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Numero do processo: 13609.720028/2007-44
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
VALOR DE TERRA NUA (VTN). LAUDO DETALHADO.
A utilização do SIPT para fundamentar o VTN arbitrado no lançamento pode ser contraditada por Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, com elementos de convicção suficientes para demonstrar que o valor da terra nua é inferior ao valor constante do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT. No caso concreto o laudo atendeu a NBR 14653-3.
Numero da decisão: 2201-001.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
RELATOR RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE - Relator.
EDITADO EM: 30/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves De Oliveira Franca, Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad (Vice-Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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LAUDO DETALHADO. A utilização do SIPT para fundamentar o VTN arbitrado no lançamento pode ser contraditada por Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, com elementos de convicção suficientes para demonstrar que o valor da terra nua é inferior ao valor constante do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT. No caso concreto o laudo atendeu a NBR 146533. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. RELATOR RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Relator. EDITADO EM: 30/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves De Oliveira Franca, Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad (VicePresidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 00 28 /2 00 7- 44 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do acórdão nº 0329.886 1 8 Turma da DRJ/BSA, que julgou procedente o lançamento tributário, que alterando a DITR/2003, constituiu crédito tributário em razão do arbitramento do VTN de R$ 7.870.369,50 para R$ 28.802.054,42, com base no SIPT, com o consequente aumento do VTN tributado, disto resultando imposto suplementar no valor de R$ 58.964,55, conforme demonstrativo de fls. 04. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais da infração, da multa de oficio e dos juros de mora, encontramse descritos às folhas 02/03 e 05. Cientificada do lançamento em 18/07/2007, fls. 109, a Recorrente, protocolou em 17/08/2007, a impugnação de fls. 51/59, acompanhada dos documentos de fls. Em síntese, alegou e requereu que os fatos descritos não correspondem com a realidade, vez que o preço médio por hectare declarado está de acordo com as exigências do INCRA e com as declarações da EMATER — MG, segundo informações emitidas por estes próprios órgãos; que o VTN lançado pelo Fiscal, um preço médio por hectare de R$ 1.152,76 (hum mil, cento e cinqüenta e dois reais e setenta e seis centavos), extrapola, e muito, o valor praticado no mercado à época, para o imóvel em questão, quando muito, próximo ao valor declarado, qual seja, R$ 315,00 (trezentos e quinze reais). A DRJ negou provimento à impugnação ao argumento de que o laudo técnico não atenderia as normas técnicas da ABNT (NBR 146533), in verbis: No que concerne aos requisitos da NBR 146533, o item 9.2.3.3 desta Norma estabelece que são obrigatórios, em qualquer grau, "explicitação do critério adotado e dos dados colhidos no mercado ". O item 10.1.1 estabelece que "Na avaliação das terras nuas, deve ser empregado, preferivelmente, o método comparativo direto de dados de mercado ", que não foi adotado pelo Laudo. Este método prevê o tratamento estatístico das amostras coletadas, previsto no item 8.1 da Norma, adotandose, dependendo do caso, a análise de regressão ou a homogeneização dos dados, normatizados nos anexos A e B da NBR 146533, respectivamente. Verificando se o Laudo, constatase que não há atendimento de nenhuma destas exigências apresentadas. Também fundamentou, a DRJ, a sua decisão no fato de que as informações prestadas pelo INCRA e pela EMATERMG deveria ser circunstanciadas, ex vi: No que concerne às informações do cite do INCRA e declaração da Emater, devese esclarecer que se trata apenas de fontes que devem ser analisadas dentro do contexto e juntamente com Laudo de Avaliação e outros documentos. Destarte, tais fontes não se constituem documentos hábeis, por si sós, para justificar o restabelecimento do VTN. Inconformada a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário sustentando que o laudo atendeu todas as exigências da NBR 146533. É o relatório do necessário. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 13609.720028/200744 Acórdão n.º 2201001.697 S2C2T1 Fl. 231 3 Voto Conselheiro Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe O recurso é tempestivo e dele conheço. A matéria não é nova e já foi decidida pela CSRF nos seguintes termos: Processo nº 10293.720035/200759 Recurso nº 343.312 Especial do Contribuinte Acórdão nº 920202.051 – 2ª Turma Sessão de 21 de março de 2012 Matéria ITR. Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2005 Ementa: ÁREA DE RESERVA LEGAL. CIÊNCIA DO ÓRGÃO AMBIENTAL. EXCLUSÃO. A área de reserva legal devidamente averbada, em época própria, informa ao órgão ambiental sua existência, devendo, portanto, ser excluída do lançamento. VALOR DE TERRA NUA (VTN). DECLARAÇÃO DE PREFEITURA. LAUDO DETALHADO. As simples declarações apresentadas para fundamentar o VTN utilizado no lançamento podem ser contraditadas e desconsideradas, por documento, prova, que apresente maior riqueza de detalhes, informações, formalidades. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Válida é a transcrição de parte do voto para melhor compreensão do julgado: A recorrente apresenta Laudo Técnico, fls. 0136, com as seguintes características: 1.CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES 1.1. Objetivo Fl. 232DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 1.2. Métodos e Critérios 2. IDENTIFICAÇÃO DO PROPRIETÁRIO 3. IDENTIFICAÇÃO DO PROFISSIONAL 4. IDENTIFICAÇÃO DO IMÓVEL 4.1. Identificação 4.2. Localização e Acesso 4.3. Coordenadas Geográficas Planas 4.4. Limites e Confrontações 5. CARACTERIZAÇÃO DA REGIÃO DE INFLUÊNCIA DO IMÓVEL 5.1. Localização Geográfica e Divisão Política Administrativa 5.2. Aspectos Físicos a) Geomorfológicos b) Solos c) Recursos Hídricos d) Clima e Classificação (Déficit Hídrico, Temperatura, Precipitação e Umidade Relativa do Ar) 5.3. Aspectos Bióticos 5.4. Aspectos SócioEconômicos a) Recursos Institucionais (Saúde, Educaçã, Transporte, Armazenamento, Eletrificação, Comunicação, Saneamento Básico, Habitação e Entidades Creditícias) 6. CARACTERÍSTICAS FÍSICAS E EDAFOCLIMÁTICAS DO IMÓVEL 6.1. Vegetação 6.2. Recursos Hídricos e Topografia do Imóvel 6.3. Solos 6.4. Classes Ocorrentes e Capacidade de Uso das Terras 7. USO DO IMÓVEL 8. IDENTIFICAÇÃO DAS BENFEITORIAS 8.1. Benfeitorias não Reprodutivas 8.2. Benfeitorias Reprodutivas 9. CONSERVAÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS 10.QUADRO DE USO ATUAL DO IMÓVEL Fl. 233DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 13609.720028/200744 Acórdão n.º 2201001.697 S2C2T1 Fl. 232 5 11 AVALIAÇÃO DO IMÓVEL (onde consta o valor do VTN, fls. 0150) 12.CONCLUSÃO 13.ANEXOS (mapas, fotos e documentos) 14. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA 15. ART, fls. 0158. Há, inclusive, planilha de preços do VTN para o município, elaborada pelo INCRA, fls. 0167, que vai ao encontro dos valores expressos no Laudo, para o exercício em análise. Portanto, o Laudo foi elaborado por profissional habilitado, acompanhado de ART, onde se demonstra as especificidades da área e pesquisa de valores para imóveis da área. Ressaltese que o contribuinte tomou o cuidado de anexar documentação para buscar comprovar esses valores (BASA, INCRA, Federação de Agricultura e Pecuária do Acre, cópias de averbações de compra e venda da época, declarações de cartório, de Prefeitura, do Sindicato Patronal Rural do Município). Assim, há declarações de autoridades sobre o valor da terra e, para que não se considere o valor apresentado, teríamos que questionar a boafé do BASA (Banco da Amazônia), do Presidente da Federação de Agricultura do Estado, de averbações feitas em cartório (compra e venda da época), do INCRA, do Prefeito. Destarte, como o laudo, minucioso, foi elaborado por profissional devidamente habilitado e como há fonte de informação sobre o valor da terra, que não há como questionar sua boafé, há os requisitos para que se utilize o valor constante do laudo, fls. 0150, ao invés do valor expresso no lançamento, oriundo de mera declaração da Prefeitura, já retificada. Ademais, não há na lei qualquer referência a impor a observância absoluta da NBR 146533. Com efeito, não se pode perder de vista que o laudo técnico é espécie de prova pericial e como tal não é fim, mas meio pelo qual o julgador estabelece o seu convencimento. Assim, como bem já decidiu a CSRF o laudo não precisa atender todos os requisitos da NBR, bastando estar suficientemente fundamentado para formar o convencimento. Mas, mesmo que assim não fosse, entendo que o laudo técnico apresentado atendeu às exigências da NBR 146533. Como bem salientou a recorrente. No que se refere ao requisito estabelecido no item 2.2.13, "a", quanto à necessidade de explicitação do critério adotado e dos dados colhidos no mercado, cumpre ressaltar que o Laudo especifica de forma clara e objetiva os critérios utilizados, senão vejamos: Fl. 234DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 "Elementos de pesquisa para determinação do Valor da Terra Nua — VTN. O valor da terra nua, existem vários critérios que podem aumentar ou reduzir este preço conforme a seguir: Qualidade da terra; Tamanho da propriedade. O valor do há. de áreas pequenas que podem aumentar ou reduzir grandes áreas; Topografia (plana ou acidentada); Quantidade de tenra aproveitável; Localização (proximidade de cidade e rodovia asfaltada); Recursos naturais principalmente disponibilidade e abundância de água; Proximidade de cidade; Condições de acesso (estradas em boas condições de tráfego o ano inteiro); Vizinhos bons ou ruins e No caso de uma grande área como a Fazenda Santa Cecília com área de 24.985, 3 há, distante 88 km da sede do Município, ligada por estrada de terra que fica em estado precário na época de chuvas, muitas vezes intransitáveis, como solos arenosos de qualidade pobre, sendo a maior parte constituída de cerrado fraco e campos, necessitando de grande investimentos em corretivos e fertilizantes para conseguir sucesso em alguma cultura ou pastagem, possuidora de uma grande área de preservação permanente (várias veredas, áreas inundáveis, margens de rios e cursos d'agua e campina São Jerônimo com várias nascentes), fazendo com que o preço da terra seja bem menor em relação às outras propriedades do mesmo Município." Já no que tange ao critério previsto no item 10.1.1, "a", que dispõe que na avaliação das terras nuas deve se empregar preferencialmente o método comparativo direto de dados de mercado, pareceme que tal requisito foi atendido, com efeito o laudo traz 8 amostras, todos do município de localização do imóvel objeto do laudo, tendo o responsável técnico inclusive fundamentado, como se vê na seguinte passagem do laudo: "De acordo com as declarações da EMATERMG anexo, temos: Situação em 0110112001 — Fazenda Bom Sucesso em Vazante — MG — preço de R$ 200, 00 a R$ 218, 001há. Embora em período anterior, notase preço inferior, valendo lembrar que a qualidade das terras da fazenda Bom Sucesso são muito superiores a da Fazenda Santa Cecília. De acordo com a publicação no site do INCRA, com data de emissão Agosto/2003, valor mínimo da terra nua da Região de Paracatu (Noroeste Mineiro) onde João Pinheiro faz parte, foi relacionado o valor de R$ 300, 00/há, e de R$ 60, 00/há para a Região de PiraporaMG, tendo em vista • que as terras do município de Paracatu são de qualidade muito superiores as do município de João Pinheiro, sendo mais parecidas com as terras Fl. 235DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 13609.720028/200744 Acórdão n.º 2201001.697 S2C2T1 Fl. 233 7 do município de Pirapora devido a sua proximidade, principalmente pelo tipo arenoso dos solos. Nos anos de 200212003 tivemos notícia de venda de áreas pelas empresas Valorec Mannesman S/A no município de João Pinheiro ao valor de R$ 50,00 (cinqüenta reais) por hectare. Portanto, o valor declarado de R$ 315,001há para a Fazenda Santa Cecília, está dentro dos padrões de preço de terras do Município de João Pinheiro/MG, para este tipo de propriedade. Ante o exposto, e de tudo que dos autos consta, dou provimento ao recurso para restabelecer o valor declarado pelo contribuinte. É como voto. Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe Relator Fl. 236DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 13609.720028/200744 Recurso nº: TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.697. Brasília/DF, 13 de julho de 2012 ______________________________________ MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 237DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 13609.720028/200744 Acórdão n.º 2201001.697 S2C2T1 Fl. 234 9 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
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Numero do processo: 13854.000134/98-63
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS MEDIANTE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES.
O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção juris et de jure, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez.
TAXA SELIC.
É imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar concessão de um plus, sem expressa previsão legal. O ressarcimento não é espécie do gênero restituição, portanto inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto deste instituto.
Recursos Especiais do Procurador e do Contribuinte Negados.
Numero da decisão: 9303-000.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: I) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para reconhecer o direito à inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI do valor das aquisições de não contribuintes do PIS e da Cofins. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto, que davam provimento; e II) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo quanto à incidência da taxa Selic sobre o valor do crédito a ressarcir. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ
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CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS MEDIANTE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção “juris et de jure”, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. TAXA SELIC. É imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar concessão de um “plus”, sem expressa previsão legal. O ressarcimento não é espécie do gênero restituição, portanto inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto deste instituto. Recursos Especiais do Procurador e do Contribuinte Negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para reconhecer o direito à inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI do valor das aquisições de não contribuintes do PIS e da Cofins. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto, que davam provimento; e II) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial do sujeito AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 01 34 /9 8- 63 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 passivo quanto à incidência da taxa Selic sobre o valor do crédito a ressarcir. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI a que se refere a Lei nº 9.363/1996. Três são as matérias devolvidas a este Colegiado: aquisições de não contribuintes e atualização pela taxa Selic. O julgamento deste recurso tem como paradigmas os Recursos nºs 222.766 (aquisições de não contribuintes) e 228.964 (incidência da taxa Selic sobre eventual valor a ressarcir), julgados na sessão imediatamente anterior a esta, sendolhe aplicadas as mesmas teses daqueles julgados, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Em apertada síntese, este é o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O recurso merece ser conhecido por ser tempestivo e atender aos pressupostos regimentais de admissibilidade. Este voto segue as disposições do § 2º, in fine, do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Para tanto, resguardando o entendimento pessoal, adoto as teses prevalentes no julgamento dos Recursos nºs 222.766 e 228.964. Das aquisições de não contribuintes Tratase de análise de recurso especial de divergência, interposto pela contribuinte, no qual foi dado seguimento para análise da glosa de insumos que supostamente não tiveram incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins (pessoas físicas e cooperativas). A controvérsia limitase à incidência do art. 1º da Lei n° 9.363, de 16/12/96, imposta pela Instrução Normativa SRF n° 23, de Fl. 342DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13854.000134/9863 Acórdão n.º 9303000.736 CSRFT3 Fl. 320 3 13/03/1997, que reconhece o direito apenas para aquisições de pessoas jurídicas, e pela Instrução Normativa SRF n° 103, de 30/12/1997, que excluem as cooperativas de produção. Em ambos os casos, o fundamento é o mesmo: o benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente será cabível quando nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem pelo produtor exportador houver incidência dessas contribuições sociais. Seguem transcrições: IN SRF n° 23/97: Art. 2º (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS. IN SRF n° 103/97: Art. 2° as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas de produtores não geram direito ao crédito presumido. Muito embora o assunto já se encontre pacificado no âmbito desta Eg. Câmara Superior, conforme jurisprudência trazida pela interessada, não pela unanimidade de votos, pertinente são as conclusões do respeitável doutrinador Ricardo Mariz de Oliveira em trabalho divulgado em 2000, quando o assunto era ainda polêmico.1 Para melhor clareza, peço vênia para reproduzir as suas conclusões como se minhas fossem: VII CONCLUSÃO: AS AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS INTEGRAM O CÁLCULO DO INCENTIVO, SENDO ILEGAIS AS INSTRUÇÕES NORMATIVAS FAZENDÁRIAS EM CONTRÁRIO De tudo se conclui que as aquisições de insumos que não tenham sofrido a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS também integram a determinação da base de cálculo do crédito presumido a que alude a Lei n. 9363. Isto porque, e em síntese: a expressão legal “contribuições incidentes” não pode ser vinculada a cada operação de aquisição de insumos, pois tal vinculação não faz qualquer sentido lógico, além de impor condição a incidência sobre cada aquisição, isoladamente considerada de realização impossível, porque as contribuições 1 Em 20/06/200, sob o título: Crédito presumido de ipi para ressarcimento de PIS e COFINS direito ao cálculo sobre aquisições de insumos não tributadas. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 não incidem na base de 5,37%, que é a porcentagem para cálculo do crédito presumido segundo a respectiva fórmula legal; seja pela literalidade da norma do art. 1o da Lei n. 9363, seja por sua consideração em conjunto com os demais dispositivos dessa mesma lei, especialmente com os que estatuem a fórmula de cálculo do crédito presumido, verificase que a alusão ao ressarcimento das contribuições incidentes somente pode ser referida a todas as incidências que possivelmente tenham ocorrido em qualquer anterior etapa do ciclo econômico do produto exportado e dos seus insumos; o incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção “juris et de jure”, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte; a fórmula legal de cálculo do incentivo manda considerar o valor total das aquisições de insumos, sem distinção entre as tributadas e as não tributadas; o crédito presumido é uma subvenção que visa incrementar as exportações brasileiras, e não se confunde com restituição de contribuições, não havendo, assim, razão para exigir a incidência de contribuições para que uma aquisição de insumos seja integrada ao respectivo cálculo; o ressarcimento do crédito presumido, em moeda corrente, é uma forma alternativa de pagamento da subvenção, sendo que ressarcimento significa provimento do incentivo, em cobertura de parte das despesas de custeio, e não restituição de contribuições, também por isto sendo irrelevante ter ou não ter havido incidência sobre cada aquisição de insumos, isoladamente considerada; a prova da incidência e dos recolhimentos sobre cada aquisição de insumos era exigida pela legislação anterior, mas foi tacitamente revogada, não, podendo, pois, ser feita na vigência da nova lei, revogadora da anterior; o ressarcimento, por ser presumido e estimado na forma da lei, é referente às possíveis incidências das contribuições em todas as etapas anteriores à aquisição dos insumos e à exportação, as quais integram o custo do produto exportado; tudo isto é confirmado pelas regras de hermenêutica, que excluem a interpretação pela literalidade da norma legal e a consideração de apenas um dispositivo isolado das demais normas da mesma lei e do ordenamento jurídico, que exigem resultado derivado da interpretação que seja coerente com os objetivos da lei, que excluem resultado ilógico e de realização impossível, e que requerem o emprego de todos os métodos de exegese, notadamente o sistemático, o teleológico e o histórico; Fl. 344DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13854.000134/9863 Acórdão n.º 9303000.736 CSRFT3 Fl. 321 5 não obstante, mesmo a letra da lei comporta perfeitamente a interpretação no sentido de que não é necessária a incidência sobre a aquisição de insumos, propriamente dita, referindose, antes, às possíveis incidências em quaisquer outras operações que tenham onerado as aquisições dos insumos e o custo do produto exportado. Em vista disso tudo, concluise de modo inarredável que carecem de base legal o parágrafo 2o do art. 2o da Instrução Normativa SRF nº. 23/97 (que limita o crédito às aquisições feitas à pessoas jurídicas e que tenham sido tributadas) e o art. 2o da Instrução Normativa SRF nº. 103/97 (que exclui as aquisições feitas à cooperativas). Na verdade, o crédito presumido de IPI, por ser presumido, independe do valor que efetivamente tenha sido recolhido a título daquelas contribuições sobre as diversas fases de elaboração do produto vendido. Mesmo o inexpressivo pagamento de PIS/Pasep e Cofins em etapas anteriores não obstaria o direito ao crédito. Isto porque a lei, ao estabelecer a base de cálculo e o percentual, criou uma presunção absoluta, juris et de jure. A dimensão real da cadeia produtiva é irrelevante para o cálculo do benefício. Por fim, noticiase que a jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, consolidada em suas duas turmas de direito público, reconhece o direito do interessado. Confirase: RECURSO ESPECIAL Nº 529.758 SC (2003/00726199) RELATORA : MINISTRA ELIANA CALMON RECORRENTE : CHAPECÓ COMPANHIA INDUSTRIAL DE ALIMENTOS ADVOGADO : RÚBIO EDUARDO GEISSMANN E OUTROS RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : ARTUR ALVES DA MOTA E OUTROS Depois de todas essas avaliações, concluí da seguinte maneira: 1º) o produtorexportador adquire como insumo, por exemplo, tecidos, linhas, agulhas, botões, etc, e em todas essas aquisições é ele contribuinte de fato da PIS/COFINS, paga pelo vendedor que, no preço, já embutiu a PIS/COFINS paga pelos seus insumos. Na hipótese, a lei permite o ressarcimento sobre o preço final da aquisição, o que leva a também deduzir as antecedentes incidências da PIS/COFINS; 2º) mesmo quando o produtorexportador adquire matériaprima ou insumo agrícola diretamente do produtor rural pessoa física, paga, embutido no preço dessas mercadorias o tributo (PIS/COFINS) indiretamente em outros insumos ou produtos, tais como ferramentas, maquinários, adubos, etc., adquiridos no mercado e empregados no respectivo processo produtivo. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Pareceme, portanto, que razão assiste aos que entendem ter a instrução normativa aqui questionada extrapolado o conteúdo da lei. ... Assim, verificase que a Instrução Normativa 23/97 pretendeu resgatar da MP 674/94 aquilo que não mais veio a ser desejado politicamente pelo legislador. Por todas essas razões, dou parcial provimento ao recurso especial. É o voto. Seguem ementas de votos dos demais Eminentes Ministros: RECURSO ESPECIAL Nº 719.433 CE (2005/00129219) RELATOR : MINISTRO HUMBERTO MARTINS RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : RAQUEL TERESA MARTINS PERUCH BORGES EOUTRO(S) RECORRIDO : J RECAMONDE E COMPANHIA LTDA ADVOGADO : MANUELA SANTANA E OUTRO(S) EMENTA TRIBUTÁRIO – CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI – RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS – INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO NO JULGADO A QUO – ART. 1º DA LEI N. 9.363/96 – RESTRIÇÃO PELA IN 23/97 DA SECRETARA DA RECEITA FEDERAL – ILEGALIDADE. 1. A controvérsia restringese à limitação da incidência do art. 1º da Lei n. 9.363/96, imposta pelo art. 2º, § 2º da IN 23/97, da Secretaria da Receita Federal, que determina que o benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente será cabível em relação às aquisições de pessoa jurídicas. 2. Inexistente a alegada violação do art. 535 do CPC, pois a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, conforme se depreende da análise do julgado a quo. 3. Ora, uma norma subalterna, qual seja, instrução normativa, não tem a faculdade de limitar o alcance de um texto de lei. A jurisprudência do STJ posicionase no sentido da ilegalidade do art. 2º, §2º da IN 23/97. Recurso especial improvido. RECURSO ESPECIAL Nº 921.397 CE (2007/00205770) RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL Fl. 346DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13854.000134/9863 Acórdão n.º 9303000.736 CSRFT3 Fl. 322 7 PROCURADOR : MARCOS ALEXANDRE TAVARES MARQUES MENDES E OUTRO(S) RECORRIDO : CVC CERA VEGETAL DO CEARÁ ADVOGADO : MANUELA SANTANA E OUTRO(S) EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPI. LEI Nº 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALEXPORTADOR. RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS EMBUTIDOS NO PREÇO DOS INSUMOS. POSSIBILIDADE. DESCABIMENTO DE DISTINÇÃO ENTRE FORNECEDOR DE INSUMOS PESSOA JURÍDICA OU PESSOA FÍSICA. ILEGALIDADE DE IN –SRF 23/97. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃOPROVIDO. 1. O apelo especial da Fazenda Nacional prendese à alegativa de que a utilização do incentivo fiscal do art. 1º da Lei 9.363/96 deve observar as limitações impostas pela IN SRF 23/97, tese rechaçada pelo acórdão recorrido, que negou provimento à apelação movida pelo órgão fazendário. 2. Contudo, o inconformismo não merece acolhida, na medida em que o entendimento aplicado pelo julgado atacado está em sintonia com a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça, segundo a qual, não havendo a Lei 9.363/96 feito distinção entre fornecedores de insumos pessoas físicas (não contribuintes do PIS/PASEP) e fornecedores pessoas jurídicas, não poderia têlo feito a IN SRF 23/97, que é de todo ilegal e descaracteriza o favor fiscal em tela. Nesse sentido o julgado: De acordo com o disposto no art. 1º da Lei 9.363/96, o benefício fiscal de ressarcimento de crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e da COFINS, é relativo ao crédito decorrente da aquisição de mercadorias que são integradas no processo de produção de produto final destinado à exportação. Portanto, inexiste óbice legal à concessão de tal crédito pelo fato de o produtor/exportador ter encomendado a outra empresa o beneficiamento de insumos, mormente em tal operação ter havido a incidência do PIS/COFINS, o que possibilitará a sua desoneração posterior, independente de essa operação ter sido ou não tributada pelo IPI ” (REsp nº 576857/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 19/12/2005). 3. O crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 não representa receita nova. É uma importância para corrigir o custo. O motivo da existência do crédito são os insumos utilizados no processo de produção, em cujo preço foram acrescidos os valores do PIS e COFINS, cumulativamente, os quais devem ser devolvidos ao industrialexportador. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 4. Precedentes: Resp 627.941/CE, DJ 07/03/2007, Rel. Min. João Otávio de Noronha; Resp 644.789/CE, DJ 04/12/2006, Rel. Min. Denise Arruda; Resp 617.733/CE, DJ 24/08/2006, Rel. Min. Teori Albino Zavascki; REsp nº 576857/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 19/12/2005; Resp 813.280,/SC, DJ 02/05/2006, de minha relatoria; Resp 529.758/SC, DJ 20/02/2006, Rel. Min. Eliana Calmon; Resp 586.392/RN, DJ 06/12/2004, Rel. Min. Eliana Calmon. 5. Recurso especial nãoprovido. CONCLUSÃO: Atendidos todos os requisitos previstos em lei, não vejo como se negar o direito do produtorexportador ao crédito presumido de IPI, ainda que na última etapa não tenha incidido PIS/Pasep e Cofins. Da incidência da taxa Selic no valor do ressarcimento de IPI A questão da possibilidade de incidência da taxa Selic no ressarcimento de IPI passa necessariamente pela diferenciação dos institutos do ressarcimento da restituição. A restituição é a repetição de um indébito. Decorre de pagamento indevido ou a maior que o devido. Já o ressarcimento não está vinculado a qualquer pagamento indevido, mas decorre de concessão legal. Sobretudo, não se pode olvidar que o direito subjetivo ao ressarcimento somente é constituído com o advento do despacho da autoridade competente, em oposição ao que ocorre com a repetição do indébito, em que o direito de repetir já nasce imediatamente com o pagamento indevido ou a maior, independentemente de qualquer ato da autoridade administrativa. Nesta linha, fica evidente existir duas figuras que não se confundem: a) restituição por pagamento indevido ou a maior do que o devido (repetição de indébito); e b) ressarcimento, previsto em lei concessiva. É certo que restituição e ressarcimento compartilham alguns aspectos, como o de ser ambos passíveis de satisfação em dinheiro ou mediante compensação, mas de nenhum modo ressarcimento é espécie do gênero restituição. Noutro giro, não há que se falar em desvalorização do valor a ser ressarcido, mesmo porque o ambiente de ampla correção monetária que vigia no passado foi abolido pelo Legislador. Com efeito, o Legislador aboliu e repudiou o sistema geral de indexação da economia através da aprovação das normas legais que consolidaram o Plano Real, inexistindo atualmente previsão de atualização monetária tanto para caso de ressarcimento como para caso de restituição. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13854.000134/9863 Acórdão n.º 9303000.736 CSRFT3 Fl. 323 9 Nesse contexto, inadmissível pensar na aplicação da taxa Selic como um meio de reposição do valor real da moeda. A taxa Selic é, isto sim, a expressão numérica dos juros. Não se trata de atualização monetária. Juros, por sua vez, é um acréscimo ao principal, é um plus que inclusive se caracteriza como renda para aquele que o aufere. Ora, o Estado não pode pagar rendimentos – na forma de taxa Selic, vale dizer, de juros – sem previsão legal, mormente quando o que seria o valor principal (ressarcimento) é, ele próprio, dependente de lei concessiva. A previsão legal para a incidência de juros Selic, por sua vez, somente se refere aos casos de restituição. Ao mencionar a compensação (art. 39, § 4º), é claro que o dispositivo referese aos valores que poderiam ser restituídos, não permitindo interpretação extensiva. O texto da Lei nº 9.250, de 1995, é claro, não havendo como aplicar por analogia aquele dispositivo ao caso do ressarcimento. Neste sentido devese dizer que o art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95, inclusive não estabeleceu a atualização de valores restituídos ao contribuinte com base na taxa Selic. Isto porque, simplesmente, tal taxa expressa juros, não correção ou atualização monetária. O que foi previsto para casos de restituição foi a aplicação de juros, calculados com base na taxa Selic. Depois, o dispositivo trata de restituição, nada falando de ressarcimento. Por fim, a data prevista para o início da incidência dos juros é a do pagamento indevido ou a maior do que o devido, data essa que somente pode ser identificada se se tratar de pedido de restituição. A incidência dos juros Selic a partir da data de protocolo do processo de pedido de ressarcimento é critério que não consta da legislação, o que reforça a tese de que os juros não podem incidir, nesse caso. Nos termos dos votos paradigmas transcritos linhas acima, negase provimento ao recurso da Fazenda e do sujeito passivo das aquisições de não contribuintes, bem como vedar a incidência da taxa Selic sobre o crédito a ressarcir. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 349DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 11050.000234/2006-81
Data da sessão: Thu Jul 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do foto gerador: 26/01/2006
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. FATO'JURÍDICO TRIBUTÁRIO.
(MUS DA PROVA DA AUTORIDADE LANÇADORA AUSÊNCIA DE
PROVA. VICIO FORMAL INSANÁVEL. NULIDADE.
Por força dos princípios tributários da estrita legalidade c da tipicidade, a autoridade fiscal lançadora tem o dever de provar, nos autos cio processo administrativo fiscal, o fito jurídico tributário que motivou a formalização da
exigência do crédito tributário,
O documento que formaliza a exigência do crédito tributário deve estar
alicerçado em robustos elementos de prova que, necessariamente, deverão scr
acostados aos autos do processo administrativo fiscal.
É nulo, por vício formal insanável, a Notificação de Lançamento lastreada em
meias afirmações ou presunções da autoridade fiscal, desacompanhado dos
indispensável elementos de prova destinados à comprovação do fato jurídico
tributário nela direta ou indiretamente relatado (art. 9" do PAU).
DECISÃO PRELIMINAR. INCOMPATIBILIDADE COM A QUESTÃO
DE MÉRITO. APRECIAÇÃO DO MÉRITO.. IMPOSSIBILIDADE,
Não será analisada a questão de mérito do recurso, se incompatível seu
julgamento com a decisão proferida cm relação à questão preliminar (art. 28
do PAF),
Processo Anulado.
Numero da decisão: 3102-00.696
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo a partir da notificação de lançamento, inclusive.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: José Fernandes do nascimento
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FATO'JURÍDICO TRIBUTÁRIO. (MUS DA PROVA DA AUTORIDADE LANÇADORA AUSÊNCIA DE PROVA. VICIO FORMAL INSANÁVEL. NULIDADE. Por força dos princípios tributários da estrita legalidade c da tipicidade, a autoridade fiscal lançadora tem o dever de provar, nos autos cio processo administrativo fiscal, o fito jurídico tributário que motivou a formalização da exigência do crédito tributário, O documento que formaliza a exigência do crédito tributário deve estar alicerçado em robustos elementos de prova que, necessariamente, deverão scr acostados aos autos do processo administrativo fiscal. É nulo, por vício formal insanável, a Notificação de Lançamento lastreada em meias afirmações ou presunções da autoridade fiscal, desacompanhado dos indispensável elementos de prova destinados à comprovação do fato jurídico tributário nela direta ou indiretamente relatado (art. 9" do PAU). DECISÃO PRELIMINAR. INCOMPATIBILIDADE COM A QUESTÃO DE MÉRITO. APRECIAÇÃO DO MÉRITO.. IMPOSSIBILIDADE, Não será analisada a questão de mérito do recurso, se incompatível seu julgamento com a decisão proferida cm relação à questão preliminar (art. 28 do PAF), Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo a partir da •notilicação de lançamento, inclusive, - /Luis hilarceterra de Castro •-• Presidente. , - • • -----, • -----l-ose-F-ernandes\ der Nascimento - Relato'. ED ... ... ' .. DO EM: 20/06/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Paulo Sérgio C.elani (Suplente), Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e 1 1i as Fernandes Eufrásio (Suplente).. Relatório 'ri ata-se de Recurso Voluntário interposto pela interessada, visando a reforma do Acórdão n" 07-16.442 (lis. 35/38), proferido pelos membros da 2" Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento-de-Horian.ópolisiSeDWI-Florianópolis/SC), que por• unanimidade de votos, consideraram procedente o presente lançamento, mantendo o crédito tributário exigido por meio da Notificação de Lançamento de fls. 01/02. De acordo com o Relatório de fls.. 03/06, int-minou a autoridade fiscal que, em procedimento de Conferência Final de Manifesto n" 158 do Navio Stokmatnes, atracado no Porto de Rio Grande, em 29 de fevereiro de 2004, constatou a falta dos seguintes produtos: a) 21.774 Kg do produto "Eoslaki Monoamonico Standard 11/54", equivalente a 2,19%; b) 108.9 -15 Kg do produto "Fosfáto Monoamonico em Pó 11/56", equivalente a 2,19%; e e) 257.244 Kg do produto "I, O4ato Monoamonico Granulado 11/54", equivalente a 1,66%. Em consequência, propôs a formalização do lançamento do Imposto sobre a Importação (II) -incidente sobre as quantidades dos produtos excedentes ao percentual de toleráncia de 1% (um por cento), nos ternos dos §§ 2", 11, e 3' do art. 72 do Decreto n" 4.543, de 26 d.e dezembro de 2002, qu.e dispõe sobre o Regulamento Aduaneiro de 2002 (RA/2002), o que foi providenciado, por intermédio da Notificação de Lançamento delis. 01/02, Regularmente intimada, a interessada apresentou a Impugnação de Lis. 09/21, em que, em síntese, conforme excerto do relatório integrante d.o Acórdão recorrido, alegou o seguinte, in Protcyla pela nulidade do lançamento (i) por entendei' que a notificação eni referência não ancvou O te speclivo 101110 d.0 vistoria, corifirrme determina o artigo 702 do D(...-creto 4.343/2002 e (ii) ilegitimidade de parte do Ap,-ente.' Marítimo. 2 Processo n'' 11050 000234/2006-81 S3-C1112 Acórdão n." 3102-00.696 Fl. 62 Que .Se trata de mercadoria a granel, suscetível de perda ou acréscimos naturais- face à sua própria natureza e a forma das- operações de carga e descarga inerentes ao tipo de mercadoria, enquadrando-se na hipótese isentiva de responsabilidade do transportador marítimo, qual .s-cja o vicio próprio da mercadoria (arts 617 e 711 do Código Comercial Brasileiro). Que a /2,/ta alegaria encontra-se albergado pelo limite de perda natural de 5% que é admitido pela lei para eximir a multa.. Assim, se a quebra de até 5% é admitida pelas autoridades fiscais como natural a fim de eximir a incidência da multa, este mesmo raciocínio deve -ser utilizado como fOr ma de afastar cobrança do imposto, eis que o fato gerador (/ O mesmo. Após a referida impugnação, sobreveio o citado Acórdão, em que os membros da Turma julgadora, por unanimidade de votos: 1) rejeitaram as preliminares de nulidade da Notificação de Lançamento litigada, por ausência de vistoria e de ilegitimidade passiva, respectivamente, com base nos seguintes argumentos: a) não havia necessidade de realização de vistoria aduaneira, pois se tratava de procedimento de conferência final de mani Cesto; b) o agente marítimo (condição da interessada), por ser o representante do transportador estrangeiro no País, é o responsável solidário com este, com relação a. eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática. de infração à legislação aduaneira; e c) o fato de o importador ter efetuado o recolhimento integral dos tributos, por ocasião do registro da importação em causa, não exime à autuada do pagamento do imposto incidente sobre o apontado extravio de, mercadoria.. 2) no mérito, consideraram procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, com o argumento de que, nos termos do inciso Ii do § 20 do art.. 72 do .R,A/2002, a franquia legal prevista para exonerar. do H o responsável por falta de mercadoria transportada a granel é de I% (um por cento). Em .18/06/2009, por via postal (fl. 41), a interessada foi cientificada do citado Acórdão. Inconformada, em 03/07/2009, apresentou o Recurso Voluntário de fls. 42/55, em que reafirmou as razões de defesa aduzidas na peça impugnatória. Além das razões de defesa. transcritas do relatório integrante do Acórdão recorrido, a interessada, em síntese, alegou ainda: a) nulidade do lançamento, pelo fato de não ter havido a conferência global do manifesto de carga, haja vista que ocorrera descarga nos portos de ltaqui e de Rio Grande. Em relação. Em relação a este ponto, requereu que fosse convertido o julgamento em diligência, a fim de que fossem oficiadas as Repartições Fiscais competentes, para apresentarem todas as informações complementares relativas as descargas ocorridas no porto de ltaqui, apurando-se os números finais desta viagem, conforme determina o texto legal (art. 590 do RA/2002); e / " b) o despacho aduaneiro das mercadorias tbi realizado na modalidade de despacho antecipado e o 11 recolhido em sua totalidade pelo iinportador, na data de registro da. 1)1, com base no total de mercadoria manifestada. No final, requereu que fosse dado provimento ao presente Recurso, para o tim de cancelar o lançamento tributário em análise, posto que eivado de vícios tortuais e materiais, declarando-se a sua insubsistência e a decretação de sua nulidade, Em cumprimento ao despacho de fl. 60 (última numerada), os presentes autos .tbram enviados a este e. Conselho. Na sessão de 04/02/2010, em cumprimento ao disposto 00 art.. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MI' n" 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro, Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento - Relator O presente Recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, portanto, dele toino corri] ecinr I- DAS PRELIMINARES Nos termos do art. 684 do Decreto n" 4,543, de 26 de dezembro de 2002, que dispõe sobre o Regulamento Aduaneiro de 2002 (RA/2002), vinte no momento da ocorrência. dos fatos objeto do presente procedimento fiscal, a determinação e a exigência dos créditos tributários decorrentes de infração às normas veiculadas pelo referido Regulamento serão apuradas mediante processo administrativo fiscal, na forma do Decreto d 70.235, de 6 de março de 1972, com as alterações posteriores. Por sua vez, o caput do art. 9" do PA E. prevê a tOrmalização do lançamento do crédito tributário mediante dois documentos distintos: o auto de infração e a notificação de lançamento, cujos requisitos obrigatórios de um e do outro estão lixados, respectivamente, nos arts 1.0 e 11 do PAF, a seguir transcritos: Art. 10 O auto de infração .será lavtado por .servidor competente, no local da verificação do falta, e conterá obrigatoriamente. 1- a qualificação do ituttnuki, li - o local, a data e a hora da loviotura, 111.- a descrição do fido; 1V - o disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V -a deli. rminação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugna-Ia no prazo de trinta (lias, 1/1 - a assinatura do autuante e a indicação de sou cargo ou ./ \ /Unção e o 111:11fleF0 de man kwh]. Piocesso n' I 1050 000234/2006-g1 5:3-C 112 Acórdào n." 3102-00.696 11. 63 Art. .11 Á no0ficação de lançamento será c,tpedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: - a qualificação do notificado,- 11 - o valor do crédito tributário e o pi-azo para recolhimento ou impugnação, //I -a disposição legal infringida, se for o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e (1 indicação de se1,1- cargo ou . finição e o nt'unero de matrícula ParágrafO único Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo e/eia:Mico De acordo corn Os transcritos preceitos legais, verifica-se que tanto o auto de infiação quanto a notificação de lançamento exige a presença de pressupostos e elementos necessários para sua edição regular. Porém, do ponto de visto do conteúdo, há de ser ressaltada uma diferença marcante entre ambos os documentos, refluo-me ao requisito da motivação ou descrição do tato jurídico ou do ilícito tributário, que não é exigido, explieita.mente, na composição da. notificação de lançamento. Cabe destacar que esse entendimento está em consonância com a doutrina de .1.nico Marcos Diniz de Santi I , para quem.: A motivação é expres-_su quando verbalizada no tex/o do veículo introdutor e implícita, quando num ato administrativo vinculado, possa -Ser construída a partir do contendo do ato em contewo semân tico-pmgmá tico com o ato-/ato que orientou sua produção. No mais, excluídas algumas especificidades quanto ao agente emissor e a forma de expedição, tem-se que ambos os documentos são peças portadoras de dois atos administrativos de contendo diversos: a.) um relativo à constituição do crédito tributário (o ato de lançamento); e b) o outro referente à imposição de penalidade pecuniária (o ato de aplicação de penalidade). Há, contudo, um requisito que é obrigatório pata os dois documentos. A obrigatoriedade de estarem instruidos "com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito", conlilline exige o caput do art. 9" do PAF, a seguir transcrito: .Art. 9' A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão . formalizados em autos de infração ou notificapie.s de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei 11.941, de 2009) I SANTI, Enrico Marcos Diniz de Decadência e prescrição no direito tributário 2. ed Max 1„inionad: São Punlor, 2001, p. 109. \, .) (grifos não originais) Embota a formalização da notificação de lançamento prescinda da descrição dos fatos (motivação), precisa ser provado o Pato _jurídico ou o ilícito tributário nela, direta ou indiretamente, descrito ou deduzido a partir da descrição abstrata veiculada pelo comando legal infringido (o enquadramento legal). Em outras palavras, sem a prova do evento ocorrido no mundo real inexiste fato jurídico ou ilícito tributário e, por conseguinte, a relação jurídica. tributário. Neste sentido, cabe trazer à baila a doutrina de Fabiana Dei Padre Tomé, para quem: Um evento 5 . ó pay ya a ,ser tato jurídico, sum:Éptivel de (.ff" tomado como pressuposto (motivo) do ato admini.strativo de lançamento Ou de aplieaeào de penalidade iributária .„se houver provds de S ua OCOI'l'érlda, conslituídas (1.5. regras Prescritas' pela sistema do direito A prova como meio imprescindível paca a formalização do ato administrativo de lançamento tributário é ressaltado no excerto a seguir transcrito, extraído da obra de Eurico Marcos Diniz de Santi 3 : "O direito não incide sobre fatos, incide sobre a prova dos tatos, ou dizendo de outra forma: o lato jurídico é fato _juridicamente provado", Compulsando os presentes autos, -verilica-se que não .b.á provas que confirmem os fatos .juridicos tributários objeto do presente procedimento fiscal. Com eleito, por se tratar de procedimento de conferência final de manifesto, destinado a apurar o extravio ou acréscimo de mercadoria entrada no território nacional, mediante o confronto do manifesto com os registros de descarga, no meu entendimento, esses dois documentos eram imprescindíveis para fins instrução da referida Notificação de Lançamento, haja vista que sem eles não há como confirmar os fatos que foram narrados no Relatório Fiscal de Os 03/06.. Ademais, tratando-se de mercadoria transportada a granel, por via marítima, a ausência do manifesto ou dos manifestos da viagem do navio, torna. impossível saber se toda a mercadoria foi descarregado no Porto de Rio Grande, como afirmou a autoridade fiscal, com base apenas no fato de a Agência Marítima não lhe ter apresentado a intOrmação sobre os outros portos visitados no País pelo navio, nem se manifestado acerca das diferenças apuradas nas quantidades de mercadoria faltantes, conforme consignado no Relatório Fiscal de 03/06. Por outro lado, asseverou a recorrente que, em relação a citada viagem, parte da carga foi descarregado no Porto de Itaqui... Com quem está a verdade? É impossível saber, sem analisar os documentos citados. A. confirmação dessa intbrmacão, ao meu sentir, é de vital importância, para fins de definição da forma de realização do presente procedimento de conferência dual do manifesto, posto que se realizada a descarga efil mais um porto, o dito procedimento deveria ser realizado de forma global, levando em conta todas as descargas ocorridas nos portos brasileiros, conforme determina o art. 590 do RA/2002, a seguir tumscrito: 2 TOMÉ, Fabiana Dei Padre. A prova no direito tributário Sio Paulo: Noeses, 2008, p. 293 SANTI, Étnico Marcos Diniz de. Decadência e prescrição no direito tributário. 2 ed Max Limorn d: São Paulo\ 2001, p. 45. 19rt, /6 Processo n" 1 I 050.000234/2006-81 S3-CM Acórdão n." 31.02-00.696 F I 64 Ari 590 NO caso de mercadoria a granel transportada por via ínailima, em viagem uniea, e destinada a mais de urn porto no País, a conktenela final de manifesto deverá ser tealizada na unidade da Secretaria da Receita Federal com jurisdição sobre o ultimo porto de descarga, considerando-se todas as descarzas *tiladas. (grifos não °I igin ai s). Em determinados trechos do citado Relatório, embora a autoridade fiscal tenha feito referência aos documentos em que se baseara para apurar as diferenças das quantidades de mercadorias extraviadas, não teve a. diligência de colacioná-los aos autos, O que constitui uma afronta ao disposto no art.. 9" do PAF, anteriormente analisado.. Aliás, no que tange à instrução processual., cabe consignar que nenhum elemento de prova foi acostado aos autos pela fiscalização. É cediço que, no âmbito do processo administrativo fiscal, o fato jurídico tributário precisa ser provado pela autoridade lançadora, com base em elementos robustos de provas, e não simplesmente afirmado ou presumido (presunção simples ou hominis), como no procedimento -fiscal em tela.. De falo, apesar da presunção de legitimidade que goza os atos administrativos (presunção juris tontura de validade), os agentes da Administração Pública tem o dever de comprovar a ocorrência do fato jurídico, bem como as circunstâncias em que este se verificou, especialmente, os atos de lançamento ou de aplicação de penalidade, posto que, além de se subordinarem aos princípios administrativos gerais, são regidos pelos princípios tributários específicos da estrita legalidade e da tipicidade, insculpidos no inciso I do art.. 150 da CF/88. Não é demais lembrar que no procedimento :fiscal, informado pelos princípios do contraditório e da ampla defesa, deve haver equilíbrio na repartição do ônus probatório. Assim, embora a fase execução do procedimento fiscal, seja regida pelo princípio inquisitivo, podendo ser conduzida unilateralmente pela autoridade fiscal lançadora, documento que fOrmaliza o resultado deste procedimento (o ato de lançamento tributário) deverá, ser instruído com todos os meios de provas adequados, nos termos do direito aplicável, sob pena de, em assim não procedendo, restar comprometida a possibilidade concreta (e constitucionalmente assegurada no inciso LV do artigo 5." da Constituição Federal) de o sujeito passivo, na fase litigiosa do procedimento fiscal, contraditar os argumentos e os elementos de provas utilizados pelo Fisco para. embasar o ato de lançamento, veiculado por meio de auto de infração ou notcação de lançamento. Dessa .forma, por expressa previsão legal, é nulo, por vício formal insanável, a notificação de lançamento que formaliza a exigência de crédito tributário, se estiver lastreado em meras afirmações ou presunções simples, desprovida da indispensável prova documental. Por tudo isso, entendo que a presente Notificação de Lançamento não se reveste das características do documento destinado a l q rmalizar a exigência do crédito tributário, previsto no art.. 11 do PAF, haja vista que não foi instruída com todos elementos de prova indispensáveis à comprovação da diferença de mercadoria extraviada, \ \-/ 7 Assim, evidenciada a falta de provas, com supedâneo no art. 53 4 da Lei n" 9.784, de 1999, entendo que a presente Notificação de Lançamento não atende aos requisitos estabelecidos no art. 9" do PAF, pot conseguinte, propugno pela sua anulação por vicio formal insuperável. Ad urgurnentandur ri, ainda que assim não fosse, melhor sorte não teria o presente lançamento, haja vista que a presente Notificação de Lançamento (fls. 01/02) Ibi expedida com fundamento no art. 702. do RA/2002, que dispõe sobre o procedimento de vistoria aduaneira, nos seguintes termos: Ai /. 702 A foi inalização da exigência do crédito tirbittário decorrente de vistoria aduaneira será feita por meio de notificação de lançamento instruída eom O termo de vistoria refer ido no ,;, l' do eu t 581. (Redução dada pelo Dect elo n" 4 76.5, de 24 6 2003) (grilós não originais) No meu entendimento, a constituição do crédito tributário decorrente do procedimento de conferência final de manifesto, por falta de previsão legal, deve ser formalizada por meio de auto de infração, contendo todos os requisitos do art. 10 do PA.E. Dessarte, por incompatibilidade lógica da presente solução dada a questão preliminar, com respaldo no art. 28 do PAF, deixo de adentrar nas razões de mérito do presente recurso, "II .- DA -CONCLUSÃO. Por todo o exposto, ACA 1.0 A PRLL1M1NAR suscitada no presente Recurso, pata declarar a nulidade, por vicio formal, da Notificação de Lançamento de Ils 01/02, esclarecendo que a autoridade fiscal, querendo, no prazo fixado no inciso II do art. 173 do CTN, poderá proceder-a. urn novo lançamento, ------- ---- Jose_Fernandes do Nascimento 1 ..,, [ . 4 "Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vicio de legalidade, e pode revonn-. los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos"
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Numero do processo: 10650.000259/94-40
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 1996
Ementa: IRPJ - MULTA - FALTA DE EMISSÃO DE DOCUMENTO
FISCAL - A falta de emissão de Nota Fiscal, recibo ou
documento equivalente, no momento da efetivação da operação,
sujeita o contribuinte, pessoa física ou jurídica, à multa de
300% sobre o valor do bem objeto da operação ou do serviço
prestado.
Numero da decisão: 102-40.200
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e , voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Ramiro Heise.
Nome do relator: Ursula Hansen
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MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° : 10650/000.259/94-40 RECURSO N° : 110.674 MATÉRIA : IRPJ - EX.: 1994 RECORRENTE : FERREIRA PINTO & CIA. LTDA RECORRIDA : DRF - UBERABA - MG SESSÃO DE : 12 DE JUNHO DE 1996 ACÓRDÃO N° : 102-40.200 IRPJ - MULTA - FALTA DE EMISSÃO DE DOCUMENTO FISCAL - A falta de emissão de Nota Fiscal, recibo ou documento equivalente, no momento da efetivação da operação, sujeita o contribuinte, pessoa física ou jurídica, à multa de 300% sobre o valor do bem objeto da operação ou do serviço prestado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por FERREIRA PINTO & CIA. LTDA. , , ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e , voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Ramiro Heise. i i ,,L1.,.."...,._ ANTONIO D FREITAS DUTRAEA , PRESIDENTE A, SEN ' L ' TORA , FORMALIZADO EM: 2ik rri 100f;, fiou hi ,-3 - 1 1 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, JOSÉ CLÓVIS ALVES, SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO, JÚLIO CÉSAR GOMES DA SILVA e FRANCISCO DE PAULA CORRÊA CARNEIRO GIFFONI. , MNS , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° : 10650/000.259/94-40 ACÓRDÃO N° : 102-40.200 RECURSO N° : 110.674 RECORRENTE : FERREIRA PINTO & CIA. LTDA RELATÓRIO FERREIRA PINTO & CIA. LTDA., inscrita no CGC sob o n°. 16.906.950/0001-10, recorre a este Colegiado de decisão da Delegada da Receita Federal em Uberaba, MG, que manteve integralmente a cobrança do crédito tributário apurado, de 1 Cr$ 7.500.920,16. , A exigência, conforme Auto de Infração de fls. 01 e anexos, capitulada 1 nos artigos 1° e 3 0 da Lei 8.846, de 21 de janeiro de 1994, corresponde à multa por não cumprimento de obrigação tributária acessória - emissão de notas fiscais ou documentos equivalentes. Ao impugnar o feito, a contribuinte alegou, em síntese, que não efetuou qualquer saída de mercadoria sem a emissão de notas fiscais, sendo que a diferença apurada pelo fisco decorre da visão parcial que os funcionários fazendá,rios tiveram de sua movimentação de caixa, já que, como a maioria das empresas, efetua vendas com recebimento dos chamados cheques "pré-datados," que permanecem no caixa até a data da 1 cobrança. i1 1i Após analisar e rejeitar os argumentos apresentados, a autoridade monocrática julga procedente o lançamento face aos dispositivos legais vigentes. Em suas Razões de recurso voluntário, acostadas aos autos às fls. 17/19, a contribuinte, reitera os argumentos já expendidos na fase impugnatória. É o relatóri .V 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° : 10650/000.259/94-40 ACÓRDÃO N° : 102-40.200 VOTO CONSELHEIRA URSULA HANSEN, RELATORA Estando o recurso revestido de todas as formalidades legais, dele tomo conhecimento. Determina a Lei n° 8.846, de 21 de janeiro de 1994, verbis: "Artigo 1 0 - A emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, relativo à venda de mercadorias, prestação de serviços ou operações de alienação de bens móveis, deverá ser efetuada, para efeito da legislação do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, no momento da efetivação da operação. Artigo 2° - Caracteriza omissão de receita ou de rendimentos, inclusive ganhos de capital, para efeito do imposto sobre a renda ou proventos de qualquer natureza e das contribuições sociais incidentes sobre o lucro e o faturamento, a falta de emissão da nota fiscal, recibo ou documento equivalente, no momento da efetivação das operações a que se refere o artigo anterior, bem como a sua emissão com valor inferior ao da operação. Artigo 3° - Ao contribuinte, pessoa fisica ou jurídica, que não houver emitido a nota fiscal, recibo ou documento equivalente, na situação de que trata o art. 2°, ou não houver comprovado sua emissão, será aplicada a multa pecuniária de trezentos por cento sobre o valor do bem ou objeto da operação ou do serviço prestado, não passível de redução, sem prejuízo da 3 - ;• MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° : 10650/000.259/94-40 ACÓRDÃO N° : 102-40.200 incidência do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza e das contribuições sociais." No caso em exame, a ora Recorrente foi multada por falta de emissão de Notas Fiscais, com base no valor apurado (dinheiro e cheques), conforme conferência de numerário realizada às 14.00 horas de 03/05/94, e que e consta do Termo de Constatação de fls. 05, elaborado pelo Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal, e devidamente assinado pelo preposto da ora Recorrente. Na elaboração do texto da Lei 8.846/94, que convalidou os atos praticados com base nas Medidas Provisórias n's. 374/93 e 391/93, o legislador foi claro: a emissão da nota fiscal ou similar deverá ser efetuada no momento da efetivação da operação. Portanto, o fato gerador da multa é a não emissão do documento fiscal quando da realização da operação, sendo irrelevante a escrituração posterior das receitas. Não pode prosperar, também, a mera assertiva de que a aceitação de cheques "pré datados" não é ilegal, e que, sendo a falta de emissão de documento fiscal uma fraude, esta teria que ser devidamente comprovada pelo fisco, o que, no seu entendimento, não ocorreu. Ainda que o cheque seja uma ordem de pagamento a vista, os argumentos da ora Recorrente de que a diferença de Caixa apurada corresponde a vendas anteriores, saldadas através de "cheques pré-datados" que seriam guardados na caixa, poderiam ser aceitos, se devidamente comprovados. Em nenhum momento a contribuinte apresentou provas de qualquer natureza que demonstrassem de forma inequívoca o alegado. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PREVIEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES< PROCESSO N° : 10650/000.259/94-40 ACÓRDÃO N° : 102-40.200 Considerando o texto legal acima transcrito, que regula a matéria, e os fatos relatados e comprovados nos autos, resta demonstrado que a decisão de primeira instância não merece reparos, tendo sido proferida de acordo com o comando legal; Considerando o acima exposto e o que mais dos autos consta; Voto no sentido de negar-se provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 12 de junho de 1996. , HANSEN 5 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 15983.000616/2007-16
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 28/02/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento.
NFLD. DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES.INOCORRÊNCIA DE NULIDADE.
Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991 e 142 do CTN, qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário.
Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, no sentido de reformar a decisão a quo e o lançamento para decretar e declarar a extinção dos créditos lançados com base em fatos geradores ocorridos anteriormente à 01.01.2002, em razão da ocorrência do lapso decadencial.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 28/02/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. NFLD. DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES.INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991 e 142 do CTN, qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
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DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. NFLD. DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES.INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991 e 142 do CTN, qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, no sentido de reformar a decisão a quo e o lançamento para decretar e declarar a extinção dos créditos lançados com base em fatos geradores ocorridos anteriormente à 01.01.2002, em razão da ocorrência do lapso decadencial. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 06 16 /2 00 7- 16 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15983.000616/200716 Acórdão n.º 2803002.307 S2TE03 Fl. 154 2 Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15983.000616/200716 Acórdão n.º 2803002.307 S2TE03 Fl. 155 3 Relatório O presente Recurso Voluntário foi interposto contra decisão da DRJ, que manteve o crédito tributário oriundo de contribuições previdenciárias, relativas à parte dos segurados, empresa, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, as destinadas a Terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE) e sobre pagamentos efetuados aos contribuintes individuais, tudo conforme consta no Relatório Fiscal de fls. 68/72.devidas é proveniente de Recibos e Comprovantes de Pagamento de Contribuintes Individuais (autônomos), Folhas de Pagamento de PróLabore, Pagamentos de Salários escriturados em Livro Diário, não declarados, pela empresa, em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência (GFIP), com referência aos períodos de 01/04/1999 a 28/02/2007 (intercalados). A ciência da NFLD foi em 19.09.2007 (fls. 01). Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos: em que as contribuições decadência e prescrição qüinqüenal dos créditos lançados, nulidade do lançamento por ausência de fundamentação adequada e juntada de documentos probantes na peça vestibular. Esse é o relatório. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15983.000616/200716 Acórdão n.º 2803002.307 S2TE03 Fl. 156 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato Relator I O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. II Em face à análise do Recurso e dos autos do processo, atentase à extinção parcial dos créditos constituídos em razão da ocorrência de decadência, e não de prescrição como alega a parte, pois, no caso presente, o prazo prescricional apenas tem início de contagem a partir da constituição definitiva do crédito (art. 174, do CTN). Antes da constituição (lanámento) do crédito somente deve ser tratado como decadência (art. 173 e/ou art. 150, par. 4o., do CTN) O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado e obrigatório à administração pública, emitiu a Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, que pacificou o entendimento da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. Observese a NFLD é referente às fatos geradores são dos períodos de 01/04/1999 a 28/02/2007, compreendendo apenas fatos geradores não declarados em GFIP. Neste caso, apesar da natureza das contribuições tendentes ao lançamento por homologação (art. 150, do CTN), o lançamento dos créditos em questão é realmente um lançamento de ofício (art. 149, do CTN). Assim, deverseá aplicar a regra decadencial a disposta no art. 173, Iº, CTN, ou seja, da ocorrência de decadência e extinção do direito da Fazenda Pública em constituir o crédito extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15983.000616/200716 Acórdão n.º 2803002.307 S2TE03 Fl. 157 5 Ainda, em razão da decadência prevista no art. 173, I, do CTN, tal matéria foi submetida ao crivo da 1ª. Seção do Superior Tribunal de Justiça, através de Recurso Especial representativo de controvérsia – RESP 973.733, conforme art. 543C do normativo processual (recurso repetitivo) e, segundo a nova redação do art. 62A do Regimento interno do CARF, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros. Reproduzimos excerto da ementa: 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de. desarrazoado prazo decadencial decenal(...) grifamos Consoante a regra retro citada, forçoso se faz reconhecer a decadência referente a todos os fatos geradores ocorridos anteriormente ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Dessa forma, considerando que a data de ciência e perfectibilização do lançamento deuse em 19.09.2007, resta por decretar a extinção dos créditos tributários (art. 156, do CTN) por ocorrência do lapso decadencial nos seguintes casos para os créditos tributários lançados que NÃO tiveram a ocorrência de seus fatos geradores declarados pela contribuinte (em GFIP ou outra de mesma função), sendo objeto de constituição/lançamento de ofício, estão extintos por decadência, se aqueles foram de datas anteriores a 01.01.2002, conforme a regra do art. 173,I, CTN. Quanto à alegação de ausência de apresentação de provas na peça vestibular do lançamento, verificase que a NFLD, foi plenamente munida das razões e fundamentos que motivam o lançamento, inclusive de forma especificada. Tudo foi plenamente especificado no Relatório Fiscal conforme dispõe o art. 142, do CTN, c/c art. 33 e 37 da Lei n. 8.212/1991. Questão essa bem demonstrada na decisão recorrida. Quantoo ônus probatório da Administração em trazer elementos probantes e legais que subsidiem a constituição do crédito tributário, antes da publicação do Decreto n. 6104/2007, que uniu o procedimento administrativo de lançamento dos tributos adminstrados pela Secretaria da Receita Federal, o instrumento de lançamento de contribuições previdenciárias estava apenas regulado pelos art. 142, do CTN, c/c art. 33 e 37 da Lei n. 8.212/1991, e o Regulamento da Previdencia Social (Dec. 3048/1999), que definiam apenas que o ato fosse devidamente fundamentado e motivado, com a demonstração dos débitos. Assim, a juntada de documentos com a peça vestibular, não pode ser exigida para o indicado lançamento como nos casos de auto de infração de obrigação principal utilizados naquele mesmo momento.(art. 9º, do Dec. 70.235/172). Entendimento, semelhante ao já declarado em outros julgamentos do CARF/MF: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/09/2010 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE Fl. 160DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15983.000616/200716 Acórdão n.º 2803002.307 S2TE03 Fl. 158 6 INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NFLD CORRELATAS A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores. AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE AUSÊNCIA DE EMISSÃO DE ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES PELA SRF INOCORRÊNCIA DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA INAPLICABILIDADE DA EXIGÊNCIA. O ATO DECLARATÓRIO seria exigido, caso houvesse a desconsideração da opção pelo SIMPLES, devendo, apenas neste caso, ser feita a comunicação a então Secretaria da Receita Federal, para realizar a emissão do Ato Declaratório. No procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a caracterização do vínculo empregatício com empresa que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu a caracterização do vínculo para efeitos previdenciários na empresa notificada, que era a verdadeira empregadora de fato. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. Conforme preceitua o artigo 142 do CTN, artigo 33, caput, da Lei nº 8.212/91 e artigo 8º da Lei nº 10.593/2002, c/c Súmula nº 05 do Segundo Conselho de Contribuintes, compete privativamente à autoridade administrativa Auditor da Receita Federal do Brasil , constatado o descumprimento de obrigações tributárias principais e/ou acessórias, promover o lançamento, mediante NFLD e/ou Auto de Infração. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Em se tratando de Auto de Infração por não ter a empresa a totalidade dos fatos geradores em GFIP, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173, I do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte (Ac. 2401002.601, da 1a Turma Ordinária da 3a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento do CARF/MF, Rel. Cons. Elaine Cristina Monteiro e Silva) Fl. 161DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15983.000616/200716 Acórdão n.º 2803002.307 S2TE03 Fl. 159 7 De qualquer forma, deixou a recorrente de alegar e demonstrar a incorretude dos fundamentos do lançamento, ou documentos que demonstrassem o erro do mesmo. Isso posto, meu voto é para CONHECER O RECURSO VOLUNTÁRIO, CONCEDENDO PARCIAL PROVIMENTO, no sentido de reformar a decisão a quo e o lançamento para decretar e declarar a extinção dos créditos lançados com base em fatos geradores ocorridos anteriormente à 01.01.2002, em razão da ocorrência do lapso decadencial. É o voto. Gustavo Vettorato Relator Fl. 162DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10909.900647/2008-29
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002
RECOLHIMENTOS A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA.
A denúncia espontânea não alcança os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação, que serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% por dia de atraso, observado o limite de 20%.
Numero da decisão: 3803-000.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato
Nome do relator: Relator Belchior Melo de Sousa
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. A denúncia espontânea não alcança os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação, que serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% por dia de atraso, observado o limite de 20%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 90 06 47 /2 00 8- 29 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0715.812, de 17 de abril de 2009, da DRJFlorianópolis/SC, fls. 55 a 58, que indeferiu a solicitação de reforma do despacho decisório que homologou parcialmente as compensações declaradas por insuficiência de crédito, em face da incidência de multa de mora por extinção do débito fora do prazo. Contra a não homologação integral de sua compensação, a Contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade des folhas 08 a 17, na qual discordou do critério de imputação adotado pela DRF/Itajaí/SC. Alegou que a autoridade fiscal partiu da equivocada e ilegal premissa de que, sendo o débito em questão vencido em data anterior e tendo sido efetivada a compensação via DCOMP apenas em período posterior, haveria a incidência de multa mora sobre a compensação. Consignou que, em face do artigo 138 do Código Tributário Nacional CTN, o adimplemento de um valor já vencido, antes da instauração de procedimento de ofício e antes da declaração em DCTF, torna inaplicável a imposição da multa de mora. Juntou jurisprudência e doutrina que estariam a corroborar sua tese. Manifestouse pela ilegalidade ou inconstitucionalidade do que está expressamente previsto no artigo 61 da Lei n.o 9.430/1996, segundo o qual “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.” A DRJFlorianópolis, refutou os argumentos da impugnante assentando que em face de às instâncias administrativas, pelo caráter vinculado de sua atuação, não ser dada a atribuição de apreciar questões relacionadas com a legalidade ou constitucionalidade de qualquer ato legal, descabidas tornamse quaisquer manifestações deste juízo, sobretudo quando se trata de disposição literal de lei regularmente editada. Citou tanto a jurisprudência judicial quanto as reiteradas manifestações do Primeiro Conselho de Contribuintes, traduzidas estas em inúmeros de seus acórdãos; citese, entre estes, o de n.o 10607.303, de 05/06/95, n sentido desta limitação de competência, verbis: CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS Não compete ao Conselho de Contribuintes, como tribunal administrativo que é, e, tampouco ao juízo de primeira instância, o exame da constitucionalidade das leis e normas administrativas. Aduziu, ainda, que não tem efeito sobre a aplicação da penalidade o fato de o valor devido ter sido ou não declarado em DCTF ou a circunstância de o sujeito passivo encontrarse já em procedimento de ofício ou não. Ciente da decisão em 27 de maio de 2009, irresignada apresenta recurso voluntário de fls. 62 a 74, em 26 de junho de 2009, manejando os mesmo argumentos acima relatados trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator Fl. 89DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10909.900647/200829 Acórdão n.º 3803000.679 S3TE03 Fl. 89 3 O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Toda a controvérsia restringese à possibilidade ou não do uso do instituto da denúncia espontânea para o fato presente. A responsabilidade que refere o art. 138 do CTN é relativa a infrações tais como os ilícitos tributáriospenais, dolosos (sonegação, fraude, conluio e outros crimes contra a ordem tributária), e outros ilícitos tributários, não dolosos (nãoprestação de informações obrigatórias às autoridades fazendárias, concernentes à existência do fato gerador, declarações inexatas, etc). Não ao mero inadimplemento de tributo. Dessa distinção resulta a graduação de penalidades, diferenciandose em multa de ofício e multa de mora, esta, mais branda, que visa indenizar o Erário pela demora no recebimento do seu crédito, aquela, punitiva, aplicável às infrações relativas à obrigação tributária principal. A demonstrar o caráter de indenização da multa de mora, o seu percentual é proporcional à quantidade de dias de atraso, até o limite de vinte por cento do valor do tributo, conforme fixados em lei. Se não é atípico que haja possibilidade de previsão de multa de mora nas obrigações contratuais privadas, comumente pactuada, além dos juros, pelo atraso no cumprimento das obrigações, assim também acontece na obrigação tributária, com a diferença de que nesta a multa é estabelecida em lei, face ao caráter ex lege da obrigação tributária. Se um contribuinte declara o tributo e por alguma razão não pode pagálo no prazo, sujeitase à multa de mora. Outro, que sequer declara e espera a inércia do sujeito ativo, ao sobrevir um procedimento fiscal, na espécie, arca com penalidade maior, segundo a previsão legal. É esta última penalidade que é excluída pela denúncia espontânea, quando o contribuinte se antecipa a qualquer procedimento fiscal. A primeira, não. Ora, isto é que é razoável: o contribuinte meramente inadimplente arca com uma multa menor, e aquele que pratica as demais infrações tributárias será punido com uma multa maior, submetendose à multa menor caso promova a autodenúncia. Escorome no escólio de Zelmo Denari, in Infrações Tributárias e Delitos Fiscais, Paulo José da Costa Jr. e Zelmo Denari, 2ª ed., São Paulo, Saraiva, 1996, p. 24, para apreender a distinção entre multa punitiva e multa indenizatória, para, ao fim, entender em que se aplica o instituo da denúncia espontânea: “A nosso ver, as multas de mora – derivadas do inadimplemento puro e simples de obrigação tributária regularmente constituída – são sanções inconfundíveis com as multas por infração. Estas são cominadas pelos agentes administrativos e constituídas pela Administração Pública em decorrência da violação de leis reguladoras da conduta fiscal, ao passo que aquelas são aplicadas em razão da violação do direito subjetivo de crédito. (...) Como é intuitivo, a estrutura formal de cada uma dessas sanções é diferente, pois, enquanto as multas por infração são infligidas com caráter intimidativo, as multas de mora são aplicadas com caráter indenizatório. De uma maneira mais sintética, Kelsen refere que, ao passo que o Direito Penal busca intimidar, o Direito Civil quer ressarcir, (...). Como derradeiro argumento, as multas de mora, enquanto sanções civis, Fl. 90DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN 4 qualificamse como acessórias da obrigação tributária, cujo objeto principal é o pagamento do tributo. Essa acessoriedade, em contraposição à autonomia, as tornam inconfundíveis com as multas punitivas.” A respeito da incidência da multa de mora na denúncia espontânea, cumulativamente com os juros de mora, assim se pronuncia Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, São Paulo, Saraiva, 6ª edição, 1993, p. 348/351, verbis: “Modo de exclusão da responsabilidade por infrações à legislação tributária é a denúncia espontânea do ilícito (...). A confissão do infrator, entretanto, haverá se ser feita antes que tenha início qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com o fato ilícito, sob pena de perder seu teor de espontaneidade (art. 138, parágrafo único). A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância desses requisitos, tem a virtude de evitar a aplicação de multas de natureza punitiva, porém não afasta os juros de mora e a chamada multa de mora, de índole indenizatória e destituída do caráter de punição. Entendemos, outrossim, que as duas medidas juros de mora e multa de mora por não se excluírem mutuamente, podem ser exigidas de modo simultâneo: uma e outra. O art. 138 do CTN, ao determinar que “a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora”, precisa ser interpretado em conjunto com o art. 161 do mesmo Código, que informa: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (negrito acrescentado). Consoante o art. 161, transcrito, seja qual for o motivo determinante do atraso a parcela do crédito tributário não pago no vencimento é acrescida de juros de mora e das penalidades cabíveis. Dentre essas penalidades, que precisam estar estabelecidas em lei, encontrase exatamente a multa de mora. E é cediço que as leis sempre estipularam, ao lado dos juros de mora, também a multa moratória. Assim, é que veio compor o ordenamento jurídico pátrio idêntica previsão, no artigo 61, e parágrafos, da Lei n.o 9.430/1996, verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” Fl. 91DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10909.900647/200829 Acórdão n.º 3803000.679 S3TE03 Fl. 90 5 Com o respeito que é devido à Corte Superior de Justiça, divirjo do seu entendimento e penso ser indiferente, para afastar ou não a denúncia espontânea, o fato de o contribuinte apresentar ou não a DCTF. Considerar este evento o ponto de corte entre ambos os efeitos só é possível se se desconsiderar a mecânica de apresentação desta obrigação acessória. Para o período que cobre a apuração dos débitos deste processo, julho e agosto/2003, a obrigação de apresentar a DCTF era trimestral, e a partir do anocalendário 2005, semestral, salvo a exceção prevista, de apresentação mensal. Não há razoabilidade, cogito, em considerar que dois contribuintes que recolheram tributos com um ou dois meses de atraso, um esteja coberto pela denúncia espontânea pelo fato de descumprir a obrigação acessória de apresentar a DCTF, destaquese, três ou seis meses depois do fato gerador, e após o pagamento atrasado, e o outro não esteja, pelo fato de têla cumprido. Segundo este critério, quem errou mais será mais beneficiado do que quem errou menos. De imaginarse, ainda, que seguro da cobertura do dito instituto, o primeiro contribuinte pode executar um atraso deliberado de seus recolhimentos, enquanto o segundo, que pode têlos executado por dificuldade financeira, submeterse a um ônus maior com o pagamento da multa, sendo correto no cumprimento de sua obrigação acessória. Por isso, não vejo nenhuma razão para a dicotomia. Depreendo que o efeito deste lapso de tempo entre o pagamento atrasado e a posterior apresentação da DCTF pode não ter sido sintonizado pela E. Corte Superior. Destaquese uma vez mais, ante a mecânica descrita acima, que a lei conferiu ao contribuinte a prerrogativa de substituir o Poder Público no procedimento de apurar o próprio quantum debeatur e recolhêlo “sem prévio exame da autoridade administrativa”, mantida a (prerrogativa) da Fazenda de, “tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa” dentro do prazo “de cinco anos a contar do fato gerador.”. Ademais, no caso concreto, como remate de todos os argumentos expendidos, na data da transmissão da DComp, 08/10/2004, ela tinha o mesmo efeito de confissão de dívida da DCTF, consoante o art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 10.833/2003. Art. 17. O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. [...]. § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Em conseqüência, os débitos por ela compensados podem ser objeto de remessa à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de inscrição na Dívida Ativa, tal como o que ocorre com os confessados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Noutra palavra, isto significa que cai por terra o argumento da recorrente de que efetuou a extinção do débito, por meio da compensação, antes de ser declarado/constituído, pois a própria declaração de compensação foi o meio dessa constituição. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso Fl. 92DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN 6 Sala das sessões, 24 de agosto de 2010 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 93DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10620.001027/2007-51
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3302-000.076
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Bruno Fajersztajn, OAB/SP 206899.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Bruno Fajersztajn, OAB/SP 206899. Walber José da Silva Presidente Fabiola Cassiano Keramidas – Relatora EDITADO EM: 15/02/2011 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas (Relatora), Alan Fialho Gandra e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 298/304) lavrado para fim de constituir valor referente a PIS – Programa de Integração Social, resultante de diferenças entre o valor declarado e escriturado, devidamente acrescidas de juros de mora e multa de ofício. Todos os valores foram apurados de forma individualizada e estão indicados no Termo de Verificação Fiscal – TVF, às fls. 480/501. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 06/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS 2 Inconformado com o auto lavrado, a Recorrente apresentou recurso de impugnação às fls. 286/297, por meio do qual alegou, em síntese, explicações específicas para cada pendência contábil indicada pela fiscalização. Em seu arrazoado verificase que os valores não seriam indevidos porque quitados, na forma de compensação ou de recolhimento. Em relação às compensações, esclarece a Recorrente que os créditos decorreram do sistema não cumulativo do PIS, de estornos e retenções. Alega ainda a Recorrente que, realmente, as informações em DCTF não se coadunam com os fatos ocorridos, mas que este seria erro menor e escusável que não justifica a autuação do principal, até porque as compensações foram informadas em DACON. Registra ainda a Recorrente que a fiscalização não aceitou os esclarecimentos prestados às fls. 193/208 e fls. 221/235, por entender que o aproveitamento dos créditos decorrentes de estorno e retenções deveria ter sido realizado por intermédio de pedidos de restituição/compensação (PERD/DCOMP’s – Lei 9430/96, artigo 74 e IN SRF 598, artigo 2º), com esta alegação finaliza que a fiscalização não questionou a efetividade dos créditos quanto à natureza e valor. Defende a regularidade de seu procedimento, que consiste: (i) na apuração do valor do crédito pelo DACON, (ii) conseqüente lançamento destes créditos decorrentes do regime nãocumulativo e das retenções na fonte naquele documento; posteriomente (iii) na declaração dos valores apurados como devidos em sua DCTF e (iv) na quitação dos valores. Ressalta que o Agente Fiscal não analisou as DACON’s que lhe foram disponibilizadas e que justamente em virtude deste fato é que encontrou subsídios para lavrar o auto de infração, pois as DACON’s sanariam qualquer dúvida a respeito das questões suscitadas. Após analisar as razões trazidas pela Recorrente, a Primeira Turma da Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte proferiu o acórdão nº 0217.294, fls. 541/555, por meio do qual acatou as alegações postas, cancelando o auto de infração, a saber: “IMPROCEDÊNCIA. Comprovado nos autos a inexistência de PIS devido, no período considerado pela autuação, cancelase o lançamento. Lançamento Improcedente.” Em virtude do valor exonerado os autos foram encaminhados a este Egrégio Conselho para fim de julgamento do Recurso de Ofício interposto com base no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Fabiola Cassiano Keramidas O Recurso de Ofício atende os requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Assim como se verifica do texto da decisão de primeira instância administrativa, a conclusão de cancelamento do auto de infração teve origem na constatação de que “os valores lançados correspondem basicamente às diferenças encontradas entre o saldo da conta contábil ‘PIS a pagar’ e o valor declarado em DCTF”. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 06/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS Processo nº 10620.001027/200751 Resolução n.º 330200.076 S3C3T2 Fl. 563 3 Esclarece ainda a decisão recorrida: “Em alguns períodos de apuração o contribuinte pagou valores maiores que os declarados. Em outros compensou com créditos ou estornou lançamentos equivocados.” Entenderam as autoridades julgadoras de primeira instância administrativa, que “os equívocos de preenchimento de DCTF não podem justificar o lançamento de tributos que se encontram extintos pelo pagamento, pela compensação ou por qualquer outra forma. A simples divergência entre os registros contábeis e os valores declarados não dá origem à obrigação tributária, quando crédito tributário encontrase extinto, pois, nesses casos, a realidade fática não se subsume à hipótese legal.” Logo, é de se admitir que a principal razão que justificou o cancelamento deste auto de infração é a existência de crédito tributário. E é exatamente neste ponto que a matéria deve ser observada com cuidado. O primeiro questionamento a ser feito é: quem validou o crédito que foi contabilizado pela Recorrente? A compensação foi contábil. A consolidação do valor do crédito, assim como a indicação nos livros contábeis foi realizado pela Recorrente. Assim, fora a Recorrente, que apurou os valores e procedeu à compensação contábil, qual autoridade administrativa confirmou a existência do quantum compensado? Após o cômputo dos autos, constatei que não houve análise/avaliação dos cálculos por pessoa diversa ao próprio contribuinte. A maioria dos créditos que foram compensados, são extemporâneos e decorrem da sistemática não cumulativa do PIS. Este fato, por si só, é suficiente para questionar a origem/existência do crédito indicado pela Recorrente. É que o sistema não cumulativo é recente e os conceitos de “insumo” que geram créditos para esta legislação específica ainda estão em discussão, tanto no âmbito administrativo, quanto judicial. Não se trata de matéria pacífica. Em razão desta situação peculiar, pareceme imprescindível para o bom julgamento da questão, a conversão do presente julgamento em diligência para que as autoridades administrativas analisem a efetiva existência do crédito tributário alegado, ou mesmo se concordam com o entendimento do contribuinte acerca do que são créditos para o sistema não cumulativo. Neste aspecto, a simples manutenção da decisão de primeira instância administrativa acabaria por homologar, ainda que tacitamente e por via reflexa, o entendimento da Recorrente sobre o conceito de insumos e produtos que geram créditos na sistemática não cumulativa. Ante o exposto, converto este julgamento em diligência, determinando à autoridade administrativa competente que: a) Intime a Recorrente a apresentar, no prazo de 30 dias, a formação dos créditos utilizados para compensar os valores autuados, refletidos nos fatos geradores incorridos em maio/2004; janeiro/2005; outubro/2005; junho/2006; novembro/2006 e dezembro/2006. b) Esclareça à Recorrente que, os créditos decorrentes da sistemática não cumulativa do PIS, deverão ter sua origem comprovada ou seja, deverá ser esclarecido qual foi o insumo/produto/bem que gerou o crédito, qual a finalidade deste insumo/produto/bem no sistema produtivo da empresa, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 06/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS 4 quando ocorreu o custo com este insumo/produto/crédito e todos os outros aspectos que justifiquem a existência do crédito. c) Após, analise as informações apresentadas para averiguar se o crédito apontado pela Recorrente em seus livros fiscais realmente existem, ou seja, se quando do seu aproveitamento eram válidos (ou encontravamse prescritos), se são considerados créditos para o sistema não cumulativo, etc. d) elabore relatório especificado por fato gerador, fundamentado inclusive documentalmente, com indicação precisa dos documentos e conclusão de existência ou não do crédito tributário, do porquê da existência ou inexistência do crédito, para que este Colegiado compreenda a origem dos valores contabilizados como crédito. e) Intime novamente a Recorrente acerca da conclusão da fiscalização, sendolhe concedido o prazo de 30 dias para se manifestar. f) Após, encaminhe os autos a este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento. É como voto. Fabiola Cassiano Keramidas Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 06/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS
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Numero do processo: 10820.000462/2001-16
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA - IRPF
Período de apuração: 1995
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. RENDIMENTOS OMITIDOS.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso do IRPF, comprovado o pagamento parcial do imposto, afasta-se a controvérsia sobre a rega decadencial aplicável.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.716
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior.
Nome do relator: Julio Cesar Vieira Gomes
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA - IRPF Período de apuração: 1995 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. RENDIMENTOS OMITIDOS. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso do IRPF, comprovado o pagamento parcial do imposto, afasta-se a controvérsia sobre a rega decadencial aplicável. Recurso especial negado.
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TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. RENDIMENTOS OMITIDOS. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso do IRPF, comprovado o pagamento parcial do imposto, afasta-se a controvérsia sobre a rega decadcncial aplicável. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiad , por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conse heiro Francis Assis de Oliveira Júnior. CARLOS ALBER REITAS TO- Presidente , t.,„ESAR IVIEIR[1:0:ES — Relator EDITADO EM: 2 AI M A I 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial por contrariedade, interposto pela Fazenda Nacional, contra Acórdão no qual se decidiu por dar provimento ao recurso voluntário, adotando-se a regra do artigo 150, §4° do Código Tributário Nacional — CTN mesmo quando comprovado nos autos a falta de pagamento parcial. Indicados como contrariados os artigos 173, I, do CTN e 3° da LC n°118/2005. Eis a ementa do acórdão recorrido. DECADÊNCIA - Sendo a tributação das pessoas fisicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro (art. 150, § 40; do C2TN). ACRÉSCIMO PATRIMONIAL Á DESCOBERTO - A partir de 1989, apura-se mensalmente o acréscimo patrimonial não justificado por rendimentos tributados, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, à disposição do contribuinte dentro do período. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - CRITÉRIO DE APURAÇÃO - RATEIO MENSAL - O arbitramento dos rendimentos mensais, com a utilização de sistemática de distribuição, por rateio, pela qual os valores constantes da declaração de ajuste anual do contribuinte são distribuídos eqüitativamente pelos doze meses do ano, constitui presunção dos recursos a I e2r 4in fusirs;" citz-d -por 0,4 serem considerados em cada mês no cálculo do acréscimo patrimonial, quando o contribuinte, é regulamente intimado, não informa os valores mensais (RIR199, art. 845, incisos I e II). ••• n Seguem trechos do relatório fiscal e voto do acórdão reconido: A fiscalização não aceitou como origem os valores de RS 10.000,00 e R$ 15.000,00 que teriam sido recebidos por empréstimos tomados junto aos Srs. Marcos Tadeu da Costa e - Antonio Rodrigues por entender que "a simples anotação na declaração de bens dos financiadores não se constituem em documentos hábeis à comprovação de tais empréstimos. O efetivo recebimento, na forma solicitada na intimação, nem foi cogitado na informação" (fls. 11). Também Pão foi aceito como origem o contrato de venda das cotas da empresa Rio-Análise 2 Processo Tf 10820.000462/2001-16 CSRF-T2 Acórdão n4 9202-00316 A. 2 Birigui S/C Lida, pela falta de manifestação do contribuinte, razão pela qual não foi possível verificar o valor da transação (fls. II, idem). Intimado em 04.04.2001, por AR ((Is. 207), o Contribuinte apresentou impugnação em 04.05.2001 (Jls. 209/217), cujos principais argumentos estão fielmente sintetizados no relatório do acórdão de primeira instância --- Desse modo, preliminarmente, reconheço os efeitos da decadência tributária para o ano-calendário de 1395. E do recurso especial: Insurge-se a Fazenda Nacional contra o r. acórdão proferido pela e. Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência do IRPF dos fatos geradores ocorridos no ano-calendário de • 1995, no presente caso. Após despacho pelo seguimento, o interessado não apresentou contra-razões. É o Relatório. //. Voto ,r(IF Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator A controvérsia se instaurou em face de entendimentos divergentes quanto á regra deeadencial aplicável para os tributos sujeitos a lançamento por homologação quando o sujeito passivo sequer realizou pagamento parcial. Seria a regra do artigo 150, §4° do Código Tributário Nacional — CTN ou do artigo 173, I? Acrescenta-se, ainda, que a tal divergência se acrescenta outra: tratando-se de imposto lançado por homologação com fatos geradores complexivos e havendo pagamento parcial, o termo inicial para decadência deve ser considerado mensalmente ou em 31/12 do ano-calendário? Esta última matéria já foi sumulada pelo Conselho Pleno e, portanto, dela não conheço: Súmula CARF n° 38: - -- O fato gerador sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Prosseguindo, as regras de decadência e lançamento por homologação do CTN são essas: 3 Art. 150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § I° - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2° Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3' Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4° - Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O que se passará a demonstrar nos próximos parágrafos é que a expressão "homologação do lançamento", de fato empregada nos parágrafos I° e 4° do artigo 150, não deve ser tomada literalmente, como se a autoridade pública estivesse homologando um lançamento cuja competência houvera sido transferida para o sujeito passivo. O que se homologa é o pagamento antecipado, daí a denominação de lançamento por homologação. Para o entendimento divergente, homologa-se a atividade do sujeito passivo. Que atividade é essa? Talvez sejam as declarações ou mesmo as planilhas e memoriais de cálculo do sujeito passivo para apuração do tributo; o que se mostra desprovido de razões jurídicas, independentemente de seu valor prático. Irrelevante é o método empregado para cálculo. Caso o valor apurado pelo sujeito passivo esteja correto, o pagamento será . homologado; caso contrário, não. Será aplicado o parágrafo 3° do mesmo artigo. É o que se extrai do parágrafo 2°, que está sendo flagrantemente contrariado: Art. 150 (..) §2° Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3° Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o \- caso, na imposição de penalidade, ou-sua graduação. As modalidades de lançamento foram explicadas na Seção II do Capítulo II do Título TII, Livro II do CTN — "por homologação" é uma de suas modalidades — LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO e não HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. Quando o CTN emprega essa expressão, o que de fato queria dizer é HOMOLOGAÇÃO DO PAGAMENTO. Essa modalidade foi instituída justamente para que a arrecadação do tributo devido não dependa de algum procedimento da fiscalização; caso contrário, o órgão anecadador necessitaria de um aparelhamento gigantesco para apuração do que fosse devido 4 Processo n° 10820.000462/2001-16 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.716 Fl. 3 por cada contribuinte do tributo. O principal para o lançamento por homologação é o pagamento e não o cálculo do valor devido. Os critérios empregados pelo sujeito passivo podem ser equivocados, mas, desde que resulte no pagamento que satisfaça a obrigação, ocorrerá a homologação. Por exemplo, uma alíquota de 12% sobre uma base de R$ 100.000,00 resulta os mesmos R$ 12.000,00 que uma aliquota de 10% sobre uma base de R$ 120.000,00. Tendo sido recolhidos, homologa-se ou não? Contraditoriamente, no referido voto há considerações doutrinárias que se alinham com o que se aqui defende - não se homologa lançamento: A maioria mestres do Direito Tributário faz a mesma interpretação do artigo 150 do CTN, aqui exposta, entre eles o renomado professor Dr. JOSE SOUTO MAIOR BORGES, em sua obra Tratado de Direito Tributário Brasileiro — Lançamento Tributário, vol. 4. Rio de Janeiro: Forense, 1981 p. 432, verbis: ".... o que se homologa não é um prévio ato de lançamento, mas a atividade do sujeito passivo adentrado no procedimento de lançamento por homologação, não é de lançamento, mas pura e simplesmente a "atividade" do sujeito, tendente à satisfação do crédito tributário." Como se sabe, o lançamento é o ato administrativo de constituição do crédito tributário. É o que traz o CTN: Constituição de Crédito Tributário SEÇÃO I Lançamento Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabiveL Vê-se também que somente a autoridade administrativa pode praticá-lo. E não poderia ser de outra forma, lançamento é uma espécie de ato administrativo. É de efeito jurídico constitutivo de uma direito do Estado, como titular que é da competência tributária. Qualquer que seja o autor escolhido, o conceito de ato administrativo guarda semelhança com esse, de autoria do Professor Diogo de Figueiredo Moreira Neto': Ato administrativo é, assim, a manifestação unilateral de vontade da administração pública, que tem por objeto constituir, declarar, confirmar, alterar ou desconstituir uma relação jurídica, entre ela e os administrados ou entre seus próprios entes, órgãos e agentes. MOREIRA NETO, Diogo de Figueiredo: Curso de Direito Administrativo — Parte Introdutória, Parte Geral e Parte Especial. Rio de Janeiro: Editora Forense, 2005, página 136. 5 Por tudo e pela atual jurisprudência pacificada no Superior- Tribunal de Justiça, inclusive atribuindo-a efeitos vinculantes a todos os tribunais do país, deve ser aplicada a rega no artigo 173, I do CTN sempre quando não houver pagamento antecipado do tributo sujeito ao lançamento por homologação. No presente caso não houve pagamento de imposto em relação aos acréscimos patrimoniais a descoberto, omissão de rendimentos; temos que houve pagamento parcial; portanto, deve ser aplicada a regra no artigo 150, § LI° do CTN. Como no caso do IRPF se atribui a uma única data, o dia 31/12 do ano-calendário, a ocorrência do fato gerador, a contagem se inicia em 01/01 do exercício de declaração. Sendo a ciência do lançamento em 04/04/2001 e o ano-calendário 1995, houve decadência. PortantoA vorpor negar provimento ao recurso especial. LÍ \I• r .in.. Julio C i \é • Gomes - Relator \ 6
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Numero do processo: 11050.001569/2004-55
Data da sessão: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 03/04/2003
NITRATO DE SÓDIO POTÁSSICO. ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. MULTA.
Comprovada a classificação fiscal errônea da mercadoria importada, correta a aplicação da multa prevista no art. 84, I da MP n.° 2.158/2001.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-000.050
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO • ,,...:.4 ' a- •;. 9c. Processo n° 11050.001569/2004-55 Recurso n° 139.429 Voluntário Acórdão n° 3102-00,050 — ia Câmara / 2a Turma Ordinária Sessão de 26 de março de 2009 Matéria Multa Diversa Recorrente SOUZA CRUZ S.A. Recorrida DRJ - FLORIANÓPOLIS/SC ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 03/04/2003 NITRATO DE SÓDIO POTÁSSICO. ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. MULTA. Comprovada a classificação fiscal errônea da mercadoria importada, correta a aplicação da multa prevista no art. 84, I da MT' n.° 2.158/2001. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. •4 ....._ ' RttA:tHEVNA h'.1 • 'O DAMOR1M - Presidente #.LUCIANO LOPES D: • Á: IDA MORAE — Relator EDITADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes (Relator), Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. i Processo n° 11050.00156942004-55 53-C IT2 Acórdão n.° 3102-00.050 Fl. 55 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata-se de exigência da multa de 1% do valor aduaneiro em face da errônea classificação fiscal no código NCM 3105.90.1 ida mercadoria descrita pelo importador como sendo nitrato sádico potássico natura. Referido enquadramento tarifário abriga os tais nitratos quando os teores de nitrogênio e de óxido de potássio presentes na formulação correspondem a, no máximo, 15% do total, em peso, da amostra analisada. No caso, tendo sido identificados teores de 15,5% e de 16,5%, respectivamente para as substâncias de que se trata, a fiscalização promoveu a reclassificação do produto para o código NCM 3105.90.19, que compreende outros nitratos de sódio potássico. Em impugnação tempestiva, a autuada protesta contra a imposição da penalidade aplicada, tendo em vista que a reclassificação tarifária proposta, em nível de subitem, não modificou o tratamento tarifário da mercadoria, ou seja, manteve-a sujeita à aliquota zero para o imposto de importação e à não tributação para o imposto sobre produtos industrializados; tendo em vista que importações da mesma mercadoria promovida por outras empresas, conquanto tivessem sido processadas com base no mesmo código tarifário por ela indicado, não foram objeto de exação; tendo em vista os diferentes resultados apresentados no laudo que fundamenta a autuação e no laudo produzido pela SGS do Brasil e tendo em vista o excessivo rigor da fiscalização frente a mero erro cometido em função das próprias declarações do exportador, inclusive na certificação da origem da mercadoria. Com base nesse argumento, sustenta que a aplicação da multa ora contestada deve observar os limites das disposições constantes do artigo 112, II, do CIN, que determinam a interpretação mais favorável ao acusado da lei que define infrações, em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/FNS n° 9.432, de 02 de março de 2007, fls. 33/35: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 03/04/2003 NITRATO DE SÓDIO POTÁ SSICO. ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. MULTA. 2 Processo n° 11050.001569/2004-55 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.050 Fl. 56 Classifica-se no código NCM 3105.90.19 nitrato de sódio potássico com teores de nitrogênio e de óxido de potássio superiores a 1510do total, em peso, da amostra analisada. Incabível na esfera administrativa a apreciação de argumentos expendidos contra disposições de lei. Sendo assim, confirma-se a aplicabilidade, na espécie, da multa por errônea classificação fiscal de Mercadorias. Lançamento Procedente. Às fls. 38 o contribuinte foi intimado da decisão supra, motivo pelo qual apresenta Recurso Voluntário de fls. 40/48, tendo sido dado, então, seguimento ao mesmo. É o Relatório. 3 Processo n° 11050.001569/2004-55 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.050 Fl. 57 Voto Conselheiro LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Discute-se nos autos a multa aplicada de 1% sobre o valor aduaneiro em face da importação de produto, nitrato sódico potássico natura, previsto na MP n.° 2.158/2001. Na impugnação, a recorrente não se insurge quanto à classificação fiscal adotada, discorre apenas pelo fato de que a multa aplicada de 1% não pode ser mantida, sob alegação de que não houve pagamento a menor do tributo. A DRJ, ao analisar a defesa, negou provimento, alegando que a perícia realizada, tanto pela fiscalização quanto pelo contribuinte, demonstram a incorreção da classificação fiscal adotada, já que o percentual de potássio é superior a 15%. No recurso apresentado, a recorrente reitera seus argumentos da impugnação. Com a devida vênia, entendo que a irresginação da recorrente não merece guarida. A classificação fiscal adotada pela recorrente efetivamente foi equivocada, já que o percentual de potássio verificado em ambos os laudos produzidos demonstram que o valor era superior a 15%. A NCM do referido produto é clara: 31.05 Adubos (fertilizantes) minerais ou químicos, contendo dois ou três dos seguintes elementos fertilizantes: nitrogênio, fósforo e potássio; outros adubos (fertilizantes); produtos do presente Capítulo apresentados em tabletes ou formas semelhantes, ou ainda em embalagens com peso bruto não superior a 10kg. (.) 3105.90 -Outros 3105.90.1 Nitrato de sódio potássico 3105.90.11 Com teor de nitrogênio não superior a 15%, em peso, e de óxido de potássio (K20) não superior a 15%, em peso 3105.90.19 Outros 3105.90.90 Outros Comprovada a classificação fiscal incorreta, correta a multa aplicada, conforme previsão constante da MP n.° 2.158/2001: 4 Processo n° 11050.001569/2004-55 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.050 Fl. 58 Art.84.Aplica-se a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I-classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou (..) Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argumentos. ., ... LUCIANO LOPES i) ) a L EIDA MORAE .i, • 1 1 , , , 5
score : 1.0
Numero do processo: 13805.007623/97-50
Data da sessão: Thu Aug 05 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1993, 1994, 1995, 1996
CSLL. ERRO NA APURAÇÃO DO TRIBUTO. A exigência da CSLL constituída sobre a base de cálculo sem que se tenha aplicado a correspondente alíquota deve ser exonerada no que exceder ao valor apurado após a incidência do correto percentual.
MULTA. A superveniência de norma relativa a aplicação de penalidade que afastou a exigência de multa de ofício nos casos em que ao contribuinte é possuidor de liminar em medida cautelar deve ser aplicada aos procedimentos fiscais que lhes são anteriores, em conformidade com o Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1401-000.311
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício.
Assinado digitalmente
Viviane Vidal Wagner - Presidente.
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros Viviane Vidal Wagner (Presidente), Karem Jureidini Dias, Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Antônio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Relator Maurício Pereira Faro
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1993, 1994, 1995, 1996 CSLL. ERRO NA APURAÇÃO DO TRIBUTO. A exigência da CSLL constituída sobre a base de cálculo sem que se tenha aplicado a correspondente alíquota deve ser exonerada no que exceder ao valor apurado após a incidência do correto percentual. MULTA. A superveniência de norma relativa a aplicação de penalidade que afastou a exigência de multa de ofício nos casos em que ao contribuinte é possuidor de liminar em medida cautelar deve ser aplicada aos procedimentos fiscais que lhes são anteriores, em conformidade com o Código Tributário Nacional.
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MINEIRAÇÃO COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1993, 1994, 1995, 1996 CSLL. ERRO NA APURAÇÃO DO TRIBUTO. A exigência da CSLL constituída sobre a base de cálculo sem que se tenha aplicado a correspondente alíquota deve ser exonerada no que exceder ao valor apurado após a incidência do correto percentual. MULTA. A superveniência de norma relativa a aplicação de penalidade que afastou a exigência de multa de ofício nos casos em que ao contribuinte é possuidor de liminar em medida cautelar deve ser aplicada aos procedimentos fiscais que lhes são anteriores, em conformidade com o Código Tributário Nacional. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício. Assinado digitalmente Viviane Vidal Wagner Presidente. Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Viviane Vidal Wagner (Presidente), Karem Jureidini Dias, Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Antônio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 76 23 /9 7- 50 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 12/08/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13805.007623/9750 Acórdão n.º 1401000.311 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de de recurso de ofício interposto contra decisao que julgou procedente em parte o auto de infraçao. Por bem resumir a questão aqui posta eu adoto o relatório da primeira instância: Em decorrência de ação fiscal direta, a empresa denominada Marsam Metais S.A. Mineração Comércio e Exportação (MARSAN), qualificada nos autos, foi autuada e intimada a impugnar ou recolher crédito tributário relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL devido quanto aos meses de janeiro, maio e de julho a dezembro de 1993; janeiro, fevereiro, de abril a junho e dezembro de 1994 e anos calendários de 1995 e 1996. A exigência vem consubstanciada no auto de infração de fls. 01/03, totalizando R$ 1.338.266,82, incluindose nesse valor multa de ofício e juros moratórios computados até 31/07/1997. O auto de infração descreve os fatos conforme transcrição a seguir: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. GLOSAS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DA CONTRIBUIÇÃO. O detalhamento se encontra no Termo de Verificação que integra este Auto de Infração. O Termo de Verificação a que faz menção o auto de infração foi juntado às fls. 158/159 e, em resumo, diz o seguinte: Em procedimento de diligência junto à interessada, a fiscalização apurou que a MARSAM havia ingressado com Medida Cautelar acompanhada de pedido de liminar em processo que tramita na 12ª Vara Federal sob o número 94.0006934; O objeto do processo, cuja liminar foi concedida, é a apuração da diferença da correção monetária entre IPC e IRVF no balanço de 1990 e seu abatimento da base de cálculo do IRPJ e CSLL do anocalendário de 1993; A União, através da Procuradoria da Fazenda Nacional, interpôs agravo de instrumento requerendo efeito suspensivo na liminar, contudo, até a lavratura do auto de infração não se teve conhecimento de qualquer decisão que modificasse o curso do processo, razão pela qual procedeuse ao lançamento com exigibilidade suspensa; Verificada, através da análise das declarações de rendimentos e Parte B do LALUR, a aplicação pelo contribuinte da norma contida no artigo 3º da Lei nº 8.200/1991, alterada pelo artigo 11 da Lei n° 8.682/1993, que diz respeito aos efeitos da diferença IPC/BTNF, contatouse que a MARSAM efetuou exclusões da base de cálculo da CSLL. Como o procedimento Fl. 366DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 12/08/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13805.007623/9750 Acórdão n.º 1401000.311 S1C4T1 Fl. 4 3 contraria a norma, as exclusões foram desconsideradas para efeitos de apuração da CSLL conforme se demonstra à fl. 159. Diante dos fatos, em 11/08/1997, a fiscalização lavrou o auto de infração com o seguinte embasamento legal: artigo 2° e seus parágrafos da Lei n° 7.689/1989, artigos 38 e 39 da Lei n° 8.541/1992, artigo 57 da Lei n° 8.981/1995 e artigos 19 e 20 da Lei n° 9.249/1995. Tendo tomado ciência da autuação, a interessada, 01/09/1997, apresentou impugnação nos termos do documento acostado às fls. 102/111, no qual, em resumo, afirma o seguinte: A fiscalização verificou que a MARSAM aproveitou, antecipadamente, os efeitos da Lei nº 8.200/1991, correspondente à diferença IPC/BTNF na apuração da base de cálculo da CSLL, uma vez que a empresa não teria observado o disposto no artigo 3º da menciona lei. Ocorre que, como constatou o próprio autuante, a interessada possuía liminar em cautelar que respaldava o modo como procedeu à apuração da base de cálculo da contribuição, razão pela qual não caberia qualquer ato constritivo contra a empresa, devendo ser cancelado o procedimento administrativo; Não caberia aplicação de multa pois não ocorreu mora, uma vez que o retardamento no pagamento é justificado pela ação judicial; O mesmo raciocínio aplicável à multa cabe, por igual, aos juros, que também não são devidos; O artigo 63 da Lei nº 9.430/1996 permite a lavratura do auto de infração nos casos em que o contribuinte possua ação judicial anterior ao procedimento de ofício, mas sem exigência da multa de mora; Nas questões de direito, a autuada alega que o artigo 3º da Lei nº 8.200/1991 criou verdadeiro empréstimo compulsório sem que se tivesse observado os requisitos para tal, sendo portanto, inconstitucional a limitação temporal para a dedução da diferença IPC/BTNF. Os tribunais do país têm autorizado a antecipação dos efeitos da mencionada lei. Assim sendo, pede o cancelamento do auto de infração. Em 28/06/2002, a interessada fez anexar aos autos do processo administrativo manifestação (fls. 133/134) na qual traz novas alegações a respeito da autuação. Afirma que ao apurar o tributo, a fiscalização considerou a base de cálculo como se tributo fosse, ou seja, deixou de aplicar a alíquota da CSLL. Desta forma, a exigência estaria majorada indevidamente conforme demonstrativo de fls.136/137. Além desse fato, teria utilizado valores incorretos das UFIR de agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 1993. Em agosto de 2002, novamente a defesa protocolizou documentos (fls. 176/209) segundo os quais a empresa MARSAM Fl. 367DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 12/08/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13805.007623/9750 Acórdão n.º 1401000.311 S1C4T1 Fl. 5 4 teria desistido da ação judicial que movia contra a União, relativamente à discutida diferença IPC/BTNF, a fim de aproveitar o benefício previsto no artigo 11 da Medida Provisória nº 38/2002. Analisando a questão, entendeu o órgão julgador a quo por julgar procedente em parte o auto de infração, nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1993, 1994, 1995, 1996 Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL Liminar concedida em ação cautelar Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. CSLL. ERRO NA APURAÇÃO DO TRIBUTO. A exigência da CSLL constituída sobre a base de cálculo sem que se tenha aplicado a correspondente alíquota deve ser exonerada no que exceder ao valor apurado após a incidência do correto percentual. MULTA. A superveniência de norma relativa a aplicação de penalidade que afastou a exigência de multa de ofício nos casos em que ao contribuinte é possuidor de liminar em medida cautelar deve ser aplicada aos procedimentos fiscais que lhes são anteriores, em conformidade com o Código Tributário Nacional. Em razão do valor exonerado, recorreu de ofício o órgão julgador a quo. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Maurício Pereira Faro Conforme se verifica do relatório, a questão ora em análise limitase ao recurso de ofício interposto em razão da exoneração parcial da CSLL em razão do erro material reconhecido, bem como do afastamento da multa de oficio. DOS ERROS MATERIAIS NA APURAÇÃO DA CSLL A Recorrida manifestouse no sentido de que a fiscalização teria apurado de forma incorreta o crédito tributário, pois utilizou, como se tributo fosse, o valor da base de Fl. 368DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 12/08/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13805.007623/9750 Acórdão n.º 1401000.311 S1C4T1 Fl. 6 5 cálculo, conforme se pode verificar no confronto entre os documentos acostados às fls. 47, 51, 53, 54, 55, 56, 57, 58, 97, 98, 100, 101, 102, 108, 124, 156 e 159. Embora se possa afirmar que a manifestação da defesa não poderia ser conhecida por estar intempestiva, a ocorrência de erro na apuração de crédito tributário deveria ser conhecida pelo julgador mesmo na ausência de qualquer alegação da defesa, pois se trata de erro material que uma vez não corrigido levaria à exigência de tributo não devido, o que corresponde a verdadeira ilegalidade. Diante do exposto, foi recalculado, ex officio, o valor do crédito devido a título de CSLL, constatandose que os valores corretos da exigência devem ser aqueles demonstratos na planilha anexa a este voto, sendo seu montante de R$ 55.573,64. No que tange à multa de ofício, verificase que o procedimento da fiscalização foi correto, ou seja, não havia, à época do lançamento, previsão legal no sentido de se eximir o contribuinte da multa de ofício quando a exigência do tributo estivesse obstada por medida liminar concedida em ação cautelar. O disposto no caput do artigo 63 e parágrafo 1º da Lei nº 9.430/1996 somente beneficiava os contribuinte que tivessem liminar em mandado de segurança (inciso IV do art. 151 do CTN, antes da modificação introduzida pela Lei Complementar nº 104/2001). Somente com a inclusão do inciso V no artigo 151 do CTN, que se operou através da Lei Complementar nº 104/2001, é que passou a ser possível a lei ordinária prever a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos casos em que o contribuinte obtém liminar em ação cautelar. Desta forma, com a edição da Medida Provisória n° 2.158/2001, alterouse o caput do art. 63 da Lei nº 9.430/1996, que passou a prever a possibilidade de suspensão do crédito tributário através de medida liminar concedida em ação cautelar. Contudo, a autuação é anterior à Medida Provisória, o que implicaria em afirmar que os atos passados não poderiam ser regidos por norma editada posteriormente, entretanto, a matéria versa sobre aplicação de penalidade e nesses casos o CTN, no seu art. 106, inciso II, alínea “c”, previu expressamente a retroatividade da norma que beneficia o contribuinte. “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ...c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Com efeito, notese que o contribuinte se enquadra na hipótese prevista no artigo 63, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/1996 com a redação dada pelo art. 70 da Medida Provisória nº 2.158/2001 combinado com a alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do Código Tributário Nacional. Assim, a multa só seria exigida naqueles casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tivesse ocorrido depois do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Como a liminar foi deferida no dia 24/01/1994 (fl. 13) e o procedimento fiscal teve início em 21/08/1996, incorreta a imposição da multa. Ante o exposto, nego provimento ao recurso de ofício. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 12/08/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13805.007623/9750 Acórdão n.º 1401000.311 S1C4T1 Fl. 7 6 Relator Maurício Pereira Faro Relator Fl. 370DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 12/08/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO
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