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Numero do processo: 12466.003440/2008-96
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 23/01/2004 a 24/03/2004
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO
ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO DAS MERCADORIAS.
CONVERSÃO EM MULTA.
Aplica-se a pena de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida, em substituição à pena de perdimento, no caso de dano ao Erário caracterizado pela importação de mercadorias mediante interposição fraudulenta de terceiros.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS DL Nº 1.455/76.
CESSÃO DE NOME DE PESSOA JURÍDICA LEI Nº 11.488/2007.
CENSURAS AUTÔNOMAS. NATUREZAS DISTINTAS.
A pena de perdimento da mercadoria e a penalidade substitutiva de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando não localizada ou consumida , prescrita no art. 23, inciso V e parágrafos do Decreto-lei nº 1.455/1976, e a penalidade pecuniária estabelecida no art. 33 da Lei nº 11.488/2007 exprimem censuras de naturezas distintas e, portanto, autônomas e passíveis de aplicação cumulativa.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3802-000.668
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de
Julgamento, por maioria, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento (relator) que dava provimento parcial. Designado o Conselheiro Regis Xavier Holanda como redator do voto vencedor.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 23/01/2004 a 24/03/2004 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO DAS MERCADORIAS. CONVERSÃO EM MULTA. Aplicase a pena de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida, em substituição à pena de perdimento, no caso de dano ao Erário caracterizado pela importação de mercadorias mediante interposição fraudulenta de terceiros. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS DL Nº 1.455/76. CESSÃO DE NOME DE PESSOA JURÍDICA LEI Nº 11.488/2007. CENSURAS AUTÔNOMAS. NATUREZAS DISTINTAS. A pena de perdimento da mercadoria e a penalidade substitutiva de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando não localizada ou consumida , prescrita no art. 23, inciso V e parágrafos do Decretolei nº 1.455/1976, e a penalidade pecuniária estabelecida no art. 33 da Lei nº 11.488/2007 exprimem censuras de naturezas distintas e, portanto, autônomas e passíveis de aplicação cumulativa. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento (relator) que dava provimento parcial. Designado o Conselheiro Regis Xavier Holanda como redator do voto vencedor. (assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 Regis Xavier Holanda – Presidente e Redator. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 12/09/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Tatiana Midori Migiyama, Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 0716.656, de 19 de junho de 2009 (fls. 708/713), proferido pelos membros da 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Florianópolis/SC (DRJ/FNS), em que, por unanimidade de votos, consideraram procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 23/01/2004 a 24/03/2004 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, inclusive mediante interposição fraudulenta de terceiros, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa igual ao valor da mercadoria caso tenha sido entregue a consumo ou não seja localizada. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. RECURSOS FINANCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. Presumese por conta e ordem de terceiro, a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos financeiros daquele. Lançamento Procedente Por bem resumir os dados relevantes registrados até a prolação da decisão de primeiro grau, transcrevo a seguir o Relatório encartado no Acórdão recorrido: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 212.400,56, referente a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, prevista no parágrafo 3º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 12466.003440/200896 Acórdão n.º 380200.668 S3TE02 Fl. 741 3 Depreendese da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração, que a interessada promoveu diversas importações de mercadorias, declarando as operações como se fossem por conta própria, ou seja, figurava como importadora e adquirente das mercadorias importadas. O procedimento de fiscalização, com amparo na Instrução Normativa SRF nº 228/2002, concluiu que as operações eram, em verdade, realizadas por conta e ordem de terceiros, mediante a ocultação dos reais importadores, com o uso de recursos deles provenientes. Intimada a prestar esclarecimentos e apresentar documentos que comprovassem a regularidade das operações, a interessada não logrou êxito, apresentando contabilidade deficiente, de forma que a origem, disponibilidade e transferência lícitas dos recursos não ficaram comprovadas. Ao contrário, os documentos analisados comprovaram que os recursos utilizados nas operações de importação tiveram como origem os reais adquirentes das mercadorias, ocultos, aos quais estas eram repassadas mediante simulação de venda. Ficaram caracterizados ainda a falta de capacidade financeira dos sócios da empresa, o subfaturamento de preços, a falsidade dos documentos instrutivos dos despachos de importação, e, principalmente, a ocultação dos reais adquirentes das mercadorias importadas, mediante interposição fraudulenta de terceiros. No caso em apreço, a real importadora, oculta nas operações de importação foi a empresa “Sercopel Importação e Comércio de Papéis Ltda” (“Sercopel”), autuada na condição de sujeito passivo solidário (termo de folhas 03). A Sercopel foi a real importadora nas operações amparadas pelas Declarações de Importação listadas às folhas 60. Dessa forma, foi proposta a pena de perdimento das mercadorias, como previsto no parágrafo 1º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002, pela caracterização do disposto no inciso V do mesmo artigo. Em razão de as mercadorias já haverem sido consumidas ou não localizadas, foi lavrado auto de infração para exigência da multa equivalente ao valor aduaneiro das mesmas, como previsto no parágrafo 3º do mesmo artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, com redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002. Regularmente cientificadas por via postal (AR às fls. 637 e 705), a Cristal Importação e Exportação Ltda apresentou a impugnação tempestiva de folhas 642 a 666, com os documentos de folhas 667 a 680 anexados, e a Sercopel Importação e Comércio de Papéis Ltda foi declarada revel (termo de revelia às fls. 706). A impugnante alega que “o Auto de Infração guerreado se funda em indícios e presunções, baseadas em conjecturas mirabolantes, destituídas de lógica e sem trazer prova capaz de sustentar quaisquer afirmações no mesmo contidas”. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 Alega que as mercadorias importadas foram por ela adquiridas, ato perfeitamente regular que não caracteriza a importação por conta e ordem de terceiros, conforme artigo 11 da Lei nº 11.281/2006 e Instrução Normativa SRF nº 634/2006. Traça considerações sobre importação “por conta própria” e “por conta e ordem de terceiros” para defender que as importações que realizou não se caracterizam como “por conta e ordem de terceiros”. Embasa sua defesa no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 07, de 13/06/02. Defende que inexiste previsão legal que proíba uma empresa comercial importadora e exportadora de realizar tanto a operação de importação por conta própria quanto a importação por conta e ordem de terceiro. Alega que sua boa saúde e capacidade financeira restou amplamente demonstrada no curso do trabalho fiscal, através de extratos bancários, limites de crédito junto às instituições financeiras, contratos de mútuo e empréstimos, credibilidade na rápida obtenção de seguros garantia, dentre outros. Discorda de todas as alegações da fiscalização, em especial a de que houve fraude ou simulação e subfaturamento. Alega que os documentos apresentados, tais como, extratos bancários, limites de crédito junto a instituições financeiras, contratos de mútuo e empréstimos, credibilidade na rápida obtenção de seguros garantia, dentre outros, comprovam sua capacidade financeira. Defende que, se fosse o caso, e conforme julgados das DRJ, “eventual penalidade a ser aplicada ao importador ostensivo no caso de comprovação de cessão de nome seria tãosomente a aplicação de multa no valor de 10% (dez por cento) do valor da operação.” Transcreve ementas de decisões administrativas. Discorda da conclusão da fiscalização de que houve subfaturamento nas importações. Alega que os preços praticados são os efetivamente de mercado e que inexistem razões para desconsiderar os valores declarados. Defende a exclusão de sua responsabilidade em razão de ter atuado em conformidade com o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme prevê o inciso II do artigo 610 do Regulamento Aduaneiro, e o disposto no ADI nº 07/2002, em relação à caracterização da importação por conta e ordem de terceiros. Requer seja julgado improcedente o auto de infração, cancelandose a penalidade proposta. Protesta pela concessão de prazo para a juntada ulterior de documentos. Sobreveio o Acórdão recorrido, sendo dele cientificada a Interessada, por via postal (fl. 714v), em 11/09/2009. Inconformada, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 717/738, protocolado em 04/08/2009 (fl. 716), em que reafirmou as razões de defesa aduzidas na peça impugnatória. Em aditamento, em síntese, alegou o seguinte: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 12466.003440/200896 Acórdão n.º 380200.668 S3TE02 Fl. 742 5 a) a utilização de um indício como meio de prova, a originar uma presunção, como aduzido na r. decisão recorrida, só seria legítima se o indício e a presunção tivessem gerado a convicção de que não havia nenhuma outra alternativa razoável que não aquela indicada pelo indício, o que não ocorreu no presente caso; b) a presunção legal admitida, em matéria de importação, para que seja caracterizada a fraude ou simulação, mediante interposição fraudulenta, é aquela consistente na nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, consoante norma do Regulamento Aduaneiro, do Decretolei n°. 1.455, de 1976, e da Lei nº 10.637, de 2002; c) inexistia óbice à realização de importação na modalidade por conta própria, para cumprimento de contrato de compra e venda previamente celebrado com eventual promissário comprador, no mercado interno, conhecida como importação por encomenda, positivada no art. 11 da Lei nº 11.281, de 2006; d) as operações de importação em questão ocorreram na modalidade por conta própria, inexistindo qualquer indício que autorizasse a conclusão de que houve interposição fraudulenta de terceiros; e) não configurava operação de importação por conta e ordem de terceiros, nos termos do art. 2° do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 7, de 2002, quando o importador atuasse com recursos próprios ou adquirisse a propriedade das mercadorias, sendo suficiente, neste caso, que, alternativamente: (i) constasse como adquirente no contrato de câmbio; (ii) constasse como adquirente na fatura comercial internacional (invoice); (iii) emitisse nota fiscal de entrada ou de saída a título de compra ou venda; ou (iv) contabilizasse a entrada ou a saída da mercadoria importada como compra e venda; e f) ao pretender converter a aplicação da pena de perdimento das mercadorias em multa equivalente ao valor aduaneiro, com base no art. 23, inciso V, do Decretolei n° 1.455, de 1976, a presente autuação foi totalmente arbitrária e equivocada, não podendo prosperar, vez que eventual penalidade a ser aplicada ao importador ostensivo no caso de comprovação de cessão de nome, o que conforme alhures exposto não ocorreu, seria tãosomente a aplicação de multa no valor de 10% (dez por cento) do valor da operação, conforme entendimento esposado nas decisões proferidas pela 2ª Turma da DRJ – São Paulo, que foram transcritas. No final, requereu o provimento do presente Recurso, para que fosse cancelada integralmente a multa aplicada. Em atenção ao despacho de fl. 739 (sem numeração), os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de abril de 2011, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro Relator. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso foi apresentado por parte legítima e em tempo hábil, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, portanto, dele tomo conhecimento. Do motivo da presente autuação. Segundo o disposto no subitem 5.1 da Descrição dos Fatos (fls. 34/39), que integra o presente Auto de Infração, o motivo da presente autuação fora o cometimento, pela Autuada, da infração qualificada como interposição fraudulenta de terceiro na operação de importação, prevista no inciso V do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637, de 2002, caracterizada pela ocultação do real adquirente ou importador das mercadorias discriminadas nas Declarações de Importação (DI) de nºs 04/00578985 (fls. 428/433), 04/02499438 (fls. 449/453), respectivamente, registradas em 20/01/2004 e 17/03/2004, mediante a utilização de recursos financeiros do real importador ou adquirente das mercadorias, no caso, a pessoa jurídica Sercopel Importação e Comércio de Papéis Ltda., que, por esse motivo, foi incluída no pólo passivo da presente autuação, na condição de responsável solidária, por interesse comum (art. 124 do CTN), conforme estabelecido no Termo de Sujeição Passiva Solidária de fl. 03. Por ser considerada dano ao Erário, a referida infração deveria ser sancionada com a pena de perdimento das mercadorias, fixada no § 1º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, entretanto, como não foram localizadas ou dadas a consumo, com respaldo no § 3º do mesmo art. 23, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637, de 2002, as Autoridades Fiscais propuseram a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. Do objeto da presente controvérsia. Conforme delineado no Relatório precedente, o cerne da presente controvérsia diz respeito à qualificação jurídica atribuída às operações de importação objeto da presente autuação. Com base no argumento de que havia comprovação nos autos que os recursos utilizados nas operações de importação referenciadas provieram da real adquirente das mercadorias, no caso, a responsável solidária Sercopel, entenderam os membros da Turma de Julgamento de primeiro grau, ratificando as conclusões das Autoridades Fiscais autoras do procedimento fiscal em apreço, que as ditas operações de importação caracterizavamse como sendo por conta e ordem de terceiros, com a ocultação do real adquirente das mercadorias. Por outro lado, com respaldo no argumento de que não inexistia qualquer indício que autorizasse a conclusão da Fiscalização, reafirmou a Autuada que as referidas operações de importação realizaramse segundo a modalidade de importação por conta própria. Ademais, alegou ainda a Recorrente que a presente autuação fora totalmente arbitrária e Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 12466.003440/200896 Acórdão n.º 380200.668 S3TE02 Fl. 743 7 equivocada, vez que, na condição de importador ostensivo, caso houvesse comprovação da cessão do nome, o que não admitia, a penalidade que lhe seria imputável seria tãosomente a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação, instituída no art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007. Em face da complexidade da matéria jurídica objeto da presente lide, entendo oportuno, antes de adentrar na análise da questão fáticoprobatória, apresentar uma breve digressão acerca da definição e dos efeitos jurídicos concernentes à interposição fraudulenta de terceiro (comprovada e presumida) nas operações de comércio exterior. Da interposição fraudulenta na importação: requisitos materiais e formais. De modo geral, considerase interposição fraudulenta (ou ilícita) a operação em que uma determinada pessoa (a interposta pessoa) realiza, em nome próprio, negócio jurídico de outrem (o real beneficiário), substituindo e ocultando este último do conhecimento de terceiros prejudicados com a operação fraudulenta. No âmbito das operações de comércio exterior, a interposta pessoa é aquela que se coloca entre o importador/exportador estrangeiro e o comprador/vendedor no País, ocultando um ou outro do conhecimento dos órgãos de controle e fiscalização das atividades de comércio exterior. No âmbito da operação de importação, a interposição fraudulenta consiste no ajuste doloso (conluio) entre o importador ostensivo e o real adquirente da mercadoria estrangeira (o importador oculto), omitindo a participação deste último nos documentos que amparam a operação e no respectivo procedimento de despacho aduaneiro de importação e assim ocultando real importador do conhecimento dos órgãos de controle das atividades de comércio exterior, de modo a isentálo dos encargos e responsabilidades decorrentes da referida operação. A materialização da referida infração exige, necessariamente, a participação de pelo menos duas pessoas jurídicas, sendo uma oculta (o importador oculto ou real beneficiário da operação), que fornece os recursos financeiros utilizados na operação (requisito material), e a outra ostensiva (importador ostensivo), a cedente do nome, inclusive dos documentos, com vistas à realização dos procedimentos de despacho aduaneiro da mercadoria (requisito formal). Das modalidades de interposição fraudulenta na operação de importação. De acordo com a legislação vigente, a interposição fraudulenta (latu sensu) divididese em: a) interposição fraudulenta (comprovada), prevista no inciso V do caput do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a nova redação da Lei nº 10.637, de 2002, combinado com o disposto no art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007; e b) interposição fraudulenta presumida, definida no § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a nova redação da Lei nº 10.637, de 2002. O que diferencia uma modalidade da outra é a existência ou não da comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos financeiros Fl. 7DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 8 empregados na operação de importação, por parte do importador responsável pelo procedimento de despacho aduaneiro de importação. Na interposição fraudulenta presumida, o importador ostensivo não comprova a origem, disponibilidade e transferência dos recursos financeiros utilizados na operação de importação por conta própria (simulada). Nessa modalidade de interposição fraudulenta, são presumidas a operação de importação por conta e ordem de terceiro e a participação do real importador que, por força das circunstâncias, não é identificado, permanecendo oculto ou desconhecido da Fiscalização aduaneira. A interposição fraudulenta (comprovada) é aquela em que o importador ostensivo comprova a origem, disponibilidade e transferência dos recursos financeiros utilizados na operação de importação por conta própria (simulada ou aparente). Neste tipo de interposição são comprovadas a operação de importação por conta e ordem de terceiro (dissimulada) e a participação do real importador (ocultado), identificado como o provedor dos recursos financeiros utilizados na operação e real adquirente da mercadoria importada. Dos efeitos jurídicos da prática da interposição fraudulenta presumida. No que tange às operações de comércio exterior, a hipótese de interposição fraudulenta presumida está prevista no § 2º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, a seguir reproduzido: Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (...). (grifos originais) Com base no referido preceito legal, por operação de inferência lógica, tem se que a nãocomprovação da origem, disponibilidade ou transferência dos recursos financeiros empregados nas operações de comércio exterior constitui o fato provado (ou presuntivo) que leva a presunção de veracidade do fato probando (ou presumido) consistente na realização da operação de interposição fraudulenta no âmbito das operações de comércio exterior. Além disso, a nãocomprovação da origem, disponibilidade ou transferência dos recursos financeiros empregados nas operações de comércio exterior constitui hipótese de inidoneidade da pessoa jurídica suficiente para imposição da declaração de inaptidão da sua inscrição no CNPJ, conforme determina o § 1º do art. 81 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, a seguir transcrito: Art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato1. 1 Atualmente, o caput deste artigo tem a seguinte redação: "Art. 81. Poderá ser declarada inapta, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que, Fl. 8DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 12466.003440/200896 Acórdão n.º 380200.668 S3TE02 Fl. 744 9 § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002). [...] (grifos não originais). Dessa forma, demonstrado que, nas duas hipóteses anteriormente explicitadas, o real adquirente da mercadoria é presumido ou pressuposto, portando desconhecido da Fiscalização aduaneira, induvidosamente, pela prática da interposição fraudulenta presumida, apenas o importador ostensivo responde pelas seguintes sanções: a) pena de perdimento da mercadoria, por dano ao erário, prevista no § 1º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, ou multa de 100% (cem por cento) do valor aduaneiro, estabelecida no § 3º do citado art. 23, se não localizada ou consumida a mercadoria; e b) declaração de inaptidão da sua inscrição no CNPJ, nos termos do § 1º do art. 81 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002. Dos efeitos jurídicos da prática da interposição fraudulenta (comprovada). Até a vigência do art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, a tipificação da infração por interposição fraudulenta (comprovada) nas operações de comércio exterior, incluindo a conduta tanto do real beneficiário quanto a da interposta pessoa, era definida, exclusivamente, no inciso V do caput do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a nova redação da Lei nº 10.637, de 2002, com os seguintes termos: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. [...] § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. [...] (grifos não originais) estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos em 2 (dois) exercícios consecutivos". (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 9DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 10 Com o advento da Lei nº 11.488, de 2007, a conduta da interposta pessoa, consistente na cessão do nome, incluindo a disponibilização de documentos, passou a ser disciplinada no art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, a seguir transcrito: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Induvidosamente, o preceito legal em destaque trata da conduta da interposta pessoa no âmbito da infração por interposição fraudulenta (comprovada), atribuindolhe duas consequências jurídicas. No caput, a interposta pessoa que apenas cede o nome, inclusive disponibilizando documentos, foi imputada a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). No parágrafo único, excluiu a referida conduta da situação equiparada a inexistência de fato, eximindo a interposta pessoa da declaração de inaptidão no CNPJ, anteriormente prevista para a referida infração. Em decorrência dessa alteração, cabe esclarecer que, até a vigência do art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, predominava o entendimento de que, pela prática da interposição fraudulenta (comprovada), respondia: a) pela pena de perdimento, ou multa equivalente ao valor aduaneiro, a interposta pessoa, em coautoria com o real beneficiário da operação; e b) pela declaração de inaptidão da inscrição no CNPJ, por inexistência de fato, nos termos do inciso III do art. 34, combinado com o inciso III do art. 41, da Instrução Normativa SRF no 568, de 20052, apenas a interposta pessoa. Após a vigência do referido preceito legal, em conformidade com o disposto no art. 100 do Decretolei nº 37, de 19663, pela prática da infração em apreço, a interposta pessoa passou a responder apenas pela multa de 10% (dez por cento) do valor operação, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). O motivo para que não haja cumulação de penalidades (multa de 100% mais multa de 10%) sobre a mesma pessoa jurídica infratora (no caso, a interposta pessoa) decorre 2 "Art. 34. Será declarada inapta a inscrição no CNPJ de entidade: [...] III – inexistente de fato; [...] Art. 41. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica que: [...] III – tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários; [...]" 3 "Art.100 Se do processo se apurar responsabilidade de duas ou mais pessoas, será imposta a cada uma delas a pena relativa à infração que houver cometido". Fl. 10DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 12466.003440/200896 Acórdão n.º 380200.668 S3TE02 Fl. 745 11 do fato de ambas as penalidades sancionarem infração idêntica (a interposição fraudulenta), o que é expressamente vedado pelo princípio do non bis in idem que, em matéria de infração, consiste na proibição de dupla penalização sobre idêntica conduta ilícita ou de dupla valoração de circunstância gravosa com vista à determinação do grau da pena aplicável. Não se deve olvidar que, no âmbito da legislação aduaneira, tal princípio encontrase positivado no caput do art. 99 do Decretolei nº 37, de 1966, a seguir reproduzido: Art. 99 Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicam se cumulativamente, no grau correspondente, quando for o caso, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas. [...] (grifos não originais) Não é demais repisar que, com o advento do art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, embora esse preceito legal e o art. 23, V, do Decretolei nº 1.455, de 1976, refiramse a mesma infração (interposição fraudulenta no comércio exterior), não há dúvida que as condutas sancionadas são complementares e os agentes distintos. No inciso V do art. 23, a conduta sancionada passou a ser apenas o fornecimento dos recursos financeiros (requisito material da infração), conduta atribuída apenas o real beneficiário da operação. Enquanto no art. 33, a conduta sancionada é a cessão do nome (requisito formal da infração), conduta reservada apenas a interposta pessoa. Em suma, a partir da vigência do art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, a penalidade decorrente da prática da infração tipificada no artigo 23, V, do Decretolei nº 1.455, de 1976, passou ser imputável apenas ao real importador ou exportador, ao passo que o importador ou exportador ostensivo, passou a responder apenas pela multa do artigo 33 da Lei nº 11.488, de 2007. Esse também tem sido o entendimento esposado pelo E. Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) que, por unanimidade, negou provimento ao recurso de Apelação no Mandado de Segurança (AMS) nº 2005.72.08.0051666/SC (TRF4)4, de cuja ementa transcrevo os seguintes excertos: [...] 2. O auto de infração, que redundou na aplicação da pena de perdimento, está devidamente fundamentado, encontrando lastro nos documentos produzidos no procedimento administrativo, que dão conta de que a impetrante, de fato, promoveu a importação em favor de terceiro, sem o observância das regras pertinentes. [...] 5. O artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, não tem o condão de afastar a pena de perdimento, porquanto não implicou em revogação do artigo 23 do DL nº 1.455/76, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002. Isso porque, a pena de perdimento atinge, em verdade, o real adquirente da mercadoria, sujeito oculto da operação de importação. A pena de multa de 10% sobre a operação, prevista no referido 4 2ª Turma, Relator Des. Otávio Roberto Pamplona, publicado em 01/08/2007 Fl. 11DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 12 dispositivo legal, revelase como pena pessoal da empresa que, cedendo seu nome, faz a importação, em nome próprio, para terceiros. O parágrafo único do aludido artigo, por sua vez, estatui que "à hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996". Essa complementação legal, constante do parágrafo único, abona o entendimento de que não houve a revogação da pena de perdimento para a hipótese retratada nos autos. Antes o confirma, porquanto exclui, expressamente, apenas a possibilidade da aplicação da sanção de inaptidão do CNPJ. Quanto às demais penas, permanecem incólumes, havendo a previsão, agora também, da pena pecuniária, nos termos do caput do aludido preceptivo legal. [...] (grifos não originais) De acordo com o referido julgado, a multa de 10% (dez por cento), prevista no caput do referido preceito legal, aplicase apenas ao importador ostensivo que, em nome próprio, cedendo seu nome, realiza o procedimento de importação do interesse do importador oculto, enquanto que pela pena de perdimento, ou a multa equivalente ao valor aduaneiro, responde apenas o real importador. Esse entendimento está em perfeita consonância com o disposto no § 3º do art. 7275 do Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009, que dispõe sobre o Regulamento Aduaneiro de 2009. Além disso, tendo em conta a gravidade das infrações e os danos delas decorrentes, entendo que a minoração da penalidade aplicada à interposta pessoa pela conduta da cessão do nome, que caracteriza a interposição fraudulenta comprovada, está em perfeita consonância com os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Com efeito, é inquestionável que a interposição fraudulenta caracterizada pela nãocomprovação da origem lícita dos recursos, aqui denominada de interposição fraudulenta presumida, consiste numa infração muito mais danosa à sociedade do que aquel’outra em que resta comprovada apenas a utilização dos recursos de terceiros, porém, sem o atendimento dos requisitos formais exigidos no procedimento de importação por conta e ordem de terceiros. A razão é óbvia, em decorrência da prática da primeira infração, além dos crimes contra ordem tributária, em tese, poderão ainda coexistir outros delitos de grande poder ofensivo, tais como os crimes de evasão de divisas, de lavagem de dinheiro etc. Da infração objeto da presente autuação. No subitem 5.1 da Descrição dos Fatos (fls. 34/39), que integra o presente Auto de Infração, informam as Autoridades Fiscais que a documentação bancária (transferências e depósitos eletrônicos, extratos bancários etc.) apresentada pela Autuada (fls. 5 "Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 1o A multa de que trata o caput não poderá ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais) (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 2o Entendese por valor da operação aquele utilizado como base de cálculo do imposto de importação ou do imposto de exportação, de acordo com a legislação específica, para a operação em que tenha ocorrido o acobertamento. § 3o A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas". Fl. 12DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 12466.003440/200896 Acórdão n.º 380200.668 S3TE02 Fl. 746 13 440/447 e 459/466) comprovavam a transferência antecipada dos recursos financeiros da real adquirente Sercopel para a contacorrente bancária da Autuada, que foram utilizados na liquidação da operação de câmbio (pagamento da mercadoria), pagamentos dos tributos e demais despesas relacionadas com a nacionalização das mercadorias discriminadas nas referidas DI. De fato, analisando a referida documentação, verificase que os valores utilizados nos citados pagamentos são equivalentes ou quase coincidentes com os que foram depositados na conta bancária da Recorrente, previamente à efetivação das referidas operações de importação e em datas coincidentes ou muito próximas das referentes à liquidação da operação de câmbio e do pagamento das demais despesas atinentes à nacionalização das mercadorias importadas. Tratase, no caso em tela, de provas robustas e não de meros indícios, como alegado pela Recorrente. No meu entendimento, os referidos documentos representam provas imediatas e cabais da efetiva transferência dos recursos financeiros empregados nas mencionadas operações de importação, comprovando que a Autuada, por ter omitido a participação da Sercopel nos despachos aduaneiros de importação e respectivos documentos instrutivos destes procedimentos, apenas cedera o seu nome, acobertando a pessoa jurídica Sercopel, a real adquirente das mercadorias. No presente caso, os mencionados despachos aduaneiros de importação representam, formalmente e de forma aparente (simulada), uma operação de importação por conta própria, mas, de fato, a real operação de importação foi do tipo por conta e ordem de terceiro (dissimulada), portanto, sem cumprimento das formalidades legais estabelecidas na legislação, situação que se subsume perfeitamente à definição de interposição fraudulenta (comprovada), anteriormente definida. Além disso, há nos autos outras provas indiciárias (mediatas) que corroboram a prática da referida infração, dentre as quais, destaco as seguintes: a) o Termo de Declaração (fls. 529/534) prestado pelo sócio gerente da Autuada, onde confessa que as referidas importações foram realizadas por conta e ordem da Sercopel, que foi quem realizou toda a negociação de compra das mercadorias diretamente com o fornecedor estrangeiro; e b) o Contrato de “Acordo Comercial de Importação por Conta e Ordem de Terceiros” (fls. 146/155), firmado entre a Autuada e a Responsável Solidária Sercopel, com data de 01/12/2003, cujo objeto consistia na prestação de serviços de importação por conta e ordem de terceiros, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 225, de 2002. Por todas essas razões, além da existência das provas documentais, retratando a transferência dos recursos financeiros da Sercopel para a Autuada, o que, por si só, já seria suficiente para comprovar a prática da infração em tela, há nos autos um conjunto de provas indiciárias que, de modo congruente, conduz a conclusão inevitável de que Autuada apenas cedera o seu nome, com vista a ocultação da real adquirente da mercadoria, complementando o ajuste doloso que resultou na concretização da infração por interposição fraudulenta, sancionada com a multa objeto da presente autuação. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 14 Da infração cometida e da penalidade aplicável: princípio da retroatividade benigna. No caso em tela, como a referida infração foi cometida antes da vigência do art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, pela prática da infração capitulada no inciso V do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, pela simples cessão do nome, na condição de importador ostensivo, a Recorrente também respondia pela pena de perdimento da mercadoria por dano ao erário, prevista no § 1º do citado art. 23, ou sua sucedânea, a multa de 100% (cem por cento) do valor aduaneiro, estabelecida no § 3º do citado art. 23, em regime de coautoria e solidariedade com o real adquirente ou importador de fato, conforme explicitado precedentemente. Porém, em relação ao importador ostensivo, a penalidade 100% (cem por cento) do valor aduaneiro foi reduzida para 10% (dez por cento) do valor da operação, em decorrência, tratandose de ato não definitivamente julgado, no presente caso, deve ser reconhecido em favor da Recorrente o efeito da retroatividade benigna, previsto na alínea “c” do inciso II do artigo 106 do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessa forma, com respaldo no art. 100, combinado com o inciso V do art. 95, do Decretolei nº 37, de 1966, entendo que a Autuada e a Responsável Solidária, pela prática da infração objeto da presente autuação, respondem de forma distinta, a saber: a) a Autuada (Cristal) pela multa de 10% (dez por cento) do valor operação, nos termos do caput do art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007; e b) a Responsável Solidária (Sercopel) pela multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, fixada no § 3º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a nova redação. Da manutenção da multa em Da conclusão. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao presente Recurso, para, em favor apenas da Autuada, reduzir para 10% (dez por cento) o valor da multa aplicada, devendo ser mantida a cobrança da multa de 100% (cem por cento) cominada à Responsável Solidária, Sercopel Importação e Comércio de Papéis Ltda. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Voto Vencedor Fl. 14DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 12466.003440/200896 Acórdão n.º 380200.668 S3TE02 Fl. 747 15 Conselheiro Regis Xavier Holanda, Redator designado. Da interposição fraudulenta de terceiros A ocultação, em operações de importação, do real comprador ou do responsável pela operação encontra tratamento normativo no artigo 23 do Decretolei nº 1.455/76 incluído pela Lei nº 10.637/02, in verbis: Decretolei nº 1.455/1976 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) §1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) §2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) O auto de infração objeto do presente processo trata de conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias por ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou responsável pelas operações de importação (Sercopel Importação e Comércio de Papéis Ltda.), mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros. Vencida a questão probatória pelo voto apresentado pelo i. relator, restanos agora a análise de questão eminentemente jurídica também suscitada nos presentes autos: o cabimento ou não de aplicação retroativa do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 à importadora ostensiva. O dispositivo em comento apresenta a seguinte redação, in verbis: Fl. 15DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 16 Lei nº 11.488/2007 Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O referido artigo 816 da Lei nº 9.430/96 assim dispõe: Art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato. § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. § 2o Para fins do disposto no § 1o, a comprovação da origem de recursos provenientes do exterior darseá mediante, cumulativamente: I prova do regular fechamento da operação de câmbio, inclusive com a identificação da instituição financeira no exterior encarregada da remessa dos recursos para o País; II identificação do remetente dos recursos, assim entendido como a pessoa física ou jurídica titular dos recursos remetidos. § 3o No caso de o remetente referido no inciso II do § 2o ser pessoa jurídica deverão ser também identificados os integrantes de seus quadros societário e gerencial. § 4o O disposto nos §§ 2o e 3o aplicase, também, na hipótese de que trata o §2º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976. Após análise conjunta da regra do art. 33 da Lei nº 11.488/07 com a disposta no art. 23, V e parágrafos do Decretolei nº 1.455/76, curvome ao entendimento de que a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada conferiu uma nova penalidade que é aplicável ao importador ou exportador ostensivo cumulativamente ao perdimento da mercadoria importada ou à sua conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. 6 Redação atual do caput do art. 81 da Lei nº 9.430/96, dada pela Lei nº 11.941, de 2009: Art. 81. Poderá ser declarada inapta, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que, estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos em 2 (dois) exercícios consecutivos. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 12466.003440/200896 Acórdão n.º 380200.668 S3TE02 Fl. 748 17 Com efeito, temos aqui penalidades de naturezas diversas: uma relativa ao controle aduaneiro consubstanciada no perdimento da mercadoria; e a outra advinda do descumprimento de uma obrigação tributária acessória. Sobre a matéria, pela profundidade e clareza com que o tema foi abordado, adoto como fundamento trechos do voto proferido pelo i. julgador Fernando Sérgio Tavares e Sales em julgamento realizado pela 7ª Turma da DRJ/FOR relativo ao Processo nº 10142.000462/200821, abaixo reproduzidos literalmente: “Da alegação da cessão de nome da pessoa jurídica ................................................................................................... De pronto, não é demais ressaltar que toda cessão fraudulenta de nome empresarial a terceiros para o escamoteado exercício do comércio internacional provoca a ocorrência, simultânea, de interposição fraudulenta, obtendo tal situação fática reprimenda, de forma cumulativa, tanto relacionada ao objetivo perdimento da mercadoria – Dano ao Erário: pena de natureza administrativa/controle aduaneiro quanto à penalidade inaugurada no artigo 33 acima colocado – Obrigação tributária acessória: pena face ao seu descumprimento. Porém, nem toda interposição fraudulenta de terceiros é alimentada pela cessão indevida do nome empresarial da importadora/exportadora como podemos citar a presunção debatida nestes autos , subsumindose tal acontecimento à pena de perdimento, no entanto motivando o afastamento da segunda penalidade aqui em debate. ................................................................................................... De qualquer sorte, apesar de fugir ao caso específico em apreço, cabe revelar que a pena de perdimento da mercadoria, prescrita no inciso V do art. 23 do Decretolei nº 1.455/1976, e a penalidade pecuniária estabelecida no art. 33 da Lei nº 11.488/2007 exprimem censuras autônomas, conseqüentemente, são passíveis de aplicação cumulativa. ................................................................................................... Ao caso, portanto, é aplicável a pena de perdimento às mercadorias, no entanto não passível de operacionalização em virtude da impossibilidade material da cominação dessa sanção, tendo em vista a ausência da localização das mercadorias ou mesmo a ocorrência do seu consumo. Dessa maneira, conforme já exposto, o diploma legal estabelece a aplicação de penalidade substitutiva, no importe equivalente ao valor destas, no entanto, vale firmar: aludida ação punitiva substitutiva, em que pese apresentarse sob feição tributária, não desnatura a sua essência aduaneira/administrativa, ou melhor, não tributária. Portanto, o lançamento tem seu núcleo centrado na pena de perdimento da mercadoria. O objeto primário da reprimenda administrativa, desse modo, é a apreensão da mercadoria em face, “primeiro”, do importador/exportador ostensivo – Fl. 17DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 18 explicitado no conhecimento de transporte/fatura/nota fiscal/registro da DI/RE e ulterior decretação de sua perda em favor da União. Recorri ao termo “primeiro”, pois é assente, nos termos da legislação norteadora da matéria (art. 95, Decretolei nº 37/66), que eventual outro agente que concorra para tal prática, igualmente, integrará o pólo passivo da demanda fiscal, desta feita, sob condição solidária. O crédito tributário, na espécie, é fruto da impossibilidade da execução dessa sanção administrativa, redundando, logo, em exação no importe equivalente ao quantum dessas mercadorias. Logo, fossem, nesse passo, apresentadas as mercadorias não existiria o presente crédito tributário. Ou mesmo, se citada inflição fosse decretada no anterior curso do despacho aduaneiro, portanto com as mercadorias então palpáveis, igualmente, aludido crédito tributário não se lhe sucederia, pois a pena de perdimento seria ali cominada em face daquele agente apresentado como importador. Tal mesma exegese não se pode colher do escopo legal emanado do artigo 33 da Lei n° 11.488/07, adiante posto: ................................................................................................... Analisando o dispositivo, percebese que citado diploma legal visa punir a pessoa jurídica que cede seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas a eclipsálos, ou seja, ocultando seus reais intervenientes ou beneficiários. Desse modo, a pena administrativa de perdimento aqui tratada assenta a implementação de seu foco punitivo, de per si, na mercadoria, ou melhor, no afastamento de sua propriedade; já a punição estabelecida pela novel norma, sem prejuízo da primeira cominação, materializase em penalidade pecuniária específica a quem lhe deu causa, ou seja, ao específico agente que promoveu a cessão de seu nome a outrem com o fito de afastar, da ciência das autoridades aduaneiras, a participação da cessionária. ................................................................................................... Na nova norma punitiva supra, depreendese que o verbo do seu tipo é ceder. Tal norma se destina, assim, a censurar, mediante aplicação de multa pecuniária, o específico ato do agente que promove a cessão de seu nome empresarial a outrem para subtraílo da figuração, notadamente, do ato primeiro do iter procedimental da importação, e último, da exportação. Convém, logo, realçar que o tipo colocado pela Lei nº 11.488/07 não encampa conduta meramente culposa do agente infrator, pois nele próprio há previsão explícita do nocivo desiderato do agente, qual seja, “com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários”, o que atrai a natureza dolosa desse cometimento. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 12466.003440/200896 Acórdão n.º 380200.668 S3TE02 Fl. 749 19 A censura à interposição fraudulenta de terceiros, nos termos do inciso V do art. 23 do Decretolei nº 1.455/1976, repercute no bem objeto da transação simulada e, por conseqüência, sobretudo, em seu então proprietário, explicitado no B/L, fatura, nota fiscal, contratos, etc. Diante da inviabilidade da materialização da sanção, conforme visto, há que ser promovida a constituição do crédito tributário, sob a vertente da penalidade pecuniária. Nesse novo turno, em desfavor de quem? Ora, em desfavor do proprietário da mercadoria, bem como daquele que efetivamente logrou fomentar a interposição vedada, decisivamente concorreu para a interposição fraudulenta, aquele, portanto, que almejou beneficiarse da operação simulada, conforme norte claro emanado do art. 95 do Decretolei nº 1.455/1976. A reprimenda à cessão é personalíssima ao agente cedente, logo destinada especificamente:“a pessoa jurídica que ceder seu nome”, diferentemente da interposição fraudulenta, a qual comporta repreender o fato: interposição dolosa, mediante a incidência da decretação da perda do bem ali envolvido, portanto em desfavor, em última análise, do seu proprietário, bem como de quem concorreu, indevidamente, para essa relação de propriedade, mesmo que, naquele ínterim, velado. Na ausência do objeto dessa inflição, toma assento, alternativamente, o crédito tributário. Conseqüentemente, na espécie, os agentes que, inequivocamente, entremearamse para tal fato, qual seja, a vedada interposição, colocamse perante o fisco na condição de solidários em face da exação substituta, pois, cristalinamente, concorreram para referida defesa prática, sendo a pluralidade da sujeição passiva do lançamento intrínseca à infração. ................................................................................................... Ao revés, trilho o entendimento de que tal pena de 10% veio acompanhar a cominação da penalidade substitutiva do perdimento, sendo a primeira com foco exclusivo no cedente, ao passo que a última endereçada tanto ao cedente quanto àquele que concorreu dolosamente para o fato: interposição fraudulenta, por exemplo, o agente adquirente do bem. ................................................................................................... Sobre o aspecto da vedação à decretação da inaptidão do CNPJ do cedente, por seu turno, desta forma estabelecia o então vigente caput do dispositivo acima referenciado da Lei nº 9.430/96, posteriormente alterado pela MP 449/2008 e pela Lei nº 11.941/2009, assim como os demais dispositivos do artigo em referência: Art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Fl. 19DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 20 Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato.7 § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. § 2o Para fins do disposto no § 1o, a comprovação da origem de recursos provenientes do exterior darseá mediante, cumulativamente: I prova do regular fechamento da operação de câmbio, inclusive com a identificação da instituição financeira no exterior encarregada da remessa dos recursos para o País; II identificação do remetente dos recursos, assim entendido como a pessoa física ou jurídica titular dos recursos remetidos. § 3o No caso de o remetente referido no inciso II do § 2o ser pessoa jurídica deverão ser também identificados os integrantes de seus quadros societário e gerencial. § 4o O disposto nos §§ 2o e 3o aplicase, também, na hipótese de que trata o § 2o do art. 23 do DecretoLei no 1.455, de 7 de abril de 1976. [...] Convém iterar que o parágrafo único do supramencionado art. 33 da Lei nº 11.488/07 reforça a intenção do legislador de punir, também, a estrita indevida conduta da cessão jungida ao nome da pessoa jurídica, quando estabelece que, em tal hipótese, não se aplica o disposto no artigo 81 da Lei n° 9.430/96, que determina, sem prejuízo da pena de perdimento do bem, a declaração de inaptidão do correspondente CNPJ instrumento de exercício do poder de polícia com o intuito de evitar fraudes e combater o uso abusivo da pessoa jurídica. Com a edição da Lei nº 11.488/2007, em razão do contido no parágrafo único de seu artigo 33, o parlamento entendeu não mais aplicar o disposto no artigo 81 da Lei nº 9.430/1996, ou seja, não mais se declarar inapta a pessoa jurídica naquelas situações que especifica. ................................................................................................... Vale sublinhar, por último, que a pena de perdimento, com efeito, tem natureza diversa da sanção de inaptidão do CNPJ, a despeito de ambas, para o caso em apreço, descenderem do mesmo fato jurígeno. Enquanto esta tem como objeto de execução direta o alicerce cadastral da pessoa jurídica – interditando, por conseguinte, a continuidade do seu exercício empresarial, aquela é de controle aduaneiro, pesando sua aplicação sobre as mercadorias importadas ou exportadas em situação irregular. Dessa maneira, conseqüentemente, são passíveis também, de forma legítima, de aplicação cumulativa. 7 Redação atual do caput do art. 81 da Lei 9.430/96, dada pela Lei nº 11.941/2009: “Art. 81. Poderá ser declarada inapta, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que, estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos em 2 (dois) exercícios consecutivos.” Fl. 20DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 12466.003440/200896 Acórdão n.º 380200.668 S3TE02 Fl. 750 21 A Lei nº 11.488/2007, no específico dispositivo em estudo, ao mesmo tempo em que determinou a obstaculização da sanção de inaptidão à pessoa jurídica infratora, previu a exigência de multa pecuniária por tal defeso agir. Essa substituição de penalidade, ou mesmo, essa impressão de maior rigor civil a tal cometimento em nada altera sua natureza e, portanto, resta mantida a possibilidade de sua exigência simultânea com a pena de perdimento – ou a que lhe é substitutiva que, notese, até a presente data, não foi revogada. Conforme o exposto, concluise que, a partir da introdução da multa pelo artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, além do perdimento do bem correspondente, a nova lei atribuiu penalidade pecuniária dirigida diretamente àquele que cedeu o seu nome para acobertar a operação de comércio exterior de terceiros, não se tratando, pois, de abrandamento de uma penalidade para determinada infração, mas a introdução da aplicação de uma penalidade pecuniária diretamente sobre o agente da ação. Ainda, nesse diapasão, como pressuposto subsidiário à conclusão aqui chegada, a existência ou não das mercadorias, seu consumo ou não, sua localização ou não, enfim, todas estas possíveis situações não afetariam a constituição do crédito tributário fundado no artigo 33 da Lei n° 11.488/07. Portanto, clara está a natureza distinta das previsões legais, não se acatando portanto a preliminar suscitada. Por derradeiro, apenas a título complementar, cumpre assinalar, por oportuno, que, em cunho simplesmente interpretativo e elucidativo, o novo regulamento aduaneiro, estabelecido pelo Decreto nº 6.759, de 05/02/2009, revela a perfeita independência entre as infrações em tela, descabendo falar no afastamento da pena de perdimento em prol da cominação exclusiva insculpida no art. 33 da Lei nº 11.488/07. Deste modo prescreve esse diploma normativo: Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 1o A multa de que trata o caput não poderá ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais) (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 2o Entendese por valor da operação aquele utilizado como base de cálculo do imposto de importação ou do imposto de exportação, de acordo com a legislação específica, para a operação em que tenha ocorrido o acobertamento. Fl. 21DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 22 § 3o A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas. (grifei). Assim, descabe acolhimento quanto ao entendimento da impugnante a respeito da eventual substituição da multa ora exigida pela multa prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. Em verdade, aludida propositura da impugnante não promove a nulidade desta exação, antes solidifica seus fundamentos.” Dessa forma, exprimindo a pena de perdimento da mercadoria – e a penalidade substitutiva de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando não localizada ou consumida , prescrita no art. 23, inciso V e parágrafos do Decretolei nº 1.455/1976, e a penalidade pecuniária estabelecida no art. 33 da Lei nº 11.488/2007 censuras autônomas e passíveis, portanto, de aplicação cumulativa, não há que se falar em aplicação retroativa benigna desse último dispositivo normativo no presente caso. Da conclusão Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário. Sala das Sessões, em 30 de agosto de 2011. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Fl. 22DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA
score : 1.0
Numero do processo: 35013.002182/2006-92
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/2004
PERÍCIA - NECESSIDADE - COMPROVAÇÃO - REQUISITOS - CERCEAMENTO DE DEFESA - NÃO OCORRÊNCIA.
Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova.
INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE.
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior.
Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO - INFRAÇÃO.
Consiste em infração à legislação previdenciária, a empresa deixar de arrecadar, mediante desconto, as contribuições devidas pelo contribuinte individual transportador rodoviário autônomo, destinadas ao SEST a ao SENAT, incidentes sobre o valor do frete.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 206-01.877
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: 1) em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada: e II) no mérito, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/2004 PERÍCIA - NECESSIDADE - COMPROVAÇÃO - REQUISITOS - CERCEAMENTO DE DEFESA - NÃO OCORRÊNCIA. Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO - INFRAÇÃO. Consiste em infração à legislação previdenciária, a empresa deixar de arrecadar, mediante desconto, as contribuições devidas pelo contribuinte individual transportador rodoviário autônomo, destinadas ao SEST a ao SENAT, incidentes sobre o valor do frete. Recurso Voluntário Negado.
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Meou 752748 -4;ustAkItil -4,-,7t--- MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 45....:H. ,kT,-> SEXTA CÂMARA Processo n° 35013.002182/2006-92 Recurso n° 145.781 Voluntário Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Acórdão e 206-01.877 Sessão de 05 de fevereiro de 2009 Recorrente CONDOMÍNIO SHOPPING ITAIGARA Recorrida SRP - SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA (RECEITA FEDERAL DO BRASIL) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração- 01/03/1996 a 31/12/2004 PERÍCIA - NECESSIDADE - COMPROVAÇÃO - REQUISITOS - CERCEAMENTO DE DEFESA - NÃO OCORRÊNCIA. Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO - INFRAÇÃO. Consiste em infração à legislação previdenciária, a empresa deixar de arrecadar, mediante desconto, as contribuições devidas pelo contribuinte individual transportador rodoviário autônomo, destinadas ao SEST a ao SENAT, incidentes sobre o valor do frete. Recurso Voluntário Negado. i ____ r CCITAF Sexta Câmara • CONFERE COMO ORIGINAL Processo n°35013.002182/2006-92CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.877 Breallle 0(7 F1s. 190 Metia E Pinto Mat. Slape 7127 ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: 1) em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada: e II) no mérito, em negar provimento ao recurso. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente A trIARIA BANDE Relatora -- Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, acusa Vieira de Souza, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 r COME sena Camara CONFERE COMO ORIGINAL Processo n°35013.00218212006-92 CCO21C06 Acórdão n.° 206-01.877 fip€-Lag_ Fls. 191 Marfa Edn ~Pinto MM. Slape 752748 Relatório Trata-se de Auto de Infração, lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no art. 2° § 3°, aliena "a" do Decreto n° 1.007/1993 c/c o artigo 33, § 5° da Lei n° 8.212/1991, que consiste em a empresa deixar de arrecadar, mediante desconto, as contribuições devidas pelo contribuinte individual transportador rodoviário autônomo, destinadas ao SEST a ao SENAT, incidentes sobre o valor do frete. O Relatório Fiscal da Infração (fls. 18), informa que no Relatório de Lançamentos da NFLD n° 35.690.840-2 encontram-se especificados (levantamentos FRA e FRN) o valor da remuneração, bem como as competências e contas contábeis em que foram contabilizados os pagamentos. Tais levantamentos compreendem as seguintes competências: FRA — 03/1996 a 12/1998 e FRN - 01/1999 a 12/2004. A autuada apresentou defesa (fls. 94/113) onde alega que tal obrigação acessória não tem respaldo legal e que a autoridade tributante deve seguir o comando da lei. Argumenta a impossibilidade jurídica de penalizar o contribuinte por descumprimento de obrigação acessória não prevista em lei. Aduz que a previsão contida no Decreto n° 1.007/1993 é totalmente ilegítima, uma vez que o Poder Executivo não teria competência para alargar o quanto estabelecido na Lei através de Decreto e imputar aos contribuintes multas exorbitantes. Alega a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária destinada ao SEST/SENAT. Considera que nas multas aplicadas foram utilizados índices absurdamente elevados e fora da realidade e da normalidade prevista pela sistemática legal vigente. Requer as benesses que a legislação lhe assegura, por ser primário e solicita revisão fiscal com realização de perícia no estabelecimento da autuada. Pela Decisão-Notificação n° 04.401.4/0073/2006 (fls. 120/130), a autuação foi considerada procedente. A autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 116/123) onde efetua a repetição das alegações de defesa e reforça a alegação de que faria jus à aplicação de atenuante de penalidade, em razão de sua primariedade. A SRP apresentou contra-razões (fls. 184/187) onde mantém a procedência da autuação. É o relatório. 3 — - 2° CC/MF Sana nen CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 35013.002182/2006-92 CCO2/C06 Acórdão n.°206-01.877 F. 192 rngj Marta Edna 51888 752748 t° Voto Conselheira ANA MARIA BANDEIRA, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Segundo o Relatório Fiscal de Infração, a autuada deixou arrecadar, mediante desconto, as contribuições devidas pelo contribuinte individual transportador rodoviário autónomo, destinadas ao SEST a ao SENAT, incidentes sobre o valor do frete. Inicialmente cumpre afastar a alegação de nulidade do auto de infração por suposta violação aos princípios da legalidade. A autuação em referência foi efetuada na estrita observância das disposições que regem a matéria e que foram devidamente informadas ao sujeito passivo. A auditoria fiscal, em ação fiscal realizada na recorrente, verificou que a empresa não efetuou o desconto das contribuições destinadas ao SEST/SENAT sobre os valores dos fretes, no período compreendido entre 03/1996 a 12/2004, conforme determina a legislação de regência. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento. O ceme dos argumentos da recorrente repousa no questionamento da constitucionalidade e na legalidade dos dispositivos legais que instituíram a contribuição destinada ao SEST/SENAT, bem como o que determina a obrigatoriedade do tomador de serviços de frete em arrecadar e recolher tais contribuições. Também alega que a multa seria confiscatória. Pelo princípio da legalidade, não cabe ao julgador no âmbito administrativo deixar de aplicar dispositivo legal vigente no ordenamento jurídico. O controle da constitucionalidade no Brasil é do tipo jurisdicional, que recebe tal denominação por ser exercido por um órgão integrado ao Poder Judiciário. O controle jurisdicional da constitucionalidade das leis e atos normativos, também chamado controle repressivo típico, pode se dar pela via de defesa (também chamada controle difuso, aberto, incidental e via de exceção) e pela via de ação (também chamada de controle concentrado, abstrato, reservado, direto ou principal), e até que determinada lei seja julgada inconstitucional e então retirada do ordenamento jurídico nacional, não cabe à administração pública negar-se a aplicá-la; Ainda excepcionalmente, admite-se que, por ato administrativo expresso e formal, o chefe do Poder Executivo (mas não os seus subalternos) negue cumprimento a uma lei ou ato normativo que entenda flagrantemente inconstitucional até que a questão seja apreciada pelo Poder Judiciário, conforme já decidiu o STF (RTJ 151/331). No mesmo sentido decidiu o Tribunal de Justiça de São Paulo: 4 2* CCRAF Stda Camara CONFERE COM O ORIGINAL Processo n'35013.002182/2006-92 Brasilla tan.a. CCO2/C06 Acórdão n." 206-01.877 193Maria Ed ra to Fls. Mat. Sla pot 782748 "Mandado de segurança - Ato administrativo - Prefeito municipal - Sustação de cumprimento de lei municipal - Disposição sobre reenquadramento de servidores municipais em decorrência do exercício de cargo em comissão - Admissibilidade - Possibilidade da Administração negar aplicação a uma lei que repute inconstitucional - Dever de velar pela Constituição que compete aos três poderes - Desobrigatoriedade do Executivo em acatar normas legislativas contrárias à Constituição ou a leis hierarquicamente superiores - Segurança denegada - Recurso não provido. Nivelados no plano governamental, o Executivo e o Legislativo praticam atos de igual categoria, e com idêntica presunção de legitimidade. Se assim é, não se há de negar ao chefe do Executivo a faculdade de recusar-se a cumprir ato legislativo inconstitucional, desde que por ato administrativo formal e expresso declare a - sua recusa e aponte a incon.stitucionalidade de que se reveste (Apelação Cível n. 220.155-1 - Campinas - Relator: Gonzaga Franceschini - Juis Saraiva 21). (g. n)." Ademais, tal questão já se encontra sumulada no âmbito do Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda que pela Súmula n° 02 publicada no DOU em 26/09/2007, decidiu o seguinte: "Súmula n°2 - O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.". A autuada alega que teria beneficio de atenuação ou mesmo relevação da multa. A atenuação da multa é possível ainda que não solicitada pelo sujeito passivo, quando ocorrida a circunstância atenuante consubstanciada na correção da falta até a decisão da autoridade competente conforme dispõe o inciso V do art. 292 do Decreto n°3.048/1999. A relevação de multa tem previsão no § 1 0 do art. 291 do mesmo decreto que versa o seguinte: "5 1° A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante." Como se vê, embora a recorrente pleiteie os encimados benefícios, não comprovou ter preenchido os requisitos para tanto. Cumpre lembrar que a infração tipificada sequer permite correção, uma vez que o desconto se dá no momento do pagamento ao prestador de serviços. Passado tal momento, não há mais possibilidade de se efetuar a arrecadação da contribuição. Quanto ao pedido de perícia, tal qual o julgador de primeira instância, entendo que o mesmo não se mostra necessário. A necessidade de perícia para o deslinde da questão tem que restar demonstrada nos autos. No que tange à perícia, o Decreto n° 70.235/1972 estabelece o seguinte: 2• Cella Sexta Camara CONFERE COMO ORIGINAL Processo e 35013.002182/2006-92 CCO2/036 Acórdão n. • 206-01.877 ornnia. i li 04 Fls. 194 Marta E n Into Mat. Slap• 782748 "Art16 - A impugnação mencionará: IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualcação profissional de seu perito; § 1° - Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16." Da leitura do dispositivo, verifica-se que a recorrente não cumpriu os requisitos necessários à formulação de perícia. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso, REJEITAR AS PRELIMINARES e NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 05 de fevereiro de 2009 MARIA BANDEI2A 6 Page 1 _0072600.PDF Page 1 _0072700.PDF Page 1 _0072800.PDF Page 1 _0072900.PDF Page 1 _0073000.PDF Page 1
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Numero do processo: 12466.000631/2007-15
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 08/10/2002, 03/09/2003
NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). SAL SÓDICO DE
CARBOXIMETILCELULOSE, DENOMINADO COMERCIALMENTE
“PERIDUR 330”. ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO.
O saldo sódico de carboximetilcelulose, denominado comercialmente
“Peridur 330”, identificado em laudo técnico do Laboratório de Análise (Labor) como sendo um “sal sódico de carboximetilcelulose com teor de pureza não superior a 75%”, classifica-se no código NCM 3912.31.29.
INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES.
FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO SUJEITO A
LICENCIAMENTO NÃO-AUTOMÁTICO. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO.
ATIPICIDADE. INAPLICABILIDADE.
Não constitui infração administrativa ao controle administrativo das importações, materializada pela falta LI, a operação de importação de mercadoria sujeita a licenciamento, cuja classificação fiscal errônea na NCM exija novo licenciamento, automático ou não, desde que a mercadoria: (i) esteja corretamente descrita, com todos os elementos necessários à sua
identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado; e (ii) não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má-fé por parte do declarante.
MULTA REGULAMENTAR. CLASSIFICAÇÃO FISCAL
ERRÔNEA.TIPICIDADE. APLICABILIDADE.
O incorreto enquadramento tarifário do produto na NCM constitui infração regulamentar por erro de classificação fiscal, descrita no inciso I do art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor da mercadoria.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-000.658
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao presente Recurso para excluir a multa do controle administrativo das importações no valor equivalente a 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. Ausente momentaneamente a Conselheira Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 08/10/2002, 03/09/2003 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). SAL SÓDICO DE CARBOXIMETILCELULOSE, DENOMINADO COMERCIALMENTE “PERIDUR 330”. ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. O saldo sódico de carboximetilcelulose, denominado comercialmente “Peridur 330”, identificado em laudo técnico do Laboratório de Análise (Labor) como sendo um “sal sódico de carboximetilcelulose com teor de pureza não superior a 75%”, classificase no código NCM 3912.31.29. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO SUJEITO A LICENCIAMENTO NÃOAUTOMÁTICO. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. ATIPICIDADE. INAPLICABILIDADE. Não constitui infração administrativa ao controle administrativo das importações, materializada pela falta LI, a operação de importação de mercadoria sujeita a licenciamento, cuja classificação fiscal errônea na NCM exija novo licenciamento, automático ou não, desde que a mercadoria: (i) esteja corretamente descrita, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado; e (ii) não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou máfé por parte do declarante. MULTA REGULAMENTAR. CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA.TIPICIDADE. APLICABILIDADE. O incorreto enquadramento tarifário do produto na NCM constitui infração regulamentar por erro de classificação fiscal, descrita no inciso I do art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor da mercadoria. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 124DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11083.EJF7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao presente Recurso para excluir a multa do controle administrativo das importações no valor equivalente a 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. Ausente momentaneamente a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 18/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 0720.228, de 11 de junho de 2010 (fls. 76/80), proferido pelos membros da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC (DRJ/FNS), em que, por maioria de votos, julgaram improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 08/10/2002, 03/09/2003 SAL SÓDICO DE CARBOXIMETILCELULOSE. CLASSIFICAÇÃO. Classificase na NCM 3912.31.29 o sal sódico de carboximetilcelulose. LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO O Licenciamento de Importação LI traz uma identidade específica do produto importado. Assim, caso haja diferença de espécie entre o produto para o qual foi obtida a LI e o realmente importado se caracterizará a falta de LI. MULTA POR FALTA DE LI. TIPIFICAÇÃO Todas as vezes que a espécie do produto importado difira daquele para o qual foi obtida a LI, estará tipificado o fato para a aplicação da multa por falta de LI. Ainda que presente essa tipificação a SRF cancelou seus efeitos para os casos em que, na DI, o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, Fl. 125DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11083.EJF7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.000631/200715 Acórdão n.º 380200.658 S3TE02 Fl. 105 3 em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Ocorrido o fato típico e não se enquadrando o importador nos casos de cancelamento de seus efeitos é exigível a multa por falta de LI. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Por bem descrever os fatos ocorridos até prolação da decisão de primeiro, adoto o Relatório encartado no Acórdão recorrido, que segue transcrito: O presente processo referese ao Auto de Infração lavrado para a exigência da multa regulamentar proporcional ao valor aduaneiro no valor de R$ 19.337,45 e da multa por falta de licenciamento no valor de R$580.123,77. As exigências em tela foram originadas de revisão aduaneira nas DI’s n.ºs 02/08974487 e 03/07533110, onde foram procedidas a reclassificação tarifária das mercadorias submetidas a despacho aduaneiro descritas como “Aglomerante orgânico – outros carboximetilcelulose em formas primárias (sal de carboximetilceluloses modificado para processo de pelotização de minerio de ferro) – PERIDUR. A importadora classificou as mercadorias na TEC no código 3912.31.19, com suspensão de tributos em virtude dos Atos Concessórios de Drawback n.ºs 20020112416 e 20030075696. Por ocasião da conferência física da mercadoria importada através da DI n.º 03/02568276 (fls. 11/17), foi retirada amostra do produto e submetida à análise pelo laboratório de Análises LABOR, resultando no laudo de fls. 18, com a conclusão de que o produto tratavase de “sal sódico de carboximetilcelulose com teor de pureza não superior a 75% em peso”. Para este produto o código NCM correto é 3912.31.29. Referido laudo foi utilizado para reclassificar as mercadorias das DI’s autuadas em revisão aduaneira. A fiscalização após a reclassificação tarifária das mercadorias, aplicou a multa por falta de LI, já que as mesmas não estavam corretamente descritas e a multa por erro de classificação fiscal.importação Após retirada de amostra, foi emitido Laudo de Análise pelo Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda (fls. 29), que concluiu que a mercadoria em questão tratavase de “sal sódico de carboximetilcelulose com teor de pureza não superior a 75% em peso”. A fiscalização, então, reclassificou a mercadoria para o código NCM 3912.31.29. Cópia das DI’s às fls. 28/30 e 40/42. Devidamente intimada da autuação, a importadora apresentou a impugnação de fls. 48/55, alegando, em síntese, o que segue: Fl. 126DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11083.EJF7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 1) Que a atuação fiscal baseouse na desclassificação do produto importado do código NCM 3912.31.19 para o código NCM 3912.31.29, para exigirlhe as multas em questão. 2) De acordo com o Laudo de Análise apresentado pela fiscalização, o produto denominado Peridur 330 tem um teor de pureza, ou seja, de carboximetilcelulose, de 73,4%. Desta forma o produto está corretamente classificado na posição 3912.31.19 que alberga carboximetilcelulose com teor de pureza inferior a 75% em peso. 3) Apresenta uma declaração traduzida da exportadora/produtora Akzo Nobel Funcional Chemicals às fls. 69/71, onde a mesma afirma que o Peridur 330 é formulado com 75% de CMC puro por peso, apresentando sua composição e confirmando a classificação adotada pela importadora. 4) Descreve a cadeia produtiva da impugnante e a utilização do Peridur 330 como insumo empregado no processo de pelotização de minérios de ferro. Ora, ao adquirir o produto, busca justamente o princípio ativo carboximetilcelulose e não um sal. 5) A fiscalização aplicou indevidamente a multa prevista no art. 169 do DecretoLei n.º 37/66, já que a mesma é aplicável para importação sem guia de importação ou documento equivalente, não cominando penalidades para a suposta falta de elementos necessários a sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. Não que se cogitar que a interpretação dada pelo Ato declaratório nº 12/97 autorizaria a aplicação desta penalidade. 6) Estando correta a classificação do produto importado, não há que se falar também na aplicação da penalidade do art. 84, I, da medida Provisória n.º 2.15835/2001. Pede, então, a insubsistência do lançamento. Sobreveio o Acórdão recorrido, sendo dele cientificada a Autuada, via postal (fl. 81v), em 08/09/2010. Inconformada, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 83/90, protocolado em 30/09/2010 (fl. 83), em que reafirmou as razões de defesa aduzidas na peça impugnatória. Em aditamento, em síntese, alegou que a Declaração de Voto integrante do do referido julgado esclarecia que a Recorrente prestara todas as informações necessárias para classificação fiscal, o que, no mínimo, tem o condão de afastar a aplicação da multa exigida por falta de Licença de Importação (LI). No final, requereu o conhecimento e provimento do presente Recurso, para que fosse reformado o Acórdão recorrido, cancelando a exigência fiscal vergastada. Em cumprimento ao despacho de fl. 103 (sem numeração), os presentes autos foram enviados a este e. Conselho. Na Sessão de abril de 2011, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações posteriores, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro. É o relatório. Voto Fl. 127DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11083.EJF7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.000631/200715 Acórdão n.º 380200.658 S3TE02 Fl. 106 5 Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso foi apresentado por parte legítima e em tempo hábil, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, portanto, dele tomo conhecimento. Do objeto da presente controvérsia. Conforme delineado no Relatório precedente, o ponto fulcral da presente controvérsia limitase à identificação das mercadoria importada pela Recorrente, ou seja, se se trata de carboximetilcelulose ou sal de carboximetilcelulose. Para Recorrente, o produto importado, denominado comercialmente de Peridur 330, tinha um teor de pureza, ou seja, de carboximetilcelulose, de 73,4%, logo, estaria corretamente classificado no código 3912.31.19 da NCM “outros carboximetilcelulose” , que albergava a carboximetilcelulose com teor de pureza inferior a 75% em peso. Nas Declarações de Importação de fls. 28/30 e 40/42, consta a seguinte descrição detalhada da mercadoria: AGLOMERANTE ORGÂNICOOUTROS CARBOXIMETELCELULOSES EM FORMAS PRIMARIAS (SAL DE CAIZBOXIMETILCELULOSES MODIFICADO PARA PROCESSO DE PELOTIZACAO DE MINERIO DE FERRO) PERIDUR (grifos não originais). Por sua vez, a Autoridade Fiscal reclassificou o citado produto para o código NCM 3912.31.29 “outros sais de carboximetilcelulose” , com base no Laudo Técnico de fl. 18, elaborada Laboratório de Análise (Labor), que concluiu que o citado produto tratavase de “sal sódico de carboximetilcelulose com teor de pureza não superior a 75% em peso”. Comparando os referidos códigos tarifários, verificase que a divergência situase em nível de item do código NCM, conforme abaixo descrito: 39.12 CELULOSE E SEUS DERIVADOS QUÍMICOS, NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES, EM FORMAS PRIMÁRIAS [...] 3912.3 Éteres de celulose 3912.31 Carboximetilcelulose e seus sais 3912.31.1 Carboximetilcelulose 3912.31.11 Com um teor de carboximetilcelulose superior ou igual a 75% em peso 3912.31.19 Outros 3912.31.2 Sais 3912.31.21 Com um teor de sais superior ou igual a 75%, em peso Fl. 128DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11083.EJF7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 3912.31.29 Outros [...] (grifos não originais) Dessa forma, verificase que a divergência quanto ao enquadramento tarifário situase em nível de item, isto é, enquanto a Recorrente atribuiu ao produto o item 3912.31.1 (Carboximetilcelulose) a Autoridade o enquadrou no item 3912.31.2 (Sais). Da identificação do produto. Na ausência de prova técnica adequada que demonstre a improcedência do Laudo Técnico do Labor (fl. 18), em conformidade como disposto no caput do art. 301 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), tenho como correta a descrição do produto nele apresentada. Aliás, essa descrição não discrepa da foi apresentada nas mencionadas DI que serviram de base para os procedimentos de despacho aduaneiro do produto. A declaração prestada pela exportadora/produtora Akzo Nobel Funcional Chemicals (fls. 69/71), embora traduzida para o vernáculo, por não ser uma prova técnica produzida na forma da legislação, no meu entendimento, não se constitui em prova hábil e idônea de modo a infirmar as informações e conclusões consignadas no citado Laudo Técnico. Alegou a Recorrente que a classificação fiscal por ela adotada estava correta, com base no argumento de que o citado produto tinha um teor de carboximetilcelulose superior a 50% (cinqüenta por cento) e inferior a 75% (setenta e cinco por cento), haja vista o citado Laudo Técnico tinha comprovado um grau de pureza de carboximetilcclulose de 60,74% (sessenta virgula setenta e quatro por cento). Não procede tal alegação, por uma razão óbvia. O teor de pureza de 60,74% (sessenta virgula setenta e quatro por cento), informado no Laudo Técnico do Labor, referese ao percentual do sal sódico de carboximetilcelulose e não da carboximetilcclulose. Foi baseada nessa constatação que analista concluiu que o produto seria um “sal sódico de carboximetilcelulose”. Dessa forma, fica demonstrado que inexiste nos autos qualquer prova hábil e idônea que infirmem a identificação do produto em tela, apresentado no referenciado Laudo Técnico. Da correta classificação fiscal do produto importado. Superada a etapa de identificação e tendo conta que o produto em tela tratase de um “sal sódico de carboximetilcelulose com teor de pureza não superior a 75%”, conforme descrito no Laudo Técnico do Labor, com respaldo nas Regras de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH) nºs 1 e 6, combinado com o disposto na Regra Geral Complementar nº 1 (RGC1)), induvidosamente, o seu enquadramento correto é no código NCM 3912.31.29, conforme entendimento da Autoridade Fiscal, ratificado pelo Acórdão recorrido. Da multa por classificação fiscal incorreta. A previsão legal da penalidade em epígrafe está assim descrita no inciso I do art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: 1 "Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres". Fl. 129DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11083.EJF7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.000631/200715 Acórdão n.º 380200.658 S3TE02 Fl. 107 7 Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; [...] De acordo com o disposto no referido preceito legal, resta esclarecido que a materialização da referida infração ocorre com cometimento de erro de classificação do produto em pelo menos uma das referidas nomenclaturas ou catálogos de detalhamento da mercadoria. No caso em tela, antes as conclusões anteriormente apresentadas, entendo que a referida infração encontrase devidamente caracterizada, haja vista que a Autuada atribuiu ao produto importado o código NCM 3912.31.19, quando o correto seria o código 3912.31.29 da NCM. Dessa forma, deve ser mantida a cobrança da referida multa, conforme proposto no Auto de Infração em apreço. Da multa por falta de Licença de Importação (LI). A infração administrativa ao controle das importações por falta de LI e a respectiva penalidade encontramse previstas na alínea “b” do inciso I do art. 169 do Decreto lei nº 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 2º da Lei nº 6.562/78, a seguir transcrita: Art.169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: I importar mercadorias do exterior: (...) b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: (Incluída pela Lei nº 6.562, de 1978) Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. (...) (grifos não originais). Com a implantação do Sistema Integrado do Comércio Exterior (Siscomex) – Módulo Importação, todo controle aduaneiro, administrativo e cambial das importações brasileiras passou a ser realizado no âmbito do referido Sistema. Na nova sistemática de controle administrativo das importações, a Guia de Importação (GI) foi substituída pela LI, passando a ser o novo documento base do controle Fl. 130DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11083.EJF7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 administrativo das importações, conforme estabelecido no § 1º do art. 6º2 do Decreto nº 660, de 25 de setembro de 1992. Na data em que ocorreram as operações de importação objeto da presente autuação, o controle administrativo das importações encontravase disciplinado nos arts. 7º a 19 da Portaria Secex nº 21, de 12 de dezembro de 1996. De acordo com o novo regime, as operações de importação passaram a ser submetidas a duas modalidades de licenciamento (arts. 7º a 9º3): automático ou não automático. O licenciamento automático era processado juntamente com o registro da DI e não estava sujeito à anuência prévia dos Órgão intervenientes no comércio exterior nem à emissão de LI. Por sua vez, o licenciamento não automático era solicitado pelo importador previamente ao embarque da mercadoria ou antes do registro da DI e estava sujeito à anuência prévia e a emissão de LI. Logo, na vigência do referido regime, somente o produto sujeito a licenciamento não automático estava sujeito ao controle administrativo e, por conseguinte, à obrigatoriedade de emissão de LI. Em decorrência, somente as operações de importação, processadas segundo o regime estabelecido para essa última modalidade de licenciamento, a falta de emissão da LI caracterizava a prática da infração em comento, sancionada com a penalidade fixada na alínea “b” do inciso I do art. 169 do Decretolei nº 37, de 1966. No caso em tela, o produto foi importado ao amparo do regime aduaneiro especial de drawback, portanto, nos termos no Anexo I do Comunicado Decex nº 37, de 17 de dezembro de 1997, estava sujeito a licenciamento não automático. Entretanto, ainda que obrigatória a emissão da LI, a mencionada infração não se materializa se configurado erro na classificação fiscal do produto e se atendidas as demais condições previstas no Ato Declaratório Normativo (ADN) Cosit nº 12, de 1997, a seguir transcrito: (...) não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação 2 "Art. 6° As informações relativas às operações de comércio exterior, necessárias ao exercício das atividades referidas no art. 2°, serão processadas exclusivamente por intermédio do SISCOMEX, a partir da data de sua implantação. § 1° Para todos os fins e efeitos legais, os registros informatizados das operações de exportação ou de importação no SISCOMEX, equivalem à Guia de Exportação, à Declaração de Exportação, ao Documento Especial de Exportação, à Guia de Importação e à Declaração de Importação. (...)" 3 Art. 7º O licenciamento das importações ocorrerá de forma automática e não automática e será efetuado por meio do SISCOMEX. [..] Art. 8º Nos casos de licenciamento automático, as informações de que trata o artigo anterior deverão ser prestadas no Sistema em conjunto com as informações exigidas para a formulação da declaração para fins de despacho aduaneiro da mercadoria. Art. 9º Nas importações sujeitas a licenciamento não automático, o importador deverá prestar no Sistema as informações a que se refere o art. 8º, previamente ao embarque da mercadoria no exterior ou antes do despacho aduaneiro, conforme o caso. Fl. 131DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11083.EJF7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.000631/200715 Acórdão n.º 380200.658 S3TE02 Fl. 108 9 indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. (grifos não originais). De acordo com o entendimento esposado no referenciado ADN, não caracteriza a infração administrativa ao controle administrativo das importações por falta de LI a operação de importação de mercadoria sujeita a licenciamento, cuja classificação fiscal errônea na NCM exija novo licenciamento, automático ou não, desde que a mercadoria: (i) esteja corretamente descrita, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado; e (ii) não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou máfé por parte do declarante. Em outras palavras, é condição necessária para a descaracterização da referida infração que (i) o erro de classificação fiscal esteja devidamente caracterizado e (ii) dele resulte a exigência de um novo licenciamento (automático ou não) para a mercadoria. Além disso, é exigido ainda que (i) o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários a sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado e (ii) não se constate, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. No caso presente, ficou demonstrado que o produto importado estava sujeito à licenciamento não automática e devidamente caracterizado o erro na sua classificação fiscal. Por outro lado, não há provas nos autos de que a Recorrente tenha agido com intuito doloso ou máfé. Por fim, resta verificar se o mencionado produto foi suficientemente descrito nas citadas DI, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário. Para tanto, analisando a descrição detalhada da mercadoria nas citadas DI, constatase que o produto importado, denominado comercialmente de Peridur 330, foi descrito como sendo um “sal de carboximetilcelulose”, porém, como não foi informado o grau de pureza, entendeu a Autoridade Fiscal que a dita descrição não contemplava “de forma completa todos elementos necessários a sua perfeita identificação e caracterização”, portanto, não se aplicava, ao caso, o disposto no citado ADN. Não assiste razão a dita Autoridade Fiscal nem tampouco à corrente majoritária que aderiu ao voto condutor do Acórdão recorrido. A uma, porque o motivo do erro da classificação fiscal em apreço decorreu da identificação do produto, em nível de item do código NCM, ou seja, a Recorrente atribuiu ao produto o item da Carboximetilcelulose (3912.31.1) ao invés do item dos Sais de Carboximetilcelulose (3912.31.2), conforme descrito na DI e no citado Laudo Técnico. A duas, porque o teor de pureza do produto não teve qualquer influência no erro de classificação em comento, haja vista que esse dado teria implicação somente para fim de enquadramento do produto em nível de subitem dentro do item atribuído ao produto. Corrobora o asseverado, o fato de a Importadora ter atribuído ao produto o subitem residual (outros) do item 3912.31.1, que apresenta desdobramento similar ao item Fl. 132DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11083.EJF7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 3912.31.2. Em decorrência, a conclusão que se extrai é no sentido de que o produto também seria incluído no subitem residual 3912.31.29 (outros sais de Carboximetilcelulose), já que o teor de pureza também era inferior a 75% (setenta e cinco por cento). Com base nesse entendimento, estou convencido de que o referido produto encontravase corretamente descrito nas citadas DI, com todos os elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário. Dessa forma, uma vez demonstrado o atendimento das condições estabelecidas no ADN Cosit nº 12, de 1997, tenho que a conduta praticada pela Recorrente é atípica, pois não se subsume à hipótese fática da infração em apreço. Portanto, indevida a aplicação da penalidade objeto do presente Auto de Infração. Da conclusão. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao presente Recurso, para excluir a multa do controle administrativo das importações, no valor equivalente a 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento. Fl. 133DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11083.EJF7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO em 18/08/2011 14:37:22. Documento autenticado digitalmente por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO em 18/08/2011. Documento assinado digitalmente por: REGIS XAVIER HOLANDA em 17/11/2011 e JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO em 18/08/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 29/03/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP29.0320.11083.EJF7 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 92EAF32C5E9E335899D7C0A05E7A2D81B75731BD Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 12466.000631/2007-15. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 11128.002786/2006-83
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 26/06/2004
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO
EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX.
MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA.
OBRIGATORIEDADE.
O registro no Siscomex dos dados da carga marítima após o prazo de 7 (sete) dias, contado da data do embarque, materializa a infração descrita na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, tornando devida a aplicação da multa estabelecida no referido preceito legal.
INFRAÇÃO REGULAMENTAR. REGISTRO DOS DADOS DO
EMBARQUE. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO. DENÚNCIA
ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não se aplica à penalidade decorrente da prática da infração por atraso no registro dos dados de embarque da carga marítima (Súmula CARF nº 49).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-000.782
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de
Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 26/06/2004 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. OBRIGATORIEDADE. O registro no Siscomex dos dados da carga marítima após o prazo de 7 (sete) dias, contado da data do embarque, materializa a infração descrita na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, tornando devida a aplicação da multa estabelecida no referido preceito legal. INFRAÇÃO REGULAMENTAR. REGISTRO DOS DADOS DO EMBARQUE. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não se aplica à penalidade decorrente da prática da infração por atraso no registro dos dados de embarque da carga marítima (Súmula CARF nº 49). Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 26/06/2004 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. OBRIGATORIEDADE. O registro no Siscomex dos dados da carga marítima após o prazo de 7 (sete) dias, contado da data do embarque, materializa a infração descrita na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, tornando devida a aplicação da multa estabelecida no referido preceito legal. INFRAÇÃO REGULAMENTAR. REGISTRO DOS DADOS DO EMBARQUE. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não se aplica à penalidade decorrente da prática da infração por atraso no registro dos dados de embarque da carga marítima (Súmula CARF nº 49). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 88DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11530.7SUG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 30/11/2011 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Tatiana Midori Migiyama, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente o Conselheiro Solon Sehn que foi substituído pela Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 1736.956, de 08 de dezembro de 2009 (fls. 48/52), proferido pelos membros da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II/SP (DRJ/SP2), em que, por unanimidade de votos, consideraram procedente em parte o lançamento do crédito tributário, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. A multa por falta de informação dos dados de embarque de exportação, dentro do prazo regulamentar, prevista no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pela Lei nº 10.833/03, regulamentada pelo art. 37 da IN SRF nº 28/94, deve ser aplicada em relação a cada veículo transportador, e não em relação a cada despacho de exportação presente nesse mesmo veículo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Por bem descrever os fatos registrados até a prolação da decisão de primeiro grau, adoto o Relatório encartado no Acórdão recorrido, que segue transcrito: Tratase de auto de infração pela informação dos dados de embarque no SISCOMEX relativos às declarações de exportação DDE descritas à fl. 3, fora do prazo previsto na legislação. A fiscalização fundamentou o auto no art. 107, IV, “c” e “e” do DecretoLei nº 37/66 com a redação dada pela Lei nº 10.833/03, e com a regulamentação da IN SRF nº 28/94. Através do presente auto de infração, cobrouse a multa de R$ 5.000,00 prevista na norma para cada exportação. Intimada do Auto de Infração em 07/06/2006 (fl. 20), a interessada apresentou impugnação e documentos em 28/06/2006, juntados às folhas 21 e seguintes, alegando em síntese: 1) Alega que não causou qualquer embaraço ou impedimento à fiscalização. Alega que a fiscalização sequer reparou na falta Fl. 89DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11530.7SUG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11128.002786/200683 Acórdão n.º 380200.782 S3TE02 Fl. 83 3 dos dados de embarque até a impugnante apresentar a informação. 2) Alega que os dados foram informados no SISCOMEX antes da autuação, caracterizando hipótese de denúncia espontânea do art. 138 do CTN. 3) Alega violação ao Princípio da Legalidade pois a infração tipificada foi prevista em uma instrução normativa e não em lei. 4) Requer por fim que seja julgado improcedente o auto de infração. Sobreveio o Acórdão recorrido, sendo dele cientificada a Interessada, por via postal (fl. 54v), em 06/01/2010. Inconformada, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 58/61, protocolado em 04/02/2010 (fl. 58), em que apresentou, em síntese, as seguintes alegações: a) as informações foram prestadas antes da lavratura do Auto de Infração, logo estaria amparada pelo instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN; e b) não poderia ser penalizada pelo descumprimento da obrigação acessória em tela, vez que não houve qualquer prejuízo para a arrecadação ou fiscalização de tributo, elemento essencial exigido no § 2° do art. 113 do CTN. No final, requereu o acolhimento e provimento do presente Recurso, determinando o cancelamento integral da multa aplicada. Em atenção ao despacho de fl. 81, os presentes autos foram enviados a este e. Conselho. Na Sessão de junho de 2011, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro Relator. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso foi apresentado por parte legítima em tempo hábil, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, portanto, dele tomo conhecimento. Da infração cometida e respectivo enquadramento legal. A presente multa foi imposta em decorrência de alegada prática da infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, a seguir transcrito: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: Fl. 90DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11530.7SUG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; [...] (grifos não originais) As referidas infração e penalidade têm por objetivo sancionar o descumprimento da obrigação acessória estabelecida no art. 37 do Decretolei nº 37, de 1996, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, a seguir transcrito: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 2o Não poderá ser efetuada qualquer operação de carga ou descarga, em embarcações, enquanto não forem prestadas as informações referidas neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) [...] (grifos não originais) Portanto, pelo descumprimento da obrigação de prestar à RFB, na forma e no prazo estabelecido por este Órgão, responde pela infração em apreço: a) o transportador, em relação às informações sobre o veículo e as cargas nele transportadas; e b) o agente de carga, relativamente às informações sobre as operações que execute e respectivas cargas. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra o presente Auto de Infração (fls. 01/05), o motivo da presente autuação foi o registro no Siscomex dos dados do embarque marítimo da carga referente às Declarações de Despacho de Exportação (DDE) de n°s 2040643581/2 e 2040643602/9, após o prazo de 7 (sete) dias, estabelecido no § 2º do art. 371 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 27 de abril de 1994, com 1 A redação atual do referido artigo é a seguinte: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, ferroviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de despacho. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) Fl. 91DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11530.7SUG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11128.002786/200683 Acórdão n.º 380200.782 S3TE02 Fl. 84 5 a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005, a seguir transcrito: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. [...] § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo. De fato, analisando os extratos de fls. 11/15, verificase que o embarque das mercadorias, objeto das referidas DDE, ocorreu em 21/06/2004, enquanto que o registro dos dados da carga embarcada no Siscomex somente foi realizado em 04/11/2005, portanto, além do prazo de 7 (sete) dias estabelecido no referido comando normativo. Assim, resta configurada a infração atribuída à Recorrente, materializada pela prestação a destempo das informações sobre a carga embarcada, infração que se subsume adequadamente à conduta descrita na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003. Da presente controvérsia. A conduta típica descrita na norma em comente consiste em deixar de prestar informação sobre carga transportada em veículo de transporte de carga internacional, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Portanto, a conduta sancionada não é deixar de prestar informação, mas deixar de prestar informação fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, atualmente, Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). No presente caso, foi o que ocorreu, pois, embora a Autuada tenha registrado no Siscomex os dados da carga embarcada, registrouos após o prazo de 7 (sete) dias estabelecido na referida Instrução Normativa. Aliás, em relação a esse fato, inexiste controvérsia nos autos. De fato, as razões de defesa suscitadas pela Recorrente limitaramse a questões atinentes à inexistência de elemento essencial para a instituição da mencionada obrigação acessória (o interesse da arrecadação ou fiscalização dos tributos) e ao benefício da denúncia espontânea, a seguir analisadas. Da obrigação acessória: inexistência de elemento essencial. § 2º Na hipótese de o registro da declaração para despacho aduaneiro de exportação ser efetuado depois do embarque da mercadoria ou de sua saída do território nacional, nos termos do art. 52, o prazo a que se refere o caput será contado da data do registro da declaração. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) § 3º Os dados de embarque da mercadoria poderão ser informados pela fiscalização aduaneira nas hipóteses estabelecidas em ato da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana).(Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) Fl. 92DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11530.7SUG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Alegou a Recorrente que a obrigação acessória em apreço era ilegal, pois não fora instituída “no interesse da arrecadação ou fiscalização dos tributos", requisito indispensável exigido no § 2° do art. 113 do CTN. Não assiste razão à Recorrente. A obrigação acessória em questão foi instituída em conformidade com o previsto na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, e tem como principal finalidade viabilizar o controle aduaneiro mercadorias importadas e exportadas. Além disso, o descumprimento da referida obrigação implica infração à legislação aduaneira, nos termos do art. 94 do Decretolei nº 37, de 1966, a seguir transcrito: Art. 94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Além disso, o descumprimento de aspecto finalístico ou teleológico abrange matéria de índole constitucional, cuja análise foge da competência deste Colegiado, por expressa vedação determinada no art. 26A do Decreto nº 70.235, 06 de março de 1972 (PAF), com redação dada Lei nº 11.941, de 2008, combinado com o disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações posteriores. Da denúncia espontânea da infração à legislação aduaneira. Alegou ainda a Recorrente que os dados do embarque foram registrados no Siscomex antes da lavratura do presente Auto de Infração, logo, em face da denúncia espontânea da infração, prevista no art. 138 do CTN, a responsabilidade pela multa imposta estaria excluída. Também não procede essa alegação. No caso presente, embora o registro dos dados do embarque tenha sido realizado previamente ao início do presente procedimento fiscal, essa situação não se enquadra no hipótese de denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN que, no âmbito da legislação aduaneira, tem disciplinamento específico, na forma estabelecida no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 93DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11530.7SUG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11128.002786/200683 Acórdão n.º 380200.782 S3TE02 Fl. 85 7 a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à Administração tributária pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, Fl. 94DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11530.7SUG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados do embarque da carga transportado em veículo de transporte internacional de carga. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar a informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é a conduta que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da obrigação. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, configurada estará a denúncia espontânea da infração e excluída a responsabilidade pela penalidade pelo seu cometimento. De fato, se a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque materializa a conduta típica da infração sancionada com a penalidade pecuniária objeto da presente autuação, em consequência, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que a conduta que materializa a infração fosse, ao mesmo tempo, a conduta caracterizadora da denúncia espontânea da mesma infração. No caso em apreço, se admitida pretensão da Recorrente, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da mencionada infração nunca resultaria na cobrança da referida multa, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, simultaneamente, a conduta representativa da denúncia espontânea. Em consequência, tornar seia impossível a imposição da multa sancionadora da dita conduta, ou seja, existiria a infração, mas a multa fixada para sancionála nunca poderia ser cobrada, por força da exclusão da responsabilidade do infrator. Tal hipótese, ao meu ver, representaria um sem sentido (non sense) jurídico, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para cometimento de infração desse jaez. Nesse sentido, a jurisprudência deste E. Conselho, consolidada na Súmula Carf nº 49, divulgada por meio da Portaria Carf nº 49, de 01 de dezembro de 2010, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Com base nessas considerações, entendo inaplicável ao caso em tela o instituto da denúncia espontânea, por conseguinte, deve ser mantida a cobrança da multa aplicada. III DA CONCLUSÃO. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso, para manter na íntegra no Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 95DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11530.7SUG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11128.002786/200683 Acórdão n.º 380200.782 S3TE02 Fl. 86 9 Fl. 96DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11530.7SUG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO em 30/11/2011 15:56:41. Documento autenticado digitalmente por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO em 30/11/2011. Documento assinado digitalmente por: REGIS XAVIER HOLANDA em 16/12/2011 e JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO em 30/11/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 29/03/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP29.0320.11530.7SUG Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: B2ED5233635764C1ED0E2FFB273F8E16C02A5B01 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11128.002786/2006-83. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 36624.015753/2006-23
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁR1AS
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/05/1998
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCULANTE STF.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de nº 8, senão vejamos: “Súmula Vinculante nº 8-São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.”
No presente caso, o lançamento foi efetuado em 29/11/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 08/12/2006. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/1996 a 05/1998, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de ofício.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 206-01.660
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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CCO2/C06 Mana illekta ll :nisa,steatirrdirantiino Fls. 203 44 .."t:(4' MINSTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n" 36624.01575312006-23 Recurso n° 157.786 Voluntário Matéria RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Acórdão n° 206-01.660 Sessão de 03 de dezembro de 2008 Recorrente JOHNSON & JOHNSON COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA Recorrida SRP - SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁR1AS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/05/1998 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCULANTE STF. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n° 8, senão vejamos: "Súmula Vinculante n° 8- São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 50 do Decreto- lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." No presente caso, o lançamento foi efetuado em 29/11/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 08/12/2006. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/1996 a 05/1998, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de oficio. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 9.‘ 4I9 CCIM F - State Carnera Processo n° 36624.015753/2006-23 CONFERE COMO ONI4COVAL Brasiita, 21, /03a. CCO2/C06Acórdão n.° 206-01.660 dirtie.:I.P o' Fls. 204 M•ria de Fai l ltta Ferrei a de arvalho tez,dr Siada 751683 ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa, Bemadete de Oliveira Barros, Cleusa Vieira de Souza, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 36624.015753/2006-23 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.660 Fls. 205 r CC/NIF - S•xta Camara CONFERE CONI O ORIGINAL lag asilia, 2e4 Mana de Fdt g rna Fer ora rig, canntho miar. Soape Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social em virtude do instituto da responsabilidade solidária, previsto no art. 31, da Lei n° 8.212/1991. O período compreende as competências JANEIRO DE 1996 A MAIO DE 1998. A base de cálculo dos segurados utilizados na prestação de serviços pela empresa SAS SANEAMENTOS E CONSTRUÇÕES LTDA foram obtidas mediante a verificação da movimentação contábil, tendo em vista que a empresa apresentou a documentação de forma deficiente, pois mesmo notificada, deixou de exibir as folhas de pagamento, notas fiscais e as respectivas GRPS. O percentual foi aplicada sobre o valor das notas fiscais de serviços, de acordo com o serviço prestado, face a aplicação do instituto da aferição indireta, consubstanciado no art. 33, §3° da Lei n° 8.212/91, conforme descrito no relatório fiscal. Destaca-se ainda, que conforme informação constante do relatório fiscal, item III. 5, foram analisadas as informações disponíveis nos sistemas CNAF — Cadastro de Fiscalização, relativas ao devedor solidário, de forma a evitar o lançamento do crédito que já esteja sendo discutido ou cobrado judicialmente ou administrativamente. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deu-se em 29/11/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 08/12/2006. Contudo, relevante informar que o procedimento fiscal teve início em 12/08/2005, com a ciência do MPF, servindo este como medida preparatória indispensável para o lançamento. Não conformada com a notificação, a recorrente apresentou defesa, fls. 87 A 120. Foi emitida Decisão-Notificação confirmando a procedência do lançamento, fls. 148 A 158. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 166 a 195.Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: - tendo em vista a conexão entre as diversas NFLD lavradas contra a recorrente, com mesmo objeto, devem as mesmas ser reunidas em um único processo, com a finalidade de que sejam julgadas simultaneamente, evitando, assim, a prolação de decisões contraditórias; - o auditor fiscal extrapolou os limites da circunscrição da Delegacia da Receita Previdenciária, considerando que o contrato de prestação de serviços e as notas demonstram que a prestação de serviços ocorreu como estabelecimento da empresa em São José dos Campos; - não há qualquer comprovação de que houve falta de recolhimento da contribuição previdenciária pelo prestador de serviços; - o fisco deveria demonstrar tratar-se de prestação de serviços mediante cessão de mão de obra, o que não o fez. Dessa forma, tendo em vista a precariedade da ação fiscal, por 3 2• CC/MF - S•xta CONFERE COM O ORIGINaAL Processo n° 36624.015753/2006-23 Brasi ua i 26 ala • 8.2 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.660 Mana da Fatima Ferrem41.1 letrif Fls. 206 ar h Ntar Slape 751683 vai O não revestir dos mínimos e indispensáveis requisitos de validade, não possibilitando ao recorrente o exercício da ampla defesa e do contraditório; - os créditos tributários cobrados por meio desta NFLD encontram-se alcançados pela decadência qüinqüenal; - o artigo 128 do CTN determina que a lei pode eleger terceira como responsável tributário desde que o responsável seja vinculado ao fato gerador da obrigação tributária; - a cobrança contra o contratante só deveria persistir, caso a cobrança contra o prestador não tivesse logrado êxito. Nesse sentido dispõe a Súmula n° 126 do STF; e - requer seja dado provimento ao presente recurso, para que seja declarada a nulidade do presente recurso, ou caso assim não se entenda seja cancelado o crédito em questão. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este 2° CC sem a apresentação de contra-razões. O recorrente reitera o alegado no recurso voluntário pleiteando a aplicação da súmula vinculante n°8 do STF. É o Relatório. Voto Conselheira ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 198. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Em primeiro lugar cumpre-nos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa. Destaca-se como passos necessários a realização do procedimento: - autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal — MPF- F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; - intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; e - autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a 2* CC/Mr Sasta Cimeira CONFERE COM O ORIGINAL Processo n' 36624.015753/2006-23 se assua el/SW.At..) CCO2/C06 Acórdão n.' 206-01.660 ns. 207 Mana ae Fahma F ger eira se Carvalho Met.' Sone /516M3 lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Antes de avaliar os argumentos apresentados pelo contribuinte quanto ao mérito do lançamento, entendo necessário tecer comentários acerca do instituto da decadência. Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei n° 8212/91 (10 anos), à decisão do STF, proferida recentemente Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, razão assiste ao contribuinte nos termos abaixo expostos. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante n° 8, senão vejamos: • Súmula Vinculante tet 8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 50 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." O texto constitucional em seu art. 103-A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicá-la de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: "Art. I03-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecido em lei." Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional — CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Cite-se o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1" Seção no Recurso Especial n° 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇA-0. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZ,4 - ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVLDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO-LEI N° 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. LVTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATiCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FLYAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO ,f 3.° DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA 2° CCONF - Staana rCONFERE C c:Á-Ni O°Rija L Processo n• 36624.015753/2006-23 Brasília. gg .1/ CCO2/C06 Mana cse Fary ina e,r o.Acórdão n.• 206-01.660 igrvéapho Fls. 208 Mau b o JCA' 7516n3 FÁTICO-PROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO S711 DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCL4. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO C7W I. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decreto-lei n.° 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindo-se, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no ali; de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao Decreto-Lei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fático-probatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Cone Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n." 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, ,f 4°, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/R1, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Cone de origem, por eqüidade, para afixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1- do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a eják"... 6 CCiNIF - Sexta Cièmen• CONFERE COM 0 oRêGiNAL. Processo n• 36624.015753/2006-23 2r ,0 CCO2/036Braselia Acórdão n.• 206-01.660 Lir WIPP. Fb. 209 Maria de Fatima Fon- Mau Siacx /516.3 constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra- se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3° Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, conta-se do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, 1, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por pane do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4°, e 173, do CTIV, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenaL 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTIV. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira pane do § O, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o diV 7 2° CC-/MF ele C .4ev----; .:ONFER E COM 0 CNIGINAL. Processo n° 36624.015753/2006-23 Grasnes. 19' , o sag CCO2JC06 Acórdão n.° 206-01.660 111~7~ }15.210 Marta oe FitIma FOI I ale t• C..e..eno Meti &soa. /516.3 qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam-se simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3" Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigura-se como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operar-se-á ao mesmo tempo a decadéncia do direito de lançar de oficio, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim. o artigo 173. II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial inicia-se da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatária. 16. In casu: (a) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deu-se em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQIV, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contando-se o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 2111.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido. '(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante n°8 do STF: Át), wif 8 COME - Sers tarro CONFERE COM O ORIGINAI— Processo n°36624.015753/2006-23 Brasina / effaMr CCO2/C06 Acórdão n.°206-01.660 4.117,0no já. ns. 211 Maria de Fatima Ferroo a a• Canoa • Mau Soape 75161.3 "A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (à) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3° Ed., Max Limonad, págs. 163/210)." O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: • I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no §4°, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: "Art.150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. 9 - Sextarsere CONFER E COM O ORIGINAL Processo n°36624.015753/2006-23 Brasslia 2(// 03ALLP , CCO2/C06 Acórdão n.• 206-01.660 sf/4,- Fls. 212 Maria Os repelia Ferrete ele Ceneelle Mau' Saue /516,3 I 1 0 - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2° - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3° - Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4°- Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." (grifo nosso) • Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, §4", é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe fira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, §4°. Entendo que atribuir esse mesmo raciocínio a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias é no mínimo abrir ao contribuinte possibilidades de beneficiar-se pelo seu "desconhecimento ou mesmo interpretação tendenciosa" para sempre escusar-se ao pagamentos de Contribuições que seriam devidas. De forma sintética, podemos separar duas situações: em primeiro, aquelas em não há por parte do contribuinte o reconhecimento dos valores pagos como salário de contribuição, é o caso, por exemplo, dos salários indiretos não reconhecidos (participação nos lucros, prêmios, alimentação em desacordo com o PAT, abonos, ajudas de custo etc). Nestes casos, incabível considerar que houve pagamento antecipado, simplesmente, porque caso não ocorresse a atuação do fisco, nunca haveria o referido recolhimento. Tal fato pode ainda ser ratificado, pela não informação, por parte do contribuinte do salário de contribuição em GFIP. Nesse caso, toda a máquina administrativa, em especial a fiscalização federal terá que ser movida para identificar a existência pontual de contribuições a serem recolhidas. Não é algo que se possa determinar pelo simples confronto eletrônico de declarações e guias de recolhimento. Dessa forma, em sendo desconsiderada a natureza tributária de determinada verba, como poder-se-ia considerar que houve antecipação de pagamento de contribuições. Entendo que só se antecipa, aquilo que se considera. io CCOUF • 5.•est Cibr- CONFEREM:3m o ORIG1741.1.. .Prooesso n° 36624 e-.Y/ /.015753/2006-23 Brasilia. CCO2/C06 Atira° n.° 206-01.660 b; in) Fls. 213 • Maria •e Fàtima Ferre,, 08 carv,„1,to mair Sléoe /51GY3 Como considerar que houve antecipação de pagamento de algo que o contribuinte nunca pretendeu recolher. Antecipar significa: Fazer, dizer, sentir, fruir, fazer ocorrer, antes do tempo marcado, previsto ou oportuno; precipitar.Chegar antes de; anteceder, ou seja, não basta dizer que houve recolhimento em relação a remuneração como um todo, mas sim, identificar sob qual base foi o pagamento realizado. A acepção do termo remuneração não pode ser, para fins de definição do salário de contribuição una, tanto o é, que a doutrina e jurisprudência trabalhistas não admitem o pagamento aglutinado das verbas trabalhista, o denominado salário complexivo ou complessivo. Considerar que os fatos geradores são únicos, e portanto, a remuneração deva ser considerada como algo global, e desconsiderar a complexidade das contribuições previdenciárias, bem como a natureza da relação laborai. Até poderíamos aceitar, tal conclusão, em uma análise simplória, acerca do faturamento das empresas e as contribuições que incidam sobre esta base de cálculo, mas o mesmo raciocínio não pode ser atribuído às contribuições previdenciárias, onde existe até mesmo, documento próprio para que o contribuinte indique mensalmente e por empregado o que é devido e realize o recolhimento das contribuições correspondente a estes fatos geradores. Assim, dever-se-á considerar que houve antecipação para aplicação do §4° do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art. 173 do referido diploma. O mesmo raciocínio pode ser estendido para os casos em que devida a obrigação de efetuar o recolhimento, omitiu-se o contribuinte, por considerar não ser do mesmo a obrigação de efetuar o recolhimento. Ocorre, por exemplo, nos casos em que está obrigado a reter 11% do valor da nota fiscal em se tratando de empreitada ou cessão de mão de obra. Nos casos em que se atribui responsabilidade solidária, ou mesmo nos casos de isenção, onde descumpridor das regras que o qualificariam como isento de contribuições patronais, não efetua qualquer recolhimento da contribuição patronal. Na verdade, entendo ser aplicável em regra o art. 173 do CTN, só passando para o §4° do art. 150, nos casos em que se comprova o efetivo recolhimento, ou melhor, a antecipação de um recolhimento. Por fim, outro ponto que entendo pertinente, e que, embora não interfira diretamente na declaração de toda contagem de prazo decadencial, venha a ser relevante em determinados lançamentos, é considerar como marco inicial para determinação das contribuições que se encontram decaídas a data em que tenha sido iniciada a constituição do • crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Neste caso, considerando que no âmbito da Fiscalização previdenciária, com a extinção do TIAF, assumiu o Mandado de Procedimento Fiscal — MPF status de conferir validade ao procedimento fiscal, ou seja, que o MPF é o instrumento que visa dar conhecimento ao sujeito passivo quanto aos atos da ação/auditoria fiscal em si, cuja ciência deverá ser dada por ocasião do início do procedimento fiscal, e que o mesmo se extingue com o registro no termo próprio que é o TEAF, lavrado quando do término da auditoria para cientificar do sujeito passivo do término do procedimento, será a ciência desse instrumento o marco a ser considerado para cálculo do prazo decadencial. dg- - Sueis Cam•ra ÇONFERa COMO ORIGINAL Processo n°36624 015753/2006-23 Cr "te Brata isai -Eft hunny) orni CCO2JC06 Acórdão n.• 206-01.660 Fls. 214 Mana de Fatima Fe Afr .ra as Carvalho Mau Saia.- Assim sendo, o MPF marca o inicio do procedimento fiscal de constituição do crédito tributário, bem como, por conseqüência, serve também de marco para determinação das contribuições que já não podem ser exigidas. Considerar-se-á a data da cientificação do MPF como marco inicial para contagem retroativa das contribuições que poderão ser englobadas no lançamento que se busca concretizar. Entendo que tal raciocínio, respaldado no teor do acórdão da 1' Sessão STJ, trazido a baila para respaldar este julgamento, que a data do MPF somente pode ser aplicável nos casos de contagem de prazo decadencial consubstanciado no art. 173 do CTN, onde o Parágrafo único é claro em prenunciar dita possibilidade. No presente caso, o lançamento foi efetuado em 29/11/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 08/12/2006, os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/1996 a 05/1998, dessa forma, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, haja vista que a decadência há de ser declarada por qualquer das teorias existentes. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito DAR-LHE PROVIMENTO, face a aplicação da decadência quinquenal. Sala das Sessões, em 03 de dezembro de 2008 à INE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Page 1 _0056400.PDF Page 1 _0056500.PDF Page 1 _0056600.PDF Page 1 _0056700.PDF Page 1 _0056800.PDF Page 1 _0056900.PDF Page 1 _0057000.PDF Page 1 _0057100.PDF Page 1 _0057200.PDF Page 1 _0057300.PDF Page 1 _0057400.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000801/97-01
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 31/12/1995 a 01/01/1998
RECURSO VOLUNTÁRIO. REFORMA DE ACÓRDÃO
INTEGRALMENTE FAVORÁVEL AO RECORRENTE. NÃO
CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL.
Se a decisão recorrida foi integralmente favorável ao sujeito passivo, o recurso voluntário não pode ser conhecido, por falta de interesse recursal.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Direito Creditório Não Conhecido.
Numero da decisão: 3802-000.747
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/12/1995 a 01/01/1998 RECURSO VOLUNTÁRIO. REFORMA DE ACÓRDÃO INTEGRALMENTE FAVORÁVEL AO RECORRENTE. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. Se a decisão recorrida foi integralmente favorável ao sujeito passivo, o recurso voluntário não pode ser conhecido, por falta de interesse recursal. Recurso Voluntário Não Conhecido. Direito Creditório Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 30/01/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC), que, por unanimidade de votos, julgou procedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, em acórdão assim ementado (fls. 878): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1995 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. AÇÃO JUDICIAL. RECONHECIMENTO. COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. Comprovada a liquidez e certeza do crédito tributário, decorrente de ação judicial com trânsito em julgado, homologamse as compensações pleiteadas e deferese o pedido de restituição. Manifestação de Inconformidade Procedente. Direito Creditório Reconhecido. A decisão anulou de ofício as revisões realizadas pela Delegacia da Receita Federal no Despacho Decisório, por entender que, uma vez protocolizada a manifestação de inconformidade, a referida autoridade não poderia alterar o ato impugnado, o que passaria a ser da competência da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Apesar disso, reconheceu o direito à compensação pleiteado e a restituição do saldo credor. Após a decisão da DRJ, porém, foi verificado que o sujeito passivo apresentava débitos perante a Fazenda Nacional, razão pela qual se procedeu à compensação de ofício do crédito, com fundamento nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/1996, art. 7º do Decreto Lei nº 2.287/1986 e Decreto nº 2.138/1997 (fls. 888). O sujeito passivo apresentou manifestação de discordância da compensação, na forma do art. 49, § 2º, da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 (fls. 892 e ss.). Ao mesmo tempo, protocolizou o recurso voluntário de fls. 950 e ss., no qual foi pleiteada a reforma do acórdão da DRJ, por ofensa à coisa julgada (arts. 6º da Lei de Introdução ao Código Civil e art. 468 do Código de Processo Civil), ausência de lançamento (art. 142 do Código Tributário Nacional) e ocorrência de decadência do crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn Não há, nos autos, a indicação da data da ciência da decisão recorrida. Presumese que esta tenha ocorrido em 06/06/2001, data em que o sujeito passivo protocolizou a petição de fls. 892. Assim, tendo sido apresentado em 14/06/2011 (fls. 950), o recurso voluntário mostrase tempestivo. Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10925.000801/9701 Acórdão n.º 380200.747 S3TE02 Fl. 987 3 Entretanto, como a decisão recorrida acolheu integralmente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, reconhecendo o direito de compensação e autorizando a restituição em dinheiro do saldo não compensado, não há como conhecer o recurso voluntário, devido à falta de interesse recursal. Eventual irresignação contra a compensação de ofício realizada após a decisão da DRJ, por sua vez, deve ser realizada na forma própria (IN RFB nº 900/2008), mas não mediante interposição de recurso voluntário, sob pena de supressão de instância. Votase, assim, pelo não conhecimento recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.004354/2010-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2006
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CONFRONTO ENTRE ORIGEM E APLICAÇÃO DE RECURSOS. TRIBUTAÇÃO.
Os montantes correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, apurado mensalmente a partir do confronto entre origens e aplicações de recursos são tributáveis, sempre que não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte.
GLOSA DE DEDUC¸O~ES. LIVRO CAIXA.
O contribuinte que receber rendimentos decorrentes de trabalho na~o assalariado somente pode deduzir da base de ca´lculo do imposto de renda as despesas de custeio comprovadamente pagas, indispensa´veis a` percepc¸a~o da receita e a` manutenc¸a~o da fonte produtora.
Numero da decisão: 2202-009.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Mário Hermes Soares Campos Presidente.
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Christiano Rocha Pinheiro, Eduardo Augusto Marcondes Freitas, Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Mário Hermes Soares Campos (Presidente), Martin da Silva Gesto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva e Sonia de Queiroz Accioly.
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2006 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CONFRONTO ENTRE ORIGEM E APLICAÇÃO DE RECURSOS. TRIBUTAÇÃO. Os montantes correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, apurado mensalmente a partir do confronto entre origens e aplicações de recursos são tributáveis, sempre que não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. GLOSA DE DEDUC¸O~ES. LIVRO CAIXA. O contribuinte que receber rendimentos decorrentes de trabalho na~o assalariado somente pode deduzir da base de ca´lculo do imposto de renda as despesas de custeio comprovadamente pagas, indispensa´veis a` percepc¸a~o da receita e a` manutenc¸a~o da fonte produtora.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos Presidente. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Christiano Rocha Pinheiro, Eduardo Augusto Marcondes Freitas, Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Mário Hermes Soares Campos (Presidente), Martin da Silva Gesto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva e Sonia de Queiroz Accioly.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2023-05-16T21:09:15Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-05-16T21:09:15Z; Last-Modified: 2023-05-16T21:09:15Z; dcterms:modified: 2023-05-16T21:09:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-05-16T21:09:15Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-05-16T21:09:15Z; meta:save-date: 2023-05-16T21:09:15Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-05-16T21:09:15Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-05-16T21:09:15Z; created: 2023-05-16T21:09:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2023-05-16T21:09:15Z; pdf:charsPerPage: 1733; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-05-16T21:09:15Z | Conteúdo => S2-C 2T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10380.004354/2010-30 Recurso Voluntário Acórdão nº 2202-009.773 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de abril de 2023 Recorrente NELSON OTOCH Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2006 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CONFRONTO ENTRE ORIGEM E APLICAÇÃO DE RECURSOS. TRIBUTAÇÃO. Os montantes correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, apurado mensalmente a partir do confronto entre origens e aplicações de recursos são tributáveis, sempre que não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. GLOSA DE DEDUÇÕES. LIVRO CAIXA. O contribuinte que receber rendimentos decorrentes de trabalho não assalariado somente pode deduzir da base de cálculo do imposto de renda as despesas de custeio comprovadamente pagas, indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos – Presidente. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Christiano Rocha Pinheiro, Eduardo Augusto Marcondes Freitas, Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Mário Hermes Soares Campos (Presidente), Martin da Silva Gesto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva e Sonia de Queiroz Accioly. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 43 54 /2 01 0- 30 Fl. 1055DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-009.773 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.004354/2010-30 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por NELSON OTOCH contra acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza – DRJ/FOR –, que rejeitou a impugnação apresentada para manter a exigência de R$601.830,07 (seiscentos e um mil, oitocentos e trinta reais e sete centavos) por motivo de i) omissão de rendimentos, caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto e ii) dedução indevida de despesas escrituradas no livro caixa, referente ao ano calendário de 2005. Em sua peça impugnatória (f. 940/948) afirma, em apertada síntese, i) inexistir variação patrimonial a descoberto, eis que teria a fiscalização deixado de considerar recursos, recebimento de empréstimos concedidos e dos respectivos juros. Asseverou ainda que foram apresentados documentos que comprovaram a origem dos recursos recebidos, inclusive os extratos das contas correntes bancárias, referentes seguintes recursos: ANTONIO GOES CONSTRUÇÕES LTDA — CNPJ N° (...), conforme documentos n.° 43A e 43B, apresentados no procedimento de fiscalização, em 18.04.2008. Valores devidamente depositados na conta corrente do contribuinte do n.° 07.029395-1, do Banco Industrial e Comercial S/A - BIC, sob as rubricas TED E e DOC E; OTOCH TÉCNICA E IMOBILIÁRIA LTDA. — CNPJ N° (...). ENDOSSO DE TITULO BANCÁRIO referente a aplicação financeira que existia no BANCO SANTOS S/A, no mês de fevereiro de 2005; OTOCH TÉCNICA E IMOBILIÁRIA LTDA. — CNPJ (...), por conta de contrato de mútuo, apresentado no procedimento de fiscalização, (documento nº.01, fls. 1 a 6); OTOCH TÉCNICA E IMOBILIÁRIA LTDA. — CNPJ N°(...), no mês de maio, no valor de R$ 222.661,58, por conta de empréstimo, conforme faz prova o documento n.°10, fls. 1 a 2 (contrato de mútuo e seu aditivo) e fls. 3 (recibo datado de 12.05.2005), já apresentados no procedimento de fiscalização, em 07.12.2009. ii) ter inadvertidamente preenchido a Declaração de Ajuste Anual, especificamente no campo destinado às informações de rendimentos percebidos de pessoas físicas ou do exterior. Diz os rendimentos informados como tendo sido percebidos de pessoas físicas, na realidade, são rendimentos de aluguéis percebidos de pessoas jurídicas. Acrescentou que as despesas de Livro Caixa são despesas relacionadas aos imóveis alugados (taxa de condomínio), concluindo que tais despesas podem ser deduzidas do valor do correspondente aluguel, para efeito de pagamento do IRPF. Ao apreciar o motivo de insurgência e os documentos acostados, prolatado o acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2005 Fl. 1056DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-009.773 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.004354/2010-30 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. AQUISIÇÃO DE BENS. CARACTERIZAÇÃO DO FATO GERADOR. PLANILHA DE EVOLUÇÃO PATRIMONIAL. APURAÇÃO MENSAL. Para efeito da presunção de infração de omissão de rendimentos, estabelecida em virtude de acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte, por rendimentos sujeitos à tributação definitiva ou por dívidas e ônus reais de origem comprovada, consideramse os rendimentos, os dispêndios e as aplicações efetivamente realizados no mês. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEDUÇÕES. LIVRO CAIXA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESA DE LIVRO CAIXA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. As despesas dedutíveis para fins de apuração da base de cálculo do imposto mensal, Carnêleão, são somente aquelas inseridas no conceito legal: a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; os emolumentos pagos a terceiros; as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. (f. 954) Intimado do acórdão, o recorrente apresentou, recurso voluntário (f. 974/987), reiterando o motivo de insurgência contido em sua defesa inicial. É o relatório. Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Relatora. O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Ausentes questões de cariz preliminar, passo à análise do mérito. I – DO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Com amparo nos art. 1º a 3º da Lei n° 7.713/1988, dentre outros dispositivos que versam sobre a presunção de omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto, foi imposta a confrontação mensal das mutações patrimoniais com os rendimentos auferidos, a fim de apurar a evolução do patrimônio do ora recorrente, bem como a omissão de rendimentos. Do escrutínio da documentação apresentada houve por bem a DRJ manter a autuação, pontuando a inexistência de comprovação hábil das alegações trazidas, tanto na Fl. 1057DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-009.773 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.004354/2010-30 impugnação quanto no recurso voluntário, acerca da origem dos ingressos – vide f. 961/965. Por não ter se desincumbido do ônus probatório que sobre os seus ombros repousava, rejeito as alegações. II – DA DEDUÇÃO DAS DESPESAS NO LIVRO-CAIXA O art. 6º da Lei nº 8.134/1990 determina que “o contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade” “(...) as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora.” – ex vi do inc. III. Firmada a premissa, passo à análise das despesas deduzidas glosadas pela fiscalização. Conforme bem consignado pela instância a quo, Na impugnação, o senhor contribuinte vem argumentando que os rendimentos informados como sendo rendimentos percebidos de pessoas físicas são na realidade rendimentos de aluguéis percebidos de pessoas jurídicas. Vem informando, ainda, que houve erro de preenchimento da Declaração de Ajuste Anual. Vem argumentando que do rendimento de aluguel podem ser deduzidas as despesas relacionadas ao imóvel locado, conforme a legislação do Imposto de Renda (art. 50 do Decreto no 3.000, de 1999), tais como despesas com taxa de condomínio, IPTU, etc . Apesar do erro, não houve prejuízo, uma vez que o rendimento de aluguel foi informado pelo valor bruto, sem ter havido a exclusão dos pagamentos feitos a título de IPTU e Taxa de Condomínio. A argumentação é improcedente, vejamos, então: Primeiramente, o autor do procedimento de fiscalização identificou todos os rendimentos de aluguéis percebidos de pessoas jurídicas que foram informados na Declaração de Ajuste Anual e devidamente computados na Planilha de Variação Patrimonial a Descoberto. Não há provas do fato alegado de que houve erro de preenchimento da Declaração de Ajuste Anual. O senhor contribuinte não apresentou provas de que os rendimentos são referentes a aluguel de imóveis locados a pessoas físicas. Temse, assim, que o senhor contribuinte auferiu rendimentos de pessoas físicas em decorrência de trabalho nãoassalariado. Desta forma, as despesas tidas como despesas de livro caixa devem ser comprovadas. O autor do procedimento de fiscalização verificou que os valores informados como despesas de livro caixa são de taxa de condomínio de imóveis, tais como: CAGECE, COELCE, IPTU e EMPRESA DE SEGURANÇA. Pela legislação do Imposto de Renda, artigo 75 do Decreto no 3.000, de 1999, o contribuinte que perceber rendimentos do trabalho nãoassalariado poderá deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em Livro Caixa. Fl. 1058DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-009.773 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.004354/2010-30 Tendo sido intimado a comprovar as despesas de Livro Caixa, o senhor contribuinte apresentou comprovantes de pagamento relacionados a CAGECE, COELCE, IPTU e EMPRESA DE SEGURANÇA. Certamente que tais pagamentos são se identificam com despesas de Livro Caixa e não devem ser deduzidas para efeito de apuração da base de cálculo do Carnêleão. Portanto, correto o procedimento fiscal em ter glosado a despesa. Por outro lado, vem argumentando o senhor contribuinte que os rendimentos são aluguéis percebidos de pessoas jurídicas. Pela legislação do Imposto de Renda, art. 50 do Decreto no 3.000, de 1999, os pagamentos feitos a titulo de IPTU, de aluguel de imóvel sublocado, de prestação de serviço de administração para recebimento do aluguel e de taxa de condomínio podem ser deduzidos do valor bruto do aluguel para efeito de apuração da base de cálculo do carnêleão. Entretanto, para o presente caso, não há provas do valor bruto dos aluguéis. Nessa situação, mesmo em se admitindo que os rendimentos informados como tendo sido rendimentos percebidos de pessoas físicas sejam rendimento de aluguéis, não se pode admitir a dedução dos pagamentos feitos a titulo de IPTU, condomínio e taxa de administração do imóvel, uma vez que hão há provas do valor bruto do aluguel. (f. 965/966; sublinhas deste voto) A despeito de reiterada a ausência de comprovação do alegado furta-se o ora recorrente de tentar robustecer o acervo probatório acostado, limitando-se reiterar os motivos de insurgência apresentados desde a peça de ingresso. Mantenho, por essas razões, a autuação. III – DO DISPOSITIVO Ante o exposto, nego provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 1059DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11610.002344/2009-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2007
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF Nº 11.
Em conformidade com a Súmula CARF nº 11, não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO ADMINISTRATIVO.
Ao analisar a norma do artigo 24 da Lei nº 11.457/2007, que diz que é obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte, o STJ entendeu que é meramente programática, um apelo feito pelo legislador ao julgador administrativo para implementar o ditame do inciso LXXVIII do art. 5° da Constituição Federal (a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação), não havendo cominação de qualquer sanção em decorrência de seu descumprimento por parte da Administração Tributária, muito menos o reconhecimento tácito do suposto direito pleiteado.
DEDUÇÃO DE DESPESAS A TÍTULO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA
Somente são dedutíveis as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
O contribuinte deve comprovar que realizou os pagamentos a título de pensão alimentícia.
Numero da decisão: 2401-011.080
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 2401-011.079, de 09 de maio de 2023, prolatado no julgamento do processo 11610.001384/2009-62, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Wilsom de Moraes Filho, Rayd Santana Ferreira, Eduardo Newman de Mattera Gomes, Ana Carolina da Silva Barbosa, Guilherme Paes de Barros Geraldi, Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2007 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF Nº 11. Em conformidade com a Súmula CARF nº 11, não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Ao analisar a norma do artigo 24 da Lei nº 11.457/2007, que diz que é obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte, o STJ entendeu que é meramente programática, um apelo feito pelo legislador ao julgador administrativo para implementar o ditame do inciso LXXVIII do art. 5° da Constituição Federal (a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação), não havendo cominação de qualquer sanção em decorrência de seu descumprimento por parte da Administração Tributária, muito menos o reconhecimento tácito do suposto direito pleiteado. DEDUÇÃO DE DESPESAS A TÍTULO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA Somente são dedutíveis as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. O contribuinte deve comprovar que realizou os pagamentos a título de pensão alimentícia.
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SÚMULA CARF Nº 11. Em conformidade com a Súmula CARF nº 11, não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Ao analisar a norma do artigo 24 da Lei nº 11.457/2007, que diz que é obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte, o STJ entendeu que é meramente programática, um apelo feito pelo legislador ao julgador administrativo para implementar o ditame do inciso LXXVIII do art. 5° da Constituição Federal (a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação), não havendo cominação de qualquer sanção em decorrência de seu descumprimento por parte da Administração Tributária, muito menos o reconhecimento tácito do suposto direito pleiteado. DEDUÇÃO DE DESPESAS A TÍTULO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA Somente são dedutíveis as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. O contribuinte deve comprovar que realizou os pagamentos a título de pensão alimentícia. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 2401-011.079, de 09 de maio de 2023, prolatado no julgamento do processo 11610.001384/2009-62, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente Redator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 23 44 /2 00 9- 38 Fl. 77DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-011.080 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.002344/2009-38 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Wilsom de Moraes Filho, Rayd Santana Ferreira, Eduardo Newman de Mattera Gomes, Ana Carolina da Silva Barbosa, Guilherme Paes de Barros Geraldi, Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. O presente processo administrativo decorre de Notificação de Lançamento que constituiu débito de Imposto de Renda Suplementar, acrescido de multa de ofício e juros de mora, seguindo procedimento de verificação das informações constantes da na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física, exercício de 2007. Foram verificadas as seguintes infrações: Dedução indevida de dependente; dedução indevida de pensão alimentícia judicial. Devidamente intimado, o Recorrente apresentou Impugnação alegando, em síntese: O direito de deduzir os valores pagos a título de pensão alimentícia, uma vez que os valores foram fixados em sentença proferida no processo de Separação Judicial; Que a omissão de rendimentos de seu dependente apenas levará a uma redução do montante do valor a ser-lhe restituído. Em sede de análise em 1ª instância, a 8ª Turma da Delegacia de Julgamento em São Paulo II julgou a Impugnação procedente em parte, em Acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 GLOSA DE DEDUÇÃO A TÍTULO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Somente são dedutíveis as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Correta a glosa quando o contribuinte não comprova que os pagamentos foram realizados nos termos estipulados pela decisão judicial. GLOSA DE DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE. FILHA. Restabelece-se a dedução de dependente quando comprovado pelo contribuinte que sua descendente estava regularmente matriculada em instituição de ensino superior no ano calendário fiscalizado. Fl. 78DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-011.080 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.002344/2009-38 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O sujeito passivo tomou ciência do Acórdão e apresentou Recurso Voluntário com os seguintes argumentos: Prescrição do direito da Fazenda em razão da ofensa ao inciso LXXVIII, art. 5º da CR/88, que garante a razoável duração do processo; A inocorrência da infração de dedução indevida de pensão alimentícia judicial, e a necessidade de revisão da decisão de 1ª instância, pois, apesar de não ter sido comprovado o depósito em conta bancária própria, foi apresentada a declaração de imposto de renda da favorecida com a informação dos valores recebidos, e que deveria ser essa aceito como prova do pagamento; Com relação aos valores omitidos de seu dependente, reitera a confissão de que teria deixado de inclui-los na base de cálculo do imposto e concorda com o ajuste do valor na base de cálculo. Não foram apresentadas contrarrazões. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Da verificação do Aviso de Recebimento (AR ) juntado aos autos não é possível apurar a data exata de intimação do Recorrente. Contudo, é possível ver que ele foi recebido ainda em outubro de 2020, tendo sido postado em 26/10/2020. O Recurso Voluntário foi apresentado em 17/11/2020, ou seja, mesmo que o Recorrente tenha sido intimado na data da postagem, apresentou o Recurso Voluntário antes de vencidos 30 dias. Portanto, verifica-se que o Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele conheço e passo à análise da matéria. Prescrição - Ofensa ao Princípio da Razoável Duração do Processo O Recorrente alega que o débito deveria ser considerado prescrito em razão do longo lapso temporal de duração do processo. Fl. 79DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-011.080 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.002344/2009-38 Muito já se discutiu sobre o direito dos contribuintes a um processo célere, principalmente quando se discutia o art. 26 artigo 24 da Lei nº 11.457/2007, in verbis: Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Concluiu-se que o dispositivo acima trata-se de norma processual e programática, não havendo cominação de qualquer sanção em decorrência de seu descumprimento por parte da Administração Tributária, muito menos o reconhecimento tácito do suposto direito pleiteado. O objetivo do legislador foi dar efetividade ao inciso LXXVIII do art. 5° da Constituição Federal, in verbis: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LXXVII - a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação), Ao se debruçar sobre o tema, o Superior Tribunal de Justiça, no REsp 1138206/RS, de titularidade do Ministro Luiz Fux, reconheceu a importância de observância do prazo de 360 dias para análise dos processos, mas, o efeito de tal decisão é apenas a determinação de que a Administração promova a análise dos casos pendentes. Em nenhum momento, considerou-se retirar da Administração a possibilidade de revisão do lançamento, como requer o Recorrente. Vale a leitura [...] DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. [...] 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. [...] 3. O processo administrativo tributário encontra-se regulado pelo Decreto 70.235/72 - Lei do Processo Administrativo Fiscal -, o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à Fl. 80DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-011.080 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.002344/2009-38 fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: [...] 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: [...] 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). [...] 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1138206 RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/08/2010, DJe 01/09/2010) Ademais, o CARF já definiu que não há que se falar em prescrição intercorrente no processo administrativo, ou seja, enquanto durar o processo administrativo o débito fica com exigibilidade suspensa, e mesmo que a Administração tenha que cuidar para que o processo seja célere, não há que se falar em perda do direito em revisão do ato do lançamento ou perda do direito de constituir definitivamente o crédito tributário. Da Dedução dos valores pagos a título de pensão alimentícia e a comprovação do pagamento O Recorrente deduziu o montante de R$ 24.000,00, que teria sido pago a Maria Eugênia Antônia Benedita Andrigo Moreira no decorrer do ano de 2004, a título de pensão alimentícia. O Recorrente trouxe aos autos a cópia da Carta de Sentença extraída dos autos de Separação Consensual do casal (e-fls. 15/31), de 15 de março de 1983. Apesar da referida sentença determinar que os valores deveriam ser pagos em conta corrente da ex-cônjuge, o Recorrente não informou como se deram os pagamentos no ano de 2004. A comprovação que apresenta nos autos é a cópia da Declaração de Ajuste Anual da Sra. Maria Eugênia Antônia Benedita Andrigo Moreira, que declarou ter recebido o mesmo valor, 12 parcelas mensais de R$ 2.000,00 (e-fls. 32/37). Fl. 81DF CARF MF Original https://processo.stj.jus.br/SCON/pesquisar.jsp?i=1&b=ACOR&livre=((%27RESP%27.clas.+e+@num=%271138206%27)+ou+(%27REsp%27+adj+%271138206%27).suce.)&thesaurus=JURIDICO&fr=veja Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-011.080 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.002344/2009-38 Os argumentos apresentados pelo Recorrente já foram enfrentados no acórdão recorrido, motivo pelo qual adoto as razões de decidir daquele julgado, conforme previsto no art. 57, §3º, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, cabendo destacar os seguintes excertos do voto condutor: Infere-se da cópia da Carta de Sentença extraída dos autos do processo de separação judicial do casal Carlos Augusto Moreira (notificado) e Maria Eugênia Antônia Benedita Andrigo Moreira que tramitou perante a 6ª Vara de Família e Sucessões da Comarca de são Paulo, fls. 15/31, que foi acordado pagamento de pensão alimentícia pelo interessado nas seguintes condições: “(....) 2 Do casamento houveram dois filhos, MÔNICA ANDRIGO MOREIRA, nascida aos 12 de setembro de 1971 e CARLOS EDUARDO ANDRIGO MOREIRA, nascido aos 08 de fevereiro de 1975 (docs. nº. 3 e 4). (...) II PENSÃO ALIMENTÍCIA. A título de pensão alimentícia, igualmente dividida entre a mulher e os filhos, cabendo, portanto, a cada um o equivalente a 1/3 (um terço), o varão pagará mensalmente a importância de Cr.$ 120.000,00 (cento e vinte mil cruzeiros), que deverão ser depositados até o dia.5 (cinco) de cada mês, em conta corrente a ser aberta em nome da varôa na Agência Paraiso do Banco Brasileiro de Descontos S/A., valendo o comprovante de depósito como prova do pagamento; (...)” Grifamos Não há nos autos qualquer prova efetiva do pagamento dos valores (transferência de recursos) estipulados pelo citado acordo judicial, uma vez que o mesmo é expresso no sentido de que estes se dariam através de instituição bancária. Caberia ao interessado ter realizado esta comprovação mediante saques em dinheiro da conta-corrente coincidentes com os depósitos na conta corrente da alimentanda ou através de cópias de transferências eletrônicas de fundos entre as contas-correntes (DOC´s). As Declarações de Ajustes do notificado e alimentanda não constituem prova de pagamento da pensão, à medida que estas fornecem apenas a informação nelas consignadas, porém, não comprovam, por si só, o fato declarado pelos seus signatários. Vê-se, pois, que no exercício fiscalizado o contribuinte efetivamente não comprovou ter efetuado pagamentos a título de pensão alimentícia judicial, sendo, pois, procedente a glosa promovida pelo Fisco. Considerando que o recorrente não trouxe aos autos nenhuma outra comprovação do pagamento dos valores a título de pensão alimentícia, mantenho a decisão de piso e nego provimento ao recurso. Com base no exposto, voto por conhecer do recurso, e no mérito, negar-lhe provimento. Fl. 82DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-011.080 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.002344/2009-38 Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente Redator Fl. 83DF CARF MF Original
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Numero do processo: 11968.000164/2008-91
Data da sessão: Tue Aug 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 30/11/2007, 19/12/2007, 15/01/2008
MULTA.TRÂNSITO ADUANEIRO. PROCEDIMENTO SIMPLIFICADO.
PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. INTEMPESTIVIDADE.
É cabível a aplicação de multa ao depositáro ou ao operador portuário por deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
No regime de trânsito aduaneiro simplificado, a autoridade aduaneira local detém competência para fixar a forma e o prazo nos quais as informações devem ser prestadas pelos intervenientes.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3802-000.676
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de
Julgamento, por maioria, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento (Relator) que dava provimento ao apelo recursal. Designado o Conselheiro Regis Xavier Holanda como redator do voto vencedor.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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PROCEDIMENTO SIMPLIFICADO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. INTEMPESTIVIDADE. É cabível a aplicação de multa ao depositáro ou ao operador portuário por deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. No regime de trânsito aduaneiro simplificado, a autoridade aduaneira local detém competência para fixar a forma e o prazo nos quais as informações devem ser prestadas pelos intervenientes. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento (Relator) que dava provimento ao apelo recursal. Designado o Conselheiro Regis Xavier Holanda como redator do voto vencedor. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda – Presidente e Redator. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 12/09/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, José Fernandes do Nascimento, Tatiana Midori Migiyama, Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi. Impedido o Conselheiro Francisco José Barroso Rios. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 0815.670, de 10 de julho de 2009 (fls. 46/54), proferido pelos membros da 7ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE (DRJ/FOR), em que, por unanimidade de votos, conheceram da impugnação, para julgar procedente o auto de infração, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/11/2007, 19/12/2007, 15/01/2008 RESPONSÁVEL PELO RECINTO ALFANDEGADO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. O cumprimento intempestivo da obrigação acessória de prestar informação sobre as operações que execute quanto à carga sob sua responsabilidade, na forma e no prazo estabelecidos pela RFB, sujeita o responsável pelo recinto alfandegado ao pagamento da multa prevista na legislação. Lançamento Procedente Por bem resumir os fatos registrados nos autos até a prolação da decisão de primeiro grau, transcrevo a seguir o Relatório encartado no Acórdão recorrido: Trata o presente processo de auto de infração no valor de R$ 20.000,00, referente à multa, prevista no art. 107, inciso IV, “f” do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003, em face da intempestiva prestação de informação, por parte do responsável pelo recinto alfandegado, relacionada a operações por ele executadas, no âmbito de procedimento simplificado jungido ao regime de trânsito aduaneiro. A Alfândega do Porto de Suape, visando franquear otimização quanto aos procedimentos relativos ao trânsito de mercadorias entre os recintos alfandegados sob sua jurisdição aduaneira, com esteio no parágrafo único do art. 288 do então vigente Decreto nº 4.543/2002, resolveu expedir a Portaria nº 44, de 04/07/2005 (fls. 34/36). Superados os requisitos previstos em sobredita portaria, postos nos itens elencados no seu art. 3º, à fruição da automática autorização para a efetiva transferência simplificada em tela, o beneficiário deverá, consoante os termos do § 3º do art. 3º desse diploma, promover a apresentação de documento próprio, denominado “Informação de Transferência de Carga ITC”, à unidade aduaneira, até o primeiro dia útil seqüente à conclusão da operação. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11968.000164/200891 Acórdão n.º 380200.676 S3TE02 Fl. 68 3 Porém explana, em suma, a fiscalização , o beneficiário, responsável pelo recinto alfandegado em epígrafe, no que tange à execução das transferências atinentes às operações destacadas às fls. 4 e 10/33, não laborara em sintonia com os moldes prescritos, visto que referidos atestes formais foram providenciados de forma intempestiva, conforme informação também posta à fl. 4, ferindo, portanto, os ditames da portaria em análise. À vista disso, a fiscalização aduaneira, diante da extemporaneidade da comunicação formal, efetuou a exigência da penalidade pecuniária correspondente, resultando na exação em tela. Da impugnação O contribuinte, após ter sido cientificado, pessoalmente, do lançamento em estudo, em 07/03/2008, consoante faz prova a ciência posta à fl. 1, apresentou, em 03/04/2008, sua impugnação, conforme peça e documentos de fls. 40/44, onde, após breve histórico dos fatos relacionados ao feito em apreço, desenvolveu sua defesa, conforme a seguir, em resumo, exposta: a autuação, em seu alicerce, ofende o princípio da estrita legalidade, visto que, no direito brasileiro, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, senão em virtude de lei; em seara tributária, reza o inciso I do art. 150 da CF/88 que a exigência ou o aumento de tributo não prescinde de lei que o estabeleça; o Sistema Tributário Nacional pautase pelo princípio da estrita legalidade, descabendo, assim, qualquer obrigação legalmente desabrigada; obrigação emanada por “mera Portaria do Inspetor da Alfândega do Porto de Suape” não tem o condão de provocar imposição de natureza tributária; somente a lei, sob ângulo formal, pode inaugurar obrigação, carecendo legitimidade, desse modo, a Portaria ALF/SPE nº 44/2005 para introduzila de forma originária; sob outro prisma, à luz do princípio da eventualidade, o auto de infração, igualmente, não merece ser acolhido, posto que nulo, tendo em vista ocorrência de equívoco quanto ao enquadramento da suposta infração cometida. Para acolher a tipificação apresentada pelos fatos, pelo menos em tese, a fiscalização, ao revés de haver consignado a alínea “f” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37/66, como fundamento legal da penalidade, deveria têlo feito sob o molde da alínea “f”, ou mesmo da “g”, do inciso VII do mencionado dispositivo legal. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 Por fim, em face dos termos da impugnação supra, o contribuinte requer o acatamento de sua defesa, conseqüentemente, a insubsistência da exação em apreço. Sobreveio o Acórdão recorrido, sendo dele pessoalmente cientificada a Interessada (fl. 56) em 29/06/2009. Inconformada, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 60/64, protocolado em 27/07/2009 (fl. 60), em que reafirmou as razões de defesa aduzidas na peça impugnatória. Em aditamento, em síntese, alegou que: a) não legitimava a imposição da referida penalidade, o fato de a Recorrente ter aderido ao sistema simplificado de movimentação de cargas, instituído pela Portaria ALFSPE nº 44, de 2005, conforme argumento apresentado no Acórdão recorrido; b) somente a lei, e não a vontade da Autoridade Alfandegária ou do contribuinte, poderia criar obrigações acessórias e penalidades pecuniárias a serem impostas de forma coercitiva contra os sujeitos passivos da obrigação tributária; e c) a Autoridade Alfandegária não tinha competência para criar penalidade, nem mesmo para extrair da realidade o fato típico que, acaso verificado, imporia ao responsável a penalidade. Segundo a Recorrente, essa atribuição foi reservada à lei pela Constituição Federal de 1988. No final, requereu a Autuada o recebimento e integral provimento ao presente Recurso, para reformar o Acórdão recorrido, anulando por completo o presente Auto de Infração. Em atenção ao despacho de fl. 66, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de abril de 2011, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro Relator. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso foi apresentado por parte legítima e em tempo hábil, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, portanto, dele tomo conhecimento. Do objeto da presente autuação. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais (fls. 03/07) que integra o presente Auto de Infração, o motivo da presente autuação foi o fato de a Recorrente ter apresentado, na Alfândega do Porto de Suape (ALFSPE), o documento denominado Informação de Transferência de Carga (ITC) fora do prazo estabelecido no § 3º do art. 3° da Portaria ALFSPE n° 44, de 4 de julho de 2005 (fls. 34/35), o qual foi fixado para o primeiro dia útil seguinte à entrega das cargas. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11968.000164/200891 Acórdão n.º 380200.676 S3TE02 Fl. 69 5 De fato, segundo os documentos de fls. 10/33, a Interessada entregou o referido documento no segundo dia útil seguinte, após a conclusão das respectivas operações de trânsito, portanto com atraso de um dia, conforme tabela de fl. 04. Em relação a esse ponto, cabe esclarecer que inexiste controvérsia. Para uma melhor compreensão do suposto cometimento da infração em tela, cabe analisar o disposto no art. 3º da citada Portaria, que trata da transferência simplificada de unidades de carga armazenada no âmbito dos recintos alfandegados localizados na jurisdição da citada Alfândega, que tem seguinte teor, in verbis: Art. 3º A transferência de unidades de carga armazenada, nos termos previstos no art. 71, §1º1, poderá ser realizada de forma simplificada, atendidas as seguintes condições: 1. Realizada sob as responsabilidades do recinto alfandegado de descarga; 2. Destaque em seu conhecimento de carga o recinto de destino; 3. Transferida dentro do prazo previsto para inicio do despacho de importação (90 dias da descarga em recinto alfandegado); 4. Formalizada na folha de ‘Informação de transferência de carga – ITC’, numerada em ordem crescente pelo terminal de saída, contendo as seguintes informações: container, lacre, navio de descarga e viagem, conhecimento de carga e registro de ocorrência de avaria, extravio ou divergência de lacre. § 1º Uma vez atendidas as condições acima, a transferência simplificada encontrase automaticamente autorizada. § 2º O recinto alfandegado de origem é responsável, perante a autoridade aduaneira, pela integridade da carga desde a descarga da embarcação até a entrega no recinto de destino. (art. 12 da Lei 8.630/93) § 3º O responsável pelo recinto de destino atestará na folha ITC o recebimento integral das unidades de carga, com ressalva de eventual extravio ou avaria, devendo o responsável pela transferência apresentála na Alfândega até o dia útil seguinte à conclusão de entrega. § 4º Tais operações serão denominadas de ‘transferência simplificada’. (grifos não originais) Em decorrência do descumprimento do prazo de entrega do referido documento, entendeu a Autoridade Fiscal autuante que a Interessada havia cometido a infração descrita na alínea “f” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, que tem a seguinte redação, ipsis litteris: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...] 1 O referido dispositivo pertence a Instrução Normativa SRF nº 248, de 25 de novembro de 2002. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): [...] f) por deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ao depositário ou ao operador portuário; [...] (grifos não originais) Em suma, por não ter entregue, na Alfândega do Porto de Suape, a folha de Informação de Transferência de Carga (ITC) até o dia útil seguinte à conclusão da entrega das unidades de carga (contêineres) no recinto alfandegado de destino, à Recorrente foi imposta a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por cada documento apresentado extemporaneamente. Como foram entregues 4 (quatro) documentos fora de prazo, o total da multa aplicada foi de R$ 20.000,00 (vinte mil reais). Da legalidade da imposição da multa. No âmbito da legislação aduaneira, a norma que traça das balizas gerais acerca das infrações e penalidades aduaneiras está insculpida no art. 94 do Decretolei nº 37, de 1966, a seguir a transcrito: Art. 94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (grifos não originais) Do conteúdo do transcrito preceito legal, destaco dois pontos relevantes para o deslinde da presente controvérsia. Um diz respeito a definição de infração aduaneira ou administrativa e o outro está relacionado com os limites impostos aos atos administrativos de caráter normativo, para fim de disciplinamento da referida matéria. De acordo com o referido comando legal, constitui infração aduaneira ou administrativa toda ação ou omissão, voluntário ou não, que importe inobservância de norma estabelecida no Decretolei nº 37, de 1966, no regulamento aduaneiro ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a complementar os dispositivos do citado Decretolei. Combinando o teor da referida definição com a restrição de que o ato administrativo de caráter normativo não pode estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade de natureza aduaneira ou administrativa (§ 1º do art. 94), chegase a conclusão que, em matéria de infração e penalidade aduaneiras, o citado ato Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11968.000164/200891 Acórdão n.º 380200.676 S3TE02 Fl. 70 7 administrativo tem por finalidade complementar alguns elementos subsidiários faltantes na norma veiculada pelo Decretolei, de modo a conferirlhe completude e plena eficácia. Dessa forma, resta evidenciado que, em matéria de infração e penalidade aduaneiras, o ato administrativo normativo tem função meramente complementar, não podendo, por conseguinte, inovar o ordenamento jurídico, instituindo novas obrigações não previstas em lei, nem tampouco estabelecendo penalidades para o descumprimento das obrigações já fixadas no citado diploma legal. Em outras palavras, o ato administrativo normativo somente poderá dispor sobre tal matéria, nas hipóteses em que houver expressa previsão da edição de tal norma complementar. Em decorrência do asseverado, dúvida alguma há no sentido de que é vedado a tais atos administrativos “estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade” de natureza aduaneira ou administrativa, vinculada ao controle das operações de comércio exterior. Ademais, não se pode esquecer que a função reservada pelo ordenamento jurídico aos referidos atos é apenas complementar, tendo em conta critérios de racionalidade, economicidade e conveniência administrativas. Em matéria de infração e penalidade aduaneiras, a infração em apreço, capitulada na alínea “f” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, com a nova redação, é um típico exemplo dessa função ancilar exercida pelo ato administrativo de caráter normativo. Com efeito, o preceito legal em referência já estabeleceu a penalidade (multa de R$ 5.000,00) e delimitou a materialidade da infração (deixar prestar informação sobre a carga e as operações executadas pelo depositário ou operador portuário), atribuindo a Secretaria da Receita Federal somente a incumbência de estabelecer a forma e o prazo, para a prestação das referidas informações. Em decorrência dessa peculiaridade, por força de competência legal expressa, somente os atos de caráter normativo (normalmente Instrução Normativa) editados pelo Secretário da Receita Federal têm o condão de instituir a forma e o prazo da prestação das mencionadas informações. Aliás, não se pode olvidar que é vedada a delegação de competência para (i) a edição do ato administrativo de caráter normativo e (ii) as matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade, conforme expressamente dispõem os incisos I e III do art. 132 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Dessa forma, no que tange à norma em apreço, é inquestionável que o Inspetor da Alfândega do Porto de Suape não possuía nem possui competência para, por meio de ato normativo, estabelecer a forma e o prazo da prestação das referidas informações, logo, reputase ilegal qualquer ato administrativo, de caráter normativo ou não, por ele editado com o objetivo de disciplinar tal matéria. 2 "Art. 11. A competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos administrativos a que foi atribuída como própria, salvo os casos de delegação e avocação legalmente admitidos. [...] Art. 13. Não podem ser objeto de delegação: I a edição de atos de caráter normativo; II a decisão de recursos administrativos; III as matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade". Fl. 7DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 8 Entretanto, no meu entendimento, o Inspetor da Alfândega do Porto de Suape, por meio da Portaria ALFSPE n° 44, de 2005, não tratou da referenciada matéria. Na verdade, com respaldo no art. 833 da Instrução Normativa SRF nº 248, de 25 de novembro de 2002, por intermédio da citada Portaria, a dita Autoridade Aduaneira instituiu um regime simplificado de trânsito aduaneiro de unidade de carga entre os recintos alfandegados localizados na zona primária do Porto de Suape, nas modalidades de transferência direta (art. 2º) e transferência simplificada (art. 3º), estabelecendo os requisitos e as condições operacionais e os beneficiários do regime. Em relação às transferências simplificadas das unidades de carga armazenadas, questão relevante para o caso em apreço, o art. 3º da citada Portaria estabeleceu o seguinte regramento especial: a) prazo de 90 (noventa) dias, contado da descarga, para a transferência das unidades de carga; b) criado a folha de Informação de Transferência de Carga (ITC), para formalizar a dita operação de transferência; e c) instituída a obrigação de entrega da ITC na citada Alfândega até o dia útil seguinte à conclusão da entrega da unidade de carga no recinto alfandegado destino. Assim, por disciplinar a transferência de unidade de carga entre recintos alfandegados, pertencentes a zona primária do Porto de Suape, a Portaria em destaque, trata de questões operacionais atinentes à movimentação de unidade de carga entre os recintos alfandegados instalados na jurisdição da citada Unidade aduaneira. Dessa forma, entendo que o descumprimento de obrigação instituída na dita Portaria, em tese, configuraria a infração tipificada na alínea “f” do inciso VII do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, a seguir transcrito: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...] VII de R$ 1.000,00 (mil reais): [...] f) por dia, pelo descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para executar atividades de movimentação e armazenagem de mercadorias sob controle aduaneiro, e serviços conexos; [...] (grifos não originais) Em suma, com base nessas considerações, chego ao entendimento de que o descumprimento da obrigação instituída no § 3º do art. 3° da Portaria ALFSPE n° 44, de 2005, objeto da presente autuação, não se subsume à hipótese da infração descrita na alínea “f” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, com a nova redação, portanto, indevida a imposição da presente penalidade. Da conclusão. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao presente Recurso, para que seja integralmente cancelado o valor da multa objeto da presente autuação. 3 "Art. 83. O titular da unidade da SRF poderá estabelecer procedimento simplificado para as operações de trânsito aduaneiro cujos locais de origem e de destino estejam a ele subordinados, dispensando, no sistema, as etapas correspondentes". Fl. 8DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11968.000164/200891 Acórdão n.º 380200.676 S3TE02 Fl. 71 9 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Voto Vencedor Conselheiro Regis Xavier Holanda, Redator designado. O presente caso versa sobre a aplicação de multa prevista no artigo 107, IV, “f” do Decretolei nº 37/1966 a seguir transcrito: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): [...] f) por deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ao depositário ou ao operador portuário; Negritei e sublinhei. De início, cumpre destacarmos que o legislador, em relação à penalidade em epigrafe, remeteu à Secretaria da Receita Federal a fixação da forma e do prazo nos quais as informações seriam prestadas pelo depositário ou operador portuário. Já o então vigente Regulamento Aduaneiro Decreto 4.543/2002, em capítulo destinado ao regime especial de trânsito aduaneiro, trouxe as seguintes disposições de interesse relacionadas ao tema em estudo: CAPÍTULO II DO TRÂNSITO ADUANEIRO [...] Art. 288. Poderá ser objeto de procedimento especial de trânsito aduaneiro, na forma a ser estabelecida pela Secretaria da Receita Federal I o despacho para trânsito nas modalidades referidas nos incisos II e VII do art. 270; e II a operação de transporte que envolva situações específicas caracterizadas por peculiaridades regionais ou subregionais. Parágrafo único. Poderá ter procedimento simplificado, a ser estabelecido pela autoridade aduaneira local, o trânsito aduaneiro que tiver os locais de origem e de destino jurisdicionados à mesma unidade. Destaques apostos. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 10 No mesmo sentido, a Instrução Normativa SRF nº 248, de 25/11/2002 tratou a matéria: Art. 83. O titular da unidade da SRF poderá estabelecer procedimento simplificado para as operações de trânsito aduaneiro cujos locais de origem e de destino estejam a ele subordinados, dispensando, no sistema, as etapas correspondentes. Negritei. Assim, relativamente ao trânsito aduaneiro entre locais jurisdicionados à mesma unidade, o comando Presidencial e do Secretário da Receita Federal facultaram ao titular da unidade aduaneira local – a quem estaria afeta referidas operações – o estabelecimento de procedimento simplificado que incluiria logicamente, dentre outros pontos, a fixação da forma e do prazo nos quais as informações deveriam ser prestadas à autoridade aduaneira local em consonância com a autorização legal conferida pelo artigo 107, IV, “f” do Decretolei nº 37/1966. Portanto, com fiel observância às disposições normativas acima tratadas, e utilizandose regularmente da faculdade que lhe foi conferida, o titular da Alfândega do Porto de Suape editou a Portaria ALF/SPE nº 44/2005, nos seguintes termos: Art. 3º A transferência de unidades de carga armazenada, nos termos previstos no art. 71, §1º, poderá ser realizada de forma simplificada, atendidas as seguintes condições: 1. Realizada sob as responsabilidades do recinto alfandegado de descarga; 2. Destaque em seu conhecimento de carga o recinto de destino; 3. Transferida dentro do prazo previsto para inicio do despacho de importação (90 dias da descarga em recinto alfandegado); 4. Formalizada na folha de ‘Informação de transferência de carga – ITC’, numerada em ordem crescente pelo terminal de saída, contendo as seguintes informações: container, lacre, navio de descarga e viagem, conhecimento de carga e registro de ocorrência de avaria, extravio ou divergência de lacre. § 1º Uma vez atendidas as condições acima, a transferência simplificada encontrase automaticamente autorizada. § 2º O recinto alfandegado de origem é responsável, perante a autoridade aduaneira, pela integridade da carga desde a descarga da embarcação até a entrega no recinto de destino. (art. 12 da Lei 8.630/93) §3º O responsável pelo recinto de destino atestará na folha ITC o recebimento integral das unidades de carga, com ressalva de eventual extravio ou avaria, devendo o responsável pela transferência apresentála na Alfândega até o dia útil seguinte à conclusão de entrega. § 4º Tais operações serão denominadas de ‘transferência simplificada’. Destaques apostos. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11968.000164/200891 Acórdão n.º 380200.676 S3TE02 Fl. 72 11 Dessa forma, data maxima venia, uma vez constatado que o interessado apresentou, a destempo, a “Informação de Transferência de Carga ITC”, ou seja, em tempo superior a um dia útil após a conclusão do procedimento de transferência simplificada, há de se lhe aplicar a punição prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “f”, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pelo art. 77, de Lei nº 10.833/2003. Com efeito, não me recai qualquer dúvida de que a empresa responsável pelo recinto alfandegado deixou de prestar informação sobre as operações que executou – no caso, transferência simplificada , na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Ressaltese aqui que a presente norma não inaugurou qualquer sanção – apenas conferiulhe eficácia , estando, tanto a penalidade em exame como a previsão para edição de norma complementar expressamente tratadas pelo DL nº 37/66. Por outro lado, apenas para registro, filiome ainda às considerações da decisão a quo ao reiterar que o próprio contribuinte adotou a filosofia operacional alternativa ofertada pela Alfândega do Porto de Suape, fincada na Portaria ALF/SPE nº 44/2005, devendo, por necessidade lógica, a ela, então, submeterse. Valerse, por um lado, da alternativa franqueada pela unidade aduaneira em alusão concernente ao trânsito de cargas – transferência simplificada entre aludidos recintos alfandegados, afastando, assim, diversas formalidades relativas às ações previstas pela legislação ordinária para tais casos; e, por outro lado, contra a própria norma infralegal insurgirse, desqualificandoa, para fins de dela erradicar qualquer nota de obrigação, revelase dissonante. No mais, também neste ponto solicitando licença ao ilustre Conselheiro Relator, por entender que a fiscalização efetuou o enquadramento reclamado pelo presente caso, afasto a idéia de que o descumprimento da obrigação em estudo encontraria, em tese, agasalho típico no artigo 107, VII, “f” ou ainda “g” da multicitada norma legal4. De fato, tais dispositivos ao preverem o descumprimento de requisitos, condições ou normas anteriores à atividade de movimentação e armazenagem de mercadorias ou à utilização de procedimento aduaneiro simplificado não abarcam a presente situação: uma inação quanto à prestação de informação tempestiva da operação já executada pelo contribuinte sob a égide de procedimento especial. Portanto, não houve desqualificação de sua ação, motivada por falha em qualquer requisito ou pressuposto à fruição do procedimento especial e sim omissão ao deixar de prestar as informações relativas à carga que custodiava em trânsito, em tempo hábil. Diante do exposto, com a devida vênia do relator, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente apelo recursal. 4 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...] VII de R$ 1.000,00 (mil reais): [...] f) por dia, pelo descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para executar atividades de movimentação e armazenagem de mercadorias sob controle aduaneiro, e serviços conexos; e g) por dia, pelo descumprimento de condição estabelecida para utilização de procedimento aduaneiro simplificado;(destaquei) Fl. 11DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 12 Sala das Sessões, em 30 de agosto de 2011. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Fl. 12DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12 /09/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA
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Numero do processo: 11516.004598/2007-05
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1996 a 30/11/1997
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCULANTE STF.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de nº 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8 - “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
No presente caso, primeira NFLD foi lavrada contra a ELETROSUL em 28/04/2004 e a segunda contra a TRACTEBEL em 19/06/2006. Contudo despicienda tal análise, tendo em vista que no ano de 2004, já se encontravam decadentes todos os fatos geradores objeto do lançamento. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 05/1996 a 11/1997, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de ofício.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 206-01.768
Decisão: ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 30/11/1997 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCULANTE STF. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de nº 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8 - “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. No presente caso, primeira NFLD foi lavrada contra a ELETROSUL em 28/04/2004 e a segunda contra a TRACTEBEL em 19/06/2006. Contudo despicienda tal análise, tendo em vista que no ano de 2004, já se encontravam decadentes todos os fatos geradores objeto do lançamento. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 05/1996 a 11/1997, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de ofício. Recurso Voluntário Provido.
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Slaps 752748 4,44 bk* " MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -'- SEXTA CÂMARA Processo n• 11516.004598/2007-05 Recurso n° 155.702 Voluntário Matéria RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Acórdão e 206-01.768 Sessão de 03 de fevereiro de 2009 Recorrente TRACTEBEL ENERGIA S/A Recorrida SRP - SC ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 30/11/1997 - PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCULANTE STF. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n° 8, senão vejamos: Súmula Vinculante n° 8 - "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 50 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". No presente caso, primeira NFLD foi lavrada contra a ELETROSUL em 28/04/2004 e a segunda contra a TRACTEBEL em 19/06/2006. Contudo despicienda tal análise, tendo em vista que no ano de 2004, já se encontravam decadentes todos os fatos geradores objeto do lançamento. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 05/1996 a 11/1997, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de oficio. Recurso Voluntário Provido. ide.< 4 r CC/MF Sesta Camara CONFERE COM O ORIGINAL Bramai" „.2.2 • CL/ o cf Processo rr 11516.004598/2007 - 05-- CCO2/C06 Acórdão n.• 206-01.768 Marta fignUrt-s Pinto Fls. 381Mit. Staps 762743 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente Cejacr) ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Relatora Participaram. ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Cleusa Vieira de Souza, Ana Maria Bandeira, I.ourenço Ferreira do Prado e Henrique Magalhães de Oliveira. 2 cc•ir sn-t. C0rt.w.; Cu,4 :f";_ —14 •,`U:r-,PqA1 e,, 22_06 Processo o' 11516.004598/2007-05 I Iren le _hrit CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.768 r.:„.,.. Fls. 382 5 . api, 7E27., • "Ir') Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social em virtude do instituto da responsabilidade solidária, previsto no art. 31, da Lei n 8.212/1991. O período compreende as competências MAIO DE 1996 a NOVEMBRO DE 1997 A base de cálculo dos segurados utilizados na prestação de serviços pela empresa MAYJOR ELETRICIDADE E TELECOMUNICAÇÕES LTDA foram obtidas mediante a verificação das notas fiscais de serviços emitidas em nome do tomador dos serviços, tendo em vista que a empresa apresentou a documentação de forma deficiente, pois mesmo notificada, deixou de exibir as folhas de pagamento, notas fiscais e as respectivas GRPS. O percentual foi aplicada sobre o valor das notas fiscais de serviços, de acordo com o serviço prestado, face a aplicação do instituto da aferição indireta, conforme descrito no relatório fiscal. Importante destacar que a NFLD em questão nasceu do desmembramento da NFLD lavrada em 28/09/2004 em nome da Empresa Transmissora de Energia Elétrica do Sul do Brasil S/A — ELETROSUL. Contudo, a TRACTEBEL anteriormente denominada De Centrais Geradoras do Sul do Brasil — GERASUL, originou-se da cisão parcial das Centrais Elétricas do Sul do Brasil - ELETROSUL, ocorrida em dezembro de 1997. Nesse sentido, o débito foi desmembrado em período anterior a cisão, atribuindo a TRACTEBEL a responsabilidade pelos débitos porventura existentes, tendo em vista Parecer 20.200.1/175/00 de 14/06/2000 da Consultoria da Procuradoria da Previdência Social. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deu-se em 31/05/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 19/06/2006. Contudo, relevante informar que o primeiro procedimento em relação aos mesmos fatos geradores, em nome da empresa ELETROSUL, empresa objeto da cisão em dezembro de 1997, ocorreu em 28/09/2004. Não conformada com a notificação, a recorrente apresentou defesa, fls. 158 a 183. Foi emitida Decisão-Notificação confirmando a procedência do lançamento, fls. 323 A 335. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi hl , erposto recurso, conforme fls. 340 a 371.Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguin;e: A autoridade julgadora não enfrentou todas as questões suscitadas, visto que não enfrentou que a responsabilidade solidária constitui verdadeiro bis in idem. Não há que se falar em descumprimento de obrigação de exigência de GRPS, visto que não foi a empresa notificada a contratante dos serviços. Se o fundamento legal para a transferência do débito da ELETROSUL para a TRACTEBEL era de que a Lei 9491/1997 que definiu o Programa Nacional de Desestatização — PND visava responsabilizar o adquirente em fase de privatização pelo débito, porque o débito foi originalmente lavrado em nome da , Centrais Elétrica. do Sul — ELETROS , lL. odg> Ilae~~~enia. _ • :r."2 t c. Processo n° 11516.004598/2007-05 CCO2/C06 Adora, n.206-01.768 nnl Fls. 383 Não há que se atribuir implicitamente, pela análise da legislação correlata responsabilidade a terceiro, se tal responsabilidade não encontra respaldo legal. A Justificação da cisão, argumento para identificar a responsabilidade da recorrente, não possui fundamento legal para respaldar o débito, tendo em vista tratar-se de documento particular elaborado pelas sociedades anônimas para esclarecimento dos sócios. Mesmo que considerássemos que à Justificação da Cisão disponha acerca dos elementos ativos e passivos que formarão cada patrimônio no caso da cisão, jamais poderíamos conceder a este instrumento a prerrogativa de alterar a definição do sujeito passivo da obrigação tributária. Em decisão do TRF da 4' Região o acórdão da 2' Turma, decidiu que a responsabilidade tributária não pode ser transferida por convenção particular e que a partir da Justificação da Cisão não é possível concluir que a Tractebel, seja responsável por todos os processos fiscais. Nesse sentido o Parecer da Procuradoria Federal Especializada do INSS é inverso a decisão judicial. A data da cisão indicada encontra-se incorreta, sendo que os patrimônios das empresas ativos e passivos, já estavam efetivamente segregados em 30/11/1997, quando editado o balanço de cisão. A norma do art. 31 da Lei 8212/91 tem caráter sancionatório. A solidariedade passiva somente pode ser determinada por regra condizente com o disposto no art. 124 do CTN, portanto não há entre a sociedade cindida e a que absorve parcela do seu patrimônio, interesse comum. Não há de ser imposta multa a TRACTEBEL por infração de conduta, que não levou a efeito. O lançamento encontra-se atingido pela decadência do art. 173 do CTN. A contratação de qualquer serviço pela Eletrosul Centrais Elétricas, pressupõe regularidade fiscal art. 37, XXI da CF, razão porque comprovada a regularidade fiscal do prestador. A constituição da obrigação tributária. deveria ser direcionado, necessariamente, à executora dos serviços, e não à tomadora. Outra falha no tocante ao procedimento fiscalizatório é o fato de que não houve a lavratura de NFLD contra a cedente de mão de obra. Absurda a base de cálculo utilizada, sendo que a lei 9711/98, prevê um percentual de 11%. Requer seja o recurso provido, com o conseqüente cancelamento da NFLD. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este 2° CC sem a apresentação de contra-razões. É o Relatório. — - r CCIMF Sonta Camara CONFERE COMO ORIGINAL Processo u• 11516.004598/2007-05 tarealiia, Ate CCO2/C06 Acórdão n.• 206-01.768 Maria Edna rrVirs-Fgntra Fls. 384 Mat. Siam* 752748 Voto Conselheira ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 379. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Em primeiro lugar cumpre-nos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa. Destaca-se como passos necessários a realização do procedimento: Autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal — MPF- F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; Intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; Autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, a empresa TRACTEBEL, foi devidamente intimada quando identificada a sua responsabilidade na qualidade de sucessora pelos débitos relacionados a atividade de exploração direta das atividades de geração de energia hidrelétrica e termoelétrica, nele incluído o acervo líquido composto de ativos e passivos (capítulo Il da Ata de Assembléia). Em sendo todo o acervo de ativos e passivos transmitidos, inclusive com a absorção de todo o pessoal ligado a geração de energia, passa a TRACTEBEL na condição de sucessora a obrigação relacionada aos fatos geradores ligados a atividade cindida. Quanto a data a ser considerado, entendo que a data da aprovação em assembléia, ou seja dezembro de 1997, é a que prevalece, visto que até então não se encontrava ratificada a cisão, e os aspectos de divisão de patrimônio. Antes de avaliar os argumentos apresentados pelo contribuinte quanto ao mérito do lançamento, entendo necessário apreciar o instituto da decadência. Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fis...) constituir os créditos objeto desta NFLD, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendida, à decisão do STF, proferida recentemente. Dessa _24 .9e.mr Sexta CàmaraCONi-CnE COMO tiRiGIMAL Processo Te 11516.004598/2007-05 ãe:2g_ coovizo6 Acórdão n.• 206-01.768 me f a e. Mai Sia pe 75--21;4a«inin Fiz. 385 forma, quanto a decadência de 5 anos, razão assiste ao contribuinte nos termos abaixo expostos. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n° 8, senão vejamos: Súmula Vinculante n° 8 - "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 50 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". O texto constitucional em seu art. 103-A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicá-la de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: "Art. I03-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecido em lei." Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional — CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Cite-se o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela la Seção no Recurso Especial de n° 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA - ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO-LEI N° 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCAT1CIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.° DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICO-PROBA7'ÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA po DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CIN. I. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decreto-lei n.° 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é 12-6 'cra Processo tf 11516.004598/2007-05 "••• 1-22_ CCO2/C06Acórdão n.• 206-01.768 lati) fff Fls. 386 taxativa, admitindo-se, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006: e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao Decreto-Lei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445I37/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fático-probatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Cone Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.° 2141/94; 2517/97, 2628198 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (TSSQ1s0, o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocaticios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4°, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RI, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para afixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstãncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173. "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1- do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notcação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra- se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lam :r nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos atm dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o ( ()atribuiu!, não efetua o 7 r CCM1F Sexta Cirnam CONFERE COM O ORtOINAL Processo tf 11516.004598/200745 13r5s111a. 1 a:02./C06 Acórdão n.• 206-01.768 Mola Ectn a Daftinto Fls. 387 Mat. Siaps 752743 pagamento antecipado; (h) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 34 Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, conta-se do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, 1, do C/7V), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4°, e 173, do CM, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, afim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de oficio) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso 1, do artigo 173, do CTIV. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 40, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam-se simultaneamente a hoonologaçi, tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impos.,ibilidade jurídica de lançar de oficia" (In Decadência e _ - - - - - - - - — - - 2° CC/MF SeXth Ciarrl3f3 comrERE COMO OR;GINAL e) Processo e Grani/1:1,2-2- 11516.004598/2007-05 CCO2C06 Acórdão n.• 206-01.768 Maria Min, e reis-, itt, Fls. 388 PA" O ape 752748 Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3" Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigura-se como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude. dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operar-se-á ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de oficio, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do C77V e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTIV, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial inicia-se da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Inicio da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deu-se em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contando-se o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponiveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituidos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e de.sprovido." (GRIFOS NOSSOS). Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante n° 8 do STF: Conforme descrito no recurso acima: "A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulad:1 por cinco regras juridicas gerais e abstratas. quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de t • fleio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado: (iii) - - rcermr Saorts nitrar) r;•- •• r.i ft; Processo rf 1 1516.004598/2007-05 .7tes2Cacr" CCO2C06 AcOrchlo n.• 206-01.768 ,nen • F. 389 regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 31 Ed., Max Limonad, págs. 163/210). O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1- do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 11 - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no 4°, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: "Art. 150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. 10 - o pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. 2° - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito t 3° - Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura d. vido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. 5 4° - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o CCOMF sena Camara CONFERE COMO ORIGINAL Processo n• I 1516.00459812007-05 Bratallia. 22. ? CCO2/C06 Acórdão n.• 206-01.768 MariaEdrii dcfan)4iFIr nto Fls. 390 Mal. Siais* 7527443 lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." (grifo nosso). Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4°, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4°. Entendo que atribuir esse mesmo raciocínio a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias é no mínimo abrir ao contribuinte possibilidades de beneficiar-se pelo seu "desconhecimento ou mesmo interpretação tendenciosa" para sempre escusar-se ao pagamentos de contribuições que seriam devidas. De forma sintética, podemos separar duas situações: em primeiro, aquelas em não há por parte do contribuinte o reconhecimento dos valores pagos como salário de contribuição, é o caso, por exemplo, dos salários indiretos não reconhecidos (PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS, PRÊMIOS, ALIMENTAÇÃO EM DESACORDO COM O PAT, ABONOS, MUDAS DE CUSTO ETC). Nestes casos, incabível considerar que houve pagamento antecipado, simplesmente, porque caso não ocorresse a atuação do fisco, nunca haveria o referido recolhimento. Tal fato pode ainda ser ratificado, pela não informação, por parte do contribuinte do salário de contribuição em GFIP. Nesse caso, toda a máquina administrativa, em especial a fiscalização federal terá que ser movida para identificar a existência pontual de contribuições a serem recolhidas. Não é algo que se possa determinar pelo simples confronto eletrônico de declarações e guias de recolhimento. Dessa forma, em sendo desconsiderada a natureza tributária" de determinada verba, como poder-se-ia considerar que houve antecipação de pagamento de contribuições. Entendo que só se antecipa, aquilo que se considera. Como considerar que houve antecipação de pagamento de algo que o contribuinte nunca pretendeu recolher. Antecipar significa: Fazer, dizer, sentir, fruir, fazer ocorrer, antes do tempo marcado, previsto ou oportuno; precipitar;.Chegar antes de; anteceder, ou seja, não basta dizer que houve recolhimento em relação a remuneração como um todo, mas sim, identificar sob qual base foi o pagamento realizado. A acepção do termo remuneração não pode ser, para fins de definição do salário de contribuição una, tanto o é, que a doutrina e jurisprudência trabalhistas não admitem o pagamento aglutinado das verbas trabalhista, o denominado salário complexivo ou complessivo. Considerar que os fatos geradores são únicos, e portanto, a remuneração deva ser considerada como algo global, e desconsiderar a complexidade das contribuições previdenciárias, bem como a natureza da relação laborai. Até poderíamos aceitar, tal conclusão, _ 2° CC1DAF Sexta Camara CONFERE CCM O CbRIGINAL Processo n° 11516.004598/2007-05 Clen, CCO21036 Acórdão n.• 206-01.768 Marie Gd.. lYtat rek : Fls. 391 em uma análise simplória, acerca do faturamento das empresas e as contribuições que incidam sobre esta base de cálculo, mas o mesmo raciocínio não pode ser atribuído às contribuições previdenciárias, onde existe até mesmo, documento próprio para que o contribuinte indique mensalmente e por empregado o que é devido e realize o recolhimento das contribuições correspondente a estes fatos geradores. Assim, dever-se-á considerar que houve antecipação para aplicação do § 4° do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art. 173 do referido diploma. O mesmo raciocínio pode ser estendido para os casos em que devida a obrigação de efetuar o recolhimento, omitiu-se o contribuinte, por considerar não ser do mesmo a obrigação de efetuar o recolhimento. Ocorre, por exemplo, nos casos em que está obrigado a reter 11% do valor da nota fiscal em se tratando de empreitada ou cessão de mão de obra. Nos casos em que se atribui responsabilidade solidária, ou mesmo nos casos de isenção, onde descumpridor das regras que o qualificariam como isento de contribuições patronais, não efetua qualquer recolhimento da contribuição patronal. Na verdade, entendo ser aplicável em regra o art. 173 do CTN, só passando para o § 4° do art. 150, nos cas.os em que se comprova o efetivo recolhimento, ou melhor, a antecipação de um recolhimento. Por fim, outro ponto que entendo pertinente, e que, embora não interfira diretamente na declaração de toda contagem de prazo decadencial, venha a ser relevante em determinados lançamentos, é considerar como marco inicial para determinação das contribuições que se encontram decaídas a data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Neste caso, considerando que no âmbito da Fiscalização previdenciária, com a extinção do TIAF, assumiu o Mandado de Procedimento Fiscal — MPF status de conferir validade ao procedimento fiscal, ou seja, que o MPF é o instrumento que visa dar conhecimento ao sujeito passivo quanto aos atos da ação/auditoria fiscal em si, cuja ciência deverá ser dada por ocasião do início do procedimento fiscal, e que o mesmo se extingue com o registro no termo próprio que é o TEAF, lavrado quando do término da auditoria para cientificar do sujeito passivo do término do procedimento, será a ciência desse instrumento o marco a ser considerado para cálculo do prazo decadencial. Assim sendo, o MPF marca o início do procedimento fiscal de constituição do crédito tributário, bem como, por conseqüência, serve também de marco para detenninação das contribuições que já não podem ser exigidas. Considerar-se-á a data da cientificação do MPF como marco inicial para contagem retroativa das contribuições que poderão ser englobadas no lançamento que se busca concretizar. Entendo que tal raciocínio, respaldado no teor do acórdão da 1' Sessão ST1, trazido a baila para respaldar este julgamento, que a data do MPF somente pode ser aplica , t. I nos casos de contagem de prazo decadencial consubstanciado no art. I 73 do CTN, onde o Parágrafo único é claro em prenunciar dita possibilidade. t1 2 _ ' . CONrC1._ cc. Processo e 11516.004598/2007-05 Usre6ffia.,22 CS _ /03 CO32/C06 Acórdão n.• 206-01.768 , Fls. 392 - No presente caso, restaríamos, ainda identificar quando se efetivou os lançamentos para fins de identificar as competência que se encontram decaídas, visto que a primeira NFLD foi lavrada contra a ELETROSUL em 28/04/2004 e a segunda contra a TRACTEBEL em 19/06/2006. Contudo despicienda tal análise, tendo em vista que no ano de 2004, já se encontravam decadentes todos os fatos geradores objeto do lançamento. No caso, os fatos geradores ocorreram entre as competências 05/1996 a 11/1997, dessa forma, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, haja vista que a decadência há de ser declarada por qualquer das teorias existentes. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito DAR-LHE PROVIMENTO, face a aplicação da decadência quinquenal. como voto. Sala das Sessões, em 03 de fevereiro de 2009 ~IP - ELA CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA •• .• 13 Page 1 _0068100.PDF Page 1 _0068200.PDF Page 1 _0068300.PDF Page 1 _0068400.PDF Page 1 _0068500.PDF Page 1 _0068600.PDF Page 1 _0068700.PDF Page 1 _0068800.PDF Page 1 _0068900.PDF Page 1 _0069000.PDF Page 1 _0069100.PDF Page 1 _0069200.PDF Page 1
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