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Numero do processo: 11543.001595/2003-51
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 31 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1803-000.038
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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Relatório Trata-se de declaração de compensação de saldos negativos de IRRJ e CSLL, relativos ao ano de 2000 e 2001. Note-se que o pedido de compensação de fls. 3/4 foi transferido para o processo administrativo n° 15578,000195/2008-96, restringindo-se o presente processo às declarações de fls. 1, 16 e 24/31. Assinado 21;01.)., 2010 r.or SELENE. rERP,EPA DE. RIO.E.S., 2'1;c21{) por SEL.E.NE Fi:EREJRA DE ,,,,EDRAEs Emitido :NI; 21..) ,11 21:11() polo (ir) F-TIZE:Ild Dí CARI . MI 11 2 Processo n" 11543,001595/2003-51 Si -i Resolução n 1803-000.038 El 293 A autoridade administrativa reconheceu os saldos negativos de IRP1 e CSLL conforme apurado pela contribuinte, mas verificou os seguintes fatos (fls.155/159): • O contribuinte vem utilizando-se do saldo negativo de IRPJ para adimplir estimativas relativas aos anos-calendário 2001 e 2002, conforme relatórios e documentos contábeis as fls. 119 a 121, 124 a 126 e 1353 137 • De acordo com os cálculos efetuados pelo Sistema Apoio Operacional (NE0 SAPO), homologado pela RFB para utilização em cálculos de compensação/restituição, o saldo negativo de IRPJ do ano 2000 foi totalmente utilizado nas compensações efetuadas para adimplemento das estimativas dos anos-calendário de 2001 e 2002, registradas na contabilidade pela contribuinte. Extrato dos cálculos às fls. 145 a 148 onde inclusive pode ser constatada a inexistência de saldo para liquidar as parcelas de abril a junho de 2002. e De acordo com os cálculos efetuados pelo Sistema Apoio Operacional (NE0 SAPO), homologado pela RFB para utilização em cálculos de compensação/restituição, o saldo negativo de CSLL do ano 2000 foi totalmente utilizado nas compensações efetuadas para adimplemento das estimativas dos anos calendário de 2001 e 2002, registradas na contabilidade pela contribuinte.. Extrato dos cálculos às fls. 149 a 152 onde se verifica insuficiência de saldo para extinguir a estimativa de maio de 2002, bresignada com a decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, em que alegou em síntese que: a) O interessado ostentava créditos suficientes a embasar a compensação requerida. b) Diversamente do que afirma o Parecer Conclusivo e o Despacho Decisório, as compensações realizadas pelo interessado não se encontravam 'astreadas apenas e tão- somente em créditos decorrentes de saldo negativo de IRPJ e de CSLL apurado no ano de 2000, embora os mesmos de fato tenham sido utilizados para pagamentos de tributos relativos aos anos de 2001 e 2002; c) Requereu ao fisco, em 14/05/2003, autorização para compensar seus débitos com créditos tributários apurados em 31/12/2000, instaurando o processo n° 11543.001595/2003-51. d) O interessado notificou ao fisco que as compensações referidas no processo n° 11543,001595/2003- 51 também teriam em consideração créditos apurados no ano de 2001. e) Acredita que essas informações apenas não foram consideradas na decisão administrativa questionada pelo fato de em virtude de lapso, não se retificar a DM informando à Receita Federal, também por este documento a existência de créditos apurados no ano de 2001. f) Os débitos compensados já se encontravam extintos quando da prolação da decisão administrativa, em face da decadência do direito do fisco de homologar ou não a compensação, urna vez que foi apresentada declaração de compensação em 14/05/2003 e a decisão administrativa questionada foi lavrada em 22/08/2008, pouco mais de três meses apôs o encerramento do prazo decadencial.. pur Elátid0 Lr.r 2 Dr C ARI : Mr H 3 Processo n" 11543 001595/2003-51 SI-TE03 Resolução n "1803-000.038 1:1 294 g) Na eventualidade de não prevalecer essa tese, os débitos em tela estão prescritos nos termos do artigo 174 do CTN, A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação, com base nos seguintes fundamentos (lis. 249/256): a) O interessado em sua manifestação de inconformidade admite que de fato os saldos negativos da IRPJ e da CSII, do ano calendário de 2000 foram utilizados para pagamentos de tributos relativos a 2001 e 2002, no entanto, alega que o pedido de compensação não estava !astreado tão-somente em créditos decorrentes de saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados no ano calendário de '2000, pois entregou em 01/10/2003 retificação que incluiu créditos apurados até 31/12/2001. b) A DCOMP retificadora de lis. 16, entregue em formulário de papel em 01/10/2003, pleiteia a compensação de débitos de 1RPJ e CSLL, com créditos oriundos de Saldo Negativo de IRPJ e CSL,L, do ano calendário de 2001 (fl. 17), c) O artigo 2° da IN SRF if 360, de 24 de setembro de 2003, vigente a época da entrega da declaração de compensação retificadora, em 01/10/200.3, preceitua que o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou ressarcimento, e que desejar utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF, deveria encaminhar à SRF Declaração de Compensação, gerada a partir do Programa PER/DCOMP 11 d) O Pedido _juntado às fls. 16/17 e 238/2.39 que informa créditos pertencentes ao ano calendário de 2001, deve ser considerado como não formulado e não declarada as compensações correspondentes, por não cumprir o previsto pela legislação vigente, deixando de ser apreciado acertadamente pelo Despacho Decisório. e) O PERDCOMP retificador de lis. 24/31 foi transmitido à RFB em 28/08/200.3 (doe 24). A data da ciência do interessado no aviso de recebimento, que encaminhou o Despacho DECISÓRIO/PARECER Conclusivo n° 1.869/2008 (fis. 155/159), contra o qual manifestou sua inconformidade, foi de 25/08/2008 (fl. 166), f) A 1N-SRF n° 600/2005 no seu Art. 60, preceitua que "Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2° do art. 29 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadom". g) Verifica-se, portanto, que não transcorreu o prazo de cinco anos entre a data da entrega do PERDCOMP retificador, 28/08/2003, e a ciência do interessado do despacho decisório que analisou o pedido, 25/08/2008, motivo pelo qual não ocorreu a homologação tácita das compensações pleiteadas, h) Não procede também a alegação do interessado quanto a ter ocorrido a prescrição do direito da Fazenda Pública de exigir os débitos confessados, uma vez que nos termos do § 2°, do artigo 74 da Lei n'9,430/1996, a compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de ulterior homologação. Os créditos que não obtiverem a homologação da compensação, só poderão ser exigidos após a decisão definitiva e terão 5 anos para cobrança, conforme art, 174 do Código Tributário Nacional (CTN), ,.:01 21 /0!):20 wr SEI ENE FER1 ."1::IPt., DE. 210RAE2 Auienlicaí,f0 21r09:2L} 10 1:.,or EERREIP,A 1)E rvioRAEs Emitido 2M.)9i2I)10 r; ,5)#e,, f.,firtist,'?'io Faze...nd;: g) 33 Dl (1.ARF NII•1 : 1 4 Processo n" 11543.001595/2003-51 S1-1E03 Resolução n " 1803-000M8 Fl 295 Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, tece as seguintes considerações: a) A contribuinte remeteu à SRF PER/DCOMP retificadora por meio eletrônico em 28/08/2003 (Vis. 24/31 do processo administrativo), b) Cai por terra o argumento de que se valeu o Fisco quando do indeferimento daquela defesa administrativa, que, quanto ao particular, pautou-se única e exclusivamente na afirmação de que a DCOMP retificadora apresentada em 01/10/2003 já que apresentada em formulário de papel deve ser considerada como não formulada, razão pela qual os créditos apurados no ano calendário 2001 não poderiam ter sido utilizados para a compensação naquele período, c) A circunstância de a contribuinte haver noticiado ao Fisco (por formulário de papel e eletrônico) que as compensações referidas no processo administrativo no 11541001595/2003-51 também teriam em consideração créditos apurados no ano de 2001 e de ela, em vista disso, possuir créditos suficientes a concluir as compensações não-homologadas pelo Fisco desnatura a conclusão a que chegou o Fisco por ocasião da prolação da decisão administrativa ora questionada, que se baseia, então, em uma visão distorcida do ambiente fático que embasa a declaração de compensação. Com efeito, os a gentes fiscais quanto proferiam aquela decisão partiram da premissa de que inexistiam créditos suficientes à compensação declarada, premissa tática que é desmentida pela constatação empírica de que foram incorporados ao contexto dessa compensação créditos apurados em 2001. d) Considerando que o qüinqüênio a que se refere o parágrafo 5 0 do artigo 74 da Lei 9430/96 expirou-se em 14/05/2008, e que a decisão administrativa questionada foi lavrada em 22/08/2008 (ou seja: pouco mais de três meses após o encerramento do interregno preclusivo), tem-se que, ao tempo da prolação daquela decisão administrativa, já se havia decaído o direito do Fisco de homologar (e principalmente de deixar de homologar) a compensação declarada pelo sujeito passivo. e) Mesmo se pudesse prevalecer a tese segundo a qual a ausência da homologação da declaração de compensação efetivada pela contribuinte por meio do processo administrativo n o 11543,001595/2003-51 não induz a extinção dos créditos compensados, não haveria corno se evitar a reforma da decisão administrativa questionada, dada a prescrição dos créditos por ela visados. E o relatório Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 23/03/2009 (AR de fls, 266). O recurso foi protocolado em 15/04/2009, logo, é tempestivo e deve ser conhecido, 2 , f);, I i 2.CI F-1:.-P.F'..EW 2 vsirEL.ENr 1.:11 1 () r;11 4 1)1 . CARI :v11 11 5 Processo n" 11543 001595/2003-51 Resolução n " 1803-Q09.038 SI-"FE03 Fl 296 O presente processo iniciou-se com a seguinte declaração de compensação: Declaração de fls. 1 — protocolada em 14/05/2003 Credito Débitos , Cdigo Período 5993 01/2003 5.119,82 5993 02/2003 25.976,29 Saldo negativo de IRRI e CSLL 5993 03/2003 13.823,85 relativo ao ano de 2000 2484 01/2003 3.432,99 2484 02/2003 12.164,68 2484 03/2003 7.940,12 Em 28/08/2003, a contribuinte transmitiu por meio eletrônico as seguintes declarações retifrcadoras: Declaração de fls. 24/27,11° 10183 27021 280803.1.7.02-3413 Crédito Débitos Valor Código Período Saldo negativo de IRP,1 relativo ao ano de 2001 5993 01/2003 5.109,82 5993 02/2003 25.966,29 5993 03/2003 13.813,85 Declaração de fls. 28/31 n° 27454.15031.2808011.7.0.3-0216 Crédito Débitos Valor Código Período Saldo negativo de CSILL relativo 2484 01/2003 3.422,99 2484 02/2003 12.154,68 ao ano de 2001 2484 03/2003 7.930,12 Em 01/10/2003, a recorrente protocolou declaração retificadora em papel (fls. 16/17), Nas retificadoras a recorrente alterou apenas o direito creditório utilizado na compensação, tendo indicado como crédito saldo negativo de IRPJ relativo ao ano de 2001 (fls. 27) e saldo negativo de CSLL relativo ao ano de .2001 (fls. 31). A autoridade administrativa não atentou para o fato de que nas PER/DCOMP retificadoras (fls. 24/31), a contribuinte havia discriminado como crédito saldos negativos apurados em 2001, e não em 2000, como anteriormente declarado. A decisão recorrida também cometeu o mesmo equivoco, conforme trecho a seguir reproduzido: '34- O Parecer Conclusivo n° 1 869/2008 proferido pelo SEORT/DRF, às /Is- 155/1.58, no seu elatório (fls. 155) registra que o interessado apresentou inicialmente declaração de compensação em Ibrmulório de papel (lls_0110.2), conforme o Anexo VI da IN SRF n° 210 de 2002 e que Assir2rit ..5digiintmenle cm 2 t .4.)!:t12DI O por SELEM: I' ERRE .:1RA DE MORMS Aukt nt¡e..2 du c,nt ítor SEt ENt- t-HREFIRA DE MORAES Emitido ,T., rn 29'09.201 r) t)-1!:) Minirio FE:zêmi.,:l 5 Processo n" 11543.001595/2003-51 Resolução a" 1803-000.038 S1-1" E03 Fl. 297 DF CARI NU H 6 posteriormente, transmitiu as declarações de compensação — PER/DCOMP (fis 24131), 1-edificadora da inicial, onde quer ver extintos por compensação débitos próprios de IRRI e CSLL, com direito creditório decorrente de saldos negativos de IRPJ e de CSLL, referentes ao ano calendário de 2000" É procedente a alegação da recorrente de que apresentou declaração retificadora em meio eletrônico, anteriormente à apresentação da declaração retificadora em papel, A IN n° 600/2005 assim dispõe sobre a retificação da declaração de compensação: "Ari. 56, A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DC(1W, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SIZE de documento retificador gerado a partir do referido Programa Parágrajb único. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação apresentados em fbrmulário (papel), nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da SRF Ari 57. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão Ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts .58 e 59 Ari 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de ibrmulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento cio referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 59 Art. 59.. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de lbrinulário (papel) não será admitida quanto tive! por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRE: Parágralb Único Na hipótese prevista no capid, o sujeito passivo que desejar compensai ... o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação." A retificação da declaração foi efetuada em agosto de 2003, na forma adequada, antes, portanto, do despacho decisório proferido em agosto de 2008.. A autoridade administrativa não se manifestou sobre a retificação efetuada pela recorrente, apesar dela ter sido efetuada antes de sua decisão. A:::,sjomo diOtnfinerac I.Ï.)20 10 por SELEYE EERREIRA DL moRAE.<.. Acitç,mhuado dicjitámE...,r i k: em 2 H-.71.WEINA rACS5RAES E 4)Ido,-.1ru 2!).'W2(.1 p:)1c) Ministélind Fia:mila 6 DF (AR[ N1F Fl 7 Processo n" 11543 001595/2()03-51 SI-TE03 Resolução n "1803-909.038 H 298 A retificação válida não pode ser simplesmente desconsiderada pela autoridade administrativa, devendo os autos retornar à origem a fim de que a autoridade administrativa aprecie as PER/DCOMP's de fls, 24/31, que indicam direito creditório distinto, apurado em 31/12/2001. Por outro lado, não há como reconhecer direito creditório que sequer foi analisado pela autoridade administrativa competente. Logo, não é possível homologar as compensações tal como pleiteado pela recorrente. Diante destes fatos, considero necessária a realização de diligência, para as providências e verificações a seguir relacionadas: a) Dar ciência desta resolução à autuada, entregando-lhe cópia.. b) Análise dos saldos negativos de IRRI e CSLL relativos ao ano calendário de 2001, indicados como crédito nas declarações n° 10183.27021280803.1,7.02-3413 e 27454,15031,280803.1.7,03-0216 (lis, 24/31), A autoridade administrativa encarregada do procedimento deverá elaborar relatório conclusivo, ressalvado a prestação de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia à recorrente e conceder-lhe prazo para que se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que o presente processo deverá retornar a esta Turma, Conclusão Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência nos termos acima propostos. (assinado digitahnente) Selene Ferreira de Moraes diç: jiT21/ ..ri ,,2111e; 2 i•2012.) FE.:RF-Elirik DE 1.viORAf.15 FF:1,.'..f.,-;2f», ErritHcj 7 ' l a Seção 4" Cãmara Fis CARF TERMO DE JUNTADA i a Seção/4' Câmara Declaro que juntei aos autos a Resolução n o 1803-000 038 (fls. ), assinada digitalmente, e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil Em / / Chefe da Secretaria pkg: MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - CARF i a SEÇÃO DE JULGAMENTO/4 a CÂMARA Processo n° 11543,001595/2003-51 Interessado(a) . MONNA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO LTDA
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Numero do processo: 10814.002899/91-86
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 14 00:00:00 UTC 1992
Data da publicação: Thu May 14 00:00:00 UTC 1992
Ementa: IMUNIDADE. ISENÇÃO.
1. O art. 150, VI, "a" da Constituição Federal só se refere aos impostos sobre o patrimônio, a renda ou os serviços.
2. A isenção do Imposto de Importação às pessoas jurídicas de direito público interno e as entidades vinculadas estão reguladas pela Lei nº 8032/90, que não ampara a situação constante deste processo.
3. Negado provimento ao recurso.
Numero da decisão: 301-26.992
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Cons. Fausto de Freitas e Castro Neto, relator, José Theodoro Mascarenhas Menck e Sandra Miriam de Azevedo Mello. Designado para redigir o Acórdão o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO
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ISENÇÃO. 1. O art. 150, VI, "a" da Constituição Federal so se refe- re aos impostos sobre o patrimônio, a renda ou os servi ços. 2. A isenção do Imposto de Importação às pessoas jurídicas de direito público interno e as entidades vinculadas es tão reguladas pela Lei n'? 8032/90, que não ampara a si~ tuação constante deste processo. 3. Negado provimento ao recurso. VISTOS, relatados e discutidos os presentes autos, T'[iC7Vignodo , SOUZA - Proc. da Fazenda Nacional OTAC LIO RUY ODRIGUES DE ~ ACORDAM os Membros da Primeira Cãmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em negar provimento ao recur- so, vencidos os Cons. Fausto de Freitas e Castro Neto, relator, José Theodoro Mascarenhas Menck e Sandra Miriam de Azevedo Mello. Designa- do para redigir o Acórdão o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. BC"f1;'~4 dem,iode 1992. ITAMAR VIEI~A DAiCOSTA - Presidente I VISTO EM SESSÃO DE: 24 UL 1992 Participaram, a.hda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Ronaldo Lindimar José Martone João Baptista Moreira. Ausente o Conse- lheiro Luiz Antonio Jacques. julgou SERVICO PUBLICO FEDERAL~lEFP - TERcm 11.0CONSELIIO DE CONTRIIlUINTES - PRIME IRA CÂ~lARA RECURSO N9 '114.501 - AcORDi\O N9 301-26:.992 RECORRENTE: FUNDM)\O PADRE ANCJIlETA - CENTRO PAULISTA DE RIiDlO E TV EDUCI\TIVAS RECORRIDA : IRI'/I\EROPOlnO INTERNACIONI\L/ Si\O PAULO RELATOlZ DESIGNADO: ConselheiroOTACÚIO DANTAS CARTAXO IZ E L 1\ T O lZ 1 O Em ato de' conferência documental da DI n9 017884 de 12.D4.9~ entendeu a fiscalizaçãó oue a Fundação não faz juz ao beneficio fiscal de IMUNIDADE, para os impostos de importação e do IPI, por não ,se tratar, nos termos do artigo 150, VI, "a" e ~ 29 da CF/88, conforme constava na Dl, de fundação pública. A recorrellte submeteu a desembaraco, diversas Inerca- darias de renosição pllra uso em eouipamentos de radiodifusão. Pela Deci~ão n9 164/91, o Senhor Inspetor do AISP, procedente a acão fiscal, com a seguinte ementa: " Imunidade Tributiíria. Imnortação de mercadorias ror., en!idade fundacional do Poder Público. O imposto" de importação e o imposto sobrenrodutos industiia lizados não incidem sobre o natrim6nio, portanto não estão abrangidos na violação constitucional do poder de tributar do art. 150, inc. VI, alinea "a" ~ 29 da Constituição Federal". O contrIbuinte, em seu recurso, nue leio em sessao, 'resumidamente alega (Iue: " "', sendo a recorrente uma fundacão instituida e mantida pelo Poder Público, corno sobejamente prov~ doe reconhecido pela autoridade de primeira ins- tincia; sendo sua finalidade essencial a transmis- são de ]lrogramas educativos e culturais por rádio e televisão; ~endo importado bens destinados a essas finalidades, já nue destinados i operacão de suas emissoras; ~ozando de imunidade outorgada pe- la Constituição, artigo ISO, ~ 29, que lhe esten- de a imunidade reservada is pessoas políticas; e sendo dcispido de fundamento o argumênto - repudia- do pela Corte Sunrema - de nue essa proibicão cons~' '1m- ,i,' .~.~' de impoL decisão imunida relati- UM'JIÇO 'UBlICO HblllAl Rec.114.50l Ac. 301-26.992 titucional de tributar nao alcanca os impostos taç~o e IPI, 6 de ver aue n~o pode subsistir a recorrida, (Iue acolheu a peça fiscal, negando a de e mantendo a exigência de crédito tributário vo ~uueles impostos . . .• .• .. . . . . . . . . .. . . . . . . . . . .... . . . . .' . B o relatór; o 'f}v!J SER ..•.IÇO "L'BUCO 'EDE"''''l v O T O Ac. 301-26.992 Conselheiro Otacilio Dantas Cartaxo,_relator designado ..' , Adoto o Voto do Ilustre Conselheiro Itamár Vieira da Costa, proferido no Acórdão n'? 301-26.895: "A Funda ç ão Pad re A nch ieta p Ie iteo u o reconhecimenta d a imuni c:ade tr ibut á r ia, a f im de não .reco Iher ao s co fre s púb Iico s o s valor e s d~ Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados incidentes. A recorrente invocou o art. 150, item VI, letra "a" da Ccn~ tituição Federal, assim como seu ~ 22, para embasar sua pretensão. O texto constitucional é o seguinte: "Art. 150 - Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios 1- .••• omissis •••• ... ... VI - instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros • ... ~ 29 - A vedação do inciso VI, letra a, é ex tensiva às autarquias e às. fundaç6es instituídas e mantidas pelo Poder Públi co, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas d~ correntes. A fiscalização, por sua vez, efetuou a autuação porque os impostos não estavam enquadrados na expressão "patrimônio renda e seL viços" inseridos no texto da Lei Maior. Não houve controvérsia sobre a natureza da instituição que é uma fundação mantida pelo Poder Público. ~ conhecida a expressão: a Constituição Federal não contém palavras inúteis. Logo, se houve restrição a certos tipos de impostos, só os fatos geradores a eles relativos é que podem fazer surgir a re~ pectiva obrigação tributária. A Constituição é clara: é vedado instituir impostos sObr~ o patrimônio, a renda ou os serviços da União. dos Estados, do Distri~ to Federal e dos Municípios. Tal vedação é e~tensiva às fundações in~ , h.CC. II't.JVI Ac. 301-26.992 S("V'CO IOUIIUC;O FEDERAl tituídas e mantidas pelo Poder Público. Segundo o Código Tributário Nacional, o Imposto sobre a Im portaçio de Produtos Estrangeiros e o Imposto sobre Produtos Indu~ trializados nio incidem sobre o patrimônio, sobre a Renda, nem, tam pouco, sobre os serviços. Um está ligado ao comércio exterior, à prQ teçio da indústria nacional. O outro se refere a produçio de mercadQ r~as no País. Qual a finalidade da imposiçio tributária, na importaçio , dos referidos tributos? O Imposto de Importaçio existe para proteger a indústria nl. cional. Sua finalidade é extrafiscaI. Quando se estabelece determinada alíquota desse imposto,vl sa-se a onerar o produto importado de tal maneira que nio prejudique' aqueles produtos similares produzidos no País. Se, para argumentar, a recorrente fosse comprar a mercadQ ria produzida no Brasil teria que pagar, teoricamente, valor semg Ihante ao produto importado, acrescido do imposto. O Imposto sobre Produtos Industrializados incidente na im portaçio, também chamado de IPI-vinculado é o mesmo cobrado sobre a' mesma mercadoria produzida internamente. Essa taxaçio visa a eqUall zar a imposição fiscal. Ambos, o produto nacional e o estrangeiro,têm o mesmo tratamento tributário no que se refere ao IPI. Se a Fundaçio' fosse adquirir mercadoria idêntica produzida aqui no~sil, teria que pagar o imposto. Ele incide sobre o produto industrializado e não SQ bre o patrimônio de quem o adquire. Outro aspecto importante a considerar é o da legislação o~ dinária. O Decreto-lei n2 37/66 diz: "Art. 15 - t concedida isenção do Imposto de Importaçio nos termos, limites e condições estabelecidas em rg gulamento: I - à União, ôOS Estados, ao Distrito Federal e ac" Municípios; 11- às autarquias e demais entidades de direito PQ blico interno III-às instituições científicas, educacionais e de assistência social • • • • ~. hec. 11'+. J01 ü. Ac. 301-26.992 SEFlVICO PUBLICO FEDERAL pelos autaLqui as; Como se vê, o Decreto-lei n2 37/66 foi o instrumento le gal utilizado para conceder isenções do imposto quando as importações de mercadorias sejam feitas pelas entidades descritas no referido aL tigo 15. Nunca foi contestado tal dispositivo, nem, tampouco,foi ele inquinado. de inconstitucional. Para confirmar o entendimento até aqui demonstrado, recor r6 ~ lei editada já na vigência da Constituiç~o Federal de 1988. TrA ta-se da Lei n2 8032, de 12 de abril de 1990 que estabelece: "Art. 12 - F icam revogadas as isenções e reduções do Imposto sobre a Imp:Jrtaç~o e do Imposto sobre Produtos Industrializados,de caráter geral ou especial, que beneficiam bens de procedên cia estrangeira, ressalvadas as hipóteses previstas nos artigos.22 a 62 desta Lei. Parágrafo único - O disposto neste artigo aplica-se às im portações realizadas por entidades da Administraç~o PÚbll ca Indil'eta, de imbito Federal, Estadual ou Municipal. Art. 22 - As isenções e reduções do Imposto sobre a ImpOL tação ficam limitadas, exclusivamente: I - às importações realizadas: a) pela Uni~o, pelos Estados, pelo Distrito Federal, Territórios, pelos Municípios e pelas respect.ivas b) pelos partidos políticos e pelas instituições de eduCA ç~o oude assistência social; c) ••• 11 AIJis, a decis~o recorrida foi fundamentada de forma bas tante clara e correta. Por isto considero importante transcrevê-la: "Fundação Pe. Anchieta, importadora habi tual de mi quinas, equipamentos e instrumentos, bem como suas partes e peças, destinados à modernizaç~o e reaoarelhamento, 2t~ 19/05/88, beneficiou-se da isenção para o 11 e IPI previ~ ta no art. 1g do Decreto Lei n2 1293/73 e Decreto Lei n2 •• 1726/79 revogada expressamente pelo Decreto n2 2434 daqu~ la data. Passou a existir então a Redução de 80% apenas PA ra as máquinas, equipamentos, aparelhos e instrumentos,não mais contempla as partes e peças, que só passaram a ter r~~ duç~o a partir de 03/10/88 com a publicação do Decreto Lei ..001 ng 2479. ,'O Ac. 301-26.992 SfRVICO PUlIllCO FfD£"Al Em 12/04/90, com o advento da Lei_ ng 8.032, todas as isenções e Reduções foram revogadas, Iimitando-as eK clusivamente àquelas elencadas na citada Lei, e onde não consta qualquer isenção ou Redução que beneficie a intere~ sada. Até esta data (12/04/90) a interessada que sempre se beneficiara da isenção e, depois da Redução, passou a invocar a Constituição Federal, pretendendo o reconhecimen to da imunidade de que trata o art. 150, inc. VI, al£nea "a", t 22 da Lei Maior que dispõe que a União, os Estados, os Munic£pios, o DF, suas autarquias e fundações não pod~ rão instituir impostos sobre o patrimônio, renda ou servi ços uns dos outros. Ora é de se estranhar que quem possua imunidade constitucional, como quer a interessada, estivesse por tan to tempo sem ter se valido dessa condição, pretendendo-a sQ mente agora, com a revogação da isenção/redução, ou será que o legislador criou o duplo beneficio? A resposta está em que uma coisa nao se confunde, com a outra, posto que a interessada não faz jus à imunid~ de pleiteada, não porque nao se reconheça tratar-se ela, uma fundação a que se refere a Constituição, institu(da e. '.. , .•.mantida pelo ~der Publico, no caso o Estado pe Sao Paulo, mas sim porque o Imposto de Importação e o Imposto sobre I Produtos Industrial izados não se incluem naqueles de . que trata a Lei Maior, que são tão somente "impostos sobre o patrimônio, renda ou serviços", por se tratarem respectiv~ mente de "impostos s/ o comércio exterior" (11) e " "impo~ tos sobre a produçio e circulação de mercadorias" (IPI) CQ mo bem define o C6digo Tributário NaciDnal (Lei 5.172/66). Dai a concessão de isençio por leis especificas. Assim é porque a vedação constitucional de insti tuir impostos sobre patrimônio, renda ou serviços consubs tanciada no art. 150 diz respeito a tributo que tem .como fato gerador o patrimônio, a renda ou os serviços. A disposição constitucional do referido artigo é . ,Inequlvoca e bastante clara a partir de que estabelece p seu inciso VI, quando diz "insti:uir impostos sobre" rJj...di sl.Vlce PUBLIca FID!"AL Ac. 301-26.992 cando tratar-se de impostos incidentes sobre o patrimônio, vale dizer. o que dá nascimento à obrigação tributária é o fato de se ter esse patrimônioj quando se refere a impoi to incidente sobre a renda, significa impos~o que decorre da percepção de alguma renda e, finalmente,' 1)0 que tange aos serviços, a obrigação tributária surge em razão da prei tação de algum serviço. Uesse entendimento. tem-se que o imposto de impoL tação não tem como fato gerador da obrigação tributária.n~ nhuma das situaç~es referida~; ou seja, o fato gerador dei se imposto é a entrada de mercadoria estrangeira no terrl tório nacional. conforme preceitua o CTN, no art. 19, ven bis: "art. 19 - O imposto de compet~ncia da União. SQ bre a importação de produtos estrangel ros tem como fato gerador a entrada dei tes no território nacional" Reforça essa posição o estabelecido no art. 153, da CF quan do trata. dos' impostos de compet~ncia da União, ao se ref~ rir no seu inciso I aos impostos sobre importação de prQ dutos estrangeiros. Noutras palavras, o que gera a obrig~ ção tributária não é o fato patrimônio, nem renda, ou seL viços. mas sim o fato da "importação de produtos ~:stran geiros". Se outro fosse o entendimento não teria a Consti tuição Federal restringido o alcance da imunidade tributl ria especificamente quanto aos impostos sobre "patrimônio, renda ou s~rviços". nos precisos termos do inciso VI. do artigo 150. 'considerando-se sob o enfoque do fato gerador. porquanto todo e qualquer imposto necessariamente vem a onerar o patrimônioi prescindiria a Constituição Federal de especifica~ que a vedação de instituir impostos do menCl£ nado dispositivo referisse a patrimônio. renda ou serviços, para tão somente estabelecer que se refere a imposto sobre patrimônio, dando a conotação de imposto que atinge o p~ trimônio no sentido de onerá-lo. V~-se, pois, claramente que não se trata disso; a verdade é que "patrimônio, renda ou serviços" referem-se ei tritamente aos fatos geradores: ~atrimônio, renda e servl'~ ços. W \ , Ac. 301-26.992 SfR ••..ICO PUBllÇO FEOERA.L o C6digo Tributirio Nacional (Lei n2 5.172/66),que regula o sistema tributário nacional, estabelece no art ••• 17 que "os impostos componentes do sistema tributirio nA cional são exclusivamente os que constam deste titulo com as competincias e limitaç6es nele previstas". E, verifican do-se o art. 40 tem-se que "A natureza juridica específica' do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação ••• " Com essas disposições, o CTN, ao definir cada um dos impostos, assim os classificou em capítulos, de acordo com o fato gerador, a saber: Capitulo Capitulo Cap,Ítulo Capitulo CaplÍtulo I - Disposições Gerais 11 - Impostos sI o Comercio Exterior 111 - Impostos sI o Patrimônio e a Renda IV - Imp~stos sI a Produção e Circulação V - Impostos Especiais Ao exar~inarmos o capítulo 111 que trata dos "im postos sI o Patrimônio e a Renda", não encontramos alí os impostos em questão, ou"seja o II e o IPI, mas sim impoá to sI a Propriedade Territorial Rural, imposto sI a PrQ priedade Predial e Territorial Urbana e imposto sI a Trans missão de Bens Im6veis (todos relacionados a im6veis) e o imposto sI a Renda e Proventos de qualquer natureza. Ji no capitulo 11 - imposto slo Comércio Exterior, encontramos na seção I o Imposto sI a Importação e no cap{ tulo IV, impostos sI a Produção e Circulação, o imposto sI Produtos Industrializados. Em que pese as considerações dos doutrinadores e das posições defendidas nos ac6rdãos citados pela intereá sada, o que se deve considerar efetivamente é a determina- ção legal Que define a natureza dos impostos em Questão como o imposto de importação e o imposto sI os produtos In dustrializados não se caracterizam como impostos sI o PA trimânio, porquanto a Lei os classifica respectivamente CQ mo imposto sI o comércio exterior e imposto sI a prodQ ção e circulação, como se verifica pelo exame do CTN, on de o primeiro é tratado no caplÍtulo 11 e o segundo no capí tulo IV, não figurando no capoÍtulo 111 referente a impo~ tos si o Patrimônio e a Renda". Ac. 301-26.992 Por todo o exposto e por tudo o mais que do processo con~ ta, voto no sentido de negar provimento ao recurso." Sala das Sessões, em 14 de mala de 1992. '",-, °'1 OTACrLIO Relator- . CARTAXO ignado SERVIÇO PUBLICO FEDERAL v O T O V E N C I D O Ac.301-26.992 proferido Adoto o Voto do Ilustre Conselheiro no Acórdão n9 301-26.663: Wlademir Clóvis Moreira, , "o deslinde da questão ora submetida à apreciação deste Col~ giado consiste em saber se o patrimônio objeto da imunidade recíproca de que trata o art. 150, inciso VI, letra "a" da Constituição Federal está ou não vinculado às diversas categorias de impostos definidas em função do objeto da incidência tributária de que trata o T.ítulo 111 do Código Tributário Nacional e, especificamente, o seu capdtulo 111 que se refere aos impostos sobre o patrimônio e a renda. Se vinculação hOQ ver, a vedação constitucional inibidora da cobrança de impostos re~ tringir-se-á aos impostos incidentes sobre a propriedade"de imóveis u~ banos ou rurais, bem como sobre a transmissão dessa propriedade. Ao r~ vés, se não houver vinculação, a palavra patrimônio deverá ser entendi da no seu sentido mais amplo e genérico, estando alcançados pela veds ção praticamente todos os impostos, 'inclusive o de importação e o 'IPI vinculado. Na vigência da Constituição anterior, essa controvérsia já existia em relação às instituições de educação ou de assistência SQ cial. Com o advento do novO Estatuto Constitucional e em razão do novo status adquirido pelas entidades fundacionais instituídas e ; mantidas pelo poder público, foram estas, também, afetadas pela divergência de interpretação em torno da matéria. A imunidade tributária de que trata o artigo 150, inciso VI, letra "a" , doutrinariamente denominada recíproca porque impede que um ente público cobre impostos sobre o patrimônio, a renda ou os serviços de outro ente público, no pressuposto de que, cada um, atuando em dif~ rentes níveis de governo, tem por objetivo e razão de ser zelar pelo bem da coletividade. Apesar de terem personalid~desjurídicas distintas, eles, em conjunto, compõem a administração pública do País, responsá vel pela gerência do patrimônio público nacionalmente considerado. Na verdade, trata-se de uma só pessoa que atua em diferentes níveis oe g~ verno, de acordo com as competências constitucionalmente definidas. Tri butar uma das partes do conjunto significaria autotributação. Quando se trata dos municípios fica fáCIl da União, dos Estados, do Distrito Federal e .' ....,entender a l~rledade da trlbutaçao rec~ r I I Ac. 301-26.992 SEAVICO PÚBLICO fEOERAl,. proca, bem como o descabimento da interpretação restritiva do termo p~ trimônio, porquanto todos esses entes têm função tipicamente públicas. Mesmo assim, o assunto vem sendo tratado de .forma dissimulada. Em que pese expressa e clara determinação constitucional colocando fora do caro po de incidência tributária o patrimônio, a renda e os serviços daqu~ las pessoas jurídicas de direito público, sucessivas leis, como o O.L. nQ 37/66, art. 16, I e mais recentemente, a Lei nO 8032/90, art. 2Q,I, "a", concedem-lhes isenção do imposto de importação. Já o D.L. nO ••••• 2434/88 diz eufemisticamente que o imposto não será "cobrado". Em razão disso poder-se-ia concluir que a lei isencional é necessár ia porqua nto a imun idade const ituci ona I se refere ao patri mQ nio, a renda e aos serviços enquanto que o imposto de importação incl de sobre o ingres50 no territ6rio nacional de produtos estrangeiros,s~ gundo o C6digo Tributário Nacional. Não me parece ser bem assim. Em nenhum lugar, a atual Constl tuição ou a anterior deixou sequ,r implícito que o termo "Patrimônio" tem a limitação. que lhe dá o CTN para alcançar exclusivamente a pr,Q, priedade imobiliária urbana ou rural. Se a Constituição não distingue, não pode a lei ou o intérprete desta distinguir. Patrimônio público, segundo Pedro Nunes (in Dicionário de Tecnologia Jurídica) "é o conjunto de bens pr6prios de uma entidade p~ blica que os organiza e disciplina para atender a sua função e prodQ zir utilidades públicas que satisfaçam ~s necessidades coletivas". Em se tratando pois, do poder público, cuja função essencial é prestar serviços à coletividade, em nome e por conta desta mesma C,Q, letividade, é inconcebível que o seu patrimônio, no sentido mais amplo, possa vir a ser onerado por encargo tributário imposto pelo pr6prio P,Q, der público. E indubitavelmente, o Imposto de Importação afeta o patri môn[o do importador. Não há justificativa de natureza 16gica, econômica, jurídica ou mesmo filos6fica que sancione esta vinculação do conceito de patri mônio à forma como estão distribuídos os impostos no C6digo Tributário Nacional. Ademais, os julgados do Egrégio Supremo Tribunal Federal, citados pela recorrente, enfaticamente confirmam que os impostos de importação e sobre produtos industrializados, este último quando vincQ lado ao primeiro, não estão excluídos do conceito de patrimônio para efeito da imunidade tributária. ~ Ac.301- 26.992 SlRVlCO PUtlLlCO fEDERAL ~ importante ressaltar'q~e as fundaç~es aqui mencionadas pa~ saram, com o-advento da nova Constituição (art. 37),a integrar a admi nistração pública. Cabe observar por último; que, em se tratando de fundações públicas, a imunidade tributária é condicionada. E não se trata de con dição estabeléêida em lei ou regulamento como é o caso dos partidos PQ líticos, entidades sindicais dos trabalhadores e instituições de educ-ª. ção e de assistência social mas sim de condição fixada pela própria Constituição, segundo a qual é necessário que o patrimônio, a renda ou os serviços das fundações estejam vinculados as suas finalidades essen- ciais ou às delas decorrentes (C.F. art. 150 ~ 2Q). E a própria Constituição ainda estipula que não há imunidade do "patrimônio, da renda e dos serviços relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimen tos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário ••• ". Como se vê, a imunidade s6 protege o patrimônio da entidade fundacional pública quanto esta assume plenamente a natureza de entidi de pública, voltada exclusivamente para o interesse da coletividade. Nesta condição ela é parte do Poder Público e como tal imune aos enca~ gos tributários incidentes sobre ri patrimônio, a renda e os serviços normalmente de empreendimentos privados cujo objetivo central é a oQ tenção de lucro. Assim, no caso de ser pleiteado o reconhecimento do direito à imunidade, é de ser examinado se a requerente preenche os requisitos estipulados pela Constituição. No caso sob exame, parece-me preenchidos esses requisitos. Trata-se de entidade fundacional instituída e mantida pelo Poder Públi co, no caso, o Estado de são Paulo. Os produtos importados destinam-se a serem empregados em atividades ~inculadas a finalidades essencialsda importadora: difusão de atividades educativas e culturais através da rádio e da televisão. Esses serviços. embora concorrentemente possam ser explorados por empreendimentos privados, são prestados, pelo que consta dos autos, sem finalidade de lucro,como verdadeiro serviço p..ú. blico. f4 Ac. 301-26.992 SERVICO PUBlICO FEDERAl Nestas condições, voto no sentido de ser dado provimento ao recurso." Sala das Sessões, em 14 de maio de 1992. ;: .i _ ~_~. 8..-Luc-u, FAUSTO DE FREITitE CASTRO NETO Relator rffs 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014
score : 1.0
Numero do processo: 15521.000402/2008-68
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/10/2007
Ementa:
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO DE REQUISITOS.
Somente com a total comprovação dos requisitos determinados na Legislação é que as empresas fazem jus à isenção de contribuições sociais.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA.
ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
DECADÊNCIA. CRITÉRIO ÚNICO.
Deve-se aplicar critério único para determinação do período decadente do lançamento.
Numero da decisão: 2403-001.222
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Nas Preliminares por unanimidade de voto, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência das competências até 11/2003, inclusive, com base no art. 150, § 4º do CTN. No mérito por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente ASSOCIAÇÃO DOS IRMÃOS DA SOLIDARIEDADE Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 31/10/2007 Ementa: REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO DE REQUISITOS. Somente com a total comprovação dos requisitos determinados na Legislação é que as empresas fazem jus à isenção de contribuições sociais. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. DECADÊNCIA. CRITÉRIO ÚNICO. Devese aplicar critério único para determinação do período decadente do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 941DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, Nas Preliminares por unanimidade de voto, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência das competências até 11/2003, inclusive, com base no art. 150, § 4º do CTN. No mérito por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Relator/Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 942DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000402/200868 Acórdão n.º 2403001.222 S2C4T3 Fl. 2 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I, Acórdão 1224.240 da 15ª Turma, que julgou procedente em parte o lançamento, acatando a tese da decadência conforme abaixo: 13.1. Ocorre porém que o período de referência do presente lançamento, datado de 26/12/2008, vai de 01/12/2002 a 31/10/2007, sendo que, dentre as competências que o integram, a empresa não efetuou contribuições previdenciárias em 12/2002 e 04/2003, como consta das telas de contacorrente em anexo, razão por que, para estas, a decadência deve ser considerada nos termos do art. 173, I; enquanto que, relativamente às demais competências, deve ser contado o prazo decadencial segundo o art. 150, § 4°, ambos do CTN. 13.2. Assim, rejeito a prejudicial de mérito para a competência 04/2003 (já que 12/2002 é decadente, independentemente da fundamentação legal), a qual será mantida no lançamento; reconhecendo, entretanto, a decadência das demais competências até e inclusive 11/2003, cujos valores excluo. ... CONCLUSÃO 15. Pelo acima exposto, VOTO pela PROCEDÊNCIA PARCIAL do lançamento, retificado, conforme DADR Discriminativo Analítico do Débito Retificado anexo, para o valor de R$ 47.038,09, acrescido de encargos moratórios a serem calculados no momento de emissão da guia de recolhimento, apenas excluindo os valores lançados nas competências 12/2002 a 03/2003 e 05 a 11/2003, por conta da decadência considerada nos termos do art. 150, § 4° do CTN. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Do Lançamento O presente lançamento referese ao AIOP 37.194.7103 que, tendo em vista a extinção da Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social e a conseqüente transferência dos processos administrativofiscais para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme art. 4° Fl. 943DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007, recebeu nova numeração, passando a consubstanciar o processo de n° 15521.000402/200868. 2. Tratase de crédito tributário no valor originário de R$ 50.450,07, acrescido de encargos moratórios, relativo às contribuições para o FPASFundo de Previdência e Assistência Social e para o financiamento dos beneficios pagos em função de incapacidade laborativa RAT, no período de 12/2002 a 10/2007, cujo fato gerador foi o pagamento de remuneração a segurados empregados e contribuintes individuais. 3. Consta do relatório fiscal de fls. 182/185 que, embora a empresa tenha informado através de suas GFIPGuias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social as remunerações pagas a seus segurados, as contribuições de que trata o presente. lançamento não foram declaradas, uma vez que o código FPAS foi 639, correspondente a entidade em gozo de isenção, quando o correto seria o 515. Assim, a empresa não fez jus à redução de 50% da multa de mora, conforme previsto no art. 35, §4° da Lei 8.212/91, acrescido pela Lei 9.876/99. 4. Foram anexados pela auditoria o estatuto da associação e suas alterações e telas de consulta aos sistemas CNIS e GFIP — WEB, vide fls. 54/103 e 110/179. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: • Direito a gozo da isenção prevista no artigo 195, § 7º da CF. • Representação Fiscal para Fins penais. É o relatório. Fl. 944DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000402/200868 Acórdão n.º 2403001.222 S2C4T3 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. DECADÊNCIA No julgamento de primeira instância decidiuse pela aplicação da regra da decadência verificando a ocorrência de recolhimentos parciais em cada levantamento. 13.1. Ocorre porém que o período de referência do presente lançamento, datado de 26/12/2008, vai de 01/12/2002 a 31/10/2007, sendo que, dentre as competências que o integram, a empresa não efetuou contribuições previdenciárias em 12/2002 e 04/2003, como consta das telas de contacorrente em anexo, razão por que, para estas, a decadência deve ser considerada nos termos do art. 173, I; enquanto que, relativamente às demais competências, deve ser contado o prazo decadencial segundo o art. 150, § 4°, ambos do CTN. 13.2. Assim, rejeito a prejudicial de mérito para a competência 04/2003 (já que 12/2002 é decadente, independentemente da fundamentação legal), a qual será mantida no lançamento; reconhecendo, entretanto, a decadência das demais competências até e inclusive 11/2003, cujos valores excluo. ... CONCLUSÃO 15. Pelo acima exposto, VOTO pela PROCEDÊNCIA PARCIAL do lançamento, retificado, conforme DADR Discriminativo Analítico do Débito Retificado anexo, para o valor de R$ 47.038,09, acrescido de encargos moratórios a serem calculados no momento de emissão da guia de recolhimento, apenas excluindo os valores lançados nas competências 12/2002 a 03/2003 e 05 a 11/2003, por conta da decadência considerada nos termos do art. 150, § 4° do CTN. Fl. 945DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Não concordo com o procedimento adotado. Entendo que o artigo 150, § 4º do CTN referese ao lançamento como um todo e é junto ao lançamento que devese verificar a ocorrência de pagamentos antecipados. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Considerando a existência de pagamentos antecipados, entendo que devese aplicar a regra do artigo 150, § 4º a todo lançamento. A ciência do lançamento ocorreu em 29/12/2008. Entendo decadentes todas as competências até 11/2003, inclusive. ISENÇÃO/IMUNIDADE O cerne da decisão de primeira instância foi que a recorrente não atendeu todas exigências do artigo 55 da Lei 8.212/91. Também no recurso, a recorrente não prova o cumprimento de todos requisitos. 14.6. A empresa não trouxe aos autos qualquer documento que comprove ter requerimento de isenção deferido junto à SRB, ônus que lhe compete e de que não se desincumbiu, precluindo Fl. 946DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000402/200868 Acórdão n.º 2403001.222 S2C4T3 Fl. 4 7 seu direito de fazêlo posteriormente, nos termos do art. 7°, III da Portaria RFB 10.875/2007. 14.7. Ademais, tal direito não lhe foi reconhecido administrativamente pelo INSS, conforme consulta feita ao sistema Plenus/ Águia/ Arrecadação — CONFILAN —Consulta a Entidades Filantrópicas — INSS/CNAS, cuja tela segue em anexo. 14.8. Portanto, em não preenchendo todos os requisitos previstos na lei para que possa fazer jus à isenção, não cabe à autoridade administrativa concedêla. Até porque, não é este o fórum administrativo adequado. Quanto às alegações acerca de seu direito à imunidade entendo que não assiste razão à recorrente. A Constituição Federal de 1988, estabeleceu no seu art. 195, § 7º, imunidade, embora o texto constitucional faça referência a isenção, quanto a contribuições previdenciárias apenas e tão somente para entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigências estabelecidas em lei isto é, é uma imunidade condicionada a certos requisitos estabelecidos na lei. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.(grifei) Antes da promulgação da Lei n.º 8212/91 foi ajuizado o Mandado de Injunção nº 2321 – RJ (Rel. o Min. Moreira Alves), pois desde a promulgação da Constituição, o dispositivo constitucional imunizante, reconhecido como de eficácia limitada, carecia de regulamentação. Apreciando especificamente a imunidade de contribuições previdenciárias aqui tratada no referido Mandado de Injunção, decidiu o Supremo Tribunal Federal que: a) a norma constitucional carecia de regulamentação para permitir o gozo da imunidade; b) que os arts. 9º e 14 do CTN não serviam para a regulamentação exigida; e c) que a regulamentação podia ser feita por meio de lei ordinária. Entendo que a regulamentação da imunidade veio através da Lei n.º 8.212/91. Fl. 947DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Quanto à Representação Fiscal Para Fins Penais, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 28. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 948DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000402/200868 Acórdão n.º 2403001.222 S2C4T3 Fl. 5 9 CONCLUSÃO À vista do exposto, voto, nas preliminares, pela decadência até a competência 11/2003, inclusive, com base na regra do artigo 150, § 4° do CTN e no mérito, pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 949DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13607.001063/2007-81
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. NÃO INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO.
É intempestiva a Manifestação de Inconformidade interposta após o decurso do prazo de trinta dias da ciência da exigência.
Não se conhece das razões de mérito discutidas em Recurso Voluntário cuja Manifestação de Inconformidade anterior não foi conhecida por intempestiva.
A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento da Manifestação de Inconformidade.
Numero da decisão: 1003-002.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Márcio Avito Ribeiro Faria - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: Márcio Avito Ribeiro Faria
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. NÃO INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. É intempestiva a Manifestação de Inconformidade interposta após o decurso do prazo de trinta dias da ciência da exigência. Não se conhece das razões de mérito discutidas em Recurso Voluntário cuja Manifestação de Inconformidade anterior não foi conhecida por intempestiva. A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento da Manifestação de Inconformidade.
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MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. NÃO INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. É intempestiva a Manifestação de Inconformidade interposta após o decurso do prazo de trinta dias da ciência da exigência. Não se conhece das razões de mérito discutidas em Recurso Voluntário cuja Manifestação de Inconformidade anterior não foi conhecida por intempestiva. A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento da Manifestação de Inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Márcio Avito Ribeiro Faria - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório DA DILIGÊNCIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 7. 00 10 63 /2 00 7- 81 Fl. 71DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-002.890 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13607.001063/2007-81 Retornam os autos após realização da diligência, nos termos da Resolução nº 1103-000.152, proferida, em 28 de agosto de 2014, pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara de e. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, assim destacado: Sendo assim, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário federal, VOTO no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil: a) informe a data em que o contribuinte efetivou a sua opção pelo Simples Nacional, bem como quando foi cientificado do Termo de Indeferimento de fl.11, anexando as respectivas provas; Cientificado do resultado da diligência restou silente o Recorrente. DO PROCESSO O contribuinte insurge-se contra o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (e-fl.13), por meio do qual foi comunicado que não poderia optar por tal regime tendo em vista o exercício da seguinte atividade vedada: “Manutenção e reparação de máquinas e equipamentos para uso na extração mineral, exceto na extração de petróleo”. O fundamento legal empregado foi o art.17, XI, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. A Quarta Turma da DRJ em Belo Horizonte (MG) não conheceu da manifestação de inconformidade, conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (e-fls. 27/30): INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. Expirado o prazo de trinta dias para impugnação do indeferimento da opção pelo Simples Nacional, deve ser declarada a revelia, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. DO RECURSO Regularmente cientificado em 15.10.2009 (e-fl. 33), o contribuinte interpôs recurso voluntário em 12.11.2009 (e-fls. 34/37), no qual sustenta a tempestividade da manifestação de inconformidade com base. em síntese, nas seguintes razões de defesa. Alega que, de acordo com o Termo de Opção pelo Simples Nacional, após a regularização das pendências detectadas, o resultado final poderia ser consultado a partir de 13/8/2007, tendo regularizado as pendências nesta data, conforme cópia anexada do cartão CNPJ. Segundo a Recorrente, a Resolução CGSN nº 4, de 30/5/07, com a alteração promovida pela Resolução CGSN nº 22, de 23/8/07, dispunha que o prazo de acompanhamento das opções efetuadas em julho encerrar-se-ia em 29/8/07. Aduz que o prazo para a interposição da manifestação de inconformidade iniciara- se em 29/8/07 (um dia após o indeferimento recebido via internet em 28/8/2007). Fl. 72DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-002.890 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13607.001063/2007-81 Alega que, em caso semelhante, relacionado ao contribuinte Cromagem Americana Ltda, a tempestividade da defesa fora reconhecida. É o relatório. Voto Conselheiro Márcio Avito Ribeiro Faria, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, porém merece ressalva quanto ao seu integral conhecimento. Como relatado, nesta fase processual importa verificar a tempestividade da manifestação de inconformidade, nos termos do art. 56, §2º do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, abaixo transcrito: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento ( Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 14 e 15 ). (...) § 2º Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Pois bem. Consta nos autos que a intimação do indeferimento do pedido ocorreu por meio eletrônico, de sorte que o prazo de 30 (trinta) dias para a interposição da manifestação de inconformidade iniciar-se-ia 15 (quinze) dias após sua ciência, nos termos do art. 23, § 2º, III, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal – PAF 1 . Nesta seara, como a intimação do indeferimento de sua opção pelo Simples Nacional ocorreu no dia 2/7/2007 (data do registro), considera-se cientificado no dia 17/07/2007. 1 Art. 23. Far-se-á a intimação: (...) III - por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 2° Considera-se feita a intimação: (...) III - se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. Fl. 73DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-002.890 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13607.001063/2007-81 O excerto abaixo é esclarecedor: [...] No caso concreto, levando-se em conta que a data de registro, consignada como ‘data da solicitação’ em campo próprio do Termo de Indeferimento de fls.11, foi 02/07/2007 (segunda-feira), considera-se a contribuinte cientificada no dia 17/07/2007 (terça-feira), ou seja, quinze dias após a data registrada no meio eletrônico. Portanto, o prazo de trinta dias para apresentação da manifestação da interessada encerrou-se em 16/08/2007 (quinta-feira). Assim, a manifestação de inconformidade de fls.1/3, apresentada apenas em 26/09/2007, é intempestiva, uma vez que já havia decorrido o prazo de trinta dias, previsto no art. 15 do Decreto n° 70.235, de 1972. Contudo, havendo duvidas quanto às datas acima os autos foram baixados em diligência para que fossem informadas, acompanhadas de provas, as datas: (1) em que o contribuinte efetivou a sua opção pelo Simples Nacional; (2) de quando foi cientificado do Termo de Indeferimento de fl. 11. Assim, com a realização da diligência não pairam mais dúvidas: a data do Registro do Termo de Indeferimento se deu eletronicamente ocorreu no dia 2/7/2007 (doc. e-fl. 63), cuja ciência ao contribuinte, no dia 17/07/2007, obedeceu ao disposto no Decreto nº 70.235/1972, art. 23, parágrafo 2º, inciso III, alínea “b”, conforme previsto no próprio Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional. Portanto, o prazo de trinta dias para apresentação da manifestação da interessada encerrou-se em 16/08/2007, consequentemente, a manifestação de inconformidade de fls.1/3, apresentada apenas em 26/09/2007, é intempestiva, uma vez que já havia decorrido o prazo de trinta dias, previsto no art. 15 do Decreto n° 70.235, de 1972. No tocante à noticiada decisão favorável a outro contribuinte, não há como acatá- la, haja vista que as decisões proferidas decisões proferidas pelos Conselhos de Contribuintes e mesmo pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, ainda que reiteradas sobre determinada questão, não se fazem oponíveis à autoridade administrativa, ressalvada a hipótese de edição de súmula administrativa, na forma do artigo 26A do PAF, incluído pela Lei 11.196/2005. Veja-se também o Parecer Normativo CST nº 390, de 1971, que se presta a bem elucidar o tema: Entenda-se aí que, não se constituindo em norma legal geral a decisão em processo fiscal proferida por Conselho de Contribuintes, não aproveitará seu acórdão em relação a qualquer outra ocorrência senão aquela objeto da decisão, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação o contribuinte parte no processo de que decorreu a decisão daquele colegiado. Assim, decidiu de forma acertada a decisão recorrida ao não conhecer das razões de mérito da Manifestação de Inconformidade apresentada e, do mesmo modo, resta prejudicada a análise de mérito contidas na peça recursal, já que não foi inaugurado o litígio porque a Manifestação de Inconformidade foi apresentada intempestivamente. Pelo exposto, não se conhece do Recurso Voluntário. É como voto. Fl. 74DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-002.890 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13607.001063/2007-81 (documento assinado digitalmente) Márcio Avito Ribeiro Faria Fl. 75DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10120.011959/2009-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 01/12/2007
Ementa:
PREVIDENCIÁRIO.VÍCIO FORMAL. NULIDADE.
Se o lançamento apresentar vício em seu processo de produção não
respeitando os dispositivos de sua formalização, é caso de anulação, por vício de forma.
Na forma do artigo 61 do Decreto 70.235/72: “ A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.”
Processo Anulado.
Numero da decisão: 2403-001.206
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso por nulidade do lançamento em razão de sua lavratura estar maculada por vício formal.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/12/2007 Ementa: PREVIDENCIÁRIO.VÍCIO FORMAL. NULIDADE. Se o lançamento apresentar vício em seu processo de produção não respeitando os dispositivos de sua formalização, é caso de anulação, por vício de forma. Na forma do artigo 61 do Decreto 70.235/72: “ A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.” Processo Anulado.
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NULIDADE. Se o lançamento apresentar vício em seu processo de produção não respeitando os dispositivos de sua formalização, é caso de anulação, por vício de forma. Na forma do artigo 61 do Decreto 70.235/72: “ A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.” Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso por nulidade do lançamento em razão de sua lavratura estar maculada por vício formal. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 85DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 15/06/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 15/06/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.011959/200912 Acórdão n.º 240301.206 S2C4T3 Fl. 83 3 Relatório Conforme o Relatório Fiscal de fls. 05 abaixo, reproduzido na íntegra com grifos de minha autoria, a Recorrente foi autuada por apresentar GFIP, com dados não correspondentes a todos fatos geradores de contribuições previdenciárias infringindo o determinado na Lei n° 8.212, de 24.07.91, art. 32, inc. IV e §§3° e 5°: “ RELATÓRIO FISCAL DA INFRAÇÃO: O Fundo Municipal de Saúde de Goiânia (FMS) apresentou GFIP, documento a que se refere a Lei n° 8.212, de 24.07.91, art. 32, inc. IV e §3°, acrescentados pela Lei n° 9.528, de 10.12.97, GFIP, com dados não correspondentes a todos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Não foram incluídos em GFIP diversos segurados, parte de remuneração de outros segurados, e valor pago a Cooperativa de Trabalho, como NF 116 de R$222.300,00 de 12/2007, conforme listado e comprovado no AI 372497306, processo 10120.0011978/200931. Também, foi informado em GFIP, incorretamente, o código 13 (CI) para todos os segurados incluídos em GFIP, quando deveria ter sido informado o código 12 para todos eles, visto que não são contribuintes individuais. Os segurados informados em GFIP são profissionais da área de saúde, inclusive médicos, que trabalham com subordinação e cumprem horário nos postos de saúde municipais e estabelecimentos do FMS, cujo código correto para GFIP é 12. Desse modo, o Fundo infringiu a Lei n° 8.212, de 24.07.91, art. 32, inc. IV e §5° , também acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10.12.97 combinado com art. 225, IV, §4° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.99. Totalizouse o valor de R$ 106.258,65 de contribuições previdenciárias não informadas na GFIP de 12/2007. Apesar do Fundo ter informado incorretamente GFIP de todos os meses fiscalizados, como se verifica no AI 372497306, esta sendo aplicada esta multa apenas na competência dezembro/2007, por ser mais benéfica ao contribuinte. Nos outros meses fiscalizados, aplicouse a nova multa estabelecida pela Lei 11941/09 e MP 449/08, por ser a mais benéfica naqueles meses. Até 01/2007, não se aplica multa de mora previdenciária para órgãos, entidades ou Fundos públicos.” A Autoridade Fiscal destacou no Relatório Fiscal acima que estaria sendo aplicada multa “apenas na competência de 12/2007. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 15/06/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Nos Relatórios de fls. 01 denominados DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA APLICADA e DISPOSITIVOS LEGAIS DA GRADAÇÃO DA MULTA APLICADA se observam registros : “ DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA APLICADA Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, parágrafo 5°., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 284, inciso II (com a redação dada pelo Decreto n. 4.729, de 09.06.03) e art. 373. DISPOSITIVOS LEGAIS DA GRADAÇÃO DA MULTA APLICADA Art. 292, inciso I, do RPS. VALOR DA MULTA: R$ 46.521,30” Às fls. 07 a 09 consta planilha de cálculo da multa aplicada. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 15/06/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.011959/200912 Acórdão n.º 240301.206 S2C4T3 Fl. 84 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Aduz que a intimação se efetuada por via postal, na forma do artigo 23 do Decreto 70.235/72, inciso II, há que restar demonstrada com prova de recebimento, verbis: “ Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei n 9.532, de 1997).” Relevante notar que às fls.73, o AR de INTIMAÇÃO do acórdão não registra data da postagem nem de recebimento ou de entrega . Também é de relevo observar que o recurso de fls. 74 não tem protocolo de ingresso do Recurso Voluntário. Muito embora o exposto, sem colacionar tela de consulta aos dados identificadores de processo do sistema de cobrança DATAPREVINSS, às fls 80 se registram que o recurso é tempestivo: “ Tratase de Recurso Voluntário tempestivo apresentado conforme documentos anexos. Atualizados os eventos do Sistema SICOB. Sugerimos encaminhar o processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARFMFDF. À consideração superior. Goiânia (GO), 25 de agosto de 2010.” Fazendo prevalecer o registro de fls. 80 de que o recurso é tempestivo, observando presentes os pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE NULIDADE. Conforme se observa às fls. 01, o Auto de Infração, além de apresentar hiato de 7(sete) dias entre a data de emissão e da entrega é apócrifo. Não registra a assinatura da Autoridade Fiscal. Então, agindo sob o comando do artigo 10 do Decreto 70.235/72, há que se destacar o descumprimento do preceituado no inciso VI , in verbis: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: Fl. 89DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 15/06/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” A ausência da assinatura compromete de forma vital o documento não permitindo conferir certeza de que a Auditora Fiscal MARIA INEZ REZENDE DOS SANTOS MARANHÃO seja de fato a responsável pela lavratura do documento. Da leitura do documento denominado Relatórios Integrantes Desta Autuação, se observa que, também, não constam colacionados os documentos Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, Termo de Início da Ação Fiscal TIAF, Termo de Intimação Para Apresentação de Documentação – TIAD bem como o Termo de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF, documentos ordinariamente emitidos no curso de uma ação fiscal. Confirmando isto, as fls. 01 a Autoridade Fiscal registra que os documentos integrantes da autuação se resumem aos abaixo: “RELATÓRIOS INTEGRANTES DESTA AUTUAÇÃO: IPC Instruções para o Contribuinte VINCULOS Relatório de Vínculos REFISC Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa” Entendendo que haverá vício de forma sempre que, na formação ou na declaração da vontade traduzida no ato administrativo, for preterida alguma formalidade essencial ou o ato efetivado não o tenha sido lavrado na forma legalmente prevista. Tal ocorrência justificase o enfrentamento da questão em PRELIMINAR. A Instrução Normativa n° 70, de 10 de maio de 2002, no artigo 42 previa que: “Art. 42. A lavratura do Termo de Início de Auditoria Fiscal (TIAF) constituise em procedimento obrigatório, caracteriza se ato vinculado do AFPS no pleno exercício de suas funções e tem por finalidade cientificar ao sujeito passivo que ele se encontra sob auditoria fiscal .” No que se refere ao Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD), a referida Instrução nos artigos 44, 45 e no § único determinava que : “Art. 44. O Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD) tem por finalidade intimar o sujeito passivo a apresentar, em dia e em local nele determinados, a partir do início até o término do procedimento fiscal, os elementos Fl. 90DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 15/06/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.011959/200912 Acórdão n.º 240301.206 S2C4T3 Fl. 85 7 necessários à verificação da situação em que se encontra perante o INSS. Art. 45. O TIAD será emitido privativamente pelo AFPS, no pleno exercício de suas funções, quando da solicitação de documentos ao sujeito passivo em procedimentos de auditoria fiscal ou de diligências ou em outras situações que requeiram tal procedimento. Parágrafo único. No procedimento de auditoria fiscal, o TIAD será obrigatoriamente precedido do TIAF. ” No mesmo tema, o artigo 48, § único, revela que : “ Parágrafo único. A nãoapresentação dos documentos no prazo fixado no TIAD ensejará a lavratura do competente Auto de Infração. ” Sobre o Termo de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF, na dicção dos artigos 49 a 51 , preceituava a supra citada Instrução que : “Art. 49. O Termo de Encerramento de Auditoria Fiscal (TEAF) tem por finalidade cientificar o sujeito passivo do término da auditoria fiscal e de sua situação perante o INSS. Art. 50. O TEAF será emitido privativamente pelo AFPS, em pleno exercício de suas funções, no encerramento da auditoria fiscal. Art. 51. O TEAF será preenchido, no: I CAMPO 1, com os dados cadastrais do sujeito passivo; II CAMPO 2, com o período fiscalizado, o número do MPF, o tipo de fiscalização, os elementos examinados e com outras informações julgadas inerentes ao procedimento fiscal; III CAMPO 3, com o resultado do procedimento fiscal, informando, conforme o caso: a) o valor do recolhimento durante o procedimento fiscal; b) o valor e o número do Lançamento de Débito Confessado (LDC); c) o valor e o número da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD); d) o número do Auto de Infração (AI) lavrado; e) o valor da Informação Fiscal de Débito (IFD); f) outros fatos sobre o resultado do procedimento fiscal julgados úteis; Fl. 91DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 15/06/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 IV CAMPO 4, com os dados complementares, como Subsídio Fiscal (SF) emitidos, Representação Fiscal para Fins Penais, entre outros. V CAMPO 5, com o local e a data de emissão do TEAF e com o carimbo e a assinatura do AFPS; VI CAMPO 6, com a assinatura e a qualificação (nome e função) do representante legal, do mandatário ou do preposto do sujeito passivo; ” A Instrução Normativa INSS/DC Nº 100, De 18 De Dezembro De 2003, revogou a de n° 70 supra, entretanto mantendo na íntegra as orientações referentes à emissão dos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIADs e dos Termos de Encerramento da Ação Fiscal – TEAFs. Mantevese silente sobre a Emissão de Termos de Início da Ação Fiscal – TIAF. IN SRP 3/05 IN Instrução Normativa SECRETÁRIO DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA SRP nº 3 de 14.07.2005 D.O.U.: 15.07.2005 que mediante os artigos 573/595, não revogou a obrigatoriedade das emissões dos documentos em comento. Na época da autuação vigia as instruções IN 23 de 30.04.2007 de mesmo teor. Segundo Pedro Nunes em sua obra Dicionário de Tecnologia Jurídica, 13ª edição, pg 647, intimação é : “ ato judicial de caráter impositivo pelo qual se dá ciência às partes , ou a um interessado, de despacho ou sentença ou de qualquer outro ato praticado no curso da ação.” E intimar é : “ fazer intimação, falar, ordenar, cientificar com autoridade.” Caso a Autoridade Fiscal tivesse intimado a recorrente na forma do previsto com a emissão de TIAD e esta não houvesse atendido a intimação, caberia , conforme o preceituado nas Instruções Normativas, a lavratura de um Auto de infração pelo não atendimento. Desse modo, tendo preterido formalidades essenciais, na forma legalmente prevista não há como prosperar a lavratura do auto de infração em apreço em face de ter sido maculado por vício formal ab initio. DO VÍCIO FORMAL Se o lançamento apresentar vício em seu processo de produção não respeitando os dispositivos de sua formalização, é caso de anulação, por vício de forma. O artigo 61 do Decreto 70.235/72 proclama prerrogativa ao julgador de determinar a nulidade, verbis : “Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.” Tudo isto exposto, por economia processual, deixo de enfrentar demais alegações trazidas à colação. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 15/06/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.011959/200912 Acórdão n.º 240301.206 S2C4T3 Fl. 86 9 CONCLUSÃO Face à tudo que foi exposto, determino a NULIDADE do lançamento em razão de sua lavratura estar maculada por VÍCIO FORMAL AB INITIO. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 93DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 15/06/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10730.004813/2008-43
Data da sessão: Tue Jun 22 00:00:00 UTC 2021
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2005
ISENÇÃO. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.
A concessão de isenção por moléstia grave só merece ser deferida quando presentes os três requisitos cumulativos indispensáveis para tanto, são eles: (i) serem os rendimentos proventos de aposentadoria ou pensão; (ii) ser o contribuinte portador de moléstia grave; e (iii) estar comprovada a moléstia grave por laudo pericial emitido pelo serviço médico oficial, nos termos da solução de consulta interna nº 11 - Cosit, de 28/06/2012.
Numero da decisão: 2001-004.342
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Nome do relator: ANDRE LUIS ULRICH PINTO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2005 ISENÇÃO. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. A concessão de isenção por moléstia grave só merece ser deferida quando presentes os três requisitos cumulativos indispensáveis para tanto, são eles: (i) serem os rendimentos proventos de aposentadoria ou pensão; (ii) ser o contribuinte portador de moléstia grave; e (iii) estar comprovada a moléstia grave por laudo pericial emitido pelo serviço médico oficial, nos termos da solução de consulta interna nº 11 - Cosit, de 28/06/2012.
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PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. A concessão de isenção por moléstia grave só merece ser deferida quando presentes os três requisitos cumulativos indispensáveis para tanto, são eles: (i) serem os rendimentos proventos de aposentadoria ou pensão; (ii) ser o contribuinte portador de moléstia grave; e (iii) estar comprovada a moléstia grave por laudo pericial emitido pelo serviço médico oficial, nos termos da solução de consulta interna nº 11 - Cosit, de 28/06/2012. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) André Luis Ulrich Pinto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Ulrich Pinto, Honório Albuquerque de Brito e Marcelo Rocha Paura. Relatório Trata-se de notificação de lançamento lavrada em 10 de março de 2008, por meio do qual exige-se da ora Recorrente o valor de R$ 3.307,86, a título de IRPF suplementar, exercício 2006, ano-calendário 2005, acrescido de multa de ofício e demais consectários legais diante de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 39.845,21. Devidamente notificada do lançamento, a Recorrente apresentou impugnação, alegando em síntese, que é portadora de moléstia grave desde abril de 2005, discriminada na Lei nº 7.713/88. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 48 13 /2 00 8- 43 Fl. 80DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0422.10366.HBT0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-004.342 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.004813/2008-43 A Recorrente instruiu sua impugnação com os seguintes documentos: (i) declaração de ajuste anual (fls. 10 a 12); (ii) comprovante de rendimentos (fls. 13 a 16); (iii) laudo médico (fls. 38 a 45). Na ocasião do julgamento da impugnação apresentado pela Recorrente, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II, proferiu o acórdão de nº 13-37.561 – 2ª Turma da DRJ/RJ2, julgando improcedente a impugnação por entender, em síntese, que não acostou aos autos nenhum documento que comprove a natureza do rendimento por ela auferido da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão do Estado do Rio de Janeiro. Irresignada com o v. acórdão a quo, a Recorrente interpôs recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, alegando, em síntese, que: a) na DIRPF emitida pela fonte pagadora traz a informação correta da origem dos valores pagos a cada um de seus beneficiários, ou seja, consta a informação de que a Recorrente é aposentada; b) anexa cópias dos contracheques e do laudo oficial que podem demonstrar o binômio doença e aposentadoria. É a síntese do necessário, passo ao voto. Voto Conselheiro André Luis Ulrich Pinto, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Cinge-se a controvérsia sobre o reconhecimento do direito à isenção de IRPF em razão da alegada condição de portador de moléstia grave quando da ocorrência do fato jurídico tributário. Como é sabido, a isenção aqui discutida encontra-se prescrita no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/1988, com redação dada pela Lei nº 11.052/2004, que assim dispõe: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) Ademais disso, a legislação exige que a moléstia grave seja comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou Municípios. É o que dispõe o art. 30, da Lei nº 9.250, de 26/12/1995: Fl. 81DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0422.10366.HBT0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11052.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11052.htm#art1 Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-004.342 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.004813/2008-43 Art. 30 – A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Assim, pode-se afirmar que a concessão de isenção por moléstia grave só merece ser deferida quando presentes os três requisitos cumulativos indispensáveis para tanto, são eles: (i) serem os rendimentos proventos de aposentadoria ou pensão; (ii) ser o contribuinte portador de moléstia grave; e (iii) estar comprovada a moléstia grave por laudo pericial emitido pelo serviço médico oficial, nos termos da solução de consulta interna nº 11 – Cosit, de 28/06/2012. Neste sentido, deve-se destacar que a súmula nº 63 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais estabelece as condições para o gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física portadora de moléstia grave, sendo certo que, para tanto, o interessado deve demonstrar a existência de moléstia grave por meio da apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou Municípios. Veja-se: Súmula CARF nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Por fim, com relação à aplicação da isenção no tempo, deve-se dizer que em se tratando de moléstia grave pré-existente à emissão do laudo pericial, hipótese que – sempre de acordo com o que alega o Recorrente – estaria presente no caso em questão, a data em que a doença foi contraída precisa estar expressamente indicada no laudo pericial. Se do laudo pericial não constar a data a partir da qual o contribuinte foi diagnosticado com moléstia grave, será considerada a data da emissão do laudo, de acordo com o que estabelece o art. 39, §5º, do RIR/99, que assim dispõe: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicam-se aos rendimentos recebidos a partir: I - do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II - do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III - da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Conforme ao que se verifica do caso em tela, os laudos periciais de fls. 38 a 45 emitido pelo serviço médico oficial da Secretaria da de Estado da Saúde em 2006, está atestado Fl. 82DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0422.10366.HBT0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-004.342 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.004813/2008-43 que a Recorrente é portadora da patologia CID I25, sendo a data de início da condição abril de 2005. Nota-se que a moléstia e acomete a ora Recorrente está prevista no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/1988. Portanto, não resta dúvida sobre a existência da moléstia da contribuinte. Como descrito linhas acima, a isenção por moléstia grave deve preencher alguns requisito cumulativos e, para que a Recorrente pudesse gozar da isenção, deveria constar nos autos do presente processo alguma documentação que comprovasse que, os valores ditos como omitidos na notificação de lançamento, fossem rendimentos proventos de aposentadoria ou pensão. Ocorre que os documentos apresentados pela Recorrente não são suficientes para comprovar a origem dos rendimentos, condição para o reconhecimento do benefício invocado pela Recorrente. Portanto, não há como afastar o crédito tributário, tendo em vista que não houve a incidência da norma de isenção invocada pela ora Recorrente. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) André Luis Ulrich Pinto Fl. 83DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0422.10366.HBT0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ANDRE LUIS ULRICH PINTO em 05/08/2021 22:10:00. Documento autenticado digitalmente por ANDRE LUIS ULRICH PINTO em 05/08/2021. Documento assinado digitalmente por: HONORIO ALBUQUERQUE DE BRITO em 10/08/2021 e ANDRE LUIS ULRICH PINTO em 05/08/2021. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 28/04/2022. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP28.0422.10366.HBT0 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: 5853480F08D4B55491FD41F315441B01D3FA81E3D9E42E0528B7B426B1056476 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10730.004813/2008-43. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 15758.000008/2010-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
Ementa:
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA.
Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da
Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Numero da decisão: 2403-001.245
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
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DECADÊNCIA. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees StringariPresidente Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 557DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 15/06/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 15/06/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15758.000008/201071 Acórdão n.º 240301.245 S2C4T3 Fl. 543 3 Relatório A instância “ad quod” produziu o Relatório abaixo que li, compulsei com os autos e tendo corroborado o transcrevo na íntegra com grifos de minha autoria: “ Fundamentos do lançamento fiscal Tratase de lançamento fiscal (Auto de Infração DEBCAD 37.214.0432)para constituição de crédito tributário correspondente As contribuições previdenciárias a cargo de segurados e arrecadadas pelo contratante dos serviços, incidentes sobre a remuneração de contribuintes individuais, período de janeiro a dezembro de 2005. O Relatório Fiscal (fls. 343/382) informa que foram comparados os valores lançados nos livros contábeis, com os apurados a partir dos arquivos informatizados da Previdência Social (módulo Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS), comparados também com os valores declarados pela Fundação do ABC em Guia do Fundo de Garantia e Informações A Previdência Social — GFIP e na da Declaração de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, também elaborada pela Fundação do ABC. Constatadas divergências entre os valores apurados, o Auditor Fiscal,tendo considerado os valores recolhidos, promoveu o lançamento do saldo devido. Informa, ainda, que na DIRF o montante da remuneração apurada foi de R$ 7.005.315,96 e no CNIS, R$ 5.218.003,28. Noticia a existência do Ato Cancelatório 21432/002/2003, resultante de aUditoria fiscal anterior, da qual resultou o cancelamento da imunidade de que gozava o Contribuinte (artigo 55 da Lei 8.212/1991), decisão esta que foi, inclusive, ratificada pelo Acórdão 3.030/2005 do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), órgão então competente para conhecer o processo em segunda instância administrativa. Sob os aspectos legais relativos ao artigo 55 da Lei 8.212/1991 e as práticas da Fundação do ABC apurou que: 1. Não ficou comprovada a aplicação de gratuidade na educação. Isto pode ser verificado pelos dados fornecidos pelo próprio Contribuinte (quadro de fl. 357): das Fl. 559DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 15/06/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 "gratuidades a oferecer" em 2005 (R$ 3.198.527,61), teria sido aplicado o montante de R$ 1.784.702,01 em residência médica. Entretanto, não obstante ter sido intimado, a Fundação do ABC deixou de apresentar os comprovantes (fichas sócioeconômicas) que demonstrariam a condição de beneficiários dos bolsistas. 2. Igualmente, deixou de apresentar as fichas sócio econômicas dos beneficiários dos serviços de atendimento à saúde, o que inviabilizou a comprovação do atendimento das pessoas beneficiárias, segundo o enquadramento legal. 3. Também não comprovou integralmente a regularidade da destinação das "gratuidades acadêmicas", já que se limitou a apresentar apenas a lista parcial dos beneficiários (sem,inclusive, a comprovação do cumprimento da condição de elegíveis ao beneficio). 4. Deixou de apresentar, também, os documentos comprobatórios da regularidade da prestação de serviços de assistência social, inclusive nos termos das disposições da Lei 8.742/1993. O Relatório Fiscal destaca, reiteradas vezes, que as omissões apuradas são reincidências daquelas constatadas por ocasião da auditoria fiscal da qual resultou o Ato Cancelatório 21432/002/2003. Fundamentos da Impugnação A Fundação do ABC apresenta sua Impugnação (fls. 403/427), com a qual, em síntese: 1. Invocando o parágrafo sétimo do artigo 195 da Constituição Federal (CF) e o artigo 14 do Código Tributário Nacional (CTN), pugna pela nulidade do lançamento fiscal, já que faltaria "justa causa" ao procedimento, na medida em que "... a Fundação do ABC preenche os requisitos necessários para obtenção do gozo a imunidade em relação aos referidos recolhimentos". 2. Informa que a Fundação do ABC estaria registrada no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), desde 1959 e como cumpria os requisitos legais, então exigíveis, era, desde então, portadora do direito à imunidade das contribuições previdenciárias lançadas. Teria,assim, "direito adquirido" à imunidade, que teria sido "... violado de maneira gritante pelo Ato Cancelatório expedido pela Auditoria do INSS pela Representação Administrativa". 3. Segue, declarando: "0 ato pelo qual se dirige a DEFESA é aquele que determinou o Cancelamento do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), firmado num Fl. 560DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 15/06/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15758.000008/201071 Acórdão n.º 240301.245 S2C4T3 Fl. 544 5 suposto descumprimento de requisitos do art. 55, da Lei 8.212/19". 4. Ainda, quanto ao Ato Cancelatório sustenta que aquele não teria observado as disposições do § 1° do artigo 55 da Lei 8.212/1991, que "resguardaria" o direito à imunidade, anteriormente reconhecido. 5. Afirma que decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o qual "... entendeu ser direito adquirido a isenção à quota patronal da contribuição previdenciária, com direito a concessão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, as entidades que foram reconhecidas como de caráter filantrópico, em data anterior ao Decreto Lei 1.522/77". 6. Defende que a exigibilidade de lei complementar "... para disciplinar os requisitos ao gozo da imunidade determinada pelo texto constitucional ... em razão principalmente, de se tratar de matéria própria às limitações do poder de tributar e em face do que dispõe o artigo 146, II, da Constituição da República Federativa do Brasil". 7. Nesta linha de raciocínio, conclui pela aplicabilidade, na matéria, apenas dos requisitos do artigo 14 do CTN, do qual também devem ser observadas as disposições do artigo 9°, inciso IV, alínea "c". 8. Ressalva a expedição da Lei 12.101, de 27/11/2009, que passou a versar sobre o assunto, revogando as respectivas disposições da Lei 8.212/1991, ao que acrescenta o fato de que o o auto de infração foi encerrado em 27/01/2010, portanto, dentro da vigência da lei 12.101/09", do que resultaria que não poderiam ser aplicadas as disposições revogadas, na forma realizada. 9. Como a Fundação do ABC "... atua na área de saúde e também na área de educação superior e que aderiu ao PRO UNI no exercício de 2005", aplicarseiam "as benesses da retroatividade benigna da lei tributária", o que requer. 10. Informa que até 1997 conseguiu a renovação do CEBAS, encontrandose pendente de julgamento o relativo ao triênio seguinte. Assim, pendente de julgamento, a DRF Santo André, "... não tem competência para julgar e exigir as conseqüências deste ato, uma vez que, aguardase julgamento". 11. E conclui: Fl. 561DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 15/06/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 "Desta feita, enquanto não for julgado o triênio onde consta o exercício de 2005, com a publicidade da decisão e não esgotado as vias recursais, o presente Auto Infração, deverá ser sobrestada até que ocorra o trânsito em julgado do julgamento" [sic]. Concluindo, requer a declaração de improcedência do lançamento, assim como "... requer os efeitos suspensivos do Auto de Infra cão ..., posto que o fundamento da presente notificação foi objeto de interposição de recurso, cuja decisão ainda não foi prolatada" [sic]. Este é o Relatório. ” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.457, a 7ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Campinas lo – SP DRJ/CPS, em 27 DE ABRIL DE 2010, exarou o Acórdão n° 0528.589, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.471, onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ” Fl. 562DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 15/06/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15758.000008/201071 Acórdão n.º 240301.245 S2C4T3 Fl. 545 7 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls. 541, o recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Tomandose como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, cumpre observar hipótese decadencial face a edição da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal – STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ”: SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. A súmula n° 8 passou a produzir efeitos a partir de 20 de junho de 2008, conforme ata da vigésima segunda sessão plenária do STF, do dia 12.06.2008, cuja íntegra do debate foi publicado no Diário de Justiça do dia 11.09.2008. Consolidando o sumulado, se observa a Lei complementar n° 128, de 19 de dezembro de 2008, artigo 13, I, “a ” : “ Lei Complementar n°128, de 19 de dezembro de 2008 (...) Art. 13. Ficam revogados: I – a partir da data de publicação desta Lei Complementar: a) os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991” É relevante ressaltar que os recolhimentos das contribuições previdenciárias, antes da atual Guia da previdência Social – GPS, eram efetuados mediante as denominadas Guias de Recolhimento da Previdência Social GRPS, vigentes até a edição da Resolução Nº 657, de 17 de dezembro de 1998, que institui a atual GPS. Naquelas guias denominadas GRPS, segregados em campos próprios, se informavam os pagamentos que estavam sendo recolhidos bem como a que título, se vinculados aos segurados, às empresas ou para terceiros. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 15/06/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Muito embora segregados, tais recolhimentos não representavam “dinheiro carimbado”, permitindose assim eventuais remanejamentos/retificações daquelas destinações, até porque os ingressos daqueles valores afluíam de um mesmo contribuinte para o mesmo cofre público. Atualmente, na forma do leiaute das Guias da Previdência Social – GPS, a exceção da rubrica outras entidades, não se vislumbra, de imediato, tampouco de forma mais detida, de modo claro e efetivo, quais os fatos geradores ou quais rubricas estão sendo contemplados com tal pagamento. Eis porque a necessidade de ações e procedimentos fiscais, considerados os prazos decadenciais, para corroborar ou não, de forma expressa os auto lançamentos e eventuais recolhimentos produzidos pelos contribuintes. Refratário a chamar de pagamento antecipado os recolhimentos efetuados dentro dos prazos legais, rechaço ainda mais conceber que , também, os pagamentos efetuados fora dos prazos, com multa e juros, porém realizados antes da ação fiscal, são distinguidos como tal. À meu juízo, tratase de concepção teratológica. A leitura atenta do artigo 150 do CTN, caput, evidencia que o que o legislador pretendeu exortando o dever de antecipar o pagamento, antes da ação fiscal foi conceituar a modalidade de lançamento, neste caso por homologação, e não condicionar direitos para o reconhecimento de eventual reconhecimento decadência : “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Por tudo isso, entendo que qualquer possível “recolhimento antecipado”na forma difusa como é procedido atualmente, bem como no modo como o fora no passado, tem o condão de alcançar qualquer rubrica de modo integral ou parcial. É de se reparar que para os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, isto é para aqueles sob lançamento por homologação, o legislador foi explícito preceituando que a decadência se observa na forma do artigo 150 § 4º : “ Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação” Conforme o Relatório Fiscal às fls. 368, item 76, o Auditor Fiscal registra que constitui o crédito pelas diferenças mensais : “ 76. Por isso, a diferença mensal foi apurada na planilha na planilha "FUND ABC Salário Contribuição / Contrib Ind DIRF" e está sendo objeto de Auto de Infração.” Consolidando o acima, declarou ainda no item “n” às fls. 369 que : “n) Essa diferença nos contribuintes individuais está demonstrada na planilha "FUND ABC Salário Contribuição / Fl. 564DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 15/06/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15758.000008/201071 Acórdão n.º 240301.245 S2C4T3 Fl. 546 9 Contrib Ind DIRF" (anexa), sendo que neste caso foi lançado além da quota patronal, também a parte correspondente a 11% de desconto dos segurados.” De acordo registro às fls. 01, a empresa foi notificada em 28/01/2010. Assim, considerando o período da ocorrência da infração definido pelas competências 01/2005 a 12/2005, conforme Relatório Fiscal de folhas 367, embora os argumentos supra, em obediência ao previsto no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, as diferenças acima relatadas representam “ PAGAMENTOS ANTECIPADOS ”. Por este motivo, sou de parecer que o crédito lançado conforme a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, DEBCAD N°37.214.0432 em comento encontrase, todo ele, fulminado pelo instituto da decadência na forma do artigo 150, § 4° do CTN. CONCLUSÃO Em razão de tudo que foi exposto, conheço do Recurso para em preliminar, na forma do artigo 150, §4° do Código Tributário nacional – CTN, determinar que se reconheça a DECADÊNCIA TOTAL dos créditos constituídos pelo presente lançamento. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 565DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 15/06/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10711.001893/85-00
Data da sessão: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 1986
Numero da decisão: 301-00.183
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o Julgamento em diligência à DIMED, na forma do relatório e voto que passam a
integrar o presente julgado.
Nome do relator: HELVIO ECOVEDO BARCELOS
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Recurso n.O Recorrente Recorrid a 108.397 PRODUTOS R0CHE QUíMICOS IRF - PORTO-RJ. Processo nQ 10711/001893/85-00. E FAEffiffiC~TICOSS/A. • R E S O L U ç Ã O NQ 301-183 Visto, relatado e discutido o presente processo, RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o Julgamen to em diligência à DIMED, na forma do relatório e voto ~ue passam a integrar o presente julgado. - Procurador da Fazenda Nacional. -DF, 20 de junho de 1986 . • VISTO SESSÃO Participaram, ainda, do presente julgamento os Con elheiros: seguintes • JOÃO HOLANDA COSTA, PAULO CÉSAR BASTOS CHAUVET, FRANCISCO ~ffiRTINSLEl TE CAVALCANTE, AGOSTINHO SERRANO DE ANDRADE, SADY D'ASSUMPÇÃO TORRES FILHO e HAMILTON DE SÁ DANTAS . r~ - 3º CONSELHO DE CONTRIBUINTES . RECURSORº 108.397 - RES0LUÇÃO Nº 301-183 RECORREN'I'E:PRODUTOS ROCHE' QUímICOS E FARlI1AC'8uTICOSS/A.. , • • SERViÇO PÚBLICO FEDERAL RECORRIDA RELATOR • IRF - Po'RTO-RJ . HÉLVIO--ÊSCOVEDO BARCElLOS. R E L A T Ó R I O -2- Com base em laudo do Laboratório de Análises (fls.09) Produtos Rache Químicos e Farmacêuticos S/A. subme teu a despacho, pela D. I. nº 13.805/84, 200 kgs de "ERGOCALCIFE ROL. matéria prima destinada à fabricação do produto fiscal SD PRADYN", classificando di ta mercadoria no código 29.38.09 ..03 da TAB .• • e Parecer de Classifícação nº 01 da SETPJE da própria to-RJ, afiscalização'reclassificou o produto para 30.03.35.00, lavrando, em conseqüência o A.I. de fls. formalizar a exigência do pagamento das diferenças de I.P.I., acrescidos das multas dos artigos 108 e 109 to-lei nº 37/66. IRF Por o código 01, ,para LI. e do Decre •• • • Não se conformando com esse procedimento, a autuada apresentou a impugnação de fls. 15/18, onde, além de soliéitàr "seja ouvida a Divisão Nacional de Vigilância Sanitária de Dro gas, medicamentos, insumos Farmacêuticos, Produtos Dietéticos e Correlatos (DlmED), alega em sua defesa: "Estranho, tumultuado e inconseqüente o ale gado no Auto de Infração epigrafado, uma simplesaven tura que a ciência química condena e condenará se~ pre, em qualquer pesquisa laboratorial, entender co mo mistura - amido e glicídios não redutores - sim ples veículos admitidos em farmácia, transformand~õ8 em "produtos misturados para usos terapêutic os ou.pt:'o filáticos" de Nota 30-1, letra a do Capítulo 30 "da TAB vigorante. Muito ao contrária, as outras soluções dos produtos nessas mesmas alíneas, e os amidos e glici dias aqui se "hospedam", desde que tais soluções constituam modo habitual e indispensável de acondi cionamento por razões de segurança ou necessidade de transporte, e que o solvente não torne o produto pró prio para usos especiais de preferência à sua apli,- _ 7 caça0 geral, na indicaçao da letra "f" do mesmo Cap~ tulo 29, da Nota 29-1 da TAB vigente. • • • • • •• SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Rec. 108.397 Res. 301-183 -3- E esta é a razão única e prevalente para a constatação do veículo encontrado ao exame laborato~ rial - amido e glicídios não redutores - de função estabilizante indispensável na sua conservação ou no seu transporte. Os diluentes sao também protetores das vita minas, que são sensíveis ao ar e à luz; nessa form~ ficam incluídas em uma matéria sólida, que as isola dos agentes nocivos. são, assim, possível e certame!!: te, as formas mais estáveis em que se pode obter essa vi tamina ("D2, a 50.000 UI por grama). A matéria sólida é escolhida também sob o critério de fácil utilização . É utilizada pela signatária como insumos farmacêuticos, porém, não se destinam exclusivamente a esse uso, empregando-se amplamente na fabricação de produtos alimentícios e dietéticos. Nessa forma, a Vitamina tem seu campo de aplicação ampliado, permitindo a obtenção de prod~ tos com teores baixos, sem defeitos de uniformidade. Uma limitação, porém, ocorre exatamente no campo farmacêutico, pois esses insumos não pode ser utilizado, por exemplo, na fabricação de injetáveis. Prevalente é de ser dizer que não existe pro duto farmacêutico constituído exclusivamente por es se insumo, portanto, não é em si mesmo produto f~ macêutico. Não se tratando, assim, de insumo exclusivo da indústria farmacêutica, muito menos de medicamen to per se, não há como classificá-lo no Capítulo 30. Assim, conforme a Regra 3ªletra "b" e aRe gra 4ª de N.B.M. (regras gerais de interpretação),ruill há como classificá-los senão no Capítulo - 29. Considerar uma matéria prima - Ergocalcife rol - como medicamento pelo fato de conter anti-oxi- dantes apropriados e admitidos em Farmácia é inter pretação forçada, imprópria e inoportuna. Ocorre no litígio presente que a mercadoria submetida à análise laboratorial e a documentação apresentada à conferência fiscal e documental é a mesma, ou seja positiva para a Vitamina "D2", nao ca • '. • • • Rec. 108.397' Res. 301-183 -4- SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL cabendo, nessa constatação de identidade do produto, tanto laboratorial, como fiscal, nenhuma penalidade do artigo 169, de D.L. nº 37, modificado pela Lei nº 6.562/78, pela proteção do Ato Declaratório (N0E mativo)CST nº 29, de 22.12.80 - DOU de 30.12.80,pág. 26.148: "A indicação incorreta do Código tarifário na G.I. e D.I. não en seja a aplicação das penalidades previstas no D.L. nº 37, artigoo 108 e 109". o produto importado - Ergocalciferol, (Vi tamina "02" - 50.000 UI por grama), matéria prima para a fabricação do produto final Supradyn, não tem as características de um medicamento, pois medica mento é toda substância ou associação de substância utilizada (s) para modificar ou explorar sistemas fi siológicos ou estados patológicos, para benefíci; do paciente (Portaria nº 02 do DIlVIED,de 08.03.85)." Em decisão de fls. 25/28, a autoridade de primeira instância júlgou procedente, em parte, a ação fiscal, paradecl~ rar devido o 1.1., acrescido da multa do artigo 108 do Decreto- Lei nº 37/66. Inconformada, a empresa apresentou recurso a este Conselho (fls. 32/34) onde, além de ratificar as razoes de defesa constantes da impugnação, diz, ainda: "A respeitável Decisão de lª Instância ora recorrida, indisciplinadamente, na forma das rigorQ sas posturas legais do Decreto nº 70.235, de 1972, "proibiu" seu legítimo direi to de defesa, desconhec~ do o que pedira no item 19 de sua impugnação ao Auto de Infração, relativamente ao processo administrati- vo'epigrafado, de envio a douta apreciação do DIIVIED (Divisão Nacional de Vigilância Sanitária de Drogas, lVIedicamentos, Insumos Farmacêuticos, Produtos Diet~ ticos. e Correlatos) dada a sua excelsa importância para dirimir, a juizo, na postulante, a presente li de. O que lhe foi negado pela Digníssima Autor~ dade Singular contraria e agride recentes Acórdãos dessa Ilustre Câmara, todos nobremente submissos ao Diploma Legal nº 70.235/72, aqui citando o de nº ... 303.24276, em seu artigo 59 (D.O.U. de 10.01.86) pág. 647 . • •• • Rec. 108.397 Res. 301-183 -5- SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Há ~ue se aduzir: a) A adição de ami~o e açúcares não redu- tores, por si so, não modificam seu p~ sicionamento tarifário no Capítulo 29, na forma da letra c da Nota 29-1, isto é, abrange os produtos de constituição ~uímica definida ou não, desde ~ue a~ua cionadas, ou incluídas nas posições 29~ 28 a 29.4~ (caso vertente). b) o laudo técnico do L.N.A. não indica pa ra o produto uma mistura para uso tera pêutico ou profilático. c) não se apresenta em doses ou acondicio nado para venda a varejo, para uso tera pêutico ou profilático. Finalmente, não é uma simples mistUra ~ue fará os produtos contidos na alínea c do Capítulo 29 viajarem para o Capítulo 30, como-também os pr~ dutos não misturados também permanecem nesse Capítu lo, desde ~ue doseados ou para indicações terapêuti= cas ou profiláticas". É O RELATÓRIO v O T O Entendo ~ue a instrução do presente processo só rá realmente completa com o pronunciamento da DIMED sobre a dadeira natureza do produto importado. está ver • Em casos semelhantes, esta Câmara, sempre inspirada no objetivo da promoção da verdadÉdra justiça fiscal e visando evitar preteriç.ãoa direito das partes, tem providenciado .dili gências junto a órgãos governamentais para ~ue, dentro da sua competência, emitam pronunciamentos ~uanto ao preenchimento ou não, junto a eles, dos re~uisitos postos por lei sob o seu con trole. Assim sendo, voto no sentido de ~ue o processo seja encaminhado à DIMED, com a solicitação de ~ue se digne de respo~ der aos seguintes ~uesitos, formulados pela ora recorrente em sua impugnação às fls. 18: Rec. 108.3"97 Res. 301-183 -6- • SERViÇO PÚBLICO FEDERAL "a) a presença dos elementos encontrados no exame laboratorial são coml;u1sà formulação química da Vitamina D2? b) pode o produto importado e submetido à análise nQ PA-165/84, ser considerado ummeâicamento aca bado?" Solicita-se, ainda, que se digne de informar se o produto se enquadra nas definições de "medicamento " constantes da Nota (30-1) "a" "da TAB edas 'Notas Explicativas de Nomenclátura do Conselho de Cooperação Aduaneira (NENCA) à Posição 30.03, le tra "A" nQ 2, bem como, caso julgue necessário", fornecer outras esclarecimentos que possibilitam odes' de da questão. • '. • Sala das Sessões, em tor. 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006
score : 1.0
Numero do processo: 18329.000220/2007-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/04/2007
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido
elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao
CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO
AUTO
DE INFRAÇÃO DE
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA GFIP
APRESENTAÇÃO
DE GFIP COM
DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE
TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SÚMULA
VINCULANTE STF Nº 8 PERÍODO
ATINGIDO PELA DECADÊNCIA
QÜINQÜENAL APLICAÇÃO
DO ART. 150, § 4º, CTN
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula
Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei
1569/77 e os
artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de
crédito tributário”.
Nos termos do art. 103A
da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes
aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na
imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do
Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas
federal, estadual e municipal.
Na hipótese presente, verificase
que a decisão de primeira instância no
processo da obrigação principal conexo a este, qual seja, processo nº
18329.000212/200734,
constata pagamentos realizados pela Recorrente a
homologar pela AuditoriaFiscal
no período 06/2001 a 10/2002, embora não
haja recolhimento na competência 03/2002.
Então, aplicandose
o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos
do art. 62A,
Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF,
exsurge a
regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN para todas as
competências, posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos
pelo contribuinte em pelo menos uma competência objeto do AI, além de não
se materializar as hipóteses de dolo, fraude ou simulação.
Verificase,
da análise dos autos, que a cientificação da AI pela Recorrente se
deu em 01.11.2007 e o débito se refere a contribuições devidas à Seguridade
Social no seguinte período 06/2001 a 04/2007.
Nos termos do artigo 150, § 4o, CTN, constatase
que já se operara a
decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência
10/2002, inclusive.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO
AUTO
DE INFRAÇÃO GFIP
APRESENTAÇÃO
DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES
AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES
PREVIDENCIÁRIAS
Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de
Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP,
com
dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições
previdenciárias.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração,
o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a
obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na
administração previdenciária.
CUSTEIO AUTO
DE INFRAÇÃO ARTIGO
32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº
8.212/91 APLICAÇÃO
DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A,
LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO
DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO
NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART.
106, II, C, CTN
Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN
a lei aplicase
a ato ou fato pretérito, tratandose
de ato não
definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a
prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais
favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma
anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32,
inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A,
Lei nº 8.212/1991, na redação
dada pela Lei 11.941/2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.164
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos em reconhecer a decadência até a competência de 10/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º do CTN. No Mérito, Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2001 a 30/04/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Na hipótese presente, verificase que a decisão de primeira instância no processo da obrigação principal conexo a este, qual seja, processo nº 18329.000212/200734, constata pagamentos realizados pela Recorrente a homologar pela AuditoriaFiscal no período 06/2001 a 10/2002, embora não haja recolhimento na competência 03/2002. Então, aplicandose o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, exsurge a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN para todas as competências, posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte em pelo menos uma competência objeto do AI, além de não se materializar as hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Verificase, da análise dos autos, que a cientificação da AI pela Recorrente se deu em 01.11.2007 e o débito se refere a contribuições devidas à Seguridade Social no seguinte período 06/2001 a 04/2007. Nos termos do artigo 150, § 4o, CTN, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 10/2002, inclusive. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São Fl. 230DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Na hipótese presente, verificase que a decisão de primeira instância no processo da obrigação principal conexo a este, qual seja, processo nº 18329.000212/200734, constata pagamentos realizados pela Recorrente a homologar pela AuditoriaFiscal no período 06/2001 a 10/2002, embora não haja recolhimento na competência 03/2002. Então, aplicandose o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, exsurge a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN para todas as competências, posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte em pelo menos uma competência objeto do AI, além de não se materializar as hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Verificase, da análise dos autos, que a cientificação da AI pela Recorrente se deu em 01.11.2007 e o débito se refere a contribuições devidas à Seguridade Social no seguinte período 06/2001 a 04/2007. Nos termos do artigo 150, § 4o, CTN, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 10/2002, inclusive. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000220/200781 Acórdão n.º 240301.164 S2C4T3 Fl. 73 3 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos em reconhecer a decadência até a competência de 10/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º do CTN. No Mérito, Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado contra Acórdão nº 188.872 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria – RS que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação acessória, AI – Auto de Infração nº. 37.134.5626, com ciência da Recorrente em 01.11.2007, às fls. 01, com valor consolidado inicial de R$ 111.941,20. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 4, o Auto de Infração nº. 37.134.5626, Código de Fundamentação Legal – CFL 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme o informado no Anexo do Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, às fls. 08 a 17, nas competências 06/2001 a 04/2007. Ou seja, o Relatório Fiscal da Infração apontada como irregularidade a não inclusão dos segurados nomeados nas folhas 08 a 17 e respectivos salários de contribuição nas correspondentes GFIPs. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. Em virtude da infração cometida fica a autuada sujeita à multa prevista no art. 32, §5° da Lei 8212/1991 e 284, inc. II, Decreto 3.048/99, com valor mínimo atualizado pela Portaria MPS/MF 142, de 11.04.2007, calculada de acordo com o Anexo do Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, às fls. 15 a 19, no valor total de R$ 111.941,20. Segundo se depreende do Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, às fls. 05, não ficaram caracterizadas nem circunstância agravante e nem circunstância atenuante. O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09403881F00, foi emitido, às fls. 21. O período objeto da AI, conforme o Anexo do Relatório Fiscal da Infração, às fls. 08 a 17, é de 06/2001 a 04/2007. A Recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 01.11.2007, conforme fls. 01. Contra a autuação, a Recorrente apresentou impugnação tempestiva, de fls. 27 a 39. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000220/200781 Acórdão n.º 240301.164 S2C4T3 Fl. 74 5 Após análise dos autos, houve a emissão do Acórdão nº 188.872 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria RS, fls. 41 a 45, julgando procedente a autuação, conforme a Ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/10/2007 GFIP DECADÊNCIA DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO INCONSTITUCIONALIDADE Constitui infração a empresa apresentar GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Não constitui lançamento duplo a multa aplicada sobre fatos distintos. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 41 a 45, ratificando os pontos da defesa apresentados em sede de Impugnação, em síntese: Em sede Preliminar. (i) Preliminar de nulidade da decisão por imprescindível conexão de processos administrativos. A Recorrente requer que todos os processos administrativos de débito sejam julgados conjuntamente. Assim sendo, se faz necessário a decretação de nulidade da decisão proferida 4a Turma Julgadora da DRJ/STM, por evidente necessidade de união das AI nrs. 37.134.5626, 37.048.7036, 37.048.7044 37.048.7052 37.048.5650 Al 37.048.7060, Al 37.048.7079, Al 37.134.5626, Al 37.134.563 4, 37.134.5644, 37.134.5618 e 371345626, nos termos do § 1° do Art. 9° da Lei do Processo Administrativo Fiscal — Decreto 70.235/72, com redação dada pela Lei 11.196/2005, determinando novo julgamento pela instância de 1° grau com a devida união de todos os processos supra mencionados. (ii) Nulidade por cerceamento de defesa Na impugnação apresentada foi requerido expressamente a intimação do procurador da RECORRENTE da data, hora e local de julgamento no processo em questão, o que também foi Fl. 234DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 totalmente ignorado pelo 4a Turma Julgadora da DRJ/STM, o que não pode ser admitido pela RECORRENTE por expressa violação ao principio da ampla defesa, nesse sentido se faz necessário a anulação da decisão proferida, determinandose o retorno para novo julgamento, com a devida intimação do procurador da RECORRENTE do dia, local e hora do julgamento das questões de seu interesse. (iii) Da decadência por inconstitucionalidade. Como se percebe é notório a inconstitucionalidade dos dispositivos legais que ampliam o prazo decadencial para 10 anos no que se refere a apuração de créditos do INSS, em detrimento da determinação expressa de 5 anos trazida pelo Código Tributário Nacional, em seu Art. 173, logo faz jus a RECORRENTE ao reconhecimento da anulação dos lançamentos cujos valores correspondentes a fatos geradores ocorridos entre no período de 01/06/2001 a 29/09/2002, por decaída sua exigibilidade. No Mérito. (iv) Da duplicidade na aplicação de multa e seu caráter confiscatório Fica evidente no caso a aplicação da multa em duplicidade, visto que é aplicada sobre um mesmo fato, neste caso a multa configura bis in idem e 6, portanto, confiscat6ria, o que é vedado por nosso ordenamento jurídico. A aplicação cumulativa das duas multas, por descumprimento da obrigação principal e descumprimento da obrigação acessória que decorreria do cumprimento da obrigação principal nos termos exigidos pela outra autuação, decorre da interpretação deficiente e não sistemática do ordenamento jurídico. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 71. É o Relatório. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000220/200781 Acórdão n.º 240301.164 S2C4T3 Fl. 75 7 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação às fl. 71. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS PRELIMINARES (A) Da regularidade da lavratura do Auto de Infração Analisemos. Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. De plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: Fl. 236DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 • A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. Folha de Rosto do Auto de Infração; b. Instruções para o Contribuinte – IPC; c. REPLEG – Relatório de representantes Legais; d. VÍNCULOS – Relação de Vínculos; e. TIAF –Termo de Início da Ação Fiscal; f. Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD; g. TEAF –Termo de Encerramento da Ação Fiscal. h. Relatório Fiscal da Infração. Cumprenos esclarecer ainda, que a autuação fiscal foi elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999, especialmente com a discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura. Art.293.Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §1oRecebido o autodeinfração, o autuado terá o prazo de trinta dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de cinqüenta por cento ou impugnar a autuação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) Fl. 237DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000220/200781 Acórdão n.º 240301.164 S2C4T3 Fl. 76 9 §2oImpugnada a autuação, o autuado, após a ciência da decisão de primeira instância, poderá efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de vinte e cinco por cento, até a data limite para interposição de recurso. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §3ºO recolhimento do valor da multa, com redução, implica renúncia ao direito de impugnar ou de recorrer.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) §4oApresentada impugnação, o processo será submetido à autoridade competente, que decidirá sobre a autuação, cabendo recurso na forma da Subseção II da Seção II do Capítulo Único do Título I do Livro V deste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) Analisandose o auto de infração e seus anexos, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. artigo 293, Decreto 3.048/1999. (B) alegações de inconstitucionalidade. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 238DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (i) Preliminar de nulidade da decisão por imprescindível conexão de processos administrativos. A Recorrente requer que todos os processos administrativos de débito sejam julgados conjuntamente. Assim sendo, se faz necessário a decretação de nulidade da decisão proferida 4a Turma Julgadora da DRJ/STM, por evidente necessidade de união das AI nrs. 37.134.5626, 37.048.7036, 37.048.7044 37.048.7052 37.048.5650 Al 37.048.7060, Al 37.048.7079, Al 37.134.5626, Al 37.134.563 4, 37.134.5644, 37.134.5618 e 371345626, nos termos do § 1° do Art. 9° da Lei do Processo Administrativo Fiscal — Decreto 70.235/72, com redação dada pela Lei 11.196/2005, determinando novo julgamento pela instância de 1° grau com a devida união de todos os processos supra mencionados. Analisemos. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000220/200781 Acórdão n.º 240301.164 S2C4T3 Fl. 77 11 A argumentação da Recorrente não prospera porque além de encontrar óbices no procedimento operacional da Secretaria da Receita Federal do Brasil e também do Ministério da Fazenda, temse que o art. 9º do Decreto 70.235/1972 apenas estabelece que a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Ou seja, conforme se depreende do art. 9º, Decreto 70.235/1972, não há, na legislação de regência do processo administrativo fiscal, dispositivo que obrigue a tramitação de processos conexos para julgamento conjunto. Decreto 70.235/1972 Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4o O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em decorrência de fiscalização relacionada a regime especial unificado de arrecadação de tributos, poderão conter lançamento único para todos os tributos por eles abrangidos.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica às contribuições de que trata o art. 3o da Lei no 11.457, de 16 de março de 2007. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 240DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (ii) Nulidade por cerceamento de defesa Na impugnação apresentada foi requerido expressamente a intimação do procurador da RECORRENTE da data, hora e local de julgamento no processo em questão, o que também foi totalmente ignorado pelo 4a Turma Julgadora da DRJ/STM, o que não pode ser admitido pela RECORRENTE por expressa violação ao principio da ampla defesa, nesse sentido se faz necessário a anulação da decisão proferida, determinandose o retorno para novo julgamento, com a devida intimação do procurador da RECORRENTE do dia, local e hora do julgamento das questões de seu interesse. Analisemos. Não prospera a alegação da Recorrente porque a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento é um órgão de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal do Brasil, sendo assim não há previsão normativa para que o contribuinte possa assistir ao julgamento em primeira instância, conforme se depreende do art. 25, Decreto 70.235/1972: Art.25.O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (Vide Decreto nº 2.562, de 1998) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) I em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) a) aos Delegados da Receita Federal, titulares de Delegacias especializadas nas atividades concernentes a julgamento de processos, quanto aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (Vide Lei nº 11.119, de 2005) b) às autoridades mencionadas na legislação de cada um dos demais tributos ou, na falta dessa indicação, aos chefes da projeção regional ou local da entidade que administra o tributo, conforme for por ela estabelecido. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Outrossim, a Recorrente foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância e apresentou Recurso Voluntário à segunda instância administrativa. Diante do exposto, não ocorre o cerceamento de defesa pela não intimação da Recorrente acerca da data, hora e local de julgamento na primeira instância. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000220/200781 Acórdão n.º 240301.164 S2C4T3 Fl. 78 13 (iii) Da decadência por inconstitucionalidade. Como se percebe é notório a inconstitucionalidade dos dispositivos legais que ampliam o prazo decadencial para 10 anos no que se refere a apuração de créditos do INSS, em detrimento da determinação expressa de 5 anos trazida pelo Código Tributário Nacional, em seu Art. 173, logo faz jus a RECORRENTE ao reconhecimento da anulação dos lançamentos cujos valores correspondentes a fatos geradores ocorridos entre no período de 01/06/2001 a 29/09/2002, por decaída sua exigibilidade. Analisemos. Devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a Fl. 242DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 243DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000220/200781 Acórdão n.º 240301.164 S2C4T3 Fl. 79 15 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.” (STJ.1ª Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.) “Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quand onão há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.) “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN..” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.) Uma corrente doutrinária também aponta que no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento, se aplica uma regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN em detrimento da aplicação da regra geral do art. 173, I, CTN. No entanto, nos casos de dolo, fraude ou simulação, de modo a que se configure a comprovada máfé do sujeito passivo, não corre o prazo do art. 150, § 4º, CTN mas sim a decadência tributária se rege pela disposição genérica do art. 173, I, CTN. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000220/200781 Acórdão n.º 240301.164 S2C4T3 Fl. 80 17 Nesta corrente doutrinária podese citar, dentre outros, Ricardo Lobo Torres1, Eduardo Sabbag2, Mauro Luís Rocha Lopes3 e Leandro Paulsen4. Há vozes discordantes na doutrina que defendem que a decadência opera com base na regra geral de decadência exposta no art. 173 do CTN, haja ou não pagamento antecipado no caso de lançamento por homologação, de forma a não se aplicar o art. 150, § 4º, CTN. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ e com a primeira corrente doutrinária exposta no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Na hipótese presente, verificase que a decisão de primeira instância no processo da obrigação principal conexo a este, qual seja, processo nº 18329.000212/200734, às fls. 199, constata pagamentos realizados pela Recorrente a homologar pela AuditoriaFiscal no período 06/2001 a 10/2002, embora não haja recolhimento na competência 03/2002,: Portanto, com base na legislação precedente, cabe revisão do lançamento fiscal a luz do Código Tributário Nacional — CTN, observandose a existência ou não de pagamentos efetuados e tendo em vista a vinculação das decisões ao referido ato e com base no § 4° do artigo 150 do CTN, estão decadentes as competências 06/2001 a 10/2002 nesta NFLD, exceto a competência 03/2002, por não haver qualquer recolhimento a homologar. Neste sentido, são improcedentes os lançamentos das competências decadentes. Então, aplicandose o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF, exsurge a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN para todas as competências, posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte em pelo menos uma competência objeto do AI, além de não se materializar as hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Verificase, da análise dos autos, que a cientificação da AI pela Recorrente, às fls. 01, se deu em 01.11.2007 e o débito se refere a contribuições devidas à Seguridade Social no seguinte período 06/2001 a 04/2007. Nos termos do artigo 150, § 4o, CTN, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 10/2002, inclusive. 1 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de direito financeiro e tributário. 16. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2009. p. 283. 2 SABBAG, Eduardo. Manual de direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 723. 3 LOPES, Mauro Luís Rocha. Direito tributário brasileiro. Rio de Janeiro: Impetus, 2009. p. 248. 4 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 11. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. p. 1036. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 Portanto, devese reconhecer a decadência até a competência 10/2002, inclusive, com base no artigo 150, § 4o, CTN. No Mérito. (iv) Da duplicidade na aplicação de multa e seu caráter confiscatório Fica evidente no caso a aplicação da multa em duplicidade, visto que é aplicada sobre um mesmo fato, neste caso a multa configura bis in idem e 6, portanto, confiscat6ria, o que é vedado por nosso ordenamento jurídico. A aplicação cumulativa das duas multas, por descumprimento da obrigação principal e descumprimento da obrigação acessória que decorreria do cumprimento da obrigação principal nos termos exigidos pela outra autuação, decorre da interpretação deficiente e não sistemática do ordenamento jurídico. Analisemos. Devese anotar que a obrigação tributária principal se diferencia da obrigação tributária acessória. Nos dizeres do professor Ricardo Lobo Torres5, a obrigação tributária principal é o vínculo jurídico que une os sujeitos ativo e passivo em torno do pagamento de um tributo, enquanto que .a obrigação acessória se revestira de deveres meramente instrumentais, tais como prestar declarações ao fisco e manter livros fiscais. Na lição de Leandro Paulsen6, observase que a obrigação acessória é a obrigação de fazer em sentido amplo, ou seja, fazer, não fazer, tolerar, enfim, no interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos. Neste sentido, colacionando o art. 113, CTN, pelo descumprimento da obrigação principal submetese o sujeito passivo à emissão pela autoridade fiscal do lançamento de débito denominado Notificação Fiscal de lançamento de Débito NFLD. Enquanto que pelo descumprimento da obrigação acessória, há a conversão em obrigação principal pela multa aplicável, submetendose o sujeito passivo à lavratura do Auto de Infração de Obrigação Acessória, no presente caso o AI Auto de Infração. Desta forma, não prospera a alegação da recorrente no sentido de uma possível confusão entre a obrigação acessória e a obrigação principal, pois os descumprimentos de obrigação principal e de obrigação acessória implicam em multas de diferentes naturezas jurídicas. Recálculo da multa com base no art. 32A, II, Lei 8.212/1991, a partir da alteração da Lei 11.941/2009. 5 TORRES, Ricardo Lobo. Op. cit., p. 236. 6 PAULSEN, Leandro. Op. cit., p. 900. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000220/200781 Acórdão n.º 240301.164 S2C4T3 Fl. 81 19 No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 248DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, Auto de Infração nº. 37.134.5626, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NAS PRELIMINARES, se declarar a decadência parcial até a competência 10/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN, e, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 249DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000445/2008-39
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2004 a 30/06/2007
PREVIDENCIÁRIO. NULIDADE DA NFLD. NÃO OCORRÊNCIA.
ALUGUEL PAGO AO PRESIDENTE DO SINDICATO. MULTA DE MORA.
Não há que se falar em nulidade da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, quando não houver qualquer tipo de vício.
Carece de previsão legal a não inclusão dos valores pagos a título de saláriodecontribuição.
Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-001.120
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da
Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
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NULIDADE DA NFLD. NÃO OCORRÊNCIA. ALUGUEL PAGO AO PRESIDENTE DO SINDICATO. MULTA DE MORA. Não há que se falar em nulidade da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, quando não houver qualquer tipo de vício. Carece de previsão legal a não inclusão dos valores pagos a título de salário decontribuição. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator Fl. 152DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10865.000445/200839 Acórdão n.º 2403001.120 S2C4T3 Fl. 2 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD (DEBCAD n. 37.075.9818), emitida em 27/02/2008, cuja notificação ocorreu em 04/03/2008 (fl. 76), lavrada em face do SINDICATO DOS EMPREGADOS NO COMÉRCIO SÃO JOÃO DA BOA VISTA, no valor de R$ 10.932,57 (dez mil, novecentos e trinta e dois reais e cinquenta e sete centavos), referente às contribuições dos segurados empregados, não descontadas, contribuições da empresa, inclusive aquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa — RAT e contribuições destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA). O período de apuração corresponde às competências: 02/2004 a 06/2007. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 35/48, a autuação se deu pela não inclusão, como salário de contribuição, os aluguéis pagos pela Recorrente em relação à residência ocupada pelo seu presidente. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a Recorrente apresentou, tempestivamente, Impugnação de fls. 79/82. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 9a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) – DRJ/RPO, prolatou o Acórdão n° 1421.150, de fls. 123/127, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 30/06/2007 NULIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO. A NFLD lavrada com a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, além da devida fundamentação legal, encontrase em conformidade com a legislação vigente, preserva todas as garantias de ordem constitucional e legal asseguradas ao sujeito passivo e não configura hipótese de nulidade do lançamento. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. PRESIDENTE DE ENTIDADE SINDICAL. PAGAMENTO DE ALUGUEL RESIDENCIAL. Integram o saláriodecontribuição valores pagos a título de aluguel residencial para o presidente de entidade sindical, não se enquadrando tais verbas na parcela legalmente excluída do saláriodecontribuição relativa à ajuda de custo, em parcela Fl. 154DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho. Lançamento Procedente” DO RECURSO Inconformada, a Recorrente interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 133/140, com os seguintes argumentos: 1. Preliminar 1.1 – Cerceamento de Defesa e Princípio do Contraditório A Recorrente entende que não teve tempo hábil para elaborar a defesa, tendo em vista que a Fiscalização teve 7 (sete) meses para elaborar a NFLD, fato esse que contraria a ampla defesa e o contraditório. Cita Doutrina para fundamentar o alegado. 1.2 – Nulidade do Processo pela não Disponibilidade de Carga dos Autos para Verificação Fora de Cartório A não autorização para retirada dos autos do Cartório para avaliação dos documentos e consequente elaboração da defesa, torna nulo o processo, tendo em vista que a vista dos autos advém de previsão legal, conforme disposição do inciso XV do art. 7o da Lei n. 8.906/94 e inciso II do art. 40 do CPC. 1.3 – A Ininteligibilidade pelo Uso de Siglas A Recorrente sustenta que a NFLD traz 25 (vinte e cinco) siglas, o que impossibilita o conhecimento exato do que exige. Dessa forma, a Recorrente necessita contratar um especialista para exercer o devido processo legal. 1.4 – Da Inevitável Necessidade de se Evitar o “Bis in Idem” A Recorrente alega que ao deixar de atender ao pedido de vistas dos autos, aborado acima, teve cerceado o seu direito constitucional de Ampla Defesa. Ademais, o acórdão foi omisso ao não reconhecer o direito do contribuinte e a obrigação da Administração de proceder a conferência dos trabalhos realizados pela Fiscalização para apurar a exigência de duplas contribuições. 2 – Dos Fatos e do Direito A Recorrente sintetiza a NFLD. 3 – Do Mérito 3.1 – Pagamento de Aluguel A Recorrente sustena que o aluguel pago ao seu diretor não encontra embasamento na legislação previdenciária, tratandose de obrigação civil decorrente de disposição estatutária que prevê a obrigatoriedade de residência do presidente na sede da entidade, evitandose, com o pagamento do aluguel, despesas de transporte às quais não integram o salário. Cita Doutrina. Ao final requer provimento do Recurso. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10865.000445/200839 Acórdão n.º 2403001.120 S2C4T3 Fl. 3 5 É o relatório. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 143, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE CERCEAMENTO DE DEFESA E PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO Sustenta a Recorrente que não teve tempo hábil para elaborar a defesa, tendo em vista que a Fiscalização teve cerca de 7 (sete) meses para concluir o procedimento de fiscalização, enquanto que ela teve apenas 30 (trinta) dias para elaborar a defesa. O prazo de 30 (trinta) dias para a apresentação da impugnação advém do art. 15 do Decreto n. 70.235/72, verbis: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Nesse diapasão, por ausência de previsão legal, não merece prosperar a alegação da Recorrente. NULIDADE DO PROCESSO PELA NÃO DISPONIBILIDADE DE CARGA DOS AUTOS PARA VERIFICAÇÃO FORA DE CARTÓRIO A Recorrente alega que fora impedida de fazer carga dos autos, para ter acesso fora do Cartório. Ocorre que a Recorrente não estava desincubida de provar o alegado. Nesse diapasão, por ausência de prova, não há como prosperar o pleito da Recorrente. A ININTELIGIBILIDADE PELO USO DE SIGLAS Por entender que existe um grande número de siglas, a Recorrente pleiteia a nulidade da NFLD por infringência ao devido processo legal. Ocorre que, como bem destacou a DRJ, todas as siglas utilizadas são acompanhadas da devida explicação, razão pela qual, não há como prosperar a alegação da Recorrente. Ademais, da análise do Recurso, especificamente nas fls. 139/140, vêse que a Recorrente compreendeu perfeitamente o objeto da NFLD, vez que resumiu os fatos e o direito, além de impugnála quando do mérito. DA INEVITÁVEL NECESSIDADE DE SE EVITAR O “BIS IN IDEM” Fl. 157DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10865.000445/200839 Acórdão n.º 2403001.120 S2C4T3 Fl. 4 7 No que tange à eventual cobrança em duplicidade, cabe à Recorrente comprovar o alegado, não bastando suposições. A Fiscalização reuniu as provas necessárias para a sua convicção, razão pela qual, caso entendesse por haver cobrança em duplicidade, à Recorrente competiria provar o alegado. DO MÉRITO Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, referente às contribuições dos segurados empregados, não descontadas, contribuições da empresa, inclusive aquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa — RAT e contribuições destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA). A NFLD está embasada no não pagamento de Contribuições Previdenciárias em relação aos pagamentos feitos a título de aluguéis do imóvel do presidente da Recorrente. A Recorrente sustenta se tratar de “obrigação civil decorrente de disposição estatutária, objeto do artigo 43, § 3o do Estatuto do Sindicato da Impugnante.”. Ocorre que a previsão estaturária, apesar de criar obrigação entre o sindicato e seus associados, não tem o condão de alterar o fato gerador de uma obrigação tributária. Fato esse reservado à lei, nos termos do art. 97, III do CTN, verbis: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; Ademais, mesmo que o Estatuto do sindicato pudesse excluir do conceito de saláriodecontribuição, tais valores, eles não foram pagos em conformidade com o preceituado no art. 43, § 3o do Estatuto, verbis: Art.43 Ao Presidente do Sindicato compete: (...) § 3o. Em ocorrendo afastamento do Presidente para o exercício de sua função em tempo integral, a Diretoria fixará verba necessária à locação de imóvel residencial, exceto se o mesmo residir em imóvel próprio, além de gratificação básica mensal equivalente a, no mínimo, cinco pisos salariais da categoria. Nesse diapasão, a Recorrente, apesar de devidamente intimada para apresentar a residência do presidente da Recorrente (fl. 31), não o fez. Do exposto, verificase carece de suporte legal o pleito da Recorrente, razão pela qual deve ser mantido o lançamento. MULTA DE MORA Fl. 158DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabelece que os débitos referentes a contribuições não recolhidas no prazo previsto em lei, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo), para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO Do exposto, julgo procedente em parte o recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 159DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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