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Numero do processo: 37184.000344/2004-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1992 a 31/12/1992
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se
o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no
artigo 173, I.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2402-002.119
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Tiago Gomes de Carvalho Pinto e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/10/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente o lançamento realizado em 29/03/2004, substituto de outro datado de 15/08/2001, anulado por vício formal em 24/05/2002. Seguem transcrições da ementa e parte do relatório que compõem o acórdão recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1993 a 30/04/1993 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE. STF. Prescreve a Súmula Vinculante n° 8, do STF, que são inconstitucionais os artigos 45 e 46, da Lei 8.212_ /91, que tratam de prescrição e decadência, razão pela qual, em se tratando de lançamento de oficio; devese aplicar o prazo decadencial de cinco anos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Exonerado ... Ocorre que, como já dito, in casu, o crédito tributário foi constituído em substituição ..., cuja ciência do sujeito passivo se deu em 15/08/2001, conforme pesquisa realizada no Sistema PLENUS, anulada por vício formal. Portanto, muito embora o presente crédito tenha sido lançado somente em 30/04/2004, ele apenas está substituindo o aludido crédito tributário declarado nulo. Logo, dados os efeitos retroativos da decisão do STF em sede de controle abstrato de constitucionalidade, devese primeiramente examinar se na data da ciência da NFLD original, ou seja, dia 15/08/2001, aplicandose a decadência quinquenal do CTN seja pelo § 4° do art. 150 ou pelo inciso I do art. 173, "conforme haja ou não recolhimentos parciais quaisquer das competências objeto deste débito já havia sido alcançada pela decadência. ... Contra a decisão, o recorrente reitera as alegações trazidas na impugnação, em especial a decadência do direito de constituição do crédito tributário. É o Relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/10/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 37184.000344/200450 Acórdão n.º 2402002.119 S2C4T2 Fl. 191 3 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Decadência Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. ... Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/10/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. ... Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. Compulsando os autos, constatase que independentemente da regra, mesmo à época do lançamento anterior, declarado nulo por vício formal, já havia decaído o direito de constituição do crédito. Em razão do exposto, nego provimento ao recurso de ofício. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/10/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13819.001548/2003-55
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.533
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de lançamento de ofício de débitos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, relativos ao 3° decêndio de jun/99 e 2° decêndio de abr/00, no valor total de R$ 31.350,78. De acordo com o Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, parte integrante do Auto de Infração de fls. 115 e 116, o contribuinte protocolou o pedido de restituição objeto do processo nº 13 819.0003 82/0010 de créditos da matriz, seguido pelo pedido de compensação de débito da filial, entre outros pedidos de compensação de débitos da matriz. O pedido de restituição foi indeferido. Nada obstante, o contribuinte não efetuou a liquidação do crédito tributário objeto de compensação. Em vista de tal débito não estar constituído, foi encaminhado para lançamento de ofício, por meio do processo de representação nº 13816.000507/0085. Protocolou também, um pedido de compensação de crédito com débito de terceiros, indicando o processo no qual estaria o pedido de reconhecimento do crédito. Porém, constatouse posteriormente que o detentor do crédito informado não era o RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .0 01 54 8/ 20 03 -5 5 Fl. 363DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0121.15440.5M89. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13819.001548/200355 Resolução nº 3403000.533 S3C4T3 Fl. 364 2 interessado no processo indicado, ficando o débito do contribuinte sem a devida contrapartida. Apesar de ter ciência desta situação, não providenciou a extinção deste débito, que também foi encaminhado para lançamento de ofício por meio do processo de representação nº 13819.001730/2001L44. Constatouse também que o contribuinte informou, em sua DCTF o débito de IPI do 3º decêndio de junho de 1999, conforme o pedido de compensação, e informou parcialmente o débito do 2° decêndio de abril de 2000. Porém os débitos de que se trata foram informados como tendo créditos vinculados em compensação sem DARF, não estando, portanto, confessados com saldo a pagar. Em impugnação, o autuado requereu o cancelamento do lançamento, tendo em vista as compensações pretendidas com o crédito discutido no processo 13819.000382/0010, cuja solicitação foi indeferida pela DRF. Alegou que os procedimentos adotados pela requerente encontramse em conformidade com o disposto na legislação, uma vez que o crédito utilizado decorre de recolhimentos efetuados indevidamente e a maior, passíveis de compensação. Questionou os motivos do indeferimento do direito creditório elencados pela autoridade administrativa na decisão exarada no processo de restituição, citando vasta jurisprudência administrativa e judicial. O lançamento foi julgado procedente pela 2ª Turma da DRJ/RPO. O Acórdão nº 10.792, de 23 de fevereiro de 2006, da DRJ/RPO, fls.172 a 174, teve ementa vazada nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Anocalendário: 1999, 2000 Ementa: COMPENSAÇÃO. EXIGIBILIDADE. EXTINÇÃO. A compensação, quando indeferida pela autoridade administrativa, não extingue o débito. Lançamento Procedente O colegiado a quo considerou que, ao contrário do alegado pelo autuado, os débitos a que se refere o auto de infração não foram extintos por compensação, uma vez que os pedidos de restituição e de compensação (processo administrativo nº 13819.000382/0010) foram indeferidos pela autoridade administrativa. Sobreveio recurso voluntário, fls. 180 a 204. Após resumo dos fatos, o recorrente alega a tácita homologação da compensação do débito do PA 306/99, já que a mesma encontravase pendente de apreciação pela autoridade administrativa há mais de cinco anos da sua apresentação. Acrescenta ser indevido o lançamento de ofício de débitos objeto de Declaração de Compensação DComp. Quanto ao débito do PA 204/2000, aventa a suspensão de sua exigibilidade em razão da pendência do julgamento do Recurso Especial interposto pela PGFN contra o Acórdão nº 20309.934, de 26 de janeiro de 2005, que entendeu, por maioria de votos, que “A Contribuição para o PIS, recolhida pelos famigerados DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, pode ser restituída, desde que efetivada à vista da documentação que confirma legitimidade a tais créditos e que lhe assegure certeza e liquidez.” (fl. 141), dando, portanto, provimento ao RV. Pede ademais o cancelamento da multa de lançamento de ofício e dos juros de mora. Transcrevo a íntegra dos pedidos: Fl. 364DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0121.15440.5M89. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13819.001548/200355 Resolução nº 3403000.533 S3C4T3 Fl. 365 3 (i) (a) cancelar integralmente o crédito tributário relativo ao período de 03 06/99, face â sua extinção, nos termos do art. 156, II do CTN, haja vista a homologação tácita da compensação declarada; (b) a compensação declarada pela Recorrente é ato dc lançamento é instrumento hábil e suficiente â exigência do crédito tributário, sendo inaplicável o lançamento de ofício, conforme expressamente disposto no art. 18 da lei n° 10.833/2003, com as alterações introduzidas pelo 25 da Lei n° 11.051/2004; (ii) suspender a exigibilidade do crédito tributário exigido, relativo ao período de 024/00, posto que o processo administrativo ao qual foi vinculada a compensação deste débito (n° 13816.000382/0010), encontrase pendente de julgamento pela Câmara Superior dc Recursos Fiscais; (iii) sucessivamente, caso entenda pela manutenção do auto dc infração c do crédito tributo, requer seja o julgamento do presente processo convertido cm diligencia para aguardar o julgamento definitivo dos pedidos dc restituição (13819.001788/9769 e 13816.000382/0010) e dos pedidos/declarações dc compensação, sob pena dc haver dupla cobrança do crédito tributário constituído pela declaração dc compensação e pelo presente lançamento de ofício; (iv) seja cancelada a exigência da multa dc ofício, tendo em vista que só cabe a aplicação dc multa nos casos especificamente previstos no art. 18 da Lei n° 10.833/2003, com as alterações introduzidas pelo 25 da Lei n° 11.051/2004 c do art. 44 da Lei 9.430/96, com redação dada pelo art. 18 da Medida Provisória n° 303/06; (v) sucessivamente, caso seja mantida a multa dc ofício, não sejas exigidos juros calculados pela Taxa Selic sobre a multa de ofício constituída. O Acórdão nº 280300.069, de 4 de maio de 2009, fls. 195 a 210, proveu parcialmente o recurso voluntário, para cancelar o lançamento relativamente ao PA 204/00 e, no que tange o PA306/99, cancelar a aplicação da multa de lançamento de ofício. A decisão teve ementa vazada nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 21/06/1999 a 30/06/1999, 11/04/2000 a 20/04/2000 AUTO DE INFRAÇÃO. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF COMO COMPENSADOS. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. A não homologação das compensações informadas em DCTF justifica o lançamento de ofício dos débitos descobertos para a respectiva exigência, com os encargos legais cabíveis. MULTA APLICÁVEL NA COBRANÇA DE DÉBITOS DECLARADOS. Os débitos declarados em DCTF devem ser cobrados com multa de mora, ainda que objeto de lançamento de ofício. Fl. 365DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0121.15440.5M89. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13819.001548/200355 Resolução nº 3403000.533 S3C4T3 Fl. 366 4 Recurso provido em parte O recorrente interpôs então Embargos de Declaração, fls. 315 a 318, contra o Acórdão nº 280300.069, que teria sido contraditório ao fundamentar a negativa de provimento na situação do processo administrativo 13819.001730/200144, quando o débito de IPI referente ao PA 306/1999, cuja exigência ora se controverte, foi objeto de pedido de compensação, convolado em declaração de compensação, nos autos de outro processo, nº 13816.000374/0083, apenso ao de nº 13819.001788/9769 (pedido de restituição). Os aclaratórios foram conhecidos, já que a decisão embargada invocou, improcedentemente, o processo 13819.001730/200144, que trata de compensação intentada por Resarbrás Indústria e Comércio Ltda., totalmente impertinente com a matéria controvertida nos presentes autos, muito embora o crédito oposto em compensação em ambos os processos, aparentemente, tenha a mesma origem. Nada obstante, o julgamento dos embargos foi convertido em diligência, para que a autoridade fiscal de jurisdição sobre o contribuinte atestasse a identidade entre o débito de IPI referente ao PA 306/1999, objeto do lançamento de ofício ora sub judice, e o débito oposto em compensação do direito creditório almejado nos autos dos processos 13816.000374/0083 e 13819.001788/9769, e, em havendo identidade entre eles, que se informasse também a decisão final proferida nesses processos, devolvendo o feito para o CARF para julgamento. O Serviço de Fiscalização da DRF/São Bernardo do Campo – SP produziu então a Informação Fiscal de fls. 361 e 362, que dá conta de que o débito do PA 306/99, no valor de R$ 23.616,55, foi desmembrado em dois pedidos de compensação, sendo um no valor de R$ 11.383,52, vinculado ao PA 13819.002291/9786 da Transportadora Unigel Ltda., já encerrado, e outro no valor de R$ 12.233,03, vinculado ao processo de Pedido de Restituição nº 13819.001788/9769, ao qual foi apensado o pedido de compensação deste débito por meio do processo nº 13816.000374/0083. O AFRFB Antônio Padova Vieira atestou (sublinhado na transcrição): Assim concluo se tratar do mesmo débito, aquele do lançamento de ofício em discussão e o do pedido de compensação citado acima. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conforme relatado, tratandose do mesmo débito, tanto no AI quanto nos pedidos de compensação, a decisão final proferida nos processos 13819.002291/9786, 13816.000374/0083 e 13819.001788/9769 é prejudicial do mérito do lançamento de ofício ora sub judice. A referida IF dá conta de que o processo 13819.002291/9786 já foi encerrado, mas não reporta em que termos. Aduz. ainda, que não há “...qualquer decisão acerca do pedido de restituição ou dos pedidos de compensação nos autos do processo administrativo n° 13819.001788/9769 ou de seus apensos”. (fls. 362). Fl. 366DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0121.15440.5M89. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13819.001548/200355 Resolução nº 3403000.533 S3C4T3 Fl. 367 5 Assim sendo, voto por que, novamente, se converta o julgamento dos embargos em diligência, devolvendose o processo à DRF/SBCSP, para que lá aguarde as decisões finais dos processos 13819.002291/9786, 13816.000374/0083 e 13819.001788/9769. Assim que exaradas as decisões em todos os três processos, a autoridade preparadora deverá anexar cópias das mesma aos autos e também repercutilas no lançamento de ofício do débito referente ao PA 306/99, em parecer circunstanciado, e só então devolverá o processo ao CARF para prosseguimento do julgamento. É como voto. Sala de sessões, em 26 de fevereiro de 2014 Fl. 367DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0121.15440.5M89. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ALEXANDRE KERN em 25/02/2014 17:38:00. Documento autenticado digitalmente por ALEXANDRE KERN em 27/02/2014. Documento assinado digitalmente por: ANTONIO CARLOS ATULIM em 28/02/2014 e ALEXANDRE KERN em 27/02/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 27/01/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP27.0121.15440.5M89 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 5421E7D53DA515A1C7C342344D020331F39744F2 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13819.001548/2003-55. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 16327.001789/2006-77
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1101-000.024
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
CONVERTER 0 JULGAMENTO em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
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EDITADO EM: ELI PEREIRA BESSA — Rela ira , I I, On ');1 . L. .-• SI-CITO Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 16327.001789/2006-77 Recurso n° 176.833 Resolução n° 1101-00.024 — la Câmara / la Turma Ordinaria Data 23 de fevereiro de 2011 Assunto Solicitação de diligencia Recorrente COOPERATIVA DE ECONOMIA E CRÉDITO MÚTUO DOS MÉDICOS E DEMAIS PROFISSIONAIS DE NÍVEL SUPERIOR DA AREA DE SAÚDE DE CAMPINAS E REGIÃO - UNICRED CAMPINAS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER 0 JULGAMENTO em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente da turma), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Vice- Presidente), Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva e Marcos Vinícius Barros Ottoni. Processo n° 16327.001789/2006-77 SI-CITO Resoluciio n.° 1101-00.024 Fl. 2 Relatório. COOPERATIVA DE ECONOMIA E CRÉDITO MÚTUO DOS MÉDICOS E DEMAIS PROFISSIONAIS DE NÍVEL SUPERIOR DA AREA DE SAÚDE DE CAMPINAS E REGIÃO - UNICRED CAMPINAS, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 10' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo, que por unanimidade de votos, julgou PROCEDENTE o lançamento formalizado em 21/02/2007, exigindo credito tributário no valor total de R$ 546.273,76, apenas com o acréscimo de juros de mora. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: DA AUTUAÇÃO Conforme Termo de Verificação de fls.119/124, em fiscalização empreendida junto c‘i empresa acima identificada, referente aos anos-calendário de 2002 e 2003, a Fiscalização relata o seguinte: 0 contribuinte deixou de oferecer à tributação o resultado positivo das aplicações financeiras realizadas em instituições particulares, não cooperativas, caracterizando ato não cooperativo, sujeito a apuração e recolhimento do imposto. Para efeito de apuração do imposto devido, o lucro tributável é o Lucro Liquido adicionado ao resultado positivo das aplicações financeiras excluído das despesas de captação e do resultado não tributável das operações da cooperativa, valores estes extraídos dos demonstrativos apresentados a esta fiscalização, pelo contribuinte, e desta forma abaixo descrito: (Demonstrado as fls.122 e 123, dos autos). Constatada a irregularidade, conforme esclarecido nos itens acima, foi lavrado o Auto de Infração, com exigibilidade suspensa, uma vez que o contribuinte encontra-se amparado pela Medida Liminar concedida em 18/01/2006, conforme Mandado de Segurança n°2005.61.00.021954-9, impetrado pelo contribuinte, na 4° Vara Cível da Justiça Federal - Seção Judiciário de Sao Paulo. A referida liminar (Id cobertura as aplicações financeiras como "atos cooperativos" independente do local de aplicação, partindo do principio que a origem do recurso provém dos associados, mérito este portanto a ser discutido. Em decorrência das constatações feitas pela fiscalização, em 21/02/2007 foi lavrado Auto de Infração de Imposto de Renda-Pessoa Jurídica (f1s.125/131), com os valores a seguir discriminados: [...] DA IMPUGNAÇÃO A autuada apresentou a impugnação de fls.134/163, protocolizada em 20/03/2007, acompanhada dos documentos de fls. 164 a 199, expondo, em síntese, que: PRELIMINAR Da Decadência Parcial do Crédito lançado. 0 tributo exigido da Impugnante é sujeito ao lançamento por homologação, nos termos do artigo 150, § 4° conjugado com o art. 156, inciso V, do CT1V, resta decaído, e portanto extinto, o crédito tributário lançado a titulo de IRPJ, oriundo dos fatos geradores anteriores a 16/02/2002. DO MÉRITO 2 Processo n° 16327.001789/2006-77 Si-CITO Resolução n.° 1101-00.024 Fl. 3 1. Na situação especifica das cooperativas de crédito que têm como objeto estatutário proporcionar, pela mutualidade, a assistência financeira aos associados, fomentando a circulação crediticia, entende-se que as mesmas não estão obrigadas ao recolhimento de impostos. 1.1. As cooperativas de crédito, referendadas pelo Estatuto Social, demonstram de forma contundente e sob o manto constitucional e legal que, ao praticarem sua atividade essencial, integrada pelos denominados atos cooperativos, não auferem lucros, rendas ou receitas. Na hipótese especifica de uma cooperativa CENTRAL de CRÉDITO, as aplicações financeiras traduzem-se no único instrumento de cumprimento de seu objetivo societário, elas são a sua "atividade essência". 1.2. As receitas e as despesas, na verdade, são dos cooperados (associados), assim como o eventual resultado positivo obtido pela cooperativa é sobra, dividida na proporção dos serviços usufruídos de cada associado. 1.3. Exige-se que as cooperativas trabalhem com uma margem de segurança para não ficarem produzindo somente perdas. Dai, no cooperativismo, surge a sobra e, caso o resultado seja negativo, cria-se a perda. Sobra não é o objetivo da cooperativa, mas uma decorrência necessária. 1.4. A sobra ou a perda que ocorra na cooperativa é uma mera inadequação entre o custo dos serviços ou produtos e o valor recebido por estes. Não há o objetivo de lucro ou mesmo o de sobras, pois a cooperativa visa atingir seu objetivo de prestar serviços ao prego exato de seu custo. 2. Do ponto de vista do principio da igualdade, as sociedades cooperativas não devem ter o mesmo tratamento fiscal das sociedades comerciais, pois pessoas jurídicas como as cooperativas de crédito só praticam atos cooperativos, que não realizam a hipótese de incidência dos tributos exigidos pela Unido Federal, que são, por conseguinte, indevidos. DA NECESSIDADE DE AJUSTE DA BASE DE CÁLCULO CONSIDERADA PELA FISCALIZA CÃO. AUFERIMENTO DE RESULTADO POSITIVO. Mesmo se admitíssemos a legalidade do auto de infração ora combatido, a Fiscalização deixou de consignar corretamente a dedução das despesas, tributando ingressos e não resultados, em clara ofensa a Lei n°5.764/71, ao CTN, a CF/88 e ao PN CST n°73/1975. DO PEDIDO Preliminarmente pleiteia-se a nulidade parcial do Auto de infração em questão, no que tange aos créditos cujos fatos geradores tenham ocorrido antes de 16 de fevereiro de 2002 eis que decaídos; No mérito pleiteia-se o provimento da presente Impugnação, requerendo-se, com fulcro nas razões de fato e de direito elencadas, a anulação integral do Auto de Infração guerreado tendo em vista a não incidência de IRPJ sobre os atos cooperativos da Impugnante, dentre os quais se incluem as aplicações financeiras realizadas no mercado e junto A. cooperativa central, consoante regência da legislação especifica - Lei n°5.764/71, e Decreto n°3000/99 - RIR - eis que cooperativa, na prática de atos cooperativos, não aufere lucro/renda, falecendo-lhe a base de cálculo dos tributos em exame, o que se firma em sólido entendimento jurisprudencial, destacando-se na esfera administrativa o Conselho de Contribuintes de Ministério da Fazenda e em âmbito jurisprudencial o E. Superior Tribunal de Justiça. Eventualmente ultrapassada a ilegalidade que se postula, que se declare ofensa do auto de infração ao fato gerador do IRPJ e à capacidade contributiva, reconhecendo-se a possibilidade/necessidade de deduzir da base de calculo dos atributos as correspondentes despesas/custos da atividade, seja sob a ótica do Parecer Normativo 3 Processo n° 16327.001789/2006-77 Si-C1TO Reso1uc5o n.° 1101-00.024 Fl. 4 73/75, seja sob a ótica de entidade de natureza financeira que tem o dinheiro por objeto, inclusive com a dedução da correção monetária e tarifas, anulando-se a exigência. É o relatório. A Turma Julgadora, além de afastar as argüições de nulidade do lançamento e de decadência, rejeitou os argumentos de mérito da impugnante na forma a seguir sintetizada: • Inicialmente destacou que a ação judicial apontada pela autoridade lançadora tinha por objeto PIS/COFINS incidente sobre atos cooperativos típicos, não incluindo o IRPJ, objeto destes autos. Em conseqüência, admitiu possível a discussão do mérito da exigência na esfera administrativa. • Rejeitou o enquadramento das aplicações financeiras em entidades não cooperativas como atos cooperativos invocando o disposto no art. 1 ° da Instrução Normativa SRF no 333/2003. • Declarou irrelevante o fato de as sobras não se caracterizarem como lucros, na medida em que a exigência se deu em relação a atos não cooperados. Reportou-se, também, ao art. 111 do CTN. • Esclareceu que foram deduzidas as despesas de captação para determinação do resultado positivo das aplicações financeiras. Cientificada da decisão de primeira instância em 09/02/2009 (fl. 226), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 11/03/2009 (fls. 253/286), no qual reprisa os argumentos de mérito apresentados na impugnação. Reafirma a existência de erro material na quantificação de ingressos, na medida em que os valores tributados no 1°, 3° e 4° trimestres de 2002 e no 1° trimestre de 2003, ultrapassam os registros contábeis mantidos pela Recorrente, alem de as despesas de captação consideradas pela fiscalização apresentam valores menores do que aqueles contidos nos registros contábeis da cooperativa. Acrescenta que não lhe foi possível compreender o critério utilizado pela Fiscalização e apresenta quadro com os valores constantes de seus registros contábeis, pleiteando a retificação da base tributável nos períodos ali indicados. E, embora ressalvando que a demonstração da necessidade de ajuste dá-se através das planilhas e farta documentação contábil juntada aos autos, subsidiariamente requer perícia, indicando perito e apresentando os quesitos que entende necessários para evidenciar sua alegação. Discute se as sobras cooperativistas, quando decorrentes de atos cooperativos, sujeitam-se a incidência do IRPJ, abordando a lógica de funcionamento da recorrente e a conseqüente não incidência tributária sobre o ato cooperativo. Argumenta, em síntese, já que a cooperativa, agindo como mandatária do cooperado, não pratica fato gerador algum, não alocando riqueza própria alguma, a incidência tributária recai na pessoa física do cooperado. Destaca os artigos 3 °, 4°e 7° da Lei n° 5.764/71, e defende não se tratar, no caso, de isenção, mas sim de não incidência. 4 Processo no 16327.001789/2006-77 Si-C1TO Resolução n. ° 1101-00,024 Fl. 5 Esclarece que seus "resultados positivos" se denominam sobras e não lucro, mas porque tais "resultados positivos" não lhes pertence, pertence aos seus cooperados, com os quais inclusive é rateado o prejuízo eventualmente apurado. Destaca que não aufere renda, posto que esta é produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, sendo a recorrente sociedade de pessoas e entidade sem fins lucrativos, de forma que a tributação recai no cooperado. Esclarecendo a sistemática operacional do cooperativismo de crédito, afirma que o ato cooperativo, em seu caso, envolve tanto a captação de recursos, quanto a realização de empréstimos efetuados aos cooperados, bem assim a movimentação financeira da cooperativa, no objetivo de viabilizar os empréstimos concedidos, ao passo que nas demais cooperativas tais operações são eventuais e não a própria essência do ato cooperativo, que tem por objeto o próprio dinheiro. E destaca que o Banco Central do Brasil — BACEN restringe suas operações à prática exclusiva de atos cooperativos. Esclarece que nas cooperativas de crédito, as aplicações financeiras se destacam como imperativo de existência (e sobrevivência), sendo o instrumento para se alcançar o fim definido estatutária e legalmente. Acrescenta que elas se efetivam mediante centralização financeira e as aplicações de mercado, descrevendo seu processamento e apontando que a primeira forma é admitida como ato cooperado, porque realizada entre cooperativa singular e cooperativa central. E, em que pese o entendimento do Fisco, no sentido de que as aplicações financeiras realizadas no mercado aberto caracterizam-se como atos não cooperativos, argumenta que tais operações são realizados dentro o objeto social da cooperativa, e são elas necessárias para viabilizar a prática deste. Invoca a Resolução n° 3.442/2007 do BACEN e a restrição de suas atividades a atos cooperativos, afirmando ser impossível, não sendo a cooperativa um Banco, atuar com credito sem acesso à rede bancária. Reporta-se a decisões do Superior Tribunal de Justiça acerca da classificação destas operações realizadas por cooperativas de crédito, bem como em favor da não incidência de PIS sobre seus atos. Acrescenta que o art. 79 da Lei n° 5.764/71 retira do ato cooperativo todo o conteúdo econômico apto a associar-lhe a possibilidade de obtenção de lucro e/ou receita, e que os arts. 85, 86 e 88 da mesma Lei tratam da única renda tributável, decorrente de atos não cooperativos. Colaciona excerto doutrinário acerca da distinção entre os conceitos de sobras e lucros, frisando que aquelas são devidas aos cooperados, ao passo que os lucros da cooperativa sequer podem ser distribuídos aos cooperados, sendo necessariamente destinados ao FATES (Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social), como disposto no art. 87 da Lei n° 5.764/71. E argumenta que a tributação das sobras na pessoa fisica do cooperado se dá i justamente, porque este resultado não é tributado na pessoa jurídica, de forma que a tributação da sobras das cooperativas resultaria em situação muito mais gravosa que a própria tributação das sociedades comerciais. Cita outros textos doutrinários acerca do tema, bem como o art. 28 do Decreto n° 5.844/43, os arts. 129, 168, 182 e 183 do RIR199, ressaltando que no caso presente os resultados de aplicação financeira estão vinculados h. finalidade da entidade. Processo n° 16327.001789/2006-77 SI-CITO Reso1uç5o n.° 1101-00.024 Fl. 6 Transcreve o entendimento jurisprudencial acerca da não incidência tributária sobre o ato cooperativo, e cita também acórdãos dos Conselhos de Contribuintes e da Camara Superior de Recursos Fiscais, expressando o entendimento acerca do art. 79 da Lei n° 5.764/71. Em conseqüência destes outros argumentos de mérito, além de questionar os erros materiais apontados em alguns períodos autuados (quesito n° 1), inclui em seu pedido de perícia, também, os seguintes quesitos: 2) As autuações em questão decorrem de aplicações financeiras de recursos de cooperados no mercado financeiro pago pelos cooperados da Recorrente? Gentileza enumerar eventual existência de outras rubricas. 3) Esses recursos, acrescidos do proporcional rendimento financeiro (no caso das aplicações financeiras), retornam aos cooperados (são a eles devolvidos)? 4) Favor o Sr. Perito informar se as sobras cooperativistas (resultado do ato cooperativo) foi objeto de exigência do IRPJ. 5) Partindo-se da resposta ao quesito 1) e decotados da exigência os valores que compõem o ato cooperativo da Recorrente, objeto de mera intermediagdo pela cooperativa em nome dos seus cooperados, qual a quantia que remanesce na cooperativa (levando-se em consideração eventuais sobras , que retornam aos cooperados, nos termos do artigo 15, § 5° da Instrução Normativa n.° 635/0627)? Ao final, deduz o seguinte pedido: Ante o exposto, requer-se a reforma da decisão, para afastar a exigência do IRPJ consubstanciado no auto de infração em questão, declarando-se a improcedência daquele lançamento, considercindo-se: (i) a equivocada majoração nas bases de cálculo, no primeiro, terceiro e quarto trimestres de 2002, e terceiro trimestre de 2003, utilizados pela Fiscalização da Receita Federal para o lançamento. (ii) a inexistência de lucro, mas tão somente de sobras, na prática de atos cooperativos, inclusive os resultados de aplicações financeiras na central e no mercado, consoante regência da legislação especifica' - Lei n.° 5.764/71 (artigos 3°, 4°, 79, 87 e 111); e (iii) a natureza peculiar das sobras cooperativistas, resultado da prática de atos cooperativos, que não se confundem com lucro; Por fim, requer a Recorrente, independentemente da documentação acostada e inobstante sua suficiência, seja deferida a realização de perícia/diligência junto à sua contabilidade, conforme quesitos indicados pela Recorrente, como forma de se apurar as alegações aqui consignadas, norteando o julgado. E o relatório. 6 Processo n° 16327.001789/2006-77 SI-CITO Resolução n.° 1101-00.024 Fl. 7 Voto. Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Inicialmente cumpre observar que a questão referente a incidência de imposto de renda sobre o resultado das aplicações financeiras realizadas pelas Cooperativas está submetida, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, ao rito do art. 543-C do Código de Processo Civil. Todavia, isto não enseja o sobrestamento do presente julgamento, na medida em que tal providência somente foi determinada relativamente as hipóteses de reconhecimento de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos da recente alteração promovida no Anexo II do Regimento Interno do CARP, por meio da Portaria MF n° 586/2010: Art. 62-A. [...] § 1' Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543-B. § 2" 0 sobrestamento de que trata o § 1' será feito de oficio pelo relator ou por provocação das partes. Demais disto, a matéria já era, no âmbito do próprio Superior Tribunal de Justiça, objeto da Sumula 262 que determina: incide o Imposto de Renda sobre o resultado das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas. Aqui, porém, está se tratando, com maior especificidade, de cooperativa de credito, decorrendo a presente exigência do não oferecimento, à tributação, do resultado positivo das aplicações financeiras realizadas em instituições particulares, não cooperativas, caracterizando ato não cooperativo, apurado a partir dos rendimentos em aplicações financeiras mantidas junto aos Bancos Sudameris, do Brasil e Bradesco, citadas no Termo de Verificação de fl. 119/120. A assertiva fiscal está fundamentada na Instrução Normativa SRF no 333, de 23 de junho de 2003, que assim dispôs: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n°259, de 24 de agosto de 2001, e, tendo em vista o disposto no art. 17 da Lei n°4.595, de 31 de dezembro de 1964, no inciso Ido art. 77 da Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995, com a redação dada pelo art. 1" da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, e nos arts. 182, 183, 246, 729, 732 e 773 do Decreto n°3.000, de 26 de março de 1999 - Regulamento do Imposto de Renda (R1R/1999), resolve: Art. 1° As aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas de crédito em outras instituições financeiras, não cooperativas, "não se caracterizam como atos cooperativos", incidindo o imposto de renda sobre o resultado obtido pela cooperativa nessas aplicações. Art. 2° Fica dispensada a retenção do imposto de renda na fonte sobre os rendimentos de que trata o artigo anterior. Art. 3° Estão sujeitos à retenção na fonte os rendimentos decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, sujeitos a essa condição, pagos ou Processo n° 16327.001789/2006-77 Resoluyao n.° 1101-00.024 Si -C1TO Fl. 8 creditados por cooperativas de crédito a seus associados, em fun cão de aplicações que estes mantenham naquelas. Art. 4° Esta Instrução Normativa entra em z vigor na data de sua publicação. JORGE ANTONIO DEHER RA CHID Alega a recorrente que a movimentação financeira da cooperativa de crédito é a própria essência do ato cooperativo, e que as aplicações financeiras realizadas no mercado aberto são necessárias para viabilizar seu objeto social. Acrescenta que em razão de norma do Banco Central, somente pode praticar atos cooperativos, os quais seriam impossíveis sem acesso a rede banceiria. Tais argumentos, porém, já foram afastados em julgamento administrativo no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais, consubstanciado no Acórdão CSRF/01- 05.348, exarado na sessão de 05 de dezembro de 2005, no qual foi acolhido, por maioria, o voto do I. Conselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima. Com a devida vênia, reproduz-se aqui os excertos pertinentes à matéria em litígio: Como se sabe as sociedades cooperativas gozam de tratamento especial e mais benéfico em nosso ordenamento jurídico Essa proteção se estende inclusive a seara do Direito Tributário, com a concessão de isenção/não incidência de tributos. Isso se deve ao consenso que se formou em tomo da idéia da necessidade de se incentivar a inserção do trabalhador ou do pequeno produtor no mercado econômico. 0 Estado, ao facilitar a reunião desses produtores para a exploração conjunta de determinada atividade, permite ganhos em escala para os pequenos empresários e incrementa a competição entre os agentes produtivos, gerando efeitos benéficos a toda sociedade. Nesse contexto, as cooperativas de crédito são formadas para baratear o custo financeiro dos cooperados. Atuam da mesma .forma de uma instituição financeira, captando e emprestando recursos dos próprios associados. Negociando também diretamente no mercado financeiro, realizando aplicações de recursos nas instituições financeiras tradicionais, auferindo rendimentos tributáveis e repassando tais recursos a seus cooperados. Essa associação de interesses permite beneficios claros aos cooperados, que conseguem financiar melhor a sua atividade produtiva, eis que obtém recursos mais facilmente do que se atuassem de forma isolada. Isso se deve a melhor alocação dos recursos ociosos dos cooperados e ao menor custo de captação em razão do aumento do volume de recursos e das garantias (ganhos de escala). A legislação do imposto sobre a renda foi, então, concebida de forma a calibrar a tributação das cooperativas de forma a não tributar as pessoas reunidas em forma cooperativa além do que seriam tributadas isoladamente. Ou seja, o fato de se reunirem em sociedade e transferirem recursos e produtos entre si, internamente a cooperativa, não geraria nenhum excedente de tributação do imposto. Assim, as cooperativas seriam tributadas de forma equânime com as demais empresas lucrativas do mercado e seria protegidas em suas operações internas com seus associados. Nessa trilha de raciocínio, quando as cooperativas aplicam seus excedentes em outras instituições financeiras, devem ser tributadas da mesma forma que qualquer outro agente econômico. Do contrário, a tributação não seria neutra e incentivaria a formação de sociedades cooperativas apenas por razões de economia de tributo. Ressalte-se, por relevante, que a legislação tributária afasta a incidência do imposto apenas nas operações internas da cooperativa (atos cooperados), que se evidenciam quando a sociedade empresta ou remunera seus associados com recursos gerados internamente ou captados no mercado financeiro e repassados aos associados. Os 8 Processo n° 16327.001789/2006-77 SI -CITO Resolução n.° 1101-00.024 Fl. 9 rendimentos obtidos dessa forma são tributados apenas no beneficiários — cooperados. Essa tem sido a linha de entendimento defendida pelo Superior Tribunal de Justiça, que por ocasião do julgamentb do Resp n° 191.424/RS, decidiu nos seguintes termos: "0 privilégio fiscal que trata a Lei n° 5.174, de 1971, conferiu ás cooperativas decorre da natureza destas, entidades que não visam lucros. Sempre que elas vierem a praticar atos não cooperativos, estão sujeitas ao imposto de renda. Nessa linha, salvo melhor entendimento, não há justificativa para que o resultado de suas aplicações financeiras fiquem fora da incidência desse tributo". Na mesma trilha, por unanimidade de votos decidiu a Primeira Turma do STJ no RESP 191424-RS, assim ementado: "COOPERATIVAS — APLICAÇÕES FINANCEIRAS —ATOS NÃO COOPERATIVOS — As aplicações financeiras são atos não cooperados, praticados com não associados, sujeitando-se ao imposto de renda. 0 lucro obtido com aplicações financeiras deve ser levado à conta do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social e contabilizado em separado para cálculo do imposto de renda a ser recolhido. 0 Decreto n° 85.450/80 não concedeu isenção tributária dos resultados obtidos pelas cooperativas com aplicações financeiras." Essa matéria também já foi decidida anteriormente por esta Turma no acórdão n° CSRF/01-05.109, 18 de outubro de 2004, em que se decidiu pela procedência da exigência de imposto de renda nessa mesma hipótese, a saber: SOCIEDADES COOPERATIVAS — RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS — TRIBUTAÇÃO: Os rendimentos de aplicações financeiras, em quaisquer de suas modalidades, obtidos pelas sociedades cooperativas, são atos não cooperados, praticados com não associados, sujeitando-se ao imposto de renda e CSLL. Nas pessoas jurídicas que apuram seus resultados contabilmente e, optam pelo lucro real a correção monetária ou, variação monetária, está englobada na apuração do lucro pelo confronto de receitas financeiras e despesas financeiras não podendo portanto a correção monetária ter tratamento isolado. Nesse sentido, acompanho a r. jurisprudência no que respeita a descaracterização das aplicações financeiras realizadas no mercado financeiro como ato cooperado e, portanto, entendo que os rendimentos oriundos dessas aplicações estão sujeitos a tributação do imposto sobre a renda. Dado o exposto, nego provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Desta análise extrai-se que é possível a cooperativa de credito realizar seu objeto social sem realizar aplicações financeiras junto a instituições financeiras não cooperativas. Em verdade, estas somente se justificam quando os recursos captados pela cooperativa são superiores As necessidades de seus cooperados, e geram uma disponibilidade para aquelas aplicações. Justificável, portanto, a tributação quando estas sobras não são destinadas a aplicações financeiras em outras cooperativas de crédito, de forma a assegurar, ainda que por via indireta, a prática de ato cooperativo. Não se exige que a cooperativa de crédito opere sem acesso A. rede bancária. Sua existência, de fato, somente se justifica se ela assim proceder, mas isto no âmbito da captação dos recursos, de forma a baratear o crédito a ser concedido a seus cooperados. Já a aplicação de eventuais disponibilidades, como dito, não pode se verificar fora do âmbito das cooperativas de crédito, sob pena de desvirtuamento de seu objeto, o qual não pode se prestar a conferir, a seus cooperados, maiores vantagens do que estes obteriam se realizassem estas aplicações individualmente. Processo n° 16327.001789/2006-77 SI -CITO Resolução n.° 1101 -00.024 Fl. 10 Firmadas estas premissas, é desnecessário discutir a tributação de sobras decorrentes de atos cooperativos. Tratando-se aqui de resultados de aplicações financeiras, classificados corno atos não cooperativos, nenhum efeito produzem as disposições da Lei n° 5.764/71, na medida em que esta determina a tributação dos atos não cooperativos. Da mesma forma, desnecessária é a perícia requerida na parte em que procura demonstrar a conexão da matéria autuada com as atividades exercidas pela cooperativa, e a devolução dos resultados aos cooperados (quesitos n° 2 a 5). Por fim, a recorrente aponta erro material na determinação da exigência e requer perícia para confirmação dos ajustes que entende necessários. Assevera que não lhe foi possível compreender o critério utilizado pela Fiscalização, mas, conforme consta dos autos, a exigência teve por referencia informações prestadas pela própria fiscalizada, e consolidada em demonstrativo denominado Comparativo: Rendimento Recebido de Instituições Financeiras e Valores Pagos a Cooperados (fls. 30/33), assinado por Thiago Hernandes Kulczar, o qual se apresenta como procurador e contador da autuada às fls. 15/16 e é indicado como assistente técnico da perícia requerida pela recorrente (fl. 255). E isto porque em 11/10/2006 a contribuinte foi intimada a esclarecer se for o caso, se os rendimentos auferidos nas aplicações em instituições particulares, foram oferecidos à tributação (fl. 07) e, em 07/11/2006, também solicitou-se (fl. 09): Esclarecer sobre os "Resultados não Tributáveis de Sociedades Cooperativas" declarados nas DIPI, Ano Calendário 2002 no valor de R$ 3.264.140,81 e em 2003 no valor de R$ 5.827.206,51; Confirmados que esses valores tenham sido de aplicações financeiras em bancos particulares, caracterizando atos não cooperativos, apresentar o demonstrativo das receitas e despesas financeiras para a apuração do rendimento liquido; Por sua vez, o referido demonstrativo apresenta valores mensais que, em sua maioria, conferem com as totalizações trimestrais apresentadas pela autoridade lançadora no Termo de Verificação de fls. 122/123. Para maior clareza, os valores constantes dos demonstrativos de fls. 30/33 são, a seguir, transcritos, mas com a inclusão de registros correspondentes as totalizações trimestrais: CONTA DESCRIÇÃO 7.15.10.00.000 Rendas de Renda Fixa Rendas de Aplicação em 7.15.40.00.000 Fundo de Investimento JANEIRO FEVEREIRO MARÇO 1° TRIM/2002 R$ 108.640,56 R$ 135.303,66 R$ 160.840,56 R$ 404.784,78 R$ 20.113,99 R$ 18.040,86 R$ 15.343,32 R$ 53.498,17 Total de Rendimento R$ 128.754,55 R$ 153.344,52 R$ 176.183,88 R$ 458.282,95 8.1.1.30.10.000 Despesa de Depósito a Prazo R$ 134.336,54 R$ 124.180,34 R$ 130.817,11 R$ 389.333,99 Total Despesas com Captação de Recursos R$ 134.336,54 R$ 124.180,34 R$ 130.817,11 R$ 389.333,99 Total R$ (5.581,99) R$ 29.164,18 R$ 45.366,77 R$ 68.948,96 CONTA DESCRIÇÃO ABRIL MAIO JUNHO 2° TRIM/2002 7.15.10.00.000 Rendas de Renda Fixa R$ 184.425,47 R$ 171.546,02 R$ 60.427,90 R$ 416.399,39 Processo n° 16327.001789/2006-77 Resolução n.° 1101-00.024 Rendas de Aplicação em 7.15.40.00.000 Fundo de Investimento R$ 16.233,86 R$ 13.362,92 R$ 166.694,97 R$ SI-CITO Fl. 11 196.291,75 Total de Rendimento R$ 200.659,33 R$ 184.908,94 R$ 227.122,87 R$ 612.691,14 8.1.1.30.10.000 Despesa de Depósito a Prazo R$ 155.799,75 R$ 171.661,58 R$ 169.952,83 R$ 497.414,16 Total Despesas com Captação de Recursos R$ 155.799,75 R$ 171.661,58 R$ 169.952,83 R$ 497.414,16 Total R$ 44.859,58 R$ 13.247,36 R$ 57.170,04 R$ 115.276,98 CONTA DESCRIÇÃO 7.15.10.00.000 Rendas de Renda Fixa Rendas de Aplicação em 7.15•40•00•000 Fundo de Investimento JULHO AGOSTO SETEMBRO 3° TRIM/2002 R$ 80.174,52 R$ 333.575,90 R$ 328.896,15 R$ 742.646,57 R$ 222.783,37 R$ 24.263,54 R$ 27.216,17 R$ 274.263,08 Total de Rendimento R$ 302.957,89 R$ 357.839,44 R$ 356.112,32 R$ 1.016.909,65 8.1.1.30.10.000 Despesa de Depósito a Prazo R$ 204.727,28 R$ 255.354,28 R$ 221.067,36 R$ 681.148,92 Total Despesas com Captação de Recursos R$ 204.727,28 R$ 255.354,28 R$ 221.067,36 R$ 681.148,92 Total R$ 98.230,61 R$ 102.485,16 R$ 135.044,96 R$ 335.760,73 CONTA DESCRIÇÃO OUTUBRO NOVEMBRO DEZEMBRO 4° TRIM/2002 7.15.10.00.000 Rendas de Renda Fixa R$ 379.460,19 R$ 354.822,78 R$ 365.699,10 R$ 1.099.982,07 Rendas de Aplicação em 7.15.40.00.000 Fundo de Investimento R$ 29.874,51 R$ 31.950,76 R$ 34.711,25 R$ 96.536,52 Total de Rendimento R$ 409.334,70 R$ 386.773,54 R$ 400.410,35 R$ 1.196.518,59 8.1.1.30.10.000 Despesa de Depósito a Prazo R$ 288.705,34 R$ 278.673,89 R$ 309.621,65 R$ 877.000,88 Total Despesas com Captação de Recursos R$ 288.705,34 R$ 278.673,89 R$ 309.621,65 R$ 877.000,88 Total R$ 120.629,36 R$ 108.099,65 R$ 90.788,70 R$ 319.517,71 CONTA DESCRIÇÃO JANEIRO FEVEREIRO MARCO 1° TRIM/2003 7.15.10.00.000 Rendas de Renda Fixa R$ 439.322,28 R$ 475.272,39 R$ 431.380,15 R$ 1.345.974,82 Rendas de Aplicação em 7•15•40•00•000 Fundo de Investimento R$ 45:160,61 R$ 76.089,96 R$ 75.132,59 R$ 196.383,16 Total de Rendimento R$ 484.482,89 R$ 551.362,35 R$ 506.512,74 R$ 1.542.357,98 8.1.1.30.10.000 Despesa de Depósito a Prazo R$ 348.361,00 R$ 328.940,62 R$ 333.362,21 R$ 1.010.663,83 Total Despesas com Captação de Recursos R$ 348.361,00 R$ 328.940,62 R$ 333.362,21 R$ 1.010.663,83 Total R$ 136.121,89 R$ 222.421,73 R$ 173.150,53 R$ 531.694,15 CONTA DESCRIÇÃO ABRIL MAIO JUNHO 2° TRIM/2003 7.15.10.00.000 Rendas de Renda Fixa R$ 371.109,34 R$ 398.333,37 R$ 322.723,21 R$ 1.092.165,92 Processo n° 16327.001789/2006-77 Resolução n.° 1101-00.024 SI-CITO Fl. 12 Rendas de Aplicação em 7.15.40.00.000 Fundo de Investimento R$ 85.854,59 RS 90.549,84 R$ 160.543,43 R$ 336.947,86 Total de Rendimento R$ 456.963,93 R$ 488.883,21 R$ 483.266,64 R$ 1.429.113,78 8.1.1.30.10.000 Despesa de Depósito a Prazo R$ 368.560,46 R$ 388.531,09 R$ 380.031,69 R$ 1.137.123,24 Total Despesas com Captação de Recursos R$ 368.560,46 R$ 388.531,09 R$ 380.031,69 R$ 1.137.123,24 Total R$ 88.403,47 R$ 100.352,12 R$ 103.234,95 R$ 291.990,54 CONTA DESCRIÇÃO JULHO AGOSTO SETEMBRO 3° TRIM/2003 7.15.10.00.000 Rendas de Renda Fixa R$ 286.730,08 R$ 286.730,28 R$ 295.649,89 R$ 869.110,25 Rendas de Aplicação em 7•15•40•00•000 Fundo de Investimento R$ 246.672,40 R$ 201.877,53 R$ 203.468,17 R$ 652.018,10 Total de Rendimento R$ 533.402,48 R$ 488.607,81 RS 499.118,06 R$ 1.521.128,35 8.1.1.30.10.000 Despesa de Deposito a Prazo R$ 422.698,17 R$ 380.939,17 R$ 374.656,27 R$ 1.178.293,61 Total Despesas com Captação de Recursos R$ 422.698,17 R$ 380.939,17 R$ 374.656,27 R$ 1.178.293,61 Total R$ 110.704,31 R$ 107.668,64 R$ 124.461,79 R$ 342.834,74 . CONTA DESCRIÇÃO 7.15.10.00.000 Rendas de Renda Fixa Rendas de Aplicação em 7.15.40.00.000 Fundo de Investimento OUTUBRO NOVEMBRO DEZEMBRO 4° TRIM/2003 R$ 373.053,22 R$ 326.455,68 R$ 265.003,16 R$ 964.512,06 R$ 137.431,79 R$ 33.997,30 R$ 114.912,25 R$ 286.341,34 Total de Rendimento R$ 510.485,01 R$ 360.452,98 R$ 379.915,41 R$ 1.250.853,40 8.1.1.30.10.000 Despesa de Depósito a Prazo R$ 372.019,86 R$ 310.344,42 R$ 314.970,71 R$ 997.334,99 Total Despesas com Captação de Recursos R$ 372.019,86 R$ 310.344,42 R$ 314.970,71 R$ 997.334,99 Total R$ 138.465,15 R$ 50.108,56 R$ 64.944,70 R$ 253.518,41 E, comparando-se estas informações com aquelas consideradas pela autoridade lançadora no Termo de Verificaydo Fiscal, e tendo-se por referência os questionamentos especificamente apresentados pela recorrente, notam-se as seguintes divergências: 1° TRIM/2002 Demonstrativo T.Verificação R.Voluntdrio Total de Rendimento R$ 458.282,95 R$ 458.283,05 R$ 458.282,97 Total Despesas com Captação de Recursos R$ 389.333,99 R$ 389.333,99 2° TRIM/2002 Demonstrativo T.Verificação R.Voluntdrio Total de Rendimento R$ 612.691,14 R$ 612.691,14 Total Despesas com Captação de Recursos R$ 497.414,16 R$ 497.914,17 3° TRIM/2002 Demonstrativo T.Verificação R.Voluntdrio Total de Rendimento R$ 1.016.909,65 R$ 1.016.909,65 R$ 992.646,11 Total Despesas com Captação de Recursos R$ 681.148,92 R$ 681.148,92 4° TRIM/2002 Demonstrativo T.Verificação R.Voluntdrio Total de Rendimento R$ 1.196.518,59 R$ 1.196.518,90 R$ 1.196.518,83 Total Despesas com Captação de Recursos R$ 877.000,88 R$ 877.005,98 R$ 1.030.260,69 12 çti 13 Processo n° 16327.001789/2006-77 Sll-C1TO Resolução n.° 1101-00.024 Fl. 13 1° TRIM/2003 Demonstrativo T.Verificação R.Voluntdrio Total de Rendimento R$ 1.542.357,98 R$ 1.542.357,98 Total Despesas com Captação de Recursos R$ 1.010.663,83 R$ 1.010.663,83 2° TRIM/2003 Demonstrativo T.Verificação R.Voluntdrio Total de Rendimento R$ 1.429.113,78 R$ 1.429.113,78 Total Despesas com Captação de Recursos R$ 1.137.123,24 R$ 1.137.223,24 3° TRIM/2003 Demonstrativo T.Verificação R.Voluntdrio Total de Rendimento R$ 1.521.128,35 R$ 1.521.128,35 R$ 1.502.828,35 Total Despesas com Captação de Recursos R$ 1.178.293,61 R$ 1.178.293,61 4° TRIM/2003 Demonstrativo T.Verificação R.Voluntdrio Total de Rendimento R$ 1.250.853,40 R$ 1.250.853,40 Total Despesas com Captação de Recursos R$ 997.334,99 R$ 997.334,99 Constata-se, neste comparativo, que as diferenças verificadas no total de rendimentos no 1 0 trimestre/2002 e no 4° trimestre/2002 são imateriais e, embora decorram de possível erro de soma por parte da autoridade lançadora, dispensam saneamento, na forma do art. 60 do Decreto n° 70.235/72, por não influirem na solução do litígio. Restam, assim, as divergências verificadas entre os totais de rendimentos apurados no 3 ° trimestre/2002 e no 3 ° trimestre/2003, bem como no total de despesas apurado no 40 trimestre/2002. Como se vê acima, a autoridade lançadora adotou as informações inicialmente prestadas pela Fiscalizada, mas em recurso voluntário alega-se que outros seriam os valores pertinentes a estes períodos. Como inicio de prova de suas alegações de erro, a recorrente junta cópias de balancetes de verificação nas quais se constata: • No 3 ° trimestre/2002, os rendimentos contabilizados na conta n° 7.15.10.00.000 (rendas em renda fixa) corresponderiam ao total de R$ 718.383,03 (fl. 304), e não de R$ 742.646,57, como inicialmente demonstrado pela Fiscalizada, o que reduziria o total de rendimentos neste período de R$ 1.016.909,65 para R$ 992.646,11; • No 3 ° trimestre/2003, os rendimentos contabilizados na conta n° 7.15.10.00.000 (rendas em renda fixa) corresponderiam ao total de R$ 850.810,25 (fl. 320), e não de R$ 869.110,25, como inicialmente demonstrado pela Fiscalizada, o que reduziria o total de rendimentos neste período de R$ 1.521.128,35 para R$ 1.502.828,35; • No 4° trimestre/2002, as despesas contabilizadas na conta n° 8.1.1.30.10.000 (despesas com captação de recursos) corresponderiam ao total de R$ 1.030.260,69, e não R$ 877.000,88, quando considerado, para o mês de dezembro de 2002, a parcela de R$ 462.881,46 (fl. 327) e não R$ 309.621,65, como inicialmente demonstrado pela Fiscalizada. E, confrontando-se estes documentos com outros presentes nos autos, constata- se que, durante o procedimento fiscal, a contribuinte também apresentou à Fiscalização o Processo n° 16327.001789/2006-77 SI -CITO Res° lucdo n.° 1101-00.024 Fl. 14 documento de fls. 36/41, denominado Balanço Geral em 31/12/2002, no qual observa-se que o Patrimônio Liquido ao final deste período apresenta os mesmos valores indicados no Balancete de 01/12/2002 a 31/12/2002 à fl. 326. E, para tanto, em ambos estão integradas as Sobras ou Perdas do Exercício, no mesmo valor de R$ 1.180.224,12, o que corrobora a dúvida presente no 4 0 trimestre/2002, embora não permita qualquer inferência relativamente A divergência apontada no 3 ° trimestre/2002. Da mesma forma, relativamente ao ano-calendário 2003, somente foi apresentado o Balanço Geral em 31/12/2003, e a dúvida presente nestes autos reporta-se ao 30 trimestre de 2003. Necessária, portanto, a perícia requerida na parte relativa ao quesito n° 1, para confirmação, na escrituração contábil da autuada, dos valores alegados a titulo de rendimentos contabilizados na conta n° 7.15.10.00.000 no 3 ° trimestre/2002 e no 3° trimestre/2003, bem como a titulo de despesas na conta n° 8.1.1.30.10.000 no 4 ° trimestre/2002. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de ADMITIR a tributação dos resultados de aplicações financeiras realizadas pela cooperativa de crédito em instituições financeiras particulares, mas CONVERTER o julgamento em diligência, para que a autoridade lançadora, atentando para a indicação de assistente técnico à fl. 255, confirme na escrituração contábil da autuada os aspectos antes mencionados e, caso conclua pela prevalência dos valores informados no recurso voluntário, indique sua repercussão nos valores exigidos, de tudo cientificando a recorrente para, querendo, complementar suas razões de defesa no prazo de 30 (trinta) dias, após o que os autos devem retornar a este colegiado para conclusão do julgamento. et/U.1.40. 14 E DELI PEREIRA BESSA - e atora 14 It
score : 1.0
Numero do processo: 18050.001246/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/03/2005
OBRIGAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO DOS FATOS GERADORES.
Ao deixar de escriturar em títulos próprios de sua contabilidade todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, o sujeito passivo comete infração à legislação da Previdência Social, por descumprimento de obrigação acessória.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-002.145
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Ao deixar de escriturar em títulos próprios de sua contabilidade todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, o sujeito passivo comete infração à legislação da Previdência Social, por descumprimento de obrigação acessória. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado Fl. 106DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Fl. 107DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.001246/200915 Acórdão n.º 2402002.145 S2C4T2 Fl. 107 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal pelo fato de que a recorrente deixou de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições sociais, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, contrariando desta forma o que dispõe o art. 32 do inciso II da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, combinado com art. 225, II, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Segue transcrição de trecho do relatório fiscal: Não contabilizou no Livro Contábil Diário n° 08 autenticado em 30/03/2007 na conta Contas a Pagar, no Livro Contábil Razão n° 08 na Conta de Despesas, as Notas Fiscais de Prestação de Serviços emitidas pela COOPERART Cooperativa de Profissionais das Artes, em nome da Central do Carnaval Produções Artísticas Ltda, NF de Prestação de Serviços nr. 1141 data de emissão 22/02/05, NF de Prestação de Serviços nr. 1146 data de emissão 25/02/05, NF de Prestação de Serviços nr. 1157 data de emissão 07/03/05. Segue transcrição de trechos da ementa do acórdão recorrido: Constitui infração ao artigo 32, inciso II, da Lei 8.212/91, deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. O valor da multa aplicada está em consonância com o disposto no art. 92 e 102 da Lei n.° 8.212, de 1991, combinado com o art. 283, inciso II, "a" e art. 373 do RPS. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Não há necessidade de julgamento concomitante entre os Autos de Infração que não produzam reflexos entre si. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: A cobrança da presente multa é completamente ilegal, pois a defendente não promoveu o pagamento das notas fiscais de serviço n° 1141, de 22/02/2005, n° 1146, de 25/02/2005, e n° 1157, de 07/03/2005, como se despesas suas fossem, haja vista os valores pagos à COOPERART representarem meros repasses por conta e ordem de terceiros (Bloco Beijo e Bloco Crocodilo). Fl. 108DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Ocorre que a defendente vende os kits fantasias para o desfile dos blocos de carnaval das contratantes, recebendo o percentual a título de comissão pela venda e repassando o valor líquido remanescente para as empresas contratantes. Muitas vezes as contratantes dos serviços da peticionante determinam que esta, abatendo dos valores líquidos dos repasses a que tem direito, promovam o pagamento a terceiros, que são os efetivos contratados pelas contratantes da peticionante, justificando e provando o motivo pela qual a defendente contabilizou tais repasses nas contas contábeis próprias (adiantamento de clientes). Aduz a impugnante que nunca contratou formalmente qualquer serviço da COOPERART, não havendo que se falar em omissão de fato gerador e muito menos em lançamentos contábeis incompletos. Basta uma simples leitura das notas fiscais de serviço vinculadas ao presente AI para perceber que a COOPERART não prestou qualquer serviço a Central do Carnaval, mas, sim, ao Bloco Beijo e Bloco Crocodilo. A análise dos documentos colacionados demonstra que a defendente contabilizou corretamente toda a operação, quando do repasse dos valores aos blocos e seu respectivo abatimento nas "Contas a Pagar". A defendente não contabilizou o pagamento das notas fiscais de serviço n° 1141, de 22/02/2005, n° 1146, de 25/02/2005, e n° 1157, de 07/03/2005, no Livro Diário n° 08, autenticado em 30/03/2007, na conta "Contas a Pagar", pois, tal pagamento não se trata de Contas a Pagar e sim de um repasse às empresas (Bloco Beijo e Bloco Crocodilo), sendo a quantia paga uma despesa destas e não daquela. Pelo mesmo motivo, a defendente não contabilizou no Livro Razão n° 08, autenticado em 30/03/2007, na conta de Despesas, as notas fiscais de serviço n° 1141, de 22/02/2005, n° 1146, de 25/02/2005, e n° 1157, de 07/03/2005, emitidas pela COOPERART Cooperativa de Profissionais das Artes Ltda, não havendo, assim, qualquer violação ao art. 32, II, da Lei n° 8.212, de 1991. É o Relatório. Fl. 109DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.001246/200915 Acórdão n.º 2402002.145 S2C4T2 Fl. 108 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Das Preliminares O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 110DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No mérito Conforme relatado não foram escrituradas várias notas fiscais de prestação de serviços. As omissões fragilizam a credibilidade na escrituração como registro dos fatos contábeis praticados pela empresa. Para tanto, é prevista uma infração e a multa correspondente; o que foi aplicada pela fiscalização. A autuação não desconsidera a escrituração contábil como um todo, mas aplica multa pela irregularidade na escrituração das parcelas pagas. A procedência da autuação persiste ainda que apenas um único fato contábil tenha sido lançado em desacordo com as normas regulamentares. Fl. 111DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.001246/200915 Acórdão n.º 2402002.145 S2C4T2 Fl. 109 7 Quanto à alegada correlação de processos e conseqüente atração para a mesma sessão de julgamento, também não merece reparos a decisão recorrida. As matérias discutidas não implicam prejudicialidade no julgamento individual dos recursos. São obrigações acessórias distintas descumpridas pela recorrente. No lançamento da obrigação principal o fato principal é a contribuição na contratação de serviços das cooperativas de trabalho; portanto, sem relação com os demais processos. As demais alegações trazidas pela recorrente centramse na inconstitucionalidade da autuação, seu efeito confiscatório; no entanto, conforme tratado nas preliminares, foram observadas as normas de incidência do tributo. A regra no artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 112DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 14098.000473/2008-45
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1101-000.043
Decisão: Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, CONVERTER o julgamento em DILIGÊNCIA, para que se proceda à intimação regular de todos os responsáveis solidários, na forma da legislação, concedendo a eles oportunidade de interposição de Recurso Voluntário, de um lado, ou de pagamento do débito, com os competentes benefícios redutivos prescritos em lei, de outro. Divergiram o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e o Presidente Valmar Fonseca de Menezes. Fará declaração de voto o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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' Recorrente AM2 DISTRIBUIDORA BRASILEIRA DE PETRÓLEO LTDA Recorrida •Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. , FAZENDA NACIONAL 4:— Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Camara da primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, CONVERTER o julgamento em :DILIGÊNCIA, para que se proceda à intimação regular de todos os responsáveis solidários, na forma da legislação, concedendo a eles oportunidade de interposição de Recurso Voluntário, de um lado, ou de pagamento do débito, com os competentes benefícios redutivos prescritos em lei, de outro. Divergiram o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e o Presidente Valmar Fonseca de Menezes. Fail declaraçãçvtIç voto o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. VALMAR FONSE EZES - Presidente. E1\16)ICTO Cq., 0 B41C1 IONIOR — Relator. Participaram da sessão de jul amento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Edell Per a Bessa, Benedicto Celso Benicio Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga. Processo n° 14098.000473/2008-45 SI-CI TI Resolução n° 1101-000.043 Fl. 8 Relatório Trata-se de lançamentos por meio dos quais a Fiscalização, apurando omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não contabilizados, formalizou a exigência de crédito tributário relativo a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, no montante de R$ 98.215.171,77, compreendendo tributo, multa e juros, tendo por fundamento legal o art. 42 da Lei n° 9.430/1996 e demais dispositivos indicados nos autos de infração de fls. 02 a 12,13 a 21, 22 a 30 e 31 a38. A contribuinte, não resignada, apresentou impugnação alegando, em síntese, que os valores depositados nas contas bancárias provêm de operações de compra e venda de combustíveis e derivados de petróleo. A exigência, portanto, não poderia prevalecer em razão da imunidade que, alcançando tais produtos, impediria a incidência de qualquer imposto ou contribuição, ressalvados o ICMS e os impostos de importação e exportação. Esse entendimento encontraria amparo no § 3° do art. 155 da Constituição Federal, na redação anterior à que foi dada pela Emenda Constitucional n° 33/2001. Concluiu, assim, pela impossibilidade de se exigir tributo sobre operações que tenham por objeto combustíveis e derivados de petróleo, bem como sobre a renda e o faturamento dai provenientes. Alegou ainda inconstitucionalidade da taxa Selic. Disse que ela, ao estabelecer percentuais superiores a 1% ao riles, violou o disposto no §1° do art. 161 do Código Tributário Nacional — CTN. Assim, a aplicação da taxa Selic, naquilo que excede a 1% ao mês, consubstancia majoração de tributo sem lei que o preveja, violando o principio da legalidade. Além disso, teria a Selic fins remuneratórios. Quanto à multa, sustentou ter efeito confiscatório e violar os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Com esses fundamentos, pugnou pela nulidade dos atos administrativos de constituição do crédito tributário. Em seqüência, foram os autos remetidos A. DRJ de origem, que, entretanto, os devolveu à. unidade preparadora, a fim de que se incluíssem no pólo passivo os sócios e administradores, tendo em vista considerações de duas ordens: a) os termos em que se apresenta descrita a infração; e b) a existência de representação penal, que forçosamente imputa responsabilidade pessoal a sócios e administradores. Uma vez incluidos no pólo passivo dos lançamentos, foram intimados Christine Evaristo Mendanha Reis, Marcos Cardoso de Brito, Edi Moreira da Silva e Claudio de Souza Araújo, os quais, à exceção do último, manifestaram-se, em peça (mica, por meio da impugnação de fls. 293 a 302. Nela os impugnantes afirmam terem prestado, em 27/11/2008, os esclarecimentos solicitados pela Fiscalização, que não se manifestou a respeito. Ademais teria havido, na obtenção dos extratos bancários, afronta ao principio constitucional da inviolabilidade de dados. 2 Processo n° 14098.000473/2008-45 SI-CIT1 Resolução n° 1101-000.043 Fl. 9 No mérito, afirmaram que o imposto de renda não pode recair sobre a movimentação bancária, que não é renda nem pode servir de base de cálculo para lançamento do imposto. Os valores depositados eram provenientes de operações de compra e venda de combustíveis que não produziram qualquer lucro. No que tange A. multa, insistiram os impugnantes no vicio decorrente do caráter abusivo e confiscatório da sanção pecuniária. Pugnaram, por fim, pela insubsistência da autuação. Na data do julgamento, foi juntada aos autos a impugnação de Claudio de Souza Araújo, a qual, posto apresentada tempestivamente, só chegou à DRJ em 21/01/2010 (f1.312), o que obrigou a retirar de pauta o processo, a fim de examinarem-se os argumentos alinhados na impugnação. O impugnante afirmou ser descabida a imputação de responsabilidade solidária e que deve ser cancelado o ato administrativo por inobservância, em sua constituição, dos princípios que norteiam o direito administrativo. Preliminarmente arguiu nulidade na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF, já que foi conferido o exercício de instaurar o ato de controle a quem também está encarregado de executá-lo; além disso, não teria havido motivação quando de sua expedição, afrontando, por tudo isso, o principio da razoabilidade. De motivação careceria também a sujeição passiva que recai sobre o impugnante. Ele já não era representante da empresa ao tempo dos fatos, pois declinara dos poderes recebidos em 15/08/2005. Acrescentou não haver causa que justificasse a responsabilidade do impugnante, uma vez que esta só se verifica quando presentes os requisitos do art. 135, inciso II, do CTN. E, nesse sentido, afirmou não ter cometido abusos, excessos ou infrações à lei, estatutos ou contrato social. Disse que em 2005 fora contratado por Edi Moreira da Silva para prestar serviços e, para desempenhar essa tarefa, recebera uma procuração com amplos poderes, nos quais se incluía a movimentação bancária em Paulinea, até que fosse contratado um gerente financeiro. Porém, a Fiscalização é que deveria provar que o impugnante, ao tempo da constituição do crédito tributário (sic), exercia o cargo de gerência ou administração da empresa. Ademais, a responsabilidade do sócio, gerente ou administrador é subjetiva, cabendo, também nesse panto, A. Fazenda provar a má-fé, o excesso ou a infração à lei. Além disso, a simples mora ou ausência de recolhimento não pode dar ensejo à responsabilização pessoal do mandatário. Por fim, concluiu dizendo que o lançamento foi realizado sem observar o disposto no art. 142 do CTN e com violação aos principias da reserva legal e da segurança jurídica. Disse que não foi legitima a verificação da ocorrência do fato gerador e que meras presunções ou indícios são elementos insuficientes para caracterizar a ocorrência do fato gerador. Com esses fundamentos, requereu sua exclusão do pólo passivo e, como os demais impugnantes, pediu o cancelamento do auto de infração. 3 Processo n° 14098.000473/2008-45 SI-CITI Resolução n° 1101-000.043 Fl. 10 A 2a TURMA DA DELEGACIA FEDERAL DE JULGAMENTO EM CAMPO GRANDE — DRJ/CGE, ao analisar as impugnações opostas, houve por bem exonerar em parte o crédito tributário, reduzindo a multa de oficio cominada, de 225 % (duzentos e vinte e cinco por cento) para 150% (cento e cinquenta por cento). Assim restou ementando referido decisum: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Ano-calendário: 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXPEDIÇÃO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Eventual irregularidade na expedição de mandado de procedimento fiscal não gera nulidade do lançamento, se dela não decorrer prejuízo para o contribuinte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS. ORIGEM NÃO ESCLARECIDA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. Os valores creditados em contas bancárias geram presunção 'f/uris tantum" de omissão de receitas, quando a pessoa jurídica, não os tendo contabilizado, não comprovar a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações. REPRESENTANTE DE PESSOA JURÍDICA. PREPOSTO. PRÁTICA DE ATO COM VIOLAÇÃO DE LEI, ESTATUTOS OU CONTRATO SOCIAL. RESPONSABILIDADE. O representante de pessoa jurídica responde pelos créditos tributários decorrentes de atos praticados com violação de lei, estatutos ou contrato social. MULTA. VEDAÇÃO AO CONFISCO. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Ê vedado ao órgão administrativo o exame da razoabilidade da lei e de eventuais ofensas pela norma legal a princípios constitucionais, inclusive aquele que veda o tributo confiscatório. MULTA. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTIMAÇÃO. FALTA DE ESCLARECIMENTO QUANTO AS ORIGENS DOS VALORES DEPOSITADOS. AGRAVAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A falta de esclarecimento pelo contribuinte quanto As origens dos valores depositados na contas bancárias só autoriza a presunção de omissão de receitas e não o agravamento da multa." Intimada, por via postal, em 05.03.2010 (fl. 420), a autuada interpôs Recurso Voluntário tempestivo, em 29.03.2010 (fls. 425 e ss.). Foi interposto, outrossim, Recurso de Oficio, em virtude das exonerações perpetradas. o relatório. 4 Processo n° 14098.000473/2008-45 SI-CIT1 Resolução n° 1101-000.043 Fl. I I Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENICIO JÚNIOR: Consoante acima relatado, trata o presente de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, lavrados com amparo na constatação de depósitos bancários de origens não comprovadas, presumidos como encampadores de receitas presumidamente omitidas, nos moldes do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. A peça acusatória foi lavrada, originalmente, em face apenas da AM2 Distribuidora de Petróleo Ltda. Ulteriormente, contudo, já em sede de julgamento da impugnação por esta apresentada, a d. DRJ recorrida houve por bem propor a inclusão, como responsáveis solidários, dos Srs. Christine Evaristo Mendanha dos Reis e Marcos Cardoso de Brito — sócios da limitada —, do Sr. Edi Moreira da Silva e do Sr. Cláudio de Souza Araújo. Os pertinentes Termos de Sujeição Passiva Solidária estão encartados As fls. 278, 280, 282 e 284, respectivamente. Todos os intimados apresentaram peças defensivas, tempestivamente. 0 teor de todas foi analisado pelo acórdão recorrido, como não poderia deixar de ser. Ocorre, no entanto, que, uma vez proferida a decisão ora guerreada, procederam as autoridade preparadoras, exclusivamente, à intimação da autuada. Os responsáveis solidários, segundo consta dos autos, não foram, em nenhum momento, cientificados do aresto exarado — oportunidade em que deveriam ser instados a recolher o débito ou a interpor Recurso Voluntário a este colegiado. Este lapso, por evidente, deve ser sanado, sob pena de inexorável cerceamento de defesa. Impõe ser dada, aos demais responsabilizados, oportunidade de solver ou infirmar os lançamentos em face deles formalizados. Isto posto, DETERMINO o retorno dos autos à d. Delegacia da Receita Federal do Brasil ern Cuiabá — MT, a fim de que esta proceda à intimação regular de todos os responsáveis solidários, na forma da legislação, concedendo a eles oportunidade de interposição de Recurso Voluntário, de urn lado, ou de pagamento do débito, com os competentes beneficios redutivos prescritos em lei, de outro. Sala das Sessões, em 14 de março 2012 /". BENEDICT° CE10 BEN \.C10 ÚNIOR Relator 5 Processo n° 14098.000473/2008-45 SI -CITI Resolução n° 1101-000.043 Fl. 12 Declaração de Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Como o I. Relator sustenta, a não intimação dos responsabilizados é uma grave falha. Inclusive, mais grave porque foi a própria DRJ que determinou a inclusão dos responsabilizados no pólo passivo. Ainda conforme o relator, tal vicio implicaria em cerceamento de defesa e, se supõe, determinaria a anulação dos termos. Então, a proposta do relator visaria evitar a anulação dos termos de sujeição passiva. No entanto, a diligência proposta (para que os apontados como devedores solidários venham a ser intimados do acórdão da turma julgadora) é absolutamente desnecessária e, mais do que desnecessária, é extremamente danosa. Isso porque reiteradamente a la Turma da la Camara da 1a Seção vem decidindo pela anulação dos termos de sujeição passiva que não tenham base legal, tal como parece ser o caso presente. Sem falar que também cabe a anulação de tais termos no presente caso por eles decorrerem de determinação da DRJ, pois não cabe à turma julgadora "efetuar" lançamento. Assim, se provavelmente a turma votaria pela anulação do termo, não há qualquer sentido em determinar o retorno dos autos para a autoridade preparadora, para que ela dê ciência do acórdão aos responsabilizados, para que eles se defendam, para que, enfim, o processo retorne para esta turma, que provavelmente determinaria a exclusão dos responsabilizados do pólo passivo (por meio da anulação dos termos de responsabilização), sem sequer conhecer dos argumentos trazidos por eles, e sem admitir que o recurso deles afetassem o julgamento do lançamento contra a empresa. Ou seja, não há qualquer sentido em pretender evitar a anulação dos termos, por cerceamento de defesa, quando estes termos, em tese, serão anulados por outras razões. Por isso, a diligência proposta implica em uma protelação desnecessária. Pior ainda quando o procedimento para evitar a anulação inevitável implica em uma demora processual que apenas causa danos. E que tal diligência é danosa ou ao Fisco ou ao contribuinte. Isso porque, implica em manter pendente uma situação que poderia ser resolvida imediatamente. De fato, enquanto o julgamento for postergado desnecessariamente: ou o Fisco fica sem poder exigir aquilo que pode ser seu direito; ou o contribuinte fica apontado como devedor de uma divida que pode não existir. 6 Processo n° 14098.000473/2008-45 SI-CI Ti Resolução n° 1101-000.043 Fl. 13 Mas, além disso, no presente caso existe um agravante que torna a protelação danosa também para a sociedade como um todo. "E que a fiscalização entendeu configurada a prática de crime contra a ordem tributária. Então, a efetuação de uma diligência desnecessária pode ser a causa da prescrição penal. Por isso, voto contra a proposta de diligencia. Sala das Sessões, 14 de mat-go de 2012. ar os Eduardo`de—Almeida Guerreiro 7
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Numero do processo: 19740.000625/2008-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AUXÍLIO BABÁ.
NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA DO STJ. REGIME DO ARTIGO 543C DO CPC. RECURSOS REPETITIVOS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A
DO RICARF.
O auxílio babá não é espécie de benefício distinta do auxílio creche, mas tão somente uma modalidade alternativa para a permanência segura e apropriada da criança no período de ausência de seus pais para cumprimento da jornada de trabalho. Como tal, deve ser dispensado à essa modalidade do benefício o mesmo tratamento tributário do auxílio creche: Súmula STJ nº 310, de
11/05/2005 e Parecer PGFN/CRJ n° 2600/2008.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.239
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial para exclusão do lançamento dos valores relativos ao auxílio babá nos termos do voto do relator. Declarou-se impedido o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA DO STJ. REGIME DO ARTIGO 543C DO CPC. RECURSOS REPETITIVOS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. O auxíliobabá não é espécie de benefício distinta do auxíliocreche, mas tão somente uma modalidade alternativa para a permanência segura e apropriada da criança no período de ausência de seus pais para cumprimento da jornada de trabalho. Como tal, deve ser dispensado à essa modalidade do benefício o mesmo tratamento tributário do auxíliocreche: Súmula STJ nº 310, de 11/05/2005 e Parecer PGFN/CRJ n° 2600/2008. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para exclusão do lançamento dos valores relativos ao auxíliobabá nos termos do voto do relator. Declarouse impedido o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 639DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento tributário realizado em 24/11/2008 e relativo às contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre os rendimentos pagos ou creditados aos segurados empregados a título de Auxílio Creche e Auxílio Babá, quando não comprovadas as despesas. Seguem transcrições de alguns trechos pontuais do relatório fiscal que melhor sintetizam os fatos e a lide: Relatório Fiscal 4.3. Fica claro, portanto, que, se a parcela desembolsada a titulo de auxílio creche ou auxílio babá foi paga em desacordo com a lei trabalhista, ou o segurado empregado não comprovou a despesa realizada com a creche ou com a babá, este valor passa a integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária. ... 5.1. Da análise das Folhas de Pagamentos do ano de 2004, foi possível detectar a ocorrência de pagamentos sob o título de Auxílio Creche, Auxílio Creche—Mês Anterior, Auxílio Babá e Auxilio Babá—Mês Anterior. 5.2. Foram solicitados os comprovantes de despesas com Creche, para todos os empregados que receberam esta rubrica, e também, a comprovação do registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social da empregada, do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária para todos aqueles que receberam o Auxilio Babá. 5.3. Ocorre que a empresa não logrou apresentar a maior parte dos comprovantes solicitados, apresentando apenas os relativos a 6 funcionários, ficando claro que a empresa não observou os requisitos legais para efetuar o pagamento destes valores, passando estes a integrar a base do salário de contribuição previdenciária. ... 5.5. Foram excluídos os valores pagos àqueles segurados empregados que apresentaram a documentação bastante e suficiente para comprovar as despesas de acordo com a lei. 5.6 Cabe ressaltar que quando se trata de comprovação de despesas, formulário preenchido pelos próprios funcionários quando da solicitação do benefício não comprova despesa alguma, comprova apenas que o funcionário solicitou o recebimento de tal auxílio. No que se refere à cópia da CTPS — Carteira de trabalho da Babá, não obstante este ser um dos documentos exigidos pela legislação para que não haja incidência de contribuições previdenciárias sobre o auxílio Fl. 640DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19740.000625/200800 Acórdão n.º 2402002.239 S2C4T2 Fl. 640 3 babá, ele por si só não é bastante e suficiente para a comprovação da efetiva despesa já que não evidencia a continuidade do contrato de trabalho, nem tampouco que houve o efetivo pagamento dos salários, além do recolhimento das contribuições previdenciárias devidas. Após impugnação, a decisão de primeira instância foi no sentido de julgar o lançamento procedente em parte para que fossem excluídos os valores relativos ao auxílio creche, limitado ao fixado em convenção coletiva e desde que identificados os beneficiários e desde que os dependentes não tenham mais de 6 anos de idade. Foram mantidos no lançamento todos os valores pagos a título de auxíliobabá. Segue transcrição da ementa e trechos do acórdão: AUXÍLIOCRECHE ATO DECLARATORIO PGFN N° 11, de 1° de dezembro de 2008 determina a revisão de oficio dos créditos apurados em decorrência da falta de comprovação de despesas a título de auxílio creche. Incide contribuição previdenciária sobre parcela concedida a título de auxílio creche, no entanto, quando a empresa não demonstra os demais requisitos exigidos pela legislação para caracterização do mesmo. AUXÍLIOBABÁ Integra o saláriodecontribuição o benefício auxíliobabá no caso de não haver a comprovação do registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social da empregada, do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária, pago em conformidade com a legislação trabalhista e não comprovado o limite máximo de seis anos de idade da criança conforme art. 214, § 9°, XXIV do Decreto 3.048/99. ... Impugnação Procedente em Parte ... 39. O crédito será retificado, AuxílioCreche, conforme demonstrado abaixo, independente da comprovação dos valores concedidos, considerando os documentos apresentados na Impugnação que possibilitaram a identificação do responsável, a identificação da criança que deu origem ao beneficio com idade compatível ao recebimento do mesmo, tendo sido abatido apenas os valores estabelecidos pela convenção coletiva. Desta maneira, o crédito está sendo retificado atendendo o novo entendimento de não ser exigida a comprovação dos valores concedidos. ... 40.1. Na retificação demonstrada acima não foram abatidos os seguintes valores: • Sueli de Fátima Martins valores concedidos de janeiro a agosto de 2004, uma vez que a Declaração de fls 615 informa que o filho Igor foi matriculada em setembro de 2004. E também, os valores que superaram R$145,00, valor estipulado pela Fl. 641DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Convenção Coletivo, nas competências 11/2004 e 12/2004, nas quais foram pagos R$310,00 e R$455,00, respectivamente. • Maicon Fernandes — Valor recebido em janeiro 2004, uma vez que consta declaração de matrícula em fev2004. Valores concedidos a partir de 03/2004 que superam R$145,00, uma vez que só apresentou documento do filho Lucas, não podendo por conseqüência receber nestes meses o valor de R$290,00. • Flávia Regina Q Alves — Foi deduzido do lançamento apenas R$145,00 por mês, uma vez que é valor estipulado pela Convenção Coletiva. ... 30. Considerando que a Súmula do STJ, assim como o Parecer PGFN/CRJ1260012800 e o Ato Declaratório n° 11 de 01/12/2008 não trataram do Auxilio Babá, para este prevalece a disposição do artigo 214, § 90, alínea XXIV e Instrução Normativa 03, artigo 72, alínea XXIV, ... 36. Na análise dos documentos verificase que a empresa apresentou poucas certidões de nascimento; comprovantes de despesas de creche e babá de empregados que não constam do lançamento; documentos nos quais não foi possível verificar o responsável pela criança; e, apresentou outros para os quais não foi possível verificar se a criança possuía a idade exigida para que o benefício fosse concedido. 37. Deste modo, considerando que no Relatório Fiscal, item 2.1, é declarado que o Auto de Infração destinase a efetuar o lançamento das diferenças relativas às contribuições previdenciárias dos segurados incidentes sobre os rendimentos pagos ou creditados a título de Auxílio Creche e Auxílio Babá efetuados sem observar a alínea "s", § 9 da Lei 8.212/91 e, no item 5.3, que a empresa não logrou apresentar a maior parte dos comprovantes solicitados, apresentando apenas os relativos a 6 funcionários, ficando claro que a empresa não observou os requisitos legais para efetuar o pagamento destes valores. No caso de AUXILIO CRECHE, o crédito só será retificado quando for possível comprovar nos documentos apresentados pela Impugnante a idade da criança que deu origem ao crédito, ou curso compatível com a idade que é devido o beneficio, assim como o responsável que o recebeu; sendo abatido do lançamento apenas o valor estipulado na Convenção Coletiva. No caso de AUXILIO BABÁ, além de se poder comprovar nos documentos apresentados pela Impugnante a idade da criança que deu origem ao crédito e o responsável que o recebeu, há necessidade também da comprovação de despesa que continua sendo exigida pela legislação, ou seja há necessidade de constar o recibo de pagamento e a cópias da GPS. Contra a decisão, o recorrente reiterou suas alegações na impugnação; assim sintetizadas com precisão na decisão recorrida: Fl. 642DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19740.000625/200800 Acórdão n.º 2402002.239 S2C4T2 Fl. 641 5 5.1. A Portaria do Ministério do Trabalho 3.296 de 03/09/1986 autorizou a adoção do sistema de "reembolso creche" como alternativa da exigência estabelecida pelo artigo 389 da CLT de manutenção de creches por parte das empresas, com pelo menos 30 funcionárias com idade acima de 16 anos. 5.2. Tal Portaria regulamenta não apenas o auxíliocreche, mas também o auxíliobabá, ao dispor no inciso I do art 1° que a prestação conferida às lactantes “deverá cobrir, integralmente, as despesas efetuadas com o pagamento da creche de livre escolha da empregadamãe, ou outra modalidade de prestação de serviço desta natureza". 5.3. O auxíliobabá possui a mesma natureza do auxíliocreche, pois também objetiva a guarda do bebê ou da criança enquanto a mãe encontrase ausente por razões profissionais. 5.4. Posteriormente, o Plano de Custeio Previdenciário veio a prever a exclusão do reembolso creche do salário de contribuição (art 28, §9°, "s" da Lei 8212/91). Apesar do mencionado dispositivo legal não tratar expressamente do auxíliobabá, é certo que o mesmo também é excluído do salário de contribuição, por possuir a mesma natureza do reembolso creche. 5.5. Reconhecendo a natureza indenizatória tanto do auxílio creche quanto do auxílio babá, o Regulamento da Previdência Social veio a estabelecer que tais benefícios não constituiriam base de cálculo da contribuição previdenciária caso cumpridos os seguintes requisitos: i) O beneficio deve ser previsto em Acordo Coletivo ou Convenção Coletiva de Trabalho; ii) sua concessão deve ser estendida a todas as empregadas; iii) deve ser dada ciência a todas as empregadas do oferecimento do referido auxílio; iv) deverá ser efetuado até o 3° dia útil da entrega do comprovante das despesas; v) atenderá as crianças com até 6 anos de idade; vi) deverão ser comprovadas todas as despesas incorridas pelas empregadas e reembolsadas pela empresa e; vii) quanto ao auxílio babá, ainda é exigida a cópia da CTPS da doméstica (babá) e dos comprovantes de recolhimento das suas contribuições previdenciárias. 5.6. A fiscalização considerou como atendidos pela Impugnante todos os requisitos acima mencionados, salvo a comprovação das despesas incorridas pelos empregados com as creches e babás. ... Fl. 643DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 5.9. Em momento algum é suscitado pela fiscalização o desvio de finalidade do auxíliocreche e do auxílio babá ou, ainda, que o mesmo seria concedido como remuneração camuflada. 5.10. Independentemente da apresentação dos comprovantes exigidos pela fiscalização, há presunção de que a empregada arcou com os custos de creche ou da babá, uma vez que o empregador não lhe disponibilizou nas dependências da empresa local para guardar seus filhos. O caráter indenizatório do auxílio em questão surge do fato de o mesmo ser pago em substituição a uma obrigação legal imposta ao empregador, qual seja, a manutenção de uma creche para os filhos das empregadas, e não de mera apresentação do comprovante das despesas. Neste sentido vem se posicionando os Tribunais Regionais Federais. 5.11. O Auditor desconsiderou diversos Termos de Compromisso, comprovantes de matrícula e cópias de carteiras de trabalho de babás, apresentados pela Impugnante durante a fiscalização, por entender que somente recibos de despesas mensais ensejariam a exclusão dos auxílios dos salários dos empregados. 5.12. A Portaria 3296/86 prevê que as empresas devem guardar "comprovantes de despesas" relativas ao auxílio babá e auxílio creche, ou seja, não há na referida norma qualquer menção específica a recibos mensais de pagamento. Em outras palavras, todos os outros documentos que a Impugnante possui nos seus arquivos e não foram analisados pelo Auditor cumprem a determinação legal, uma vez que comprovam inequivocamente o valor despendido pelos seus funcionários. 5.13. Assim, para que não restem dúvidas acerca do reembolso das despesas incorridas pelos empregados da impugnante com creches e babás, anexase a presente Impugnação os seguintes documentos: • Termos de compromisso, através dos quais os empregados fizeram a opção pelo auxíliocreche ou auxílio babá • Cópias das carteiras de trabalho das babás contratadas pelos funcionários da impugnante, nas quais constam os salários que lhes eram conferidos; • Comprovantes de recolhimento previdenciário incidente sobre o salário das babás • Declarações de escolaridade e; • Contratos firmados com as creches 5.14. Outrossim, a Impugnante procede à juntada de diversos recibos de despesas mensais também localizados nos seus arquivos. 5.15. A questão se encontra pacificada em favor dos contribuintes, como se denota de decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça. Fl. 644DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19740.000625/200800 Acórdão n.º 2402002.239 S2C4T2 Fl. 642 7 5.16. No tocante ao auxíliocreche, a questão não guarda maiores controvérsias, inclusive no âmbito administrativo, em razão da recente publicação do Ato Declaratório do Procurador da Fazenda Nacional 11, de 1/12/2008, que reconhece expressamente a improcedência da pretensão da fiscalização consubstanciada no lançamento, autorizando a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos. 5.17. Diante do ato citado, temse que o presente auto de infração, lavrado apenas 5 dias antes de sua publicação, deve ser anulado, sendo certo que tal procedimento poderia ter sido levado a efeito, com fulcro no art 19, §5° da Lei 10522/02 É o Relatório. Fl. 645DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator A decisão recorrida acolheu o entendimento da PGFN e excluiu do lançamento os valores de auxíliocreche independentemente da comprovação da despesa com creches pelos segurados, desde que através dos documentos apresentados pela empresa se identifiquem os beneficiários e desde que os dependentes não tenham mais de 6 anos de idade, limitado o benefício ao valor fixado na convenção coletiva: E, posteriormente, foi publicado o Ato Declaratório n° 11, de 10 de dezembro de 2008, conforme segue: O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei n" 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5' do Decreto n°2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/1V" 2600/2008, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 8/12/2008, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que não incide a contribuição previdenciária sobre o auxíliocreche, recebido pelos empregados e pago até a idade dos seis anos de idade dos seus filhos menores." JURISPRUDÊNCIA: Resp n" 816.829/RJ (DJ de 19.11.2007), Resp n" 664.258/RJ (DJ 31.05.2006); ... Tal entendimento foi adotado pela nova disposição que trata da matéria, constante da Instrução Normativa RFB n° 971, de 13 de novembro de 2009, que revogou as disposições da IN/03 e tirou a expressão, "quando comprovadas as despesas", que constava da IN/SRP/03, conforme segue: ... No recurso voluntário, o contribuinte, embora tem requerido a reforma da decisão na parte que lhe tenha sido desfavorável, o que também abrange os valores remanescentes de auxíliocreche, constato que as razões não se contrapõem ao que já foi decidido em seu favor: não foram exigidos os comprovantes de despesas com creche, exatamente de acordo com a tese defendida pela recorrente. Alguns valores permaneceram porque extrapolaram aquele fixado na convenção coletiva ou porque foram pagos fora do período de abrangência do benefício: 51. No mérito, a Recorrente requer seja dado integral provimento ao presente Recurso Voluntário para reformar o acórdão recorrido na parte em que lhe foi desfavorável e, Fl. 646DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19740.000625/200800 Acórdão n.º 2402002.239 S2C4T2 Fl. 643 9 consequentemente, cancelar o Auto de Infração n° 37.179.3408 e julgar insubsistente os créditos tributários a ele vinculados. Assim, entendo que somente resta o exame da parte desfavorável relativa ao auxíliobabá. Com relação a esse benefício, embora já transcrito no relatório fiscal, reproduzo trecho da decisão recorrida após a análise da documentação juntada na impugnação. Constatase que de fato o fundamento para incidência da contribuição previdenciária decorre do entendimento segundo o qual ainda deve ser exigida a comprovação da despesa efetuada pelo segurado com a babá e o respectivo recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre esse salário pago: AUXILIO BABÁ, além de se poder comprovar nos documentos apresentados pela Impugnante a idade da criança que deu origem ao crédito e o responsável que o recebeu, há necessidade também da comprovação de despesa que continua sendo exigida pela legislação, ou seja há necessidade de constar o recibo de pagamento e a cópias da GPS. A norma de proteção extraída do artigo 389, §1° da CLT, criada pelo Decretolei nº 229, de 28/02/67, tem por finalidade propiciar à trabalhadora a necessária tranqüilidade para exercício de suas funções laborais, quando permanece longe do convívio de seu filho. Quando criado em 1967, buscavase que o local de guarda fosse em alguma dependência adequada da própria empresa, mas por diversas razões, muitas relacionadas à própria segurança e saúde da criança, na prática constatouse que em vários estabelecimentos melhor se cumpriria a finalidade da norma através de convênios com instituições próprias para esse fim, as creches. Mas também se verificou que nem sempre havia creches próximas à residência da mãe ou de seu local de trabalho, daí se buscou uma outra modalidade, o serviço de babá. De fato, esse último possui algumas vantagens: a criança não precisa ser deslocada diariamente, pois permanece em seu mesmo ambiente e muitas vezes permanece no convívio de algum parente mais próximo, o que atende perfeitamente à finalidade da norma de proteção. Daí é que em 03/09/1986 a Portaria n° 3.296 do Ministério do Trabalho autorizou expressamente a adoção do sistema de "auxíliocreche" como alternativa para à exigência da CLT. Tal ato normativo já com uma preocupação prospectiva, também traz uma abertura para outras modalidades, sem lhes atribuir alguma denominação específica, equiparandoas ao auxíliocreche: Art. 389 Toda empresa é obrigada: §1° Os estabelecimentos em que trabalharem pelo menos 30 (trinta) mulheres com mais de 16 (dezesseis) anos de idade terão local apropriado onde seja permitido às empregadas guardar sob vigilância e assistência os seus filhos no período da amamentação. ... Art. 1° Ficam as empresas e empregadores autorizados a adotar o sistema de ReembolsoCreche, em substituição à exigência Fl. 647DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 contida no § 1 0 do art. 389 da CLT, desde que obedeçam às seguintes exigências: I O ReembolsoCreche deverá cobrir, integralmente, as despesas efetuadas com o pagamento da creche de livre escolha da empregadamãe, ou outra modalidade de prestação de serviço desta natureza, pelo menos até os seis meses de idade da criança, nas condições, prazos e valor estipulados em acordo ou convenção coletiva, sem prejuízo do cumprimento dos demais preceitos de prestação à maternidade. O auxíliobabá não é espécie de benefício distinta do auxíliocreche, mas tão somente uma modalidade alternativa para a permanência segura e apropriada da criança no período de ausência de seus pais para cumprimento da jornada de trabalho. Para essa finalidade, o benefício é oferecido em modalidades: a permanência da criança no próprio local de trabalho, ou em creche ou, ainda, com babá. O entendimento do STJ que resultou na Súmula nº 310, de 11/05/2005 DJ 23.05.2005, é que o benefício tem natureza indenizatória e, portanto, não sofre incidência de contribuições previdenciárias. E não é a modalidade do benefício que altera a sua natureza jurídica: quando oferecido na forma de auxíliobabá também é indenização e, portanto, beneficiase do entendimento reproduzido no Parecer PGFN/CRJ n° 2600/2008: Súmula nº 310 O Auxíliocreche não integra o saláriodecontribuição. ... Parecer PGFN/CRJ N° 2600/2008: Tributário. Contribuição Previdenciária. AuxílioCreche. Natureza indenizatória. Não incidência. Jurisprudência pacifica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei n°10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto n°2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. 2. Ta Parecer, em face da alteração trazida pela Lei n°11.033, de 2004, à Lei n" 10.522/2002, terá também o condão de dispensar a apresentação de contestação pelos Procuradores da Fazenda Nacional, bem como de impedir que a Secretaria da Receita Federal do Brasil constitua o crédito tributário relativo à presente hipótese, obrigandoa a rever de oficio os lançamentos já efetuados, nos termos do citado artigo 19 da Lei n°10.522/2002. 3. Este estudo é feito em razão da existência de decisões reiteradas de ambas as Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça STJ, no sentido de que não incide a contribuiçãoprevidenciária sobre o auxíliocreche, porquanto essa verba não integra o salário de contribuição, base de cálculo da contribuição previdenciária.. Fl. 648DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19740.000625/200800 Acórdão n.º 2402002.239 S2C4T2 Fl. 644 11 Ressaltase, ainda, que a matéria está sendo julgada no regime do artigo 543 C do CPC e da Resolução 8/STJ, que trata dos recursos repetitivos, conforme se pode verificar no Resp n° 1146772/DF: Processo REsp 1146772/DF RECURSO ESPECIAL 2009/01227547 Relator(a) Ministro BENEDITO GONÇALVES (1142) Órgão Julgador S1 PRIMEIRA SEÇÃO Data do Julgamento 24/02/2010 Ementa: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 458, II E 535, I E II DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIOCRECHE. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 310/STJ. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Não há omissão quando o Tribunal de origem se manifesta fundamentadamente a respeito de todas as questões postas à sua apreciação, decidindo, entretanto, contrariamente aos interesses dos recorrentes. Ademais, o Magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos apresentados pelas partes. 2. A demanda se refere à discussão acerca da incidência ou não de contribuição previdenciária sobre os valores percebidos pelos empregados do Banco do Brasil a título de auxíliocreche. 3. A jurisprudência desta Corte Superior firmou entendimento no sentido de que o auxíliocreche funciona como indenização, não integrando, portanto, o salário de contribuição para a Previdência. Inteligência da Súmula 310/STJ. Precedentes: EREsp 394.530/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Primeira Seção, DJ 28/10/2003; MS 6.523/DF, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, DJ 22/10/2009; AgRg no REsp 1.079.212/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJ 13/05/2009; REsp 439.133/SC, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 22/09/2008; REsp 816.829/RJ, Rel. Ministro Luiz Fux,Primeira Turma, DJ 19/11/2007. 4. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 5. Recurso especial não provido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Hamilton Carvalhido, Eliana Calmon, Luiz Fux, Castro Meira e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausentes, justificadamente, a Sra. Ministra Denise Arruda e os Srs. Ministros Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques. Fl. 649DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Notas: Julgado conforme procedimento previsto para os Recursos Repetitivos no âmbito do STJ. Diante de tal fato, ainda que se entenda pela aplicação restritiva do Parecer PGFN/CRJ n° 2600/2008 somente à modalidade auxíliocreche, não há dúvidas de que o entendimento do STJ não é diferente para a modalidade auxíliobabá e tendo sido conferido o regime do artigo 543C do CPC, a decisão do STJ deve ser aqui reproduzida, conforme determina o novel artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009: Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vêse através de um dos precedentes que resultou na Súmula nº 310, de 11/05/2005 que, de fato, o STJ não faz distinção entre as modalidades do benefício: Processo REsp 413651/BA. RECURSO ESPECIAL 2002/00182934 Relator(a) Ministro FRANCIULLI NETTO (1117) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA. Data do Julgamento 08/06/2004. Data da Publicação/Fonte DJ 20/09/2004 p. 227 Ementa: RECURSO ESPECIAL. ALÍNEAS "A" E "C". PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIOCRECHE. AUXÍLIOBABÁ. VERBA INDENIZATÓRIA QUE NÃO INTEGRA O SALÁRIO DECONTRIBUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO. SÚMULA 83 DO STJ. Cumpre observar, por primeiro, que inexiste ofensa ao disposto no artigo 535, inciso II, do Código de Processo Civil, porquanto o tribunal recorrido apreciou toda a matéria recursal devolvida. No que tange à questão da incidência da contribuição previdenciária sobre o auxíliocreche e o auxíliobabá, a jurisprudência desta Corte Superior, inicialmente oscilante, firmou entendimento no sentido de que tais benefícios têm caráter de indenização, razão pela qual não integram o salário de contribuição. O artigo 389, § 1º, da CLT impõe ao empregador o dever de manter creche em seu estabelecimento ou a terceirização do serviço e, na sua ausência, a verba concedida a esse título será indenizatória e não remuneratória. Precedentes: EREsp 438.152/BA, Relator Min. Castro Meira, DJU 25/02/2004; EREsp 413.322/RS, Relator Min. Humberto Gomes de Barros, DJU 14.04.2003 e EREsp 394.530/PR, Relator Min. Eliana Calmon, DJU 28/10/2003). Aplicase à espécie, pois, o enunciado da Súmula 83 deste Sodalício: "não se conhece do recurso especial pela divergência, Fl. 650DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19740.000625/200800 Acórdão n.º 2402002.239 S2C4T2 Fl. 645 13 quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". A propósito, restou consignado no julgamento do Agravo Regimental no Ag 135.461/RS, Relator Min. Antônio de Pádua Ribeiro, DJU 18.8.97, que "esta súmula também se aplica aos recursos especiais fundados na letra 'a' do permissivo constitucional". Recurso especial nãoconhecido. Acórdão: Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça: "A Turma, por unanimidade, não conheceu do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator". Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Castro Meira, Francisco Peçanha Martins e Eliana Calmon votaram com o Sr. Ministro Relator. Por tudo, entendo que deve ser dispensado à modalidade do benefício titulada auxíliobabá, o mesmo tratamento tributário do auxíliocreche. Tendo a fiscalização se convencido de que os valores são efetivamente relativos ao benefício, a parcela tem natureza indenizatória e fica, portanto, dispensada a comprovação da despesa do empregado com a babá. Para se afastar a incidência sobre os valores pagos ou reembolsados pela empresa, é suficiente a identificação do responsável e do dependente através de certidão de nascimento ou de outro documento onde também se possa comprovar a idade da criança. Em razão do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para que seja reformada a decisão recorrida, resultando na exclusão do lançamento dos valores a título de auxíliobabá pagos pela recorrente nos termos acima. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 651DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10976.000783/2009-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991.
INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE nº 08.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente.
No caso de lançamento das contribuições sociais, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação aos mesmos, a Recorrente não efetuou qualquer antecipação de pagamento, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no
art. 173, inciso I, ambos do CTN.
O lançamento foi efetuado em 30/12/2009, data da ciência do sujeito passivo, e os fatos geradores das contribuições apuradas ocorreram no período compreendido entre 01/2004 a 12/2004. Com isso, as competências posteriores a 12/2003 não foram abarcadas pela decadência, permitindo o direito do fisco de constituir o crédito tributário por meio de lançamento fiscal.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF
afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos
termos do art. 62 do seu Regimento Interno.
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais.
AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Somente poderão ser excluídas do salário de contribuição as parcelas pagas ou creditadas nos exatos termos definidos pela legislação previdenciária. As demais sofrerão os efeitos da tributação.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS.
A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, em desacordo com as diretrizes fixadas pela legislação pertinente, integra o salário de contribuição.
ABONOS E AVISO PRÉVIO ESPECIAL. PREVISÃO LEGAL.
HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA.
As verbas salariais pagas aos empregados a título de abono e de aviso prévio especial, em desacordo com a legislação previdenciária, integram o salário de contribuição.
JUROS/SELIC. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE.
O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.273
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas, vencidos os conselheiros Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que reconheciam parcial decadência do crédito lançado; e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial para excluir do lançamento a parcela relativa à habitação, vencidos, nesta parte, o relator e o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado que
votaram pela incidência sobre tal parcela e os conselheiros Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que também excluíam do lançamento o aviso prévio especial.
Apresentará voto vencedor o Conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2519; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 656 1 655 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10976.000783/200902 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 2402002.273 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de novembro de 2011 Matéria SALÁRIO INDIRETO: HABITAÇÃO, VEÍCULOS, PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS, ABONO. PARCELA DESTINADA A TERCEIROS Recorrente CEVA LOGISTICS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE nº 08. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação aos mesmos, a Recorrente não efetuou qualquer antecipação de pagamento, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN. O lançamento foi efetuado em 30/12/2009, data da ciência do sujeito passivo, e os fatos geradores das contribuições apuradas ocorreram no período compreendido entre 01/2004 a 12/2004. Com isso, as competências posteriores a 12/2003 não foram abarcadas pela decadência, permitindo o direito do fisco de constituir o crédito tributário por meio de lançamento fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso Fl. 659DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por JHONATAS RIBEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assi nado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Somente poderão ser excluídas do salário de contribuição as parcelas pagas ou creditadas nos exatos termos definidos pela legislação previdenciária. As demais sofrerão os efeitos da tributação. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, em desacordo com as diretrizes fixadas pela legislação pertinente, integra o salário de contribuição. ABONOS E AVISO PRÉVIO ESPECIAL. PREVISÃO LEGAL. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. As verbas salariais pagas aos empregados a título de abono e de aviso prévio especial, em desacordo com a legislação previdenciária, integram o salário de contribuição. JUROS/SELIC. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por JHONATAS RIBEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assi nado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10976.000783/200902 Acórdão n.º 2402002.273 S2C4T2 Fl. 657 3 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas, vencidos os conselheiros Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que reconheciam parcial decadência do crédito lançado; e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial para excluir do lançamento a parcela relativa à habitação, vencidos, nesta parte, o relator e o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado que votaram pela incidência sobre tal parcela e os conselheiros Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que também excluíam do lançamento o aviso prévio especial. Apresentará voto vencedor o Conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Jhonatas Ribeiro da Silva Redator Designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por JHONATAS RIBEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assi nado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativas às contribuições sociais destinadas a outras Entidades/Terceiros (SalárioEducação/FNDE, SESC, SENAC, INCRA e SEBRAE), para as competências 01/2004 a 12/2004. O Relatório Fiscal (fls. 174/188 – Volume I) informa que os fatos geradores apurados no presente lançamento fiscal não foram declarados em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) e são decorrentes das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, referente às contribuições previdenciárias destinadas a Terceiros, incidentes sobre valores pagos aos empregados a título de ajuda habitação, aviso prévio especial, bônus, veículos a dirigentes e participação nos lucros ou resultados (PLR). Foram verificados, dentre outros documentos, folhas de pagamento, Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), Guias da Previdência Social (GPS), e relatórios extraídos dos sistemas de consulta CNISA, PLENUS, da Receita Federal do Brasil (RFB). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 30/12/2009, mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (fl. 01 e 173). A Notificada apresentou impugnação tempestiva (fls. 328/337 – Volume II e fls. 541/558 – Volume III), alegando, em síntese, que: 1. DECADÊNCIA. Que os valores lançados já se encontram extintos pela decadência, por determinação do artigo 150, § 4° c/c o artigo 156, V, ambos do Código Tributário Nacional, pois o Auto de Infração que exige valores supostamente não recolhidos pela impugnante no ano de 2004, apenas foi lavrado em dezembro de 2009; 2. AFERIÇÃO INDIRETA. Que no caso em apreço tivesse o autuante verificado, além dos registros contábeis da impugnante, as folhas de salário de cada filial, certamente não teria lavrado a autuação ora impugnada ou quando muito, a teria lavrado com a devida discriminação de cada um dos funcionários envolvidos. Ou seja, o que fez o autuante foi utilizarse indevidamente do extremo instituo da aferição indireta para tentar buscar fundamento para o lançamento, o que não pode ser admitido, já que a legislação de regência permite a utilização de aferição indireta em situações pontuais que, data máxima vênia, não ocorrem na hipótese destes autos (transcreve o artigo 148 do CTN e decisões administrativas sobre a matéria). Se foi entregue à fiscalização documentação idônea envolvendo a relação dos empregados da impugnante, como de fato ocorreu, é extreme de dúvidas de que bastaria o cotejo de tais documentos para se afirmar, com a devida precisão, que os pagamentos realizados pela Fl. 662DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por JHONATAS RIBEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assi nado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10976.000783/200902 Acórdão n.º 2402002.273 S2C4T2 Fl. 658 5 impugnante estavam todos amparados em documentos de suporte hábeis e idôneos; 3. CONCEITO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Discorre sobre o conceito de salário de contribuição, e diz que no caso em tela, nem a ajuda habitação, o aviso prévio especial e o bônus pagos pela impugnante se enquadram na categoria de remuneração porque não são decorrentes da relação sinalagmática entre o empregado e a impugnante, pois o seu pagamento não decorreu de retribuição ao trabalho prestado (transcreve entendimento doutrinário sobre a natureza contraprestacional ou sinalagmática da remuneração). Que pela análise do parágrafo 9° do mesmo artigo 28 da Lei 8.212; de 1991, que explicita as parcelas que não integram o salário de contribuição para fins previdenciários, verificase que há, basicamente, dois tipos de pagamentos que não devem servir para a incidência de contribuições previdenciárias: os pagamentos com caráter indenizatório e os ressarcimentos de despesas (define pagamentos indenizatórios e ressarcitórios); 4. AJUDA HABITAÇÃO. Que a ajuda habitação era paga pela impugnante para funcionários que estivessem trabalhando fora dos seus respectivos locais de trabalho, ou seja, se o funcionário A, lotado na filial da impugnante em Santo Amaro, viesse a ser requisitado a executar um trabalho de 40 dias em Betim, a impugnante disponibilizava apartamento alugado para o referido funcionário, ao invés de colocálo em hotéis e suportar o custo com diárias. A ajuda habitação recebida por alguns empregados da impugnante não era beneficio auferido pelo trabalho que realizavam, mas sim ressarcimento pela impugnante de despesas incorridas em decorrência da mudança temporária de seu local de trabalho. Não há qualquer acréscimo ao patrimônio dos empregados da impugnante que se utilizam dessa ajuda habitação para fazer frente às despesas que decorriam com o aluguel de moradias, enquanto estivessem naquelas localidades para as quais foram temporariamente transferidos. Que nenhum funcionário receberia a citada ajuda habitação por mais de 12 meses, fato este que demonstra seu caráter não habitual (cita como exemplo nomes de alguns funcionários); 5. AVISO PRÉVIO ESPECIAL. Que o aviso prévio especial era pago por óbvio, quando do término do pacto laboral dos funcionários com a impugnante, portanto, sem habitualidade, tudo conforme previsto na Convenção Coletiva do Trabalho. Portanto, não havia qualquer liberalidade por parte da impugnante no pagamento dessa verba (transcreve o disposto na cláusula 21a da Convenção Coletiva do Trabalho). Transcreve decisões judiciais/administrativas e o disposto no item 7, letra “e”, do § 9°, do artigo 28 da Lei n° 8.212 de 1991, e conclui que com base nos dispositivos legais e regulamentares e na pacífica jurisprudência dos Tribunais judiciais e administrativos, a indenização paga pela impugnante a seus empregados demitidos, com certeza se enquadra na hipótese de ganho eventual e sem Fl. 663DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por JHONATAS RIBEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assi nado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 habitualidade, visto que seu pagamento é desvinculado do salário e que se trata de ganho eventual; 6. BÔNUS. Que os bônus pagos aos empregados são, em verdade, verdadeiro prêmio por contribuições e iniciativas para o melhor desenvolvimento das atividades sociais da impugnante, a titulo de exemplo cita nomes de alguns funcionários, e diz que esta não possui natureza salarial, uma vez que não é habitual porque apenas paga como recompensa por uma invenção/iniciativa, bem como não decorrem da prestação de trabalho dos empregados à impugnante (transcreve decisão judicial/administrativa e entendimento doutrinário); 7. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS – PLR. Que ao não individualizar cada um dos beneficiários, acabou por comprometer a validade da exigência, implicando em manifesto cerceamento ao direito de defesa, pois, limitouse o autuante a informar o somatório pago pela impugnante a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), e aplicou a correspondente contribuição previdenciária sobre essa base. A Constituição Federal, desde logo, independentemente da edição de qualquer legislação sobre a matéria, imunizou o pagamento de PLR da incidência de contribuições previdenciárias, uma vez que claramente destacouo da remuneração. Assim, pela imunidade constitucional, nem mesmo seria necessária a existência de acordo de PLR para viabilizar tal pagamento. Diz que nem a Lei n° 10.101, de 19 de dezembro de 2000, nem as Medidas Provisórias anteriormente editadas, para regulamentar a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, estabelecem ou estabeleceram – e nem poderiam – novo regime aos pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados, limitandose a sugerir uma forma para que as empresas implementem programas de participação nos lucros e resultados, nos termos da Constituição Federal. Da análise da legislação que instituiu o PLR, verificase que pelo menos três parâmetros básicos para a implantação do benefício foram estabelecidos, quais seja: (i) negociação entre a empresa e seus empregados, por meio de comissão escolhida entre as partes, convenção ou acordo coletivo; (ii) regras claras e objetivas oriundas dos instrumentos decorrentes das negociações; (iii) participação/ciência da entidade sindical acerca das negociações. No caso da impugnante, os Acordos de PLR aplicáveis são Acordos Coletivos que foram firmados entre a impugnante e seus funcionários (representados pelas Comissões de Empregados, devidamente eleitas) e, ainda, com a participação do Sindicato dos Empregados. Diante da exiguidade do prazo de defesa, a impugnante anexará os Acordos de PLR de suas filiais oportunamente. Portanto, podese concluir, prima facie, que estes possuem todos os elementos necessários ao pleno atendimento dos requisitos constantes da legislação vigente, que foi, portanto, completamente atendida pela impugnante. Tanto é que em nenhum momento o fiscal autuante contesta os critérios adotados pela impugnante para estabelecer o seu programa de participação nos lucros e resultados. Ocorre que, não obstante o fato de ter a impugnante cumprido todas as diretrizes da legislação quando da Fl. 664DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por JHONATAS RIBEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assi nado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10976.000783/200902 Acórdão n.º 2402002.273 S2C4T2 Fl. 659 7 emissão de seus PLR’s, para justificar a incidência de contribuições previdenciárias a fiscalização apegouse ao argumento de que não haveria provas de que as metas estipuladas teriam sido atingidas. Assim, desde 1988, os valores pagos a título de participação nos lucros e resultados das empresas não podem ser incluídos no salário de contribuição e, conseqüentemente, sobre tais valores não devem incidir as contribuições previdenciárias, independentemente da edição de qualquer ato normativo ou da formalização de qualquer ato convencional a respeito, (transcreve decisões judiciais); 8. VEÍCULOS A DIRIGENTES. Que as despesas incorridas eram para o trabalho e não pelo trabalho, portanto, não se enquadra no conceito de salário de contribuição. Que os diretores e gerentes beneficiados com essa parcela são descontados em folhas de pagamento, o que não foi observado pelo autuante. Assim, na medida em que a parcela denominada veículos a dirigentes é descontada dos respectivos beneficiados, mister se faz aplicar ao caso em apreço a pacífica jurisprudência dos tribunais pátrios que afasta a natureza salarial de parcelas que são objeto de desconto em folha. Tendo em vista que a parcela veículo a dirigentes é fornecida para o trabalho, sabidamente não podem agregar ao salário de contribuição dos beneficiados, pois não se destina a retribuir o trabalho prestado, e com o desconto em folha dos beneficiados, temse que não se está diante de verbas integrantes do salário de contribuição; 9. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. No que tange a aplicação dos juros de mora, cabe lembrar que a jurisprudência vêm reconhecendo a inaplicabilidade da taxa referencial SELIC aos créditos tributários, uma vez que esta taxa não foi criada por lei para fins tributários (transcreve decisão proferida pelo STJ). Destaca que, embora as autoridades administrativas não tem competência para declarar a inconstitucionalidade ou ilegalidade de regras vigentes no ordenamento, elas podem afastar a sua aplicação com base em precedentes jurisprudenciais que, como já demonstramos acima, vêm reconhecendo a inexigibilidade de juros de mora calculados pela Taxa Referencial SELIC; 10. PEDIDO. Pede que seja decretada a improcedência da autuação. Requerse, na remota hipótese de não decretar a total insubsistência da exigência ora impugnada, que determine a realização de diligência que permita à impugnante apresentar todas as provas documentais e mesmo testemunhais. Na medida em que a autuação ora combatida é intimamente relacionada com a exigência formulada nas autuações nas 37.211.7775 e 37.211.7767, requer que sejam as defesas acostadas umas às outras e que o julgamento delas seja feito de maneira uniforme, evitandose com isso a prolação de decisões conflitantes sobre o mesmo tema. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão 0227.427 da 7a Turma da DRJ/BHE (fls. 560/580 – Fl. 665DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por JHONATAS RIBEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assi nado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Volume III) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso (fls. 587/634 – Volume IV), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua repetição das alegações de impugnação. A Agência da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Betim/MG informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fl. 652 – Volume IV). É o relatório. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por JHONATAS RIBEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assi nado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10976.000783/200902 Acórdão n.º 2402002.273 S2C4T2 Fl. 660 9 Voto Vencido Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo (fls. 585/587) e não há óbice ao seu conhecimento. DA PRELIMINAR: A Recorrente alega que seja declarada a extinção do crédito tributário ora analisado, pois, como o período fiscalizado referese às competências de 01/2004 a 12/2004, os créditos apurados foram fulminados pelo instituto jurídico da decadência, nos termos do art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional (CTN). Tal alegação não será acatada pelos motivos fáticos e jurídicos a seguir delineados. Esclarecemos que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8212/91. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante no 08 STF: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Fl. 667DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por JHONATAS RIBEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assi nado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º, o seguinte: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após Fl. 668DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por JHONATAS RIBEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assi nado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10976.000783/200902 Acórdão n.º 2402002.273 S2C4T2 Fl. 661 11 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação – que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' –,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento. (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) ......................................................................................................... TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Omissis. 4. Embargos de divergência providos. (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) Verificase que o lançamento fiscal em tela referese às competências 01/2004 a 12/2004 e foi efetuado em 30/12/2009, data da intimação e ciência do sujeito passivo (fls. 01 e 173). No caso em tela, tratase do lançamento de contribuições, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação aos mesmos, a Recorrente não efetuou qualquer antecipação de pagamento, conforme Discriminativo do Débito DD (fls. 09/44 – Volume I). Nesse sentido, aplicase o art. 173, Fl. 669DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por JHONATAS RIBEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assi nado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 inciso I, do CTN, para considerar que nenhuma competência lançada foi abrangida pela decadência tributária. Com isso – como o crédito foi constituído com fundamento no direito potestativo do Fisco em lançar os valores das contribuições não recolhidas em época determinada pela legislação vigente –, a preliminar de decadência não será acatada, eis que o lançamento fiscal referese ao período de 01/2004 a 12/2004 e não está abarcado pela decadência tributária. Diante disso, rejeito a preliminar de decadência tributária ora examinada, e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: A Recorrente alega ilegitimidade do arbitramento, realizado pela AuditoriaFiscal, para apuração da base de cálculo da rubrica Veículos a Dirigentes. Tal alegação é infundada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício, com a utilização da base de cálculo decorrente de aferição indireta. Esta decorre de um ato necessário e devidamente motivado, conforme registro no Relatório Fiscal – item 3.1.3 e subitens (fls. 184/186 – Volume I) –, visto que a auditoria fiscal demonstrou que ocorreu recusa ou sonegação de documentos ou informações, ou sua apresentação foi deficiente. Essa demonstração da recusa de apresentação de documentos ou informações, ou a sua apresentação deficiente, ficou assentada no Relatório Fiscal nos seguintes termos (fls. 184/185): “[...] 3.1.3.2.1. Na analise da Folha de Pagamento verificouse a ocorrência do rubrica – 7515 – DESCONTO ALUGUEL DE VEÍCULO, e, portanto, foi solicitado à empresa, através de Termo de Intimação Fiscal n° 005/2009, datado 03/03/2009, a documentação pertinente à sistemática de Aluguel de Veículos à Diretores e Gerentes. (...) 3.1.3.3. Em virtude da análise da documentação apresentada e acima relatada, mediante Termo de Intimação Fiscal n° 006/2009, a CEVA LOGISITICS LTDA foi intimada a apresentar a discriminação e individualização dos valores TOTAIS MENSAIS de aluguel de veículos para os Dirigentes, em face aos lançamentos nas contas contábeis: ALUGUEIS DE BENS MÓVEIS, correlacionandoos com os respectivos fornecedores/dirigentes e, apresentação dos contratos de locação pertinentes a cada beneficiário. 3.1.3.3.1. A empresa apresentou, parcialmente, Contratos de Locação de Veículos, a seguir relacionados, firmados em datas defasadas em relação ao período solicitado, silenciandose quanto aos demais esclarecimentos. [...]” Nesse item 3.1.3 e subitens, constatase que a rubrica Veículos a Dirigentes foi apurada por aferição indireta, em virtude da apresentação deficiente dos esclarecimentos a que fora intimada a Recorrente, a teor do contido nos §§ 1°, 3° e 5° do art. 33 da Lei n° 8.212/1991. Ficou assentado que os veículos foram fornecidos aos dirigentes (gerentes) para Fl. 670DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por JHONATAS RIBEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assi nado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10976.000783/200902 Acórdão n.º 2402002.273 S2C4T2 Fl. 662 13 serem utilizados também em atividades de uso pessoal, em horários fora do trabalho e finais de semana, tratandose de utilidade salarial e, portanto, deverá integrar a remuneração do empregado. Isso ensejou a lavratura do Auto de Infração n° 37.257.8667 pelo descumprimento de obrigação tributária acessória. Consoante subitem 3.1.3.5 do Relatório Fiscal (fl. 186), o Anexo VD – período de 01/2004 a 12/2004, discrimina mês a mês, os valores devidos a título de Veículo a Dirigentes, inclusive considera a dedução do desconto da rubrica 7515 – DESCONTO ALUGUEL DE VEÍCULO, embasados nas Folhas de Pagamento/Resumos e registros contábeis, apresentados à Fiscalização. Quanto à individualização dos beneficiados com a rubrica Veículos a Dirigentes, registrase que no Anexo “VD – VEÍCULOS A DIRIGENTES” (fls. 316/325 – Volume II) constam os nomes de todos os beneficiados, por estabelecimentos e competências. É importante esclarecer que as demais rubricas consideradas como integrantes do salário de contribuição dos segurados empregados (ajuda habitação, aviso prévio especial, bônus e participação nos lucros ou resultados) não foram apuradas pela técnica de aferição indireta. Pela leitura do Relatório Fiscal de fls. 174/188, verificase que a fundamentação legal que embasou o lançamento fiscal é justamente o art. 33, § 3°, da Lei n° 8.212/1991. Essa fundamentação legal também está registrada no anexo Fundamentos Legais do Débito (FLD) de fls. 45/47. Logo, a forma de apuração da base de cálculo, mediante critério de aferição indireta, encontrase devidamente demonstrada nas peças que integram o Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP), tais como: Relatório Fiscal (fls. 174/188); Fundamentos Legais do Débito FLD (fls. 45/47); Discriminativo do Débito DD (fls. 09/44); dentre outros. Assim, o lançamento fiscal ora analisado está amparado no art. 33, § 3°, da Lei no 8.212/1991 e no art. 148 do CTN, encontrandose lavrado dentro da legalidade. Lei no 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. ......................................................................................................... Lei no 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título Fl. 671DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por JHONATAS RIBEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assi nado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g.n.) Portanto, o procedimento de aferição indireta utilizado pela auditoria fiscal, para a apuração da base de cálculo do salário utilidade (veículos fornecidos aos dirigentes/gerentes), foi corretamente aplicado, pois a auditoria fiscal demonstrou que ocorreu recusa ou sonegação de documentos ou informações, ou sua apresentação foi deficiente, podendo o Fisco inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Quanto aos valores lançados em decorrência da remuneração proveniente da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), o procedimento de auditoria fiscal demonstrou que tal verba foi paga em desconformidade com a legislação que rege a matéria. Esclarecemos que – conforme o disposto no art. 28, alínea “j”, § 9º, da Lei no 8.212/1991 – é isenta de contribuição previdenciária apenas a verba decorrente de participação nos lucros ou resultados da empresa que fora paga ou creditada de acordo com a lei específica, no caso a Lei nº 10.101/2000. No presente processo, a remuneração, cognominada de participação nos lucros e resultados, paga aos segurados fora realizada em desacordo com o mencionado diploma legal e, com isso, deverá integrar o salário de contribuição dos valores lançados. Lei no 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos Fl. 672DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por JHONATAS RIBEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assi nado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10976.000783/200902 Acórdão n.º 2402002.273 S2C4T2 Fl. 663 15 termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10/12/97). (...) § 9°. Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica; (g.n.) Nesse sentido, a Lei nº 10.101/2000 estabelece os critérios para o pagamento do PRL e a Lei nº 8.212/1991 determina que apenas não integra o salário de contribuição a participação nos lucros paga de acordo com o estabelecido na lei específica. Portanto, para não integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, o pagamento a título de PRL deve seguir o que determina a Lei nº 10.101/2000: Art. 2º. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Verificase que a verba cognominada de Participação nos Lucros ou Resultados foi paga pela empresa em desacordo com os dispositivos legais, conforme devidamente enfatizado no conjunto fáticoprobatório do “item 3.1.2” do Relatório Fiscal (fls. 179/184 – Volume I), visto que: 1. a empresa não convenciona com seus empregados, por meio de comissão por eles escolhida, a forma de participação daqueles em seus lucros ou resultados, conforme relatado no subitem 3.1.2.4.2.1, Fl. 673DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por JHONATAS RIBEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assi nado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 em relação aos estabelecimentos das localidades de Duque de Caxias/RJ, Joinville/SC, Manaus/AM e Cuiabá/MT; 2. foram estipulados critérios de metas e parâmetros para o cumprimento de metas, porém a Recorrente não apresentou os resultados que pudessem embasar o pagamento decorrente de PLR, exceto para as localidades de Betim/MG e Sete Lagoas/MG, explicitado no subitem 3.1.2.6 (fls. 179/184 – Volume I). Embora devidamente intimada para apresentação de documentos, a Recorrente não apresentou os resultados do cumprimento de metas e parâmetros, firmados com o sindicado de cada região, mesmo para as localidades para os quais foram estipuladas metas, restando comprovado o pagamento de PLR em desacordo com a Legislação. É oportuno lembrar que não é a instituição de um plano de pagamento, ou mesmo previsão em Acordo Coletivo de Trabalho referente ao pagamento de verbas a títulos de participação nos lucros que irá lhe retirar o seu caráter remuneratório. Pelo contrário, é importante a estreita observância à legislação que, neste caso, irá afastála da incidência tributária. Assim, por não estarem de acordo com o que determina a legislação pertinente, tais valores integram o salário de contribuição, nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei n° 8.212/1991, não estando enquadrados na excludente do § 9o, alínea “j”, deste mesmo artigo, bem como do artigo 214, § 9°, “X” e § 10 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. Quanto à alegação de que ao não individualizar cada um dos beneficiários, acabou por comprometer a validade da exigência, implicando em manifesto cerceamento ao direito de defesa da Recorrente, não merece acolhida, visto que no Anexo APURAÇÃO PLR, juntado às fls. 222/314, consta a individualização de cada beneficiário com os respectivos valores recebidos a título de PLR. A Recorrente alega que os valores pagos a título de ajuda de habitação não integraria o salário de contribuição, pois se caracterizaria como verba indenizatória. Tal alegação não será acatada, eis os valores pagos a título de ajuda de habitação foram pagos de forma habitual, sendo fornecidos pela empresa como salário utilidade aos segurados empregados para pagar despesas de habitação. Verificase que essa rubrica foi paga ou creditada de forma habitual e em várias parcelas ao mesmo empregado, visando ao atendimento de serviços temporários da empresa. Além disso, ficou constatado pela auditoria fiscal que, na ficha de Registro de Empregados, não foi consignado qualquer registro de mudança de local de trabalho do empregado por motivo de transferência, afastando a possibilidade de correlação de ajuda de custo, na forma do artigo 470 da CLT, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado. As hipóteses de verbas excluídas da base de cálculo das contribuições previdenciárias, concedidas aos segurados em decorrências de habitação, foram expressamente registradas no § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/1991, in verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 674DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por JHONATAS RIBEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assi nado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10976.000783/200902 Acórdão n.º 2402002.273 S2C4T2 Fl. 664 17 § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) (...) g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Incluído pela Lei n°9.528, de 10.12.97) (g.n.) Percebese, então, que a hipótese acima registrada na alínea “g” diz respeito às despesas resultantes de transferências do empregado, que correrão por conta do empregador, e somente será excluída da base de cálculo da contribuição previdenciária se paga em parcela única. Por sua vez, a hipótese da alínea “m” referese ao caso em que o próprio empregador fornece a habitação, não concedendo vale em dinheiro, desde que essa habitação evidenciese como realmente necessária e seja fornecida de acordo com as normas do Ministério do Trabalho e Emprego. Essas hipóteses não ficaram configuradas no presente processo. Como foram pagos por ato de liberalidade da Recorrente e não configuram as hipóteses do art. 28, § 9°, alíneas “g” e “m”, da Lei n° 8.212/1991, os valores pagos a título de ajuda de habitação devem integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária. A Recorrente alega que o abono (bônus) e o aviso prévio especial pagos aos seus segurados empregados não têm natureza salarial, tendo em vista que tais verbas foram pagas de forma não habitual, sendo de cunho eventual, e não apresentam caráter contraprestativo decorrente de relação de trabalho. Esclarecemos que – conforme o disposto no art. 28, § 9º, alínea “e” e item 7, da Lei no 8.212/1991 – é isenta de contribuição previdenciária apenas as verbas pagas a título de ganhos eventuais (como o aviso prévio especial) e de abonos (bônus) expressamente desvinculados da remuneração. Lei no 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo Fl. 675DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por JHONATAS RIBEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assi nado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10/12/97). (...) § 9°. Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (Incluído pela Lei n° 9.528. de 10.12.97) (...) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário (Incluído pela Lei n° 9.711. de 20.11.98) (g.n.) Nesse mesmo sentido, o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, em seu artigo 214, § 9°, inciso V, alínea “j”, combinado com o §10, estabelecem também as condições para que os valores dos abonos e do aviso prévio especial (ganho eventual), pagos pela Recorrente, sejam excluídos do conceito de salário de contribuição: Art. 214. (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) V as importâncias recebidas a título de: (...) j) ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei; (Redação dada pelo Decreto n°3.265, de 1999) (...) §10 As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. (grifo nosso). De acordo com a legislação previdenciária retromencionada, as importâncias recebidas a título de aviso prévio especial e os abonos (denominado pela empresa de bônus) expressamente desvinculados do salário por força de lei não integram o salário de contribuição. Esta desvinculação só pode ser feita por lei federal, conforme art. 214, § 9°, alínea “j”, do Regulamento da Previdência Social (RPS), tendo em vista que somente esta espécie normativa tem o condão de excluir da base de cálculo das contribuições previdenciárias verbas de natureza salarial. Verificase que os valores decorrentes do aviso prévio especial (ganhos eventuais ou gratificação ajustada) foram estipulados em Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), fixandose os critérios e condições para que o empregado faça jus ao benefício Fl. 676DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por JHONATAS RIBEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assi nado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10976.000783/200902 Acórdão n.º 2402002.273 S2C4T2 Fl. 665 19 (cláusula 21a do CCT). Dessa forma, inexistem dúvidas que a verba paga a título de aviso prévio especial pela empresa aos empregados é uma “gratificação ajustada” ou “ganho eventual”, revestindose de natureza salarial, podendo ser exigida pelo trabalhador se preenchidas as condições e critérios previstos na CCT, logo, não há que se falar em caráter indenizatório. Por sua vez, a Recorrente premia alguns de seus segurados empregados por contribuições e iniciativas para o melhor desenvolvimento das atividades sociais da mesma, ou seja, somente os empregados que tivessem atitudes ou ideias inovadoras que melhorassem a qualidade e a imagem da empresa seriam contemplados com o referido bônus (abonos). Dentro desse contexto de verbas pagas aos segurados empregados pela Recorrente, são oferecidas as seguintes vantagens para o trabalhador: (i) demitido sem justa causa, com mais de 50 (cinquenta) anos de idade, verba denominada de aviso prévio especial; e (ii) bônus para aqueles que tivessem atitudes ou idéias inovadoras que melhorassem a qualidade e a imagem da empresa. O caráter contraprestativo das verbas é evidente, já que as verbas só são pagas aos empregados da Recorrente, em decorrência do contrato de emprego entre eles celebrado. Logo, não procedem as alegações de que as verbas pagas aos empregados têm natureza indenizatória, pois indenizar significa reparar, compensar, ressarcir. Ainda dentro do contexto da legislação é bom ressaltar que não têm natureza de indenização as verbas pagas a empregados em razão de acordos trabalhistas, que são remuneratórias e, por isso, sobre elas incide a contribuição previdenciária. Isso está em consonância com o entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que decidiu: “(...) É cediço nesta Corte que as verbas decorrentes de acordos trabalhistas celebrados com os empregados não têm caráter indenizatório, mas, ao reverso, remuneratório, devendo, pois, incidir sobre elas a contribuição previdenciária. Todavia, querendo afastar essa incidência, cabe ao interessado comprovar que tais parcelas são, na realidade, indenizatórias. (...)” (RESP 200400799770, 1a Turma, Rel. Min. Denise Arruda, DJ 28.08.2006, p. 220). Caminha com o mesmo entendimento, o disposto no art. 457 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), na medida em que a legislação trabalhista é aplicável subsidiariamente à previdenciária, sempre que não conflitante com a mesma. Nesse passo, dispõe textualmente o art. 457 da CLT, in verbis: Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1° Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (g. n.) Considerando que as verbas discutidas representam um ganho ao empregado, já que têm nítida repercussão econômica, concedidas com características de remuneração, não Fl. 677DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por JHONATAS RIBEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assi nado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 se enquadrando em nenhuma das hipóteses excludentes do art. 28, § 9°, da Lei n° 8.212/1991, é correta a inclusão dessas verbas na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Assim, por não estarem de acordo com o que determina a legislação pertinente, os valores pagos a título de bônus (abono) e de aviso prévio especial, caracterizado como um incentivo, integram o salário de contribuição, nos termos do art. 28, inciso I, da Lei n° 8.212/1991, não estando enquadrados na excludente do § 9o, alínea “e” e item 7, deste mesmo artigo, bem como do art. 214, § 9°, inciso V e alínea “j”, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. A Recorrente alega inconstitucionalidade/ilegalidade da legislação previdenciária que dispõe sobre a utilização taxa de juros (taxa SELIC), frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei n° 8.212/1991. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, ou seja, declarada suspensa pelo Senado Federal nos termos art. 52, X, da Constituição Federal, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, o Regimento Interno (RI) do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) veda aos membros de Turmas de julgamento afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, e o próprio Conselho uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 2 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), transcrito a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Esclarecemos que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois o art. 144 do CTN dispõe que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC) estava prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. Fl. 678DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por JHONATAS RIBEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assi nado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10976.000783/200902 Acórdão n.º 2402002.273 S2C4T2 Fl. 666 21 COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando os valores descritos no lançamento fiscal, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária, eis que o art. 34 da Lei nº 8.212/1991 dispunha que as contribuições sociais não recolhidas à época própria ficavam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Isso está em consonância com o próprio art. 161, § 1°, do CTN, pois havendo legislação especifica dispondo de modo diverso, abrese a possibilidade de que seja aplicada outra taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa utilizada é a SELIC. LEI nº 5.172/1966 CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (g.n.) Fl. 679DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por JHONATAS RIBEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assi nado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 22 O disposto no art.161 do CTN não estabelece norma geral em matéria de legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei de igual status, não havendo necessidade de lei complementar. Portanto, não há que se falar em ilegalidade de cobrança da Taxa SELIC, estando os valores descritos no lançamento fiscal, bem como os seus fundamentos legais (fls. 45/47 – Volume I), em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar a preliminar e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por JHONATAS RIBEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assi nado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10976.000783/200902 Acórdão n.º 2402002.273 S2C4T2 Fl. 667 23 Voto Vencedor Conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva, Redator Designado Com as devidas homenagens, divirjo do entendimento do relator no que diz respeito à natureza jurídica da parcela que deu causa ao lançamento feito sob a rubrica de AJUDA HABITAÇÃO. Consta no Relatório do Auto de Infração: 3.1.1.4. No tocante a rubrica AJUDA HABITAÇÃO e DIFERENÇA AJUDA HABITAÇÃO paga a empregados, cumpre ressaltar que conforme discriminado nos Anexos: AH — período de 01/2004 a 12/2004 e DH — período descontínuo de 01/2004 a 12/2004, integrantes do presente Relatório Fiscal do Auto de Infração, a referida foi paga ou creditada, de forma habitual e em várias parcelas ao mesmo empregado, tendo a Fiscalização constatado, ainda, na análise do Registro de Empregados, que não foi consignado qualquer registro de mudança de local de trabalho do empregado por motivo de transferência, afastando a possibilidade de correlação de ajuda de custo, na forma do art. 470 da CLT, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado. De tudo o que consta nos autos, defluise que a assim chamada AJUDA HABITAÇÃO era concedida aos empregados que fossem designados para executar suas atividades em localidade diversa daquela de sua lotação habitual. Tal ajuda era concedida sob a forma de fornecimento de um apartamento da empresa, situado em Betim, bem como em espécie. De tudo que se viu e discutiu, percebese que a ajuda habitação era paga aos funcionários da recorrida em razão da necessidade de que esses executassem atividades, a título provisório, em localidade diferente daquela em que executavam suas atividades habitualmente. São denotativos dessa conclusão o fato de que, no período autuado, a parcela em questão foi paga a diversos funcionários e de forma alternada, o que demonstra a transitoriedade da situação. Logo, não se está a cuidar de uma distorção da ajuda de custo prevista no art. 470 da CLT, como diz a fiscalização, mas de verdadeira parcela indenizatória destinada a custear as despesas incorridas pelos empregados que, transitoriamente, desempenhavam suas atividades em local diverso do habitual. Nesse sentido, entendemos que a parcela em questão enquadrase na previsão da alínea “m” do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91 Fl. 681DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por JHONATAS RIBEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assi nado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 24 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...). Por essa razão, impõese reconhecer que essa parcela não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Por outro lado, ainda que se pense de forma diversa, analisando o relatório AH, verificase que os valores pagos a título de Ajuda Habitação eram inferiores a 50% do valor da remuneração dos beneficiários, o que, à luz dos fatos, permite ainda enquadrar o caso vertente na hipótese da alínea “h” do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; (...). Por isso, também por esse ângulo, há que se reconhecer a natureza indenizatória da parcela. Diante do exposto, nessa ordem de razões, conheço do recurso e doulhe provimento parcial para afastar a incidência da contribuição das parcelas correspondentes à AJUDA HABITAÇÃO e à DIFERENÇA AJUDA HABITAÇÃO, nos termos do voto. Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por JHONATAS RIBEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assi nado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13808.001573/98-76
Data da sessão: Sun Jul 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Sun Jul 05 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1102-000.012
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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Processo n" 1.3808.001573/98-76 Recurso n" 160.576 Resolução nu 1102-00.012 — 2" Câmara / 2" Turma ordinaria Data 05/07/2010 Assunto Solicitação de diligencia Recorrente PARTICIPAÇÕES PIL S/C LIDA Recorrida 5" Turma DRJ - São Paulo -SP Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o .julgamento em diligencia, nos termos do voto do rela or.l' ':">k ib 5 ) /;; 04' ILá.21—, IVETE XL-AQUIA/S PESSO à MONTEIRO - Presidente. ri,, 1---- JOÃO CARLOS D . LI n A JUNIOR - Relatar. EDITADO EM: ,U1 SEI 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente), João Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente), João Otávio Opperman Thomé ,Silvana Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes (Suplente Convocado), e Manoel Mota Fonseca (Suplente Convocado). 1 Processo n" 13808,001573/98-76 S1-C210 Resolução n." .1102-0(L012 FF 2 Relatório. Trata-se de Auto de Infração relacionado ao IRPJ do ano calendário de 1993, em que foi constatado transporte a menor de lucro líquido para a demonstração de lucro real, fato este que gerou crédito tributário de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor total de RS 421.415,47 (quatrocentos e vinte e um mil, quatrocentos e quinze reais e quarenta e sete centavos), atualizados até fevereiro de 1998, incluídos juros e multa de mora de 75%. Referido Auto de Infração e Imposição de Multa (AIIM) surgiu de revisão sumária de declaração de rendimentos correspondente ao ano calendário de 1993, exercício de 1994, que constatou a seguinte irregularidade (fis. 22): "TRANSPORTE Á MENOR DE LUCRO LIQUIDO DO PERiODO BASE PARA A DEMONSTRAÇÃO DO LUCRO REAL. ARTS. 154, 155, 156 E 225, PARÁGRAFO 1 DO IMPOSTO DE RENDA, APROVADO PELO DECRETO 85:450/80, ART 18 DA LEI 7.450/85 E ART 3 DA LEI 8..541/92" Cientificado da autuação o contribuinte apresentou impugnação alegando, em apertada síntese, que as diferenças apuradas originaram-se de equívocos cometidos pela Impugnante na elaboração de sua declaração de rendimentos, que não constou, nos campos apropriados, os valores de prejuízos fiscais compensados e os valores de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) do ano anterior ao ano-calendário declarado.. Afirmou que o erro foi cometido sem nenhum dolo ou pretensão de sonegação, mas tão somente um engano de natureza formal de não ter consignado os valores dos prejuízos fiscais acumulados e efetivamente compensados. Nesta ocasião, juntou aos autos as DIPI's dos exercícios de 1989, 1991, 1992 e 1993, a fim de comprovar os prejuízos sucessivamente obtidos e, consequentemente, comprovar a veracidade de suas alegações.. Ressaltou, que apesar dos equívocos, não houve qualquer prejuízo ao Erário Público, pois, os prejuízos fiscais realmente existiam, não havendo qualquer imposto a recolher. Além disso, contestou o caráter confiscatório da multa de 75% , bem como contestou a legalidade da taxa SELIC. Em seu julgamento, a 5" Turma da DRJ de São Paulo manteve o lançamento fiscal, sob o argumento de que não houve comprovação das alegações efetuadas na impugnação.. Segundo o voto proferido por aquela Delegacia a apresentação das DIPJ dos anos calendários de 1989, 1991, 1992 e 1993, não foram suficientes para a comprovação dos prejuízos fiscais, pois o resultado econômico do período autuado somente poderia ser comprovado mediante apresentação de cópia do Livro de Apuração do Lucro Real (parte "A" e "B"), de escrituração obrigatória para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, ressaltando não haver nos au os qualquer demonstrativo de valores compensados, 2 Processo n" 13808.001573/98-76 SI -C2TO R.csolução n.' 1102 -00..012 Fl 3 Ressaltou também que o artigo 382 do RIR/1980 faculta tão somente ao contribuinte a iniciativa de proceder à compensação dos prejuízos anteriores, não cabendo à autoridade fiscal a verificação dos prejuízos antes de efetuar o lançamento de oficio. Com relação ao 1RRF afirmaram que não houve apresentação de qualquer. documento capaz de comprovar a existência de retenção e de possibilitar a compensação com o imposto devido. No mais, afastou o caráter confiscatório da multa aplicada, sob o argumento de que tal princípio só vigora para o valor principal do crédito tributário, bem como atestou a legalidade da taxa SELIC aplicada, Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual reitera os argumentos de defesa, acostando aos autos além das DIRJ supra mencionadas, os livros LALUR para os peródos de 1990 a 1992 (docs. Anexos 2 a 4), bem como acrescenta o pedido de prescrição intercorrente, por ter o processo administrativo permanecido paralisado por mais de oito anos É. o relatório. 3 Processo o" 13808,001573/98-76 SI-C2TO Resoluello o" 1102-00.012 F I 4 Voto Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Relatar. Por preencher os requisitos de admissibilidade admito o Recurso Voluntário, Antes de adentrarmos no mérito propriamente dito, afasto o pedido de prescrição intercorrente realizado pelo contribuinte. Como é cediço, não há que se falar em prescrição intercorrente na esfera administrativa, sendo este entendimento objeto de súmula por este E, Conselho, não restando qualquer discussão, "Súmulas 11 do 1" CC e 7 do 2" CC Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal" Com relação ao mérito, percebe-se que a questão controvertida restringe-se à compensação de prejuízo fiscal e forma correta de se realizá-la. Assim, em decorrência do espaço de tempo ocorrido entre a compensação e este julgamento, algumas premissas sobre compensação de prejuízos devem ser traçadas. A legislação do imposto de renda permite a redução do lucro real apurado no período-base, mediante a compensação de prejuízos fiscais anteriores, apurados e registrados no LALUR. À época do fato gerador discutido in casa, vigorava a Lei n° 8.541/92 que não trazia qualquer limite quantitativo para a compensação de prejuízos fiscais, mas tão somente uma limitação temporal, "Ar! 12 Os prejuízos fiscais apurados a partir de 1' de janeiro de 1993 poderão ser compensados, corrigidos, monetariamente, com o lucro real apurado em até quatro anos-calendários, subseqüentes ao ano da apuração," Da mesma forma, ocorria com os prejuízos apurados nos anos anteriores, cujas legislações respectivas não traziam qualquer limite quantitativo pois, até o ano-base de 91 vigorava o Decreto-Lei 1,598/77 que apenas trazia o prazo decadencial de 4 anos-calendários e no ano-base de 92 vigorava a Lei 8.383/91, que além de não limitar o valor da compensação, não trazia prazo decadencial algum.. Percebe-se que ao final do ano-calendário de 1993, a recorrente poderia compensar todo o prejuízo apurado, desde o ano-calendário de 1989.. Resta, portanto, saber como o fez. Conforme se denota dos autos, a infração alegada pela autoridade fiscal foi a de que houve transporte ameno". do lucro líquido para a demonstração do lucro real, 4 Processo n" mos 001573/98-76 Sl-C2TO Resolução n° 1102-00.012 Fl 5 De fato, o contribuinte deveria ter realizado as compensações mensalmente, convertendo os valores apurados em UF1R. Ao invés disso, utilizou todo o seu prejuízo no mês de dezembro do ano-calendário de 1993 havendo assim, um erro de preenchimento da DIRI, fato incontroverso nos autos, haja vista que o próprio contribuinte o reconhece Por outro lado, a análise conjunta das DIPJ dos anos anteriores (fis. 27/49), com o LALUR apresentado (fis, 134/136), nos permite concluir que o contribuinte possuía prejuízo, os quais vinham se acumulando e foram utilizados na primeira oportunidade que teve lucro, qual seja, o ano calendário de 1993. Vejamos: No quadro 04 do Anexo 1 da DIN (fls. 69 e verso), é possível verificar que o contribuinte apurou seus lucros mensalmente, discriminando a receita bruta e as despesas dedutíveis. Porém, quando deveria discriminar as compensações efetuadas não o fez. Assim, no quadro 04 do Anexo 2 (fis, 67 e verso), verifica-se que somente houve discriminação dos valores a serem compensados no mês de dezembro. Porém, o lucro utilizado, referia-se a todo o lucro do ano-calendário, bem como o prejuízo referia-se, aparentemente, a todo o prejuízo acumulado. Ressalta-se que, apesar de não ter feito da maneira correta, a análise da DIP.1 do ano calendário de 199.3 torna indiscutível a compensação (fis,. 67, verso), de modo que não pode prevalecer o entendimento adotado pela DRJ de que a procedência dos autos resultaria em compensação de ofício. Em suma, o contribuinte optou pela compensação, mas não a realizou da maneira adequada. Resta saber se o prejuízo que detinha era suficiente para compensar todo o crédito, pois, o fato de não ter realizado a compensação mês a mês não nos permite chegar a essa conclusão. Nestes termos, faz-se necessária a conversão do voto em diligência para que esta verifique se o prejuízo acumulado do contribuinte é capaz de suportar a compensação mês a mês (de janeiro a dezembro) durante o ano-calendário de 1993, lembrando, que à época havia prazo decadencial de quatro anos para a utilização de prejuízo fiscal. Assim, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que seja verificado se o saldo de prejuízo acumulado em 01.01.1993 é capaz de suportar a compensação mês a mês (de janeiro a dezembro) durante o ano-calendário de 1993. É como voto. JOÃO CARLOS E. . A JUNIOR. 5
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001213/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1999
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se
o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no
artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-002.297
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1999 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. Recurso Voluntário Provido Fl. 122DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 123DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11330.001213/200718 Acórdão n.º 2402002.297 S2C4T2 Fl. 104 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal lavrada em 28/05/2007 por omissão de fatos geradores em GFIP. Segue ementa e trechos do voto da decisão recorrida: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 INFRAÇÃO: IRREGULARIDADE NO PREENCHIMENTO DA GFIP Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdencidrias, conforme previsto no art. 32, IV, e § 5° da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, IV e § 4° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Dec. 3.048/99, constitui infração passível de autuação. Lançamento Procedente ... 9. Defendente alega ocorrência de decadência qüinqüenal, para as competências relativas ao período de 1997 a 1999. 9.2. A esse respeito, consolidase, tanto na doutrina quanto na jurisprudência, a posição de que a decadência dos créditos previdenciários ocorre após 10 (dez) anos, sendo o dies a quo o primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o mesmo poderia ter sido constituído. ... 9.6. Pelo acima exposto, nos termos do art. 45 da Lei n° 8.212/91, o prazo decadencial para a constituição de créditos previdenciário é de 10 anos. Ressalto que não há qualquer decisão do STF que tenha suspendido a eficácia desse artigo. Contra a decisão, o recorrente reitera suas alegações iniciais no que sustenta a decadência do direito de constituição do crédito. Cita jurisprudência do STF. É o Relatório. Fl. 124DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Decadência Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua Fl. 125DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11330.001213/200718 Acórdão n.º 2402002.297 S2C4T2 Fl. 105 5 revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. Acontece que independentemente da regra, todo o período lançado está alcançado pela decadência. Em razão do exposto, voto pelo provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 126DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Fl. 127DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10865.002585/2006-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2001
Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. EXIGÊNCIA DOS TRIBUTOS. DECORRENTES DA APLICAÇÃO DO SIMPLES. COMPETÊNCIA. PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO.
A Terceira Seção de Julgamento deste Conselho de Contribuintes não é competente para apreciar a matéria referente à exigência de tributos decorrentes da aplicação das regras de recolhimento pelo SIMPLES, diante da omissão de receitas argüida pela Fiscalização, sendo competência da E. Primeira Seção de Julgamento, o que se impõe por força do inciso V art. 2º, do Anexo II da Portaria MF nº 256/09 – Regimento Interno do CARF.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO
Numero da decisão: 3101-000.526
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, declinar da competência para a apreciação da matéria em favor da Primeira Seção do CARF.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ementa_s : Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2001 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. EXIGÊNCIA DOS TRIBUTOS. DECORRENTES DA APLICAÇÃO DO SIMPLES. COMPETÊNCIA. PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. A Terceira Seção de Julgamento deste Conselho de Contribuintes não é competente para apreciar a matéria referente à exigência de tributos decorrentes da aplicação das regras de recolhimento pelo SIMPLES, diante da omissão de receitas argüida pela Fiscalização, sendo competência da E. Primeira Seção de Julgamento, o que se impõe por força do inciso V art. 2º, do Anexo II da Portaria MF nº 256/09 – Regimento Interno do CARF. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO
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Recorrida DRJRIBEIRÃO PRETO/SP Assunto: Classificação de Mercadorias Anocalendário: 2001 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. EXIGÊNCIA DOS TRIBUTOS. DECORRENTES DA APLICAÇÃO DO SIMPLES. COMPETÊNCIA. PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. A Terceira Seção de Julgamento deste Conselho de Contribuintes não é competente para apreciar a matéria referente à exigência de tributos decorrentes da aplicação das regras de recolhimento pelo SIMPLES, diante da omissão de receitas argüida pela Fiscalização, sendo competência da E. Primeira Seção de Julgamento, o que se impõe por força do inciso V art. 2º, do Anexo II da Portaria MF nº 256/09 – Regimento Interno do CARF. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, declinar da competência para a apreciação da matéria em favor da Primeira Seção do CARF. (Assinado Digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente (Assinado Digitalmente) LUIZ ROBERTO DOMINGO Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Assinado digitalmente em 06/04/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10865.002585/200680 Acórdão n.º 310100.526 S3C1T1 Fl. 418 2 Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Corintho Oliveira Machado e Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Tratase Recurso Voluntário (fls 383/403) interposto contra decisão prolatada pela DRJ – RIBEIRÃO PRETO/SP, que manteve o lançamento de tributos devidos pela recorrente sob a forma de recolhimento simplificado, haja vista a constatação de omissão de receitas, cujos fundamentos da decisão recorrida estão consubstanciados na seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MIGROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2001 LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Perfeitamente legal a lavratura do auto de infração na repartição fiscal, vez que a lei prevê seja ele lavrado no local de verificação da falta e não obrigatoriamente no estabelecimento do contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. FALTA DE COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas, incluídas as que julgam litígios fiscais, não têm competência para decidir sobre argüição de inconstitucionalidade de leis, já que tal competência está adstrita á esfera judicial. DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. LANÇAMENTOS REFLEXOS. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, dada a relação que os vincula. DECADÊNCIA. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Assinado digitalmente em 06/04/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10865.002585/200680 Acórdão n.º 310100.526 S3C1T1 Fl. 419 3 No caso do IRPJ, o prazo decadencial ocorre em cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, se a autoridade administrativa não homologar o lançamento antes de ocorrido o qüinqüênio (art. 150, § 4°, do CTN). O prazo decadencial para a Fazenda Pública apurar e constituir os créditos relativos às Contribuições Sociais é de dez anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Lançamento Procedente em Parte Intimada dessa decisão em 31/03/2008, a Recorrente interpôs seu Recurso Voluntário em 29/04/2008, aduzindo, no mérito, que a Fiscalização não levou em conta seu ramo de atividade, uma vez que, aproximadamente 90% (noventa por cento) dos valores movimentados em conta bancária são depositados por seus clientes para antecipação de pagamento dos hotéis e empresas de transporte, e não para pagamento dos serviços prestados pela Recorrente, de modo que somente algo próximo a 10% (dez por cento) desse valor representa sua verdadeira receita. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator O presente processo administrativo tem por base fática a omissão de receita argüida pela Fiscalização, tendo como fundamento o confronto entre a movimentação bancária da recorrente e a Declaração Anual de rendimentos referente ao anocalendário de 2001, para fins de seu recolhimento na forma do SIMPLES, o que motivou a constituição do crédito ora discutido, relativamente às contribuições e impostos correspondentes (IRPJ; PIS/PASEP; CSLL; COFINS e INSS). No entanto nos termos do artigo 2º, V do Anexo II da Portaria MF nº 256/09, que institui o Regimento Interno do Conselho de Contribuintes tratase de matéria de competência da Primeira Seção, in verbis: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de [...] V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Assinado digitalmente em 06/04/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10865.002585/200680 Acórdão n.º 310100.526 S3C1T1 Fl. 420 4 dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional) Por este motivo DECLINO a competência à E. Primeira Seção, para que nos termos do Regimento Interno, realizem o julgamento. Sala das Sessões, em 29 de setembro de 2010. (Assinado Digitalmente) LUIZ ROBERTO DOMINGO Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Assinado digitalmente em 06/04/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, 12/04/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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