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Numero do processo: 14098.000438/2008-26
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2004
SALÁRIO INDIRETO PRÊMIOS DE INCENTIVO CONTRIBUIÇÕES
PREVIDENCIÁRIAS INCIDÊNCIA
Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial.
INFRAÇÃO DEIXAR DE ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO.
Constitui-se infração deixar de arrecadar, mediante desconto das
remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos determinadas pela legislação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-000.521
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial. INFRAÇÃO DEIXAR DE ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO. Constituise infração deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos determinadas pela legislação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Renato Coelho Borelli (suplente). Ausentes os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 84DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande, Acórdão 0419.912 3ª Turma, que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário no valor de R$ 1.254,89. O lançamento referese ao fato de a empresa ter deixado de arrecadar, mediante desconto, as contribuições devidas pelos segurados empregados sobre a remuneração a eles pagas incidente sobre a remuneração aos segurados empregados por meio de cartões de premiação denominados "Flexcard, Presente Perfeito e Premium Card", no período de 03/2004 a 12/2004. Constam do lançamento descrição sumária da infração e dispositivo legal infringido, dispositivo legal da multa aplicada, dispositivos legais da gradação da multa aplicada e o valor da multa, conforme abaixo apresentado. DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 30, inciso I, alínea "a", e alterações posteriores e na Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 4., "caput" e no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 216, inciso I, alínea a. DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA APLICADA Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 92 e art. 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 283, inciso I, alínea g e art. 373. DISPOSITIVOS LEGAIS DA GRADAÇÃO DA MULTA APLICADA Art. 292, inciso I, do RPS. VALOR DA MULTA: R$ 1.254,89 Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese que: • Toda a questão consiste no fato de que a Autoridade fiscal entende que os prêmios concedidos aos empregados integram a remuneração para fins de incidência das contribuições devidas à Seguridade Social. • Entendemos não haver tal incidência, posto que, os prêmios de incentivo, concedidos em função de campanhas motivacionais, não têm natureza salarial, pois, não apresentam caráter remuneratório do trabalho. Fl. 85DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14098.000438/200826 Acórdão n.º 240300.521 S2C4T3 Fl. 82 3 • São dois os fatos susceptíveis de sofrerem a incidência da contribuição previdenciária, nos termos da Constituição Federal: o Pagamento da folha de salários em razão de serviços prestados na vigência da relação de emprego; o Pagamento de remuneração, a qualquer título, a trabalhador que presta serviços sem vínculo empregatício. • Apresenta artigos da CLT que tratam da remuneração. • Os prêmios não tinham caráter de habitualidade, foram oferecidos por um tempo certo e mediante condições fixadas pela empresa expressamente contratada para a promoção da campanha de incentivo, com montantes e expressões variáveis e em caráter de recompensa pelo êxito alcançado naquela jornada, em cuja disputa participou cada beneficiário por sua livre e espontânea vontade, distinta completamente das naturais atribuições desempenhada na vida ordinária do seu labor. É o Relatório. Fl. 86DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. O que está em questão é um lançamento fiscal no qual o Fisco entende ser tributável o pagamento de prêmios a empregados e a recorrente entende não ser tributável. Veremos que o lançamento está correto e que a operação visava sonegar tributos. A sistemática aplicada consiste em contratar uma empresa para efetuar premiações em cartões magnéticos carregados com determinado valor, que poderá ser utilizado para saques ou compras em estabelecimentos da rede comercial. A contratante repassa à contratada o valor dos prêmios mais a remuneração da contratada e indica quem deve receber a premiação (pessoas físicas) e quanto deve receber. A empresa contratada emite os cartões de premiação tal e qual foi determinado pela contratante. Analisando a operação fica evidente que a contratante, por via indireta, remunera as pessoas físicas que determina, no valor que determina; que uma das características da operação é que a remuneração da contratada é bem menor que a carga tributária que incide sobre remuneração de pessoas físicas e que essa operação, se não declarada ao fisco, resulta em sonegação fiscal. Conforme artigo 195 da Constituição Federal é tributável por meio de contribuição social a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 87DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14098.000438/200826 Acórdão n.º 240300.521 S2C4T3 Fl. 83 5 I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; Fl. 88DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)Grifo nosso n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 89DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14098.000438/200826 Acórdão n.º 240300.521 S2C4T3 Fl. 84 7 q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Embora a empresa alegue que não houve a habitualidade nos pagamentos, verificase que no período do lançamento, 03 a 12/2004, existem pagamentos nos meses 03, 04, 06, 07, 08, 09, 10, 11 e 12, o que configura sim a habitualidade. Não procede o argumento do recorrente de que os pagamentos por meio de premiação não constituem remuneração para os empregados, uma vez que já está pacificado na doutrina e jurisprudência que os prêmios pagos possuem natureza salarial. A definição de “prêmios” dada pela recorrente não se coaduna com a de verba indenizatória, mas, com a de parcelas suplementares pagas em razão do exercício de atividades, tendo o premiado alcançado resultados no exercício da atividade laboral. O ilustre professor Maurício Godinho Delgado, em seu livro “Curso de Direito do Trabalho”, 3º edição, editora LTr, pág. 747, assim referese ao assunto: (...) Fl. 90DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa.(...) O prêmio, na qualidade de constraprestação paga pelo empregador ao empregado, têm nítida feição salarial. (...) Claro é o posicionamento do STF, acerca da natureza salarial dos prêmios, posto o descrito na súmula 209, nestes termos: Súmula 209 – SalárioPrêmio, salário –produção. O salário produção, como outras modalidades de salário prêmio, é devido, desde que verificada a condição a que estiver subordinado, e não pode ser suprimido, unilateralmente, pelo empregador, quando pago com habitualidade. Os prêmios são considerados parcelas salariais suplementares, pagas em função do exercício de atividades atingindo determinadas condições. Neste sentido, adquirem caráter estritamente contraprestativo, ou seja, de um valor pago a mais, um acréscimo em função do alcance de metas e resultados Não tem por escopo indenizar despesas, ressarcir danos, mas, atribuir um incentivo ao empregado. Segundo o professor Amauri Marcaro Narcimento, em seu livro Manual do salário, Ed. Ltr, p. 334, nestas palavras “Prêmio é modalidade de salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como produtividade e eficiência. Os prêmios caracterizamse por seu aspecto condicional, sendo que uma vez instituídos e pagos com habitualidade não podem ser suprimidos .” Vale destacar ainda, que por se caracterizarem como remuneração, os prêmios devem, em regra, refletir no pagamento de todas as demais verbas trabalhistas, sejam elas: férias, 13º salário, repouso semanal remunerado, devendose observar a habitualidade dependendo da verba que se faça incidir. Pelo exposto o campo de incidência é delimitado pelo conceito remuneração. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado ou de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Cabe destacar nesse ponto, que os conceitos de salário e de remuneração não se confundem. Enquanto o primeiro é restrito à contraprestação do serviço devido e pago diretamente pelo empregador ao empregado, em virtude da relação de emprego; a remuneração é mais ampla, abrangendo o salário, com todos os componentes, e as gorjetas, pagas por terceiros. Assim nenhum dos argumentos apresentados pelo recorrente é capaz de afastar a regularidade do lançamento quanto a incidência de contribuições sobre os valores pagos por premiação. Fl. 91DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14098.000438/200826 Acórdão n.º 240300.521 S2C4T3 Fl. 85 9 Conclusão À vista do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 92DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 18088.000245/2009-26
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1402-000.237
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que os coobrigados sejam intimados da decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que os coobrigados sejam intimados da decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto Fl. 5106DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0221.10458.L2BP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18088.000245/200926 Resolução nº 1402000.237 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado foi apurada omissão de receitas para o segundo, o terceiro e o quarto trimestres de 2004 e para o primeiro trimestre de 2005. Para os três últimos trimestres de 2004 houve arbitramento do lucro, tendo em vista que o contribuinte não possui escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. Como conseqüência, foram lavrados autos de infração de IRPJ (fls. 0609), PIS (fls. 15 17), COFINS (fls. 2225) e CSLL (fls. 2932). Conforme descrito no "Termo de Conclusão de Procedimento Fiscal" de fls. 33 38, a ação fiscal foi desenvolvida no âmbito da chamada "Operação Grandes Lagos", que desbaratou uma organização criminosa, criada com o objetivo de fraudar a Administração Tributária, por meio da interposição de pessoas, físicas e jurídicas, com o objetivo de eximir os titulares de fato do pagamento de tributos. O FRIGORÍFICO DOM GLUTÃO LTDA (doravante apenas DOM GLUTÃO) foi constituído em 05/01/2004, tendo como sócios o Sr. Dirceu José Corte e a Sra.Ana Luiza Schefer Corte. Em 25/03/2004 as constas destes foram transferidas para seus filhos, Ruy Schefer Corte e Felipe Schefer Corte. Na 4' Alteração do Contrato Social, datada de 01/01/2007, constam como únicos sócios o Sr. Dedier Ribas Ferreira e o Sr. Dirceu José Corte. No relatório da Polícia Federal 'elaborado no curso das investigações conduzidas na "Operação Grandes Lagos" consta que a DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO PAULO LTDA (doravante apenas DISTRIBUIDORA) atua, na verdade, como distribuidora de notas fiscais, já que confecciona e vende notas fiscais a terceiros. Em 15/05/2008, foi publicado no DOU o Ato Declaratório executivo n° 53, por meio do qual o Delegado da DRF/SÃO JOSÉ DO RIO PRETO declara inapta a inscrição no CNPJ da DISTRIBUIDORA, com efeitos que valem a partir de 01/01/1999, de modo que são inidôneos os documentos emitidos por esta empresa desde então. Constatou a autoridade autuante que o DOM GLUTÃO utilizou notas fiscais da DISTRIBUIDORA para efetivar suas vendas. Em depoimento prestado na DRF/SÃO JOSÉ DO RIO PRETO, em 05/02/2007, a Sra. Ana Cláudia Valente Fioravante afirmou que trabalhou na DISTRIBUIDORA entre os anos de 1999 a 2006, exercendo, a partir de 2002, a função de faturista, vale dizer, era responsável pela emissão das'notas fiscais da empresa. Ela esclareceu que havia um sistema de códigos para a emissão de notas que identificavam o local do abate e o proprietário da carne. Confirmou, quando confrontada com uma relação de códigos extraída dos arquivos magnéticos apreendidos na DISTRIBUIDORA, que o código "72" era do DOM GLUTÃO na cidade de Ibitinga. Reconheceu, ademais, que o DOM GLUTÃO situase na Rodovia SP 331, km 51, pois mandava as notas fiscais para esse endereço. Ao examinar as notas fiscais a autoridade concluiu que nas de entrada esse código está preenchido, enquanto nas de saída não consta o código, tendo em vista que elas eram encaminhadas em branco para o DOM GLUTÃO preencher. A DISTRIBUIDORA adotava a prática, quando enviada notas fiscais em branco, de receber, após a utilização das notas, um arquivo para controle, no qual inseria o código Fl. 5107DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0221.10458.L2BP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18088.000245/200926 Resolução nº 1402000.237 S1C4T2 Fl. 3 3 do "cliente". Essa é a razão pela qual nas notas fiscais de vendas impressas não consta o código "72", mas no arquivo magnético há esta informação. Nos arquivos magnéticos apreendidos na DISTRIBUIDORA foi possível identificar todas as notas fiscais emitidas com o código "72", relativas às vendas efetuadas pelo DOM GLUTÃO. Esse fato foi confirmado em diversas diligências realizadas. A C L PAULISTA ALIMENTOS LTDA informou que todas as compras eram efetuadas via telefone com o representante do vendedor, Sr. Dedier. Apresentou cópias de Certificados Sanitários emitidas pelo Serviço de Inspeção Federal SIF 111 Ibitinga, nos quais consta como remetente e embarcador o DOM GLUTÃO. O transporte era efetuado pela TRANSPORTADORA DIRCEU LTDA e os pagamentos eram creditados na conta da D F COMÉRCIO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA e, em alguns casos, para a TAPEJARA INDÚSTRIA DE ALIMENTOS LTDA. A DISTRIBUIDORA enviava carta em papel timbrado autorizando o comprador a depositar o crédito nas contas bancárias das referidas empresas, mas verificase que o número do fax utilizado para o envio da carta de autorização coincide com o do DOM GLUTAO e a assinatura do representante da DISTRIBUIDORA é semelhante á do funcionário do DOM GLUTÃO, Sr. Ailton Dias. Também a NOVO RUMO COMÉRCIO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA e a PRODUTORA DE CHARQUE ROSARIAL LTDA seguiam esse esquema quanto aó transporte e aos pagamentos, havendo as mesmas coincidências relativamente às autorizações e assinaturas. A COUROADA COMERCIAL E REPRESENTAÇÕES LTDA informou que o contato era com o Sr. Dirceu, que atendia na Rodovia SP 331, Km. 51, Ibitinga/SP, mesmo endereço do DOM GLUTÃO. A BRASINHA COMÉRCIO DE CARNES LTDA informou que retirava os produtos no DOM GLUTÃO, à Rodovia SP 331, Km 51, Ibitinga/SP e os pagamentos eram feitos no escritório do frigorífico por meio de cheques. ALOÍSIO DE SOUZA PINTO ME informou que as compras eram efetuadas por telefone, sendo as mercadorias transportadas pela TRANSPORTADORA DIRCEU LTDA e o pagamento feito com boletos bancários, tendo como cedente DISTRIBUIDORA DE CARNES VALE DO MOGI LTDA. BRAMBILLA & CIA LTDA asseverou que os contatos eram feitos por telefone e o transporte era realizado pela TRANSPORTADORA DIRCEU LTDA, sendo o pagamento feito com boletos bancários, tendo como cedente DISTRIBUIDORA DE CARNES VALE DO MOGI LTDA. PAULO JOSE SALINA & CIA LTDA informou que os vendedores eram os senhores Dirceu José Corte e Dedier Ribas Ferreira, por meio de contatos telefônicos. Apresentou cartões de visita segundo os quais eles representavam o DOM GLUTÃO e o produtos saíam deste frigorífico, sendo os pagamentos efetuados mediante depósitos em conta da D F EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. A RP DE CAMPINAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES E DERIVADOS informou que as compras eram realizadas por telefone e o transporte era feito pela TRANSPORTADORA DIRCEU LTDA, sendo os pagamentos efetuados para a D F COM. EMP. PARTICIPAÇÕES LTDA. Fl. 5108DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0221.10458.L2BP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18088.000245/200926 Resolução nº 1402000.237 S1C4T2 Fl. 4 4 A P M DELBIN afirmou que as compras era feitas por telefone, o transporte era realizado pela TRANSPORTADORA DIRCEU LTDA e os pagamentos eram efetuados por meio de boletos bancários, constando como cedente a DISTRIBUIDORA DE CARNES VALE DO MOGI LTDA. Também foram realizadas diligências junto aos produtores rurais. José Villela de Andrade Neto informou que teve contato apenas com o Sr. Antonio Francisco Carmona, que visitava a fazenda e carregava o gado com o caminhão de placas BWS 8855 ou em caminhões da TRANSPORTADORA DIRCEU LTDA. Consta das notas fiscais de produtor o código "72" e a observação de que o abate era realizado no DOM GLUTÃO. O Sr. Leonésio de Freitas Carvalho afirmou que teve contato apenas com o Sr. Dirceu Curti, "salvo engano proprietário do Frigorífico Dom Glutão, com sede na Rodivia SP 331, Km 51". Informou que os abates eram realizados no DOM GLUTÃO, constando nas notas fiscais de entrada da DISTRIBUIDORA o código "72". Constatou a autoridade autuante que as empresas que recebiam os créditos relativos às notas fiscais da DISTRIBUIDORA utilizadas para comercializar produtos do DOM GLUTÃO têm vínculo com este. Os sócios da DISTRIBUIDORA DE CARNES VALE DO MOGI LTDA são os filhos do Sr. Dirceu José Corte, Ruy e Felipe S. Corte. Além disso, Dedier Ribas Ferreira é sócio da D F COM. EMP. E PART. LTDA. Finalmente, a TRANSPORTADORA DIRCEU LTDA consta das declarações de bens do anocalendário de 2004, 2005 e 2006 de Ruy Schefer Corte e Felipe Schefer Corte e no anocalendário de 2007 consta da declaração de bens de Dirceu José Corte e como vendida nas declarações daqueles. Constatouse, ademais, que a movimentação financeira das empresas que recebiam os créditos não guarda compatibilidade com as receitas declaradas. O contribuinte foi intimado, em 20/02/2009, a reconhecer as receitas relativas às notas fiscais emitidas em nome da DISTRIBUIDORA e a escriturar os livros Diário e Razão com inclusão dessas receitas, sob pena de arbitramento do lucro, bem como a informar, por escrito, a existência de custos e despesas operacionais não escrituradas. Solicitou prorrogação de prazo e, em 23/04/2009, solicitou autorização para retificar a declaração de IRPJ do anocalendário 2004. Foi informada de que após o início da ação fiscal não se admite a retificação de declaração, em razão da perda de espontaneidade. Tendo em vista a ausência de manifestação do contribuinte acerca dos elementos solicitados na intimação de 20/02/2009, as receitas de vendas efetuadas com notas fiscais em nome da DISTRIBUIDORA foram reputadas receitas omitidas. Para o ano calendário 2004 o contribuinte havia apresentado declaração de inatividade, e, em razão da falta de apresentação de livros e documentos, o lucro foi arbitrado. Para o ano calendário 2005 o contribuinte apurou imposto de renda com base no lucro real, razão pela qual os autos de infração foram lavrados com base nessa sistemática de tributação. Sobre os créditos tributários apurados foi aplicada multa qualificada em virtude da conduta fraudulenta do contribuinte, reportandose a autoridade autuante aos fatos narrados no "Termo de Constatação e Intimação Fiscal" de 20/02/2009, que demonstraram o propósito deliberado de fraudar ou sonegar. Os fatos narrados nesse "Termo" são os mesmos referidos no "Termo de Conclusão de Procedimento Fiscal" de fls. 3338 Foi atribuída responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados, com base no art. 124, I, do CTN, a Ruy Schefer Corte e Felipe Schefer Corte, pois à época dos fatos estes eram os proprietários do DOM GLUTÃO com poderes de administração. Na gestão deles, o contribuinte apresentou declaração de inatividade para o anocalendário 2004, mesmo tendo auferido receitas no período. Além disso, a empresa utilizou notas fiscais inidôneas da DISTRIBUIDORA e eles assinavam e Fl. 5109DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0221.10458.L2BP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18088.000245/200926 Resolução nº 1402000.237 S1C4T2 Fl. 5 5 controlavam as contas bancárias do frigorífico, conforme atestam as fichasproposta de abertura de conta/cartão de assinaturas — pessoa jurídica enviadas pelo Banco Bradesco. Conforme DIRPF do anocalendário 2004, eles eram sócios e receberam pró labore da DISTRIBUIDORA DE CARNES VALE DO MOGI LTDA e da TRANSPORTADORA DIRCEU LTDA, sendo a primeira receptora de recursos do DOM GLUTÃO e a segunda prestadora de serviços de transporte para este. Finalmente, receberam prólabore do DOM GLUTÃO no anocalendário 2005, conforme registrado no Livro Diário, sendo tais rendimentos informados na DIRPF do período. Os senhores Dirceu José Corte e Dedier Ribas Ferreira constam como "únicos sócios componentes e titulares da totalidade das quotas sociais da sociedade empresarial", consoante a 4' alteração do contrato social, datada de 01/01/2007. Conforme demonstram as diligências realizadas, estes apresentavamse como representantes do DOM GLUTÃO e receberam recursos do esquema de notas fiscais inidôneas por meio da D F COM. EMP. E PART. LTDA, da TRANSPORTADORA DIRCEU e da DISTRIBUIDORA DE CARNES VALE DO MOGI. Portanto, também a eles foi atribuída responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados, com base no art. 124, I, do CIN. Inconformados, apresentaram impugnações o DOM GLUTÃO (fls. 1329 1366), o Sr. Dirceu José Corte (fls. 13681386), o Sr. Felipe Schefer Corte (fls. 13881409), o Sr. Ruy Schefer Corte (fls. 14131434) e o Sr. Dedier Ribas Ferreira (fls. 14361457). No recurso apresentado pelo DOM GLUTÃO são deduzidas as alegações a seguir resumidamente discriminadas: Tece o contribuinte extensas considerações acerca dos princípios constitucionais, da hierarquia das normas e dos princípios do devido processo legal e do contraditório e ampla defesa, com fartas citações doutrinárias, para concluir que houve cerceamento ao direito de defesa, pois a autoridade valeuse de informações unilaterais de terceiros, não constantes da cópia do lançamento encaminhado ao contribuinte, chegandose à presumida conclusão de que o código 72 utilizado nas notas fiscais da DISTRIBUIDORA pertence ao DOM GLUTÃO. Não foram descritos claramente os fundamentos do lançamento, pois junto dele não foram encaminhadas: I cópia da relação de notas fiscais utilizadas; IIcópia das declarações unilaterais de terceiros e sem a participação do contribuinte, que levaram à conclusão presumida; III— descrição e provas de que os supostos destinatários das mercadorias comercializadas pela DISTRIBUIDORA as compraram do DOM GLUTÃO e pagaram o preço; IV a descrição exata de quais foram as notas fiscais utilizadas para o arbitramento. A análise do lançamento demonstra que houve apenas a elaboração de uma planilha genérica com a base de cálculo total. Esta planilha não espelha o auto de infração lavrado, já que neste a base de cálculo foi apurada para o trimestre de 2005 (março), enquanto na planilha há um total atribuído ao mês de janeiro de 2005. A própria fiscalização confirma que não houve envio dos documentos que dão suporte aos autos de infração ao afirmar que o contribuinte pode solicitar vista e cópia do processo administrativo. Tais vícios trazem prejuízo insanável ao exercício do direito de defesa. Cita decisões do Conselho de Contribuintes em abono a seus argumentos. Foi violado o art. 10 do Decreto 70.235/1972, pois o auto de infração foi lavrado em São José do Rio Preto/SP e a infração apontada teria ocorrido em Ibitinga/SP, de modo que a lavratura deveria ocorrer em Ibitinga, pela Agência da Receita Federal, ou em Araraquara/SP, Delegacia da Receita Federal à qual está subordinada Agência de Ibitinga. Portanto, é nulo o lançamento. Fl. 5110DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0221.10458.L2BP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18088.000245/200926 Resolução nº 1402000.237 S1C4T2 Fl. 6 6 Cabe à autoridade administrativa o ônus da prova da ocorrência do fato gerador. As supostas notas fiscais da DISTRIBUIDORA imputadas ao DOM GLUTÃO não foram por ele utilizadas. Nenhum desses supostos documentos foram localizados na empresa e inexiste demonstração de que as movimentações do DOM GLUTÃO se relacionam com eles. A empregada da DISTRIBUIDORA que atribui ao DOM GLUTÃO o suposto código 72 tem interesse em sustentar que aquela empresa não é titular do faturamento indicado nas notas fiscais, pois, do contrário, toda a tributação recairia sobre a DISTRIBUIDORA. Assim, sua declaração não tem qualquer valor. Ademais, o depoimento foi colhido de forma unilateral, sem contraditório. Quanto às informações unilaterais e sem contraditório prestadas por supostos compradores, incumbe à Receita Federal comprovar a efetiva comercialização entre eles e o DOM GLUTÃO, discriminando todas as operações e vinculandoas às notas fiscais de terceiros. Além disso, devem os supostos compradores apresentar provas dos negócios com notas fiscais, comprovação do recebimento da mercadoria e dos pagamentos. Todos esses elementos devem ter total vinculação com o DOM GLUTÃO. Não há prova da receita utilizada para arbitrar o lucro. A autoridade valeuse de notas fiscais de uma terceira pessoa jurídica, atribuindoas ao DOM GLUTÃO com base em depoimentos de uma empregada da DISTRIBUIDORA. Não há receita conhecida, de modo que não é aplicável o art. 530 do RIR. O art. 535 contempla outras possibilidades de arbitramento, quando não conhecida a receita bruta. A receita bruta não pode ser presumida. A suposta utilização de supostas notas fiscais está fundada em provas frágeis, não havendo previsão legal de presunção de omissão de receitas a ser aplicada. Caberia ao Fisco realizar o arbitramento com fundamento no art. 535 do RIR, que trata da hipótese de receita não conhecida, caso entendesse que deveria existir lançamento. A aplicação de presunção em matéria tributária é medida de exceção, deve estar prevista em lei e haver razão plausível e necessária para sua instituição. Sua interpretação é restritiva e sua aplicação é cabível apenas havendo previsão legal expressa. Não há previsão legal para tributar pelo CSLL, pelo PIS e pela COFINS receitas omitidas presumidas, por falta de previsão legal para tanto. Antes da edição da Emenda Constitucional n° 20/1998, o art. 195, I, da Constituição Federal autorizava a instituição de contribuição à seguridade social incidente, estritamente, sobre o faturamento, o lucro e a folha de salários. Faturamento, tal como previsto na legislação do imposto de renda, é o resultado o produto da venda de mercadorias e/ou de serviços. Tal conceito foi adotado pelo STF em vários julgados. Assim, é inconstitucional o art. 3° da Lei n° 9.718/1998 ao tentar fazer a COFINS incidir sobre a totalidade das receitas operacionais. Esta Lei é anterior à Emenda Constitucional n° 20/1998, de modo que esta não validou aquela. A definição de receita bruta prevista no art. 3° da Lei n° 9.718/1998 configura nova fonte de custeio da seguridade social e, como tal, deveria ocorrer via lei complementar, nos termos do art. 195, § 4°, c/c art. 154, I, da Constituição Federal. O art. 110 do CTN veda a ampliação da definição, do conteúdo ou do alcance de institutos de direito privado utilizados pela Lei Maior na atribuição de competências tributárias, razão pela qual é descabida a ampliação do conceito de faturamento. Tal entendimento foi acolhido pelo STF no julgamento do RE 357.950/RS e do RE 346.084/PR. Também é inconstitucional a majoração da alíquota da COFINS para 3%, promovida pelo art. 8º da Lei n° 9.718/1998, por ofensa ao princípio da isonomia, pois o contribuinte que não apurar lucro ficará submetido á alíquota de 3%, enquanto o contribuinte que auferir lucro estará sujeito à alíquota de 2%, dada a possibilidade de compensação de 1% com a CSLL. Tal discriminação não possui qualquer pertinência lógica. Finalmente, pelo Fl. 5111DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0221.10458.L2BP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18088.000245/200926 Resolução nº 1402000.237 S1C4T2 Fl. 7 7 princípio da hierarquia das leis, não pode a Lei n° 9.718/1998 revogar a Lei Complementar n° 70/1991. Alega o contribuinte que tampouco o ICMS pode ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, pois não configura faturamento e não tem relação com o conceito de receita. Há inclusive decisões judiciais acolhendo tal entendimento. O art. 161, § 1% do CTN autoriza a definição de taxa de juros diversa de 1% ao mês. Esta norma deve ser interpretada como limite máximo para as taxas de juros moratórios, de modo que é descabida a aplicação da taxa Selic, prevista em norma de patamar de lei ordinária. O art. 161, § 1% do CTN não pode, ademais, ser interpretado no sentido de que a lei que regulamente a matéria pode delegar a quantificação dos juros a órgão da administração federal, que é parte interessada na cobrança do tributo. As multas aplicadas, no montante de 150% do tributo apurado, ofendem os princípios da razoabilidade ou proporcionalidade e da proibição do confisco, previstos na Constituição Federal, razão pela qual devem ser reduzidas, no mínimo, ao patamar de 20%, de conformidade com o art. 61, § 2% da Lei n° 9.430/1996. Ao menos, há que se reduziIas para 75%, uma vez que não se justifica a aplicação de multa qualificada por força de omissão de receitas relativas aos depósitos bancários. Não houve dolo, apenas omissão de receitas apuradas a parti de depósitos bancários de origem não comprovada. Ademais, a autoridade somente descreveu texto abstrato da lei, sem apontar quais foram as condutas realizadas que configurariam os tipos legais. Por fim, pede que seja julgado improcedente o lançamento e, caso assim não se entenda, requer a baixa dos autos para diligência, pelo princípio da verdade material. Na impugnação apresentada pelos senhores Dirceu José Corte, Felipe Schefer Corte, Ruy Schefer Corte e Dedier Ribas Ferreira são argüidos os seguintes argumentos: Foi apresentado extenso arrazoado versando sobre os princípios da supremacia da Constituição, do devido processo legal e do contraditório e ampla defesa, com várias citações doutrinárias, para concluir que houve violação ao princípio do devido processo legal, pois a responsabilidade tributária não consta do auto de infração lavrado, havendo menção a ela apenas do relatório fiscal. Afirma que o lançamento, regularmente notificado, é ato obrigatório para a constituição do crédito tributário, seja contra o contribuinte ou contra o responsável. Cita precedente do STJ no sentido de que o responsável solidário deve constar do lançamento, em respeito ao princípio do contraditório e da ampla defesa. Reitera que a atribuição de responsabilidade foi irregular, pois não consta do auto de infração lavrado, havendo apenas citação no relatório fiscal. As pessoas físicas e jurídicas têm personalidades jurídicas distintas. Não se deve confundir a pessoa jurídica com seus sócios. O art. 124, I, do CTN contempla a atribuição de responsabilidade solidária pelo crédito tributário àquele que tiver interesse comum na situação que constitua o fato gerador. A prova do interesse comum e ônus da Administração, que não pode se pautar por meros indícios ou presunções. "O auto de infração encaminhado, sern qualquer documentação, inclusive, inviabilizando o pleno exercício do direito de defesa, em momento algum aponta fatos concretos e documentais que apresentariam a vinculação direta com o fato gerador dos tributos exigidos da pessoa jurídica." Inexiste qualquer situação que configure o interesse Fl. 5112DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0221.10458.L2BP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18088.000245/200926 Resolução nº 1402000.237 S1C4T2 Fl. 8 8 comum na constituição do fato gerador dos créditos tributários descritos. A atribuição de responsabilidade solidária com base no art. 124, I, do CTN só pode se dar aos participantes do fato gerador. O interesse comum referido pela norma não é um interesse meramente de fato, mas um interesse jurídico, não devendo as pessoas partícipes do fato gerador estar em situação oposta no ato, fato ou relação negocial, conforme reconhecem a doutrina e a jurisprudência. Tais requisitos não estão presentes na situação de que trata o presente processo administrativo, de modo que é descabida a atribuição de responsabilidade solidária. Presumese, no lançamento realizado, que as notas fiscais da DISTRIBUIDORA são da DOM GLUTÃO. Não se pode atribuir responsabilidade solidária por práticas realizadas por outra pessoa jurídica, sem descrição exata e comprovação dos fatos. O art. 135, III, do CTN autoriza a atribuição de responsabilidade pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos aos diretores, gerentes ou representantes de pessoa jurídica de direito privado. Portanto, apenas os atos de gestão em virtude dos quais a pessoa jurídica se tornou insolvente e praticados com infração à lei, ao contrato ou estatuto social podem ensejar atribuição de responsabilidade. O simples inadimplemento não configura infração à lei, pois interpretação nesse sentido transformaria a exceção em regra. Deve estar presente o elemento subjetivo da conduto, qual seja, máfé, conluio, fraudo ou dolo. Tal elemento não foi comprovado nos autos. Sequer há inadimplemento do contribuinte, pois se trata de eventual inadimplemento de terceira pessoa jurídica. Por fim, pedem que seja julgado improcedente o lançamento no tocante à atribuição de responsabilidade tributária. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto – SP prolatou o Acórdão 1431.825 (sessão de 06/12/2010) considerando totalmente improcedente a impugnação, em decisão consubstanciada na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005 LOCAL DA LAVRATURA AUTORIDADE COMPETENTE PROCEDIMENTO INQUISITÓRIO EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA UTILIZAÇÃO DE NOTAS FISCAIS "FRIAS" PRESUNÇÃO SELIC MULTA QUALIFICADA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A lavratura do auto de infração na repartição não é vedada pela lei. É permitida a lavratura de auto de infração por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil lotado em unidade diversa daquela a que está subordinado o contribuinte. A ação fiscal é procedimento inquisitório até que o contribuinte seja intimado de eventual auto de infração lavrado, quando se abre a possibilidade de impugnar o lançamento, garantindose o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, inclusive com acesso ao processo administrativo e às provas produzidas. A utilização de notas fiscais "frias" emitidas por terceiros caracteriza omissão de receitas, não havendo que se falar, nesta hipótese, em aplicação de presunção. Juros moratórios calculados com base na taxa Selic, nos termos da lei. É cabível a aplicação de multa qualificada quando ficar caracterizado o dolo. É Fl. 5113DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0221.10458.L2BP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18088.000245/200926 Resolução nº 1402000.237 S1C4T2 Fl. 9 9 responsável solidário pelo crédito tributário lançado aquele que tiver interesse comum na situação que constituiu o fato gerador apurado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03!2005 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 3 1/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004, 31/01/2005. AUTO REFLEXO – INCONSTITUCIONALIDADE Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. Falece competência à autoridade administrativa para apreciar alegações de inconstitucional idade de lei ou ato normativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2004 AUTO REFLEXO INCONSTITUCIONALIDADE Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. Falece competência à autoridade administrativa para apreciar alegações de inconstituci onalidade de lei ou ato normativo. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário a este Colegiado, transcrevendo as razões de impugnação em sua integralidade. É o Relatório. Fl. 5114DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0221.10458.L2BP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18088.000245/200926 Resolução nº 1402000.237 S1C4T2 Fl. 10 10 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO Pelo exame dos autos, constatase que os coobrigados não foram intimados da decisão de primeira instância, o que representa vício processual a merecer saneamento. Sendo assim, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, com encaminhamento dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara – SP, a fim de que os responsáveis solidários sejam formalmente cientificados da decisão do Órgão julgador de primeira instância (DRJ) com abertura de prazo para apresentação de recurso voluntário. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 5115DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0221.10458.L2BP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por LEONARDO DE ANDRADE COUTO em 21/02/2014 11:54:00. Documento autenticado digitalmente por LEONARDO DE ANDRADE COUTO em 21/02/2014. Documento assinado digitalmente por: LEONARDO DE ANDRADE COUTO em 21/02/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 22/02/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP22.0221.10458.L2BP Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 442CEA8E82376FE43B22752F5A1639BF22C9D609 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 18088.000245/2009-26. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13971.001340/2005-35
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1801-000.382
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência do julgamento para a Segunda Seção do CARF, em razão da matéria, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: NELSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência do julgamento para a Segunda Seção do CARF, em razão da matéria, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório BUNGE ALIMENTOS, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 0712.565, da DRJ Florianópolis, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .0 01 34 0/ 20 05 -3 5 Fl. 263DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0221.15267.064X. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13971.001340/200535 Resolução nº 1801000.382 S1TE01 Fl. 264 2 O recorrente apresentou à Receita Federal do Brasil a declaração de compensação de nº 2824.91463.300703.1.3.026613 (fl. 3), que não foi homologada por aquele órgão, nos termos do despacho decisório de fl. 226, que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. Ano Calendário 1999. Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IRRF SOBRE DIVIDENDOS. TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO REAL. 0 imposto de renda na fonte, incidente sobre os lucros e dividendos distribuídos com base nos resultados apurados no período de 01/01/94 a 31/12/95, será considerado como antecipação compensável somente com o imposto de renda que a pessoa jurídica beneficiária, tributada com base no lucro real, tiver de recolher relativo distribuição de lucros e dividendos, sendo definitivo nos demais casos. CRÉDITO IMPROCEDENTE As circunstâncias que levaram a essa decisão foram assim resumidas no relatório da decisão recorrida (fl. 251): Por meio do Despacho Decisório constante As folhas 177 a 181, foi considerada não homologada a Declaração de Compensação DCOMP n° 02824.91463.300703.1.3.02 6613, transmitida em 30/07/2003, cujo crédito, conforme informado pela contribuinte, seria referente a saldo negativo do imposto de renda pessoa jurídica — IRPJ, apurado no anocalendário 1999, no valor original de R$ 81.763,50. Referido crédito foi utilizado para compensar débito de contribuição social sobre o lucro liquido — CSLL. Intimada a comprovar o citado crédito, a empresa informou (f. 82) tratarse de "IRRF relativo ao anocalendário de 1999, incidente sobre dividendos relativos a lucros apurados em 1994 e recebidos pela Santista Alimentos S/A, (incorporada pela Bunge Alimentos S/A) em 1999". Em consulta A fundamentação constante no referido despacho, a autoridade recorrida reportase A Lei n° 8.849/94, alterada pela Lei n° 9.064/95, que dispôs acerca dos dividendos e lucros apurados a partir de 10 de janeiro de 1994, pagos a sócios ou acionistas domiciliados no pais: Art. 2° Os dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, quando pagos ou creditados a pessoas físicas ou jurídicas, residentes ou domiciliadas no Pais, esteio sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte a alíquota de quinze por cento. §1º 0 imposto descontado na forma deste artigo será: a) deduzido do imposto devido na declaração de ajuste anual do beneficiário pessoa física, assegurada a opção pela tributação exclusiva; Fl. 264DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0221.15267.064X. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13971.001340/200535 Resolução nº 1801000.382 S1TE01 Fl. 265 3 b) considerado como antecipação, sujeita a correção monetária, compensável com o imposto de renda que a pessoa jurídica beneficiária, tributada com base no lucro real, tiver de recolher relativo à distribuição de dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses; c) definitivo, nos demais casos. §2° A compensação a que se refere a alínea b do parágrafo anterior poderá ser efetuada com o imposto de renda, que a pessoa jurídica tiver que recolher, relativo à retenção na fonte sobre a distribuição de lucros ou dividendos a beneficiário residente ou domiciliado no exterior. [...] §4° A incidência prevista neste artigo alcança, exclusivamente, a distribuição de lucros apurados na escrituração comercial por pessoa jurídica tributada com base no lucro real. Foi invocado também o art. 10 da Lei n° 9.249/95, que dispôs sobre a isenção de lucros ou dividendos distribuídos a partir de 1° de janeiro de 1996: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos a incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no Pais ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Com fundamento nestes dispositivos, a autoridade recorrida concluiu que a "requerente não faz jus à compensação do valor do imposto que teria sido retido sobre os dividendos recebidos pela mesma, com débitos de tributos e contribuições federais, uma vez que o referido valor somente poderia ter sido compensado com o imposto de renda devido por esta quando da distribuição de lucros e dividendos a seus sócios ou acionistas, sendo definitiva a tributação nos demais casos, de acordo com a legislação supra". Irresignada com o feito fiscal, encaminhou a contribuinte, por meio de seu procurador, manifestação de inconformidade de f. 186 a 188, na qual alega que: No que tange ao período de 31/12/1994 a 31/12/1995, afirmou que não caberia a restituição por conta da vedação legal nesse sentido — art. 2° e §§ da Lei n°8849/94, com a alteração pela Lei n°9064/95. Fl. 265DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0221.15267.064X. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13971.001340/200535 Resolução nº 1801000.382 S1TE01 Fl. 266 4 Nesse sentido, deixou de fundamentar que, na impossibilidade decretada de compensar o crédito pleiteado com outros tributos, ou mesmo sua transferência, o mesmo deverá ser novamente levado a registro nos seus Livros Fiscais para fins de compensação com valores de IRRF decorrentes de distribuição de lucros, juros sobre capital próprio e dividendos a serem realizados no futuro. DO PEDIDO Ante o sobejamente exposto na presente manifestação, REQUER se digne V. Sa. julgála totalmente procedente a fim de reformar o Despacho impugnado, bem assim esclarecendo e autorizando o registro do crédito de IRRF retido no período de 31/12/1994 a 31/12/1995, para compensação com IRRF a pagar em futuras distribuições de lucros, juros sobre capital próprio e dividendos, por ser medida de direito e de JUSTIÇA. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, entendendo que o IRRF em razão de distribuição de lucros não gera crédito passível de compensar débito de CSLL, fazendo coro com o despacho decisório da DRF. A decisão adotou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Anocalendário: 1999 IRRF NA DISTRIBUIÇÃO DE DIVIDENDOS. COMPENSAÇÃO. 0 imposto de renda retido na fonte incidente sobre dividendos recebidos por pessoa jurídica tributada com base no lucro real e advindos de lucros apurados entre 10 de janeiro de 1994 e 31 de dezembro de 1995 somente são passíveis de compensação nas hipóteses estabelecidas na legislação. Afora essas hipóteses, o imposto retido é considerado definitivo, sendo incabível sua restituição ou compensação. Cientificado dessa decisão em 03/06/2008, por meio de remessa postal (fl. 256), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 257), em 03/07/2008, em que reafirma os argumentos apresentados na sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. Inicialmente, devese apontar que consta nos autos três declarações de compensação (fls. 3/16). Todavia, duas delas foram tratadas em outros processos, restando apenas a DCOMP nº 2824.91463.300703.1.3.026613 como objeto da presente lide. Conforme declarado na referida DCOMP, o contribuinte apontou um indébito de saldo negativo de IRPJ do ano 1999 e pretende extinguir um débito de CSLL. Todavia, ao Fl. 266DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0221.15267.064X. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13971.001340/200535 Resolução nº 1801000.382 S1TE01 Fl. 267 5 demonstrar esse saldo negativo, aponta apenas uma retenção na fonte de IRPJ de código “0924 Ficart e Demais Rendimentos de Capital (daytrade)”. O contribuinte foi intimado para esclarecer qual a origem do referido crédito (fl. 79), ao qual apresentou a seguinte resposta (fl. 84): 0 crédito utilizado na DCOMP nº 02824.91463.300703.1.3.026613 se refere a IRRF relativo ao anocalendário de 1999, incidente sobre dividendos relativos a lucros apurados em 1994.e recebidos pela Santista Alimentos S/A (incorporada pela Bunge Alimentos S/A) em 1999. A DRF entendeu que essa antecipação do IRPJ não poderia ser levada ao saldo negativo e passou a considerála como pagamento. Nesse liame, entendeu que esse pagamento não poderia ser utilizado em uma compensação para quitar débito de CSLL. Em sua defesa, o contribuinte não questiona a impossibilidade de levar o pagamento ao saldo negativo, mas combate a proibição de sua utilização para compensar CSLL. Portanto, a questão que se apresenta tem por objeto a verificação da possibilidade de utilização de valor pago a título de IRRF para quitar débito de CSLL. Assim, considerando o que dispõe o art. 3°, II, do anexo II do Regimento Interno do CARF, abaixo transcrito, entendo que o presente processo deve ser apreciado pela 2ª Seção de Julgamento: Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF); II Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); III Imposto Territorial Rural (ITR); IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; e V penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo. Destarte, proponho a devolução deste processo ao SECOJ e posterior distribuição para a Segunda Seção de Julgamento do CARF. (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 267DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0221.15267.064X. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE em 10/02/2015 13:37:00. Documento autenticado digitalmente por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE em 10/02/2015. Documento assinado digitalmente por: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH em 10/02/2015 e NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE em 10/02/2015. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 23/02/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP23.0221.15267.064X Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 09C51ACE81D57A0FA1756118E45E4BE69C82E0C4 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13971.001340/2005-35. 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Numero do processo: 13820.000433/2006-57
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 19 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1801-000.028
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o
julgamento em diligência. Vencida a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva (Relatora) e a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, que negavam provimento ao recurso. Designada a Conselheira Ana de Barros Fernandes para redigir os termos da resolução.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencida a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva (Relatora) e a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, que negavam provimento ao recurso. Designada a Conselheira Ana de Barros Fernandes para redigir os termos da resolução. I, ANA DE BARROS FERNANDES — Presidente e Redatora Designada CARMEN FERREIRA SARAIVA - Relatora. , 2iEDITADO EM: .1 2 A (1 O o. , Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Rarnirez, André Almeida Blanco e Ana de Barros Fernandes, Ausente momentaneamente o Conselheiro Rogério Garcia Peres. 1 Processo n" 13820.0004.33/2006-57 514E01 Resoluçào ii " 1801-00,.028 H. 4.3 RELATÓRIO A Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples foi excluída de oficio pelo Ato Declaratório Executivo DRF/SAE/SP n° .569,708, de 02 de agosto de 2004, fl. 23, com efeitos a partir de 01/01/2002, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: Data da opção pelo Simples: 01/01/2001 Situação excludente.. (evento 306): Descrição: atividade econômica vedada: 2962-9/02 Instalação, reparação e manutenção de máquinas e equipamentos para as indústrias alimentai .; de bebida e fumo Data da ocorrência: 01/01/2001 Fundamentação legal. Lei n" 9.317, de 05/12/1996 art. 9", XIII; art. 12, art. 14, I; ar! 15, II Medida Provisória n" 2.158-34, de 27/07/2001. art. 73. Instrução .Normativa SRF n" 355, de 29/08/2003: art. 20, XII; art. 21; art 23, I; art. 24, II, c/c parágrafo único A empresa manifestou-se contrariamente ao procedimento, apresentando a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples — SRS, com pedido de revisão do ato em rito sumário. Em conformidade com o Despacho Decisório, fl. 25, as informações relativas à opção pelo Simples foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Cientificada em 12/04/2006, fL 24, ela apresentou a manifestação de inconformidade em 12/05/2006, fls. 01/08. Diz que os argumentos indicados na SRS não furam devidamente analisados no Despacho Decisório., Acrescenta que exerce atividades que permitem a opção pelo Simples de "prestação de serviço de assistência técnica regular para um conjunto de máquinas e equipamentos industriais" ou seja, "indústria e comércio de máquinas e estr aturas metálicas, restauração de máquinas e equipamentos industriais". Suscita que [./ os serviços que presta são, via de regra, por conta de suas vendas, sejam industriais ou comerciais, contudo, o erro na classificação do CNAE, não se afigura suficientemente capaz para sustentar sua exclusão do SIMPLES [ .1 Assim sendo, com o intuito de melhor comprovar nossas alegações acima, anexamos planilha de todas as Notas Fiscais (doc.. 06), desde a data da exclusão, até dezembro de 2005 e, também, as Declarações .firmadas pelos únicos dois clientes das prestações de serviços- (docs. 04 e 05), onde podemos verificar que o contribuinte além da venda de máquinas e estitauras metálicas, prestava assistência técnica aos seus clientes. 2 Processo n° 13820.000433/2006-57 Si-TE01 Resolução n ° 1801-00,028 Fl 44 ri De outra .face, mesmo que mantida a exchtsão da empresa do SIMPLES; somente a titulo de argumentação, é que manifestamos, também, nossa inconformidade quanto a retroatividade da data da exclusão ri Assim, caso mantida a sua exclusão, deverá esta ter efeitos a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão, que, no caso, se deu com a Comunicação do Ato Declamatório emitido pela Autoridade local, ciência sos 27/08/2004 (ar t. 12 c/c §3" do art. 15 da Lei 9317/96), pois o art. 106 do Código Tributário Nacional, não permite a retroatividade da lei nesse caso. ri Por tudo o quanto .foi exposto, é a presente para requerer o afastamento da exclusão da empresa do regime do SIMPLES, ou, subsidiariamente, caso mantida a exclusão, o que não aceitamos por poder ela ser optante do SIMPLES, conforme demonstramos, requeremos que a exclusão se dê nos termos do inciso II do artigo 15 da Lei 9317/96, com a redação dada pela Lei 973.2/98, ou .seja, a partir da notificação da exclusão (27/08/2004), tudo isso por ser medida de Direito e também de Justiça. Está registrado como resultado do Acórdão da 1" TURMA/DRJ/CAMPINAS/SP if 05-18.679, de 07/08/2007, fls.. 26/29: "Solicitação Indefèrida", Restou esclarecido que CIRCUNSTÁNCIAS IMPEDITIVAS DE INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES O exercício de atividade que pressupõe o domínio de conhecimento técnico-cientifico próprio de profissional da engenharia é circunstância que impede o ingresso ou a permanência no Simples. EXCLUSÃO RETROATIVIDADE.. A exclusão do Simples pode operar efeitos retroativos â data da situação impeditiva. [7 Constata-se, portanto, que as aludidas instruções normativas, ao .fixarem a data de início dos efeitos da exclusão, bem conjugaram as disposições da Medida Provisória a' 2.1.58-34, de 2001, que passou a autorizar a exclusão com efeitos retroativos, com a previsão do art .20 da Lei no 9 784, de 1,999, que determina à Administração a observância do principio da segurança jurídica. [7 Fixado esse parâmetro de verdade, tem-se que o presente Contribuinte exerce/exerceu, no que interessa como critério decisivo ao pleito e à época em que indicada como de ocorrência do evento impeditivo (26/03/2001, data de alteração do objeto social; fl.23), a atividade de "restauração de máquinas e equipamentos industriais". 3 Processo n" 1.3820.000433/2006-57 S1-1 EM Resolução n " 1801-00.928 Fl 45 Vai daí que, a partir da conclusão retro, não é possível dizer, peremptoriamente, que o Contribuinte, ao exercer sua atividade, prescinde de conhecimento técnico-científico próprio de profissional de engenharia (Lei n° 9.317/96, art. 9°, inciso XIII), isto para o desempenho do(s) serviço(s) retro mencionado(s) Notificada em 27/08/2007, fi, 31, a Recorrente apresentou o recurso voluntário, fls. 32/39, em 26/09/2007, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade.. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados junto à primeira instância de julgamento ressaltando que o erro no cadastramento de sua atividade junto à RFB, Esclarece que a prestação de serviços é decorrente de suas operações comerciais. Argúi que Há, nos autos, planilha de todas as Notas Fiscais, desde a data da exclusão, até dezembro de 2005 e, também, as Declarações _firmadas pelos únicos dois clientes das prestações de serviços, .fls., onde podemos verificar que o contribuinte além da venda de máquinas e estruturas metálicas, prestava assistência técnica aos seus clientes A prestação de serviços de assistência técnica não está vedada ao SIMPLES, até mesmo . fazendo unia interpretação conjunta com o art 647, §1 0 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, que determina a incidência do imposto de renda na fonte, quando da prestação de serviços caracterizadamente de natureza profissional Então, temos que o iç'.1° do art. 647, do RIR/99 nos dá parâmetros para interpretar o termo "assemelhados" constante do ar! 9, XIII da Lei 9.317/96, excluindo, expressamente "o serviço de assistência técnica prestado a terceiros e concernente a ramo ate indústria ou comércio explorado pelo prestador do serviço", do rol de serviços de profissões regulamentadas' ou assemelhadas Desse modo, os serviços de Assistência Técnica não seriam de natureza profissional e, por isso não seriam, também, assemelhados aos de quaisquer profissão legalmente regulamentada, não estando, portanto, vedada a opção da empresa ao SIMPLES De atara face, mesmo que mantida a exclusão da empresa tio SIMPLES, somente a titulo de argumentação, é que manifestamos, também nossa inconformidade quanto a retroatividade da data da exclusão.. Com o objetivo de fundamentar seus argumentos, interpreta a legislação que rege a questão litigiosa, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e cita entendimentos da jurisprudência judicial e administrativa. Em face do exposto requer o deferimento de sua solicitação. É o Relatório. 4 Processo TI' 13820 000433/2006-57 SI-TE01 Resolução n ° 1801-0a,028 EL 46 VOTO ANA DE BARROS FERNANDES — Redatora Designada O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. Compulsando os presentes autos, constato que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. É fato notório que a recorrente se dedica à "prestação de serviço de assistência técnica regular para um conjunto de máquinas e equipamentos industriais" ou seja, "indústria e comércio de máquinas e estruturas metálicas, restauração de máquinas e equipamentos industriais". A Recorrente discorda do procedimento de oficio. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições, estabelecido em cumprimento ao que determina o disposto no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. A Lei n° 9.317, de 1996, fixa: Art. 9" Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica.: XIII - que preste serviços profissionais de corretor; representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor; estatístico, administrador; programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, .jornalista, publicitário, fiskultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida, O referido diploma legal impede a opção pelo Simples por parte das pessoas jurídicas: - que prestem os serviços profissionais expressamente listados; - que prestem os serviços profissionais assemelhados àqueles expressamente listados; - que prestem serviços profissionais não expressamente listados, cujo exercício dependa de habilitação legalmente exigida. A norma de regência adota a interpretação analógica que abrange casos semelhantes por ela regulados e não a analogia, que é uma forma de integração de normas para suprir lacunas. s Processo n" 13820 000433/2006-57 Si4 Resolução n " 1801-00.02$ El 47 A Lei if 10.964, de 28 de outubro de 2004, alterada pela Lei 11.051, de 29 de dezembro de 2004, determina: Art 4° Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do ar! 92 da Lei n2 9.317, de .5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: [ V — serviços de manutenção e reparação de aparelhos eletrodomésticos. §- I" Fica assegurada a permanência no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, com efeitos retroativos à data de opção da empresa, das pessoas jurídicas de que trata o capta deste artigo que tenham feito a opção pelo sistema em data anterior à publicação desta Lei, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. Por seu turno, a Lei n° 5,194, de 1996, prevê: Art. 7" As atividades e atribuições profissionais do engenheiro, do arquiteto e do engenheiro-agrônomo consistem em: a) desempenho de cargos, funções e comissões em entidades estatais, para estatais, autárquicas, de economia mista e privada; b) planejamento ou projeto, em geral, de regiões, zonas, cidades, obras, estruturas, transportes, explorações de recursos naturais e desenvolvimento da produção industrial e agropecuária; c) estudos, projetos, análises, avaliações, vistorias, perícias, pareceres e divulgação técnica,' d) ensino, pesquisas, experimentação e ensaios; e) fiscalização de obras e serviços técnicos; .1) direção de obras e serviços técnicos; g) execução de obras e serviços técnicos; h) produção técnica especializada, industrial ou agro-pecuária. A hipótese de indefelimento da opção da requerente pelo Simples com efeito desde 01/01/2002 fundamentada na manutenção e reparação de sistemas de telecomunicação e semelhantes é assemelhada à prestação de serviço profissional de engenheiro e pressupõe a obtenção de receita proveniente da atividade vedada, qualquer que seja a sua proporção em relação à totalidade auferida pela pessoa jurídica. No Contrato Social registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo, fls. 10/13, consta 6 Processo n° 13820.000433/2006-57 Si-TE01 Resolução o.' 1801-00,028 Fl 48 O objeto da .sociedade será indústria e comércio de máquinas e estruturas metálicas, restauração de máquinas e equipamentos industriais. A pessoa jurídica Brastak Soldas Especiais Ltda declarou, fl 15: BRASTAK SOLDAS ESPECIAIS LTDA, inscrita no CNPJ sob n° 44.196.327/0001-56, I situado na Av. Industrial, 1255 - Santo André: SP, declara para os devidos .fins, que a empresa 11113 SER VICES INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, CNPJ n° 0.2.263.041/0001-04, localizada na Rua Piauí n° 638, sala 06, São Caetano do Sul — SP, de setembro de 2001 até o presente momento, presta-nos serviços de assistência técnica em nossas máquinas do ativo imobilizado, inclusive as adquiridas da própria empresa, não havendo contrato escrito para tanto. Outra pessoa jurídica 'brame Indústria Brasileira de Metais S/A assim se manifestou, fl. 16: DECLARAMOS para os devidos fins, que a empresa WB SER VICES INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA.., CNPJ o o 02.263.041/0001-04, localizada a Rua Piauí n° 638, sala 06, São Caetano do Sul/SP, 06.541- 1.50, prestou-nos somente serviços de assistência técnica em nossas máquinas, inclusive nas adquiridas da própria empresa, no período de novembro/2002 até Janeiro/2004, não havendo contrato escrito para tanto_ A Recorrente expressamente informa que se dedica a uma atividade permitida para o Simples. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação tática com o escopo de privilegiar o princípio da verdade material. Com fulcro no art. 18 do Decreto n° 70235, de 1972, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a fiscalização da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente, verifique, in loco: 1) se no exercício da atividade efetivamente prestada é exigido o Atestado Técnico e Termo de Responsabilidade; 2) se no Livro de Registro de Empregados há engenheiros ou técnicos com especialização em engenharia registrados Solicita-se, ainda, que a autoridade designada ao cumprimento desta diligência: anexe cópias das Notas Fiscais, se existentes, que comprovem prestação de serviço profissional impeditivo (que não seja correspondente à manutenção e assistência das próprias peças que a empresa industrialize); anexe cópias das folhas do Livro de Registro de Empregados, no caso de haver registro dos profissionais discriminados no item 2 acima; 7 Processo n 13820.000433/2006-57 S1-1E01 Resoluçtio 1801-00.028 F I 49 em Relatório Fiscal, aos fins dos trabalhos, esclareça sobre os itens 1 e 2 acima, bem como quanto a prestação cio serviço profissional que a pessoa jurídica exerce mediante a qual a receita bruta é auferida a partir de 01/01/2002. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes à diligência efetuada, sendo-lhe aberto o prazo regulamentar' para que se manifeste sobre seu conteúdo e conclusão, ANA DE BARROS FERNANDES — Redatora Designada 8 _
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Numero do processo: 35226.001191/2007-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2005
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando o relatório fiscal e as demais peças constantes no auto de infração demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara.
VINCULAÇÃO A REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA DO ESTADO. SERVIDOR PÚBLICO NÃO TITULAR DE CARGO EFETIVO.
IMPOSSIBILIDADE.
Somente podem ser filiados a Regime Próprio de Previdência Social os servidores públicos titulares de cargo efetivo. Não ostentando essa condição, devem ser registrados no Regime Geral de Previdência Social.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.391
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2005 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando o relatório fiscal e as demais peças constantes no auto de infração demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara. VINCULAÇÃO A REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA DO ESTADO. SERVIDOR PÚBLICO NÃO TITULAR DE CARGO EFETIVO. IMPOSSIBILIDADE. Somente podem ser filiados a Regime Próprio de Previdência Social os servidores públicos titulares de cargo efetivo. Não ostentando essa condição, devem ser registrados no Regime Geral de Previdência Social. Recurso Voluntário Negado.
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INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando o relatório fiscal e as demais peças constantes no auto de infração demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara. VINCULAÇÃO A REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA DO ESTADO. SERVIDOR PÚBLICO NÃO TITULAR DE CARGO EFETIVO. IMPOSSIBILIDADE. Somente podem ser filiados a Regime Próprio de Previdência Social os servidores públicos titulares de cargo efetivo. Não ostentando essa condição, devem ser registrados no Regime Geral de Previdência Social. Recurso Voluntário Negado. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Julio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ewan Teles Aguiar, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 35226.001191/200741 Acórdão n.º 240202.391 S2C4T2 Fl. 277 3 Relatório Tratase de NFLD, lavrada em 12/07/2006, decorrente do não recolhimento dos valores referentes à contribuição a cargo da empresa (cota patronal) e da contribuição ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT), no período de 01/01/1999 a 30/09/2005. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 81/91) requerendo a total improcedência do lançamento, alegando que (i) houve cerceamento de defesa, pois a Recorrente não foi citada na pessoa do seu procurador ou do diretorpresidente do Instituto de Previdência e Assistência do Estado do Piauí; (ii) não foram trazidos na autuação todas as informações necessárias para a elaboração da defesa, tais como individualização dos nomes dos segurados, o fato gerador de uma suposta TAXA, cujo percentual é de 100%, e ausência de cópias do mandado de procedimento fiscal e do termo de intimação para apresentação de documentos; (iii) parte dos valores foram atingidos pela decadência; (iv) enquadrou equivocadamente agentes públicos como empregados; e (v) que estão sendo cobrados valores já anteriormente recolhidos. Visando sanar qualquer vício na constituição do crédito tributário, foi retificada a autuação para que conste como sujeito passivo o Instituto de Previdência e Assistência do Estado do Piauí (o que foi realizado às fls. 95/150). Nesta ocasião (fls. 151) foram retificados alguns equívocos cometidos pela Autoridade Tributária quando da anterior lavratura do auto de infração. A Recorrente interpôs nova impugnação (fls. 158/161) requerendo a total improcedência do lançamento, alegando que (i) em razão da retificação do sujeito passivo, todo o lançamento deveria ser declarado nulo; (ii) seria necessária uma diligência para se aferir se os segurados objetos desta autuação, individualmente, não atingiram, nas respectivas competências, o teto máximo do saláriodecontribuição em razão de remunerações advindas de outras fontes; (iii) é nula a autuação, haja vista que não foi atribuído ao gestor a responsabilidade pelo pagamento dos valores previdenciários supostamente devidos; e (iv) reiterando todos os argumentos trazidos por ocasião da primeira impugnação. A d. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Florianópolis – SC, ao analisar o presente caso (fls. 174/176), tendo em conta a alegação da Recorrente de que não foram considerados valores já corretamente pagos, determinou a baixa em diligência para que (i) se esclareça os motivos pelos quais os recolhimentos representados às fls. 193 não foram arrolados no Relatório de Documentos Apresentados e apropriados aos débitos lavrados na ação fiscal; (ii) se informe os DEBCADs, estabelecimentos e competências, bem como os valores anteriores e os novos, nas quais as contribuição lançadas deverão sofrer retificação em razão dos referidos créditos; e (iii) se cientifique o sujeito passivo, com a entrega da decisão de baixa em diligência, com a informação fiscal e documentos que porventura sejam apresentados, para eventual manifestação. Em resposta à diligência, a Autoridade Tributária (fls. 179) destaca que os recolhimentos realizados não foram arrolados no Relatório de Documentos Apresentados e Fl. 299DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 apropriados aos débitos lavrados na ação fiscal em razão dos mesmos terem sido transformados em GPS, conforme foi apurado na apropriação indébita das folhas de pagamento, no Relatório de Lançamento e na correspondente Relação para preenchimento de GPS, gerada no encerramento da auditoria. A d. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Florianópolis – SC, ao analisar o presente caso (fls. 248/258) julgou o lançamento parcialmente procedente, entendendo que (i) o erro no sujeito passivo não enseja a nulidade do lançamento, desde que saneado com nova intimação; (ii) a notificação discrimina de forma clara os fatos geradores, as bases de cálculo, os períodos e as contribuições devidas, não havendo que se falar em nulidade; (iii) o termo TAXA tem por finalidade indicar o percentual do valor lançado que comporá a base de cálculo para o levantamento e não se refere à espécie tributária; (iv) o servidor ocupante de cargo público não participante de regime próprio de previdência social deve contribuir para o regime geral; (v) as contribuições devidas e não recolhidas, referentes às competências de 01/1999 a 11/2001, encontramse fulminadas pela decadência; (vi) a contribuição da empresa não tem limite, incidindo sobre o total das remunerações pagas ou creditadas; e (vii) a relação de coresponsáveis tem como finalidade listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 260/270) alegando que (i) houve cerceamento de defesa, pois não foram trazidos na autuação todas as informações necessárias para a elaboração da defesa, tais como a individualização dos nomes dos segurados, o fato gerador de uma suposta TAXA, cujo percentual é de 100%, e ausência de cópias do mandado de procedimento fiscal e do termo de intimação para apresentação de documentos; e (ii) enquadrou equivocadamente agentes públicos como empregados. É o relatório. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 35226.001191/200741 Acórdão n.º 240202.391 S2C4T2 Fl. 278 5 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Tratase de NFLD, lavrada em 12/07/2006, decorrente do não recolhimento dos valores referentes à contribuição a cargo da empresa (cota patronal) e da contribuição ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT), no período de 01/01/1999 a 30/09/2005. A Recorrente alega que houve cerceamento de defesa, pois não foram trazidos na autuação todas as informações necessárias para a elaboração da defesa, tais como individualização dos nomes dos segurados, o fato gerador de uma suposta TAXA, cujo percentual é de 100%, e ausência de cópias do mandado de procedimento fiscal e do termo de intimação para apresentação de documentos. Ocorre que, conforme é possível verificar analisando os relatórios trazidos às fls. 4 a 61, que foram elaborados com base na documentação fornecida pela própria Recorrente, dentre elas as folhas de pagamento e as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, a Autoridade Fiscal demonstrou claramente os fatos geradores que ensejaram a presente autuação, sendo suficientes para a perfeita compreensão do lançamento. Esta Egrégia 2ª Turma já decidiu neste sentido, in verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/12/2003 A 31/12/2004. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. NÃO HÁ QUE SE FALAR EM NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DEFESA SE O RELATÓRIO FISCAL E AS DEMAIS PEÇAS DOS AUTOS DEMONSTRAM DE FORMA CLARA E PRECISA A ORIGEM DO LANÇAMENTO E A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL QUE O AMPARA. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DE BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE POR MEIO DE FOLHAS DE PAGAMENTO E RECIBOS DE PAGAMENTOS. DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.O RECONHECIMENTO ATRAVÉS DE DOCUMENTOS DA PRÓPRIA EMPRESA DA NATUREZA SALARIAL DAS PARCELAS INTEGRANTES DAS REMUNERAÇÕES AOS SEGURADOS ELIDE A DISCUSSÃO SOBRE A INCIDÊNCIA OU NÃO DA BASE DE CÁLCULO. DOCUMENTOS FORNECIDOS PELA PRÓPRIA EMPRESA NÃO CARACTERIZAM CERCEAMENTO DE DEFESA. (...)”. (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 2ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Acórdão nº Fl. 301DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 6 240201149 do Processo 12045000463200719. Julgado em 20/09/2010) (grifouse) Quanto à exigência de uma suposta taxa no Relatório de Lançamento –RL, como ficou destacado na decisão da DRJ, tal campo determina apenas o percentual do valor lançado que comporá a base de cálculo do levantamento, não havendo que se falar na incidência de uma outra espécie tributária. Para verificar com exatidão o valor que será lançado, o Recorrente deve atentar para o Discriminativo Analítico de Débito –DAD (fls. 04/22), onde não encontramos a exigência de nenhuma taxa além dos valores que ensejaram a presente autuação. Quanto à alegação de que não foram anexados aos autos cópias do mandado de procedimento fiscal e do termo de intimação para apresentação de documentos, como se observa às fls. 54/59 da presente NFLD tal argumento não merece provimento, pois tais documentos constam do processo. Não há, portanto, nulidade no presente lançamento. Quanto ao mérito, a Recorrente alega que a Autoridade Tributária enquadrou equivocadamente agentes públicos como empregados, considerando como “celetistas” funcionários que seriam estatutários. Destaca que o Estado do Piauí, através da Lei nº 4.546/92, instituiu o Regime Jurídico Único para os Servidores Civis da Administração Direta, das Autarquias e Fundações Públicas e, posteriormente, com a Lei Complementar nº 13/92, instituiu um novo regime jurídico, prevendo que até mesmo os funcionários comissionados seriam contratados no regime estatutário, não podendo haver contratações sob o regime da CLT. Em que pese os argumentos trazidos pelo Recorrente de que os funcionários comissionados estariam contratados sob o regime estatutário, em vez do celetista, e que isto afastaria a incidência da contribuição previdenciária, é mister destacar que após o advento da Emenda Constitucional nº 20/1998 apenas os servidores titulares de cargo público de provimento efetivo podem fazer parte de Regime Próprio, independentemente do que diziam as disposições legais anteriores. Vejamos o que diz o texto constitucional: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo.(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) (...) § 13 Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica se o regime geral de previdência social.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) Da mesma forma, a Lei nº 9.717/1998, que versa sobre a competência dos Estados para instituir Regime Próprio de Previdência Social, determina que estes só podem assegurar benefícios compulsórios aos servidores públicos titulares de cargos efetivos do respectivo ente estatal. Segue abaixo trecho da norma: Fl. 302DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 35226.001191/200741 Acórdão n.º 240202.391 S2C4T2 Fl. 279 7 “Art.1º Os regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal deverão ser organizados, baseados em normas gerais de contabilidade e atuária, de modo a garantir o seu equilíbrio financeiro e atuarial, observados os seguintes critérios:(...) V cobertura exclusiva a servidores públicos titulares de cargos efetivos e a militares, e a seus respectivos dependentes, de cada ente estatal, vedado o pagamento de benefícios, mediante convênios ou consórcios entre Estados, entre Estados e Municípios e entre Municípios;” Como é cediço, a legislação federal acima possui o condão de orientar como deverão proceder todos os Estados Membros com relação à criação de Regimes Próprios de Previdência, devendo, pois, ser observada por todos. Desta forma, entendo que a partir de 1998, com o advento da Emenda Constitucional nº 20/1998, bem como da regulamentação legal supramencionada, não há que se falar em aplicação de Regime Próprio de Previdência Social para servidores que não possuem cargos públicos efetivos, devendo eles contribuírem obrigatoriamente para o RGPS. Em caso similar a este, o Supremo Tribunal Federal entendeu que a norma estadual que cria Regime Próprio de Previdência Social compulsório a servidores que não possuem vínculo decorrente de cargo público efetivo é incompatível com a norma prevista no art. 40, § 13, da CF/1988. Vejase: “10. Daí a conclusão de que o preceito previsto na legislação estadual está em desarmonia com a federal. Esta não deixa dúvidas quanto a quem pode estar filiado aos regimes próprios de previdência: exclusivamente os servidores públicos titulares de cargos efetivos. (...) 12. Verificase, destarte, que o artigo 79 da Lei Complementar n. 64, de 25 de março de 2002, do Estado de Minas Gerais, padece de vício de inconstitucionalidade. Afronta o § 13 do artigo 40 da Constituição do Brasil, além disso dispondo de forma adversa às normas gerais de previdência social estabelecidas pela União (inciso V do artigo 1º da Lei n. 9.717/98).” (STF, ADI 3.106/MG, Min. Rel. Eros Grau, DJ 24/09/2010) Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, analisando situação similar, entendeu também que somente podem ser filiados a regime próprio de previdência os servidores públicos titulares de cargo efetivo. Vejamos: “PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONFECÇÃO DE FOLHAS DE PAGAMENTO. A elaboração de folhas de pagamento em desconformidade com os padrões estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social caracteriza infração, por descumprimento de obrigação acessória. AUXILIARES DE CARTÓRIO. VINCULAÇÃO A REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 8 Somente podem ser filiados a regime próprio de previdência os servidores públicos titulares de cargo efetivo. Não ostentando essa condição, os auxiliares de cartórios são filiados obrigatórios do RGPS. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.” (CARF, PAF nº 10680.013946/200762, RV nº 148.574, Cons. Rel. Kleber Ferreira de Araújo, Sessão de 21/08/2009) No presente caso, restou demonstrado que as pessoas físicas contratadas pela Recorrente não são servidores titulares de cargos efetivos, razão pela qual devem contribuir com o RGPS, incidindo, portanto, a contribuição previdenciária sobre as suas remunerações. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para NEGAR LHE PROVIMENTO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 304DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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Numero do processo: 10865.000872/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. REENQUADRAMENTO DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAL COMO SEGURADO EMPREGADO. COMPROVAÇÃO. POSSIBILIDADE. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, ainda mais em caso no qual a própria recorrente reconhece o reenquadramento levado a efeito pela fiscalização.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.404
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. REENQUADRAMENTO DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAL COMO SEGURADO EMPREGADO. COMPROVAÇÃO. POSSIBILIDADE. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, ainda mais em caso no qual a própria recorrente reconhece o reenquadramento levado a efeito pela fiscalização. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Lourenço Ferreira do Prado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Ewan Teles Aguiar, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por ASSOCIAÇÃO CASABRANQUENSE DE CULTURA PHYSICA E ESPORTES , em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias, parte da empresa, devidas à Seguridade Social e incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados contribuintes individuais (levantamento CID e CIN), segurados empregados (levantamento FOL), transportador autônomo rodoviário (levantamento RTA), caracterização de segurado empregado (levantamento LEF). Consta do relatório fiscal que os pagamentos de remunerações aos segurados empregados, contribuintes individuais e transportador autônomo rodoviário, foram apurados da análise das GFIP apresentadas pelo contribuinte, corroboradas pelas folhas de pagamentos solicitadas pela fiscalização, e outros documentos extraídos da contabilidade apresentada, sendo que os recolhimentos de contribuições previdenciárias não foram suficientes para quitação dos débitos apurados. Ademais, no que se refere à caracterização do segurado empregado, o relatório fiscal aponta que a recorrente remunerou o segurado Leandro Ferrari (gerente)no período de 07/2006 a 12/2007, reenquadrandoo como segurado empregado a partir das seguintes verificações e justificativas do fiscal autuante: 3.3.3 Impende considerar um aspecto peculiar à situação do gerente. Antigamente, o gerente era visto como aquele que fazia as vezes do empresário, intitulado pela práxis comerciante. Os tempos evoluíram, e com ele, o pensamento jurídico acerca da figura do gerente. Efetivamente, o cenário empresarial demonstrou que o gerente não é aquele indivíduo solto, desprovido de uma ligação firme e sólida com relação ao empresário, senão .aquele que deste depende, justamente por força dos laços de vinculação hierárquica e jurídica, agindo tal qual um mandatário, porém, com maior autonomia do que este. Assim, sagrouse adotada a figura do gerente como um auxiliar do comércio, auxiliar este dependente e vinculado. O novo Código Civilna esteira do Código Civil peninsular, adotou este conceito, dispondo que "Considerase gerente o preposto permanente no exercício da empresa, na sede desta, ou em sucursal, filial ou agência". Na esteira do pensamento, o gerente é auxiliar dependente, com vínculo empregatício, porque outra coisa não se espera em relação àquele contratado para gerir todo um plexo de atividades negociais, ressaltando o caráter mais puro da fidúcia na relação de gestão de bens e negócios alheios. 3.3.4 Admitir que se possa ter um gerente, na exata acepção do termo é confundir o gerente com o administrador, figura que o Novo Código Civil elege em substituição ao antigo "sócio gerente". Destarte, não se equivalem as expressões. Administrador é o titular da empresa coletiva ou individual que a exerce, no seu interesse e por conta dos seus negócios. Gerente Fl. 786DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.000872/200817 Acórdão n.º 2402002.404 S2C4T2 Fl. 578 3 é aquele que, sob a orientação e supervisão superior, executa os negócios, agindo tãosomente na esfera material, e não na de condução efetiva dos fins sócioeconômicos. Daí não se poder confundir. Administrar é ministrar, empreender, aplicar algo em uma finalidade, envolvendo discricionariedade e poder de decisão; gerir é cuidar, reger, cercar aquilo já destinado a uma finalidade. O lançamento compreende o período de 01/2004 a 12/2007, tendo sido o recorrente cientificado do lançamento em 04/07/2008 (fls. 37). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 553/559), o contribuinte interpôs o competente recurso voluntário de fls.563/575, através do qual sustenta, em síntese: 1. que o relatório fiscal é impreciso e não aponta claramente a ocorrência dos fatos geradores indicados no relatório fiscal; 2. que o v. acórdão recorrido ao reconhecer que o lançamento deve ser claro e garantir o direito de defesa, deveria ter anulado o lançamento efetuado; 3. que a folha de rosto do auto de infração não preenche o si requisitos legais da validade, especialmente porque apresenta de forma a insatisfatório a totalização de débito, não discrimina os fatos geradores das contribuições que pretende serem devidas, nem traz a fundamentação legal das imposições, passando a impugnar um a um todos os anexos do Auto de Infração combatido; 4. que é entidade de utilidade pública e, portanto, não pode ser alvo de cobrança de contribuições previdenciárias; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 787DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Inicialmente, da análise do recurso e da própria impugnação apresentada nos autos do presente processo, verificase que a recorrente deixou efetivamente de impugnar as contribuições lançadas, resumindose a atacar o lançamento com fundamento em nulidades a serem consideradas no Auto de Infração, motivo que a meu ver tornouo incontroverso. No que se refere aos levantamentos FOL, CID, CIN e RTA, como já dito, por não terem sido expressamente impugnados e terem se originado de informações prestadas pelo próprio contribuinte em GFIP, folhas de pagamento e documentos contábeis, não vejo como acatar o pedido formulado em sede recursal, uma vez que a recorrente não logrou êxito em demonstrar qualquer inconsistência no lançamento, seja através de argumentos consistentes ou mesmo documentos que comprovam qualquer equívoco nas informações prestadas. Ademais, quanto a tais levantamentos, a análise do relatório fiscal permite nos concluir que nada mais fez a fiscalização do que aplicar ao caso em concreto a legislação pertinente, atribuindo à recorrente, a responsabilidade pelo pagamento de contribuições previdenciárias por ela não adimplidas e declaradas, levando a efeito simplesmente aquilo que determinado pela Lei 8.212/91. Assim, uma vez que não houve qualquer transgressão a norma legal em vigor, não hã que se reconhecer a nulidade do lançamento. Logo, ao que se depreende do relatório fiscal, verificase ter sido observado o que disposto no art. 142 do CTN a seguir: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Da análise do relatório fiscal, verificase que este veio devidamente acompanhado de todos os anexos do Auto de Infração, sendo dele parte integrante, quando se percebe que todos foram concebidos em total observância às disposições do art. 142 do CTN e 37 da Lei n. 8.212/91, na medida em que todos os fundamentos de fato e de direito que ensejaram a lavratura do Auto restaram devidamente demonstrados, o que proporcionou e garantiu ao contribuinte a clara e inequívoca ciência e materialização da ocorrência do fato gerador e dos valores não recolhidos das contribuições sociais devidas. Fl. 788DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.000872/200817 Acórdão n.º 2402002.404 S2C4T2 Fl. 579 5 A caracterização do segurado Leandro Ferrari fora devidamente demonstradas, de certo que emerge dos autos a devida comprovação da presença dos requisitos ensejadores do reconhecimento do vínculo de emprego, em conformidade com aquilo o que disposto nos artigos 2o e 3o, ambos da Consolidação das Lei Trabalhistas – CLT. Não obstante, também fora informado no próprio relatório fiscal que a recorrente acabou por lhe reconhecer a condição de segurado empregado, quando efetuou retificação das GFIP´s apresentadas, agora incluindoo na nova condição. Uma vez que o v. acórdão recorrido decidiu a matéria a contento e em consonância com o entendimento ora esposado, nenhum reparo merece serlhe determinado. A mera irresignação ou inconformismo da recorrente quando aos fundamentos de decidir do julgador de primeira instância não tem o condão de ensejar a nulidade do acórdão. Por tais motivos, rejeito esta preliminar e voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 789DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 18050.003757/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/2005
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO – INFRAÇÃO
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa deixar de
exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a
Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda as
formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade
ou que omita a informação verdadeira
PERÍCIA – NECESSIDADE – COMPROVAÇÃO – REQUISITOS –
CERCEAMENTO DE DEFESA – NÃO OCORRÊNCIA
Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde
da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se
verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja
necessidade não se comprova
COMPENSAÇÃO – RECONHECIMENTO DO DIREITO IMPOSSIBILIDADE
Não cabe à esta instância de julgamento manifestarse
a respeito da
possibilidade de compensação entre a multa aplicada e alegados créditos aos
quais a empresa teria direito
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.470
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
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Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova COMPENSAÇÃO – RECONHECIMENTO DO DIREITO IMPOSSIBILIDADE Não cabe à esta instância de julgamento manifestarse a respeito da possibilidade de compensação entre a multa aplicada e alegados créditos aos quais a empresa teria direito Recurso Voluntário Negado Fl. 113DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Ewan Teles Aguiar. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.003757/200891 Acórdão n.º 2402002.470 S2C4T2 Fl. 108 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista nos §§ 2º e 3º do artigo 33 da Lei nº 8.212 de 1991 c/c os artigos 232 e 233, § único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 18), a autuada deixou de apresentar os seguintes documentos: • Livro Diário dos anos 2003, 2004 e 2005 ( até junho). • Livro Razão dos anos 2003, 2004 e 200 (até junho). • Programa de Prevenção de Riscos Ambientais PPRA dos anos de 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 a 2003. • Convênio com o PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador. •Atas de Reunião do Conselho de Administração.do período de 01/1997 a14 02/1998. A autuada teve ciência do lançamento em 20/12/2005 e apresentou defesa (fls. 42/46) onde alegou que jamais se recusou ou sonegou qualquer documento ou informação aos auditores que tudo requeriam com um prazo demasiadamente exíguo. Informa que procedeu à correção e solicita a relevação da multa a qual considera de um valor excessivo. Argumenta que é credora do INSS, cujos créditos resultam e estão comprovados no Processo n° 35013.000689/200288 e no curso desse longo tempo, vem requerendo que estes fossem objeto de compensação na regularização de pendências da empresa. Alega que o tratamento dado ao lavrar o Auto de Infração está eivado de vícios que nulificam a ação fiscal que fica impugnada e requer a declaração de nulidade e correspondente cancelamento do débito para com a Seguridade Social, lançado ilegalmente pelos insignes Auditores Fiscais. Protesta pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente juntada de outros e de novos documentos e depoimento pessoal de preposto fiscal e requer ainda a designação de uma Comissão de Revisão para apuração dos fatos, através perícia técnica, na qual restará provada, a total improcedência do presente Auto de Infração. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Pela Decisão Notificação nº 04.401.4/0416/2006 (fls. 75/84) a autuação foi considerada procedente. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso (fls. 95/103), onde efetua a repetição das alegações de defesa. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.003757/200891 Acórdão n.º 2402002.470 S2C4T2 Fl. 109 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente sofreu autuação com base no que dispõe nos §§ 2º e 3º do artigo 33 da Lei nº 8.212 de 1991 c/c os artigos 232 e 233, § único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, abaixo transcritos em sua atual redação: Lei 8.212/1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(g.n.) Decreto 3.048/1999 Art.232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art.233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades Fl. 117DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. A recorrente alega que jamais se recusou ou sonegou qualquer documento ou informação aos auditores os quais tudo requeriam com um prazo demasiadamente exíguo, olvidando o porte da empresa. A alegação não merece acolhida. Observase que a auditoria fiscal solicitou documentos à empresa conforme cópias dos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD de folhas 11 a 17), nos quais solicitou a documentação não apresentada e que previam que tais documentos deveriam estar à disposição da fiscalização nos dias 14/07/2005, 06 e 28/10/2005. A ação fiscal foi encerrada pelo Termo de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF emitido em 19/12/2005, ou seja, dois meses após a solicitação da documentação. Asseverese que dos Livros Contábeis, a recorrente apresentou somente o Livro Diário relativo ao exercício de 2002, conforme informação constante do TEAF. A recorrente alega que teria corrigido a falta o que seria situação atenuante da falta. A decisão de primeira instância, por sua vez, não acolheu a alegação e informou que a autuada deveria ter juntado aos autos a documentação motivadora da autuação. A recorrente argumenta que se trata de documentação volumosa e livros de permanência obrigatória na sede da empresa. A meu ver, embora a recorrente alegue ter corrigido a falta, não fez qualquer tipo de prova nesse sentido que ensejasse a realização de uma diligência para comprovar suas alegações. Embora os Livros contábeis seja volumosos e devam permanecer na empresa, a recorrente poderia ter, no mínimo, juntado cópias dos demais documentos não apresentados como os PPRAs e convênios com o PAT, além de cópias das páginas de abertura e encerramento dos Livros contendo os registros no órgão competente, a fim de demonstrar que efetivamente os documentos estavam à disposição da auditoria fiscal. No entanto, a recorrente somente faz alegações sem qualquer prova. No mesmo sentido, a recorrente solicita a designação de uma Comissão de Revisão para apuração dos fatos, através perícia técnica, entretanto, nada traz aos autos de sorte a ensejar tal perícia. A necessidade de perícia para o deslinde da questão tem que restar demonstrada nos autos. No que tange à perícia, o Decreto nº 70.235/1972 estabelece o seguinte: Art.16 A impugnação mencionará: .................................. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.003757/200891 Acórdão n.º 2402002.470 S2C4T2 Fl. 110 7 IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (...) Art.18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Da leitura do dispositivo, verificase que além de ser obrigada a cumprir requisitos para ter o pedido de perícia deferido, tal deferimento só ocorrerá diante do entendimento da autoridade administrativa no que concerne à necessidade desta. Nesse sentido, não basta que o sujeito passivo deseje a realização da perícia, esta tem que se considerada essencial para o deslinde da questão pela autoridade administrativa, nos termos da legislação aplicável. Não tendo sido demonstrada pela recorrente a necessidade da realização de perícia, não se pode acolher a alegação de cerceamento de defesa pelo seu indeferimento. A recorrente alega que seria detentora de créditos junto ao INSS e solicita que estes sejam utilizados para efeito de compensação para fins de extinguir a presente obrigação. Asseverese que cabe a esta instância de julgamento manifestarse sobre a procedência ou não da autuação em tela. Quanto aos créditos que a recorrente alega ter cabe a esta solicitar a realização de operação concomitante junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, onde será verificada tal possibilidade. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 119DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000319/2007-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/03/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO.
INTEMPESTIVIDADE. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o
prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2402-002.463
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso por intempestividade.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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score : 1.0
Numero do processo: 13807.720283/2020-28
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jan 03 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2020
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. PAGAMENTO. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR IRRISÓRIO.
Não obedece o principio da proporcionalidade a exclusão do empresa do sistema simples nacional motivada pelo adimplemento tardio de parcela ínfima do impeditivo, quando observada a clara intenção da empresa em regularizar suas pendências.
Numero da decisão: 1002-002.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Ailton Neves da Silva que negava provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Zedral- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Fellipe Honório Rodrigues da Costa.
Nome do relator: Rafael Zedral
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ementa_s : ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2020 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. PAGAMENTO. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR IRRISÓRIO. Não obedece o principio da proporcionalidade a exclusão do empresa do sistema simples nacional motivada pelo adimplemento tardio de parcela ínfima do impeditivo, quando observada a clara intenção da empresa em regularizar suas pendências.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Ailton Neves da Silva que negava provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva- Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Zedral- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Fellipe Honório Rodrigues da Costa.
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EXCLUSÃO. PAGAMENTO. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR IRRISÓRIO. Não obedece o principio da proporcionalidade a exclusão do empresa do sistema simples nacional motivada pelo adimplemento tardio de parcela ínfima do impeditivo, quando observada a clara intenção da empresa em regularizar suas pendências. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Ailton Neves da Silva que negava provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva- Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Zedral- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Fellipe Honório Rodrigues da Costa. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ que indeferiu manifestação de inconformidade. No caso, a recorrente teve indeferido pelo Simples Nacional, em razão do contribuinte incorrer em função de haver débitos com exigibilidade não suspensa: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 72 02 83 /2 02 0- 28 Fl. 41DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-002.298 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13807.720283/2020-28 Do indeferimento da opção pelo Simples Nacional O contribuinte solicitou o ingresso no Simples Nacional - Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte no ano-calendário 2020, que foi indeferido em razão da existência de débitos com a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não estava suspensa. Os débitos estão relacionados a seguir: Da manifestação de inconformidade O interessado teve ciência do indeferimento da opção pelo Simples Nacional. Apresentou manifestação de inconformidade alegando que efetuou o pagamento do débito conforme comprovantes de e-fls. 9 a 11. Alega que até a última data para regularização do Simples Nacional, não constava o débito para que fosse quitado ou parcelado. Afirma que parcelou o débito constante do Termo de Indeferimento em 28/01/2020, mesma data do pagamento da primeira parcela, conforme documentos que anexa. Em sessão de 27 de Outubro de 2020 (e-fls. 56) a DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, nos termos da ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2020 OPÇÃO. TERMO DE INDEFERIMENTO. DÉBITO. Fl. 42DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-002.298 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13807.720283/2020-28 Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que, à época da opção, possuía débito com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa, não regularizado no prazo legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio O relator do Acórdão recorrido assim fundamentou seu voto de indeferimento: “Examinados os autos e os sistemas informatizados da RFB, constata-se que o débito apontado no Termo de Indeferimento foi parcialmente pago em 31/01/2020. Porém, o saldo remanescente somente foi extinto em 07/02/2020, posteriormente, portanto, ao prazo estabelecido em lei para regularização, conforme comprovam as consultas de recolhimentos por código de pagamento de fls. 15 a 17 do processo. Como os débitos que ensejaram o Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional não foram regularizados em tempo hábil, conclui-se pela existência de motivo impeditivo ao deferimento da solicitação de opção pelo Simples Nacional”. Grifei. O débito em questão é relativo à competência 11/2019, e os recolhimento referidos pelo relator estão descritos no relatório de e-fls. 16: Ciente da decisão de primeira instância, o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário (e-fls. 33), no qual expõe os fundamentos de fato e de direito a seguir sintetizados. Alega que regularizou os débitos impeditivos à opção ao simples e que é desproporcional o indeferimento de seu recurso em função de uma parcela de R$ 23,37. Apresenta julgados dos Tribunais condizente com sua tese de defesa. Alega a insignificância do débito frente à possibilidade de ser prejudicado por não poder aderir no sistema simples. Ao final, pede a revisão do Acórdão da DRJ no sentido de que seja deferido seu pleito. Fl. 43DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-002.298 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13807.720283/2020-28 É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Zedral, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23-B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF nº 329/2017. Demais disso, observo que o recurso e atende os outros requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. DO MÉRITO Quanto ao mérito, o recurso deve ser deferido. A empresa recorrente teve indeferido seu pedido de opção ao Simples Nacional por meio do termo de Indeferimento de Opção ao Simples Nacional de e-fls. 4 motivado pela existência de débitos com exigibilidade não suspensa fundamentado no artigo 17, inciso V da lei Complementar 123/2006: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V - que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; A recorrente aponta a injustiça de ter seu recurso indeferido em função do recolhimento extemporâneo de uma parcela de R$ 23,37. A recorrente reconhece a dívida, efetuou o pagamento em valor substancial, e somente equivocou-se ao recolher R$ 20,00 a menos, o que representa 3% do valor total de R$ 533,78. Este CARF não tem posição unânime sobre esta questão. Este relator já teve a oportunidade de julgar casos semelhantes, situação em que indeferimos os recursos impetrados. Fl. 44DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-002.298 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13807.720283/2020-28 No entanto, admito que fui sensibilizado pelos argumentos não só dos procuradores da recorrente, como também pelos votos de diversos conselheiros deste CARF, mudando minha visão quanto ao tema. É necessário não somente observar o princípio da legalidade, mas também a proporcionalidade da medida extrema de excluir uma empresa simples nacional ou impedir sua adesão em função de valores irrisórios, ainda mais quando a empresa demonstra ter adimplido a maior parte da dívida. Não há dúvidas de que a recorrente demonstrou empenho em extinguir seu débito, recolhendo a quantia de R$ 609,56. O módico valor de R$ 20,00 de principal só pode ser atribuído à erro no pagamento. Cito como exemplo o Acórdão 9101-005.238 de 11/11/2020, em que o Conselho Superior de recursos Fiscais julgou o Recurso Especial de divergência, que possui a ementa abaixo: Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2012 PEDIDO DE INCLUSÃO. DÉBITO DE VALOR IRRISÓRIO. QUITAÇÃO POSTERIOR. DEFERIMENTO. Somente os débitos “cuja exigibilidade não esteja suspensa” impedem o recolhimento de tributos sob a sistemática do Simples Nacional. O débito passível de inscrição em Dívida Ativa da União de valor irrisório, consoante definição legal, acaba por equivaler a um débito com exigibilidade suspensa, não devendo impedir a opção do contribuinte pelo Simples Nacional. Numero da decisão: 9101-005.238 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Andréa Duek Simantob, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Livia De Carli Germano e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. (documento assinado digitalmente) Andrea Duek Simantob – Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER Nas turmas extraordinárias, aponto o pioneirismo da relatora Bárbara Santos Guedes da segunda turma extraordinária desta 1ª Seção: Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2020 SIMPLES NACIONAL. ENCARGOS LEGAIS PAGOS APÓS PRAZO LEGAL. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR IRRISÓRIO. Uma vez demonstrado ter o contribuinte quitado o débito apontado no Termo de Indeferimento no prazo legal e olvidado do pagamento dos encargos legais de valor irrisório não deve ser justificativa para manter o indeferimento da opção ao Simples Nacional em razão do princípio da proporcionalidade. Numero da decisão: 1003-002.609 Numero do processo: 10480.721783/2020-19 Seção de 02/09/2021 Fl. 45DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1002-002.298 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13807.720283/2020-28 Nome do relator: Bárbara Santos Guedes Ainda em 2011, a primeira turma ordinária já abordava a necessidade de proporcionalidade analisar a proporcionalidade entre a sanção de exclusão e o valor do débito impeditivo: Numero do processo: 13962.000552/2007-76 Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção Câmara: Quarta Câmara Seção: Primeira Seção de Julgamento Data da sessão: 04/08/2011 Ementa: SIMPLES NACIONAL. BOA-FÉ. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. A existência de débitos irrisórios devidamente regularizados pelo contribuinte permite a validação de sua opção ao regime do Simples Nacional. Recurso voluntário provido. Numero da decisão: 1401-000.641 Decisão: ACORDAM os membros os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro. Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira E o Poder Judiciário tem entendimento mais uniforme sobre o tema: DIREITO TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. SIMPLES NACIONAL. LC 123/2006. EXCLUSÃO. INDEFERIMENTO DA OPÇÃO PELO REGIME SIMPLIFICADO. PARCELAMENTO DE DÉBITOS. PAGAMENTO INTEGRAL DE MULTAS. DIFERENÇA ÍNFIMA DE SALDO DE JUROS QUITADA APÓS PRAZO LEGAL. DESPROPORCIONALIDADE DO INDEFERIMENTO FRENTE ÀS CIRCUNSTÂNCIAS DO CASO CONCRETO. 1. Em função de débitos de Simples Nacional e sete multas por atraso de entrega de declaração foi emitido o Ato Declaratório Executivo 1717043, que excluiu a impetrante do regime do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/01/2020. Quanto aos débitos do Simples Nacional, houve adesão a parcelamento em 28/09/2015 e, em relação às multas, houve pagamento do principal entre 12 e 20 de janeiro/2016, e do saldo de juros devidos em 18/02/2016. 2. Embora o pagamento do saldo de juros das multas tenha sido realizado fora do prazo legal, os valores eram ínfimos, inclusive abaixo do limite mínimo para pagamento de DARF, tanto que foram excluídos dos sistemas da RFB, não se justificando, apesar do descumprimento formal da legislação, a exclusão do regime tributário simplificado, pois a Fl. 46DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1002-002.298 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13807.720283/2020-28 jurisprudência reputa excessiva a sanção aplicada em relação a descumprimento que possa ser considerado sanável sem prejuízo de maior monta ao Fisco. 3. A aplicação de tal solução exige análise de fatos de cada caso concreto, atenção para circunstâncias da conduta e do agente a fim de não gerar tratamento anti-isonômico, além de simplista, que acabe por estimular descumprimento futuro de formalidades importantes ao próprio aperfeiçoamento do acordo fiscal e à viabilização do controle fiscal sobre procedimento concessivo da legislação. 4. Evidencia-se, na espécie, razão essencial a justificar que seja revisto o indeferimento da opção pelo Simples Nacional em 2016, dado que a tutela do potencial prejuízo fiscal pelo descumprimento da norma a todos imposta pesaria de forma significativamente desproporcional sobre a situação concreta do contribuinte. Se a autoridade fiscal, vinculada à legalidade formal, não pode agir de modo a diferenciar situações em face do bem jurídico tutelado, tal restrição é inexistente para o Judiciário, que pode avaliar, caso a caso e fato a fato, a solução jurídica proporcional sem o risco de incorrer em parcialidade ou quebra da isonomia. 5. Não se vislumbra, assim, no caso concreto quebra da legalidade substancial de sorte a justificar o indeferimento da opção do Simples Nacional em 2016 com base em tal situação, embora descumpridas formalidades legais e regulamentares, cuja regularidade deve ser admitida, pois inclusive, fora reconhecido o pagamento integral pela própria autoridade impetrada, das multas que ensejaram a exclusão, o que reforça o entendimento no tocante à boa fé do contribuinte no presente caso. 6. Apelação provida. (TRF 3ª Região, 3ª Turma, ApCiv - APELAÇÃO CÍVEL - 0002326- 89.2016.4.03.6130, Rel. Desembargador Federal LUIS CARLOS HIROKI MUTA, julgado em 22/02/2021, Intimação via sistema DATA: 24/02/2021) EMENTA: TRIBUTÁRIO. INGRESSO E MANUTENÇÃO NO SIMPLES NACIONAL. REGULARIDADE FISCAL. ART. 17, V, DA LEI COMPLEMENTAR Nº 123, DE 2006. 1. A Corte Especial deste Regional afirmou a constitucionalidade do art. 17, inciso V, da LC 123/2006. 2. A exclusão da empresa do Simples Nacional pelo fato de ter realizado pagamento de débito fora do prazo legal atenta ao princípio da razoabilidade, devendo ser garantida sua reintegração no programa, já que a contribuinte encontra-se em situação fiscal regularizada. (TRF4, AC 5006802-59.2015.404.7111, PRIMEIRA TURMA, Relator JORGE ANTONIO MAURIQUE, juntado aos autos em 12/12/2016) (grifo nosso) EMENTA: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. PAGAMENTO. PROPORCIONALIDADE. Fl. 47DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1002-002.298 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13807.720283/2020-28 1. É ponto pacífico no âmbito desta Corte que a exigência de regularidade fiscal para ingresso e permanência no Simples Nacional, constante do artigo 17, V, da LC nº 123/2006 é constitucional e não fere, em abstrato, o princípio da proporcionalidade. 2. Contudo, as especificidades da questão fática envolvida na lide demandam que se analise, com temperos, a aplicabilidade da regra, sob pena de ofensa à proporcionalidade no caso particular. 3. A Administração Tributária tem como diretriz não só a legalidade como também a proporcionalidade, princípios não antagônicos, mas compatíveis, cuja harmonização compete ao juiz, ao aplicar a lei no caso concreto (por suas peculiaridades), sem violar a isonomia ou a legalidade. 4. Mantida a sentença que concedeu ordem para determinar o reingresso da impetrante no Simples Nacional, considerado que houve a quitação integral do débito, configurada a excessividade da medida exclusória. (TRF4, APELREEX 5003665-72.2015.404.7110, SEGUNDA TURMA, Relator OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA, juntado aos autos em 07/12/2015) Portanto, considero justificada a regularização tardia da ínfima parcelado débito impeditivo, seguindo o entendimento dos julgados administrativos e judiciais acima citados, voto pelo deferimento do Recurso Voluntário, reformando o Acórdão recorrido. DISPOSITIVO Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, dar- lhe provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rafael Zedral- Relator Fl. 48DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 35464.001723/2006-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/10/2002
CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO.
A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei n° 11.457/2007).
EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA.
É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural.
LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. INEXIGIBILIDADE DA MULTA DE MORA E JUROS.
Poderá ser realizado o lançamento das diferenças de contribuições
previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial da matéria.
Até que ocorra o trânsito em julgado na ação judicial, o contribuinte não pode ser compelido a arcar com a multa de mora nem juros de mora na via administrativa, haja vista a suspensão da exigibilidade do crédito tributário deferida no momento do lançamento fiscal.
MATÉRIA SUB JUDICE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno.
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.471
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares suscitadas e dar provimento parcial para que sejam excluídos do lançamento os valores de juros e multa de mora correspondentes aos depósitos judiciais em dinheiro.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/10/2002 CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei n° 11.457/2007). EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. INEXIGIBILIDADE DA MULTA DE MORA E JUROS. Poderá ser realizado o lançamento das diferenças de contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial da matéria. Até que ocorra o trânsito em julgado na ação judicial, o contribuinte não pode ser compelido a arcar com a multa de mora nem juros de mora na via administrativa, haja vista a suspensão da exigibilidade do crédito tributário deferida no momento do lançamento fiscal. MATÉRIA SUB JUDICE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei n° 11.457/2007). EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. INEXIGIBILIDADE DA MULTA DE MORA E JUROS. Poderá ser realizado o lançamento das diferenças de contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial da matéria. Até que ocorra o trânsito em julgado na ação judicial, o contribuinte não pode ser compelido a arcar com a multa de mora nem juros de mora na via administrativa, haja vista a suspensão da exigibilidade do crédito tributário deferida no momento do lançamento fiscal. MATÉRIA SUB JUDICE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares suscitadas e dar provimento parcial para que sejam excluídos do lançamento os valores de juros e multa de mora correspondentes aos depósitos judiciais em dinheiro. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Ewan Teles Aguiar e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35464.001723/200657 Acórdão n.º 2402002.471 S2C4T2 Fl. 540 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativas às contribuições sociais destinadas a outras Entidades/Terceiros (INCRA Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), para as competências 01/1999 a 10/2002. O Relatório Fiscal (fls. 100/102) informa que o crédito foi apurado com o objetivo de evitar a decadência para os valores das contribuições destinadas à Terceiros, especificamente ao INCRA, que estão sendo objeto de discussão judicial e depositados em juízo pelo contribuinte, para os CNPJ com finais 000103, 000294, 000880, 001185 e 0013 47. Esse Relatório Fiscal informa ainda que: (i) os depósitos foram autorizados através do processo n° 91.00.039594, 6a Vara Federal de Brasília/DF, sendo que a empresa requereu o depósito mensal das contribuições; (ii) para a filial com CNPJ final 001509, trata se de diferenças apuradas nos valores das contribuições destinadas a Terceiros (apurado e recolhido), esta fiscalização não conseguiu identificar a qual entidade referese o débito, portanto lançouas como INCRA; (iii) os fatos geradores das contribuições lançadas ocorreram com o pagamento de remuneração aos segurados empregados; e (iv) na fiscalização foi constatado que a empresa efetuou os recolhimentos da parte retida dos segurados oportuna e regularmente. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 27/06/2003 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 119/128, 304/312 e 464/471), alegando, em síntese, que: 1. Do Depósito Judicial do Montante Integral. O Contribuinte efetuou depósitos judiciais nos autos da ação ordinária n° 91.00.039594, proposta na 6a Vara da Justiça Federal em Brasília/DF. No entanto, foram constatadas algumas diferenças entre o valor exigido na presente NFLD, e o total depositado, conforme planilha de fl. 268 (reproduz a planilha à fl. 466). Assim, a Impugnante promoveu a complementação dos valores apontados como diferença conforme guia de depósito judicial acostada à fl. 359. Inclusive, quando da realização da 4a diligência, a própria fiscalização reconheceu a realização dos depósitos judiciais. Conforme tabela às fls. 467/468, a Defendente efetuou a complementação de todos os depósitos judiciais desde 1997, inclusive os que não estão abrangidos pela presente notificação. Observase que a competência de janeiro de 1999 em diante possui exatamente os mesmos valores apontados pelo Fisco, como diferença faltante nos depósitos judiciais expostos na citada tabela. Desta forma, em razão da realização do depósito judicial complementar, no valor de R$34.124,78 pela Notificada, o crédito Fl. 551DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 tributário está suspenso nos moldes do artigo 151, inciso I, do CTN. E estando suspenso, não há mora que justifique a cobrança de multa e juros, devendo ser cancelada a NFLD em epígrafe n° 35.416.0885; 2. Da Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário. A empresa o depósito judicial dos valores discutidos nos autos da Ação Ordinária n° 91.00.039594, e posteriormente efetuou a complementação no valor de R$34.124,78. Alega que lançado o crédito tributário, o trâmite processual administrativo deveria ter sido suspenso, não só pela existência de causa suspensiva de sua exigibilidade (depósitos judiciais), como também em virtude da questão ter sido levada ao conhecimento do poder judiciário, antes da lavratura. Assim, o crédito encontrase suspenso por força do artigo 151, I, do CTN; 3. Da Inaplicabilidade dos Juros e Multa Moratória. Não devem incidir juros e multa de mora sobre estes créditos previdenciários, pela realização dos depósitos judiciais. A simples implementação do depósito judicial impede a fluência dos juros e da multa de mora. Durante o período da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, vige uma norma que estabelece uma nova relação jurídica, diferente da formada anteriormente com a ocorrência do fato gerador. Tal norma inibe o direito que o sujeito ativo tem de exigir (amigavelmente, ou por execução forçada) o quantum devido, e de outro lado garante ao sujeito passivo o direito subjetivo de não pagar o montante em discussão. Logo, durante o período de vigência da norma que determina a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a falta de pagamento (por não ser ele elegível) não constitui ato ilícito. Em decorrência, não pode ser sancionável pela exigência de juros de mora e multa. Pelo exposto, a lavratura da NFLD em epígrafe, e a exigência de juros de mora e de multa, durante o período da suspensão da exigibilidade do crédito, e inválida porque contraria o disposto no artigo 151 do CTN, e ofende os princípios que consagram o Estado de Direito. Deste modo, pelo fato dos créditos exigidos encontraremse depositados judicialmente, não há que se falar em aplicação da multa e dos juros. Por fim, reitera todos os argumentos apresentados no Recurso Voluntário, com relação à ilegalidade e inconstitucionalidade das contribuições ao INCRA e ao FUNRURAL; 4. Do Pedido. Por todo o exposto, requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em virtude dos depósitos judiciais, cuja matéria se encontra sob ação judicial. Requer, ainda, a inexigibilidade da imposição de multa e juros, em virtude dos depósitos judiciais comprovados nos autos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo/SP – por meio do Acórdão no 1623.873 da 11a Turma da DRJ/SP1 (fls. 485/502) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação (fls. 512/536, Volume IV). Fl. 552DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35464.001723/200657 Acórdão n.º 2402002.471 S2C4T2 Fl. 541 5 A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Administração Tributária (DERAT/SP) informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fl. 538). É o relatório. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo (fls. 510/512). Faremos, inicialmente, análise do seu conhecimento. No presente lançamento fiscal ora analisado, constam as contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativas às contribuições sociais destinadas a outras Entidades/Terceiros (INCRA), para as competências 01/1999 a 10/2002. É importante esclarecer que, antes da lavratura do presente lançamento fiscal, a empresa havia ingressado com processo n° 91.00.039594, 6a Vara Federal de Brasília/DF, no Tribunal Regional Federal da 1a Região (TRF1), objetivando o não pagamento da contribuição social destinada ao INCRA. Assim, considerando a discussão judicial acerca da compensação, deve a presente análise e decisão restringirse às questões não discutidas em Juízo (âmbito judicial). Tal procedimento está em consonância com o art. 126, § 3o, da Lei no 8.213/1991, abaixo transcrito: Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 1997) (...) § 3° A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Incluído pela Lei n° 9.711, de 20.11.98) (g.n.) Nesse sentido, esta Corte Administrativa (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF) pronunciouse por meio do Enunciado no 1 de Súmula Vinculante (Portaria do Ministério da Fazenda no 383, de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF no 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante desse quadro, faremos análise apenas das matérias não submetidas ao processamento e análise do Poder Judiciário, que se referem, essencialmente, aos seguintes pontos: (i) nulidade do lançamento fiscal; (ii) ilegalidade da contribuição social destinada ao Fl. 554DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35464.001723/200657 Acórdão n.º 2402002.471 S2C4T2 Fl. 542 7 INCRA; (iii) suspensão da exigibilidade do crédito tributário; e (iv) inaplicabilidade dos juros e multa moratória. DAS PRELIMINARES: A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador das contribuições sociais lançadas, que foram as relativas à contribuição social destinada ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), para as competências 01/1999 a 10/2002. Os valores dessa contribuição social decorrem das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados. Tais valores estão sendo objeto de discussão judicial e depositados em juízo pelo contribuinte, para os CNPJ com finais 000103, 000294, 000880, 001185 e 001347 Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/400) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN, o art. 37 da Lei n.° 8.212/1991 e o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumpri la ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei no 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Lei n° 8.212/1991: Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972: Fl. 555DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal (fls. 100/102) e seus anexos (fls. 01/99 e 103/400) são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontrase no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD (fls. 89/91), que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo Analítico de Débito (DAD), que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa (fls. 04/55). Ademais, constam outros relatórios que complementam essas informações, tais como: Discriminativo Sintético do Débito (DSD), fls. 60/88; Relatório de Lançamentos (RL); dentre outros. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário. Além disso – no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD (fls. 97/98) e no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF (fl. 99) –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador das contribuições lançadas e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para caracterizar os valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls. 100/102. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição social destinada ao INCRA, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/400) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. A Recorrente alega que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, nos termos dos artigos 151, V, do Código Tributário Nacional (CTN), de maneira que o Fisco não poderia praticar atos de cobrança. Aduz, ainda, que o lançamento para prevenção da decadência é descabido. Por último, requereu a “suspensão da presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD)”. Entendo que, no que toca às formalidades da notificação fiscal, razão não assiste à Recorrente, eis que o lançamento para prevenção de decadência é medida assegurada ao Fisco. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35464.001723/200657 Acórdão n.º 2402002.471 S2C4T2 Fl. 543 9 O lançamento fiscal, que constituiu a NFLD, somente não poderá ser lavrado quando o sujeito passivo encontrarse protegido por medida judicial impedindo especificamente o início do procedimento fiscal, com a aplicação das multas cabíveis, ou o próprio lançamento do crédito previdenciário. Neste caso, caberá ao Fisco buscar, por meio do órgão jurídico próprio, reverter judicialmente o obstáculo, abstendose, contudo, de iniciar a ação fiscal ou mesmo de lançar eventual crédito, enquanto durar a determinação judicial, que não é o caso do presente processo. Portanto, o Fisco agiu no estrito cumprimento de seu dever legal, eis que o lançamento é ato vinculado e obrigatório, procedendo corretamente ao lançar o crédito previdenciário, o qual ficará com sua exigibilidade suspensa até o final da demanda judicial ou até decisão judicial que lhe possibilite a cobrança. Com relação às alegações de inconstitucionalidade constantes na peça recursal, cumpre esclarecer que a administração pública deve observar o princípio da estrita legalidade, sendo que as leis e atos normativos nascem com a presunção de constitucionalidade, que só pode ser elidida pelo Poder Judiciário, conforme a competência determinada pela Carta Magna. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, ou seja, declarada suspensa pelo Senado Federal nos termos art. 52, X, da Constituição Federal, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, o Regimento Interno (RI) do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) veda aos membros de Turmas de julgamento afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, e o próprio Conselho uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 2 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), transcrito a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante disso, não examinarei as questões referente à inconstitucionalidade de leis e atos normativos – especificamente a alegação de inconstitucionalidade da contribuição social destinada ao INCRA, dentre outros expostos na peça recursal da Recorrente –, e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: Quanto à alegação de ilegalidade das contribuições destinadas ao INCRA, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja ilegalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os preceitos regulados na Lei n° 8.212/1991 e demais disposições das legislações vigentes que embasaram o lançamento fiscal ora analisado. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade na cobrança das contribuições destinadas ao INCRA, não há razão para a Recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis as contribuições incidentes sobre a remuneração paga, creditada ou debitada aos segurados empregados. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Isso está em consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF, mencionado na análise da preliminar das alegações de inconstitucionalidade expostas na peça recursal. Por outro lado, esclarecemos que a matéria já se encontra pacificada no âmbito do poder Judiciário, firmando entendimento de que é devida a contribuição social destinada ao INCRA, conforme se percebe do recente precedente do Superior Tribunal de Justiça, sob a égide da nova Lei de Recursos Repetitivos, confirase: “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA.CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89 OU 8.212/91. NÃO OCORRÊNCIA. EXAÇÃO EXIGÍVEL DAS EMPRESAS URBANAS. ACÓRDÃO EMBARGADO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO. SÚMULA 168/STJ. 1. Agravo regimental contra decisão que indeferiu liminarmente os embargos de divergência (art. 266, § 3º, do RISTJ). 2. A jurisprudência da Primeira Seção, consolidada inclusive em sede de recurso especial repetitivo (REsp 977.058/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 10/11/2008), firmou o entendimento de que a contribuição para o Incra (0,2%) não foi revogada pelas Leis 7.787/89 e 8.213/91, sendo exigível, também, das empresas urbanas. 3. Incidência da Súmula 168/STJ: "Não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do Tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado". 4. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EREsp 803.780/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 30/11/2009)”. Logo, são devidas as contribuições destinadas ao INCRA, afastando assim as alegações de ilegalidade dessa contribuição. Insurgese ainda a Recorrente quanto à aplicação de juros e multa de mora, uma vez que o lançamento, quando a exigência tributária, encontrase com a exigibilidade suspensa nas hipóteses do art. 151 do CTN. O depósito do seu montante integral foi disciplinada pelo art. 151, inciso II, do CTN, in verbis: Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) II o depósito do seu montante integral; Percebese, então, que até que ocorra o trânsito em julgado na ação, o contribuinte não pode ser compelido a arcar com a multa, haja vista a suspensão da exigibilidade do crédito tributário no momento do lançamento. Como se sabe, a imposição de prazo para pagamento é fruto do atributo da exigibilidade de que se reveste o ato administrativo do lançamento, de tal maneira que, sendolhe retirado tal atributo por força de decisão judicial, não há como ser desencadeada qualquer exigência de pagamento. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35464.001723/200657 Acórdão n.º 2402002.471 S2C4T2 Fl. 544 11 Assim, quando do lançamento para prevenir decadência existia depósito judicial que suspendia a exigibilidade do crédito. E, a partir da suspensão da exigibilidade, não pode mais o Fisco prosseguir com atos de cobrança tributária, evitandose, assim, o ajuizamento da execução fiscal, a imposição de multa pela não pagamento do tributo e os juros de mora. Com relação aos juros e multa de mora, o entendimento retromencionado está em consonância com o art. 9º, § 4º, da Lei 6.830/1980. Lei 6.830/1980 – Lei de Execução Fiscal (LEF): Art. 9º. Em garantia da execução, pelo valor da dívida, juros e multa de mora e encargos indicados na Certidão de Dívida Ativa, o executado poderá: (...) § 4º Somente o depósito em dinheiro, na forma do artigo 32, faz cessar a responsabilidade pela atualização monetária e juros de mora. Por outro lado, tratandose de lançamento destinado a resguardar o crédito dos efeitos da decadência, justificase acautelar tanto a importância principal quanto os juros de mora e multa pelo não pagamento do tributo, ainda que teoricamente remota a sua ocorrência, visto que a conversão do depósito em renda extingue o crédito tributário ora constituído, nos termos do art. 156, inciso VI, do CTN. Com isso, somente se não houver a conversão do depósito em renda será possível cobrar juros e multa de mora, que deverá ser apurada no momento de sua execução. Desse modo, toda a discussão em torno da incidência dos juros de mora e da multa aplicada perde o seu objeto se o provimento judicial final for favorável ao Contribuinte, pois, uma vez inexigível a obrigação principal, prejudicada estará a cobrança das demais parcelas acrescidas pelo lançamento fiscal. Assim, como há depósito e suspensão da exigibilidade do crédito tributário, entendo que, na fase administrativa, não pode o Fisco impor a cobrança de multa pela não pagamento do tributo nem juros de mora. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER, em parte, do recurso, para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para exclusão dos valores pertinentes aos juros e à multa de mora correspondentes aos depósitos judiciais em dinheiro, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Fl. 560DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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