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Numero do processo: 17546.000546/2007-81
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001, 01/01/2002 a 30/09/2002, 01/12/2002 a .31/12/2002, 01/02/200.3 a 28/02/2003, 01/05/2003 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/12/2004
RECURSO, MATÉRIA NÃO IMPUGNADA, IMPOSSIBILIDADE. DE
PRONUNCIAMENTO DO JULGADOR. PRECLUSÃO PROCESSUAL,
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela parte, acarretando na impossibilidade de conhecimento pelo julgador das razões de lançamento correlatas, em virtude da ocorrência da preclusão
processual.
DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal
Federal, através da Súmula Vinculante nº08, declarou inconstitucionais os
artigos 45 e 46 da Lei n° 8,212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao
lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias,
devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN„
Assim, tratando-se de descumprimento de obrigação principal aplica-se o art.
150, §4°, caso se refira a obrigação acessória cabível o artigo 173, 1„
JUROS DE MORA, TAXA SELIC, APLICAÇÃO À COBRANÇA DE
TRIBUTOS, Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a
cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos
e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com
base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia -
SELIC para títulos federais.
MULTA MORATÓRIA, Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8,212/91,
a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-001.464
Decisão: ACORDAM os Membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos acatar a preliminar de decadência de parte do recurso com base no artigo 173, 1 do CTN para provimento parcial ao recurso, vencidos relator e o conselheiro Edgar Silva Vidal, rejeitadas as demais preliminares., Apresentará o voto divergente vencedor, nessa parte, p\ conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. No mérito, por unanimidade de votos, em rhgnter 4s/demais valores, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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El I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 17546.000546/2007-81 Recurso IV 258,697 Voluntário Acórdão n" 2301-01.464 — 3" Cântara / 1" Turma Ordinária Sessão de 29 de abril de 2010 Matéria CESSÃO DE MÃO DE OBRA: RETENÇÃO. EMPRESAS EM GERAL Recorrente LUCTAL COMPONENTES LTDA Recorrida DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM CAMPINAS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVI DENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001, 01/01/2002 a 30/09/2002, 01/12/2002 a .31/12/2002, 01/02/200.3 a 28/02/2003, 01/05/2003 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/12/2004 RECURSO, MATÉRIA NÃO IMPUGNADA, IMPOSSIBILIDADE. DE PRONUNCIAMENTO DO JULGADOR. PRECLUSÃO PROCESSUAL, Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela parte, acarretando na impossibilidade de conhecimento pelo julgador das razões de lançamento correlatas, em virtude da ocorrência da preclusão processual. DECADÊNCIA. 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MULTA MORATÓRIA, Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8,212/91, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hi)ótes • de recolhimento em atraso.. Recurso Voluntário Provido em Parte S PresidenteJULIO C S LOPES - RelatorLEONARDO Participaram( Barros, Leonardo Henrique Damião Cordeiro de Moraes e 16p . se julgamento os conselheiros: Bernadete de Oliveira r opes, Mauro José Silva, Edgar Silva Vidal (suplente), ulio Cesar Vieira Gomes (presidente), Processo ri" 17546 00(1546/2007-81 S2-C3T I Acórclilo n " 2301-01.464 Fl 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da 3" Câmara / 1" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos acatar a preliminar de decadência de parte do recurso COm base no artigo 173, 1 do CTN para provimento parcial ao recurso, vencidos relator e o conselheiro Edgar Silva Vidal, rejeitadas as demais preliminares., Apresentará o voto divergente vencedor, nessa parte, p \ conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. No mérito, por unanimidade de votos, em rhgnter 4s /demais valores, nos termos do voto do(a) Relator(a), Relatório Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, emitida em 12/12/06, em desfavor da Luctal Componentes Ltda, pelo não atendimento ao disposto no art.. 31, § I" e 2 0, da Lei 8..212/91, combinado com o art.. 219 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06..05,1999. De acordo com o Relatório Fiscal de fis. 49/56, a empresa deixou de recolher em época própria a retenção de 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou da fatura de prestação de serviços de construção civil, prestados mediante cessão de mão-de-obra, durante o período de 01/2001 a 12/2001; 01/2002 a 09/2002; 12/2002; 02/2003; 05/2003 a 12/2003; 01/2004 a 12/2004. Inconformada, a ora Recorrente apresentou Defesa tempestiva de fls.. 64/73, tendo o Acórdão de fls. 85/89, julgado procedente o lançamento, Irresignada interpôs Recurso Voluntário tempestivo (fls. 93/105), alegando, em síntese: a) a NFLD em questão não foi devidamente formalizada, posto que lavrada .fora do estabelecimento da empresa autuada, conforme preconiza o art 10 do Decreto Federal n" 70.235/72, que obriga a lavratura do auto no local da verificação da falta, portanto, deve ser declarada nula; b) o princípio da motivação inerente a todos os atos administrativos não fbi observado, pois a tipificação legal descrita não condiz com os fatos, o que acarreta a nulidade da NFLD; Ari. 59. São nulos 3 Processo n" 17546.000546/2007-81 S2-C3T1 Acórdão o " 2301-01464 n 3 c) houve cerceamento ao direito de defesa e ao contraditório, pois tornou-se impossível realizar defesa daquilo que não se sabe de fato o que é, importando em nulidade do ato praticado; d) a multa aplicada não se valeu dos critérios da razoabil idade e também da proporcionalidade, ocasionando urna multa excessiva, que vai de encontro ao Princípio do não confisco; e) sempre cumpriu com suas obrigações previdenciárias, no entanto, com intuito de fazer seus empreendimentos se desenvolverem, gerando postos de trabalho e novos empregos, não foi possível, à época, a realização do recolhimentos de todos os tributos; O o débito deverá ser recalculado e corrigido de maneira que atenda a estrita legalidade, pois é a vedada a utilização da Taxa SELIC; g) os juros devem incidir à razão de 1% ao mês; h) a multa imposta possui caráter confiseatório, pois é necessário levar-se em conta as atenuantes e agravantes que levaram a imposição da multa no máximo legal. Por fim, consta às fls. 107/108, Informação Fiscal do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário da SRF, em que aduz a desnecessidade do depósito recursal de 30% do valor da exigência fiscal para interposição de Recurso Voluntário Sem Contra-Razões. É o relatório. Voto Conselheiro LEONARDO HENRIQUE. PIRES LOPES, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo tempestivo, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Preliminarmente Objetivando a desconstituição do crédito previdenciário, a Recorrente aduz a necessidade da anulação da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, pela suposta insuficiência da descrição da infração cometida, bem como pelo fato de a NFLD ter sido lavrada fora do estabelecimento da empresa notificada, contrariando o disposto no coou do art_ 10, do Decreto n" 70.2.35, de 06.03.72. Pois bem. Quanto a citação do art. 10 do Decreto 70.235/72, para requerer a nulidade da NFLD, parece-me equivocada, uma vez que os casos de nulidade estão tratados no ali, 59 do mesmo Decreto e no art. 32 da Portaria MPS 520/2004, in ver bis: Processo n' 17546 000546/2007-N I S2-C3-11 Accialão n " 2.301-01.464 Fl. 4 - os atos e termos lavrados pai-pessoa incompetente,' H - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. I" A nulidade de qualquer' ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência 2" Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo 3" Quando puder decidir do mérito a . favor cio sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta (Incluído pela Lei n" 8.748, de 9/12/22) Nota-se, desta feita, que tanto na Portaria n" 520/2004, que regula o contencioso administrativo no âmbito de matéria previdenciária, corno no Decreto 70135/72, que rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União, não existe dispositivo legal que determine que a autuação deva ser efetuada no estabelecimento cia empresa.. Tal hipótese argüida pela Recorrente não causa qualquer prejuízo que justifique o saneamento do lançamento, ao teor do art. 32 da referida portaria. Corroborando o acima exposto, importante trazer a baila o entendimento pacificado de nossos Tribunais, in verbis: TRIBUTÁRIO - EXECUÇÃO FISCAL - EMBARGOS - LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO FORA DA EMPRESA - MULTA MORATÓRIA - DENÚNCIA ESPONTÂNEA - JUROS DE MORA - Não é anulável auto de infração lavrado fora da sede ou do domicílio da autuada, podendo o mesmo ser emitido por órgão da Fazenda Pública se lá o agente fiscal dispunha de elementos necessários e suficientes para a caracterização da infração e formalização do lançamento (ributário, nos termos do art. 10 do Decreto n" 70.235/72. Não cabe ao judiciário reduzir multa fiscal moratória se ela é imposta com base em graduação objetivamente estabelecida pela Lei, porquanto não pode o . juiz atuar como legislador positivo. Não há denúncia espontânea se o lançamento se deu por iniciativa do fisco, sem que tenha havido qualquer ato anterior do contribuinte com relação ao débito. O índice de jilf05 de 12% ao ano é norma constitucional dependente de regulamentação, sendo inviável a observância do limite estabelecido no art 192, 3" da CF/88 sem que haja a devida regulamentação legislativa Apelação desprovida. (TRF-4" E - AC 2002.04.01.040359-8 - T Esp. - Rel. Des. Fecl João Surreaux Chagas— DJU 09_09 2004 - p. 491) ADMINISTRA .TIVO - RECURSO ADMINISTRATIVO - INTIMAÇÃO POSTAL - DOMICILIO FISCAL - ELEIÇÃO PELO CONTRIBUINTE - CONDOMINIO - PORTEIRO - ART. 23, DO DECRETO N" 70.235/72 - 1- O art. 23, II, do Decreto ir 70 23.5/72 dispõe que se considera realizada a intimação por via postal na data do recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo Coufbrme prevê o citado dispositivo, não ex-iste a obrigatoriedade de que a intimação postal seja feita com a assinatura do sujeito passivo (exigência feita tão somente às intimações pessoais- art 23, I) Para a intimação postal basta, apenas, a prova do recebimento da correspondência no domicilio fiscal, podendo ser recebida por- porteiro do prédio de condomínio, data a partir da qual passa a correr o prazo processual 4 Processo n" I 7546.000546/2007-8 I S2-C3T 1 Acórdfio ri 2301-01.464 Fl administrativo. Precedentes de ambas as Turmas de direito publico do 577 (REsp 754..210/RS; REsp 10.29153/DF). 2- Apelação e remessa oficial providas: segurança denegada. 3- Peças liberadas pelo Relator, em 07/12/2009, para publicação do acórdão. (TRF-1" R. - Ap-RN 14/05/2009 - Rei Juiz. Fed Rafael Pauto Soares Pinto - ale .29 01.2010 -p. 5.22) EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL . - MULTA FISCAL - TAKA SELIC - L,APRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO FORA DA SEDE DA EMPRESA - DECRETO 70.235/72 - POSSIBILIDADE - Descabe falar em excessividade da multa fiscal quando o percentual aplicado decorre de lei e não evidencia descompasso com a infração cometida É legítima a aplicação da Taxa SELIC. Precedentes' do Hígido é o auto de infração que, embora não lavrado no local de inspeção - Sede da empresa - o é no local da infração. (TRF-4" R - AC 2009.70 99 002193- 7/PR - 2"T. - Rei Juiz Fed. Artur César de Souza - Dia .30 09 2009 - 1v 112) Com isso, inarredável a conclusão de que o Auto de infração/ NFLD pode ser lavrada fora do estabelecimento da empresa autuada. Pleiteia, ainda, a Recorrente, a nulidade da presente notificação, ao argumento de que o procedimento fiscal fora fundamentado em meros indícios, presunções, conclusões arbitrárias e injustificadas, ofendendo, assim, o Princípio da Motivação, Finalidade e Legalidade que regem a Administração Pública. Pois bem. Os princípios são normas, e, como tal, dotados de positividade, que determinam condutas obrigatórias e impedem a adoção de comportamentos com eles incompatíveis. No âmbito administrativo, incidem diversos princípios, alguns expressamente previstos no texto Constitucional de 1988 (arts., 5" e 37), especificamente direcionados para a atuação da Administração Pública, outros implícitos e com eles compatíveis. Assim, a Administração Pública só pode agir de acordo e de conformidade com aquilo expressamente ou tacitamente previsto em Lei (Principio da Legalidade). Já o princípio da Finalidade, consiste na obrigação que tem a autoridade administrativa de sempre praticar o ato administrativo com vistas à realização da finalidade perseguida pela lei. Logo, um ato administrativo praticado desvirtuado do interesse público a que sempre deve perseguir, será um ato nulo por desvio de finalidade ou excesso de poder. Tal princípio decorre da idéia de que a atividade administrativa tem que estar vinculada a um fim alheio à pessoa e aos interesses particulares da autoridade administrativa, sempre de maneira impessoal. A motivação, por sua vez, consiste na explanação dos motivos e razões que levaram o agente administrativo a prática do ato, propiciando ao administrado a possibilidade de conhecer das razões, para, querendo, impugná-las, 5 Processo n" 17546.000546/2007-8 I Acor dão ri " 2301-01,464 S2-C311 F I 6 Nesse aspecto, na presente autuação, basta urna análise perfunctória do Relatório Fiscal de tis. 49/56, para que se verifique a clareza com que fora emitido, constando a descrição dos fatos geradores que originaram o presente lançamento, não havendo qualquer dificuldade para a Recorrente em apresentar sua defesa, tampouco houve qualquer ofensa aos princípios norteadores da Administração Pública. Da Decadência No caso em apreço, a decisão recorrida entendeu que o prazo de decadência de que goza o 11nISS para constituir seus créditos é de 10 (dez) anos, contados a partir do primeiro dia do ano seguinte ao da ocorrência do fato gerador', nos termos do art. 45 da Lei 8212/01 Pois bem. A NFLD em questão fora emitida em 12/12/2006 e abrange competências de 01/2001 a 12/2001; 01/2002 a 09/2002; 12/2002; 02/2003; 05/2003; a 12/2003; 01/2004 a 12/2004. Logo, todas as competências anteriores a 12/2001 foram atingidas pela decadência, pois nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo EXmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relata Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n" 8.212/91 e o pcirágrafb único do art 5" do Decreto-lei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional cie lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém-se higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento achninisnativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social snieitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4", 173 e 174 do CIN Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstinicionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8 212/91, por violação do ar! 146, III, h, da Constituição, e do parágrafo único do art 5" do Decreto-lei n° 1..569/77,.fiente ao sç . 1" do art 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69 É como voto. Súmula Vinca/ante n° 08' "Silo inconstitucionais os parágralb único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8 212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei if 11,417, de 19/12/2006, ia verbis.: 6 Processo o" 17546 000546/2007-81 Acórdão o ." 2301-01464 S2-C.311 1'1 7 .411. 10.3-4 O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar 51:(1111da que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá eleito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judicial io e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na faima estabelecida em lei (Incluído pela Emenda Constitucional n" 45, de 2004). Lei n° 11•417, de 19/12/2006 Regulamenta o art. 103-4 da Constituição Federal e altera a Lei n0 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras In ovidências Art. .20 O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou poi provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de _sumula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá deito vinca/ante em relação aos demais órgãos do PoderJudiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como ploceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista ne.sta Lei. § 100 enunciado da súmula terá por objeto a validade, a inteipretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, enn e órgãos judiciários ou entre esses e a administração publica, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos Nobre idéntica questão, Ternos que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante, Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional - CTN se aplicar ao caso concreto. No caso em apreço, inclino-me à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08 para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, em seu artigo 150, §4", curvando-me ao entendimento da Câmara Superior de Recurso Fiscais, in verbis: Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercUla pelo obrigado, expressamente a homologa § 1" O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, .sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento § 2" Não influem sobre a oh igação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. 7 Processo n" 17546 000546/2007-81 S2-C3 Acordão n "2301-0 L464 Fl 8 )ç 3" Os atos a que se refere o parágrafo anterior serào, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, Ou sua graduação .Ns 4" Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador,- expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, .fraude ou simulação. Desta feita, considerando que a consolidação do crédito prevideneiário se deu em 12/12/2006 e que a autuação abrange as competências de 01/2001 a 12/2001; 01/2002 a 09/2002; 12/2002; 02/2003; 05/2003; a 12/2003; 01/2004 a 12/2004, tenho como certo que as competências anteriores a 12/2001 foram atingidas pela decadência qüinqüenal. Do Mérito Os lançamentos da presente NFLD referem-se tão somente a apuração de débito relativo à retenção de 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou da fatura de prestação de serviços de construção civil, prestados mediante cessão de mão-de-obra instituída pela Lei 9.711/98, com fUndamento no art, 31, § 1°c 2' da Lei 8,212/91, combinado com o art. 219, do Regulamento da Previdência Social, vez que a ora Recorrente deixou de recolher em época própria a retenção acima. Ocorre que, nas razões recursais ora em apreço, a Recorrente sequer se defendeu quanto ao mérito da questão, ou seja, apresentou uma defesa genérica, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário. Pois bem, A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9", §6" da Portaria n" 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Ari' 9"A impugnação mencionará• -) 6" Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestaria. Desta feita, conclui-se, do acima exposto, que reputa-se impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado, Nota-se, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto a pretensão extemada no lançamento, Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: "Entende-se que a preciosa° está intimamente relacionada com o ânus, que, como se sabe, é situação juridica consistente em um encargo do direito A parte detentora de ónus deverá praticar ato processual em seu próprio beneficio, no prazo legal, e de fbrina correta se não o fizer; possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqüências danosas para ela. (..,) a prechisão decorre do não- Processo n" )7546.000546/2007-81 S2-C3T1 Acórdão n " 2301-01.464 Fl 9 atendimento de uni ónus, com a prática de ~lato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos', confbrines com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preciusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de apreciar a questão da retenção dos 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, instituída pela Lei 9.711/98, posto que não contestada pela Recorrente. Dos Juros e Muita Quanto à solicitada exclusão dos juros e multa, salientamos que os mesmos vêm determinados pela legislação previdenciária: Nesse sentido, o art„35 da Lei n 0 8,212/1991 dispõe que a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso, verbis: "Art. 35, Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: )" Não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art., 35 da Lei n° 8.212/1991. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. Os juros estão disciplinados no artigo 34, da Lei n." 8.212/91: "Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à ta ya referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SEL1C, a que se refere o art. 13 da Lei n'' 9.06.5, de 20 de junho de 199.5, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter' inelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP n'' 1,571/97, reeditada até a conversão na Lei n" .528/97. A atualização monetária foi ex-tinta, para os .fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei II" 8.981/9.5 .4 multa de mora esta disciplinada no art 35 desta Lei)" A propósito, convém mencionar que o Segundo Conselho de Contribuintes aprovou a SÚMULA N" 3, em 18 de setembro de 2007, nos seguintes termos: "SÚMULA N" 3 É cabível a cobiZIN;(1 de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições adininistrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na tara referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Sebe para títulos federais 9 Voto Vencedor Processo n" 17546 000546/2007-81 Acórcli.io o" 23011-01.464 S2-C3 TI Fl 10 Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com fulcro no artigo 34, da Lei n" 8..212/91, e bem assim da multa moratória, nos termos do artigo 35, do mesmo Diploma Legal,. Quanto à atualização monetária, ressalto que foi extinta para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/1995, conforme a Lei n." 8.981/95. Assim, é devida a contribuição levantada pelo fisco e, não sendo recolhida até a data do vencimento, fica sujeita aos acréscimos legais na forma da legislação de regência. Da Conclusão Ante o exposto, conheço do recurso, para, no mérito, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de afastar do lançamento as competências anteriores a 12/2001, posto que decaídas.. É como voto. Sala das Sessões, em'Ode abOcke2010 LEONARDffl HPNI3rIQUE PRES LOPES, Relatar Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Redator designado DAS QUESTÕES PRELIMINARES Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo 'Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Ex.mo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator. Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n" 8 212/91 e o parágrafb único do art,5" do Decreto-lei n° 1 569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais- os dispositivos, inantémse hig. ida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de sitspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções- de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como o.s demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sineitani-se, entre outros, aos artigos 150, § 4", 173 e 174 do CTN 10 Processo n" 17546 000546/2007-81 Acórdão ri" 2301-91,464 52-C311 F} 11 Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstittecionalidade dos arts. 4.5 e 46 da Lei 8 212/91, por violação do art 146, III, b, da Constituição, e do parágrofb único do ar! .5' do Decreto-lei n° 1.569/77,1i-ente ao I" do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69 É Como vota Súmula Vinca fonte n° 08 • "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo .5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 4.5 e 46 da Lei 8212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, ia verbis: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões .sobre matéria constitucional, aprovar .stnintla que, a partir de .sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, Uni como proceder à sua revisão ou cancelamento, na &mia estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n" 45, de 2004) Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o I03-A da Constituição Federal e aliei a a Lei n" 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências Art. .2 O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em rehrção aos dentais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, MU esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei O enunciado da súmula terá por objeto a valichule, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a achninistração pública, controvérsia atual que acari ete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Sumula Vinculante.. Assim sendo, Processo 11" 17546 000546/2007-81 Acórdão ri 23{114)L464 52-C3f 1 F1 12 independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclino-me à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Alistado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei if 8212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional - CIN se aplicar ao caso concreto. Compulsando os autos, constata-se através do Discriminativo Analítico do Débito que o recorrente não efetuou pagamento parcial de suas obrigações as quais se refere o lançamento, Daí, deve prevalecer a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN. Isto porque se trata de lançamento sobre 11% dos valores correspondentes aos serviços prestados por cessão de mão de obra e não sobre a folha de pagamento. Em razão do exposto, acato a preliminar de decadência para provimento parcial ao recurso interposto. Sala das UssUs, \em 29 de abril de 2010 JULIO CWSAI -VIEIRA GOMES - Redator designado 12
score : 1.0
Numero do processo: 12267.000210/2008-11
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 20/12/1998
Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-001.174
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressalta-se que no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a competência de ocorrência do fato gerador mais recente do lançamento. A data de 20/12 correspondente ao décimo terceiro salário.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 20/12/1998 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
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score : 1.0
Numero do processo: 13807.012332/00-40
Data da sessão: Tue Aug 31 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IRPJ. DECADÊNCIA,
Para os casos dos tributos sujeitos à forma de apuração por homologação, aplica-se a regra decadencial prevista no § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, salvo nos casos de dolo, fraude ou simulação.
Numero da decisão: 9101-000.668
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Claudemir Rodrigues Malaquias, Viviane Vidal Wagner e Carlos Alberto Fritas Barreto.
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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(ANTIGA DOUGLAS RADIOELÉTRICA S/A Ementa: IRPJ. DECADÊNCIA, Para os casos dos tributos sujeitos à forma de apuração por homologação, aplica-se a regra decadencial prevista no § 40 do artigo 150 do Código Tributário Nacional, salvo nos casos de dolo, fraude ou simulação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos term s do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Leonardo d Andrade Couto, Claudemir Rodrigues 4Malaquias, Viviane Vidal Wagner e Cas Alberto Fritas Barreto. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karam Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos C3uidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. 2 Relatório Trata-se de Recurso Especial (f is. 255 a 259) apresentado pela Fazenda Nacional, com base no artigo 7°, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior Recursos Fiscais, em face do Acórdão n° 108-09.324, da então Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O Auto de Infração exige IRPJ referente aos períodos de agosto e outubro de 1995, relativo à glosa de prejuízos compensado indevidamente, por inobservância do limite de 30%, cuja ciência foi dada ao contribuinte em 18/12/2000 (fls. 115). O lançamento foi assim descrito pela fiscalização: "001 - Glosa de Prejuízo Compensados Indevidamente - Inobservância do Limite de 30% (Infração não sujeita à redução por prejuízo) - Compensação indevida de prejuízo fiscal apurado, tendo em cita a inobservância do limite de compensação de 30% do lucro líquido, ajustado pelas adições e exclusões autorizados pela legislação do Imposto de Renda". Em razão da inobservância do limite de 30%, constatou-se que o contribuinte compensou a maior o prejuízo dos anos-calendário de 1991 e 1994, nos meses de agosto e outubro de 1995 Assim, a fiscalização exige, por meio de Auto de Infração, a diferença entre o valor compensado (integral) e o limite de 30% Impugnado o lançamento, sobreveio o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que o julgou lançamento procedente em parte. Sobrevieram, então, Recurso Voluntário e o acórdão da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, o qual acolheu a preliminar de decadência, nos termos da seguinte ementa: DECADÊNCIA IRP.I Ocorre a decadência para o lançamento de oficio de tributas em 05 (cinco) anos após a ocorrência do fato gerador. Tendo a contribuinte optado pela tributação mensal, decorre dai a decadência contada mensalmente da data dos fatos geradores, conforme artigo 150 §4" do crx face aos efeitos da homologação tácita Em razão de o .julgador estar sujeito à lei, deve declarar a decadência que vislumbrar nos autos, ainda que só argüidos em sede de recurso voluntária Preliminar de decadência acolhida. A Fazenda Nacional apresentou, então, Recurso Especial (fis,255/258), no qual alega, em suma, que deve ser aplicado o prazo previsto no artigo 173, inciso I, em detrimento do artigo 150, §4 0, ambos do Código Tributário Nacional, uma vez que não há pagamento antecipado. O Despacho de fis. 260 deu seguimento ao Recurso da Fazenda Nacional, tendo o contribuinte apresentado suas contra-razões as fis, 264/275. É o relatório. Processo n° 13807012332/00-40 Acórdão n 9101-00.668 CSRF-T1 FL 2 Voto Conselheira KAREM JURE1DINI DIAS A matéria versa sobre decadência do IRPJ, mais especificamente, se é aplicável o prazo previsto no artigo 173, inciso I ou no artigo 150, §4°, ambos do Código Tributário Nacional. Para tanto, verifica-se que: (i) o acórdão recorrido aplicou o prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional; (ii) o acórdão recorrido, neste passo, cancelou a exigência fiscal referente ao ano-calendário de 1995 (períodos de agosto e outubro), tendo em vista que a ciência do auto de infração lavrado para a constituição do crédito tributário se verificou em 18/12/2000; e (iii) o Recurso Especial pugna pela aplicação do artigo 173 do Código Tributário Nacional Primeiramente, importante aspecto a ser analisado é o método de apuração aplicado aos tributos em comento. O Código Tributário Nacional adotou três modalidades distintas de apuração de tributos, sendo elas: modalidade por declaração (artigo 147), modalidade de oficio (artigo 149) e modalidade por homologação (artigo 150). Atualmente, a modalidade mais comum é a do "autolançamento", ou modalidade por homologação, na qual é outorgada ao contribuinte a tarefa de providenciar a constituição do crédito tributário, mediante a introdução no ordenamento jurídico de norma individual e concreta que, em seu conseqüente, apura a base de cálculo do tributo, aplica a alíquota prevista em lei e identifica os sujeitos passivo e ativo. O lançamento dos tributos sujeitos à sistemática de apuração por homologação é regido pelo artigo 150 do Código Tributário Nacional, o qual, em seu parágrafo 4°, impõe à Autoridade Administrativa o prazo de 5 (cinco) anos para homologação dos procedimentos adotados pelo particular. Decorrido tal prazo, são tacitamente homologados os procedimentos de apuração do tributo. O IRRI, assim como a grande maioria dos tributos hoje previstos no sistema tributário brasileiro, é tributo sujeito à apuração por homologação, sendo aplicáveis, pois, as disposições do artigo 150, §4° do Código Tributário Nacional. Portanto, deve obediência às disposições do Código Tributário Nacional, Lei Complementar que determina as normas gerais de aplicação tributária no país, inclusive o prazo decadencial de 5 (cinco) anos para a autoridade administrativa analisar os procedimentos adotados pelo contribuinte, na constituição do crédito tributário, cabendo a ela homologá-los ou não. Ademais, não compartilho da tese de que sempre que se tratar de lançamento de oficio, portanto, efetuado pela Administração Pública, a regra aplicável é aquela prevista no artigo 173 do Código Tributário Nacional. Isto porque, o lançamento propriamente dito é sempre de oficio, sob pena de se negar vigência ao artigo 142 do Código Tributário Nacional, o qual dispõe que "compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento (..,)". Ainda, em interpretação sistemática das normas existentes no Código Tributário Nacional em relação de coordenação, extrai-se que as modalidades previstas na Seção II do Código referem-se a modalidades de apuração do tributo. Ou seja, o tributo pode ser constituído e apurado pelo contribuinte, por meio de expedição de norma individual e concreta com força de lançamento, ou o tributo pode ser constituído e apurado pela autoridade administrativa, por meio do lançamento propriamente dito. Para efeito de escolha entre a aplicação da norma decadencial prevista no artigo 150 ou no artigo 173, ambos do Código Tributário Nacional, deve-se verificar a forma de apuração originariamente prevista para o tributo em análise. O lançamento, portanto efetuado pela autoridade administrativa, é resultado de uma das duas operações: ou da não homologação da apuração efetuada pelo contribuinte, ou da apuração a que está originariamente obrigada, em atividade vinculada, a Administração Pública. Para esta última hipótese, existe previsão no inciso I do artigo 149 do Código Tributário Nacional, enquanto que para a modalidade de apuração por homologação, aplicam-se outras previsões para o lançamento, como aquelas dos incisos II e III, ambos do mesmo dispositivo legal. Os incisos se prestam justamente a demonstrar as diferentes situações: uma coisa é o lançamento de oficio como modalidade originária, outra coisa é o lançamento de oficio efetuado em revisão de apuração que ficou originariamente a cargo do contribuinte. A meu ver, admitir que o fato de haver lançamento por parte da autoridade administrativa, em razão da não homologação da apuração efetuada pelo contribuinte, substitui a modalidade de apuração prevista para um tipo de tributo implica em negar vigência ao disposto no artigo 149 e também ao disposto no artigo 150, § 4 0, ambos do Código Tributário Nacional, Ainda, importa essa interpretação em tornar sem efeito a disposição última do citado artigo. Isto porque, o referido dispositivo legal expressamente determina que é apenas no caso de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação que, na modalidade de apuração por homologação, este prazo se desloca para aquele disposto no artigo 173, inciso I, do mesmo Código. Ora, nos casos de apuração por homologação apenas haverá constatação de dolo, fraude ou simulação se houver lançamento de oficio, mas nem sempre que há o lançamento de oficio existe a constatação de dolo, fraude ou simulação. Assim, se a norma legal especifica as hipóteses em que o prazo previsto no artigo 150 do Código Tributário Nacional se desloca para aquele previsto no artigo 173 do mesmo código, então tal prazo não pode ser aplicado para qualquer lançamento de oficio, senão apenas nos casos em que ocorrer lançamento de oficio que implique em não homologação do procedimento adotado pelo contribuinte e com constatação de dolo, fraude ou simulação. O prazo previsto no artigo 173 do Código Tributário Nacional é também aplicável aos tributos cuja modalidade de apuração é originariamente de oficio, conforme dispõe o inciso I do artigo 149 do Código Tributário Nacional. Do exposto, entendo que o artigo 173 do Código Tributário Nacional se refere apenas a prazo decadencial para os tributos sujeitos à apuração pela modalidade originária de lançamento de oficio ou para os lançamentos efetuados em procedimento de revisão e que impliquem n em constatação de dolo, fraude ou simulação, ou no máximo, quando inexistir qualquer apuração a ser homologada. Já o artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional assevera norma decadencial para os tributos cuja forma de apuração é a de homologação, como ocorre no caso do IRPI. Portanto, a regra prevista no artigo 150, § 40 do Código Tributário Nacional se aplica aos tributos em discussão, quando lançado de oficio e não verificado dolo, fraude ou a simulação, 4 Processo n° 13807.0123.32/00-40 Acórdão n° 9101-00.668 CSRE-T1 Fl. 3 Desta forma, não há que se falar na aplicação, in castt, da regra prevista no o artigo 17.3, inciso 1 do Código Tributário Nacional, urna vez ser aplicável o artigo 150, § 40 do Código Tributário Nacional, Neste passo, em se tratando de fato gerador ocorrido no ano-calendário de 1995 (agosto e outubro) e, considerando que a ciência do auto de infração ao contribuinte ocorreu em 18/12/2000, constata-se a decadência para os referidos períodos, nos termos do artigo 150, § 40 do Código Tributário Nacional. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, Sala das Sessões, 31 de agosto de 2010. KAREM DIAS :Relatora- /f2
score : 1.0
Numero do processo: 10480.011266/2002-56
Data da sessão: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: RECURSO ESPECIAL, CONHECIMENTO, Não deve ser conhecido o Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional, quando
inexiste similitude fática entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido
Numero da decisão: 9101-000.610
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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Vistos, relatados e discutidos os present s autos. Acordam os membros . do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relat io e voto quejntegrarn o presente julgado, CARLOS ALBERT EITAS B IETO - Presidente, IAS - Relato a, EDITADO EM: 7 SE. T 2010' Participaram do presente julgamento os conselheiros: Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Viviane Vida! Wagner, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffinann e Carlos Alberto Freitas Barreto, Ausente, justificadamente o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, 2 Relatório Trata-se de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional, com base no artigo 5', incisos I e II do antigo Regimento Interno da Câmara Superior Recursos Fiscais, em face do Acórdão n°103-22A22, da então Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O processo trata de Auto de Infração para a exigência de CSLL referente aos anos-calendário de 1993 a 2001, cuja ciência foi dada ao contribuinte em 12/08/2002 (fls. 06), Impugnado o lançamento, sobreveio o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que julgou o lançamento procedente. Sobrevieram, então, Recurso Voluntário e o Acórdão da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 819/839), o qual, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência até julho de 1997 e, por unanimidade de votos, no mérito, deu provimento ao recurso para excluir a exigência da multa de oficio isolada, apurada nos anos- calendário de 1998 a 2001, A Fazenda Nacional apresentou, então, Recurso Especial (fls. 846/864), no qual requer a aplicação do prazo previsto no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, em detrimento do prazo previsto no Código Tributário Nacional, bem como que seja mantida a multa isolada em razão do não recolhimento das estimativas, ainda que esta seja calculada de acordo com o montante do tributo devido ao final do ano-calendário. O Despacho de fls, 910/911deu seguimento parcial ao Recurso da Fazenda Nacional, apenas no tocante à multa isolada, uma vez que, quanto à decadência, o artigo 45 da Lei n° 8.212/91 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. O contribuinte apresentou suas contra-razões às fls.,924/930, no qual requer seja o Recurso Especial da Fazenda Nacional não conhecido, uma vez que o acórdão paradigma traz questão tática distinta. É o relatório. KAREM JUREIDINIp AS - Relatora Processo n° 10480 011266/2002-56 Acórdão n a 9101-00.610 CSRF-T1 F I 2 Voto Conselheira KAREM JUREIDINI DIAS Inicialmente, cumpre esclarecer que foi dado seguimento ao Recurso Especial apenas no tocante à aplicação ou não da multa isolada em razão do não recolhimento das estimativas de CSLL. Quanto à aplicação do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, não houve seguimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, porquanto o artigo cuja aplicação era pleiteada foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, No entanto, entendo relevante analisar novamente o conhecimento do Recurso Especial, Verifica-se, inicialmente, que a exclusão da multa isolada foi por unanimidade, razão pela qual necessária a demonstração de divergência. A d. Procuradoria aponta como divergentes o acórdão CSRF/01-05,181, o qual tem exatamente a mesma ementa do acórdão guerreado. Ademais, analisando as razões de decidir (fls. 870), verifica-se que no voto condutor do Relator Marcos Vinícius Neder, cancela-se as exigência nos anos-calendário em que constata haver base de cálculo negativa de CSLL, bem como esclarece que o limite para imposição de multa isolada é o montante do tributo devido no encerramento dos respectivos exercícios. Ora, no acórdão guerreado, às fls. 837, resta expresso que foi cancelada a exigência porquanto não haveria tributo devido e, portanto, não haveria base de cálculo para se apurar a penalidade. Referido acórdão segue ainda a linha do suposto paradigma mencionado pela Fazenda Nacional, referindo expressamente que a matéria está pacificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por inexistência de similitude fática, 3
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Numero do processo: 10380.723080/2009-48
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2301-000.158
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em
converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.723080/200948 Resolução n.º 2301000.158 S2C3T1 Fl. 2 2 RELATÓRIO Tratase de crédito lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições sociais devidas aos Terceiros. Conforme consta do item 1.1 do Relatório do AI, o débito apurado se refere a contribuições devidas às terceiras entidades, FNDE, INCRA, SESC e SEBRAE, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados. A autoridade autuante informa que que, em virtude do não cumprimento do disposto nos incisos I e II do Art. 14 do Código Tributário Nacional, considerados os termos da Sentença Judicial proferida no Mandado de Segurança N°99.00096231, transitada em julgado no Tribunal Regional Federal da 5a Região, em 13 de fevereiro de 2002, foi emitido Ato Declaratório Executivo DRF/FOR N° 127, de 01 de outubro de 2009 no qual a Delegada da Receita Federal do Brasil em FortalezaCE, suspende a Imunidade Tributária da Entidade, relativamente às contribuições previdenciárias e às contribuições sociais destinadas a outras Entidades e Fundos. Esclarece que, em face da suspensão da imunidade em relação as Terceiros, a auditoria fiscal efetuou o reenquadramento do código “Outras Entidades” para 0099. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0818.456, da 5a Turma da DRJ/FOR, manteve o crédito tributário, julgando a impugnação improcedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo, alegando, em síntese, o que se segue. Inicialmente, reproduz o item IV CONCLUSÃO, da impugnação, para esclarecer que a impugnante não teve intenção de ofender a Instituição ou seus agentes, ou de afastar as normas de urbanidade que devem reger a vida em geral, mas apenas expôs o sentimento da Fundação em face do teor das repetidas ações fiscais a que vem sendo submetida nos últimos anos. Reitera que a lavratura do AI importa em cerceamento de defesa, uma vez que o art. 32, da Lei 9430, determina que a autoridade fiscal, ao constatar que a entidade não está observando os requisitos legais para usufruir da imunidade, expeça notificação fiscal, abrindo lhe prazo para que apresente as alegações e provas que julgar pertinentes, e que só depois, se for o caso, é que a autoridade competente expedirá o Ato Declaratório suspensivo do benefício, cabendo ainda recurso, garantindo, assim, o contraditório e a ampla defesa Sustenta que o § 8o, do referido dispositivo legal, vai de encontro com os citados princípios constitucionais, pois, ao dispor que a impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação a ato declaratório contestado, ofende o contraditório e ampla defesa, garantias estampadas no art. 5o, inciso LV, da CF. Defende que, como o presente AI estribouse exclusivamente na suspensão da imunidade, caracterizada pelo Ato Declaratório expedido com afronta aos princípios da ampla defesa e contraditório, nulo também é o lançamento. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.723080/200948 Resolução n.º 2301000.158 S2C3T1 Fl. 3 3 Observa que a recorrente jamais defendeu a tese de inconstitucionalidade de ato ou norma legal, mas apenas afirmou e reafirma que a intimação da entidade acerca da suspensão da imunidade é medida que se coaduna com os princípios da ampla defesa e contraditório, e a falta de apreciação da matéria pelo julgador de primeira instância importa em novo cerceamento de defesa, que redunda na nulidade da decisão recorrida. Ainda em preliminar, alega nulidade do Auto de Infração em razão da nulidade do Ato Declaratório que o sustenta, uma vez que os fatos narrados no presente lançamento são os mesmos que deram ensejo aos Atos Declaratórios de números 127 e 133, que, juntamente com o AI, estão fundamentados em procedimento de auditoria que resultou no Ato Declaratório 42/2008, tornado nulo pela DRJ Fortaleza, estando pendente de apreciação pelo CARF, do recurso de ofício. Lembra que ao Autos lavrados em decorrência do Ato Declaratório tornado nulo também foram anulados, estando em tramitação no âmbito administrativo os respectivos recursos de ofício, e argumenta que não podem coexistir dois procedimentos fiscais idênticos, devendo, portanto, ser anulado o presente lançamento, mesmo porque o Ato Declaratório 127, que quebrou a imunidade da recorrente, e aonde se escora a pretensão fiscal, está fundado única e exclusivamente nos fatos apurados no processo 10380.015609/200794, que resultou no Ato 42, tornado nulo pela DRJ. Quanto à Representação Fiscal Para Fins Penais, argumenta que a jurisprudência pátria é pacífica no sentido de que somente após esgotamento na esfera administrativa é que se tem condição objetiva de punibilidade na esfera judicial. Afirma que, na esteira do entendimento do STF, caberia ao Fisco decidir a respeito da existência do fato típico capaz de justificar a suspensão da imunidade, somente depois de transitada em julgado, promover a representação fiscal em apreço. Qualifica de equivocada a decisão recorrida, pois não se trata de aferir ano calendário de lançamento, mas sim de verificar a hipótese precedente do presente lançamento, ou seja, se a quebra da imunidade estaria ou não contemplada. No mérito, tenta demonstrar que a empresa cumpre os requisitos do inciso I e II, do art. 14, do CTN, discorrendo sobre os fatos que motivaram a autoridade fiscal a quebrar a imunidade da recorrente, afirmando que a decisão combatida não examinou os documentos apresentados pela recorrente para comprovar suas alegações, contaminando o acórdão recorrido de nulidade. Sustenta que a concessão de bolsas de estudos a empregados de empresas pertencentes a dirigentes da Fundação, assim como a compra de passagens de empresa de turismo pertencente a um dos membros do conselho não caracteriza oferecimento de vantagem direta ou indevida, e reafirma que não houve compra de uma mesma área em duplicidade de uma empresa do Grupo Edson Queiroz, e sim a aquisição de área remanescente, conforme comprovam os documentos anexos. Reitera que não é verdade que foram oferecidas vantagens à Editora Verdes Mares, sendo que a decisão recorrida utilizase de indícios e presunções a fim de justificar seu intento Fl. 186DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.723080/200948 Resolução n.º 2301000.158 S2C3T1 Fl. 4 4 No mérito, alega que as bolsas de estudo concedidas visavam apenas a melhor classificação técnica e profissional de seus empregados, não podendo serem consideradas como salário indireto, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, o salário de contribuição. Requer, por fim, que sejam acolhidas as preliminares e, no mérito, que seja dado provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.723080/200948 Resolução n.º 2301000.158 S2C3T1 Fl. 5 5 VOTO Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a recorrente alega cerceamento de defesa, argumentando que o art. 32, da Lei 9.430, determina que a autoridade fiscal, ao constatar que a entidade não está observando os requisitos legais para usufruir da imunidade, expeça notificação fiscal, abrindo lhe prazo para que apresente as alegações e provas que julgar pertinentes, e que só depois, se for o caso, é que a autoridade competente expedirá o Ato Declaratório suspensivo do benefício, cabendo ainda recurso, garantindo, assim, o contraditório e a ampla defesa. De fato, atualmente, as regras para que as entidades beneficentes de assistência social possam usufruir de isenção de contribuições para a Seguridade Social estão dispostas na Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009, que revogou o art. 55 da Lei nº 8.212/1991. O Decreto nº 7.237, de 20/07/2010, que regulamenta a Lei no 12.101, de 27 de novembro de 2009, e dispõe sobre o processo de certificação das entidades beneficentes de assistência social para obtenção da isenção das contribuições para a Seguridade Social, prevê, em suas disposições transitórias, que os PEDIDOS DE ISENÇÃO e os ATOS CANCELATÓRIOS DE ISENÇÃO não definitivamente julgados sejam encaminhados à unidade competente do Ministério da Fazenda para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, nos seguintes termos: Art.44.Os pedidos de reconhecimento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, de acordo com a legislação vigente no momento do fato gerador. Parágrafo único.Verificado o direito à isenção, certificarseá o direito à restituição do valor recolhido desde o protocolo do pedido de isenção até a data de publicação da Lei no 12.101, de 2009. Art.45.Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei no 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador A IN 1.071/2010, que dispõe sobre normas gerais de tributação previdenciária e de arrecadação das contribuições sociais destinadas à Previdência Social e as destinadas a outras entidades ou fundos, administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), estabelece que: "Art. 234. O processo de cancelamento de isenção pendente de julgamento no âmbito da RFB será encaminhado à unidade competente Fl. 188DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.723080/200948 Resolução n.º 2301000.158 S2C3T1 Fl. 6 6 para verificação do cumprimento dos requisitos de isenção, observados: I para fatos geradores ocorridos até 29 de novembro de 2009, os requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991; e II para fatos geradores ocorridos a partir de 30 de novembro de 2009, os requisitos previstos no art. 227 desta Instrução Normativa. § 1º Constatado o descumprimento de requisito para isenção no período de que tratam os incisos I e II do caput, aplicase o disposto no art. 229 desta Instrução Normativa. § 2º Em caso de tramitação simultânea de processo de cancelamento de isenção e de lançamento constitutivo de crédito pendente de recurso, deverá aquele ser apensado a este e ambos retornarem à Fiscalização, para fins de aplicação, relativamente ao processo apensado, do disposto nos incisos I e II deste artigo. § 3º Na hipótese do § 2º, será aberto prazo de 30 (trinta) dias para a entidade interessada se manifestar." (NR) O artigo 229, citado acima, dispõe o seguinte: "Art. 229. Constatado o descumprimento, pela entidade, de requisito mencionado no art. 227, a RFB lavrará auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o descumprimento. § 1º Considerase período correspondente, para os fins do disposto no caput: I o exercício a que a escrituração se refere, no caso de descumprimento do inciso I do art. 227; II o mês de ocorrência e os subsequentes, até a efetiva reversão dos recursos ao patrimônio da entidade, reajustados com base no índice referido no § 1º do art. 40 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, no caso de descumprimento dos incisos II, V e VI do art. 227; III na hipótese de descumprimento do inciso III do art. 227, o mês em que se constatar falta de documentos que comprovem a origem e a aplicação de recursos ou operações que impliquem modificação da situação patrimonial da entidade, e os meses subseqüentes em que ocorrer o efeito financeiro deles decorrente; IV o exercício a que as demonstrações se referem, no caso de descumprimento do disposto no inciso IV do art. 227; V na hipótese de descumprimento dos incisos VII e VIII do art. 227, o período durante o qual a irregularidade verificada impeça a emissão da certidão ou do certificado correspondente; VI o mês em que a obrigação prevista no inciso IX do art. 227 deixou de ser cumprida. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.723080/200948 Resolução n.º 2301000.158 S2C3T1 Fl. 7 7 § 2º Na hipótese prevista no caput, o direito à isenção ficará suspenso durante o período correspondente, conforme definido no § 1º. § 3º Considerarseá como termo inicial da suspensão do direito à isenção a competência em que o fato se verificar e como termo final a competência em que ocorrer a reversão dos recursos ao patrimônio da entidade, nas hipóteses de suspensão motivada pelo descumprimento dos requisitos previstos nos incisos II, V e VI do art. 227. § 4º Considerarseá como termo inicial da suspensão do direito à isenção a competência inicial do exercício em que o fato se verificar e como termo final a última competência do exercício, nas hipóteses de suspensão motivada pelo descumprimento dos requisitos previstos nos incisos I e IV do art. 227. § 5º A suspensão do direito à isenção motivada pelo descumprimento do requisito previsto no inciso III do art. 227 ocorrerá na competência em que se constatar falta de documentos que comprovem a origem e a aplicação de recursos ou operações que impliquem modificação da situação patrimonial da entidade, ainda que tais documentos se refiram a fatos em relação aos quais o direito da Fazenda Pública já tenha decaído, relativamente à constituição do crédito tributário. § 6º Na hipótese prevista no § 5º, se o documento referirse a fato cujo efeito modificativo da situação patrimonial da entidade se estenda por mais de uma competência, o termo final da suspensão do direito à isenção será a competência em que cessar aquele efeito. § 7º Na hipótese prevista no caput, aplicase o rito estabelecido pelo Decreto nº 70.235, de 1972." Diante do exposto, entendo que os autos deverão retornar à origem para que se cumpra o estabelecido pela legislação. Nesse sentido, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relatora Fl. 190DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 18471.001964/2003-45
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 1998
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A partir de 10 de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei n° 9.430/96, consideram-se rendimentos omitidos autorizando o lançamento do imposto correspondente os depósitos junto a instituições financeiras quando o contribuinte, após regularmente intimado, não lograr êxito em comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados.
Súmula CARF n° 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
SIGILO FISCAL. TRANSFERÊNCIA DE INFORMAÇÕES. POSSIBILIDADE.
O Supremo Tribunal Federal sedimentou o entendimento de que o art. 6° da LC 105/2001 é constitucional e a Receita Federal pode receber diretamente os dados bancários de contribuintes fornecidos pelas instituições financeiras, sem necessidade de prévia autorização judicial, por não se tratar de quebra de sigilo bancário e, sim, transferência do sigilo.
Enunciado n° 35 da Súmula do CARF: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
O entendimento pacífico deste Tribunal Administrativo, consolidado no enunciado de nº 108 da súmula de sua jurisprudência, de teor vinculante e de aplicação obrigatória pelos colegiados que o compõem, no termos do art. 72 do RICARF, é no sentido de que incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. PODER JUDICIÁRIO.
A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de atos normativos é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 2402-008.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ana Claudia Borges de Oliveira - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira (Relatora), Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Luís Henrique Dias Lima, Márcio Augusto Sekeff Sallem, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: ANA CLAUDIA BORGES DE OLIVEIRA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 10 de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei n° 9.430/96, consideram-se rendimentos omitidos autorizando o lançamento do imposto correspondente os depósitos junto a instituições financeiras quando o contribuinte, após regularmente intimado, não lograr êxito em comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados. Súmula CARF n° 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. SIGILO FISCAL. TRANSFERÊNCIA DE INFORMAÇÕES. POSSIBILIDADE. O Supremo Tribunal Federal sedimentou o entendimento de que o art. 6° da LC 105/2001 é constitucional e a Receita Federal pode receber diretamente os dados bancários de contribuintes fornecidos pelas instituições financeiras, sem necessidade de prévia autorização judicial, por não se tratar de quebra de sigilo bancário e, sim, transferência do sigilo. Enunciado n° 35 da Súmula do CARF: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O entendimento pacífico deste Tribunal Administrativo, consolidado no enunciado de nº 108 da súmula de sua jurisprudência, de teor vinculante e de aplicação obrigatória pelos colegiados que o compõem, no termos do art. 72 do RICARF, é no sentido de que incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. PODER JUDICIÁRIO. A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de atos normativos é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Súmula CARF nº 2.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 10 de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei n° 9.430/96, consideram-se rendimentos omitidos autorizando o lançamento do imposto correspondente os depósitos junto a instituições financeiras quando o contribuinte, após regularmente intimado, não lograr êxito em comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados. Súmula CARF n˚ 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. SIGILO FISCAL. TRANSFERÊNCIA DE INFORMAÇÕES. POSSIBILIDADE. O Supremo Tribunal Federal sedimentou o entendimento de que o art. 6˚ da LC 105/2001 é constitucional e a Receita Federal pode receber diretamente os dados bancários de contribuintes fornecidos pelas instituições financeiras, sem necessidade de prévia autorização judicial, por não se tratar de quebra de sigilo bancário e, sim, transferência do sigilo. Enunciado n˚ 35 da Súmula do CARF: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O entendimento pacífico deste Tribunal Administrativo, consolidado no enunciado de nº 108 da súmula de sua jurisprudência, de teor vinculante e de aplicação obrigatória pelos colegiados que o compõem, no termos do art. 72 do RICARF, é no sentido de que “incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício”. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. PODER JUDICIÁRIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 19 64 /2 00 3- 45 Fl. 334DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-008.244 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001964/2003-45 A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de atos normativos é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Ana Claudia Borges de Oliveira - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira (Relatora), Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Luís Henrique Dias Lima, Márcio Augusto Sekeff Sallem, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Renata Toratti Cassini. Relatório Trata-se de Auto de Infração (fls. 142 e 143) relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente ao ano-calendário 1998, para a exigência de crédito tributário no valor de R$ 100.412,00, incluída a multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, constituído em razão de ter sido apurada omissão de rendimentos caracterizada pela falta de comprovação da origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento, de titularidade do autuado. Por bem registrar o andamento do processo até a fase recursal, adoto o relatório da Decisão recorrida (fls. 254 a 257): Contra o Contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls. 140 a 145 em virtude da apuração da seguinte infração: 1) OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA - omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito mantidas no anco nibanco e no anco Santander, nos ano-calend rio de 1998, não tendo o Contribuinte comprovado, após ter sido regularmente intimado, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 137 a 139. Enquadramento Legal: art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, art. 4° da Lei n°9.481, de 1997, art. 21 da Lei n° 9.532, de 1997. Sobre o imposto apurado, no valor de R$ 39.993,63, foram aplicados multa de 75% e juros de mora regulamentares, com fulcro nos dispositivos legais de fl. 143, perfazendo um total de R$ 100.412,00. Fl. 335DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-008.244 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001964/2003-45 Após cientificado do Auto de Infração em referência em 03/09/2003 (fl. 146), o Interessado apresentou em 03/10/2003, a impugnação de fls. 155 a 214, valendo-se, em síntese, dos seguintes argumentos: (...) Ao final, o Impugnante requer o cancelamento do auto de infração em tela, protestando, também, pela produção de todas as provas admitidas em direito. Através do Acórdão n˚ 13-17.154 (fls. 252 a 269), a 2ª Turma da DRJ/RJOII julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 1999 ACESSO ÀS INFORMAÇÕES DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A autoridade fiscal pode solicitar informações e documentos relativos a operações bancárias quando em procedimento de fiscalização. LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. É incabível falar-se em irretroatividade da lei que amplia os meios de fiscalização, pois esse principio atinge somente os aspectos materiais do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS As decisões judiciais e administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, sendo àquela objeto da decisão. TAXA SELIC. APLICABILIDADE A partir de 01/04/1995, sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sendo cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora em percentual superior a 1%. PEDIDOS DE PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS Deve ser indeferido o pedido de produção de novas provas, quando forem prescindíveis para o deslinde da questão a ser apreciada, contendo o processo os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Fl. 336DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-008.244 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001964/2003-45 O contribuinte foi cientificado da decisão em 18/10/2007 (fl. 272) e apresentou Recurso Voluntário em 14/11/2007 (fls. 275 a 331) alegando: a) nulidade da autuação baseada em presunção de rendimentos; b) irretroatividade das leis que autorizam a quebra do sigilo bancário e inconstitucionalidade da quebra do sigilo; c) indevida aplicação da Taxa Selic e; d) a multa é confiscatória. o relatório. Voto Conselheira Ana Claudia Borges de Oliveira, Relatora. Da admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele conheço e passo à análise da matéria. Das alegações recursais 1. Da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada A Lei n˚ 9.430, 27 de dezembro de 1996, revogou o § 5˚ do art. 6˚ da Lei n˚ 8.021, de 12 de abril de 1990, abaixo reproduzido: Art. 6 O lançamento de ofício, além dos casos j especificados em lei, far-se- arbitrando-se os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) § 5 O arbitramento poder ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicaç es realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) Sob a égide do dispositivo legal suprimido, exigia-se a prévia demonstração de sinais exteriores de riqueza pelo agente fiscal para o lançamento de ofício com base na renda presumida decorrente de depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1˚ de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430/96, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários cuja origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira não for comprovada pelo titular, após regular intimação para fazê-lo. Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 337DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-008.244 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001964/2003-45 § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Segundo o preceito legal, os extratos bancários possuem força probatória, recaindo o ônus de comprovar a origem dos depósitos sobre o contribuinte, por meio de documentação hábil e idônea, sob pena de presunção de rendimentos tributáveis omitidos em seu nome. O que se tributa não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos representada por eles. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelos quais se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação. Os depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício de existência de omissão de rendimentos. Esse indício transforma-se na prova da omissão de rendimentos apenas quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, após regular intimação fiscal, nega-se a fazê-lo, ou não o faz, a tempo e modo, ou não o faz satisfatoriamente. É função privativa da autoridade fiscal, entre outras, investigar a aferição de renda por parte do contribuinte, para tanto podendo se aprofundar sobre o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o sujeito passivo da conta bancária a apresentar os documentos, informações ou esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência, ou não, de omissão de rendimentos. Para o lançamento tributário com base nesse dispositivo de lei nem mesmo necessidade de descortinar a origem do crédito bancário na obtenção de riqueza nova pelo titular da conta ou mostrar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Na mesma linha de entendimento sobre a matéria, confira-se o enunciado sumulado n˚ 26 do CARF: Súmula CARF n˚ 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei no 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fl. 338DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-008.244 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001964/2003-45 A disposição contida no art. 42 é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatarem afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem deve ser feita pelo contribuinte de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. A comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é ônus do contribuinte, conforme dicção do art. 36 da Lei n° 9.784/99: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Trata-se de uma presunção legal, no entanto, relativa, dado que, conforme estabelece o próprio dispositivo legal, pode ser afastada por prova em contrário a cargo do contribuinte, no caso, do recorrente. Assim, não se comprovando a origem dos demais depósitos bancários, configurado está o fato gerador do Imposto de Renda, por presunção legal de infração de omissão de rendimentos, não assistindo razão ao recorrente em suas argumentações, quando corretamente se aplicou o procedimento de presunção advindo do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 (art. 849 do RIR/1999). Nesse ponto, sem razão o recorrente, devendo ser mantida a Decisão proferida pela DRJ. 2. Da quebra do sigilo fiscal O recorrente alega a nulidade da autuação porque os extratos bancários foram obtidos com a quebra do sigilo bancário sem a devida autorização judicial. O Código Tributário Nacional (CTN) atribui às autoridades fiscais o poder de requisitar dos bancos e instituições financeiras todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros – art. 197, II. A Lei Complementar n˚ 105, de 10 de janeiro de 2001 (LC 105/2001), que dispõe sobre o sigilo das operaç es das instituiç es financeiras, estabelece no artigo 6˚ que as autoridades fiscais podem examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Esse artigo est regulamentado pelo Decreto n˚ 3.724, de 10 de janeiro de 2001, quanto à requisição, acesso e uso pela Secretaria da Receita Federal de informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras e entidades equiparadas, disciplinando a quebra do sigilo bancário pela autoridade administrativa. Desde a edição da norma, diversos entendimentos contraditórios foram proferidos pelos Tribunais pátrios, ora entendendo indispensável a autorização judicial para acesso aos dados, ora facultando à administração tributária o acesso direto. Fl. 339DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-008.244 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001964/2003-45 Em fevereiro de 2016, o Supremo Tribunal Federal sedimentou a celeuma no julgamento das ADIs n˚ 2.390, 2.386, 2.397 e 2.859 e fixou o entendimento de que o art. 6˚ da LC 105/2001 é constitucional e a Receita Federal pode receber diretamente os dados bancários de contribuintes fornecidos pelas instituições financeiras, sem necessidade de prévia autorização judicial, por não se tratar de quebra de sigilo bancário e, sim, transferência do sigilo. A transfer ncia de informaç es é feita dos bancos diretamente ao Fisco, e este tem o dever de preservar o sigilo dos dados. Assim, concluiu a Corte Suprema que permanecem resguardadas a intimidade e a vida privada do correntista, nos termos do art. 145, § 1˚, da Constituição Federal: Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) § 1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. Além disso, o CARF não possui compet ncia para analisar e decidir sobre matéria constitucional, nos termos do Enunciado de Súmula CARF n˚ 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Pois bem. Até o advento da Lei n˚ 10.174, de 9 de janeiro de 2001, o § 3˚ do art. 11 da Lei n˚ 9.311/96 vedava a utilização das informaç es referentes à CPMF para constituição de crédito tributário, nos seguintes termos: Art. 11. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação. (...) § 3° A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicada à matéria, o sigilo das informações prestadas, vedada sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos. A Lei n˚ 10.174/2001 alterou esse par grafo para permitir a utilização das informações relativas à CPMF para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário, in verbis: § 3 o A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. (Redação dada pela Lei nº 10.174, de 2001) Fl. 340DF CARF MF Documento nato-digital file:///C:/Users/anaclaudiaborgesdeoliveira/Documents/CARF/Março%202020/VOTOS/L9430.htm%23art42§3II file:///C:/Users/anaclaudiaborgesdeoliveira/Documents/CARF/Março%202020/VOTOS/L9430.htm%23art42§3II http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LEIS_2001/L10174.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LEIS_2001/L10174.htm#art1 Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-008.244 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001964/2003-45 Ao realizar o lançamento, a autoridade fiscal deve aplicar a legislação vigente no momento da ocorrência do fato gerador, mesmo que a norma já tenha sido revogada ou modificada. Trata-se da regra material (legislação substantiva) relativa ao tributo correspondente – art. 144, caput. J o § 1˚ do art. 144 se refere às regras formais (legislação adjetiva) que regulam o procedimento de lançamento, ou seja, as normas que estipulam a competência para lançar, o modo de documentar o início do procedimento, os poderes que possuem as autoridades lançadoras, os prazos para conclusão das atividades etc. Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Desse modo, a modificação de uma norma procedimental não muda a essência de qualquer obrigação já surgida, mas tão somente o modo de sua apuração. É justamente por isso que são aplicáveis ao lançamento as normas formais que estiverem em vigor na data da realização do próprio procedimento (ALEXANDRE, Ricardo. Direito tributário. 13ª ed. Salvador: JusPodivm, 2019, p. 451). Nesse sentido, é o Enunciado n˚ 35 da Súmula do CARF: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. Daí porque é válida a utilização da nova legislação para lançamento referente a fatos geradores passados, diante da aplicabilidade imediata das regras que ampliam os poderes de investigação da autoridade administrativa, não havendo que se falar em prova ilícita. O procedimento de fiscalização transcorreu dentro dos limites legais, não se identificando no lançamento qualquer irregularidade no acesso às informaç es banc rias do recorrente. Nesse ponto, sem razão o recorrente. 3. Da taxa Selic O Recorrente alega, ainda, impossibilidade da incidência da taxa Selic sobre a multa , pois desnatura o pressuposto e a finalidade dessa espécie de juros e não guarda correlação lógica com a recomposição do patrimônio lesado, pela falta de tributo não pago. A esse respeito, é entendimento pacífico deste Tribunal Administrativo, consolidado no enunciado de nº 108 da súmula de sua jurisprudência, de teor vinculante e de aplicação obrigatória pelos colegiados que o compõem, nos termos do artigo 72 do RICARF, que: Fl. 341DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-008.244 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001964/2003-45 Enunciado CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Desse modo, deve ser mantido o lançamento no que diz respeito utilização da taxa SELIC como fator de juros de mora. 4. Da alegação de multa confiscatória O recorrente alega que a multa aplicada é confiscatória e viola os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Não compete à autoridade administrativa apreciar a arguição e declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei, pois essa competência foi atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário, pela Constitucional Federal, art. 102. A atuação das turmas de julgamento do CARF está circunscrita a verificar os aspectos legais da atuação do Fisco, não sendo possível afastar a aplicação ou deixar de observar os comandos emanados por lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, o que dispõem o artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/15, bem como a Súmula CARF nº 2, que assim dispõe: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, sem razão o recorrente. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ana Claudia Borges de Oliveira Fl. 342DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10880.930093/2006-98
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
DECISÃO RECORRIDA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE
A falta de descrição dos fatos que fundamentaram as glosas do crédito-presumido IPI pleiteado, ou seja, a não-identificação das notas fiscais irregulares e daquelas cujas exportações não foram confirmadas no Siscomex, constitui cerceamento do direito de defesa e fundamento de nulidade da decisão recorrida.
Decisão Anulada.
Numero da decisão: 3301-000.744
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão recorrida para que outra seja proferida, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: José Adão Vitorino de Morais
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 DECISÃO RECORRIDA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE A falta de descrição dos fatos que fundamentaram as glosas do crédito-presumido IPI pleiteado, ou seja, a não-identificação das notas fiscais irregulares e daquelas cujas exportações não foram confirmadas no Siscomex, constitui cerceamento do direito de defesa e fundamento de nulidade da decisão recorrida. Decisão Anulada.
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Numero do processo: 11516.002931/2006-52
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Numero da decisão: 3102-000.259
Decisão: Decidem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o
julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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Decidem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 19/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Em conseqüência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias foi lavrado, em 09/10/06, contra a contribuinte acima identificada o Auto de Infração relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado no valor total de R$ 1.523.567,74, incluindo os juros de mora calculados até 29/09/2006, referente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/01/2001 a 31/10/2005 (fls. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 02 93 1/ 20 06 -5 2 Fl. 478DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1220.14404.XT76. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.002931/200652 Resolução nº 3102000.259 S3C1T2 Fl. 3 2 103/107). A ciência da autuação deuse na mesma data da lavratura, conforme consignado à fl. 103. 2.De acordo com o disposto na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 104/107), o crédito tributário referese à FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS e o lançamento está fundamentado nos arts. 1º da Lei complementar nº 70/1991; arts. 2º, 3º e 8º da Lei nº 9.718/1998; com as alterações da Medida Provisória nº 1.807/1999 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória nº 1.858/1999; arts. 2º, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524/2002; art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835/2001; Lei nº 10.676, de 2003; art. 17 da Lei nº 10.684, de 2003; e arts. 23 e 33 da IN SRF nº 247, de 2002, alterada pela IN SRF nº 358, de 2003. 2.1.No Termo de Encerramento e Verificação Fiscal de fls. 109 a 115, o auditor fiscal autuante descreve os procedimentos fiscais, evidenciandose o objetivo da contribuinte (CEGERO), consoante seu estatuto social, como sendo a prestação do serviço público de compra e distribuição de energia elétrica a seus associados e a terceiros. Também relata a respeito das intimações fiscais e das respostas e documentação apresentadas pela empresa, evidenciandose os seguintes esclarecimentos: os repasses dos custos de manutenção, distribuição e compra de energia elétrica aos associados estão classificados nos balancetes, nas contas de resultado que compõem as contas contábeis do grupo 615, anexou cópia dos documentos para comprovar suas alegações, e disponibilizou toda a documentação para verificação do fisco; Conta “Aluguéis” – 61101491900002 Em 2002 foram contabilizadas nessa conta as receitas de aluguéis de postes a Brasil Telecom S.A.. Em 2004 e 2005 esta conta foi utilizada para contabilizar as receitas de aluguéis de uma sede social de propriedade da cooperativa; Conta “Aluguéis de Postes” – 61103491200002 – Nessa conta estão contabilizados os aluguéis de uso mútuo de postes a Brasil Telecom S.A.; Na conta “Outras Contas” – 6703190000001 – Foram contabilizados diversos ajustes durante os exercícios de 2002 a 2006, tais como: ajustes de faturamento, energia a receber, compensações de, ajustes de estoques e ressarcimento de danos materiais em postes através de seguros; 2.2.O auditor fiscal autuante também explana sobre as exclusões da base de cálculo da contribuição permitidas ao tipo de atividade da Cooperativa, registrando que, além das exclusões previstas no art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da MP nº 2.15835, de 2001, as sociedades cooperativas de eletrificação rural podem ainda excluir da receita bruta os valores correspondentes: Às sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para constituição do Fundo Reservado e do Fundo de Assistência técnica, Educacional e Social, previstos no art, 28 da Lei nº 5.764, de 1971, efetivamente distribuídas; Aos valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação a seus associados. Transcreve ainda a legislação pertinente à matéria, qual seja: o art. 17 da Lei nº 10.684/200s, o art. 33, inciso VI, §§ 4º, 5º, 8º, I e II, 10 e 12 da IN SRF nº 247, de 21/11/2002. 2.3.Quanto às irregularidades apuradas, o auditor fiscal autuante apontou a “Falta de Recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e para a Contribuição pra Financiamento da Seguridade Social COFINS”, vez que a cooperativa não recolheu o Pis/Cofins sobre a receita bruta, e não declarou à Receita Fl. 479DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1220.14404.XT76. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.002931/200652 Resolução nº 3102000.259 S3C1T2 Fl. 4 3 Federal esses valores em DCTF. Explicou que a partir da edição da Lei nº 9.718/98 e da MP nº 1.8586/99, as Cooperativas de maneira geral passaram a contribuir para as contribuições PIS e COFINS com base na receita bruta e que a isenção relativa aos atos cooperativos fora expressamente revogado pelo artigo 23 da já referida MP 1.858 6/1999. 2.3.1. Também expôs a respeito das exclusões então previstas na nova regra, consignando que as sociedades cooperativas de eletrificação rural deverão calcular o PIS/COFINS mensal sobre a totalidade das receitas auferidas, sendo admitidas somente as exclusões previstas na IN SRF nº 145/1999 e as deduções específicas introduzidas pelo art. 17 da Lei nº 10.684/2003 e IN nº 247/2002, alterada pela IN nº 358/2003. Com base na legislação de regência, e em especial ao artigo 17 da Lei nº 10.684/2003, concluiu pela exclusão na base de cálculo das contribuições dos custos de Distribuição, Compra de Energia e Manutenção em razão da Cooperativa não ter Custo de Geração de Energia, reportandose aos Demonstrativos de fls. 87/91(Receita tributável) e fls. 92/97 (Apuração da Contribuição). 2.4.O autuante fez constar ainda a relação de processos resultantes do mesmo procedimento fiscal, quais sejam: Processo nº 11516.002933/200641 – IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA...R$ 228.358,86 Processo nº 11516.002933/200641 – CONTR. SOCIAL S/ O LUCRO LÍQUIDO......R$ 137.015,22 Processo nº 11516.002932/200605 – PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL.....R$ 330.105,44 Processo nº 11516.002931/200652 – CONTR. P/FINANCIAMENTO S. SOCIAL.R$ 1.523.567,74 3.Irresignada com o lançamento, a interessada, por intermédio de seu Presidente, apresentou, em 06/11/2006, a impugnação de fls. 119 a 147, acompanhada da documentação de fls. 148 a 199. 3.1.Na peça de defesa, a impugnante preliminarmente alega a nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa, por não ter como saber de onde foram buscados os “custos” que servem de exclusão para tributação Base Imponível para fins PIS/COFINS. Nesse sentido questiona: Que critério o fisco está usando para incluir contas ou excluíIas? Porque não foram inclusas as contas (custos) do Setor Administrativo? As contas que foram inclusas são mesmo aquelas relatadas já que se tem só o somatório delas? Conclui que o presente caso exige um demonstrativo, conta por conta, principalmente ante o tratamento tributário diferenciado às Cooperativas de Eletrificação Rural ¬Art. 17 da Lei 10684/03. 3.2.Quanto ao mérito, inicialmente, discorre sobre a natureza especial das cooperativas e a respeito do tratamento tributário adequado aos atos cooperativos, com base na prescrição contida no artigo 146, inciso III, da Constituição Federal. Conclui que em qualquer ramo que seja o objeto de aglutinação de seus associados, as cooperativas: (a) restringemse a prestar serviços; (b) não possuem resultados; (c) não têm receitas. Logo, não auferem renda; nem faturam, nem obtém receitas para si: todos os ingressos se incorporam ao patrimônio dos próprios cooperados. 3.3.Em seguida, sob o tópico “IMPUGNANTE, INSERIDA NO SISTEMA ELÉTRICO BRASILEIRO, COMO COOPERATIVA DE ELETRIFICAÇÃO RURAL RAMO INFRAESTRUTURA” a interessada explica que: A distribuição de energia, por Cooperativa, centrase na prestação de serviço público essencial que tem por base e fundamento atividade de exploração das redes de distribuição, consistindo na tarefa de receber a energia da empresa transmissora, em altíssima tensão para entregar a energia elétrica ao associado que se conecta à rede de Fl. 480DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1220.14404.XT76. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.002931/200652 Resolução nº 3102000.259 S3C1T2 Fl. 5 4 distribuição, perpassando os centros urbanos e zonas rurais (Objeto do contrato de Concessão). No desempenho das atividades de distribuição, a impetrante usa de espaço público ao utilizarse de postes fincados travessias de cabos e fios ao longo das estradas federais, estaduais e municipais, nas chamadas faixas de domínio e adjacentes, essenciais à prestação do Serviço Público de distribuição de Energia Elétrica na modalidade uso compartilhado. 3.3.1. Aponta o papel importante da Sociedade de Cooperativa de Eletrificação Rural na nova estrutura do setor elétrico, e que está sujeita tanto à legislação cooperativista como à de controle do setor elétrico (ANEEL), dispondo que: A IMPUGNANTE é detentora desse caráter próprio, como sociedade cooperativa; é regida igualmente por legislação do setor cooperativo e elétrico classificada no ramo da infraestrutura. São cooperativas que têm por função primordial prestar coletivamente serviços de que o quadro social necessita (luz, telefone, água – infraestrutura), sem objetivo de lucro, acompanhado da prestação de serviço público de energia elétrica a consumidores urbanos e rurais, através dos serviços de distribuição, administração e comercialização. 3.4.Passa então a analisar os conceitos de “faturamento” e de “receita bruta” à luz de julgados do STF (REs 357.950,390.840,358.273 e 346.084) e do art. 110 do CTN, concluindo que: Os Entes Públicos, em matéria tributária, não podem alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expresse ou implicitamente, pela Constituição Federal, para definir ou limitar competências tributárias; Ao se definir competência tributária, aquele conceito ou aquele instituto de direito privado passam a ser vinculantes dentro do Direito Tributário. Constitucionalizado o conceito ou instituto, no terreno da taxação, para efeito de definição da competência impositiva, a lei infra constitucional não mais poderá dar nova conceituação, sob pena de tomar inócuo o princípio constitucional da discriminação de rendas tributárias; Somente, com o advento da Emenda Constitucional nº 20, de 15121998, é que passou a ser permitida a instituição de contribuição sobre a "receita ou o faturamento" (art. 195, I, "b" da CF). A conjunção alternativa "ou" deixou claro tratarse de coisas diferentes, restando ao legislador ordinário a opção entre uma e/ou outra, adquirindo contornos mais amplos na sua base de imposição; A atual exigência dessas contribuições já está adequada a esta ementa (arts.2º e 3º da Lei nº 9718/1998). 3.5.Sob o tópico “COOPERATIVA DE ELETRIFICAÇÃO RURAL – SEM BASE IMPONÍVEL”, defende não haver base material, nem legal, para a imposição do ato infracional pelo Fisco, às Cooperativas de eletrificação. Alega ser inaplicável o conceito de “faturamento receita bruta” ao ato cooperativo em razão de: O art. 79 da Lei 5.764/71 (Lei das Sociedades Cooperativas) dispõe que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Não implicando o ato cooperativo em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto serviço, não há incidência de PIS/COFINS cuja base material é essa (faturamentoreceita); Fl. 481DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1220.14404.XT76. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.002931/200652 Resolução nº 3102000.259 S3C1T2 Fl. 6 5 Aquilo que passa pela cooperativa, mesmo que contabilmente seja lançado como receita, tem natureza transitória, pois pertence ao cooperado a quem será repassado, e, por isso não será receita. Não se trata de um ato da PESSOA JURíDICA COOPERATIVA, mas sim, um ato do cooperado. Logo, não há receita, não há faturamento, como se entende comumente; o Caráter nãolucrativo das Cooperativas – art. 4º da Lei 5.764/71, ser inerente ao regime jurídico das cooperativas. Ele por si só não leva à inexistência de valores que poderiam ser caracterizados como RECEITA, mas acrescido de um outro elemento, que é o de prestar serviços aos associados, caracterizando como Ato Cooperativo (meio e fim), não agindo em nome próprio, na busca de resultados para si, mas daqueles que representam, afastando resultados financeiros que venham a obter e a natureza de "faturamento" ou "receita bruta" ou mesmo "receita", na ampla concepção da Lei 9718/98. E conclui, qualquer que seja o seu ramo e o objeto da aglutinação de seus cooperados, as cooperativas: a) se restringem a prestar serviços; b) não possuem resultados e c) não têm receita operacional. Os chamados atos nãocooperativos, previstos na Lei 5764/71, nos art. 85, 86 e 87, não se enquadram nesses conceitos e são tributados, normalmente, conforme a detenção do Art. 111, e os ingressos adquirem uma nova feição e padrão; os atos nãocooperativos são "aqueles praticados entre as cooperativas e pessoas físicas ou jurídicas não associadas, revestindose, nesse caso, de nítida feição mercantil". Neste caso tais operações, contabilizadas em separado, de acordo com o artigo 87 da Lei nº 5.764/71, teriam a incidência de tributos, tendo em vista a existência do fato gerador, qual seja o faturamento; 3.6. Em conclusão explica que “O que determina a base imponível é o Faturamento (Art. 179 do RIR), entendido como o “produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados”. Portanto, dita base de cálculo encontrase calcada no volume das vendas efetuadas pelos contribuintes e/ou preço dos serviços pelos mesmos prestados, ou no produto de ambos, se for o caso". Nas relações internas das cooperativas (art. 79) não acontece por falta de objeto ou materialidade, porque o conceito de RECEITAS (ingressos), estranho ao mundo das cooperativas, não existe conceitualmente. Tudo revela ausência de materialidade para ser base de uma Contribuição; 3.7.Defende também a impugnante que com a edição do artigo 17 da Lei nº 10.684/2003, o legislador quis dar um tratamento diferenciado ("adequado”, segundo o prisma constitucional) a esse segmento do cooperativismo (junto com agropecuário) reconhecendo a importância estratégica e social, já que presta serviço, preferencialmente, no meio rural, sabidamente mais deficitário, ao fixar esse dispositivo infraconstitucional. Pondera que o termo “valores” empregado no referido artigo 17, difere da palavra “custos” empregada para as cooperativas agropecuárias. Reforça que tem suas atividades centradas na modalidade de serviço de distribuição de energia. 3.8.A respeito do REPASSE DE VALORES AO ASSOCIADO, VIA FATURA (FATURAMENTO) – INGRESSOS, a interessada expõe que a cobrança de todos os valores pagos ou incorridos por conta dos associados dá se mediante valor fixado em tarifa por quilowatt consumido, à qual, além de contemplar todos os dispêndios contratados por conta e em nome dos associados, inclui também tributos sobre ela incidentes, tais como ICMS destacado na conta de energia cobrada . São os chamados dispêndios operacionais e não operacionais, suportados junto à Cooperativa pelo associado, por força dos artigos 80 e 89 da Lei 5764/71 e, mais a legislação atinente ao COFINSPIS. Conclui que “O FATURAMENTO É RESULTADO DOS VALORES Fl. 482DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1220.14404.XT76. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.002931/200652 Resolução nº 3102000.259 S3C1T2 Fl. 7 6 REPASSADOS, AO ASSOCIADO, VIA TARIFA, RETRIBUINDO AOS SERVIÇOS PRESTADOS, NUMA COOPERATIVA DE ELETRIFICAÇÃO RURAL”. 3.8.1. Ressalta que "custo" difere de "valores" e tem extensão conceitual diferente, mais restrita. Caso o legislador quisesse fazêlo, com o mesmo alcance, mudaria a redação, para acrescentar a palavra "custos" às cooperativas agropecuárias e de eletrificação rural. Destarte, na redação do art. 17, o termo "valores" apresenta uma extensão maior "Custos" são espécies de valores, mas, não são os únicos (custo = valor de um bem). 3.8.2. Também argumenta que: Quando a IN 358/03 aplica a palavra "custos" às Cooperativas de Eletrificação Rural, quando repassados aos associados, tem um alcance restrito e restritivo. Não poderia fazêlo, já que é um conceito mais amplo. Ademais, nem caberia à Instrução Normativa incrementálo, pois não pode um conceito expresso pela lei, ser parcializado por norma hierarquicamente inferior, como se fez ao aplicar o significado de "custos" a "valores". Aqui vale o disposto no art. 110 do CTN, exatamente na lição do Ministro STF Marco Aurélio de Mello, como já analisado. 3.8.3. Ao afirmar que “A Base Imponível deve ser feita então com o acerto das contas e sua natureza”, a impugnante explica que dos valores repassados, via tarifa, que vão compor faturamento bruto, alguns servirão como base imponível para as contribuições, já que não têm natureza de repasse de valores. Tratamse das contas que não estão incluídas nos atos cooperativos, por exemplo, os ingressos advindos com receitas nãooperacionais. Porém, os excluídos da base imponível serão os relacionados ao ato cooperativo, isto é, advindos do pagamento da tarifa pelo associado. Todos esses deverão ter exclusão base de cálculo do PISCOFINS.É a interpretação lógico¬literal do artigo. E conclui: Uma Cooperativa de Eletrificação Rural, à qual a impugnante pertence, presta serviço público de comercialização de Energia Elétrica a público indistinto (nova regulamentação Setor Elétrico) mas, na totalidade, são associados que usam de uma infraestrutura. Os custos são rateados e repassados à tarifa. 3.8.4. Registra assim que o FATURAMENTO BRUTO, nada mais é que a soma dos ingressos oriundos da fatura de energia elétrica (com as exceções tributáveis) repassados aos associados (e não associados; poucos). A lei manda excluir da Base de Cálculo do PISCOFINS os chamados "VALORES REPASSADOS AOS ASSOCIADOS" e, estes se encontram na tarifa. É de uma clareza,impar. 3.9. Acusa o Fisco de cometer equívoco, na apuração da base de cálculo, pois, no seu entender, além do conceito restritivo (custos), como faz o fisco, e que também refuta, não contempla na totalidade as exclusões previstas na IN 358/03 e Art 17 da Lei 10684/03 constantes das contas de "faturamento" identificáveis como “AS DESPESAS ADMINISTRATIVAS” representadas subconta 615.0X4 (Plano Aneel) Administração Geral correspondente atividades respectiva. São contas destinadas a atender todas as atividades chamadas de atividademeio, incluindo aquelas incorridas com Conselheiros, Presidência, recursos humanos, Tecnologia de Informação relacionadas às funções administrativas, serviços auxiliares e de assistência e capacitação que serão contabilizadas na subconta 615.04¬administração –Atividades. 3.9.1. A contribuinte assevera que no "Demonstrativo da Receita Tributável" só dois itens foram contemplados com exclusão: as contas de custos compra de energia 615.03; manutenção e distribuição de Energia. 615.05.15 Esse entendimento restritivo não é seguido nem pela própria Receita Federal orienta em sentido contrário ao constante no Auto de Infração (Consulta nº 352 de 26 de novembro de 2004 vide item 7). Alega ainda que: Fl. 483DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1220.14404.XT76. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.002931/200652 Resolução nº 3102000.259 S3C1T2 Fl. 8 7 Na essência, todos os ingressos da cooperativa (na quase totalidade) são advindos de Atos Cooperativos, portanto,com as exceções de Lei. Os CUSTOS de uma cooperativa de eletrificação rural são os dispêndios, meiofim, para consecução dos objetivos. Não há base legal para incluir uns, e, excluir, outros, como fez o fisco,no caso. A IN 358/03 da SRF inclui todos os custos do setor: geração, transmissão, comercialização, administração, distribuição; Na prática todos os dispêndios (custos relativo à operacionalidade para entrega da energia aos associados; investimentos em linhas redes de transmissão de energia e despesas administrativas necessárias ao funcionamento da cooperativa e necessários à prestação dos serviços aos associados) poderão ser excluídos da base de cálculo das CONTRIBUiÇÕES SOCIAIS. 3.10. Reportase à Solução de Consulta nº 352, de 26/11/2004, da 9a. Região Fiscal para considerar que: a) O Art.1° da Lei 10676/03 dispõe que as cooperativas poderão excluir as Sobras Líquidas apontadas na li Demonstração do Resultado do Exercício" No Demonstrativo da Receita Tributável" parte integrante desta autuação não se faz menção. Entendase que a simples disponibilidade como sobra já significa que está disponível para o conjunto de associados.Ou seja, elas,conceitualmente, pertencem aos cooperativados. Caso a Assembléia dê destinação Estatutária, configurase também que foi efetivamente distribuída (o que acontece na quase totalidade das sociedades cooperativas). Logo, devem ser excluídas da base de cálculo da COFINS/PIS,o que não foi feito no presente caso ,pelo que demonstram o "Demonstrativo da receita tributável"; b) PN nºs 77/76, 66/86 A Receita Federal reconhece o Ato Cooperativo e as operações que dão origem a ele. Sabedor então o fisco que tais operações não implicam operações de mercado,nem contrato de compra e venda de produto,mercadoria e serviços. Essa questão é esclarecida pelas PN 77176 e 66/86. Daí, não entenderse o Ato Fiscal,derivado de Atos Cooperativos, em desacordo com órgão da própria Receita . 3.11.Sobre a Jurisprudência do STJ sobre PISCOFINS das Cooperativas, a impugnante adverte que “O Superior Tribunal de Justiça vem de muito, com jurisprudência mansa e pacífica, que podemos resumir no seguinte: "Atos de cooperativas realizados apenas com cooperados são isentos de tributação. O entendimento é tanto da Primeira e segunda turmas do Turma (sic) do Superior Tribunal de Justiça e reforça a jurisprudência do tribunal de que a cooperativa tem isenção de tributos em relação aos atos cooperativos. Ou seja os atos praticados somente com os associados não estão sujeitos à incidência de tributos". Apesar da Cooperativa realizar operação de compra e venda de mercadorias, qualquer incidência de tributo deve ser mitigada, haja vista que esta atividade é realizada somente entre a cooperativa e os associados, sem o intuito de lucro e está, diretamente, ligada ao objetivo social da cooperativa”. Reportase assim a ementas de alguns acórdãos proferidos em Recursos Especiais. 3.12.Nas considerações Finais, conclui a impugnante que A AUTORIDADE FISCAL ENCONTRASE SOLITÁRIA NO SEU MODO DE INTERPRETAR A LEI (INCLUSIVE NÃO OBSERVANDO OS DIZERES DA CONSULTA 352/04 – 9a Região). Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Fl. 484DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1220.14404.XT76. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.002931/200652 Resolução nº 3102000.259 S3C1T2 Fl. 9 8 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/10/2005 LANÇAMENTO. NULIDADE. Não procede a argüição de nulidade do lançamento quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. Apenas as exclusões autorizadas pela legislação tributária e devidamente comprovadas devem ser consideradas para fins de apuração da base de cálculo da contribuição para o PIS. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Reapresenta preliminar de preterição ao direito de defesa. Pede declaração de nulidade do Auto de Infração. Voltamos a afirmar que determinadas contas foram "agraciadas" com "exclusão" (aleatoriamente). Aparecem como sendo somatório das contas de "manutenção e distribuição". Conduz a falsa idéia que "todas as contas" teriam sido contempladas com "exclusões" dispostas no Art. 33 IN 247/02 (regulando o art. 17 da Lei 10.864/03). Na realidade, isso não aconteceu: várias contas que envolvem custos/gastos ficaram de fora: pessoal administrativo, financeiro, geral (Vide "DEMONSTRATIVO FEITO PELA RECORRENTE). Informese que são custos reconhecidos pelo setor elétrico Lei 8.631/93 e Decreto 774/93, na determinação da tarifa e assim nominados. (detalhes nesse recurso) Ressaltese que os tribunais administrativos da Receita Federal são zelosos quanto à matéria tributável: DEVE SER CLARAMENTE DEFINIDA PELO FISCO DE MODO QUE O CONTRIBUINTE TENHA O CONHECIMENTO DO INTEIRO TEOR DO ILÍCITO. Transcreve jurisprudência. Assevera que não tem como saber de onde foram obtidos os custos que servem de exclusão para tributação. Que não há um demonstrativo específico claro e objetivo das exclusões e inclusões, apenas citações em rodapé. Apresentamse somatórios parciais e incompletos. Há indicativos esparsos (em nota no Demonstrativo de Receita Tributável) do caminho seguido pela Receita: constam "custos" referentes às contas compra de energia, manutenção, distribuição cta. 3.1.2.01.00.0000 ano 2001 e demais anos contas 615.03 e 615.05.15. E as demais contas pertencentes a esse grupo? Como se chegou a esse número? Cita "custos de distribuição"? Quais? Os administrativos não fazem parte da distribuição? E os de "pessoal"? Que base foi usada? Que critério foi usado? As contas são aquelas relatadas (parcialmente) já que se tem um somatório? À que contas dizem respeito? Haveria necessidade de um demonstrativo próprio das contas usadas, do seu somatório. No mérito, dá início à defesa esclarecendo o papel das Cooperativas de Eletrificação Rural (CERS) na composição do Sistema Interligado Nacional de Energia Elétrica (Lei 9.074/95), sujeito às normas do Conselho Federal de Contabilidade (NBC T 10.8), como também a padronização contábil (Plano de Contas), tarifação e sistema de custos Fl. 485DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1220.14404.XT76. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.002931/200652 Resolução nº 3102000.259 S3C1T2 Fl. 10 9 fixados pela ANEEL, repassados à Tarifa (Lei Federal 8631 de 1993 e Decreto 774/93) e Lei Cooperativista Lei n o 5.764/71; Decreto 62.724/68. Que na condição de cooperativa permissionárias de serviço público de distribuição de energia elétrica deve balizar seus procedimentos com os do setor elétrico, porém, observando as características do regime jurídico próprio: das cooperativas (Lei Cooperativista). Explica, Com a edição do art.17 Lei 10.684/03 (com efeitos retroativos a 1999). que o segmento do Cooperativismo de EletrificaçãoRural (junto com o agropecuário) teve reconhecida a sua importância estratégica e social já que presta serviço, preferencialmente, no meio rural, sabidamente mais deficitário, ao fixar na legislação infraconstitucional, exclusões na base imponível próprias para contribuições sociais. Art. 17. As sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo da contribuição para oPrograma de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social COFINS os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação 110 rural a seus associados" (grifouse). A seguir, demonstra que para que seja prestado um serviço adequado devem ser coberto todos os seus custos e que tais custos estão previstos pela Lei que fixa o regime tarifário pelo preço. Conclui, O SistemaElétrico tem seus custos fixados por Lei e eles compõem a Tarifa de Energia cobrada do usuário do serviço. Os custos são nominados. A tarifa é o caminho de "repasse ao associado", no caso das Cooperativas, como determina o art. 17 da Lei 10.684/03. Aqui está definido o disposto na IN SRF 358/03 § 10. § 10. Os custos dos serviços prestados pela cooperativa de eletrificação rural abrangem os gastos de geração, transmissão, manutenção e distribuição de energia elétrica, quando repassados aos associados. Acrescenta que, no regime jurídico das cooperativas, os sócios, em regra geral, são chamados a contribuir financeiramente para que a empresacooperativa possa desempenhar suas atividades. Isso significa que os associados adiantam recursos financeiros (contribuições via tarifas) para o custeio dos dispêndios operacionais da sociedade. Se, ao final do exercício houver sobras a assembleia lhes dará destinação; se houver "perdas" os associados terão que disponibilizar mais recursos (contribuir mais) para que as contas de resultado apresentem receitas totais iguais aos dispêndios totais. Também que, dado que a lei estabelece deduções para cooperativas de eletrificação rural e que o Fisco Federal reconhece essa condição, seus custos serão ser dedutíveis pela aplicação do art. 17 da Lei 10.684/03. Na parte final do Recurso Voluntário, faz as seguintes considerações. Fl. 486DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1220.14404.XT76. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.002931/200652 Resolução nº 3102000.259 S3C1T2 Fl. 11 10 A recorrente está requerendo a ampliação do beneficio do art.17 da Lei 10684/03 que prevê a exclusão da base imponível dos:"... valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. Como se infere, são os mais diversos dispêndios que podem integrar os chamados "valores'; a permitir ou não a exclusão é o repasse dos serviços aos associados .Portanto, são "todos" valores repassados à Tarifa, aceitos pelo normativo legal. Por outro lado, lembra que as regras aplicáveis na apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins devem levar em consideração as determinações da Legislação do Imposto de Renda (Art 10 da Lei 70/91) e dos tributos federais, razão pela qual o conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3º da Lei 10833/03, deve tudo o quanto estiver atrelados à atividade fim da Cooperativa. A “totalidade dos dispêndios não deixam de ser insumos”. Referese à literalidade estabelecida no art. 111 do Código Tributário Nacional. Enumera, uma a uma, as despesas e os custos que a “legislação do Sistema Elétrico brasileiro, lei especial, portanto, com aplicabilidade obrigatória”, considera devam ser repassados à tarifa e, consequentemente, ao associado. Adiante, esclarece que cabe à ANEEL fixar uma tarifa justa ao consumidor, e que, ao mesmo tempo, estabeleça uma receita capaz de garantir o equilíbrio econômico financeiro da concessão. A receita se compõe de duas parcelas, a primeira referese ao repasse dos custos considerados não gerenciáveis, seja porque os valores e quantidades, bem como sua variação no tempo, independem de controle da empresa (como, por exemplo, o valor da despesa com a energia comprada pela distribuidora para revenda aos seus consumidores),ou porque se referem a encargos e tributos legalmente fixados (como a Conta de Desenvolvimento Energético, Taxa de Fiscalização de Serviço de Energia Elétrica etc). Essa parcela, segundo informa, corresponde a cerca de 75% da receita da distribuidora. O segundo conjunto referese à cobertura dos custos de pessoal, de material e outras atividades vinculadas diretamente à operação e manutenção dos serviços de distribuição, bem como dos custos de depreciação e remuneração dos investimentos realizados pela empresa para o atendimento do serviço. Esses custos são identificados como custos gerenciáveis, porque a concessionária tem plena capacidade em administrálos diretamente e foram convencionados como componentes da "Parcela B" da Receita Anual Requerida da Empresa. "Corresponde em torno de 25% dos custos Defende que, contabilmente, todos esses dispêndios são “rateados, como despesas operacionais e necessárias (art 299 RIR) ao funcionamento da cooperativa, por conta dos associados que o artigo 17 define como ‘valores repassados ao associado’”. Portanto, os valores a serem excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS são aqueles em que a cooperativa tenha agido na qualidade de repassador de valores de serviços prestados, que embora computados em sua escrita, devem ser suportados pelos associados, destinatários da transferência de "valores', DETERMINADOS PELA LEI COOPERATIVISTA. Referese à Solução de Consulta nº. 352, de 26 de novembro de 2004, formulada pela Cooperativa Produção AgroPecuária, instituição que, segundo entende, está enquadrada em situação parcialmente semelhante à sua. Na Solução, a Secretaria da Receita Federal teria reconhecido direito de exclusão da base de cálculo das Contribuições custos administrativos e financeiros relacionados a atos cooperativos. Fl. 487DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1220.14404.XT76. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.002931/200652 Resolução nº 3102000.259 S3C1T2 Fl. 12 11 Lembra a declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, para defender a necessidade de análise da natureza contábil dos valores ingressos no seu patrimônio, na medida em que, consoante o entendimento do STF, nem toda a receita ingressa nas contas de uma empresa enseja a tributação, porque não decorre de faturamento de vendas, de serviços ou de ambos. Referindose à fundamentação do Auto e Infração, relembra que, como dito, as Cooperativas podem excluir das receitas de venda de bens e mercadorias aos associados, somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculadas diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. Pondera, Ora, qual a origem dessas receitas numa Cooperativa de Eletrificação rural cujo objeto é distribuir o BEM ENERGIA? (...) CONSIDERAÇÃO (3) Independente da classificação da Energia Elétrica quer como bem e/ou mercadoria o benefício fiscal se aplica a operadora desse ato cooperativo, a Cooperativa de Eletrificação Rural. Logo, os benefícios fiscais são para os detentores do ATO COOPERATIVO COM ENERGIA ELÉTRICA, COMO BEM EM TODA A SUA EXTENSÃO, independentemente da classificação contábil, tributária que venha ter o bem energia elétrica. Logo a seguir, ao referirse a erros na apuração da base imponível, esclarece que as “sobras são os recursos não utilizados pela cooperativa que devem retornar aos associados na mesma proporção que foram aportados. Podem ser capitalizadas , se assim deliberarem , via assembléia, os associados”. Mais adiante, cita doutrina e jurisprudência para pontuar que, As Cooperativas assemelhamse às demais sociedades no que tange às regras de administração. Porém, divergem na essência delas, no que se chama ATO COOPERATIVO. Este nada mais é que a união de várias individualidades, uma vez que no momento de entrada ou saída de bem ou serviço, há presença de um sujeito chamado de ASSOCIADO, na satisfação de necessidades básicas. Em se tratando de atividade executada por pessoas em nome delas mesmas, não há lucro ou não há fato gerador mercantil. Quem comanda o processo é o sócio e não, como se poderia supor, o sócio capital. Através de atos internos e atos externos, ligados à atividade fim e atividademeio do ente cooperativo (Arts.3 0, 4 0,10,79 da Lei nº 5764 de 16/12/71) chegase aos objetivos societários. Defende não haver base material ou legal para imposição de ato infracional pelo Fisco. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria e, por isso, não há incidência de PIS/COFINS cuja base material é essa (faturamentoreceita). Aquilo que passa pela cooperativa, mesmo que contabilmente seja lançado como receita, tem natureza transitória, pois pertence ao cooperado a quem será repassado, e, por isso não será receita. Não se trata de um ato da PESSOA JURÍDICA COOPERATIVA, mas sim, um ato do cooperado. Logo, não há receita, não há faturamento, como se entende comumente. Nesse sentido POSIÇÃO JURISPRUDENCIAL DO STJ. Outrossim, destaca outra razão para não tributação dos valores que serviram de base de cálculo para as Contribuições: o caráter não lucrativo das Cooperativas. Fl. 488DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1220.14404.XT76. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.002931/200652 Resolução nº 3102000.259 S3C1T2 Fl. 13 12 Cita e transcreve jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça favorável ao seu pleito. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. O Sujeito Passivo volta a apresentar preliminar de nulidade do Auto de Infração sub judice, por preterição ao direito de defesa. A decisão de primeira instância foi didática em esclarecer o que preceitua o Decreto 70.235/72 e alterações, no que diz respeito aos atos que devem ser declarados nulos. Como reza a norma, consideramse nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou os atos, despachos e decisões proferidos ou praticados com preterição do direito de defesa. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Depreendese do texto, uma clara delimitação em relação à espécie de acontecimentos capazes de fulminar, por nulidade, o procedimento fiscal. De fato, de se acrescentar que, logo a seguir, o mesmo diploma legal afasta a possibilidade de que as demais irregularidades, incorreções e omissões tenham essa repercussão. Decreto 70.235/72 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Como bem apontado pela Recorrente, o que precisa ser avaliado é se os critérios e metodologia de cálculo da base imponível foram demonstrados de maneira clara, permitindo o entendimento da autuada, sem imporlhe dificuldades na construção da defesa. À folha 114 do Processo, Termo de Encerramento e Verificação Fiscal, a Fiscalização, após prestar os esclarecimentos pertinentes acerca da legislação aplicável, explica qual foi o critério utilizado para apuração da base de cálculo das Contribuições. Assim, excluímos da base de cálculo das contribuições os Custos de Distribuição, Compra de Energia e Manutenção em razão da cooperativa não ter Custo de Geração de Energia. Fl. 489DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1220.14404.XT76. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.002931/200652 Resolução nº 3102000.259 S3C1T2 Fl. 14 13 Estão relacionadas mensalmente no "Demonstrativo da Receita Tributável" (fls. 87/91) e no "Demonstrativo de Apuração da Contribuição" (fls. 92/97), que são parte integrante e inseparáveis deste termo, a base de cálculo e a contribuição. A defesa protesta contra exclusões aleatórias, o que teria dado a falsa impressão de que todas as contas teriam sido contempladas. Segundo alega, isso não teria ocorrido, pois “várias contas que envolvem custos/gastos ficaram de fora: pessoal ,administrativo financeiro, geral [...]”e que não tem como saber de onde foram obtidos os custos que serviram de exclusão para tributação, pela falta de um demonstrativo. Ora, a meu sentir, se é reclamada a exclusão de custos/gastos de pessoal, administrativo, financeiro e geral, então há claro conhecimento de quais deduções não foram consideradas pelo Fisco. Ademais, ao declarar dificuldade em compreender os cálculos realizados pelos AuditoresFiscais autuantes, a defesa mostrase vaga. Protesta pela demonstração clara e objetiva da base de cálculo, mas incorre, ela própria, em falta de objetividade na indicação da dificuldade encontrada. Registrada a deficiência na abordagem da matéria, necessário fazer importante ressalva em relação às conclusões a que se chega da observação dos dados informados pelo Fisco. O Demonstrativo da Receita Tributável localizado às folhas 87 a 91 do Processo não faz remissão à origem dos valores apresentados nas suas dez colunas representadas em unidades de receita e custos. Com efeito, compulsando os autos, da capa até a impugnação ao lançamento, não logrei êxito em encontrar os assentamentos contábeis do contribuinte, se não por inexpressivas quatro folhas do Livro Razão, localizadas às folhas 35 a 38 do Processo. Ainda mais, consta à folha 116, no Termo de Juntada de Documentos, de lavra da Fiscalização, uma lista exaustiva da documentação coligida, confirmando que os documentos contábeis/fiscais de onde foram extraídas as informações compiladas no Demonstrativo da Receita Tributável não foram carreados aos autos. Embora não me pareça consistente a reclamação da Parte requerendo a nulidade do Auto de Infração por preterição ao direito de defesa, pois visível seu conhecimento das contas que não foram excluídas, foco central de sua reclamação, considero necessário que a origem dos valores lançados pela Fiscalização Federal adequadamente demonstrada nos autos. Mas não é só neste ponto que, entendo, o Processo deva ser mais bem instruído. Pareceme que também mereça maior atenção a escolha de determinados gastos em detrimento de outros que, da mesma forma que esses, foram igualmente repassados aos associados. Como é possível distinguir, a Fiscalização, ao aplicar a disposição contida na Lei nº. 10.684, de 30/05/2003, regulamentada pelas Instruções Normativas editadas pela Secretaria da Receita Federal, elencou determinadas contas como passíveis de exclusão. Na parte que interessa à questão em exame, as normas contém o seguinte teor (grifos incluídos). Lei nº. 10.684/03. Art. 17. Sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e no art. 1º da Medida Provisória nº 101, de 30 de dezembro de Fl. 490DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1220.14404.XT76. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.002931/200652 Resolução nº 3102000.259 S3C1T2 Fl. 15 14 2002, as sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social COFINS os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. Parágrafo único. O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 1.85810, de 26 de outubro de 1999. Instrução Normativa SRF nº 247, de 21/11/2002. Art. 33. As sociedades cooperativas, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor: (...) § 8º As sociedades cooperativas de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo, os valores: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I das sobras e dos fundos de que trata o inciso VI do caput; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II dos custos dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) § 9º Considerase custo agregado ao produto agropecuário os dispêndios pagos ou incorridos com matériaprima, mãodeobra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) § 10. Os custos dos serviços prestados pela cooperativa de eletrificação rural abrangem os gastos de geração, transmissão, manutenção e distribuição de energia elétrica, quando repassados aos associados. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Na apreciação da impugnação ao lançamento apresentada pela Cooperativa, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, especificamente em relação à exclusão do custo dos serviços prestados e repassados aos associados, assim manifestouse. 9.4.A interessada questiona porque as despesas (custos) administrativas não estariam a integrar a exclusão procedida já que se tratariam, segundo ela, de dispêndios incorridos para a consecução de seu objetivo social. No seu entendimento, segundo o relatado, a palavra valores inserta no artigo 17 da Lei nº 10684/2003, não é sinônimo de custos e que a totalidade dos ingressos é repassada aos seus associados via fatura. 9.5.Com efeito, em relação às despesas administrativas (conta 3.1.2.02.01.0000 – AC 2001 e conta 61504 AC 2002 a 2005) faltou a devida comprovação de que as despesas e gastos a ela correlacionadas sejam pertinentes à custos de transmissão, manutenção e distribuição de energia elétrica (repassados aos associados) pertinentes à eletrificação rural, conforme § 10 do artigo 33 da IN SRF nº 247/2002, com a redação dada pela IN SRF nº 358/2003. Fl. 491DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1220.14404.XT76. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.002931/200652 Resolução nº 3102000.259 S3C1T2 Fl. 16 15 Por sua vez, a Recorrente protesta, em inúmeras passagens da extensa defesa interposta, pela exclusão dos demais gastos incorridos para prestação dos serviços aos associados. Data máxima vênia, não vejo como resolver a lide sem antes compreender a razão porque os demais gastos não foram considerados na apuração da base de cálculo das Contribuições. E há, ainda, uma terceira questão a reclamar esclarecimentos. A base de cálculo considerada pela Fiscalização Federal, tal como explicitado no Termo de Encerramento e Verificação Fiscal, foi “o total da receita auferida, independente da classificação fiscal e do tipo de atividade exercida, no caso em tela, a base de cálculo passou a ser o total das receitas de prestação de serviços somadas as receitas financeiras”. A Lei 9.718/98, como é de sabença, promoveu alargamento na base de cálculo, incluindo na base tributável toda e qualquer receita independentemente de sua classificação contábil. Art.2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art.3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. A inconformidade dos contribuintes alcançados pelo alargamento; contudo, levou o assunto ao Poder Judiciário. A matéria terminou por ser decidida pelo Supremo Tribunal Federal, em Regime de Repercussão Geral, nos seguintes termos. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso O artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, conforme alteração introduzida pela Portaria 586/2010, dispõe que as matérias de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Fl. 492DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1220.14404.XT76. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.002931/200652 Resolução nº 3102000.259 S3C1T2 Fl. 17 16 "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes."(AC) A conclusão é de que a decisão proferida no Recurso Extraordinário nº 585.235 é de observação obrigatória nos litígios que versem sobre o assunto. Considerando que a decisão proferida no Recurso Extraordinário nº 585.235 tem recebido interpretações conflitantes, imperioso que se aponte o mais adequado entendimento sobre os efeitos da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Isso porque, a despeito da decisão da Suprema Corte, a alteração introduzida pelo caput do artigo 3º, assim como todos os demais critérios de apuração especificados nos parágrafos subsequentes não foram em nenhum momento considerados inconstitucionais, nem revogados, com inescapável repercussão na definição da base imponível das Contribuições. Necessário que se faça uma digressão em torno das ocorrências relacionadas à decisão tomada no RE nº 585.235. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP, até o advento da Lei 9.718/98, estava definida na Lei Complementar 07/70 e a da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins na Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, como sendo essa o faturamento mensal, e o faturamento decorrente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Na tentativa de redefinilas, o legislador, embora tenha mantido o faturamento como sendo a base de cálculo da Contribuição, incluiu em seu conceito toda a receita bruta auferida pela pessoa jurídica, irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. A medida, contudo, esbarrou no inciso I do artigo 195 da Constituição Federal que, antes da Emenda Constitucional nº 20, de 20 de dezembro de 1998, previa o financiamento da seguridade social com base no valor arrecadado pelas contribuições sociais incidentes sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro. O texto antes e depois da EM 20/98. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; II dos trabalhadores; Fl. 493DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1220.14404.XT76. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.002931/200652 Resolução nº 3102000.259 S3C1T2 Fl. 18 17 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; O RE 585.235, antes transcrito, como está claro e parece mesmo ser assunto incontroverso, referiuse exclusivamente à inconstitucionalidade do parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98, assim o declarando. É de amplo conhecimento que o Supremo Tribunal Federal manifestouse a respeito dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo primeiro, esclarecendo que, a contrario senso, o caput do artigo 3º era constitucional, como a seguir se vê no entendimento expresso ao longo do Voto proferido pelo Ministro Cezar Peluso, encontrado pelo menos nos Recursos Extraordinários nº. 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840. Por todo o exposto, julgo inconstitucional o parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4º, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (grifos meus) (...) Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento” Ao longo de seu Voto, o Ministro Cezar Peluso analisa detidamente tais conceitos, esclarecendo as razões porque entende que a base de cálculo das Contribuições inclui outras receitas, além das que decorrem da venda de mercadorias e serviços. Fl. 494DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1220.14404.XT76. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.002931/200652 Resolução nº 3102000.259 S3C1T2 Fl. 19 18 6. (...) Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. – grifamos. 7. Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) “por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas”. A Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404/1976) prescreve que a escrituração da companhia “será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos” (art. 177), e, na disposição anterior, toma de empréstimo à ciência contábil os termos com que regula a elaboração das demonstrações financeiras, verbis: A questão recebeu a atenção de outros Ministros integrantes da Suprema Corte. Os apontamentos a seguir, extraídos do Voto proferido nos autos do RE 346.084 pelo Ministro Ilmar Galvão, trazem esclarecimentos de grande relevo sobre o tema. O recorrente considera que tais precedentes não seriam aplicáveis ao caso, haja vista que o STF teria estabelecido sinonímia entre faturamento e receita bruta quando tais expressões designavam receitas oriundas de vendas de bens e/ou serviços. Tal leitura não é correta. A Corte, ao admitir tal equiparação, em verdade assentou a legitimidade constitucional da atuação do legislador ordinário para densificar uma norma constitucional aberta, não estabelecendo a vinculação pretendida pelo recorrente em relação às operações de venda. Ao contrário do que pretende o recorrente, a Corte rejeitou qualquer tentativa de constitucionalizar eventuais préconcepções doutrinárias não incorporadas expressamente no texto constitucional. O STF jamais disse que havia um específico conceito constitucional de faturamento. Ao contrário, reconheceu que ao legislador caberia fixar tal conceito. E também não disse que eventuais conceitos vinculados a operações de venda seriam os únicos possíveis. Não fosse assim, teríamos que admitir que a composição legislativa de 1991 possuía um poder extraordinário. Por meio da Lei Complementar nº 71, teriam aqueles legisladores fixado uma interpretação dotada da mesma hierarquia da norma constitucional, interpretação esta que estaria infensa a qualquer alteração, sob pena de inconstitucionalidade. Na tarefa de concretizar normas constitucionais abertas, a vinculação de determinados conteúdos ao texto constitucional é legítima. Todavia, pretender eternizar um específico conteúdo em detrimento de todos os outros sentidos compatíveis com uma norma aberta constitui, isto sim, uma violação à força normativa da Constituição, haja vista as necessidades de atualização e adaptação da Carta Política à realidade. Tal perspectiva é sobretudo antidemocrática, uma vez que impõe às gerações futuras uma decisão majoritária adotada em uma circunstância específica, que pode não representar a melhor via de concretização do texto constitucional. Fl. 495DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1220.14404.XT76. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.002931/200652 Resolução nº 3102000.259 S3C1T2 Fl. 20 19 Com efeito, embora o assunto venha recebendo diferentes interpretações, acredito que, uma vez que reconhecida a constitucionalidade do caput do artigo 3º, insofismável distinguir que, segundo disposição literal de Lei, a base de cálculo, que até então esteve expressa como receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza passou ser especificada, simplesmente, como receita bruta. Correta a interpretação de que a modificação considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal diz respeito exclusivamente à inclusão, indistintamente, da totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte, tal como ampliava o parágrafo primeiro, não à revogação do conceito, até então vigente, que delimitava a base de cálculo às receitas decorrentes das operações de venda de bens e serviços. Como resultando, temos que a base imponível, após todos os eventos narrados, tornouse a receita oriundas das atividades próprias (típicas) da pessoa jurídica. Em face disso, uma vez haja necessidade de melhor instrução do Processo, VOTO pela CONVERSÃO do Julgamento em diligência, para que a Unidade Preparadora adote as seguintes providências: 1 – Informe de onde foram extraídos os valores reproduzidos nas tabelas de apuração da base de cálculo das Contribuições e instrua o Processo com todos os documentos que, acaso, não tenham sido encartados aos autos 2 – Esclareça o fundamento para que não tenham sido considerados determinados gastos, tais como os administrativos, como incluídos no conceito de valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados ou mesmo no conceito introduzido pela Instrução Normativa da SRF, como gastos de geração, transmissão, manutenção e distribuição de energia elétrica, quando repassados aos associados. 3 – Aponte e fundamente, à luz das considerações aduzidas ao Voto, quais são as receitas incluídas na base de cálculo que, no seu entender, não decorrem da atividade típica da Cooperativa de Eletrificação Rural. Sala de Sessões, 25 de junho de 2013. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 496DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1220.14404.XT76. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por RICARDO PAULO ROSA em 24/09/2013 13:40:50. Documento autenticado digitalmente por RICARDO PAULO ROSA em 24/09/2013. Documento assinado digitalmente por: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO em 29/10/2013 e RICARDO PAULO ROSA em 24/09/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 08/12/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP08.1220.14404.XT76 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: E9CD15FEC14C04265F243E3CAC1F9B026B7F23A7 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11516.002931/2006-52. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10840.901120/2009-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3401-000.296
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Emanuel Carlos Dantas de Assis –Relator (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ewan Teles Aguiar, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça e Júlio César Alves Ramos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão da 4ª Turma da DRJ que manteve a não homologação de compensação cujo crédito alegado tem origem em pagamento a maior ou indevido da Cofins. Na origem a análise se deu por meio de despacho decisório eletrônico. Na manifestação de inconformidade a contribuinte alega o seguinte, conforme o relatório da DRJ que reproduzo: I. A totalidade do crédito apurado pelo contribuinte e declarado como compensado via PER/DCOMP advém do indevido recolhimento da Cofins sobre receitas operacionais e financeiras, inseridas na base de cálculo desta contribuição. Fl. 167DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10840.901120/200934 Resolução n.º 3401000.296 S3C4T1 Fl. 158 2 II. É do domínio público que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, §1°, da Lei n° 9.718/98 proclamando que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal. III. Assim, uma vez afastado o dispositivo que ampliara a base de cálculo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, temse por ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação. Apresentou a cópia do balancete analítico para comprovar a alegação de recolhimento indevido sobre receitas operacionais e financeiras. Salientou que se a autoridade julgadora entender necessário a realização de perícia contábil os documentos contábeis da empresa estarão à disposição da fiscalização e pediu que seja homologada a compensação realizada e declarado extinto o crédito tributário efetivamente compensado. Solicitou ainda que nas intimações e notificações conste o nome do advogado da empresa. A 4ª Turma da DRJ, preliminarmente, indeferiu o pedido de perícia, por julgála desnecessária, e considerou inexistir no Decreto nº 70.235/72 previsão para que a intimação ocorra em nome ou no endereço de procurador do sujeito passivo. No mérito, não reconheceu o indébito levando em conta que as decisões do Supremo Tribunal Federal julgando inconstitucional o alargamento da base de cálculo da Contribuição estabelecido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 se deu em decisões proferidas incidentalmente e, cujos seus efeitos se restringem às partes nos termos do art. 472 do Código de Processo Civil. Observou, ainda, que caso pudesse reconhecer a inconstitucionalidade em questão não significaria um reconhecimento automático do direito creditório, porque para comprovar que o crédito informado na Dcomp a contribuinte inseriu no processo um simples extrato de balancete mensal, desacompanhado dos livros fiscais Razão e Diário. No recurso voluntário, tempestivo, a contribuinte alega a nulidade do acórdão recorrido, por cerceamento do direito de defesa no que indeferiu o pedido de perícia contábil solicitado, apesar das provas juntadas com a manifestação de inconformidade (menciona, dentre outros, os DARF da Cofins e da CIDE passível de dedução, cópia da DIPJ e balancete mensal analítico da conta "OUTRAS RECEITAS", composta das subcontas "DESCONTOS OBTIDOS", "LUCROS APLICAÇÃO FINANCEIRA", "LUCRO VENDA ATIVO" e "OUTRAS RECEITAS"). Se não anulado o acórdão da DRJ, a Recorrente pede conversão do julgamento em diligência, para o fim de verificação e confirmação dos créditos alegados. No mérito, repisa o tema da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Contribuição, observando que o tema já teve repercussão geral reconhecida pelo STF em 10/08/2008, ao julgar questão de ordem no RE 585.235//MG, requerendo ao final seja julgado procedente o recurso. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator Fl. 168DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10840.901120/200934 Resolução n.º 3401000.296 S3C4T1 Fl. 159 3 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Todavia, não se encontra em condições de ser julgado por demandar diligência visando verificar a base de cálculo adotada pela Recorrente nos recolhimentos e a inclusão (ou não) de valores correspondentes a outras receitas, além daquelas que compõem o faturamento mencionado no art. 2º da Lei nº 9.718/98. Apesar de a Recorrente – empresa dedicada à fabricação e comercialização de açúcar, álcool hidtratado, anidro e seus derivados – ter juntado provas indicando pagamentos da Contribuição sobre outras receitas, tributadas nos termos do alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, a DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade por não admitir a inconstitucionalidade do referido parágrafo. Ao considerar inaplicável a inconstitucionalidade porque, até o momento, ainda não foi editada súmula vinculante pelo STF nem Resolução do Senado, tampouco ato administrativo estendendo os efeitos dos inúmeros julgamentos incidentais, a DRJ tornou desnecessária qualquer perícia ou diligência visando a análise dos documentos acostados com a maninfestação de inconformidade (dentre outros, cópias de DARF da Cofins e da CIDE passível de dedução e balancete mensal analítico da conta "OUTRAS RECEITAS"). Viu, na ausência de efeitos erga omnes dos julgamentos do STF, óbice incontornável ao reconhecimento do direito creditório alegado, independentemente de qualquer prova quanto aos recolhimentos sobre outras receitas. Apesar de este Colegiado interpretar de modo diferente da Turma de piso, não lhe cabe censurar o procedimento, tampouco inquinar de nulo o acórdão recorrido. Afinal, a interpretação da primeira instância está escorada na circunstância de que os efeitos das decisões do STF são restritos às partes. Destarte, descabe anular a decisão recorrida. O que é pertinente é a realização de diligência com o fito de verificar os documentos apresentados, a escrita fiscal e contábil da contribuinte e os recolhimentos efetuados, dada a possibilidade de este Colegiado poderá decidir a favor da Recorrente. É que, na hipótese de empresas vendedoras de mercadorias e prestadoras de serviços (excetuadas as instituições financeiras), a inconstitucionalidade do referido § 1º é tema já decidido de modo definitivo pelo STF e tem sido replicada neste Colegiado. O que ainda gera dúvidas, no STF, é a base de cálculo das instituições financeiras.1 1 No voto vencedor do Acórdão nº 340101.051, Recurso nº 256.721, julgado em 30/09/2010, tento esclarecer a questão, informando o seguinte: Referida inconstitucionalidade foi declarada na via incidental Recursos Extraordinários nºs 357.950, 358.273, 390.840, 346.084 e 585.235, dentre outros , sendo que atualmente o STF debate a edição de súmula vinculante sobre o tema. No julgamento do RE nº 585.235QO, o Colendo Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional, reafirmou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 em relação à Cofins e aprovou proposta do Min. Cezar Peluso, relator, para edição de súmula vinculante, ainda não votada. Apesar do grande de julgados repisando a inconstitucionalidade do § 1º em questão, em nenhum deles o STF cuidou, de modo específio, da base de cálculo das instituições financeiras. Daí não caber estender tal inconstitucionalidade à Recorrente, pelo que a restituição deve ser denegada. No RE nº 585.235 uma seguradora defende que as receitas de prêmios não integrariam a base de cálculo da Cofins, à luz da definição de faturamento, ou seja, desprezandose o alargamento do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Em face da inconstitucionalidade do citado § 1º, o tema está sendo discutido pelo STF levandose em conta a definição, para fins tributários, de faturamento, tal como consta do I do art. 195 da Constituição Federal, na redação anterior à EC nº 20/98. Fl. 169DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10840.901120/200934 Resolução n.º 3401000.296 S3C4T1 Fl. 160 4 Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela Recorrente ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, a escrita contábil e a fiscal e outros documentos que considerar pertinentes. Ao final da diligência deve ser elaborado relatório discriminando os montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido. Deve ser demonstrado, ainda, se houve recolhimento a maior, levandose em conta os dois valores devidos levantados (um tomandose como base de cálculo a receita bruta alargada, outro apenas o faturamento estrito anterior à Lei nº 9.718/98). Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindoselhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. (assinado digitalmente) Emanuel Carlos Dantas de Assis Destaco que, para o período anterior à EC nº 20/98, o STF não afastou o caput do art. 3º da Lei nº 9.718/98, segundo o qual o faturamento, base de cálculo do PIS e da Cofins, corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. O que o Colendo julgou inconstitucional foi a ampliação para “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas” (expressão constando do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98). Antes da EC nº 20/98 o faturamento ou receita contempla as receitas de vendas de mercadorias e da prestações de serviços de qualquer natureza, tudo conforme o objeto social da empresa e de modo a englobar todas as receitas operacionais; após, a base de cálculo abrange outras receitas, não operacionais ou dissociadas do objeto social, de modo a tributar, por exemplo, as receitas financeiras de uma empresa mercantil. Fl. 170DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
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Numero do processo: 10580.002174/2004-19
Data da sessão: Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA - IRPF
Exercício: 1994
NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE.
O Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei.
Uma suposta contrariedade a norma complementar não se enquadra na
exigência regimental de que haja no acórdão recorrido violação à lei.
Recurso especial não conhecido
Numero da decisão: 9202-000.630
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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ADMISSIBILIDADE. O Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei. Uma suposta contrariedade a norma complementar não se enquadra na exigência regimental de que haja no acórdão recorrido violação à lei. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, w unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. 1 CARLOSÁLBER 1 FITAS BA'EtO - Presidente ELIAS SA IO FREI' E - Relator EDITADO EM: 23 'BR' 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffinann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Rogério de Lellis Pinto (suplente convocado), Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional sob o fundamento de que houve, em decisão não unânime, violação à legislação tributária, especificamente, da Norma de Execução SRF/COTEC/COSIT/COSAR/COFIS n° 02, de 02/07/1999 e no art. 6° da Instrução Normativa/SRF n°21/97, no que diz respeito ao prazo para se pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição ou compensação. A decisão recorrida considerou que o termo a quo para o pedido de restituição dos valores recolhidos a titulo de imposto de renda sobre aos montantes pagos como incentivo pela adesão a Programa de Desligamento Voluntário - PDV é a data em que o contribuinte viu seu direito reconhecido, no caso, a data da publicação Instrução Normativa SRF n° 165, que se deu em 06/01/1999. O contribuinte não apresentou contra-razões. É o relatório. Voto Conselheiro ELIAS SAMPAIO FREIRE Relator Saliente-se que, não obstante o aludido recurso não encontrar previsão no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Portaria Ministerial MF no. 256, de 22 de junho de 2009, em suas disposições transitórias, prevê que os recursos com base no inciso I do art. 7° e do art. 9° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à 1° de julho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Por seu turno o inciso I do art. 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei. A expressão "lei" possui uma amplitude menos ampla do que a expressão "legislação tributária". A palavra legislação, como utilizada no CTN, abrange, além das leis em sentido estrito, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Por certo, o disposto no art. 96 do CTN não tem o sentido de restringir o conceito 2 Processo e 1058R002174/2004-19 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.630 Fl. 2 de legislação tributária, mas de mostrar sua amplitude em comparação com o conceito de lei tributária. A norma regimental ao optar por utilizar a expressão "lei não albergou a possibilidade de interposição de recurso especial por violação de normas complementares. Destarte, uma suposta contrariedade a norma complementar, no caso a Norma de Execução SRF/COTEC/COSIT/COSAR/COFIS n° 02, de 02/07/1999 e ao art. 6° da Instrução Normativa/SRF n° 21/97, não se enquadra a exigência regimental de que haja no acórdão recorrido violação à lei. Isto posto, voto por não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. C1)5". ..\• Elias Sampaio Freire - Relator 3
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