Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,988)
- Primeira Turma Ordinária (16,488)
- Primeira Turma Ordinária (16,445)
- Primeira Turma Ordinária (16,296)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,536)
- Primeira Turma Ordinária (13,108)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,534)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,777)
- Terceira Câmara (68,236)
- Segunda Câmara (57,099)
- Primeira Câmara (21,379)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,877)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,096)
- Segunda Seção de Julgamen (115,765)
- Primeira Seção de Julgame (77,654)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,120)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,458)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,581)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,896)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,683)
- WILDERSON BOTTO (2,674)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,662)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (19,340)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10410.720075/2006-36
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1801-000.338
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 26 09:00:04 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201407
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 10410.720075/2006-36
conteudo_id_s : 5455712
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 25 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1801-000.338
nome_arquivo_s : Decisao_10410720075200636.pdf
nome_relator_s : ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO
nome_arquivo_pdf_s : 10410720075200636_5455712.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto do Relator
dt_sessao_tdt : Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
id : 5897383
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 26 09:56:09 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1728355848593342464
conteudo_txt : Metadados => date: 2015-03-10T01:15:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2015-03-10T01:15:02Z; Last-Modified: 2015-03-10T01:15:02Z; dcterms:modified: 2015-03-10T01:15:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2015-03-10T01:15:02Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-03-10T01:15:02Z; meta:save-date: 2015-03-10T01:15:02Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-03-10T01:15:02Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2015-03-10T01:15:02Z; created: 2015-03-10T01:15:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2015-03-10T01:15:02Z; pdf:charsPerPage: 1570; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-03-10T01:15:02Z | Conteúdo => S1-TE01 Fl. 286 1 285 S1-TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.720075/2006-36 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1801-000.338 – 1ª Turma Especial Data 29 de julho de 2014 Assunto Solicitação de Diligências Recorrente COPERTRADING COMERCIO EXPORTAÇAO E IMPORTAÇÃO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich - Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonca Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich. RELATÓRIO E VOTO Trata-se de recurso voluntário interposto face acórdão da DRJ em Recife (PE), com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NORMAS DE APRESENTAÇÃO. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO Processo nº 10410.720075/2006-36 Resolução nº 1801-000.338 S1-TE01 Fl. 287 2 A indicação de direito creditório distinto do apontado na DCOMP original constitui inovação do pedido, descabendo aos órgãos julgadores sua apreciação em sede de manifestação de inconformidade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Indefere-se o pedido de diligência quando os documentos integrantes dos autos revelam-se suficientes para formação de convicção e conseqüente julgamento do feito. Solicitação Indeferida O contribuinte apresentou Declarações de Compensação DCOMPS (fls. 07/12 e 17/20), por meio das quais compensou crédito da CSLL com saldo negativo da CSLL. Em suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTFS (fls. 131/133), informou que as estimativas mensais haviam sido compensadas com créditos atinentes a ressarcimento do IPI. Segundo o acórdão recorrido, tais créditos de IPI eram inexistentes, já que provenientes de crédito-prêmio discutido em ação judicial não transitada em julgado, razão pela qual concluiu que as estimativas mensais não foram extintas por compensação e que, portanto, não existiria saldo negativo. O acórdão recorrido também refutou, com base no art. 57 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, a pretensão do contribuinte retificar a DCOMP (fls. 112/118), após a ciência do despacho denegatório, indicando que as estimativas haviam sido parceladas. A DRJ também indeferiu pedido de diligência, por entendê-lo desnecessário, bem como ressaltou, no que concerne aos débitos não compensados, que sua exigibilidade estaria suspensa no curso da discussão administrativa, à vista do que prescreve o art. 48, § 3°, da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005. Irresignado, aduz o contribuinte, em seu recurso voluntário que: a) que teria havido erro material quanto aos fatos constantes dos autos, na medida que o que teria se operado seria apenas a alteração da composição das estimativas mensais, que “ao invés de serem estimativas compensadas, passaram a ser estimativas parceladas”, ou seja que não houve alteração de qualquer valor, e que “a retificação significou, apenas, uma acomodação da situação fática das estimativas mensais que compuseram a base negativa da CSLL em questão”; b) que caberia à DRFB/AL, ao analisar os pedidos de compensações em tela, verificar que estes se encontravam parcelados, pugnando pela efetivação da realidade material; Ao final pleiteia o reconhecimento do saldo negativo apontado e a homologação das compensações efetuadas. Pelo que se pode observar, o contribuinte aduz (fl. 46) que a situação fática originária à época das compensações das estimativas de CSLL teria sido alterada. Isso por que, havendo decisões judiciais contrárias à utilização do crédito indicado no pedido de ressarcimento nº 10410.005687/200216, para onde teriam sido transferidas as compensações nºs 10410.005660/200289 e 10410007421/200263, a empresa teria parcelado as estimativas. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO Processo nº 10410.720075/2006-36 Resolução nº 1801-000.338 S1-TE01 Fl. 288 3 Assim, a informação trazida pelo recorrente aos autos é que o crédito em questão é oriundo de Saldo Negativo de CSLL, exercício 2003, constituído exclusivamente por estimativa mensais, as quais se encontrariam parceladas. Esta C. 1ª Turma Especial tem adotado o entendimento de que, no caso de estimativas parceladas, estas devem compor o saldo negativo da CSLL ao final do período, sob pena de caracterização de dupla exigência. Explica-se: se as compensações não forem homologadas, o contribuinte será cobrado tanto no processo de parcelamento quanto no processo que aprecia a declaração de compensação, ambos pela mesma dívida, o atentaria ao princípio da razoabilidade. Neste sentido: [...] COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS PARCELADAS. UTILIZAÇÃO NA COMPOSIÇÃO DA CSLL AO FINAL DO PERÍODO. POSSIBILIDADE. Na declaração de compensação, com crédito de saldo negativo de CSLL, cabe computar estimativas de CSLL, confessadas e cobradas em processo de parcelamento, eis que a decisão de não- homologação implicaria dupla cobrança da mesma dívida: a estimativa no processo de parcelamento e o débito no processo de Per/Dcomp. [...] (Acórdão nº 1801001.616– 1ªTurma Especial, Sessão de 10 de setembro de 2013, Roberto Massao Chinen – Redator Designado) Outrossim, embora constem dos autos indícios de parcelamento (fl. 116), não existem informações robustas que permitam seja formado convencimento de que os referidos parcelamentos encontram-se regulares ou até mesmo adimplidos, a permitir o completo afastamento da glosa efetuada. Ante ao exposto, resolvem os integrantes da 1ªTE/3ªCÂMARA/1ªSEJUL, à unanimidade, acatar esta proposta para converter o presente feito em diligência para que a unidade de jurisdição da recorrente confirme existência de parcelamento das estimativas que compuseram o saldo negativo informado pelo contribuinte, e, em caso positivo, sua eventual quitação. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Fl. 153DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000894/2007-36
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DIRIGENTES DE ÓRGÃOS PÚBLICOS ART.
41 DA LEI N.º 8.212/1991 REVOGAÇÃO DADA PELA LEI 11.941/2009 CANCELAMENTO DAS PENALIDADES APLICADAS
Com a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com fulcro na responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público no exercício da função pública, as multas por descumprimento de obrigação acessória aplicadas em processos administrativos pendentes de julgamento devem ser canceladas, posto que a lei nova excluiu os dirigentes
de órgãos públicos da responsabilidade pessoal por infrações à legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-000.516
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso em face da revogação do art. 41, Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, que afastou do pólo passivo da obrigação o dirigente de órgão público.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Sat Mar 26 09:00:04 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201104
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DIRIGENTES DE ÓRGÃOS PÚBLICOS ART. 41 DA LEI N.º 8.212/1991 REVOGAÇÃO DADA PELA LEI 11.941/2009 CANCELAMENTO DAS PENALIDADES APLICADAS Com a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com fulcro na responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público no exercício da função pública, as multas por descumprimento de obrigação acessória aplicadas em processos administrativos pendentes de julgamento devem ser canceladas, posto que a lei nova excluiu os dirigentes de órgãos públicos da responsabilidade pessoal por infrações à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 16045.000894/2007-36
anomes_publicacao_s : 201104
conteudo_id_s : 4655662
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.516
nome_arquivo_s : 2403000516_16045000894200736_201104.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 16045000894200736_4655662.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso em face da revogação do art. 41, Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, que afastou do pólo passivo da obrigação o dirigente de órgão público.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
id : 4740515
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 26 09:55:57 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1728355848616411136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1756; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 52 1 51 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16045.000894/200736 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 2403000.516 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 14 de abril de 2011 Matéria OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente ANTONIO CARLOS PRADO DE ALMEIDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DIRIGENTES DE ÓRGÃOS PÚBLICOS ART. 41 DA LEI N.º 8.212/1991 REVOGAÇÃO DADA PELA LEI 11.941/2009 CANCELAMENTO DAS PENALIDADES APLICADAS Com a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com fulcro na responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público no exercício da função pública, as multas por descumprimento de obrigação acessória aplicadas em processos administrativos pendentes de julgamento devem ser canceladas, posto que a lei nova excluiu os dirigentes de órgãos públicos da responsabilidade pessoal por infrações à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso em face da revogação do art. 41, Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, que afastou do pólo passivo da obrigação o dirigente de órgão público. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 03/05/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Renato Coelho Borelli (suplente). Ausentes o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza e o Conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 03/05/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 16045.000894/200736 Acórdão n.º 2403000.516 S2C4T3 Fl. 53 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, às fls. 42 a 47, com Anexos às fls. 48 a 50, apresentado contra Acórdão nº 05.22.362 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas SP, fls. 35 a 37, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 37.037.9225, com ciência do sujeito passivo em 20.12.2007, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 11.951,21 (onze mil, novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e um centavos). Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 10 a 11, no período de 01/2002 a 12/2004, o Sr. Antonio Carlos Prado de Almeida, titular da Secretaria Municipal de Administração, da Prefeitura Municipal de Guaratinguetá, desde 01/03/2007 até a data de emissão deste AI (20.12.2007) , responde por todos os atos atribuídos àquela competência (período de 01/2002 a 12/2004) em conformidade com o disposto nos artigos 136 a 138 do Código Tributário Nacional, e com o art. 41 da Lei 8.212/1991 c/c o art. 289 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, as multas decorrentes das infrações previstas na legislação previdenciária deverão ser imputadas na pessoa do dirigente do órgão ou entidade da administração direta ou indireta federal, estadual ou municipal, em relação ao período de sua gestão. Ainda segundo o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 10 a 11, a Prefeitura Municipal de Guaratinguetá deixou de apresentar as informações cadastrais, financeiras e contábeis abaixo relacionados, nos períodos especificados, muito embora tenha sido intimado à sua apresentação, através dos Termos de Início da Ação Fiscal — TIAF: (i) Deixou de apresentar os esclarecimentos e justificativas solicitados no Termo de Início da Ação Fiscal — TIAF , cópia anexa, referente às discrepâncias verificadas no cotejamento dos valores constantes das folhas de pagamento em meio papel e em meio digital, apresentados em arquivos texto, bem como, os divergências na composição das bases de cálculo individuais constantes das folhas de pagamento; (ii) Arquivos em meio digital, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24/07/1991, art. 32, III, e na Lei n° 10.666, de 08/05/2003, art. 8°, combinados com o art. 225, III e § 22 (acrescentado pelo Decreto n. 4.729, de 09/06/2003) do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06/05/1999, com o leiaute definido nas Portarias INSS/DIREP n o. 42, de 24/07/2003 e MPS/SRP Nº 58/2005, para o período de 01/2002 a 12/2004, contendo as seguintes informações: a) Execução financeira e orçamentária I — execução da receita e da despesa II — balancetes orçamentários Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 03/05/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 4 b) Informações dos servidores do órgão e trabalhadores em geral I — servidores vinculados ao regime próprio; II — servidores vinculados do regime geral; III — agentes políticos, contribuintes individuais (prestadores de serviços, condutores autônomos, contratos temporários) e outros. O Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 35, foi lavrado pela Fiscalização contra o Recorrente como responsável nos termos do art. 41, Lei 8.212/1991, pela Secretaria Municipal de Administração da Prefeitura Municipal de Guaratinguetá deixar de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme o dispositivo legal infringido na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso III e § 11, combinado com o art. 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999.., descumprindo, assim, obrigação legal acessória, conforme previsto Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inciso II, alínea "b" e art. 373. Ainda, o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, às fls. 12, informa que não foi verificada a circunstância atenuante nem a circunstância agravante. A multa aplicada corresponde ao valor calculado na forma dos artigos 92 e 102 da Lei n. 8.212/91 e artigo 283, inciso II, alínea "b" e artigo 373 do Regulamento da Previdência Social (Decreto n. o 3.048/99), definida pela Portaria do Ministério da Previdência Social nº 142, de 11/04/2007, no valor de R$ 11.951,21 (Onze mil, novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e um centavos). O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09433563D00, fls. 6, foi cientificado pelo contribuinte. O período objeto do auto de infração de obrigação acessória, conforme o Relatório Fiscal da Infração, fls. 10 a 11, é de 01/2002 a 12/2004. O Recorrente teve ciência do Auto de Infração nº. 37.037.9225, no dia 20.12.2007, às fls. 01. Contra a autuação, o Recorrente apresentou impugnação tempestiva, de fls. 26 a 29, com Anexos às fls. 30 a 31. Após análise, a 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas SP, fls. 35 a 37, emitiu o Acórdão nº 05.22.362 julgando procedente a autuação, Auto de Infração nº. 37.037.9225, e manteve a multa aplicada, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 03/05/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 16045.000894/200736 Acórdão n.º 2403000.516 S2C4T3 Fl. 54 5 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS SOBRE A FOLHA DE PAGAMENTO E ARQUIVOS DIGITAIS. DESCUMPRIMENTO. MULTA. DIRIGENTE. RESPONSABILIDADE. Constitui infração, punível com multa pecuniária, a empresa deixar de apresentar exibir à fiscalização, quando regularmente intimada, esclarecimentos e justificativas sobre as folhas de pagamento e os correspondentes arquivos digitais. O dirigente de órgão público responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos da legislação previdenciária. Lançamento Procedente Inconformado com a decisão, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 42 a 47, com Anexos às fls. 48 a 50, na qual alega: 1. Conforme Declarações em anexo do Centro de Processamento de Dados ao Recorrente não foi possível apresentar as informações/esclarecimentos relacionadas no Auto de Infração por não dispor de tais informações. 2. Somente em Novembro/2007 na elaboração do MANAD a Embras.net constatou divergência entre os valores constantes no banco de dados da Folha de Pagamento com os valores impressos. 3. No que se refere a autuação por ter deixado de apresentar arquivos em meio digital referente ao período Janeiro/2002 à Dezembro/2004, temos que todas as informações foram disponibilizadas através do Arquivo MANAD ao Auditor Fiscal Adilson Caetano Albino em Dezembro/2007, conforme email enviado, cuja cópia segue em anexo. 4. Ressaltese que o Recorrente assumiu a Secretaria Municipal da Administração, através da Portaria Municipal n° 6.726, a partir de 27 de fevereiro de 2007, somente podendo ser responsabilizado pelos atos praticados em sua gestão administrativa.O Recorrente não detinha nenhuma competência funcional perante a Secretaria Municipal da Administração no período de Janeiro de 2002 à Dezembro de 2004, não podendo lhe ser imputado responsabilidade por atos dos quais não teve participação. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, com a informação da tempestividade do Recurso Voluntário, para análise e decisão, às fls. 51. É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 03/05/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 51. Superados os pressupostos, passo exame do mérito. DO MÉRITO DA ILEGITIMIDADE PASSIVA A infração objeto da presente autuação fiscal tem como descrição sumária o Recorrente, Sr. Antonio Carlos Prado de Almeida, titular da Secretaria Municipal de Administração, da Prefeitura Municipal de Guaratinguetá, como responsável nos termos do art. 41, Lei 8.212/1991, ter deixado de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme o dispositivo legal infringido na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso III e § 11, combinado com o art. 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999.., descumprindo, assim, obrigação legal acessória, conforme previsto Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inciso II, alínea "b" e art. 373. A legislação vigente a época da lavratura deste auto de infração de obrigação acessória determinava que, havendo o descumprimento da obrigação, a aplicação da penalidade pecuniária, auto de infração, seria imposta pessoalmente ao dirigente do órgão ou entidade, conforme dispõe o art. 41 da Lei n ° 8.212/1991: Art.41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde Fl. 6DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 03/05/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 16045.000894/200736 Acórdão n.º 2403000.516 S2C4T3 Fl. 55 7 pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Apesar de ser essa a legislação em vigor à época da lavratura do auto de infração, no entanto, a MP n.º 449/20080, convertida na Lei 11.941/2009 alterou este quadro normativo. O art. 41 da Lei n ° 8.212/1991, dispositivo legal que determinava a autuação pessoal do dirigente público, foi revogado de modo a que a responsabilidade pelo descumprimento de obrigações acessórias recai nos próprios entes públicos. De forma que o julgamento dos autos de infração dos gestores de órgãos públicos, deve observar o novo quadro normativo com a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991 pela MP n.º 449/20080, convertida na Lei 11.941/2009. Outrossim, diante deste novo quadro normativo com a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991 há que se considerar o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, com a verificação da situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No mesmo sentido, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional no Parecer PGFN/CDA/CAT nº 190/2009, de 02/02/2009, aponta diretrizes quanto ao alcance da interpretação que deve ser adotada no âmbito da Administração Tributária: 22. Inicialmente, entendemos que nesse caso aplicase a regra do art. 106 do CTN, uma vez que com a revogação do dispositivo legal que dava fundamento ao lançamento contra a pessoa do dirigente, a lei deixou de definir tal conduta como infração. Em conseqüência, a aplicação da penalidade deverá ser em face da pessoa jurídica de Direito Público dotada de personalidade jurídica. 23. Em conseqüência, para os atos não definitivamente julgados administrativamente, deve a lei retroagir, implicando no cancelamento de todas as penalidades aplicadas com base no art. 41 da Lei n.º 8.212/1991. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 03/05/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 8 Desta forma, para os dirigentes de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, a lei 8.212/1991 deixou de definir as faltas relativas ao cumprimento das obrigações acessórias previdenciárias como ilícitos administrativos. Por conseguinte, devese aplicar a nova redação da lei 8.212/1991 aos processos ainda não definitivamente julgados administrativamente que se refiram às autuações lavradas com fulcro no art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, cancelandose, assim, as penalidades decorrentes. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para, NO MÉRITO, DAR LHE PROVIMENTO em face da revogação do art. 41, Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, que afastou do pólo passivo da obrigação o dirigente de órgão público. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 8DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 03/05/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13899.900223/2006-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1402-000.105
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 26 09:00:04 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 13899.900223/2006-57
conteudo_id_s : 6577309
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1402-000.105
nome_arquivo_s : Decisao_13899900223200657.pdf
nome_relator_s : ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 13899900223200657_6577309.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
id : 9241739
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 26 09:56:12 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1728355848643674112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1331; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 0 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13899.900223/200657 Recurso nº Resolução nº 140200.105 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 16 de março de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente HENKEL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 26/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13899.900223/200657 Resolução n.º 140200.105 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório HENKEL LTDA recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo da PER/DCOMP nº 11509.30619.080903.1.3.031030 (fls. 01/06), para extinção de débito tributário (cód. 2484, PA 04/03) com crédito originado de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2002, no valor total de R$ 25.985,00. O débito compensado está sendo controlado no processo de cobrança nº 13899.901033/200657, apenso a este. Conforme Parecer SEORT/DRF/OSA nº 1030/2008 de fls. 24/27, foi indeferido o direito creditório e não homologada a compensação, com o seguinte fundamento: “Na composição de seu saldo negativo, o contribuinte alega, na Linha 38 (“CSLL Mensal Paga por Estimativa”) de sua Ficha 17 um montante de R$ 845.492,22. Em suas DCTF’s, alega que tais débitos, atinentes aos períodos de apuração de março, novembro e dezembro de 2002, foram todos extintos por compensações. Entretanto, a maior parte de tais compensações, quais sejam, parte de março, novembro e dezembro, foram realizadas com créditos apurados pela sucedida NICNPJ 43.425.057/000145, quais sejam, respectivamente, de R$ 73.702,32, R$ 123.237,45 e R$ 281.181,45, redundando em um total de R$ 478.121,22. Conforme exposto no Relatório, o Despacho Decisório exarado em sede do PAF nº 13899.900221/200668, que teve por fundamento o Parecer SEORT/DRF/OSA nº 422/2008, de 15/05/2008, não reconheceu direito creditório ao contribuinte, relativamente a suposto direito creditório proveniente de saldo negativo de CSLL do exercício 2001, anocalendário 2001, pertencente à sucedida NICNPJ 43.425.057/000145. Dessa forma, tal montante, de R$ 478.121,22, será glosado da Linha 38 da Ficha 17. Por conseguinte, a Linha 42 desta Ficha (“CSLL a Pagar”) apresentará o valor de R$ (478.121,22 – 25.985,24) = R$ 452.136,00, não restando, pois, saldo negativo de CSLL neste período. Assim, a DCOMP que originou este processo será considerada não homologada.” (grifos e negritos do original) Cientificada da nãohomologação em 06/09/2008 (sábado), conforme comprovante de SEDEX de fls. 28/29, a contribuinte interpôs, em 07/10/2008, manifestação de inconformidade de fls. 30/43, acompanhada dos documentos de fls. 44/98. Após breve resumo dos fatos, protesta pela conexão com o processo administrativo nº 13899.900221/200668, segundo o qual foi indeferido o direito creditório correspondente ao saldo negativo de CSLL do anocalendário 2001, apurado pela sucedida, CNPJ 43.425.057/000145, utilizado na compensação Fl. 2DF CARF MF Impresso em 26/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13899.900223/200657 Resolução n.º 140200.105 S1C4T2 Fl. 3 3 das estimativas de março, novembro e dezembro de 2002, ensejando a glosa de tais antecipações na apuração do saldo negativo de CSLL do anocalendário 2002, ora em análise. Alega que a decisão constante do processo acima mencionado não é definitiva, aguardando julgamento em primeira instância administrativa, razão pela qual se impõe aguardar o resultado daquela lide. Fundamentase no art. 103 do Código de Processo Civil (CPC), bem como no entendimento da doutrina acerca das espécies de conexão processual (intersubjetiva, material ou teleológica e instrumental ou probatória). Na sequência, reproduz os argumentos esposados no processo nº 13899.900221/200668, caso este órgão julgador entenda pela desnecessidade de se aguardar o desfecho da correspondente lide. Inicia pela glosa das despesas com brindes (linha 30, ficha 05 A), dizendo que deve ser afastada em razão de erro no registro da conta contábil 460180, onde foram incluídas comissões; quanto à omissão de receitas apuradas com base em DIRF, acusa terem sido contabilizadas as receitas em conta redutora de despesas, como facilmente verificado no balanço de 2001; quanto à omissão de rendimentos auferidos em operações de SWAP, alega ter incorrido em erro de preenchimento da declaração, pretendendo demonstrar a inclusão de tais receitas em linha diversa daquela na qual deveria ter sido informada na correspondente DIPJ/2002 (AC 2001); por fim, quanto à omissão de rendimentos decorrentes de juros sobre o capital próprio, diz que teria incorrido em erro de preenchimento da DIRF, apontando ela própria como fonte pagadora e beneficiária dos rendimentos, quando, em verdade, referidos juros foram pagos a uma de suas quotistas. Passando à glosa das estimativas do anocalendário em análise (2002), diz restar claro que se trata de inevitável consequência das glosas realizadas na declaração do anocalendário anterior (2001), apresentada pela sucedida. E tendo sido demonstrado acima que foram totalmente improcedentes, protesta pela reforma do Parecer recorrido. Encerra solicitando que seja admitida e provida na íntegra sua manifestação de inconformidade, a fim de o presente processo permanecer aguardando o desfecho do processo administrativo nº 13899.900221/200668, cuja decisão irá determinar o resultado do presente processo. A decisão recorrida está assim ementada: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ORIGEM DO CRÉDITO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. CONEXÃO DE PROCESSOS. A restituição de saldo negativo da CSLL, com a posterior compensação, condicionase à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação dos valores levados à dedução na apuração da contribuição, a título de estimativa. Para promover a extinção do crédito tributário, sob condição resolutória de sua posterior homologação, os valores das estimativas compensados, informados Fl. 3DF CARF MF Impresso em 26/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13899.900223/200657 Resolução n.º 140200.105 S1C4T2 Fl. 4 4 em DCTF, devem corresponder àqueles efetivamente declarados na PER/DCOMP vinculada na declaração, sob pena da cobrança/glosa dos montantes excedentes. Dada a relação de causa e efeito entre processos administrativos é de se admitir a adaptação da presente exigência ao já decidido anteriormente nos autos do processo nº 13899.900221/200668, segundo o qual o direito creditório reconhecido a título de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001, da sucedida, CNPJ 43.425.057/000145, deuse em valor insuficiente para quitar integralmente a compensação declarada das estimativas de CSLL do ano calendário de 2002, resultando a não confirmação do saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2002. Indeferido o direito creditório apontado em PER/DCOMP, não se homologa a compensação declarada correspondente. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento, nos seguintes termos (verbis): É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 26/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13899.900223/200657 Resolução n.º 140200.105 S1C4T2 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade. Conforme relatado, no julgamento deste processo deve ser observado o que for decidido no processo 13899.900221/200668, que versa sobre o saldo negativo do ano calendário de 2001. Isso porque, é exatamente o não reconhecimento do direito creditório do saldo negativo de recolhimentos da CSLL daquele ano que implicou na glosa da compensação pleiteada neste processo. Ocorre que o aludido processo 13899.900221/200668 foi convertido em diligência mediante Resolução 140100.071 de 26/05/2001. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, visando juntar este processo ao de nº 13899.900221/200668, para que ambos sejam julgados em conjunto neste Conselho, após cumprida a Resolução 140100.071. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 5DF CARF MF Impresso em 26/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000338/2009-14
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1402-000.124
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 26 09:00:04 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201206
numero_processo_s : 11516.000338/2009-14
conteudo_id_s : 6577504
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1402-000.124
nome_arquivo_s : 140200124_11516000338200914_201206.pdf
nome_relator_s : LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11516000338200914_6577504.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
id : 4853280
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 26 09:56:08 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1728355848697151488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1322; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.000338/200914 Recurso nº Resolução nº 140200.124 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 14 de junho de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente FRIGORIFICO SAO GREGORIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 11516.000338/200914 Resolução n.º 140200.124 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório FRIGORIFICO SAO GREGÓRIO LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): Lavrouse, em 18/09/2008, termo de Início de Fiscalização, inaugurando ação fiscal com o objetivo de verificar a regularidade tributária, nos anos de 2004 e 2005, da empresa FRIGORÍFICO SÃO GREGÓRIO LTDA. O procedimento fiscalizatório foi encerrado em 05/05/2009, com o seguinte resultado: • Representação Fiscal, com conseqüente edição do Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 18/2009, com efeitos excludentes da contribuinte do regime de tributação simplificado – Simples – a partir de 01/01/2005; • Auto de Infração relativo aos anoscalendário de 2004 – com lançamento de ofício dos tributos com base no regime de tributação simplificado (Simples) – e de 2005 – com lançamento de ofício dos tributos com base no regime de tributação do lucro arbitrado. Considerando que a contribuinte apresentou contestação em relação à exclusão e aos lançamentos, foram formalizados os seguintes processos: • Processo nº 11516.000338/200914, tendo por objeto a Manifestação de Inconformidade em relação à exclusão do Simples e a Impugnação ao Lançamento relativo ao anocalendário de 2004 e • Processo nº 11516.000340/200993, tendo por objeto a Impugnação ao Lançamento relativo ao anocalendário de 2005 (lançamento com base no lucro arbitrado). O objeto de análise nesse processo é a Manifestação de Inconformidade em relação à exclusão do Simples e a Impugnação ao Lançamento relativo ao anocalendário de 2004. 1.1. DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL Segundo consta do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fl. 249), a contribuinte – constituída em 01/06/1997 e que atua na atividade de abate de bovinos (frigorífico) e de transporte de cargas – vem realizando, desde o anocalendário 2000 opção pela sistemática de tributação do Simples, apresentando, desde então, declarações de imposto de renda compatíveis com esse regime. Em 2004 e 2005, anos focais da fiscalização, entregou a declaração com informação de receita bruta compatível com os limites legalmente estabelecidos para aquele regime (R$ 2,4 milhões anuais ou R$ 200 mil mensais). Em 25/09/2008, em resposta à intimação da autoridade fiscal, a empresa apresentou parte dos documentos solicitados – inclusive requerimentos de extrato bancário junto aos bancos com os quais operava – e protocolou correspondência requerendo prorrogação de 30 dias para atendimento pleno ao Termo de Início de Fiscalização (fl. 07). Fl. 688DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 11516.000338/200914 Resolução n.º 140200.124 S1C4T2 Fl. 4 3 De posse das cópias dos extratos bancários relativos às contas correntes mantidas pela empresa no período sob fiscalização, a autoridade fiscal confrontou os valores da movimentação bancária com os dados escriturados/declarados. Constatado que a escrituração apresentada não refletia a real movimentação comercial e financeira da empresa, foi formalizado, em 29/01/09, o Termo de Intimação Fiscal 002 (fl. 85), mediante o qual se solicitou à empresa esclarecimentos sobre a origem dos recursos que ingressaram em suas contas correntes, uma vez que representavam volume de recursos muito superiores às suas receitas declaradas. A contribuinte, após o prazo concedido para esclarecimentos, apresentou, em 12/02/2009 e 12/03/2009, listagens relativas aos valores correspondentes a transferências entre suas próprias contas correntes, abrangendo os anos de 2004 e 2005. Segundo a autoridade lançadora, todos esses valores foram devidamente confirmados mediante confronto entre os extratos e, por terem suas origens devidamente esclarecidas, retirados da listagem inicial. da Omissão de Receita A autoridade fiscal considerou, então, que “a diferença entre os valores efetivamente ingressados em suas contas correntes, [...], e aqueles declarados à Receita Federal do Brasil, representam receitas omitidas, conforme preconiza a legislação Decreto nº 3.000/99 [sic]” (fl. 251). Caracterizada a omissão de receita, apurouse o crédito tributário resultante do cômputo dessa omissão na base de cálculo do IRPJ, conforme comando do art. 528 do mesmo Decreto. Desta forma, relativamente aos anoscalendário 2004 e 2005, foram constituídos, de ofício, os créditos correspondentes a essa receita omitida, nos montantes que compõem o demonstrativo de diferenças a tributar (fl. 174). De se registrar que, em relação ao anocalendário 2004 – período de apuração que aqui se aprecia – a autoridade fiscal constituiu os créditos aplicando as regras relativas ao regime simplificado (Simples). da Multa Qualificada Com relação à multa de ofício, entendeu o agente fiscalizador, que caberia a aplicação da multa qualificada de 150%, com base no art. 957 do Decreto 3.000/99 (RIR/99). Assim expressou seu entendimento (destaque acrescido): “O sujeito passivo, ao declarar e recolher valores menores que aqueles devidos, agiu de modo a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fiscal do fato gerador da obrigação tributária principal, restando configurado que a autuada incorreu na conduta descrita como sonegação fiscal, cuja definição decorre do art. 71, I, da Lei n° 4.502/64. A omissão de expressiva e vultosa quantia de rendimentos não oferecidos à tributação demonstra a manifesta intenção dolosa do agente, tipificando a infração tributária como sonegação fiscal. E, em havendo infração, cabível a imposição de caráter punitivo, pelo que pertinente a infligência da penalidade inscrita no art. 44, II, da Lei n° 9.430/96.” (fl. 252). O crédito tributário lançado corresponde àquele reproduzido no quadro a seguir. Quadro Síntese do Crédito Tributário Lançado 2004 Valores em Reais DESCRIÇÃO IRPJ CSLL PIS COFINS INSS TOTAL Principal 95.690,57 95.690,57 147.216,28 294.432,53 626.348,89 1.259.378,84 Juros 59.636,08 59.636,08 91.747,92 183.495,89 389.754,71 784.270,68 Multa 142.220,74 142.220,74 218.801,19 437.602,45 930.871,69 1.871.716,81 Fl. 689DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 11516.000338/200914 Resolução n.º 140200.124 S1C4T2 Fl. 5 4 Total 297.547,39 297.547,39 457.765,39 915.530,87 1.946.975,29 3.915.366,33 da Exclusão do Simples A autoridade fiscal constatou que, ao computar a diferença entre os valores efetivamente ingressados em suas contas correntes e aqueles declarados à RFB como sendo ingressos da empresa autuada, a receita bruta total da contribuinte excedeu o limite máximo permitido para enquadramento no Simples. Portanto, formalizou Representação Fiscal solicitando à autoridade competente a exclusão da contribuinte do Simples a partir de 01/01/2005. Em conseqüência, foi editado Ato Declaratório Executivo DRFB/FNS n° 18 de 27/02/2009 (fl. 175) excluindo a empresa do SIMPLES, obrigandoa, a partir de 01/01/2005, a submeterse a outro regime de apuração dos tributos e contribuições federais. da Representação Fiscal para Fins Penais Por fim, a autoridade fiscal informou o seguinte: “De acordo com o estabelecido nos artigos Io e 2o da Lei n° 8.137/90, que define os crimes contra a Ordem Tributária, e com base na obrigação funcional de Servidor Público Federal, constituise, em função do ilícito descrito no presente item, Representação Fiscal, através do processo administrativo n° 11516.000339/200969. Este ficará apenso ao processo n° 11516.000338/200914 até que ocorra o seu desfecho na esfera administrativa.” 1.2. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Irresignada com o ato de exclusão do Simples, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fl. 262) alegando: (i) ser nulo, por vício de origem, o ato administrativo de exclusão e (ii) insubsistência da razão motivadora da exclusão (excesso de receita bruta). A seguir detalhamse as alegações da contribuinte. a) da Nulidade do Ato Administrativo Excludente A contribuinte alega, de início, tratarse de um ato “nulo de pleno direito por violar ato jurídico perfeito”(fl. 263). Isso, porque o Ato Declaratório Executivo (ADE) excludente foi publicado em 27/02/2009, com a previsão de que a exclusão surtiria efeitos a partir de 01/01/2005. Não teria sido, pois, respeitado o princípio da irretroatividade da lei tributária. Para fundamentar tal tese, cita a Constituição Federal (CF/88, art. 150, III, a) e o Código Tributário Nacional (art. 103, I e art. 146), dispositivos normativos que, no seu entender, fundamentariam a impossibilidade de o ADE projetar seus efeitos ex tunc. Referese, também, a acórdão do Conselho de Contribuintes – atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – no qual se manifesta pela aplicação dos efeitos do ADE de exclusão somente “a partir do mês subsequente àquele em que se procedeu à exclusão por constatação de situação excludente” (Acórdão 303 34.491/2008). Arremata, a contribuinte: “Assim, mesmo que se entenda ser factível a exclusão do SIMPLES operada pelo Ato Declaratório Executivo n° 18, este somente poderá surtir seus efeitos a partir da sua publicação, não podendo se falar em exigência tributária desde 01/01/2005, seja principal ou acessória.” (fl. 264) Fl. 690DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 11516.000338/200914 Resolução n.º 140200.124 S1C4T2 Fl. 6 5 b) da Inexistência do Excesso de Receita Bruta Em apertada síntese, a contribuinte alega que o fluxo financeiro em sua conta corrente, que por presunção legal lhe foi imputado como receita de sua atividade, referese, na verdade, a receita bruta de seus fornecedores/prestadores de serviços. Discorre, vastamente, sobre sua relação financeira/comercial com a empresa Frigorífico Mariante Ltda (doravante, MARIANTE) – domiciliada no Estado do Rio Grande do Sul – com a qual firmou contrato de fornecimento e prestação de serviços desde 01/07/2004. Elucida o seguinte: “Entretanto, os depósitos identificados pelo Fisco como "receita omitida", na verdade, são, na sua maioria, frutos de operações triangulares realizadas entre a manifestante e os frigoríficos responsáveis pelo abate e venda da carne. Nessas operações, a manifestante era responsável pelo gerenciamento das contas a pagar e a receber destes frigoríficos parceiros.” (fl. 265) Esclarece que, por força de contrato firmado entre as partes (fl. 332/341), a contribuinte arcava com diversos custos relacionados à geração do produto final – inclusive a aquisição da matéria prima (gado bovino) – e, a título de garantia, dispunha da receita do MARIANTE. Em suas palavras: “Por este contrato, conforme item 2, a manifestante obrigavase a efetuar o pagamento (I) da matériaprima adquirida para a produção dos produtos, constituída de gado bovino, diretamente aos fornecedores, (II) da comissão devida aos compradores da matéria prima, (III) do custo com o transporte da matériaprima, ao fornecimento das embalagens necessárias ao processamento dos produtos, (IV) além do pagamento das mercadorias e dos serviços prestados pelo Frigorífico Mariante. Por sua vez, o Frigorífico Mariante se responsabilizava pelo abate do gado, o corte da carne, e o faturamento para os clientes situados fora do estado do Rio Grande do Sul, sendo responsável por todos os custos, inclusive do recolhimento dos tributos incidentes sobre a produção e faturamento (itens 5.1.1 e 5.1.2) Para garantia do pagamento das despesas com as matériasprimas, nos termos do item 3.10 do contrato, o Frigorífico Mariante disponibilizava à manifestante todos os títulos cobráveis, assim entendidos as duplicatas comerciais emitidas em função do objeto do citado contrato, com exceção das vendas dos subprodutos, que pertencem ao Frigorífico Mariante, bem como as duplicatas emitidas contra a manifestante, por conta dos serviços de industrialização prestados. Dessa forma, as vendas de produtos do Frigorífico Mariante eram recebidas nas contas bancárias da manifestante, que utilizava os recursos para pagar todos os gastos de produção, especialmente a aquisição da matéria prima (gado). E isto acontecia porque a manifestante é que possuía condições financeiras de financiar o capital de giro necessário para aquisição de matéria prima, o que não conseguia ser suportado pelos frigoríficos parceiros. Além disso, a situação financeira em que se encontrava o Frigorífico Mariante era muito ruim, e, caso os recebimentos das duplicatas se dessem por sua conta bancária, certamente seriam objeto de bloqueio judicial por conta das ações trabalhistas, fornecedores, bancos, etc. Observase que, na realidade, todos os ingressos de receita das vendas realizadas pelo Frigorífico Mariante para fora do estado do Rio Grande do Sul, se deram nas contas bancárias da manifestante, sendo que estes valores não podem ser considerados como receita omitida, justamente porque já foram tributados na pessoa jurídica que efetivamente auferiu a renda.” (fl. 266/267) Fl. 691DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 11516.000338/200914 Resolução n.º 140200.124 S1C4T2 Fl. 7 6 A contribuinte juntou, já em sede de julgamento administrativo de primeira instância, volumoso conjunto de documentos comprobatórios – a seu juízo – da veracidade das operações pelas quais o fluxo de caixa da MARIANTE – no que se refere às vendas realizadas para fora do Rio Grande do Sul – transitava por sua conta corrente. Os documentos ora juntados ao processo foram assim agrupados e anexados: • DOC.01: Contrato de fornecimento e prestação de serviços. Tratase de cópia de contrato firmado, em 01/07/2004, entre o Frigorífico São Gregório Ltda (contribuinte autuada) e o Frigorífico Mariante Ltda. (fl. 332/341) • DOC. 02: Caixas com 5 Volumes: Volume 01 (670 documentos do mês 08/2004), Volume 02 (480 documentos do mês 09/2004), Volume 03 (590 documentos do mês 10/2004), Volume 04 (630 documentos do mês 11/2004), e Volume 05 (820 documentos do mês 12/2004). Tratase, basicamente, de coleção de cópias (i) de comprovantes de depósitos em conta corrente, (ii) de comprovantes de boletos bancários (junto com respectiva cópia de comprovante de pagamento de títulos) e (iii) de notas fiscais emitidas pela empresa Frigorífico Mariante Ltda. (cópia amostral juntada pela autoridade preparadora às folhas 351/387) • DOC. 03: Dossiês Consolidados de Veículos Expedido [sic] pelo Detran/SC. Tratase de cópia de extratos com as características básicas de veículos de carga em que, em geral, consta como proprietário atual ou anterior o Frigorífico São Gregório Ltda. (fl. 343) • DOC. 04: Documentos das Empresas Bistek, Althoff, e Ideal. Compreende cópia de Declaração das citadas empresas, na qual se consigna que as notas fiscais do Frigorífico Mariante Ltda. ali citadas foram quitadas em nome do Frigorífico São Gregório. (fl. 349) Para reforçar sua versão, a contribuinte destaca o fato de ser possível constatar, nas notas fiscais de entrada e/ou saída, que “na maioria das vezes o transporte do gado ou da carne beneficiada era realizado pela manifestante. Comprova isso, o grande número de Notas Fiscais em que constam as placas dos caminhões de propriedade da manifestante [...] conforme podem comprovar os Dossiês Consolidados de Veículos expedido pelo Detran/SC anexados” (fl. 268). Entre os elementos probatórios trazidos nesse momento ao processo, encontramse cópias de pagamentos – por boleto bancário – de duplicatas, realizados por empresa de Santa Catarina. Nesses boletos, consta como cedente a empresa impugnante/manifestante. As duplicatas a eles associadas teriam sido endossadas pela MARIANTE (e.g., documento à folha 372). Face à apresentação das provas, a contribuinte entende que restaram fragilizadas as presunções que fundamentaram o lançamento de ofício (e a exclusão). Cita acórdãos dos antigos Conselhos de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais nos quais se firma o convencimento de que as provas que demonstram que a presunção adotada não tem sólidos fundamentos, contaminam o lançamento de incerteza e, portanto, tal presunção deve ser afastada. Assim finaliza sua Manifestação de Inconformidade: “À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da exclusão do SIMPLES, requer que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos, para: Fl. 692DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 11516.000338/200914 Resolução n.º 140200.124 S1C4T2 Fl. 8 7 a.) reconhecer a preliminar de nulidade do Ato Declaratório Executivo n° 18, por verdadeira ofensa a ato jurídico perfeito, conforme a fundamentação; b.) subsidiariamente, caso se mantenha o combatido Ato Declaratório Executivo, declarar que seus efeitos só podem surtir efeitos[sic] a partir da data de sua publicação; c.) no mérito, reconhecer a inexistência de causa que justifique a sua exclusão do SIMPLES, uma vez que os valores apontados pelo Fisco não se constituem em receita auferida pela manifestante.” (fl. 271) 1.3. DA IMPUGNAÇÃO AO LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO ANO DE 2004 Em sua impugnação relativa ao lançamento de ofício que abarca os períodos de apuração do anocalendário de 2004, a contribuinte apresenta suas argumentações distribuindoas por itens. O relato a seguir obedece à mesma estrutura expositiva utilizada pela contribuinte. a) da Origem das Receitas Apontadas pela Fiscalização Nesse tópico reprisase a argumentação de que a origem dos depósitos bancários utilizados como base para a presunção de omissão de receita corresponde ao faturamento de outra contribuinte, o qual, por força contratual, “cedia” à contribuinte, a título de garantia o resultado de suas vendas. As alegações são as mesmas já apresentadas na Manifestação de Inconformidade, pelo que, aqui prescindese de relatálas. b) da Impossibilidade de Lançamento por Presunção – Depósitos Bancários não Podem ser Considerados Renda ou Faturamento A contribuinte se insurge contra a presunção utilizada pela autoridade fiscal para efetuar o lançamento efetuado. Entende que “o cotejo entre os extratos bancários e a declaração do simples federal por si só não é suficiente para caracterizar a omissão de receita” (fl. 292). Cita, para corroborar, acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes nos quais expressase entendimento que meras divergências entre registros contábeis por si só não são suficientes para caracterizar a omissão de receita. Afirma não ter havido comprovação da vinculação dos valores constantes em extratos bancários com operações caracterizadoras de fatos geradores dos tributos exigidos. Considerando que o fato gerador do IRPJ é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, a simples constatação da realização de depósito em conta bancária pertencente ao contribuinte não seria suficiente para caracterizar tão aquisição de disponibilidade. Nessa linha, assevera: “Assim é que os depósitos bancários não podem representar, por absoluta impropriedade técnica, fato gerador do Imposto de Renda e da Contribuição sobre o Lucro.” (fl. 294) Citase, então, texto jurídico sobre a ilegalidade de presumirse depósitos bancários como enriquecimento ilícito do agente público. In verbis: “os depósitos bancários, quando muito, podem em determinadas circunstâncias, configurar meros indícios da auferição de rendas ou de proventos de qualquer natureza, mas jamais serem presumidos como renda ou proventos para efeito de exigência de Imposto de Renda e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido sem Fl. 693DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 11516.000338/200914 Resolução n.º 140200.124 S1C4T2 Fl. 9 8 uma minuciosa análise, e sem a indispensável e convincente prova por parte do Fisco.” (fl. 295) Afirma que a Súmula 182 do extinto TRF, juntamente com o art. 9º, do Decreto Lei nº 2.471, de 01/09/88, constituem base legal suficiente para o cancelamento e arquivamento de procedimentos administrativos que tomaram como base valores constantes de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários. Com respeito ao art. 42 da Lei nº 9.430/96, o entendimento da impugnante é de que seria necessário “ficar comprovado o nexo de causalidade entre o depósito e o fato que represente omissão de rendimentos, é necessária a prova de que ele foi utilizado como renda consumida” (fl. 296). Cita acórdão do antigo Conselho de Contribuintes – atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – em que se determina não bastar “a simples presunção legal de que os depósitos constituem renda tributável, é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza” (fl. 297). Assim conclui o tópico: “Por tudo o que já foi exposto, resta claro que o auto de infração padece de comprovação acerca da materialização do fato gerador tributário, não podendo se sustentar em presunções de que os depósitos bancários se constituem em renda tributável, não podendo subsistir.”(fl. 297) c) do Arbitramento do Lucro Admitindo, por hipótese, a existência de omissão de receita, entende a contribuinte que, segundo o Regulamento do Imposto de Renda, o lançamento teria que se dar pela modalidade do arbitramento do lucro e não utilizandose das mesmas regras do Simples, como foi feito pela autoridade lançadora no caso do anocalendário de 2004. A contribuinte alega que não apresentou os livros fiscais – nem ao menos o Livro Caixa – então só restaria à autoridade fiscal o lançamento com base no lucro arbitrado. Assim estaria previsto nos artigos 529 a 532 do RIR/2003. Consistentemente com os dispositivos citados, teria sido editado Ato Declaratório Normativo nº 36/94, estabelecendo que a regra de arbitramento será aplicada “no caso em que, após o decurso do prazo previsto na intimação a pessoa jurídica não obrigada à tributação com base no lucro real, deixar de apresentar o livrocaixa devidamente escriturado, quando não mantiver escrituração contábil.” Elencamse, então, acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes nos quais assentase o entendimento que de que, na ausência de apresentação dos livros contábeis e/ou fiscais necessários à apuração do Lucro Real ou Presumido, é cabível o arbitramento. Entretanto – segue a contribuinte em sua alegação – “para arbitrar o lucro, é necessário primeiramente, proceder à exclusão de ofício do contribuinte do Sistema Simplificado de Tributação, pois não podem coexistir os dois regimes de tributação no mesmo período de apuração” (fl. 302). Ou seja, o procedimento correto teria sido a exclusão do regime de tributação simplificado (Simples) desde 01/01/2004 – com consequente lançamento do ano de 2004 com base no lucro arbitrado. Porém, o ato excludente estabeleceu seus efeitos somente a partir de 01/01/2005 e os lançamentos dos períodos de apuração de 2004 foram realizados no próprio regime simplificado. Requer então, “Assim, mister seja cancelado o presente auto de infração por discordância à legislação de regência, especialmente pela forma de apuração dos tributos.” (fl. 304) d) da Decadência Fl. 694DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 11516.000338/200914 Resolução n.º 140200.124 S1C4T2 Fl. 10 9 A impugnante inconformase também com o fato de o lançamento abarcar período de apuração que se estende de janeiro a abril de 2004, o qual, a seu juízo, já estaria atingido pela decadência. Interpreta que, por se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial seria de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. Neste linha, o fisco deveria ter se manifestado – no caso do período de apuração de abril de 2004 – até abril de 2009. Nas palavras da impugnante: “Ocorre que a Notificação Fiscal foi lavrada em maio de 2009, questionando tributos relativos anteriores a abril de 2004. Ora, tratase de exigência indevida, haja vista que notifica o contribuinte de tributo que já foi atingido pela decadência (CTN, art. 150, § 4º), não podendo lhe ser mais exigido.” (fl. 305) Portanto, a contribuinte considera serem inexigíveis os créditos tributários relativos a períodos de apuração anteriores a janeiro de 2004. e) da Multa Agravada Com respeito à imposição de multa qualificada de 150%, constante do Auto de Infração, a impugnante alega que não restou cabalmente comprovada a existência de dolo – condição necessária para aplicação da referida multa. Reproduz acórdãos do Conselho de Contribuintes em que se ressalta a necessidade de comprovação nos autos do evidente intuito de fraude para que prospere a exigência da multa qualificada. De acordo com a impugnante: “Os desacertos e a falta de controle da escrita contábil (inexistente) não podem ser interpretados como propositais. No caso em tela têmse declarações inexatas quanto ao montante devido, devendo ser aplicada a multa de 75%. Não é qualquer notificação fiscal que deva resultar em multa agravada. É preciso que esta "intenção" de fraudar esteja cabalmente provada pela autoridade fiscalizadora, através de provas robustas e inequívocas, não podendo se assentar em meros indícios. Diante do exposto, em caso de procedência do auto de infração, o que não se acredita, a multa aplicada ao caso deve ser aquela cabível a falta de recolhimento dos tributos, sem agravamento, em face da ausência do intuito de fraude, o qual sequer restou provado pela fiscalização.” (fls. 309/310) f) da Multa com Efeito Confiscatório Ainda em relação à penalidade, a impugnante alega que a aplicação da multa de 150% revestiria a penalidade de caráter confiscatório. Logo, estarseia diante de afronta ao princípio constitucional da vedação ao confisco, derivado do inciso XXII, art. 5º da Constituição Federal. Citase também o art. 150 da Carta Magna que possui comando específico vedando que o tributo se constitua de instrumento confiscatório. Ressalta que o Tribunal de Justiça de Santa Catarina “tem entendimento firmado no sentido de que as multas pelo descumprimento de obrigações tributárias devem observar o limite imposto pelo Código de Defesa do Consumidor, qual seja 2%, [...]” (fl. 311). Portanto, requer que, em respeito ao princípio constitucional do nãoconfisco, sejam reduzidas as multa aplicadas de 150% para 75%. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 11516.000338/200914 Resolução n.º 140200.124 S1C4T2 Fl. 11 10 g) da Taxa de Juros Selic Nesse último item, a contribuinte alega não ser possível a aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios devidos na cobrança de tributos. Entende que o uso daquela taxa resultaria em ofensa à disposição legal que exige disposição expressa de Lei Ordinária acerca de cálculo de juros moratórios incidentes em obrigações tributárias (§ 1º, art. 161 do CTN). Assim se expressa: “A leitura do artigo 161, § 1º do CTN nos informa que somente com disposição expressa de Lei Ordinária acerca de cálculo de juros moratórios incidentes em obrigações tributárias, este pode ser superior a 1% (um por cento) ao mês. Cabe salientar que a Lei n° 9.065/95, ao determinar sobre o cálculo dos juros de mora não estabeleceu nova forma de cálculo, apenas adotou a utilização de taxa preexistente e de natureza remuneratória. Claro está o equívoco do legislador, que ao invés de instituir taxa de juros moratórios, consoante a Lei Complementar, quis equiparar a esta taxa de juros remuneratórios, inaplicáveis à situação de mora, em face de sua condição nitidamente recompensatória, perfeitamente caracterizada pela lei que a criou. A norma, para estar em consonância com o artigo 161, § 1º do CTN, deve traçar diretrizes de modo a assegurar ao Estado uma real indenização pelo atraso no pagamento dos tributos, contrariamente ao que acontece com a SELIC, que embora tenha a lei tratado a mesma como taxa de juros moratórios, sua função, estruturação e importância não são coincidentes.” (fl. 314/315) Entende, citando julgado do STJ divulgado em Boletim de Notícias, que a Lei 9.430/96 é inconstitucional e ilegal, ao estabelece taxa de juro muito superior a 12%. Ou seja, a contribuinte entende que, no limite, a taxa de juros aplicável seria de 12% ao ano, nos seguinte termos: “Conforme demonstrado, não encontra respaldo legal a cobrança de juros acima de 1% (um por cento), sendo, portanto, inaplicável a taxa SELIC aos débitos fiscais, devendo, mesmo no âmbito do processo administrativo, serem observados os entendimentos pacificados pela jurisprudência pátria.” (fl. 318) do Pedido Finalizando, a impugnante enumera os seguintes requerimentos, suportados por suas arguições desenvolvidas ao longo da peça impugnatória. “a.) receber a presente impugnação com todos os documentos que a acompanham e que dela fazem parte integrante, bem como seja determinado o seu julgamento em conjunto com a impugnação apresentada no processo administrativo n° 11516.000340/200993; b.) no termos do art. 16, § 4º, a, do Decreto n° 70.235/72, c/c art. 3º, III, da Lei n° 9.784/99, permitir a juntada de provas antes da decisão final, ante a falta de tempo hábil para a realização da juntada com esta impugnação; c.) determinar que a Receita Federal do Brasil diligencie junto aos frigoríficos contratados de modo a esclarecer se houve alguma movimentação financeira nas contas bancárias destas empresas de modo a verificar o alegado; inclusive, pesquisando administrativamente as contas bancárias da empresa MASTER SUL DISTRIBUIDORA DE CARNES E CEREAIS LTDA., inscrita no CNPJ n° 03.530.262/000237, IE n° 121/0049896, com sede na Rua Ramiro Barcelos, n° 4845, Bairro Bandeira Branca, em São Geronimo (RS), bem como do FRIGORÍFICO MARIANTE LTDA, inscrito no CNPJ n° 87.243.127/000110, com sede na Rua Ernesto Guedes, n° 82, em Vila Mariante, município de Venâncio Aires (RS) Fl. 696DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 11516.000338/200914 Resolução n.º 140200.124 S1C4T2 Fl. 12 11 d.) reconhecer a insubsistência do Auto de Infração, face a inexistência de omissão de receitas, haja vista os recursos se não se referirem à faturamento ou receita omitida; e.) de outro modo, determinar o cancelamento do Auto de Infração pela impropriedade da sua lavratura baseado apenas em depósitos bancários sem comprovação, por falta de elementos que demonstrem a omissão de receitas no caixa da empresa; f.) em não sendo este o entendimento, determinar o cancelamento face a existência de vício insanável, vez que adotado critério incorreto na apuração do valor tributável no Simples, quando deveria haver o arbitramento do lucro; g.) sucessivamente, reconhecer a decadência em relação ao período de janeiro a abril de 2004; Lavrouse, em 18/09/2008, termo de Início de Fiscalização, inaugurando ação fiscal com o objetivo de verificar a regularidade tributária, nos anos de 2004 e 2005, da empresa i.) em última possibilidade, que seja afastada a aplicação da taxa SELIC nos débitos apontados na combatida notificação fiscal. A decisão recorrida está assim ementada: EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. Excluise de ofício do Simples por determinação legal , com efeitos a partir do ano seguinte ao de ocorrência da situação excludente, a pessoa jurídica que auferir receita bruta anual acima do limite previsto na legislação de regência. OMISSÃO DE REGISTRO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Os valores creditados em conta corrente bancária de sua titularidade, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, caracterizam omissão de registro de receita. NULIDADE DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO ADE. DESCABIMENTO. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, é incabível falar em nulidade do ADE emitido por autoridade fiscal competente, além de, na fase litigiosa do procedimento também regida pelo mesmo diploma legal terem sido observadas as normas e os princípios processuais do contraditório e da ampla defesa. OPÇÃO. REVISÃO. EXCLUSÃO COM EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições e passível de fiscalização posterior. A exclusão com efeitos retroativos, quando verificado que o contribuinte incluiuse indevidamente no sistema, é admitida pela legislação. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E DE ILEGALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à Fl. 697DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 11516.000338/200914 Resolução n.º 140200.124 S1C4T2 Fl. 13 12 observância da legislação tributária vigente no País, e são incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e de ilegalidade. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Quando estiverem presentes elementos que inquestionavelmente denotam o dolo, fraude ou simulação, iniciase a contagem do prazo de decadência do direito de a Fazenda Nacional formalizar a exigência tributária no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme o disposto no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Impugnação Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reforça as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento, nos seguintes termos: Fl. 698DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 11516.000338/200914 Resolução n.º 140200.124 S1C4T2 Fl. 14 13 É o relatório. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 11516.000338/200914 Resolução n.º 140200.124 S1C4T2 Fl. 15 14 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, tratase de lançamento calcado em omissão de receitas com base em deposito bancário, sendo que desde a impugnação o contribuinte propugna pela realização de diligência. De inicio, vejamos os termos da declaração de voto conjunta dos julgadores Antonio Masayuki Massuyama e Éden Ricardo Zanato, que propugnaram pela conversão do julgamento em diligência. (...) Anocalendário de 2004 Lançamentos pelo SIMPLES FEDERAL (excesso de receita) Foi trazida com o presente processo à consideração desta Turma situação sui generis com a notícia de fatos novos, não conhecidos da autoridade fiscal que presidiu o procedimento de constituição do crédito tributário , a exigir providências inusuais em diligências junto à pessoa jurídica impugnante e a terceiros, por ela apontados. Nesta assentada, propôsse à Turma deferir requerimento da impugnante, mediante a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade fiscal pudesse conhecer dos fatos novos e adotar, se fosse o caso, as providências legais correspondentes. Por maioria, a proposta de conversão foi rejeitada. É disso que trata a presente declaração de voto. Os principais fatos novos trazidos com a impugnação, a partir da f. 265, são as notícias relativas à identidade do indigitado novo sujeito passivo das operações; a origem das operações, agora alegadamente interestaduais, em estabelecimentos de outros contribuintes, sitos no Estado do Rio Grande do Sul (10ª Região Fiscal), bem como a produção de elevada quantidade de documentos fiscais, relativos aos meses do anocalendário de 2004 (3.190 peças, como se verá mais adiante). Por entender que os fatos novos trazidos com a impugnação são de tal monta, que afetam irremediavelmente o resultado do procedimento fiscal em questão, a proposta de conversão do julgamento em diligência também levava em consideração o disposto no art. 149 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional CTN, que tem a seguinte dicção (destaque acrescentado): (...) Fl. 700DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 11516.000338/200914 Resolução n.º 140200.124 S1C4T2 Fl. 16 15 A informação de que as receitas cujos valores teriam sido depositados em contas bancárias da impugnante seriam de fato, como alegado, pertencentes ao Frigorífico Mariante Ltda. (CNPJ 87.243.127/000110), localizado à rua Ernesto Guedes, 82, Vila Mariante, em Venâncio Aires, estado do Rio Grande do Sul poderia, em tese, remeter a algo como a negação de autoria da infração, com indicação do verdadeiro sujeito passivo, circunstância que poderia impor a aplicação do que dispõe o § 5º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, adiante transcrito se fosse o caso , embora a impugnante afirme, à f. 267, que “[...] estes valores não podem ser considerados como receita omitida, justamente porque já foram tributados na pessoa jurídica que efetivamente auferiu a renda.” Nas notas fiscais (de saídas) juntadas às f. 383 a 387, emitidas pelo Frigorífico Mariante Ltda., consta o CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações) 6.1021, que identifica operações destinadas a outro estado (do RS para SC) e que, se verdadeiras, sugerem indícios de que, em sede de impugnação momento processual em que o sujeito passivo exerce seu direito à defesa , o sujeito passivo indigitado nos autos de infração vem comprovar a origem e a propriedade dos recursos (ou de parte deles) depositados em suas contas bancárias, e que foram tratados como receitas omitidas, conforme descreve a impugnante à f. 286 (destaque acrescentado), ao insistir na tese de que a base de cálculo do lançamento deveria seguir as regras do lucro arbitrado e não as do Simples Federal: Todavia, os valores que foram considerados como receita omitida pelo Fisco, quase em sua totalidade, não se referem à receita da atividade da impugnante, mas apenas a repasses relativos à operação triangular realizada entre esta e os frigoríficos responsáveis pelo abate do gado. Nessa triangulação, os frigoríficos contratados realizavam, além da industrialização, a venda aos clientes, com endosso das duplicatas para a impugnante, que ficava responsável pelo transporte, cobrança das duplicatas, bem como pelo pagamento dos custos com a matéria prima e serviço de industrialização. Dessa forma, os valores depositados em sua conta bancária referemse a duplicatas endossadas pelos frigoríficos contratados, cujas receitas já foram integralmente tributadas naquelas empresas, de forma que as exigências impostas no presente Auto de Infração se apresentam indevidas, caracterizandose como verdadeiro bis in idem, pois tributa o que já foi tributado, além de ser imprópria e indevida a tributação apenas com base em depósitos bancários sem que haja qualquer vinculação com o fato gerador do tributo. Em seu voto, o relator assenta (destaque acrescentado): No decorrer do procedimento fiscal, a autoridade lançadora intimou a contribuinte a prestar esclarecimentos devidamente fundamentados por documentação hábil e idônea sobre a origem dos depósitos em suas contas bancárias (Termo de Intimação Fiscal nº 002, à folha 85). Em resposta, a contribuinte apresentou Protocolo de Entrega de Documentos (fl. 145) 1 6000 SAÍDAS OU PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS PARA OUTROS ESTADOS 6100 VENDAS DE PRODUÇÃO PRÓPRIA OU DE TERCEIROS 6101 Venda de produção do estabelecimento 6102 Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros 6103 Venda de produção do estabelecimento, efetuada fora do estabelecimento 6104 Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, efetuada fora do estabelecimento Fl. 701DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 11516.000338/200914 Resolução n.º 140200.124 S1C4T2 Fl. 17 16 contendo relatório com a indicação de depósitos referentes a transferências entre contas de sua própria titularidade. De fato, porém, não é exatamente esse o teor dos itens 1 e 2 do Termo de Intimação Fiscal nº 0002, à f. 85, como se transcreve: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e no curso da ação fiscal iniciada em 18/09/2008, de acordo com o disposto nos art. 904, 910, 911 e 917 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), INTIMAMOS o contribuinte acima identificado a apresentar os elementos abaixo especificados: 1 Esclarecimentos, acompanhados de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a respeito dos valores ingressados em contas correntes mantidas pela empresa, que compõem os demonstrativos inseridos nos anexos deste Termo. 2 Apresentar, quando cabível, a vinculação dos valores citados no item anterior com as Notas Fiscais emitidos pela empresa. Como se constata, em nenhum momento o sujeito passivo foi intimado a comprovar com os citados documentos , a origem dos recursos aplicados ou depositados em suas contas bancárias, nem alertado para a possibilidade de ter contra si o emprego de presunção juris tantum de omissão do registro de receita em relação aos depósitos e aplicações cujos recursos não tivessem sua origem comprovada , com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 que não foi transcrito nem sequer mencionado , e que assim estabelece (destaque acrescentado): (...) Apenas ao tomar conhecimento dos lançamentos efetivados, foi o sujeito passivo formalmente intimado do uso da presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, nos termos a seguir transcritos: f. 200, por exemplo, Auto de Infração do IRPJ Simples: 001 Omissão de Receitas Depósitos Bancários Não Escriturados Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal em anexo. No enquadramento legal dessa infração, porém, consta a citação seguinte: Enquadramento Legal Arts. 27, inciso I, e 42 da Lei nº 9.430/96; Arts. 532 e 537 do RIR/99. Tecnicamente, portanto, apenas a partir da ciência dos lançamentos instrumentalizados nos autos de infração, é que o sujeito passivo tomou conhecimento do uso da presunção referida. Não é de todo incompreensível, pois, que apenas tenha produzido argumentação e prova numerosa após iniciar o litígio com sua impugnação. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 11516.000338/200914 Resolução n.º 140200.124 S1C4T2 Fl. 18 17 Observase ainda que, na identificação da infração não constam “Depósitos de Origem não Comprovada” como seria esperado , mas DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS, declaração que poderia dar razão à impugnante em seu pedido de exclusão do Simples Federal (e constituição do crédito tributário sob o regime do lucro arbitrado) por falta de manutenção de escrita contábil ou de, ao menos, Livro Caixa com registro do movimento financeiro, inclusive bancário. Não se duvida de que o administrado deve colaboração às autoridades fiscais, já que a legislação tributária o obriga ao cumprimento de obrigações tributárias de natureza principal e acessória, cuja exatidão essas autoridades têm competência para e dever de auditar. É o que dispõe o art. 195 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional CTN, assim transcrito: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes, industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. (destaque aposto) Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. (...) Como relatado, o sujeito passivo apenas pronunciouse quanto às transferências de valores entre suas contas correntes e silenciou em relação aos demais “Esclarecimentos, acompanhados de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a respeito dos valores ingressados em contas correntes mantidas pela empresa, que compõem os demonstrativos inseridos nos anexos deste Termo.” É matéria de fato que a autoridade fiscal elaborou representação fiscal para fins penais no processo administrativo fiscal nº 11516000339/200969 (informação disponível na capa dos presentes autos), a justificar o silêncio do sujeito passivo. Podese concluir, portanto, com base nas considerações precedentes, que o silêncio do sujeito passivo na fase de investigação fiscal, durante a qual não foi intimado da eventual aplicação da presunção juris tantum de omissão do registro de receita, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, caso silenciasse a respeito da origem dos recursos utilizados nos depósitos e aplicações em contas bancárias, não o impede de apropriadamente impugnar os lançamentos de ofício na fase litigiosa do processo administrativo fiscal inaugurada, como já esclarecido, com a apresentação de sua impugnação, com que pode exercer seu direito ao “[...] contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;” (Constituição Federal, art. 5º, LV). Além disso, como já assentado nesta declaração, a primeira infração imputada à impugnante (f. 200 Auto de Infração do IRPJ Simples) é pela Omissão de Receitas Depósitos Bancários não Escriturados e não pela falta de comprovação da origem dos recursos empregados em tais depósitos (ou aplicações) em contas bancárias. Das provas trazidas com a impugnação, sob o argumento de sua quantidade, apenas uma “pequena amostra” (f. 383 a 387, em total de cinco peças) foi juntada aos presentes autos, como se lê à f. 388: Fl. 703DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 11516.000338/200914 Resolução n.º 140200.124 S1C4T2 Fl. 19 18 [...] Junto à peça de impugnação o contribuinte apresentou cópias de notas fiscais que em seu total somam mais de três mil, motivo pela qual tornouse inviável a juntada de todas ao processo. Em virtude disto, juntamos uma pequena amostra das mesmas, fls. 382 a 387, permanecendo as demais disponíveis nesta agência para eventual diligência. Além de não declinar qual tenha sido o critério estabelecido para a escolha das exatas cinco notas fiscais a serem juntadas aos autos, a própria autoridade preparadora prevê a hipótese de realização de diligência, já que as demais provas foram retidas na Agência da Receita Federal do Brasil em Criciúma SC. Segundo consta à f. 342, a documentação referida está contida em uma caixa que contém cinco volumes, com total de 3.190 documentos relativos ao anocalendário de 2004 (agosto a dezembro de 2004). Como assentado de início, a impugnação trouxe ao exame da autoridade julgadora fatos novos não conhecidos da autoridade fiscal quando do desenvolvimento e do encerramento do procedimento fiscal, tais como operação industrial de abate de bovinos em cidades do estado do Rio Grande do Sul, documentada, por exemplo, pelo contrato de f. 333 a 341 (sem prova de registro e sem testemunhas), e o fato de que, durante o desenrolar do procedimento fiscal, no dia 5 de novembro de 2008 (f. 330), a administração da sociedade empresária foi transferida para a sócia (admitida em 11 de janeiro de 2006) Maria Borghezan (cláusula oitava, f. 329), a quem foram transferidas mais doze mil quotas, e que passou a deter 27.000 quotas do total de trinta mil (noventa por cento). Tal fato é relevante em face de possível necessidade de cobrança executiva judicial do crédito tributário lançado (vale assentar que consta ter sido lavrada representação fiscal para fins penais e não constam informações sobre a idoneidade financeira da novel administradora), nos termos da Portaria PGFN nº 180, de 25 de fevereiro de 2010, disponível na página da Internet http://www.receita.fazenda.gov.br/legislacao/portarias/2010/pgfn/portariapgfn180.ht m (consulta efetuada em 14 de setembro de 2011), que estabelece: (...) Em conclusão, a favor da conversão do julgamento em diligência junto à autoridade lançadora, podese considerar a vantagem para a constituição definitiva do crédito tributário , de ser deferido o pedido da impugnante, formulado à f. 3182, oportunidade em que a autoridade fiscal, mediante autorização das autoridades administrativas correspondentes (Delegados, Superintendentes) se fosse o caso, estaria em condições de sanear deficiências do procedimento anteriormente realizado (como, p. ex., intimação a respeito da “origem” dos recursos aplicados em depósitos em contas bancárias art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, já mencionado nesta Declaração de Voto. 2 c.) determinar que a Receita Federal do Brasil diligencie junto aos frigoríficos contratados de modo a esclarecer se houve alguma movimentação financeira nas contas bancárias destas empresas de modo a verificar o alegado; inclusive, pesquisando administrativamente as contas bancárias da empresa MASTER SUL DISTRIBUIDORA DE CARNES E CEREAIS LTDA., inscrita no CNPJ nº 03.530.262/000237, IE nº 121/0049896, com sede na Rua Ramiro Barcelos, nº 4845, Bairro Bandeira Branca, em São Gerônimo [sic] (RS), bem como do FRIGORÍFICO MARIANTE LTDA., inscrito no CNPJ nº 87.243.127/000110, com sede na Rua Ernesto Guedes, nº 82, em Vila Mariante, município de Venâncio Aires (RS); Fl. 704DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 11516.000338/200914 Resolução n.º 140200.124 S1C4T2 Fl. 20 19 (...)” Registrese que nos fundamentos da decisão de 1a. instância não há maiores justificativas para o indeferimento da diligência propostas pelos julgadores vencidos naquele julgamento. Dizse, apenas que “os elementos já trazidos ao processo se mostram suficientes para a formação de juízo deste julgador”. Conclusão Pela analise dos autos formei pleno convencimento da necessidade da diligência, tal qual proposto por dois julgadores de 1a. instância, para esclarecer se houve alguma movimentação financeira nas contas bancárias das empresas FRIGORIFICO MARIANTE LTDA. (CNPJ 87.243.127/000110) e MASTER SUL DISTRIBUIDORA DE CARNES E CEREAIS LTDA., inscrita no CNPJ nº 03.530.262/000237, com vistas a verificar a alegação da contribuinte de que os valores depositados pertencem, de fato, à empresa Frigorífico Mariante Ltda. (CNPJ 87.243.127/000110), bem como já foram oferecidos à tributação por aquela empresa. Todavia, a expressiva quantidade de documentos trazidos aos autos junto a impugnação (3.190 notas fiscais), que não foram juntadas ao processo, mas ficaram sob a guarda da Unidade de Origem, as quais também não foram objeto de análise pelos auditores responsáveis pelo procedimento fiscal, podem elucidar a origem dos recursos depósitos nas contas do contribuinte e, principalmente, se se tratam de valores já oferecidos à tributação por outra empresa (espontaneamente e antes do inicio da auditoria fiscal de que trata o presente processo). A Fiscalização deverá intimar as empresas envolvidas, especialmente a Contribuinte autuada, para que façam prova da transferência dos valores ingressados nas contas bancárias aos alegados titulares dos recursos, bem como a efetividade da tributação. Frisese que o ônus da prova é das empresas, outrossim, dentro do escopo dessa diligência, a Fiscalização poderá realizar outros procedimentos que entender cabíveis para a solução do litígio e, ao final, deverá lavrar relatório consubstanciado e intimar a contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 dias. Voto, pois, pela conversão do julgamento em diligência nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 705DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O
score : 1.0
Numero do processo: 10660.003675/2007-75
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em
âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais
questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder
Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do
CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao
CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que
suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e
do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e
materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência,
especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do
lançamento.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS COMPROVAÇÃO
DE REQUISITOS.
A entidade beneficente de assistência social, para gozar da isenção, deverá
requerê-la ao órgão competente, oportunidade em que deverá demonstrar que
cumpre, rigorosamente, cumulativamente todos os requisitos dos incisos do
art. 55 da Lei n° 8.212/1991.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONTRIBUIÇÃO AO SALÁRIO EDUCAÇÃO SUJEIÇÃO
Por força da Lei n° 9.424/96, são devidas contribuições sociais ao salário educação.
A contribuição social ao salário educação, sua constitucionalidade
é reconhecida através da Súmula de n ° 732 do Supremo Tribunal Federal, o
que reforça a presunção de legalidade da lei que instituiu sua cobrança
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA EMPRESA URBANA SUJEIÇÃO
A contribuição para o INCRA, mesmo após a publicação das Leis n° 7.787/89 e n° 8.212/91, permanece plenamente exigível, inclusive em relação
às empresas dedicadas a atividades urbanas.
Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao
INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Não se olvida que a
contribuição destinada ao INCRA tenha natureza distinta das contribuições
sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela
sua lei de criação e o Estatuto da Terra.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE EMPRESA DE GRANDE PORTE SUJEIÇÃO.
A contribuição para o SEBRAE, prevista no art. 8°, § 3°, da Lei n° 8.029/90,
não se restringe as micro e pequenas empresas, também incidindo em
empresa de grande porte.
CONTRIBUIÇÃO PARA O SESC E SENAC EXIGIBILIDADE
As contribuições aos SESC e SENAC, por força do Decreto-lei n° 2.318/86,
permanece plenamente exigível.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS
LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO
DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram
distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35
da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991
(que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava
sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de
ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei
quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine
penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua
prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se
deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora
(com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A,
Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos
legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-000.640
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Sat Mar 26 09:00:04 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201107
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10660.003675/2007-75
anomes_publicacao_s : 201107
conteudo_id_s : 4901706
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 25 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.640
nome_arquivo_s : 2403000640_10660003675200775_201107.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 10660003675200775_4901706.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
id : 4743476
ano_sessao_s : 2011
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS COMPROVAÇÃO DE REQUISITOS. A entidade beneficente de assistência social, para gozar da isenção, deverá requerê-la ao órgão competente, oportunidade em que deverá demonstrar que cumpre, rigorosamente, cumulativamente todos os requisitos dos incisos do art. 55 da Lei n° 8.212/1991. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONTRIBUIÇÃO AO SALÁRIO EDUCAÇÃO SUJEIÇÃO Por força da Lei n° 9.424/96, são devidas contribuições sociais ao salário educação. A contribuição social ao salário educação, sua constitucionalidade é reconhecida através da Súmula de n ° 732 do Supremo Tribunal Federal, o que reforça a presunção de legalidade da lei que instituiu sua cobrança PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA EMPRESA URBANA SUJEIÇÃO A contribuição para o INCRA, mesmo após a publicação das Leis n° 7.787/89 e n° 8.212/91, permanece plenamente exigível, inclusive em relação às empresas dedicadas a atividades urbanas. Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Não se olvida que a contribuição destinada ao INCRA tenha natureza distinta das contribuições sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE EMPRESA DE GRANDE PORTE SUJEIÇÃO. A contribuição para o SEBRAE, prevista no art. 8°, § 3°, da Lei n° 8.029/90, não se restringe as micro e pequenas empresas, também incidindo em empresa de grande porte. CONTRIBUIÇÃO PARA O SESC E SENAC EXIGIBILIDADE As contribuições aos SESC e SENAC, por força do Decreto-lei n° 2.318/86, permanece plenamente exigível. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 26 09:56:06 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1728355848719171584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 41; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2183; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 490 1 489 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.003675/200775 Recurso nº 260.321 Voluntário Acórdão nº 240300.640 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente ASSOCIAÇÃO DE PAIS E AMIGOS DOS EXCEPICIONAIS APAE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS COMPROVAÇÃO DE REQUISITOS. A entidade beneficente de assistência social, para gozar da isenção, deverá requerêla ao órgão competente, oportunidade em que deverá demonstrar que cumpre, rigorosamente, cumulativamente todos os requisitos dos incisos do art. 55 da Lei n° 8.212/1991. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 2 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONTRIBUIÇÃO AO SALÁRIO EDUCAÇÃO SUJEIÇÃO Por força da Lei n° 9.424/96, são devidas contribuições sociais ao salário educação. A contribuição social ao salárioeducação, sua constitucionalidade é reconhecida através da Súmula de n ° 732 do Supremo Tribunal Federal, o que reforça a presunção de legalidade da lei que instituiu sua cobrança PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA EMPRESA URBANA SUJEIÇÃO A contribuição para o INCRA, mesmo após a publicação das Leis n° 7.787/89 e n° 8.212/91, permanece plenamente exigível, inclusive em relação às empresas dedicadas a atividades urbanas. Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Não se olvida que a contribuição destinada ao INCRA tenha natureza distinta das contribuições sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE EMPRESA DE GRANDE PORTE SUJEIÇÃO. A contribuição para o SEBRAE, prevista no art. 8°, § 3°, da Lei n° 8.029/90, não se restringe as micro e pequenas empresas, também incidindo em empresa de grande porte. CONTRIBUIÇÃO PARA O SESC E SENAC EXIGIBILIDADE As contribuições aos SESC e SENAC, por força do DecretoLei n° 2.318/86, permanece plenamente exigível. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003675/200775 Acórdão n.º 240300.640 S2C4T3 Fl. 491 3 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Ivacir Júlio de Souza – Presidente Substituto Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Ausente o Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 435 a 487, apresentado contra Acórdão nº 0919.127 – 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Juiz de Fora MG, fls. 412 a 431, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 01, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.034.7706, no montante de R$ 95.806,41 (noventa e cinco mil, oitocentos e seis reais e quarenta e um centavos). Segundo a AuditoriaFiscal, de acordo com o Relatório Fiscal, fls. 19 a 21, o lançamento referese a as contribuições devidas pela empresa destinadas à Seguridade Social, correspondentes às partes da Empresa, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e de Terceiros, no período 12/2004 (13º salário), 13/2005, 02/2006 a 12/2006 e 13/2006. Conforme o Relatório Fiscal, fls. 19 a 21, considerandose a ocorrência do cancelamento da isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias a partir de 01/01/2004, por meio do Ato Cancelatório n 0 001/2007, de 13 de fevereiro de 2007, procedeu se à apuração das contribuições patronais, inclusive das contribuições de terceiros, devidas no período de 01/2004 a 12/2006, efetuando o lançamento do respectivo credito: 5.1 As bases de calculo, definidas pelas remunerações devidas, creditadas ou pagas aos segurados empregados foram apuradas nos Resumos da Folhas de Pagamento, devidamente informadas nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações para a Previdência Social — GFIP nos períodos de 12/2004 a 12/2006. 5.2 Cabe ressaltar que a isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias esteve em vigor no período de 23/10/1998 a 31/12/2003 pelo Ato Declaratório n° 11431/002 2007, de 13 de fevereiro de 2007. 5.3 Observase que após 01/01/2004 a Associação informa na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP o código FPAS 639 (Entidade Filantrópica — Lei n° 3.577/59 e Decreto Lei n°1.577/77 e Entidade Beneficente de Assistência Social, Lei n° 8212/91) e recolhe as contribuições providenciarias no Código de pagamento 2305 (Filantrópicas com Isenção — CNPJ). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003675/200775 Acórdão n.º 240300.640 S2C4T3 Fl. 492 5 O Relatório Fiscal, às fls. 19 a 21, apresenta ainda a relação dos documentos examinados para a apuração e lançamento do crédito, bem como as atividades exercidas pela Recorrente, a síntese do estatuto da entidade, as alíquotas aplicadas, a forma de atualização do crédito, os autos de infração e as demais notificações de débito lavradas contra o contribuinte durante a ação fiscal, os documentos que integram a NFLD, os procedimentos para a regularização do débito e a identificação dos representantes legais da entidade no período notificado. No Anexo do Relatório Fiscal, às fls. 29, há a cópia do Ato Declaratório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais nº 001/2007, datado de 13.02.2007, reconhecendo a isenção para o período 23.10.1998 a 31.12.2003. Ainda, no Anexo do Relatório Fiscal, às fls. 30, há a cópia do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais nº 11431/0022007, datado de 13.02.2007, com o cancelamento da isenção a partir de 01.01.2004, nestes termos: I Atestado de Registro junto ao C.N A.S. expedido conforme Processo n° 248512170 na Sessão realizada em 12/11/1970. II Certificado de Entidades de Fins Filantrópicos expedido pelo CNAS através da Resolução n° 004/2003, conforme Processo n° 44006003682/200029, Publicado no D OU. em 10/0212003, com validade até 31/12/2003 III Utilidade Pública Federal concedida pelo Decr. N° 94.054 , publicado no D.O.U. de 25/02/1987; IV Isenção concedida através do Processo n°11625.01014/98 de 23/10/1998 V CANCELO, a partir de 01/01/2004 a isenção concedida à Entidade supra mencionada, com base no disposto no artigo 206 do RPS Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, por ter infringido o disposto nos incisos II do artigo 55 da Lei n° 8.212 de 24 de julho de 1991. Observase que o art. 55, Lei 8.212/1991, com a redação à época: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Revogado pela Medida Provisória nº 446, de 2008). (...) II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 6 Foi emitido o Termo de Início da Ação Fiscal, às fls. 23 e 24, com ciência do contribuinte em 23.07.2007, conforme Aviso de Recebimento – AR nº 478633514BR, bem como o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09412476F00, com período de apuração de 01/1997 a 12/2006, às fls. 22. O período do débito, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 07, é de 12/2004 a 13/2006. A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 17.09.2007, conforme Aviso de Recebimento – AR nº 478636762BR, às fls. 67. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva, às fls. 68 a 108, com Anexos às fls. 109 a 404, na qual relaciona os seguintes documentos: Doc. 1 Procuração; Doc. 2 Cadastro CNPJ, Estatuto Social e Ata de Eleição da Diretoria; Doc. 3 Declaração de Utilidade Pública Federal; Doc. 4 Declaração de Utilidade Pública Estadual; Doc. 5 Declaração de Utilidade Pública Municipal; Doc. 6 Declaração de Imunidade de Imposto de Renda Pessoa Jurídica; Doc. 7 Certificado de Entidade Beneficente e de Assistência Social CEBAS; Doc. 8 Certidão do CNAS sobre o pedido de Reconsideração; Doc. 9 Ato Cancelatório n°001/2007 e Declaratório n° 11431/0022007; Doc. 10 Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos; Doc. 11 Registro no Conselho Nacional de Assistência Social CNAS; Doc. 12 Atestado de Funcionamento da Prefeitura Municipal de Santa Rita do Sapucaí; Doc. 13 Relatórios de Atividades dos anos 1997, 1998, 2004, 2005 e 2006; Doc. 14 Demonstrativos Contábeis dos anos 1997, 1998, 2004, 2005 e 2006; Doc. 15 Prêmios e Méritos recebidos pela APAE de Santa Rita do Sapucaí; Doc. 16 Declaração de idoneidade do Ministério Público do Estado de Minas Gerais; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003675/200775 Acórdão n.º 240300.640 S2C4T3 Fl. 493 7 Doc. 17 Inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes CGC, Registro no Conselho Nacional de Serviço Social, Inscrição no Instituto Nacional de Previdência Social INPS. A Recorrida, conforme o Acórdão nº 0919.127 – 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Juiz de Fora MG, fls. 412 a 431, analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2006 CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO. VALORES DECLARADOS EM GFIP. COTA PATRONAL A empresa é obrigada a arrecadar e recolher as contribuições incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados de que tratam os artigos 22, incisos I e II, bem como as contribuições para os "Terceiros", na forma do disposto no artigo 94, da Lei n°8.212/91. ENTIDADE ISENTA. REQUISITOS LEGAIS. NÃO ATENDIMENTO. ATO CANCELATÓRIO. Fica isenta das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei n° 8.212/1991 a entidade beneficente de assistência social que atenda cumulativamente os requisitos previstos no artigo 55 da referida lei. O Instituto Nacional do Seguro Social – INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto na Lei n° 8.212/1991. SAT. TERCEIROS. LEGISLAÇÃO PERTINENTE. APLICABILIDADE. Por expressa determinação legal, incidem sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e trabalhadores avulsos as contribuições a cargo da empresa, do SAT/RAT e as destinadas aos terceiros, cabendo ao fisco a aplicação de lei, decreto ou ato normativo atinente à matéria. Não ocorre afronta ao principio da legalidade quando se estabelece, por meio de decreto, os graus de risco (leve, médio ou grave) para efeito da contribuição social ao Seguro de Acidente do Trabalho, a indo da atividade preponderante da empresa. INCRA. SESC. SENAC. SEBRAE. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 8 As contribuições para os terceiros estão de acordo com o ordenamento jurídico em vigor. Como adicional às contribuições do SENAC e SESC, é devida também a contribuição destinada ao SEBRAE. TAXA SELIC. PREVISÃO LEGAL. Conforme previsão legal, os créditos previdenciários sujeitamse ao cômputo de juros equivalentes á taxa SELIC e à multa moratória, aplicados em caráter irrelevável. LEGALIDADE E/OU CONSTITUCIONAL1DADE DE LEI. ARGÜIÇÃO. DESCABIMENTO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. O controle da legalidade/constitucionalidade de lei ou ato normativo é, em regra, prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, portanto, não sendo o julgador de primeira instância competente para manifestarse sobre o assunto. Lançamento Procedente Acordam os membros da 6a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar PROCEDENTE o lançamento constituído pela Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n" 37.034.7706 mantendo o crédito previdenciário no valor de R$95.806,41 (noventa e cinco mil, oitocentos e seis reais e quarenta e um centavos), consolidado em 29/08/2007. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30(trinta) dias da ciência deste acórdão, salvo interposição de recurso voluntário ao 2° Conselho de Contribuintes em igual prazo, de acordo com §1° do art. 305 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, com a redação do Decreto n° 4.729, de 09/06/2003, combinado com o art. 29 da Lei 11.457, de 16/03/2007. Encaminhese à Sacat/DRF Varginha/MG para cientificar o contribuinte do inteiro teor deste acórdão e demais providências necessárias ao seu cumprimento. Sala de Sessões, em 27 de março de 2008. Inconformada com a decisão da Recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 435 a 487, onde alega, em apertada síntese: Em sede de Preliminar. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003675/200775 Acórdão n.º 240300.640 S2C4T3 Fl. 494 9 (i) Dos fatos. Entendeu a decisão recorrida em manter a exigência fiscal contida na Notificação Fiscal de Débito DebCad. 37.034.770 6, relativa ao não recolhimento das contribuições previdenciárias patronais e de terceiros devidas no período de 12/2004 a 12/2006. Esse entendimento, contudo, não deve prevalecer, pois tratase de entidade imune e está em discussão o cancelamento da isenção, ainda pendente de decisão final. Razão pela qual a entidade permanece gozando da imunidade até decisão final do CNAS sobre o pedido de reconsideração, e decisão final do Conselho de Contribuintes, sobre os recursos voluntários apresentados às NFLD´s, em que se discute o mencionado cancelamento.• (ii) Da natureza jurídica da entidade e a imunidade tributária. Teceu comentários acerca da natureza jurídica da impugnante e sua imunidade tributária, alegando que a entidade sempre teve renovado o Certificado de Entidade Filantrópica, posto ser a recorrente entidade de caráter beneficente, filantrópico, de assistência social, de educação, cultural, de saúde, de estudo e pesquisa, desportivo e outros, sem fins lucrativos, constituída na forma de Associação, fundada em 30 de setembro de 1969, e devidamente registrada no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas, Títulos e Documentos e Registros de Protestos de Títulos de Santa Rita do Sapucaí estando o Estatuto (doc. 2), em seus arts. 1°, 2° e 4° (que definem o objetivo social), 45 e 46 (que disciplinam o patrimônio e as rendas da entidade. A entidade foi declarada de utilidade pública pelos Governos Federal, conforme Decreto 94.054 de 24/02/1987 (doc. 3); Estadual pela Lei n° 8.627 de 20/07/1984 (doc. 4); e Municipal pela Lei n° 878 de 27/11/1972 (doc. 5), sendo, ademais, reconhecida como de fins filantrópicos, durante mais de 30 (trinta anos), conforme atestado pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, e imune do Imposto de Renda, pela Receita Federal, anualmente (doc. 6). (iii) Da APAE e suas atividades sociais beneméritas. A APAE de Santa Rita do Sapucaí, fundada em 30 de setembro de 1969, e em pleno funcionamento desde então, vem auxiliando e contribuindo com a comunidade local e de municípios vizinhos, prestando inúmeros serviços à comunidade carente, tais como atendimento médico, ensino, esportes entre outros. É um modelo reconhecido de instituição voltada ao cuidado das crianças excepcionais. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 10 A APAE, nos termos de seu Estatuto Social, não remunera seus dirigentes e diretores e nem distribui lucros, bonificações, ou qualquer outra vantagem ou beneficio, a qualquer título. Todo o serviço prestado pela APAE é gratuito, e sua renda advém unicamente de contribuições e doações de particulares e auxílios do Poder Público, conforme prevê seu Estatuto. (iv)_ O Ato Cancelatório expedido pelo INSS. Em 13/02/07 foi expedido pelo Chefe da Arrecadação da Delegacia da Receita Previdenciária de Varginha, Sr. Herivelto Alves de Mendonça, o Ato Cancelatório n° 001/2007 (doc. 9) da isenção gozada pela recorrente, face ao equivocado entendimento da fiscalização previdenciária de que a entidade não teria o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social e, por essa razão, teria descumprido as disposições do inciso II do art. 55 da Lei 8212/91. Foram então, lavrados os lançamentos contidos nas NFLD's n's 37.034.7706, 37.034.768 4 e 37.034.7706. A fiscalização do INSS poderia emitir ato cancelatório de isenção, se já houvesse sido proferida decisão definitiva, indeferindo a expedição do CEBAS o que não ocorreu até o presente momento (doc. 8). Isso porque, se o órgão competente do Ministério da Previdência e Assistência Social atesta que a instituição faz jus à imunidade, determinando, em conseqüência, a expedição do CEBAS, é defeso ao INSS pretender afastar, sem autorização legal, a desoneração reconhecida pelo órgão autorizado a tanto. Com efeito, se o INSS não pode emitir o Certificado, não tem, também, competência para emitir qualquer juízo sobre um Certificado emitido pelo órgão competente (art. 55, II, da Lei 8212/91), o que resulta na nulidade do ato Cancelatório da isenção n° 001/2007. (v) O conflito de competência entre o CNAS e o INSS. O art. 18, V, da Lei 8742/1993 estabelece competência EXCLUSIVA do CNAS para fixar as normas para a concessão de registros e certificado de fins filantrópicos às entidades, além de conceder Atestado de registro e Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social (atual CEBAS), A fiscalização do INSS só pode emitir ato cancelatório de isenção se a entidade não for portadora do CEBAS. Isso porque se o órgão competente do Ministério da Previdência e Assistência Social atesta que a instituição faz jus à imunidade, determinando, em conseqüência, a expedição do CEBAS, é defeso ao INSS pretender afastar, sem autorização legal, a desoneração que foi reconhecida pelo órgão autorizado a tanto. No caso da recorrente, a NFLD n° 37.034.7706 exige Contribuições Sociais Previdenciárias do período de 01/2004 a 01/2006, sem considerar o pedido de reconsideração (Processo Fl. 10DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003675/200775 Acórdão n.º 240300.640 S2C4T3 Fl. 495 11 71010.001665/200744), o qual está em análise, conforme prova o documento anexo aos autos (doc. 8), expedido pelo CNAS. Ou seja, em 10/02/2003, houve a renovação do certificado para o período de 01/01/2001 a 31/12/2003, sendo indeferido o pedido de renovação para os exercícios posteriores (Resolução n° 251/2006) e que a Recorrente apresentou pedido de reconsideração junto ao CNAS (Processo n°71010.001665/2007 44), o qual está sob análise. A Recorrente preenche todos os requisitos legais, tanto da Lei 8212/91 (art.55) como do art. 14 do CTN, razão pela qual sempre teve renovado o seu Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, não podendo o INSS interferir na competência do CNAS, órgão que examinou e avaliou os documentos apresentados pela recorrente e a considerou apta a usufruir da imunidade tributária. Por tais razões, não poderia ser lavrada a NFLD. (vi) Do exame no processo administrativo de questões de natureza constitucional e ilegalidade Não há, pois, como deixar de ser examinada matéria constitucional alegada pela Recorrente em sua defesa e agora reiterada no presente recurso, sob pena de restar violado o seu direito de ampla defesa assegurado pela Constituição. E ampla defesa compreendese toda matéria argüida pela Recorrente, juridicamente válida, "falecendo competência ao órgão Julgador", isto sim, de dizer o que pode julgar e o que não pode julgar no processo administrativo. A Recorrente ao alegar matéria constitucional em sua defesa não pediu ao órgão julgador administrativo a declaração de inconstitucionalidade da lei, função Que deve ser exercida pelo Poder Judiciário, em função do principio da reserva de jurisdição, mas tão somente que fosse cumprida a Constituição. Quando os contribuintes alegam a inconstitucionalidade de uma lei, não pedem aos tribunais administrativos que ´declare a inconstitucionalidade da lei, mas que façam cumprir a Constituição. Pedem, na realidade, que determinado dispositivo de lei não seja aplicado àquele caso concreto, por ser inconstitucional. Do Mérito. (vii) Da imunidade tributária. No mérito, a recorrente é titular de imunidade tributária, que lhe põe a salvo das Contribuições exigidas ilegitimamente na Fl. 11DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 12 Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, de vez que preenche todos os requisitos previstos no art. 14 do CTN para enquadrarse na situação descrita no art. 195, § 70 da CF. Está, portanto, desonerada de exações tributárias, na forma da Lei 11.096/2005. Elenca os documentos com os quais cumpre os requisitos para a imunidade tributária: 1) Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, concedido em 05/07/1973, pelo Processo n° 237.138/73, com validade para o período de 01/01/1998 a 31/12/2000 (doc. 10); 2) Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS renovado para o período de 01/01/2001 a31/12/2003 (doc. 7); 3) Certidão emitida pelo Conselho Nacional de Assistência Social, em 17/08/2007, atestando que o pedido de Reconsideração, para a renovação do CEAS, pelo Processo 71010.001665/2007 44 , ainda se encontra em análise (doc. 8); 4) Atestado de Registro da Entidade junto ao Ministério do Bem Estar Social e o Conselho Nacional de Assistência Social, desde 12/11/1970 (doc. 11); 5) Atestado de Funcionamento expedido pela Prefeitura Municipal de Santa Rita do Sapucaí, que certifica que a Entidade está em pleno e regular funcionamento desde 30/09/1969, cumprindo suas finalidades estatutárias e sociais no que concerne às atividades assistenciais, beneficentes e filantrópicas (doc. 12); 6) Relatórios anuais das atividades desenvolvidas pela entidade nos anos de 1997, 1998, 2004, 2005 e 2006 e demonstrações contábeis relativas aos anos de 1997, 1998, 2004, 2005 e 2006 que comprovam a sua adequação em todos os aspectos relevantes, de acordo com as práticas contábeis emanadas da legislação de regência (docs. 13 e 14). Ora, conforme demonstrado, sendo a imunidade do art. 195 § 7º da CF uma limitação ao poder de tributar, não pode o legislador ordinário criar outros requisitos para o seu gozo que não os do art. 14 do CTN, em face do disposto no art. 146, II da Lei Fundamental. Vale dizer: o art. 195, parágrafo 7° da Carta coloca sob reserva legal a definição do conceito de entidade beneficente de assistência social, mediante a indicação dos comportamentos que a habilitem ao gozo da imunidade, observado o perfil traçado pelo texto maior. O conceito de entidade beneficente de assistência social tem suas balizas estabelecidas no próprio texto constitucional. Nem o legislador ordinário nem tampouco a autoridade administrativa podem ultrapassálas, sob pena de criar restrições à imunidade do art. 195, § 7º da CF, incidindo em violação á Lei Maior. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003675/200775 Acórdão n.º 240300.640 S2C4T3 Fl. 496 13 (viii) Da inexigibilidade do Salário Educação, SAT, SESC, SENAC, SEBRAE, INCRA. Argüiu a inexigibilidade do SAT, do SalárioEducação, do INCRA, do SESC, SENAC e SEBRAE, citando normas e tecendo comentários acerca de cada uma dessas rubricas. (ix) Descabimento de aplicação de taxa SELIC. Descabe a incidência, sobre o principal, da Taxa SELIC, a título de correção monetária, em razão de referido índice ter natureza de juros remuneratórios, que são inaplicáveis ao crédito tributário. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 489. É o Relatório. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 14 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 489. DO DEPÓSITO RECURSAL O Supremo Tribunal Federal – STF editou a Súmula Vinculante nº 21 que afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (i) Da validade do lançamento fiscal. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.034.7706 de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a parte patronal e a terceiros. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003675/200775 Acórdão n.º 240300.640 S2C4T3 Fl. 497 15 Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada a NFLD nº 37.034.7706 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da NFLD nº 37.034.7706) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); Fl. 15DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 16 b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. RDA – Relatório de Documentos Apresentados este relatório relaciona, por estabelecimento e por competência, as parcelas que foram deduzidas das contribuições apuradas, constituídas por recolhimentos, valores espontaneamente confessados pelo sujeito passivo e, quando for o caso, por valores que tenham sido objeto de notificação anteriores. f. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); g. REPLEG Relatório de Representantes Legais (Este relatório lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação.); h. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); i. MPF – Mandado de Procedimento Fiscal j. TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal; k. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal;. l. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003675/200775 Acórdão n.º 240300.640 S2C4T3 Fl. 498 17 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose a NFLD nº 37.034.7706, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (vi) Da inconstitucionalidade violação a preceitos constitucionais. O Recorrente argumenta em relação à violação a preceitos constitucionais: Do exame no processo administrativo de questões de natureza constitucional e ilegalidade. Não há, pois, como deixar de ser examinada matéria constitucional alegada pela Recorrente em sua defesa e agora reiterada no presente recurso, sob pena de restar violado o seu direito de ampla defesa assegurado pela Constituição. E ampla defesa compreendese toda matéria argüida pela Recorrente, juridicamente válida, "falecendo competência ao órgão Julgador", isto sim, de dizer o que pode julgar e o que não pode julgar no processo administrativo. A Recorrente ao alegar matéria constitucional em sua defesa não pediu ao órgão julgador administrativo a declaração de inconstitucionalidade da lei, função Que deve ser exercida pelo Poder Judiciário, em função do principio da reserva de jurisdição, mas tão somente que fosse cumprida a Constituição. Quando os contribuintes alegam a inconstitucionalidade de uma lei, não pedem aos tribunais administrativos que ´declare a inconstitucionalidade da lei, mas que façam cumprir a Fl. 17DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 18 Constituição. Pedem, na realidade, que determinado dispositivo de lei não seja aplicado àquele caso concreto, por ser inconstitucional. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Fl. 18DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003675/200775 Acórdão n.º 240300.640 S2C4T3 Fl. 499 19 Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (ii) Da natureza jurídica da entidade e a imunidade tributária. Teceu comentários acerca da natureza jurídica da impugnante e sua imunidade tributária, alegando que a entidade sempre teve renovado o Certificado de Entidade Filantrópica, posto ser a recorrente entidade de caráter beneficente, filantrópico, de assistência social, de educação, cultural, de saúde, de estudo e pesquisa, desportivo e outros, sem fins lucrativos, constituída na forma de Associação, fundada em 30 de setembro de 1969, e devidamente registrada no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas, Títulos e Documentos e Registros de Protestos de Títulos de Santa Rita do Sapucaí estando o Estatuto (doc. 2), em seus arts. 1°, 2° e 4° (que definem o objetivo social), 45 e 46 (que disciplinam o patrimônio e as rendas da entidade.(...) (iii) Da APAE e suas atividades sociais beneméritas. A APAE de Santa Rita do Sapucaí, fundada em 30 de setembro de 1969, e em pleno funcionamento desde então, vem auxiliando e contribuindo com a comunidade local e de municípios vizinhos, prestando inúmeros serviços à comunidade carente, tais como atendimento médico, ensino, esportes entre outros. É um modelo reconhecido de instituição voltada ao cuidado das crianças excepcionais. (...) (vii) Da imunidade tributária. No mérito, a recorrente é titular de imunidade tributária, que lhe põe a salvo das Contribuições exigidas ilegitimamente na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, de vez que preenche todos os requisitos previstos no art. 14 do CTN para enquadrarse na situação descrita no art. 195, § 70 da CF. Está, portanto, desonerada de exações tributárias, na forma da Lei 11.096/2005. (...) Analisemos estes tópicos (ii), (iii), e (vii). Fl. 19DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 20 Em que pese a argumentação do Recorrente, em relação ao art. 195, § 7° da Constituição Federal de 1988 – CRFB/1988, observemos que o Supremo Tribunal Federal – STF na ADI 2.028 – 5 (vide também a ADI 2.0366, no mesmo sentido) assentou jurisprudência no sentido de que não há inconstitucionalidade no disciplinamento da imunidade prevista no art. 195, § 7° da Constituição Federal de 1988, por lei ordinária. Neste sentido, pela clareza de suas lições, confirase o entendimento exarado no voto proferido pelo Ministro José Carlos Moreira Alves: Ou seja, o art. 195, § 7° da Constituição Federal de 1988, remete a Lei ordinária, quanto à isenção das contribuições previdenciárias: "Art. 195 (..) § 7° São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." (gn) Por outro lado, lembremos que é vedado ao Conselheiro do CARF afastar a aplicação de lei ou ato normativo por inconstitucionalidade, nos termos da Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 20DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003675/200775 Acórdão n.º 240300.640 S2C4T3 Fl. 500 21 Então, colacionando a decisão liminar julgada pelo Pleno do STF na ADI 2.028 – 5, na relatoria do eminente Min. Moreira Alves, de modo a implicar na restauração da redação original do art. 55, Lei 8.212/1991: Decisão : O Tribunal, por unanimidade, referendou a concessão da medida liminar para suspender, até a decisão final da ação direta, a eficácia do art. 1º, na parte em que alterou a redação do art. 55, inciso III, da Lei nº 8.212, de 24/7/1991, e acrescentoulhe os § § 3º, 4º e 5º, bem como dos arts. 4º, 5º e 7º, da Lei nº 9.732, de 11/12/1998. Votou o Presidente. Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello. Plenário, 11.11.99. O citado dispositivo, art. 195, § 7º, CRFB/1988, remete à lei ordinária a incumbência da definição das exigências a serem atendidas pelas entidades beneficentes para gozarem de isenção das contribuições previdenciárias, exigências estas insculpidas no art. 55 da Lei n° 8.212/1991: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I — seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal,. II — seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III —promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV — não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10.12.97). § 1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. §2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. Fl. 21DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 22 Da leitura do regramento legal acima, concluise que a entidade beneficente, para gozar da isenção, deverá requerêla ao órgão competente, oportunidade em que deverá demonstrar que cumpre, rigorosamente, todos os requisitos dos incisos I a V do art. 55 da Lei n° 8.212/1991. A forma de apresentação do requerimento está disciplinada no art. 208 do Decreto n°3.048/1999, com a redação à época dos fatos: Art.208. A pessoa jurídica de direito privado deve requerer o reconhecimento da isenção ao Instituto Nacional do Seguro Social, em formulário próprio, juntando os seguintes documentos: I decretos declaratórios de entidade de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II Registro e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) III estatuto da entidade com a respectiva certidão de registro em cartório ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas; IV ata de eleição ou nomeação da diretoria em exercício, registrada em cartório ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas; V comprovante de entrega da declaração de imunidade do imposto de renda de pessoa jurídica, fornecido pelo setor competente do Ministério da Fazenda; VI relação nominal de todas as suas dependências, estabelecimentos e obras de construção civil, identificados pelos respectivos números de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica ou matrícula no Cadastro Específico do Instituto Nacional do Seguro Social; e VII resumo de informações de assistência social, em formulário próprio. §1º O Instituto Nacional do Seguro Social decidirá sobre o pedido no prazo de trinta dias contados da data do protocolo. §2º Deferido o pedido, o Instituto Nacional do Seguro Social expedirá Ato Declaratório e comunicará à pessoa jurídica requerente a decisão sobre o pedido de reconhecimento do direito à isenção, que gerará efeito a partir da data do seu protocolo. §3ºA existência de débito em nome da requerente constitui impedimento ao deferimento do pedido até que seja regularizada a situação da entidade requerente, hipótese em que a decisão concessória da isenção produzirá efeitos a partir do 1º dia do mês em que for comprovada a regularização da situação. (Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) §4º No caso de não ser proferida a decisão de que trata o §1º, o interessado poderá reclamar à autoridade superior, que Fl. 22DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003675/200775 Acórdão n.º 240300.640 S2C4T3 Fl. 501 23 apreciará o pedido da concessão da isenção requerida e promoverá a apuração de eventual responsabilidade do servidor omisso, se for o caso. §5º Indeferido o pedido de isenção, cabe recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social, que decidirá por uma de suas Câmaras de Julgamento. §6º Os documentos referidos nos incisos I a V poderão ser apresentados por cópia, conferida e autenticada pelo servidor encarregado da instrução, à vista dos respectivos originais. Feito o requerimento, o órgão competente decidirá em 30 (trinta) dias sobre o pedido e, em caso de deferimento, emitirá Ato Declaratório, com efeitos a partir da data do seu protocolo. A titulo de esclarecimento o órgão competente era até 27/10/2004 o Instituto Nacional do Seguro Social INSS; de 28/10/2004 a 14108/2005 e 19/11/2005 a 01/05/2007 a Secretaria da Receita Previdenciária SRP, criada pela MP 222 de 04/10/2004, convertida na Lei 11.098/2005; de 15/08/2005 a 18/11/2005 e a partir de 02/05/2007 a Receita Federal do Brasil RFB, por força da MP n°258, de 21/07/2005 e da Lei n° 11.457/2007, respectivamente. Atestou o Relatório Fiscal, às fls. 19 a 21, que a Recorrente teve o cancelamento da isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, a partir de 01.01.2004, nos termos do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais nº 11431/0022007, datado de 13.02.2007, por ter infringido o disposto no inciso II do artigo 55 da Lei n° 8.212 de 24 de julho de 1991. Então, conforme estabelece a legislação já mencionada, ou seja, art. 55, Lei 8.212/1991 c/c art. 208 do Decreto n°3.048/1999, a Recorrente está assim obrigada a recolher as contribuições previdenciárias integralmente, ou seja, relativas à parte dos segurados, da empresa e de Terceiros. Feitas essas considerações ficou demonstrado que, ao contrário da argumentação do Recorrente, ele não faz jus no período notificado à isenção de contribuições previdenciárias. (iv)_ O Ato Cancelatório expedido pelo INSS. Em 13/02/07 foi expedido pelo Chefe da Arrecadação da Delegacia da Receita Previdenciária de Varginha, Sr. Herivelto Alves de Mendonça, o Ato Cancelatório n° 001/2007 (doc. 9) da isenção gozada pela recorrente, face ao equivocado entendimento da fiscalização previdenciária de que a entidade não teria o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social e, por essa razão, teria descumprido as disposições do inciso II do art. 55 da Lei 8212/91. Foram então, lavrados os Fl. 23DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 24 lançamentos contidos nas NFLD's n's 37.034.7706, 37.034.768 4 e 37.034.7706. (...) (v) O conflito de competência entre o CNAS e o INSS. O art. 18, V, da Lei 8742/1993 estabelece competência EXCLUSIVA do CNAS para fixar as normas para a concessão de registros e certificado de fins filantrópicos às entidades, além de conceder Atestado de registro e Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social (atual CEBAS),(...) Analisemos estes tópicos (iv) e (v). Conforme o Relatório Fiscal, fls. 19 a 21, considerandose a ocorrência do cancelamento da isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias a partir de 01/01/2004, por meio do Ato Cancelatório n 0 001/2007, de 13 de fevereiro de 2007, procedeu se à apuração das contribuições patronais, inclusive das contribuições de terceiros, devidas no período de 01/2004 a 12/2006, efetuando o lançamento do respectivo credito: 5.1 As bases de calculo, definidas pelas remunerações devidas, creditadas ou pagas aos segurados empregados foram apuradas nos Resumos da Folhas de Pagamento, devidamente informadas nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações para a Previdência Social — GFIP nos períodos de 12/2004 a 12/2006. 5.2 Cabe ressaltar que a isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias esteve em vigor no período de 23/10/1998 a 31/12/2003 pelo Ato Declaratório n° 11431/002 2007, de 13 de fevereiro de 2007. No Anexo do Relatório Fiscal, às fls. 29, há a cópia do Ato Declaratório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais nº 001/2007, datado de 13.02.2007, reconhecendo a isenção para o período 23.10.1998 a 31.12.2003. Ainda, no Anexo do Relatório Fiscal, às fls. 30, há a cópia do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais nº 11431/0022007, datado de 13.02.2007, com o cancelamento da isenção a partir de 01.01.2004, nestes termos: I Atestado de Registro junto ao C.N A.S. expedido conforme Processo n° 248512170 na Sessão realizada em 12/11/1970. II Certificado de Entidades de Fins Filantrópicos expedido pelo CNAS através da Resolução n° 004/2003, conforme Processo n° 44006003682/200029, Publicado no D OU. em 10/0212003, com validade até 31/12/2003 III Utilidade Pública Federal concedida pelo Decr. N° 94.054 , publicado no D.O.U. de 25/02/1987; IV Isenção concedida através do Processo n°11625.01014/98 de 23/10/1998 Fl. 24DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003675/200775 Acórdão n.º 240300.640 S2C4T3 Fl. 502 25 V CANCELO, a partir de 01/01/2004 a isenção concedida à Entidade supra mencionada, com base no disposto no artigo 206 do RPS Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, por ter infringido o disposto nos incisos II do artigo 55 da Lei n° 8.212 de 24 de julho de 1991. Observase que o art. 55, Lei 8.212/1991, com a redação à época: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Revogado pela Medida Provisória nº 446, de 2008). (...) II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Em relação ao direito à isenção enquanto estiver pendente de decisão o pedido de reconsideração encaminhado ao Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, não prospera a argumentação da Recorrente pois não há qualquer efeito suspensivo em tal pedido de reconsideração ao CNAS. O Regimento Interno do CNAS, aprovado pela Resolução 177, de 08/12/2004, com a consolidação atual, aponta no art. 41 que o pedido de reconsideração e o recurso interposto na decisão do CNAS não terão efeito suspensivo: Seção IV Do Pedido de Reconsideração e do Recurso Art. 39. Caberá pedido de Reconsideração ao próprio CNAS, no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da recepção do Aviso do Recebimento – AR notificatório, no caso de indeferimento de pedidos de Registro, Concessão ou Renovação de CEAS e Manifestação sobre Isenção de Impostos de Importação. § 1º Os pedidos de reconsideração aos indeferimentos do Registro e/ou concessão ou renovação do CEAS e Manifestação sobre Isenção de Imposto de Importação, terão suas Notas Técnicas submetidas à aprovação de uma junta composta pelo Secretário Executivo, pelo/a Coordenador(a) e Chefe do Serviço responsáveis pela elaboração das notas técnicas. § 2º Os processos referentes aos pedidos de reconsideração obedecerão ao mesmo trâmite de distribuição e julgamento relativos aos pedidos de Registro, de concessão ou renovação do CEAS. Art. 40. Mantido o indeferimento, pelo Plenário, caberá recurso ao Ministro de Estado do Ministério da Previdência Social Fl. 25DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 26 MPS, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da publicação da resolução no Diário Oficial da União, sendo legitimados para interpor o recurso a entidade interessada, o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS e a Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Art. 41. O pedido de reconsideração e o recurso interposto na decisão do CNAS não terão efeito suspensivo. Outrossim, o argumento utilizado pela Recorrente acerca do conflito de competências entre o INSS e o CNAS também não merece prosperar pois as esferas de competência dos órgãos estão delimitadas pelas legislações respectivas, o que afasta de plano a análise e julgamento por esta E. Turma de possíveis ilações a respeito de inconstitucionalidades e/ou ilegalidades no desempenho das atribuições cometidas a tais órgãos posto que a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ainda assim, anotese que a Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, nos termos do Parecer CJ nº. 3.093/2003, aponta a competência legal do INSS para o cancelamento da isenção relacionada ao art. 55, Lei 8.212/1991, ainda que possuam o CEBAS em vigor: PARECER/CJ n º 3.093/03 ASSUNTO: Isenção do art. 55 da Lei n° 8.212/91. Cancelamento EMENTA: DIREITO PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 195, § 7º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E REGULAMENTADA PELO ARE 55 DA LEI N` 8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991. ÓRGÃO COMPETENTE PARA A CONCESSÃO E PARA O CANCELAMENTO DA ISENÇÃO. INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL — INSS. Ao INSS compete julgar os pedidos de concessão de isenção das contribuições para a seguridade social, prevista no art. 195, § 7º, da Constituição, e regulamentada pelo art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Compete ao INSS cancelar, a qualquer momento, a isenção das entidades que não estejam cumprindo os requisitos previstos no art. 55 da Lei n° 8212/91. ainda que possuam CERAS em vigor. A competência do INSS para conceder, fiscalizar e cancelar a isenção das contribuições para a seguridade social, com fundamento nos requisitas previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, existe desde a publicação deste diploma legal no Diário Oficial da União. Fl. 26DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003675/200775 Acórdão n.º 240300.640 S2C4T3 Fl. 503 27 Do Mérito. (vii) Da imunidade tributária. No mérito, a recorrente é titular de imunidade tributária, que lhe põe a salvo das Contribuições exigidas ilegitimamente na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, de vez que preenche todos os requisitos previstos no art. 14 do CTN para enquadrarse na situação descrita no art. 195, § 70 da CF. Está, portanto, desonerada de exações tributárias, na forma da Lei 11.096/2005. (...) Analisemos. Não prospera tal argumentação da Recorrente pois a questão relativa à disciplina legal da isenção já foi discutida nos tópicos (ii) e (iii) acima, com a aplicação do art. 55 da Lei 8.212/1991, nos termos da ADI 2.0285, STF, ou seja, com vigência da redação original do art. 55 da Lei 8.212/1991. Observase assim que o Recorrente, nos termos do Relatório Fiscal, às fls. 19 a 21, não cumpriu cumulativamente os requisitos elencados no art. 55, Lei 8.212/1991, em especial o do inciso II, a de que seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, com isso não ensejando os benefícios da isenção de contribuições previdenciárias relacionadas à imunidade de entidades beneficentes. (viii) Da inexigibilidade do salário Educação, SAT, SESC, SENAC, SEBRAE, INCRA. Argüiu a inexigibilidade do SAT, do SalárioEducação, do INCRA, do SESC, SENAC e SEBRAE, citando normas e tecendo comentários acerca de cada uma dessas rubricas. Analisemos. Fl. 27DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 28 Salário Educação. Observase que a contribuição social do Salário Educação foi instituída pela Lei n° 4.440/1964, posteriormente substituída pelo Decretolei n° 1.422/75, o qual atribuiu ao Poder Executivo competência para fixar as alíquotas. Por força do Decreto n° 87.043/82, tal alíquota foi fixada em 2,5% sobre a folha de salários. Outrossim, a Lei n° 9.424/96: Art. 15. O SalárioEducação, previsto no artigo 212, § 5° da Constituição Federal e devido pelas empresas, na forma em que vier a ser disposto em regulamento, é calculado com base na aliquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer titulo, aos segurados empregados, assim definidos no artigo 12, inciso I, da Lei n° 8.212/1991. Com relação à contribuição social ao salárioeducação, sua constitucionalidade é reconhecida através da Súmula de n ° 732 do Supremo Tribunal Federal, o que reforça a presunção de legalidade da lei que instituiu sua cobrança, conforme plenamente indicado no Relatório de Fundamentos Legais, às fls. 125 a 132, impedindo este órgão colegiado de afastar sua aplicação. Súmula nº 732, Supremo Tribunal Federal É constitucional a cobrança da contribuição do salário educação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, e no regime da lei 9.424/96. Desta forma, não prospera a argumentação da recorrente, posto que tal matéria está sumulada pelo Supremo Tribunal Federal – STF reconhecendo a constitucionalidade da cobrança do salárioeducação, nos termos da súmula 732/STF. SAT. Não confiro razão à recorrente quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida ao SAT – Seguro de Acidente de Trabalho, em razão da reserva à lei para estabelecer os conceitos de atividade preponderante e grau de risco de acidente de trabalho A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, que fixou as alíquotas distintas, 1%, 2% e 3%, para a incidência da contribuição ao SAT: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade Fl. 28DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003675/200775 Acórdão n.º 240300.640 S2C4T3 Fl. 504 29 laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. O Regulamento da Previdência Social, no art. 202, define a atividade preponderante, para o enquadramento legal nos correspondentes graus de riscos das atividades desenvolvidas pelas empresas: (Decreto n°3.048/1999) Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Fl. 29DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 30 § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. ... § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003). Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99) que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repelese a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, no RE n ° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, assentou a constitucionalidade da contribuição para o SAT incidente sobre o total das remunerações pagas aos empregados e trabalhadores avulsos: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3° e 4°; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4°; art. 154, II; art. 5°, II; art. 150,I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT. Lei 7.787/89, art. 3°, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4°, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência Fl. 30DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003675/200775 Acórdão n.º 240300.640 S2C4T3 Fl. 505 31 residual da União, C.F., art. 154, 1 Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3°, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao principio da igualdade, por isso que o art. 4° da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3°, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao principio da legalidade genérica, C.F., art. 5°, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I(STF — RE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Processo 343446 – SC Decisão 20/03/2003. Tribunal Pleno. Relator MM. Carlos Venoso. DJ 04/04/2003). Assim, os conceitos de atividade preponderante e grau risco de acidente de trabalho não precisariam estar definidos em lei, o Regulamento é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. SESC. SENAC. O art. 240, CRFB/1988, determina que os empregadores contribuirão sobre a folha de salários para as entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical: Art. 240. Ficam ressalvadas do disposto no art. 195 as atuais contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. Quanto ao SENAC, temse que, desde sua criação, pelo DecretoLei n° 8.621/1946, a aliquota sempre foi de 1% (um por cento). Quanto ao SESC, quando de sua criação pelo Decreto—Lei n° 9.853/1946, a aliquota foi estabelecida em 1% (um por cento); todavia, elevada para 2% (dois por cento) pela Lei n° 4.863 de 29 de novembro de 1965, e reduzida para 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento) pelo Decreto n°60.466 de 14 de março de 1967. O DecretoLei n° 2.318/1986, manteve as contribuições aos terceiros, conforme previsão de seu art. 1°: Art. I°. Mantida a cobrança, fiscalização, arrecadação' e repasse às entidades beneficiárias das contribuições para o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), para o Serviço Fl. 31DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 32 :Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), para o Serviço Social da Indústria (SESI) e para o Serviço Social do Comércio (SESC) • Assim, havendo previsão legal para a exigência da Contribuição, temse válido o lançamento fiscal, sendo improcedentes as alegações de que somente se possa exigir contribuição para o SESC ou SENAC. Desta forma, as contribuições são previstas em lei e não há norma expressa que fundamente a alegação suscitada. Nesse sentido há esse entendimento no STJ, por exemplo, conforme a ementa do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n ° 840946/RS: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. SEBRAE. A cobrança das contribuições destinadas a outra entidades e fundos estão regularmente previstas em lei, conforme relatório de fundamentação legal, não assistindo razão à recorrente quanto aos vícios que suscita. Em relação à contribuição destinada ao SEBRAE, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Fl. 32DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003675/200775 Acórdão n.º 240300.640 S2C4T3 Fl. 506 33 Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) No mesmo sentido se consolidou a jurisprudência no STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Por fim, assim também vem entendendo o Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas Fl. 33DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 34 às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. Pro tudo, não procede o argumento da recorrente de que as contribuições destinadas ao SEBRAE somente podem ser exigidas de microempresas e de empresas de pequeno porte. INCRA. Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Não se olvida que a contribuição destinada ao INCRA tenha natureza distinta das contribuições sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra: DECRETOLEI Nº 1.110, DE 9 DE JULHO DE 1970. Regulamento Cria o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), extingue o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário e o Grupo Executivo da Reforma Agrária e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item I, da Constituição, DECRETA: Art. 1º É criado o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), entidade autárquica, vinculada ao Ministério da Agricultura, com sede na Capital da República. Art. 2º Passam ao INCRA todos os direitos, competência, atribuições e responsabilidades do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA) e do Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA), que ficam extintos a partir da posse do Presidente do novo Instituto. LEI Nº 4.504, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964. Dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 37. São órgãos específicos para a execução da Reforma Agrária: (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) I O Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA); (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Fl. 34DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003675/200775 Acórdão n.º 240300.640 S2C4T3 Fl. 507 35 Il O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), diretamente, ou através de suas Delegacias Regionais; (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) III as Comissões Agrárias. (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Art. 43. O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária promoverá a realização de estudos para o zoneamento do país em regiões homogêneas do ponto de vista sócioeconômico e das características da estrutura agrária, visando a definir: I as regiões críticas que estão exigindo reforma agrária com progressiva eliminação dos minifúndios e dos latifúndios; II as regiões em estágio mais avançado de desenvolvimento social e econômico, em que não ocorram tenções nas estruturas demográficas e agrárias; III as regiões já economicamente ocupadas em que predomine economia de subsistência e cujos lavradores e pecuaristas careçam de assistência adequada; IV as regiões ainda em fase de ocupação econômica, carentes de programa de desbravamento, povoamento e colonização de áreas pioneiras. Art. 74. É criado, para atender às atividades atribuídas por esta Lei ao Ministério da Agricultura, o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário (INDA), entidade autárquica vinculada ao mesmo Ministério, com personalidade jurídica e autonomia financeira, de acordo com o prescrito nos dispositivos seguintes: I o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário tem por finalidade promover o desenvolvimento rural nos setores da colonização, da extensão rural e do cooperativismo; II o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário terá os recursos e o patrimônio definidos na presente Lei; III o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário será dirigido por um Presidente e um Conselho Diretor, composto de três membros, de nomeação do Presidente da República, mediante indicação do Ministro da Agricultura; IV Presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário integrará a Comissão de Planejamento da Política Agrícola; ... Quanto à alegação de aplicação do artigo 240 da Constituição Federal, não é em razão desse dispositivo que as contribuições ao INCRA não se destinem à Seguridade Social, mas em razão das competências atribuídas à autarquia federal, como já exposto acima. A redação é clara quanto sua restrição apenas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical, onde não se enquadra o INCRA: Fl. 35DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 36 Art. 240. Ficam ressalvadas do disposto no art. 195 as atuais contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) A contribuição ao INCRA não alcança exclusivamente a produção rural, conforme sua lei de instituição, que relaciona atividades industriais que podem ser desenvolvidas tanto no meio rural como nas regiões urbanas: DECRETOLEI Nº 1.146, DE 31 DE DEZEMBRO DE 1970. Consolida os dispositivos sôbre as contribuições criadas pela Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955 e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, DECRETA: Art 1º As contribuições criadas pela Lei nº 2.613, de 23 de setembro 1955, mantidas nos têrmos dêste DecretoLei, são devidas de acôrdo com o artigo 6º do DecretoLei nº 582, de 15 de maio de 1969, e com o artigo 2º do DecretoLei nº 1.110, de 9 julho de 1970: I Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA: 1 as contribuições de que tratam os artigos 2º e 5º dêste DecretoLei; 2 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art. 3º dêste Decretolei. II Ao Fundo de Assistência do Trabalhador Rural FUNRURAL, 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3º dêste Decretolei. Art 2º A contribuição instituída no " caput " do artigo 6º da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de 1º de janeiro de 1971, sendo devida sôbre a soma da fôlha mensal dos salários de contribuição previdenciária dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas: I Indústria de canadeaçúcar; II Indústria de laticínios; III Indústria de beneficiamento de chá e de mate; Fl. 36DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003675/200775 Acórdão n.º 240300.640 S2C4T3 Fl. 508 37 IV Indústria da uva; V Indústria de extração e beneficiamento de fibras vegetais e de descaroçamento de algodão; VI Indústria de beneficiamento de cereais; VII Indústria de beneficiamento de café; VIII Indústria de extração de madeira para serraria, de resina, lenha e carvão vegetal; IX Matadouros ou abatedouros de animais de quaisquer espécies e charqueadas. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que também se consolidou no Supremo Tribunal Federal: PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA EMPRESA URBANA LEGALIDADE ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF RECURSO NÃO ADMITIDO SÚMULA 168/STJ AGRAVO REGIMENTAL AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA MERA REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. 1. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, é legítimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os fundamentos da decisão recorrida, limitandose a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. 3. Tratandose de agravo interno manifestamente infundado, impõese a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos termos do art. 557, § 2º, do Código de Processo Civil. 4. Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. (AgRg nos EREsp 530802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p. 291) (sem grifos no original). Ementa no Agravo Regimental do Recurso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: Fl. 37DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 38 EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido. Ressaltase, por fim, que é vedado a este órgão julgador afastar a aplicação de normas legais sob fundamento de inconstitucionalidade. Neste sentido, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, há que se manter a cobrança da contribuição ao INCRA. (ix) Descabimento de aplicação de taxa SELIC. Descabe a incidência, sobre o principal, da Taxa SELIC, a título de correção monetária, em razão de referido índice ter natureza de juros remuneratórios, que são inaplicáveis ao crédito tributário. Analisemos. Insurgese a recorrente contra a aplicação da taxa SELIC ao argumento de que seria ilegal. Registrese, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pelo recorrente. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91 (com a redação à época dos fatos): Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, Fl. 38DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003675/200775 Acórdão n.º 240300.640 S2C4T3 Fl. 509 39 ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com fulcro no artigo 34 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior à dada pela Lei 11.941/2009. MULTA DE MORA Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Fl. 39DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 40 Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Fl. 40DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10660.003675/200775 Acórdão n.º 240300.640 S2C4T3 Fl. 510 41 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar as PRELIMINARES suscitadas, NO MÉRITO DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 41DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10640.000998/2010-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.304
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, determinar o sobrestamento dos autos, conforme dispõe o art. 62-A § 2º do Regimento Interno do CARF e a Portaria CARF nº. 01/2012, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GILl - Redator ad hoc
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 26 09:00:04 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10640.000998/2010-41
conteudo_id_s : 5847628
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 25 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1801-000.304
nome_arquivo_s : Decisao_10640000998201041.pdf
nome_relator_s : ROGERIO APARECIDO GILl - Redator ad hoc
nome_arquivo_pdf_s : 10640000998201041_5847628.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, determinar o sobrestamento dos autos, conforme dispõe o art. 62-A § 2º do Regimento Interno do CARF e a Portaria CARF nº. 01/2012, nos termos do voto da relatora.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
id : 7185616
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 26 09:56:10 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1728355848730705920
conteudo_txt : Metadados => date: 2015-03-05T23:49:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Fredlar - 2015-03-03; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 0.9.5; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: f8714379; dcterms:created: 2015-03-05T23:49:14Z; Last-Modified: 2015-03-05T23:49:14Z; dcterms:modified: 2015-03-05T23:49:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Fredlar - 2015-03-03; xmpMM:DocumentID: be733879-c5ed-11e4-0000-33288264cf0c; Last-Save-Date: 2015-03-05T23:49:14Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 0.9.5; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2015-03-05T23:49:14Z; meta:save-date: 2015-03-05T23:49:14Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Fredlar - 2015-03-03; modified: 2015-03-05T23:49:14Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: f8714379; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: f8714379; meta:author: f8714379; dc:subject: ; meta:creation-date: 2015-03-05T23:49:14Z; created: 2015-03-05T23:49:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2015-03-05T23:49:14Z; pdf:charsPerPage: 1265; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: f8714379; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-03-05T23:49:14Z | Conteúdo => S1-TE01 Fl. 1.047 1 1.046 S1-TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.000998/2010-41 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1801-000.304 – 1ª Turma Especial Data 05 de novembro de 2013 Assunto Sobrestamento - LC nr. 105/01 Recorrente FREDLAR INDUSTRIAL DE MÓVEIS LTDA. ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, determinar o sobrestamento dos autos, conforme dispõe o art. 62-A § 2o do Regimento Interno do CARF e a Portaria CARF nº. 01/2012, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes RELATÓRIO Em face da renúncia ao mandato do Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, fui nomeado redator designado para redigir o relatório e voto do presente julgado. Adoto o relatório da DRJ, por bem descrever os fatos, o qual transcrevo a seguir: Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 10640.000998/2010-41 Resolução nº 1801-000.304 S1-TE01 Fl. 1.048 2 O interessado, contribuinte do Simples, foi excluído dessa sistemática de pagamento de tributos pelos Atos Declaratórios Executivos (ADE) nº 44 (Simples Federal) e nº 48 (Simples Nacional), ambos de 06/05/2010 (fls. 11 e 13); A empresa apresenta impugnação (fls. 19/26) na qual alega, em síntese, que: 1) “expedir ato declaratório de exclusão e, neste, garantir defesa, é o mesmo que consubstanciá-la ineficiente para os fins legais, afrontando o § 3º, do artigo 15, da Lei 9.317/96 c/c o Decreto 70.235/72 e a Lei 9.784/99. Não fosse o bastante, os ADE's ora combatidos consignam, ainda, que os efeitos da exclusão devem ser retroagidos à data do ano calendário de 2006. Trata-se de uma ilegalidade que merece ser reparada”; 2) “com relação aos efeitos da retroatividade dos efeitos da exclusão, nova ilegalidade. Ao assim agir, a SRF violou o disposto no artigo 150, III, "a", da Constituição Federal, que trata do princípio da anterioridade. Ademais, o próprio artigo 15 da Lei 9.317/96 que trata dos efeitos da exclusão. Ora, não podemos admitir que o mês em que ocorreu a situação excludente não seja outro, senão, aquele em que recebemos a notificação do Ato Declaratório Executivo. Cabe à SRF a apuração e fiscalização das opções de ingresso no SIMPLES, e não pode o contribuinte ser penalizado por essa omissão”, 3) “podemos concluir que os Atos Declaratórios emanados pela SRF possui várias ilegalidades que devem ser combatidas , dentre as quais podemos citar, primeiramente a própria exclusão da empresa impugnante, vez que esta não incorreu em nenhuma das situações dispostas legalmente que ensejassem tal exclusão, muito menos nas que dispostas nos ADEs ora combatidos.Ademais , ainda que algo tivesse sido apurado pela fiscalização, a empresa deveria ter sido informada da situação para impugnar e provar o alegado por todos os meios admitidos pelo direito, sendo portanto, a exclusão da empresa completamente arbitrária, vez que foram feridos de morte princípios inerentes a quaisquer processos , tais como a ampla defesa e o contraditório, sem desconsiderar os princípios da Tipicidade, Legalidade e verdade material”; 4) “desta forma , são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados neste manifesto de inconformidade: a) a empresa teve cerceado seu direito de defesa na medida em que não lhe foi oferecido quaisquer documentos que lhe informassem que auferiu receita superior ao legalmente estabelecido para estar incursa no SIMPLES, de forma que os únicos elementos de que dispõe para realizar o presente manifesto de inconformidade ratificam sua posição de que não houve excesso de receita sendo portanto descabido o que alegado nos atos declaratórios ora combatidos”; b) a Impugnante não pode ser excluída do Simples, haja vista não estar incursa em nenhuma das situações excludentes elencadas pela legislação pertinente. c) a impugnante solicita que sejam anulados e /ou retificados os ADE's ora combatidos.considerando todo o explanado no presente manifesto de inconformidade. d) a impugnante pretende provar o alegado por meio de provas documentais , testemunhais ou periciais solicitando .portanto , neste ato, estas possibilidades”; É o breve relatório. A decisão recorrida manteve a exclusão do SIMPLES diante da ausência de provas apresentadas pela impugnante nos seguintes termos: Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 10640.000998/2010-41 Resolução nº 1801-000.304 S1-TE01 Fl. 1.049 3 “A afirmação da empresa soa como pilhéria, visto que para o ano base de 2005 ela declarou originalmente que obteve receitas no total de R$ 1.166.078,90, valor bem próximo do limite para que pudesse ser considerada empresa de pequeno porte. Esse valor foi comprovado pela autoridade fiscal, conforme consta do Relatório Fiscal acostado aos autos do processo nº 10640.001930/201089. No entanto, além desse valor, ela recebeu, por meio de contas de interpostas pessoas, portanto a margem da contabilidade e sem oferecer à tributação, o valor de R$ 458.447,67, o que totaliza R$ 1.624.526,57 de receitas efetivamente recebidas no ano de 2005, valor maior que o permitido para uma empresa ser considerada de pequeno porte e vir a usufruir os benefícios advindos dessa classificação. Registre-se que tais valores encontram-se lançados nos autos de infração constantes do processo nº 10640.001930/201089, que a empresa impugnou sem apresentar qualquer argumento e/ou prova que pudesse modificar os valores neles contidos. O citado processo foi por mim relatado e julgado nessa mesma sessão, sendo mantido integralmente o crédito tributário nele constituído. Inconformada a contribuinte interpôs Recurso Voluntário repisando os mesmo argumentos da sua impugnação. É o relatório. VOTO Conselheiro Relator, Relator. O recurso é tempestivo. Conforme se depreende dos presentes autos (fls. 29/121, a Fazenda Pública obteve acesso aos dados da movimentação financeira da empresa contribuinte, por meio de RMF dirigida diretamente às instituições financeiras, sem autorização judicial. Sobre o assunto devem ser feitas as seguintes observações. Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no Dje-086 em 10/05/2011: Ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão eqüidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídico-tributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 10640.000998/2010-41 Resolução nº 1801-000.304 S1-TE01 Fl. 1.050 4 À luz do artigo 26-A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, os Conselheiros do CARF somente podem deixar de aplicar lei sob fundamento de inconstitucionalidade após o STF, por seu plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o STF reconheceu quanto à matéria a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 542-B, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional, existência de repercussão geral. O tratamento a ser dispensado aos processos com repercussão geral encontra-se no artigo 542-B, do CPC, e artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. Em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314, o Ministro Ricardo Lewandowski, relator da matéria, não determinou que os demais processos aguardassem na origem, conforme previsto no artigo 328, parágrafo único do Regimento Interno do STF. Porém, esta providência foi determinada em 19/10/2010, quando do exame do Agravo de Instrumento nº. 765.714, cuja decisão contém o seguinte teor: “Trata-se de agravo de instrumento contra a decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja ementa segue transcrita: “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DA LEI 9.311/96 (ART. 11 § 3º). APROVEITAMENTO DE DADOS PARA CONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei 4.595/64 permitida o acesso aos agentes fiscais tributários de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houvesse processo instaurado e quando tais documentos fossem considerados indispensáveis pela autoridade competente. A jurisprudência se manifestou, afirmando que o processo seria o judicial e a autoridade competente seria a judiciária. 2. Em 2001, essa matéria foi alterada, tendo sido editada a Lei Complementar 105. Não há inconstitucionalidade nessa legislação, pois, na coexistência de dois bens ou valores protegidos constitucionalmente, deve-se sobrepor o que visa atender ao interesse público e não ao interesse público e não ao interesse privado. Os direitos fundamentais não são absolutos e podem sofrer abalo se colocados em conflito com outro valor que deva ter preferência. Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 10640.000998/2010-41 Resolução nº 1801-000.304 S1-TE01 Fl. 1.051 5 3. A fiscalização pela autoridade administrativa é instrumento de arrecadação tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao princípio da capacidade contributiva (tributando quem capacidade detém) e ao da isonomia (tributando todos aqueles que podem ser tributados), corolários dos objetivos da República de construção de uma sociedade justa e solidária e de redução das desigualdades sociais. 4. Diante do princípio da irretroatividade das leis, a utilização dos dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo a tributos diversos é vedada para anos anteriores ao de 2001. Fatos ocorridos e já consumados não se regem por lei nova, mas sim pelas leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro. 5. Na redação original do art. 11 § 3º, da Lei 9.311/96, o legislador impunha à Secretaria da Receita Federal “o sigilo das informações prestadas” e vedava sua utilização para a constituição de crédito relativo a outros tributos. Tratava-se de norma que impunha o sigilo e vedava a constituição de outros tributos com a utilização dos dados da CPMF, resguardando um direito do contribuinte, e sendo, portanto, norma material ou substantiva e não processual ou adjetiva sobre a qual se aplicaria o art. 144 § 1º, do Código Tributário Nacional. 6. Apelação provida em parte” (fls. 49-50). No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegou-se ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria – sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência – cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314-RG/SP, de minha relatoria). Isso Posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543-B do CPC, visto que no recurso extraordinário discute-se questão idêntica à apreciada no RE 601.314-RG/SP. (grifei). A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a decisão do RE 601.314, nos termos do 543-B, do CPC, nada mais é do que o sobrestamento, atribuição que nos termos do art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, é do relator ou do Presidente da Corte. Em resumo, o artigo 328, parágrafo único do RISTF, prevê que nos casos em que se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, tanto o relator quanto o Presidente do Tribunal podem determinar a devolução Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 10640.000998/2010-41 Resolução nº 1801-000.304 S1-TE01 Fl. 1.052 6 dos demais processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543-B do Código de Processo Civil. No caso do AI 765.714/SP, o relator do Recurso Extraordinário nº 601.314, nos processos que versam sobre a mesma matéria, está determinado o retorno dos autos à origem para observar-se o disposto no artigo 543-B, do CPC, concluindo-se, assim, s.m.j., que tal procedimento corresponde ao sobrestamento dos demais processos, pois, do contrário, os demais processos não poderiam ser devolvidos à origem, como aconteceu com o AI 765.714/SP. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, assim dispõe no artigo 62-A: 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543- C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543- B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Tendo em vista que o presente processo envolve matéria discutida no âmbito jurisdicional em sede de repercussão geral reconhecida, qual seja, quebra sigilo bancário – Lei Complementar nº 105 / 2001 – como se vê do relatório, e considerando o que dispõe o artigo 62-A, e parágrafos 1º e 2º do RICARF e, ainda, a Portaria nº. 01/2012 do CARF, que determinam o sobrestamento do julgamento dos recursos sempre que houver sobrestamento do julgamento jurisdicional dos recursos extraordinários da mesma matéria até decisão final – art.543-B, do Código de Processo Civil – voto no sentido de determinar o sobrestamento do julgamento do presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 1052DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000033/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1402-000.112
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 26 09:00:04 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 16643.000033/2009-71
conteudo_id_s : 6577364
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1402-000.112
nome_arquivo_s : 140200112_16643000033200971_201205.pdf
nome_relator_s : ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 16643000033200971_6577364.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
id : 4597435
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 26 09:55:52 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1728355848732803072
conteudo_txt : Metadados => date: 2020-02-17T16:50:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2020-02-17T16:50:38Z; Last-Modified: 2020-02-17T16:50:38Z; dcterms:modified: 2020-02-17T16:50:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:c871a6a3-59ca-45a0-8786-182c8c412e12; Last-Save-Date: 2020-02-17T16:50:38Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-02-17T16:50:38Z; meta:save-date: 2020-02-17T16:50:38Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-02-17T16:50:38Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2020-02-17T16:50:38Z; created: 2020-02-17T16:50:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; Creation-Date: 2020-02-17T16:50:38Z; pdf:charsPerPage: 1295; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2020-02-17T16:50:38Z | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 0 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16643.000033/200971 Recurso nº Resolução nº 140200112 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 9 de maio de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrentes VOITH HYDRO LTDA FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 2451DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução n.º 140200112 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório VOITH HYDRO LTDA recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente em parte a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por sua vez, a 1a. Turma da DRJ São Paulo I recorre de oficio em face da exoneração acima de sua alçada. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Em ação fiscal direta, a contribuinte anteriormente qualificada foi autuada e notificada a recolher ou impugnar os créditos tributários relativos aos anoscalendário de 2004 e 2005 de R$ 10.010.633,92, a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, e de R$ 3.561.109,38, de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, incluídos nesses valores as multas e juros de mora, calculados até 30/10/2009. As infrações do IRPJ imputadas à contribuinte são as seguintes: • dedução indevida de despesas de royalties computadas na apuração do lucro real, no valor de R$ 113.540,60, com base nos artigos 249, inciso I, 251, caput e parágrafo único, 352, 353 e 355 do RIR/1999; • dedução indevida de cotas de depreciação de bens do ativo imobilizado, com base nos artigos 249, inciso I, 251, caput e parágrafo único, 299, 305 e 307, 354, §§2º e 3º, 355, §§2º e 3º, do RIR/1999; • dedução indevida de despesas com assistência técnica, pagos a beneficiários no exterior, no valor de R$ 3.377.605,74, com base nos artigos 249, inciso I, 251, caput e parágrafo único, 354, incisos I e II, e 355, §§ 2º e 3º, do RIR/1999; • dedução de indevida de despesas com assistência técnica, pagos a beneficiários no exterior, no valor de R$ 4.799.768,48, com base nos artigos 249, inciso I, 251, caput e parágrafo único, 354, incisos I e II, 354, §§2º e 3º, 355, §§2º e 3º, do RIR/1999; • compensação indevida de prejuízo fiscal por insuficiência de saldo, no valor de R$ 11.043.959,97, com base nos artigos 247, 250, inciso III, parágrafo único, 509 e 510 do RIR/1999; • adições não computadas na apuração do lucro real, relativas a lucros auferidos no exterior, no valor de R$ 321,93, com base no artigo 25, §§ 2º e 3º, da Lei nº 9.249/1995; artigo 16 da Lei nº 9.430/1996; artigos 249, inciso II , e 394, do RIR/1999; artigo 3º da Lei nº 9.959/2000; e, artigo 74 da Medida Provisória nº 2.15835. Os mesmos fatos ensejaram também a lavratura de auto de infração da CSLL, cujo enquadramento legal é o que se segue: Fl. 2452DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução n.º 140200112 S1C4T2 Fl. 3 3 • falta de recolhimento da CSLL, decorrente de deduções indevidas, com base no artigo 2o, caput e parágrafos, da Lei n° 7.689/1988; artigo 1o da Lei n° 9.316/1996; artigo 28 da Lei n° 9.430/1996; artigo 37 da Lei nº 10.637/2002; artigo 57 da Lei nº 8.981/1995, com a redação dada pela lei nº 9.065/1965; e, artigo 74 da Medida Provisória nº 2.15835; • compensação indevida de base de cálculo de CSLL de períodos anteriores, no valor de R$ 11.099.853,00, com suporte no artigo 2o, caput e parágrafos, da Lei n° 7.689/1988; artigo 58 da Lei nº 8.981/1995; artigo 16 da Lei nº 9.065/1995; e, artigo 37 da Lei nº 10.637/2002. A multa de ofício correspondente a 75% dos tributos devidos tem como fundamento legal o artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996 e os juros de mora, o artigo 28 combinado com o 6º, § 2º da Lei nº 9.430/1996. A autoridade fiscal caracterizou as infrações com base nas constatações descritas no relatório de fls. 1519/1628 (Termo de Verificação Fiscal – TVF) que, em síntese, adiante se seguem: O fiscalizado retificou, em 05/06/2009, sua DIPJ relativa ao anocalendário de 2005, diminuindo o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL apurados no período, sendo que as retificações decorreram de algumas infrações consignadas nos autos de infração lavrados no curso deste procedimento (processo n° 16561.000190/200813); Em consonância com o que prevê o art. 138, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN), e art. 7o, §§ 1o e 2o, do Decreto n° 70.235/1972, há que se afastar uma suposta denúncia espontânea quanto ao anocalendário de 2005, uma vez a retificação da Dipj do anocalendário 2005 ocorreu quando já estava em curso o procedimento fiscal que abarcava tal período; A fiscalizada é uma sociedade empresária limitada, cujas quotas sociais, no valor unitário de R$ 1,00, encontramse assim distribuídas: “VHG AUSLANDSBETEILINGUNGEN GmbH”, sociedade constituída na República Federal da Alemanha, com 42.962.559 quotas e, Osvaldo Julio San Martins Salas, com 1 quota; A fiscalizada tem como objeto social a fabricação, venda, importação e exportação, manutenção, conserto, operacionalização e instalação de produtos para geração de energia hidrelétrica e afins; representação por conta própria ou de terceiros; pesquisa desenvolvimento, planejamento, treinamento e prestação de serviços no ramo das atividades citadas; prestação de serviços técnicoadministrativos; participação, como sócio, acionista ou quotista, em outras sociedades civis ou comerciais, podendo participar ainda em consórcios e em empreendimentos comerciais de qualquer natureza; Ela é controlada diretamente pela “VHG AUSLANDSBETEILINGUNGEN GmbH” e, indiretamente, pela “Voith Siemens Hydro Power Generation GmbH & Co. KG” que, por sua vez, é controlada pela “Voith AG Heidenhem”, razão pela qual, nos termos do art. 243, § 2º da Lei nº 6.404/1976, a fiscalizada é controlada indireta desta última, consoante o seguinte organograma (Demonstrativo 2): Fl. 2453DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução n.º 140200112 S1C4T2 Fl. 4 4 Voith AG Heidenhem (Alemanha) ↓ 65% Voith Siemens Hydro Power Generation GmbH & Co. KG (Alemanha) ↓ 100% VHG AUSLANDSBETEILINGUNGEN GmbH (Alemanha) ↓ 99,99% Voith Hydro Ltda (Brasil) Ao iniciar a ação fiscal, a denominação da contribuinte era “Voith Siemens Hydro Power Generation Ltda”, sendo alterada para a “Voith Hydro Ltda” por força da 34a Alteração e Consolidação do Contrato Social, datada de 05/03/2009 e registrada na Junta Comercial do Estado de São Paulo sob o n° 89.061/093; Pelo Termo de Intimação n° 14 (fls. 93/100), o sujeito passivo foi instado a prestar uma série de informações atinentes a diversos contratos de câmbio relacionados a remessas efetuadas nos anoscalendário de 2004 e 2005, que guardavam relação com pagamentos efetuados a residentes no exterior como contraprestação de serviços técnicos que lhe foram prestados; As indagações realizadas pela fiscalização visaram a examinar o cumprimento dos requisitos legais autorizadores da dedutibilidade das importâncias pagas a tais beneficiários no exterior para a apuração do lucro real; A dedutibilidade dos montantes pagos a beneficiários no exterior como pagamentos por serviços de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante é regulada pelo art. 354 e 355 do RIR/99; No que diz respeito ao registro junto ao Banco Central do Brasil das operações de fornecimento de tecnologia, serviço de assistência técnica, franquia, cessão e licença de uso de marca e patente, destacase o denominado "RDEROF Manual do Declarante", o qual contém instruções para a utilização do módulo de Registro de Operações Financeiras — ROF do sistema de Registro Declaratório Eletrônico de capitais estrangeiros no país; a Circular 2.816, de 15/04/1998; a CartaCircular n° 2.795, de 15/04/1998; A legislação correlata ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e atinente aos contratos por este averbáveis: Lei n° 9.279, de 14/05/1996; o Ato Normativo INPI n° 135, de 15/04/1997; e, informações contidas em seu sítio eletrônico; Destaquese ainda o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 01, de 05/01/2000, mediante o qual a Receita Federal se manifestou acerca do tratamento tributário a ser dispensado às remessas decorrentes de contratos de prestação de assistência técnica e serviços técnicos sem transferência de tecnologia; Fl. 2454DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução n.º 140200112 S1C4T2 Fl. 5 5 A despeito das sucessivas intimações (Termos de Intimação n 014e 16 ) , o fiscalizado apresentou apenas 03 (três) contratos que se relacionam a 17 (dezessete) das aludidas remessas; É indispensável determinar quais dos elementos relacionados às remessas ao exterior – IRRF, Cide, CofinsImportação de Serviços, PISImportação de Serviços, ISS e serviço aduaneiro deverão ser considerados indedutíveis para fim de apuração do lucro real, caso não sejam atendidos os requisitos legais que autorizem a dedutibilidade da "importância paga" ao prestador de serviço no exterior, expressão utilizada tanto no "caput" do art. 354, bem como no art. 355, §3°, ambos do RIR/99; No caso do IRRF e do ISS, o fiscalizado é o responsável pela retenção e pelo recolhimento desses tributos, dos quais o prestador no exterior é contribuinte, razão pela qual, nas situações em que reste demonstrado o descumprimento das condições legais que autorizem dedutibilidade das importâncias pagas, esses valores deverão ser somados ao montante total a ser objeto do lançamento “exofficio”; Já em relação à contribuição para o PIS e à Cofins devidas na importação de serviços, sendo o importador dos serviços o contribuinte de tais contribuições, tais montantes não compõem as importâncias pagas aos beneficiários no exterior; sendo que a indedutibilidade das importâncias pagas aos beneficiários no exterior não se comunica a tais despesas, que ficarão sujeitas ao cumprimento do art. 299 do RIR/99 (condição geral de dedutibilidade de despesas operacionais); Foram observados pagamentos decorrentes de contratos de prestação de serviços técnicos com transferência de tecnologia, relativos ao anocalendário 2004, desprovidos de averbação no INPI e registro no Bacen, objetos das remessas dos contratos de câmbio nº 04/008601, 04/0011065, 04/033127, 04/004477, 04/004765, 04/005828, 04/005905, 04/009462, 04/010872, 04/017964, 04/023181, 04/043952, 04/049232, 04/001946, 04/054247, 04/063974, 04/009832, 04/0049262 e 04/044588, num montante de R$ 5.783.901,93, sendo tais valores, apropriados como custos ou despesas do período, considerados indedutíveis para fins de apuração do Lucro Real; Foram observados pagamentos decorrentes de contratos de prestação de serviços técnicos com transferência de tecnologia, relativos ao anocalendário 2005, desprovidos de averbação no INPI e registro no Bacen, objetos das remessas dos contratos de câmbio nº 05/055965, 05/067156, 05/055967, 05/056304, 05/061569, 05/011923, 05/037725, 05/037727, 05/061570 e 05/062813, 05/28338, 05/036368, 05/034384, 05/045813, 05/063144, 05/062815, 05/061573, 05/065198 e 05/006083, num montante de R$ 2.393.472,29, sendo tais valores, apropriados como custos ou despesas do período, considerados indedutíveis para fins de apuração do Lucro Real; A contribuinte registrou, em seu ativo imobilizado, R$ 120.732,42, referentes ao valor pago mediante o contrato de câmbio nº 04/032038, decorrente de prestação de serviços de controladora no exterior, cujo contrato encontrase desprovido de registros no Bacen e INPI, tendo apropriado, indevidamente, encargos de depreciação desse ativo nos valores de R$ 5.030,52 para o anocalendário 2004 e, R$ 12.073,24 para 2005, num montante de R$ 17.103,76, que foi também objeto do presente lançamento; Os documentos apresentados dão suporte ao pagamento de royalties à controladora estrangeira no exterior no valor de R$ 7.118.161,42, enquanto o valor informado Fl. 2455DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução n.º 140200112 S1C4T2 Fl. 6 6 na Dipj referente ao anocalendário 2004 foi de R$ 7.231,702,02, subsistindo uma diferença sem comprovação de R$ 113.540,60 que será objeto de autuação; Analogamente, as mesmas considerações e o procedimento adotado ao IRPJ aplicamse à base de cálculo da CSLL, por força do art. 57 da Lei nº 8.981/1995, com a redação dada pela Lei nº 9.065/1995; Em sua DIPJ do anocalendário de 2005 o fiscalizado ofereceu à tributação do IRPJ (Ficha 09A Linha 05) e da CSLL (Ficha 17 Linha 05) o valor de R$ 244.178,56 a título de lucros disponibilizados do exterior por sua controlada situada no México, sendo que o valor correto seria de R$ 244.500,49, impendendo efetuar o presente lançamento de ofício relativo ao IRPJ e à CSLL do anocalendário de 2005, correspondente à diferença de R$ 321,93; Em decorrência da autuação objeto do processo administrativo fiscal nº 16561.000190/200813 e das infrações ora apuradas, constatouse compensação indevida de prejuízo fiscal, no anocalendário 2005, de R$ 11.043.959,97, bem como, de base de cálculo negativa de CSLL de R$ 11.099.853,00, ambos sendo também objeto do presente lançamento; Intimada da autuação em 11.11.2009, conforme consta do “Aviso de Recebimento” dos Correios de fls. 1631, a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal em 11.12.2009, conforme peça de fls. 1658/1709 , cujas razões, em resumo, adiante se seguem: i. A Impugnante decidiu não impugnar e pagar as seguintes infrações, considerando as reduções de 100% da multa de ofício e 45% dos juros de mora, de acordo com a Lei nº 11.941/2009, conforme os DARF's de IRPJ e CSLL (docs. 1) e este quadro sinótico: Termo de Verificação Item nº Contrato de Câmbio Beneficiário Objeto e Motivo Bases de cálculo IRPJ (R$) Base de cálculo CSLL (R$) 3.1.1.1 04/008601 Siemens AG Revisão de equipamentos, com documentos insuficientes 217.126,23 0,00 3.1.1.1 04/011065 Siemens AG Revisão de equipamentos, com documentos insuficientes 51.129,08 0,00 3.1.1.10 04/032038 VSHPG (Alemanha) Index Test, com transferência de tecnologia 17.103,76 0,00 3.1.1.6 04/009462 Voith Siemens H.P.G., Inc. (EUA) Serviço com transferência de tecnologia 31.749,89 0,00 3.1.1.13 04/009832 Voith Siemens H.P.G. Shanghai Reembolso de despesas, com documentação insuficiente 493.872,41 493.872,41 3.2 Diversos VSHPG (Alemanha) Variação Cambial relativa a Despesas, mero erro 113.540,60 113.540,60 3.1.2.5 05/036368 Siemens AG Serviço com transferência de tecnologia 27.708,47 0,00 3.1.2.6 05/034384 VSHPG (Alemanha) Transferência de tecnologia na fabricação de válvulas (Mr. Heine) 91.224,87 0,00 3.1.2.8 05/063144 Voith Siemens H.P.G. AS (Noruega) Assistência técnica com transferência de tecnologia 46.992,06 0,00 Fl. 2456DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução n.º 140200112 S1C4T2 Fl. 7 7 3.1.2.10 05/061573 VSHPG (Alemanha) Serviço com transferência de tecnologia 34.355,59 0,00 3.1.2.12 05/006083 Consorcio de Ingeniería Electromecánica - CIE Serviços e equipamentos para Omkareshwar (Índia) 590.856,77 590.856,77 3.3.2 Lucro Auferido no Exterior 321,93 321,93 Subtotal das despesas do AIIM de 11/11/2009 ora não impugnadas ....... 1.715.981,66 1.198.591,71 3.4 03/006985 VSHPG (Alemanha) Index Test, com transferência de tecnologia 50.829,92 0,00 3.4 03/009998 VSHPG (Alemanha) Index Test, com transferência de tecnologia 92.727,60 0,00 3.4 03/015002 VSHPG (Alemanha) Seguro Corporativo, com documentação insuficiente 408.822.53 408.822.53 Subtotal não impugnado em 12/01/2009.............................................................. 552.380,05 408.822,53 3.4 Compensação de prejuízo não-operacional 196.544,56 Bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.................................................... 2.464.906,27 1.607.414,24 Alíquota do IRPJ (15%) .............................................................................................. 369.735,94 N/A Adicional de IRPJ (10%) ............................................................................................ 246.490,63 N/A IRPJ Total ..................................................................................................................... 616.226,57 N/A CSLL Total (9%) .......................................................................................................... N/A 144.667,28 Juros reduzidos em 45% cf. Lei 11.941/2009........................................................... 152.084,72 35.703,88 Multa de ofício reduzida em 100% pela Lei 11.941/2009 .................................... 0,00 0,00 Total dos DARF'’s, segundo Lei 11.941/2009, em 30/11/09 (docs. 1) ....... 768.311,29 180.371,16 ii. Também foi recolhido o seguinte valor de IRPJ (doc. 1), sem os benefícios da Lei 11.941/2009, com multa de 75% e juros integrais, conforme se segue: Termo de Verificação Item nº Contrato de Câmbio Pedido de Compra nº Fatura Internacional Objeto e Motivo Base de Cálculo IRPJ (RS) CSLL 3.1.2.2 05/061569 173247 (doc. 4D) DR20525140 Treinamento de pessoal com transferência de tecnologia 10.819,452 0,00 Alíquota do irpj (15%) ...................................................................................................................................................................... 1.622,92 Adicional de irpj(10%) .................................................................................................................................................................... 1.081,95 IRPJ Total ........................................................................................... 2.704,86 Juros........................................................................................................ 1,270,47 Multa de ofício...................................................................................... 2.028,65 Total do DARF pago em 10/12/09 (docs. 1) ............................................ 6.003,98 iii. Assim, a presente impugnação circunscrevese aos seguintes valores: DEMONSTRATIVO DE CÁLCULO DO IRPJ EM DISCUSSÃO 2004 2005 Total impugnado Despesas dedutíveis em discussão ..................... 4.990.024,32 1.591.515,09 1.418.751,29 0,00 Prejuízo oper. glosado em discussão ................. 0.00 10.295.035.363 3.571.273,03 11.886.550,45 Alíquota de 15% ................................................... 535.690,96 1.782.982,58 Fl. 2457DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução n.º 140200112 S1C4T2 Fl. 8 8 Alíquota de 10% ................................................... 357.127.30 1.188.6.55.05 892.818,26 2.971.637,63 3.864.455,89 DEMONSTRATIVO DE CÁLCULO DA CSLL EM DISCUSSÃO 2004 2005 Total impugnado 5.295.060,04 1.814.688,76 Base negativa compensável cf. AIIM.... 1.671.189,94 0,00 Base negativa glosada, em discussão.... 0.00 10.691.030.474 3.623.870,10 12.505.719,23 326.148,31 1.125.514,73 1.451.663,04 iv. Deve ser reconhecida a nulidade do auto de infração, eis que o Mandado de Procedimento Fiscal autorizava somente a fiscalização do IRPJ e não da CSLL; v. Também é nulo porque estão ausentes os fundamentos que levaram o auditor fiscal a concluir que os serviços tomados envolveriam transferência de tecnologia, circunstâncias que configuram violação aos princípios da Verdade Material e da Motivação dos atos administrativos; vi. É descabida a exclusão da espontaneidade da retificação da DIPJ do ano calendário de 2005 em relação à CSLL, já que as infrações apontadas no Auto de Infração n° 16561.000190/200813 não têm qualquer relação com esse tributo, eis que a dedutibilidade de serviços técnicos ou comuns na base de cálculo da CSLL independe de averbação no INPI e do registro no BACEN; vii. Ou seja, não há relação direta da medida de fiscalização com a infração fiscal denunciada, nos termos do art. 138 do CTN, passível de retirar a espontaneidade da retificação da DIPJ em relação à CSLL. viii. Foram indevidas as glosas do Auto de Infração n° 16561.000190/200813, de 12/12/2008, que reduziram o prejuízo fiscal e a base negativa de CSLL e fizeram com que os saldos desses créditos se esgotassem em 2004; ix. Entretanto, mesmo que as compensações glosadas de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL para o anocalendário 2005, nos valores respectivos de R$11.043.959,97 e R$11.099.853,00 tenham resultado em pagamentos a menor do IRPJ e da CSLL de 2005, em 2006, como tais insuficiências de pagamentos decorrem das despesas de 2003 glosadas pelo auto de infração de 12/12/2008, objeto de Impugnação de 12/01/2009 que suspende a exigibilidade do crédito tributário ora em cobrança, essas insuficiências de pagamento têm suas exigibilidades suspensas nos termos do art. 151, III, do CTN; x. Portanto, do prejuízo fiscal de R$ 11.043.959,97, admitese a compensação indevida correspondente, exclusivamente: (a) às despesas de 2003 consideradas indedutíveis do Lucro Real (IRPJ) na Impugnação de 12/01/2009, no valor de R$552.380,05; e (b) ao prejuízo fiscal nãooperacional de R$196.544.56, restando inquestionável a compensação de R$10.295.035,36, percebendo‑se que essas duas parcelas [(a) e (b)] integraram a base de cálculo do pagamento a vista beneficiado pela Lei 11.941/2009; Fl. 2458DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução n.º 140200112 S1C4T2 Fl. 9 9 xi. Já da base negativa de R$ 11.099.853,00, admitese a compensação indevida exclusivamente das despesas de 2003 consideradas indedutíveis da Base de Cálculo da CSLL na Impugnação de 12/01/2009 no valor de R$408.822.53, restando inquestionável a compensação de R$10.691,030,47, notandose que essa parcela também integrou a base de cálculo do pagamento à vista beneficiado pela Lei 11.941/2009; xii. É improcedente a pretensão fiscal de se estender a obrigatoriedade da observância dos requisitos da dedutibilidade de despesas na base de cálculo do IRPJ para a apuração da base de cálculo da CSLL, por violação direta ao art. 38, I, da IN SRF 390/2004; xiii. A legislação do IRPJ contém restrições e exigências para a dedutibilidade de despesas efetivamente incorridas e regularmente escrituradas, constantes do art. 299 do RIR/99; xiv. O art. 355, §3°, do RIR/99 expressamente define, dentro de seu poder regulamentar, que assistência técnica ou científica e serviços técnicos especializados objeto da dedutibilidade condicionada aos registros no INPI e BACEN são aqueles que envolvem transferência de tecnologia, diferenciandoos dos demais tipos de serviços; xv. O INPI esclarece no item 3 de seu "Perguntas Freqüentes sobre Transferência de Tecnologia" que não só contratos de know‑how, mas também os de assistência técnica pressupõe a transferência de tecnologia, e nesse sentido, é igualmente pacífica a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais; xvi. Por conseguinte, desde que comprovadas, normais, usuais e necessárias à exploração das atividades da Impugnante (art. 299 do RIR/99), as despesas com serviços sem transferência de tecnologia, a toda evidência, são dedutíveis na apuração do lucro real independentemente da averbação de seu ato ou contrato no INPI e registro no BACEN; xvii. As despesas em questão referemse a serviços comuns, sem transferência de tecnologia; xviii. O autuante certamente entende pouco de engenharia e tenta se esconder atrás da legislação do INPI a qual, como frisa esse mesmo órgão, lista hipóteses expressamente não exaustivas dos serviços não registáveis que não têm transferência de tecnologia, pois, a toda evidência, é jurisprudência pacífica dos tribunais administrativos que na apuração do fato gerador prevalece sempre a Verdade Material, que condena ficções ou presunções de um agente fiscal; xix. Resulta cristalino tanto da doutrina como da jurisprudência que quando não se transmite o conhecimento técnico, inexiste transferência de tecnologia, dispensandose a averbação no INPI e o registro no BACEN; xx. Portanto, as despesas glosadas referemse a serviços normais, usuais e necessários à exploração das atividades da Impugnante, sendo totalmente dedutíveis, nos termos do art. 299 do RIR/1999, importando que se compreenda a natureza desses serviços, para que se entenda os requisitos de sua transferência de tecnologia, conforme Memorando de Engenharia da Impugnante (doc. 2) e Parecer Técnico 28/2009 (doc. 3); Fl. 2459DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução n.º 140200112 S1C4T2 Fl. 10 10 xxi. O projeto de construção de uma turbina hidráulica dividese, em geral, em 4 (quatro) fases, dentre as quais, interessamnos no presente caso, apenas as 3 (três) primeiras fases e seus requisitos para eventual transferência de tecnologia: Licitação: Antes da Contratação Após Contratação Oferta ou Proposta ("Fase 0") Desenvolvimento Hidráulico (Fase 1) Projeto Hidráulico (Fase 2) Especificações técnicas: • Geologia; • Hidráulica; • Potência. Especificações da turbina hidráulica mais adequada, com base em dados colhidos de desenvolvimentos anteriores; Especificações técnicas: • Geologia; • Hidráulica; • Potência. Simulações em Computador com base em dados colhidos de desenvolvimentos anteriores (Fluidodinâmica Computacional); Desenvolvimento de Modelo ou Protótipo Hidráulico em Laboratório (apenas nos EUA e Alemanha). Folha de dados ("Datasheet") da máquina; Desenhos hidráulicos: • Forma das pás; • Forma da passagem hidráulica, etc. Desenhos das pás, em 3 dimensões. Requisitos para Transferência de Tecnologia: Oferta ou Proposta ("Fase 0") Desenvolvimento Hidráulico (Fase 1) Projeto Hidráulico (Fase 2) • Banco de dados de experiências acumuladas (desenvolvimento efetivo), de conhecimento exclusivo da Prestadora de Serviços no exterior • Banco de dados de experiências acumuladas (desenvolvimento efetivo), de conhecimento exclusivo da Prestadora de Serviços no exterior; • Laboratório de testes existentes tãosomente nos EUA e na Alemanha. xxii. Pertencem à "fase 0 (zero)" os serviços de suporte na fase de oferta prestados pela VSHPG e pagos através dos contratos de câmbio n°s 05/056304, 05/055967, 05/067156, 05/061569, 05/065198, 04/005828 e 04/005985, correlação que se comprova pela descrição nas cópias das respectivas faturas ("OTOSupport", em que OTO significa Offer to Order ou solicitação de proposta) e pedidos de compra internos à Impugnante (docs. 4); xxiii. Sempre que um cliente decide construir uma usina hidrelétrica, abrese uma licitação, na qual a fase de ofertas ou propostas é decisiva para vencer essa licitação, sendo nessa fase que a Impugnante contrata a VSHPG, descrevendo a geologia do terreno e a força hidráulica do rio, a fim de receber as especificações da turbina hidráulica mais adequada ao perfeito equilíbrio entre preço e qualidade, porém, jamais ficará sabendo como a VSHPG chegou àquelas especificações da turbina hidráulica ofertada ao cliente, ou seja, sem nenhuma transferência de tecnologia; xxiv. As especificações da turbina hidráulica feitas pela VSHPG baseiamse em sua vasta experiência, acumulada num enorme banco de dados com projetos executados desde 1870,e se a Impugnante quisesse absorver a cada projeto parte dessa tecnologia, levaria mais de 140 anos; xxv. Além dessa impossibilidade fática, o próprio INPI expressamente dispensa de averbação o contrato de consultoria para participação em licitação; xxvi. Portanto, os serviços de suporte na fase de oferta não transferem tecnologia, sendo assim plenamente dedutíveis tais despesas; Fl. 2460DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução n.º 140200112 S1C4T2 Fl. 11 11 xxvii. Já às fases 1 e 2 pertencem os seguintes serviços, cujas cinco despesas são objeto da glosa fiscal: • engenharia hidráulica e ensaio de modelo hidráulico de turbinas tipo Kaplan (aprox. 9 metros e cerca de 185 MW de potência cada), para a Usina Hidrelétrica de Santa Isabel (Contrato de câmbio n° 04/017964); • engenharia hidráulica e relatório de transposição de ensaio de modelo hidráulico de turbinas Francis (aprox. 2,6 metros de diâmetro e cerca de 95 MW de potência cada) para a Usina Hidrelétrica Salto Pilão (Contrato de câmbio n° 04/054247); e • engenharia hidráulica e ensaio de modelo hidráulico de turbinas Francis (aprox. 4 metros de diâmetro e cerca de 80 MW de potência cada) para a Usina Hidrelétrica Capim Branco I (Contratos de câmbio n°s 04/063974 e 04/044588); • engenharia hidráulica e ensaio de modelo hidráulico de turbinas Francis (aprox. 7,5 metros de diâmetro e cerca de 715 MW de potência cada) para a Usina Hidrelétrica de Guri II (Contrato de câmbio n° 05/028338); e • simulações em computador com base em dados colhidos de projetos anteriores (fluidodinâmica computacional) das turbinas de 120 MW cada para a Usina Hidrelétrica de Irapé (Contrato de câmbio n° 04/062815). xxviii. Como a Impugnante não dispõe do acesso a um banco de dados de experiências acumuladas (desenvolvimento efetivo), de conhecimento exclusivo da Prestadora de Serviços no exterior, ou de sofisticadíssimo laboratório existente somente nos EUA e Alemanha, está completamente incapacitada de absorver qualquer tecnologia que tenha relação com as fases 1 e 2 de projetos de turbinas; xxix. Por fim, vale ressaltar que o Anexo 2 da Diretriz 410 (“Pontuação de Capacitação de Engenharia”) confirma que a Impugnante está tanto tecnicamente incapacitada como proibida de prestar serviços de ensaio de modelo hidráulico de quaisquer turbinas ou serviços de transposição de ensaio de modelo hidráulico de quaisquer turbinas, o que refuta a presunção de que poderia ter ocorrido transferência de tecnologia; xxx. Portanto, as despesas pagas através dos contratos de câmbio n°s 04/017964, 04/063974, 04/044588, 05/028338 e 05/062815 são integralmente dedutíveis, independentemente de averbação no INPI ou registro no Bacen; xxxi. O serviço pago à Prestadora de Serviços no exterior através do contrato de câmbio n° 04/033127 são serviços de supervisão de desmontagem e montagem e de reforma de máquinas de isolamento do enrolamento do estator de hidrogeradores, natureza que se comprova cabalmente através de cópia da fatura n° 200410007B e do pedido de compra interno à Impugnante (doc. 8); Fl. 2461DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução n.º 140200112 S1C4T2 Fl. 12 12 xxxii. A Impugnante necessita de máquinas que isolam, com resina, o metal dos enrolamentos do estator do hidrogerador e contratou um técnico da empresa suíça Micamation, não vinculada ao grupo Voith, que supervisionou a desmontagem e remontagem dessas máquinas de isolar enrolamentos do estator, bem como sua reforma, obviamente sem ensinar à Impugnante como reformar tal máquina; xxxiii. A Micamation não é vinculada ao grupo Voith e apenas prestou serviços comuns, sendo equivocada a interpretação do autuante do art. 354, II, do RIR/99 de que o mero envio de técnicos ao Brasil seria suficiente para caracterizar uma assistência técnica, sujeita aos registros no INPI e BACEN; xxxiv. A ciência da interpretação jurídica (hermenêutica) condena a interpretação por um único método ou critério, especialmente o literalgramatical, como o faz o Senhor Auditor Fiscal; xxxv. Numa interpretação teleológica desse art. 354, II, do RIR/99 a menção da assistência técnica como serviços prestados ʺatravés de técnicos, desenhos ou instruções enviadas ao Paísʺ demonstra a necessidade de que a transferência de tecnologia efetivamente ocorra de forma escrita ou ensinada presencialmente por técnico, o que não foi provado pelo Auditor Fiscal sendo assim as despesas com serviço comum plenamente dedutíveis sem registro no INPI e BACEN; xxxvi. O serviço pago à Prestadora de Serviços no exterior através do contrato de câmbio n° 04/010872 são serviços prestados in loco, por especialista alemão em soldas, para a avaliação das trincas nas chapas das duas cruzetas inferiores das duas últimas turbinas de Itaipu, natureza que se comprova cabalmente através de cópia da respectiva fatura de 27/12/2004, bem como de cópia do pedido de compra interno à Impugnante (doc. 9); xxxvii. Não há que se cogitar aqui de transferência de tecnologia, pois a Impugnante simplesmente contratou em fevereiro de 2004 os serviços de um técnico de sua controladora, o qual avaliou as trincas e propôs soluções, sem ensinar como teria chegado àquelas conclusões; xxxviii. O serviço pago à Universidade Técnica de Dresden (comumente referida como "TU Dresden" ou "TUD") e seus colaboradores na Alemanha através dos contratos de câmbio n°s 04/001946, 04/043952, 04/049232, 04/023181, 05/011923, 05/037725, 05/037727, 05/052042, 05/061570, 05/062813, 04/004477, 04/049262, 05/055965, 04/004765 e 05/045813 são serviços de pesquisa para aperfeiçoamento dos cálculos no programa de computador (software) DI 1204 que dimensiona os hidrogeradores fabricados pela Impugnante (docs. 10); xxxix. Embora admita à fl.1.584 (p. 36 do Termo de Verificação Fiscal) que não teve acesso à íntegra do contrato entre a Impugnante e a Universidade Técnica de Dresden que fundamenta as despesas pagas acima, o Senhor Auditor Fiscal presume açodadamente que tal contrato embasaria sua costumeira pretensão de que tais serviços teriam a natureza de assistência técnica, científica ou administrativa (arts. 354 e 355 do RIR/99), que pressupõem a transferência de tecnologia (art. 355, §3°, do RIR/99); xl. Com efeito, o contrato em questão (doc. 11) não apenas é extenso, contendo 10 cláusulas e 14 anexos, mas também, e acima de tudo, é complexo demais para leigos em engenharia, razão pela qual não poderia o jovem Senhor Agente Fiscal tirar suas conclusões tão Fl. 2462DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução n.º 140200112 S1C4T2 Fl. 13 13 apressadamente sem plenamente compreender o contrato, mostrandose arbitrário o presente lançamento de ofício; xli. O Senhor Agente Fiscal confundiu equivocadamente despesas de assistência técnica, científica ou administrativa (arts. 354 e 355 do RIR/99) com despesas com pesquisas científicas ou tecnológicas (arts. 349 do RIR/99), que são dispêndios com a criação ou o aperfeiçoamento de produtos, processos, fórmulas e técnicas de produção (art. 349, caput, do RIR/99), cuja dedutibilidade está isenta do registro no INPI e no BACEN; xlii. O contrato entre a Impugnante e a Universidade de Dresden (doc. 11) traz vários elementos que provam que se trata de despesas com pesquisas; xliii. Dada a complexidade do projeto, a Universidade de Dresden subcontratou, com base na cláusula 4.1 do contrato (doc. 11), especialistas para auxiliála, todos devidamente pagos diretamente pela Impugnante; xliv. Vale ressaltar que o software DI 1204 sempre foi de propriedade da Impugnante, tendo sido desenvolvido por ela mesma e, assim, se ninguém pode comprar algo que já é seu, não há que se cogitar de transferência de tecnologia; xlv. Nesse caso, a Universidade de Dresden apenas vendeu sua mãodeobra (obrigação de fazer) e não um bem ou direito; xlvi. Como os serviços prestados direta ou indiretamente pela Universidade de Dresden envolveram uma dose considerável de customização, adaptação e parametrização de programa de computador (software) e como o INPI dispensa de registro justamente os serviços de customização, adaptação e parametrização do programa de computador (software) (fl. 1.563), as despesas com os serviços tomados da Universidade Técnica de Dresden e colaboradores nunca foram despesas de assistência técnica ou científica, mas sim despesas com pesquisa, plenamente dedutíveis, nos termos do art. 349 do RIR/99, independentemente de registro no INPI e no BACEN; xlvii. Nos termos do art. 14 do Tratado BrasilAlemanha, rendimentos pagos a engenheiros, como aqueles ligados à Universidade de Dresden, são rendimentos de profissionais liberais, cuja competência tributária é exclusiva do Estado da residência dos prestadores dos serviços, no caso a Alemanha, sendo vedado ao Brasil, assim, tributar esses mesmos rendimentos, mediante glosa da dedutibilidade desses valores, correspondentes a R$175.519,47; xlviii. Quanto aos demais rendimentos, pagos a pessoas jurídicas residentes na Alemanha, como os serviços em discussão não envolvem transferência de tecnologia, em verdade, não passam de remunerações pagas "por informações correspondentes à experiência adquirida no setor industrialʺ, qualificandose como royalties para os exclusivos fins do Tratado Brasil‑Alemanha; xlix. Mas ainda que se admitisse que os serviços em pauta envolveriam transferência de tecnologia, de qualquer forma corresponderiam às de remunerações pagas ʺpelo uso... de... modelo, plano, fórmula ou processos secretosʺ, qualificandose igualmente como royalties para os exclusivos fins do Tratado Brasil‑Alemanha, sendo indiscutível a aplicação, no presente caso, do art. 12, em prevalência ao art. 7o; Fl. 2463DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução n.º 140200112 S1C4T2 Fl. 14 14 l. Ocorre que o art. 12 atribui ao Estado da Fonte, no caso o Brasil, uma competência restrita à alíquota de 15% para royalties, não provenientes do uso de marcas de indústria ou comércio (art. 12, §2°, "b"), implicando na competência residual da Alemanha, Estado da Residência; li. Como o Brasil já recebeu da Impugnante os 15% de IRFonte sobre todas as remessas à Alemanha, tal qual comprova o próprio Termo de Verificação Fiscal, o Brasil já esgotou sua competência tributária sobre os rendimentos relativos aos serviços pagos à Alemanha, estando assim proibido de tributar tais rendimentos; lii. Desse modo, a tributação pretendida pela fiscalização, através da indedutibilidade dos rendimentos, resultaria nesse ponto em irreversível violação ao Tratado Brasil‑Alemanha, eis que importaria em dupla tributação dos serviços em questão, não restando dúvida de que o Tratado prevalece sobre as leis internas, por força do art. 98 do CTN; liii. Contudo, na hipótese de os Srs. Julgadores não se convencerem de que o aperfeiçoamento do software DI 1204 tratase de pesquisa e desenvolvimento, cujas despesas são plenamente dedutíveis, independentemente de registro no INPI e no BACEN, justificase a realização da Perícia de Engenharia, nos termos do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72, visando comprovar a impossibilidade de ter ocorrido transferência de tecnologia na hipótese, indicandose o perito em engenharia Dr. Paulo Shinzato e ainda, nos termos do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72, os seguintes requisitos: • O que é e para que serve o programa de computador (ʺsoftwareʺ) DI 1204? • O software DI 1204 já pertencia à Voith Hydro ("VH") em 2004? • O software DI 1204 já existia antes da celebração do contrato entre a VH e a Universidade Técnica de Dresden? • Qual o objeto do contrato firmado entre a VH e a Universidade Técnica de Dresden e seus colaboradores? • Os serviços prestados pela Universidade Técnica de Dresden no software DI 1204 envolveram algum conhecimento secreto que seria compartilhado com a VH? • As despesas com o aperfeiçoamento dos processos e fórmulas de cálculo de dimensionamento dos hidrogeradores contidos no software DI 1204 são despesas com pesquisa? Ao final, a contribuinte requer o reconhecimento da nulidade do auto de infração ou o deferimento da realização da perícia de engenharia e, se ultrapassadas essas preliminares, seja reconhecida a espontaneidade das retificações da Dipj em relação à CSLL, a improcedência total ou parcial das glosas impugnadas, o cancelamento total ou parcial do IRPJ e da CSLL ora impugnados, e a recomposição total ou parcial dos saldos de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL. Fl. 2464DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução n.º 140200112 S1C4T2 Fl. 15 15 Às fls. 2130/2156, a Impugnante fez juntar parecer elaborado por seu perito assistente, cujas conclusões, em síntese, caminham no sentido de que as pesquisas realizadas de acordo com o contrato firmado entre a fiscalizada e a Universidade Técnica de Dresden não resultaram em transferência de tecnologia. A decisão recorrida está assim ementada: RELATÓRIO FISCAL. RAZÕES. IDENTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. É afastada a hipótese de nulidade do lançamento por falta de motivação quando o relatório fiscal contém elementos suficientes para identificação da conduta infracional e a impugnação contesta detalhadamente os fatos imputados à fiscalizada. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. É desnecessária a realização de perícia quando as explicações e elementos documentais juntados aos autos compõem instrução probatória suficiente para a formação do convencimento do julgador. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE INDICAÇÃO DO TRIBUTO FISCALIZADO. NULIDADE DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. A falta de indicação do tributo ou contribuição em Mandado de Procedimento Fiscal, instrumento de controle interno da administração tributária, é mera irregularidade, não dando causa à nulidade do lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AÇÃO FISCAL. INÍCIO. INTIMAÇÃO. ESPONTANEIDADE. EXCLUSÃO. O Mandado de Procedimento Fiscal contém ordem para instauração de procedimento de fiscalização, mas não configura seu início, que ocorre com a ciência do sujeito passivo do termo de início de ação fiscal ou de termo de intimação expedido por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil para que sejam prestados esclarecimentos ou apresentados documentos relativos ao cumprimento de suas obrigações tributárias, momento em que fica excluída a espontaneidade. GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS TÉCNICOS. CONTROLADORA NO EXTERIOR. AVERBAÇÃO NO INPI. É vedada a dedução de despesas incorridas com pagamentos de serviços técnicos tomados de controladoras domiciliadas no exterior, quando os respectivos contratos estão desprovidos de averbação junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial ou, se forem descumpridos seus termos e prazo. GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS TÉCNICOS. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. REGISTRO NO BACEN. O registro no Bacen de contrato de serviço de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, de projetos ou serviços técnicos especializados tomados de controladora domiciliada no exterior é requisito de dedutibilidade do respectivo pagamento da base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica tomadora Fl. 2465DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução n.º 140200112 S1C4T2 Fl. 16 16 dos serviços, independentemente de ocorrida transferência de tecnologia. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. AJUSTES AO LUCRO LÍQUIDO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O registro no Bacen e a averbação no INPI de contratos causadores de pagamentos de royalties e remuneração por serviços técnicos tomados de controladoras domiciliadas no exterior são condições de dedutibilidade de despesa previstas exclusivamente na legislação do Imposto sobre a Renda, não se comunicando para a base de cálculo da CSLL. Impugnação Procedente em Parte. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 224 4 a 2297, cujas alegações estão resumidas no memorial apresentado a esta Turma, a seguir transcrito: (...) (ii) Nulidade do lançamento por falta de MPF, pois o MPFF nº 08.1.71.00 2007001839 autorizava a fiscalização tãosomente do “IRPJ”, mas não da CSLL, tendo a fiscalização e o Auto de Infração extrapolado o âmbito de validade administrativa, incorrendo em insanável nulidade do lançamento; (iii) Nulidade do auto de infração por violação ao Princípio da Verdade Material, pois a diretriz adotada pela DRJ/SP1, ao supor, s e m p r o v a s e c o n t r a r i a m e n t e a o s P a r e c e r e s T é c n i c o s acostados aos autos (vide tb. ANEXOS 1 e 2 infra), tratarse de serviços técnicos com transferência de tecnologia, cuja dedutibilidade dependeria do registro do ato ou contrato no BACEN e da averbação no INPI, motivou a manutenção da glosa das despesas correspondentes, tendo se omitido na análise de vários documentos carreados para os autos na impugnação administrativa; (iv) Nulidade do lançamento pela espontaneidade da retificação da DIPJ do anocalendário de 2005 que reduziu a base negativa de CSLL acatando algumas despesas indedutíveis, porque nem a fiscalização e nem o AIIM nº 16561.000190/2008 13 relativo ao ano de 2003 abrangeram infração alguma relativa a essa CSLL de 2005, tendo permanecida intacta a espontaneidade da Recorrente para retificar a DIPJ/2005 em relação à CSLL; (v) Indeferimento do pedido de perícia, quando a prova da inexistência de transferência de tecnologia confirmada pelo PARECERES TÉCNICOS acostados aos autos (ANEXOS 1 E 2 infra) depende de conhecimentos altamente especializados em engenharia hidráulica justificando a Perícia de Engenharia, em nítida preterição do direito de defesa (art. 59, II, do Decreto 70.235/72, ao art. 38 da Lei 9.784/99); (vi) Serviços técnicos pressupõem transferência de tecnologia, pois o art. 355, §3º, do RIR/99 define expressamente que assistência técnica ou científica e serviços técnicos especializados – cuja dedutibilidade está condicionada aos registros no INPI e BACEN – são aqueles que envolvem transferência de tecnologia, diferenciandoos dos demais tipos de serviços comuns. Confirase seu texto: Fl. 2466DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução n.º 140200112 S1C4T2 Fl. 17 17 “Art. 355 [...] § 3º A dedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, [...] a título de remuneração que envolva transferência de tecnologia (assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados) somente será admitida a partir da averbação do respectivo ato ou contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI, obedecidos o prazo e as condições da averbação e, ainda, as demais prescrições pertinentes, na forma da Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996.” (grifo nosso) Nesse exato sentido, já decidiu a própria Receita Federal da 7ª Região Fiscal na SOLUÇÃO DE CONSULTA nº 124/1999 em matéria de IRPJ: “DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE. GASTOS COM ASSISTÊNCIA TÉCNICA OU CIENTÍFICA. Somente estão sujeitas às restrições estabelecidas pelos artigos 293 e 294 do RIR, de 1994 [idênticos aos arts. 354 e 355 do RIR/99] as somas das quantias devidas a título de remuneração que envolva transferência de tecnologia (assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante). Em se tratando de contratação de empresa estrangeira que colocará a disposição da consulente técnicos especializados em sondagem para que esta última execute serviços junto à mineradora brasileira, aplicase o disposto no art. 242 do mesmo Regulamento, que trata de forma genérica da dedutibilidade das despesas operacionais, respeitados os requisitos da necessidade e da usualidade.” O 1º Conselho de Contribuintes também já dedidiu de que na falta de transmissão de conhecimento, inexiste transferência de tecnologia: (...) (vii) Glosa, para fins de IRPJ, das despesas com especificações para determinação das turbinas hidráulicas na fase de oferta ou “fase 0” (contratos de câmbio nºs 05/056304, 05/055967, 05/067156, 05/061569, 05/065198, 04/005828 e 04/005985): Essas especificações são serviços de consultoria visando participação em licitação, os quais o próprio INPI expressamente dispensa de averbação (fl. 1.563 e p. 15 do Termo de Verificação Fiscal), especificações as quais a controladora chega com base num banco de dados com 140 anos de experiências sem revelar à Recorrente como chegou até elas (especificações). Logo, esses serviços na fase de oferta não transferem tecnologia, sendo plenamente dedutíveis, além de inadmissível a mera suposição, s e m p r o v a s e c o n t r a r i a m e n t e a o s P a r e c e r e s T é c n i c o s acostados aos autos, de que tais serviços caracterizariam transferência de tecnologia, enquanto não passam de serviços comuns, sem qualquer transferência de tecnologia, conforme enfatizado na pág. 3 do PARECER TÉCNICO 28/2009, elaborado pelo engenheiro PROF. DR. EDMUNDO KOELLE (doc. 3 da Impugnação ou ANEXO 1 infra); (viii) Glosa das despesas, para fins de IRPJ, com serviços de: (a) ensaio de modelo hidráulico de turbinas (protótipo miniatura); (b) simulações, em computador, do escoamento de fluídos de turbinas Kaplan e Francis (fase 1); (c) de especificações da engenharia hidráulica do protótipo (fase 2) (contratos de câmbio nºs 04/017964, 04/063974, 04/044588, 05/028338 e 05/062815); e (d) aproveitamento dos resultados de ensaios de modelos hidráulicos de outras turbinas transpostos para o projeto de Salto Pilão (contrato de câmbio 04/054247): Como são serviços executados pela Controladora exclusivamente no exterior, cuja eventual transferência de tecnologia exige: (a) a existência e domínio técnico de um banco de dados de experiências acumuladas; e (b) sofisticadíssimo laboratório existente apenas nos EUA ou na Alemanha; e como a Recorrente necessita do banco de dados bem como desse laboratório inexistente no Brasil (págs. 3 e 15 do juntado PARECER TÉCNICO 28/2009 ou ANEXO 1 infra), logo, a Recorrente é completamente incapacitada de absorver qualquer tecnologia que tenha relação com essas fases 1 e 2 de projetos de turbinas; Fl. 2467DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução n.º 140200112 S1C4T2 Fl. 18 18 (ix) Glosa, para fins de IRPJ, das despesas com serviços de supervisão de desmontagem, montagem e de reforma de máquinas de isolamento do enrolamento do estator de hidrogeradores (contrato de câmbio 04/033127): a Recorrente contratou um técnico da empresa suíça Micamation, não vinculada ao grupo Voith, que supervisionou a desmontagem e remontagem dessas máquinas de isolar enrolamentos do estator, bem como sua reforma, obviamente sem ensinar à Recorrente como reformar tal máquina. Para caracterizarse um serviço como assistência técnica não basta que técnicos sejam enviados ao Brasil. Obviamente esse não é o espírito do art. 354, II, do RIR/99, sendo imprescindível que esses técnicos efetivamente transferissem tecnologia. Todavia, a DRJ/SPOI fiase apenas na vinda de técnico ao Brasil, mas não prova, em momento algum, que teria havido efetiva transferência de tecnologia. Sendo assim as despesas com serviço comum são plenamente dedutíveis sem registro no INPI e BACEN, pois a Micamation não transferiu conhecimento, conforme ressaltado na pág. 14 do PARECER TÉCNICO 28/2009 (doc. 3 da Impugnação ou ANEXO 1 infra). (x) Glosa, ainda para fins de IRPJ, das despesas com serviços de avaliação das trincas nas chapas da cruzeta da obra (contrato de câmbio 04/010872): o Sr. Agente Fiscal alega, com base no art. 354, II, do RIR/99, o mero envio de técnicos ao Brasil caracterizaria o serviço como assistência técnica, sujeita registro no INPI e BACEN. Todavia, não há que se cogitar aqui também de transferência de tecnologia, pois a Recorrente simplesmente contratou os serviços de um especialista em soldagem de sua controladora, o qual avaliou as trincas e propôs soluções, s e m e n s i n a r c o mo t e r i a c h e g a d o à q u e l a s c o n c l u s õ e s . Por outro lado, o fato de terem sido produzidos relatórios pela controladora alemã não tem o condão de caracterizar transferência de tecnologia, nem há qualquer previsão legal nesse sentido! (xi) Glosa, também para fins de IRPJ, dos gastos com serviços para aperfeiçoar o software DI 1204 para projetos de fabricação de hidrogeradores prestados (a) pela Universidade Técnica de Dresden na Alemanha (contratos de câmbio 04/001946, 04/043952, 04/049232, 054/023181, 05/011923, 05/037725, 05/037727, 05/052042, 06/061570, 05/062813); e (b) por profissionais liberais (contatos de câmbio 04/004477, 04/049262, 05/055965, 04/004765 e 05/045813). Nesse tipo de serviço a transferência de tecnologia é impossível porque inexiste uma tecnologia préexistente que poderia ter sido transferida, pois o software DI 1204 sempre foi de propriedade da Recorrente, tendo sido desenvolvido por ela mesma e não pela Universidade de Dresden, como confirmado na pág. 26 do RELATÓRIO TÉCNICO do PROF. PAULO SHINZATO (juntado em 02/03/2010 ou ANEXO 2 infra). A Universidade vendeu apenas sua mãodeobra (obrigação de fazer) e não um bem ou direito. Neste caso, os serviços prestados pela Universidade de Dresden envolveram a customização, adaptação e parametrização de programa de computador (software), q u e o I N P I d i s p e n s a 1 d e r e g i s t r o . Logo, as despesas com os serviços tomados da Universidade Técnica de Dresden nunca foram despesas de assistência técnica ou científica, mas sim despesas com pesquisa que não resultam em transferência de tecnologia, segundo conclusão na pág. 26 do RELATÓRIO TÉCNICO do PROF. PAULO SHINZATO (ANEXO 2 infra), sendo plenamente dedutíveis nos termos do art. 349 do RIR/99, independentemente de registro no INPI e no BACEN; (xii) Indedutibilidade de rendimento estrangeiro viola Tratado BrasilAlemanha (Decreto nº 76.988/76 vigente até 31/12/2005): Assim como KLAUS VOGEL, ALBERTO XAVIER leciona que “dupla tributação econômica internacional ocorre numa situação em que duas sociedades interdependentes residentes em dois Estados distintos se atribuem rendimentos não dedutíveis num deles e tributáveis no outro.” Provas de que o 1 In: http://www.inpi.gov.br/index.php/contratodetecnologia/guiabasico (acessado em 12/01/2012) vide tópico SERVIÇOS NÃO REGISTRÁVEIS. Fl. 2468DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução n.º 140200112 S1C4T2 Fl. 19 19 Tratado BrasilAlemanha bem como a legislação brasileira visam evitar a dupla tributação econômica estão: (a) na isenção do imposto alemão de investidoras para os lucros auferidos por investidas no Brasil (art. 24, §1º, do Tratado); (b) na isenção de IRPJ do resultado positivo de equivalência patrimonial de controladora no Brasil (art. 23 do DecretoLei 1.598/1977); (c) na isenção de IRFonte na distribuição de dividendos a nãoresidentes (art. 10 da Lei 9.249/95) etc. A se aplicar o ART. 14 DO TRATADO (profissionais liberais), este atribui competência exclusiva à Alemanha (Estado da residência dos engenheiros) para tributação de tais rendimentos, vedando ao Brasil competência tributária para tributar esses rendimentos. A se aplicar o ART. 12, §2º, “b”, DO TRATATO (royalties), esta norma atribui ao Brasil (Estado da fonte), uma competência restrita à alíquota de 15% já esgotada pelos pagamentos de IRFonte em todas as remessas à Alemanha (Termo de Verificação Fiscal), restando assim vedado ao Brasil impor tributação além do limite de 15%. Por fim, seja por força do art. 98 do CTN na interpretação autêntica do STF (RTJ 83/809), seja por força do art. 5º, §2º, da CF/88, ou por ser lei especial quanto às pessoas a que se aplica, não resta dúvida de que o Tratado BrasilAlemanha restringe a eficácia dos arts 354 e 355 do RIR/99; (xiii) Glosa, para fins de IRPJ e CSLL, das compensações do prejuízo fiscal e base negativa reduzidos no Auto de Infração de outro Processo de nº 16561.000190/200813 (ref. ano de 2003), lavrado em 12/12/2008, nesta ótica, tendo se esgotado em 31/12/2004: como esse Auto de Infração foi objeto da Impugnação de 12/01/2009 que está suspendendo a exigibilidade do crédito tributário (art. 151, III, do CTN), logo, indevidas não foram as compensações, mas tão somente as glosas dos créditos de prejuízo fiscal e base negativa de 2003 pelo outro Auto de Infração de 12/12/2008. PEDIDOS Por tudo quanto até aqui exaustivamente exposto e comprovado, pleiteia a Recorrente seja conhecido e provido o presente RECURSO VOLUNTÁRIO, para o fim de reformar o v. Acórdão da DRJ/SP1 no sentido de: excluir da lide, de ofício, os valores pagos a título de IRPJ e CSLL, nos termos do art. 32 do Decreto 70.235/1972 e do item 2.1.1. da letra “a” do Anexo Único da Portaria SRF 1.769/2005; reconhecer a nulidade do Auto de Infração por ofensa ao princípio da verdade material; declarar a espontaneidade das retificações da DIPJ/2005 com relação à CSLL; declarar a improcedência, total ou parcial, das glosas das despesas e dos créditos de prejuízo fiscal e base negativa supra: cancelando, total ou parcialmente, o IRPJ e a CSLL ora recorridos; recompondo, total ou parcialmente, os saldos acumulados de prejuízo fiscal e base negativa. Fl. 2469DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução n.º 140200112 S1C4T2 Fl. 20 20 cancelar o lançamento de ofício, arquivandose o presente processo administrativo; (...) O crédito tributário em litígio pode ser resumido no seguinte quadro: IRPJ EM LITÍGIO (excluindose pagamentos) Ano Descrição Cf. Acórdão DRJ/SP1, às fls. 2.230 (A) BC's Não Impugnadas do IRPJ PAGO (B) Objeto da Lide (C = A B) 2004 Base de Cálculo do IRPJ em 31/12/04 cf.: (i) Acórdão da DRJ; (ii) Recorrente 4.483.721,76 (1.673.446,58) 2.810.275,18 = IRPJ (25%) de 2004 em dicussão cf.: (i) Acórdão DRJ (“A”); (ii) Recorrente ( “C”) 1.120.930,44 702.568,79 2005 Base de Cálculo do IRPJ em 31/12/05 cf.: (i) Acórdão da DRJ; (ii) Recorrente 13.449.827,43 (802.279,14) 12.647.548,29 = IRPJ (25%) de 2005 em dicussão cf.: (i) Acórdão DRJ (“A”); (ii) Recorrente (“C”) 3.362.456,86 3.161.887,07 IRPJ TOTAL EM LITÍGIO DE 4.483.387,30 PARA 3.864.455,86 CSLL EM LITÍGIO (excluindose pagamentos) Ano Descrição Cf. Acórdão DRJ/SP1, às fls. 2.230 (A) BC's Não Impugnadas da CSLL PAGA (B) Objeto da Lide (C = A B) 2004 Base de Cálculo da CSLL em 31/12/04 cf.: (i) Acórdão da DRJ; (ii) Recorrente 425.189,04 (607.413,01) 0,00 = CSLL (9%) de 2004 em discussão cf.: (i) Acórdão DRJ (“A”); (ii) Recorrente (“C”) 38.267,01 0,00 2005 Base de Cálculo da CSLL em 31/12/05 cf.: (i) Acórdão da DRJ; (ii) Recorrente 2.143.774,36 (591.178,70) 1.552.595,66 = CSLL (9%) de 2005 em discussão cf.: (i) Acórdão DRJ (“A”); (ii) Recorrente (“C”) 192.939,69 139.733,61 CSLL TOTAL EM LITÍGIO DE 231.206,70 PARA 139.733,61 É o relatório. Fl. 2470DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução n.º 140200112 S1C4T2 Fl. 21 21 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recursos, voluntário e de ofício, preenchem os requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, tratam os presentes autos de auto de infração (fls. 1.525/1.630), lavrado pela Delegacia da Receita Federal em São Paulo, pelo qual foram lançados créditos tributários do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) referentes aos anoscalendário de 2004 e 2005. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.404/1.442), a empresa fiscalizada foi autuada por ter incorrido em diversas infrações, a seguir resumidas: Em relação ao IRPJ: 1) dedução indevida de despesas de royalties computadas na apuração do lucro real; 2) dedução indevida de cotas de depreciação de bens do ativo imobilizado; 3) dedução indevida de despesas com assistência técnica, pagos a beneficiários no exterior; 4) compensação indevida de prejuízo fiscal por insuficiência de saldo; 5) adições não computadas na apuração do lucro real, relativas a lucros auferidos no exterior. Em relação à CSLL: falta de recolhimento decorrente de deduções indevidas; 2) compensação indevida de base de cálculo de períodos anteriores. O contribuinte concordou com parte das glosas e efetuou pagamento dos respectivos indébitos. A DRJ manteve em parte a exigência, restabelecendo a dedução de parte dos valores glosados na CSLL por entender que a base legal para a glosa é específicas do IRPJ. A meu ver, um dos pontos cruciais para deslinde da lide é esclarecer se realmente ocorreu transferência de tecnologia. A contribuinte manejou o pedido de perícia nos seguintes termos: 11.7 Da Necessidade de Perícia de Engenharia Os esclarecimentos do tópico 11.5 comprovam tratarse o aperfeiçoamento do software DI 1204 de pesquisa e desenvolvimento, cujas despesas são plenamente dedutiveis, independentemente de registro no INPI e no BACEN. Tais despesas não se confundem com os serviços de assistência técnica que envolvem transferência de tecnologia pois o software já pertencia à Impugnante, sendo impossível transferir algo que já lhe pertencia e ilógico transferir conhecimento não préexistente. Contudo, na hipótese de os Srs. Julgadores não se convencerem disso, a toda evidencia, justificase a realização da Perícia de Engenharia, nos termos do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72, visando comprovar a impossibilidade de ter ocorrido transferência de tecnologia na hipótese, Para tanto, indicase o seguinte Perito em Engenharia: Fl. 2471DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução n.º 140200112 S1C4T2 Fl. 22 22 NOME: DR. PAULO SHINZATO ENDEREÇO: Rua da Consolação, 896, prédio 6 (Escola de Engenharia Mackenzie), CEP 01302907, Higienópolis, São Paulo, SP. QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL: Professor de Engenharia Elétrica da Universidade Mackenzie com ênfase em máquinas elétricas e dispositivos de potência. Engenheiro Consultor. Da mesma forma, ainda nos termos do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72, indicase os seguintes requisitos: • 0 que é e para que serve o programa de computador ("software") DI 1204? • 0 software DI 1204 já pertencia a Voith Hydro ("VH") em 2004? • 0 software DI 1204 já existia antes da celebração do contrato entre a VH e a Universidade Técnica de Dresden? • Qual o objeto do contrato firmado entre a VH e a Universidade Técnica de Dresden e seus colaboradores? • Os serviços prestados pela Universidade Técnica de Dresden no software DI 1204 envolveram algum conhecimento secreto que seria compartilhado com a VH? • As despesas com o aperfeiçoamento dos processos e fórmulas de cálculo de dimensionamento dos hidrogeradores contidos no software DI 1204 são despesas com pesquisa? A propósito, como os quesitos supra dependem evidentemente de conhecimentos técnicos, altamente especializados em engenharia elétrica, certamente fora da esfera de conhecimento e competência funcional dos Srs. Julgadores e dos Auditores Fiscais, justificase indiscutivelmente a requerida Perícia de Engenharia, conforme perfeita jurisprudência tanto desta Delegacia de Julgamento de São Paulo formada pelos Acórdãos n° 1614270 de 01/08/2007, no 1612568 de 26/02/ 2007 ou n° 165553 de 02/07/2004 como do Primeiro Conselho de Contribuintes consubstanciada nos Acórdãos n° 10319507 de 14/07/1998, n° 10195185 de 13/09/2005 ou n° 10196457 de 05/12/2007. (...)” O pedido de perícia foi indeferido pela Turma Julgadora de 1a. Instância calcada nos seguintes fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido; Pedido de perícia As despesas questionadas envolvem sofisticados serviços de engenharia hidráulica, cujos patronos da Impugnante, demonstrando domínio do assunto e habilidade com o manuseio do vernáculo, soube descrevêlos com proficiência, permitindo ao julgador compreender, com clareza, a maneira como eles foram prestados e os motivos pelos quais a Impugnante entende que essas operações não envolveriam transferência de tecnologia. O mesmo pode ser dito do autuante, que expôs com clareza os fundamentos fáticos e jurídicos que o levaram a lavrar o presente auto de infração, não se notando da leitura da peça acusatória que seu autor teria encontrado dificuldade para compreender a natureza dos serviços técnicos colocados em discussão. Fl. 2472DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução n.º 140200112 S1C4T2 Fl. 23 23 Neste ponto, causa estranheza que os patronos da Impugnante, em diversos trechos da peça recursal, tenham questionado o lançamento, sob a alegação de que o autuante não teria compreendido a natureza dos serviços tomados pela contribuinte, porque sua formação seria diversa da de Engenharia, a exemplo do seguinte excerto da peça impugnatória: “o jovem Auditor Fiscal certamente entende pouquíssimo de engenharia e menos ainda da engenharia em turbinas hidráulicas” (fls. 1676). É curioso que os advogados da autuada tenham dado relevância a essa linha de defesa, na medida que àqueles profissionais, o conhecimento de engenharia não é imanente, haja vista que são bacharéis em Direito e, assim, se eventualmente o autuante não é engenheiro, na mesma situação provavelmente se encontram os patronos da Impugnante, circunstância que não os impediu de compreender as questões técnicas dessa área do conhecimento que envolvem a presente discussão, haja vista as respeitáveis razões de impugnação deduzidas. E nem poderia ser diferente, pois em qualquer labor, seja braçal, seja intelectual, previamente à execução da respectiva tarefa, passase por uma fase que consiste em analisar e planejar o que será realizado, sendo que, quanto mais elevada a complexidade dos elementos envolvidos, certamente maior será o tempo despendido nesse estudo, circunstância que não se confunde com impossibilidade de compreensão da matéria. Ademais, não são raros os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil que detêm mais de uma formação superior, existindo, inclusive, muitos profissionais com graduação em Engenharia, sendo razoável, podendose até mesmo dizer alta, a probabilidade do autuante deter tal titulação, cumulada com a mesma graduação dos advogados da contribuinte, isto é, o bacharelado em Direito. Assim, tentar desqualificar o lançamento invocando a juventude ou a suposta formação do AuditorFiscal não constitui em argumento válido no combate à presente autuação, que deve ser feito a partir da análise da subsunção dos fatos à norma em discussão, verificandose a ocorrência ou não do fenômeno da incidência tributária.. De qualquer maneira, ainda que o autuante ou até mesmo os patronos da Impugnante não tenham formação em Engenharia, o que se ventila apenas por hipótese para não se correr o risco de ser açodado, constatase que os argumentos deduzidos pelas partes nos autos são consistentes, demonstrando que ambas compreenderam plenamente os fatos que envolvem a contenda, embora divirjam em relação a sua natureza jurídica. Digase, a propósito, que a própria Impugnante, não obstante suas objeções em relação às supostas condições pessoais do AuditorFiscal, aderiu parcialmente às conclusões do autuante, eis que deixou de impugnar parte das infrações a ela imputadas e pagou um montante de R$ 954.686,43 em tributos, conforme Darf’s de fls. 1734/1735. Feita essa breve digressão, constatase não pairar dúvidas acerca dos fatos envolvidos na contenda ou, ainda, sobre a fundamentação jurídica defendida pelas partes, encontrandose os autos devidamente instruídos para o exame das provas e do direito aplicável, razão pela qual a realização de diligência ou perícia mostrase desnecessária. Assim, voto pelo indeferimento do pedido de realização de perícia. A seguir, no mesmo voto, o ilustre Relator analisou a matéria e concluiu que houve mesmo transferência de tecnologia e que o pagamento desse serviço somente poderia ter sido deduzido como despesa operacional se estivessem satisfeitos os requisitos consignados no art. 354 e 355 do RIR/1999. Vejamos a transcrição dos fundamentos: (...) Fl. 2473DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução n.º 140200112 S1C4T2 Fl. 24 24 A situação da contribuinte não se enquadra na hipótese de “customização” a que se refere a listagem do INPI. A TUD não é uma empresa de desenvolvimento de software e este, por sua vez, segundo informou a própria contribuinte e o engenheiro que elaborou o laudo técnico de fls. 2130/2156, foi concebido pela própria Voith. O serviço contratado pela Impugnante junto à TUD consistiu no aperfeiçoamento dos cálculos do programa DI 1204. Entretanto, para que fossem feitas as alterações no programa, foi imperativo a realização de experimentos e estudos técnicos aplicados de engenharia. Por sua vez, o contrato traduzido deixa claro que a cliente Voith também adquiriu o serviço de pesquisa, tendo garantido contratualmente o acompanhamento de todas as etapas de seu desenvolvimento, o acesso à metodologia utilizada e, ao final, a aquisição da propriedade de seus resultados. Assim, a fiscalizada não somente adquiriu um serviço de aperfeiçoamento dos cálculos empregados em seu programa de computador, mas também garantiu a aquisição do conhecimento técnico que permitiu sua execução, o que não se confunde com uma “customização” de um software de prateleira, situação em que o cliente desse serviço recebe tãosomente o programa com as alterações desejadas, mas não sabe de que maneira elas foram executadas. No caso em debate, a contribuinte teve acesso irrestrito a todo o processo de pesquisa em engenharia que permitiu a reformulação dos cálculos utilizados em seu programa de computador, materializado em relatórios e documentos produzidos pela TUD, circunstância que, de acordo com a legislação do INPI, caracteriza transferência de tecnologia. Por fim, mesmo que essa pesquisa fosse considerada um “serviço técnico complementar”, cujo contrato estaria dispensado de averbação no INPI, o registro no Bacen ainda seria obrigatório, por força da já referenciada CartaCircular nº 2795, de 15/04/1998. Portanto, o pagamento desse serviço somente poderia ter sido deduzido como despesa operacional se estivessem satisfeitos os requisitos consignados no art. 354 e 355 do RIR/1999, dentre os quais, a averbação do contrato no INPI e o registro da operação no Bacen, que, a toda evidência, não se verificaram, devendo ser mantida a glosa de R$ 1.416.193,68. (...) Pela análise dos autos, formei convencimento de que essa questão é absolutamente técnica e necessita mesmo de um parecer especializado. Registro, ainda, que é recomendável realizar o julgamento deste processo em conjunto com o de número 16561.000190/200813, que trata da mesma ação fiscal e infrações, relativas ao anocalendário de 2003. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para realização da Perícia propugnada pela recorrente, ficando a critério da Unidade de origem designar outro perito para também se manifestar sobre a questão, caso entenda necessário. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 2474DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/ 05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 13019.000008/2004-51
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1801-000.136
Decisão: Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Marcos Vinicius Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes que negavam provimento ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Guilherme
Pollastri Gomes da Silva. Participou do julgamento o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 26 09:00:04 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201207
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 13019.000008/2004-51
conteudo_id_s : 6580225
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1801-000.136
nome_arquivo_s : 180100136_13019000008200451_201207.PDF
nome_relator_s : MARIA DE LOURDES RAMIREZ
nome_arquivo_pdf_s : 13019000008200451_6580225.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Marcos Vinicius Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes que negavam provimento ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Participou do julgamento o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
id : 4578199
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 26 09:55:50 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1728355848759017472
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1873; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 95 1 94 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13019.000008/200451 Recurso nº 143.522 Resolução nº 180100.0136 – 1ª Turma Especial Data 4 de julho de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente FUNDAÇÃO CULTURAL FÁTIMA DE COMUNICAÇÕES Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Marcos Vinicius Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes que negavam provimento ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Participou do julgamento o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO. Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão n º 1015.823, de 14/05/2008, da 4a. Turma da DRJ em Porto Alegre/RS que, por unanimidade de votos, indeferiu o pleito da interessada de inclusão na sistemática do Simples Federal a partir de 2004 (fls. 71/73). Fl. 129DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13019.000008/200451 Resolução n.º 180100.0136 S1TE01 Fl. 96 2 Histórico. A instituição acima referenciada tentou incluirse na sistemática do Simples Federal, por meio de alteração cadastral realizada na FCPJ –mas os sistemas internos da RFB impediram a transmissão do PGDCNPJ por constar atividade econômica não admitida (fl. 23). Inconformada, pelo pedido de inclusão no Simples Federal formulado em 22/01/2004 (fls. 01/02), a Fundação Cultural Fátima de Comunicações solicitou a sua inclusão no sistema, observando tratarse de uma Fundação que tem por finalidade propugnar pela formação educacional, cívica, moral e cultural da população brasileira, através da divulgação falada, escrita e televisada, dentro da legislação específica da radiodifusão, podendo manter para tanto emissoras de radiodifusão, escolas, jornais, revistas e outros meios de formação e cultura. Aduz poder distribuir bolsas de estudo e manter serviços subsidiados de natureza assistencial. Entendendo estar enquadrada nos requisitos mencionadas da Lei n° 9.317 de 5 de dezembro de 1996, alterada pela Lei n° 9.372, de 11 de dezembro de 1998, optou em verse tributada pelo novo regime instituído por aqueles diplomas legais: o SIMPLES. Pondera que as hipóteses de vedação à opção do SIMPLES são encontradas nos Arts. 9° a 10° da Lei n° 9.317 de 1996, e a única hipótese de vedação da pessoa jurídica em razão de seu tipo jurídico se refere às Sociedade Anônimas (art. 9°, III), o que, obviamente, não seria o caso. Outra possibilidade de vedação seria em relação às atividades da pessoa jurídica interessada em optar, hipótese prevista no art. 9°, XII, "d": a realização de atividades relativas a propaganda e publicidade. Mas a própria alínea teria excluído a postulante da vedação (...excluídos os veículos de comunicação), entendendo, assim, não existir qualquer razão legal que a impeça de formalizar a opção almejada. Pelo Despacho Decisório DRF/CXL de 18/04/2005 (fl. 30) o pleito foi indeferido. O parecer Sacat n º 209/2005 (fls. 28/29) que motivou o Despacho Decisório, fundamentou o indeferimento no sentido de que as associações e fundações já gozam de tratamento diferenciado, na medida em que são regidas por legislação própria de favorecimento fiscal, desde que atendidos os pressupostos legais. De outra parte, o art. 179 da Constituição Federal de 1988 autoriza a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios a dispensarem tratamento jurídico diferenciado apenas as microempresas e às empresas de pequeno porte, conforme definidas em lei. Entende que as associações e as fundações são pessoas jurídicas cujas características diferem completamente das empresas, pois são organizações que não têm finalidade econômica e são sem fins lucrativos e, nessas condições, não poderiam ser tidas como “empresas” e, tampouco “microempresas” ou “empresas de pequeno porte”, razão pela qual não poderiam ser admitidas na sistemática do Simples. Irresignada apresentou a entidade impugnação (fls. 32/51). Argumenta que o indeferimento da opção pelo Simples levaria a uma majoração das contribuições previdenciárias relativas à quota patronal incidente sobre a folha de pagamento 28,80%, além da contribuição para o PIS que passa a incidir sobre a folha de pagamento. Além disso as obrigações acessórias seriam sensivelmente acrescidas. Afirma que nos termos da CF e legislação de regência é microempresa e empresa de pequeno porte aquelas que auferem a receita bruta anual nos limites estipulados Fl. 130DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13019.000008/200451 Resolução n.º 180100.0136 S1TE01 Fl. 97 3 pela Lei n º 9.317, 1996 e alterações, vedadas as atividades nela elencadas, e nessas condições tem o direito de optar pela sistemática simplificada. A vedação seria afronta ao texto constitucional. O argumento de que as fundações não teriam atividade econômica não seria motivo suficiente a impedir o ingresso na sistemática, visto que as vedações são aquelas unicamente previstas na lei em comento. Assim, se o legislador nenhuma restrição fez às pessoas jurídicas constituídas sob a forma de fundações não caberia ao interprete fazêlo. Invoca a aplicação de entendimento manifestado pela DRJ em Santa Maria no processo 13029.000122/9989, que vislumbrou não haver óbice às fundações serem consideradas como microempresas ou empresas de pequeno porte, caso não se beneficiem de isenção e imunidade, pois se sujeitariam à tributação como todas as demais pessoas jurídicas. Apreciando o litígio a 4a. Turma da DRJ em Porto Alegre/RS consignou que o indeferimento da inclusão no Simples revelarseia correto, de vez que as fundações, de forma idêntica às cooperativas e às associações, já gozam de tratamento diferenciado, na medida em que são regidas por legislação própria de favorecimento fiscal, desde que atendidos os pressupostos legais. Menciona que o art. 60 da Lei n º 4.137, de 1962 dispõe que “considerase empresa, toda a organização de natureza civil ou mercantil destinada à exploração por pessoa física ou jurídica de qualquer atividade sem fins lucrativos”. Nessas condições, as fundações, por possuir finalidade não lucrativa não poderiam ser sequer enquadradas como empresas, sendo irrelevante o porte, se micro ou de pequeno porte. Notificada da decisão, em 02/07/2008, como demonstra a cópia do AR à fl. 76, apresentou, a interessada, em 01/08/2008, o recurso voluntário de fls. 77/85, no qual reitera os argumentos de que não haveria justificativa legal que lhe impedisse de optar pelo Simples, unicamente com base na sua natureza jurídica de fundação. Aduz que o Conselho de Contribuinte já decidiu que fundações privadas podem optar pelo Simples, pois o Código Civil Brasileiro prevê que as fundações e associações são pessoas jurídicas de direito privado. Ao final pugnou pela reforma da decisão de 1a. instância. É o relatório. VOTO Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. O litígio diz respeito à possibilidade de a entidade Fundação Cultural Fátima de Comunicações, por se constituir de uma fundação sem fins lucrativos e em função justamente dessa sua característica, poder optar por pagar tributos na sistemática simplificada do Simples Federal. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13019.000008/200451 Resolução n.º 180100.0136 S1TE01 Fl. 98 4 As autoridades da DRF em Caxias do Sul/RS e da DRJ em Porto Alegre/RS entendem que uma fundação sem fins econômicos não pode sequer ser considerada uma empresa pouco importando o seu porte, pequeno ou micro. Se não pode sequer ser considerada empresa, micro ou de pequeno porte, não pode optar por uma sistemática de pagamento de tributos construída especialmente para tais empresas. O Simples Federal, como sobejamente consignado nos autos, é uma sistemática que permite às microempresas e empresas de pequeno porte recolher os tributos devidos às pessoas jurídicas em geral, mas de maneira simplificada. O sistema visa, justamente, pela simplificação, incentivar o adimplemento das obrigações tributárias de empresas de micro e pequeno porte. Assim, por exemplo, através de um único código de receita são recolhidos IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, INSS, IPI e alguns outros tributos estaduais e/ou municipais, de acordo com os convênios celebrados entre União, Estados e Municípios. O valor recolhido a cada mês é composto de determinados percentuais que se referem e são destinados aos fundos de cada um dos tributos mencionados, na proporção ou porcentagem determinada pela lei de regência. Nesse contexto, se uma instituição é isenta do recolhimento de impostos e/ou contribuições incidentes sobre o lucro ou sobre o faturamento não haveria sentido, para essa instituição, optar pelo Simples que, como consignado, é uma forma simplificada, sim, mas uma forma de recolher tributos. Consideramse isentas, nos termos do artigo 15 da Lei n º 9.532, de 1997, “...as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos”. A isenção abrange apenas o IRPJ e a CSLL (art. 15, § 1º) e estão fora da isenção os ganhos de capital em aplicações financeiras de renda fixa ou variável (art. 15, § 2º). Contudo, nem sempre uma entidade sem fins lucrativos ou econômicos, ou em particular, uma fundação, como no presente caso, apenas por descrever em seus estatutos que se constitui de finalidade não lucrativa e/ou econômica, usufrui ou está apta a usufruir de isenção de impostos. Assim, se a fundação – entidade sem fins lucrativos não preenche os requisitos legais para usufruir do beneficio da isenção, ela estará sujeita ao recolhimento de todos os tributos, como todas as demais pessoas jurídicas. Nessas condições, se não houver qualquer impedimento, nos termos da Lei nº. 9.317, de 1996, ela poderá optar por pagar os tributos na forma do Simples. Os requisitos legais para gozo de isenção, nos termos do art. 15, § 3º, do art. estão previstos nos artigos 12, § 2º, alíneas "a" a "e" e § 3º e arts. 13 e 14, todos da Lei n º 9.532, de 1997. Portanto, no presente caso, resta saber se a entidade Fundação Cultural Fátima de Comunicações usufrui do beneficio da isenção de impostos, razão pela qual voto por converter o julgamento na realização de diligência para que a autoridade fiscal verifique: 1) se a entidade interessada de fato usufrui de isenção de tributos ou de imunidade de impostos; Fl. 132DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13019.000008/200451 Resolução n.º 180100.0136 S1TE01 Fl. 99 5 2) se a entidade possui certificado emitido por órgão governamental que a declare como entidade beneficente de assistência social; 3) se a entidade cumpre os requisitos legais para usufruir do benefício da isenção, nos termos do disposto nos artigos 15, 12, 13 e 14 da Lei n º 9.532, de 1997, mencionados no presente voto; A fim de atender a presente solicitação o auditor fiscal deverá intimar a entidade a prestar os esclarecimentos necessários acompanhados da competente documentação comprobatória. Ao final deverá a autoridade fiscal competente elaborar relatório circunstanciado e conclusivo dos trabalhos efetuados, do qual deverá ser cientificada a recorrente para, no prazo de 30 dias a contar da ciência, apresentar suas considerações, se assim o desejar, retornandose os autos a esta Conselheira para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 133DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000293/2007-58
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/08/2006
FALTA DE CLAREZA NA AUTUAÇÃO ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA.IMPOSSIBILIDADE.
A fiscalização disponibilizou todos os dispositivos legais que foram violados pela recorrente e resultaram na lavratura do Auto de Infração, razão pela qual o possível cerceamento de defesa alegado não foi verificado
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE APRESENTAR QUALQUER LIVRO OU DOCUMENTO RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS.
A empresa recorrente deixou de apresentar documentos/livros relacionados com as contribuições sociais previdenciárias, motivo pelo qual foi lavrado Auto de Infração por esse descumprimento e não foi apresentada prova que pudesse reverter a autuação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-000.549
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 26 09:00:04 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201105
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2001 a 31/08/2006 FALTA DE CLAREZA NA AUTUAÇÃO ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA.IMPOSSIBILIDADE. A fiscalização disponibilizou todos os dispositivos legais que foram violados pela recorrente e resultaram na lavratura do Auto de Infração, razão pela qual o possível cerceamento de defesa alegado não foi verificado DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE APRESENTAR QUALQUER LIVRO OU DOCUMENTO RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. A empresa recorrente deixou de apresentar documentos/livros relacionados com as contribuições sociais previdenciárias, motivo pelo qual foi lavrado Auto de Infração por esse descumprimento e não foi apresentada prova que pudesse reverter a autuação. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 14120.000293/2007-58
anomes_publicacao_s : 201105
conteudo_id_s : 4873875
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.549
nome_arquivo_s : 2403000549_14120000293200758_201105.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 14120000293200758_4873875.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
id : 4741349
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 26 09:56:01 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1728355848762163200
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1687; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 66 1 65 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14120.000293/200758 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 2403000.549 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 11 de maio de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente ADVANCED CENTRO EDUCACIONAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2001 a 31/08/2006 FALTA DE CLAREZA NA AUTUAÇÃO ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA.IMPOSSIBILIDADE. A fiscalização disponibilizou todos os dispositivos legais que foram violados pela recorrente e resultaram na lavratura do Auto de Infração, razão pela qual o possível cerceamento de defesa alegado não foi verificado DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE APRESENTAR QUALQUER LIVRO OU DOCUMENTO RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. A empresa recorrente deixou de apresentar documentos/livros relacionados com as contribuições sociais previdenciárias, motivo pelo qual foi lavrado Auto de Infração por esse descumprimento e não foi apresentada prova que pudesse reverter a autuação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Cid Marconi Gurgel de Souza Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 14120.000293/200758 Acórdão n.º 2403000.549 S2C4T3 Fl. 67 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls.55 a 59 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campo Grande/MS (fls.44 a 49) que julgou PROCEDENTE o lançamento constante no Auto de Infração AI n° 37.038.6299, no valor consolidado de R$ 11.951,21 (onze mil, novecentos e cinquenta e um reais e vinte e um centavos). A autuação corresponde ao descumprimento por parte da empresa da obrigação prevista no art.33, §2o e §3o da Lei n 8.212/91 combinados com os arts.232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social (Decreto n 3.048/99), motivo pelo qual o fisco lançou de ofício o valor que entendeu ser devido por essa infração, segundo informações do relatório fiscal (fls.16 a 19) emitido pela fiscalização, in verbis: A empresa descumprindo o solicitado deixou de apresentar em todo o período abrangido pela fiscalização, ou seja, de 11/2001 a 03/2007, os Livros Contábeis, Folhas de Pagamento, recibos de pagamento, Contratos Sociais, Livro de Registro de Empregados, Balancetes contábeis, entre outros devidamente relacionados no TIAD. Não ficaram configuradas circunstancias agravantes nem atenuantes previstas no Regulamento da Previdência Social. O descumprimento dessa solicitação feita pelo fisco culmina na aplicação ao sujeito passivo da multa no valor de R$ 11.951,21 (onze mil, novecentos e cinquenta e um reais e vinte e um centavos) com fundamento nos arts. 92 e 102 da Lei n 8.212/91 e arts.283, II, alínea j e 373 do Decreto n 3.048/99. Desta autuação, a recorrente apresentou impugnação às fls. 24 a 29 alegando: Que a fiscalização não juntou o TIAD ao Auto de Infração, o que caracterizaria vício insanável, e a consequente nulidade do procedimento; Que a fiscalização utilizouse de vários critérios para apurar o crédito tributário, mencionando ainda as NFLD’s ns 37.038.6272 e 37.038.628. Por fim, requereu a nulidade do Auto de Infração ou a improcedência da multa aplicada. Instada a manifestarse acerca da impugnação, a 3° Turma da DRJ/Campo Grande/MS proferiu acórdão (n° 0419.895) nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2001 a 31/08/2006 ARGUIÇÃO DE NULIDADE Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 4 Presentes os requisitos legais da notificação e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito. Matérias alheias a essas comportam decisão de mérito. OBRIGAÇÃO DE APRESENTAR DOCUMENTOS Constitui infração deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições previdenciárias, quando regularmente solicitados pela autoridade fiscal. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls.55 a 59, no qual ratificou todos os argumentos expendidos na impugnação, aduzindo que o TIAD realmente não havia sido juntado ao Auto de Infração e que a autuação foi duvidosa. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 14120.000293/200758 Acórdão n.º 2403000.549 S2C4T3 Fl. 68 5 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DO MÉRITO: I – DA INFRAÇÃO COMETIDA: A recorrente foi autuada através do Auto de Infração n° 37.038.6299 por ter deixado de apresentar documentos e livros relevantes para a caracterização de fato gerador das contribuições sociais destinadas a Seguridade Social. Sobre essa imputação, a recorrente alega que não sabe o motivo pelo qual foi autuada, tendo em vista que na lavratura da NFLD 37.038.6280 foram entregues as GFIP’s, razão pela qual ficou induvidoso saber quais os documentos que a empresa deixou de apresentar, o que ocasionaria a nulidade do procedimento. Todavia, cabe destacar que, primeiramente, o TIAD, diferente do que foi alegado pela recorrente, foi entregue ao contribuinte, conforme assinatura do Diretor da empresa às fls.12 e 13 no final do documento na data de 05/10/2007. Além disso, não há qualquer motivo para ser decretada a nulidade da autuação, tendo em vista que o relatório fiscal identificou com clareza quais documentos não teriam sido apresentados pela recorrente, então vejamos: Fls.16: A empresa descumprindo o solicitado deixou de apresentar em todo o período abrangido pela fiscalização, ou seja, de 11/2001 a 03/2007, os Livros Contábeis, Folhas de Pagamento, recibos de pagamento, Contratos Sociais, Livro de Registro de Empregados, Balancetes contábeis, entre outros devidamente relacionados no TIAD. Pelo exposto, percebese que a autuação foi devida, haja vista a inércia da empresa em apresentar a documentação exigida, sendo descabido o argumento da recorrente. Deste modo, a empresa infringiu obrigação legal prevista no art.33, §2° da Lei n° 8.212/91, in verbis: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 6 (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Ademais, previu o § 3o do mesmo art.33 que havendo recusa da entrega dos documentos solicitados em fiscalização, esta poderá aplicar a penalidade cabível, lançando de ofício o crédito devido, in verbis: § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). O Regulamento da Previdência Social em seus arts.232 e 233, parágrafo único, reproduzem a mesma previsão da Lei n 8.212/91. Ressaltase que apesar da redação do art.33 ter sido dada por Lei recente, o teor é o mesmo, não mudando, portanto, a obrigação imposta à empresa em apresentar todos os documentos que sejam relacionados às contribuições sociais e possam identificar a ocorrência do fato gerador. Ademais o Código Tributário Nacional determina que os livros e demais documentos exigidos pela fiscalização sejam mantidos até que ocorra a decadência e prescrição desses créditos relativos às obrigações fiscalizadas: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Tratandose de contribuições sociais previdenciárias, o prazo prescricional e decadencial previsto na legislação de regência da época era de 10 (dez) anos, só tendo sido esse diminuído para 5 (cinco) com o advento da Súmula Vinculante n 8 que declarou inconstitucional os arts.45 e 46 da Lei n 8.212/91. Assim, era dever da empresa manter a documentação pelo prazo de 10 (dez) anos. Todavia, considerando o advento da Súmula Vinculante n 8, a obrigação de manter documentos caiu para 05 (cinco) anos. Ocorre que, a aplicação da decadência, independentemente do critério a ser utilizado, não terá relevâncias para o caso em tela, tendo em vista que a não apresentação dos documentos citados no relatório fiscal anterior a 2001, por exemplo, não interferirá na redução da multa. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 14120.000293/200758 Acórdão n.º 2403000.549 S2C4T3 Fl. 69 7 Assim, a fiscalização agiu corretamente ao lançar a multa com base nos arts.92 e 102 da Lei nº 8.212/91, e art.283, II, “j” c/c o art.373 do Regulamento da Previdência Social. Vejamos o que cada dispositivo preleciona, in verbis: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. 24 Vale destacar que tal dispositivo foi atualizado conforme indicativo nº 24, vejamos: 24 Valores atualizados pela Portaria MPAS nº 4.479, de 4.6.98, a partir de 1º de junho de 1998, para, respectivamente, R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) e R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos) Além disso, previu o art.102 que os valores desta legislação seriam reajustados nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Art.102.Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Decreto n 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social) Art.283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) (...) IIa partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos)nas seguintes infrações: (...) j)deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 8 sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; * * * Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Ante o exposto e considerando que a recorrente infringiu norma legal tributária, entendo pela manutenção da cobrança em todos os seus termos. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 35415.000921/2007-60
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/02/2000 a 30/11/2006
PREVIDENCIÁRIO.DECADÊNCIA.PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE
MAIS BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA.
Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da
Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
O artigo 106, “c” , do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna.
Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada no § 5°, do revogado artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV, há que se submeter ao preceituado no artigo 32-A sob o novo comando expresso na forma do § 9º da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.538
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em acatar as
preliminares de decadência até a competência 11/2001, inclusive, com base no art.173, I do Código Tributário Nacional. Vencidos os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto que votaram pelo art 150 do CTN. No mérito, por unanimidade de votos determinar o recálculo da multa com base na redação dada ao art 32 A da Lei n 11.941/2009 com prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 26 09:00:04 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201105
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2000 a 30/11/2006 PREVIDENCIÁRIO.DECADÊNCIA.PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE MAIS BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. O artigo 106, “c” , do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada no § 5°, do revogado artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV, há que se submeter ao preceituado no artigo 32-A sob o novo comando expresso na forma do § 9º da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 35415.000921/2007-60
anomes_publicacao_s : 201105
conteudo_id_s : 4908732
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.538
nome_arquivo_s : 2403000538_35415000921200760_201105.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 35415000921200760_4908732.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em acatar as preliminares de decadência até a competência 11/2001, inclusive, com base no art.173, I do Código Tributário Nacional. Vencidos os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto que votaram pelo art 150 do CTN. No mérito, por unanimidade de votos determinar o recálculo da multa com base na redação dada ao art 32 A da Lei n 11.941/2009 com prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
dt_sessao_tdt : Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
id : 4741341
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 26 09:56:00 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1728355848817737728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2306; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 856 1 855 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35415.000921/200760 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 240300.538 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 11 de maio de 2011 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente BASE AEROFOTOGRAMETRIA E PROJETOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2000 a 30/11/2006 PREVIDENCIÁRIO.DECADÊNCIA.PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE MAIS BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. O artigo 106, “c” , do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada no § 5°, do revogado artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV, há que se submeter ao preceituado no artigo 32A sob o novo comando expresso na forma do § 9o da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em acatar as preliminares de decadência até a competência 11/2001, inclusive, com base no art.173, I do Código Tributário Nacional. Vencidos os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto que votaram pelo art 150 do CTN. No mérito, por unanimidade de Fl. 862DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 09/06/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 2 votos determinar o recálculo da multa com base na redação dada ao art 32 A da Lei n 11.941/2009 com prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 863DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 09/06/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 35415.000921/200760 Acórdão n.º 240300.538 S2C4T3 Fl. 857 3 Relatório Transcrevo abaixo o relato que fora produzido em sede de impugnação o qual compulsei com os autos e corroboro: “ Tratase de Auto de Infração (AI) lavrado pela fiscalização, contra a empresa em epígrafe, por infração ao disposto no artigo 32, inciso IV, parágrafo 5° da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991, na redação da Lei n.° 9.528, de 10/12/1997, e no artigo 225, inciso IV e parágrafo 4° do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999, tendo em vista que, de acordo com o Relatório Fiscal da Infração e planilhas anexas, ela deixou de informar, em GFIP, fatos geradores de contribuições previdenciárias, nas competências 02/2000, 03/2000, 10/2001 a 06/2005, 10/2005, 12/2005, 01/2006 a 03/2006, 06/2006 a 11/2006. O Relatório Fiscal da Infração informa, ainda, que a empresa deixou de declarar em GFIP os valores pagos a título de premiação aos seus segurados empregados, conforme valores apurados na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) 37.094.8505. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com a autuação, a empresa apresentou, em 23/08/2007, a impugnação de fls. 38 a 68, com documentos anexos às fls. 69 a 775, na qual produz a alegações a seguir sintetizadas. DA NULIDADE DO LANÇAMENTO: Segundo a empresa, houve, no caso, violação aos artigos 3°, 7°, inciso I, 10, 11, 12, 23, inciso II, § 4°, inciso I, todos do Decreto n.° 70.235/72, que, a partir da vigência da Lei n.° 11.457/07, teria passado, através da redação do artigo 25 dessa lei, a ser aplicável aos processos e procedimentos administrativos fiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições mencionadas no texto legal. Alega ser flagrante a nulidade do lançamento, tendo em vista que todos os procedimentos fiscais adotados no curso da fiscalização foram realizados por Agente Fiscal incompetente em razão do seu endereço fiscal. Informa que a Agente Fiscal incumbida da tarefa de lhe fiscalizar, para averiguação de suposta infração a lei tributária, é lotada na Delegacia da Receita Federal em Osasco, sendo que possui sua sede na Rua Marques de Lages, n.° 1027, Vila das Mercês, São Paulo, Capital, como comprova a situação Fl. 864DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 09/06/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 4 cadastral de 03/11/2005 constante em seu Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica. Relata que, em nenhum momento, a Agente Fiscal levou em consideração os seus avisos de que o seu endereço fiscal havia sido alterado, permanecendo a exigir a apresentação de documentos fiscais, ainda que as apresentações restassem por vezes dificultadas em razão de tal falha de procedimento fiscal. Destaca, ainda, que sequer tomou ciência da intimação do lançamento através da via regular determinada pela legislação vigente, qual seja, a postalização ao endereço fiscal escolhido pelo contribuinte, tendo sido a intimação enviada ao seu antigo endereço, e afirma que, graças ao telefonema da própria agente fiscal, que avisou sobre o envio via correio da intimação, pode solicitar à empresa que hoje se localiza em seu antigo endereço o envio dos autos de infração e da notificação fiscal de lançamento de débito. Para ela, tais procedimentos não só poderiam gerar o cerceamento absoluto de defesa, como a prejudicaram, tendo em vista o conhecimento dos lançamentos transcorridos cerca de 15 (quinze) dias da data em que houve o recebimento das intimações.Pleiteia, então, pela nulidade do lançamento fiscal, por restar viciado pela incompetência jurisdicional da Agente Fiscal, tendo em vista os reais riscos de cerceamento de defesa a ela impingidos durante todo o transcorrer da fiscalização. Relata a impugnante que, no exercício regular de suas atividades sociais, firmou contratos de serviços de publicidade, propaganda e marketing ajustados com as empresas denominadas EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL S/C LTDA. e SIM INCENTIVE MARKETING S/C LTDA, visando o fomento de atividades voltadas ao incentivo da marca entre os seus fornecedores, clientes associados e empregados, mediante a realização de várias atividades, dentre elas, a confecção de cartões magnéticos de fidelidade para despesas de obras em trânsito no desenvolvimento e prestação de serviços em todo o território nacional, ressaltando que os saques dos valores eram realizados durante a execução dos trabalhos em diversos Estados do país. Informa que os contratos englobam também o pagamento pelos serviços referentes às campanhas de marketing, mediante a aferição dos gastos e cumprimento das cláusulas contratuais de honorários referentes aos serviços prestados pelas próprias empresas EXPERTISE e SIM, sendo que estas emitem notas fiscais, em seu nome, onde descrevem que os valores nelas constantes se referem às campanhas de incentivos e comissão contratual sobre os serviços prestados. Afirma que, de posse das notas fiscais emitidas pelas empresas contratadas, lançou em sua contabilidade os valores nelas constantes como despesas com serviços de marketing e comissão contratual pelos serviços prestados pelas empresas descritas de forma que todas as obrigações principais e acessórias fossem cumpridas. Fl. 865DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 09/06/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 35415.000921/200760 Acórdão n.º 240300.538 S2C4T3 Fl. 858 5 Discorda da Agente Fiscal que mediante a análise de todos os documentos que lhe foram apresentados durante toda a fiscalização, presumiu, sem qualquer fundamento fático ou legal, que todos os valores descritos nas notas fiscais emitidas pelas empresas EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL S/C LTDA. e SIM INCENTIVE MARKETING S/C LTDA. se referiam a valores pagos diretamente aos seus empregados, tomando a totalidade dos valores expressos nas notas fiscais apreendidas para lavrar a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) 37.094.8505 e o presente Auto de Infração (AI), e fez sua descrição, no relatório, como algo que "em tese" poderia configurar sonegação fiscal, o que demonstraria a precária fundamentação do lançamento. Destaca que, ao se colocar em confronto os valores constantes nas notas fiscais com os valores pagos aos seus empregados conforme folha de pagamento, notase a grande disparidade de valores, bem como a ausência de periodicidade mensal e regular dos pagamentos. Menciona que a fiscalização se baseou apenas em notas fiscais das competências fiscalizadas, contra um universo de documentos por ela apresentados, como livros fiscais e documentos relativos a ações publicitárias realizadas, para efetuar o lançamento e que as alíquotas das supostas contribuições previdenciárias não recolhidas foram aleatoriamente fixadas. Informa a ausência de fundamento legal para o lançamento de crédito fiscal arbitrado pela fiscalização, e entende que supostamente, no caso, houve a aferição indireta da remuneração dos seus empregados, prevista no artigo 33, parágrafo 6° da Lei n.° 8.212/91, sendo que ela deve ser realizada somente quando a situação ensejadora deste procedimento estiver bem caracterizada, o que não ocorreu no caso em tela. Ressalta que sua contabilidade preencheu todos os requisitos formais e materiais determinados na legislação específica e não sofreu descaracterização, sendo apresentada à fiscalização e levada em consideração pela fiscalização, que em nenhum momento a afastou ou a considerou inábil. De acordo com ela, analisando os lançamentos contábeis do período fiscalizado, se pode verificar que os valores relativos às empresas EXPERTISE e SIM se referem única e exclusivamente às suas despesas com incentivos de marketing, que se referem, dentre outras atividades publicitárias, à emissão e carga de cartões magnéticos, nos quais são computados valores em reais para saques visando o pagamento de despesas de obras de trânsito no desenvolvimento e prestação de serviços em todo o território nacional. Destaca que, uma vez não tendo sido mencionada no Relatório Fiscal a inidoneidade da contabilidade, o procedimento de lançamento do crédito por arbitramento foi ilegal tendo em vista Fl. 866DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 09/06/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 6 que a situação ensejadora deste procedimento não está bem caracterizada. Para ela, além de arbitrário, o ato de lançamento com base nas notas fiscais apreendidas, e o de considerar não atendidas as obrigações acessórias, sem levar em conta todos os documentos fiscais apresentados durante a fiscalização, violou também princípios fundamentais que regem os procedimentos administrativos, quais sejam a razoabilidade, a proporcionalidade e a imparcialidade. Relata a empresa que a autuação possui como base suposta falta de declaração dos fatos geradores de contribuição previdenciária na GFIP. Informa, no entanto, que não infringiu quaisquer dos artigos legais descritos no auto de infração, haja vista que declarou precisamente todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias na GFIP, como determina a lei, conforme se pode observar das guias anexas contrapostas às folhas de pagamento juntadas por amostragem. Sustenta que não houve qualquer infração de sua parte à lei previdenciária no que se refere aos lançamentos e envio de declarações ao ente fiscal, tendo ocorrido, no caso, a aferição presumida e subjetiva de que os valores constantes nas notas fiscais apresentadas seriam na verdade valores pagos aos seus trabalhadores. E requereu, por fim, o apensamento dos presentes autos à NFLD 37.094.8505. Diante de todo o exposto, afirmou que a autuação é ilegítima, devendo ser anulado o lançamento do crédito tributário representado por este auto de infração, que é reflexo da NFLD 37.094.8505, pois: (i) foram devidamente lançados nas escritas fiscais as suas obrigações principais em conformidade com os ditames legais, tanto que não desconsideradas pela fiscalização que com base nelas lavrou a NFLD supra descrita; (ii) foram declarados os fatos geradores de contribuição previdenciária nas guias de recolhimento de FGTS e nas Informações à Previdência Social — INSS, nos moldes determinados pela lei, posto que; (iii) as notas fiscais se referem de forma única e exclusiva aos créditos lançados nos cartões magnéticos para fins de incentivo de marketing e pagamento de despesas de obras em trânsito no desenvolvimento e prestação de serviços em todo o território nacional; e, (iv) não deixou de contribuir ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, fato que se prova mediante a simples conferência de sua escrita contábil, bem como das guias de recolhimento de FGTS e GFIP's anexas.Reitera que firmou contratos com as empresas EXPERTISE e SIM visando o fomento de atividades voltadas ao marketing de incentivo, bem como a utilização de Fl. 867DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 09/06/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 35415.000921/200760 Acórdão n.º 240300.538 S2C4T3 Fl. 859 7 cartões magnéticos para pagamento de custos e despesas de obras em trânsito para a implantação de projetos em demais Estados, bem como em cidades distantes do próprio Estado da sua sede. Segundo ela, o entendimento da fiscalização de que os valores creditados nos cartões magnéticos aos empregados devem integrar o salário, para fins de incidência das contribuições previdenciárias, não deve prevalecer em face da legislação em vigor, citando o artigo 457, parágrafos 1° e 2° da Consolidação das Leis do Trabalho, que dispõem que não se incluem nos salários as gratificações que não tenham sido ajustadas, as diárias para viagem e as ajudas de custo. Para ela, não possui fundamento a autuação pelo descumprimento de obrigação acessória para fins de lançamentos que não são previstos em lei como fatos geradores de contribuições previdenciárias. DOS PEDIDOS: Requer a impugnante a declaração de anulação do débito fiscal representado pelo Auto de Infração 37.094.8513, tendo em vista: (i) a incompetência jurisdicional da Agente Fiscal lotada na Delegacia da Receita Federal em Osasco, tendo em vista que o endereço fiscal escolhido e informado por ela se encontra na Capital do Estado de São Paulo; ou, caso tal preliminar não seja acolhida; em razão (ii) do cumprimento regular de envio de declarações dos fatos geradores das contribuições previdenciárias através das GFIP's, ou seja, ausência de infração às normas tributárias que regem os procedimentos fiscais voltados às obrigações acessórias, posto que, uma vez que os valores constantes nas notas fiscais emitidas pelas empresas mencionadas não se referem a pagamentos efetuados aos seus trabalhadores, temse que restam ausentes os fatos geradores das contribuições previdenciárias consideradas devidas pela Agente Fiscal e, por conseqüência ausente sua obrigação em lançar em sua escrita fiscal e declarar tais valores como devidos ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS. ” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, a 11ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de São Paulo – SP I – DRJ/ SPOI, emitiu o Acórdão n ° 16 17.413, em 10 de junho de 2008, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 803 onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ”. É o relatório. Fl. 868DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 09/06/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 8 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls. 855, o recurso é tempestivo e reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Dos Dados Cadastrais E Da Notificação Entre outras, a Recorrente alega que : “ a Agente Fiscal incumbida da tarefa de lhe fiscalizar, para averiguação de suposta infração a lei tributária, é lotada na Delegacia da Receita Federal em Osasco, sendo que possui sua sede na Rua Marques de Lages, n.° 1027, Vila das Mercês, São Paulo, Capital, como comprova a situação cadastral de 03/11/2005 constante em seu Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica. em nenhum momento, a Agente Fiscal levou em consideração os seus avisos de que o seu endereço fiscal havia sido alterado, permanecendo a exigir a apresentação de documentos fiscais, ainda que as apresentações restassem por vezes dificultadas em razão de tal falha de procedimento fiscal. sequer tomou ciência da intimação do lançamento fiscal através da via regular determinada pela legislação vigente, qual seja, a postalização ao endereço fiscal escolhido pelo contribuinte, tendo sido a intimação enviada ao seu antigo endereço, e afirma que, graças ao telefonema da própria agente fiscal, que avisou sobre o envio via correio da intimação, pode solicitar à empresa que hoje se localiza em seu antigo endereço o envio dos autos de infração e da notificação fiscal de lançamento de débito.” O procedimento fiscal em questão teve início, pela extinta Secretaria Receita Previdenciária (SRP) do Ministério da Previdência Social (MPS), sendo que, o Relator do voto de primeira instância registra que no sistema informatizado denominado AGUIA, constava como endereço do estabelecimento centralizador da notificada Av. João Paulo Ablas, n.° 477, Jardim da Glória, Cotia/SP, pertencente à jurisdição da Delegacia de Osasco. Apenas no transcorrer da fiscalização, entrou em atividade a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), subordinada ao Ministro de Estado da Fazenda. Não procede a alegação da empresa de que os procedimentos fiscais adotados no curso da fiscalização teriam sido realizados por Agente Fiscal incompetente, em razão de seu endereço fiscal, constante em seu Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, qual seja: Rua Marques de Lages, n.° 1.027, Vila das Mercês, São Paulo/SP. Fl. 869DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 09/06/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 35415.000921/200760 Acórdão n.º 240300.538 S2C4T3 Fl. 860 9 Cabe observar, aqui, o disposto no artigo 9°, parágrafo 2° do Decreto n.° 70.235/72, na redação dada pela Lei n.° 8.748/93, a seguir transcrito. Art. 9°A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos deinfração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto,contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei n°8.748, de 1993) §2° Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7°, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993)( grifei) Não há que se falar, portanto, em violação ao Decreto n.° 70.235/72 ou em nulidade do lançamento por incompetência jurisdicional da Agente Fiscal. Com relação às intimações, cabe destacar que mesmo quando feitas sem observância das prescrições legais, elas têm sua irregularidade suprida com o comparecimento do sujeito passivo, a teor do disposto no artigo 214, parágrafo 1° do Código de Processo Civil (CPC — Lei n.° 5.869, de 11/01/1973), aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, a seguir transcrito. Art. 214. (..) §1° O comparecimento espontâneo do réu supre, entretanto, a falta de citação. (Redação dada pela Lei n°5.925, de 1°.10.1973) No presente caso, não se vislumbra qualquer cerceamento de defesa, uma vez que a empresa teve ciência do lançamento, que este foi efetuado de modo que a notificada tivesse pleno conhecimento de seu conteúdo, e que ela se manifestou a respeito com a apresentação de impugnação. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Tomandose como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, quedome a observar hipótese decadencial face a edição da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal – STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ”: SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. A súmula n° 8 passou a produzir efeitos a partir de 20 de junho de 2008, conforme ata da vigésima segunda sessão plenária do STF, do dia 12.06.2008, cuja íntegra do debate foi publicado no Diário de Justiça do dia 11.09.2008. O material está no site do tribunal. Fl. 870DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 09/06/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 10 Consolidando o sumulado, se observa a Lei complementar n° 128, de 19 de dezembro de 2008, artigo 13, I, “a ” : “ Lei Complementar n°128, de 19 de dezembro de 2008 (...) Art. 13. Ficam revogados: I – a partir da data de publicação desta Lei Complementar: a) os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991” DA DECADÊNCIA DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Como relatado, tratase de autuação por descumprimento de obrigação acessória, em razão de no período02/2000 a 11/2006 a empresa ter apresentado GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, tendo deixado de declarar os valores pagos a título de premiação aos seus segurados empregados. Exortandose os artigos 3º e 5º do Código Tributário Nacional – CTN, se observa que : “Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. (...) Art. 5º Os tributos são impostos, taxas e contribuições de melhoria.” Debruçado ainda sobre o mesmo códex, no que se refere ao artigo 113, § 2º, temos que : “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória (...) . § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Visto isto, concluise que as obrigações acessórias não têm natureza jurídica de tributos mas decorrem da legislação tributária. Tal análise é fundamental para o reconhecimento da decadência das obrigações tributárias acessórias na medida em que a legislação, neste sentido, só fez previsão de decadência para os TRIBUTOS na forma dos artigos 150, §4° e 173 do mesmo diploma tributário supra. “ Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, Fl. 871DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 09/06/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 35415.000921/200760 Acórdão n.º 240300.538 S2C4T3 Fl. 861 11 tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.” (...) “ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: ” Aduz que artigo 150 do CTN invoca o lançamento e sua homologação ao passo que o artigo 173 do mesmo CTN não faz alusão a homologação, sendo lícito, portanto, inferir que para o reconhecimento da decadência a aplicação do artigo 173 é regra geral e no que se refere aos tributos submetidos aos lançamentos por homologação se tem como especifica a aplicação do artigo 150 § 4º, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Tudo isso exposto, sendo cediço que as obrigações principais do tributo em comento são regidas pelos pressupostos do denominado lançamento por homologação, entendo que a decadência, quando o foco são as obrigações acessórias decorrentes daquelas, por coerência, já que a lei não previu a decadência das obrigações acessórias e essas também decaem, e, em razão da obrigação de fazer e não de pagar, não se vislumbra outro enquadramento que não seja. A regra de pagamento antecipado a que nos submete o artigo 62A do RICARF, por se referir a pagamentos antecipados, não alcança por óbvio, as obrigações acessórias que não exigem pagamentos mas cumprimentos de prestações positivas ou negativas. As obrigações acessórias são homologadas, também, tácita ou expressamente, posto que ao termo do prazo qüinqüenal, o direito potestativo da Autoridade Administrativa se observará efetivamente decaído qualquer que seja a circunstância, estejam ou não adimplidas as obrigações cabendo apenas o reconhecimento da decadência sem modulação tendo em vista não existir previsão legal para tal. Assim, nas hipóteses decadenciais, é inevitável concluir que se deva aplicar aos descumprimentos de obrigações acessórias o preceituado no artigo 150, §4° do CTN, independente do que tenha ocorrido com as obrigações principais se adimplidas ou não, salvo, é claro, para os casos de dolo, fraude ou simulação efetivamente comprovados. No presente caso, resultado de uma ação nacional do fisco sobre as empresas que utilizaramse de planejamento fiscal fraudulento visando não elidir mas sonegar impostos, tendo em vista que o fato gerador sempre ocorrera e era de responsabilidade das contratantes, nestas circunstâncias, devese aplicar preceituado no artigo 150, entretanto observandose o § 4°, parte final : “§ 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Fl. 872DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 09/06/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 12 Isto observado, constatada a excepcionalidade, por exclusão, obrigado de ofício a reconhecer o direito da recorrente , é compulsória a remissão para o outro critério de reconhecimento da decadência capitulado pelo artigo 173, I do CTN: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Desse modo, considerando que o Relatório Fiscal registra que o período da ocorrência da infração foi definido pelas competências 02/2000 a 11/2006, e ainda que a empresa fora notificada em 24/07/2007, na forma do artigo 173, I do CTN, o presente crédito lançado pela fiscalização na competência 11/2001 e anteriores contra a empresa Base Aerofotogrametria e Projetos S/A, encontrase fulminado pelo instituto da decadência. DO MÉRITO No Relatório fiscal da Infração consta que no período de 02/2000 a 11/2006 a empresa apresentou GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias e que a autuação observou o dispositivo legal na forma do art. 32, inciso IV, § 5°0, da Lei 8.212/91 : “ AI RELATÓRIO FISCAL DA INFRAÇÃO DEBCAD: 37.094.8513 Durante fiscalização especifica para fato gerador de pagamentos via cartão de premiação, constatouse que a Empresa deixou de declarar fatos geradores de contribuição previdenciária na Guia de Recolhimento do FGTS, e Informações a Previdência Social GFIP conforme previsto na Lei 8.212, de 240791, art. 32, inciso IV e parágrafo 30, acrescentados pela Lei 9.528, de 101297. No período de 02/2000 a 11/2006 a empresa apresentou GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, tendo deixado de declarar os valores pagos a título de premiação aos seus segurados empregados, conforme valores apurados na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD Debcad 37.094.8505. Dispositivo Legal Infrigido; art. 32, inciso IV, § 5°, da Lei 8.212/91 (CFL 68), que determina que a empresa não deve apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.” Na impugnação a empresa não contesta que tenham sido creditados valores mas afirma que os tais valores creditados nos cartões magnéticos dos empregados não são de sofrer incidência tributária em face da legislação. Dessa forma a afirmação da recorrente de que houvera sido creditado valores nos cartões magnéticos dos empregados faz prova, ainda que involuntária, contra si própria. Fl. 873DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 09/06/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 35415.000921/200760 Acórdão n.º 240300.538 S2C4T3 Fl. 862 13 Cabe observar que, uma vez confessado o crédito, caberia a empresa registrar em GFIP tal ocorrência. Não tendo adimplido a obrigação acessória, foi autuada, nesta ação fiscal. Assim, o Auto de Infração foi corretamente lavrado com pertinente capitulação. DA RETROATIVIDADE O Código Tributário Nacional CTN, conforme a exegese do artigo 106, propõe retroação para aplicação de penalidade menos severa que prevista na lei vigente ao tempo da sua prática “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” DA MULTA MAIS BENÉFICA O auto de infração em apreço, foi lavrado por ofensa a legislação vigente preceituada no § 5° ,artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV: “ Lei 8.212, inciso IV, § 5° (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (... ) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). ” Fl. 874DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 09/06/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 14 Ocorre que o § 5o foi revogado conforme redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009 e o novo comando se expressa na forma do § 9o da Lei nº 11.941, de 2009 : “A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV do caput deste artigo ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicandose, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A desta Lei. (...) Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Visto deste prisma, considerando o princípio da retroatividade benigna preceituado no artigo 106 do CTN, impõese o recálculo da multa com base no artigo 32A da Lei nº 11.941/ 2009 em razão do novo comando expressado na forma do § 9o da Lei nº 11.941/2009 para comparálo com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 32 da Lei 8.212/91 para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Desse modo, pelo exposto, é pertinente o recálculo da multa. Fl. 875DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 09/06/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 35415.000921/200760 Acórdão n.º 240300.538 S2C4T3 Fl. 863 15 CONCLUSÃO Por tudo que foi exposto, voto por conhecer do recurso e em PRELIMINAR reconhecer decadência das competência 11/2001(inclusive) e anteriores, com base no artigo 173,Ido Código Tributário Nacional CTN e , no , MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL determinando o recálculo da multa de acordo com a redação do artigo 32A da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, fazendo prevalecer a multa mais benéfica para o contribuinte. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 876DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 09/06/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI
score : 1.0
