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4628405 #
Numero do processo: 13851.001951/2002-05
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 203-00.887
Decisão: RESOLVEM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA

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Numero do processo: 15588.720862/2021-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2017, 2018 BASE DE CÁLCULO. VALORES DECLARADOS EM GFIP. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O salário de contribuição é o previsto normativamente estando deste excluídos aquelas rubricas expressamente previstas. BASE DE CÁLCULO. VALORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, cabendo ao contribuinte produzir as provas necessárias para justificar suas alegações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI N. 14.689/2023. REDUÇÃO DE 150% PARA 100%. Cabível a imposição da multa qualificada, prevista no artigo 44, inciso I, §1º, da Lei nº 9.430/1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra na hipótese tipificada nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Na hipótese de existência de processo pendente de julgamento, seja administrativa ou judicialmente, tendo como origem auto de infração ora lavrado com base na regra geral de qualificação, a nova regra mais benéfica (art. 8º da Lei 14.689/2023) deve ser aplicada retroativamente, nos termos do artigo 106, II, “c” do CTN, in casu, reduzida ao patamar máximo de 100% do valor do tributo cobrado. Recurso de Ofício conhecido e improvido. Recursos Voluntários conhecidos em parte, e na parte conhecida, providos parcialmente. Redução, de ofício, da multa de 150% para percentual de 100% em função da nova regra mais benéfica (art. 8º da Lei 14.689/2023).
Numero da decisão: 1401-007.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e, em relação aos recursos voluntários, conhecer parcialmente dos mesmos para, na parte em que conhecidos, dar-lhes parcial provimento apenas para excluir do lançamento os valores relativos a pagamentos feitos a CARMEM LÚCIA PEDRUZZI e JORGE ALBERTO ANDERS; Também por unanimidade de votos, reduzir, de ofício, a multa qualificada, de 150% para o percentual de 100%, em função da retroatividade benigna decorrente do disposto no art. 8º da Lei 14.689/2023. Sala de Sessões, em 26 de agosto de 2025. Assinado Digitalmente Andressa Paula Senna Lísias – Relatora Assinado Digitalmente Luiz Augusto de Souza Goncalves – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Daniel Ribeiro Silva, Fernando Augusto Carvalho de Souza, Andressa Paula Senna Lisias, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente).
Nome do relator: ANDRESSA PAULA SENNA LISIAS

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VALORES DECLARADOS EM GFIP. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O salário de contribuição é o previsto normativamente estando deste excluídos aquelas rubricas expressamente previstas. BASE DE CÁLCULO. VALORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, cabendo ao contribuinte produzir as provas necessárias para justificar suas alegações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI N. 14.689/2023. REDUÇÃO DE 150% PARA 100%. Cabível a imposição da multa qualificada, prevista no artigo 44, inciso I, §1º, da Lei nº 9.430/1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra na hipótese tipificada nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Na hipótese de existência de processo pendente de julgamento, seja administrativa ou judicialmente, tendo como origem auto de infração ora lavrado com base na regra geral de qualificação, a nova regra mais benéfica (art. 8º da Lei 14.689/2023) deve ser aplicada retroativamente, nos termos do artigo 106, II, “c” do CTN, in casu, reduzida ao patamar máximo de 100% do valor do tributo cobrado. Recurso de Ofício conhecido e improvido. Recursos Voluntários conhecidos em parte, e na parte conhecida, providos parcialmente. Redução, de ofício, da multa de 150% para percentual de 100% em função da nova regra mais benéfica (art. 8º da Lei 14.689/2023). ACÓRDÃO Fl. 20851DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e, em relação aos recursos voluntários, conhecer parcialmente dos mesmos para, na parte em que conhecidos, dar-lhes parcial provimento apenas para excluir do lançamento os valores relativos a pagamentos feitos a CARMEM LÚCIA PEDRUZZI e JORGE ALBERTO ANDERS; Também por unanimidade de votos, reduzir, de ofício, a multa qualificada, de 150% para o percentual de 100%, em função da retroatividade benigna decorrente do disposto no art. 8º da Lei 14.689/2023. Sala de Sessões, em 26 de agosto de 2025. Assinado Digitalmente Andressa Paula Senna Lísias – Relatora Assinado Digitalmente Luiz Augusto de Souza Goncalves – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Daniel Ribeiro Silva, Fernando Augusto Carvalho de Souza, Andressa Paula Senna Lisias, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de auto de infração de Contribuição Previdenciária da Empresa e do Empregador-CPP, Contribuição Previdenciária para Outras Entidades e Fundos, e Contribuição Previdenciária dos Segurados (total de R$ 192.318.682,96) relativamente aos anos-calendários de 2017 e 2018, com imposição de multa de ofício qualificada - 150%, lavrado contra o sujeito passivo, ora Recorrente, para a exigência dos tributos devidos, por entender a D. Fiscalização que havia divergências de contribuições sobre as bases declaradas, bem como de valores pagos ou creditados a contribuintes individuais não oferecidos à tributação. São essas as infrações: i) INFRAÇÃO: DIVERGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA SOBRE BASES DECLARADAS DE EMPREGADO - DESCARACTERIZAÇÃO DE ENTIDADES ISENTAS Fl. 20852DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 3 ii) INFRAÇÃO: DIVERGÊNCIA DE GILRAT SOBRE BASES DECLARADAS DE EMPREGADO - DESCARACTERIZAÇÃO DE ENTIDADES ISENTAS iii) INFRAÇÃO: DIVERGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA SOBRE BASES DECLARADAS DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAL - DESCARACTERIZAÇÃO DE ENTIDADES ISENTAS iv) INFRAÇÃO: VALORES PAGOS OU CREDITADOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NÃO OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO Vale lembrar também que o Processo nº 15588-720.898/2021-92 relativo ao IIRRF, também relacionado ao presente processo, foi julgado em abril/2025 por esta C. Turma do CARF. É importante contextualizar que o presente lançamento decorre da suspensão da imunidade tributária sofrida pelo sujeito passivo, ora denominado apenas IGH, a qual se materializou por meio do Ato Declaratório Executivo - DRF/SDR Nº 006/2021, de 20 de outubro da 2021, com efeitos tributários de 01 de janeiro de 2017 até 31 de dezembro de 2018, em face do descumprimento ao disposto no art. 14, incisos I, II e III, do Código Tributário Nacional. A suspensão da imunidade é controlada no Processo nº 15588.720521/2021-33, cujos autos estão apensos e reunidos ao processo 15588.720044/2022-97, integrando-o dada a reunião de processos conforme constou expressamente da decisão da DRJ neste último processo citado. A motivação apontada pela autoridade fazendária para suspender a imunidade foi a distribuição de parcela dos recursos, patrimônio e renda sem qualquer vinculação às atividades institucionais do IGH, através da aquisição de imóveis superfaturados, contratação de empresas vinculadas a dirigentes e ao contador, com valores superfaturados e, em vários casos sem que os serviços ou vendas tenham sido realizados, com parte dos recursos destinadas de forma fraudulenta aos dirigentes, que evidenciam a falta de atendimento aos itens I e II do art. 14 do Código Tributário Nacional - CTN, Lei 5.172/66. Nessa linha transcrevo as conclusões da Notificação de Suspensão da Imunidade Tributária: Fl. 20853DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 4 Com a suspensão da imunidade, a D. Fiscalização lavrou o auto de infração para exigir as contribuições devidas em face das irregularidades que identificou ao longo do procedimento fiscalizatório. Neste lançamento, foram também elencados como responsáveis solidários da obrigação tributária, com base nos arts. 124, I, e 135 do CTN, as seguintes pessoas físicas: 1) LUCAS SILVA CARVALHO – art. 124, I e 135 2) JOSE GERALDO GONCALVES DE BRITO – art. 124, I e 135 3) PAULO BRITO BITTENCOURT – art. 135 4) ALEXANDRO SILVA CARVALHO – art. 124, I e 135 5) JOEL SOBRAL DE ANDRADE – art. 135 Em paralelo, foram lavrados ainda Autos de Infração para exigência dos valores a título: (i) de PIS e COFINS, créditos tributários controlados no Processo nº 15588- 720.863/2021-53 (apenso ao processo 15588.720044/2022-97); (ii) de IRPJ e CSLL, objeto do Processo nº 15588.720044/2022-97; e (iii) de IRRF, objeto do Processo nº 15588-720.898/2021-92 (já julgado em abril/2025 por esta C. Turma) Fl. 20854DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 5 (iv) Foram apresentadas Impugnações em face dos lançamentos de contribuições previdenciárias tanto pelo IGH como pelos responsáveis solidários. Para fins de economia processual, valho-me da sistematização e a síntese de argumentos feita pela primeira instância: “II.1 - Impugnação da Contribuinte (empresa autuada) Em 11/01/2022 (fls. 13445/13446), a contribuinte (INSTITUTO DE GESTÃO E HUMANIZAÇÃO-IGH) apresentou peça de defesa (impugnação, fls. 13447/13564), deduzindo as questões a seguir sintetizadas. Inicialmente, sustenta que todos os Autos de Infração em questão, cada qual com a sua particularidade, apresentam notórias inconsistências legais, contábeis e até mesmo fáticas, o que os tornam absolutamente acometidos por vícios e, portanto, improcedentes. Passa a alegar que há inúmeras inconsistências. A primeira delas, um flagrante erro no arbitramento da base de cálculo do Auto de Infração de Contribuição Previdenciária dos Segurados, na medida em que o contribuinte declarou em GFIP e, consequentemente, ofereceu à tributação, todos os valores devidos, tendo o feito, em certas feitas, em montantes até superiores do que os realmente cabíveis, conforme restará demonstrado de forma mais detida em tópico próprio. Diz que, com relação aos demais autos do PAF em epígrafe, apesar de não apresentarem erros no arbitramento da base de cálculo, são equivocados apenas por existirem, uma vez que, conforme já exaustivamente comprovado pelo Impugnante no bojo do Processo Administrativo Fiscal nº. 15588-720.521/2021-33, o instituto IGH faz jus à imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea “c”, bem como no art. 195, § 7º, ambos da Constituição Federal de 1988, de modo que não tem a obrigação legal ou constitucional de recolher os tributos aqui cobrados. Sustenta, também, de forma preventiva, 3 (três) preliminares de NULIDADE do Processo Administrativo Fiscal em epígrafe, quais sejam: a) Preliminar de nulidade, em virtude da caraterização de conflito de interesse no caso em questão, implicando o inegável impedimento ou suspeição do Auditor Fiscal Sr. Pedro Wenceslao Cardoso Rodrigues (Matrícula nº. 880.573) para atuação no procedimento fiscalizatório sob exame; b) Preliminar de nulidade, em virtude da publicação da Lei Complementar nº 187/2021, a qual acabou por ratificar, em seu art. 38, §§ 1º e 2º, o deslocamento de competência para que apenas o Ministério da Saúde, autoridade certificadora, possa proferir a decisão definitiva acerca da retirada da Imunidade Tributária de uma entidade até então detentora do Fl. 20855DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 6 CEBAS, trâmite este que não foi respeitado no procedimento fiscalizatório que precedeu à lavratura dos Autos de Infração aqui discutidos; c) Preliminar de nulidade, em virtude do desrespeito às disposições do art. 2º, II, da Portaria RFB nº 48, de 24 de junho de 2021, a qual tem efeitos vinculantes para a Receita Federal do Brasil e determina expressamente que a suspensão de imunidade tributária e os lançamentos de ofício dos créditos tributários dela decorrentes devem ser objeto de UM ÚNICO processo administrativo. Da Improcedência dos Lançamentos. Contribuição Previdenciária dos Segurados. Arbitramento Indevido. Base de Cálculo Equivocada. Valores já Declarados em GFIP e Recolhidos A Impugnante argumenta que a base de cálculo arbitrada para a apuração da Contribuição Previdenciária dos Segurados é absolutamente indevida, na medida em que todos os valores indicados pela Fiscalização como não incluídos em GFIP já foram declarados e recolhidos pelo Contribuinte aos cofres públicos. Para tanto, afirma que todas as 93 pessoas físicas que foram enquadradas pela Fiscalização como “não declaradas em GFIP”, em verdade, foram registradas pelo Instituto, devidamente declaradas, e, inclusive, tiveram os seus pagamentos oferecidos à tributação da Contribuição Previdenciária dos Segurados nos exatos termos em que exige a lei, conforme Doc. 19 acostado aos autos. Cita que, a partir da análise das informações colacionadas aos autos, percebe-se que há apenas 4 (quatro) pessoas físicas que apresentam uma incompatibilidade entre a base de cálculo arbitrada pela Receita Federal, e a base de cálculo outrora declarada em GFIP pelo Instituto, referente às suas remunerações. São elas: Carmen Lucia Pedruzzi, Fabiola Rozário Bulado, José Claudio Rosa e Jorge Alberto Anders. Com isso, entende que essa discrepância de bases de cálculo dessas 4 pessoas retromencionadas ocorreu em razões dos seguintes motivos: “[...] 1. CARMEM LÚCIA PEDRUZZI: Conforme verifica-se de planilha, há a diferença de um valor total de R$ 9.099,39. Tal valor, contudo, apesar de ter sido registrado pela Receita como remuneração, foi devolvido ao IGH através de uma TRANSFERÊNCIA BANCÁRIA (TED), conforme comprovação em anexo (Doc. 20). Assim sendo, não caberia, em nenhuma hipótese, a inclusão desses valores na base de cálculo das Contribuições Previdenciárias. 2. FABIOLA ROZARIO BULADO: No caso de Fabiola, a diferença entre as bases de cálculo arbitradas e efetivamente declaradas diz respeito ao fato de que houve uma RPA (Recibo de Pagamento para Autônomos) paga em duas parcelas (Doc. 21), sendo a primeira no valor de R$ 7.981,97, e segunda no valor de R$ 3.084,37, o que já comprova, de plano, o acerto da decisão do Instituto em declarar a GFIP da forma que fez. 3. JOSÉ CLAUDIO ROSA: José Cláudio Rosa, por sua vez, não teve a sua remuneração incluída na GFIP do IGH justamente porque o valor arbitrado pela Fiscalização, em verdade, Fl. 20856DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 7 corresponde a uma quantia depositada judicialmente pelo Instituto, conforme verifica-se da documentação comprobatória anexa (Doc. 22). Assim sendo, enquanto depositado, não deveria este valor ser oferecido à tributação. 4. JORGE ALBERTO ANDERS: Por fim, em relação a Jorge Roberto Anders, assim como ocorreu com Carmem Lúcia Peddruzi, os R$ 6.091,86 que constam como diferença entre a base de cálculo arbitrada e aquela efetivamente declarada pelo Instituto, foram devolvidos ao IGH através de uma TRANSFERÊNCIA BANCÁRIA (TED), conforme comprovação em anexo (Doc. 23). Assim sendo, não caberia, em nenhuma hipótese, a inclusão desses valores na base de cálculo das Contribuições Previdenciárias, uma vez que não se enquadram como remuneração. [...]’’ Dessa forma, argumenta que o Auto de Infração referente à Contribuição Previdenciária dos Segurados, que hoje materializa um débito de R$ 147.298,38, é absolutamente inconsistente, porquanto apresenta uma base de cálculo que jamais poderia ter sido arbitrada, na medida em que todos os valores questionados pela Fiscalização já foram declarados em GFIP e, inclusive, oferecidos à tributação a partir do valor total bruto das remunerações. Em relação aos demais autos referentes às Contribuições Previdenciárias, quais sejam, o de Contribuição Previdenciária da Empresa e do Empregador e o de Contribuição para outras Entidades e Fundos, que, respectivamente, o Impugnante revela que não encontrou inconsistências nas bases de cálculo apuradas pela Fiscalização e contesta o lançamento fiscal da seguinte maneira: “[...] Tal fato, no entanto, não é capaz de tornar as autuações verídicas e pertinentes. Em verdade, nenhum desses valores são devidos pelo Impugnante pelo simples fato de que o mesmo, detentor do certificado CEBAS à época da ocorrência dos fatos geradores, fez e ainda faz jus à imunidade tributária garantida pelo art. 150, inciso VI, alínea “c”, bem como pelo art. 195, § 7º, da Constituição Federal de 1988. Não se nega, por razões óbvias, que o Ato Declaratório Executivo DRF/SDR nº 006, de 20 de outubro de 2021, formalizado no bojo do Processo Administrativo Fiscal nº. 15588-720.521/2021-33, acabou por decretar, de forma definitiva, a suspensão da imunidade em questão. Contudo, na mesma linha de intelecção dos argumentos expendidos em sede de Impugnação ao Ato Declaratório Executivo em questão, o Impugnante afirma com convicção perante esses Doutos Julgadores, com todo o acato e respeito possível, que a suspensão da imunidade tributária em questão é, em verdade, injusta, incabível e absolutamente destoante da realidade dos fatos. Assim sendo, o Impugnante passa a reiterar os seus argumentos de defesa, já exaustivamente demonstrados no Processo Administrativo Fiscal nº. 15588-720.521/2021-33, para que Vossas Senhorias possam conhecê-los e, com o brilhantismo que lhes é contumaz, Fl. 20857DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 8 possam também decidir pelo enquadramento do Impugnante enquanto entidade de assistência social abarcada pela imunidade tributária prevista nos arts. 150, VI, alínea “c”, bem como no art. 195, § 7º, da Constituição Federal de 1988. [...]” (...) II.2 - Impugnação das Pessoas Físicas, arroladas como responsáveis solidários (i) Impugnante: Paulo Brito Bittencourt, Data: 11/01/2022, fls. 13211/13231; (ii) Impugnante: Lucas Silva Carvalho, Data: 07/01/2022, fls. 12782/12815; (iii) Impugnante: Alexandro Silva Carvalho, Data: 11/01/2022, fls. 13263/13296; (iv) Impugnante: José Geraldo Gonçalves de Brito, Data: 11/01/2022, fls. 1326/13256; (v) Impugnante: Joel Sobral de Andrade, Data: 11/01/2022, fls. 13187/13208. Essas impugnações trazidas aos autos em nome dos sujeitos passivos acima (responsáveis tributários) possuem o mesmo conteúdo. Portanto, serão descritos, abaixo, de forma conjunta e resumida, os argumentos de defesa pontuados nas referidas petições (impugnações). a) Preliminar de nulidade, em virtude da caraterização de conflito de interesse no caso em questão, implicando o inegável impedimento ou suspeição do Auditor Fiscal Sr. Pedro Wenceslao Cardoso Rodrigues (Matrícula nº. 880.573) para atuação no procedimento fiscalizatório sob exame; b) Preliminar de nulidade, em virtude da publicação da Lei Complementar nº 187/2021, a qual acabou por ratificar, em seu art. 38, §§ 1º e 2º, o deslocamento de competência para que apenas o Ministério da Saúde, autoridade certificadora, possa proferir a decisão definitiva acerca da retirada da Imunidade Tributária de uma entidade até então detentora do CEBAS, trâmite este que não foi respeitado no procedimento fiscalizatório que precedeu à lavratura dos Autos de Infração aqui discutidos; c) Preliminar de nulidade, em virtude do desrespeito às disposições do art. 2º, II, da Portaria RFB nº 48, de 24 de junho de 2021, a qual tem efeitos vinculantes para a Receita Federal do Brasil e determina expressamente que a suspensão de imunidade tributária e os lançamentos de ofício dos créditos tributários dela decorrentes devem ser objeto de UM ÚNICO processo administrativo d) Não configuração dos requisitos exigidos pelos artigos 124 e 135 do CTN. Sustentam que a imputação da Fiscalização não caracterizou os elementos da responsabilidade solidária, pois “todas as alegações suscitadas pela fiscalização como justificativas para incluir o impugnante como responsável solidário das supostas dívidas do IGH dizem respeito a operações de cunho meramente econômico, e não jurídico, o que impede em termos absolutos a responsabilização pretendida, com fulcro nos art. 124, I, e 135, III, do Código Tributário Nacional”. Fl. 20858DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 9 Foi, em seguida, proferido o Acórdão n. 101-022.633 pela C. 9ª Turma da DRJ/01 assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/2017 a 12/2018 IMUNIDADE DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. REQUISITOS ESTABELECIDOS EM LEI. A Constituição Federal confere às entidades beneficentes de assistência social a imunidade das contribuições sociais desde que atendidos, cumulativamente, todos os requisitos estabelecidos em lei. Somente têm direito à imunidade das contribuições de que tratam os art. 22 e 23 da Lei 8212/1991 as entidades beneficentes de assistência social certificadas pelo Ministério correspondente à sua área de atuação que cumpram, cumulativamente, os requisitos previstos em Lei. Inteligência do art. 14 do CTN. BASE DE CÁLCULO. VALORES DECLARADOS EM GFIP. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O salário de contribuição é o previsto normativamente estando deste excluídos aquelas rubricas expressamente previstas. BASE DE CÁLCULO. VALORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, cabendo ao contribuinte produzir as provas necessárias para justificar suas alegações. LANÇAMENTO DECORRENTE. CONTRIBUIÇÕES PARA OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS/TERCEIROS. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais/Terceiros deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as Contribuições Previdenciárias (art. 3°, §3° da Lei 11.457/2007). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/2017 a 12/2018 IMUNIDADE. REQUISITOS MATERIAIS NÃO ATENDIDOS. SUSPENSÃO. A fruição da imunidade relativa aos impostos e às contribuições sociais das entidades de assistência social condiciona-se à comprovação de que tais instituições não tenham fins lucrativos, o que se revela: (i) por não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (ii) por aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; e (iii) por manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Inteligência dos incisos I, II e III do art. 14 do CTN. Fl. 20859DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 10 REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTE. IMPEDIMENTO. Não faz jus à manutenção do benefício fiscal a entidade que remunera seus dirigentes, por expressa vedação legal. CONTABILIDADE DA ENTIDADE. INEXATIDÃO DA ESCRITA CONTÁBIL. NÃO SEGREGAÇÃO DAS CONTAS DE DESPESAS. A contabilidade da entidade deve segregar em contas específicas as despesas assumidas com os fornecedores, seja em contas de despesas, seja em contas patrimoniais do passivo, nos termos determinados pela legislação. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS CONTÁBEIS. Para usufruir o benefício de imunidade/isenção a entidade deve obediência aos princípios contábeis, dentre os quais o da oportunidade e da competência. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/2017 a 12/2018 NULIDADE LANÇAMENTO FISCAL. SUSPEIÇÃO OU IMPEDIMENTO DE AGENTE FISCAL. INEXISTÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE ELEMENTOS DE SUPORTE PARA A IMPUTAÇÃO. Não se identificando nos autos elementos capazes de indicar que os agentes fiscais integrantes de equipe designada para promover a ação fiscal, estariam impedidos ou sujeitos à suspeição, descabe falar em nulidade do feito administrativo. DIRETORES/ADMINISTRADORES. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. OCORRÊNCIA. CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. Evidenciado um conjunto fático-probatório de atos tendentes a impedir, retardar, total ou parcialmente, excluir ou modificar o preciso conhecimento da regra- matriz de incidência tributária, ou a correta formação da matéria tributável, com prejuízo à Fazenda Pública, isso configura a prática de atos com violação aos limites da lei e aos limites estatutários de sua atuação, a teor do inciso III do artigo 135 do CTN. No caso, cabe à responsabilização solidária dos diretores/administradores que, consciente e voluntariamente, permitiram ou toleram práticas de ilicitude tributária dentro da empresa, ora com fraude objetiva, ora com sonegação de informações da relação jurídica estabelecida nas operações comerciais executadas dentro da empresa autuada, para obter os resultados decorrentes do fato gerador sonegado. ATOS DE DIRETORIA, GERÊNCIA OU REPRESENTAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS PROBATÓRIOS. LUCAS SILVA CARVALHO E ALEXANDRO SILVA CARVALHO. Fl. 20860DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 11 No caso de ausência de elementos probatórios de atos de gerência, diretoria ou de representação dentro da empresa autuada, não cabe à responsabilização solidária prevista no inciso III do art. 135 do CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. OCORRÊNCIA. Havendo comprovação de práticas de confusão patrimonial ou interposição de pessoas para o desvio de finalidade da entidade, impõe-se a responsabilidade solidária pelo recolhimento dos tributos em razão da configuração do interesse comum na realização do fato gerador que deu ensejo ao lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Apesar de a ementa mencionar a improcedência total, na verdade foi parcial. A DRJ, em suma, decidiu: (i) em ato de saneamento, a DRJ reuniu o processo de suspensão da imunidade ao processo ao Processo nº 15588-720.044/2022-97, processo principal ao qual o presente caso está apenso; (ii) IMPROCEDENTE a impugnação apresentada pelo contribuinte (INSTITUTO DE GESTÃO E HUMANIZAÇÃO-IGH), mantendo-se o crédito tributário e a suspensão do gozo da imunidade nos exercícios de 2017 e 2018, conforme Ato Declaratório Executivo - DRF/SDR Nº 006/2021; (iii) IMPROCEDENTES as impugnações apresentadas pelos Srs. Paulo Brito Bittencourt, José Geraldo Gonçalves de Brito, e Joel Sobral de Andrade, mantendo-se o crédito tributário e a imputação de responsabilidade tributária; e (iv) PROCEDENTES em parte as impugnações apresentadas pelos responsáveis Lucas Silva Carvalho e Alexandro Silva Carvalho, apenas para excluir a imputação do inciso III do art. 135 do CTN, mantendo-se o crédito tributário e a imputação de responsabilidade tributária nos termos do inciso I do art. 124 do CTN. Em relação às impugnações julgadas procedentes em parte, houve a interposição de recurso de ofício. O contribuinte juntamente com os responsáveis solidários, ora Recorrentes, interpuseram Recurso Voluntário, reiterando todos os argumentos de defesa, os quais serão analisados no voto. Por fim, os autos vieram a esta Conselheira Relatora. Não foram apresentadas Contrarrazões pela PFN. Fl. 20861DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 12 É o relatório do essencial. VOTO Conselheira Andressa Paula Senna Lísias, Relatora. Os Recursos Voluntários são tempestivos, e atendem aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. I – Competência para julgamento de matérias previdenciárias Entendo que o caso esteja vinculado à suspensão da imunidade tributária e todos os demais tributos exigidos do IGH em função desse ato, uma vez que é decorrente e reflexo do lançamento de IRPJ/CSLL objeto do Processo nº 15588.720044/2022-97 (IRPJ/CSLL), julgado em conjunto. É o que prevê o RICARF/2023: “Das Seções de Julgamento Art. 43. À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: [...] IV - CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova, sem prejuízo do disposto no § 2º do art. 45” III – Mérito: lançamento de contribuição previdenciária Inicialmente, uma parte dos recursos não deve ser conhecida. Explico. Todas as matérias relacionadas com a suspensão da imunidade tributária são objeto unicamente do processo n. 15588.720044/2022-97, estando prejudicada sua análise nos presentes autos. Visto que o presente lançamento de contribuições previdenciárias contém alguns Fl. 20862DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 13 fundamentos específicos, analisarei aqui apenas e tão-somente as causas de pedir relacionadas às contribuições previdenciárias que não serão discutidas no processo n. 15588.720044/2022-97. No mais, conheço os recursos e passo a analisá-los. Noto, primeiramente, que os recursos são praticamente reprodução das peças de defesa apresentadas em primeira instância, sendo que os Recorrentes se limitam a repisar os mesmos argumentos. Vale lembrar que, no presente caso, discutem-se essas infrações: i) INFRAÇÃO: DIVERGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA SOBRE BASES DECLARADAS DE EMPREGADO - DESCARACTERIZAÇÃO DE ENTIDADES ISENTAS ii) INFRAÇÃO: DIVERGÊNCIA DE GILRAT SOBRE BASES DECLARADAS DE EMPREGADO - DESCARACTERIZAÇÃO DE ENTIDADES ISENTAS iii) INFRAÇÃO: DIVERGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA SOBRE BASES DECLARADAS DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAL - DESCARACTERIZAÇÃO DE ENTIDADES ISENTAS iv) INFRAÇÃO: VALORES PAGOS OU CREDITADOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NÃO OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO No que diz respeito à reunião dos processos, esclareço que os demais processos decorrentes estão apensados e reunidos no Processo 15588.720044/2022-97, principal ao qual o presente caso está apenso. Portanto, vez que houve julgamento conjunto, não há prejuízo à defesa do contribuinte. Acrescento, ainda, quanto às preliminares de nulidade que estão sendo afastadas: o CARF é o tribunal competente para analisar o reconhecimento ou invalidação de isenção e/ou imunidade tributária, ante o art. 48 do RICARF, além do papel que esse papel tribunal administrativo realiza no exercício do controle da legalidade dos atos administrativos (nesse caso, a aplicabilidade do art. 61 da Lei 8.981/1995). Além de que cabe à RFB, e não ao Ministério da Saúde, a fiscalização e a constituição do crédito tributário no âmbito federal, não havendo, portanto, nenhuma irregularidade no procedimento fiscalizatório (art. 6, I, alíneas “a” e “c”, Lei no 10.593, de 6 de dezembro de 2002). De outro lado, quanto à alegação de suspeição ou impedimento de um dos Auditores da RFB que atuaram neste caso (Pedro Wenceslao Cardoso Rodrigues), não vejo como prosperar, pois a relação contratual e exclusivamente comercial entre a empresa a qual o auditor integrou como sócio (VILLA DOS AMIGOS CONSTRUTORA SPE LTDA) e o escritório de contabilidade (L&A CONTABILIDADE OUTSOURCING LTDA) que era um dos vários prestadores de serviços do IGH não demonstra imparcialidade. O fato da empresa da qual teria sido sócio o atual Fl. 20863DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 14 Auditor ter tomado serviços de contabilidade da L&A CONTABILIDADE, escritório que também atendia o IGH, não ilide a lisura do procedimento fiscalizatório, como aliás entendeu a DRJ. Ao menos não esse fato por si só. Entendo, assim, que nesse caso o IGH deveria ter se debruçado a evidenciar e provar motivos mais específicos que supostamente abalariam a ilibada e imparcial conduta da D. Autoridade – algum desafeto ou inimizade, por exemplo. Ou ainda mais: tivesse demonstrado um concreto prejuízo que a conduta do Auditor Fiscal teria imposto ao contribuinte. Nada houve nesse sentido. No caso, ao contrário disso, o procedimento fiscal foi cumprido segundo seus ritos legais, e não verifico nada que tenha extrapolado o dever de ofício da D. Autoridade autuante. Por sua vez, como dito, os Recorrentes não apresentaram nenhuma atitude ilícita por parte do Auditor Fiscal responsável pelo procedimento que os tenha prejudicado. Quanto ao mérito, o contribuinte alega que absolutamente todas as pessoas físicas apontadas como recebedoras de valores não declarados em GFIP tiveram os seus pagamentos apurados, declarados e tributados nas mesmíssimas competências questionadas. Acrescenta que há apenas 4 (quatro) pessoas físicas que apresentam uma incompatibilidade entre a base de cálculo arbitrada pela Receita Federal. A DRJ assim entendeu: “III. DO MÉRITO. LANÇAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO IV.1 - Contribuição Previdenciária dos Segurados. Arbitramento. Base de Cálculo A Impugnante sustenta que a base de cálculo arbitrada para a apuração da Contribuição Previdenciária dos Segurados é absolutamente indevida, na medida em que todos os valores indicados pela Fiscalização como não incluídos em GFIP já foram declarados e recolhidos aos cofres públicos. Para tanto, afirma que todas as 93 pessoas físicas, enquadradas pela Fiscalização como “não declaradas em GFIP”, foram devidamente declaradas e tiveram os seus pagamentos oferecidos à tributação da Contribuição Previdenciária dos Segurados nos exatos termos em que exige a lei, conforme Doc. 19 acostado aos autos (fls. 14517/14520). Acrescenta que há apenas 4 (quatro) pessoas físicas que apresentam uma incompatibilidade entre a base de cálculo arbitrada pela Receita Federal. Com isso, entende que essa discrepância de bases de cálculo dessas 4 pessoas ocorreu em razões dos seguintes motivos: “[...] 1. CARMEM LÚCIA PEDRUZZI: Conforme verifica-se de planilha, há a diferença de um valor total de R$ 9.099,39. Tal valor, contudo, apesar de ter sido registrado pela Receita como remuneração, foi devolvido ao IGH através de uma TRANSFERÊNCIA BANCÁRIA (TED), conforme comprovação em anexo (Doc. 20). Fl. 20864DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 15 2. FABIOLA ROZARIO BULADO: No caso de Fabiola, a diferença entre as bases de cálculo arbitradas e efetivamente declaradas diz respeito ao fato de que houve uma RPA (Recibo de Pagamento para Autônomos) paga em duas parcelas (Doc. 21), sendo a primeira no valor de R$ 7.981,97, e segunda no valor de R$ 3.084,37, o que já comprova, de plano, o acerto da decisão do Instituto em declarar a GFIP da forma que fez. 3. JOSÉ CLAUDIO ROSA: José Cláudio Rosa, por sua vez, não teve a sua remuneração incluída na GFIP do IGH justamente porque o valor arbitrado pela Fiscalização, em verdade, corresponde a uma quantia depositada judicialmente pelo Instituto, conforme verifica-se da documentação comprobatória anexa (Doc. 22). 4. JORGE ALBERTO ANDERS: Por fim, em relação a Jorge Roberto Anders, assim como ocorreu com Carmem Lúcia Peddruzi, os R$ 6.091,86 que constam como diferença entre a base de cálculo arbitrada e aquela efetivamente declarada pelo Instituto, foram devolvidos ao IGH através de uma TRANSFERÊNCIA BANCÁRIA (TED), conforme comprovação em anexo (Doc. 23). [...]’’ Não se acolhem essas alegações, tendo em vista que, primeiramente, a documentação de fls. 14517/14520, denominada de Doc. 19, não comprova que os valores foram declarados em GFIP. Isso porque se trata de uma planilha contendo apenas os nomes dos segurados do RGPS (contribuintes individuais) e a relação da remuneração, e não há qualquer vinculação com os valores que foram efetivamente declarados em GFIP pelo próprio contribuinte nas competências 01/2017 a 12/2018, nem há qualquer vinculação com a documentação contábil da empresa. Segundo motivo, a documentação de fls. 14521/14568 (Doc.’s 20 a 23) corresponde a fatos que não confirmam as conclusões externadas na peça de defesa, tendo em vista que o conteúdo dessa documentação não comprova a devolução dos valores de R$ 9.099,39 e de R$ 6.091,86 para o IGH, nem confirma que a quantia referente a José Cláudio Rosa foi depositada judicialmente pelo IGH. Neste último caso, a documentação se refere a um acordo judicial estabelecido entre a reclamante LUCIANA SANTOS DA SILVA DIAS e o reclamado IGH (RTOrd -0010290-66.2018.5.18.0083), portanto, essa documentação não se refere a José Cláudio Rosa. Ademais, no que tange aos valores de R$ 9.099,39 e R$ 6.091,86, observa-se que a documentação acostada (Doc.’s 20 e 23) pelo contribuinte informa que os favorecidos dos depósitos dessas quantias foram, respectivamente, CARMEM LÚCIA PEDRUZZI e JORGE ALBERTO ANDERS(“nome do favorecido”). Portanto, não há qualquer documentação capaz de afirmar que o beneficiário foi o IGH e, com isso, não se comprova a devolução desses valores. Por fim, com relação ao pagamento de FABIOLA ROZARIO BULADO ocorrer em duas parcelas (“primeira no valor de R$ 7.981,97, e segunda no valor de R$ 3.084,37”; Doc. 21, fls. Fl. 20865DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 16 14525/14527), entendo que isso não interfere no momento de ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária da segurada, pois o fato gerador ocorre com a prestação de serviço e não no momento do pagamento. A incidência dessa contribuição é de vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços (art. 22, inciso III, da Lei 8212/1991). De mais a mais, os elementos fáticos acostados aos autos não demonstraram a ocorrência de erro na apuração da base de cálculo, haja vista que – após ser intimada através do item 1 do TIF 14, a justificar o pagamento a pessoas físicas, cujas remunerações não foram declaradas em GFIP–, a Impugnante apesentou apresentou os comprovantes contidos em Recibos de Pagamento a Autônomo (RPA), conforme anexo 60-04, contendo exatamente os valores não declarados em GFIP, consoante planilha do anexo 60-03-01 (fls. 14497/14504), sendo que os valores declarados nesses recibos pelo próprio contribuinte serviram para apontar a base de cálculo apurada pela Fiscalização. Ressalte-se que o sistema de repartição do ônus probatório adotado no processo administrativo fiscal – conforme dispõe o artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972, que se coaduna com a norma aplicável à espécie de forma subsidiária, contida no artigo 373 da Lei 13.105/2015, do novo Código de Processo Civil (CPC) –, determina que cabe ao sujeito passivo fazer a prova do direito ou do fato afirmado na peça de defesa (impugnação), sob pena de improcedência da alegação. Cabe salientar, outrossim, que o princípio do ônus da prova é inerente a todo ordenamento jurídico e deve ser obedecido também na esfera administrativa, de modo que ao contribuinte incumbia o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário (art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/1972), essa presunção de que os valores declarados nos Recibos de Pagamento a Autônomo (RPA), conforme anexo 60-04, estariam incorretos, o que não ocorreu no caso presente. Assim, por ausência de comprovação de eventual erro na apuração da base de cálculo, não há qualquer espaço fático para acatar o pleito externado na peça de defesa da Impugnante.” “VI. LANÇAMENTO DECORRENTE (Contribuições Outras Entidades e Fundos/Terceiros) Tratando-se da mesma matéria de fato e de direito relativa ao lançamento das Contribuições Previdenciárias Patronais-CPP, devem ser aplicados ao lançamento reflexo de contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais/Terceiros os mesmos fundamentos e razões de decidir quanto ao lançamento principal, em razão da relação de causa e efeito que os vincula (art. 3°, §3°, da Lei 11457/2007).” (destaques da Relatora) Fl. 20866DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 17 Concordo e valido o entendimento da DRJ em parte, pois, em dois dos quatro casos indicados pelo contribuinte, entendo de forma diversa do que entendeu o acórdão recorrido. Especifico-os abaixo. Quanto à CARMEM LÚCIA PEDRUZZI, na realidade comprovou-se que o valor de R$ 9.099,39 foi devolvido, sendo a prova de devolução da TED suficiente: No pagamento a JORGE ALBERTO ANDERS, também houve devolução do pagamento de R$ 6.091,56: Fl. 20867DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 18 Assim sendo, não haveria por que serem incluídos na base de cálculo das contribuições, devendo ser excluídos, pois não se configurou o fato gerador. No mais, adoto como razões de decidir da DRJ. Em assim sendo, é plenamente cabível a aplicação do inc. I, § 12º do Art. 114 do novo Regimento Interno do CARF uma vez que os Recorrentes em nada inovam nas suas razões já apresentadas em sede de Impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida: “Art. 114. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes, ausentes e impedidos ou sob suspeição, especificando-se, se houver, os conselheiros vencidos, a matéria em que o relator restou vencido e o voto vencedor. § 1º O relator deverá formalizar o acórdão no prazo de quinze dias, contado da movimentação dos autos para essa atividade. (...) §12. A fundamentação da decisão pode ser atendida mediante: I - declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida; e II - referência a súmula do CARF, devendo identificar seu número e os fundamentos determinantes e demonstrar que o caso sob julgamento a eles se ajusta.” Ressalvo, ainda, o julgador não é obrigado a discorrer sobre todos os argumentos levantados pelas partes, mas sim decidir a contento, nos limites da lide que lhe foi proposta, fundamentando o seu entendimento de acordo com o seu livre convencimento, baseado na legislação que entender aplicável ao caso concreto. Aliás essa é a posição predominante no STJ: “O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC/2015, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada.” (STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315-DF, Rel. Min. Diva Malerbi, julgado em 8/6/2016). Fl. 20868DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 19 Assim, nego provimento aos recursos voluntários para manter a decisão da DRJ quanto ao mérito, por seus próprios fundamentos. Multa de ofício de 150% - redução de ofício – retroatividade benigna Por fim, com relação à multa qualificada, está acertada em vista da caracterização da conduta dolosa. Porém, um único reparo deve ser feito de ofício. Com a superveniência do art. 8º da Lei nº 14.689, de 20 de setembro de 2023, que deu nova redação ao art. 44, da Lei nº 9.430/96, a multa qualificada passou a ter seu percentual limitado ao teto de 100% (salvo casos de reincidência na infração tributária, o que não houve no presente processo): “Art. 8º O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 44. ................................................................................. ......................................................................................................... § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)§ 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será majorado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, e passará a ser de (Redação dada pela Lei nº 14.689, de 2023): (...)VI – 100% (cem por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício VII – 150% (cento e cinquenta por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício, nos casos em que verificada a reincidência do sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023)” Assim, há que se proceder à redução das multas qualificadas 150% para 100%, com suporte no artigo 106, II, “c”, do CTN (retroatividade benigna aplicável à sanção tributária Fl. 20869DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 20 posterior e menos severa), tendo em vista nova redação dada pelo artigo 8º da Lei nº 14.689, de 2023, ao artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. Diante disso, de ofício, decreto a redução da multa qualificada de 150% para 100% devido ao artigo 8º da Lei nº 14.689, de 2023. Recursos Voluntários dos Responsáveis Solidários Neste lançamento, como o aludimos anteriormente, foram também elencados como responsáveis solidários da obrigação tributária, com base nos arts. 124, I, e 135 do CTN, as seguintes pessoas físicas e jurídicas: 1) LUCAS SILVA CARVALHO 2) JOSE GERALDO GONCALVES DE BRITO 3) PAULO BRITO BITTENCOURT 4) ALEXANDRO SILVA CARVALHO 5) JOEL SOBRAL DE ANDRADE Os responsáveis apresentaram as correspondentes impugnações e o acórdão recorrido as decidiu da seguinte forma: (iii) julgou IMPROCEDENTES as impugnações apresentadas pelos Srs. Paulo Brito Bittencourt, José Geraldo Gonçalves de Brito, e Joel Sobral de Andrade, mantendo-se o crédito tributário e a imputação de responsabilidade tributária; e (iv) julgou PROCEDENTES em parte as impugnações apresentadas pelos responsáveis Lucas Silva Carvalho e Alexandro Silva Carvalho, para excluir somente a imputação do inciso III do art. 135 do CTN, mantendo-se o crédito tributário e a imputação de responsabilidade tributária nos termos do inciso I do art. 124 do CTN. O afastamento do art. 135 em relação a esses responsáveis foi objeto de recurso de ofício neste processo. Já a manutenção da responsabilidade com base no art. 124 foi questionada pelas pessoas físicas em sede de recurso voluntário. Quanto aos recursos voluntários interpostos por todos os responsáveis, recebo-os por serem tempestivos e serão parcialmente conhecidos (só não conheci os argumentos relacionados com a suspensão da imunidade, como já exposto anteriormente). Sistematizando os recursos acostados aos autos, tem-se que: Fl. 20870DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 21 1) LUCAS SILVA CARVALHO (e-fls. 20704/20751) 2) JOSE GERALDO GONCALVES DE BRITO (e-fls. 20804/20848) 3) PAULO BRITO BITTENCOURT (e-fls. 20610/20654) 4) ALEXANDRO SILVA CARVALHO (e-fls. 20754/20801) 5) JOEL SOBRAL DE ANDRADE (e-fls. 20657/20701) Os argumentos recursais são praticamente comuns a todos os recursos, como aliás já havia sido a lógica do debate em primeira instância, e também são mera reprodução dos fundamentos aduzidos nas impugnações, não havendo nada que ainda não tenha sido enfrentado pelos julgadores. Quanto aos argumentos relativos à nulidade do lançamento, reporto-me ao tópico anterior para negar provimento naqueles termos adotados pela DRJ, pois são argumentos são idênticos aos deduzidos pelo recurso interposto pelo IGH e já foram apreciados, sendo inócuo e desnecessário reproduzi-los e enfrentá-los novamente. No mais, quanto à responsabilidade solidária propriamente, igualmente proponho a manutenção da decisão proferida pela DRJ por seus próprios fundamentos, nos termos do inc. I, § 12º do Art. 114 do novo Regimento Interno do CARF, transcrevendo para tanto excerto do acórdão recorrido, que ora mantenho na íntegra: “IV. DA SUJEIÇÃO PASSIVA. IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA [...] De imediato, observa-se que todos os Interessados (Impugnantes da responsabilidade imputada pela fiscalização) alegaram de forma contundente a nulidade do lançamento fiscal. Essas questões foram as mesmas abordadas pelo contribuinte (IGH), de forma que remeto a sua análise para o item II deste Voto, e não acolho o pleito ora suscitado. Vamos à análise das demais questões suscitadas pelos Interessados. V.1. Alegação de vício de enquadramento da infração fiscal. Os Interessados alegam que jamais detiveram quaisquer poderes de mando ou gestão sobre a pessoa jurídica originalmente autuada (IGH). No que tange aos Srs. José Geraldo Gonçalves de Brito, e Joel Sobral de Andrade, não se acolhe o pedido, tendo em vista que ambos exerceram atribuições de diretores ou representantes do IGH. Para tanto, a Fiscalização demonstrou que José Geraldo Gonçalves de Brito exerceu atribuição de Presidente do Conselho Fiscal do IGH, conforme dados cadastrais no anexo 144– Fl. 20871DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 22 01-01, e Joel Sobral de Andrade atuou como Presidente do Conselho de Administração do IGH, conforme dados cadastrais no anexo 140–01. Com relação ao Paulo Brito Bittencourt, também não se acolhe o pleito, pois este tinha atribuição de Superintende do IGH, mantendo o controle sobre todos os demais órgãos de administração do IGH, conforme dados cadastrais no anexo 100-01. Cumpre esclarecer ainda que a imputação de Paulo Brito Bittencourt está fundamentada exclusivamente no inciso III do art. 135 do CTN5 , e não há qualquer imputação com base no inciso I do art. 124 do CTN nos autos de infração. Por sua vez, com relação aos Lucas Silva Carvalho, Alexandro Silva Carvalho, acolho o pedido, pois, de fato, não há demonstração de que eles exerciam atividades de administradores dentro do IGH nos anos-calendário de 2017 e 2018. Isso porque a narrativa da Fiscalização resumiu em registrar que tanto Lucas Silva Carvalho como Alexandro Silva Carvalho atuavam na fraude/sonegação ora noticiada na condição de responsáveis pela escrita contábil e pelas declarações apresentadas pelo IGH ao Fisco, e que Lucas Silva Carvalho foi designado como procurador na presente ação fiscal. Nos termos mencionados no TVF, como contador da empresa autuada, seja Lucas Silva Carvalho, seja Alexandro Silva Carvalho, ambos tinham como função na empresa IGH de representa-la perante a administração tributária, além de cuidar de todos seus registros contábeis e fiscais. O fato de o contador ser procurador da empresa junto aos fiscos, isso não lhe deu poderes de gestão sobre ela, nem permite que se conclua pela imputação do inciso III do art. 135. Dessa forma, impõe-se reconhecer que, em razão da ausência de elementos probatórios de atos de gestão dentro do IGH, seja afastada a imputação do inciso III do art. 135 do CTN, tanto para Lucas Silva Carvalho como para Alexandro Silva Carvalho. Isso porque a regra-matriz de incidência desse artigo citado exige que – além de que as obrigações tributárias sejam resultantes de atos irregulares, praticados com excesso de poderes ou infração de lei, ou estatutos –, a conduta praticada pelo sujeito passivo (responsável) esteja vinculada aos atos de diretoria, gerência ou representação de pessoa jurídica (inciso III do art. 135 do CTN), ou seja, a conduta praticada deve ser relacionada aos atos cometidos (alcançados) na condição de administrador da empresa autuada. V.2. Alegação de Ausência dos Requisitos dos arts. 124, I, e 135, III, do CTN. Conforme consignado no relatório, alegaram os impugnantes (pessoas físicas imputadas como responsáveis solidários), em síntese, que a imputação realizada pelo Fisco não atenderia os requisitos dos arts. 124, I, ou 135, III, ambos do CTN. Fl. 20872DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 23 Para a aplicação do inciso III do art. 135 do CTN, procedeu a autoridade fiscal à responsabilização solidária de Paulo Brito Bittencourt (CPF 457.702.205-20), José Geraldo Gonçalves de Brito (CPF- 084.582.515-15), e Joel Sobral de Andrade (CPF- 821.110.735-04), por ter esses Diretores/Administradores praticados atos com excesso de poderes, infrações a leis e aos sucessivos Estatutos. Vejamos a dicção do referido dispositivo legal, in verbis: “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (negritei): I - as pessoas referidas no artigo anterior; II - os mandatários, prepostos e empregados; III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado." (g.n.) Assim, é certo que, para que a Fiscalização possa promover a responsabilização solidária dos diretores/administradores da pessoa jurídica, nos termos do art. 135, inciso III, do CTN, necessária se faz a prova de que eles agiram com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Pois bem. Consoante mencionado anteriormente no voto, por meio de documentação acostada aos autos, constatou-se a distribuição de parcela dos recursos, patrimônio e renda sem qualquer vinculação às atividades institucionais do IGH, bem como houve a aplicação de seus recursos fora da manutenção dos seus objetivos institucionais. Isso teria ocorrido por meio da aquisição de imóveis superfaturados, da contratação de empresas vinculadas a dirigentes e aos contadores, com valores superfaturados e, em vários casos, por meio da contratação de empresas sem que os serviços ou vendas tenham sido realizados (itens 7 e 8 a 27 da Notificação). Esse mesmo escopo probatório permite, de plano, concluir que os aludidos atos praticados pela contribuinte ocorreram com a participação ou consentimento de seus diretores/administradores. Afinal, é inadmissível cogitar que os fatos narrados no presente caso, que retratam pagamentos de custos e despesas a certas pessoas jurídicas, envolvendo valores significativos, pudessem passar à margem do conhecimento de seus diretores/administradores. De todo modo, a Fiscalização logrou produzir outras provas suficientes para confirmar que o mencionado esquema ardiloso era de pleno conhecimento dos seus diretores/administradores, conforme subitens 13.1, 13.4 e 13.5 do Relatório fiscal (fls. 237/240 e 247/249), inclusive apontou, de forma individualizada, que eles foram tanto os responsáveis pela assinatura e autorização dos contratos vinculados às empresas destinatárias de recursos do IGH, que se apresentavam sem capacidade operacional, como eram os destinatários de parcela desses Fl. 20873DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 24 recursos, operações estas configuradas por meio de transferências simuladas em benefício de cada administrador. Observa-se que a Fiscalização não tem qualquer dúvida sobre a atuação dos diretores/administradores da empresa na configuração da fraude ora noticiada nos autos (subitens 13.1, 13.4 e 13.5 do Relatório fiscal): “[...] 13.1 - PAULO BRITO BITTENCOURT, CPF- 457.702.205-20 Paulo Brito Bittencourt, dados cadastrais no anexo 100-01, conforme descrito no presente TVF, em especial no item 3, concentrou desde a sua constituição, os poderes de gestão do IGH, exercendo de forma contínua e monocrática, através do exercício da Superintendência, órgão de gestão do IGH. Manteve o controle sobre todos os órgãos deliberativos, Conselhos de Administração e Fiscal, além da Assembleia Geral, já que manteve vínculo pessoal com os membros do quadro de associados, conferindo à gestão do IGH características de verdadeira empresa privada administrada e em benefício de Paulo Brito Bittencourt, afastando-se dos objetivos e princípios estatutários. Foi responsável pela assinatura e autorização de todos os contratos vinculados às empresas destinatárias de recursos do IGH analisadas no curso da ação fiscal, maior parte das quais contratadas diretamente, sem licitação, sem demonstração de capacidade operacional e com evidências de superfaturamento e desvios de recursos, conforme exaustivamente demonstrado. Por todo exposto no presente item, Paulo Bittencourt, está sendo responsabilizado pessoalmente por todos os créditos tributários lançados em desfavor do IGH, já que, restou claro a atuação com excesso de poderes e o aproveitamento econômico de recursos desviados através de empresas destinatárias de recursos do IGH, conforme demonstrado neste TVF, tendo participação direta nas inúmeras operações fraudulentas diretamente relacionadas à suspensão da imunidade e infrações imputadas ao IGH, além expressiva transferência de recursos em benefício próprio ou de terceiros, conforme exaustivamente relatado no presente Termo. (...)A seguir, descrevemos a destinação de patrimônio e renda do IGH em sua maior parte de forma fraudulenta e simulada para Paulo Brito Bittencourt. Importante destacar que, em relação à ação fiscal face à OTRIX, item 7.6, Paulo Brito Bittencourt, na qualidade de sujeito passivo solidário, foi cientificado das imputações e infrações apuradas. 13.4 – JOSE GERALDO GONÇALVES DE BRITO, CPF- 084.582.515-15 Conforme descrito no item 3.3, durante o período submetido à fiscalização, José Geraldo Gonçalves de Brito, dados cadastrais no anexo 144–01-01, tio de Paulo Brito Bittencourt, exerceu a Presidência do Conselho Fiscal do IGH. (...)Os sucessivos Estatutos, cópias no anexo 03, através do artigo 16, com pequenas variações de redação, vedam a remuneração direta ou indireta Fl. 20874DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 25 de integrantes dos Conselhos Fiscal e de Administração. No entanto, José Geraldo foi remunerado de forma indireta, fraudulenta e simulada, durante todo o período submetido a ação fiscal através de transferências que totalizaram R$159.463,20 oriundas da WPS Serviços Especializados EIRELI, CNPJ-21.028.570/0001-60, cadastro no anexo 121-01, cujas operações fraudulentas com o IGH e seus destinatários de recursos estão descritas no item 7.13, cópia de extrato destas transferências no anexo 144-04; além de R$19.080,00 da TRIPLICE CONSTRUTORA, INCORPORADORA E SERVIÇOS, 04.383.795/0001-15, cadastro no anexo 27-01, cujas operações com o IGH estão descritas no item 7.9, cópia do extrato destas transferências no anexo 144-05. (...)13.5 – JOEL SOBRAL DE ANDRADE, CPF- 821.110.735-04 Conforme descrito no item 3.2, durante o período submetido à fiscalização, Joel Sobral de Andrade, dados cadastrais no anexo 140–01, exerceu a Presidência do Conselho de Administração do IGH consequentemente, conforme parágrafo segundo do artigo 25 do Estatuto do IGH, a Presidência do Instituto. O artigo 29, IV do Estatuto que trata das competências do Presidente do Conselho de Administração, entre outras a de “supervisionar o trabalho desenvolvido pelo superintendente. Conforme o artigo 29, VIII do Estatuto, compete ao Presidente: “Representar o INSTITUTO em juízo ou fora dele e junto a repartições e órgãos públicos e privados, municipais, estaduais e federais, em conjunto com o superintendente ou separadamente. (...)Joel Sobral de Andrade (CPF-821.110.735-04), atuou como advogado do IGH durante todo o ano de 2011, tendo assinado todas as Atas nessa condição, ingressou como associado em 31/07/2012 e imediatamente assume a Presidência do Conselho Fiscal, posteriormente, Presidente do Conselho de Administração (de 29/01/2015 a 21/12/2015 e de 16/12/2016 até 01/12/2020). Conforme extrato de vínculos extraído do CNIS (anexo 140 - 02), entre 02/2011 e 01/2014 Joel foi dirigente da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (contratante do IGH), foi também empregado da Câmara de Camaçari entre 2014 e 2016 e empregado da Time Serviços e Assistência Médica LTDA, dados cadastrais no anexo 31-01, com remuneração média de R$ 4.000,00, conforme extrato extraído do CNIS (anexo 140 – 03), empresa pertencente a Paulo Bittencourt e destinatária de expressivos recursos do IGH no período o 2014 a 08/2018, cujas operações com o IGH estão descritas no item 21. Todos os contratos celebrados entre o IGH e a TIME, cópias nos anexos 31-11, foram firmados por Paulo Brito Bittencourt representando a TIME e, em nome do IGH, Joel Sobral de Andrade. Os contratos estabelecem remuneração mensal e objeto. Os sucessivos Estatutos, cópias no anexo 03, através do artigo 16, com pequenas variações de redação, vedam a remuneração direta ou indireta Fl. 20875DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 26 de integrantes dos Conselhos Fiscal e de Administração. No entanto, Joel Sobral foi remunerado de forma indireta, durante quase todo o período submetido a ação fiscal pela TIME, empresa de Paulo Bittencourt. [...]” (grifo nosso). Nessa conformidade fática, rejeitam-se as alegações trazidas pelos Impugnantes no que se refere à imputação do inciso III do art. 135 do CTN, tendo em vista que eles não apresentaram documentos capazes infirmar os fatos mencionados pela Fiscalização. Para aplicação do inciso I do art. 124 do CTN, a Fiscalização apontou que tanto os diretores/administradores (Paulo Brito Bittencourt, José Geraldo Gonçalves de Brito, e Joel Sobral de Andrade) quanto os responsáveis pela escrita contábil do IGH (Lucas Silva Carvalho, e Alexandro Silva Carvalho) tinham participação direta nas operações fraudulentas relacionadas à suspensão da imunidade e infrações imputadas ao IGH, além de concorrem para a prática de transferência de recursos em benefício próprio ou de terceiros, conforme demonstrado no TVF (itens 7 e 13). De acordo com o aspecto fático, observa-se que a Fiscalização individualizou a conduta praticada por cada agente responsável pela perpetuação da fraude dentro da empresa IGH. Para isso, descreveu no item 7.2 e demonstrou nos itens 7.3 a 7.15 (fls. 184/225) que as empresas firmavam contratos simulados com o IGH e, posteriormente, essas empresas destinavam parcela dos recursos tanto para os diretores/administradores como para os irmãos Lucas e Alexandro Silva Carvalho (responsáveis pela escrituração contábil do IGH). O repasse desses recursos se dava de forma direta ou por meio de repasse para pessoas físicas e jurídicas a eles relacionadas, conforme item 13 do TVF. A título de exemplo, a partir dos extratos bancários do IGH contidos no anexo 50- 07-03, identificou-se que o cheque emitido pelo IGH – Banco Bradesco, Ag-2864, CC- 951110, N. 545, no valor de R$360.000,00, datado de 21/12/2018 e nominal a Jeniffer Catarine Santana Lopes –, correspondente à alienação de imóvel, foi depositado em conta corrente da empresa LAJ Segurança Patrimonial EIRELI (CNPJ- 97.535.594/0001-77) em 26/12/2018, a qual era controlada pelos irmãos Lucas Silva Carvalho e Alexandro Silva Carvalho (item 7.3, há o detalhamento da relação da LAJ com o IGH). Outro aspecto, é que tanto os administradores quanto os irmãos Lucas e Alexandro Silva Carvalho participaram, de forma comissiva ou omissiva, diretamente nas operações fraudulentas relacionadas à suspensão da imunidade do IGH, já que aqueles atestaram as operações realizadas sem nenhum reparo (atestaram formalmente as operações sem qualquer ressalva), além de permitirem a transferência de recursos em benefício próprio, e estes viabilizaram o registro contábil de operações simuladas para o recebimento de parcela dos recursos do IGH. Fl. 20876DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 27 Por sua vez, observa-se que as alegações trazidas em cada peça de defesa dos Impugnantes são genéricas e desprovidas de comprovação. Logo, não resta dúvida acerca da existência do aproveitamento econômico de recursos desviados, materializados na confusão patrimonial entre os aportes de recursos financeiros da entidade (IGH) para as pessoas físicas envolvidas na fraude ora noticiada, que tinham a participação das empresas destinatárias de recursos, sem a prestação efetiva dos serviços ou com contratos contendo um superfaturamento, conforme demonstrado no TVF. Vejamos a narrativa da Fiscalização dessa confusão patrimonial oriunda da fraude noticiada nos autos, inclusive tinha a interposição de pessoas familiares dos irmãos Lucas Silva Carvalho e Alexandro Silva Carvalho, sendo que tudo isso ocorria com a anuência dos administradores do IGH: “[...] 13.2 – LUCAS SILVA CARVALHO, CPF - 015.998.705-92(...) As transferências diretas de recursos, ou seja, transferências através de depósitos em conta corrente durante o período fiscalizado oriundas de empresas destinatárias de recursos do IGH, conforme discriminado no anexo 101-20, R$82.410,00 da OTRIX, item 7.6; R$391.449,00 da NOTUS, item 7.7; R$142.907,15 da LAJ, item 7.3; e R$5.000,00 da TRIPLICE, item 7.9. A L&A, conforme descrito no item 7.2, emitiu praticamente todas as suas notas fiscais tendo como tomador o IGH. Não foram encontrados registros como declarante em DIRF de pagamentos efetuados a outras Pessoas Jurídicas, o que nos permite inferir que os serviços contratados pelo IGH teriam que ter sido executados por pessoal vinculado à própria L&A, o que se demonstra impossível, em especial no ano de 2017, quando a empresa não registrou nenhum empregado. Em relação ao ano de 2018, o valor da folha da L&A correspondeu a 17,7% do faturamento. Considerando que os contratos indicam que os serviços seriam executados na unidade de saúde a que se vincula cada um dos contratos, fica evidente o superfaturamento dos valores praticados. Permitindo concluir que a empresa foi utilizada como forma de transferir recursos para Lucas Silva Carvalho. A LAJ Segurança, conforme descrito no item 7.3, cuja titular é Cristiane da Conceição Duarte, companheira de Alexandro Silva Carvalho, destinatária de recursos superfaturados do IGH e também de inúmeras das outras empresas analisadas, tem os irmão Lucas e Alexandro Silva Carvalho como reais beneficiários. A LJ Serviços, conforme descrito no item 7.4, controlada pelos irmãos Lucas e Alexandro Silva Carvalho, teve como titular até 24/09/2018, Cristiane da Conceição Duarte, sendo sucedida por interposta pessoa, tendo sido evidenciado que Lucas e Alexandro são os reais beneficiários. A LJ transferiu mais de 80% do seu faturamento para as empresas LAJ Segurança, item 7.3, e NOTUS, item 7.7, empresas que também eram controladas pelos irmãos Fl. 20877DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 28 Carvalho. Entre outras transferências sem vinculação às atividades, a LJ efetuou pagamento de faculdade de Fernanda Silva Carvalho, irmã de Lucas. Foi demonstrada a incapacidade da LJ para cumprir os contratos com o IGH. A NTS, conforme descrito no item 7.5, controlada pelos irmãos Lucas e Alexandro Silva Carvalho, configurados como reais beneficiários, transferiu 92% de toda as saídas de recursos para a NOTUS, item 7.7, empresa também controlada pelos irmãos Lucas e Alexandro Silva Carvalho. Também destinou recursos, sem qualquer vinculação às suas atividades, para a LAJ, item 7.3, empresa, conforme já descrito, também controlada pelos irmãos Carvalho; para a empresa Janaína Amaral ME, pertencente à irmã de Luanda Amaral Carvalho, esposa de Lucas Silva Carvalho. Ficou demonstrada a incapacidade da NTS para cumprir os contratos firmados com o IGH. A OTRIX, conforme descrito no item 7.6, cujo titular, foi configurado como interposta pessoa, inclusive com a utilização de assinatura falsa, controlada pelos irmãos Alexandro e Lucas Silva Carvalho, transferiu parcela dos recursos transferidos pelo IGH para estes. Além de transferências diretas de recursos, também foram identificadas inúmeras outras destinações em favor de Lucas: para a empresa Janaína Amaral ME, CNPJ- 20.615.264/0001- 67, cadastro no anexo 127-01, pertencente a Janaína Amaral, irmã de Luana Amaral Carvalho, esposa de Lucas Silva Carvalho, além transferência de recursos para a construtora ROCAZ CONSTRUTORA E EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA, CNPJ - 44.348.290/0001-34, dados cadastrais no anexo 133-01 que foi destinada à aquisição de imóvel em nome da empresa AA Holding de Instituições Financeiras LTDA, CNPJ- 30.062.250/0001-17, dados cadastrais no anexo 118-01, empresa pertencente a Alícia Maria Duarte Carvalho, dados cadastrais no anexo 113-01, e Anna Lua Amaral Carvalho, CPF077.493.215-51, dados cadastrais no anexo 112-01. Alícia Carvalho é filha de Alexandro Silva Carvalho e Cristiane da Conceição Duarte. Anna Lua Carvalho é filha de Lucas Silva Carvalho e Luanda Amaral Carvalho. Luanda figura como administradora da empresa AA. A OTRIZ também efetuou pagamentos de boletos que beneficiaram as empresas L&A Outsourcing e LAJ Segurança. (...)A BEX BRAZILIAN EXCHANGE VIAGENS E TURISMO CULTURAL LTDA, CNPJ 04.532.231/0001-05, dados cadastrais no anexo 97-01, foi destinatária de um total de R$63.690,00 recursos de Erick Clayton, titular das cotas da Verdall, item 18. Aberto procedimento de diligência, TDPF- 05.0.01.00- 2021-00060-3, declarou que o valor de R$63.690,00 recebido, em 12/06/2018, corresponde ao pagamento final do intercâmbio cultural (High School no Canadá da Aluna Maya Luma Amaral Teixeira, apresentando contrato de prestação de serviço, recibo e comprovante de pagamento e carta de aceite da escola, além de invoice (fatura escolar), Swift Fl. 20878DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 29 (comprovante de remessa internacional) e comprovante da TED recebida. Maya Luma é sobrinha de Luanda do Amaral Carvalho, cadastro anexo 110- 01. Luanda é esposa de Lucas Silva Carvalho, cadastro 101-01 e irmã de Janaína Santana Amaral, CPF- 837.523.315-34, que é mãe de Maya Luma. Termos e resposta no anexo 97-03. Importante destacar os valores expressivos transferidos por Erick Clayton para a -NOTUS GESTAO INSTRUTORIA EIRELI, CNPJ - 15.138.216/0001-95, empresa destinatária de recursos do IGH e, conforme descrito no item 7.7, administrada e controlada pelos irmãos Lucas e Alexandro Silva Carvalho. Além da identificação de um boleto pago por Erick em conta do Banco ITAU em 12/04/2018 no valor de R$20.000,00; o qual, conforme especificado na resposta apresentada pela Instituição financeira, corresponde a amortização de contrato de mútuo N. 144440751484, cópia do contrato no Anexo 101-10-01, cópia do pagamento do boleto para amortização, em nome de Lucas Silva Carvalho. (...)13.3 – ALEXANDRO SILVA CARVALHO, CPF- 646.619.705-00 (...)O vínculo entre os irmãos Lucas e Alexandro Silva Carvalho fica evidente através das procurações que um confere ao outro, cópias nos anexos 101- 02 e 102-02, através das quais se conferem plenos poderes para movimentação financeira e representações perante órgãos públicos e instituições privadas. Além de evidenciado superfaturamento e falta de prestação de serviços, transferências direta de recursos entre empresas controladas por Alexandro Silva Carvalho, também foram identificadas expressivas transferências diretas e indiretas de recursos destas empresas em favor do próprio e de seus familiares. Conforme exaustivamente demonstrado neste TVF, constatamos aquisições de imóveis, transferências de recursos para eles e seus familiares, entre as próprias empresas, pagamentos de empregadas domésticas, cursos de medicina e programas de intercâmbio no exterior, entre outras transferências de patrimônio e renda do IGH, através de empresas controladas por Alexandro Silva Carvalho, em benefício dele e de seu núcleo familiar. As transferências diretas de recursos a Alexandro, ou seja, transferências em sua conta corrente durante o período fiscalizado oriundas de empresas destinatárias de recursos do IGH foram: R$49.772,00 da OTRIX, item 7.6; R$344.739,00 da NOTUS, item 7.7; R$980,00 da ENGMED, item 7.8; R$131.389,42 da LAJ, item 7.3 e R$18.921,03 de Erick Clayton, que é titular de 100% das cotas da Verdall, item 7.10. A L&A, conforme descrito no item 7.2, emitiu praticamente todas as suas notas fiscais tendo como tomador o IGH. Não foram encontrados registros Fl. 20879DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 30 como declarante em DIRF de pagamentos efetuados a outras Pessoas Jurídicas, o que nos permite inferir que os serviços contratados pelo IGH teriam que ter sido executados por pessoal vinculado à própria L&A, o que se demonstra impossível, em especial no ano de 2017, quando a empresa não registrou nenhum empregado. Em relação ao ano de 2018, o valor da folha da L&A correspondeu a 17,7% do faturamento. Considerando que os contratos indicam que os serviços seriam executados na unidade de saúde a que se vincula cada um dos contratos, fica evidente o superfaturamento dos valores praticados. Permitindo concluir que a empresa foi utilizada como forma de transferir recursos para Alexandro Silva Carvalho. (...)A TRIPLICE, conforme demonstrado no item 7.9, cujo titular foi configurado como interposta pessoa, controlada pelos irmãos Lucas e Alexandro Silva Carvalho, repassou parcela dos recursos transferidos pelo IGH para eles e para a LAJ Segurança, item 7.3; OTRIX, item 7.6; NOTUS, item 7.7; e LJ Serviços, item 7.4; inclusive com o pagamento de boletos destas empresas, todas destinatárias de recursos do IGH e controladas pelos irmãos Lucas e Alexandro Carvalho. Demonstrado o superfaturamento dos valores transferidos pelo IGH. Assim como também realizado pela OTRIX e já descrito, a TRIPLICE também efetuou transferência de recursos para a construtora ROCAZ CONSTRUTORA E EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA, CNPJ - 44.348.290/0001-34, dados cadastrais no anexo 133-01, que foram destinados à aquisição de imóvel em nome da empresa AA Holding de Instituições Financeiras LTDA, CNPJ- 30.062.250/0001-17, pertencente às filhas dos irmãos Carvalho. Cristiane da Conceição Duarte, companheira de Alexandro, também foi beneficiada pelo pagamento de boletos do curso de medicina na faculdade UNIME. Além destes, também foram identificados boletos que beneficiaram: - 02 boletos cujo beneficiário foi Alexandro Carvalho, no valor total de R$ 26.975,19 para pagamento da B2W; - 07 boletos cujo beneficiária foi Fernanda Silva Carvalho, CPF nº - 974.831.765-04, no valor total de R$47.410,45 para pagamentos para a Faculdade – FACS. Fernanda é irmã dos controladores da Triplice, Lucas e Alexandro Carvalho; - 09 boletos cujo beneficiária foi a empresa Notus Gestão, CNPJ nº - 15.138.216/0001-95, no valor total de R$36.000,00. A Notus também é uma empresa que presta serviços ao IGH e é controlada pelos irmãos Lucas e Alexandro e está sob ação fiscal sob responsabilidade dos Auditores que subscrevem o presente TVF, conforme descrito no item 7.7. A resposta encaminhada pelo ITAU, através do Ofício PJ 1907652, identifica vários beneficiários (sacado): 01 boleto cujo o beneficiário foi Alexandro Fl. 20880DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 31 Carvalho, no valor de R$ 7.968,00; 01 boleto cujo a beneficiária foi a empresa LAJ Segurança, no valor de R$ 11.223,21; 01 boleto cujo a beneficiária foi a empresa LJ Serviços, no valor de R$ 9.187,46; 03 boletos cujo beneficiária foi a empresa Notus, no valor total de R$ 34.105,74; 05 boletos cujo beneficiária foi a empresa NTS Serviços Especializados, no valor total de R$ 69.396,85. A VERDALL ALIMENTACAO E SERVICOS EIRELI, 13.425.904/0001-00, maior destinatária de recursos do IGH, conforme demonstrado no item 7.10, efetuou pagamentos de boletos correspondentes a pagamento de um boleto para a quitação de financiamento de um veículo em nome da irmã de Alexandro, Fernanda Silva Carvalho, CPF-131.587.768-63, dados cadastrais no anexo 131-01. Importante destacar os valores expressivos transferidos por Erick Clayton para a -NOTUS GESTAO INSTRUTORIA EIRELI, CNPJ - 15.138.216/0001-95, empresa destinatária de recursos do IGH e, conforme descrito no item 7.7, administrada e controlada pelos irmãos Lucas e Alexandro Silva Carvalho. [...]” Nesse passo, os fatos noticiados ao longo do TVF revelam que, além do interesse econômico, existia o interesse jurídico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador dos tributos lançados (obrigação principal) pela Fiscalização, tendo em vista que as condutas praticadas pelos diretores/administradores e pelos irmãos Lucas e Alexandro Silva Carvalho eram simuladas e vinculavam-se diretamente à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o descumprimento do fato imponível de cada tributo lançado. Com isso, torna-se razoável estabelecer que os elementos fáticos noticiados demonstram que os diretores/administradores e os irmãos Lucas e Alexandro Silva Carvalho atuavam conjuntamente, ou no mínimo de forma paralela e convergente, para cometer fraude tributária e para disponibilizar os recursos em suas contas bancárias. E isso permite afirmar que a responsabilidade solidária imputada pelo Fisco tem amparo no inciso I do art. 124 do CTN, que prevê uma hipótese objetiva de responsabilidade tributária solidária, e as alegações suscitadas na peça de defesa não serão acatadas. Dessa forma, ainda que, isoladamente, alguns dos documentos coletados não apontem a vinculação direta de cada corresponsável com a fraude tributária ocorrida dentro do IGH, o conjunto probatório se presta a comprovar a existência de interesse comum, motivo pelo qual não merece reparos a imputação da responsabilidade solidária dos diretores/administradores e dos irmãos Lucas e Alexandro Silva Carvalho, com fundamento no inciso I do art. 124 do CTN.” Fl. 20881DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 32 Na visão desta Relatora, validando a posição da DRJ, houve a escorreita individualização das condutas de infração imputadas pela Fiscalização bem como a demonstração da relação direta e específica dos solidários com os fatos geradores e a imposição tributária ora em discussão. Senti necessidade de acrescentar comentários sobre a responsabilização dos sócios da L&A Contabilidade Outsourcing LTDA (CNPJ nº 12.314.189/0001- 76), os irmãos Srs. Lucas e Alexandro Silva Carvalho. Ambos trazem em seus recursos a alegação de que não se pode atribuir responsabilidade solidária ao contador por mero inadimplemento do crédito tributário pelo cliente tomador do serviço de contabilidade. No entanto, não é esse o cenário, aqui não se trata de mero inadimplemento dos tributos, mas de pagamentos sem causa em função de compras consideradas fictícias, contratadas com empresa que nunca existiu de fato. Nessa linha, imprescindível relembrar os fatos e demais circunstâncias do TVF: “7.2 – DAS OPERAÇÕES DO IGH COM A L&A CONTABILIDADE OUTSOURCING LTDA A L&A CONTABILIDADE OUTSOURCING LTDA, CNPJ – 12.314.189/0001-76, dados cadastrais no anexo 20-01, atos constitutivos e alterações no anexo 20-02, foi constituída em 02/08/2010 e passou a utilizar a atual denominação a partir de alteração firmada em 24/10/2019, anteriormente denominada, L&A CONTABILIDADE, empresa com situação cadastral ativa, domiciliada à Rua FREDERICO SIMOES 98 SALAS 713/714, Caminho das Árvores, Salvador/Ba, tendo em seu quadro societário os irmãos Lucas Silva Carvalho, CPF 015.998.705-92, cadastro no anexo 101-01, contador do IGH, e Alexandro Silva Carvalho, CPF 646.619.705-00, cadastro no anexo 102-01, ambos com 50% das cotas. Lucas Silva Carvalho figura como sócio administrador. A partir de 19/11/2018, a L&A CONTABILIDADE OUTSOURCING LTDA constituiu uma filial com endereço na Rua Frederico Simões 125, sala 402. Mesmo endereço do IGH. Segundo informações constantes nas escriturações contábeis do IGH e disposto no anexo 12, “planilha Saída de Recursos IGH – Competência”, apresentada ao IGH em resposta ao item 4 do TIF-06, a L&A faturou para o IGH um total de R$1.457.321,66 em 2017 e R$4.523.175,38 em 2018, cujos valores foram efetivamente pagos, correspondentes a todos os contratos mantidos pelo IGH. Com base em pesquisa de valores registrados em GFIP, a massa salarial total da L&A foi de R$11.244,00 em 2017 e R$801.813,04 em 2018. Tendo apresentado o registro de apenas 1 contribuinte individual em 2017, correspondente à remuneração do sócio Lucas Silva Carvalho e com uma média de 42,33 somados os contribuintes individuais e empregados em 2018. Fl. 20882DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 33 Com base em Convênio mantido entre a RFB e a Prefeitura Municipal de Salvador, foi possível acessar as Notas Fiscais de Prestação de Serviços emitidas pela L&A CONTABILIDADE OUTSOURCING LTDA. Extratos das Notas Fiscais emitidas que têm o IGH como tomador no Anexo 20-10, indicam que foram emitidas face ao IGH R$1.457.321,66 em 2017 e R$4.563.737,60 em 2018, que correspondem respectivamente aos seguintes percentuais em relação ao total das Notas Fiscais emitidas no mesmo período: 96% em 2017 e 99% em 2018, o que deixa claro que quase todo o faturamento da empresa era oriundo do IGH. Apesar de ter sido destinatário de recursos expressivos oriundos do IGH, não há qualquer registro em DIRF correspondentes aos anos de 2017 e 2018 que indique a L&A como beneficiária. Não foram encontrados registros como declarante em DIRF de pagamentos efetuados a outras Pessoas Jurídicas, o que nos permite inferir que os serviços contratados pelo IGH teriam que ter sido executados por pessoal vinculado à própria L&A, o que se demonstra impossível, em especial no ano de 2017, quando a empresa não registrou nenhum empregado. Em relação ao ano de 2018, o valor da folha da L&A correspondeu a 17,7% do faturamento. Considerando que os contratos indicam que os serviços seriam executados na unidade de saúde a que se vincula cada um dos contratos, fica evidente o superfaturamento dos valores praticados. Foi aberto procedimento de diligência face à L&A, TDPF- 05.0.01.00-2020-00172- 0. A L&A, durante o período objeto da ação fiscal, com base nos contratos firmados com o IGH, cópias no anexo 20-11, foi conferido poderes expressos para o exercício de atividades de “Outsourcing” nas áreas de contabilidade, financeira, departamento pessoal e folha de pagamentos, vinculada a cada um dos contratos firmados pelo IGH, para administrar as diversas unidades de saúde. O termo “Outsourcing”, em uma tradução livre, significa uma “fonte de fora”, ou seja, é a utilização de serviços especializados externos ao corpo da empresa contratante. No caso em questão, vinculados às atividades contábeis, financeiras e administrativas. Todos os contratos e aditivos foram firmados pelo Superintendente do IGH, Paulo Brito Bittencourt, e pelo sócio da L&A, Lucas Silva Carvalho. Em todos, apesar da apresentação de publicação de processo seletivo, não foi demonstrada concorrência ou foi indicada a inexigibilidade em função da emergência. Constatados valores elevados e a falta de um critério quanto ao estabelecimento destes valores, com grande variação entre os contratos. Não há nos contratos especificação quanto à mão de obra que deveria ser alocada às atividades indicadas. Nas propostas apresentadas, há menção aos termos de referência contidos nos editais, com especificação de atividades vinculadas às áreas financeira, contabilidade, departamento de pessoal, folha de pagamento e contratos, que indicam a amplitude do papel administrativo e gerencial conferido Fl. 20883DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 34 contratualmente à L&A Contabilidade Outsourcing Ltda, transformando-a, através de seus sócios, em verdadeiros dirigentes do IGH. Foram conferidos amplos poderes vinculados às áreas financeira, contas a pagar, contas a receber, faturamento, que inclui competências eminentemente gerenciais, além da atuação na gestão contábil, do Departamento de Pessoal, folha de pagamentos e contratos. Conforme descrito e demonstrado neste TVF, além da concessão dos poderes conferidos contratualmente, do superfaturamento dos valores e incapacidade fática da prestação dos serviços, em especial no ano de 2017, quando não dispunha de nenhum empregado ou prestador de serviços, também houve um grande fluxo de recursos do IGH para empresas controladas pelos sócios da L&A, sem que tenha sido possível comprovar a efetiva prestação de serviços. Também ficou demonstrado, como descrito no item 13, a expressiva transferência direta e indireta de recursos de empresas destinatárias de recursos do IGH analisadas pela fiscalização para os irmãos Lucas e Alexandro Silva Carvalho, tornando-os beneficiários de parcela dos recursos transferidos pelo IGH.” (destaques desta Relatora) Como se vê, não se constata aqui uma prestação de serviços de terceiros normal e usual. Ao contrário de evidenciar uma simples execução de serviços contábeis e outsourcing em geral (financeiro, atividades de departamento pessoal etc), na verdade há elementos bastante convincentes quanto à participação dos sócios na atuação fraudulenta em questão, perspectiva que atrai a responsabilização solidária nos termos do art. 124, I do CTN, configurando interesse comum. E o interesse comum não é apenas econômico, mas também jurídico, pois os sócios e irmãos (Srs. Lucas e Alexandro Silva Carvalho) atuaram em comum na situação que constitui o fato imponível, ou seja, participando em conjunto da conduta descrita na hipótese de incidência. E isso se configura porque os irmãos se beneficiaram dos negócios jurídicos fraudulentos ora questionados e os valores não tributados que ensejam a presente exigência. A solidariedade passiva no pagamento de tributos por aqueles que agiram fraudulentamente é pacífica. Portanto, nada a ser reparado, mantendo-se a responsabilidade solidária de todos os responsáveis indicados no lançamento, nos termos da decisão da DRJ. É como voto. Recurso de Ofício – Responsabilidade Tributária nos termos do art. 135 do CTN Fl. 20884DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 35 Como aludido anteriormente, a DRJ julgou PROCEDENTES em parte as impugnações apresentadas pelos responsáveis Lucas Silva Carvalho e Alexandro Silva Carvalho, para excluir somente a imputação do inciso III do art. 135 do CTN, mantendo-se o crédito tributário e a imputação de responsabilidade tributária nos termos do inciso I do art. 124 do CTN. O afastamento do art. 135 em relação a esses responsáveis foi objeto de recurso de ofício neste processo. Já a manutenção da responsabilidade com base no art. 124 foi questionada pelas pessoas físicas em sede de recurso voluntário. Relativamente ao recurso de ofício, entendo que deva ser conhecido, por se tratar de assunto envolvendo responsabilidade tributária e que o valor do crédito (total histórico de R$ 192.318.682,96) supera em muitas vezes o valor de alçada. Apesar disso, entendo por bem manter os termos da DRJ também nesse caso, já que concordo inteiramente com suas razões quanto à inaplicabilidade do art. 135 do CTN a ambos esses responsáveis: “Por sua vez, com relação aos Lucas Silva Carvalho, Alexandro Silva Carvalho, acolho o pedido, pois, de fato, não há demonstração de que eles exerciam atividades de administradores dentro do IGH nos anos-calendário de 2017 e 2018, nem há elementos probatórios capazes de afirmar que ambos exerciam atividades de mandatários, prepostos ou empregados. Por sua vez, com relação aos Lucas Silva Carvalho, Alexandro Silva Carvalho, acolho o pedido, pois, de fato, não há demonstração de que eles exerciam atividades de administradores dentro do IGH nos anos-calendário de 2017 e 2018. Isso porque a narrativa da Fiscalização resumiu em registrar que tanto Lucas Silva Carvalho como Alexandro Silva Carvalho atuavam na fraude/sonegação ora noticiada na condição de responsáveis pela escrita contábil e pelas declarações apresentadas pelo IGH ao Fisco, e que Lucas Silva Carvalho foi designado como procurador na presente ação fiscal. Nos termos mencionados no TVF, como contador da empresa autuada, seja Lucas Silva Carvalho, seja Alexandro Silva Carvalho, ambos tinham como função na empresa IGH de representála perante a administração tributária, além de cuidar de todos seus registros contábeis e fiscais. O fato de o contador ser procurador da empresa junto aos fiscos, isso não lhe deu poderes de gestão sobre ela, nem permite que se conclua pela imputação do inciso III do art. 135. Dessa forma, impõe-se reconhecer que, em razão da ausência de elementos probatórios de atos de gestão dentro do IGH, seja afastada a imputação do inciso III do art. 135 do CTN, tanto para Lucas Silva Carvalho como para Alexandro Silva Carvalho. Isso porque a regra-matriz de incidência desse artigo citado exige que – além de que as obrigações tributárias sejam resultantes de atos irregulares, praticados com excesso de poderes ou infração de lei, ou estatutos –, a conduta Fl. 20885DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.576 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15588.720862/2021-17 36 praticada pelo sujeito passivo (responsável) esteja vinculada aos atos de diretoria, gerência ou representação de pessoa jurídica (inciso III do art. 135 do CTN), ou seja, a conduta praticada deve ser relacionada aos atos cometidos (alcançados) na condição de administrador da empresa autuada.” Assim, nego provimento ao recurso de ofício, mantendo a decisão da DRJ por seus próprios termos. Conclusão: Ante o exposto, - conheço e nego provimento ao Recurso de Ofício. - conheço parcialmente os Recursos Voluntários, e na parte conhecida, dou-lhes parcial provimento apenas para excluir do lançamento os valores relativos a pagamentos feitos a CARMEM LÚCIA PEDRUZZI e JORGE ALBERTO ANDERS, no mais mantendo-se a decisão da DRJ por seus próprios fundamentos. - reduzo, de ofício, a multa de 150% para percentual de 100% em função da nova regra mais benéfica (art. 8º da Lei 14.689/2023). Assinado Digitalmente Andressa Paula Senna Lísias Fl. 20886DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 16561.720013/2012-25
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. REVISÃO DE OFÍCIO ANTES DO JULGAMENTO EM 1ª INSTANCIA. Não há impedimentos para que a autoridade fiscal, ao tomar conhecimento de erros ou novos fatos que impliquem na alteração de crédito tributário já constituído, inclusive mediante auto de infração, promova a revisão de ofício com amparo no art. 149 do CTN, ainda que o contribuinte já tenha apresentado impugnação. Caso essa revisão de ofício seja feita após o transcurso do prazo decadencial, somente são cabíveis ajustes na apuração do crédito tributário, bem como na base de cálculo, que não impliquem em agravamento da exigência, podendo ainda a correção de erros formais. Em qualquer hipótese o contribuinte deve ser novamente cientificado, reabrindo-se o prazo de 30 dias para impugnação. Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2008 VALOR ADUANEIRO. ACORDO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA. COMPOSIÇÃO DO VALOR ADUANEIRO. O valor aduaneiro de mercadorias importadas é determinado em conformidade com o Acordo de Valoração Aduaneira (AVA/GATT) e o integram, independentemente do método de valoração utilizado, o custo do seguro da mercadoria.
Numero da decisão: 3002-004.120
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3002-004.119, de 29 de janeiro de 2026, prolatado no julgamento do processo 16561.720015/2012-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriano Monte Pessoa, Gisela Pimenta Gadelha, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Neiva Aparecida Baylon, Renata Casorla Mascareñas, Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão (Presidente).
Nome do relator: RENATO CAMARA FERRO RIBEIRO DE GUSMAO

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. REVISÃO DE OFÍCIO ANTES DO JULGAMENTO EM 1ª INSTANCIA. Não há impedimentos para que a autoridade fiscal, ao tomar conhecimento de erros ou novos fatos que impliquem na alteração de crédito tributário já constituído, inclusive mediante auto de infração, promova a revisão de ofício com amparo no art. 149 do CTN, ainda que o contribuinte já tenha apresentado impugnação. Caso essa revisão de ofício seja feita após o transcurso do prazo decadencial, somente são cabíveis ajustes na apuração do crédito tributário, bem como na base de cálculo, que não impliquem em agravamento da exigência, podendo ainda a correção de erros formais. Em qualquer hipótese o contribuinte deve ser novamente cientificado, reabrindo-se o prazo de 30 dias para impugnação. Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2008 VALOR ADUANEIRO. ACORDO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA. COMPOSIÇÃO DO VALOR ADUANEIRO. O valor aduaneiro de mercadorias importadas é determinado em conformidade com o Acordo de Valoração Aduaneira (AVA/GATT) e o integram, independentemente do método de valoração utilizado, o custo do seguro da mercadoria. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento Fl. 98616DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.120 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16561.720013/2012-25 2 seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3002- 004.119, de 29 de janeiro de 2026, prolatado no julgamento do processo 16561.720015/2012-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriano Monte Pessoa, Gisela Pimenta Gadelha, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Neiva Aparecida Baylon, Renata Casorla Mascareñas, Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão de primeira instância, que, apreciando a Impugnação do sujeito passivo, julgou- improcedente. A exigência é referente ao suposto crédito decorrente de Autos de Infração para cobrança do II – imposto sobre a importação, IPI – imposto sobre produtos industrializado, PIS- importação e COFINS-importação, respectivas multas de ofício (artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/96 para o I.I. e art. 80, inciso I, da Lei no. 4502/64, com redação do art. 45 da Lei 9430/96 para o IPI) e dos juros de mora, tendo em vista a declaração inexata do valor do seguro de transporte, no período de 1o de janeiro de 2007 a 31 de dezembro de 2008. As circunstâncias da autuação e os argumentos de Impugnação estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, em síntese abaixo, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2008 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. SEGURO. O valor aduaneiro abrange o custo do seguro de transporte, para fins de base de cálculo dos tributos incidentes nas operações de importação de mercadorias estrangeiras. Não há restrição na legislação tributária aos interesses juridicamente protegidos pelo contrato de seguro, para fins de determinação do valor aduaneiro, desde que os mesmos tenham relação com os riscos da operação REVISÃO DE OFÍCIO. NOVO LANÇAMENTO. Fl. 98617DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.120 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16561.720013/2012-25 3 É cabível a revisão de ofício do lançamento pela autoridade administrativa quando constatada a ocorrência de erro de fato, dando-se ciência ao contribuinte do Auto de Infração retificado, com reabertura do prazo para impugnação. Cientificado do acórdão recorrido, o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário, solicitando: “Ante o exposto, requer a Recorrente o recebimento do presente Recurso Voluntário para que seja declarada a nulidade do auto de infração guerreado pela existência de vício material insanável, consistente na lavratura de novo auto de infração sobre a mesma matéria do anterior, quando já instaurado o contencioso administrativo tributário relativamente ao primeiro Al, conforme amplamente demonstrado, cancelando-se o lançamento do crédito tributário. Subsidiariamente, ad argumentandum, caso esta Egrégia Turma Julgadora entenda pela inexistência de nulidade do auto impugnado, no mérito, requer seja dado provimento integral ao presente Recurso Voluntário, cancelando-se integralmente a autuação.” É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: DA COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO Com base nos artigos 45, 48 e 65, do Anexo da Portaria MF nº 1.634, de 2023, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), este colegiado é competente para apreciar este feito. DO CONHECIMENTO O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, de forma que o conheço. PRELIMINAR Nulidade da revisão de ofício do auto de infração A decisão recorrida entendeu ser válida a correção do lançamento tributário por se tratar de mero ajuste de cálculo, sem mudança de critério jurídico. Fl. 98618DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.120 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16561.720013/2012-25 4 Contudo, a recorrente sustenta que esse entendimento não encontra amparo legal. Diz que o auto de infração lavrado em 28/03/2012 apresenta vício material insanável, pois constitui simples retificação do outro auto anterior, de 17/02/2012, sendo ambos idênticos em todos os aspectos relevantes, exceto quanto aos valores do seguro considerados na base de cálculo. No primeiro auto, os valores do seguro foram indevidamente considerados em moeda estrangeira, gerando erro material na determinação da base de cálculo e do montante do tributo. Posteriormente, a autoridade fiscal lavrou novo lançamento corrigindo esse erro, com valores em moeda nacional. Alega a recorrente que a revisão de ofício do lançamento é admitida apenas nas hipóteses do art. 149 do CTN, especialmente por erro em elemento essencial do lançamento, tendo em vista os arts. 142 e 143 do CTN. Além disso, a revisão é juridicamente inviável porque, em 20/03/2012, já havia apresentado impugnação tempestiva contra o primeiro auto, instaurando a fase litigiosa do processo administrativo fiscal. Com isso, encerrou-se o prazo para revisão de ofício, tornando inválido o novo auto de infração, que deve ser cancelado. Cita acórdãos do Conselhos de Contribuintes, Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Entendo que não assiste razão a recorrente, posto que, como muito bem explanou a decisão de piso, tratou-se de correção de erro de fato cometido pela autoridade autuante. Inicialmente, cumpre esclarecer que as decisões administrativas, ainda que reiteradas sobre determinada questão, embora de inestimável valor como fonte de consulta, servem apenas como forma de ilustrar e reforçar a argumentação dos litigantes, não sendo oponíveis à autoridade administrativa de julgamento, dado que não constituem normas complementares à legislação tributária (arts. 96 e 100, CTN). Não podem, portanto, ser estendidas genericamente a outros casos, pois aplicam-se somente entre as partes do processo administrativo. Enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública, o art. 145, III, c/c art. 149, do CTN, bem como o art. 53 da Lei nº 9.784/1999, conferem à Administração a prerrogativa de revisar, de ofício, seus atos administrativos sempre que constatada a existência de erro de fato, fraude ou o surgimento de elementos novos relevantes. A Portaria Conjunta SRF/PGFN nº 1/1999, inclusive, autoriza a revisão de débitos já inscritos em dívida ativa quando comprovado erro de fato. No caso em exame, como reconhece a própria recorrente, o motivo da retificação do auto lavrado em 17/02/2012 foi que, naquele auto de infração, a AFRFB considerou os valores expressos em moeda estrangeira, retificando posteriormente o lançamento, considerando valores expressos em moeda nacional. Fl. 98619DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.120 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16561.720013/2012-25 5 Nesse contexto, a revisão de ofício do ato originário mostrou-se legítima e devidamente respaldada pelo ordenamento jurídico, nos termos do art. 149 do CTN, em conjunto com o art. 53 da Lei nº 9.784/1999, por estar fundamentada em erro de fato capaz de alterar substancialmente os pressupostos que embasaram o lançamento. No que toca ao erro de fato, tem-se, ainda, que, de acordo com o § 3º, do art. 18, do Decreto nº 70.235/1972, quando verificadas incorreções, omissões ou inexatidões, de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendo-se ao sujeito passivo prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. Enfim, se a legislação tributária e demais normas que disciplinam o processo administrativo fiscal admitem a reparação de eventuais erros de fato, notadamente quando há apuração incorreta da base de cálculo do crédito tributário conforme o caso em espécie, cometidos pela autoridade autuante, inclusive quando resultem em agravamento da exigência inicial, indiscutivelmente não há qualquer óbice em corrigir tal equívoco de fato. Corroborando esse entendimento, a jurisprudência consolidada do CARF reconhece que a Administração Tributária detém o poder-dever de revisar, de ofício, a legalidade de seus próprios atos sempre que identificados vícios de legalidade, erro de fato ou a superveniência de elementos novos aptos a modificar o ato originário. AUTO DE INFRAÇÃO – REVISÃO DE OFÍCIO ANTES DO JULGAMENTO EM 1ª INSTANCIA – APÓS TRANSCURSO DO PRAZO DECADENCIAL. Não há impedimentos para que a autoridade fiscal, ao tomar conhecimento de erros ou novos fatos que impliquem na alteração de crédito tributário já constituído, inclusive mediante auto de infração, promova a revisão de ofício com amparo no art. 149 do CTN, ainda que o contribuinte já tenha apresentado impugnação. Caso essa revisão de ofício seja feita após o transcurso do prazo decadencial, somente são cabíveis ajustes na apuração do crédito tributário, bem como na base de cálculo, que não impliquem em agravamento da exigência, podendo ainda a correção de erros formais. Em qualquer hipótese o contribuinte deve ser novamente cientificado, reabrindo-se o prazo de 30 dias para impugnação. (Acórdão 1201-007.038 – 1ª Seção/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Sessão de 08/10/2024) ERRO DE FATO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (Acórdão nº 2001-004.222 – 2ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária. Sessão de 28/04/2021) AUTO DE INFRAÇÃO. INCORREÇÃO NA BASE DE CÁLCULO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 98620DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.120 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16561.720013/2012-25 6 Eventual incorreção na apuração da base de cálculo não macula a validade do auto de infração, mormente se a apontada imprecisão resta incomprovada. (Acórdão nº 3401004.376 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 01/02/2018) ERRO DE FATO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. Não havendo prejuízo à defesa, não há que se declarar a nulidade do lançamento por erro de fato. (Acórdão nº 2101-002.336 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 17/10/2013) Tais precedentes evidenciam que não se trata de reabertura de contencioso administrativo, mas do exercício regular do poder de autotutela da Administração, consagrado na Súmula 473 do STF, segundo a qual “a Administração pode anular seus próprios atos quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos”. Ante o exposto rejeito a preliminar suscitada. MÉRITO De acordo com a fiscalização, a recorrente deixou de incluir, no valor aduaneiro declarado, parte dos valores pagos a título de seguro de transporte internacional, que devem compor a base de cálculo do Imposto de Importação, do IPI e das contribuições ao PIS e à Cofins na importação, como determina a legislação de regência. A autoridade fiscal apurou diferenças entre os prêmios de seguro efetivamente pagos e os informados nas Declarações de Importação (DI) com base em informações e documentos apresentados pela empresa, bem como utilizando dados do Siscomex e de seguradoras. Em razão de tais omissões, lavrou os competentes Autos de Infração para constituir o crédito tributário dos tributos não recolhidos, acrescidos dos encargos legais. A DRJ manteve a autuação, considerando, em síntese, que os valores de prêmio preenchem todos os requisitos previstos pela legislação, em especial pelo Acordo de Valoração Aduaneira (AVA) e da opção feita pelo Brasil para serem adicionados ao valor aduaneiro e consequentemente à base de cálculo dos impostos incidentes na importação. A recorrente alega que apresentou robusta documentação demonstrando que o valor oferecido à tributação relativamente ao seguro incluiu apenas as rubricas inerentes ao custo das mercadorias e ao frete (transporte internacional e gastos a ele associados), ambos incorridos antes do momento da entrada das mercadorias no território aduaneiro. Diz que as diferenças perseguidas pela fiscalização se referem a parcelas do prêmio do seguro relativas a “despesas”, “lucros esperados” e “tributos (II, IPI, Fl. 98621DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.120 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16561.720013/2012-25 7 ICMS, PIS e COFINS)”, que não poderiam compor o valor aduaneiro por manifesta ausência de previsão legal, visto que se trata de custos de seguro relacionados a eventos ocorridos após o desembarque das mercadorias no ponto de fronteira alfandegado. Nesse sentido, explica que tais rubricas têm as seguintes naturezas, em síntese: 1. Despesas: Correspondem a uma estimativa de 10% do custo das mercadorias acrescido do frete, utilizada no cálculo do prêmio do seguro. Abrangem gastos como despachante, armazenagem e transporte interno, que somente ocorrem após a entrada das mercadorias no território aduaneiro e cujo valor efetivo só é conhecido ao final do processo de importação, podendo variar conforme as circunstâncias; 2. Lucros esperados: Consistem na estimativa de 10% sobre o custo, frete e despesas, referente ao lucro projetado com a revenda ou industrialização dos bens importados. Trata-se de expectativa vinculada à operação de venda no mercado interno, ocorrendo em momento posterior à importação, sendo incluída no seguro para cobrir o ganho esperado com a comercialização; e 3. Tributos (II, IPI, ICMS, PIS e COFINS): Englobam os valores dos tributos incidentes na importação, suportados no momento do desembaraço aduaneiro, portanto após a entrada da mercadoria no território aduaneiro. A inclusão dessa rubrica no seguro visa resguardar o custo tributário que compõe o valor de aquisição dos bens importados. Sustenta que a inclusão, no valor aduaneiro, de custos de seguro relacionados a eventos ocorridos após o desembarque das mercadorias no ponto de fronteira alfandegado “não encontra respaldo legal, e viola o disposto na Opinião Consultiva n° 13.1 do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira da Organização Mundial de Aduanas (OMA), incorporada ao Direito Pátrio pelo Decreto n° 1.355/1994 e pela IN SRF n° 318/2003, bem como na jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF”. Em que pese os argumentos trazidos, entendo não ter razão a recorrente, pelas razões a seguir expostas. Como apontado pela decisão guerreada, os valores dos prêmios de seguro estão objetivamente quantificados e calculados, individualizados por declaração de importação autuada, inexistindo qualquer margem de indeterminação, preenchendo todos os requisitos previstos pelo AVA com a finalidade de serem adicionados enquanto valor aduaneiro e figurarem como base de cálculo para os impostos incidentes na operação. O valor aduaneiro adotado pelo País é aquele estabelecido conforme Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994, conhecido como Acordo de Valoração Aduaneira – AVA/GATT, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 1994. A matéria foi regulamentada pelo Decreto nº 4.543/2002 e seguintes. Os Fl. 98622DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.120 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16561.720013/2012-25 8 procedimentos a serem adotados para a determinação do valor aduaneiro das mercadorias foi disciplinado pela Instrução Normativa SRF nº 327/2003. Dos dispositivos mencionados, infere-se que compõem o valor aduaneiro da mercadoria, resumidamente, o custo da mercadoria; o custo com o transporte internacional até o ponto de descarga ou até o local onde se realizam os procedimentos aduaneiros; o custo com despesas de carga, descarga e manuseio até esses pontos; e o custo com o seguro da mercadoria durante as operações de transporte internacional, carga, descarga e manuseio até os locais antes referidos. No presente caso, a fiscalização, ao verificar que os valores referentes aos custos com o seguro das mercadorias não haviam sido integralmente declarados e, portanto, não compuseram na sua totalidade os valores aduaneiros, recompôs tais valores, acrescentando as diferenças no valor pago pelo seguro e lançando os valores apurados. A contrariedade da recorrente se baseia no argumento de que o valor do seguro acrescentado pela fiscalização para compor o valor aduaneiro das mercadorias incluía, além do valor referente ao custo das mercadorias e ao frete, aqueles valores referentes às despesas, aos lucros esperados e ao valor dos tributos e, portanto, seria indevido. Contudo, nas apólices de seguro apresentadas (fls. 107/296), constata-se que se trata de seguro de transportes internacionais de mercadorias estrangeiras com o seguinte “âmbito de cobertura”: Dos armazéns e/ou depósitos do Exportador, em qualquer país no Exterior, para Armazéns e/ou Depósitos do Segurado, localizados no Território Brasileiro. Não obstante o seguro ser de "armazém à armazém", âmbito de cobertura reger- se-á pela negociação do contrato de compra e venda das mercadorias objeto do seguro (INCOTERMS). (Grifou-se) Assim, o fato de terem sido incluídos nos valores a serem cobertos pelo seguro outras rubricas que não somente o custo efetivo das mercadorias e o frete, em nada afasta a constatação de que o objeto do seguro abrange as mercadorias importadas durante o transporte internacional. De fácil compreensão que as verbas seriam indenizadas no caso de sinistro referente às mercadorias no curso do transporte internacional, pois não haveria nenhum sentido em se falar em despesas, lucros esperados ou valor de tributos caso não se relacionassem às mercadorias transportadas. Não se pode confundir, como quer a recorrente, o objeto do seguro, que no caso são as mercadorias importadas, com os valores a serem indenizados pela seguradora, que no caso incluem outros que não somente o custo efetivo das mercadorias importadas e o frete. Fl. 98623DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.120 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16561.720013/2012-25 9 Portanto, não resta dúvida de que o seguro contratado e pago se referia às mercadorias importadas durante o transporte internacional dessas, fato que se subsumi perfeitamente à hipótese prevista na norma inciso III do art. 77 do Decreto nº 4.543/2002 e inciso III do art. 4º e 5º da IN SRF nº 327/2003. O Acordo de Valoração Aduaneira em nenhum momento faz qualquer restrição aos interesses que estariam sendo cobertos pela apólice de seguro, limitando-se a exigir que tal seguro tivesse relação direta com o transporte e manuseio de mercadorias. Tanto as despesas, como os lucros esperados e os tributos têm relação direta com as citadas operações. É lógico se imaginar que, havendo sinistro no transporte das mercadorias, esses três fatores seriam diretamente afetados. Quanto ao objeto do seguro, assim determina o Código Civil Brasileiro em seus arts. 757, caput, e 779: Art. 757. Pelo contrato de seguro, o segurador se obriga, mediante o pagamento do prêmio, a garantir interesse legítimo do segurado, relativo a pessoa ou a coisa, contra riscos predeterminados. Parágrafo único. Somente pode ser parte, no contrato de seguro, como segurador, entidade para tal fim legalmente autorizada. (...) Art. 779. O risco do seguro compreenderá todos os prejuízos resultantes ou conseqüentes, como sejam os estragos ocasionados para evitar o sinistro, minorar o dano, ou salvar a coisa. Logo se percebe que, será o contrato, celebrado entre o importador e a seguradora, que determinará a abrangência dos interesses protegidos pelo seguro. Verifica-se dos artigos citados que os danos resultantes ou consequentes também estão na esfera dos riscos cobertos pelo contrato de seguro, como é o caso do lucro esperado, que deixa de existir de imediato pela perda do bem que seria comercializado. Do mesmo modo, os tributos incidentes na operação podem ser cobrados do importador, mesmo no caso de sinistro, nos termos da legislação referente à responsabilidade por avarias e extravio. Não pode a legislação fiscal alterar os conceitos de direito privado, no caso o conceito de seguro, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Fl. 98624DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.120 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16561.720013/2012-25 10 Em tese, seria possível excluir do valor aduaneiro o valor da cobertura do seguro no território aduaneiro, caso esse valor fosse segregado na respectiva apólice, como prevê o art. 5º da IN SRF nº 327/2003: Art. 5º No valor aduaneiro não serão incluídos os seguintes encargos ou custos, desde que estejam destacados do preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas, na respectiva documentação comprobatória: I - custos de transporte e seguro, bem assim os gastos associados a esse transporte, incorridos no território aduaneiro, a partir dos locais referidos no inciso I do artigo anterior; e II - encargos relativos a construção, instalação, montagem, manutenção ou assistência técnica da mercadoria importada, executadas após a importação. (Grifou-se) Compulsando os autos, porém, não se constata nenhuma demonstração e comprovação nesse sentido. Conclui-se, portanto, pela procedência da inclusão do seguro contratado na composição do valor aduaneiro das mercadorias importadas, como realizado pela fiscalização. Diante do exposto, voto por negar provimento neste ponto. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e negar provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão – Presidente Redator Fl. 98625DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 00000.845621/23-78
Data da sessão: Fri May 25 00:00:00 UTC 1979
Ementa: FALTA APURADA EM CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO - O fato gerador do imposto de importação é a entrada da mercadoria estrangeira no país, materializando-se, quanto à mercadoria em falta, o fato gerador ficto. Também, na chegada do navio são levados ao conhecimento das autoridades aduaneiras os elementos, necessários à apuração da falta. O "dólar fiscal" e alíquotas tarifárias a serem utilizados no cálculo do crédito tributário são os vigentes nessa ocasião.
Numero da decisão: 302-24.448
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Sálvio Medeiros Costa, que negou, e Levy Valério de Oliveira, Raimundo José Alves Gonçalves e Edwaldo Reis da Silva que deram, em parte, para considerar como data de referência para cálculo do tributo a da conferência final do manifesto, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: EDUARDO JORGE PEREIRA JUNIOR

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MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO. CONSELHO DE CONTRIBUINTES 2ª CAMARA Sessão de25.c1E3..maio de1979 ACORDÃO N.o 24./+48.. • Recurso n.o Recorrente Recorrid 93.553 - Processo nº 0845/62123/78 AGlNCIA MARíTIMA SINARIUS S/A. DRF- SANTOS FALTA APURADA EM CONFERlNCIA FINAL DE MANIFESTO - O fa- to gerador do imposto de importação é a entrada da mer- cadoria estrangeira no país, materializando-se, quanto' à mercadoria em falta, o fato gerador ficto. Também na chegada do navio são levados ao conhecimento das autori dades aduaneiras os elementos necessários à ~puração da falta. O "d61ar fiscal" e alíquotas tarifárias a serem' utilizados no cálculo do crédito tributário são os vigen tes nessa ocasião. - • Visto, relatado e discutido o presente processo, ACORDAM os membros da 2ª Câmara do Terceiro Conselho ' de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao rec~ so, vencidos os Conselheiros Sálvio Medeiros Costa, que negou, e Levy Valério de Oliveira, Raimundo José Alves Gonçalves e Edwaldo Reis da Silv~ que deram, em parte, para considerar como data de ' referência para cálculo do tributo a da conferência final do mani festo, na forma do relat6rio e voto que passam a integrar o pre- Sala de Sess~es, 25 de maio de 1979. DA ~AMA, JO~O DA SILVA ARAÚJO e ENILA CHAGAS. Participaram ainda do Conselheiros. EDUARDO NOGUEIRA LEITE DE FREITAS /. tl1\1IUR----Rsl"â'C o r da faz. os seguintes • -2- SERViÇO PÚBLICO FEDERAL MF- TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, SEGUNDA CAMARA • RECORRENTE RECORRIDA RELATOR AGlNCIA MARíTIMA SINARIUS S/A. DRF- SANTOS EDUARDO JORGE PEREIRA JUNIOR. R E L A T d R I O Rec. 93.553 Ac • 24.448 • Concluindo conferência final do manifesto nº 1830/7~ do vapor" ALBERTO COCOZZA", entrado no porto de Santos em16/07/7~ foi lavrado, em 27/06/78, o auto de infração de fls. 1, no qual' se exigiu da ora recorrente as importâncias de ~ 170,31 de Impo~ to de Importação, ~ 85,15 de multa do art. 106, 11, "d", do De-' creto-lei 37/66 e ~ 5'0,00 de multa do art. 5º do Decreto-lei 751/69, no total de ~ 305,46. Intimada na data do auto, apresentou tempestivamente a impugnação as fls. 66 a 71, no qual reconhece a falta e acr~sci- mo apontados no auto, mas impugna o cálculo do imposto, baseado' na taxa do dólar e alíquota vigentes na data da autuação, suste~ tando que deveria ter sido feito com base nos vigentes à ~poca ' da importação. A autoridade de lª instância nao acolheu as alegações ' da defesa e na costumeira decisão xerografada a fls. 15 a 20,ma~ teve as exigências da peça basica do processo. Intimada dessa decisão em 7/11/78 (fls. 21h interpôs -a autuada o recurso de fls. 24 a 30, no qual repete as alegações e ________ a__rgumento~da defe.s-ª_. _ __I Rec. 93.553 Ac . 24.448 -3- SERViÇO PÚBLICO FEDERAL v O T O de saber-se que ,alíquota cálculo do imposto, no ' parágrafo único do art. O f.ato de haver empregado o mesmo parágrafo único a expre~ sao "cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira", ,~ 'Z ' f' '. t • t~-b. ~d paragra Q ! 'Dl co ,em ] e \lado a in ,erpr~ tação segundo a qual o fato gerador do imposto ocorre no momento I em que a autoridade aduaneira apura a falta referida, resultando' dai conclusão de que a ~l{quota e taxascambiai~ a aplicar sejam ' a~s-dat:jue-l-e-mom'e'fl+(JI~.'------------~------------- Tal"inte'rp'iet'ação,data vênia, não encontra apoio na'lei,' ficto ocorre 'mesmo fato gerador do art. lº . A ques tão susci tada n'oprocesso é a e taxa de câmbio devem ser aplicadas para caso do fato. gerador ficto estabelecido no lº do Decreto-lei 37/66. Este, depois de estabelecer, concorde com o C.T.N., que o fato gerador do Imposto de Impo~tação.é a entrada da mercadoria es trangeira no território nacional ( caput do art. lº) estatue no seu parágrafo,único, a figura do mesmo fato gerador, porém ficto, ao ' considerar, para efeito da ocorrência do fato gerador, como entra- da no território na~ional, a mercadoria que constar como tendo si- do importada, mas posteriormente achada em falta. Esse dispositivo se apoia n~ art. 116 do C.T.N., pois considera ocorrido o mesmo fa to gerador quando se reunem as circunstâncias materiais constante' do manifesto; do conhecimento de carga ou documentos equivalentes- necessárias a que produza os efeitos que normalmenfe lhe são pró-' prios" ou seja~, a descarga d~ mercadoria, sua entrada no territó~ rio n'acional. E nenhuma disposição do Decreto-lei 37/66 ou de outra qualquer lei dispõe em contrário. E portanto estatue que o no momento estabelecido no caput • • '. no' Com efeito, uma mercadoria consta como tendo sido importa- ~a q~an~o consta~te de manifesto, conhecimento de carga ou documen , , tos equivalente~, e desd~ o momen~o em.que o veículo condutor (na- v'io, avião, etc .•• ) entra 'no por.to'ou local a que, segundo tais docu 4 .entos,se destina tal mercadoria, e a ,autoridade aduaneira recebe' .. t~is documentos."Rece.ben,.dO'outróss'im, ,as f.olhas de descarga das' -segue- " " '. '. , • Rec. 93.553 Ac . 24.448 -4- SERVICO púBLICO FEDERAL me~cadorias, tem, nesse momento, conhecimenio de qualquer falta de mexcadoria que deveria ter sido descarregada. Aquele,o momento, da ocorrincia do fato gerador da obrigaç~o tribut~ria, ~anto para as m~rcadorias efetivamente descarregadas,' como para aquelas que porventura venham a ser encontradas em fal- ta ; com relaç~o às últimas, o fato gerador é ficto, isto é,consi- dera-se a mercadoria em falta como realmente entrada no território nacional, entrada que ocorre desde O momento em que ocorreria o fa to 'gerador real se. n~o houvesse. a falt,a. Int~rpretar-se de outra maneira, dando como ocorrido o fato gerador f~cto de que se trata em outro momento, seria admitir-se a possibilidade jurí~ic~ de criar a simples lei tribut~ria fato ger~ dor, ainda que fict9, diverso do previsto no a~t. 19 do Código Tri but~rio Nacional - lei Complementar da Constitúiç~o, de maior hie- Farquia. Tal possibilidade jurÍdica tem'sido rechassada pelo Supremo Tribunal Federal, como se vê, entre outros, dos acórd~os proferidos' , ' . nos Agravos nº 74.526-in.DJ. de 05/10/78, 74.389-in DJ. 10/10/78 e 74.597.1, in Dj 16/03/79, declarando este, em sua ementa, que "o ' artigo 23, .do Decreto-lei nº 37, de 1966, que considera ocorrido o fato gerador do Imposto de Importaç~o na data do registro na repa.!:. tiç~o aduaneira da respectiva declaraç~o, n~o pode prevalecer sobre a disposiç~o sobranceira do artigo 19 do Código Tribut~rio Nacio- nal,segundo o qual o fato gerado~ é a entrada ~o produto estrang~ ro no território nacional" (os grifos n~o s~o do original). to menos simples interpretaç~o da mesma lei que venha conflitar com aquela disposiç~o de lei Complementar da Constiruiç~o, como é o Código Tribut~rio Nacional . .-Ta-14nt-eJ:'lJFe-t-aç~lJf8Tiriaregras eTementares de nermeneufi- ca, e f~riria o pri~cípio da hierarquia das leis. Por out~laõo, apurar umà---'-faItade mercadoria presupoe que a m~sma tenha sido considerada como entrada, e a falta ocorrido a~ tes de qualquer início do procedimento da apuraç~o, o que exclue a possibilidade de'se tomar .como momento da ocorrincia do fato gerador o 'da apuraç~o posterior de mes~o fàto j~ antes ocorrido. O Código Tribu.t~rio Nacional dispõe no art. 143 'que quando' 0~alor tribut~vel, ,esteja expresso em''moeda estrangeira, .no lança- ~' -segue- Rec . .93.553 Ac . 24.448 -5- SERViÇO PÚBLICO FEDERAL. do 37/66 em moeda nacional ao câmbio n~o havendo no Decreto-lei -lançamento far-sea sua conversa0 'dia da ocorrência do fato gerador, qualquer disposiç~o em contrário, E no arti~o 144, imperativamente disp~e que "o lançamento re- porta-~e à data da ocorrência do fato gerador da obrigaç~o e rege- -se pela lei ~nt~o vigente, ainda que.Qosteriorme~te modificada ou • • re\!ogada" . A interpretaç~o do ~arágrafo ~nicodo art. 23 do Decreto-~ei' ,37/66 há de ser feita em conformidads com tais disposiç~es do C.T.N., lei cogente para a Uni~o, os Estados e os Munic{pio, e de tais disposiç~es n~o pode'divergir. Ora, em nenhum momento o D,ecréto-lei 37/66, e o Decreto nº' 6'3.431/68, disp~em de modo' diverso' sobre a taxa de câmbio a ser utilizada na convers~o da moédaestrangeira, no caso, tornando-se assim,' obrigat6ria a aplicaç~o do art. 143 do C.T.N. Em ,nenhum momento diz que deve ser aplicada aliquota di~ersa' da correspondente ao momento da oco.rrência do fato gerador estabe- lecidona caput do art. lº do Decreto-lei 37/66, em consonância com o art. 19 do C6digo Tributário Nacional. • E isso se torna patente na análi~e do Decreto nº 63.431/68, , que reg~lamentando especificamente a conferência final do manifes- to, disp~e, expressamente, que a mercadoria ficará sujeita aos tri~ -, butos vigentes na data do resp~ctivo fato gerador, que não define, limitando-se a repetir a norma do parágrafo ~nico do art. lº do De creto-lei 37/66, e que os valores expressos em moeda estrangeira' serao convertidos em moeda nacional à taxa de câmbio vigente'naqu~ s é a revista no ca ut do arti o lº do Decreto-lei 37/66. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. Sala de Sess~es, 25 de maio Relator. 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005

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Numero do processo: 12448.728363/2020-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2016 a 31/12/2017 LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A RECEITA BRUTA (CPRB). SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 3/2022. VINCULAÇÃO DO ENTENDIMENTO. MANIFESTAÇÃO DA OPÇÃO PELO REGIME SUBSTITUTIVO. PROCEDIMENTOS E LIMITAÇÕES. Nos termos da Solução de Consulta Interna (SCI) COSIT nº 3, de 27/05/2022, que possui efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), conforme o art. 12 da Portaria RFB nº 1.936/2018, a opção pelo regime da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB) pode ser manifestada, pelo contribuinte, de forma expressa e irretratável, por meio de (1) pagamento do tributo mediante código específico de documento de arrecadação de receitas federais, ou (2) apresentação de declaração por meio da qual se confessa o tributo, atualmente, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Previdenciários e de Outras Entidades e Fundos (DCTFWeb) ou a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), sendo que, uma vez instaurado o procedimento fiscal, caso seja constatada a ausência de confissão ou pagamento de CPRB, a fiscalização deverá apurar eventual tributo devido de acordo com o regime de incidência de contribuições previdenciárias sobre a folha de pagamentos. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. REDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O patamar mínimo da multa de ofício é fixo e definido objetivamente pela lei, no percentual de 75%, não dando margem a considerações sobre a graduação da penalidade, o que impossibilita o julgador administrativo afastar ou reduzir a penalidade no lançamento.
Numero da decisão: 2301-011.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade e, na parte conhecida, rejeitar a preliminar e negar provimento. Assinado Digitalmente Marcelle Rezende Cota – Relatora Assinado Digitalmente Diogo Cristian Denny – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Flavia Lilian Selmer Dias, Marcelle Rezende Cota, Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Marcelo Freitas de Souza Costa (substituto[a] integral), Carlos Eduardo Avila Cabral, Diogo Cristian Denny(Presidente).
Nome do relator: MARCELLE REZENDE COTA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2016 a 31/12/2017 LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A RECEITA BRUTA (CPRB). SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 3/2022. VINCULAÇÃO DO ENTENDIMENTO. MANIFESTAÇÃO DA OPÇÃO PELO REGIME SUBSTITUTIVO. PROCEDIMENTOS E LIMITAÇÕES. Nos termos da Solução de Consulta Interna (SCI) COSIT nº 3, de 27/05/2022, que possui efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), conforme o art. 12 da Portaria RFB nº 1.936/2018, a opção pelo regime da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB) pode ser manifestada, pelo contribuinte, de forma expressa e irretratável, por meio de (1) pagamento do tributo mediante código específico de documento de arrecadação de receitas federais, ou (2) apresentação de declaração por meio da qual se confessa o tributo, atualmente, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Previdenciários e de Outras Entidades e Fundos (DCTFWeb) ou a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), sendo que, uma vez instaurado o procedimento fiscal, caso seja constatada a ausência de confissão ou pagamento de CPRB, a fiscalização deverá apurar eventual tributo devido de acordo com o regime de incidência de contribuições previdenciárias sobre a folha de pagamentos. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. REDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O patamar mínimo da multa de ofício é fixo e definido objetivamente pela lei, no percentual de 75%, não dando margem a considerações sobre a graduação da penalidade, o que impossibilita o julgador administrativo afastar ou reduzir a penalidade no lançamento.

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NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A RECEITA BRUTA (CPRB). SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 3/2022. VINCULAÇÃO DO ENTENDIMENTO. MANIFESTAÇÃO DA OPÇÃO PELO REGIME SUBSTITUTIVO. PROCEDIMENTOS E LIMITAÇÕES. Nos termos da Solução de Consulta Interna (SCI) COSIT nº 3, de 27/05/2022, que possui efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), conforme o art. 12 da Portaria RFB nº 1.936/2018, a opção pelo regime da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB) pode ser manifestada, pelo contribuinte, de forma expressa e irretratável, por meio de (1) pagamento do tributo mediante código específico de documento de arrecadação de receitas federais, ou (2) apresentação de declaração por meio da qual se confessa o tributo, atualmente, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Previdenciários e de Outras Entidades e Fundos (DCTFWeb) ou a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), sendo que, uma vez instaurado o procedimento fiscal, caso seja constatada a ausência de confissão ou pagamento de CPRB, a fiscalização deverá apurar eventual Fl. 249DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.986 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.728363/2020-95 2 tributo devido de acordo com o regime de incidência de contribuições previdenciárias sobre a folha de pagamentos. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. REDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O patamar mínimo da multa de ofício é fixo e definido objetivamente pela lei, no percentual de 75%, não dando margem a considerações sobre a graduação da penalidade, o que impossibilita o julgador administrativo afastar ou reduzir a penalidade no lançamento. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade e, na parte conhecida, rejeitar a preliminar e negar provimento. Assinado Digitalmente Marcelle Rezende Cota – Relatora Assinado Digitalmente Diogo Cristian Denny – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Flavia Lilian Selmer Dias, Marcelle Rezende Cota, Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Marcelo Freitas de Souza Costa (substituto[a] integral), Carlos Eduardo Avila Cabral, Diogo Cristian Denny(Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Auto de Infração lavrado contra a Recorrente acima identificada, relativo as contribuições previdenciárias referentes a parte patronal e as destinadas aos TERCEIROS, incidentes sobre a remuneração pagas aos segurados empregados, referente ao período de 01/01/2016 a 31/12/2017. Fl. 250DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.986 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.728363/2020-95 3 De acordo com o Relatório Fiscal (e-fls. 34/36), extrai-se que a Recorrente não é optante do SIMPLES Nacional, pois teria sido excluída por comunicação obrigatória em 01/03/2016, com efeitos a partir de 01/2016. A autoridade fiscal acrescentou ainda que a Recorrente informa em sua GFIP ser optante do SIMPLES (2), deixando de recolher as contribuições devidas referentes a empresa e terceiros. Assim, o procedimento fiscal teve a finalidade de verificar o cumprimento das obrigações previdenciárias no período entre 01/2016 a 13/2017, no que diz respeito aos valores devidos da empresa e terceiros. O lançamento decorre do fato da autuada não ter recolhido os valores referentes a empresa e terceiros. A base de cálculo das contribuições previdenciárias e sociais exigidas neste processo, corresponde ao total das remunerações mensais pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados cujos valores constam informados nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social – GFIP. Diante das alegações colacionadas, a 15ª TURMA da DRJ06, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação e manteve a integralidade do crédito tributário constituído, conforme Ementa abaixo transcrita (e-fls. 163/176): Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2016 a 31/12/2017 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade quando os Autos de Infração foram lavrados por servidor competente, com observância de todos os requisitos obrigatórios, tendo sido possibilitado ao sujeito passivo o exercício do seu direito de defesa. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A RECEITA BRUTA (CPRB). SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 3/2022. VINCULAÇÃO DO ENTENDIMENTO. MANIFESTAÇÃO DA OPÇÃO PELO REGIME SUBSTITUTIVO. PROCEDIMENTOS E LIMITAÇÕES. Nos termos da Solução de Consulta Interna (SCI) COSIT nº 3, de 27/05/2022, que possui efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), conforme o art. 12 da Portaria RFB nº 1.936/2018, a opção pelo regime da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB) pode ser manifestada, pelo contribuinte, de forma expressa e irretratável, por meio de (1) pagamento do tributo mediante código específico de documento de arrecadação de receitas federais, ou (2) apresentação de declaração por meio da qual se confessa o tributo, atualmente, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Previdenciários e de Outras Entidades e Fundos (DCTFWeb) ou a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), sendo que, uma vez instaurado o procedimento fiscal, caso seja constatada a ausência de confissão ou pagamento de CPRB, a fiscalização deverá apurar eventual tributo devido de acordo com o regime de incidência de contribuições previdenciárias sobre a folha de pagamentos. Fl. 251DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.986 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.728363/2020-95 4 MULTA DE OFÍCIO. REDUÇÃO DE PERCENTUAL. NÃO CABIMENTO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA DA LEI VIGENTE. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. À autoridade administrativa, cuja atividade é vinculada à previsão normativa, não é permitido excluir ou reduzir a multa aplicada e cobrança de juros em virtude de determinação legal. Os princípios constitucionais da proporcionalidade, razoabilidade e vedação ao confisco são dirigidos ao legislador e ao Poder Judiciário, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente intimada em 17/09/2024 (e-fl. 213), inconformada com a referida decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 17/10/2024 (e-fls. 217/233), repisando às alegações da defesa inaugural, motivo pelo qual adoto o relatório da decisão de primeira instância: A contribuinte alegou a nulidade dos autos de infração, pois, apesar da fiscalização fundamentar as autuações, deixou de juntar aos autos comprovação mínima do alegado, ou seja, deixou de juntar ao processo comprovação de que a impugnante teria sido excluída do Simples Nacional em tal ocasião, o que seria indispensável. Acrescentou ainda que houve violação ao princípio da ampla defesa, tendo em vista que a descrição do fato tido como irregular não ocorreu de forma clara e inteligível. No mérito a impugnante argumentou que, conforme legislação acerca da desoneração da folha de pagamento, bem como em razão do CNAE principal da empresa (4930202), ainda que a fiscalização tivesse alguma razão em seu relato, não há que se falar em contribuição de INSS empresa (20%), GILRAT, terceiros e demais entidades nos percentuais lançados, pois o recolhimento deveria ser de 1,5% sobre a receita bruta (nova redação pela Lei nº 13.161/2015) em substituição ao percentual de 20% sobre a folha de pagamento. A impugnante alegou que a aplicação de multa no patamar constante sobre os tributos devidos superou e muito o limite do razoável, ferindo de certo um dos principais princípios do direito tributário, qual seja, o da vedação ao confisco. Assim, requereu fosse a multa aplicada em desfavor da impugnante reduzida para 20% (vinte por cento) dos débitos efetivamente devidos, por ser esse patamar considerado como razoável e proporcional a suposta conduta irregular. Por fim, a Recorrente pugna que seja julgado totalmente improcedente o presente Autos de Infração, com o cancelamento da integralidade do crédito tributário. É o relatório. Fl. 252DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.986 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.728363/2020-95 5 VOTO Conselheira Marcelle Rezende Cota, Relatora Admissibilidade Conheço do Recurso Voluntário, uma vez tempestivo e preenchidos os demais requisitos de admissibilidade. Preliminar Nulidade – Ausência de Fundamentação A Recorrente alegou a nulidade dos autos de infração, argumentando que a fiscalização deixou de juntar aos autos a comprovação mínima do alegado, ou seja, deixou de juntar ao processo comprovação de que a impugnante teria sido excluída do Simples Nacional em tal ocasião, o que seria indispensável. Argumentou também que a descrição do fato tido como irregular não ocorreu de forma clara e inteligível, impedindo o exercício do direito à ampla defesa. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela Recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, conclui-se que os lançamentos, corroborados pela decisão recorrida, apresentam-se formalmente incensuráveis, devendo ser mantidos em sua plenitude. Resta evidenciada a legitimidade da ação fiscal que deu ensejo ao presente lançamento, cabendo ressaltar que trata-se de procedimento de natureza indeclinável para o Agente Fiscalizador, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação de penalidade cabível. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. Fl. 253DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.986 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.728363/2020-95 6 E foi precisamente o que aconteceu com o presente lançamento. A simples leitura dos anexos da autuação, especialmente o “Relatório Fiscal", além do "Discriminativo Analítico de Débito", "Fundamentos Legais do Débito" e demais informações fiscais, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção do lançamento. Consoante se positiva dos anexos acima, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhe suportaram, ou melhor, os fatos geradores das contribuições previdenciárias ora exigidas, não se cogitando na nulidade do procedimento. A exemplo da defesa inaugural, a Recorrente não trouxe qualquer elemento de prova capaz de comprovar que os lançamentos encontram-se maculados por vício em sua formalidade, escorando seu pleito em simples arrazoado desprovido de demonstração do sustentado. Destarte, é direito da contribuinte discordar com a imputação fiscal que lhe está sendo atribuída, sobretudo em seu mérito, mas não podemos concluir, por conta desse fato, isoladamente, que o lançamento não fora devidamente fundamentado na legislação de regência. Concebe-se que o auto de infração foi lavrado de acordo com as normas reguladoras do processo administrativo fiscal, dispostas nos artigos 9° e 10° do Decreto n° 70.235/72 (com redação dada pelo artigo 1° da Lei n° 8.748/93), não se vislumbrando nenhum vício de forma que pudesse ensejar nulidade do lançamento. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as hipóteses de nulidade são as previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões preferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Dito isto, quanto ao argumento do desatendimento à norma previdenciária, verifica-se claramente que a fiscalização observou, criteriosamente, as normas vigentes. Especificamente quanto a ausência de fundamentação da exclusão do SIMPLES, cabe esclarecer que a motivação da exclusão é um processo diferente deste, ou seja, todos os fundamentos, motivos, documentos e legislação pertinente a exclusão se dá em processamento próprio. Para além do exposto, a comprovação de que a Recorrente teria sido excluída do Simples Nacional, consta dos autos, e-fls. 38, tela de consulta do SIMPLES em que há informação sobre a exclusão. Assim sendo, não há o que se falar em anulação do ato administrativo. Mérito Fl. 254DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.986 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.728363/2020-95 7 Desoneração da Folha O lançamento em exame versa sobre contribuições previdenciárias patronais e contribuições destinadas a terceiros, apuradas com base na folha de salários, após o afastamento do regime do Simples Nacional. A Recorrente sustenta que deveria ter sido aplicado o regime da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta – CPRB, sob o argumento de que a exclusão retroativa do Simples Nacional teria tornado impossível a manifestação tempestiva da opção. Inicialmente, cumpre registrar que a CPRB, a partir de 1º de dezembro de 2015, passou a ostentar natureza claramente facultativa, conforme expressa previsão do art. 9º, §13, da Lei nº 12.546/2011. A norma é inequívoca ao estabelecer que a opção deve ser manifestada mediante o pagamento da contribuição incidente sobre a receita bruta relativa a janeiro de cada ano, ou à primeira competência subsequente para a qual haja receita bruta apurada, sendo irretratável para todo o ano-calendário. Não se trata, portanto, de regime aplicável de ofício pela Administração, mas de opção tributária dependente de manifestação expressa do contribuinte, nos estritos termos da lei. Ausente essa manifestação, a consequência jurídica prevista pelo ordenamento é o retorno ao regime geral de incidência das contribuições previdenciárias sobre a folha de salários. No caso concreto, é incontroverso que não houve qualquer pagamento de CPRB, tampouco confissão do tributo em obrigação acessória, no período objeto do lançamento. Também não há nos autos qualquer documento que comprove manifestação inequívoca de vontade no sentido de aderir ao regime substitutivo. A alegação de impossibilidade jurídica de opção, em razão do enquadramento no Simples Nacional, não tem o condão de suprir a exigência legal. A legislação não prevê hipótese de opção presumida ou automática pela CPRB em decorrência da exclusão do Simples, ainda que esteja se dê com efeitos retroativos. A exclusão retroativa, por si só, não cria direito subjetivo à aplicação de regime facultativo sem o atendimento dos requisitos legais expressamente previstos. Admitir a aplicação da CPRB sem manifestação de opção equivaleria a transformar regime facultativo em regime obrigatório sempre que reputado mais favorável ao contribuinte, o que não encontra respaldo no sistema jurídico. O princípio da legalidade tributária impede que a Administração ou o julgador administrativo substituam a vontade do contribuinte por presunções fundadas em maior ou menor onerosidade. A invocação de princípios como razoabilidade, capacidade contributiva ou menor onerosidade não autoriza o afastamento de requisito legal objetivo, sobretudo quando se trata de regime opcional cuja adesão demanda comportamento positivo e inequívoco do sujeito passivo. A própria Solução de Consulta Interna COSIT nº 03/2022, mencionada pela Recorrente, não dispensa a necessidade de manifestação expressa, limitando-se a ampliar as formas pelas quais essa manifestação pode ocorrer, o que não se verifica nos autos. Fl. 255DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.986 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.728363/2020-95 8 Assim, inexistindo comprovação de opção válida pela CPRB, e não havendo previsão legal que autorize sua aplicação automática em razão da exclusão do Simples Nacional, correta a exigência das contribuições previdenciárias patronais e de terceiros com base na folha de salários, nos termos dos incisos I e III do art. 22 da Lei nº 8.212/1991. Da multa de ofício – Confiscatória – Redução A Recorrente assevera cabível a redução da multa de ofício ao limite de 20%, uma vez que aplicada de forma exorbitante no percentual de 75%. Quanto à incidência de multa de ofício no percentual de 75%, transcrevo o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) A multa de ofício incide de maneira proporcional sobre o tributo não declarado/recolhido espontaneamente. O patamar mínimo da penalidade em 75% é fixo e definido objetivamente pela lei, não dando margem a considerações sobre a graduação da penalidade, o que impossibilita o julgador administrativo afastar ou reduzir o percentual no caso concreto. O limite de 20% de que trata o § 2º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, diz respeito à multa de mora, que representa uma sanção pelo atraso no adimplemento da obrigação tributária, situação distinta dos autos. Naquele caso, o contribuinte recolhe de modo espontâneo o tributo a destempo antes de iniciado o procedimento fiscal, cuja penalidade é mais branda. Por fim, cabe reafirmar que escapa à competência dos órgãos julgadores administrativos a análise de questões que digam respeito à ocorrência de efeito confiscatório, haja vista que demandam o exame da incompatibilidade da lei aplicável com preceitos de ordem constitucional, incidindo, como já mencionado, a vedação do enunciado da Súmula CARF nº 2. Conclusão Pelas razões acima expostas, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, afastando os argumentos de inconstitucionalidade, para rejeitar a preliminar e, no mérito, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Fl. 256DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.986 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.728363/2020-95 9 Marcelle Rezende Cota Fl. 257DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0
11274850 #
Numero do processo: 00000.845619/84-78
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 1979
Ementa: FALTA APURADA EM CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO - O fato gerador do imposto de importação é a entrada da mercadoria estrangeira no país, materializando-se, quanto à mercadoria em falta, o fato gerador ficto. Também, na chegada do navio são levados ao conhecimento das autoridades aduaneiras os elementos, necessários à apuração da falta. O "dólar fiscal" e alíquotas tarifárias a serem utilizados no cálculo do crédito tributário são os vigentes nessa ocasião.
Numero da decisão: 302-24.468
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Sálvio Medeiros Costa, que negou, e Levy Valério de Oliveira, Raimundo José Alves Gonçalves e Edwaldo Reis da Silva que deram provimento parcial, para considerar como data de referência para cálculo do tributo a da conferência final do manifesto, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: RAIMUNDO JOSE ALVES GONÇALVES

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TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 2ª CIIMARA Sessão de..J.)-....sIê ....j.\!n.b.Q de 197 .....~.... ACORDÃO N.o__?~. __~__~_~ _ Recurso n" Recorrente Recorrld 93.433 - Processo nº o845/6l984/7B AGtNCIA MARÍTIMA DICKINSoN S/A DRF- SANTOS FALTA APURADA EM CoNFERtNCIA FINAL DE MANIFESTO - O fa- to gerador do imposto de importação é a entrada da mer- cadoria estrangeira no pais, materializando-se, quanto' à mercadoria em falta, o fato gerador ficto. Também na chegada do navio são levados ao conhecimento das autori dades aduaneiras os elementos necessários à apuração dã falta. O "d6lar fiscal" e aliquotas tarifárias a serem' utilizados no cálculo do crédito tributário são os vi- gentes nessa ocasião. Visto, relatado e discutido o presente processo, ACORDAM os membros da 2ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Sálvio Medeiros Costa, que negou, e Levy Valério de Oliveira, Raimundo José Alves Gonçalves, relator, e Ed waldo Reis da Silva que deram provimento parcial, para considerar como data de referência para cálculo do tributo a da conferência' final do manifesto, na forma do relat6rio e votos que passam a i~ tegrar o presente julgado. Relator designado Eduardo Jorge Pereira Junior. -Presidente de 1979 .Sala de Sess5es, 11 de junho • DL da Faz. Participaram ainda do presente julgamento os seguintes' Conselheiros. ENILA LEITE DE FREITAS CHAGAS, EDUARDO NOGUEIRA DA GAMA e JoAo DA SILVA ARAÚJO. ". SERViÇO PÚBLICO FEDERAL MF- TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, SEGUNDA CAMARA -2- RECORRENTE RECORR IDA AGtNCIA MARÍTIMA DICKINSON S/A DRF- SANTOS Rec. 93.433 Ac • 24.468 RELATOR Desig. EDUARDO JORGE PEREIRA JUNIOR R E L A T Ó R I O Recurso interposto pela Agência Maritima Dickinson S/A., co~ tra a decisão nº 763/7B, do Delegado da Receita Federal, em Santos (SP), que lhe aplicou a multa de que trata o artigo 106, item lI,' alinea "d", do Decreto-lei nº 37/66, al~m do Imposto de Importaçã~ exigido na forma do artigo 60, parágrafo unico, desse diploma le- gal, por ter sido responsabilizada pelas faltas de mercadorias ap~ radas pela conferência final de manifesto do navio " KEA", entrado em 02 de dezembro de 1973, tudo de acordo com o anexo auto de infrn çao e representação de fls. 1/2. -Segundo os termos do recurso, a interessada nao contesta o fato apontado, discorda, por~m, do montante do imposto exigido, por considerar que as mercadorias alcançadas pelas disposições do parágrafo único do artigo lº do supracitado Decreto-lei nº 37/66 f ficam sujeitas aos tributos vigorantes na data da importação, no ' caso conforme as bases adotadas na declaração de importação, gira~ do em torno disso todas suas considerações de defesa e recurso, cm forme consta da petição de fls. 7/8 e 22/23, que leio para conheci mento da Câmara. É o relatório. ;., . SERVIÇO .PÚBLlCO FEDERAL v O T O -3- Rec. 93.433 Ac. 24.468 A quest~o suscitada no processo ~ a de saber-se que alíq~ota e taxa de câmbio devem ser aplicadas para cálculo dO'imposto, no ' caso do fato gerador ficto estabeleciDo no parágrafo único do art. lQ do Decreto-lei 37/66., Este, depois de ostabelecer, concorde com o C.T.N., que o fato gerador do Imposto d~ I~portaç~o ~ ~ entrada da mercadoria es trangeira no territ6rio nécional ( caput do art. lQ) estatue no seu parágrafo único, a figura do mesmo fato gerador, por~m ficto, ao ' considerar, para efeito da ocorrsnçia do fato gerador, como entra- da no territ6rio nacional, a mercadoria que constar como tendo si- do importada, mas posteriormente achada em falta. 'Esse dispositivo se apoia no art. 116 do C.T.N., pois considera ocorrido o mesmo fa to gerador quando se reunem as circunstâncias materiais constcinte' do manifes£o, do conhecimento de carga ou documentos equivalentes- necessárias a que prorluza os efeitos que normalmente lhe s~o pr6-' prios, ou sejam, a descarga da mercadoria, sua entrada no territ6- rio nacional. E nenhuma disposiç~o do Decreto-lei 37/66 ou de,outra.. qualquer lei dispõe em contrário. E portanto estatue que ,o mesmo fato gerador ficto ocorre' no momento estabelecido no caput 'do art. lº. O fato de haver empregado o mesmo parágrafo único ~ expre~ sao "cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneir~", aliado ~ redaç~d do art. 23 par~grafo único, tem levado ~ interpr~ ~aç~o segundo a qual o fato gerador do imposto 'oCorre no momento ' em que a autoridade ad~aneira apura a falta refBrida, resultando' dai conclus~o de que a aliquota e taxas cambiais a aplicar sejam ' as daquele momento. Tal interpretaç~o, data vênia, n~o encontra apoio na lei,' no direito e nas regras de hermeneutica. Com efeito, uma mercadoria consta como tendo sido importa- da quando constante de manifesto, conhecimento de carga ou documerr to~ equivalentes, e desde o mo~ento,em que ,o veículo condutor (na- ,via, avi~oetc ... ) entra n~ port~ ou local a que, segundo tais docu mentos, se' destina tal m8rcado'ria, e a .autoridade aduan8ira recebe', tais docum ntos. Recebendo, outrossim, as fol~a~ d8 descarga das' -segu8- -, SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL -4- Rec. 93.433 Ac. 24.468 -segue- , ' mercadorias, tem, nesse momento, conhecimento de qualquer falta de me.rcadoria que deveria ter sido descarregada. Aquele,D momento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, tanto para as meTcadorias efetivamente descarregadas,' como para aquelas que porventura venham a ser encontradas em fal--- ' ta ; com relação às últimas, o fato gerador é ficto, isto é,consi- dera-se a mercadoria em falta como realmente entrada no território nacional, entrada que oc~rie desde o momento em que ocorreria o fa tcigerador real se não houvesse a falta. Interpretar~se de outra maneira, dando como ocorrido o fato gerador ficto'de que se trata em outro momento, seria admitir-se a pussibilidade jurídica de criar a Si~ples lei tributária fato, ger~ dor, ainda que ficto, diverse do previsto no art. 19 do Código Tri butário Nacional - lei Complementar da Constituição, de maior hie- .rarquia. Tal possibilidade jurídica bem sido rechassada pelo Supremo Tribunal Federal, como se vê, entre outros, dos acórdãos proferidos nos Agravos ,nº 74.526-in DJ,de 05/10/78, 74.389-in DJ. 10/10/78 e 74.597.1, in DJ 16/03/79, declarando este, em sua ementa, que "o ' artigo 23, do Decreto-lei nº 37, de 1966, que considera ocorrido o fato gerador do Imposto de Importa.ção na data do registro na repa£. tição aduaneira da respe6tiva doc~aração, não p6de prevalecer sobre a disposição sobranceira do artigo 19 do Código Tributário Nacio- nal,segundo o qual o fato gerador é a entrada,do produto estrang~ ro no teiritório nacional" (os grifos não são do original): Ora, se disposição expressa de lei não pode prevalecer, mui to menos simples interpretação da mesma lei que venha conflitar com aquela disposição de lei Complementar da Constiruição, como é o Código Tributário Nacional. Tal interpretação feriria regras elementares de hermeneuti- ca, e feriria o princípio da hierarquia das leis. Por outro lado, apurar uma falta de mercadoria presup;e que a mesma tenha sido considerada como ontrada, e a falta ocorrido a~ .teB de' qualquer início do procedimen~o da apuração, o que exclue a possibilidade de se tomar cpmo momen'to da ocorrência do fato gerador o da apuração posterior do mesmo Fato já antes ocorrido. O Código Tributário Nacional diép;e no ~rt. 143'que quando' o valor ~rib~tável esteja expresso em mdeda estrangeira, no lanóa- ~ SERViÇO PÚBLICO FEDERAL -5- Rec. 93.433 A'c. 24.468 lançamento far-se a sua conversa0 em moeda nacional ao câmbio do dia da ocor'iência.do fato gerador, nao haven.do no Decreto-lei 37/66 qu~lquer 'disposiç~o em contr~rio. E no artigo 144, imperativamente dispõe que "o lançamento re- poria-se ~ data da ocor~ência do fato gerador da obrigaç~o e ~ege- ~e pela lei ent~o vigente, ainda que posteriormente modificada ou re\Jogada" . A interpr8taç~0 do par~grafo único d9 art. 23 do Decreto-lei' 37/66 h~ de ser feita em confo~midade com tais disposições do C.T.N., lei cogente para a Uni~o, os Es tados e os Município, e de tais disposições ~~o pode diver'gir. Ora, em nenhum momento o Decreto-lei 37/66, e o Decreto nQ' 63.431/68; dispõem de modo diverso sobre a taxa de c~mbio a ser utilizada na conver;~o da moeda estrangeira, no caso, tornando-se assim, obrigat6ria a aplicaç~o do art. 143 do C.T.N. Em nenhum momento diz que deve ser aplicada aliquota di~ersa' da correspondente ao momento da ocorrência do fato gerador estabe- lecido na caput do art. lº do Decreto-lei 37/66, em consonância com o art. 19 do C6digo Tribut~rio Nacional. E isso se torna patente na análise do Decreto nº 63.431/68, que ~egulamentando especificamente a conferência final do manifes- to, dispõe, expressamente, que a mercadoria ficar~ sujeita aos tri bu~os vigentes na data do respectivo fato gerador, que n~o define, limitando-se a repetir a norma do par~grafo único do art. lº do De creto-lei 37/66, e que os valores expressos em moeda estrangeira I ser~o conv~rtidos em moeda nacio~al ~ taxa de ~~mbio vigente naqu~ la mesma data, que,como vimos, é a prevista no caput do artigo lQ do Decreto-lei 37/66. Ante o exposto, dou provimento'ao recurso. Sala de Sessões, 11 de junho de 1979. ~30'lh~~U'$/C- Rela{jr gesignado?/..V V . .t SERViÇO PÚBLICO FEDERAL v O T O V E N C IDO Rec.93.433 Ac .24.468 -6- Na solução do presente litlgio, há de se ter em vista a regra estabelecida no parágrafo ~nico do artigo 23, do Decreto-lei nº 37/66, verbis: "Parágrafo ~nico. No caso do parágrafo ~nico do art.lº, a mercadoria ficará sujeita aos tributos vigorantes na data em que a autoridade aduaneira apurar a falta ou de la tiver conhecimento." Como se v~, dita disposição legal determina dois momentos dis tintos como data de refer~ncia para fixação dos valores fiscais(~ xa de "dóllar" e aliquotas "ad valorem"): - o conhecimento de falta; - o da sua apuração, consistindo a primeira hipótese na entrega à repartição fiscal,por qualquer uma das partes interessada (importador, transportador ou entidade portuária) de expediente, ou coisa que o valha, que a co loque a par da ocorr~ncia, inclusive através da sistemática manda da adotar pelo Ato Declaratório nº 0800/125, de 06/06/75 da 8ªSRR", desde que posta em prática e se trate de procosso originário daq~e la ?egião. Esse entendimento fora esposado pela maioria da Câmara no àcórdão nº 24.398/79 (Recurso nº 93.302), assim ementado: "Falta de mercadoria. Caso em que seu conhecimento pelo órgão aduaneiro precedeu à confer~ncia final de manifes to. Na determinação do valor do Imposto de Importação~ vido(taxa de câmbio e aliquotas) toma-se como refer~n- cia o primeiro momento. Recurso provido por maioria", cujo voto, a guisa de melhores esclarecimentos, a seguir transcre vo: "Em vários outros recursos da naturE!za como a destes au tos, tem-se firmado o entendimento do que o fisco deve cobrar os tributos determinados com base na taxa do doI lar e aliquotas atuais ao respectivo ato da conferên cia do manifesto. É de notar-se, contudo, que nesses r~ cursos,a apuraçao da falta se efetivou ao mesmo tempo em que a mesma tornou-se conhecida, mediante a ativida de fiscal prevista no parágrafo lº do artigo 39, do De creto-lei nº 37/66. Esses momentos se distinguem neste processo porquanto um antep~e-se ao outro numa defasagem qlJe se estende por mais do cinco meses. A Inspetoria foi notificada da fal Rec.93.433 Ac .24.468 -7- SERVIÇO PUBLICO FEDERAL ta pela importadora, mediante requerimento de 23 de j~ neiro de 1978 (doc.fl.l), deferido no dia 30 seguinte, atrav~s de cujo despacho, na conformidade do par~gra- fo único do artigo 23, do Decreto-lei nº 37/66,verbis: Parágrafo único. No caso do parág~afo únl co do art. lº, a mercadoria ficara sujei- ta aos tributos vigorantes na data em que a autoridade aduaneira apurar a falta OU DELA TOMAR CONHECIMENTO (grifei), se consubstanciou e se formalizou o conhecimento da falta, para s6 ap6s algum tempo se proceder ~ apuraç~o, pela confer~ncia final do manifesto respectivo, o que ocorreu em 19 de julho daquele ano, ato esse precedido de notificaç~o ~ transportadora para prestar esclareci mentos. N~o resta dúvida que o despacho a petição da importadE de.mes caracterizadora da hip6tese 8egu:2 falta - prevista na disposição s~ a fixação da data de referÊncia em define a situação _ conhecimento da pra transcrita, para quest~o. Inobstante o conhecimento da falta remontar ao da ra janeiro de 1978, a recorrente pediu a menos, porquanto, como visto, solicitou fosse adotada a situação vigente na data da notificação para prestar esclarecimentos. Essa é mais -uma razao, pois, para dar provimento ao recurso.lI Observa-se, assim, que a maioria da C~mara se orientou no sen tido de que fossem adotados os valores atuais ~ data do conhecimen to da falta e não os vigentes ~ época da apuração. Nestes autos, contudo, não consta, s.j.m., tenha a importado- ra tomado as provid~ncias firmadas no mencionado Ato Declarat6rio nem de outra forma comunicado o fato ~ repartição, o que poderia ter feito, na oportunidade, a transportadora, e ora recorrente, com ba / se em seus registros de descargas. A falta foi conhecida no curso roteiro da confer~ncia final de manifesto, quando, então,procedeu- se a sua apuração. Confundem-se os dois momentos, ao contr~rio da esp~cie examinada no recurso retro citado, em que o fato, repito fora levado ao conhecimento da autoridade aduaneira, mediante exp~ diente pr6prio do importador e s6 algum tempo depois formalizou-se a apuração da falta, distinguindo-se, claramente, a ocorr~ncia, em ocasiões diversas, das duas circunstâncias aludidas na disposição acima transcrita. fato Rec.93.433 Ac .24.468 -8- SERVIOO PÚBLICO FEDERAL Discordo, pois, das razoes de decidir da autoridade recorrida que, mesmo invocando o parágrafo único do art. 23, considerou que "o fato gerador, aqui, verifica-se no momento em que, constituido o crédito, é expedida a intimação (art.26 do Decreto nº 63.431/68), que corresponde a um lançamento", e, em consequência, cobrou os tributos conforme situação vigente da data da autuação. Do mesmo modo disco~do, também, da pretensão da recorrente de pagar o imPEs to conforme lançamento efetivado com base em taxa de dollar e ali quota atuais à importação. Permito-me apresentar como razao dessa minha discord~ncia o voto proferido no acórdão nº 23.563 (recurso nº 90.516),cujos fun damentos adoto e a seguir transcrevo: "A questão está em se considerar como ocorrido o gerador, no caso de mercadoria alcançada pela disposi- ção do parágrafo único do art. lº do supracitado diplE ma legal, conforme situação vigente na data da autua - ção, que é a orientação trazida pela autoridade recor- rida, ou da data da apuração da falta ou, ainda, à épE ca da importação ou da entrada do navio, como defende a recorrente. Como se vê, a conferência final do manifesto e o lanç~ mento tributário respectivo referem-se a atos adminis- trativos praticados em ocasi~~s diversas. Aquele em 21/06/74 e esse, isto é, a constituição do crédito, em 29/06/76. Viu-se, também, que a autoridade singular, com funda - mento na legislação pertinente, reputou essencial,para o julgamento, o fato gerador (fls.19), porém o conside rou ocorrido quando do lançamento ex-officio do crédi- to exigido, de rujo ato, como aduz, foi notificada a au tuada, de conformidade com o artigo 26 do Decreto nº 63.431/68, forma pela qual se confisurou, exterior~zou- se o"fato gerador. ~ esse, portanto, o ponto de controvérsia que, nao so neste como em outros processos da mesma espécie, ense- jou recurso a esse Conselho. Estabelecer-se uma divisa para a fixação da data dessa ocorrência, tendo em vis- ta as várias proposiç~esapresentadas, inclusive com assento no Ato Declaratório nº 0800/125/75, da SRRF 8ê e Norma de Orientação CST nº 30/76, a fim de situá- la no tempo, é que primeiramente deve sor decidido. SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Rec.93.433 Ac .24.468 -9- Querem alguns, atendo-se estritamente aos termos dos ar tigos 19 do Código Tributário Nacional (CTN) e lQ do De creto-lei nQ 37/G6, qu~ o mesmo ocorre, pura e simples- mente, com a entrada da mercadoria no Pais, entrada es sa suscetivel de ser tomada como o primeiro ponto em que a embarcação toca em águas territoriais brasileiras, ou o primeito porto de escala; outros entendem deva ser tomada a data do desembaraço da mercadoria ou da impo - tação; ainda a da descarga da mercadoria ou a entrada do navio . Para todos esses pressupostos, todavia, carece de exati dão, por ocasionar incerteza no estabelecimento de uma data certa. Assim, face ao cunho subjetivo que tem ca racterizado a interpretação da expressão "entrada no ter ritório nacional", inserida nas disposições definidoras do fato gerador do Imposto de Importação, havemos de buscar subsidio no artigo 116, item I, do mencionado Có digo, verbis: Art. 116 - Salvo disposição de lei em con trário, considera-se ocorrido o fato geradõr e existentes os seus efeitos: I - tratando-se de situação de fato,desde o momento que o se verifiquem as circunstân - cias materiais necessárias a gue p~oduza os efeitos que normalmente lhe sao proprios. 11 - .•.••.•.•..•••••....•••.•...•••....... Deixa antever a norma, dada a clareza do texto, que a proposição inserta nos artigos 19 do CTN e lQ do Decre- to-lei nQ 37/66, embora pressuponha uma situação sufici ente para a caracterização do fato gerador, admite sua fixação circunstancial, revelando, também, o cuidado do legislador de estabelecer um momento para se considerar ocorrido e existentes os seus efei tos, que consiste, sal vo melhor juizo, no momento em que a fiscalização apura certos olementos necessarios a sua concretização. Nesse sentido há o Parecer da ProclJradoria da Fazenda Nacional, no Rio de Janeiro, dado no processo nº ....• 768/29.431/75 (0.0. 02/10/75) que, considerando os mo mentos diferenciados para a ocorrência do fato gerador do Imposto de Importação, tal como resumbra a disposi- çao supra transcrita, fez ver que: -. Rec.93.433 Ac .24.468 -10- norma, dentro do Para cada na regra g::: e qualquer'de interpretá-la, como toda contexto de que faz parte. a entrada da mercadoria no território nacional e, especificamente, em cada parada do nav~o em porto provido por repartição aduaneira, tem re levância para o fato gerador em causa, porém cõ como termo inicial, por não servir de termo fI nal, como momento de sua ocorrência, por lhe faltar precisão e por não dar ao Fisco uma da ta previsa e certa. E mais: que a legislação - cuidou de estabelecer várias situações para que nasça o momento da obrigação tributária respec tiva, l~vando-se em conta o regime fiscal e que esta sujeita a mercadoria. Por exemplo, de uma declaração de vontade do importador se se tratar de despacho normal de mercadoria tribu- tada, ou ainda da abertura da mala postal no caso de mercadoria entrada no Pais por 'iiapos tal. Da mesma forma, não haverá fato gerador-' enquanto a mercadoria estiver submetida e um regime aduaneiro especial. situação dessas, buscamos subsidio mas havemosral, SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Assim requer os casos de faltas de mercadorias apuradas em conferência final de manifesto, para cujo procedimen- to deve-se ter em vista o disposto no artigo lº e seu pa rágrafo Cnico, do Decreto-lei nº 37/66, mas em inteira 1 consonância com a orientação traçada pelo parágrafo ~ni- co do artigo 23, desse diploma legal, e o artigo 116,item I, do CTN, observando o disposto no artigo 143, do meneio nado Código. Segundo a inteligôncia desse elenco de dis- posições o fato gerador, no caso, deve-so alinhar na mos ma regra atribuida aos outros regimes, , isto e, terá lu gar no instante em que o Fisco verificar as circunstân - cias materiais necessárias ~ constituição do crédito tri butário, ainda que esse não seja lançado nessa oportuni- dade, como é a hipótese destes autos. Diante de todas essas considerações, passando a decidir, vejo que, neste processo, a apuraçao dos fatos e mais lementos em função dos quais ó feito o lançamento, e -nao ocorieu quando da lavratura do auto de infração mas sim na ocasião em que se apurarwnasfaltas e acréscimos medi- ante a conferência final do manifesto, efetuada em 21 de junho de 1974, conforme se vê da representação de fls. 2, devidamente protocolizada. Consequentemente, nenhuma outra data deve prevalece: 80 , , bre essa, nem para retroagir a epoca da importação, con- ~orme entendimento da parte, nem para se ajustar em p£ ~'f-Çãocompati vel com a do auto de infração, lavrado, co r. SERVIÇO PÚBLICO fEDERAL Rec.93.433 Ac .24.468 -11- , mo visto, apos ter decorrido 2 anos e 8 dias do proced~ mento inicial, a nao ser que se constatasse a exist~n cia de um motivo especial capaz de assim se admitir. Nenhuma circunstância aponta o processo que impedisse a constituição do crédito ao tempo da apuração da falta. A vista de todo o exposto, e considerando que, de acor- do com os artigos 143 do CTN e 23, par~grafo enico, do Docreto-lei nº 37/66, o transportador tem obrigação de pagar o Imposto de Importação conforme situação vigora~ te na data do fato gerador, e verificado que este fato, na hipótese sob exame, se concretizou no momento da ap.!:!. ração da falta, nao vejo como assumir os fundamentos da decisão nem aceitar as razoos de recurso. A vista de todo o exposto, dou provimento, em parto, ao recurso volunt~rio, para que sejam reformuladcsas bases de c~lculo do imposto, levando-se em conta o dollar e a aliquota tarif~ria vigenles à época da apuração da falta, isto é, da data da representação de fls. 2." 23.431 por diversas vezes,co~ I'üer~r-prover recurso outros, o pertinente ao acórdão nº Diga-se de passagem que esse voto fora, firmado pela extinta Instância Especial, ao quico, citanto-se entre (Recurso nº 92.049). A vista do exposto, e considerando que o caso destes autos se enquadra na situação discorrida no acórdão retro transcrito(Ac. nº 23.563), uma vez que o conhecimento da falta ocorreu simultaneman- te com a sua apuraçao, voto por dar provimento ao recurso, em paE te, a fim de que seja considerada como data de referência para o c~lculo do tributo a da conferência final de manifesto (reprosent~ çãodefls."'- ). Sala das Sossões, em 11 de junho de 1979. Relator 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011

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Numero do processo: 00000.845615/29-78
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 1979
Data da publicação: Tue Dec 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: FALTA OU EXTRAVIO DE MERCADORIA IMPORTADA: parágrafo único do art. 1º do Decreto-lei nº 37, de 18/11/66. Na hipótese de ser conhecida e apurada a falta em ato de "conferência final de manifesto" (Decreto nº 63.431, de 16/10/68, art. 25), toma-se como referência para cálculo do tributo devido (conversão da taxa de câmbio e aplicação de alíquotas tarifárias) a data da aludida conferência.
Numero da decisão: CSRF/03-00.034
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Especial para considerar devidos os tributos com base na taxa de câmbio e alíquota vigorantes na data da representação relativa à conferência final de manifesto. Vencidos os Conselheiros Enila Leite de Freitas Chagas, Wilfrido Augusto Marques e Eduardo Jorge Pereira Júnior (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO DE ALMEIDA

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FALTA OU EXTRAVIO DE MERCADORIA IMPORTADA: parãgrafo único do art. 19 do Decreto-lei n9 37, de 18/11/66. Na hip(Stese de ser co- nhecida e apurada a falta em ato de "confe rencia final de manifesto" (Decreto ny 63,431, de 16/10168, art. 25), toma-se co- mo referencia para cãlculo do tributo devi do (conversão da taxa de câmbio e aplica- ção de aliquotas tarifárias) a data da a- ludida conferencia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Camara Superior de Recursos Fis- cais, por maioria de voto, dar provimento ao Recurso Especial para considerar devidos os tributos com base na taxa de câmbio e aliquota vigorantes na data da representação relativa ã conferencia final de manifesto. Vencidos os Conseiheiros Enila Leite de Freitas Chagas, Wilfrido Augusto Marques e Eduardo Jorge Pereira Júnior (suplente con-. vocado). - Sala das Sesso-s to ), em 27 de novembro de 1979. ei4 ,/ AMADOR O$ ER í „- . PRESIDENTE . _ RELATOR • 411111k' woo°101 LEON wA -goa LAROWSKY PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conse- lheiros: Hindemburgo Dobai Teixeira, Edwaldo Reis da Silva e Se- bastião Rodrigues Cabral. • • dA..za„ SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N.2 0845/61 . 5 2 9 / 7 8 RECURSO N.° : — RP / 302-0 . 041 ACÓRDÃO N.° : — C SRF/0 3-0 .034 RECORRENTE: — FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: SEGUNDA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: NAUTILUS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA. RELATÕRIO Em decorrencia de conferencia final de manifesto, constatou-se a falta de mercadorias acusada no auto de infraçao basic°, exigindo-se os tributos correspondentes, calculados com - base na allquota tarifaria e valor do d6lar fiscal vigorantes a epoca dessa constataçao. (fls. 1). A transportadora responsabilizada não concordou com a poca de referencia para o calculo dos tributos e do valor fiscal, alegando que o paragrafo único do art. 60 do Decreto-lei n9 37/66 manda que, nos casos de dano ou avaria e extravio de mer cadorias importadas, cabe ao responsavel indenizar o valor dos tributos que, em consequ2ncia, deixaram de ser recolhidos, de mo- do que, para a determinação do "quantum" devido, basta verificar o que teria sido recolhido pelo importador, caso não tivesse ocor rido o extravio, isto e, aplicando-se as allquotas tarifarias vi- gentes ã poca em que a mercadoria não extraviada foi submetida a despacho, adotando-se o valor contempor2neo da moeda estrangeira. A autoridade de primeira inst2ncia decidiu pela procedencia da ação fiscal, sob o fundamento de que as faltas e acrescimos apurados em conferencia final de manifesto terão com./ D M F - RJ/1.° C - C - Secgraf - 1600/ 2. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 0845/61.529/78 AcOrdão n9 CSRF/03-0 .034 base de cãlculo de impostos devidos a data em que se expedir a intimação prevista no art. 26 do Decreto n9 63.431/68, de confor- midade com o determinado na Orientação Normativa Interna n9 CST 30/76. A interessada, então, recorreu ao Terceiro Con- selho de Contribuintes, alegando, como jã fizera na impugnação inicial, que rã. por ocasião do despacho aduaneiro, que .e. instrui do com o respectivo conhecimento maritimo, a autoridade aduaneira, ao desembaraçar quantidade de mercadoria ou de volume inferior .-a- que esta indicada naquele documento, desde então TOMA CONHECIMEN TO DA FALTA, circunstãncia aludida no parãgrafo único do art. 23 do Decreto-lei n9 37, de 18/11/1966, que esclarece dever a merca- doria em falta ficar "sujeita aos tributos vigorantes na data em que a autoridade aduaneira apurar a falta OU DELA TOMAR CONHECI- MENTO, o que alias, estaria em conformidade com ato da autoridade fiscal regional (Ato Declarat6rio n9 0800/125, da S.R.R.F. da 8a. Região). A douta Segunda Cãmara do referido Conselho solu- cionou o recurso pelo AcOrdão n9 24.446 (fls. 33/43), dando-se„por por maioria de votos, provimento ao recurso, com apoio no seguin- te voto (lido na Integra em sessão). Voto vencido a fls. 38/43 (lido por inteiro em ... sessao). É dessa decisão que recorre o ilustre Procurador Representante da Fazenda Nacional junto ã Camara, fazendo-o nos seguintes termos (lido em sessão). A fls. 48/56 cOpia de decisão da autoridade hie- rãrquica então competente sobre assunto idãntico. O ilustre Procurador do Contencioso Administr ti- vo opinou a fls. 62/65 no mesmo sentido do recurso especial 4r) 27,-R- o relat6rio. ,/,A\ -, 3. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 0845/61.529/78 Ac6rdão n9CSRF/03-0.034 VOTO Conselheiro PAULO DE ALMEIDA, Relator: Trata-se, Senhor Presidente, de tipica "vexata quaestio", questão alias, mais que tumultuosa, tumultuada não s6 - pelos responsãveis tributãrios, mas tamb gm no ãmbito da propria administração fiscal federal, tantas e tais são as variadas posi- çoes encontradiças nesse assunto, embora duas teses bãsicas se distingam e que são as versadas nesse recurso: a que defende o ca rãter puramente declarat6rio do ato da autoridade que verifica o extravio, com eficãcia, portanto, "ex tunc", para efeito de exi - g2ncia dos tributos com referãncia ã data da descarga do veiculo condutor de cujos pap g is consta manifestada a carga não encontra- da; e a que esposa a natureza constitutiva do referido ato ad- ministrativo, de maneira a valer apenas "ex nunc", a partir de sua prolação, para a consequãncia correlata de serem os impostos atendidos staxas vigentes quando da formalização da exigãncia tributaria. O mesmo quanto ao valor da moeda estrangeira para es- tabelecimento da base de cãlculo. Os que se filiam ã primeira, argumentam com a caracterização do fato gerador do imposto de im- portaçao pela entrada da mercadoria no territorio nacional, defi- nida em lei, no art. 19 do Decreto-lei n9 37/66, não se podendo deslocar a incidãncia para outra ocasião sem ofensa a ela; os ou- tros apoiam-se no parãgrafo único do mesmo artigo legal, conjuga- do com o mesmo parãgrafo do art. 23, do mesmo Decreto-lei, para considerarem a hip6tese de incid2ncia, no caso de falta de merca- doria, ocorrida somente quando da verificação da ocorrãncia, for- mal e expressamente declarada pela autoridade administrativa. A primeira posição tem comportado, conforme as circunstãncias, toda a problemãtica at g hoje levantada em torno do preciso momento em que se considera a mercadoria entrada em territ6rio nacional, desde o limite das 200 milhas marítimas atg a salda da repartição aduaneira, com os momentos intermediãrios da entrada na barra; ancoragem no lagamar do porto; acostamento no cais; descarga; entrada nos armaz gns; submissão a despacho, \f". 4. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 0845/61.529/78 Ac6rdão n9 CSRF/03-0-034 etc.- ao sabor da maior conveniencia para o interessado. A segun da tambem tem ensejado, por parte do prOprio Fisco, algumas va- riantes: o Ato Dec1arat6rio n9 0800/125/75, da Superintendãncia Regional da Receita Federal em São Paulo, tão citado nos recur- sos, mandou que, no caso de falta, os tributos ja ficassem cal- culados em declaração de importação "pro-forma", na ocasião do despacho da mercadoria restante, para efeito de sua posterior exigencia; rã. a Orientação Normativa Interna da Coordenação do Sistema de Tributação de n9 30/76 - hierarquicamente superior a- quele - determinou que se tomasse para referencia a data em que for expedida a intimação prevista no art. 26 do Decreto 63.431/68, que regulamenta a conferencia final de manifesto; nada obstante, a fiscalização em geral toma valor fiscal e allquota vigentes a data da lavratura do auto de infração, como ficou esclarecido no recurso 93.545 (Processo 0845/57.036/78), mediante diligencia determinada pela Camara competente. Toda essa controversia parece-me, porem, gerada menos por dificuldade de interpretação dos textos legais envolvi dos do que por motivação econemico-financeira, tendo em vista especialmente a base de calculo, sendo sabido que as moedas es- trangeiras, mormente o dOlar, sempre sobem de valor em relação a moeda nacional, de modo que, para o pagador dos tributos, quanto mais antiga a base de calculo, melhor, e vice-versa para o Fisco, naturalmente. Pois a colocação legal parece-me clara, facil: se comprovadamente a mercadoria não entrou no pais, não ha falar-se em fato gerado/ real, concreto, que e o que resulta da efetivaen trada no territerio nacional e que e o previsto no "caput" do art. 19 do Decreto-lei 37/66, mas tão somente no fato gerador presumido, previsto e definido do respectivo paragrafo único, co mo tendo ocorrancia vinculada a verificação da falta - "que venha a ser apurada", diz o texto legal. SO então nasce para o Fisco o direito de exigir tributos, pois nessa ocasião e que se caracte- riza a circunstancia material que a lei adota como presunção do ... 1 fato imponivel - ano entrada do que devia ter entrado, por e tar manifestado -;_ \ 5. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 0845/61.529/78 Ac6rdão n9 CSRF/03-0.034 E o art. 23 e a expressão fiel e conseqUente des- sa conceituação, ao dispor que, no caso, a mercadoria ficara su- jeita aos tributos vigorantes na data em que a autoridade aduanei_ ra apurar a falta ou dela tomar conhecimento. LOgica formal e 16- gica jurídica, perfeita integração de normas harm8nicas em torno de hipOtese de incidencia especifica, contempladora de situação pe- culiar e independente do fato gerador concreto do tributo. E para frisar a peculiaridade do fato em discussão, como especie aut8noma de fato tributario do Imposto de Importa- .... çao, basta lembrar que, no caso de falta total de determinada mer cadoria manifestada, não havendo menhuma quantidade restante a ser despachada, qual seria a data do fato gerador para a exigen- cia dos tributos sobre o total que faltou? A da entrada no terri- tOrio nacional de que, se nada entrou? É claro portanto, que so quando constatada a falta, pois apenas então se pode ter como efe tivado o fato gerador presumido do paragrafo único do art. 19. Is so porque, em suma, enquanto que o fato gerador efetivo do I.I. e a entrada da mercadoria no pais, o presumido é caracterizado jun tamente pelo contrario - a não entrada do que devia ter entrado. Mas também se controverte quando e que a autorida de aduaneira apura a falta ou toma conhecimento da falta. Ora, a- purar e tornar puro, escoimar, eliminar dúvidas ou incertezas, e isso s6 se faz deliberadamente, mediante, no caso, procedimento especifico previsto no Decreto 63.431/68, no que se refere ã con- ferencia final do manifesto, enquanto que tomar conhecimento j deparar-se com o fato de qualquer maneira positiva - na conferen- cia da mercadoria posta a despacho e na vistoria aduaneira, espe- cialmente - mas sempre de maneira direta em relação a determinada mercadoria, não, como querem os responsaveis por extravio, de mo- do vago e genérico, implícito, qual o conhecimento que resultaria de recebe/ a autoridade aduaneira todos os papeis referentes ao navio e ã carga, quando de sua chegada, pois e claro que tais do- cumentos são manuseados ordenada e sistematicamente com vistas aos diversos fins peculiares ã. administração fiscal, nas oportunidades . adequadas - despacho, vistoria, conferencia de manifesto, etc,não '/11 ,1011 6. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 0834/61.529/78 AcOrdão n9-CSRF/03-0.034 de uma s6 vez e simultâneamente para todos os fins. Inegavelmente, .„. tanto a apuração como o conhecimento da falta de mercadoria impor tada são atos formais, expressos, emitidos oportunamente com obje tivos específicos, não podendo ser substituídos por situaçSes im plicitas. Tenho pois, por incontestãvel o direito de a Fazenda Nacional exigir tributos sobre mercadoria estrangeira extraviada calculados sobre base de cãlculo e alíquota vigorantes ã data em que a autoridade fiscal consigna expressamente a falta em documen to emitido e protocolizado para esse fim. Dou, conseqUentemente, provimento ao recurso espe_ cial.c93, Brasília, DF, em 27 de novembro de 1979, /l. U 0- E , I,M , - RELATOR r7 ---.--/ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL VOTO DO CONSELHEIRO AMADOR OUTERELO FERNÁNDEZ (PRESIDENTE) No caso dos autos dois fatos são o cerne da questão. o primeiro, diz respeito â eficacia das normas do artigo 23 e seu patãgrafo único do Decreto-lei n9 37, de 18.11.66, face ao estabe lecido no art. 19 da Lei n9 5.172, de 25.10.66 (C.T.N.); o segun- do, refere-se ao momento em que o Fisco tomaria conhecimento de to_ dos os elementos que lhe possibilitariam exigir dos omissos os tri_ butos sonegados. Os dois assuntos, na realidade, não apresentam novi_ dade, embora esta Câmara, ainda não tivesse a oportunidade de so- bre eles se pronunciar, em razão de sua recente instalação. Sobre esses dois aspectos os ilustres Conselheiros da Câmara recorrida, Dr. Henrique Manuel Garbayo Guarido (cujo vo- to foi acostado aos autos pelo Procurador da Fazenda Nacional, fa- zendo parte integrante do seu arrazoado), Raimundo José Alves Gon çalves e Edwaldo Reis da Silva, já fizeram judiciosos pronunciamen_ tos através dos votos que proferiram no julgamento da tormentosa questão, ora sob apreciação desta Câmara Superior de Recursos Fie cais. Também fora dos estritos limites da Câmara recorri_ da (Colenda 2a. Câmara do 39 Conselho de Contribuintes) a matéria já mereceu acurado exame. Com efeito, a compatibilidade entre o estabelecido no art. 19 do C6(ljg° Tributário Nacional e as normas do Decreto- -lei n9 37, de 18.11.66, que dispSem sobre o exato momento em que se considera ocorrido o fato gerador (especialmente a hipOtese men cionada no art. 23 (mas que por analogia se aplica a qualquer ou- tra situação estabelecida no mesmo Decreto-lei n9 37/66) já foi aia piamente estudada pelo Poder Judiciário, tendo o Pleno do Colendo Tribunal Federal de Recursos, ao apreciar o Incidente de Uniformi zaego de Jurisprudencia no AMS n9 79.570-SP, assentado o que se lé ( na Súmula n9 4, daquele Tribunal, in verbis i- />K/ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL 2. "2 compatível com o artigo 19 do Código Tributário Nacional à disposição do artigo 23 do Decreto-lein9 37, de 18.XI.1966. (Referência: Cód. Tributário Na- cional, Lei n9 5.172, de 25.10.66, Artigos 19, 114 e 116, I; Decreto-lei n9 37, de 18.XI.1966, artigos 19, 23 e 44; incidente de Uniformização de Jurispru dência da AMS n9 79.570-SP (Pleno, 10.8.1978)." Dal para cá a jurisprudência de todas as suas Tur- mas e indiscrepante, como se observa de inúmeros decisórios, todos unânimes, daquela alta Corte de Justiça, podendo serem mencionados a titulo de ilustração as AMS n9s. 78.588-SP, 3a. Turma, Relator Ministro Carlos Mário da Silva Venoso; 82.855-SP, la. Turma, Rela_ tor Ministro Presidente Márcio Ribeiro; 80.552-SP, 2a. Turma, Rela tor Ministro Paulo Távora; e 84.258-SP, la. Turma, Relatar Minis- tro Washington Bolivar de Brito. Da mesma forma, o Egregio Supremo Tribunal Fede- ral, em diversos arestos unânimes apreciando a mesma materia, já sentenciou em acórdão da lavra do eminente Ministro Rafael Mayer: "Imposto de importação. Fato gerador - Aliquota.Mer cadoria p. ....rÊ consumo ou entrepostada. Compatibilida de da disposição do art. 23 do Decreto-lei 37/66 com o art. 19 do Código Tributário Nacional. Enquanto o CTN define como fato gerador a entrada da mercado- ria no território nacional, o Decreto-lei 37/66 o completa especificando o necessário momento nele não previsto, de modo a tornar precisa no espaço,no tempo e na circunstância a ocorrência do fato gera- dor. Procedentes do STF. - Recurso extraordinário não conhecido. (RE n9 91.309-2-SP, ia. Turma,sessão de 14.8.79 in D.J., de 10.9.79)."-- Este pronunciamento ratifica o anterior do Ministro Relator no RE n9 90.114-SP. Igualmente a Colenda 2a. Turma do Excelso Supremo Tribunal Federal já se pronunciara uniformemente no Agravo de Ins- trumento n9 74.597-RJ, em que foi Relator o Ministro Cordeiro Guer_ ra e no RE n9 90.471-MG, relatado pelo eminente inistro Moreira . i, Z\lves, lendo-se na ementa deste último decisórioy, /' - SERVIÇO FueLico FEDERAL 3. "Fato gerador do imposto de importação em se tratan do de mercadoria para consumo e entrepostada. Não e desarrazoada a interpretação de que, em tais hipóteses, se aplica o art. 23 do Decreto-lei n9 37-66, não se podendo afasta-lo sob o fundamento de ser o CTN lei complementar, uma vez que ambos - o CTN e o Decreto-lei n9 37-66, que lhe e posterior - entraram em vigor anteriormente à Constituição de 1967, sendo portanto, leis ordinárias que, no tocan te às normas gerais do direito tributãrio (o que sU cede com as que definem fato gerador), passaram ã considerar-se como leis complementares a partir da vigência daquela Constituição. Aplicação da Súmula 400. Inexistência do dissídio de jurisprudência alegado no recurso. Recurso extraordinário não conhecido." Por outro lado, o segundo aspecto da questão, ou se ja, o momento em que a autoridade competente toma conhecimento pie no dos elementos que a habilitem a, cumulativamente: conhecer da infração e identificar o infrator para, apOs ouvir este último, es tar em condiçOes de formalizar a exigência fiscal, também haviam sido minuciosamente analisadas pela antiga Instáncia Especial (Mi- nistro da Fazenda ou Secretário-Geral do mesmo Ministério, em ra zão de delegação de competência), como se pode observar da deci- são, também acostada aos autos pelo ilustre Procurador da Fazenda Nacional que interpôs o Recurso, concluindo-se que: na ausência de ciência à. repartição fiscal, por qualquer que seja o meio utiliza do, dos nomes do transportador e importador, da quantidade e quali dade da mercadoria considerada extraviada e dos demais elementos indispensáveis para o cálculo do tributo, somente com a "conferên- cia fiscal de manifesto" são detectados aqueles elementos que -- ainda mediante certas cautelas, tal como a intimação previa do transportador (pois e comum nesta fase ele vir a provar a inexis- tência do extravio, dado a mercadoria ter aportado por outro navio, a mesma quantidade importada ter vindo em menos volumes etc.) -- habilitarão a Fazenda Nacional a quantificar a obrigação tributá- ria e a qualificar o sujeito passivo, em fim, a formalizar a exi gência Em face do ex~o, / Jou provimento ao recurso especiaL r J 1 / d(2 AMADOR OUT 'E ANDEZ - PRESIDENTE Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1

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Numero do processo: 11080.728433/2012-49
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA. IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual determinado pelo dispositivo legal pertinente.
Numero da decisão: 2002-010.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, para restabelecer a dedução de despesas com instrução de R$2.592,29. Assinado Digitalmente Marcelo de Sousa Sateles – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre Barros de Moura, Fernando Gomes Favacho, Heitor de Souza Lima Junior (substituto[a] integral), Marcelo Freitas de Souza Costa, Rafael de Aguiar Hirano, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Luciana Costa Loureiro Solar, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Heitor de Souza Lima Junior.
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA. IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual determinado pelo dispositivo legal pertinente.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, para restabelecer a dedução de despesas com instrução de R$2.592,29. Assinado Digitalmente Marcelo de Sousa Sateles – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre Barros de Moura, Fernando Gomes Favacho, Heitor de Souza Lima Junior (substituto[a] integral), Marcelo Freitas de Souza Costa, Rafael de Aguiar Hirano, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Luciana Costa Loureiro Solar, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Heitor de Souza Lima Junior.

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IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré- escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual determinado pelo dispositivo legal pertinente. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, para restabelecer a dedução de despesas com instrução de R$ 2.592,29. Assinado Digitalmente Marcelo de Sousa Sateles – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre Barros de Moura, Fernando Gomes Favacho, Heitor de Souza Lima Junior (substituto[a] integral), Marcelo Freitas de Souza Costa, Rafael de Aguiar Hirano, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Luciana Costa Loureiro Solar, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Heitor de Souza Lima Junior. Fl. 116DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2002-010.021 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11080.728433/2012-49 2 RELATÓRIO Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Trata-se de Impugnação à Notificação de Lançamento que constituiu crédito tributário correspondente ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) relativo ao ano-calendário 2008, no valor original de R$ 4.279,03, acrescido de multa de ofício e juros moratórios. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal, o lançamento foi efetuado em razão de: a) dedução indevida de despesas com instrução, R$ 5.184,58, por falta de comprovação do ônus financeiro, visto que as despesas foram pagas por pessoa jurídica Jorge Ivan Fontela Liscano ME; b) dedução indevida de pensão alimentícia, R$ 20.500,00, pois não foi apresentada escritura pública, decisão judicial ou acordo homologado judicialmente fixando o valor declarado a título de pensão alimentícia, nem os respectivos comprovantes de pagamento, inexistindo Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte –Dirf; e c) dedução indevida de despesa médica, R$ 10.802,91, Sener Saúde, por não ter sido apresentado comprovante com os valores discriminados por beneficiário do plano de saúde. O contribuinte, em síntese, alega: a) Despesa com instrução: que foram pagas por pessoa jurídica, que recebeu os pagamentos e tem atividade de cobrança; b) Despesas médicas: anexa comprovantes com discriminação dos beneficiários do plano de saúde. Não houve impugnação da glosa de dedução indevida com pensão alimentícia, mas a impugnação parcial importou apenas redução do valor de restituição originalmente apurado pelo interessado, inexistindo crédito a ser apartado para cobrança imediata. É o relatório. Cientificado da decisão de primeira instância em 13/03/2017, a qual julgou a impugnação procedente em parte, o sujeito passivo interpôs, em 29/03/2017, Recurso Voluntário, alegando, em apertada síntese, que: a) as despesas com instrução de dependente estão comprovadas nos autos É o relatório. VOTO Conselheiro Marcelo de Sousa Sateles, Relator Fl. 117DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2002-010.021 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11080.728433/2012-49 3 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Primeiramente, deve-se esclarecer que a fiscalização constatou as seguintes infrações: - dedução indevida de despesa com instrução (R$ 5.184,58); - dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública (R$ 20.500,00); - dedução indevida de despesas médicas (R$ 10.802,91). A glosa de dedução indevida de pensão alimentícia não foi expressamente impugnada, não instaurando o litígio, tornando a respectiva exigência definitiva na esfera administrativa (Decreto nº 70.235, de 6/3/1972, arts. 14 e 17), nos termos da decisão a quo. A decisão de piso julgou a impugnação procedente em parte (fls. 86/88), tendo sido restabelecido parcialmente dedução de despesas com instrução de seu dependente, Eduardo Schmidt, no valor de R$ 2.592,29. Foi restabelecida também parcialmente dedução de despesas com plano de saúde do próprio contribuinte de R$ 3.725,93. Em sede de recurso voluntário, o contribuinte requer apenas o restabelecimento da dedução de despesas com instrução de sua dependente, Joana Shimidt Mello, no valor de R$ 2.592,29. Constata-se, então, que o Recorrente não contesta parcialmente a infração de dedução indevida de despesas médicas, no valor total de R$ 7.076,98, tornando-se essa matéria incontroversa no âmbito administrativo. Portanto, o litígio recai apenas sobre a infração dedução indevida de despesas com instrução de R$ 2.592,29. Compulsando os autos (fls. 48/53), constata-se que, de fato, Joana Shimidt Mello seria dependente do contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual, ano-calendário 2008. Constam, ainda, os comprovantes dos pagamentos do colégio de sua dependente (fls. 16/29), Joana Shimidt Mello, logo deve ser restabelecida a dedução de despesas com instrução de R$ 2.592,29. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, dou-lhe provimento para restabelecer a dedução de despesas com instrução de R$ 2.592,29. Assinado Digitalmente Marcelo de Sousa Sateles Fl. 118DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10120.733959/2018-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2016 a 31/12/2016 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIAS IMPERTIENTES À DEMANDA. NÃO CONHECIMENTO. O contencioso administrativo instaura-se com a manifestação de inconformidade, que deve ser expressa, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido especificamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação. Da mesma forma, também não devem ser conhecidas matérias impertinentes ao deslinde da controvérsia. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2016 a 31/12/2016 REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170 - PR, pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela contribuinte. NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE. INSUMO SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N. 188 É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições, conforme estabelecido na Súmula CARF nº 188. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. DESPESAS PORTUÁRIAS. MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS. CRÉDITO INSUMO. IMPOSSIBILIDADE Segundo a súmula CARF 232, as despesas portuárias na exportação de produtos acabados não configuram insumos para fins de crédito de PIS/COFINS.
Numero da decisão: 3102-002.981
Decisão: Acordam os membros do colegiado em julgar o processo da seguinte forma: i) por unanimidade, por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das matérias impertinentes à presente controvérsia (tópicos III. 3.1 Crédito sobre Despesas com Bens para Laboratório de Análises, Testes e Serviços de Análise de Solos e Qualidade, III. 3.2 Do Crédito sobre Combustíveis e Lubrificantes, III. 3.4 Do Crédito sobre Despesas com Bens Incorporados ao Ativo Imobilizado, III. 3.7 Do Crédito sobre Despesas com Partes e Peças de Reposição Utilizadas em Máquinas e Equipamentos (Outras Operações com Direito ao Crédito)e III. 3.8 Dos Créditos Vinculados às Receitas Suspensas – Saídas no Mercado Interno) e que não foram objeto de manifestação de inconformidade (tópico III. 3.9 Da Apropriação de Créditos Extemporâneos – Legalidade), e, na parte conhecida, no mérito, dar-lhe parcial provimento, para o fim de reverter as glosas relativas aos gastos com: (a) armazenagem até o momento que o navio atraca no porto e toda soja/milho é transferida para dentro do navio; (b) com fretes devidamente comprovados, na aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero; e (c) despesas com aluguel de vagões incorridas junto a Ferrolease; e ii) por voto de qualidade, para manter as glosas sobre: (a) serviços de descarregamento da soja/milho no armazém; (c) elevação que transporta a soja e o milho para dentro do porão do navio; e d) fretes na transferência de produtos entre estabelecimentos. Restaram vencidos os conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues e Joana Maria de Oliveira Guimarães que davam provimento ao recurso em relação a tais itens. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3102-002.967, de 14 de outubro de 2025, prolatado no julgamento do processo 10120.733955/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha (substituto[a]integral), Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a)Fabio Kirzner Ejchel, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, o conselheiro(a) Jorge Luis Cabral.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2016 a 31/12/2016 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIAS IMPERTIENTES À DEMANDA. NÃO CONHECIMENTO. O contencioso administrativo instaura-se com a manifestação de inconformidade, que deve ser expressa, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido especificamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação. Da mesma forma, também não devem ser conhecidas matérias impertinentes ao deslinde da controvérsia. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2016 a 31/12/2016 REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170 - PR, pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela contribuinte. NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE. INSUMO SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N. 188 É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, Fl. 667DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.981 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733959/2018-50 2 registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições, conforme estabelecido na Súmula CARF nº 188. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. DESPESAS PORTUÁRIAS. MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS. CRÉDITO INSUMO. IMPOSSIBILIDADE Segundo a súmula CARF 232, as despesas portuárias na exportação de produtos acabados não configuram insumos para fins de crédito de PIS/COFINS. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado em julgar o processo da seguinte forma: i) por unanimidade, por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das matérias impertinentes à presente controvérsia (tópicos III. 3.1 Crédito sobre Despesas com Bens para Laboratório de Análises, Testes e Serviços de Análise de Solos e Qualidade, III. 3.2 Do Crédito sobre Combustíveis e Lubrificantes, III. 3.4 Do Crédito sobre Despesas com Bens Incorporados ao Ativo Imobilizado, III. 3.7 Do Crédito sobre Despesas com Partes e Peças de Reposição Utilizadas em Máquinas e Equipamentos (Outras Operações com Direito ao Crédito)e III. 3.8 Dos Créditos Vinculados às Receitas Suspensas – Saídas no Mercado Interno) e que não foram objeto de manifestação de inconformidade (tópico III. 3.9 Da Apropriação de Créditos Extemporâneos – Legalidade), e, na parte conhecida, no mérito, dar-lhe parcial provimento, para o fim de reverter as glosas relativas aos gastos com: (a) armazenagem até o momento que o navio atraca no porto e toda soja/milho é transferida para dentro do navio; (b) com fretes devidamente comprovados, na aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero; e (c) despesas com aluguel de vagões incorridas junto a Ferrolease; e ii) por voto de qualidade, para manter as glosas sobre: (a) serviços de descarregamento da soja/milho no armazém; (c) elevação que transporta a soja e o milho para dentro do porão do navio; e d) fretes na transferência de produtos entre estabelecimentos. Restaram vencidos os conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues e Joana Maria de Oliveira Guimarães que davam provimento ao recurso em relação a tais itens. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3102- 002.967, de 14 de outubro de 2025, prolatado no julgamento do processo 10120.733955/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Fl. 668DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.981 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733959/2018-50 3 Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha (substituto[a]integral), Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a)Fabio Kirzner Ejchel, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, o conselheiro(a) Jorge Luis Cabral. RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou procedente em parte Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, em síntese abaixo, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2016 a 31/12/2016 MATÉRIA NÃO QUESTIONADA No âmbito do processo administrativo fiscal não se admite a negativa geral, pois a defesa deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, operando-se a preclusão processual relativamente à matéria que não tenha sido expressamente contestada na defesa apresentada. Assim, consideram-se consolidadas na esfera administrativa as glosas que não foram objeto de contestação específica. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do Código Tributário Nacional. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. Fl. 669DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.981 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733959/2018-50 4 A autoridade administrativa não tem competência para apreciar alegação, ainda que indireta, de inconstitucionalidade ou ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2016 a 31/12/2016 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. Conforme estabelecido no Parecer Normativo Cosit RFB n.º 5, de 2018, que produz efeitos vinculantes no âmbito da RFB, o conceito de insumos, para fins de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços realizados pela pessoa jurídica. ESSENCIALIDADE. RELEVÂNCIA. O critério da essencialidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit RFB n.º 5, de 2018, requer que o bem ou serviço creditado constitua elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço realizado pela contribuinte; já o critério da relevância é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção do sujeito passivo. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS EM ELABORAÇÃO. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas de fretes relativos às transferências de produtos em elaboração da mesma pessoa jurídica, por serem enquadrados como insumos, geram direito ao crédito no regime não cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins. Entretanto, a contribuinte não está desonerada da comprovação de tais despesas, bem como de sua não incorporação ao custo dos bens e serviços produzidos, evitando-se a duplicidade na apuração de seu direito creditório. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS ACABADOS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Fretes relativos a transferências entre estabelecimentos da mesma empresa de produto acabado representam despesas operacionais da empresa, não podendo ser classificados como insumos. Igualmente, transferência de mercadorias entre seus estabelecimentos ou para estabelecimentos varejistas não constitui etapa de seu processo produtivo, razão pela qual o respectivo frete também não enseja crédito de PIS/Pasep e de Cofins não cumulativos. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS E VEÍCULOS. Os aluguéis de máquinas e equipamentos utilizados na atividade da empresa geram crédito de não-cumulatividade, não havendo restrição a que o aluguel se refira a bens utilizados no processo produtivo. Não há previsão legal para cálculo Fl. 670DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.981 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733959/2018-50 5 do crédito em relação ao aluguel de veículos por não se incluírem nº conceito de máquinas e equipamentos. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. DESPESAS DE ALUGUÉIS DE TERRENOS. POSSIBILIDADE. A pessoa jurídica, submetida ao regime de apuração não cumulativa do PIS/PASEP e da Cofins, pode descontar créditos sobre aluguéis de terrenos utilizados nas atividades da empresa pagos a pessoa jurídica, desde que obedecidos todos os requisitos e as condições previstos na legislação. DILIGÊNCIA E PERÍCIA. Indefere-se o pedido de diligência ou perícia quando se trata de matéria passível de prova documental a ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade, bem como quando presentes elementos suficientes para a formação da convicção da autoridade julgadora. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2016 a 31/12/2016 DÉBITOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. EXIGIBILIDADE. A manifestação de inconformidade, apresentada tempestivamente contra o ato de não homologação da compensação, tem a eficácia de suspender a exigibilidade do crédito tributário, mantendo-se a suspensão da cobrança até a decisão definitiva do respectivo processo na esfera administrativa. A Agrex do Brasil S.A. interpôs Recurso Voluntário, reiterando as razões expostas em sede de manifestação de inconformidade e pleiteando, em breve síntese, pela reunião e julgamento em conjunto dos processos conexos e, quanto ao mérito, protesta pela reforma do v. acórdão recorrido, para que sejam julgadas improcedentes as glosas dos créditos efetuadas pela autoridade fiscal na análise do direito creditório pleiteado. Posteriormente, a recorrente junta petição na qual reitera que formulou uma série de PER/Dcomps relativos à mesma matéria (creditamento de insumos das contribuições ao PIS e da COFINS), que versam sobre os mesmos períodos de apuração e têm origem nas mesmas rubricas, tendo a auditoria fiscal gerado 134 (cento e trinta e quatro) processos administrativos para análise, com os respectivos despachos decisórios, sendo os créditos deferidos parcialmente. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão Fl. 671DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.981 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733959/2018-50 6 paradigma como razões de decidir. Deixa-se de transcrever a parte vencida do voto do relator, que pode ser consultada no acórdão paradigma e deverá ser considerada, para todos os fins regimentais, inclusive de pré-questionamento, como parte integrante desta decisão, transcrevendo-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Quanto à tempestividade e ao mérito, ressalvado quanto à reversão da glosa de créditos calculados sobre as despesas portuárias (serviços de descarregamento da soja/milho no armazém, elevação que transporta a soja e o milho para dentro do porão do navio) e ao frete na transferência de produtos entre estabelecimentos, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto do relator do acórdão paradigma: O Recurso Voluntário é tempestivo e cumpre com os requisitos formais de admissibilidade, devendo, por conseguinte, ser conhecido. No que se refere ao pedido de reunião dos processos conexos, para julgamento em conjunto dos Recursos Voluntários, cumpre informar que todos os processos que se encontram neste e. CARF foram distribuídos para minha relatoria e serão julgados na mesma sessão de julgamento, seja de forma autônoma seja por estarem contemplados no lote de repetitivo. Quanto às alegações tecidas nos tópicos III. 3.1 Crédito sobre Despesas com Bens para Laboratório de Análises, Testes e Serviços de Análise de Solos e Qualidade, III. 3.2 Do Crédito sobre Combustíveis e Lubrificantes, III. 3.4 Do Crédito sobre Despesas com Bens Incorporados ao Ativo Imobilizado, III. 3.7 Do Crédito sobre Despesas com Partes e Peças de Reposição Utilizadas em Máquinas e Equipamentos (Outras Operações com Direito ao Crédito) e III. 3.8 Dos Créditos Vinculados às Receitas Suspensas – Saídas no Mercado Interno, deixo de conhecê- las em razão da total impertinência com o presente processo, uma vez que tais matérias não foram objeto do Relatório de Auditoria que embasa o Despacho Decisório, tampouco da Manifestação de Inconformidade e/ou do v. acórdão recorrido. No que se refere às alegações tecidas no tópico III. 3.9 Da Apropriação de Créditos Extemporâneos – Legalidade também deixo de conhecê-las, por se tratar de matéria que não foi objeto de manifestação de inconformidade e, por conseguinte, considera-se não impugnada, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.23/72, conforme já reconhecido pelo v. acórdão recorrido. Em seu Recurso Voluntário, a recorrente se limita a afirmar que “nas linhas iniciais referendou a sua discordância a esta glosa”, entretanto, não se verifica qualquer menção expressa aos créditos extemporâneos na Manifestação de Inconformidade. Por outro lado, conheço das matérias propostas nos tópicos III.3.3 Do Crédito sobre Despesas com Arrendamento Mercantil (FERROLEASE S/A), III. 3.5 Do Direito ao Crédito sobre Despesas com Fretes a) Fretes Internos e b) Fretes com Produtos Alíquota Zero, e III. 3.6 Do Crédito sobre Despesas com Serviços Portuários/Aduaneiros – Elevação Portuária, por tratar de matérias que foram Fl. 672DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.981 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733959/2018-50 7 objeto de manifestação de inconformidade e apreciação pelo v. acórdão recorrido. No mérito, considerando que 91 processos conexos ao presente já foram julgados conjuntamente pela 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 3ª Seção, deste e. CARF, oportunidade na qual questões de mérito idênticas às atinentes a presente demanda foram devidamente dirimidas, transcrevo parcialmente os fundamentos do v. acórdão nº 3302-014.610, de lavra da i. Conselheira Marina Righi Rodrigues Lara, que bem analisaram a matéria, os quais adoto como razões para decidir, conforme autorizado pelo artigo 50, §1º, da Lei nº 9.784/99: [...] Antes de se adentrar especificamente em cada um dos itens mencionados, revelam- se necessárias algumas considerações iniciais sobre o tema. Recentemente, em sede de repercussão geral, na ocasião do julgamento do RE nº 841.979/PE, o STF reconheceu a autonomia do legislador ordinário para disciplinar a não-cumulatividade das contribuições sociais estabelecido no art. 195, §12, da Constituição Federal (CF/88). Paralelamente, restou decidido que o conceito de insumo para fins da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS não deriva de maneira estanque do texto constitucional. Nesse sentido, o Ministro Relator Dias Toffoli reconheceu que o legislador ordinário teria competência tanto para negar créditos em determinadas hipóteses, quanto para concedê-los em outras, de forma genérica ou restritiva. Diante desse contexto, concluiu pela validade das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, à luz da não cumulatividade. Ou melhor, concluiu-se que as restrições positivamente expressas nas leis não seriam por si só inconstitucionais e deveriam ser analisadas em cada caso concreto. Especificamente sobre o conceito de insumo, previsto no art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, destaca-se que o Ministro Relator não invalidou o julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, sob o rito dos repetitivos, de relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho. Pelo contrário, entendeu que, por se tratar de matéria infraconstitucional, permaneceria o conceito de insumo, objeto de julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça. O acórdão proferido na ocasião daquele julgamento foi publicado no dia 24/04/2018, com a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN Fl. 673DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.981 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733959/2018-50 8 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3º., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual- EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não- cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (REsp n. 1.221.170/PR, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Seção, julgado em 22/2/2018, DJe de 24/4/2018.) Em síntese, restou pacificado que o conceito de insumo deve ser analisado à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Como se sabe, o Relator do citado caso acompanhou as razões sustentadas pela Ministra Regina Helena Costa, para quem os referidos critérios devem ser entendidos nos seguintes termos: “Demarcadas tais premissas, tem-se que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual - EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Fl. 674DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.981 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733959/2018-50 9 Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revela-se mais abrangente do que o da pertinência.” Fazendo referência aos entendimentos que vinham sendo adotados por este próprio Carf, sustentou a Ministra Regina Helena Costa, a necessidade de se analisar, casuisticamente, a essencialidade ou a relevância de determinado bem ou serviço para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa. Nos termos do art. 62, §2º, da Portaria MF nº 343/15, Regimento Interno do Carf (Ricarf), o referido julgado é de observância obrigatória e deve ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito deste conselho. Sobre o referido julgamento, foi publicada a NOTA SEI PGFN/MF nº 63/2018, por meio da qual a Procuradoria Geral de Fazenda Nacional (PGFN) reconheceu o conceito de insumos para crédito de PIS e Cofins fixado naquela sede. Entendo por oportuno destacar os seguintes trechos: 14. Consoante se depreende do Acórdão publicado, os Ministros do STJ adotaram a interpretação intermediária, considerando que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Dessa forma, tal aferição deve se dar considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. 15. Deve-se, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente - cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observa-se que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividade-fim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques.” (sem grifos no original) (...) 37. Há bens essenciais ou relevantes ao processo produtivo que nem sempre são nele diretamente empregados. O conceito de insumo não se atrela necessariamente ao produto, mas ao próprio processo produtivo. 38. Não devem ser consideradas insumos as despesas com as quais a empresa precisa arcar para o exercício das suas atividades que não estejam intrinsicamente relacionadas ao exercício de sua atividade-fim e que seriam Fl. 675DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.981 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733959/2018-50 10 mero custo operacional. Isso porque há bens e serviços que possuem papel importante para as atividades da empresa, inclusive para obtenção de vantagem concorrencial, mas cujo nexo de causalidade não está atrelado à sua atividade precípua, ou seja, ao processo produtivo relacionado ao produto ou serviço. 39. Vale dizer que embora a decisão do STJ não tenha discutido especificamente sobre as atividades realizadas pela empresa que ensejariam a existência de insumos para fins de creditamento, na medida em que a tese firmada refere-se apenas à atividade econômica do contribuinte, é certo, a partir dos fundamentos constantes no Acórdão, que somente haveria insumos nas atividades de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Desse modo, é inegável que inexistem insumos em atividades administrativas, jurídicas, contábeis, comerciais, ainda que realizadas pelo contribuinte, se tais atividades não configurarem a sua atividade-fim. (...) 41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Busca-se uma eliminação hipotética, suprimindo-se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. 44. Decerto, sob a ótica do produtor, não haveria sentido em fazer despesa desnecessária (que não fosse relevante ou essencial do ponto de vista subjetivo, como se houvesse uma menor eficiência no seu processo produtivo), mas adotar o conceito de insumo sob tal prisma implicaria elastecer demasiadamente seu conceito, o que foi, evidentemente, rechaçado no julgado. Esse tipo de despesa – importante para o produtor – configura custo da empresa, mas não se qualifica como insumo dentro da sistemática de creditamento de PIS/COFINS. Ainda que se possa defender Fl. 676DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.981 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733959/2018-50 11 uma importância global desse tipo de custo para a empresa, não há importância dentro do processo produtivo da atividade-fim desempenhada pela empresa.” Ademais, com o intuito de expor as principais repercussões decorrentes da definição do conceito de insumos no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR no âmbito da Receita Federal do Brasil, foi emitido o Parecer Normativo Cosit nº 5/2018, que consignou a seguinte ementa: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº10.833, de 2003, art. 3º, inciso II.” Assim, à luz de tais considerações, passa-se a analisar as glosas ainda objeto de discussão nos presentes autos. [...] 2.3. Das despesas com serviços portuários/aduaneiros Quanto às despesas com serviços portuários/aduaneiros, entendeu a DRJ por manter a glosa efetuada pela fiscalização, em razão da ausência de previsão legal expressa do referido crédito no âmbito da não cumulatividade. A Recorrente, por sua vez, defende que os gastos com serviços aduaneiros para uma empresa preponderantemente exportadora são essenciais, cruciais e necessários para organização logística e para embarque com finalidade de fazer chegar as mercadorias ao consumidor final localizado em outro país. Fl. 677DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.981 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733959/2018-50 12 Nesse contexto, a contratação de empresas nacionais para prestação de serviços de elevação portuária dentro do porto e de despachantes aduaneiros se caracterizam como verdadeiros insumos. Em suas palavras: A elevação portuária nada mais é do que uma combinação de frete destinado à venda e armazenagem, dois típicos insumos expressamente previstos nos artigos 3º das Leis do PIS e da COFINS. Para exata compreensão da essência dessa despesa suportada pela Recorrente, se faz necessário a análise do escopo e objeto do contrato. Foi firmado contrato de prestação de serviços de embarque em navios e outras avenças entre AGREX e Vale S/A (contrato nº 0248/09 apresentado em sede de fiscalização e constante nos autos), assinado em 30 de novembro de 2009, e com vigência entre 1º de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2034. O referido contrato traz o objeto em sua cláusula primeira e o teor segue transcrito na íntegra na sequência: “CLÁUSULA I OBJETO: 1.1 – Constitui objeto do presente contrato a prestação de serviços, pela VALE para a CLIENTE, relacionados com a movimentação de SOJA e MILHO em grão, a granel (“Produtos”), compreendendo: (i) a descarga dos vagões ferroviários contendo o Produto no Terminal Portuário de Ponta Madeira – PDM, Estado do Maranhão (“Terminal”), (ii) a estocagem e armazenagem do Produto para formação de lotes de exportação em ARMAZÉNS GRANELEIROS específicos (conforme indicado no item 9.1), e (iii) o embarque dos Produtos em navios (“Serviços Portuários”). 1.2 – Para o atendimento do objeto deste Contrato, poderá a VALE utilizar-se de bens e serviços de terceiros ou estabelecer algum nível de relação jurídica com terceiros. Nessas hipóteses será sempre integral e exclusiva responsabilidade da VALE o pleno atendimento da CLIENTE, para os efeitos deste Contrato, assim como de sua exclusiva e integral responsabilidade todas as obrigações derivadas da eventual relação jurídica formalizada com terceiros para os fins e atendimento do presente Contrato. 1.3 – A VALE poderá atender, dentro de suas possibilidades, quaisquer outros transportes que a CLIENTE solicitar, desde que mediante prévia negociação entre as PARTES.” Em suma, conforme se afere das cláusulas acima, o contrato traz, de forma bem definida, duas modalidades de serviços, quais sejam: (i) armazenagem das mercadorias; (ii) transporte (elevação) das mercadorias para navio destinado à venda ao exterior. Adentrando na operação propriamente dita, a mercadoria (soja e milho em grãos) chega no Terminal Portuário de Ponta Madeira no Estado do Maranhão, vindo em vagões ferroviários. Na sequência, os funcionários da VALE descarregam a mercadoria e mantém a mercadoria armazenada até a data de embarque no do navio. Fl. 678DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.981 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733959/2018-50 13 Antes da chegada navio que fará o transporte internacional das mercadorias há um alinhamento prévio entre as partes, dentro das condições previstas no contrato para cada tipo de embarcação. Definido o navio, a Recorrente deve apresentar à VALE, antes da chegada da embarcação, o número do registro de exportação (RE) referente ao SISCOMEX para a liberação do atendimento, bem como o despacho junto a Receita Federal e ao Ministério da Agricultura e a cópia do “Bill of Landing” após o embarque. Quando o navio chega no porto, a VALE executa a terceira etapa do trabalho que consiste em carregar/abastecer o navio com a soja e/ou milho vendidos pela Recorrente. Ao final, a Recorrente efetua o pagamento à VALE de acordo com as condições estabelecidas no contrato e seus anexos, considerando a quantidade de mercadoria exportada, entre outras variáveis. Em relação ao contrato analisado acima, podemos sintetizar serviços prestados em: ARMAZENAGEM E TRANSPORTE PARA O NAVIO. Através da elucidação abaixo podemos compreender ainda melhor o que dizem os contratos: Conforme se afere da ilustração acima, a mercadoria chega até o porto de destino, geralmente via malha ferroviária, e na sequência é feito o descarregamento da SOJA/MILHO no ARMAZÉM. A toneladas de commodities ficam semanas armazenadas em coisas de clima e temperaturas adequadas para não perderem sua qualidade e, quando o navio atraca no porto toda soja/milho é transferida do armazém para dentro do navio através de grandes estruturas de engenharia que fazem o serviço de elevação das mercadorias, ou seja, transportam a soja e o milho para dentro do portão do navio. Uma vez abastecido e liberado pelas autoridades aduaneiras, o navio parte com destino ao destinatário das mercadorias. Feitas tais considerações, entendo que no caso dos autos, adotando-se o entendimento empregado no já citado REsp nº 1.221.170/PR, a questão deve ser analisada sob a perspectiva do inciso II, daquele dispositivo. É que, como mencionado no voto do Ministro Relator Napoleão Nunes Maia Filho, não há que se falar em interpretação literal do direito ao creditamento. O crédito de PIS e Cofins não consiste em benefício fiscal, tampouco é causa de suspensão ou Fl. 679DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.981 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733959/2018-50 14 exclusão do crédito tributário, e menos ainda representa dispensa do cumprimento de obrigações acessórias. Este decorre da própria dinâmica da não-cumulatividade de tais contribuições. Nesse sentido, a possibilidade de restrição do direito creditório por parte do legislador ordinário nada tem a ver com a interpretação restritiva, nos termos do art. 111 do CTN. Assim, entendo que o mencionado inciso II, ao se referir a bens e serviços utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, reporta-se à atividade econômica de produção ou fabricação por inteiro e não apenas a um de seus estágios específicos. Em outras palavras, pode-se dizer que o processo produtivo visto de forma ampla, não corresponde a atos de produção em sentido estrito, iniciando-se em momento anterior e se consumando na iminência da venda propriamente dita. Tal entendimento dialoga com o próprio fato gerador das contribuições para o PIS e a Cofins, que não incidem sobre a produção de bens ou prestação de serviços, mas sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica. A questão foi inclusive abordada no voto do Ministro Relator Dias Toffoli, no julgamento do RE nº 841.979/PE, nos seguintes trechos: “Como se viu, o texto constitucional não estipulou qual seria a técnica da não cumulatividade a ser observada no tratamento da contribuição ao PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Também se consignou, nas passagens anteriores, que o fato gerador dessas contribuições é deveras distinto dos fatos geradores do ICMS e do IPI. Com efeito, o ICMS pressupõe a circulação de mercadorias ou a prestação de certos serviços (isso é, serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação); e o IPI, a existência de produtos industrializados. Por seu turno, a contribuição ao PIS e a COFINS pressupõem a existência de faturamento ou de receita. Cabe ainda destacar, como já o fez Marco Aurélio Greco, que o processo formativo de um produto ou de uma mercadoria muito se diferencia do processo formativo da receita, a qual, aliás, por estar vinculada a determinado contribuinte, não se submete, propriamente, a um ciclo econômico . O mesmo se aplica quanto ao faturamento. Nesse contexto, anote-se, por exemplo, que, para a formação de receita ou de faturamento, o contribuinte poderá incorrer não só em gastos relacionados com aquele processo formativo de produtos, mas também em outros quanto a bens ou serviços imprescindíveis ou importantes para o exercício de sua atividade econômica.’ Nesse cenário, por não haver outra fase entre a produção/fabricação e a venda de determinados produtos, os gastos com (i) armazenagem das mercadorias e (ii) transporte (elevação) das mercadorias para navio destinadas ao exterior, enquanto em etapa anterior àquela de venda, deve ser analisado sob a ótica do inciso II, do art. 3º, das Leis nsº 10.637/02 e 10.833/03. A venda é o momento em que o sujeito passivo aufere a receita que será tributada, de modo que, até aquele momento, os gastos essenciais e relevantes para que tal operação possa ser executada devem ser reconhecidos como insumos. A operação de venda, em sentido estrito, é tratada em um inciso próprio, qual seja, o inciso IX. É que a partir daquele momento, findar-se-ia a atividade produtiva Fl. 680DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.981 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733959/2018-50 15 elencada no inciso II, não podendo mais os serviços de fretes serem analisados sob aquela ótica. Nessa linha, não haveria qualquer racionalidade em uma interpretação que negasse o direito ao creditamento em relação ao serviço de armazenagem das mercadorias e transporte (elevação) das mercadorias para navio destinadas ao exterior, apenas por não se enquadrar especificamente na hipótese prevista no inciso IX. Ou seja, como se o fato de se ter utilizado na legislação a expressão frete e armazenagem “na operação de venda”, excluísse a possibilidade do creditamento dos gastos com frete em qualquer outro momento anterior à venda. No entanto, o fato de se aceitar o enquadramento de determinados tipos de fretes como insumos, não implica uma leitura do inciso II como uma “cláusula de fechamento”, capaz de abarcar qualquer bem ou serviço que guarde relação com a atividade econômica produtiva desempenhada pelo contribuinte. É realmente imprescindível que se verifique, no caso concreto, a essencialidade e relevância daquele bem ou serviço. Conforme demonstrado pela Recorrente na exposição do seu processo produtivo, entendo que os serviços de (i) descarregamento da soja/milho no armazém, (ii) armazenagem até o momento que o navio atraca no porto e toda soja/milho é transferida para dentro do navio e (iii) elevação das mercadorias que transportam a soja e o milho para dentro do portão do navio são essenciais para que se proceda com a venda das mercadorias para o exterior. [...] 2.5. Despesas com frete de produtos alíquota zero Como relatado, a r. decisão recorrida manteve as glosas relativas aos fretes de produtos adquiridos à alíquota zero, uma vez que não seria permitido o cálculo de créditos sobre as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento de contribuições, nos termos dos art. 3º, §2º, II, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. A Recorrente, por sua vez, sustenta que a essencialidade dos produtos transportados conferiria aos fretes essencialidade no processo produtivo da Recorrente. Sobre o tema, destaco que o artigo 3º, inciso II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos insumos, vedando expressamente em seu §2º, inciso II, apenas o aproveitamento de créditos decorrente da aquisição de bens e serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições: Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou Fl. 681DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.981 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733959/2018-50 16 utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição; e Como antecipado, do teor do referido dispositivo não há dúvida de que a limitação ao direito creditório se refere tão somente aos bens/serviços não tributados ou sujeitos à alíquota zero, inexistindo na legislação qualquer vinculação entre o direito ao crédito pelo serviço de transporte prestado (frete) e a tributação do bem transportado. Assim, os serviços de transporte utilizados na aquisição de insumos, apesar de integrarem o custo de aquisição dos bens adquiridos, possuem análise autônoma e tratamento tributário independente da carga transportada (isto é, se sujeitam à incidência de tais contribuições), sendo, portanto, possível o desconto de créditos dada a sua essencialidade ao processo produtivo. Pelo exposto, entendo que devem ser revertidas as glosas relativas aos gastos, devidamente comprovados, com fretes na aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero. 2.6. Despesas incorridas com a empresa Ferrolease; Quanto às despesas com aluguel de vagões incorridas junto a Ferrolease, entendeu a DRJ que, como vagões não são considerados máquinas, mas veículos, tais gastos não estariam aptos a gerar créditos da não-cumulatividade. A Recorrente, por sua vez, sustenta que poderia tal despesa ser classificada como aluguel de máquinas e equipamentos, já que seria óbvio que não se estaria diante de veículo, pois não há no vagão autonomia para deslocar-se sozinho ou transportar algo por si só. Por fim, sustenta que o próprio capítulo 86 da TIPI faz referência de forma segregada a “veículos e material para vias férreas ou semelhantes, e suas partes”, diferenciando, portanto, vagão de locomotiva. Com razão a Recorrente. Conforme demonstrado no Recurso Voluntário, trata-se de vagões que não possuem nenhuma autonomia para se deslocar sozinhos. O vagão é um equipamento que será acoplado a um veículo (locomotiva ou trem) para transporte de produtos e/ou pessoas. O vagão não se move sozinho e, portanto, não pode ser tratado como se veículo fosse. Vejamos algumas imagens: Ademais, entendo que a Recorrente foi capaz de demonstrar a sua utilização no processo produtivo. Sustenta que o elevado volume de suas mercadorias destinadas à exportação é escoado por meio de portos, sendo que o transporte ocorre em grande parte exatamente por meio de ferrovias. Fl. 682DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.981 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733959/2018-50 17 O laudo técnico apresentando bem destaca a questão: Os principais serviços portuários e aduaneiros indispensáveis nas atividades de exportação dentro do contexto operacional da AGREX DO BRASIL são: i) locação de vagões de carga; e ii) a elevação portuária (Cesta de Serviços ou Box Rate). Tais serviços são indispensáveis nas atividades preponderantes da empresa, considerando o contexto de mercado externo. Para que os grãos e sementes produzidos e adquiridos pela empresa sejam exportados, estes devem percorrer as distâncias entre local de produção e local de exportação, ou seja, o porto. Considerando a AGREX DO BRASIL, são utilizados 5 portos, sendo eles São Luís, Aratu, Tubarão, Santos e Paranaguá e 3 Ferrovias, sendo elas Ferrovia Norte-Sul S.A., Ferrovia Centro-Atlântica, Estrada de Ferro Vitória a Minas e também é utilizado o transporte rodoviário. No Porto é realizado o recebimento da carga dos vagões de trem, que serão armazenados do momento que o grão chega no porto até a sua elevação aos navios Verifica-se, portanto, que os gastos com a locação de vagões advêm da necessidade de se ter o transporte ferroviário à disposição, em especial pelo elevado custo do transporte em si. Nesse contexto, sendo os vagões facilmente enquadráveis como equipamentos essenciais para o processo produtivo da Recorrente, entendo não haver dúvida a respeito da possibilidade dos gastos com aluguéis, com base no inciso V das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Pelo exposto, entendo que também quanto a este ponto, a glosa deve ser revertida. [...] Cumpre ressaltar que a edição das Súmulas CARF nº 2171 e 2322 não interferem na conclusão adotada nos tópicos 2.3 Das despesas com serviços portuários/aduaneiros e 2.4 Das despesas com frentes interno (entre estabelecimentos), vez que, no presente caso, em razão das particularidades da atividade econômica desenvolvida não se trata de produtos acabados, mas de grãos e sementes (matéria orgânica), que se perdem, deterioram e precisam ser transportados para que não se percam no campo, sendo essencial o transporte correto, para estabelecimento adequado, no tempo e condições específicos, para que as sementes mantenham sua qualidade, germinem e se desenvolvam da maneira adequada, até a efetiva exportação, de modo que se entendeu que tais fretes e serviços portuários se enquadram na condição de insumo do processo produtivo, sendo autorizado o creditamento das contribuições ao PIS e da COFINS, nos termos do artigo 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. 1 Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. 2 As despesas portuárias na exportação de produtos acabados não se qualificam como insumos do processo produtivo do exportador para efeito de créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de COFINS não cumulativas. Fl. 683DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.981 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733959/2018-50 18 Ainda, considerando que, no que se refere ao frete entre estabelecimentos de produtos em elaboração, o v. acórdão recorrido já havia reconhecido o direito ao aproveitamento de créditos da não-cumulatividade na condição de insumo, mas manteve a glosa no caso em concreto em razão da falta de segregação entre fretes de produtos acabados e fretes de produtos em elaboração, sendo reconhecida a condição de produtos em elaboração aos produtos transportados pela recorrente até a efetiva exportação, devem ser revertidas integralmente as glosas sobre fretes internos. Por fim, no que se refere ao tópico 2.5 Despesas com frete de produtos alíquota zero, merece referência que este e. CARF editou a Súmula CARF nº 188, estabelecendo que “[é] permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições”, o que impõe o reconhecimento do direito creditório ora pleiteado. Quanto à reversão da glosa de créditos calculados sobre as despesas portuárias (serviços de descarregamento da soja/milho no armazém, elevação que transporta a soja e o milho para dentro do porão do navio) e ao frete na transferência de produtos entre estabelecimentos, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: Na sessão de julgamento, o Colegiado divergiu do voto do ilustre Conselheiro Relator na análise do recurso voluntário do presente processo, especificamente, por voto de qualidade, quanto a reversão da glosa de créditos calculados sobre as seguintes rubricas: despesas portuárias (serviços de descarregamento da soja/milho no armazém, elevação que transporta a soja e o milho para dentro do porão do navio) e fretes na transferência de produtos entre estabelecimentos. Então, fui designado a redigir o voto vencedor, motivo pelo qual apresento abaixo as razões de decidir. Para a solução da lide, oportuno a delimitação do conceito de insumo aplicável às contribuições em comento (COFINS e PIS/PASEP), em consonância com os artigos 3º, inciso II, das Leis nº10.637/02 e 10.833/03, principalmente para saber quais são os insumos que conferem, ou não, ao contribuinte o direito de apropriar créditos sobre suas respectivas aquisições. Conceito de insumo No que concerne aos bens e serviços utilizados como insumos, a recorrente sustenta que a glosa de créditos efetuadas e ratificadas pelos julgadores da DRJ, em igual sentido, ancoraram-se em uma interpretação restritiva do conceito de Fl. 684DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.981 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733959/2018-50 19 “insumo” para PIS e COFINS, a qual não se coaduna com o princípio da não cumulatividade previsto no parágrafo 12 do artigo 195 da Constituição Federal, a exemplo da posição de expoentes da Doutrina e dos mais recentes julgados proferidos pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Após intensos debates ocorridos nas turmas colegiadas do CARF, a maioria dos Conselheiros adotou uma posição intermediária quanto ao alcance do conceito de insumo, não tão restritivo quanto o presente na legislação de IPI e não excessivamente alargado como aquele presente na legislação de IRPJ. Nessa direção, a maioria dos Conselheiros têm aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que eles sejam empregados indiretamente. Transcrevo parcialmente as ementas de acórdãos deste Colegiado que referendam o entendimento adotado quanto ao conceito de insumo: REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo apenas os “bens e serviços” que integram o custo de produção. (Acórdão 3402-003.169, Rel. Cons. Antônio Carlos Atulim, sessão de 20.jul.2016) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...). (Acórdão 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) Essa questão também já foi definitivamente resolvida pelo STJ, no Resp nº 1.221.170/PR, sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), que estabeleceu conceito de insumo que se amolda aquele que vinha sendo usado pelas turmas do CARF, tendo como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Reproduzo a ementa do julgado que expressa o entendimento do STJ: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE Fl. 685DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.981 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733959/2018-50 20 PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Vale reproduzir o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade, que diz respeito ao item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g.,equipamento de proteção individual EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Dessa forma, para se decidir quanto ao direito ao crédito de PIS e da COFINS não- cumulativo é necessário que cada item reivindicado como insumo seja analisado Fl. 686DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.981 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733959/2018-50 21 em consonância com o conceito de insumo fundado nos critérios de essencialidade e/ou relevância definidos pelo STJ, ou mesmo, se não se trata de hipótese de vedação ao creditamento ou de outras previsões específicas constantes nas Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2005, para então se definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. Embora o referido Acórdão do STJ não tivesse transitado em julgado, de forma que, pelo Regimento Interno do CARF, ainda não vincularia os membros do CARF, a Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF3, com a aprovação da dispensa de contestação e recursos sobre o tema, com fulcro no art. 19, IV, da Lei nº 10.522, de 2002, 4 c/c o 3 Portaria Conjunta PGFN /RFB nº1, de 12 de fevereiro de 2014 (Publicado(a) no DOU de 17/02/2014, seção 1, página 20) Art. 3º Na hipótese de decisão desfavorável à Fazenda Nacional, proferida na forma prevista nos arts. 543-B e 543-C do CPC, a PGFN informará à RFB, por meio de Nota Explicativa, sobre a inclusão ou não da matéria na lista de dispensa de contestar e recorrer, para fins de aplicação do disposto nos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e nos Pareceres PGFN/CDA nº 2.025, de 27 de outubro de 2011, e PGFN/CDA/CRJ nº 396, de 11 de março de 2013. § 1º A Nota Explicativa a que se refere o caput conterá também orientações sobre eventual questionamento feito pela RFB nos termos do § 2º do art. 2º e delimitará as situações a serem abrangidas pela decisão, informando sobre a existência de pedido de modulação de efeitos. § 2º O prazo para o envio da Nota a que se refere o caput será de 30 (trinta) dias, contado do dia útil seguinte ao termo final do prazo estabelecido no § 2º do art. 2º, ou da data de recebimento de eventual questionamento feito pela RFB, se este ocorrer antes. § 3º A vinculação das atividades da RFB aos entendimentos desfavoráveis proferidos sob a sistemática dos arts. 543-B e 543-C do CPC ocorrerá a partir da ciência da manifestação a que se refere o caput. § 4º A Nota Explicativa a que se refere o caput será publicada no sítio da RFB na Internet. § 5º Havendo pedido de modulação de efeitos da decisão, a PGFN comunicará à RFB o seu resultado, detalhando o momento em que a nova interpretação jurídica prevaleceu e o tratamento a ser dado aos lançamentos já efetuados e aos pedidos de restituição, reembolso, ressarcimento e compensação. (...) 4 LEI No 10.522, DE 19 DE JULHO DE 2002. Art. 19. Fica a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) (...) II - matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, sejam objeto de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) III -(VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV - matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543-B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) V - matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) (...) § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem Fl. 687DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.981 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733959/2018-50 22 art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, o que vincula a Receita Federal nos atos de sua competência. Nesse mesmo sentido, a Secretaria da Receita Federal do Brasil emitiu o Parecer Normativo nº 5/2018, com a seguinte ementa: Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. No caso concreto, observa-se que o julgamento da DRJ se deu balizado no conceito de insumo atualmente adotado pela RFB para fins de creditamento de PIS e Cofins, que segue os parâmetros definidos pelo REsp 1.221.170/PR, os quais foram consolidados no Parecer Normativo Cosit nº 05, de 2018. De acordo com o referido Parecer Normativo, a decisão proferida pelo STJ é vinculante para a Secretaria da Receita Federal do Brasil em razão do disposto na Portaria Conjunta sobre essas matérias, após manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o - (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 688DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.981 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733959/2018-50 23 PGFN/RFB nº 1, de 2014, e nos termos da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF. Dito isso, passa-se à análise das glosas. Despesas aduaneiras com movimentação (serviços de descarregamento da soja/milho no armazém e elevação que transporta a soja e o milho para dentro do porão do navio) Este tópico trata de despesas portuárias para a movimentação de produtos exportados. Com relação às despesas portuárias, o CARF pacificou o entendimento por meio da súmula CARF nº232, in verbis: Despesas portuárias na exportação de produtos acabados não configuram insumos para fins de crédito de PIS/COFINS. Como se sabe, as súmulas CARF são de obediência obrigatória pelos julgadores do CARF. Deve ser mantida, portanto, a glosa. Fretes na transferência de produtos entre estabelecimentos A glosa desse tópico refere-se a créditos calculados pelo contribuinte sobre despesas com fretes em transferências de bens acabados entre seus estabelecimentos. Segundo a descrição dos fatos do auto de infração, a glosa alcança as transferências de produtos acabados e para esse tipo de despesa não há previsão legal para a tomada de créditos relativamente aos serviços de transporte. A recorrente se insurge contra a conclusão do auto de infração afirmando que, na verdade, o frete da transferência do produto acabado faz parte do processo de venda. Tal situação não descaracteriza o processo de venda nem de produção como um todo, posto que no primeiro caso equivale ao custo de transporte a vencia direta. Assim, com base no inciso IX do artigo. 3º da Lei nº 10.833/03, entende que a glosa deve ser revertida. Sem razão a Recorrente. Pode-se assim resumir a possibilidade de geração de créditos na sistemática da não cumulatividade para as empresas quanto aos fretes: i) na compra de mercadorias para revenda, posto que integrantes do custo de aquisição (artigo 289 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto n° 3.000/99) e, assim, ao amparo do inciso I do artigo. 3° da Lei n° 10.833/03; Fl. 689DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.981 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733959/2018-50 24 ii) nas vendas de mercadorias, no caso do ônus ser assumido pelo vendedor, nos termos do inciso. IX do artigo. 3º da Lei nº 10.833/03; e iii) o frete pago quando o serviço de transporte seja utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inc. II do art. 3° da Lei nº10.833/03. No caso concreto, observa-se, pelos documentos juntados, que as despesas com fretes tratam em parte do transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa. Desta feita, o transporte de produtos acabados da fábrica para outros estabelecimentos da empresa não se enquadram em nenhum dos permissivos legais de crédito citados, pois não possui qualquer identidade com aquele frete que compõe o custo de aquisição dos bens destinados a revenda, não se confunde também com o frete sobre vendas, naquele que o vendedor assume o ônus o frete, tampouco pode ser considerado insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem, já que as operações de fretes ocorrem no período pós produção. Nesse mesmo sentido, foi o voto proferido pelo Conselheiro José Fernandes, no acórdão nº 3302003.212, de 16.05.2016, conforme trecho da decisão, a seguir parcialmente transcrita: De acordo com os referidos preceitos legais, infere-se que a parcela do valor do frete, relativo ao transporte de bens a serem utilizados como insumos de produção ou fabricação de bens destinados à venda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições, enquanto que o valor do frete referente ao transporte dos bens em produção ou fabricação entre estabelecimentos fabris integra o custo produção na condição de serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Com a ressalva de que, pelas razões anteriormente aduzidas, há direito de apropriação de crédito sobre o valor do frete no transporte de bens utilizados como insumos, somente se o valor de aquisição destes bens gerar direito a apropriação de créditos das referidas contribuições. No âmbito da atividade de produção ou fabricação, os insumos representam os meios materiais e imateriais (bens e serviços) utilizados em todas as etapas do ciclo de produção ou fabricação, que se inicia com o ingresso dos bens de produção (matérias-primas ou produtos intermediários) e termina com a conclusão do produto a ser comercializado. Se a pessoa jurídica tem algumas operações do processo produtivo realizadas em unidades produtoras ou industriais situadas em diferentes localidades, certamente, durante o ciclo de produção ou fabricação haverá necessidade de transferência dos produtos em produção ou fabricação para os outros estabelecimentos produtores ou fabris, que demandará a prestação de serviços de transporte. Assim, em relação à atividade industrial ou de produção, a apropriação dos créditos calculados sobre o valor do frete, normalmente, dar-se-á de duas formas diferentes, a saber: a) sob forma de custo de aquisição, integrado ao custo de Fl. 690DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.981 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733959/2018-50 25 aquisição do bem de produção (matérias-primas, produtos intermediários ou material de embalagem); e b) sob a forma de custo de produção, correspondente ao valor do frete referente ao serviço do transporte dos produtos em fabricação nas operações de transferências entre estabelecimentos industriais. Com o fim do ciclo de produção ou industrialização, há permissão de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o valor do frete no transporte dos produtos acabados na operação de venda, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, conforme expressamente previsto no art. 3º, IX, e § 1º, II, da Lei 10.833/2003, que seguem reproduzidos: (...) Em suma, chega-se a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10.637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10.637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferências dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. (negritos nossos) Fl. 691DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.981 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733959/2018-50 26 Ademais, o Parecer Normativo COSIT/RFB/ nº 5, de 17/12/2018, ao delimitar os contornos do REsp 1.221.170/PR, sobre essa questão definiu esse mesmo entendimento em seu item 5 (gastos posteriores à finalização do processo de produção), o seguinte: 55. Conforme salientado acima, em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, e nos termos decididos pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em regra somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo-se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas. 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. ... 59. Assim, conclui-se que, em regra, somente são considerados insumos bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica durante o processo de produção de bens ou de prestação de serviços, excluindo-se de tal conceito os itens utilizados após a finalização do produto para venda ou a prestação do serviço. Todavia, no caso de bens e serviços que a legislação específica exige que a pessoa jurídica utilize em suas atividades, a permissão de creditamento pela aquisição de insumos estende- se aos itens exigidos para que o bem produzido ou o serviço prestado possa ser disponibilizado para venda, ainda que já esteja finalizada a produção ou prestação. (negritos nossos) Nesse sentido, a recentíssima súmula CARF nº 217 também veda o aproveitamento de créditos de PIS e COFINS sobre o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa. Assim, com base nessa motivação, deve ser mantida a glosa. Diante do exposto, entendo que devem ser mantidas as glosas sobre as seguintes rubricas: despesas portuárias (serviços de descarregamento da soja/milho no armazém e elevação que transporta a soja e o milho para dentro do porão do navio) e fretes na transferência de produtos entre estabelecimentos. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui Fl. 692DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.981 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733959/2018-50 27 adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das matérias impertinentes à presente controvérsia (tópicos III. 3.1 Crédito sobre Despesas com Bens para Laboratório de Análises, Testes e Serviços de Análise de Solos e Qualidade, III. 3.2 Do Crédito sobre Combustíveis e Lubrificantes, III. 3.4 Do Crédito sobre Despesas com Bens Incorporados ao Ativo Imobilizado, III. 3.7 Do Crédito sobre Despesas com Partes e Peças de Reposição Utilizadas em Máquinas e Equipamentos (Outras Operações com Direito ao Crédito) e III. 3.8 Dos Créditos Vinculados às Receitas Suspensas – Saídas no Mercado Interno) e que não foram objeto de manifestação de inconformidade (tópico III. 3.9 Da Apropriação de Créditos Extemporâneos – Legalidade), e, na parte conhecida, no mérito, dar-lhe parcial provimento, para o fim de reverter as glosas relativas aos gastos com: (a) armazenagem até o momento que o navio atraca no porto e toda soja/milho é transferida para dentro do navio; (b) com fretes devidamente comprovados, na aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero; e (c) despesas com aluguel de vagões incorridas junto a Ferrolease. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 693DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10983.905391/2020-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2015 a 30/09/2015 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO. Existindo omissão no acórdão embargado, impõe-se o acolhimento dos embargos de declaração, com vistas a sanar o vício apontado.
Numero da decisão: 3202-003.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, sem efeitos infringentes, apenas para sanar a omissão apontada. Assinado Digitalmente Wagner Mota Momesso de Oliveira – Relator Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Juciléia de Souza Lima, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Onízia de Miranda Aguiar Pignataro, Aline Cardoso de Faria e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: WAGNER MOTA MOMESSO DE OLIVEIRA

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Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2015 a 30/09/2015 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO. Existindo omissão no acórdão embargado, impõe-se o acolhimento dos embargos de declaração, com vistas a sanar o vício apontado. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, sem efeitos infringentes, apenas para sanar a omissão apontada. Assinado Digitalmente Wagner Mota Momesso de Oliveira – Relator Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Juciléia de Souza Lima, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Onízia de Miranda Aguiar Pignataro, Aline Cardoso de Faria e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de embargos de declaração, opostos pelo Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN, em face do acórdão nº 3202-002.096, proferido em 26 de novembro de 2024, por Fl. 8662DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.401 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.905391/2020-40 2 esta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento deste Conselho, assim ementado no que diz respeito à matéria objeto dos embargos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2015 a 30/09/2015 (...) ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA ATIVIDADE DA EMPRESA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Geram créditos da Cofins, o aluguel de empilhadeiras, máquinas pá carregadeiras, transpaleteiras e paleteiras, utilizados para movimentação de insumos e outros produtos, conforme disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003. Os embargos foram acolhidos pelo eminente presidente desta turma para sanar a omissão apontada, nos termos do despacho de admissibilidade, do qual extraio os seguintes trechos que delimitam o teor da matéria admitida: Em linhas gerais, a embargante alega que ao dar parcial provimento ao recurso voluntário para, dentre outros, reverter as glosas sobre aluguéis de empilhadeiras, máquinas pá carregadeiras, transpaleteiras e paleteiras, o Colegiado ignorou e se omitiu acerca da Súmula CARF nº 190, vigente desde data anterior à decisão prolatada. DO CABIMENTO A pesquisa ao sítio do CARF não deixa dúvidas de que a Súmula existe, entrou em vigor em 27/06/2024 (sendo a decisão embargada proferida em 26/11/2024) e tem o seguinte enunciado. Súmula CARF nº 190 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 20/06/2024 – vigência em 27/06/2024 Para fins do disposto no art. 3º, IV, da Lei nº 10.637/2002 e no art. 3º, IV, da Lei nº 10.833/2003, os dispêndios com locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. Acórdãos Precedentes: 9303-014.415; 9303-014.369; 9303-013.956 Nada, porém, foi dito sobre os efeitos da Súmula CARF nº 190 sobre a decisão no caso concreto. Salvo melhor juízo, trata-se de matéria a respeito da qual o Colegiado deveria ter se manifestado. CONCLUSÃO De todo o exposto, concluo que o acórdão padece do vício apontado pela Embargante. Fl. 8663DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.401 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.905391/2020-40 3 Acolho os embargados de declaração. (...) É o relatório. VOTO Conselheiro Wagner Mota Momesso de Oliveira, relator. Os embargos de declaração são tempestivos e devem ser conhecidos nos termos do despacho de admissibilidade. Com efeito, na época da prolação do acórdão embargado havia a mencionada Súmula Carf 190, a seguir novamente reproduzida: Súmula CARF nº 190 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 20/06/2024 – vigência em 27/06/2024 Para fins do disposto no art. 3º, IV, da Lei nº 10.637/2002 e no art. 3º, IV, da Lei nº 10.833/2003, os dispêndios com locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. Logo, considerando que a aludida súmula é vinculante, impõe-se considerar que os dispêndios com locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros não geram créditos das contribuições em tela com base no art. 3º, IV, das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Por meio do acórdão embargado, foram revertidas as glosas concernentes a:  SERVICO ALUGUEL DE PA CARREGADEIRA;  SERVICO ALUGUEL TRANSPALETEIRA ELETRICA;  SERVICO ALUGUEL DE PA CARREGADEIRA;  SERVICO ALUGUEL EMPILHADEIRA ELETRICASE1;  SERVICO LOCACAO DE EMPILHADEIRA;  SERV ALUGUEL EMPILHADEIRA A COMBUSTAO;  SERV LOCACAO PALETEIRA ELETRIC C/BATERIA. No caso em apreço, em atenção à aludida súmula, entendo que não há glosas de crédito referentes à locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros. De fato, penso que o objeto da mencionada súmula é vedar crédito referente à locação de veículos utilizados efetivamente para o transporte de cargas ou de passageiros, não abrangendo, assim, máquinas, equipamentos ou até mesmo veículos utilizados para outros fins, como para a movimentação de insumos ou de produtos acabados, notadamente dentro do Fl. 8664DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.401 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.905391/2020-40 4 próprio estabelecimento da empresa, como ocorre nos casos das empilhadeiras, das transpaleteiras e das paleteiras, ou ainda para carregar e descarregar materiais como terra, areia, pedra e entulho, no caso da pá carregadeira. Dessa forma, da análise dos autos, infiro que são utilizados nas atividades da empresa, para movimentação de insumos, de produtos acabados ou para o carregamento e descarregamento de matérias diversos, a pá carregadeira, a transpaleteira, a empilhadeira e a paleteira, locadas pela recorrente, e, conforme já destacado, em razão de não configurarem, a meu sentir, veículo de transporte de carga ou de passageiros, no sentido estabelecido pela citada súmula, cabe a apropriação de crédito atinente às locações de tais bens, com base no art. 3º, IV, da Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º, IV, da Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Com efeito, há precedente recente desta turma nesse sentido, proferido após a aludida Súmula Carf 190, conforme acórdão n. 3202-002.939, de 17 de dezembro de 2025, prolatado sob a relatoria do eminente conselheiro Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe, cuja fundamentação concordo e adoto também como razão de decidir. Seguem parte da ementa e do voto do sobredito precedente: Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2016, 2017, 2018, 2019 (...) PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. LOCAÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. EMPILHADEIRAS. POSSIBILIDADE. As empilhadeiras são verdadeiros equipamentos, cuja locação para a utilização na atividade desempenhada pela pessoa jurídica é passível de creditamento na forma do art. 3º, IV, das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Voto: (...) A despeito do entendimento da Solução de Consulta Cosit nº 355, há diversas decisões no âmbito deste Conselho, inclusive desta Turma, que conceituam as empilhadeiras como máquinas e equipamentos, como decidido no Acórdão nº 3301-013.703, de relatoria da Conselheira Juciléia de Souza Lima e no Acórdão nº 3202-002.070, de relatoria do Conselheiro Wagner Mota Momesso de Oliveira. Transcrevo as ementar parciais de outras decisões no mesmo sentido: CRÉDITO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. EMPILHADEIRAS. As empilhadeiras são verdadeiros equipamentos, cuja locação para a utilização na atividade desempenhada pela pessoa jurídica (movimentação de insumos e Fl. 8665DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.401 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.905391/2020-40 5 produtos acabados dentro da fábrica) é passível de creditamento na forma do art. 3º, IV, da Lei n.º 10.833/2003. (Processo nº 11080.720182/2011-73, Acórdão nº 3402-009.459, Sessão de 27 de outubro de 2021, Conselheiro Pedro Sousa Bispo) CRÉDITO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. EMPILHADEIRAS. As empilhadeiras são verdadeiros equipamentos, cuja locação para a utilização na atividade desempenhada pela pessoa jurídica (armazenamento de mercadorias para comercialização) é passível de creditamento na forma do art. 3º, IV, da Lei n.º 10.833/2003. (Processo nº 19311.720371/2017-82, Acórdão nº 3402-006.726, Sessão de 23 de julho de 2019, Maysa de Sá Pittondo Deligne) Como já destacado, a recorrente beneficiou-se, no tema em questão, da decisão do Acórdão nº 3402-006.726, que reverteu as glosas com a locação de empilhadeiras, mantendo-se as demais. Como não houve Recurso Especial da Fazenda Nacional, a CSRF não se pronunciou sobre a matéria, que se tornou decisão definitiva no âmbito daquele processo. Em seu recurso, a recorrente defende que as empilhadeiras estão classificadas na Seção XVI da TIPI, reservadas às “Máquinas e aparelhos, material elétrico, e suas partes; aparelhos de gravação ou de reprodução de som, aparelhos de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios”, e constantes do “Capítulo 84 - Reatores nucleares, caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes. Assiste razão a recorrente. As empilhadeiras classificam-se na posição 8427, enquanto os veículos classificam-se no capítulo 87. Nessa seara, correta a classificação das empilhadeiras como máquinas e equipamentos a título de apropriação de crédito sobre a sua locação. O mesmo tratamento deve ser atribuído às transpaleteiras. Com efeito, voto por reverter as glosas relacionadas à locação de empilhadeiras, paleteiras e transpaleteiras. (destaques nosso) Diante do exposto, acolho os embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN, sem efeitos infringentes, apenas para sanar a omissão apontada. É como voto. Assinado Digitalmente Wagner Mota Momesso de Oliveira Fl. 8666DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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