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Numero do processo: 10976.000259/2008-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2004
Ementa:CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO OCORRÊNCIA
Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara
PERÍCIA NECESSIDADE NÃO DEMONSTRADA
Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO PRECLUSÃO NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-001.741
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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INDUSTRIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2004 Ementa:CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO OCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara PERÍCIA NECESSIDADE NÃO DEMONSTRADA Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO PRECLUSÃO NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva Recurso Voluntário Negado Fl. 250DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000259/200842 Acórdão n.º 2402001.741 S2C4T2 Fl. 240 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Ana Maria Bandeira – Presidente em Exercício. Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, Leôncio Nobre de Medeiros, Tiago Gomes de Carvalho Pinto e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Júlio César Vieira Gomes. Fl. 251DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000259/200842 Acórdão n.º 2402001.741 S2C4T2 Fl. 241 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, no art. 32, inciso IV e § 5º, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997 c/c o art. 225, inciso IV e § 4º do Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 17/20), foi constatado que a mesma deixou de declarar em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP apresentadas, remunerações pagas a segurados empregados que lhe prestaram serviços nas competências junho a dezembro e do Décimo terceiro salário de 2004, conforme discriminado nas planilhas anexas, denominadas: PLANILHA REFERENTE AS RUBRICAS 126 E 472 — PLR, DIFERENÇA DO DECLARADO EM GFIP E EM DIRF, RUBRICAS NÃO DECLARADAS EM GFIP VALORES SEPARADOS, e PLANILHA DO 13º SALÁRIO (fls. 23 a 35), as quais foram elaboradas a partir da extração de informações das folhas de pagamento de salários apresentadas pelo sujeito passivo em arquivo digital no formato previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais — MANAD da Instrução Normativa MPS/SRP número 12, de 20/06/2006, validado por meio do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais sob o número 7021f8ee7694a1876c557f4ab61a de 13 de agosto de 2008, referente ao período de setembro a dezembro de 2004 conforme cópia do respectivo recibo anexada ao presente (fls. 36 e 37), cujas remunerações foram confrontadas com as citadas GFIP. Houve também a constatação de declaração errada da alíquota do Seguro de Acidentes de Trabalho — SAT por parte da empresa, 2% (dois por cento) e não 3% (três por cento), conforme apurado nas GFIP do período de janeiro a dezembro de 2004, que também estão inseridas no presente Auto de Infração e discriminadas na planilha anexa denominada PLANILHA REFERENTE A DIFERENÇA DE SAT (fls. 38). Ficou constatado por meio do exame do contido na cláusula terceira da alteração contratual do sujeito passivo, cuja cópia está anexada (fls. 8 e 9) e na página da internet da empresa que uma das suas atividades é fabricação de produtos metalúrgicos e que fabrica e presta serviços de manutenção de máquinas de aquecimento elétrico, aparelhos de aquecimento solar, de aquecedor a gás em aço inoxidável, gerador de água quente, sistema de aquecimento móvel elétrico, sistema de aquecimento central solar, a gás, elétrico ou por meio de bomba de calor, bombas de calor e aquecedor de ambiente; portanto a fiscalização corrigiu na presente ação o seu Código Nacional de Atividade Econômica CNAE FISCAL para 2829199 — fabricação de outras máquinas e equipamentos de uso geral, o seu CNAE para 28215 — FABRICAÇÃO DE TANQUES, RESERVATÓRIOS METÁLICOS E CALDEIRAS PARA AQUECIMENTO CENTRAL e o seu código SAT para 1190300 — INDÚSTRIA MECÂNICA (FABRICAÇÃO, CONSERVAÇÃO E REPARAÇÃO DE MÁQUINAS E MOTORES). Fl. 252DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000259/200842 Acórdão n.º 2402001.741 S2C4T2 Fl. 242 4 Constitui fato gerador das contribuições previdenciárias não incluídas em GFIP a prestação de serviços remunerados à empresa, por segurados empregados, cuja base de cálculo foi apurada da seguinte forma: • por meio do confronto dos pagamentos de remunerações de Participações nos Lucros e Resultados — rubricas 126 e 472 com as GFIP nas competências de junho, agosto e dezembro de 2004. Há de se esclarecer que a inclusão como fatos geradores das rubricas de Participações nos Lucros e Resultados constantes na planilha acima mencionada e denominada PLANILHA REFERENTE AS RUBRICAS 126 E 472 — PLR (fls. 23 e 24) se deve ao fato de a empresa ter pagado tal rubrica em três parcelas no ano civil, o que caracteriza o pagamento em desconformidade com a legislação, com a conseqüente tributação das três parcelas. • do confronto de GFIP com o declarado pelo sujeito passivo para Receita Federal (DIRF) nas competências julho e setembro de 2004; • do confronto de folhas de pagamento de salários com as rubricas 010 — INSS, 042 — GRATIFICAÇÃO DE FÉRIAS, 075 — DSR HORA EXTRA, 243 — HORA EXTRA 60%, 294 — INSALUBRIDADE 20% e 377 — ADICIONAL NOTURNO nas competências setembro a dezembro de 2004. • do confronto entre a folha de pagamento do Décimo Terceiro Salário de 2004 com a correspondente GFIP. • por meio do exame das Relações Mensais das GFIP do sujeito passivo, do período de janeiro a dezembro de 2004, obtidas por meio de consulta aos sistemas internos da Receita Federal do Brasil, no que concerne a diferença de SAT. É informado que, de acordo com o disposto no artigo 337A, inciso III, do DecretoLei número 2.848 de 7 de dezembro de 1940 — Código_Penal, com redação da pela Lei número 9.983 de 14 de julho de 2000, foi formalizada a Representação Fiscal para Fins Penais a ser encaminhada ao Ministério Público Federal em obediência ao disposto no artigo 66 do DecretoLei n° 3.688, de 3 de outubro de 1941, publicado no D.O.U. de 3 de outubro de 1941 e no inciso VI — artigo 116 da Lei n° 8.112, de 11 de dezembro de 1990, publicada no DOU de 12 de dezembro de 1990. A auditoria fiscal informa que não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes da penalidade previstas no artigo 290 e nem as atenuantes previstas no artigo 291, ambos do Regulamento da Previdência Social — RPS aprovado pelo Decreto 3.048, de 06 de maio de 1999. A autuada teve ciência do lançamento em 15/09/2008 e apresentou defesa (fls. 47/55) onde alega que relativamente à participação nos lucros e resultados, as alegações não correspondem à realidade dos fatos, porque a referida participação foi paga em 02 (duas) vezes. Teria havido uma diferença que foi objeto de acordo coletivo da diferença. E o Fiscal equivocadamente considerou que teria sido pago "em três parcelas no ano civil". Fl. 253DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000259/200842 Acórdão n.º 2402001.741 S2C4T2 Fl. 243 5 Considera que também a fiscalização se equivocou ao corrigir na presente ação fiscal o Código Nacional de Atividade Econômica da Empresa se valendo de dados contidos em página de internet, porque o documento hábil nesse caso é o contrato social da empresa que estampa o seu objeto. A empresa autuada é tradicional no ramo de aquecedores e essa é a sua atividade principal há mais de 60 (sessenta) anos no mercado. Questiona como poderia o auditor fiscal afirmar que a atividade preponderante da empresa é a fabricação tanques, reservatórios metálicos e caldeiras de aquecimento central. Afirma que não houve a pretensa infração apontada, uma vez que cumpriu todas as exigências fiscais previstas na legislação tributária em vigor, devendo, por conseguinte o referido Auto de Infração ser cancelado. Argumenta que não constam no presente Auto de Infração os elementos suficientes para determinar a natureza da infração. Aduz que os elementos contidos no Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD, nesse caso, são insuficientes para se configurar a infração imposta, pois não se constatou e sequer se confrontou, como deveria, os dados ali contidos com a documentação pertinente à disposição do fisco, levandose à nulidade do Auto de Infração. Entende que não houve, pelo fato de terem sido examinados pelo Fisco somente arquivos digitais no formato previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais — MANAD, a famigerada infração, como também qualquer lesão ao Erário, descaracterizandose desse modo, a infração aos dispositivos legais apontados no questionado Auto de Infração impugnado. Informa que a contabilidade alega que mudou de sistema e houve a necessidade de se emitir novo arquivo digital e nisso pode ter havido uma duplicidade de informações o que pode ter levado o AuditorFiscal a desprezar, como afirma, "o terceiro arquivo digitar. Mas, data vênia, o AuditorFiscal não poderia, simplesmente, se basear em um exame superficial de arquivos digitais para autuar, deveria, isso sim, confrontar os dados dos arquivos com a documentação correspondente, se é que teve dúvidas, como parece, quando afirma que "rejeitou um terceiro arquivo digital" fornecido pela contabilidade. Argumenta que a confrontação entre os dados e os documentos que lhe deram origem eram fundamentais para a busca da verdade. Pelo Acórdão nº 0223.468 (fls. 204/208), a 7ª Turma da DRJ/Belo Horizonte (MG) considerou o lançamento procedente informando que com a edição da Lei nº 11.941/2009, que alterou a forma de cálculo da multa para o tipo de infração em tela, a comparação para determinação da multa mais benéfica deverá ser feita por ocasião da extinção do crédito previdenciário, nas modalidades previstas no artigo 156 do CTN ou na fase de execução fiscal da dívida. Contra tal decisão a autuada apresenta recurso tempestivo (fls. 212/228) onde alega que houve Violação dos "Princípios da Ampla Defesa do Contraditório e do Devido Processo Legal". Fl. 254DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000259/200842 Acórdão n.º 2402001.741 S2C4T2 Fl. 244 6 Ressalta que a Impugnante, em momento algum, furtouse à obrigação de apresentar os documentos comprobatórios solicitados pela fiscalização. Porém, tratandose de documentos de diversos períodos, é compreensível que se demande um certo tempo na sua localização, sem que isso venha prejudicar os trabalhos fiscais. Considera que a ação fiscal, como procedido, atropelou princípios básicos do contraditório, além de utilizar percentuais incompatíveis com a legislação de regência, caracterizando arbitrariedade que deve ser repudiada pelos ilustres Julgadores, mediante declaração de nulidade procedimental. Repete a alegação de que não teria havido a ocorrência da pretensa infração e que a autuada teria cumprido com todas as exigências fiscais, de forma que o Auto de Infração deve ser cancelado por imperativo de justiça. Considera que a autuação seria nula vez que não constam no Relatório Fiscal desta elementos suficientes para determinar a natureza da infração. Inova nas alegações de que a multa aplicada teria caráter confiscatório e que a autuação seria nula pela ausência da hora da lavratura. Reforça seus argumentos no sentido de que a auditoria fiscal deveria ter feito a comparação entre os arquivos digitalizados e os documentos que lhes deram origem a fim de observas o princípio da busca pela verdade material. É o relatório. Fl. 255DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000259/200842 Acórdão n.º 2402001.741 S2C4T2 Fl. 245 7 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente alega que houve violação dos princípios da ampla defesa do contraditório e do devido processo legal Ressalta que, em momento algum, furtouse à obrigação de apresentar os documentos comprobatórios solicitados pela fiscalização e tratandose de documentos de diversos períodos, é compreensível que se demande um certo tempo na sua localização, sem que isso venha prejudicar os trabalhos fiscais. Assim, entende que a ação fiscal, como procedida, atropelou princípios básicos do contraditório, além de utilizar percentuais incompatíveis com a legislação de regência, caracterizando arbitrariedade que deve ser repudiada. Não há razão no argumento. Asseverese que, tais alegações não foram apresentadas na defesa e, a meu ver, o contencioso administrativo fiscal só é instaurado mediante apresentação de defesa tempestiva e somente em relação às matérias expressamente impugnadas. Dessa forma, entendo que encontrase precluído o direito à discussão de matéria trazida de forma inovadora na segunda instância administrativa, em razão do que dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art.17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante” No entanto, por amor ao debate, não se pode deixar de observar que pelos argumentos da recorrente a mesma leva a inferir que o lançamento teria sido efetuado sem que esta tivesse tido a oportunidade de apresentar os documentos solicitados, o que não se verificou. O Relatório Fiscal é claro no sentido de que a recorrente apresentou a documentação solicitada em meio digital e tal apresentação está de acordo com o que dispõe a Lei nº 10.666/2003 em seu artigo 8º, in verbis: Art. 8o A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. Fl. 256DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000259/200842 Acórdão n.º 2402001.741 S2C4T2 Fl. 246 8 Ou seja, haja vista a tecnologia atual que oferece a possibilidade de se manter em arquivos digitais documentos cujo volume dificultaria ou mesmo impossibilitaria a guarda destes, o legislador tomou o cuidado de tornar legal tal forma de arquivamento. A auditoria fiscal informa que a documentação necessária à auditoria fiscal foi apresentada em meio digital, devidamente certificada, portanto, digna de fé. Da análise da documentação apresentada em meio digital, a auditoria fiscal apurou o descumprimento da obrigação acessória em questão. A recorrente busca amparo no princípio da busca da verdade material para afirmar que a documentação juntada por esta em sede de defesa poderia demonstrar a inexistência da obrigação. Considera ainda que a auditoria fiscal deveria ter confrontado as informações contidas nos arquivos digitais com os documentos que teriam dado origem aos mesmos e parece querer que se realize perícia com base na citada documentação. Há que se salientar que apresentando a empresa a documentação solicitada em meio digital devidamente autenticada, os dados ali contidos merecem a mesma credibilidade que aqueles extraídos de documentos em papel. Daí não há que se falar que a auditoria fiscal teria por obrigação efetuar comparações entre os arquivos digitais e os documentos em papel. Ademais, conforme bem observado na decisão recorrida, os documentos apresentados pela recorrente são cópias sem qualquer autenticação o que já levaria a sua desconsideração. Além disso, a decisão sobre a realização de perícia para a busca da verdade material como alega a recorrente cabe ao julgador caso pairassem dúvidas a respeito da forma como foram apuradas as contribuições lançadas por parte da auditoria fiscal, o que não se verifica. O argumento do parágrafo anterior encontra respaldo no Decreto nº 70.235/1972 estabelece o seguinte: Art.16 A impugnação mencionará: .................................. IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (...) Art.18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a Fl. 257DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000259/200842 Acórdão n.º 2402001.741 S2C4T2 Fl. 247 9 realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Nesse sentido, não basta que o sujeito passivo deseje a realização da perícia, esta tem que ser considerada essencial para o deslinde da questão pela autoridade administrativa, nos termos da legislação aplicável. Não tendo sido demonstrada pela recorrente a necessidade da realização de perícia, não se pode acolher a alegação de cerceamento de defesa pelo seu indeferimento. Tampouco se pode acolher o argumento de que a contabilidade da recorrente necessitou mudar o sistema de modo a emitir novo arquivo digital, o qual foi desprezado pela fiscalização e que poderia ter causado duplicidade de informações. Embora a auditoria fiscal tenha mencionado o fato no Relatório Fiscal de outras autuações, não o fez no presente caso. Porém, a auditoria fiscal informa claramente no Relatório Fiscal do processo nº 10976.000262/200866 que para o período de setembro ao décimo terceiro salário de 2004, a empresa apresentou arquivo digital com informações das folhas de pagamento. No entanto, para o mesmo período apresentou um terceiro arquivo que foi rejeitado por não conter os registros de pagamentos de todas as rubricas completas em comparação com o segundo fornecido, o qual conforme informado foi recebido e validado. A meu ver, agiu corretamente a fiscalização que diante da apresentação de arquivos devidamente validados contendo informações necessárias ao trabalho de fiscalização descartasse arquivos relativos aos mesmos dados, porém, incompletos. A recorrente inova em sede recursal com os argumentos de que a multa aplicada teria caráter confiscatório e solicita a declaração de nulidade da autuação pela ausência da hora da autuação. Conforma já argüido ocorreu a preclusão do direito de discutir tais matérias uma vez que não foram apresentadas em defesa. No entanto, vale dizer que a multa aplicada obedeceu às disposições da legislação vigente. Quanto à possibilidade de retroação benigna da lei face à edição da Lei nº 11.941/2009 que alterou a forma de cálculo da multa, a decisão recorrida já tratou a matéria reconhecendo o direito da recorrente e sobre tal questão a recorrente nada apresenta em sua peça recursal. Fl. 258DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000259/200842 Acórdão n.º 2402001.741 S2C4T2 Fl. 248 10 Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto nos sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 259DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA
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Numero da decisão: 3403-000.125
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Antonio Carlos Atulim – Presidente Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Relatório O recurso voluntário em julgamento tem origem em declaração de compensação, transmitida por meio do programa PER/DCOMP em 19.08.2005, através da qual a recorrente extinguiu débitos tributários federais oferecendo, em contrapartida, afirmados créditos resultantes de pagamentos a maior da COFINS, apurada com base no fato gerador praticado em 30 de agosto de 2004. Na DRF-Porto Velho/RO, a homologação da compensação foi recusada sumariamente, por meio do despacho decisório mecânico de fls. 6, não precedido de qualquer providência investigativa ou mesmo de intimação que oportunizasse à interessada a produção de prova quanto à existência e ao montante do crédito alegado. Sintética fundamentação exposta no quadro 3 do decisum elucida que o resultado decorreu – apenas – da transmissão da DCOMP sem prévia retificação da DCTF pertinente ao período de apuração do suposto indébito. É dizer: tendo apurado o montante de COFINS a pagar naquela competência e efetuado regularmente o recolhimento correspectivo, o sujeito passivo refez os cálculos da base Fl. 125DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 15/01/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10240.900452/2009-61 Resolução n.º 3403-00.125 S3-C4T3 Fl. 118 2 imponível do tributo e verificou ter promovido pagamento a maior. Transmitiu, então, a declaração de compensação indicando, como crédito, o suposto excesso, sem, todavia, corrigir a DCTF já entregue, a fim de reduzir o débito confessado aos novos valores. Foi no que se apegou a DRF para recusar a homologação, ao argumento de que, sem retificação, a quantia recolhida permanecia integralmente alocada para quitação da própria COFINS de agosto de 2004. Irresignada, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 17/21). Falando pela primeira vez nos autos, relatou que o indébito provinha do equívoco de ter inicialmente acrescido à base de cálculo do tributo a receita de venda de energia elétrica a sociedades de economia mista antes que o respectivo recebimento se desse, conforme lhe facultava o artigo 7 o , da Lei no. 9.718/98. Trouxe aos autos a DCTF retificada posteriormente à intimação do despacho decisório e também a DIPJ relativa ao ano-calendário do fato gerador e tempestivamente entregue, na qual, segundo afirma, teria informado corretamente o tributo devido. Mais importante que isso, porém, advogou infração aos princípios da verdade material e do formalismo moderado no procedimento da autoridade preparadora, eis que, realmente, a negativa veio antes que a existência e o montante do crédito fossem minimamente investigados. Sobreveio, na sequência, aresto da DRJ-Belém/PA desprovendo a manifestação de inconformidade (fls. 31/34). Repetiu-se o fundamento do despacho decisório, acrescentando-se, ainda, que o sujeito passivo, tendo tido a ocasião para documentar a existência do crédito alegado, disperdiçara a oportunidade sem se desincumbir do respectivo ônus. No recurso voluntário manejado, a recorrente, então, procurou detalhar as etapas do procedimento de apuração da base imponível da exação para o período em consideração e, com isso, demonstrar o indébito cujo reconhecimento pretende. Com a peça, trouxe também, além da guia DARF comprobatória do recolhimento supostamente excessivo e das DCTFs original e retificadora, cópia de balancete patrimonial levantado para 30 de agosto de 2004 (fls. 56/68) e de trecho do Livro Razão onde escrituradas operações do período (fls. 69/70). Eis, em síntese, o relatório. Voto Tempestivamente interposto, o recurso atende também às demais formalidades aplicáveis, razão pela qual dele se conhece. Não é de boa técnica que a proposta de conversão do julgamento em diligência antecipe o enfrentamento de questões que, a rigor, serão melhor examinadas quando do retorno dos autos. É por esta razão que entendo mais apropriado expor, aqui, somente o necessário a justificar, perante meus pares, a solução que venho lhes apresentar. Mesmo assim, alguma discussão de caráter procedimental é indispensável – e dela não me furtarei – confortável quanto à permissão regimental de que estes mesmos temas sejam novamente debatidos por ocasião da conclusão do julgamento (artigo 63, §6 o , Anexo II, Portaria MF no. 256/2009). O objeto central dos processos administrativo-fiscais formados de pedidos de restituição e de declarações de compensação está, justamente, na investigação da existência e Fl. 126DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 15/01/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10240.900452/2009-61 Resolução n.º 3403-00.125 S3-C4T3 Fl. 119 3 dimensão do crédito tributário pretendido pelo sujeito passivo. E como bem expôs a DRJ recorrida, o crédito restituendo constitui, nesta espécie de procedimento, fato constitutivo do direito do contribuinte e, portanto, ocorrência cuja prova em princípio cabe a ele, contribuinte, realizar (CPC, artigo 333, I). Por isso mesmo, é com certa reserva que observo a prolação do despacho decisório, em compensações declaradas em via eletrônica, sem que a negativa seja precedida de oportunidade para produção da prova, via intimação do contribuinte. Por ocasião da prolação do despacho decisório de fls. 6, vigorava a IN/RFB nº 900/08, cujo artigo 3 o estabelecia: “Art. 3º (...) § 1º A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante do Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 3º Na hipótese de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo, o requerente deverá apresentar à RFB procuração conferida por instrumento público ou por instrumento particular com firma reconhecida, termo de tutela ou curatela ou, quando for o caso, alvará ou decisão judicial que o autorize a requerer a quantia. § 4º Tratando-se de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3º serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido.” De ordinário, portanto, a declaração de compensação será transmitida eletronicamente. Somente nas hipóteses em que o programa PER/DCOMP não é aplicável, seja por limitação normativa, seja por limitação técnica, é que o contribuinte tem permissão para formalizar o ato via formulário físico. O importante é que, dadas as especificidades destas alternativas, apenas no último caso, isto é, na declaração de compensação em formulário físico o contribuinte tinha o ônus de, desde logo, produzir a prova documental do direito creditório. Nas hipóteses em que estivesse compelido a usar o formulário eletrônico – a exemplo do caso dos autos – competia ao sujeito passivo simplesmente formalizar a declaração e aguardar que a unidade processadora lhe oportunizasse o momento para a produção da prova. Daí porque, o indeferimento da restituição eletrônica sem prévia intimação do contribuinte lhe subtrai valiosa oportunidade para documentação do direito alegado, o que, a meu ver, é especialmente relevante se a recusa vem fundada na suposta inexistência ou insuficiência do crédito. E se esta imperfeição procedimental não é drástica o bastante para nulificar a decisão, é um elemento a considerar na aplicação, contra o contribuinte, das regras relativas à preclusão da prova. Fl. 127DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 15/01/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10240.900452/2009-61 Resolução n.º 3403-00.125 S3-C4T3 Fl. 120 4 A rejeição do pleito amparada apenas na omissão do sujeito passivo em retificar, para baixo, o débito confessado em DCTF, além de inconsistente, é excessivamente formal. Distancia-se do princípio da verdade material e ignora que “o processo fiscal tem por finalidade primeira garantir a legalidade da apuração do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado” (NEDER, Marcos Vinicius. LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo administrativo fiscal federal comentado. 3 a ed., 2010, p. 305). E digo que é inconsistente porque a retificação prévia da DCTF não é condição necessária ou suficiente para se reconhecer ao sujeito passivo o crédito vindicado. Não é – e não era – condição necessária porque a IN/SRF nº 255/02 vigente à época dos fatos não a exigia como pressuposto da válida formalização da compensação. Não é condição suficiente porque, para convencer da existência e do montante do crédito, é preciso que o interessado o comprove por elementos aos quais a legislação atribua força probatória. E, decididamente, a retificação da DCTF não detém o atributo. Com amparo no artigo 16, do Decreto no. 70.235/72, poder-se-ia argumentar que, mesmo privada de oportunidade instrutória prévia ao despacho decisório, a recorrente poderia ter se desincumbido do ônus quando da manifestação de inconformidade e que, in casu, teria desperdiçado a chance deixando de produzir documentos contábeis que apenas vieram aos autos com o recurso voluntário. Diante do fundamento em que escorado o despacho decisório – não retificação da DCTF – a manifestação de inconformidade o atacou precipuamente (não exclusivamente) sob a perspectiva da infração à verdade material e, pois, com argumentos de natureza procedimental. E sendo este o contexto, mais do que demonstrar a existência do crédito, competia à recorrente convencer da própria prescindibilidade da prévia retificação. Esse, afinal, o principal objeto controvertido até então. De acordo com o processualista Moacyr Amaral Santos, um dos propósitos mais importantes em se estabelecer fases ou prazos apropriados à produção de documentos “é vedar a ocultação deles na fase de integração da lide, quer dizer, na fase da formação da questão sujeita a debate das partes e sobre a qual deverá decidir o órgão judicial. O que a lei visa é afastar ou, ao menos reduzir a possibilidade de ficarem o Juiz e as partes à mercê de surpresas consistentes no aparecimento de documentos de que a parte, premeditadamente, guarde segredo para, ocasião propícia, quando não haja mais oportunidade para discussões e mais provas, oferecê-los em juízo” (Prova judiciária no Cível e Comercial, vol.4, São Paulo: Max Limonad, 1972, p. 416). Não vislumbro, na conduta processual da recorrente, indícios de semelhante intenção. De mais a mais, as provas carreadas aos autos com o recurso voluntário – provenientes da escrituração contábil da pessoa jurídica – se conhecidas, podem conferir ao julgamento níveis de certeza quanto aos fatos em debate que tanto a DRF/Porto Velho como a DRJ-Belém estiveram longe de obter. É em consideração à verdade material e por não estar convencido dos motivos da não-homologação nestas instâncias decisórias que proponho a conversão do julgamento em diligência a fim de que, partindo dos documentos carreados aos autos pela recorrente, as seguintes perguntas sejam respondidas: (a) a escrituração contábil da recorrente reveste-se das formalidades aplicáveis? Fl. 128DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 15/01/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10240.900452/2009-61 Resolução n.º 3403-00.125 S3-C4T3 Fl. 121 5 (b) a partir da escrituração contábil do período (agosto/2004), em quanto monta a base de cálculo da exação? Que natureza (origem) de receitas integram a base de cálculo (venda de energia elétrica, receitas financeiras, etc.)? Quais as exclusões aplicadas? (c) qual a origem da diferença, caso existente, entre a importância recolhida a maior pela recorrente e aquela efetivamente devida, conforme a base de cálculo apurada no item anterior? Qual o montante das vendas, no período, de bens e serviços a empresas públicas e sociedades de economia mista pelas quais a recorrente efetivamente recebeu? (d) as receitas de vendas a empresas públicas e sociedades de economia mista que, ao recalcular o tributo, a recorrente excluiu da respectiva base imponível, foram oferecidas à tributação por ocasião do efetivo recebimento, em períodos de apuração subseqüentes? (e) o crédito determinado no item anterior é suficiente para liquidar por inteiro a compensação realizada? Pede-se à unidade de origem que, colhidas as respostas, elabore relatório circunstanciado, ao qual poderá acrescer informações adicionais que repute relevantes. Após, dê-se vista do relatório à recorrente, facultando-se-lhe manifestação em 30 (trinta) dias, findos os quais retornem os autos para conclusão do julgamento. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 129DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 15/01/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 12269.001802/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO E ODONTOLÓGICO. ART. 22, IV DA LEI 8.212/91. NECESSIDADE DE LEI COMPLEMENTAR. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-001.764
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1520; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 6.19 1 55..1199 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12269.001802/200831 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 2402001.764 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de maio de 2011 Matéria COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO Recorrente SINDICATO MÉDICO DO RIO GRANDE DO SUL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO E ODONTOLÓGICO. ART. 22, IV DA LEI 8.212/91. NECESSIDADE DE LEI COMPLEMENTAR. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ana Maria Bandeira – Presidente Substituta Lourenço Ferreira do Prado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Leôncio Nobre de Medeiros, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Tiago Gomes Carvalho Pinto. Ausente o conselheiro Júlio César Vieira Gomes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 09/06/2011 por ANA MARIA BANDEIR A 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por SINDICATO MÉDICO DO RIO GRANDE DO SUL, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração 37.153.3589, por meio do qual foram lançadas (i) contribuições previdenciárias patronais, inclusive aquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados, a título de premiação por intermédio de cartões premiação; e (ii) contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre valores definidos em nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho na área da saúde. Depreendese dos autos (fls. 435/437), no que concerne às contribuições patronais incidentes sobre a remuneração de segurados empregados, paga por meio de cartão de premiação, que a recorrente já levou a efeito o procedimento administrativo de parcelamento, sob o n.° 11080.007663/200894, junto a Secretaria da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre/RS, de modo que referida exigência não mais é objeto do presente processo. O lançamento compreende as competência de 01/2004 a 12/2005, tendo sido o contribuinte cientificado em 12/06/2008 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 468/471) , o contribuinte interpôs o competente recurso voluntário de fls. 475/495, através do qual sustenta, em síntese: 1. que a contribuição criada pelo art. 1°, da Lei Ordinária n. 9.876, de 26.11.1999, ao instituir o inciso IV, no art. 22, da Lei n. 8.212/91, se constitui numa nova contribuição social a cargo das empresas, destinada à manutenção da seguridade social, devendo, portanto, ter sido instituída por Lei complementar, o que não ocorreu no caso, não devendo incidir, ainda, sobre o faturamento das cooperativas; 2. que a base de cálculo sobre a qual incide a contribuição social instituída pela Lei n. 9.876/99, qual seja, o valor bruto dos serviços prestados por cooperativas de trabalho, identificase com base de cálculo que serve de suporte à incidência do imposto sobre serviços de qualquer natureza (ISSQN) devido pela cooperativa de trabalho, cuja competência foi conferida, única e exclusivamente, aos Municípios. 3. que a contribuição criada pelo art. 1°, da Lei Ordinária n. 9.876, de 26.11.1999, ao instituir o inciso IV, no art. 22, da Lei n. 8.212/91, sacrifica onerosamente a capacidade contributiva das pessoas jurídicas que optam por contratar serviços de cooperativas de trabalho, em detrimento daquelas empresas que optam por contratar serviços de uma outra empresa que não seja regida pelo cooperativismo. Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 09/06/2011 por ANA MARIA BANDEIR A Processo nº 12269.001802/200831 Acórdão n.º 2402001.764 S2C4T2 Fl. 7.19 3 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares, passo ao mérito. MÉRITO Conforme já salientado, o presente lançamento considerou como fatos geradores das contribuições previdenciárias os pagamentos efetuados pela recorrente por intermédio de cartão premiação e os efetuados a cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho. No entanto em virtude do parcelamento administrativo noticiado nos autos, apenas se encontra sob análise o lançamento concernente aos pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho médico e odontológico. Dessa forma, após a análise das alegações objeto do presente recurso voluntário, em que pese o esforço do recorrente, da mesma forma que decidido pelo v. acórdão de primeira instância, tenho que a irresignação quanto a ausência de Lei Complementar a fundamentar a instituição da contribuição do art. 22, IV da Lei 8.212/91 e os demais pontos do recurso, não podem ser analisados por este Eg. Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Ante todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 09/06/2011 por ANA MARIA BANDEIR A 4 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 09/06/2011 por ANA MARIA BANDEIR A
score : 1.0
Numero do processo: 13709.000335/2006-04
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Nov 24 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2006
SIMPLES. INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. SEM PROVA DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO QUE BENEFICIE A CONTRIBUINTE .
Não há prova conclusiva nos autos de que a decisão proferida no Mandado de Segurança impetrado pelo Sindicato da categoria beneficia a contribuinte, visto que a mesma foi constituída após concessão da segurança.
Numero da decisão: 1003-002.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Carlos Alberto Benatti Marcon, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: Bárbara Santos Guedes
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INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. SEM PROVA DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO QUE BENEFICIE A CONTRIBUINTE . Não há prova conclusiva nos autos de que a decisão proferida no Mandado de Segurança impetrado pelo Sindicato da categoria beneficia a contribuinte, visto que a mesma foi constituída após concessão da segurança. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Carlos Alberto Benatti Marcon, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de nº 12-14.418, de 14 de junho de 2007, da 4ª Turma da DRJ/RJOI, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 9. 00 03 35 /2 00 6- 04 Fl. 110DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-002.755 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13709.000335/2006-04 Por bem descrever os fatos e por economia processual, adoto o relatório da decisão da DRJ, nos termos abaixo, que será complementado com os fatos que se sucederam: O processo versa sobre PEDIDO DE INCLUSÃO no SIMPLES, formulado pela Interessada ao amparo de sentença proferida pela MM. Juíza da 180 Vara Federal do Rio de Janeiro, nos autos do Mandado de Segurança n° 99.0009406-9, impetrado pelo Sindelivre —Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro, em defesa dos interesses de seus filiados (fls. 01). O pleito foi INDEFERIDO, sob a justificativa de que as atividades exercidas seriam vedadas por lei à opção pela sistemática, além de a sentença em questão, a favor do Sindelivre, beneficiaria apenas os cursos livres na condição de estarem filiados na data de propositura da ação. Inconformada com o indeferimento de seu pedido, a Interessada recorre a esta Delegacia de Julgamento, alegando, em síntese, que a sentença concessiva de segurança produz efeitos em relação a todos os filiados do Sindelivre.. A 4ª Turma da DRJ/RJOI julgou improcedente a manifestação de inconformidade, indeferindo a inclusão da Recorrente no Simples, conforme a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 Ementa: MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. EXTENSÃO DOS EFEITOS DA DECISÃO CONCESSIVA DE SEGURANÇA. A sentença proferida em mandado de segurança coletivo proposto por entidade sindical só produz efeitos em relação aos membros da entidade que estavam filiados à época do ajuizamento da ação. Solicitação Indeferida A contribuinte foi cientificada do acórdão da DRJ no dia 26/11/2011 (e-fls. 87) e apresentou recurso voluntário no dia 23/12/2011 (e-fls. 88 a 93), destacando: A inclusão da Recorrente no Simples foi indeferida pelo fato de que o juízo a quo – da 18ª vara federal do Rio de Janeiro - do Mandado de Segurança 99.0009406-9 ter decidido, em 20/10/2005, "não caber razão ao Sindelivre, quando afirma que todos os seus associados são beneficiários da segurança concedida", deixando claro no parágrafo seguinte que desta decisão judicial estava pendente julgamento de Agravo de instrumento interposto pelo Sindelivre/Rio. Quanto à extensão da sentença, afirma a Recorrente que o Agravo de Instrumento n° 2005.02.01.013399-3 foi julgado no dia 23/08/2006, pela 4ª Turma do TRF, a qual deu provimento por unanimidade, decidindo que todos os filiados tem direito ao Simples sem limitação temporal. Em razão do exposto, a inclusão da Recorrente não pode ser afastada. Em 04 de agosto de 2020, essa 3ª Turma Extraordinária determinou a realização de diligência, conforme abaixo: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade Fl. 111DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-002.755 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13709.000335/2006-04 preparadora intime a Recorrente a juntar ao processo os seguintes documentos: todas as decisões proferidas no Agravo de Instrumento de nº 005.02.01.013399-3 (NPU 0013399-31.2005.4.02.0000) e, caso tenha transitado em julgado, que seja juntada certidão de trânsito em julgado; certidão de transito em julgado do Mandado de Segurança nº 99.0009406-9 e as últimas decisões proferidas nesses autos em relação aos beneficiários da Segurança. A DRF providenciou a intimação da Recorrente, contudo o AR retornou com a indicação de que o endereço era insuficiente (e-fls. 104 e 105). Assim, em 29/06/2021, foi publicado edital de intimação eletrônico, cuja data de ciência foi 14/07/2021 (e-fls. 106). Ultrapassado o prazo concedido para que a Recorrente se manifestasse nos processo, sem que a mesma apresentasse quaisquer documentos, os autos retornaram ao CARF para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Bárbara Santos Guedes, Relator. O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. Conforme descrito no relatório deste voto, trata-se de pedido de inclusão no Simples em razão de existência de decisão judicial que concedia a Segurança ao Sindielivre/Rio e consequentemente aos seus associados, para que permanecessem no Simples. Como dito, Sindelivre impetrou Mandado de Segurança (MS n° 99.0009406-9; 18ª Vara Federal do Rio de Janeiro) objetivando a inclusão e manutenção no Simples das empresas cuja atividade são “cursos livres”. A Segurança foi concedida. Ocorre que, na data em que foi impetrado o Mandado de Segurança, a Recorrente não era filiada ao Sindelivre, pois a mesma foi constituída em 2001. Em razão disso, surgiu a dúvida em relação ao alcance da Segurança concedida através de Mandado de Segurança, fato que provocou a interposição de Agravo de Instrumento nº 005.02.01.013399-3 (NPU 0013399-31.2005.4.02.0000), a fim de que o Tribunal Regional Federal da 2ª Região esclarecesse se os novos filiados também teriam direito à Segurança. A Recorrente defende que a 4ª Turma do TRF 2ª Região julgou o Agravo de Instrumento e, por unanimidade, decidiu que os novos filiados também deveriam ser beneficiados pela Segurança concedida no MS. A DRJ, ao analisar a questão, apontou que o Mandado de Segurança estava pendente de análise de Embargos de Declaração, bem como o Agravo de Instrumento ainda não havia transitado em julgado. Eis o histórico sobre a questão analisado no voto do acórdão recorrido: Fl. 112DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-002.755 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13709.000335/2006-04 Fl. 113DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-002.755 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13709.000335/2006-04 Logo, verifica-se nos autos que não existem dúvidas quanto ao direito dos filiados do Sindelivre, mas apenas em relação à extensão da segurança concedida. Na ocasião do julgamento da DRJ, remanescia pendente de julgamento embargos de declaração opostos pela Fl. 114DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-002.755 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13709.000335/2006-04 União em 02/10/2006, em relação à questão do alcance da citada segurança. Logo, o processo não havia transitado em julgado. No recurso voluntário, a Recorrente aduz que o Mandado de Segurança e o Agravo de Instrumento, até 23/08/2006, estava com decisão favorável aos contribuintes. Contudo, como na data da primeira análise por essa Turma Julgadora não foi possível localizar o Agravo de Instrumento, nem foi permitido acesso às decisões constantes no Mandado de Segurança, através de consulta no sistema do Tribunal de Justiça, a fim de analisar o teor das decisões após 23/08/2006 e certificar do transito em julgado, decidiu-se baixar o processo em diligência, para que fosse oportunizado à Recorrente juntar as referidas decisões e cópias dos documentos que entendesse relevantes. A DRF tentou intimar a contribuinte no seu endereço registrado na Receita Federal e o AR retornou com a informação de “endereço insuficiente”, em razão disso foi a mesma intimada através de Edital de Intimação Eletrônico. Ultrapassado o prazo concedido, a intimação não foi atendida. Os Julgadores desse Conselho Administrativo estão submissos ao princípio da legalidade e até a comprovação do transito em julgado do Agravo de Instrumento supra na esfera judicial, esse pleito não pode ser atendido, visto que o despacho exarado pela Justiça Federal de 1º grau deixa dúvidas em relação à extensão da Segurança para os novos filiados, o qual foi agravado pelo próprio Sindicato. Isto posto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 115DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000649/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
Ementa: RECURSO INTEMPESTIVO
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2402-001.738
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso por intempestividade.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: RECURSO INTEMPESTIVO É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo Recurso Voluntário Não Conhecido
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Não se toma conhecimento de recurso intempestivo Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade Ana Maria Bandeira – Presidente em Exercício. Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, Leôncio Nobre de Medeiros, Tiago Gomes de Carvalho Pinto e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Júlio César Vieira Gomes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 16095.000649/200814 Acórdão n.º 2402001.738 S2C4T2 Fl. 204 2 Relatório Tratase de lançamento de contribuições destinadas a terceiros (Salário Educação, SESI, SENAI, SEBRAE e INCRA). Segundo o Relatório Fiscal (fls. 33/38) constituem fatos geradores das contribuições lançadas os valores pagos aos segurados empregados a título de alimentação, sem que a notificada tivesse feito sua adesão ao PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador vinculado ao Ministério do Trabalho, o fornecimento de vale transporte em pecúnia e diferenças de salário de contribuição apurados na folha de pagamento da notificada. A notificada tomou ciência do lançamento em 20/10/2006 e apresentou defesa (fls. 97/111) onde alega a impossibilidade do lançamento de contribuições sobre valores de alimentação concedidos aos trabalhadores e que não seria a mera formalidade de postagem de um formulário que, "automaticamente", concederia a isenção. Considera uma ilegalidade a conduta do Auditor Fiscal, na medida em que exige a contribuição previdenciária sobre o valor da alimentação fornecida, dentro dos padrões exigidos pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social MTPS, simplesmente pelo fato de não estar a Requerente inscrita, no momento do fornecimento da alimentação. Também manifesta inconformismo quanto ao fornecimento de vale transporte que só porque foi pago em dinheiro e não entregue um pedaço de papel escrito "vale transporte" foi considerado salário. Entende que não se pode admitir que o meio como foi fornecido o beneficio pode descaracterizálo e fundamentar o lançamento de contribuições como se salário fossem. Aduz que de acordo com o relatório fiscal elaborado, o Auditor Fiscal constatou que a Requerente deixou de informar em GFIP os valores pagos a titulo de Remuneração de Contribuinte Individual prólabore do sócio Gerson Camargo de Pragana Branco, nas competências 03/2004 a 06/2004. No entanto, isso não corresponderia à realidade, pois todos os pagamentos efetuados ao sócio Gerson Camargo de Pragana Branco foram declarados e integraram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Pelo Acórdão nº 0526.232(fls. 177/181) a 9ª Turma da DRJ/Campinas (SP) julgou o lançamento procedente. O contribuinte teve ciência da decisão em 11/08/2009 e apresentou recurso em 15/09/2009, intempestivamente, onde efetua a repetição das alegações de defesa, no que tange aos valores correspondentes à alimentação e ao vale transporte. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 16095.000649/200814 Acórdão n.º 2402001.738 S2C4T2 Fl. 205 3 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora Quanto à admissibilidade do recurso temse que o mesmo é intempestivo pelas razões que se seguem. Na verificação dos requisitos de admissibilidade, observouse que a recorrente foi intimada da decisão de primeira instância em 11/08/2009 (fl. 84) e apresentou recurso em 15/09/2009, portanto, após findo o prazo para apresentação do mesmo que teria ocorrido em 10/09/2009,quintafeira. O § 1º do art. 305 do Decreto nº 3.048/1999, na redação dada pelo Decreto 4.729/2003, estabelece que o prazo para a apresentação de recurso é de trinta dias. Assim, o recurso apresentado pela interessada foi intempestivo e, dessa forma, não foi cumprido requisito de admissibilidade o que impede o seu conhecimento. Nesse sentido e considerando tudo o mais que dos autos consta. Voto por NÃO CONHECER DO RECURSO, por ser intempestivo. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA
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Numero do processo: 11128.001066/2010-87
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Nov 22 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 11/02/2010
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF Nº 11
A Súmula CARF nº 11 dispõe que Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 126
A Súmula CARF nº 126 dispõe que A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Numero da decisão: 3001-002.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques dOliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Marcelo Costa Marques dOliveira e Sabrina Coutinho Barbosa.
Nome do relator: Marcelo Costa Marques d'Oliveira
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/02/2010 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF Nº 11 A Súmula CARF nº 11 dispõe que Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 126 A Súmula CARF nº 126 dispõe que A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques dOliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Marcelo Costa Marques dOliveira e Sabrina Coutinho Barbosa.
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LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/02/2010 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF Nº 11 A Súmula CARF nº 11 dispõe que “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 126 A Súmula CARF nº 126 dispõe que “A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d’Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Marcelo Costa Marques d’Oliveira e Sabrina Coutinho Barbosa. Relatório Transcrevo trechos do auto de infração: “Em 11/02/2009 foi protocolado o PCI Eqvib n° 010/800.192, solicitando o desbloqueio, no sistema CARGA, do manifesto eletrônico N° 1510300211150, pois este foi vinculado fora do prazo estabelecido em norma, o que ocasionou bloqueio automático gerado pelo sistema (doc.01). Pesquisando no Siscomex Carga, verifica-se AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 10 66 /2 01 0- 87 Fl. 79DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-002.062 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.001066/2010-87 que figura como transportador responsável, portanto obrigado a prestar as informações à RFB, a empresa Irmãos Brito Representações e Comércio Ltda., CNPJ n° 13.009.550/0001-13 (doc.02). Na acepção da Lei n° 10.833, de 2003, considera-se o interveniente as pessoas físicas ou jurídicas citadas no art. 76, § 2°, abaixo transcrito: § 2º Para os efeitos do disposto neste artigo, considera-se interveniente o importador, o exportador, o beneficiário de regime aduaneiro ou de procedimento simplificado, o despachante aduaneiro e seus ajudantes, o transportador, o agente de carga, o operador de transporte multimodal, o operador portuário, o depositário, o administrador de recinto alfandegado, o perito, o assistente técnico, ou qualquer outra pessoa que tenha relação, direta ou indireta, com a operação de comércio exterior. Além disso, dispõe a IN - RFB n° 800, de 2007, no seu art. 3º, 4º e 5°: "Art. 3º O consolidador estrangeiro é representado no País por agente de carga. Parágrafo único. O consolidador estrangeiro é também chac de Non-Vessel Operating Common Carrier (NVOCC). Art. 4º A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1° Entende-se por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2° A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3º Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador. Art. 5° As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga." Portanto, nos termos das normas de procedimentos em vigor, a empresa supra é considerada responsável para efeitos legais e fiscais pela apresentação dos dados e informações eletrônicas na forma e no prazo estabelecidos pela Receita Federal do Brasil - RFB. (. . .) DA INFRAÇÃO Não tendo prestado a informação dentro do prazo estabelecido em norma, o transportador sonegou dados importantes ao controle aduaneiro, impedindo uma prévia análise de risco quanto a carga, a logística, em fim, a operação como um todo. Dispõe a IN RFB n° 800/2007 no seu art. 45: "Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei no 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei no 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa". A alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decreto-lei n' 37/19-6'6, com a redação dada pela Lei n° 10.833/2003, diz: "Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (...) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Fl. 80DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-002.062 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.001066/2010-87 Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga". Portanto, a conduta omissiva do transportador materializou claramente a hipótese infracional acima descrita, punida com a pena de multa de R$ 5.000,00. (. . .)” Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação, em que alegou o seguinte: “II. 1 – MÉRITO - II.1.a - DA EXCESSIVIDADE DA MULTA”: admite que prestou as informações em atraso. Contudo, como não agiu com má-fé ou gerou prejuízo ao erário público, a multa é abusiva, tem caráter confiscatório, pelo que deve ser anulada ou minorada. “II.1.b - DA RAZOABILIDADE E DA BOA-FÉ”: a multa é desproporcional à infração cometida, motivo pelo qual deve ser considerada inconstitucional, pois viola os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Assim, deve ser anulada ou reduzida ou convertida em advertência. A DRJ julgou a impugnação improcedente. O Acórdão nº 12-102.347 não foi ementado. Transcrevo o voto condutor: “A impugnação é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dela conheço. Deixo de acolher as preliminares trazidas pela interessada, eis que buscam sustentar, através da desconstrução do instrumento de lançamento, a improcedência da aplicação da penalidade, quando o verdadeiro cerne da autuação encontra guarida na necessidade do controle das importações e dos prazos que devem ser cumpridos, antes ainda do respectivo Registro da DI. Nesse sentido, sequer se pode imaginar a ocorrência de denúncia espontânea, que justamente é regulada no artigo 138 do CTN e tem seu escopo na infração que enseja o pagamento de tributo, não se aplicando esse instituto ao caso concreto. De outra feita, qualquer alegação acerca de ausência de tipicidade e motivação também devem cair por terra, ou mesmo sobre ilegitimidade passiva ou mesmo de requerimento de relevação de penalidade, pois em nenhum dos casos há coadunação com o que se verifica dos autos, eis que o controle das importações deve ser feito pela autoridade aduaneira e seus prazos precisam ser cumpridos, até porque as multas nesses casos são aplicadas exatamente pelo fato de não possuir condições de realizar o efetivo controle se os prazos deixarem de ser cumpridos, no que toca, em especial, aos lançamentos extemporâneos dos conhecimentos eletrônicos, seja house, seja mercante ou do próprio manifesto em si. Senão vejamos. Assim dispõe o artigo 22 da IN SRF nº 800/2007: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I - as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II - as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional [...] Fl. 81DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-002.062 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.001066/2010-87 b) cinco horas antes da saída da embarcação, para manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, quando toda a carga for granel [...] c) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos de cargas nacionais [...] d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo [...] Corroborando esse entendimento, o tipo infracional em que se enquadra a conduta da autuada dispõe expressamente que ele se aplica ao agente de carga, como se pode constatar da leitura do art. 107, IV, “e”, do Decreto-Lei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, a seguir reproduzido: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) [...] IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-aporta, ou ao agente de carga; e (Destaques não constam no original.) A autuada era responsável pela desconsolidação da carga, conforme informou a fiscalização, aspecto que não foi contestado pela impugnante. Dessa forma, cabia a ela emitir os conhecimentos eletrônicos referentes às cargas. O caso ora apreciado diz respeito à importação de cargas consolidadas, as quais são acobertadas por documentação própria, cujos dados devem ser informados de forma individualizada para a geração dos respectivos conhecimentos eletrônicos (CEs). Esses registros devem representar fielmente as correspondentes mercadorias, a fim de possibilitar à Aduana definir previamente o tratamento a ser adotado a cada caso, de forma a racionalizar procedimentos e agilizar o despacho aduaneiro. Nesses casos, não é viável estender a conclusão trazida na citada SCI, conforme se passa a demonstrar. Apenas para efeito de esclarecimento, informa-se que o fornecimento das informações exigidas, no âmbito do transporte internacional de cargas, objetiva proporcionar à Aduana subsídios para a análise de risco dessas operações, a ser realizada previamente ao embarque ou desembarque das mercadorias no País, de forma a racionalizar procedimentos e agilizar o despacho aduaneiro. Daí a necessidade de os dados exigidos serem prestados correta e tempestivamente. Observa-se que, o foco principal dessa obrigação é o controle aduaneiro, mas ela também interessa à administração tributária. Com base nas informações exigidas muitas vezes são constatadas infrações como o subfaturamento de preços; o erro no enquadramento tarifário, objetivando obter tratamento mais favorável; a ausência de recolhimento de direitos antidumping ou compensatório. Ademais, não se pode negar que um dos objetivos da Aduana é justamente proteger a economia nacional contra a concorrência desleal de produtos estrangeiros. Vale dizer, ainda, que o Decreto-Lei nº 37/1966, que possui força de lei e alterações posteriores sustentam as penalidades as quais são explicadas e definidas Fl. 82DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-002.062 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.001066/2010-87 pelas Instruções Normativas expedidas pela RFB, e que tanto a fiscalização quanto o julgador administrativo de primeira instância adstritos. Nesse sentido, o lançamento extemporâneo do conhecimento eletrônico, fora do prazo estabelecido na IN SRF nº 800/2007, por causar transtornos ao controle aduaneiro, deve ser mantido na presente autuação. Assim, DEIXO DE ACOLHER A IMPUGNAÇÃO e considero devido o crédito tributário lançado.” O contribuinte interpôs recurso voluntário. Em síntese, pede o cancelamento da multa, em razão de o processo ter ficado parado por cerca de oito anos, tendo, assim, ocorrido a prescrição intercorrente (§1º do art. 1º da Lei de nº 9.873/99), ou pela aplicação do instituto da denúncia espontânea, posto que as informações foram prestadas antes de iniciado qualquer procedimento fiscal (art. 138 do CTN e § 2º do art. 102 do DL nº 37/66). É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Relator O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Trata-se de auto de infração para lançamento da multa de R$ 5.000,00 (alínea “e” do art. 107 do DL nº 37/66), pela prestação de informações sobre desconsolidação de carga fora do prazo legal. De pronto, registro que as alegações trazidas no recurso voluntário não constam na impugnação. Contudo, não as considero preclusas, pois cuidam de matérias de ordem pública. Admite que prestou informações a destempo, porém pede o cancelamento da multa, em razão da ocorrência da prescrição intercorrente ou pela aplicação do instituto da denúncia espontânea. Em sede de preliminar, alega que, após o recebimento da defesa, o processo ficou parado de 03/05/10 a 04/06/08, isto é, por cerca de oito anos, 03/05/2010 a 04/06/2018. Desta forma, deve ser arquivado e a multa cancelada, com base no §1º do art. 1º da Lei de nº 9.873/99, a saber: “Art.1 o Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado. §1 o Incide a prescrição no procedimento administrativo paralisado por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, cujos autos serão arquivados de ofício ou mediante requerimento da parte interessada, sem prejuízo da apuração da responsabilidade funcional decorrente da paralisação, se for o caso. (. . .)” Adicionalmente, registra que prestou a informação antes de iniciado qualquer procedimento fiscal, pelo que deve ser aplicado o instituto da denúncia espontânea e cancelado o auto de infração: Fl. 83DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3001-002.062 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.001066/2010-87 CTN “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” DL nº 37/66 Art.102 - A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º - Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo Decreto-Lei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo Decreto-Lei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo Decreto- Lei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2 o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010)” Ambos os temas se encontram pacificados no âmbito do CARF: “Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” “Súmula CARF nº 126 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.” Isto posto, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d’Oliveira Fl. 84DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10711.721469/2012-65
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Nov 22 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 27/08/2008
PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE
A não apreciação de argumento de defesa eiva de nulidade a decisão de primeira instância, pois configura preterição do direito de defesa.
Numero da decisão: 3001-002.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecida a preliminar suscitada pela recorrente, consistente no pedido de aplicação de decisão judicial, e, na parte conhecida, por maioria de votos, decretar de ofício a nulidade da decisão recorrida, com retorno dos autos à primeira instância, para que seja apreciado o argumento de defesa contido no tópico da impugnação titulado 02. DA IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO. Vencida a conselheira Sabrina Coutinho Barbosa, que dava provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques dOliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Marcelo Costa Marques dOliveira e Sabrina Coutinho Barbosa.
Nome do relator: Marcelo Costa Marques d'Oliveira
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NULIDADE A não apreciação de argumento de defesa eiva de nulidade a decisão de primeira instância, pois configura preterição do direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecida a preliminar suscitada pela recorrente, consistente no pedido de aplicação de decisão judicial, e, na parte conhecida, por maioria de votos, decretar de ofício a nulidade da decisão recorrida, com retorno dos autos à primeira instância, para que seja apreciado o argumento de defesa contido no tópico da impugnação titulado “02. DA IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO”. Vencida a conselheira Sabrina Coutinho Barbosa, que dava provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d’Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Marcelo Costa Marques d’Oliveira e Sabrina Coutinho Barbosa. Relatório Transcrevo trecho do auto de infração: “(. . .) Dos Fatos A embarcação Cala Puma chegou ao Brasil através do porto de Salvador/BA, procedente de Puerto Cabello/Venezuela, no dia 19 de agosto de 2008, tendo atracado às 15:02:00h, conforme consta nas telas de Detalhes do Manifesto n° 1308501516050 a fls. 15 e Detalhes da Escala n° 08000170130/Salvador a fls. 16. A data/hora da atracação supracitada estabeleceu o limite para que a agência de navegação prestasse AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 14 69 /2 01 2- 65 Fl. 110DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-002.067 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10711.721469/2012-65 as informações de sua responsabilidade sobre a carga constante a bordo da embarcação, tendo como porto de destino final Rio de Janeiro, conforme prazo previsto nos arts. 22 e 50 da IN RFB n° 800, de 27/12/2007, com redação alterada pela IN RFB n° 899, de 29/12/2008. A agência de navegação Aliança Navegação e Logística LTDA, inscrita no CNPJ sob o n° 02.427.026/0001-46, após ter informado o Manifesto n° 1308501516050 e efetuado sua vinculação às escalas, informou tempestivamente, em 13 de agosto de 2008, às 18:08:33h, o Conhecimento Eletrônico (C.E.-Mercante) Genérico (MBL) n° 130.805.154.692.480, conforme extrato do C.E.- Mercante do sistema Carga a fls. 17 a 25. Isto posto, conclui-se que as informações referentes ao C.E.-Mercante Genérico supracitado foram prestadas com bastante antecedência em relação à data da atracação da embarcação no primeiro porto nacional. Esse C.E.-Mercante está consignado à empresa Allink Transportes Internacionais LTDA, inscrita no CNPJ sob o n° 86.846.847/0001-07, conforme tela do sistema CNPJ constante a fls. 26, também cadastrada junto ao Departamento do Fundo da Marinha Mercante - DEFMM - como agente de carga (desconsolidador), como se verifica na tela impressa do sistema Mercante, constante a fls. 27. A embarcação prosseguiu sua viagem e veio a atracar no Porto do Rio de Janeiro/RJ no dia 24 de agosto de 2008, às 07:26:00h, conforme Detalhes da Escala n° 08000158483/Rio de Janeiro, constante a fls. 28, sendo esta a data/hora limite para que os demais Agentes de Carga (desconsolidadores) ou seus representantes prestassem as informações de sua responsabilidade, nos termos dos arts. 22 e 50 da IN RFB n° 800, de 27/12/2007, com redação alterada pela IN RFB n° 899, de 29/12/2008. No entanto, a empresa Allink Transportes Internacionais LTDA, na qualidade de agente de carga, promoveu a desconsolidação do C.E.-Mercante Genérico supracitado incluindo intempestivamente, em 25 de agosto de 2008, às 14:48:11h, as informações sobre o Conhecimento Eletrônico (C.E.-Mercante) Genérico/Agregado (MHBL) n° 130.805.161.716.259, conforme extrato do C.E.- Mercante do Siscomex Carga a fls. 29 a 32. Esse C.E.-Mercante está consignado à empresa Escritório Hormino Maia de Despachos LTDA, inscrita no CNPJ sob o n° 60.876.265/0001-80, conforme tela do sistema CNPJ constante a fls. 33, também cadastrada junto ao Departamento do Fundo da Marinha Mercante - DEFMM - como agente de carga (desconsolidador), como se verifica na tela impressa do sistema Mercante, constante a fls. 34. Por sua vez, a empresa Escritório Hormino Maia de Despachos LTDA procedeu à desconsolidação da carga informando os C.E.-Mercante Agregados (HBL) discriminados na tabela a seguir, posteriormente à data/hora da efetiva atracação da embarcação no porto do Rio de Janeiro/RJ, restando portanto INTEMPESTIVAS as informações prestadas, tendo sido gerado inclusive pelo sistema Carga um bloqueio automático com o status de "INCLUSÃO DE CARGA APÓS O PRAZO OU ATRACAÇÃO" de forma imediata para cada C.E.- Mercante, conforme consta nos extratos do sistema Carga a fls 35 a 39: Fl. 111DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-002.067 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10711.721469/2012-65 Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação, com o seguintes argumentos: “02. DA IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO”: a empresa Allink Transportes Internacionais LTDA promoveu, intempestivamente, a desconsolidação do CE Mercante Genérico/Agregado (MHBL) nº 130.805.153.775.802. “02. DA IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO”: a empresa Allink Transportes Internacionais LTDA promoveu, intempestivamente, a desconsolidação do CE Mercante Genérico/Agregado (MHBL) nº 130.805.153.775.802. Não era possível gerar um CE Mercante “filhote”, sem que o CE do BL Master (MBL) ou do Agregado (MHBL) tenha sido gerado em etapa anterior. “Portanto, a autuação não procede porque não é justo que a autuada seja penalizada por erro, falha ou omissão que não dependeu de sua vontade e não foi ocasionada por ato que tenha cometido, mas, sim, por ação de terceiro, que lhe impossibilitou de cumprir sua obrigação.” “03. DOS PRAZOS PARA ALTERAÇÕES NO SISCOMEX CARGA”: o prazo 48 horas antes da atracação, previsto no inciso III art. 22 da IN RFB nº 800/07 somente entrou em vigor em 01/04/09. E os indicados nos incisos I e II do art. 50 aplicavam-se apenas ao transportador. Assim, nas datas em que as “ocorrências” aconteceram, não havia prazo para a desconsolidação de carga efetuada por agente de carga. Robustece a tese citada no tópico anterior, consignando que não representava o transportador. Que a atividade do agente de carga está descrita no § 1º do art. 37 do DL nº 37/66. E que, desta forma, não pode ser incluída no rol do art. 5º da IN RFB nº 800/07: “Art. 5o As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga.” “04. DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA”: efetuou a inserção das informações antes de qualquer procedimento fiscal, pelo que deve ser aplicado o instituto da denúncia espontânea e canceladas as multas. Apresenta como fundamento jurídico o art. 138 do CTN, o § 2º do art. 102 do DL nº 37/66, com a redação dada pela Lei nº 12.350/10, e o § 2º do art. 683 do Decreto nº 6.759/09 (Regulamento Aduaneiro). “05. DO CONFISCO”: a multa fere os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade e o inciso IV do art. 150 da CF/88 que veda a instituição de tributos com o efeito de confisco. “06. DO VALOR DA PENALIDADE APLICADA”: se confirmada a ocorrência da infração, seria aplicável uma única multa de R$ 5.000,00, “(. . .) uma vez que teria ocorrido o Fl. 112DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-002.067 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10711.721469/2012-65 descumprimento da obrigação acessória de informar os dados de embarque no Siscomex, não sendo determinante a quantidade de dados não informados, para efeito da determinação do valor, não cabendo a sua aplicação em relação a cada Conhecimento Marítimo HBL.” A DRJ julgou a impugnação improcedente e o Acórdão nº 12-105.619 foi assim ementado: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2012 PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. MULTA. DELIMITAÇÃO DA INCIDÊNCIA. Em conformidade com o disposto no Ato Declaratório Executivo Corep nº 3, de 28/3/2008 (DOU 1/4/2008), a prestação intempestiva de dados sobre veículo, operação ou carga transportada é punida com multa específica que, em regra, é aplicável em relação a cada escala, manifesto, conhecimento ou item incluído ou retificado após o prazo para prestar a devida informação, independente da quantidade de campos alterados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” No voto condutor da decisão de primeira instância, constata-se que foram enfrentados e rechaçados os tópicos “03”, “04” e “06” da impugnação. O contribuinte interpôs recurso voluntário, em que reitera os argumentos incluídos na impugnação, e informa que obteve provimento judicial, por meio de entidade da qual é associado, que a eximiria da multa em debate, com a aplicação do instituto da denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Relator. O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Trata-se de auto de infração para lançamento da multa de R$ 5.000,00 (alínea “e” do art. 107 do DL nº 37/66) sobre cada uma das infrações detectadas. Os C.E.-Mercante Agregados (HBL) nº 130805163438418 e 130805163446941 foram incluídos no SISCOMEX Carga no dia 27/08/08, após a atracação do navio no Porto do Rio de Janeiro, em 24/08/08. A fiscalização concluiu que foi desrespeitado o prazo previsto no inciso II do art. 50 da IN RFB nº 800/07, que exigia que a desconsolidação fosse efetuada antes da chegada da embarcação. Com efeito, naquelas datas, ainda não vigorava o prazo de 48 antes da atracação, previsto no inciso III do caput do art. 22 da IN RFB n° 800/07, que passou a ser exigido a partir de 01/04/09. Preliminares Há duas preliminares sobre as quais devemos deliberar. A primeira, inaugurada por meio do recurso voluntário, sobre decisão judicial que abrangeria a recorrente e a eximiria da multa, e a segunda, que suscito de ofício, acerca do não Fl. 113DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-002.067 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10711.721469/2012-65 enfrentamento pelo colegiado de primeira instância de argumentos de defesa incluídos na impugnação. Decisão judicial Reproduzo excerto do recurso voluntário: “(. . .) Outrossim, informa que a entidade, da qual é associada (Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissárias de Despachos e Operadores Intermodais - ACTC), obteve a antecipação de tutela, concedida pela MM. Juíza Federal Substituta Tatiana Pattaro Pereira, da 14. Vara Cível Federal de São Paulo, conforme decisão constante do processo nº. 0005238-86.2015.4.03.6100, para determinar que a União Federal , Ré na ação, se abstenha de exigir das associadas da Autora as penalidades em discussão , independentemente do depósito judicial, "sempre que as empresas tenham prestado ou retificado as informações no exercício de seu legítimo direito de denúncia espontânea, nos termos do artigo 102 do Decreto-lei nº. 37/66". (. . .)” A recorrente não trouxe cópia das respectivas peças processuais e tampouco provas de que seria beneficiária da alegada decisão judicial, pelo que não conheço do argumento. Cumpre registrar que qualifiquei a alegação como preliminar, pois, se comprovada, poder-se-ia estar diante de uma situação de concomitância, o que acarretaria no não conhecimento do recurso voluntário. Argumento de defesa não apreciado pela DRJ Proponho a anulação da decisão de primeira instância, em razão de não terem sido enfrentados todos os argumentos de defesa apresentados na impugnação e repisados no recurso voluntário. Os tópicos da impugnação não apreciados foram assim sumariados no relatório: “02. DA IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO”: a empresa Allink Transportes Internacionais LTDA promoveu, intempestivamente, a desconsolidação do CE Mercante Genérico/Agregado (MHBL) nº 130.805.153.775.802. “02. DA IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO”: a empresa Allink Transportes Internacionais LTDA promoveu, intempestivamente, a desconsolidação do CE Mercante Genérico/Agregado (MHBL) nº 130.805.153.775.802. Não era possível gerar um CE Mercante “filhote”, sem que o CE do BL Master (MBL) ou do Agregado (MHBL) tenha sido gerado em etapa anterior. “Portanto, a autuação não procede porque não é justo que a autuada seja penalizada por erro, falha ou omissão que não dependeu de sua vontade e não foi ocasionada por ato que tenha cometido, mas, sim, por ação de terceiro, que lhe impossibilitou de cumprir sua obrigação.” “05. DO CONFISCO”: a multa fere os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade e o inciso IV do art. 150 da CF/88 que veda a instituição de tributos com o efeito de confisco. O tópico “05. DO CONFISCO” não motiva a anulação, pois questiona a constitucionalidade da alínea “e” do art. 107 do DL nº 37/66, o que está fora do escopo de atuação deste colegiado, nos termos da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Com efeito, no retorno dos autos ao CARF, após exame pleno da impugnação, o colegiado deve avaliar se deve ser conhecido. Fl. 114DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3001-002.067 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10711.721469/2012-65 Contudo, o colegiado de primeira instância deveria ter deliberado sobre o tópico “02. DA IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO”. Saliento que não se está aqui a formar um juízo acerca da alegação, mas tão somente a apontar que a DRJ deixou de apreciá-la, o que configura preterição do direito de defesa e eiva de nulidade a decisão de primeira instância, conforme inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235/72: “Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.” (g.n.) Ademais, caso este colegiado decidisse ultrapassar o vício contido na decisão de piso e examinar a matéria, haveria flagrante supressão de instância e, por conseguinte, ofensa ao princípio do duplo grau de jurisdição (inciso LV do art.5º da CF/88). Isto posto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecida a preliminar suscitada pela recorrente, consistente no pedido de aplicação de decisão judicial, e, na parte conhecida, decretar de ofício a nulidade a decisão recorrida, com retorno dos autos à primeira instância, para que seja apreciado o argumento de defesa contido no tópico da impugnação titulado “02. DA IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO”. É como voto. (documento assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d’Oliveira Fl. 115DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11070.001843/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 04 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Nov 22 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO DAS RAZÕES CONSTANTES DA IMPUGNAÇÃO.
Recurso voluntário que apenas reproduz as razões constantes da impugnação e traz nenhum argumento visando a rebater os fundamentos apresentados pelo julgador para contrapor o entendimento manifestado na decisão recorrida, autoriza a adoção dos respectivos fundamentos e confirmação da decisão de primeira instância, a teor do que dispõe o art. 57, § 3º do RICARF, com redação da Portaria MF nº 329/17.
DIÁRIAS DE VEREADORES - SALÁRIO INDIRETO
Considera-se salário-de-contribuição os valores pagos aos segurados a título de diárias, quando excedem a 50% da remuneração mensal.
Numero da decisão: 2402-010.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcio Augusto Sekeff Sallem, Gregorio Rechmann Junior, Francisco Ibiapino Luz, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Marcelo Rocha Paura (suplente convocado), Ana Claudia Borges de Oliveira e Denny Medeiros da Silveira (Presidente).
Nome do relator: Renata Toratti Cassini
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO DAS RAZÕES CONSTANTES DA IMPUGNAÇÃO. Recurso voluntário que apenas reproduz as razões constantes da impugnação e traz nenhum argumento visando a rebater os fundamentos apresentados pelo julgador para contrapor o entendimento manifestado na decisão recorrida, autoriza a adoção dos respectivos fundamentos e confirmação da decisão de primeira instância, a teor do que dispõe o art. 57, § 3º do RICARF, com redação da Portaria MF nº 329/17. DIÁRIAS DE VEREADORES - SALÁRIO INDIRETO Considera-se salário-de-contribuição os valores pagos aos segurados a título de diárias, quando excedem a 50% da remuneração mensal.
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REPRODUÇÃO DAS RAZÕES CONSTANTES DA IMPUGNAÇÃO. Recurso voluntário que apenas reproduz as razões constantes da impugnação e traz nenhum argumento visando a rebater os fundamentos apresentados pelo julgador para contrapor o entendimento manifestado na decisão recorrida, autoriza a adoção dos respectivos fundamentos e confirmação da decisão de primeira instância, a teor do que dispõe o art. 57, § 3º do RICARF, com redação da Portaria MF nº 329/17. DIÁRIAS DE VEREADORES - SALÁRIO INDIRETO Considera-se salário-de-contribuição os valores pagos aos segurados a título de diárias, quando excedem a 50% da remuneração mensal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcio Augusto Sekeff Sallem, Gregorio Rechmann Junior, Francisco Ibiapino Luz, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Marcelo Rocha Paura (suplente convocado), Ana Claudia Borges de Oliveira e Denny Medeiros da Silveira (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que reproduzo abaixo: AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 18 43 /2 00 8- 81 Fl. 70DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-010.465 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11070.001843/2008-81 A Prefeitura Municipal de Braga foi autuada por deixar de incluir as diárias pagas aos vereadores da Câmara Municipal que excederam a 50% da remuneração mensal no período de 05/2005 a 12/2007. Segundo o Relatório Fiscal do Auto de Infração das folhas 25 a 27, item 2.1.1, e 24 a 26 (apenso), constituem fato gerador de contribuição previdenciária os valores pagos a título de diárias quando excedem a 50% da remuneração mensal do segurado. Informa que o município não incluiu tais valores na GFIP por não considerá-los salário- de contribuição e, por esta razão, excluiu esta parcela do salário-de-contribuição da retenção das contribuições previdenciárias do Fundo de Participação dos Municípios — FPM. Tal procedimento não justifica a falta de recolhimento, posto que efetuou pagamentos de GPS sobre valores pagos a Contribuintes Individuais e/ou decorrentes de Rescisões de Contrato de Trabalho. A autuada apresentou impugnação em 02/12/2008 através do documento de folhas 31 a 36, alegando que as diárias pagas aos agentes políticos não se incorporam ao subsídio posto que ao abrigo do § 4º do artigo 39 da Constituição Federal. Aduz que as diárias pagas em valor superior a 50% da remuneração do empregado são consideradas como remuneração pelo art. 452 da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT mas excluem àquelas sob rígido controle do empregador e sujeitas à comprovação, representando verba exclusivamente indenizatória. Argui que a regra não se aplica a servidores estatutários e a agentes políticos pois pagas em parcela única e. portanto, vedada sua inclusão no subsídio, além do caráter eminentemente indenizatório, estabelecido na Lei Municipal n° 0728/99. Alega que o fato das diárias serem eventuais e específicas para alimentação e hospedagem, possuem caráter indenizatório e que os beneficiários devem comprovar sua utilização através de prestação de contas. Cita jurisprudência do STJ e concluí que a regra do § 8° do art. 8° da Lei n° 8.212/90 apenas se aplica a empregados da iniciativa privada. A 4ª turma da DRJ/STM julgou o lançamento procedente, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2007 DIÁRIAS DE VEREADORES - SALÁRIO INDIRETO Considera-se salário-de-contribuição os valores pagos aos segurados a título de diárias, quando excedem a 50% da remuneração mensal. Lançamento Procedente Notificado dessa decisão aos 07/05/09 (fls. 51), o contribuinte interpôs recurso voluntário aos 06/05/09 (fls. 53/57), no qual reproduz os mesmos argumentos de defesa apresentados em primeira instância de julgamento. Não houve contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini, Relatora. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos formais de admissibilidade, pelo que dele conheço. Trata-se de recurso interposto contra acórdão que julgou procedentes autos de infração (AI DEBCAD nº 372050662 e AI DEBCAD de nº 371153603, esse último objeto do Fl. 71DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-010.465 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11070.001843/2008-81 PAF de nº 11070001842200837, apensado a estes autos para julgamento conjunto) para a constituição de crédito tributário de contribuições à seguridade social, parte patronal e segurados não integralmente repassadas na época própria à Seguridade Social, incidentes sobre o valor da diária paga a vereadores nas competências de 05/2005, 06/2005, 08/2005, 01/2006, 02/2006, 05/2006, 06/2006, 08/2006 a 04/2007, 06/2007, 07/2007, 09/2007, 11/2007 e 12/2007, quando excedente a 50% da remuneração. Notificado dos lançamentos, o contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese, que (i) as diárias pagas aos agentes políticos não se incorporam ao subsídio porque amparadas pelo art. 39, § 4º da CF; (ii) as diárias pagas em valor superior a 50% da remuneração do empregado são consideradas remuneração pelo art. 452 da CLT, excluídas, no entanto, aquelas sob rígido controle do empregador e sujeitas à comprovação, que representam verba exclusivamente indenizatória; (iii) essa regra não se aplica a servidores estatutários e a agentes políticos, pois são remunerados por subsidio, pago em parcela única, sendo vedada a incorporação e ele de qualquer outro valor, para qualquer efeito; (iv) nos termos da Lei Municipal n° 0728/99, as diárias concedidas aos servidores têm caráter indenizatório e estão sujeitas a prestação de contas, pelo que não se há falar na aplicação do art. 28, § 8º da Lei 8212/91 ao presente caso, pois esse dispositivo somente se aplica a empregados da iniciativa privada. Menciona haver entendimento do STJ nesse sentido. Os lançamentos foram julgados procedentes pela DRJ/STM e, em seu recurso voluntário, o contribuinte reproduziu os argumentos de defesa de sua impugnação, razão pela qual nos termos do o art. 57, §3º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4 de junho de 2017 1 , adoto, como razões de decidir, os fundamentos da decisão de primeira instância, abaixo reproduzidos, para que venham integrar o presente voto: (...) A princípio, as diárias de viagem têm natureza jurídica de ressarcimento, não compondo a remuneração do trabalhador e a base de cálculo da tributação previdenciária. Ocorre que quando estes valores ultrapassam 50% da remuneração mensal, passam a integrar a remuneração e consequentemente se constituem em salário de contribuição, como disposto na Lei n°8212/91: Art. 28(..) § 8º Integram o salário-de-contribuição pelo seu valor total: (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) a) o total das diárias pagas, quando excedente a cinquenta por cento da remuneração mensal. (Incluído pela Lei n°9.528 de 10.12.97) § 9° Não integram o salário-de.-contribuição para os fins desta lei exclusivamente (...) 1 Art. 57. ... (...) § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. (...) § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. Fl. 72DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-010.465 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11070.001843/2008-81 h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; Convém ressaltar que a legislação trabalhista adota o mesmo critério ao definir no § 2° do art. 457 da CLT que: Art. 457. Compreendem-se na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (...) § 2° Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% do salário percebido pelo empregado. (...) Portanto, a legislação previdenciária está em consonância com o que prevê o artigo 457 da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei n° 5.452, de 10 de maio de 1943. O enunciado n° 101 do Tribunal Superior do Trabalho - TST disciplina que integram o salário pelo seu valor total, as diárias de viagem que excedem de 50% do salário do empregado. Na mesma linha o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3048, de 06/05/1999, dispõe no inciso VIII do § 9º do art. 214 que O valor das diárias para viagens, quando excedentes a cinquenta por cento da remuneração mensal do empregado, integra o salário-de-contribuição pelo seu valor total". As diárias de viagem, independem de comprovação, até o limite de 50% do valor do salário mensal e constituem despesas presumidas pela legislação. As diárias efetivadas mediante reembolsos comprovados através de relatório de despesas de viagem, suportado por documentos hábeis (notas fiscais, recibos, etc.), não são consideradas parcelas com incidência. A impugnante quer limitar a aplicação do § 8° do art. 28 da Lei n° 8.212/91 aos empregados regidos pela CLT e, excetuando os agentes políticos como prefeitos, secretários, vereadores e servidores estatutários por não serem vinculados ao Regime Geral de Previdência Social, fato não comprovado nos autos. Portanto, não há que se falar em não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração paga aos vereadores quando não comprovada sua filiação a regime próprio de previdência. (Destaquei) Quanto à contribuição incidente sobre a remuneração dos ocupantes de cargo eletivo, o Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE n°351.717, decidiu ser inconstitucional a inclusão destes servidores entre os segurados obrigatórios do RGPS, efetuada pela Lei 9.506/97. Posteriormente, o Senado Federal, em 21/06/2005, editou a Resolução n° 26, que suspendeu a execução da alínea "h", do inciso I, do artigo 12, da Lei 8.212/91, acrescentada pelo § 1° do artigo 13 da Lei 9.506/97. Entendeu o Supremo que, à época da Lei n° 9.506/1997, a inclusão dos agentes políticos no rol dos segurados obrigatórios implicava a criação de nova contribuição previdenciária, não prevista no art. 195 da Constituição. Entretanto, a EC n° 20, de 16/12/1998, deu nova redação ao art. 195 da Constituição, que passou a prever na alínea "a" do inciso I, a contribuição a cargo do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer r título, à pessoa física que lhes preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. A partir da Emenda Constitucional n° 20, portanto, o texto constitucional passou a prever a contribuição da entidade equiparada à empresa sobre a remuneração de qualquer pessoa física que lhe preste serviço. Por esta razão, a inclusão dos agentes políticos no rol dos segurados obrigatórios e a consequente instituição da contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração destes trabalhadores passou a ser matéria de competência de lei ordinária. Logo, a inclusão dos agentes políticos no rol dos segurados empregados (alínea “j” do inciso I Fl. 73DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-010.465 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11070.001843/2008-81 do art. 12 da Lei 8.212/1991), efetuada pela Lei n° 10.887/2004, com vigência a partir de setembro de 2004, encontra amparo no texto constitucional. O artigo 12, inciso I, alínea “j” da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 10.887/04, estabelece que é segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social, como empregado, o titular de mandato eletivo, in verbis: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I- como empregado: (...) j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado. a regime próprio de previdência social; (incluído pela Lei n° 10.887, de 2004). . A filiação obrigatória ao Redime de Previdência Social decorre do exercício de atividade remunerada e regula os direitos sociais fundamentais podendo o trabalhador estar filiado a Regime Próprio de Previdência Social - RPPS e a Regime Geral de Previdência Social- RGPS, como disciplinado no parágrafo 1° do art. 13 da Lei n° 8.212/91, parágrafo 12 do art. 9º e parágrafo 2° do art. 10, ambos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99: Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social. (...) § 1° Caso o servidor ou o militar venham a exercer, concomitantemente, uma ou mais atividades abrangidas pelo Regime Geral de Previdência Social, tornar-se-ão segurados obrigatórios em relação a essas atividades. (g. n.) A Instrução Normativa MPS/SRP n° 3, de 14 de julho de 2005 - DOU de 15/07/2005 prevê o que segue: Art. 6° Deve contribuir obrigatoriamente na qualidade de segurado empregado: XIX - o exercente de mandato eletivo federal, estadual, distrital ou municipal, salvo o titular de cargo efetivo da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, incluídas suas autarquias e fundações de direito público, afastado para o exercício do mandato eletivo, filiado a RPPS no cargo de origem, observada a legislação de regência e os respectivos períodos de vigência; (...) § 2° Na hipótese do inciso XIX do caput, o servidor público vinculado a RPPS que exercer, concomitantemente, o mandato eletivo no cargo de vereador, será obrigatoriamente filiado ao RGPS em razão do cargo eletivo, devendo contribuir para o RGPS sobre a remuneração recebida pelo exercício do mandato eletivo e para o RPPS sobre a remuneração recebida pelo exercício do cargo efetivo. (Nova redação dada pela IN MPS/SRP n° 23, de 30/04/2007) Redação original: § 2° Na hipótese do inciso XIX do caput. o servidor público vinculado a RPPS que exercer, concomitantemente, o mandato eletivo no caro de vereador, será obrigatoriamente filiado ao RGPS em razão do cargo eletivo, devendo contribuir: (...) Art. 13. No caso do exercício concomitante de mais de uma atividade remunerada sujeita ao RGPS, a contribuição do segurado será obrigatória em relação a cada Fl. 74DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-010.465 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11070.001843/2008-81 uma dessas atividades, observados os limites mínimo e máximo do salário de contribuição previstos no art. 68 e o disposto nos arts. 44, 78 e 81. Parágrafo único. O segurado filiado a RPPS que venha a exercer, concomitantemente, uma ou mais atividades abrangidas pelo RGPS, tornar-se-á contribuinte obrigatório em relação a essas atividades.(g.n.) Pelo exposto, qualquer argumento de que o exercente de mandato eletivo não se enquadra no conceito de trabalhador e, portanto, não poderia ser incluído no rol de segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social - RGPS, fica fulminado pela legislação precedente. Assim, não há como prosperar as alegações da impugnante, posto que, ao contrário do que defende, a filiação ao RGPS e, consequentemente, a contribuição incidente sobre a remuneração dos vereadores, não se reveste de caráter opcional. Neste sentido, aplica-se a legislação previdenciária em sua totalidade, alcançando as diárias que excedem ao limite legal. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo os lançamentos objeto dos AI DEBCAS’s de nºs 372050662 e 371153603, esse último objeto do PAF de nº 11070001842200837, apensado a estes autos. (documento assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Fl. 75DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 12466.720104/2016-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 14 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 29/07/2014
ILEGITIMIDADE PASSIVA
O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete infração aos prazos legais para prestação de informações, responde pela multa sancionadora correspondente.
Numero da decisão: 3001-002.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer das alegações de afronta aos princípios constitucionais, rejeitar as preliminares de nulidade e de ilegitimidade passiva e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques dOliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Marcelo Costa Marques dOliveira e Sabrina Coutinho Barbosa.
Nome do relator: Marcelo Costa Marques d'Oliveira
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/07/2014 ILEGITIMIDADE PASSIVA O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete infração aos prazos legais para prestação de informações, responde pela multa sancionadora correspondente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer das alegações de afronta aos princípios constitucionais, rejeitar as preliminares de nulidade e de ilegitimidade passiva e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques dOliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Marcelo Costa Marques dOliveira e Sabrina Coutinho Barbosa.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-11-04T14:22:52Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-11-04T14:22:52Z; Last-Modified: 2021-11-04T14:22:52Z; dcterms:modified: 2021-11-04T14:22:52Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-11-04T14:22:52Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-11-04T14:22:52Z; meta:save-date: 2021-11-04T14:22:52Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-11-04T14:22:52Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-11-04T14:22:52Z; created: 2021-11-04T14:22:52Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2021-11-04T14:22:52Z; pdf:charsPerPage: 1863; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-11-04T14:22:52Z | Conteúdo => S3-TE01 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 12466.720104/2016-11 Recurso Voluntário Acórdão nº 3001-002.044 – 3ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária Sessão de 14 de outubro de 2021 Recorrente OCEANUS AGENCIA MARÍTIMA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/07/2014 ILEGITIMIDADE PASSIVA O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete infração aos prazos legais para prestação de informações, responde pela multa sancionadora correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer das alegações de afronta aos princípios constitucionais, rejeitar as preliminares de nulidade e de ilegitimidade passiva e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d’Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Marcelo Costa Marques d’Oliveira e Sabrina Coutinho Barbosa. Relatório Trata-se de auto de infração para cobrança de multa de R$ 5.000,00, em razão de atraso na inclusão do CE Mercante no SISCOMEX Carga. A infração foi descrita e a penalidade capitulada das seguintes formas: “(. . .) Conforme o art. 13 da IN RFB nº 800/2007, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 2 junho de 2014, o sujeito da obrigação, responsável pela prestação da informação, é o transportador. Assim, a OCEANUS AGÊNCIA MARÍTIMA S/A, CNPJ 32.082.489/0012-37, que consta no Siscomex Carga como transportador, é o sujeito passivo da obrigação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 01 04 /2 01 6- 11 Fl. 151DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-002.044 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12466.720104/2016-11 O fato gerador da multa aplicada é composto de dois momentos: o momento do registro da informação no sistema Siscomex Carga e o momento da atracação da embarcação. O CE Mercante foi incluído em 29/07/2014, às 10:42 e a atracação da embarcação GRANDE BUENOS AIRES que transportou a carga até o Porto de Santos ocorreu às 15:01 do dia 29/07/2014, de forma que o prazo entre a informação do Conhecimento no sistema Mercante (primeira informação que deve ser registrada) e o registro da atracação do navio no sistema Siscomex Carga (segunda informação que deve ser registrada) foi inferior a 48 horas, ferindo assim o disposto no art. 22 da IN RFB n° 800/2007, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 2 junho de 2014. Dessa forma, configura-se penalidade punível com multa no valor de R$5.000,00 (cinco mil reais), por deixar de prestar informação sobre a carga na forma e no prazo estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, com base na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei nº 37, de 18/11/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 29/12/2003. (. . .)” Cientificado, contribuinte apresentou impugnação, com os seguintes argumentos: “III. A - IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE PENALIDADE A AGENTE MARÍTIMO. // B - ILEGITIMIDADE PASSIVA DA IMPUGNANTE, NA QUALIDADE DE MERO AGENTE MARÍTIMO”: a multa só pode ser aplicada ao transportador ou ao agente de carga e não ao agente marítimo, por falta de amparo legal. o agente marítimo não pode ser considerado como representante do transportador para fins tributários. Cita a Súmula 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR) e decisões do STJ.” “C - DENÚNCIA ESPONTÂNEA. - DESCABIMENTO DE MULTA.”: a informação foi prestada antes da lavratura do auto de infração, pelo que deve ser cancelado, com base no § 2º do art. 102 do Decreto-lei nº 37/66. “V. NO MÉRITO (A) - VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E HIERARQUIA DAS NORMAS - INAPLICABILIDADE DOS ARTIGOS 27-A, 27- B E 27-C DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 800/07”: o auto de infração foi lavrado em face da impugnante ter retificado informações prestadas ao Siscomex, o que não é considerado infração pelo DL nº 37/66. “B - OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE - ART. 2° DA LEI N° 9.784/99”: não houve dano ao erário, tendo ocorrido mera retificação. A DRJ julgou a impugnação improcedente e o Acórdão nº 12-100.033 foi assim ementado: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/07/2014 ILEGITIMIDADE PASSIVA DO AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo, na condição de representante do transportador estrangeiro, em caso de infração cometida, responde pela multa sancionadora. INCLUSÃO DE CONHECIMENTO ELETRÔNICO NO SISCOMEX CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. A partir de 01/04/2009, com a entrada em vigor dos prazos estabelecidos no art. 22 da Instrução Normativa RFB nº 800/2007, as informações exigidas pela Receita Federal do Fl. 152DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-002.044 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12466.720104/2016-11 Brasil, referentes ao transporte internacional de mercadorias, inclusive as de responsabilidade do agente de carga, devem ser prestadas em até 48 horas antes da atracação ou desatracação da embarcação em porto no País. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PENALIDADES PECUNIÁRIAS ADMINISTRATIVAS. Inadmissível a denúncia espontânea para tornar sem efeito norma que estabelece prazo para a entrega de documentos ou informações, por meio eletrônico ou outro que a legislação aduaneira determinar. ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE O julgador no âmbito do contencioso administrativo não tem competência legal para apreciar e declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de dispositivo de Lei ou Decreto, frente ao sistema normativo. O controle da constitucionalidade é exercido, via de regra, pelo Poder Judiciário. Art. 26- a do Decreto 70.235/72. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformado, contribuinte interpôs recursos voluntário, em que reitera os argumentos sobre ilegitimidade passiva e adiciona os seguintes: “VÍCIO FORMAL NO AUTO DE INFRAÇÃO – NULIDADE”: o auto de infração não cumpriu as exigências do art. 10 do Decreto nº 70.235/72. “DA NÃO CARACTERIZAÇÃO DA INFRAÇÃO IMPOSTA”: não restou claro o motivo pelo qual a conduta foi enquadrada na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do DL nº 37/66. Não foi apontado qual o embaraço causado à fiscalização ou prejuízo ao erário, pelo que o ato carece de motivação. Fere os princípios constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade, também previstos no Acordo de Facilitação do Comércio (AFC). Afronta o princípio do não-confisco. Por fim, consigna que o Capítulo IV da IN SRF nº 800/07 foi integralmente revogada pela IN SRF nº 1.473/14, o que indica a intenção do Fisco de rever a postura adotada diante de tais fatos. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Relator. O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Aprecio os argumentos de defesa sob os títulos e na ordem em que apresentados no recurso voluntário. “Ilegitimidade passiva” Apresenta as seguintes alegações: a) Não era transportadora, porém agente marítima, à luz dos conceitos da IN SRF nº 800/07. Assim, não havia base legal para lhe fosse aplicada a multa. b) De acordo com o art. 31 do Decreto nº 6.759/09, a responsabilidade pela prestação de informações é do transportador. c) Exigir do agente o cumprimento de deveres não previstos em lei equivaleria a negar vigência aos incisos II e XLV do art. 5º da CF/88. Fl. 153DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-002.044 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12466.720104/2016-11 d) A Súmula 192 do extinto TFR dispõe que “O agente marítimo, quando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador para os efeitos do Decreto-Lei nº 37 de 1966.” e) Por estar em linha com seus argumentos, cita a decisão proferida pelo TRF da 3º Região, nos autos do processo nº 00125712420084036104, de 23/02/15, e pelo STJ, no AGRESP 1.131.180, de 21/05/13, que lista como precedentes o REsp 1.217.083/RJ, de 4/3/11, REsp 993.712/RJ, de 12/11/10, AgRg no REsp 1.165.103/PR, de 26/2/10, AgRg no REsp 1165103/PR, de 26/2/10, AgRg no REsp 719446/RS, 12/12/06, REsp 665.950/PE, de 24/08/05, REsp 826.637, de 25/05/06. f) Destaca que o CARF deve seguir o entendimento consubstanciado na jurisprudência do STJ, por força regimental. Divirjo da recorrente e adoto como minha razão de decidir (§ 1º do art. 50 da lei nº 9.784/99) trecho do voto condutor da decisão de primeira instância, da lavra do i. julgador Luís David Fernandes Boz: “Responsabilidade do agente marítimo Revela-se infundada a inconformidade da impugnante de que, tendo atuado como agente marítimo, não lhe é aplicável a penalidade visto ocorrer ilegitimidade passiva. A IN 800/07 é clara ao definir o alcance do termo transportador nela utilizado, consoante demonstram os dispositivos a seguir reproduzidos: Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa define-se como: [...] V - transportador, a pessoa jurídica que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga; [...] § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: [...] IV - o transportador classifica-se em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratando-se de transportador não enquadrado nas alíneas "a" e "b", responsável pela consolidação da carga na origem; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 2 de junho de 2014) d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas "a" e "b", responsável pela desconsolidação da carga no destino; e (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 2 de junho de 2014) e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; Portanto, quando a IN RFB nº 800/2007 utiliza o termo transportador se refere a todos os intervenientes nela especificados como tal. Caso não fosse esse o entendimento, essa Norma se tornaria incoerente e perderia sua eficácia, pois agentes que devem prestar informações similares ficariam em situações bastante diferentes, já que uns estariam obrigados ao cumprimento de prazos e outros não. Fl. 154DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-002.044 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12466.720104/2016-11 Irresignada com a autuação alegou a impugnante que, na condição de agente marítimo, representante do armador do navio, não pode ser responsabilizada pela infração, considerando o disposto pela Súmula 192, exarada pelo antigo Tribunal Federal de Recursos: Súmula 192 (TFR). “O agente marítimo, quando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador para efeitos do decreto-lei 37/66.” É sabido que os agentes marítimos são os representantes dos armadores nos portos, e dos navios, perante as autoridades governamentais e portuárias, sendo que sua participação no processo se dá a cada escala do navio em um porto, onde sua missão é assumir seu gerenciamento. Esta administração engloba inúmeros tipos de ações e serviços, incluindo documentação da embarcação e da carga, controles de origem fiscal, recolhimento de tributos, contato com as autoridades, contratação de serviços, tais como: praticagem, rebocadores e lanchas, providências para agendamento da inspeção do navio pelos órgãos competentes (Saúde dos Portos, Polícia Federal e Receita Federal, no caso brasileiro), além de comunicação constante com o operador portuário (responsável pela carga/descarga), entre outros. Como visto, o agente marítimo é um verdadeiro elo na cadeia de comunicação entre o transportador e as demais pessoas que interagem com o navio quando este chega a um porto nacional. Nessa esteira, é importante mencionar os ensinamentos doutrinários de Samir Keedi sobre agência marítima : “É a empresa que representa o armador em determinado país, estado, cidade ou porto, fazendo a ligação entre este e o usuário do navio. Não é comum o contato do usuário com o armador, diretamente, sendo esta função exercida pelo Agente Marítimo. Entre as importantes atividades de uma Agência Marítima está o angariamento de carga para o espaço do navio e o controle das operações de carga e descarga. O contrato de prestação de serviços costuma incluir a administração do navio, recebimento e remessa do valor do frete ao armador, representação do navio e do armador junto às autoridades portuárias e governamentais, etc., e o atendimento aos clientes. (Keedi, Samir. Transportes e Seguros no Comércio Exterior, 2ª ed., São Paulo: Aduaneiras, 2003, p. ...)” (grifos nossos) Sobre as obrigações do transportador estrangeiro e de seus representantes legais perante à Receita Federal, cumpre observar o disposto pelo artigo 37 do Decreto-lei nº 37/1966: “Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)” A responsabilidade do representante do transportador pela infração é expressa nos termos do artigo 95, inciso I, do Decreto-lei 37/1966: Art. 95 - Respondem pela infração: I - conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie;(grifos nossos) Fl. 155DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3001-002.044 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12466.720104/2016-11 O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do RESP 1129430, Relator Ministro Luiz Fux, assentou que o agente marítimo, no exercício exclusivo de atribuições próprias, no período anterior à vigência do Decreto-lei nº 2.472/1988 (que alterou o artigo 32, do Decreto-lei nº 37/1966), não ostentava a condição de responsável tributário, nem se equiparava ao transportador, porquanto inexistente previsão legal para tanto. Entretanto, a partir da vigência do Decreto-lei nº 2.472/1988 já não há mais óbice para que o agente marítimo figure como responsável tributário. O parágrafo único, do artigo 32, do Decreto-lei nº 37/1996, trata da responsabilidade solidária do representante no país do transportador estrangeiro pelo imposto devido. Ora, se a agência marítima pode ser responsabilizada pelo pagamento de tributo devido pelo transportador estrangeiro, é cediço que ela também pode responder pelas obrigações acessórias descumpridas. Art . 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 2.472, de 01/09/1988) (...) Parágrafo único. É responsável solidário: .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2158-35, de 2001) (...) II - o representante, no País, do transportador estrangeiro; .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2158-35, de 2001) (grifos nossos) Assim, comprovada a vinculação entre a impugnante e o transportador marítimo, como ocorreu neste caso, não há que se falar em ilegitimidade passiva daquela que foi responsável pela coleta e inserção das informações no sistema. Acrescente-se que o entendimento veiculado pelo extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR) em sua Súmula 192 há muito já se encontra superado, porquanto em flagrante desacordo com a evolução da legislação de regência. Com o advento do Decreto-lei nº 2.472/1988, que deu nova redação ao citado art. 32 do Decreto-lei nº 37/1966, posteriormente alterada pela Medida Provisória nº 2.158-35/2001, o representante do transportador estrangeiro no País foi expressamente designado responsável solidário pelo pagamento do Imposto de Importação. Nesse sentido já decidiu o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, ao considerar que o Decreto-Lei nº 2.472/1988 instituiu “hipótese legal de responsabilidade tributária solidária” para o representante no País do transportador estrangeiro, conforme trechos do REsp 1.129.430/SP, a seguir reproduzido: 14. No que concerne ao período posterior à vigência do Decreto-Lei 2.472¤88, sobreveio hipótese legal de responsabilidade tributária solidária (a qual não comporta benefício de ordem, à luz inclusive do parágrafo único, do artigo 124, do CTN) do "representante, no país, do transportador estrangeiro". (Destaques na reprodução) (STJ, Relator: Ministro LUIZ FUX, Data de Julgamento: 24/11/2010, T1 - PRIMEIRA TURMA.) Assim, conclui-se que a autuada pode, e deve, sim ser responsabilizada pelas infrações apuradas pela fiscalização, mesmo atuando apenas como agente marítimo, pois nessa condição estava legalmente obrigada a prestar as informações exigidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Portanto, rejeito a alegação de ilegitimidade passiva.” Por fim, importante mencionar que esta controvérsia está pacificada no âmbito do CARF, o que pode ser constatado pelos seguintes recentes julgados: 3302-010.590 (25/02/21), Fl. 156DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3001-002.044 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12466.720104/2016-11 9303-008.393 (21/09/19), 3302-010.134 (19/11/20), 3301-009.363 (19/11/20) e 3401-008.418 (22/10/20). Nego provimento aos argumentos. ”VÍCIO FORMAL NO AUTO DE INFRAÇÃO – NULIDADE” Alega que o auto de infração é nulo, pois não cumpriu o disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72: a) Não descreveu de forma clara e completa a infração. b) Não fez a devida conexão entre os fatos e o dispositivo legal supostamente violado. c) Impôs à recorrente pena como se transportadora fosse, isto é, a pessoa diferente da prevista no tipo legal, qual seja, o transportador. d) Apresenta exemplo de erro na descrição dos fatos: “(. . .) Exemplo de descrição incorreta dos fatos pode-se verificar na indicação, pelo auditor fiscal, do enquadramento legal atribuído à infração supostamente cometida pela impugnante. Ali se verifica, entre outros, a inclusão dos artigos 37 e 40 do Decreto nº 6759/09. Ora, referidos artigos dispõem acerca de “Controle dos Sobressalentes e das Provisões de Bordo” e “Da Identificação de Volumes no Transporte de Passageiros”, temas que em nada se relacionam com o objeto do presente auto de infração. Pode se tratar de simples distração, mas deixando de constar o correto enquadramento legal que ensejou a aplicação da multa, o autuado tem o exercício de seu direito ao contraditório e à ampla defesa dificultado, uma vez que não sabe ao certo em que se fundamentou a autuação. A falta desses elementos, além de prejudicar sobremaneira a defesa, afronta as regras estabelecidas pelo artigo 10 do Decreto 70.235/72. (. . .)” e) Cita decisões que anularam o auto de infração, por vício formal (Acórdãos CARF nº 301-34.449, 04/09/08, e 203-03.737, de 14/07/98, e TRF 3ª R. – AC 95.03.029761-3 – SP – 4ºT). f) Todos os fatos narrados indicam a afronta ao inciso LV do art. 5º da CF/88. Não assiste razão à recorrente. De plano, afasto os argumentos acerca do suposto erro na identificação do sujeito passivo da aplicação da multa, com base nos argumentos expostos no tópico sobre “ilegitimidade passiva”. No auto de infração, o fato foi detalhada e nitidamente descrito, qual seja, atraso na inclusão do CE Mercante no SISCOMEX Carga, o qual se subsome perfeitamente ao dispositivo legal onde foi capitulada a multa, alínea “d” do inciso II do art. 22 da IN SRF nº 800/07 e alínea “e” do inciso IV do art. 107 do DL nº 37/66. Vejamos o seguinte trecho do auto de infração: “(. . .) Fl. 157DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3001-002.044 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12466.720104/2016-11 O CE Mercante foi incluído em 29/07/2014, às 10:42 e a atracação da embarcação GRANDE BUENOS AIRES que transportou a carga até o Porto de Santos ocorreu às 15:01 do dia 29/07/2014, de forma que o prazo entre a informação do Conhecimento no sistema Mercante (primeira informação que deve ser registrada) e o registro da atracação do navio no sistema Siscomex Carga (segunda informação que deve ser registrada) foi inferior a 48 horas, ferindo assim o disposto no art. 22 da IN RFB n° 800/2007, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 2 junho de 2014. Dessa forma, configura-se penalidade punível com multa no valor de R$5.000,00 (cinco mil reais), por deixar de prestar informação sobre a carga na forma e no prazo estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, com base na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei nº 37, de 18/11/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 29/12/2003. (. . .)” Portanto, o ato administrativo original é absolutamente hígido, cumpriu os requisitos do art. 10 do decreto nº 70.235/72 e deve ser mantido. Nego provimento aos argumentos. “DA NÃO CARACTERIZAÇÃO DA INFRAÇÃO IMPOSTA” A recorrente alega que não deixou de prestar informações, conduta que ensejaria a aplicação da multa alínea “e” do inciso IV do art. 107 do DL nº 37/66. Ocorreram, na verdade, alterações/retificações, em razão de fatos extraordinários e imprevisíveis, típicos da atividade marítima. Ademais, não houve dano ao erário, o que já indica afronta aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Cita decisão do TRF da 4º Região, que cancelou multa por erro no preenchimento da guia de importação, por não ter gerado prejuízo à administração tributária. A circunstância material deve ser observada, antes de aplicar a pena, nos termos do inciso II do art. 112 do CTN. Em relação à aplicação deste dispositivo, indica a decisão do TRF da 4º região, nos autos do processo nº 0025043-38.2010.4.04.0000. Colaciona o seguinte trecho da decisão proferida na apelação nº 2009.83.00.018376-6: “Não há dúvidas de que a penalidade possui caráter punitivo e educativo e tem por escopo combater as infrações à legislação tributária, entretanto, tal penalidade não pode se tornar veículo de afronta aos princípios da Proporcionalidade e da Razoabilidade e, inclusive, ao direito de propriedade (art. 5º, inciso XXII, da Constituição Federal).” Por fim, consignou que o Capítulo IV (“Das Infrações e penalidades”) da IN SRF nº 800/07 foi integralmente revogada pela IN SRF nº 1.473/14, o que indicaria a intenção do Fisco de rever a postura adotada em relação às condutas que eram consideradas como infracionais. Aprecio os argumentos. A descrição da conduta infracional apresentada pela recorrente não se coaduna com a do auto de infração e documentação suporte. Não houve alteração/retificação, porém atraso na inclusão do CE Mercante no SISCOMEX Carga. Fl. 158DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3001-002.044 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12466.720104/2016-11 Afasto a alegação de que a multa deveria ser cancelada, porque não foi demonstrado o embaraço ou dano ao erário ou, baseado no mesmo motivo, por força do art. 112 do CTN. A aplicação da multa decorre do simples atraso no provimento da informação e dispensa a apresentação de prova de embaraço à fiscalização ou prejuízo aos cofres públicos. De acordo com a Súmula CARF nº 2, “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”, pelo que não conheço das contestações relacionadas a afrontas aos princípios constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade. Por fim, também não a socorre a alegação de que a revogação do Capítulo IV (“Das Infrações e penalidades”) da IN SRF nº 800/07 indicaria a intenção do Fisco de rever a postura adotada em relação às condutas que eram consideradas como infracionais. O atraso na prestação da informação constituía infração cuja penalidade (alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei nº 37/66) estava plenamente em vigor na data em que foi cometida. Conclusão Voto por não conhecer das alegações de afronta a princípios constitucionais, rejeitar as preliminares de nulidade e ilegitimidade passiva e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 159DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 17546.001303/2007-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 03 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Dec 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 03/11/2006
Ementa: GFIP. INFORMAÇÕES INCORRETAS COM DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO.
Constitui infração, punível na forma da Lei, a empresa informar
incorretamente, pela GFIP, os dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias.
RELEVAÇÃO. REQUISITOS. NÃO CUMPRIMENTO. CORREÇÃO APÓS IMPUGNAÇÃO.
A multa somente será relevada se o infrator primário não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção da falta durante o prazo para impugnação, nos termos da legislação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-001.453
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do Art. 32A da Lei 8.212/1991, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à recorrente, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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Recorrente PENEDO CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 03/11/2006 Ementa: GFIP. INFORMAÇÕES INCORRETAS COM DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO. Constitui infração, punível na forma da Lei, a empresa informar incorretamente, pela GFIP, os dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias. RELEVAÇÃO. REQUISITOS. NÃO CUMPRIMENTO. CORREÇÃO APÓS IMPUGNAÇÃO. A multa somente será relevada se o infrator primário não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção da falta durante o prazo para impugnação, nos termos da legislação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do Art. 32A da Lei 8.212/1991, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à recorrente, nos termos do voto do Relator. MARCELO OLIVEIRA Presidente Relator Fl. 212DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 26/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Rogério de Lellis Pinto. Fl. 213DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 26/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 17546.001303/200760 Acórdão n.º 240201.453 S2C4T2 Fl. 210 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRFBJ), Campinas / SP, que julgou procedente a autuação, com relevação parcial da multa, motivada por descumprimento de obrigação tributária legal acessória, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 013, a autuação referese a recorrente ter informado incorretamente, pela Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), os dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Segundo o Fisco, a recorrente apresentou GFIPs preenchidas incorretamente, conforme detalhado na planilha anexa, fls. 015. Os motivos que ensejaram a autuação estão descritos no RF e nos demais anexos da autuação. Em 03/11/2006 foi dada ciência à recorrente da autuação, fls. 026. Contra a autuação, a recorrente apresentou impugnação, fls. 027, acompanhada de anexos, onde alegou, em síntese, que apresenta toda documentação para relevação da multa. A Delegacia analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, com relevação parcial da multa, fls. 0187 a 0189. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0193 em diante, acompanhado de anexos, onde renova os argumentos apresentados na defesa. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 0208. É o Relatório. Fl. 214DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 26/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR Pela análise do processo e das alegações da recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade do lançamento ou da decisão. Assim, o lançamento e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados por autoridade competente, sem preterição ao direito de defesa e de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. Por todo o exposto, passo ao exame do mérito. DO MÉRITO Quanto ao mérito, a recorrente alega que cumpriu com os requisitos para que a multa seja relevada integralmente. Vejamos o que determina a Legislação. Decreto 3.048/1999: Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Verificamos, pela simples leitura da norma, que um dos requisitos para a relevação da multa é que a falta deves ser corrigida dentro do prazo de defesa, antes, portanto, da decisão de primeira instância. Esse não é o caso da correção das faltas que restaram após análise de primeira instância. A multa foi relevada parcialmente porque as faltas presentes nas competências 10/2003 e 07/2004 não foram corrigidas dentro do prazo de defesa. Na análise dos autos, verificamos que os documentos que demonstrariam a correção da falta nessas competências foram elaborados e enviados à Seguridade Social somente em 29/02/2008, fls. 0196 e 0202, portanto após o prazo para defesa, já no prazo para recurso. Fl. 215DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 26/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 17546.001303/200760 Acórdão n.º 240201.453 S2C4T2 Fl. 211 5 Conseqüentemente, por não haver previsão legal, não há como relevar a multa. Por fim, no que tange à multa aplicada, observase que a Lei nº 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” No caso em tela, tratase de infração que agora se enquadra no art. 32A, inciso I. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 216DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 26/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 ... II. tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, qual a situação mais benéfica à recorrente, a fim de adotála. CONCLUSÃO Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com a nova legislação e comparado ao cálculo anterior, para que seja aplicado o cálculo mais benéfico à recorrente, na forma do voto. Marcelo Oliveira Fl. 217DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 26/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA
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