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Numero do processo: 10580.720291/2009-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1803.000.069
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar a competência para a Terceira Seção do CARF, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 15983.720123/2015-14
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Data do fato gerador: 07/12/2012
INOVAÇÃO DE ARGUMENTOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. ART. 17 DO DEC. 70.235/72. PRECLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. SALVO NO CASO DE MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA OU QUESTÕES DE FATO EM VIRTUDE DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
De acordo com o art. 17 do Dec. 70.235/72, considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação, ocorrendo a preclusão em relação a elas. Contudo, se se tratar de matéria de ordem pública ou de questão de fato , em razão do Princípio da Verdade Material, devem elas ser analisadas.
DECISÕES. STF/STJ. ADOÇÃO. CARF.
A adoção de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em matéria tributária, está condicionada ao trânsito julgado das respectivas decisões. Não há previsão regimental que autorize o sobrestamento do processo administrativo em razão de repercussão geral pendente de decisão judicial definitiva.
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Aplica-se multa isolada de 50% sobre o valor de crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, bem como sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada.
MULTA ISOLADA. BIS IN IDEM. NÃO CONFIGURADO. INFRAÇÕES DISTINTAS.
Tratando-se de infrações distintas, é perfeitamente possível a exigência concomitante da multa isolada sobre compensação não homologada, com a multa de mora incidente sobre o tributo confessado em DCOMP. Assim, a multa de sobre mora aplicada o imposto não recolhido não tem o mesmo fato gerador da multa isolada aplicada sobre a compensação considerada não homologada, não configurando bis in idem.
VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1003-002.875
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, apenas em relação ao pedido de sobrestamento do julgamento deste feito e quanto à impossibilidade da aplicação concomitante da multa isolada (de ofício) e da multa de mora; na parte conhecida, rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, apenas em relação ao pedido de sobrestamento do julgamento deste feito e quanto à impossibilidade da aplicação concomitante da multa isolada (de ofício) e da multa de mora; na parte conhecida, rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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ART. 17 DO DEC. 70.235/72. PRECLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. SALVO NO CASO DE MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA OU QUESTÕES DE FATO EM VIRTUDE DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. De acordo com o art. 17 do Dec. 70.235/72, considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação, ocorrendo a preclusão em relação a elas. Contudo, se se tratar de matéria de ordem pública ou de questão de fato , em razão do Princípio da Verdade Material, devem elas ser analisadas. DECISÕES. STF/STJ. ADOÇÃO. CARF. A adoção de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em matéria tributária, está condicionada ao trânsito julgado das respectivas decisões. Não há previsão regimental que autorize o sobrestamento do processo administrativo em razão de repercussão geral pendente de decisão judicial definitiva. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Aplica-se multa isolada de 50% sobre o valor de crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, bem como sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada. MULTA ISOLADA. BIS IN IDEM. NÃO CONFIGURADO. INFRAÇÕES DISTINTAS. Tratando-se de infrações distintas, é perfeitamente possível a exigência concomitante da multa isolada sobre compensação não homologada, com a multa de mora incidente sobre o tributo confessado em DCOMP. Assim, a multa de sobre mora aplicada o imposto não recolhido não tem o mesmo fato gerador da multa isolada aplicada sobre a compensação considerada não homologada, não configurando bis in idem. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 72 01 23 /2 01 5- 14 Fl. 131DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-002.875 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15983.720123/2015-14 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, apenas em relação ao pedido de sobrestamento do julgamento deste feito e quanto à impossibilidade da aplicação concomitante da multa isolada (de ofício) e da multa de mora; na parte conhecida, rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto relativamente ao acórdão nº 11-67.682, proferido, em 14 de maio de 2020, pela 5ª Turma da DRJ/REC, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Recorrente, mantendo o crédito tributário lançado, no valor de R$ 31.801,32, referente à multa isolada por compensação declarada e não homologada. Por bem relatar os fatos até esse momento processual, reproduz-se o relatório efetuado pela DRJ no acórdão de piso, complementando-o adiante: “Em desfavor da pessoa jurídica acima identificada foi lavrado Auto de Infração (fls. 2 e 5), por parte da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Santos (DRF/STS), referente à multa isolada por compensação declarada e não homologada, sendo apurado crédito tributário no valor de R$ 31.801,32, conforme imagem abaixo reproduzida dos autos: (...) Fl. 132DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-002.875 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15983.720123/2015-14 (...) Destaca-se no Termo de Verificação Fiscal (TVF – fls. 6 e 7): (...) (...) 2 Cientificada, a pessoa jurídica notificada apresenta impugnação (fls. 24 a 38) com fundamento nas alegações a seguir: (...) Fl. 133DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-002.875 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15983.720123/2015-14 (...) (...) (...) Fl. 134DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-002.875 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15983.720123/2015-14 (...) (...) Cumulação multa de mora e multa isolada: Fl. 135DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-002.875 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15983.720123/2015-14 Por sua vez, a 5ª Turma da DRJ/REC decidiu pela improcedência da impugnação apresentada pela Recorrente, cuja decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 07/12/2012 MULTA ISOLADA - COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Será aplicada multa isolada de cinquenta por cento sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE MORA INCIDENTE SOBRE O TRIBUTO CONFESSADO EM DCOMP. COMPATIBILIDADE. Tratando-se de infrações distintas, é perfeitamente possível a exigência concomitante da multa isolada sobre compensação não homologada, com a multa de mora incidente sobre o tributo confessado em DCOMP. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 07/12/2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUTORIDADE INCOMPETENTE. INOCORRÊNCIA. A decretação da nulidade do procedimento fiscal somente é admitida quando comprovadas as hipóteses previstas em lei relativas a cerceamento do direito de defesa e prática de atos por autoridade incompetente. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se tratar de caso de inobservância dos pressupostos legais para lavratura do auto de infração, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal, meio pelo qual se oportuniza o contraditório e a ampla defesa. Fl. 136DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-002.875 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15983.720123/2015-14 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ANULAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972, e não se identificando qualquer outro vício insanável, não há que se falar em nulidade quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem, quer do documento que formalizou a exigência fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada e não se conformando com a referida decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, nos seguintes termos: “(...) 2.1. MATÉRIA PRELIMINAR: NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO: AUTUAÇÃO CONDICIONADA E ILÍQUIDA - VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 116, II, E 142, AMBOS DO CTN Conforme brevemente demonstrado no relato dos fatos, o lançamento de ofício em litígio nestes autos foi formalizado em momento inadequado, porquanto a não homologação que a DRF/STO considerou, inadvertidamente, que consistiria no fato gerador da multa isolada, deu origem a um contencioso administrativo controlado no processo nº 10845.726251/2014-43, que ainda não foi definitivamente julgado1 (Doc. 02). Em oposição, portanto, ao que ficou consignado na decisão de piso, a Recorrente destaca que, por força do disposto no artigo 116, inciso II, do CTN, que trata da ocorrência do fato gerador, somente poderia ser aplicada a multa isolada prevista no artigo 74, § 17, da Lei nº 9.430/96, SE e QUANDO houvesse decisão DEFINITIVA que NÃO HOMOLOGUE as DCOMPs em análise. Veja-se: (...) Nesse espectro, fica claro que, diferentemente do que consideraram tanto a DRF/STO como a DRJ/REC, o fato gerador da multa isolada é a não homologação, EM CARÁTER DEFINITIVO, de uma determinada compensação. Mesmo porque, na forma como foi formalizado o lançamento, o que se tem é um lançamento ilíquido (posto que o valor da multa poderá ser reduzido a depender do desfecho do processo nº 10845.726251/2014-43), além de ser condicionado a evento futuro e incerto (isto é, a manutenção incólume do despacho decisório). Tais vícios, no entendimento da Recorrente, acarretam a nulidade do lançamento, eis que em franco descompasso com o artigo 142 do CTN. Em verdade, a multa em questão só tem cabimento nos casos em que a não homologação da compensação se verifica em caráter definitivo – do contrário, o lançamento poderia ser classificado como prematuro. Portanto, nos casos em que há manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, as autoridades fiscais devem aguardar o encerramento da discussão administrativa e lançar a multa isolada exclusivamente nos casos em que a não homologação decorrer de decisão administrativa definitiva. Fl. 137DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-002.875 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15983.720123/2015-14 Aliás, a própria Solução de Consulta Interna nº 29/2012 - que estabelece que a multa isolada deve incidir também sobre os juros aplicados ao débito cuja compensação não foi homologada - sugere que somente após o ENCERRAMENTO da discussão administrativa é que se pode definir a efetiva base de cálculo da multa. Cabe sublinhar, nessa toada, que a observância do artigo 116, inciso II, do CTN, não acarreta prejuízo ao Fisco, na medida em que há a possibilidade de discussão administrativa acerca da compensação, o que, por si só, suspende a exigibilidade da multa isolada. Além disso, considerando que o fato gerador da multa isolada é a decisão definitiva, o lançamento não será atingido pela decadência mesmo que o processo administrativo em que se discute a compensação demore para ser julgado, o que também não pode servir de amparo legal para justificar o lançamento prematuro. Ocorre que, não obstante os fundamentos ao norte deduzidos, a DRJ/REC considerou hígido o lançamento formalizado pela DRF/STO, mantendo, integralmente, o Auto de Infração ora combatido. No entendimento do colegiado a quo, a simples emissão de um despacho decisório configuraria o fato gerador da multa isolada. Data maxima venia, tal fundamento não encontra amparo na ordem jurídica vigente, pois não se pode admitir um lançamento de ofício que seja ilíquido (variando conforme a decisão definitiva proferida no processo da compensação) ou, ainda, que seja condicionado a evento futuro e incerto (isto é, a manutenção do despacho decisório tido pela fiscalização como fato gerador da multa isolada). Ademais, em oposição ao fundamento adotado pela decisão de piso, cumpre sublinhar que a adoção do posicionamento ora defendido, diferentemente do que entendeu a DRJ/REC, não acarretaria prejuízo ao fisco, na medida em que, se o fato gerador da multa isolada é justamente a não homologação em caráter definitivo de uma compensação, não haveria, naturalmente, que se falar em decadência do direito de lançar a indigitada multa no caso de as autoridades fiscais aguardarem uma decisão definitiva. Assim, o fundamento adotado pela DRJ/REC, data maxima venia, é também incoerente e, portanto, não merece prevalecer. Isso posto, Srs. Conselheiros, a Recorrente pugna pela reforma da decisão de piso, nesse particular, para que seja reconhecida a nulidade ora apontada e, por conseguinte, seja anulado o lançamento de ofício controlado no presente processo administrativo. 2.2. QUESTÃO PREJUDICIAL 2.2.1. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA PELO STF NO RE Nº 796.939/RS Superada, ad argumentandum, a preliminar de nulidade ao norte enfrentada, cumpre à Recorrente demonstrar que, também no que diz respeito à questão prejudicial suscitada, a decisão de piso é improcedente. É que, como visto, a DRJ/REC considerou que não haveria, no Decreto nº 70.235/72, autorização para promover o sobrestamento do processo, devendo prevalecer o princípio da oficialidade, que, na interpretação conferida pelo colegiado a quo, obrigaria, supostamente, a Administração Pública a impulsionar o processo até sua decisão final. Sem razão, no entanto, o colegiado a quo. Em primeiro lugar, tem-se que ter em mente que o processo não é um fim em si mesmo. O seu caráter INSTRUMENTAL, portanto, tem grande relevância na discussão em tela, haja vista que o pretenso dever de impulsionar o julgamento do presente processo administrativo não é suficiente para resolver o mérito da discussão. Fl. 138DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-002.875 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15983.720123/2015-14 Com efeito, a despeito de não haver, no Decreto nº 70.235/72, regra que trate especificamente do sobrestamento, o Código de Processo Civil (“CPC”) tratou de encerrar definitivamente a celeuma sobre a aplicação subsidiária, estabelecendo que as normas processuais civis são aplicadas supletiva e subsidiariamente aos processos administrativos: (...) Ante a isso, fica claro que, tal como suscitado pela Recorrente em sua Impugnação, a Repercussão Geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 796.939/RS configura uma questão prejudicial intransponível ao julgamento do mérito. O instituto da Prejudicialidade está previsto no inciso V, do artigo 313, do CPC, in verbis: (...) Conforme se verifica pelo teor do artigo citado, é suspensa a prolação de decisões de mérito sempre que o processo estiver na dependência de solução de uma questão prejudicial que é objeto de outro processo. E é justamente isso o que ocorre no presente caso: se o STF reconhecer a inconstitucionalidade da multa isolada, naturalmente, não haverá que se falar em manutenção do lançamento de ofício, posto que a decisão do STF terá efeito erga omines. (...) De fato, a multa isolada em discussão nestes autos é francamente inconstitucional, porquanto limita o direito de petição (art. 5º, XXXIV, “a”). Há que se esperar, então, a apreciação do assunto pelo STF em sede de Repercussão Geral, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 796.939/RS, sob o tema 736: 736 - Constitucionalidade da multa prevista no art. 74, §§ 15 e 17, da Lei 9.430/1996 para os casos de indeferimento dos pedidos de ressarcimento e de não homologação das declarações de compensação de créditos perante a Receita Federal. Até que o STF reconheça tal inconstitucionalidade, portanto, não há outra alternativa que não o sobrestamento do presente processo administrativo. Além do sobrestamento ser necessário como medida de economia processual, também visa a uniformização da jurisprudência sobre o tema, em prol da garantia de isonomia no tratamento concedido aos contribuintes. A este respeito, a Recorrente relembra que a observância de juízes e tribunais às decisões em Repercussão Geral são obrigatórias, como forma de uniformizar a jurisprudência, nos termos dos artigos 926 e 927 do CPC. Veja-se. (...) Como se depreende dos dispositivos acima, até que o RE 796.939/RS seja definitivamente julgado pelo STF, não poderá ser proferida qualquer decisão no presente processo, em atenção ao disposto nos artigos 926 e 927 do CPC, à margem do postulado da economia processual e dos princípios da legalidade e da eficiência, que regem a Administração Pública. Em vista do exposto, portanto, caso esta colenda Turma Julgadora não entenda que o lançamento ora combatido deva ser imediatamente cancelado em razão das nulidades suscitadas anteriormente, ao menos o julgamento de mérito do presente processo deverá ser sobrestado, até que a constitucionalidade da multa isolada imposta à Recorrente seja definida pelo STF 2.2.2. JULGAMENTO DEFINITIVO DO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO Superada, ad argumentandum, a questão prejudicial relacionada ao julgamento da constitucionalidade da multa isolada imposta no presente caso, caberá ao colegiado, pelo menos, reconhecer a prejudicialidade em relação à não homologação das compensações discutidas no processo nº 10845.726251/2014-43. Fl. 139DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1003-002.875 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15983.720123/2015-14 Com efeito, o próprio parágrafo 18, do artigo 74, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu que, nos casos em que a não homologação da compensação ensejar a apresentação de Manifestação de Inconformidade, a exigibilidade da multa isolada deverá permanecer suspensa enquanto não for proferida decisão definitiva: (...) Como se verifica, ad argumentandum, ainda que o colegiado entenda que é cabível a lavratura da Notificação de Lançamento, somente poderá haver exigência de multa isolada SE e QUANDO for verificada a efetiva ocorrência do respectivo fato gerador, ou seja, QUANDO for proferida decisão final (desfavorável à Recorrente) no processo nº 10845.726251/2014-43. (...) Nessa perspectiva, a decisão que ainda será proferida nos autos do processo administrativo nº 10845.726251/2014-43 poderá gerar reflexos no valor do débito exigido da Recorrente a título de multa, na medida em que, se for proferida decisão que reconheça total ou parcialmente o crédito discutido naquele processo, naturalmente, o valor do débito cuja compensação, apenas num primeiro momento não foi homologada, será reduzido (parcial ou integralmente). Ademais, a Recorrente sublinha que somente quando da prolação de decisão definitiva no processo nº 10845.726251/2014-43 é que deverá ter início a contagem do prazo de 30 dias previsto no artigo 6º da Lei nº 8.218/91, o qual concede reduções escalonadas para pagamento/parcelamento de multas de ofício lançadas pela SRF. Em vista disso, requer a Recorrente que, ad argumentandum, caso não haja o reconhecimento da nulidade da Notificação de Lançamento, a decisão de primeira instância administrativa proferida nos presentes autos determine expressamente a reabertura do prazo previsto no artigo 6º da Lei nº 8.218/91 para o pagamento da multa, a ser contado a partir da data de ciência da Recorrente da decisão definitiva a respeito da não-homologação da DCOMP controlada no processo nº 10845.726251/2014-43. 2.3. MATÉRIA DE MÉRITO 2.3.1. INAPLICABILIDADE DA CUMULAÇÃO DAS MULTAS ISOLADA E DE MORA Superada, ad argumentandum, a preliminar de nulidade do Auto de Infração ora combatido, a Recorrente passa a demonstrar que, diferentemente do que considerou a DRJ/REC, é improcedente a cumulação das multas, devendo prevalecer exclusivamente a multa de mora. Com efeito, já foi demonstrado que a douta DRF/STO lançou uma multa isolada (de 50%) sobre o valor dos débitos informados nas DCOMP que, apenas num primeiro momento, não foi homologada pela SRF – DCOMP controlada no processo nº 10845.726251/2014-43. No entanto, a própria DRF/STO, quando da emissão do despacho decisório que originou o processo administrativo nº 10845.726251/2014-43, já havia imputado ao aludido débito a multa de mora prevista no artigo 61, parágrafos 1º e 2º, da Lei nº 9.430/96. Sem embargos, portanto, houve APLICAÇÃO CUMULATIVA das multas isolada (de 50%) e de mora (de 20%). Com efeito, a aplicação cumulativa de diferentes multas sobre a mesma base de cálculo acarreta inadmissível hipótese de BIS IN IDEM, em detrimento da capacidade contributiva experimentada pela Recorrente, em especial, se levados em conta os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Fl. 140DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1003-002.875 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15983.720123/2015-14 De fato, caso pudesse prevalecer o lançamento de ofício controlado no presente processo administrativo, haveria cobrança de diferentes multas em relação a bases sobrepostas ou duplicadas (isto é, o débito informado nas DCOMPs em comento), e, com isso, majoração indevida - e até mesmo abusiva - dos percentuais legalmente aplicáveis. É bem verdade que, como reconheceu a decisão recorrida, a própria Lei nº 9.430/96 prevê a cobrança de ambas as multas sobre uma mesma base imponível, o que, por vezes, acaba por induzir as autoridades fiscais mais desatentas a cometer abusos dessa natureza quando da imposição de penalidades. No entanto, cumpre aos órgãos administrativos de julgamento afastar a cobrança cumulada de tais multas, justamente como forma de evitar o bis in idem, e, especialmente, considerando que a atividade de lançamento é vinculada à lei e, portanto, deve ser balizada de acordo com as normas de lançamento aplicáveis. Com efeito, a Recorrente sublinha que o próprio CTN, em seu artigo 112, inciso IV, prevê expressamente a possibilidade de existir penalidades simultâneas para uma determinada situação, porém assevera que, nesta hipótese, DEVE PREVALECER A PENALIDADE MAIS FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO:(...) Conforme se depreende do dispositivo colacionado ao norte, no caso de haver, na legislação tributária, duas penalidades cabíveis para uma mesma situação, a autoridade fiscal deve aplicar aquela que for mais favorável ao sujeito passivo, ou seja, a menos gravosa. Com base nesse entendimento, a Recorrente esperava que a DRJ/REC afastasse a cobrança da multa isolada, mantendo, exclusivamente, a cobrança da multa de mora. Ainda assim, o colegiado a quo negou provimento à Impugnação nesse particular, por entender que a cobrança de ambas as penalidades seria devida, por estarem previstas em lei. A decisão, nesse ponto, foi assim fundamentada: Em oposição ao fundamento adotado pela decisão de piso, cabe à Recorrente sublinhar novamente que a manutenção de ambas as multas, além de estar em franco descompasso com o artigo 112, IV, do CTN, ainda acarreta inadmissível hipótese de bis in idem, à margem da capacidade contributiva manifestada pela Recorrente no período. Sob essa perspectiva, portanto, se for superada, ad argumentandum, a preliminar de nulidade do Auto de Infração, considerando que eventual cobrança dos débitos informados na DCOMP controlada no processo de crédito já será realizada com acréscimo da multa de mora (de 20%), deve ser afastada a cobrança da multa isolada (de 50%), de modo que não seja exigida qualquer multa em relação a bases sobrepostas. Subsidiariamente, caso esta colenda turma de julgamento entenda que, no presente caso, não pode ser aplicado o comando expresso contido no artigo 112, IV, do CTN, entende a Recorrente que deverá ser afastada, no mínimo, a cobrança da multa de mora (de 20%), de modo que não haja bis in idem caracterizado pela exigência de multas calculadas sobre bases sobrepostas. 2.3.2. INAPLICABILIDADE DE JUROS SOBRE A MULTA ISOLADA Por fim, caso, ad argumentandum, seja mantido o lançamento de ofício controlado no presente processo, deverá ser afastada a cobrança de juros de mora sobre a multa isolada, em razão da ausência de previsão legal expressa que autorize tal exigência. Fl. 141DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1003-002.875 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15983.720123/2015-14 O tema enfrentado deste tópico, aliás, foi objeto de recente verbete da Súmula do CARF (verbete nº 108). Ainda assim, a Recorrente está convencida de que em breve haverá decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em sede de recurso repetitivo (e, portanto, vinculante), no sentido de afastar tal cobrança. Tendo isso em conta, para que eventual decisão do STJ nesse sentido possa beneficiar a Recorrente, é imperioso que a matéria seja parte da insurgência formalizada neste apelo, a fim de que não sobrevenha alegação de preclusão e impossibilidade de conhecimento desta matéria ex officio. Pois bem. O artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96 estabelece que (...): Sem embargos, a expressão "débitos decorrentes de tributos e contribuições", prevista no artigo 61, § 3º, da Lei 9.430/1996, diz respeito apenas ao valor do principal em discussão. É que, por força do próprio CONCEITO DE TRIBUTO, fixado pelo artigo 3º do CTN, A OBRIGAÇÃO PRINCIPAL NÃO PODE SE CONFUNDIR COM A SANÇÃO. Veja-se: (...): Deste modo, no entendimento da Recorrente, a cobrança de juros sobre multas é manifestamente indevida, frente à ausência de previsão legal expressa que legitime a referida cobrança, violando, em última análise, o princípio da legalidade tributária, que orienta o sistema constitucional tributário brasileiro. Por oportuno, a Recorrente sublinha, com veemência, que jamais constou da acusação fiscal o artigo 161 do CTN, de modo que, tendo em conta o PRINCÍPIO DA IMUTABILIDADE DO LANÇAMENTO, consagrado nos artigos 146 e 149 do CTN, não se pode conceber que a instância de julgamento altere a MOTIVAÇÃO e a FUNDAMENTAÇÃO legal dos Autos de Infração, para fazer neles constar um dispositivo legal capaz de legitimar a cobrança de juros de mora à razão de 1% ao mês. Na esteira dessas considerações, a Recorrente sublinha que há diversos precedentes do CARF que aplicam o entendimento ora sustentado, conforme se depreende das ementas dos Acórdãos nºs 101-96.607 e 105-16.701, nos quais foi decidido que não incidem juros sobre multas.: (...) Face ao exposto, portanto, a Recorrente entende ser totalmente inaplicável a cobrança de juros (sejam eles com base na taxa SELIC ou à razão de 1% ao mês) sobre multas, e, portanto, espera que, ad argumentandum, caso seja mantido o lançamento da multa isolada, seja devidamente afastada de juros de mora sobre ela. 3. DO PEDIDO Em face de todo o exposto, a Recorrente pugna, respeitosamente, pelo provimento do presente recurso voluntário, com a consequente reforma da decisão de piso, de modo que: (i) em sendo acolhida a preliminar de nulidade, seja anulado, de plano, o lançamento de ofício controlado no presente processo administrativo, com a consequente extinção do crédito tributário em litígio, nos termos do artigo 156, IX, do CTN; ou, subsidiariamente, (ii) caso o colegiado entenda que não há nulidade no lançamento, determine a suspensão do presente processo até o julgamento do RE nº 796.939/RS ou, no mínimo, até que seja proferida decisão definitiva nos autos do processo administrativo nº 10845.726251/2014-43, a fim de que, se for o caso, seja devidamente ajustada a base de cálculo da multa isolada em discussão nos presentes autos; e (iii) ainda, caso seja superada a preliminar, cancele a exigência da multa isolada (de 50%) ou, no mínimo, da multa de mora (de 20%), a fim de que não haja bis in idem na cobrança de penalidades; ou, ainda subsidiariamente, Fl. 142DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 1003-002.875 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15983.720123/2015-14 (iv) determine que a eventual multa (de mora ou isolada) somente seja exigida quando for proferida decisão definitiva (e desfavorável à Recorrente) nos autos do processo administrativo nº 10845.726251/2014-43, devendo ser reaberto, quando da ciência de tal decisão definitiva pela Recorrente, o prazo para pagamento da multa isolada, considerando as reduções escalonadas previstas no artigo 6º da Lei nº 8.218/91; e, ainda subsidiariamente, (v) afaste, se for o caso, a cobrança dos juros sobre a multa isolada, haja vista a ausência de autorização legal para tal cobrança. É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Tempestividade e Admissibilidade Com base no art. 33 do Decreto 70.235/72 e na constatação da data de intimação da decisão da DRJ, bem como do protocolo do Recurso Voluntário, conclui-se que este é tempestivo. Sobre a admissibilidade há de se fazer análise específica. Em exame à Impugnação, percebe-se que os argumentos de defesa apresentados pela Recorrente foram: a) o lançamento tributário deve ser cancelado visto que o auto de infração e o TVF apresentam diversas inconsistências, a saber: i) a Fiscalização fundamentou a penalidade em redação já ultrapassada do dispositivo legal, pois aplicou a multa sobre o crédito da DCOMP e não sobre o débito compensado, como estabelece a lei atualmente; ii) mesmo realizando o cálculo pelo valor do crédito, a autoridade fiscal não tomou por base de cálculo o valor original do crédito; iii) na elaboração do Auto de Infração, a base legal mencionada para a multa é diferente do TVF e totalmente indevida; iv) a autoridade se referiu ao § 12 do artigo 74 da Lei Nº 9.430, de 1996, que dispõe sobre a multa em decorrência de compensação não declarada, infração a qual jamais foi verificada pela DRF/Santos no processo conexo (nº 10845.726244/2014-43). b) impossibilidade da concomitância de multa isolada (multa de ofício) e multa de mora, esta última cobrada no processo de crédito já citado, incidente sobre o valor dos débitos declarados e não compensados; Fl. 143DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 1003-002.875 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15983.720123/2015-14 c) pedido de sobrestamento do processo até o julgamento final do processo de crédito (10845.726244/2014-43). Ocorre que no Recurso Voluntário, a Recorrente, além de argumentar dentro da mesma linha de sua Manifestação de Inconformidade, preliminarmente, no tocante ao pleito de sobrestamento do presente processo até o julgamento final do processo de crédito (10845.726244/2014-43) e, no mérito, quanto à impossibilidade da aplicação concomitante da multa isolada (de ofício) com a multa de mora, esta última aplicada sobre os tributos confessados nas DCOMP não homologadas, a Recorrente adiciona novos tópicos: a) Preliminares: a.1) Nulidade do Lançamento por violação aos artigos 116, II e 142 ambos do CTN (autuação condicionada e ilíquida); a.2) Prejudicial quanto à Repercussão Geral reconhecida pelo STF no RE nº 796.939/RS e a necessidade de sobrestamento do presente processo. b) Mérito: b.1) Inaplicabilidade de juros sobre a multa isolada. Tais argumentos configuram inovação na peça recursal. Em que pese as alegações da Recorrente, entendo que não se tratam de questão de ordem pública, não podendo, portanto ser alegada em qualquer ocasião processual. Assim sendo, e constatando que se trata de argumento novo, o caso recai no art. 17 do Dec. 70.235/72, o qual prevê que a matéria não contestada expressamente, será considerada não impugnada, não podendo a Recorrente fazê-lo somente em sede de Recurso Voluntário, pois houve a preclusão em relação ao direito de questioná-las. Desta forma, não deve conhecida a matéria relativa à suposta nulidade do Lançamento por violação aos artigos 116, II e 142 do CTN, à prejudicial no tocante à Repercussão Geral reconhecida pelo STF no RE nº 796.939/RS e a necessidade de sobrestamento do presente processo, bem como a questão da inaplicabilidade de juros sobre a multa isolada. Quanto aos demais argumentos, devem ser conhecidos e apreciados. Assim, conheço parcialmente o recurso voluntário e passo à analise da matéria conhecida. PRELIMINARMENTE A Recorrente apresenta irresignação contra decisão de primeira instância que julgou improcedente sua manifestação de inconformidade contra lançamento de ofício relativo a multa por compensação não homologada. Alega a Recorrente que o Auto de Infração deveria ser anulado tendo em vista não ter havido a constituição definitiva do fato gerador o que caracterizaria uma autuação ilíquida. Fl. 144DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 1003-002.875 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15983.720123/2015-14 Em que pese essa matéria não ter sido contestada nestes termos quando da impugnação ao auto de infração, poder-se-ia alegar sua correlação com o outro argumento aduzido pela Recorrente em suas razões recursais, qual seja, a necessidade de sobrestamento do presente processo até o julgamento final do processo de crédito (10845.726244/2014-43), nos termos do parágrafo 18, do artigo 74, da Lei nº 9.430/96. De fato, a suspensão da exigibilidade da multa isolada sobre o valor do débito, objeto de declaração não homologada, está prevista no § 18 do próprio art. 74 da Lei nº 9.430/96 que instituiu essa penalidade. Contudo, um vez proferida decisão no processo onde se discute a não homologação da compensação (ainda que não definitiva), os autos serão desapensados e terão o prosseguimento de seu curso normalmente. Afinal, o destino da multa regulamentar está intimamente ligado ao dos processos que guardam os PER/Dcomps. E foi exatamente o que aconteceu no caso sob análise com a decisão proferida em primeira instância e a posterior remessa dos autos a este Tribunal para apreciação do recurso interposto pela Recorrente. Outrossim, também não há se falar em sobrestamento do julgamento destes autos, pois constatei que o Processo nº 10845.726244/2014-43, em que se discute a compensação que deu origem a multa isolada analisada nos presentes autos, foi julgado nesta mesma sessão de julgamento, mais precisamente em 10 de março de 2022, por esta Turma, tendo sido prolatado o Acórdão nº 1003-002.876 que negou provimento ao Recurso Voluntário, não homologando a compensação, de modo que mantém-se a multa isolada por compensação não homologada. Por fim, deixo consignado que não há previsão legal para o sobrestamento de julgamento do processo administrativo fiscal face a discussão de constitucionalidade de lei no âmbito judicial ainda em curso pelo STF, não há previsão legal para o sobrestamento de julgamento do processo administrativo fiscal face a discussão de constitucionalidade de lei no âmbito judicial ainda em curso. Importante destacar que a adoção de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em matéria tributária, está condicionada ao trânsito julgado das respectivas decisões. O RICARF assim dispõe quanto à adoção de decisões do STF ou do STJ pelas turmas de julgamento em suas decisões: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...). b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). Fl. 145DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 1003-002.875 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15983.720123/2015-14 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Segundo estes dispositivos, a adoção de decisões dos referidos Tribunais restringe-se às decisões definitivas, ou seja, transitadas em julgado, contra as quais não cabem mais recursos, o que não é o caso do RE n° 796.939/RS que ainda se encontra pendente de julgamento. Neste preciso sentido, são as decisões deste Tribunal. Como exemplo, cita-se: MULTA REGULAMENTAR O destino da multa regulamentar está intimamente ligado ao dos processos que guardam os PER/Dcomps. Ou seja, se o indeferimento e/ou a não homologação for mantida naqueles processos, a multa há que ser mantida. Se for derrubada total ou parcialmente, a multa deve acompanhar esta decisão. MULTA ISOLADA. CONSTITUCIONALIDADE DOS §§ 15 E 17 DO ARTIGO 74 DA LEI 9.430/1996. RE 796.939/RS. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA SEM TRÂNSITO EM JULGADO. A constitucionalidade dos §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996, com redação dada pelo art. 62 da Lei 12.249/2010, objeto de análise pelo Supremo Tribunal Federal através do Recurso Extraordinário nº 796.939/RS, ainda não transitou em julgado, o que afasta a observância obrigatória previsto no artigo 62, do RICARF. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Aplica-se multa isolada de 50% sobre o valor de crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, bem como sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada. (Acórdão nº 3302-012.311, Relator: Walker Araujo, Data da Sessão: 23/11/2021) – Grifou-se. Portanto, rejeito a preliminar suscitada. MÉRITO Inicialmente, cabe frisar, que o presente processo está originalmente conectado com o processo de análise do crédito de Saldo Negativo do IRPJ - ano-calendário 2009 - Nº 10845.726244/2014-43, cuja decisão colegiada de segunda instância foi prolatada na mesma data do presente acórdão, mantendo a não homologação da compensação pleiteada. A Recorrente se insurge contra a multa de ofício isolada (de 50%) aplicável sobre o valor total dos débitos confessados nas DCOMP não homologadas. Em suma, alega a impossibilidade da aplicação concomitante da multa isolada (de ofício) com a multa de mora, esta última aplicada sobre os tributos confessados nas DCOMP não homologadas. Porém, não assiste razão à Recorrente. O lançamento da multa isolada sobre débito, objeto de compensação não homologada pela autoridade administrativa está previsto no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: Fl. 146DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 1003-002.875 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15983.720123/2015-14 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1oA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2oA compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...). § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (...). § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (...). § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pela sujeito passivo.(Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) Desta feita, conforme a legislação de regência, a não homologação da compensação, sujeita o contribuinte à multa regulamentar isolada, conforme dispõe a Lei Nº 9.430/1996, art. 74, § 17. Já a multa de mora (art. 59 da Lei 8.383/91), que consta no processo de compensação (análise do direito creditório), se refere ao pagamento em atraso do tributo, tendo em vista que os débitos declarados e não extintos por compensação constituem confissão de dívida. Como se vê, são dois fatos geradores distintos e autônomos, não há que se cancelar qualquer uma delas. Se ocorrerem os dois fatos geradores, há que se lançar as duas multas. Tais multas se referem a infrações de natureza diversa. Trata-se de obrigações, infrações e penalidades tributárias. Assim, não prospera a alegação da Recorrente acerca da configuração de bis in idem, que se se configura quando o mesmo ente tributante exige um tributo do mesmo contribuinte sobre o mesmo fato gerador mais de uma vez. Fl. 147DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 1003-002.875 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15983.720123/2015-14 Afinal, repise-se, no presente caso isto não ocorreu. Não houve cumulação da mesma penalidade. o fato gerador da multa, objeto do lançamento em discussão, foi a compensação, mediante transmissão de Dcomp que não foi homologada pela autoridade administrativa em virtude da incerteza e iliquidez do direito creditório declarado/compensado. Sua exigência teve como fundamento legal o § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Já o fato gerador da multa de mora é o pagamento a destempo de débito vencido. Sua cobrança está amparada no art. 61 dessa mesma lei. Trata-se de fatos geradores distintos. Perceba, assim, que a multa de mora é aplicada sobre o valor do débito não pago no vencimento, conforme art. 61 da Lei nº 9.430/96, enquanto que a multa isolada é aplicada sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, nos termos do art. 74, § 17 da Lei nº 9.430/1996. Verifica-se, com isso, a existência de fatos geradores distintos. Em suma, a multa de sobre mora aplicada o imposto não recolhido não tem o mesmo fato gerador da multa isolada aplicada sobre a compensação considerada não homologada, não configurando bis in idem e nem, tampouco, prevalecer a penalidade mais favorável ao contribuinte, como argumentou a Recorrente. Assim, correta a exigência da multa isolada em discussão, inclusive, como este Conselho vem decidindo de forma reiterada: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO FINANCEIRO INCERTO E ILÍQUIDO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A não homologação das Dcomp, em face da incerteza e iliquidez do crédito financeiro declarado/compensado, sujeita o contribuinte à multa regulamentar isolada, nos termos da legislação tributária vigente. MULTA ISOLADA. BIS IN IDEM. NÃO CONFIGURADO A multa de mora aplicada sobre débito tributário vencido e pago a desempo não tem o mesmo fato gerador da multa isolada aplicada sobre a compensação não homologada; assim, sua exigência não configura bis in idem. LANÇAMENTO. MULTA ISOLADA. EXIGIBILIDADE. SUSPENSÃO. A suspensão da exigibilidade da multa isolada permanecerá até as decisões definitivas nos processos administrativos das Dcomp não homologadas que deram origem ao lançamento de ofício daquela multa. DECISÕES. STF/STJ. ADOÇÃO. CARF. A adoção de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em matéria tributária, está condicionada ao trânsito julgado das respectivas decisões. (Acórdão nº 3301-011.693, Relator: José Adão Vitorino de Morais, Data da Sessão: 15/12/2021) MULTA. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CABIMENTO. O § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 prevê a aplicação da multa isolada calculada no percentual de 50% sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. (Acórdão nº 3201-009.569, Relator: Márcio Robson Costa, Data da Sessão: 13/12/2021) Fl. 148DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 1003-002.875 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15983.720123/2015-14 NÃO HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MULTA ISOLADA. REVOGAÇÃO DA DOSIMETRIA PREVISTA NO §15 DO ART. 74 DA LEI N° 9.430/96. CONTINUIDADE LEGISLATIVA. MULTA DEVIDA. A não homologação de compensação declarada está sujeita à sanção prevista no art. 74, § 17 da Lei nº 9.430/1996, independentemente de má-fé, pois intenção do agente não é requisito previsto em lei. Impossibilidade de julgamento sobre a inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 02 MULTA ISOLADA. BIS IN IDEM. NÃO CONFIGURADO A multa de sobre mora aplicada o imposto não recolhido não tem o mesmo fato gerador da multa isolada aplicada sobre a compensação considerada não homologada, não configurando bis in idem. (Acórdão nº 3301-010.654, Presidente Relatora: Liziane Angelotti Meira, Data da Sessão: 28/07/2021) AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. NULIDADE POR NÃO HAVER CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. A multa isolada por não homologação da compensação tem previsão legal e portanto dever ser aplicada pelas autoridades fiscais quando verificada a sua ocorrência. Tendo fundamento legal e lavrada por servidor competente pela sua lavratura, não se verifica nulidade. MULTA ISOLADA. NÃO HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÕES. CONSTITUCIONALIDADE DE LEI EM DISCUSSÃO NO STF. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento de julgamento do processo administrativo fiscal face a discussão de constitucionalidade de lei no âmbito judicial ainda em curso. A Administração Pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final pelo Princípio da Oficialidade. NÃO HOMOLOGAÇÃO CONFIRMADA NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. MULTA ISOLADA MANTIDA O processo n° 10880.940497/2015-81, onde se discute a compensação que deu origem a multa isolada analisada nos presentes autos, foi julgada em 14 de abril de 2021 pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção, tendo sido prolatado o acórdão 1301-005.274 que negou provimento ao Recurso Voluntário não homologando a compensação, e por decorrência mantém-se a multa isolada por compensação não homologada. (Acórdão nº 1201-004.990, Relator: Wilson Kazumi Nakayama, Data da Sessão: 21/07/2021) Quanto à Recorrente de que a cobrança de juros sobre multas seria manifestamente indevida, em que pese não ter sido conhecido ante sua não arguição em sede de impugnação, ad argumentandum, entendo prudente deixar registrado que se fosse o caso de apreciação de tal argumento, aplicar-se-ia a Súmula CARF nº 108 segundo a qual “incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Em relação aos julgados administrativos indicados pela defesa, vale frisar que não têm o condão de vincular esta instância de julgamento. Para que se constituam em normas complementares da legislação tributária, as decisões administrativas necessitam de eficácia normativa a ser atribuída por lei, como determina o art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN), instituído pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Por fim, cumpre destacar que o julgador da esfera administrativa deve limitar-se a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Desta feira, não compete ao CARF analisar e declarar a inconstitucionalidade, ainda que parcial, de lei ou normativo (Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2). Fl. 149DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 1003-002.875 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15983.720123/2015-14 Ante o exposto, oriento meu voto no sentido conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, apenas em relação ao pedido de sobrestamento do julgamento deste feito e quanto à impossibilidade da aplicação concomitante da multa isolada (de ofício) e da multa de mora; na parte conhecida, rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 150DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 15979.000438/2007-92
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2001
PREVIDENCIÁRIO. VERDADE MATERIAL. NULIDADE.
É um princípio específico do processo administrativo. Compete ao Julgador buscar a verdade dos fatos independente das versões apresentadas pelas partes.
A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-000.756
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar
provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
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VERDADE MATERIAL. NULIDADE. É um princípio específico do processo administrativo. Compete ao Julgador buscar a verdade dos fatos independente das versões apresentadas pelas partes. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari Carlos Alberto Mees Strigari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada que, de acordo com relatório fiscal às fls. 25/90, referese à ausência de recolhimento das contribuições previdenciárias da empresa contratante COSIPA, em nome da contratada, ESTAPOSTES TRANSPORTES RODOVIÁRIOS LTDA, relativas à retenção de 11% sobre o valor das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços, referentes serviços prestados que as Autoridades Fiscais entenderam ter ocorrido cessão de mão de obra. Conforme o Relatório Fiscal, o período fiscalizado compreendeu as competências 02/1999 a 12/2001, com cobertura contábil somente até 09/01 e o lançamento foi apurado com base nas notas fiscais ou faturas de prestação de serviços emitidas para a empresa em epígrafe, no período de 02/1999 a 09/2001. No Relatório, às fls. 26 a 28, consta que a empresa disponibilizou os contratos da prestação do serviço e que “ pela análise dos contratos restaram evidentes as condições identificadoras de cessão de mão de obra pela empresa contratada” Para efeito do enquadramento, escudaramse os Auditores no preceituado no Decreto 3.048/99, §§1°, 2°, XIX e §§ 4°, 7° e 8°, do artigo 219. Fundamentando assim, entenderam que : “Pelo exposto restaram provadas à Auditoria Fiscal as condições que fundamentam a existência de fato gerador de contribuições previdenciárias nas competências indicadas”. Às fls. 29 do referido Relatório Fiscal consta que foram examinados os seguintes documentos: “6.1 Diários/Razão, elaborados por sistema de processamento eletrônico de dados, conforme ANEXO 2; 6.2 Contratos de prestação de serviços; 6.3 Notas Fiscais e Faturas de serviços; 6.4 Comprovantes de recolhimentos apresentados”. DA IMPUGNAÇÃO Em preliminar Inconformada com o procedimento fiscal, a notificada apresentou defesa às fls. 95 a 157 , onde , em apertada síntese, constam as seguintes alegações: Que não foi especificado com precisão o lançamento efetuado; Que a fiscalização não comprovou a existência da cessão de mãodeobra em suas dependências, nem na de terceiros e que cabe ao INSS o ônus da prova; Que os auditores fiscais analisaram o contrato de n°, 420.910A e fizeram constar no relatório período incorreto, ou seja, de 31.10.98 a 31.10.00, quando o período correto é 15/03/98 a 14103/99, o mesmo ocorrendo com o contrato de n°, 4600000330, relatado incorretamente , e informa: contrato 420.920 vigência — 01/08/98 a 30/11/98 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15979.000438/200792 Acórdão n.º 2403000.756 S2C4T3 Fl. 415 3 aditamento vigência 01/08/98 a 30/06/99 aditamento 2 vigência — 01/08/98 a 30/06/01 e devido aos erros apontados a Notificação Fiscal de Levantamento de Débito –NFLD deve ser considerada nula. No mérito Que o serviço executado pela empresa contratada foi realizado por empreitada; Que ocorre cessão de mãodeobra, quando a contratada coloca à disposição da contratante segurados que realizem serviços de necessidade permanente e nos contratos examinados não consta cláusula que determine que equipe ou equipes ficariam à disposição do contratante; Que a contratada realizou serviço estabelecido em contrato, sem disponibilizar equipe à contratante; Que o tipo de serviço prestado pela contratada não foi contínuo, mas estabelecido contratualmente específico ; Que a contratante não exerce autoridade efetiva com determinação de ordens aos empregados da contratada; Que de acordo com a circular 01600.1 n 2 46 de 24.06.99, relativa aos serviços de transporte de cargas e de passageiros, haverá retenção desde que a contratada se obrigue contratualmente a manter equipe à disposição da contratante, quer em suas dependências ou nas de terceiros; Que a notificada juntou guias de recolhimentos previdenciários, folha de pagamento de empregados e GFIP's da empresa contratada, prestadora de serviço, no período de autuação para comprovar recolhimentos previdenciários; Que é a notificada agiu corretamente na compensação das competências 06/99, 07/99 e 08/99, uma vez que a empresa contratada reteve o percentual de 11% sobre suas notas fiscais indevidamente, sendo retido e recolhido pela Requerente os valores a título de INSS no importe de R$ 4.447,52, R$ 4.871,13 e R$ 6.535,44, respectivamente; Que o lançamento fiscal é totalmente arbitrário, além de acarretar bi tributação, proporciona o enriquecimento ilícito deste Instituto; Que houve cerceamento de defesa, pois no Termo de Início da Ação Fiscal TIAD, consta solicitação de documentos no período de 02/99 a 02/01, entretanto a Notificação de Lançamento de Débito NFLD emitida pela fiscalização abrange o período de 02/99 a 09/01; Que a Constituição Federal, garante direito ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal, conforme art. 5° , inciso LIV e LV, bem como garante o principio da legalidade. Protestou pela juntada de documentos e realização de perícia e diligências necessárias. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Requereu a nulidade da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD 35.367.8066, com a extinção dos créditos nela descritos ou na hipótese da defesa não ser acolhida em sua integralidade, os valores lançados devem ser deduzidos das parcelas consideradas indevidas. DA INFORMAÇÃO FISCAL Tendo em vista as alegações da empresa e a apresentação de documentos, os autos foram encaminhados às auditoras fiscais emitentes do débito para o exame da documentação. Após análise, produziram uma Informação Fiscal – IF reafirmando a manutenção do débito, conforme fls.311/315. DA IMPUGNAÇÃO À INFORMAÇÃO FISCAL A Notificada apresentou impugnação á Informação Fiscal em 12.04.2007, fls. 371/376, alegando em breve síntese que: A fiscalização se esquivou de seu mister ao deixar de apresentar contra argumentos que justifiquem o lançamento que ampara seu entendimento, ao insistir em transcrever a legislação previdenciária que ampara seu entendimento, mencionar a análise feita do contrato envolvido e fazer ilações desarrazoadas; A fiscalização não pode lavrar notificação de débito indiscriminadamente, pois a autoridade fiscal tem o ônus de provar a existência do fato gerador da exação, ou, pelo menos, apresentar indícios convincentes, conforme prevê o artigo 37 da Lei 8.212/91; A auditoria fiscal deveria demonstrar de forma minuciosa no relatório fiscal e seus anexos e, também na Informação Fiscal IF ora guerreada, que o serviço de operação de transporte de cargas contratado pela recorrente foi prestado mediante cessão de mão de obra; Analisando a natureza e a forma de prestação do serviço, concluise que o mesmo foi executado mediante empreita, ou seja, a contratada realizou determinado serviço estabelecido em contrato, sem disponibilizar equipe à contratante, demonstrando que o serviço prestado pela contratada não é de natureza contínua, mas especifico, com resultado definido a ser atingido; Os documentos juntados pela recorrente corroboram que os empregados da contratada durante a prestação dos serviços, aliás, de caráter não habitual, trabalharam em outras empresas, ou seja, não houve exclusividade, não estavam subordinados ou à sua disposição; A prestação do serviço pela contratada, além de não ter sido contínua, mas especifica, foi paga mediante frete, calculado considerando a natureza, peso, quantidade e valores transportados, conforme comprovam as cláusulas do contrato que estipulam as características do transporte, preços e condições de pagamento; Deve ser afastada a alegação de que ocorreu a cessão de mãodeobra porque a recorrente, através de terceirização, contratou empresa para realização de serviços não relacionados à sua atividade fim, tendo em vista que a recorrente tem como objeto a produção de aço c não serviço de transporte de cargas; Fl. 426DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15979.000438/200792 Acórdão n.º 2403000.756 S2C4T3 Fl. 416 5 DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, a 11ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de São Paulo ( SP) DRJ/SP0 II, em 28/julho/2008, emitiu o Acórdão n ° 1726.550 , mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.393, reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ” argüindo e EM PRELIMINAR nulidade por cerceamento de defesa em razão de ter constado no Termo de Intimação Para Apresentação de Documentos – TIAD, fls. 20, apresentação de documentos para o período 02/999 a 02/2001 e ter sido levantado débitos para um período maior referentes a 02/99 a 09/2001. Aduziu que se no TIAD as fiscais solicitaram somente os documentos no período compreendido entre 02/1999 até 02/2001 e na NFLD fizeram o lançamento até o mês 0912001, por óbvio que a Recorrente foi cerceada no seu direito de defesa, fato este, que por si só, torna NULA a NFLD. Afinal, não foi concedido o Direito para a Recorrente apresentar os documentos necessários para sua defesa, no período compreendido entre 03/2001 até 09/2001. Exortou, ainda, que os serviços de transporte de carga como cessão de mão deobra, em 10.06.2003, através do Dec. 4.729/03, fora excluído do rol das atividades consideradas como cessão de mãodeobra, sujeitas à retenção. É o relatório. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls. 413, o recurso é tempestivo e reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DEFESA A Recorrente argüiu prejudicial de nulidade por cerceamento de defesa em razão de ter constado no Termo de Intimação Para Apresentação de Documentos – TIAD, apresentação de documentos para o período 02/999 a 02/2001 e ter sido levantado débitos para um período maior referentes a 02/99 a 09/2001 : Aduziu que se no TIAD as fiscais solicitaram somente os documentos no período compreendido entre 02/1999 até 02/2001 e na NFLD fizeram o lançamento até o mês 0912001, por óbvio que a Recorrente foi cerceada no seu direito de defesa, fato este, que por si só, torna NULA a NFLD. Afinal, não foi concedido o Direito para a Recorrente apresentar os documentos necessários para sua defesa, no período compreendido entre 03/2001 até 09/2001. De fato, às fls. 20 se observa Termo de Intimação Para Apresentação de Documentos – TIAD solicitando documentos somente para o período 02/999 a 02/2001. Olhar tão bem atento quanto aos da Recorrente revelam, também, que no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF de fls. 21, o período definido para ser fiscalizado compreende 02/1999 a 12/2001. Do episódio se depreende ter havido simples erro de digitação na medida em que, seguramente, a Autoridade Fiscal quis gravar 12/2001, consoante ao MPF e não se apercebeu de que dígito 1 fora omitido. Referindome à falha exposta, aduz que tal erro não implicou prejuízo algum para a Recorrente que pode sim apresentar documentos do período e efetivamente o fez tanto por ocasião da ação fiscal quanto em sede de impugnação e recursal. Assim, neste sentido não assiste razão à Recorrente. DO LANÇAMENTO Por ocasião do lançamento em tela, vigia o artigo 219 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99 onde atividade exercida pela recorrente restava inclusa no rol daqueles prestadores que devem efetuar a retenção quando de sua prestação por cessão de mão de obra. Como se observa, assim como no presente Relatório e, ainda , às fls. 386 na preliminar do voto de primeira instância, as Auditoras Fiscais identificaram as condições de cessão de mãodeobra, por meio da análise efetuada nos contratos n° 420910A e Fl. 428DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15979.000438/200792 Acórdão n.º 2403000.756 S2C4T3 Fl. 417 7 n°4600000330, bem como entenderam que, precisamente o fato gerador referente ao presente débito está e descrito no item 4 do relatório fiscal, às fls. 26; No Relatório, às fls. 26 a 28, consta que a empresa disponibilizou os contratos da prestação do serviço e que “ pela análise dos contratos restaram evidentes as condições identificadoras de cessão de mão de obra pela empresa contratada” Para efeito do enquadramento, escudaramse os Auditores no preceituado no Decreto 3.048/99, §§1°, 2°, XIX e §§ 4°, 7° e 8°, do artigo 219. Fundamentando assim, entenderam que : “Pelo exposto restaram provadas à Auditoria Fiscal as condições que fundamentam a existência de fato gerador de contribuições previdenciárias nas competências indicadas”. DO ARTIGO 219, § 1º DO DECRETO 3.048 § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. DO PROCEDIMENTO FISCAL E DA FORMALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO Dos Mandados de Procedimentos Fiscais Relevante destacar que conforme fls. 21 e 22, se observam dois Mandados de Procedimentos Fiscais distintos, de números 00015959 e 00016350 não se configurando Strictu Sensu a prorrogação pretendida posto que não fora efetuada mediante Mandado complementar. Das lavraturas das Notificações As Auditoras Fiscais tomaram o cuidado de lavrar NFLDs distintas por prestador. Entretanto, não registraram se foram analisadas as informações disponíveis relativas aqueles, se houve ação fiscal com exame de contabilidade contra este e que os créditos referentes a prestação de serviço ora tributada não foram objeto de lançamento anterior. Referindome ao prestador de serviço, DOMÉRITO Da cessão de mãodeobra O fato da atividade desenvolvida por um prestador de serviços constar na lista prevista no Regulamento da Previdência Social não é suficiente para caracterizar que todo contrato que fizer acarretará cessão de mãodeobra. Tal eventualidade deverá ser provada. Não se pode confundir uma simples prestação de serviços com a prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra. O serviço de vigilância e segurança, por exemplo, consta na referida lista, entretanto esse pode ser realizado com ou sem cessão de mãodeobra. Na hipótese de o contrato contiver gravado que o serviço será de instalação e monitoramento de câmaras mediante ponto remoto, fora do âmbito da empresa contratante, não se observará cessão de mão de obra. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Dos contratos As auditoras Fiscais informam que examinaram os contratos mas não juntaram cópias e tampouco aludiram cláusulas específicas que demonstrassem a cessão de mãodeobra. Suprindo tal deficiência, a recorrente juntou as referidas cópias que passo a analisar: Às fls. 129, registrase que os empregados da prestadora não ficavam à disposição do contratante posto que deveria se apresentar no dia programado para carregamento: “7.1.3. garantir a apresentação do veículo até as 8:00 hs. do dia programado para carregamento, salvo se for transporte emergência;” Às fls. 130, no contrato n° 420.920,se registra que os pagamentos serão efetuados contra entrega : “CLÁUSULA IV CONDIÇÕES DE FATURAMENTO E PAGAMENTO 4.1. A fatura ou a Nota Fiscal de Serviço de cobrança do transporte rodoviário de produtos laminados será emitida após a CONTRATADA entregar o produto no cliente da COSIPA. Obedecido o aqui disposto, o pagamento será efetuado pela COSIPA no prazo de 30 (trinta) dias corridos, contado da data da entrega da fatura e do Conhecimento de Transporte ou da Nota Fiscal, na COSIPA, Cubata°, SP, sem encargos Às fls.131, item 7.21 se constata : “7.21. A CONTRATADA não poderá ceder ou subempreitar, a qualquer titulo, os serviços objeto do Contrato, sem prévia e expressa autorização da COSIPA, Gerência de Contratos IPO, por escrito.”(grifei) Do objeto dos contratos Às fls. 124, se observa o objeto do contrato : “CLÁUSULA 1 OBJETO 1.1. O objeto do presente contrato é a prestação, pela CONTRATADA à COSIPA, de serviços de transporte rodoviário de cargas especiais, com origem ou destino nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná e com destino ou origem respectivamente, na Usina "José Bonifácio de Andrada e Silva" da COSIPA, situada em Piaçaguera, Município de Cubatão, Estado de São Paulo. ” Na forma do objeto dos contratos, é pacífico que a prestação do serviço de transporte de cargas ocorreu fora das dependências da contratante desse modo por conta , supervisão e instruções da contratada. Assim, diante dos autos fiscalização previdenciária não Fl. 430DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15979.000438/200792 Acórdão n.º 2403000.756 S2C4T3 Fl. 418 9 conseguiu fazer provas de suas alegações; não restou demonstrada a caracterização de cessão. Dos preços pactuados Às fls 125 consta a formação do preço da prestação dos serviços: “CLÁUSULA IV PREÇOS 4.1. Pela prestação dos serviços de transporte rodoviário de cargas especiais a COSIPA pagará à CONTRATADA, o frete correspondente a aplicação da seguinte fórmula: (F)= (BT).(D), onde ... (F) = Frete, em R$, sem ICMS; (BT) = Base Tarifário, em R$ / KM, obtida na tabela abaixo (subitem 4.1.1.), em função do tipo de conjunto transportador utilizado e da faixa quilométrica, ou fluxo, na qual o transporte tenha sido realizado; (D) = Distância, em Km, entre o local de origem e o local de destino do transporte efetuado, obtida na tabela constante do anexo lido presente instrumento. 4.1.1. Tabela de Bases Tarifárias (BT)s ” Entendo que face a descrição acima não cabe retenção na situação em que o contrato é celebrado por frete, fixando seu pagamento/valor a partir das características aludidas onde não se faz menção a disponibilização de cessão de mãodeobra. A mão de obra no caso em comento, a meu juízo, entra como acessório obrigatório para realização dos serviços e não como principal. Da incidência da retenção sobre a atividade Reiterase que no Relatório, às fls. 26 a 28, consta que a empresa disponibilizou os contratos da prestação do serviço e que : “ pela análise dos contratos restaram evidentes as condições identificadoras de cessão de mão de obra pela empresa contratada” e, ainda, que para efeito de enquadramento, escudaramse os Auditores no preceituado no Decreto 3.048/99, §§1°, 2°, XIX e §§ 4°, 7° e 8°, do artigo 219. Assim, entenderam que : “Pelo exposto restaram provadas à Auditoria Fiscal as condições que fundamentam a existência de fato gerador de contribuições previdenciárias nas competências indicadas”. Por ocasião do lançamento em tela, vigia o artigo 219 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99 onde, de fato, a atividade exercida pela recorrente restava inclusa no rol daqueles prestadores que deveriam efetuar a retenção quando de sua prestação por cessão de mão de obra, sendo, entretanto ônus do fisco provar que ocorrera a cessão de mão de obra nos contratos pactuados: Fl. 431DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 “ DECRETO N° DE 6 DE MAIO DE 1999 (...) Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. § 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: (...) XIX – operação de transporte de cargas e passageiros ”( grifei) Ocorre que o Decreto n 4.729, de junho de 2003 editado pouco tempo depois da lavratura do auto e anterior às decisões de primeira instância, retirou do texto no inciso XIX do § 2° a atividade TRANSPORTE DE CARGAS do alcance das incidências que motivaram o processo em comento: “DECRETO N 4.729, DE JUNHO DE 2003 O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, DECRETA: Art. 1º O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n 3.048, de 6 de maio de 1999, passa a vigorar com as seguintes alterações: ( ... ) Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. ........................................................................................... § 2o .................................................................................... Fl. 432DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15979.000438/200792 Acórdão n.º 2403000.756 S2C4T3 Fl. 419 11 ........................................................................................... XIX operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; “ O legislador ao excluir os serviços de transporte de cargas do dispositivo legal acima citado, assumiu que não existe cessão de mão de obra nesse tipo de serviço. Do Princípio da Retroatividade Mais Benigna O Código Tributário Nacional – CTN, no capítulo APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA aborda no artigo 105 a aplicação da Legislação tributária no sentido amplo, cabendo ai leis e decretos: “Aplicação da Legislação Tributária Art. 105. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116. ”( grifei) (...) “Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considera se ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios;” Ainda no mesmo capítulo , o artigo 106, II determina que a lei aplicase ao fato pretérito quando se tratar de ato não definitivamente julgado: “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado” (grifei) No mesmo diapasão em caso de eventual dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias do fato, previu o Legislador que se aplique o artigo 112 do mesmo Códex: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos;” Pelo objeto dos contratos e pela forma dos preços pactuados não alcancei que tenha ocorrido a cessãodemãodeobra. Ainda que houvesse, ocorrido, em razão da Fl. 433DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 exclusão legal na forma § 2°, XIX, do Decreto n° 4.729 e dos artigos 106 e 112 do CTN, considerando tratarse de ato não definitivamente julgado que implicou dúvidas quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos, entendo que deva se observar a legislação tributária e aplicar ao caso em comento a previsão contida aludidos artigos da Lei n° 5.172/ em obediência ao PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE MAIS BENIGNA. CONCLUSÃO Por tudo que foi exposto, e, ainda, com base no preceituado nos artigo 106 e 112 do Código Tributário Nacional – CTN e, no § 2°, XIX, do Decreto n° 4.729, de junho de 2003, dou provimento ao recurso declarando a nulidade do lançamento por motivação inadequada. Ivacir Júlio de Souza Fl. 434DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 11330.001402/2007-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1999
PRELIMINARMENTE. DECADÊNCIA TOTAL. QUINQUENAL.
SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL
PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR
HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO
NACIONAL.
O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Tratando-se de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplica-se a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional.
REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62-A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO.
INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN.
Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62-A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543-C
do Código de Processo Civil. No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional só será aplicado quando for constada a ocorrência de recolhimento,
caso contrário, será aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-000.765
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, reconhecendo a decadência dos valores relativos às competências de 01/1997 a 12/1999, independentemente do critério de contagem previsto no Código Tributário Nacional e em razão da Súmula Vinculante nº 8. Declarou-se impedido o conselheiro Ivacir Julio de Souza.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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DECADÊNCIA TOTAL. QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Tratandose de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplicase a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN. Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62 A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543C do Código de Processo Civil. Fl. 196DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional só será aplicado quando for constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, será aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, reconhecendo a decadência dos valores relativos às competências de 01/1997 a 12/1999, independentemente do critério de contagem previsto no Código Tributário Nacional e em razão da Súmula Vinculante nº 8. Declarouse impedido o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 197DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11330.001402/200791 Acórdão n.º 2403000.765 S2C4T3 Fl. 195 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls.174 a 177 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I/RJ (fls.162 a 169) que julgou PROCEDENTE o lançamento constante na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n° 37.127.2378, no valor consolidado de R$ 812.854,19 (oitocentos e doze mil, oitocentos e cinquenta e quatro reais e dezenove centavos). Segundo o relatório fiscal às fls. 42 a 47, foram considerados fatos geradores as folhas de pagamento apresentadas pela empresa, nas RAIS do ano 1997 e dos meses 01 a 03 de 1998 e nas GFIP’s, período 01/97 a 03/98, para a matriz; período 04/98 a 12/98, na forma dos documentos solicitados pelo Termo de Inicio da Ação fiscal exceto GFIP; e período 01/99 a 12/99, na forma dos documentos solicitados pelo Termo de Inicio da Ação fiscal inclusive GFIPs. O período total do levantamento do débito compreendeu as competências 01/1997 a 12/1999. Desta autuação, a recorrente foi notificada em 25/09/2007 e apresentou impugnação às fls. 73 a 85 alegando em síntese: Que a prescrição/decadência do direito do fisco constituir o crédito tributário é de apenas 5 (cinco) anos, trazendo julgados dos Tribunais Superiores (STJ e STF) para fundamentar seu pleito. Por fim, requereu o recebimento da peça de impugnação e a conseqüente desconstituição do crédito tributário objeto da presente NFLD. Instada a manifestarse acerca da impugnação, a 13° Turma da DRJ/Rio de Janeiro I/RJ proferiu acórdão (n°1219.219) nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1999 TRIBUTÁRIO. PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 10 anos, por disposição expressa da Lei 8.212/91, em seu artigo 45. Lançamento Procedente Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls.174 a 177, no qual ratificou todos os argumentos expendidos na impugnação e fortificou seus argumentos na Súmula Vinculante n 8. É o relatório. Fl. 198DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR: I – DA DECADÊNCIA TOTAL: A recorrente alega tanto em sua impugnação como em seu recurso voluntário ter havido decadência com relação às competências cobradas na NFLD 37.127.2378. Assim, passo a analisar o pedido: Vale destacar que as controvérsias que existiam no âmbito dos contenciosos administrativos e no judiciário com relação ao prazo decadencial da Secretaria da Receita Federal para apurar os valores devidos a título de contribuições previdenciárias tiveram seu fim com o advento da Súmula Vinculante n° 8, a qual reconheceu como inconstitucional os arts.45 e 46 da Lei n° 8.212/91. Ambos os dispositivos previam que os prazos para a Seguridade Social apurar e cobrar os seus créditos extinguiamse com 10 (dez) anos. A grande celeuma era a não aplicação do prazo previsto no Código Tributário Nacional de que os créditos tributários só poderão ser apurados ou cobrados até 5 (cinco) anos, estabelecendo ainda esta legislação o marco inicial para a contagem desses prazos. Assim, após várias decisões invocando a inconstitucionalidade dos arts.45 e 46 da Lei n° 8.212/91, o Egrégio Supremo Tribunal Federal sumulou a matéria com a edição da Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Sabese ainda que essas súmulas têm efeito vinculante sobre a Administração Pública, conforme previsão do art.103A da Constituição Federal, motivo pelo qual este Colegiado deve aplicar o entendimento acima. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 199DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11330.001402/200791 Acórdão n.º 2403000.765 S2C4T3 Fl. 196 5 Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional, o qual disciplina a decadência no art. 173 e no art. 150, § 4. Em ambos, o direito de a Fazenda constituir o crédito extinguese em cinco anos, sendo que pela regra do art. 150, § 4º, a contagem é a partir da ocorrência do fato gerador e a do 173, I, é a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ou da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Código Tributário Nacional Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homolo¬gação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos an¬teriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por tercei¬ro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. * * * Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Fl. 200DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Pelo exposto, percebese que o marco inicial da decadência diverge no Código Tributário Nacional. A regra exposta no art.173, inciso I é aplicável às espécies tributárias que não estão sujeitas ao lançamento por homologação, pois as que se sujeitam a este tipo de lançamento têm o prazo decadencial regulado pelo art.150, §4° do CTN. Não obstante a consideração de que o art.150, §4° do Código Tributário Nacional aplicase aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, vale destacar que esse Conselho só tem aplicado essa regra aos casos em que ocorre o recolhimento da exação, em virtude do entendimento do Superior Tribunal de Justiça na decisão do Recurso Especial n 973.733/SC (Informativo n 402/STJ), na qual teve como ponto pacífico a aplicação do dispositivo retro somente quando for constatado pagamento das contribuições. Desse modo, deve esse Conselho sujeitarse à regra definida pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça em razão do previsto no Regimento Interno do CARF, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, levando em consideração o acima exposto, e, tendo o presente recurso voluntário como matéria objeto de discussão a decadência, fazse necessária a vinculação deste voto ao preceito do Regimento Interno do CARF enquanto tal regra permanecer vigente, tendo em vista que o julgamento do RESP n 973.733/SC ocorreu nos moldes do art.543C do Código de Processo Civil. No presente caso, não há relevância em ter ou não ocorrido o recolhimento antecipado, tendo em vista que da ciência em 25/09/2007 até as competências, que estão sendo objeto de discussão (01/1997 a 12/1999), datase pelo menos 8 (oito) anos, ou seja, prazo superior para a constituição do crédito tributário nos moldes do Código Tributário Nacional, seja pelo art.150, §4° ou pelo art.173, I. Por todo o exposto, acato a preliminar ora examinada, restando prejudicado o exame de mérito. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para, nas preliminares, DARLHE PROVIMENTO, reconhecendo a decadência dos valores relativos às competências de 01/1997 a 12/1999, independentemente do critério de contagem previsto no Código Tributário Nacional e em razão da Súmula Vinculante n 8. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 201DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11330.001402/200791 Acórdão n.º 2403000.765 S2C4T3 Fl. 197 7 Fl. 202DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10735.001270/2003-58
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1803-000.043
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Marcelo de Assis Guerra, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Versa este processo sobre Declarações de Compensação (Dcomp). Através do Despacho Decisório — Parecer n° 214/2008 (fls. 46/48), não foram homologadas as compensações declaradas. Fl. 1497DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10735.001270/200358 Resolução n.º 180300.043 S1TE03 Fl. 2 2 No Despacho Decisório — Parecer, a autoridade administrativa aponta que, na DIPJ/2000 (fls. 35/37), consta pagamento de imposto sobre ganhos no mercado de renda variável e as informações inerentes a saldo negativo de IRPJ e CSLL indicam valores para os anos calendário de 1997 e 1998 divergentes dos informados nas respectivas DIPJ (fls. 38/45). Conclui que o crédito apontado carece dos requisitos de liquidez, certeza e restituibilidade. Foi dada ciência ao interessado em 14/05/2008 (fl. 50). O interessado apresentou, em 16/06/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 51/63. Em sua peça de defesa, alega, em síntese, que as informações prestadas nas DIPJ são fruto de equívocos no preenchimento das declarações (que ora retifica), conforme esclarece.” A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação, com base nos seguintes fundamentos (fls. 272/273 – vol. 2): a) Para análise da liquidez e certeza do crédito que o interessado alega ser detentor e o consequente reconhecimento de seu direito creditório, fazse necessário verificar a exatidão das informações constantes da declaração de rendimentos apresentada, confrontandose os valores nela constantes com os registros contábeis e a documentação correspondente. b) Se houve um erro de fato, este deve ser comprovado, por meio dos documentos hábeis, como os livros contábeis e fiscais. Considerando que não consta dos Autos a prova da certeza e da liquidez do crédito pleiteado, o Despacho Decisório — Parecer recorrido deve ser mantido. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, tece as seguintes considerações: a) Tendo em vista o elevado grau de dificuldade e especificidade técnica apresentados no caso sob exame, e para a facilitação do julgamento e decisão a ser proferida, surge a imperiosa necessidade de que seja baixado o presente processo em diligência, a ser realizada pela autoridade administrativa competente. b) As compensações foram efetuadas com base em créditos apurados em exercícios anteriores e decorrem do fato de que os valores pagos à título de IRPJ e CSLL estimativa foram superiores aos valores apurados nos respectivos exercícios, gerando assim saldos de crédito a serem aproveitados para compensação em exercícios seguintes. c) Por meio das explicações apresentadas, das declarações originais e retificadoras, e, demais documentos, que seguem este instrumento, comprovamos a origem dos créditos tributários indicados para a compensação tributária pleiteada. É o relatório. Fl. 1498DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10735.001270/200358 Resolução n.º 180300.043 S1TE03 Fl. 3 3 Voto A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 27/01/2009 (AR de fls. 229). O recurso foi protocolado em 26/02/2009, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. A prova documental deve ser apresentada com a impugnação, nos termos do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972,: “Art. 16 § 4.º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997)”. A recorrente anexou na fase recursal os documentos de fls. 280 a 1400, em face das razões da decisão recorrida. Tal decisão afirmou que para a análise da liquidez e certeza do crédito que o interessado alega ser detentor e o consequente reconhecimento de seu direito creditório, faziase necessário verificar a exatidão das informações constantes da declaração de rendimentos apresentada, confrontandose os valores nela constantes com os registros contábeis e a documentação correspondente. O pedido de diligência da recorrente merece ser acolhido, mormente porque a autoridade administrativa da unidade de origem não analisou a documentação acostada. Não é possível a apreciação do direito creditório por este Conselho, sem análise prévia pela autoridade administrativa competente. O pleito da recorrente foi indeferido pelos seguintes motivos: i) houve pagamento de imposto sobre ganhos no mercado de renda variável (R$ 24.914,35), fato incomum para o contribuinte, e com isto, contribuindo para a incerteza do analista no reconhecimento do crédito pleiteado; ii) foi verificado na DIPJ/ 2000, ficha 28A (fis. 36 e 37), que as informações inerentes a Saldo Negativo de IRPJ/CSLL indicam valores para os anos— calendário de 1997 e 1998 divergentes daqueles informados nas respectivas DIPJ'S. Após a decisão de primeira instância, que deixou clara a necessidade da juntada da escrituração contábil, a recorrente anexou farta documentação, que não pode deixar de ser analisada. Por isso, considero necessária a realização de diligência, para as providências e verificações a seguir relacionadas: a) dar ciência desta resolução à autuada, entregandolhe cópia; b) verificação da liquidez e certeza dos saldos negativos de IRPJ e CSLL, relativos aos anos de 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 e 2002. Fl. 1499DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10735.001270/200358 Resolução n.º 180300.043 S1TE03 Fl. 4 4 c) análise da suficiência dos saldos negativos de 1996 a 2000 para compensar as estimativas indicadas pela recorrente. d) análise da suficiência dos saldos negativos de 2001 e 2002 para compensar os débitos objeto das declarações de compensação não homologadas no despacho de fls. 46/48. A autoridade administrativa encarregada do procedimento deverá elaborar relatório conclusivo, ressalvadas a prestação de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia a recorrente e concederlhe prazo para que se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que o processo deverá retornar a este Conselho. Conclusão Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 1500DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 10384.001088/2003-24
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.145
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausentes, justificadamente, Marciel Eder Costa e Marco Antônio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 84 .0 01 08 8/ 20 03 -2 4 Fl. 416DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0520.10075.8Z1D. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10384.001088/200324 Resolução nº 1802000.145 S1TE02 Fl. 417 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 395/401 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Fortaleza (fls. 381/392) que deferiu, em parte, o direito creditório pleiteado, homologando declarações de compensação tributária até o limite do crédito deferido. Quantos fatos, consta dos autos: que, em 07/05/2003, a contribuinte protocolizou, na DRF/Teresina, a entrega de declarações de compensação tributária (formulário em papel), informando que compensara débitos de tributos do anocalendário 2003, com direito creditório – saldo negativo do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001 (fls. 03/08); que a contribuinte, adicionalmente, também apresentou várias declarações de compensação eletrônicas – PER/DCOMP, onde consta compensação de débitos de tributos, utilizando também saldos negativos do IRPJ e da CSLL desses anoscalendário (fls.173/311); que houve, então, a remessa dos autos do processo à Seção de Fiscalização para realização de diligência, no sentido de verificar a regularidade dos saldos negativos informados, pois decorrem de declarações retificadoras (DIPJ retificadoras) dos anos calendário citados, apresentadas somente em dezembro/2002; que foi concluída a investigação fiscal, conforme Relatório de Diligência de 28/04/2004 (fls.21/30), contendo a seguinte conclusão: RELATÓRIO DA DILIGÊNCIA Os saldos negativos de IRPJ e de CSLL reclamados pelo contribuinte à fl. ...deste processo, não existem de fato. São originários de erros cometidos pelo contribuinte, nas retifícadoras apresentadas em dezembro de 2002. Erros que listo e demonstro a seguir. Eles foram: 1 preencheu a ficha 08 da declaração do anocalendário de 1997, com um saldo negativo de IRPJ de anos anteriores incorreto; 2 deduziu, nas retificadoras apresentadas em dezembro de 2002, relativas aos anos calendário de 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001, JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO, sem que os mesmos houvessem sido, nos anos respectivos, pagos ou creditados aos acionistas; 3 fez opção de dedução de depreciação para apuração dos lucros líquidos dos anos calendários de 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001, de forma tardia e em desacordo com a sua escrituração. (...) CONCLUSAO Fl. 417DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0520.10075.8Z1D. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10384.001088/200324 Resolução nº 1802000.145 S1TE02 Fl. 418 3 O contribuinte, julgando possuir os créditos reclamados à folha 06 deste processo, vem deixando de pagar impostos em diversos períodos, compensandoos com os supostos créditos. Nas planilhas anexas às fls.22/27 corrijo os cálculos feitos em suas DIPJ retificadoras, estornando os Juros Sobre Capital Próprio e as Depreciações. Na planilha do ano de 1997 (anexa à fl. 23), corrijo, também, o erro cometido quanto ao saldo negativo de períodos anteriores, tanto de IRPJ, como de CSLL. Vale acrescentar, que saldos negativos de períodos anteriores constantes da DIPJ retificadora do ano calendário de 1997, DIPJ de número 4062409 (anexa à fl. 64), já foi questionada e rejeitada anteriormente, por não estar de acordo com sua escrita contábil. Recusa feita no processo de número 10384.201729/200349. Após os acertos feitos nas planilhas supra citadas, condensei, no quadro comparativo mostrado na página seguinte (fl.22) , os saldos negativos pleiteados pelo contribuinte e os saldos que apurei, após as três correções acima descritas. Ressaltese que os créditos tributários supostos pelo contribuinte, já estão sendo utilizados em diversas compensações. QUADRO COMPARATIVO ENTRE O RECLAMADO E O APURADO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA SALDO APURADO ANO CALEND. PELO CONTRIBUINTE PELO AUDITOR FISCAL 1997 63.145,30 27.314,49 1998 65.278,53 20.003,40 1999 64.840,04 6.111,69 2000 51.753,04 4.505,93 2001 36.884,77 15.954,60 Obs: os valores negativos representam crédito a favor do contribuinte. QUADRO COMPARATIVO ENTRE O RECLAMADO E O APURADO CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO SALDO APURADO ANO CALEND. PELO CONTRIBUINTE PELO AUDITOR FISCAL 1997 13.988,35 2.770,27 1998 21.245,77 5.497,89 1999 21.007,55 9.682,65 2000 21.804,45 126,12 2001 13.566,39 7.337,10 Obs: os valores negativos representam crédito a favor do contribuinte. Na sequência, a DRF/Teresina, por Despacho Decisório de 09/11/2004 (fls.96/97), adotou integralmente o resultado da diligência, deferindo, em parte, o direito creditório pleiteado, nos seguintes termos: (...) Fl. 418DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0520.10075.8Z1D. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10384.001088/200324 Resolução nº 1802000.145 S1TE02 Fl. 419 4 INFORMAÇÃO FISCAL (...) 3. Para a aferição do crédito, o processo foi encaminhado à DRF/TSA/Safis que, após efetuar diligência junto ao contribuinte, se pronunciou pela procedência parcial do pedido, fls. 18 a 27, pois a maior parte do crédito requerido era originário de erros cometidos pelo próprio contribuinte quando das retificações efetuadas em suas DIRPJ/DIPJ anteriormente apresentadas. 4. Reproduzo, a seguir, quadro elaborado pela seção de fiscalização, onde estão sintetizados os valores do direito creditório a ser reconhecido ao contribuinte: QUADRO COMPARATIVO ENTRE O REQUERIDO E O APURADO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA SALDO APURADO ANO CALENDÁRIO PELO CONTRIBUINTE NA DILIGÊNCIA FISCAL 1997 (63.145,30) 27.314,49 1998 (65.278,53) (20.003,40) 1999 (64 840,04) (6.111,69) 2000 (51.753,04) (4.505,93) 2001 (36 884,77) 15.954,60 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL S/ LUCRO LIQUÍDO SALDO APURADO ANO CALENDÁRIO PELO CONTRIBUINTE NA DILIGÊNCIA FISCAL 1997 (13.988,35) (2.770,27) 1998 (21.245,77) (5.497,89) 1999 (21.007,55) 9.682,65 2000 (21.804,45) (126,12) 2001 (13.566,39) 7.337,10 Obs:Os valores negativos (entre parênteses) representam o crédito em favor do contribuinte. 5.Com base no acima exposto, concluímos ser o pedido do contribuinte em parte procedente e, por isso, proponho deferilo parcialmente, para reconhecer o direito creditório aos valores abaixo relacionados: SALDO NEGATIVO DE IRPJ: anocalendário de 1998: R$ 20.003,40 (vinte mil, três reais e quarenta centavos); anocalendário de 1999: R$ 6.111,19 (seis mil cento e onze reais e dezenove centavos); ano calendário de 2000: R$ 4.505,93 (quatro mil, quinhentos e cinco reais e noventa e três centavos); SALDO NEGATIVO DE CSLL: anocalendário de 1997: R$ 2.270,27 (dois mil, duzentos e setenta reais e vinte e sete centavos); ano calendário de 1998: R$ 5.497,89 (cinco mil, quatrocentos e noventa e sete reais e oitenta e nove centavos); anocalendário de 2000: R$ 126,12 (cento e vinte e seis reais e doze centavos). (...) Fl. 419DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0520.10075.8Z1D. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10384.001088/200324 Resolução nº 1802000.145 S1TE02 Fl. 420 5 7.Em face do exposto, proponho, também, homologar as Dcomp's apresentadas, até o limite do crédito reconhecido, e determinar a intimação do contribuinte para que efetue o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (...) DESPACHO DECISÓRIO 9.Com base na informação fiscal supra, que aprovo, e no uso da competência de que trata o artigo 227, inciso XXI, da Portaria MF n° 259, de 24 de agosto de 2001 (Regimento Interno SRF), defiro parcialmente o pedido objeto do processo para reconhecer, conforme o item 5 acima, o direito creditório no valor total de R$ 39.015,30 (trinta e nove mil, quinze reais e trinta centavos), mais acréscimos legais; valor inferior ao requerido. (...) Irresignada com esse despacho decisório, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 100/104), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que o saldo negativo de períodos anteriores, informado na Ficha 08 da DIPJ do ano calendário de 1997, apresentase correto, reiterando, desta forma, o pleito de saldo negativo de R$ 63.145,30 e não apenas R$ 4.908,72 como indica o relatório da diligência fiscal; que o estorno de despesas de juros sobre capital próprio e despesa de depreciação, anos calendário de 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001, não deve prosperar; que deve ser afastada essa glosa. Vale dizer, a negativa, a rejeição, de inclusão dessas parcelas de despesas nas declarações retificadoras, por opção tardia de dedução, carece de qualquer fundamento, porque senão jamais se poderia apresentar qualquer declaração retificadora; que a retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses admitidas, tem a mesma natureza da declaração inicialmente apresentada, independentemente de autorização da Repartição Fiscal, o que equivale a dizer que, salvo a mudança de regime de tributação que é vedado, tudo o mais que faltou ou excedeu é passível de retificação; que, sendo assim, é permitido ao sujeito passivo, além de retificar receitas, fruir de despesas, custos e encargos que não constavam da declaração inicial, mas incluídos na declaração retificadora. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ/Fortaleza, em face razões suscitadas pela contribuinte, converteu o julgamento em diligência, na Sessão de 06/10/2005, conforme Resolução (fls.317/320), para as seguintes verificações: (...) 5. Neste sentido, sugiro o RETORNO dos autos à Unidade de Origem a fim de que a autoridade lançadora nos termos do artigo 18 do Decreto n° 70.235/72 designe servidor(es) para as seguintes providências: Fl. 420DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0520.10075.8Z1D. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10384.001088/200324 Resolução nº 1802000.145 S1TE02 Fl. 421 6 1. Verificar, a partir dos assentamentos contábeis e fiscais do sujeito passivo, qual o real valor de IRPJ e CSLL relativo ao anocalendário de 1996; 2. Intimar o sujeito passivo a apresentar seus assentamentos contábeis onde constem os valores objeto de suas declarações retificadoras, referentes aos anoscalendário de 1997 a 2001, verificando, em especial, a inclusão, em seus livros contábeis, das importâncias relacionadas aos "JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO" e "DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO"; 3. Ao final, elaborar relatório sucinto sobre o solicitado, acrescentando quaisquer outras informações que sejam de interesse para o deslinde da questão. (...) O resultado da diligência consta do Relatório (fls. 340/349), informando necessidade de alteração apenas dos saldos do IRPJ e da CSLL de anos anteriores, conforme informado na declaração retificadora do anocalendário de 1997. Vide planilha elaborada pela fiscalização (fls. 344/345), e da qual extraise: Ficha 07 – Cálculo do Imposto DIPJ Retificadora, ano calendário 1997 Resultado Diligência solicitada pela Resolução da DRJ/Fortaleza (manutenção do estorno de Juro sobre Capital Próprio e Depreciação) Imposto de Renda a pagar 24.424,25 56.647,46 Saldo negativo de períodos anteriores () 87.569,55 () 87.569,55 Saldo de Imposto de Renda () 63.145,30 () 30.922,10 Ficha 11 – Cálculo da CSLL (fl. 81) DIPJ Retificadora, ano calendário 1997 Resultado Diligência solicitada pela Resolução da DRJ/Fortaleza (manutenção do estorno de Juro sobre Capital Próprio e Depreciação) CSLL a pagar () 12.285,02 () 1.076,95 Saldo negativo de períodos anteriores () 1.703,33 () 1.703,33 Saldo de CSLL () 13.988,35 ( ) 2.780,28 Na sequência, a 3ª Turma da DRJ/Fortaleza julgou a Manifestação de Inconformidade parcialmente procedente, adotando integralmente os resultados da diligência de fls. 340/349, ou seja, manutenção do estorno das despesas de juros sobre capital próprio e da despesa de depreciação para todos os anoscalendário de 1997 a 2001 e acatando os saldos do IRPJ e da CSLL de anos anteriores informados na declaração retificadora do anocalendário 1997, conforme Acórdão de fls. 381/393. Ainda, para melhor compreensão desse Acórdão, consta da conclusão do voto condutor (fls. 392), in verbis: (...) Fl. 421DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0520.10075.8Z1D. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10384.001088/200324 Resolução nº 1802000.145 S1TE02 Fl. 422 7 Pelo exposto, correto o procedimento da autoridade fiscal, quando, ao analisar as declarações retificadoras apresentadas pelo sujeito passivo, em conjunto com a sua escrituração contábilfiscal, verificou a inexistência de elementos que justificassem as alterações implementadas e, por conseguinte, os novos valores pleiteados a título de saldos negativos de IRPJ e CSLL (fls. 06). Outrossim, após a realização da diligência solicitada por esta DRJ, o fiscal diligenciante constatou erro nos valores apurados referente ao exercício de 1997, abaixo relacionados: Saldo Negativo do IRPJ (R$) Saldo Negativo de CSLL (R$) Apurado à fls. 22 Observado às fls. 321 Apurado à fls. 22 Observado às fls. 321 27.414,49 30.922,10 2.770,27 2.780,28 Assim, concluise ser o pedido do contribuinte em parte procedente, retificandose o direito creditório aos valores abaixo consignados: Anocalendário Saldo Negativo de IRPJ (R$) Saldo Negativo de CSLL (R$) Concedido Retificado Concedido Retificado 1997 30.922,10 2.770,27 2.780,28 1998 20.003,40 20.003,40 5.497,89 5.497,89 1999 6.111,69 6.111,69 2000 4.505,93 4.505,93 126,12 126,12 2001 Total 30.621,02 61.543,12 8.394,28 8.404,29 Pelo exposto, defiro parcialmente o pedido objeto do processo para retificar o direito creditório reconhecido de R$ 39.015,30 para R$ 69.947,41. (...) Ciente desse decisum em 12/06/2006 (fl. 394), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 10/07/2006 (fls. 395/401), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que, embora não tendo o condão de gerar nulidade, o Acórdão tem data equivocada; que a data em que foi proferido ou prolatado não pode ser 17/04/2003 (mas, provavelmente 17/04/2006); que se impõe, desde logo, o retorno dos autos à instância de origem, no caso a Delegacia da Receita Federal de Fortaleza, para a correção desse evidente equívoco, com reposição de novo prazo recursal; que, no mérito: a) quanto ao estorno da despesa de Juros sobre o Capital Próprio, deve ser reformada a decisão recorrida; que o antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF, já decidiu que a falta de individualização do pagamento ou a não retenção e recolhimento do IRRF não são razões suficientes para afastar a apropriação dessa despesa; que, nesse sentido, a recorrente citou o Acórdão nº 10321.631, Sessão de 13/05/2004, Relator Victor Luis de Salles Freire; Fl. 422DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0520.10075.8Z1D. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10384.001088/200324 Resolução nº 1802000.145 S1TE02 Fl. 423 8 b) quanto ao estorno da despesa de depreciação, a decisão recorrida, também, deve ser reformada; que, diversamente dos precedentes citados na decisão recorrida, as declarações retiticadoras foram apresentadas antes da ciência do início do procedimento de fiscalização; que, em favor de sua tese, citou o PERGUNTÃO DO IRPJ da própria RFB, que trata de orientação quanto a ajustes de exercícios anteriores, no caso de inobservância do regime de competência, para efeito de regularização da escrituração, não encontrando vedação à apropriação extemporânea dessa despesa. É o relatório. Fl. 423DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0520.10075.8Z1D. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10384.001088/200324 Resolução nº 1802000.145 S1TE02 Fl. 424 9 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de compensação tributária. Nas declarações de compensação tributária, objeto dos autos, apresentadas a partir de 07/05/2003, a contribuinte compensou débitos de tributos administrados pela RFB de diversos períodos de apuração, utilizando, como direito creditório, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, anoscalendário 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001. Os saldos negativos do IRPJ e da CSLL desses anoscalendário, segundo a contribuinte, são aqueles informados nas respectivas retificadoras das DIPJ transmiitidas eletronciamente em dezembro/2002, que passaram a incorporar despesas de Juros sobre o Capital Próprio e despesas de Depreciação, até então não apropriadas quanto aos anos calendário 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001. A unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Teresina, deferiu por Despacho Decisório apenas parte do crédito pleiteado do IRPJ e da CSLL a título de saldo negativo dos anoscalendário 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001 não acatando a parcela do crédito pleiteado gerada a partir da apropriação das despesas de Juros sobre o Capital Próprio e das Despesas de Depreciação, por não atendimento pela contribuinte da legislação de regência quanto à apropriação dessas despesas. Além disso, o saldo negativo do IRPJ do anocalendário 1997 sofreu também redução, pois o saldo negativo do IRPJ de anos anteriores, que fora apropriado, em parte restou insubsistente. O crédito do IRPJ e da CSLL deferido pelo despacho decisório perfaz o montante de R$ 39.015,30, conforme demonstrativo já transcrito no relatório. A contribuinte apresentou Manifestação de inconformidade contra essa decisão monocrática. Conhecendo, no mérito, da impugnação, a DRJ/Fortaleza, na mesma esteira do despacho decisório, manteve o não reconhecimento do crédito pleiteado gerado a partir da apropriação das despesas de Juros sobre o Capital Próprio e das despesas de Depreciação dos anoscalendário 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001; porém, restabeleceu o saldos negativo de IRPJ de anos anteriores apropriados e informados na declaração retificadora do anocalendário 1997. Valde dizedr, a Turma da DRJ/Fortaleza, em face das razões suscitadas na impugnação e com base no resultado da 2ª (segunda) diligência, reformou, em parte, o despacho decisório da Repartição Fiscal de origem, elevando o montante do valor do crédito deferido, atinente a saldos negativos do IRPJ e da CSLL, anoscalendário 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001, de R$ 39.015,30 para R$ 69.947,41, pelo acolhimento ou aproveitamento de valores comprovados pela contribuinte atinentes a saldos negativos de períodos anteriores a 1997, conforme quadroresumo (demonstrativo) já transcrito no relatório. Nesta instância recursal, a recorrente suscitou nas razões do recurso: Fl. 424DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0520.10075.8Z1D. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10384.001088/200324 Resolução nº 1802000.145 S1TE02 Fl. 425 10 b) preliminarmente, provimento que determine o retorno dos autos à DRJ/Fortaleza, para retificação da data do Acórdão recorrido; que a data consignada de 17/04/2003, na qual teria sido proferido, não se coaduna com os atos processuais produzidos anteriormente nos autos; que, em tese, o Acórdão atacado teria sido proferido ou prolatado em 17/04/2006 ou outra data, e não 17/04/2003; que, esse lapso ou erro material, se existente, não é causa de nulidade da decisão recorrida, porém deve ser corrigido, com devolução ou abertura de prazo para recurso; a) no mérito, a reforma da decisão a quo, na parte que manteve o estorno integral das despesas de Juros sobre o Capital Própiro e das despesas de Depreciação, apropriadas pelas declarações retificadoras das DIPJ desses anoscalendário, transmitidas eletronicamente em dezembro/2002. Compulsando os autos, constato que, possivelmente, a data do Acordão recorrido foi grafada de forma equivocada, pois não corresponde ao dia da sessão de julgamento, em face dos seguintes atos processuais: realizados anteriormente. Senão vejamos: a) Despacho Decisório da DRF/Teresina foi proferido em 09/11/2004 (fls.96/97); b) Manifestação de Inconformidade foi apresentada em 13/12/2004 (fls. 100/104); c) Resolução DRJ/FOR nº 459/2005, que converteu o julgamento em diligência, foi proferida em 06/10/2005 (fls. 317/320). d) Diligência foi concluída em 07/03/2006, conforme Relatório (fls. 340/349). Já, o Acórdão recorrido tem data de 17/04/2003 (fls. 381/392) e foi juntado aos autos em 25/04/2006 (fl. 393); A contribuinte tomou ciência desse decisum em 12/06/2006 (fl. 394) e apresentou o Recurso Voluntário, tempestivamente, em 10/07/2006 (fls. 395/401) . Como visto, o Acórdão recorrido tem data incompatível com as datas de realização dos atos processuais que, logicamente, o precederam. Como a própria recorrente frisou nas razões do recurso, tratase de erro material, de fácil constatação, que não tem o condão de gerar nulidade do Acordão ou prejuízo à defesa. Porém, a contribuinte tem o direito de saber, de forma cabal, qual foi a data da sessão de julgamento que o Acordão recorrido foi proferido. Diante do exposto, propugno pela conversão do julgamento em diligência, baixando os autos do processo à DRJ/Fortaleza para que seja sanado o alegado erro material, caso existente, mediante: a) juntada da Pauta e da Ata relativa à Sessão de Julgamento na qual foi proferido o Acórdão recorrido; b) caso o lapso material de data (erro grágfico) seja confirmado e, se a correção se der por Acordão, dar ciência à contribuinte do Acórdão retificador, abrindose prazo de 30 Fl. 425DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0520.10075.8Z1D. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10384.001088/200324 Resolução nº 1802000.145 S1TE02 Fl. 426 11 (trinta) dias a partir da data de ciência para a contribuinte manifestar nos autos, caso tenha interesse. Cumpridas essas providências, retornem os autos do processo para este CARF, para julgamento. Por tudo que foi exposto, voto para converter o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 426DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0520.10075.8Z1D. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por NELSO KICHEL em 10/01/2014 17:22:00. Documento autenticado digitalmente por NELSO KICHEL em 10/01/2014. Documento assinado digitalmente por: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA em 13/01/2014 e NELSO KICHEL em 10/01/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 06/05/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP06.0520.10075.8Z1D Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 81B0D2626BE804CCD06F07FD51F28A97C5759BB1 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10384.001088/2003-24. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 12466.000626/94-17
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 1997
Ementa: CLASSIFICAÇÃO - RECURSO DE OFÍCIO.
Confirmado que o veículo em tela atende às especificações do Ato
Declaratório COSIT/ADN n° 32/93, negado provimento ao recurso.
Numero da decisão: 301-28.528
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de Oficio, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MOACYR ELOY DE MEDEIROS
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Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 1997
Ementa: CLASSIFICAÇÃO - RECURSO DE OFÍCIO.
Confirmado que o veículo em tela atende às especificações do Ato
Declaratório COSIT/ADN n° 32/93, negado provimento ao recurso.
Numero da decisão: 301-28.536
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho
de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de Oficio, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MOACYR ELOY DE MEDEIROS
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Numero do processo: 10530.003413/2007-96
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/1999 a 28/02/2007
PREVIDENCIÁRIO. ÔNUS DA PROVA. REFEIÇÃO SEM INSCRIÇÃO NO PAT. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. MULTA DE MORA.
Ao contribuinte cabe o ônus de provar o alegado.
Incide Contribuição Previdenciária quando a empresa não estiver inscrita no PAT.
O CARF não se pronuncia sobre matéria tributária constitucional, nos termos da Súmula nº 2 do CARF.
Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.750
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso na questão da tributação do PAT. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães
Peixoto, relator, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Cid Marconi Gurgel de Souza. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari.
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
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ÔNUS DA PROVA. REFEIÇÃO SEM INSCRIÇÃO NO PAT. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. MULTA DE MORA. Ao contribuinte cabe o ônus de provar o alegado. Incide Contribuição Previdenciária quando a empresa não estiver inscrita no PAT. O CARF não se pronuncia sobre matéria tributária constitucional, nos termos da Súmula nº 2 do CARF. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso na questão da tributação do PAT. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto, relator, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Cid Marconi Gurgel de Souza. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente – Relator Designado Fl. 1101DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/12/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 1102DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/12/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.003413/200796 Acórdão n.º 2403000.750 S2C4T3 Fl. 2 3 Relatório Assim relatou a DRJ, verbis: “DO LANÇAMENTO. A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD n° 37.124.7535), lavrada pela fiscalização em face da empresa DISTRIBUIDORA BARREIRAS DE ALIMENTOS LTDA E OUTROS, referese, de acordo com o Relatório Fiscal às fls. 128/158, às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, referentes à parte patronal, às destinadas ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, bem como às contribuições previdenciárias dos próprios segurados empregados. O presente lançamento corresponde ao montante de R$ 265.367,90 (duzentos e sessenta e cinco mil, trezentos e sessenta e sete reais e noventa centavos), valor consolidado em 09/10/2007, referente ao período de 03/1999 a 02/2007. Conforme detalhadamente descrito no Relatório Fiscal, constam do presente lançamento os seguintes levantamentos: 1 PDE — Pagamentos Diversos Empregados; 2 PVE — Promoção Vendas Empregados; 3 RC — Rescisões Complementares; 4 REF — Refeições; 5 VEE — Valores Extras Empregados; 6 VEM — Valores Extras Mickey; 7 VER — Valores Extras Rider e Rudinei; 8 VES — Valores Extras Sonivan; 9 VEA — Valores Extras Aferidos; 10 VG — Vale Gás; 11 VG — Vale Gás Aferido; 12 EAI — Empregados afastados INSS; 13 FPN — Folha Pagamento Não Declarada em GFIP. Houve a caracterização da formação de Grupo Econômico de Fato entre as empresas Distribuidora Barreiras de Alimentos Fl. 1103DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/12/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Ltda, Nova Colina Administradora de Bens Patrimoniais Ltda e Cerealista Castro Ltda. As contribuições apuradas, as alíquotas aplicadas e os créditos considerados, assim como os acréscimos legais aplicados, constam explicitados nos seguintes anexos: Discriminativo Analítico do Débito (DAD), Discriminativo Sintético do Débito (DSD) e Relatório de Lançamentos (RL). DA IMPUGNAÇÃO A autuada apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: PRELIMINAR: DA PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA. Entende a Impugnante que os supostos créditos levantados pela fiscalização, anteriores a outubro de 2002, não podem ser constituídos, uma vez que fulminados pelo instituto jurídico da decadência. As contribuições previdenciárias correspondem à modalidade de lançamento por homologação, não se aplicando o art. 45 da Lei 8.212/91, incidindo o §4°, do art. 150, do CTN. O art. 45 da Lei 8.212/91 é inconstitucional. DO ARBITRAMENTO (AFERIÇÃO INDIRETA). O instituto do arbitramento foi criado para empresas sem nenhum controle contábilfiscal que permitam ao fisco identificar dados para cruzamento e balizamento das operações financeiras do empreendimento. No caso em questão, não há um suporte faticojurídico contundente que ampare o arbitramento da questão analisada, já que os valores lançados não representam a realidade contábil da empresa, pois são baseados em meras ilações, suposições e indícios que não se enquadram definitivamente provados. Deveriam as autoridades fiscais previdenciárias exaurirem os procedimentos de fiscalização das empresas subcontratadas. A atividade fiscalizatória precisava adentrar no exame da escrita comercial da referida empresa onde, por certo, encontrariam os elementos necessários à prova de sua regularidade fiscal. Ao contrário, optaram pelo método indireto, pelo arbitramento, chamando a Impugnante, fiel cumpridora de suas obrigações fiscais e previdenciárias, a responder solidariamente pelos débitos de terceiros. DA INCAPACIDADE LABORATIVA. Apesar do art. 22, II, "a", "b" e "c", da Lei n° 8.212/91 ter classificado as graduações de risco em leve, médio e grave, não definiu o critério para determinação de qual seria a atividade preponderante para o enquadramento da alíquota aplicável. Em verdade, quem acabou por definir e discriminar o que seja atividade de grau de risco leve, médio e grave foi o Poder Executivo, por meio do Decreto n° 612/92, pelo qual a apuração Fl. 1104DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/12/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.003413/200796 Acórdão n.º 2403000.750 S2C4T3 Fl. 3 5 e atribuição do grau de risco era implementada por estabelecimento do contribuinte, vigorando até 05/03/97. Daí em diante, as normas pertinentes ao SAT foram alteradas pelo Decreto n° 2.173, de 05/03/97, que no seu art. 26 vedou a separação das atividades dos contribuintes para fins de enquadramento nos diversos graus de risco, determinando as alíquotas aplicáveis a cada espécie e instituindo o enquadramento pela atividade preponderante da empresa, ignorando, assim, os setores diferenciados das empresas, cujos graus respectivos de risco são bastante diversos. Logo em seguida, o INSS estabeleceu procedimentos para o enquadramento, por meio da Orientação Normativa n° 2, de 21/08/97. Destarte, o tributo em exame encontrase (e encontravase) definido por meio de Decreto, em evidente afronta ao princípio constitucional da legalidade. Conforme os trechos legais acima transcritos, inferese que a Lei n° 8.212/91 não estabeleceu o conceito de atividade preponderante, nem de risco de trabalho leve, médio ou grave, elementos essenciais e necessários para a cobrança da contribuição em tela (SAT). O fato é que, diante da omissão da lei em conceituar o que era atividade preponderante, para efeitos de fixação da alíquota, o Poder Executivo fazendo as vezes de legislador da União, editou o Decreto n° 612/92 e o Decreto n° 2.173/97 extrapolando os limites de sua validade, contrariando frontalmente o art. 150, I, da Constituição Federal. A fiscalização considerou a atividade preponderante da empresa para definir o grau de exposição dos funcionários da Impugnante. Este procedimento é inaceitável, pois a fiscalização teve acesso a todo o quadro de funcionários da empresa, onde consta a função de cada um deles e o local em que praticam o labor. Portanto, poderia averiguar que os estabelecimentos da Impugnante não possuem o mesmo grau de risco, devendo ser aplicada a alíquota do SAT correspondente ao grau de risco da atividade desenvolvida em cada estabelecimento. Portanto, mesmo que esta exação seja considerada legal, a determinação da alíquota incorreta, pela aplicação da generalidade do grau de risco pela fiscalização, incorreu em grave erro na determinação da base de cálculo do tributo em comento. Resta nula a presente autuação, por basearse em normas inconstitucionais como acima se depreende. DOS VALORES COM NATUREZA REMUNERATORIA OU QUE NÃO SÃO SALÁRIOCONTRIBUIÇÃO. Fl. 1105DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/12/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Em primeiro lugar, forçoso analisar que alguns valores pagos a segurados possuem natureza eminentemente indenizatória, posto que não visa à retribuição do trabalho do servidor, mas a cobrir despesas, tais como as com transporte, alimentação e hospedagem dos empregados durante a realização de suas funções, principalmente. As parcelas com essa natureza não integram o saláriodecontribuição. São aquelas que visam a cobrir despesas de deslocamento, alimentação e hospedagem de professores freqüentadores de cursos de capacitação. A impugnante lista várias parcelas que ela entende não ser salário de contribuição. As verbas que a Autuante levantou são meras liberalidades. Não houve comprovação nos autos de que foram valores pagos com habitualidade. Quando demonstrou tal habitualidade, a auditora o fez mediante aferição indireta, um arbitramento completamente ilegal, conforme tópico anterior. Assim, não devem ser consideradas as rubricas que tiveram por objeto tais valores, descritas como pagamentos diversos, promoção de vendas, rescisões complementares, valores extras empregados (dentre eles Mikey, Rider, Rudiney e Sonivan), etc. DAS REFEIÇÕES/VALEGÁS. Nesta rubrica, a auditora cobra contribuições sociais incidentes sobre a parcela "in natura" paga aos empregados por fornecimento de alimentação, sem inscrição da Impugnante no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Segundo a jurisprudência sobre o assunto, via de regra não há incidência, porém, uma vez comprovado o pagamento em dinheiro desta verba, a incidência se faz presente dada a descaracterização do programa, passando a ter caráter salarial. Portanto, por força da jurisprudência já pacificada sobre o assunto, é indevida o débito imputado à Impugnante sobre a rubrica "REF", porque vem cobrar valores de contribuições incidentes sobre alimentação fornecida "in natura". Analogicamente, aplicase ao presente caso o valegás oferecido "in natura", pois possui a mesma natureza legal da alimentação fornecida. DO AUXÍLIODOENÇA. O auxíliodoença não tem o condão de remunerar o empregado, não é uma contraprestação por seu trabalho; não tendo, portanto, natureza salarial. Assim, não pode compor a base de cálculo da contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração do empregado beneficiado, paga pelo empregador. O fisco busca o recolhimento da contribuição ao INSS incidente sobre a folha de salários, sobre a parcela relativa ao auxílio doença pago ao trabalhador ante ao afastamento por motivo de incapacidade para o labor, e cujo ônus é por lei assumido pela empresa nos primeiros 15 dias. Fl. 1106DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/12/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.003413/200796 Acórdão n.º 2403000.750 S2C4T3 Fl. 4 7 Assim, além de indevida esta rubrica (EAI), possui, na verdade, a impugnante, crédito frente ao INSS, porque pagou corretamente o auxílio aos empregados citados nesta rubrica, sendo as verbas apontadas como remuneração meros pagamentos por dívidas em aberto que a Impugnante possuía ante a estes empregados. DA REVISÃO FISCAL. Assim, a toda evidência decorrente dos documentos ora anexados, resta equivocado o levantamento fiscal procedido. Em face da nova realidade trazida pelos referidos documentos, que devem ser analisados em respeito a busca da verdade material, é a presente para requerer expressamente uma REVISÃO FISCAL para que seja depurado do suposto débito os valores indevidamente exigidos, com a realização da devida prova pericial. DO PEDIDO. Requer que a Notificação Fiscal ora impugnada seja julgada totalmente improcedente, ou, de qualquer modo, seja determinado por este Órgão nova fiscalização, relativa ao mesmo período. Requer, ainda caso este julgador não entenda pela nulidade do presente levantamento, seja procedida uma REVISÃO FISCAL para o fim de se depurar do suposto débito os valores indevidamente exigidos, ou, em sendo necessária, a produção de PROVA PERICIAL. DILIGÊNCIA. O presente processo foi baixado em diligência para que fosse regularizada a ciência da empresa Nova Colina Administradora de Bens Patrimoniais Ltda. Em cumprimento à diligência solicitada, foi encaminhada correspondência à empresa solidária Nova Colina, regularizando sua ciência do presente débito. DA IMPUGNAÇÃO DA EMPRESA NOVA COLINA ADMINISTRADORA DE BENS PATRIMONIAIS LTDA. Regularizada a sua ciência, conforme assinatura às fls. 911, a empresa Nova Colina apresentou defesa às fls. 912/958, alegando, em síntese, que: DA ILEGITIMIDADE PASSIVA. O patrimônio da pessoa jurídica não se confunde com o patrimônio dos sócios, devendo aquela responder pelos débitos eventualmente decorrentes do exercício da atividade empresarial. Fl. 1107DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/12/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Para que seja exigido dos sócios o adimplemento da obrigação contraída pela empresa é indispensável a prova, a cargo do Fisco, de que os sócios agiram com excesso de poder ou contrários à lei, conforme art. 135 do CTN. É imprescindível que reste comprovada a conduta dolosa na prática de infração ou excesso de poderes autorizadora da responsabilização pessoal, ressaltandose que, o simples inadimplemento não configura essa situação. Não há prova pela fiscalização de que tenha ocorrido qualquer ato previsto no art. 135 do CTN, que justifique a inclusão da Impugnante, sócia da pessoa jurídica contribuinte ou responsável pelas exações ora cobradas, como sujeito passivo coresponsável por tais débitos. O fato de ser a Impugnante uma pessoa jurídica não dirime o Fisco do ônus de comprovar que o sócio do contribuinte autuado tenha dado razão a qualquer ocorrência dos requisitos previsto pelo citado art. 135, conforme assegura o STJ. Importante considerar, por fim, que a Impugnante somente foi constituída em agosto de 2004, conforme se pode observar dos atos constitutivos anexos. Assim, não poderia ser responsabilizada por atos ocorridos antes desta data, que a luz do art. 135 do CTN, somente poderiam ser praticados por aqueles com poderes de administração e gerência, conforme jurisprudências transcritas. Assim, ao não poder ingressar no pólo passivo da obrigação tributária decorrente dos débitos ora lançados e cobrados, é ilegítima a imputação de responsabilidade Impugnante pelo presente débito, devendo ser a NFLD anulada ou que seja sanada tal equívoco com o afastamento desta empresa do pólo passivo deste PAF. DA DECADÊNCIA. DO ARBITRAMENTO (AFERIÇÃO INDIRETA). DA INCAPACIDADE LABORATIVA. DOS VALORES COM NATUREZA REMUNERATÓRIA OU QUE NÃO COMPÕEM O SALÁRIOCONTRIBUIÇÃO. DAS REFEIÇÕES/VALE GAS. DO AUXÍLIODOENÇA. DA REVISÃO FISCAL. Nestes tópicos, também apresenta as mesmas alegações trazidas pela empresa DIBAL, transcritas acima. DO PEDIDO. Requer seja a NFLD declarada nula, ou caso assim não entenda, seja julgada improcedente.” DA DECISÃO DA DRJ Após analisar aos argumentos das impugnantes, a 7ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Salvador – BA DRJ/SDR, emitiu o Acórdão n° 1523.553, mantendo procedente em parte o lançamento nos seguintes aspectos: Aplicando a decadência referente ao período compreendido entre 03/1999 a 12/2003; Fl. 1108DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/12/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.003413/200796 Acórdão n.º 2403000.750 S2C4T3 Fl. 5 9 Determinando, de ofício, no que tange à aplicação da multa de mora, aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, para o momento do pagamento da referida contribuição, verbis: “Nos casos de falta de declaração e falta de recolhimento, a Medida Provisória n° 449 alterou a regra de imposição das multas de mora por lançamento de oficio, anteriormente prevista no art. 35 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, e por falta de declaração, anteriormente prevista no § 5° do art. 32 da mesma Lei, submetendo o lançamento de oficio à capitulação do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que versa sobre a multa de 75%, nos casos de falta de recolhimento, de falta de declaração ou de declaração inexata, e de seu agravamento, quando couber.” DO RECURSO Inconformada, a recorrente apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 1.053/1.067, com os mesmos argumentos da defesa, no que tange à Incapacidade Laborativa; às Refeições fornecidas sem a inscrição no PAT; além da necessidade de se aplicar de imediato a nova redação do art. 35 da Lei n. 8.212/91, no que tange à multa de mora. É o relatório. Fl. 1109DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/12/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 1.074, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE DAS RUBRICAS NÃO IMPUGNADAS EM SEDE RECURSAL Em sede recursal, a recorrente não contestou as seguintes rubricas: PDE — Pagamentos Diversos Empregados; PVE — Promoção Vendas Empregados; RC — Rescisões Complementares; VEE — Valores Extras Empregados; VEM — Valores Extras Mickey; VER — Valores Extras Rider e Rudinei; VES — Valores Extras Sonivan; VEA — Valores Extras Aferidos; VG — Vale Gás. Nesse diapasão, no que se referem às rubricas acima, entendese que a recorrente aceitou a decisão da DRJ, vez que, não houve contestação específica em sede recursal, nos termos do art. 17 do Decreto n. 70.235/72, verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. DO MÉRITO DO ARBITRAMENTO (AFERIÇÃO INDIRETA) Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada contra a recorrente, referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, referentes à parte patronal, às destinadas ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, bem como às contribuições previdenciárias dos próprios segurados empregados. A fiscalização autuou a recorrente, por arbitramento, por não ter incluído na base de cálculo da contribuição previdenciária as verbas que denominou de VEA (Valores Extras Aferidos) e VGA (Vale Gás Aferido). Como bem destacou a DRJ, não há mais que se falar em VEA, vez que atingida pela decadência. Antes de se analisar no caso concreto, mister se faz analisar o conceito de “Aferição Indireta”. Fl. 1110DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/12/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.003413/200796 Acórdão n.º 2403000.750 S2C4T3 Fl. 6 11 Do ponto de vista doutrinário, seguem as lições do Professor Wladmir Novaes Martinez (Curso de Direito Previdenciário. 4a Ed. – São Paulo: LTr, 2011. P. 756), verbis: 861. Apuração usual – Fiscalizando o contribuinte, a Receita Federal do Brasil examina vários documentos trabalhistas (PPP, LTCAT, do ambiente do trabalho) e contábeis (documentos de caixa) para verificar a presença do fato gerador. Entre muitos outros, são considerados a folha de pagamentos, recibos de pagamento, holleriths, cartões de ponto, pagamentos aos contribuintes individuais (autônomos eventuais e empresários), contratos de prestação de serviços ou de cessão de mão de obra, documentos de aquisição de produtos, rendas e receitas, quitações no Poder Judiciário, enfim, uma quantidade significativa de registros escriturais pertinentes aos deveres das obrigações principais e secundárias. E continua: Essa modalidade de detenção do fato gerador, por sua excepcionalidade, reclama cuidados extremos do aplicador da norma. Ela tem pressupostos, mecanismos de levantamento, claríssima descrição do modus operandi fiscal e um relatório discriminativo que não obste o direito constitucional de defesa. Por ser inusitada ab initio, merece justificativa efetiva e deve ser interpretada restritivamente. (grifos nosso) Feita a análise doutrinária acerca da Aferição Indireta, mister se faz avaliar à luz da legislação (art. 33, §§ 3º e 6º da Lei nº 8.212/91), que regulamenta a matéria, vigente há época da fiscalização, verbis: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (...) Fl. 1111DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/12/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifo nosso) Da análise do Relatório Fiscal, no que se refere ao VGA, equivocadamente chamado de VG, no item 4.7.11., assim tratou a fiscalização, verbis: VG — VALE GAS AFERIDO, que corresponde a salário "in natura" aferido indiretamente com base no levantamento anterior (VG), tendo em vista que a partir de julho/2004, houve mudança do contador responsável pelas contas da empresa e consequentemente alteração no arquivamento dos documentos. Dessa forma, essa fiscalização entende que o benefício continuou sendo concedido, porém com maior cautela na guarda dos documentos que supostamente representavam valores pagos aos empregados "por fora", os quais não eram convenientes que ficassem expostos às fiscalizações trabalhistas e previdenciárias. O período é relativo à 07/2004 a 02/2007. (grifo nosso) A fiscalização achou por bem presumir que, com a troca do contador a recorrente passou a fornecer Gás aos seus funcionários “por fora”, aplicando a Aferição Indireta prevista no art. 33, § 3º da Lei n. 8.212/91. Em sede de defesa, a recorrente impugnou o arbitramento por meio indireto. Ocorre que não fez prova em sentido contrário, vez que não estava desincubida de provar o alegado. Por outro lado, a fiscalização comprovou, através das cópias de cheques, nas fls. 308, 696 e 697, o pagamento de Vale Gás não contabilizado, nos dias 06/05/2005, 01/04/2005 e 04/03/2005, respectivamente, o que reforça a sua tese de que a recorrente passou a não mais documentar tal procedimento e/ou, omitiu a documentação da fiscalização, o que por si, enseja a aplicação da Aferição Indireta. A recorrente não demonstrou os lançamentos contábeis dos citados cheques, fato esse que reforça a tese da fiscalização. Por essa razão, no que se refere à verba intitulada VGA, deve o Auto de Infração ser mantido. DA INCAPACIDADE LABORATIVA (SAT) A recorrente defende a inconstitucionalidade do SAT. Ocorre que, acerca dessa alegação, não há o que se pronunciar, posto que o CARF não é competente para apreciar sobre matéria constitucional, nos termos da Súmula nº 02 do CARF, abaixo transcrita: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Superada a matéria constitucional, considerase como devida a verba destinada ao SAT. Porém, alternativamente, a recorrente requereu aplicação de alíquotas (1%, 2% ou 3%), correspondentes ao risco da atividade, de acordo com o local de trabalho. Fl. 1112DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/12/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.003413/200796 Acórdão n.º 2403000.750 S2C4T3 Fl. 7 13 A legislação (art. 22, II, “a”, “b” e “c” da Lei nº 8.212/91), determina que seja aplicada a alíquota que corresponda a atividade preponderante da empresa. Do ponto de vista doutrinário, seguem as lições do Professor Wladmir Novaes Martinez (Curso de Direito Previdenciário. 4a Ed. – São Paulo: LTr, 2011. P. 725), verbis: “Num caso simples, se uma empresa mantém duas unidades no mesmo estabelecimento e CNPJ (escritório e área produtiva), prevalecerá a alíquota da atividade em que presta serviços o maior número de empregados. No comum dos casos, se o escritório tem 20 colaboradores (risco leve) e 60 deles, na parte fabril (risco grave), prevalecerá a taxa de 3% para toda a folha de pagamento da empresa. Ao contrário, se no escritório trabalham 80 pessoas e 20 na fábrica, a taxa desta última será a do escritório (1%). Raciocínio legal que ignora que o risco do escritório difere da produção. Das lições doutrinárias, abstraise que, de fato deve ser aplicada uma alíquota para cada estabelecimento, de acordo com a atividade preponderante. Nesse sentido, também segue a jurisprudência pátria, tanto que essa matéria já se encontra prevista na Súmula 351 do STJ, verbis: A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. (grifo nosso) Ocorre que, a recorrente não comprovou a alíquota a ser aplicada em cada estabelecimento. Tendo a fiscalização arbitrado uma alíquota generalizada, à recorrente caberia provar o contrário. Por essas razões, a alíquota de 3% no que se refere à verba devida em relação ao SAT, deve ser mantida. REFEIÇÕES REF A recorrente foi autuada por fornecer alimento in natura, por meio de terceiros, bem como sem estar inscrita no PAT, nos termos da Lei n. 6.321/76. A DRJ, no seu acórdão, julgou como procedente o lançamento no que se refere a essa autuação, por entender que a inscrição no PAT é condição essencial para que tais verbas possam ser excluídas do conceito de remuneração. É pacífica a jurisprudência do Colendo STJ, no sentido de que o fornecimento do alimento in natura, mesmo sem a inscrição no PAT, não deve integrar a contribuição previdenciária, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. Fl. 1113DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/12/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. Caso em que se discute a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas recebidas a título de auxílio alimentação in natura, quando a empresa não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. A jurisprudência desta Corte pacificouse no sentido de que o auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, DJ 8/11/2004; REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2010; AgRg no REsp 1.119.787/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29/6/2010. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 5.810/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/06/2011, DJe 10/06/2011) (grifo nosso) Da análise do recente acórdão, verificase que o Tribunal Superior aplicou a Súmula 83 do STJ, verbis: NÃO SE CONHECE DO RECURSO ESPECIAL PELA DIVERGÊNCIA, QUANDO A ORIENTAÇÃO DO TRIBUNAL SE FIRMOU NO MESMO SENTIDO DA DECISÃO RECORRIDA. Em outras palavras, por ser matéria pacífica, o STJ nem conhece Recursos em sentido contrário. Razão pela qual, no que tange à Contribuição Previdenciária referente à alimentação in natura, fornecida sem a inscrição no PAT e por meio de terceiros, o Recurso Voluntário deve ser julgado procedente. AUXÍLIODOENÇA EAI A DRJ no seu Acórdão foi cristalina e didática no que se refere ao Auxílio Doença. Ao contrário do que tenta fazer crer a recorrente, a sua autuação não se deu pelo pagamento do AuxílioDoença em si, mas pela não inclusão dos valores pagos aos empregados (Srs. Lenoilton Pereira Nascimentos e Élio Pires Rego), no período em que os dois estavam afastados, por motivo de doença. Podese comprovar esse fato através da análise do Discriminativo Analítico de Débito – DAD, fl. 05. Na fl. 1.064, a recorrente alega que tais valores “se referiam a saldos de salários que a empresa estava liquidando”. Diante disso, resta evidenciado que tais valores devem ser incluídos na base de cálculo da Contribuição Previdenciária, razão pela qual, no que tange à verba denominada EAI, deve a autuação ser mantida. MULTA DE MORA Fl. 1114DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/12/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.003413/200796 Acórdão n.º 2403000.750 S2C4T3 Fl. 8 15 A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabelece que os débitos referentes a contribuições não recolhidas no prazo previsto em lei, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo), para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Por falta de amparo legal, não há como prosperar o pleito da recorrente para que seja aplicado o recálculo nesta fase processual, devendo ocorrer, quando do pagamento, conforme já destacado. CONCLUSÃO Do exposto, julgo procedente em parte o recurso para excluir da base de cálculo da Contribuição Previdenciária os valores pagos para fornecimento de Refeição in natura, bem como para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Voto Vencedor Fl. 1115DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/12/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 16 Quanto à tributação do auxílioalimentação, discordo do relator. Inicialmente farei registro que o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela PORTARIA Nº 256/209 do Ministério da Fazenda, estabelece que o CARF tem por finalidade julgar recursos de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. CAPÍTULO I DA NATUREZA E FINALIDADE Art. 1° O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (grifei) Quanto ao auxílioalimentação oferecido aos segurados, a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador é requisito essencial para que o benefício não integre a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O inciso I do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, assim dispõe sobre o saláriodecontribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). E o art. 458 da CLT assevera a natureza salarial do benefício. Logo, uma vez que se subsume ao conceito de saláriodecontribuição, somente outro dispositivo legal seria idôneo para o excluir da base de cálculo da contribuição: Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações “in natura” que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. (...)Grifamos Assim o fez a Lei nº 8.212/91 em sua alínea “c”, do §9º do artigo 28; no entanto, somente para as empresas inscritas no Programa de Alimentação do Trabalhador: Fl. 1116DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/12/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.003413/200796 Acórdão n.º 2403000.750 S2C4T3 Fl. 9 17 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; No caso sob exame, está demonstrado nos autos que durante o período a que se refere o lançamento a recorrente não estava inscrita no programa e, portanto, o lançamento está correto. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 1117DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/12/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 11030.001473/2004-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1803-000.041
Decisão: Por unanimidade de votos, declinar a competência à 3ª Seção do
Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 1; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1857; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 202 1 201 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.001473/200425 Recurso nº 245364 Resolução nº 1803000.841 – 3ª Turma Especial Data 24 de fevereiro 2011 Assunto COMPETENCIA Recorrente PROTELYNE CALÇADOS DE SEGURANÇA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL O presente recurso trata de diferenças entre os valores declarados e os valores escriturados a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins no período de outubro de 2001 a dezembro de 2003. Por conseguinte, tenho que me furtar em adentrar no mérito da questão, tendo em vista a determinação expressa do artigo 4o, do Anexo II, Título I, Capítulo I do Regimento Interno do CARF que outorga à 3a Seção deste Conselho Administrativo a competência absoluta para processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação da: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Assim, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, voto no sentido de DECLINAR a competência a Egrégia 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF para análise do recurso voluntário.. (assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Relator Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente da turma), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Marcelo Fonseca Vicentini e enedicto Celso Benício Júnior. Fl. 202DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Assinado digitalmente em 03/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, 09/08/2011 por SELENE FERREIRA D E MORAES
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