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Numero do processo: 16004.000167/2009-17
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/11/2004
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD. RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO DO VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA. DESCUMPRIMENTO. CARACTERIZAÇÃO DA FALTA.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DE PRONUNCIAMENTO DO CARF.
1. As empresas são obrigadas por força de lei a reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura, na contratação de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra e / ou empreitada, e recolher a importância retida em nome da empresa prestadora de serviços, inteligência do artigo 31 da Lei nº 8.212/91.
2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a
inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-001.035
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: AMÍLCAR BARCA TEIXEIRA JÚNIOR
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2004 a 30/11/2004 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD. RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO DO VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA. DESCUMPRIMENTO. CARACTERIZAÇÃO DA FALTA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DE PRONUNCIAMENTO DO CARF. 1. As empresas são obrigadas por força de lei a reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura, na contratação de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra e / ou empreitada, e recolher a importância retida em nome da empresa prestadora de serviços, inteligência do artigo 31 da Lei nº 8.212/91. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD. RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO DO VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA. DESCUMPRIMENTO. CARACTERIZAÇÃO DA FALTA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DE PRONUNCIAMENTO DO CARF. 1. As empresas são obrigadas por força de lei a reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura, na contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra e / ou empreitada, e recolher a importância retida em nome da empresa prestadora de serviços, inteligência do artigo 31 da Lei nº 8.212/91. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente Fl. 122DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1019.09011.A1FV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.000167/200917 Acórdão n.º 280301.035 S2TE03 Fl. 311 2 (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Wilson Antonio de Souza Correa. Fl. 123DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1019.09011.A1FV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.000167/200917 Acórdão n.º 280301.035 S2TE03 Fl. 312 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrada em desfavor do contribuinte acima indicado. De acordo com o Relatório Fiscal o lançamento diz respeito à retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, abrangendo as competências de 09/2004 a 11/2004. O Contribuinte, devidamente notificado em 11 de maio de 2009, apresentou defesa tempestiva em 15 de junho de 2009. A impugnação foi julgada em 11 de agosto de 2010, ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/0912004 a 30/11/2004 CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO. O contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra responde pela retenção de 11% sobre os valores pagos ás empresas contratadas e pelo repasse a Seguridade Social, a titulo de antecipação de recolhimento das contribuições das empresas contratadas. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis e atos normativos é prerrogativa do Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pela Administração Pública. Impugnação Improcedente Credito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A substituição tributária há tempos provoca divergências no cenário jurídico brasileiro. No caso da norma em comento, ainda mais, por se tratar de cobrança de imposto corn fato gerador futuro, portanto, de ocorrência incerta. Baseiase a exigência, no § 7 0 do art. 150 da Constituição Federal. Ocorre, porém, que tal inciso, adicionado à Carta Magna mediante a Emenda Constitucional n° 3/93, Fl. 124DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1019.09011.A1FV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.000167/200917 Acórdão n.º 280301.035 S2TE03 Fl. 313 4 tem sua constitucionalidade questionada há tempos, por instituir a malfadada tributação de fato gerador presumido. Ainda que o tributado apresente grandes traços de riqueza, não pode prevalecer norma relacionada a evento futuro e incerto, cobrando de antemão sobre renda ainda não auferida. Bem se sabe que a substituição tributária, prevista nos artigos 121 e 128 do CTN, referemse ao sujeito passivo. É responsabilidade tributária conferida a outrem que não o contribuinte. Nada tem a ver com fato gerador ou base de cálculo do tributo, que não são modificados. No caso, não se contentou o legislador em eleger substituto tributário, mas, também, alterou a base de cálculo e o fato gerador. O que o tomador dos serviços deve reter é percentual incidente sobre valor da nota fiscal ou fatura, que documentam o que paga pela prestação que recebe, matéria fática que é diversa do conjunto de remunerações que o cedente paga ou credita a seus empregados e outros agentes. À vista da argumentação anteriormente explicitada, não subsistem as normas que fundamentam a presente autuação, por manifesta afronta a corolários constitucionais, ainda que baseadas em emenda constitucional, por ser esta também não recepcionada pelos citados princípios. Destaco, ainda, que a contribuição da empresa prestadora continuará devida, haja ou não a substituição tributária, motivo pelo qual o INSS não será prejudicado e nada justifica manter a responsabilidade ilegitimamente estabelecida. Por estas razões, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a Requerente seja acolhido o presente Recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 125DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1019.09011.A1FV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.000167/200917 Acórdão n.º 280301.035 S2TE03 Fl. 314 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Há que se destacar que o fato que motivou o lançamento, ou seja, a não retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, nos termos do art. 31 Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998, foi objeto de apreciação, pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática pelo art. 543B, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, onde foi reconhecida a Repercussão Geral – processo RE 603191. Em virtude das informações acima, até o dia 12/08/2011, os membros do CARF aplicaram, para situações semelhantes, as regras previstas no novel art. 62A, do Regimento Interno. Contudo, por intermédio da ATA nº 19, de 01/08/2011. DJE nº 155, divulgado em 12/08/2001, o Plenário do STF proferiu a seguinte decisão: O Tribunal, por maioria, e nos termos do voto da Relatora, negou provimento ao recurso extraordinário, contra o voto do Senhor Ministro Marco Aurélio. Votou o Presidente, o Ministro Cezar Peluso. Ausente o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, licenciado. Falou pela União a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 01.08.2011. De agora em diante, porém, não existe mais razão para manter o sobrestamento dos autos, tendo em vista que o não provimento do Recurso Extraordinário que se constituía no Leading Case sobre a matéria, permite o prosseguimento do julgamento na órbita do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Destarte, e indo direto ao mérito da questão controvertida, não paira qualquer dúvida de que a recorrente descumpriu os comandos insertos no art. 31 da lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. Fl. 126DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1019.09011.A1FV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.000167/200917 Acórdão n.º 280301.035 S2TE03 Fl. 315 6 (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (Produção de efeitos). § 1o O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). I limpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). II vigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). III empreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). § 5o O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). § 6o Em se tratando de retenção e recolhimento realizados na forma do caput deste artigo, em nome de consórcio, de que tratam os arts. 278 e 279 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicase o disposto em todo este artigo, observada a participação de cada uma das empresas consorciadas, na forma do respectivo ato constitutivo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Como se pode observar, as obrigações descumpridas estão referendadas na legislação em vigor, motivo pelo qual não resta dúvida da correção do lançamento. Fl. 127DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1019.09011.A1FV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.000167/200917 Acórdão n.º 280301.035 S2TE03 Fl. 316 7 Vêse, pois, da análise dos autos, que as faltas cometidas pela recorrente são ensejadoras da punição prevista na legislação previdenciária. As empresas são obrigadas por força de lei a reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura, na contratação de serviços executados mediante cessão de mão deobra e / ou empreitada, e recolher a importância retida em nome da empresa prestadora de serviços, inteligência do artigo 31 da Lei nº 8.212/91. Sobre a arguição de inconstitucionalidade, aplico a Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 128DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1019.09011.A1FV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR em 10/10/2011 10:39:10. Documento autenticado digitalmente por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR em 10/10/2011. Documento assinado digitalmente por: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA em 14/10/2011 e AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR em 10/10/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 15/10/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP15.1019.09011.A1FV Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: E99D18C1947F9CCC361C5B0C4BE82DAE74E1FD18 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 16004.000167/2009-17. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000062/2007-81
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 28/02/2007
AUTO DE INFRAÇÃO – AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE TODOS OS
FATOS GERADORES. DECADÊNCIA PARCIAL. DAS FALTAS JUSTIFICADORAS DA
MULTA. RECONHECIDA . DESCONSIDERAÇÃO DE PERSONALIDADE JURÍDICA. INEXISTÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. POSSIBILIDADE.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-001.040
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), em relação as faltas justificadoras da infração e da aplicação da multa até a competência 10/2001, inclusive, devendo os valores relativos a estas competências serem excluídas do presente crédito, não acatando todas as demais teses da recorrente.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 28/02/2007 AUTO DE INFRAÇÃO – AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE TODOS OS FATOS GERADORES. DECADÊNCIA PARCIAL. DAS FALTAS JUSTIFICADORAS DA MULTA. RECONHECIDA . DESCONSIDERAÇÃO DE PERSONALIDADE JURÍDICA. INEXISTÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. POSSIBILIDADE. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 28/02/2007 AUTO DE INFRAÇÃO – AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE TODOS OS FATOS GERADORES. DECADÊNCIA PARCIAL. DAS FALTAS JUSTIFICADORAS DA MULTA. RECONHECIDA . DESCONSIDERAÇÃO DE PERSONALIDADE JURÍDICA. INEXISTÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. POSSIBILIDADE. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), em relação as faltas justificadoras da infração e da aplicação da multa até a competência 10/2001, inclusive, devendo os valores relativos a estas competências serem excluídas do presente crédito, não acatando todas as demais teses da recorrente. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira – Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato, Wilson Antonio de Souza Correa. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000062/200781 Acórdão n.º 2803001.040 S2TE03 Fl. 299 2 Relatório O presente Auto de Infração – AI DEBCAD 37.056.4235, CFL.68, apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 3º, acrescentados pela Lei 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 5º, também, acrescentados pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, objetivando a aplicação de multa punitiva em razão do descumprimento do dever instrumental, referente ao período de apuração 06/1999 a 12/2005, conforme Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, de fls. 06 a 09. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, em 13/03/2007, conforme, Folha de Rosto do Auto de Infração – FR, de fls. 01. As faltas justificadoras da autuação estão descritas, no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa – REFISC, de fls. 75 a 78, onde o período da multa vai de 01/2000 a 12/2005, não incluindo o 13º destes anos. A empresa apresentou impugnação, em 28/03/2007, as fls. 226 a 238, tal impugnação foi acompanhada dos documentos, de fls. 239 a 248. A impugnação fora considerada tempestiva, fls.251 e 252. O órgão julgador de primeiro grau prolatou o Acórdão Nº 1215.677 13ª Turma DRJ/RJOI, em 29/08/2007, conforme fls. 256 a 265, na qual o lançamento foi considerado procedente. O sujeito passivo foi cientificado dessa decisão, em 27/12/2007, AR, de fls. 266. O contribuinte interpôs recurso voluntário, recebido em 16/01/2008, de fls. 267 a 282, acompanhado dos documentos, de fls. 283 a 293. As razões recursais em resumidíssima síntese são as seguintes. Pressupostos de admissibilidade. • Que o recurso é tempestivo. • Que o depósito recursal é inconstitucional, segundo o STF e foi revogado pela MP 413/2008; Preliminarmente. • Que o artigo 45, da Lei 8.212/91 é inconstitucional, sendo assim nulo o prazo decadencial de 10 anos, sendo que o artigo 173, I, do CTN Fl. 2DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000062/200781 Acórdão n.º 2803001.040 S2TE03 Fl. 300 3 fixa cinco anos, estando decadentes os fatos geradores ocorridos até 12/2001; Mérito. • Que o fiscal supôs que todas as contribuições não foram declaradas em GFIP, bem como supôs que os vários contratos de prestação de serviços encobriam vínculo empregatício; • Que houve erro na contabilidade por parte da recorrente que registrou duas vezes relatório de horas, mas que tal erro foi corrigido; • Que o auto é nulo, pois carece de decisão judicial que reconheça a recorrente como devedora, devendo ser julgado nulo o débito ante e reratificação do livros fiscais; • Que a autoridade fiscal não tem atribuição, para avaliar a legalidade da contratação, sendo isto atribuição exclusiva do judiciário, que no exercício do poder de policio não pode o fisco invadir a esfera de outro poder e decidir sem dilação probatória; • Que a autoridade fiscal não tem atribuição, pois o parágrafo único do artigo 116 não é aplicável, por falta da lei determinadora do procedimento da desconsideração; • Que a NFLD é nula, pois o agente fiscal usurpou competência da Justiça do Trabalho, que sem o provimento jurisdicional com a dilação probatória, acerca de vínculo empregatício não pode o fisco tachar a empresa de devedora, não estando presente os pressupostos legais tais como: abuso de direito; • Que a desconstituição de personalidade jurídica é atribuição exclusiva do autoridade judiciária, não podendo ser feita por auditor fiscal, só sendo aplicável tal medida extrema na presença de ilícito, burla à lei; • Que no presente caso não há relação empregatícia entre a recorrente e as empresas contratadas ou com os prestadores desta, não apenas atividade de autônomos, sem vínculo laboral; • Que o ato administrativo possui relativa presunção de legitimidade, mas o fisco deve trazer ao lançamento substrato probatório; • Requer ao final: a) acolhimento da preliminar de decadência; b) reforma da decisão a quo, julgando o crédito improcedente ou pelo menos com a exclusão das competências 01/2000 a 12/2002 devido a decadência. O recurso foi considerado tempestivo, fls. 296. Os autos subiram ao 2° Conselho de Contribuintes, fls. 296. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000062/200781 Acórdão n.º 2803001.040 S2TE03 Fl. 301 4 É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000062/200781 Acórdão n.º 2803001.040 S2TE03 Fl. 302 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso foi interposto tempestivamente, conforme consta, fls. 296, e comprovam o, AR, de fls. 266, e a Petição Recursal, com carimbo de recepção do recurso, em 16/01/2008, fls. 267. A recorrente não realizou o depósito recursal, tendo em vista que este foi extinto pelo MP 413/2008 convertida na Lei 11.727/2008. Presentes os pressupostos de admissibilidade passo ao recurso. Preliminares. A decadência, embora, leve a julgamento de mérito deve ser apreciada antes das demais matérias por ser antecedente lógico, pois caso reconhecida de maneira parcial ou total pode inviabilizar o conhecimento das questões suscitadas, também, de forma parcial ou total. A alegação de decadência encontra eco na legislação, uma vez que depois de proferida a decisão pela autoridade julgadora a quo o Supremo Tribunal Federal entendeu por editar a Súmula Vinculante N° 08/2008, abaixo transcrita: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. E conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 tal norma vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. No caso em estudo a questão é saber qual deve ser o marco inicial da decadência, ou seja, a contagem darseia pelo artigo 150, 4° ou 173, I, ambos do CTN. Aplicase o primeiro no caso de antecipação de pagamento e o segundo em não havendo tal antecipação, conforme já definido pelo STJ, sendo a teoria mais aceita e que, também, adoto, como a seguir explicitada: RECURSO ESPECIAL Nº 970.947 SC (2007/01732916) Esta Corte tem firmado o entendimento de que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000062/200781 Acórdão n.º 2803001.040 S2TE03 Fl. 303 6 a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos, contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos, contado do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. No presente caso a meu ver a regra a ser aplicada é a do artigo 173, I, da Lei 5.172/66, pois estamos no campo do auto de infração por descumprimento de dever instrumental e neste caso não há antecipação de pagamento, pois se tivesse havido pagamento o crédito estaria extinto e não haveria o presente julgamento. No presente caso aplicouse o Precedente da Primeira Seção do STJ submetido ao rito do artigo 543C, do CPC RESP 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 12.08.2009, DJe 18.09.2009), nos termos do artigo 62A da Portaria MF/GM 256/2009 – Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Desta forma, segundo explicitado pela agente autuante, no REFISC, de fls. 16 a 74, conforme supramencionado, as faltas justificadoras da infração estão neste consignadas e referemse a período de 01/2000 a 12/2005, conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa – REFISC, de fls. 75 a 78. Contandose a decadência pela regra do primeiro dia do exercício seguinte em que o crédito poderia ter sido lançado e compatibilizando esta com o prazo retroativo de cinco do MPF, que foi recebido, em 06/11/2006, para o período a ser fiscalizado, temse o marco inicial da decadência como sendo 07/11/2001, assim, as faltas ocorridas entre 01/2000 a 10/2001, inclusive, estão decadentes e não justificam a infração, devendo ser excluídas deste crédito. O agente fiscal autuante não supôs nada muito pelo contrário demonstrou de forma clara e discriminada a sistemática da declaração de todas os fatos geradores em GFIP, bem como o acobertamento de pagamento de salários via suposta prestação de serviços por interpostas pessoas jurídicas, tudo conforme passagens a seguir transcritas. 2) Apuramos contribuições através nos lançamentos contábeis efetuados nas Contas: 3.01.02.01.0.00.046 CUSTO DOS RECURSOS, 3.01.02.01.0.00.047 CUSTO DE FERIAS E FOLGAS, 3.01.02.01.0.00.048 CUSTO DE OCIOSIDADE e 3.01.02.01.0.00.049 CUSTO DE BANCO DE HORAS, cujas contribuições foram lançadas A cota da NFLD DEBCAD N" 37.056.4227, que da mesma forma do narrado no item anterior não foram levados a feito nas respectivas GFIP's, tudo a vista do "DEMONSTRATIVO DO DÉBITO ANEXO A NFLD DEBCAD N° 37.056.4227", constituído de 27(vinte e sete) folhas, que passa a constituirse em fls. 80/106 do presente relatório. 3) Arrola também o presente Auto de Infração contribuições apuradas com a lavratura de 80 (oitenta) NFLD's, cujos valores estão demonstrados no ANEXO I — Demonstrativo dos Valores Apurados, correspondentes a valores pagos por terceirização em desacordo com lei, onde restaram provados os fatos, indenes de dúvidas, quanto ao vinculo empregatício dos ditos "micros empresários" com a Notificada em razão, dentre outros, pelos fatos a seguir narrados e demonstrados como: 3.1) Empregados devidamente registrados no quadro de Fl. 6DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000062/200781 Acórdão n.º 2803001.040 S2TE03 Fl. 304 7 funcionários da Notificada recebendo o piso mínimo da categoria profissional em folha de pagamento e complementando suas remunerações com a emissão de notas fiscais de serviços; 3.2) "Pessoas Jurídicas" recebendo Participação nos Lucros, modalidade de remuneração essa pertinente exclusivamente A categoria dos empregados na forma disposta pelo artigo 7', inciso XI, da Constituição Federal, disciplinada pela Lei n° 10.101/2000, pagos em desacordo com os pressupostos da Lei N° 10.101/2000, notadamente em seu Artigo 2', Incisos I e II. 3.3) Prestadores de serviços cumprindo jornada de trabalho de oito horas, alguns com intervalo de uma hora para almoço conforme cláusula inserida no Anexo I do Contrato de Trabalho celebrado entre as partes e/ou marcação de cartão de ponto. 3.4) Prestadores de serviços recebendo "ajuda de custo" mensal e 3.5) Prestadores de serviços recebendo valores a titulo de alimentação e transporte. As constatações e esclarecimentos continuam em muitos outros trechos do relatório todos com fulcro em vasto conteúdo probatório acostado nos respectivos autos e discriminados por meio de planilhas e com a anexação do relatório da notificação nº 37.056.4219, as fls.79 a 92. A autoridade fiscal em momento algum no REFISC, de fls. 16 a 74, fundamentou a caracterização da condição de segurado empregado na aplicação do artigo 116, parágrafo único da Lei 5.172/66. O suposto erro na contabilidade carece de prova, pois é fato extintivo, modificativo ou impeditivo do direito comprovado do fisco, artigo 333, II da Lei 5.869/73 c/c o artigo 16, § 4º do Decreto 70.235/72. Além do que, sobre o tema incide o artigo 147, § 1º da Lei 5.172/66. A autoridade fiscal não verificou a legalidade da contratação, do contrato ou do negócio jurídico, pois isto não lhe compete, mas averigua e lança as contribuições devidas em razão da ocorrência do fato gerador e da presença dos requisitos da configuração de segurado obrigatório na categoria de empregado, nos termos do artigo 12, I, “a” da Lei 8.212/91 c/c o artigo 142 e c/c o artigo 149, ambos, da Lei 5.172/66. Devese levar em conta também que não se registra na contabilidade horas de trabalho, pois isto não é fato contábil, uma vez que não gera alteração do patrimônio da empresa, talvez, os salários devidos pelas horas trabalhadas. A autoridade fiscal em momento algum no REFISC, de fls. 16 a 74, fundamentou a caracterização da condição de segurado empregado na aplicação do artigo 116, parágrafo único da Lei 5.172/66, como já dito acima. A fiscalização apenas vez averiguar se os elementos da alínea “a”, do inciso I, do artigo 12 da Lei 8.212/91 estão presentes no caso concerto e nada mais. Aliás, a jurisprudência é assente quanto a competência da fiscalização previdenciária para empreender tal atividade. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000062/200781 Acórdão n.º 2803001.040 S2TE03 Fl. 305 8 TRIBUTÁRIO – AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL – INSS – COMPETÊNCIA – FISCALIZAÇÃO – AFERIÇÃO – VÍNCULO EMPREGATÍCIO. 1. A autarquia previdenciária, por meio de seus agentes fiscais, tem competência para reconhecer vínculo trabalhista para fins de arrecadação e lançamento de contribuição previdenciária. 2. O acórdão recorrido decidiu manter a validade das NFLDs, com base em provas fáticas. Aferir a documentação que instruiu a causa, para efeito de análise do enquadramento de terceirizados como empregados, demandaria o reexame de todo o contexto fáticoprobatório dos autos, o que é defeso a esta Corte em vista do óbice da Súmula 7/STJ. Recurso parcialmente conhecido e improvido.(RESP 200602188458, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 13/10/2008) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INSS. FISCALIZAÇÃO DE EMPRESA. CONSTATAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO NÃO DECLARADO. COMPETÊNCIA. AUTUAÇÃO. POSSIBILIDADE. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA. I Inexiste na espécie sub judice qualquer omissão, obscuridade ou contradição, apenas o intuito de rediscutir matéria já decidida, emprestandolhe o efeito infringente. II O acórdão embargado exarou o entendimento, já sufragado por ambas as Turmas componentes desta Primeira Seção, de que possui a autarquia previdenciária competência para, quando da fiscalização, averiguar a existência de vínculo empregatício e, diante da existência deste, proceder à autuação da empresa. III O recurso especial em tela foi interposto em sede de apelação em mandado de segurança, no qual a discussão mestra se referia à competência do INSS para o reconhecimento da existência ou não de vínculo laboral. Assim, descabe o argumento do embargante de que este STJ teria laborado em supressão de instância, em face de os Julgadores Ordinários não terem ainda examinado se existentes ou não in casu os requisitos do art. 3º da CLT, configuradores de vínculo empregatício. Tal assertiva revelase mais como tentativa de alterar o foco da questão jurídica efetivamente discutida nos autos, ainda mais porque tal verificação, por implicar em dilação probatória, sequer é compatível com a via mandamental. IV Embargos de declaração rejeitados.(EDRESP 200600544830, FRANCISCO FALCÃO, STJ PRIMEIRA TURMA, 18/12/2006) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ANULAÇÃO DE NFLD. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA PREVISTA NO ART. 31 DA LEI Nº 8.212/91, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 9.711/98. CONSTITUCIONALIDADE. DEDUÇÃO DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS. AUTÔNOMO. CARACTERIZAÇÃO DE RELAÇÃO DE EMPREGO. CABIMENTO. REDUÇÃO DA VERBA HONORÁRIA. 1. A jurisprudência é pacífica quanto à validade da alteração da sistemática de recolhimento das contribuições previdenciárias, levada a efeito pela modificação do art. 31 da Lei nº 8.212/91 pela Lei nº 9.711/98. Precedentes, inclusive do STF. 2. A prestação de serviços contratada pela empresa enquadrase como empreitada de mão de obra, hipótese em que também se aplica a substituição tributária, por força da disposição expressa do art. 31, § 4º, III, da Lei nº 8.212/91. 3. Impossibilidade de dedução dos gastos com materiais da base de cálculo da contribuição devida, em razão da falta de comprovação de tais despesas. 4. Nos termos do art. 33 da Lei nº 8.212/91, a fiscalização Fl. 8DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000062/200781 Acórdão n.º 2803001.040 S2TE03 Fl. 306 9 previdenciária tem o poder de investigar e lançar a contribuição, caso reconheça que há relação de emprego e não de prestação de serviços autônomos, sendo que o reconhecimento do vínculo empregatício para fins de arrecadação e lançamento de contribuição previdenciária não implica reconhecimento de direitos decorrentes da relação empregatícia. 5. Presunção de legitimidade da notificação fiscal não ilidida pela parte autora. 6. Redução da verba honorária. Relativa simplicidade da tese jurídica debatida nos autos. Ausência de realização da fase de instrução. 7. Apelação parcialmente provida. (AC 200451010229441, Desembargador Federal ANTONIO HENRIQUE C. DA SILVA, TRF2 QUARTA TURMA ESPECIALIZADA, 25/03/2010) (os destaques são meus). Desta forma, fica evidente que não há que se falar em aplicação da citada norma e muito menos em usurpação da competência da Justiça do Trabalho, pois não se trata de reconhecer vínculo empregatício para fins trabalhista, mas tão somente a existência dos requisitos da configuração do segurado obrigatório na categoria de empregado. Mostrase, também, evidente pelo que foi supramencionado que não ocorreu descaracterização da personalidade jurídica de ninguém. Apenas a fiscalização atuou com sua competência legal de investigar a relação entre o trabalhador e a autarquia previdenciária, enquadrando àquele na categoria que realmente se faz presente. No entanto, ainda, que se fizesse necessário a desconsideração da personalidade jurídica das interpostas pessoas jurídicas na relação previdenciária, tal ocorrência seria possível, pois tal atribuição/competência não é exclusiva do judiciário PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO INOCORRÊNCIA DE LITISCONSÓRCIO NECESSÁRIO VÍNCULO FAMILIAR DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. 1. As hipóteses de configuração de litisconsórcio necessário estão no artigo 47 do CPC, o qual exige imposição de lei, ou a existência de vínculo natural, pela natureza da relação jurídica. 2. A base fática da demanda descarta a existência de liame entre os litisconsortes, de relevância para o desfecho da causa, sendo certo que o fato de pertencerem os litisconsortes a uma só família não os coloca na mesma relação jurídica discutida nos autos. 3. Examinada a lei aplicável à espécie, o CTN, o primeiro diploma do direito pátrio a consagrar a teoria da desconsideração da pessoa jurídica, não se encontra, nas hipóteses do artigo 134 do CTN, determinação legislativa justificadora do litisconsórcio.= 4. Recurso especial provido.(RESP 200200625278, ELIANA CALMON, STJ SEGUNDA TURMA, 27/09/2004) ADMINISTRATIVO. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. LICITAÇÃO. SANÇÃO DE INIDONEIDADE PARA LICITAR. EXTENSÃO DE EFEITOS À SOCIEDADE COM O MESMO OBJETO SOCIAL, MESMOS SÓCIOS E MESMO ENDEREÇO. FRAUDE À LEI E ABUSO DE FORMA. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA NA ESFERA ADMINISTRATIVA. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA E DA INDISPONIBILIDADE DOS INTERESSES PÚBLICOS. A constituição de nova sociedade, com o mesmo objeto social, com os mesmos sócios e com o mesmo endereço, em substituição a outra declarada inidônea para licitar com a Administração Pública Estadual, Fl. 9DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000062/200781 Acórdão n.º 2803001.040 S2TE03 Fl. 307 10 com o objetivo de burlar à aplicação da sanção administrativa, constitui abuso de forma e fraude à Lei de Licitações Lei n.º 8.666/93, de modo a possibilitar a aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica para estenderemse os efeitos da sanção administrativa à nova sociedade constituída. A Administração Pública pode, em observância ao princípio da moralidade administrativa e da indisponibilidade dos interesses públicos tutelados, desconsiderar a personalidade jurídica de sociedade constituída com abuso de forma e fraude à lei, desde que facultado ao administrado o contraditório e a ampla defesa em processo administrativo regular. Recurso a que se nega provimento.(ROMS 200200942657, CASTRO MEIRA, STJ SEGUNDA TURMA, 08/09/2003) (grifos meus). Além dos nossos tribunais a doutrina assim se posiciona. Na primeira hipótese, a autoridade fiscal, autorizada expressamente pelo art. 142 do Código Tributário Nacional, identificará o sujeito passivo (contribuinte stricto sensu). A identificação do sujeito passivo, conforme prescrito no Código Tributário Nacional, significa encontrar aquele que realizou efetivamente o fato gerador. Se entre aquele que praticou o fato descrito em lei e a responsabilidade pelo tributo devido existe uma pessoa jurídica meramente formal, um anteparo, uma “proteção” do patrimônio individual, ela será afastada (ou desconsiderada). Sustentase, portanto, que o Código Tributário Nacional já permite (sempre permitiu) o afastamento de anteparos, realidades meramente formais ou artificiais (realidades falsas), dificultadores da perfeita identificação do sujeito passivo. Com efeito, o art. 149, inciso VII do Código Tributário Nacional estabelece que o lançamento será efetuado e revisto de ofício quando se comprovar a presença, entre outros, de simulação. (destaques meus). O art. 50 do novo Código Civil não é necessário, mas é útil à autoridade fiscal no momento de constituir, em certas circunstâncias, o crédito tributário. Não é necessário porque a autoridade pode apurar o crédito tributário contra o efetivo contribuinte (em sentido estrito) ou contra o responsável, valendose de autorizações presentes no Código Tributário Nacional para afastar a personalidade jurídica. É útil porque confirma, para a ordem jurídica brasileira como um todo e para o direito tributário em particular, a possibilidade da desconsideração ou afastamento da personalidade jurídica. 1 Ou seja, ainda, que nos autos tivesse ocorrido desconsideração de personalidade jurídica de interpostas pessoas, o que não ocorreu, pois asseverase esta questão apenas ad argumentandum tantum em resposta ao questionamento da recorrente. Não haveria óbice que o agente fiscal no desempenho de seu mister promovesse tal aplicação, até porque no próprio PAF, abrirseia a oportunidade de contestação de tal ocorrência. Mas nestes autos tal desconsideração não ocorreu, como alhures esclarecido. O agente fiscal autuante deixou claro em várias passagens de seu REFISC, de fls. 16 a 74, que a recorrente por intermédio de outras empresas que supostamente prestam serviços a ela 1 CASTRO, Aldemário Araújo. Aplicação no Direito Tributário da Desconsideração da Personalidade jurídica Prevista no Novo Código Civil. Disponível em < http://www.aldemario.adv.br/desconsidera.pdf>. Acesso em 24 set 2011. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000062/200781 Acórdão n.º 2803001.040 S2TE03 Fl. 308 11 remunera de forma disfarçada seus próprios funcionários e juntou as provas disso no lançamento respectivo, estando o ato administrativo do lançamento perfeito e acabado nos termos do artigo 142 c/c o 149, ambos, da Lei 5.172/66, conforme alguns trechos que transcrevemos. 9.3) As notas fiscais, abaixo discriminadas, por amostragem, comprovam que a contratada se presta para emitir notas fiscais de serviços para pessoas que não pertencem ao seu quadro societário tampouco mantém qualquer relação de trabalho com a mesma, como é o caso das notas fiscais que tiveram como beneficiário Rafael Santana Guimarães, empregado da Contraste Engenharia e Automação Ltda., ora Notificada, admitido em 03/02/2004, na função de Assistente Administrativo, FREE N° 000200008, conforme documentos de fls. 10. 11) As planilhas en1 anexo, documentos de fls. 32/33, detalha com precisão as comissões recebidas pelo empregado Thiago Pinto dos Santos, no período de 11/2004 a 12/2005, somente no diz respeito ao cliente Brasil Telecom. Consignase, mais uma vez, que o referido empregado teve seu registro efetivado pela Contraste Engenharia e Automação Ltda em 08/03/2004, na função de Técnico Manutenção Equipamento de Informática, com o piso mínimo da categoria profissional, conforme mencionado neste relatório, cuja FREE N°000200018, constitui doc. de fls. 17 do presente relatório fiscal. 5) 0 referido segurado é empregado regularmente registrado nos quadros da contratante Contraste Engenharia e Automação Ltda., admitido em 18/02/2002, na função de Gerente Comercial conforme FREE N° 000100020, que passa a compor As fls. 07 do presente relatório, e tendo constituído em 17/03/2005 a empresa JGOMES PROCESSAMENTO DE DADOS LTDA, documento de fls. 08, passando a partir da competência 05/2005 a emitir mensalmente e em ordem seqüencial notas fi scais por serviços de processamento de dados, caracterizando o trabalho exclusivo c habitual, bem como sua natureza o eventual e diretamente ligada a atividade fim da Notificada. (destaque do original) Assiste razão a recorrente ao dizer que entre ela e as supostas prestadoras de serviços não há relação laboral nem poderia por impossibilidade jurídica. Entretanto, a fiscalização deixou cristalizado que entre a recorrente e as pessoas físicas executoras dos trabalhos, existem interpostas pessoas jurídicas com o objetivo de desvirtuar a real relação jurídica entre a recorrente e aos trabalhadores pessoas físicas, uma vez que estes trabalhadores além de empregados recebem um valor por fora em Nota Fiscal de prestação de serviços das interpostas pessoas jurídicas. A existência dos requisitos da configuração dos trabalhadores na categoria de segurados empregados é autoaferível, pois em verdade o agente fiscal lançador estabeleceu que aqueles que recebem pagamento via nota fiscal são, também, funcionários da recorrente e desempenham atividades especificas da recorrente, explicitando tal relação. A ato administrativo nada mais fez do que apontar a realidade das coisas. O fiscal autuante em momento algum limitou a liberdade de escolha do tipo e forma societária, pois estas estão estabelecidas em lei artigo 1.039 a 1.092 da Lei 10.406/2002 e tais entidades já estavam constituídas e não se pode limitar o que já se esgotou. Nem tão pouco promoveu qualquer limitação a forma de associação das empresas, o fisco nada mais fez do que nos termos de suas atribuições legais estabelecer os parâmetros da existência da exação, com base no artigo 142, da Lei 5.172/66. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000062/200781 Acórdão n.º 2803001.040 S2TE03 Fl. 309 12 Toda a base jurídica da tributação que está sendo exigida está demonstrada nos autos não cabendo em se falar em exigência de tributo sem lei. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso, acatando a preliminar de decadência, que resulta em resolução do mérito para DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, em relação as faltas justificadoras da infração e da aplicação da multa até a competência 10/2001, inclusive, devendo os valores relativos a estas competências serem excluídas do presente crédito, não acatando todas as demais teses da recorrente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. . Fl. 12DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 14474.000235/2007-14
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2002 a 31/07/2003
RETENÇÃO OBRIGATÓRIA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE.
Consoante art. 33, § 3°, da Lei n.º 8.212/91, c/c o art. 148 do CTN, a não apresentação de documentos fiscais de obrigatória guarda, respalda o arbitramento efetuado, considerando os serviços não justificados como sujeitos à retenção prevista no art. 31 da Lei n.º 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-001.154
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto vista vencedor Conselheiro Oseas Coimbra, para manter exclusivamente o levantamento PAV, excluindo os demais. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS.ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE. Consoante art. 33, § 3°, da Lei n.º 8.212/91, c/c o art. 148 do CTN, a não apresentação de documentos fiscais de obrigatória guarda, respalda o arbitramento efetuado, considerando os serviços não justificados como sujeitos à retenção prevista no art. 31 da Lei n.º 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto vista vencedor Conselheiro Oseas Coimbra, para manter exclusivamente o levantamento PAV, excluindo os demais. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) Oseas Coimbra Junior – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior e Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14474.000235/200714 Acórdão n.º 280301.154 S2TE03 Fl. 2 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD lavrada em desfavor do contribuinte referente à constituição de crédito relativo as contribuições destinadas à Seguridade Social, às quais o contribuinte está sujeito em decorrência do disposto no artigo 31 da Lei n.° 8.212/91, na redação dada pela Lei n.° 9.711/98. Competências referentes ao lançamento: setembro de 2002 a julho de 2003. O Contribuinte foi notificado em 28.10.2005 e apresentou defesa tempestiva protocolizada em 14/11/2005. A impugnação foi julgada em 10 de agosto de 2006, ementada nos seguintes termos: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. DECRETO N.° 70.235/72. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. PREVISÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. CRITÉRIO DE AFERIÇÃO. PERCENTUAL SOBRE NOTA FISCAL. LEGALIDADE. RAZOABILIDADE. MULTA. CONFISCO. JUROS. TAXA SELIC. PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE NOVOS DOCUMENTOS. O prazo de impugnação não pode ser prorrogado. Aplicase subsidiariamente o Decreto n.° 70.235/72 no Contencioso Administrativo Previdenciário. A Secretaria da Receita Providenciaria tem suporte legal para arbitrar o valor da base de cálculo e lançar a importância que reputar devida, em face da recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação ou sua apresentação deficiente, o que se constitui em presunção legal relativa, cumprindo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Art. 33, § 3°, da Lei n.° 8.212/91, c/c o art. 148 do CTN. Sobre a forma ou método a ser aplicado na aferição indireta, inexiste titularização de direito pelo sujeito passivo da relação tributária, sendo que a aplicação de percentual sobre o valor bruto de notas fiscais de prestação de serviços, além de ser um critério razoável para fins de apuração da mãodeobra contida no valor faturado e a posterior incidência das contribuições devidas, está em conformidade com a legislação. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR 4 A multa de mora não caracteriza o confisco e somente pode ser modificada mediante determinação expressa de lei. É licita a utilização da taxa SELIC para cálculo de juros moratórios para fatos geradores ocorridos a partir de abril de 1995. Não sendo preenchidos os requisitos obrigatórios para produção de provas ou juntada de novos documentos, rejeitase o pedido. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE Inconformado com resultado do julgamento de primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Que a NFLD foi emitida em desconformidade com a legislação aplicável; Ser possível os Tribunais Administrativos analisarem matérias constitucionais; Que a notificação deve ser anulada devido a infringência aos princípios do contraditório e da ampla defesa; Da insubsistência do lançamento baseado única e exclusivamente em lançamentos contábeis: da infringência do princípio da verdade material; Do caráter confiscatório da penalidade aplicada; Da inaplicabilidade da Taxa Selic; Por último, protesta pela realização de sustentação oral, quando do julgamento do feito perante o Colegiado. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14474.000235/200714 Acórdão n.º 280301.154 S2TE03 Fl. 3 5 Voto Vencido Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. O contribuinte apresentou recurso voluntário desprovido do depósito recursal previsto no § 1º do art. 126 da Lei 8.213/1991. No entanto, ele obteve provimento jurisdicional em sentença no Mandado de Segurança n.° 2007.70.00.0017999, determinando o seguimento dos recursos sem a exigência do depósito recursal referido. Como é sabido, o instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n ° 8.212/1991, com redação dada pela Lei n ° 9.711/1998, in verbis: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela MP nº 1.66315, de 22/10/98 e convertida no art. 23 da Lei nº 9.711, de 20/11/98). Vigência a partir de 01/02/99, conforme o art. 29 da Lei nº 9.711/98. No caso em tela, a fiscalização aponta que o contribuinte deveria ter cumprido a obrigação. Entretanto, não indicou no Relatório Fiscal os fundamentos para enquadrar os serviços prestados como sujeitos à retenção de 11%. Não foi realizado o cotejamento pela Auditoria Fiscal entre a documentação analisada e a legislação que dispõe acerca da cessão de mãodeobra. Salientase, ademais, que no presente caso não houve destaque dos valores a serem retidos em nota fiscal, assim é dever da fiscalização indicar os fundamentos de sua convicção. O contencioso administrativo à época do lançamento era regulado pela Portaria MPS nº 520/2004, que dispunha, no caput do art. 31 e inciso II, que são nulos “os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. O § 3º do artigo 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98 dispõe que: “Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que Fl. 5DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR 6 realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação”. Portanto, a cessão de mãodeobra só estará presente nos serviços contínuos, colocados à disposição do contratante, em suas dependências ou de terceiros. Assim, a constatação da existência ou não da obrigatoriedade da retenção de 11% darseá mediante a verificação da forma como foram contratados os serviços. Por força do dispositivo legal acima referido, a fiscalização deve comprovar, já na fase inicial do processo administrativo fiscal para evitar o cerceamento de defesa e a perda de uma instância administrativa , a existência da cessão de mãodeobra, nos moldes acima descritos, e para tal, deve anexar ao processo os contratos assinados entre as partes, comprovando a forma de contratação dos serviços, analisálos verificando se atende às determinações legais supracitadas. Nos julgamentos da então 2ª CaJ do CRPS, por exemplo, exigiase que o INSS caracterizasse a existência da cessão de mãodeobra, mesmo nas atividades descritas na legislação, tanto na responsabilidade solidária, quanto na retenção, sob pena da notificação ser anulada. Diversas decisões judiciais emitidas sobre o assunto têm dado ganho de causa ao contribuinte, como se pode verificar de parte do julgado a seguir transcrito: Com efeito, não prosperam as alegações da Agravante de que a apreciação da matéria controvertida não necessita do reexame do conjunto probatório. Isto porque, conforme já ressaltado na decisão ora agravada, o Tribunal de origem, para reconhecer a exigibilidade da exação, fincouse em precedente jurisprudencial que impôs à autarquia o dever de demonstrar a ocorrência de colocação de empregados à disposição do tomador de serviços, dispensando o contribuinte de fazer prova negativa, e, ao final concluiu que o INSS não produziu prova da existência de cessão de mãodeobra, na acepção prevista na lei. AgRg no Agravo de Instrumento 460.534RS(2002/00797978) O Relatório Fiscal não indicou os fundamentos para enquadrar os serviços prestados como sujeitos à retenção de 11%. Portanto, não evidenciou a existência da cessão de mãodeobra nos serviços prestados à Recorrente, e nem demonstrou de forma objetiva a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, conforme determinado no supracitado artigo 31, § 3º da Lei nº 8.212/91. Além da falta de indicação dos fundamentos mencionados no parágrafo anterior, as falhas procedimentais são visíveis no Relatório Fiscal, conforme consta do despacho de fls. 158/159 dos autos, verbis: 3. Ocorre, porém, que não consta do relatório Fundamentos Legais do Débito (fls. 64/65) o embasamento legal para o arbitramento (§ 3º do art. 33 da Lei nº Fl. 6DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14474.000235/200714 Acórdão n.º 280301.154 S2TE03 Fl. 4 7 8.212/91), o qual também não vem citado em relatório fiscal. 4. Verificase, ainda, no item 3 do Relatório Fiscal de fls. 99/103, haver constado a indicação do período fiscalizado ao invés do período abrangido pela presente NFLD. 5. A fundamentação legal é o supedâneo para a cobrança do crédito constituído, até mesmo em se tratando de exações normais e tidas como não discutíveis, devendo estar registrada nos autos, a fim de propiciar ao sujeito passivo amplo direito de defesa, sob pena de nulidade. (grifouse e destacouse) Observase, porém, que é o próprio fisco que está indicando o caminho. No ponto, o contribuinte esta coberto de razão, porquanto ignorado os seus argumentos de que não lhe fora dado o amplo direito de defesa, situação que fere de morte as disposições contidas no inciso LV do art. 5º da Carta da República, devendo o lançamento fiscal ser anulado ab initio. No que diz respeito à anulação de notificação fiscal, a Consultoria Jurídica do MPS, em diversos pareceres, manifestou pela anulação ab initio de lançamentos eivados de nulidade, devido a erro ou contradição no relatório fiscal, entre os pareceres destacase o de nº 1.627, de 25 de janeiro de 1999. Ademais, dispõe o artigo 53 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, que “A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos”. Conforme exposto nestes autos o direito de defesa do contribuinte ficou prejudicado face à ausência da caracterização de cessão de mãodeobra, bem como pela ausência de fundamentação legal, conforme comprova o despacho de fls. 158/159. Portanto, esta NFLD deve ser anulada. Pelo exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, e no mérito, DARLHE PROVIMENTO, facultando à RFB, se for do seu interesse, efetuar novo lançamento. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Fl. 7DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR 8 Voto Vencedor Conselheiro Oséas Coimbra, Redator. Pedi vista dos presentes autos a fim de melhor refletir acerca das provas colacionadas pelo contribuinte. A auditoria fiscal anexou em seu relatório fiscal às fls 99 e ss, relação com os prestadores que entendia sujeitos a retenção de 11%, informando conta contábil; código da conta; data de emissão; histórico onde consta o número da NFPS, o nome da Subempreiteira e o valor das Notas Fiscais de Prestação de Serviços. São dois lançamentos PAVICRETO PROCES CONSTRUT. LTDA NF0132 Cta.155178 e CEMBRA ENGENHARIA LTDA NF 288 Cta: 188453. Numa segunda parte da autuação, onde a base de cálculo é a diferença entre valores contratuais e o contabilizado, informa: No decorrer da auditoria fiscal pela análise dos Contratos de Prestação de Serviços celebrados entre a Tomadora e as Prestadoras de Serviços, identificadas em planilha anexa, constatouse que o total dos valores contratados são superiores aos valores correspondentes a somatória das Notas Fiscais de Prestação de Serviços, apresentadas e contabilizadas pela tomadora dos serviços (Mainhouse). Estas diferenças estão demonstradas na planilha em anexo. ... Constituem as bases de cálculo do crédito lançado através desta Notificação, as remunerações Contidas na diferença entre os valores efetivamente contratados e a somatório das Notas Fiscais de Prestação de Serviços, apresentadas e contabilizadas pelo Tomador dos Serviços e emitidas pelo Prestador de Serviços. As diferenças apontadas totalizam R$ 14.722,42 – fls 110. Em sua defesa – fls 113 e ss, o contribuinte entende que a mera diferença entre o valor contratado e o valor das notas fiscais emitidas, não é suficiente para fundamentar a presente notificação, pois “um contrato firmado inicialmente por um determinado montante pode, no decorrer de sua vigência sofrer alterações, tanto para mais quanto para menos, na medida em que houver mudança nas especificações iniciais, como por exemplo a substituição de materiais, ampliação ou diminuição de parte do projeto, mudança na forma de contratação da mãodeobra, enfim, uma infinidade de negociações podem existir que fatalmente provocam variações no custo da obra”. Não se manifesta acerca das empresas CEMBRA E PAVICRETO. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14474.000235/200714 Acórdão n.º 280301.154 S2TE03 Fl. 5 9 Após diligências de fls 175 a 177, foram excluídos os lançamentos referentes a empresa Cembra Engenharia Ltda, em razão de ordem judicial. A Decisão Notificação mantém parcialmente o débito, em razão da exclusão da empresa CEMBRA. No recurso apresentado, informa que: 4.16 Juntase ao presente recurso copia da Nota Fiscal n° 0132 da empresa Pavicreto Processos Construtivos Ltda. (doc. 01) cujo objeto foi a locação de equipamentos de terraplanagem. Observo que tal documentação não se encontra no processo ora analisado. Passo a me manifestar. RETENÇÃO – EMPRESAS CEMBRA E PAVICRETO Desnecessária a apreciação acerca da empresa CEMBRA, já excluída da presente NFLD. Quanto a empresa PAVICRETO, tenho que a empresa não logrou êxito em demonstrar a improcedência do que alegado pela fiscalização. A única documentação que se oferecia a apresentar, nota fiscal de serviço, não foi acostada aos autos. Nessa parte, tenho como acertada a decisão de primeira instância – fls 191, da qual reproduzo excerto que incorporo a meu voto. Afirma a impugnante que, em caso de dúvida, deveria a Auditora Fiscal buscar nos documentos que suportam a contabilidade os fundamentos para o lançamento. Ora, às fls. 82 consta TIAD — Termo de Intimação para Apresentação de Documentos, datado de 12/02/2004, onde se constata que foram solicitados diversos documentos, como contratos de empreitada e subempreitada, notas fiscais de prestação de serviços, recibos diversos, sendo certo que, em novo TIAD, de 03/09/2004 (fls. 87), foi reiterada a solicitação, tendo a Auditora Fiscal especificado "... 2. DOCUMENTOS CONTÁBEIS NECESSÁRIOS PARA ESCLARECER . OS LANÇAMENTOS CONSTANTES NO RELATÓRIO ANEXO ... 3. DOCUMENTOS CONTÁBEIS JÁ SOLICITADOS E NÃO APRESENTADOS, CONSTANTES NO RELATÓRIO ANEXO ...", o que ocorreu novamente em 17/12/2004 (fls. 83). Reiterada intimação para apresentação de documentos estão demonstradas nos TIAD´s de fls 82 e 83. Os contratos e demais documentos referentes a PAVICRETO não foram apresentados, e seriam instrumentos essenciais na comprovação do que alegado pelo contribuinte. Ante a não apresentação da requerida documentação, nos termos do art. 33 §3º da lei 8.212/91, aliado à presunção de legitimidade, inerente aos atos administrativos1 e corolário do princípio da legalidade, tenho como procedente o lançamento em questão – PAV. 1 Outra conseqüência da presunção de legitimidade é a transferência do ônus da prova da invalidade do ato adminstrativo para quem a invoca. Cuidase de argüição de nulidade do ato, por vício formal ou ideológico, a Fl. 9DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR 10 DAS DIFERENÇAS CONTRATUAIS – LEVANTAMENTOS E3O; JL3; HN3 A diferença de valores entre o acordado e o que consta de notas fiscais e lançamentos contábeis é um indício de irregularidade que demanda maior robustez probatória, o que não foi realizado. O reduzido valor discrepante – R$ 14.722,42, ante a imensa atividade da empresa, não confirma desvio a ponto de justificar o lançamento. Se existe diferença entre o que consta no contrato e o que está efetivamente demonstrado por notas fiscais e contabilizado, caberia a fiscalização apurar a razão da desigualdade dos valores, comprovando se tratar de base de cálculo de contribuições previdenciárias, pois a diferença, per se, não demonstra pagamentos ou serviços prestados. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, e no mérito, DOULHE PARCIAL PROVIMENTO, para manter exclusivamente o levantamento PAV, excluindo os demais. É como voto. (Assinado digitalmente) Oséas Coimbra, Redator. prova do defeito apontado ficará sempre a cargo do impugnante, e até sua anulação terá plena eficácia." (HELY LOPES MEIRELLES Direito Administrativo Brasileiro, 25ª ed., São Paulo: Editora Malheiros, 2000, pg.148/149) Fl. 10DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13153.000023/2011-83
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 21 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2008
EMENTA
COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO PELA FONTE. IRRF. AUSÊNCIA DA PROVA DE RETENÇÃO. MANUTENÇÃO.
Nos termos da Súmula CARF 143, a prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.
Se não houver registro da retenção na devida obrigação acessória (DIRRF), caberá ao contribuinte demonstrar o valor efetivamente recebido, com o destaque da alegada retenção, pelos meios de prova admissíveis.
A falta de autenticação bancária na guia de recolhimento estadual referente ao provimento de recursos para pagamento do IRRF, devido pelo estado-membro, por muitos anos inadimplente em sua obrigação, impede a determinação da quantia correta a ser deduzida.
Se houver a retenção dos valores, mas não o recolhimento, ambos de responsabilidade da fonte pagadora, o Estado exigirá dessa inadimplente o pagamento do tributo devido e de eventuais multas aplicáveis. Não se exigirá do sujeito passivo o pagamento do valor retido, porém não recolhido pelo terceiro obrigado a tanto.
Se a retenção não for comprovada, o Estado exigirá do contribuinte destinatário dos rendimentos a complementação do tributo devido.
Numero da decisão: 2001-005.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honorio Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: THIAGO BUSCHINELLI SORRENTINO
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IMPOSTO DE RENDA RETIDO PELA FONTE. IRRF. AUSÊNCIA DA PROVA DE RETENÇÃO. MANUTENÇÃO. Nos termos da Súmula CARF 143, a prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Se não houver registro da retenção na devida obrigação acessória (DIRRF), caberá ao contribuinte demonstrar o valor efetivamente recebido, com o destaque da alegada retenção, pelos meios de prova admissíveis. A falta de autenticação bancária na guia de recolhimento estadual referente ao provimento de recursos para pagamento do IRRF, devido pelo estado-membro, por muitos anos inadimplente em sua obrigação, impede a determinação da quantia correta a ser deduzida. Se houver a retenção dos valores, mas não o recolhimento, ambos de responsabilidade da fonte pagadora, o Estado exigirá dessa inadimplente o pagamento do tributo devido e de eventuais multas aplicáveis. Não se exigirá do sujeito passivo o pagamento do valor retido, porém não recolhido pelo terceiro obrigado a tanto. Se a retenção não for comprovada, o Estado exigirá do contribuinte destinatário dos rendimentos a complementação do tributo devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 15 3. 00 00 23 /2 01 1- 83 Fl. 270DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-005.508 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13153.000023/2011-83 (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Para o sujeito passivo em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 09-12), referente ao(s) exercício(s) 2008, ano(s)- calendário 2007, por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. Após a revisão da Declaração, foi apurado saldo de imposto a pagar de R$12.180,82, mais multa de mora e juros de mora. O lançamento acima foi decorrente da seguinte infração: Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. Glosa R$23.840,57. Regularmente intimado, não atendeu a intimação. Enquadramento legal consta da Notificação de Lançamento supracitada. O contribuinte apresenta impugnação, na qual, em síntese, expõe os motivos de fato e de direito que se seguem: A fim de comprovar o recolhimentos dos valores, por parte do empregador, procurou a Vara do Trabalho de Juína – MT para fotocopiar e autenticar os comprovantes do IRRF. Não logrou sucesso até esta data, porque o desarquivamento do processo só ocorreria em 02/02/2011. Sendo assim, as cópias que comprovam o recolhimento do IRRF foram atenticadas pelo advogado, que tem fé pública. O Lançamento é nulo, pois não foi intimado para prestar os esclarecimentos. Recebeu a Notificação em sua residência. Relata que os rendimentos decorrem de acordo judicial de Ação Trabalhista, que se operou em 2007, movida contra o Banco do Estado do Mato Grosso S. A. Neste acordo, onde houve indicação do Contador do Juízo de que o IRRF a ser comprovado pelo empregador era de R$23.843,57. A comprovação do recolhimento foi efetivada por meio do Ofício TRT nº 18/209/BEMAT. A instituição financeira deve apresentar à RFB declaração, contendo os pagamentos efetuados ao reclamante e o respectivo IRRF. Entende que é possível não ter ocorrido no presente caso. É o relatório. A impugnação é tempestiva e atende aos pressupostos legais de admissibilidade previstos no Decreto nº 7.574/2011, razão pela qual é conhecida. O litígio versa sobre a infração de Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF. A autoridade fiscal glosou o valor de R$23.840,57, por falta de comprovação. Regularmente intimado, o contribuinte, ora impugnante, não atendeu a intimação. Fl. 271DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-005.508 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13153.000023/2011-83 Preliminarmente, o impugnante sustenta que houve afronta aos Princípios do Contraditório e Ampla Defesa, pois não foi intimado previamente para prestar esclarecimentos. Sem razão, no entanto. Impende prelecionar que o Processo Administrativo Fiscal percorre duas fases. A primeira é de atuação exclusiva da autoridade tributária, que busca obter elementos para demonstrar a ocorrência do fato gerador e as demais circunstâncias relativas à exigência. Nessa etapa, atua com poderes amplos de investigação, tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe para efetuar o lançamento. Incumbe a ela, como autora, o ônus de provar os fatos constitutivos do seu direito (ocorrência do fato gerador e as demais circunstâncias necessárias à constituição do crédito tributário). Não há obrigatoriedade, nesta fase meramente inquisitiva, de intimação prévia do contribuinte, especialmente quando a Administração Tributária já dispõe de elementos suficientes para o Lançamento. Mesmo assim, cumpre deixar em relevo, os autos atestam que a RFB tentou, sem sucesso, intimar o impugnante em seu domicílio eleito, utilizando-se da forma editalícia somente após considerada improfícua aquela via inicial (fls. 23-28). A segunda fase, a litigiosa – iniciada com a impugnação tempestiva do Lançamento (art. 14, do Decreto nº 70.235, de 1972), caracterizando-se pelo conflito de interesses submetido à Administração – pressupõe, obrigatoriamente, a ciência prévia do Lançamento ao sujeito passivo. À litigância e a conseqüente solução do conflito é que se aplicam as garantias constitucionais da observância do contraditório e da ampla defesa. No caso em concreto, observa-se que a autuação não ocorreu à revelia do Impugnante, como quer fazer crer, dada a sua confirmação do recebimento da Notificação de Lançamento, da sua impugnação tempestiva e da anexação aos autos de todas as provas que julgou relevantes para elidir o Lançamento. A peça de defesa tempestiva demonstra não apenas o conhecimento da matéria tributada, mas que lhe foi facultado amplo acesso ao teor do processo. Nesse sentido, é oportuna a transcrição de ementa de acórdão do antigo Conselho de Contribuintes, hoje Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, que corrobora o entendimento aqui expendido: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL-CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontrarem plenamente assegurados. (Acórdão 104-16357) Não há dúvida, portanto, que o Devido Processo Legal foi devidamente observado pela Fazenda Pública, bem como respeitados os Princípios da ampla defesa e do Contraditório em suas amplitudes máximas. Ultrapassada a questão preliminar, cabe trazer à colação excerto da legislação tributária afeita à matéria (destaques acrescidos). Decreto nº 3.000/1999 Art. 87 Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12): ... IV – o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; §2º O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos arts. 7º, §§1º e 2º, e 8º, §1º (Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55). Fl. 272DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-005.508 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13153.000023/2011-83 ... Art. 723. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte. (Decreto-Lei nº 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8º) Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas referidas neste artigo restringe-se ao período da respectiva administração, gestão ou representação. (Decreto-Lei nº 1.736, de 1979, art. 8º, parágrafo único). Da exegese dos dispositivos acima, depreende-se que o Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF pode ser compensado na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física – DIRPF, desde que atestada a retenção (apresentação de comprovante emitido pela fonte pagadora em nome do contribuinte, contracheques, etc). Contudo, exigir-se-á também a comprovação do efetivo recolhimento aos cofres públicos daquele IRRF eventualmente retido do sujeito passivo, na hipótese deste figurar também como acionista controlador, diretor, gerente ou representante da pessoa jurídica pagadora dos rendimentos (DARF). Dito isso, no caso em concreto, a autoridade fiscal glosou o IRRF de R$23.840,57, tendo em vista que, perante a Receita Federal do Brasil - RFB, não restou atestada a retenção declarada. O impugnante, em sua defesa, sustenta que percebeu crédito decorrente de ação trabalhista movida em desfavor do Banco do Estado de Mato Grosso S.A., conforme documentação que diz estar anexada. Compulsando os autos, em especial os documentos Judiciais acostados; a cópia de modelo de DARF do Governo do Estado de Mato Grosso; a tela de consulta ao Sistema de Controle de Arrecadação do Estado; Guia da Previdência Social; uma relação de beneficiários; Petição de Homologação de Composição de Ação de Trabalhista (não assinada pelas partes intervenientes e advogados); homologação Judicial (não assinada) e consulta de andamento processual (fls. 33-48), verifica-se que não é possível esclarecer questões essenciais, tais como: se houve de fato a retenção de imposto pleiteado na DIRPF no ano-calendário 2007 e se os rendimentos declarados são oriundos de ação trabalhista específica. A título exemplificativo, documentos comprobatórios de que os valores declarados a título de IRRF correspondem a fatos geradores relacionados ao exercício 2008, ano- calendário 2007, seriam a Memória de Cálculo Judicial, ou o Alvará Judicial de levantamento do valor recebido/retido àquela época, a cópia do depósito judicial determinado pelo Juízo, DARF em nome do contribuinte relativo ao período sob exame, etc. A propósito, a cópia do DARF e a cópia da consulta de documentos relativo ao Processo 0237.2006.081.23.00-3 juntadas possui data de vencimento 31/05/2009; de arrecadação 28/05/2009; e de período de referência 2009 (fl. 35). Ou seja, ainda que correspondente ao montante declarado, não atesta a efetiva retenção no período sob exame (ano-calendário 2007). O documento emitido pelo Poder Judiciário, datado de 08/07/2009, indica a existência de três processos, não sendo possível identificar em relação a qual destes supostamente corresponderiam os valores declarados (fl. 33). As tabelas de folha 37, onde estão listados vários beneficiários, não esclarecem se os rendimentos declarados pelo impugnante correspondem à alegada ação trabalhista, pois sequer indicam o valor por ele supostamente recebido na ação, muito menos informam o montante do IRRF correspondente e a data do levantamento de valores. Além da mencionada incapacidade destas provas, as tabelas, no sentido de correlacioná- las aos valores declarados e atestarem a retenção pleiteada, sequer possuem informação acerca de sua origem, isto é, se são Memórias Parciais de Cálculo oriundas do Poder Fl. 273DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-005.508 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13153.000023/2011-83 Judiciário. A autenticação de conformidade com o original não possui o condão de transformá-las em prova hábil. De outro lado, os valores das verbas discriminadas na cópia da Composição havida na Execução Trabalhista, ainda que se ouvidasse que o documento não contém a assinatura das partes apontadas ao final, não guardam correspondência com as importâncias declaradas a título de IRRF e de rendimentos (fls. 38-41). A Homologação Judicial, à folha 42, não é capaz, igualmente, de ilidir o presente lançamento, uma vez que não traz qualquer informação acerca do IRRF, verbas recebidas tributáveis, isentas, honorários, etc. Por fim, impende deixar em relevo que o mínimo que se exige do impugnante é que se digne a atestar adequadamente o direito alegado, isto é, a retenção havida no período (ano-calendário 2007), o que não ocorreu. Além disso, no caso em concreto, também não ficou decisivamente provado que a compensação do IRRF declarada corresponde a Rendimentos Recebidos Acumulamente decorrentes de ação trabalhista. Assim, a flagrante inabilidade probatória dos documentos juntados para comprovar o direito à compensação do IRRF declarado no ano-calendário 2007 enseja a manutenção da infração lavrada. Ante o exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação, para manter o Lançamento. A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2008 DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. Se o contribuinte não comprovar, com documentação hábil e idônea, que foi feita, pela fonte pagadora, a retenção do Imposto no valor informado na Declaração, mantém-se a glosa. Cientificado da decisão de primeira instância em 30/05/2016, o sujeito passivo interpôs, em 28/06/2016, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) o IRRF foi recolhido no âmbito da ação judicial, conforme documentos juntados aos autos; b) as contribuições para a previdência oficial foram recolhidas no âmbito de ação judicial. É o relatório. Voto Conselheiro(a) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Fl. 274DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2001-005.508 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13153.000023/2011-83 A questão de fundo devolvida ao conhecimento deste Colegiado consiste em decidir-se se o recorrente comprovou a retenção de valores retidos na fonte a título de IR. Considerados os universos possíveis das condutas pertinentes à tributação antecipada por ocasião da transferência de valores de pessoas jurídicas a pessoas físicas, há dois cenários relevantes, e que possuem tratamento jurídico calibrado às expectativas legítimas projetadas pela legislação tanto ao recebedor quanto ao pagador. Se não houver retenção dos valores, o sujeito passivo deve declarar as quantias às autoridades fiscais, para composição do cálculo do tributo devido por ocasião do respectivo ajuste anual, isto é, “oferece-lo à tributação”. Nessa hipótese, o Estado não exigirá da fonte pagadora o adimplemento da obrigação. Se houver a retenção dos valores, mas não o recolhimento, ambos de responsabilidade da fonte pagadora, o Estado exigirá dessa inadimplente o pagamento do tributo devido e de eventuais multas aplicáveis. Não se exigirá do sujeito passivo o pagamento do valor retido, porém não recolhido pelo terceiro obrigado a tanto. A propósito, confira-se os seguintes texto normativo e precedentes: PARECER NORMATIVO COSIT Nº 1, DE 24 DE SETEMBRO DE 2002 (Publicado(a) no DOU de 25/09/2002, seção 1, página 24) IRRF RETIDO E NÃO RECOLHIDO. RESPONSABILIDADE E PENALIDADE. Ocorrendo a retenção e o não recolhimento do imposto, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido. [...] Imposto retido e não recolhido 17. Ocorrendo a retenção do imposto sem o recolhimento aos cofres públicos, a fonte pagadora, responsável pelo imposto, enquadra-se no crime de apropriação indébita previsto no art. 11 da Lei nº 4.357, de 16 de julho de 1964, e caracteriza-se como depositária infiel de valor pertencente à Fazenda Pública, conforme a Lei nº 8.866, de 11 de abril de 1994. Ressalte-se que a obrigação do contribuinte de oferecer o rendimento à tributação permanece, podendo, nesse caso, compensar o imposto retido. [...] Súmula CARF nº 143 Aprovada pela 1ª Turma da CSRF em 03/09/2019 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Acórdãos Precedentes: 9101-003.437, 9101-002.876, 9101-002.684, 9202-006.006, 1101-001.236, 1201- 001.889, 1301-002.212 e 1302-002.076. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 410, de 16/12/2020, DOU de 18/12/2020). Súmula CARF nº 73 Aprovada pelo Pleno em 10/12/2012 Fl. 275DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2001-005.508 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13153.000023/2011-83 Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Acórdãos Precedentes: Acórdão nº CSRF/04-00.409, de 12/12/2006 Acórdão nº CSRF/04-00.089, de 22/09/2005 Acórdão nº CSRF/01-05.049, de 10/08/2004 Acórdão nº CSRF/01-05.032, de 09/08/2004 Acórdão nº 2801-00.239, de 21/09/2009. Numero do processo: 10283.006628/99-93 Turma: Quarta Câmara Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2001 Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2001 Ementa: IRF - ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL - FALTA DE RETENÇÃO - AÇÃO FISCAL APÓS O ANO-BASE DO FATO GERADOR - BENEFICIÁRIOS IDENTIFICADOS - EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DEVIDO - Se a previsão da tributação na fonte se dá por antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual e se a ação fiscal ocorrer após o ano-base da ocorrência do fato gerador, incabível a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento, a título de imposto de renda, se for o caso, deverá ser efetuado em nome do contribuinte, beneficiário do rendimento, exceto no regime de exclusividade do imposto na fonte. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE - RETENÇÃO NA FONTE - FALTA DE RECOLHIMENTO - RESPONSABILIDADE - Não se estende à beneficiária dos rendimento que suportou o ônus do imposto retido na fonte, o descumprimento à legislação de regência cometido pela fonte pagadora - pessoa jurídica - no que se refere ao recolhimento do valor descontado. Desta forma, a falta de recolhimento, do imposto de renda retido na fonte, sujeitará o infrator ao lançamento de ofício e as penalidades da lei. Recurso parcialmente provido. Numero da decisão: 104-18220 Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da exigência tributária o item 001 do Auto de Infração - Trabalho sem Vínculo de Emprego (composto dos subitens 01.01; 01.02 e 01.03 - Falta de Retenção e Recolhimento do Imposto de Renda retido na Fonte Sobre Trabalho Sem Vínculo de Emprego. Nome do relator: Nelson Mallmann No caso em exame, a autoridade lançadora rejeitou o pleito para dedução dos valores alegadamente retidos a título de IR, porquanto ausente registro dessa retenção pela fonte pagadora (fls. 10). Por seu turno, o órgão de origem manteve a glosa, por entender ausente acervo probatório adequado à confirmação de cada retenção narrada pelo então impugnante. Em síntese, diz-se no acórdão-recorrido: Fl. 276DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2001-005.508 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13153.000023/2011-83 a) O DARF supostamente comprobatório apresenta datas de vencimento e de arrecadação diferentes daquela em que ocorreram os fatos geradores (2009 vs. 2007); b) O documento emitido pelo Poder Judiciário, em 2009, não indicaria a qual de três processos referir-se-ia o valor declarado; c) As memórias parciais de cálculo são apócrifas; d) O termo de acordo judicial não está assinado, e os respectivos valores são inconsistentes com àqueles declarados; e) A homologação judicial é silente sobre eventual IRRF. Em resposta, o recorrente afirma ser possível constatar a retenção dos valores, nos seguintes termos (fls. 98-103): Ainda, às fls. 510 consta Ofício n.° 31/2007 da DIRETORIA-GERAL DE COORDENAÇÃO JUDICIÁRIA DO TRT23, ao D. Juiz do Trabalho da Vara do Trabalho de Juína, informando que em três processos, dentre os quais o do ora peticionário (00237.2006.081.23.00-3) os encargos foram quitados, "À EXCEÇÃO DO INSS Cota Patronal e Imposto de Renda, os quais "serão objeto de parcelamento no processo piloto (00887.2003.001.23.00-8) em trâmite perante este Juízo." [...] A partir desse ponto, como Vossas Senhorias podem verificar, houveram várias manifestações do Estado de Mato Grosso, dando conta do não recolhimento do IRRF em razão da falta de recursos, e o D. Juiz da VT Juína, nesses momentos, suspendia o feito e prazos por prazos de 60 dias. [...] SOMENTE EM 2009 O VALOR DO IRRF DO ACORDO DE 2007 FORA RECOLHIDO. Porém, a guia de arrecadação referente ao depósito destinado a fornecer recursos para o recolhimento do IRRF não está autenticada, isto é, não há registro de que a operação bancária tenha ocorrido (fls. 265). Sem a identificação do valor a ser recolhido, ainda que o recolhimento efetivo em si seja irrelevante para assegurar o direito do sujeito passivo, é impossível restaurar a compensação pleiteada. Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e NEGO-LHE PROVIMENTO. É como voto. (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino Fl. 277DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2001-005.508 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13153.000023/2011-83 Fl. 278DF CARF MF Original
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Numero do processo: 13971.902628/2015-09
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 08 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Mon Mar 20 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2013
RECURSO ESPECIAL. SIMILITUDE FÁTICA. NECESSIDADE. VERIFICAÇÃO DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO CONHECIMENTO.
É imperioso, para que se possa verificar o dissenso jurisprudencial entre câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, que as decisões em confronto versem sobre situações fáticas similares. Somente em tal contexto se poderá verificar a divergência quanto à legislação tributária aplicável ao caso em apreço.
Numero da decisão: 9101-006.436
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Livia De Carli Germano, Luis Henrique Marotti Toselli, Alexandre Evaristo Pinto e Gustavo Guimarães da Fonseca que votaram pelo conhecimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9101-006.434, de 08 de dezembro de 2022, prolatado no julgamento do processo 13971.902898/2013-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Carlos Henrique de Oliveira (Presidente).
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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HERING Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2013 RECURSO ESPECIAL. SIMILITUDE FÁTICA. NECESSIDADE. VERIFICAÇÃO DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO CONHECIMENTO. É imperioso, para que se possa verificar o dissenso jurisprudencial entre câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, que as decisões em confronto versem sobre situações fáticas similares. Somente em tal contexto se poderá verificar a divergência quanto à legislação tributária aplicável ao caso em apreço. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Livia De Carli Germano, Luis Henrique Marotti Toselli, Alexandre Evaristo Pinto e Gustavo Guimarães da Fonseca que votaram pelo conhecimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9101-006.434, de 08 de dezembro de 2022, prolatado no julgamento do processo 13971.902898/2013-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Carlos Henrique de Oliveira (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 26 28 /2 01 5- 09 Fl. 412DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-006.436 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13971.902628/2015-09 O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de recurso especial interposto pelo sujeito passivo em face de acórdão que negou provimento ao recurso voluntário. O dispositivo da decisão observa que o julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1401-005.542, de 20 de maio de 2021, prolatado no julgamento do processo 13971.902897/2013-03, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O sujeito passivo questiona a premissa do acórdão recorrido de que “para se aproveitar dos benefícios fiscais com inovação tecnológica, tais programas devem ser controlados contabilmente em contas específicas”, e nesse ponto alega divergência com relação aos paradigmas 1302-001.959 e 1302-002.133. Em 27 de outubro de 2021, Presidente de Câmara deu seguimento ao recurso especial, especificamente quanto ao paradigma 1302-002.133, observando 1 : (...) O presente processo trata de PER/DCOMP em que se pleiteia indébito a título de pagamento a maior de IRPJ do ano-calendário 2011 – com base no lucro real. A Recorrente alegou, em manifestação de inconformidade, que teria apurado IRPJ devido de R$ 28.024.492,14, recolhido em 3 (três) parcelas que, ao final, somaram R$ 28.160.578,56, evidenciando recolhimento a maior de R$ 136.086,42. Somente apresentou o PER/DCOMP após a retificação da DIPJ e a autoridade desconsiderou a retificação da DCTF, que teria sido necessária para adequar o valor devido, na forma em que declarado na DIPJ Anual - Anexo IV, em virtude de concessão de incentivo fiscal relativos a Dispêndios com Inovação Tecnológica de que trata o art. 19 da Lei nº 11.196/2005, conforme divulgação disponibilizada em Dezembro de 2012, pelo MCTI - Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (Anexo V) - "Lei do Bem", conforme item 121 da lista constante do Anexo IV do Relatório Anual da utilização de incentivos fiscais, juntado como Anexo V. Observou que a homologação do incentivo foi tornada conhecida apenas em dezembro de 2012, ou seja, após o fechamento dos valores anuais e do prazo de entrega das obrigações acessórias originais. Dai a necessidade de retificação e o direito em ter repetido o indébito recolhido a maior. A autoridade julgadora de 1ª instância indeferiu a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que “os dispêndios com pesquisa e desenvolvimento de inovação tecnológica somente poderão ser deduzidos do lucro líquido se forem controlados contabilmente em contas específicas” e, diante do conjunto probatório dos autos não homologou a compensação. No recurso voluntário afirmou que a documentação apresentada estaria de acordo com o que prevê a Lei 11.196/2005, no tocante a contabilização dos dispêndios com gastos de inovação, em “contas específicas”, não havendo razão alguma para a glosa do crédito. Ou, alternativamente, que lhe fosse concedido o direito de reclassificar suas contas para atendimento aos preceitos exigidos, em atenção ao princípio da verdade material. 1 Observo que o despacho de admissibildiade menciona IRPJ, muito embora os presentes autos discutam CSLL do ano-calendário 2011, exercício 2012. Fl. 413DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-006.436 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13971.902628/2015-09 A Conselheira relatora do voto proferido no acórdão recorrido adotou como fundamento de decidir o voto proferido em processo de auto de infração da mesma contribuinte dos anos de 2011 a 2013 de IRPJ e CSLL, utilizando-se das razões daquele julgado que coadunam com as razões da Delegacia de origem para desconsiderar as despesas de P&D da Contribuinte, tendo em vista que a empresa não cumpriu os requisitos legais para a dedutibilidade dos valores, conforme abaixo Em resumo, deduziu-se entendimento no sentido de que é o MCTI que possui competência para opinar sobre matéria técnica a ele afeita, mas é a RFB que detém a competência legal para auditar as empresas beneficiadas com incentivos fiscais, naquilo que diz respeito às suas obrigações tributárias. Explicou que a lei que regula benefícios fiscais deve ser interpretada de forma restrita e, nesse contexto, o termo “contas específicas” deveria ser interpretado como contas individuais e específicas para cada um dos lançamentos atinentes a dispêndios com inovação tecnológica. Considerou que as planilhas apresentadas junto da impugnação foram insuficientes para reverter o lançamento. (...) (...) Acórdão nº 1302-002.133. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. BENEFÍCIO FISCAL. LEI DO BEM. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL ESPECÍFICA. RELATÓRIOS GERENCIAIS ANALÍTICOS. PARECER DO MCTI e INT. Não há óbice a reclassificação contábil, quando demonstrada escrituração em contas específicas, em conformidade com a Lei do Bem, complementada por relatórios gerenciais analíticos que demonstram os valores contabilizados. Projetos aprovados pelo INT, por meio de pareceres específicos que concluíram pelo enquadramento na Lei do Bem, devem ser considerados para fins de colhimento dos benefícios fiscais previstos em tal Lei. Esta decisão apreciou lançamentos de IRPJ e CSLL dos anos de 2007 a 2009, decorrentes de glosa de exclusão de dispêndios com pesquisas tecnológicas e desenvolvimento de inovação tecnológica. O sujeito passivo não mantinha contas específicas de registros dos dispêndios, no curso dos anos-calendário, mas promovia uma “reclassificação” ao final de cada período. Além disso, fora emitido parecer desfavorável do Ministério de Ciência e Tecnologia, que teria descaracterizado os dispêndios de P&D incorridos pela contribuinte, no ano-calendário de 2007. A Autoridade Julgadora de 1ª instância manteve os lançamentos ao argumento de que “os dispêndios com recursos humanos e serviços de terceiros, referentes à pesquisa e inovação tecnológica, obrigatoriamente, deverão estar em contas especialmente criadas para tal fim, e, portanto, separadas das demais despesas da empresa”, e que “o contribuinte teria que registrar os dispêndios à medida que os mesmos fossem ocorrendo e na conta específica e não em outra conta para posteriormente reclassificá- la”, mantendo os lançamentos. Após a realização de diligências para esclarecimento da motivação do parecer desfavorável do MICT, o Colegiado do CARF deu provimento ao recurso e, quanto a reclassificação dos registros, acompanhou os votos deduzidos na Resolução nº 1101- 000.079, que havia convertido o julgamento na realização de diligências. Ambos os votos – vencido e vencedor – registrados na referida resolução, entenderam que não macularia a dedução dos dispêndios com pesquisas tecnológicas e desenvolvimento de Fl. 414DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-006.436 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13971.902628/2015-09 inovação tecnológica, o fato de os registros terem sido classificados em conta geral no curso do ano-calendário, mas terem sido reclassificados ao final de cada período de apuração em contas específicas. Como o voto do paradigma faz remissão ao teor da resolução, é de se colacionar os trechos do voto vencido da resolução, do voto vencedor da resolução e do voto proferido no paradigma, respectivamente: Voto vencido da resolução: [...] O fato de a Recorrente a princípio ter alocado durante o curso de cada ano- calendário entre 2007 e 2009, os montantes atinentes a despesas com pesquisas tecnológicas e desenvolvimento com inovação tecnológica em contas contábeis gerais utilizadas para registro despesas com demais fornecedores, seguindo o mesmo rito para os custos com recursos humanos, para somente depois ao final do período reclassificá-los de uma única vez para contas específicas de ativo, visando o atendimento do requisito constante do art. 22 da Lei nº 11.196/05, não tem o condão de por si só invalidar o beneficio fiscal usufruído, sob pena de indevida prevalência da forma sobre o conteúdo, tão combatida nos mais diversos tipos de situações, principalmente nos afamados planejamentos tributários. Está claro nos autos, de que o princípio da competência foi observado pelo contribuinte quanto ao reconhecimento dos dispêndios com P&D, na medida em que foram considerados nas demonstrações financeiras dos anos-calendário em que incorridas. Até posso concordar com a autoridade lançadora que o ideal, pela boa técnica contábil seria ordinariamente o contribuinte ter promovido o registro dos valores diretamente nas contas específicas, voltadas para o assento dos citados dispêndios qualificados, mas daí a entender que a simples reclassificação global feita ao final do período de apuração invalida o benefício fiscal concedido é subverter a razão do incentivo e constituir um fato gerador de penalidade não previsto em lei. O requisito previsto como condição legal para a fruição do benefício refere-se a necessidade de controle contábil dos dispêndios em contas específicas. Desta feita, considerando este requisito de fruição, apenas valores não registrados nas referidas contas, poderiam ser objeto de glosa em ato fiscalizatório. [...] Voto vencedor da resolução: Endosso as extensas razões expostas pelo I. Relator para concluir que o fato de classificar os dispêndios com P&D em conta específica apenas ao final do período de apuração não macula a condição imposta pelo art. 22 da Lei nº 11.196/2005 para fruição do incentivo fiscal. Tal conduta apenas legitimaria a glosa das parcelas que não foram classificadas em conta específica. [...] Voto condutor do paradigma: Dessa forma, alinhado com as conclusões do Voto Vencedor do Acórdão, que designou a diligência em questão, entendo que não há óbice a reclassificação contábil ocorrida, eis que escriturou-se em contas específicas, em conformidade com a Lei do Bem, e apresentou-se relatórios gerenciais analíticos que demonstram os valores contabilizados. Fl. 415DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-006.436 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13971.902628/2015-09 [...] O voto proferido no acórdão recorrido concluiu que o pleito da Recorrente para lhe fosse permitida a reclassificação deveria ser negado, porque a legislação exigiria que fosse mantido o controle em contas específicas, entendida a expressão “controle” como sendo registros contemporâneos dos dispêndios aos fatos, como se nota dos seguintes trechos: Quanto ao pedido da interessada para "reclassificar suas contas para atendimento aos preceitos determinados", vale relembrar o significado do termo "controle" constante do inciso I do artigo 22 da Lei nº 11.196/2005, já mencionado neste voto: este termo implica que o registro deve ocorrer no momento da ocorrência dos fatos, sem o quê não há que se falar em controle. O sentido etimológico da expressão “controle” é: "ato, efeito ou poder de controlar; domínio; governo; ...", enfim, é uma conduta que pressupõe a contemporaneidade com os fatos de interesse. Note-se que o texto legal não menciona “registrados”, “escriturados” ou “contabilizados”, mas sim “Os dispêndios e pagamentos de que tratam os arts. 17 a 20 desta Lei serão controlados contabilmente em contas específicas” [d.n.]. Pensar de modo diferente esvaziaria o sentido do termo “controle”. Se o registro pudesse ser feito posteriormente, não haveria sentido em se falar de controle. Não basta registrar ou contabilizar, tem que controlar os dispêndios e isto envolve o registro no momento correto e não a posteriori. Ressalte-se que não se trata, no presente caso, de mero descumprimento de formalidades contábeis, mas sim da falta de comprovação de um benefício fiscal através de normas específicas, que, como vimos, não foram cumpridas. Portanto, não há como se acatar o pedido da interessada para reclassificação dos lançamentos contábeis, visto que a lei estabeleceu a forma (contas específicas) e o prazo (controle no momento da ocorrência dos fatos) para a contabilização. Para que fosse cumprido o requisito do art. 22, I, da Lei do Bem, ou seja, o controle dos dispêndios, o contribuinte teria que os registrar à medida que fossem ocorrendo e em contas específicas, não em outra conta para posteriormente reclassificá-los. Este paradigma, apreciando situação fática similar, que diz respeito à possibilidade de reclassificar, ao final do período de apuração, em contas específicas, o controle dos dispêndios com pesquisas tecnológicas e desenvolvimento de inovação tecnológica, deduziu conclusão divergente daquela adotada no acórdão recorrido, o que caracteriza a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões questionando exclusivamente o mérito do recurso especial. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no Fl. 416DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-006.436 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13971.902628/2015-09 acórdão paradigma como razões de decidir. Deixa-se de transcrever o voto vencido, que pode ser consultado no acórdão paradigma e deverá ser considerado, para todos os fins regimentais, inclusive de pré-questionamento, como parte integrante desta decisão, transcrevendo-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Com a devida vênia, ouso discordar do entendimento da ilustre Relatora, em que pesem os argumentos e os fundamentos por ela apresentados. Minha discordância se funda na ausência da similitude fática entre os lançamentos que embasaram as decisões, aparentemente conflitantes, para se apontar a divergência jurisprudencial. Reproduzo trecho do voto da ínclita Relatora que é ponto fulcral da minha discordância: O único acórdão aceito como paradigma, 1302-002.133, analisou acusação fiscal baseada em dois únicos fundamentos, tendo o voto afirmado que “as razões pelas quais foram adicionadas as despesas incorridas com os referidos onze projetos (2007), basearam-se em dois pontos: a) parecer do MCTI desfavorável à recorrente [não caracterizando os projetos como inovação tecnológica]; e b) conclusão de que os respectivos registros contábeis não estariam em conformidade com a Lei do Bem, pelo fato de terem sido objeto de reclassificação na fase final dos projetos.” Como tese de defesa para a primeira acusação (que não interessa ao presente caso e comento apenas por coerência), o sujeito passivo daqueles autos apresentou parecer do Instituto Nacional de Tecnologia- INT (para confrontar a conclusão do MCTI), o que foi acatado pelo voto em tal paradigma, rejeitando-se assim a primeira acusação da autoridade autuante. Quanto à segunda acusação, relativa ais aos registros contábeis (esta sim de interesse ao presente caso), o acórdão concordou que “alinhado com as conclusões do Voto Vencedor do Acórdão, que designou a diligência em questão, entendo que não há óbice à reclassificação contábil ocorrida, eis que escriturou-se em contas específicas, em conformidade com a Lei do Bem, e apresentou-se relatórios gerenciais analíticos que demonstram os valores contabilizados.” (grifamos) Ali a discussão era, essencialmente, o modo de se realizar os registros contábeis, não se tendo discutido acerca do conteúdo de tais contas. O voto conclui que, uma vez rechaçados os dois únicos argumentos da acusação fiscal para a glosa dos dispêndios, esta não mais se sustentaria. A comparação entre os precedentes permitiria identificar a ocorrência de dissenso jurisprudencial, nos seguintes termos: A decisão recorrida entendeu que o requisito legal de registro em contas contábeis específicas demandaria contas contábeis “únicas/exclusivas” criadas no plano de contas da empresa para registros dos dispêndios com inovação tecnológica, e nesse contexto também rejeitou o pedido do contribuinte de reclassificação de suas contas contábeis em uma conta “única/exclusiva” sob o argumento de que “o registro deve ocorrer no momento da ocorrência dos fatos”. Já o paradigma igualmente exige contas contábeis únicas/exclusivas, mas aceitou a reclassificação contábil, baseada em relatórios gerenciais analíticos que demonstram os valores contabilizados.” (negritos nossos, sublinhados originais) Fl. 417DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-006.436 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13971.902628/2015-09 A leitura do excerto mostra que – embora se discuta, por ser dicção legal, a necessidade de contas contábeis específicas para controle dos dispêndios com inovação tecnológica – a situação fática que encerra a discussão entre as decisões em confronto se mostram totalmente distintas. A uma porque a motivação do lançamento da decisão paradigmática se baseia em dois pressupostos fáticos, como bem apontado pela Conselheira Relatora. O primeiro, desconsideração do cumprimento dos requisitos por autoridade específica sobre a matéria, e o segundo, a falta contabilização específica. Como dito no exame de admissibilidade, o sujeito passivo não mantinha contas específicas para os registros, mas promovia uma reclassificação ao final do exercício (fls 8 do despacho, in fine). Já na decisão recorrida, o lançamento se dá por ausência da contabilização especial e mais, de valores contabilizados incorretamente, o que alterou o saldo contábil a ser utilizado para o benefício fiscal. O trecho abaixo do voto recorrido, especialmente nos pontos destacados, comprova a afirmação: Registre-se que a finalidade do artigo 22, inciso I, da Lei nº 11.196/2005 é que a contabilidade revele de maneira clara, direta e inquestionável os dispêndios ocorridos a título de pesquisa e inovação tecnológica, quando da efetiva ocorrência dos fatos ensejadores dos respectivos lançamentos contábeis. E não poderia ser de outra forma, pois o termo “controle”, que também consta naquele dispositivo, implica que o registro deve ocorrer no momento da ocorrência dos fatos, sem o quê não há que se falar em controle. O sentido etimológico da expressão “controle” é: "ato, efeito ou poder de controlar; domínio; governo; ...", enfim, é uma conduta que pressupõe a contemporaneidade com os fatos de interesse. Note-se que o texto legal não menciona “registrados”, “escriturados” ou “contabilizados”, mas sim “Os dispêndios e pagamentos de que tratam os arts. 17 a 20 desta Lei serão controlados contabilmente em contas específicas” [d.n.]. Pensar de modo diferente esvaziaria o sentido do termo “controle” do inciso I do artigo 22 da Lei nº 11.196/2005. A regra do controle em contas específicas não é propriamente uma regra contábil, mas regra tributária versando sobre matéria contábil. Assim, não há conflito entre a legislação fiscal e as regras técnicas da contabilidade. Por outro lado, é verdade que a regra dos registros em contas e centros de custo específicos facilitam o controle e a verificação das despesas incentivadas, mas também é verdade que a regra legal contida no art. 22, inciso I, da Lei do Bem não é um preceito vão, sem finalidade, e não se reduz a mero conselho ao contribuinte destituído de força obrigacional. Fixado o conceito de "contas específicas", passa-se à análise dos fatos. A partir do Relatório Fiscal e dos demais documentos que compõem os autos, verifica se que a forma utilizada pela CIA. HERING na contabilização dos dispêndios com inovação tecnológica não atendeu aos requisitos da legislação aplicável, conforme se depreende da seguinte síntese: - Em 2011, os gastos com salários e encargos aplicados em inovação tecnológica somaram R$ 857.533,47, conforme informação da CIA. HERING, mas o valor total desses gastos nas contas indicadas totalizaram R$ 1.005.173,00 (diferença de R$ 147.639,53). Fl. 418DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-006.436 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13971.902628/2015-09 - Em 2012, os dispêndios com salários e encargos aplicados em inovação tecnológica foram de R$ 2.931.846,69, enquanto o valor consolidado das contas contábeis relacionadas alcançou R$ 6.386.623,68 (diferença de R$ 3.454.776,99). - Em 2013 também se observou a mesma inconsistência, pois os dispêndios com salários e encargos aplicados em inovação tecnológica foi de R$ 907.882,12, quando os valores contabilizados nas contas indicadas totalizaram R$ 4.034.594,66 (diferença de R$ 3.126.712,54). - Em 2012, os dispêndios com materiais aplicados em inovação tecnológica somaram R$ 3.272.014,71, enquanto o valor consolidado das contas contábeis relacionadas alcançaram a cifra de R$ 4.487.043,20 (diferença de R$ 1.215.028,49). - Em 2013 idêntica constatação se repetiu, pois os dispêndios com materiais aplicados em inovação tecnológica foi de R$ 1.185.538,79, quando os valores contabilizados nas contas indicadas totalizaram R$ 2.959.400,14 (diferença de R$ 1.773.861,35). - Durante a fiscalização, a empresa foi intimada a apresentar relação com todos os lançamentos contábeis dos dispêndios com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica efetuados nos anos-calendário 2011 a 2013, na hipótese de não possuir contas contábeis específicas para o registro exclusivo desses dispêndios (o que, como vimos, se configurou), mas não houve atendimento. Pelos dados acima, constata-se um valor total a maior contabilizado nas contas relativas ao benefício fiscal, nos três anos auditados, equivalente a R$ 9.718.018,90, o que confirma que as contas contábeis vinculadas às atividades de P&D foram criadas pela empresa com outros propósitos, sendo os lançamentos contábeis ali realizados, invariavelmente, em valores superiores aos dispêndios informados como tendo sido aplicados em inovação tecnológica. Todas estas constatações da auditoria foram relatadas (e intimadas) à contribuinte no curso da ação fiscal, mostrando a impossibilidade de se identificar na contabilidade da empresa os lançamentos vinculados aos dispêndios com inovação tecnológica, mas a contribuinte, em resposta, limitou-se a prestar esclarecimentos sobre o conceito de centro de custo e sua aplicação pela empresa.” (grifamos) Assim, não se pode concordar que se admitida a existência de dissenso interpretativo entre decisões exaradas em situações fáticas tão distintas. Na decisão recorrida, além da ausência de contabilização específica, os valores registrados não correspondiam às despesas com P&D. No paradigma, além de tais valores serem comprováveis, ainda existia forma distinta da prevista em lei de seus registros. Como dito alhures, a similitude fática é imprescindível para a comprovação da divergência interpretativa entre turmas do CARF. Ausente tal pressuposto recursal não se pode, sob pena de fazer-se da CSRF uma instância revisora, conhecer-se do recurso especial. Por todo o exposto, e pelos fundamentos apresentados, voto por não conhecer do recurso especial do contribuinte. Fl. 419DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-006.436 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13971.902628/2015-09 Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira – Presidente Redator Fl. 420DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10480.720256/2011-04
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2009
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE
Para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial.
DAA RETIFICADORA
A declaração retificadora entregue antes do início do procedimento fiscal, substitui a declaração retificada para todos os efeitos, inclusive para fins de lançamento de oficio.
Numero da decisão: 2002-007.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Diogo Cristian Denny - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni e Diogo Cristian Denny (Presidente).
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE Para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. DAA RETIFICADORA A declaração retificadora entregue antes do início do procedimento fiscal, substitui a declaração retificada para todos os efeitos, inclusive para fins de lançamento de oficio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni e Diogo Cristian Denny (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 02 56 /2 01 1- 04 Fl. 184DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-007.115 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.720256/2011-04 Trata o presente processo de impugnação apresentada pela interessada supra contra o lançamento de ofício do IRPF do Exercício 2009, Ano-Calendário 2008, formalizado na Notificação de Lançamento de fls. 08 a 12, decorrente da revisão de sua declaração anual, onde foi apurado imposto suplementar, multa de ofício, multa de mora e juros de mora, totalizando o crédito tributário de R$ 4.371,08. Na descrição dos fatos que deram origem ao lançamento (fls. 09/10), a autoridade fiscal informou, em suma, que, da análise de informações e documentos apresentados pelo contribuinte e/ou das informações constantes de sistemas da Receita Federal constatou- se as seguintes infrações: Omissão de Rendimentos do Trabalho com e/ou sem Vínculo Empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 65.810,89, recebidos pelo titular e/ou dependentes da fonte pagadora Caixa de Previdência dos Func. Do Banco do Brasil. Em complemento, constou o que segue: Contribuinte foi reintimada por duas vezes para apresentar Laudo pericial de acordo com legislação citada nas referidas intimações, não apresentando a documentação solicitada para comprovação de moléstia especificada em lei. Motivo na Glosa. Compensação Indevida de Imposto Complementar, no valor de R$ 2.463,07. Em complemento, constou o que segue: Contribuinte não comprovou o imposto complementar. Apresentou DARFs de recolhimento de imposto pago no código 0211 relativo ao pagamento de quotas imposto pago, resultado da declaração, não dedutivel. Cientificada do lançamento, em 20/12/2010, por via postal (AR-fls. 43), a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 02 a 05, em 18/01/2011, acompanhada dos documentos de fls. 06 a 29, onde argumentou, em suma, o que segue: · O rendimento considerado omitido, no valor de R$ 65.810,89, recebido da Caixa de Previdência dos Func. Do Banco do Brasil, foi reconhecido pela fonte pagadora como isento do imposto de renda em virtude da contribuinte ser portadora de hepatopatia grave, desde 26 de dezembro de 2007, enfermidade especificada nas hipóteses da Instrução Normativa SRF n.º 15, de 2001, e na Lei n.º 7.713/1988; cometeu erro no preenchimento da Declaração ao não informar esse valor no campo correspondente a rendimentos isentos e não tributáveis. · A pretensa Compensação Indevida de Imposto Complementar, no valor de R$ 2.463,07, refere-se ao saldo de imposto de renda a pagar, constante na sua declaração original, pago em 6 quotas mensais, no código 0211, cujos comprovantes foram entregues na DRF em 04/11/2010; na declaração retificadora, por engano e falta de esclarecimentos, lançou o valor na coluna de imposto complementar, objetivando sua restituição, posto que é portadora de Hepatopatia Grave, comprovada pelos laudos médicos que anexa. É o relatório. A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2009 Fl. 185DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-007.115 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.720256/2011-04 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. REVISÃO. OMISSÃO de RENDIMENTOS. ISENÇÃO. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. São isentos de imposto de renda os proventos de aposentadoria recebidos por portadores de moléstia grave especificada na legislação em vigor. Para o reconhecimento do direito à essa isenção, além da comprovação de que o rendimento auferido se refere a proventos de aposentadoria deve ser comprovado que o contribuinte é portador de uma das doenças que permite a isenção do imposto. COMPENSAÇÃO INDEVIDA NA DECLARAÇÃO DE IRPF DO IMPOSTO APURADO NO AJUSTE ANUAL. Cabe manter o lançamento que glosou compensação indevida de imposto complementar não recolhido. Cientificado da decisão de primeira instância em 10/06/2016, o sujeito passivo interpôs, em 04/07/2016, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) os rendimentos são isentos por ser portador(a) de moléstia grave, conforme documentos comprobatórios juntados aos autos; b) a autuação fora baseada na DAA retificadora apresentada pela contribuinte; c) quando do preenchimento da DAA original, a contribuinte ofereceu os rendimentos a tributação e pagou os DARF gerados; É o relatório. Voto Conselheiro(a) Thiago Duca Amoni - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Da isenção por moléstia grave Da exegese do artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, do artigo 39, XXXI, do Regulamento de Imposto de Renda (RIR - Decreto 3.000/99) e do artigo 30 da Lei nº 9.250/95 para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Fl. 186DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-007.115 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.720256/2011-04 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI - os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensã(...) XXXIII - os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (...) A jurisprudência deste conselho administrativo segue a mesma linha: REQUISITO PARA A ISENÇÃO - RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO E RECONHECIMENTO DA MOLÉSTIA GRAVE POR LAUDO MÉDICO OFICIAL - LAUDO MÉDICO PARTICULAR CONTEMPORÂNEO A PARTE DO PERÍODO DA AUTUAÇÃO - LAUDO MÉDICO OFICIAL QUE RECONHECE A MOLÉSTIA GRAVE PARA PERÍODOS POSTERIORES AOS DA AUTUAÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO - O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão Fl. 187DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-007.115 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.720256/2011-04 oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O laudo pericial oficial emitido em período posterior aos anos-calendário em debate, sem reconhecimento pretérito da doe nça grave, não cumpre as exigências da Lei. De outro banda, o laudo médico particular, mesmo que contemporâneo ao período da autuação, também não atende os requisitos legais. Acórdão nº 106-16928 - 29/05/2008) Ainda, a matéria é sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A DRJ manteve a autuação pela ausência de laudo oficial comprovando a moléstia grave, já que a declaração emitida por médico perito vinculado ao INSS, informa que ela é portadora da doença de CID K 76 (hepatopatia grave), a qual se enquadra naquelas doenças arroladas no art. 6º, inciso XIV da Lei n° 7.713/88, em 13/01/2011 e não indica a data em que teve início a moléstia grave. Em sede de recurso voluntário a contribuinte apresenta exames anteriores ao laudo oficial emitido em 13/01/2011. Contudo, como o fígado é um órgão com alto poder regenerativo, considero que a contribuinte é portadora da moléstia grave apenas da data indicada no laudo oficial, sendo que ser rendimentos no exercício de 2009 não estão abrangidos pela isenção legal. Como relatado, a autuação baseou-se da DAA retificadora apresentada pela contribuinte em 15/04/2010 e, conforme jurisprudência deste CARF, a declaração retificadora entregue antes do início do procedimento fiscal, substitui a DAA retificada para todos os efeitos, como se vê: DITR. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. EFEITOS. A declaração retificadora entregue antes do início do procedimento fiscal, substitui a declaração retificada para todos os efeitos, inclusive para fins de lançamento de oficio. Portanto, qualquer procedimento de revisão de oficio e consequente lançamento deve tomar por base a última declaração retificadora apresentada. (Acórdão n°: 2201-001.747 - 14/08/2012) Fl. 188DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-007.115 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.720256/2011-04 Assim, caso haja pagamento do tributo quando da apresentação da DAA retificada, conforme documentos apresentados às e-fls. 159 a 164, solicito que a unidade de origem diligencie para a alocação e abatimento dos valores do montante do crédito tributário devido. Por todo exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento. Thiago Duca Amoni- Relator Fl. 189DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10620.000808/2007-28
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/11/2006
NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS.
A empresa deverá recolher a contribuição do segurado empregado e
contribuinte individual, bem como, a contribuição a seu cargo incidente sobre a remuneração paga aos trabalhadores a seu serviço no prazo legal.
MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Fica assegurado à empresa a aplicação, se mais benéfica, da multa prevista na legislação atual.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-001.133
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, ratificando a decisão de primeira instância administrativa fiscal, mantendo o crédito previdenciário retificado, conforme Discriminativo Analítico de Débito Retificado DADR (fls. 556/559). A multa aplicada será a prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, confrontada com a multa constante no relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD da notificação fiscal, fls. 32/33, que é a do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941 de 2009, prevalecendo a mais favorável ao contribuinte.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, ratificando a decisão de primeira instância administrativa fiscal, mantendo o crédito previdenciário retificado, conforme Discriminativo Analítico de Débito Retificado DADR (fls. 556/559). A multa aplicada será a prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, confrontada com a multa constante no relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD da notificação fiscal, fls. 32/33, que é a do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941 de 2009, prevalecendo a mais favorável ao contribuinte.
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Recorrente HOSPITAL IMACULADA CONCEIÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2003 a 30/11/2006 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. A empresa deverá recolher a contribuição do segurado empregado e contribuinte individual, bem como, a contribuição a seu cargo incidente sobre a remuneração paga aos trabalhadores a seu serviço no prazo legal. MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Fica assegurado à empresa a aplicação, se mais benéfica, da multa prevista na legislação atual. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, ratificando a decisão de primeira instância administrativa fiscal, mantendo o crédito previdenciário retificado, conforme Discriminativo Analítico de Débito Retificado DADR (fls. 556/559). A multa aplicada será a prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, confrontada com a multa constante no relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD da notificação fiscal, fls. 32/33, que é a do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941 de 2009, prevalecendo a mais favorável ao contribuinte. (Assinado digitalmente) Fl. 615DF CARF MF Impresso em 28/11/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10620.000808/200728 Acórdão n.º 280301.133 S2TE03 Fl. 583 2 Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato. Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de crédito lançado contra o Hospital Imaculada Conceição que, de acordo com o relatório fiscal de fls. 42 a 46, referese à contribuição destinada à Seguridade Social a cargo dos segurados, incidente sobre a folha de pagamento dos empregados e valores pagos a contribuintes individuais, não declarados em GFIP, no período de 06/2003 a 11/2006, como demonstrado nos anexos de fls. 47 a 92. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O contribuinte foi cientificado da notificação em 26/09/2007, fl. 41, apresentando impugnação, fls. 118 a 122. Os autos foram remetidos à diligência fiscal, fl. 514, que propôs a retificação do lançamento (fls. 517/531), conforme planilhas de fls. 530/531. O contribuinte teve vista dos autos, conforme fls. 532 a 534. Apresentou aditivo à impugnação às folhas 537 a 539. A decisão do órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal confirmou a procedência parcial do lançamento, fls. 541 a 548verso, mantendo o crédito previdenciário retificado, conforme Discriminativo Analítico de Débito Retificado DADR em anexo, fls. 549 a 559. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado da decisão em 03/09/2010, fl. 563, inconformado interpôs recurso voluntário, em 05/10/2010, fls. 571 a 577, alegando em síntese: a natureza não salarial de abono legitimamente concedido no âmbito de processo trabalhista de dissídio coletivo; duas situações em que as declarações apresentadas por segurados contribuintes individuais não foram acatadas pelo órgão julgador. A primeira, aquela em que os contribuintes — médicos autônomos — afirmaram recolher sobre o limite máximo do salário decontribuição. Exemplos disso As fls. 321, 333, 334. A segunda, aquela em que o segurado apresentou a devida declaração para determinado período (fls. 376) e ainda outra, contida nesse Fl. 616DF CARF MF Impresso em 28/11/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10620.000808/200728 Acórdão n.º 280301.133 S2TE03 Fl. 584 3 mesmo período (fls. 377). A decisão acabou por ignorálas todas, fazendo prevalecer o lançamento tributário; deve ser levada em conta a documentação física que suportava as informações eletrônicas. Há casos, inclusive, de supostos fatos geradores que constam, sob mesmo conteúdo e forma, de duas NFLDs distintas, como sejam os relativos aos segurados empregados Edgar Ferreira da Silva e Michelle Junia da Silva (competência 11/2004), que figuram às fls. 53 deste feito (Anexo I) e às fls. 54 e 56 dos autos da NFLD 10620.000796/200731, também em seu Anexo I. por fim, requer que seja reformada a decisão de primeira instância para: a) acatar a natureza indenizatória do abono concedido em processo de dissídio coletivo, para excluílo da composição do salário de contribuição; b) acolher as declarações de segurados contribuintes individuais, feitas nos limites legais; e c) acatar os dados e informações constantes da documentação anexa aos autos, a exemplo dos destacados no recurso, visando desconstituir o crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, fl. 580, e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual, passo a analisálo. ABONO SALARIAL – DISSÍDIO COLETIVO No Dissídio Coletivo de 2003, cópia anexada pelo contribuinte, fls. 283, cláusula 38ª, os sindicatos ajustaram que os empregadores concederão um abono único, pago em três parcelas, ao empregados que se encontravam na empresa no período de 01/02/2002 a 31/01/2003, devendo a primeira ser paga juntamente com o salário do mês de agosto de 2004, podendo o empregador que não celebrou Acordo Coletivo para solucionar os citados processos de dissídios coletivos de 2003, mas que concedeu alguma importância fixa ou percentual a titulo de antecipação ou pagamento por conta dos referidos dissídios coletivos de 2003, compensar o valor do abono. São termos do dissídio coletivo de 2003: TRIGÉSIMA OITAVA DISSÍDIOS COLETIVOS DE 2003 A) Com a finalidade de não discutirem e/ou terem que reparar direitos que poderiam decorrer de uma Sentença definitiva nos mencionados processos em trâmite no Col. TST, os Sindicatos aqui Acordantes ajustaram que os empregadores concederão um ABONO único, de (natureza indenizatória) ao empregados que se encontravam na empresa no período de 01/02/2002 a Fl. 617DF CARF MF Impresso em 28/11/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10620.000808/200728 Acórdão n.º 280301.133 S2TE03 Fl. 585 4 31/01/2003, no valor de R$ 300,00 (trezentos reais), admitida a aplicação do critério de proporcionalidade, â razão de 1/12 (um doze avos) por mês trabalhado no período de 01/02/2002 a 31/01/2003. B) O ABONO acima mencionado deverá ser_pago em até 3 (três) parcelas mensais e consecutivas de R$ 100,00 (cem reais) cada uma, devendo a primeira ser paga juntamente com o salário do mês de agosto de 2004. Parágrafo Primeiro 0 empregador que não celebrou Acordo Coletivo para solucionar os citados processos de dissídios coletivos de 2003, mas que concedeu alguma importância fixa ou percentual a titulo de antecipação ou pagamento por conta dos referidos dissídios coletivos de 2003, poderá levar tal importância fixa ou percentual à compensação dos R$300,00 (trezentos reais) acima ajustados, observandose: (...) No mesmo sentido é a Cláusula nona Processo 00900200605603009 (acordo fls. 292/293), vigência 2005/2006, transcrito na impugnação (fl. 121): Fica estabelecido que o Hospital Imaculada Conceição pagará a diferença salarial supramencionada em forma de abono fixado em R$100,00 para todos os seus empregados. Este abono será pago em duas parcelas de R$50,00 juntamente com as folhas de agosto e setembro/2006. Como se pode notar tratase de dissídio coletivo com intuito de reposição salarial dos trabalhadores da empresa. Assim sendo, o abono concedido em acordo ou dissídio coletivo possui natureza salarial e configura aquisição de renda em decorrência dos serviços prestados pelo trabalhados, de modo que sobre o valor deve incidir a contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, inciso I, da Lei 8212/91 combinado com o art. 457, § 1º, da CLT. Este entendimento tem ressonância nos Tribunais Federais TRF1 e TRF3, cujos julgados se transcreve: Processo AC 200003990018475AC APELAÇÃO CIVEL – 563002 , Relator(a) JUIZA RAMZA TARTUCE , Sigla do órgão TRF3 , Órgão julgador QUINTA TURMA , Fonte DJU DATA:06/07/2005 PÁGINA: 152 Ementa: TRIBUTÁRIO E PREVIDENCIÁRIO ANULATÓRIA DE DÉBITO CONSTITUÍDO – ABONO CONCEDIDO EM DISSÍDIO COLETIVO NATUREZA REMUNERATÓRIA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA CUSTAS PROCESSUAIS E HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS RECURSO DO INSS E REMESSA OFICIAL PROVIDOS. 1. Nos termos do art. 457, § 1º, da CLT, o abono concedido em dissídio coletivo possui natureza salarial e configura aquisição de renda, de modo que sobre ele deve incidir a contribuição previdenciária (art. 28, I, da Lei 8212/91). 2. A parte autora arcará com o pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios, que ficam fixados em 10% sobre o valor atualizado Fl. 618DF CARF MF Impresso em 28/11/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10620.000808/200728 Acórdão n.º 280301.133 S2TE03 Fl. 586 5 atribuído à causa. 3. Recurso e remessa oficial providos. Sentença reformada. Data da Decisão 13/06/2005 , Data da Publicação 06/07/2005 Processo AMS 887420004014300AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA – 887420004014300 , Relator(a) DESEMBARGADOR FEDERAL LUCIANO TOLENTINO AMARAL , Sigla do órgão TRF1 , Órgão julgador SÉTIMA TURMA , Fonte eDJF1 DATA:09/10/2009 PAGINA:397 Ementa: TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA – INCIDÊNCIA ABONO DISSÍDIO COLETIVO DE TRABALHO NATUREZA REMUNERATÓRIA. 1.Abono pago em conseqüência de dissídio coletivo de trabalho, em substituição a aumento salarial, está sujeito à incidência do imposto de renda, por ter natureza remuneratória. 2. Apelação não provida. 3. Peças liberadas pelo Relator em 22/09/2009 para publicação do acórdão. Data da Decisão 22/09/2009 , Data da Publicação 09/10/2009 Pelo exposto o abono concedido pelo contribuinte tem natureza salarial. Correto o lançamento fiscal de tal verba pela autoridade fiscal. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NÃO FORAM ANALISADOS CONFORME RECURSO DO CONTRIBUINTE Os contribuintes — médicos autônomos — afirmaram recolher sobre o limite máximo do saláriodecontribuição. Exemplos disso às fls. 321, 333, 334, 376, 377: fls. 321 ANALICE DE PAIVA VIANNA DAMASIO, médica inscrita no CRM/MG sob o n° 29.210 — CPF n° 547.833.13687, matricula no INSS n° 11416840669, apenas declaração sem comprovação de documentos; fls. 333 CHRISTINE MARIA BRANDÃO FLOR ALVES LEITE, médica inscrita no CRM/MG sob o n° 25.757 — CPF n° 53505123668, matricula no INSS n° 11332854545, apenas declaração sem comprovação de documentos; fls. 334 CLAUTON MOREIRA BRINA, médico inscrito no CRM/MG sob o n° 26.062 — CPF n° 785.656.69653, matricula no INSS n° 112.341.83239, apenas declaração sem comprovação de documentos; fls. 376 FABIO HENRIQUE MACHADO COSTA, medico, Identidade CREMEMG n° 7.819, CPF n. 199 594 94691, inscrito junto ao INSS sob o n°10942369502, apenas declaração sem comprovação de documentos; FLS. 377 FABIO. HENRIQUE M. COSTA, inscrito no CRMJMG sob o n. 7.819, CPF n° 199.594.94691, INSS n° 109.423.69502, apenas declaração sem comprovação de documentos. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 28/11/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10620.000808/200728 Acórdão n.º 280301.133 S2TE03 Fl. 587 6 A reclamação do contribuinte de que tais documentos não foram analisados é improcedente, pois foram analisados e estão registrados na Informação Fiscal de fls. 517/531, constando da planilha às folhas 525. A autoridade fiscal informa que são apenas declarações das pessoas físicas e não preenchem os requisitos necessários a fim de se ver afastada a obrigatoriedade do desconto dos segurados nela relacionados vez que não se tratam de comprovantes de pagamento, não consignam os valores e meses sobre o quais já sofreram desconto, nem identificam as empresas que efetuaram tais descontos. Sem a comprovação dos argumentos não se pode excluir valores declarados pelo contribuinte em folha de pagamento e GFIP. É o trecho da Informação Fiscal: Na planilha abaixo, as declarações apresentadas não preenchem os requisitos necessários a fim de se ver afastada a obrigatoriedade do desconto dos segurados nela relacionados vez que não se tratam de comprovantes de pagamento, consignam os valores sobre o quais já sofreram desconto naquele mês ou identificam a empresa que efetuará, naquela competência, descontos sobre o valor máximo do salário contribuição, sendo apenas declaração da própria pessoa física de que recolhe sua contribuição previdenciária como autônoma. Documento Nome Nit Data Alegação Declaração Albaro Rosevelt Gonçalves 109.912.53563 14/08/2003,16 contribui como autonomo Declaração Analice de Paiva Vianna Damasio 114.168.40669 17/07/2003,16 contribui como autonomo Declaração Antonio Camilo Chaves 110.006.02014 18/09/2003 Sem vinculo/Contribui como autonomo (...) Declaração Christine Maria Brandão Flor Alves Leite 113.328.54545 06/05/2004 Sem vinculo/Contribui como autonomo Declaração Clátuton Moreira Brina 112.341.83239 —Sem vinculo/Contribui como autonomo Declaração Consuelo Rodrigues Gallo 113.009.95402 01/07/2003A contribui como autonomo Declaração Daniel Viana Abreu 113.929.56344 01/07/2003 Já contribui como autonomo (...) Declaração Fabio Henrique Machado Costa 109.423.69502 18/09/2003,16 contribui como autonomo Declaração Ronaldo Gonçalves de Freitas 111.539.90924 01/07/2003,16 contribui como autonomo Declaração Rosamaria Pinto e Silva 112.270.67245 01/07/2003A contribui como autonomo Fl. 620DF CARF MF Impresso em 28/11/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10620.000808/200728 Acórdão n.º 280301.133 S2TE03 Fl. 588 7 Declaração Sandra Cristina Gonçalves 114.229.95598 01/07/2003,16 contribui como autonomo Declaração Wesley de Oliveira Figueiredo 111.998.36936 01/07/2003A contribui como autonomo SEGURADO QUE CONSTAM LANÇADOS EM DUAS NFLDS CONFORME RECURSO DO CONTRIBUINTE O contribuinte alega que existe suposto fato gerador constante em duas notificações fiscais da empresa. Os segurados empregados Edgar Ferreira da Silva e Michelle Junia da Silva (competência 11/2004), figuram às fls. 53 deste feito (Anexo I) da NFLD n. 37.114.8570/2007 e às fls. 54 e 56 dos autos da NFLD n. 37.114.8561 (10620.000796/2007 31), também em seu Anexo I. Também, sobre o assunto, há explicação na Informação Fiscal de fls. 517/531, constando que para a competência 11/2004 não houve duplicidade vez que os valores de desconto dos segurados lançados neste auto (NFLD n. 37.114.8570/2007) se somam aos lançados no auto DEBCAD 37.114.8561 perfazendo os valores de contribuição previdenciária devida pelos segurados empregados Edgar Ferreira da Silva — R$24,18 — e Michelle Junia da Silva — R$19,89. Tal fato se deu em função de que os valores provenientes da folha de pagamento presente no auto de infração DEBCAD 37.114.8561 foram inferiores aos declarados em GFIP (fls 521). São os termos do relatório: 8.1 Análise Impugnação — fls 227 e 228: 11/2004 Não houve duplicidade de multa vez que os valores de desconto dos segurados lançados neste auto se somam aos lançados no auto DEBCAD 37.114.8561 perfazendo os valores de contribuição previdenciária devida pelos segurados empregados Edgar Ferreira da Silva — R$24,18 — e Michelle Junia da Silva — R$19,89. Tal fato se deu em função de que os valores provenientes da folha de pagamento presente no auto de infração DEBCAD 37.114.8561 foram inferiores aos declarados em GFIP. Destarte, não procede o argumento do contribuinte de que houve duplicidade de lançamento para a competência 11/2004. Ressaltase que todas as informações constantes da folha de pagamento de segurados empregado e contribuinte individual, extraídos dos arquivos digitais, foram fornecidas pelo contribuinte. O contribuinte alega suposta inconsistência nos arquivos digitais por ele gerado, sem, contudo, apontar os possíveis erros ou apresentar prova de suas alegações. A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária, está obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante o prazo decadencial das contribuições sociais, para exibir à fiscalização. É o que dispõe o art. 8° da Lei n° 10.666, de 8 de maio de 2003. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 28/11/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10620.000808/200728 Acórdão n.º 280301.133 S2TE03 Fl. 589 8 A contribuição do segurado empregado encontra respaldo nos artigos 12 incisos I; 20; 28 inciso I e parágrafos, todos da Lei n º8.212/91. A contribuição do segurado contribuinte individual encontra respaldo nos artigos art. 12, inciso V; art. 21; art. 28, inciso III, art. 30 inciso II e parágrafos 2o, 4o. e 5o, da Lei n º8.212/91, bem como, demais fundamentos constantes do relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, fls. 32/33. Em que pesem os argumentos e documentos apresentados pelo recorrente, os mesmo já foram analisados quando da diligência fiscal/Informação Fiscal, fls. 517/531, e da decisão do órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal que confirmou a procedência parcial do lançamento, mantendo o crédito previdenciário retificado, conforme Discriminativo Analítico de Débito Retificado DADR em anexo, fls. 541 a 559. Assim, todos os documentos que se referem à notificação e à impugnação foram verificados pela fiscalização e pelo órgão julgador de primeira instância, conforme consta da decisão (fls. 546). O contribuinte não trouxe aos autos novas provas que pudessem alterar o lançamento fiscal. O pedido de diligência que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto n. 70.235/72, deve ser rejeitado. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores por intermédio do Relatório de Lançamento – RL contendo a competência (mês e ano), a base de cálculo, a discriminação das observações; e, ainda, o Discriminativo Analítico de Débito – DAD que informa as alíquotas e os valores das contribuições previdenciárias devidas; a Instrução para o Contribuinte – IPC; os Fundamentos Legais do Débito – FLD; a identificação do contribuinte, identificação do Auditor Fiscal notificante, Relatório Fiscal, consoante artigo 33 da Lei n° 8.212/91 e demais dispositivos mencionados nos autos. MULTA APLICADA. RETROATIVIDADE BENIGNA As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação nos termos do art. 150 do CTN. Corrobora com o entendimento o Superior Tribunal de Justiça STJ, REsp 289181/MG. A multa aplicada pela Lei n º 8.212/91, na redação introduzida pela Lei n º 11.941/2009, estabelece a distinção entre multa de mora (art. 35) e a multa de ofício (art. 35 A). Suas aplicações devem seguir formas distintas, aplicandose para a multa de mora o art. 61 da Lei n º 9.430/96, e para a multa de ofício o art. 44 da Lei n º 9.430/96. Este entendimento, também, é corroborado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ no Processo AGRESP 200601560547. A multa de mora, art. 35 da Lei n º 8.212/91, deve ser aplicada para pagamento fora do prazo previsto na legislação e será calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso limitada a 20% (vinte por cento), nos termos do art. 61 da Lei n º 9.430/96. A multa de ofício, art. 35A da Lei n º 8.212/91, deve ser aplicada nos termos do art. 44 da Lei no9.430/96 (I 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de Fl. 622DF CARF MF Impresso em 28/11/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10620.000808/200728 Acórdão n.º 280301.133 S2TE03 Fl. 590 9 declaração inexata; II 50%, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal). O lançamento de ofício está previsto no art. 149 do CTN: Outrossim, o Supremo Tribunal Federal – STF fixou entendimento no sentido de que as cominações impostas por meio de lançamento de ofício decorrem do fato de omissão na declaração e recolhimento intempestivos da contribuição, nos termos do Processo REAgR 241087. O julgado é acompanhado pelo STJ, REsp 330519/RS, e Tribunais Federais TRF3ª Região, AC 94.03.0108363/SP, e TRF1ª Região, AC 1997.01.00.0475312/DF; que compreendem que deve ser efetuado o lançamento de ofício quando constatada diferença a menor, ou inexistência de pagamento, ou irregularidades na declaração de tributos sujeitos a lançamento por homologação (omissão ou inexatidão). As alterações trazidas pela Lei n º 8.212/91, quanto à aplicação da multa, devem ser observadas no caso objeto de análise, buscando o disposto nos artigos 106, inciso II, e 112, ambos do CTN, no sentido de se analisar e aplicar a norma que for mais benéfica ao contribuinte. A análise dos valores das multas para verificação e aplicação da regra que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento, consoante entendimento trazido pela Portaria Conjunta PGFN/RFBnº14, de 4 de dezembro de 2009, DOU de 8.12.2009, bem como, demais normativos sobre o assunto. A análise será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. A comparação deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, atentando para a necessidade de análise em conjunto com os demais lançamentos sofridos pelo contribuinte, registrados no Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF constante dos autos, se devido. O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. No presente caso, em razão da notificação fiscal está classificada como lançamento de ofício (diferença apurada em folha de pagamento de segurados), a multa aplicada será a prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, confrontada com a multa constante no relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD da notificação fiscal, fls. 32/33, que é a do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941 de 2009, prevalecendo a mais favorável ao contribuinte. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 28/11/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10620.000808/200728 Acórdão n.º 280301.133 S2TE03 Fl. 591 10 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso, ratificando a decisão de primeira instância administrativa fiscal, mantendo o crédito previdenciário retificado, conforme Discriminativo Analítico de Débito Retificado DADR (fls. 556/559). A multa aplicada será a prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, confrontada com a multa constante no relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD da notificação fiscal, fls. 32/33, que é a do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941 de 2009, prevalecendo a mais favorável ao contribuinte. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 624DF CARF MF Impresso em 28/11/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.908090/2020-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Fri Nov 04 00:00:00 UTC 2022
Numero da decisão: 1302-001.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo Cuba Netto, Flávio Machado Vilhena Dias, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Fellipe Honório Rodrigues da Costa (Suplente convocado) e Paulo Henrique Silva Figueiredo (presidente). Ausente o Conselheiro Marcelo Oliveira.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo Cuba Netto, Flávio Machado Vilhena Dias, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Fellipe Honório Rodrigues da Costa (Suplente convocado) e Paulo Henrique Silva Figueiredo (presidente). Ausente o Conselheiro Marcelo Oliveira. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 106-008.046, de 14 de janeiro de 2021, proferido pela 11ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 06 (fls. 1.006/1.013), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente. O presente processo cuida do Pedido Eletrônico de Restituição (PER) nº 20483.40798.190917.1.2.02-0739 e de diversas Declarações de Compensação (DComp) a ele vinculadas, apresentadas pela Recorrente com base em suposto saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) referente ao ano-calendário de 2016, no valor de R$ 50.418.247,03, para compensar débitos tributários de sua responsabilidade (fls. 313/1.000). Os referidos documentos foram objeto, em 15 de junho de 2020, de Despacho Decisório eletrônico, por meio do qual se atestou a existência parcial do saldo negativo invocado, já que foram confirmados R$ 32.131.739,57 (de R$ 68.279.369,59) em retenções na fonte. Diante disso, foi reconhecido saldo negativo no valor de R$ 14.270.617,01, e realizada a homologação integral das compensações declaradas nas DComp nº 33189.50103.150118.1.3.02- 8010, 20902.94846.190118.1.3.02-1409, 05461.63951.200218.1.3.02-5850 e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 08 09 0/ 20 20 -8 2 Fl. 2272DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 1302-001.079 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.908090/2020-82 18758.84218.230218.1.7.02-3077, parcial das realizadas por meio da DComp nº 16175.82982.280218.1.3.02-6720 e não foram homologadas as compensações restantes, conforme listadas na referida decisão e documentos anexos (fls. 194/312). Cientificado do Despacho Decisório, o sujeito passivo apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 5/28, na qual informou haver apresentado planilha com as “justificativas para manutenção do credito declarado em PER/DCOMP”. Apresentou, na peça de defesa, quadro resumo da mencionada planilha e esclarecimentos acerca das divergências de informações que teriam ensejado o não reconhecimento das retenções por parte da autoridade administrativa. Em algumas situações, os dados informados pelas fontes pagadoras seriam maiores que os considerados pela Recorrente, e/ou estariam identificados pelos números de inscrições no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) da matriz, em lugar das filiais. Em outros casos, as fontes pagadoras teriam informados montantes de retenção inferiores aos efetivamente ocorridos. Para a comprovação, a Recorrente teria detalhado as notas fiscais a que corresponderiam as retenções, as quais teriam sido devidamente contabilizadas. Finalmente, em determinadas situações, as fontes pagadoras simplesmente não teriam informado as retenções por meio de Declarações de Rendimentos Pagos e Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). A Recorrente reconheceu, ainda, que, em alguns casos, teria considerado retenções indevidamente ou a maior do que o que ocorrido, e sustentou que teria procedido aos recolhimentos dos respectivos valores, conforme atestariam Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) anexados à Manifestação de Inconformidade. Na decisão recorrida, apontou-se, inicialmente, que, conforme a legislação vigente, o Comprovante Anual de Retenção é o documento hábil a comprovação do imposto retido. Não obstante, “como o direito do contribuinte não pode ser inviabilizado por eventual conduta omissiva da fonte pagadora”, a referida comprovação pode ser realizada por meio da “escrituração contábil acompanhada dos respectivos documentos que a respaldam, conforme determinado no art. 923 do RIR/99”. Por outro lado, documentos produzidos unilateralmente pelo próprio contribuinte, tais como notas fiscais emitidas, devem estar conciliados com documentos produzidos por terceiros, como extratos bancários com a devida evidenciação dos valores líquidos efetivamente recebidos, de modo a demonstrar as retenções realizadas. Os julgadores apontaram, então, que, no caso sob análise, a planilha apresentada pela Recorrente não foi acompanhada de qualquer elemento de prova hábil, “como, por exemplo, notas ficais conciliadas com extratos bancários, evidenciando os valores líquidos recebidos em virtude da retenção de tributos”. Foi realizada nova consulta aos sistemas da Receita Federal, considerando as divergências de CNPJ informadas na peça de defesa, de modo que foi possível a comprovação de um valor adicional de retenções de R$ 27.440.120,49, tendo havido o reconhecimento do direito creditório correspondente e sido homologadas as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. Finalmente, registrou-se que os pagamentos efetuados pela Recorrente deveriam ser considerados na cobrança dos débitos cujas compensações não foram homologadas. Fl. 2273DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 1302-001.079 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.908090/2020-82 Após a ciência do Acórdão, foi apresentado o Recurso Voluntário de fls. 1.021/1.043, com o qual, mais uma vez, a Recorrente junta planilha com as justificativas para o reconhecimento das retenções e apresenta resumo na peça recursal. Em síntese, teria apresentado, por amostragem notas fiscais ou registros contábeis e comprovação de recebimento do valor líquido. Em dois casos, teria sido apresentada DIRF retificadora ou haveria divergência no código de receita informado na DIRF. Como pedido subsidiário, pugna pela conversão do julgamento em diligência para a análise da documentação apresentada. O presente processo foi distribuído por sorteio a este Conselheiro, em 19 de agosto de 2021. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator 1 DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO A Recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância, por via eletrônica, em 20 de janeiro de 2021 (fls. 1.016/1.017) e apresentou o Recurso Voluntário, em 19 de fevereiro do mesmo ano (fl. 1.018), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado eletronicamente pelo responsável legal pela pessoa jurídica. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso I, e Art. 7º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 2 DA NECESSIDADE DE CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Conforme relatado, a matéria sob litígio nos presentes autos se limita à parcela do saldo negativo de IRPJ relativo ao ano-calendário de 2016 composta pelos valores relativos a retenções na fonte não confirmadas nas decisões administrativas anteriores. Ou seja, R$ 9.455.213,20, dos R$ 68.279.369,59 consideradas na apuração realizada pela Recorrente. Na decisão de primeira instância, for realizada criteriosa análise dos elementos de prova apresentados com a Manifestação de Inconformidade. As premissas utilizadas no referido exame foram as de que: Fl. 2274DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 1302-001.079 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.908090/2020-82 (i) incumbe ao contribuinte comprovar por meio de documento hábil e idôneo a ocorrência das retenções e a submissão das receitas correspondentes à tributação; (ii) ordinariamente, a prova hábil a comprovar retenções é o Comprovante de Retenção expedido pela fonte pagadora; (iii) na ausência do comprovante de retenção, é possível a comprovação por meio de registros contábeis, desde que que acompanhados dos documentos que deram origem aos lançamentos neles consignados; (iv) os elementos de prova confeccionados unilateralmente pelo contribuinte (como notas fiscais) devem estar conciliados com documentos produzidos por terceiros (como extratos bancários, com evidenciação do recebimento dos valores líquidos). Não há nenhuma crítica a se fazer aos referidos entendimentos, posto que expressam com fidelidade o que contido na legislação e na jurisprudência administrativa. Neste sentido, cabe invocar, inicialmente, duas Súmulas do CARF que tratam da comprovação das retenções: Súmula CARF nº 80 Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Súmula CARF nº 143 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Cabe, ainda, transcrever o teor do art. 923 do RIR/99, de modo a não deixar dúvidas acerca da necessidade de que os registros contábeis sejam acompanhados de documentos hábeis para gozarem da força probatória que os caracteriza: Art.923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). (Destacou-se) Pois bem, no caso sob análise, a Recorrente apresentou, com a Manifestação de Inconformidade, a planilha juntada à fl. 185, porém desacompanhada de qualquer elemento de prova capaz de validar as alegações nela contidas. Com o Recurso Voluntário, a Recorrente junta diversos novos elementos de prova, em relação aos quais há alegações da existência de informações apresentadas pelas fontes pagadoras, por meio de DIRF, que validariam as retenções alegadas, bem como de comprovação destas, por meio de documentos fiscais, registros contábeis e extratos bancários, apesar da ausência de informações correspondentes nas DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras. Fl. 2275DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 1302-001.079 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.908090/2020-82 Passa-se à descrição das provas apresentadas, com a justifica que demanda a conversão do julgamento em diligência, a fim de que as alegações apresentadas sejam cotejadas com as informações constantes dos sistemas informatizados da RFB e do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), inacessíveis aos conselheiros deste Colegiado: - Doc nº 02 – planilha “Base deferim parcial.xlsx” (fl. 1.052) – planilha contendo cinco linhas tratando de algumas das retenções não confirmadas no Acórdão recorrido, mas sem vinculação a qualquer elemento de prova hábil e idôneo a comprovar tais retenções; - Doc nº 03 – planilha “Demonstrativo IRPJ.xlsx” (fl. 1.053) – planilha contendo sete itens e oito subitens. Em relação ao item 1, há a alegação de que o montante de R$ 176,81 teria sido declarado pela fonte pagadora sob o código de receita 3280; Em relação ao subitem 2.1, há a alegação de que os montantes de R$ 54.132,08, R$ 579,86, teriam sido declarados pela fonte pagadora sob o código de receita 3426; os montantes de R$ 3.804,54, R$ 357,43 e 4.890,65 estariam declarados sob o código de receita 5944; e a retenção de R$ 970,40 teria sido declarada sob o código de receita 3426; Quanto ao subitem 2.2, há a alegação de que o montantes de R$ 255,27 estaria declarado sob o código de receita 5944; e o montante de R$ 377,59 estaria declarado sob o código de receita 5936; Quanto aos subitens 3.1 a 3.4, a Recorrente alega que os valores das retenções foram informados a menor pelas fontes pagadoras. Estaria apresentando boletos e extratos bancários que confirmariam os valores efetivamente retidos. Há necessidade de se cotejar os elementos apresentados com as informações constantes do SPED; Em relação aos subitens 4.1 e 4.2, a Recorrente alega que os valores das retenções não foram informados em DIRF pelas fontes pagadoras. Estaria apresentando boletos e extratos bancários que confirmariam os valores efetivamente retidos. Há necessidade de se cotejar os elementos apresentados com as informações constantes do SPED; Em relação ao subitem 5, a Recorrente alega que a fonte pagadora retificou sua DIRF, de modo que as retenções alegadas estariam comprovadas; Quanto ao item 6, a Recorrente alega que a fonte pagadora informou as retenções em DIRF, mediante a utilização de códigos de receita divergentes; Finalmente, quanto ao item 7, lista retenções cujas diferenças não comprovadas são, individualmente, inferiores s R$ 10,00. - Doc nº 04 – Manual de consulta – notas que foram pagas através da modalidade de boleto bancário (fls. 1.054/1.056). Trata-se de roteiro para a consulta às informações correspondentes; Fl. 2276DF CARF MF Original Fl. 6 da Resolução n.º 1302-001.079 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.908090/2020-82 - Doc nº 05 – Manual de consulta – notas que foram pagas através da modalidade de deposito – extrato bancário (fls. 1.057/1.059). Trata-se de roteiro para a consulta às informações correspondentes - Doc nº 07 – planilha “suporte manual BANCOS EXTRATOS BASE.xslx” (fl. 1.060) e extratos bancários (fls. 1.061/2.261); - Doc nº 08 – comprovantes de pagamentos e Documentos de Arrecadação de Receitas Federais - DARF (fls. 2.262/2.269) A partir de todo o exposto, é necessária a conversão do julgamento em diligência, com a remessa dos autos à Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente, para que a autoridade administrativa; 1. Manifeste-se, mediante consulta às informações prestadas pelas fontes pagadoras por meio de DIRF, acerca das divergências de códigos de receita e retificações de informações alegadas pela Recorrente, conforme itens 1, 2.1, 2.2, 5 e 6 da planilha “Demonstrativo IRPJ.xlsx”; 2. Manifeste-se, mediante consulta às informações constantes do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), a saber, Escrituração Contábil Digital (ECD), Escrituração Contábil Fiscal (ECF) e Notas Fiscais Eletrônicas (NF-e), acerca da existência das retenções e submissão das receitas correspondentes à tributação, conforme notas fiscais e registros contábeis apontados pela recorrente e extratos bancários apresentados; 3. À luz dos exames acima demandados, e das demais análises que entender cabíveis, inclusive por meio de intimação à Recorrente, para a apresentação de elementos adicionais que entender necessários, elabore relatório conclusivo acerca das retenções alegadas pela Recorrente e do saldo negativo de IRPJ tratado nos presentes autos; 4. Dê ciência do relatório acima referido à Recorrente, facultando-lhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação a respeito do seu conteúdo, a qual deverá ser acompanhada das correspondentes provas hábeis e idôneas; 5. Apresentada ou não manifestação pela Recorrente, no referido prazo, devolva o presente processo, para prosseguimento do julgamento do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 2277DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13706.008927/2008-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 03 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2023
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF)
Ano-calendário: 2003
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. GLOSA.
Mantém-se a glosa de compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte quando comprovado que o respectivo valor foi diretamente pago ao contribuinte beneficiário dos rendimentos.
Numero da decisão: 2402-011.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário interposto.
(documento assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Ana Cláudia Borges de Oliveira, Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, José Márcio Bittes, Rodrigo Duarte Firmino e Thiago Duca Amoni (suplente convocado).
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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GLOSA. Mantém-se a glosa de compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte quando comprovado que o respectivo valor foi diretamente pago ao contribuinte beneficiário dos rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior – Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Ana Cláudia Borges de Oliveira, Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, José Márcio Bittes, Rodrigo Duarte Firmino e Thiago Duca Amoni (suplente convocado). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em face da decisão da 21ª Turma da DRJ/RJ1, consubstanciada no do Acórdão nº 12-55.545 (p. 73) que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nos termos do relatório da r. decisão, tem-se que: Trata-se de impugnação apresentada pela pessoa física em epígrafe em28/10/2009 (fls. 03 a 07), contra a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 13 a 18), da qual o contribuinte foi cientificado em 14/10/2008 (fl. 53), que apurou um crédito tributário no montante de R$ 139.101,12, acrescido dos juros de mora e de parte multa de ofício parte multa de mora, resultante da revisão da Declaração de Ajuste Anual, exercício de 2004, ano-calendário de 2003. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 89 27 /2 00 8- 58 Fl. 167DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-011.076 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.008927/2008-58 De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da Notificação de Lançamento foram apuradas as seguintes infrações (fls. 14 a 16), tendo em vista que regularmente intimado, o contribuinte não atendeu a Intimação expedida: - Dedução Indevida com Dependentes; - Dedução Indevida de Despesas Médicas; e - Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 68.889,00 referente ao Instituto de Previdência do Estado do Rio de Janeiro. Em sua defesa, o Impugnante alegou, em síntese, que: - está apresentando comprovante da relação de dependência e de todas as despesas médicas glosadas; e - da compensação indevida de IRRF alega que exerce a profissão de Advogado e em Maio de 2003 o IPERJ (Instituto de Previdência do Estado do Rio de Janeiro) lhe pagou honorários do Precatório Judicial n° 303/96 no valor R$ 276.818,00, menos a quantia R$ 68.889,50, a título de imposto de renda na fonte, conforme demonstra o documento de fl. 41. Em atendimento ao art. 1º da Instrução Normativa RFB nº 1061, de 04/08/2010, que acrescentou o art. 6ºA da Instrução Normativa RFB nº 958, de 15/07/2009, o presente processo foi encaminhado à DRF de origem onde foi exarado o Despacho Decisório de fl. 60, aprovando o teor do Termo Circunstanciado das fls. 57 a 59 e decidindo pela manutenção parcial do Lançamento, restabelecendo toda a dedução com dependente e despesa médica glosada e mantendo a infração de Compensação Indevida de IRRF no valor de R$ 68.889,00, referente ao IPERJ, pois o documento apresentado pelo contribuinte seria insuficiente para comprovar que a retenção teria ocorrido no ano calendário 2003. Após ser cientificado do teor do mencionado Despacho Decisório, o contribuinte apresentou sua peça defensória de fls. 65 a 67 onde alega que a retenção do IRRF teria ocorrido no dia 10 de julho de 2003, o que restaria comprovado com a juntada de Certidão fornecida pelo Diretor da Divisão de Certidões e Traslados do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro à fl. 69. Aduz que o raciocínio lógico que leva à certeza de que o imposto foi retido no ano de 2003 é que o recebimento do precatório também ocorreu no ano de 2003. E o pagamento, por certo, não teria ocorrido sem a devida retenção na fonte. A DRJ, por meio do susodito Acórdão º 12-55.545 (p. 73), julgou improcedente a defesa apresentada pelo sujeito passivo, nos termos da ementa abaixo reproduzida: COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE Não restando comprovada, mediante documentação hábil e idônea, que a retenção tenha ocorrido no ano-calendário em questão, fica mantida a glosa da dedução do IRRF. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado, o Contribuinte apresentou o recurso voluntário de p. 86, reiterando os termos da impugnação apresentada. Na sessão de julgamento realizada em 08 de maio de 2019, este Colegiado converteu o julgamento do presente processo administrativo em diligência para que a Unidade de Origem verificasse, em síntese, junto ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro Divisão de Precatórios Judiciais e ao Instituto de Previdência do Estado do Rio de Janeiro (IPERJ a ocorrência de recolhimento de imposto de renda na fonte no AC 2003 no valor de R$ 68.889,50 vinculado ao Precatório Judicial n. 1996.993035 Processo n. 920010019970. Fl. 168DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-011.076 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.008927/2008-58 À p. 158, foi juntado aos autos o Relatório Fiscal emitido pela Unidade de Origem. Cientificado dos termos do referido Relatório, o Contribuinte não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Conforme exposto no relatório supra, o cerne deste litígio concentra-se na glosa do IRRF no valor de R$ 68.889,00, em virtude do entendimento da autoridade lançadora de se tratar de compensação indevida do imposto devido apurado na DIRPF/2004 ND 07/34.210.793 (efls. 42/50). Na sessão de julgamento realizada em 08 de maio de 2019, este Colegiado converteu o julgamento do presente processo administrativo em diligência, nos seguintes termos, em síntese: Em sede de recurso voluntário, verifica-se que o Recorrente acosta aos autos mandado de pagamento n. 20032991 no valor de R$ 228.528,15 (efl. 91), referente ao Precatório Judicial n. 1996.993035 Processo n. 920010019970 data de depósito 27/05/2003, que, todavia, não faz prova, na verdade, sequer começo de prova, da retenção de imposto de renda como pretende o Recorrente, vez que informa IRRF de R$ 0,00. Consta ainda dos autos outras certidões lavradas pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (efls. 69 e 104) informando pagamento efetuado ao Recorrente pelo Instituto de Previdência do Estado do Rio de Janeiro (IPERJ) no valor líquido de R$ 228.528,15 e retenção de imposto de renda no valor de R$ 68.889,50, desacompanhado, todavia, do respectivo alvará de levantamento com a discriminação das verbas, inclusive deduções, e/ou respectivo comprovante de recolhimento (DARF). É dizer, não há elemento de prova inequívoca de retenção de imposto de renda no valor de 68.889,00 informado pelo Recorrente na DIRPF/2004 ND 07/34.210.793 (efls. 42/50). (...) Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (efls. 86/94) para CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA à Unidade de Origem para averiguar junto ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro Divisão de Precatórios Judiciais e ao Instituto de Previdência do Estado do Rio de Janeiro (IPERJ a ocorrência de recolhimento de imposto de renda na fonte no AC 2003 no valor de R$ 68.889,50 vinculado ao Precatório Judicial n. 1996.993035 Processo n. 920010019970, observando-se que, após a diligência ora solicitada, deverá a Unidade de Origem consolidar Informação Fiscal em face das verificações realizadas, cientificando o Recorrente do seu teor e concedendo prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência, para que, a seu critério, apresente contrarrazões. Em atenção ao quanto solicitado, foi emitido o Relatório Fiscal de p.p. 158 e 159, destacando as repostas dos ofícios encaminhados ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro Divisão de Precatórios Judiciais e ao Instituto de Previdência do Estado do Rio de Janeiro. Fl. 169DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-011.076 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.008927/2008-58 Neste particular, destaque-se, pela sua relevância para o caso em análise, a informação prestada pelo Banco do Brasil, instituição financeira depositária dos depósitos judiciais do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, in verbis: Segue os comprovantes do resgate do Mandado de Pagamento 02991/2003 conforme solicitado. Informamos que na Ordem Judicial não consta o valor do recolhimento do IR, tendo sido pago por transferência para a conta do beneficiário no Banco do Brasil conforme autorização do próprio inclusa nos anexos. (destaquei) Conforme se infere do excerto supra reproduzido, não houve o devido recolhimento do IR, quando do pagamento dos valores devidos ao Contribuinte. Ao contrário, foi informado que o valor referente ao IR foi “pago por transferência para a conta do beneficiário no Banco do Brasil, conforme autorização do próprio.” Registre-se pela sua importância que, intimado a se manifestar acerca do resultado da diligência fiscal em questão, o Contribuinte quedou-se silente. Neste espeque, conclui-se que, de fato, não houve a retenção e o recolhimento do IRRF compensado pelo Contribuinte na sua DIRPF/2004, afigurando-se procedente a glosa perpetrada pela fiscalização. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 170DF CARF MF Original
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Numero do processo: 11070.722382/2011-80
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 19 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2009
EMENTA
DEPENDENTE. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO NO MOMENTO OPORTUNO. PRETENSÃO PARA QUE O VALOR DO TRIBUTO SEJA RECALCULADO COM O RECONHECIMENTO DESSE FATO JURÍDICO RELEVANTE. IMPOSSIBILIDADE NO JULGAMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. NECESSIDADE DE UTILIZAÇÃO DOS INSTRUMENTOS ADEQUADOS.
Como o recurso voluntário tem por objeto a constituição do crédito tributário, tal como o respectivo ato administrativo é motivado e fundamentado, ele não é sucedâneo de retificação da declaração, tampouco de instrumento destinado à restituição de indébito oriundo da falta de registro de fato jurídico relevante à dedução ou à compensação durante o cálculo da quantia devida.
Nesse contexto, a tempo e modo próprios, deve o sujeito passivo levar o lapso na falta declaração de dependente para fins tributário ao conhecimento dos órgãos competentes, para efetivação de eventual direito ao recálculo do tributo devido e restituição.
OMISSÃO DE RENDIMENTO. VALOR DESTINADO A TERCEIRO. RETENÇÃO DURANTE O PAGAMENTO DE PENSÃO PREVIDENCIÁRIA POR MORTE. REMOÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO.
O valor destinado a terceiro, irrelevante tratar-se de pensão alimentícia ou de pensão por morte, não deve compor a base de cálculo do IRPF devido pelo sujeito passivo que sofreu a retenção durante o pagamento de pensão por morte a que fazia jus.
DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. SERVIÇOS PRESTADOS A PESSOA QUE NÃO FOI DECLARADA COMO DEPENDENTE. IMPOSSIBILIDADE DE CORREÇÃO DURANTE O JULGAMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. NECESSIDADE DE BUSCA DAS VIAS ADEQUADAS.
Como o recurso voluntário tem por objeto a constituição do crédito tributário, tal como o respectivo ato administrativo é motivado e fundamentado, ele não é sucedâneo de retificação da declaração, tampouco de instrumento destinado à restituição de indébito oriundo da falta de registro de fato jurídico relevante à dedução ou à compensação durante o cálculo da quantia devida.
Nesse contexto, a tempo e modo próprios, deve o sujeito passivo levar o lapso na falta declaração de dependente para fins tributário ao conhecimento dos órgãos competentes, para efetivação de eventual direito ao recálculo do tributo devido e restituição.
Numero da decisão: 2001-005.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito, dar-lhe provimento parcial, tão- somente para que o valor de R$ 4.064,70 seja excluído da base de cálculo do tributo.
(documento assinado digitalmente)
Honorio Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: THIAGO BUSCHINELLI SORRENTINO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2009 EMENTA DEPENDENTE. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO NO MOMENTO OPORTUNO. PRETENSÃO PARA QUE O VALOR DO TRIBUTO SEJA RECALCULADO COM O RECONHECIMENTO DESSE FATO JURÍDICO RELEVANTE. IMPOSSIBILIDADE NO JULGAMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. NECESSIDADE DE UTILIZAÇÃO DOS INSTRUMENTOS ADEQUADOS. Como o recurso voluntário tem por objeto a constituição do crédito tributário, tal como o respectivo ato administrativo é motivado e fundamentado, ele não é sucedâneo de retificação da declaração, tampouco de instrumento destinado à restituição de indébito oriundo da falta de registro de fato jurídico relevante à dedução ou à compensação durante o cálculo da quantia devida. Nesse contexto, a tempo e modo próprios, deve o sujeito passivo levar o lapso na falta declaração de dependente para fins tributário ao conhecimento dos órgãos competentes, para efetivação de eventual direito ao recálculo do tributo devido e restituição. OMISSÃO DE RENDIMENTO. VALOR DESTINADO A TERCEIRO. RETENÇÃO DURANTE O PAGAMENTO DE PENSÃO PREVIDENCIÁRIA POR MORTE. REMOÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. O valor destinado a terceiro, irrelevante tratar-se de pensão alimentícia ou de pensão por morte, não deve compor a base de cálculo do IRPF devido pelo sujeito passivo que sofreu a retenção durante o pagamento de pensão por morte a que fazia jus. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. SERVIÇOS PRESTADOS A PESSOA QUE NÃO FOI DECLARADA COMO DEPENDENTE. IMPOSSIBILIDADE DE CORREÇÃO DURANTE O JULGAMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. NECESSIDADE DE BUSCA DAS VIAS ADEQUADAS. Como o recurso voluntário tem por objeto a constituição do crédito tributário, tal como o respectivo ato administrativo é motivado e fundamentado, ele não é sucedâneo de retificação da declaração, tampouco de instrumento destinado à restituição de indébito oriundo da falta de registro de fato jurídico relevante à dedução ou à compensação durante o cálculo da quantia devida. Nesse contexto, a tempo e modo próprios, deve o sujeito passivo levar o lapso na falta declaração de dependente para fins tributário ao conhecimento dos órgãos competentes, para efetivação de eventual direito ao recálculo do tributo devido e restituição.
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AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO NO MOMENTO OPORTUNO. PRETENSÃO PARA QUE O VALOR DO TRIBUTO SEJA RECALCULADO COM O RECONHECIMENTO DESSE FATO JURÍDICO RELEVANTE. IMPOSSIBILIDADE NO JULGAMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. NECESSIDADE DE UTILIZAÇÃO DOS INSTRUMENTOS ADEQUADOS. Como o recurso voluntário tem por objeto a constituição do crédito tributário, tal como o respectivo ato administrativo é motivado e fundamentado, ele não é sucedâneo de retificação da declaração, tampouco de instrumento destinado à restituição de indébito oriundo da falta de registro de fato jurídico relevante à dedução ou à compensação durante o cálculo da quantia devida. Nesse contexto, a tempo e modo próprios, deve o sujeito passivo levar o lapso na falta declaração de dependente para fins tributário ao conhecimento dos órgãos competentes, para efetivação de eventual direito ao recálculo do tributo devido e restituição. OMISSÃO DE RENDIMENTO. VALOR DESTINADO A TERCEIRO. RETENÇÃO DURANTE O PAGAMENTO DE PENSÃO PREVIDENCIÁRIA POR MORTE. REMOÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. O valor destinado a terceiro, irrelevante tratar-se de pensão alimentícia ou de pensão por morte, não deve compor a base de cálculo do IRPF devido pelo sujeito passivo que sofreu a retenção durante o pagamento de pensão por morte a que fazia jus. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. SERVIÇOS PRESTADOS A PESSOA QUE NÃO FOI DECLARADA COMO DEPENDENTE. IMPOSSIBILIDADE DE CORREÇÃO DURANTE O JULGAMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. NECESSIDADE DE BUSCA DAS VIAS ADEQUADAS. Como o recurso voluntário tem por objeto a constituição do crédito tributário, tal como o respectivo ato administrativo é motivado e fundamentado, ele não é AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 23 82 /2 01 1- 80 Fl. 147DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-005.380 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11070.722382/2011-80 sucedâneo de retificação da declaração, tampouco de instrumento destinado à restituição de indébito oriundo da falta de registro de fato jurídico relevante à dedução ou à compensação durante o cálculo da quantia devida. Nesse contexto, a tempo e modo próprios, deve o sujeito passivo levar o lapso na falta declaração de dependente para fins tributário ao conhecimento dos órgãos competentes, para efetivação de eventual direito ao recálculo do tributo devido e restituição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito, dar-lhe provimento parcial, tão- somente para que o valor de R$ 4.064,70 seja excluído da base de cálculo do tributo. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Trata-se de impugnação à Notificação de Lançamento, de fl. 6, lavrada em face da contribuinte acima identificada em decorrência de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda referente ao Exercício de 2010, Ano-Calendário de 2009, tendo sido apurado crédito tributário de R$ 11.215,55, já acrescido de multa de ofício e juros de mora calculados de até 31/10/2011. Conforme o documento Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 7/10 foram apuradas as seguintes infrações: - Omissão de Rendimentos recebidos do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS no valor de R$ 20.323,98, como segue: “Omissão de Rendimentos recebidos do INSS (CNPJ 29.979.036/0001-40) conforme comprovante de rendimentos apresentado pela contribuinte e informação da fonte pagadora a este órgão”. - Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial no valor de R$ 4.064,70, como segue: “Intimada a contribuinte não apresentou documentos (Escritura Pública, Decisão Judicial ou Acordo homologado judicialmente). Em seu atendimento informa que como o INSS é órgão oficial do governo a informação constante no comprovante deve ser Fl. 148DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-005.380 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11070.722382/2011-80 considerada como correta. Mas de acordo com a legislação é a própria contribuinte que deve comprovar, com documentos hábeis, o que informou em sua Dirpf, quando solicitada pela fiscalização, conforme Termo de Intimação Fiscal.” - Dedução Indevida de Despesas Médicas no valor de R$ 10.906,76, como segue: “Somente foi considerada a despesa com plano de saúde da titular, conforme documento discriminado por beneficiário apresentado pela contribuinte. Apesar de alegar ter efetuado pagamento de outro plano de saúde não apresentou documentos, extratos, conforme citado em seu atendimento, ou outro discriminado por beneficiário ou ainda contra cheques mensais comprovando o desconto de dois planos de saúde (foi solicitada complementação via contato telefônico).” A Contribuinte foi cientificada do lançamento em 23/11/2011, conforme documento de fls. 59, apresentando impugnação em 20/12/2011, fls. 3/5, na qual apresenta as alegações a seguir especificadas. Concorda em parcelar o imposto no valor de R$ 1.554,09, impugnando o valor de R$ 4.315,47. Deixou de declarar o rendimento recebido do INSS no valor de R$ 20.323,98, deixou de declarar a dependente Graciela Borges e as despesas com instrução desta e não concorda com a glosa das despesas médicas do plano de saúde. Para efeito da apuração do valor do imposto de renda devido elaborou um simulado da declaração de rendas. Não procede a glosa da dedução de pensão alimentícia judicial, uma vez que o comprovante de rendimentos é documento idôneo e deve ser acatado pela Receita Federal. Mesmo assim, forneceu cópia da decisão judicial, uma vez que da pensão alimentícia recebida por Clarice Brum da Silva no valor de R$ 20.323,98 deve repassar 20% a ex- esposa Marlene Alovisi no valor de R$ 4.064,70, não procedendo a glosa sob alegação de que não houve comprovação, por se tratar de pensão conforme cópia da sentença anexa. Da glosa de despesa médica de R$ 10.906,76, concorda com a glosa de R$ 2.626,86 correspondente a despesa do filho Antonio Carlos Borges Filho não dependente. Do valor de R$ 5.407,08 pago à Fundação CEEE (CNPJ 90.884.412/0001-24) conforme recibo de pagamento de 2009 foi descontado o valor mensal de R$ 450,59 totalizando no ano de 2009 R$ 5.407,08. Como pode ser observador no detalhamento do recibo recebe valor bruto mensal de pensão de R$ 643,70 do qual é descontado o valor de R$ 450,59 como despesa de plano de saúde correspondente a 70% do rendimento (limite máximo para desconto em folha) as diferenças são debitadas diretamente na conta nº 35.023148.0-3 Banrisul, conforme extratos em anexo. Do valor de R$ 9.244,56 pago ao Sener Saúde (CNPJ 92.958.990/0001-93) deve ser glosado o valor de R$ 2.626,86, correspondente a Antonio Carlos Borges Filho não dependente, no entanto, devem ser consideradas as despesas de Clarice Brum da Silva de R$ 3.744,88 e de R$ 2.872,82 relativa à Graciela Borges que não foi incluída na declaração como dependente, a qual deve ser considerada. Solicita que seja considerada como sua dependente sua filha Graciela Borges, estudante da PUC-RS, conforme comprovantes de pagamento da faculdade. Não foi possível proceder a alteração em função de estar em malha, o que tira o direito de deduzir as despesas. Considerar as despesas relativas à faculdade de sua filha Graciela Borges, conforme comprovantes da PUR-RS. Por fim requer: - Que seja recebida a presente impugnação parcial. Fl. 149DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-005.380 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11070.722382/2011-80 - Que seja parcelado administrativamente o valor do imposto não impugnado de R$ 1.554,09 em 30 parcelas mensais. - Que seja considerada a glosa das despesas médicas e com plano de saúde informadas pela Fundação CEEE e pelo SENER Saúde, excluído o valor relativo ao filho Antonio Carlos Borges Filho, não mais dependente e, considerar como dependente Graciela Borges estudante universitária. - Que sejam considerados os gastos com a faculdade PUC-RS, relacionados na declaração simulada para apurar o imposto. - Que sejam considerados os dados computados no formulário da declaração de renda simulada. - Que sejam considerados os pedidos expostos e julgados procedentes, como questão de justiça social. É o relatório. A impugnação apresentada é tempestiva e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Assim sendo, dela tomo conhecimento. Matéria Não Impugnada A Contribuinte concorda com a glosa da infração de Omissão de Rendimentos e parte da Dedução Indevida de Despesas Médicas no valor de R$ 2.626,86. Dessa forma, consideram-se parcelas não impugnadas a teor do art. 17 do Decreto 70.235/72. Comprovação das Deduções As deduções estão sujeitas à comprovação, conforme prevê o “caput” de art. 73 do RIR/1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Assim, o sujeito passivo está obrigado a comprovar, de forma inequívoca e mediante documentação hábil e idônea, a realização de todas as deduções informadas em sua Declaração de Ajuste Anual, conforme preceitua a legislação aplicável. Inclusão de Novas Deduções A Contribuinte requer que seja incluída na Declaração de Ajuste Anual como dependente sua filha Graciela Borges. Além da inclusão da dedução de dependente requer a Impugnante que seja incluída a dedução de despesa com instrução e de despesa médica de Graciela Borges. O pedido caracteriza uma retificação de declaração, expressamente vedada pela legislação tributária, neste momento. Sobre o assunto, dispõe o art. 147, parágrafo 1º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, (Código Tributário Nacional – CTN): Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Acrescente-se que a retificação da declaração do Interessado, só pode ser aceita antes de iniciado o procedimento fiscal, como se observa do art. 7o, inciso I, §1º, do Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal no âmbito federal, abaixo transcrito. Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I - o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; Fl. 150DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-005.380 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11070.722382/2011-80 (...) § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Dessa forma, não se acata a solicitação de inclusão de novas deduções na Declaração de Ajuste Anual. Dedução de Pensão Alimentícia Judicial O tema da dedução tributária dos gastos incorridos com pensão alimentícia é tratado pelo art. 4º, II, da Lei nº 9.250/1995, in verbis. Art. 4 - Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II - as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de acordo ou decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais. O Regulamento do Imposto de Renda – RIR, aprovado pelo Decreto nº 3000, de 26/03/1999, por sua vez, dispõe em seus artigos 78 e 83 que: Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). (...) Art. 83. A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas (Lei N° 9.250, de 1995, art. 8°, e Lei N° 9.477, de 1997, art. 10, inciso I): I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas ao somatório dos valores de que tratam os arts. 74, 75, 78 a 81, e 82, e da quantia de um mil e oitenta reais por dependente. Com a alteração promovida pelo art. 21 da Lei nº 11.727, de 2008, foi acrescentada ao texto legal a possibilidade do referido cumprimento se dar, também, por escritura pública nos termos a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 1973 - Código de Processo Civil. Art. 1.124-A. A separação consensual e o divórcio consensual, não havendo filhos menores ou incapazes do casal e observados os requisitos legais quanto aos prazos, poderão ser realizados por escritura pública, da qual constarão as disposições relativas à descrição e à partilha dos bens comuns e à pensão alimentícia e, ainda, ao acordo quanto à retomada pelo cônjuge de seu nome de solteiro ou à manutenção do nome adotado quando se deu o casamento. (Incluído pela Lei nº 11.441, de 2007). Portanto, como se vê, os dispositivos legais são claros, condicionando a dedutibilidade das importâncias pagas a título de pensão alimentícia à existência de uma decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou escritura pública, nos moldes da legislação supracitada. Importante destacar que o fato de existir uma determinação judicial ou escritura pública para o pagamento da pensão, por si só, não autoriza a dedução. É necessário que o contribuinte comprove, também, o efetivo pagamento. Da mesma forma, a comprovação do efetivo pagamento não supre a apresentação da decisão judicial ou do acordo homologado judicialmente ou escritura pública. Ou seja, a dedutibilidade dos valores pagos a título de pensão alimentícia requer que sejam satisfeitas duas condições concomitantemente: (1) a existência de decisão judicial ou Fl. 151DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2001-005.380 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11070.722382/2011-80 acordo homologado judicialmente ou escritura pública e (2) a comprovação de que esta foi efetivamente paga. Na Declaração de Ajuste Anual, fls. 16, a Contribuinte informou despesa de pensão alimentícia judicial para Marlene Alovisi no valor de R$ 4.064,70. A Contribuinte apresentou o Comprovante de Rendimentos, fls. 19. A glosa da dedução de pensão alimentícia judicial teve como motivação a falta de apresentação de Escritura Pública, Decisão Judicial ou Acordo homologado judicialmente que comprove a existência de previsão judicial para pagamento de pensão alimentícia, não sendo considerado suficiente pela autoridade lançadora a apresentação de comprovante de rendimento. Foi apresentada pela Contribuinte uma sentença judicial onde se identifica que o Autor da ação é Marlene Alovisi e o Réu o Instituto Nacional do Seguro Social, fls. 20/24. Em análise à referida decisão observa-se que esta se refere a pedido de pagamento de prestações vencidas relativas à pensão alimentícia judicial calculada sobre benefício previdenciário de pensão por morte. Ressalte-se que o documento não se trata de decisão judicial que tenha definido que a Contribuinte deva pagar pensão alimentícia a Marlene Alovisi, ou seja, não é o instrumento judicial instituidor da pensão alimentícia judicial, não sendo, portanto, documento hábil a provar a existência de estipulação de pagamento de pensão bem como em quais termos teria sido definido o pagamento de pensão. Ou seja, na ausência de apresentação de documento que tenha estipulado o pagamento de pensão alimentícia judicial, não restando a obrigação comprovada, não cabe a aceitação da dedução de pensão alimentícia judicial. Dessa forma, mantém-se a glosa de dedução de pensão alimentícia judicial. Dedução de Despesas Médicas Sobre a dedução de despesas médicas, deve se atentar ao que prevê a Lei nº 9.250/95, em seu artigo 8º: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Do mesmo modo, estabelece o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR – Regulamento do Imposto de Renda) em seu art. 80: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, Fl. 152DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2001-005.380 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11070.722382/2011-80 fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; No que se refere ao valor de despesa médica de R$ 9.244,56 informado para Sindicato Trab. Nas Empresas Geradoras Transmissão Distr. Ou Afins de Energia Elétrica no Estado do RS – SENERSAÚDE, CNPJ 92.958.990/0001-93, foi apresentado o documento “Informação para Imposto de Renda”, fls.51, onde se identifica que o plano tem como titular a Contribuinte e como dependentes Graciela Borges e Antonio Carlos Borges Filho. O valor do plano de saúde da Contribuinte foi de R$ 3.744,88, valor que já foi acatado na Notificação de Lançamento. O valor do plano de saúde de R$ 2.872,82 de Antonio Carlos Borges Filho refere-se a valor cuja glosa foi acatada pela Contribuinte e o valor de R$ 2.626,86 de Graciela Borges não pode ser aceito como dedução uma vez que esta não consta como dependente na Declaração de Ajuste Anual e não pode ser incluída como dedução posterior, conforme já explicitado no presente Acórdão. Quanto aos valores informados para Fundação CEEE de Seguridade Social Eletrocee foram apresentados recibos de pagamento contendo descontos de plano mensal de saúde Senergilsul, fls. 26/29, entretanto os referidos documentos não discriminam os beneficiários do plano de saúde, não sendo possível identificar se o valor refere-se somente à Contribuinte ou a mais dependentes. Da mesma forma os extratos bancários apresentados, fls. 35/49, não possuem o condão de comprovar os pagamentos efetuados ao plano bem como a quais beneficiários o plano Senergilsul refere-se. Dessa forma, mantém-se integralmente a glosa de despesas médicas apuradas na Notificação de Lançamento. Pelo exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação, mantendo-se o crédito tributário apurado, observando-se a existência de matéria não impugnada sujeita a cobrança imediata. A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2009 INCLUSÃO DE DEDUÇÕES APÓS NOTIFICAÇÃO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PERDA DA ESPONTANEIDADE. As deduções devem ser pleiteadas no ato da apresentação da declaração, ocasião em que é apurada a base de cálculo do imposto devido, subtraindo-se dos rendimentos tributáveis as deduções requeridas, conforme sistemática descrita no art. 8º da Lei nº Fl. 153DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2001-005.380 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11070.722382/2011-80 9.250, de 26/12/1995. A inclusão de deduções após a entrega da declaração configura sua retificação sendo vedada após a notificação do lançamento. DESPESAS MÉDICAS. São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE. Somente pode ser utilizado como dedução na Declaração de Ajuste Anual o valor de pensão alimentícia quando comprovada a existência de estipulação através de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública e pagamento efetuado e nos termos estipulados. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA - OMISSÃO DE RENDIMENTOS, E PARTE DA DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. Consolida-se administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada, na forma do art. 17 do Decreto 70.235/72. Cientificado da decisão de primeira instância em 03/10/2016, o sujeito passivo interpôs, em 01/11/2016, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) a dedução de dependentes está comprovada nos autos; b) as despesas com instrução de dependente estão comprovadas nos autos; c) as despesas médicas estão comprovadas nos autos; d) as despesas médicas de dependente estão comprovadas nos autos; e) a falta de inclusão de dependente decorreu de erro de preenchimento da declaração; f) os pagamentos de pensão alimentícia estão comprovados nos autos; e g) ocorreu erro material a ser considerado na apreciação do pleito. É o relatório. Voto Conselheiro(a) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. 1. RECÁLCULO DO VALOR DEVIDO A TÍTULO DE TRIBUTO DECORRENTE DO RECONHECIMENTO DE FATOS JURÍDICOS RELEVANTES (DEPENDENTE) A questão de fundo devolvida ao conhecimento deste Colegiado consiste em decidir-se se é possível, no julgamento do recurso voluntário, reconhecer-se fatos jurídicos relevantes, referentes ao direito à dedução no cálculo do IRPF devido. Fl. 154DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2001-005.380 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11070.722382/2011-80 Como o recurso voluntário não é sucedâneo de retificação da DAA/DIRPF, tampouco pode servir para exame de pedido de restituição de indébito tributário, é impossível reconhecer os fatos jurídicos referentes às deduções pleiteadas, porém omissas da declaração original. Nesse sentido, cabe ao sujeito passivo procurar, a tempo e modo próprios, os instrumentos jurídicos adequados para ver reconhecido e efetivado o direito que entende ter, ao recálculo do valor do tributo devido. Assim, nega-se provimento ao pedido para reconhecimento das deduções omissas da declaração original. 2. EXCLUSÃO DE VALOR DA BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO, REFERENTE A TERCEIRO A questão de fundo devolvida ao conhecimento deste Colegiado consiste em decidir-se se o valor de R$ 4.064,70 deve ser excluído da base de cálculo do tributo, porquanto refere-se a rendimento titularizado por terceiro. O órgão de origem entendeu que o sujeito passivo não poderia ter declarado o pagamento de pensão alimentícia a terceiro, porquanto inexistente título judicial ou extrajudicial nesse sentido. A propósito, o título judicial apresentado pelo sujeito passivo referia-se a pedido desse terceiro para que o INSS pagasse-lhe prestações vencidas, referente à pensão previdenciária de ex-marido, do qual o sujeito passivo é viúva. Em sentido diverso, o sujeito passivo afirma que tal valor decorre de desdobramento da pensão alimentícia, e que a quantia fora paga diretamente ao terceiro. De fato, o comprovante de rendimentos emitido pelo INSS informa que a quantia de R$ 4.064,70 foi retida a título de pensão alimentícia (fls. 115). O campo de informações complementares indica que a retenção se deu em favor do terceiro. Evidentemente, competiria ao INSS produzir um documento mais preciso, que registrasse os detalhes do desdobramento narrado pelo sujeito passivo. Porém, com o acervo probatório disponível, é possível concluir que o sujeito passivo não chegou nem sequer a receber a quantia destinada ao terceiro. Não se trata de dever do sujeito passivo de pagamento de pensão alimentícia, mas de dever do ex-marido, cujo adimplemento ocorreu por retenção de parte de valor devido ao sujeito passivo, a título de pensão previdenciária por morte. Por não ser o titular da quantia, o sujeito passivo tem o direito de não ter o valor incluído na base de cálculo do IRPF. Assim, deve-se excluir R$ 4.064,70 da base de cálculo do tributo. 3. DESPESAS MÉDICAS A questão de fundo devolvida ao conhecimento deste Colegiado consiste em decidir-se se o sujeito passivo comprovou o pagamento das despesas médicas cuja dedução é pleiteada. Fl. 155DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2001-005.380 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11070.722382/2011-80 Conforme expõe o i. CONS. HONÓRIO ALBUQUERQUE DE BRITO: Retornando à sistemática do lançamento por homologação no IRPF, dentro do prazo até que se dê a homologação, e enquanto a Fazenda Pública não interfere e não se pronuncia a respeito, opera-se como que uma presunção de verdade em relação à apuração do contribuinte. Entretanto, uma vez estabelecida a ação da Fiscalização da Receita Federal para verificação de eventuais infrações, cabe ao fiscal promover as diligências necessárias. Assim sendo, não se mostra desarrazoada a exigência do Fisco da apresentação de elementos que comprovem, a juízo da autoridade tributária, a ocorrência da prestação do serviço, sua natureza e especialidade, a quem foi prestado, a transferência efetiva dos valores pagos de quem arcou com o ônus financeiro para o beneficiário. Ao contrário, é zelo da autoridade fiscal em cumprimento de suas obrigações funcionais, com amparo da lei. Ao solicitar, por exemplo, documentos que comprovem o efetivo pagamento dos valores, não está o fiscal necessariamente a atestar a inidoneidade do recibo apresentado ou tampouco do profissional que o emitiu. Está sim a solicitar elementos que se complementam na composição de um conjunto probatório com vista a formar sua convicção. É certo que as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. De fato, nos termos da Súmula CARF 180, “para fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais”. Assim, a autoridade fiscal tem legitimidade e permissão para exigir do sujeito passivo a apresentação de provas complementares para acolhimento das alegadas despesas médicas efetuadas, de modo a tornar a singela apresentação de recibos insuficiente, ainda que eles atendam aos requisitos formais previstos na legislação. Sem prejuízo da estrita observância à orientação sedimentada no enunciado da Súmula CARF 180, a permissão para a exigência de comprovação complementar é ato plenamente vinculado, isto é, cuja prática não pode ser discricionária. Como qualquer ato administrativo, a rejeição das alegadas despesas médicas deve ser fundamentada e motivada. A imprescindibilidade da motivação decorre do caráter plenamente vinculado do lançamento (art. 142, par. ún.do CTN) e da circunstância de ele se tratar de ato administrativo (art. 50 da Lei 9.784/1999). Afinal, sabe-se que “a presunção de validade do lançamento tributário será tão forte quanto for a consistência de sua motivação, revelada pelo processo administrativo de constituição do crédito tributário” (AI 718.963-AgR, Relator(a): JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 26/10/2010, DJe-230 DIVULG 29-11-2010 PUBLIC 30-11-2010 EMENT VOL-02441-02 PP-00430), e, dessa forma, o processo administrativo de controle da validade do crédito tributário pauta-se pela busca da chamada “verdade material”. Fl. 156DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2001-005.380 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11070.722382/2011-80 A propósito, “por respeito à regra da legalidade, à indisponibilidade do interesse público e da propriedade, a constituição do crédito tributário deve sempre ser atividade administrativa plenamente vinculada. É ônus da Administração não exceder a carga tributária efetivamente autorizada pelo exercício da vontade popular. Assim, a presunção de validade juris tantum do lançamento pressupõe que as autoridades fiscais tenham utilizado os meios de que legalmente dispõem para aferir a ocorrência do fato gerador e a correta dimensão dos demais critérios da norma individual e concreta, como a base calculada, a alíquota e a sujeição passiva” (RE 599194 AgR, Relator(a): JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 14/09/2010, DJe-190 DIVULG 07-10-2010 PUBLIC 08-10-2010 EMENT VOL-02418-08 PP- 01610 RTJ VOL-00216-01 PP-00551 RDDT n. 183, 2010, p. 151-153) Assim, a declaração de insuficiência de recibos conjugada à faculdade de exigir documentação complementar, especialmente prova específica da transferência de valores monetários (cheques, PIX, DOCs, TEDs, transferências bancárias, cartão de crédito, extratos bancários) não são discricionárias e, nesse sentido, devem ser devidamente motivadas e fundamentadas. A questão de fundo se torna, assim, saber-se se exige-se a inexorável apresentação desse tipo de documento – prova da operação de transferência de recursos (se as condições de sua exigibilidade foram cumpridas), ou se sua ausência pode ser suprida por outros meios de prova admitidos em direito. De fato, são indícios consistentes a exigir aprofundamento do acervo probatório das despesas médicas, exemplificativamente: a) Insuficiência do patrimônio ou das receitas declaradas para fazer frente ao custo dos serviços, dada a necessidade de prover outras despesas essenciais à vida humana; b) Inidoneidade dos prestadores dos serviços médicos; c) Incompatibilidade dos valores pagos, quando comparados com a prática normalmente verificada na praça; d) Ausência de registro dos respectivos recebimentos nos deveres instrumentais dos prestadores de serviços (e.g., DAA, DMED); e) Inusualidade da prática de pagamento de tais quantias em espécie. AGUSTÍN GORDILLO faz uma observação muito interessante e que julgo útil para o estudo das presunções e do “ônus processual probatório" a envolver atos administrativos em sentido amplo: “Claro está, se o ato não cumpre sequer com o requisito de explicitar os fatos que o sustentam, caberá presumir com boa certeza, à mingua de prova em contrário produzida pela Administração, que o ato não tem tampouco fatos e antecedentes que o sustentem adequadamente: se houvesse tido, os teria Fl. 157DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2001-005.380 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11070.722382/2011-80 explicitado” (Tratado de derecho administrativo. Disponível em http://www.gordillo.com/tomos_pdf/1/capitulo10.pdf, pág. X-26). Singelamente, acrescemos que o sujeito passivo também deve saber exatamente o que a autoridade fiscal entende como necessário para confirmar ou para infirmar os fatos jurídicos relevantes à apuração do tributo. Por oportuno, transcrevo os arts. 73 e 80 do Decreto 3.000/1999, aplicável aos fatos jurídicos em exame: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). [...] Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Fl. 158DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 2001-005.380 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11070.722382/2011-80 § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideram-se despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Resumidamente, diante de fundada dúvida, a autoridade fiscal pode exigir a apresentação complementar de documentos, como, por exemplo: 1- Recibos, documentos fiscais, declarações ou laudos que atendam aos requisitos formais previstos no art. 80 do Decreto 3.000/1999 (beneficiário/paciente, pagador, indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, registro profissional do prestador de serviços, descrição do serviço prestado); 2- Títulos de crédito ou extratos bancários que comprovem a efetiva transferência da quantia em dinheiro tida por despesa médica. Para assegurar ao sujeito passivo a possibilidade de conhecer e atender à exigência da autoridade fiscal, a especificação desses documentos deve ocorrer logo no início do processo de fiscalização e controle da atividade desempenhada pelo contribuinte, sob pena de violação do art. 59, II do Decreto 70.235/1972. O detalhamento da documentação necessária na primeira oportunidade de contato com o sujeito passivo é profilática, com o objetivo de evitar futura contaminação do crédito tributário pela inovação de critérios legais originariamente adotados para confirmar ou para infirmar as deduções pretendidas. Elucidativos desse risco são os seguintes precedentes: Numero do processo:10510.007814/2008-34 Turma:Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2020 Data da publicação:Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2020 Ementa:ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2004 PAF. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Se o fundamento da decisão recorrida para a manutenção da glosa de dedução indevida de IRRF é diverso do fundamento do lançamento, há de se restabelecer Fl. 159DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 2001-005.380 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11070.722382/2011-80 a dedução pleiteada, pois é vedado à autoridade julgadora alterar o critério jurídico do lançamento. Numero da decisão:2003-002.600 Numero do processo: 10680.005472/2008-66 Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção Câmara: Segunda Câmara Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014 Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 Ementa: IRPF. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Se o fundamento da decisão recorrida para a manutenção da glosa de despesa com livro caixa é diverso do fundamento do lançamento, há de se restabelecer a dedução pleiteada, pois é vedado à autoridade julgadora alterar o critério jurídico do lançamento. Numero da decisão: 2201-002.503 Numero do processo: 13162.000079/2009-12 Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2019 Data da publicação: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2007 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. É de se cancelar a autuação quando a decisão recorrida aponta fundamentos diversos daqueles da autuação para manter a exigência, sob pena de violação ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Numero do processo: 10510.004826/2007-26 Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção Câmara: Quarta Câmara Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2019 Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2019 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2005 IRPF. COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. POSSIBILIDADE. Restando comprovado o imposto de renda retido na fonte, cabe computa-lo no lançamento. AUTO DE INFRAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE 1ª Fl. 160DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 2001-005.380 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11070.722382/2011-80 INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. Não se afigura possível à autoridade julgadora de primeira instância alterar o fundamento do lançamento, adotando-se um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto de infração. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. Numero do processo: 13748.001852/2008-98 Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção Câmara: Primeira Câmara Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014 Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. INOVAÇÃO Devem ser restabelecidas as despesas devidamente comprovadas, através de documentação idônea, que faz prova da efetividade dos serviços contratados e dos respectivos beneficiários dos serviços contratados. Vedada a inovação da fundamentação por oposição de motivo não constante da autuação. Recurso Provido Uma vez comprovadas as despesas médicas, por documentação idônea, é imprescindível assegurar ao sujeito passivo o direito à respectiva dedutibilidade, observada a legislação de regência. Vão ao encontro da observância do direito à dedutibilidade os seguintes precedentes: Numero do processo:13677.000205/2001-73 Data da sessão:Mon May 10 00:00:00 UTC 2010 Ementa:IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Ano-calendário: 1999 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS CORROBORADOS POR DECLARAÇÕES DOS PRESTADORES DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FISCALIZAÇÃO. A apresentação de recibos médicos, corroborados por Declarações dos prestadores de serviços, sem que haja qualquer indicio de falsidade ou outros fatos capazes de macular a idoneidade de aludidos documentos declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos realizados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física. Recurso especial negado Numero da decisão:9202-000.814 Numero do processo:10850.000104/2008- 22 Turma:Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção Câmara:Segunda Câmara Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017 Data da publicação:Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017 Ementa:Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS CORROBORADOS POR LAUDOS, FICHAS E EXAMES MÉDICOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 161DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 2001-005.380 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11070.722382/2011-80 FISCALIZAÇÃO. A apresentação de recibos médicos, corroborados por Laudos, fichas e Exames Médicos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a idoneidade de aludidos documentos declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos realizados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física Recurso Voluntário Provido Numero da decisão:2202-004.319 Numero do processo:10980.720179/2009-29 Turma:Segunda Turma Especial da Segunda Seção Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Thu May 12 00:00:00 UTC 2011 Data da publicação:Fri May 13 00:00:00 UTC 2011 Ementa:ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física são dedutíveis as despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, quando comprovadas com documentação hábil e idônea. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Em princípio, os recibos que, emitidos por profissionais habilitados, atendem os requisitos legais são hábeis e idôneos para fins de comprovar a dedução de despesas médicas, são eles que comprovam o pagamento. Não obstante, em havendo indícios que desabonem a presunção de idoneidade desses documentos, a autoridade fiscal tem o poderdever de exigir outras formas de comprovação a fim de comprovar por provas ou mesmo por conjunto de indícios veementes que afastem a regra geral de aptidão dos recibos para fins de dedução. Na falta dessas provas ou indícios veementes os recibos permanecem como documentos hábeis e idôneos. Todavia, não são hábeis a justificar a dedução documentos que não contenham os requisitos intrínsecos a qualquer recibo, entre os quais identificar quem pagou, quem recebeu, o quanto foi pago e em que data, e os requisitos legais. Recurso provido em parte. Numero da decisão:2802-00.824 Numero do processo:13603.000777/2007- 10 Turma:2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS Câmara:2ª SEÇÃO Seção:Câmara Superior de Recursos Fiscais Data da sessão:Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019 Data da publicação:Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2019 Ementa:Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. A apresentação de recibos idôneos fornecidos por profissionais de saúde, contendo os elementos necessários à identificação de quem recebeu o pagamento, constituem documentos hábeis a comprovar a realização das despesas permitidas como dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda. Numero do processo:13830.720850/2016-72 Turma:Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018 Data da publicação:Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018 Ementa:Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE DOCUMENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Notas Fl. 162DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 2001-005.380 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11070.722382/2011-80 fiscais de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos comprovantes de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos documentos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. PRÓTESE ORTOPÉDICA. LAUDO MÉDICO. Notas fiscais com identificação do paciente e médico. Laudo médico apresentado. Comprovação realizada. Numero da decisão:2001-000.204 Ademais, a singela ausência de distinção entre fonte pagadora e beneficiário é insuficiente para manter a glosa. O modo menos ambíguo e vago para identificação dos elementos essenciais do pagamento consiste na aposição de rótulos às informações. Contudo, a prática empresário-comercial de emissão de documentos nem sempre é padronizada de modo otimizado, nem observa a máxima cautela. Afinal, a linguagem natural utilizada no cotidiano tende a ser fluida (cambiante), atécnica e subordinadas às particularidades regionais. Em alguns momentos, o Direito acaba por juridicizar a prática (e.g., art. 673, 3 da Lei 556/1850). Assim, ausentes outros obstáculos, pode-se inferir que a fonte pagadora é também o beneficiário, pois essa é a prática adotada na elaboração de documentos simplificados ou padronizados. De fato, a própria SRFB reconhece essa circunstância, como revela consulta ao art. 97, II da IN 1.500/2014, textualmente: Art. 97. A dedução a título de despesas médicas limita-se a pagamentos especificados e comprovados mediante documento fiscal ou outra documentação hábil e idônea que contenha, no mínimo: [...] II - a identificação do responsável pelo pagamento, bem como a do beneficiário CASO seja pessoa diversa daquela; (grifamos). Em sentido semelhante, a simples e isolada ausência de indicação do endereço não justifica a glosa, ante a possibilidade de identificação desse dado de outro modo, inclusive com consulta aos bancos de dados disponíveis à autoridade fiscal: Art. 97. A dedução a título de despesas médicas limita-se a pagamentos especificados e comprovados mediante documento fiscal ou outra documentação hábil e idônea que contenha, no mínimo: § 4º A ausência de endereço em recibo médico é razão para ensejar a não aceitação desse documento como meio de prova de despesa médica, porém não impede que outras provas sejam utilizadas, a exemplo da consulta aos sistemas informatizados da RFB. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1756, de 31 de outubro de 2017) (grifamos). Sobre a necessidade de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas, na hipótese de adimplemento em espécie, em que pese meu entendimento pessoal, no sentido de que a rejeição dos recibos deve ser expressamente motivada e fundamentada, de modo a inexistir permissão legal para que a autoridade fiscal exija discricionariamente e logo de início prova Fl. 163DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 2001-005.380 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11070.722382/2011-80 legitimada por terceiros acerca da efetiva transferência de valores, reconheço que, no âmbito desta Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção do CARF, a compreensão sobre o tema é diversa (cf., e.g., os Processos 19647.001463/2008-87, 17437.720120/2012-41 e 15504.720043/2012-53). Por observância do Princípio do Colegiado, registro minha posição pessoal, mas adiro à orientação firmada. Desse modo, se a autoridade lançadora exigiu prova do efetivo pagamento de despesa médica (por ocasião de intimação expressa no curso do lançamento), supostamente realizada em dinheiro, deve-se comprovar a disponibilidade do numerário em data coincidente ou próxima ao desembolso. Segundo entendimento desta c. Turma Extraordinária, essa comprovação deve ser feita com a apresentação de extratos (suporte) e com a correlação entre os respectivos saques e datas de pagamento (argumentação sintética). No caso em exame, as deduções referem-se à filha do sujeito passivo que não foi declarada como dependente no momento oportuno, e, portanto, eventual ressarcimento não pode ser processado no âmbito do recurso voluntário. DISPOSITIVO Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e DOU-LHE PARCIAL PROVIMENTO, tão-somente para que o valor de R$ 4.064,70 seja excluído da base de cálculo do tributo. É como voto. (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino Fl. 164DF CARF MF Original
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