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Numero do processo: 16027.720079/2016-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Oct 07 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE NÃO CONHECIDA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. INEXISTÊNCIA DE LIDE. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DO MÉRITO.
Não se conhece do recurso voluntário quando ausentes os pressupostos legais de admissibilidade, em especial o cumprimento do prazo legal de 30 (trinta) dias para interposição da manifestação de inconformidade, nos termos dos arts. 14 e 15 do Decreto nº 70.235/72.
A ausência de impugnação específica à decisão que deixou de conhecer a manifestação de inconformidade impede a formação da lide, inexistindo matéria recursal a ser devolvida à instância superior. Consequentemente, resta prejudicada qualquer análise de mérito por parte do Colegiado.
Numero da decisão: 3102-004.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
Assinado Digitalmente
Sabrina Coutinho Barbosa – Relatora
Assinado Digitalmente
Pedro Sousa Bispo – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fabio Kirzner Ejchel, Jorge Luís Cabral, Louise Lerina Fialho (substituto[a] integral), Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antônio deSouza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente) Ausente(s) o conselheiro(a) Anderson Italo Pereira.
Nome do relator: SABRINA COUTINHO BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE NÃO CONHECIDA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. INEXISTÊNCIA DE LIDE. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DO MÉRITO. Não se conhece do recurso voluntário quando ausentes os pressupostos legais de admissibilidade, em especial o cumprimento do prazo legal de 30 (trinta) dias para interposição da manifestação de inconformidade, nos termos dos arts. 14 e 15 do Decreto nº 70.235/72. A ausência de impugnação específica à decisão que deixou de conhecer a manifestação de inconformidade impede a formação da lide, inexistindo matéria recursal a ser devolvida à instância superior. Consequentemente, resta prejudicada qualquer análise de mérito por parte do Colegiado.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE NÃO CONHECIDA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. INEXISTÊNCIA DE LIDE. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DO MÉRITO. Não se conhece do recurso voluntário quando ausentes os pressupostos legais de admissibilidade, em especial o cumprimento do prazo legal de 30 (trinta) dias para interposição da manifestação de inconformidade, nos termos dos arts. 14 e 15 do Decreto nº 70.235/72. A ausência de impugnação específica à decisão que deixou de conhecer a manifestação de inconformidade impede a formação da lide, inexistindo matéria recursal a ser devolvida à instância superior. Consequentemente, resta prejudicada qualquer análise de mérito por parte do Colegiado. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Assinado Digitalmente Sabrina Coutinho Barbosa – Relatora Assinado Digitalmente Fl. 2759DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.456 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16027.720079/2016-04 2 Pedro Sousa Bispo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fabio Kirzner Ejchel, Jorge Luís Cabral, Louise Lerina Fialho (substituto[a] integral), Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antônio deSouza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente) Ausente(s) o conselheiro(a) Anderson Italo Pereira. RELATÓRIO Suscinto, adoto o relatório do Acórdão Recorrido, ora reproduzido: Trata-se de manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório DRF/SOR/SEORT nº 1055, de 4 de janeiro de 2018, fls. 2670 a 2672, que reconhecei parcialmente direito creditório de ressarcimento de IPI do 4º trimestre de 2012 apurado pela interessada, no limite de R$ 583.643,12, e em consequência homologou parcialmente as compensações vinculadas a tal crédito. Cientificada em 08/01/2018, através de abertura de mensagem encaminhada para seu Domicílio Tributário Eletrônico (fl. 2688), a interessada apresentou, em 09/02/2018 a manifestação de inconformidade de fls. 2693 a 2699, em que alega, em síntese: - Teria tomado ciência do Despacho Decisório através de mensagem eletrônica disponibilizada em seu e-CAC no dia 09/01/2018, razão pela qual a manifestação de inconformidade seria tempestiva. - Haveria manifesta nulidade do Despacho Decisório, pois suas conclusões tomariam por base unicamente a infundada glosa de créditos, sem fazer menção aos motivos que culminaram na redução do crédito pleiteado, limitando-se a informar que foram efetuadas glosas. - Aduz: Fl. 2760DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.456 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16027.720079/2016-04 3 - Tal ausência de fundamentação acarretaria a nulidade do despacho decisório. - O Despacho Decisório se revestiria da natureza de ato de lançamento, por veicular pretensão constitutiva de crédito tributário, tendo o motivo como um de seus requisitos, o qual não restaria devidamente preenchido com a utilização unicamente de dados numéricos extraídos de registros contábeis erroneamente sem se atentar à real natureza dos fatos relatados nesses registros, não sendo possível simplesmente presumir-se a inexistência do saldo credor de IPI. A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), por meio do Acórdão nº 14-91.426, decidiu pelo não conhecimento da manifestação de inconformidade diante de sua intempestividade. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. A manifestação de inconformidade apresentada após o prazo de trinta dias contados da ciência do despacho decisório é intempestiva, não instaurando a fase litigiosa do processo. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido Intimada, a empresa interpôs Recurso Voluntário no qual reitera o pedido de nulidade do despacho decisório, em síntese, por falta de motivação. É o breve relatório. VOTO Fl. 2761DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.456 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16027.720079/2016-04 4 Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa, Relatora. O Recurso Voluntário não pode ser conhecido, eis que não atendidos os pressupostos legais de admissibilidade. É condição para o conhecimento da manifestação de inconformidade o cumprimento do prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência do contribuinte acerca do despacho decisório que analisa o pedido de ressarcimento e/ou compensação, conforme dispõe o art. 15 c/c o art. 14, ambos do Decreto nº 70.235/72. O descumprimento desse prazo implica o não conhecimento da referida peça, exatamente o que ocorreu no presente caso, conforme demonstrado na decisão recorrida: Ocorre que tal documento apenas declara a ocorrência da ciência ocorrida em 08/01/2018 por abertura dos documentos encaminhados ao seu DTE em 04/01/2018, conforme consta expressamente em seu texto. Nos termos do art. 23, §2º, III, b), do Decreto nº 70.235/1972, considera-se efetivada a ciência na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo. Por sua vez, conforme fl. 2720, a manifestação de inconformidade foi postada nos correios em 09/02/2018, após o término do prazo de 30 (trinta) dias para a apresentação da manifestação de inconformidade previsto no art. 74, §§7º e 9º, da Lei nº 9.430/96. Portanto, tendo em vista a intempestividade, voto por não conhecer a manifestação de inconformidade. E, contra os fatos apontados, a recorrente não apresentou qualquer argumento em sede de recurso voluntário. Dessa forma, uma vez não conhecida a manifestação de inconformidade e ausentes fundamentos no recurso que impugnem especificamente tal não conhecimento, conclui-se que a lide não foi instaurada, inexistindo, portanto, matéria recursal devolvida. Isso inviabiliza qualquer exame de mérito — de fato ou de direito — por parte deste Colegiado. Ante o exposto, não conheço do recurso voluntário. É como voto. Assinado Digitalmente Sabrina Coutinho Barbosa Fl. 2762DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 15504.730257/2017-42
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 20 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Oct 07 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 2001-000.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora
Assinado Digitalmente
Lílian Cláudia de Souza - Relatora
Assinado Digitalmente
Maria Auxiliadora de Sousa Ramalho Fonseca - Presidente em
Exercício
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lílian Cláudia de Souza, Wilderson Botto, Maria Auxiliadora de Sousa Ramalho Fonseca (Presidente em Exercício) e Rosimery Brandão Barbosa (substituta integral). Ausente o conselheiro Raimundo Cássio Gonçalves Lima, substituído pela conselheira Maria Auxiliadora de Sousa Ramalho Fonseca.
Nome do relator: LILIAN CLAUDIA DE SOUZA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora Assinado Digitalmente Wilderson Botto – Redator ad hoc Assinado Digitalmente Maria Auxiliadora de Sousa Ramalho Fonseca – Presidente em Exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lílian Cláudia de Souza, Wilderson Botto, Maria Auxiliadora de Sousa Ramalho Fonseca (Presidente em Exercício) e Rosimery Brandão Barbosa (substituta integral). Ausente o conselheiro Raimundo Cássio Gonçalves Lima, substituído pela conselheira Maria Auxiliadora de Sousa Ramalho Fonseca. Conforme o art. 58, inciso III, do RICARF, o Presidente da 1ª Turma Extraordinária da 2ª Seção de Julgamento, conselheiro Raimundo Cássio Gonçalves Lima, designou o conselheiro Wilderson Botto redator ad hoc para formalizar a presente resolução, dado que a relatora original, conselheira Lílian Cláudia de Souza, não mais integra o CARF. Como redator ad hoc apenas para formalizar o acórdão, o Conselheiro Wilderson Botto serviu-se das minutas de ementa, relatório e voto inseridas pela relatora original no diretório oficial do CARF, a seguir reproduzidas. Fl. 2163DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 2001-000.272 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.730257/2017-42 2 RELATÓRIO Por bem relatar os fatos desde a autuação até o julgamento da impugnação, valho- me de parte do relatório da decisão da DRJ: “Trata o presente processo de crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração, às fls. 02/17, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos Exercícios 2013, 2014 e 2015, no valor total de R$ 2.077.533,29, assim composto: Decorreu o citado lançamento da ação fiscal levada a efeito junto ao contribuinte, conforme pormenorizado no Relatório Fiscal de fls. 19 e ss, em que foram verificadas as seguintes conclusões: "OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS ANO- CALENDÁRIO 2013, 2014 e 2015 MULTA DE 150% A partir da documentação reunida no presente procedimento fiscal, dos fatos e das verificações relatados anteriormente, concluiu-se que foram omitidos rendimentos tributáveis correspondentes a ganhos de capital auferidos pelo contribuinte na alienação dos bens abaixo descritos, nos anos-calendário 2013, 2014 e 2015. (...) OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA AQUISIÇÃO DE DIREITO DE CRÉDITO TRABALHISTA ANO-CALENDÁRIO 2013 MULTA DE 75% A partir da documentação reunida no presente procedimento fiscal, dos fatos e das verificações relatados anteriormente, concluiu-se que foram omitidos rendimentos tributáveis correspondentes a aquisição de créditos trabalhistas, no ano-calendário 2013 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ANO-CALENDÁRIO 2012 E 2013 MULTA DE 75% A partir da documentação reunida no presente procedimento fiscal e dos fatos e verificações relatados, concluiu-se que houve omissão de Fl. 2164DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 2001-000.272 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.730257/2017-42 3 rendimentos caracterizados por valores creditados em contas correntes mantidas nos Banco Bradesco S/A, Itaú Unibanco S/A, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Os valores dos rendimentos omitidos, cujo total equivale a R$ 973.208,09, no ano- calendário de 2012, e R$ 261.516,10, no ano-calendário de 2013 foram lançados no Auto de Infração sob a infração -"Depósitos Bancários de Origem não Comprovada - Omissão de Rendimentos Caracterizados por Depósitos Bancários de Origem não Comprovada" OMISSÃO DE RENDIMENTOS REFERENTE A ALUGUEIS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA ANO-CALENDÁRIO 2012 E 2013 MULTA DE 75% A partir da documentação reunida no presente procedimento fiscal e dos fatos e verificações relatados, concluiu-se que houve omissão de rendimentos oriundos de aluguéis recebidos de pessoa jurídica. Os valores dos rendimentos omitidos, cujo total equivale a R$ 45.300,00, no ano- calendário de 2012, e R$83.175,00 no ano-calendário de 2013 foram lançados no Auto de Infração sob a infração - Omissão de Rendimento de Alugueis Recebidos de Pessoa Jurídica. OMISSÃO DE RENDIMENTOS REFERENTE A JUROS DE EMPRÉSTIMOS CONCEDIDOS À PESSOA JURÍDICA ANO-CALENDÁRIO 2012 MULTA DE 75% A partir da documentação reunida no presente procedimento fiscal e dos fatos e verificações relatados, concluiu-se que houve omissão de rendimentos referente a juros recebidos na liquidação de contratos de mútuo firmado com pessoa jurídica. Os valores dos rendimentos omitidos, cujo total equivale a R$ 239.242,32, no ano-calendário de 2012 foram lançados no Auto de Infração sob a infração - Omissão de Rendimentos (Juros e Outros Acréscimos) Recebidos de Pessoa Jurídica. OMISSÃO DE RENDIMENTOS REFERENTE A JUROS DE EMPRÉSTIMOS CONCEDIDOS A PESSOA FÍSICA ANO-CALENDÁRIO 2012 E 2013 MULTA DE 75% A partir da documentação reunida no presente procedimento fiscal e dos fatos e verificações relatados, concluiu-se que houve omissão de rendimentos referente a juros recebidos na liquidação de contratos de mútuo firmado com pessoa jurídica. Os valores dos rendimentos omitidos, cujo total equivale a R$ 8.220,00, no ano-calendário de 2012 e R$ 194.807,90, no ano-calendário de 2013, foram lançados no Auto de Infração sob a infração - Omissão de Rendimentos (Juros e Outros Acréscimos) Recebidos de Pessoa Física. Fl. 2165DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 2001-000.272 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.730257/2017-42 4 FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TÍTULO DE CARNÊ-LEÃO ANO- CALENDÁRIO 2012 e 2013 Considerando, finalmente, que o fiscalizado percebeu, nos anos-calendário de 2012 e 2013, rendimentos tributáveis pagos por pessoas físicas, os quais se sujeitam ao recolhimento mensal obrigatório do imposto de renda pessoa física (Carnê-Leão), tal como estabelecido nos artigos 106 a 112 do RIR/99, mas não recolheu integralmente os valores do imposto de renda incidente mensalmente sobre esses rendimentos, a título de Carnê-Leão, foi lançada no Auto de Infração a multa isolada prevista na alínea "a" do inciso II do artigo 44 da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei no 11.488/2007 (Multas Aplicáveis à Pessoa Física - Falta de Recolhimento do IRPF Devido a Título de Carnê-Leão), aplicada às diferenças não pagas do imposto devido ao citado título, conforme detalhado no "Demonstrativo de Multa Exigida Isoladamente - Imposto sobre a Renda da Pessoa Física - Falta de Recolhimento do Carnê-Leão" integrante do Auto de Infração." Afirma, ainda, o citado relatório que foi aplicada a multa de 150% sobre o valor do imposto apurado, tendo em vista a prática de conduta dolosa contra o Fisco materializado pela simulação de operações de alienação de bens nos anos calendário 2013, 2014 e 2015, com o intuito de impedir ou retardar que a administração tributária federal tivesse conhecimento da verdadeira alienação, com o objetivo de afastar a tributação, nos termos dos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502, de 1964. Que se verificou claro intuito de simular uma venda pelo valor de aquisição com a finalidade de sonegar o Imposto de Renda sobre o ganho de capital, no caso da uma venda futura, o que de fato ocorreu. Que, assim sendo, constatou-se que o contribuinte praticou conduta definida como sonegação no artigo 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Também foi lançada a Multa Isolada: Falta de Recolhimento da Antecipação do IRPF Devida a Título de Carne-Leão, tendo em vista que os juros recebidos na liquidação dos mútuos, tratando-se de rendimento recebido de outras pessoas físicas, não tributados na fonte, estão sujeitos ao pagamento mensal obrigatório do imposto, na forma do art. 8' da Lei n' 7.713, de 22 de dezembro de 1988. O demonstrativo de apuração do imposto devido encontra-se às fls.07/10. Cientificado do lançamento em 27/11/2017 (fl. 1695/1696), o interessado apresentou impugnação, em 27/12/2017, às fls. 1700 e ss, na qual foi contestado o lançamento em que se destacam os seguintes trechos: "(...) - O Impugnante optou por não discutir parte dos créditos tributários objeto da autuação, que serão objeto de inclusão no parcelamento instituído pela Lei n. 13.496/17. Para tanto, requer, desde já, o desmembramento do presente auto de infração para que tais débitos possam ser parcelados. 04 - Os débitos confessados podem ser assim descritos: a) Rendimentos omissos de alugueis recebidos de pessoa jurídica: 2012: R$45.300,00 (quarenta e cinco mil e trezentos reais) Fl. 2166DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 2001-000.272 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.730257/2017-42 5 2013: R$83.175,00 (oitenta e três mil e cento e setenta e cinco reais) b) Ganho de Capital omisso decorrente da venda de direitos de crédito trabalhista 2013: R$ 31.696,55 (trinta e um mil, seiscentos e noventa e seis reais e cinquenta e cinco centavos) c) Rendimentos omissos de empréstimos a pessoa jurídica: 2012: R$239.242,32 (duzentos e trinta e nove mil, duzentos e quarenta e dois reais e trinta e dois centavos) d) Rendimentos omissos de empréstimos a pessoas físicas: 2012: R$8.220,00 (oito mil, duzentos e vinte reais) 2013: R$84.807,90 (oitenta e quatro mil, oitocentos e sete reais e noventa centavos) e) Rendimentos presumidos de movimentação bancária não comprovada: 2012: R$ 127.292,72 (cento e vinte e sete mil, duzentos e noventa e dois reais e setenta e dois centavos) (...) III. 1- Nulidade do auto de infração por ausência da disposição legal da penalidade aplicável as infrações (...)- O auto de infração ora combatido foi omisso em relação a fundamentação legal relativa à penalidade de 75% (setenta e cinco por cento) aplicadas para os casos de omissão de rendimentos decorrentes de alugueis, juros e movimentações bancárias não comprovadas, havendo fundamentação legal apenas para a aplicação da multa isolada de 50% (cinquenta por cento) decorrente do não recolhimento do carnê leão e da multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) decorrente da suposta simulação na operação sujeita ao ganho de capital. (...) IV.1 - DOS RENDIMENTOS DECORRENTE DE EMPRÉSTIMO A TERCEIROS - MÚTUOS CONCEDIDOS AO SR. EMERSON SOARES DOS SANTOS (...)Ocorre que, além dos empréstimos já considerados pela d. fiscalização, o Impugnante realizou mais 1 (um) empréstimo para o Sr. Emerson em julho de 2012, no valor de R$110.000,00 (cento e dez mil reais). 14 - O empréstimo não considerado pela d. fiscalização foi devidamente formalizado por contratos de mútuo (Doc. 03), bem como provados pelos comprovantes de transferências bancárias do Impugnante para o Sr. Emerson (19/07/2012 - Doc. 04) e para OEJ Paixão Imóveis Ltda. (30/07/2012 - Doc. 05), empresa do Sr. Emerson (...)Considerando o valor de R$558.157,90 (quinhentos e cinquenta e oito mil, cento e cinquenta e sete reais e noventa centavos) pagos pelo Sr. Emerson, a diferença que representa os rendimentos do empréstimo realizado somam R$79.157,90 (setenta e nove mil, cento e cinquenta e sete Fl. 2167DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 2001-000.272 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.730257/2017-42 6 reais e noventa centavos) e não R$189.157,90 (cento e oitenta e nove mil, cento e cinquenta e sete reais e noventa centavos) como considerou a d. fiscalização. - O valor desses rendimentos decorrentes dos empréstimos realizados ao Sr. Emerson, reconhecidos pelo Impugnante (R$79.157,90) já foram inclusos no valor confessado descrito no item 04, alínea "d" dessa peça e serão pagos mediante parcelamento. IV.2 - DEPÓSITOS NÃO COMPROVADOS - DEPÓSITO REALIZADO PELO SR. JOSÉ ALOÍSIO DE OLIVEIRA (...)Ocorre que, o cheque depositado pelo Sr. José Aloísio em 18/06/2013 não foi compensado, tendo sido devolvido em 19/06/2013, como comprova movimento do extrato do Impugnante (Doc. 06). (...) IV.3 - DEPÓSITOS NÃO COMPROVADOS - DEPÓSITO REALIZADOS PELA SRA. JÚNIA - DECORRENTE DE EMPRÉSTIMO REALIZADO EM 2010 (...)23 - Em 25 de junho de 2010, o Impugnante realizou um empréstimo de R$100.000,00 (cem mil reais) para a Sra. Júnia Lúcia de Freitas Miranda, conforme comprova o contrato de mútuo (Doc. 07) e a transferência realizada (Doc. 08) 24 - Foi avençado entre as partes que a Sra. Júnia realizaria pagamentos mensais no importe de R$2.300,00 (dois mil e trezentos reais) corrigidos pela TR até a quitação integral do mútuo. Até abril de 2011 a Sra. Júnia realizou os depósitos com regularidade, cumprindo a previsão contratual. Contudo, a partir de maio/2011 a Sra. Júnia não conseguiu pagar as parcelas acordadas, ficando inadimplente. - Somente em 16/05/2012, a Sra. Júnia conseguiu efetuar um pagamento de R$13.952,35 para saldar parte do seu saldo devedor. A devedora só voltou a efetuar os pagamentos com regularidade a partir de janeiro de 2013, no importe mensal de R$2.258,00, sobre os quais deveria se aplicar a correção pela TR. - Assim, os depósitos abaixo listados, no valor total de R$40.830,45 (período fiscalizado), até então não identificados, foram devidamente identificados e comprovada a origem pelo contrato de mútuo e comprovante de transferência do valor emprestado em 25/06/2010. Fl. 2168DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 2001-000.272 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.730257/2017-42 7 - Além desse empréstimo, o Impugnante realizou, para a mesma Sra. Júnia, novo empréstimo em 03/06/2013, no valor de R$100.000,00 (cem mil reais), como comprova contrato de mútuo (Doc. 09) e comprovante de transferência (Doc. 10). - Esse novo empréstimo está sendo pago regularmente pela Sra. Júnia, conforme previsão contratual, em parcelas mensais de R$1.000,00 (mil reais) corrigidas pela TR. Assim, os valores referentes a estes pagamentos, identificados na planilha abaixo, no valor total de R$ 5.215,42 (período fiscalizado), também foram devidamente identificados e comprovados, devendo ser excluídos do lançamento tributário realizado por presunção de rendimentos. (...) IV.4 - DEPÓSITOS NÃO COMPROVADOS - DEPÓSITOS REALIZADOS PELA ESPOSA DO IMPUGNANTE, SRA. ARETUZA FELTRE SILVA (...) - Verifica-se no auto de infração que a fiscalização citou e autuou, como sendo rendimentos do Impugnante sem origem comprovada, os seguintes movimentos: Fl. 2169DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 2001-000.272 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.730257/2017-42 8 - Em análise ao processo administrativo, depreende-se, que apesar de estar em posse das informações bancárias do Impugnante, a fiscalização se limitou a escolher algumas remessas de valores da esposa Aretuza para o Impugnante, desconsiderando totalmente, os valores enviados por este a sua esposa. Conforme se verifica pelo comprovante de transferência bancária (Doc. 11), o Impugnante transferiu para sua esposa o valor de R$1.000.000,00 (um milhão de reais) no dia 03/05/12 da conta corrente do Bradesco para a conta corrente do Itaú da Sra. Aretuza, para que esta administrasse o dinheiro. (...)Por uma análise simples, é possível verificar que a soma dos valores enviados pela Sra. Aretuza ao Impugnante é inferior ao valor entregue por ele em 03/05/12, excluindo os valores referentes as despesas para manutenção da família, a Sra. Aretuza transferiu para o Impugnante o montante de R$ 672.500,34, isto é, o Impugnante, à época, tinha um crédito de aproximadamente R$ 327.499,66. Certo é que a fiscalização se equivocou a autuar o Impugnante por omissão de rendimentos, pois se fosse considerado com o rigor, o valor transferido pelo Impugnante deveria ser considerado como mútuo para a esposa e o seu retorno como pagamento, mas jamais, como dinheiro novo, consequentemente, omissão de rendimentos. Deve então o Julgador buscar a verdade material para verificar se houve ou não o fato gerador do tributo buscando a realidade fática do caso. IV.5 - DEPÓSITOS NÃO COMPROVADOS - DEPÓSITO DECORRENTES DE DEVOLUÇÃO DE ARREMATAÇÃO (...)IV.5.1 - Depósito de R$48.120,02 em 10/02/2012 na Caixa Econômica Federal - Alegação de que o documento não confere. (...)O Impugnante não conseguiu ter acesso aos autos do processo n. 0001730- 31.2011.5.03.0138 em curso na 38- Vara do Trabalho de Belo Horizonte, que originou essa arrematação cancelada. Estando o Poder Judiciário em recesso de fim de ano, o Impugnante requer, desde já, prazo para apresentação de novos documentos. - Contudo, os documentos existentes já demonstram a verossimilhança das alegações do Impugnante. Foi realizado em 27/01/2012 o leilão de 4 (quatro) vagas de garagem do edifício Dr. Manoel Cataldo, sendo cada uma Fl. 2170DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 2001-000.272 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.730257/2017-42 9 avaliada em R$30.000,00 (trinta mil reais), sendo o valor total de R$120.000,00 (cento e vinte mil reais), conforme edital publicado (Doc. 14). - O Impugnante arrematou as 4 (quatro) vagas pelo valor de R$48.000,00 (quarenta e oito mil reais), contudo no dia 02 de fevereiro, o Juiz competente declarou o preço da arrematação como vil (Doc. 16), determinando a devolução do valor ao arrematante, como se verifica da Intimação do Impugnante (Doc. 17) e do andamento processual (Doc. 18), todos documentos devidamente nominais. 53 - Assim, no dia 10/02/2012, o Impugnante recebeu a devolução do valor da arrematação cancelada, corrigido em R$120,02, totalizando os R$48.120,02, como constou do extrato bancário do Impugnante. (...)IV.5.2 - Depósito de R$112.187,44 em 06/08/2013 na Caixa Econômica Federal - Alegação de que o documento está ilegível. 55 - Sustenta a d. fiscalização que o depósito no valor de R$112.187,44, no dia 06/08/2013, na conta corrente do Impugnante da Caixa Econômica Federal deve ser considerado rendimento deste, uma vez que os documentos apresentados, que comprovariam tratar-se de devolução de depósito de arrematação de imóvel cancelada, estão ilegíveis. (...)O Impugnante apresentou a Certidão de Praça/Leilão (Doc. 19), onde consta expressa que o Impugnante arrematou o bem em parceria com a Bomtempo Consultoria e Projetos Ltda. pelo valor total de R$221.000,00 (duzentos e vinte e um mil reais) Foi apresentada ainda as guias de depósito do valor da arrematação (Doc. 20), uma realizada pela Bomtempo Consultoria e Projetos Ltda. e outra pelo Impugnante, cada uma das guias no valor de R$110.500,00 (cento e dez mil e quinhentos reais), para totalizar o valor da arrematação. Fl. 2171DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 2001-000.272 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.730257/2017-42 10 59 - Após a realização do depósito do valor da arrematação foi verificada uma nulidade no leilão realizado, que levou os arrematantes a requerer a desistência da arrematação, que foi prontamente homologada pelo juiz competente (Doc.21). (...)Por fim, o Impugnante apresentou a autorização de devolução do valor pago na arrematação (Doc. 22). 61 - Inclusive, vale destacar, que do referido documento evidencia que o valor original do depósito deveria ser liberado com juros e correção monetária como se verifica do trecho acima "LIBERAR COM JCM A PARTIR DA DATA DO DEPÓSITO." Por essa razão, o valor devolvido foi de R$112.187,44, como também constou do referido documento, conforme imagem abaixo. (...)IV.5.3 - Depósito de R$4.644,64 em 26/12/2012 no Banco do Brasil - Alegação de que o documento apresentado está em nome de terceiro O Impugnante ajuizou, por meio de sua advogado Dr. Gustavo Tadeu Bijos Assis Pinto, o mandado de segurança n. 0888979-73.2012.8.13.0024 para evitar a incidência do ITBI relativa a uma arrematação de imóvel em leilão judicial. Para suspender a exigibilidade do tributo e garantir a transferência do imóvel arrematado, o Impugnante realizou o deposito judicial do valor do ITBI exigido pelo Município. Ocorre que, o Impugnante não logrou êxito no referido mandado de segurança, o que lhe obrigou a pagar o valor do tributo. Assim, considerando que o Impugnante efetuou o pagamento do tributo diretamente ao Município, o valor depositado em juízo foi levantado pelo Impugnante por meio de alvará judicial. - Ocorre que, o alvará foi expedido pelo juízo competente em nome do advogado da causa, no caso, Dr. Dr. Gustavo Tadeu Bijos Assis Pinto. Assim, como o único documento relativo ao levantamento do valor depositado encontra-se em nome do advogado (Doc. 23) e não do Impugnante, este solicitou ao Dr. Gustavo uma declaração de que de fato ele levantou o valor depositado em juízo na referida ação e que efetuou o depósito na conta do Banco do Brasil de titularidade do Impugnante (Doc. 24). Declaro, para os devidos fins de direito, que. na data de 26/2/2012, depositei o valor de R$ 4.644.64 (quatro mil seiscentos e quarenta e quatro reais e sessenta e quatro centavos) na conta do Banco do Brasil de Aerton Miranda da Paixão, referente a devolução de valor depositado em duplicidade no Mandado de Segurança no qual atuei como advogado (Processo n» 0888979- 73.2012.8.13.0024 - 3« Vara de Fazenda Pública Municipal da comarca da Belo Horizonte/MG) referente à cobrança de ÍTBI de arrematação. Fl. 2172DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 2001-000.272 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.730257/2017-42 11 67- Assim, considerando que o valor levantado pelo advogado, em proveito do Impugnante, não se trata de rendimento, mas sim de devolução de valores já pertencentes ao Impugnante, o valor de R$4.644,64 depositado na conta do Banco do Brasil de titularidade do Impugnante no dia 26/12/2012, deve ser decotado do lançamento tributário. IV.6 - DEPÓSITOS NÃO COMPROVADOS - DEPÓSITOS NA CONTA CONJUNTA DO IMPUGNANTE E DE SUA ESPOSA - OBRIGATORIEDADE DE DIVISÃO DO VALOR 50% / 50% - § 6°, DO ART. 42 DA LEI N. 9.430/96 (...)Ocorre que a d. fiscalização deixou de observar o disposto no §6° do art. 42 da Lei n. 9.430/96, pois, imputou a totalidade do movimento bancário cuja origem não foi comprovada ao Impugnante, enquanto que o r. dispositivo determina a divisão entre os titulares da conta, no caso, deveria atribuir apenas 50% ao Impugnante, considerando que a conta corrente possui dois titulares. Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002) - Assim, fica evidente que 50% do valor dos créditos bancários na conta corrente n. 1204-1, Ag. 0849, Banco Bradesco, de titularidade do Impugnante e de sua esposa, deve ser excluído da base de cálculo adotada no lançamento ora impugnado. IV.7 - DEPÓSITOS NÃO COMPROVADOS - VENDA DE IMÓVEL AO SR. GERALDO MOREIRA BISPO 72 - Alega a Autoridade Fiscalizadora em fls. 36 e 37 que os créditos que somam R$175.415,86, a qual o Impugnante justificou como sendo recebíveis da operação imobiliária realizada em 03/06/2011 com o Sr. Geraldo Moreira Bispo, não procede, uma vez que o mesmo imóvel foi vendido em 25/04/2012 para a empresa DespAtuante, inclusive com recolhimento do ganho de capital. Ao final concluiu a fiscalização que o mencionado valor se tratava crédito com origem desconhecida. Não obstante, as afirmações trazidas pela fiscalização e, consequentemente, o lançamento do crédito tributário não deve prosperar, isto porque, nos Fl. 2173DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 2001-000.272 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.730257/2017-42 12 autos do processo administrativo foram juntados os documentos que comprovam a operação imobiliária entre o Contribuinte e o Sr. Geraldo Moreira Bispo. 74 - Na fl. 1132 do presente processo foi juntado o Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda do imóvel situado na Rua Capela, n. 333, bairro Jardim Riacho, Contagem (registro do imóvel juntado pelo cartório de imóveis em fls. 1551 a 1555) entre o Impugnante e o Sr. Geraldo Moreira Bispo, que contém além de firma reconhecida duas pessoas físicas que atestam a veracidade do documento. (...)76 - Constata-se no presente processo administrativo que o Sr. Geraldo Moreira Bispo não apresentou resposta a fiscalização ou esta não foi juntada aos autos pela Autoridade Fiscalizadora. Contudo, é certo que a resposta a este termo de intimação corroboraria com as alegações trazidas pela Impugnante, visto que até a presente data o imóvel em questão é ocupado pelo Sr. Geraldo Moreira Bispo, ou melhor, o imóvel vem sendo ocupado por este desde a assinatura da promessa de compra e venda em 03/06/2011. 77 - De fato o imóvel "Casa Contagem" estava em negociação com a DespAtuante, no período de abril de 2012, junto com outros imóveis do Impugnante, entretanto, o Impugnante negociava a mencionada casa em nome do Sr. Geraldo Moreira Bispo que era o possuidor do imóvel, mas como a Escritura Pública e o Registro do Imóvel ainda não havia sido lavrado, os documentos foram feitos em nome do Impugnante. Conquanto, o contrato veio a ser desfeito em 2013, e o imóvel que estava em posse do Sr. Geraldo Moreira Bispo desde 2011 assim continuou. (...)IV.8 - EXIGÊNCIA DE TRIBUTAÇÃO SOBRE GANHO DE CAPITAL NOS IMÓVEIS ALIENADOS PARA SRA. PRISCILA ALVES DA PAIXÃO - AUSÊNCIA DE SIMULAÇÃO (...)Dessa forma, fica evidente que a compra da Fazenda Herança Sourivio pelo Impugnante, com dação em pagamento dos 3 (três) imóveis objeto de questionamento pela fiscalização, deve ser analisado como negócio autônomo cujo tratamento fiscal foi definido pelo próprio Contrato de Promessa de Compra e Venda. 118 - Dessa forma, é irrelevante para fins de caracterização da dação em pagamento dos 3 (três) imóveis outras negociações realizadas posteriormente pelo Impugnante e pela Sra. Priscila. Esse nova negociação deve ser tratada como fato gerador próprio e autônomo, sendo ilegal a tentativa fazendária de considerar simulada a venda da Fazenda Herança Sourivio, em razão da forma de pagamento verificada na venda à terceiros, ainda que decorrentes de novos negócios entre o Impugnante e a Sra. Priscila, trata-se de fato jurídico tributável autônomo. 119 - Assim, o tratamento autônomo de cada uma das operações, previsto no art. 43, 116 e 117 do CTN c/c com art. 3° da Lei n. 7.713/88 impede que a administração fazendária tente atribuir a peche de negócio simulado ao negócio licito realizado, apenas porque tal negócio, posteriormente, foi Fl. 2174DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 2001-000.272 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.730257/2017-42 13 objeto de novas tratativas, resultando assim na insubsistência do auto de infração no que se refere a atribuição de ganho de capital ao Impugnante em relação às vendas realizadas pela Sra. Priscila, devendo ser afastada a exigência fiscal de tributo e penalidade decorrentes. (...)IV.9 - INAPLICABILIDADE DA MULTA ISOLADA - IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO DA MULTA ISOLADA COM A MULTA DE OFÍCIO (...) Se torna incontestável a aplicação cumulativa da multa isolada de 50% com a multa de ofício de 75% através da análise do cálculo de multa e juros de mora de fl. 14, que demonstra que a multa de ofício foi aplicada sobre a totalidade dos tributos sujeitos a tabela progressiva, incluído os sujeitos ao pagamento mensal obrigatório (carnê-leão) e do demonstrativo do crédito tributário de fl. 2 a qual consta a multa de isolada no valor de R$27.063,02 e a multa de ofício referente a 75%/150% da totalidade dos créditos tributários consubstanciado no auto de infração. IV.9- Multa Qualificada De 150% aplicada com base no Art. 44, I, §1° da Lei 9.430/96 (...) IV.11- Inaplicabilidade Do Art. 44 Da Lei 9430/1996 - Efeito Confiscatório Da Penalidade Aplicada - Violação Do Art. 150, IV Da CRFB (...) V - DOS PEDIDOS 212- Diante de todo o exposto, a Impugnante pede a este culto e honrado Delegado da Receita Federal de Julgamentos que: a) seja acolhida a preliminar de ausência de indicação da fundamentação legal das penalidades, ensejando a nulidade dos autos de infração por vício material. b) ultrapassada a questão acima, no mérito pede que sejam acolhidas as razões de defesa apresentadas para afastar cancelar o lançamento tributário, afastando as acusações fiscais nos termos defendidos na presente peça. c) se não acolhidos os pedidos anteriores ou acolhidos parcialmente, pede seja afastada a multa isolada cumulativa à multa de oficio, afastada a multa qualificada de 150% aplicada ao Impugnante, por não ter restado comprovada a ocorrência de fraude, dolo ou simulação na, e afastada a multa de 75% e 150% em razão do seu caráter confiscatório. d) por fim, requer que seja aceita a apresentação de novos documentos, que ainda estão em posse de terceiros e que não foram entregues antes do fim do prazo final de apresentação da presente Impugnação. Em 10/01/2018 foram transferidos deste para o processo n° 15504- 720.111/2018-70, parte do presente crédito tributário, conforme fl. 1895. É o relatório.” Decisão da DRJ de fls. 1.899/1.931 julgou parcialmente procedente impugnação em acórdão que restou assim ementado: Fl. 2175DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 2001-000.272 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.730257/2017-42 14 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício:2013, 2014, 2015, 2016 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA As infrações apuradas foram descritas de forma completa no Auto de Infração, com indicação de valores, origem das informações utilizadas pela fiscalização e natureza dos rendimentos, possibilitando, assim, o exercício do contraditório e da ampla defesa por parte do Interessado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INTIMAÇÃO DE TODOS OS CO-TITULARES Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MERAS ALEGAÇÕES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Reputa-se válido o lançamento relativo a omissão de rendimentos nas situações em que os argumentos apresentados pelo contribuinte consistem em mera alegação, desacompanhada de documentação hábil e idônea que lhe dê suporte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Após a decisão da DRJ que manteve parte da autuação em razão da não comprovação das alegações por parte do contribuinte, foi apresentada petição de fls. 1.934/1.940 em que são juntados documentos novos. Às fls. 2.458/2.37 é apresentado recurso voluntário – de 90 páginas – que reitera os pontos de sua impugnação. Juntamente com o recurso são apresentados novos documentos – fls. 2.038/2.159. Despacho de encaminhamento de fls. 2.160 determinou a remessa dos autos ao CARF para apreciação do recurso. É o relatório. VOTO Conselheiro Wilderson Botto, Redator ad hoc I – ADMISSIBILIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Antes de adentrar ao mérito, é fundamental aferir o preenchimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo. Referido recurso é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Fl. 2176DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 2001-000.272 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.730257/2017-42 15 II – DA NECESSIDADE DE CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Trata-se, originalmente, de auto de infração para a exigência IRPF suplementar dos anos-calendário 2012 e 2013 em razão de: Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica – alugueis – com imputação de multa de ofício simples de 75%; Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica – juros e outros acréscimos – com imputação de multa de ofício simples de 75%; Omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas – juros e outros acréscimos – com imputação de multa de ofício simples de 75%; Depósitos bancários de origem não comprovada – com imputação de multa de ofício simples de 75%; Omissão de rendimentos relativo a apuração incorreta de ganho de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais – com imputação de multa de ofício simples de 75% e de multa qualificada de 150%; Multa isolada de 50% em razão da falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão; O contribuinte apresentou impugnação parcial, tendo concordado com algumas infrações e realizado o pagamento mediante parcelamento, valores que inclusive já foram decotados dos presentes autos e transferidos para o PTA de nº 15504.720111/2018-70. As matérias impugnadas foram: Omissão de ganhos de capital na alienação de imóveis e multa de 150% e a impossibilidade de qualificação da penalidade; Depósitos bancários de origem não comprovada com multa de 75%; Omissão de rendimentos referente a juros de empréstimos concedidos a pessoa física com multa de 75%; Multa isolada; Após apresentação de impugnação de fls. 1.700/1.769 acompanhada dos documentos de fls. 1.770/1.893 a DRJ manteve parcialmente o lançamento tributário. A decisão salientou, em resumo, que as parcelas mantidas não teriam sido comprovadas pelo sujeito passivo. Assim, o contribuinte junta aos autos petição e documentos de fls. 1.934/1940 e os documentos trazidos em sede recursal – 1.948/2.097 com o objetivo de comprovar suas alegações. Dentre os documentos apresentados temos, de forma exemplificativa: Fl. 2177DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 2001-000.272 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.730257/2017-42 16 Cópia de cheque e extrato bancário; Planilha elaborada pelo contribuinte com a discriminação dos empréstimos por ele realizados; Comprovantes de transferências bancárias com o objetivo de comprovar empréstimos realizados; Cópia de alvará judicial para fins de arrematação de imóvel; Declarações prestadas por terceiros com reconhecimento de firma; Revogação de procuração pública; Memorial descritivo de imóvel; Contrato particular de arrendamento rural; Outros documentos comprobatórios de mútuo; Salienta que a documentação complementar agrega aquela já constante nos autos que demonstram a origem dos valores e a impossibilidade de tributação. Em nome do princípio da busca pela verdade material entendo que os novos documentos apresentados com o recurso são indispensáveis para o deslinde do feito, sobretudo porque foram trazidos para contrapor os pontos versados na decisão da DRJ, em atendimento ao disposto no Art. 16, §4º, b, do Decreto 70.235/1972. Ocorre que, as alegações do recorrente, aliado aos documentos por ele trazidos, e à premissa estabelecida na decisão da DRJ, em uma primeira análise, levam a crer que o contribuinte poderia ter razão. Além disso, a decisão da DRJ entendeu que o direito do Autor não teria sido comprovado uma vez que documentação apresentada até aquele momento seria insuficiente. Diante desse cenário, o Recorrente apresenta documentos importantes que precisam ser analisados para o correto deslinde do feito. Ocorre que, nos dizeres do voto proferido pela conselheira Ana Cláudia Borges, no acórdão de nº 1001-000.841 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA, temos o seguinte: “A Administração Pública deve obediência, dentre outros, aos princípios da legalidade, motivação, ampla defesa e contraditório, cabendo ao processo administrativo o dever de indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinam a decisão e a observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados – arts. 2º, caput, e parágrafo único, incisos VII e VIII, e 50 da Lei nº 9.784/99. O Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal, informa que a prova documental deve ser apresentada junto à impugnação, precluindo o direito do contribuinte fazê-lo em outro momento processual, salvo se: a) demonstrar a impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) referir-se a fato ou a direito superveniente; c) destinar a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos – art. 16, § 4º. Fl. 2178DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 2001-000.272 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.730257/2017-42 17 Ao lado deste mandamento, entre os princípios que regem o processo administrativo fiscal, encontra-se o da verdade material, que decorre do princípio da legalidade e impõe a apuração da devida ocorrência do fato gerador, podendo o julgador, inclusive de ofício, realizar diligências para verificar os fatos ocorridos. No processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da recorrente. Em virtude do atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, dentre eles o lançamento tributário, há a inversão do ônus da prova, de modo que o autuado deve buscar desconstituir o lançamento consumado através da apresentação de provas que possam afastar a fidedignidade da peça produzida pela administração pública. (...) A decisão recorrida, que não recebeu ementa, concluiu que os documentos apresentados pela contribuinte não eram aptos a comprovar as retenções sofridas e que seriam necessários os comprovantes de retenção ou, alternativamente, a Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – Dirf; informou, por fim, que realizou pesquisa pela DIRF e que a fonte pagadora informada teria entregue a DIRF, mas não teria arrolado a contribuinte como beneficiária dos rendimentos. No recurso voluntário, a contribuinte também anexou o Informe de Rendimentos (DOC. 2). Vale lembrar que a obrigação tributária decorre diretamente da lei (ex lege), e não da vontade do contribuinte ou da autoridade fazendária e, além disso, a Administração Pública deve obediência, dentre outros, aos princípios da legalidade, motivação, ampla defesa e contraditório, cabendo, ao processo administrativo, o dever de indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinam a decisão e a observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados – art. 2º, caput, e parágrafo único, incisos VII e VIII, da Lei nº 9.784/99. Assim, ao apreciar a prova, o julgador formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, inclusive de ofício, quando entender pela necessidade para formação da sua livre convicção – arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72. (...) Assim, ao apreciar a prova, o julgador formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, inclusive de ofício, quando entender pela necessidade para formação da sua livre convicção – arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72. Nesse sentido, o artigo 16 do Decreto-Lei 70.235/72 deve ser interpretado com ressalvas, considerando a primazia da verdade real no processo administrativo. Se a autoridade tem o poder/dever de buscar a verdade no caso concreto, agindo de ofício (fundamentado no mesmo dispositivo legal - art. 18 - e subsidiariamente na Lei 9.784/99 e no CTN) não se pode afastar a prerrogativa do contribuinte de apresentar a verdade após a Impugnação em primeira instância, caso as autoridades não a encontrem sozinhas. Toda a legislação administrativa, incluindo o RICARF, aponta para a observância do Princípio do Formalismo Moderado, da Verdade Material e o estrito respeito às questões de Ordem Pública, observado o caso concreto. Diante disso, o instituto da preclusão no processo administrativo não é absoluto” (Acórdão nº 9101- 003.953, 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, publicado em 20/02/2019). Em complemento, tem-se que no processo administrativo fiscal a Administração deve se pautar no princípio da verdade material, flexibilizando a preclusão no que se refere a apresentação de documentos, a fim de que se busque ao máximo a incidência tributária (Acórdão nº 1003- 003.475, Relatora Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, 3ª Turma Extraordinária da 1ª Seção, publicado em 21/03/2023). Fl. 2179DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 2001-000.272 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.730257/2017-42 18 O entendimento quanto à possibilidade de apreciação da prova juntada com o recurso voluntário é pacífico no CARF. Confira-se: DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, evidencia-se que não há óbice para apreciação, pela autoridade julgadora de segunda instância, de provas trazidas apenas em recurso voluntário, mas que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação. (Acórdão nº 9101-004.688, Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, publicado em 03/03/2020). Desse modo, voto pela conversão do julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem para que esta possa analisar e apurar o crédito de saldo negativo de CSLL, levando-se em consideração os documentos acostados no autos antes do julgamento pela DRJ, bem como o Informe de Rendimentos juntado com o Recurso Voluntário. Após a elaboração de um parecer conclusivo, o contribuinte deve novamente ser intimado, desta vez para se manifestar no prazo de trinta dias sobre o resultado da diligência, se assim o quiser.” Considerando que partilho do mesmo entendimento da colega acima exposto, ou seja, que a busca da verdade material deve se sobrepor ao formalismo extremo, sob pena de perpetuarmos situações injustas e que apenas levarão o caso ao Judiciário, em alguns casos, de forma desnecessária, entendo que podem ser admitidas provas juntadas em sede recursal, sobretudo as do presente caso cuja hipótese se amolda, como já salientado, ao Art. 16, §4º, b, do Decreto 70.235/1972. Ocorre que para se evitar eventual alegação de supressão de instância, entendo que os autos devem ser baixados em diligência para que unidade de origem aprecie todos os documentos constantes dos autos, incluindo os juntados no bojo do recurso, e após, emita parecer conclusivo sobre o assunto, justificando a pertinência de cada documento apresentado, devendo o contribuinte ser intimado para, querendo, se manifestar no prazo de trinta dias, sobre o resultado da diligência. II – DO DISPOSITIVO Ante o exposto, determino que os autos sejam baixados em diligência para que unidade de origem aprecie todos os documentos constantes dos autos, incluindo os juntados no bojo do recurso, e após, emita parecer conclusivo sobre o assunto, justificando a pertinência de cada documento apresentado, devendo o contribuinte ser intimado para, querendo, se manifestar no prazo de trinta dias, sobre o resultado da diligência. Assinado Digitalmente Wilderson Botto Fl. 2180DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 2001-000.272 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.730257/2017-42 19 Fl. 2181DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10680.721840/2010-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Fri Oct 09 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.OCORRÊNCIA.
As alegações de nulidade com base no art. 59, do Decreto nº 70.235/1972, devem estar fundamentadas em fatos concretos do processo, no caso concreto a falta de apreciação dos argumentos da Manifestação de Inconformidade importam em cerceamento do direito de defesa.
Numero da decisão: 3102-004.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário para no mérito dar-lhe provimento para reconhecer a Nulidade da Decisão de Primeira Instância, por falta de apreciação dos argumentos da Manifestação de Inconformidade.
Sala de Sessões, em 21 de agosto de 2026.
Assinado Digitalmente
Jorge Luís Cabral - Relator
Assinado Digitalmente
Pedro Sousa Bispo - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Fabio Kirzner Ejchel, Jorge Luis Cabral, Louise Lerina Fialho (substituto[a] integral), Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antonio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente) Ausente(s) o conselheiro(a) Anderson Italo Pereira.
Nome do relator: JORGE LUIS CABRAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.OCORRÊNCIA. As alegações de nulidade com base no art. 59, do Decreto nº 70.235/1972, devem estar fundamentadas em fatos concretos do processo, no caso concreto a falta de apreciação dos argumentos da Manifestação de Inconformidade importam em cerceamento do direito de defesa.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.OCORRÊNCIA. As alegações de nulidade com base no art. 59, do Decreto nº 70.235/1972, devem estar fundamentadas em fatos concretos do processo, no caso concreto a falta de apreciação dos argumentos da Manifestação de Inconformidade importam em cerceamento do direito de defesa. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário para no mérito dar-lhe provimento para reconhecer a Nulidade da Decisão de Primeira Instância, por falta de apreciação dos argumentos da Manifestação de Inconformidade. Sala de Sessões, em 21 de agosto de 2026. Assinado Digitalmente Jorge Luís Cabral – Relator Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Fl. 131DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.401 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.721840/2010-31 2 Participaram da sessão de julgamento os julgadores Fabio Kirzner Ejchel, Jorge Luis Cabral, Louise Lerina Fialho (substituto[a] integral), Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antonio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente) Ausente(s) o conselheiro(a) Anderson Italo Pereira. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 01-35.740, proferido pela 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém- DRJ/BEL, que por unanimidade de votos não conheceu da Manifestação de Inconformidade. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Autoridade Julgadora de Primeira Instância: Trata-se da manifestação de inconformidade, fl. 2, protocolizada em 27 de abril de 2010, contestando o Despacho Decisório Eletrônico (DDE) No de Rastreamento 861816284, fl. 7, emitido em 19 de abril de 2010 pela DRF Belo Horizonte e cientificado, via postal, em 23 de abril de 2010, AR. fl. 36. O DDE objeto da inconformidade reconheceu o crédito demonstrado no Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento PER/DCOMP 08130.91487.280407.1.1.01-1488-3679, em que foi solicitado/utilizado, a título de ressarcimento do IPI, referente ao primeiro trimestre de 2007, o valor de R$ 44.393,07. Entretanto, segundo o mesmo DDE, o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar os débitos informados e foi homologada parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP 21758.88109.060709.1.7.01-0141, bem como não há valor a ser restituído no PER/DCOMP 08130.91487.280407.1.1.01-1488-3679. Na manifestação de inconformidade, o interessado alega: Informamos neste manifesto de inconformidade que o saldo devedor apurado no Per/Dcomp: 21758.88109.060709.1.7.01.0141, está vinculado aos Per/Dcomp,s:42918.94135.240707.1.1.01-7380 e 38056.07726.240707.1.1.01-0660, de pedidos de ressarcimento que ainda encontram-se em análise no banco de dados da Receita Federal. De acordo com a ficha corrente em anexo, onde consta a origem dos créditos de R$ 91.182,77, é composto de R$ 26.749,01, julgado e acatado, R$ 48.517,56 Per/Dcomp: 42918.94135.240707.1.1.01-7380, em análise e R$ 15.916,20 Per/Dcomp: 38056.07726.240707.1.1.01.0660, em análise, o saldo restante deste processo, encontra-se no Per/Dcomp:04546.28637.060709.1.7.01.6608, no valor de R$ 12.216,63, que também encontra-se em análise. Por fim, requer: Diante do colocado acima pedimos a suspensão da cobrança até o parecer dos demais processos mencionados, onde a apuração constatará que não a débitos indevidamente compensados e sim processos conjuntos aguardando a análise para fechamento do ciclo compensatório. É o relatório. A Autoridade Julgadora de Primeira Instância não conheceu da Manifestação de Inconformidade. A Recorrente tomou ciência da Decisão de Primeira Instância no dia 19 de outubro de 2018, e apresentou Recurso Voluntário no dia 30 de outubro de 2018. Em seu Recurso Voluntário alega o seguinte: I. Nulidade da Decisão de Primeira Instância por cerceamento do direito de defesa. Fl. 132DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.401 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.721840/2010-31 3 II. A DRJ não considerou os argumentos da Manifestação de Inconformidade, que diferente do que aduz a Decisão Recorrida, a defesa da Recorrente foi bem clara. Este é o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Luís Cabral, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e reveste-se dos demais requisitos de admissibilidade, de forma que dele tomo conhecimento. Nulidade A Autoridade Julgadora de Primeira Instância não conheceu da Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos: No caso concreto, o sujeito passivo alega que o débito resultante da homologação parcial da compensação, foi extinto, em razão de novas compensações, ou seja, através dos PER/DCOMPS 42918.94135.240707.1.1.01-7380 e 38056.07726.240707.1.1.01-0660. Assim procedendo, dúvida não há de que a manifestante curvou-se à Decisão Administrativa. Com efeito, segundo verificado na peça contestatória apresentada, nenhuma linha foi tecida contra a homologação parcial da compensação do PER/DCOMP 21758.88109.060709.1.7.01-0141. Como não há inconformidade do contribuinte acerca da homologação parcial da compensação pleiteada, considera-se não impugnada a matéria, consoante dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972. (...) Por sua vez, no que diz respeito ao cabimento ou não de eventual cobrança efetuada ao sujeito passivo, registre-se que as atividades relacionadas à cobrança de créditos tributários, nos termos do art. 270, caput, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 430/2017, também se encontram no âmbito da competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil. Trata-se, igualmente, de matéria que não pode ser conhecida pela DRJ/BEL. Por último, registre-se que incumbe à própria unidade de origem manifestar-se quanto ao cabimento de dar seguimento ou não à cobrança do débito confessado em declaração de compensação, ante a verificação da concreta existência de anterior extinção do crédito levado a compensação, observada a legislação vigente e conforme indique o seu convencimento motivado. Assim, voto no sentido de julgar não conhecida a Manifestação de Inconformidade. O Despacho Decisório consta da e.fl. 7, e diz essencialmente que se refere ao PER/DCOMP 08130.91497.260407.1.1.01-1488, que reconhece e homologa o crédito pretendido, no valor de R$ 44.393,07, e que homologa parcialmente a DCOMP 21758.88109.060709.1.7.01- 0141. Desta homologação parcial decorreu um valor de principal não homologado no montante de R$ 52.217,13, do que se conclui que o valor original a ser compensado seria de R$ 96.610,20. Fl. 133DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.401 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.721840/2010-31 4 A Recorrente alega em Manifestação de Inconformidade a DCOMP que foi analisada (final 0141, acima referida) referia-se ao crédito em análise nos PER/DCOMP nº 42918.94135.240707.1.1.01-7380 e 38056.07726.240707.1.1.01-0660, nenhum destes documentos está referido no DDE, e nem se encontram no processo. O que há no processo é o demonstrativo de crédito do PER de final 1488, e a página 1, do pedido de PER/DCOMP, indicando o PER inicial para o ano de 2007, o de final 1488 objeto da análise do DDE em contencioso neste processo e o último PER/DCOMP, o de nº 42918.94135.240707.1.1.01-7380. Também aponta para a inconsistência de que o valor que estava sendo cobrado era superior ao valor do crédito pleiteado que fora inteiramente homologado. Este último documento, à e.fl. 14, também registra que o valor total do crédito disponível para ressarcimento seria de R$ 91.182,77, e que, naquele PER/DCOMP, o valor utilizado para compensação seria de R$ 78.966,14. Esta informação revela que há outras PER/DCOMP associadas ao ano calendário de 2007, e que não constam da análise do DDE. Em seu Recurso Voluntário esclarece o seguinte: O que se aduziu na Manifestação de Inconformidade é que o saldo de créditos de IPI (formalizado em PER), ao qual a DCOMP nº 21758.88109.060709.1.7.01-0141 deveria se vincular, estava lastreado em outros Pedidos de Ressarcimento. Veja-se que, na DCOMP em questão (fl. 14 do PAF): (i) Informou-se um saldo inicial de crédito de R$91.182,77; (ii) Compensou-se um débito de R$78.966,14. E, por ocasião da Manifestação de Inconformidade, o contribuinte esclareceu que o crédito de R$78.966,14 (remanescente de um saldo original de R$91.182,77) teria origem em outros PER’s (e não no PER nº 08130.91497.260407.1.1.01-1488 - 1º trimestre de 2007), quais sejam: 1) 42918.94135.240707.1.1.01-7380: R$ 48.517,56 (sendo que R$12.216,63 foram compensados em outra DCOMP); 2) 38056.07726.240707.1.1.01-0660: R$ 15.916,20 De fato, esta informação consta da Manifestação de Inconformidade, o que não consta daquele documento que daria início ao contencioso, é a informação de que a Recorrente teria equivocadamente preenchido a PER/DCOMP com erro material, indicando o PER de final nº 7380, como “último PER/DCOMP”, ao invés de informá-lo como “nº do PER/DCOMP Inicial”. Em que pese a Manifestação de Inconformidade carecer de maior dialeticidade, as afirmações do Recurso Voluntário são plausíveis e a base inicial para análise da DRJ já estavam presentes na inicial. Em que pese que a informação de erro material configurar-se potencialmente como inovação da defesa, entendo que as alegações da Autoridade de Primeira Instância para não conhecer da Manifestação de Inconformidade partem da premissa de que a Recorrente teria reconhecido o débito e que esta análise estaria fora de sua alçada. Tenho de discordar da Decisão de Primeira Instância, pois a Recorrente claramente insurge-se contra o DDE, informando que a compensação não homologada referir-se-ia a outros créditos diversos daquele que foi analisado e homologado, fato este que não foi apreciado pela DRJ. Fl. 134DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.401 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.721840/2010-31 5 Desta forma, dou razão à Recorrente para reconhecer a nulidade da Decisão de Primeira Instância. Conclusão Tendo em vista todo o acima exposto, conheço do Recurso Voluntário para no mérito dar-lhe provimento para reconhecer a Nulidade da Decisão de Primeira Instância, por falta de apreciação dos argumentos da Manifestação de Inconformidade. Assinado Digitalmente Jorge Luís Cabral Fl. 135DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720223/2019-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Fri Oct 09 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2014 a 28/02/2015
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Demonstrado que a decisão administrativa foi proferida de acordo com os requisitos de validade previstos em lei, apreciando, de maneira fundamentada, todos os argumentos trazidos na impugnação e não incorrendo nas hipóteses do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não deve ser acatado o pedido de nulidade.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Inexiste nulidade no Auto de Infração que tenha se revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e que exiba os demais requisitos de validade que lhe são inerentes.
TEMA 487 DO STF. INAPLICABILIDADE.
Aplica-se o Tema 487 do STF apenas em casos de multas por descumprimento de obrigações acessórias ou por outras infrações que independem se ser ou não o tributo devido, não cabendo sua aplicação em multa por utilização de notas fiscais inidôneas.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/06/2014 a 28/02/2015
NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO.
A utilização de notas fiscais inidôneas acarreta o não reconhecimento de créditos para o IPI.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2014 a 28/02/2015
MULTA QUALIFICADA DE 150%. MULTA DE 100%. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO.
A modificação inserta no inciso VI do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, pela Lei nº 14.689/23, ao reduzir a multa de 150% para 100% atrai a aplicação do art. 106, II, c, do CTN, porquanto lei nova aplica-se a ato ou fato pretérito, no caso de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente à época da prática da infração. Trata-se de retroatividade benigna.
Numero da decisão: 3202-004.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer, em parte, do recurso voluntário, não conhecendo no que se refere às alegações de caráter confiscatório da multa aplicada e ofensa a princípios constitucionais, por aplicação da Súmula CARF nº 2, para, na parte conhecida, em rejeitar as preliminares de nulidade do acórdão recorrido e do auto de infração e, no mérito, dar parcial provimento para reduzir o percentual da multa de ofício qualificada, aplicada no auto de infração do IPI de 150% para 100%. Por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, para manter a exigência da multa regulamentar do IPI. Vencidos as Conselheiras Joana Maria de Oliveira Guimarães e Onízia de Miranda Aguiar Pignataro e o Conselheiro Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, que davam provimento ao recurso voluntário, para cancelar a exigência da multa regulamentar do IPI, por aplicação do princípio da consunção, em observância à tese fixada pelo STF no Tema 487. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wagner Mota Momesso de Oliveira.
Assinado Digitalmente
Joana Maria de Oliveira Guimarães - Relatora
Assinado Digitalmente
Wagner Mota Momesso de Oliveira - Redator designado
Assinado Digitalmente
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Joana Maria de Oliveira Guimarães, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Onízia de Miranda Aguiar Pignataro, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow (substituto[a] integral), Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: JOANA MARIA DE OLIVEIRA GUIMARAES
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2014 a 28/02/2015 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Demonstrado que a decisão administrativa foi proferida de acordo com os requisitos de validade previstos em lei, apreciando, de maneira fundamentada, todos os argumentos trazidos na impugnação e não incorrendo nas hipóteses do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não deve ser acatado o pedido de nulidade. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade no Auto de Infração que tenha se revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e que exiba os demais requisitos de validade que lhe são inerentes. TEMA 487 DO STF. INAPLICABILIDADE. Aplica-se o Tema 487 do STF apenas em casos de multas por descumprimento de obrigações acessórias ou por outras infrações que independem se ser ou não o tributo devido, não cabendo sua aplicação em multa por utilização de notas fiscais inidôneas. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/06/2014 a 28/02/2015 NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. A utilização de notas fiscais inidôneas acarreta o não reconhecimento de créditos para o IPI. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2014 a 28/02/2015 Fl. 474DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 2 MULTA QUALIFICADA DE 150%. MULTA DE 100%. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. A modificação inserta no inciso VI do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, pela Lei nº 14.689/23, ao reduzir a multa de 150% para 100% atrai a aplicação do art. 106, II, “c”, do CTN, porquanto lei nova aplica-se a ato ou fato pretérito, no caso de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente à época da prática da infração. Trata-se de retroatividade benigna. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer, em parte, do recurso voluntário, não conhecendo no que se refere às alegações de caráter confiscatório da multa aplicada e ofensa a princípios constitucionais, por aplicação da Súmula CARF nº 2, para, na parte conhecida, em rejeitar as preliminares de nulidade do acórdão recorrido e do auto de infração e, no mérito, dar parcial provimento para reduzir o percentual da multa de ofício qualificada, aplicada no auto de infração do IPI de 150% para 100%. Por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, para manter a exigência da multa regulamentar do IPI. Vencidos as Conselheiras Joana Maria de Oliveira Guimarães e Onízia de Miranda Aguiar Pignataro e o Conselheiro Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, que davam provimento ao recurso voluntário, para cancelar a exigência da multa regulamentar do IPI, por aplicação do princípio da consunção, em observância à tese fixada pelo STF no Tema 487. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wagner Mota Momesso de Oliveira. Assinado Digitalmente Joana Maria de Oliveira Guimarães – Relatora Assinado Digitalmente Wagner Mota Momesso de Oliveira – Redator designado Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Fl. 475DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Joana Maria de Oliveira Guimarães, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Onízia de Miranda Aguiar Pignataro, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow (substituto[a] integral), Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). RELATÓRIO Por bem narrar os fatos ocorridos, adoto o relatório contido no acórdão recorrido, com os devidos acréscimos: Eis as exigências: E eis os fatos: 3- DOS FATOS E CIRCUNSTÂNCIAS CONSTATADAS Em procedimento de diligência e fiscalização, analisando as informações prestadas pelo contribuinte, os arquivos e os livros digitais da fiscalizada, as notas fiscais eletrônicas e os sistemas da Receita Federal do Brasil, verificamos que a fiscalizada: - Se creditou do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, nos períodos de 2014 e de 2015, no montante de R$ 1.972.971,67, nas aquisições de Fl. 476DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 4 insumos da Empresa RMS Indústria de alimentos- EIRELI, CNPJ: 53.701.983/0001-50. - Apurou saldo devedor do IPI, nos Livros de Apuração do IPI - RAIPI, referente aos meses de 02/2014, 03/2014, 04/2014,05/2014, 08/2014, 09/2014, 11/2014, 12/2014, 01/2015, 02/2015, 10/2015 e 11/2015. Não declarou tais débitos nas DCTFs e nem efetuou os pagamentos devidos. A fornecedora RMS Indústria de Alimentos - EIRELI, em 29/08/2013, por meio da 1a Alteração do Ato Constitutivo de Empresa Individual de Responsabilidade Limitada - EIRELI, altera o endereço da empresa que era na Rua Costa Rica n° 241 - Parada do Alto, na cidade de Sorocaba, Estado de São Paulo, para Rua 22, n° 297 - Sala 2, Bairro Setor Oeste, na cidade de Goiânia, Estado de Goiás. Em 11/10/2013, transfere sua sede para o seguinte endereço: Rua da Boa Sorte S/N quadra 78-A, Lote 10, Bairro Vila Santa, Aparecida de Goiânia, Estado de Goiás. Em 11/10/2013, transfere sua sede para o seguinte endereço: Rua da Boa Sorte S/N quadra 78-A, Lote 10, Bairro Vila Santa, Aparecida de Goiânia, Estado de Goiás. Em virtude de diligências realizadas no último endereço supracitado, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Goiânia, a empresa não foi localizada e no local encontra-se uma outra firma, que está no local desde meados de 2016. Por esse motivo, com base no inciso II do art. 40 e no inciso II e § 2º do art. 42 da Instrução Normativa RFB n° 1.634, de 06 de maio de 2016, foi editado e publicado o Ato Declaratório Executivo 002038675, Declarando Inapta a inscrição da RMS no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica-CNPJ. ***Analisando a referida empresa, nos sistemas da Receita Federal do Brasil, constata-se para os anos calendários em questão, 2014 e 2015, a RMS, não apresentou a Escrituração Contábil Fiscal (ECF) e nem as Escriturações Fiscais Digitais (EFD - ICMS e IPI), de fevereiro de 2014 a dezembro de 2015. Nota-se que com a exceção do ano calendário de 2010 e 2011, todas outras DIPJs foram entregues como inativa, e mesmo essas DIPJs, ano calendário de 2010 e 2011 estão com todos os dados zerados, demonstrando a inatividade da empresa nesse período, e mesmo assim, gerou créditos para outras empresas, inclusive a fiscalizada. ***A RMS, não apresenta funcionários cadastrados na GFIP, reforçando a tese de se tratar de empresa criada com o propósito de dar aparência de legalidade a fraude. ***O sócio da empresa, Raul Medeiros Seixas, com endereço cadastrado na Av. 31 de março, n° 306, Votorantim, não possui qualquer vínculo Fl. 477DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 5 empregatício na base do CNIS, tampouco recolhimento para a previdência social, possuindo, portanto, diversos indícios que levam a crer que atua como laranja. ..... ..... ****O contribuinte apresenta uma planilha, informando as seguintes colunas: Data - Nota - UF - Valor NF e PAGTO. Na coluna pagamento, discrimina "PGTO em tal data, conforme: Recibo Anexo, Depósito ou Boleto". Os Comprovantes de pagamentos estão anexados no e-processo. Os pagamentos foram feitos da seguinte forma, com relação aos valores: - Pagamento conforme Recibo = R$ 11.565.416,84; - Pagamento conforme Depósito = R$ 7.766,97; - Pagamento conforme Boleto = R$ 27.024,79. *** Pelos dados acima, e da forma como foi discriminado nos recibos é de se estranhar a conduta das duas empresas, com relação aos pagamentos efetuados. Os valores menores das notas fiscais, foram pagos de forma segura, por meio de instituições bancárias, quer na forma de boleto ou depósito bancário. Já com relação aos pagamentos efetuados por meio de recibos, estes discriminam que os montantes foram recebidos por meio de cheques de terceiros e dinheiro em espécie, sempre referenciando que o recebimento corresponde ao valor parcial da nota fiscal, e nunca seu valor integral. Nota-se que os Recibos apresentados são bem simplistas, pelos valores envolvidos. ***Quem recebeu a vultuosa quantia foi o Sr. Raul Medeiros Seixas, CPF: 058.945.375-09, e que os pagamentos eram feitos quando da entrega da mercadoria na Piracaia Bebidas. Analisando mais detalhadamente os Recibos, verificamos que pelos valores envolvidos, os recibos são bem genéricos, inconsistentes e não devem ser considerados de boa-fé, não há menção do nome do Sr. Raul nele, as rubricas ou assinaturas não são coincidentes, não consta o CNPJ e nem o nome completo da empresa pagadora, no carimbo da empresa RMS, consta o endereço antigo da empresa (Sorocaba), sendo que o endereço dela no período de 2014 e 2015 é em Aparecida de Goiânia, Estado de Goiás. Há contradição nos seus dizeres, pois nos mencionados recibos aborda-se sobre pagamento parcial e ao final, o mesmo da quitação total do débito. ... ***Em virtude dessas inconsistências, buscamos no site da JUCESP, documentos que aferem a assinatura de seu representante legal, o Sr. Raul Fl. 478DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 6 Medeiros Seixas e constatamos que as rubricas ou assinaturas constantes nos recibos, que não são parecidas, não tem nada a ver com a assinatura ou mesmo a rubrica, nos documentos registrados na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Documentos juntados no e-processo). Vale destacar, que o Sr. Raul Medeiros Seixas, foi intimado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Goiânia, no seu domicílio tributário, constante no cadastro da Receita Federal do Brasil e não foi localizado, um dos motivos pelo qual a empresa RMS foi declarada INAPTA. ... ***Outro ponto que merece destaque é com referência ao local onde eram feitos os pagamentos. Em resposta a fiscalizada afirma que "os pagamentos eram feitos quando da entrega da mercadoria na Piracaia Bebidas". O que se concluí é que os pagamentos eram feitos na Fiscalizada quando o caminhão chegasse com a mercadoria de Aparecida de Goiânia, ou seja, o Sr. Raul Medeiros Seixas, proprietário da Empresa RMS ia até a empresa Piracaia Bebidas, juntamente com as mercadorias receber a quantia vultuosa, referente as mercadorias entregues. Observa-se que pelos recibos, na data de 25/09/2014, o Sr. Raul recebeu a quantia de R$ 493.911,00 referente as notas ficais n°s. 1077, 1078 e 1081 em cheques de terceiros e dinheiro, e em 25/10/2014, recebeu a quantia de R$ 658.552,50, referente as notas fiscais n°s. 1541, 1542, 1543 e 1544. O Transporte de Mercadorias era feito pela Empresa Transmax Logística e Transporte EIRELLI, CNPJ: 15.390.434/0001-12, com sede na cidade de Sorocaba, que se encontra baixada no cadastro CNPJ, ou seja, o caminhão saia de Sorocaba, ia até Aparecida de Goiânia, pegava a mercadoria e depois ia até Piracaia para entrega-la e retornava posteriormente para Sorocaba, prática essa, que aumenta consideravelmente o custo do frete, e foge a lógica dos negócios, algum motivo escuso deve ter. ... Considerando que os pagamentos em cheques de terceiros podem causar uma série de transtornos, principalmente em relação ao seu recebimento, e ainda mais, uma empresa de refrigerantes que recebe de uma enormidade de empresas, solicitamos a fiscalizada, que discriminasse para cada recibo apresentado, os valores de cada cheque, com sua respectiva numeração, agência, banco, emitente, e a quantia em dinheiro que compunha o valor total do recibo. Em resposta, a fiscalizada informa "que os pagamentos eram feitos com cheques de terceiros e o complemento em dinheiro e que não possuíam o controle individual por cheque". Tal situação é meio confusa e apresenta características que tais pagamentos nunca foram realizados. Quando se paga por uma mercadoria, tanto o comprador como o vendedor, devem se Fl. 479DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 7 precaver contra cobranças futuras e que acontecem com frequência entre as transações comerciais, quer por devolução de cheques, quer por roubo ou extravio de cheques ou qualquer outro motivo. ... ***Analisando detalhadamente o sistema SPED NFe - Planilha de Eventos, verificamos que para as notas fiscais ativas, não consta nenhuma operação de transporte (CTe - Conhecimento de Transporte Eletrônico, MDF-e - Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais, registro de passagem, entre outros) registrada nesse sistema referente as transações comerciais entre a Fiscalizada (Piracaia Ind Com Exp e Imp de Bebidas Ltda.) e sua fornecedora RMS Indústria de Alimentos EIRELI, comprovando que de fato tais vendas não ocorreram, houve sim simulação. Diante do exposto, fica evidente a prática de simulação adotada pelas duas empresas: PIRACAIA INDÚSTRIA COM EXPORT IMPORT DE BEBIDAS LTDA, CNPJ: 03.322.852/0001-93, como sua fornecedora RMS INDÚSTRIA DE ALIMENTOS EIRELI, CNPJ: 53.701.983/0001-50, na medida em que não se comprovou a efetividade das transações comerciais, tais como: pagamento integral ou parcial dos valores constantes das notas fiscais, por meio idôneos e principalmente, pela não comprovação da circulação das mercadorias e entradas destas no estabelecimento da fiscalizada. ... Diante do exposto, fica evidente a prática de simulação adotada pelas duas empresas: PIRACAIA INDÚSTRIA COM EXPORT IMPORT DE BEBIDAS LTDA, CNPJ: 03.322.852/0001-93, como sua fornecedora RMS INDÚSTRIA DE ALIMENTOS EIRELI, CNPJ: 53.701.983/0001-50, na medida em que não se comprovou a efetividade das transações comerciais, tais como: pagamento integral ou parcial dos valores constantes das notas fiscais, por meio idôneos e principalmente, pela não comprovação da circulação das mercadorias e entradas destas no estabelecimento da fiscalizada. ... 7. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SÓCIO A vista do exposto é nítida a atitude tomada por seu sócio administrador pela prática de atos abusivos, contrários à lei, tais como a fraude, na tentativa de frustrar a satisfação do crédito tributário pela empresa. ... 9. DA MULTA REGULAMENTAR - EMISSÃO OU UTILIZAÇÃO DE NOTA FISCAL IRREGULAR O art. 572, inciso II, § 1º, do RIPI/2010, assim preceitua..... .... Fl. 480DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 8 Considerando o acima exposto, e que a fiscalizada utilizou-se indevidamente dessas notas fiscais para registro em sua escrituração fiscal e aproveitamento de crédito indevido do IPI, cabível a aplicação deste dispositivo, ou seja, multa igual ao valor comercial das mercadorias, constante das notas fiscais utilizadas, e independentemente da multa qualificada aplicada. 10. CONCLUSÃO Encerramos a ação fiscal levada a efeito no sujeito passivo acima identificado, onde foi verificado O cumprimento das obrigações tributárias relativas ao Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI dos anos de 2014 e 2015. Foram constatadas as irregularidades relatadas neste Termo de Verificação e nos Demonstrativos de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal dos Autos de Infração do Tributo IPI que este termo acompanha e do qual faz parte. Foi apurado o Crédito Tributário a seguir descrito: Processo Administrativo n° 19311.720223/2019-20 Imposto sobre Produtos Industrializados................................R$ 5.873.733,20 Multa Regulamentar do IPI.....................................................R$ 9.880.303,32 Processo Administrativo n° 19311.720224/2019-74 Imposto sobre Produtos Industrializados...................................R$ 904.071,20 E assim se defendeu a Autuada: Ademais, as mercadorias adquiridas pela DEFENDENTE se encontram devidamente relacionadas nas notas fiscais, e foram realizados os devidos pagamentos pela DEFENDENTE à empresa RMS, não justificando que a mesma se responsabilize com a presente autuação. Importante salientar, que a fiscalização não poderia exigir que o contribuinte ao adquirir mercadorias averiguasse toda a situação fiscal do emissor das notas fiscais, ainda mais que as mesmas SÃO ELETRÔNICAS. Mesmo assim, a RMS INDÚSTRIA DE ALIMENTOS somente após a transação comercial com a DEFENDENTE é que ficou com a situação de não habilitada, pois sempre esteve com sua situação regular, não havendo que confirmar a conclusão do Sr. Agente Fiscal de que as notas são inidôneas. ... Importante salientar, que a fiscalização não poderia exigir que o contribuinte ao adquirir mercadorias averiguasse toda a situação fiscal do emissor das notas fiscais, ainda mais que as mesmas SÃO ELETRÔNICAS. Fl. 481DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 9 Mesmo assim, a RMS INDÚSTRIA DE ALIMENTOS somente após a transação comercial com a DEFENDENTE é que ficou com a situação de não habilitada, pois sempre esteve com sua situação regular, não havendo que confirmar a conclusão do Sr. Agente Fiscal de que as notas são inidôneas. Para corroborar a alegação da DEFENDENTE. notemos o documento anexado na presente defesa, atestando que a empresa RMS se encontrava em situação cadastral ativa/habilitada no período das operações, sendo baixada apenas em 04/05/2018. ... IV - DA EMISSÃO OU UTILIZAÇÃO DE NOTA FISCAL IRREGURAL AUSÊNCIA DO FATO GERADOR - VlCIO MATERIAL - NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Afirma ainda a fiscalização que a DEFENDENTE utilizou e registrou as Notas Fiscais em sua escrita fiscal em proveito próprio, com o intuito de diminuir o imposto sobre produtos industrializados - IPI, conforme termo de verificação fiscal. Pois bem. Conforme já amplamente demonstrado no tópico anterior, não há do que se falar em creditamento indevido, e assim, utilização de notas irregulares. ... Ora Douto Julgador, temos sem sombras de dúvidas que não foram juntados aos autos do procedimento administrativo elementos táticos probatórios, que embasassem a autuação, o que resta novamente inviável qualquer lançamento por hipótese e presunção, restando a nulidade do lançamento e cancelamento da exigência fiscal do período. Para que se legitime a lavratura de auto de infração é necessário que a autoridade fiscalizadora aprofunde a investigação e colha elementos de prova. Sem que essa providência, seja adotada não é válida a lavratura de auto de infração. Esse procedimento é requerido mesmo nos casos em que se apurem indícios de omissão de receitas. ... Concluímos, que a SRFB não apresentou qualquer prova para embasar a autuação, bem como não poderia alegar fatos não caracterizados e comprovados, restando ilegítima a motivação essencial da lavratura do presente AIIM, por falta de fundamentação e prova contra o contribuinte. Pelo exposto, resta evidenciado que a acusação fiscal, DEVE SER CANCELADA, ante a ausência de comprovação do fato gerador de IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI, por medida de Justiça. ... V - DA MULTA Fl. 482DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 10 Demonstrado acima a insubsistência da acusação fiscal, temos que considerar que a multa de 150% (cento e cinquenta por cento) aplicada pela fiscalização além de deter caráter confiscatório, não merece prosperar em relação ao seu agravamento e qualificação. ... Evidente que para a aplicação da multa de 150% (cento e cinquenta por cento), é indispensável plena caracterização e comprovação da prática de conduta fraudulenta por parte do contribuinte, o que não é o caso, ou seja, é absolutamente necessário demonstrara materialidade dessa conduta, ou que configure o dolo específico do agente, demonstrando não somente a intenção mas também a sua finalidade. Assim, patente que a aplicação da multa na proporção cobrada deve ser reduzida, por medida de Justiça! O sócio Amilton Jorge Soares Lima, arrolado no lançamento como autuado solidário também apresentou sua peça de insurgência: Observa-se que o mencionado artigo [135, III, do CTN] dispõe que o sócio com poderes de gestão é responsável pessoalmente pelos créditos fiscais não pagos, que tenham se originado de obrigações tributárias praticadas com excesso de poder, infração a lei, contrato social ou estatuto. Dessa forma, não merece prosperar o procedimento adotado pela fiscalização, já que é indispensável à imputação da ocorrência de fraude, além de demonstrar a própria materialidade da conduta fraudulenta, bem como o dolo específico do agente, evidenciando não somente a intenção, mas também o seu objetivo, uma vez que a fraude não pode ser presumida, mas deve sim ser comprovada através de elementos contundentes apuráveis. ... Quando o inciso III do artigo 135 do CTN aponta a responsabilidade "dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado", deve-se entender que essa menção não é genérica a todo e qualquer sócio, mais precisamente aqueles investidos de efetivos poderes de administração da sociedade, desde que configurada a prática de atos com excesso de poder, infração da lei, estatutos e contrato social, como estabelece o caputóo mencionado dispositivo. Sendo certo que a responsabilização pessoal do sócio depende da prática de atos com excesso de poder, infração à lei, violação do contrato social ou do estatuto ou, ainda, dissolução irregular da pessoa jurídica, devemos considerar um elemento adicional, qual seja, a conduta dolosa do agente na gestão da sociedade. É imprescindível, para tanto, a caracterização da Fl. 483DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 11 fraude, do abuso de direito, da confusão patrimonial, do desvio intencional da finalidade da pessoa jurídica. ... A interpretação conferida do artigo 135 do CTN deve ser absolutamente criteriosa e restritiva, inspirada na excepcionalidade do redirecionamento, e não por simples presunção, valendo anotar que a corte superior já advertiu que a interpretação do mencionado dispositivo legal, notadamente seu inciso III, não pode ser gramatical/literal, o que, "segundo a boa doutrina especializada na hermenêutica, pode levar a resultados aberrantes, como é o caso em análise, insustentável por razões de ordem lógica, ética e jurídica". (REsp 1A55.490/PR) Não se deve perder de vista o comando do artigo 112 do CTN, ao disciplinar que a lei tributária deve ser interpretada da maneira mais favorável ao contribuinte quando houver dúvida quanto à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade ou punibilidade; ou à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Considerando que o mero descumprimento do dever jurídico de pagar um determinado tributo não é reconhecido pela jurisprudência como uma infração à lei (como sugeriria uma leitura apressada do artigo 135 do CTN), sobressai fortalecida a conclusão de que o ato de gestão derivado de conduta ilícita, inspirada pelo dolo, é causa determinante para a responsabilidade tributária do sócio/administrador. Destaca-se mais uma vez, que o mencionado artigo dispõe que o sócio com poderes de gestão é responsável pessoalmente pelos créditos fiscais não pagos, que tenham se originado de obrigações tributárias praticadas com excesso de poder, infração a lei, contrato social ou estatuto. Ora Exa., não há excesso de poder ou infração de fato a ser apurada, posto que a infração no presente não foi apurada qualquer conduta dolosa do DEFENDENTE, trazendo a fiscalização aos autos do processo administrativo apenas ilações e deduções, sem qualquer tipo de comprovação f ática. Portanto, o DEFENDENTE em momento algum agiu de maneira fraudulenta ou realizou qualquer simulação, muito pelo contrário, a farta documentação constante do processo administrativo, demonstra que a empresa apresentou toda documentação à fiscalização. ... Não cabe ao DEFENDENTE fazer uma varredura em todas as empresas que este tem uma relação comercial, o que tornaria o exercício da profissão empresarial impraticável. Mesmo assim, o DEFENDENTE apresentou pagamentos, nomes dos representantes da empresa fornecedora de Fl. 484DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 12 insumos, não sendo razoável, que o mesmo seja punido por uma conduta suspeita de um terceiro. Ainda, nos termos do inciso 111 do artigo 135 do Código Tributário Nacional, para que a cobrança do crédito tributário da pessoa jurídica seja redirecionada para a pessoa de seus sócios/gerentes ou representantes legais, há de serem observados seus pressupostos legais, quais sejam: que haja excesso de poder ou infração à lei, nos atos praticados. Ressalta-se que, interpretando a expressão "infração de lei, contrato social ou estatutos", expressa no mencionado artigo 135 do CTN, é pacífico que não é sempre que a pessoa física pode ser responsabilizada por débitos da pessoa jurídica. Veja-se que é necessária a prova de que o administrador da pessoa jurídica tenha se beneficiado pessoalmente com a inadimplência ou tenha dissolvido irregularmente a sociedade, para haver eventual caracterização de sua responsabilidade tributária, o que não é o caso. É de toda ordem repugnável a tentativa de migração da responsabilidade da pessoa jurídica para um suposto responsável tributário, conforme pretende a fiscalização com este "Termo" sem a preexistência de uma regular investigação procedida pela autoridade administrativa competente acerca da ocorrência das situações que autorizam essa substituição. Fim do relatório. Passo a votar. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), por meio do Acórdão nº 09-75.143, de 04 de junho de 2020, decidiu por julgar improcedente as impugnações apresentadas pela Recorrente e pelo responsável solidário, “mantendo-se porém em parte o crédito tributário exigido”, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/06/2014 a 28/02/2015 NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez não comprovada a entrega da mercadoria e o pagamento correspondente ao negócio jurídico entabulado entre os contratantes, resta bloqueada a aplicação do disposto no parágrafo único do artigo 82 da Lei 9.430/96. Que se glose o crédito escritural ilegítimo, que se exija o crédito tributário porventura inadimplido e que aplique a penalidade prevista no artigo 572, inciso II, do RIPI/2010. SOLIDARIEDADE. ÔNUS DA PROVA DO SÓCIO ADMINISTRADOR. Na esteira do melhor entendimento jurisprudencial, aquele que gerencia a sociedade empresária deve provar que não agiu com dolo ou culpa na condução dos atos negociais e essa pertinentes. Opera-se a inversão do ônus da prova em se tratando de excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 485DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 13 A Recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em apertada síntese: (a) tempestividade; (b) necessidade de “anulação do julgamento”, por não terem sido apreciados todos os argumentos trazidos pela Recorrente e por carência de fundamentação do acórdão recorrido, além de que o aperfeiçoamento da instrução do processo poderia ter ocorrido com diligências; (c) as transações comerciais com a empresa RMS Indústria de Alimentos – CNPJ 53.701.983/0001-50 ocorreram e são legítimas, inobstante tenha a fiscalização entendido que os documentos fiscais emitidos pela referida empresa são inidôneos; (d) defende o direito ao creditamento do IPI; (e) emissão ou utilização de nota fiscal irregular – ausência do fato gerador – vício material – nulidade do Auto de Infração; (f) a multa de 150% (cento e cinquenta por cento) aplicada pela fiscalização além de deter caráter confiscatório, e ferir os princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não merece prosperar em relação a qualificação; (f) ao final, requer seja dado provimento ao Recurso Voluntário e a anulação dos Autos de Infração. O responsável solidário Amilton Jorge Soares Lima não apresentou Recurso Voluntário, tornando-se definitiva, neste ponto, a decisão de primeira instância. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheira Joana Maria de Oliveira Guimarães, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e este colegiado é competente para apreciar o feito, nos termos do art. 65, Anexo Único, da Portaria MF nº 1.364/2023, a qual aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF. Preliminar de nulidade do acórdão recorrido A Recorrente defende a nulidade do acórdão recorrido, alegando que não foram apreciados todos os argumentos trazidos pela Recorrente, carência de fundamentação e, ainda, de que o aperfeiçoamento da instrução do processo poderia ter ocorrido com diligências. Não assiste razão à Recorrente. Fl. 486DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 14 Compulsando o acórdão recorrido, é incontestável que a referida decisão aprecia, de forma fundamentada, todos os argumentos trazidos pela Recorrente, não se verificando qualquer nulidade neste sentido. Corroborando o entendimento adotado, segue precedente do CARF: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 NULIDADE DA DECISÃO A QUO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. Demonstrado que a decisão administrativa foi proferida de acordo com os requisitos de validade previstos em lei, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quando se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável e nos prazos devidos, o seu direito de defesa, bem como não se enquadrando nas hipóteses do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não deve ser acatado o pedido de nulidade. (Processo nº 10875.900038/2013-71; Acórdão nº 3402-012.260; Relatora Conselheira Cynthia Elena de Campos; sessão de 18/09/2024) Em relação ao argumento de que “O aperfeiçoamento da instrução do processo simplesmente poderia ter ocorrido com as diligências”, verifica-se que sequer foi formulado, na Impugnação, o pedido de realização de diligência pela Recorrente. Ademais, a Autoridade Julgadora não é obrigada a determinar a realização de perícias ou diligências, por se tratar de mera faculdade. Com efeito, segundo o disposto nos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a Autoridade Julgadora formará livremente seu convencimento, podendo dispensar as diligências e perícias que reputar prescindíveis ou impraticáveis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (g.n.) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. (g.n.) Sendo uma faculdade do julgador, o indeferimento motivado da realização de perícia/diligência não caracteriza cerceamento do direito de defesa, conforme entendimento consagrado no verbete sumular nº 163 do CARF: Súmula CARF nº 163: O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Fl. 487DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 15 Frisa-se que, no presente caso, sequer houve pedido de realização de diligência na Impugnação apresentada pela Recorrente. Portanto, voto pela rejeição da preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Mérito Do creditamento de IPI A Recorrente defende que as transações comerciais com a empresa RMS Indústria de Alimentos – CNPJ 53.701.983/0001-50 ocorreram e são legítimas, inobstante tenha a fiscalização entendido que os documentos fiscais emitidos pela referida empresa são inidôneos. A Recorrente defende a revisão do trabalho fiscal “posto que não foi comprovada qualquer irregularidade nos procedimentos contábeis da empresa Recorrente quanto à escrituração de seus créditos de IPI, por estarem amparados pela legislação” e defende o seu direito ao creditamento. O artigo 114, §12, inciso I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1634/2023, permite que a fundamentação da decisão seja feita mediante declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida: Art. 114. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes, ausentes e impedidos ou sob suspeição, especificando-se, se houver, os conselheiros vencidos, a matéria em que o relator restou vencido e o voto vencedor. (...) §12. A fundamentação da decisão pode ser atendida mediante: I - declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida; e II - referência a súmula do CARF, devendo identificar seu número e os fundamentos determinantes e demonstrar que o caso sob julgamento a eles se ajusta. (...) Diante do permissivo normativo acima referenciado, adoto como minhas as razões contidas no trecho abaixo reproduzido, para o deslinde do presente litígio, neste tópico: A trilha seguida pelo Fisco foi judiciosa e consistente. Observando que a Contribuinte havia se aproveitado de quase R$ 2.000.000,00 em créditos escriturais oriundos de notas fiscais emitidas pela empresa RMS IND DE ALIMENTOS EIRELI, cuidou a Autoridade Tributária de traçar o perfil de tais operações e constatou: 1- a empresa RMS não foi localizada no endereço fornecido à RFB, qual seja na cidade de Aparecida de Goiânia-GO; Fl. 488DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 16 2- também não foi localizado seu sócio Raul Medeiros Seixas; 3- em virtude dos fatos supra foi a RMS considerada INAPTA perante o cadastro da Receita Federal, nos termos do inciso II do art. 40 e no inciso II e § 2º do art. 42 da Instrução Normativa RFB n° 1.634, de 06 de maio de 2016, tendo sido editado e publicado o Ato Declaratório Executivo 002038675. Ato declaratório publicado, aplica-se o disposto no artigo 82 da Lei 9.430/96: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Aí está. Documentos inidôneos não produzem efeitos em favor de terceiros, salvo se comprovados o pagamento do preço e o recebimento dos bens. Seguindo o preceito legal, cuidou a Fiscalização de pesquisar a presença dos dois elementos exigidos pela lei para validade dos créditos lançados nas notas fiscais emitidas pela RMS. Quanto aos pagamentos, observou-se que a quase totalidade tomou lugar contra recibo (mais de R$ 11.000.000,00). Analisando-se os recibos, nota-se que a quitação era dada pelo senhor Raul Medeiros Seixas, sócio da RMS. Ora, como se viu, a RMS tinha seu domicílio em Aparecida de Goiânia e os pagamentos eram feitos no ato de entrega, ou seja, no município de Piracaia/SP para onde deveria se deslocar o Sr. Raul no momento de cada entrega. Mesmo vencida a inconsistência flagrante de tal logística, tem-se o fato de que a assinatura do Sr. Raul nos recibos não coincide com aquela por ele aposta em documentos arquivados na JUCESP: Em virtude dessas inconsistências, buscamos no site da JUCESP, documentos que aferem a assinatura de seu representante legal, o Sr. Raul Medeiros Seixas e constatamos que as rubricas ou assinaturas constantes nos recibos, que não são parecidas, não tem nada a ver com a assinatura ou mesmo a rubrica, nos documentos registrados na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Documentos juntados no e-processo). Acrescente-se ainda o fato de que o Sr. Raul não possui qualquer vínculo empregatício na base do CNIS, tampouco recolhimento para a previdência social, possuindo, portanto, diversos indícios que levam a crer que atuou como laranja. Fl. 489DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 17 Prosseguindo na análise dos recibos, constata-se um detalhe peculiar. Em média os recibos espelham valores de quitação que alcançam tão somente 60% dos valores lançados nas notas fiscais. Vejamos: A justificativa seria, como consignado nas notas fiscais, a concessão de descontos financeiros. Ora, descontos financeiros são concedidos como decorrência de quitação antecipada, o que ocorre, o mais das vezes, considerando períodos de no máximo trinta dias. E se assim for, estaríamos falando de juros financeiros de 40% ao mês ou mais de 5.000% ao ano, ou, mais de 2000% ao ano se considerarmos uma antecipação de 60 dias. Diga-se que nos anos de 2014 e 2015 a taxa média de juros financeiros (empréstimos) situou-se em algo em torno de 6%. Ou seja, o desconto concedido, se é que operação houve, não foi financeiro, o que lança mais uma sombra de inidoneidade em tais documentos advinda de um claro falso ideológico ou, mais provavelmente, de uma falsidade material por inexistência juridica do documento. Se bravamente vencermos os obstáculos supra ainda restaria o fato – informado pela Fiscalizada - de que “os pagamentos eram feitos com cheques de terceiros e o complemento em dinheiro e que não possuíam o controle individual por cheque". Quer dizer, não há controle algum sobre a entrada do numerário: paga-se com cheques de terceiros não contabilizados e nada se sabe a respeito do registro do complemento em espécie. A meu sentir, não há comprovação válida dos pagamentos supostamente vinculados às notas fiscais objeto da auditoria. Se houve circulação de numerário, Fl. 490DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 18 provavelmente tal não se deu para liquidar as operações descritas nas notas fiscais; se não houve, evidencia-se a inexistência das operações que a Interessada quer fazer crer existentes e liquidadas. Os indícios são consistentes e convergentes: a assinatura nos recibos não coincide com os documentos arquivados na JUCESP, a logística de entrega e pagamento contraria, e muito, o senso comum, os descontos concedidos constituem claros falsos ideológicos e não há qualquer vestígio documental acerca da transferência de numerário para a RMS como decorrência das supostas compras que originaram os créditos glosados pelo Fisco. A meu sentir, pagamento não houve, mas teria havido alguma entrega de mercadorias? Com certeza, não. Vejamos a manifestação da Autoridade Fiscal a esse respeito: Analisando detalhadamente o sistema SPED NFe - Planilha de Eventos, verificamos que para as notas fiscais ativas, não consta nenhuma operação de transporte (CTe - Conhecimento de Transporte Eletrônico, MDF-e - Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais, registro de passagem, entre outros) registrada nesse sistema referente as transações comerciais entre a Fiscalizada (Piracaia Ind Com Exp e Imp de Bebidas Ltda.) e sua fornecedora RMS Indústria de Alimentos EIRELI, comprovando que de fato tais vendas não ocorreram, houve sim simulação. O texto é claro e não foi contraditado pela Interessada. Não houve qualquer operação de transporte realizada para a Piracaia a partir de sua pretensa fornecedora RMS. E se nada foi transportado, nada foi comprado, e se nada foi comprado, houve sim escrituração indevida de falsos créditos escriturais, o que ocasionou a redução do saldo do IPI a pagar ao longo do período auditado (junho de 2014 a fevereiro de 2015). Com efeito, de tudo o que consta no processo, entendo que não há como acolher a tese da Recorrente, não tendo sido demonstrado nos autos a efetividade e legitimidade das operações, a boa-fé da Recorrente e a idoneidade das notas fiscais emitidas pela RMS Indústria de Alimentos. Da emissão ou utilização de nota fiscal irregular – ausência do fato gerador – vício material - nulidade do Auto de Infração A Recorrente assim inicia este tópico do seu Recurso Voluntário: Afirma ainda a fiscalização que a Recorrente utilizou e registrou as Notas Fiscais em sua escrita fiscal em proveito próprio, com o intuito de diminuir o imposto sobre produtos industrializados – IPI, conforme termo de verificação fiscal. Entende-se, portanto, que se trata de tópico no qual está a Recorrente a se insurgir contra o lançamento da multa regulamentar de IPI, prevista no art. 572, inciso II, § 1º, do RIPI/2010. Fl. 491DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 19 Veja-se o referido Auto de Infração: A Recorrente, neste tópico, defende a ocorrência de ofensa ao artigo 142 do Código Tributário Nacional “ante a ausência de fato gerador do tributo” o que ensejaria a nulidade do Auto de Infração, alegação que deve ser recepcionada como preliminar, ainda que dentro deste tópico relativo especificamente ao Auto de Infração que visa a cobrança da multa regulamentar do IPI. É o que passo a apreciar. No tocante à alegação de nulidade do auto de infração, não assiste razão à Recorrente. Não se verifica, no lançamento em questão, qualquer ofensa ao artigo 142, do Código Tributário Nacional. Cabe esclarecer que o processo administrativo tributário é regulado por legislação específica, no caso o Decreto nº 70.235, de 1972, que indica em seu art. 59 as hipóteses em que se faz possível a declaração de nulidade, limitando-as aos casos de incompetência do agente e preterição do direito de defesa: Art. 59. São nulos: I - Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Da análise dos autos, verifica-se a presença de todos os pressupostos de validade do auto de infração exigidos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, abaixo reproduzido: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; Fl. 492DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 20 III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A jurisprudência do CARF é pacífica no sentido de que não se declara a nulidade do Auto de Infração quando a Autoridade Fiscal apresenta clara descrição do fato ilícito, o correto enquadramento legal da infração e da penalidade, bem como adequada instrução probatória e o contribuinte é validamente intimado para responder a todos os atos praticados no processo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/06/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. INOCORRÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, por cerceamento de direito defesa e falta de fundação legal, o Auto de Infração que apresenta perfeita descrição do fato ilícito, o correto enquadramento legal da infração e penalidade, bem como adequada instrução probatória. (Processo nº 11131.000697/2007-24; Recurso Voluntário; Acórdão nº 3102- 00.805; sessão de 28 de outubro de 2010) Portanto, afasto a alegação de nulidade do auto de infração. Por outro lado, entendo que, em relação ao auto de infração que visa a exigência da multa regulamentar do IPI, deve ser aplicada a tese fixada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 640.452/RO (Tema 487 da repercussão geral), com trânsito em julgado no STF em 24/04/2026, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF, nos termos da alínea "b" do inciso II do art. 98 da Portaria CARF nº 1.634/2023, que aprovou o Regimento Interno do CARF, que assim estabelece: Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou II - fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103-A da Constituição Federal; Fl. 493DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 21 b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária. (g.n.) O Tema 487 fixou a seguinte tese: O Tribunal, por unanimidade, homologou a desistência do recurso extraordinário. Em seguida, por maioria, apreciando o tema 487 da repercussão geral, fixou a seguinte tese: "1. A multa isolada aplicada por descumprimento de obrigação tributária acessória estabelecida em percentual não pode ultrapassar 60% do valor do tributo ou do crédito vinculado, podendo chegar a 100% no caso de existência de circunstâncias agravantes. 2. Não havendo tributo ou crédito tributário vinculado, mas havendo valor de operação ou prestação vinculado à penalidade, a multa em questão não pode superar 20% do referido valor, podendo chegar a 30% no caso de existência de circunstâncias agravantes. 3. Na aplicação da multa por descumprimento de deveres instrumentais, deve ser observado o princípio da consunção, e, na análise individualizada das circunstâncias agravantes e atenuantes, o aplicador das normas sancionatórias por descumprimento de deveres instrumentais pode considerar outros parâmetros qualitativos, tais como: adequação, necessidade, justa medida, princípio da insignificância e ne bis in idem. 4. Não se aplicam os limites ora estabelecidos à multa isolada que, embora aplicada pelo órgão fiscal, se refira a infrações de natureza predominantemente administrativa, a exemplo das multas aduaneiras", vencidos os Ministros Luís Roberto Barroso (Relator), André Mendonça e Gilmar Mendes. Por fim, por maioria, modulou os efeitos da decisão, para estabelecer que ela passe a produzir efeitos a partir da data da publicação da ata do julgamento do mérito, ficando ressalvadas da modulação: (i) as ações judiciais e os processos administrativos pendentes de conclusão até a referida data; e (ii) os fatos geradores ocorridos até a referida data em relação aos quais não tenha havido o pagamento de multa abrangida pelo presente tema de repercussão geral, vencidos os Ministros Luís Roberto Barroso (Relator) e Gilmar Mendes. Tudo nos termos do voto reajustado do Ministro Dias Toffoli (Redator para o acórdão). Ausentes, justificadamente, o Ministro Nunes Marques e, ocasionalmente, o Ministro Gilmar Mendes, ambos com votos proferidos em assentadas anteriores. Presidência do Ministro Edson Fachin. Plenário, 17.12.2025. (g.n.) Como fundamento para a aplicação ao presente caso do princípio da consunção, em observância à tese fixada no Tema 487 do STF, reporto-me à Declaração de Voto apresentada pela Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa, no Acórdão nº 3102-003.884, processo administrativo nº 15746.720245/2021-43, sessão de julgamento de 22/05/2026, conforme trecho abaixo reproduzido: Voltando ao Tema 487, os critérios definidos pelo Supremo Tribunal Federal podem ser sintetizados da seguinte forma: Fl. 494DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 22 Extrai-se do voto condutor que, na aplicação das multas por descumprimento de deveres instrumentais, devem ser observados o PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO e parâmetros de proporcionalidade, tais como adequação, necessidade, justa medida, princípio da insignificância e vedação ao bis in idem. Tais parâmetros orientam o aplicador da norma tanto na observância dos limites fixados pelo STF quanto na própria exigência da sanção. No caso concreto, a matéria devolvida ao Colegiado em razão do acolhimento dos embargos de declaração envolve a multa isolada aplicada no patamar de 150%, em razão da emissão e utilização, pela Recorrente, de NF-e que não correspondia à efetiva saída do produto nela descrito (art. 572, inciso II do RIPI/2010). Cumpre lembrar que a penalidade foi aplicada conjuntamente com o lançamento destinado à exigência do IPI, acrescido da multa de ofício de 150%, após as glosas promovidas pela autoridade fiscal sobre créditos escriturados indevidamente em decorrência de compras simuladas de lingote de alumínio (art. 569 do RIPI/10). Trata-se, portanto, de penalidade decorrente da emissão e utilização indevida da NF-e, conforme exação acima descrita. Nesse sentido, salvo melhor juízo, aplicando o posicionamento adotado pelo STF no Tema nº 487, incontroverso que a nota fiscal emitida irregularmente teve repercussão tributária. Veja, o crédito de IPI até então escriturado e aproveitado pela Recorrente foi glosado e consequentemente exigido pela autoridade fiscal cumulativamente com a multa de ofício, também de 150%. Reproduz-se trechos do TVF: Fl. 495DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 23 (...) As circunstâncias agravantes já foram apreciadas pelo Colegiado quando do julgamento do Recurso Voluntário que manteve não só o lançamento do IPI como, também, da multa de ofício. No entanto, com fulcro na Lei nº 14.689/23, o Colegiado reduziu a multa de ofício de 150% para 100%. Portanto, embora mantida a conclusão da autoridade fiscal de que as compras foram simuladas (ocorrência de uma das hipóteses dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64), a sanção foi reduzida a teor da Lei nº 14.689/23, o que se amolda aos limites fixados pela Tema nº 863 do STF. Significa que, em relação à multa isolada ora apreciada, entendo que houve repercussão fiscal, ainda que indireta, uma vez que a multa de ofício foi exigida em razão de operações simuladas e da emissão de notas fiscais fraudulentas, circunstâncias que, por si sós, já atraem a aplicação da redução prevista no Tema 487, por atenderem aos critérios nele estabelecidos. Isso porque a operação que deu origem ao crédito indevidamente aproveitado decorreu diretamente das operações simuladas (compras e vendas fictícias) que deram ensejo à emissão de notas fiscais inidôneas. Em outras palavras, sem a simulação das operações relativas às supostas aquisições de lingotes — quando, na realidade, havia aquisição de sucata de alumínio — e sem a correspondente emissão de documentos fiscais inidôneos, não existiria o crédito posteriormente apropriado pela Recorrente, o qual foi objeto de glosa e da respectiva exigência fiscal. Tem-se, portanto, duas condutas sucessivas e intrinsecamente relacionadas: (i) a simulação de operações, mediante a emissão de notas fiscais de aquisição de lingotes, quando a mercadoria efetivamente adquirida era sucata de alumínio, bem como a emissão de notas fiscais de saídas fictícias de sucata de alumínio; e (ii) a escrituração dessas notas fiscais com a finalidade de gerar créditos indevidos de PIS, Cofins e IPI. Em razão da caracterização de fraude e da reincidência, foram aplicadas as seguintes sanções: (i) multa agravada pela emissão de notas fiscais inidôneas; e (ii) glosa dos créditos indevidamente escriturados, com a exigência do IPI correspondente, acrescido de multa de ofício qualificada. Nesse contexto, verifica-se que a segunda infração constitui mero exaurimento da primeira, pois a escrituração dos créditos indevidos somente foi possível em razão da prévia emissão das notas fiscais inidôneas decorrentes das operações simuladas. Assim, AMBAS AS PENALIDADES DECORREM DE UM MESMO CONTEXTO FÁTICO E DE UMA ÚNICA CADEIA CAUSAL, O QUE REFORÇA A INCIDÊNCIA DO PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO, nos termos da orientação firmada no Tema 487. Fl. 496DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 24 Retomam-se, então, os fundamentos do julgamento do STF, especialmente no que se refere à necessidade de observância do princípio da consunção, bem como dos parâmetros de adequação, necessidade, justa medida e do princípio da insignificância na imposição de multas decorrentes do descumprimento de deveres instrumentais. Nesse contexto, merecem especial consideração as ponderações do Ministro Redator da tese fixada acerca do princípio da consunção e dos pressupostos que devem orientar a imposição de penalidades, nos seguintes termos: 5.1 Do princípio da consunção (...) Ou seja, segundo o princípio da consunção, o ilícito mais abrangente absorve o ilícito menos abrangente. O concurso entre infrações pode se dar entre dois ou mais deveres instrumentais bem como entre um dever instrumental e o dever de pagar o tributo. (...) 5.2 Do estabelecimento dos limites e da necessidade de gradação em razão da gravidade do comportamento descrito no tipo e das circunstâncias agravantes e atenuantes. Examinada a aplicação do princípio da consunção, passo a tratar dos tetos da multa decorrente de descumprimento de dever instrumental. Visando a simplificar a explicação que farei mais à frente, peço vênia para expor esses tetos na tabela abaixo: Insta esclarecer que, respeitados os limites previstos na tabela, cabe aos legisladores federais, distritais, estaduais e municipais prescrever o tipo relativamente a cada hipótese de descumprimento de dever instrumental, cominando a correspondente a multa proporcional à gravidade do Fl. 497DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 25 comportamento descrito no tipo. Nesse contexto, o comportamento mais grave deve ter multa cominada maior do que aquela atinente a comportamento menos grave. Assim, por exemplo, a multa cominada para o atraso na entrega de nota fiscal relativa a uma operação deve ser menor do que a cominada para o caso de o responsável tributário deixar de realizar retenção de tributo ou mesmo nas hipóteses de escrituração de créditos indevidos. Nessa toada, é certo que os limites previstos na tabela, por si sós, não autorizam o legislador a simplesmente cominar multa em montante igual a esses limites para qualquer hipótese de descumprimento de dever instrumental. Se assim fosse, ficariam prejudicadas não só a individualização da pena (na parte em que se direciona ao legislador), mas também aquela visão contemporânea atinente à relação fisco contribuinte e ao papel da legislação tributária. Também os legisladores devem trabalhar, ponderadamente, tendo presentes a individualização da pena e a tal visão contemporânea, as circunstâncias agravantes, as quais possibilitam o aumento gradativo da multa a até 100% do valor do tributo ou do crédito indevido, ou 30% do valor da operação ou prestação (com o limite de 1% do valor total da base de cálculo dos últimos 12 meses do tributo pertinente). Consideram-se circunstâncias agravantes, por exemplo, o dolo; a reincidência específica; o fato de a obrigação violada já ter sido objeto de solução em consulta formulada pelo infrator; o fato de o agente ter inobservado instruções de auditores sobre a obrigação violada; o fato de o contribuinte ter sido submetido a regime especial de fiscalização; o fato de o mercado ser regulado etc. Registro que algumas dessas circunstâncias agravantes são citadas no RIPI (art. 558). É pertinente ainda acrescentar que os legisladores devem disciplinar as circunstâncias atenuantes e estabelecer critérios para redução gradativa da multa, tais como: bons antecedentes fiscais; erro ou ignorância escusável quanto à matéria de fato; ausência de prejuízo ao erário e à administração tributária; antecipação do sujeito passivo na apresentação dos elementos necessários ao conhecimento da infração etc. a) Do teto na hipótese de existência de tributo ou de crédito indevido vinculado (...) Entendo que o parâmetro máximo de 100% acima citado foi, inclusive, o previsto pela Primeira Turma da Corte no julgamento do já citado RE nº 754.554/GO-AgR, DJe de 28/11/13, Rel. Min. Celso de Mello. Recorde-se que, nesse caso, debateu-se multa decorrente de descumprimento de dever instrumental estabelecida em 25% sobre o valor da operação. Fl. 498DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 26 Verifica-se que tal multa era aplicada, abstratamente, em diversas situações, abrangendo não só caso de simples falta de emissão de documentos fiscais exigido (sem circunstância agravante), mas também (entre outros) o caso de adulteração ou falsificação de documentos fiscais (circunstância agravante ou até qualificadora). A Turma concluiu ser inconstitucional essa multa quando ela superasse o valor do tributo vinculado. (...) O patamar em comento de 100% do valor do tributo vinculado, insta reiterar, depende de circunstâncias agravantes. De outro giro, por razões de justiça, é de 60% o limite quantitativo da multa em questão, valendo recordar que, nesse limite, devem ser consideradas circunstâncias atenuantes e estabelecidos critérios para redução gradativa da multa e até mesmo para seu afastamento. Em segundo lugar, importa ter em mente que, por diversas razões, os contribuintes podem realizar creditamentos. Isso é bastante comum no caso de tributos sujeitos à não cumulatividade, como o ICMS, o IPI e o PIS/COFINS não cumulativo. Em casos como esses, o creditamento pode decorrer, v.g, da própria não cumulatividade (no caso do PIS/COFINS, vale lembrar que o legislador tem boa liberdade para tratar do assunto)ou então de um crédito presumido concedido, por liberalidade, pelo ente tributante. Nessa toada, havendo crédito indevido vinculado, o teto da multa decorrente do descumprimento de dever instrumental é igual ao já proposto quando tratamos do primeiro teto, mas adaptado ao presente contexto. Sendo assim, a multa em questão não poderá ultrapassar 60% do próprio valor do crédito indevido, podendo ser majorada para até 100%, no caso de existência de circunstâncias agravantes devidamente justificadas. Vale observar que, examinando algumas legislações estaduais, constata-se que, embora exista crédito indevido vinculado à multa decorrente de descumprimento de dever instrumental, essa é aplicada, em várias ocasiões, com base em valor de uma operação, o que pode, a depender do caso, resultar em multa superior ao valor do próprio crédito indevido, sem prejuízo do imposto devido. Nesse ponto, considero importante assentar que a multa tributária imposta em razão do crédito deve guardar adequação com o próprio valor do crédito, sob pena de desbordar da proporcionalidade, considerado o critério da adequação Trago as lições de Paulo Coimbra ao tratar do princípio da proporcionalidade em matéria de sanções tributárias e destacar doutrina alemã que decompõe o crivo da proporcionalidade das sanções tributárias em três comandos balizadores: (i) adequação; (ii) necessidade; e (iii) razoabilidade ou justa medida, que pode ser também designada por conformidade, proporcionalidade em sentido estrito ou pertinência29. Fl. 499DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 27 b) Estabelecimento de teto na hipótese de, não havendo tributo ou crédito indevido vinculado, haver valor de operação ou prestação vinculado à penalidade De início, anote-se que, em variadas situações, NÃO EXISTE NEM EFETIVO TRIBUTO NEM CRÉDITO INDEVIDO VINCULADO À MULTA DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. A inexistência de efetivo tributo pode ser dar, por exemplo, em razão de benefícios fiscais, como concessão de isenção, de alíquota zero etc. Em casos assim, a multa decorrente de descumprimento de dever instrumental deve observar, nas hipóteses em que isso se mostrar possível, os tetos anteriormente propostos, tal como se o tributo existisse de modo vinculado. É essa a técnica aplicada, por exemplo, nº art. 596, § 2º, do RIPI. Esse dispositivo estabelece, v.g., que, NO CASO DE PRODUTOS ISENTOS DE IPI, OS FABRICANTES DESSES PRODUTOS QUE NÃO EMITIREM, OU EMITIREM DE FORMA IRREGULAR, AS NOTAS FISCAIS A QUE SÃO OBRIGADOS FICAM SUJEITOS À MULTA LÁ ESTIPULADA, CALCULADA COM BASE NO VALOR DO IMPOSTO QUE, DE ACORDO COM AS REGRAS DE CLASSIFICAÇÃO E DE CÁLCULO ESTABELECIDAS NO REGULAMENTO, INCIDIRIA SOBRE O PRODUTO OU A OPERAÇÃO, SE TRIBUTADOS FOSSEM. Na impossibilidade de se aplicar essa técnica, cumpre ressaltar que, nas hipóteses em que não há nem efetivo tributo, nem crédito indevido vinculado à multa, pode existir valor de operação ou prestação (em sentido amplo) vinculado à penalidade. Usualmente, trata-se do valor da base de cálculo sobre o qual a tributação normalmente incidiria. Aqui se consideram, conforme o caso, por exemplo, o valor da operação de circulação de mercadoria ou, eventualmente, o valor comercial da mercadoria, no caso do ICMS-mercadoria; o valor da prestação de serviço, no caso do ISS; o valor do faturamento ou da receita, no caso do PIS/COFINS; o valor do rendimento, no caso do IR; o valor do lucro, real ou presumido, no caso da CSLL; e assim por diante. (...) Para casos como esses, em que inexiste tributo ou crédito indevido vinculado, mas existe valor de operação ou prestação vinculado à penalidade, a multa decorrente do descumprimento de dever instrumental não pode ultrapassar 20% de tal valor, podendo ser majorada para até 30%, no caso de existência de circunstâncias agravantes devidamente justificadas. Analisando-se a tabela acima, percebe-se que a moda31 é a alíquota de 30%; já a média é a alíquota de 20% do valor da operação. Qualquer que seja o teto aplicado em cada caso concreto, isso é, 30%, na existência de circunstância agravante, ou 20% do valor da operação ou Fl. 500DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 28 prestação já referido, proponho, ainda, que a multa não poderá ultrapassar 1% valor total da base de cálculo dos últimos 12 meses do tributo pertinente à penalidade, devido ou como se devido fosse, na hipótese de existir circunstância agravante, ou de 0,5% do mesmo valor, respectivamente. Assim, por exemplo, no caso de multa relacionada com o ISS, ela não poderá ultrapassar 1% (no caso de circunstância agravante) ou 0,5% do valor total das prestações sujeitas ao imposto municipal dos últimos 12 meses; no caso de multa relacionada com o ICMS ou IPI, ela não poderá ultrapassar 1% (no caso de circunstância agravante) ou 0,5% do valor total das operações e prestações sujeitas a esse imposto dos últimos 12 meses; no caso de multa relacionada com o PIS/COFINS, ela não poderá ultrapassar 1% (no caso de circunstância agravante) ou 0,5% do valor total do faturamento ou da receita dos últimos 12 meses, conforme o caso. Ressalte-se, em obiter dictum, que Christophe Waerzeggers, Cory Hillier e Irving Aw, consultores fiscais do Departamento Jurídico do FMI, inclusive sugeriram, na Nota de Legislação Fiscal de 2019, intitulada Designing interest and tax penalty regimes32, em exemplo de conjunto de normas relativas a penalidades administrativas (vide apêndice B), a possibilidade de aplicação de multa decorrente de descumprimento de dever instrumental de 1% da renda tributável total do último ano ou de $ 1.000,00, o que for maior, em caso de declaração falsa ou enganosa, se a declaração ou omissão foi feita conscientemente ou de forma imprudente; ou de 0,5% daquela renda ou $ 500,00 o que for maior, nos demais casos. Em meu modo de ver, a última referência que sugeri (de 1% ou 0,5% do valor total da base de cálculo dos últimos 12 meses do tributo pertinente à penalidade) se alinha com esse estudo quando adaptado à realidade brasileira, em que existem diversas materialidades tributárias, com características bastante diferentes, e diversos entes tributantes. Antes de passar para o próximo tópico, reitero que as indicações acima, por si sós, não autorizam que todas as multas decorrentes de descumprimento de dever instrumental possam, desde logo, ser estipuladas já naqueles máximos. Nessa toada, reafirmo caber aos legisladores federais, estaduais e municipais ponderar qual deve ser, dentro daqueles parâmetros, o dimensionamento adequado da multa decorrente de descumprimento de dever instrumental em cada hipótese. CASO HAJA CONTESTAÇÃO ADMINISTRATIVA OU JUDICIAL DESSE DIMENSIONAMENTO ANTE A VEDAÇÃO DO CONFISCO, CABERÁ ÀS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS E ÀS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS, À LUZ DO CONJUNTO FÁTICO PROBATÓRIO E DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL APLICÁVEL, VERIFICAR SE ELE (AINDA QUE ESTEJA DENTRO DAQUELES PARÂMETROS), QUANDO EFETIVAMENTE APLICADO, OBSERVOU A JUSTIÇA Fl. 501DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 29 NO CASO CONCRETO. POR ÓBVIO QUE É NECESSÁRIO HAVER JUSTIFICATIVA QUALIFICADA PARA SE CONCLUIR QUE, EM DETERMINADO CASO, UMA MULTA DECORRENTE DE DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL, MESMO OBEDECENDO AQUELES PARÂMETROS, NÃO OBSERVOU A REALIZAÇÃO DA JUSTIÇA NO CASO CONCRETO. Em suma, as multas isoladas cujos percentuais superam os parâmetros que indiquei são inconstitucionais, mas tais parâmetros não vedam que as autoridades administrativas ou as instâncias ordinárias, à luz do conjunto fático-probatório constante dos autos, verifiquem, excepcionalmente, o caráter confiscatório de multa isolada concretamente aplicada dentro daquelas referências. (grifos nossos) Ainda, ensina o Eminente Ministro Humberto Martins, Relator do REsp nº 1.496.354/PR, citado no referido julgado, que, nos casos em que há nexo de dependência entre as penalidades — como ocorre entre a multa isolada e a multa de ofício pela falta de recolhimento do tributo apurado ao final do exercício, bem como pela ausência de antecipação sob a forma estimada —, deve prevalecer apenas a cobrança da multa de ofício decorrente da falta de recolhimento do tributo. Voltando ao caso concreto, em homenagem ao princípio da consunção, observa- se que as notas fiscais inidôneas objetos da autuação foram emitidas com uma finalidade específica: possibilitar a geração de créditos de IPI em favor da Recorrente. Em outras palavras, a emissão das notas fiscais inidôneas constituiu conduta-meio destinada ao aproveitamento indevido de créditos tributários, circunstância amplamente demonstrada no Termo de Verificação Fiscal (TVF). (...) Desse modo, a infração consistente na emissão de notas fiscais inidôneas encontra-se absorvida pela infração mais ampla e gravosa relacionada ao aproveitamento indevido dos créditos de IPI, razão pela qual se revela aplicável, ao caso, o princípio da consunção, nos termos da orientação firmada no Tema 487. Essa conclusão encontra respaldo na própria fundamentação adotada pelo Ministro Dias Toffoli, Redator do acórdão que fixou a tese de repercussão geral. Com efeito, ao incorporar o princípio da consunção como parâmetro para o controle da proporcionalidade das sanções tributárias, fundamentou seu entendimento, expressamente, na jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, notadamente no REsp nº 1.496.354/PB e no AgRg no REsp nº 1.499.389/PB, cujos fundamentos ora se reproduzem: (...) Em se tratando as multas tributárias de medidas sancionatórias, aplica-se a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente. Fl. 502DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 30 O princípio da consunção (também conhecido como Princípio da Absorção) é aplicável nos casos em que há uma sucessão de condutas típicas com existência de um nexo de dependência entre elas. Segundo tal preceito, a infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Sob este enfoque, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobra- se apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo. (RECURSO ESPECIAL Nº 1.496.354 - PR (2014/0296729-7), Relator: MINISTRO HUMBERTO MARTINS, JULGADO: 17/03/2015) (destaques meus) (...) É que a Segunda Turma desta Corte, quando do julgamento do REsp nº 1.496.354/PR, de relatoria do Ministro Humberto Martins, DJe 24.3.2015, adotou entendimento no sentido de que a multa do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96 somente poderá ser aplicada quando não for possível a aplicação da multa do inciso I do referido dispositivo. Na ocasião, aplicou-se a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente, de forma que não se pode exigir concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobra-se apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo. Confira-se a ementa do referido julgado: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). IMPOSSIBILIDADE NO CASO. EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. 2. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96 aplica-se aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido Fl. 503DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 31 apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n. 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitam-se aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Recurso especial improvido. (REsp 1496354/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 24/03/2015) (grifei) (AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.499.389 – PB, Relator: MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES) No Acórdão nº 9101-007.586, o Conselheiro Fernando Brasil, em declaração de voto, manifestou-se no mesmo sentido, conforme se extrai do seguinte trecho: II. O Princípio da Consunção e a Referência a julgados do STJ O ponto fulcral deste voto reside na fundamentação utilizada pelo Ministro Toffoli para incluir o princípio da consunção na tese de repercussão geral. Embora a tese vencedora mencione “multa por descumprimento de deveres instrumentais” - o que poderia trazer dúvidas quanto à classificação dos recolhimentos por estimativas -, ao fundamentar seu posicionamento, Sua Excelência adotou expressamente precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ), notadamente o decidido no REsp nº 1.499.389/PB e no REsp nº 1.496.354/PR. Esses precedentes do STJ tratam de situação jurídica e fática absolutamente alinhadas à que ora analisamos: a impossibilidade de cumulação da multa isolada - de que trata o art. 44, II, da Lei nº 9.430/96 - com a multa de ofício proporcional lançada em relação à diferença de imposto lançado de ofício (art. 44, I, da Lei nº 9.430/96). O primeiro precedente citado (RESP nº 1.496.354/PB) tratava da multa isolada por falta de recolhimento de carnê-leão, mas os fundamentos e a própria ementa do julgado não fizeram qualquer diferenciação quanto às multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ/CSLL ou de carnê-leão, posto que ambas as hipóteses se encontram no mesmo dispositivo legal (art. 44, II, da Lei nº 9.430/96). (...) No AgRg no REsp nº 1.499.389/PB, o caso examinado abordava especificamente a exigência de multas isoladas por falta de recolhimento Fl. 504DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 32 de estimativas cumulada com multa de ofício proporcional, sem qualquer distinção à discussão travada nos presentes autos. Veja-se a ementa desse precedente: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.499.389 - PB DOCUMENTO VALIDADO TRIBUTÁRIO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. PRECEDENTE. 1. A Segunda Turma desta Corte, quando do julgamento do REsp nº 1.496.354/PR, de relatoria do Ministro Humberto Martins, DJe 24.3.2015, adotou entendimento no sentido de que a multa do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96 somente poderá ser aplicada quando não for possível a aplicação da multa do inciso I do referido dispositivo. 2. Na ocasião, aplicou-se a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente, de forma que não se pode exigir concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobra-se apenas a multa de ofício pela falta de recolhimento de tributo. 3. Agravo regimental não provido. Ora, resta evidente que a lógica da consunção, acolhida pelo STF via precedente do STJ, o STJ assentou que a infração mais grave — consistente no não recolhimento do tributo ao final do exercício — absorve a infração preparatória, relativa à ausência de recolhimento das estimativas mensais, aplicando-se, assim, a lógica do princípio da consunção. Desse modo, a manutenção de ambas as penalidades configuraria bis in idem e afrontaria a proporcionalidade sancionatória. A meu sentir, a dúvida que eventualmente subsistia quanto ao alcance do princípio da consunção em relação às multas por descumprimento de deveres instrumentais não mais se sustenta, justamente porque os precedentes utilizados pelo Ministro Dias Toffoli referem-se diretamente às multas isoladas por ausência de recolhimento de estimativas e de carnê- leão, previstas no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Por oportuno, registro que nem mesmo a Receita Federal e a PGFN apresentam posição inteiramente uniforme quanto à natureza jurídica dos recolhimentos por estimativa, se obrigação principal ou acessória. Nesse sentido, o Parecer SEI Nº 108/2019/CAT/PGACTP/PGFN ME18, corroborando as conclusões do Parecer PGFN/CAT nº 88/2014, reconhece que os valores apurados por estimativa não se qualificam propriamente como crédito tributário, mas como mera antecipação do pagamento do tributo devido ao final do período de apuração. (...) Fl. 505DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 33 Conforme se observa, a própria PGFN conclui que “o débito relativo à antecipação do IRPJ e da CSLL apurada por estimativa não constitui crédito tributário”. No citado Parecer PGFN/CAT nº 88/2014, inclusive, há um tópico nominado “II. Transformação da Estimativa em Tributo”. É certo que existe extrema dificuldade de se definir a qual tipo de obrigação tributária melhor se enquadrariam os pagamentos de estimativas (obrigação principal ou acessória). De toda forma, no julgamento do Tema 487 pelo STF, concluo que não há como excluir-se as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas da aplicação do princípio da consunção, pois a inclusão de tal exegese na tese vencedora baseou-se em precedente do STJ sobre a impossibilidade de cumulação dessa penalidade isolada com multa de ofício proporcional, esta calculada sobre IRPJ/CSLL devidos ao final do ano-calendário. É importante notar que, embora o Ministro Cristiano Zanin tenha acompanhado a tese vencedora, ele manifestou em seu voto uma ressalva no sentido de que as multas por falta de estimativa (art. 44, II, da Lei nº 9.430/1996) estariam fora do escopo do julgamento por não se referirem a "deveres instrumentais". Todavia, com a devida vênia, tal posição revela-se contraditória, pois, ao mesmo tempo em que tentou excluir as estimativas do conceito de obrigação acessória, o Ministro Zanin concordou com as ponderações do Ministro Toffoli sobre a consunção, as quais se sustentam justamente na jurisprudência do STJ que veda a cumulação dessas exatas multas. Prevalece, portanto, a fundamentação do Redator do Acórdão, Ministro Toffoli, que na fixação da tese vencedora do Tema 487, vinculou seu entendimento à jurisprudência pacificada do STJ sobre a absorção das multas isoladas de estimativa pela multa de ofício. Recapitulando, como já exposto, a multa incidente sobre o valor do IPI que a Recorrente deixou de recolher já foi objeto de lançamento e de julgamento por este Colegiado, tendo sido mantida no percentual de 100% do valor do crédito tributário indevidamente apropriado. A multa isolada ora apreciada, por sua vez, incide sobre o valor das operações simuladas (compras e vendas fictícias) que deram ensejo à emissão de notas fiscais inidôneas, utilizadas para viabilizar a geração dos créditos de IPI posteriormente glosados. Se devida, ainda assim, a aplicação da multa isolada nos patamares fixados pelo Tema 487, não se mostra adequada ao caso. Isso porque, uma vez reconhecida a gravidade da conduta e mantida por este Colegiado a multa de ofício qualificada no percentual de 100%, em consonância com os parâmetros fixados pelo STF no Tema 863, a redução da multa isolada não afastaria o problema da dupla incidência sancionatória, mas apenas mitigaria os seus efeitos quantitativos. Fl. 506DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 34 A controvérsia, portanto, não se resolve mediante a simples redução do percentual da multa isolada, mas pela observância do princípio da consunção, igualmente consagrado pelo Supremo Tribunal Federal no Tema 487 como critério de controle da proporcionalidade das sanções tributárias. Da leitura do acórdão anteriormente proferido, conclui-se que a manutenção da multa de ofício qualificada incidente sobre o valor do crédito de IPI indevidamente escriturado mostrou-se adequada. Todavia, essa circunstância não autoriza a manutenção cumulativa da multa isolada ora em exame. Ao contrário, uma vez preservada a penalidade incidente sobre a infração principal, a sanção aplicada à conduta instrumental encontra-se por ela absorvida. Nessa perspectiva, a manutenção simultânea de ambas as penalidades implicaria cumulação de penalidades decorrentes do mesmo contexto fático, em afronta ao princípio da consunção, expressamente acolhido pelo Supremo Tribunal Federal no Tema 487, bem como aos princípios da proporcionalidade e da vedação ao bis in idem. Para que não pairem dúvidas quanto à incidência do precedente, especialmente diante do entendimento adotado pelo i. Relator no sentido de que a hipótese não envolveria descumprimento de obrigação acessória, cumpre registrar que o Código Tributário Nacional dispõe expressamente que as obrigações acessórias decorrem da legislação tributária e têm por objeto prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Estabelece, ainda, que a sua inobservância se converte em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, §§ 2º e 3º, do CTN). Nesse contexto, a multa isolada possui natureza de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de dever instrumental relacionado à observância das obrigações documentais e fiscais impostas pela legislação tributária, notadamente aquelas referentes à emissão, utilização e escrituração de documentos fiscais idôneos. Embora a penalidade pecuniária constitua obrigação principal por força do § 3º do art. 113 do CTN, a infração que lhe dá origem permanece vinculada ao descumprimento de obrigação acessória. É justamente essa natureza da conduta infracional — e não a natureza jurídica da penalidade dela decorrente — que atrai a incidência da orientação firmada pelo Supremo Tribunal Federal no Tema 487. Por fim, cumpre registrar que, embora o presente julgamento tenha por objeto embargos de declaração, o acolhimento da tese suscitada pela Recorrente mostra-se plenamente compatível com o ordenamento jurídico aplicável ao processo administrativo fiscal. Com efeito, a superveniência do julgamento do Tema 487 pelo Supremo Tribunal Federal, em abril de 2026, introduziu precedente vinculante que deve ser obrigatoriamente observado por este Tribunal Administrativo, nos termos do seu Regimento Interno. Assim, a adequação do julgamento à orientação posteriormente firmada pelo STF não configura inovação indevida na via Fl. 507DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 35 integrativa dos embargos de declaração, mas decorre do dever de observância da jurisprudência vinculante. Além disso, esse entendimento prestigia os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, da eficiência e da supremacia do interesse público, previstos no art. 2º da Lei nº 9.784/1999, que rege o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. Em especial, o inciso VI do parágrafo único desse dispositivo veda a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público. Nessas circunstâncias, uma vez reconhecida, pelo Supremo Tribunal Federal, a incidência do princípio da consunção como limite à cumulação de penalidades decorrentes da mesma cadeia infracional, a manutenção da multa isolada revelar-se-ia incompatível com a orientação vinculante superveniente e com os princípios que regem a atuação administrativa. Por essa razão, é plenamente cabível a aplicação do precedente firmado no Tema 487 no julgamento destes embargos de declaração, a fim de adequar o acórdão embargado à jurisprudência vinculante do Supremo Tribunal Federal. Ante todo o exposto, acolho os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para cancelar a multa isolada, em observância à tese fixada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 640.452/RO (Tema 487 da repercussão geral), de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF, nos termos da alínea "b" do inciso II do art. 98 da Portaria CARF nº 1.634/2023. (g.n.) Isso posto, voto no sentido de cancelar a exigência da multa regulamentar do IPI, por aplicação do princípio da consunção, em observância à tese fixada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 640.452/RO (Tema 487 da repercussão geral). Multa Por oportuno, transcreve-se trecho do Recurso Voluntário: DA MULTA Demonstrado acima a insubsistência da acusação fiscal, temos que considerar que a multa de 150% (cento e cinquenta por cento) aplicada pela fiscalização além de deter caráter confiscatório, e ferir os princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não merece prosperar em relação a qualificação. Vejamos o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, sobre esse tema: (...) Evidente que para a aplicação da multa de 150% (cento e cinquenta por cento), é indispensável plena caracterização e comprovação da prática de conduta fraudulenta por parte do contribuinte, o que não é o caso, ou seja, é absolutamente necessário demonstrar a materialidade dessa conduta, ou que Fl. 508DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 36 configure o dolo especifico do agente, demonstrando não somente a intenção mas também a sua finalidade. Vale ressaltar que o intérprete tem que ter sempre em mente todos os princípios constitucionais, vislumbrando, caso necessário, como uma ponderação de valores para se aferir qual prevalece na situação concreta, ressaltando que no caso dos autos deve prevalecer o princípio da razoabilidade de proporcionalidade, em detrimento das regras que permitem a tributação em duplicidade. A razoabilidade encontra ressonância na ajustabilidade da providência administrativa consoante o consenso social acerca do que é usual e sensato. Razoável é conceito que se infere a contrário sensu; vale dizer, escapa à razoabilidade "aquilo que não pode ser". A proporcionalidade, como uma das facetas da razoabilidade revela que nem todos os meios justificam os fins. Os meios conducentes à consecução das finalidades, quando exorbitantes, superam a proporcionalidade, porquanto medidas imoderadas em confronto com o resultado almejado. O parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional prevê que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Por essa razão, constatada a hipótese legal da aplicação da multa, a Autoridade Fiscal está obrigada a efetuar o lançamento de ofício da multa. A multa de ofício aplicada tem fundamento legal no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, conforme apontado no auto de infração. A discussão quanto ao efeito confiscatório de multa legalmente prevista, assim como ofensa aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade implicaria controle de constitucionalidade, o que é vedado a este Conselho. Observância da Súmula CARF nº 02, com o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No mesmo sentido, segue precedente deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2005 a 30/09/2005 (...) MULTA. CONFISCO. SÚMULA CARF N. 2. Não se toma conhecimento da alegação de caráter confiscatório da multa, eis que verificar a eventual existência de confisco seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da norma que prevê a incidência da multa, o que é vedado a este Conselho Administrativo. Observância da Súmula CARF nº 2. (Processo nº 35564.000741/2006-93; Acórdão nº 2401-007.886; Relator Conselheiro Rodrigo Lopes Araújo; sessão de 10/07/2020) Fl. 509DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 37 Isso posto, não conheço do Recurso Voluntário em relação em relação às alegações de caráter confiscatório da multa aplicada e ofensa a princípios constitucionais, por aplicação da Súmula CARF nº 2. Contudo, deve ser aplicado o disposto no art. 14 da Lei nº 14.689/23, para reduzir o percentual da multa de ofício aplicada em 150% para o percentual de 100%. A nova norma deve ser aplicada ao presente caso, de forma retroativa, com fundamento no artigo 106, II, “c”, do CTN: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (...) II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A qualificação da multa de ofício no lançamento de IPI deve, então, ser exigida no percentual de 100%. Conclusão Pelo exposto, não conheço do Recurso Voluntário no que se refere às alegações de caráter confiscatório da multa aplicada e ofensa a princípios constitucionais, por aplicação da Súmula CARF nº 2. Na parte conhecida, rejeito as preliminares de nulidade do acórdão recorrido e do auto de infração e, no mérito, dou parcial provimento para cancelar a exigência da multa regulamentar do IPI, por aplicação do princípio da consunção, em observância à tese fixada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 640.452/RO (Tema 487 da repercussão geral), bem como para reduzir o percentual da multa de ofício qualificada, aplicada no auto de infração do IPI, de 150%, para 100%. É como voto. Assinado Digitalmente Joana Maria de Oliveira Guimarães VOTO VENCEDOR Conselheiro Wagner Mota Momesso de Oliveira, redator designado A eminente relatora deu parcial provimento ao recurso voluntário para “cancelar a exigência da multa regulamentar do IPI, por aplicação do princípio da consunção, em observância Fl. 510DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 38 à tese fixada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 640.452/RO (Tema 487 da repercussão geral)”. Com a devida vênia, divirjo. O tema 487 trata do caráter confiscatório da “multa isolada” por descumprimento de obrigação acessória decorrente de dever instrumental. A tese é a seguinte: Tema 487 - Caráter confiscatório da “multa isolada” por descumprimento de obrigação acessória decorrente de dever instrumental. Descrição: Recurso Extraordinário em que se discute, à luz do artigo 150, IV, da Constituição Federal, se multa por descumprimento de obrigação acessória decorrente de dever instrumental, aplicada em valor variável entre 5% a 40%, relacionado à operação que não gerou crédito tributário (“multa isolada”) possui, ou não, caráter confiscatório. Tese: 1. A multa isolada aplicada por descumprimento de obrigação tributária acessória estabelecida em percentual não pode ultrapassar 60% do valor do tributo ou do crédito vinculado, podendo chegar a 100% no caso de existência de circunstâncias agravantes. 2. Não havendo tributo ou crédito tributário vinculado, mas havendo valor de operação ou prestação vinculado à penalidade, a multa em questão não pode superar 20% do referido valor, podendo chegar a 30% no caso de existência de circunstâncias agravantes. 3. Na aplicação da multa por descumprimento de deveres instrumentais, deve ser observado o princípio da consunção, e, na análise individualizada das circunstâncias agravantes e atenuantes, o aplicador das normas sancionatórias por descumprimento de deveres instrumentais pode considerar outros parâmetros qualitativos, tais como: adequação, necessidade, justa medida, princípio da insignificância e ne bis in idem. 4. Não se aplicam os limites ora estabelecidos à multa isolada que, embora aplicada pelo órgão fiscal, se refira a infrações de natureza predominantemente administrativa, a exemplo das multas aduaneiras. (destaque nosso) Sendo assim, no caso sob análise, correta aplicação da multa regulamentar do IPI em razão da utilização de nota fiscal inidônea, consistente no valor comercial da mercadoria constante na nota fiscal inidônea, e a multa de ofício qualificada, limitada a 100% do tributo devido, aplicada em razão da apuração de valor de IPI devido após reconstituição da escrita fiscal, em razão de glosas de créditos desse imposto, conforme procedido pela autoridade fiscal. São infrações distintas com a previsão legal de aplicação de penalidades (multas) distintas, uma em razão do registro de nota fiscal inidônea, vale dizer, de nota fiscal cuja operação foi considerada comprovadamente inexistente pela Fiscalização (“nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente”), sendo o seu registro Fl. 511DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 39 efetuado pela interessada de forma dolosa, com vistas ao aproveitamento de crédito do IPI, e, dessa forma, sujeito à multa específica disposta na legislação (multa igual ao valor comercial da mercadoria constante na nota fiscal inidônea), e outra multa totalmente distinta, aplicada em razão da falta do recolhimento do imposto devido, apurado em procedimento fiscal, após glosas de créditos efetuadas pela Fiscalização. No que diz respeito à aplicação de multas, no direito tributário, considerando o decidido pelo STF por meio da sobredita tese 487, infere-se que a aplicação do princípio da consunção consiste na não aplicação de multa atinente à infração meio, relacionada ao descumprimento de obrigação acessória, considerada etapa preparatória, sendo essa infração absorvida pela infração fim, consistente na falta de pagamento do tributo devido, com vistas a evitar a dupla penalização (bis in idem) pelo mesmo fato. Ou seja, não se aplica o princípio da consunção ao caso em apreço, uma vez que se trata de condutas distintas, uma consistente no registro de notas fiscais inidôneas, infração autônoma sujeita à multa regulamentar, e outra consistente na apuração de débitos do IPI na escrita fiscal, não recolhidos, em razão de glosas de créditos referentes às notas fiscais inidôneas, apurados pela autoridade fiscal no curso do procedimento fiscal, e, dessa forma, sujeito à multa de ofício, a qual pode ser qualificada ou não. Realmente, a tese 487 do STF é inequívoca no sentido de que cabe a aplicação do princípio da consunção no caso de descumprimento de deveres instrumentais, como o envio de declaração obrigatória (por exemplo, a DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) ou a emissão de nota fiscal, no caso de saída de produtos do estabelecimento, de sorte que a conduta dolosa de registar nota fiscal inidônea não consiste em descumprimento de um dever instrumental, ao contrário, se trata de conduta ilícita sujeita à penalidade específica disposta na legislação. Portanto, correta a aplicação da multa regulamentar do IPI em apreço, em razão do registro de notas fiscais inidôneas, e da multa de ofício em razão da apuração de débitos de IPI, não recolhidos, na escrita fiscal, no curso de procedimento de fiscalização. Há precedente deste Conselho acerca da matéria, acórdão n. 3102-003.884, de 22 de maio de 2026, da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção deste Conselho, proferida sob a relatoria do eminente conselheiro Fábio Kirzner Ejchel, conforme parte da ementa e do voto a seguir reproduzidos: Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2017, 2018 TEMA 487 DO STF. INAPLICABILIDADE. Aplica-se o Tema 487 do STF apenas em casos de multas por descumprimento de obrigações acessórias ou por outras infrações que independem se ser ou não Fl. 512DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 40 o tributo devido, não cabendo sua aplicação em multa por utilização de notas fiscais inidôneas. (desataques nosso) Voto: 4) Aplicação do Tema 487 do STF (...) De qualquer forma, deve-se esclarecer que, na visão da empresa, o Tema 487 se aplicaria ao caso no que tange à multa regulamentar prevista no art. 572, inciso II, do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI/2010), que originou o auto de infração de fls. 5720/5731. Tal multa está assim descrita no RIPI: Art. 572. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, e Decreto-Lei n o 400, de 1968, art. 1 o , alteração 2 a ): (...) II - os que emitirem, fora dos casos permitidos neste Regulamento, nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do imposto e ainda que a nota se refira a produto isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso II , e Decreto-Lei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª ). O Tema 487 trata do caráter confiscatório da “multa isolada” por descumprimento de obrigação acessória decorrente de dever instrumental e tem repercussão geral. (...) Com relação ao Tema 487, deve-se atentar para o seu objeto. Como já descrito, o Tema trata do caráter confiscatório da “multa isolada” por descumprimento de obrigação acessória decorrente de dever instrumental. O já citado voto do Min. Dias Toffoli esclarece quais são as multas isoladas de que trata o Tema: Por fim, as multas isoladas seriam aquelas decorrentes do “descumprimento de obrigações acessórias ou por outras infrações que independem de ser ou não o tributo devido”. No presente RE nº 640.452/RO, Tema nº 487 da RG, Rel. Min. Roberto Barroso, são analisados os limites da multa por descumprimento de dever instrumental, aplicada isoladamente. Fl. 513DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 41 O Tema trata, assim, nas palavras do redator do acórdão, de multa por “descumprimento de obrigações acessórias ou por outras infrações que independem se ser ou não o tributo devido”. A utilização de notas fiscais inidôneas não diz respeito a descumprimento de obrigações acessórias. O art. 113 do CTN – Decreto nº 5.172/66 - descreve que a obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (...) § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Descumprir uma obrigação acessória significa deixar de apresentar alguma declaração, deixar de emitir nota fiscal, omitir informações, entregar declarações fora do prazo. Fraudar a contabilidade, utilizar documentos inidôneos, simular operações que não existiram não se traduz em descumprimento de obrigação acessória. A emissão de nota fiscal é uma obrigação tributária acessória, porém a emissão de nota fiscal inidônea obviamente não se traduz numa obrigação acessória, até porque não é providência prevista no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, como disposto no CTN. Não por outro motivo, o voto do Min. Luís Roberto Barroso, relator do Tema, explicitou que situações de sonegação, fraude e conluio não estão abrangidas no Tema 487: 5. Apresente controvérsia reside no caráter desproporcional e confiscatório de multa isolada aplicada em hipótese de descumprimento de obrigação acessória e calculada em função do valor da operação, quando existe uma obrigação principal subjacente. Saliente-se que não se analisam, por oportunidade deste julgamento, situações de sonegação, de fraude e/ou de conluio. (Negrito nosso) O mesmo racional aplica-se ao voto do Min. Dias Tofolli, que, como descrito acima, excluiu deste Tema as multas de ofício aplicadas “pela conduta dolosa do agente (sonegação, fraude e conluio)” e fez, ainda, longa digressão sobre a diferença entre os comportamentos de contribuintes e os novos paradigmas para o tratamento das multas tributárias, salientando o tratamento que deve ser dado a atos ilícitos. No voto, são explicitados os diversos tipos de grupos de contribuintes: Fl. 514DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 42 Na seção mais baixa, conectada com a base da pirâmide, está (i) o grupo dos contribuintes dispostos a cumprir a legislação; na seção logo acima, está (ii) o grupo dos contribuintes que a tentam cumprir mas nem sempre conseguem; em seguida, vem (iii) o grupo dos contribuintes que não a querem cumprir mas a cumprem quando se faz o controle; e, na seção mais alta, conectada com o topo da pirâmide, está (iv) o grupo de contribuintes que, decididamente, não cumprem a legislação. Para os contribuintes do grupo IV, a estratégia é usar toda a força da lei: Em relação ao grupo (iv), que se encontra na seção mais alta, conectada ao topo da pirâmide (contribuintes que, decididamente, não cumprem a legislação), a estratégia é usar toda a força da lei. Constata-se que não é objetivo do Tema beneficiar contribuintes que praticam atos que envolvem fraude – e sim os contribuintes que querem cumprir com suas obrigações tributárias, mas que têm dificuldades por conta da complexidade da legislação e dos procedimentos necessários para manutenção da regularidade fiscal. A emissão ou utilização de notas fiscais que não correspondem à saída efetiva dos produtos nela descritos, com o fim de gerar créditos indevidos de tributos não cumulativos, é infração característica de contribuintes do grupo IV. O presente caso também não trata de outras infrações que independem de ser ou não o tributo devido. (...) A utilização de notas inidôneas, tanto na entrada dos lingotes de alumínio como na saída da sucata de alumínio, tinha como único objetivo tomar crédito de PIS/Cofins/IPI sobre os lingotes de alumínio. Não é o caso de mero descumprimento de obrigação acessória ou outra infração desvinculada de tributos. Não se tratando de multa por descumprimento de obrigação acessória e nem de multa por outras infrações que independem de ser ou não o tributo devido, não cabe a aplicação do Tema 487 ao presente caso. (destaques nosso) Com efeito, o tema 487 se aplica às multas isoladas, que seriam aquelas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias ou por outras infrações que independem de ser ou não o tributo devido, de sorte que a utilização de notas fiscais inidôneas não diz respeito a descumprimento de obrigação acessória. O princípio da consunção, citado na mencionada tese do tema 487 do STF, não se aplica à aludida multa regulamentar referente ao registro de notas fiscais inidôneas, a qual se caracteriza como multa regulamentar autônoma, aplicada em razão de conduta ilícita consistente na utilização ou registro de nota fiscal inidônea na escrita fiscal. Sendo assim, nego provimento a esse ponto do recurso voluntário. Fl. 515DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.507 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19311.720223/2019-20 43 Assinado Digitalmente Wagner Mota Momesso de Oliveira Fl. 516DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor
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Numero do processo: 11634.720219/2019-15
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Oct 06 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Data do fato gerador: 01/01/2015
RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO.
No sistema brasileiro - seja em âmbito administrativo ou judicial -, a finalidade do recurso é única, qual seja, devolver ao órgão de segunda instância o conhecimento das mesmas questões suscitadas e discutidas no juízo de primeiro grau. Justamente por isso é inadmissível, em grau de recurso, modificar a decisão de primeiro grau baseada em novos fundamentos que não foram objeto da defesa - e que, por óbvio, sequer foram discutidos na origem.
ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. DÉBITOS LANÇADOS EM DECORRÊNCIA DA EXCLUSÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. PROCESSOS CONEXOS. JULGAMENTO CONJUNTO.
A análise do recurso voluntário interposto em face do ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES feita conjuntamente à análise dos recursos manejados em face dos autos de infração decorrentes da exclusão do contribuinte do regime do SIMPLES NACIONAL mantém os débitos lançados suspensos até julgamento final das lides.
ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. ANÁLISE DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS. AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO.
Os princípios do contraditório e da ampla defesa se traduzem de duas formas: por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência dos atos do processo às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis no processo administrativo fiscal.
A análise, pela autoridade julgadora, dos recursos voluntários interpostos pelo contribuinte é feita em observância aos princípios do contraditório e da ampla defesa.
NULIDADE DA DECISÃO. DEFICIÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NÃO VERIFICADO.
A declaração de nulidade de qualquer ato do procedimento administrativo depende da efetiva demonstração de prejuízo à defesa do contribuinte, o que, no presente caso, verifica-se não ter ocorrido, atraindo a incidência do princípio pas de nullité sans grief.
Não há que se falar em nulidade por deficiência de motivação quando a decisão analisa, ainda que de forma sintética, os argumentos manejados pelo contribuinte que sejam capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador.
ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA. ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. AUSÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM LITÍGIO.
A decadência extingue apenas o direito de o Fisco, por meio do lançamento, constituir o crédito tributário. O processo que analisa o ato de exclusão do SIMPLES NACIONAL não cuida da constituição ou da revisão de crédito tributário, assim, inaplicável o disposto no § 4º artigo 150 do CTN.
GRUPO ECONÔMICO. RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE DA LEI COMPLEMENTAR 123/2006.
Tratando-se de discussão relativa ao SIMPLES, informa a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que a exclusão do regime do SIMPLES pode ocorrer mediante a comunicação da empresa que não queira mais optar pelo regime, ou de ofício, quando a empresa incorrer em alguma das hipóteses previstas nos incisos discriminados no art. 29.
Caracterizada a formação de grupo econômico de fato, que pode se dar pela combinação de recursos e/ou esforços para a consecução de objetivos comuns, caso a soma das receitas brutas das empresas superem o limite definido pelo art. 3º, inciso II, da Lei Complementar nº 123/2006, torna-se dever da Fiscalização realizar o Ato de Exclusão de tais empresas do Regime do SIMPLES NACIONAL.
Numero da decisão: 1001-004.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer parcialmente do recurso voluntário para não apreciar a alegação recursal sobre a ausência de segregação entre a receita bruta interna e a receita bruta decorrente de exportação e, na parte conhecida, por negar provimento ao recurso voluntário.
Nesta oportunidade é nomeado o Conselheiro Gustavo de Oliveira Machado como redator ad hoc para o julgamento do recurso voluntário, nos termos do § 12 do art. 110 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023, dado que a Conselheira Ana Claudia Borges de Oliveira, relatora original, não mais integra o colegiado. O Conselheiro Reginaldo Cezar Cardoso se declarou impedido.
Assinado Digitalmente
Gustavo de Oliveira Machado - Redator ad hoc
Assinado Digitalmente
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Elias da Silva Filho (substituto[a] integral), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Gustavo de Oliveira Machado, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: ANA CLAUDIA BORGES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Data do fato gerador: 01/01/2015 RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. No sistema brasileiro - seja em âmbito administrativo ou judicial -, a finalidade do recurso é única, qual seja, devolver ao órgão de segunda instância o conhecimento das mesmas questões suscitadas e discutidas no juízo de primeiro grau. Justamente por isso é inadmissível, em grau de recurso, modificar a decisão de primeiro grau baseada em novos fundamentos que não foram objeto da defesa - e que, por óbvio, sequer foram discutidos na origem. ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. DÉBITOS LANÇADOS EM DECORRÊNCIA DA EXCLUSÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. PROCESSOS CONEXOS. JULGAMENTO CONJUNTO. A análise do recurso voluntário interposto em face do ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES feita conjuntamente à análise dos recursos manejados em face dos autos de infração decorrentes da exclusão do contribuinte do regime do SIMPLES NACIONAL mantém os débitos lançados suspensos até julgamento final das lides. ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. ANÁLISE DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS. AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. Os princípios do contraditório e da ampla defesa se traduzem de duas formas: por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência dos atos do processo às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis no processo administrativo fiscal. A análise, pela autoridade julgadora, dos recursos voluntários interpostos pelo contribuinte é feita em observância aos princípios do contraditório e da ampla defesa. NULIDADE DA DECISÃO. DEFICIÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NÃO VERIFICADO. A declaração de nulidade de qualquer ato do procedimento administrativo depende da efetiva demonstração de prejuízo à defesa do contribuinte, o que, no presente caso, verifica-se não ter ocorrido, atraindo a incidência do princípio pas de nullité sans grief. Não há que se falar em nulidade por deficiência de motivação quando a decisão analisa, ainda que de forma sintética, os argumentos manejados pelo contribuinte que sejam capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA. ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. AUSÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM LITÍGIO. A decadência extingue apenas o direito de o Fisco, por meio do lançamento, constituir o crédito tributário. O processo que analisa o ato de exclusão do SIMPLES NACIONAL não cuida da constituição ou da revisão de crédito tributário, assim, inaplicável o disposto no § 4º artigo 150 do CTN. GRUPO ECONÔMICO. RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE DA LEI COMPLEMENTAR 123/2006. Tratando-se de discussão relativa ao SIMPLES, informa a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que a exclusão do regime do SIMPLES pode ocorrer mediante a comunicação da empresa que não queira mais optar pelo regime, ou de ofício, quando a empresa incorrer em alguma das hipóteses previstas nos incisos discriminados no art. 29. Caracterizada a formação de grupo econômico de fato, que pode se dar pela combinação de recursos e/ou esforços para a consecução de objetivos comuns, caso a soma das receitas brutas das empresas superem o limite definido pelo art. 3º, inciso II, da Lei Complementar nº 123/2006, torna-se dever da Fiscalização realizar o Ato de Exclusão de tais empresas do Regime do SIMPLES NACIONAL.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer parcialmente do recurso voluntário para não apreciar a alegação recursal sobre a ausência de segregação entre a receita bruta interna e a receita bruta decorrente de exportação e, na parte conhecida, por negar provimento ao recurso voluntário. Nesta oportunidade é nomeado o Conselheiro Gustavo de Oliveira Machado como redator ad hoc para o julgamento do recurso voluntário, nos termos do § 12 do art. 110 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023, dado que a Conselheira Ana Claudia Borges de Oliveira, relatora original, não mais integra o colegiado. O Conselheiro Reginaldo Cezar Cardoso se declarou impedido. Assinado Digitalmente Gustavo de Oliveira Machado - Redator ad hoc Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Elias da Silva Filho (substituto[a] integral), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Gustavo de Oliveira Machado, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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INOVAÇÃO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. No sistema brasileiro - seja em âmbito administrativo ou judicial -, a finalidade do recurso é única, qual seja, devolver ao órgão de segunda instância o conhecimento das mesmas questões suscitadas e discutidas no juízo de primeiro grau. Justamente por isso é inadmissível, em grau de recurso, modificar a decisão de primeiro grau baseada em novos fundamentos que não foram objeto da defesa - e que, por óbvio, sequer foram discutidos na origem. ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. DÉBITOS LANÇADOS EM DECORRÊNCIA DA EXCLUSÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. PROCESSOS CONEXOS. JULGAMENTO CONJUNTO. A análise do recurso voluntário interposto em face do ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES feita conjuntamente à análise dos recursos manejados em face dos autos de infração decorrentes da exclusão do contribuinte do regime do SIMPLES NACIONAL mantém os débitos lançados suspensos até julgamento final das lides. ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. ANÁLISE DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS. AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. Os princípios do contraditório e da ampla defesa se traduzem de duas formas: por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência dos atos do processo às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis no processo administrativo fiscal. Fl. 13975DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.413 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11634.720219/2019-15 2 A análise, pela autoridade julgadora, dos recursos voluntários interpostos pelo contribuinte é feita em observância aos princípios do contraditório e da ampla defesa. NULIDADE DA DECISÃO. DEFICIÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NÃO VERIFICADO. A declaração de nulidade de qualquer ato do procedimento administrativo depende da efetiva demonstração de prejuízo à defesa do contribuinte, o que, no presente caso, verifica-se não ter ocorrido, atraindo a incidência do princípio pas de nullité sans grief. Não há que se falar em nulidade por deficiência de motivação quando a decisão analisa, ainda que de forma sintética, os argumentos manejados pelo contribuinte que sejam capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA. ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. AUSÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM LITÍGIO. A decadência extingue apenas o direito de o Fisco, por meio do lançamento, constituir o crédito tributário. O processo que analisa o ato de exclusão do SIMPLES NACIONAL não cuida da constituição ou da revisão de crédito tributário, assim, inaplicável o disposto no § 4º artigo 150 do CTN. GRUPO ECONÔMICO. RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE DA LEI COMPLEMENTAR 123/2006. Tratando-se de discussão relativa ao SIMPLES, informa a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que a exclusão do regime do SIMPLES pode ocorrer mediante a comunicação da empresa que não queira mais optar pelo regime, ou de ofício, quando a empresa incorrer em alguma das hipóteses previstas nos incisos discriminados no art. 29. Caracterizada a formação de grupo econômico de fato, que pode se dar pela combinação de recursos e/ou esforços para a consecução de objetivos comuns, caso a soma das receitas brutas das empresas superem o limite definido pelo art. 3º, inciso II, da Lei Complementar nº 123/2006, torna-se dever da Fiscalização realizar o Ato de Exclusão de tais empresas do Regime do SIMPLES NACIONAL. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer parcialmente do recurso voluntário para não apreciar a alegação recursal sobre a ausência de Fl. 13976DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.413 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11634.720219/2019-15 3 segregação entre a receita bruta interna e a receita bruta decorrente de exportação e, na parte conhecida, por negar provimento ao recurso voluntário. Nesta oportunidade é nomeado o Conselheiro Gustavo de Oliveira Machado como redator ad hoc para o julgamento do recurso voluntário, nos termos do § 12 do art. 110 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023, dado que a Conselheira Ana Claudia Borges de Oliveira, relatora original, não mais integra o colegiado. O Conselheiro Reginaldo Cezar Cardoso se declarou impedido. Assinado Digitalmente Gustavo de Oliveira Machado – Redator ad hoc Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Elias da Silva Filho (substituto[a] integral), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Gustavo de Oliveira Machado, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário em face do Acórdão nº 15-050.685 (fls. 13.901 a 13.927) que julgou a manifestação de inconformidade improcedente e manteve o Ato Declaratório Executivo nº 56, de 11/11/2019 (fl. 13.658), que excluiu a recorrente do SIMPLES NACIONAL com fundamento arts. 29, inciso I, e 30, inciso IV, da Lei Complementar nº 123/2006. Consoante o relatório extraído da decisão recorrida, no dia 03/04/2019, a fiscalização compareceu no endereço localizado na Rua Antônio Calsavara, 334 – Parque Industrial Gleba, Ibiporã/PR, para ciência e início de procedimento fiscal nas empresas EXCELLENCE INDÚSTRIA DE TINTAS – EIRELI (EXCELLENCE) e IDEIA COR TINTAS - EIRELI (IDEIA COR). A Fiscalização foi atendida pelo Sr. Elson Vianna Neves, que se identificou como administrador da empresa EXCELLENCE e recebeu o Termo de Início de Procedimento Fiscal, no prédio onde funciona a sede administrativa. Neste mesmo local, deu-se ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal, relativo a empresa IDEIA COR, ao Sr. José Marcos de Oliveira Silva, encarregado financeiro da empresa, uma vez que a administradora, Sra. Laudecy Maria Rodrigues Neves, não se encontrava naquele momento. Ato contínuo, o Sr. Elson Vianna Neves apresentou as instalações e destacou que a empresa EXCELLENCE ocupa o Barracão “B”, da Rua Antônio Calsavara, 334 – Parque Industrial Gleba, Ibiporã/PR, e a empresa IDEIA COR ocupa o Barracão Fl. 13977DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.413 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11634.720219/2019-15 4 “A”, da Rua Antônio Calsavara, 334 – Parque Industrial Gleba, Ibiporã/PR. Durante a visita, constatou-se não existir separação entre os barracões e que a sede administrativa/comercial abriga ambas as empresas – EXCELLENCE e IDEIA COR. No CNPJ consta o CNAE n.º 2071-1/00 – Fabricação de tintas, vernizes, esmaltes e lacas – para ambas empresas - EXCELLENCE e IDEIA COR. Da visita às empresas e com base nos dados do contrato social e respectivas alterações, a fiscalização constatou que ambas estão estabelecidas no mesmo endereço, são administradas por núcleo familiar e possuem o mesmo objeto social. Além de estabelecidas no mesmo endereço, as empresas EXCELLENCE e IDEIA COR mantém o mesmo site na internet: www.londrescolor.com.br, cuja descrição da história das empresas consta na tela abaixo capturada. Das informações constantes do site, fica comprovado que, na verdade, se trata de uma única empresa, com dois CNPJ. Ademais, através dos dados extraídos da GFIP, constatou-se que os 50 colaboradores, citados no site, estão registrados nas empresas, sendo 39 (trinta e nove) empregados na IDEIA COR e 11 (onze) empregados na EXCELLENCE. Também constatou-se que o responsável pela entrega das GFIP das empresas EXCELLENCE e IDEIA COR é o Sr. Adão Luis Rocco, conforme dados extraídos da competência 5/2019, de ambos CNPJ. No Laudo Técnico Pericial constante do Processo Trabalhista n.º 0001607- 82.2017.5.09.0129, item “XIII –Conclusão”, a Perita esclarece sobre a existência das duas empresas com utilização do mesmo terreno. Para comprovar que se trata de endereço único, analisou recebimento de correspondência referente ao Processo Trabalhista n.º 0000668-49.2017.5.09.0664, onde foi efetuada a ciência por meio de Aviso de Recebimento (AR) pelos Correios. Nos dois AR enviados, para EXCELLENCE e IDEIA COR, constam assinaturas de Giovana Larissa, mais precisamente, empregada Giovana Larissa Escudero de Oliveira (...), registrada na empresa IDEIA COR. Fl. 13978DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.413 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11634.720219/2019-15 5 Constatou-se, ainda, que o recebimento do Termo de Intimação Fiscal (TIF) n.º 7, enviado à EXCELLENCE, através do AR, foi feito por Elizangela Silva, mais precisamente, empregada Elizangela Maria da Silva (...), registrada na empresa IDEIA COR. Outro fato que ratifica o entendimento de que se trata de um endereço único é o recebimento, de mercadorias adquiridas pelas empresas EXCELLENCE e IDEIA COR, pelo mesmo funcionário. Por meio do TIF – Início de Diligência Fiscal, as empresas BARRICAS PARANÁ INDÚSTRIA DE EMBALAGENS LTDA e SUPREMA - COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA, foram intimadas e, em 18/9/2019, ambas protocolaram resposta por escrito, juntando cópias de canhotos de Notas Fiscais. Após análise destes canhotos, afirma-se que um mesmo funcionário recebe mercadorias destinadas às empresas EXCELLENCE e IDEIA COR, pois a assinatura aposta nos canhotos analisados é semelhante, conforme dados, por amostragem, colacionados (fls. 13.681/13.683). Verificou-se que as empresas EXCELLENCE e IDEIA COR utilizam o mesmo telefone e e-mail nas relações comerciais. A empresa INTERCOM COMÉRCIO PRODUTOS QUÍMICOS LTDA informou que manteve contato com a empresa IDEIA COR, por meio do telefone 43-3341-1888 e pelo e-mail compras@londrescolor.com.br. Já a empresa INTERBRASIL QUÍMICOS S/A informou que manteve contato com a empresa EXCELLENCE, por meio do telefone 43-3341-1888 e pelo e- mail compras@londrescolor.com.br, (fls. 13.684/ 13.685). O Sr. Elson Vianna Neves utiliza em seu “cartão de visita” o mesmo número de telefone acima transcrito 3341-1888, bem com o e-mail elson@londrescolor.com.br. Este cartão foi fornecido quando do atendimento da fiscalização federal no dia 3/4/2019, para recebimento do Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF). Observa-se que no site da empresa, aparece a foto do telhado dos barracões com a seguinte identificação: Tintas LONDRESLIT e Tintas LONDRES COLOR (fl. 13.686). Da figura, constata-se que a logomarca dos produtos é idêntica. Analisando as NFe emitidas pelas empresas EXCELLENCE e IDEIA COR, período entre 2015 e 2017, foi identificado, ainda, a venda de produtos idênticos através do campo “descrição de mercadoria”. Listou-se os 50 (cinquenta) primeiros produtos, que representam cerca de 60% do faturamento total das empresas EXCELLENCE e IDEIA COR (fls. 13.687/13.688). Com base no fato acima exposto e por amostragem, observou-se que EXCELLENCE e IDEIA COR venderam praticamente os mesmos produtos para a empresa FORMACO COMÉRCIO DE MATERIAIS DE PINTURA LTDA, CNPJ 06.948.979/0001-00 (fls. 13.688 a 13.689), consoante campo “Descrição de Mercadoria” com base nas NFe emitidas no período entre 2015 e 2017. Em 19/8/2019, foi emitido o TIF para FORMACO COMERCIO DE MATERIAIS DE PINTURA LTDA, com objetivo de confirmar a realização de operações comerciais, com EXCELLENCE Fl. 13979DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.413 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11634.720219/2019-15 6 e IDEIA COR, e identificar as pessoas físicas responsáveis e/ou intervenientes no relacionamento entre as empresas, sobretudo decorrente das NFe relacionadas na intimação. Em 11/9/2019, o contribuinte FORMACO solicitou a juntada de resposta à intimação, confirmando a intermediação pelo Sr. Elson Vianna Neves, em nome das empresas EXCELLENCE e IDEIA COR (fl. 13.690). A empresa IMPÉRIO DAS CORES COMERCIO VAREJISTA DE TINTAS LTDA postou nos CORREIOS envelope, SEDEX OD127669009BR, contendo esclarecimento por escrito e confirmando a intermediação pelo Sr. Elson Vianna Neves, em nome da empresa IDEIA COR. Como descrito acima, foi verificado que o Sr.Elson Viana Neves procedia a negociação em nome das empresas EXCELLENCE e IDEIA COR. Além disso, conforme consta na Petição Inicial (fls. 1 e 2) do Processo Trabalhista n.º 0000668-49.2017.5.09.0664, da qual foi extraído o texto abaixo, o Sr. Celso Rodrigues prestava serviço tanto para a empresa EXCELLENCE, quanto para a empresa IDEIA COR, na qualidade de vendedor. Fl. 13980DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.413 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11634.720219/2019-15 7 Assim, considerando o que consta no Processo Trabalhista n.º 0000668- 49.2017.5.09.0664, as NFe n.º 7358, 7554, 7613 e 7659, emitidas pela empresa EXCELLENCE e o depoimento da Sra. Juliana Rocha Ribeiro, conclui-se que o Sr. Celso Rodrigues prestou os serviços como vendedor para EXCELLENCE e IDEIA COR. Constatou-se a confusão patrimonial entre as empresas, uma vez que despesas em nome da EXCELLENCE foram pagas por meio de conta bancária em nome da IDEIA COR. As Fl. 13981DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.413 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11634.720219/2019-15 8 despesas como energia elétrica, conta de água, pagamento de funcionário da EXCELLENCE foram pagos através de conta corrente da IDEIA COR. Além do pagamento de despesas, ocorreu a venda de mercadorias com a emissão de NFe em nome de EXCELLENCE e o recebimento da correspondente receita através de conta corrente da empresa IDEIA COR. As faturas de energia elétrica em nome da EXCELLENCE foram apresentadas pela IDEIA COR. Observou-se que no ano de 2015 deixaram de ser apresentadas várias faturas. Foram verificados os lançamentos feitos na conta 3.2.2.04.016 – Energia Elétrica, período 1/2/2016 a 31/12/2017, do Livro Razão, apresentado por IDEIA COR com o extrato bancário e a fatura de energia elétrica. A partir dos lançamentos no Razão foram identificados nos extratos bancários o pagamento em conta corrente da IDEIA COR (fls. 13.695/13.696). Por amostragem, faturas de energia elétrica, dos meses de 1/2016 e 8/2017, e que estão em nome da EXCELLENCE foram apresentadas e pagas pela empresa IDEIA COR, conforme extrato bancário (fls. 13.697 a 13. 698). Verificou-se, ainda, no Livro Razão lançamentos de pagamento de energia elétrica e que não constam na conta 3.2.2.04.016 – Energia Elétrica, extraído do Livro Razão apresentado pela empresa IDEIA COR. Visando ocultar o pagamento de despesa, o lançamento contábil, datado em 21/12/2015, foi feito a débito da conta “Caixa Geral”, quando o correto, seria o registro do custo ou despesa (fl. 13.699). Embora as empresas tenham sido intimadas, houve a apresentação de apenas uma fatura de Água/Esgoto, em nome da EXCELLENCE e apresentada pela empresa IDEIA COR. No Livro Razão apresentado pela IDEIA COR, foi verificado o lançamento feito na conta 3.2.2.04.012 – Água e Esgoto, sendo este valor pago conforme consta o extrato bancário, da empresa IDEIA COR. O empregado Sr. Iranilson Alves de Lima, embora registrado na EXCELLENCE, os pagamentos feitos em 20/1/2015, 4/2/2015, 20/2/2015, ocorreram através de transferência bancária da conta corrente n.º (...), Banco Bradesco, pertencente a IDEIA COR, a exemplo do extrato colacionado. Conclui-se que despesas da EXCELLENCE, como no caso do pagamento de funcionário, foram pagas através de conta corrente em nome da IDEIA COR. Visando ocultar o pagamento de despesa, o lançamento contábil, acima apresentado, foi feito a débito da conta “Caixa Geral”, quando o correto, seria o registro do custo ou despesa. Por amostragem, foram verificadas as Nfe do período de 2015 a 2017, emitidas por EXCELLENCE e IDEIA COR pela venda de produtos a IMPÉRIO DAS CORES COMÉRCIO VAREJISTA DE TINTAS LTDA-CNPJ n.º 22.674.461/0001-82, A S MELO LTDA-CNPJ n.º 09.428.963/0001-65,e DISTINTA COMÉRCIO DE MATERIAIS ELÉTRICOS E DE PINTURA LTDA-CNPJ n.º 17.133.230/0001-21. Dessa amostragem, observou-se que EXCELLENCE e IDEIA COR emitiram NFe de venda de Fl. 13982DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.413 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11634.720219/2019-15 9 produtos, entretanto, o recebimento destas vendas foi feito através da conta corrente n.º 171287- 0, agência 53, Banco Bradesco, pertencente à IDEIA COR. As referidas transferências bancárias constam dos extratos bancários, cujos lançamentos foram feitos na conta 1.1.1.02.001–BRADESCO CTA 1712870, do Livro Razão apresentado por IDEIA COR. Constatou-se que, visando ocultar o recebimento de receita, o lançamento contábil foi feito a crédito da conta “Caixa Geral”, quando o correto seria o registro de “Receita de Vendas”. A IMPÉRIO DAS CORES COMÉRCIO VAREJISTA DE TINTAS LTDA efetuou transferências dos valores referente à venda de produtos, via TED, para a conta corrente n.º (...), agência (...), Banco Bradesco, pertencente à IDEIA COR, conforme se depreende dos extratos bancários. Estes pagamentos foram registrados no Razão da empresa IDEIA COR (fls. 13. 703/13.705). Assim, conforme informado pela IMPÉRIO DAS CORES COMERCIO VAREJISTA DE TINTAS LTDA, a mesma realizou a compra de mercadoria mediante pagamento, através de transferência bancária, à IDEIA COR, no entanto, ficou constatado que as NFe foram emitidas por EXCELLENCE e IDEIA COR. A empresa A S MELO LTDA efetuou transferências dos valores referentes a venda de produtos, via TED/Depósito entre AGS Dinheiro, para a conta corrente n.º (...), agência (...), Banco Bradesco, pertencente à IDEIA COR, conforme se depreende dos extratos bancários. Estes pagamentos foram registrados no Razão da empresa IDEIA COR, conforme quadro anexado (fls. 13.708). Assim, conforme informado pela empresa A S MELO LTDA, a mesma realizou a compra de mercadoria mediante pagamento, através de transferência bancária, à empresa IDEIA COR, no entanto, ficou constatado que as NFe foram emitidas por EXCELLENCE e IDEIA COR. A DISTINTA COMÉRCIO DE MATERIAIS ELÉTRICOS E DE PINTURA LTDA, inscrita no CNPJ n.º 17.133.230/0001-2133, efetuou transferências dos valores referentes à venda de produtos, via TED/DOC CREDITO AUTOMÁTICO, para a conta corrente n.º (...), agência (...), Banco Bradesco, pertencente à IDEIA COR, conforme se depreende dos extratos bancários. Estes pagamentos foram registrados no Razão da empresa IDEIA COR, conforme quadro anexado (fls. 13.710). A DISTINTA COMÉRCIO DE MATERIAIS ELÉTRICOS E DE PINTURA LTDA adquiriu os produtos da EXCELLENCE e IDEIA COR, efetuando o pagamento por meio das transferências bancárias, consoante já citado. Observa-se que no mesmo dia, EXCELLENCE e IDEIA COR emitiram NFe, pela venda de produtos, à DISTINTA COMÉRCIO DE MATERIAIS ELÉTRICOS E DE PINTURA LTDA. Fl. 13983DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.413 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11634.720219/2019-15 10 Assim, a partir destes dados – NFe/Razão/Extrato Bancário – conclui-se que a venda de mercadorias foi feita mediante a emissão de NFe pelo CNPJ – EXCELLENCE e IDEIA COR – e o recebimento se deu em conta corrente do CNPJ da IDEIA COR. Comparando-se os PPRA das empresas EXCELLENCE e IDEIA COR, verifica-se que as atividades exercidas pelos empregados são coincidentes (fl. 13.713). Através do PPP apresentado pela EXCELLENCE, foi constatado que o trabalhador Sr. Emerson Porte Farias está vinculado à IDEIA COR. Já, no Termo de Rescisão de contrato de Trabalho o mesmo trabalhador, Sr. Emerson Porte Farias, está registrado no CNPJ da EXCELLENCE. Na Petição Inicial, trecho abaixo transcrito das fls. 1 e 2, do Processo Trabalhista n.º 0000533-69.2019.5.09.0663, o empregado, Sr. Anderson Gomes, afirma que prestava serviços na função de operador de máquinas para EXCELLENCE e IDEIA COR. Na Petição Inicial consta, ainda, que as empresas estão no mesmo endereço, possuem a mesma atividade fim, fabricação de tintas, e os produtos são transportadas pelos mesmos caminhões, ou seja, as empresas atuam de forma conjunta, utilizando dos mesmos empregados na fabricação e transporte das tintas, sendo ambas controladas e administradas pelo mesmo proprietário de fato, Sr. Elson Viana Neves, configurando verdadeiro grupo econômico. Tomando por base as informações fornecidas pela empresa INTERBRASIL QUÍMICOS S/A, evidenciou-se que o contato para aquisição de matéria-prima de ambas empresas (EXCELLENCE e IDEIA COR) é o Sr. Elson Viana Neves. Através do Dossiê de Comunicação com o Contribuinte nº 10010.061971/0819-83, a INTERBRASIL QUÍMICOS S/A juntou cópias dos pedidos e e-mail referentes às negociações com a EXCELLENCE, sendo que, nas fls. 143/144 do referido Dossiê, consta o e-mail relativo ao pedido feito em 21/11/2017 com a seguinte observação “Se trata do mesmo cliente, ele pediu para que dividisse o pedido nas duas empresas dele”. Abaixo desta observação consta a data de faturamento, 21/11/2017, para EXCELLENCE e IDEIA COR, da mesma quantidade de produto, 6.825 Kg de Dióxido de Titânio FR-767. Observou-se a utilização do mesmo veículo Truck, ATEO 2429, Mercedes Bens, placa AYL-4880, para transporte de mercadorias para EXCELLENCE e IDEIA COR. No Processo Trabalhista n.º 0001607-82.2017.5.09.0129, a perita Sra. Elizandra Gonçalves Taques Sartori elaborou Laudo Técnico Pericial, de onde foram extraídos trechos, constando no item “V – Descrição do ambiente de trabalho”, que “nas suas atividades rotineiras e habituais como motorista, laborou por três meses com o veículo Mercedes Bens, modelo 1113, baú, dois eixos. Posteriormente laborou com veículo Truck, ATEO 2429, Mercedes Bens, de placa AYL-4840”. Ainda no Processo Trabalhista n.º 0001607-82.2017.5.09.012939, o Sr. Marcos dos Santos, RG n.º (...), prestou declaração com o motorista registrado na IDEIA COR. Fl. 13984DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.413 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11634.720219/2019-15 11 Nos termos da declaração acima referida, foi afirmado que o motorista registrado na empresa IDEIA COR realiza o transporte de mercadorias para EXCELLENCE e IDEIA COR, conforme texto extraído da petição protocolada no Processo Trabalhista n.º 0001607- 82.2017.5.09.012941 em 6/8/2018. Confirmando o fato descrito acima, constatou-se que o funcionário registrado no CNPJ de IDEIA COR, Sr. Marcos dos Santos, foi o motorista do veículo com placa AYL-4880 utilizado para transporte de mercadorias adquiridas pela EXCELLENCE. Nesta situação, a empresa VETTA QUIMICA IMPORTACAO E EXPORT LTDA emitiu em 7/2/2018 a NF-e n.º 41.760 pela venda de mercadorias ao CNPJ da EXCELLENCE. Juntamente com a NFe, a empresa VETTA QUIMICA IMPORTACAO E EXPORT LTDA encaminhou os formulários de controle de saída de mercadorias, descritas como “Preservação do Produto” e “Ficha de Inspeção de Veículos de Clientes/Transportadoras”. No formulário “Preservação do Produto” constam os dados do caminhão, placa AYL-4880 e o motorista –Marcos dos Santos. No formulário “Ficha de Inspeção de Veículos de Clientes/Transportadoras” constam os dados da EXCELLENCE, do caminhão placa AYL- 4880 e o motorista – Sr.Marcos dos Santos; observou-se que neste documento consta o RG do motorista n.º 88927818, o mesmo que consta da declaração acima prestada. O mesmo caminhão com placa AYL-4880 foi utilizado para transporte de mercadorias da empresa IDEIA COR constante da NF-e n.º 169970, emitida pela empresa OSWALDO CRUZ QUIMICA IND E COM LTDA em 24/1/2017. Em 20/9/2019, por meio do Dossiê de Comunicação com o Contribuinte nº 10010.064671/0819-56, a empresa SOLOFINO INDUSTRIA E COMERCIO DE CAL E CALCARIO LTDA prestou esclarecimentos e juntou NFe comprovando a entrega de mercadorias à EXCELLENCE. Na NF-e n.º 37492, emitida em 11/3/2015, pela SOLOFINO, tem como empresa destinatária EXCELLENCE, o transporte realizado pela empresa IDEIA COR, segundo consta em “Dados do Transporte”, conforme NF-e colacionada. Além do transporte de mercadorias adquiridas da empresa VETTA QUIMICA IMPORTACAO E EXPORT LTDA, constatou-se, ainda, que o motorista Sr. Marcos dos Santos foi o responsável pelo recebimento de mercadorias constante de canhoto de entrega das NFe n.º 49961 (27/10/2016), 49962 (27/10/2016), 51494 (10/1/2017), 51495 (10/1/2017), emitidas pela empresa SOLOFINO pela venda de produtos à EXCELLENCE. Colaciona-se extrato de assinatura do Termo de Rescisão Contrato de Trabalho e os canhotos das Nfe. No decorrer do procedimento fiscal, com base na análise documental, bem como nos esclarecimentos prestados pelas empresas intimadas, ficou constatado que as empresas EXCELLENCE e IDEIA COR formam GRUPO ECONÔMICO DE FATO, conforme disposto no art. 494 da Instrução Normativa RFB 971, de 13/11/2009. No Extrato do SIMPLES NACIONAL consta que a empresa EXCELLENCE aderiu ao SIMPLES NACIONAL em 9/7/2009. Já a empresa IDEIA COR aderiu ao SIMPLES NACIONAL em 6/9/2011. Fl. 13985DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.413 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11634.720219/2019-15 12 Abaixo são apresentados os dados de Receita Bruta declarada no SIMPLES NACIONAL e Remuneração Total de trabalhadores declarados em GFIP, relativo ao período 2014 a 2017, onde constata-se que a soma da Receita Bruta de cada empresa não extrapola o limite estabelecido para opção do SIMPLES NACIONAL, contudo, quando se considera que as empresas EXCELLENCE e IDEIA COR formam GRUPO ECONÔMICO, esse limite é extrapolado para fins de permanência no SIMPLES NACIONAL. EXCELLENCE e IDEIA COR, constituídas sob a forma de EIRELI (atualmente), tem como titulares o casal Elson Vianna Neves e Laudecy Maria Rodrigues Neves, respectivamente, administradores da EXCELLENCE e da IDEIA COR. No 14º Tabelionato de Notas de Londrina, Cartório Fugiwara, consta, ainda, Procuração Pública em 4/1/2016, registrado no Livro 168-P, folhas 113/116, Protocolo 4/2016, onde a empresa IDEIA COR TINTAS EIRELI, por meio da administradora Sra Laudecy Maria Rodrigues Neves, nomeia o Sr. Elson Vianna Neves como procurador ao qual confere amplos e gerais poderes para gerir e administrar todos os bens, negócios e interesses da ora outorgante. Além disso, baseado nos fatos e documentos contidos na caracterização do GRUPO ECONÔMICO, constatou-se que a administração do grupo é exercida pelo Sr. Élson Vianna Neves, nos seguintes termos: Por tudo exposto e considerando que as empresas EXCELLENCE e IDEIA COR formam GRUPO ECONÔMICO, constatou-se que a soma da Receita Bruta ultrapassa o montante permitido no SIMPLES NACIONAL, conforme a Receita Bruta mensal extraída do PGDAS, entregue mensalmente, a seguir demonstrado. Fl. 13986DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.413 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11634.720219/2019-15 13 Logo, a exclusão deu-se a partir de 1/1/2015, conforme determinado pelos parágrafos 9º e 9º-A do artigo 3º, da Lei Complementar 123/2006. Diante de tudo o exposto, foi exarado ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO 56, de 11 de novembro de 2019, no qual declara que fica o contribuinte EXCELLENCE INDÚSTRIA DE TINTAS - EIRELI, inscrito no CNPJ sob o n.º 10.959.030/0001-83, excluído do SIMPLES NACIONAL a partir do dia 1/1/2015 (fl. 13.658). A decisão recorrida recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 01/01/2015 SIMPLES NACIONAL. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. APURAÇÃO RECEITA BRUTA GLOBAL. ADMISSIBILIDADE. Constatada a existência de grupo econômico de fato, caracterizado pela administração única e direta de duas empresas do mesmo ramo de atividade, por parte de integrantes de mesmo núcleo familiar, havendo controle societário comum e poderes de mando concentrado, é cabível a apuração da receita bruta global, para fins de análise quanto à exclusão do Simples Nacional das empresas integrantes do grupo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio O contribuinte foi intimado em 11/08/2020 (fl. 13.932 a 13.970) e apresentou recurso voluntário em 25/09/2020 (fls. 13.935 a ) sustentando, em síntese: a) necessário suspensão da exigibilidade dos débitos lançados em decorrência da exclusão do SIMPLES até o julgamento do próprio ATO de exclusão – que é tratado nesses autos (11634.720219/2019-25) e Fl. 13987DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.413 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11634.720219/2019-15 14 que o ato de exclusão deveria ser suspenso até esse julgamento final, razão pela qual requer sua nulidade; b) a exclusão de ofício do SIMPLES viola os princípios do contraditório e ampla defesa; c) nulidade da decisão recorrida por ausência de motivação; d) decadência do período de 2014; e) no mérito, sustenta a ausência de segregação entre a receita bruta interna e a receita bruta decorrente de exportação para fins de exclusão do SIMPLES; f) inexistência de formação de grupo econômico; g) improcedência do pedido de exclusão; h) caso mantida a exclusão, que ela seja válida somente a partir do fato da suposta consideração do grupo econômico, em 04/01/2016; i) que em razão da COVID-19 instaurou-se um cenário que impossibilita a exclusão da empresa do SIMPLES NACIONAL. Sem contrarrazões. É o relatório. VOTO Conselheiro Gustavo de Oliveira Machado, Redator ad hoc, nomeado para o julgamento do recurso voluntário, nos termos do § 12 do art. 110 do Anexo do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Voto da Relatora Original, Ana Claudia Borges de Oliveira. Da admissibilidade Em conformidade com o art. 6º da Portaria RFB nº 543, de 20/03/2020, com alterações efetivadas pelas Portarias RFB nº 936, de 29/05/2020, 1.087, de 30/06/2020 e 4.105, de 30/07/2020 (fl. 13.929), o recurso voluntário é tempestivo, no entanto, deve ser conhecido em parte pelos motivos abaixo expostos. Das alegações recursais 1. INOVAÇÃO RECURSAL – DA ALEGADA AUSÊNCIA DE SEGREGAÇÃO ENTRE A RECEITA BRUTA INTERNA E A RECEITA BRUTA DECORRENTE DE EXPORTAÇÃO O recorrente sustenta que, ainda que seja comprovada a formação de grupo econômico, não se extrapolou os valores previstos para fins de enquadramento no Regime do SIMPLES NACIONAL, uma vez que a receita bruta a ser considerada deve excluir as receitas que sejam decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, inclusive quando realizada por meio Fl. 13988DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.413 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11634.720219/2019-15 15 de comercial exportadora ou da sociedade de propósito específico, nos termos do § 14 do art. 3º da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Menciona, então, que “no ano de 2015 a Recorrente e a empresa Ideia Cor obtiveram como receita total o valor mencionado pela fiscalização de R$ 5.097.432,71, receita bruta esta que em tese desenquadrariam as empresas do Simples Nacional. Contudo sobre estas receitas, foram somadas a receita bruta decorrente de vendas e serviços no mercado interno, no valor de R$ 4.081.896,99 (quatro milhões, oitenta e um mil, oitocentos e noventa e seis reais e noventa e nove centavos) e as receitas decorrentes de vendas e serviços decorrentes de exportação, no valor de R$ 1.015.535,72 (um milhão, quinze mil, quinhentos e trinta e cinco reais e setenta e dois centavos). (...) Assim, caso seja comprovada a formação de grupo econômico, (o que é completamente inconcebível), ao contrário do que afirma a r. fiscalização, a receita bruta da Recorrente foi de R$ 4.081.896,99 (quatro milhões, oitenta e um mil, oitocentos e noventa e seis reais e noventa e nove centavos), não ultrapassando assim 20% do limite anual previsto. Neste contexto, o efeito de exclusão se iniciaria somente em 2016, o que poderia levar, em tese, ao desenquadramento da Recorrente do Simples Nacional e o lançamento dos créditos tributários em questão” (fls. 13.954 e 13.955). É dever da autoridade fiscal, ao exercer a fiscalização acerca do efetivo recolhimento dos tributos, investigar a devida ocorrência do fato gerador e a obrigação dali decorrente. Caso constate erros, equívocos ou omissões, deve proceder à autuação do fiscalizado, de forma clara, precisa e com base em provas, já que não é válido o lançamento que se baseia em indícios ou presunções. Nesse sentido, o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal, dispõe que a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O dispositivo acompanha o vetor axiológico desenhado pela Lei nº 9.784/99, que determina a obediência da Administração Pública, dentre outros, aos princípios da legalidade, motivação, ampla defesa e contraditório, cabendo ao processo administrativo o dever de indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinam a decisão e a observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados – arts. 2º, caput, e parágrafo único, incisos VII e VIII, e 50 da Lei nº 9.784/99. De acordo com o § 14 do artigo 3º da LC 123/2006, para fins de enquadramento como microempresa ou empresa de pequeno porte, poderão ser auferidas receitas no mercado interno até o limite previsto no inciso II do caput ou no § 2o, conforme o caso, e, adicionalmente, receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, inclusive quando realizada por meio de comercial exportadora ou da sociedade de propósito específico prevista no art. 56 desta Fl. 13989DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.413 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11634.720219/2019-15 16 Lei Complementar, desde que as receitas de exportação também não excedam os referidos limites de receita bruta anual. Art. 3º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideram-se microempresas ou empresas de pequeno porte, a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: I - no caso da microempresa, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta igual ou inferior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais); e II - no caso da empresa de pequeno porte, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais). II - no caso de empresa de pequeno porte, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 4.800.000,00 (quatro milhões e oitocentos mil reais). (Redação dada pela Lei Complementar nº 155, de 2016) Produção de efeito § 1º Considera-se receita bruta, para fins do disposto no caput deste artigo, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. § 1º Considera-se receita bruta, para fins do disposto no caput, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados, o resultado nas operações em conta alheia e as demais receitas da atividade ou objeto principal das microempresas ou das empresas de pequeno porte, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. (Redação dada pela Lei Complementar nº 214, de 2025) Produção de efeitos § 2º No caso de início de atividade no próprio ano-calendário, o limite a que se refere o caput deste artigo será proporcional ao número de meses em que a microempresa ou a empresa de pequeno porte houver exercido atividade, inclusive as frações de meses. (...) § 14. Para fins de enquadramento como microempresa ou empresa de pequeno porte, poderão ser auferidas receitas no mercado interno até o limite previsto no inciso II do caput ou no § 2o, conforme o caso, e, adicionalmente, receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, inclusive quando realizada por meio de comercial exportadora ou da sociedade de propósito específico prevista no art. 56 desta Lei Complementar, desde que as receitas de exportação Fl. 13990DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10406.htm#art966 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp155.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp155.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp155.htm#art11 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp214.htm#art516 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp214.htm#art544-2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp214.htm#art544-2 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.413 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11634.720219/2019-15 17 também não excedam os referidos limites de receita bruta anual. (Redação dada pela Lei Complementar nº 147, de 2014) Ao tratar do ônus probatório do contribuinte, o Decreto nº 70.235/72 informa que a prova documental deve ser apresentada junto à impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, salvo se: a) demonstrar a impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) referir-se a fato ou a direito superveniente; c) destinar a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos – art. 16, § 4º. No processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, dos recorrentes. Além do recorrente não ter feito a devida prova dos valores alegados como receita de exportação, trata-se de inovação recursal, uma vez que tal argumento de defesa não foi levantado em sede de manifestação de inconformidade e foi alegado apenas em recurso voluntário, sem o devido prequestionamento da matéria. Nos termos do art. 16, III, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 - PAF, a impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Necessário ao conhecimento do recurso, o requisito do prequestionamento estará preenchido se as alegações constantes do voluntário foram suscitadas na impugnação, em vista da ocorrência da preclusão processual, nos termos do art. 17 do PAF: Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. A matéria atinente à suposta necessidade de exclusão da receita decorrente da exportação aduzida no recurso voluntário, no entanto, não foi alegada na impugnação e, outrossim, não se trata de matéria de ordem pública possível de ser conhecida de ofício. A impugnação da recorrente estabeleceu os limites da lide e balizou, em função disto, a matéria devolvida para conhecimento deste Conselho. Com o manejo do recurso voluntário, a parte impugna a decisão da DRJ e provoca o reexame da causa pelo órgão administrativo de segundo grau, almejando a sua reforma total ou parcial. No sistema brasileiro – seja em âmbito administrativo ou judicial –, a finalidade do recurso é única, qual seja, devolver ao órgão de segunda instância o conhecimento das mesmas questões suscitadas e discutidas no juízo de primeiro grau. Justamente por isso é inadmissível, em grau de recurso, modificar a decisão de primeiro grau baseada em novos fundamentos que não foram objeto da defesa – e que, por óbvio, sequer foram discutidos na origem. Do cotejo analítico das razões deduzidas em primeira e em segunda instância, afigura-se evidente a inovação recursal, não merecendo, por esta razão, ser o pleito da Recorrente, nesse ponto, apreciado por este Conselho. Fl. 13991DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp147.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp147.htm#art1 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.413 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11634.720219/2019-15 18 Portanto, a matéria não pode ser conhecida, uma vez que “Questões não suscitadas em sede de Manifestação de Inconformidade constituem matérias preclusas, não podendo ser conhecidas pela instância recursal” (Acórdão nº 1002-003.736, Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção, publicado em 22/04/2025). Nesse mesmo sentido: MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. RECURSO ESCORADO EXCLUSIVAMENTE EM ALEGAÇÕES PRECLUSAS. TOTAL INOVAÇÃO DA LINHA DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, sob pena, inclusive, de supressão de instância. Estando o recurso voluntário escorado exclusivamente em matéria preclusa, carregando na integralidade de seu bojo novas razões de defesa, em evidente inovação recursal, impõe-se determinar o seu não conhecimento, por absoluta impossibilidade processual para seguimento. (Acórdão nº 1101-001.816, Relator Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção, publicado em 09/10/2025) MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação a essa parte do lançamento. (...) (Acórdão nº 1202-001.689, Relator Conselheiro Fellipe Honório Rodrigues da Costa, Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção, publicado em 26/09/2025) RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. FATO NOVO. EXIGÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. Nos termos da jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça, não é possível o exame de fato novo suscitado exclusivamente na instância especial, ante a ausência do requisito do prequestionamento. (Acórdão nº 9303-016.556, Relatora Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, publicado em 08/05/2025) Fl. 13992DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.413 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11634.720219/2019-15 19 INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. Constitui inovação recursal a alegação, deduzida na fase recursal, de fundamento jurídico não suscitado na impugnação e apreciado pela instância a quo. (Acórdão nº 2401-012.141, Relatora Conselheira Elisa Santos Coelho Sarto, Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção, publicado em 05/03/2025) Do exposto, o recurso voluntário não deve ser conhecido quanto à alegação de necessária exclusão dos valores decorrentes da receita de exportação. 2. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DOS DÉBITOS QUANDO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL – REVISÃO DE OFÍCIO/MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE PENDENTE DE JULGAMENTO O recorrente sustenta a necessidade de análise conjunto dos argumentos traçados contra o ATO de exclusão (aqui discutidos) e aqueles relacionados nos autos de infração decorrentes do ATO de exclusão (Processos nº 11634.720273/2019-52 e 11634.720274/2019-05). De fato, a análise do recurso voluntário interposto em face do ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES feita conjuntamente à análise dos recursos manejados em face dos autos de infração decorrentes da exclusão do contribuinte do regime do SIMPLES NACIONAL mantém os débitos lançados suspensos até julgamento final das lides. No caso, não há que se falar em qualquer prejuízo ou nulidade, já que o procedimento que está sendo realizado é justamente de julgamento conjunto dos três processos mencionados. Além disso, claramente confunde-se o recorrente quando menciona que só haveria tipificação de crime (exclusão do SIMPLES) após o lançamento definitivo dos tributos, uma vez que a exclusão do SIMPLES não é decorrente dos tributos lançados nos processos conexos (Processos nº 11634.720273/2019-52 e 11634.720274/2019-05), mas, sim, da constatação pela Fiscalização de existência de grupo econômico e extrapolação da receita bruta permitida para a manutenção da empresa no regime do SIMPLES NACIONAL. Nesse ponto, sem razão o recorrente. 3. DA IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DE OFÍCIO – NECESSIDADE DE AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO Fl. 13993DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.413 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11634.720219/2019-15 20 O recorrente alega que a “fiscalização excluiu de ofício a Recorrente, com efeitos retroativos, sem que lhe tivesse sido concedido prazo para a apresentação de Impugnação quanto a esta conduta”. A ampla defesa e o contraditório são princípios constitucionais, previstos no inciso LV do art. 5º da Constituição Federal e de obrigatória observância no âmbito do processo administrativo tributário e representam manifestações do princípio do devido processo legal previsto no artigo 5º da CF. O princípio do contraditório tem íntima ligação com o da igualdade das partes e se traduz de duas formas: por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência da ação e de todos os processo às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis1. De tal modo, o que está sendo feito no presente processo é justamente a análise da impugnação e do recurso voluntário apresentados pelo recorrente contra o ATO de exclusão, inexistindo qualquer cerceamento do direito de defesa. Ressalta, ainda, que a Súmula CARF nº 77, com efeitos vinculantes, assim dispõe: Súmula CARF nº 77 Aprovada pela 1ª Turma da CSRF em 10/12/2012 A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Nesse ponto, sem razão o recorrente. 4. DA NULIDADE DE DECISÃO RECORRIDA POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO O recorrente alega que a decisão recorrida é nula por ausência de motivação, uma vez que teria apenas reiterado as razões da Fiscalização Tributária, desconsiderando os argumentos levantados em sede de manifestação de inconformidade e violando o princípio da motivação. No processo administrativo fiscal, são nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa (art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal), consubstanciado no princípio do contraditório e da ampla defesa que se traduz de duas formas: por um lado, pela necessidade de se dar 1 NEDER, Marcos Vinícius; LAURENTIIS, Thais de. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. 5. ed. São Paulo: EDDA, 2025, p. 60-61. Fl. 13994DF CARF MF Original https://www.gov.br/carf/pt-br/jurisprudencia/sumulas-carf/sumulas-consolidadas-arquivos/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.413 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11634.720219/2019-15 21 conhecimento da existência dos atos do processo às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis no processo administrativo fiscal. Há violação ao direito de defesa do contribuinte quando for observada a descrição deficiente dos fatos imputáveis ao contribuinte ou quando a decisão contiver vício na motivação decorrente do não enfrentamento de todos os argumentos capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador, ou que se enquadre em uma das hipóteses do art. 489, § 1º, do Código de Processo Civil2, aplicável ao processo administrativo fiscal por força do artigo 15 do mesmo Código. A Lei n 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo federal, determina a obediência da Administração Pública ao princípio da motivação e que a decisão deve indicar, para tanto, os seus pressupostos de fato e de direito – art. 3º, caput, e inciso VII. A motivação ou fundamentação é princípio aplicável ao processo administrativo tributário e decorre dos princípios do Estado Democrático de Direito, da publicidade da ampla defesa, na medida em que é através da fundamentação que se pode avaliar a legitimidade do ato praticado, sua finalidade, viabilizando assim a defesa do administrado por ele atingido e o controle – por meio de um processo administrativo ou jurisdicional – de sua validade3. Da análise da decisão recorrida, é possível verificar que a decisão recorrida, ainda que de forma sintética, analisou os argumentos manejados pelo contribuinte em sede de manifestação de inconformidade e analisou a legitimidade do ato em análise, concluindo de forma contrária aos interesses do contribuinte, com fundamento nos aspectos fáticos expostos pela Fiscalização Tributária. Ademais, a declaração de nulidade de qualquer ato do procedimento administrativo depende da efetiva demonstração de prejuízo à defesa do contribuinte, o que, no presente caso, verifica-se não ter ocorrido, atraindo a incidência do princípio pas de nullité sans grief. Não há que se falar em nulidade por deficiência de motivação quando a decisão analisa, ainda que de forma sintética, os argumentos manejados pelo contribuinte que sejam capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador. 2 § 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: I - se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; V - se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. 3 MACHADO SEGUNDO, Hugo de Brito. Processo Tributário. 17. ed. rev.. atual. e ampl. Barueri/SP: Atlas, 2025, p. 31. Fl. 13995DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.413 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11634.720219/2019-15 22 Nesse ponto, sem razão o recorrente. 5. DA DECADÊNCIA DO PERÍODO DE 2014 O recorrente alega a decadência do período de 2014, em atenção ao artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Nesse ponto, inexiste qualquer reparo a ser feito na r. Decisão recorrida que, com precisão, apontou que “A decadência extingue apenas o direito de o Fisco, por meio do lançamento, constituir o crédito tributário. No presente processo administrativo, todavia, não se cuida da constituição ou da revisão de crédito tributário, mas sim da exclusão do contribuinte do regime do Simples Nacional. Resta, assim, inaplicável à espécie o disposto no § 4º artigo 150 do CTN”. Efetivamente esse processo só analise o ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES e sequer possui crédito tributário em litígio. 6. DA INEXISTÊNCIA DE FORMAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO O recorrente sustenta que a exclusão do Simples não deve ser mantida porque, “como amplamente demonstrado em Manifestação de Inconformidade e não apreciado pela decisão de 1º Grau, não há no âmbito do direito tributário, uma definição legal de grupo econômico, sendo necessário verificar em cada caso a existência ou não do mesmo”. Além disso, “Para a configuração de grupo econômico, é necessário ter a comprovação da vinculação comercial entre empresas pretensamente integrantes de grupo econômico com a autuada, sobretudo quanto à unidade de comando e confusão societária, patrimonial, financeira e contábil”. Assim, menciona que não havia grupo econômico e, sim, uma constituição de condomínio de fato, que seria uma associação entre empresas para custeio de despesas; que o recebimento de intimações por funcionários em comum não pode caracterizar um grupo econômico; que é comum a prática de rateio de despesas como pagamento e luz; que há uma contradição pela Fiscalização ao mencionar que o imóvel das empresas era o mesmo e dizer que eles eram duas empresas ligadas; por fim, menciona que as duas empresas tinham atividades distintas, em que pese os CNAES serem idênticos; que somente o fato de haver identidade de clientes e fornecedores não é suficiente para caracterizar o grupo econômico; que as marcas são parecidas, mas não idênticas; que no âmbito da Justiça trabalhista, é comum os empregados inserirem no polo passivo diversas empresas, as quais por muitas vezes não possuem correlação, hierarquia, ou subordinação de ambas, aos mesmos funcionários. Fl. 13996DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.413 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11634.720219/2019-15 23 Inicialmente, importa mencionar que “A constituição de múltiplas empresas que compartilham o mesmo espaço físico, exerce idêntico objeto social, utilizam em comum bens móveis e imóveis e o mesmo corpo funcional, estando sob direção, controle ou administração de um mesmo grupo de pessoas, cujos sócios mantêm vínculo de parentesco ou afinidade, com o objetivo de reduzir custos, usufruir de tributação favorecida e pulverizar receitas, caracteriza a formação de grupo econômico de fato. Uma vez configurado o grupo econômico, deve-se verificar se a soma das receitas brutas das empresas envolvidas ultrapassa o limite previsto no art. 3º, II, da Lei Complementar nº 123/2006. Excedido esse limite, resta evidenciado o exercício irregular da opção pelo Simples Nacional, impondo-se a exclusão de todas as empresas integrantes do grupo” (Acórdão nº 2001-008.036, Relatora Conselheira Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca, Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção, publicado em 24/10/2025). Tratando-se de discussão relativa ao SIMPLES, informa a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que a exclusão do regime do SIMPLES pode ocorrer mediante a comunicação da empresa que não queira mais optar pelo regime, ou de ofício4, quando a empresa incorrer em alguma das hipóteses previstas nos incisos discriminados no art. 29. O Ato Declaratório Executivo nº 56, de 11/11/2019 (fl. 13.658) excluiu a recorrente do SIMPLES NACIONAL com fundamento arts. 29, inciso I, e 30, inciso IV, da Lei Complementar nº 123/2006. Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se- á quando: I - verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, dar-se-á: I - por opção; II - obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; ou III - obrigatoriamente, quando ultrapassado, no ano-calendário de início de atividade, o limite proporcional de receita bruta de que trata o § 2o do art. 3o; IV - obrigatoriamente, quando ultrapassado, no ano-calendário, o limite de receita bruta previsto no inciso II do caput do art. 3o, quando não estiver no ano- calendário de início de atividade. 4 Art. 28. A exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das empresas optantes. Parágrafo único. As regras previstas nesta seção e o modo de sua implementação serão regulamentados pelo Comitê Gestor. Fl. 13997DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp123.htm#art3 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.413 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11634.720219/2019-15 24 Assim, “Consoante o disposto no artigo 3º da Lei Complementar nº 123, de 2006, é cabível a exclusão de ofício da pessoa jurídica do Simples Nacional pertencente a Grupo Econômico quando constatado em conjunto o excesso de receita bruta das empresas componentes do grupo” (Acórdão nº 1301-005.969, Relator Conselheiro Marcelo Jose Luz de Macedo, Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção, publicado 08/02/2022). Os grupos econômicos podem ser de direito e de fato, podendo estes se dar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns. A lei tributária não traz o conceito do que seja grupo econômico, sendo possível localizá-lo na lei trabalhista, onde o § 2º, do artigo 2º, da CLT, ao tratar da matéria, é por demais enfático ao positivar: “Art. 2º Considera-se empregador a empresa individual ou coletiva, que, assumindo os riscos de atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. [...] § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas.” Da conjugação dos dispositivos citados, é possível inferir que a caracterização de grupo econômico não pressupõe necessariamente que as empresas envolvidas tenham constituído formalmente um conglomerado econômico. Requer, em verdade, que empresas, mesmo que de fato, estejam submetidas a um comando unificado e atuem no sentido de juntar esforços visando a um ganho para todo o grupo. No caso em exame, verifica-se que há um comando unificado e que as empresas atuam de forma conjunta e com total confusão patrimonial entre elas, bem como confusão entre receitas e despesas de uma e de outra e funcionários de uma e de outra. Além disso, apesar de concordar in totum com os fundamentos da r. Decisão recorrida, importante considerar, desde já, que o recorrente esqueceu de mencionar ou contraditar o fato que: a) EXCELLENCE e IDEIA COR, constituídas sob a forma de EIRELI (atualmente), tem como titulares o casal Elson Vianna Neves e Laudecy Maria Rodrigues Neves, respectivamente, administradores da EXCELLENCE e da IDEIA COR. b) A Fiscalização Tributária visitou as empresas e constatou não haver separação entre os barracões das duas e que a sede administrativa/comercial abriga ambas as empresas – EXCELLENCE e IDEIA COR. Outro fato que ratifica o entendimento de que se trata de um Fl. 13998DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.413 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11634.720219/2019-15 25 endereço único é o recebimento, de mercadorias adquiridas pelas empresas EXCELLENCE e IDEIA COR, pelo mesmo funcionário. Por meio do TIF – Início de Diligência Fiscal, as empresas BARRICAS PARANÁ INDÚSTRIA DE EMBALAGENS LTDA e SUPREMA - COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA, foram intimadas e, em 18/9/2019, ambas protocolaram resposta por escrito, juntando cópias de canhotos de Notas Fiscais. c) As empresas EXCELLENCE e IDEIA COR utilizam o mesmo telefone e e-mail nas relações comerciais. O Sr. Elson Vianna Neves utiliza em seu “cartão de visita” o mesmo número de telefone acima transcrito 3341-1888, bem com o e-mail elson@londrescolor.com.br. Este cartão foi fornecido quando do atendimento da fiscalização federal no dia 3/4/2019, para recebimento do Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF). d) Constatou-se a confusão patrimonial entre as empresas, uma vez que despesas em nome da EXCELLENCE foram pagas por meio de conta bancária em nome da IDEIA COR. As despesas como energia elétrica, conta de água, pagamento de funcionário da EXCELLENCE foram pagos através de conta corrente da IDEIA COR. Além do pagamento de despesas, ocorreu a venda de mercadorias com a emissão de NFe em nome de EXCELLENCE e o recebimento da correspondente receita através de conta corrente da empresa IDEIA COR. As faturas de energia elétrica em nome da EXCELLENCE foram apresentadas pela IDEIA COR. Observou-se que no ano de 2015 deixaram de ser apresentadas várias faturas. Foram verificados os lançamentos feitos na conta 3.2.2.04.016 – Energia Elétrica, período 1/2/2016 a 31/12/2017, do Livro Razão, apresentado por IDEIA COR com o extrato bancário e a fatura de energia elétrica. A partir dos lançamentos no Razão foram identificados nos extratos bancários o pagamento em conta corrente da IDEIA COR (fls. 13.695/13.696). Por amostragem, faturas de energia elétrica, dos meses de 1/2016 e 8/2017, e que estão em nome da EXCELLENCE foram apresentadas e pagas pela empresa IDEIA COR, conforme extrato bancário (fls. 13.697 a 13. 698). VERIFICOU-SE, AINDA, NO LIVRO RAZÃO LANÇAMENTOS DE PAGAMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA E QUE NÃO CONSTAM NA CONTA 3.2.2.04.016 – ENERGIA ELÉTRICA, EXTRAÍDO DO LIVRO RAZÃO APRESENTADO PELA EMPRESA IDEIA COR. VISANDO OCULTAR O PAGAMENTO DE DESPESA, O LANÇAMENTO CONTÁBIL, DATADO EM 21/12/2015, FOI FEITO A DÉBITO DA CONTA “CAIXA GERAL”, QUANDO O CORRETO, SERIA O REGISTRO DO CUSTO OU DESPESA (FL. 13.699). e) Através dos dados extraídos da GFIP, constatou-se que os 50 colaboradores, citados no site, estão registrados nas empresas, sendo 39 (trinta e nove) Fl. 13999DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.413 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11634.720219/2019-15 26 empregados na IDEIA COR e 11 (onze) empregados na EXCELLENCE. O empregado Sr. Iranilson Alves de Lima, embora registrado na EXCELLENCE, os pagamentos feitos em 20/1/2015, 4/2/2015, 20/2/2015, ocorreram através de transferência bancária da conta corrente n.º (...), Banco Bradesco, pertencente a IDEIA COR, a exemplo do extrato colacionado. Conclui-se que despesas da EXCELLENCE, como no caso do pagamento de funcionário, foram pagas através de conta corrente em nome da IDEIA COR. Visando ocultar o pagamento de despesa, o lançamento contábil, acima apresentado, foi feito a débito da conta “Caixa Geral”, quando o correto, seria o registro do custo ou despesa. f) Analisando as NFe emitidas pelas empresas EXCELLENCE e IDEIA COR, período entre 2015 e 2017, foi identificado, ainda, a venda de produtos idênticos através do campo “descrição de mercadoria”. Listou-se os 50 (cinquenta) primeiros produtos, que representam cerca de 60% do faturamento total das empresas EXCELLENCE e IDEIA COR (fls. 13.687/13.688). EXCELLENCE e IDEIA COR venderam praticamente os mesmos produtos para a empresa FORMACO COMÉRCIO DE MATERIAIS DE PINTURA LTDA, CNPJ 06.948.979/0001-00 (fls. 13.688 a 13.689), consoante campo “Descrição de Mercadoria” com base nas NFe emitidas no período entre 2015 e 2017. g) Por amostragem, foram verificadas as Nfe do período de 2015 a 2017, emitidas por EXCELLENCE e IDEIA COR pela venda de produtos a IMPÉRIO DAS CORES COMÉRCIO VAREJISTA DE TINTAS LTDA-CNPJ n.º 22.674.461/0001-82, A S MELO LTDA-CNPJ n.º 09.428.963/0001-65,e DISTINTA COMÉRCIO DE MATERIAIS ELÉTRICOS E DE PINTURA LTDA-CNPJ n.º 17.133.230/0001-21. Dessa amostragem, observou-se que EXCELLENCE e IDEIA COR emitiram NFe de venda de produtos, entretanto, o recebimento destas vendas foi feito através da conta corrente n.º (...), agência (...), Banco Bradesco, pertencente à IDEIA COR. As referidas transferências bancárias constam dos extratos bancários, cujos lançamentos foram feitos na conta (...)–BRADESCO CTA (...), do Livro Razão apresentado por IDEIA COR. Constatou-se que, visando ocultar o recebimento de receita, o lançamento contábil foi feito a crédito da conta “Caixa Geral”, quando o correto seria o registro de “Receita de Vendas”. h) A IMPÉRIO DAS CORES COMÉRCIO VAREJISTA DE TINTAS LTDA efetuou transferências dos valores referente à venda de produtos, via TED, para a conta corrente n.º (...), agência (...), Banco Bradesco, pertencente à IDEIA COR, conforme se depreende dos extratos bancários. Estes pagamentos foram registrados no Razão da empresa IDEIA COR (fls. 13. 703/13.705). Fl. 14000DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.413 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11634.720219/2019-15 27 ASSIM, CONFORME INFORMADO PELA IMPÉRIO DAS CORES COMERCIO VAREJISTA DE TINTAS LTDA, A MESMA REALIZOU A COMPRA DE MERCADORIA MEDIANTE PAGAMENTO, ATRAVÉS DE TRANSFERÊNCIA BANCÁRIA, À IDEIA COR, NO ENTANTO, FICOU CONSTATADO QUE AS NFE FORAM EMITIDAS POR EXCELLENCE E IDEIA COR. i) A empresa A S MELO LTDA efetuou transferências dos valores referentes a venda de produtos, via TED/Depósito entre AGS Dinheiro, para a conta corrente n.º (...), agência (...), Banco Bradesco, pertencente à IDEIA COR, conforme se depreende dos extratos bancários. Estes pagamentos foram registrados no Razão da empresa IDEIA COR, conforme quadro anexado (fls. 13.708). Assim, conforme informado pela empresa A S MELO LTDA, a mesma realizou a compra de mercadoria mediante pagamento, através de transferência bancária, à empresa IDEIA COR, no entanto, ficou constatado que as NFe foram emitidas por EXCELLENCE e IDEIA COR. j) A DISTINTA COMÉRCIO DE MATERIAIS ELÉTRICOS E DE PINTURA LTDA, inscrita no CNPJ n.º 17.133.230/0001-2133, efetuou transferências dos valores referentes à venda de produtos, via TED/DOC CREDITO AUTOMÁTICO, para a conta corrente n.º (...), agência (...), Banco Bradesco, pertencente à IDEIA COR, conforme se depreende dos extratos bancários. Estes pagamentos foram registrados no Razão da empresa IDEIA COR, conforme quadro anexado (fls. 13.710). A DISTINTA COMÉRCIO DE MATERIAIS ELÉTRICOS E DE PINTURA LTDA adquiriu os produtos da EXCELLENCE e IDEIA COR, efetuando o pagamento por meio das transferências bancárias, consoante já citado. Observa-se que no mesmo dia, EXCELLENCE e IDEIA COR emitiram NFe, pela venda de produtos, à DISTINTA COMÉRCIO DE MATERIAIS ELÉTRICOS E DE PINTURA LTDA. Assim, a partir destes dados – NFe/Razão/Extrato Bancário – conclui-se que a venda de mercadorias foi feita mediante a emissão de NFe pelo CNPJ – EXCELLENCE e IDEIA COR – e o recebimento se deu em conta corrente do CNPJ da IDEIA COR. Nesse sentido, correto o entendimento da Fiscalização Tributária que apresentou os dados de Receita Bruta declarada no SIMPLES NACIONAL e Remuneração Total de trabalhadores declarados em GFIP, relativo ao período 2014 a 2017, e constatou que a soma da Receita Bruta de cada empresa não extrapola o limite estabelecido para opção do SIMPLES NACIONAL, contudo, quando se considera que as empresas EXCELLENCE e IDEIA COR formam GRUPO ECONÔMICO, esse limite é extrapolado para fins de permanência no SIMPLES NACIONAL. Fl. 14001DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.413 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11634.720219/2019-15 28 Por tudo exposto e considerando que as empresas EXCELLENCE e IDEIA COR formam GRUPO ECONÔMICO, constatou-se que a soma da Receita Bruta ultrapassa o montante permitido no SIMPLES NACIONAL, conforme a Receita Bruta mensal extraída do PGDAS, entregue mensalmente, a seguir demonstrado. Logo, a exclusão deu-se a partir de 1/1/2015, conforme determinado pelos parágrafos 9º e 9º-A do artigo 3º, da Lei Complementar 123/2006. Portanto, deve ser mantido o ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO 56, de 11 de novembro de 2019, que excluiu o contribuinte EXCELLENCE INDÚSTRIA DE TINTAS - EIRELI, inscrito no CNPJ sob o n.º 10.959.030/0001-83, do SIMPLES NACIONAL a partir do dia 1/1/2015 (fl. 13.658). Nesse mesmo sentido: EXCESSO DE RECEITA BRUTA GLOBAL. EXCLUSÃO. Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado do Simples Nacional, incluído o regime de que trata o art. 12 da Lei Complementar 123, de 2006, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de R$ 3.600.000,00. Fl. 14002DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.413 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11634.720219/2019-15 29 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. DESPESAS SUPERIORES EM 20% AO INGRESSO DE RECURSOS. Dar-se-á exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional, quando for constatado que durante o ano-calendário o valor das despesas pagas supera em 20% (vinte por cento) o valor de ingressos de recursos no mesmo período, excluído o ano de início de atividade EXCLUSÃO DE OFÍCIO. FALTA DE COMUNICAÇÃO DE EXCLUSÃO OBRIGATÓRIA. Verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória deverá ser excluída de ofício a empresa optante pelo Simples Nacional. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. SOLIDARIEDADE. ART. 124 DO CTN. Caracterizada a formação de grupo econômico de fato, com provas substanciais nos autos do processo administrativo fiscal, decorre a solidariedade quanto à obrigação tributária, conforme previsão expressa no artigo 124 do CTN. (Acórdão nº 1101-001.928, Relator Conselheiro Edmilson Borges Gomes, Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção, publicado em 09/12/2025) EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL Ainda que se trate de conceito jurídico indeterminado, Grupo Econômico pode ser entendido como um conjunto de sociedades empresárias que atuam em sincronia, com a finalidade de buscar melhores resultados (maior eficiência) em suas atividades, sendo prescindível a existência de relação de dominação de uma empresa do grupo em relação às demais. Caracteriza-se a existência de grupo econômico, de fato, restando evidenciada, pelo conjunto probatório, a atuação conjunta e coordenada das empresas envolvidas. RECEITA BRUTA SUPERIOR EM 20% AO LIMITE LEGAL. EFEITOS. MÊS SUBSEQUENTE. A exclusão de ofício na hipótese do inciso VI do caput do art. 30 LC nº 123/06, se dá a partir do mês subsequente à ultrapassagem em mais de 20 % do limite de receita previsto no inciso II do art. 3º, da referida lei. (Acórdão nº 1001-002.999, Relator Conselheiro José Roberto Adelino da Silva, Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção, publicado em 28/07/2023) ATO DE EXCLUSÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. ATENDIMENTO AOS REQUISITOS. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72. Assim, a Representação para Fins de Exclusão do Simples Nacional e Fl. 14003DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.413 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11634.720219/2019-15 30 o Ato Declaratório foram devidamente fundamentados nos termos incisos III, IV e V do parágrafo 4º do art. 3ºda LC nº 123/2006 e inciso V, do art. 29 c/c com inciso II do § 9º do mesmo art. 29 do mesmo diploma legal. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. A existência de grupo econômico de fato entre empresas, formado por empresas que objetivam repartir o seu faturamento, pulverizando receitas para usufruir de benefícios, mas que atuam como empreendimento único, autoriza o somatório das receitas brutas das empresas para fins de verificação do limite anual para o enquadramento - Simples Nacional. PRÁTICA REITERADA. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. A prática reiterada de infração à legislação tributária, caracterizada pela omissão de receitas e o excesso de receita bruta são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional. EFEITOS DA EXCLUSÃO. SIMPLES NACIONAL. Os efeitos da exclusão dar-se-ão a partir do dia 01-01-2012 impedindo a opção pelos próximos 10 anos-calendários seguintes, conforme previsto nos parágrafos 1º e 2º do art. 29, da LC nº 123/2006 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. Não poderá recolher os tributos na forma do Simples Nacional a empresa de pequeno porte de cujo capital participe pessoa física que seja sócia de outra empresa que receba tratamento jurídico diferenciado nos termos da LC nº 123/2006, desde que a receita bruta global auferida ultrapasse o limite máximo, previsto na legislação de regência para enquadramento no referido regime de tributação simplificado. (Acórdão nº 1003-002.697, Relatora Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção, publicado em 04/11/2021) Nesse sentido, tem razão a decisão recorrida ao manter o ADE, uma vez que a Fiscalização Tributária fez a devida comprovação que se tratava de uma única empresa, com dois CNPJ, cuja administração é exercida pelo Sr. Elson Vianna Neves, caracterizando efetivamente a existência de um grupo econômico de fato em face da unicidade de comando entre as empresas e a confusão patrimonial existente entre elas. Portanto, sem razão o recorrente. 7. DO PEDIDO SUCESSIVO – INÍCIO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES De acordo com o recorrente, caso mantida a exclusão ela só poderia valer a partir de 04/01/2016, data da procuração da Empresa Ideia Cor para Elson Vianna Neves. Fl. 14004DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.413 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11634.720219/2019-15 31 Como exaustivamente mencionado, a exclusão do regime do SIMPLES não ocorreu em razão de uma procuração, mas por diversos fatos que foram comprovados pela Fiscalização Tributário e tratados no tópico superior e que vieram a caracterizar o grupo econômico e extrapolou o limite da receita bruta permitida. Assim, deve ser mantida a decisão recorrida ao mencionar que “Cumpre informar que a situação impeditiva ocorreu em dezembro de 2014, mês que a receita bruta das empresas do grupo suplantou o limite máximo permitido, sem que houvesse a comunicação da exclusão a que empresas estavam obrigadas.” Por fim, quanto à menção à pandemia do COVID-19, certamente, equivocou-se o recorrente, pois a Portaria nº 543/2020, e as que vieram na sequência, tão somente tratam da suspensão dos prazos; suspensão essa que não se opera mais. Portanto, sem razão o recorrente. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário para não apreciar a alegação recursal sobre a ausência de segregação entre a receita bruta interna e a receita bruta decorrente de exportação e, na parte conhecida, por negar provimento ao recurso voluntário. Nesta oportunidade é nomeado o Conselheiro Gustavo de Oliveira Machado como redator ad hoc para o julgamento do recurso voluntário, nos termos do § 12 do art. 110 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023, dado que a Conselheira Ana Claudia Borges de Oliveira, relatora original, não mais integra o colegiado. O Conselheiro Reginaldo Cezar Cardoso se declarou impedido. Assinado Digitalmente Gustavo de Oliveira Machado – Redator ad hoc (Voto de Ana Cláudia Borges de Oliveira) Fl. 14005DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 13830.720046/2018-55
Turma: Quarta Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 09 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Oct 07 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2013, 2014, 2015, 2016
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Descabida a arguição de cerceamento do direito de defesa de sócios a quem foi atribuída a responsabilidade solidária. A oportunidade de defesa se iniciou com a ciência do lançamento e do Termo de sujeição passiva solidária, tendo a empresa autuada e os responsáveis solidários o prazo de 30 dias para interposição da impugnação.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2013, 2014, 2015, 2016
ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS.
É cabível o arbitramento do lucro se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, deixar de exibir a escrituração que a ampararia na tributação com base no lucro real.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013, 2014, 2015, 2016
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Ainda que presentes evidências que pudessem demonstrar a intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, por parte da autoridade fazendária, deve ser afastada a qualificação da penalidade se a autoridade lançadora não expõe motivação para aplicá-la.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ARTIGO 124, I DO CTN. SÓCIO DE FATO. INTERPOSTAS PESSOAS NO QUADRO SOCIAL DO CONTRIBUINTE.
Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas que têm interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, aqui evidenciado por sua substituição no quadro social por interpostas pessoas, mantendo-se como sócios de fato, sem a proteção que a lei confere ao patrimônio pessoal daqueles que regularmente compõem uma sociedade.
LANÇAMENTOS REFLEXOS (CSLL, PIS, COFINS)
A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, implicam obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados.
Numero da decisão: 1004-000.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, dar provimento parcial aos Recursos Voluntários para reduzir a multa de ofício para 75%.
Assinado Digitalmente
Edeli Pereira Bessa - Relatora
Assinado Digitalmente
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Jandir José Dalle Lucca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2013, 2014, 2015, 2016 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Descabida a arguição de cerceamento do direito de defesa de sócios a quem foi atribuída a responsabilidade solidária. A oportunidade de defesa se iniciou com a ciência do lançamento e do Termo de sujeição passiva solidária, tendo a empresa autuada e os responsáveis solidários o prazo de 30 dias para interposição da impugnação. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2013, 2014, 2015, 2016 ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. É cabível o arbitramento do lucro se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, deixar de exibir a escrituração que a ampararia na tributação com base no lucro real. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013, 2014, 2015, 2016 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Ainda que presentes evidências que pudessem demonstrar a intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, por parte da autoridade fazendária, deve ser afastada a qualificação da penalidade se a autoridade lançadora não expõe motivação para aplicá-la. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ARTIGO 124, I DO CTN. SÓCIO DE FATO. INTERPOSTAS PESSOAS NO QUADRO SOCIAL DO CONTRIBUINTE. Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas que têm interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, aqui evidenciado por sua substituição no quadro social por interpostas pessoas, mantendo-se como sócios de fato, sem a proteção que a lei confere ao patrimônio pessoal daqueles que regularmente compõem uma sociedade. LANÇAMENTOS REFLEXOS (CSLL, PIS, COFINS) A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, implicam obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Descabida a arguição de cerceamento do direito de defesa de sócios a quem foi atribuída a responsabilidade solidária. A oportunidade de defesa se iniciou com a ciência do lançamento e do Termo de sujeição passiva solidária, tendo a empresa autuada e os responsáveis solidários o prazo de 30 dias para interposição da impugnação. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2013, 2014, 2015, 2016 ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. É cabível o arbitramento do lucro se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, deixar de exibir a escrituração que a ampararia na tributação com base no lucro real. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013, 2014, 2015, 2016 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Ainda que presentes evidências que pudessem demonstrar a intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, por parte da autoridade fazendária, deve ser afastada a qualificação da penalidade se a autoridade lançadora não expõe motivação para aplicá-la. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 2. Fl. 2547DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ARTIGO 124, I DO CTN. SÓCIO DE FATO. INTERPOSTAS PESSOAS NO QUADRO SOCIAL DO CONTRIBUINTE. Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas que têm interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, aqui evidenciado por sua substituição no quadro social por interpostas pessoas, mantendo-se como sócios de fato, sem a proteção que a lei confere ao patrimônio pessoal daqueles que regularmente compõem uma sociedade. LANÇAMENTOS REFLEXOS (CSLL, PIS, COFINS) A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, implicam obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, dar provimento parcial aos Recursos Voluntários para reduzir a multa de ofício para 75%. Assinado Digitalmente Edeli Pereira Bessa - Relatora Assinado Digitalmente Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Jandir José Dalle Lucca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Fl. 2548DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 3 RELATÓRIO JOSÉ ABELARDO GUIMARÃES CAMARINHA e VINÍCIUS ALMEIDA CAMARINHA, responsáveis tributários indicados no lançamento formalizado contra RÁDIO DIRCEU DE MARÍLIA LTDA (Contribuinte), já qualificados nos autos, recorrem de decisão proferida pela 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTES as impugnações interpostas contra lançamento formalizado em 19/01/2016, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 351.187,27. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata-se de autos de infração à legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, do PIS e da COFINS, lavrados em 19/01/2016, contra a contribuinte em epígrafe, em decorrência do procedimento de fiscalização autorizado pelo TDPF-D nº 0811800-2017-00845, relativos a fatos geradores ocorridos no período de 01/01/2013 a 31/12/2016, no arbitramento do Lucro, tendo em conta que a contribuinte, apesar de devidamente intimada a apresentar seus livros e documentos contábeis e fiscais, não o fez. Conforme TERMO DE CIÊNCIA DE LANÇAMENTOS E ENCERRAMENTO TOTAL DO PROCEDIMENTO FISCAL, foram apuradas infrações cujos créditos tributários autuados perfazem o montante de R$ 352.187,27, no qual se encontra incluída a multa de ofício qualificada e os juros de mora calculados até a lavratura dos autos. Do auto de infração lavrado em relação ao IRPJ apurado, consta a seguinte infração: Razão do arbitramento no(s) período(s): 03/2013, 06/2013, 09/2013, 12/2013, 03/2014, 06/2014, 09/2014, 12/2014, 03/2015, 06/2015, 09/2015, 12/2015, 03/2016, 06/2016, 09/2016 e 12/2016 Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte, sujeito a tributação com base no Lucro Real, não possui escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos a partir de Fatos geradores ocorridos a partir de 01/04/1999: Art. 530, inciso I, do RIR/99. RECEITAS DA ATIVIDADE INFRAÇÃO: RECEITA BRUTA NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL Valores apurados conforme “Relatório Fiscal do Período de 01/01/2013 a 31/12/2016” anexo ao presente auto de infração [...] Fl. 2549DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 4 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre Entre 01/01/2013 e 31/12/2016: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Artigos 527, 530 inciso III e, 532 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). Em seu Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal fez consignar o que adiante sintetizado. Tratam-se dos procedimentos fiscais, referentes ao período de janeiro/2013 a dezembro/2016), nas empresas abaixo relacionadas: · EDITORA DIÁRIO — CORREIO DE MARÍLIA LTDA. CNPJ 08.843.828/0001- 13, sob o TDPF (Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal) n° 08.1.18.00-2017- 00842- 1; · RADIO DIRCEU DE MARÍLIA LTDA. CNPJ 52.047.289/0001-06, sob o TDPF (Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal) n° 08.1.18.00-2017-00845-6; · RADIO DIÁRIO FM DE MARÍLIA LTDA. CNPJ 54.418.066/0001-25, sob o TDPF (Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal) n° 08.1.18.00-2017-00844-8; · CMN — CENTRAL MARÍLIA NOTÍCIAS LTDA. CNPJ 66.951.757/0001-79, sob o TDPF (Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal) n° 08.1.18.00-2017- 00843-0. DOS FATOS Os procedimentos iniciaram-se por solicitação do Ministério Público Federal, através do Oficio n° 1852/2017, de 06/07/2017. Juntamente ao referido ofício, foram encaminhados à fiscalização os elementos de prova que fazem parte do inquérito policial 0018677-68.2014.4.03.0000/SP. Preliminarmente à abertura da fiscalização foi efetuada diligência para verificação da existência de créditos tributários a serem lançados de oficio(EDITORA DIARIO - CORREIO DE MARILIA LTDA. CNPJ 08.843.828/0001-13 TDPF-D 0811800- 2017- 00714-0; CMN - CENTRAL MARILIA NOTICIAS LTDA. CNPJ 66.951.757/0001-79 TDPF-D 0811800-2017-00715-8; RADIO DIARIO FM DE MARILIA LTDA. CNPJ 54.418.066/0001-25 TDPF-D 0811800-2017-00716-6; RADIO DIRCEU DE MARILIA LTDA. CNPJ 52.047.289/0001-06 TDPF-D 0811800-2017-00717-4), na qual foi ouvido o contador responsável pelo período fiscalizado (jan/2013 a dez/2016), VALMIR JOSE DE SOUZA, CPF 001.967.338-80, CRC 1SP197407/0-4, cujas declarações foram reduzidas a termo. O contador informou que não foram elaboradas escriturações contábeis que determinem o lucro real das diligenciadas. Não foi efetuado opção pela tributação pelo lucro presumido, portanto, foi aplicada pela fiscalização a tributação pelo lucro arbitrado, nos termos do Artigo 530 do Decreto n° 3.000/99, conforme constou no Relatório de Diligência. Todas as fiscalizadas já foram objeto de fiscalização quanto ao período de janeiro/2009 a dezembro/2012, onde a fiscalização constatou serem reais proprietários das empresas fiscalizadas, a partir de 21/12/2011, JOSÉ ABELARDO GUIMARÃES CAMARINHA, CPF 382.337.548-20, e VINICIUS ALMEIDA CAMARINHA, CPF 285.367.778-85, conforme RELATÓRIO FISCAL DO PERÍODO DE 21/12/2011 A 31/12/2012 e provas que fazem parte dos processos Fl. 2550DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 5 13830.721788/2014-74 (EDITORA DIARIO - CORREIO DE MARILIA LTDA., CNPJ 08.843.828/0001-13), 13830.721792/2014-32 (CMN -CENTRAL MARILIA NOTICIAS LTDA., CNPJ 66.951.757/0001-79), 13830.721785/2014-31 (RADIO DIARIO FM DE MARILIA LTDA., CNPJ 54.418.066/0001-25) e 13830.721790/2014-43 (RADIO DIRCEU DE MARILIA LTDA., CNPJ 52.047.289/0001-06). O RELATÓRIO FISCAL DO PERÍODO DE 21/12/2011 A 31/12/2012 segue anexo ao presente RELATÓRIO FISCAL DO PERÍODO DE 01/01/2013 A 31/12/2016 (do presente procedimento fiscal). Os elementos que ampararam o RELATÓRIO FISCAL DO PERÍODO DE 21/12/2011 A 31/12/2012 foram anexados aos processos: 13830.720040/2018-88 e 13830.720041/2018-22 (EDITORA DIARIO - CORREIO DE MARILIA LTDA., CNPJ 08.843.828/0001-13); 13830.720042/2018-77 e 13830.720043/2018-11(CMN - CENTRAL MARILIA NOTICIAS LTDA., CNPJ 66.951.757/0001-79); 13830.720044/2018-66 e 13830.720045/2018-19 (RADIO DIARIO FM DE MARILIA LTDA., CNPJ 54.418.066/0001- 25); e 13830.720046/2018-55 e 13830.720047/2018-08 (RADIO DIRCEU DE MARILIA LTDA., CNPJ 52.047.289/0001- 06), todos referentes ao presente procedimento fiscal. A fiscalização recebeu juntamente com o Ofício n° 1852/2017 provas não alcançadas pelos procedimentos fiscais anteriores citados, conforme RELATÓRIO FISCAL DO PERÍODO DE 21/12/2011 A 31/12/2012, quanto à real propriedade das empresas por JOSÉ ABELARDO GUIMARÃES CAMARINHA, CPF 382.337.548-20 e VINICIUS ALMEIDA CAMARINHA, CPF 285.367.778-85, sendo as principais: a) Transcrição do depoimento de colaboração de SANDRA MARA NORBIATO, CPF 082.638.758-62, confessando ser interposta pessoa dos reais proprietários, amparada em documentos (extratos bancários) comprovando que recebia salário para prestar o papel de sócia fictícia e detalha como foi contratada por seu ex- marido ANTONIO CELSO DOS SANTOS, CPF 961.031.918-15 e sua função fictícia nas empresas. Conforme RELATÓRIO FISCAL DO PERÍODO DE 21/12/2011 A 31/12/2012, ouvida SANDRA MARA NORBIATO, a fiscalização conclui que ela era sócia fictícia (apesar de seu empenho em demonstrar que não era, conforme declarações reduzidas a termo) devido as divergências e lapsos relacionados pela fiscalização no relatório. b) Depoimento de intenção de colaboração de ANTONIO CELSO DOS SANTOS, CPF 961.031.918-15, na qual relata detalhes de sua responsabilidade ativa na contratação de sua ex-esposa SANDRA MARA NORBIATO, CPF 082.638.758-62. e seu irmão MARCEL AUGUSTO CERTAIN, CPF 147.974.938-95, como sócios fictícios das empresas, a serviço dos reais proprietários JOSÉ ABELARDO GUIMARÃES CAMARINHA, CPF 382.337.548-20 e VINICIUS ALMEIDA CAMARINHA, CPF 285.367.778-85. Conforme RELATÓRIO FISCAL DO PERÍODO DE 21/12/2011 A 31/12/2012, ouvido ANTONIO CELSO DOS SANTOS (declarações reduzidas a termo) este tentou figurar como mero ex-marido que ajudou sua ex-esposa SANDRA MARA NORBIATO a verificar a situação financeira e tributária das empresas(fiscalizadas) que havia adquirido, papel este também desqualificado pela fiscalização conforme evidências baseadas em divergências e lapsos relacionados pela fiscalização no relatório. Fl. 2551DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 6 c) Depoimento de MARIA PAULA PRUDENTE DE MORAES ALMEIDA BERTOGNA, CPF 190.977.548-79, ex-esposa JOSÉ ABELARDO GUIMARÃES CAMARINHA, CPF 382.337.548-20 e mãe de VINICIUS ALMEIDA CAMARINHA, CPF 285.367.778-85, na qual declara: - que no dia 22/12/2011 (transcrito errado “22/11/2011”) sacou R$ 350.000,00 da conta da empresa CPROS EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. no BANCO SANTANDER e “correu” para o BANCO BRADESCO para entregar o dinheiro para JOSÉ DE SOUZA JUNIOR (pessoa indicada pelo sócio fictício MARCEL AUGUSTO CERTAIN como sendo o contratante de seu irmão ANTONIO CELSO DOS SANTOS para contratá-lo como sócio fictício juntamente com a outra sócia fictícia SANDRA MARA NORBIATO) . Declara que não questionou o destino do dinheiro; - que não se recorda de pessoalmente fazer o saque de R$ 109.900,00 na sua conta pessoal 15865 na agência 3316 do BANCO BRADESCO-PRIME em Marília/SP, no dia 23/12/2011 (transcrito errado “23/11/2011”) porém declarou “que era comum assinar os cheques, dar os cartões para outras pessoas, que também não ficava com os cartões do BRADESCO”. Declarou não saber informar o destino do dinheiro. Conforme RELATÓRIO FISCAL DO PERÍODO DE 21/12/2011 A 31/12/2012, a fiscalização alcançou somente a operação efetuada em 23/12/2011 no BANCO BRADESCO AGÊNCIA PRIME em Marília/SP, visto que buscou apenas informações bancárias efetuadas no dia 23/12/2011 por pessoas ligadas aos reais proprietários, conforme informações do denunciante, conforme constou nº referido relatório. No dia 21/12/2011 houve a troca do quadro societário das fiscalizadas (houve a entrada dos sócios fictícios nas empresas fiscalizadas) e foi denunciado à fiscalização que houve operação bancária nas agências bancárias citadas, no dia 23/12/2011, para quitação de débitos tributários e pagamento dos antigos proprietários com recursos provenientes dos reais proprietários. d) Diversas correspondências eletrônicas (e-mail) trocadas entre a sócia fictícia SANDRA MARA NORBIATO, CPF 082.638.758-62 e: ANTONIO CELSO DOS SANTOS, CPF 961.031.918-15; MARCEL AUGUSTO CERTAIN, CPF 147.974.938-95 e JOSE DE SOUZA JUNIOR, CPF 202.708.908-07, tratando de assuntos relacionados com sua função fictícia na empresa (informa notificações recebidas, cobra salário atrasado e tenta intermediar contato com o outro sócio fictício MARCEL AUGUSTO CERTAIN com seu ex-marido ANTONIO CELSO DOS SANTOS). Conforme RELATÓRIO FISCAL DO PERÍODO DE 21/12/2011 A 31/12/2012, os envolvidos na troca de correspondências eletrônicas, ouvidos e suas declarações tomadas a termo (exceto MARCEL AUGUSTO CERTAIN, que não foi procurado por ter paradeiro desconhecido), todos tentaram demonstrar que tinham apenas um relacionamento profissional técnico breve somente nº momento da aquisição das empresas (não nos aspectos administrativos), alegação também desqualificada pela fiscalização devido a divergências e lapsos relacionados pela fiscalização no relatório. e) Cópias de demandas na Justiça do Trabalho, na qual ex-empregados atribuem responsabilidade solidária a JOSÉ ABELARDO GUIMARÃES CAMARINHA, CPF 382.337.548-20, anexando cópias de mensagens eletrônicas com pessoa ligada a ele (CARLOS UMBERTO GARROSSINO, CPF 601.465.598-00) tratando de assuntos (veiculação de notícias) de interesse dele. Fl. 2552DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 7 Conforme RELATÓRIO FISCAL DO PERÍODO DE 21/12/2011 A 31/12/2012, uma das evidências que os reais proprietários das empresas são JOSÉ ABELARDO GUIMARÃES CAMARINHA, CPF 382.337.548-20 e VINICIUS ALMEIDA CAMARINHA, CPF 285.367.778-85 era a presença constante de CARLOS UMBERTO GARROSSINO (pessoa notoriamente ligado a eles) nas empresas, conforme relacionado no referido relatório. Foi lavrado Termo de Início do Procedimento Fiscal para cada uma das empresas fiscalizadas, referentes ao período de janeiro/2013 a dezembro/2016, contendo os valores dos créditos tributários a serem lançados de oficio (caso nada fosse apresentado) valores estes calculados sobre as bases de cálculo informadas na Escrituração Fiscal Digital do PIS/PASEP e da COFINS – EFD-Contribuições comparados com as informações constantes nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, todas apresentadas pelas empresas fiscalizadas. A ciência do Termo de Início do Procedimento Fiscal para cada uma das fiscalizadas deu-se via edital, no dia 07/11/2017, pelo motivo do estabelecimento delas (todas no endereço Rua Cel Galdino de Almeida, 55, Centro - Marília/SP), estar fechado por determinação judicial e ausência de responsável legal (§ 1° do artigo 23 do Decreto n° 70.235/72). Foi encaminhado o Termo de Início do Procedimento Fiscal de cada uma das fiscalizadas aos reais proprietários JOSÉ ABELARDO GUIMARÃES CAMARINHA e VINICIUS ALMEIDA CAMARINHA, para eventual manifestação, pois ambos foram responsabilizados solidariamente (nos termos do artigo 124, inciso I, da Lei n° 5.172/66) pelos créditos constituídos pelo presente procedimento fiscal. A fiscalização já havia constatado serem eles reais proprietários e lhes atribuído responsabilidade solidária, conforme documentos e provas constantes nos processos fiscais do procedimento anterior, conforme já citado. Os documentos e provas encaminhadas pelo Ministério Público Federal reforçaram de maneira inequívoca a conclusão da fiscalização. Vencido o prazo do Termo de Início do Procedimento Fiscal, houve manifestação dos reais proprietários JOSÉ ABELARDO GUIMARÃES CAMARINHA e VINICIUS ALMEIDA CAMARINHA, que responderam em conjunto. Em síntese informam que tramitam ações judiciais perante o TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL sob os números 0018677-68.2014.4.03.000 e 0001219-33.2017.4.03.000 que buscam justamente além de outras situações desvendar eventual propriedade das fiscalizadas, o que os requerentes negam peremptoriamente. Solicitam que os procedimentos fiscais sejam suspensos até o deslinde das referidas ações judiciais, pois qualquer definição no âmbito administrativo poderá colidir com a judicial. Informam que deixam de juntar qualquer documento solicitado. Os procedimentos fiscais não serão suspensos conforme solicitado, afinal o conjunto de provas, já coletado no procedimento fiscal anterior, combinado com as provas encaminhadas pelo Ministério Público Federal, não deixam dúvidas de que os requerentes são os reais proprietários. Ainda, numa possibilidade remota de serem apurados judicialmente outros proprietários como vislumbram os requerentes, a responsabilidade tributária solidária e as demais pendências judiciais podem ser redirecionados a eles também em sede de execução fiscal, a ser peticionada pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Fl. 2553DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 8 Não houve mais nenhuma manifestação quanto ao Termo de Início do Procedimento Fiscal das quatro empresas fiscalizadas. Na Junta Comercial do Estado de São Paulo foi verificado (Ficha Cadastral Completa) que MARCEL AUGUSTO CERTAIN retirou-se do quadro societário da EDITORA DIARIO-CORREIO DE MARILIA LTDA. CNPJ 08.843.828/0001-13 em 02/04/2013 e da CMN-CENTRAL MARILIA E NOTICIAS LTDA. CNPJ 66.951.757/0001- 79 em 15/05/2014, repassando suas quotas para SANDRA MARA NORBIATO, tornando-se ambas sociedades unipessoais. Quanto a RADIO DIARIO FM DE MARILIA LTDA., CNPJ 54.418.066/0001-25 e RADIO DIRCEU DE MARILIA LTDA., CNPJ 52.047.289/0001-06, não consta na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Ficha Cadastral Completa) nem a entrada de SANDRA MARA NORBIATO e MARCEL AUGUSTO CERTAIN na sociedade. Porém a fiscalização no procedimento fiscal anterior arrecadou cópias do contrato social com a inclusão de ambos no quadro societário. Não foram localizados documentos de alteração contratual da saída de MARCEL AUGUSTO CERTAIN dessas duas empresas. DO LANÇAMENTO E SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Foram lançados de ofício pela fiscalização os tributos e multas por descumprimento de obrigações acessórias, do período de 01/01/2013 a 31/12/2016, relacionados nos Anexos I (EDITORA DIARIO — CORREIO DE MARÍLIA LTDA., CNPJ 08.843.828/0001-13), II (RADIO DIRCEU DE MARÍLIA LTDA., CNPJ 52.047.289/0001- 06), III (RADIO DIÁRIO FM DE MARÍLIA LTDA., CNPJ 54.418.066/0001-25) e IV (CMN— CENTRAL MARÍLIA NOTÍCIAS LTDA., CNPJ 66.951.757/0001-79). Atribuímos sujeição passiva solidária aos reais proprietários JOSÉ ABELARDO GUIMARÃES CAMARINHA e VINICIUS ALMEIDA CAMARINHA nos termos do Artigo 124, Inciso I, da Lei 5.172/1966 (Código Tributário Nacional), conforme o apurado pela fiscalização e provas encaminhadas pelo Ministério Público Federal, através do Ofício n° 1852/2017, de 06/07/2017, conforme anteriormente citado. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais nos termos da Portaria RFB n° 2.439/2010, objeto do processo n° 13830.720048/2018-44, pois a interposição fraudulenta de pessoas no quadro societário das fiscalizadas, em tese, configuram crime contra a ordem tributária definido pelo artigo 1°, incisos I e II, da Lei n° 8.137/90. DO ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS PARA GARANTIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Será procedida o arrolamento de bens e direitos para garantia do crédito tributário da fiscalizada EDITORA DIÁRIO - CORREIO DE MARILIA LTDA. CNPJ 08.843.828/0001-13, conforme Instrução Normativa RFB n° 1565/2015. Serão arrolados os bens e direitos em nome da fiscalizada EDITORA DIARIO -CORREIO DE MARILIA LTDA. (processo n° 13830.720068/2018-15) e dos responsáveis solidários JOSÉ ABELARDO GUIMARÃES CAMARINHA (processo n° 13830.720069/2018-60) e VINICIUS ALMEIDA CAMARINHA (processo n° 13830.720071/2018-39), após identificados os bens. A fiscalizada EDITORA DIARIO - CORREIO DE MARILIA LTDA. foi intimada a apresentar a relação de bens e direitos no Termo de Início do Procedimento Fiscal, porém nada apresentou. Fl. 2554DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 9 Cientificados os sujeitos passivos (a contribuinte por edital afixado em 22/01/2018 e desafixado em 07/02/2018; o senhor José Abelardo Guimarães Camarinha em 02/02/2018 por meio de AR; e o senhor Vinícius Almeida Camarinha em 31/01/2018 também por AR) foram apresentadas as impugnações dos responsáveis solidários em 01/03/2018, por seus advogados e bastante procuradores. Em relação à contribuinte, fora lavrado termo de revelia em 09/03/2018, tendo em vista ter ela permanecido silente. Pela coincidência de argumentos trazidos pelos responsáveis solidários, o teor de suas impugnações será relatado conjuntamente. Após breve resumo dos fatos, os defendentes opõem-se à responsabilização solidária com base no artigo 124, inciso I do CTN, primeiramente porque não seriam os proprietários das empresas citadas. Em segundo lugar, por entenderem não haver previsão de responsabilidade solidária no referido artigo, pois a responsabilidade estaria atrelada ao fato gerador da obrigação em sua forma original e natural, e não à modificação da sujeição passiva decorrente de atos ilícitos. Assim, a responsabilidade solidária compreenderia uma forma extensiva da sujeição passiva, enquanto a responsabilidade tributária, prevista a partir do artigo 128 do CTN, seria uma forma de inclusão de terceiro a compor o consequente da obrigação tributária. Entendem, portanto, impossível revestirem-se da condição de sujeitos passivos da obrigação, posto que o IRPJ e demais tributos lançados são devidos pela pessoa jurídica, que não se confunde com as pessoas físicas. Defendem que tributos cujo contribuinte seria uma pessoa jurídica não poderiam ter como sujeito passivo pessoas físicas. Argúem a nulidade dos autos pela falta de intimação aos sujeitos passivos solidários como responsáveis, argumentando que somente teriam sido intimados como representantes da empresa, que se encontra lacrada por decisão judicial. Alegam que não lhes teria sido concedida oportunidade para apresentarem as documentações necessárias. Defendem que a empresa possuía escrituração regular, somente não tendo sido disponibilizada porque inacessível. Entendem que deveria ter sido dado tempo razoável para a apresentação dos documentos, mas que a solicitação para fazê-lo ocorreu juntamente com o TIPF, apesar de que o correto seria anteceder ao início do procedimento, por ser medida prévia. Segundo os responsáveis, a autoridade fiscal já teria plena convicção de que não seriam atendidas suas solicitações e teria ignorado o fato de que os documentos encontravam-se lacrados pela justiça. Questionam a aplicação da multa qualificada, afirmando que a empresa não teria se esquivado de apresentar suas declarações, uma vez que o próprio arbitramento teve por base sua EFD - Contribuições e DCTF. Aduzem que não Fl. 2555DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 10 haveria qualquer justificativa pontual para a majoração, não sendo possível, portanto, como configurar dolo ou intuito de sonegar. Explicam que a fraude somente restaria configurada quando os lançamentos contábeis e fiscais da contribuinte estivessem eivados de vícios deliberadamente por ela postos. Fatos esses que deveriam ser provados, não se baseando exclusivamente em meros indícios, como entendem ter feito a fiscalização. Por fim, contrapõem-se à multa com efeito de confisco. (destaques do original) A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2016 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE. O subterfúgio jurídico - utilização de terceiros como sócios de direito - nº intuito de fuga às responsabilidades societárias de sócios de fato, evidencia vontade, juridicamente oculta, e interesse direto nas atividades da pessoa jurídica. (124, I, do CTN). MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A omissão reiterada de receitas ao Fisco federal em valores significativos, juntamente à interposição de terceiras pessoas no contrato social como sócias da autuada, demonstram a intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, por parte da autoridade fazendária, o que impõe a exigência da multa de 150%. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. LANÇAMENTOS REFLEXOS (CSLL, PIS, COFINS) A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, implicam obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Cientificada da decisão de primeira instância em 17 e 20/08/2018 (e-fl. 2465/2466), os responsáveis tributários apresentaram recursos voluntários idênticos, tempestivamente, em 14/09/2018 (e-fls. 2469/2544), nos quais reprisam os argumentos apresentados nas impugnações, com alguns acréscimos. Ao se oporem à responsabilização solidária com base no art. 124, I do CTN, para além de invocarem a definição de solidariedade expressa no art. 264 do Código Civil, adicionam: Fl. 2556DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 11 Da mesma feita, não podemos perder de vista que o art. 110 do CTN, em total harmonia com o art. 109, também do CTN, impede que a lei tributária altere a definição e conceito previsto no direito privado, ou seja, em que pese o Código Civil não poder estabelecer os efeitos tributários para determinada situação, cristalino que o CTN igualmente não pode alterar os conceitos lá estabelecidos. Assim, o art. 264 do CC/2002, por tratar de definição de instituto jurídico, seu alcance atinge inclusive as práticas tributárias, enquanto definição de conceito, no caso conceito de solidariedade. Na passagem em que abordam o conceito de fato de gerador do imposto de renda da pessoa jurídica, aduzem que não concorrem com a pessoa jurídica em momento algum no que se refere a realização do fato gerador da obrigação tributária, fato este indispensável para a responsabilização nos moldes do art. 124, inciso I do CTN. Confrontam a decisão recorrida porque, mesmo reconhecendo a distinção entre as pessoas jurídica e física, discorda da tese apresentada, por entender que mesmo não sendo sujeitos passivos da obrigação tributária o simples fato de terem, em tese, agido com subterfúgio (interposição de pessoas) basta para a responsabilização prevista no art. 124, I do CTN. E argumentam: Vejam Nobres Conselheiros, no entender da Ilustre Julgadora da instância inaugural o interesse comum está configurado pela suposta prática de subterfúgio a fim de se esquivar do quadro societário da pessoa jurídica fiscalizada. Aí está o desacerto do entendimento da Nobre Julgadora. A responsabilidade solidária prevista no art. 124, I do CTN, como já explanado na Impugnação Administrativa e agora ratificado seus termos no presente Recurso Voluntário, trata-se da responsabilização de dois ou mais sujeitos passivos de um mesmo fato gerador, ou seja, ambos concorrem para a prática do fato Imponível previsto na norma legal. Como exemplo, podemos citar a prestação de serviços realizadas por mais de um prestador a um único tomador dos serviços, situação esta em que ambos responderão pelo encargo à título de ISS, visto que, possuem o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da exação municipal. Como bem explica MIRETTI1 : ... em relação ao próprio ISS, há situação que evidencia a solidariedade, consubstanciada na existência de uma ou mais pessoas na qualidade de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, ficando nítida nesse caso a presença de vários sujeitos passivos na mesma relação tributária, solidariamente obrigados em relação ao cumprimento da prestação tributária, (g.n.) 1 MIRETTI, Luiz Antonio Caldeira. In: MARTINS, Ives Gandra da Silva (coord.). Comentários ao Código Tributário Nacional. São Paulo: Saraiva, 1988, v. 2, p. 203. Fl. 2557DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 12 Assim, o interesse comum disposto no art. 124, I do CTN não trata de interesse no resultado da atividade econômica da pessoa jurídica, tão pouco se houve ou não subterfúgios para ocultação de suposto sócio, mas sim, a efetividade da participação da pessoa que se pretende responsabilizar (seja ela física ou jurídica) na realização do fato gerador do tributo que pretende apurar. Nesse ponto mostra-se totalmente equivocado o entendimento apresentado no voto proferido no presente feito. O subterfúgio, mencionado pela Ilustre Relatora não guarda qualquer relação com a prática do fato gerador das exações ora questionadas. Não pode-se admitir o redirecionamento para a pessoa do Recorrente com base no art. 124, inciso I do CTN, vez que, por ser pessoa física, este não pode concorrer com a Empresa Autuada para a prática da infração, aqui tratada como fato imponível da exação. Para a configuração da responsabilidade solidária há que existir a direta participação, diga-se, como sujeito passivo, na hipótese prevista em lei (fato imponível), seja de obrigação principal ou acessória (dever instrumental). Ou seja, a participação direta na hipótese de incidência é requisito imprescindível para a responsabilização solidária, que nos dizeres de Marcos Vinícius Neder2: (...) o fato jurídico suficiente à constituição da solidariedade não é o mero interesse de fato, mas sim interesse jurídico que surge a partir da existência de direitos e deveres comuns entre as pessoas situadas no mesmo lado de uma relação jurídica privada que constitua o fato jurídico tributário. (...) Por óbvio, os sócios e administradores têm interesse no lucro da empresa, mas como procuramos demonstrar ao longo deste estudo, não é esse interesse meramente tático que torna possível aplicar a norma de responsabilidade prevista no art. 124, inc. I do CTN. Conforme as premissas anteriormente firmadas, é indispensável ao órgão aplicador comprovar o Interesse na relação jurídica privada subjacente ao fato jurídico tributário. (g.n.) Esclarece, ainda, o jurista HARADA3: Esse Interesse comum a que alude o Inciso I. do art. 124. do CTN não se confunde com o Interesse econômico no resultado ou no proveito da situação, que constitui o fato gerador da obrigação principal. Trata-se de Interesse jurídico que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária. É o caso, por exemplo, de coproprietários de determinado imóvel urbano. Eles são solidariamente responsáveis pelo pagamento do IPTU, nos precisos termos do art. 124,1, do CTN. (g.n.) 2 Solidariedade de direito e de fato – Reflexões acerca de seu conceito, in Responsabilidade Tributária, Dialética, 2007, São Paulo. 3 HARADA, Kiyoshi. IPTU: doutrina e prática. São Paulo: Atlas, 2012. Fl. 2558DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 13 No mesmo sentido CALCINI4: ...a responsabilidade tributária, em virtude do interesse comum na ocorrência do fato gerador da obrigação principal, demanda basicamente um interesse jurídico e não meramente fático, econômico, social, além de necessitar que as pessoas partícipes do fato jurídico tributário não estejam em situações oposta no ato, fato ou relação negocial, ou contrário, que se quedem em situação de comunhão, como, por exemplo, no caso de coproprietários e a incidência do IPTU ou na incidência de Impostos sobre a Renda e sua relação com os cônjuges. [...] (destaques do original) Ressaltam que a invocada decisão proferida no Acórdão nº 1801-001.943 está alinhada a manifestação do Superior Tribunal de Justiça em casos análogos, citando o REsp nº 834.044-RS. Com respeito à rejeição da arguição nulidade dos autos pela falta de intimação aos sujeitos passivos solidários como responsáveis, confrontam a decisão recorrida nos seguintes termos: Da análise do entendimento da Eminente Julgadora pode-se, apenas, constatar que, houve a ciência do Recorrente do início do procedimento fiscal, contudo, como bem elucidado na peça impugnatória e agora ratificado, a intimação em questão, cumpriu única e exclusivamente seu objetivo, qual seja, conferir ciência sobre o início do procedimento de fiscalização à empresa fiscalizada, na pessoa do apontado sócio. Evidente que o suposto prazo mencionado pela Relatora não pode ser computado, isso porque, o TIPF lavrado em face da empresa e direcionado ao Recorrente (tido como representante) não r possui o desiderato de intimar o "sócio" enquanto pessoa física para o cumprimento da obrigação acessória. Ora, parece-nos bem claro o fato de que se pretende penalizar os "sócios" pela não entrega de declarações, ou omissão de recolhimentos de tributos, a exemplo do que foi feito à Pessoa Jurídica, imprescindível a intimação para a apresentação da escrituração. Não se nega que de fato houve notificação do Recorrente sobre o presente feito, como já mencionado, contudo, tal notificação serviu, única e exclusivamente para conferir ciência sobre o início do processo de investigação, não havendo na mesma qualquer menção ou oportunidade para a regularização da escrituração, a exemplo do que feito à Pessoa Jurídica. (destaques do original) No âmbito da qualificação da penalidade, enfatiza não ter sido observado que o arbitramento de lucro foi efetuado justamente com base nas declarações entregues pela fiscalizada. Suprimem a afirmação de que o AFRF narra tão somente fatos indiciários da administração das empresas serem do Impugnante, o que se discorda, mas adicionam: 4 CALCINI, Fábio Pallaretti. Responsabilidade tributária e solidariedade. RDDT 167/36, ago. 2009. Fl. 2559DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 14 Vejam Ilustres Conselheiros, no Auto de Infração ora impugnado verifica-se maiores indagações sobre a responsabilização do Recorrente (o que já demonstrado não procede) do que na apuração dos tributos, que foi facilmente quantificado com base nas declarações entregues pelas empresas fiscalizadas. Mas não é só, como ressaltado linhas acima, o processo de fiscalização teve como alvo outras empresas e como tal foram lavrados outros autos de infrações, merecendo melhor destaque nesse momento o auto de infração, processo nQ 13830-720.044/2018-66 que tramita em face da Rádio Diário FM de Marília Ltda., cuja situação fática é idêntica ao presente feito, vez que apuradas em decorrência do mesmo ofício do MPF. Contudo, o desfecho lá apresentado foi diverso da decisão que ora se recorre, no feito paradigma o Ilustre Relator Roberto William Gonçalves, quando do seu voto proferido no acórdão 12-99.740 da 2ª Turma da DRJ/RJO, acolhendo a tese da defesa afastou a multa qualificada, justamente por entender, como aqui defendido, que "a qualificação da penalidade impões a prova inequívoca da ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, não se prestando a tal a presunção de qualquer dessas hipóteses", e mais, "a responsabilidade passiva solidária não constitui, per se, fundamento à imposição de penalidade qualificada; nem esta àquela". Ora, evidente que nos autos, a exemplo do feito na 13830.720.044/2018-66 não há qualquer prova que demonstre de forma inequívoca a ocorrência do dolo e sonegação. Vejamos parte do voto retro citado:. Quanto à qualificação da penalidade, importa observar que responsabilidade solidária e qualificação de penalidade são calcados em conceitos absolutamente distintos e não necessariamente justificadores um do outro. Nesse contexto: O Relatório fiscal acostado às autuações se desdobrou massivamente na configuração da responsabilidade passiva solidária, sem mencionar, em qualquer momento, a motivação da penalidade qualificada. Ora, sonegação, fraude ou conluio não se presumem. A comprovação de sócios de fato da pessoa jurídica não implica em suficiente fundamento à exacerbação da penalidade. Razão porque, reduzo a penalidade de ofício para 75%. Voto este acompanhado pelos demais Julgadores, restando nesta parte unânime a decisão. Percebe-se assim, que o defendido na peça impugnatória e no presente recurso vem na mesma linha de raciocínio do Eminente Relator Roberto Willian Gonçalves, que de forma cirúrgica pontuou a inexistência de provas nos autos que demonstre o dolo, restando evidente que a suposta existência de subterfúgio para ocultação de sócio de direito e fato, não são per se suficientes para a sustentação da multa qualificada. Finalizam o tópico com a mesma conclusão de que não há razão válida para o agravamento da multa, por absoluta falta de comprovação do dolo específico, condição essencial à imputação do Fl. 2560DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 15 evidente intuito de fraude, reiteram a arguição de efeito confiscatório da penalidade aplicada e, pedem que, ao final seja concedido TOTAL PROVIMENTO, a fim de afastar a responsabilidade solidária do Recorrente no presente auto de infração constante no processo administrativo 13830.720046/2018-55, nos termos dos fatos e fundamentos acima transcritos e subsidiariamente a desqualificação da multa agravada, vez que ausente o dolo e/ou intenção de sonegar ou suprir tributos, por fim a declaração da inconstitucionalidade da multa nos moldes em que arbitrada, vez que, atinge patamares de evidente confisco. VOTO Conselheira Edeli Pereira Bessa, Relatora Os recursos voluntários são tempestivos e dotados dos demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual devem ser CONHECIDOS. Consoante relatado, do procedimento fiscal em tela resultaram vários processos administrativos, todos, com exceção do presente, já apreciados neste Conselho nas decisões a seguir referidas: 13830.720040/2018-88 e 13830.720041/2018-22 (EDITORA DIARIO - CORREIO DE MARILIA LTDA., CNPJ 08.843.828/0001-13): exigências integralmente mantidas nos Acórdãos nº 1301-005.708 e 1301-005.704, respectivamente; 13830.720042/2018-77 e 13830.720043/2018-11(CMN - CENTRAL MARILIA NOTICIAS LTDA., CNPJ 66.951.757/0001-79): primeira exigência parcialmente mantida, com redução da multa qualificada a 100% no Acórdão nº 1202- 001.627 e segunda exigência integralmente mantida no Acórdão nº 1301- 05.705 (repetitivo do Acórdão nº 1301-005.704); 13830.720044/2018-66 e 13830.720045/2018-19 (RADIO DIARIO FM DE MARILIA LTDA., CNPJ 54.418.066/0001- 25): primeira exigência com exoneração da qualificação da penalidade em 1ª instância e manutenção do remanescente no Acórdão nº 1102-001.703 e segunda exigência integralmente mantida no Acórdão nº 1301-05.706 (repetitivo do Acórdão nº 1301-005.704) 13830.720047/2018-08 (RADIO DIRCEU DE MARILIA LTDA., CNPJ 52.047.289/0001-06): exigência integralmente mantida no Acórdão nº 1301- 05.707 (repetitivo do Acórdão nº 1301-005.704). O entendimento desta Conselheira se alinha, em maior parte, ao externado pelo Conselheiro Rafael Taranto Malheiros, relator do Acórdão nº 1301-005.708. A preliminar processual de nulidade por não intimação dos responsáveis solidários foi assim enfrentada: Fl. 2561DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 16 PRELIMINAR PROCESSUAL: NULIDADE POR NÃO INTIMAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS 7. A Autoridade Julgadora de piso assim se manifestou acerca do assunto: “Quanto à nulidade arguida por meio das impugnações apresentadas, afirmam os impugnantes que não teriam sido intimados como responsáveis solidário, mas apenas como representantes da pessoa jurídica. Afirmam que do Termo de Início de Fiscalização somente constava que seria atribuída a responsabilidade, sem, contudo, efetuar intimações no decorrer da fiscalização que os configurasse efetivamente como tais, nem lhe sendo concedido prazo suficiente para produzir a prova solicitada. Ora, ao contrário do alegado, os responsáveis solidários tiveram ciência do início do procedimento fiscal em 25/10/2017, tendo-lhes sido concedido prazo mais que suficiente para a apresentação de quaisquer provas ou documentos que entendessem necessários. Ambos se manifestaram em conjunto, propondo, inclusive, a suspensão dos procedimentos fiscais ante ações judiciais nº. 0018677- 68.2014.4.03.000 e nº 0001219-22.2017.4.03.000. Já o auto de infração teve sua ciência em 02/02/2018, mais de 3 meses depois, portanto. E nada fora apresentado nesse interstício, apesar do prazo ser mais que suficiente para fazê-lo. E ainda, a citação e a formalização da responsabilidade fora efetuada regularmente quando da autuação. Pois veja o que consta do termo de Ciência do Lançamento e Encerramento Total do Procedimento Fiscal- Responsabilidade Tributária: [e-fls. 2305/2307 e 2309/2311]. (...) De qualquer forma, cumpre esclarecer que o procedimento fiscal é inquisitório e aos particulares cabe colaborar e respeitar os poderes legais dos quais a autoridade administrativa está investida. Não se formou, ainda, a relação jurídica processual, o que somente se concretiza com o ato de lançamento e a apresentação das correspondentes impugnações. A teor do disposto no art. 14 do referido Decreto nº 70.235, de 1972, ‘a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento’, momento em que o procedimento se torna processo, estabelecendo-se o conflito de interesses: de um lado o Fisco, que acusa a existência de débito tributário, fundando sua pretensão de recebê-lo e, de outro, o contribuinte e responsáveis, que opõem resistência por meio da apresentação de suas impugnações. (...) Acentue-se, assim, a impropriedade da defesa ao aventar nulidade do lançamento por prejuízo ao contraditório. Consigne-se que a constituição do crédito tributário de ofício observa o estabelecido no art. 142 do CTN que estipula, como etapas do procedimento de lançamento, a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido, a identificação do sujeito passivo e a aplicação da penalidade, quando cabível. (...) Fl. 2562DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 17 Além de tudo isso, de acordo com os §§ 2º e 3º do art. 146 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que regulamenta, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, é facultado o fornecimento de cópia e a vista do processo ao sujeito passivo ou mandatário. Entretanto, inexiste previsão legal que determine a intimação de eventual responsável solidário durante todo o procedimento. (...) Note-se que o lançamento fora formalizado mediante lavratura de auto de infração, e sua constituição submete-se às prescrições do Decreto nº 70.235, de 1972, que disciplina o processo administrativo fiscal – PAF, o qual contém duas hipóteses de nulidade para o aludido ato, conforme artigo 59, adiante reproduzido: [...] Logo, não há que se falar de nulidade do lançamento uma vez que o ato foi realizado por servidor investido do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, cuja competência para fiscalização de tributos federais e lavratura de autos de infração é atribuída por lei, como também a oportunidade de defesa foi regularmente oferecida aos autuados, viabilizando a instauração da fase litigiosa do processo, sendo plenamente exercida nas impugnações apresentadas e dando causa à presente análise no contencioso administrativo” (negritos do original; grifou-se). 8. A Recorrente, por seu turno, se manifestou nos seguintes termos, sinteticamente: “(...) Não se nega que de fato houve notificação do Recorrente sobre o presente feito, como já mencionado, contudo, tal notificação serviu, única e exclusivamente para conferir ciência sobre o início do processo de investigação, não havendo na mesma qualquer menção ou oportunidade para a regularização da escrituração, a exemplo do que feito à Pessoa Jurídica (...)”. 9. Compulsando-se o “Termo de Início do Procedimento Fiscal” (e-fls. 2132/2142), este foi assim vazado, a demonstrar que de tudo tinham ciência os responsabilizados e de que foram intimados nesta qualidade, no que importa à questão: “No exercício das atribuições do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, damos INÍCIO à fiscalização dos tributos e contribuições em relação ao sujeito passivo acima identificado, com base nos arts. 904, 905, 911, 927 e 928 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda) e no art. 92, do Decreto n° 4.524/2002, ficando o sujeito passivo INTIMADO a apresentar, nos prazos respectivos, o que se discrimina abaixo: [apresentação de livros contábeis, elaboração e transmissão de declarações fiscais, relação de bens e direitos]. Procedimento fiscal aberto por demanda do Ministério Público Federal através do Ofício n° 1.852/2017 para constituição dos créditos tributários referentes aos anos- Fl. 2563DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 18 calendário 2013 a 2016, em relação aos contribuintes JOSE ABELARDO GUIMARÃES CAMARINHA, CPF 382.337.548-20 e VINICIUS ALMEIDA CAMARINHA, CPF 285.367.778-85 quanto ao sujeito passivo fiscalizado. (...) Consequentemente, caso não sejam apresentados os itens solicitados que demonstram o lucro real do período fiscalizado, o lucro será arbitrado nos termos dos incisos I e II do artigo 530 do Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda) e sobre ele calculado o IRPJ e CSLL. O lucro arbitrado será calculado sobre a receita bruta informada na EFD-Contribuições, conforme demonstrativo anexo ao presente termo. (...) Será atribuído responsabilidade solidária (nos termos do artigo 124, inciso I, da Lei n° 5.172/66) dos eventuais créditos tributários constituídos pelo presente procedimento fiscal em nome do sujeito passivo aos contribuintes JOSE ABELARDO GUIMARÃES CAMARINHA, CPF 382.337.548-20 e VINICIUS ALMEIDA CAMARINHA, CPF 285.367.778-85, conforme constatação fiscal de procedimento anterior (processo 13830.721788/2014-74). (...) E, para surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo, assinado pelo(s) Auditor(es)-Fiscal(is) da Receita Federal do Brasil. A ciência dar-se-á via edital, visto o estabelecimento do sujeito passivo estar fechado por determinação judicial e ausência de responsável legal (§ 1° do artigo 23 do Decreto n° 70.235/72). Será encaminhada uma via aos contribuintes JOSE ABELARDO GUIMARÃES CAMARINHA, CPF 382.337.548-20 e VINICIUS ALMEIDA CAMARINHA, CPF 285.367.778-85 para ciência, aos seus domicílios tributários, via postal mediante Aviso de Recebimento (AR)” (grifou-se). 10. Em resposta ao “Termo de Início do Procedimento Fiscal”, assim se manifestaram os responsabilizados (e-fls. 2143/2148): “JOSÉ ABELARDO GUIMARÃES CAMARINHA e VINICIUS ALMEIDA CAMARINHA, vem expor e requerer o quanto segue alinhado: 1 - Os ora requerentes foram notificados para apresentar diversos documentos referente a Editora Diário - Correio de Marília Ltda com CNPJ - 08.843.828/0001-13, conforme informação contida na notificação. (...)” 11. Como visto, ao contrário do que afirmam em razões de Impugnação e de Recurso Voluntário, os Interessados admitem que foram, sim, “[...] notificados para apresentar diversos documentos referente a Editora Diário - Correio de Marília Ltda”. Assim, para além de terem se manifestado em sede de contenciosos de 1ª e 2ª instâncias, trouxeram suas razões durante o procedimento fiscal, não se podendo falar em cerceamento de direito de defesa. 12. Quanto ao mais, não sendo aduzidas novas razões para além daquelas sobre a qual se manifestou a Autoridade Julgadora de piso, às quais se acede, não se Fl. 2564DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 19 vislumbra nulidade do lançamento, nos termos dos arts. 142 do CTN e 59 do Dec. nº 70.235, de 1972, pelo que não assiste razão às Recorrentes, ao pugnar pela “[...] nulidade processual pela ausência de intimação para manifestação nos autos, cerceando, assim o direito de defesa do Recorrente, restando totalmente nulo o procedimento administrativo no que tange a responsabilização solidária”. (destaques do original) As mesmas alegações foram deduzidas nestes autos e às e-fls. 2175/2185 consta o “Termo de Início do Procedimento Fiscal” com o mesmo conteúdo acima referido e acerca do qual os recorrentes apresentaram idêntica resposta constante às e-fls. 2186/2191. Assim, também aqui deve ser REJEITADA a preliminar de nulidade. Com respeito ao mérito da exigência, o Conselheiro Rafael Taranto Malheiros assim expôs no voto condutor do Acórdão nº 1301-005.708: MÉRITO Impossibilidade do cumprimento do Termo de Início do Procedimento Fiscal e do arbitramento de lucros 13. A Autoridade Julgadora de piso assim se manifestou acerca do arbitramento: “(...) Como relatado, após devidamente intimada a empresa, seu contador declarou não ser viável apurar o lucro real dos anos-calendário autuados, pois a contabilidade não teria sido encerrada, sendo que a escrituração relativa ao ano-calendário 2016 nem mesmo teria sido iniciada. Pois veja: c) a contabilidade referente aos anos-calendário 2013 a 2015 foram escrituradas, porém não foram encerradas por problemas de rompimento contratual com a fornecedora do sistema informatizado de escrituração contábil. Foi adotado novo sistema de informatizado de escrituração, porém também foi interrompido por falta de pagamento. A escrituração da contabilidade do ano-calendário 2016 sequer foi iniciada. Portanto não é possível apurar o lucro real dos anos-calendário 2013 a 2016; Com base em tais informações, verifica-se ter procedido a autoridade fiscal com total diligência, uma vez que não possuía outra forma para apurar os tributos devidos pela autuada. Prosseguiu ela na apuração dos tributos devidos com base em informações transmitidas à RFB pela própria contribuinte. Diante do relatado pela fiscalização, verifica-se que a contribuinte de forma reiterada deixou de escriturar, pagar e, além disso, não entregou as declarações de maior relevância para o Fisco Federal no que se refere ao IRPJ e à CSLL, aquelas em que os contribuintes informam suas atividades econômicas (DIPJ) bem como constituem o crédito tributário devido (DCTF). Não se verifica, aqui, ter a contribuinte simplesmente deixado de praticar obrigações acessórias, mas de omissão quanto à declaração e ao pagamento dos impostos e contribuições incidentes sobre a atividade de uma empresa em pleno funcionamento (quando da obrigação de entrega das declarações)” (negritou-se; grifos do original). Fl. 2565DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 20 14. Ademais, quanto à afirmativa dos Recorrentes de que o arbitramento “[...] somente poderá ser aplicado após a intimação do interessado para apresentação da documentação”, diga-se que tal fato ocorreu, como visto no tópico precedente. 15. Quanto ao mais, não sendo aduzidas novas razões para além daquelas sobre a qual se manifestou a Autoridade Julgadora de piso, às quais se acede, neste tópico, não assiste razão aos Recorrentes, ao aduzirem que a “empresa fiscalizada e os supostos ‘sócios’ [...]” não foram “[...] intimados para a regularização da contabilidade antes do início do procedimento fiscal, conforme entendimento do CARF”. Multa qualificada 16. A Autoridade Julgadora de piso assim se manifestou acerca da matéria: “Em síntese, a fiscalização apurou ter sido a contribuinte adquirida por Sandra Mara Norbiato e Marcel Augusto Certain, apesar de seus verdadeiros proprietários serem os Impugnantes José Abelardo Guimarães Camarinha e Vinícius Almeida Camarinha. Expõe a fiscalização que a senhora Sandra, em depoimento ao Ministério Público Federal, teria confirmado as informações iniciais prestadas pelo senhor Marcel Augusto Certain, através de denúncia efetuada junto ao Tabelionato de Notas, segundo a qual os senhores José Abelardo Guimarães Camarinha e Vinícius Almeida Camarinha seriam os reais proprietários das empresas EDITORA DIÁRIO - CORREIO DE MARILIA, CMN - CENTRAL MARILIA NOTICIAS LTDA., RADIO DIÁRIO FM DE MARILIA LTDA. e RADIO DIRCEU DE MARILIA LTDA. Ambos atestam que seriam interpostas pessoas e teriam recebido salário para figurarem como sócios fictícios. É o que se extrai: Depoimento Sandra [ao MPF, e-fls. 169/183]: QUE não lembra de datas específicas, mas QUE no fim de 2011, seu ex-marido, CELSO (ANTÔNIO CELSO), a procurou e disse ter sido procurado por uma outra pessoa, de nome ROBERTO, de Marília, o qual possuía relação com o DEPUTADO CAMARINHA e a família; QUE eles seriam os donos da CMN e das rádios e precisavam de alguém para figurar no quadro societário, porque os anteriores estariam saindo por desentendimentos entre eles, mas precisavam que as pessoas fossem de confiança, porque se tratava de políticos que não poderiam aparecer [...]; QUE lhe foi oferecido R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) para permanecer por 6 (seis) meses, que seria o tempo necessário para que adotassem as medidas necessárias para SE reorganizarem; QUE pensou tratar-se apenas uma empresa como tantas outras; QUE ANTÔNIO CELSO explicou que as pessoas que estavam lá tiveram desentendimentos e precisavam sair, que precisavam resolver essa situação com urgência [...]; QUE o ex-marido providenciou tudo, contatos e tudo mais; QUE alguns dias antes do natal [provavelmente no dia 19 de dezembro], ele disse que a DECLARANTE deveria ir a Marília e que ela seria incluída como sócia juntamente com MARCEL; QUE questionou a escolha de MARCEL, por ser uma pessoa difícil; QUE lhe respondeu que era porque o acordo era que ele Fl. 2566DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 21 permanecesse por apenas 6 (seis) meses, porque podia controlar ele e para lhe dar um pouco de dinheiro (...)”. Depoimento Marcel: Então, pelo outorgante me foi declarado sob as penas da Lei, o seguinte: “que muito embora eu figure como sócio das empresas EDITORA DIÁRIO CORREIO DE MARÍLIA LTDA., inscrita no CNPJ n° 08.843.828/0001-13 e RÁDIO FM DIÁRIO e AM DIRCEU, na realidade nunca fui proprietário das referidas empresas; que somente emprestei o meu nome para figurar como um dos sócios de aludidas empresas; que a empresa Editora Diário Correio de Marília LTDA. fica na cidade de Marília e administra o Grupo CMN, este responsável pela Rádio Diário de Marília, Rádio Dirceu de Marília e Jornal Diário de Marília; que nunca residi na cidade de Marília; Estado de São Paulo, que negociei o empréstimo do meu nome para figurar como sócio nessas empresas com o senhor Antonio Celso dos Santos, contador e residente na Rua Angelo Vieira de Brito, nº 194, Vila Sonia, São Paulo-SP, cep 05639-130 e com o senhor José de Souza Júnior, assessores do Doutor Vinícius Camarinha, que Antonio Celso dos Santos estabeleceu contato com um escritório de advocacia e contabilidade da cidade de Marília que intermediou tudo com os políticos; que os verdadeiros proprietários e administradoras dessas empresas é Vinicius Camarinha e seu pai Abelardo Camarinha (...) No mesmo sentido, o depoimento concedido pelo senhor Antônio Celso [ao MPF, e- fls. 65/168]: QUE conheceu um advogado e contador de Marília, de nome ROBERTO, através de JOSÉ VALTER, da cidade de Oriente/SP; QUE conheceu ROBERTO devido à necessidade daquele de atuar em uma ‘junta’ recursal de tributos em São Paulo; QUE isso se deu por volta do ano 2000; QUE após longo tempo sem se falarem, em 2011 se reuniu com ROBERTO, ABELARDO CAMARINHA e VINÍCIUS CAMARINHA em um escritório da rua Frei Caneca, em São Paulo, onde lhe propuseram conseguir alguém para figurar como laranja na reaquisição das empresas do GRUPO CMN; QUE na ocasião VINÍCIUS compareceu ao local a bordo de um veículo da Assembleia Legislativa, uma vez que era deputado estadual; QUE não sabe ao certo o motivo pelo qual foi procurado, porém em tal ocasião, em que aceitou o trabalho, ficou acertado o valor de R$ 380.000,00; QUE o colaborador de imediato pensou na ex-esposa SANDRA MARA NORBIATO e no irmão MARCEL AUGUSTO CERTAIN para atender o interesse dos políticos e figurar no quadro social das empresas do GRUPO CMN pelo prazo de um ano; QUE para tanto ambos receberiam um valor mensal de aproximadamente R$ 1.000,00; QUE após acertarem a forma de contrato, pouco tempo depois houve uma reunião no escritório de ROBERTO, na cidade de Marília, onde foram formalizados os contratos com a presença dos políticos e todos os demais interessados, inclusive JOSÉ DE SOUZA JÚNIOR; QUE os valores pagos por ABELARDO e VINÍCIUS seriam repartidos entre o DECLARANTE e ROBERTO (aproximadamente R$ 140.000,00 cada), o antigo proprietário CARDOSO (valor incerto), SANDRA (aproximadamente R$ 80.000,00) e MARCEL (aproximadamente R$ 20.000); QUE possui planilha comprobatória da divisão, que pretende apresentar posteriormente; QUE se recorda que foi exigido de SANDRA a assinatura de diversos documentos, dentre os quais uma alteração de contrato social sem data; QUE os valores acordados não foram integralmente Fl. 2567DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 22 pagos por ABELARDO CAMARINHA e VINÍCIUS CAMARINHA, sendo que os valores parciais pagos foram feitos em espécie; (...) E para comprovar os depoimentos prestados, foram apresentados diversos documentos, entre eles, extratos das transferências bancárias realizadas, e-mails demonstrando a ingerência do sr. Garrossino, pessoa notoriamente relacionada aos Camarinha, nas empresas do grupo, além de ações trabalhistas em que os impugnantes são apontados pelos autores, ex-funcionários das empresas, como reais proprietários. As circunstâncias postas tornam inaceitável a argumentação de que não haveria dolo. Ante a gravidade dos fatos narrados pela Fiscalização, os quais não foram desconstituídos pelos impugnantes, que se limitaram a afirmar não serem os proprietários das empresas, é forçosa a conclusão pela ocorrência da conduta prevista no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1991” (grifou-se). 17. A Recorrente, em adição às razões de Impugnação, alegou o seguinte: “(...) Mas não é só, como ressaltado linhas acima, o processo de fiscalização teve como alvo outras empresas e como tal foram lavrados outros autos de infrações, merecendo melhor destaque nesse momento o auto de infração, processo nº 13830-720.044/2018-66 que tramita em face da Rádio Diário FM de Marília Ltda., cuja situação fática é idêntica ao presente feito, vez que apuradas em decorrência do mesmo ofício do MPF. Contudo, o desfecho lá apresentado foi diverso da decisão que ora se recorre, [...] acolhendo a tese da defesa afastou a multa qualificada, justamente por entender, como aqui defendido, que ‘a qualificação da penalidade impõe a prova inequívoca da ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, não se prestando a tal a presunção de qualquer dessas hipóteses’, e mais, ‘a responsabilidade passiva solidária não constitui, per se, fundamento à imposição de penalidade qualificada; nem esta àquela’” (grifou-se). 18. Para além de esta relatoria concordar com a Autoridade Julgadora de piso, que se manifestou lastreada nos depoimentos supra transcritos e documentação apresentada (troca de e-mails entre os envolvidos, e-fls. 210/368; ações trabalhistas em que os Recorrentes são apontados pelos autores, ex-funcionários das empresas, como seus reais proprietários, e-fls. 596/1092) quanto à ocorrência das condutas previstas no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, diga-se que decisões de 1ª instância administrativa não vinculam os Conselheiros desta Corte. 19. Quanto ao mais, não sendo aduzidas novas razões para além daquelas sobre a qual se manifestou a Autoridade Julgadora de piso, às quais se acede, no tocante à interposição de pessoas como sócias e à anteriormente abordada omissão reiterada de receitas, a caracterizar a intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, por parte da autoridade fazendária, neste tópico, não assiste razão aos Recorrentes, ao aduzirem que “[...] não há razão válida para o Fl. 2568DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 23 agravamento da multa, por absoluta falta de comprovação do dolo, específico, condição essencial à imputação do evidente intuito de fraude”. Aplicação da multa com efeito de confisco 20. A Autoridade Julgadora de piso assim se manifestou acerca da matéria: “Quanto ao caráter confiscatório da multa, cabe ressaltar que a apreciação dessa matéria escapa à competência desta Turma Julgadora. Com efeito, incumbe aos legisladores, detentores de mandato popular, valorarem as situações e editarem, em obediência aos preceitos constitucionais, as leis aplicáveis no País, inclusive no âmbito tributário. Aos julgadores administrativos incumbe aferir em que grau os atos da Administração se harmonizam àquelas leis, na forma como foram elaboradas. Não lhes compete apreciar eventual caráter confiscatório ou abusivo de qualquer preceito legal. Em assim sendo, as alegações da contribuinte não encontram condições de serem apreciadas por este Colegiado. Deve esta Turma limitar-se a declarar que restou constatado que tanto a multa, como os juros, foram aplicados em absoluta consonância com a previsão legal, discriminada nos autos de infração; por isso, devem ser mantidos. Ademais, este assunto já foi objeto de súmula no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf): Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (grifou-se). 21. Não sendo aduzidas novas razões para além daquelas sobre a qual se manifestou a Autoridade Julgadora de piso, às quais se acede, neste tópico, não assiste razão aos Recorrentes, que chegam a com ela concordar em certo ponto de sua argumentação, ao afirmarem que “[...] não se diga que o contribuinte está alheio à tese defendida pelo fisco de que este cumpre o seu mister vinculado ao princípio da legalidade que embasa os procedimentos administrativo [...]”. (destaques do original) Importa esclarecer que desde o Termo de Início do Procedimento Fiscal a autoridade lançadora consignou que a Contribuinte apresentou, apenas, Escrituração Fiscal Digital do PIS/PASEP e da COFINS (EFD-Contribuições) e que em DCTF nada informou a título de IRPJ e CSLL. A escrituração contábil, como informado pelo contador da empresa, não foi finalizada, e as DIPJ também não foram entregues. E tal conduta está demonstrada aqui ao longo dos anos- calendário 2013 a 2016, cabendo recordar que a Contribuinte também fora autuada em 2014 por infrações verificadas entre os anos-calendário 2009 a 2012. Todavia, embora os fatos assim estruturados permitissem, de fato, a imposição de multa qualificada nos termos afirmados na transcrição supra, não se identifica no Relatório Fiscal, nem nos Autos de Infração, a necessária motivação para tanto. O Relatório Fiscal descreve os fatos, neles inserindo a justificativa para imputação de responsabilidade tributária aos recorrentes com fundamento no art. 124, I do CTN, mas nos tópicos seguintes apenas descreve genericamente o lançamento e a sujeição passiva solidária, mencionando o lançamento de multas sem qualquer Fl. 2569DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 24 acréscimo acerca da qualificação aplicada, e refere a existência de representação fiscal para fins penais nos seguintes termos: Foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais nos termos da Portaria RFB nº 2.439/2010, objeto do processo nº 13830.720048/2018-44, pois a interposição fraudulenta de pessoas no quadro societário das fiscalizadas, em tese, configuram crime contra a ordem tributária definido pelo artigo 1º, inciso I e II, da Lei nº 8.137/90. No mais, apenas há descrição do arrolamento de bens e direitos para garantia do crédito tributário. O art. 44, inciso I, e § 1º, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07 somente é citado no enquadramento legal do Demonstrativo de Multa e Juros de Mora dos autos de infração. Ainda que seja possível inferir a razão pela qual a autoridade lançadora entendeu presente hipótese prevista nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, como demanda o §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, adere-se aqui à primeira parte do que teria sido decidido em 1ª instância nos autos do processo administrativo nº 13830.720.044/2018-66, como referido pelos recorrentes: Quanto à qualificação da penalidade, importa observar que responsabilidade solidária e qualificação de penalidade são calcados em conceitos absolutamente distintos e não necessariamente justificadores um do outro. Nesse contexto: O Relatório fiscal acostado às autuações se desdobrou massivamente na configuração da responsabilidade passiva solidária, sem mencionar, em qualquer momento, a motivação da penalidade qualificada. Ora, sonegação, fraude ou conluio não se presumem. A comprovação de sócios de fato da pessoa jurídica não implica em suficiente fundamento à exacerbação da penalidade. Razão porque, reduzo a penalidade de ofício para 75%. (destacou-se) Não se trata, portanto, de falta de prova que demonstre de forma inequívoca a ocorrência do dolo e sonegação, como alegam os recorrentes, nem de impossibilidade de se qualificar a penalidade diante da comprovação de interposição de pessoas no quadro social da Contribuinte, mas sim de carência de motivação no lançamento que não pode ser suprida em sede de julgamento sem prejuízo à defesa dos interessados. Note-se, ainda, que a qualificação da penalidade foi aplicada indistintamente a todos os tributos lançados, muito embora em relação à Contribuição ao PIS e à Cofins somente tenha sido constatada falta de recolhimento no mês de junho/2014, para além de um débito de R$ 2,00, a título de Contribuição ao PIS, em outubro/2013. Por tais razões, deve ser DADO PROVIMENTO PARCIAL aos recursos voluntário no mérito das exigências, para reduzir a penalidade aplicada a 75%. Por fim, quanto à alegação de impossibilidade da responsabilização solidária com base no art. 124, inc. I, do CTN, assim consignou o Conselheiro Rafael Taranto Malheiros no voto condutor do Acórdão nº 1301-005.708: Fl. 2570DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 25 22. A Autoridade Julgadora de piso assim se manifestou acerca do assunto: “(...) Comprovado serem os impugnantes os reais proprietários da autuada, não há como negar seu interesse comum na situação que constituiu os fatos geradores dos tributos lançados. O subterfúgio jurídico - utilização de terceiros como sócios de direito - no intuito de fuga às responsabilidades societárias de sócios de fato, evidencia vontade, juridicamente oculta, e interesse direto nas atividades da pessoa jurídica. (...) Insta esclarecer, que a responsabilidade, no caso da situação retratada no art. 124, inciso I, do CTN, é atribuída às ‘pessoas que tenham interesse comum’; não há distinção se é pessoa jurídica ou pessoa física, pode ainda ser sócio, acionista ou qualquer outra pessoa, desde que comprovado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador. (...) Por sua vez, no processo administrativo, admite-se a prova indiciária ou indireta, assim conceituada aquela que se apóia em conjunto de indícios capazes de demonstrar a ocorrência da infração e de fundamentar o convencimento do julgador. O RIR/1999, no § 1º do art. 845, faz alusão à adoção do indício veemente, legitimando-o como princípio: [...] (...) Os indícios da interposição de pessoas na tentativa de ocultar os verdadeiros sócios da pessoa jurídica foram confirmados pelos depoimentos e provas apresentados ao MPF e trazidos ao processo, restando comprovada a propriedade da autuada pelos senhores José Abelardo Guimarães Camarinha e Vinícius Almeida Camarinha. Assim, pode-se afirmar que os fatos retratados no Termo de Verificação Fiscal, devidamente documentados e já amplamente discutidos, atestam a responsabilização tributária de todos os implicados com base no art. 124, inciso I do CTN, uma vez evidenciado o interesse comum aludido na referida norma” (grifou- se). 23. A Recorrente, em adição às razões de Impugnação, alegou o seguinte, em síntese: “(...) [...] ainda que se admita, em hipótese, o fato de o Recorrente ser ‘sócio’ da fiscalizada, apenas em amor ao debate, o mesmo não poderia ser responsabilizado de forma solidária, conforme pretende o AFRFB, vez que as pessoas física e jurídica não podem se confundir, e como tal, o primeiro, não possui qualquer participação no fato gerador das obrigações principais tão pouco no dever instrumental de entregar as declarações”. 24. A condição essencial da caracterização do interesse comum do inc. I do art. 124 do CTN é que as partes interessadas estejam no mesmo pólo de uma determinada relação jurídica, condição de unidade de interesses, esforço Fl. 2571DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 26 conjunto para se atingir o resultado tributável. Esta solidariedade, portanto, é de natureza jurídica, não econômica. 25. No caso, o conjunto probatório trazido aos autos, já referido (ex. decisões judiciais trabalhistas, de e-fls. 596/1092), evidencia tratarem-se os responsáveis passivos solidários de sócios ocultos, ou de fato, da pessoa jurídica; não sócios de direito. Mediante utilização de subterfúgio jurídico, “utilização de terceiros como sócios de direito”, os Recorrentes detinham, de direito e de fato, interesse direto nas atividades da pessoa jurídica, verificando-se a “[...] vontade [como referida no art. 265 do Código Civil], juridicamente oculta [...]” por parte dos responsabilizados. 26. Quanto ao mais, não sendo aduzidas novas razões para além daquelas sobre a qual se manifestou a Autoridade Julgadora de piso, às quais se acede, neste tópico, não assiste razão aos Interessados, ao aduzirem que é “[i]nfundada, assim a solidariedade do Recorrente no que tange a co-obrigação pelo recolhimento das exações apuradas no Auto de Infração”. (destaques do original) Ainda, tendo em conta a invocação, pelos recorrentes, de posição doutrinária de Marcos Vinícius Neder, cabe referir outro trecho da obra citada, no qual é tratada a situação presente nestes autos, e que consta do voto assim declarado por esta Conselheira no Acórdão nº 9101-006.631 para justificar o cabimento da responsabilidade tributária imputada a sócio de fato com fundamento no art. 124, I do CTN, sob a premissa de que tais sócios não desfrutam da proteção que a lei confere ao patrimônio pessoal daqueles que regularmente compõem uma sociedade: O contexto ampliado, portanto, contempla pessoa jurídica que manteve escrituração imprestável por diversos motivos, com confusão patrimonial inclusive entre as pessoas jurídicas do mesmo grupo econômico, o que obrigou a autoridade lançadora a expurgar diversas operações irreais entre elas, para além dos registros pautados em notas fiscais inidôneas, e assim aferir os créditos tributários não declarados e não recolhidos em razão das operações efetivamente realizadas pela Contribuinte. Em tais circunstâncias, a confissão de Irineu Peretto Junior no sentido de que, por estar sob risco de bloqueio judicial, teria realizado movimentações financeiras com intermediação de sua cônjuge, Marili Elisabete Mainardi Peretto, apenas reforça a validade da integração desta ao polo passivo da obrigação tributária aqui constituída, que não poderia ficar limitada ao patrimônio da pessoa jurídica autuada, corrompido que foi pela evidente inobservância do princípio da entidade, como bem exposto no voto condutor do acórdão recorrido. O presente caso, assim, se assemelha a outros nos quais este Colegiado já se manifestou reiteradas vezes em favor da responsabilização de sócios de fato que se ocultam sob a interposição de pessoas no quadro social da pessoa jurídica, conforme ementas de julgados a seguir transcritas: Fl. 2572DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 27 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. ADMINISTRADOR DE FATO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados ostentavam a condição de administradores de fato da autuada, bem como que houve interposição fraudulenta de pessoa em seu quadro societário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO CONCORRENTE DOS ARTS. 124, I, E 135, III, DO CTN. POSSIBILIDADE. Não se vislumbra qualquer óbice à imputação de responsabilidade tributária aplicando-se, de forma concorrente os arts. 124, I, e 135, III, do CTN. (Acórdão nº 9101-002.349 - Sessão de 14 de junho de 2016). SOCIEDADE QUE SE COMPORTA COMO SOCIEDADE DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E ILIMITADA PARA OS SÓCIOS DE FATO. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal (CTN, art. 124, I). Em condições normais, o sistema jurídico prevê apartação patrimonial entre a pessoa jurídica e as pessoas que compõem o seu quadro societário (sócios de direito). Mas a utilização fraudulenta de pessoa jurídica afasta essa apartação patrimonial, e os sócios de fato respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações surgidas de sua empresa (negócio/ empreendimento). A sonegação de tributo perpetrada via utilização fraudulenta da pessoa jurídica, mediante interposição de pessoas, faz com que a pessoa jurídica seja tratada de modo semelhante a uma sociedade de fato (porque se comporta como tal), situação em que as pessoas envolvidas, por se encontrarem na mesma posição jurídica em relação ao fato gerador, respondem solidária e ilimitadamente pelos débitos surgidos do negócio. PROCURADOR/ADMINISTRADOR DE SOCIEDADE EMPRESARIAL. PRÁTICA DE ILÍCITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Os mandatários e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. (CTN, art. 135, II e III). CTN, ART. 124, I, E ART. 135, II E III. INCIDÊNCIA CONJUNTA. POSSIBILIDADE. No caso destes autos, as referidas regras de responsabilização tributária não são excludentes, elas coexistem. A mesma ilicitude (uso fraudulento de pessoa jurídica, mediante interposição de pessoas) leva à responsabilização tributária. O vínculo obrigacional por uma regra surge em decorrência da condição de sócio de fato, Fl. 2573DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 28 enquanto pela outra, da condição de procurador/ administrador da empresa. (Acórdão nº 9101-002.954 - Sessão de 3 de julho de 2017). SUJEIÇÃO PASSIVA TRIBUTÁRIA. CARACTERIZAÇÃO. Havendo a utilização de interposta pessoa para acobertar as operações e o efetivo auferimento de receitas, deve ser considerado como sujeito passivo o efetivo proprietário e administrador da empresa pelos débitos tributários desta. (Acórdão nº 9101-003.592 - Sessão de 9 de maio de 2018). É certo que o Código Civil confere personalidade jurídica às sociedades mediante as quais empreendedores exploram atividades econômicas, personalidade esta distinta de seus sócios, de modo que seus patrimônios e obrigações não se confundem, ainda que constituídos por intermédio de seus administradores: Art. 1.022. A sociedade adquire direitos, assume obrigações e procede judicialmente, por meio de administradores com poderes especiais, ou, não os havendo, por intermédio de qualquer administrador. Especificamente no que se refere à sociedade unipessoal, espécie à qual pertence a Contribuinte, a responsabilidade do sócio em relação às dívidas da sociedade está assim regulada no Código Civil: Art. 1.052. Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. § 1º A sociedade limitada pode ser constituída por 1 (uma) ou mais pessoas. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) § 2º Se for unipessoal, aplicar-se-ão ao documento de constituição do sócio único, no que couber, as disposições sobre o contrato social. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) Disto resulta a segregação do patrimônio dos sócios em relação ao patrimônio da sociedade. Apenas a parcela do patrimônio de cada sócio conferido ao capital social presta-se como garantia de terceiros ao contratar com a sociedade, e assim se sujeita ao risco do empreendimento. Em consequência, se os sócios empregam regularmente os recursos da sociedade, sem desvios, eles não podem ser chamados a responder por dívidas da sociedade. Aqui tem-se que a escrituração da Contribuinte foi considerada imprestável, para além da constatação que sua movimentação financeira transitou em favor da cônjuge do sócio, pelas razões antes expostas. Em tais circunstâncias, a autoridade fiscal tem competência para, na forma do art. 142 do CTN, constituir o crédito tributário pelo lançamento, identificando o sujeito passivo, conceito no qual está incluído não só o contribuinte, como também, nos termos do art. 121, parágrafo único, inciso II, o responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Fl. 2574DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 29 E, neste sentido, o CTN traz preceitos expressos acerca da responsabilidade solidária pelo crédito tributário das pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II – (...) Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (...) Impróprio afirmar que referido dispositivo não trata de responsabilidade de terceiro ou de inclusão de terceiro no polo passivo, referindo-se apenas à graduação de responsabilidade nos casos de pluralidade de sujeitos passivos. Apesar de localizado entre as normas gerais do capítulo de sujeição passiva, o citado dispositivo é uma espécie de responsabilidade tributária a ser compatibilizada com os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da vedação ao confisco. Neste sentido são as lições de Marcos Vinícius Neder, no artigo Solidariedade de Direito e de Fato – Reflexões acerca de seu Conceito5: Cumpre observar, nesse passo, que a norma de solidariedade albergada pelo artigo 124 do CTN é uma espécie de responsabilidade tributária, apesar de o dispositivo legal estar localizado topograficamente entre as normas gerais previstas no capítulo de Sujeição Passiva e, por conseguinte, fora do capítulo específico que regula a responsabilidade tributária. Decerto a organização dos dispositivos acerca de responsabilidade no Código segue uma orientação lógica, mas as reflexões sobre tal conjunto normativo devem considerar princípios constitucionais que atuam, especificamente, sobre o tema, como o da capacidade contributiva e da vedação ao confisco. O artigo 145 da Constituição Federal estabelece que os impostos devam ser graduados segundo a manifestação de riqueza do fato jurídico, e o art. 150 veda utilizar tributo com efeito de confisco. O texto constitucional prescreve, assim, que os fatos colhidos no mundo social para construção da hipótese de incidência tributária evidenciem capacidade econômica, evitando-se, assim, uma tributação excessiva que comprometa a subsistência dos contribuintes e avance sobre o patrimônio privado além do estritamente necessário à manutenção das atividades estatais. Esses valores informam todo o sistema jurídico e, por conseguinte, não há interpretar o art. 124 sem compatibilizar a norma de responsabilidade tributária com tais limitações constitucionais ao poder de tributar. Para tornar mais transparente a correlação entre esses princípios e a exeqüibilidade da imposição de responsabilidade por solidariedade, vale o recurso a um exemplo hipotético, porém esclarecedor. Se determinada propriedade 5 in FERRAGUT, Maria Rita e NEDER, Marcos Vinícius (coords.). Responsabilidade Tributária, Dialética, São Paulo: 2007, p. 32-33) Fl. 2575DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 30 pertencer a quatro irmãos em condição de igualdade, um dos co-proprietários pode ser chamado a responder por todo o débito anual do Imposto Territorial Rural sem guardar a proporcionalidade com sua fração ideal (25%). Assim, embora manifeste riqueza apenas por sua participação no bem imóvel (25%), poderá ser exigido pelo pagamento integral do tributo relativo à propriedade (100%). Consente a ordem jurídica essa imposição de responsabilidade tributária de forma desproporcional à capacidade contributiva em função da previsão legal de reembolso da quantia excedente paga em lugar dos demais devedores. De fato, cada co-proprietário se qualifica como contribuinte em relação ao tributo correspondente ao seu quinhão de interesse na propriedade e como responsável pelo pagamento do tributo excedente em relação ao que lhe cabe. Referido dispositivo legal, portanto, presta-se à inclusão de terceiro no polo passivo da obrigação tributária, mas desde que presente prova de sua atuação ao lado da pessoa jurídica, e fora de seu quadro social, com interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Neste sentido também, depois de abordar a hipótese de interposição de pessoas na prática de fatos jurídicos tributários, e ressaltar que a simulação dos atos constitutivos impõe o afastamento do sujeito passivo aparente para alcançar os reais titulares da renda, observa Marcos Vinícius Neder (Op. cit., p. 46): Outra situação completamente distinta é quando o ilícito é promovido por pessoa jurídica ativa e operacional, que, comprovadamente, tenha ocultado ou registrado indevidamente negócios jurídicos realizados em parcela com terceiros (sócios ocultos) para benefício comum. Nessa hipótese, não há falar em fictícia interposição de pessoas, mas em sociedade comum de fato, pois não é possível distinguir a sociedade de fato de seus integrantes (pessoas físicas e jurídicas). Diante dessas condições, é perfeitamente possível evidenciar solidariedade entre as pessoas que compõem a sociedade de fato, eis que, além do patrimônio comum amealhado em razão do ilícito, há interesse comum nos negócios jurídicos realizados em benefício dos envolvidos. Logo, o art. 124 do CTN, em seu inciso I, permite classificar como responsável solidário pelo crédito tributário aquele que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador. E esta condição pode ser imputada aos sócios de fato ou que agem como tais, sem figurar no quadro social da pessoa jurídica, e assim não desfrutando da proteção que a lei confere ao patrimônio pessoal daqueles que regularmente compõem uma sociedade. Significa dizer que tais agentes, cuja ação nas atividades da pessoa jurídica se dá para ocultar o sócio de direito, figuram no polo passivo da obrigação tributária ao lado da pessoa jurídica, praticando conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sem benefício de ordem, e destituídos de qualquer garantia que somente o vínculo societário formal lhes conferiria. Neste contexto, a responsabilidade solidária pelo crédito tributário, atribuída à cônjuge do administrador do empreendimento e beneficiária dos recursos obtidos com a atividade desenvolvida em nome da empresa, mostra-se perfeitamente Fl. 2576DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 31 compatível com os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da vedação ao confisco. No mesmo sentido são as ponderações da ex-Conselheira Adriana Gomes Rêgo, no voto condutor do Acórdão nº 9101-002.349, decidido à unanimidade em desfavor dos responsáveis tributários, com voto pelas conclusões dos ex- Conselheiros Luiz Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum, Nathália Correia Pompeu, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa e Maria Teresa Martinez Lopez: Em relação ao art. 124, I, do CTN, que estabelece a imposição de responsabilidade tributária solidária àqueles que "tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal", estou convencida de que os elementos fáticos colhidos pela Fiscalização são suficientes para demonstrar a ocorrência da situação descrita na norma. Embora entenda que a expressão "interesse comum" estampada nesse dispositivo não pode denotar o mero interesse econômico que todo o sócio tem nos resultados da empresa, sendo necessária uma relação de interesse mais direta com os fatos que deram ensejo à autuação fiscal, considero que a evidência de que os Recorrentes não apenas eram sócios de fato da Nutrilínea, mas estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta (LAÇO e SPASSO faziam a comercialização e armazenagem dos produtos da Nutrilínea), bem caracteriza a situação prevista na norma. O Sr Cláudio, representando a Spasso assinou um contrato de locação de 17 caminhões para a Nutrilínea; os próprios empréstimos bancários à Nutrilínea, que totalizavam mais de R$ 12 milhões, e que assinaram como devedores solidários também corrobora, enfim há um conjunto probatório robusto a reforçar o interesse comum. Discordo do entendimento trazido pelos sujeitos passivos ora recorrentes de que o art. 124, inciso I, só se aplica a contribuintes, pois o CTN não faz tal distinção. O que jurisprudência do STJ assinala é quanto à necessidade de ambos os solidários estarem no mesmo pólo de uma situação jurídica que tenha impacto na exação tributária (neste sentido, por exemplo, o REsp 884.845/SC, de 5/2/2009). No caso em comento, os recorrentes solidários, ao assinarem contratos, ao participarem como devedores solidários e fiéis depositários dos negócios da Nutrilínea, somando-se isso a todo o conjunto probatório, demonstram, sim, estarem no mesmo pólo jurídico da contribuinte, daí porque vislumbro a solidariedade por interesse comum. Também corroboram o entendimento aqui firmado as razões do ex-Conselheiro Rafael Vidal de Araújo expostas no Acórdão nº 9101-002.954 para, por maioria de votos, com a divergência dos ex-Conselheiros Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra (ausente o Conselheiro Luís Flávio Neto), restabelecer a responsabilidade do sócio de fato apontado na acusação fiscal: Via de regra, a solidariedade previstas no art. 124, I, do CTN, não deve mesmo ser aplicada para imputar responsabilidade tributária aos sócios/administradores de empresa (pessoa jurídica) pelos débitos devidos por esta. Fl. 2577DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 32 Isto porque, em condições normais, o sistema jurídico prevê apartação patrimonial entre a pessoa jurídica e as pessoas que compõem o seu quadro societário (sócios de direito), assim como entre a pessoa jurídica e seus administradores. Conforme o acórdão recorrido, a regra do art. 124, I, do CTN é realmente mais adequada para estabelecer solidariedade tributária, por exemplo, entre os coproprietários de um mesmo imóvel sobre o qual incide o IPTU, situação em que os solidários estão na mesma posição jurídica em relação ao fato gerador, em que eles co-realizam o fato gerador. Ocorre que a sonegação de tributo perpetrada via utilização fraudulenta da pessoa jurídica, mediante interposição de pessoas, modifica o quadro jurídico traçado acima, fazendo com que a pessoa jurídica seja tratada de modo semelhante a uma sociedade de fato (porque se comporta como tal), situação em que as pessoas envolvidas, por se encontrarem na mesma posição jurídica em relação ao fato gerador, respondem solidária e ilimitadamente pelos débitos surgidos do negócio. Na utilização fraudulenta de pessoa jurídica não há a mencionada apartação patrimonial, e os sócios de fato respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações surgidas de sua empresa (negócio/empreendimento). É esse contexto que justifica perfeitamente a aplicação do art. 124, I, do CTN ao caso sob exame. Além disso, restou caracterizado que Alberto Mucciolo podia dispor e administrar sozinho os recursos da empresa, que ele movimentava as contas bancárias, que assinava cheques e autorizações de transações bancárias, que tinha procuração para tanto, e que, desse modo, era quem administrava de fato a empresa, o que, dada a forma e o conteúdo de sua atuação como procurador/administrador, também enseja a aplicação do art. 135, II e III, do CTN. Do que se disse até aqui, já é possível verificar que as referidas regras não são excludentes. O vínculo obrigacional por uma regra surge em decorrência da condição de sócio de fato, enquanto pela outra, da condição de procurador/administrador. Quando uma pessoa participa de uma sociedade que se comporta como uma sociedade de fato, ela responde solidária e ilimitadamente pelos tributos decorrentes da atividade empresarial (art. 124, I, do CTN). Assim, deve ser NEGADO PROVIMENTO aos recursos voluntários quanto à imputação de responsabilidade a José Abelardo Guimarães Camarinha e Vinícius Almeida Camarinha, com fundamento no art. 124, I do CTN. Conclusão O presente voto, portanto, é por CONHECER dos recursos voluntários e DAR-LHES PARCIAL PROVIMENTO para reduzir a penalidade aplicada a 75%. Assinado Digitalmente Edeli Pereira Bessa Fl. 2578DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 33 Fl. 2579DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 11128.729776/2014-07
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 01 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Oct 08 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 07/05/2010
LAUDO LABORATORIAL. PRODUÇÃO NO PROCEDIMENTO FISCAL. CONTRADITÓRIO DIFERIDO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO.
A produção de análise laboratorial durante a fiscalização, sem participação prévia do importador, não acarreta nulidade quando o resultado é integralmente disponibilizado com o lançamento e pode ser contraditado na impugnação e no recurso. A força probatória e a suficiência técnica do laudo, contudo, permanecem sujeitas à apreciação motivada do julgador.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREPARAÇÃO À BASE DE ÓLEO MINERAL BRANCO. CONTEÚDO SUPERIOR A 70% EM PESO. NCM 2710.19.91.
A posição 2710 abrange não apenas óleos minerais isolados, mas também preparações não especificadas em outras posições que contenham, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos. Demonstrado que o produto importado é preparação à base de óleo mineral e que a ficha do fabricante indica 80% a 100% de petróleo branco, a presença de éster surfactante e manitol não autoriza sua transferência para a posição residual 3824. A mercadoria classifica-se no código NCM 2710.19.91.
POSIÇÃO 3824. CARÁTER RESIDUAL. INAPLICABILIDADE.
A posição 3824 somente alcança produtos e preparações não especificados nem compreendidos em outras posições. Comprovado o enquadramento objetivo na posição 2710, fica afastada a classificação residual adotada pela fiscalização.
TRIBUTOS VINCULADOS E PENALIDADES. CANCELAMENTO.
Reconhecida a classificação declarada, devem ser canceladas as diferenças de Imposto de Importação, IPI, PIS/Pasep-Importação e Cofins-Importação, com os juros e as multas de ofício correspondentes, bem como a multa autônoma de 1% por erro de classificação. Esta última também não subsistiria diante da revogação superveniente do art. 84 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001 e do art. 69 da Lei nº 10.833/2003 pela Lei Complementar nº 227/2026, aplicável ao ato não definitivamente julgado nos termos do art. 106, II, do CTN.
Numero da decisão: 3001-004.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Assinado Digitalmente
Leandro Wilhelm Wolff - Relator
Assinado Digitalmente
Marco Unaian Neves de Miranda - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carolina Oliveira Serra da Silveira, Leandro Wilhelm Wolff, Sergio Roberto Pereira Araujo, Marco Unaian Neves de Miranda (Presidente).
Nome do relator: LEANDRO WILHELM WOLFF
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 07/05/2010 LAUDO LABORATORIAL. PRODUÇÃO NO PROCEDIMENTO FISCAL. CONTRADITÓRIO DIFERIDO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. A produção de análise laboratorial durante a fiscalização, sem participação prévia do importador, não acarreta nulidade quando o resultado é integralmente disponibilizado com o lançamento e pode ser contraditado na impugnação e no recurso. A força probatória e a suficiência técnica do laudo, contudo, permanecem sujeitas à apreciação motivada do julgador. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREPARAÇÃO À BASE DE ÓLEO MINERAL BRANCO. CONTEÚDO SUPERIOR A 70% EM PESO. NCM 2710.19.91. A posição 2710 abrange não apenas óleos minerais isolados, mas também preparações não especificadas em outras posições que contenham, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos. Demonstrado que o produto importado é preparação à base de óleo mineral e que a ficha do fabricante indica 80% a 100% de petróleo branco, a presença de éster surfactante e manitol não autoriza sua transferência para a posição residual 3824. A mercadoria classifica-se no código NCM 2710.19.91. POSIÇÃO 3824. CARÁTER RESIDUAL. INAPLICABILIDADE. A posição 3824 somente alcança produtos e preparações não especificados nem compreendidos em outras posições. Comprovado o enquadramento objetivo na posição 2710, fica afastada a classificação residual adotada pela fiscalização. TRIBUTOS VINCULADOS E PENALIDADES. CANCELAMENTO. Reconhecida a classificação declarada, devem ser canceladas as diferenças de Imposto de Importação, IPI, PIS/Pasep-Importação e Cofins-Importação, com os juros e as multas de ofício correspondentes, bem como a multa autônoma de 1% por erro de classificação. Esta última também não subsistiria diante da revogação superveniente do art. 84 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001 e do art. 69 da Lei nº 10.833/2003 pela Lei Complementar nº 227/2026, aplicável ao ato não definitivamente julgado nos termos do art. 106, II, do CTN.
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PRODUÇÃO NO PROCEDIMENTO FISCAL. CONTRADITÓRIO DIFERIDO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. A produção de análise laboratorial durante a fiscalização, sem participação prévia do importador, não acarreta nulidade quando o resultado é integralmente disponibilizado com o lançamento e pode ser contraditado na impugnação e no recurso. A força probatória e a suficiência técnica do laudo, contudo, permanecem sujeitas à apreciação motivada do julgador. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREPARAÇÃO À BASE DE ÓLEO MINERAL BRANCO. CONTEÚDO SUPERIOR A 70% EM PESO. NCM 2710.19.91. A posição 2710 abrange não apenas óleos minerais isolados, mas também preparações não especificadas em outras posições que contenham, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos. Demonstrado que o produto importado é preparação à base de óleo mineral e que a ficha do fabricante indica 80% a 100% de petróleo branco, a presença de éster surfactante e manitol não autoriza sua transferência para a posição residual 3824. A mercadoria classifica-se no código NCM 2710.19.91. POSIÇÃO 3824. CARÁTER RESIDUAL. INAPLICABILIDADE. A posição 3824 somente alcança produtos e preparações não especificados nem compreendidos em outras posições. Comprovado o enquadramento objetivo na posição 2710, fica afastada a classificação residual adotada pela fiscalização. TRIBUTOS VINCULADOS E PENALIDADES. CANCELAMENTO. Reconhecida a classificação declarada, devem ser canceladas as diferenças de Imposto de Importação, IPI, PIS/Pasep-Importação e Cofins-Importação, Fl. 166DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.272 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11128.729776/2014-07 2 com os juros e as multas de ofício correspondentes, bem como a multa autônoma de 1% por erro de classificação. Esta última também não subsistiria diante da revogação superveniente do art. 84 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001 e do art. 69 da Lei nº 10.833/2003 pela Lei Complementar nº 227/2026, aplicável ao ato não definitivamente julgado nos termos do art. 106, II, do CTN. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Leandro Wilhelm Wolff – Relator Assinado Digitalmente Marco Unaian Neves de Miranda – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carolina Oliveira Serra da Silveira, Leandro Wilhelm Wolff, Sergio Roberto Pereira Araujo, Marco Unaian Neves de Miranda (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 108-022.364, proferido pela 17ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento 08, que julgou improcedente a impugnação e manteve integralmente o crédito tributário constituído por erro de classificação fiscal. A autuação decorre da revisão da adição 001 da Declaração de Importação nº 10/0749398-6, registrada em 07/05/2010. Foram importados 14.000 kg do produto comercial MONTANIDE ISA 70M VG, lotes T00339, T00419 e T00619, descrito na declaração como óleos minerais brancos, óleos de vaselina ou de parafina, e classificado no código NCM 2710.19.91. Com a classificação declarada, foram aplicadas as alíquotas de 4% para o Imposto de Importação e de 0% para o IPI, além das alíquotas de 1,65% e 7,60% para PIS/Pasep- Importação e Cofins-Importação. O valor aduaneiro da adição foi de R$ 265.102,61. Fl. 167DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.272 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11128.729776/2014-07 3 Durante a conferência aduaneira foi coletada amostra do lote T00419, encaminhada mediante Pedido de Exame Laboratorial nº LAB/1441/2010-EQCOF. O Laudo de Análise nº 1738/2010-1, emitido em 24/06/2010, registrou: aspecto líquido amarelo pouco viscoso; identificação positiva para hidrocarboneto alifático, grupamento éster, grupamento hidroxilado e óleo mineral; característica para manitol; e teor de não voláteis de 88,4%. Sua conclusão descreveu a mercadoria como preparação de manitol e grupamento éster em óleo mineral, utilizada em formulações de diluentes para vacinas, acrescentando, em resposta aos quesitos, que não se trataria de óleo mineral puro. Com base nessa conclusão, a Fiscalização entendeu que a mercadoria deveria ser classificada no código NCM 3824.90.89, correspondente a outros produtos e preparações à base de compostos orgânicos não especificados nem compreendidos em outras posições. A alteração elevou as alíquotas do Imposto de Importação para 14% e do IPI para 10% e repercutiu nas bases do PIS/Pasep-Importação e da Cofins-Importação. Foram lançadas as diferenças tributárias, multas de ofício de 75%, juros de mora e multa autônoma de 1% sobre o valor aduaneiro. Composição do crédito tributário no demonstrativo consolidado da autuação, em valores originários de novembro de 2014: Rubrica Principal (R$) Juros (R$) Multa (R$) Total (R$) IPI vinculado 30.221,69 12.593,37 22.666,27 65.481,33 Imposto de Importação 26.510,26 11.046,82 19.882,70 57.439,78 Multa autônoma de 1% — — 2.651,02 2.651,02 PIS/Pasep-Importação 226,43 94,35 169,82 490,60 Cofins-Importação 1.042,93 434,58 782,20 2.259,71 TOTAL — — — 128.322,43 Cientificada do lançamento em 18/11/2014, a então interessada apresentou impugnação em 17/12/2014. Sustentou, em síntese: impossibilidade de mudança de critério jurídico em relação a fiscalizações anteriores; nulidade do laudo por ter sido produzido sem sua participação; correção da NCM 2710.19.91; inaplicabilidade das multas de ofício e da multa autônoma; e suficiência da descrição constante da declaração de importação. Foram juntados, entre outros elementos, boletim técnico do fabricante que qualifica o produto como adjuvante à base de óleo mineral, produzido com óleo mineral injetável de alta qualidade e emulsificante refinado derivado de manitol e ácido oleico purificado, bem como ficha de dados de segurança que identifica a mercadoria como mistura e informa a presença de 80% a 100% de petróleo branco. Os documentos identificam o mesmo nome comercial e o mesmo código de produto objeto da importação. Em sessão de 18/10/2021, a DRJ afastou as nulidades e manteve a reclassificação para a NCM 3824.90.89. Considerou que o produto não seria óleo mineral, mas preparação de Fl. 168DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.272 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11128.729776/2014-07 4 manitol e éster em óleo mineral; concluiu, por isso, que a posição residual 3824 seria adequada. Também manteve a multa de ofício e a multa autônoma de 1%, ao fundamento de que a descrição declarada não conteria todos os elementos essenciais da mercadoria. A ciência do acórdão recorrido ocorreu em 16/11/2021. O Recurso Voluntário foi apresentado em 14/12/2021 pela sucessora por incorporação, acompanhado dos documentos de representação pertinentes. No recurso, a Recorrente alega, em síntese: a posição 2710 deve prevalecer pela aplicação da RGI 1, porque seu texto inclui preparações contendo 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo como constituintes básicos; a documentação técnica do fabricante comprova que o MONTANIDE ISA 70M VG contém de 80% a 100% de petróleo branco e que o óleo mineral constitui sua base; a posição 3824 é residual e não pode ser aplicada quando a mercadoria já se encontra compreendida na posição 2710; a descrição da declaração de importação, acrescida do nome comercial, do fabricante e dos lotes, permitiu a perfeita identificação da mercadoria, razão pela qual a multa de 1% deve ser afastada; e o laudo laboratorial não poderia fundamentar o lançamento, por ter sido produzido unilateralmente e sem prévio contraditório. Ao final, requer o provimento do recurso para reconhecer a classificação NCM 2710.19.91, cancelar integralmente a exigência, excluir a multa por erro de classificação e afastar o laudo laboratorial. É o relatório. VOTO Conselheiro Leandro Wilhelm Wolff, Relator 1. Admissibilidade A Recorrente foi cientificada do acórdão de primeira instância em 16/11/2021 e protocolou o Recurso Voluntário em 14/12/2021. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Fl. 169DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.272 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11128.729776/2014-07 5 2. Da alegada nulidade do laudo laboratorial A Recorrente pede o afastamento do Laudo de Análise nº 1738/2010-1 porque não teria participado de sua produção. A preliminar não procede. O exame foi realizado como ato instrutório da fiscalização e seu conteúdo foi incorporado ao lançamento. A partir da ciência do auto de infração, a Recorrente teve acesso ao documento, apresentou impugnação detalhada, juntou documentação técnica do fabricante e voltou a discutir suas conclusões no Recurso Voluntário. Não se identifica, portanto, preterição concreta do direito de defesa ou prejuízo processual capaz de atrair a nulidade prevista no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Rejeitar a nulidade, contudo, não significa atribuir ao laudo valor absoluto. Cabe ao julgador confrontar seus dados analíticos com o texto da NCM e com as demais provas. É justamente nesse exame conjunto que a conclusão classificatória da autuação não se sustenta, conforme será visto a seguir. 3. Da classificação fiscal A classificação fiscal é determinada, em primeiro lugar, pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, nos termos da RGI 1. Somente depois de definida a posição aplicam-se, no mesmo nível, as regras pertinentes às subposições e aos desdobramentos nacionais. No caso, o texto da posição 2710, vigente na data do registro da declaração, alcançava os óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto óleos brutos, e também as preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições que contivessem, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, daqueles óleos. O código NCM 2710.19.91 identificava os óleos minerais brancos, também denominados óleos de vaselina ou de parafina. Essa redação é decisiva. A posição 2710 não está limitada ao óleo mineral puro. Ela expressamente compreende misturas e preparações nas quais o óleo de petróleo seja o constituinte básico e represente pelo menos 70% do peso. Assim, a presença de outros componentes não exclui, por si só, a posição 2710. A prova produzida pela própria Fiscalização confirma que a mercadoria é uma preparação em óleo mineral. O laudo identificou óleo mineral, hidrocarboneto alifático, manitol e grupamento éster e concluiu tratar-se de preparação de manitol e éster em óleo mineral. A resposta de que o produto ‘não se trata de óleo mineral’ apenas indica que não é substância pura; não responde à questão jurídica relevante, que é saber se se trata de preparação contendo 70% ou mais de óleo mineral como elemento básico. A documentação do fabricante supre precisamente essa lacuna quantitativa. O boletim técnico descreve o MONTANIDE ISA 70M VG como adjuvante à base de óleo mineral, composto por óleo mineral injetável de alta qualidade e emulsificante refinado derivado de Fl. 170DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.272 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11128.729776/2014-07 6 manitol e ácido oleico. A ficha de dados de segurança o qualifica como mistura e informa teor de 80% a 100% de petróleo branco. A identidade comercial e o código do produto coincidem com os constantes da documentação de importação. Embora a ficha de segurança juntada tenha data posterior à importação, esse aspecto não afasta sua pertinência. O documento se refere ao mesmo produto comercial e ao mesmo código de produto; o laudo de 2010, realizado sobre amostra efetivamente colhida da adição, confirma a mesma estrutura material — óleo mineral associado a éster surfactante de manitol — e não existe nos autos elemento técnico que indique reformulação entre a importação e a emissão da ficha. A amostra analisada pertencia ao lote T00419, um dos três lotes declarados na adição. Foi a própria Fiscalização que tomou esse resultado como representativo da totalidade dos 14.000 kg importados. Não há prova de diferença de formulação entre os lotes T00339, T00419 e T00619, todos identificados pelo mesmo produto comercial. Por isso, o conjunto probatório pode ser utilizado, coerentemente, para decidir toda a adição. A DRJ reproduziu o texto da posição 2710, inclusive o limiar objetivo de 70%, mas não confrontou esse requisito com a informação de 80% a 100% de petróleo branco constante da documentação técnica. Limitou-se a afirmar que, por ser preparação, a mercadoria não seria óleo mineral. Essa premissa não é compatível com o próprio texto tarifário, que inclui preparações. A posição 3824, por sua vez, tem caráter residual: alcança produtos e preparações das indústrias químicas ou conexas não especificados nem compreendidos em outras posições. Uma vez demonstrado o enquadramento na posição 2710, não é juridicamente possível deslocar a mercadoria para a posição 3824 apenas porque contém manitol e grupamento éster. No nível do subitem, o constituinte básico identificado pelo fabricante é petróleo branco, e a declaração descreveu a mercadoria como óleo mineral branco de vaselina ou parafina. Esses elementos conduzem ao código NCM 2710.19.91. A utilização do produto como adjuvante veterinário não altera esse resultado, pois sua composição satisfaz diretamente o texto da posição e do subitem. O acervo probatório é suficiente para o julgamento. A realização de diligência para nova análise, mais de dezesseis anos após a importação, não é necessária. 4. Dos efeitos do reconhecimento da NCM 2710.19.91 A exigência foi constituída exclusivamente em razão da substituição da NCM 2710.19.91 pela NCM 3824.90.89. Reconhecida a classificação declarada, desaparece o suporte das diferenças de Imposto de Importação, IPI, PIS/Pasep-Importação e Cofins-Importação. Devem ser cancelados, por consequência, os juros incidentes sobre essas diferenças e as multas de ofício de 75% a elas vinculadas. Fl. 171DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.272 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11128.729776/2014-07 7 Também deve ser cancelada a multa autônoma de 1% sobre o valor aduaneiro, porque não houve o erro de classificação que constituiu seu pressuposto. Ademais, durante a tramitação do processo, o art. 181, II e III, da Lei Complementar nº 227, de 13/01/2026, revogou o art. 84 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001 e o art. 69 da Lei nº 10.833/2003, bases legais da penalidade. Por se tratar de ato ainda não definitivamente julgado, incide a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, do CTN. O provimento, portanto, alcança integralmente o crédito consolidado no processo. 5. Conclusão Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do Laudo de Análise nº 1738/2010-1 e, no mérito, dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer que o produto MONTANIDE ISA 70M VG, importado na adição 001 da DI nº 10/0749398-6, classifica-se no código NCM 2710.19.91; cancelar as diferenças lançadas de Imposto de Importação, IPI, PIS/Pasep-Importação e Cofins-Importação, bem como os juros de mora e as multas de ofício de 75% correspondentes; e cancelar a multa autônoma de 1% sobre o valor aduaneiro. É como voto. Assinado Digitalmente Leandro Wilhelm Wolff Fl. 172DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10183.908812/2016-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 21 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Oct 06 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2014 a 30/06/2014
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há nulidade quando a decisão é proferida por autoridade competente, contém fundamentação suficiente e assegura o exercício do contraditório e da ampla defesa. Eventual discordância quanto à valoração das provas constitui matéria de mérito, não ensejando a invalidação do processo administrativo.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2014 a 30/06/2014
CRÉDITOS. INSUMOS. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA.
O enquadramento de bens e serviços como insumos deve observar os critérios da essencialidade e da relevância fixados pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR.
CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO.
É vedado o aproveitamento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins relativamente à aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições, inclusive nas hipóteses de alíquota zero, nos termos do art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Incumbe ao sujeito passivo comprovar a certeza e a liquidez do direito creditório pleiteado.
DESPESAS ADMINISTRATIVAS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
Despesas vinculadas a atividades meramente administrativas, sem demonstração de integração ao processo produtivo, não geram direito ao creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins.
EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL E FERRAMENTAS EMPREGADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
Calças, camisas, protetores faciais, ferramentas e materiais correlatos utilizados diretamente no processo produtivo, quando demonstrada sua essencialidade ou relevância, enquadram-se no conceito de insumo e geram direito ao crédito.
FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. CRÉDITOS.
É permitido o aproveitamento de créditos relativos a serviços de frete contratados de forma autônoma na aquisição de insumos, desde que observados os requisitos da Súmula CARF nº 188.
FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS.
Geram direito ao crédito as despesas com frete vinculadas ao transporte de insumos e de produtos em elaboração. Não geram crédito as despesas com frete relativas ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, nos termos da Súmula CARF nº 217.
CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RETIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. NECESSIDADE.
O aproveitamento de créditos extemporâneos exige a apresentação das declarações retificadoras pertinentes, conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 231.
Numero da decisão: 3201-013.657
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar a glosa de créditos nos seguintes termos: (i) por unanimidade de voto, em relação a (i.1) créditos reconhecidos pela autoridade fiscal na Informação Fiscal elaborada em cumprimento à diligência determinada por este Conselho (bens utilizados como insumos e armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda), (i.2) protetores faciais, calças, camisas, ferramentas e materiais correlatos tais como cal virgem, chaves combinadas, espátula, mangote de couro, óculos de segurança, pano de saco e transformador bivolt comprovadamente empregados no processo produtivo, (i.3) despesas com fretes na aquisição de peças de reposição de máquinas do ativo imobilizado, lubrificantes, graxas, aditivos e materiais de embalagem, bem como sobre a locação de empilhadeiras, desde que devidamente comprovados, observado o entendimento firmado na fundamentação do voto, e (i.4) despesas com fretes vinculados ao transporte de insumos e de produtos em elaboração entre estabelecimentos do Recorrente; e, (ii) por maioria de votos, para manter as demais glosas de créditos, vencido o conselheiro Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, que também revertia a glosa em relação à aquisição de clips para cabo de aço. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-013.655, de 21 de julho de 2026, prolatado no julgamento do processo 10183.908810/2016-34, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Hélcio Lafetá Reis - Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Fabiana Francisco de Miranda, Flavia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Helcio Lafeta Reis e Marcelo Enk de Aguiar.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2014 a 30/06/2014 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade quando a decisão é proferida por autoridade competente, contém fundamentação suficiente e assegura o exercício do contraditório e da ampla defesa. Eventual discordância quanto à valoração das provas constitui matéria de mérito, não ensejando a invalidação do processo administrativo. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2014 a 30/06/2014 CRÉDITOS. INSUMOS. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. O enquadramento de bens e serviços como insumos deve observar os critérios da essencialidade e da relevância fixados pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. É vedado o aproveitamento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins relativamente à aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições, inclusive nas hipóteses de alíquota zero, nos termos do art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Incumbe ao sujeito passivo comprovar a certeza e a liquidez do direito creditório pleiteado. DESPESAS ADMINISTRATIVAS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Despesas vinculadas a atividades meramente administrativas, sem demonstração de integração ao processo produtivo, não geram direito ao creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL E FERRAMENTAS EMPREGADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Calças, camisas, protetores faciais, ferramentas e materiais correlatos utilizados diretamente no processo produtivo, quando demonstrada sua essencialidade ou relevância, enquadram-se no conceito de insumo e geram direito ao crédito. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. CRÉDITOS. É permitido o aproveitamento de créditos relativos a serviços de frete contratados de forma autônoma na aquisição de insumos, desde que observados os requisitos da Súmula CARF nº 188. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. Geram direito ao crédito as despesas com frete vinculadas ao transporte de insumos e de produtos em elaboração. Não geram crédito as despesas com frete relativas ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, nos termos da Súmula CARF nº 217. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RETIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. NECESSIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos exige a apresentação das declarações retificadoras pertinentes, conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 231.
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PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade quando a decisão é proferida por autoridade competente, contém fundamentação suficiente e assegura o exercício do contraditório e da ampla defesa. Eventual discordância quanto à valoração das provas constitui matéria de mérito, não ensejando a invalidação do processo administrativo. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2014 a 30/06/2014 CRÉDITOS. INSUMOS. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. O enquadramento de bens e serviços como insumos deve observar os critérios da essencialidade e da relevância fixados pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. É vedado o aproveitamento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins relativamente à aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições, inclusive nas hipóteses de alíquota zero, nos termos do art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Incumbe ao sujeito passivo comprovar a certeza e a liquidez do direito creditório pleiteado. DESPESAS ADMINISTRATIVAS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 19777DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.657 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908812/2016-23 2 Despesas vinculadas a atividades meramente administrativas, sem demonstração de integração ao processo produtivo, não geram direito ao creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL E FERRAMENTAS EMPREGADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Calças, camisas, protetores faciais, ferramentas e materiais correlatos utilizados diretamente no processo produtivo, quando demonstrada sua essencialidade ou relevância, enquadram-se no conceito de insumo e geram direito ao crédito. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. CRÉDITOS. É permitido o aproveitamento de créditos relativos a serviços de frete contratados de forma autônoma na aquisição de insumos, desde que observados os requisitos da Súmula CARF nº 188. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. Geram direito ao crédito as despesas com frete vinculadas ao transporte de insumos e de produtos em elaboração. Não geram crédito as despesas com frete relativas ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, nos termos da Súmula CARF nº 217. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RETIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. NECESSIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos exige a apresentação das declarações retificadoras pertinentes, conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 231. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar a glosa de créditos nos seguintes termos: (i) por unanimidade de voto, em relação a (i.1) créditos reconhecidos pela autoridade fiscal na Informação Fiscal elaborada em cumprimento à diligência determinada por este Conselho (bens utilizados como insumos e armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda), (i.2) protetores faciais, calças, camisas, ferramentas e materiais correlatos — tais como cal virgem, chaves combinadas, espátula, mangote de couro, óculos de segurança, pano de saco e transformador bivolt — comprovadamente empregados no processo produtivo, (i.3) despesas com fretes na aquisição de peças de reposição de máquinas do ativo imobilizado, lubrificantes, graxas, aditivos e materiais de embalagem, bem como sobre a locação Fl. 19778DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.657 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908812/2016-23 3 de empilhadeiras, desde que devidamente comprovados, observado o entendimento firmado na fundamentação do voto, e (i.4) despesas com fretes vinculados ao transporte de insumos e de produtos em elaboração entre estabelecimentos do Recorrente; e, (ii) por maioria de votos, para manter as demais glosas de créditos, vencido o conselheiro Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, que também revertia a glosa em relação à aquisição de clips para cabo de aço. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201- 013.655, de 21 de julho de 2026, prolatado no julgamento do processo 10183.908810/2016-34, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Fabiana Francisco de Miranda, Flavia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Helcio Lafeta Reis e Marcelo Enk de Aguiar. RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, em síntese abaixo, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2014 a 30/06/2014 NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS. O termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas apenas aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES NÃO SUJEITAS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. Fl. 19779DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.657 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908812/2016-23 4 Os artigos 3º, parágrafo 2º, inciso II das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 estabelecem de forma expressa que é vedado desconto dos créditos sobre as aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições. No regime de não- cumulatividade das contribuições PIS e COFINS, o aproveitamento de créditos está baseado na premissa da incidência dessas contribuições nas aquisições dos bens e serviços empregados no processo produtivo. FRETES. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS. CREDITAMENTO. Por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção de bens destinados à venda e nem se referirem à operação de venda de mercadorias, as despesas efetuadas com fretes contratados para o transporte de produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito à apuração de créditos. FRETES. COMPRAS DE INSUMOS. CREDITAMENTO Não há que se falar em creditamento em relação ao custo do serviço de transporte dos bens adquiridos, e sim analisar a possibilidade de creditamento em relação à aquisição dos bens cujos custos englobam os de transporte. Os dispêndios com transportes na aquisição de bens devem integrar o custo de aquisição de tais bens. A possibilidade de aproveitamento dessas despesas depende da correta apuração e contabilização, guardando estrita relação com a natureza dos insumos adquiridos. Está correta a glosa de fretes pagos na compra de insumos indevidamente incluídos na rubrica “armazenagem e frete nas operações de venda”, pois foram indevidamente apropriados e registrados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2014 a 30/06/2014 DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Para o reconhecimento em favor do sujeito passivo, é necessário que restem plenamente caracterizados os atributos de certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Ou seja, o crédito pretendido deve ser comprovado por meio da escrituração contábil e fiscal, bem como pelos documentos que a respalde. Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, requerendo o reconhecimento do direito creditório, a homologação das compensações vinculadas ao pedido de ressarcimento e a anulação dos débitos decorrentes das glosas efetuadas. Ao apreciar inicialmente o recurso, esta Turma, por meio de Resolução, converteu o julgamento em diligência, em razão da necessidade de reexaminar os créditos pleiteados à luz da orientação firmada pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.221.170/PR, que afastou o conceito restritivo de insumo previsto nas Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e nº 404/2004, adotando os critérios da essencialidade e da relevância posteriormente sistematizados no Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5, de 17 de dezembro de 2018. Fl. 19780DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.657 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908812/2016-23 5 Para tanto, determinou que a autoridade preparadora procedesse à análise conjunta da documentação constante destes autos e do e-Dossiê nº 10010.019402/0716-20, elaborando relatório detalhado acerca dos créditos relativos à aquisição de bens utilizados como insumos e às despesas com armazenagem e frete na operação de venda, com discriminação dos valores comprovados, das razões das glosas e da participação de cada item na atividade da empresa. Determinou, ainda, caso necessário, a intimação da contribuinte para apresentação de documentos ou esclarecimentos complementares, assegurando-lhe o exercício do contraditório antes do retorno dos autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. Em cumprimento à diligência determinada pelo CARF, a autoridade fiscal procedeu à reanálise dos créditos relativos às aquisições de bens utilizados como insumos e às despesas com armazenagem e frete, elaborando relatório circunstanciado acerca dos valores comprovados e das razões para a manutenção ou o afastamento das glosas inicialmente efetuadas, após o que os autos retornaram a este Conselho para prosseguimento do julgamento. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Conforme relatado, trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJ que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em face de Despacho Decisório que deferiu parcialmente pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, referente ao 1º trimestre de 2013, no valor de R$ 160.182,80. O deferimento parcial decorreu da glosa de créditos cuja apuração não atendeu aos requisitos legais, especialmente em relação ao conceito de insumo, ao aproveitamento de créditos sobre aquisições não sujeitas à incidência das contribuições, ao creditamento de despesas com fretes e à insuficiência de comprovação do direito creditório. Ao apreciar a Manifestação de Inconformidade, a DRJ manteve integralmente o Despacho Decisório, assentando, em síntese, que: (i) o conceito de insumo não abrange toda despesa necessária à atividade empresarial, mas apenas os bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (ii) é vedado o desconto de créditos relativos a aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições; (iii) despesas com fretes de transferência entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a crédito; (iv) despesas com fretes na aquisição de insumos devem compor o custo de aquisição dos respectivos bens, não podendo ser apropriadas como despesas de armazenagem e frete nas operações de venda; e (v) o Fl. 19781DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.657 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908812/2016-23 6 reconhecimento do direito creditório exige prova da sua certeza e liquidez, mediante escrituração contábil e fiscal regularmente respaldada por documentação idônea. Em cumprimento à diligência determinada por este Conselho, a autoridade fiscal elaborou Informação Fiscal circunstanciada, reexaminando as glosas objeto da controvérsia à luz dos critérios estabelecidos pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR e do Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5/2018, mantendo apenas aquelas consideradas indevidas segundo os novos parâmetros interpretativos. Cientificada da Informação Fiscal, a recorrente apresentou razões adicionais de recurso, esclarecendo que não impugna os créditos reconhecidos pela autoridade fiscal, restringindo sua irresignação às glosas remanescentes, cuja reforma pleiteia com fundamento na documentação constante dos autos e na legislação aplicável. De pronto, registro que acompanho as conclusões da Informação Fiscal quanto à reversão das glosas nela reconhecidas, por entender que se encontram em consonância com os parâmetros fixados pelo Superior Tribunal de Justiça e pela orientação administrativa vigente. Remanescem, contudo, pontos controvertidos, cuja análise passo a realizar. Da preliminar de nulidade Em suas razões recursais, a recorrente suscita, preliminarmente, a nulidade do acórdão recorrido, ao argumento de que a DRJ deixou de apreciar a integralidade da documentação comprobatória constante do e-Dossiê nº 10010.019402/0716- 20, especialmente quanto às despesas de frete, circunstância que teria comprometido o exame do direito creditório pleiteado. Sustenta que a decisão recorrida violou o dever de fundamentação, por não enfrentar todos os argumentos e documentos capazes de infirmar a conclusão adotada, em afronta ao art. 31 do Decreto nº 70.235/1972, aos arts. 2º e 50 da Lei nº 9.784/1999, ao art. 93, IX, da Constituição Federal e ao art. 489, § 1º, do Código de Processo Civil. Afirma, ainda, que a ausência de análise da documentação caracterizou cerceamento do direito de defesa, requerendo a decretação da nulidade do acórdão recorrido e do despacho decisório, com o reconhecimento integral dos créditos pleiteados. Não assiste razão a recorrente. Nos termos dos arts. 59 a 61 do Decreto nº 70.235/1972, a nulidade do procedimento ou da decisão administrativa somente se configura nas hipóteses expressamente previstas em lei, notadamente quando praticados por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Nenhuma dessas hipóteses se verifica no presente caso. Fl. 19782DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.657 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908812/2016-23 7 A decisão recorrida foi proferida por autoridade competente e apresenta motivação suficiente para permitir a compreensão das razões de decidir e o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, tanto que a recorrente impugnou especificamente seus fundamentos por meio do presente Recurso Voluntário. A alegada deficiência de fundamentação igualmente não procede. O dever de motivação exige que o julgador exponha os fundamentos de fato e de direito que embasam sua conclusão, não lhe sendo imposto enfrentar individualmente todos os argumentos, documentos ou alegações deduzidos pelas partes quando já houver fundamentação suficiente para a solução da controvérsia. De todo modo, eventual insuficiência na análise da documentação restou superada pela diligência determinada por este Conselho, ocasião em que a autoridade fiscal reexaminou os documentos constantes destes autos e do e- Dossiê nº 10010.019402/0716-20 à luz dos critérios fixados pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR e pelo Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5/2018, elaborando Informação Fiscal circunstanciada. Após sua ciência, foi oportunizado à recorrente apresentar razões adicionais de recurso, as quais foram efetivamente apresentadas. Além disso, a recorrente confunde matéria preliminar com matéria de mérito. A alegação de que determinados documentos conduziriam ao reconhecimento do direito creditório ou à reversão de glosas remanescentes diz respeito à valoração da prova e ao exame da existência do direito alegado, questões que serão apreciadas no mérito do recurso, não constituindo vícios capazes de macular a validade do processo administrativo. Assim, ausentes as hipóteses de nulidade previstas no Decreto nº 70.235/1972, rejeito a preliminar suscitada. Mérito Conforme delimitado pela própria recorrente em suas razões adicionais de recurso, a controvérsia restringe-se às glosas remanescentes mantidas pela autoridade fiscal após a realização da diligência determinada por este Conselho, não havendo insurgência quanto aos créditos reconhecidos na Informação Fiscal. A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, instituiu o regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS/Pasep, aplicável às pessoas jurídicas tributadas com base no Lucro Real. De acordo com o art. 3º da referida norma, é permitido ao contribuinte descontar, da contribuição devida no mês, créditos apurados em relação a determinados custos, despesas e encargos vinculados à sua atividade econômica. O caput do artigo estabelece a regra-matriz do direito ao crédito, enquanto os incisos disciplinam hipóteses específicas de creditamento. Entre essas hipóteses, destacam-se: a aquisição de bens para revenda (inciso I); a aquisição de bens e Fl. 19783DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.657 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908812/2016-23 8 serviços utilizados como insumos na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (inciso II); o consumo de energia elétrica nos estabelecimentos da pessoa jurídica (inciso III); e os pagamentos de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa (inciso IV), entre outros. No que se refere ao inciso II, o conceito de “insumo” não foi expressamente definido pela legislação, o que gerou divergências interpretativas relevantes. Inicialmente, a Administração Tributária adotava entendimento mais restritivo, com base nas Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e nº 404/2004. Esse posicionamento, no entanto, foi superado pelo julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, pelo Superior Tribunal de Justiça, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que fixou como critério para o creditamento a demonstração da essencialidade ou relevância do bem ou serviço em relação à atividade econômica desenvolvida. Esse entendimento foi incorporado à atuação da Administração Pública Federal, conforme expresso na Nota SEI nº 63/2018 da PGFN, no Parecer Normativo COSIT nº 5/2018 e na Instrução Normativa RFB nº 2.121, de 15 de dezembro de 2022, os quais reconhecem que, para fins de geração de créditos no regime da não cumulatividade das contribuições, a caracterização de insumo deve observar esses dois critérios: essencialidade e relevância, considerados à luz do processo produtivo ou da prestação de serviços da pessoa jurídica. No mesmo sentido, a jurisprudência consolidada do CARF vem adotando tal critério interpretativo, reconhecendo o direito ao crédito quando demonstrada a vinculação direta entre o bem ou serviço e a atividade-fim do contribuinte. Ressalte-se que o CARF tem seguido um entendimento intermediário: não tão restritivo quanto aquele previsto nas Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e nº 404/2004, que foram declaradas ilegais pelo Superior Tribunal de Justiça, tampouco tão amplo quanto o pretendido por parte dos contribuintes. Para este Conselho, a caracterização de um insumo está diretamente relacionada à pertinência ou necessidade da despesa dentro dos limites espaço-temporais do processo produtivo ou da prestação de serviços, sendo imprescindível a demonstração concreta do seu papel na dinâmica operacional da empresa. Dessa forma, a aferição do direito ao crédito no regime da não cumulatividade exige análise fático-probatória à luz do critério jurídico consolidado, segundo o qual apenas os bens e serviços essenciais ou relevantes ao processo produtivo ou à prestação de serviços da pessoa jurídica podem ser considerados insumos. Conforme já exposto, a aplicação dos parâmetros de essencialidade e relevância — consagrados pelo Superior Tribunal de Justiça e acolhidos pela jurisprudência deste Conselho — demanda apreciação casuística, de modo a verificar se os itens questionados possuem, de fato, função indispensável ou significativa no desempenho da atividade econômica da contribuinte. Fl. 19784DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.657 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908812/2016-23 9 Cumpre ressaltar, contudo, que o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, delimitou o conceito de insumo previsto no art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, mediante a adoção dos critérios da essencialidade e relevância. Assim, tais parâmetros destinam-se à análise das hipóteses de creditamento fundamentadas no conceito jurídico de insumo, não afastando a necessidade de observância dos requisitos próprios estabelecidos pelo legislador para as demais modalidades de créditos previstas no regime da não cumulatividade. Portanto, a análise dos créditos objeto da presente controvérsia deve observar a natureza específica de cada dispêndio, verificando-se, em relação aos itens enquadrados como insumos, sua essencialidade ou relevância para o processo produtivo ou para a prestação de serviços desenvolvida pela pessoa jurídica. Glosa de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições Foram objeto de glosa os créditos relativos à aquisição de bens e serviços utilizados como insumos que, segundo a fiscalização, não estavam sujeitos ao pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. A glosa foi fundamentada no art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, segundo o qual não dão direito a crédito as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das referidas contribuições. A recorrente alega que a glosa carece de fundamentação individualizada, porquanto a fiscalização não identificou os Códigos de Situação Tributária (CST) nem as Notas Fiscais eletrônicas que embasariam a conclusão de que as aquisições não estariam sujeitas ao pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Sustenta que as notas fiscais de aquisição foram regularmente escrituradas com o CST 53, correspondente a operações com direito a crédito, não sendo possível atribuir à adquirente eventual erro de classificação fiscal cometido pelos fornecedores. Invoca, para tanto, o princípio da verdade material e a Solução de Consulta COSIT nº 240/2023, segundo a qual erro na identificação do CST pelo fornecedor não impede, por si só, o aproveitamento dos créditos. Aduz, ainda, que as embalagens adquiridas não se enquadram nas hipóteses legais de alíquota zero, estando sujeitas à tributação ordinária, razão pela qual, uma vez caracterizadas como insumos, ensejam o direito ao creditamento. Ao final, afirma que a glosa se baseou em mera presunção, desacompanhada de demonstração fática e documental suficiente, requerendo seu afastamento. Não assiste razão à recorrente. A glosa foi efetuada com fundamento no art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que veda expressamente o aproveitamento de Fl. 19785DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.657 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908812/2016-23 10 créditos relativos à aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Em igual sentido, a jurisprudência deste Conselho é firme no sentido de que não é permitido o desconto de créditos decorrentes de aquisições de insumos não tributados, ainda que empregados na produção de bens destinados à venda. A recorrente sustenta que a fiscalização não demonstrou adequadamente a ausência de tributação das aquisições, bem como que eventuais erros na identificação do CST pelos fornecedores não poderiam ensejar a glosa dos créditos. Todavia, tais alegações não se mostram suficientes para infirmar a conclusão fiscal. Conforme consignado na decisão recorrida, a documentação apresentada pela recorrente revela-se insuficiente para demonstrar, de forma individualizada, a certeza e a liquidez do direito creditório pleiteado. Os documentos foram juntados sem qualquer organização por período de apuração ou por natureza da operação, abrangendo exercícios distintos, com expressivo volume de documentos estranhos à controvérsia, documentos em duplicidade e outros sem pertinência com os créditos discutidos, circunstância que inviabiliza a identificação objetiva das operações efetivamente relacionadas às glosas. Nessas condições, não se pode exigir da autoridade fiscal ou do órgão julgador que procedam ao exame indiscriminado de milhares de documentos para identificar aqueles que, em tese, poderiam amparar o direito alegado. O dever de demonstrar os fatos constitutivos do direito creditório pertence ao sujeito passivo, nos termos do art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/1972, do art. 28 do Decreto nº 7.574/2011 e, subsidiariamente, do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil. A invocação do princípio da verdade material tampouco altera essa conclusão. Referido princípio não afasta o ônus probatório do contribuinte nem autoriza o reconhecimento de créditos quando os elementos constantes dos autos não permitem verificar, com segurança, o atendimento dos requisitos legais para o creditamento. Da mesma forma, eventual erro formal na classificação fiscal adotada pelo fornecedor somente teria relevância se a recorrente demonstrasse, de forma inequívoca, a efetiva tributação das operações e o preenchimento dos pressupostos legais para a constituição do crédito, o que não ocorreu. Ausente prova suficiente capaz de desconstituir a conclusão da fiscalização e diante da vedação expressa contida no art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, impõe-se a manutenção da glosa. Glosa de aquisição de insumos não enquadrados no conceito de insumo A recorrente sustenta que a fiscalização glosou indevidamente créditos relativos a itens classificados genericamente como despesas administrativas, ferramentas e vestuário, sem considerar sua efetiva utilização na atividade produtiva. Fl. 19786DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.657 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908812/2016-23 11 Alega que diversos itens enquadrados como materiais de escritório, a exemplo de clips para cabo de aço, embalagens e protetor facial, são empregados diretamente nas operações da empresa ou constituem equipamentos de proteção individual (EPI), enquadrando-se no conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade e relevância fixados pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR. Afirma, ainda, que as ferramentas e materiais correlatos glosados são utilizados na manutenção de máquinas, na operação dos equipamentos e na proteção dos trabalhadores, possuindo destinação produtiva, razão pela qual não poderiam ser excluídos do creditamento com fundamento apenas em sua classificação genérica. Por fim, sustenta que as calças e camisas adquiridas possuem natureza de equipamento de proteção individual, devendo igualmente ser reconhecidas como insumos para fins de creditamento. Em síntese, defende que a fiscalização adotou critério meramente formal para a glosa, deixando de analisar a efetiva essencialidade e relevância dos bens para o desenvolvimento da atividade econômica, requerendo o reconhecimento dos respectivos créditos. No ponto, assiste razão apenas em parte à recorrente. Quanto às despesas administrativas, deve ser mantida a glosa efetuada pela autoridade fiscal. Embora tais despesas possam contribuir para o regular funcionamento da empresa, as atividades administrativas e logísticas não integram, em regra, o processo produtivo propriamente dito, não se enquadrando, por si sós, no conceito de insumo adotado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Ausente demonstração de que os bens glosados eram essenciais ou relevantes à produção dos bens destinados à venda, inexiste direito ao creditamento. Diversa, contudo, é a situação do protetor facial, das calças e camisas utilizadas como equipamentos de proteção individual e das ferramentas e materiais correlatos (como cal virgem, chaves combinadas, espátula, mangote de couro, óculos de segurança, pano de saco, transformador bivolt), empregados diretamente no processo produtivo. Nesses casos, a classificação contábil ou a denominação genérica do bem não são suficientes para afastar o direito ao crédito. O critério determinante é sua efetiva destinação e sua imprescindibilidade para o desenvolvimento da atividade econômica. Tratando-se de indústria do ramo alimentício, as vestimentas destinadas à proteção e higiene dos trabalhadores, quando exigidas pela legislação sanitária ou indispensáveis ao processo produtivo, revestem-se dos atributos de essencialidade e relevância estabelecidos pelo Superior Tribunal de Justiça. Da mesma forma, ferramentas e materiais utilizados diretamente na operação, manutenção e continuidade da produção constituem insumos aptos a gerar Fl. 19787DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.657 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908812/2016-23 12 créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, desde que comprovada sua vinculação ao processo produtivo. Assim, a glosa deve ser mantida em relação às despesas administrativas e afastada quanto aos protetores faciais, calças, camisas e ferramentas e materiais correlatos - como cal virgem, chaves combinadas, espátula, mangote de couro, óculos de segurança, pano de saco, transformador bivolt - comprovadamente empregadas no processo produtivo. Glosa decorrente de notas fiscais com inconsistências A recorrente também sustenta que devem ser afastadas as glosas relativas a notas fiscais supostamente incompatíveis com o CNPJ do emitente, por entender que eventual erro formal não impede o reconhecimento do direito ao crédito quando comprovada a efetividade da operação. Todavia, conforme se verifica da planilha "Reanalise_Bens_Insumo_2013.xlsx", elaborada em cumprimento à diligência determinada por este Conselho, as glosas remanescentes foram mantidas exclusivamente em razão da ausência de incidência das contribuições, da isenção da operação ou do não enquadramento dos bens no conceito de insumo. Não subsiste, portanto, glosa fundada em incompatibilidade entre o documento fiscal e o CNPJ do emitente. Dessa forma, a argumentação desenvolvida pela recorrente dissocia-se dos fundamentos efetivamente adotados pela autoridade fiscal na manutenção das glosas, razão pela qual os precedentes invocados acerca da irrelevância de vícios meramente formais em documentos fiscais não se mostram aplicáveis ao presente caso. Glosa de despesas com armazenagem e frete de bens que não se encaixariam no conceito de insumo A recorrente sustenta que a fiscalização glosou indevidamente créditos relativos a despesas de frete incidentes sobre a aquisição de determinados bens, sob o fundamento de que estes não se enquadrariam no conceito de insumo. Alega que tais fretes referem-se à aquisição de peças de reposição de máquinas do ativo imobilizado, lubrificantes, graxas, aditivos, materiais de embalagem e locação de empilhadeiras, bens e serviços que reputa essenciais ao desenvolvimento de sua atividade econômica. Invoca, para tanto, precedentes do CARF que admitem o creditamento de despesas relacionadas à manutenção de ativos produtivos e ao aluguel de equipamentos utilizados na atividade empresarial. A sistemática da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins exige que o enquadramento de determinado bem ou serviço como insumo seja aferido à luz dos critérios da essencialidade e da relevância para o processo Fl. 19788DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.657 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908812/2016-23 13 produtivo, conforme orientação firmada pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR. No caso dos autos, verifica-se que os bens e serviços em discussão apresentam vínculo direto com o processo produtivo, revelando-se essenciais ou relevantes para o desenvolvimento da atividade econômica da recorrente. Dessa forma, atendidos os requisitos legais para o creditamento, reverto as glosas efetuadas. Fretes de períodos anteriores A fiscalização manteve a glosa dos créditos extemporâneos por entender que a recorrente não observou os requisitos necessários ao seu aproveitamento, notadamente a retificação das obrigações acessórias correspondentes. Insurge-se a recorrente contra esse entendimento, sustentando que o § 4º do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 autoriza expressamente o aproveitamento de créditos em períodos subsequentes, independentemente da retificação das declarações, afirmando que a glosa estaria fundada em excesso de formalismo e afrontaria o princípio da verdade material. A matéria encontra-se atualmente pacificada no âmbito deste Conselho por meio da Súmula CARF nº 231, segundo a qual: "O aproveitamento de créditos extemporâneos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins exige a apresentação de DCTF e DACON retificadores, comprovando os créditos e os saldos credores dos trimestres correspondentes." Embora a legislação admita, em tese, o aproveitamento de créditos em períodos posteriores, esse direito está condicionado à adequada comprovação de sua origem e de sua existência, mediante a correspondente retificação das obrigações acessórias pertinentes. Tal exigência não constitui mero formalismo, mas instrumento indispensável à demonstração da certeza, liquidez e disponibilidade do crédito pleiteado. Assim, nada a reparar na decisão recorrida. Fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte A fiscalização manteve a glosa dos créditos relativos a despesas de frete realizadas entre estabelecimentos da própria recorrente, por entender que tais operações não se enquadram nas hipóteses legais de creditamento. A recorrente sustenta que esses fretes constituem serviços essenciais à sua atividade econômica, por envolverem a movimentação de matérias-primas importadas, insumos e produtos acabados entre suas unidades, sendo Fl. 19789DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.657 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908812/2016-23 14 indispensáveis ao processo produtivo e à logística operacional. Afirma que a jurisprudência administrativa admite o creditamento quando demonstrada a essencialidade da despesa, requerendo o reconhecimento dos créditos correspondentes. Não assiste razão à recorrente em sua integralidade. A sistemática da não cumulatividade exige a análise da natureza da mercadoria transportada e da finalidade do serviço de frete. No que se refere ao transporte de insumos e de produtos em elaboração entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, entendo que assiste razão à recorrente. Tais deslocamentos constituem etapa integrante do processo produtivo, revelando-se essenciais ao desenvolvimento da atividade empresarial. Nesses casos, o serviço de transporte conserva sua vinculação direta com a produção, legitimando o aproveitamento dos créditos. Diversa, contudo, é a situação dos fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. Sobre essa hipótese, a matéria encontra-se pacificada pela Súmula CARF nº 217, segundo a qual: "Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas." Assim, os créditos devem ser reconhecidos apenas em relação aos fretes vinculados ao transporte de insumos e de produtos em elaboração, desde que devidamente comprovados, mantendo-se a glosa quanto às despesas relativas ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da recorrente, em observância ao entendimento consolidado neste Conselho. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para afastar as glosas referentes: i) aos créditos reconhecidos pela autoridade fiscal na Informação Fiscal elaborada em cumprimento à diligência determinada por este Conselho; ii) aos protetores faciais, calças, camisas, ferramentas e materiais correlatos — tais como cal virgem, chaves combinadas, espátula, mangote de couro, óculos de segurança, pano de saco e transformador bivolt — comprovadamente empregados no processo produtivo; iii) às despesas com frete incidentes sobre a aquisição de peças de reposição de máquinas do ativo imobilizado, lubrificantes, graxas, aditivos e materiais de embalagem, bem como sobre a locação de empilhadeiras, desde que devidamente comprovados; e Fl. 19790DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.657 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908812/2016-23 15 iv) às despesas com frete vinculadas ao transporte de insumos e de produtos em elaboração entre estabelecimentos da recorrente. Mantêm-se, quanto aos demais pontos, as glosas efetuadas pela fiscalização. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar as glosas: em relação aos créditos reconhecidos pela autoridade fiscal na Informação Fiscal elaborada em cumprimento à diligência determinada por este Conselho (bens utilizados como insumos e armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda); dos protetores faciais, calças, camisas, ferramentas e materiais correlatos - tais como cal virgem, chaves combinadas, espátula, mangote de couro, óculos de segurança, pano de saco e transformador bivolt - comprovadamente empregados no processo produtivo; de despesas com fretes na aquisição de peças de reposição de máquinas do ativo imobilizado, lubrificantes, graxas, aditivos e materiais de embalagem, bem como sobre a locação de empilhadeiras, desde que devidamente comprovados, observado o entendimento firmado na fundamentação do voto; e de despesas com fretes vinculados ao transporte de insumos e de produtos em elaboração entre estabelecimentos do Recorrente. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Fl. 19791DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 10183.908817/2016-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 21 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Oct 06 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2014 a 30/09/2014
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há nulidade quando a decisão é proferida por autoridade competente, contém fundamentação suficiente e assegura o exercício do contraditório e da ampla defesa. Eventual discordância quanto à valoração das provas constitui matéria de mérito, não ensejando a invalidação do processo administrativo.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2014 a 30/09/2014
CRÉDITOS. INSUMOS. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA.
O enquadramento de bens e serviços como insumos deve observar os critérios da essencialidade e da relevância fixados pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR.
CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO.
É vedado o aproveitamento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins relativamente à aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições, inclusive nas hipóteses de alíquota zero, nos termos do art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Incumbe ao sujeito passivo comprovar a certeza e a liquidez do direito creditório pleiteado.
DESPESAS ADMINISTRATIVAS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
Despesas vinculadas a atividades meramente administrativas, sem demonstração de integração ao processo produtivo, não geram direito ao creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins.
EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL E FERRAMENTAS EMPREGADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
Calças, camisas, protetores faciais, ferramentas e materiais correlatos utilizados diretamente no processo produtivo, quando demonstrada sua essencialidade ou relevância, enquadram-se no conceito de insumo e geram direito ao crédito.
FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. CRÉDITOS.
É permitido o aproveitamento de créditos relativos a serviços de frete contratados de forma autônoma na aquisição de insumos, desde que observados os requisitos da Súmula CARF nº 188.
FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS.
Geram direito ao crédito as despesas com frete vinculadas ao transporte de insumos e de produtos em elaboração. Não geram crédito as despesas com frete relativas ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, nos termos da Súmula CARF nº 217.
CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RETIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. NECESSIDADE.
O aproveitamento de créditos extemporâneos exige a apresentação das declarações retificadoras pertinentes, conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 231.
Numero da decisão: 3201-013.660
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar a glosa de créditos nos seguintes termos: (i) por unanimidade de voto, em relação a (i.1) créditos reconhecidos pela autoridade fiscal na Informação Fiscal elaborada em cumprimento à diligência determinada por este Conselho (bens utilizados como insumos e armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda), (i.2) protetores faciais, calças, camisas, ferramentas e materiais correlatos tais como cal virgem, chaves combinadas, espátula, mangote de couro, óculos de segurança, pano de saco e transformador bivolt comprovadamente empregados no processo produtivo, (i.3) despesas com fretes na aquisição de peças de reposição de máquinas do ativo imobilizado, lubrificantes, graxas, aditivos e materiais de embalagem, bem como sobre a locação de empilhadeiras, desde que devidamente comprovados, observado o entendimento firmado na fundamentação do voto, e (i.4) despesas com fretes vinculados ao transporte de insumos e de produtos em elaboração entre estabelecimentos do Recorrente; e, (ii) por maioria de votos, para manter as demais glosas de créditos, vencido o conselheiro Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, que também revertia a glosa em relação à aquisição de clips para cabo de aço. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-013.655, de 21 de julho de 2026, prolatado no julgamento do processo 10183.908810/2016-34, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Hélcio Lafetá Reis - Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Fabiana Francisco de Miranda, Flavia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Helcio Lafeta Reis e Marcelo Enk de Aguiar.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2014 a 30/09/2014 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade quando a decisão é proferida por autoridade competente, contém fundamentação suficiente e assegura o exercício do contraditório e da ampla defesa. Eventual discordância quanto à valoração das provas constitui matéria de mérito, não ensejando a invalidação do processo administrativo. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2014 a 30/09/2014 CRÉDITOS. INSUMOS. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. O enquadramento de bens e serviços como insumos deve observar os critérios da essencialidade e da relevância fixados pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. É vedado o aproveitamento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins relativamente à aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições, inclusive nas hipóteses de alíquota zero, nos termos do art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Incumbe ao sujeito passivo comprovar a certeza e a liquidez do direito creditório pleiteado. DESPESAS ADMINISTRATIVAS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Despesas vinculadas a atividades meramente administrativas, sem demonstração de integração ao processo produtivo, não geram direito ao creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL E FERRAMENTAS EMPREGADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Calças, camisas, protetores faciais, ferramentas e materiais correlatos utilizados diretamente no processo produtivo, quando demonstrada sua essencialidade ou relevância, enquadram-se no conceito de insumo e geram direito ao crédito. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. CRÉDITOS. É permitido o aproveitamento de créditos relativos a serviços de frete contratados de forma autônoma na aquisição de insumos, desde que observados os requisitos da Súmula CARF nº 188. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. Geram direito ao crédito as despesas com frete vinculadas ao transporte de insumos e de produtos em elaboração. Não geram crédito as despesas com frete relativas ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, nos termos da Súmula CARF nº 217. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RETIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. NECESSIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos exige a apresentação das declarações retificadoras pertinentes, conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 231.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar a glosa de créditos nos seguintes termos: (i) por unanimidade de voto, em relação a (i.1) créditos reconhecidos pela autoridade fiscal na Informação Fiscal elaborada em cumprimento à diligência determinada por este Conselho (bens utilizados como insumos e armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda), (i.2) protetores faciais, calças, camisas, ferramentas e materiais correlatos tais como cal virgem, chaves combinadas, espátula, mangote de couro, óculos de segurança, pano de saco e transformador bivolt comprovadamente empregados no processo produtivo, (i.3) despesas com fretes na aquisição de peças de reposição de máquinas do ativo imobilizado, lubrificantes, graxas, aditivos e materiais de embalagem, bem como sobre a locação de empilhadeiras, desde que devidamente comprovados, observado o entendimento firmado na fundamentação do voto, e (i.4) despesas com fretes vinculados ao transporte de insumos e de produtos em elaboração entre estabelecimentos do Recorrente; e, (ii) por maioria de votos, para manter as demais glosas de créditos, vencido o conselheiro Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, que também revertia a glosa em relação à aquisição de clips para cabo de aço. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-013.655, de 21 de julho de 2026, prolatado no julgamento do processo 10183.908810/2016-34, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Fabiana Francisco de Miranda, Flavia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Helcio Lafeta Reis e Marcelo Enk de Aguiar.
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PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade quando a decisão é proferida por autoridade competente, contém fundamentação suficiente e assegura o exercício do contraditório e da ampla defesa. Eventual discordância quanto à valoração das provas constitui matéria de mérito, não ensejando a invalidação do processo administrativo. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2014 a 30/09/2014 CRÉDITOS. INSUMOS. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. O enquadramento de bens e serviços como insumos deve observar os critérios da essencialidade e da relevância fixados pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. É vedado o aproveitamento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins relativamente à aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições, inclusive nas hipóteses de alíquota zero, nos termos do art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Incumbe ao sujeito passivo comprovar a certeza e a liquidez do direito creditório pleiteado. DESPESAS ADMINISTRATIVAS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 383DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.660 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908817/2016-56 2 Despesas vinculadas a atividades meramente administrativas, sem demonstração de integração ao processo produtivo, não geram direito ao creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL E FERRAMENTAS EMPREGADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Calças, camisas, protetores faciais, ferramentas e materiais correlatos utilizados diretamente no processo produtivo, quando demonstrada sua essencialidade ou relevância, enquadram-se no conceito de insumo e geram direito ao crédito. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. CRÉDITOS. É permitido o aproveitamento de créditos relativos a serviços de frete contratados de forma autônoma na aquisição de insumos, desde que observados os requisitos da Súmula CARF nº 188. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. Geram direito ao crédito as despesas com frete vinculadas ao transporte de insumos e de produtos em elaboração. Não geram crédito as despesas com frete relativas ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, nos termos da Súmula CARF nº 217. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RETIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. NECESSIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos exige a apresentação das declarações retificadoras pertinentes, conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 231. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar a glosa de créditos nos seguintes termos: (i) por unanimidade de voto, em relação a (i.1) créditos reconhecidos pela autoridade fiscal na Informação Fiscal elaborada em cumprimento à diligência determinada por este Conselho (bens utilizados como insumos e armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda), (i.2) protetores faciais, calças, camisas, ferramentas e materiais correlatos — tais como cal virgem, chaves combinadas, espátula, mangote de couro, óculos de segurança, pano de saco e transformador bivolt — comprovadamente empregados no processo produtivo, (i.3) despesas com fretes na aquisição de peças de reposição de máquinas do ativo imobilizado, lubrificantes, graxas, aditivos e materiais de embalagem, bem como sobre a locação Fl. 384DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.660 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908817/2016-56 3 de empilhadeiras, desde que devidamente comprovados, observado o entendimento firmado na fundamentação do voto, e (i.4) despesas com fretes vinculados ao transporte de insumos e de produtos em elaboração entre estabelecimentos do Recorrente; e, (ii) por maioria de votos, para manter as demais glosas de créditos, vencido o conselheiro Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, que também revertia a glosa em relação à aquisição de clips para cabo de aço. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201- 013.655, de 21 de julho de 2026, prolatado no julgamento do processo 10183.908810/2016-34, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Fabiana Francisco de Miranda, Flavia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Helcio Lafeta Reis e Marcelo Enk de Aguiar. RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de PIS/PASEP. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, em síntese abaixo, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2014 a 30/09/2014 NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS. O termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas apenas aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES NÃO SUJEITAS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. Fl. 385DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.660 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908817/2016-56 4 Os artigos 3º, parágrafo 2º, inciso II das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 estabelecem de forma expressa que é vedado desconto dos créditos sobre as aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições. No regime de não- cumulatividade das contribuições PIS e COFINS, o aproveitamento de créditos está baseado na premissa da incidência dessas contribuições nas aquisições dos bens e serviços empregados no processo produtivo. FRETES. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS. CREDITAMENTO. Por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção de bens destinados à venda e nem se referirem à operação de venda de mercadorias, as despesas efetuadas com fretes contratados para o transporte de produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito à apuração de créditos. FRETES. COMPRAS DE INSUMOS. CREDITAMENTO Não há que se falar em creditamento em relação ao custo do serviço de transporte dos bens adquiridos, e sim analisar a possibilidade de creditamento em relação à aquisição dos bens cujos custos englobam os de transporte. Os dispêndios com transportes na aquisição de bens devem integrar o custo de aquisição de tais bens. A possibilidade de aproveitamento dessas despesas depende da correta apuração e contabilização, guardando estrita relação com a natureza dos insumos adquiridos. Está correta a glosa de fretes pagos na compra de insumos indevidamente incluídos na rubrica “armazenagem e frete nas operações de venda”, pois foram indevidamente apropriados e registrados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2014 a 30/09/2014 DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Para o reconhecimento em favor do sujeito passivo, é necessário que restem plenamente caracterizados os atributos de certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Ou seja, o crédito pretendido deve ser comprovado por meio da escrituração contábil e fiscal, bem como pelos documentos que a respalde. Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, requerendo o reconhecimento do direito creditório, a homologação das compensações vinculadas ao pedido de ressarcimento e a anulação dos débitos decorrentes das glosas efetuadas. Ao apreciar inicialmente o recurso, esta Turma, por meio de Resolução, converteu o julgamento em diligência, em razão da necessidade de reexaminar os créditos pleiteados à luz da orientação firmada pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.221.170/PR, que afastou o conceito restritivo de insumo previsto nas Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e nº 404/2004, adotando os critérios da essencialidade e da relevância posteriormente sistematizados no Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5, de 17 de dezembro de 2018. Fl. 386DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.660 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908817/2016-56 5 Para tanto, determinou que a autoridade preparadora procedesse à análise conjunta da documentação constante destes autos e do e-Dossiê nº 10010.019402/0716-20, elaborando relatório detalhado acerca dos créditos relativos à aquisição de bens utilizados como insumos e às despesas com armazenagem e frete na operação de venda, com discriminação dos valores comprovados, das razões das glosas e da participação de cada item na atividade da empresa. Determinou, ainda, caso necessário, a intimação da contribuinte para apresentação de documentos ou esclarecimentos complementares, assegurando-lhe o exercício do contraditório antes do retorno dos autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. Em cumprimento à diligência determinada pelo CARF, a autoridade fiscal procedeu à reanálise dos créditos relativos às aquisições de bens utilizados como insumos e às despesas com armazenagem e frete, elaborando relatório circunstanciado acerca dos valores comprovados e das razões para a manutenção ou o afastamento das glosas inicialmente efetuadas, após o que os autos retornaram a este Conselho para prosseguimento do julgamento. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Conforme relatado, trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJ que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em face de Despacho Decisório que deferiu parcialmente pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, referente ao 1º trimestre de 2013, no valor de R$ 160.182,80. O deferimento parcial decorreu da glosa de créditos cuja apuração não atendeu aos requisitos legais, especialmente em relação ao conceito de insumo, ao aproveitamento de créditos sobre aquisições não sujeitas à incidência das contribuições, ao creditamento de despesas com fretes e à insuficiência de comprovação do direito creditório. Ao apreciar a Manifestação de Inconformidade, a DRJ manteve integralmente o Despacho Decisório, assentando, em síntese, que: (i) o conceito de insumo não abrange toda despesa necessária à atividade empresarial, mas apenas os bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (ii) é vedado o desconto de créditos relativos a aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições; (iii) despesas com fretes de transferência entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a crédito; (iv) despesas com fretes na aquisição de insumos devem compor o custo de aquisição dos respectivos bens, não podendo ser apropriadas como despesas de armazenagem e frete nas operações de venda; e (v) o Fl. 387DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.660 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908817/2016-56 6 reconhecimento do direito creditório exige prova da sua certeza e liquidez, mediante escrituração contábil e fiscal regularmente respaldada por documentação idônea. Em cumprimento à diligência determinada por este Conselho, a autoridade fiscal elaborou Informação Fiscal circunstanciada, reexaminando as glosas objeto da controvérsia à luz dos critérios estabelecidos pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR e do Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5/2018, mantendo apenas aquelas consideradas indevidas segundo os novos parâmetros interpretativos. Cientificada da Informação Fiscal, a recorrente apresentou razões adicionais de recurso, esclarecendo que não impugna os créditos reconhecidos pela autoridade fiscal, restringindo sua irresignação às glosas remanescentes, cuja reforma pleiteia com fundamento na documentação constante dos autos e na legislação aplicável. De pronto, registro que acompanho as conclusões da Informação Fiscal quanto à reversão das glosas nela reconhecidas, por entender que se encontram em consonância com os parâmetros fixados pelo Superior Tribunal de Justiça e pela orientação administrativa vigente. Remanescem, contudo, pontos controvertidos, cuja análise passo a realizar. Da preliminar de nulidade Em suas razões recursais, a recorrente suscita, preliminarmente, a nulidade do acórdão recorrido, ao argumento de que a DRJ deixou de apreciar a integralidade da documentação comprobatória constante do e-Dossiê nº 10010.019402/0716- 20, especialmente quanto às despesas de frete, circunstância que teria comprometido o exame do direito creditório pleiteado. Sustenta que a decisão recorrida violou o dever de fundamentação, por não enfrentar todos os argumentos e documentos capazes de infirmar a conclusão adotada, em afronta ao art. 31 do Decreto nº 70.235/1972, aos arts. 2º e 50 da Lei nº 9.784/1999, ao art. 93, IX, da Constituição Federal e ao art. 489, § 1º, do Código de Processo Civil. Afirma, ainda, que a ausência de análise da documentação caracterizou cerceamento do direito de defesa, requerendo a decretação da nulidade do acórdão recorrido e do despacho decisório, com o reconhecimento integral dos créditos pleiteados. Não assiste razão a recorrente. Nos termos dos arts. 59 a 61 do Decreto nº 70.235/1972, a nulidade do procedimento ou da decisão administrativa somente se configura nas hipóteses expressamente previstas em lei, notadamente quando praticados por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Nenhuma dessas hipóteses se verifica no presente caso. Fl. 388DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.660 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908817/2016-56 7 A decisão recorrida foi proferida por autoridade competente e apresenta motivação suficiente para permitir a compreensão das razões de decidir e o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, tanto que a recorrente impugnou especificamente seus fundamentos por meio do presente Recurso Voluntário. A alegada deficiência de fundamentação igualmente não procede. O dever de motivação exige que o julgador exponha os fundamentos de fato e de direito que embasam sua conclusão, não lhe sendo imposto enfrentar individualmente todos os argumentos, documentos ou alegações deduzidos pelas partes quando já houver fundamentação suficiente para a solução da controvérsia. De todo modo, eventual insuficiência na análise da documentação restou superada pela diligência determinada por este Conselho, ocasião em que a autoridade fiscal reexaminou os documentos constantes destes autos e do e- Dossiê nº 10010.019402/0716-20 à luz dos critérios fixados pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR e pelo Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5/2018, elaborando Informação Fiscal circunstanciada. Após sua ciência, foi oportunizado à recorrente apresentar razões adicionais de recurso, as quais foram efetivamente apresentadas. Além disso, a recorrente confunde matéria preliminar com matéria de mérito. A alegação de que determinados documentos conduziriam ao reconhecimento do direito creditório ou à reversão de glosas remanescentes diz respeito à valoração da prova e ao exame da existência do direito alegado, questões que serão apreciadas no mérito do recurso, não constituindo vícios capazes de macular a validade do processo administrativo. Assim, ausentes as hipóteses de nulidade previstas no Decreto nº 70.235/1972, rejeito a preliminar suscitada. Mérito Conforme delimitado pela própria recorrente em suas razões adicionais de recurso, a controvérsia restringe-se às glosas remanescentes mantidas pela autoridade fiscal após a realização da diligência determinada por este Conselho, não havendo insurgência quanto aos créditos reconhecidos na Informação Fiscal. A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, instituiu o regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS/Pasep, aplicável às pessoas jurídicas tributadas com base no Lucro Real. De acordo com o art. 3º da referida norma, é permitido ao contribuinte descontar, da contribuição devida no mês, créditos apurados em relação a determinados custos, despesas e encargos vinculados à sua atividade econômica. O caput do artigo estabelece a regra-matriz do direito ao crédito, enquanto os incisos disciplinam hipóteses específicas de creditamento. Entre essas hipóteses, destacam-se: a aquisição de bens para revenda (inciso I); a aquisição de bens e Fl. 389DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.660 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908817/2016-56 8 serviços utilizados como insumos na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (inciso II); o consumo de energia elétrica nos estabelecimentos da pessoa jurídica (inciso III); e os pagamentos de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa (inciso IV), entre outros. No que se refere ao inciso II, o conceito de “insumo” não foi expressamente definido pela legislação, o que gerou divergências interpretativas relevantes. Inicialmente, a Administração Tributária adotava entendimento mais restritivo, com base nas Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e nº 404/2004. Esse posicionamento, no entanto, foi superado pelo julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, pelo Superior Tribunal de Justiça, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que fixou como critério para o creditamento a demonstração da essencialidade ou relevância do bem ou serviço em relação à atividade econômica desenvolvida. Esse entendimento foi incorporado à atuação da Administração Pública Federal, conforme expresso na Nota SEI nº 63/2018 da PGFN, no Parecer Normativo COSIT nº 5/2018 e na Instrução Normativa RFB nº 2.121, de 15 de dezembro de 2022, os quais reconhecem que, para fins de geração de créditos no regime da não cumulatividade das contribuições, a caracterização de insumo deve observar esses dois critérios: essencialidade e relevância, considerados à luz do processo produtivo ou da prestação de serviços da pessoa jurídica. No mesmo sentido, a jurisprudência consolidada do CARF vem adotando tal critério interpretativo, reconhecendo o direito ao crédito quando demonstrada a vinculação direta entre o bem ou serviço e a atividade-fim do contribuinte. Ressalte-se que o CARF tem seguido um entendimento intermediário: não tão restritivo quanto aquele previsto nas Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e nº 404/2004, que foram declaradas ilegais pelo Superior Tribunal de Justiça, tampouco tão amplo quanto o pretendido por parte dos contribuintes. Para este Conselho, a caracterização de um insumo está diretamente relacionada à pertinência ou necessidade da despesa dentro dos limites espaço-temporais do processo produtivo ou da prestação de serviços, sendo imprescindível a demonstração concreta do seu papel na dinâmica operacional da empresa. Dessa forma, a aferição do direito ao crédito no regime da não cumulatividade exige análise fático-probatória à luz do critério jurídico consolidado, segundo o qual apenas os bens e serviços essenciais ou relevantes ao processo produtivo ou à prestação de serviços da pessoa jurídica podem ser considerados insumos. Conforme já exposto, a aplicação dos parâmetros de essencialidade e relevância — consagrados pelo Superior Tribunal de Justiça e acolhidos pela jurisprudência deste Conselho — demanda apreciação casuística, de modo a verificar se os itens questionados possuem, de fato, função indispensável ou significativa no desempenho da atividade econômica da contribuinte. Fl. 390DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.660 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908817/2016-56 9 Cumpre ressaltar, contudo, que o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, delimitou o conceito de insumo previsto no art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, mediante a adoção dos critérios da essencialidade e relevância. Assim, tais parâmetros destinam-se à análise das hipóteses de creditamento fundamentadas no conceito jurídico de insumo, não afastando a necessidade de observância dos requisitos próprios estabelecidos pelo legislador para as demais modalidades de créditos previstas no regime da não cumulatividade. Portanto, a análise dos créditos objeto da presente controvérsia deve observar a natureza específica de cada dispêndio, verificando-se, em relação aos itens enquadrados como insumos, sua essencialidade ou relevância para o processo produtivo ou para a prestação de serviços desenvolvida pela pessoa jurídica. Glosa de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições Foram objeto de glosa os créditos relativos à aquisição de bens e serviços utilizados como insumos que, segundo a fiscalização, não estavam sujeitos ao pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. A glosa foi fundamentada no art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, segundo o qual não dão direito a crédito as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das referidas contribuições. A recorrente alega que a glosa carece de fundamentação individualizada, porquanto a fiscalização não identificou os Códigos de Situação Tributária (CST) nem as Notas Fiscais eletrônicas que embasariam a conclusão de que as aquisições não estariam sujeitas ao pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Sustenta que as notas fiscais de aquisição foram regularmente escrituradas com o CST 53, correspondente a operações com direito a crédito, não sendo possível atribuir à adquirente eventual erro de classificação fiscal cometido pelos fornecedores. Invoca, para tanto, o princípio da verdade material e a Solução de Consulta COSIT nº 240/2023, segundo a qual erro na identificação do CST pelo fornecedor não impede, por si só, o aproveitamento dos créditos. Aduz, ainda, que as embalagens adquiridas não se enquadram nas hipóteses legais de alíquota zero, estando sujeitas à tributação ordinária, razão pela qual, uma vez caracterizadas como insumos, ensejam o direito ao creditamento. Ao final, afirma que a glosa se baseou em mera presunção, desacompanhada de demonstração fática e documental suficiente, requerendo seu afastamento. Não assiste razão à recorrente. A glosa foi efetuada com fundamento no art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que veda expressamente o aproveitamento de Fl. 391DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.660 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908817/2016-56 10 créditos relativos à aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Em igual sentido, a jurisprudência deste Conselho é firme no sentido de que não é permitido o desconto de créditos decorrentes de aquisições de insumos não tributados, ainda que empregados na produção de bens destinados à venda. A recorrente sustenta que a fiscalização não demonstrou adequadamente a ausência de tributação das aquisições, bem como que eventuais erros na identificação do CST pelos fornecedores não poderiam ensejar a glosa dos créditos. Todavia, tais alegações não se mostram suficientes para infirmar a conclusão fiscal. Conforme consignado na decisão recorrida, a documentação apresentada pela recorrente revela-se insuficiente para demonstrar, de forma individualizada, a certeza e a liquidez do direito creditório pleiteado. Os documentos foram juntados sem qualquer organização por período de apuração ou por natureza da operação, abrangendo exercícios distintos, com expressivo volume de documentos estranhos à controvérsia, documentos em duplicidade e outros sem pertinência com os créditos discutidos, circunstância que inviabiliza a identificação objetiva das operações efetivamente relacionadas às glosas. Nessas condições, não se pode exigir da autoridade fiscal ou do órgão julgador que procedam ao exame indiscriminado de milhares de documentos para identificar aqueles que, em tese, poderiam amparar o direito alegado. O dever de demonstrar os fatos constitutivos do direito creditório pertence ao sujeito passivo, nos termos do art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/1972, do art. 28 do Decreto nº 7.574/2011 e, subsidiariamente, do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil. A invocação do princípio da verdade material tampouco altera essa conclusão. Referido princípio não afasta o ônus probatório do contribuinte nem autoriza o reconhecimento de créditos quando os elementos constantes dos autos não permitem verificar, com segurança, o atendimento dos requisitos legais para o creditamento. Da mesma forma, eventual erro formal na classificação fiscal adotada pelo fornecedor somente teria relevância se a recorrente demonstrasse, de forma inequívoca, a efetiva tributação das operações e o preenchimento dos pressupostos legais para a constituição do crédito, o que não ocorreu. Ausente prova suficiente capaz de desconstituir a conclusão da fiscalização e diante da vedação expressa contida no art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, impõe-se a manutenção da glosa. Glosa de aquisição de insumos não enquadrados no conceito de insumo A recorrente sustenta que a fiscalização glosou indevidamente créditos relativos a itens classificados genericamente como despesas administrativas, ferramentas e vestuário, sem considerar sua efetiva utilização na atividade produtiva. Fl. 392DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.660 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908817/2016-56 11 Alega que diversos itens enquadrados como materiais de escritório, a exemplo de clips para cabo de aço, embalagens e protetor facial, são empregados diretamente nas operações da empresa ou constituem equipamentos de proteção individual (EPI), enquadrando-se no conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade e relevância fixados pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR. Afirma, ainda, que as ferramentas e materiais correlatos glosados são utilizados na manutenção de máquinas, na operação dos equipamentos e na proteção dos trabalhadores, possuindo destinação produtiva, razão pela qual não poderiam ser excluídos do creditamento com fundamento apenas em sua classificação genérica. Por fim, sustenta que as calças e camisas adquiridas possuem natureza de equipamento de proteção individual, devendo igualmente ser reconhecidas como insumos para fins de creditamento. Em síntese, defende que a fiscalização adotou critério meramente formal para a glosa, deixando de analisar a efetiva essencialidade e relevância dos bens para o desenvolvimento da atividade econômica, requerendo o reconhecimento dos respectivos créditos. No ponto, assiste razão apenas em parte à recorrente. Quanto às despesas administrativas, deve ser mantida a glosa efetuada pela autoridade fiscal. Embora tais despesas possam contribuir para o regular funcionamento da empresa, as atividades administrativas e logísticas não integram, em regra, o processo produtivo propriamente dito, não se enquadrando, por si sós, no conceito de insumo adotado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Ausente demonstração de que os bens glosados eram essenciais ou relevantes à produção dos bens destinados à venda, inexiste direito ao creditamento. Diversa, contudo, é a situação do protetor facial, das calças e camisas utilizadas como equipamentos de proteção individual e das ferramentas e materiais correlatos (como cal virgem, chaves combinadas, espátula, mangote de couro, óculos de segurança, pano de saco, transformador bivolt), empregados diretamente no processo produtivo. Nesses casos, a classificação contábil ou a denominação genérica do bem não são suficientes para afastar o direito ao crédito. O critério determinante é sua efetiva destinação e sua imprescindibilidade para o desenvolvimento da atividade econômica. Tratando-se de indústria do ramo alimentício, as vestimentas destinadas à proteção e higiene dos trabalhadores, quando exigidas pela legislação sanitária ou indispensáveis ao processo produtivo, revestem-se dos atributos de essencialidade e relevância estabelecidos pelo Superior Tribunal de Justiça. Da mesma forma, ferramentas e materiais utilizados diretamente na operação, manutenção e continuidade da produção constituem insumos aptos a gerar Fl. 393DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.660 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908817/2016-56 12 créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, desde que comprovada sua vinculação ao processo produtivo. Assim, a glosa deve ser mantida em relação às despesas administrativas e afastada quanto aos protetores faciais, calças, camisas e ferramentas e materiais correlatos - como cal virgem, chaves combinadas, espátula, mangote de couro, óculos de segurança, pano de saco, transformador bivolt - comprovadamente empregadas no processo produtivo. Glosa decorrente de notas fiscais com inconsistências A recorrente também sustenta que devem ser afastadas as glosas relativas a notas fiscais supostamente incompatíveis com o CNPJ do emitente, por entender que eventual erro formal não impede o reconhecimento do direito ao crédito quando comprovada a efetividade da operação. Todavia, conforme se verifica da planilha "Reanalise_Bens_Insumo_2013.xlsx", elaborada em cumprimento à diligência determinada por este Conselho, as glosas remanescentes foram mantidas exclusivamente em razão da ausência de incidência das contribuições, da isenção da operação ou do não enquadramento dos bens no conceito de insumo. Não subsiste, portanto, glosa fundada em incompatibilidade entre o documento fiscal e o CNPJ do emitente. Dessa forma, a argumentação desenvolvida pela recorrente dissocia-se dos fundamentos efetivamente adotados pela autoridade fiscal na manutenção das glosas, razão pela qual os precedentes invocados acerca da irrelevância de vícios meramente formais em documentos fiscais não se mostram aplicáveis ao presente caso. Glosa de despesas com armazenagem e frete de bens que não se encaixariam no conceito de insumo A recorrente sustenta que a fiscalização glosou indevidamente créditos relativos a despesas de frete incidentes sobre a aquisição de determinados bens, sob o fundamento de que estes não se enquadrariam no conceito de insumo. Alega que tais fretes referem-se à aquisição de peças de reposição de máquinas do ativo imobilizado, lubrificantes, graxas, aditivos, materiais de embalagem e locação de empilhadeiras, bens e serviços que reputa essenciais ao desenvolvimento de sua atividade econômica. Invoca, para tanto, precedentes do CARF que admitem o creditamento de despesas relacionadas à manutenção de ativos produtivos e ao aluguel de equipamentos utilizados na atividade empresarial. A sistemática da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins exige que o enquadramento de determinado bem ou serviço como insumo seja aferido à luz dos critérios da essencialidade e da relevância para o processo Fl. 394DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.660 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908817/2016-56 13 produtivo, conforme orientação firmada pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR. No caso dos autos, verifica-se que os bens e serviços em discussão apresentam vínculo direto com o processo produtivo, revelando-se essenciais ou relevantes para o desenvolvimento da atividade econômica da recorrente. Dessa forma, atendidos os requisitos legais para o creditamento, reverto as glosas efetuadas. Fretes de períodos anteriores A fiscalização manteve a glosa dos créditos extemporâneos por entender que a recorrente não observou os requisitos necessários ao seu aproveitamento, notadamente a retificação das obrigações acessórias correspondentes. Insurge-se a recorrente contra esse entendimento, sustentando que o § 4º do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 autoriza expressamente o aproveitamento de créditos em períodos subsequentes, independentemente da retificação das declarações, afirmando que a glosa estaria fundada em excesso de formalismo e afrontaria o princípio da verdade material. A matéria encontra-se atualmente pacificada no âmbito deste Conselho por meio da Súmula CARF nº 231, segundo a qual: "O aproveitamento de créditos extemporâneos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins exige a apresentação de DCTF e DACON retificadores, comprovando os créditos e os saldos credores dos trimestres correspondentes." Embora a legislação admita, em tese, o aproveitamento de créditos em períodos posteriores, esse direito está condicionado à adequada comprovação de sua origem e de sua existência, mediante a correspondente retificação das obrigações acessórias pertinentes. Tal exigência não constitui mero formalismo, mas instrumento indispensável à demonstração da certeza, liquidez e disponibilidade do crédito pleiteado. Assim, nada a reparar na decisão recorrida. Fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte A fiscalização manteve a glosa dos créditos relativos a despesas de frete realizadas entre estabelecimentos da própria recorrente, por entender que tais operações não se enquadram nas hipóteses legais de creditamento. A recorrente sustenta que esses fretes constituem serviços essenciais à sua atividade econômica, por envolverem a movimentação de matérias-primas importadas, insumos e produtos acabados entre suas unidades, sendo Fl. 395DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.660 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908817/2016-56 14 indispensáveis ao processo produtivo e à logística operacional. Afirma que a jurisprudência administrativa admite o creditamento quando demonstrada a essencialidade da despesa, requerendo o reconhecimento dos créditos correspondentes. Não assiste razão à recorrente em sua integralidade. A sistemática da não cumulatividade exige a análise da natureza da mercadoria transportada e da finalidade do serviço de frete. No que se refere ao transporte de insumos e de produtos em elaboração entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, entendo que assiste razão à recorrente. Tais deslocamentos constituem etapa integrante do processo produtivo, revelando-se essenciais ao desenvolvimento da atividade empresarial. Nesses casos, o serviço de transporte conserva sua vinculação direta com a produção, legitimando o aproveitamento dos créditos. Diversa, contudo, é a situação dos fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. Sobre essa hipótese, a matéria encontra-se pacificada pela Súmula CARF nº 217, segundo a qual: "Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas." Assim, os créditos devem ser reconhecidos apenas em relação aos fretes vinculados ao transporte de insumos e de produtos em elaboração, desde que devidamente comprovados, mantendo-se a glosa quanto às despesas relativas ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da recorrente, em observância ao entendimento consolidado neste Conselho. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para afastar as glosas referentes: i) aos créditos reconhecidos pela autoridade fiscal na Informação Fiscal elaborada em cumprimento à diligência determinada por este Conselho; ii) aos protetores faciais, calças, camisas, ferramentas e materiais correlatos — tais como cal virgem, chaves combinadas, espátula, mangote de couro, óculos de segurança, pano de saco e transformador bivolt — comprovadamente empregados no processo produtivo; iii) às despesas com frete incidentes sobre a aquisição de peças de reposição de máquinas do ativo imobilizado, lubrificantes, graxas, aditivos e materiais de embalagem, bem como sobre a locação de empilhadeiras, desde que devidamente comprovados; e Fl. 396DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.660 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908817/2016-56 15 iv) às despesas com frete vinculadas ao transporte de insumos e de produtos em elaboração entre estabelecimentos da recorrente. Mantêm-se, quanto aos demais pontos, as glosas efetuadas pela fiscalização. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar as glosas: em relação aos créditos reconhecidos pela autoridade fiscal na Informação Fiscal elaborada em cumprimento à diligência determinada por este Conselho (bens utilizados como insumos e armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda); dos protetores faciais, calças, camisas, ferramentas e materiais correlatos - tais como cal virgem, chaves combinadas, espátula, mangote de couro, óculos de segurança, pano de saco e transformador bivolt - comprovadamente empregados no processo produtivo; de despesas com fretes na aquisição de peças de reposição de máquinas do ativo imobilizado, lubrificantes, graxas, aditivos e materiais de embalagem, bem como sobre a locação de empilhadeiras, desde que devidamente comprovados, observado o entendimento firmado na fundamentação do voto; e de despesas com fretes vinculados ao transporte de insumos e de produtos em elaboração entre estabelecimentos do Recorrente. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Fl. 397DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10725.900748/2017-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 20 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Oct 05 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA. PROCESSO JUDICIAL. LIQUIDEZ E CERTEZA QUANTO AO CRÉDITO. APURAÇÃO.
No procedimento de homologação de pedido de restituição/declaração de compensação decorrente de crédito tributário de decisão judicial compete à autoridade administrativa a apuração da certeza e liquidez de direito creditório postulado pelo contribuinte, com base nos documentos do contribuinte e nas decisões judiciais.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Numero da decisão: 3202-004.342
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3202-004.244, de 24 de julho de 2026, prolatado no julgamento do processo 10725.900755/2017-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe - Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aline Cardoso de Faria, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Wagner Mota Momesso de Oliveira, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE
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PROCESSO JUDICIAL. LIQUIDEZ E CERTEZA QUANTO AO CRÉDITO. APURAÇÃO. No procedimento de homologação de pedido de restituição/declaração de compensação decorrente de crédito tributário de decisão judicial compete à autoridade administrativa a apuração da certeza e liquidez de direito creditório postulado pelo contribuinte, com base nos documentos do contribuinte e nas decisões judiciais. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. ACÓRDÃO Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3202-004.244, de 24 de julho de 2026, prolatado no julgamento do processo 10725.900755/2017-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Fl. 83037DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.342 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10725.900748/2017-49 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aline Cardoso de Faria, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Wagner Mota Momesso de Oliveira, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Ressarcimento/Compensação apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de PIS/PASEP. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. A referida decisão foi objeto de Recurso Voluntário, no qual a Recorrente solicita, em síntese: Diante do exposto, o Recorrente requer a esta egrégia Câmara do CARF digne-se a receber e prover integralmente o presente Recurso Voluntário para que seja integralmente reconhecido seu direito creditório e homologado o pedido formulado, cancelando o despacho decisório recorrido. Alternativamente, caso este douto órgão fiscalizador entenda necessária a baixa em diligência, para verificação das operações que deram origem ao crédito já reconhecido, é o que se requer. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele conheço e passo à análise da matéria. Fl. 83038DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.342 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10725.900748/2017-49 3 Das alegações recursais Conforme detalhado pela DRJ, a autoridade fiscal competente, após realização de diligência fiscal, decidiu pela revisão administrativa da análise eletrônica efetuada pelo sistema da RFB, e indeferimento o direito creditório declarado sob o fundamento de que interessada não logrou comprovar o crédito, mesmo após intimada a apresentar os documentos comprobatórios. Inicialmente cumpre destacar que a recorrente não apresentou qualquer razão de defesa contra as inconsistências constatadas pela diligência fiscal. A irresignação da interessada se restringe a alegação de que uma vez que o crédito já tinha sido deferido automaticamente pelo sistema, não poderia ser revisado. Por outro lado, a recorrente pugna pela verdade material e acrescenta que apresentou a documentação solicitada em procedimento fiscal que atestam a liquidez e certeza do direito creditório alegado. Além disso, a recorrente argumenta que, ainda que tenham ocorrido as supostas inconsistências contábeis alegadas pela autoridade fiscal, elas não são suficientes para descaracterizar a existência, legitimidade, imprescritibilidade, certeza e liquidez dos créditos já deferidos pelo sistema. No entanto, em que pese as alegações da defesa de que os créditos foram devidamente comprovados durante o procedimento fiscal, não é o que consta formalizado no Ofício nº 025/2017/DRF/CGZIRJ/SAFIS, por meio do qual a autoridade fiscal fundamenta o indeferimento do pleito, conforme resumo seguir: a) As informações prestadas nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais — Dacon, que demonstram os fatos supostamente ocorridos na formação das referidas contribuições, divergem daquelas consignadas na contabilidade; b) Intimada a apresentar os arquivos contendo cada uma das operações geradoras dos respectivos créditos, a interessada apresentou razões contábeis das contas em que os créditos foram registrados na Escrituração Contábil Digital – ECD e memórias de cálculo do PIS e da COFINS; c) O crédito pleiteado tem como fundamento o art.17 da Lei nº 11.033, de 2004, que prevê a possibilidade de manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição. Desta forma, para que a entidade faça jus ao direito previsto em lei, necessário se faz a contabilização do respectivo crédito do PIS e da COFINS, não bastando, para tanto, a simples escrituração do encargo correspondente pelo valor líquido (débito menos crédito), devendo fazê-la destacadamente em sua contabilidade; d) A cooperativa de leite limitou-se a fornecer planilhas gerenciais que identificam transações supostamente geradoras dos pretensos créditos, desacompanhadas dos elementos documentais de prova que as sustentassem; e e) Em vez de adequar a escrituração contábil dos anos-base de 2009, 2010 e 2011, consignando os fatos essenciais à caracterização daquela prerrogativa, a interessada enviou, em 30 de novembro de 2016, a retificação da Escrituração Contábil Digital — ECD, referente ao ano Fl. 83039DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.342 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10725.900748/2017-49 4 calendário de 2014, como "prova" da existência de saldos daquela natureza em períodos anteriores, o que não atende às determinações impostas pelas normas tributárias em vigor. Nesse sentido, o Despacho Decisório Saort/DRF/CGZ nº 156/2018, com base nas informações contidas no referido Ofício nº 025/2017 e documentos acostados aos autos, concluiu que os motivos que levaram ao não reconhecimento do direito creditório pelo referido Ofício são os mesmos que ensejam a emissão do presente Despacho Decisório para o indeferimento do crédito pleiteado. Dessa forma, diferentemente do alegado pela recorrente, as conclusões obtidas pela autoridade fiscal que emitiu o Ofício nº 025/2017/DRF/CGZIRJ/SAFIS foram corroboradas por outra autoridade fiscal que formalizou o Despacho Decisório ora guerreado, no sentido de que a recorrente não apresentou elementos de prova capazes de atestar a liquidez e certeza do direito creditório alegado. No entanto, a recorrente não traz maiores explicações ou comentários sobre o mérito do indeferimento do direito creditório, tampouco apresentou em seu recurso documentos adicionais que pudessem sustentar o alegado em contraposição ao que foi fundamentado por duas autoridades fiscais diferentes que analisaram o pleito. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), artigo 373, inciso I: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) No entanto, a Recorrente não trouxe nenhuma demonstração de equívoco dos cálculos que pudessem infirmar as conclusões da autoridade fiscalizadora. Quanto às alegações da recorrente de eventual violação aos princípios constitucionais, a referida matéria é estranha à competência deste Colegiado. Com efeito, na via administrativa o exame da lide há de se ater apenas à aplicação da legislação vigente, sendo descabido pronunciar-se sobre a validade ou constitucionalidade dos atos legais, matéria que se encontra afeta ao Supremo Tribunal Federal, como se verifica dos artigos 102, I, “a” e III, “b”, da CRFB, estando pacificada no âmbito administrativo através da Súmula CARF nº 2, a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 83040DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.342 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10725.900748/2017-49 5 Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pela contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Fl. 83041DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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