat. Siwc 751683 Ou seja, da mesma fonna que o enunciado deixa claro não existir a necessidade de fiscalizar primeiro o prestador de serviços, também nos remete a verificação da existência de fiscalização total na prestadora, evitando o lançamento em duplicidade das contribuições resultantes da contratação de prestação de serviços. Assim, ao proceder a verificação a autoridade fiscal notificante, constatou que a empresa prestadora havia sido fiscalizada com exame da contabilidade, englobando o período objeto do presente lançamento, o que ensejou o encaminhamento pela improcedência da NFLD. Neste sentido, a autoridade julgadora de 1* instância procedeu ao julgamento da NFLD no sentido de destacar sua improcedência frente ao entendimento emanado pelo Parecer n° 2376/2000, e da Portaria MPS/SRP/DEFIS n° 02/2007, onde se pode extrair que: "em a autoridade fiscal constatando que um ou mais dos devedores solidários havia sido objeto de auditoria fiscal com exame da contabilidade, o auditor deveria abster-se de constituir o crédito previdenciário." Dessa forma, em tendo a unidade descentralizada da SRP interposto recurso de oficio, cabe-nos apenas ratificar seu procedimento, visto estar na estrita observância dos dispositivos legais e normativos. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio, mantendo incólume a Decisão Notificação. É como voto. Sala das Sessões, em 06 de novembro de 2008 RISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 5 • Page 1 _0044300.PDF Page 1 _0044400.PDF Page 1 _0044500.PDF Page 1 _0044600.PDF Page 1
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Numero do processo: 10073.001301/2007-35
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 15/04/1997
ISENÇÃO - RECONHECIMENTO - REQUISITOS - ATO DECLARATÓRIO.
Em face da natureza declaratória do ato de reconhecimento do direito à isenção, a entidade deve demonstrar na ocasião do protocolo do pedido que cumpre todos os requisitos estabelecidos na lei para fazer jus ao benefício. Somente com a emissão do ato declaratório a entidade passa a ser considerada isenta das contribuições patronais.
ENTIDADE EM DÉBITO COM A SEGURIDADE SOCIAL.
A inexistência de débitos em relação às contribuições devidas ao INSS é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção concedida. Considera-se entidade em débito, quando contra ela constar crédito da Seguridade Social exigível, decorrente de obrigação assumida como contribuinte ou responsável.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 206-01.755
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 15/04/1997 ISENÇÃO - RECONHECIMENTO - REQUISITOS - ATO DECLARATÓRIO. Em face da natureza declaratória do ato de reconhecimento do direito à isenção, a entidade deve demonstrar na ocasião do protocolo do pedido que cumpre todos os requisitos estabelecidos na lei para fazer jus ao benefício. Somente com a emissão do ato declaratório a entidade passa a ser considerada isenta das contribuições patronais. ENTIDADE EM DÉBITO COM A SEGURIDADE SOCIAL. A inexistência de débitos em relação às contribuições devidas ao INSS é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção concedida. Considera-se entidade em débito, quando contra ela constar crédito da Seguridade Social exigível, decorrente de obrigação assumida como contribuinte ou responsável. Recurso Voluntário Negado.
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Em face da natureza declaratoria do ato de reconhecimento do direito à isenção, a entidade deve demonstrar na ocasião do protocolo do pedido que cumpre todos os requisitos estabelecidos na lei para fazer jus ao beneficio. Somente com a emissão do ato declaratório a entidade passa a ser considerada isenta das contribuições patronais. ENTIDADE EM DÉBITO COM A SEGURIDADE SOCIAL. A inexistência de débitos em relação às contribuições devidas ao INSS é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção concedida. Considera-se entidade em débito, quando contra ela constar crédito da Seguridade Social exigível, decorrente de obrigação assumida como contribuinte ou responsável. Recurso Voluntário Negado. 2° CC, Se-. 1"tnia CONFEr.t. CD Brunia, 1426-J124– Processo n• 10073.001301/2007-35 cccrvco6 Acórdão n.° 206-01.755 Marta t r o met Slapo 762748 Fl.s. 106 ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES,aunanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente PaktBAND IRA Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Cleusa Vieira de Souza, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira 2 — — r CCAVIF Sexta CARMIM CONFERE COM O ORIGINAL Processo n°10073.001301/2007-35 BraallIaã 06 /22_ CCO2/C06 Acórdão 206-01.755 Maria Ware-pinto Fls. 107 Mat. Sisos, 752740 Relatório A entidade apresentou pedido de reconhecimento de isenção em 15/04/1997. Da análise da documentação apresentada, o INSS verificou que a entidade era portadora do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos expedido pelo extinto Conselho Nacional do Serviço Social — CNSS, conforme decisão proferida em sessão de 27/08/1975. Posteriormente, a entidade não obteve renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos. Pela Resolução n° 208, de 29 de novembro de 1996, do Conselho Nacional de Assistência Social — CNAS (fls. 26/32), foi indeferido pedido do citado certificado em razão da entidade não aplicar anualmente em gratuidade, pelo menos 20% (vinte por cento) da receita bruta, proveniente da venda de serviços e bens não integrantes do ativo imobilizado, bem como das contribuições operacionais, conforme estabelecido no inciso IV, do art. 2° do Decreto n° 752/1993. A entidade apresentou pedido de reconsideração, o qual também foi indeferido pela Resolução n° 113, de 15 de julho de 1997 do Conselho Nacional de Assistência Social — CNAS (fls. 33/35). Somente com a Resolução n° 106, de 10 de maio de 1999, a entidade teve deferido o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos (fl. 36). Portanto, a entidade teve certificado até 31/12/1994 c, posteriormente, de 11/05/1999 a 10/05/2002. No período de 01/01/1995 a 10/05/1999, a entidade não possuía certificado. Pelo Despacho de folhas 63/64, de 25/11/2005, a SRP indeferiu o pedido de isenção em razão da entidade não possuir certificado no momento em que protocolou o pedido de isenção uma vez que no período de 01/01/1995 a 10/05/1999, este não possuiu certificado. Além disso, a entidade permaneceu recolhendo no FPAS 639, como se isenta fosse. Intimada da decisão, a entidade apresentou recurso tempestivo (fls. 78/80) onde alega que faz jus à isenção, seja porque é entidade beneficente de assistência social, seja porque está aguardando decisão de recurso administrativo com pedido de efeito suspensivo dirigido ao Ministro de Estado da Previdência Social contra a decisão que negou o pedido de renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, proferida em grau de reconsideração pelo CNAS. Entende que houve erro material na decisão de indeferimento que não considerou os efeitos da renovação do CEFF pela Resolução n° 106/1999 ao julgar o processo n° 44006.006440/97-29. Destaca que os efeitos da renovação retroagem à data da protocolização do pedido quando formalizado tempestivamente, nos termos do Parecer CJ n° 2.57512001. A SRP apresentou contra-razões (fls. 95/104) onde informa que a entidade formulou pedido de isenção em 15/04/1997 e, sem aguardar qualquer decisão a respeito do assunto, bem como sem ser detentora do então Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, vinha e continua não recolhendo as contribuições patronais abrangidas pela isenção. 3 - COopo NFERE com O ORIGINA 2* C sexta c e Processo n• 10073.00130112007-35 CCO2C06 Acórdão n.°206-01.755 ORIGINAL Mana Fls. 108 Ecfn Mat. $1400 78°21733 Pinto Em 04/1998, a entidade apresentou novo pedido de reconhecimento de isenção, por meio do processo n° 35324.000375/98-98, sem possuir, ainda, o certificado. A entidade só teve deferido o certificado em 09/05/1999 e após essa data, não protocolou pedido de reconhecimento do direito à isenção. Quanto ao alegado recurso ao Ministro de Estado da Previdência Social, a SRP informa que a recorrente juntou aos autos somente uma correspondência endereçada àquela autoridade onde informa a pretensão de recorrer no prazo legal assegurado de sessenta dias (fl. 20). No entanto, não há nos autos prova de que tenha efetivamente apresentado tal recurso. No mais, entende que deve ser mantida a decisão de indeferimento. É o relatório. Voto Conselheira ANA MARIA BANDEIRA, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Como primeiro argumento, a recorrente alega que da decisão de indeferimento em grau de reconsideração de renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, recorreu ao Ministro de Estado da Previdência Social e que o citado recurso permanece pendente de apreciação. A alegação acima não correspondente à realidade. A questão já foi apreciada em sede de avocatória ministerial que com base no Parecer/CJ n° 1.346/1998, não acatou o pedido da entidade, conforme se verifica no trecho abaixo transcrito. "AVOCATÓRL4 MINISTERIAL REFERÊNCIA: Processo n° 28.99.013.792/94. INTERESSADO: Colégio Santa Ãngela. EMENTA: PREVIDÊNCIA E ASSISTÊNCIA SOCIAL - PEDIDO DE RENOVAÇÃO DO CERTIFICADO DE ENTIDADE DE FINS FILANTRÓPICOS - A comprovação de aplicação em gratuidade nos termos do art. 2°, IV, do Decreto n° 752, de 1993 só é exigível a partir de março de 1993 - Balanços posteriores ao ano em que a renovação foi solicitada são inexigíveis - Entidade não aplicou em gratuidade o mínimo determinado no decreto. Recurso Improvido. Decisão Visto o processo em que é interessada a parte acima indicada. Com fundamento no PARECER MPAS/CJ n° 1346/98 da Consultoria Jurídica deste Ministério, que aprovo, nego provimento ao recurso interposto pelo Colégio Santo Ângelo contra a Resolução te 208, de 29 de novembro 1996, do Conselho Nacional de Assistência Social - CNAS. (grifei). Publique-se. 4 r CCiNIF Sexta Catara CONFERE CO O C.,'.';:NAL Processo n• 10073.001301/2007-35 aras:61,1a. Cf CCO2/C06 Acórdão n.°206-01.755 Fls. 109Maria Ettn rre ra Pinto Mat. &n ino 7527443 Brasília, 28 de maio de 1998. WALDECK ORNÉLAS Ministro da Previdência e Assistência Social" Diante da decisão acima transcrita, a entidade, durante o período de 01/01/1995 até 10/05/1999, efetivamente, não possuía o então Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos. Para fazer jus à isenção, a entidade deve apresentar pedido de reconhecimento da mesma e fazer prova de que preenche todos os requisitos estabelecidos no art 55 da Lei n° 8.212/1991. Em face da natureza declaratória do ato de reconhecimento da isenção, a entidade deve comprovar o cumprimento dos requisitos no momento da apresentação do pedido. In casu, ao apresentar o pedido de isenção, a entidade não cumpria um dos requisitos porquanto não era portadora do então denominado Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos. Embora tenha recorrido até a última instância contra a"decisão do CNAS de indeferimento da renovação do certificado, a entidade não logrou êxito. Posteriormente, pela Resolução n° 106/1999, a entidade obteve o CEFF válido de 11/05/1999 a 10/05/2002. Assevere-se que após a decisão acima, quando, a princípio, a entidade cumpriria os requisitos para reconhecimento da isenção, não efetuou qualquer pedido nesse sentido. A recorrente entende que com a concessão do certificado pela Resolução n° 106/1999, deveria ser reconhecido o direito ao gozo de isenção a partir de então. O entendimento acima não pode prevalecer por duas razões. A primeira, conforme já argüido, em face da natureza declaratória do ato de reconhecimento de isenção, é absolutamente necessário que a entidade demonstre preencher todos os requisitos estabelecidos no art. 55 da Lei n°8.212/1991 no ato do protocolo do pedido, o que não ocorreu. A segunda razão consiste no fato de que a entidade, após o protocolo do pedido, sem aguardar qualquer decisão a respeito e ciente de que não possuía o CEFF, passou a recolher as contribuições previdenciárias como se isenta fosse, inclusive informando em GF1P — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, o FPAS 639, específico das entidades em gozo de isenção. n Ao agir dessa maneira, a recorrente caracterizou-se corno entidade em débito junto à Previdência Social, situação que também representa óbice ao reconhecimento do direito ao usufruto de isenção, conforme estabelecido no 6°, do artigo 55, da Lei 8.212/91, in verbis: "Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente _ _ r cear nen :.:tr4AL CONFEIC O J:t Processo n° 10073.0013W /2007-35CCO2/C Acórdão n.° 206-01.755 06 Fls. 110Maria iiiÁsaist Ws impe 1r esig48 § 6° A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3 do Art. 195 da Constituição Federal." O parágrafo 13, do art. 206 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99 estabelece com precisão o conceito de entidade em débito para com a Previdência social, para os efeitos do § 12 do mesmo artigo, conforme transcrito a seguir: "Art.206. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 201, 202 e 204 a pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: § 12. A existência de débito em nome da requerente, observado o disposto no § 13, constitui motivo para o cancelamento da isenção, com efeitos a contar do primeiro dia do segundo mês subseqüente àquele em que a entidade se tornou devedora de contribuição sociaL (Parágrafo acrescentado pelo Decreto n°4.032, de 26/1 1/2001) § 13. Considera-se entidade em débito, para os efeitos do § 12 deste artigo e do § 3" do art. 208, quando contra ela constar crédito da seguridade social exigível, decorrente de obrigação assumida como contribuinte ou responsável, constituído por meio de notificação fiscal de lançamento, auto-de-infração, confissão ou declaração, assim entendido, também, o que tenha sido objeto de informação na Guia de Recolhimento do Fundo de ,Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência SociaL" A fim de corroborar seu entendimento a recorrente menciona o parecer CJ N° 2.575/2001. Ocorre que o citado parecer não pode favorecer à recorrente, o mesmo foi emitido para tratar da situação em que a entidade apresentava pedido de renovação de certificado de forma intempestiva, ou seja, após o vencimento do certificado anterior. Como a conduta do CNAS nos casos da espécie era no sentido de não analisar o mérito do pedido, mas indeferi-lo de plano em virtude da intempestividade, o Parecer CJ n° 2.575/2001 veio esclarecer que o CNAS só poderia indeferir o pedido de renovação mediante análise do pedido e verificação de efetiva transgressão de norma regulamentadora de sua concessão. Não obstante o Parecer ser posterior às decisões do CNAS que indeferiram o pedido de renovação do certificado, bem como ao Parecer n° 1.346/1998 que manteve a decisão do CNAS em avocatória ministerial, o mesmo não se aplicaria à recorrente. Conforme já explicado, o Parecer CJ 2.575/2001 trata dos casos de renovação de certificado apresentados de forma intempestiva. 6 — _ 2° CC:r7F CONFCEL r.WNAL g /- Processo n° 10073.001301/2007-35 Brasi8 a CCO2/036 Acórdão n.°206-01.755 Maria Edna Ferreira Pinto Fls. 111 MM. Slape 762748 No caso da recorrente, esta teve o pedido de renovação indeferido em todas as instâncias administrativas e, posteriormente, apresentou novo pedido. Ainda que este tenha sido deferido, a recorrente não protocolou novo requerimento de reconhecimento de isenção após o deferimento do mesmo. Portanto, não há qualquer embasamento no entendimento da recorrente de que haveria que se reconhecer a isenção de forma retroativa, uma vez que a mesma quando apresentou os pedidos de isenção não cumpria os requisitos para o beneficio. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso para NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 03 de fevereiro de 2009 ai/toe/4 ' dê ARIA BANDE A 7 Page 1 _0050900.PDF Page 1 _0051000.PDF Page 1 _0051100.PDF Page 1 _0051200.PDF Page 1 _0051300.PDF Page 1 _0051400.PDF Page 1
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