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Numero do processo: 10830.011594/2008-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
FUNDAÇÃO DE DIREITO PRIVADO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO DA COFINS. CABIMENTO.
As receitas decorrentes das atividades próprias da fundação de direito privado, instituída ou mantida pelo Poder Público, estão isentas da Cofins, independente das citadas receitas terem ou não natureza contraprestacional.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
SUSPENSÃO DA ISENÇÃO NÃO CONDICIONADA. DISPENSA DE EXIGÊNCIA DE RITO PROCESSUAL ESPECIAL. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Por não está sujeita a condição, a suspensão da isenção das receitas das atividades próprias das fundações de direito privado, prevista no art. 14, X, combinado com o disposto no art. 13, ambos da Medida Provisória n° 2.158, de 2001, prescinde do rito processual estabelecido no art. 32 da Lei 9.430/1996.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-004.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 FUNDAÇÃO DE DIREITO PRIVADO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO DA COFINS. CABIMENTO. As receitas decorrentes das atividades próprias da fundação de direito privado, instituída ou mantida pelo Poder Público, estão isentas da Cofins, independente das citadas receitas terem ou não natureza contraprestacional. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 SUSPENSÃO DA ISENÇÃO NÃO CONDICIONADA. DISPENSA DE EXIGÊNCIA DE RITO PROCESSUAL ESPECIAL. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Por não está sujeita a condição, a suspensão da isenção das receitas das atividades próprias das fundações de direito privado, prevista no art. 14, X, combinado com o disposto no art. 13, ambos da Medida Provisória n° 2.158, de 2001, prescinde do rito processual estabelecido no art. 32 da Lei 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido.
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RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO DA COFINS. CABIMENTO. As receitas decorrentes das atividades próprias da fundação de direito privado, instituída ou mantida pelo Poder Público, estão isentas da Cofins, independente das citadas receitas terem ou não natureza contraprestacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 SUSPENSÃO DA ISENÇÃO NÃO CONDICIONADA. DISPENSA DE EXIGÊNCIA DE RITO PROCESSUAL ESPECIAL. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Por não está sujeita a condição, a suspensão da isenção das receitas das atividades próprias das fundações de direito privado, prevista no art. 14, X, combinado com o disposto no art. 13, ambos da Medida Provisória n° 2.158, de 2001, prescinde do rito processual estabelecido no art. 32 da Lei 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 15 94 /2 00 8- 21 Fl. 1614DF CARF MF 2 Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 722/729), em que formalizada a exigência do crédito tributário no valor total de R$ 13.933.423,29, sendo R$ 7.393.593,77 de Cofins dos meses de janeiro a dezembro de 2007, R$ 5.545.195,29 de multa de ofício e R$ 994.634,23 de juros moratórios, calculados até 31/10/2008. Segundo a descrição do Termo de Constatação de fls. 716/720, integrante do referido auto de infração, a autoridade fiscal considerou como receitas da atividade própria da autuada, favorecida com a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória 2.158 35/2001, apenas a receita registrada na conta “41150 Subvenções para Custeio Pesquisa”. De outra parte, foi glosada a isenção das demais receitas, registradas nas contas “41110 Venda de Serviços MI”, “41120 Licença de Uso”, “41130 Transferência de Tecnologia Royalties”, “41140 Convênios” e “41160 Aluguel de Imóveis Polis”, porque, segundo a fiscalização, não representavam receitas da atividade própria da autuada alcançada pela referida isenção. Na “planilha 13” (fl. 721), consta o demonstrativo do cálculo dos valores devidos da Cofins dos meses do ano de 2007, referente às receitas isentas que foram glosadas, a dedução dos valores da contribuição retidos na fonte por outras pessoas jurídicas e saldo da Cofins a pagar. Em sede de impugnação (fls. 740/759), a autuada apresentou as seguinte razões de defesa: a) era uma fundação, instituída pela Telebrás S/A., por meio de escritura pública, na forma da Lei 9.472/1997 e Decreto 2.546/1998, com o objetivo de preservar a capacidade em pesquisa e desenvolvimento em telecomunicações, mediante fornecimento de soluções cientificas e tecnológicas científicas, por meio, dentre outras, de atividades como pesquisa aplicada, estudos, projetos, especializados, especificações da solução, desenvolvimento de sistema de informática e de produtos industriais; b) as receitas auferidas eram provenientes de atividades próprias, previstas em seu Estatuto Social e eram empregadas integralmente na manutenção de seus objetivos sociais, pois na qualidade de Fundação, operava sem qualquer finalidade lucrativa; c) em preliminar, alegou nulidade da autuação, sob o argumento de que não fora observado o rito estabelecido pelo artigo 32 da Lei 9.430/1996, para cancelamento da isenção, tendo em conta que esse rito não era exclusivo para a isenção do imposto sobre a renda; Fl. 1615DF CARF MF Processo nº 10830.011594/200821 Acórdão n.º 3302004.687 S3C3T2 Fl. 1.615 3 d) ainda que possível a incidência da Cofins sobre as receitas das atividades excluídas da isenção, hipótese admitida apenas para argumentar, houve equivoco no enquadramento da autuada no regime não cumulativo, pois, por se tratar de fundação de pesquisa, nos termos do art. 61 do ADCT, estava excluída da referida sistemática de tributação nos termos art. 10, V, da Lei 10.833/2003; e) por serem próprias da sua atividade, nos termos do art. 10, XXV, da Lei 10.833/2003, estavam alcançadas pela isenção as receitas escrituradas nas seguintes contas: “4110 Venda de Serviços MI”, “41120 Licença de Uso de Programas” e “41130 Transferência de Tecnologia Royalties”; f) houve equívoco da autoridade fiscal na interpretação dos arts. 13, VIII, e 14, X, da Medida Provisória 2.15835, que restringiu, indevidamente, a isenção da Cofins da autuada às denominadas “receitas das atividades próprias”, compostas apenas pelas doações e subvenções, o contrariava o disposto no art. 111, II, do CTN; h) houve contradição quanto ao tratamento dado à Contribuição para o PIS/Pasep, cuja forma de tributação, com base na folha de pagamento, foi admitida pela fiscalização; i) havia expressa isenção conferida às receitas decorrentes da atividade própria da entidade, que foram glosadas, conforme previsto no art. 14 da Medida Provisória 2.158/2001, desde que não haja finalidade não lucrativa, única condição fixada pela lei para fruição da isenção, que restara cumprida pela autuada; j) houve ainda manifesto equívoco ao tratar de forma distinta as contas “41140 Convênios” e “41150 Subvenções para Custeio Pesquisa”, “em que pese o fato de serem caracterizadas pela mesma nota determinante: decorrência de convênios para custear os projetos a serem desenvolvidos, conforme previsão legal.”, pois os ingressos decorrentes dos convênios não tinha cunho econômio, haja vista que visavam o ressarcimento de custos de entidade no desenvolvimento de determinado projeto; l) não foram considerados na autuação os créditos da contribuição, referente aos insumos utilizados na prestação dos serviços, previstos no art. 3º, II, da Lei 10.833/2003; m) houve cumulação indevida dos valores desta autuação com os valores das autuações objeto dos processos de nºs 10830.001757/200867 e 10830.009660/200801, o que resultou no arrolamento de bens, por superar 30% do patrimônio da autuada, sob o argumento de que os últimos processos ainda estavam em fase julgamento; e n) não havia possibilidade de aplicação taxa Selic sobre os valores lançados a título de multa de ofício. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 827/859), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada procedente em parte, para excluir a parcela excedente da Cofins, apurada pelo regime cumulativo sobre o valor das receitas registradas na conta “41120 Licença de Uso de Programas”, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 1616DF CARF MF 4 Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2007 COFINS. ISENÇÃO. SUSPENSÃO. RITO DO ART. 32 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A isenção conferida pela MP nº 2.158, de 2001, art. 14, X, c/c art. 13 não é condicionada, sendo inaplicável o comando da Lei nº 9.430, de 1996, art. 32, no que respeita ao rito ali estabelecido para a suspensão de isenções. FUNDAÇÕES DE DIREITO PRIVADO. REGIME NÃO CUMULATIVO. SUBMISSÃO. Fundação de direito privado cujo objeto primordial é a capacitação de pesquisa em telecomunicações está sujeita à incidência da Cofins com base no regime da não cumulatividade. COFINS. ISENÇÃO. FUNDAÇÕES DE DIREITO PRIVADO. RECEITAS DAS ATIVIDADES PRÓPRIAS. CONCEITO. As receitas que têm cunho contraprestacional não são alcançadas pela isenção da Cofins das entidades referidas no artigo 13 da MP nº 2.158, de 2001. RECEITAS DE DESENVOLVIMENTO E LICENCIAMENTO DE SOFTWARE. REGIME NÃO CUMULATIVO. EXCLUSÃO ESPECÍFICA. As receitas decorrentes das atividades de desenvolvimento de software e o seu licenciamento permanecem sujeitas à incidência cumulativa da Cofins a partir de dezembro de 2004. DIREITO AO CRÉDITO. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS APURADOS SOBRE INSUMOS DIRETAMENTE APLICADOS NA PRODUÇÃO/PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DIREITO AO DESCONTO. CONDIÇÃO. O aproveitamento de créditos na sistemática não cumulativa requer a demonstração de sua liquidez e certeza pelo sujeito passivo segundo as condições legais de apuração e desconto. Comprovado o direito de lançar cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegá los, comproválos efetivamente. PROCESSO ADMINISTRATIVO DE CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO. É a atividade onde se examina a conformidade dos atos praticados pelos agentes do fisco frente à legislação de regência em vigor, sem perscrutar da legalidade ou constitucionalidade dos fundamentos daqueles atos. JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Incidem juros sobre a multa de ofício que não for paga até a data de seu vencimento. Fl. 1617DF CARF MF Processo nº 10830.011594/200821 Acórdão n.º 3302004.687 S3C3T2 Fl. 1.616 5 Em 11/5/2009, a recorrente foi cientificada da referida decisão. No dia 8/6/2009, apresentou o recurso voluntário de fls. 867/899, em que reafirmou as alegações apresentadas na peça impugnatória. Em aditamento, alegou invalidade da exclusão da parcela do crédito tributária determinada pelo acórdão recorrido, sob o argumento de que, ao excluir parte do valor das receitas do regime não cumulativo e submetêlo ao regime de tributação cumulativo, tal procedimento implicava novo lançamento, o que era vedado ao órgão de julgamento. Na Sessão de 24 de janeiro de 2012, por meio de Resolução nº 3102000.191, os integrantes da extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta Seção, decidiram por converter o julgamento em diligência perante a unidade da Receita Federal de origem, para que fosse aberto prazo para que a recorrente promovesse a apuração dos créditos vinculados às receitas que o fisco entende tributáveis e colacionasse aos autos os respectivos elementos comprobatórios. Após, fosse elaborar parecer conclusivo acerca da pertinência de tais créditos e do montante da contribuição que seria reduzido em razão do seu acatamento. Em seguida, fosse franqueado o prazo de 30 dias para que a recorrente se manifeste sobre o parecer fiscal. E findo tal prazo, com ou sem manifestação da recorrente, os autos retornassem a este Conselho, para prosseguimento do julgamento. Em cumprimento ao que fora solicitado na referida diligência, por meio da Informação Fiscal de fls. 1571/1579, a autoridade fiscal, com base nos documentos apresentados pela recorrente, elaborou a “planilha 14” (fl. 1570), em que discriminado os valores dos créditos mensais da contribuição. Cientificada do resultado da diligência, por intermédio da petição de fls. 1583/1587, a recorrente reiterou as alegações apresentadas no recurso voluntário, no sentido de que as receitas próprias da recorrente, discriminadas na “planilha 13” (fl. 721), (i) estavam albergadas pela isenção, prevista no art. 14, X, da Medida Provisória 2.15835/2001, porém, ainda fossem tributáveis pela Cofins, (ii) tais receitas não estavam submetidas ao regime tributação não cumulativo, conforme entendera a fiscalização, mas ao regime de tributação cumulativo, por força do disposto no art. 10, V, da Lei 10.833/2003. Para reforçar o seu argumento, a recorrente mencionou a decisão proferida no âmbito do acórdão nº 3301001.578, que, ao analisar a mesma questão fática, deu provimento ao recurso voluntário e determinou o cancelamento integral do auto de infração. Em relação à apuração dos créditos da Cofins não cumulativa retratada na “planilha 14”, a recorrente alegou que não tinha reparos a fazer quanto à metodologia e aos critérios adotados pela auditor fiscal, porém, ressalvou que, caso prevalecesse o entendimento de que tais receitas estavam sujeitas ao regime da não cumulatividade, que fossem revistos os cálculos da apuração da Cofins não cumulativa de forma a retratar os termos da decisão definitiva a ser proferida nesta esfera administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Fl. 1618DF CARF MF 6 O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A lide envolve questões de natureza preliminar e de mérito, que serão a seguir analisadas. I Da Questão Preliminar Em sede de preliminar, a recorrente alegou nulidade do auto de infração, sob o argumento de que o lançamento fora irregular, porque não fora precedido da prévia suspensão da isenção a que tinha direito recorrente e assim não cumprido o rito estabelecido no art. 32 da Lei 9.430/1996, cujos trechos relevantes e pertinentes seguem transcritos, para facilitar a análise da questão: Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. § 1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, §1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. [...] § 10. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicamse, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência. [...] Da simples leitura dos excertos transcritos, extraise que o rito processual instituído pelo referido preceito legal cingese às hipóteses (i) de suspensão de imunidade de tributos federais especificados na alínea “c” do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal (impostos sobre patrimônio, renda e serviços), por descumprimento de requisito ou condição previsto nos arts. 9º, § 1º, e 14, do CTN, e (ii) de suspensão de isenções por descumprimento, pela entidade beneficiária, de condições ou requisitos fixados na legislação de regência. Induvidosamente, resta evidenciado que ambos os benefícios fiscais têm natureza nitidamente pessoal e a fruição deles depende do cumprimento, pela entidade beneficiária, de condições ou requisitos estabelecidos na legislação específica. Portanto, situação totalmente distinta da que motivou a glosa da isenção das receitas auferidas pela recorrente e que resultou na apuração e cobrança dos débitos da Cofins, discriminados na “planilha 13” de fl. 721 e objeto da autuação em apreço. Com efeito, segundo o Termo de Constatação de fls. 716/720, o motivo da glosa da isenção das receitas registradas nas contas “41110 Venda de Serviços MI”, “41120 Licença de Uso”, “41130 Transferência de Tecnologia Royalties”, “41140 Convênios” e “41160 Aluguel de Imóveis Polis” foi o fato delas terem cunho nitidamente econômico e contraprestacional e, por conseguinte, não atendida ao conceito de receitas relativas às Fl. 1619DF CARF MF Processo nº 10830.011594/200821 Acórdão n.º 3302004.687 S3C3T2 Fl. 1.617 7 atividades próprias das entidades sem fins lucrativos, a exemplo das fundações de direito privada sem fim lucrativo, situação em que se enquadra a recorrente. Nos presentes autos, a questão consiste em saber se as referidas receitas são ou não das atividades próprias da recorrente, conforme definido no art. 14, X, combinado com o art. 13, VIII, ambos da Medida Provisória 2.15835/2001. Logo, tratase de isenção de natureza objetiva, haja vista que depende apenas da condição de as referidas receitas estarem ou não incluídas no rol das receitas das atividades próprias das fundações de direito privado e não atendimento de qualquer condição ou requisito para que tais entidades possa usufruir da questionada isenção. Aliás, no caso, não há controvérsia se a autuada tem ou não direito à isenção da Cofins, prevista no citado preceito legal, pois, a própria autoridade fiscal, na descrição dos fatos, reconhece que ela atende as condições ou requisitos estabelecidos na legislação específica ao manter a isenção sobre as receitas registradas na conta “41150 Subvenções para Custeio Pesquisa”. A discorda limitase apenas às receitas provenientes da atividade operacional da recorrente que tem natureza econômica, empresarial ou contraprestacional. Este é o mérito da questão suscitada no recurso em apreço, a seguir analisado. Em suma, aqui não se trata de suspensão de isenção condicionada, muito menos de suspensão de imunidade de impostos sobre patrimônio, renda e serviços, mas do afastamento do benefício da isenção para receitas da atividade operacional da recorrente, que, no entendimento da fiscalização, não representam receitas das atividades próprias das fundações de direito privado. Por todas essas considerações, rejeitase alegação de nulidade do auto de infração, por suposto descumprimento do rito processual estabelecido no art. 32 da Lei 9.430/1996. II Das Questões de Mérito No mérito, o litígio envolve duas questões: a) se as receitas provenientes de (i) prestação de serviços, (ii) licença de uso de programas, (iii) transferência de tecnologia ou royalties, (iv) convênios com outras entidades e (v) aluguel de imóveis constituem estão isentas da Cofins, por serem receitas das atividades próprias das fundações de direito privado; e b) em sendo tributáveis pela Cofins, se tais receitas estão ou não sujeitas ao regime não cumulativo de apuração. Assim, se demonstrado que as referidas receitas estão isentas da Cofins, por serem das atividades próprias da autuada, a análise da segunda questão resta prejudicada. Da isenção das receitas das atividades próprias das fundações de direito privado. Em relação a esse ponto, a controvérsia cingese aos tipos de receitas alcançadas pela isenção das fundações de direito privado, estabelecida no art. 14, X, combinado com o disposto no art. 13, VIII, ambos da Medida Provisória 2.15835/2001, a seguir transcritos: Fl. 1620DF CARF MF 8 Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, á alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: [...] VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; (...) Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: [...] X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. [...] (grifos não originais) Para a autoridade fiscal, a referida isenção não alcançava as receitas contabilizadas nas contas “41110 Venda de Serviços MI”, “41120 Licença de Uso”, “41130 Transferência de Tecnologia Royalties”, “41140 Convênios” e “41160 Aluguel de Imóveis Polis”, porque tais receitas eram “próprias de atividades de natureza econômico, financeira ou empresarial”, logo não representavam receitas próprias das entidades sem fins lucrativos, a exemplo das fundações de direito privado. Para a citada autoridade, eram receitas próprias das mencionadas entidades somente aquelas sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao custeio e manutenção, tais como: doações, contribuições, mensalidades e anuidades recebidas de profissionais inscritos, de associados, de mantenedores e de colaboradores. Esse entendimento foi fundamentado nos dispositivos da Instrução Normativa SRF 247/2002, a seguir reproduzidos: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades: [...] VIII fundações de direito privado; [...] Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. [...] § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (grifos não originais) Fl. 1621DF CARF MF Processo nº 10830.011594/200821 Acórdão n.º 3302004.687 S3C3T2 Fl. 1.618 9 Com base nos mesmos argumentos, o órgão de julgamento de primeiro grau manteve a autuação. De outra parte, a recorrente alegou que a limitação do alcance da isenção em comento às denominadas “receitas” de caráter não contraprestacional direto, tais como as doações e subvenções, significava suprimir e mutilar a regra de isenção, uma vez que, juridicamente, só havia receita no ingresso remuneratório de “atividade ou cessão onerosa e temporária de direitos.” Dessa forma, resta demonstrado que o cerne da controvérsia cingese ao enquadramento das receitas de caráter contraprestacional, auferidas pela recorrente e a isenção glosada pela fiscalização, pertencem ou não às receitas próprias da autuada, contempladas com isenção prevista no art. 14, X, combinado com o disposto no art. 13, VIII, ambos da Medida Provisória 2.15835/2001. A questão foi analisada com profundidade e brilhantismo pelo nobre Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal no voto condutor do acórdão nº 3301002.195, de 25 de fevereiro de 2014, proferido no julgamento do recurso voluntário, interposto contra decisão de primeira instância prolatada no processo nº 10830.007903/200191, em que julgada a mesma questão, referente a período de apuração distinto. E por refletir o entendimento deste Relator, será aqui adotado e incorporado ao presente julgado, como razão de decidir, os excertos que seguem reproduzidos: Como já foi dito a recorrente é uma fundação de direito privado, sem fins lucrativos, cuja criação foi autorizada pelo art. 190 da Lei nº 9.472/97, e sua instituição efetuada pelo Poder Público por meio do art. 4º do anexo aprovado pelo Decreto nº 2.546/1998. Lei nº 9.472/97: Art. 190. Na reestruturação e desestatização da Telecomunicações Brasileiras S.A. TELEBRÁS deverão ser previstos mecanismos que assegurem a preservação da capacidade em pesquisa e desenvolvimento tecnológico existente na empresa. Parágrafo único. Para o cumprimento do disposto no caput, fica o Poder Executivo autorizado a criar entidade, que incorporará o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da TELEBRÁS, sob uma das seguintes formas: I empresa estatal de economia mista ou não, inclusive por meio da cisão a que se refere o inciso I do artigo anterior; II fundação governamental, pública ou privada. Anexo aprovado pelo Decreto 2.546/98: Art. 4º Fica a Telecomunicações Brasileiras S.A. TELEBRÁS autorizada a instituir uma fundação privada, para incorporar o seu Centro de Pesquisa e Desenvolvimento, nos termos aprovados pela Comissão Fl. 1622DF CARF MF 10 Especial de Supervisão instituída pelo Ministro de Estado das Comunicações, em conformidade com o disposto no art. 195 da Lei nº 9.472/97. Parágrafo único Poderá ser exigido das empresas resultantes da reestruturação societária da TELEBRÁS, no edital de desestatização, o compromisso de participar financeiramente da manutenção das atividades da fundação, por um prazo de até três anos, a contar de sua instituição. Nos termos autorizados pelo poder executivo, o Conselho Curador da Fundação CPQD Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações – em reunião realizada em 30/09/1999, aprovou o seu Estatuto Social, fls. 20/40, estabelecendo que seria uma fundação sem fins lucrativos, com prazo de duração indeterminado, com a seguinte finalidade: Art. 2º. O CPqD tem o objetivo primordial e permanente de preservar a capacidade em pesquisa e desenvolvimento em telecomunicações existente, no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Telecomunicações Brasileiras S/A TELEBRÁS, conforme previsto na Lei 9.472, de 16 de julho de 1997, fornecendo soluções científicas e tecnológicas que contribuam para o desenvolvimento, progresso e bem estar da sociedade brasileira, podendo, para tanto, realizar as seguintes atividades: I pesquisa aplicada, isoladamente ou em conjunto com empresas, universidades, instituições de pesquisa, desenvolvimento ou fomento; II estudos, projetos especializados e especificações de solução; III desenvolvimento de sistemas e programas de computador; IV desenvolvimento de produtos industriais; V desenvolvimento institucional, através de programas, ações, projetos e atividades, inclusive de natureza infraestrutural, que levem à melhoria das condições tecnológicas ou missão institucional de instituições públicas ou privadas; VI serviços de consultoria e assessoria técnica especializada; VII educação,treinamento e capacitação de recursos humanos; VIII serviços especializados de manutenção, testes de conformidade, medição, calibração, certificação de produtos, normalização, aferição, ensaios e testes de padrões, aplicáveis a instrumentos, equipamentos e produtos; Fl. 1623DF CARF MF Processo nº 10830.011594/200821 Acórdão n.º 3302004.687 S3C3T2 Fl. 1.619 11 IX comercialização de programas de computador e produtos desenvolvidos ou produzidos por si ou por terceiros; X concessão de licença de uso de marcas, patentes e de programas de computador; XI transferência de tecnologias adquiridas ou desenvolvidas pelo CPqD; XII instituição ou participação em organizações para o desenvolvimento de atividades relacionadas aos seus objetivos; XIII incentivo à produção e à formação cultural; XIV congressos, seminários, simpósios e conferências; XV concessão de bolsas de estudo para estágios, assistência a estudiosos e pesquisadores, cujas atividades possam contribuir para a realização de seus objetivos; XVI instituição de prêmios para o estímulo e o reconhecimento a pesquisadores que tenham contribuído ou venham a contribuir para o desenvolvimento científico, técnico e cultural da sociedade; XVII outras, relacionadas com os seus objetivos, não expressamente elencadas neste artigo, conforme decisão do Conselho Curador e aprovação do Ministério Público. Parágrafo único. O CPqD deve atuar preferencialmente em atividades relacionadas às áreas de telecomunicações e de tecnologia da informação. O AuditorFiscal ao elaborar o auto de infração assim expôs no item 1.6 do Termo de Verificação Fiscal: “1.6 Ocorre que, apesar de a Entidade não ter fins lucrativos, e as atividades que geraram tais receitas estarem compreendidas no rol de objetivos da Fundação, tais receitas foram geradas por prestação de serviços, como fica demonstrado nos contratos e notas fiscais apresentados. Tais receitas tiveram, portanto, o cunho contraprestacional. São serviços prestados, mediante contratos comerciais, passíveis de medição e recebidos pela entidade, como qualquer empresa do ramo.” (Grifei) Está evidente, portanto, que não há controvérsia de que as receitas foram oriundas de atividades compreendidas no rol dos objetivos sociais da Fundação CPQD. O ponto de divergência consiste no fato de saber se as receitas que decorrerem de atividades de cunho contraprestacional estão ou não isentas da Cofins nos termos do Art. 14, inc. X da MP nº 2.158/35/ 2001. A fiscalização, conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, firmou o entendimento de que “receitas relativas a atividades próprias” referemse às suas receitas típicas como Fl. 1624DF CARF MF 12 contribuições, doações e anuidades ou mensalidades de seus associados e mantenedores, destinadas ao custeio e manutenção da instituição, mas que não tenham cunho contraprestacioanal, citou neste sentido duas decisões da Receita Federal (decisões 31 no DOU de 13/09/00 e 162 no DOU de 14/09/00). Por sua vez a 1ª Turma da DRJ/Campinas manteve este entendimento, citando como fonte de sustentação o PN CST nº 5, de 22/4/92, o qual teria analisado a questão de quais receitas das associações, dos sindicatos, das federações e confederações, das organizações reguladoras de atividades profissionais e outras entidades classistas. Este parecer teria concluído que as receitas derivadas de contribuições, anuidades ou mensalidades destas entidades estaria fora do campo de incidência tributária, uma vez que a lei elegeu como fato gerador o faturamento, stricto sensu. Concluiu assim, que as receitas de cunho contraprestacional, por configurarem faturamento, estavam no campo de incidência e não existia lei isentiva. Posteriormente com a edição da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento para abranger a totalidade das receitas, foi necessária a edição da MP nº 1.858/99, isentando somente aquelas receitas antes fora do campo de incidência e agora isentas, ou seja, a medida provisória teria sido editada para estabelecer o status quo anterior. Com todo respeito aos entendimentos da fiscalização e também da autoridade julgadora de 1ª instância administrativa, estes argumentos não se sustentam diante da leitura da norma isentiva. A MP nº 18586/ 99 e suas reedições foram editadas após o PN CST nº 5, de 22/04/92, e das decisões citadas no Termo de Verificação Fiscal que remontam ao ano de 2000. Dizer que a norma foi editada em função do referido parecer é puro exercício de imaginação, pois se assim o fosse sua redação poderia e deveria ser explícita. Não se pode querer que os destinatários da norma, remontem a pareceres infralegais de anos atrás, para poder decifrar o seu real sentido. O seu real sentido, neste caso, na minha opinião, está claramente expresso na norma em questão. São isentos da Cofins as receitas relativas às atividade próprias das entidades listadas no art. 13 da MP nº 2.15835/ 2001. Concordo com o recorrente de que os ingressos decorrentes de mensalidades, anuidades, contribuições, etc não correspondem a atividades fins destas entidades e nem teria sentido se fossem. Na verdade são fontes de receitas para que elas possam atingir os seus objetivos. As receitas de cunho contraprestacional, ou seja remuneradas, podem vir naturalmente de atividades relacionadas com suas atividades estatutárias ou não. Quando decorrentes de suas atividades estatutárias a lei lhes concedeu isenção. Também não concordo com o argumento de que esta interpretação dá azo que as próprias entidades possam em seus estatutos definir quais atividades seriam objeto da isenção. As entidades relacionadas no art. 13 da MP nº 2.15835/ 2001, para serem criadas, devem obedecer a legislações próprias que, em regra, são restritivas quanto ao seu objeto social. No caso em Fl. 1625DF CARF MF Processo nº 10830.011594/200821 Acórdão n.º 3302004.687 S3C3T2 Fl. 1.620 13 exame, quanto às Fundações, de acordo com o parágrafo único do art. 62 do Código Civil, Lei nº 10.406/2002, as fundações somente poderão ser constituídas para fins religiosos, morais, culturais ou de assistência e serão veladas pelo Ministério Público do Estado de onde se situarem, bem como as regras para as alterações estatutárias, são bem rígidas a teor do que dispõe o art. 67 do CC, abaixo transcrito. Art. 67. Para que se possa alterar o estatuto da fundação é mister que a reforma: I seja deliberada por dois terços dos competentes para gerir e representar a fundação; II não contrarie ou desvirtue o fim desta; III seja aprovada pelo órgão do Ministério Público, e, caso este a denegue, poderá o juiz suprila, a requerimento do interessado.(Grifei) No presente caso a própria fiscalização reconheceu que as receitas objeto da autuação são relativas ao “rol de objetivos da Fundação”. Portanto, concluo que estas receitas são isentas da Cofins por serem relativas às suas atividades próprias, tal qual como está literalmente constante do art. 14 da MP nº 18586/ 99 e suas reedições. Com base nos mesmos fundamentos, este Relator também entende que as receitas que foram glosadas pela fiscalização fazem parte das atividades próprias da autuada, logo, estão alcançadas pela isenção, instituída no art. 14, X, combinado com o disposto no art. 13, VIII, ambos da Medida Provisória 2.15835/2001. E em razão dessa conclusão, revelase de todo desnecessária a análise da segunda questão de mérito. III Da Conclusão Por todo o exposto, votase por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar integralmente a cobrança do crédito tributário. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1626DF CARF MF 14 Fl. 1627DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.725172/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
DECADÊNCIA. CONTAGEM. INÍCIO DO PRAZO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. EXISTÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. DATA DO FATO GERADOR.
O início da contagem do prazo decadencial para lançamento das contribuições previdenciárias dá-se na data da ocorrência do fato gerador quando ficar comprovada a existência de antecipação de pagamento e não for imputada ao contribuinte a prática de conduta dolosa, fraudulenta ou simulada.
LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA. NULIDADE.
Deve ser reconhecida a nulidade do ato administrativo naquilo em que a decisão da autoridade pública não se encontra suficientemente motivada.
Numero da decisão: 2201-003.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 25/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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CONTAGEM. INÍCIO DO PRAZO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. EXISTÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. DATA DO FATO GERADOR. O início da contagem do prazo decadencial para lançamento das contribuições previdenciárias dáse na data da ocorrência do fato gerador quando ficar comprovada a existência de antecipação de pagamento e não for imputada ao contribuinte a prática de conduta dolosa, fraudulenta ou simulada. LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA. NULIDADE. Deve ser reconhecida a nulidade do ato administrativo naquilo em que a decisão da autoridade pública não se encontra suficientemente motivada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 51 72 /2 01 0- 11 Fl. 1369DF CARF MF 2 EDITADO EM: 25/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado em face do Acórdão 0255.418, da 6ª Turma da DRJ/BHE, que deu parcial provimento à impugnação (fls. 1256/1268) do sujeito passivo a lançamento fiscal referente a contribuições destinadas a outras entidades e fundos, denominados Terceiros, mais especificamente, ao Salário Educação, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas Sebrae, Serviço Social da Indústria SESI, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, incidentes sobre as remunerações pagas devidas ou creditadas aos seus segurados empregados e sobre a comercialização da produção rural na condição de subrogada na obrigação dos produtores rurais pessoa física. O lançamento está composto pelos seguintes levantamentos: Nº Debcad Levantamento Descrição Item 37.296.5601 L2 LC LG L4 LD LI L5 L6 LE Seg. Vida Empregados Subrog. Prod. Rural SENAR Terceiros Terceiros Terceiros A empresa fiscalizada é uma agroindústria e os créditos apurados são decorrentes de seguro de vida em grupo, pagamentos efetuados a produtores rurais pessoa física e segurado especial e, para o Senar, a totalidade das remunerações pagas. Pelo documento de fls. 1313, vêse que houve a exclusão dos levantamentos L2, LG e LC. A decisão da DRJ restou consubstanciada em Acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. ILÍCITOS. INÍCIO DO PRAZO DECADENCIAL. Por força do §4º do art. 150 do CTN, a ocorrência dolo, fraude ou simulação atrai a regra do inciso I do art. 173 do CTN, ficando o termo inicial do prazo decadencial Fl. 1370DF CARF MF Processo nº 10680.725172/201011 Acórdão n.º 2201003.801 S2C2T1 Fl. 1.370 3 protraído para um momento posterior àquele em que o lançamento é possível, ou seja, para 1º de janeiro do ano seguinte àquele que ocorreu o fato gerador. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO COM FUNDAMENTO EM JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA DO EGRÉGIO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. É revisto de ofício o crédito tributário relativo a seguro de vida em grupo, em razão de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, expedido em virtude dejurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça. ENQUADRAMENTO FPAS. SETOR RURAL DA AGROINDÚSTRIA. Os estabelecimentos das agroindústrias cuja atividade preponderante é suinocultura ou avicultura se enquadram no código FPAS 795 (período 01/2005 a 07/2005) e FPAS 787(período 08/2005 a 13/2006). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em face dessa decisão, a empresa autuada apresentou recurso voluntário (fls. 1357/1365), cuja tempestividade foi atestada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte, pelo despacho de fl. 1368. Em suas razões de recorrer, alega a interessada, em síntese, que: Decadência: a recorrente invoca a aplicação da regra constante do art. 150, § 4º, do CTN porque todas as bases de cálculo foram declaradas em GFIP e Folha de Pagamento, bem como porque houve pagamento antecipado o que demonstra a inexistência de dolo; Questiona o enquadramento do FPAS e terceiros, porque o relatório fiscal teria sido falho em apresentar as justificativas para mudança de enquadramento e porque teria sido correta a classificação feita pela empresa; Pede que sejam considerados os pagamentos feitos pela empresa em função do enquadramento realizado por ela; Solicita diligência para verificação dos pagamentos realizados e da condição dos segurados que são inseridos no regime especial de tributação. É o que havia para ser relatado. Fl. 1371DF CARF MF 4 Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Preliminar de mérito Decadência Alega a recorrente que as competências compreendidas entre 01/2005 e 11/2005 estariam fulminadas pela decadência, uma vez que a ciência do lançamento ocorreu em dezembro de 2010. Em decorrência do julgamento dos Recursos Extraordinários nº 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: São inconstitucionais o parágrafo único do art. 5º do Decreto Lei nº 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Assim, definindo o STF a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991, que estabelecia o prazo decenal para constituição dos créditos previdenciários e para terceiros, a matéria passa a ser regida pelos artigos 173, inciso I, e 150, § 4º, do Código Tributário Nacional: Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Fl. 1372DF CARF MF Processo nº 10680.725172/201011 Acórdão n.º 2201003.801 S2C2T1 Fl. 1.371 5 Com respeito à forma de contagem de prazos relativos às contribuições sociais previdenciárias e às contribuições para terceiros, o Ministro da Fazenda aprovou, em 18 de agosto de 2008, o Parecer PGFN/CAT nº 1617/2008, que estabelece orientações a serem observadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, em face da edição da Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: 49. (...) a) A Súmula Vinculante nº 8 não admite leitura que suscite interpretação restritiva, no sentido de não se aplicar efetivamente o prazo de decadência previsto no Código Tributário Nacional; é o regime de prazos do CTN que deve prevalecer, em desfavor de quaisquer outras orientações normativas, a exemplo das regras fulminadas; b) apresentada a declaração pelo contribuinte (GFIP ou DCTF, conforme o tributo) não há necessidade de lançamento pelo fisco do valor declarado, podendo ser lançado apenas a eventual diferença a maior não declarada (lançamento suplementar); c) na hipótese do subitem anterior, caso o Fisco tenha optado por lançar de ofício, por meio de NFLD, as diferenças declaradas e não pagas em sua totalidade, aplicase o prazo decadencial dos arts. 150, § 4º, ou 173 do CTN, conforme tenha havido antecipação de pagamento parcial ou não, respectivamente; o prazo prescricional, ainda, e por sua vez, contase da constituição definitiva do crédito tributário; d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN; f) para fins de cômputo do prazo de decadência, todas as vezes que comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação deve se aplicar o modelo do inciso I, do art. 173, do CTN; (...) A esses esclarecimentos deve ser adicionado o que expressa o enunciado nº 99 da Súmula de jurisprudência do CARF: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Fl. 1373DF CARF MF 6 Na hipótese em questão, no primeiro levantamento realizado no âmbito do processo 10680.725170/201022, decorrente do mesmo procedimento fiscal e para o mesmo período de apuração, a autoridade fiscal se reporta à diferença de seguro de acidente de trabalho não declarado em GFIP. Nos itens 2.1.1 a 2.1.3 do Relatório Fiscal (fl. 134) do processo mencionado, afirmase que os lançamentos foram realizados com base nas GFIP, folhas de pagamento e escrituração contábil disponibilizadas pelo contribuinte, bem como que este realizou os recolhimentos com a alíquota diferente daquela que lhe seria exigido. Com base nisso, é possível afirmar que houve recolhimento, ainda que parcial, no período lançado. Por outro lado, merece destaque os seguintes itens do relatório fiscal do processo em análise: 3.12 Registrese que a contribuição dos segurados, incluída no Auto de Infração AI Debcad 37.296.5598, assim como, a contribuição de 2,3% incidente sobre valores pagos por aquisição de produto rural de pessoa física (subrogação), por não terem sido descontadas dos segurados, não configurou crime de apropriação indébita. 3.13 Por outro lado, foi formalizado processo de “Representação Fiscal Para Fins Penais”, tendo em vista que foram constatados outros fatos que, “em tese”, configuram crimes contra a Seguridade Social e contra a ordem tributária, definidos no artigo 1º da Lei Nº. 9.983 de 14/07/2000, que acrescentou o artigo “337A”, inciso III, ao DecretoLei nº. 2.848 de 07/12/1940 – Código Penal e no art. 1º da lei 8.137/90. (fl. 148) Assim, embora faça menção à formalização de Representação Fiscal para Fins Penais tendo em vista que foram constatados "outros fatos que, em tese, configuram crimes contra a Seguridade Social e contra a ordem tributária", o relatório fiscal cita a omissão de valores tributáveis e incorreções no cumprimento de obrigações acessórias, mas não há a imputação de qualquer conduta dolosa ou fraudulenta no âmbito desta autuação. Em meu entender, a existência de "outros fatos" que ensejariam a imputação de prática ilícita poderia atrair a aplicação da regra mais desfavorável de contagem do prazo decadencial apenas em relação aos fatos geradores vinculados a esses "fatos". Entretanto, pela forma como foi redigido o relatório fiscal, os fatos que deram origem aos tributos exigidos neste processo não envolvem a prática de conduta dolosa. Com efeito, não é possível decidir pelo prazo mais desfavorável ao contribuinte com base em "fatos" que não lhe é dado conhecer e discutir no processo. Da mesma forma, não se pode exigir da autoridade julgadora que adote uma posição com base em fatos que não lhe são apresentados e por isso mesmo, não lhe é possível valorar. Além disso, foi expressamente ressalvado que não houve apropriação indébita previdenciária. Em consequência, dou provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência das competências compreendidas entre 01/2005 e 11/2005. SENAR Reenquadramento Nulidade Fl. 1374DF CARF MF Processo nº 10680.725172/201011 Acórdão n.º 2201003.801 S2C2T1 Fl. 1.372 7 A recorrente questiona o enquadramento do FPAS e terceiros feito pela fiscalização alegando, inicialmente, que o relatório fiscal teria sido falho em apresentar as justificativas para mudança de enquadramento. Extraise do Relatório Fiscal (fl. 142): 2.1.2 – Constam dos Anexos retro citados, por competência e estabelecimento, identificado pelo CNPJ, o código e a descrição do CNAE preponderante à época da ocorrência dos fatos geradores (enquadramento feito com base nas Atas de criação das filiais e cartões do CNPJ), bem como, os enquadramentos efetuados equivocadamente pela empresa versus o enquadramento correto indicado pela fiscalização nos códigos “FPAS” e “Terceiros” e respectivos salários de contribuição constantes dos resumos gerais das folhas de pagamento e declarados em GFIPs. 2.1.2.1 – Em síntese, conforme Anexo V – Contribuição sobre a Folha de Pagamento, a partir de 01111991 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 DOU de 15/07/2005, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, o enquadramento para as filiais (setor rural) que se dedicam à criação de aves e suínos, em todas as competências é a seguinte: Ao abrir os anexos mencionados, é possível encontrar o seguinte comentário em um dos campos: CNAE PREPONDERANTE (à época) (Conforme Atas de criação das Filiais e Cartões CNPJ) Neste caso, dado o excesso de concisão por parte da autoridade fiscal, as razões pelo reenquadramento efetuado podem ser supostas, mas não conhecidas. Se os atos devem ser motivados, não basta identificar onde foram obtidos os elementos de convicção, mas é necessário descrevêlos e evidenciar o nexo de causalidade entre as informações extraídas desses elementos e as conclusões a que elas conduziram. Tudo que é possível concluir sobre as razões que levaram ao reenquadramento determinado pela fiscalização é que foi "feito com base nas Atas de criação das filiais e cartões do CNPJ". Mas afinal, o que continham essas atas e que informações no CNPJ permitiriam concluir acerca da preponderância da atividade? Como poderia o contribuinte se defender em relação a motivos não expressados pela autoridade pública? De acordo com o Manual de Redação da Presidência da República: Não se concebe que um ato normativo de qualquer natureza seja redigido de forma obscura, que dificulte ou impossibilite sua compreensão. A transparência do sentido dos atos normativos, bem como sua inteligibilidade, são requisitos do próprio Estado de Direito: é inaceitável que um texto legal não seja entendido pelos cidadãos. A publicidade implica, pois, necessariamente, clareza e concisão Fl. 1375DF CARF MF 8 (http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:YM2Q bEssJEQJ:www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/manual.htm+ &cd=2&hl=ptBR&ct=clnk&gl=br&client=firefoxbab) Embora o lançamento não tenha as característica da generalidade e abstração, essas regras devem ser aplicadas a ele por analogia, já que se submete igualmente ao princípio da publicidade que, como se viu, exige que os textos sejam compreendidos pelo cidadão. Vale ressaltar: a publicidade implica, pois, necessariamente, clareza e precisão. Extraise ainda desse Manual: As comunicações que partem dos órgãos públicos federais devem ser compreendidas por todo e qualquer cidadão brasileiro. Para atingir esse objetivo, há que evitar o uso de uma linguagem restrita a determinados grupos. Não há dúvida que um texto marcado por expressões de circulação restrita, como a gíria, os regionalismos vocabulares ou o jargão técnico, tem sua compreensão dificultada. É claro que, em se tratando da atuação de agente com alto nível de especialização como a autoridade fiscal e de temas que exigem conhecimentos bastante específicos, tornase inevitável o emprego de termos técnicos que não são de domínio da média do cidadão brasileiro. Contudo, se a utilização de linguagem que limita a compreensão da mensagem a uma parcela restrita da população já contraria nosso ordenamento jurídico por ofensa ao princípio da publicidade, que dizer de um texto que força o seu intérprete a supor o que foi sugerido mas não expressado. Assim, não se justifica que, ao mencionar os fundamentos do ato, a autoridade se limite a nominar documentos onde buscou seu convencimento, como foi feito neste auto de infração, e não identifique efetivamente as informações dele extraídas e como elas, em confronto com a legislação aplicável à espécie, poderiam conduzir às conclusões afirmadas no ato administrativo. Da jurisprudência desse conselho, extraemse os seguintes precedentes: Acórdão 3402004.13,0 Relator o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF Anocalendário: 2006 NULIDADE. VÍCIO DE MOTIVAÇÃO. ART. 50, §1º DA LEI Nº 9.784/99. É requisito do auto de infração que ele indique o fato jurídico de forma clara e determinada e lhe impute os efeitos jurídicos que entenda cabíveis por força da lei, identificando os fundamentos da autuação. A motivação da autuação, para ser válida, deverá ser explícita, clara e congruente. A ausência de referibilidade entre o fundamento da autuação e os fatos demonstrados nos autos implica em vício na congruência da motivação, maculandoa. Recurso Voluntário Provido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 10680.725172/201011 Acórdão n.º 2201003.801 S2C2T1 Fl. 1.373 9 Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. As normas que regem o processo administrativo fiscal concedem ao contribuinte o direito de conhecer, com exatidão, os fatos motivadores da exação. Deficiente fundamentação fática circunstância caracterizadora de cerceamento do direito de defesa e nulo é o lançamento maculado com vicio dessa natureza. Recurso Voluntário Provido. Com base no exposto, entendo que é nulo o auto de infração, por falta de fundamentação, naquilo que decorre da mudança de enquadramento da empresa no FPAS e Terceiros. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer o recurso voluntário apresentado e lhe dar parcial provimento para reconhecer a decadência dos créditos tributários relativos às competências compreendidas entre 01/2005 e 11/2005 e declarar a nulidade dos créditos decorrentes da alteração do enquadramento no código PFAS e Terceiros. Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 1377DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.912120/2012-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/10/2011
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.834
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/10/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 21 20 /2 01 2- 84 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10830.912120/201284 Acórdão n.º 3301003.834 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.861, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.912120/201284 Acórdão n.º 3301003.834 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.912120/201284 Acórdão n.º 3301003.834 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912120/201284 Acórdão n.º 3301003.834 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912120/201284 Acórdão n.º 3301003.834 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912120/201284 Acórdão n.º 3301003.834 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912120/201284 Acórdão n.º 3301003.834 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.912120/201284 Acórdão n.º 3301003.834 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 198DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10670.000015/93-01
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 1995
Numero da decisão: 202-01.695
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Estiveram presentes os patronos da recorrente Alexandre Lacerda, Aci Coutinho e Dalmar pimenta
Nome do relator: José Cabral Garofano
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RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em • dlllgêncla, DOS termos do voto do relator. Estiveram presentes os patronos da reoorrente Alexandre Lacerda, Aci Coutinho e Dalmar pimenta . • • fclbl Adri z de~ - Pocuradora-Representante da Fazenda Nacional 1 ' .. • •• _._~. '---'-._-~-----'''_._.- •• _--------- • "---_ •• - &- -- ------ -- ._. __ ._------_._~-~-._._ •••• _-_ •• _-_ •• _~---------- MINIST£RIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • • • • Processo n." 10670.000015/93-01 Recurso n.": 96.129 Dillgêncla n.": 202-01.695 Recorrente : COMPANHIA DE MATERIAIS SULFUROSOS - MATSULFUR RELATÓRIO Por objetividade, adoto e transcrevo o bem elaborado relatório da decisão recorrida (fls. I 79/189): " Conforme o Termo de fls. 03, " Descrlçi10 dos Fatos e Enquadramento Legal ", o crédito tributário acima decorre da dife- rença na produçi1o registrada, em confronto com os respectivos ingressos, nos periodos de apuraçi10 campreendidos entre janeiro de 19889 e dezembro de 1990, ficando o contribuinte sujeito ao pagamento do IPI, nos termos do ari. 343, caputeparágrafo IOdo Dec. 87.981/82. SiJo citados ainda como enquadramento legal o ari. 55, inciso 1, alinea b, e 11,alinea "c" e ari. 107, inciso 11,combinados cam o art. 343, além do art. 364 -11. todos do Dec. 87.981/82 (RlPl). Fazem parte integrante do Auto, o " Termo de Constataçi1o", fls. 38 a 40, e demais termos e demonstrativos ant!%Os,como consta àsfls. 03. Diz o "Termo de Constataçi1o" mencionado: "1) Em atendimento ao Termo de Inicio de FiscalizaçiJo de 23/04/92, foi apresentado o seguinte: 1.1) Relaçi10 dos produtos industrializados pelo estabelecimento, classificaçi10 fiscal e aliquotas. 1.2) RelaçiJo das matérias primas, produtos intermediários e embalagens empregados no processo de industrializaçiJo, classi- ficaçi10fiscal e aliquotas correspondentes. 1.3) Relaçi10 dos coeficientes de produçl1o ( RelaçiJo lnsumo/ Produto) dos produtos fabricados pelo estabelecimento, estando incluido nestes coeficientes o percentual de perdas no processo industriaL 2 • - ---.---_ •• _. ._._._ ••••••••• 0 MINIST~RIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • • • • Proeesso D.o 10670.000015193-01 DtUgêDcla D.o 202-01.695 2) Em atendimento ao Termo de lntimaçlJo nO 01 de 07107/92,/0/ Qpresentodo: 2.1) QUADRO" A "- DemonstTativo da Movimentaçllo delnsu- mos, indicando Q clossljlcaçllo ftsCQ~ Q llIlidade. os estoques iniciais efinais e Qmovimentaçdo mensal nos perlodos de 1989 e 1990. 2.2) QUADRO "B" • DemonstTativo das Saldas de Estoques. indi. cando Q unit1ath. os estoques inietais e finais e Q movimentoç/Jo mensa~ nos perúxlo8 de 1989 e 1990. 2.3) QUADRO "C" - DemonstTativo das Sobras, indicando QquQ1/_ tidade de mcatas de embalagens ( sacos de papel). vendidos em 1989 e 1990. 2.4) A empresa utíliwu " Tonelodas" como unidade de medida. para quQ1/tIjlcar Q movimentoçllo dos insumos e dos produtos industriQlizadas, com ezeeçllo do material de embalagem. 3) As in/ormaçlJes prestodas.pelo estabelecimento, t1tTtlVú das respostas aos termos de inicio e de intimaçllo. seTViTamdebase para eloboraçllo dos seguintes demonstrativos: 3.1) QUADRO "1" - COEFIC1ENI'E DE PRODUÇÃO (REL.4.çÃO INSUMOIPRODUI'O );identljlca Q quantidade dos divenos insu- mos, tais como: calc4rio,. argila, gipsita e esc6rla, necusdrios para Q/abrlcaçlJo de umQ unidade de cimento (produto ocobodo) e clinquer(produto em elaboraçllo). 3.2) QUADRO "2" - DEMONSTRATIro DOS ESTOQUES DE INSUMOS EM ELABORAÇÃO; identljlea Q quQ1/tidade. dos insu- mos. "calc4rio e argila" contidas nos estoques inietais.eftnais do produto em.eloboraçi1o "clinquer". 3.3) QUADRO "3" - DEMONSTRA17VOS DO.INSUMO. ~ TRADO: identljlea Q quantidade dos insumos regbJbuJos. (consumidos pelo estabelecimento) no ]JTOUSSO produtivo. 3.4) QUADRO"4"-DEMONSTRATIVODA PRODUÇÃO REGIS- TRADA; identIjlca o que o estabelecimento 'registrou. e contobi~ lizou, como quantidade produzida de cimento. 3.5) QUADRO "5"- DIFERENÇA ENI'REO INSUMO REGISI'RA- DO E O CONSUMIDO NA PRODUÇÃO REGISTRADA. estabele- ce Qdiferença entre Q quQ1/tidadenecessárltJ dos insumos e serem' consumidos,emjimçlJo.daproduçllo registrada. ( cantobilizada) e Q quantidade. consumida destes insumos, registrada pelo estabelecimento; 3.6) QUADRO "6" - DEMONSTRA17VO DA PRODUÇÃO NÃo REGISTRADA.: identljlea através da diferença de insIInrtMe_' 3 •- ._,.~.-.__ ..._--~.__ ._-...~-_.._---_ ..._- ..- _._----'-_._-----_.~......-.- .•_-~._-.-.----- --_.~--..-....-......_.._-------. MINIST£RIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • • • • Processo D.o 10670.00001SIIJ3-01 DWgêndaD.o 202-01.695 respectivos coefictentes de produçlJo. a quantidode da produçlJo de cimento nlJoregtstl'tlda. 3.7) QUADRO °7° - DEMONSTRATIVO DA RECEITA OMTl7DA; identifica o valor da Receita OmItida, a partir da produçlJo nlJo registrada e opreço mhJio das vendas (Quadro B. cal 7). Parajlns de apuraç/Jo da receita omitida, foi utillzadocomo.lnsu- mo, o calcário, tendo em -vistaa representatividade e a essenciali. dade. deste Insumo. no processo produtivo, para obtençilodo- cimento. 3.8) QUADRO °8" - DIS11UBUIÇÃO DA RECEn'A OMIrl7DA PELOS pERlODOS DE APURAÇÃO; busca distribuir em fimçlJo da receita contabllizoda, o valor da receita omitida em todos os meses do ano. " A autuada apTflSlmtalmpugnaçlJo tempestiva, utllizando-sedapTOTTO- gação de prQZ()prevista no arl. 6" do Decreto n': 70.235112, que sollcttou e tfM1deferi- mento, tmCOntTantlo-se a mesma às fls. 63 a 80 dos autos. EmquestlJo preliminar contesta a Impugnonte a cohraTlftl dejuTOS de -- mora equivalente à TRD,' argumentando: - que o STF declarou inconstitucionol esta cohrarlfa; - que a constitulçllo prerijuros de 120/6 ao ano e a Receita Federal quer COhrQTjuTOs- superloTes; - que tem sido prátlca,da SRF'Testltulr o IR ao contribuinte sem aplicar a TRD sohTe tais mloTes, ensejando i1quaiJimidode nos PTOCi1dimmtOS, ou sBja, a não aplicação do TRD sohTe Imposto a Teceher. Quanto ao mIJrlto, contesta a Impugnante: - as Telaç&s Insumo/produto utilizados pelajiscallzaç80; - o rateio da omissão apurada por todos os meses do ano. Das TelaÇÕi1aInsumo/produto diz a Impugnonte: • 6. As lTrformaçlJesTetlTadas.da Autlloda. e tomadas a termo pela Fiscali-. zaç/lo silo de t:mt1teTGERAL e, segundtr a Autuda, nlJo se constituem. em- elementos su1mdiáriospara'o cálculo da produçilo e corresponrJmle7JQgtl.r mento do Imposto,previsto no ort. 343, especlabnente no que diz oPaTÓ8'qfo , Primeiro., 4 • .<.•.:. - ~.,.-._ •••• - ._. __ ••••• "o --> .••.•.•.- •• MINIST~RIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • • • • Processo D.oI0670.000015J93-01 DWgênda D.O202--01.695 ............................................................................................................................ 9- Aconteceu que a ftsazlizDçi10 tomou como base uma mera tnfomtQÇt!ode caráter geral e nlto aquela registrada pelo estabekdmento ( como diz o parógrqfo 1°retro). o que motivou varlaçlJes. 10. Destaforma, embora ttvesse ajlsazUzaçl10 elementos diários a elafame- cidos. preferiu adotor o comtnho aazdlmico. longe, portanto. das muitas varlaçiJes que se sucedem diariamente. no ~sso de fabrleatlJo do cimento. n Com base nestes dados argumenta: n 18. Conclui-se. portanto. que. primeiro, a adoçlJode percentuais e/ou COfÚi- cientes FIXOS nI10é compatJvel com a realidode. segundo, se adotados os percentuais e ou coeficientes reais. mb a mb, nlIo haveria difeletlÇU,como, aliás, n/lo há mesmo. n Assim; considera t80 abSUrtM a conclus8o da fiscalizaç80, que o próprio fiscal somente tributou a diferença encontrada no calcário, visto que a diferença encon- trada. por exemplo no escória, equivaleria à toda produç80 de cfmImto da MATSUL- FUR, durante um ano. Á norma técnica ABNT EB 21/38 é citada, para mostrar que a 1fUISIfIQ admite variações relevantes na composiçdo dos cimentos CP 11- 32 e CP 11 - F 40, que produz. Quanto.ao rateio do crédito por períodos mensais, diz a ;mpugnDf80: n28. Á suposta diferença foi levantado com base em perlodos QflIIQis. Ap6s o que. a pretensa omissllode. receita foi rateoda parr1"todosos meses do ano." Ainda. que fosse'verldiaza qflrmat;va da. diferença Iewmtado,-nIkJ:sendo- possfvel ou fJIJo querendo discriminar o ndéblto", por perlodos mensais.' dever-se.;a "COIISiderá-1ono último mb do perlodo jlsazlizodo, aJiós, até- mesmo para SeTC06/entecom o lewmtllmento_ljeito. (...) ~ Face aos argumentos, requer a autuada: n31.1 - Oitiva pessoal dos Sen1KJresPeritos que subscrevem o mmdonado" Laudo acostado, afim deprestarem"quaisquer outros esclarecimentw adi~ naJsque, ]KJTlIeIItuTa,se faÇQl1lnecusárlos t'JeblcilJllçlJodosfatos; 31.2 - ProtestolfUS Advogr:rdos~estaque'subst:r'tJWmpela susttJiltui;iJooral nestes 'autw; " MINIST~RIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • • • • Processo 0••10670.000015/93-01 DIDgêoda o •• 202-01.695 31.3 - De"adeiramf!TIte, pelas conclusões simplistas, "permissa venia " , trazidas pela fiscalizaçl10 e diante das provas robustas, fartas e incon- testáveis, pede a MATSULFUR a improcedhlcia total do auto sob julgamf!TIto por s~-/o insustf!TItável por questões técnicas segundo a realidade e normas daABNl'. " Conforme preceitua o art. 19 do Decreto n~ 70.235/72, fala o autor do procedimento fiscal sobre a impugnação manifestando-se pela manutenção do feito, trazendo as informações que transcrevemos: "............................................................................................................................ ..... 04) De toda a argumf!TItaçl1o apresf!TItada pela impugnante, contém tlIo somf!TIteum único ponto básico, que é o dmago da questllo, no que se refere. ao mérito, ou seja, a quantidade de calcário necessária, para produzir uma unidade de cimf!TIto.O trabalho dafiscalizaçl10 com base em elemf!TItossubsi- diários, para apurar diferenças na produçl1o registrada, tem como ponto de partida as informações de todo o sistema produtivo da empresa, inclusive com visita a esta, além de declaraçl10 tomada a termo e assinada por pessoa competf!TIte do setor industria~ tal como, diretor ou gerente, informando os insumos utilizados no processo industrial, bem como as quantidades necessárias destes, para obtençl1o de uma unidade do produto acabado (doctos. nos. 13 e 14). Portanto, quando a fiscalizada em sua peça impugnatória diz repetidamente em vários itens "coeficientes conforme fiscalizaçl1o". "consumo C01Úorme fiscalizaçl1o", na verdade se refere a elemf!TItos fornecidos pela empresa, durante os trabalhos, nI10foi a fiscalizaçl10 que criou tais dados, os mesmos foram fornecidos e declarados pela própria empresa . ................................................................................. . Na verdade, o que a impugnante desejava é que a fiscalizaçl10 utilizasse os Boletins Mensais de Produçl1o, como elementos subsidiários; é evidente que se partissemos por ai, diferença alguma existiria, pais nos boletins, a empre- sa registra a produç/Jo e o consumo de cada insumo, que qfirma serem reais . ......................... . 7) Destaforma, quer a impugnante, que afiscalizaçi10 admita que os números lançados nos Boletins de Produçl1o e o Laudo Pericial que os endossa,. sejam soberanos e incontestáveis. " 6 MINIST~RIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • • Processo 0"10670.000015/93-01 DUlgêoda o•• 202-01.695 Ainda para provar a diferença existente na Produção Registrada nos Boletins, sem inc lusive usar os elementos subsidiários demonstra-se na infOrmação fiscal a produção de cimento durante o ano de 1990, obtida dos valores infOrmados rela- tivos a estoques, venda e outras saídas, que diverge do que consta no mencionado Boletim. Assim conclui: " Conforme se pode ver existe uma diferença entre a produçlio real do esta- belecimento, apurada atrQ1lésdos registros contábeis, e os Boletins Mensais de Produçlio, no montante de 11.814,00 toneladas de cimento, no ano de 1990. Como pode querer afirmar como verdadeiros o consumo de cakárlo e a produçlio de cimento, registradas nos pre falados boletins, e amda querer que a jiscalizaçlio utilize aqueles números para elaboraçlio do trabalho fiscal? ". o Sr. Delegado da Receita Federal em Montes ClarosIMG indeferiu os tennos da impugnação, sendo que em primeiro lugar manteve a aplicação da TRD como juros de mora incidentes sobre o crédito tributário, como disciplinado no artigo 30 da Lei n. 8.218/91. O STF se manifestou sobre a inaplicabilidade da TRD como índice de atuali- zação e não juros de mora e, no que respeita à argumentação de inconstitucionalidade do citado dispositivo, SÓ pode ser questionada na esfera do Poder Judiciário. Quanto ao levantamento da produção, levado a efeito com base em elementos subsidiários, previstos no ~ 1° do art. 343, doRIPI182, entendeu o julgador singular que o indice anual de produção adotado pela fiscalização é o mais apropriado para • o caso, porquanto elimina as distorções ocorridas nos meses de cada ano levantado, ocor- rendo homogeneização dos dados. No corpo da decisão denegatória, estabelece uma série de comparações . entre os dados fornecidos anterionnente pela impugnante, com aqueles trazidos no levanta- mento sustentado na defesa. O mesmo ocorrendo a indioes. e estoques de produtos e matérias-primas. O resultado foi de que a autuada trouxe indioes diferentes daqueles infor- mados durante os trabalhos fiscais e, ainda,. que a documentação trazida junto à petição impugnativa': " .•. ",10 constltltl p,ovtl. hábU e Ul6neJl dtl veraddade da blfortlUlçõe& IIelIJ contldtu, só seadmite a dedlJrllÇlJes blldaIs da autuada. " 7 ,.-, .. . . i • • • i • .. _ __ . __ _ 1 $ =:.oo::,::oo,m,w~ Processo n.o 10670.000015/93-01 Diligência n•• 202-01.695 Acresce que a fIscalização se baseou em informações fornecidas pela empresa e coube à pessoa responsável pela parte técnica da produção fornecer os elementos necessàrios ao levantamento e eles foram aceitos pelo Fisco. Nesta mesma linha, não deixou o autuante de observar normas da ABNT e se os dados utilizados não obedeceram tais normas, a desobediência teria sido da própria empresa n Além do que, paTa os ejeJtos da 1egts1llç80 trlbutáTlll ,,'o lnteressa a COIIsOIIa"cla com os padTlJes estabeJecldos em normas técIIlctlS. " o insumo adotado como elemento subsidiário, calcário, é o mais repre- sentativo no processo produtivo da empresa, em vista de sua presença constante e elevada proporção na participação do produto elaborado. O elemento escória não tem a mesma representatividade. É ilógica a argumentação de que a diferença total da produção tenha . ocorrido toda ela no último mês do ano. O julgador singular concluiu seu decisório, entendendo ser despiciendaa sustentação oral da contestação, por falta de previsão legal e formalidades inerentes ao Processo Administrativo Fiscal, assim como são desnecessàrias informações adicionais por parte dos técnicos que subscrevem o documento juntado às fls. 86 a 95. Em suas razões de recurso (fls. 193/20) ,a recorrente insurge-se contra os fundamentos externados pela decisão recorrida, e, de início, aqueles dirigidos à não acei- tação do laudo pericial, pelo fato de o mesmo não constituir prova hábil e idônea da veraci- dade das alegações e, de Sua parte, a antoridade fazendária louvou-se na informação fIscal. O laudo é de natureza técnica e advém de profIssional devidamente habilitado para subscrevê-lo, logo, se a questão é técnica, por técnicos deve ser reexaminada Insiste na realização de pericm, como única forma de se chegar ao perfeito conhecimento de como se fabricar cimento e de se resolver a questão. Diz que pelo fato de a fIscalização ter tomado como base meras infor- mações de caráter geral, no lugar daquelas registradas pela empresa, motivou as variações questionadas. Muito embora estivesse à disposição da fIscalização dados diários, preferiu ela adotar o caminho acadêmico, que não observa variações que ocorrem diariamente na fabricação do cimento. 8 MINIST~RIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. •• • • • Processo 0"10670.000015/93-01 Diligêocla o" 202-01.695 A seguir repete seu levantamento de produção, já demonstrado na petição impugnativa. Sua conclusão é de que a realidade não autoriza a adoção de percentuais fixos, sendo que o correto seriam os percentuais mensais, onde restaria demonstrado inexistir qualquer diferença. Entende que em seu beneficio militam os Acórdãos ns. 201-63.397/85, 201-53.460/72 e 201-61643/83, dos quais transcreve suas ementas e partes das razões de decidir. Após repisar seus principais elementos de defesa, mvoca em seu beneficio o disposto no artigo 112, incisos, do CTN. É o relatório 9 • -- - - -- ._. .•••• ~- ••_-- •.• ~_•.•••-. - •• _. _•••• __ • _•• _o'_~' ••.•__ •••••• _ ••••• __ • , ~ •• _ •• ~ •. _ ••.••~. ~ Cl :::::::::OO~".".~ Processo 0.°10670.000015/93-01 DlJlgêocla 0.° 202-01.695 VOTO DO CONSELHEIRQ-RELATOR JOSÉ CABRAL GAROFANO . por tempestivo. O recurso voluntário foi manifestado dentro do prazo legal. Dele conheço • • • Como relatado, o representante da Fazenda Nacional louvou-se nos dados, informações e documentos fornecidos pelo sujeito passivo, elegeu como elemento subsi- diário o calcário para levantamento da produção e concluiu pela omissão de receita opera- cional de venda de cimento, nas quantidades de 55.913,51 ton. e 47.080,81 ton, nos anos de 1.989 e 1.990, respectivamente (ver fls. 46 e 53 ). Todo trabalho fiscal está demonstrado às fls. 18/55, no qual o autuante desenvolve todo raciocínio de administração da produção, demonstrando nos quadros e planilhas, passo a passo, os elementos e índices que utilizou para concluir pela ocorrência de omissão de vendas. Na fase que a lei faculta ao contribuinte contradizer a ação fiscal, que é a impugnação, a autuada partindo dos mesmos números íniciais, com outros índices de margem de contribuição do calcário, considerando normas técnicas da ABNT para fabri- cação do cimento portland (CP) demonstrou inocorrência de saidas de produto sem emissão de notas fiscais. Procurando dar supedâneo e justificativas para aceitação de seu levanta- mento - como desmonstrado às fls. 71177 - a impugnante juntou aos autos do processo (fls. 86/170) laudo téCniCo,assinado por três engenheiros, que concluem de forma diversa daquela expressada pela fiscalização, e, para tal, também trazem farto materiaI didáti- co/técnico que entendem ser esclarecedor sobre a matéria . Julgo que a fase impugnatória existe justamente para que tanto a Fazenda Impositiva quanto O sujeito passivo tragam aos autos todos os elementos que dispuserem e ofereçam. suas razões de fiúo e de direito, conforme o interesse de cada um. E a aplicação do principio do contraditório, assegurado pela Constituição Federal e disposto no Dec1eto n. 70.235172, com as alterações introduzidas pela Lei nO.8.748/93. Como dei destaque no Relatório, a decisão recorrida asseverou, em seus fimdamentos, que: ••... só se adnrlJUas declaraçIJesbddals da _tuada. ". Não tenho noticia de termo de lei que imponha como defeso ao contribuinte alterar declarações 10 - --'-~""---'-~-- MINIST£RIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • • Processo 0."10670.000015/93-01 DlUgênda n." 202-01.695 ~ durante os trabalhos fiscais, ainda mais quando estes versam sobre matéria emínentem.ente técníca e vêm acompanhados por laudo assinado por profissionais devida- mente habilitados . o objetivo do processo administrativo é justamente a busca da justiça fiscal, procurando dar à F8WlM Pública o que de fàto lhe petlewle e, ao sujeito passivo, na mesma medida, o que lhe é de direito. Sempre sobre o império da lei. É o Estado de Direito. Aliás, disto também se preocupou o artigo 58, ~ 10, da Lei n. 4.502164, e seu comando foi remetido ao artigo 344 do Regulamento sobre Produtos Industrializados - RIPI, aprovado pelo Decreto n. 87.981, de 23.12.82. A norma legal integrante do citado dispositivo refere-se às quebras, que nada mais são do que perdas verificadas entre a totali- dade de um ou vários insumos empregados no processo prudutivo, com aquela percentagem. que efetivW"ffitterestou incorporada ao produto final saído com aliquota positiva do imp0s- to, que ao final de periodos certos são medidos por indices de perda, por facilidade de expressão. com desvios estatísticos a que estio semp.te sujeitas todas as séries observadas . Minha preocupação foi deixar claro que a matéria sob exame, embora com muita ptoptiedade possa servir-se de técnica de auditoria de produçlo, poi si SÓ, nJo se pode concluir pela omissão de receita, vez que se obrserva certas implicações de outras áreas específicas do oonhecimmto - engenharia química e de produção - que também devem ser oonsidellldas para o deslinde da questão, bastando dizer que a apelante escora seus lU{Suilielltosde defesa em normas da ABNT. São estas razões que me levam a converter o julgammto do presente recurso voluntário em diligência junto ao Instituto Nacional de Tecnologia - INT, via Repartiçlo Fiscal.de origem, para que aquele órgao técnico se pronuncie sobre o levanta- mento levado a efeito pela fiscalização e aquele oferecido pelo sujeito passivo. • Após compaiBl oseJemffi,losconstwrtes do trabalho fiscal (fls. 18155) com aqueles trazidos pela recorrente (fls.71/77), inclusive o laudo técnioo (fls.86/171), dewrá o INT se p.t'ClJIDDCiar,objetivamente, qual resultado deverá prevalecer para o deslinde ela. questão, justificando tal conclusão. . • Sala das Sessões, em 21 de . JOSÉ 11 de 1995 ... 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011
score : 1.0
Numero do processo: 13963.000524/2004-04
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. A Legislação faculta ao contribuinte a apresentação de Recurso Voluntário contra a decisão desfavorável da autoridade julgadora de 1 a. instância administrativa no prazo de 30 dias a contar da ciência dessa decisão. Não se conhece do recurso apresentado depois desse prazo, por intempestivo.
Numero da decisão: 1801-000.634
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário interposto, por intempestivo. Declarou-se impedida a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva por ter participado do julgamento em 1 a. instância.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. A Legislação faculta ao contribuinte a apresentação de Recurso Voluntário contra a decisão desfavorável da autoridade julgadora de 1a. instância administrativa no prazo de 30 dias a contar da ciência dessa decisão. Não se conhece do recurso apresentado depois desse prazo, por intempestivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário interposto, por intempestivo. Declarouse impedida a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva por ter participado do julgamento em 1a. instância. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 2 Relatório A optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES foi excluída de oficio da sistemática pelo Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 552.666, de 02 de agosto de 2004, fl. 03, com efeitos a partir de 01/01/2002, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: Data da opção pelo Simples: 11/08/1997 Situação excludente: (evento 306): Descrição: atividade econômica vedada: 92118/02 Atividades de produção de filmes e fitas de vídeo, exceto estúdios cinematográficos Data da ocorrência: 02/09/2000 A empresa manifestouse contrariamente ao procedimento apresentando a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples – SRS, com pedido de revisão do ato em rito sumário, fls. 128/129, que foi negada. Cientificada do indeferimento em 30/09/2004, fl. 20, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, fls. 01/03, informando que o mesmo objeto litigioso consta do processo n° 13963.000413/200228. Em face do exposto requereu o cancelamento do ato de exclusão. Pelo Despacho DRJ/BHE n° 25, de 30 de julho de 2007, fls. 22/24, houve solicitação de realização de diligência, com observância do disposto no art. 10, § 8° do art. 15 e § 2° do art. 22 da Portaria MF n° 58, de 17 de março de 2006, para retorno do processo à unidade de origem para: anexar as cópias do ato constitutivo e suas possíveis alterações; anexar a cópia da decisão administrativa relativa à SRS; anexar a prova do recebimento da decisão administrativa relativa à SRS mediante a qual a contribuinte foi intimada por via postal; anexar as cópias do processo n° 13963.000413/200228, fl. 05; identificar a prestação do serviço profissional que a pessoa jurídica exerce mediante a qual a receita bruta é auferida a partir de 01/01/2002, nos termos do inciso XIII do art. 9° da Lei n°9.317, de 1996. Efetuada a diligência a auditoria fiscal produziu o relatório de fls. 125 a 127. Nele restou consignado que a empresa teria encerrado suas atividades em março de 2004. Entretanto, enquanto esteve operante, suas atividades consistiam na produção de filmes cinematográficos em DVDs e fitas (predominantemente para uso em publicidade) e que, para tanto, fazia a contratação de atores, quando necessário. Estas eventuais contratações eram Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 13963.000524/200404 Acórdão n.º 180100.634 S1TE01 Fl. 176 3 efetuadas de forma indireta (ou seja, não contratava diretamente os atores, e sim o serviço de agências fornecedoras de elenco). Foram anexadas cópias de notas fiscais de prestação de serviços e cópia do Contrato Social. Ao apreciar o litígio a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte indeferiu o pleito e manteve a exclusão do simples ao fundamento de que estaria provado, nos autos, que a empresa prestaria serviços profissionais de produtor de espetáculo com a contratação de atores, o que seria vedado pela sistemática. A intimação para ciência do Acórdão da DRJ em Belo Horizonte foi encaminhada por via postal para o endereço cadastral da empresa. Entretanto, o AR retornou com a informação “desconhecido” (fl. 138 e verso), razão pela qual foi providenciada a intimação por Edital, afixado em 27/04/2009, conforme fl. 139. Cientificada do acórdão da DRJ em Belo Horizonte/MG pelo Edital de fl. 139, a interessada apresentou o recurso voluntário de fls. 140 a 159, em 12/06/2009. Em extenso arrazoado a recorrente explicou que pelo processo 13963.000413/200228 obteve o direito de ser incluída retroativamente no Simples, a partir de 1997, por não haver motivos impeditivos e, posteriormente, teria sido surpreendida com o Ato de Exclusão discutido nestes autos. Invoca os princípios da coisa julgada formalizada nos autos do processo 13963.000413/200228 e da segurança jurídica. No mérito, em síntese, observa que o conceito de "produção de filmes cinematográficos" seria extremamente amplo e abrangente, mas que não poderia ser penalizada pela simples interpretação do ente fiscalizador pois, em verdade, prestaria apenas serviços de filmagens de eventos. Requer perícia técnica para provar que não é empresa de produção cinematográfica. Apresenta entendimentos doutrinários e jurisprudenciais a favor de sua tese e, ao final, pede pelo provimento do recurso para que seja declarado nulo o presente processo, com deferimento de prova pericial e juntada posterior de outros documentos. É o Relatório. Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora A recorrente, não localizada no endereço cadastral informado à SRF, foi cientificada do Acórdão da DRJ em Belo Horizonte/MG por meio de Edital afixado na repartição da ARF em Criciúma/SC. Notese que o Edital no 007, de 27 de abril de 2009, à fl. 139, foi afixado no dia 27/04/2009 e desafixado no dia 15/05/2009. O Decreto no. 70.235, de 1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal dispõe: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 4 Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar. II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: ... II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou ... § 2º Considerase feita a intimação: ... IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. Art. 25. O julgamento de processos sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil compete: I em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal; ... Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. O edital foi publicado/afixado no dia 27/04/2009, uma segundafeira. Como na contagem dos prazos o primeiro dia deve ser excluído– dia do início então os quinze dias a partir da publicação do Edital começaram a correr no dia 28/04/2009, terçafeira, sendo este o primeiro dia do prazo de quinze dias e o dia 12/05/2009 (terçafeira) o 15o. dia do prazo. Este é Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 13963.000524/200404 Acórdão n.º 180100.634 S1TE01 Fl. 177 5 o dia em que se considera feita a intimação. O recurso voluntário deve ser apresentado no prazo de 30 dias a contar da data da ciência da intimação. A data da ciência ocorreu no dia 12/05/2009, terçafeira. Assim, o prazo de 30 dias passou a correr do dia seguinte àquele em que foi feita a intimação, ou seja, a partir do dia 13/05/2009, sendo este o 1o. dia do prazo de 30 dias. O 30o. dia, ou último dia do prazo, recaiu no dia 11/06/2009. Assim, o recurso voluntário apresentado no dia 12/06/2009 é intempestivo pois foi protocolizado após o prazo de 30 dias determinado pelo PAF. Deixo, portanto, de tomar conhecimento do recurso voluntário interposto, por intempestivo. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES
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Numero do processo: 10183.906961/2011-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.931
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Florianópolis/SC que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí a não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .9 06 96 1/ 20 11 -4 3 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10183.906961/201143 Resolução nº 3201000.931 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Florianópolis/SC, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de retificação tempestiva da DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo a integral homologação da compensação declarada, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10183.906961/201143 Resolução nº 3201000.931 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10183.906961/201143 Resolução nº 3201000.931 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10183.906961/201143 Resolução nº 3201000.931 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.003471/2008-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SANEAMENTO.
Não se configura omissão o não conhecimento, devidamente motivado pelo Colegiado, de matéria alheia ao âmbito de análise do recurso voluntário.
Caracterizada a omissão sobre outro ponto que deveria o Colegiado ter se pronunciado, ela deve ser suprida pelos embargos de declaração com a apreciação da correspondente alegação.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FINS ESPECÍFICOS DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Para que não haja incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, o pagamento dos serviços com fins específicos de exportação devem representar ingresso de divisas.
Na hipótese de empresas com sedes em diferentes unidades da federação, considera-se a incorporação na data do seu arquivamento na Junta Comercial da sede da incorporada quando esta não foi feita dentro do prazo de trinta dias da assinatura do ato de incorporação.
Embargos parcialmente acolhidos na parte conhecida
Numero da decisão: 3402-004.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente os embargos na parte admitida pelo Presidente da 3ª Seção de Julgamento e, na parte conhecida, acolhê-los parcialmente para suprir a omissão quanto à análise da alegação de "inexistência de serviços tributáveis no mercado interno nas operações entre Gobba e Naza Couros LTDA", constante do recurso voluntário, mas, no mérito, julgando-a improcedente.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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OMISSÃO. SANEAMENTO. Não se configura omissão o não conhecimento, devidamente motivado pelo Colegiado, de matéria alheia ao âmbito de análise do recurso voluntário. Caracterizada a omissão sobre outro ponto que deveria o Colegiado ter se pronunciado, ela deve ser suprida pelos embargos de declaração com a apreciação da correspondente alegação. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FINS ESPECÍFICOS DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para que não haja incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, o pagamento dos serviços com fins específicos de exportação devem representar ingresso de divisas. Na hipótese de empresas com sedes em diferentes unidades da federação, considerase a incorporação na data do seu arquivamento na Junta Comercial da sede da incorporada quando esta não foi feita dentro do prazo de trinta dias da assinatura do ato de incorporação. Embargos parcialmente acolhidos na parte conhecida Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente os embargos na parte admitida pelo Presidente da 3ª Seção de Julgamento e, na parte conhecida, acolhêlos parcialmente para suprir a omissão quanto à análise da alegação de "inexistência de serviços tributáveis no mercado interno nas operações entre Gobba e Naza Couros LTDA", constante do recurso voluntário, mas, no mérito, julgandoa improcedente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 34 71 /2 00 8- 47 Fl. 4919DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela GOBBA LEATHER INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, em 16/05/2016, em face do Acórdão nº 3202001.331– 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 14 de outubro de 2014, do qual foi cientificada em 10/05/2016, cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 CARTA COBRANÇA. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. Matéria alheia ao processo administrativo fiscal. Recurso do qual não se toma conhecimento, por falta de objeto. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. GLOSA DE CRÉDITO. Glosamse os créditos do imposto escriturados nos livros fiscais e alusivos a documentos fiscais reputados inidôneos. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da contribuição para o PIS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação quando comprovado documentalmente que as mercadorias foram efetivamente exportadas. PIS. COFINS. CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS. TRIBUTAÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. É inconstitucional a incidência da contribuição para PIS e COFINS sobre os valores recebidos em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS (Recurso Extraordinário n.º 606.107/RS, sessão de 22/5/2013). CRÉDITOS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. Os artigos 13 e 15 da Lei nº 10.833/2003 vedam a correção monetária e juros sobre créditos de PIS e COFINS. Entretanto, existe a necessidade de conferir tratamento distinto aos créditos Fl. 4920DF CARF MF Processo nº 11060.003471/200847 Acórdão n.º 3402004.605 S3C4T2 Fl. 4.920 3 objeto de pedido de ressarcimento/restituição, pois deixam de ser escriturais porque não estão mais acumulados na escrita fiscal dos contribuintes (STJ, Embargos de Divergência em Agravo n° 1.220.942). Nada mais correto, ademais, que incidir a correção monetária no momento em que o Fisco passa a estar em mora, ou seja, a partir do pedido de ressarcimento/restituição, até mesmo porque se fosse diferente não haveria tratamento isonômico ao contribuinte que, quando em mora, é obrigado a recolher os tributos em atraso acrescidos da correção pela taxa SELIC. Recurso voluntário conhecido em parte; na parte conhecida, recurso voluntário provido em parte. Versa o processo sobre pedido da contribuinte de ressarcimento/compensação de saldos credores da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins acumulados do 2º trimestre de 2006 ao 2º trimestre de 2008, que foi parcialmente deferido pela autoridade administrativa em face dos ajustes e glosas abaixo, os quais foram mantidos pela decisão de primeira instância: a) adição à base de cálculo das contribuições das cessões onerosas de créditos do ICMS (item 4.4 do Relatório de Fiscalização) b) desconsideração de redutor da base de cálculo das contribuições relativamente às receitas de: vendas tributáveis no mercado interno (item 4.2 do Relatório de Fiscalização) e prestação de serviços tributáveis no mercado interno (item 4.3 fls. 3.278/3.287); c) glosa relativa a valores de insumos adquiridos com suspensão das contribuições que indevidamente compuseram a base de cálculo dos créditos pleiteados (item 4.4); e d) glosas de créditos decorrentes de aquisições de produtos químicos de empresa inexistente de fato (item 4.5) . A embargante sustenta que teria havido as seguintes omissões no acórdão recorrido: Não apreciação do ponto relativo à prestação de serviços com fim específico de exportação, sob o tópico “Inexistência de Serviços Tributáveis no Mercado Interno nas Operações entre Gobba e Naza Couros Ltda.”, na fl. 59 do recurso voluntário. Não apreciação do ponto que pretendia a recorrente a exclusão da expressão ‘nãohomologação’ do relatório fiscal e do despacho decisório no que diz com possíveis compensações para o 3º trimestre de 2008, eis que em tal período não foi apresentado débito para ser compensado. Omissão na análise da responsabilização da embargante por supostamente ser sucessora da empresa Xinguleder Couros Ltda, sendo que seria impossível afirmar a existência de sucessão comercial para fins tributários na hipótese de que ambas as empresas subsistem, como no caso concreto, em violação ao art. 133 do CTN. Omissão na análise sobre a impossibilidade de aplicação do instituto da ‘simulação’ por parte da Administração Tributária Federal sem que tenha sido editada lei ordinária, em sentido formal, estabelecendo os procedimentos a serem adotados para o reconhecimento dessa simulação, como bem consta do art. 116, parágrafo único, do CTN. Fl. 4921DF CARF MF 4 Falta de análise do acervo probatório produzido pela recorrente, que demonstra a efetiva realização das operações e documentos que comprovam a existência de fato da Angico. Os embargos foram admitidos somente em relação a duas matérias pelo Presidente desta 3ª Seção de Julgamento, conforme despacho das fls. 4914/4918, nos seguintes termos: (...) A fim de tornar o despacho o mais inteligível possível, iremos realizar a análise em separado de cada um dos vícios apontados nos Embargos apresentados: i) Omissão quanto à análise da inexistência de serviços tributáveis no mercado interno nas operações entre Gobba e Naza Couros Ltda: Devidamente conceituado o vício de omissão, vislumbrase que o mesmo subsiste no que se refere a matéria entelada. Da leitura do Acórdão verificase que em nenhum momento o julgador analisou a natureza das operações realizadas entre a Gobba e a Naza Couros, embora suscitada no Recurso Voluntário. Em verdade, no “decisum”,o i. Relator não apresentou qualquer referência a empresa Naza Couros Ltda. (...) iii) Omissão no que se refere a indevida responsabilização da embargante por débitos da empresa Xinguleder Couros LTDA: Merece acolhimento a tese da omissão alegada pela embargante no que se refere a matéria ora em análise. Constatase que, realmente, o i. Relator não apreciou os argumentos apresentados no Recurso Voluntário, trazidos pela ora embargante, no sentido de não ser cabível a sua responsabilização por débitos de terceiros, fundamento utilizado para demonstrar que foi indevida a compensação dos seus créditos com débitos da empresa Xinguleder Couros Ltda. (...) Com essas considerações, admito os embargos de declaração opostos pela empresa GOBBA LEATHER INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, no que se refere às matérias constantes dos itens “i Omissão quanto a análise da inexistência de serviços tributáveis no mercado interno nas operações entre Gobba e Naza Couros Ltda” e “iii Omissão no que se refere a indevida responsabilização da embargante por débitos da empresa Xinguleder Couros LTDA”. Determino a inclusão deste processo em lote para sorteio no âmbito desta Terceira Seção de Julgamento, uma vez que a turma julgadora foi extinta. (...) O processo foi sorteado e distribuído a esta Relatora em 26 de janeiro de 2017. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Fl. 4922DF CARF MF Processo nº 11060.003471/200847 Acórdão n.º 3402004.605 S3C4T2 Fl. 4.921 5 Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, e poderão ser opostos, mediante petição fundamentada, no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão. Os embargos atendem aos requisitos de admissibilidade e deles se toma conhecimento somente em relação às matérias admitidas pelo Presidente desta 3ª Seção de Julgamento. De outra parte não se conhece das matérias não admitidas pelos próprios fundamentos aduzidos no referido despacho de admissibilidade, abaixo transcritos: ii) Omissão quanto à solicitação de exclusão da expressão “nãohomologação” do relatório fiscal: No que se refere a esta matéria, não se constata o vício de omissão no Acórdão. Isto porque, como vem entendendo a jurisprudência pátria, o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, em especial quando a matéria trazida à baila em nada interfere no julgamento do mérito, como surge ocorrer no caso ora entelado. (...) iiii) impossibilidade de aplicação do instituto da ‘simulação’ por parte da Administração Tributária Federal: Não há que se falar em omissão quanto a matéria ora citada, haja vista que, conforme já assentado anteriormente, a jurisprudência já está pacificada no sentido de que as decisões não têm que enfrentar tópico a tópico os argumentos da defesa se em seu bojo e forma dão higidez ao entendimento nela esposado com a devida fundamentação. É justamente essa situação que se enfrenta agora. A embargante questiona matéria relacionada a questões de formalidade e aplicabilidade de Lei, talvez porque o mérito seja indiscutível e mostre que ela se utilizou de empresa de fachada, a Aginco Indústria e Comércio Ltda, para fazer simular vendas à GOBBA que, na realidade, nunca seriam adimplidas. Tal fato restou devidamente comprovado e demonstrado no Acórdão guerreado. iiiii) Omissão quanto a ausência de análise do acervo probatório trazido aos autos para comprovar a existência de fato da Aginco: Por fim, quanto a omissão alegada pelo embargante no que se refere a ausência de analise do acervo probatório trazido aos autos para comprovar a existência da Aginco Indústria e Comércio Ltda, a mesma não pode prosperar. No Acórdão guerreado o tema foi devidamente enfrentado, conforme demonstra excerto do “decisum”: “Corroborando, as razões apresentadas pela Recorrente repetem argumentos suscitados na impugnação aos autos de infração constantes no PAF nº 11060.002706/201006, resultantes da mesma ação fiscal, relativamente ao mesmo contribuinte e com os mesmos fundamentos. Tais razões já foram apreciadas pela 5ª Turma da DRJ/POA, conforme acórdão nº 1032072, de 9 de junho de 2011 (fls. 4.395 a 4.416), que foi Fl. 4923DF CARF MF 6 adotado pela instância de piso como razão de decidir. Transcrevo, a seguir, trecho conclusivo da decisão: As provas trazidas aos autos pela fiscalização permitem concluir que a ANGICO, criada em maio/2006 (no mês seguinte à criação da GOBBA) não atuava em conformidade com seu objeto social. Ela não possuía capacidade operacional ou patrimonial para o atendimento desse objetivo. Com instalações precárias (uma “saleta alugada” conforme fotografias ...), recursos humanos não encontrados pela fiscalização ..., sem geração de débitos de natureza tributária, gerando prejuízo e base de cálculo negativa de CSLL, e movimentando milhões de reais em mercadorias e recebimentos por conta de terceiros (a gestão de créditos de terceiros nem é um dos objetivos contratuais da ANGICO – ...). Sem dúvida, a ANGICO atuou como uma empresa de fachada, com a principal função de blindar os ativos da BRASPELCO/XINGULEDER (buscando afastar os seus credores desses ativos) e simular vendas à GOBBA que, na realidade, nunca seriam adimplidas, mas transformadas em ativo imobilizado pela BARU. Toda essa sistemática estaria sendo realizada tendo em vista os interesses comuns dessas empresas, caracterizados pelos estreitos laços comerciais, societários, patrimoniais e familiares envolvidos.” (...) Passemos agora à análise das matérias conhecidas no âmbito destes Embargos. a) "Omissão quanto a análise da inexistência de serviços tributáveis no mercado interno nas operações entre Gobba e Naza Couros Ltda” Observase que, de fato, no Acórdão embargado, o Colegiado não abordou a questão da desconsideração de redutor da base de cálculo das contribuições relativamente às receitas de prestação de serviços tributáveis no mercado interno (item 4.3 do Relatório Fiscal fls. 3.278/3.287). Com relação a esta matéria, o julgador de 1ª instância decidiu no seguinte sentido: 6 Vendas e prestação de serviços no mercado interno. Quanto às vendas e prestações de serviços escrituradas pela contribuinte como para fins exclusivos de exportação mas consideradas pelo auditor como efetuadas no mercado interno, foi aduzido: (...) b) não houve serviços tributáveis no mercado interno nas operações entre Gobba e Naza Couros Ltda., mas sim com o fim específico de exportação, tanto antes da incorporação quanto depois de ocorrida esta; c) se as empresas passaram a constituir a mesma pessoa jurídica, desde 9 de maio de 2008, não há como se incluir na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins supostos serviços prestados pela Gobba à Naza Couros Ltda. (...) No que se refere às prestações de serviços à Naza, o fato é que, pelos documentos dos autos, o serviço foi prestado para tomador no mercado interno. Fl. 4924DF CARF MF Processo nº 11060.003471/200847 Acórdão n.º 3402004.605 S3C4T2 Fl. 4.922 7 Consta na manifestação de inconformidade (fl. 3.638): A operação entre estas empresas ocorria da seguinte forma: a Naza remetia o couro wet blue para ser industrializado na Gobba (beneficiamento) até o estágio de couro acabado. A Gobba efetuava a cobrança do serviço de industrialização com fim específico de exportação, conforme demonstrado pelo próprio “CFOP 6.501” lançado nas notas. Após esta fase, a Naza fazia a remessa para a Gobba (venda) com fim específico de exportação (CFOP 6.502) e a Gobba exportava a mercadoria (CFOP 7.501). Tal análise das operações podem ser realizadas pela leitura dos documentos juntados às fls. 2.114 a 2.119 do presente processo. Pelo quanto relatado na manifestação, verificase que, de fato, a prestação de serviço ocorria no mercado interno. O tomador era empresa sediada no território nacional, bem como o prestador. E mais: depois dessa prestação de serviços, a mercadoria sofria uma venda no mercado interno (da Naza para a Gobba). Mesmo que a operação seguinte tenha sido a de exportação, não há que se falar em prestação de serviço com o fim exclusivo de exportação. O dispositivo especificado nas Notas Fiscais emitida pela Naza: art. 6º, inc. III da Lei nº 10.833/2003 (fls. 2.761 a 2.763) , abaixo transcrito, não ampara a pretensão da contribuinte: Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Para que não incida a contribuição na prestação de serviços esta deve ocorrer para tomador residente ou domiciliado no exterior, nos termos do inciso II, o que não é o caso como se viu. Como pode ser visto no relatório fiscal (fl. 3.287), as receitas não consideradas como redutoras das bases de cálculo da contribuição para o PIS e Cofins foram as de setembro e outubro de 2008. Após a incorporação (novembro de 2008), as “operações” são totalmente irregulares, uma vez que não se presta serviço para si mesmo. Dessa forma, tais “operações” configuramse como inexistentes, devendo ser desconsideradas, o que ocorreu como relatado pelo auditor (fl. 3.287). Correto, portanto, em ambos os casos, o procedimento fiscal. No recurso voluntário, sustentou a recorrente, repisando as alegações da impugnação, que seriam ilegítimas as glosas relativas a tais serviços, seja porque esses serviços seriam não tributados em razão de se tratar de beneficiamento com fim específico de exportação, seja porque a incorporação ocorreu, juridicamente, em 09/05/2008, com o registro na JUCERGS e, portanto, inexiste tributação de operações entre matriz e filial. Fl. 4925DF CARF MF 8 Adoto os fundamentos da decisão de primeira instância, acima transcritos, no que concerne à impossibilidade de não incidência do PIS e da Cofins sobre a prestação de serviços da GOBBA a NAZA, eis que tal pagamento não representou ingresso de divisas, mesmo porque a recorrente não apresentou nesta parte qualquer elemento modificativo ou extintivo em face da decisão então recorrida (da DRJ). Quando à data da ocorrência da incorporação da NAZA pela GOBBA, apurou a fiscalização que a própria contribuinte havia informado no DACON de novembro de 2008 que ela teria ocorrido em 05/11/2008, contudo, a sua aprovação pelos quotistas da GOBBA fora efetivada em 30/01/2008 e seu registro na Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Sul em 09/05/2008. Verificou também a fiscalização que o registro na Junta Comercial do Estado de Goiás só veio a ocorrer em 05/11/2008, nesses termos: Dessa forma, em conformidade com o disposto no art. 32, II e 36 da Lei nº 8.934/94, arts. 8º a 12 da Instrução Normativa DNRC nº 88, de 2 de agosto de 2001, abaixo transcritos, entendeu a fiscalização, com razão, que a data a ser considerada para a incorporação era aquela que foi efetivada o registro na Junta Comercial da sede da incorporada 05/11/2008, do que até então não discordava a contribuinte, eis que foi esta a data que ela informou no DACON de novembro de 2008 para a incorporação: Art. 32. O registro compreende: I a matrícula e seu cancelamento: dos leiloeiros, tradutores públicos e intérpretes comerciais, trapicheiros e administradores de armazénsgerais; II O arquivamento: a) dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas; (...) Art. 36. Os documentos referidos no inciso II do art. 32 deverão ser apresentados a arquivamento na junta, dentro de 30 (trinta) dias contados de sua assinatura, a cuja data retroagirão os efeitos do arquivamento; fora desse prazo, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder. Art. 8º Incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades, de tipos iguais ou diferentes, são absorvidas por outra que lhes sucede em todos os direitos e obrigações, devendo ser deliberada na forma prevista para alteração do respectivo estatuto ou contrato social. Art. 9º A incorporação de sociedade mercantil, de qualquer tipo jurídico, deverá obedecer aos seguintes procedimentos: I a assembléia geral extraordinária ou a alteração contratual da sociedade incorporadora deverá aprovar o protocolo, a justificação e o laudo de avaliação do patrimônio líquido da sociedade incorporada, elaborado por três peritos ou empresa Fl. 4926DF CARF MF Processo nº 11060.003471/200847 Acórdão n.º 3402004.605 S3C4T2 Fl. 4.923 9 especializada, e autorizar, quando for o caso, o aumento do capital com o valor do patrimônio líquido incorporado; II a assembléia geral extraordinária ou o instrumento de alteração contratual da sociedade incorporada, que aprovar o protocolo e a justificação, autorizará os seus administradores a praticarem os atos necessários à incorporação; III aprovados em assembléia geral extraordinária ou por alteração contratual da sociedade incorporadora o laudo de avaliação e a incorporação, extinguese a incorporada, devendo os administradores da incorporadora providenciar o arquivamento dos atos e sua publicação, quando couber. (...) Art. 12. As sociedades envolvidas na operação de incorporação que tenham sede em outra unidade da federação, deverão arquivar a requerimento dos administradores da incorporadora na Junta Comercial da respectiva jurisdição os seus atos específicos: I na sede da incorporadora: o instrumento que deliberou a incorporação; II na sede da incorporada: o instrumento que deliberou a sua incorporação, instruído com certidão de arquivamento do ato da incorporadora, na Junta Comercial de sua sede. Assim, nada há a reformar na decisão de primeira instância que manteve a desconsideração do redutor da base de cálculo das contribuições relativamente às receitas prestação de serviços tributáveis no mercado interno antes da incorporação (setembro e outubro de 2008), bem como considerou inexistentes as operações realizadas após a incorporação entre matriz e filial. b) "Omissão no que se refere a indevida responsabilização da embargante por débitos da empresa Xinguleder Couros Ltda.” Embora, como afirmado no despacho de admissibilidade destes Embargos, o Colegiado não tenha mesmo se pronunciado acerca do argumento da embargante no sentido de que não seria cabível a sua responsabilização por débitos de terceiros, entendo que não houve omissão nesta parte do Acórdão embargado, eis que nele foi devidamente justificada a ausência de previsão legal para a apreciação da discordância quanto à compensação de ofício e às cartas cobrança, nestes termos: (...) Compensação de ofício e Cartas Cobrança com acréscimo de juros e multa quanto aos débitos Neste ponto entendo correto o entendimento da instância de piso, conforme trecho da decisão abaixo transcrito: A interessada discorda quanto à compensação de ofício tanto de débitos próprios, alegando ainda que é inviável a compensação de ofício relativamente a débitos com exigibilidade suspensa. No que se refere a essa discordância e quanto àquela relativa à compensação de ofício, ao depois, com débitos da pessoa jurídica Xinguleder Couros Ltda., salientase que, por falta de previsão legal, não cabe a apreciação por parte desta DRJ. O art. 6º, § 3º, do Decreto nº 2.138, de 29 de janeiro de 1997, c/c o disposto no § 3º do art. 49 da IN SRF nº 900, de 2008, abaixo Fl. 4927DF CARF MF 10 transcrito, preveem que a discordância do contribuinte quanto à pretendida compensação de ofício importa em retenção do ressarcimento até a liquidação do débito, não havendo previsão de nenhuma espécie de recurso contra tal ato. Art. 49. [...] [...]§ 3º Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de ofício, a autoridade da RFB competente para efetuar a compensação reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. Quanto à inconformidade da interessada pela cobrança de juros e multa nas cartas de cobrança emitidas, formalizando a exigência dos débitos não compensados, temse que elas foram emitidas nos termos do § 7º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Dessa forma, tal ato não comporta manifestação de inconformidade à DRJ, nem tampouco julgamento, por ser mera comunicação da existência de débitos declarados, pendentes de pagamento, sem qualquer litígio a ser discutido, havendo inclusive jurisprudência administrativa nesse sentido: Ementa: NORMAS PROCESSUAIS – AVISO DE COBRANÇA – Matéria alheia ao processo administrativo fiscal. Recurso do qual não se toma conhecimento, por falta de objeto. (Acórdão nº 20209652, de 19 de novembro de 1997, do Segundo Conselho de Contribuintes) (...) Além de o recurso voluntário se restringir ao âmbito da inconformidade da contribuinte em face do indeferimento parcial de seu pedido de ressarcimento/compensação, razão pela qual inexistiria, obviamente, responsabilização de terceiros a ser apreciada pelo então Colegiado, no relatório do acórdão embargado1 restou evidenciado que o argumento sobre a responsabilização da empresa Xinguleder Couros Ltda. integrava a questão alegada pela recorrente da impossibilidade de compensação de ofício dos créditos com débitos desta outra empresa. Assim, voto no sentido de conhecer parcialmente os embargos declaratórios, somente na parte admitida pelo Presidente da 3ª Seção de Julgamento e, na parte conhecida, acolher em parte os embargos declaratórios, para suprir a omissão quanto à análise da 1 [Acórdão nº 3202001.331 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Relatório] (...) Em 29 de julho de 2010, foi protocolada a manifestação de inconformidade (fls. 3.598 a 3.651), na qual, após breve relato dos fatos, é alegado, em apertada síntese, o que segue: a) impossibilidade da compensação de ofício dos créditos com débitos da empresa Xinguleder Couros Ltda, determinada no Despacho Decisório, por não cumprimento dos requisitos constantes do art. 133, inc. II, do CTN, uma vez que: a.1) (...) (...) a.3) “a responsabilidade a que se refere o art. 133, II, do CTN é meramente subsidiária”, não se confundindo com solidariedade, que possibilita que vários agentes sejam, simultaneamente, responsabilizados pelo mesmo débito; a.4) é impossível “admitir a sucessão empresarial quando ambas as empresa ainda existem” e que “não houve liquidação ou dissolução da empresa Xinguleder, que conta com bens penhoráveis e patrimônio passível de garantir os seus débitos. Ainda que “as empresas apenas estabeleceram um contrato de arrendamento onde a Gobba passou a usar e gozar a estrutura anteriormente disponibilizada pela Xinguleder, inexistindo vedação legal com relação a tal fato; (...) Inconformada com tal decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos anteriormente apresentados. (...) Fl. 4928DF CARF MF Processo nº 11060.003471/200847 Acórdão n.º 3402004.605 S3C4T2 Fl. 4.924 11 alegação de "inexistência de serviços tributáveis no mercado interno nas operações entre Gobba e Naza Couros Ltda.", constante no recurso voluntário, mas, no mérito, julgandoa improcedente. É como voto. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 4929DF CARF MF 12 Fl. 4930DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.900376/2011-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1401-000.471
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva.
RELATÓRIO
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 00 37 6/ 20 11 -7 1 Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10783.900376/201171 Resolução nº 1401000.471 S1C4T1 Fl. 412 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP1), que, por meio do Acórdão 1651.022, de 27 de setembro de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa, mantendo na íntegra a não homologação do crédito tributário pleiteado. Por economia processual, sirvome do relatório constante no Acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ/SP1) 1. Trata o presente processo de Pedido de Restituição e Declaração de Compensação nº 24133.43996.030407.1.7.026673 (com demonstrativo do crédito) transmitida pelo Contribuinte em 03/04/2007 (fls. 2/10), por meio do qual pretende quitar os débitos de CSLL – R$16.852.826,67, com supostos créditos decorrentes de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2005, no valor de R$103.133.268,20, conforme fl. 3. 2. Conforme fl. 250, o Despacho Decisório DERAT/SPODIORTEQPIR reconheceu o “direito creditório de Fibria Celulose S/A, CNPJ 60.643.228/000121, referente a Saldo Negativo de IRPJ do AnoCalendário 2005, da sucedida Aracruz Celulose S/A, no valor de R$76.453.333,50, sobre o qual incidem juros equivalentes à taxa Selic, conforme legislação em vigor”. Em consequência, homologou as “compensações declaradas nas DCOMP’s relacionadas na Tabela 01, até o limite do valor do direito creditório reconhecido, e pela restituição do saldo de crédito porventura remanescente após as compensações, limitado ao valor original de R$1.219.436,84, pleiteado na DCOMP nº 10769.72510.280910.1.2.029459”. 2.1. Ainda conforme o DD (fl. 250), as parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP nº 24133.43996.030407.1.7.026673 com demonstrativo do crédito são: PARC. CRÉDITO IR EXTE RIOR RETENÇÕES FONTE PAGAMENTOS ESTIM. COMP. SNPA ESTIM. PARCE LADAS DEM. ESTIM. COMP. SOMA PARC. CRED. PER/DCOMP 0,00 48.519.258,04 47.835.605,60 0,00 0,00 31.503.147,95 127.858.011,59 CONFIRMADAS 0,00 48.519.258,04 46.429.808,14 0,00 0,00 6.229.010,71 101.178.076,89 2.2. As DCOMP que constam da Tabela 01 do citado DD (fl. 250) são: 24133.43996.030407.1.7.026673 05059.05079.170809.1.7.020800 27085.27430.040407.1.3.028208 08217.48697.301006.1.7.021094 35211.96801.270207.1.3.027012 07515.01203.040407.1.3.021836 00678.30974.301006.1.7.025388 35277.61681.090307.1.3.020617 33581.64669.040407.1.3.027800 30308.68575.301006.1.7.022397 05506.14219.150307.1.7.023860 27575.43163.251109.1.7.029352 28916.57798.301006.1.7.029503 26774.71290.150307.1.3.027812 03926.44792.090407.1.3.026206 03807.31527.301006.1.7.029107 22305.72722.040407.1.3.024374 15819.94206.021007.1.3.024802 11703.35428.301006.1.7.027813 38385.87119.040407.1.3.026243 24572.45879.280211.1.3.021378 2.3. O anexo 2 do referido DD (fl. 252), relativamente ao PER/DCOMP nº 24133.43996.030407.1.7.026673 com demonstrativo do crédito, consigna a ocorrência de Pagamentos não encontrados (não confirmados): Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10783.900376/201171 Resolução nº 1401000.471 S1C4T1 Fl. 413 3 P. A. CÓD. REC. VLR. PRINCIPAL VLR. TOTAL VLR. UTILIZADO VLR. CONFIRMADO JUSTIFI CATIVA Fls. 28/02/2005 2362 22.743.234,80 22.743.234,80 15.363.910,56 13.958.113,10 1 191/193 30/04/2005 2362 27.981.481,59 27.981.481,59 27.981.481,59 27.981.481,59 2 245/247 30/03/2005 3317 48.762,83 48.762,83 48.762,83 48.762,83 2 241/243 *1 Pagamento utilizado parcialmente em DCOMP de pagamento indevido para compensação com outros tributos *2 Saldo disponível do DARF utilizado para compor o saldo negativo do período 2.4. No Anexo 3, à fl. 253, consta o Demonstrativo da Análise das Estimativas Compensadas em que está consignado: PROCESSO/DCOMP PA ESTIM. COMP. V A L OR PER/DCOMP VALOR CONFIRMADO JUSTIFICATIVA FLS. 13770.000146/200507 jan/05 5.626.274,93 971.208,87 DCOMP parcialmente homologada 171/188 36017.41899.311006.1.3.024790 jan/05 1.316.712,18 0,00 DCOMP não homologada 148/153 13770.000145/200554 jan/05 12.970.770,26 4.781.226,76 DCOMP parcialmente homologada 154/170 13770.000223/200511 fev/05 835.542,83 476.575,08 DCOMP parcialmente homologada 194/211 03391.95563.140906.1.7.048902 mar/05 7.977.246,13 0,00 DCOMP não homologada 213/220 04279.38323.140906.1.7.095752 mar/05 2.776.601,62 0,00 DCOMP considerada não declarada 221/240 TOTAL 31.503.147,95 6.229.010,71 3. A Insurgente, por intermédio de seu representante, interpôs, em 12/07/2011, a Manifestação de Inconformidade de fls.257/261, com a juntada de documentos de fls.263/306 (cópias do Despacho Decisório e respectivos anexos, da Procuração e Ata de AGO e AGE de 28/04/2011, da DIPJ/2006 — AC 2005; de PER/DCOMP, de comprovantes de arrecadação (DARF) e de protocolo (COMPROT), apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: 3.1. As glosas efetuadas pela Autoridade Fiscal são indevidas, haja vista não haver motivos para o não reconhecimento desses créditos, uma vez que foram apurados durante o anocalendário de 2005 e em total conformidade com a legislação tributária em vigor. 3.2. O crédito de R$47.835.605,60 relativo à (sic) "Pagamentos" que compõe o crédito total informado no PER/DCOMP nº 24133.43996.030407.1.7.026673 (Doc. 04), objeto do Despacho Decisório, foi formado pelos seguintes pagamentos realizados pela Contribuinte via DARF (Doc. 05): Cód. Rec. P.A. Data de Vencimento Valor em RS 1 2362 28/02/2005 31/03/2005 22.743.234,80 2 3317 30/03/2005 29/04/2005 48.762,83 3 2362 30/04/2005 31/05/2005 27.981.481,59 4 3317 30/04/2005 31/05/2005 4.441.450,62 TOTAL 55.214.929,84 3.3. Que, conforme informado na página 4 do mencionado PER/DCOMP (DARF de R$22.743.234,80), a Contribuinte utilizou o crédito de apenas R$15.363.910,56 para compor o Saldo Negativo do Período, que somado aos demais pagamentos totalizam os R$47.835.605,60 informados no PER/DCOMP. Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10783.900376/201171 Resolução nº 1401000.471 S1C4T1 Fl. 414 4 3.4. Estando comprovados por DARF os pagamentos a maior efetuados pela Contribuinte, não há que se falar em glosa parcial dos créditos de "Pagamentos" que compõe o montante informado no PER/DCOMP em questão, devendo o crédito de R$47.835.605,60 ser reconhecido em sua totalidade. 3.5. Quanto aos créditos relativos à "Estimativas Compensadas", a glosa efetuada pela Autoridade Fiscal (valor informado pela Contribuinte: R$31.503.147,95 valor reconhecido pela fiscalização: R$6.229.010,71) revelase numa grande incoerência, haja vista que os processos e PER/DCOMP, cujos créditos tratados foram glosados, aguardam decisão administrativa. 3.5.1. Os processos administrativos n°s 13770.000146/200507, 13770.000145/200554 e 13770.000223/200511 que se referem ao não reconhecimento dos créditos de PIS e COFINS nãocumulativos auferidos pela Contribuinte, foram devidamente impugnados e atualmente aguardam decisão no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF (Doc. 06), motivo pelo qual não podem compor a glosa exposta no Despacho Decisório, até que se obtenha decisão final no âmbito administrativo. 3.5.2. Quanto aos créditos informados nos PER/DCOMP nºs 36017.41899.311006.1.3.024790, 03391.95563.140906.1.7.048902 e 04279.38323.140906.1.7. 095752, todos são provenientes da apuração da Contribuinte no decorrer do anocalendário de 2005, conforme ficha 12A da DIPJ 2006 anexa (composição do Saldo Negativo do Período), sendo indevido o não reconhecimento injustificado dos créditos informados nas respectivas PER/DCOMP. 3.6. Requer o recebimento e provimento da presente Manifestação de Inconformidade, para que seja reformada tal decisão proferida pela Autoridade Fiscal, bem como o deferimento integral dos valores informados nos pedidos de compensação e ressarcimento consubstanciados no presente processo de crédito. 3.7. Por fim, protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito, requerendo, desde já, a baixa em diligência do presente processo a fim de se comprovar que os créditos informados no PER/DCOMP em questão foram apurados pela Contribuinte em total conformidade com a legislação tributária vigente. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ/SP1) A DRJ/SP1, por meio do Acórdão nº 1651.022, de 27 de setembro de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, que teve a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 SALDO NEGATIVO. IRPJ. DCOMP. ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO. DISCUSSÃO NO CARF. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. O crédito a ser oferecido para compensação com débitos para com a Fazenda Pública deve ser liquido e certo. Carece dessas características o saldo negativo de IRPJ na parte composta por estimativas em discussão no CARF, haja vista que esta parcela se encontra sujeita a eventos futuros e incertos. Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10783.900376/201171 Resolução nº 1401000.471 S1C4T1 Fl. 415 5 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências que considerar prescindíveis ou impraticáveis, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A empresa foi cientificada, eletronicamente, na data de 04/10/2013 (efl. 318), do resultado do julgamento da DRJ/SP1. Irresignada com a decisão da DRJ, a empresa interpôs Recurso Voluntário (fl. 320 a 331) tempestivamente na data de 01/11/2013, repetindo basicamente os argumentos já trazidos na 1ª (primeira) fase recursal. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário (efls. 392 a 402), pugnando pela manutenção do indeferimento do direito creditório, em que resumidamente apresentou as seguintes alegações: (a) De acordo com o disposto na Lei nº 9.430/96, e na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 a compensação é considerada declarada, tendo como principal efeito a extinção dos débitos sob condição resolutória de posterior homologação. E, nos termos do art. 170, do CTN, a compensação de créditos tributários somente está autorizada com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Assim, a PER/DCOMP, no momento de sua transmissão, deve apontar créditos líquidos e certos, sob pena de não homologação da compensação declarada. (b) A condição acima exposta não foi implementada no presente caso porque no momento da transmissão das PER/DCOMPs, não havia créditos líquidos e certos tendo em vista que as estimativas foram somente confessadas por meio de declaração de compensação não homologada. (c) Não suficiente, não tem lugar no ordenamento jurídico a transmissão de PER/DCOMPs de caráter condicional, sujeitas a evento futuro e incerto de que os créditos ali apontados irão, em proporção igual ou menor, gozar dos atributos de certeza e liquidez. (d) A mera confissão de dívida em DCOMP, por si só, não implica na quitação da estimativa, que, diante da não homologação da compensação, permanece sob exigência, razão pela qual não pode integrar o saldo negativo do período correspondente. (e) O recurso de decisão que não homologa a compensação somente possui o efeito de suspender a exigibilidade do crédito tributário, não tendo o condão de impedir o reconhecimento de que o crédito pleiteado não possui liquidez e certeza. Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10783.900376/201171 Resolução nº 1401000.471 S1C4T1 Fl. 416 6 No CARF, o processo foi distribuído, cabendo a mim sua relatoria. É o Relatório. VOTO Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Relator O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Como visto, a lide reside na verificação de duas divergências apontadas pela fiscalização e confirmadas pela DRJ/SP1: 1) Verificar se a quitação de estimativas a partir de compensação com créditos de tributos administrados pela RFB pode ser considerada para a formação do saldo negativo do período de que se pleiteia o crédito, mesmo que a compensação não tenha sido homologada, ou ainda esteja pendente de julgamento. Estimativas Compensadas Informadas no PER/DCOMP R$ 31.503.147,95 Confirmadas pela Fiscalização R$ 6.229.010,71 Não homologadas R$ 25.274.137,24 2) Avaliar se os valores recolhidos mediante DARF, informados pela recorrente, efetivamente podem ser aproveitados no saldo negativo do anocalendário de 2005, ou se a glosa parcial efetuada pela fiscalização, e confirmada pela DRJ, é que deve prevalecer para o cálculo do saldo negativo de 2005. Pagamentos Informados no PER/DCOMP R$ 47.835.605,60 Confirmados pela Fiscalização R$ 46.429.808,14 Não homologados R$ 1.405.797,46 Quitação de estimativas com compensação de créditos de tributos administrados pela RFB Como visto, tanto no Despacho Decisório quanto no julgamento da impugnação pela DRJ, a Receita Federal se pronunciou no sentido de que não é possível homologar Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10783.900376/201171 Resolução nº 1401000.471 S1C4T1 Fl. 417 7 integralmente a compensação deste processo, pois não há certeza e liquidez de parte do crédito utilizado para quitar as estimativas do período objeto do saldo negativo gerado, uma vez que as estimativas foram quitadas por meio de declaração de compensação, que se deram por meio eletrônico (PER/DCOMP) ou em formulário por meio papel. Pois bem. Verifiquei em alguns votos neste Conselho em que a turma concluiu pela impossibilidade de deferir, de plano, créditos tributários de saldo negativo originado a partir de estimativas quitadas por meio de compensação. Como exemplo, cito o voto constante na Resolução nº 1302000.378, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta Seção de Julgamento, em que a relatora destacou que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), por meio do Parecer nº 1.658/2011, já havia se manifestado acerca da falta de certeza e liquidez da exigibilidade das antecipações devidas a título de estimativas mensais, fato a comprometer a cobrança e a inscrição em Dívida Ativa de tais débitos e a impossibilitar a compensação de recolhimentos de estimativas; no caso citado, as compensações decorrem de saldos negativos de períodos anteriores. No voto supra, a turma decidiu por baixar o processo em diligência para aguardar o julgamento do processo "principal", que originou o pedido de crédito compensado naquele processo em análise. Esta incerteza na execução da compensação eventualmente não homologada foi justificada em razão de que as estimativas de IRPJ e de CSLL não correspondem aos próprios tributos (IR e CS) apurados no fim de período de apuração. Não obstante o brilhante voto da Conselheira relatora, entendo que a situação discutida merece ser analisada sob outro olhar: É que, após o encerramento do período de apuração, as estimativas se convertem nos próprios tributos que foram quitados mediante antecipação, quais sejam, IRPJ e CSLL. Vejase na redação dos art. 2º c/c 6º da Lei 9.430/1996 que o imposto a pagar apurado no final do período de apuração é calculado abatendose dele, dentre outras rubricas, os valores pagos por estimativa: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (...) § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10783.900376/201171 Resolução nº 1401000.471 S1C4T1 Fl. 418 8 II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (negritei) (...) Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. §2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. §3º O prazo a que se refere o inciso I do §1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente.” Ou seja, após o período de apuração não se cobrará mais as estimativas eventualmente não quitadas, mas sim o IRPJ e a CSLL apurados. Ultrapassada esta premissa, deve ser analisado se a compensação pode atribuir efeito de liquidez e certeza ao pagamento das estimativas e, por conseguinte, ao saldo negativo do IRPJ e da CSLL. De acordo com o disposto no § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pela Lei 10.637/2002 (conversão da MP nº 66/2002) vigente a partir de 01/10/2002 a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação: § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Ou seja, o crédito tributário quitado por meio de declaração de compensação considerase extinto até a sua homologação efetuada pela Receita Federal, que pode se dar da seguinte forma: a) Homologação expressa quando a autoridade fiscal, tomando conhecimento e tendo disponibilidade de fazêlo, expressamente homologa o crédito. Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10783.900376/201171 Resolução nº 1401000.471 S1C4T1 Fl. 419 9 b) Homologação tácita quando a autoridade fiscal não se manifesta sobre o extinção do crédito, no prazo de 5 (cinco) anos contados da sua compensação. Daí se pode extrair que a declaração de compensação, efetuada nos termos da lei, pode conferir ao crédito tributário caráter de liquidez e certeza, mesmo que sujeitos a condição resolutória de sua ulterior homologação. O questionamento que pode surgir é, se a autoridade fiscal não homologar o crédito extinto por compensação, perdese a liquidez e certeza da extinção do crédito? Entendo que sim. Por esse motivo é que, em muitos julgados, não foram permitidas compensações para quitação de estimativas e geração de saldos negativos de IRPJ e de CSLL, pois em desacordo com o preceito de liquidez e certeza do crédito que se pleiteia. Por outro lado, a incerteza da homologação do crédito extinto por compensação se dissipa pela natureza de confissão de dívida dada às declarações de compensação, trazida pela MP nº 135/2003, convertida posteriormente na Lei nº 10.833/2003, na redação dada ao § 6º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996, vigente a partir de 30/10/2003: § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Ou seja, o caráter de incerteza da compensação é neutralizado por sua natureza de confissão de dívida, razão pela qual podese permitir a quitação da estimativa por meio de declaração de compensação. Observo também que, quanto aos períodos anteriores à vigência da MP nº 135/2003, a confissão de dívida se dava por meio da DCTF. No mesmo sentido se pronunciou a Procuradoria da Fazenda no Parecer PGFN/CAT nº 1.658/2011, que, apesar de concluir pela impossibilidade de se aceitar a compensação das estimativas, é de serventia para se constatar que o crédito tributário pode ser cobrado com base na DCOMP: 26. Atentese para a ressalva: se o pleito de compensação foi anterior à Medida Provisória no 135 (30.10.2003), a DCOMP não se prestou à constituição do crédito tributário, o que decorre da declaração de débitos e créditos tributários federais – DCTF. 27. Portanto, relativamente à compensação declarada mas não homologada, o crédito tributário poderá ser cobrado com base na DCOMP, salvo se o pleito foi feito no período no qual este documento não apresentava a natureza de confissão de dívida, hipótese em que sua constituição se dá pela DCTF (ou, se inexistente, pelo Fisco)1. 1 Quanto à compensação tida por não declarada, o crédito tributário respectivo ou foi objeto de DCTF ou deverá ser constituído de ofício pelo Fisco, pois a DCOMP não se presta à sua constituição. Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10783.900376/201171 Resolução nº 1401000.471 S1C4T1 Fl. 420 10 Da leitura dos dispositivos legais supra, inferese que, independentemente de homologação da compensação declarada à Receita Federal, a cobrança no processo de origem dos créditos compensados será necessariamente efetuada. E foi esta a interpretação dada pela Receita Federal e pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, respectivamente, por meio da Solução de Consulta Interna COSIT nº 18/2006 e do Parecer/PGFN/CAT nº 88/2014, cujas ementas transcrevo abaixo: Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit nº 18, de 13 de outubro de 2006: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. PARECER PGFN/CAT/Nº 88/2014: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei nº 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. No referido Parecer, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional traça arrazoado de que as estimativas convertemse no próprio tributo que se quer antecipar. Ou seja, nos casos de estimativas compensadas com créditos de tributos administrados pela RFB, o que está originando o crédito é o próprio tributo, e não a estimativa recolhida. Desta feita, revela a PGFN que a compensação das estimativas pode ser considerada no cálculo do saldo negativo do IRPJ e da CSLL, uma vez que a sua não homologação definitiva torna o crédito passível de execução, qual seja, o crédito (titularizado pela fazenda) do próprio tributo. Vejase a conclusão do referido Parecer: (início da transcrição do Parecer PGFN/CAT/nº 88/2014) (...) III CONCLUSÃO 22. Em síntese, os questionamentos levantados na consulta oriunda da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem ser respondidos nos seguintes termos: a) Entendese pela possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; (negritei) b) Propõese que sejam ajustados os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrança não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10783.900376/201171 Resolução nº 1401000.471 S1C4T1 Fl. 421 11 compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. (término da transcrição do Parecer PGFN/CAT/nº 88/2014) Em acórdão publicado recentemente, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, a partir do voto proferido pelo Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, acompanhou a conclusão constante no Parecer PGFN/CAT/nº 88/2014, conforme Acórdão nº 9101002.493, da sessão de 23/11/2016, cuja ementa reproduzo abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). No mesmo sentido, caminhou decisão exarada no Acórdão 1201001.054, de 30 de julho de 2014, da 1ª TO, da 2ª Câmara, da 1ª Seção do CARF: (início da transcrição de trecho do voto no Acórdão 1201001.054) Ora, temos aqui uma situação gravosa sendo imposta a ora Recorrente. Isso porque, temos, de um lado, processos administrativos relacionados a não homologação/homologação parcial das compensações efetuadas para fins de liquidação dos débitos de estimativa que passaram e compor o saldo negativo do ano de 2004 e, de outro, o presente processo, por meio do qual a Fiscalização e a DRJ entendem que a estimativas em discussão não devem compor o saldo negativo utilizado pelo Recorrente, reduzindo o crédito utilizado, fazendo remanescer um débito em aberto. Assim, caso entendêssemos no presente processo que tais estimativas, extintas por compensações (em discussão administrativa) devem ser desconsideradas para fins de composição do saldo negativo do respectivo período e, nos demais processos, a Recorrente venha a ter uma decisão desfavorável, teríamos uma cobrança em duplicidade dos respectivos valores. Isso porque, a Recorrente seria chamada a pagar as estimativas indevidamente compensadas, com os devidos acréscimos legais ao mesmo tempo em que seria obrigada também, a pagar os débito liquidados através do aproveitamento do saldo negativo do período. A não homologação das compensações vinculadas às estimativas de IRPJ e CSLL tem determinado, em efeito cascata, o não reconhecimento dos saldos negativos apurados ao final do exercício, o que vem causando um verdadeiro imbróglio processual. (término da transcrição de trecho do voto no Acórdão 1201001.054) Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10783.900376/201171 Resolução nº 1401000.471 S1C4T1 Fl. 422 12 O que posso extrair da conclusão da Procuradoria, da Receita Federal e da CSRF é que não seria justo, sob o ponto de vista da celeridade processual, indeferir crédito tributário ou suspender julgamento de processos que têm como única pendência o pagamento de estimativas com compensações de créditos de tributos administrados pela RFB, os quais, como visto, podem ser cobradas pela PGFN caso não forem homologadas em definitivo. Portanto, concluise que o valor de estimativas quitado por compensação não pode obstar o direito creditório ora pleiteado. ENTRETANTO, parte das estimativas foram quitadas por meio de declaração de compensação entregue por formulário em meio papel. Em princípio, tal instrumento permite que a compensação vista a roupagem de natureza de confissão de dívida, como as declarações entregues por meio de Declaração de Compensação, nos termos do § 6º do art. 74 da Lei 9.430/1996: § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Isto porque, mesmo os pedidos de compensação protocolados anteriormente a 01/10/2002, foram considerados declaração de compensação, conforme redação do § 4º do art. 74 da Lei 9.430/1996, dada pela MP 66/2002, posteriormente convertida na Lei 10.637/2002: § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. Não obstante esta conversão, devese verificar se há comprovação do controle, pela RFB, em relação os valores compensados, principalmente para que, em razão de eventual não homologação das declarações de compensação entregue em formulário em meio papel, a Receita Federal e a Procuradoria da Fazenda Nacional tenham condições de executar o crédito não homologado. Além da análise acima, mais importante ainda é verificar se as declarações de compensação utilizadas para quitar as estimativas possuem crédito suficiente para compensar todos os débitos ali informados. Ou seja, fora a questão decorrente da não homologação dos créditos, o que precisa ser visto é se, por exemplo, os créditos informados em compensação não foram aproveitados para compensar mais de um débito. Em relação aos valores de compensação com créditos de períodos anteriores, foi apresentada a seguinte tabela: DRJ PROCESSO/DCOMP PA ESTIM. COMP. V A L OR PER/DCOMP VALOR CONCEDIDO ACÓRDÃO Nº/DATA JULGAMENTO SITUAÇÃO 13770.000146/200507 jan/05 5.626.274,93 971.208,87 RJ II 1326.044 em 20/08/2009 Indeferimento integral da manifestação de inconformidade CARF Movimentado em : 26/11/2009 (em andamento) 10783.902137/200698 jan/05 1.316.712,18 0,00 SERV ORIENT Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10783.900376/201171 Resolução nº 1401000.471 S1C4T1 Fl. 423 13 36017.41899.311006.1.3.024790 ANALISE TRIBUTARIA DRFVITES Movimentado em : 07/10/2006 (em andamento) 13770.000145/200554 jan/05 12.970.770,26 4.781.226,76 RJ II 1326.045 em 20/08/2009 Indeferimento integral da manifestação de inconformidade CARF Movimentado em : 26/11/2009 (em andamento) 13770.000223/200511 fev/05 835.542,83 476.575,08 RJ II 1330.491 em 28/06/2011 Indeferimento integral da manifestação de inconformidade CARF Movimentado em : 08/02/2011 (em andamento) 10783.912928/200979 03391.95563.140906.1.7.048902 mar/05 7.977.246,13 0,00 RJ I 1229.625 em 30/03/2010 Indeferimento integral da manifestação de inconformidade CARF Movimentado em : 22/02/2011 (em andamento) 13770.000224/200565 04279.38323.140906.1.7.095752 mar/05 2.776.601,62 0,00 RJ II 1330.781 em 12/08/2010 Indeferimento integral da manifestação de inconformidade CARF Movimentado em : 03/03/2011 (em andamento) TOTAL 31.503.147,95 6.229.010,71 CONCLUSÃO Desta feita, partindo da premissa de que as estimativas podem ser quitadas por meio de declaração de compensação, proponho CONVERTER o referido processo em diligência para que a unidade de origem verifique o que segue: 1) Verificar e informar se as declarações de compensação (ou pedido de compensação) utilizados para quitar as estimativas referentes ao saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2005, constantes na tabela acima, possuem crédito suficiente para compensar todos os débitos ali informados e, se não possuem, informar os débitos remanescentes. 2) Verificar e informar se as declarações de compensação (ou pedido de compensação) utilizados para quitar as estimativas referentes ao saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2005, constantes na tabela acima, estão controlados pela RFB, para que, em razão de eventual não homologação das compensações utilizadas para quitar tais estimativas, a Receita Federal e a Procuradoria da Fazenda Nacional tenham condições de executar o crédito não homologado. 3) Caso a resposta do item 2 seja negativa (ou parcialmente negativa), informar o processo de compensação ou débitos que não estão controlados, a situação do processo perante a RFB ou a Procuradoria da Fazenda Nacional e o motivo de os débitos não estarem sujeitos a controle. Ao final da diligência, favor elaborar parecer conclusivo e dar ciência à empresa, para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência do parecer fiscal, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.784/1999. Após, favor encaminhar este processo a esta turma do CARF, para o prosseguimento do julgamento deste processo administrativo fiscal. É como voto! Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10783.900376/201171 Resolução nº 1401000.471 S1C4T1 Fl. 424 14 (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 424DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001100/2006-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/1999 a 31/12/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. OBSCURIDADE. CABIMENTO. PROVIMENTO PRAZO DECADENCIAL JÁ RECONHECIDO. DESCABIMENTO.
Comprovado o reconhecimento pela decisão de piso de decurso do prazo decadencial dos períodos de apuração até novembro de 2000, deve ser reformado o acórdão embargado para adequar a ementa e o dispositivo do julgado.
Numero da decisão: 3302-004.748
Decisão: Embargos Acolhidos
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado, retificando-se a ementa e o dispositivo do voto, nos termos do voto da relatora.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/1999 a 31/12/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. OBSCURIDADE. CABIMENTO. PROVIMENTO PRAZO DECADENCIAL JÁ RECONHECIDO. DESCABIMENTO. Comprovado o reconhecimento pela decisão de piso de decurso do prazo decadencial dos períodos de apuração até novembro de 2000, deve ser reformado o acórdão embargado para adequar a ementa e o dispositivo do julgado.
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OBSCURIDADE. CABIMENTO. PROVIMENTO PRAZO DECADENCIAL JÁ RECONHECIDO. DESCABIMENTO. Comprovado o reconhecimento pela decisão de piso de decurso do prazo decadencial dos períodos de apuração até novembro de 2000, deve ser reformado o acórdão embargado para adequar a ementa e o dispositivo do julgado. Embargos Acolhidos Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado, retificandose a ementa e o dispositivo do voto, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 11 00 /2 00 6- 12 Fl. 1172DF CARF MF 2 Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratamse de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional com o objetivo de sanar suposta obscuridade no acórdão embargado nº 3803002.971, de 23 de maio de 2012, cuja ementa assim dispõe: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/1999 a 31/11/2000 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. Extinguese em 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, o direito da Fazenda de constituir o crédito tributário, no regime de lançamento por homologação, na hipótese de inexistência de pagamentos. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2000 a 30/04/2004 RECEITAS DE ATO COOPERATIVO. MATÉRIAS SUBMETIDAS AO JUDICIÁRIO. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 01. Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2000 a 30/04/2004 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. SOBRAS. TRIBUTAÇÃO CUMULATIVA DO PIS SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. DESNECESSIDADE. A exclusão das sobras da base de cálculo da contribuição, regulada pela Lei nº 10.676/2003, em seu parágrafo segundo, não tem relação de causa e efeito com a tributação cumulativa do PIS sobre a folha de salários. As cooperativas de crédito fazem jus à exclusão das sobras correspondentes aos valores destinados aos fundos referidos na lei, independentemente do recolhimento do PIS sobre a folha de salários. Através de Embargos de Declaração de fls.1.153/1.156, argui a Embargante sobre a obscuridade do acórdão embargado, nos seguintes termos: Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 16327.001100/200612 Acórdão n.º 3302004.748 S3C3T2 Fl. 215 3 Da análise dos autos, constatase, no entanto, que houve obscuridade quanto ao provimento parcial para reconhecer a decadência do período de apuração até novembro de 2000. Neste ponto, o acórdão se mostra obscuro, porquanto a DRJ já havia se pronunciado favoravelmente quanto às competências alcançadas pela decadência, conforme se lê às fls. 913, /;; verbis: "37. Em do exposto, VOTO no sentido de considerar PROCEDENTE EM PARTE o LANÇAMENTO, para excluir da base de cálculo do PIS os valores indevidamente incluídos referentes ao período de 30/06/99 a 30/11/2000, em razão da decadência, e ao período de 08/2004 a 12/2004, por conta de erros materiais de transcrição de demonstrativos, e exonerar o autuado da correspondente parcela da contribuição, conforme demonstrado nos quadros abaixo." Constatada obscuridade em seu inteiro teor, o acórdão merece ser integrado nesta via recursal. Com base nas razões aduzidas no despacho de fls. 1.167/1.169, com fundamento no art. 65, § 3º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF 259/2009 (RICARF/2009), o Presidente da 3ª TE/3ª Seção/CARF admitiu os embargos de declaração opostos pela PFN. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade Uma vez cumpridos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos presentes embargos de declaração, para análise do alegado vício de obscuridade. Assiste razão à Embargante como se demonstra pelos excertos da ementa e voto condutor dos acórdãos a seguir transcritos: Acórdão DRJ Ementa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 AUTO DE INFRAÇÃO.. PRELIMINARES.DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. Carece de legitimidade a constituição de créditos tributários realizada após o transcurso do prazo decadencial de 5 anos, contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 1174DF CARF MF 4 Acórdão: Acordam os membros da 8a Turma de Julgamento da DRJ/SPOI, por unanimidade de votos, considerar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento, para excluir da base de cálculo do PIS os valores indevidamente incluídos referentes ao período de 30/06/99 a 30/11/2000, em razão da decadência, e ao período de 08/2004 a 12/2004, por conta de erros materiais de transcrição de demonstrativos, e exonerar o autuado da correspondente parcela da contribuição, nos termos do voto do relator.(grifei) Dispositivo do voto: 37. Em face do exposto, VOTO no sentido de considerar PROCEDENTE EM PARTE o LANÇAMENTO, para excluir da base de cálculo do PIS os valores indevidamente incluídos_referentes ao período de_30/06/99 a 30/11/2000, em razão da decadência, e ao período 08/2004 a 12/2004, por conta de erros materiais de transcrição de demonstrativos, e exonerar o autuado da correspondente parcela da contribuição, conforme demonstrados nos quadros abaixo.(grifei) Acórdão embargado Ementa. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. Extinguese em 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, o direito da Fazenda de constituir o crédito tributário, no regime de lançamento por homologação, na hipótese de inexistência de pagamentos. Acórdão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida ao Poder Judiciário, e na parte conhecida em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Dispositivo do voto: 7. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, no tocante à tributação dos valores relativos aos atos cooperativos, conforme item “5”, acima; na parte conhecida, por dar provimento parcial para declarar a decadência dos períodos de apuração até novembro de 2000, com fulcro no art.173, I, do CTN, e para reconhecer o direito à exclusão da base de cálculo das sobras correspondentes aos valores destinados à formação Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 16327.001100/200612 Acórdão n.º 3302004.748 S3C3T2 Fl. 216 5 do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social.(grifei) Observase que no recurso voluntário, pugna o recorrente: Entretanto, e a despeito da singela lógica acerca do prazo decadencial dos tributos sujeitos ao chamado lançamento por homologação, o I. Julgador claramente se equivoca ao determinar a aplicação à espécie, do art. 173, I, do CTN, em detrimento do art. 150, §4°, do mesmo diploma legal, em relação às competências de dezembro/2000 a agosto/2001, pautado no entendimento de que não teria havido pagamento pela Recorrente. Confiramse os termos da decisão: Quanto à matéria em destaque o voto condutor do acórdão embargado assim se manifesta: 3. Decadência (...) Uma vez confirmada a inexistência de pagamentos sobre a folha de salários, à vista dos quais se pudesse aplicar a regra do art. 150, § 4º, do CTN, correta a decisão recorrida ao aplicar o art. 173, I, desse diploma legal, segundo a jurisprudência deste Conselho (Ac. nº 2302001.127/ Ac. nº 3302000.847/ Ac. nº 1401000.380). A ciência do lançamento deuse em 08 de agosto de 2006. De sorte que o direito de constituição do crédito tributário exauriu se apenas para os fatos geradores ocorridos até 11/2000, conforme já decidido. Notese que o acórdão embargado analisa a questão trazida pelo recorrente, concluindo sobre o acerto da decisão referente ao período afetado pelo prazo decadencial, correspondente aos fatos geradores ocorridos até 11/2000, deixando claramente explicitado que o período abrangido pela decadência corresponde apenas àquele já reconhecido pela decisão de piso. No entanto, embora esclarecida a questão quanto à inexistência de períodos abrangidos pelo decurso de prazo a serem reconhecidos em sede recursal, o acórdão embargado concluiu pelo provimento do recurso, em razão da decadência quanto ao mesmo período, já objeto de provimento anterior, pela decisão de piso. Nesse sentido, a ementa e dispositivo do acórdão embargado, passam a ter a seguinte redação: Ementa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Fl. 1176DF CARF MF 6 Período de apuração: 31/12/2000 a 31/08/2001 Ementa: DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Extinguese em 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, o direito da Fazenda de constituir o crédito tributário, no regime de lançamento por homologação, na hipótese de inexistência de pagamentos, no entanto, constatase dos autos que o período suscitado, de dezembro/2000 a agosto/2001 não está abrangido pelo prazo decadencial. Dispositivo do voto: 7. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, no tocante à tributação dos valores relativos aos atos cooperativos, conforme item “5”, acima; na parte conhecida, por dar provimento parcial para reconhecer o direito à exclusão da base de cálculo das sobras correspondentes aos valores destinados à formação do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social. Assim, por todo o exposto, voto pelo acolhimento dos embargos de declaração opostos pela embargante, para rerratificar o acórdão embargado, como acima destacado. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Fl. 1177DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001770/2006-21
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Exercício: 2007
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA.
O instituto da denúncia espontânea afasta a aplicação da multa de mora no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação recolhido fora do prazo de vencimento, desde que este pagamento seja efetuado antes da declaração prévia pelo sujeito passivo e de qualquer procedimento de ofício.
Numero da decisão: 1801-000.616
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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MULTA DE MORA. O instituto da denúncia espontânea afasta a aplicação da multa de mora no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação recolhido fora do prazo de vencimento, desde que este pagamento seja efetuado antes da declaração prévia pelo sujeito passivo e de qualquer procedimento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 88DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.001770/200621 Acórdão n.º 180100.616 S1TE01 Fl. 84 2 Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 01/05, com a exigência do crédito tributário no valor de R$54.348,02, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) juros de mora e multa de ofício proporcional referente ao fato gerador de abril de 2006 vencido em 31/05/2006 e pago em 30/06/2006 antes que este valor fosse informado na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Restou esclarecido que o débito, código nº 2469, determinado sobre a base de cálculo estimada, foi pago após o vencimento, acrescido da incidência de juros de mora, porém sem a aplicação da multa de mora e por esta razão foi efetuada, de ofício, a imputação proporcional para apuração da exigência. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: incisos I, II e IV do art. 841 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Cientificada em 22/11/2006, fl. 01, a Recorrente apresentou a impugnação em 20/12/2006, fls. 10/16, com as alegações abaixo sintetizadas. Argumenta que o pagamento do débito foi realizado ao amparo do instituto da denúncia espontânea e por esta razão não tem cabimento a aplicação da multa de mora (art. 138 do Código Tributário Nacional). Suscita que cumpriu com a obrigação tributária antes do início de qualquer procedimento de ofício e por esta razão não tem cabimento a aplicação da multa de mora. Tendo em vista o princípio da eventualidade, argúi que houve erro material na metodologia da imputação proporcional ao pagamento, já que considera como correto valor de R$27.111,28. Interpreta a legislação de regência da matéria, indica princípios que supostamente foram violados e menciona entendimentos doutrinário e jurisprudenciais em seu benefício. Conclui Pelo exposto, requer o Impugnante que o presente auto de infração seja julgado totalmente improcedente e, por conseqüência, determinado seu cancelamento. Nestes termos. Pede Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 10ª TURMA DRJ/SPO I/SP nº 1620.429, de 16/02/2009, fls. 39/47: “Lançamento Procedente em Parte”. Restou ementado ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/04/2006 Fl. 89DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.001770/200621 Acórdão n.º 180100.616 S1TE01 Fl. 85 3 FALTA DE RECOLHIMENTO DA MULTA DE MORA.DESCABIMENTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea não afasta o recolhimento da multa de mora. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. ERRO DE CALCULO. Apuradas incorreções nos cálculos de imputação proporcional, o processo fiscal deve ser saneado por meio do recálculo do crédito tributário lançado de oficio. Notificada em 23/03/2009, fl. 50, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 20/04/2009, fls. 51/58, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge reiterando todos os argumentos constantes na peça impugnatória, com exceção do erro material. Conclui Pelo exposto, requer a Recorrente que a decisão proferida em la. Instância administrativa seja reformada no que tange à exigência da multa de mora, a fim de que o presente auto de infração seja julgado totalmente improcedente e, conseqüentemente, seja determinado seu cancelamento. Termos em que. Pede Deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. A Recorrente discorda da aplicação da multa de mora em relação ao tributo pago após o prazo de vencimento e antes do início de qualquer procedimento de ofício ao argumento de que está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. Relativamente à multa de mora, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 90DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.001770/200621 Acórdão n.º 180100.616 S1TE01 Fl. 86 4 §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. [...] Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. A multa de mora tem natureza jurídica de penalidade aplicada por descumprimento da obrigação tributária principal dentro do prazo previsto na legislação. Excepcionalmente, o sujeito passivo pode recolher o tributo devido acrescido da incidência de juros de mora no trintídio a contar da data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo, desde que até então estivesse amparado por medida liminar. Atinente à denúncia espontânea, o Código Tributário Nacional (CTN) prevê: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A denúncia espontânea da infração é uma exteriorização de vontade do sujeito passivo perante a Fazenda Pública, sem qualquer forma prevista em lei, aplicável somente ao cumprimento a destempo da obrigação tributária principal de tributo que não esteja regularmente declarado e antes de qualquer procedimento fiscal. No caso de sua caracterização afasta a aplicação da multa de mora e da multa de ofício. Consta no Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Fl. 91DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.001770/200621 Acórdão n.º 180100.616 S1TE01 Fl. 87 5 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, têm aplicação os entendimentos do STF e do STJ em decisões definitivas de mérito proferidas em repercussão geral e em recurso repetitivo, respectivamente, cujas matérias vinculam esta segunda instância de julgamento. Em relação à matéria, cabe mencionar a jurisprudência do STJ proferida em recurso especial representativo da controvérsia, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01/09/20101: RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : BANCO PECÚNIA S/A ADVOGADO : SERGIO FARINA FILHO E OUTRO(S) RECORRIDO : UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CSLL E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 1 Fonte: https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=20090134142 4&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF; acesso em 23/03/2011) Fl. 92DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.001770/200621 Acórdão n.º 180100.616 S1TE01 Fl. 88 6 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Documento: 10649420 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 24/06/2010 Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Inferese que a denúncia espontânea afasta a aplicação da multa de mora no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação recolhido fora do prazo de vencimento, desde que este pagamento seja efetuado antes da declaração prévia pelo sujeito passivo e de qualquer procedimento de ofício. Este instituto também resta configurado no caso de o sujeito passivo, após efetuar a confissão parcial do débito tributário acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa, noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. No presente caso, o lançamento se refere ao débito de CSLL do fato gerador de abril de 2006 vencido em 31/05/2006 e pago em 30/06/2006 e antes que este valor fosse informado na DCTF, em conformidade com a informação fiscal constante no Auto de Infração, fl. 02. Restou esclarecido que o débito, código nº 2469, determinado sobre a base de cálculo Fl. 93DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.001770/200621 Acórdão n.º 180100.616 S1TE01 Fl. 89 7 estimada, foi pago após o vencimento, acrescido da incidência de juros de mora, porém sem a aplicação da multa de mora e por esta razão foi efetuada, de ofício, a imputação proporcional para apuração da exigência. Restou comprovado que a Recorrente procedeu ao pagamentos do tributo devido fora do prazo de vencimento antes de apresentar a DCTF em que houve a constituição formal do mencionado crédito tributário. Assim, há que se aplicar o instituto da denúncia espontânea para afastar a aplicação da multa de mora, porque o débito de CSLL referente ao fato gerador de abril de 2006 foi efetivamente recolhido em 30/06/2006 acrescidos da incidência de juros de mora, fl. 02, antes que o crédito tributário correspondente tenha sido formalmente constituído e antes de qualquer procedimento de ofício. Por conseguinte o lançamento é improcedente. Em face de o exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 94DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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