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Numero do processo: 11060.001863/2003-67
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/08/2000 a 31/12/2001
INEXISTÊNCIA DE VÍCIO NO MPF. IMPOSSIBILIDADE DE NULIDADE DA AUTUAÇÃO.
O lançamento do presente processo está em conformidade com o MPF -Mandado de Procedimento Fiscal. E ainda que houvesse algum vício, o MPF não é requisito disposto no art. 142, do CTN, não está incluído no art. 59, do Decreto no 70.235/70, não gerou qualquer prejuízo à contribuinte, além de ser mero instrumento de controle interno da Secretaria da Receita Federal, de modo que seu vício não gera nulidade à autuação.
COMPENSAÇÃO ANTERIOR À LEI Nº 10.833/03. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. POSSIBILIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Antes do advento da Lei nº 10.833/03, a declaração de compensação não era considerada confissão de dívida e instrumento válido para a constituição definitiva do crédito tributário. Assim, quando a compensação não era homologada e não havia o recolhimento voluntário do período indevidamente compensado, a autoridade fazendária tinha o dever de fazer o lançamento de ofício, por determinação do Parágrafo Único, do art. 142, do CTN, combinado com o art. 90, da Medida Provisório nº 2.158-35, de 2001.
PIS FATURAMENTO. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO JULGADA EM REPERCUSSÃO GERAL.
Em apreciação a Recurso Extraordinário com Repercussão Geral reconhecida, o STF julgou inconstitucional a base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, no que amplia o significado do termo faturamento. Assim, o PIS tributado na forma da Lei nº 9.718/98 não incide somente sobre receita originada na venda, na prestação de serviço ou na venda e prestação de serviço.
RETROATIVIDADE BENIGNA. CONDUTA QUE DEIXA DE SER TIDA COMO INFRAÇÃO. CANCELAMENTO DA MULTA.
Cancela-se a multa, em razão da retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II, alínea a, do CTN, quando nova lei revoga norma que considerava infração a conduta que deu origem ao lançamento.
Numero da decisão: 3401-002.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, em dar provimento parcial ao recurso interposto para cancelar as receitas as receitas decorrentes do alargamento da base de cálculo e a multa, por aplicação retroativa do art. 18, da Lei nº 10.833/2003.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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IMPOSSIBILIDADE DE NULIDADE DA AUTUAÇÃO. O lançamento do presente processo está em conformidade com o MPF Mandado de Procedimento Fiscal. E ainda que houvesse algum vício, o MPF não é requisito disposto no art. 142, do CTN, não está incluído no art. 59, do Decreto no 70.235/70, não gerou qualquer prejuízo à contribuinte, além de ser mero instrumento de controle interno da Secretaria da Receita Federal, de modo que seu vício não gera nulidade à autuação. COMPENSAÇÃO ANTERIOR À LEI Nº 10.833/03. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. POSSIBILIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Antes do advento da Lei nº 10.833/03, a declaração de compensação não era considerada confissão de dívida e instrumento válido para a constituição definitiva do crédito tributário. Assim, quando a compensação não era homologada e não havia o recolhimento voluntário do período indevidamente compensado, a autoridade fazendária tinha o dever de fazer o lançamento de ofício, por determinação do Parágrafo Único, do art. 142, do CTN, combinado com o art. 90, da Medida Provisório nº 2.15835, de 2001. PIS FATURAMENTO. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO JULGADA EM REPERCUSSÃO GERAL. Em apreciação a Recurso Extraordinário com Repercussão Geral reconhecida, o STF julgou inconstitucional a base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, no que amplia o significado do termo faturamento. Assim, o PIS tributado na forma da Lei nº AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 18 63 /2 00 3- 67 Fl. 446DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 9.718/98 não incide somente sobre receita originada na venda, na prestação de serviço ou na venda e prestação de serviço. RETROATIVIDADE BENIGNA. CONDUTA QUE DEIXA DE SER TIDA COMO INFRAÇÃO. CANCELAMENTO DA MULTA. Cancelase a multa, em razão da retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II, alínea “a”, do CTN, quando nova lei revoga norma que considerava infração a conduta que deu origem ao lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, em dar provimento parcial ao recurso interposto para cancelar as receitas as receitas decorrentes do alargamento da base de cálculo e a multa, por aplicação retroativa do art. 18, da Lei nº 10.833/2003. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 11060.001863/200367 Acórdão n.º 3401002.291 S3C4T1 Fl. 447 3 Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado em 24/09/2003 (fls.6/8), pelo qual foi exigido o PIS supostamente não recolhido dos fatos geradores ocorridos entre 31/08/2000 e 31/12/2001, acrescido de juros e multa, que culminou no lançamento total de R$ 155.218,03. Segundo consta no relatório de fiscalização (fls.10/14), foi efetuado o lançamento porque a Contribuinte procedeu às compensações indevidas do PIS do período lançado, as quais não foram homologadas. Além disso, a partir de 01/02/1999, ela deixou de recolher o PIS sobre a totalidade de receitas, conforme disposto no art. 3o, §1o, da Lei nº 9.718/98, e continuou recolhendo com base no art. 2o da Lei Complementar nº 70/91. A Autuada apresentou impugnação (fls.181/195), mas a DRJ em Santa Maria/RS manteve o lançamento integralmente ao proferir acórdão com a seguinte ementa (fls.201/208): “PRELIMINAR. NULIDADE. Para efeitos do Processo Administrativo Fiscal, as hipóteses de nulidade são aquelas elencadas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O cerceamento ao direito de defesa somente se caracteriza pela ação ou omissão por parte da autoridade lançadora, que impeça o sujeito passivo de conhecer dados ou fatos que, notoriamente, impossibilitem o exercício de sua defesa. ASSERTIVA. INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de argumentações que se refiram a existência de inconstitucionalidades, essas contidas em leis ou atos, está deferida ao Poder Judiciário, por força do texto constitucional. (...) LANÇAMENTO DE OFICIO. Sujeitamse a lançamento de ofício os valores apurados em decorrência de auditoria fiscal, cabendo à autoridade administrativa constituir o crédito tributário nos termos do art. 142 do CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. CONSECTÁRIOS LEGAIS. O montante de contribuição consignado em auto de infração deve ser exigido com aplicação da multa de ofício e demais consectários previstos na legislação de regência. Lançamento Procedente”. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 16/02/2004 (fl.211) e interpôs Recurso Voluntário em 15/03/2004 (fls.216/247) com as alegações resumidas abaixo: 1 O auto de infração é nulo, pois foi lançado em procedimento que ultrapassou os limites determinados no termo de abertura da ação fiscal, vez que o objetivo da ação era somente verificar a regularidade das compensações; 2 O auto de infração também é nulo, pois a fiscalização procedeu, ilegalmente, à quebra de sigilo bancário; 3 Outro motivo de nulidade do auto de infração consiste na ilegitimidade passiva da Recorrente, pois os fatos narrados pela fiscalização foram realizados por terceiros, vez que se trata de operações em contas bancárias do Sr. Oseas Chiuli; 4 O mero depósito em conta bancária não representa fato gerador passível de lançamento; 5 A caracterização de omissão de receita pelos valores depositados em conta bancária e com entradas em caixa, oriundos de recursos de sócios não procede, pois todos os empréstimos feitos de sócios à Recorrente foram contabilizados; 6 A Redução indevida de lucro real não existiu, pois as despesas lançadas incorretamente foram meros erros de lançamento; 7 As glosas das despesas não comprovadas são indevidas, pois tais despesas realmente aconteceram; 8 A falta de recolhimento do IRPJ e CONSOC ocorreu porque houve prejuízo fiscal no período lançado; 9 Nos autos não há nenhuma evidência da prática de crime tributário; 10 Os créditos utilizados na compensação da Recorrente foram reconhecidos pela autoridade fiscal, contudo a compensação não foi homologada em razão de supostos crimes tributários, os quais não aconteceram. Assim, os créditos reconhecidos devem ser aproveitados para a compensação e extinção do crédito lançado; 11 O PIS foi recolhido conforme a base de cálculo da Lei Complementar nº 70/91, porque a base de cálculo disposta na Lei nº 9.718/98 é inconstitucional. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 11060.001863/200367 Acórdão n.º 3401002.291 S3C4T1 Fl. 448 5 Ao fim, a Recorrente fez os seguintes pedidos: a) Sejam cancelados os créditos tributários lançados; b) Seja julgada válida a contabilidade fiscal da Recorrente; c) Sejam cancelados os juros e multa lançados; d) Seja desconsiderada a alegação de prática de crime contra a ordem tributária. e) Seja modificada a decisão da SAORT, para homologar as compensações legítimas protocoladas. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Pelo auto de infração objeto deste processo, foi lançado em desfavor da Recorrente o PIS não recolhido no período compreendido entre agosto de 2000 e dezembro de 2001. Segundo a autoridade fiscal, o PIS deixou de ser recolhido por dois motivos: compensação não homologada e aplicação indevida da base de cálculo da Lei Complementar nº 9.718/98. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente apresentou várias matérias estranhas a este processo e que foram objeto do processo administrativo nº 11060.001861/200378, o qual teve origem no mesmo procedimento fiscal que resultou no lançamento do PIS ora apreciado. Por essa razão, deixo de apreciar os seguintes argumentos ventilados no recurso: Nulidade do lançamento por quebra ilegal do sigilo bancário; nulidade por ilegitimidade passiva; mero depósito bancário não comprova omissão de receita; empréstimos efetuados pelos sócios à pessoa jurídica; erro no lançamento contábil; existência das despesas não comprovadas; existência de prejuízo fiscal; inocorrência de crime contra a ordem tributária. Portanto, resta a ser apreciado neste processo somente três matérias: nulidade do lançamento em razão da ultrapassagem dos limites dispostos no MPF; extinção do crédito lançado por compensação e correta da base de cálculo do PIS faturamento. 1 Da nulidade do auto de infração. Limites dispostos no MPF. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 6 A Recorrente alega que o MPF autorizava somente a verificação de regularidade das compensações, de modo que o lançamento de ofício ultrapassou os limites nele impostos, de modo a ser nulo o auto de infração. Notase, no termo de verificação fiscal (fl. 01), que o procedimento fiscal deveria apurar COFINS, CSLL, IRPJ, IRRF e PIS. Além disso, notase que consta como verificação obrigatória a “correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela STF, nos últimos cinco anos”. Cabe esclarecer que a indicação de verificação obrigatória não limita os tributos a serem fiscalizados pela autoridade fazendária, pois o Parágrafo Único, do art. 142, do CTN, dispõe que o lançamento é atividade “vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”, de modo que, estando o autoridade fazendária em procedimento fiscal, não pode ela deixar de lançar as irregularidade encontradas. Além disso, ainda que no MPF não tivesse a autorização para verificação do PIS, o auto de infração não seria nulo, pois não gerou nenhum dano à contribuinte, haja vista que ela teve tempo hábil para elaborar sua defesa. Outrossim, os motivos de nulidade do lançamento estão previstos no art. 59, do Decreto no 70.235/72, in verbis: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. O art. 60, também do Decreto no 70.235/72, dispõe o seguinte: “Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”. (grifo nosso) Dessa forma, não existe qualquer nulidade no lançamento. 2 Da não homologação das compensações Para analisar corretamente a presente questão, insta esclarecer que neste tópico será tratado somente o lançamento relativo aos meses de novembro de 2000 (homologado parcialmente) a dezembro de 2001, pois somente os meses compreendidos nesses Fl. 451DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 11060.001863/200367 Acórdão n.º 3401002.291 S3C4T1 Fl. 449 7 períodos não tiveram suas compensações homologadas, conforme tabela anexa no relatório de fiscalização (fl.15). Por outro lado, os lançamentos em relação aos meses de agosto e setembro de 2000 se deram em razão da divergência da base de cálculo, vez que a compensação desses dois meses foi homologada, de modo que o lançamento deles são tratados somente no tópico posterior. No relatório de fiscalização (fls.10/14), consta o seguinte: “O contribuinte também solicitou compensações de débitos da PIS relativos aos períodos de apuração de 11 e 12/00, 01 a 04/01, 07, 08, e 10 a 12/01 com créditos quanto ao IPI sobre insumos adquiridos no período de 01/00 a 12/01 utilizados na fabricação de produtos isentos do referido imposto. Os pedidos de ressarcimento do IPI para a compensação de débitos de PIS foram anexados aos processos administrativos nº 11060.001744/0091,11060.000225/200167, 11060.000544/200172 11060.000844/200151, 11060.001418/200135,11060.001682/200179, 11060.002262/200118, 11060.002506/200154 e 11060.000097/200232 protocolados entre 13/02/01 e 14/01/02, de acordo com as cópias anexas às fls. 67 a 110” Ainda consta no relatório de fiscalização que a Recorrente cometeu práticas que configuram crimes contra a ordem tributária, o que levou à extinção dos seus benefícios fiscais, nos termos do artigo 59, da Lei nº 9.069/95. Com isso as compensações declaradas não foram homologadas. Em consulta à página virtual da Receita Federal do Brasil, este Conselheiro constatou que todos os processos relativos às compensações do PIS dos períodos compreendidos entre novembro de 2000 e dezembro de 2001 foram arquivados, sem que a Recorrente tenha se insurgido contra a não homologação dos créditos. Assim sendo, não cabe mais discutir nos auto do processo ora apreciado se existiu ou não crime contra a ordem tributária ou se existia ou não o direito creditório, pois esse debate deveria ter sido realizado no processo próprio das declarações de compensação. A declaração de compensação passou a ser considerada confissão de dívida somente em 2003, com o advento da Lei nº 10.833/03, que incluiu o §6o, ao art. 74, da Lei nº 9.430/96. Contudo, os processos de compensação são dos anos de 2001 e 2002, conforme é possível notar pelos números dos processos. Logo, na época em que foram apresentadas as declarações de compensação, elas ainda não eram instrumentos hábeis a confessar o crédito e afastar o lançamento de ofício. Como a compensação não foi homologada, ela foi considerada indevida, e não tendo o seu recolhimento, a autoridade fiscal deve efetuar o lançamento de ofício, por força do art. 90, da Medida Provisório nº 2.15835, de 2001, que assim estabelece: Fl. 452DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 8 “Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Portanto, estando o lançamento em consonância com a legislação tributária, deve ele ser mantido. 3 Correta base de cálculo do PIS faturamento Nesse tópico, além dos meses dos fatos geradores tratados no tópico acima, incluemse os fatos geradores ocorridos em agosto e setembro de 2000. Segundo a autoridade fiscal: “o contribuinte deixou de apurar a base de cálculo da PIS a partir de 01/02/99 sobre a totalidade das receitas auferidas, como determina o artigo 3°, § 10 da Lei n°. 9.718/98, tendo mantido a apuração da base de cálculo de acordo com o artigo 2° da Lei Complementar n°. 70/91, ou seja, considerandose como faturamento mensal a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”. Na coluna 10 da tabela do anexo 2 do relatório de fiscalização (fl.16), o agente fiscal destacou o valor lançado em razão da diferença da apuração. A Recorrente, por sua vez, alega que não recolheu em conformidade com a base de cálculo da Lei nº 9.718/98, por considerála inconstitucional. Nesse ponto, tem razão a Recorrente. No período a partir de janeiro de 1999, a lei aplicável ao caso é a nº 9.718/98, cuja base de cálculo era a determinada no art. 2o e art. 3o, da seguinte forma: “Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 453DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 11060.001863/200367 Acórdão n.º 3401002.291 S3C4T1 Fl. 450 9 Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre que o STF, em 10/09/2008, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235, com Repercussão Geral reconhecida, prolatou a seguinte decisão: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RERGQO 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, publicado em 28/11/2008, ) (grifo nosso) Um dos precedentes utilizados pelo Supremo para chegar ao julgamento do RE 585.235 e reconhecêlo na sistemática de repercussão Geral foi o seguinte: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e Fl. 454DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 10 serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 346084, Relator (a): Min. ILMAR GALVÃO, Relator (a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 0109 2006 PP00019 EMENT VOL0224506 PP01170) (grifos nosso) Em suma, o STF julgou que o PIS e a COFINS tributada na forma da Lei nº 9.718/98 incidem somente sobre as receitas oriundas de venda e de prestação de serviço. Portanto, seguindo a linha do STF, devemse cancelar os lançamentos referentes ao PIS sobre as receitas que não sejam originadas em vendas, prestação de serviço ou vendas e serviço, de modo que devem ser excluídos do lançamento os valores presentes na coluna 10, da planilha do anexo 2 do relatório de fiscalização. 3. Da multa e juros A Recorrente pediu o cancelamento dos juros e da multa. A multa de 75%, aplicada ao lançamento em tela está prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Ocorre que o art. 18, da Lei nº 10.833/02, com redação dada também pela Lei nº 11.488/2007, passou a vigorar com a seguinte redação: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”. Assim, como não ficou comprovada a falsidade da declaração apresentada, é o caso de cancelamento da multa de ofício. Devese destacar que, muito embora a nova redação seja posterior à data dos fatos geradores lançados, ela tem aplicação retroativa, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “a”, do CTN. Por outro lado, a aplicação dos juros tem previsão legal no art. 84, inciso I, da Lei nº 8.981/95, combinado com o art. 13, da Lei nº 9.065/65, que está em vigor. Portanto, deve ser cancelada a multa de ofício, mas mantidos os juros. Ex positis, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, para cancelar os lançamentos referentes ao PIS sobre as receitas que não sejam originadas em Fl. 455DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 11060.001863/200367 Acórdão n.º 3401002.291 S3C4T1 Fl. 451 11 vendas, prestação de serviço ou vendas e serviço, bem como cancelar a multa em razão da retroatividade benigna. É como voto. Relator Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 456DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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Numero do processo: 10675.001946/00-14
Data da sessão: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2003
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS
INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SEL1C.
INAPLICABILIDADE.
Não se justifica a correção em processos de
ressarcimento de créditos incentivados, visto não
haver previsão legal. Pela sua característica de
incentivo, o legislador optou por não alargar seu
beneficio.
CRÉDITO PRESUMIDO. PESSOAS FÍSICAS E
COOPERATIVAS. -
A lei não autoriza o ressarcimento referente às
aquisições que não sofreram incidência da
contribuição ao PIS e da Cofins no fornecimento
ao produtor exportador.
Recursos negado.
Numero da decisão: 201-80.928
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso Keramidas, que davam provimento parcial para admitir o crédito sobre insumos adquiridos de
pessoas fisicas e cooperativas e correção pela Selic. Designado o Conselheiro Mauricio Taveira
e Silva para redigir o voto vencedor.
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RESSARCIMENTO. TAXA SEL1C. INAPLICABILIDADE. Não se justifica a correção em processos de ressarcimento de créditos incentivados, visto não haver previsão legal. Pela sua característica de incentivo, o legislador optou por não alargar seu beneficio. CRÉDITO PRESUMIDO. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. - A lei não autoriza o ressarcimento referente às aquisições que não sofreram incidência da contribuição ao PIS e da Cofins no fornecimento • ao produtor exportador. Recuros negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça (Relator) e Fabiola Cassiano MF -SEGUNDO CONSELHO OF CONTRIBUINTES Processo n.° 10675.001946/00-14 COM- ERE COM O Of0G1NAL CCO2/C0 1 Acórdão n.° 201-80.928 Batalha. //V / soe Fls. 302 sano Siape 91745 Keramidas, que davam provimento parcial para admitir o crédito sobre insumos adquiridos de pessoas fisicas e cooperativas e correção pela Selic. Designado o Conselheiro Mauricio Taveira e Silva para redigir o voto vencedor. • : • QM064nia, bitioOr• • °• SE 'A MARIA COELHO MARQUE Presidente URICI SILVA Relator-Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco e Antônio Ricardo Accioly Campos. Ausente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Processo n.° 10675.001946/00-14 MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CCO2/0I Acórdão n.° 201-80.928 CONFERE COMO ORICMAL Fls. 303 Ekasa, _telt C7 _______1242_. SIMcc aSsosa mai: Slave 91745 Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 270/284, vol. II) contra o Acórdão DRJ/POA n2 10-10.165, de 25/10/2006, constante de fls. 259/266 (vol. II), exarado pela 3 1' Turma da DRJ em Porto Alegre - RS, que, por unanimidade de votos, houve por bem indeferir a manifestação de inconformidade de fls. 234/252, mantendo o Despacho Decisório de fls. 228/229 (vol. II) da DRF em Joaçaba - SC e respectiva Informação Fiscal de fls. 222/227 (vol. II), que deferiu parcialmente (pleiteado: R$ 72.798,46; glosado: R$ 52.670,68; deferido: R$ 20.127,78) o pedido de ressarcimento de crédito presumido de 121 de fl. 01 no valor de R$ 72.798,46 (Portaria MF n2 38/97), relativo ao período de janeiro a dezembro de 1998, para, a final, reconhecer à ora recorrente o direito ao crédito de R$ 20.127,78, bem como para homologar parcialmente, até este valor, as eventuais compensações requeridas, observado o disposto na IN SRF n2 460/2004. Nas informações que prestou em razão das diligências realizadas (fls. 222/2227) a d. Fiscalização explicita os motivos da glosa do crédito no valor total de R$ 52.670, justificando-a, nos seguintes termos: "Analisando os documentos apresentados pela empresa, verificamos a utilização de insumos no cálculo do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, maior que o permitido, como passamos a relatar: I. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FISICAS E SOC. COOPERATIVAS A interessada adquiriu parte da matéria prima de pessoas físicas e de Sociedades Cooperativas, que recebem os insumos diretamente de produtores rurais conforme consta na Planilha: Tabela 01 - Aquisições (11s. 107) - (.) Sabemos que as pessoas fisicas e os produtores rurais fornecedores de matérias-primas e produtos intermediários, não são contribuintes do Pis e Cofins, logo não poderiam ser contemplados com os beneficios da Lei n°9.363/96. O art. 2" da IN 103/97 estabelece (grifou-se): 'As matérias-primas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem adquiridos de cooperativas de produtores não geram direito ao crédito presumido'. A IN 23/97, também regulamentando a Lei 9.636, em seu artigo 2°, f 2°, estabelece (gr(ou-se): 'O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2° da Lei n°8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matéria-prima, produto intermediário ou embalagem, na produção de bens exportados, será calculado, exclusivamente, em ,a, 4:ei MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGNAL Processo n.° 10675.001946100-14 CCO2JC0 1 Acórdão n.° 201-80.928 _ a/ (7 12Q-C2f: Fls. 304 SSvb cfg.'3:bosa Mat .à;apie 91745 relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/Pasep e Cotins'. Ainda, só para fins de argumentar, transcrevemos o Acórdão unânime da 42 T do TRF da 52 R - Ag. 32.877-CE - Rel.Juiz Napoleão Maia Filho - DJU 2 02.02.01, p 337- ementa oficial: 'Tributário. Lei 9.363/96. crédito presumido do IPI a título de ressarcimento do PIS/Pasep e da Cofins em produtos adquiridos de pessoas fisicas e/ou rurais que não suportam o pagamento daquelas contribuições. Ausência de fumus boni iuris ao credimento. 1. Tratando-se de ressarcimento de exações suportadas por empresa exportadora, tal como se dá com o beneficio instituído pelo art. 1° da Lei 9.363/96, somente poderá haver crédito respectivo se o encargo houver sido efetivamente suportado pelo contribuinte. 2. Sendo as exações PIS/Pasep e Cofms incidentes apenas sobre as operações com pessoas jurídicas, a aquisição de produtos primários de pessoas fisicas não resulta onerada pela sua cobrança, daí porque impraticável o crédito dos seus valores, sob a forma de ressarcimento, por não ter havido a prévia incidência. 3. Tutela liminar deferida.' Ainda sobre as aquisições de insumos de não contribuintes de PIS e Cofins, o parecer PGFN/CAT/N° 3092/2002, de 27 de setembro de 2002, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, reafirma a posição da Secretaria da Receita Federal, expressa nas Instruções Normativos n° 103 e 23 de 1997, de que somente geram direito ao crédito presumido, os insumos adquiridos de pessoas jurídicas contribuintes da COFINS e PIS. A seguir alguns trechos do parecer supra citado (grifou-se): PARECER PGFN/CAT/N° 3092/2002 27. o art. 1° da Lei n°9.363, de 1996, determina que apenas os tributos 'incidentes' sobre o insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido (e não pelo seu fornecedor) podem ser ressarcidos, conforme o art. 59, caso estes tributos já tenham sido restituídos ao fornecedor dos insumos (o que significa, na prática, que ele não os pagou), tais valores serão abatidos do crédito presumido. 28. Esta interpretação lógica é confirmada por todos os demais dispositivos da Lei n° 9.363, de 1996. De fato, em outras passagens da Lei, percebe-se que o legislador previu formas de controle administrativo do crédito presumido, estipulando ao seu beneficio uma série de obrigações acessórias, que ele não conseguiria cumprir caso o fornecedor do insumo não fosse pessoa jurídica contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS. Como exemplo, reproduz-se o art. 30 da multicitada Lei n°9.363, de 1996: 'Art. 3° Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias- primas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1°, tendo em vista o valor constante da 4w1/4- DO CONSELHODE Processo n.° 10675.001946/00-14 MF SEGUNOCNFERE CCN1 025:;C CONTRIBUINTES INAL CCO2/C01 Acórdão n.°201-60.928 Emala, 4 y 0 v , Aoodr . Fls. 305 SáviorSbosa respectiva nota fiscal de penda Pmítidatre7oW8Predc 1. ^o proc.utor exportador' (Grifos não constantes do original). 29. Ora, como dar efetividade ao disposto acima, quando o produtor/exportador adquirir Sumo de pessoa física, que não é obrigada a emitir nota fiscal e nem paga o PIS/PASEP e a COFINS? Por outro lado, como aferir o valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, que não estão obrigados a manter escrituração contábil? 30. Toda a Lei n° 9.363, de 1996, está direcionada, única e exclusivamente, à hipótese de concessão do crédito presumido quando o fornecedor do insumo é pessoa jurídica contribuinte ao P1S/PASEP e da COFINS. A lógica das suas prescrições milita sempre nesse sentido. Não há qualquer disposição que regule ou preveja, sequer tacitamente, o ressarcimento nas hipóteses em que o fornecedor do insumo não pagou o PIS/PASEP ou a COFINS. 31. Em suma, a Lei n°9,363, de 1996, criou um sistema de concessão e controle do crédito presumido de IPI, cuja premissa é que o fornecedor do insumo adquirido pelo beneficiário do incentivo seja contribuinte do PIS/PASEP e da COF1NS. 46. Em face do exposto, impõe-se a seguinte conclusão: o crédito presumido, de que trata a Lei n° 9.363, de 1996, somente será concedido ao produtor exportador que adquirir insumos de fornecedores que efetivamente pagarem as contribuições instituídas pelas Leis Complementares n°7 e n°8, de 1970, e n°70, de 1991. Portanto, faz-se necessário expurgar do demonstrativo dos custos referente ao 2° trimestre de 2002, o valor das aquisições de Pessoas Físicas e de Cooperativas de R$ 9.581.216,65.' 2. AQUISIÇÕES DE MATERIAIS DE USO /OU CONSUMO. A empresa informou ter utilizado como custo aquisições de pessoas jurídicas de outros materiais como energia elétrica, combustível e lubrificantes, equipamentos de proteção individual, manutenção de máquinas e equipamentos, outros custos intermediários que não integram o produto final, produtos de limpeza e higieniza ção, reposição de peças e uniformes. Tabela 02 - 1°, 2", 3°, 4° Trimestres 1997- Outros Materiais (fls. 108) (.) Os produtos da tabela acima, não são matérias-primas, e nem produtos intermediários, e tampouco guardam qualquer semelhança com tais insumos, e não podem ser utilizados como base de cálculo para o crédito presumido. Geram direito ao crédito . presumido, além dos que se integram ao produto final (matérias-primas e produtos intermediários, 'stricto- sensu s, material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades 4 11 físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o 1:VJ ME • SEGUNDO CONSELHO CE CONTRIBUINTES CONFERE COM O OR nGINAL Processo n.° 10675.001946/00-14 CCOVCO I Acórdão n.° 201-80.928 Etrastia, rcoe Fls. 306 41'1t tta::)0541 Ma: Mas 91745 produto em fabricação, ou vice-versa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face de princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente (Parecer Normativo CST 65/79). Não integram a base de cálculo do crédito presumido na exportação as aquisições de combustíveis e energia elétrica, de vez que não existe previsão legal para tal inclusão, o art. 2° da Lei n° 9.363/96 trata apenas das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, não contemplando outros insumos. A energia elétrica e combustíveis utilizados no processo industrial, poderão ser utilizados no cálculo do crédito presumido alternativamente ao disposto na Lei n° 9.363/96, quando houver a opção pela Lei n°10.276, de 10 de setembro de 2001, regulamentada pelas Instruções Normativos SRF n°69, de 6 de agosto de 2001, e 315, de 03 de abril de 2002. A interessada optou pelo crédito presumido Lei n° 9.363/96, desta maneira, não há previsão legal para utilizar como custo, energia elétrica e combustíveis, mesmo porque o quociente ou fator a ser aplicado à base de cálculo é diferenciado para cada Lei. Tendo em vista as glosas acima, a tabela do cálculo do beneficio de folhas 190/194 deverá ser ajustada como abaixo: (.) Com o ajuste acima, o crédito presumido a ser ressarcido passa de R$ 72.798,46 para R$ 20.127,78, com glosa de R$ 52.670,68 (..). Face ao exposto, concluímos pela procedência do pedido em parte e opinamos pelo DEFERIMENTO do valor de R$ 20.127,78 (.). À Consideração Superior Joaçaba, 10 de JULHO de 2006. Ivaldino Fornari Matrícula 25.612". Por seu turno, a r. Decisão de fls. 259/266 (vol. II), exarada pela 3 2 Turma da DRJ em Porto Alegre - RS, houve por bem indeferir a manifestação de inconformidade de fls. 234/252, mantendo o Despacho Decisório de fls. 228/229 (vol. II) da DRF em Joaçaba - SC, aos fundamentos sintetizados na seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 Ementa: Crédito Presumido de IPI - As compras de produtos, de pessoas físicas e de cooperativas de produtores, ainda que para emprego na industrialização, não se incluem no cálculo do benefício, porque não sofrem a incidência do OfriV PIS e da COFINS. tigk MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° 10675.001946/00-14 CONFERE COM O ORIGINAL CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.928 Braslia, Á V / 0 700,' Fls. 307 SM° St -12153 Si3 i/1745 - Combustíveis e lubrificantes, formulários contínuos, materiais de consumo, de expediente, elétricos, para construção, peças de reposição e manutenção, produtos de limpeza e uniformes dos empregados, ainda que sejam consumidos pelo estabelecimento industrial, não revestem a condição de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, não podendo ser computados, no cálculo do crédito presumido, os gastos com esses itens. - É incabível, por falta de previsão legal, correção monetária ou atualização dos valores pela taxa SELIC, no ressarcimento do crédito presumido do PI Solicitação Indeferida". Nas razões de recurso voluntário (fls. 270/284, vol. II) oportunamente apresentadas a ora recorrente sustenta a insubsistência da r. decisão recorrida, tendo em vista que a redução no valor de seu crédito presumido seria conseqüência de interpretação restritiva da legislação (Lei n2 9.363 e Portaria MF n2 129/97), razão pela qual seriam "legítimos" os _ créditos presumidos de IPI nas aquisições de produtos não tributados pelo IH, assim como aquelas feitas pessoas fisicas e cooperativas, tal como energia elétrica, conforme já assentado na jurisprudência administrativa que cita; e que também seriam legítimos os demais créditos pleiteados em razão de sua incidência na cadeia produtiva, fazendo jus ao crédito, conforme a jurisprudência citada. itth É o Relatório. Processo n.° 10675.001946/00-14 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.928 CONFERE COMO ORIGNAL Fls. 308 Brasília. ét, ico$ SMo SLI‘ Mal: Siape 745 Voto Vencido Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade e, no mérito, merece provimento. Como já assentou o Egrégio STJ, "o beneficio outorgado (.) pela Lei 9.363/96, atinge diretamente as empresas produtoras e exportadoras, consideradas dentro desse contexto também as suas filiais, sob pena de inviabilizar os efeitos pretendidos pelo aludido beneficio, na medida em que apenas uma empresa pode ser diretamente responsável pela operação de exportação, sem a necessidade de que cada uma de suas filiais seja igualmente responsável na referida operação" (cf. Acórdão da 1 5 Turma do STJ no REsp n2 499.935-RS, Reg. n2 2003/0014621-1, em sessão de 03/03/2005, rel. Ministro Francisco Falcão, publ. in DJU de 28/03/2005, pág. 188). Da mesma forma é inquestionável a base de cálculo do crédito presumido do IPI - através do qual se efetua o ressarcimento do PIS e da Cofins incidentes sobre as operações do ciclo de comercialização dos insumos integrantes dos produtos industrializados destinados à exportação -, é o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, integrados no processo de produção do produto final destinado à exportação. Outrossim, no que toca à glosa dos créditos presumidos como ressarcimento das contribuições relativas às aquisições de pessoas fisicas e de sociedades cooperativas, a r. decisão comporta reforma, eis que o direito ao crédito presumido de IPI relativo às aquisições de produtos da atividade rural, matéria-prima e insumos, feitas de pessoas fisicas e cooperativas, que, naturalmente, não são contribuintes diretos do PIS/Pasep e da Cofins, já foi definitivamente reconhecido pela jurisprudência do Egrégio STJ, proclamando que a "IN/SRF 23/97 extrapolou a regra prevista no art. I°, da Lei 9.363/96 ao excluir da base de cálculo do beneficio do crédito presumido do IPT' as referidas aquisições, como se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: "PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO - REMESSA EX OFFICIO: ABRANGÊNCIA - CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI - AQUISIÇÃO DE MATÉRIAS-PRIMAS E INSUMOS DE PESSOA FÍSICA - LEI 9.363/96 E IN/SRF 23/97 - LEGALIDADE. (.) 4. A IN/SRF 23/97 extrapolou a regra prevista no art. 1°, da Lei 9.363/96 ao excluir da base de cálculo do beneficio do crédito presumido do IP! as aquisições, relativamente aos produtos da atividade rural, de matéria-prima e de insumos de pessoas fisicas, que, naturalmente, não são contribuintes diretos do PIS/PASEP e da COFINS. 5.Entendimento que se baseia nas seguintes premissas: a) a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor-exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição; b) o Decreto 1.367/98 N1/4-P<cH - Regulamento do IPI -, posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às 4 4 11i; • MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO croomt. Processo n.° 10675.001946/00-14 CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.928 Brasilia. 14Ç • Fls. 309 SiMa Mat Sapa 91745 aquisições de produtos rurais; c) a base cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 29, sem condicionantes. 6.Regra que tentou resgatar exigência prevista na MP 674/94 quanto à apresentação das guias de recolhimentos das contribuições do PIS e da COFINS, mas que, diante de sua caducidade, não foi renovada pela MP 948/95 e nem na Lei 9.363/96. 7.Precedente da Segunda Turma no REsp 586.392/RN. 8. Recurso especial provido em parte." (cf. Acórdão da 22 Turma do STJ no REsp n2 529.758-SC, Reg. n2 2003/0072619-9, em sessão de 13/12/2005, rel. Min. Eliana Calmon, publ. in DJU de 20/02/2006, p. 268) No mesmo sentido vem decidindo a CSRF, como se pode ver da seguinte e _ elucidativa ementa: "IP1 - CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO - AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS- A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1" da Lei n° 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2° da Lei n° 9.363/96). A lei citada refere-se a 'valor total' e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas tr's 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei n° 9.363, de 13.12.96, ao estabeleceram que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao P1S/PASEP (IN n° 23/97), bem como que as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN n°103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do C7'N) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. (.) Recurso especial provido parcialmente." (cf. Acórdão CSRF/02-01.416 da 22 Turma da CSRF, no Recurso n2 115.731, Processo n2 10980.015233/99-41, rel. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, em sessão de 08/09/2003) Nessa ordem de idéias, parece não haver dúvida de que, tal como proclama a jurisprudência retrocitada, as IN SRF n2s 23/97 e 103/97, invocadas pela d. Fiscalização - assim como todas as que lhe são posteriores (IN SRF n2 103, de 30 de dezembro de 1997, em seu art. 22; a IN SRF n2 69, de 6 de agosto de 2001, no § 22 do art. 52; a IN SRF n2 313, de 3 de abril de 2003, no § r do art. 22; a IN SRF n2 315, também de 3 de abril de 2003, em relação ao regime alternativo previsto pela Lei n2 10.276, de 10 de setembro de 2001, no § 22 do art. 52; a IN SRF n2 419, de 10 de maio de 2004, no § 22 do art. 22; e a INSRF n2 420, também de 10 de maio de 2004, no § 22 do art. 52), contendo disposição restringindo o crédito presumido -„ desbordam da Lei n2 9.363/96, incidindo em violação ao disposto nos arts. 96, 99 e 100 do CTN. 441;1/4.A" MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.* 10675.001946100-14 CONFERE COMO OR!GNAL Carvcoi Acórdão n.° 201-80.928 y topt51 - Fls. 310 SM° abar. a MM.: Sane 91745 Da mesma forma, no que toca à correção monetâna, verifico que a jurisprudência da Colenda CSRF já assentou que, "incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, § 4° da Lei n° 9.250/95, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recurso Fiscais (...), além do que, tendo o Decreto n° 2.138/97 tratado restituição o ressarcimento da mesma maneira, a referida Taxa incidirá, também, sobre e ressarcimento." (cf. Acórdão CSRF/02-01.319 da 22 Turma da CSRF, no Recurso n2 110.145, Processo n2 10945.008245/97-93, rel. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, em sessão de 12/05/2003; cf. também Acórdão CSRF/02-01.949 da 2 2 Turma da CSRF, no Recurso n2 115.973, Processo n2 10508.000263/98-21, rel. Conselheira Josefa Maria Coelho Marques, em sessão de 04/07/2005). Finalmente, no que toca às aquisições de combustíveis e energia elétrica, verifica-se que, não obstante a ressalva de minha convicção pessoal, a r. decisão mostra-se conforme com a jurisprudência deste Egrégio Conselho cristalizada na Súmula n 2 12 e recentemente aprovada em sessão plenária de 18/09/2007, segundo a qual "não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n° 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos wm contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário". Isto posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário para reformar parcialmente a r. decisão recorrida e, na esteira da jurisprudência do STJ e da CSRF, reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições relativas às aquisições de pessoas fisicas e de sociedades cooperativas, incidindo a taxa Selic sobre o referido ressarcimento tal como pacificamente reconhecido pela jurisprudência da Colenda CSRF. É como voto. Sala das Sessões, em 13 de fevereiro de 2008. ali OW1 CIA) tegd:dr FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA MF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° 10675.001946/00-14 CONFERE COM O 0.1,2,NAL CCO2/C0 I Acórdão n.° 201-80.926 &ateia. ___Ity/ /7 I ZOCS Fls. 311 smose(5- atou Mal Supe 91745 Voto Vencedor Conselheiro MAURÍCIO TAVEIRA E SILVA, Relator-Designado Ouso divergir da tese sustentada pelo ilustre Relator Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça. Quanto à possibilidade de aplicação da taxa Selic ao ressarcimento de créditos de IPI, não há como prosperar o argumento de aplicação analógica àquela prevista no art. 39, § 42, da Lei n2 9.250/95, que trata de restituição, dada a natureza distinta dos institutos, conforme se demonstrará. No contexto de uma economia estabilizada e desindexada inaugurada pós Plano Real, não há como invocar princípios da isonomia, finalidade ou pela repulsa ao enriquecimento sem causa para aplicar, por analogia, a taxa Selic ao ressarcimento de créditos incentivados de IPI. A incidência da taxa Selic prevista no art. 39, § 4 2, da Lei nst 9.250/95, sobre os indébitos tributários, a partir do pagamento indevido, decorre do justo tratamento isonômico para com os créditos da Fazenda Pública e aqueles dos contribuintes, decorrentes de pagamento de tributo, indevido ou a maior. Não há como equiparar a situação originária de um indébito com valores a serem ressarcidos oriundos de créditos incentivados de IPI. Neste caso não houve ingresso indevido de valores nos cofres públicos, mas, sim, renúncia fiscal com o propósito de estimular setores da economia, cuja concessão deve se subsumir estritamente aos termos e condições estipulados pelo poder concedente, responsável pela outorga de recursos públicos a particulares. Portanto, por se tratar de situação excepcional de concessão de beneficio, não cabe ao intérprete ir além do que nela foi estipulado. Outro argumento para desqualificar o uso da taxa Selic como fator de correção decorre de sua finalidade precipua de instrumento de política monetária. Neste diapasão, visando defender a economia nacional de choques e contingências internas e externas, além de ser importante instrumento de combate à inflação, teve portanto, evolução muito superior a qualquer índice inflacionário. Desse modo, mesmo que se desconsiderasse a prevalência da desindexação da economia e se corrigisse esse crédito decorrente de incentivo, o seu ganho seria substancialmente mais elevado do que sua correção por um índice inflacionário, gerando a concessão de um duplo beneficio, repise-se, não autorizado pelo legislador. Quanto às aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas e a interpretação do beneficio trazido pela Lei n2 9.363/96, também o entendimento diverge daquele apresentado pelo ilustre Relator, consoante os argumentos que se seguem. A norma instituidora do beneficio tem a natureza incentivadora que a ordem jurídica considera conveniente estimular. O incentivo em questão consiste em um crédito fiscal concedido pela Fazenda Nacional em função do valor das aquisições de insumos aplicados em 0 peio ,; I MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL • Processo n.° 10675.001946/00-14 Brasília, gy, arg • CCO2/C01Acórdão n.° 201-80.928 - Fls. 312 Mai: slapa 91745 produtos exportados. Tem por finalidade permitir maior competitividade desses produtos no mercado externo. A fruição deste incentivo fiscal deve, destarte, ser analisada nos estritos termos do art. 1 2 da MP n2 948/95, posteriormente convertida na Lei n2 9.363/96. Para melhor análise, transcreve-se o referido artigo: "Art. r - O produtor exportador de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares números 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para a utilização no processo produtivo." (Grifei) O legislador estabeleceu que o incentivo fiscal deve ser concedido como ressarcimento da contribuição ao PIS e da Cotins. A empresa produtora exportadora paga o tributo embutido no preço de aquisição do insumo e recebe, posteriormente, a restituição da quantia desembolsada, mediante compensação do crédito presumido. Portanto, o crédito presumido é uma forma de compensação pelos tributos pagos na etapa anterior, tanto que a própria lei o tratou como ressarcimento de contribuições. O ressarcimento de créditos por valores estimados, tratamento empregado pelo legislador na concessão de incentivos, visa facilitar os mecanismos de execução e controle. O crédito presumido é uma forma de compensação pelos tributos pagos na etapa anterior. Nesse diapasão, verifica-se que o artigo 1 2 restringe o beneficio ao "ressarcimento de contribuições ... incidentes nas respectivas aquisições". No presente caso os insumos adquiridos pela recorrente de pessoas físicas e de cooperativas não sofreram a incidência de contribuição e, portanto, não há como haver o ressarcimento previsto na norma. Se em alguma etapa anterior houve o pagamento de contribuição ao PIS e de Cotins, o ressarcimento, tal como foi concebido, não alcança esse pagamento especifico. Estar-se-ia concedendo o ressarcimento de contribuições "incidentes" sobre aquisições de terceiros que compõem a cadeia comercial do produto e não das respectivas aquisições do produtor e exportador previstas no artigo 12. O estimulo concedido foi materializado como crédito presumido calculado sobre o valor das notas fiscais de aquisição de insumos de contribuintes sujeitos às referidas contribuições sociais. Instituir uma sistemática que permitisse o crédito de todo o valor dos tributos/contribuições, que, direta ou indiretamente, houvesse onerado o produto exportado, é tarefa complexa e de muito dificil controle, pela qual não optou o legislador. Esse entendimento é reforçado através do que dispõe o art. 5 2 da Lei n2 9.363/96, abaixo transcrito, o qual prevê o imediato estorno a ser promovido pelo produtor exportador, quando o seu fornecedor se beneficiar, através de restituição ou compensação, da contribuição que havia sido paga: ItItk" MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL • Processo n.° 10675.001946/00-14 cCO2/C01 Acórdão n.* 201-80.928 Brasília, rtzifr/ Fls. 313 Shio ar!~ Mat.: Sapo 41745 "Art. 52 A eventual restituição, ao fornecedor, das importáncias recolhidas em pagamento das contribuições referidas no art. 1, bem assim a compensação mediante crédito, implica imediato estorno, pelo produtor exportador, do valor correspondente." Conforme se verifica, a despeito de que a lei isentiva deva ser interpretada literalmente, conforme preceitua o art. 111 do CTN, e no caso presente não haver qualquer resquício autorizativo de utilização dos insumos adquiridos de pessoas fisicas e de cooperativas, nos quais não ocorreu a incidência da contribuição em sua última etapa, ainda que a interpretássemos de modo sistêmico, o resultado seria o mesmo, ou seja, não há previsão para tal beneficio. Alargar as hipóteses de fruição de tal beneficio equivale a criar regra jurídica nova. Portanto, não foi a IN SRF n 2 23/97 que limitou a utilização dos créditos, e sim a própria Lei n2 9.363/96, instituidora do beneficio. Desse modo, conforme demonstrado, quanto aos insumos adquiridos de pessoas fisicas e de cooperativas, não há o que ressarcir, uma vez que os fornecedores não são contribuintes das referidas contribuições. Isto posto, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 13 de fevereiro de 2008. MAURICIO TAVEI VA Page 1 _0041300.PDF Page 1 _0041500.PDF Page 1 _0041700.PDF Page 1 _0041900.PDF Page 1 _0042100.PDF Page 1 _0042300.PDF Page 1 _0042500.PDF Page 1 _0042700.PDF Page 1 _0042900.PDF Page 1 _0043100.PDF Page 1 _0043300.PDF Page 1 _0043500.PDF Page 1
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Numero do processo: 14041.000881/2005-18
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2002
NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. NÃO CONHECIMENTO.
Com arrimo no artigo 7°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, vigente à época, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, fundamentado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência argüida entre o Acórdão recorrido e o paradigma. Mais especificamente, no caso de multa isolada relativo ao IRPF, pela falta de recolhimento mensal a titulo de camê-leão (artigo 44, § 1°, inciso III, da Lei
n° 9.430/96), não se presta como paradigma o Acórdão que contempla a multa isolada inscrita no inciso IV daquele dispositivo legal, concernente a sistemática de recolhimento mensal da CSLL, com base no regime de estimativa, conforme precedentes do Pleno desta Egrégia Câmara Superior de
Recursos Fiscais.
IRPF. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR NACIONAIS JUNTO À UNESCO/ONU. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. MATÉRIA SUMULADA. De conformidade com a jurisprudência consolidada neste Colegiado, inclusive objeto de Súmula, a qual é de observância obrigatória pelos julgadores administrativos, sujeitam-se à tributação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física os rendimentos pagos por Organismos Internacionais, em face de prestação de serviços por nacionais, contratados no Pais, mas sem vinculo empregatício.
Recurso especial do Contribuinte negado e da Fazenda Nacioanal não conhecido.
Numero da decisão: 9202-000.696
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso interposto pela contribuinte. Por maioria de votos, em não conhecer do recurso interposto pela Fazenda Nacional Vencidos os conselheiros Julio César Vieira Gomes e Carlos Alberto Freitas Barreto que conheciam do recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2002 NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo no artigo 7°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, vigente à época, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, fundamentado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência argüida entre o Acórdão recorrido e o paradigma. Mais especificamente, no caso de multa isolada relativo ao IRPF, pela falta de recolhimento mensal a titulo de camê-leão (artigo 44, § 1°, inciso III, da Lei n° 9.430/96), não se presta como paradigma o Acórdão que contempla a multa isolada inscrita no inciso IV daquele dispositivo legal, concernente a sistemática de recolhimento mensal da CSLL, com base no regime de estimativa, conforme precedentes do Pleno desta Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais. IRPF. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR NACIONAIS JUNTO À UNESCO/ONU. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. MATÉRIA SUMULADA. De conformidade com a jurisprudência consolidada neste Colegiado, inclusive objeto de Súmula, a qual é de observância obrigatória pelos julgadores administrativos, sujeitam-se à tributação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física os rendimentos pagos por Organismos Internacionais, em face de prestação de serviços por nacionais, contratados no Pais, mas sem vinculo empregatício. Recurso especial do Contribuinte negado e da Fazenda Nacioanal não conhecido.
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RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo no artigo 7°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, vigente à época, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, fundamentado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência argüida entre o Acórdão recorrido e o paradigma. Mais especificamente, no caso de multa isolada relativo ao IRPF, pela falta de recolhimento mensal a titulo de camê-leão (artigo 44, § 1°, inciso III, da Lei n° 9.430/96), não se presta como paradigma o Acórdão que contempla a multa isolada inscrita no inciso IV daquele dispositivo legal, concernente a sistemática de recolhimento mensal da CSLL, com base no regime de estimativa, conforme precedentes do Pleno desta Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais. IRPF. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR NACIONAIS JUNTO À UNESCO/ONU. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. MATÉRIA SUMULADA. De conformidade com a jurisprudência consolidada neste Colegiado, inclusive objeto de Súmula, a qual é de observância obrigatória pelos julgadores administrativos, sujeitam-se à tributação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física os rendimentos pagos por Organismos Internacionais, em face de prestação de serviços por nacionais, contratados no Pais, mas sem vinculo empregati cio. Recurso especial do Contribuinte negado e da Fazenda Nacioanal não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso interposto pela contribuinte. Por maioria de votos, em não conhecer do recurso interposto pela Fazenda Nacion. i . Vencidos o conselheiros Julio César Vieira Gomes e Carlos Alberto Freitas Barreto que co leciam do rec irso. 21, CARLOS A ER 11 • EITAS B RRETO- Presidente -"" RY C A O etRIQU MAGAL ÁE DE OLIVEIRA — Relator EDITADO EM 1 4 MAIO 2010 Particip am, ao presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Sus Genes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório INOCÊNCIA MARIA PARIZI NEGRÃO, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 16/11/2005, exigindo-lhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física - IRPF, incidente sobre os rendimentos recebidos de Fontes no Exterior (UNESCO/ONU), bem como multa exigida isoladamente pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de Carnê-Leão, em relação ao exercício 2003, ano-calendário 2002, conforme peça inaugural do feito, às fls. 47/61, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao Primeiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 3' Tumia da DRJ em Brasília/DF, consubstanciada no Acórdão n° 16.616/2006, às fls. 85/96, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2 Câmara, em 26/01/2007, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão n° 102- 48.222, sintetizados na seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF Ano-calendário: 2002 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD - TRIBUTAÇÃO — São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto ao Programa das 2 Processo n° 14041.000881/2005-18 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.696 Fl. 2 Nações Unidas para o Desenvolvimento — PNUD, quando recebidos por nacionais contratados no Pais, por faltar-lhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária. (Acórdão CSRF 04-00.024 de 21/04/2005). MULTA ISOLADA E MULTA DE OFICIO - CONCOMITÂNCIA - MESMA BASE DE CALULO - A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legitima quando incide sobre uma mesma base de cálculo (Acórdão CSRF n° 01-04.987 de 15/06/2004). Recurso parcialmente provido." Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 140/147, com arrimo no artigo 5°, inciso II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 55/1998, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurge-se contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão n° 101-94.858, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada a divergência argüida. Sustenta que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, na medida em que considera legitima a aplicação cumulativa de duas multas de oficio, não se cogitando em bis in idem, eis que, apesar de incidirem sobre a mesma base de cálculo, decorrem de infrações diversas. Em defesa de sua pretensão, assevera que o acórdão recorrido considera que a multa de oficio e a denominada multa isolada prevista no art. 44, parág. ún., inc. III da Lei 9.430/96 decorrem de infrações idênticas, pois ambas visam penalizar o contribuinte pela omissão de rendimentos. Em outra via, o acórdão paradigma detennina que enquanto a multa de oficio tem a finalidade de penalizar o contribuinte que omite rendimentos, a denominada multa isolada contemplada no artigo 44, § 1 0, inciso IV, da Lei n° 9.430/96, objetiva penalizar o contribuinte que não cumpre a sistemática de recolhimento mensal da CSLL, com base no regime de estimativa. Infere que a multa insculpida no inciso III, do parágrafo 1 0, artigo 44, da Lei n° 9.430/96, objeto da presente discussão, e aquele prevista no inciso IV do mesmo dispositivo legal, de que trata o acórdão paradigma, possuem a mesma natureza jurídica, visando penalizar o contribuinte que deixa de antecipar, mês a mês, o recolhimento do tributo, corroborando a divergência suscitada pela recorrente. Contrapõe-se ao entendimento inserido no Acórdão recorrido, aduzindo para tanto que não há óbice legal para aplicação ao contribuinte omisso, diante de duas infrações tributárias diversas, de duas penalidades que possuam a mesma base de cálculo, ao contrário do que restou decidido pela Câmara a quo, não havendo que se falar em bis in idem, confisco ou excesso punitivo na hipótese dos autos. \\\1V 3 Alega que a Câmara recorrida, ao afastar a aplicação da multa isolada, criou nova hipótese de dispensa de multa não prevista na legislação de regência, em total afronta aos preceitos inscritos no artigo 97, inciso VI, do Código Tributário Nacional. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da então 2a Câmara do 1° Conselho, entendeu por bem admitir o Recurso Especial do Procurador, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes a propósito da mesma matéria, qual seja, aplicação de multas de oficio e isolada cumulativamente sobre base de cálculo idêntica, conforme Despacho n° 102-0.263/2007, às fls. 166/168. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial do Procurador, a contribuinte ofereceu suas contrarrazões, às fls. 171/175, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. Igualmente, a contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência, às fls. 182/200, com arrimo no artigo 7°, inciso II, § 5°, do então RICSRF, contra parte do Acórdão ora guerreado, mais precisamente em relação à incidência de IRPF sobre os rendimentos recebidos de Fontes no Exterior (UNESCO/ONU), reiterando as razões de fato e de direito esposadas em seu recurso voluntário, adotando como paradigmas os Acórdãos n's 104-16.708 e 104-19.543, além de outras decisões da então Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, de maneira a comprovar a divergência pretendida. Levado, o Recurso Especial de Divergência da contribuinte, à análise da observância dos pressupostos de admissibilidade, o nobre Presidente da então 2' Câmara do 1° Conselho, vislumbrou divergência argüida, dando seguimento ao recurso da autuada, relativamente à tributação dos rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto à ONU, nos termos do Despacho n° 484/2008, às fls. 253/254, razão pela qual a Fazenda Nacional fora intimada para apresentar suas contrarrazões, assim o tendo feito, às fls. 259/274, requerendo o improvimento do recurso especial da contribuinte, com a conseqüente manutenção do Acórdão atacado. É o relatório. 4 Processo n° 14041.000881/2005-18 CSRF-T2 . Acórdão n.° 9202-00.696 Fl. 3 Voto Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, Relator RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL Com a devida vênia a ilustre então Presidente da 2 Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, ouso divergir do despacho que deu seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por não vislumbrar na hipótese vertente requisito regimental amparando a pretensão da recorrente, não merecendo ser conhecida sua peça recursal, como passaremos a demonstrar. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a Procuradoria a reforma do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões dos Conselhos de Contribuintes, mais precisamente Acórdão n° 101-94.858, impondo seja conhecido sua peça recursal. A fazer prevalecer seu entendimento, defende que a multa insculpida no inciso III, do parágrafo 1°, artigo 44, da Lei n° 9.430/96, objeto de presente discussão, e aquela prevista no inciso W do mesmo dispositivo legal, de que trata o acórdão paradigma, possuem a mesma natureza jurídica, visando penalizar o contribuinte que deixa de antecipar, mês a mês, o recolhimento do tributo. Não obstante o esforço da nobre representante da Fazenda Nacional, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da análise dos elementos que instruem o processo, constata-se que a recorrente não logrou comprovar a divergência argüida, na foinia que os dispositivos regimentos determinam, capazes de ensejar o conhecimento de seu Recurso Especial. Com efeito, enquanto o Acórdão recorrido contempla (afastou) a multa isolada, exigida cumulativamente com a multa de oficio, em razão de a contribuinte ter deixado de recolher o IRPF a título de camê-leão, mensalmente, na forma do artigo 44, § 1 0, inciso III, da Lei n° 9.430/96, o decisum adotado como paradigma entendeu aplicável tais multas (oficio e isolada) no caso de não cumprimento pelo contribuinte da sistemática de recolhimento mensal da CSLL, com base no regime de estimativa, nos tennos do inciso IV, daquela nolina legal. Vê-se, pois, que são situações diferentes, embasadas em fundamentos legais diversos, não podendo se confundir ambas para efeito de comprovação de divergência jurisprudencial, com o fito de conhecimento do presente Recurso Especial. Aliás, essa Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou em diversas ocasiões a propósito da matéria, decidindo pelo não conhecimento do Recurso Especial de Divergência na hipótese de o paradigma não tratar do mesmo tema, com dispositivos legais diversos, conforme se extrai do excerto do .voto do ilustro Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes de Silva, exarado nos autos do processo n° 11020.001014/2003-80, Recurso n° 102-141017, o qual peço vênia para transcrever, in verbis: 5 " [...] Assim, quanto à divergência necessária à admissibilidade do recurso, passo a confrontar a decisão recorrida e o acórdão paradigma: Decisão recorrida Acórdão paradigma MULTA ISOLADA E MULTA DE MULTA DE OFÍCIO ISOLADA — FALTA DE OFÍCIO - CONCOMITÂNCIA — RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA — Cabível a aplicação de multa de oficio aplicada isoladamente, na MESMA BASE DE CÁLULO - A falta de recolhimento da CSLL com base na estimativa aplicação concomitante da multa isolada dos valores devidos, por expressa previsão legal. e da multa de oficio não é legitima • quando incide sobre uma mesma base de MULTA DE OFÍCIO — MESMA BASE DE CÁLCULO — APLICAÇÃO EM DUPLICIDADE — O cálculo (Acórdão CSRF n° 01-04.987 de lançamento de duas multas de oficio, sobre a mesma 15/06/2004). base de cálculo, é possível, visto tratar-se de duas infrações à lei tributária, tendo por conseqüência a Recurso Parcialmente provido, aplicação de duas penalidades distintas. Recurso voluntário não provido. Fixado a matéria do acórdão recorrido e o acórdão divergente, observo que o artigo 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Medida Provisória 351, de 27 de janeiro de 2007, que foi convertida na Lei n° 11.488, de 15/06/2007, dispõe "in verbis": Lei n° 9.430, de 1996. • Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15.06.2007, DOU 15.06.2007 - Ed. Extra, conversão da Medida Provisória n°351, de 22.01.2007, DOU 22.01.2007 - Ed. Extra) •••• - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada ao inciso pela Lei n°11.488, de 15.06.2007, DOU 15.06.2007 - Ed. Extra, conversão da Medida Provisória n° 351, de 22.01.2007, DOU 22.01.2007 - Ed. Extra). Esta Câmara Superior de Recursos Fiscais tem por competência preciptia apreciar divergência jurisprudencial quanto à aplicação de norma. Assim, para este relator, ainda que a matéria fática, no acórdão recorrido, verse sobre omissão de rendimentos recebidos de alugueis e no acórdão paradigma sobre a CSLL, o que se discute neste recurso é se a multa isolada, de que trata o artigo 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, pode ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio, 6 Processo n° 14041.000881/2005-18 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.696 Fl. 4 incidindo sobre a mesma base de cálculo. Assim, ao meu sentir, o que se discute neste recurso não é matéria fática, mas sim jurídica, razão pela qual entendo que o recurso merecesse ser admitido. Em que pese meu entendimento pessoal, ao apreciar esta matéria, na forma regimental, em sessão que se realizou no dia 04 de agosto de 2008, no exame dos recursos de n°106-149655; 106-149656; 106-149857; 106-149859; 106-149680 e 106- 150058, por maioria de votos, decidiu o colegiado que o acórdão que exigiu multa isolada, de forma concomitante com a multa de oficio, cuja matéria fática era a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, não serve de paradigma para acórdão que não exigiu multa isolada, de forma concomitante com a multa de oficio, cuja matéria fática não seja a CSLL Além das decisões administrativas acima referida, matéria referente à admissibilidade de recurso especial, só que relacionada à prestação de serviços a organismos internacionais foi objeto de apreciação pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais que no Recurso Especial n° 106-132169, na sessão de 15/10/2008, deliberou por não conhecer do recurso. Em síntese, deliberou o plenário que a divergência deve estar relacionada à matéria fática idêntica. No caso dos autos o acórdão paradigma trata de CSLL e o acórdão guerreado versa sobre IRPF, razão pela qual não há identidade de matéria fática. Com tais considerações, tendo em vista a jurisprudência majoritária da CSRF, cujo voto divergente é apenas deste relator, ressalvo o meu ponto de vista, não conheço do recurso. [...] " Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 2° Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado, mormente em relação os requisitos de admissibilidade de seu recurso. Por todo o exposto, estando o Recurso Especial da Procuradoria em dissonância com as normas regimentais, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECE-LO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pela ilustre Presidente da Câmara recorrida a divergência suscitada, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a contribuinte a refoima do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões das demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes a respeito da mesma matéria. 7 A corroborar seu pleito, infere que os entendimentos consubstanciados nos Acórdãos adotados como paradigmas oferecem proteção ao requerimento da contribuinte, uma vez que afastaram a tributação dos valores recebidos por serviços prestados em território brasileiro a organismo internacional (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura — UNESCO/ONU), declarados como rendimentos isentos, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão quanto a possibilidade de tributação dos rendimentos pagos por "Organismos Internacionais, em face de prestação de serviços por nacionais, contratados no País, mas sem vinculo empregaticio". Consoante se depreende dos elementos que instruem o processo, conclui-se que a pretensão da contribuinte não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a propósito do tema, confrontando com a farta e mansa jurisprudência administrativa, como passaremos a demonstrar. Ocorre que, posteriormente à interposição do Recurso Especial da contribuinte e, bem assim, do despacho que o admitiu, após muita discussão a propósito da matéria, o Pleno da CSRF, em Sessão realizada em 08/12/2009, afastou de uma vez por todas qualquer dúvida quanto ao tema, considerando que os valores em comento devem ser submetidos à tributação do IRPF, conforme se extrai da Súmula aprovada nos seguintes teunos: " Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física." Na esteira desse entendimento, despiciendas maiores elucubrações quanto ao tema, tendo em vista que a jurisprudência consolidada nesta Egrégio Conselho oferece guarida ao pleito da Fazenda Nacional, inclusive com aprovação de Súmula. E, segundo o artigo 72, § 4 ° do Regimento Interno do CARF, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho, inexistindo razão para maiores discussões nos presentes autos. Diante n kas razões de fato e de direito encimadas, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RE RSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE E NEGAR-LHE PROVIMENTO, mantendi a tributação dos rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto à UNESCO/ONU. ^ OCIffailk 'RyC'a rdo 'que Magalhães de Oliveira - Relator 1• 8
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Numero do processo: 10380.006550/2007-43
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/2006
CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE REMUNERAÇÃO DE AVULSO
A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos avulsos que lhe prestam serviços por intermédio de entidades sindicais.
AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO
Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, § 3º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social.
As guias de recolhimento, GPS, e as GFIPs, apresentadas na impugnação para comprovar as alegações do contribuinte prescindem de autenticação, por se tratarem de documentos constantes nos sistemas informatizados da Previdência Social.
O valor comprovadamente pago pela recorrente, por meio dos documentos citados, deverá ser deduzido do montante lançado, sob pena de se retirar do crédito o atributo de certeza e liquidez, necessário à garantia de uma futura execução fiscal.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente para os fatos geradores ocorridos até 11/2008, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza.
Numero da decisão: 2301-003.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir do débito os valores apontados pela fiscalização no despacho de fls. 1.041, do processo, nos termos do voto da Relatora; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
Leonardo Henrique Pires Lopes - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antônio de Souza, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/2006 CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE REMUNERAÇÃO DE AVULSO A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos avulsos que lhe prestam serviços por intermédio de entidades sindicais. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, § 3º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social. As guias de recolhimento, GPS, e as GFIPs, apresentadas na impugnação para comprovar as alegações do contribuinte prescindem de autenticação, por se tratarem de documentos constantes nos sistemas informatizados da Previdência Social. O valor comprovadamente pago pela recorrente, por meio dos documentos citados, deverá ser deduzido do montante lançado, sob pena de se retirar do crédito o atributo de certeza e liquidez, necessário à garantia de uma futura execução fiscal. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente para os fatos geradores ocorridos até 11/2008, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza.
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DE ALIMENTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/2006 CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE REMUNERAÇÃO DE AVULSO A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos avulsos que lhe prestam serviços por intermédio de entidades sindicais. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, § 3º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social. As guias de recolhimento, GPS, e as GFIPs, apresentadas na impugnação para comprovar as alegações do contribuinte prescindem de autenticação, por se tratarem de documentos constantes nos sistemas informatizados da Previdência Social. O valor comprovadamente pago pela recorrente, por meio dos documentos citados, deverá ser deduzido do montante lançado, sob pena de se retirar do crédito o atributo de certeza e liquidez, necessário à garantia de uma futura execução fiscal. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 65 50 /2 00 7- 43 Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente para os fatos geradores ocorridos até 11/2008, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir do débito os valores apontados pela fiscalização no despacho de fls. 1.041, do processo, nos termos do voto da Relatora; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. Leonardo Henrique Pires Lopes Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antônio de Souza, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10380.006550/200743 Acórdão n.º 2301003.325 S2C3T1 Fl. 1.138 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte dos segurados, à da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros. Consta do Relatório Fiscal da NFLD (fls. 89), que o fato gerador das contribuições lançadas foi o pagamento aos trabalhadores avulsos por intermédio dos sindicatos. Segundo a autoridade autuante, a empresa apresentou recibos de mãodeobra e recolhimentos correspondentes a apenas parte dos pagamentos identificados na contabilidade, restando várias contraprestações sem a devida comprovação, pela contratante, do recolhimento das contribuições previdenciárias concernentes. Informa que as remunerações dos avulsos foram aferidas com fundamento no § 3o, do art. 33, da Lei 8.212/91, uma vez que a empresa, apesar de intimada, não apresentou os esclarecimentos e alguns documentos relativos à totalidade dos pagamentos contabilizados, tendo sido tomado como base de cálculo da contribuição previdenciária os valores brutos repassados aos sindicatos de avulso, registrados nos livros contábeis. A recorrente apresentou defesa e, de sua análise, o processo foi convertido em diligência, nos termos do despacho de fls.1.038, resultando na Informação Fiscal de fls.1.041, por meio do qual a autoridade lançadora conclui pela necessidade de retificação do débito. Cientificada do resultado da diligência fiscal, a recorrente não se manifestou, e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1516.615, da 5a Turma da DRJ/SDR, (fls. 1.075), julgou o lançamento procedente em parte, excluindo, do débito, por decadência, os valores lançados até 08/2001, inclusive, com a aplicação da regra contida no art. 150, § 4o, do CTN, e rejeitando o parecer retificador da fiscalização, alegando que “a referida documentação foi juntada ao processo sem que se promovesse a devida autenticação, sendo por esta razão imprestável para comprovação do fato”. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 1.115), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, insiste na nulidade do lançamento, alegando erro na identificação do fato gerador, citando o art. 114 do CTN, e argumentando que não se pode incluir, na base de cálculo da contribuição previdenciária, outros valores pagos que não sejam remuneração. Reafirma que foram incluídos valores pagos a título de remuneração dos próprios sindicatos, o que não se relaciona à mão de obra, conforme expressamente admitido pelos autuantes, à fl. 02, do Refisc, consignando que outros valores alheios ao fato descrito como imponível foram arrolados como base de cálculo. Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 Reportase à Diligência Fiscal para demonstrar que apenas 55% do valor bruto pagos constitui base de cálculo das contribuições mencionadas na NFLD, sendo que 45% do valor pago e contabilizado não se refere a mão de obra contratada, mas sim, a remuneração dos serviços do próprio Sindicato. Assevera que a assunção consciente, pela autoridade autuante, de que na base de cálculo eleita estão incluídas despesas de pagamentos pelos serviços dos sindicatos, elemento estranho à previsão legal impositiva, demonstra que o quantum apurado do suposto tributo devido é claramente insubsistente e inservível, sendo de rigor o reconhecimento da nulidade, pois é indiscutível que a NFLD padece do vício de motivação, posto que se sustenta de fato equivocado, à luz dos próprios documentos acostados aos autos e das declarações dos próprios autuantes. No mérito, destaca que a própria fiscalização, por meio de diligência requerida pelo próprio órgão julgador, reconheceu que vários dos créditos tributários lançados já haviam sido recolhidos ou foram alvo de outros lançamentos inerentes a diferença entre valores informados na GFIP e GPS, sendo que a autoridade lançadora propôs que tais valores fossem excluídos do lançamento. Ressalta que, apesar de 45,1% do total do lançamento ter sido reconhecido pela fiscalização como indevidamente lançados, a DRJ/SDR, desprezando o fatos documentados, optou por manter tais lançamentos, não por falta de fundamento nas afirmações da autoridade autuante, mas porque os documentos acostados na impugnação não estavam autenticados Entende que tal exigência formal da DRJ não pode prosperar, pois visa a impor obrigação reconhecidamente já cumprida ou cobrada por meio de outro lançamento, conforme afirmado pela própria fiscalização, e afronta os princípios da Economia Processual e da verdade material, que se sobrepõe ao do formalismo excessivo, impondo um ônus indevido ao contribuinte. Observa que os documentos acostados à impugnação, cuja força probante foi questionada pela DRJ/SDR, são GPS e GFIP, ou seja, são documentos que lastreiam dados e fatos de conhecimento da Fazenda Pública, sendo um formalismo completamente desnecessário as autenticidades requeridas, e registra que a negativa pelo julgador da validade dos documentos reconhecidos pela fiscalização não foi fundamentada em qualquer disposição de lei que exigisse tal autenticação. Cita os §§ 2o e 3o, do art. 22, da Lei 9.784/99, que consagra o regime da informalidade na juntada de documentos, observando que a própria autoridade pública pode autenticar os documentos que receber no processo administrativo. Reitera que é inequívoca preterição do direito de defesa imputar ao contribuinte determinado fato como imponível da tributação pretendida e, ao fazer o cômputo do mesmo através dos anexos do auto de infração e seu relatório, descrever outros fatos que não se coadunam com aqueles tido como motivadores da infração. Entende que restou evidente que a r. decisão deixou de apreciar um argumento de fundamental importância para a validade dos lançamentos ora impugnados, qual seja, o fato dos autuantes terem incluso, no cômputo de parcela dos créditos tributário, valores concernente a remuneração dos Sindicatos, ou seja, valores alheios a remuneração dos trabalhadores avulsos. Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10380.006550/200743 Acórdão n.º 2301003.325 S2C3T1 Fl. 1.139 5 Repete que é improcedente o lançamento diante do fato de que valores pagos aos sindicatos compuseram a base considerada pelo fiscalização, o que foi por esta confirmada, que admitiu que utilizou, em seu arbitramento, a totalidade dos valores brutos pagos aos Sindicatos e, dentro deste, estava a parcela paga ao título de remuneração administrativa das atividades do ente de classe. Lembra que, por ocasião da diligência fiscal, os autuantes reconhecem que apenas 55% do valor constante das faturas do sindicato era componentes da base de cálculo das contribuições, o que, segundo entende, configura uma clara confusão no lançamento, preterindo o direito de defesa, suscitando a nulidade não acolhida pela DRJ. Traz julgados deste Conselho para esclarecer que o Processo Administrativo Tributário é regido pela verdade material real, e não apenas a verdade processual formal, devendo o julgador perseguir a realidade dos fatos para não impor ao administrado tributação indevida por mero aspecto formal. Diz que é inconcebível que, mesmo diante de verdade reconhecida pelas próprias autoridade autuantes, o órgão julgador tenha preferido desconsiderar tais fatos para continuar a impor pretensão tributante, quando parte desta já resta comprovadamente paga e outra parte já fora alvo de outros lançamentos, fato admitido por ocasião da diligência fiscal. Conclui que resta claro o direito da recorrente em ter excluído do lançamento o valor de R$ 251.877,09, já recolhidos, como admitiu a Diligência Fiscal, ou alvo de outros lançamentos, fato igualmente admitido pelo Serviço de Fiscalização, às fls. fl.1.077 e verso.. Em relação ao restante dos lançamentos do estabelecimento /003050, defende que há de ser considerado o fato, admitido pelo próprio Serviço de Fiscalização, de que a base arbitrada para a cobrança ora impugnada levou em consideração os valores brutos pagos ao Sindicato, incluindo até os valores pagos a título de remuneração do próprio sindicato, exclusos portanto da figura de remuneração de trabalhadores avulsos. Quanto à afirmação da DRJ de que o débito é arbitrado quando da omissão na entrega de documentos, questiona como poderia os auditores terem referenciado, no auto de lançamento e na diligência fiscal, que parcela dos pagamentos ao mencionado sindicato remunerava o mesmo e não a mão de obra contratada se não tivesse tido acesso aos documentos probatórios de tais pagamentos, observando que a própria fiscalização, por ocasião da diligência, admite que teve acesso as faturas do sindicato e que nestas havia expresso que 55% dos valores ali constantes referiamse a base de cálculo do tributo. Finaliza defendendo que é descabido o arbitramento previsto no art. 33, § 3o, da Lei 8.212/91, quando se sabia qual o valor pago a título de remuneração dos trabalhadores contratados por intermédio do sindicato, e sustentando o expurgo o valor pago ao sindicato a título de remuneração de seus serviços, por não configurar fato gerador da exação ora imputada. Requer que seja acolhida a preliminar de nulidade e, caso assim não se entenda, que sejam excluídos os valores já recolhidos ou alvo de outro lançamento, conforme recomendação da fiscalização por ocasião da diligência, bem como o valor equivalente a 45% das faturas pagas ao sindicato sediado em SalvadorBA, contratado pelo estabelecimento /003050 da recorrente, tendo em vista que tais pagamentos não representam fato gerador do tributo em debate, pois remuneram o próprio contratado e não os trabalhadores avulsos. Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 É o relatório. Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10380.006550/200743 Acórdão n.º 2301003.325 S2C3T1 Fl. 1.140 7 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a recorrente alega nulidade da NFLD, argumentando que a fiscalização utilizouse, no cômputo da base de cálculo da contribuição previdenciária, valores pagos a título de remuneração dos próprios sindicatos, o que não se relaciona à mão de obra. Observa que, por ocasião da diligência fiscal, os autuantes reconhecem que apenas 55% do valor constante das faturas do sindicato era componentes da base de cálculo das contribuições, o que, segundo entende, configura uma clara confusão no lançamento, preterindo o direito de defesa, suscitando a nulidade não acolhida pela DRJ. Todavia, não se vislumbra a nulidade alegada pela autuada. Verificase que a autoridade autuante deixa claro que a remuneração do avulso foi aferida tendo em vista que a recorrente, apesar de intimada, não comprovou que parte dos valores pagos aos sindicatos, registrados na contabilidade como despesa com a prestação de serviços pelos segurados avulsos, se tratava de remuneração dos sindicatos. Ora, a empresa registra, em sua contabilidade, despesas com serviços prestados por avulsos por intermédio de seus sindicatos, e não apresenta a documentação ou informação solicitada pela fiscalização relativa a tais pagamentos. Ao agir dessa forma, a recorrente não deu outra alternativa à autoridade lançadora, cuja atividade é vinculada aos ditames legais, a não ser aferir a remuneração do avulso, que constitui base de cálculo da contribuição previdenciária, extraindo os valores da própria contabilidade da autuada, arbitrando o débito, com fulcro no § 3o, do art. 33, da lei 8.212/91. Assim, não há preterição ao direito de defesa, pois o relatório fiscal está claro e preciso, e os demais relatórios que integram o lançamento trazem todas as informações necessárias para que a empresa elaborasse sua defesa. Observase que a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento de aferição indireta adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Dessa forma, reiterase, não há que se falar em nulidade da NFLD por cerceamento de defesa, já que foram observados, no presente processo administrativo, os mandamentos estabelecidos pelo Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. Nesse sentido, não acolho a preliminar de nulidade, argüida pela recorrente. No mérito, a autuada insurgese contra o arbitramento realizado pela fiscalização. Porém, conforme já exposto acima, o procedimento da fiscalização encontra amparo no dispositivo legal citado, uma vez que a recorrente deixou de prestar os esclarecimentos solicitados pela fiscalização, além de não ter apresentado a documentação comprobatória de que os valores registrados na contabilidade como sendo despesas com avulsos incluem também despesas com o sindicato intermediador da mão de obra avulsa. O § 3o, do art. 33, estabelece que: § 3° Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social — INSS e o Departamento da Receita federal — DRF podem , sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário." Portanto, vale reiterar que, ao deixar de prestar as informações solicitadas pela fiscalização por meio de TIAD, a recorrente não deu outra alternativa ao agente lançador, a não ser arbitrar o débito, em observância à legislação que trata da matéria, uma vez que sua atividade é plenamente vinculada às disposições legais. É oportuno observar que é obrigação da empresa registrar, em contas separadas de sua contabilidade, pagamentos que se configuram fatos geradores da contribuição e valores que não integram a base de cálculo da contribuição. Portanto, se a contabilidade da recorrente registra, em uma conta, despesas com avulsos, cabe à autuada comprovar que seus registros contábeis estão em desconformidade com os mandamentos legais, e que foram lançados, em uma mesma conta, o que é fato gerador do tributo e o que não é. Todavia, a empresa, apesar de intimada por meio de TIAD, não apresentou os documentos e esclarecimentos solicitados pela fiscalização. Ao proceder dessa forma, a recorrente impossibilitou ao fiscal a apuração do valor real da base de cálculo. Portanto, houve a inversão do ônus da prova, cabendo à recorrente comprovar o que alega. Assim, entendo que o procedimento adotado pela autoridade fiscal encontra amparo legal nos dispositivos expostos nos relatórios que integram a NFLD. A recorrente questiona como poderia os auditores terem referenciado, no auto de lançamento e na diligência fiscal, que parcela dos pagamentos ao mencionado sindicato Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10380.006550/200743 Acórdão n.º 2301003.325 S2C3T1 Fl. 1.141 9 remunerava o mesmo e não a mão de obra contratada se não tivesse tido acesso aos documentos probatórios de tais pagamentos. Porém, a fiscalização deixou muito claro que os valores aferidos foram extraídos da própria contabilidade da recorrente. Ou seja, o documento comprobatório que serviu de base para o lançamento foi a contabilidade da empresa. Foi a própria autuada quem registrou, em seus livros contábeis, o pagamento com despesas a avulso. E se ela afirma que nessa conta existem pagamentos que não se configuram base de cálculo do tributo, deve provar sua afirmação. O agente autuante, na busca da verdade material, tomou medidas para que a empresa tivesse a oportunidade de apresentar documentos que demonstrassem o valor real da base de cálculo, conforme comprovam os pedidos de documentos e esclarecimentos juntados aos autos pela fiscalização. Contudo, a empresa não atendeu as solicitações feitas pelo auditor, o que o obrigou a aferir a remuneração dos avulsos. Somente após a impugnação, por ocasião da diligência, é que a recorrente atendeu parcialmente a solicitação feita durante a ação fiscal, apresentando documentação relativa a alguns estabelecimentos da empresa. Nesse sentido, não procedem os argumentos contra o arbitramento, trazidos pela recorrente. Todavia, entendo que o valor do débito deva ser revisto, pelas razões a seguir expostas. A recorrente juntou, em sua impugnação, farta documentação na tentativa de demonstrar a improcedência do lançamento. Em diligência fiscal para análise desses documentos, a fiscalização constatou que os mesmos se referiam apenas a três estabelecimentos da empresa, quais sejam, matriz e filiais /002401 e /003050. Diante das provas apresentadas para as referidas unidades, a fiscalização concluiu pela retificação do lançamento, com a exclusão da base de cálculo dos valores recolhidos por meio de duas GPS referentes à competência 04/2004, que não haviam sido considerados quando da apuração do débito (estabelecimento /002401), e valores lançados nas competências 02/2004, 04/2004, 05/2004, 07/2004 a 02/2005 e 06/2005 (filial /003050), tendo em vista as GFIPs específicas apresentadas, referentes à prestação de serviços por trabalhadores avulsos (com código de recolhimento 130), intermediada pelo Sindicato dos Arrumadores da Cidade de Salvador, nas quais figura como tomador de serviços a referida filial da notificada, além de diversas GPS que comprovam o recolhimento. Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 10 A autoridade lançadora esclareceu, ainda, que os lançamentos realizados nas competências 01/2004, 03/2004, 06/2004, 03 a 05/2005, e 07 a 09/2005, para a filial /003050, também devem ser excluídas do débito, tendo em vista tratarse de diferença apurada no batimento GFIP x GPS, e que foram objeto de outro levantamento (AV3). Contudo, mesmo diante do parecer da fiscalização no sentido de que os valores apontados deveriam ser excluídos do débito, a autoridade julgadora de primeira instância decidiu mantêlos no lançamento ao argumento de que os mesmos não estavam autenticados. Porém, entendo que a documentação na qual se baseou a fiscalização para retificar o débito prescindem de autenticação, pois tratamse de GFIPs e GPS, ou seja, de documentos constantes dos sistemas informatizados da Previdência Social, aos quais as autoridades julgadoras da DRJ de primeira instância têm acesso. Ademais, a fiscalização, que também possui acesso aos sistemas informatizados da Previdência Social, após análise da documentação, emitiu um parecer conclusivo, afirmando que os valores apontados “devem” ser excluídos do débito. E no despacho de solicitação de diligência (fl. 1.038), o julgador apenas requereu a manifestação acerca da possibilidade do afastamento dos lançamentos aferidos, tendo em vista a documentação juntada pela notificada, o que foi feito pela autoridade autuante. Em nenhum momento do pedido de diligência o julgador administrativo questionou a autenticidade dos documentos, ou solicitou que a fiscalização os autenticasse, para tornálos “prestáveis para comprovação do fato”. Assim, entendo que os julgadores da DRJ de Salvador não poderiam afastar as provas apresentadas, rejeitando o parecer retificador da fiscalização, ao argumento de que ausência de autenticação as torna imprestáveis para a retificação do valor lançado. A Portaria 520/2004, que regia o Contencioso Administrativo Fiscal à época da apresentação da defesa, estabelecia, no § 7o, do art. 9o, que “as provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório”. Entendo que, ao emitir o parecer conclusivo, a fiscalização deu autenticidade aos documentos analisados, não podendo a autoridade julgadora afastálos sob pena de deixar prosperar um lançamento indevido, retirando do crédito o atributo de certeza e liquidez. Nesse sentido, entendo que deva ser acatado o parecer retificador da fiscalização e excluído do débito, por provimento, os valores apontados no Despacho de fls. 1.041. Quanto aos argumentos trazidos pela recorrente no sentido de que a própria fiscalização, por ocasião da diligência, admite que teve acesso as faturas do sindicato e que nestas havia expresso que 55% dos valores ali constantes referiamse a base de cálculo do tributo, cumpre observar que a autoridade fiscal, na diligência realizada, deixou claro que a empresa apresentou apenas documentos relativos a 03 estabelecimentos, e que o lançamento de referente aos demais estabelecimentos envolvidos na NFLD, quais sejam, as filiais /000204, /002169, /002320, /002673, /002835, /003211 e /003645 devem permanecer inalterados . Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10380.006550/200743 Acórdão n.º 2301003.325 S2C3T1 Fl. 1.142 11 O percentual citado, constatado pelo fiscal, se refere apenas à matriz e filiais /002401 e /003050. Portanto, como a recorrente não comprovou suas alegações apresentando a documentação para as demais filiais, não há que se aplicar o percentual apontado, devendo permanecer o arbitramento, a partir dos valores extraídos dos lançamentos contábeis. Nesse sentido e, Considerando tudo o mais que dos autos consta; VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, para que sejam excluídos do débito os valores apontados pela fiscalização no despacho de fls. 1.041, do processo. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relator Voto Vencedor Leonardo Henrique Pires Lopes, Redator Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 12 Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10380.006550/200743 Acórdão n.º 2301003.325 S2C3T1 Fl. 1.143 13 Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 14 pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10380.006550/200743 Acórdão n.º 2301003.325 S2C3T1 Fl. 1.144 15 Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Numero do processo: 13851.000789/2005-42
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 09/04/1999
PIS. PRESCRIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N. 118/05. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. Nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, a prescrição da pretensão relativa à sua restituição, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/05 (em 9.6.2005), somente ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita.
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O.DO ART. 3O. DA LEI 9.718/1998
Nos termos já sedimentados pelo Supremo Tribunal Federal, não deve compor a base de cálculo do PIS as receitas financeiras.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-001.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso no sentido de afastar a decadência e reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, referente ao período de apuração em discussão e determinar à Delegacia de origem a apuração do crédito. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Felipe Ribeiro Kneipp Salomonr Castro, OAB/DF 38.308.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Guilherme Déroulède (Suplente), Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl e Maira Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso no sentido de afastar a decadência e reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, referente ao período de apuração em discussão e determinar à Delegacia de origem a apuração do crédito. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Felipe Ribeiro Kneipp Salomonr Castro, OAB/DF 38.308. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Guilherme Déroulède (Suplente), Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl e Maira Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 09/04/1999 PIS. PRESCRIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N. 118/05. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. Nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, a prescrição da pretensão relativa à sua restituição, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/05 (em 9.6.2005), somente ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O.DO ART. 3O. DA LEI 9.718/1998 Nos termos já sedimentados pelo Supremo Tribunal Federal, não deve compor a base de cálculo do PIS as receitas financeiras. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso no sentido de afastar a decadência e reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, referente ao período de apuração em discussão e determinar à Delegacia de origem a apuração do crédito. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Felipe Ribeiro Kneipp Salomonr Castro, OAB/DF 38.308. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 07 89 /2 00 5- 42 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13851.000789/200542 Acórdão n.º 3801001.926 S3TE01 Fl. 12 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Guilherme Déroulède (Suplente), Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl e Maira Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel. Relatório Trata o presente de pedido de restituição de pagamento indevido para a contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), efetuado em 09.04.1999, no valor de R$ 12.826;93. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Araraquara indeferiu o pedido com base na ocorrência da decadência do direito de pedir, previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional — CTN, uma vez que o pedido foi protocolado em prazo superior a cinco anos contados do fato gerador. Cientificado da decisão, o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: i) Que nos autos do Mandado de Segurança n° 1999.61.02.00070375 obteve provimento jurisdicional, vigente até a presente data, autorizandolhe a calcular e recolher o PIS sem a expansão da base de cálculo estabelecida no art. 3°, § 1°, da Lei n°9.718, de 1998; ii) referida demanda judicial encerrouse em 30/05/2008 com o trânsito em julgado favorável ao contribuinte (Recurso Extraordinário n° 491.6584); iii) corno no apontado período de apuração as receitas obtidas corresponderam a receitas financeiras e outros rendimentos que não oriundos da venda de bens e serviços (faturamento), o recolhimento efetuado afigurase indevido, o que motivou o requerente a apresentar o pedido de restituição; iv) que o prazo decadencial para pleitear a restituição de tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação, previsto no art. 150, § 4°, do CTN é de dez anos, conforme jurisprudência consolidada no STJ; A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto entendeu por bem manter a decisão da DRF em Araraquara ao argumento de que, até a data do protocolo do pedido de restituição, as decisões prolatadas na referida ação judicial somente garantiam ao interessado o direito da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários referentes aos recolhimentos efetuados em desacordo com a legislação vigente, no caso, a Lei n°9.718, de 1998. Não havia, na ação, qualquer pedido de repetição de indébito, nem tampouco decisão judicial que declare tal situação para os recolhimentos efetuados. Assim, o presente pedido de restituição não teria qualquer relação com a ação judicial, ainda em andamento na data do protocolo. Sem essa relação, argüiu que deve ser apreciado como simples pedido de restituição. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13851.000789/200542 Acórdão n.º 3801001.926 S3TE01 Fl. 13 3 Por essa razão, sustenta a DRJ que teria ocorrido a decadência do direito de pedir a restituição, aplicada para os recolhimentos efetuados anteriormente a 27/06/2000, ou seja, cinco anos antes da data do protocolo do processo. Em seu Recurso, a Recorrente reforça que o prazo para se pleitear a repetição de indébito de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de 10 (dez) anos, contados a partir do recolhimento indevido, e não 5 (cinco) anos, conforme o disposto no artigo 150, § 4°, do CTN. E que o art. 3° da Lei Complementar n° 118/05, ao dispor que o prazo prescricional não seria mais contado a partir da homologação tácita, mas sim do pagamento antecipado, modificou, e não apenas interpretou o Código Tributário Nacional. E, por essa razão o referido dispositivo não pode ser aplicado aos pedidos apresentados anteriormente à entrada em vigor de dita lei, o que ocorreu em 9 de junho de 2005. E considerando que o pedido de restituição foi apresentado em 07/06/2005, antes, portanto, da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, não haveria que se falar em decurso do prazo para a formulação do pedido. Requer, portanto, a total procedência de seu pedido. É o relatório. Voto Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Com relação ao prazo decadencial, assiste razão ao Recorrente. Como se denota da documentação acostada aos autos, o Pedido de Restituição foi protocolizado em 07/06/2005, tendo como fundamento o reconhecimento judicial da inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo do PIS promovida pelo artigo 3o., § 1o., da Lei 9.718/98. Ou seja, o pedido de restituição se deu dentro do prazo de 10 anos, contados desde a ocorrência do fato gerador. E é este, in casu, o prazo que deve ser aplicado. Explicase. Até o advento da Lei Complementar 118 de 09 de Fevereiro de 2005 era pacífico nos Tribunais entendimento de que o prazo para requerer a restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação seria de 10 anos (tese dos 05 mais 05). Em reiterados julgados, os Tribunais ratificaram o entendimento de que a data de extinção do crédito tributário, para fins de contagem do prazo previsto no artigo 168, I do CTN (Lei 5.172/66), se daria depois decorridos 05 anos contados da ocorrência do fato gerador do tributo (homologação tácita). Após este prazo se iniciaria o prazo de 05 anos definidos no CTN para que fosse requerida a restituição do indébito tributário. Neste sentido, vejase, como exemplo, o julgado do Superior Tribunal de Justiça abaixo transcrito: Fl. 251DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13851.000789/200542 Acórdão n.º 3801001.926 S3TE01 Fl. 14 4 TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N. 118/05. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ISS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. 1. Consolidado no âmbito desta Corte que, nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, a prescrição da pretensão relativa à sua restituição, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/05 (em 9.6.2005), somente ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita. (...) (REsp 1109559/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/08/2011, DJe 09/08/2011) Todavia, com o advento da citada Lei Complementar 118/05, houve mudança no entendimento. A legislação em referência determinou, em seu artigo 3º, que a extinção do crédito tributário se daria com o pagamento e não com a homologação tácita do crédito tributário declarado pelo contribuinte. E mais, pretendeu dar efeitos retroativos à aludida interpretação. Confirase a redação dos artigos 3º e 4º da Lei: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Neste diapasão, sem adentrar, neste momento, em todas as discussões travadas pela doutrina e pelos Tribunais acerca do alcance da referida interpretação, registrese que o Supremo Tribunal Federal, ao analisar a questão, considerou que o prazo reduzido para requerer a restituição só se daria após a entrada em vigor da Lei Complementar. Vejase a ementa do julgado proferido pela Corte Suprema: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados Fl. 252DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13851.000789/200542 Acórdão n.º 3801001.926 S3TE01 Fl. 15 5 do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL02605 02 PP00273) Como mencionado alhures, o pedido de restituição do Recorrente foi protocolizado em 07/06/2005, junto à Delegacia da Receita Federal de Araraquara, e o crédito indicado como pago indevidamente é do período de março de 1999. Ou seja, o pedido foi realizado dentro do prazo estipulado pela legislação (interpretação dada pelos Tribunais) vigente à época. Portanto, in casu, não se aplica a decadência invocada pela fiscalização, ficando essa desde já afastada. O segundo ponto que deve ser abordado nesta decisão é se o Recorrente tem direito ao crédito de PIS pago com base no § 1o., do artigo 3o., da Lei 9.718/98., que foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13851.000789/200542 Acórdão n.º 3801001.926 S3TE01 Fl. 16 6 Conforme verificase nos autos, a Recorrente obteve provimento judicial no Mandado de Segurança n° 1999.61.02.00070375, já transitado em julgado, que lhe assegurou o direito de recolher a PIS sobre a base de cálculo correspondente ao seu faturamento, afastandose a incidência da referida contribuição sobre receitas que não sejam decorrentes da venda de bens e prestação de serviços, como, por exemplo, as receitas financeiras. Realmente, apesar de a ação não abranger pedido de restituição dos valores indevidamente recolhidos no passado, o pedido formulado na ação importa no reconhecimento incidental, pelo Judiciário, da inconstitucionalidade da exigência como um todo, o que permitiria, em última análise, na admissão de que todos os recolhimentos efetuados sobre a base de cálculo expandida da PIS desde que a Lei n° 9.718/98 passou a produzir efeitos foram indevidos. Entretanto, independentemente dos efeitos da coisa julgada da mencionada decisão proferida em sede de Mandado de Segurança, fato é que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Em outra oportunidade, a Excelsa Corte (STF), por unanimidade, ao apreciar o Recurso Extraordinário nº 585235, DJ nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu a existência de repercussão geral e reafirmou a jurisprudência no sentido da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme decisão transcrita abaixo: Fl. 254DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13851.000789/200542 Acórdão n.º 3801001.926 S3TE01 Fl. 17 7 O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. (....)(grifouse) O acórdão proferido no referido recurso extraordinário, DJ 28112008, teve a seguinte ementa: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões acerca da alcance do trânsito em julgado da Recorrente. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) Fl. 255DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13851.000789/200542 Acórdão n.º 3801001.926 S3TE01 Fl. 18 8 {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Concluise, facilmente, que o pedido de restituição do crédito de PIS foi efetuado dentro dos regramentos legais que regem a matéria, devendo ser acolhido em sua totalidade com relação às receitas financeiras da Recorrente, nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal. Porém, é também fato que não houve uma análise da efetiva existência do crédito declarado como pago indevidamente. Desta forma, para que não haja supressão de instância no presente julgamento, deverão os autos retornar à Delegacia de Origem em Araraquara para que, considerando o prazo decadencial de 10 anos para requerimento da restituição dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, e o direito à restituição dos valores pagos a título de PIS sobre receitas que não correspondam ao faturamento da Recorrente, verifique se o crédito que se pretende ter restituído está correto. Importante ressaltar que, em atendimento ao princípio da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal, caso haja necessidade, a Delegacia de Julgamento poderá requerer informações e documentos à Recorrente, afim de verificar a origem e a autenticidade dos créditos apontados no pedido de restituição. Por tudo, voto pelo conhecimento e parcial provimento do Recurso Voluntário apresentado para: (i) afastar a decadência do direito de o Recorrente requerer a restituição do crédito de PIS pago indevidamente ou a maior; (ii) determinar o retorno dos autos à Delegacia de Origem em Araraquara para que, com base na documentação apresentada pelo contribuinte, apurar o crédito do Recorrente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel Relator Fl. 256DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10940.002185/2008-96
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (26/06/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre e Marcelo Vasconcelos de Almeida. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (26/06/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre e Marcelo Vasconcelos de Almeida. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (26/06/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre e Marcelo Vasconcelos de Almeida. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Por meio da Notificação de Lançamento de fls. 05/09, exigese do contribuinte R$ 12.041,10 de imposto suplementar, R$ 9.030,82 de multa de oficio de 75% e R$ 1.768,83 de juros de mora sobre o imposto suplementar, calculados até agosto de 2008. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 40 .0 02 18 5/ 20 08 -9 6 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10940.002185/200896 Resolução nº 2801000.168 S2TE01 Fl. 62 2 0 lançamento, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 06/07, referese à constatação de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista e omissão de rendimentos do trabalho assalariado recebidos por seu dependente, na base de cálculo relativa ao exercício de 2007, anocalendário de 2006. Cientificado do lançamento em 18/06/2008, o contribuinte entrou com Solicitação de Retificação de Lançamento (SRL), que foi deferida parcialmente. Desta decisão resultou a Notificação de Lançamento no 2007/609450154875036, da qual foi cientificado em 01/09/2008 (fl.39) e apresentou, tempestivamente, em 10/09/2008, a impugnação de fls.01/03, instruída com os documentos de fls. 04/31, onde alega em síntese que: Nos rendimentos do processo judicial trabalhista contra o INSS foi recebido o valor de R$ 43.089,23 dos quais R$ 20.081,48 é o valor principal (..) e R$ 23.007,75 são correção e juros. Ressaltamos ainda que R$ 12.926,77 são honorários advocatícios e R$ 158,83 são CPMF, sendo então rendimento o valor de R$ 20.081,48; Nos (sic) rendimento tributável R$ 7.200,00 recebido pelo dependente Vilmar Francisco Carlot cpf 037.691.95906 considerar a contribuição a Previdência Oficial como dedução no valor de R$ 537,01; Citou jurisprudência judicial sobre o assunto e a Solução de Consulta n° 192, de 14 de julho de 2008 da DRF/CTA, que o contribuinte alega ter decidido que "os juros e correção recebidos em virtude de decisão judicial são isentos de tributação, quando recebidos por pessoa física". Anexou documentos referentes à. ação judicial e comprovante de rendimentos recebidos por seu filho, dependente declarado. Por fim, requer o impugnante a insubsistência do lançamento. Ao analisar o pedido do contribuinte, a DRJ decidiu conforme a ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. AÇÃO TRABALHISTA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Os rendimentos referentes a anos anteriores, recebidos por força de decisão judicial, devem ser oferecidos A. tributação no mês do seu recebimento com incidência sobre a totalidade dos rendimentos. DIRPF RETIFICADORA. ESPONTANEIDADE. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante Fl. 62DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10940.002185/200896 Resolução nº 2801000.168 S2TE01 Fl. 63 3 comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Impugnação Procedente em Parte Credito Tributário Mantido em Parte Doravante, foi apresentado recurso voluntário pelo contribuinte suscitando os mesmos argumentos da impugnação. É o Relatório Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator. No presente caso, temse que o auto de infração objeto deste processo versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte. Ocorre que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Fl. 63DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10940.002185/200896 Resolução nº 2801000.168 S2TE01 Fl. 64 4 Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal. É que foi alterado (Portaria MF n.º 586, de 2010) o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado pela Portaria MF n.º 256, de 2009, determinando o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema e determinado o sobrestamento dos julgamentos sobre a matéria pelo Supremo Tribunal Federal, a teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, que, a seguir transcrevese, ipsis litteris: “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Sandro Machado dos Reis. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10580.722912/2010-96
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 30/11/2008
ANULAR DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
Decisão de primeira instância que não enfrenta toda matéria argüida pela defesa na impugnação, há de ser anulada para que se tenha pronuncia dela.
No caso em tela a decisão de piso não enfrentou duas questões levantadas pela defesa na sua impugnação, sendo a primeira a questão referente a incidência de contribuição previdenciária com base em pagamento de outra natureza que não o PLR e a segunda a questão de incidência de contribuição previdenciária em pagamento de PLR a contribuintes individuais, onde a Recorrente não tem a mesma feição de bancos e assemelhados.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-003.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Wilson Antonio de Souza Correa Relator
(assinado digitalmente)
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2006 a 30/11/2008 ANULAR DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Decisão de primeira instância que não enfrenta toda matéria argüida pela defesa na impugnação, há de ser anulada para que se tenha pronuncia dela. No caso em tela a decisão de piso não enfrentou duas questões levantadas pela defesa na sua impugnação, sendo a primeira a questão referente a incidência de contribuição previdenciária com base em pagamento de outra natureza que não o PLR e a segunda a questão de incidência de contribuição previdenciária em pagamento de PLR a contribuintes individuais, onde a Recorrente não tem a mesma feição de bancos e assemelhados. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira - Presidente (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Correa Relator (assinado digitalmente) Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2136; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.722912/201096 Recurso nº . Voluntário Acórdão nº 2301003.939 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de março de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente DDEESSEENNBBAAHHIIAAAAGGEENNCCIIAA DDEE FFOOMMEENNTTOO DDOO EESSTTAADDOO DDAA BBAAHHIIAA SS//AA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 30/11/2008 ANULAR DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Decisão de primeira instância que não enfrenta toda matéria argüida pela defesa na impugnação, há de ser anulada para que se tenha pronuncia dela. No caso em tela a decisão de piso não enfrentou duas questões levantadas pela defesa na sua impugnação, sendo a primeira a questão referente a incidência de contribuição previdenciária com base em pagamento de outra natureza que não o PLR e a segunda a questão de incidência de contribuição previdenciária em pagamento de PLR a contribuintes individuais, onde a Recorrente não tem a mesma feição de bancos e assemelhados. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Correa – Relator (assinado digitalmente) Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 29 12 /2 01 0- 96 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARCELO OLIVE IRA 2 Relatório Tratase de crédito tributário lavrado contra a Recorrente em razão de a mesma ter deixado de efetuar recolhimentos devidos à Previdência Social, correspondente à cota dos segurados empregados e contribuintes individuais, constantes da contabilidade e das folhas de pagamentos, não declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), decorrentes das Participações nos Lucros e Resultados (PLR), pagas em desacordo com a legislação vigente. Os fatos geradores deste Auto de Infração (AI) referemse a diversos pagamentos de Participações nos Lucros e Resultados (PLR), feitos pelo contribuinte nas competências de 02/2006, 03/2006, 11/2006, 10/2007, 02/2008, 03/2008 e 11/2008, a segurados empregados e contribuintes individuais (diretores) em desacordo com o disposto na legislação em vigor. O contribuinte efetuou pagamentos de PLR a diversos empregados em periodicidades superiores às previstas na legislação de regência, assim como a administradores, conforme demonstrativo dos autos fls.226. Razão pela qual foi autuado referente às contribuições sociais previstas no art. 11, parágrafo único, alínea "a" e “c”, da Lei n.º 8.212/91. Os levantamentos contidos no presente crédito são os seguintes: 1. CCI – Contribuição de Contribuinte Individual corresponde ao lançamento das parcelas não descontadas dos segurados contribuintes individuais e só aplicável nos casos em que a contribuição descontada na competência foi inferior ao teto limite do INSS ou não foi descontada e utilizada no Levantamento PL e PL1; 2. CS Contribuição do Segurado corresponde ao lançamento das parcelas não descontadas dos segurados empregados e só aplicável nos casos em que a contribuição descontada na competência foi inferior ao teto limite do INSS ou não foi descontada e utilizada no Levantamento LR; 3. LR – Participações nos Lucros e Resultados dos Segurados Empregados corresponde ao levantamento que agrega as remunerações (PLR) dos segurados empregados (BC), e Contribuição do Segurado (CS), não declarados em GFIP e sujeitos a multa de mora de 24% da legislação anterior; 4. PCI – Pagamento a Contribuintes Individuais corresponde ao lançamento das participações de lucros e resultados de diretores obtidas através de folhas de pagamentos e da contabilidade, referentes ás competências de 02/2006, 03/2006, 10/2007, 02/2008, e 11/2008, e utilizadas nos Levantamentos PL e PL1; 5. PL – Participações nos Lucros e Resultados dos Segurados Contribuintes Individuais corresponde ao levantamento que agrega as remunerações (PLR) dos segurados contribuintes individuais (PCI), e Contribuição do Contribuinte Individual (CCI), não declarados em GFIP e sujeitos a multa de mora de 24% da legislação anterior; 6. PL1 – Participações nos Lucros e Resultados dos Segurados Contribuintes Individuais corresponde ao levantamento que agrega as remunerações (PLR) dos segurados contribuintes individuais (PCI), e Contribuição do Contribuinte Individual (CCI), não declarados em GFIP e sujeitos a multa de mora de 75% da legislação atual. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 10580.722912/201096 Acórdão n.º 2301003.939 S2C3T1 Fl. 3 3 Conforme evidenciado nas planilhas, o sujeito passivo foi beneficiado pela aplicação da legislação menos gravosa, ou seja, a legislação antiga, exceto para a competência 10/2007, cuja multa mais benéfica foi de 75%. Após a ciência do Auto de Infração apresentou impugnação tempestiva, com suas razões, cujas quais foram julgadas improcedentes. Em 08.08.2011 tomou ciência da decisão de piso e no dia 05.09.2011 aviou o presente remédio recursivo, alegando: i) expcionalidade das disposições da Lei 10.101/2000 às empresas estatais; ii) quanto a participação nos lucros; iii) quanto ao princípio da simetria e da igualdade; iv) impossibilidade de descaracterização da PLR; v) da PLR dos diretores; vi) remuneração dos diretores; vii) do princípio da legalidade e da ausência de tipicidade das práticas apontadas no presente AI; viii) estrita legalidade tributária; ix) da legalidade formal e material”princípio da legalidade tributária’; x) quanto ao uso da analogia no direito tributário; xi) do plano de metas; Eis em apertada síntese o relato dos fatos. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARCELO OLIVE IRA 4 Voto Conselheiro Wilson Antonio de Souza Correa Relator É tempestivo e acode os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele, desde já o conheço, passando análise do mérito. Antes de adentrar nas matérias trazidas à lume, mister que seja analisada uma questão de ordem pública que é a ausência de pronuncia da instância “a quo’. Veja que em sua impugnação a Recorrente diz que há de ser verificar que o AI DEBCAD n° 37.252.7213, lavrado em 29/03/2010 a Fiscalização informa que os fatos geradores eram referentes a diversos pagamentos de PLR feitos num determinado período a segurados empregados e contribuintes individuais, em desacordo com a lei de regência. Ato contínuo a Fiscalização lavrou o AI DEBCAD sob n° 37.252.7205, onde a fundamentação é a agressão ao artigo 3º, § 2° da Lei 10.101/2000, onde é vedado o pagamento de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes ao ano. Argumenta em sua impugnação, este último AI, cuja premissa é pagamento de PLR em periodicidade maior que a permissível em lei, foi autuado com base em pagamentos de outras naturezas, além dos pagamentos de PLR. Em sua impugnação a Recorrente diz que o AI DEBCAD sob n° 37.252.7205 é de acusação genérica, onde, segundo a Fiscalização diz que a Recorrente não recolheu contribuições previdenciárias indicando a omissão quanto a contribuição de Bancos e Assemelhados na remuneração de empregados. Alega que a hipótese é diversas e não cumulativa entre si. E assim, o pagamento de PLR fora da periodicidade permitida poderia caracterizar a incidência de contribuição sobre o total das remunerações pagas aos empregados, mas não aos prestadores de serviços, que não percebem PLR. Assim, a ausência de discriminação específica é demonstração de que a Fiscalização são sabe determinar a infração cometida. E faltando clareza, finaliza, contraria princípios pétreos Constitucionais. Revendo a decisão de piso, não se vê enfrentamento da matéria, razão pela qual há de ser anulada para que haja uma decisão específica quanto a estas duas questões, quais sejam: i) lançamento de autuação em pagamentos que não têm natureza de PLR e, ii) que a contribuição não é devida a pagamento de PLR a contribuintes individuais, onde não tem a mesma conduta de bancos e assemelhados por ser hipótese diversa. Portanto, há de ser anulada para que a decisão de piso enfrente estas matérias. CONCLUSÃO Assim, de todo exposto tem que atende o recurso aviado todas as exigências processuais, devendo ser recepcionado, para anular a decisão de piso que não enfrentou matérias constantes na impugnação, mormente a incidência de contribuição previdenciária em pagamento de outra natureza que não o PLR, e pagamento de PLR a contribuintes individuais, conforme consta na preliminar da impugnação. É o voto. Wilson Antonio de Souza Corrêa – Relator (assinado digitalmente) Fl. 255DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 10580.722912/201096 Acórdão n.º 2301003.939 S2C3T1 Fl. 4 5 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARCELO OLIVE IRA
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Numero do processo: 13921.000177/2005-89
Data da sessão: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001, 01/10/2001 a 31/10/2001, 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/10/2002 a 31/12/2002, 01/10/2004 a 31/05/2005
JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS A IMPUGNAÇÃO. RESTRIÇÕES.
A juntada de provas após a impugnação é medida excepcional, só justificável quando fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refira-se a fato ou a direito superveniente; ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, para o exercício de tal faculdade, há que se seguir o rito preconizado no § 5º do Art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001, 01/10/2001 a 31/10/2001, 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/10/2002 a 31/12/2002, 01/10/2004 a 31/05/2005
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO.
A decretação da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 não surtiu qualquer efeito na cobrança da contribuição para o Programa de Integração Social calculada sobre o faturamento.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001, 01/10/2001 a 31/10/2001, 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/10/2002 a 31/12/2002, 01/10/2004 a 31/05/2005
CONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS LEGAIS QUE DISPÕEM SOBRE INFRAÇÕES E PENALIDADES.
A análise dos princípios constitucionais apontados, em especial, de vedação ao confisco, demandaria o exame da constitucionalidade de dispositivos legais em vigor, procedimento vedado a este órgão, segundo o art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
ANISTIA. IMPOSSIBILIDADE
A dispensa da multa em razão de aspectos econômico-financeiros do sujeito passivo só se dá por meio de anistia e esta, sabidamente, exige lei. Ausente tal ato normativo, não se pode acatar o pleito formulado.
TAXA SELIC.
A aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic como índice de correção dos débitos e créditos de natureza tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 4
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-00.853
Decisão: Acórdão os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente a Conselheira Nanci Gama.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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RESTRIÇÕES. A juntada de provas após a impugnação é medida excepcional, só justificável quando fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refira-se a fato ou a direito superveniente; ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, para o exercício de tal faculdade, há que se seguir o rito preconizado no § 5º do Art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001, 01/10/2001 a 31/10/2001, 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/10/2002 a 31/12/2002, 01/10/2004 a 31/05/2005 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. A decretação da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 não surtiu qualquer efeito na cobrança da contribuição para o Programa de Integração Social calculada sobre o faturamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001, 01/10/2001 a 31/10/2001, 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/10/2002 a 31/12/2002, 01/10/2004 a 31/05/2005 CONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS LEGAIS QUE DISPÕEM SOBRE INFRAÇÕES E PENALIDADES. A análise dos princípios constitucionais apontados, em especial, de vedação ao confisco, demandaria o exame da constitucionalidade de dispositivos legais em vigor, procedimento vedado a este órgão, segundo o art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 27/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 ANISTIA. IMPOSSIBILIDADE A dispensa da multa em razão de aspectos econômico-financeiros do sujeito passivo só se dá por meio de anistia e esta, sabidamente, exige lei. Ausente tal ato normativo, não se pode acatar o pleito formulado. TAXA SELIC. A aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic como índice de correção dos débitos e créditos de natureza tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 4 Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente a Conselheira Nanci Gama. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, Luciano Pontes de Maya Gomes, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo do Auto de Infração de fls. 206/212, lavrado em 16/12/2005, em que são exigidos R$ 31.898,61 de contribuição ao PIS (código 2986) e R$ 23.923,91 de multa de ofício de 75%, além dos acréscimos legais, relativos aos períodos de apuração maio/2001, outubro/2001, maio/2002, outubro/2002 a dezembro/2002 e outubro/2004 a maio/2005, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 211/212, demonstrativo de apuração de fls. 206/207 e demonstrativo de multa e juros de fls. 208/209; o enquadramento legal do lançamento encontra-se às fls. 212 (PIS) e 209 (Multa e juros de mora). No campo “descrição dos fatos” do auto de infração (fl. 211) consta o seguinte resumo das infrações encontradas: “PIS – DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados conforme demonstrado nas planilhas de fls. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 27/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13921.000177/2005-89 Acórdão n.º 3102-000.853 S3-C1T2 Fl. 2 3 177/181. A empresa foi intimada a justificar as diferenças apontadas, através das fls. 184/187. Em sua resposta (fls. 188/204) alega a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e que no período de 03/2001 a 12/2002 o atual proprietário da empresa não fazia parte do quadro societário da fiscalizada. Quanto a constitucionalidade do tributo, não cabe a esta fiscalização a análise da matéria. A base legal está descrita no auto de infração e é com base nela que se efetuará o presente lançamento. Quanto à alegação de que o atual proprietário não pertencia ao quadro societário da empresa no período de 2001 e 2002, entende esta fiscalização que a justificativa não pode ser aceita para eximir a empresa do pagamento de tributos. Às fls. 08/140, anexei cópias dos livros de apuração de ICMS, comprovando a base de cálculo utilizada. Às fls. 141/173 foram anexadas cópias das DCTF e às fls. 174/176 consta relação dos pagamentos efetuados . (...)”. Cientificada do autos de infração em 21/12/2005 (fl. 210), a interessada, por meio de representante legal, apresentou, em 20/01/2006, a impugnação de fls. 215/230 e 233/248, instruída com os documentos de fls. 249/257, a seguir resumida. Após falar de forma sintética sobre os fatos que levaram à autuação, suscita, como preliminar, a inconstitucionalidade da exigência do PIS e da Cofins, que tenha por base o art. 3º, § 1º da Lei n.º 9.718, de 1998, em face de “decisão” do Superior Tribunal Federal – STF, a partir do que faz o seguinte requerimento: “determine, desde já, a exclusão ou a compensação desses valores (créditos) com os débitos tributários pendentes de PIS e a Cofins e outros tributos federais existentes”. Em item denominado “Do ‘termo de intimação fiscal’ da DRF/Saort e da ‘defesa inicial’”, alega que atendendo a prévia intimação do fisco, apresentou farta documentação fiscal, bem como as razões pelas quais a teriam levado à uma situação de inadimplência para com o fisco federal, que seriam “extremas dificuldades econômicas, financeiras e tributárias, que essa empresa vem enfrentando para sobreviver nesse mercado tão cruel e inconstante, por culpa da incipiente, desumana e injusta política monetária nacional”, tendo, ainda, demonstrado possuir créditos tributários, relativos ao PIS e à Cofins, dos períodos de 1998 a 2004, em razão da precitada “decisão” do STF, e requerido a retirada da taxa Selic, cumulada com a correção monetária, incidentes sobre débitos tributários em atraso, em virtude de decisões de tribunais judiciais superiores (reproduz, às fls. 217/221, o texto da resposta à intimação fiscal). Sob o título “Da exclusão da responsabilidade tributária do novo sócio no A.I.”, sustenta a exclusão da responsabilidade tributária do Sr. Lizeu Adair Berto, que somente teria passado a fazer parte do quadro societário da empresa a partir de maio/2003, não tendo, assim, praticado atos de gerência em períodos anteriores. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 27/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 No item “Da possibilidade de ‘compensação’ de outros créditos de natureza ‘não tributária’ (alimentares, judiciais) – título/crédito ‘Eletrobrás’ - com tributos federais”, informa que tem ação ordinária, com pedido de tutela antecipada (autos n.º 131.2002), no sentido da compensação de débitos oriundos de tributos federais com crédito advindo de Obrigação ao Portador da Eletrobrás, sendo que tal discussão judicial estaria, então, sendo objeto de recurso junto a Tribunal Regional Federal; entende, assim, que o referido crédito (título da Eletrobrás) não pode ser objeto de questionamento contrário por parte de autoridade administrativa; menciona, também, que há legislação tributária federal e estadual que permite expressa e constitucionalmente a compensação de créditos de natureza não- tributária com débitos de natureza tributária; junta, ainda, cópia de escritura pública de cessão de direitos (sobre o título da Eletrobrás), celebrada entre o Sr. Jair Nogueira e a interessada. Na seqüência, no item “Da ilegalidade da multa fiscal – efeito abusivo e confiscatório (...)”, argumenta que ‘as multas isoladas, por compensações indevidas efetuada com crédito de natureza não tributária, não administrado pela Secretaria da Receita Federal’ são abusivas, elevadas e confiscatórias, e padecem de legitimidade e legalidade, uma vez que não teria praticado nenhuma irregularidade formal ou infração tributária perante o fisco. Alega, ainda, que os demonstrativos onde consta a exigência das multas não esclareceriam “com certeza e exatidão as fórmulas e os índices aplicados”, sendo errôneos e incorretos. Diz que o valor total do crédito impugnado (principal, multa e juros) extrapolariam ‘vergonhosamente’ os limites de sua ‘capacidade contributiva, econômica e patrimonial’, e feririam o princípio do não-confisco (art. 150, IV da CF/1988). Ao final desse item, se comprovada a existência efetiva e legal de débitos para com o fisco, requer ao Delegado da Receita Federal de Cascavel o direito de pedir o parcelamento do mesmo, por meio de um programa de recuperação fiscal (Refis ou PAES). Sob o título “Da inaplicabilidade da ‘taxa Selic’ cumulada com ‘correção monetária’ (...)”, com base em jurisprudência judicial, que transcreve, alega ser incabível a aplicação ao feito da taxa Selic. Por fim, reafirma os termos de sua impugnação, pedindo pelo acatamento tanto da preliminar, como das matérias de mérito, bem como o direito de apresentar outras provas em direito admitidas (documentais, testemunhais, periciais). À fl. 258, despacho da ARF/Francisco Beltrão atestando a tempestividade da impugnação. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 27/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13921.000177/2005-89 Acórdão n.º 3102-000.853 S3-C1T2 Fl. 3 5 Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001, 01/10/2001 a 31/10/2001, 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/10/2002 a 31/12/2002, 01/10/2004 a 31/05/2005 CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LEGALIDADE. Corretas as exigências da multa de ofício e dos juros de mora, estes em percentuais equivalentes à taxa Selic, posto que feitas com amparo em expressa previsão legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001, 01/10/2001 a 31/10/2001, 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/10/2002 a 31/12/2002, 01/10/2004 a 31/05/2005 FALTA DE DECLARAÇÃO/PAGAMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. É procedente o lançamento de ofício da diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago do PIS. COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO. NECESSIDADE. PREVISÃO um LEGAL. No âmbito administrativo, conforme prevê a legislação pertinente, a compensação somente se efetiva com a entrega pela interessada da declaração de compensação, na qual esteja incluída a menção aos débitos fiscais que pretende ver compensados. Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente: a) alegar inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1988; b) denunciar “obstrução” à apresentação de novas provas admitidas no direito, sob a alegação de que lhe fora conferida oportunidade para apresentação de documentos, o que representaria violação dos princípios constitucionais “da sobrevivência das empresas, da isonomia tributária, da propriedade e princípios gerais da atividade econômica”; c) apresentar justificativa para a movimentação financeira no período; d) aduzir ilegalidade o lançamento do imposto de renda com base em extratos ou depósitos bancários. Relata ações civis públicas contra decisões do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes que afastaram o lançamento baseado em tais fundamentos; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 27/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 e) tecer considerações acerca do conceito de renda; f) apelar pela exclusão da multa, em face da situação econômica da pessoa jurídica e do princípio do não-confisco; g) contestar a aplicação da taxa selic. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta a esta Terceira Seção. Enfrento separadamente cada uma das razões re recurso aduzidas. 1.1 – Demarcação da Matéria Litigiosa Conforme se extrai da peça recursal, o Sujeito Passivo tece longas considerações acerca da ilegalidade do lançamento fundado na disparidade entre a movimentação financeira e a receita declarada, além de pretender justificar a movimentação financeira que o Fisco reputara inconsistente. Ocorre que, como se destacou no auto de infração litigioso, a matéria sob exame é exclusivamente a acusada diferença entre o faturamento declarado e o detectado no livro Registro de Apuração do ICMS, juntado por cópia às fls 08 a 140, que foram consolidadas no demonstrativo de apuração às fls. 178 a 181. Esse, portanto, será o escopo do presente voto. 1.2- Preliminar de Cerceamento do Direito de Defesa Segundo consta do recurso voluntário, a recorrente teria tido seu direito de defesa cerceado em razão do indeferimento de juntada de novas provas, oitiva de testemunhas, perícia técnica, etc. A definição do momento em que a prova documental deve ser apresentada, bem assim as exceções a essa regra encontram-se disciplinadas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, que reza: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 27/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13921.000177/2005-89 Acórdão n.º 3102-000.853 S3-C1T2 Fl. 4 7 Essencialmente, a juntada alegadamente pleiteada estaria fundamentada na alínea “b” acima transcrita, uma vez que, na convicção da recorrente, a comprovação de que os créditos alvo de lançamento encontrar-se-iam incluídos no Refis representariam fato ou direito superveniente. Ora, com o máximo respeito, não vejo como considerar tais elementos que se pretende provar como supervenientes, na medida em que como a alegada adesão ao Refis, segundo alegado pela recorrente, precederia a lavratura do próprio auto de infração. Por outro lado, não se noticia a edição de lei ou ato normativo posterior, o que igualmente invalidaria o fundamento do direito superveniente. Apenas para o esclarecimento dos meus pares, compulsando os autos, este Relator não localizou qualquer documento que demonstrasse a apresentação de petição dirigida ao órgão preparador ou julgador postulando a juntada de provas posterior à impugnação. Ao que parece, portanto, dito pedido se limitou ao formulado no encerramento da petição onde a recorrente, à época impugnante, “protesta pela juntada de provas”. Cabe aqui relembrar o que diz o §5º do mesmo art. 16: § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)1 Rejeito, portanto, tal preliminar. 2- Mérito 2.1 – Inconstitucionalidade da Base de Cálculo No mérito, a recorrente prega a inconstitucionalidade da base de cálculo fixada no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1988. Tal dispositivo, como é cediço, alargou a base de cálculo da Contribuição para o PIS fins para além do faturamento, fazendo incidir receitas que estranhas à atividade empresarial principal, como, por exemplo, as receitas financeiras. Ocorre que, com o máximo respeito, no presente processo, tal alegação não se sustenta na medida em que, como já destacado anteriormente, a base de cálculo sob a qual se funda o lançamento são as operações com mercadorias lançadas no Livro Registro de Apuração do ICMS. 1 Nota COSIT n o 27, de 8/01/98 Quando da juntada de documentos após a impugnação, nos termos do §5 o do art. 16 do PAF, com a redação dada pelo art. 67 da Lei no 9.532/97, proceder-se-á em conformidade com o estabelecido no item 1 da letra "A" do anexo constante da Portaria SRF no 4.980/94. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 27/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 Ou seja, não se considerou, para efeito da cobrança, parcela diferente do faturamento, o que afasta a alegação de inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 346.084-6 2 . CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE - ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 - EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO - INSTITUTOS - EXPRESSÕES E VOCÁBULOS - SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõe-se ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL - PIS - RECEITA BRUTA - NOÇÃO - INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidou-se no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindo-as à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Mantenho o lançamento, portanto. 2.2 – Multa de Ofício Pleiteia ainda a recorrente que se reconheça a afronta ao princípio do não confisco, em razão da imposição de multa de 75%, capitulada no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996. Mais uma vez, não vejo como acatar tal pleito. Com efeito, após a edição da Súmula Vinculante nº 10 3 , de autoria do e. Supremo Tribunal Federal, restou claramente identificado o limite dos critérios de que se pode socorrer o julgador administrativo. Diz o dispositivo: VIOLA A CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO (CF, ARTIGO 97) A DECISÃO DE ÓRGÃO FRACIONÁRIO DE TRIBUNAL QUE, EMBORA NÃO DECLARE EXPRESSAMENTE A INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO DO PODER PÚBLICO, AFASTA SUA INCIDÊNCIA, NO TODO OU EM PARTE. Igualmente esclarecedora é a manifestação da mesma corte nos autos do RE 432.597-AgR 4 : 2 Ministro Marco Aurélio, julgado em 09/11/2005. 3 DJe nº 117/2008, p. 1, em 27/6/2008. DO de 27/6/2008, p. 1. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 27/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13921.000177/2005-89 Acórdão n.º 3102-000.853 S3-C1T2 Fl. 5 9 "Controle de constitucionalidade de normas: reserva de plenário (CF, art. 97): reputa-se declaratório de inconstitucionalidade o acórdão que - embora sem o explicitar - afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide para decidi-la sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição." (destaquei) Por óbvio, mais relevante do que fixar a as hipóteses em que o art. 97 da Constituição Federal deve ser observado, a manifestação do Pretório Excelso delimita o que se entende por controle da constitucionalidade de lei ou ato normativo, fixando, por via indireta, os limites de atuação deste Colegiado. Sabidamente, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) está impedido impedido de exercer tal controle em razão do art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 1972, inserido pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008 5 , transcrito no art. 62 do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 2009, responsável pela aprovação do Regimento Interno desse Colegiado Nesse contexto, demonstrada a incidência da norma ao fato, não se poderia afastar a sua aplicação face ao critério da lex superior constitucional, máxime quando tal norma se situa no plano dos princípios, sabidamente normas de eficácia contida. Por outro lado, dada a ausência de lei expressa, não se pode anistiar a multa litigiosa em razão da situação econômica da pessoa jurídica. Cabe aqui relembrar o que diz o art. 97, do Código Tributário Nacional (original não destacado): Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI - as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Sendo certo que a anistia se insere, juntamente com a isenção, dentre as modalidades de exclusão do crédito tributário, elencadas no art. 175 do CTN 6 , não há como, na ausência de lei que o respalde, acatar o pleito do sujeito passivo. Confira-se ademais, o art. 180 do Código Tributário Nacional (original não destacado): Art. 180. A anistia abrange exclusivamente as infrações cometidas anteriormente à vigência da lei que a concede, não se aplicando: 2.3 – Selic. 4 Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 14-12-04, DJ de 18-2-05. 5 Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 6 Art. 175. Excluem o crédito tributário: I - a isenção; II - a anistia. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 27/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 Apesar da longa dissertação da recorrente acerca da inaplicabilidade da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC aos débitos tributários, não vejo como afastar a sua incidência sobre exigência discutida nos autos do presente recurso. Importante frisar que essa discussão já encontra-se pacificada nesta corte administrativa, sendo inclusive alvo da Súmula CARF nº 4, que diz: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. 3 - Conclusão Com essas considerações, afasto a preliminar de nulidade e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 10 de dezembro de 2010 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 10DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 27/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10825.001281/88-10
Data da sessão: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 1989
Ementa: IRPJ - NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA
QUE NÃO APRECIA FUNDAMENTADAMENTE TODOS OS
PONTOS DA IMPUGNAÇÃO
E nula decisão de primeira instância que
não aprecia, fundamentadamente, todos os
pontos levantados na impugnação.
Recurso provido.
Numero da decisão: 103-09.357
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em declarar nula a decisão de primeiro grau.
Nome do relator: Dícler de Assunção
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Processo n9 10825/001.281/88-10 ... )6,:v, +Srpj7 MINISTÉRIO DA FAZENDA cvgc Semgode 07 de agasto del9 89 ACO58DÃON2 103-09.357 Recunon2 94.663 - IRPJ - EXS: DE 1985 e 1986 Recorrente COMERCIAL RESINEIRA SANNROD LTDA. Recould DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM BAURU - SP - IRPJ - NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTANCIA QUE NÃO APRECIA FallIZEENTADAMENIE TODOS OS PONTOS DA IMPUGNAÇA0 ____ E nula decisao de primeira instancia que não aprecia, fundamentadamente, todos os - pontos levantados na impugnação. . Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por COMERCIAL RESINEIRA SANNROD LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Con selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em declarar nula ; ji decisão de primeiro grau. - Sadas Sessões-DF., em 074dispagosto de 1989. - e gr N 'j DA SILVA C : • • PRESIDENTE Dtc mo • 4 • St ÇA•RELATOR VISTO EM LWZ D OSA BEZER.P.INT 0 PROCURADOR DA SESSÃO DE: a Au:A989 FAZENDA NACIO . 0 NAL Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: AYRES DE OLIVEIRA, LORGIO RIBEIRO, FRANCISCO XAVIER DA SILVA GUIMA - RÃES, BRAZ JANUÁRIO PINTO e LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA. Ausente por/mo- tivo justificado o Conselheiro ANTONIO PASSOS COSTA DE OLIVEIRA. • . ... sERviçon)auconc€RAL Processo n9 10825/001.281/88-10 Recurso n9 94.663 Acórdão n9 103-09.357 Recorrente: COMERCIAL RESINEIRA SANNROD LTDA. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário (f is. 83-A/94) ã decisão de primeira instância do Sr. Delegado da Receita Federal em Bauru - SP (f is. 80/81) que, nos termos da informação fiscal prestada ao processo (f is. 78/79), houve por bem em julgar impro- cedente a impugnação oferecida pela contribuinte (f is. 18/76) a auto de infração contra si lavrado (f is. 01), imputando-lhe as se_ guintes condutas delituosas, verbis: 1. OMISSÃO DE RECEITAS, apurada em levantamento procedido pelo fisco estadual, conforme Auto de In fração e Imposição de Multa, série M - n9 001415 de 31/01/86, pago pelo contribuinte em 05/03/86. Valor da omissão apurada: Ano-base 1984 Cr$ 31.760.750- Ano-base 1985 Cr$ 19.284.783- , Enquadramento legal: Art. 157, § 19 e 179 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo De- creto n9 85.450/80. . 2. ADIÇA() AO LUCRO LÍQUIDO - Ano-Base 1985: Deixou de adicionar ao lucro líquido do exer- cício, o valor das multas por infrações fiscais não dedutíveis como custo ou despesa operacional lavradas em 13/02/85 pelo fisco estadual, conforme Auto de Infração e Imposição de Multa, discrimina- dos abaixo, lançadas no Livro Diário n9 01 - fls.. 64, autenticado no Cartório do Distribuidor da Co- marca de Avaré em 07/05/84, sob n9 7.652, a saber: AIlnarie 1~15883, nom-alardeCr$ 3.213.900- _ MIM-série L-n90015884, no valor de Cr$ 3.250.595- TOTAL . Cr$ 6.464.495- Enquadramento legal: Art. 225, § 49, 387 - I do Regulamento do Impo to de Renda aprovado pelo Decreto n9 85.450/80." )-- ,1 . ... memprámonamm. Processo n9 10825/001.281/88-10 2. Acórdão n9 103-09.357 Em sua impugnação (f is. 18/76), a empresa limitou- -se a questionar a glosa decorrente da tributação estadual, acei- tando a exigência relativa a despesas indedutíveis, inclusive efe_ tuando o pagamento correspondente. Quanto ao item 1 do auto de infração (omissão de receitas) afirmou que a renúncia ã defesa na esfera estadual não. representaria um reconhecimento da infração capitulada. Expôs os motivos que a teriam levado ao pagamento do crédito de ICM. Sus - tentou, ainda-, que haveria erros na ficha de conclusão fiscal do Estado, visto que o valor das vendas ali indicadas não teriam ori_ gem documental, nem indícios de sonegação em sua escrituração.Por fim, através de demonstrativos, procurou demonstrar que os dados do Livro de Apuração do ICM eítariam em perfeita .correspondêndia com as declarações . do imposto de renda. Informação fiscal de fls. 78/79 foi pela manuten - ção do auto de infração, eis que a recorrente não teria _ trazido nenhum elemento que comprovasse a improcedência do auto de infra- ção-estadual, no que lhe seguiu, por completo, a decisão de pri - , meira instância, cuja ementa consigna (fls. 80/81): "OMISSÃO DE RECEITAS - Apuração pelo Fisco Estadual - Pago o tributo cobrado sobre a receita omitida a purado pela fiscalização estadual é legítima a in- cidência do I. Renda sobre essa receita. ADIÇÃO AO LUCRO LIQUIDO - Recolhido o crédito tri- butário sobre a parte não contestada, cancela-se a exigência. LANÇAMENTO PROCEDENTE:" Recorrendo a esse Conselho (fls. 83-A/94), a con - tribuinte alegou que não se enquadraria nas hipóteses dos arts.157 e 179 do RIR/80, utilizados pela fiscalização como fundamento pa- ra a autuação, já que manteria escrituração contábil, que foi vis_ toriada pelo fiscal autuante, o qual nada teria encontrado que a desabonasse. Portanto, a escrita faria prova a seu favor. Argüiu, também, que os documentos apresentados com a impugnação não teri L am sido examinados em primeira ins ância. Ratificou que sua dec O f ti 11 ..anommovemuL Processo n9 10825/001.281/88-10 Acórdão n9 103-09.357 ração de rendimentos estaria de acordo com o Livro de apuraç ICM e que o pagamento do tributo na esfera estadual não reprt teria, reconhecimento da infração capitulada. Por último, proc a uma análise dos elementos imprescindíveis ã existência do administrativo, concluindo que a presente autuação não preencht ria tais elementos, haja vista que se assentaria num AIIM indev do e repleto de erros em seu preenchimento. Este, o relatório. VOTO Conselheiro D1CLER DE ASSUNÇÃO, Relator: O recurso é tempestivo (f is. 83-A194), devendo , por isso, ser conhecido. Preliminarmente, cumpre ressaltar a possibilida- de, no presente caso, da exigência do IRPJ com base em autuação do Fisco Estadual, eis que a Fiscalização Federal valeu-se não apenas das conclusões estaduais, mas também, das suas provas. Trata-se pois, de empréstimos de provas e, por decorrência, de conclusões(e não somente datas) o que é perfeitamente possível para o embasamen to da cobrança respectiva pelo imposto de renda. Vale, ainda, observar que, como sustentou a con- tribuinte, o pagamento do imposto estadual, seja por quaisquer con dições, não restringe o seu direito de defesa na esfera federal , nem atribui-lhe_ a priori, qualquer menos valia substancial. Quanto a essa questão, adoto como linha de pensa vento que, como relator, fixei como parâmetros, no acórdão n9 .... 13-07.388, de 13 de maio de l986J nesse particular unânime, enta traz a seguinte síntese: SERVIÇO MOUCO FEDERAL Processo n9 10825/001,281/88-10 4. Acórdão n9 103-09.357 "IRPJ - PROVA EMPRESTADA DO FISCO ESTADUAL - PAGA- MENTO DO TRIBUTO ESTADUAL - ANISTIA - APRO VEITAMENTO - EFEITOS. _ Admite-se o empréstimo da prova feita por outra fiscalizaçao, no exercício . regular de suas funções, ao efeito de embasar a ação fiscal relativamente ao imposto de renda, no que aqui repercussões houver. O pagamento do tributo na esfera estadual,se ja por concordância implícita com as infra- çaies imputadas, e/ou conveniências econOmi cas (relação de custo-benefício em razão de anistia parcial) ou mesmo financeiras (linhas especiais de financiamentos) ou ainda dificuldades na formulação pronta de uma defesa, é elemento que pesa no sentido do convencimento pelo cometimento das in - frações apontadas. Porém, cada tributo tem as suas peculiaridades, cada esfera tribu- tante sua competência própria, e cada pro- cesso sua amplitude de defesa e autonomia. O empréstimo é da prova, ou seja, fatosede monstrações, levantamentos, em função d3 que firma-se um convencimento, e nao sim - plesmente das conclusões formais, ) ãinda que tenha havido pagamento, ato de vontade que pode ter .a. base fatores diversos de conveniências e/ou oportunidades, e que,na turalmente, não tem como ser erigido à cai dição de uma presunção jure et de jure d; concordância com os fatos subjacentes, pos to que a obrigação tributária, denunciado- ra da ocorrência concreta do fato gerador (imponivel), é ex lege por excelência, e não ex volunta. Se a ação fiscal do imposto de renda, fir- ma-se exclusivamente em conclusões do fis- co estadual, pela ocorrência de omissão de receita do ICM, recusando-se a autoridade de primeira instância a examinar os fatos que estão á base da apuração indireta des- sa omissão de receita, apesar de provocada pelo contribuinte, e, demonstrando essa fragilidade, erros e falhas no levantamen- to feito pela fiscalização do ICM, resta a balada a prova que sustentou a conclusão de omissão de receita tomada como emprésti mo, inviabilizando a cobrança que a , teve como suficiente." Além do mais, a contribuinte insurgiu-se não só con_ tra a autuação federal, como também I e principalmente, contra a a- 4 • • SERVICONDUCOFECCUL Processo n9 10825./001.281188-10 ; 5. Acordei:, n9 10.3-05.357 xigencia estadual, tentando apontar uma serie de erros e impreci - sões contidos nos levantamentos de ICM. A discussão, assim, alastrou-se, extrapolando . OS limites federais para ir repousar na própria esfera estadual, e isso desde a impugnação. Por isso, necesserio, frente a todo esforço da con- tribuinte em desconstituir o auto de infração do ICM, que se averi quem as alegações de erros nas fichas de conclusão estaduais, con- frontando-as com os registros no Livro de Apuração de ICM, ! cujas cópias foram anexadas às fls. 23/63, porem, não examinadas em pri meira instância. Assim pois, considerando o principio geral do con - traditório de um lado, de outro o do duplo grau de jurisdição e por fim a regra segundo a qual, em direito, toda conclusão no ato de decidir de estar escorada em fundamentos, o que não ocor - nu no caso, tenho como imprescindível que tal se de. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do re - curso por tempestivo, para determinar que outra decisão seja pro- ferida, apreciando, fundamentadamente, todos os argumentos decli- nados pelo contribuinte. Bra lila-DF., em 1 7 de agosto de 1989. fir D1,7 • 1 ASSUNÇÃO - RELATOR CVqC Page 1 _0044700.PDF Page 1 _0044900.PDF Page 1 _0045100.PDF Page 1 _0045300.PDF Page 1 _0045500.PDF Page 1
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Numero do processo: 13830.000307/2002-50
Data da sessão: Tue Jan 23 00:00:00 UTC 2007
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 28/02/1996 a 28/02/2001 PIS. DECADÊNCIA. Em face ao disposto no art. 146, inciso III, letra “b”, da Constituição Federal, somente lei complementar pode dispor sobre prazos prescricionais e decadenciais tributários, razão pela qual prevalece o prazo decadencial de cinco anos contados do fato gerador, previsto no artigo 150 do C.T.N, recepcionado com força de lei complementar pela atual Constituição Federal, sobre aquele de dez anos previsto na Lei Ordinária nº 8.212/91. Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: CSRF-02-002.598
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Antonio Bezerra Neto (Relator) que deu provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
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DECADÊNCIA. Em face ao disposto no art. 146, inciso III, letra “b”, da Constituição Federal, somente lei complementar pode dispor sobre prazos prescricionais e decadenciais tributários, razão pela qual prevalece o prazo decadencial de cinco anos contados do fato gerador, previsto no artigo 150 do C.T.N, recepcionado com força de lei complementar pela atual Constituição Federal, sobre aquele de dez anos previsto na Lei Ordinária nº 8.212/91. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Antonio Bezerra Neto (Relator) que deu provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Antonio Bezerra Neto - Relator Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc Fl. 247DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/07/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13830.000307/2002-50 Acórdão n.º 02-002.598 CSRF/T02 Fls. 248 _________ 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, Gileno Gurjão Barreto, Antonio Carlos Atulim, Maria Teresa Martínez López, Antonio Bezerra Neto, Henrique Pinheiro Torres, Flávio de Sá Munhoz, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antônio Gadelha Dias (Presidente à época do julgamento). Ausente momentaneamente o Conselheiro Dalton César Cordeiro de Miranda. Relatório Trata-se de auto de infração, fl. 28 relativo à Contribuição ao Programa de Integração Social - PIS, em razão de ter sido detectada pela fiscalização, insuficiência de recolhimentos, conforme especificado na folha de continuação ao auto de infração, fl. 29, referente ao período de 28/02/96 a 28/02/2001, no valor de 8.729,60, com ciência por via postal em 27/03/2002 (fl. 131). Conforme a Descrição dos Fatos e enquadramento Legal de fls 29 a 31, “constatamos que os valores pagos a título de PIS - Folha de Pagamento, eram inferiores aos calculados pela fiscalização com base nos registros contábeis. Através do item 01 do Termo de Intimação Fiscal de fls 77 a 100, cientificamos o contribuinte da irregularidade apurada e demonstramos, por meio de planilhas, as bases de cálculo e valores do PIS apurados pela fiscalização. Em atendimento à intimação nos foram apresentada qualquer contestação, conforme documentos do contribuinte de fls. 104 a 127”. A contribuinte apresentou a impugnação de fls 132 a 140, onde em síntese diz que, a par de genéricas alegações quanto às imunidades tributárias, a decadência relativa ao período de fevereiro de 1996 a fevereiro de 1997, aduzindo, quanto ao mérito propriamente dito, que os valores considerados como salário pela fiscalização eram meros aditamentos, “e por isso foram deduzidos do cálculo, já que não se procedendo desta maneira estariam tendo dupla incidência do PIS”. A autoridade julgadora de primeira instância, DRJ em Ribeirão Preto - SP, julgou por unanimidade votos, considerar procedente o lançamento. Irresignada com a decisão da DRJ em Ribeirão Preto - SP, a interessada interpôs Recurso Voluntário, de fls. 168 a 177, onde apresenta as seguintes argumentações, no sentido de que: - não há que se falar em fraude, posto que, a recorrente não tentou impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador, haja vista, que esta seria, supostamente, detentora de imunidade tributária; - teria cumprido rigorosamente todos os requisitos relacionados, baseando-se para tal no art. 150, Vi, da CF; Lei nº 1.572/96, dentre outros, aduzindo que a fiscalização fundamentou a suspensão de imunidade unicamente em falta de escritura de uma conta no Banco do Brasil; - a referida conta, embora não tivesse sido registrada no seu Livro Diário, constava em seus controles e registros, tendo sido estes verificados pela auditoria fiscal, acrescentando ainda, que receitas e despesas não se confundem com movimentação bancária e Fl. 248DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/07/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13830.000307/2002-50 Acórdão n.º 02-002.598 CSRF/T02 Fls. 249 _________ 3 podem ter a exatidão comprovada por livros e documentos, a teor do exigido no inciso III, da Lei nº 9.532/97; - foram alcançados pela decadência os fatos geradores relativos aos períodos de fevereiro de 1996 a fevereiro de 1997; - os valores considerados como salário pela fiscalização eram meros adiantamento, não tendo sido, por esta razão, deduzidos do cálculo, já que em não se procedendo desta maneira estariam tendo dupla incidência do PIS. Os membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, às fls. 181 a 187, acordaram por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, quanto ao lançamento, nos termos da ementa que se segue: “ PIS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa amoldam-se à sistemática de lançamento por homologação, prevista no art 150 do CTN, hipótese em que o prazo decadencial tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Mesmo a completa ausência de recolhimento do fato gerador. Mesmo a completa ausência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, da qual pode resultar ou não em pagamento de tributo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALEGAÇÕES NÃO FUNDADA EM PROVAS. Meras alegações desacompanhadas de provas não ensejam a alteração do lançamento. Recurso parcialmente provido.” Às fls. 189 a 205, o representante da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando contrariedade à lei no tocante ao entendimento firmado, onde requer que seja dado provimento ao presente recurso para reformar o acórdão recorrido. Segundo a recorrente, a decisão fustigada foi proferida contrariamente aos ditames da Lei nº 8.212/91 cujo artigo 45 preconiza o prazo decadencial de 10 anos para o fisco efetuar o lançamento da contribuição social em causa. Contra-razões de fls. 216 a 219. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Fl. 249DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/07/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13830.000307/2002-50 Acórdão n.º 02-002.598 CSRF/T02 Fls. 250 _________ 4 O recurso especial da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional pode ser admitido nos termos do art. 32, I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 55/98, e, portanto, dele tomo conhecimento. Como relatado, no recurso especial apresentado a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, a PGFN pede a aplicação do prazo de dez anos na decadência do direito da Fazenda Nacional em constituir crédito tributário relativo à contribuição para o Programa de Integração Social PIS. Sendo o PIS Contribuição sujeita ao lançamento por homologação, o prazo para extinção do direito de a fazenda Pública constituir o crédito é definido pelo § 4º do art. 150 do CTN, que via de regra o fixa em 5 anos. “Art. 150. O lançamento por homologação (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” (grifei) Porém da simples leitura do § 4º, verifica-se que o CTN, em verdade, também faculta à lei a prerrogativa de estipular prazo diverso, maior ou menor, para a ocorrência da extinção do direito da Fazenda Pública. E razoável é que assim seja, posto que, como se sabe, cada exação, além de possuir distintos níveis de complexidade – demandando, portanto, procedimentos de administração, fiscalização e arrecadação de características também distintas -, pode trazer atrás de si interesses públicos de diferenciados matizes, justificando tais circunstâncias a adoção de diferentes prazos decadenciais (como é o caso do FGTS, que por voltar-se à proteção do trabalhador, possui o prazo bem mais amplo de 30 anos, ou as próprias contribuições sociais, que por destinarem-se ao financiamento da seguridade social – função estatal de indiscutível relevância e prioridade -, tiveram o prazo estendido para 10 anos). Dessa forma, deve-se aplicar à Contribuição para o PIS as regras gerais das Contribuições para a Seguridade Social, que estão dispostas na Lei nº 8.212/91. Sobre decadência, dispõe o art. 45, I da Lei nº 8.212/91, verbis: “Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído.” E não se venha alegar que o PIS não estaria abrangido pelo prazo de dez anos previsto na referida Lei, vez que este diploma não mencionaria expressamente predita contribuição social, senão vejamos. O PIS classifica-se como Contribuição para a Seguridade Social. Nesse sentido manifesta o Excelentíssimo Ministro do Supremo Tribunal Federal, Dr. Carlos Veloso, no voto do julgamento do RE nº 138284-8/CE: Fl. 250DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/07/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13830.000307/2002-50 Acórdão n.º 02-002.598 CSRF/T02 Fls. 251 _________ 5 "O PIS e o PASEP, passam, por força do disposto no art. 239 da Constituição, a ter destinação previdenciária. Por tal razão, as incluímos entre as contribuições de seguridade social. Sua exata classificação seria entretanto, ao que penso não fosse a disposição inscrita no art. 139 da Constituição, entre as contribuições sociais gerais. " Confirma essa tese o fato de que, nos termos do 239 da Constituição Federal, a contribuição para o PIS destina-se ao financiamento do abono salarial e do seguro desemprego, que são atribuições da previdência social, nos termos do art. 201, incisos III e IV da Constituição Federal, in verbis: Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) III - proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) IV - salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados de baixa renda; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Outrossim, o PIS é uma contribuição social incidente sobre o faturamento, que é uma das bases de financiamento da seguridade social, ex vi art. 195, da Carta Magna. Portanto, o art. 45 da referida Lei inclui também nesse prazo o PIS. Observa-se, também, que esse entendimento está em consonância com o art. 146, III, “b”, da Constituição Federal de 1988, uma vez que o CTN dispõe sobre normas gerais em matéria de decadência, ao passo que a Lei nº 8.212, de 1991, contém normas específicas, expressamente previstas no § 4º do art. 150 do CTN. Roque Antônio Carraza leciona nesse sentido, quando afirma que à lei de normas gerais não cabe fixar prazos decadencial e prescricional. “... a lei complementar, ao regular a prescrição e decadência tributárias, deverá limitar-se a apontar diretrizes e regras gerais (...) Não é dado, porém, a esta mesma lei complementar entrar na chamada ‘economia interna’, vale dizer, nos assuntos de peculiar interesse das pessoas políticas. (...) a fixação dos prazos prescricionais e decadenciais depende de lei da própria entidade tributante. Não de lei complementar. (...) Falando de modo mais exato, entendemos que os prazos de decadência e prescrição das ‘contribuições previdenciárias’, são agora, de 10 (dez) anos, a teor, respectivamente, dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que, segundo procuramos demonstrar, passam pelo teste de constitucionalidade.” (Apud Leandro Paulsen, Direito Tributário. Constituição e Código Tributário à luz da Doutrina e da Jurisprudência, 6. ed. Ver. Atual., Porto Alegre, Livraria do Advogado. ESMAFE, 2004, p. 1182) Fl. 251DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/07/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13830.000307/2002-50 Acórdão n.º 02-002.598 CSRF/T02 Fls. 252 _________ 6 Não é só na doutrina que tal entendimento tem se mostrado presente. Exemplar neste sentido é a recente decisão unânime da 1.ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, prolatada nos autos do Recurso Especial n.º 189.151/SP, de 02/08/1999, que teve como relator o Min. Humberto Gomes de Barros, e que ficou assim ementada: PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO DA COBRANÇA DE TRIBUTOS FISCAIS (Lei 6.830/80). POSSIBILIDADE DE SER TRATADA EM LEI ORDINÁRIA. Os dispositivos que tratam da prescrição da ação de cobrança de tributos não constituem normas gerais de direito tributário. Podem, assim ser tratados em lei federal ordinária. Precedentes do STJ. Como se percebe, também no âmbito de nossos tribunais superiores a tese exposta encontra acolhida. Certo é que o acórdão refere-se à prescrição, mas a analogia com a decadência é evidente. Por seu turno, vale acrescentar que o Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002 (DOU de 18/12/2002), que regulamenta a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS devidas pelas pessoas jurídicas em geral, reza: “Art. 95. O prazo para constituição de créditos do PIS/Pasep e da Cofins extingue-se após 10 (dez) anos, contados (Lei nº 8.212, de 1991, art. 45): I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído;” Dessa forma, verifico que não houve a decadência dos créditos da Contribuição para o PIS relativos aos períodos de apuração 28/02/96 a 28/02/2001, já que a Contribuinte teve ciência do Auto de Infração em 27/03/2002 (fl.131), antes do prazo de dez anos do art. 45, I, da Lei nº 8.212/91. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É assim como voto. Antonio Bezerra Neto Voto Vencedor Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc Nos termos do art. 17, III, do RICARF 1 , incumbiu-me o Senhor Presidente do Colegiado de formalizar o presente acórdão, tendo em vista que o relator originário, 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: Fl. 252DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/07/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13830.000307/2002-50 Acórdão n.º 02-002.598 CSRF/T02 Fls. 253 _________ 7 Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, deixou o colegiado antes da formalização e assinatura do acórdão. Para tal fim, adoto a fundamentação lançada na minuta de voto lida em sessão e entregue pelo ilustre relator originário por ocasião da sessão de julgamento, in verbis: "No que diz respeito ao prazo decadencial para lançamento do tributo, adoto como razões de decidir os argumentos utilizados pelo I. Conselheiro Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowski, transcritos a partir da decisão a quo: As contribuições sociais, dentre elas a referente ao PIS, embora não compondo o elenco dos impostos, têm caráter tributário, devendo seguir as regras inerentes aos tributos, no que não colidir com as constitucionais que lhe forem especificadas. Em face do disposto nos arts. 146, III, “b””, e 149 da Carta Magna de 1988, a decadência do direito de lançar as contribuições sociais deve ser disciplinada em lei complementar, afastando-se, portanto, eventual aplicação do disposto no artigo 45 da Lei no. 8.212/91, sendo qüinqüenal o prazo decadencial para constituição de crédito tributário relativo à contribuição ao PIS. Por essa razão, à falta de lei complementar específica dispondo sobre a matéria, ou de lei anterior recepcionada pela Constituição, a Fazenda Pública deve seguir as regras de caducidade previstas no Código Tributário Nacional. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial se desloca da regra prevista no art. 173 do CTN para encontrar respaldo no § 4 o do artigo 150 do mesmo Código, hipótese em que o termo inicial para contagem do prazo de cinco anos é a data da ocorrência do fato gerador, in verbis: Art. 150 (...) § 4 o Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário, salvo se comprovada a ocorrência de colo, fraude ou simulação”. A partir da leitura do dispositivo legal acima transcrito, pode-se concluir que o Fisco não homologa o pagamento, diversamente do que possa parecer à primeira leitura, mas sim a atividade do contribuinte que deu azo à incidência do tributo, entendimento que compartilho com o d. Conselheiro José Antonio Minatel, in verbis: “(...) Refuto, também, o argumento daqueles que entendem que só pode haver homologação do pagamento e, por conseqüência, como o lançamento efetuado pelo Fisco decorre da insuficiência de recolhimentos, o procedimento fiscal não mais estaria no campo de (...) III - designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazê-lo ou não mais componha o colegiado; Fl. 253DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/07/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13830.000307/2002-50 Acórdão n.º 02-002.598 CSRF/T02 Fls. 254 _________ 8 homologação, deslocando-se para a modalidade de lançamento de ofício, sempre sujeito à regra geral de decadência do art. 173 do CTN. Nada mais falacioso. Em primeiro lugar, porque não [e isto que está escrito no caput do art. 150 do CTN, cujo comando não pode ser sepultado na vala da conveniência interpretativa, porque, queiram ou não, o citado artigo define com todas as letras que ‘o lançamento por homologação...opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.’ O que é passível de ser ou não homologada é a atividade exercida pelo sujeito passivo, em todos os seus contornos legais, dos quais sobressaem os efeitos tributários. Limitar a atividade de homologação exclusivamente à quantia paga significa reduzir a atividade da administração tributária a um nada, ou a um procedimento de obviedade absoluta, visto que toda quantia ingressada deveria ser homologada e, a contrário sensu, não homologado o que não está pago. (...)” (1 o Conselho de Contribuintes, 8 a Câmara, Ac. no. 108-4393, Relator Conselheiro José Antonio Minatel) Neste mesmo sentido vem decidindo a Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, in verbis: “... o que se homologa não é o pagamento, mas a atividade exercida pelo sujeito passivo; e se for expressa essa homologação deverá recair sobre o procedimento total do administrado... 6. Conseqüentemente, data vênia dos que concluem em contrário, a eventual ausência do recolhimento da prestação devida não altera a natureza do lançamento”. (Ac. CSRF no. 01-0.174/81, Relator Conselheiro Presidente Amador Outerelo Fernandez) “Trata-se de matéria já objeto de decisão por parte desta Câmara Superior, exaustivamente analisada no voto proferido pelo insigne Conselheiro Presidente, Dr. Urgel Pereira Lopes, conforme, Acórdão no. CSRF/01-370, de 23.09.1983, do qual pedimos vênia para transcrever as conclusões: ‘a) nos impostos que comportam o lançamento por homologação, como, por exemplo, o IPI, o ICM e, neste caso, o imposto de renda na fonte, a exigibilidade do tributo independe de prévio lançamento; b) o pagamento do tributo, por iniciativa do contribuinte, mas em obediência a comando legal, extingue o crédito, embora sob condição resolutória de ulterior homologação; c) transcorridos cinco anos a contar do fato gerador, o ato jurídico administrativo da homologação expressa não pode mais ser revisto pelo fisco, ficando o sujeito passivo inteiramente liberado; d) de igual modo, transcorrido o qüinqüênio sem que o fisco se tenha manifestado, dá-se a homologação ficta, com definitiva liberação do Fl. 254DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/07/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13830.000307/2002-50 Acórdão n.º 02-002.598 CSRF/T02 Fls. 255 _________ 9 sujeito passivo, na linha de pensamento de SOUTO MAIOR BORGES, que acolho por inteiro; e) as conclusões de “c” e “d” acima aplicam-se (ressalvados os casos de dolo, fraude ou simulação) às seguintes situações jurídicas (I) o sujeito passivo paga integralmente o tributo devido; (II) o sujeito passivo paga tributo integralmente devido; (III) o sujeito paga o tributo com insuficiência; (IV) o sujeito passivo paga o tributo maior do que o devido; (V) o sujeito passivo não paga o tributo devido. f) em todas essas hipóteses o que se homologa é a atividade prévia do sujeito passivo. Em caso de o contribuinte não haver pago o tributo devido, dir-se-á que não há atividade a homologar. Todavia, a construção de SOUTO MAIOR BORGES, compatibilizando, excelentemente, a coexistência de procedimento e ato jurídico administrativo no lançamento, à luz do ordenamento jurídico vigente, deixou clara a existência de uma ficção legal na homologação tácita, porque nela o legislador pôs na lei a idéia de que, se toma o que não é como se fosse, expediente de técnica jurídica da ficção legal. Se a homologação é ato de controle da atividade do contribuinte, quando se dá a homologação tácita, deve-se considerar que, também por ficção legal, deu-se por realizada a atividade tacitamente homologada”. (Ac. CSRF no. 01-01.036/90, Relator Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral) Por essas razões, declaro a decadência do direito do Fisco de proceder ao lançamento da referida contribuição relativamente aos fatos geradores anteriores a 27.03.97. Isso posto, voto por negar provimento ao Recurso Especial do Procurador quanto ao prazo decadencial para lançamento do tributo, seguindo os demais conselheiros quanto às razões de decidir acerca dos demais tópicos. É como voto." Com esses fundamentos, na assentada do dia 23 de janeiro de 2007 a Câmara Superior de Recursos Fiscais negou provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Antonio Carlos Atulim Fl. 255DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/07/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Relatório Voto
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