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Numero do processo: 10880.014969/98-02
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE.
O inciso I do art. 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007 e, anteriormente, o inciso I do art. 5º Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 55, de 16 de março de 1998, faziam previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei ou à evidência da prova.
Previam, respectivamente, o art. 15, § 1º e o art. 7º, § 1º dos revogados Regimentos Internos da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que na hipótese de decisão não unânime, quando for contrária à lei ou à evidência da prova: “o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a contrariedade à lei ou à evidência da prova”
A recorrente não se desincumbiu do dever de demonstrar,
fundamentadamente, a contrariedade à lei ou à evidência da prova. Em suas razões recursais deve haver a demonstração clara e fundamentada do porque da contrariedade à lei ou à evidência da prova.
Exige-se minimamente a indicação das provas que teriam sido contrariadas e, ainda, a exposição das razões pelas quais, no entender da recorrente, o julgado deva ser reformado por contrariedade à prova, objetivando convencer o julgador, no propósito de reforma do acórdão. O que não ocorreu no presente caso.
A alegação de contrariedade à lei, sem a indicação do dispositivo legal que considerou violado, não é suficiente para que o recurso especial seja conhecido.
Precedentes do Superior Tribunal de Justiça.
Precedentes da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.021
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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O inciso I do art. 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007 e, anteriormente, o inciso I do art. 5º Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 55, de 16 de março de 1998, faziam previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei ou à evidência da prova. Previam, respectivamente, o art. 15, § 1º e o art. 7º, § 1º dos revogados Regimentos Internos da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que na hipótese de decisão não unânime, quando for contrária à lei ou à evidência da prova: “o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a contrariedade à lei ou à evidência da prova” A recorrente não se desincumbiu do dever de demonstrar, fundamentadamente, a contrariedade à lei ou à evidência da prova. Em suas razões recursais deve haver a demonstração clara e fundamentada do porque da contrariedade à lei ou à evidência da prova. Exigese minimamente a indicação das provas que teriam sido contrariadas e, ainda, a exposição das razões pelas quais, no entender da recorrente, o julgado deva ser reformado por contrariedade à prova, objetivando convencer o julgador, no propósito de reforma do acórdão. O que não ocorreu no presente caso. A alegação de contrariedade à lei, sem a indicação do dispositivo legal que considerou violado, não é suficiente para que o recurso especial seja conhecido. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça. Precedentes da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 03/04/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Declarouse impedido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 102 46.232, proferido pela antiga Segunda Câmara do 1º CC em 28/01/2004 (fls. 651/660), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de contrariedade à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 662/666). O acórdão recorrido, por maioria de votos, deu provimento ao recurso para acatar a nulidade do lançamento levantada de ofício pela Conselheira Maria Goretti de Bulhões Carvalho. Segue abaixo sua ementa: “IRPF – AUTO DE INFRAÇÃO – SUPLEMENTAR – NULIDADE – A autoridade fiscalizadora pode lançar auto de infração suplementar, mais nunca com o valor originário do primeiro auto acrescido do valor suplementar, sem antes cancelar o primeiro. No auto suplementar só deve constar o valor que deverá ser acrescido ao auto principal e nunca os dois valores juntos. Tal procedimento impede que o contribuinte faça a sua defesa de forma correta, pois fica sem saber qual o real valor da tributação. Recurso provido.” Segundo a recorrente, o acórdão recorrido, no voto acolhido pela maioria, defendeu que não fora lavrado auto de infração suplementar, mas sim um novo auto de infração com alteração do valor e da base de cálculo sem que a DRJ tenha anulado o primeiro. Explica que o julgado assevera que este fato dificultou o exercício da defesa do contribuinte e que a duplicidade de autos violou o art. 59, II do Decreto 70.235/72. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10880.014969/9802 Acórdão n.º 920202.021 CSRFT2 Fl. 742 3 Aduz que inexiste qualquer vício no procedimento adotado pela DRJ. O §3° do art. 18 do Decreto 70.235/72 permite que a autoridade julgadora determine a retificação da autuação quando encontrar inexatidões erros e omissões. Considera ser certo que mudança da forma de apuração do acréscimo patrimonial de anual para mensal, resultou numa nova base de cálculo do tributo, mas tratase de revisão de ofício autorizada pelos incisos I e IX do art. 149 do CTN. Entende que, para o lançamento suplementar, não se faz mister que haja uma declaração solene cancelando o lançamento anterior, caso contrário não seria auto complementar, mas outro auto de infração. Pondera que a situação é exatamente contrária ao que afirma a decisão recorrida, ou seja, um novo auto de infração haveria se houvesse cancelamento do anterior. Ademais, sustenta que também não se exige que o lançamento suplementar venha assim denominado, uma vez que restou evidente da descrição dos fatos e do termo de verificação fiscal, ambos com ciência do contribuinte, que no segundo de lançamento estava se cobrando uma diferença de base de cálculo. Argumenta que, pela simples leitura da defesa do contribuinte, em momento algum se verifica que este teve qualquer dificuldade em entender os fatos narrados pela autoridade fiscal. Frisa que, ainda que fosse possível o reconhecimento de nulidade, jamais se poderia entendêlo como vício material, uma vez que a decisão recorrida apontou apenas supostos erros de procedimento, como ausência de denominação expressa do auto complementar e cerceamento do direito defesa. Dessa forma, seria perfeitamente aplicável o prazo do inciso II do art. 173 para a realização de novo lançamento. Ao final, requer seja dado provimento ao recurso para que se mantenha os lançamentos. Nos termos do Despacho n.º 1020.138/2005 (fls. 667/668), foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte ofereceu, tempestivamente, contrarazões às fls. 690/705. Afirma que o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional restringese ao inconformismo quanto à decretação de nulidade de ofício do lançamento, sem que tenha a recorrente ou a decisão recorrida entrado no mérito da questão posta nos autos, tanto em sede de impugnações, quanto no recurso voluntário interposto pelo contribuinte, com exceção à forma de apuração da base de cálculo. Entende que a autoridade fiscal não procedeu à lavratura de auto suplementar e sim a lavratura de novo auto de infração, alterando o valor e a base de cálculo da infração, sem contudo anular o primeiro, ficando o contribuinte com dois autos de infração para se defender, com o mesmo enquadramento legal sobre bases diferentes, o que impediu que o contribuinte pudesse se defender de forma correta e sem equívocos. Alega que, no próprio termo de verificação fiscal complementar, os agentes fiscais autuantes reconhecem que os valores mensais apurados representaram divergências no Fl. 3DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 seu somatório anual, em relação à tabela anteriormente elaborada pela mesma fiscalização e que serviu de base ao lançamento efetuado em 25/06/98. Dessa forma, considera comprovado que o lançamento de 25.06.98 foi feito em desacordo com a legislação, pois a apuração do acréscimo patrimonial foi feita de forma anual, abrangendo todo o anocalendário de 1996, contrariando o que estabelecia a letra "e" do parágrafo 1° do art. 115 do RIR/94. Pondera que, utilizandose do artigo 18, § 3º do Decreto 70.235/72, a Fazenda Nacional, ora recorrente, pretende justificar a lavratura do auto de infração complementar, ignorando, contudo o devido processo legal. Entende que tal dispositivo legal dispõe acerca da determinação de realização de diligências ou perícias, por parte da autoridade julgadora de primeira instância. Explica que, quando na realização das diligências, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, há permissão para que seja lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. Assim, argumenta que, se quisessem se utilizar de tal dispositivo legal, deveriam ter emitido notificação de lançamento complementar, apontando as incorreções, omissões e inexatidões que resultaram no agravamento da exigência inicial. Assinala que a revisão do lançamento, de acordo com a fundamentação utilizada pela Fazenda Nacional, é permitida pelo artigo 149, incisos I e IX do CTN. Porém, o entendimento que se tem da possibilidade de efetivação e revisão de oficio do lançamento posta no citado dispositivo legal não encontra qualquer relação com o presente caso. Ademais, frisa que ante a falta de realização de requisito legal e indispensável a materialização da hipótese de incidência, não pode o fisco invocar em seu benefício o disposto no art. 173, II do CTN. Ao final, requer o não provimento do recurso especial. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Salientese que, não obstante o aludido recurso não encontrar previsão no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Portaria Ministerial MF nº. 256, de 22 de junho de 2009, em suas disposições transitórias, prevê que os recursos com base no inciso I do art. 7° e do art. 9° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à 1° de julho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Por seu turno o inciso I do art. 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007 e, Fl. 4DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10880.014969/9802 Acórdão n.º 920202.021 CSRFT2 Fl. 743 5 anteriormente, o inciso I do art. 5º Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 55, de 16 de março de 1998, faziam previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei ou à evidência da prova. Ademais, previam, respectivamente, o art. 15, § 1º e o art. 7º, § 1º dos revogados Regimentos Internos da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que na hipótese de decisão não unânime, quando for contrária à lei ou à evidência da prova: “o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a contrariedade à lei ou à evidência da prova” Por oportuno, transcrevo excertos do recurso especial, em que a recorrente pretende demonstrar a contrariedade à lei ou à evidência da prova: “II— DA DECISÃO NÃOUNÂNIME: Tratam os autos de lançamento decorrente de IRPF apurado por variação patrimonial a descoberto no anobase de 1996. Segundo o termo de verificação fiscal de fls. 80/85, o sujeito passivo recebeu cheques da SPLIT CORRETORA DE MERCADORIAS LTDA no valor total de R$ 3.874.900,00. Além disso, na sua declaração de bens e direitos que acompanhou a declaração de ajuste do exercício de 1997, o contribuinte diz ter recebido doação de ações do Banco de Crédito Nacional no valor de R$ 14.411,560,00, sendo que comprovou o recebimento de apenas R$ 13.011.560,27. Após o lançamento de fls. 01/05, o contribuinte tentou, em 23/07/98, retificar sua declaração de ajuste (fis. 113/132), no que foi obstado pela autoridade competente. Em 27/07/98, apresentou impugnação de fls. 93/112 e um extemporâneo "aditamento" às fls. 137/139. A DRJ/SPO II, com base no relatório de fl. 140, converteu o julgamento em diligência para que o auditorfiscal alterasse a forma de apuração anual para apuração mensal da variação patrimonial do contribuinte (fl. 141). Cumprida a diligência verificouse uma alteração na base de cálculo do tributo de R$ 4.678.538,07 para R$ 4.739.286,01 (fls. 1961199), resultando num auto de infração complementar de R$ 34.954,36 (fls. 193/195). A DRJ/SPO II manteve o lançamento integralmente (fls. 516/523). A Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Por maioria de votos, suscitou de ofício a nulidade do procedimento fiscal por vício material. Eis a ementa do julgado: “IRPF — AUTO DE INFRAÇÃO SUPLEMENTAR — A autoridade fiscalizadora pode lançar auto de infração suplementar, mais nunca com o valor originário do primeiro auto acrescido do valor suplementar, sem antes concelar o primeiro. No auto suplementar só deve constar o valor que deverá ser acrescido ao auto principal e nunca os dois valores juntos. Tal procedimento impede que o contribuinte faça a sua defesa de forma correta, pois fica sem saber qual o real valor da tributação. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Recurso provido.” No voto acolhido pela maioria, a Conselheira Maria Goretti de Bulhões Carvalho defendeu que não fora lavrado auto de infração suplementar, mas sim um novo auto de infração com alteração do valor e da base de cálculo sem que a DRJ tenha anulado o primeiro. Assevera que este fato dificultou o exercício da defesa do contribuinte e que a duplicidade de autos violou o art. 59, II do Decreto 70.235/72.” Como se vê, a recorrente não se desincumbiu do dever de demonstrar, fundamentadamente, a contrariedade à lei ou à evidência da prova. Em suas razões recursais deve haver a demonstração clara e fundamentada do porque da contrariedade à lei ou à evidência da prova. Em primeiro lugar, porque exigese minimamente a indicação das provas que teriam sido contrariadas e, ainda, a exposição das razões pelas quais, no entender da recorrente, o julgado deva ser reformado por contrariedade à prova, objetivando convencer o julgador, no propósito de reforma do acórdão. O que não ocorreu no presente caso. Em segundo lugar, porque no que diz respeito à contrariedade a lei, sequer houve a indicação do dispositivo de lei que teria sido contrariado. A alegação de contrariedade à lei, sem a indicação do dispositivo legal que considerou violado, não é suficiente para que o recurso especial seja conhecido. Precedentes do STJ são no sentido de que não deve ser conhecido recurso especial em que não haja a indicação de dispositivo tido como contrariado: RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO. TAIFEIROS DA AERONÁUTICA. PROMOÇÃO A SUBOFICIAL. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA 284/STF. A alegação de contrariedade à lei federal, sem a indicação do dispositivo legal que considerou violado, ou mesmo quando se deixa de expor as razões pelas quais entende deva ser reformada a decisão recorrida, o recurso especial tornase deficiente em sua fundamentação, motivo pelo qual não deve ser conhecido. Inteligência do enunciado da Súmula nº 284/STF. Recurso não conhecido. (REsp 584212 / PE, QUINTA TURMA, Relator Ministro FELIX FISCHER, DJ 15/12/2003 p. 397) Precedentes desta 2ª Turma da CSRF são no sentido de que não deve ser conhecido recurso especial em que não há demonstração, fundamentada , a contrariedade à lei ou à evidência da prova: “NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. O Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei ou à evidência da prova. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10880.014969/9802 Acórdão n.º 920202.021 CSRFT2 Fl. 744 7 Em Recurso Especial é indispensável que se demonstre, de maneira clara e fundamentada, porque teria havido ofensa ao dispositivo de lei ou à evidência da prova. Exigese minimamente a indicação das provas que teriam sido contrariadas e, ainda, a exposição das razões pelas quais, no entender da recorrente, o julgado deva ser reformado por contrariedade à prova, objetivando convencer o julgador, no propósito de reforma do acórdão. O que não ocorreu no presente caso. A alegação de contrariedade à lei, sem a indicação do dispositivo legal que considerou violado, não é suficiente para que o recurso especial seja conhecido. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça. Recurso especial não conhecido.” (Acórdão nº 920200.471 — 2ª Turma da CSRF, Relator Conselheiro Elias Sampaio Freire) Destarte, não há de se conhecer de recurso especial por contrariedade à lei ou à evidência da prova se o recorrente não se desincumbiu do dever de demonstrar, fundamentadamente, a contrariedade à lei à evidência da prova. Isto posto, voto por não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 7DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13706.005409/2007-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Ano-calendário: 2004
RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO.
ISENÇÃO.
Os rendimentos recebidos pelos anistiado s político s, nos termos da Lei nº 10.559, de 2002, são isentos do imposto de renda apenas a partir de 29 de agosto de 2002. RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. A isenção do imposto de renda dos rendimentos relacionados § 1º do Decreto nº 4.897/03 não está condicionada a prévio requerimento de substituição do pagamento daqueles rendimentos pelo regime de prestação mensal, permanente e continuada, instituído pela Lei nº 10.559/2002. Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-001.780
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ISENÇÃO. Os rendimentos recebidos pelos anistiado s político s, nos termos da Lei nº 10.559, de 2002, são isentos do imposto de renda apenas a partir de 29 de agosto de 2002. RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. A isenção do imposto de renda dos rendimentos relacionados § 1º do Decreto nº 4.897/03 não está condicionada a prévio requerimento de substituição do pagamento daqueles rendimentos pelo regime de prestação mensal, permanente e continuada, instituído pela Lei nº 10.559/2002. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Fl. 175DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13706.005409/200700 Acórdão n.º 220201.780 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, MYRA SABOYA BEZERRA DE MENEZES, foi lavrada Notificação de Lançamento (NL) em 01/10/2007 (fl. 46/49), que alterou o valor do Imposto a Restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual — DAA Exercício 2005, entregue (transmitida) em 30/07/2006, de R$ 25.555,55 para R$ 415,88, apurando o saldo de Imposto a Restituir de R$ 137,50. No procedimento de revisão da referida DAA Exercício 2005, foram confrontados os valores de rendimentos tributáveis declarados com os valores de rendimentos informados pelas Fontes Pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), constatandose a omissão dos rendimentos sujeitos A tabela progressiva no valor de R$.113.032,06, recebidos da Fonte Pagadora COMANDO DA AERONÁUTICA, CNPJ 00.394.429/008276. Cientificada do lançamento em 12/12/2007 (fl. 42) e não se conformando, a Interessada apresentou impugnação em 20/12/2007, requerendo prioridade de tramitação em consonância com o art. 71, §3°, da Lei 10.741/2003 e alegando em síntese que: Não houve omissão de rendimentos, pois a Interessada é viúva e sucessora de José Guilherme Bezerra de Menezes, militar da Aeronáutica, declarado anistiado em 24/06/1980, conforme cópia de publicação no D.O.U. em anexo (fl. 12 dos presentes autos), estando isenta do Imposto de Renda, conforme dispõe o art. 9° c.c art 19 da lei 10599/2002, que trata do regime do anistiado politico, a qual regulamentou o art. 8° do ADCT; art. 1° do Decreto 4.897 e art. 106, I do CTN. em 30/09/2002 a impugnante protocolou requerimento junto ao Ministério da Justiça sob n° 2002.01.12017 para alteração do regime de anistiado politico, visando formalizar a situação jurídica préexistente definidora do direito A isenção que tem eficácia imediata conforme art. 5° §1° da CRFB/88; a demora no desfecho do referido requerimento viola a garantia constitucional prevista no art 50, LXXVIII, da CRFB/88, e a Interessada não pode ser alijada de suas garantias constitucionais e legais até a sua conclusão, sendo neste sentido a Exposição de motivos n° 197 do Ministério da Justiça, DOU de 09/12/2003, que determinou que a isenção independe da análise do requerimento ; embora a isenção fosse um direito da impugnante desde agosto de 2002, o Ministério da Aeronáutica ilegalmente continuou retendo o Imposto de Renda na fonte, reconhecendo a isenção somente a partir de junho de 2006, com a devida restituição das retenções dos meses de janeiro de 2006 a maio de 2006, dai porque a Dirf do exercício 2005 está em desacordo com a legislação; Fl. 177DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 a Solução de consulta n° 192 , de 29/07/2004, da SRF, reconhece a isenção do Imposto de Renda dos anistiados, independente da análise do requerimento de substituição de regime; considerando a legislação citada e a orientação obtida no Plantão Fiscal, de que deveriam ser retificadas as declarações da impugnante a partir de 2002, foi efetuada a retificação da DAA Exercício 2005, informando os rendimentos tributáveis de R$ 6.246,38, com direto a restituição de R$ 25.555,55, não podendo ser aplicada qualquer sanção, mormente a suposta omissão de rendimentos; a Interessada assentou sua confiança na orientação que lhe foi dada e na legislação, com base no Principio da Confiança que se infere dos Princípios da Moralidade Administrativa (art. 37 da CRFB/88). Transcreve doutrina de Humberto Avila. A Interessada menciona outro contribuinte que em situação análoga teria procedido A retificação da DAA Exercício 2005 e teria obtido a restituição do IR a partir de 2002, argumentando que a Administração Pública Fazendária deve dispensar o mesmo tratamento aos contribuintes conforme Principio da isonomia constitucional (art. 50, caput, da CRFB). Anexa os documentos de fls. 07 a 41, e conclui por requerer o acolhimento da impugnação para o fim de desconstituição do auto de infração e reconhecimento dos valores de rendimentos tributáveis informados na DAA Exercício 2005, Ano—calendário 2004 Retificadora, bem como dos valores a serem restituídos desde 29/08/2002, afastandose qualquer sanção notadamente a omissão de rendimentos. Do Aditamento a defesa Em aditamento A defesa, a Interessada apresentou a petição de fls.52/58, alegando que, ao contrário do entendimento da autoridade julgadora da la Turma da DRJ/RJ2, nos julgamentos dos processos n° 13706.001929/200735 e 13706.002501/2007 18, que concluíram pelo não conhecimento das impugnações em razão de concomitância entre processo administrativo e judicial, face A existência de Mandado de Segurança (MS), não houve coincidência na causa de pedir e identidade no conteúdo material em discussão. Esclarece a interessada que o referido MS, extinto sem resolução do mérito por ilegalidade passiva ad causam, foi impetrado contra ato ilegal e abusivo do Ministro da Aeronáutica, não se prestando para obter efeitos patrimoniais pretéritos perquiridos na presente via administrativa, dada a sua própria natureza mandamental. Acrescenta que a Solicitação de Retificação de Lançamento — SRL referente A Notificação de Lançamento 2006/607435134192031 teria sido deferida, acatando a retificação do total dos rendimentos tributáveis na declaração, promovida pela contribuinte, referente ao exercício 2006, não sendo cabível não conhecer da presente impugnação, versando sobre a mesma matéria relativa ao exercício 2005. Junta cópia Fl. 178DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13706.005409/200700 Acórdão n.º 220201.780 S2C2T2 Fl. 3 5 da SRL e do seu resultado, bem como do Acórdão proferido no MS n° 11.264DF (200502077630). A DRJ RJ ao apreciar as razões da contribuinte, julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ANISTIA POLÍTICA. Os rendimentos percebidos a partir de agosto de 2002, em decorrência de anistia política, sobre os quais houve retenção de imposto de renda na fonte, deverão ser informados como tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, enquanto não verificada a substituição de regime prevista no art. 19 da Lei n2 10.559, de 2002. O lançamento é efetuado de oficio quando o contribuinte deixa de informar rendimentos em sua Declaração de Ajuste Anual, implicando redução do imposto a pagar ou devido. ANISTIA POLÍTICA.RETENÇÃO DO IR PELA FONTE PAGADOR.RESTITUIÇÃO VIA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL ANTES DA SUBSTITUIÇÃO DE REGIME.IMPOSSIBILIDADE A isenção aplicável aos valores pagos a titulo de aposentadoria, pensões ou proventos de qualquer natureza aos anistiados políticos, recebidos a partir da vigência da MP 65 de 28.08.2002, posteriormente convertida na Lei 10.559/2002, abrange os benefícios deferidos na vigência da Lei 6.682/79, ainda que pendente de exame, a conversão prevista no art. 19 da citada Lei, porém a restituição de Imposto de Renda porventura retido, somente se dará após deferimento da substituição de regime. Impugnação Improcedente A contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou o Recurso Voluntário, onde reitera os argumentos da impugnação. Que podem ser sintetizados da seguinte forma: 1. cabe registrar que o Ministério da Justiça, nos autos do Processo n. 2002.01.12017, requerido pela ora recorrente, reconheceu a condição de anistiado político do Sr. José Guilherme Bezerra de Menezes, no dia 23/06/2009,; 2. o Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento de que os anistiados políticos como é o caso da recorrente têm direito A isenção do imposto de renda da prestação mensal (indenização) ainda antes da substituição pelo regime (art. 5 da Lei 10.559/2002). É o relatório. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. O § 6° do art, 150 da Constituição Federal de 1988, com a redação dada pela Emenda Constitucional no. 3, de 17 de março de 1993, assim dispõe § 6° Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativas a impostos, taxas ou contribuições, .vá poderá ser concedido mediante lei especifica, .federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no artigo 155, ,§ 2°, XII, g. Por sua vez, o Código Tributário Nacional (Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966) ao tratar das isenções, assim determina: Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Portanto, verificase, de pronto, que isenção é sempre decorrente de lei especifica. Os rendimentos de aposentadoria em regime excepcional, na condição de anistiados, têm o mesmo tratamento tributário das demais aposentadorias, ou seja, submetem se às regras da Lei n° 7,713, de 22 de dezembro de 1988, com as alterações posteriores. Tanto a Lei n° 6..683, de 1979, quanto a EC ri' 26, de 27 de novembro de 1985, concederam a anistia política e permitiram o retorno ou a reversão ao serviço ativo dos servidores civis e militares demitidos, postos em disponibilidade, aposentados, transferidos para a reserva ou reformados. Dispôs, ainda, que aqueles que não requeressem o retorno ou a reversão às atividades ou tivessem seu pedido indeferido, seriam considerados aposentados, transferidos para a reserva ou reformados, contandose o tempo de afastamento do serviço ativo para efeito de cálculo de proventos da inatividade ou da pensão, Esses atos não trataram de reparação econômica ou de isenção aos rendimentos que os anistiados passassem a receber, quer na ativa, quer na aposentadoria excepcional. Ao contrário, a Lei IV 6.683, de 1979, em seu art. 11, dispôs que, além dos direitos nela expressos, não geraria quaisquer outros, inclusive aqueles relativos a vencimentos, soldos, salários, proventos, restituições, atrasados, indenizações, promoções ou ressarcimentos. Com o advento da medida provisória n" 65/2002, convertida na Lei n° 10.559, de 2002, que regulamenta o art. 8° do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias Fl. 180DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13706.005409/200700 Acórdão n.º 220201.780 S2C2T2 Fl. 4 7 ADCT, estabelecendo o Regime do Anistiado Político, foi garantido ao anistiado político, entre outros direitos, o da reparação econômica, de caráter indenizatório, em prestação única ou em prestação mensal, permanente e continuada (art. 1°, II), bem assim, dispôs que os valores pagos a título de indenização são isentos do imposto de renda (art. 9 o , parágrafo único). O imposto de renda das pessoas físicas, em obediência ao regime de caixa, deve ser retido pela fonte pagadora no momento do pagamento do rendimento, aplicandose a legislação tributária vigente à época em que estiver sendo efetuado este pagamento. Antes da edição da Medida Provisória n° 65, de 28 de agosto de 2002, posteriormente convertida na Lei n° 10.559, de 13 de novembro de 2002, os valores pagos a título de reparação econômica aos anistiados políticos encontravamse no campo de incidência do imposto de renda. A isenção do imposto de renda, prevista no parágrafo único do art. 90 da Lei n° 10,559, de 2002, alcança os valores pagos a titulo de reparação econômica de caráter indenizatório a anistiado político a partir de 29 de agosto de 2002, data em que a referida medida provisória foi publicada no Diário Oficial da União. Ressaltase que o Decreto n° 4.897, de 25 de novembro de 2003, que regulamentou o parágrafo único do art.. 9' da Lei n° 10,559, de 2002, em seu art.. 2° estabeleceu que as disposições do referido Decreto produziam efeitos a partir de 29 de agosto de 2002 (data da publicação da medida provisória n" 65/2002), nos termos do art. 106, inciso I, da Lei 5.172, de 1966, Código Tributário Nacional. Adicionalmente, quanto à isenção, vale a pena relembrar que os rendimentos recebidos pelos anistiados políticos ao abrigo da Lei n° 6,686, de 1979, não têm caráter indenizatório, por falta de previsão legal, portanto estão sujeitos à tributação pelo imposto de renda. Em face da documentação acostada aos autos, comprovase que houve o reconhecimento da condição de anistiado do Sr. José Guilherme Bezerra de Menezes. Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 181DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10140.720737/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO DOS SÓCIOS. PRÓ-LABORE E DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. NECESSIDADE DISCRIMINAÇÃO. As remunerações por pró-labore e participação nos resultados devem restar cabalmente discriminadas, de maneira a evitar a evitar a incidência da contribuição previdenciária sobre o total dos valores pagos aos sócios à luz do disposto no inciso II do §5º do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social. No caso, a discriminação ocorreu, não havendo que se falara em incidência de contribuição previdenciária sobre a parcela referente a lucros. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-002.906
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por voto de qualidade: a) em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Bernadete de Oliveira Barros, que negavam provimento ao recurso e o Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, que votou em dar provimento parcial ao recurso, aferindo a remuneração em um salário mínimo. Redator: Marcelo Oliveira.
Matéria: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
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REMUNERAÇÃO DOS SÓCIOS. PRÓLABORE E DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. NECESSIDADE DISCRIMINAÇÃO. As remunerações por prólabore e participação nos resultados devem restar cabalmente discriminadas, de maneira a evitar a evitar a incidência da contribuição previdenciária sobre o total dos valores pagos aos sócios à luz do disposto no inciso II do §5º do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social. No caso, a discriminação ocorreu, não havendo que se falara em incidência de contribuição previdenciária sobre a parcela referente a lucros. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720737/201081 Acórdão n.º 2301002.906 S2C3T1 Fl. 2 2 ACORDAM os membros do colegiado, por voto de qualidade: a) em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Bernadete de Oliveira Barros, que negavam provimento ao recurso e o Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, que votou em dar provimento parcial ao recurso, aferindo a remuneração em um salário mínimo. Redator: Marcelo Oliveira. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720737/201081 Acórdão n.º 2301002.906 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de nº 37.304.5263, lavrado em face de PAULO TADEU HAENDCHEN ADVOGADOS ASSOCIADOS S.C, do qual foi notificado em 30/11/2010, em virtude do não recolhimento das contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social devidas pelo contribuintes individuais (sócios) e não declaradas em GFIP’s Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, correspondente à rubrica Empresa (Contribuinte Individual). Afirma o Relatório Fiscal que a Recorrente é constituída como “Sociedade Simples” (antiga Sociedade Civil) prestadora de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão regulamentada por legislação federal, mais especificamente, serviços de advocacia. Aduz ainda o Relato que o faturamento da empresa é proveniente exclusivamente do trabalho personalíssimo dos sócios, sendo que a empresa não possui segurados empregados (advogados), conforme verificado através dos livros contábeis e da GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social. Verificouse que a empresa mensalmente procedia a distribuição de lucros aos sócios a título de “antecipação de lucros” e posteriormente nos meses de dezembro de 2006 e dezembro de 2007 realizava os ajustes para adequar a distribuição de acordo com a participação societária de cada sócio. Constatouse também que a empresa jamais remunerou os sócios pelos serviços prestados, ou seja, todos os valores recebidos foram decorrentes da participação no capital social. Para fins de regularização, foi imputado à Recorrente o pagamento de R$ 1.201.699,71 (um milhão, duzentos e mil, seiscentos e noventa e nove reis e setenta e um centavos). Irresignada, apresentou a Recorrente impugnação buscando desconstituir o lançamento pelo Fisco realizado, não tendo, todavia, obtido julgamento procedente do seu pedido, conforme se depreende da ementa abaixo transcrita: DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO. SOCIEDADE SIMPLES A base de cálculo das contribuições relativas aos sócios da Sociedade Simples corresponde aos valores totais pagos ou creditados estes, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social. INCONSTITUCIONALIDADE Impossibilidade de análise, por parte de órgãos administrativos de julgamento, acerca da inconstitucionalidade e da ilegalidade de dispositivos legais em vigor no ordenamento jurídico pátrio, por ser esta competência exclusiva do Poder Judiciário. MULTA E DOS JUROS Fl. 148DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720737/201081 Acórdão n.º 2301002.906 S2C3T1 Fl. 4 4 A multa e os juros que encontram embasamento legal, por conta do caráter vinculado da atividade fiscal, não podem ser alterados ou excluídos administrativamente se a situação fática verificada enquadrase na hipótese prevista pela norma Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não satisfeita com a decisão proferida, apresentou a Recorrente Recurso Voluntário alegando em suma: a) Que, preliminarmente, seja declarada a nulidade do auto de infração n° 37.304.5263, lavrado pela Delegacia da Receita Federal de Campo Grande, em todos os seus termos, desconstituindose, assim, o crédito tributário ali lançado, no valor de R$ 1.201.699,71 (um milhão, duzentos e um mil, seiscentos e noventa e nove reais e setenta e um centavos); b) Que, no mérito, se alcançado for, seja declarada improcedência total da autuação fiscal, diante da violação dos princípios constitucionais da legalidade e da isonomia tributária, da manifesta bitributação e da inexigibilidade de contribuição previdenciária sobre o lucro, de tal sorte que os valores lançados no auto de infração (tributo, multa e juros moratórios) são ilegais e indevidos; c) Que, caso seja devida a contribuição previdenciária, seja aplicado o artigo 28, § 3o da Lei n° 8.212/91, para o fim de se calcular o valor da contribuição sobre o salário mínimo vigente à época (01/2006 a 12/2007). Assim, vieram os autos a este Conselho de Contribuintes. Sem Contrarrazões. É o relatório. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720737/201081 Acórdão n.º 2301002.906 S2C3T1 Fl. 5 5 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do Mérito Da procedência em parte do lançamento Em seu Recurso, alega a Recorrente que não há que se falar em cobrança de contribuições previdenciárias parte empresa sobre a remuneração dos contribuintes individuais, pois os seus sócios não se revestem da qualidade de segurados obrigatórios do Regime Geral da Previdência Social, como a distribuição de lucros não constitui fato gerador de contribuição previdenciária. É que, conforme se depreende do Contrato Social juntado aos autos, todos os advogados que atuam na empresa Recorrente ocupam a posição de sócio, sendo remunerados por meio da distribuição mensal dos lucros auferidos obedecido o critério da proporcionalidade na participação do capital social. Todavia, não há que se falar em total improcedência no lançamento pelo Fisco realizado, vez que, consoante o a seguir demonstrado, a empresa Recorrente não obedeceu, a contento, a sistemática em lei prevista de forma a estar apta ao gozo da isenção de contribuição previdenciária sobre o total das verbas repassadas a título de lucro. Na construção do raciocínio que embasará o presente julgamento, cabe, de início, trazer à tona o disposto no artigo 12 da Lei 8.212/91, o qual elenca as pessoas físicas que se revestem da condição de segurados obrigatórios da Previdência Social, a saber: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (.........) V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (.......) f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (Grifo meu) Por remuneração, entendese, via de regra, os valores que venham a integrar o saláriodecontribuição, isto é, “a expressão que quantifica a base de cálculo de contribuição Fl. 150DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720737/201081 Acórdão n.º 2301002.906 S2C3T1 Fl. 6 6 previdenciária dos segurados da previdência social, configurando a tradução numérica do fato gerador”. (IBRAHIM, 2010). As verbas remuneratórias, portanto, integram o saláriodecontribuição, sendo este, inclusive, o expresso teor do inciso III do 28 da Lei 8.212/91, que dispõe: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Grifo meu) A partir dessa lição, portanto, concluise que o sócio que recebe remuneração é segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social, na qualidade de contribuinte individual, vez que as verbas por ele recebidas sob esta rubrica constituem base de cálculo de contribuição previdenciária, por integrarem o saláriodecontribuição. No entanto, alega a Recorrente que, nenhum dos advogados que trabalham na empresa revestese da qualidade de segurado obrigatório pessoa física, uma vez que, conforme expressamente dispõe o Contrato Social, todos eles ocupam a posição de sócio, sendo, assim, remunerados por meio de distribuição de lucros, de acordo com a proporcionalidade de cada um na participação do capital social. Para a resolução da controvérsia em análise, ou seja, a possibilidade de incidência, ou não, de contribuição previdenciária sobre a remuneração dos sócios, é mister, de início, identificar quais as formas por meio das quais o sócio pode ser remunerado pelo seu trabalho em uma empresa. Nesse sentido, é válida a análise dos dispositivos legais no Decreto 3.048/99, Regulamento da Previdência Social, que, em seu artigo 201, §5º, que estabelece: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: (.......) § 5º No caso de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa referente aos segurados a que se referem as alíneas "g" a "i" do inciso V do art. 9º, observado o disposto no art. 225 e legislação específica, será de vinte por cento sobre: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) I a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa; ou II os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social ou tratarse de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) (Grifo meu) Tem o mesmo teor a Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, vigente à época, período de 01/2006 a 12/2007, a qual estabelecia, em relação à Sociedade Simples ,em seu artigo 71, §5º, o seguinte: Fl. 151DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720737/201081 Acórdão n.º 2301002.906 S2C3T1 Fl. 7 7 Art. 71. As bases de cálculo das contribuições sociais previdenciárias da empresa e do equiparado são as seguintes:(Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009) (........) 5º No caso de Sociedade Simples de prestação de serviços relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa em relação aos sócios contribuintes individuais terá como base de cálculo: I a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa, formalizada conforme disposto no inciso IV do caput e no § 4º, ambos do art. 60; II os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social. Pela leitura dos diplomas normativos em destaque, constatase duas formas de remuneração dos sócios, quais sejam: a remuneração decorrente do trabalho, ou prólabore e aquela proveniente do capital social, a qual, no caso ora em discussão, é paga por meio do procedimento de distribuição mensal dos lucros auferidos pela empresa, obedecido o critério da proporcionalidade na participação do capital social. Tais formas de remuneração devem restar cabalmente discriminadas, de maneira a evitar a incidência da contribuição previdenciária sobre o total dos valores pagos aos sócios à luz do disposto no inciso II do §5º do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social. Todavia, não se desincumbiu deste ônus a Recorrente, vez que não foi juntado aos autos do presente processo qualquer meio de prova idôneo à constatação de que a empresa procedia com a regular distinção contábil entre as verbas remuneratórias referentes ao prólabore e aquelas provenientes do capital social. Tal distinção se presta a permitir que seja perscrutada a legalidade e pertinência dos valores, que devem ser condizentes com cada forma de remuneração. Partindo da premissa de que o plexo de significantes normativos do Direito Previdenciário não estipula um valor mínimo a título de prólabore, deve o instrumento constitutivo da sociedade prever de forma certa ou determinável seu quantum. Até porque, podem os sócios de uma sociedade simples quando da constituição da sociedade, decidirem por receber um prólabore mínimo equivalente a um salário mínimo mensal, paralelamente apostariam no sucesso da empresa e receberiam maiores valores a titulo de distribuição de lucros, atendendo assim no meu entendimento as acima mencionadas disposições legais. Contudo, diante do completo silêncio da Recorrente a esse respeito, como pela devida análise de seu contrato social e demais documentos, os sócios da Recorrente conforme expressa previsão contratual nada recebiam à título de prólabore, contrariando frontalmente os aludidos dispositivos legais. No entanto, entendo que não seria justo e razoável considerar como valor da contraprestação ao trabalho (prólabore) toda quantia repassada sob a rubrica de distribuição de lucros, o que iria de encontro ao que aparenta ser o intuito do ente legislador. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720737/201081 Acórdão n.º 2301002.906 S2C3T1 Fl. 8 8 Além do mais, é válido destacar que a organização societária neste processo discutida apresenta características de sociedade de pessoas, nas quais “a realização do objeto social depende mais dos atributos individuais dos sócios que da contribuição material que eles dão”. (COELHO, 2010). Destarte, neste tipo societário, as qualidades subjetivas do sócio interferem diretamente na consecução do fim social, a qual depende, dentre outros fatores, da capacitação dos sócios para o negócio, do ânimo para o desempenho de atividades e do empenho e trabalho constantes de cada sócio para que seja efetivamente concretizado o objeto social. Trazendo essa importante premissa para a controvérsia nestes autos discutida, não resta dúvida de que a prestação de serviços de advocacia enquadrase no tipo de organização social que leva em consideração as qualidades pessoais dos sócios, pressuposto este que deve servir de diretriz para o estabelecimento das remunerações individuais. Ora, se, por exemplo, uma sociedade dessa natureza, focando na ampliação de sua atuação no mercado, estabelece que os sócios ganharão uma bonificação de “x por cento” sobre o valor pago pela prestação de serviços advocatícios por cada novo cliente que consigam atrair para o escritório, é lógico que a remuneração final relativa ao trabalho (pró labore) de cada sócio será calculada levandose em consideração essa política de incentivo. Diante disso, corroborase o argumento segundo o qual a realização do objeto social em uma sociedade de pessoas, no caso dos autos, uma dedicada à prestação de serviços de advocacia, estará diretamente ligada às qualidades pessoais dos sócios e ao empenho destes na execução de atividades, em nosso exemplo, a captação de novos clientes, as quais viabilizem a concretização do objeto social. Destarte, diante desse cenário de sutil indeterminação, não há como se estabelecer, cabalmente, para fins de fixação de prólabore e determinação de base de cálculo de contribuição previdenciária, que, nas sociedades de pessoas, haverá um valor de mercado fixo ou ao menos esperado relativo à remuneração em decorrência das atividades desenvolvidas pelos sócios integrantes de uma sociedade de pessoas. Além do mais, não se pode olvidar o fato de que, justamente por depender do empenho e das qualidades pessoais de cada sócio, pode ser que, em um determinado mês, a sociedade passe por um período de crise em virtude, por exemplo, da baixa demanda pelos serviços por ela prestados ou pela saída repentina de sócios prestadores de serviços. Tal conjuntura, muito provavelmente, acarretará em uma baixa no faturamento mensal, levando a sociedade a cortar gastos, restando prejudicado, assim, o pagamento de prólabore dos sócios remanescentes em valor igual ou superior à conjuntura anterior ao cenário de crise. Todavia, não pode o fato de a legislação previdenciária não estabelecer um valor máximo ou mínimo a título de prólabore nem o cenário de sutil indeterminação do faturamento mensal das sociedades de pessoas servirem de óbice para o estabelecimento do valor de prólabore dos sócios de maneira a restar identificada a base de cálculo da contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos sujeitos sociais quando houver Fl. 153DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720737/201081 Acórdão n.º 2301002.906 S2C3T1 Fl. 9 9 discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho (prólabore) e a proveniente do capital social. Assim, entende este relator que, em situações como a nestes autos discutida, deve ser considerado como prólabore o valor correspondente, à época dos fatos geradores, a um saláriomínimo, vez que este corresponde à contraprestação mínima devida e paga a qualquer trabalhador sem distinção de sexo, por dia normal de serviço, e capaz de satisfazer, em determinada época e região do País, as suas necessidades normais de alimentação, habitação, vestuário, higiene e transporte. Em que pese a gritante utopia do conceito acima descrito, extraído do artigo 76 da Consolidação das Leis de Trabalho CLT, o estabelecimento do saláriomínimo como quantia base a ser paga a título de prólabore atende, na seara constitucional, ao princípio da isonomia e, na esfera administrativa, ao princípio da impessoalidade da administração pública, segundo o qual a atuação desta não pode se dar pela discriminação gratuita dos administrados. A Administração, portanto, deve permanecer numa posição de neutralidade em relação às pessoas privadas, sem discriminação nem favoritismo, razão pela qual o princípio da impessoalidade acaba por corresponder, no âmbito prático, a um desdobramento do princípio da isonomia. Não pode a Administração, portanto, a partir de perspectivas de mercado, cenário incerto, poroso e fluido, arbitrar qual seria a remuneração ideal a título de prólabore a ser paga em uma sociedade de pessoas. Ora, tal tarefa não só extrapolaria o campo de discricionariedade típica de alguns atos administrativos, como também, se levada ao extremo, poderia afrontar o próprio princípio da legalidade, tão caro ao Estado Democrático de Direito, visto que, consoante o já afirmado, a legislação previdenciária não estabelece um valor máximo ou mínimo a referente à remuneração pelo trabalho despedido. Destarte, atende mais ao princípio da isonomia, diante da omissão do legislador, a fixação, no caso concreto, como valor mínimo a título de prólabore o valor correspondente, à época dos fatos geradores, a um salário mínimo, uma vez que este corresponde à contraprestação mínima devida e paga a qualquer trabalhador sem distinção de qualquer espécie. Além do mais, cabe ressaltar que, em decorrência dos argumentos até então desenvolvidos, não pode este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais se perder em elucubrações obscuras acerca de qual seria o prólabore médio pago em sociedades de pessoas semelhantes às da Recorrente, uma vez que, consoante o já afirmado, os princípios da Legalidade, da Isonomia e da Impessoalidade vinculam todos os atos da Administração Pública. Somese a este inegável pressuposto o fato de que o Fiscal responsável pela lavratura originária do Auto de Infração neste processo discutido sequer especulou qual seria o valor médio de mercado a ser considerado como prólabore a ser pago aos sócios que realizam as atividades próprias da empresa Recorrente, o que, por si só, já inviabiliza qualquer discussão a respeito dessa matéria nesta esfera administrativa de julgamento. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720737/201081 Acórdão n.º 2301002.906 S2C3T1 Fl. 10 10 A questão nuclear que motivou a autuação foi, conforme se depreende claramente do Relatório Fiscal, a alta lucratividade da empresa, vez que esta mensalmente procedia a distribuição de lucros aos sócios a título de “antecipação de lucros” e posteriormente realizou os ajustes para adequar a distribuição de acordo com a participação societária de cada sócio. Por fim, ainda que, diante do contexto verificado nos autos, tivesse o Fiscal arbitrado um valor a título de prólabore levando em consideração os fatores de mercado, caberia a este Conselho, se provocado, em sede de Recurso, revisar o Autuação e determinar como valor base a ser pago a título de prólabore o correspondente a um saláriomínimo à época dos fatos geradores, à luz dos princípios outrora citados, no rastro do raciocínio até então desenvolvido. Fixada esta primeira premissa, isto é, o valor repassado a título de prólabore deve corresponder a um salário mínimo à época dos fatos geradores, o que a este limite exceder deve ser considerado remuneração oriunda da participação do sócio nos resultados, paga por meio da distribuição dos lucros auferidos pela empresa. Com esse posicionamento, busca este relator atender ao fim maior da legislação invocada, levando ao pé da letra o princípio da isonomia. Sobre esses valores não incide contribuição previdenciária, desde que a quantia distribuída esteja respaldada, por meio de sua contabilidade, em demonstração de resultado – DRE, mensal, corroborando a natureza de lucro superior a sua base de cálculo presumida. É este, inclusive, o teor da Solução de Consulta Número 46, formulada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, em 24 de maio de 2010, publicada no DOU de 14.06.2010, cujo teor é o seguinte: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias EMENTA: DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS AOS SÓCIOS. NÃO INCIDÊNCIA. O sócio cotista que receba pro labore é segurado obrigatório do RGPS, na qualidade de contribuinte individual, havendo incidência de contribuição previdenciária sobre o pro labore por ele recebido. Não incide a contribuição previdenciária sobre os lucros distribuídos aos sócios quando houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho (pro labore) e a proveniente do capital social (lucro) e tratarse de resultado já apurado por meio de demonstração do resultado do exercício. DRE. Estão abrangidos pela não incidência os lucros distribuídos aos sócios de forma desproporcional à sua participação no capital social, desde que tal distribuição esteja devidamente estipulada pelas partes no contrato social, em conformidade com a legislação societária. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei No 8.212/1991, art. 12, inc. V, alínea "f"; Decreto No 3.048/1999 Regulamento da Previdência Social RPS, art. 201, caput e §§ 1º e 5º, incs. I e II; Lei N° 10.406/2002, arts. 997, incs. IV e VII, 1.007, 1.008, 1.053 e 1.054. Seguindo a trilha desse raciocínio, no presente lançamento não foi objeto de contestação fiscal o descumprimento dessa exigência legal de demonstração contábil de lucro superior a sua base de cálculo, devendo pois ser presumido a adequação a esse requisito. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720737/201081 Acórdão n.º 2301002.906 S2C3T1 Fl. 11 11 Por fim, ressaltese, como dito, que a legislação previdenciária não regra o valor mínimo ou máximo a ser pago a título de prólabore, o que permite aos sócios adotarem políticas de gestão baseadas no resultado, para reduzir o valor da remuneração do trabalho, acreditando na remuneração do capital. No entanto, essa opção deve vir acompanhada dos requisitos legais, tais como segregação dos valores pagos, previsão contratual quanto ao prólabore, regramento da distribuição dos lucros e contabilidade ajustada, apta a dar suporte aos valores pagos. Nessa linha de coerência, ausentes tais instrumentos acessórios inafastáveis, despese a Recorrente do direito de optar pela forma de remuneração de seus sócios que melhor lhe atenda, sujeitandose ao arbitramento ora feito. Assim, considerandose o raciocínio ate então desenvolvido, como a contribuição ora discutida no presente lançamento referese à rubrica empresa, o valor que exceder ao salário mínimo por sócio, à época dos fatos geradores, deve ser considerado como distribuição de lucros. Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Fl. 156DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720737/201081 Acórdão n.º 2301002.906 S2C3T1 Fl. 12 12 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720737/201081 Acórdão n.º 2301002.906 S2C3T1 Fl. 13 13 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720737/201081 Acórdão n.º 2301002.906 S2C3T1 Fl. 14 14 Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720737/201081 Acórdão n.º 2301002.906 S2C3T1 Fl. 15 15 Da Conclusão Diante do exposto, conheço do Recurso para, no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, determinando que seja considerada como verba repassada a título de prólabore mensal por sócio o valor correspondente a um salário mínimo à época dos fatos geradores, considerando como distribuição de lucros a parcela superior a esse valor, por fim para determinar que sejam cotejadas as multas previstas no art. 35 em sua redação antiga e atual da Lei 8.212/91, aplicandose a que seja mais benéfica ao contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 160DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720737/201081 Acórdão n.º 2301002.906 S2C3T1 Fl. 16 16 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Redator Designado Com todo respeito ao nobre Relator, divirjo de seu entendimento. A distribuição de lucros é opção para a remuneração do sócio capitalista, e sobre ela não incide contribuição, pois é remuneração do capital. Já o prólabore é a remuneração pelo trabalho dos sócios, portanto, incide contribuição, nos termos da Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: ... III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; Salutar, também, verificarmos na Legislação Previdenciária a definição de empresa: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Ora, se a legislação considerou empresa, para fins previdenciários, a organização que assume o risco da atividade econômica, o sócio, como representante dessa sociedade, também corre o risco dessa atividade, com seus lucros ou com seus prejuízos. Pode o sócio, também, receber pró labore, a critérios das empresas, na hipótese em que este “optar” por exercer atividade profissional na administração da empresa. Portanto, pagar ou não pró labore, quando o sócio presta serviço à empresa, é uma opção da sociedade, até porque, por exemplo, pagamentos de certa quantia como um salário mínimo não alteraria a natureza jurídica da distribuição de lucros, que deve ser demonstrada na contabilidade. Não seria correto e não há previsão na legislação de considerar que o pagamento de um pequeno valor pode vir a alterar a natureza jurídica de montante dezenas, centenas, milhares de vezes do valor distribuído e pago como remuneração. Assim, é a contabilidade – regular, formalizada seguindo as determinações legais que demonstra se a distribuição de lucro foi correta ou não, pois caso não haja, por exemplo, resultado positivo (lucro), não haverá, conseqüentemente, o que distribuir, e todo valor retirado pelos sócios deve ser considerado pró labore. No presente caso, tratase de sociedade de profissão regulamentada, advogados e a legislação possui regramento específico. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720737/201081 Acórdão n.º 2301002.906 S2C3T1 Fl. 17 17 Decreto 3.048/1999: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: ... § 5º No caso de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa referente aos segurados a que se referem as alíneas "g" a "i" do inciso V do art. 9º, observado o disposto no art. 225 e legislação específica, será de vinte por cento sobre: I a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa; ou II os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social ou tratarse de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício. Destacase, pois necessário que a condição determinada pela legislação para a incidência de contribuição, ou não, é a “DISCRIMINAÇÃO”, demonstração, entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social. Esse fato, ausência de discriminação, não ocorre no presente caso, não havendo que se falar em tributação, portanto. Muitos advogam que o pagamento de “pelo menos” um salário mínimo seria suficiente para que a determinação contida no Decreto, acima, fosse respeitada. Com todo respeito aos que assim pensam, não concordamos com essa posição, pois: 1. Conforme a CF/1988 e a Lei 8212/1991, as contribuições sociais incidentes sobre os rendimentos pagos ou creditados a qualquer título a pessoa física somente poderão incidir sobre os RENDIMENTOS DO TRABALHO; 2. O que demonstra a existência de Lucro, sua possibilidade de distribuição e sua correta distribuição é a escrituração contábil regular; 3. A distribuição de Lucros não é rendimento do trabalho; 4. Não há determinação legal para o pagamento de um “mínimo” de pro labore; 5. O pagamento de “pelo menos” um salário mínimo não alteraria a natureza jurídica do lucro e da sua correta distribuição. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720737/201081 Acórdão n.º 2301002.906 S2C3T1 Fl. 18 18 Destarte, a legislação não criou distinção na tributação das sociedades de profissões regulamentadas. Existindo escrituração contábil regular que demonstre a existência de lucro e de somente sua distribuição, não há que se falar em tributação para a previdência sobre esses valores discriminados contabilmente, pelos motivos expostos. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em dar provimento ao recurso, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Redator Designado Fl. 163DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 13804.000149/2002-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano calendário: 1997
Ementa:
IRPJ PAGO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. CORREÇÃO DEVIDA A PARTIR DO MÊS DE FEVEREIRO DO ANO SUBSEQÜENTE AO DO TÉRMINO DA APURAÇÃO. JUROS A PARTIR DE 1º DE FEVEREIRO DO ANO SUBSEQUENTE AO PERÍODO DE APURAÇÃO.
Para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, o crédito ou o débito decorrente do confronto do pagamento das estimativas, de que trata o artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996, com o valor devido a título de IRPJ e CSLL, só é apurado a partir do encerramento do ano calendário.
Antes do encerramento do ano calendário não há o que se falar em tributo a restituir, pois até o último momento pode ocorrer evento capaz de alterar o quantum devido a título de IRPJ e de CSLL. O fato gerador destes tributos, para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, só se completa em 31 de
dezembro de cada ano.
Partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real somente se concretiza no final de cada ano calendário, é a partir deste evento que se encontra o saldo do imposto a pagar ou a recuperar. Inteligência do artigo 2°, § 3° e artigo 6°, § 1°, I e II, da Lei nº 9.430, de 1996.
Os artigos 2º, 6º e 74, da Lei nº. 9.430, de 1996, devem ser interpretados de forma harmônica e sistemática. Tanto nos casos em que há imposto a pagar, quanto nas situações de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, a correção somente começa a fluir a partir do recolhimento da estimativa relativa ao mês de dezembro, que deve ser paga até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente. É por esta razão que o § 2º do artigo 6°, aponta como marco da correção o dia 1º de fevereiro.
Não encontra amparo legal a pretensão do sujeito passivo de aplicar juros a partir da data do pagamento de cada um dos valores recolhidos a título de estimativa.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 1402-001.021
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer, em relação ao ano-calendário de 1996, o crédito de R$ 201.970,43; reduzindo-se o imposto lançado nesse montante. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Pelá.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. CORREÇÃO DEVIDA A PARTIR DO MÊS DE FEVEREIRO DO ANO SUBSEQÜENTE AO DO TÉRMINO DA APURAÇÃO. JUROS A PARTIR DE 1º DE FEVEREIRO DO ANO SUBSEQUENTE AO PERÍODO DE APURAÇÃO. Para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, o crédito ou o débito decorrente do confronto do pagamento das estimativas, de que trata o artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996, com o valor devido a título de IRPJ e CSLL, só é apurado a partir do encerramento do anocalendário. Antes do encerramento do anocalendário não há o que se falar em tributo a restituir, pois até o último momento pode ocorrer evento capaz de alterar o quantum devido a título de IRPJ e de CSLL. O fato gerador destes tributos, para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, só se completa em 31 de dezembro de cada ano. Partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real somente se concretiza no final de cada anocalendário, é a partir deste evento que se encontra o saldo do imposto a pagar ou a recuperar. Inteligência do artigo 2°, § 3° e artigo 6°, § 1°, I e II, da Lei nº 9.430, de 1996. Os artigos 2º, 6º e 74, da Lei nº. 9.430, de 1996, devem ser interpretados de forma harmônica e sistemática. Tanto nos casos em que há imposto a pagar, quanto nas situações de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, a correção somente começa a fluir a partir do recolhimento da estimativa relativa ao mês de dezembro, que deve ser paga até o último dia útil do mês de janeiro do Fl. 71DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13804.000149/200255 Acórdão n.º 1402001.021 S1C4T2 Fl. 0 2 ano subseqüente. É por esta razão que o § 2º do artigo 6°, aponta como marco da correção o dia 1º de fevereiro. Não encontra amparo legal a pretensão do sujeito passivo de aplicar juros a partir da data do pagamento de cada um dos valores recolhidos a título de estimativa. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer, em relação ao anocalendário de 1996, o crédito de R$ 201.970,43; reduzindose o imposto lançado nesse montante. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Pelá. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13804.000149/200255 Acórdão n.º 1402001.021 S1C4T2 Fl. 0 3 Relatório SaintGobain do Brasil Produtos Industriais e para Construção Ltda, sucessora de Brasilit Sociedade Anônima, já qualificada nos autos, com fundamento no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972, recorre da decisão de primeira instância, que julgou procedente a exigência. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Por meio do auto de infração (fls. 08 a 19), originado da realização de auditoria interna nas DCTF referentes ao primeiro e segundo trimestre do anocalendário de 1997, foi exigido da contribuinte em epigrafe o recolhimento de crédito tributário, no montante de R$ 703.228,57 (setecentos e três mil, duzentos e vinte e oito reais e cinquenta e sete centavos), incluindo imposto, multa de oficio e juros de mora (estes calculados até 30/11/2001). 2. O crédito tributário teve origem na “falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata” (Anexo Ib). Tabela a seguir explicita o motivo da autuação. CÓD PA VCTO V.DECL. V.CONF CRÉD.E.AB. Multa de Oficio JUROS 2362 0101/97 28/02/97 124.871,14 0,00 124.871,14 93.653,36 122.423,66 2362 0102/97 31/03/97 89.234,31 0,00 89.234,31 66.925,73 86.021,87 2362 0104/97 30/05/97 44.786,14 0,00 44.786,14 33.589,61 41.722,76 TOTAL 258.891.59 194.168,69 250.168,29 CÓD.Código da Receita: PA: Período de Apuração;VCTO: Data do Vencimento; V.DECL.: Valor Declarado em DCTF; V.CONF.:Valor Confirmado; CRÉD.E.AB: Crédito em aberto (não confirmado). 3. O enquadramento legal consta da descrição dos fatos fl.11. 4. A interessada, tendo tomado ciência do Auto de Infração, e com ele não se conformando, apresentou, por meio de representante legal (fls.03 a 07), em 03/01/2002, impugnação (fls. 01 a 03), alegando resumidamente o que segue. 4.1. O valor correspondente ao 2° trimestre/1997, R$ 44.786,14, foi recolhido normalmente na data de seu vencimento, conforme cópia do DARF anexada. 4.2 Com relação aos débitos do 1° trimestre/1997, eles foram compensados com valores anteriormente pagos a maior. Na DCTF constou indevidamente para ambos os débitos questionados, a informação de “compensação com DARF”, citando os DARF utilizados para recolhimento do IRPJ calculado com base na receita bruta mensal relativos ao recolhimento de 1996, quando deveria ter constado a informação de “compensação sem DARF”, com valor constante na linha 16 da ficha 08 da DIRF/97 (AC): “Imp. Mensal c/Base Rec. Bruta e Acresc. Ou Bal. Susp./Red.”, incorreções que a Impugnante requer sejam corrigidas. 4.3 Considerando que a própria DIRF/97 estão contidas as informações que comprovam os pagamentos a maior, compensados com os débitos ora impugnados, deixa de Fl. 73DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13804.000149/200255 Acórdão n.º 1402001.021 S1C4T2 Fl. 0 4 juntar à presente demais documentos comprobatórios, protestando desde já pela posterior juntada de quaisquer outros que eventualmente sejam necessários. O acórdão de fls. 39 a 45 julgou parcialmente procedente o lançamento excluindo da exigência a multa de ofício e o valor de R$ 44.786,14, conforme quadro que segue: DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM REAIS Anexo Ib CÓD PA EXIGIDO EXONERADO MANTIDO* Imposto M.OFIC. Imposto M.OFIC. Imposto M.OFIC. 2362 0101/97 124.871,14 93.653,36 0,00 93.653,36 124.871,14 0,00 2362 0102/97 89.234,31 66.925,73 0,00 66.925,73 89.234,31 0,00 2362 0104/97 44.786,14 33.589,61 44.786,14 33.589,61 0,00 0,00 TOTAL 258.891.59 194.168,69 44.786,14 194.168,69 214.105,45 0,00 * Acréscimos legais de acordo com a legislação de regência: a multa de mora + juros de mora. Dentre os fundamentos da decisão recorrida, no que diz respeito ao crédito mantido, transcrevo os seguintes pontos: ... 7. pelo acima relatado, temse, em resumo, que a autuação se deu em razão da Auditoria Interna da DCTF ter apurado débito no código 2362( IRPJ – PJ) obrigadas ao Lucro Real Estimativa Mensal), referente aos PA 0101/97, 0102/97 e 0104/97, informadas nas DCTF, cujos pagamentos não foram localizados; 7.1. por sua vez, a defesa alega em síntese que por equivoco seu, informou em DCTF, que os valores (PA 0101/97 e 0102/97 foram compensados com DARF, quando na verdade foram compensados em SNIRPJ AC 1996, e que o valor correspondente ao PA 0104/97 foi recolhido normalmente na data de seu vencimento. ... 9.1.2.1. verificase que na Ficha 08 (Cálculo do Imposto de Renda) foi informado o valor zero na linha 19 (imposto de Renda a Pagar), ou seja, não foi apurado saldo negativo de imposto de renda no AC 1996 a ser compensado posteriormente: ... 9.1.2.3. consulta ao Sistema Sinal 08 indica que foi escolhido, em 29/11/1996, o valor de R$ 464.791,33, no código 2362. Assim, nada indica que este montante tenho sido um pagamento indevido ou maior que o devido (visto, inclusive, que o valor de imposto mensal a pagar apurado em outubro foi bem superior a este). Ademais, para que o contribuinte tenha direito à compensação de tributo pago indevidamente, deve atender aos requisito legais e fazer prova de possuir crédito líquido e certo contra a Fazenda Fl. 74DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13804.000149/200255 Acórdão n.º 1402001.021 S1C4T2 Fl. 0 5 pública, conforme preceitua a Lei 5.172, de 25/10/1966 (CTN), que assim estabelece, em seus artigos 165 e 170 9.1.2.4. Esclareçase, por oportuno, que compete ao contribuinte o ônus da formação da prova do direito creditório, a fim de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação, conforme exigido no art. 170, do CTN. Neste sentido é a jurisprudência abaixo: ... Em 10082011 (fl. 51) a parte interessada foi intimada do acórdão recorrido e em 08092011, ingressou com o recurso de fls. 52 e seguintes, alegando em síntese: 6. Importante destacar que a Recorrente recolheu IRPJ a maior no ano calendário de 1996, cujo montante apurado no exercício de 1996 foi de R$ 827.608,93 (Oitocentos e vinte e Sete Mil, seiscentos e Oito Reais e Noventa e Três Centavos), (cf. Anexo 04) e cujo montante recolhido a título de Estimativa (Antecipação) no exercício de 1996 foi de R$ 1.023.521,97 (Hum milhão, Quinhentos e Vinte e Três Mil, Quinhentos e Vinte e Um Reais e Noventa e Sete Centavos), demonstrados na planilha a seguir: IRPJ 1997 anocalendário 1996 Mês Valor demonstrado na Apuração DARF Valor Recolhido Saldo a /Recolher Antec. Corrigida Saldo a Compensar / Recolher depois da correção Janeiro 230.596,61 166.518,15 64.078,46 171.430,69 59.165,92 Fevereiro 248.045,39 81.527,24 83.932,42 (7.317,72) Março 202.371,00 (45.674,39) (52.992,11) Abril 378.943,26 130.897,87 134.759,55 (11.179,40) Maio 411.335.,39 32.392,13 33.347,75 (12.135,02) Junho 450.954.70 39.619,31 39.619,31 (12.135,02) Julho 509.865,59 58.910,89 58.910,89 (12.135,02) Agosto 558.730,64 48.865,05 48.865,05 (12.135,02 Setembro 511.738,39 (46.992,25) (59.127,27) Outubro 1.023.521,97 464.791,33 464.791,33 (12.135,02) Novembro 1006.990,61 (16.531,36) (28.666,38) Dezembro 827.608.93 (195.913,04) (208.048,06 Incentivo a Informática 6.057,39 6.057,39 TOTAL 827.608,93 1.023.521,97 (201.970,43) 1.035.656,99 (214.105,45) Segundo a recorrente, na DIPJ1997, referente ao anocalendário de 1996, equivocadamente deixou de ser transcrito o saldo negativo da ficha 08, linha 19, objeto de apuração das estimativas da recorrente. Contudo, o que deve prevalecer é o IRPJ definitivo, Fl. 75DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13804.000149/200255 Acórdão n.º 1402001.021 S1C4T2 Fl. 0 6 efetivamente apurado com base no lucro real e regularmente pago por estimativas mensais no próprio anocalendário. Junto com o recurso a contribuinte apresentou os Darfs de fls. 66 a 70, comprovando o recolhimento de cada um dos valores acima recolhidos, no montante de R$ 1.023.521,97. Ao final, alega que “a diferença verificada entre a apuração do anocalendário de 1996 e os DARFs pagos, referentes ao código de receita 2362 e correspondentes ao montante de R$ 214.105,45, indicada pelo Sr. Agente Fiscal como sendo crédito tributário mantido em parte, não é devida, conforme ficou aqui claramente comprovado.” É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13804.000149/200255 Acórdão n.º 1402001.021 S1C4T2 Fl. 0 7 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame do mérito. Em síntese, a parte recorrente foi autuada por não terem sido localizados no sistema os seguintes pagamentos, declarados em DCTF: CÓD PA VCTO V.DECL. V.CONF CRÉD.E.AB. Multa de Oficio JUROS 2362 0101/97 28/02/97 124.871,14 0,00 124.871,14 93.653,36 122.423,66 2362 0102/97 31/03/97 89.234,31 0,00 89.234,31 66.925,73 86.021,87 2362 0104/97 30/05/97 44.786,14 0,00 44.786,14 33.589,61 41.722,76 TOTAL 258.891.59 194.168,69 250.168,29 A DRJ exclui da exigência do crédito tributário a multa de ofício e o valor de R$ 44.786,14, em relação ao qual, quando da impugnação, a parte interessada apresentou o Darf de fl. 04. Interposto o recurso, o sujeito passivo apresentou os Darfs de fls. 66 a 70, comprovando o recolhimento do valor de R$ 1.023.521,97, a título de estimativas correspondentes ao anocalendário de 1996. Argumenta que “de forma alguma a soma de R$ 214.105,45, correspondente aos períodos de apuração 0101/1997 no valor de R$ 124.871,14 e 01021997 no valor de R$ 89.234,31, pode ser considerada devida porque já foi paga através do saldo negativo gerado pelas antecipações/estimativas recolhidas durante o ano de 1996, vez que o somatório dos valores pagos no decorrer daquele exercício são superiores ao IRPJ apurado em 31/dezembro/1996, portanto, formador do saldo negativo de IRPJ daquele ano calendário.” No item 8 do recurso, às fls. fls. 54 e 55, a recorrente alega textualmente: 8. Cumpre esclarecer que na DIPJ1997 referente ao Ano Calendário de 1996, equivocadamente deixou de ser transcrito o saldo negativo do IRPJ na ficha 08, linha 19, objeto das apurações estimadas da Recorrente e a seguir transcrita: CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA Imposto de Renda Alíquota 15% Adicional 10% () Programa alimentação do Trabalhador ()Vale Transporte Total da Provisão 960.246,56 585.605,29 (48.012,33) (28.807,40) 1.469.032,12 ()Redução ou isenção do Imposto ()Imposto de Renda Retido na Fonte 447.035,85 194.387,35 Imposto de Renda a pagar ou a restituir 827.608,93 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13804.000149/200255 Acórdão n.º 1402001.021 S1C4T2 Fl. 0 8 Examinando a Ficha 08, de fl. 36, correspondente à apuração do IRPJ da recorrente, extraída do sistema da Secretaria da Receita Federal, se confirmam, em parte, as alegações da recorrente. Neste sentido, transcrevo os seguintes dados: Prosseguindo na análise da página 02 da referida ficha, à fl. 37 temse os seguintes elementos: Pelo que se verifica dos demonstrativos acima, no anocalendário de 1996 a contribuinte apurou imposto no montante de R$ 1.469.032,12. Subtraindo deste valor o IRRF (R$ 194.387,35); a redução referente à isenção apontada na ficha 08 (R$ 447.035,85 fl. 36) e R$ 6.037,39 referente aplicações em ações novas de empresas de informática (fl. 37), temse o valor de R$ 821.571,53, a título de valor devido. Porém, as estimativas recolhidas, conforme quadro abaixo, importaram em R$ 1.023.521,97. Competência/descrição Código Fls. Valor Recolhimento IRPJ relativo janeiro 1996 2362 66 166.618,15 Recolhimento IRPJ relativo fev. de 1996 2362 66 81.527,24 Recolhimento IRPJ relativo abril de 1996 2362 67 130.897,87 Recolhimento IRPJ relativo maio de 1996 2362 67 32.392,13 Recolhimento IRPJ relativo junho 1996 2362 68 39.619,31 Recolhimento IRPJ relativo julho 1996 2362 68 58.910,89 Recolhimento IRPJ relativo agosto 1996 2362 69 48.865,05 Recolhimento IRPJ relativo outubro 1996 2362 69 464.791,33 Total 1.023.521,97 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13804.000149/200255 Acórdão n.º 1402001.021 S1C4T2 Fl. 0 9 Conforme demonstrado anteriormente, considerando que o valor de imposto a pagar no ano de 1996 importou em R$ 821.571,53 e que foram recolhidas estimativas no montante de R$ 1.023.521,97, temse um saldo negativo, que corresponde a crédito a compensar, de R$ 201.970,43. Apesar de encontrar o crédito acima referido, verifico que ele não é suficiente para compensar as estimativas dos meses de janeiro e março de 1997, cuja soma importou em os R$ 214.105,45. Tal diferença se deu porque, conforme demonstrado em planilha elaborada pela própria empresa, esta corrigiu o valor das estimativas recolhidas durante o anocalendário de 1996. Tal fato fez com que o saldo negativo de R$ 201.521,43 passasse para R$ 214.105,45. A propósito da correção das estimativas no decorrer do próprio anocalendário em que é recolhida já me manifestei no seguinte sentido: Os artigos 2º, 6º e 74, da Lei nº. 9.430, de 1996, devem ser interpretados de forma harmônica e sistemática. Tanto nos casos em que há imposto a pagar, quanto nas situações em que se tem saldo negativo de IRPJ ou de CSLL a correção somente começa a fluir a partir do dia seguinte ao recolhimento da estimativa relativa ao mês de dezembro, que deve ser paga até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente. É por esta razão que o § 2º do artigo 6°, aponta como marco da contagem dos juros o dia 1º de fevereiro do ano seguinte ao do período de apuração. Assim, não encontra amparo legal a pretensão do sujeito passivo em aplicar juros a partir da data do pagamento de cada um dos valores recolhidos a título de estimativa. (acórdão 140200275, de 08 de novembro de 2000) ISSO POSTO, voto no sentido dar provimento parcial ao recurso para reconhecer, em relação ao anocalendário de 1996, o crédito de R$ 201.970,43; reduzindose o imposto lançado nesse montante. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 79DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 10715.004206/2010-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. INSTRUÇÃO PROCESSUAL. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA.
A falta de instrução do auto de infração com os documentos que comprovam a efetiva ocorrência da infração identificada pela fiscalização da Secretaria da Receita Federal importa a insubsistência da autuação.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-001.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Relator.
EDITADO EM: 21/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Jacques Maurício Veloso.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. INSTRUÇÃO PROCESSUAL. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. A falta de instrução do auto de infração com os documentos que comprovam a efetiva ocorrência da infração identificada pela fiscalização da Secretaria da Receita Federal importa a insubsistência da autuação. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 21/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Jacques Maurício Veloso. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 42 06 /2 01 0- 96 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 2 Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Tratam os autos da exigência, no valor de R$ 75.000,00, consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 09, referente à multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veiculo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada não registrou no prazo os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados em julho de 2007 no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes as cargas amparadas nas declarações de exportação DDE's listadas no demonstrativo "AUTO DE INFRAÇÃO n° 0717700/00/00335/10", descumprindo, por conseguinte, a obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 10 da IN/SRF 510/2005, uma vez que o inciso II do artigo 39 da citada IN/SRF 28/1994 considera intempestivo o registro dos dados de embarque efetuado pelo transportador em prazo superior a dois dias. Não se conformando com a exigência à qual foi intimada, a autuada apresentou impugnação as fls. 13 a 29, acompanhada dos documentos de fls. 30 a 53, para aduzir que (i) a multa aplicada não corresponde à infração supostamente praticada, o que torna nulo o auto de infração por cerceamento do direito de defesa da impugnante; (ii) conforme a Solução de Consulta 215, de 16.08.2004, os dados de embarque referentes as mercadorias embarcadas em 13.07.2007, 27.07.2007 e 28.07.2007 foram tempestivamente informados no Siscomex; (iii) que por razão de natureza econômica é inviável a manutenção de pessoal especializado para, tão somente, efetuar a inserção de dados no Siscomex relativamente aos embarques de mercadorias ocorridos nas sextasfeiras, sábados e domingos ou na véspera de feriado; (iv) a penalidade aplicação contraria aos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia, uma vez que seu valor não leva em consideração a quantidade de registros informados fora de tempo, além de ser muito superior ao valor da multa por embaraço à fiscalização, que além de considerar o valor aduaneiro da mercadoria, somente é aplicável quando constatado o dolo especifico; (v) o diminuto lapso temporal verificado não trouxe qualquer prejuízo ao fisco; (vi) o artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37/1966 não se aplica ao caso sob exame porque foram inseridas informações referentes as mercadorias no Siscomex, conforme determina a Receita Federal; (vii) até 2008 o SiscomexExportação considerava como novas as averbações retificadas por conta de divergência de informação, sendo que para fins de contagem do prazo o sistema informatizado considerou somente o registro dos dados de embarque retificados, em prejuízo da transportadora aérea. Do exposto, requer a nulidade do auto de infração e, por conseguinte, a desconstituição do crédito lançado. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007 PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10715.004206/201096 Acórdão n.º 3102001.779 S3C1T2 Fl. 3 3 A lei tributária, em sentido amplo, que comina penalidade aplicase a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Não compete às autoridades administrativas proceder à análise da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias que regem a matéria sob apreço, referida atribuição compete privativamente ao Poder Judiciário. PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. A partir da vigência da Medida Provisória 135/03, a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei 37/66, com redação do artigo 61 da citada MP, posteriormente convertida na Lei 10.833/03. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. O Auto de Infração guerreado veicula multa de R$ 75.000,00 pelo registro intempestivo dos dados de embarque de transporte internacional em quinze operações realizadas em julho de 2007 no Aeroporto Internacional do Rio de JaneiroALF/GIG. Desse valor, por aplicação da chamada retroação benigna da legislação tributária, foi mantida em primeira instância de julgamento a multa para apenas um dos embarques, no valor de R$ 5.000,00, já que o prazo, à época dos fatos, de dois dias, passou, mais tarde, a ser de sete dias. A multa aplicada está prevista na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/66, com redação dada pela Lei 10.833/2003. Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 4 O prazo foi definido no artigo 37 da IN SRF 28/94, alterado pelo artigo 1º da IN SRF 510/2005. Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. Conforme descrição dos fatos do Auto de Infração, a informação foi prestada antes de qualquer procedimento fiscal, ainda que de forma extemporânea. O Decreto 37/66 foi recentemente alterado pela Lei 12.350/10. O parágrafo 2º do artigo 102, que anteriormente restringia a exclusão da responsabilidade, no caso de denúncia espontânea, às penalidades de natureza tributária, passou a ter a seguinte redação. Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. O novo comando legal opôsse à regra até então vigente, clara ao definir que, até então, a ação espontânea somente alcançava as penalidades de natureza tributária. Também tratou de excepcionar as únicas penas que pretendia não fossem alcançadas pela ação espontânea: as aplicáveis quando a mercadoria está sujeita á pena de perdimento. Tais inovações parecem conduzir a inescapável interpretação de que também as ocorrências infracionais sob exame, praticadas nas condições em que o foram, estariam contempladas pelo excludente da responsabilidade, mas não acho que seja o caso. Assim penso, porque há muito fixei meu entendimento sobre o assunto tendo em conta certos pressupostos extraídos da observação lógica do alcance do instituto da espontaneidade e não da definição acerca da natureza da penalidade aplicada se formal, tributária, administrativa, regulamentar etc. Exemplo disso é a linha de pensamento que adotava ainda no ano de 2008, nos processos tendentes à formulação de exigência por atraso na entrega da DCTF, conforme a seguir reproduzido. Também não socorre ao contribuinte o excludente da denúncia espontânea. Afora as considerações de cunho jurídico que, com muita freqüência, tem recebido toda a atenção dos tribunais administrativos, não vejo como a ação do contribuinte antes do procedimento fiscal possa corrigir uma ocorrência infracional tipificada como atraso. A espontaneidade não tem o condão de desfazer a inobservância do prazo. Se a infração é por entregar um documento fora do prazo, uma vez que a data determina na legislação não foi observada, a apresentação espontânea do documento não pode mais desconstituir o fato. A ação não altera o quadro. O atraso persiste e para ele há previsão legal de multa. Entregar o documento espontaneamente, mas, ainda assim, em atraso é exatamente fazêlo a destempo, como fez o contribuinte, cometendo assim a infração. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10715.004206/201096 Acórdão n.º 3102001.779 S3C1T2 Fl. 4 5 Com efeito, entendo que o núcleo da infração por prestar informação fora do prazo é em todo coincidente com a ação espontânea. A teor das disposições contidas no artigo 138 do Código Tributário Nacional, do instituto da espontaneidade extraemse instantaneamente dois importantes elementos: a ocorrência da infração e a conduta proativa. Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Sem que tenha ocorrido a infração, não há que se falar em responsabilidade do sujeito passivo. Por sua vez, a conduta proativa constitui o remédio capaz de excluir a responsabilidade. Ocorre que a infração está indissociavelmente ligada ao elemento temporal da prestação, pois sem a ideia de um momento predeterminado para o adimplemento do compromisso, não se cogita de sua ocorrência. A obrigação, seja de recolher tributos ou de prestar informações, só nasce depois de expirado o prazo definido em lei para que o sujeito passivo tome determinada providência. A ação espontânea, assim, embora proativa, motivada pela preocupação que faz o contribuinte decidir adiantarse ao procedimento fiscal, é, também, sempre extemporânea, pois a infração só existe porque o prazo de adimplemento já expirou. Uma vez que a infração tenha ocorrido, duas são as condutas passíveis de serem sancionadas. A primeira é pela omissão, a segunda, pela ação a destempo. A meu sentir, a espontaneidade só pode alcançar as penas incluídas na primeira conduta, decorrentes do inadimplemento da obrigação de fazer, nunca na hipótese de fazêlo a destempo. É assim que as infrações por falta de pagamento, declaração inexata, falta de declaração, não prestação de informações, podem perfeitamente ser excluídas pela ação espontânea do contribuinte, mas não as que se referem ao pagamento ou adimplemento de obrigação fora do prazo, porque essas apenam conduta espontânea. De se acrescentar que, com base nesses mesmos pressupostos, não vejo razões para entender que a modificação introduzida no parágrafo 2º do artigo 102 do Decreto lei 37/66 tenha trazido tão grande inovação ao mundo jurídico. Ao referir que a denúncia espontânea seja acompanhada do pagamento se for o caso, o artigo 138 do Código já previa a possibilidade de que outras infrações, não relacionadas à inadimplência da obrigação de pagar, fossem excluídas pela ação espontânea. Não me parece que as infrações administrativas estivessem privadas do instituto da espontaneidade. A modificação introduzida pela Lei nº 12.350, de 2010 não inaugura novo tratamento, apenas ratifica a regra insculpida nas orientações de base. Pela excelência na abordagem do assunto, transcrevo o Voto proferido pelo i. colega, Conselheiro José Fernandes do Nascimento, nos autos do processo 11128.002765/200749, Acórdão 380200.568, datado de 05 de julho de 2011. Do instituto da denúncia espontânea no âmbito da legislação aduaneira: condição necessária. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 6 No âmbito da legislação aduaneira, o instituto da denúncia espontânea e os requisitos para sua aplicação estão definidos no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) É de fácil ilação que o objetivo da norma em destaque é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações relativas ao descumprimento das obrigações de natureza tributária e administrativa. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Nesse sentido, resta evidente que é condição necessária para a aplicação do instituto da denúncia espontânea que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à Administração tributária pelo infrator, em outros termos, é elemento essencial da presente excludente de responsabilidade que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, com base no teor do art. 102 do Decreto lei n° 37, de 1966, com as novas redações, está claro que as impossibilidades de aplicação do referido instituto podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica. No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10715.004206/201096 Acórdão n.º 3102001.779 S3C1T2 Fl. 5 7 Compõem essa última modalidade todas infrações que tem o atraso no cumprimento da obrigação imposta como elementar do tipo da conduta infratora, ou seja, que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial para a concretização da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm, no núcleo do tipo, o atraso no cumprimento da conduta imposta como sendo o elemento determinante da materialização da infração. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados do embarque da carga transportado em veículo de transporte internacional de carga. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar a informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação da informação intempestivamente materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a prestação da informação fora do prazo estabelecido, porém antes do início do procedimento fiscal, realizando o cumprimento da obrigação, mediante a denúncia espontânea, com exclusão da responsabilidade pela infração. Do ponto vista axiológico, nas infrações hipotéticas em apreço, os valores protegidos também são distintos. No primeiro caso, a conduta pretendida pelo legislador é a prestação da informação tempestiva, enquanto que no segundo caso, a conduta exigida é a simples prestação da informação. No presente caso, é evidente que a conduta comissiva que materializou a infração objeto da presente autuação foi a inserção dos dados do embarque no Siscomex após o prazo de sete dias estabelecido no § 2º do art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação atribuída pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 2005. Logo, no caso em destaque, se o registro da informação a destempo materializou a infração tipificada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, não pode ser considerada, simultaneamente, como uma conduta realizadora da denunciação espontânea da mesma infração. De fato, se a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque materializa a conduta típica da infração sancionada com a penalidade pecuniária objeto da presente autuação, em consequência, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que a conduta que materializasse a infração fosse, ao mesmo tempo, a conduta que concretizasse a denúncia espontânea da mesma infração. No caso em apreço, se admitida pretensão da Recorrente, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da mencionada infração nunca resultaria na cobrança da referida multa, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, simultaneamente, a conduta que representativa da denúncia espontânea. Em consequência, tornarseia impossível a imposição da multa sancionadora da dita conduta, ou seja, existiria a infração, mas a multa fixada para sancionála não poderia ser cobrada por força da exclusão da responsabilidade do infrator. Tal hipótese, ao meu ver, representaria um contra senso do ponto de vista jurídico, retirando da prática da dita infração qualquer efeito punitivo. Nesse sentido, porém com base em fundamentos distintos, tem trilhado a jurisprudência do C. Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme enunciado da ementa a seguir transcrita: Fl. 178DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 8 TRIBUTÁRIO. PRÁTICA DE ATO MERAMENTE FORMAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DCTF. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. I A inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária. De acordo com a moldura fática delineada no acórdão recorrido, deixou a agravante de cumprir obrigação acessória, razão pela qual não se aplica o benefício da denúncia espontânea e não se exclui a multa moratória. "As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN" (AgRg no AG nº 490.441/PR, Relator Ministro LUIZ FUX, DJ de 21/06/2004, p. 164). II Agravo regimental improvido.(STJ, ADRESP 885259/MG, Primeira Turma, Rel. Min Francisco Falcão, pub. no DJU de 12/04/2007). Os fundamentos da decisão apresentados pela E. Corte, foram basicamente os seguintes: (i) a inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária; e (ii) o descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Com a devida vênia, tais argumentos não representam o melhor fundamento para a conclusão esposada pela E. Corte no referido julgado. No meu entendimento, para fim de definição dos efeitos do instituto da denúncia espontânea, é irrelevante a questão atinente à natureza intrínseca da multa tributária ou administrativa, isto é, se punitiva (ou sancionatória) ou indenizatória1 (ou ressarcitória), uma vez que toda penalidade pecuniária tem, necessariamente, natureza punitiva, pois decorre sempre da prática de um ato ilícito, consistente no descumprimento de um dever legal, enquanto que a indenização tem como pressuposto um dano causado ao patrimônio alheio, com ou sem culpa do agente. Essa questão, no meu entendimento, é irrelevante para definição do significado e alcance jurídicos da excludente da responsabilidade por denunciação espontânea em análise, seja no âmbito das penalidades tributárias ou administrativas. É consabido que todo ato ilícito previsto na legislação tributária e aduaneira configura, respectivamente, infração de natureza tributária ou aduaneira, independentemente dela decorrer do descumprimento de um dever de caráter formal (obrigação acessória) ou material (obrigação principal). Ademais, toda obrigação acessória tem vínculo indireto com o fato gerador da obrigação principal, instrumentalizandoo e, dessa forma, servindo de suporte para as atividades de controle da arrecadação e fiscalização dos tributos, conforme delineado no § 2º do art. 113 do CTN. Em conclusão, para fins de incidência da norma da denúncia espontânea, seja na esfera tributária ou aduaneira, a condição relevante é que a infração seja passível de denunciação à Administração tributária pelo infrator, condição em que não se enquadra a infração objeto da presente autuação. Nesse sentido, consolidouse a jurisprudência deste E. Conselho, conforme enunciado da Súmula Carf nº 49, divulgada por meio da Portaria Carf nº 49, de 01 de dezembro de 2010, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. 1 A origem dessa discussão está na jurisprudência do C. STF (RE nº 79.625/SP) que tratou da natureza jurídica da multa moratória (se punitiva ou ressarcitória), quando julgou questões acerca da aplicação do art. 184 do CTN, que trata dos privilégios do crédito fiscal, no âmbito do processo de falência. Segundo o referido julgado, entendeu a Corte Suprema que a dita multa tinha natureza punitiva. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10715.004206/201096 Acórdão n.º 3102001.779 S3C1T2 Fl. 6 9 Isto posto, há que se fazer, no caso concreto, a devida ressalva em relação às particularidades que se observam na instrução processual. A recorrente alega preterição ao direito de defesa pela ausência de informações no auto de infração com vistas à comprovação da ocorrência da infração. Examinando os documentos carreados aos autos até a folha 13, onde encontrase a primeira folha da impugnação ao lançamento, percebese que a autoridade fiscal deixou, de fato, de anexar ao auto de infração qualquer documento que demonstrasse a efetiva ocorrência do atraso na prestação de informações à Secretaria da Receita Federal do Brasil. É provável que a constatação de que as informações foram prestadas pela contribuinte fora do prazo determinado na legislação tenha sido respaldada em dados obtidos em sistemas informatizados acessados pela fiscalização. O problema é que deixouse de incluir no processo cópia das telas correspondentes. Quanto a isso, importante destacar que as planilhas elaboradas pela Fiscalização não substituem o extrato das telas obtidas dos Sistemas, pelo menos não quando se fala em comprovação da ocorrência das irregularidades informadas no Auto de Infração. Como é de sabença, a comprovação do fato é ônus de quem alega. A Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código do Processo Civil, fixa assim a responsabilidade. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Na relação jurídica entre sujeito passivo e o Estado essa máxima requer a observação de certas particularidades. No direito tributário, é do próprio administrado o dever registrar e guardar os documentos e demais efeitos que testemunham a ocorrência dos eventos passíveis de comprovação. A guarda não constitui obrigação do Erário e não integra a natureza das relações fiscocontribuinte. Nem mesmo se pode falar em pacto formal do fato constitutivo do direito. A comprovação do fato jurídico tributário depende, em regra geral, de que o administrado apresente os documentos que a legislação fiscal o obriga a produzir e manter ou reconheça sua ocorrência em declaração prestada à autoridade pública. Admitida essa importante premissa, há de se ponderar, contudo, que nada dispensa a Administração de laborar em busca das provas de que o fato ocorreu, tampouco de instruir o processo administrativo fiscal com elas. No presente caso, como informado antes, as peças processuais identificadas entre o auto de infração e a impugnação não incluem nenhum tipo de documento capaz de fazer prova da acusação. Encontramse apenas documentos produzidos pela própria fiscalização, como é exemplo o quadro demonstrativo informando o número da declaração de despacho de exportação, dia de embarque, dia em que a informação foi prestada e número do vôo. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 10 E não me parece que tenha acontecido preterição do direito de defesa, como alegado pela recorrente. Conforme tenho reiteradamente defendido, a preterição ao direito de defesa não ocorre em tese, necessário que tenha acontecido de fato. Não se encontra nos autos qualquer evidência de que a Recorrente tenha tido alguma dificuldade em entender do que estava sendo acusada, tampouco a ausência das informações lhe subtraído as melhores condições de defesa, razão pela qual descarto a hipótese. A acusação contida no auto de infração, inobstante, não pode prosperar pelo simples fato de que não há provas de sua ocorrência, em afronta ao prescrito no artigo 9º do Decreto 70.235/72 e alterações posteriores. Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (...) Também não se cogita da proposição de uma diligência. Admitise tal providência somente se a instrução processual complementar decorre de uma falta identificada segundo critério de avaliação pessoal do julgador, jamais se a omissão aconteceu no momento da formalização da exigência, segundo uma avaliação o mais objetiva possível dos fatos trazidos aos autos. Nem mesmo se trata de decretação de nulidade por vício formal. Observese o que dispõe o Ato Declaratório Normativo nº 02/99, artigo 5º, a esse respeito. Art. 5º Em conformidade com o disposto no art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) o auto de infração lavrado de acordo com o artigo anterior conterá, obrigatoriamente: I a identificação do sujeito passivo; II a matéria tributável, assim entendida a descrição dos fatos e a base de cálculo; III a norma legal infringida; IV o montante do tributo ou contribuição; V a penalidade aplicável; VI o nome, o cargo, o número de matrícula e a assinatura do AFTN autuante; VII o local, a data e a hora da lavratura; VIII a intimação para o sujeito passivo pagar ou impugnar a exigência no prazo de trinta dias contado a partir da data da ciência do lançamento. Em tais circunstâncias, deixo de examinar as demais questões suscitadas nos autos para VOTAR PELO PROVIMENTO do recurso voluntário apresentado, em vista da ausência de provas da ocorrência dos fatos informados no auto de infração sub judice. Sala de Sessões, 27 de fevereiro de 2013. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Relator Fl. 181DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10715.004206/201096 Acórdão n.º 3102001.779 S3C1T2 Fl. 7 11 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 12045.000490/2007-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2301-000.116
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10611.000313/2009-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/02/2004, 22/02/2004, 15/07/2004
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. ACUSAÇÃO DE OBTENÇÃO IRREGULAR DE CERTIFICADO KIMBERLEY. AUSÊNCIA DE PROVAS. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO.
Tratando-se de acusação fiscal calcada em indícios e presunções, a ausência de provas veementes, consistentes e convergentes no sentido de que os Certificados Kimberley para a exportação de Diamantes foram obtidos de forma irregular, cujo ônus da prova incumbe à Administração Pública por ser fato constitutivo de seu direito ao crédito tributário proveniente da aplicação de penalidade, inquina o ato fiscal de nulidade por falta de prova, levando à improcedência do lançamento.
Recurso de Ofício Negado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-002.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral Dr. Francisco Porto, OAB/MG 79560.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Mario Cesar Francalossi Bais (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Nayra Bastos Manatta e Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. ACUSAÇÃO DE OBTENÇÃO IRREGULAR DE CERTIFICADO KIMBERLEY. AUSÊNCIA DE PROVAS. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. Tratandose de acusação fiscal calcada em indícios e presunções, a ausência de provas veementes, consistentes e convergentes no sentido de que os Certificados Kimberley para a exportação de Diamantes foram obtidos de forma irregular, cujo ônus da prova incumbe à Administração Pública por ser fato constitutivo de seu direito ao crédito tributário proveniente da aplicação de penalidade, inquina o ato fiscal de nulidade por falta de prova, levando à improcedência do lançamento. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral Dr. Francisco Porto, OAB/MG 79560. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 03 13 /2 00 9- 70 Fl. 3521DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Mario Cesar Francalossi Bais (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Nayra Bastos Manatta e Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça. Fl. 3522DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10611.000313/200970 Acórdão n.º 3402002.023 S3C4T2 Fl. 1.762 3 Relatório Versa o processo de auto de infração de multa regulamentar de IPI no valor de R$8.448.369,95 (oito milhões, quatrocentos e quarenta e oito mil, trezentos e sessenta e nove reais e noventa e cinco centavos), relativa, segundo descrição dos fatos e enquadramento legal constantes do auto de fls. 6 (numeração eletrônica), à “exportação de diamantes amparada por certificado Kimberley obtido de forma irregular”. Do que se colhe ainda da descrição dos fatos constante da autuação, têmse que a mesma decorre de fiscalização deflagrada por operação policial encabeçada pela Polícia Federal, denominada “Operação Carbono”, a qual versava sobre atividades de suposto contrabando de diamantes brutos, sendo ainda constituída auditoria dentro do Departamento Nacional de Produção Mineral, para a apuração da regularidade dos procedimentos desenvolvidos na emissão dos denominados Certificados Kimberley. O relatório final elaborado pela mencionada comissão de auditoria concluiu no sentido de que o contribuinte GAR MINERAÇÃO COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO valeuse de certificados Kimberley obtidos mediante falsas informações, os quais teriam sido utilizados para acobertar a exportação de diamantes. Foram constatadas irregularidades nos certificados Kimberley de nºs. 25, 26, 29 e 39. Segundo a Autoridade Fiscal, o impacto da conduta identificada pelo contribuinte ao pôr em circulação diamantes sem procedência, poderiam indicar o fato de que fossem os mesmos “diamantes de sangue”, cabendo assim, por meio de comunicação do Ministério Público Federal à Receita Federal do Brasil, aplicar a multa correspondente, prevista na Lei nº 10.743/2003. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do despacho decisório por meio do AR de fls. 280 (numeração eletrônica) em 10/02/2009, o contribuinte apresentou tempestivamente em 09/03/2009, às fls. 296 (numeração eletrônica), a competente impugnação cujos argumentos foram bem sintetizados pela Delegacia de Julgamento DRJ/FOR, nos seguintes termos: “ os Certificados Kimberley 25, 26, 29 e 39 foram expedidos mediante processos administrativos regulares, quando foram exigidas diversas formalidades da empresa titular (processos DNPM 930.032/2004, CPK 25, 930.033/2004, CPK 26; 930.073/2004, CPK 29 e 930.211/2004, CPK 39); a mudança ou extinção do direito da titular, que foi adquirido nos termos de procedimento normativo e segurança jurídica constitucional, só poderá ocorrer face a procedimento administrativo equivalente. Ou seja, os citados processos de certificação só poderiam ser discutidos por igual procedimento administrativo hierarquicamente competentes, de modo Fl. 3523DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 autônomo em cada um deles, contemplando a ampla defesa e contraditório que foram ceifados do administrado; O Relatório que embasa o Auto de Infração e do qual só agora a empresa tomou conhecimento, como o próprio nome diz, é uma anotação, mera ação de relatar fatos e violou a legalidade — art. 37 da CF/88 — inerente aos atos administrativos, ceifando lhe o contraditório e a ampla defesa — art. 5°, incisos LIV, LV da CF/88 — negandolhe procedimento administrativo ou judicial válido e competente, culminando em ato viciado; ao fardo de que ninguém poderá ser condenado sem ser ouvido, os efeitos do Relatório GT Auditoria Especial consubstanciamse em nulos perante a titular; coerentemente, não pode a Administração Pública — por meio da Receita Federal do Brasil — mesmo que induzida ao erro — partir de critérios atabalhoados e, de inopino, sob a evasiva elaboração de Relatório GT Auditoria Especial — desconstituir legalidade de um processo dantes concedido debaixo de cláusula due process of law em sua especificidade procedural due process, desrespeitando a segurança jurídica; o Auto de Infração vergastado embasouse em ato sem autoridade devidamente constituída, uma vez que na ordem administrativa e hierárquica do DNPM, inexiste competência declinada aos Coordenadores Gerais do GT ou sua equipe operacional para exarar atos; a Portaria MME 5/95 é taxativa sobre a competência e legitimidade de atos administrativos que competem ao Diretor Geral do DNPM, assim como ao Secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, do Ministério da Minas e Energia; aquelas autoridades competentes exararam o documento denominado Análise do Relatório da Auditoria Especial, entretanto referida análise não consta neste processo, levando a concluir que o instrumento em que se baseou o auto de infração está incompleto e, portanto, viciado a impugnante trouxe aos autos o documento em questão, que se encontra acostado nas fls. 229/237 – vol. 2 (doc. 10); o documento denominado Análise é parte legítima integrante do Relatório GT Auditoria Especial pois é a parte dispositiva com autoridade legalmente constituída, pois somente este possui elementos administrativos legítimos a surtir efeitos, uma vez que a competência administrativa é definida pela Portaria MME 5/95, e não por detentores de cargos em sindicância para relatar uma Auditoria; a Análise cingese na apuração das medidas, métodos, meios, qualidade e análise dos relatos e provas erigidas pela sindicância na elaboração do Relatório – parte dispositiva de um provimento jurídico, administrativo ou judicial – com menção pormenorizada sobre os processos de titularidade mineral n° 860.122/2003 e 860.123/2003 em trâmite no 6° Distrito do DNPM em Goiás, contudo nenhuma menção foi feita sobre os processos administrativos vinculados n° 930.032/2004, Fl. 3524DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10611.000313/200970 Acórdão n.º 3402002.023 S3C4T2 Fl. 1.763 5 CPK 25; 930.033/2004, CPK 26; 930.073/2004, CPK 29 e 930.211/2004, CPK 39, ou seja, o comando legítimo exarado pelos competentes administradores trata dos títulos minerários e não dos processos de Certificação Kimberley; a conclusão exarada com competência cabível foi adotar as medidas administrativas necessárias à invalidação dos títulos minerários. Nada mais; a base documento 1, fls. 31 é um trecho de instrumento incompleto e ilegítimo para interpretações, cujo uso desvia sua finalidade e vicia o procedimento, causando a nulidade do respectivo auto de infração; No item III) DAS PROPOSIÇÕES — Fls. 196 da Análise – as autoridades competentes prescrevem: Concluídas as análises relativas às repercussões penais, administrativas e civis concordase que uma vez apuradas o conjunto das fraudes no âmbito dos processos administrativos de certificação do Processo de Kimberley, se faz necessária a remessa de cópia integral do relatório à Secretaria da Receita Federal, com fins de aplicação da penalidade prevista no art. 10 da Lei 10.743/2003 de 9 de outubro de 2003. O Oficio destinado à Receita Federal deverá destacar os indícios constatados no exercício do comércio pelas pessoas jurídicas: Sul Oeste Mineração Lida; Mineração Serra Grande S/A; Morgan Mineração Ind. E Com. Lida; ltaford Ind. E Com. De Minerais Lida; Mineradora Seio Francisco Lida; Minas Diamante Lida; Mineração São Judas Lida e R&V Mineração Lida"; Inexiste o nome de GAR Mineração Com. Imp. e Exp. Lida na referida ordem W.; desde 2004 a GAR Mineração representa a sociedade civil nas Reuniões Plenárias do Comitê Internacional do Kimberley Process. Em 2005 foi classificada em primeiro lugar na exportação de diamantes legais, com expedição regular do CPK brasileiro, segundo dados oficiais do DNPM. — Anuário Mineral 2005 (Doc. 11); o empenho de suas declarações regulares elevou, de modo significativo, a arrecadação do Valor de Arrecadação Fiscal dos municípios produtores (Doc. 16) intensificando sua seriedade perante os órgãos do CPK Internacional, observadores internacionais Partnership Africa Canada e demais integrantes do Scheme Certification Kimberley Process; liderando e representando a sociedade civil, bem como a indústria na composição do Comitê Internacional do CPK, em 2006 a GAR Mineração aliouse às autoridades brasileiras empenhandose na realização da reunido de monitoramento pela Comitiva Internacional do CPK, no intuito de defender o Certificado de Kimberley Brasileiro, afastando sua cassação pelo Comitê Internacional, resultando, por decisão soberana brasileira, em 8 (oito) meses de suspensão do CPK, até a reavaliação completa do sistema. Fl. 3525DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 pelo reconhecimento de liderança internacional sobre o assunto e integração nos Grupos de Trabalho Internacional criado pelo Comitê Internacional, em 26 de abril de 2006 2 (dois) meses após a denominada Operação Carbono a GAR Mineração recepcionou a Comitiva Internacional do Kimberley Process no Brasil, com apoio do Sindiextra12, IBGM13 14, cuja operação objetivava a monitoração do sistema de emissão do FIEMG CPK. (Doc. 14); o histórico da contribuinte não coaduna com a tipificação a ela imposta por meio deste processo, que lança préjulgamentos contrários à conduta elencada pela própria Receita Federal, descritas em seu Mapa Estratégico, compondo subjetividades, pontos de vistas pessoais e discricionariedades vedados pela Legislação Federal, mister se baseando em ´Relatório incompleto cujos efeitos são nulos e sem a competente análise dos superiores; ao serem induzidos ao erro por interpretar e embasar o Auto de Infração na página 31 do relatório, documento 1, à despeito e revelia do documento de Análise, o qual realmente contém a legitimidade das autoridades competentes, os Ilustres Auditores incorreram na supressão de instância administrativa desviando a finalidade do ato, viciando o mesmo, por falta de pressuposto legal hierárquico necessário a validade dos atos administrativos fiscais ou tributários; no Relatório GT Auditoria Especial inexiste conclusão, definição pertinente e clara sobre a irregularidade dos respectivos CPK's, tratandose, portanto, de um relato, narrativa, descrição, completamente infundado o que nos obriga, especificamente, a impugnar a palavra cristalina; aquele documento trouxe prejuízo indiscutível à empresa, atingindo seus bens, condenandoa sem ser ouvida e sem a instauração do competente processo, seja administrativo ou judicial e será oportunamente, alvo de providencias judiciais e administrativas cabíveis face à Lei 9.798/99 [sic] e Lei n.° 8.429/92 – Improbidade Administrativa; o principio da verdade material trata da busca da verdade não restringindo a Administração apenas à sua versão, mas devendo produzir provas lícitas necessárias para seu convencimento, viabilizado pelo chamado direito constitucional de petição; o procedimento sistemático de comprovação de pressupostos que garantem o licenciamento ao titular da pesquisa mineral, não pode ser suprimido por ato irregular e aleatório sob o enfoque arbitrário, haja vista que a verdade material e o direito de petição coroam a democracia, garantindo a segurança do cidadão em ser ouvido, apresentar provas, acompanhar os atos, participar e interferir na decisão antes de lhe afetar algum direito; a conduta assumida pelo DNPM elaborando o mencionado Relatório GT Auditoria Especial, enviandoo à Receita Federal sem cientificar a contribuinte, suprimiu um dos mais importantes Princípios do Direito Administrativo preconizado pela Fl. 3526DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10611.000313/200970 Acórdão n.º 3402002.023 S3C4T2 Fl. 1.764 7 Constituição da Republica do Brasil: A Publicidade, art. 37 da CF/88; a caracterização de abandono ESPECIFICAMENTE, é ato que precede a declaração de caducidade da autorização de pesquisa, cuja notificação não ocorreu e é imprescindível nos termos do art. 68 do Código de Mineração. (Doc. 9) [Se refere ao trecho do Relatório GT Auditoria Especial onde se afirma que: A empresa, nas guias devolvidas informou ter produzido no período 1264,32 ct, avaliados em R$ 8.470.261,50, ou seja, teria produzido diamantes avaliados em quase R$ 6.700,00/ct e mesmo assim abandonou a área (fl. 41 — vol 01)]; a simples alegação de abandono sem a devida motivação, inquina todo o procedimento, pois exige a participação dos administrados para que todos sejam conhecedores dos motivos dos atos administrativos visando controlar a adequação necessária entre seus motivos e sua finalidade; por determinação legal, não pode a autoridade administrativa decidir laconicamente, sem a indicação precisa dos fundamentos e das razões de fato e de direito da posição assumida, muito menos embasar procedimentos administrativos perante a Receita Federal, como no presente caso. Quanto ao mérito, a impugnante argúi que: é titular de Alvarás de Pesquisa referentes às áreas DNPM 860.122/2003 e 860.123/2003, ambas no município de Doverlandia GO, com expedição de Guia de Utilização documento recepcionado pela exegese jurídica cumprindo várias exigências legais e fases processuais administrativas, conforme o laudo de vistoria e despacho administrativo (Doc. 5 e 6) logrando em ato jurídico administrativo vinculado; ao ser concedida a guia de utilização pelo 6° Distrito do DNPM/GO, mediante elaboração de relatório nos termos exatos da legislação administrativa pertinente (Docs. 5 e 6), inclusive com as Licenças Ambientais válidas, consubstanciase na regularidade legal da extração daqueles minerais, alcançada por ato jurídico administrativo vinculado e perfeito; como conseqüência da extração regular, originouse 4 processos administrativos vinculados para expedição do Certificado do Processo Kimberley os quais foram procedidos e deferidos nos termos legais, devido ao cumprimento expresso da legislação administrativa Leis 10.743/2003 e Portarias DNPM; em 27/02/2004 foi lavrado um relatório de fiscalização pelo Sr. Marcos Antônio Rodrigues Zenha, Geólogo do 6° Distrito do DNPM, COMPROVANDO A EXISTÊNCIA DE ATIVIDADE nas áreas em questão, corroborando a existência inquestionável de maquinários e equipamentos utilizados na extração, funcionários e existência de quilatagem descrita naquele próprio laudo, afastando qualquer suposição, inferência ou interpretação de que inexistiu produção naquele local (Doc. 5). Fl. 3527DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 No item 4.2 da sua impugnação o interessado trata de um relatório da equipe de fiscalização do 6° Distrito do DNPM/GO, fruto de uma vistoria “in loco” realizada em 09/10/03 que culminou na emissão de guias de utilização, e o conclui assim: Além de estar comprovada a existência, extração e lavra de minerais regulares nas respectivas áreas, comprovase, também, que estas nunca foram abandonadas pelo que demonstra o cumprimento do Oficio 475/Fiscalização /2004/6° DS/DNPM (Doc. 8), devolvendo documentos e comunicando a interrupção dos serviços e requerendo instruções sobre providências a serem tomadas para a perfeita regularização do processo em questão, o que, de fato, nunca foi respondido à empresa, pelo 6º DS/DNPM, além do que registra o próprio Cadastro Mineiro do DNPM (Doc. 9). Concluise, portanto, que o Relatório GT Auditoria Especial não vislumbrou as assertivas desta aludida vistoria, a qual comprova farta atividade na área, bem como a permanente titularidade da empresa, afastando completamente a subjetiva alegação de abandono, limitandose a dizer, de maneira empírica, que não havia vestígios de atividades 2 (dois) anos após extração mineral. Em continuidade, o impugnante rebate, trecho a trecho, as considerações da auditoria especial, constante da fl. 41 deste processo, destacandose suas afirmações abaixo transcritas: A simples alegação de que as áreas foram vistoriadas, sem quaisquer provas do alegado, não coaduna com o Relatório GT Auditoria Especial, pois, caso estivesse a equipe técnica na área, certificarseiam de que tratase de poligonais DENTRO DO LEITO DO RIO DO PEIXE e que a procura dos vestígios de extração recente, não seria mais recente, (!) pelo desenvolvimento natural do leito do Rio, passados 2 (dois) anos de fluxo de águas pesadas, escuras, fortes e continuas, CONFORME APROVADO PELO PRÓPRIO DNPM face aos documentos anexos ns.° 5 e 6. [...] E irrazoável e desproporcional à Administração Pública divagar sobre vestígios de mineração dentro de um leito de rio, passados mais de 2 (dois) anos de atividade que ela mesma autorizou, bem como discorrer suposições sobre valores e quantidade de minerais, cujos dados são de competência de experts ou peritos a serem designados para este fim. É inconcebível que o próprio órgão, receptor do Plano de Lavra para Guia de Utilização onde consta o leito do Rio como ponto de lavra, pretenda, 2 (dois) anos depois, aferir vestígios, negandolhe, as escuras, o devido processo legal. [...] A Lei 9.784/99 não permite suposições sobre ato jurídico perfeito alcançado por processo administrativo vinculado. O agente só pode agir conforme prescrito em lei, conforme garantias constitucionais consubstanciados por meio dos Fl. 3528DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10611.000313/200970 Acórdão n.º 3402002.023 S3C4T2 Fl. 1.765 9 Princípios do Direito Administrativo e exegese da Lei que regulamento o processo administrativo na esfera Federal, a qual impede sua interpretação subjetiva própria, ou avaliações sobre ponto de vista pessoal. Além de negar todos os preceitos a um ato jurídico administrativo válido, e aos princípios do Direito Administrativo, o Relatório Auditoria Especial induz V. Sas. ao erro. É ardil, astucioso e PARCIAL, uma vez que AGENTES DO DNPM concordaram com o Projeto de Lavra expedindo as Guias de Utilização respectivas; efetuaram as vistorias exigidas pelo procedimento, e participaram de todos os procedimentos administrativos, IMPRESCINDÍVEIS PARA EXPEDIREM OS CERTIFICADOS EM QUESTÃO. Caso houvesse alguma irregularidade na conduta da titular as GUIAS DE UTILIZAÇÃO deveriam ter sido feitas exigências nos termos dos arts. 21, §2º; 41, §2° do Código de Mineração e item 16.7 da Instrução Normativa DNPM n.° 1/83, cuja transgressão infringe norma especifica do procedimento administrativo minerário. Em sua defesa, o interessado ainda acrescenta que: é possível que o Relatório em discussão tenha induzido os respeitáveis auditores da Receita Federal em erro, pois os signatários do AI interpretaram, sem nível de certeza e provas a questionabilidade de condutas e “sempre supostas” culpabilidade dos fatos; o texto utilizado no relatório é sempre hipotético. Não foram exaradas definições de forma contundente, pela irregularidade dos processos administrativos ns.° 930.032/2004, CPK 25; 930.033/2004, CPK 26; 930.073/2004, CPK 29 e 930.211/2004, CPK 39; ao proferir as “Recomendações Finais” enviandose Oficio destinado Receita Federal — EXCLUINDOSE a GAR Mineração, a equipe do “Relatório GT Auditoria Especial” fatalmente considerou as falhas no levantamento das informações, procedimentos viciados e insuficiência de provas para concluir à margem da lei administrativa, omitindo sua indicação à penalidade, sob pena de constituir uma injustiça, como a que agora é indevidamente alvo de discussão e defesa; o “silêncio” quanto ao nome da contribuinte; sua supressão, sua omissão, há de ser interpretada sem a incidência da vontade do agente. A omissão do poder público NÃO PODE SER desconsiderada, pois também a supressão é resultado da falta de provas; o Relatório GT Auditoria Especial Certificação do Processo Kimberley não foi submetido ao processo administrativo regular. Fl. 3529DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 10 Portanto, é impossível que existam quaisquer formas de provas admitidas em direito, sobre a tipificação empregada; possivelmente induzido ao erro pelo Relatório GT Auditoria Especial aduz o Ilmo. Auditor Fiscal que tais certificados foram emitidos irregularmente. Entretanto, a tipificação da lei 10.743/03 é diversa, pois sua redação é codificada, inadmitindo interpretações e não se fundamentou ou motivou o artifício tipificado em lei, praticado pela contribuinte; inexiste a razão, condução de fatos, motivação e o respectivo fundamento competente para a tipificação do termo jurídico ´ARTIFÍCIO´ a que tenha, hipoteticamente e supostamente, cometido a contribuinte; são empíricos os argumentos em que se baseia o Auto de Infração deste processo, frente A norma legal especifica, prescindindo completamente sequer de indícios, tão pouco, provas que inferem conduta irregular da contribuinte. Confirase no documento ´Relatório GT Auditoria Especial´: (...) (i) é improvável; quase impossível; (iii) supostamente; (iv) podendo; (v) no entender deste técnico; respeitosamente, não se coaduna com a normatividade e a segurança jurídica constitucional, a transformação de meras suposições em IRREGULARES e, posteriormente, levar a crer que seja um ARTIFÍCIO. Afinal, qual foi a conduta que definiu o (termo legal) artifício(?). Por fim, a empresa requer que ´lhe seja concedida a produção de toda forma de prova em direito admitida inclusive com a oitiva de testemunhas a serem arroladas no momento em que se fizer oportunamente necessárias" e, ainda, que: (i) seja julgado insubsistente e nulo o processo 1061100313/200970; (ii) sejam declaradas NULAS as sanções advindas deste, especialmente o Auto de Infração lavrado, bem como o processo administrativo de arrolamento de bens pessoa jurídica n.° 10611.00314/200914; (iii) a juntada posterior de documentos em geral; (iv) seja a titular intimada em sua sede de todas as movimentações e decisões relativas ao presente procedimento, ou de autos que decorram deste; (v) seja propiciada oportunidade para demais esclarecimentos que por ventura sejam necessários, bem como o direito de petição; DA DILIGÊNCIA REALIZADA NO PROCESSO O processo foi a julgamento, tendo sido distribuído à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza/CE, que, através do Despacho nº. 1.594, de 08/06/2009, houve Fl. 3530DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10611.000313/200970 Acórdão n.º 3402002.023 S3C4T2 Fl. 1.766 11 por bem em converter o mesmo em diligência para a apuração de alguns fatos, considerandose substancialmente os argumentos do contribuinte na impugnação. Segundo o despacho acima citado, “tendo em vista a alegação da impugnante de que O Relatório GT Auditoria Especial – Certificado do processo Kimberley não foi submetido ao processo administrativo regular”, seria necessário, para adentrar no mérito da controvérsia, o retorno dos autos à origem para a adoção de providências como: Anexar aos autos dos documentos por meio dos quais o Ministério Público Federal comunicou os fatos relacionados à lide, à Receita Federal do Brasil; Determinando ainda que fosse realizada diligência junto ao Departamento Nacional de Produção Mineral para: obter informações sobre a instauração e o desfecho do(s) processo(s) administrativo(s) que apurou(ram) as irregularidades apontadas pelo grupo de auditoria especial, relacionados aos processos de titularidade mineral n°s. 860.122/2003 e 860.123/2003 e os processos administrativos vinculados n°s. 930.032/2004, CPK 25; 930.033/2004, CPK 26; 930.073/2004, CPK 29 e 930.211/2004, CPK 39, e; anexar cópia das principais peças daquele(s) processo(s) do DNPM de apuração de irregularidades, notadamente o relatório conclusivo e o despacho decisório, de modo que seja esclarecido objetivamente se os Certificados Kimberley n° 25, 26, 29 e 39 foram invalidados ou se o(s) Procedimento(s) administrativo(s) levado(s) à cabo no âmbito daquela autarquia foi (foram) conclusivo(s) no sentido de ter havido a prática de artifício para a obtenção desses certificados por parte da empresa Gar Mineração Comércio Importação e Exportação Ltda. A realização da diligência por sua vez, anexou os documentos relativos aos processos mencionados pela Delegacia Julgadora, informando ainda que: Não obtivera, do Departamento Nacional de Produção Mineral, o devido retorno quanto ao ofício nº. 123/0/2010/IRF/RFBBHE/Gabin/Sefia; O contribuinte interessado protocolizou, junto ao Serviço de Fiscalização Aduaneira requerimento no qual expressa seu prejuízo com o arrolamento dos bens controlados pelo processo 10611.000314/200914, por conta da morosidade do DNPM em responder aos ofícios que a ela são endereçados, requerendo a remessa urgente do processo para julgamento; Que foi procedida a juntada dos documentos solicitados no Despacho nº. 1.594, de 08/06/2009 que determinou a diligência, inclusive dos ofícios nº. 219/2006 NIP/SR/DPF/MG (através do qual a Polícia Federal encaminha à Superintendência da Receita Federal os documentos relativos á operação carbono); nº. 2226/4v/06 (no qual a Justiça Federal de MG solicita à RFB o resultado conclusivo da análise efetuada pela Polícia Federal na mencionada operação); e o Memorando nº. DRF/BHE/Sefis Nº. 338 (no qual o chefe do serviço de fiscalização da DRF/BHE passa à IRF/BHE o relatório de Auditoria Especial efetuado pelo DNPM e demais expedientes, solicitando a aplicação da multa prevista no art. 10 da Lei 10.743/2003). Manifestandose sobre a diligência, o contribuinte, em apertada síntese assim se pronunciou: Fl. 3531DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 12 Que a omissão do DNPM ficou constatada e que a mesma resulta no adiamento injustificado do processo, prejudicando eventuais provas porventura necessárias, asseverando os prejuízos que vem sofrendo com as acusações contra ela imputadas; Que o arrolamento de seus bens, efetuado em razão do processo, lhe causa inúmeros prejuízos e danos financeiros irreparáveis, inobstante a extrema ilicitude e ilegalidade do Relatório sobre o qual se funda; Que os processos administrativos de concessão de direitos minerários foram datados de 09 (nove) meses antes da entrada em vigor da Lei 10.743/2003 (que embasa a autuação combatida); Que “Inobstante isso, NÃO HOUVE PENALIDADE exarado de modo legitimo, emanada por autoridade competente (Diretor Geral do DNPM e Subsecretário de Geologia e Mineração) que originasse a abertura de qualquer procedimento em nome da empresa, a ser encaminhada à DRF, quiçá, penalizando a administrada, como amplamente demonstrado no instrumento de defesa apresentado tempestivamente.” Que o nome da contribuinte não consta do rol de denúncias oferecidas pelo Ministério Público Federal, nem está entre os denunciados no Despacho de recebimento de Denúncia proferido pela Justiça Federal de Belo Horizonte; Se o próprio MPF excluiu o nome da empresa da referida operação mencionada pela SEFIA, é contraditório e ilegítimo que a RFB sustente o AI combatido atendose aos mesmos documentos; Que, no mesmo sentido, os certificados relativos aos números elencados neste auto de infração, não constam no sumário da denúncia do MPF; Reiterando, ao fim, todos os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade já resumidos aqui e mencionando que a autuação em comento não poderia embasarse em documento “ilegítimo” e “ilícito”. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Com o Retorno dos Autos à DRJ/FOR/CE, conforme documento de fls. 1661 (numeração eletrônica), a 2ª Turma desta citada Delegacia de Julgamento, houve por bem em considerar procedente, em parte, a Manifestação de Inconformidade apresentada, proferido Acórdão nº. 0821.323, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/02/2004, 22/04/2004, 15/07/2004 NULIDADE POR VÍCIO FORMAL. OCORRÊNCIA A falta de demonstração da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, por meio da averiguação e análise dos fatos levada a efeito em procedimento fiscal próprio desenvolvido no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aliada a ausência nos autos de elementos de prova suficientes para a comprovação do ilícito apontado, constitui vicio formal que impele a decretação da nulidade do lançamento. Fl. 3532DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10611.000313/200970 Acórdão n.º 3402002.023 S3C4T2 Fl. 1.767 13 Crédito Tributário Exonerado No voto condutor do julgamento acima, observase que o rumo dado aos autos levou em consideração o fato de que não houve uma ação coordenada entre os órgãos competentes para a comprovação de que o sujeito passivo autuado, tivesse, de fato, incidido no enquadramento do inciso II, do artigo 10 da Lei 10.743/2003, nem que, a legislação de regência tivesse definido de forma apropriada quais os procedimentos a serem adotados pelos órgãos que, em conjunto, deveriam adotar para a efetiva aplicação da penalidade prevista na Lei. Entendeu a DRJ/FOR que o “Relatório GT Auditoria Especial – Certificação dos Processo Kimberley”, no qual consubstanciouse o auto de infração, possuía apenas natureza preambular, denotando a necessidade de aprofundamento de fiscalizações, por parte da SRFB com vistas à averiguação dos fatos, o que não ocorreu. A Delegacia julgadora considerou ainda, o silêncio do Departamento Nacional de Produção Mineral quanto à diligência solicitada, demonstrando assim que não restou comprovada a responsabilidade da empresa autuada na prática das irregularidades apontadas, decorrendo tal procedimento, na nulidade, por vício formal, do auto de infração. Efetuou declaração de voto o Auditor Fiscal Sr. Ícaro Nonato Lopes Cezar, por compreender que, “embora buscasse tratar de questões preliminares, ao afirmar que não foram encontradas provas suficientes para sustentar o lançamento, o Acórdão proferido inevitavelmente abordou questões de mérito”, motivo pelo qual votou pela “improcedência do lançamento”. Houve ainda Recurso de Ofício, por conta da alçada prevista na Portaria Ministerial da Fazenda nº. 3/2008. DO OFÍCIO DO DEPARTAMENTO NACIONAL DE PRODUÇÃO MINERAL Às fls. 1701, foi anexado aos autos o Ofício nº. 051/DIFIS2011, emitido pelo DNPM, em atenção, segundo consta, ao Ofício nº. 1.230/2010/IRFBHE/Gabin/Sefia, no qual o referido órgão informa que: Em função das ações decorrentes do “Relatório GT Auditoria Especial – Certificação dos Processo Kimberley”, fora efetuada a baixa de alvarás de pesquisa concedidos aos processos minerários 860.122/2003 e 860.123/2003. (anexou cópia referente às decisões nestes dois processos); Com relação aos certificados emitidos elencados no ofício nº. 1.230/2010/IRFBHE/Gabin/Sefia, ainda que referentes a extração ilegal de diamantes, os Certificados Kimberley permanecem válidos em razão dos efeitos produzidos por tais atos administrativos terem ultrapassado a ordem jurídica interna; Particularmente, com relação à Gar Mineração Comércio Importação e Exportação Ltda, possuía a mesma condições legais para extração mineral por meio dos Alvarás de Pesquisa 1673 – Processo 860.122/2006 e Alvará de Pesquisa 1674 – Processo 860.123/2003; Fl. 3533DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 14 Por fim, que “quanto aos procedimentos administrativos levados a cabo ao alcance desta autarquia, os mesmos não permitiram que a autarquia, de forma conclusiva, identificasse a prática de artifício para a obtenção do Certificado do Processo Kimberley por parte da GAR Mineração Comércio Importação e Exportação Ltda.” DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado da Decisão da DRJ/FOR por meio de AR em 03/08/2011 (Fls. 1727 – numeração eletrônica), o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 01/09/2011, requerendo, sinteticamente, a conversão do julgamento para a “improcedência do lançamento” em razão, segundo divergência contida no voto, do enfrentamento de mérito da matéria, bem como, pronunciase quanto ao Ofício nº. 051/DIFIS2011, destacando que, ao observarse o teor das articulações lá contidas, verificase que “está definitivamente encerrada” qualquer dúvida quanto à inexistência do “artifício” motivador do lançamento. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em cinco volumes, numerado até a folha 1760 (mil, setecentos e sessenta), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 3534DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10611.000313/200970 Acórdão n.º 3402002.023 S3C4T2 Fl. 1.768 15 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, atendendo os pressupostos de admissibilidade, devendose dele, portando, tomar conhecimento. Há igualmente Recurso de Ofício, sendo que, por atender às exigência relativas à alçada, igualmente deve ser conhecido. Verificase que a contenda instalada e da qual é objeto este processo administrativo fiscal, diz respeito a aplicação de penalidade relativa a multa isolada, prevista no inciso II, do art. 10, da Lei nº 10.743/2003, aplicada pela Autoridade Tributária a partir do recebimento de “Relatório GT Auditoria Especial – Certificação dos Processo Kimberley”, confeccionado internamente pelo DNPM, a partir da “Operação Carbono”, instaurada pela Polícia Federal e Ministério Público Federal, a fim de investigar a extração e subsequente exportação de diamantes brutos, com o uso de Certificados Kimberley obtidos de forma irregular. A acusação fiscal, em apertada síntese, centrouse na suposta utilização de certificados Kimberley obtidos mediante falsas informações, os quais teriam sido utilizados para acobertar a exportação de diamantes, sendo que teriam sido constatadas supostas irregularidades nos certificados Kimberley de nº. 25, 26, 29 e 39, concedidos após haver a concessão de lavra objeto dos processos minerários 860.122/2003 e 860.123/2003, o que teria permitido a circulação de diamantes sem procedência, e, consequentemente, poderiam indicar o fato de que fossem os mesmos “diamantes de sangue”, e, assim, estaria justificada a aplicação da penalidade. Por sua vez, o contribuinte sustenta, também em apertada síntese, que a operação deflagrada pelo citado grupo de trabalho interno do DNPM, a partir dos indícios contidos na denúncia e da investigação deflagrada pela Polícia Federal, não foram conclusivas quanto à existência de vícios e que não resultaram na emissão de Ato Administrativo que culminassem na efetiva revogação ou anulação das concessões contidas nos processos minerários citados, e que, mesmo que resultasse, deveria ter sido prolatada sob o pálio do devido processo legal e da ampla defesa, o que em momento algum restara oportunizado ao sujeito passivo titular da licença administrativa. Afirma que os processos administrativos minerários que culminaram na concessão dos direitos de exploração minerária seguiram todos os rígidos procedimentos e demais fases do processo respectivo, dentro do DNPM, e que após ser regularmente exarado o Ato Administrativo, foram igualmente obtidas, também dentro do devido processo legal, os Certificados Kimberley em referência, sem que jamais tenham sido questionados ou apresentadas provas que pudessem demonstrar que haveriam as supostas irregularidades que poderiam vir a deflagrar um processo de revogação, cassação ou anulação dos referidos Certificados. Quando a acusação de que abandonara área de exploração que lhe fora concedida (o que denotaria falta de exploração efetiva da jazida), afirma que a acusação baseiase em vistoria efetivada cerca de 2 anos após os fatos, e sustentase em meros indícios visuais a partir do “leito do rio do Peixe”, sem qualquer elemento pericial técnico que pudesse atestar esse Fl. 3535DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 16 referido abandono, o qual, de todo modo, nega veementemente, inclusive trazendo prova documental refutando referidos indícios. A DRJ, por seu turno, após ter submetido o processo a diligência, a qual produziu novos elementos para o arcabouço probatório dos autos, acabou por admitir não terem sido carreadas provas suficientes para que restassem comprovadas as irregularidades na obtenção dos certificados Kimberley, e que, portanto, o lançamento estaria inquinado de nulidade por vício formal, pelo que exonerou a multa aplicada, o que acabou motivando o Recurso de Ofício. Por sua vez, o contribuinte, mesmo tendo exonerada a exigência que lhe fora imputada, maneja recurso voluntário para que seja reconhecido que o mérito da contenda foi efetivamente enfrentado na decisão e, consequentemente, o lançamento tributário é improcedente e não meramente nulo quando à forma. Centralizados os principais pontos em controvérsia, passo ao enfrentamento dos fundamentos que conduziram ao julgamento ora revisado de ofício, para em seguida, tratar do objeto do recurso voluntário. Tenho que no caso concreto, verificase que a aplicação da penalidade está lastreada em um “Relatório GT Auditoria Especial”, que por sua vez, na parte que diz respeito às “proposições”, é textual em afirmar o seguinte: "No item III) DAS PROPOSIÇÕES — Fls. 196 da ¨Análise´ – as autoridades competentes prescrevem: Concluídas as análises relativas às repercussões penais, administrativas e civis concordase que uma vez apuradas o conjunto das fraudes no âmbito dos processos administrativos de certificação do Processo de Kimberley, se faz necessária a remessa de cópia integral do relatório à Secretaria da Receita Federal, com fins de aplicação da penalidade prevista no art. 10 da Lei 10.743/2003 de 9 de outubro de 2003. O Oficio destinado à Receita Federal deverá destacar os indícios constatados no exercício do comércio pelas pessoas jurídicas: Sul Oeste Mineração Lida; Mineração Serra Grande S/A; Morgan Mineração Ind. E Com. Lida; ltaford Ind. E Com. De Minerais Lida; Mineradora Seio Francisco Lida; Minas Diamante Lida; Mineração São Judas Lida e R&V Mineração Lida"; Inexiste o nome de GAR Mineração Com. Imp. e Exp. Ltda na referida ordem W."; (grifamos) Ora, referido “Relatório Especial”, por si só, não foi conclusivo e não trouxe elementos de prova contundentes e convergentes no sentido de se poder afirmar, categoricamente, que os certificados Kimberley tivessem sido emitidos de modo irregular. Referido “Relatório GT Auditoria Especial”, ao que tudo assinala, fora enviado pelo Ministério Púbico Federal para a Secretaria da Receita Federal contendo indícios, a partir dos quais se deveriam aprofundar substancialmente as fiscalizações, no sentido de coletar as provas que pudessem confirmar ou não a ocorrência dos fatos que pudessem amparar a imposição da multa referida no art. 10, II, da Lei nº 10.743/2003. Referida penalidade cuja conduta é descrita no inciso II, do art. 10, citado, exige que tenha havido um ardil na obtenção irregular da Certificação Kimberley, o que, evidentemente, exige que haja a descrição das condutas correspondentes, amparadas em provas que pudessem corroborálas. Nada disso constou do Relatório GT Auditoria Especial. Fl. 3536DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10611.000313/200970 Acórdão n.º 3402002.023 S3C4T2 Fl. 1.769 17 O que se alega é que parte da área objeto de concessão teria sido abandonada, a partir de uma vistoria realizada 02 anos posteriormente às extrações alegadas, e, pelos indícios, tudo levava a crer que não teria havido extração naquele leito de rio. No entanto, além de ter o sujeito passivo trazido prova documental corroborando a existência da extração na referida área, a acusação era apenas indiciária e calcada em presunção. Além disso, culminaria na cassação da concessão da licença para exploração, com efeitos prospectivos exnunc, e não retroativos. Não afetaria diretamente os Certificados Kimberley, que prescindiriam de processos especiais para serem revogados, cassados ou anulados, conforme o caso e natureza do vício detectado. Colhese da decisão da DRJ/FOR, nas partes que sintetizam as razões que levaramna a concluir pela exoneração do crédito tributário, os seguintes excertos: Da auditoria especial levada a efeito no âmbito do Ministeŕio das Minas e Energia Em 15/02/06, cinco dias após a deflagração da Operação Carbono, foi publicada no Diário Oficial da Unido (DOU) a Portaria Conjunta n° 25, de 14/02/06, do Secretário de Geologia, Mineração e Transformaçã̃o Mineral (SGM), e do DiretorGeral do DNPM por meio da qual foi constituído o Grupo de Trabalho para realizar auditoria especial, objetivando aferir a regularidade dos procedimentos desenvolvidos pelo DNPM para a emissão de Certificados de Kimberley, nos autos administrativos relativos à pesquisa, extração e exportação de diamantes brutos (art. 1°). Nos termos daquela portaria o grupo de trabalho composto por servidores do DNPM e do Ministério de Minas e Energia MME deveria, durante a realização dos trabalhos, propor as autoridades competentes a pratica de atos que se apresentassem necessários e para os quais não possuíssem competência legal (art. 3°) e, no prazo de 30 dias da data de publicação da norma, apresentar relatório e sugerir procedimentos visando o aperfeiçoamento do Sistema do Processo Kimberley do Brasil (art. 4°): O prazo para conclusão dos objetivos previstos naquela portaria foi prorrogado em duas ocasiões, inicialmente por mais 15 dias pela Portaria Conjunta SGM/DNPM n°65, de 16/03/06 (DOU 17/03/06), e depois por mais outros 15 dias, contados a partir do dia 02/04/06, por meio da Portaria Conjunta SGM/DNPM n° 81, de 03/04/06 (DOU 05/04/06). Em 17/04/06, cerca de dois meses após a sua constituição, o grupo de trabalho emitiu o Relatório GT AUDITORIA ESPECIAL — CERTIFICAÇÃO DO PROCESSO KIMBERLEY — BRASIL, documento que instruiu o auto de infração em tela e que se encontra anexado nas fls. 11/60 deste processo administrativo. Referido relatório, em linhas gerais, apresentou o resultado da auditoria realizada em todos os Certificados de Processo Kimberley (CPK) emitidos pelo DNPM desde o de n° 001, emitido em 05/11/03 até o de n° 184, este suspenso em fevereiro Fl. 3537DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 18 de 2006. Sendo que dentre o total, 150 instruíram exportações e 34 foram objeto de cancelamento. O trecho do relatório que mais diretamente interessa para a análise do caso concreto é o item V intitulado Análise dos processos de Certificação do Processo de Kimberley que culminaram na emissão de certificados, e dentro deste, mais especificamente, o subitem 2—Certificados de diamantes de origem irregular. Dentro daquele subitem, estão enquadrados os CPK n° 25, 26, 29 e 39, objeto deste auto de infração. Quanto estes 4 documentos, que tiveram a origem dos diamantes informada como sendo áreas localizadas no Município de Doverlandia/GO, foi dito que: Da vistoria realizada em fevereiro de 2004 e da análise dos relatórios de vistoria constantes nos processos se observa que é bastante improvável, quase impossível, que os diamantes certificados pelos certificados n 025, 026. 029, e 039 tenham efetivamente sido extraídos nas áreas vistoriadas. (...) (...) No entanto, não há registros neste processo que denotem que as formalidades previstas na portaria acima referida tenham sido seguidas, não há referências a MPF ou Termo de Ínicio de Fiscalização. Com efeito, a descrição dos fatos constante deste auto de infração, que foi emitido em 28/01/09, denota que a sua fundamentação esta completamente lastreada no teor do relatório elaborado pelo Grupo de Trabalho constituído pela Portaria Conjunta SGM/DNPM n° 25, de 14/02/06 e não em verificações efetuadas internamente nesta RFB. Os autuantes formalizaram a multa acatando por completo as conclusões expostas pelos coordenadores gerais do grupo constituído por servidores vinculados ao Ministério das Minas e Energia. Acontece que, sem ignorar a consistência das graves constatações nele contidas, o fato é que o Relatório GT AUDITORIA ESPECIAL — CERTIFICAÇÃO DO PROCESSO KIMBERLEY — BRASIL, concluído após dois meses da constituição do grupo, tinha quando da sua elaboração, um caráter de documento preambular, que demandava aprofundamento de investigações com vistas à averiguação dos fatos ali narrados e apuração de responsabilidades, conforme denotam, exemplificadamente, os seus trechos abaixo transcritos: ´Os diamantes clandestinos supostamente extraídos destas Permissões de Lavra Garimpeira foram adquiridos por empresas que emitiram Notas Fiscais de entrada de mercadorias, onde consta o volume e os preços pelos quais eles foram adquiridos, bem como as notas de venda aos exportadores. Esta cadeia de intermediações esta exposta nas tabelas 2 e 3 e pode ajudar os órgãos competentes a apurar o grau de participação e de. responsabilidades de cada um dos envolvidos. [fl. 38] Fl. 3538DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10611.000313/200970 Acórdão n.º 3402002.023 S3C4T2 Fl. 1.770 19 [...] A apuração completa de todos os responsáveis_por estes atos delituosos foge competência desta auditoria, todavia procurou se através do cruzamento das notas fiscais representativas da compra dos diamantes e sua venda ao exportador, mostrar a cadeia de relações neste negócio, o que deverá contribuir para que órgãos públicos como o Ministério Público Federal e o Departamento de Policia Federal possam melhor elucidar os fatos. [fl. 53] [...] Constatada a utilização dos processos de mineração de autos n° 860.122/2003, 860.123/2003, 833.477/2003, 833.478/2003 e 831.972/2002 supostamente para prática irregulares e ilegais, entende a comissão de auditoria que deverá o DNPM adotar as medidas administrativas necessárias a invalidação dos títulos minerários´. Naquele relatório, os auditores apontaram nomes de titulares de direito minerário, intermediários na venda e exportadores de diamantes que estariam envolvidos em processos minerário conduzidos com alguma espećie de irregularidade, mas não indicaram de forma definitiva os responsáveis e o grau de participação nas ilicitudes verificadas, mesmo porque isso fugia ao escopo de sua competência, estabelecida pela portaria constituidora do grupo, conforme destacado pelos próprios coordenadoresgerais do trabalho. Temse, assim, que o teor daquele documento, por si só, não permite que se conclua se e em que grau a exportadora Gar Mineração Comércio Importação e Exportação teria concorrido para a prática das irregularidades aventadas. (...) Conforme visto, a diligência não logrou êxito em obter resposta daquela autarquia e cerca de dois anos depois da sua solicitação, a unidade retornou o processo para esta DRJ/FOR para prosseguimento sem qualquer manifestação daquele órgão sobre as informações demandadas e sem a anexação de outros documentos que viessem a fazer prova sobre a prática do ilícito. Assim, temse que, pelo que se fez constar neste processo, não restou demonstrado em procedimento levado a efeito no âmbito administrativo a responsabilidade da empresa autuada na prática das irregularidades apontadas pelo grupo de auditoria, não servindo para tal o Relatório GT AUDITORIA ESPECIAL — CERTIFICAÇÃO DO PROCESSO KIMBERLEY — BRASIL, único documento apresentado como base para lavratura deste auto de infração.” (grifamos) Fl. 3539DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 20 O que se constata, no caso em análise, é que a autuação fiscal partiu de indícios da suposta existência de irregularidades nos processos de concessão dos direitos de exploração de lavras, a partir dos quais se ampararam as obtenções dos Certificados Kimberley descritos nos autos, e que ainda deveriam ser submetidos à processo regular de investigação para revogação, cassação ou anulação, no âmbito do próprio DNPM, para após observadas tais formalidades legais, produzir eventualmente efeitos nos atos concessórios dos Certificados Kimberley. Presumindo tais indícios verdades irrefutáveis, lavrou o lançamento, sem aprofundar a fiscalização quanto as demais provas que pudessem corroborar tais assertivas constantes do Relatório GT Auditoria Especial. No entanto, antes de se deflagrar ou mesmo de finalizar tais procedimentos perante àquele órgão especializado e competente para tal, sem se aprofundar nos indícios que lhe foram ofertados para eventual obtenção de outras provas que lhe pudessem corroborar e darlhes substância, consistência, não era possível ter sido validamente lavrado o auto de infração para imposição da penalidade. Assim sendo, emerge que não fora atendido o ônus da prova que compete a Administração no que diz respeito ao crédito tributário proveniente da aplicação da penalidade. Discorrendo sobre o ônus da prova em sede fiscal, PAULO CELSO BERGSTROM BONILHA, em sua obra “Da Prova no Processo Administrativo Tributário” (Ed. LTR, 1992, p. 93), assim explicita: De fato, com a obra de Gian Antonio Micheli, os efeitos processuais da presunção de legitimidade dos atos administrativos foram devidamente equacionados, evidenciando se a imprestabilidade dos argumentos que o invocaram para justificar a exoneração da prova da administração. Eis a lição do grande mestre peninsular: Não pode ser, ao reverso, invocada a presunção de legitimidade inerente ao ato administrativo, de vez que ela não é suficiente para explicar os seus efeitos no âmbito do processo em questão, exatamente porque, nele, o juiz administrativo é posto na condição de formar seu próprio convencimento com a máxima liberdade e, portanto, a precitada presunção não está com força para vincular a formação da decisão judicial, no caso de dúvida’. Como bem salientou o saudoso e ilustre professor que se destacou de forma proeminente na literatura processual e tributária, a presunção de legitimidade do ato administrativo confere à Administração uma ‘relevatio ab onere agendi’ e não uma ‘relevatio ab onere probandi’, isto é, a presumida legitimidade do ato permite à Administração aparelhar e exercitar, diretamente, sua pretensão e de forma executória, mas este atributo não a exime de provar o fundamento e a legitimidade de sua pretensão.” – grifei. Fica claro, em análise aos autos, o fato de que não existe prova cabal dos fatos apontados, o que acaba impondo a necessidade de cancelamento do lançamento tributário, nos termos da jurisprudência dominante neste Conselho: “IRPF Omissão de rendimentos recebidos de RI ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Fl. 3540DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10611.000313/200970 Acórdão n.º 3402002.023 S3C4T2 Fl. 1.771 21 Exercício: 2005, 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. CHEQUES NOMINAIS, PROVA INDICIARIA. Para caracterizar a infração de omissão de rendimentos a prova indiciária deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. Recurso Voluntário Provido, Vistos, relatados e discutidos presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.” (Acórdão 210200.885. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. 2ª. Seção. 2ª Turma da 1ª Câmara. Dt. Jul. 24/09/2010. Dt. Publ. 25.01.2011) “PIS. PRESUNÇÃO. PROVA INDICIÁRIA. A "presunção" consiste nas conseqüências que a lei tira de um fato conhecido para provar um fato oculto. A prova indiciária, admitida pelo Direito, apóiase em um conjunto de indícios veementes, graves, precisos e convergentes, capazes de demonstrar a ocorrência da infração e fundamentar o convencimento do julgador.” (Acórdão 20309180. 2º Conselho de Contribuintes. 3ª Câmara. Dt. 11/09/2003) Nesse sentido temse ainda o acórdão nº 10708.592, de 25.05.2006, unânime, que teve como Relatora a CONSELHEIRA ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA e cuja ementa consigna: “LANÇAMENTO – ILEGITIMIDADE PASSIVA – PROVA INDICIÁRIA. A prova indiciária para referendar a identificação do sujeito passivo deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. Recurso provido.” Merece, portanto, ser negado provimento o recurso de ofício, para manter a exoneração da exigência tributária. Passo a abordagem do Recurso Voluntário, que pleiteia que a reforma da decisão no tocante à motivação da exoneração da multa, passando a ser por vício material, ou seja, pela falta de prova do fato constitutivo do direito do Ente Público ao crédito tributário, por ter sido enfrentado o mérito no referido julgamento, e, consequentemente, que seja julgado improcedente o lançamento. Antes de mais nada, tenho que embora tenha sagradose vencedora quanto ao resultado prático final da decisão recorrida, e, portanto, numa primeira análise lhe poderia faltar interesse processual para manejar o recurso voluntário, tenho que no caso em análise é plenamente cabível se conhecer do recurso, seja porque o julgamento da DRJ/FOR foi de improcedência, em parte, da impugnação apresentada (ou seja, não se julgou procedente a defesa), seja porque o fato de ser cancelado o lançamento tributário, dependendo do fundamento, poderá derivar efeitos para a hipótese de revisão de lançamento, nos termos do art. 149, do CTN, dentre outros. Fl. 3541DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 22 Assim, tenho que merece conhecimento o recurso voluntário, e, no mérito, merece provimento, como passo a abordar. Tenho que a falta de prova do fato constitutivo do direito ao crédito tributário, ou da ocorrência do fato gerador, tem relação direta com o nascimento da própria relação jurídica tributária, e, consequentemente, sua ausência importa em ausência de um de seus elementos essenciais, equivalente a um vício material que inquina o ato de improcedência. Nesse sentido, cumpre revisitar o que disciplina o Decreto nº. 70.235/1972, que regulamenta o Processo Administrativo Tributário no âmbito Federal: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.” (grifamos) Observese que o texto legal é cogente quanto impõe que as provas “devem” instruir o lançamento tributário, de modo que a preterição de uma determinação legal expressa leva à nulidade do ato administrativo. As nulidades em matéria tributária, embora não sejam as únicas fontes de Direito Positivo que as arrolam, vem expressamente listadas no já mencionado Decreto nº 70.235/72, verbis: CAPÍTULO – III DAS NULIDADES Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Portanto, no art. 59 estão arrolados os casos de nulidade material, ou absoluta, que não poderão, segundo permissão do art. 60, ambos do mesmo Decreto nº 70.235/72, serem saneadas pela autoridade julgadora em sede de processo administrativo tributário. Aplicando referido entendimento ao caso em concreto, e considerando que a própria decisão que decretara a nulidade do Auto de Infração, foi textual ao fundamentar que referida nulidade deveuse ante à falta de prova de que o sujeito passivo obteve irregularmente os Certificados Kimberley, não havendo descrição de qualquer conduta que apontasse através de qual procedimento ilícito, ardiloso, ilegal, pudesse o sujeito passivo ter obtido tais certificados, resta claro que tais deficiências do Ato Administrativo de lançamento impossibilitavam o perfeito conhecimento da infração, limitando o exercício do direito de Fl. 3542DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10611.000313/200970 Acórdão n.º 3402002.023 S3C4T2 Fl. 1.772 23 defesa. Deste modo, na essência, a ausência da prova do fato constitutivo do direito ao crédito tributário objeto do lançamento, importa em vício material, e não meramente formal. Portanto, no caso dos autos, a nulidade do lançamento tributário devese a hipótese legal prevista no inciso II, in fini, do art. 59, do Decreto 70.235/72, sendo esse um típico caso de nulidade material. Apenas em amparo ao entendimento ora sufragado em sede de Processo Administrativo Tributário, cumpre frisar que não são apenas as hipóteses descritas nos incisos I e II, do citado art. 59, que são casos de nulidade. Neste sentido, De Plácido e Silva sustenta o entendimento de que referidos incisos do art. 59 representam casos de nulidade expressa ou legal (que devem ser declaradas de ofício, a qualquer tempo), existindo, todavia, outras hipóteses que igualmente provocam a nulidade absoluta e a conseqüente necessidade de reconhecimento, ainda que de ofício, da nulidade do ato administrativo de lançamento. Segundo referido jurista, estas nulidades seria chamadas de relativas ou acidentais (que dependem de argüição, podendo os atos inquinados serem ratificados ou sanados) e as nulidades virtuais (que resultam da interpretação das leis). Reforçando esse entendimento, Marcos Vinícius Neder assim nos leciona: “(...) o ato processual pode se desviar desse esquema, apresentando uma inadequação como tipo. São atos imperfeitos, atípicos, sujeitos, portanto, a aplicação de uma regra sancionadora que os tornem inválidos e ineficazes, de modo a garantir a obediência aos imperativos do sistema. A imperfeição por si pode não ser evidente e o ato produzirá efeitos normalmente previstos pela ordem jurídica. Apenas com a declaração de nulidade pelo julgador é que o tornará ineficaz. Assim, tanto o legislador como julgador devem ponderar a relevância jurídica da atipicidade e o prejuízo de sua permanência no mundo jurídico. O primeiro, em sua tarefa legiferante, prescreve as causas merecedoras da sanção de nulidade e o segundo as aplica no caso concreto no processo. No dizer de J J Calmon de Passos, o ato só encontra no estado de nulidade após o pronunciamento sancionador do juiz, antes ele é um ato jurídico capaz de produzir efeitos, embora imperfeito.” (NEDER, Marcos Vinicius. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Dialética, 2004, p. 467.) Neste sentido, mutatis mutandis, pertinente trazer o entendimento que foi consolidado pelo 1º Conselho Federal de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, atualmente consolidados no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, nos seguintes julgados: “PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA: A ausência, nos autos, de descrição minuciosa dos fatos e, ainda, de demonstrativos hábeis a esclarecer o critério adotado para apurar o montante de ‘recursos’ e ‘aplicações’, consignados nos demonstrativos de acréscimo patrimonial a descoberto, além de cercear a garantia constitucional de ampla defesa, impedem o exame da matéria pela autoridade julgadora de segunda instância. DECLARAR a nulidade do lançamento por Fl. 3543DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 24 cerceamento do direito de defesa.” (BRASIL. Primeiro Conselho de Contribuintes. Sexta Câmara. Acórdão º 10611.750). – Grifei. “VICIO FORMAL – NULIDADE – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. A descrição defeituosa dos fatos impede a compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, sendo, portanto, vício material, pois mitiga, indevidamente, a participação do contribuinte na instauração do litígio, mediante a apresentação da impugnação.” (BRASIL. Primeiro Conselho de Contribuintes. Oitava Câmara. Acórdão º 10807.556). – Grifei. “NULIDADE. LANÇAMENTO SEM ENQUADRAMENTO LEGAL. NULIDADE. A ausência no lançamento da capitulação prevista para as infrações imputadas ao contribuinte implica em nulidade da exigência uma vez que foi emitido em desacordo com o disposto no artigo 142 da Lei nº 5.172/66 (CTN) e no artigo 11 do Decreto nº 70.235/72.” (BRASIL. Primeiro Conselho de Contribuintes. Quarta Câmara. Acórdão º 104 17.440). – Grifei. Assim sendo, tenho que a ausência de prova dos elementos constitutivos do direito da Fazenda Pública ao crédito tributário, seja ele decorrente da obrigação dita principal seja ela decorrente do produto da penalidade pecuniária, inquina o lançamento de vício material, tornandoo improcedente, pois que desprovido de elemento essencial que o justifique e lhe dê motivação. Finalmente, cabe trazer à baila elemento que adveio aos autos posteriormente à decisão da DRJ/FOR, mas que apenas reforça a conclusão pela improcedência do lançamento tributário, consistente no teor do Ofício nº 051/DIFIS – 2011, da Diretoria de Fiscalização de Atividade Minerária do DNPM, do qual destaco: “(...) Particularmente em relação a GAR Mineração Comércio Importação e Exportação Ltda, cabe informar que a mesma possuia as condições legais para extração mineral por meio do Alvará de Pesquisa n° 1673 e Guia de Utilização n° 020/2003 — 6° DS, no DNPM n° 860.122/2003 e do Alvará de Pesquisa n° 1674 e Guia de Utilização n° 021/2003 — 6° DS no DNPM n° 860.123/2003, nos termos da legislação minerária (§ 2° do Art. 22 do Código de Mineração). 3. Quanto aos procedimentos administrativos levados a cabo ao alcance desta autarquia, os mesmos não permitiram que a autarquia, de forma conclusiva, identificasse a prática de artificio para a obtenção do Certificado do Processo Kimberley por parte da GAR Mineração Comércio Importação e Exportação Ltda.”. – Grifei. Fl. 3544DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10611.000313/200970 Acórdão n.º 3402002.023 S3C4T2 Fl. 1.773 25 Assim sendo, considerando que a infração capitulada no inciso II, do art. 10, da Lei 10.743/2003, exige que haja conduta do agente voltada a obtenção irregular do Certificado Kimberley, e órgão responsável pela emissão e fiscalização da atividade minerária e do respectivo certificado não pode afirmar conclusivamente ter a Recorrente agido de modo infracional da obtenção dos certificados de que era titular, aliado a tudo o mais que dos autos consta, entendo inafastável concluir pela improcedência da acusação e consequentemente do lançamento tributário em exame. Assim sendo, na esteira das considerações acima, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício e dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a improcedência do lançamento por ausência de prova do fato constitutivo do direito da Administração ao crédito tributário, com natureza jurídica de vício material daí resultante. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 3545DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 10070.000069/2003-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IPI – CRÉDITO PRESUMIDO
Data do fato gerador: 01/01/2002 a 31/03/2002
Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT.
Os insumos, matérias-primas e material de embalagem, consumidos no processo produtivo de produto exportado, e que tenham, em qualquer fase de suas comercializações, sofrido a incidência de PIS E/OU COFINS, incluem- se na base de cálculo do crédito presumido do IPI.
Incluem-se, igualmente, toadas as receitas de exportação, independentemente de referirem-se a produtos tributados ou não. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC
No ressarcimento e na compensação de crédito presumido de IPI aplica-se a taxa SELIC desde o protocolo do pedido. (aplicação do art. 62-A do RICC).
O dies a quo para aplicação da Taxa selic é o da data do protocolo do pedido de ressarcimento ou restituição.
Recurso do Contribuinte Provido
Numero da decisão: 9303-001.442
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial, vencidos os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Possas e Otacílio Dantas Cartaxo, que negavam provimento
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO
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EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. Os insumos, matériasprimas e material de embalagem, consumidos no processo produtivo de produto exportado, e que tenham, em qualquer fase de suas comercializações, sofrido a incidência de PIS E/OU COFINS, incluem se na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Incluemse, igualmente, toadas as receitas de exportação, independentemente de referiremse a produtos tributados ou não. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC No ressarcimento e na compensação de crédito presumido de IPI aplicase a taxa SELIC desde o protocolo do pedido. (aplicação do art. 62A do RICC). O dies a quo para aplicação da Taxa selic é o da data do protocolo do pedido de ressarcimento ou restituição. Recurso do Contribuinte Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial, vencidos os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Possas e Otacílio Dantas Cartaxo, que negavam provimento Fl. 257DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Trachesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Por bem descrever os fatos adoto o Relatório do acórdão recorrido: Trata o presente processo do Pedido de Ressarcimento de IPI, fl.01, relativo ao i crédito presumido apurado no 1º trimestre do anocalendário de 2002, com fundamento na Lei n2 9.363, de 13 de dezembro de 1996, formalizado em 15/01/2003. Apenso o processo de compensação n2 10070.000588/200382. ‘A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (DERAI) no Rio de Janeiro RJ, por meio do despacho decisório de fls. 43/50, indeferiu o pleito em questão, sob os fundamentos de que a legislação de regência não permitem o aproveitamento de crédito do IPI nas operações que envolvam produtos NT, decorrente da aquisição de MP, PI e ME neles empregados, de que trata a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, como também não homologou a Declaração de Compensação.’ Inconformada com a negativa do seu pleito, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 59/77, na qual, em síntese, apresentou argumentos resumidos, conforme transcrição abaixo: ‘FUNDAMENTOS JURÍDICOS a) Disciplina Legal Crédito Presumido: (...) a Contribuinte está obrigada a cumprir tão somente o disposto na lei, sabido que o nosso ordenamento jurídico consagra o PRINCIPIO DA LEGALIDADE: (...) b)Requisitos do Benefício Fiscal – Adimplemento (...) O fundamento do Despacho Decisório é o mesmo contido no Parecer MF/SRF/COSIT DITIP nº 139/1996, contudo, data vênia Fl. 258DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10070.000069/200314 Acórdão n.º 9303001442 CSRFT3 Fl. 203 3 é inadmissível, porque ao intérprete da lei não é atribuída competência para inovar a ordem jurídica. Assim, nenhum ato normativo emanado do poder executivo poderá restringir o alcance da Lei nº 9.363/1996, para aplicála somente em relação aos produtores com status de industrializados sujeitos a uma alíquota ou isentos do IPI, se a LEI elegeu como condição ao beneficio a exportação de 'MERCADORIA'. Também não se extrai da Lei nº 9.363/1996 nenhuma restrição ao direito aos créditos de IPI presumidos na hipótese de produtores exportadores de produtos IVT (nãotributados). (...) (...) a Contribuinte implementa todos os requisitos previstos na LEI para usufruir desse direito ao crédito de IPI presumido, ou seja, é produtora e exportadora de mercadorias nacionais, alcançadas pela imunidade. (...) (...) a concessão desse beneficio fiscal não está limitada aos ditames da, legislação do IPI, cuja aplicação é tão somente subsidiária. (...) (...) o fato da MERCADORIA exportada pela Contribuinte estar classificada na TIPI como NT (nãotributada) não a impede do exercício dó direito em questão, porque a intenção da lei não foi beneficiar somente os produtos tributados pela legislação do IPI, mas, toda e qualquer mercadoria destinada ao exterior. (...) o entendimento do Despacho Decisório diverge do entendimento jurisprudencial do Eg. Conselho de Contribuintes. (...) c) Apuração do Crédito Presumido: (...) (...) o crédito presumido merece deferimento em relação a qualquer aquisição que represente custos de produção, pois, a intenção da lei foi desonerar as exportações do PIS e da COFINS — incidentes no ciclo de produção sob o efeito cumulativo. (...) (...) a Instrução Normativa n° 23/1997 também não poderia restringir a utilização dos créditos, na forma do seu art. 2°, § 2°, porque a norma jurídica por ato emanado do Poder Executivo. (...) d) Extinção de obrigação tributária: Fl. 259DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Uma vez demonstrada a legitimidade dos créditos presumidos de IPI, é imperiosa a homologação das compensações entre os créditos com débitos de outros tributos federais. (...) O desfecho da obrigação tributária é o seu cumprimento, desaparecendo o tributo ao verificarse qualquer causa extintiva dessa obrigação. O direito contempla as causas extintivas das obrigações tributárias, dentre elas a COMPENSAÇÃO, que tem o poder de impedir que se exija novamente a exação, que não mais existe em decorrência da extinção da relação obrigacional. (...) Assim sendo, reputamse legítimas as compensações promovidas pela Contribuinte, merecendo, ao final, serem declaradas como homologadas. e) Atualização Monetária: A Contribuinte acrescenta finalmente que desde o protocolo do seu pedido até a presente data já transcorreu um longo período, portanto, se os valores dos créditos presumidos forem deferidos, devem ser seguidos da ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA desde sa (sic) suas ocorrências, para recompor esses valores dos efeitos da inflação. (...) Constatase que o óbice à correção monetária cria uma vantagem ilícita em favor da União Federal, em desequilíbrio ao PRINCÍPIO DA IGUALDADE, considerando que a União Federal recorre à correção monetária para atualizar os seus créditos. (...) Assim sendo, os valores correspondentes aos créditos de IPI presumidos devem ser atualizados a partir das ocorrências, nos mesmos moldes utilizados pela Secretaria da Receita Federal para atualizar os tributos pagos em atraso, em cumprimento do PRINCIPIO DA ISONOMIA’. Por tudo que expôs, propugnou pela reforma do despacho decisório recorrido, com a conseqüente procedência do seu pedido de ressarcimento. A DRJ em Juiz de Fora — MG apreciou as alegações postas na manifestação de inconformidade e o que mais consta dos autos do presente processo, decidindo pelo indeferimento da solicitação nos termos do voto do relator do Acórdão nº 10.337, de 02 de junho de 2005, assim ementado: ‘Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10070.000069/200314 Acórdão n.º 9303001442 CSRFT3 Fl. 204 5 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI EXPORTAÇÃO DE PRODUTO N'T. O direito ao crédito presumindo do IPI instituído pela Lei n° 9.363, de 1996 condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo beneficio os produtos não tributados (NT). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 Ementa: I LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de legalidade, contando com validade e eficácia, não cabendo à esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação. 2 CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária ou de juros sobre créditos escriturais legítimos do IN. Para créditos que se revelem inexistentes ou ilegítimos, a pretensão de tal incidência é, deveras, absurda. Solicitação Indeferida’. Inconformada a contribuinte no devido prazo legal interpôs recurso voluntário a este Segundo Conselho de Contribuintes, fls. 99/117, solicitando a reforma do acórdão recorrido e o deferimento do seu pedido de ressarcimento. Na Sessão de Julgamento desta Segunda Câmara realizada em 07 de dezembro de 2005, o julgamento do presente foi convertido em diligência, por considerar relevante para o deslinde da controvérsia a legitimidade dos créditos pleiteados e se os insumos foram efetivamente aplicados na industrialização de produtos exportados ou vendidos a empresa comercial exportadora com fins específicos de exportação para o exterior. Determinou esta Segunda Câmara, por meio daquela Resolução, que a Unidade local da Secretaria da Receita Federal realizasse todas as verificações requisitadas pela autoridade local quando da análise do pedido de ressarcimento de IPI, solicitação não atendida à época por entender a fiscalização que não sendo a interessada contribuinte do 1PI não teria direito aos créditos. Após concluída a diligência, fosse intimada a contribuinte a conhecer do resultado, e, no prazo de 10 dias, a apresentar manifestação, se quisesse. Em cumprimento à diligência, a fiscalização expediu o Relatório Fiscal de Diligência no qual se constatou que dos créditos pleiteados pela recorrente, como a legislação que rege a matéria permitisse o crédito do IPI para a produção de produtos NT, Fl. 261DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 apenas as aquisições de insumos referidos como insumos permitidos seriam contemplados com o beneficio, no primeiro trimestre de 2002. Informou que os demais créditos referemse a óleo diesel, energia elétrica e fretes. Esclareceu ainda que a contribuinte não possui livro de Registro de Apuração de IPI, não fazendo, portanto, os estornos exigidos nestes livros. A contribuinte apresentou sua manifestação à diligência, na qual alegou que o crédito pleiteado não pode ser reduzido como pretende a fiscalização, pois a lei instituidora do beneficio não faz restrição aos custos agregados ao processo produtivo identificados na Instrução Normativa nº 65/1979 da Secretaria da Receita Federal. Acresce que a atualização monetária desde o protocolo do pedido é devida para recompor os valores dos créditos. É o Relatório. A Câmara a quo negou provimento ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumindo do IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo beneficio os produtos não tributados (NT). (Súmula nº 13 do 2º Conselho de Contribuintes). CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária ou de juros sobre créditos escriturais legítimos do IPI. Para créditos que se revelem inexistentes ou ilegítimos, a pretensão de tal incidência é, deveras, absurda. Recurso negado. Irresignado, o sujeito passivo apresentou recurso especial às fls. 174/244, por meio do qual requereu a reforma do acórdão ora fustigado. Alega em sua peça recursal que é direito do contribuinte exportador, ainda que produtor de mercadoria NT, a apuração do crédito presumido de IPI instituído pela Lei nº 9.636, de 1996, e que sobre os ressarcimentos deve incidir a taxa Selic. O recurso foi admitido pelo Presidente da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, por meio de despacho às fls. 258/259, para que a CSRF aprecie as matérias impugnadas. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10070.000069/200314 Acórdão n.º 9303001442 CSRFT3 Fl. 205 7 A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarazões às fls. 262/276. É o Relatório. Voto Conselheira Relatora Judith da Amaral Marcondes Armando Aprecio o Recurso Especial do Contribuinte, apresentado, conforme despacho acima mencionado, em boa forma. As matérias postas à apreciação por esta Câmara Superior cingemse ao direito ao crédito presumido de IPI decorrente da exportação de produtos NT e à atualização do ressarcimento pela taxa Selic. Quanto ao direito ao crédito presumido de IPI decorrente da exportação de produtos NT, permitome aproveitar parte de voto por mim proferido anteriormente, ressaltando a necessidade de promover os ajustes correspondentes a esta lide: A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional disse algumas vezes em seus recursos sobre esta matéria: “ É inegável que a meta da norma em apreço é desonerar os produtos exportados, eliminando parcela da carga tributária cumulada ao longo do ciclo produtivo, representada pelas indigitadas contribuições sociais, sendo também irrefutável que, em princípio, esse crédito presumido não guardaria correlação com o IPI. No entanto, esta não foi a opção do legislador ordinário, haja vista que inegavelmente criou um crédito presumido de IPI, em todos os seus contornos, de forma que é incontestável que referido imposto, neste comenos, tangencia aquelas contribuições. Assim, a análise desse texto legal, ainda sob o prisma teleológico, pode levar à inferência diametralmente oposta, qual seja, que o objetivo da Lei foi, em verdade, desonerar apenas os produtos industrializados, visando com isso incentivar a exportação de produtos elaborados com maior valor agregado, em detrimento de produtos em estado quase natural ou com incipiente processo de elaboração, como o caso dos produtos em comento” cf. fls 112 Tendo em conta tais afirmativas, ao meu ver perfeitamente válidas em termos de aspirações ao desenvolvimento nacional com padrões mais elevados de agregação de valor, muito embora julgueas subjetivas, passo à interpretação sistemática como sugere o Procurador em seu arrazoado, e chegarei a conclusão diametralmente oposta à do Procurador. A Lei 9.363, de 1996 em seus arts 1º e 3º , parágrafo único diz: Fl. 263DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. ...................................................................................................... Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. (os grifos são meus) Aqui observo que o crédito presumido está direcionado à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais, (não fala de mercadorias nacionais industrializadas) e que o estabelecimento dos conceitos de receita operacional bruta, produção, matérias primas, insumos e materiais de embalagem devem ser buscados no escopo das normas que falam respectivamente do Imposto de Renda e do IPI. Assim sendo, não tenho dúvidas quanto aos produtos que podem gerar os benefícios desta lei 9.363, que são matérias primas, materiais de embalagens e insumos, nas condições estabelecidas na legislação do IPI, isto é, que se consumam no processo produtivo ou integrem o produto final desse processo, e que em algum passo da cadeia produtiva tenham sofrido incidência das contribuições PIS e COFINS. Não tenho dúvidas que a norma não se destina a proteger exportações de maior valor agregado, e menos ainda, de produtos que figurem na TIPI como tributados. Até porque, sabemos, a tributação pelo IPI deixou a muito de ser fundamentada nos princípios que nortearam a criação do tributo, chegando mesmo a não ser seletiva, e não refletir o grau de industrialização do produto. Hoje temos produtos bastante industrializados com notação NT na TIPI, bem assim outros, sem qualquer industrialização com alíquota zero. Passamos ao conceito de crédito presumido: Fl. 264DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10070.000069/200314 Acórdão n.º 9303001442 CSRFT3 Fl. 206 9 Presumido é o que se pretende verdadeiro à luz de certos conhecimentos previstos. Pode ser entendido como uma probabilidade alta de verdade, ainda que fictício. Pois bem, na proposta de lei introduzida pela Medida Provisória nº. 948, de 23 de março de 1995, ficou clara a inviabilidade de aferir todos os valores de PISPASEPCOFINS que oneram o produto final a ser exportado. O Legislador fez a escolha de presumir um valor a ser restituído ao exportador, a título de desoneração de parte dessa tributação. Naturalmente, não estamos aqui diante de uma benesse do Estado. Estamos diante de ponderação racional e objetiva relativa ao princípio de não exportar tributos, na medida exata do interesse comercial, nem mais nem menos. Vejase bem que, de outra forma, poderíamos incorrer nos subsídios considerados da caixa vermelha pela Organização Mundial de Comércio, órgão ao qual o Brasil deve referenciar se. E lhe convém que o faça. Observo que a Lei não determina que se busque na legislação do IPI o conceito de produtor exportador. Vamos aos aspectos históricos do conjunto de normas que regeram o IPI, o crédito prêmio do IPI, e o ressarcimento. Nascidas da LEI Nº. 4.502 DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964, que dispôs sobre o Imposto de Consumo e reorganizou a Diretoria de Rendas Internas, posteriormente regulamentada pelo Decreto nº 61.514, de 12 de outubro de 1967, temos que: Art. 1º O Imposto de Consumo incide sobre os produtos industrializados compreendidos na Tabela anexa. ......................................................................................................... Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. ......................................................................................................... Art. 7º São também isentos ......................................................................................................... § 1º No caso o inciso I, quando a exportação for efetuada diretamente pelo produtor, fica assegurado o ressarcimento, por compensação, do imposto relativo às matériasprimas e produtos intermediários efetivamente utilizados na respectiva industrialização, ou por via de restituição, quando não for possível a recuperação pelo sistema de crédito. A referida tabela anexa não incluía o universo de produtos industrializados. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 Assim sendo, o estabelecimento produtor e exportador a que se refere a Lei nº 9.363, de 1996 poderia, em princípio, ser aquele que produz os produtos tributados ou com alíquota zero, que estão contidas no campo de incidência do hoje IPI. Mas, voltando ainda aos aspectos históricos, na própria Lei inaugural há uma série de excepcionalidades que contextualizam o desejo do legislador dentro de um processo de substituição de importação acelerado, com elevada defesa da produção interna. Andando um pouco mais no tempo, o Decreto Lei nº 1.136, de 1970, pretendendo modernizar o parque industrial brasileiro permitiu o creditamento de IPI a máquinas e outros bens do ativo das empresas § 2º O Ministro a Fazenda poderá atribuir aos estabelecimentos industriais o direito de crédito do imposto sobre produtos industrializados relativo a máquinas, aparelhos e equipamentos, de produção nacional, inclusive quando adquiridos de comerciantes não contribuintes do referido imposto destinados à sua instalação, ampliação ou modernização e que integrarem o seu ativo fixo, de acordo com as diretrizes gerais de política de desenvolvimento econômico do país. § 3º O regulamento disporá sobre a anulação do crédito ou o restabelecimento de débito, correspondente ao imposto deduzido, nos casos em que os produtos adquiridos saiam do estabelecimento com isenção do tributo, ou os resultantes da industrialização gozem de isenção ou não estejam tributado Verificamos que o IPI, utilizado como ferramenta de desenvolvimento econômico se presta a intervenções pontuais, que afetam aspectos macro e micro econômicos, entrando em vigor imediatamente, e produzindo os efeitos politicamente desejados. Tais intervenções nada têm a ver com a industrialização do produto em si, ou com a notação da alíquota na TIPI, mas estão ligadas a qualificação econômica do produto no contexto econômico, de modo especial ao grau de ganho de produtividade que possa conferir aos processos produtivos em que está inserido. Ora, permitome entender que sendo o IPI um imposto de fácil manejo, e federativo, o legislador diz sempre exatamente o que pretende a fim de que não sejam introduzidas interpretações locais que possam alterar a universalidade da norma. Por outro lado, se é possível admitir que a Lei nº 9.363 tenha vindo substituir a normatização de crédito–prêmio de IPI, superado pela realidade internacional dos incentivos não permitidos pela OMC, e que nesse novo contexto estejamos tratando, de fato, de desoneração das exportações, o conceito de produtor exportador não se confunde com o conceito de produtor industrial. E, pode ser que, em razão dessa construção que acabo de propor seja mais adequada à interpretação do que seja empresa produtora exportadora, como aquela que exporta o que produz, já que na mesma lei, no art. 3º parágrafo único, está determinado que devem ser buscados na legislação do IPI os Fl. 266DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10070.000069/200314 Acórdão n.º 9303001442 CSRFT3 Fl. 207 11 conceitos de produto, matéria prima, insumos e material de embalagem e não de empresa produtora exportadora. Vendo sob esse aspecto, é importante o contexto econômico e político dos incentivos tributários à exportação ou ao desenvolvimento econômico, conforme induz o raciocínio da PGFN. Sabemos que em tempos de incentivo à modernização do parque industrial deuse o crédito pertinente a máquinas e outros bens de ativo das empresas. Hoje, visando tão só não exportar tributos e fomentar a atividade econômica, é essa a razão que se encontra na exposição de motivos que acompanhou a formação da lei, há de se considerar que, qualquer produto exportado, mesmo estando ele fora do campo de incidência do IPI, ou seja notificado como produto NT circunstancialmente, não deve carregar consigo, por razões que passam da análise dessa lide, carga tributária interna. Por essas razões, entendo que a interpretação teleológica que melhor atende ao espírito da lei, hoje, é que empresas produtoras e exportadoras de produtos fora do campo de incidência do IPI podem beneficiarse do regresso de parte da tributação previstos na lei em comento, desde que tenham utilizado em sua produção os insumos, matérias primas e material de embalagem como definidos nas normas do IPI. Seguindo essa interpretação que não julgo apartada dos termos da Lei, encaminho meu voto no sentido de ser cabível o ressarcimento a título de desoneração da carga tributária nas exportações, quando os produtos exportados sejam obtidos a partir de insumos, matérias primas e material de embalagem, adquiridos de quem quer que os tenha produzido, desde que tenham sido objeto de tributação relativa às contribuições para o PIS, PASEP e COFINS em qualquer etapa de suas produções, e desde que consumidos no processo produtivo ou dele fizerem parte nos termos da legislação do IPI, independentemente de ser o produto resultante exportado tributável pelo IPI. Por todo exposto, voto no sentido de incluir no valor das receitas de exportação todos os resultados de vendas ao exterior de produtos sujeitos ou não à incidência do IPI. É importante ressaltar que não foi avaliada neste processo a questão do processo produtivo da mercadoria exportada. Entretanto, entendo que o fundamento da glosa foi tratarse de mercadoria com notação NT na TIPI, o que ao meu sentir está equivocado, conforme argumentei. Por outro lado, consultei o sito do CARF e já não existe a mencionada Súmula nº 13. No que se refere à atualização do ressarcimento pela taxa Selic, faço a ressalva de que, a despeito de meu entendimento quanto à matéria, em face da superveniência do art. 62A do Regimento Interno do CARF RICARF, as decisões definitivas de mérito Fl. 267DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça devem ser reproduzidas nos julgamentos dos recursos no âmbito deste Tribunal Administrativo. A recorrente teve obstada pela administração tributária a aplicação da referida Taxa. No recurso, pede a fruição do benefício desde o protocolo do pedido até a data do efetivo pagamento. Nos recursos repetitivos do STJ está subjacente a questão do dies a quo para aplicação da taxa Selic, considerado o protocolo do pedido de restituição ou ressarcimento junto à administração tributária. Na esteira do exposto voto por dar provimento ao Recurso Especial do sujeito passivo. Judith da Amaral Marcondes Armando Fl. 268DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 13739.001757/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI Nº 8.852/94. SÚMULA CARF Nº 68.
A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-001.636
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI Nº 8.852/94. SÚMULA CARF Nº 68. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1319.251 (fl. 34), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, e manteve a redução Fl. 49DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 do imposto a restituir de R$6.343,31 para R$1.323,73, conforme Demonstrativo à fl. 26, que incluiu para tributação rendimento excluído pelo contribuinte em declaração retificadora (fl. 32). A decisão recorrida possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Lançamento Procedente Em seu apelo ao CARF o recorrente reafirma que os rendimentos lançados correspondem a adicional por tempo de serviço, pagos na rubrica "TRIÊNIO QÜINQÜÊNIOS", que possui natureza não tributável, nos termos do artigo art. 1o, inciso III, alínea “n”, da Lei no 8.852, de 04 de fevereiro de 1994. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, verificase que o litígio persiste pela inconformidade do recorrente quanto ao entendimento explicitado na decisão recorrida em relação à tributação dos rendimentos por ele excluídos na declaração retificadora. Com efeito, a diferença incluída para tributação pela fiscalização corresponde a rendimentos considerados nãotributáveis pelo contribuinte, nos termos da alínea “n”, do inciso III, do art. 1o da Lei nº 8.852, de 1994: Art. 1º Para os efeitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da União compreende: I como vencimento básico: a) a retribuição a que se refere o art. 40 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, devida pelo efetivo exercício do cargo, para os servidores civis por ela regidos; (Vide Lei nº 9.367, de 1996) b) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.21510, de 31.8.2001) c) o salário básico estipulado em planos ou tabelas de retribuição ou nos contratos de trabalho, convenções, acordos ou dissídios coletivos, para os empregados de empresas Fl. 50DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 13739.001757/200712 Acórdão n.º 210101.636 S2C1T1 Fl. 2 3 públicas, de sociedades de economia mista, de suas subsidiárias, controladas ou coligadas, ou de quaisquer empresas ou entidades de cujo capital ou patrimônio o poder público tenha o controle direto ou indireto, inclusive em virtude de incorporação ao patrimônio público; II como vencimentos, a soma do vencimento básico com as vantagens permanentes relativas ao cargo, emprego, posto ou graduação; III como remuneração, a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual e demais vantagens, nestas compreendidas as relativas à natureza ou ao local de trabalho e a prevista no art. 62 da Lei nº 8.112, de 1990, ou outra paga sob o mesmo fundamento, sendo excluídas: (...) n) adicional por tempo de serviço; (...) Em suma, o recorrente apresentou declaração retificadora por entender que não incide o imposto de renda sobre o adicional por tempo de serviço, excluídos que foram do conceito de remuneração pela Lei nº 8.852, de 1994. Entretanto, essa lei não trata de hipóteses de isenção ou de não incidência de imposto de renda, servindo apenas ao propósito de fixar os limites de remuneração dos servidores públicos, nos termos dos artigos 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal. Assim, as verbas recebidas pelo recorrente encontramse incluídas no rol dos rendimentos tributáveis, entre aqueles elencados no artigo 3º, §1°, da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Ademais, o § 4º do mesmo artigo dispõe que: § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Esse entendimento já está consolidado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais com a publicação da Súmula CARF n° 68: Súmula CARF nº 68: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 51DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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Numero do processo: 10480.909510/2009-99
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 09 51 0/ 20 09 -9 9 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.909510/200999 Resolução nº 1802000.175 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife PE, que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Consta do presente processo que a Recorrente no anobase de 2003, a época optante do Simples, recolheu regularmente todos os seus impostos através do DARFSimples (extrato de fl. 23), e transmitiu, via internet, a Declaração PJ Simplificada 2004 do anobase 2003 em 30/05/2004, ou seja, no devido prazo legal. Em setembro de 2004 a Recorrente recebeu uma notificação de exclusão do Simples, retroativa a 01/01/2003, determinando que a mesma entregasse as DCTF's do ano base 2003 e a DIPJ do exercício 2004 para que ficasse regular com suas obrigações acessórias junto à Receita Federal do Brasil (“RFB”) e pudesse, assim, retornar ao Simples. Em 16/05/2005, foi recepcionadas as DCTF’s dos 1º, 2°, 3° e 4° trimestres de 2003 (fls. 23 a 26v) e em 20/05/2005, foi recepcionada a DIPJ com alteração na forma de tributação para Lucro Presumido (fl. 27v a 37v). Vale salientar que essa entrega feita após o prazo limite estipulado na legislação gerou débitos relativos a COFINS, PIS, IRPJ e CSLL, bem como multa por atraso na entrega das declarações. Para a extinção da obrigação tributária, a Recorrente transmitiu em 16/05/2005, ou seja, na data da entrega das DCTF’s, PER/DCOMP eletrônica (fls. 01/05) visando compensar DARFSIMPLES recolhido pela sistemática do Simples (Código de Receita 6106), relativo a período de apuração de novembro de 2003, no valor de R$ 19.363,54 (fl. 03). A este processo coube o valor de R$ 1.383,90 (fl. 02), na compensação com débito de sua responsabilidade no valor original de R$ 1.383,90, período de apuração novembro de 2003, correspondente ao PIS (fls. 04, 26v e 33). A DRF/RecifePE emitiu Despacho Decisório eletrônico, com ciência em 02/06/2009 (fls. 06 a 10), HOMOLOGANDO PARCIALMENTE a compensação declarada, eis que constatou a procedência do crédito original informado, reconhecendose o valor do crédito pretendido, mas o considerou insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, restando um saldo devedor de: R$ 195,36 (principal), R$ 39,07 (multa) e R$ 145,77 (juros). Inconformada com a parte não homologada pela DRF, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 01/07/2009 (fls. 11 a 20), pelos motivos que vão abaixo informados: 01 A requerente sendo optante pelo regime de recolhimento do Simples, recolheu regularmente todos os seus impostos pelo DARF Simples no ano base de 2003, e entregando via intemet a Declaração PJ Simplificada 2004 Ano Base 2003 em 30/05/2004, ou seja, no devido prazo legal, sendo surpreendida em Setembro/2004 com o recebimento de Notificação de Exclusão do Simples retroativo a 01/01/2003, obrigando a requerente a entregar as DCTF's e a DIPJ do Fl. 84DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.909510/200999 Resolução nº 1802000.175 S1TE02 Fl. 4 3 ano base 2003 exercício 2004 fora do prazo legal de entrega, para que ficasse regular com suas obrigações acessórias junto a RF e pudesse, assim, retornar ao regime do Simples, o que veio a gerar Multas p/Atraso na entrega, bem como débitos relativos a COFINS, PIS, IRPJ e CSLL do ano base 2003, todos gerados após vencimentos, pela exclusão retroativa, e sendo orientada por técnicos da RF a proceder a transmissão de PER/DCOMP para poder fazer a compensação dos débitos gerados dos impostos , acima, pelos pagamentos.do Simples recolhidos em 2003, conforme procedeu, tendo em vista que os pagamentos do Simples eram de valor maior que os débitos gerados nas DCTF's e DIPJ que totalizavam em seu valor original R$ 70.524,64 e os pagamentos do Imposto Simples pagos indevidamente no ano base de 2003 representam o valor total de R$ 89.346,84, conforme poderá ser constatado nas cópias dos documentos em anexo. 02 "Conforme poderá constatar na cópia da PER/DCOMP e nas cópias das declarações que originaram todos os dados acima, os valores gerados pela exclusão do Simples, foram devidamente compensados em seu valor original e ainda houve um saldo remanescente em favor da requerente relativo aos pagamentos do Simples, o que liquida qualquer valor residual que possa vir a ocorrer nas referidas cobranças do Despacho Decisório, ficando a requerente desobrigada do recolhimento de tributos concernentes ao período do ano base de 2003, visto que ainda tem um crédito de recolhimentos a maior de tributos. Finalmente, requer a Recorrente: "Diante do exposto acima, vem mui respeitosamente ratificar sua manifestação de inconformidade com as cobranças geradas, pelo que requer a essa Delegacia de Julgamento que se digne em fazer e/ou mandar fazer uma melhor análise dos valores compensados na PER/DCOMP pelos pagamentos do Simples, bem como requer que, caso os valores cobrados no Despacho Decisório estejam corretos, o saldo residual dos pagamentos do Simples, existente em favor da requerente sejam apropriados nos valores cobrados através do despacho decisório, mesmo que tenham sido pagos no ano base de 2003, visto que, apesar da Per/Dcomp ter sido enviada em 16/05/2005, só em 20/04/2009 é que a mesma foi analisada, impossibilitando assim, que a requerente possa pedir restituição dos valores pagos a maior em 2003, e não é justo que seja penalizada com cobranças de tributos intempestivamente, quando tem um saldo residual em seu favor, por ter a RFB se pronunciado quanto a PER/DCOMP após o período de carência para o pedido de restituição. A DRJ de Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.909510/200999 Resolução nº 1802000.175 S1TE02 Fl. 5 4 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. INCIDÊNCIA DE JUROS E DE MULTA DE MORA. Na compensação espontânea efetuada pelo sujeito passivo, os débitos vencidos sofrerão a incidência de acréscimos legais (multa de mora e juros), na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. PROCEDIMENTO DE IMPUTAÇÃO. A compensação de tributo ou contribuição sell acompanhada, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de diligências ou pericias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as quais considerar prescindíveis ou impraticáveis. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. 0 direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contado da data da extinção do crédito tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Reconhecido” Ciente dessa decisão, em 11/01/2012, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 09/02/2012, o qual reitera as razões aduzidas na Manifestação de Inconformidade, acrescentando ainda a questão da decadência do crédito em questão. É o Relatório. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.909510/200999 Resolução nº 1802000.175 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE que manteve o despacho decisório eletrônico da DRF que não homologou integralmente a compensação pleiteada pela Recorrente, eis que entendeu que os créditos ofertados na PER/DCOMP não eram suficientes para a extinção dos débitos correspondentes. A Recorrente no anocalendário de 2003 procedeu regularmente com a sua apuração de tributos pela sistemática do Simples, tendo recolhido os DARF’sSIMPLES mês a mês e, posteriormente, procedido com a entrega tempestiva da Declaração PJ Simplificada 2004. Constatase que no momento em que tais fatos ocorreram não havia qualquer ato que determinasse a exlusão da empresa do regime de apuração, ato este que só ocorreu em setembro de 2004. Neste caso entendo que deve prosperar o princípio da verdade material. Neste sentido James Marins em sua obra Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial), Dialética, 2001, p. 176. “A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalização através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. Deve fiscalizar em busca da verdade material: deve apurar e lançar com base na verdade material. (grifos nossos)” E também através dos seguintes julgados: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE PRINCÍPIO DA VERDADE REAL O processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, devendo a autoridade julgadora utilizarse de todas as provas e circunstâncias de que tenha conhecimento. O interesse substancial do Estado é a justiça. Processo anulado, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. (2º CC Proc. 10945.000309/200182 Rec. 121225 (Ac. 20178154) 1 a C. Rel. Antônio Mário de Abreu Pinto DOU 29.08.2005 p. 74)” Fl. 87DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.909510/200999 Resolução nº 1802000.175 S1TE02 Fl. 7 6 “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRESSUPOSTOS BASILARES VERDADE MATERIAL. Sob o manto da verdade material, todo o erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, de forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. Erros e equívocos não tem o condão de se transformarem em fatos geradores de obrigação tributária. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Quarta Câmara, Processo nº 10768.014567/9614, Acórdão n° 10417249, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgamento em 10/11/99)” Vale registrar que nos casos de lançamento de ofício para exigência de diferenças de tributos apuradas em decorrência de exclusão do Simples com efeitos retroativos, o aproveitamento dos pagamentos feitos sob o regime simplificado pode se dar até mesmo de ofício, independentemente de apresentação de PER/DCOMP pelo contribuinte. O fato é que o Simples não se caracteriza como um tributo, mas apenas como uma forma simplificada e unificada de recolhimento dos vários tributos que engloba, dentre eles o IRPJ e as contribuições CSLL, PIS e COFINS, que mantêm, cada um deles, sua perfeita identidade, mesmo nesse regime de tributação, inclusive sob o aspecto quantitativo, uma vez que a lei especifica as parcelas relativas a cada imposto ou contribuição, em termos percentuais. No caso aqui examinado, a Contribuinte, conformandose com sua exclusão do Simples, procurou aproveitar pagamento a título de Simples para quitar débitos, apurados, de acordo com o regime do lucro presumido. A solução dessa lide depende de uma instrução complementar, a ser realizada pela delegacia de origem. Assim, o exame do encontro de contas depende: 1 da decomposição do pagamento no código 6106, para identificação das parcelas referentes a cada um dos tributos englobados neste pagamento unificado; 2 da confrontação destas parcelas com os débitos relativos ao regime de tributação que substituiu o Simples (Lucro Presumido), identificando eventuais excessos, caso existam. Só depois disso é que se poderá verificar em que medida os débitos informados no PER/DCOMP objeto destes autos podem ser quitados pelo alegado crédito. As informações devem ser prestadas em relatório circunstanciado, com a ciência da Contribuinte para que se manifeste no prazo de trinta dias. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Recife atenda ao acima solicitado (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 88DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.909510/200999 Resolução nº 1802000.175 S1TE02 Fl. 8 7 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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