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Numero do processo: 36944.001022/2006-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 15/02/2006
Ementa:RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA
N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas relativas à Gfip foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, esta mais benéfica para o infrator com a inclusão do art. 32-A à Lei n º 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se
a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de trata-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe
comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática
Numero da decisão: 2302-001.910
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32-A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32-A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991.
Nome do relator: MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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ementa_s : Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 15/02/2006 Ementa:RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas relativas à Gfip foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, esta mais benéfica para o infrator com a inclusão do art. 32-A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de trata-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática
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Recorrente SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIARIA Interessado USIMINAS MECÂNICA SA Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 15/02/2006 Ementa:RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas relativas à Gfip foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, esta mais benéfica para o infrator com a inclusão do art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Fl. 535DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/07/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Eduardo Gonzales Silverio e Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/07/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36944.001022/200688 Acórdão n.º 230201.910 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório O presente auto de infração foi originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a autuada não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências janeiro de 2000 a dezembro de 2004, fls. 403 a 404. A autuada apresentou defesa administrativa, fls. 406 a 415. Foi comandada diligência para que a fiscalização verificasse se houve correção da falta, fl. 503. A fiscalização juntou planilhas às fls. 504 a 512, informando que não houve correção da falta para todas as competências envolvidas na autuação. A unidade descentralizada da SRP emitiu a DecisãoNotificação (DN), fls. 514 a 519, mantendo a autuação com relevação parcial da multa aplicada; tendo sido interposto recurso de ofício. Decisão proferida por este Colegiado, fls. 520 a 522, converteu o julgamento em diligência para que a autuada, caso desejasse, interpusesse recurso voluntário. Cientificado do resultado da diligência, a autuada não se manifestou no prazo normativo. É o relato suficiente. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/07/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator De acordo com a decisão de primeira instância, a autuada corrigiu parcialmente a falta, é primária e houve pedido de relevação dentro do prazo de defesa, estando assim atendidos todos os requisitos para concessão da relevação parcial da multa. Não foi possível a relevação total haja vista restarem pendentes competências sem a correção da falta. Portanto, nesse ponto não merece reparo a decisão de primeira instância. Contudo, a Receita Federal deve observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo mais benéficas para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.” (NR) Fl. 538DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/07/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36944.001022/200688 Acórdão n.º 230201.910 S2C3T2 Fl. 3 5 A conduta de apresentar a Gfip com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei n º 8.212 de 1991. Agora, com a Medida Provisória n º 449 de 2009, convertida na Lei n º 11.941, a tipificação passou a ser apresentar a GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. O núcleo do tipo infracional seja na redação anterior à MP n º 449, seja com o novo ordenamento é o mesmo: apresentar a Gfip com erros. A multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Resta demonstrado, assim, que estamos diante de uma obrigação puramente formal, devendo ser aplicada a multa isolada. Não há razão para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e da acessória antes da MP n º 449 e após, para verificar qual a mais vantajosa. A análise tem que ser multa por descumprimento de obrigação principal antes e multa por tal descumprimento após; e multa por descumprimento de obrigação acessória antes e após. A análise tem que ser realizada dessa maneira, pois como já afirmado tratase de obrigação acessória independente da obrigação principal. A conduta de não apresentar declaração, ou apresentar de forma inexata, somente se subsumiria à multa de 75%, prevista no art. 44 da Lei n º 9.430, nas hipóteses em que não há penalidade específica para ausência de declaração ou declaração inexata. Para a Gfip – assim como para a DCTF e a DIRPF – há multa com tipificação específica; desse modo inaplicável o art. 44. Em relação à Gfip aplicase o art. 32A da Lei n º 8.212 de 1991. Conforme previsto no art. 44 da Lei n º 9.430, a multa de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Desse modo, há três condutas no art. 44 que não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa. Há a conduta deixar de pagar ou recolher; outra conduta é ausência de declaração, e a terceira é a apresentação de declaração inexata. Essa conclusão é facilmente alcançável pela aplicação da regra de paralelismo sintático da língua portuguesa, haja vista – no art. 44 – a repetição da preposição “de” indicar o referencial “no caso”. Esquematicamente terseia: Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: 1) 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos: 1.1 de falta de pagamento ou recolhimento, 1.2 de falta de declaração e 1.3 nos de declaração inexata; Logicamente, se o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não se aplica a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; mas se a despeito do pagamento não declarou em Gfip, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212. Essa aplicação de multa isolada somente é possível pelo fato de serem condutas distintas. Agora, se o contribuinte tiver declarado em Gfip não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/07/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Afinal, a multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em Gfip, mas não tiver pago, não se aplica o art. 44 da Lei 9.430. Esse artigo não se impõe pelo fato de o contribuinte não ter recolhido e ter declarado, deveras não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a Gfip. E nas hipóteses em que o contribuinte não recolhe e não declara em Gfip, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em Gfip a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Como já afirmado, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A, o que demonstra serem condutas independentes. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e de não declarar em Gfip, não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, não há que se falar em bis in idem, tampouco em consunção. Pelo contrário, a lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Logo, não há consistência nos entendimentos que pretendem dispensar a multa isolada, por ter sido aplicada a multa genérica. A Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa RFB n º 1.027 de 22 de abril de 2010 que assim dispõe em seu artigo 4º: Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista.? Fl. 540DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/07/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36944.001022/200688 Acórdão n.º 230201.910 S2C3T2 Fl. 4 7 Entendo inaplicável a referida Portaria por ser ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em Gfip, independentemente de o contribuinte ter pago, conforme dispõe o art. 32A da Lei n º 8.212. Uma vez que a penalidade está prevista em lei, somente quem pode dispensála é o Poder Legislativo. A interpretação da Receita Federal gera a concessão de uma anistia sem previsão em lei, o que contraria o art. 150, parágrafo 6º da Constituição Federal. A Portaria também viola o art. 182 do CTN que exige a concessão de anistia por meio de lei, além de violar os artigos 32A da Lei n º 8.212 e 44 da Lei n º 9.430. A Portaria também viola o art. 182 do CTN que exige a concessão de anistia por meio de lei. Além de violar, os artigos 32A da Lei n º 8.212 e 44 da Lei n º 9.430. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. Desse modo, deve ser corrigido o lançamento quanto à aplicação da multa imposta. A Receita Federal não tem que somar multa por descumprimento de obrigação com multa por descumprimento de acessória. A análise tem que ser isolada. Dessa forma, conforme planilha à fl. 23, há casos em que o valor de 100% da contribuição devida e não declarada é menor que o mínimo de R$ 500,00. Para as competências em que isso ocorreu deve ser aplicado o menor valor. CONCLUSÃO Pelo exposto, concedo provimento parcial ao recurso de ofício. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 541DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/07/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 16004.001596/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2006
SUBROGAÇÃO NA PESSOA DO ADQUIRENTE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL POR PESSOAS
FÍSICAS. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF.
IMPROCEDÊNCIA
Declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária (RE n.º 363.852/MG), a inconstitucionalidade do art. 1.º da Lei n. 8.540/1992 e as atualizações posteriores até a Lei n. 9.528/1997, as quais, dentre outras, deram redação ao art. 30, IV, da Lei n. 8.212/1991, são improcedentes as contribuições sociais exigidas dos adquirentes da produção rural da pessoa física na condição de subrogado.
AGROINDÚSTRIAS ENQUADRADAS NO CAPUT DO ART. 2.º DO DECRETO-LEI
N.º 1.146/1970. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS.
ALÍQUOTA.
A alíquota da contribuição para os “terceiros” aplicável às agroindústrias enquadradas no “caput” do art. 2.º do Decreto-lei
n.º 1.146/1970 é de 5,2%, sendo 2,5% para o Salário educação
e 2,7% para o INCRA.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.433
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF. IMPROCEDÊNCIA Declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária (RE n.º 363.852/MG), a inconstitucionalidade do art. 1.º da Lei n. 8.540/1992 e as atualizações posteriores até a Lei n. 9.528/1997, as quais, dentre outras, deram redação ao art. 30, IV, da Lei n. 8.212/1991, são improcedentes as contribuições sociais exigidas dos adquirentes da produção rural da pessoa física na condição de subrogado. AGROINDÚSTRIAS ENQUADRADAS NO CAPUT DO ART. 2.º DO DECRETOLEI N.º 1.146/1970. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ALÍQUOTA. A alíquota da contribuição para os “terceiros” aplicável às agroindústrias enquadradas no “caput” do art. 2.º do DecretoLei n.º 1.146/1970 é de 5,2%, sendo 2,5% para o SalárioEducação e 2,7% para o INCRA. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso. Fl. 4729DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 4730DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.001596/200821 Acórdão n.º 2401002.433 S2C4T1 Fl. 4.730 3 Relatório Tratase do Auto de Infração AI n.º 37.128.7960, mediante o qual são exigidas do sujeito passivo acima identificado as contribuições destinadas a outras entidades e fundos, nos percentuais a seguir indicados: a) 0,6% diferença de alíquota sobre a remuneração constante da folha de salários. A empresa recolhia o percentual de 5,2% e o fisco entendeu que a alíquota correta seria 5,8%, com destinação ao Sal. Educação; INCRA; SENAI; SESI; SEBRAE e SENAR; b) 0,2% destinada ao SENAR e incidente sobre a aquisição de produção rural de pessoas físicas, na condição de subrogado. De acordo com o relatório fiscal, fls. 154 e segs., a auditoria que deu ensejo ao presente lançamento decorreu de ordem judicial, que determinou a fiscalização de todas as pessoas físicas e jurídicas que foram identificadas, por investigação da Polícia Federal, como integrantes de suposta organização criminosa criada com intuito de fraudar a Administração Tributária. Essa organização foi identificada como “Grupo Nivaldo”, da qual fazia parte a empresa autuada e as pessoas físicas e jurídicas arroladas no relatório fiscal. Todos foram considerados devedores solidários pelo crédito tributário consignado no AI sob enfoque, por ter entendido o fisco que as mesmas integravam grupo econômico de fato. Foram apresentadas as impugnações pelas seguintes pessoas físicas e jurídicas: Antônio Giglio Sobrinho; CMG Transporte Rio Preto Ltda.; Sebo Sol Indústria de Subprodutos de Bovinos Ltda; Sol Empreendimentos Imobiliários Rio Preto Ltda; José Roberto Giglio; Pedro Giglio Sobrinho; Fortes Empreendimentos Imobiliários São Paulo Ltda; Nivaldo Fortes Peres; Luciano da Silva Peres; Maria Helena La Retondo; Rodrigo da Silva Peres; Sol Importadora e Exportadora de Couros Ltda; além da própria autuada – Rio Preto Abatedouro de Bovinos Ltda. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Ribeirão Preto julgou, fls. 3.360 e segs., improcedente as defesas apresentadas, mantendo integralmente o crédito, com a ressalva de que no momento do pagamento ou parcelamento do crédito deve o órgão competente da RFB verificar a aplicação da multa mais benéfica, tendose em conta as alterações legislativas trazida pela Lei n.º 11.941/2009. Inconformados foram apresentados os recursos abaixo mencionados. José Roberto Giglio interpôs recurso, no qual pugna pela nulidade do AI, posto que não foi citado no MPF, nem teve a oportunidade de se manifestar na fase instrutória do procedimento. Afirma que o fisco não se desincumbiu do ônus de comprovar que o recorrente teria vínculo com as empresas citadas na lavratura. Assevera também que a decisão de primeira instância deixou de apreciar a documentação que comprovaria que o recorrente não tinha qualquer poder de gerência em quaisquer da empresas que compunham o suposto grupo econômico, tendo recebido recurso de algumas delas por motivo de herança. Fl. 4731DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Outro recurso apresentado é o da Valentim Gentil Abatedouro de Bovinos Ltda., no qual nega a participação no grupo econômico apontado na autuação. Recorreu no mesmo sentido a empresa Sol Importadora e Exportadora de Couros Ltda. Rodrigo da Silva Peres demonstrou o seu inconformismo contra a decisão da DRJ. Em sua peça recursal alega nulidade da decisão recorrida em razão do indeferimento do seu pedido para a realização de prova pericial, fato que prejudicou o seu direito de defesa. Alega ainda impedimento dos Agentes Fiscais, posto que os mesmos teriam sido representados na Corregedoria da RFB pelo recorrente. Assevera que o procedimento é nulo, posto que não havia MPF em seu nome, de modo que, não havendo essa autorização, o fisco estaria carente de competência para incluí lo no polo passivo do lançamento em questão. Sustenta que o fisco não dispõe de instrumentos legais para desconsiderar negócios jurídicos efetuados sob o manto da legalidade. Afirma que a falta de MPF válido invalida todas as provas obtidas no procedimento. Alega que a autoridade julgadora agiu com parcialidade, descrevendo fatos inverídicos, com o objetivo de validar as falhas do procedimento fiscal. Depois, desenvolve sua argumentação no sentido desconstituir a tese da existência de grupo econômico entre as empresas listadas pelo fisco. Assevera que é frágil a alegação de que o recorrente se beneficiou com recebimento de recursos do suposto grupo econômico, haja vista que sequer foi lançado o Imposto de Renda da Pessoa Física, decorrente desse ganho patrimonial. Os argumentos acima foram repetidos pela empresa Fortes Empreendimentos Imobiliários São Paulo Ltda e pelas pessoas físicas Nivaldo Fortes Peres e Luciano Silva Peres. Pedro Giglio Sobrinho afirmou em seu recurso que não tem relação com os fatos geradores lançados, tampouco com a empresa autuada, sendo ilegal a sua responsabilização. Teve o seu direito de defesa cerceado por não haver sido cientificado da fase instrutória do processo. A negativa de produzir provas pelo órgão recorrido, alega, feriu o seu direito ao contraditório. A DRJ também teria deixado de apreciar alegações defensórias. Assevera ainda que o fisco não conseguiu comprovar os fatos alegados no Termo de Sujeição Passiva. Consta recurso de Antônio Giglio Sobrinho, no qual alegou que a decisão da DRJ é nula por cercear seu direito de defesa, quando não considerou os argumentos e provas trazidas na impugnação e indeferiu seu pedido para realização de diligência e de perícia técnica. No mérito, afirma que nunca participou da gestão das empresas integrantes do suposto grupo econômico, tendo tido participação societária em alguma delas por força de aquisição de cotas por sucessão hereditária. Ao final, pede também a exclusão dos juros e da multa. Consta recurso da empresa Sebo Sol Indústria de Subprodutos de Bovinos Ltda, na qual apresenta a alegação da ocorrência de erro na identificação do sujeito passivo do presente lançamento, posto que não pode ser responsabilizada pelos créditos tributários lançados, haja vista que não tem ou teve qualquer vinculação com os produtores rurais em comento, nem adquiriu deles ou da autuada qualquer produção rural. Recorreu a empresa Sol Empreendimentos Imobiliários Rio Preto Ltda., no qual suscita que o Acórdão ora recorrido seguiu o mesmo sentido do AI, inclusive quanto à falta de indicação e prova a revelarem consistentemente o interesse comum da recorrente na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária cuja responsabilidade lhe foi Fl. 4732DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.001596/200821 Acórdão n.º 2401002.433 S2C4T1 Fl. 4.731 5 atribuída por solidariedade. Alega o prejuízo a defesa por não haver sido cientificada da fase instrutória. Maria Helena La Retondo, apresentou recurso, alegando, em apertada síntese, que o indeferimento de seu pedido para produção de prova pericial feriu o seu direito de defesa, por isso é nula a decisão recorrida. Assevera que os Auditores Fiscais responsáveis pela lavratura estariam impedidos de atuar em ação junto à recorrente e seus filhos, posto que esses, diante de abuso de autoridade cometido pelos Agentes do Fisco, haviam representado os mesmos na Corregedoria da RFB por infração disciplinar. Sustenta que não foi cientificada mediante Mandado de Procedimento Fiscal – MPF de que seria sujeito passivo da relação tributário em tela, por isso o procedimento deve ser nulificado. Afirma que o fisco não dispõe, de per si, de instrumentos legais para desconsiderar os negócios jurídicos praticados pelo sujeito passivo. Advoga que a decisão de primeira instância encontrase permeada pela parcialidade, na medida em que se preocupou apenas em corroborar especulações trazidas pelo fisco, as quais são totalmente desprovidas de comprovação. Por fim, sustenta que à recorrente foram transferidos imóveis, decorrente de meação do patrimônio que constitui com seu companheiro, fato que não autoriza o fisco concluir que tais bens foram incorporados ao seu patrimônio em razão de sua relação com pessoa jurídica. A empresa Agro Rio Preto Representações Comerciais Ltda também interpôs recurso, no qual alega que não tem vinculação com os fatos geradores que deram ensejo à lavratura. Por fim, a empresa autuada, Rio Preto Abatedouro de Bovinos Ltda., também interpôs recurso, alegando que não pode ser exigida da mesma a contribuição ao INCRA, uma vez que é empresa vinculada à previdência urbana. Afirma não poder ser compelida a recolher a contribuição para o SENAI, SESI e SEBRAE, posto que não é empresa filiada a entidades sindicais vinculadas a Confederação Nacional da Indústria – CNI. Sustenta que, tendo em seus quadros menos de 500 funcionários, não estaria obrigada a recolher a contribuição destinada ao SENAI, em obediência ao que dispõe o art. 6.º do Decreto n.º 4.048/1942. Ao final, pediu o cancelamento do Auto de Infração. É o relatório. Fl. 4733DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Os recursos merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade. As preliminares Embora tenham sido suscitadas inúmeras preliminares nos recursos interpostos, passarei de imediato à análise meritória da contenda, já que a mesma será resolvida em benefício do sujeito passivo, posto que enxergo na presente autuação um caso de inconstitucionalidade e outro de ilegalidade vinculadas à legislação que fundamenta a lavratura. Esse procedimento é autorizado pelo Decreto n.º 70.235/1972: Art. 59 (...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (...) O mérito da contenda resumese em verificar a legitimidade na exigência por subrogação das contribuições aos terceiros incidentes sobre a aquisição da produção rural de pessoa física e sobre as remunerações constantes da folha de pagamento. Vejamos. Aplicação do Recurso Extraordinário RE n. 363.852/MG ao lançamento A aplicação do entendimento do STF exarado no RE n.º 363.852/MG ao presente caso é uma exigência do inciso I do art. 62 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n. 256/2009, assim redigido: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou (...) O RE transitou em julgado em 06/05/2011 e, tendo o mesmo contado com a manifestação do Plenário da Corte, deve a referida decisão ser observada nos julgamentos do CARF. Fl. 4734DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.001596/200821 Acórdão n.º 2401002.433 S2C4T1 Fl. 4.732 7 Assim a solução da presente lide passa pela delimitação do alcance do que ficou decidido pela Corte Máxima no bojo do RE n.º 363.852/MG, no qual discutiuse a constitucionalidade da exigência de contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta da comercialização da produção rural do empregador pessoa física, prevista no art. 25, I e II, da Lei n.º 8.212/1991, com redação dada pela Lei n.º 8.540/1992, e da subrogação do adquirente na obrigação de recolher o tributo devido, conforme art. 30, IV, da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.528/1997. Ali a empresa recorrente, adquirente de produtos rurais de produtores pessoas físicas, não concordando com a exação suscitou ofensa do dispositivo atacado aos artigos 195, e §§ 4. e 8. , 154, I e 146, III, todos da Constituição Federal. O Pretório Excelso deu provimento ao RE, conforme abaixo: Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitadta por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior. Plenário, 03.02.2010. Contra essa decisão a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou embargos de declaração, os quais foram rejeitados pela Corte, nos seguintes termos: A C Ó R D Ã O Vistos, relatados e discutidos estes autos, acórdão os Ministros do Supremo Tribunal Federal em rejeitar os embargos de declaração o recurso extraordinário, nos termos do voto do relator e por unanimidade, em sessão presidida pelo Ministro Cezar Peluzo, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Analisando a ementa do acórdão exarado pelo STF no citado RE, percebese que o mesmo é explícito em declarar a inconstitucionalidade da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização dos produtores rurais pessoas física, e vai além, também afastando a possibilidade de se responsabilizar o adquirente na condição de subrogado. Eis as exatas palavras contidas na parte dispositiva do decisum: “... para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da Fl. 4735DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais...” Percebese, então, que a decisão da Corte Maior atingiu não somente as contribuições sociais previstas no art. 25, I e II, da Lei n.º 8.212/1991, mas também a forma de arrecadação, afastando a responsabilidade da empresa adquirente na condição de subrogada, esta estampada no inciso IV do art. 30 da mesma Lei. Verificase, no entanto, que a contribuição exigida na presente NFLD, a qual é aquela destina ao SENAR, não foi atingida pela referida decisão da Corte Máxima, posto que a mesma tem como fundamento o inciso I do art. 3.º da Lei n.º 8.315/1991, não tendo esse dispositivo sido objeto do RE n.º 363.852. Portanto, é plenamente exigível a contrição ora lançada, posto que alicerçada em lei vigente e eficaz. O mesmo não se pode falar acerca da subrogação do adquirente dos produtos rurais de pessoa física na obrigação de pagar o tributo, posto que o único dispositivo que autorizava essa técnica de arrecadação era o inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.528/1997, o qual foi declarado inconstitucional pelo STF, como se pode ver da parte dispositiva do acórdão exarado no bojo do RE n.º 363.852, conforme se extrai do texto: “...declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97...” Eis os textos do inciso IV do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social desde a redação original até a que vige atualmente: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (redação original) IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea a do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei nº 8.540, de 1992). IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Fl. 4736DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.001596/200821 Acórdão n.º 2401002.433 S2C4T1 Fl. 4.733 9 Percebase que quando a decisão faz menção ao dispositivo declarado inconstitucional ela reportase também às atualizações legais trazidas ao ordenamento pela Lei n. 9.598/1997, posto que essas são anteriores a edição da EC n.º 20/1998. Assim, considerando que o inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, nas redações dadas pelas Leis n.º 8.540/1992 e n.º 9.548/1997, foram declarados inconstitucionais, não pode subsistir o crédito tributário arrimado nesses dispositivos. E nem se fale que a decisão do Supremo não atingiu esse dispositivo, posto que na inicial foi requerida a declaração de inconstitucionalidade de todo o art. 1.º da Lei n.º 8.540/1992, o qual alterou dispositivos da Lei n.º 8.212/1991, inclusive trazendo nova regra que previa a subrogação do adquirente de produtos rurais de pessoa física. Embora se possa argumentar que a subrogação da empresa adquirente na responsabilidade de recolher as contribuição ao SENAR não decorre do inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, mas no Decreto n.º 790/1993, devese ter em conta que o sistema tributário nacional, estruturado no princípio da legalidade, confere apenas à lei em sentido estrito o poder para criar responsabilidade tributária. Eis o que dispõe o art. 128 do CTN: Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Não poderia, então, o fisco apresentar, como fundamento legal para justificar a possibilidade de se arrecadar o tributo por subrogação, norma criada pelo Poder Executivo. Isso fica mais evidente quando analisamos o Relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito, que apresenta como base legal para subrogação da contribuição do SENAR o inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991. Tendo sido declarada inconstitucional pelo STF, em decisão plenária, a norma que previa a subrogação do adquirente de produtos oriundos de produtor rural pessoa física na obrigação de recolher a contribuição ao SENAR, deve este Tribunal Administrativo, em obediência ao seu Regimento Interno, declarar a improcedência do lançamento. Da contribuição das agroindústrias para outras entidades fundos Alega o fisco que a autuada recolheu sobre a folha de salários as contribuições destinadas ao terceiros à alíquota de 5,2% (FPAS 531), quando o percentual correto seria 5,8% (FPAS 507). Exigese no presente AI, portanto, o diferencial de alíquota de 0,6%. Verificase dos autos que a atividade da empresa autuada, a partir da 1.ª Alteração Contratual, em 12/08/2002, é: CLÁUSULA SEGUNDA O objeto da sociedade e ABATE PRÓPRIO DE BOVINOS E SUÍNOS, PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NO ABATE DE BOVINOS E SUÍNOS A TERCEIROS, BEM COMO A Fl. 4737DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 COMERCIALIZAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DE CARNES E SUBPRODUTOS DERIVADOS D O ABATE. Como se percebe da informação acima, tratase de um típico abatedouro, sem dúvida relacionado no art. 2.º do “caput” do DecretoLei n.º 1.146/1970, assim redigido: Art. 2º A contribuição instituída no “caput” do artigo 6º da Lei nº 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de 1º da janeira de 1971, sendo devido sobre a soma da folha mensal dos salários de contribuição previdenciária dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas: I Indústria de canadeaçúcar; II Indústria de laticínios; III Indústria de beneficiamento de chá e de mate; IV Indústria da uva; V Indústria de extração e beneficiamento de fibras vegetais e de descaroçamento de algodão; VI Indústria de beneficiamento de cereais; VII Indústria de beneficiamento de café; VIII Indústria de extração de madeira para serraria, de resina, lenha e carvão vegetal; IX Matadouros ou abatedouros de animais de quaisquer espécies e charqueadas. Nos termos do § 1.º do mesmo artigo, as pessoas arroladas no inciso do “caput” não se sujeitam ao recolhimento das contribuições destinadas ao SESI, SESC, SENAI e SENAC, como se pode ver: § 1º Os contribuintes de que trata êste artigo estão dispensados das contribuições para os Serviços Sociais da Indústria (SESI) ou do Comércio (SESC) e Serviços Nacionais de Aprendizagem Industrial (SENAI) ou do Comércio (SENAC), estabelecidas na respectiva legislação. Considerando que para financiamento do SEBRAE é exigido das empresas industriais o adicional de 0,3% sobre as alíquotas destinadas ao SENAI e ao SESI (art. 8.º, § 3.º da Lei n.º 8.029/1990), não há também de se exigir o referido adicional para as empresas listadas no “caput” do art. 2.º do DecretoLei n.º 1.146/1970, o que é o caso da autuada. Feito esse apanhado legislativo, sou forçado a concordar que a exigência no presente AI da diferença de alíquota não tem amparo na legislação. Verifico que o FPAS em que se enquadra a autuada é o 825, devendo as empresas enquadradas no mesmo recolherem as contribuições de “terceiros” apenas para o Salário Educação (2,5%) e para o INCRA (2,7%), perfazendo uma alíquota total de 5,2%. Nesse sentido o recolhimento efetuado pela recorrente está em perfeita consonância com a legislação de regência. Conclusão Fl. 4738DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.001596/200821 Acórdão n.º 2401002.433 S2C4T1 Fl. 4.734 11 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 4739DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13808.000423/96-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 1991, 1992, 1993, 1994
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA.
Não se conhece de recurso de ofício interposto em decisão que exonera o sujeito passivo de crédito tributário (tributo e multa) inferior ao limite de alçada previsto no artigo 34, I, do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas por meio da Lei nº 9.532/97 e Portaria MF nº 03/2008.
IRPJ. CORREÇÃO MONETÁRIA. DEPÓSITOS JUDICIAIS.
A correção monetária das demonstrações financeiras tem como objetivo traduzir em valores reais os elementos patrimoniais e, por conseqüência, a base de cálculo do Imposto de Renda. A correção monetária dos depósitos judiciais tem por escopo estornar despesa cujo valor, escrituralmente, integra
o Patrimônio Líquido. Desnecessária a atualização da conta do Ativo representativa do depósito judicial, quando a contribuinte deixa de corrigir monetariamente a contrapartida passiva representativa da exigibilidade.
Súmula nº 58 do CARF.
CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE.
O decidido no julgamento do lançamento principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada no dele decorrente, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente.
Recurso de Ofício Não Conhecido.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1202-000.777
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso de ofício, por inferior ao limite de alçada, e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: NELSON LOSSO FILHO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 1991, 1992, 1993, 1994 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. Não se conhece de recurso de ofício interposto em decisão que exonera o sujeito passivo de crédito tributário (tributo e multa) inferior ao limite de alçada previsto no artigo 34, I, do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas por meio da Lei nº 9.532/97 e Portaria MF nº 03/2008. IRPJ. CORREÇÃO MONETÁRIA. DEPÓSITOS JUDICIAIS. A correção monetária das demonstrações financeiras tem como objetivo traduzir em valores reais os elementos patrimoniais e, por conseqüência, a base de cálculo do Imposto de Renda. A correção monetária dos depósitos judiciais tem por escopo estornar despesa cujo valor, escrituralmente, integra o Patrimônio Líquido. Desnecessária a atualização da conta do Ativo representativa do depósito judicial, quando a contribuinte deixa de corrigir monetariamente a contrapartida passiva representativa da exigibilidade. Súmula nº 58 do CARF. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. O decidido no julgamento do lançamento principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada no dele decorrente, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente. Recurso de Ofício Não Conhecido. Recurso Voluntário Provido.
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FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1991, 1992, 1993, 1994 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. Não se conhece de recurso de ofício interposto em decisão que exonera o sujeito passivo de crédito tributário (tributo e multa) inferior ao limite de alçada previsto no artigo 34, I, do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas por meio da Lei nº 9.532/97 e Portaria MF nº 03/2008. IRPJ. CORREÇÃO MONETÁRIA. DEPÓSITOS JUDICIAIS. A correção monetária das demonstrações financeiras tem como objetivo traduzir em valores reais os elementos patrimoniais e, por conseqüência, a base de cálculo do Imposto de Renda. A correção monetária dos depósitos judiciais tem por escopo estornar despesa cujo valor, escrituralmente, integra o Patrimônio Líquido. Desnecessária a atualização da conta do Ativo representativa do depósito judicial, quando a contribuinte deixa de corrigir monetariamente a contrapartida passiva representativa da exigibilidade. Súmula nº 58 do CARF. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. O decidido no julgamento do lançamento principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada no dele decorrente, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente. Recurso de Ofício Não Conhecido. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 09/06/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13808.000423/9656 Acórdão n.º 120200.777 S1C2T2 Fl. 996 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por inferior ao limite de alçada, e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Retorna o recurso a julgamento nesta E. Câmara, após cumprimento de diligência determinada na sessão de 18 de maio de 2010, por meio da Resolução nº 1202 00.043, fls. 909/912. A diligência teve como objetivo a constatação da inexistência nos anos de 1991 a 1994 de atualização monetária das contas de Passivo, representativas dos tributos discutidos judicialmente. Para tornar mais compreensíveis as matérias em julgamento, a seguir reproduzo o relatório e voto apresentados naquela oportunidade: “Constam dos autos os recursos de oficio e voluntário, interpostos, respectivamente, pela 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador e pela empresa GL Eletro Eletrônicos Ltda.. 0 recurso de oficio, interposto no Acórdão n° 06.230, proferido em 23 de dezembro de 2004 pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, acostado aos autos às fls. 723/748, foi motivado por ter o julgamento singular exonerado a impugnante de parte do lançamento por omissão de receitas pela constatação de passivo fictício e a proporcional compensação de prejuízos fiscais existentes, o cancelamento da exigência do ILL com base no artigo 35 da Lei n° 7.713/88 e a redução da multa de oficio ao percentual de 75%, pela aplicação da retroatividade benigna, conforme está consignado às fls. 735/746. Diante dessa decisão, apresentam os julgadores, no resguardo do principio constitucional do duplo grau de jurisdição, o competente recurso ex officio de fls. 724. 0 recurso voluntário diz respeito ao remanescente dos lançamentos contra a empresa GL Eletro Eletrônicos Ltda, autos Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 09/06/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13808.000423/9656 Acórdão n.º 120200.777 S1C2T2 Fl. 997 3 de infração do IRPJ, fls. 272/290, e CSLL, fls. 296/302, por ter a fiscalização constatado nos exercícios de 1992 a 1995 a seguinte infração, descrita às fls. 289/290, que transcrevo do relatório do acórdão de primeira instância: "omissão de variação monetária ativa, decorrente da falta de contabilização da variação monetária ativa dos direitos de crédito relativos a depósitos judiciais, nos períodosbase de 1991 a 1994, conforme valores relacionados às fl. 245, capitulando como enquadramento legal os artigos 157 e parágrafo 1°, 175, 254, inciso I e parágrafo único e 387, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 85.450, de 04 de dezembro de 1980 —RIR/1980 e os artigos 195, inciso II, 197, parágrafo único, 225, 320 e 321 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 11 de janeiro de 1994 RIR/1994." Inconformada com a exigência, apresentou impugnação protocolada em 05 de julho de 1996, em cujo arrazoado de fls. 305/330 contesta os autos de infração. Em 23 de dezembro de 2004 foi prolatado o Acórdão n° 06.230, da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador, fls. 723/748, que considerou procedente em parte o lançamento, expressando seu entendimento por meio da seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Exercício: 1992, 1993, 1994 Ementa: PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de diligencia quando é formulado de forma genérica, em desacordo com a legislação pertinente. OMISSÃO DE VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVA. DEPÓSITOS JUDICIAIS. Integrando os depósitos judiciais o patrimônio do depositante, a variação monetária ativa deles decorrente representa disponibilidade jurídica de renda constituindose em fato gerador do imposto sobre a renda. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. COMPROVAÇÃO. Tendo o sujeito passivo comprovado apenas que parte dos registros constantes de seu passivo exigível corresponde a obrigações não quitadas, deve prevalecer a presunção de omissão de receitas quanto à parcela não comprovada. PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO. Na apuração do lucro real deve ser considerado o prejuízo do próprio períodobase e compensado os prejuízos fiscais concernentes a períodosbase anteriores, ainda não prescritos ou não utilizados. Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 09/06/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13808.000423/9656 Acórdão n.º 120200.777 S1C2T2 Fl. 998 4 CSLL. MESMO FATO GERADOR. LANÇAMENTO DO IRPJ. IDENTIDADE DE MATÉRIA. Em se tratando matéria idêntica aquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, "mutatis mutantis", seguelhe o mesmo destino o lançamento relativo a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, em razão da relação de causa e efeito. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa de oficio de 100% deverá ser reduzida para 75%, em face da retroatividade benigna da penalidade prevista no Código Tributário Nacional. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício:1993 Ementa: IRRF. SOCIEDADES POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. COMPROVAÇÃO. Incabível a exigência do crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte sobre o Lucro Liquido fundada no art. 35 da Lei 7.713, de 1988, se não está demonstrado nos autos que tenha a empresa, constituída sob a forma de sociedade por quotas de responsabilidade limitada, efetuado distribuição de lucros aos sócios. Lançamento Procedente em Parte" Cientificada em 18 de junho de 2007 e novamente irresignada com o Acórdão de Primeira Instância, apresenta seu recurso voluntário protocolado em 17 de julho de 2007, em cujo arrazoado de fls. 778/800, alega, em apertada síntese, o seguinte: 1 no período fiscalizado não havia qualquer previsão legal que determinasse a correção monetária dos depósitos judiciais efetuados, por expressa determinação judicial e/ou com a finalidade de, na forma do ar. 151 do Código Tributário Nacional, suspender a exigência do crédito tributário; 2 não constituindo o depósito judicial direito de crédito do contribuinte, não se sujeitava, a variação monetária respectiva, às regras do art. 254 do RIR. Não estando prevista a atualização monetária desse mesmo depósito na legislação que então regia a correção monetária das demonstrações financeiras, também quanto a este aspecto não há que se falar em qualquer reconhecimento de correção monetária; 3 há que se ter em conta que o procedimento da recorrente em não reconhecer a variação monetária atribuída àqueles citados Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 09/06/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13808.000423/9656 Acórdão n.º 120200.777 S1C2T2 Fl. 999 5 depósitos judiciais é de todo coerente, pois também não afetou o seu resultado com a atualização monetária passiva da obrigação tributária; 4 o procedimento praticado pela recorrente, ao manter em sua contabilidade, com os conseqüentes reflexos fiscais, os valores originais dos depósitos judiciais e das obrigações tributárias, não causou nenhum inconveniente ou prejuízo ao fisco, vez que, se ambos tivessem sido monetariamente atualizados, o resultado fiscal continuaria sendo exatamente idêntico àquele retratado em sua contabilidade; 5 não há que se falar que do procedimento da recorrente tenha decorrido qualquer prejuízo para o fisco. Até por este aspecto improcede a pretensão fiscal e bem assim a decisão recorrida; 6 a comprovação ou não da correção monetária das contas de passivo que fizeram contrapartida com as contas ativas representativas daqueles mesmos depósitos judiciais, não foi objeto do lançamento de oficio ora atacado, e se caso o procedimento adotado pela recorrente com relação à referida correção das contas de passivo tivesse gerado alguma dúvida para o Fisco restaria consignado no Termo de Verificação Fiscal, o que na hipótese não ocorreu; 7 assim é que, diferentemente do que pretende a Turma Julgadora, a presente discussão deve se ater tãosomente aos fatos narrados pela digna fiscalização autuante e às eventuais infrações por ela levantadas; 8 no presente caso, tendo a DRJ em Salvador verificado a necessidade de se apurar se houve efetivamente a correção monetária das referidas contas de passivo, que fizeram contrapartida com as contas ativas representativas dos depósitos judiciais efetuados a titulo de CSLL, PIS e FINSOCIAL, deveria determinar a realização de nova fiscalização na empresa e, se fosse o caso, a lavratura de novo auto de infração, devolvendo se a nova fundamentação ao contribuinte, para impugnação, a teor do que dispõe o § 3° do art. 18 do Decreto n° 70.235/72; 9 é inadmissível que se proceda a uma nova fiscalização na empresa para averiguar fatos relativos aos exercícios de 1992 a 1995, já colocados à disposição do Fisco à época própria, em virtude da decadência do seu direito de lançar; 10 anexa aos autos demonstrativos dos depósitos judiciais realizados nos anoscalendário 1992 a 1995 e das contas do passivo correspondentes ao mesmo período, bem, como cópia de parte dos Livros Diários que transcreve os Balanços Gerais, que demonstram que os registros contábeis efetuados nas contas de provisões de PIS, FINSOCIAL, CSLL e I0F, suspensos por liminar, não tiveram contrapartida em contas de correção monetária, comprovando que estas provisões não sofreram qualquer correção; Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 09/06/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13808.000423/9656 Acórdão n.º 120200.777 S1C2T2 Fl. 1000 6 11 os saldos das contas 20305 (PIS), 20306 (FINSOCIAL), 20309 (CSLL) e 20605 (I0F) registrados nos Balanços da empresa são exatamente os mesmos daqueles informados nos Demonstrativos relativos às contas do passivo elaborados pela recorrente, que descreve de forma pormenorizada os valores depositados judicialmente no decorrer dos anos fiscalizados. Como se pode verificar, as provisões constituídas a titulo dos tributos em questão, nos meses em que os depósitos foram efetuados, permaneceram inalteradas até 31 de dezembro de cada ano, sem que tivessem sido atualizadas monetariamente; 12 demonstrada está a neutralidade nos lançamentos contábeis efetuados pela recorrente, decorrente da total ausência de correção monetária não só das contas ativas dos depósitos judiciais dos tributos em questão, como também das respectivas contas passivas que lhe fizeram contrapartida. É o Relatório. Voto O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Em suas razões, ao contestar apenas o lançamento da variação monetária ativa, a recorrente sustenta que deixou de corrigir monetariamente as contas de passivo, representativas dos tributos discutidos judicialmente, juntando documentos para comprovação do alegado. Em seu voto, o acórdão de primeira instância fundamenta a manutenção da exigência do item omissão de receitas pela falta de reconhecimento da variação monetária ativa sobre depósitos judiciais, afirmando que a empresa não provou que deixou de corrigir nos anos de 1991 e 1992 as contas de Passivo representativas dos tributos discutidos judicialmente. Abaixo transcrevo excerto do Acórdão n° 06.230, da 1ª Turma de Julgamento da DRJ Salvador, a respeito do item do auto de infração intitulado omissão de variação monetária ativa sobre depósitos judiciais: "Outro aspecto que deve ser analisado é a eventual compensação da variação monetária ativa da conta representativa do depósito judicial com a atualização monetária da conta do passivo representativa da obrigação de recolher o tributo. Até o anocalendário de 1992, como não havia restrições quanto a dedutibilidade de tributos não pagos e/ou com exigibilidade suspensa e considerando que o acessório acompanha o principal, o registro das variações monetárias ativa e passiva relativas às contas de direito de crédito e de obrigação não afetavam a apuração do lucro real do período, uma vez que deviam ser aplicados os mesmos índices de correção. Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 09/06/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13808.000423/9656 Acórdão n.º 120200.777 S1C2T2 Fl. 1001 7 Nos anoscalendário de 1993 e 1994, a legislação fiscal passou a dar tratamento diverso as despesas com tributos. Com a vigência da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, conforme o disposto no seu artigo 7° passaram a ser considerados indedutiveis na apuração do lucro real os tributos não pagos, devendo, desse modo, ser adicionados ao lucro real os tributos incorridos naquele períodobase, quando eram pagos em período subseqüente, até mesmo atendendo aos prazos de vencimento dos tributos e no seu artigo 8° passaram a ser consideradas como redução indevida do lucro real, as importâncias contabilizadas como custo ou despesa, relativas a tributos ou contribuições e sua respectiva atualização monetária, cuja exigibilidade estivesse suspensa nos termos do art. 151 do CTN, houvesse ou não depósito judicial em garantia. Os tributos passaram a ser dedutiveis apenas quando pagos, por isso, na hipótese de questionamento judicial, como os tributos não são pagos e apenas é depositado o valor equivalente, tais tributos passaram a ser indedutiveis devendo ser adicionados ao lucro real até a decisão final da lide. Idêntico procedimento deve ser adotado em relação à variação monetária passiva decorrente da atualização monetária de contas de obrigações de tributos a recolher, haja vista a aplicação do principio de que o acessório segue o principal, conforme previsto na legislação citada. Dessa forma, até 1992, a tributação da receita e a dedução da despesa eram feitas no mesmo momento, qual seja o da ocorrência da receita e da despesa, atendendo ao regime de competência e como obrigação e depósito devem ser corrigidos, se anulam mutuamente, não afetando o resultado tributável. Entretanto, cabe impugnante provar que deixou de proceder devida atualização da conta da obrigação no passivo, por entender que a variação monetária ativa relativa aos depósitos judiciais se anularia com a variação monetária passiva. No presente caso, não consta dos autos a demonstração de ausência do reconhecimento da variação passiva das obrigações constituídas, nos períodosbase de 1991 e 1992. A partir de 1993, a legislação fiscal passou a exigir a adição ao lucro real da despesa relativa ao tributo, enquanto não pago ou suspensa sua exigibilidade. Como ambas, a receita e a despesa, devem ser registradas contabilmente quando incorridas e, considerando que não houve nenhuma alteração na legislação quanto as variações monetárias ativas relativas aos depósitos judiciais, a receita continua a ser tributada, mas a exclusão da despesa só se dará ao final da lide, se devida. A legislação criou, de fato, uma diferença temporal entre a tributação da receita e a dedução da despesa, mas, enfatizese, é uma diferença apenas quanto ao momento da tributação, não trazendo qualquer aumento na carga tributária. Se o resultado da lide for favorável ao Fisco, os depósitos serão convertidos em renda da União e neste momento, devem ser Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 09/06/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13808.000423/9656 Acórdão n.º 120200.777 S1C2T2 Fl. 1002 8 excluídas as correspondentes despesas relativas aos tributos. Serão, portanto, excluídas do lucro real os valores das variações monetárias passivas equivalentes aos mesmos valores de variações monetárias, ativas tributadas durante o curso do processo. Enquanto no curso do processo, pagouse imposto de renda sobre a variação monetária ativa, ao final da lide deixase de pagar o imposto de renda correspondente exclusão da variação monetária passiva do lucro real. Em outras palavras, a variação monetária ativa tem um efeito positivo sobre o lucro real e a variação monetária passiva tem um efeito negativo e, tal qual até o ano de 1992, no mesmo valor, mas, a partir do ano de 1993, computados em momentos diversos. Se o resultado for favorável ao contribuinte e sendo considerado indevido o tributo, consolidase a tributação efetuada ao longo do processo, nada mais havendo a tributar quando do retorno do montante depositado à conta de Caixa ou Bancos do contribuinte. O tributo indevido e sua variação monetária passiva não podem ser tidos como despesas, efeito já computado ao se proceder adição ao lucro real e, além disso, a variação monetária ativa também já havia sido tributada. O efeito no resultado tributável pelo registro contábil da receita de recuperação de despesas decorrente da reversão da conta da obrigação no passivo será anulado pela exclusão deste valor na apuração do lucro real. Dessa forma, a atualização monetária dos depósitos judiciais caracterizase como disponibilidade jurídica de renda, constituindo fato gerador do imposto sobre a renda, sendo procedente, portanto, o lançamento referente à omissão de variações monetárias ativas relativas aos depósitos judiciais." Os documentos juntados aos autos não permitem o julgamento a respeito do recurso, visto ser necessária a confirmação da inexistência da atualização monetária das contas passivas de tributos cuja exigibilidade estava sendo discutida no Poder Judiciário, por meio de análise integral da escrita contábil e fiscal. Assim, em respeito ao principio do contraditório e da ampla defesa, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, com o retorno do processo à repartição de origem, para que seja proferido parecer conclusivo quanto a inexistência nos anos de 1991 a 1994 de atualização monetária das contas de Passivo representativas dos tributos discutidos judicialmente.” Sobreveio o Relatório Fiscal da encarregada da diligência, acostado aos autos às fls. 993/994, concluindo o seguinte: “A Autoridade Julgadora, pelo Recurso n° 162.670 e Resolução n° 120200.043 da 2a Câmara/1ª Turma Ordinária, solicita parecer conclusivo quanto à inexistência de atualização monetária das contas do passivo representativa dos tributos discutidos judicialmente, em respeito ao princípio contraditório e da ampla defesa, porque considera que os documentos Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 09/06/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13808.000423/9656 Acórdão n.º 120200.777 S1C2T2 Fl. 1003 9 juntados aos autos não permitem o julgamento a respeito dó recurso, visto ser necessária confirmação da inexistência da atualização monetária das contas passivas de tributos cuja exigibilidade estava sendo discutida no poder Judiciário, por análise integral da escrita contábil e fiscal. Com relação à atualização monetária das contas passivas de tributos cuja exigibilidade estava sendo discutida, verificouse à época, contabilização de inúmeros depósitos judiciais, em garantia de processos tributários, administrativos e trabalhistas. A falta de correção monetária em cada períodobase de sua escrituração, afetando seu, resultado contábil e fiscal e contrariando os dispositivos do artigo 18 do decretolei n° 1.598/77 combinado com o artigo 177 da lei n° 6.404/76, decorreu na exigência de ofício, do crédito tributário devido. Foram apresentados peio contribuinte os Livros Diário e Razão Analítico do período de Janeiro/1991 à Dezembro/1995, como também demonstrativo das contas do Ativo (Depósitos Judiciais de processos) e Passivo (FINSOCÍAL e PIS a recolher). A inexistência de atualização monetária das contas do passivo e dos depósitos judiciais, nos períodos de 1991 a 1995, bem como a individualização, das contas demonstrativas, conforme documentos anexos, que se dispõem na seqüência das fls. 944 a 985, numerados como Doc. 1 a Doc. 11, demonstram comprovados que a conta 12104 (Depósito Judicial) e as contas 20305 (PIS a recolher) e 20306 (COFINS a recolher) não foram corrigidas, isto é, não apresentam contabilização da variação monetária passiva.” Cientificada do resultado da diligência, a pessoa jurídica manifestase às fls. 988/990 no sentido de que restou confirmada a neutralidade dos lançamentos efetuados, em virtude da total ausência de correção monetária não só das contas ativas dos depósitos judiciais, bem como das suas contrapartidas passivas. É o Relatório. Voto Conselheiro Nelson Lósso Filho A interposição de recurso de ofício, prevista no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas por meio da Lei nº 9.532/97, se dá quando a turma julgadora de primeira instância exonera o sujeito passivo de exigência de crédito tributário superior a determinado valor. Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 09/06/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13808.000423/9656 Acórdão n.º 120200.777 S1C2T2 Fl. 1004 10 Por meio da Portaria nº 03, de 03 de janeiro de 2008, do Ministro de Estado da Fazenda, este limite de alçada foi fixado em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), correspondente ao somatório do tributo e multa liberado. No presente recurso, o montante do tributo e multa exonerado pela Turma Julgadora de Primeira Instância corresponde a valor inferior a R$ 1.000.000,00, conforme fls. 747/748, não se enquadrando nas condições previstas na Portaria MF nº 03/2008, sendo, portanto, inaplicável este regimento ao caso em questão. Assim sendo, voto no sentido de não conhecer do Recurso de Ofício de fls. 725, por inferior ao limite de alçada. Passo, agora, ao exame do mérito do recurso voluntário de fls. 778/800. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A exigência de correção monetária dos depósitos judiciais é oriunda do próprio sistema de correção monetária das demonstrações financeiras. Pela leitura da legislação existente, fica clara a intenção de que a correção monetária tem o condão de eliminar os efeitos da inflação sobre o patrimônio da pessoa jurídica. O art. 3º do Decreto nº 332/91, estatui: “A correção monetária das demonstrações financeiras tem por objetivo expressar, em valores reais, os elementos patrimoniais e a base de cálculo do imposto de renda de cada períodobase.” Percebese que o objetivo da correção monetária é equalizar as demonstrações financeiras, neutralizando os efeitos da inflação, não representando, em valores reais, nem acréscimo nem decréscimo de renda. Em voto proferido neste Conselho, o eminente exConselheiro José Antônio Minatel aborda com extrema visão esta situação, ao qual peço vênia para transcrever parte de suas conclusões: “Quando a lei manda corrigir as contas do Ativo Permanente não está criando receita para a empresa, mas neutralizando custos reconhecidos por idêntica correção materializada nas contas do Patrimônio Líquido, imputados ao resultado do exercício. O sistema foi assim idealizado, com correção nos dois grupos de contas (AP e PL), para permitir a atualização monetária de seus próprios valores, porém, a sua inteligência traduzse em mero estorno, ou exclusão do cálculo da correção monetária do PL de valores destinados a investimentos fixos, que não contribuíam diretamente para a formação do resultado do exercício da empresa.” Esta é a base do sistema de correção monetária. Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 09/06/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13808.000423/9656 Acórdão n.º 120200.777 S1C2T2 Fl. 1005 11 Quando a legislação determina a correção das contas do Ativo Permanente e do Patrimônio Líquido e, desse procedimento, resulta saldo devedor, temse como corolário que tal resultado decorre de ser o Patrimônio Líquido maior que o Ativo Permanente, em razão do fato de que parte do capital próprio da empresa não se encontra aplicado em ativo permanente, mas em sua atividade operacional, em contas de Circulante e Realizável a Longo Prazo, onde os efeitos inflacionários se manifestam via preço, integrando o resultado do exercício como receita, vindo a ser neutralizado pelo referido saldo devedor de correção monetária calculado. Disto decorre que aquele saldo devedor acaso apurado se traduz em custo inflacionário, daí a necessidade de se promover a atualização dos valores que representam a aplicação de recursos próprios alocados em contas do Ativo Circulante ou Realizável, como forma de se anular aquele efeito. É por este raciocínio que a lei determinou que os mútuos celebrados entre pessoas ligadas fossem submetidos à atualização, como forma da mutuante reconhecer a variação monetária. Tal providência visa neutralizar a correção de valores escriturados no Patrimônio Líquido, mas que estão aplicados fora do patrimônio da empresa. Ipso facto, é pela mesma lógica que os depósitos judiciais podem ficar sujeitos à atualização monetária, posto representarem recursos escriturados no Patrimônio Líquido e aplicados em contas estranhas àquelas representativas do patrimônio da pessoa jurídica. Estão fora do patrimônio da empresa, depositados judicialmente, entretanto integram o Patrimônio Líquido, como capitais próprios, ou têm origem em capitais de terceiros escriturados no Exigível. Pela lógica da correção monetária, neutralizar os efeitos inflacionários sobre o patrimônio, deveriam tais valores depositados serem excluídos do Patrimônio Líquido, caso provenientes de recursos próprios, ou, se oriundos de capitais de terceiros, terem suas despesas de captação adicionadas ao resultado do exercício. Esta sistemática, identificação da origem dos recursos, no dia a dia se torna impraticável, optouse por outro caminho que foi neutralizar o efeito sobre o Patrimônio Líquido, procedendose a atualização monetária das contas representativas dos depósitos judiciais, por meio de índices aplicáveis à correção monetária das demonstrações financeiras. Como visto, a atualização monetária dos depósitos judiciais não cria renda, não se podendo falar, portanto, em disponibilidade ou indisponibilidade. Traduz, isto sim, uma anulação de despesa indevida. Por outro giro, devese anotar, não haveria a necessidade de atualização monetária dos depósitos judiciais registrados no Ativo somente se a conta representativa das obrigações tributárias correspondentes, constante do passivo exigível, permanecesse com seus saldos originais, sem correção monetária, mantendo a mencionada neutralidade. A empresa afirma em seu recurso que deixou de corrigir a conta de Passivo controladora da exigibilidade dos tributos discutidos judicialmente, a respeito dos quais foram efetivados os depósitos judiciais, fato comprovado pela diligência realizada, o que, para manter Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 09/06/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13808.000423/9656 Acórdão n.º 120200.777 S1C2T2 Fl. 1006 12 o equilíbrio e os efeitos da correção monetária do balanço, torna desnecessária a atualização monetária da conta depósitos judiciais. Assim, não há que se falar em correção monetária das contas representativas de depósitos judiciais quando a empresa deixa de corrigir também as contas do passivo relacionadas a eles. Incabível, portanto, a exigência fiscal quanto a este item do auto de infração. É neste sentido a Súmula nº 58 do CARF, que firmou entendimento de que “As variações monetárias ativas decorrentes de depósitos judiciais com a finalidade de suspender a exigibilidade do crédito tributário devem compor o resultado do exercício, segundo o regime de competência, salvo se demonstrado que as variações monetárias passivas incidentes sobre o tributo objeto dos depósitos não tenham sido computadas na apuração desse resultado”. Lançamento Decorrente: CSLL. O lançamento da CSLL em questão teve origem em matéria fática apurada na exigência principal, na qual a fiscalização lançou crédito tributário do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Tendo em vista a estreita relação entre eles existente, devese aqui seguir os efeitos da decisão ali proferida. Pelos fundamentos expostos, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício, por inferior ao limite de alçada e, quanto ao recurso voluntário, dar provimento ao recurso. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Relator Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 09/06/2012 p or NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 13839.001836/2003-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 1998 DECADÊNCIA. IRRF O direito atribuído à Fazenda Nacional para a constituição do crédito tributário referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF , tributo sujeito ao lançamento por homologação, extingue-se após cinco anos contados da data do pagamento, crédito, entrega ou remessa dos rendimentos ao beneficiário, conforme o caso. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado, entretanto, na inexistência de pagamento antecipado a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, exceto nos casos de constatação do evidente intuito de fraude. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. Argüição de decadência acolhida. Recurso Provido.
Numero da decisão: 2202-001.806
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a arguição de decadência suscitada pela Recorrente para declarar extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado, nos termos do voto do Relator.
Matéria: DCTF_IRF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRF)
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2207; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.001836/200371 Recurso nº 163.919 Voluntário Acórdão nº 220201.806 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2012 Matéria IRRF Recorrente CONTINENTAL DO BRASIL PRODUTOS AUTOMOTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA. IRRF O direito atribuído à Fazenda Nacional para a constituição do crédito tributário referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF , tributo sujeito ao lançamento por homologação, extinguese após cinco anos contados da data do pagamento, crédito, entrega ou remessa dos rendimentos ao beneficiário, conforme o caso. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada anocalendário questionado, entretanto, na inexistência de pagamento antecipado a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, exceto nos casos de constatação do evidente intuito de fraude. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. Argüição de decadência acolhida. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a arguição de decadência suscitada pela Recorrente para declarar extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente Fl. 235DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13839.001836/200371 Acórdão n.º 220201.806 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, CONTINENTAL DO BRASIL PRODUTOS AUTOMOTIVOS LTDA, foi lavrado Auto de Infração eletrônico decorrente do processamento da DCTF do anocalendário 1998, lavrado em 23/06/2003, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 36.502,27, discriminado em imposto, multa vinculada e juros de mora calculados até 30/06/2003. A infração decorre da constatação da falta de localização de pagamento, tudo vinculado a débitos de IRRF, e foi enquadrada nos dispositivos legais indicados no demonstrativo de fls. 18. A interessada foi cientificada via postal, em 21/07/2003 (AR de fls. 78). Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte, por intermédio de seus representantes legais, apresentou, em 31/07/2003, impugnação de fls. 01/04, acompanhada de documentos de fls. 05/73. Inicialmente, protesta pela decadência do crédito tributário relativo ao IRF de abril a julho de 1998, com fundamento nos arts. 150, §4°, 156, V e 173 do Código Tributário Nacional. No mais, acrescenta que no ano de 1998 a empresa possuía a denominação de Continental do Brasil Produtos Automotivos Ltda, existindo a matriz em Jundiai/SP e uma filial em Ponta Grossa/PR, esta última identificada pelo CNPJ 02.036.483/000290. E que somente em 1999 a autuada foi incorporada como filial, recebendo o CNPJ 02.036.483/0004 52, passando a assumir a condição de matriz (CNPJ 02.036.483/000100), após a 22a alteração contratual. Explica que os recolhimentos alegados reportamse à época da matriz em Jundiai e da filial em Ponta Grossa, de sorte que os DARF foram recolhidos com os respectivos números de CNPJ. Voltandose ao Anexo III do Auto de Infração (doc. 03), afirma que os montantes exigidos foram recolhidos em sua totalidade, no tempo hábil e valores corretos, conforme DARF anexos (doc. 08), pelo que requer a improcedência do lançamento. Do contrário, protesta seja reconhecida a decadência dos créditos constituídos entre os meses de abril a julho de 1998 e declarada a sua extinção. Encerra requerendo que todas as intimações e notificações emitidas sejam enviadas para o departamento jurídico estabelecido no endereço que indica. Em 15/05/2006 a contribuinte novamente se manifesta nos autos (fls. 79/80), em virtude do recebimento da Comunicação de Revisão do Lançamento e Cobrança de fls. 81, protestando pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário, ante a impugnação anteriormente apresentada. As fls. 94, revisando o lançamento ora impugnado, manifestouse a autoridade administrativa, opinando pelo cancelamento da exigência do crédito tributário Fl. 237DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 discriminado nos demonstrativos de consolidação e recálculo de fls. 90/93, uma vez que demonstrada a sua improcedência, face a comprovação apresentada. Em seu despacho de encaminhamento, a autoridade preparadora informa que "os débitos remanescentes foram constituídos para a 1° semana de abril e os pagamentos apresentados para os mesmos encontramse alocados a débitos de mesmo valor declarados para a 5a semana de marco". A DRJ – Campinas ao apreciar as razões do interessado, julgou o lançamento procedente em parte nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 ENDEREÇAMENTO DAS INTIMAÇÕES. É prevista a intimação do sujeito passivo apenas no domicilio tributário, assim considerado o do endereço postal, eletrônico ou de fax, pelo contribuinte fornecido, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA. Incabível a argüição de decadência para débitos declarados em DCTF, em razão da regular constituição do crédito tributário mediante confissão de divida. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO. Ausente da defesa apresentada a documentação hábil e idônea a comprovar eventual erro no preenchimento da declaração, mantémse a exigência fiscal do valor declarado em DCTF, cujo pagamento não foi comprovado. MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. Em face do principio da retroatividade benigna, exonerase a multa de oficio no lançamento decorrente de pagamentos não comprovados, apurados em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003. Lançamento Procedente em Parte A autoridade recorrida entendeu por bem cancelar a multa de lançamento de ofício. Insatisfeito o interessado interpões recurso voluntário onde reitera a preliminar de decadência, indicando que o cobrança do credito tributário principal é improcedente por que teria ocorrido tão somente erros no preenchimento da declaração. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13839.001836/200371 Acórdão n.º 220201.806 S2C2T2 Fl. 3 5 A 2ª. Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, declinaram da competência para a 2ª. Secão de julgamento. É o relatório. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso voluntário preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço Cabe registrar que após a revisão de ofício restou para apreciação apenas os seguintes tributos: Desse modo antes da análise do mérito, notase questão prejudicial da decadência. De se dizer de início, que o Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, aquele em que a lei determina que o sujeito passivo, interpretando a legislação aplicável, apure o montante tributável e efetue o recolhimento do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa, conforme definição contida no caput do art. 150 do CTN, tendo sua decadência regrada, em princípio, pelo § O deste mesmo artigo (cinco anos contados da data do fato gerador). Cumpre lembrar que o parágrafo O do art. 150 exclui expressamente do seu escopo os casos em que seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicandose, por conseguinte, a regra geral prevista no art. 173 do CTN. Desta forma, não havendo nos autos evidências de que tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação, aplicase a regra geral para o prazo decadencial prevista para os tributos sujeitos a lançamento por homologação (cinco anos da data da ocorrência do fato gerador). Em se tratando de lançamento de IRRF, o fato gerador é instantâneo ocorrendo na data do pagamento, crédito, entrega ou remessa dos rendimentos ao beneficiário, conforme o caso. No caso em análise, está se exigindo o IRRF referente a pagamento de Rendimento do Trabalho Assalariado (código 0561) relativo a fatos geradores ocorridos em abril de 1998. Uma vez que a contribuinte foi cientificada do presente Auto de Infração em 21/07/2003 (AR de fls. 78). em relação aos fatos gerados ocorridos em análise, constatase que já havia decaído o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao 1RRF declarado e não recolhido. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13839.001836/200371 Acórdão n.º 220201.806 S2C2T2 Fl. 4 7 É oportuno acrescentar que conforme verificase no termo de verificação fiscal houve o recolhimento de imposto retido na fonte sobre códigos naquele período de apuração. Desse modo não há como afirmar que não houve antecipação de pagamento. Assim como o lançamento não foi caracterizado como dolo ou com evidente intuito de fraude, o que justificaria a aplicação de art, 173 do CTN. Ante ao exposto, voto por acolher a argüição de decadência suscitada pelo Recorrente, para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 241DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 11030.001412/2009-72
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2008 SIMPLES NACIONAL. OPÇÃO RETROATIVA. PERDA DE PRAZO. Não cabe pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional a empresa que não observou os prazos para exercer este direito estabelecidos nas normas de regência.
Numero da decisão: 1801-001.063
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 SIMPLES NACIONAL. OPÇÃO RETROATIVA. PERDA DE PRAZO. Não cabe pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional a empresa que não observou os prazos para exercer este direito estabelecidos nas normas de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 0424.086/11 exarado pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Campo Grande/MS, fls. 33 e 34, que manteve o indeferimento da Fl. 65DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/07/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 solicitação para ingresso no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições – Simples Nacional, retroativo à data do início das atividades. Aproveito o relatório e votocondutor do aresto atacado para historiar os fatos: “Relatório A contribuinte acima qualificada requereu em 20 de agosto de 2009 (fls. 0104), sua opção retroativa ao Simples Nacional a partir de 23 de janeiro de 2008, data de sua constituição, tendo juntado os documentos de fls. 0516. A DRF/PFO indeferiu o pedido, conforme Despacho de 30/11/2009 (fls. 2021), argumentando que a contribuinte não fez a opção pelo Simples dentro do prazo estabelecido, conforme consulta ao histórico da empresa no Portal do Simples Nacional (fls. 19). Intimada dessa decisão em 09/12/2009 (fls. 22, 22v. e 23), a empresa apresentou impugnação em 05/01/2010 (fls. 2429) alegando que a decisão não analisou objetivamente nenhum dos pressupostos que sustentam seu pedido, invocou o princípio da boafé, declara que preenche todos os requisitos legais para o registro e que apenas não soube interpretar as necessidades formais impostas pelo regramento, no entanto, pagou em dia todos os valores devidos inerentes à sociedade inscrita no Simples, possuindo todos os requisitos materiais para a opção. Conclui que a Fazenda jamais a notificou de erro no recolhimento. Por fim, requer a regularização de sua situação fiscal e a inclusão no Simples Nacional a partir do início de suas atividades. [...] Voto A contribuinte protocolou em 20 de agosto de 2009 opção retroativa no Simples Nacional, a partir de sua constituição em 23 de janeiro de 2008, que foi indeferida pela DRF de Passo Fundo (RS), conforme Despacho de 30/09/2009 (fls. 2021), tendo em vista que o pedido foi feito a destempo, bem como a interessada não demonstrou que tenha feito a opção e por alguma falha no sistema a mesma não tenha sido processada. Em sua impugnação, a contribuinte pleiteia a aplicação do princípio da boafé; aduz que vem recolhendo os tributos pelo Simples Nacional e sua atitude não causou nenhum prejuízo ao erário público. A Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, que dispõe sobre o Simples Nacional, estabelece no § 1° do artigo 16 que a opção ao Simples Nacional ocorrerá até o último dia útil do mês de janeiro de cada ano, produzindo efeitos a partir do dia 1o de janeiro do anocalendário de opção, ou do início de atividades quando iniciada em outro mês, nos termos da regulamentação baixada pelo Comitê Gestor (§ 3o). Consoante constou do bem lançado Despacho que indeferiu o pedido (fls. 20v.), o prazo foi definido pelo § 3o do artigo 7º da Resolução CGSN n° 4, de 30 de maio de 2007, e era de dez dias contados da deferimento da última inscrição (Estadual ou Municipal), desde que dentro de 180 dias da data de abertura da empresa constante do CNPJ (§ 6o do art. 7o da Resolução CGSN n° 4/2007). [...] No caso, a contribuinte fez o pedido de opção em 20 de agosto de 2009 (fls. 01), retroativa a 23 de janeiro de 2008, quando já decorrera há muito tempo o prazo para opção, matéria, aliás, que não chegou a discutir. Por outra, inaplicável o princípio da Fl. 66DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/07/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.001412/200972 Acórdão n.º 180101.063 S1TE01 Fl. 66 3 boafé, vez que cabe à autoridade administrativa tãosomente aplicar a legislação de ofício; sendo irrelevante, na espécie, o fato de ter recolhido seus tributos pelo Simples.” Tempestivamente, a empresa interpôs o Recurso reprisando os argumentos da defesa inicial e pugnando pela nulidade da decisão administrativa de primeira instância por ausência de “...fundamentação sobre os dispositivos legais que autorizam o direito pleiteado pela Recorrente, quais sejam, artigos 3º, §10º da Lei 123/06, 108, incisos I e II, do Código Tributário Nacional e 37. caput, e 150, inciso II, da Constituição Federal.” É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Afasto, de plano, a arguição de nulidade do acórdão de primeira instância por ter sido exarado sem fundamentação. Consoante podese verificar do relatório, aquela turma julgadora expôs detalhadamente à recorrente que há prazos estabelecidos em normas tributárias vigentes, na própria Lei Complementar nº 123/06, para as microempresas e empresas de pequeno porte fazerem sua opção pelo regime Simples Nacional. Os artigos invocados pela recorrente para amparar direito que entende deter não se aplicam à situação fática, ou seja, não se aplicam a não observância e perda inconteste de prazo para exercer o direito de optar pelo Simples Nacional. E a turma julgadora administrativa não necessita esgotar todos os argumentos expostos em defesa, estando coagida, no entanto a fundamentar as razões de decidir. No presente caso, o acórdão contém a fundamentação necessária, legal e fática, para a recorrente compreender o porquê da deliberação pelo indeferimento de seu pedido de ingresso no Simples Nacional de forma retroativa, passado mais de um ano da constituição da empresa. Afasto, pois, as argüições preliminares de nulidade do acórdão de primeira instância. No que concerne ao mérito, adoto as bem fundamentadas razões de decidir da primeira instância. A Lei Complementar nº 123/06, instituidora do Regime Especial Unificado – Simples Nacional, tratou dos aspectos para os contribuintes aderirem ao regime de tributação diferenciado e favorecido. Delegou ao Comitê Gestor do Simples Nacional estabelecer os liames e requisitos de observação cogente, abrangendo os prazos para os contribuintes exercerem formalmente a opção. A opção tácita não é admitida. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/07/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 A recorrente não explica a razão de não haver observado os ditames da Lei Complementar e não ter optado nos prazos legais estabelecidos, mas limitase a argüir que efetuou os recolhimentos como se estivesse no regime Simples Nacional. Mas, é princípio comezinho do Direito que a ignorância da lei não pode socorrer os incautos. Mormente em se tratando de Direito Tributário e, com mais razão, em se tratando de normas concernentes a favores fiscais. O pedido de opção pelo Simples Nacional efetuado em 20 de agosto de 2009, para incluir a empresa no regime desde janeiro de 2008, por ter sido realizado em um lapso maior de 180 dias da abertura da empresa, ou por haver passado mais de trinta dias da obtenção da última inscrição federal, estadual ou municipal, é inviável juridicamente por ausência de previsão legal. A Lei Complementar nº 123/06, em seu artigo 2º, §6º, repito, delegou ao Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) disciplinar sobre esta matéria (opção pelo regime) dentre outras: Art. 2º O tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte de que trata o art. 1º desta Lei Complementar será gerido pelas instâncias a seguir especificadas: I Comitê Gestor do Simples Nacional, vinculado ao Ministério da Fazenda, composto por 4 (quatro) representantes da Secretaria da Receita Federal do Brasil, como representantes da União, 2 (dois) dos Estados e do Distrito Federal e 2 (dois) dos Municípios, para tratar dos aspectos tributários; e [...] § 6º Ao Comitê de que trata o inciso I do caput deste artigo compete regulamentar a opção, exclusão, tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança, dívida ativa, recolhimento e demais itens relativos ao regime de que trata o art. 12 desta Lei Complementar, observadas as demais disposições desta Lei Complementar. E assim dispõe a Resolução CGSN nº 04/07, em seu artigo 7º, ao estabelecer os prazos de observância obrigatória: DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. [...] § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição municipal e estadual, caso exigíveis, terá o prazo de até 30 (trinta) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro Fl. 68DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/07/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.001412/200972 Acórdão n.º 180101.063 S1TE01 Fl. 67 5 de 2008) ) (Vide art. 2º da Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) [...] § 6° A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3° deste artigo. (Redação dada pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) (grifos não pertencem ao original) Os pagamentos efetuados pela recorrente pelo Simples Nacional, sem haver optado por este regime formalmente, somente tem o condão de serem aproveitados em futura compensação com os débitos de tributos e contribuições apurados consoante o regime do Lucro Real Trimestral, Lucro Real Anual ou ainda Lucro Presumido, nos termos do artigo 32, §2º, da retro mencionada Lei Complementar. A compensação ou restituição dos valores deverá ser pleiteada consoante o disposto no artigo 21, §§ 5º ao 14, do mesmo diploma legal, e regras estipuladas pelo CGSN. Observo, por fim, que as autoridades administrativas tributárias, incluindo as de julgamento, estão adstritas à observância das normas vigentes, estritamente, sob pena de responsabilidade funcional. Não pode a seu critério, fugir às disposições legais para atender às contestações dos contribuintes, ainda que tenham agido por boa fé, desconhecimento de normas ou qualquer outro aspecto subjetivo. Destarte, por não se submeter às normas tributárias específicas e concernentes ao Simples Nacional, deve ser indeferido o pedido da recorrente de inclusão retroativa ao Simples Nacional. Voto, em preliminar, em afastar a nulidade suscitada pela recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 69DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/07/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10280.003547/2004-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF
Ano-calendário: 2004
Ementa:
IRRF. COMPENSAÇÃO. PERDCOMP. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS DECISÃO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO. A PERDCOMP deve apontar créditos existentes no momento da sua apresentação, e a homologação ou não da compensação decorre, dentre outros aspectos, da verificação da existência ou não de tais créditos. Posterior apresentação de DCTF retificadora, da qual resulte crédito em favor do declarante, não enseja a revisão da decisão administrativa de não-homologação da PERDCOMP por inexistência dos créditos pleiteados.
Recurso negado
Numero da decisão: 2201-001.687
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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COMPENSAÇÃO. PERDCOMP. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS DECISÃO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO. A PERDCOMP deve apontar créditos existentes no momento da sua apresentação, e a homologação ou não da compensação decorre, dentre outros aspectos, da verificação da existência ou não de tais créditos. Posterior apresentação de DCTF retificadora, da qual resulte crédito em favor do declarante, não enseja a revisão da decisão administrativa de nãohomologação da PERDCOMP por inexistência dos créditos pleiteados. Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 30/07/2012 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França. Relatório ALBRAS – ALUMÍNIO BRASILEIRO S/A interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJBELÉM/PA (fls. 81) que indeferiu pedido de restituição/compensação de IRRF, no valor de R$ 31,89, formulado por meio de PERDCOMP, confirmando a decisão da Delegacia da Receita Federal de Belém – PA, que não homologou a compensação. O fundamento da Delegacia da Receita Federal em Belém – PA, consubstanciado no Parecer e Despacho Decisório de fls.18/21 foi o de que o pagamento apontado como tendo sido feito a maior foi integralmente utilizado para quitar outro débito. Segundo o referido parecer a restituição pleiteada referese a parte do pagamento de R$ 4.860,19, feito em 30/06/2004 e foi utilizado para liquidação de débito com código 0561 (fls. 10). A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou, em síntese, que houve o alegado pagamento a maior, e referese a DCTF retificadora que teria alterado o valor do crédito liquidado por meio do DARF em que teria sido feito o pagamento a maior. A DRJBELÉM/PA indeferiu o pedido de compensação, confirmando a decisão da DRFBELÉM/PA, com base, em síntese, na consideração de que a requerente não logrou comprovar o alegado pagamento a maior. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 19/07/2007 (fls. 84v) e, em 17/08/2007, interpôs o recurso voluntário de fls. 85/91, que ora se examina, e no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação e, por fim, formula pedido nos seguintes termos: Ante o exposto, requer a postulante: seja integralmente provido o presente Recurso Voluntário, para o fim de ser prontamente reformada a decisão constante do mesmo, fundada no despacho decisório contido no Parecer SEORT/DRF/BEL N° 323/2006, afastandose as glosas das compensações de IRRF recolhido a maior em 30 de junho de 2004 com o IRRF da 2ª semana do mês de setembro de 2004, e seja procedida perícia, com indicação de assistente técnico para formulação de quesitos a fim de se confirmar e aferir a utilização do crédito compensado no valor de R$ 11,44 (onze reais e quarenta e quatro centavos) para compensação com débito de IRRF, no código 320801, período de apuração da 4ª semana de fevereiro de 2004, desde já indicando como Assistente Técnico, o Sr. Sebastião José Rosa, inscrito no CRC/RJ, sob o n° 039332/04, residente e domiciliado na cidade de Barcarena/PA, sito na Tv. Lino José Gomes, 223, CEP 68447000 por ser esta medida de pleno Direito. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10280.003547/200453 Acórdão n.º 220101.687 S2C2T1 Fl. 2 3 É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, cuidase de pedido de restituição/compensação. A Contribuinte afirmou inicialmente que houve pagamento a maior e, segundo a autoridade administrativa, o suposto crédito não existe posto que o pagamento apontado foi integralmente utilizado. Vem a Contribuinte, então, e apresenta DCTF retificadora, alterando o valor do débito a que o pagamento estava vinculado. Ora, o pedido de restituição/compensação por meio de PERDCOMP é procedimento pelo qual os contribuinte, por sua própria conta, indicam créditos referentes a pagamentos feitos a maior ou indevidamente, ou outro tipo de situação que implique em créditos, para que estes sejam utilizados para liquidação de determinados débitos. Cabe à autoridade administrativa homologar ou não esta compensação. Portanto, o crédito pleiteado deve existir no momento da apresentação da PERDCOMP. Se neste momento, conforme expôs a autoridade administrativa, o crédito apontado não existia porque o pagamento fora integralmente utilizado, não havia direito creditório a ser homologado. Neste caso a DCTF foi retificada em 30/11/2006 (fls. 90), após a apreciação, pela autoridade administrativa, do pedido de compensação, conforme despacho decisório de fls. 33. A retificação da DCTF posteriormente não tem o condão de alterar este fato, mormente quando esta retificação é feita após a apreciação e não homologação da DCOMP. Até porque, caberia à autoridade administrativa examinar o processamento da DCTF retificadora para verificar a existência ou não do crédito pleiteado. Notese que o que se aprecia neste processo é a homologação ou não da compensação pleiteada via PERDCOMP e, no momento da apresentação da DCOMP, não havia crédito/compensação a se homologar. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Assinatura digital Fl. 113DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 114DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 36048.000018/2006-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1999 a 28/02/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, §4º DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 150, §4º do CTN. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-001.902
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, conceder-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, §4º DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 150, §4º do CTN. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, concederlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Jhonatas Ribeiro da Silva e Arlindo da Costa e Silva. Ausência momentânea: Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório Período de apuração: 01/08/1999 a 28/02/2005 Data da lavratura da NFLD: 09/12/2005. Data da Ciência da NFLD: 16/12/2005. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da seguridade social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o pagamento de remunerações a dirigentes (diretores empregados e gerentes) e empregados, bem como as contribuições providenciarias (parte da empresa) incidentes sobre as remunerações dos diretores não empregados e trabalhadores autônomos, além daquelas incidentes sobre os pagamentos a cooperativas de trabalhadores autônomos, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 185/189. Também constituem o presente crédito tributário as contribuições destinadas ao SEBRAE, não depositadas judicialmente, uma vez que a ação judicial nº 2000.81.00.0104901 – TRF 5ª Região, em que a empresa questionava a constitucionalidade de tal contribuição, foi julgada improcedente, tendo já transitado em julgado. Integram a presente notificação os seguintes levantamentos: Levantamento DDD – Referese a diferenças de contribuições destinadas ao SEBRAE no período de 06/2000 a 05/2004, incidentes sobre as bases de cálculo encontradas a partir das folhas de pagamento, espelhos de guia e GFIPs, e não depositadas judicialmente. Levantamento FPG – Referese a contribuições destinadas à Previdência Social decorrentes das importâncias declaradas em GFIP, relativamente a todos os estabelecimentos, com exceção da filial 0009. Levantamento FP – Referese a contribuições destinadas à Previdência Social decorrentes das importâncias não declaradas em GFIP, relativamente a todos os estabelecimentos, com exceção da filial 0009. Levantamento FSG – Referese a contribuições destinadas ao SEBRAE decorrentes das importâncias declaradas em GFIP, relativamente a todos os estabelecimentos, com exceção da filial 0009, no período fora daquele em que a empresa vinha realizando depósitos judiciais. Levantamento FG9 – Referese a contribuições destinadas à Previdência Social decorrentes das importâncias declaradas em GFIP, relativamente ao estabelecimento 0009. Levantamento FP9 – Referese a contribuições destinadas à Previdência Social decorrentes das importâncias não declaradas em GFIP, relativamente ao estabelecimento 0009. Informa a Autoridade Lançadora que os elementos que serviram de base ao presente lançamento foram as folhas de pagamento, planilhas contendo os espelhos das Guias Fl. 419DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36048.000018/200614 Acórdão n.º 230201.902 S2C3T2 Fl. 390 3 de Pagamento à Previdência GPS, Guias de Recolhimento de FGTS e de Informações à Previdência Social GFIP, bem como os relatórios "Resumo" e "Discriminativo Consolidado da Base de Cálculo DCBC" oriundos do sistema Cadastro Nacional de Informações Sociais Agregado CNISA, Recibos de Pagamentos a Autônomos do estabelecimento 0009, Guias de Pagamento da Previdência Social GPS, bem como as informações relativas às mesmas constantes nos sistemas da Secretaria da Receita Previdenciária. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 196/206. A Delegacia da Receita Previdenciária em Fortaleza/CE lavrou Decisão Notificação a fls. 224/233, julgando procedente e o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 12/06/2006, conforme documento de Intimação e Recibo a fl. 237. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 242/270, requerendo, ao fim, a declaração de improcedência do lançamento. Contrarrazões pelo Órgão Fazendário a fls. 292/302. Em petição a fls. 333/338, a Companhia Energética do Ceará formulou pedido de desistência parcial do recurso ofertado, em relação a débitos cobrados referentes às competências dezembro/2000 a fevereiro/2005, os quais confessa como devidos para todos os fins de direito, tendo procedido à opção pelo seu recolhimento com os benefícios previstos pela Lei nº 11.941/2009 (REFIS IV), deixando de parcelar todos os débitos anteriores a dezembro/2000, conforme Súmula Vinculante nº 8 do STF, art. 150, §4º do CTN e Parecer Normativo PGFN nº 1.617/2008. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 12/06/2006. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 12 de julho do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO Inconformado com a decisão de 1ª instância administrativa, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, a fls. 242/270, requerendo a declaração de improcedência do lançamento. Em seguida, apresentou formalmente Pedido de Desistência Parcial a fls. 333/338, em relação ao crédito tributário lançado referente às competências dezembro/2000 a fevereiro/2005, o qual confessa como devido para todos os fins de direito, tendo procedido à opção pelo seu recolhimento com os benefícios previstos pela Lei nº 11.941/2009, controlado pelo processo nº 10380.724547/201191, restando à apreciação deste Sodalício a parcela do lançamento referente às competências agosto/1999 a novembro/2000. Nesses termos, deixamos de conhecer do Recurso na parte referente às obrigações tributárias ocorridas nas competências desde dezembro/2000, inclusive, até a competência fevereiro/2005, em razão do mencionado Pedido de Desistência Parcial. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Constituição Federal de 1988 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36048.000018/200614 Acórdão n.º 230201.902 S2C3T2 Fl. 391 5 Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 2302 01.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN. Com fulcro nos fundamentos expostos nessas breves digressões, deflui da análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência que, ao caso sub examine, operarseia a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Ocorre, todavia, que o entendimento majoritário que permeia esta 2ª Turma Ordinária, em sua escalação titular, se inclina à tese de que, ao lançamento de contribuições previdenciárias cujas rubricas qualificadoras dos fatos geradores levantados tenham sido contempladas com recolhimentos antecipados das respectivas contribuições previdenciárias aplicase o regime assentado no §4º do art. 150 do CTN, excluindose o crédito tributário não pela decadência, mas, sim, pela homologação tácita. No caso presente, revelam o Discriminativo Analítico de Débito a fls. 04/13, o Relatório de Documentos Apresentados a fls. 25/34 e o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados a fls. 35/44 que, em relação às rubricas lançadas no período de dezembro/1999 a novembro/2000, estão sendo lançadas apenas diferenças não recolhidas tempestivamente pelo contribuinte, existindo apropriação de valores previamente recolhidos para todas as rubricas lançadas. Por outro lado, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido nos parágrafos anteriores, entende este relator que o lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela Fl. 422DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, em sua composição permanente, esposa a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Diante de tal cenário, o entendimento deste que vos relata mostrase isolado perante o Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior, curvome ao entendimento majoritário desta Corte Administrativa, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. Nessas condições, tendo sido a ciência da NFLD em debate realizada aos 16 dias do mês de dezembro de 2005, do ponto vista majoritário deste Colegiado, mostrase imperativa a incidência do preceito inscrito no §4º do art. 150 do CTN, o que importa na homologação tácita do lançamento relativo às competências anteriores a dezembro/2000, exclusive. Pelo exposto, consoante o entendimento majoritário deste Sodalício, encontramse atingidas pela fluência do prazo de homologação previsto no §4º do art. 150 do CTN todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2000, exclusive, circunstância que impede a Fazenda Pública de constituir o crédito tributário a elas correspondente. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso voluntário para, na parte conhecida, DARLHE PROVIMENTO, devendo ser excluídos do lançamento todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2000, exclusive. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 423DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10580.001333/2002-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3201-000.303
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter os autos em resolução, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter os autos em resolução, nos termos do voto da relatora. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Mércia Helena Trajano DAmorim Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Judith do Amaral Marcondes Armando, Daniel Mariz Gudiño, Adriene Maria de Miranda Veras e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Marcelo Ribeiro Nogueira. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Tratase o processo de Manifestação de Inconformidade (fls.38/53), contra o Parecer da DRF/Salvador nº332/2004, de 05/07/2004, e Despacho Decisório, de Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10580.001333/200204 Resolução n.º 3201000.303 S3C2T1 Fl. 2 2 fls.33/36, que indeferiu o Pedido de Ressarcimento de IPI, relativo ao crédito de IPI, com fundamento no art.11 da Lei nº9.779, de 19 de janeiro de 1999, relativamente ao 3º trimestre de 2001, em razão de não terem sido cumpridas as condições estabelecidas nos atos normativos e exigências previstas para escrituração dos alegados créditos. Consta no despacho que o processo não foi devidamente instruído e por esta razão foi o interessado intimado a apresentar documentos para sanear o pedido, não tendo este logrado atender as condições para usufruto dos créditos, nos termos do art.14 da IN SRF nº210, de 2002, e legislação específica, RIPI/2002, aprovado pelo Decreto nº4.544, de 2002, foi o pedido de ressarcimento indeferido. O despacho destaca as seguintes irregularidades: a contribuinte escriturou o Livro Registro de IPI com apuração mensal ao invés de decendial; o LRAIPI não foi escriturado corretamente, pois não consta na coluna “Imposto creditado” qualquer valor, tendo os créditos sido escriturados na coluna “Outros créditos”, não se tornando possível identificar a correta natureza da operação; na escrituração do LRAIPI é apresentado um saldo credor no período anterior de R$1.604.433,27 e no final do trimestrecalendário, um crédito total de R$1.720.133,53, que é divergente do Pedido de Ressarcimento, campo 2, linha 13, não foi informado qualquer valor no campo 1; solicitado na Intimação nº228/03 a apresentar o estorno do Pedido de ressarcimento e lançamento do valor solicitado no item 011 do quadro demonstrativo de débitos, indicação do número do processo, efetuado no decêndio imediatamente posterior à protocolização do pedido, conforme art.15 da IN SRF nº210, de 2002, não houve atendimento pelo contribuinte; tendo o contribuinte apresentado apenas certidão negativa da matriz, cabia a comprovação de regularidade de todos os estabelecimentos junto à SRF e SRP. Cientificado do despacho decisório em 19/07/2004, fl.37, o contribuinte apresentou sua contestação em 18/08/2004, alegando que não merece prosperar a decisão porque: é detentora de créditos de IPI para com a Fazenda Nacional, pois adquiriu nos anos calendários de 2000 e 2001, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem, nos termos da Lei nº9.779, de 1999 e por não poder compensar os créditos de IPI com o IPI devido na saída, eis que todos os seus insumos são tributados à alíquota zero, resolveu compensar tais créditos com outros tributos federais; o parecer, mesmo não negando a existência ou disponibilidade dos créditos de IPI, indeferiu o direito, sob o entendimento de que não foram cumpridas todas as condições estabelecidas pelas normas reguladoras do procedimento de escrituração, o que não pode prevalecer, pois afronta o direito da requerente; quanto a periodicidade da escrituração efetuada nos LRAIPI, a partir de 01/01/1993, mensal, ao invés de decendial, conforme art.182 da Lei nº8.850, de 1994, temse que apesar do equívoco cometido, a requerente não pode ser penalizada com o indeferimento do pedido de ressarcimento porque a adoção da Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10580.001333/200204 Resolução n.º 3201000.303 S3C2T1 Fl. 3 3 escrituração mensal dos valores em nada prejudica a correta análise dos Livros de Apuração ou dos pedidos de ressarcimento; todas as notas fiscais demonstram a titularidade dos créditos, não há recolhimento de IPI, a apuração mensal do crédito é simplificada, assim vem se posicionando o Conselho de Contribuintes, conforme Acórdão da 1ª Câmara nº20175384, em 19/09/2001; quanto à falta de lançamento dos créditos de IPI na coluna “Imposto Creditado”, entende que o fato de escriturar os créditos apurados mensalmente na linha 05 – “outros créditos” sob a designação “aquisição de insumos no mês”, não implica na impossibilidade de apuração da natureza do crédito, como alegou o fiscal julgador, pois as notas fiscais de compra da MP, PI, ME, antes postas a disposição da fiscalização, demonstram o crédito, doc.02, contudo, efetuou a inscrição no LAIPI conforme determina a legislação; quanto a divergência entre o valor do crédito indicado no pedido de ressarcimento e no saldo credor do LAIPI, o equívoco é do próprio fiscal, pois no período anterior, 2º trimestre/2001, teve crédito de R$1.604.433,27 e no final do trimestre seguinte, setembro/2001, apresentou crédito de R$1.720.133,53, portanto a diferença entre um e outro é exatamente o pedido de ressarcimento, R$115.700,26, não tendo sido evidenciada nenhuma divergência nem nos créditos e nem nos pedidos de ressarcimento; efetuou no anocalendário de 2002 o estorno dos valores objeto de pedido de ressarcimento de todo o ano calendário de 2001, no valor total de R$502.004,30, conforme LRAIPI, mês de janeiro de 2002, doc.03, concernente aos processos 10580.001331/200215, 10580.001332/200251; 10580.001333/200251 e 10580.001334/200241, relativos aos 1º, 2º 3º e 4º trimestres/2001, nos valores de R$86.597,29; R$124.755,80, R$115.700,16 e R$174.950,95, respectivamente, não procedendo a alegação de que estornou a sua escrita fiscal dos valores objeto dos pedidos de ressarcimento; inexiste na legislação qualquer disposição quanto a obrigatoriedade em apresentar certidão negativa de débitos de tributos e contribuições federais e da Previdência Social de todos os estabelecimentos da empresa junto a SRF e PFN, dispondo o art.18 da IN SRF nº210,2002, que transcreve que deve haver regularidade da pessoa jurídica cujo direito creditório foi reconhecido, e no presente caso, nem o foi, o que torna tal exigência totalmente improcedente; requer a reforma do Parecer nº332/2004, acolhimento do pleito. A DRJ/Recife através do Acórdão DRJ/Recife nº10.431, de 30 de novembro de 2004, fls.86/90, apesar de verificar que a interessada não instruiu corretamente o processo, ante o cometimento de vários equívocos na escrituração do RAIPI e nos procedimentos de solicitação dos créditos, anulou a decisão de fls.33/36, proferida pela DRF/Salvador, por afronta ao contraditório e ampla defesa, na medida em que o pedido foi indeferido exclusivamente por faltarem preenchidos todos os requisitos quanto a escrituração dos créditos do IPI ou desatendimento de questões de natureza procedimental, e devolveu o processo à unidade de origem para que a interessada seja intimada a apresentar informações/documentos necessários ao exame do mérito, prolatandose nova decisão, concedendo prazo para ampla defesa, na forma do art.3º, III, 28, 39 e 40 da Lei nº9.784, de 29/01/1999. Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10580.001333/200204 Resolução n.º 3201000.303 S3C2T1 Fl. 4 4 Cientificado do acórdão da DRJ/Recife em 05/01/2005, fl.91, a empresa foi intimada à fl.92 e 93, a sanear as irregularidades apontadas. A DRF/Salvador considerou a solicitação improcedente, mediante a Informação de fls.124/125, com ciência à fl.126, em razão de o pedido estar em desconformidade com o previsto na IN SRF nº21, de 1997, art.8º, §1º, que estabelece que o requerimento somente poderá ser apresentado pela pessoa jurídica, não podendo ser representada por suas filiais e sim apenas pela matriz. Em sua manifestação de inconformidade de fls.127/135, requer a reforma da decisão por entender que a interpretação dada ao supramencionado §1º constitui mero abuso de forma da autoridade administrativa, destacando que tão somente com a IN SRF nº210, de 2002, foi feita a obrigatoriedade de o pedido de ressarcimento ser feito pela matriz, na forma do §2º, do art.14, antes disso não há dispositivo que obrigue tal procedimento. E desta forma não há como deixar de anular a decisão por se verificar equivocado o procedimento fiscal, excesso de formalismo e falta de intimação ao contribuinte para correção, para garantia do direito material do contribuinte que se encontra lastreada em documentos anexados ao pedido de ressarcimento. Em análise da manifestação de inconformidade, mediante o Acórdão nº1117.000, de 09/10/2006, fls.161/166, a DRJ/Recife reconheceu a legitimidade da contribuinte, filial para pleitear o ressarcimento pretendido e devolveu o processo à unidade de origem para que se realizem pela fiscalização diligências necessárias ao exame do mérito, evitando a supressão de instância, haja vista que o Despacho Decisório foi proferido sem apreciação da certeza e liquidez do direito creditório, proferindose posteriormente novo despacho e concessão de prazo para oferecimento das razões de defesa. O relator do acórdão menciona que o litígio estabelecido não está ligado à norma jurídica concessiva do benefício, art.11 da Lei nº9.779/99, tampouco à IN SRF nº33/99, que o regulamentou, mas à possibilidade de o pedido ser formulado pela filial que apurou os créditos, o que é admitido, uma vez que é descabido restringir a formulação do pedido de ressarcimento ao estabelecimento matriz, por aplicação do §1º do art 8º da IN SRF nº21/97, cabendo a exceção do art.15 da Lei nº9.779, de 1999, que centralizou no estabelecimento matriz da pessoa jurídica, somente para a apuração do crédito presumido de IPI. Ressalva, que somente na sistemática da PER/DCOMP, surgida em 11/04/2003, com a IN SRF nº320/03, é que o pedido eletrônico de ressarcimento passou a ser obrigatoriamente formulado pela matriz da pessoa jurídica, mas o pedido ora sob análise é bem anterior, data de 30/01/2002, razão pela qual se afasta tal fundamento para negativa do pedido. Além disso, destaca que, apesar de haver referências a uma suposta compensação de débitos, tanto no despacho anulado, fls.35/36, quanto nos requerimentos da interessada, ao cabo das manifestações de inconformidade de fls.53 e 135, não encontrou documento que denote terem sido apresentados débitos a compensar, tratandose o litígio somente de pedido de ressarcimento. Foi realizada diligência ao estabelecimento em 14/12/07, MPF nº2007003728, tendo o auditor diligente verificado, conforme Termo de Encerramento de Diligência de fls.213/215, os saldos credores a que fazia jus o interessado, em diversos períodos, destacandose, por ser este o período diretamente relacionado ao litígio, que em janeiro/2002 o saldo credor inicial era de R$1.148.300,76, ressarcimento dos processos 10580.1331 a 1334 no valor de R$502.004,30 e saldo credor final de R$646.296,46. Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10580.001333/200204 Resolução n.º 3201000.303 S3C2T1 Fl. 5 5 Em 25/03/2009, o interessado foi novamente intimado pelo SEORT da DRF/Salvador, Intimação nº0186/2009, a apresentar os livros de registro de entrada, de saída e de apuração do IPI, escrituração por períodos decendiais, e não, mensais; relação dos produtos fabricados pelo estabelecimento, classificação fiscal e alíquota, descrição dos processos produtivos realizados e finalidade de cada consumo, notas ficais originais referentes à totalidade do crédito solicitado em cada trimestre, comprovação do estorno do crédito solicitado no livro RAIPI, apresentação de documento de “pedido de compensação” ou “declaração de compensação” vinculado ao crédito pleiteado, se houver. Em 29/06/2009, o SEORT/DRF/Salvador proferiu o Despacho Decisório nº830 indeferindo o pedido de ressarcimento do 3º trimestre/2001, em razão de o contribuinte não ter apresentado os documentos solicitados para comprovar o direito ao crédito alegado no prazo fixado na intimação até aquela data, não tendo sido apresentado qualquer livro ou documento pela contribuinte. Na fundamentação, desconsiderou as informações constantes do Termo de Encerramento de Diligência de fls.213/215, que solicitou o LRAIPI a partir de 1997 e decisões judiciais, conforme termo de fl.170. Além disso, verificou que o livro apresentavase escriturado em períodos mensais, fls.171/212, e, ainda que intimada a apresentar as notas fiscais comprovando o crédito não logrou trazer aos autos qualquer elemento de prova, sendo a juntada dos documentos que demonstram a efetividade e liquidez do crédito, obrigação da requerente, na forma do art.333 do Código de Processo Civil, aplicando subsidiariamente a Lei nº9.784, de 1999, reguladora do processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, e a teor do art.69, 39 e 40, o não atendimento às intimações implicam no arquivamento do processo. Não foram localizados pedidos de compensação ou declaração de compensação vinculados ao crédito pleiteado. Cientificado do indeferimento do seu pleito em 16/07/2009. fl.227, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls.259/271, e os documentos que ora compõem os volumes do processo sob litígio, alegando que à época da intimação se encontrava em período de reorganização de seus prédios e por isso acabou não tomando ciência da intimação, que ocorreu somente com a ciência do despacho nº830, doc.01, nesta oportunidade vem suprir a falta de documentos que supostamente impediram a apuração dos créditos pleiteados. Em obediência aos princípios da legalidade, razoabilidade, verdade material, a Administração tem por finalidade alcançar o interesse público fixado na lei, e mesmo que os documentos não tenham sido apresentados em tempo hábil quando solicitados pela fiscalização, ora estão sendo apresentados, e provado o direito material não é possível desconhecer o crédito a que faz jus, conforme diversas ementas dos Conselhos de Contribuintes que anexa. Anexa a cópia idêntica à original dos Livros de Apuração, Entrada, Saída e de IPI, docs.02, 03 e 04; relação dos produtos fabricados, com classificação fiscal e alíquota, doc.05; descrição do processo produtivo dos produtos com a classificação fiscal, alíquota e finalidade de cada insumo utilizado, doc.06; notas fiscais originais referentes à totalidade do crédito solicitado em cada trimestre, doc.07; comprovação do estorno do crédito solicitado no LRAIPI. Doc.08 e cópia do Pedido de Ressarcimento, doc.09. Requer que os autos sejam encaminhados ao SEORT da DRF/Salvador para que seja apreciado o mérito do pedido de ressarcimento, por ser medida de justiça.” Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10580.001333/200204 Resolução n.º 3201000.303 S3C2T1 Fl. 6 6 O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SDR no 1523.184, de 24/03/2010, proferida pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO BÁSICO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Os créditos são escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade. À falta de apresentação dos documentos fiscais, não pode o interessado pretender que a sua escrita fiscal por si só demonstre a veracidade e legalidade dos créditos de IPI, restando não comprovados os créditos alegados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” O julgamento foi no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade e por indeferir o direito ao ressarcimento do crédito do IPI relativo ao 3º trimestre de 2001 pleiteado. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Insiste, em sede de recurso voluntário, para que seja verificada a ocorrência de troca de documentos analisados entre este processo e o de n° 10580.001332/200251. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o relatório. VOTO Conselheiro Mércia Helena Trajano D'Amorim O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Antes de adentrar no mérito, curvome perante a decisão do Colegiado para baixar os autos em resolução. Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de IPI, com base no art. 11° da Lei de n° 9.779/99, referente ao 3° trimestre de 2001. A empresa insiste, em sede de recurso voluntário, para que seja verificada a ocorrência de troca de documentos analisados entre este processo e o de n° 10580.001332/200251. Dessa forma, voto por que se CONVERTA O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para: Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10580.001333/200204 Resolução n.º 3201000.303 S3C2T1 Fl. 7 7 ao órgão de origem, para que a autoridade competente atenda a demanda acima, ou seja, se da análise da documentação; houve equívoco entre este processo e o de n° 10580.001332/200251. bem como, a empresa preste todas as informações necessárias para a conclusão deste. outras, informações adicionais/necessárias, caso sejam complementares ao julgamento deste. Realizada a diligência, deverá ser dado vista ao recorrente para se manifestar. Após, devem ser encaminhados os autos para vista à PGFN da diligência realizada. Por fim, devem os autos retornar a esta Conselheira para prosseguimento no julgamento. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 13819.003196/2001-19
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período: 01-12/1997 Ementa: ENQUADRAMENTO LEGAL. INDICAÇÃO DE INSTRUÇÃO NORMATIVA DA RFB. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não se constitui em nulidade do auto de infração a indicação de atos normativos no enquadramento legal do lançamento, mormente quando no mesmo conste a lei instituidora da obrigação tributária. COMPENSAÇÃO NÃO CONFIRMADA – AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. Compensação informada na DCTF não pode ser considerada válida, posto que o processo administrativo indicado como originário do crédito não se refere a pagamento a maior ou indevido de tributo, mas sim de revisão de pedido de parcelamento que não foi reconhecida pela SRF – crédito não confirmado. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-001.679
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Matéria: DCTF_IPI - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IPI)
Nome do relator: RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período: 0112/1997 Ementa: ENQUADRAMENTO LEGAL. INDICAÇÃO DE INSTRUÇÃO NORMATIVA DA RFB. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não se constitui em nulidade do auto de infração a indicação de atos normativos no enquadramento legal do lançamento, mormente quando no mesmo conste a lei instituidora da obrigação tributária. COMPENSAÇÃO NÃO CONFIRMADA – AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. Compensação informada na DCTF não pode ser considerada válida, posto que o processo administrativo indicado como originário do crédito não se refere a pagamento a maior ou indevido de tributo, mas sim de revisão de pedido de parcelamento que não foi reconhecida pela SRF – crédito não confirmado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Antonio Carlos Atulim – Presidente Raquel Motta Brandão Minatel – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Robson Jose Bayerl, Adriana Oliveira E Ribeiro e Rosaldo Trevisan. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 27 /08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL 2 Relatório Tratase de Auto de Infração eletrônico (fls. 25/26), lavrado em 01/11/2001, referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), relativo ao período de apuração 11 01/97, cuja descrição dos fatos indica “falta de recolhimento ou pagamento do principal ou declaração inexata”, e no Anexo I – consta que o crédito vinculado ao débito em DCTF não estaria confirmado, pois o Processo 13819.00002/9524 indicado como crédito não teria sido localizado no sistema, constando do auto a seguinte descrição: “Proc inexist no Profisc”. O lançamento de ofício é no valor total de R$ 19.755,44, sendo o principal no valor de R$ 7.191,38, e R$ 12.564,06, referentes a juros moratórios e à multa de ofício. O Auto de Infração foi cientificado ao contribuinte em 04/12/2001, conforme se constata no Aviso de Recebimento (AR) de fls. 62 e certidões de fls. 63 e 133. A Impugnação foi apresentada em 28/12/2001, (fls. 1/8), e tida como tempestiva. Em suas razões de impugnação, alegou, preliminarmente, que o Auto de Infração seria nulo, tendo em vista seu lastro em Instrução Normativa sem fundamento em texto legal hierarquicamente superior (IN 77, de 24 de julho de 1998). Ressaltou também desobediência aos requisitos estatuídos pelo artigo 9º do Decreto 70.235/72, de modo que não teria ocorrido a “formação de todos os elementos de prova para comprovação do afirmado ilícito fiscal”, e por esse motivo não deveria ser aplicada qualquer multa. No mérito, alegou que o débito de IPI lançado por meio do Auto de Infração fora por ela compensado com créditos decorrentes do Processo de Parcelamento Administrativo nº 13819.000002/9524, conforme se pode verificar da DCTF (fls.138 dos autos), e que a compensação por ela realizada teria extinguido o crédito tributário, nos moldes do artigo 156, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN) e 1.009 do antigo Código Civil. Segundo consta ainda da impugnação, esse crédito seria decorrente da inclusão indevida de valores em parcelamento formalizado pela contribuinte, relativos à correção monetária pela UFIR exigida à época (1993), entre a data do fato gerador e a data do pagamento, e que tal direito teria sido reconhecido por meio da Ação Declaratória de Inexistência de Relação JurídicoTributária, nº 92.00836267 (fls. 64/102), interposta pela contribuinte. Verificase dos autos que o contribuinte efetuou na referida ação judicial depósitos das parcelas controversas, documentos de fls. 11/12, o que culminou com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário discutido à época. Não obstante, informou o contribuinte na impugnação, que, por equívoco, incluiu os valores sub judice em parcelamento. Ademais, discorreu sobre o regramento da compensação, citando o artigo 165 e 170 do CTN, bem como o artigo 150, inciso IV, do texto Constitucional, ressaltando que “o direito à compensação é livre, à guisa do disposto no artigo 14 e seguintes da Instrução Normativa SRF n.º 21, de 21 de março de 1997”. Outrossim, arrazoou pela improcedência da multa de ofício, tendo em vista sua inaplicabilidade mediante a confissão espontânea e em tributos sujeitos a lançamento por homologação. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 27 /08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL Processo nº 13819.003196/200119 Acórdão n.º 340301.679 S3C4T3 Fl. 2 3 Em seus pedidos, postulou pelo provimento da Impugnação apresentada, para que, assim, fosse declarado nulo o Auto de Infração, ou, subsidiariamente, que fosse declarado improcedente o lançamento, por exigir crédito tributário extinto por compensação regular, devidamente comprovada. Inobstante as razões de impugnação, a DRJ de Ribeirão Preto (SP) julgoua parcialmente procedente, conforme Acórdão n.º 1418.311, fls. 150/151 verso, de 08/02/2008. A DRJ/RPO entendeu que o processo administrativo (13819.000002/9524) informado na DCTF como originário do crédito, não poderia ter sido objeto de compensação, pois se tratava de pedido restituição de valores incluídos parcelamento, cujo pleito teria sido indeferido (fls. 142/145) – e, por isso, “o suposto direito creditório para tal compensação não foi reconhecido pela SRF”, o que legitimaria o Auto de Infração. Por outro lado, no que concerne a aplicação da multa de ofício, entendeu o colegiado de primeira instância que se tratava de medida inaplicável ao caso, já que tal reprimenda seria prevista apenas para casos em que “tenha ficado caracterizada a falsidade da declaração e naqueles em que a compensação for considerada não declarada”. Invocou o Acórdão recorrido o instituto da retroatividade benigna contemplado no artigo 106, inciso II, do CTN, excluiu a multa de ofício imposta, por entender que a compensação alegada pela Recorrente não era falsa e, portanto, não era merecedora de tal punição. O contribuinte, por sua vez, tomou ciência do Acórdão da DRJ/RPO em 15/05/2008, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fls. 157, e, irresignado, interpôs Recurso Voluntário (fls. 164/171). Importante ressaltar que a digitalização da página 164 dos presentes autos impossibilitou a precisa constatação da data de apresentação do Recurso Voluntário. No entanto, percebese, pelo despacho de fls. 187, que tal peça recursal é tempestiva. Ressalva registrada. Prossigo. A Recorrente ratificou sua alegação feita na impugnação de que o Auto de Infração era nulo, tendo em vista seu lastro em Instrução Normativa sem fundamento em texto legal hierarquicamente superior (IN 77, de 24 de julho de 1998). Mais uma vez ressaltou seu entendimento de que ocorrera a desobediência aos requisitos estatuídos pelo artigo 9º do Decreto 70.235/72, de modo que não teria ocorrido a “formação de todos os elementos de prova para comprovação do afirmado ilícito fiscal”, e por esse motivo não deveria ser aplicada qualquer multa. Repisou todos os argumentos relativos à motivação do pedido de revisão do parcelamento, que teria, no seu entender, originado o direito creditório. Além disso, novamente argumentou que com a compensação por ela realizada promoveu a extinção do crédito tributário, nos moldes do artigo 156, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN) e 1.009 do antigo Código Civil. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 27 /08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL 4 Em seus pedidos, postulou pelo integral provimento do Recurso Voluntário apresentado, com fito de se cancelar a exigência fiscal constituída pelo Auto de Infração imposto em seu desfavor. Em suma, é o relatório. Voto Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel, Relatora. Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Análise da Preliminar Concordo com a decisão recorrida de que não se vislumbra nulidade no lançamento. A base legal para a exigência do tributo e acréscimos legais está perfeitamente descrita no quadro 10 do auto de infração (fl. 26), e tem por fundamento os dispositivos legais lá mencionados. O procedimento administrativo de revisão das DCTF é que foi regulamentado pela Instrução Normativa referida pela Recorrente, e está sim amparada na competência administrativa conferida ao Secretário da Receita Federal pelo Regimento Interno da SRF, aprovado por Portaria do Ministro da Fazenda, que por sua vez estava amparado em Decreto Presidencial, em consonância com as leis tributárias, Código Tributário Nacional e a própria Constituição Federal. Rejeitamse, pois, a preliminar de nulidade arguida. No mérito No mérito, é possível verificar que a contribuinte informou na DCTF, apresentada em 21/05/1998, que o débito relativo ao período lançado por meio de auto de infração fora compensado com o crédito relativo ao Processo Administrativo nº 13819.000002/9524, contudo, conforme alega e demonstra a própria Recorrente, verificase que referido processo é de parcelamento de débitos, no qual foi solicitada revisão e restituição de valores tidos pela contribuinte como indevidamente incluídos (fl. 141). Tal pedido de revisão do parcelamento teria sido motivado pela Ação Declaratória n° 92.00836267 (fl. 94/132), interposta pela contribuinte para tratar da atualização monetária de débitos do IPI apurados em UFIR (fls. 20/25). Resumindo o fundamento da referida ação: os débitos de IPI estavam sujeitos, em 1993, ao recolhimento em cruzeiros, atualizados monetariamente, obtendose o valor a recolher pela multiplicação da quantidade de UFIR apurada no encerramento do período de apuração pelo valor desta na data do pagamento. Este procedimento era previsto na Lei 8.383/91, art. 53, inciso I, combinado com o parágrafo 2°, posteriormente alterado para parágrafo único, com redação dada pela Lei n° 8.850, de 1994. Inconformada com a referida atualização monetária, a contribuinte interpôs a e realizou o depósito judicial das diferenças decorrentes da variação da UFIR entre a data de apuração e a data de pagamento. Referida ação foi julgada improcedente em primeiro grau de julgamento (fl. 156), subiu ao TRF da 3ª Região após apelação do autor e, em consulta ao site Fl. 201DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 27 /08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL Processo nº 13819.003196/200119 Acórdão n.º 340301.679 S3C4T3 Fl. 3 5 do referido tribunal pude verificar que o processo foi extinto sem julgamento de mérito em virtude de pedido de desistência do autor da ação, pedido esse homologado em 02.12.2008. Também se pode verificar dos autos, que o pedido de revisão dos referidos valores incluídos no parcelamento foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal de São Bernardo do Campo, nos termos do despacho decisório juntado por cópia às fls. 142/145. Constatase, em suma, que a compensação informada na DCTF não pode ser considerada válida, posto que o processo administrativo indicado como originário do crédito não se refere a pagamento a maior ou indevido de tributo, mas sim de revisão de pedido de parcelamento que não foi sequer reconhecida pela SRF e que o suposto direito creditório dele decorrente ao se confirmou. Assim, não há como validar a compensação informada pela Recorrente na DCTF. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Raquel Motta Brandão Minatel Fl. 202DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 27 /08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL
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Numero do processo: 10855.001725/00-37
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 1990, 1991
FINSOCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I, DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 65-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o FINSOCIAL de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 11/08/2000, antes de ser aplicada a Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, afasto a prescrição do pedido de restituição/compensação da totalidade dos valores de FINSOCIAL objeto dos presentes autos, os quais se referem ao período de apuração de julho de 1990 a setembro de 1991.
Recurso Extraordinário Negado.
Numero da decisão: 9900-000.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Mércia Helena Trajano DAmorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: NANCI GAMA
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ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1990, 1991 FINSOCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I, DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o FINSOCIAL de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 11/08/2000, antes de ser aplicada a Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, afasto a prescrição do pedido de restituição/compensação da totalidade dos valores de FINSOCIAL objeto dos presentes autos, os quais se referem ao período de apuração de julho de 1990 a setembro de 1991. Recurso Extraordinário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 17 25 /0 0- 37 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACI LIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Mércia Helena Trajano D’Amorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão de nº 0305.713, proferido pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para reconhecer o direito de o contribuinte pleitear, em 11/08/2000, restituição/compensação de valores de FINSOCIAL relativos aos períodos de apuração compreendidos entre julho de 1990 e setembro de 1991. Para tanto, a Terceira Turma considerou que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores de FINSOCIAL nos presentes autos seria de 5 (cinco) anos contados a partir da publicação da MP 1.110/95, conforme ementa a seguir: “FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO O direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o consequente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP nº 1.110 em 31/08/95 – p. 013397, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota Fl. 420DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACI LIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10855.001725/0037 Acórdão n.º 9900000.760 CSRFPL Fl. 420 3 superior a 0,5%. PRECEDENTES: AC. CSRF/0304.227, 301 31.406, 30131.404 e 30131.321. Recurso especial negado.” Inconformada, a Fazenda Nacional, com fulcro nos artigos 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, interpôs recurso extraordinário com base no acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais utilizado como paradigma, qual seja, o de nº 0400.810, para aduzir que o prazo para pleitear restituição/compensação é de 5 (cinco) anos contados a partir da data de extinção do crédito tributário conforme previsão dos artigos 165 e 168, I, do CTN. O acórdão paradigma restouse assim ementado: “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – ILL – O direito de pleitear restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido.” A Recorrente complementa, ainda, que o advento da Lei Complementar 118/2005 teria encerrado definitivamente a controvérsia sobre o tema, tendo em vista que o seu artigo 3º prevê que “para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei”. E, entendendo que aludido dispositivo deteria caráter interpretativo, a Fazenda Nacional alega que caberia a sua aplicação retroativa nos presentes autos, conforme previsão do artigo 106, I, do CTN. A Recorrente alega, também, a necessidade de observância ao disposto no Ato Declaratório SRF nº 96, de 1999, o qual considera que “o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário”. O i. Presidente Substituto do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais reconheceu o dissídio jurisprudencial e deu seguimento ao recurso extraordinário. É o relatório. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACI LIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA 4 Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso extraordinário é tempestivo, razão pela qual passo a analisar seus pressupostos de admissibilidade em conformidade ao Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 147/2007. Primeiramente, quanto à divergência entre acórdãos recorrido e paradigma, entendo ter a mesma sido devidamente demonstrada. Isso porquê ao passo que o acórdão recorrido respaldou o entendimento de que o prazo de 5 (cinco) anos, para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributo sujeito a lançamento por homologação (FINSOCIAL), se inicia a partir da edição do ato normativo que dispensa o pagamento desse tributo, o acórdão paradigma respaldou entendimento de que o prazo de 5 (cinco) anos, para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributo sujeito a lançamento por homologação (ILL), se inicia a partir da data da extinção do crédito tributário “sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro”. Quanto aos demais pressupostos de admissibilidade previstos nos artigos 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 147/20071, o qual é aplicado por força do artigo 4º do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 256/20092, também entendo terem os mesmos sido devidamente demonstrados, razão pela qual conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. A controvérsia aduzida nos presentes autos cingese, basicamente, em determinar o prazo para o contribuinte pleitear restituição dos valores de FINSOCIAL recolhidos com base nas alíquotas instituídas pelas Leis nºs 7.787/89, 7.894/89 e 8.147/90. Conforme se infere do relatório, o acórdão recorrido entendeu que o prazo para pleitear restituição deve ser de 5 (cinco) anos contados a partir da data da publicação da MP 1.110/95, a qual, em seu artigo 17 previu que estariam os contribuintes dispensados de recolher a contribuição para o FINSOCIAL com base nas alíquotas instituídas pelas Leis nºs 7.787/89, 7.894/89 e 8.147/90, ou seja, a partir de 31/08/1995. Em contrapartida, a Fazenda Nacional entende que o prazo para pleitear restituição é de 5 (cinco) anos contados a partir das datas de extinção do crédito tributário, ocorridas entre julho de 1990 e setembro de 1991, e que, portanto, o pedido de restituição, protocolado em 11/08/2000, já estaria prescrito. 1 “Art. 9º Compete ao Pleno julgar recurso extraordinário de decisão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Turma ou o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais.” 2 “Art. 4º Os recursos com base no inciso I do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos artigos 15 e 16, no art. 18 e nos artigos 43 e 44 daquele Regimento. (Redação dada pela Portaria MF nº 446, de 27 de agosto de 2009).” Fl. 422DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACI LIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10855.001725/0037 Acórdão n.º 9900000.760 CSRFPL Fl. 421 5 Considerando que o artigo 62A3 do atual Regimento Interno do CARF, qual seja, o aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vincula os Conselheiros do CARF às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em sede de recurso especial repetitivo, cabe a esta Relatora aplicar ao presente caso o entendimento do STF consubstanciado no julgamento do RE nº 566.621, bem como o entendimento do STJ objeto do julgamento do REsp nº 1.002.932. De acordo com referida jurisprudência, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118 ocorrida em 09/06/2005, o de 10 (dez) anos, ou seja, 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150, § 4º, do CTN) mais 5 (cinco) anos, a partir dessa homologação, para pleitear restituição (artigo 168, I do CTN). E, em se tratando a contribuição para o FINSOCIAL de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado antes do dia 09/06/2005 (vigência da LC 118/05), plenamente aplicável ao presente caso a tese dos 5 (cinco) anos mais 5 (cinco) anos objeto do REsp nº 1.002.932, por força da decisão do STF objeto do RE nº 566.621. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também 3 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 423DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACI LIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA 6 se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Em face do exposto, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, voto no sentido de lhe negar provimento para afastar a prescrição do pedido, protocolado em 11/08/2000, de restituição/compensação da totalidade dos valores de FINSOCIAL, os quais se referem ao período de apuração de julho de 1990 a setembro de 1991. Nanci Gama Fl. 424DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACI LIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA
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