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Numero do processo: 11853.001167/2007-58
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 16/11/2006
Ementa:
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 2403-000.907
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar
provimento ao recurso.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 16/11/2006 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente/Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Cid Marconi Gurgel de Souza. Ausentes o conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato (substituído pelo conselheiro Igor Araujo Souza), o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto (substituído pelo conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva). Fl. 120DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Fl. 121DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11853.001167/200758 Acórdão n.º 2403000.907 S2C4T3 Fl. 115 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, Acórdão 0322.895, da 6 ª Turma, que julgou procedente o lançamento. A autuação foi assim resumida no acórdão: Relatório Tratase de auto de infração, consolidado em 16 de novembro de 2006, às 13:05h, emitido contra a empresa em epígrafe, em razão de haver infringido o dispositivo previsto nos §§ 2° e 3° do artigo 33 da Lei 8.212/91, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Segundo o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 14/15, o presente auto de infração foi lavrado por não ter a empresa, embora notificada mediante Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD (fls. 8/11), na data estipulada, apresentado à fiscalização os documentos solicitados: Folhas de Pagamento dos contribuintes individuais (apresentadas de forma incompleta) e Documentação referente aos discriminativos mensais de Colaboradores, de Serviços Contratados e de Serviços Prestados, ano 1996. (grifei) ... Em 20 de abril de 2007, foi emitido o Despacho Decisório de Retificação n.° 23.401.4/023/2007, corrigindo o valor da multa aplicada, de R$ 115.694,20 (cento e quinze mil seiscentos e noventa e quatro reais e vinte centavos), para R$ 92.555,36 (noventa e dois mil quinhentos e cinqüenta e cinco reais e trinta e seis centavos). Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: • não houve recusa ao fornecimento de informações nem elas foram prestadas de forma incompleta; • todas as informações constavam das folhas de pagamento apresentadas; Fl. 122DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 • a decisão recorrida deve ser reformada, porque, na aplicação da multa, a autoridade julgadora de primeira instância não observou que a imposição de penalidade em matéria tributária deve obedecer ao disposto no art. 136 do CTN, nos termos das regras previstas nos arts. 137 e 112; • na eventualidade de ser negado provimento à parte do recurso que impugna a aplicação da multa, pedese à turma julgadora que exclua a agravante de reincidência genérica prevista no art. 290, V, do Decreto 3.048/1999. É o Relatório. Fl. 123DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11853.001167/200758 Acórdão n.º 2403000.907 S2C4T3 Fl. 116 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. O período de fiscalização, conforme MPF n° 09323750F00, folha 6, ia de Janeiro/1996 a Dezembro/2006. Fica evidente que a fiscalização tinha por base o artigo 45 da Lei 8.212/91, que fixava prazo decadencial de 10 anos. Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados:(Vide Sumula Vinculante nº 8).(Revogado pela Lei Complementar nº 128, de 2008) I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído;(Revogado pela Lei Complementar nº 128, de 2008) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada.(Revogado pela Lei Complementar nº 128, de 2008) O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade desse artigo, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 124DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Conforme registra o relatório Fiscal, os documentos não apresentados ou apresentados de forma incompleta, que motivaram a autuação, referemse ao ano 1996. 3. Consoante os Termos de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD em anexo (FOLHAS 8 a 11), o sujeito passivo em tela foi devidamente intimado a apresentar diversos documentos. Dentre eles: a. Folhas de pagamento dos contribuintes individuais de 1996; b. Recibos de Pagamento a Autônomo de 1996; c. Documentação referente aos discriminativos mensais de Colaboradores, de Serviços Contratados e de Serviços Prestados de 1996. 4. Entretanto, a empresa em comento não apresentou, em sua totalidade, os documentos relativos aos itens "b" e "c" do item 3 à fiscalização. A documentação relativa ao item "a" foi apresentada, porém, da análise dos demais documentos apresentados, verificouse que a folha de pagamento dos contribuintes individuais estava incompleta. O período a que se referem os documentos estava totalmente decadente. Entendo que a obrigação acessória deve acompanhar a principal . Entendo, por essa razão, que o crédito tributário deve ser exonerado. CONCLUSÃO Voto pelo provimento do recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 125DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10830.013095/2008-78
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 28/02/2007
PREVIDENCIÁRIO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS À FISCALIZAÇÃO. DEVER DA EMPRESA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. MULTA.
Quando regularmente intimada para tanto, é dever da empresa exibir os documentos de interesse da fiscalização, sujeitando-se, em caso de descumprimento, à pena de multa pecuniária estabelecida em lei.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-000.851
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: IVACIR JÚLIO DE SOUZA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 28/02/2007 PREVIDENCIÁRIO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS À FISCALIZAÇÃO. DEVER DA EMPRESA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. MULTA. Quando regularmente intimada para tanto, é dever da empresa exibir os documentos de interesse da fiscalização, sujeitando-se, em caso de descumprimento, à pena de multa pecuniária estabelecida em lei. Recurso Voluntário Negado.
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APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS À FISCALIZAÇÃO. DEVER DA EMPRESA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. MULTA. Quando regularmente intimada para tanto, é dever da empresa exibir os documentos de interesse da fiscalização, sujeitandose, em caso de descumprimento, à pena de multa pecuniária estabelecida em lei. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Cid Marconi Gurgel de Souza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 30 95 /2 00 8- 78 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 10/07/2013 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Relatório Li o Relatório de primeira instância, compulsei com os autos e corroboro o ali registrado o qual abaixo transcrevo na sua integralidade : “ Consoante o relatório fiscal de fl. 58, o Auto de Infração n° 37.197.5484 foi lavrado em virtude de a "MOGIANA ALIMENTOS S/A." haver deixado de apresentar à fiscalização os contratos de prestação de serviços celebrados com a empresa "SIM INCENTIVE MARKETING S/C LTDA.", bem como as notas fiscais por esta emitidas em razão daqueles acertamentos, embora regularmente intimada para tanto, o que constitui infração ao disposto no inciso III do art. 32 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Medida Provisória e 449, de 4122008.( grifos do Relator de segunda instância) Em virtude de tal omissão, e consoante o "RELATÓRIO FISCAL DA APLICAÇÃO DA MULTA" (fl. 59), o auditor autuante aplicou a pena de multa cominada no art. 92 da referida lei de custeio, c/c o art. 283, inciso II, alínea "b", do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 6 51999, no valor mínimo de R$ 12.548,77 (atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 77, de 1132008) por não se ter verificado in casu, qualquer das circunstâncias de que cuidam os art. 290 e 291 do mesmo normativo regulamentar. Inconformada com a autuação, a empresa impugnoua por meio do expediente protocolado sob n° 000647, em 2212009 (fls. 61 a 65), no qual pleiteia o reconhecimento da improcedência total da exigência fiscal, mediante as seguintes alegações, em síntese: a) na ação fiscal iniciada em março de 2007, por meio do MPF n° 09377451F00, e que encerrouse em 1192007 em virtude da criação da SRFB e do consequente remanejamento dos AFRFB que então a realizavam para outras regiões, já fora lavrado contra a empresa o AI n° 37.071.6014, pela não apresentação do contrato de prestação de serviços celebrado com a "SIM", dentre outros documentos que lhe haviam sido solicitados; b) desta forma, na ação fiscal seguinte, iniciada para que novos AFRFB auditassem o mesmo período de 01/1998 a 02/2007, era incabível a aplicação de multa sobre atos já praticados, face ao contido no § 1° do art. 20 da Portaria RFB n° 11.371/2007; c) de todo modo, não houve a pretextada conduta omissiva, eis que, em 16/07/2007, a empresa entregou a relação de notas fiscais emitidas pela "SIM", conforme o documento anexo com o recibo do próprio AFRFB; e d) com essa confusão de encerrar MPF, remanej ando os respectivos auditores, e abrir novo procedimento com outros AFRFB designados, e, ainda, em agosto de 2008, com a autorização para segundo exame das competências já fiscalizadas, a impugnante foi penalizada duas vezes pela mesma Fl. 174DF CARF MF Impresso em 10/07/2013 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10830.013095/200878 Acórdão n.º 2403000.851 S2C4T3 Fl. 153 3 suposta infração: uma, com o AI n° 37.072.6014, devidamente quitado pelo pagamento, e outra, com o AI n° 37.197.5484, ora impugnado. A defesa encontrase instruída com cópias de documentos atinentes à mencionada ação fiscal anterior, incluindose o AI n° 37.072.6014 (fls. 82 a 116), bem como do referido in fine do item "c", acima (fl. 117). ” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls. 120, a 6ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Campinas ( SP) DRJ/CPS, em 02 de junho de 2009, emitiu o Acórdão n ° 0525.821 mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário( fls. 125) onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ” alegando em síntese que : Que é evidente que os documentos requeridos nos 2 (dois) TIAD não são os mesmos, todavia, o que restou sem entrega nos dois casos foi apenas, o contrato de prestação de serviços já mencionado. Todas as notas fiscais requeridas na primeira fiscalização foram entregues, bem como na segunda intimação. Que o motivo principal encontrado pelos julgadores a quo, está calcado no fato de que a nota fiscal n° 013140, de apenas R$ 4.000,00 (quatro mil reais), emitida pela empresa "SIM", está relacionada em 2 (dois) TIAD. Que o AFRFB teria relacionado novamente a nota fiscal 013140 no segundo TIAD, de 14/03/2008 por pura confusão e para provar juntou o Acórdão 0525.758 da mesma Turma reconhecendo o erro nas fls. 244, e dando provimento à impugnação da Recorrente nesta parte. (doc. Anexo); Que na primeira entrega tempestiva de notas fiscais (doc .fls 117), a nota fiscal n° 013140 está relacionada, e como visto acima, ela foi entregue, e no segundo TIAD o AFRFB relacionoua novamente, por erro, e cobrou as contribuições em duplicidade) Que nos dois autos de infração tiveram um único e mesmo descumprimento de obrigação acessória por parte da Recorrente: a não entrega do contrato de prestação de serviços celebrado com a SIM INCENTIVE MARKETING S/C LTDA. Que o único documento que a Recorrente não entregou, nas duas fiscalizações que sofreu pelo mesmo Órgão, em anos diferentes, foi o contrato de prestação de serviços, e nada mais. Que tal ocorrência é um motivo forte, ensejador do total cancelamento da exigência trazida pelo auto de infração em tela Contestou , ainda, a cobrança de juros de mora com base na Taxa Selic, uma vez que não há previsão legal para a utilização do referido indexador em matéria de penalidade tributária. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 10/07/2013 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 É o Relatório. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 10/07/2013 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10830.013095/200878 Acórdão n.º 2403000.851 S2C4T3 Fl. 154 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls.151, o recurso é tempestivo e reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO Da autuação A recorrente alega que o motivo principal encontrado pelos julgadores a quo, está calcado no fato de que a nota fiscal n° 013140, de apenas R$ 4.000,00 (quatro mil reais), emitida pela empresa "SIM", está relacionada em 2 (dois) TIAD. E que e o AFRFB teria relacionado novamente a nota fiscal 013140 no segundo TIAD, de 14/03/2008 por pura confusão. Para provar o alegado juntou o Acórdão 0525.758 da mesma Turma onde em outro processo de fiscalização anterior o erro é reconhecido (fls. 244), com provimento à impugnação da Recorrente nesta parte. (doc. Anexo). Compulsando os autos, o aludido processo teve número 10830.013089/2008 11 cujo período de apuração foi 01/01/2003 a 31/01/2006 julgado em 22 de maio de 2009, anterior ao presente. Relevante destacar que de fato a nota fiscal n° 013140 foi motivo de retificação, entretanto, naquele lançamento, a empresa não foi autuada como afirma por não apresentação da documentação mais sim em decorrência disto. Naquele auto, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento por aferição por valores das notas fiscais conforme se extrai do Relatório Fiscal que suportou aquele lançamento: “1°) constituíram fatos geradores das contribuições lançadas as remunerações pagas através de cartões de "premiação emitidos pela empresa "SIM INCENTIVE MARKETING S/C LTDA.", cujos valores restaram aferidos com base nas notas fiscais por esta expedidas, discriminadas no anexo "RL RELATÓRIO DE LANÇAMENTOS") 2°) a aferição da remuneração com base nas notas fiscais acima referidas está fundamentada no § 3° do art. 33 da Lei n° 8.212/91, e decorre de não ter sido exibido à fiscalização o contrato celebrado entre a "MOGIANA" e a "SIM".” Sobre a mesma matéria, alega ainda a Recorrente que na primeira entrega tempestiva de notas fiscais (doc .fls 117), a nota fiscal n° 013140 está relacionada, e como visto acima, ela foi entregue, e no segundo TIAD o AFRFB relacionoua novamente, por erro, e cobrou as contribuições em duplicidade. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 10/07/2013 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 A afirmação acima é equivocada constituindo em erro de objeto na medida em que o lançamento em comento referese a obrigação de fazer e não à cobrança de contribuição por isso não há que falar em cobrança de contribuições em duplicidade. Da confissão da irregularidade Ao alegar que “ nos dois autos de infração tiveram um único e mesmo descumprimento de obrigação acessória por parte da Recorrente: a não entrega do contrato de prestação de serviços celebrado com a SIM INCENTIVE MARKETING S/C LTDA. ”, e , ainda, que “o que restou sem entrega nos dois casos foi apenas, o contrato de prestação de serviços já mencionado”, cometeu o equívoco acima referido e ainda confessa que realmente continuou inadimplente com sua obrigação acessória ou seja a entrega do contrato de prestação de serviço motivo do lançamento guerreado. Cumpre realçar que naquele aludido lançamento anterior, cobrouse a contribuição de obrigação principal e neste cobrase o descumprimento da obrigação acessória. Da taxa SELIC Conforme a Súmula nº 4 deste Conselho, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim , não podem prosperar as argumentações da recorrente razão pela qual não dou provimento ao Recurso interposto. CONCLUSÃO Por tudo que foi exposto, conheço do recurso para , no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 178DF CARF MF Impresso em 10/07/2013 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
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Numero do processo: 10845.000232/85-24
Data da sessão: Wed Jul 29 00:00:00 UTC 1987
Ementa: Cancelamento do débito fiscal, por força do disposto no art. 4º do Decreto-lei nº 2.227/85.
Numero da decisão: 301-25.666
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, pelo Voto de Qualidade, em declarar o cancelamento
do débito, nos termos do art. 4º do DL 2.227/85, vencidos os
Conselheiros João Holanda Costa, Paulo César Bastos Chauvet, Rosa Marta Magalhães de Oliveira e José Maria de Melo. Designado para redigir o acórdão o Conselheiro José Façanha Mamede, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOSE FAÇANHA MAMEDE
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IDEAL S/A. TINTAS E VERNIZES. DRF - SANTOS - SP. Cancelamento do débito fiscal, por força do disposto no art. 4º do Decreto-lei nº 2.227/85. Visto,_ relatado e discutido o presente processo, ACORDAM os Membros da Primeira Câmara-do Terceiro Conse- lho de Contribuintes, pelo Voto de Qualidade, em declarar o cancela- mento do débito, nos termos do art. ~º do DL 2.227/85, vencidos os Conselheiros João Holanda Costa, Paulo César Bastos Chauvet,Rosa Mar ta Magalhães de Oliveira e José Maria de Melo. Designado para raligir o acórdão o Conselheiro José Façanha Mamede, na forma do relatório e voto que pa?sam a integrar o presente julgado. EIRA - Proc. da Fazenda Nacional. NHA MAMEDE - Pres- ente e Relator-designado. QAJ1.;; j2ewv~( ~OLFO MAYER D VISTO EM: SESSÃO DE: Br~s~lia-DF, 29 de julho de 1987. v// Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE, ROBERTO VEILOSO e HAMILTON DE SÁ DANTAS. DE CONTRIBUINTES. ACÓRDÃO NQ 301-25.666 TINTAS E VERNIZES. .. SERVICO PÚBLICO FEDERAL ME' - TERCEIRO CONSELHO RECURSO NQ 100.560 RECORRENTE: IDEAL S/A - 2 RECORRIDA DRF - SANTOS - SP. RELATOR PAUlO CÉSAR BASTOS CHA1JVET. RELATOR DESIGNADO: JOSÉ FAÇANHA MAMEDE. R E L A T Ó R I O O presente processo já foi examinado em 12.08.86, por esta Câmara - RESOLUÇÃO NQ 301.202 (fls. 66/69 -, tendo sido convertido o julgamento em diligência ao I. N.T., a fim de que fossem respondidas as lluestões consideradas nec essárias para melhor decisão do li tigio. Leio na integra, referida Resolução, incorporando-a a es te relatório. Retorna agora o processo com as informações abaixo transcritas: solicitadas, "Respostas aos quesitos formulados a) O produto "AC POLIETILENO 405" conliecido quimic.amente como "poli etileno de baixa densidade"? Resposta: A análise do produto e a literatura (anexa ao pro cesso: págs. 41) nos levam a concluir tratar-se de um copo limero de etileno-acetato de vinila. - b) Trata-se efetivamente o produto em questão de "POLIETI LENO DE BAIXA DENSIDADE, DE BAIXO PESO MOLECUlAR, MOD~FICA DO OU NÃO - TIPO AC POLIETILENO 405 "? Resposta: Conforme resposta ao quesito~, o produto emque~ tão é constituido por um copolimero de etileno-acetato de vinila. c) Os demais dados caracterizadores constantes da DI (fls. 5), ou seja, os relativos à densidade, ao ponto de fusão, à viscosidade etc, são próprios e corretos para o produto sob análise? Resposta::;As caracteristicas constantes da DI (fls. 5) do processo sao: densidade: 0,91 ponto de fusão: 250QF viscosidade a 140QC: 230cpf cor: natural forma fisica: grânulo Os resultados obtidos das análises do produto sao: densidade: 0,91 ponto de fusão: 93,5ºC (200,3ºF) ~ viscosidade 140ºC: 500cp c:/~ 3 Rec. 108.560 Ac. 301-25.666 SERViÇO PÚBLICO FECERAL cor: branca forma física: grânulo Portanto, achamos ~ue os dados caracterizadores são própri os e corretos para o produto em ~uestão, com excessão do valor referente à viscosidade Brookfield a 140ºC, pois o constante.na DI (fls. 5) é 230cpf, en~uanto os valores obt!t dos na análise do INT.o no Handbook of adhesive Raw Mate rials (fls. 42) são respectivamente 500cp e 550 cp. OBS: Caso a resposta ao ~uesito "b", seja negativa importa fi~ue definida e caracterizada a mercadoria analisada. Resposta: Nas literaturas apresentadas no processo (fls.40 e 43) Flick ErnestW, "Handbook of adhesive Raw materials", Noyes Publications; 135, 176 encontramos referência ;..AC- Vinyl Acetate-Ethylene Copolymers Product 405 de peso esp~ cífico 0,91 e viscosidade Brookfield a 140º igual a 550cp. Ainda em Chemical Abstracts 1982 está relacionado: AC 40.5 See Acetic acid ethenyl ester, polymers with ethene (24937 -78-8). Nestas duas literaturas não vimos referências ao produto AC-Folyethylene 405, como consta nas Declarações de Importação." É O F:ELATÓRIO. v O T O No julgamento do Recurso nº 109.195, foi proferido ó se guinte voto, do ~ual fui relator e que passou a integrar o Acórdão nº 301-25.645: "V 'o T O A recorrente pleiteia. o cancelamento do débito fiscal, fa ce ao disposto no art. 4º do Decreto-lei nº 2227/85. O ilustre relator originário, no entanto, entende incabível tal cancelamento, visto ~ue teria havido descrição inexata da mercadoria, aplicando-se, assim, ao caso, o disposto no item 3 da Instrução Normativa SRF 40/85. Transcrevo, para encaminhamento do meu voto, trecho de Vo to proferido na Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre a :,IiJatéri~ em discussão (Ac. CSRF/03-01.393): "Alegislação ~ue impõe a exclusão do crédito tributário sob o duplo aspecto (exclusão da obrigação tributária e da penalidade - anistia) - ~ue se observa na figura do car.ce lamento dos débitos fiscais potenciais, isto é, aqueles cuja formalização ainda não ocorreu ~uandc da vigência da lei que determina desoLeração do recolhimento 00 tributo e o perdão das rrultas - em face do estabelecido no art. 111, inciso l, do C.T.N., deve ser interpretada ~ral_ 4 Rec. 108.560 Ac. 301-25.666 SERViÇO PÚBLICO FEDERAL mente, mas esta significa apenas que o aplicador da lei se aterá ao significado gramatical das palavras que integram o texto, não podendo dilatar nem restringir o seu alcance, através de qualquer outro meio de interpretação,integração, ou ainda de posição apriorística, salvo o disposto no art. 112 do C.T.N (in dubio.pro reo, que alguns autores qualifi cam de interpretação benígna). - Verificando-se, inicialmente, que o texto do art. 4Q somen te exceIJ'cüma:.os débitos decorrentes de incidências poste riores à decisão proferida em processo alterando a classi= ficação feita pelo interessado, perquire-se qual o signifi cado do disposto no item 3 da Instrução Normativa nQ 40/85, onde se declarou que: "O cancelamento. .. não abra:ngea falta ou ins~ ficiência de pagamento de tributo, apurada nos casos em que a inexata descrição do produto tenha impedido sua correta classificação." notadamente quando se observa que a Norma de Execução - CST nQ 15, de 20.05.86, que fixou a rotina dos procédiméntos fiscais relativos aos débitos tributários de que trata o art. 4Q do Decreto-lei nQ 2227/85, não mais trouxe aquela restrição. Preliminarmente, parece-nos que, salvo na hipótese de con luio entre o importador e o servidor encarregado de cenfe rência física e desembaraço da mercadoria, a ressalva men=' eionada no item 3 da IN-SRF-40/85, dificilmente tem aplica ção na área do Imposto de Importação, isto porque o desem baraço aduaneiro impõe o exame físico da mercadoria e, se surgir qualquer dúvida quanto a sua natureza ou proprieda- des, a legislação faculta à autoridade aduaneira a solici- tação de X~udo técnico que dirima a dúvida, assistindo i~ teira razão ao ilustre Relator do decisório recorrido,qua~ do sustenta que: "No desembaraço, o importador, além dos docu mentos de importação (DI, GI, Fatura, etc.) submete rOS pr£. dutos ao cempleto exame físico pelas autoridades. Não vejo, portanto, como entender-se que a descrição mesmo não inte~ ramente completa, feita na D.I., possa ser entendida como inexata e impeditiva da correta classificação dos produtos, para fins do citado item 3 da I.N. SRF nQ 40/85, conside rando, ainda, a faculdade de que dispõe a fiscalização de submeter esses produtos, antes de seu desembaraço, a qual- quer exroueque julgUe necessário (químico, técnico, etc. ) para a perfeita determinação da su.areal natureza." À luz do sistema constitucional vigente, p.mque à Adminis- tração Tributária é vGdado restringir o alcance das normas q1J.eregulamenta - o conteúdo e alcance dos decretos se re~ tringe aos da.sl'2jS em função das quais sejam expedidos, ~ 5 Rec. 108.560 Ac. 301-25.666 SERVICO PUBLICO FEDERAL deter'minados com observância das regras de interpretação, estaoelecidas nesta lei, declara o C.T.N., no art. 99, e,' portanto, também o conteúdo e alcance dos cIemais atos nor Cc' mativás, 'se restringirá a08 das leis ou decretos em full ção dos quais sejam expedidos, pois como normas compleme~ tares (CTN, art. 100), .não poderão alterá-los - qualquer que seja a categoria do diploma expedido (Decreto, Porta ria, Instrução Normativa, Norma de Execuçao, Parecer NO~ mativo ou Ato Declaratório Normativo), o texto do aludido item 3 da Instrução Normativa nº 40/85 somente pode ser interpretado como referindo-se às hipóteses descritas no art. l80~:d.o,C:T.N.; forá.disso, seria manifestamente ile- gal e, em conseqtlênCia, não proéim:':;riaqualquer efeito. Diz o art. 180 do Código Tributário Nacional, literalmen- te: "art. 180 - a anistia abrange exclusivamente as infrações cometidas anteriormente à vigên éàa da lei que a concede, não se aplicando:- I - aos atos qualificados em eli como crimes ou contravenções e aos que, me~ mo sem essa qualificação, sejam prati- cados como dolo, fraude ou simulação p~ lo sujeito passivo ou por terceiro em benefício daquele; 11 - salvo disposição em contráriO, as infrações resultantes de conluio entre duas ou mais pessoas naturais ou jurí- dicas." ........................ , ' . Ora, somente a falsa declaração, isto é, a infração prat~ cada com dolo, visando fraudar o Fisco, é que estaria ex cluída do benefício do cancelamento, em vista do disposto no art. 180 do CTN,. combinado com o item 3 da ~N~SRF-40/ 85. Disso, todavia, sequer cogitou o Fisco na peça básica: nem pela descrição do fato que levou à insuficiência do pagamento do tributo nem pela penalidade aplicada ... A inexatidão da descrição, como prevista no item 3 do alu dido ato normativo, em face do previsto no art. 180 do CTN, só tem lugar nos casos de infração qualificada, co~ figuradora de crime de sonegação fiscal, como previsto na Lei nº 4.729/65 . .............. . Assim, no caso dos autos, não há como enquadrar o fato na tipificação da fraude fiscal eis que: a) sequer dela se cuidou na peça de acusáção ... 6 Rec. 108.560 _Ac ..301-,,5.666 SERViÇO PÚBLICO FEDERAL b) não seria mais viável dar ao fato descrito nova tipifi cação legal, dado ser vedado, ao julgador 00 primeiro gra~ aditar a peça básica - inovando o feito fiscal - sem a reabertura do prazo de umpugnação .•(o que não foi feito), e, ao julgador de segunda ou especial instância, em qual- quer circunstância; c)a dúvida, se houvesse, viria em socorro do autuado (CTN, art. 112, 11 e IV). Portanto, na ausência das figuras deleituosas previstas no art. 180 do CTN e sendo certo qUÉL o:art. 4º do Decreto- lei nº 2.227/85 somente exclui de sua abrangência (cance- lamento) os débitos resultantes de impostos incidentes após a decisão sobre a classificação de produtos, feita pela Secretaria da Receita Federal em processo referente ao interessado, como se lê da EM nº 004, de 11.01.85, ~ cabalmente insubsistente a presente exigência, dado ter por suporte a errônea classificação fiscal de produtos im portados " Observe-se que, no presente caso, foi aplicada a multa do art. 108 do Decreto-lei nº 37/66, pelo seu "caput" e que a multa do IPI não está agravada. Assim, se não provada a fraude, o dolo ouoconluio praticados pelo sujeito passivo, não há que acatar-se a tese da descrição inexata da merca doria, de cardo com o preceden~e de julgamento pela Câma ra Superior de Recursos Fiscais. Face ao exposto, visto que o único óbice ffi reconhecimento do cancelamento do débito é o da alegada descrição inex~ ta da mercadoria, que não se comp:orta no entendimento que do fato manifestou já a câmara Superior de Recursos Fis cais, declaro cancelado o débito fiscal, face ao disposto no art. 4º do Decreto-lei nº 2.227/85." Tratando-se de idêntica hipótese, voto no sentido de não se tomar conhecimento de mérito da classificação, visto que o 'débito exigido está cancelado na forma do disposto no art.4º do Decreto-lei nº 2.227/85. Sessões, 29 de julho de 1987.
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Numero do processo: 14367.000307/2008-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
GFIP. ERROS NOS DADOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO.
Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação.
MULTA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO
DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
ASSISTÊNCIA MÉDICA.
Para a não tributação dos valores relativos ao benefício da assistência médica, odontológica e afins, é necessário que a cobertura oferecida abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa.
SEGURO.
Atendidas as exigências da legislação tributária, não incide a contribuição social previdenciária sobre o seguro de vida em grupo fornecido pela empresa aos seus empregados.
Numero da decisão: 2403-000.801
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, determinando o recalculo da multa na forma do art.32-A da Lei n 8.212/91 com a redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à tributação da Alimentação da Cesta Básica. Vencidos os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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INDUSTRIAL DE EMBALAGENS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 GFIP. ERROS NOS DADOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO. Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação. MULTA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. ASSISTÊNCIA MÉDICA. Para a não tributação dos valores relativos ao benefício da assistência médica, odontológica e afins, é necessário que a cobertura oferecida abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. SEGURO. Atendidas as exigências da legislação tributária, não incide a contribuição social previdenciária sobre o seguro de vida em grupo fornecido pela empresa aos seus empregados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recalculo da multa na forma do art.32A da Lei Fl. 623DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 n 8.212/91 com a redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à tributação da Alimentação da Cesta Básica. Vencidos os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente/Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhaes Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 624DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14367.000307/200821 Acórdão n.º 240300.801 S2C4T3 Fl. 619 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém, acórdão 0115.557 4ª Turma, que julgou o lançamento procedente em parte, nos termos do Relatório e Voto do relator. Consta da conclusão do voto do relator a anulação da parte do lançamento relativo às parcelas in natura por deficiência na descrição dos fatos Assim, de toda a análise efetivada nos autos, constatouse que não resta clara e precisa a identificação dos motivos que levaram a Fiscalização considerar como salário decontribuição previdenciário as parcelas in natura, vez que a narrativa dos fatos verificados no procedimento fiscal que deram origem ao crédito foi descrita de maneira imprecisa, carecendo de elementos que testifiquem sua ocorrência, deixando o procedimento desprovido de transparência e clareza. requisitos inerentes à legalidade, destituindo o crédito dos atributos de certeza e liquidez, pelo que julgo improcedente os valores considerados, ressalvando a possibilidade de constituirse o crédito tributário na boa e devida forma, dentro do prazo decadencial, caso persista o fato gerador. Foi originalmente aplicada multa no valor de R$ 65.983,62 e no julgamento de primeira instância foi retificado para R$ 51.297,39. calculada, competência por competência, à razão de 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada, para a previdência social, respeitado o limite previsto no inciso I do art. 284 do RPS. Tratase de crédito decorrente de infração a obrigação acessória, por apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 5, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4., do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Segundo o Relatório Fiscal, a remuneração dos segurados na contabilidade da empresa registra valores maiores que a folha de pagamento a GFIP. 1.2 Especificamente, o sujeito passivo apresentou as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP sem incluir as remunerações de todos os segurados empregados que lhe prestaram serviços, no período de 01/2004 a 12/2004, segundo registro de lançamento contábil do livro Razão n.°05 e 06, das contas que registram lançamentos de remuneração. 1.3 As informações referentes aos valores lançados na contabilidade a maior do que os encontrados na GFIP e na folha de pagamento, objeto deste lançamento, foram apurados de Fl. 625DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 forma englobada, sem identificação dos segurados a quem foram pagos, conforme "Relatório Plan.1 (Livro Razão Rubrica Remuneração), Plan.2 (Demonstrativo Apuração Salário Omitido da GFIP), Plan.3 (Livro Razão Salário In Natura), Plan.4 ( Consolidação da Planilha 2 e 3) e Relatório do Calculo da Multa 1.4 Assim tanto as Folhas de Pagamentos como as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP, registram parcialmente os pagamentos das remunerações aos segurados empregados da empresa. Entendeu a fiscalização que a omissão das remunerações dos segurados empregados que prestaram serviço ao sujeito passivo, no período de 01/2004 a 12/2004, nas GFIP's, configura, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária, previsto no artigo 337A, inciso I, do Código Penal, com redação dada pela Lei 9.983, de 14/07/2000 e por essa razão elaborou REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: • não é licito à Autoridade fiscal que apure débito com base no Livro Razão, devendo valerse de outras evidencias que caracterizem o ilícito apontado. • De fato, o livro Razão utilizado para apurarse o Auto de Infração impugnado encontrase equivocado e tal foi provado pela juntada aos autos de todas as folhas de pagamento onde constam. Não há como demonstrarse o erro do Livro razão senão pelo cotejo da folha de pagamento e GFIP. • O ano de 2004 foi caracterizado na empresa pela consolidação de sua escrita contábil, eis que alterado os métodos de escrituração e apuração de informações. • O lançamento do Auto de infração embasouse tão somente no LIVRO RAZÃO sem buscar outras provas que demonstrassem o acerto na interpretação da Autoridade Fiscal. • DESPESAS DE ASSISTÊNCIA MÉDICA o Para a assistência médica, a analise das folhas de pagamento demonstra que de um total de cerca de 63 funcionários, mais de 47 utilizavamse do referido beneficio. o o benefício será ou não aceito por cada um dos empregados, individualmente e avaliando suas reais necessidades. Não se pode impor referido beneficio a todos, o Um número de funcionários restante optou por não gozar deste beneficio, quer porque o cônjuge recebia em outra empresa, quer porque já possuía plano de saúde próprio. • DESPESA COM SEGURO DE VIDA Fl. 626DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14367.000307/200821 Acórdão n.º 240300.801 S2C4T3 Fl. 620 5 o é possível vislumbrar que o beneficio em questão abrangia a totalidade dos funcionários, mas que nem todos optavam por dele fazer uso, quaisquer que fossem suas razões. • DESPESAS DE ALIMENTAÇÃO E CESTA BÁSICA o a adesão ao PAT é voluntária e que a mesma não possui prazo para opção e desde 1999, deixou de ser necessário o cadastramento anual da empresa no PAT, uma vez efetivada a adesão ao PAT esta será por prazo indeterminado o O documento em anexo dá conta que a Impugnante aderiu ao PAT em ano anterior ao da fiscalização, encontrandose assim albergada pelo texto da lei, e afastando a caracterização da alimentação fornecida aos trabalhadores como salário in natura. • BENEFÍCIOS SEM CARACTERÍSTICA DE SALÁRIO o Corroborando tudo quanto se disse até aqui, é de se notar que os benefícios ora em discussão atendem em uma visão macro às necessidades do cidadão brasileiro, e que seu atendimento pela empresa não tem o condão de agregar valor ao salário, mas responder ao beneficio concedido às empresas que se instalam na Zona Franca de Manaus. • GLOSA DE SALARIO FAMILIA E SALÁRIO MATERNIDADE o Tais benefícios foram corretamente pagos aos funcionários da impugnante, que cumpriram o requisito necessário para tanto, o que pode ser facilmente constatado pelos documentos em anexo, bem como a analise da folha de pagamento, GEFIP e demais documentos. • DIFERENÇAS DE ACRÉSCIMOS LEGAIS IMPROCEDÊNCIA o Não pode prosperar a Notificação Fiscal no que tange a esta matéria, uma vez que deixou de declinar as razões de seu convencimento no relatório fiscal exarado. o Assim, em preliminar, peca o procedimento administrativo do requisito de admissibilidade e desenvolvimento válido, pois impossibilitou à parte o exercício do amplo direito de defesa, que lhe é assegurado em sede constitucional. • Multa. É o Relatório. Fl. 627DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. Registro que não consta do lançamento diferença de acréscimos legais. Por total conexão, me utilizo neste processo, da mesma forma que o fez a recorrente, dos elementos do lançamento da obrigação principal. Entendo que as razões da autuação esão bem entendida pela recorrente e não percebo prejuízo, nem cerceamento de defesa. CONTABILIDADE Alega a recorrente que não é licito à Autoridade fiscal apurar débito com base no Livro Razão, devendo valerse de outras evidencias que caracterizem o ilícito apontado e reconhece que o livro Razão utilizado para apurarse o Auto de Infração impugnado encontra se equivocado. Como prova, apresenta as folhas de pagamento. Transcrevo abaixo como a questão foi apresentada no Relatório Fiscal e no Relatório Fiscal da obrigação principal: 1.2 Especificamente, o sujeito passivo apresentou as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP sem incluir as remunerações de todos os segurados empregados que lhe prestaram serviços, no período de 01/2004 a 12/2004, segundo registro de lançamento contábil do livro Razão n.°05 e 06, das contas que registram lançamentos de remuneração. 1.3 As informações referentes aos valores lançados na contabilidade a maior do que os encontrados na GFIP e na folha de pagamento, objeto deste lançamento, foram apurados de forma englobada, sem identificação dos segurados a quem foram pagos, conforme "Relatório Plan.1 (Livro Razão Rubrica Remuneração), Plan.2 (Demonstrativo Apuração Salário Omitido da GFIP), Plan.3 (Livro Razão Salário In Natura), Plan.4 ( Consolidação da Planilha 2 e 3) e Relatório do Calculo da Multa 1.4 Assim tanto as Folhas de Pagamentos como as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP, registram parcialmente os pagamentos das remunerações aos segurados empregados da empresa. 2. BASE DE CÁLCULO/SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO Fl. 628DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14367.000307/200821 Acórdão n.º 240300.801 S2C4T3 Fl. 621 7 ... 2.2 Ressaltamos que a empresa foi intimada através do TIAD Termo de Intimação para Apresentação de Documentos, a prestar esclarecimentos necessários e a identificação dos valores de remuneração dos empregados contabilizadas em Custo com Pessoal, Despesas com Pessoal e Administração e Vendas, como também os registrados nas despesas Assistência Medica, Seguro de Vida e Alimentação. 2.3 Em razão da falta de comprovação dos beneficiários das rubricas mencionadas acima e da inscrição junto ao PAT Programa de Alimentação ao Trabalhador, a base de calculo do lançamento foi apurada de forma globalizada, segundo os valores contabilizados no livro Razão n o 05 e 06, abaixo descritas: 2.3.1 "REM REMUNERAÇÃO PAGA FORA DA FOLHA" Neste levantamento constam todos os lançamentos que foram pesquisados livro contábil, em que registram pagamentos ou créditos aos segurados empregados, do livro Razão n o 05 e 06: CONTA DE PASSIVO 21120 (Obrigações com Pessoal): conta 21123 (Inss a Recolher), conta 21130 (Férias Provisão), conta 21133 (!3° Salário Provisão); CONTAS DE DESPESAS: 31110 (DESPESAS COM PESSOAL): 31111 (Salário), 31112 (Horas Extras), 31203 (Aviso Prévio), Atestado Medico (31217), 31221 (DSR s/H.Extras); 41130 (CUSTOS COM PESSOAL): 41131 (Salários), 41132 (Horas Ex tras), 41133 (Periculosidade), 41134 (Adicional Noturno), 41135 (Descanso Semanal Remunerado), 41151 (DSR s/H.Extras), 41152 (Atestado Médico) e 41153 (Faltas), conforme cópias das folhas 103,117,118,121 e 122. Quando da apuração da base de calculo, da remuneração dos segurados empregados, constatamos que a contabilidade registrou remuneração dos segurados empregados a maior que o informado nas Guias de Recolhimentos do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP's e nas folhas de pagamento, no período de 01/2004 a 12/2004. Tal diferença foi apurada como salário de contribuição de forma englobada, vez que a empresa deixou de apresentar relação discriminadas dos segurados beneficiados. A contabilização da remuneração dos segurados empregados, mencionados no item anterior, compôs as bases de dados da DIPJ, informada pelo sujeito passivo, nas fichas relativas a custo dos bens e serviços vendidos (ficha 04 A) e nas despesas operacionais (ficha 05 A), referente ao rendimento do trabalho assalariado. (grifei) É importante anotar que as contas apuradas, registram também os lançamentos contábeis das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados que perceberam através das folhas de pagamento, porém, nesses casos as oferece à incidência das contribuições para a seguridade social e também as declara nas Fl. 629DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 GFIP's. Portanto, essas situações não constam deste levantamento. Abaixo transcrevo texto acerca do Livro Razão que, resumidamente, apresenta esse livro como o principal agrupamento de registros contábeis de uma empresa que usa o método das partidas dobradas e que a planilha de balanço (baseado no Balanço Patrimonial) e a demonstração de resultados ou de lucros e perdas são derivados do razão. O texto foi extraído do site Wikipédia, em 30/07/2011. Razão (contabilidade) Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. O Razão, Razão Geral, Ficha Razão, Extrato da Conta ou ainda Livro Razão, é o principal agrupamento de registros contábeis de uma empresa que usa o método das partidas dobradas. Ele é composto pelo conjunto de contas contábeis e é um "índice" para todas as transações que ocorrem em uma companhia. É chamado de ferramenta de ordem sistemática, enquanto o livro diário, seria a ferramenta contábil de ordem cronológica.(grifei) A planilha de balanço (baseado no Balanço Patrimonial) e a demonstração de resultados ou de lucros e perdas são derivados do razão. Devido a sua organização em contas, o razão permite que se observe o impacto de todas as transações que as movimentam a cada momento. O razão deve incluir a data, a descrição do lançamento (conta e contraconta ou contra partida, acompanhada de histórico e documentos de referência) e o saldos entradas para cada conta contábil. Ele geralmente é dividido em outras categorias sendo o Razão de ContasCorrentes, o mais comum. No Razão são indicadas todas e cada uma das operações da entidade, na medida e ordem em que ocorrem, assim como as alterações qualitativas e quantitativas por elas produzidas nos recursos aplicados e nas origens destes recursos. Constatamos, pelo Relatório Fiscal e pela ausência de manifestação da recorrente que as informações da contabilidade, utilizadas pela fiscalização para o lançamento das contribuições são as mesmas utilizadas pela empresa na composição da apuração do Imposto de Renda, visto que foram , informadas pelo sujeito passivo, nas fichas relativas a custo dos bens e serviços vendidos (ficha 04 A) e nas despesas operacionais (ficha 05 A), referente ao rendimento do trabalho assalariado. A fiscalização, a partir dos registros contábeis identificou pagamentos fora da folha e a recorrente trouxe como prova contrária, justamente as folhas de pagamento. Essas provas só evidenciam que existe a diferença. Entendo que a recorrente não trouxe ao processo quaisquer provas contrárias ao lançamento. Fl. 630DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14367.000307/200821 Acórdão n.º 240300.801 S2C4T3 Fl. 622 9 Concluo pela procedência do lançamento. ASSISTÊNCIA MÉDICA Alega a recorrente que a assistência médica é oferecida a todos, que o benefício é ou não aceito por cada um dos empregados, individualmente e avaliando suas reais necessidades; que um número de funcionários optou por não gozar deste beneficio e trouxe números: analise das folhas de pagamento demonstra que de um total de cerca de 63 funcionários, mais de 47 utilizavamse do referido beneficio. Levantamento efetuado por este relator junto a documentos presentes no processo indicam para os empregados,m no mês de novembro, uma relação de que 40 com assistência médica e 31 sem assistência médica (folha 625). Registro que não encontrei no processo documento onde o segurado faria a opção pela adesão à assistência médica. Não merece prosperar a alegação de que não há incidência sobre os valores pagos a título de assistência médica. A Lei n° 8.212/91 assim dispõe sobre o assunto: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ... III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, Fl. 631DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) A regra estabelecida pela Lei é tributar a remuneração, entendida como a totalidade dos rendimentos. Segundo o CTN, as isenções devem decorrer de lei. Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Dessa forma dispõe o § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91, quando estabelece que lista fechada das rubricas que não integram o saláriodecontribuição, sendo que nela está contida, na alínea “q”, que não é tributado o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Está comprovado, inclusive pelas alegações da recorrente que a cobertura não abrange a totalidade dos empregados e dirigentes. SEGURO DE VIDA A tese apresentada pela empresa é a mesma, isto é, o beneficio estava a disposição da totalidade dos funcionários, mas que nem todos optavam por dele fazer uso, quaisquer que fossem suas razões. Analisando alguns documentos deste processo, verifiquei que nenhum dos 71 empregados presentes na folha de pagamento de novembro teve qualquer desconto relativo ao seguro de vida (folha 625). Não merece prosperar a alegação de que não há incidência. A regra estabelecida pela Lei é tributar a remuneração, entendida como a totalidade dos rendimentos. O Decreto n°3.048/99, Art. 214, parágrafo 9° , inciso XXV retira o seguro de vida em grupo do saláriodecontribuição, desde que, entre outras condições, seja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e esteja disponível à totalidade dos empregados. Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: §9° Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: Fl. 632DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14367.000307/200821 Acórdão n.º 240300.801 S2C4T3 Fl. 623 11 XXVo valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9° e 468 da Consolidação das Leis do Trabalho. Registra o Relatório Fiscal que a empresa apresentou a convenção coletiva de trabalho, sem previsão do beneficio em questão, que não foi apresentado contrato de seguro de vida e nem a relação dos funcionários beneficiados, estando, por conseguinte em desconformidade com a legislação. ALIMENTAÇÃO E CESTA BÁSICA Alega a recorrente que a adesão ao PAT é voluntária e que a mesma não possui prazo para opção e desde 1999, deixou de ser necessário o cadastramento anual da empresa no PAT, uma vez efetivada a adesão ao PAT esta será por prazo indeterminado. Apresenta documento afirmando que aderiu ao PAT em ano anterior ao da fiscalização, encontrandose assim albergada pelo texto da lei. Novamente veremos que não cabe razão à recorrente, visto que consta da decisão de primeira instância e não foi contestado que o documento apresentado, cópia do registro no PAT n° 040008544, referese à empresa V V REFEIÇÕES LTDA, CNPJ n° 03.709.414/000182. A defendente admite que forneceu alimentação a seus empregados, no entanto. possui sua inscrição no PAT, conforme tentou provar com os documentos que anexou às fls. 150/151 dos autos, motivo pelo qual pede a improcedência do lançamento. Em pesquisa ao sítio do Ministério do Trabalho e Emprego — MTE, verifiquei que não consta nenhum registro de inscrição da postulante junto ao PAT. A cópia do registro no PAT n° 040008544, juntada pela mesma aos autos, referese à empresa V V REFEIÇÕES LTDA, CNPJ n° 03.709.414/000182. A base de calculo foi extraída dos registros no livro contábil, Razão n o 05 e 06, na "conta 31110subconta 31117 e conta 41130 subconta 41142 (Alimentação) e 41144 (cesta básica) ". A inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador é requisito essencial para que o benefício não integre a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O inciso I do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, assim dispõe sobre o saláriodecontribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, Fl. 633DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). E o art. 458 da CLT assevera a natureza salarial do benefício. Logo, uma vez que se subsume ao conceito de saláriodecontribuição, somente outro dispositivo legal seria idôneo para o excluir da base de cálculo da contribuição: Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações “in natura” que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. (...)Grifamos Assim o fez a Lei nº 8.212/91 em sua alínea “c”, do §9º do artigo 28; no entanto, somente para as empresas inscritas no Programa de Alimentação do Trabalhador: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; GLOSA DE SALARIO FAMILIA E SALÁRIO MATERNIDADE A alegação da recorrente é que tais benefícios foram corretamente pagos aos funcionários, que cumpriram o requisito necessário para tanto, o que pode ser facilmente constatado pelos documentos. Registra o Relatório Fiscal que foi solicitado através do TIAD Termo de Intimação para Apresentação de Documentos, os elementos necessários para concessão dos benefícios, tendo porem a empresa deixado de apresentar todos os documentos relativo ao pedido. Não cabe razão à recorrente. A recorrente, quando da impugnação, anexou aos autos documentos, folhas de pagamentos e GFIP. Devese esclarecer que a documentação à qual estão condicionados os pagamentos é a apresentação anual de atestado de vacinação obrigatória, até seis anos de idade e de comprovação de freqüência escolar, a partir dos sete anos de idade, de acordo com o art. 67, da Lei 8.213/91 para o salário família, e no caso do saláriomaternidade, os comprovantes dos pagamentos e os atestados correspondentes, em conformidade com o art. 72, da Lei 8.213/91. Fl. 634DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14367.000307/200821 Acórdão n.º 240300.801 S2C4T3 Fl. 624 13 CÁLCULO DA MULTA No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) Fl. 635DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 636DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10530.726493/2011-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2007
OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. Se o contribuinte logra comprovar, com documentos hábeis e idôneos, os lançamentos contábeis de “suprimento de caixa”, tais documentos devem ser aceitos para recompor o saldo credor e reduzir, onde cabível, as exigências tributárias.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM.
Se o contribuinte logra comprovar, com documentos hábeis e idôneos, os créditos/depósitos em suas contas-correntes bancárias, tais documentos devem ser aceitos para reduzir, onde cabível, as exigências tributárias.
IRPJ. CSLL. FALTA DE PAGAMENTO E DECLARAÇÃO. VALORES COMPENSADOS.
Incabível o lançamento, por falta de pagamento e declaração em DCTF, de tributos espontaneamente confessados pela empresa mediante declarações de compensação.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2007
MULTA QUALIFICADA. FALTA DE MOTIVAÇÃO.
A teor da Súmula CARF nº 25, a presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. No caso concreto, o Fisco não declinou os motivos que o
levaram a aplicar a multa qualificada, a qual deve, então, ser reduzida ao patamar de 75%.
Numero da decisão: 1302-001.346
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar
provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Ausente momentaneamente o Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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(contribuinte); MÔNICA SILVA OLIVEIRA DE ALMEIDA (responsável tributária) e NECY SILVA OLIVEIRA SERPA (responsável tributária) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. Se o contribuinte logra comprovar, com documentos hábeis e idôneos, os lançamentos contábeis de “suprimento de caixa”, tais documentos devem ser aceitos para recompor o saldo credor e reduzir, onde cabível, as exigências tributárias. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Se o contribuinte logra comprovar, com documentos hábeis e idôneos, os créditos/depósitos em suas contascorrentes bancárias, tais documentos devem ser aceitos para reduzir, onde cabível, as exigências tributárias. IRPJ. CSLL. FALTA DE PAGAMENTO E DECLARAÇÃO. VALORES COMPENSADOS. Incabível o lançamento, por falta de pagamento e declaração em DCTF, de tributos espontaneamente confessados pela empresa mediante declarações de compensação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 MULTA QUALIFICADA. FALTA DE MOTIVAÇÃO. A teor da Súmula CARF nº 25, a presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. No caso concreto, o Fisco não declinou os motivos que o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 64 93 /2 01 1- 38 Fl. 2273DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.11156.9NRF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10530.726493/201138 Acórdão n.º 1302001.346 S1C3T2 Fl. 2.274 2 levaram a aplicar a multa qualificada, a qual deve, então, ser reduzida ao patamar de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Ausente momentaneamente o Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório FIAÇÃO DE SISAL PINHEIRO LTDA. (contribuinte); MÔNICA SILVA OLIVEIRA DE ALMEIDA (responsável tributária) e NECY SILVA OLIVEIRA SERPA (responsável tributária), já qualificadas nestes autos, foram autuadas e intimadas a recolher crédito tributário no valor total de R$ 10.204.431,24, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 2. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, do qual transcrevo, a seguir, excertos relevantes para a compreensão da lide. Tratase dos Autos de Infração anexados às fls. 02/43, referentes ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), no montante de R$10.204.431,24 (dez milhões, duzentos e quatro mil, quatrocentos e trinta e um reais e vinte e quatro centavos), já incluídos juros e multa de ofício, em relação aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2006, em conformidade com os fatos narrados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 44/65, que tem o seguinte teor, em síntese: · a contribuinte, intimada a apresentar, entre outros elementos, seus extratos bancários, não o fez, o que motivou a solicitação dos Fl. 2274DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.11156.9NRF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10530.726493/201138 Acórdão n.º 1302001.346 S1C3T2 Fl. 2.275 3 referidos extratos às instituições bancárias, com fulcro no art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996; · através do Termo de Intimação de fls. 77/82, a contribuinte foi intimada a informar, por escrito, os números das páginas dos seus livros contábeis em que foram escriturados todos os lançamentos referentes aos valores creditados em suas contas bancárias, conforme relação apresentada, comprovando, através de documentação hábil e idônea, a origem e a tributação dos referidos recursos; · em resposta, a interessada apresentou uma planilha demonstrativa, com justificativas quanto aos valores questionados, anexando, como prova, os extratos bancários, diversas notas fiscais e um Aviso de Liquidação de Contrato de Câmbio datado de 05/12/2006, no valor de R$3.374,08; · do confronto da referida planilha com os extratos bancários, as notas fiscais e os livros contábeis, foi constatado que diversos valores questionados não foram justificados satisfatoriamente, conforme Planilha Demonstrativa 001, anexada às fls. 66/69, cujo resultado encontrase resumido no Termo de Verificação Fiscal, à fl. 45; · da análise do Livro Razão da empresa fiscalizada, em sua página 008, foi constatada a ocorrência de saldo credor de caixa, no valor de R$6.571,60, bem como diversos lançamentos a título de “suprimento de caixa”. Intimada a comprovar a origem e a efetiva transferência dos recursos contabilizados, a interessada apresentou uma planilha demonstrativa, na qual informa que tais ingressos foram suportados por saques em suas diversas contas bancárias, anexando como prova apenas os extratos bancários; · do confronto da referida planilha com os extratos bancários, foi constatado que a contribuinte não apresentou justificativa para alguns valores questionados, além de existirem divergências nos dados informados, conforme discriminado na relação de fls. 46/48; · procedendose à recomposição do caixa, com o expurgo dos valores relacionados (fls. 46/48), foram apurados saldos credores de caixa, conforme demonstrativo às fls. 48/60, cujos valores a lançar encontramse resumidos, mensalmente, na planilha apresentada à fl. 60; · a contribuinte não declarou, em DCTF, nem pagou o imposto de renda e a contribuição social apurados nas Fichas 17 e 12A, respectivamente, de sua DIPJ/2007; · da análise dos documentos e de pesquisas efetuadas junto aos sistemas disponíveis, foi constatado que: 1. a fiscalizada encontrase omissa no tocante à entrega de sua DIPJ relativa ao anocalendário de 2010; 2. a empresa funcionou normalmente até dezembro de 2007 e, a partir dessa data, não mais auferiu receitas da atividade empresarial; Fl. 2275DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.11156.9NRF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10530.726493/201138 Acórdão n.º 1302001.346 S1C3T2 Fl. 2.276 4 3. a sua sede encontrase desativada desde o final do ano de 2009; 4. a respeito do sócio formal Ariston Rodrigues Gomes, CPF nº 346.724.9450, temse que: 4.1. é trabalhador assalariado da Embage Empresa Bahiana de Armazéns Gerais Ltda. desde o ano de 2005 e até a presente data, da qual recebeu um salário médio, nos anos de 2005 a 2010, de R$1.016,69, R$1.088,38, R$1.296,31, R$1.063,37, R$927,06 e R$1.144,22, respectivamente; 4.2. apresentou declaração de isento nos anos de 2001 a 2007 e, após esse ano, não apresentou declaração de imposto de renda; 4.3. em 19/07/2007, comprou 50% das cotas da empresa fiscalizada, cujo capital social era de R$6.910.000,00, da sócia anterior, Sra. Necy Silva Oliveira Serpa, CPF nº 039.394.05515; 4.4. declarou a esta fiscalização, através do Termo de Declaração nº 002 (fls. 96/97), que: a) é realmente sócio de fato e de direito da Fiação Sisal; b) possui 50% do capital social; c) praticou todos os atos gerenciais e administrativos inerentes à atividade social da empresa, em conjunto com o seu sócio, sr. Edvaldo Oliveira Gomes, CPF nº 360.076.25597, que também é seu irmão; d) exerce na Embage a humilde função de empilhador de mercadorias; 5. a respeito do sócio formal Edvaldo Oliveira Gomes, CPF nº 360.076.25597, temse que: 5.1. apresentou declaração de isento nos anos de 2002 a 2007 e, após esse ano, não apresentou declaração de imposto de renda; 5.2. em 19/07/2007, comprou 50% das cotas da empresa fiscalizada, cujo capital social era de R$6.910.000,00, da sócia anterior, sra. Mônica Silva Oliveira de Almeida, CPF nº 275.770.66591; 5.3. declarou a esta fiscalização, através do Termo de Declaração nº 001 (fls. 94/95), que: a) é realmente sócio de fato e de direito da Fiação Sisal; b) possui 50% do capital social; c) praticou todos os atos gerenciais e administrativos inerentes à atividade social da empresa, em conjunto com seu sócio, Sr. Ariston Rodrigues Gomes, CPF nº 346.724.9450; d) exerce na Embage a humilde função de empilhador de mercadorias; 6. a Sra. Mônica Silva Oliveira de Almeida, CPF nº 275.770.66591, citada anteriormente, é sócia majoritária, com 99% do capital social, da Embage Empresa Bahiana de Armazéns Gerais Ltda., CNPJ nº 13.508.973/000188, também já citada; · diante do exposto, restou evidenciado, em tese, o seguinte: Fl. 2276DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.11156.9NRF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10530.726493/201138 Acórdão n.º 1302001.346 S1C3T2 Fl. 2.277 5 1. os atuais sócios formais não demonstraram condições econômicas e financeiras condizentes com quem é sócio de uma empresa com o faturamento demonstrado no auto de infração lavrado, tendo ambos funcionado como interpostas pessoas; 2. considerando que as transferências de cotas, por venda, para os atuais sócios formais, consistiram em uma simulação, a Sra. Mônica Silva Oliveira de Almeida e a Sra. Necy Silva Oliveira Serpa continuaram atuando como sócias de fato da fiscalizada, com a utilização de interpostas pessoas; 3. os sócios formais da fiscalizada, Srs. Ariston Rodrigues Gomes e Edvaldo Oliveira Gomes, ao declararem que são sócios da empresa para todos os fins de direito, indicam que se encontram, conscientemente, na situação de pessoa interposta, para ocultar os reais donos da fiscalizada; 4. além da responsabilidade da pessoa jurídica dos sócios formais, aplicase às pessoas físicas Mônica Silva Oliveira de Almeida e Necy Silva Oliveira Serpa a responsabilidade solidária prevista no art. 124 da Lei nº 5.172, de 1966, e a responsabilidade prevista nos arts. 134 e 135 do mesmo dispositivo legal, pelo crédito tributário constituído no presente auto de infração, conforme Termos de Sujeição Passiva Solidária lavrados (fls. 1.597/1.602). Cientificada dos lançamentos em 02/12/2011, a interessada apresentou, em 02/01/2012, quatro impugnações, uma para cada tributo lançado, todas com o mesmo teor, anexadas às fls. 1.604/1.630 (IRPJ), 2.001/2.027 (CSLL), 2.043/2.069 (Cofins) e 2.085/2.111 (PIS), acompanhadas dos documentos de fls. 1.631/2.000, 2.028/2.042, 2.070/2.084 e 2.112/2.127, respectivamente, com as seguintes alegações, em síntese: DA OCORRÊNCIA DA DECADÊNCIA PARCIAL: [...] DAS NULIDADES DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO: JURISDIÇÃO: [...] PRAZO DA FISCALIZAÇÃO: [...] INAPLICABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA DE 150%: • embora o autuante, no Termo de Verificação Fiscal, não tenha tecido uma linha sequer a justificar o agravamento da multa de 75% para 150%, aparentemente, o fundamento para o referido agravamento reside no fato de que houve o ingresso, em 2007, de dois sócios que, segundo a fiscalização, não teriam capacidade econômica comprovada, tendo sido qualificados de “interpostas pessoas”; • o autuante não atentou que a alteração contratual que regulou a substituição dos sócios ocorreu em 23/08/2007, ou seja, posteriormente a todo o período autuado, de forma que não se poderia imputar um ilícito quando a situação fática sequer havia ocorrido em 2006, já que a imputação deveria ser contemporânea aos fatos geradores, sob pena de se pretender retroagir aos atos objeto da constatação fiscal apontada; • a omissão de receitas já é infração tipificada e sujeita a contribuinte ao lançamento de ofício com aplicação de multa de 75%, que é cabível nos casos de Fl. 2277DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.11156.9NRF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10530.726493/201138 Acórdão n.º 1302001.346 S1C3T2 Fl. 2.278 6 falta de recolhimento, recolhimento após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratório, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Essa linha de pensamento é preconizada fartamente na jurisprudência administrativa, a ponto de ter resultado na edição da Súmula nº 14, nos seguintes termos: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.”; • a autuada, conforme se vislumbra do próprio Termo de Verificação Fiscal, atendeu às intimações expedidas pela fiscalização e, nos casos de impossibilidade, sempre apresentou justificativas pertinentes, conforme trechos transcritos; • sendo assim, como em nenhum momento houve desrespeito ao procedimento fiscal, sem qualquer intuito de fraude, sonegação, conluio ou qualquer outro tipo de dolo, pugnase pelo cancelamento, ou ao menos a redução da multa prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, até porque o próprio auditor fiscal não registrou, em momento algum, que a fiscalizada tivesse causado qualquer espécie de embaraço, muito pelo contrário, pois os atuais sócios compareceram pessoalmente para prestar depoimento; INFRAÇÃO 01 – OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA: [...] INFRAÇÃO 02 – OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS: [...] INFRAÇÃO 03 – FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DE DECLARAÇÃO: • nesse item, foi cobrado um débito no valor de R$18.119,60, esclarecendo a autuada que esse valor foi compensado através dos PER/DCOMP listados à fl. 1.620; • em relação ao segundo trimestre, a autuação imputa a cobrança de débito no valor de R$12.311,85, valor este que foi compensado através dos PER/DCOMP listados à fl. 1.621; UTILIZAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO DE CSLL ESPELHADA NA DIPJ COMO IRPJ A PAGAR: [...] VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA VERDADE REAL: [...] PERÍCIA: [...] CONCLUSÃO: [...] As Sras. Mônica Silva Oliveira de Almeida e Necy Silva Oliveira Serpa, cientificadas dos Termos de Sujeição Passiva Solidária, apresentaram, também através de seu procurador, as impugnações anexadas às fls. 2.128/2.141 e fls. 2.147/2.160, respectivamente, ambas com o mesmo teor, com as seguintes alegações, em síntese: • a empresa da qual a autuada foi sócia foi constituída em 21 de agosto de 1992 e, desde então, já ocorreram diversas alterações contratuais, registrando alteração societária, saída e ingresso de sócios, tendo a exclusão da ora defendente, Fl. 2278DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.11156.9NRF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10530.726493/201138 Acórdão n.º 1302001.346 S1C3T2 Fl. 2.279 7 por exemplo, ocorrido em 23/08/2007, sem que nunca tivesse sido apontada qualquer irregularidade por parte dos órgãos de controle, a exemplo da RFB; • a contribuinte, ao longo de sua existência, funcionou como empresa eminentemente exportadora, até que, com a crise internacional iniciada em meados de 2007, viu suas operações drasticamente reduzidas. Nesse momento, dois trabalhadores que já alçavam ser empresários, por deterem experiência na industrialização das fibras de sisal, ingressaram na sociedade, através da alteração contratual registrada regularmente em 23/08/2007, sem que isso representasse qualquer intenção de cometimento de ilícito. Não houve a apontada prática de interposição de pessoas para a prática de atos comerciais de interesse da retirante, que sequer foi ouvida no curso da fiscalização, e não foi apontando sequer um ato comercial nesse sentido, como, por exemplo, eventual existência de procuração por parte dos atuais sócios, sendo que estes, expressamente, afirmaram em seus depoimentos serem os sócios de fato e de direito da empresa fiscalizada, conforme Termo de Verificação Fiscal produzido; • o fato de não terem capacidade econômica comprovada poderia até resultar na cobrança dos tributos devidos, mas não na acusação de serem “laranjas”, não se podendo imputar responsabilidade à sócia, que sequer foi intimada durante a fiscalização para prestar qualquer esclarecimento; DA OCORRÊNCIA DA DECADÊNCIA PARCIAL: [...] DO CONCEITO DE INTERPOSTA PESSOA: • o conceito de interposta pessoa é fruto exclusivo da prática fiscal e criminal, mas está sempre relacionado com a utilização de pessoa alheia na mediação e consecução de objetivos ilícitos, estando sua configuração condicionada à existência de três requisitos intrínsecos: a) utilização de nome e registro legais de pessoa alheia; b) como meio para obtenção de objetos ilícitos; c) em favor de terceiro que, apesar de oculto, mantém o controle e a direção de toda a situação; • a praxis demonstra que, após colhidos os seus dados registrais, a interposta pessoa outorga procuração ao verdadeiro mandatário do negócio, o sócio oculto, que passa a atuar em seu nome com poderes amplos e irrestritos para a prática dos atos civis; • o autuante não atentou que a alteração contratual que regulou a substituição dos sócios ocorreu em 23/08/2007, ou seja, posteriormente a todo o período autuado, de forma que não se poderia imputar um ilícito quando a situação fática sequer havia ocorrido em 2006; • a imputação deveria ser contemporânea, sob pena de se pretender retroagir atos que, obrigatoriamente, deveriam ser conseqüência da constatação fiscal apontada, podendose visualizar que a infração apontada exigia uma conduta futura, conforme reconhecido pelo próprio auditor; • o fato é que, à época do período autuado, a impugnante era sócia da empresa, como se pode ver da anexa alteração contratual, de forma que, se ela pretendesse se “esconder”, por óbvio que teria promovido sua saída antes, e não depois; • o que caracteriza a interposta pessoa é a ausência de controle ou ingerência sobre a situação, uma vez que ela é apenas meio para o cometimento de fraude por uma pessoa oculta, mas, no presente caso, a fiscalização não carreou qualquer prova Fl. 2279DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.11156.9NRF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10530.726493/201138 Acórdão n.º 1302001.346 S1C3T2 Fl. 2.280 8 de que os sócios da impugnante foram controlados ou coagidos pelos ocultos interessados; • ao revés, o próprio relatório fiscal que embasou o auto de infração demonstra que o sócio, em seu depoimento, praticou todos os atos administrativos inerentes à atividade social da empresa. Como se pode falar em sócio oculto quando o poder gerencial da empresa permanece com o sócio aparente? • a auditoria se valeu de um estereótipo arcaico do sócio engravatado para concluir que o empilhador de mercadorias não poderia compor o quadro societário da empresa, sem provar que ele tenha sido usado ou era controlado pelos exsócios. Em um país no qual um extorneiro mecânico é Presidente da República, não se pode admitir conclusões apressadas, que revelam o profundo preconceito entre a união do capital e do trabalho; • em termos objetivos, caberia à fiscalização provar, por meio de fato robusto e incontestável, que os Srs. Ariston e Edvaldo eram coagidos ou controlados pelos “sócios ocultos”, ônus que não se desvencilhou; • a autoridade fiscal, no caso, decretou a sujeição passiva da ora defendente apenas porque os sócios que lhe sucederam, supostamente, não tinham condições de fazêlo, sequer colacionando uma prova que demonstrasse eventual ingerência da sócia retirante da sociedade, sendo que a existência de tais provas era de extrema importância para a validação da acusação, assim como a necessidade de, previamente, delas ter acesso a acusada, pois só assim seria capaz de produzir prova em contrário, como se manifesta a jurisprudência que reproduz; • registrese que, em nenhum momento, a defendente foi intimada para prestar qualquer tipo de depoimento ou esclarecimento, ou seja, a suposta ilicitude não passou do campo subjetivo, figurando sua sujeição passiva, por fatos geradores da época em que de fato era sócia, no mínimo contraditória; • a legislação não prevê a possibilidade de presunção da ocorrência de tal infração, sendo indispensável a produção de prova robusta e inequívoca, a fim de embasar a aplicação de tão dura penalidade; • a doutrina elabora a tese de que, em obediência aos Princípios da Legalidade e do Devido Processo Legal, cabe a quem alega o ônus da prova; • por outro lado, pretender imputar responsabilidade à sócia apenas porque a sociedade não pagou tributo, o que não é verdade, contraria precedentes do próprio Conselho de Contribuintes, conforme ementas citadas na impugnação; CONCLUSÃO: • a autuada, em face dos argumentos, elementos e provas apresentados, confia na sua exclusão do pólo passivo da autuação, tendo em vista que, se débito houver ao final, este é exclusivamente da pessoa jurídica. A 2ª Turma da DRJ em Salvador/BA analisou as impugnações apresentadas pela contribuinte e pelas responsáveis solidárias e, por via do Acórdão nº 15030.315, de 04/04/2012 (fls. 2241/2265), considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 Fl. 2280DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.11156.9NRF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10530.726493/201138 Acórdão n.º 1302001.346 S1C3T2 Fl. 2.281 9 NULIDADE. O procedimento fiscal efetuado por servidor competente, no exercício de suas funções, contendo os demais requisitos exigidos pela legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal, tais como o enquadramento legal e a perfeita descrição dos fatos, não pode ser considerado nulo. PEDIDO DE PERÍCIA. As solicitações de perícia, quando o processo contém todos os elementos necessários para a formação da convicção do julgador, devem ser indeferidas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 DECADÊNCIA. Para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, iniciase a contagem na data da ocorrência do fato gerador, porém, não tendo havido pagamento antecipado, a contagem deve ser iniciada no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. São responsáveis solidários pelos créditos tributários as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. Configura omissão de receitas a ocorrência de valores depositados em conta bancária para os quais a contribuinte, titular da conta, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados, bem como a ocorrência de saldo credor de caixa. FALTA DE PAGAMENTO E DECLARAÇÃO. VALORES COMPENSADOS. Incabível o lançamento, por falta de pagamento, de tributos espontaneamente confessados pela empresa através de declarações de compensação. MULTA QUALIFICADA. INCIDÊNCIA. Fl. 2281DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.11156.9NRF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10530.726493/201138 Acórdão n.º 1302001.346 S1C3T2 Fl. 2.282 10 Para que seja aplicada a multa qualificada, é necessário que esteja perfeitamente descrita e demonstrada a presença do dolo na conduta do infrator. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Contribuição para o PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Em se tratando de bases de cálculo originárias das infrações que motivaram o lançamento principal, deve ser observado para os lançamentos decorrentes o que foi decidido para o lançamento matriz, no que couber. Esclareço, por relevante, que a decisão de primeira instância afastou parte dos valores exigidos por receitas omitidas (saldo credor de caixa, infração 001), parte dos valores exigidos por receitas omitidas (depósitos bancários sem comprovação de origem, infração 002) e integralmente os valores exigidos por falta de recolhimento e declaração de IRPJ e CSLL (infração 003). Além disto, a multa qualificada aplicada às infrações 001 e 002 foi reduzida para 75%. No mais, o lançamento foi mantido, bem assim a responsabilidade tributária imputada à Sra. Mônica Silva Oliveira de Almeida e à Sra. Necy Silva Oliveira Serpa. Como a exoneração de crédito tributário superou o limite de alçada (R$ 1.000.000,00), a Turma Julgadora recorreu de ofício a este Colegiado. À época, esse procedimento era disciplinado pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/1997, e, ainda, pela Portaria MF nº 3/2008. A Unidade da RFB que jurisdiciona o contribuinte buscou dar ciência da decisão de primeira instância, por via postal. No entanto, a correspondência enviada ao domicílio tributário foi devolvida pelos Correios com a indicação “mudouse” (fls. 2266/2268). Na sequência, foi afixado na repartição o Edital nº 006/2012 (fl. 2269), mediante o qual foi dada ciência da decisão de primeira instância ao contribuinte Fiação de Sisal Pinheiro Ltda. Não encontro nos autos prova de que a Sra. Mônica Silva Oliveira de Almeida e a Sra. Necy Silva Oliveira Serpa, apontadas como responsáveis tributárias, tenham sido cientificadas do acórdão de primeira instância. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar o teor do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, a seguir transcrito: Fl. 2282DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.11156.9NRF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10530.726493/201138 Acórdão n.º 1302001.346 S1C3T2 Fl. 2.283 11 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa afastados em primeira instância, verifico que superam o limite de um milhão de reais, estabelecido pela norma em referência (vide quadro às fls. 2264/2265). Portanto, o recurso de ofício é cabível, e dele conheço. Quanto ao mérito, passo a tratar de cada uma das infrações cujas exigências foram afastadas em primeira instância, ainda que parcialmente. INFRAÇÃO 001 – OMISSÃO DE RECEITAS – SALDO CREDOR DE CAIXA. Aqui, o lançamento decorreu da recomposição do saldo da conta caixa, feita pelo Fisco, diante da não comprovação de diversos lançamentos contábeis com o histórico de “suprimento de caixa”. Com isso, aflorou o saldo credor dessa conta. A decisão de primeira instância aceitou, em parte, as comprovações dos suprimentos de caixa apresentadas pela então impugnante. Em sua maior parte, as comprovações consistiram na apresentação do extrato bancário da interessada, no qual constava cheque sacado em dinheiro, em valor idêntico ao que constava do suprimento de caixa contabilizado. Em havendo divergência de datas entre o extrato e a contabilidade (geralmente apenas um dia, ressaltese), o diligente relator do processo em primeira instância recompôs os saldos de caixa de forma que refletissem com exatidão os fatos comprovados, reduzindo os valores exigidos a título de saldo credor de caixa. Conferi, por amostragem, as comprovações apresentadas, e não faço reparos aos critérios adotados pela decisão a quo. Nego provimento ao recurso de ofício, quanto a esta matéria. INFRAÇÃO 002 – OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS. A infração objeto de lançamento é omissão de receitas, apurada com base em créditos/depósitos bancários para os quais o contribuinte, devidamente intimado, não logrou comprovar a origem dos recursos (presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996). Também aqui a decisão de primeira instância aceitou, em parte, as comprovações apresentadas em sede de impugnação. Tais comprovações consistiram em cópias de contratos de câmbio, acompanhados das respectivas notas fiscais, coincidentes em datas e valores com os créditos bancários questionados pelo Fisco. Em outros casos, extratos de contas de investimentos, que comprovam a transferência de contas de investimento para a contacorrente. Da mesma forma que na situação anterior, conferi, por amostragem, os documentos acostados aos autos, e o critério adotado pelo julgador de primeira instância é irretocável. Nego provimento ao recurso de ofício, quanto a esta matéria. Fl. 2283DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.11156.9NRF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10530.726493/201138 Acórdão n.º 1302001.346 S1C3T2 Fl. 2.284 12 INFRAÇÃO 003 – FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA – INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO. O lançamento aqui tratado decorreu da constatação de que “o contribuinte não declarou, em DCTF, nem pagou o Imposto de Renda e a Contribuição Social, apurados nas Fichas 17 e 12A de sua DIPJ 2007” (item 11 do Termo de Verificação Fiscal, fl. 61). A autoridade julgadora em primeira instância houve por bem afastar a exigência, e fundamentou sua decisão como a seguir transcrito (fl. 2261): Quanto à infração descrita como falta de recolhimento e de declaração do IRPJ e da CSLL, notase que tem razão a requerente em suas alegações, tendo em vista que a empresa, antes da ação fiscal, apresentou diversas declarações de compensação confessando os débitos relativos ao IRPJ e à CSLL informados na DIPJ, conforme lista das Dcomp constante dos extratos do sistema informatizado da RFB anexados às fls. 2.239 e 2.240. Não há reparos a fazer. Diante da prova, acostada aos autos, de que os débitos em questão, apesar de não constarem em DCTF, foram objeto de confissão de dívida em declaração de compensação (DCOMP) antes do início do procedimento fiscal, descabe qualquer lançamento a esse título. Nego provimento ao recurso de ofício, quanto a esta matéria. MULTA QUALIFICADA. Do exame dos autos, constato que o AuditorFiscal autuante aplicou a multa de ofício qualificada (150%) às infrações 001 – OMISSÃO DE RECEITAS – SALDO CREDOR DE CAIXA e 002 – Omissão de Receitas – Omissão de Receitas – Depósitos Bancários não Contabilizados. A multa foi reduzida a 75% pela Autoridade Julgadora em primeira instância, confirase (fls. 2262/2263): Quanto à multa de ofício qualificada, aplicada na proporção de 150% (cento e cinquenta por cento) dos tributos lançados, tendo como base legal o art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996, como bem alega a impugnante, com exceção do próprio dispositivo legal, não existe no processo qualquer menção aos fatos que ensejaram a sua aplicação, o que ofende claramente o disposto no art. 10, III, do PAF, a seguir transcrito: [...] Além disso, em se tratando de penalidade qualificada, que deve ser aplicada apenas nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, há que estar bem caracterizada e demonstrada nos autos a presença do dolo na conduta do infrator. Portanto, deve ser aplicada, sobre os tributos devidos, a multa de 75% (setenta e cinco por cento), prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Correta a observação acima. De fato, no Termo de Verificação Fiscal de fls. 44/65 não há uma única linha que procure justificar a qualificação da multa. No auto de infração, apenas e tão somente o enquadramento legal. Fl. 2284DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.11156.9NRF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10530.726493/201138 Acórdão n.º 1302001.346 S1C3T2 Fl. 2.285 13 Acrescento que as infrações às quais a multa qualificada foi aplicada consistem em presunções legais, ou seja, não há prova direta da omissão de receitas, mas apenas dos fatos indiciários, que a lei estabelece como suficientes para que se possa fazer a exigência do tributo. No entanto, para a qualificação da multa é necessário ir além, trazendo aos autos evidência do intuito doloso de sonegar ou de alguma forma fraudar o Fisco, o que não encontro no caso concreto. A jurisprudência administrativa já se consolidou nesse sentido, e considero plenamente aplicável, ao caso, a súmula CARF nº 25, verbis: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Com isso, nego provimento ao recurso de ofício, também quanto a este ponto. CONCLUSÃO. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 2285DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0422.11156.9NRF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por WALDIR VEIGA ROCHA em 18/03/2014 10:00:00. Documento autenticado digitalmente por WALDIR VEIGA ROCHA em 18/03/2014. Documento assinado digitalmente por: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR em 07/04/2014 e WALDIR VEIGA ROCHA em 18/03/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 08/04/2022. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP08.0422.11156.9NRF Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 0F56FC43E5F980EB9E66E71D5422684049359DB2 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10530.726493/2011-38. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13896.001058/2007-60
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO OCORRÊNCIA VÍCIO MATERIAL
A Auditoria Fiscal deve demonstrar na lavratura do Auto de Infração, constatada a ocorrência de infração a dispositivo do Regulamento da Previdência Social, a discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora
de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes.
Se a lavratura do Auto de Infração não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a imputação sofrida, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, é nula por falta de materialização da hipótese do ilícito cometido, ocorrendo então, a nulidade por vício material.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-000.865
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, em dar provimento ao recurso para
anular o lançamento por vício material.
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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Se a lavratura do Auto de Infração não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a imputação sofrida, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, é nula por falta de materialização da hipótese do ilícito cometido, ocorrendo então, a nulidade por vício material. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em dar provimento ao recurso para anular o lançamento por vício material. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Jhonatas Ribeiro da Silva (suplente). Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. . Fl. 624DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 13896.001058/200760 Acórdão n.º 240300.865 S2C4T3 Fl. 609 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 564 a 604, interposto pela Recorrente – ''DORMA SISTEMAS DE CONTROLES PORTAS LTDA contra Acórdão nº 0324.534 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Brasília DF, fls. 546 a 559, que julgou procedente a autuação, relevando parcialmente a multa, por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 37.034.1546, às fls. 01, inicialmente com valor consolidado de R$ 385.646,53 (trezentos e oitenta e cinco mil, seiscentos e quarenta e seis reais e cinqüenta e três centavos), relevado parcialmente para R$ 317.223,38 (trezentos e dezessete mil, duzentos e vinte e três reais e trinta e oito centavos) Conforme os autos, às fls. 01, o Auto de Infração nº. 37.034.1546, Código de Fundamentação Legal – CFL 68, teve como descrição sumária ter sido lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social — GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 01/1999 a 12/2002. O Relatório Fiscal da Infração, às fls. 02, informa que a Recorrente deixou de inserir nas GFIPs apresentadas, os valores relativos aos pagamentos feitos aos seus empregados, através dos cartões magnéticos adquiridos junto a INCENTIVE HOUSE. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. De acordo com o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 03: O valor da multa aplicada achase PORMENORIZADAMENTE DETALHADO, na planilha anexa. Circunstâncias agravantes NÃO HÁ Circunstâncias atenuantes Para o período de 09.2001 a 12.2002 a Empresa apresentou a GFIP, com inserção dos valores pagos aos seus empregados, por meio de cartão magnético, adquiridos junto a INCENTIVE HOUSE, razão pela qual, para referido período, foi aplicada a circunstância atenuante, com redução da multa em 50%, de acordo com previsto no Art. 292, Inc. V do Decreto 3048/99 RPS. Fl. 625DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 4 A Recorrente teve ciência do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09327543F00, às fls. 14, com período abrangifo 01/1996 a 12/2005. O período objeto do auto de infração, conforme o Anexo do Relatório Fiscal da Infração, às fls. 08 a 09, é de 01/1999 a 12/2002. A Recorrente teve ciência do auto de infração no dia 06.10.2006, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou impugnação, às fls. 106 a 135, com Anexos às fls. 136 a 472. Houve solicitação de Diligência Fiscal pela Seção de Contencioso Administrativo Previdenciário, da DRP em Osasco/SP, às fls. 476, in verbis: 1. Tendo em vista a análise dos autos e a impugnação da empresa supra, solicitamos que o presente processo seja baixado em diligência para manifestação do AFPS notificante a respeito do seguinte ponto: a. Segundo o relatório fiscal este auto foi lançado pelo fato do contribuinte ter deixado de inserir em GFIP valores relativos aos pagamentos feitos aos seus empregados através dos cartões adquiridos junto a Incentive House para o período 01/1999 a 12/2002, tendo sido atenuado a falta para o período de 09/2001 a 12/2002 por ter o contribuinte entregue a GFIP no decorrer da ação fiscal. Entretanto, verificase na NFLD da mesma fiscalização, debcad 37.014.9394, que o levantamento IH9 — Incentive House após 1998 registra a classificação "Declarado em GFIP" para todo o período de 01/1999 a 12/2002. b. Argumentação do contribuinte que não foi esclarecido: (I) os empregados supostamente beneficiados pelos referidos pagamentos; (II) os valores individualizados pagos a cada um deles e (III) a natureza remuneratória dos pagamentos efetuados. 2. À 21.4282 Fisc Seção de Fiscalização para atendimento Em resposta, a AuditoriaFiscal emitiu Informação Fiscal, às fls. 477: 1. Documento recebido em 12.02.2007; 2. A Empresa apresentou doctos, sobre os quais esclarecemos: DOS ESCLARECIMENTOS: 3. A Empresa NÃO apresentou nenhum fato novo ao processo. Os documentos apresentados já foram considerados quando da Ação Fiscal, tanto assim, que para o período a que se referem os documentos apresentados, de 09.2001 em diante, já foi considerada a ATENUAÇÃO no AI, conforme doctos. Fls. 08 e 09. Em função da NÃO apresentação de GFIP, da NFLD deveria constar GFIP NÃO APRESENTADA — SEM REDUÇÃO DE MULTA. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 13896.001058/200760 Acórdão n.º 240300.865 S2C4T3 Fl. 610 5 4. Este AI está correto. A Empresa NÃO apresentou GFIP para o período de 01.1999 a 08.2001, pois, como informado à Auditoria fiscal, a Empresa pretende pleitear a DECADÊNCIA de cinco anos, para os meses anteriores a 09.2001. 5. isto posto, o AI deverá ser mantido na íntegra. A seguir, houve o Despacho 152 – 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília – DF, às fls. 484 a 486, para ciência da Recorrente acerca do Despacho, às fls. 476, e da Informação Fiscal, às fls. 477, com a abertura de prazo para manifestação. A Recorrente fez Manifestação acerca da Informação Fiscal, às fls. 490 a 542. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, relevando parcialmente a multa com a exclusão do período 09/2001 a 12/2002, nos termos do Acórdão nº 0324.534 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Brasília DF, fls. 546 a 559, conforme Ementa e Decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 06/10/2006 OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP/GRFP. Determina a lavratura de autodeinfração a omissão de fatos geradores previdenciários na declaração prestada pela empresa em GFIP/GRFP, conforme art. 32, inciso IV, § 5 0, da Lei n.° 8.212/91. PRÊMIO. PRODUTIVIDADE. O pagamento de prêmio/plano de incentivo a segurados empregados tem natureza salarial, integrando o salário de contribuição, por não estar contemplado nas exclusões arroladas no parágrafo 9º do artigo 28 da Lei n° 8.212/91 e alterações posteriores. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 10 anos. RELATÓRIO CORESPONSÁVEIS A relação de coresponsáveis tem como finalidade listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, que poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, caso constatado ato praticado com infração de Lei. SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Fl. 627DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 6 Constatado pela fiscalização que a conduta do sujeito passivo se molda, em tese, à conduta descrita pela lei penal como descritiva da prática de crime, é seu dever efetuar Representação Fiscal para Fins Penais aos órgãos competentes para apuração da efetiva ocorrência do ilícito. RELEVAÇÃO PARCIAL DA MULTA APLICADA. A primariedade do infrator, a inocorrência de circunstâncias agravantes e o pedido efetuado dentro do prazo de impugnação possibilitam a relevação da multa aplicada nas competências em que houve a correção da falta. Lançamento Procedente com relevação parcial. Lançamento Procedente Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento com relevação parcial do crédito tributário exigido, nos termos dos relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Intimese para pagamento do crédito mantido, no prazo de 30 dias da ciência, com redução de 25%, salvo interposição de recurso voluntário ao 2° Conselho de Contribuintes, em igual prazo, conforme facultado pelos art. 293, §2° e 305, §1 0 do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, com redação dada pelo Decreto n° 6.032/07, com as alterações dos art. 25, §1 0, I, da Lei 11.457, art. 33 do Decreto 70.235/72 e art. 1° do Decreto 6.103/07. Encaminhese à DRF de origem. Sala de Sessões, em 07 de maio de 2008. O voto da Relatora da decisão de primeira instância, às fls. 559: “VOTO no sentido de julgar PROCEDENTE o presente lançamento, RELEVANDO PARCIALMENTE A MULTA aplicada, excluindo os valores referentes às competências 09/2001 a 12/2002, nos termos do artigo 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, mantendo se o crédito remanescente no valor de R$ 317.223,38 (trezentos e dezessete mil duzentos e vinte e três reais e trinta e oito centavos).” Ademais, destacase que a decisão de primeira instância se refere à Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP emitida pela AuditoriaFiscal quando da realização do procedimento fiscal na Recorrente, conforme fls. 555 a 556. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 13896.001058/200760 Acórdão n.º 240300.865 S2C4T3 Fl. 611 7 Observase também que a decisão de primeira instância mostra, às fls. 554, que no curso do procedimento fiscal o crédito foi apurado por aferição indireta em função de que a conduta adotada pela própria Recorrente que não disponibilizou a documentação solicitada para tal finalidade. Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário tempestivo, fls. 564 a 604, onde alega em apertada síntese que: Em sede Preliminar: (i) a decadência de 01/1999 a 08/2001, com fulcro no art. 150, § 4º, CTN. (ii) requer a suspensão do julgamento até que se julgue o processo referente à NFLD 37.014.9394, na qual se discutem obrigações principais que teriam gerado esta autuação. (iii) Nulidade por falta de preenchimento de requisitos para o preenchimento do Auto de Infração. Ocorre que o Relatório Fiscal não apresenta os requisitos de clareza e precisão determinadas pela legislação. Exemplificase este vício, primeiramente, pois esse importante documento não demonstra os elementos identificados pela fiscalização para concluir que os valores constantes nas notas fiscais emitidas pela em presa Incentive House S.A. têm natureza remuneratória, limitandose a informar que "a Empresa deixou de inserir nas GFIPs apresentadas, os valores relativos aos pagamentos feitos aos seus empregados, através dos cartões magnéticos adquiridos junto a INCENTIVE HOUSE' . (iv) Da nulidade por falta de emissão de Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo. Desta forma, conforme determinava o art. 579 da Instrução Normativa (IN) 3/2005, editada pela Secretaria da Receita Previdenciária (SRP), vigente à época da autuação, "Quando ' necessária a coleta de informações e de documentos de um sujeito passivo para subsidiar procedimento fiscal realizado junto a outro sujeito passivo, esta será precedida da emissão de Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo MPFEx". Neste caso o MPFEx deveria ter sido cumprido concomitantemente com o MPF originário. Registrese que esse é exatamente o caso da RECORRENTE, visto que a fiscalização necessitava de informações relacionados a outro sujeito passivo (Incentive House S.A.) para identificar (I) os beneficiários do "Programa Fl. 629DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 8 de estímulo ao aumento de produtividade"; (II) os valores recebidos por meio desse programa; e, principalmente, (III) se esses ganhos eram habituais ou não. (v) Da nulidade pelo desrespeito ao teto máximo do saláriode contribuição. Assim, muito embora seja premente que se respeite o teto máximo da base de cálculo previdenciária dos segurados empregados, o procedimento adotado pela fiscalização incorreu em ilegalidade, visto que partiu para a aplicação da alíquota mínima de 8% sobre o total dos pagamentos efetuados pela RECORRENTE aos beneficiários dos pagamentos mencionados, sem considerálos individualmente para fins de apuração do teto máximo da base de cálculo em questão. (vi) Da nulidade devido à responsabilidade imposta aos representantes legais. Do Mérito. (vii) Desnecessidade de informação em GFIP – ausência de fato gerador Verificase, entretanto, que a fiscalização não tomou como critério a análise individual dos empregados que teriam sido contemplados com as promoções de marketing. Também não se levou em conta se os pagamentos em questão, ainda que considerados retribuições ao trabalho, o que se admite apenas para argumentar, seriam ganhos eventuais ou não (art. 28, § 9°, alínea "e", item 7, da Lei 8.212/1991), bem como se essa premiação originouse de atividade de marketing de incentivo, verba totalmente desvinculada da remuneração pela prestação de serviços. Ora, estes fatores tornam inconcebível a exigência dos lançamentos em tela. (viii) Marketing de incentivo – recompensa desvinculada do trabalho (ix) Da falta de caracterização dos valores pagos como verba integrante da remuneração dos profissionais. Não bastasse as recompensas terem sido concedidas por meio de programa de marketing de incentivo (promessa que não retribui o trabalho), o que por si só afasta o caráter de remuneração pelo trabalho, por mero amor ao debate, a RECORRENTE passa a demonstrar que a fiscalização não apresentou esclarecimentos essenciais e critérios que levaram ao entendimento de que os Fl. 630DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 13896.001058/200760 Acórdão n.º 240300.865 S2C4T3 Fl. 612 9 valores constante nas notas fiscais emitidas pela Incentive House S.A. seriam remuneração sujeitas às contribuições sociais e, desta forma, deveriam ser informados na GFIP. (x) Absorção de multas pela multa aplicadas na NFLD (xi) Da gradação ilegal da multa. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 607. É o Relatório. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 10 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 607. Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº. 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares. DAS PRELIMINARES DA REGULARIDADE DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO (iii) Nulidade por falta de preenchimento de requisitos para o preenchimento do Auto de Infração. Ocorre que o Relatório Fiscal não apresenta os requisitos de clareza e precisão determinadas pela legislação. Exemplificase este vício, primeiramente, pois esse importante documento não demonstra os elementos identificados pela fiscalização para concluir que os valores constantes nas notas fiscais emitidas pela em presa Incentive House S.A. têm natureza remuneratória, limitandose a informar que "a Empresa deixou de inserir nas GFIPs apresentadas, os valores relativos aos pagamentos feitos Fl. 632DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 13896.001058/200760 Acórdão n.º 240300.865 S2C4T3 Fl. 613 11 aos seus empregados, através dos cartões magnéticos adquiridos junto a INCENTIVE HOUSE' . Analisemos. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento fiscal: A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. Folha de Rosto do Auto de Infração; b. Instruções para o Contribuinte – IPC; c. CORESP – Relatório de Coresponsáveis; d. VÍNCULOS – Relação de Vínculos; e. Mandado de Procedimento Fiscal MPF; f. Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD; g. Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEAF; h. Relatório Fiscal da Infração. Cumprenos esclarecer ainda, que a autuação fiscal deve ser elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999, especialmente com a discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura. Art.293.Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos Fl. 633DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 12 órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §1oRecebido o autodeinfração, o autuado terá o prazo de trinta dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de cinqüenta por cento ou impugnar a autuação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §2oImpugnada a autuação, o autuado, após a ciência da decisão de primeira instância, poderá efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de vinte e cinco por cento, até a data limite para interposição de recurso. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §3ºO recolhimento do valor da multa, com redução, implica renúncia ao direito de impugnar ou de recorrer.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) §4oApresentada impugnação, o processo será submetido à autoridade competente, que decidirá sobre a autuação, cabendo recurso na forma da Subseção II da Seção II do Capítulo Único do Título I do Livro V deste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) Observese o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 2: A Empresa deixou de inserir nas GFIPs apresentadas, os valores relativos aos pagamentos feitos aos seus empregados, através dos cartões magnéticos adquiridos junto a INCENTIVE HOUSE. Dispositivo legal infringido: Art.32, Inc. IV, parag. 5. da Lei 8212/91 e art.284, Inc. II do Decreto 3048/99 RPS. Igualmente, observese o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 03: O valor da multa aplicada achase PORMENORIZADAMENTE DETALHADO, na planilha anexa. Circunstâncias agravantes NÃO HÁ Circunstâncias atenuantes Para o período de 09.2001 a 12.2002 a Empresa apresentou a GFIP, com inserção dos valores pagos aos seus empregados, por meio de cartão magnético, adquiridos junto a INCENTIVE HOUSE, razão pela qual, para referido período, foi aplicada a circunstância atenuante, com redução da multa em 50%, de acordo com previsto no Art. 292, Inc. V do Decreto 3048/99 RPS. Ainda, o Anexo com o Cálculo do Valor da Multa, às fls. 8 a 9, tão somente apresenta as seguintes colunas: Fl. 634DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 13896.001058/200760 Acórdão n.º 240300.865 S2C4T3 Fl. 614 13 Competência; Qtde de empregados; valor mínimo; multiplicador; limite mensal; valor da base de contribuições; valor da contribuição devida; valor da multa; atenuante; Valor da multa. Houve solicitação de Diligência Fiscal pela Seção de Contencioso Administrativo Previdenciário, da DRP em Osasco/SP, às fls. 476, in verbis: 1. Tendo em vista a análise dos autos e a impugnação da empresa supra, solicitamos que o presente processo seja baixado em diligência para manifestação do AFPS notificante a respeito do seguinte ponto: a. Segundo o relatório fiscal este auto foi lançado pelo fato do contribuinte ter deixado de inserir em GFIP valores relativos aos pagamentos feitos aos seus empregados através dos cartões adquiridos junto a Incentive House para o período 01/1999 a 12/2002, tendo sido atenuado a falta para o período de 09/2001 a 12/2002 por ter o contribuinte entregue a GFIP no decorrer da ação fiscal. Entretanto, verificase na NFLD da mesma fiscalização, debcad 37.014.9394, que o levantamento IH9 — Incentive House após 1998 registra a classificação "Declarado em GFIP" para todo o período de 01/1999 a 12/2002. b. Argumentação do contribuinte que não foi esclarecido: (I) os empregados supostamente beneficiados pelos referidos pagamentos; (II) os valores individualizados pagos a cada um deles e (III) a natureza remuneratória dos pagamentos efetuados. 2. À 21.4282 Fisc Seção de Fiscalização para atendimento Em resposta, a AuditoriaFiscal emitiu Informação Fiscal, às fls. 477: 1. Documento recebido em 12.02.2007; 2. A Empresa apresentou doctos, sobre os quais esclarecemos: DOS ESCLARECIMENTOS: 3. A Empresa NÃO apresentou nenhum fato novo ao processo. Os documentos apresentados já foram considerados quando da Ação Fiscal, tanto assim, que para o período a que se referem os documentos apresentados, de 09.2001 em diante, já foi considerada a ATENUAÇÃO no AI, conforme doctos. Fls. 08 e 09. Em função da NÃO apresentação de GFIP, da NFLD deveria constar GFIP NÃO APRESENTADA — SEM REDUÇÃO DE MULTA. 4. Este AI está correto. A Empresa NÃO apresentou GFIP para o período de 01.1999 a 08.2001, pois, como informado à Auditoria Fl. 635DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 14 fiscal, a Empresa pretende pleitear a DECADÊNCIA de cinco anos, para os meses anteriores a 09.2001. 5. isto posto, o AI deverá ser mantido na íntegra. Temos que o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 02, tão somente afirma que “A Empresa deixou de inserir nas GFIPs apresentadas, os valores relativos aos pagamentos feitos aos seus empregados, através dos cartões magnéticos adquiridos junto a INCENTIVE HOUSE”. Ou seja, em relação à incidência de contribuição social previdenciária sobre os pagamentos a empregados através de cartões magnéticos adquiridos junto a empresa INCENTIVE HOUSE S.A, a AuditoriaFiscal não esclareceu nos autos do presente Auto de Infração vários pontos que, cumulativamente, fundamentariam tal incidência: (i) qual a relação entre a Recorrente e a empresa INCENTIVE HOUSE S.A.; (ii) qual a forma de pagamento da Recorrente à empresa INCENTIVE HOUSE S.A; (iii) quem remunerava os empregados da Recorrente via cartões magnéticos; (iv) se os pagamentos via cartões magnéticos estavam sujeitos à metas de desempenho individual ou em grupo; (v) se os pagamentos via cartões magnéticos representavam pagamento de prêmios, bônus, despesas de viagens, despesas diversas etc. (vi) quais empregados da Recorrente foram supostamente beneficiados pelos pagamentos através dos cartões magnéticos adquiridos junto a INCENTIVE HOUSE; (vii) quais os valores individualmente pagos, através dos cartões magnéticos adquiridos junto a INCENTIVE HOUSE, a cada um dos empregados da Recorrente; (viii) qual a natureza remuneratória dos pagamentos efetuados através dos cartões magnéticos adquiridos junto a INCENTIVE HOUSE. (ix) se houve a adoção do procedimento de arbitramento em função da precariedade de informações disponibilizadas pela Recorrente; (x) qual o amparo legal para que os pagamentos feitos através dos cartões magnéticos adquiridos junto a INCENTIVE HOUSE sejam passíveis de incidência de contribuição social previdenciária; Fl. 636DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 13896.001058/200760 Acórdão n.º 240300.865 S2C4T3 Fl. 615 15 Podese deduzir do Relatório Fiscal da Infração, às fls. 02, bem como do Anexo com o Cálculo do Valor da Multa, às fls. 08 a 09, que a AuditoriaFiscal utilizou o arbitramento da base de cálculo. Anotese que a utilização do arbitramento da base de cálculo é justificável no caso em que mesmo intimado o contribuinte se recusa a prestar os esclarecimentos e apresentar os documentos que comprovem a regularidade de recolhimento de contribuições previdenciárias. Contudo, a indicação da base de cálculo deve vir acompanhada de demonstrações que indiquem qual o critério utilizado para definição do montante que deve estar descritos no próprio Auto de Infração. Com isso, observo que a nulidade é aplicável porque a fiscalização não observou a integralidade do disposto no art. 293, Decreto 3.048/1999, em especial a lavratura do autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada. Neste ponto, devese verificar qual o tipo de nulidade a ser aplicável. O vício formal relacionase aos requisitos de validade do ato administrativo, ou seja, se relaciona com as formalidades legais extrínsecas do lançamento. Os artigos 39 e 40, do Decreto nº 7.574/2011, são exemplos: Art.39.O auto de infração será lavrado no local da verificação da falta, devendo conter (Decreto no 70.235, de 1972, art. 10; Lei no 10.593, de 2002, art. 6o): I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição dos fatos; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias, contados da data da ciência; e VIa assinatura do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela autuação e o número de sua matrícula. Art.40.A notificação de lançamento será expedida pela unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil encarregada da formalização da exigência, devendo conter (Decreto no 70.235, de 1972, art. 11; Lei no 10.593, de 2002, art. 6o): I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para pagamento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; e Fl. 637DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 16 IV a assinatura do chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil que emitir a notificação ou do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil por ele designado, mediante delegação de competência, e a indicação de seu cargo ou de sua função e o número de matrícula. Parágrafo único.A notificação de lançamento emitida por processamento eletrônico prescinde da assinatura referida no inciso IV, sendo obrigatória a identificação do chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil que a emitir ou do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil por ele designado Enquanto que o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra de forma clara e precisa os fatos e motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração, portanto se referindo ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. Como exemplo, temse o disposto no art. 142, CTN, ao atribuir a competência privativa do lançamento a autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa atividade o fiscal autuante descreva e comprove a ocorrência do fato gerador do tributo lançado, identificando perfeitamente o sujeito passivo, como segue: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Neste mesmo diapasão, podese exemplificar o vício material pelo não atendimento do disposto no art. 293, caput, Decreto 3.048/1999 quando da lavratura do auto deinfração: Art.293.Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) Neste sentido, quando a lavratura do Auto de Infração não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a imputação sofrida, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, é nula por falta de materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Diante de todo o exposto, o Auto de Infração se reveste de nulidade material. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 13896.001058/200760 Acórdão n.º 240300.865 S2C4T3 Fl. 616 17 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do Recurso e, NAS PRELIMINARES, ANULAR POR VÍCIO MATERIAL, pela falta de discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 639DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
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Numero do processo: 16832.000031/2010-98
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE DA AUTUAÇÃO - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram a autuação, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade da autuação.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - PAGAMENTO EM ESPÉCIE - ALIMENTAÇÃO - EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR - PAT - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
O pagamento, em espécie, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT - Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - VALE-TRANSPORTE - PAGAMENTO EM PECÚNIA - POSICIONAMENTO PLENÁRIO DO STF - PARCELA NÃO INTEGRANTE.
No RE 478.410/SP, Relator Min. Eros Grau, com o Acórdão publicado em 14.05.2010, em decisão do PLENÁRIO DO STF, decidiu-se
que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de vales-transporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa.
Desta forma, como esta decisão plenária do STF no RE 478.410/SP se amolda ao disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, tem-se então que as parcelas pagas em pecúnia aos segurados a título de vale-transporte não têm natureza salarial.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35
da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito
lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.037
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, no mérito, por maioria de voto, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a incidência de contribuição social previdenciária nos levantamentos relacionados ao VALE-TRANSPORTE, bem como para que se recalcule o valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o
disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Vencido o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, que votou pela exclusão do levantamento relacionado ao PAT.
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE DA AUTUAÇÃO - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram a autuação, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade da autuação. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - PAGAMENTO EM ESPÉCIE - ALIMENTAÇÃO - EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR - PAT - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento, em espécie, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT - Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - VALE-TRANSPORTE - PAGAMENTO EM PECÚNIA - POSICIONAMENTO PLENÁRIO DO STF - PARCELA NÃO INTEGRANTE. No RE 478.410/SP, Relator Min. Eros Grau, com o Acórdão publicado em 14.05.2010, em decisão do PLENÁRIO DO STF, decidiu-se que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de vales-transporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Desta forma, como esta decisão plenária do STF no RE 478.410/SP se amolda ao disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, tem-se então que as parcelas pagas em pecúnia aos segurados a título de vale-transporte não têm natureza salarial. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram a autuação, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade da autuação. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PAGAMENTO EM ESPÉCIE ALIMENTAÇÃO EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento, em espécie, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO VALETRANSPORTE PAGAMENTO EM PECÚNIA POSICIONAMENTO PLENÁRIO DO STF PARCELA NÃO INTEGRANTE. No RE 478.410/SP, Relator Min. Eros Grau, com o Acórdão publicado em 14.05.2010, em decisão do PLENÁRIO DO STF, decidiuse que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Desta forma, como esta decisão plenária do STF no RE 478.410/SP se amolda ao disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Anexo II do Fl. 160DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Regimento Interno do CARF, temse então que as parcelas pagas em pecúnia aos segurados a título de valetransporte não têm natureza salarial. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, no mérito, por maioria de voto, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a incidência de contribuição social previdenciária nos levantamentos relacionados ao VALETRANSPORTE, bem como para que se recalcule o valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Vencido o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, que votou pela exclusão do levantamento relacionado ao PAT. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Fl. 161DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 16832.000031/201098 Acórdão n.º 240301.037 S2C4T3 Fl. 107 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marthius Sávio Cavalcante Lobato, Marcelo Magalhães Peixoto e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 88 a 95, com Anexos às fls. 96 a 107, interposto pela Recorrente – HOPEVIG VIGILÂNCIA E SEGURANÇA LTDA., contra Acórdão nº 1229.795 – 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I RJ I, fls. 77 a 84, que julgou procedente o Auto de Infração de Obrigações Principais AIOP nº 37.251.5991, fl. 01, no valor consolidado de R$ 117.063,21 (cento e dezessete mil, sessenta e três reais e vinte e um centavos). O lançamento é referente às contribuições devidas à Seguridade Social, destinadas a Terceiros (Salárioeducação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), no período de 01/2006 a 12/2006. O Relatório Fiscal, às fls. 26 a 30, destaca que foram apurados nos arquivos digitais de contabilidade (contas 085 — VALETRANSPORTE e 086 — VALEREFEIÇÃO), valores pagos em dinheiro a título de Vale Transporte e Vale Refeição, procedimento este que não encontra respaldo na legislação. Tais valores foram considerados como base de cálculo para efeito de recolhimento das contribuições previdenciárias. Utilizouse na AuditoriaFiscal os códigos de levantamento: VR VALE REFEIÇÃO PAGO EM DINHEIRO VR1 VALE REFEIÇÃO PAGO EM DINHEIRO VT VALE TRANSP PAGO EM DINHEIRO VT1 VALE TRANSP PAGO EM DINHEIRO O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 07.1.90.002009043157, indica o procedimento fiscal relativo à fiscalização, com cobertura no período 01/2006 a 12/2006, às fls. 20. O Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF às fls. 21 a 22. A ciência do AIOP ocorreu em 03.01.2010, às fls. 01. O período objeto do AIOP, conforme o Relatório Discriminativo do Débito, às fls. 04, é de 01/2006 a 12/2006. A Recorrente apresentou impugnação, às fls. 33 a 40, com Anexos às fls. 41 a 74. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1229.795 – 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I RJ I, fls. 77 a 84, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 163DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 16832.000031/201098 Acórdão n.º 240301.037 S2C4T3 Fl. 108 5 Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Lançamento. Validade. Não merece acolhida a alegação de nulidade do lançamento, haja vista que todos os relatórios foram entregues ao contribuinte, onde consta a indicação de onde os valores foram extraídos e os dispositivos legais que amparam o lançamento. Vale Refeição e Vale Transporte. Pagamento em pecúnia. Incidência. Tratandose de parcela cuja nãoincidência esteja condicionada ao cumprimento de requisitos previstos na legislação previdenciária, o pagamento em desacordo com a legislação de regência se sujeita à tributação. Convenções Coletivas. Efeitos. As convenções entre particulares, que façam leis entre as partes, não podem se opor à Fazenda Pública. Diligência. Indeferimento. Indeferese o pedido de diligência quando esta se mostra prescindível. Provas. Preclusão. O momento para a produção de provas, no processo administrativo, é juntamente com a impugnação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Vistos, relatados e discutidos, os autos do processo em epígrafe, ACORDAM, por unanimidade de votos, os membros dessa Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro — I, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, em negar provimento à impugnação, mantendo o crédito tributário, no valor de R$ 71.809,41; acrescidos de juros e multa, a serem calculados no ato do pagamento e multa de oficio. INTIMESE a interessada deste Acórdão, para recolher o crédito, no prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência, ressalvado o direito de a mesma interpor recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no mesmo prazo. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 88 a 95, com Anexos às fls. 96 a 107, onde alega em apertada síntese: Em sede Preliminar. (i) Da regularidade do lançamento. No Mérito. (ii) ARBITRAMENTO NA INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES (OUTRAS ENTIDADES 5,8 % / TERCEIROS) SOBRE VALE TRANSPORTES E VALESREFEIÇÕES, EM PECÚNIA. Não bastassem os dispositivos e entendimentos adiante ilustrados tais verbas, ValeTransporte e ValesRefeições, tem como finalidade o deslocamento casa/trabalho e vice e versa, e através de uma simples solicitação aquela Fiscalização poderia ter constatado que a verba tinha única e exclusivamente o fim de deslocamento de funcionários, constato através da tarifa modal vigente à lavratura com a declaração do funcionários quando de sua admissão. De mesmo modo versa o ValeRefeição quando o valor pago ao funcionário destinase única e exclusivamente para alimentação/refeição do trabalhador, vez que se verifica pelo valor obrigado em Acordos/Convenções e Dissídios e por contrato de prestação de serviços vezes os dias úteis efetivamente trabalhados. O STJ tem o entendimento que quando do desconto do vale transporte de 6% (seis por cento) não o que se falar em incidência para contribuição previdenciária (Recurso Especial n° 664.068 RJ 2004/00733474. Relator Ministro Luiz Fux, lª Turma STJ) Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 105. É o Relatório. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 16832.000031/201098 Acórdão n.º 240301.037 S2C4T3 Fl. 109 7 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 105. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (i) Da regularidade da lavratura do Auto de Infração Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a parte patronal e a de segurados. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP nº 37.251.5991 que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela RFNB, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). IN RFB n° 971/20095 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Art. 467. Será lavrado Auto de Infração ou Notificação de Lançamento para constituir o crédito relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007. Art. 468. A autoridade administrativa competente para a lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória, nos termos dos arts. 142 e 196 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), e art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, é o AFRFB que presidir e executar o procedimento fiscal. Parágrafo único. Considerase procedimento fiscal quaisquer das espécies elencadas no art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, observadas as normas específicas da RFB. (grifo nosso) Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: Fl. 167DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 16832.000031/201098 Acórdão n.º 240301.037 S2C4T3 Fl. 110 9 • A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, bem como a intimação para que o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo do Débito (Este relatório lista, em suas páginas iniciais, todas as características que compõem o levantamento, que é um agrupamento de informações que servirão para apurar o débito de contribuição previdenciária existente. Na seqüência, discrimina, por estabelecimento, competência e, levantamento, as bases de cálculo, as rubricas, as alíquotas, os valores já recolhidos, confessados, autuados ou retidos, as deduções permitidas (saláriofamília, salário maternidade e compensações), as diferenças existentes e o valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado.); c. RDA – Relatório de Documentos Apresentados (Este relatório relaciona, por estabelecimento e por competência, as parcelas que foram deduzidas das contribuições apuradas, constituídas por recolhimentos, valores espontaneamente confessados pelo sujeito passivo e, quando for o caso, por valores que tenham sido objeto); d. RADA – Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (Este relatório demonstra como os seguintes documentos, apresentados pelo contribuinte ou apurados em procedimento fiscal, foram apropriados pela fiscalização: GRPS, GPS, LDC, CRED (créditos diversos) e DNF (valores destacados em nota fiscal ainda não recolhidos)); e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); g. REFISC – Relatório Fiscal. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP nº 37.251.5991, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Do Mérito. (ii) ARBITRAMENTO NA INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES (EMPRESA 20 % E RAT 3 %) SOBRE VALETRANSPORTES E VALESREFEIÇÕES, EM PECÚNIA. Não bastassem os dispositivos e entendimentos adiante ilustrados tais verbas, ValeTransporte e ValesRefeições, tem como finalidade o deslocamento casa/trabalho e vice e versa, e através de uma simples solicitação aquela Fiscalização poderia ter constatado que a verba tinha única e exclusivamente o fim de Fl. 169DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 16832.000031/201098 Acórdão n.º 240301.037 S2C4T3 Fl. 111 11 deslocamento de funcionários, constato através da tarifa modal vigente à lavratura com a declaração do funcionários quando de sua admissão. De mesmo modo versa o ValeRefeição quando o valor pago ao funcionário destinase única e exclusivamente para alimentação/refeição do trabalhador, vez que se verifica pelo valor obrigado em Acordos/Convenções e Dissídios e por contrato de prestação de serviços vezes os dias úteis efetivamente trabalhados. O STJ tem o entendimento que quando do desconto do vale transporte de 6% (seis por cento) não o que se falar em incidência para contribuição previdenciária (Recurso Especial n° 664.068 RJ 2004/00733474. Relator Ministro Luiz Fux, lª Turma STJ) (ii.1) Do valetransporte pago em pecúnia. A questão central é se determinar se o valetransporte pago em espécie sofre ou não a incidência de contribuição social previdenciária. De plano, devemos observar o Regimento Interno do CARF em seu art. 62, parágrafo único, inciso I, do Anexo II: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (grifo nosso) Fl. 170DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 Outrossim, o RE 478.410/SP, Relator Min. Eros Grau, com o Acórdão publicado em 14.05.2010, em decisão do PLENÁRIO DO STF, decidiu que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente Fl. 171DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 16832.000031/201098 Acórdão n.º 240301.037 S2C4T3 Fl. 112 13 aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário, vencidos os Senhores Ministros Joaquim Barbosa e Marco Aurélio. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pela recorrente, a Dra. Maria Leonor Vieira e, pelo recorrido, o Dr. Bruno de Medeiros Arcoverde, Procurador da Fazenda Nacional. Plenário, 10.03.2010. Em que pese haver a distribuição de Embargos de Declaração no Recurso Extraordinário 478.410/SP, pendente de julgamento, não há como deixar de observar que houve uma decisão plenária do STF nesta questão decidindo que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição. Outrossim, como esta decisão plenária do STF no RE 478.410/SP se amolda ao disposto no Regimento Interno do CARF em seu art. 62, parágrafo único, inciso I, do Anexo II, temos então que no presente AIOP nº 37.251.5991 as parcelas pagas em pecúnia aos segurados a título de valetransporte não têm natureza salarial. Portanto, neste AIOP nº 37.251.5991 devese afastar a incidência de contribuição social previdenciária em relação aos levantamentos de VALE TRANSPORTE. (ii.2) Do valerefeição pago em pecúnia. Conforme o constatado no Relatório Fiscal, às fls. 26 a 30, a Recorrente fornece alimentação aos empregados, por meio de pagamento em espécie, sem estar inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), requisito este disposto expressamente na legislação. A Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976, que trata do Programa de Alimentação do Trabalhador: Fl. 172DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 Art.3°. Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga 'in natura' pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. O Decreto n° 5, de 14 de janeiro de 1991, que regulamenta a Lei n°6.321/76: Art. 1°. A pessoa jurídica poderá deduzir, do imposto de renda devido, valor equivalente a aplicação da aliquota cabível do imposto de renda sobre a soma das despesas de custeio realizadas, no períodobase, em Programas de Alimentação do Trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social MTPS nos termos deste regulamento. (...) § 4° para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a apresentação de documento hábil a ser definido em Portaria dos Ministros do Trabalho e Previdência Social, da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde. (...) Art. 4°. Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (Redação dada pelo Decreto n. 0 2.101, de 23 de dezembro de 1996). Art. 6°. Nos programas de alimentação do trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência: Social a parcela paga natura' pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador. Desta forma, de acordo com a legislação de regência do PAT, o fornecimento de alimentação não integra o saláriodecontribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias, quando, nos termos da Lei n°6.321, de 1976, atenda os requisitos do programa de alimentação previamente aprovado pelo Ministério do Trabalho. Conforme o disposto na legislação previdenciária, art. 28, § 9º , c, Lei 8.212/1991, o fornecimento de alimentação integra o saláriodecontribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias quando não atenda os requisitos do programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho. (Lei 8.212/1991) Art. 28. Entendese por saláriode contribuição: Fl. 173DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 16832.000031/201098 Acórdão n.º 240301.037 S2C4T3 Fl. 113 15 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Ademais, embora existam decisões judiciais em sentido contrário, o Poder Judiciário também apresenta posicionamentos neste sentido da exigibilidade da contribuição previdenciária: TRIBUTÁRIO: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PAGAMENTOS A FUNCIONÁRIOS DO BANCO. ACORDO COLETIVO. HABITUALIDADE E FINALIDADE. NATUREZA JURÍDICA. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA. EXIGIBILIDADE. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA PARCIAL. I Os pagamentos habituais efetuados pelo banco aos seus funcionários empregados, tais como ajuda de custo para supervisor de contas, prêmio produção, salário, licença prêmio, gratificação semestral, auxilio crechebabá e ajuda de custo aluguel/alimentação/transporte compõem a remuneração e integram o salário de contribuição, donde exigível a contribuição previdenciária sobre tais verbas (Lei CF, art. 201 § 11°c Lei 8212/91, art. 28, I). II O acordo coletivo e a convenção coletiva de trabalho não têm o condão de afastar a lei, dispondo sobre a natureza jurídica de verbas percebidas pelo empregado, nem tampouco excluilas da incidência da contribuição previdenciária. (TRF3 — REO — REMESSA EX OFICIO 429742 Processo n° 98030621629 SP. Decisão 28/05/2002. 2° Turma. Relatora Des. Marianina Galante. DJU 28/02/2002). Desta forma, não prospera a argumentação da Recorrente pois a legislação aponta expressamente a incidência de contribuição previdenciária na parcela "in natura" recebida em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social Programa de Alimentação do Trabalhador. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 MULTA DE MORA Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 16832.000031/201098 Acórdão n.º 240301.037 S2C4T3 Fl. 114 17 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso e, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO para afastar a incidência de contribuição social previdenciária nos levantamentos relacionados ao VALETRANSPORTE, bem como para que se recalcule o valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 176DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 15956.000126/2009-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO NÃO OCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais. Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991
(que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A,
para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito
lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos
legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.109
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000126/200917 Acórdão n.º 240301.109 S2C4T3 Fl. 116 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, às fls. 92 a 111, interposto pela Recorrente – SERRANA Máquinas e Equipamentos Ltda. apresentado contra Acórdão nº 1236.210 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I RJ, fls. 76 a 85, que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação principal, AIOP – Auto de Infração de Obrigação Principal nº. 37.216.0441, com ciência da Recorrente em 28.04.2009, às fls. 01, com valor consolidado inicial de R$ 91.696,38 sendo retificado após a decisão de primeira instância para R$ 35.285,24. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias devidas a Terceiros (salário Educação, SESI, SENAI, INCRA e SEBRAE), apurados por aferição indireta, nas competências 01/2004 a 12/2004 (inclusive 13º salário). Conforme o relatado pela decisão de primeira instância, às fls. 76 a 85, temos o aduzido pela AuditoriaFiscal em sede de Relatório Fiscal, às fls. 25 a 32, bem como a Impugnação apresentada às fls. 122 a 139: Fl. 116DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Foi emitido o TIAF – Termo de Início de Ação Fiscal, às fls. 17 a 18, contendo o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0810900.2008.00757. O período objeto da AIOP, conforme o Relatório Discriminativo Sintético de Débito DSD, às fls. 07, é de 01/2004 a 12/2004. A Recorrente teve ciência da AIOP no dia 30.04.2009, conforme fls. 01. Após análise dos autos, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I RJ emitiu a Acórdão nº 1236.210 10ª Turma, fls. 76 a 85, julgando procedente em parte a autuação, conforme a Ementa a seguir: Fl. 117DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000126/200917 Acórdão n.º 240301.109 S2C4T3 Fl. 117 5 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Observase que a decisão de primeira instância, às fls. 164, reconheceu a decadência parcial, no período 01/2004 a 03/2004, com fulcro no art. 150, § 4º, CTN. Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 92 a 111, reiterando as argumentações apresentadas em sede de primeira instância: Em sede Preliminar. (i) Da nulidade do lançamento fiscal por falta de fundamentação e indicação precisa dos elementos caracterizadores da obrigação tributária. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000126/200917 Acórdão n.º 240301.109 S2C4T3 Fl. 118 7 No Mérito. (ii) Da necessidade de realização de prova pericial. (iii) Da multa confiscatória. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 (iv) Da ilegalidade da utilização da taxa SELIC Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000126/200917 Acórdão n.º 240301.109 S2C4T3 Fl. 119 9 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 112. DAS PRELIMINARES Alegações de inconstitucionalidades. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 122DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (i) Da nulidade do lançamento fiscal por falta de fundamentação e indicação precisa dos elementos caracterizadores da obrigação tributária. Analisemos. Da regularidade do lançamento. Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social correspondentes à parte da empresa e às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, apuradas por aferição indireta, nas competências 01/2004 a 12/2004 (inclusive 13º salário). Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP nº 37.216.0441 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000126/200917 Acórdão n.º 240301.109 S2C4T3 Fl. 120 11 (redação à época da lavratura da AIOP nº 37.216.0441) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. REPLEG Relatório de representantes Legais; g. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. MPF – Mandado de Procedimento Fiscal; i. TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal;. j. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal;. k. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose a AIOP nº 37.216.0441, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000126/200917 Acórdão n.º 240301.109 S2C4T3 Fl. 121 13 ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a Auto de Infração de Obrigação Principal de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Do arbitramento. O presente lançamento teve fundamento no art. 33, § 3º, Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Do Relatório Fiscal, às fls. 25 a 32, destacase que a Recorrente, apesar de intimada pelo TIAF, deixou de apresentar o Livro Diário, com a escrituração contábil de 2004, bem como não apresentar informações consistentes da empresa, evidenciada pelos valores declarados em GFIP e em Folhas de Pagamento incompatíveis com a realidade operacional de empresas de seu segmento econômico (auferir uma receita de R$ 7.995.337,00, com apenas 2 empregados). Fl. 126DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 A AuditoriaFiscal utilizou o índice nacional apurado pelo programas SIGA DW e SIF4, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, como parâmetro para aferir os salários de contribuição para a Base de Calculo das Contribuições Sociais, ou seja, utilizouse do índice obtido na comparação da Massa Salarial em relação a Receita Bruta Operacional, correspondente a 9,46%. Depois do calculo do Salário de Contribuição, aferido com base nas empresas com o mesmo CNAE Código Nacional de Atividade Econômica, correspondente a 9,46%, deduziuse o índice apresentado pela empresa, correspondente a 0,16% (anual). Ou seja, corretamente o procedimento da AuditoriaFiscal que tomou por base os valores declarados na DIPJ – Declaração do Imposto de Renda sobre Lucro Arbitrado de 2004, conforme demonstrativo colacionado às fls. 79 – demonstrativo mensal das receitas operacionais e massa salarial – para apuração das bases de cálculo das contribuições previdenciárias. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. DO MÉRITO (ii) Da necessidade de realização de prova pericial. Quanto à solicitação de prova pericial, verificamos que a mesma encontrase em desacordo com o previsto na legislação. Decreto 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: ... IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. ... § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Como o pedido de perícia não possui os requisitos previstos na legislação, consideroo não formulado. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000126/200917 Acórdão n.º 240301.109 S2C4T3 Fl. 122 15 (iii) Da multa confiscatória. Cumpre ressaltar que, em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte e o Fisco, o Código Tributário Nacional, em seu art. 113, abaixo transcrito, prevê duas espécies de obrigações tributárias: uma denominada principal, outra denominada acessória. “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”. A obrigação principal consiste no dever de pagar tributo ou penalidade pecuniária e surge com a ocorrência do fato gerador. Tratase de uma obrigação de dar, consistente na entrega de dinheiro ao Fisco. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). A obrigação tributária principal decorre da lei, ao passo que a obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária. O descumprimento da obrigação tributária principal (obrigação de dar/pagar) obriga o Fisco a constituir o crédito tributário por meio de AIOP. Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o AutodeInfração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. Ademais, a incidência de acréscimos legais se faz, à época da lavratura do AIOP, determinado nos arts. 34 e 35, Lei 8.212/1991. Outrossim, esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de Fl. 128DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. (iv) Da ilegalidade da utilização da taxa SELIC Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar Fl. 129DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000126/200917 Acórdão n.º 240301.109 S2C4T3 Fl. 123 17 de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, registrese, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pela Recorrente. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Fl. 130DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com fulcro no artigo 34 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior à dada pela Lei 11.941/2009. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000126/200917 Acórdão n.º 240301.109 S2C4T3 Fl. 124 19 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para, NO MÉRITO, se recalcular o valor da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, "caput", da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com prevalência da mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 132DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10845.001786/87-83
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 1988
Numero da decisão: 301-00.302
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à Universidade Federal do Rio de Janeiro, através da Repartição de origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOSE FAÇANHA MAMEDE
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POLIBRASIL S/A. INDÚSTRIA DRF - SANTOS - SP. • Recurso n.oRecorrente Recorrid 109.781 de 19 88. Processo ACORDÃO N ' . n~ 10845/001786/87-83. E COMÉRCIO. • R E S O L U ç Ã O N~ 301-302. Visto, relatado e discutido o presente processo, RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Co~ selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à Universidade Federal do Rio de Janeiro, através da Repartição de origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado . Sessões. 11 de maio de 1988 •• VISTO EM SESSÃO DE: J S FA~ANHA MAMEDE - Pre' ~cIJf~ . MARIA DE LURDES MARTINS - 16 MAl 1988 ente.e Relator. • Procurador da Faz. Nacina1. • Participaram ainda do presente julgamento os seguintes Conselheiros: JOSÉ MARIA DE MELO, MARIA LUCIA SILVA CASTELO BRANCO, ABEILARD BAR RETO, FAUSTO FREITAS DE CASTRO NETO, ROSA MARTA MAGALHÃES DE OL~ VEIRA, HAMILTON DE SÁ DANTAS e JOÃO HOLANDA COSTA . 2. SERVICO PÚBLICO FEOERAL • MF - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. RECURSO N2 109.781 RESOLUÇÃO N~ 301-302. RECORRENTE: POLIBRASIL S/A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO. RECORRIDA : DRF - SANTOS - SP. RELATOR : JOSÉ FAÇANHA MAMEDE. R E L A T Ó R I O Trata-se de autuação por ter a ora recorrente cla~ sificado produto de sua importação (DI 42307/86-DRF - Santos), d~ • nominado ARMID OD, oleilamida ou amida de ácido oleico, no código tarifário 29.25~99.00, quando a fiscalização, estribada em laudo técnico, entende posicionar tal produto no código TAB 34.04.01.99, consi,'lerando-o "urnamistura de amidas graxas, um produto de const.i • tuiçãó química não defindda,com características de cera artificial~ Impugnado o feito, adveio a decisão de lª instância (fls. 38/43), lida em sessão e assim ementada: •• • "Comprovado pelo LABANA nao ser a mercadoria importada a mesma de que trata o Parecer CST (NBM) nQ 648/79, sua classificação se faz no código 3~.04.01.99 da TAB." o citado Parecer CST, com cópia nos autos ~s fls. 20 e seguintes, diz classificável no código TAB 29.25.99.00 o prQ duto ARMID OD ou Oleamida ou amida do ácido oleico, composto de função carboxiamida, com 97% de pureza, usado corno aditivo em tirr tas de impressão. O produto dos autos, apesar de ter o mesmo nome, nao se identificaria com o de que trata o parecer mencionado diz a decisão recorrida - visto que, no caso examinado e objeto do Parecer CST, o grau de pureza da oleamida é de 97%, mercadoria que deu azo ~ exigê6cia fiscal, o grau de oleamida é de apenas 78,3%. enquanto na pureza da • No recurso voluntário a este colegiado65), alega o sujeito passivo, em síntese: (fls. 49/ • SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Rec. Res. 3. 109.781 301-302 a) existincia, d~, de decisio do a mat~ria (Ac. 23.735),al~m do colegiado sobre Parecer CST 648 e de laudo do IPT, todos concordes em classifi car o produto em 29.25.99.00; b) decisio de lª inst&ncia fundamentada em simples laudo do Labana que, por ser prova unilateral, compromete o princípio do contraditório; • c) identidade entre os produtos "Kenamide U" e • • • • • • 11Arrnid ODII, nomes comerciais que variam apenas por conveniência dos fabricantes; d) divergência entre:o laudo do Labana e o Parecer t~cnico juntado com o recurso,quanto ao fato de ser ou nao o produto de constitutiçio química definida; É o relatório . • SERVICO PÚBLICO FEDERAL v O T O Rec. Res. 4. 109.781 301-302 Não meLparece incontest&vel que os produtos "Ken-ª- mide V" e "Armid OD" sejam idênticos quimicamente, pois o IIKenarn.i de U", objeto de Acórdãg ~,anterior desta Câmara ~é "composto de fun ção carboxiãmida.e composto de função de amida de &cido carb&nico, amida de &cido er~cico", enquanto que "Armid OD" e, consoante a • definição do próprio sujeito passivo, "composto de função carbQ xiãmida, com ;97% de pureza", A p.resença da oleamida em cada um de-ª- ses produtos se faz em percentuais~bem diversos: no "Kenamide U", o • elemento oleamida participa comc94,5% da fórmula e no "Armid OD", esse elemento tem um pico principal de apenas 78,3%. Logo, nao se trata de produtos idinticos e, por conseguinte, ao "Armid OD" não se aplica o Acórdão anterior desta Câmara, proferido com relação • ao produto "Kenamide U". o Parecer CST 648, as fls. 20 e seguintes .dos autos, refere-se a "Armid OD" com 97% de oleamida, em divergincia gritante com o teor de oleamida encontrado pelo LABANA no produto ora discutido, também chamado "Armid OD". • • • • A autoridade fiscal nao contesta que o produto importado seja "Armid OD". Tenta explicar a discrepância quanto ao percentual de oleamida, apontado no Parecer de fls. 20 e no laudo de fls. 11, com uma possível alteração na fórmula do produto, ef-ª- tuada pelo fabricante, "tendo em vista as exigincias de mercado para fornecimento de produto de~custo menor . A divergincia, no entanto, é flagra~te e basta para levar d~vida ao espírito do julgador. Entendo, assim, nece-ª- s&ria uma diligincia que dissipe, afinal, toda a d~vida existente. Proponho, pois, converter o julgamento em diligin cia ~ Universidade Federal do Rio de Janeiro, através da reparti çao de origem, para juntada de amostra do produto, a fim de que, realizado exame do produto, sejam respondidos os seguintes ques~ oicoo o moio 00 quo o oooc,ibuiocooocoodo, oo,o"oooc~ SERVICO PÚBLICO FEDERAL a) qual a composiç;o do produto; Rec. 109.781 Res. 301-302 5. b) qual o teor de oleamida presente na fórmula; c) se se pode considerar o produto como de consti tuiç;o química definida; d) se nao tem constituiç;o química definida, se se pode considerá-lo um substituto das ceras • naturais; • e) se, como tal, preenche os seguintes requisitos previstos nas NENAB: 1) ponto de fus;o superior a 40QC; 2) viscosidade, medida no viscosíme~ tro rotativo, inferior ou igual a • f) se e ainda: 10 Pa. (ou peratura de de fus;o; 10.000 cp) a 10QC além do uma te.!!! seu ponto •• • t) a 20QC Ia - suscetível de modelaç;o; Ib - dúro ou, às vezes, quebradiço; Te - de estrutura cristalina ou microcrist~ lina; Id)- translúcido ou opaco; mas nao vidrado; II)se, acima de 40QC, funde, sem se decompor; 111) se, um pouco acima do seu ponto de fus;o,se torna facilmente estirável; IV)se a sua consistência e a sua,soJ.uoilidade dependem muito da temperatura; • v) se se torna brilhante ao friccionado, cendo-se ligeira press;o. Sessões,' exex. 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
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Numero do processo: 11050.000951/87-61
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 1991
Data da publicação: Tue Dec 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Falta - granel liquido - Ácido ortofosfórico - cabível a aplicação
do percentual de 0,5% (meio por cento) de quebra na importação de
do ortofdsfórico, conforme deteminação da IN-SRF 95/84 c/c artigo
483 do R.A.
Numero da decisão: CSRF/03-01.741
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Cons. Ubaldo Campeio Neto, Fausto Freitas de Castro Neto, Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior e Sebastião Rodrigues Cabral, que davam provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE ALVES DA FONSECA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes au- tos de recurso interposto por CRANSTON WOODHEAD S/A - MARÍTIMA E COMERCIAL. ACORDAM os Membros da Cãmara Superior de Recur- sos Fiscais, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatOrio e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Cons. Ubaldo Campeio Neto, Fausto Freitas de Castro Neto, Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior e Sebastião Ro- drigues Cabral, que davam provimento ao recurso. ala .as Szs.Oes (.DF), em 22 de agosto de 1991. MA'I , EJ: - PRESIDENTE :/g/9S AL////DA FONSECA - RELATOR IRAN DE LIMA - PROCURADOR DA FAZENDA NA CrONAL Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei ros: ITAMAR VIEIRA DA COSTA e JOÃO HOLANDA COSTA. • nÉe •I SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N? 110501000.951/87-61 RECURSO N9 : RD/30.1-0.108 ACORDÃON9: CSRFI03-01.741 RECORRENTE: CRANSTON WOODHEAD S/A - MARÍTIMA E COMERCIAL RECORRIDA: PRIMEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES INTERESSADA: FAZENDA NACIONAL RELATÕRIO Recorre ã Ciara Superior de Recursos Fiscais a em- presa em referencia, pleiteando a reforma do acórdão n9301-26.042, de 20.09.89, prolatado pela la. Cãmara do 39 Conselho de Contri- buintes, cujo teor foi assim ementado: "Conferencia Final de Manifesto. Comprovada falta apontada pelo Fisco, inclusive pe- lo relatório de ulagem juntado, nega-se provimento ao recurso." Aponta a recorrente divergência entre o que determi na a decisão acima transcrita e o que consta dos acórdãos números 302-29.246, 302-30.005, 302-29.083, 302-31.117, 302-31.110, 302-31. 10.8, 302-30.046, 303-22.357 e 303-22.277 que reconhecem, alguns, o limite estabelecido pelo I.N.T. como quebra natural, eximindo o transportador de responsabilidade sobre as faltas apuradas ataque le limite. Aceitam, outros, o relatório de ulagem como prova da quantidade trasnportada. Argumenta a requerente que o transportador não pode ser responsabilizado por diferenças apuradas nas mediçOes realiza- das, após a descarga, nos tanques de terra, pois que durante a des carga ocorrem fenômenos fisicos- que concorrem para o surgimento das DAPAEFP/DF- SECOS N2 065/90 \'• 4 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PRQCESSO 1\19 11050J000_.951/87-61 3• Acórdão n9-CSRF/O3-0_1.741 diferenças apuradas a final. Afirma que no caso em tela, o navio trazia a bordo quantidade _hem superior à manifestada. Sendo assim, pede provimento ao recurso. A Fazenda Nacional defende a confirmação do acórdão recorrido, por seus próprios fundamentos. (1, 4 É o relatório. lel 1v1(2. ,) runurn rFnrnAL PROCESSO N9 1105U/000.951/87-61 4. AcOrdão n9-cSRF/03-01.741 VOTO 0 argumento mais forte do contribuinte para pedir o pro vimento do recurso refere-se ao não acatamento do limite estabeleci do pelo Instituto Nacional de Tecnologia-INT. É bom que se observe que quando a Secretaria da Receita Federal baixou a IN-SRF 95/84 ela não agiu discricionariamente. Pa- ra fixar aquele percentual ela consultou a órgãos especializados co o instituto citado pela recorrente, e o percentual de 0,5% ( meio por cento) foi fixado em obediencia ao determinado pelo artigo 483 do RA. Assim sendo, entendo correto o percentual fixado, que além de ter sido determinado pelo órgão competente, representa um sumário de conclusões de vários institutos especializado e não ape- nas de um só. Nego provimento ao recurso. Sala das sessOes, em 22 de- agosto de 1991. Jose Alves da Fonseca Relator. 31•1114 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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