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Numero do processo: 11080.928618/2009-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO.
Contatando-se que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa.
Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.
Numero da decisão: 1401-002.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatando-se que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.
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PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatandose que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 86 18 /2 00 9- 56 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 11080.928618/200956 Acórdão n.º 1401002.591 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de CSLL devida por estimativa. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiase na retificação dos valores de apuração que, após a retificação das DIPJ e DCTF da empresa, resultaram como pagos a maior. Com base nestes créditos a empresa, por meio do PER/DCOMP objeto deste processo, a empresa realizou a compensação com débito da mesma contribuição de períodos subseqüentes. Quando da análise do PER/DCOMP o sistema informatizado reconheceu a existência do crédito mas, no entanto, considerou improcedente a utilização do crédito posto que o art. 10 da IN RFB nº 600/2005, veda a possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior de estimativa para a quitação dos valores devidos por estimativa de meses subseqüentes. O contribuinte, irresignado apresentou manifestação de inconformidade alegando a existência do crédito. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação, a considerou improcedente. Ainda inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual entende que não é cabível o indeferimento do crédito com base no art. 10, da IN 600/2005, haja vista que, quando da prolação do despacho decisório de nãohomologação referida norma não mais estava em vigor. É o breve relatório. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 11080.928618/200956 Acórdão n.º 1401002.591 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.578, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 11080.928620/2009 25, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento a maior de CSLL devido por estimativa, relativo ao período de apuração de 30/09/2006, com débitos de mesma natureza de período subsequente. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL, do período de apuração de 31/08/2006, com débito de mesma natureza de período subsequente. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.578): A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação da possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior da CSLL com débitos da mesma contribuição de períodos subseqüentes e, ainda, a força impeditiva do art. 10, da IN RFB nº 600/2005. A norma questionada impedia a utilização, por parte do contribuinte, dos valores pagos a maior durante o ano calendário com outros débitos com base na justificativa de que os valores pagos a maior por estimativa deveriam ser levados ao ajuste do exercício, como se pagamentos por estimativas fossem, no sentido de que estes pagamentos a maior compusessem o saldo credor a vir ser apurado no exercício. Ocorre, no entanto, que referida norma impeditiva não encontra respaldo nos ditames da Lei nº 9.430/96, no que trata de restituição/compensação. Assim, se um pagamento foi realizado a maior em um determinado período. A existência do crédito relativo a este pagamento a maior exsurge desde a data do referido recolhimento, na forma do art, 170, do CTN, matriz legal de todas as normas de compensação. A limitação realizada pelo art. 10, da IN 600/2005 desborda dos limites impostos pela normas a ela superiores e, por isso, não pode produzir eficácia contra os direitos nestas inseridos. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 11080.928618/200956 Acórdão n.º 1401002.591 S1C4T1 Fl. 5 4 Em conformidade com este entendimento é que o CARF já se posicionou de forma consolidada, emitindo a Súmula nº 84, conforme abaixo transcrita e consoante os acórdão paradigmas precedentes que a justificaram. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. Verificado o teor da Súmula acima apresentada, há de se rever as decisões atacadas pelo recorrente. Assim decorreria este voto, quando da época de sua elaboração. Ocorre, no entanto, que iniciada a sessão de julgamento a representante do contribuinte informou acerca da existência de auto de infração lavrado por meio do processo nº 11080.732426/201161, pela sistemática do lucro arbitrado, no qual os pagamentos a maior de IRPJ e CSLL por estimativa realizados no ano e solicitados pela empresa em PER/DCOMP, para a compensação das estimativas devidas do mês de dezembro/2006. Verificase, pela consulta ao processo de auto de infração que para o ano de 2006 foi desconsiderada a escrituração fiscal da empresa e foi realizado o lançamento pelo lucro arbitrado trimestral. Da realização do lançamento foram utilizados os pagamentos por estimativa que não compuseram os saldos negativos já utilizados pela empresa (fls. 8831/8835 do processo nº 11080.732426/201161). Mais ainda, verificase que, sendo arbitrado o lucro, deixam de ser existentes os débitos por estimativa do ano de 2006, dada a modificação da sistemática de apuração do lucro. Ainda em consulta ao referido auto de infração constatamos que o mesmo já foi julgado em última instância por este CARF e mantido em definitivo os valores lavrados, já estando em fase de execução judicial (fls. 93232/93241 do processo nº 11080.732426/201161). À vista do exposto temos então que o PER/DCOMP objeto do presente processo, no qual são utilizados os pagamentos a maior de estimativas do ano de 2006 para a compensação com débitos de estimativa do mesmo ano, perdeu totalmente seu objeto, tanto pelo desaparecimento dos créditos, quanto dos débitos, em face Fl. 98DF CARF MF Processo nº 11080.928618/200956 Acórdão n.º 1401002.591 S1C4T1 Fl. 6 5 da lavratura de auto de infração pelo lucro arbitrado já julgado em definitivo na esfera administrativa. Por estas razões, deixo de analisar o presente recurso apenas em relação às limitações que levaram ao indeferimento do pedido e, analisando o caso em vista da verdade material, verificandose que deixaram de existir os débitos declarados no PER/DCOMP objeto deste processo, havemos de julgar no sentido de deixar de reconhecer os créditos em face de sua atual inexistência e determinar o cancelamento dos débitos declarados no PER/DCOMP em razão de igualmente não mais existirem, tudo em razão da lavratura do auto de infração pelo lucro arbitrado que modificou integralmente a situação dos débitos e créditos objeto do presente processo. Neste sentido voto por dar provimento ao recurso para: 1) Deixar de analisar os créditos solicitados, relativos aos pagamentos a maior de estimativa em razão de os créditos terem deixado de existir em face da lavratura do auto de infração do mesmo ano, no qual os referidos pagamentos foram utilizados; 2) Determinar o cancelamento dos débitos compensados no presente processo, tendo em vista trataremse de débitos de estimativa do ano de 2006, em face, também, da lavratura de auto de infração que apurou o IRPJ pelo lucro arbitrado e por consequência desfaz qualquer obrigação de recolhimento por estimativa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.722538/2016-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 CTN. INEXISTÊNCIA. DIFERENTES FATOS GERADORES. ANOS-CALENDÁRIO DIVERSOS.
O artigo 146 do CTN não engessa a atividade do fisco quanto a diferentes fatos geradores, mesmo que referentes à mesma operação societária. Assim, tal dispositivo não impede que as autoridades fiscais possam lavrar um auto de infração referente a um ano-calendário sob determinado fundamento e, para o ano-calendário seguinte, alegar outro fundamento para uma nova autuação.
ÁGIO. REQUISITOS LEGAIS. EFETIVA EXISTÊNCIA DA ADQUIRENTE. EMPRESA VEÍCULO.
Mesmo uma holding pura requer um mínimo de elementos materiais que a caracterizem como sociedade empresária, para além de um registro na Junta Comercial e um número no CNPJ. Não há a geração de ágio na situação em que, no momento da aquisição, a holding dita adquirente era apenas um CNPJ, existente no âmbito formal, mas materialmente vazia.
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ABSORÇÃO OU CONSUNÇÃO.
A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Tratando-se de mesmo tributo, esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem.
JUROS SOBRE MULTA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.
Numero da decisão: 1401-002.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, tão somente para cancelar as multas isoladas, nas exatas medidas das bases de cálculos das multas de ofício aplicadas. Em primeira rodada, contra a tese que pugnava pela absorção das multas isoladas, ficaram vencidos os conselheiros Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva, que cancelavam-na integralmente. Em segunda rodada, onde todos participaram, a tese de que as multas isoladas deveriam ser absorvidas na exata medida das bases de cálculo das multas de ofícios foi vencedora. Desta feita restaram vencidos os conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Cláudio de Andrade Camerano e Luiz Augusto de Souza Gonçalves, que votaram pela manutenção integral das multas isoladas. No tocante aos juros sobre a multa de ofício, também por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Letícia Domingues Costa Braga.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 CTN. INEXISTÊNCIA. DIFERENTES FATOS GERADORES. ANOS-CALENDÁRIO DIVERSOS. O artigo 146 do CTN não engessa a atividade do fisco quanto a diferentes fatos geradores, mesmo que referentes à mesma operação societária. Assim, tal dispositivo não impede que as autoridades fiscais possam lavrar um auto de infração referente a um ano-calendário sob determinado fundamento e, para o ano-calendário seguinte, alegar outro fundamento para uma nova autuação. ÁGIO. REQUISITOS LEGAIS. EFETIVA EXISTÊNCIA DA ADQUIRENTE. EMPRESA VEÍCULO. Mesmo uma holding pura requer um mínimo de elementos materiais que a caracterizem como sociedade empresária, para além de um registro na Junta Comercial e um número no CNPJ. Não há a geração de ágio na situação em que, no momento da aquisição, a holding dita adquirente era apenas um CNPJ, existente no âmbito formal, mas materialmente vazia. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ABSORÇÃO OU CONSUNÇÃO. A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Tratando-se de mesmo tributo, esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem. JUROS SOBRE MULTA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 32; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2067; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2.210 1 2.209 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.722538/201652 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.725 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. Recorrente DUFRY DO BRASIL DUTY FREE SHOP LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 CTN. INEXISTÊNCIA. DIFERENTES FATOS GERADORES. ANOS CALENDÁRIO DIVERSOS. O artigo 146 do CTN não engessa a atividade do fisco quanto a diferentes fatos geradores, mesmo que referentes à mesma operação societária. Assim, tal dispositivo não impede que as autoridades fiscais possam lavrar um auto de infração referente a um anocalendário sob determinado fundamento e, para o anocalendário seguinte, alegar outro fundamento para uma nova autuação. ÁGIO. REQUISITOS LEGAIS. EFETIVA EXISTÊNCIA DA ADQUIRENTE. EMPRESA VEÍCULO. Mesmo uma holding pura requer um mínimo de elementos materiais que a caracterizem como sociedade empresária, para além de um registro na Junta Comercial e um número no CNPJ. Não há a geração de ágio na situação em que, no momento da aquisição, a holding dita adquirente era apenas um CNPJ, existente no âmbito formal, mas materialmente vazia. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ABSORÇÃO OU CONSUNÇÃO. A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Tratandose de mesmo tributo, esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 25 38 /2 01 6- 52 Fl. 2210DF CARF MF 2 JUROS SOBRE MULTA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, tão somente para cancelar as multas isoladas, nas exatas medidas das bases de cálculos das multas de ofício aplicadas. Em primeira rodada, contra a tese que pugnava pela absorção das multas isoladas, ficaram vencidos os conselheiros Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva, que cancelavamna integralmente. Em segunda rodada, onde todos participaram, a tese de que as multas isoladas deveriam ser absorvidas na exata medida das bases de cálculo das multas de ofícios foi vencedora. Desta feita restaram vencidos os conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Cláudio de Andrade Camerano e Luiz Augusto de Souza Gonçalves, que votaram pela manutenção integral das multas isoladas. No tocante aos juros sobre a multa de ofício, também por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Letícia Domingues Costa Braga. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Tratase de autos de infração para a cobrança de IRPJ e CSLL referentes ao anocalendário de 2011, em razão não adição ao lucro líquido das despesas de amortização de ágio consideradas indedutíveis, acrescidos de multa de 75% e juros Selic. O ágio gerado na aquisição de participação societária da Recorrente (antiga Brasif Duty Free Shop Ltda.) pela empresa Dufry Brasil Participações Ltda. foi objeto de dois autos de infração, o primeiro, objeto do processo 16682.721132/201148, abordou as amortizações ocorridas de 2006 a 2010. O segundo é objeto do processo ora sob análise. Fl. 2211DF CARF MF Processo nº 16682.722538/201652 Acórdão n.º 1401002.725 S1C4T1 Fl. 2.211 3 O auto de infração objeto do processo 16682.721132/201148 foi cancelado por este CARF em 8 de outubro de 2013 (acórdão 1302001.182), não tendo sido admitido o recurso especial interposto pela PFN. A ementa do julgado foi a seguinte: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 DESPESA COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. GLOSA INDEVIDA. Não restando demonstrados a simulação, o abuso de direito e a fraude à lei na geração do ágio, como sustentava a Fiscalização, há que se cancelar a glosa da despesa. Não é ilícita a conduta do investidor estrangeiro que prefere, primeiro, constituir uma subsidiária no Brasil, para que essa, depois, adquira os investimentos que a matriz no exterior deseja. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. Quanto ao presente processo, o relatório da decisão recorrida assim descreve a fiscalização e os argumentos da impugnação: 6. A Fiscalização informa, inicialmente, que o ágio foi objeto de procedimento fiscal anterior, que resultou, relativamente às amortizações indevidas, lançamentos de IRPJ e CSLL, nos anoscalendário 2006 a 2010, bem como esclarece que, com o conhecimento da Fiscalizada, foram utilizados termos lavrados e documentos obtidos naquele procedimento: Em 21/12/2010, teve início procedimento fiscal, respaldado pelo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 07.1.852010003406, com o objetivo de analisar o processo de reorganização societária de incorporação envolvendo a fiscalizada e sua controladora no anocalendário de 2006, em especial a amortização do ágio gerado quando da transferência da propriedade das quotas de seu capital social bem como seus efeitos tributários. O mencionado procedimento fiscal abrangeu o período de 2006 a 2010. Esse MPF foi encerrado em 16/12/2011 com a lavratura de Auto de Infração formalizado no processo 16682.721.132/201148 referente às diferenças de IRPJ e CSLL nos anoscalendário de 2006 a 2010 relativas à dedução indevida da parcela do ágio amortizado não adicionado pela fiscalizada. Em 16/11/2015 foi expedido Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF), de nº 07.1.85.002015002440 autorizando a presente ação fiscal com o objetivo de aferir o IRPJ e CSLL incidentes sobre a amortização de ágio citada no parágrafo anterior abrangendo o período de 2011 a 2013. A ação fiscal foi iniciada em 22/12/2015 por meio de Termo de Início de Ação Fiscal. No curso deste procedimento fiscal, foram examinados documentos e informações obtidos no âmbito do procedimento anterior, aqui citado (MPF nº 07.1.852010 003406, já encerrado), conforme informado ao contribuinte no Termo de Intimação nº 3, lavrado em 15/03/2016. Por esta razão, estão inseridos no processo fiscal que formaliza este Auto de Infração os termos lavrados e os documentos obtidos no mencionado MPF que lhe serviram de base. Fl. 2212DF CARF MF 4 7. Prosseguindo, a Fiscalização traz os fatos relevantes do procedimento fiscal anterior em que Contribuinte foi intimado a:. 7.1. apresentar os registros contábeis em meio magnético, incluindo todos os lançamentos efetuados nos Livros Diário e Razão relativos às operações normais da entidade, assim como aos correspondentes aos processos de reorganização societária referentes ao anocalendário de 2006. 7.2. esclarecer e detalhar a operação societária na qual foi constituído o ágio em investimentos no valor de R$ 488.883.287,75, na sociedade Dufry do Brasil Duty Free Shop Ltda., conforme especificado no “Laudo de Avaliação do Patrimônio Líquido Contábil para Efeitos da sua Incorporação”, realizado em 31/05/2006 7.3. apresentar o contrato social da sociedade Dufry do Brasil Participações Ltda. e, também, os lançamentos contábeis registrados na Dufry do Brasil Duty Free Shop Ltda. referentes ao processo de incorporação da Dufry do Brasil Participações Ltda. no Livro Razão, bem como os lançamentos contábeis relativos à amortização do ágio de investimentos realizados nos anoscalendário 2006 a 2009. 7.4. apresentar todos os atos societários, referentes aos anoscalendário 2005 e 2006, das sociedades que a controlaram direta ou indiretamente; documentação referente à alienação das quotas das pessoas físicas mencionadas na 35ª alteração do seu contrato social, especificando quanto foi pago a cada pessoa física mencionada nessa alteração contratual; 7.5. apresentar documentação comprobatória referente ao empréstimo concedido pela DELMEY S.A. à DUFRY do Brasil Participações Ltda. em 23/03/2006, e ao pagamento desse empréstimo, esclarecendo a forma de pagamento; 7.6. identificar o quadro societário da DELMEY S.A. em 15/03/2006, indicando os acionistas detentores dos percentuais 80%, 10,05%, 3,50%, 2,76% e 3,69%, constantes da “Ata da Assembleia Extraordinária de Acionistas de DELMEY”, 7.7. comprovar a integralização do Capital Social, ocorrida em 15/03/2006 no valor correspondente a US$ 500.000.000, identificando individualmente os acionistas e respectivos valores investidos e, ainda, informar os acionistas beneficiários do reembolso referente à redução do Capital Social da DELMEY S.A., ocorrida em 13/10/2006, no valor de US$ 254.000.000, especificando individualmente as parcelas recebidas. 8. Relata a Fiscalização que as respostas às questões foram as seguintes: 8.1. o quadro societário da DELMEY em 15/03/2006 era constituído pela Dufry International AG, com 80% das ações, Advent Brasif (Cayman) Limited, com 10,05% das ações, Advent Brasif (Cayman) 2 Limited, com 3,50% das ações, Advent Brasif (Cayman) 3 Limited, com 2,76% das ações e Advent Brasif (Cayman) 4 Limited, com 3,69% das ações; 8.2. a integralização de US$ 500.000.000 ocorreu em 23/03/2006, e foi feita de acordo com os citados percentuais; 8.3. a Dufry South America Ltda. foi a beneficiada com o reembolso referente à redução do capital social da DELMEY ocorrida em 13/10/2006; 9. A Fiscalizada foi também intimada a esclarecer: 9.1. o propósito negocial para a constituição da sociedade DUFRY do Brasil Participações Ltda., considerando não constar de seus registros contábeis Fl. 2213DF CARF MF Processo nº 16682.722538/201652 Acórdão n.º 1401002.725 S1C4T1 Fl. 2.212 5 qualquer operação mercantil, industrial ou relativa à prestação de serviços, bem como a justificar o seu reduzido prazo de existência; 9.2. o motivo de a operação de aquisição das quotas da DUFRY do Brasil Duty Free Shop Ltda. não ter sido realizada diretamente entre a sua atual controladora, DELMEY S.A. e os antigos quotistas da adquirida; 10. Em suma respondeu a Fiscalizada que: 10.1. a sociedade Dufry Brasil Participações Ltda. (Dufry Brasil) foi adquirida pelo grupo Dufry para finalizar a aquisição da Brasif Duty Free Shop Ltda. (Brasif), da Iperco Comércio Exterior S.A. (Iperco) e da EMAC Comércio Importação Ltda. (EMAC) por conta da complexidade do negócio envolvido; 10.2. a existência de holding no Brasil para a aquisição de empresas brasileiras é comum e, no caso concreto, o objeto da negociação eram três empresas detidas por vários vendedores; 10.3. houve a necessidade de criar uma conta de depósito em garantia (escrow account) em banco brasileiro, correspondente a 7,5% do valor do negócio para fazer frente a possíveis contingências; 10.4. a Dufry Brasil (Dufry Brasil Participações Ltda) ainda teve o importante papel de obter a aprovação da transferência do controle societário junto à autoridade aeroportuária, a Infraero, o que era essencial para a concretização do negócio aventado; 10.5. não tendo havido qualquer restrição à venda da Brasif (Fiscalizada), pelas entidades governamentais como o CADE e a Infraero, e, encerrado o “período pósaquisição” (período de transição para conhecer detalhadamente as empresas adquiridas e adequálas ao padrão Dufry), o Grupo Dufry entendeu que a Dufry Brasil (Dufry Brasil Participações Ltda) poderia ser incorporada na Brasif (Fiscalizada), reduzindo os custos operacionais no Brasil; 10.6. diversas razões econômicas e negociais foram levadas em conta para que o Grupo Dufry decidisse ter uma empresa no Brasil para efetuar a referida aquisição. 11. A Fiscalizada foi intimada a apresentar o documento “Share Purchase Agreement” (Contrato de Compra e Venda de Ações) firmado em 11/03/2006, vinculativo da operação de aquisição da totalidade do capital social Brasif Duty Free Shop Ltda. pela Dufry Brasil Participações. 12. Em resposta, a Fiscalizada afirmou que: 12.1. o contrato firmado, em 11/03/2011, serviu apenas para iniciar a contagem do prazo para protocolar os documentos relativos à compra junto aos órgãos de controle da concorrência e que o contrato efetivamente implementado pelas partes foi o datado de 23/03/2006; 12.2. a primeira versão foi integralmente substituída pela segunda, em face dos erros e inconsistências contidos no primeiro documento. 13. A Fiscalizada foi intimada a apresentar todos os lançamentos contábeis referentes a todas as amortizações do ágio incidente na aquisição da Brasif Duty Free Shop Ltda. (BDFS) pela Dufry Brasil Participações Ltda. (DBP) no período de 01/01/2006 a 31/12/2010 e a informar se houve alguma adição ou qualquer Fl. 2214DF CARF MF 6 tipo de lançamento contábil ou fiscal de ajuste que tenha excluído para fins de apuração do IRPJ e CSLL o efeito das despesas com as amortizações do ágio incidente na aquisição da Brasif Duty Free Shop Ltda. pela DBP no LAIR do anocalendário 2006 ao de 2010. 14. A Fiscalizada esclareceu que somente no anocalendário de 2006 houve lançamentos fiscais (adições) que excluíram o efeito das despesas com a amortização do ágio incidente na aquisição da Brasif Duty Free Shop Ltda. pela Dufry do Brasil Participações na apuração do IRPJ e CSLL. 15. Nesse ponto, depois de discorrer sobre a legislação comercial e fiscal, que regula a constituição e a amortização do ágio pago na aquisição de investimentos avaliados pelo patrimônio líquido, a Fiscalização afirma que: (...) o grupo internacional DUFRY adquiriu a Brasif Duty Free Shop Ltda. (atualmente, Dufry do Brasil Duty Free Shop Ltda.) com ágio de R$ 485.418.166,65 por expectativa de rentabilidade futura. Se a compra tivesse sido feita como investimento direto do exterior, não caberia o benefício fiscal. da dedutibilidade da amortização do ágio. Assim, para poder se valer da norma de dedutibilidade do art. 8º da Lei nº 9.532/97, esse grupo internacional adquiriu uma empresa de vida efêmera e nesta registrou o ágio para, posteriormente, incorporála à sua controladora, Brasif Duty Free Shop Ltda. e dessa forma tornar possível a dedução da amortização do ágio. 16. A fim de demonstrar que, no caso concreto, foi engendrada operação de reorganização societária com o objetivo de tornar dedutível a despesa de amortização do ágio pago na aquisição das quotas da Brasif Duty Free Ltda. a Fiscalização apresenta um histórico das operações realizadas, iniciando, pela nomeação das empresas envolvidas: 16.1. DUFRY DO BRASIL DUTY FREE SHOP LTDA – CNPJ 27.197.888/0001 50 (antes BRASIL DUTY FREE SHOP LTDA) – empresa fiscalizada; 16.2. DUFRY DO BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA – CNPJ 07.677.304/000137 (antes SENDEROS PARTICIPAÇÕES LTDA); 16.3. DUFRY SOUTH AMERICA S/A – CNPJ 07.882.214/000188 (nome anterior DELMEY S.A.) empresa sediada no Uruguai; 16.4. BRASIF S/A ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES – CNPJ 21.109.731/000140; 16.5. EMPRESAS BRASIF: Brasif Duty Free Shop Ltda. (Dufry do Brasil Duty Free Shop Ltda.), Emac Comércio Importações Ltda. (EMAC) e Iperco Comércio Exterior S.A. (Iperco); 17. A atual Dufry do Brasil Participações Ltda. foi constituída em 22/08/2005, então sob a denominação social de Senderos Participações Ltda.; 18. A Delmey Sociedad Anonima, sediada no Uruguai, foi constituída em 05/12/2005 com Capital Social correspondente a 1.600.000 pesos uruguaios. 19. A Delmey Sociedad Anonima adquiriu 100% da Senderos Participações Ltda., em 07/03/2006, e teve sua razão social alterada para Dufry do Brasil Participações Ltda.. 20. Até 07/03/2006, a Fiscalizada (então denominada Brasif Duty Free Shop Ltda.) era controlada pela sociedade Brasif S/A Administração e Participações que detinha 99,88% do seu capital social, que, por sua vez tinha como sócios a Fl. 2215DF CARF MF Processo nº 16682.722538/201652 Acórdão n.º 1401002.725 S1C4T1 Fl. 2.213 7 Prontofer S/A (91,93%), Santa Amália Adm e Part. Ltda. (0,01%) e Santos de Araújo Fagundes (8,06%). 21. A Prontofer S/A tinha como acionista principal Jonas Bercellos Correa Filho, com 58,71% de participação, sendo que os demais sócios, com participação relevante, pertencem à mesma família, detendo cada um deles, 10.39% das ações. 22. Em 07/03/2006, a BRASIF S/A Administração e Participações cedeu e transferiu todas as 6.751.888 quotas que detinha na BRASIF Duty Free Shop Ltda. (Fiscalizada) sendo que, deste total, 6.207.370 foram para a Prontofer S/A e 544.518 para o Sr. Santos de Araújo Fagundes, que também recebeu as 676 quotas de propriedade da Santa Amália Adm e Part. Ltda. Com essas alterações o quadro societário da Fiscalizada passou a ter a seguinte composição: 23. Na mesma alteração contratual (34ª Alteração Contratual da então BRASIF Duty Free Shop Ltda), a Prontofer S/A cedeu e transferiu as suas 6.214.806 quotas para seus acionistas, passando a Fiscalizada a ter como sócios: 24. Em 15/03/2006, foi realizado aumento do Capital Social da Delmey S.A. mediante integralização em espécie de US$ 500.000.000,00 (quinhentos milhões de dólares), passando o seu Capital Social de $ 1.600.000 (um milhão e seiscentos mil pesos uruguaios) a $15.000.000.000,00 (quinze bilhões de pesos uruguaios). 25. Em 23/03/2006, a Delmey S.A aumentou o capital da Dufry Brasil Participações Ltda, em R$ 53.531.400,00, mediante a integralização e subscrição de 53.531.400 novas quotas. 26. Também, em 23/03/2006, a Delmey S.A. emprestou valor correspondente a US$ 225.950.000,00, que corresponderam a R$ 483.588.497,00, para a sua controlada, Dufry do Brasil Participações Ltda. 27. Ainda em 23/03/2006, a Dufry do Brasil Participações Ltda. adquiriu dos quotistas pessoas físicas as 6.760.000 quotas representativas do capital social da sociedade Brasif Duty Free Shop Ltda. (Fiscalizada) pelo valor de US$ 250.000.00,00, correspondentes a R$ 535.086.667,71, conforme item 2.2 do Contrato de Compra e Venda de Ações Reformulado. 28. O montante de R$ 535.086.667 pago na aquisição da Brasif Duty Free Shop Ltda. pela Dufry do Brasil Participações Ltda. é composto das seguintes parcelas: Fl. 2216DF CARF MF 8 28.1. R$ 39.234.501,04 correspondem ao seu valor patrimonial e R$ 485.418.166,65 foram consignados como ágio fundamentado na expectativa de rentabilidade futura; 28.2. R$ 4.240.993,05 correspondem à participação (54,03%) na sociedade EMAC Comércio e Importação Ltda. e R$ 3.679.006,95 referemse ao ágio na aquisição dessa participação; 28.3. R$ 2.727.885,85 correspondem à participação (100%) na sociedade Iperco Comércio Exterior S/A e R$ 213.885,85 foram consignados como deságio na aquisição dessa participação. 29. Observa a Fiscalização que, antes de 23/03/2006, a empresa Dufry do Brasil Participações Ltda. não teria condição alguma de pagar o valor de aquisição da Brasif Duty Free Shop Ltda, uma vez que seu capital era de R$ 100,00, aquisição que só se tornou possível por meio das operações de aumento de seu capital, em R$ 53.531.400,00, e do empréstimo de R$ U$ 225.950.000,00 (R$ 483.588.497,00), realizadas, na mesma data da aquisição (23/03/2006), pela sua controladora, Delmey S. A. 30. Em 07/04/2006, a então Brasif Duty Free Shop Ltda. incorporou sua controladora (incorporação reversa) Dufry do Brasil Participações Ltda. Nessa operação, ocorreu também a alteração da razão social da fiscalizada para Dufry do Brasil Duty Free Shop Ltda. Nessa operação, a fiscalizada trouxe para a sua contabilidade um ágio que entende dedutível. Por este expediente, é a Dufry do Brasil Duty Free Shop que acaba por se beneficiar com a amortização do ágio. 31. Em 05/10/2006, a Delmey Sociedad Anonima teve sua razão social alterada para DUFRY South America Investments S.A. Posteriormente, em 13/10/2006, seu capital social sofreu redução no valor de US$ 254.000.000,00, mediante retirada em espécie. 32. Afirma a Fiscalização que esta foi a sequência de eventos que levou a Brasif Duty Free Shop Ltda., cujo nome foi alterado posteriormente para Dufry do Brasil Duty Free Shop Ltda., (fiscalizada) a ser controlada diretamente por uma empresa estrangeira do grupo internacional Dufry. 33. Prosseguindo em seu relato, passa a Fiscalização a trazer outros elementos de prova e a caracterizar as infrações, que, no seu entender, não se revelam pela forma como os atos e negócios jurídicos foram exteriorizados, mas pelo que realmente foi praticado, qual seja, a aquisição direta do controle da Fiscalizada, por uma empresa sediada no exterior, pertencente ao grupo internacional DUFRY, fato que impossibilita à Fiscalizada amortizar o ágio efetivamente pago pela Delmey SA, sediada no Uruguay. 34. Observa a Fiscalização que vários fatores evidenciam a falta de propósito negocial na operação que resultou no indevido aproveitamento do ágio gerado na compra de quotas. 35. A análise da escrituração da Dufry do Brasil Participações Ltda. mostra que na conta Bancos –101011001, onde estão representadas as disponibilidades da sociedade, constam apenas os registros da integralização do capital pela pela Delmey S/A, do empréstimo em moeda estrangeira da Delmey S/A e das aquisições da Duty Free Shop (Fiscalizada), da EMAC Comercio e Importação Ltda. e da Iperco Comércio Exterior S/A, todos ocorridos em 23/03/2006, não havendo registros em toda a escrituração de quaisquer outras atividades empresariais. Fl. 2217DF CARF MF Processo nº 16682.722538/201652 Acórdão n.º 1401002.725 S1C4T1 Fl. 2.214 9 36. Observa a Fiscalização que os registros contábeis limitamse ao período de 07/03/2006 a 01/06/2006, não havendo registro algum referente a pagamentos a empregados, aquisição de bens integrantes do ativo imobilizado, manutenção da sede ou quaisquer outros inerentes às atividades empresariais comuns de qualquer sociedade. 37. Ressalta ainda que mesmo quando se cria uma holding no Brasil, com o objetivo de participar de outras sociedades, a empresa conta com uma estrutura com empregados e sede para realizar seu objeto social, ou seja, possui substância econômica, gera empregos etc. 38. Afirma a Fiscalização que a única finalidade da Dufry do Brasil Participações Ltda. foi a de, no papel, servir de entidade facilitadora (empresa veículo) no processo de aquisição das quotas das sociedades Brasif Duty Free Shop Ltda., Iperco Comércio Exterior S/A e EMAC Comércio e Importação. 39. A falta de propósito negocial é também evidenciada pelo empréstimo, de duzentos e vinte e cinco milhões, novecentos e cinquenta mil dólares, concedido pela Delmey S.A. a uma empresa (Dufry do Brasil Participações Ltda) que logo seria extinta. 40. Ao comentar as respostas da Fiscalizada às indagações acerca do propósito negocial que teria levadoa a Delmey SA a adquirir a Dufry do Brasil Participações Ltda a Fiscalização assim se posiciona: A argumentação de que a Dufry do Brasil Participações Ltda. seria fundamental para a realização do negócio, pois a sua finalização através de uma entidade não residente seria demasiadamente onerosa, difícil e de resultados incertos, não é suficiente já que todos os recursos empregados, todas as garantias fornecidas e toda a capacidade operacional para a realização da operação foram proporcionados pela Delmey S.A. mediante aumento de capital e concessão de empréstimo à Dufry do Brasil Participações Ltda.. Assim, a realidade é que as pessoas físicas, então quotistas da Brasif Duty Free Shop Ltda. negociaram suas quotas com a Delmey S.A., e não com a Dufry do Brasil Participações Ltda. A emissão de parecer favorável da Secretaria de Acompanhamento Econômico – CADE – bem como a aprovação pela INFRAERO não estavam, de maneira alguma, condicionadas à criação de outra empresa, mesmo porque essa sociedade não tinha qualquer autonomia, capacidade financeira ou operacional para a realização dessa operação. Os parâmetros para as referidas concessões envolvem variáveis de naturezas distintas às apresentadas na argumentação exposta, até porque se existissem restrições à realização de aquisições societárias por empresas situadas no Uruguai, não seria a criação de empresa interposta que viabilizaria a operação. Da mesma forma, não se justifica a utilização da Dufry do Brasil Participações Ltda.em função da necessidade de abertura de conta bancária de caução (escrow account) para o depósito da parcela correspondente à 7,5% do negócio (item 2.5 do Acordo de Compra e Venda de Ações Reformulado, doc. 4). Tal cláusula foi estabelecida simplesmente pela vontade das partes, não havendo qualquer determinação legal para isso.. Destacase o fato de que todos os recursos para a concretização da operação foram supridos pela empresa uruguaia Delmey S.A. Assim, qualquer garantia eventualmente necessária à realização da operação poderia ter sido fornecida diretamente pelo real adquirente (Delmey) em benefício dos antigos proprietários das quotas. Destaquese ainda que, como já foi exposto anteriormente, todas as operações financeiras ocorridas no anocalendário 2006 na Dufry do Brasil Participações Ltda. foram registradas na contabilidade no dia 23/03/2006. Nessa Fl. 2218DF CARF MF 10 data, consta o registro contábil do valor total da operação, não tendo sido identificadas parcelas anteriores desembolsadas a título de garantia. Concluindo, todos os motivos apresentados como justificativa para a criação da empresa Dufry do Brasil Participações Ltda. não se revelaram imprescindíveis à concretização da operação. Eis que as formalidades alegadas poderiam ter sido cumpridas por um simples representante do real adquirente: Delmey S.A 41. Afirma a Fiscalização que: (...) a principal razão para a criação da Dufry do Brasil Participações Ltda. não foi declarada pela fiscalizada, qual seja, o aproveitamento da amortização do ágio pago na operação de aquisição das quotas da Brasif Duty Free Ltda. como despesa dedutível em razão do processo de reorganização societária – incorporação reversa – da Dufry do Brasil Participações Ltda. (empresa veículo – controladora) pela sociedade adquirida Brasif Duty Free Ltda. (controlada) transformada em Dufry do Brasil Duty Free Shop Ltda. por meio de operação cujos aspectos formais não corresponderam à sua real essência. 42. Conclui a Fiscalização que a Dufry do Brasil Participações Ltda. nunca existiu materialmente, funcionando como mero veículo de modo a tornar juridicamente possível a posterior amortização e dedução fiscal do ágio que na realidade foi pago pela Delmey SA. 43. Em suas considerações finais a Fiscalização justifica os lançamentos tributários afirmando que: 43.1. o ágio foi amortizado a partir de junho de 2006, conforme conta 320400110501 (Amortização de Ágio), à razão de 1/120, o que equivale a uma despesa mensal de R$ 5.056.439,24, não adicionada ao lucro líquido; 43.2. em razão disso foi feito lançamento de ofício das diferenças de IRPJ e CSLL apuradas no Ajuste Anual do anocalendário 2011; 43.3. a dedução mensal de despesa indedutível, provocou também a insuficiência dos recolhimentos mensais de estimativas, apuradas em balanços de suspensão /redução, razão pela qual sobre as diferenças não declaradas de IRPJ e CSLL foram aplicadas multas isoladas, com o percentual de 50%, nos termos do artigo 44, II, “b”, da Lei 9.430/96 totalizando, respectivamente, R$ 7.584.658,86 e R$ 2.730.477,19, conforme planilha, abaixo, e Demonstrativo do Cálculo das Multas Isoladas – 2011 (vide TVF): 44. A Fiscalizada foi cientificada dos Autos de Infração, em 08/12/2016 (fl. 1746), e, por meio do instrumento, às fls. 1.750/1811, apresentou impugnação, em 04/01/2017 (fl. 1749). Alega em síntese que: Fl. 2219DF CARF MF Processo nº 16682.722538/201652 Acórdão n.º 1401002.725 S1C4T1 Fl. 2.215 11 44.1. em 21/12/2010 iniciouse procedimento fiscal com o objetivo de analisar a reorganização societária por que passou a Impugnante no anocalendário 2006; 44.2. o procedimento culminou com a lavratura de Autos de Infração de IRPJ e CSLL (processo nº 16682.721132/201148), quando a Autoridade Administrativa entendeu que a Impugnante teria estruturado operação com o único intuito de obter o benefício fiscal da dedutibilidade do ágio, em virtude de falta de propósito negocial; 44.3. os lançamentos tributários decorrentes da amortização do ágio compreenderam, naquela oportunidade, os anoscalendário 2007, 2008, 2009 e 2010; 44.4.preliminarmente, a operação societária, que gerou a amortização do ágio questionada por meio do presente auto de infração, já fora devidamente analisada, discutida e chancelada pelo CARF, órgão pertencente ao Ministério da Fazenda, em decisão definitiva proferida nos autos do processo anterior (16682.721132/201148); 44.5. o CARF declarou, em favor desta Impugnante, a improcedência daqueles lançamentos, entendendo, acertadamente, que a operação em discussão é totalmente válida, legal e, assim, passível de amortização do respectivo ágio, não havendo que se falar em falta de substância ou propósito negocial; 44.6. efetuar novo lançamento sem que se comprove fato novo em relação ao que já foi decidido configura ofensa à “coisa julgada administrativa”, artigo 42, inciso II, do Decreto 70.235/72; 44.7. não pode a Autoridade Julgadora reapreciar os mesmos fatos em novo lançamento fiscal unicamente por se tratar de diferente anocalendário; 44.8. há de ser aplicada a decisão que se tornou definitiva, sob pena de infringir também o princípio da segurança jurídica; 44.9. em respeito à coisa julgada administrativa e, em não havendo alteração nos fundamentos fáticos e jurídicos que levaram à decisão favorável do CARF, esta deve ser respeitada e observada, o que leva à nulidade do presente lançamento e de eventuais decisões contrárias posteriores; 44.10. no mérito, o lançamento é improcedente; 44.11. a Impugnante, quando foi adquirida pela Dufry Brasil (Dufry do Brasil Participações Ltda.), representava investimento relevante em empresa controlada ensejando a aplicação do método da equivalência patrimonial, requisito necessário para o reconhecimento de ágio, nos termos do artigo 20, do DecretoLei nº 1.598/1977; 44.12. quando da compra, a Dufry Brasil registrou o ágio, com fundamento na citada norma, e o justificou, com base na lucratividade futura dos negócios da Impugnante, devidamente, suportado por laudo de avaliação, preparado por empresa especializada; 44.13. a Lei nº 9.532/1997, artigos 7º e 8º, veio regular a maneira pela qual o ágio, uma vez reconhecido, deve ser tratado após a incorporação que envolva a empresa investida e a empresa investidora, que causa justamente a extinção de participação societária; Fl. 2220DF CARF MF 12 44.14. a Impugnante cumpriu todos as condições impostas por estas normas, uma vez que restaram comprovados a) tanto a aquisição e o seu custo, quanto a justificativa econômica do ágio; b) a Dufry Brasil, detentora da participação societária na Impugnante, foi nesta incorporada; c) a Impugnante vem amortizando o ágio em valores mensais inferiores ao limite de 1/60; 44.15. a Impugnante solicitou pareceres específicos a renomados jurista e professor da área contábil, que confirmaram a legalidade da amortização do ágio, objeto do Auto de Infração; 44.16. o fato de a aquisição ter sido efetuada pela Dufry Brasil e não diretamente pelo acionista estrangeiro, Delmey Sociedad Anônima (“Delmey”), ocorreu por conta de uma série de motivos, que não remontam conexão com o registro do ágio; 44.17. o registro do ágio foi conseqüência do fato de a Dufry Brasil ter efetivamente adquirido a participação societária e pago, pelas quotas da Impugnante, valor superior ao registrado em seu patrimônio líquido contábil (transcreve trecho da decisão do CARF no processo 16682.721132/201148); 44.18. no ano de 2005, o Grupo Dufry, desejando firmar participação no mercado brasileiro de lojas duty free, iniciou negociações com o Grupo Brasif, que culminaram com a aquisição da Impugnante em 2006; 44.19. durante o estágio inicial das negociações, o Grupo Dufry sentiu a necessidade de ter uma empresa no Brasil, a fim de viabilizar e efetuar a aquisição da participação societária da Brasif e outras empresas do grupo que atuavam no mesmo ramo, junto a seus sócios, pessoas físicas brasileiras, bem como praticar todos os atos necessários à consecução da operação e à expansão do negócio no Brasil; 44.20. referida operação foi concretizada por meio de um contrato de compra e venda de ações representativas da totalidade do capital social das empresas Brasif, Emac Comércio Importação Ltda. (“Emac”) e Iperco Comércio Exterior S.A. (“Iperco”) pela Dufry Brasil Participações Ltda., celebrado na data de 11 de março de 2006; 44.21. as três empresas operavam em ramos distintos e tinham seu foco próprio, ainda que suas atividades estivessem ligadas ao comércio de bens importados; 44.22. enquanto a Brasif atuava no setor de lojas Duty Free, a EMAC, desde a sua constituição, sempre atuou como representante comercial da marca “Mac Cosméticos”, exercendo a Iperco a atividade de distribuidora de perfumes e cosméticos, em especial da marca “Estée Lauder”; 44.23. como a Impugnante passou a atuar em três ramos diferentes, fezse necessária a criação da Dufry Brasil para coordenar a aquisição; 44.24. a complexidade da operação foi outra razão para a criação desta empresa, uma vez que: a) aquisição de três empresas, implicando a negociação com seis vendedores; b) necessidade de agilizar a aquisição em face de concorrentes internacionais que também estavam interessados na compra da Brasif; c) atividade altamente regulada necessitando de uma série de aprovações; d) pela quantia envolvida era necessário notificar os órgãos de defesa da concorrência; Fl. 2221DF CARF MF Processo nº 16682.722538/201652 Acórdão n.º 1401002.725 S1C4T1 Fl. 2.216 13 e) aventouse a possibilidade de a Dufry Brasil realizar Oferta Pública de Ações após a aquisição; 44.25. pela legislação brasileira, para a realização de investimento estrangeiro no Brasil são necessários diversos requisitos, tais como: a) outorgar três procurações a advogados residentes no Brasil, a um custo médio anual de US$ 8.000, para representação societária e recebimento de citação em relação a cada uma das empresas adquiridas, sendo que cada uma das procurações deve ser traduzida por tradutor juramentado e registrada no Cartório de Títulos e documentos, procedimentos que, além de demandarem tempo, possuem um alto custo; b) após o registro da Delmey junto ao Banco Central do Brasil, haveria a necessidade de criar três registros no Módulo Investimento Estrangeiro Direto (RDEIED), tendo em vista a existência de investimento em três sociedades; c) por serem seis os vendedores haveria a necessidade dezoito contratos de câmbio para realização do pagamento pela Delmey; 44.26. a aquisição do investimento nas três sociedades pela Delmey triplicaria os custos envolvidos na operação e, o que é mais grave, causaria atrasos à negociação. 44.27. mesmo se a Delmey e os seis vendedores chegassem a um acordo quanto aos termos da venda e outros concorrentes ao negocio fossem afastados, a falta de coordenação das negociações levaria à demora em sua conclusão, fato que ocasionaria um sério prejuízo financeiro à compradora, tendo em vista que, à época, a Brasif tinha um faturamento diário de aproximadamente R$ 1,979 milhões; 44.28. a cada dia a mais que o negócio levasse para ser concluído, a compradora deixaria de faturar R$ 1,979 milhões! 44.29. as negociações envolveram também garantias em face de possíveis contingências, o que implicou a criação de depósito em garantia (“escrow account”) em banco brasileiro, correspondente a 7,5% do valor do negócio; 44.30. a Dufry Brasil, na qualidade de compradora, efetuou o depósito em garantia junto ao Banco Bradesco S.A e, se ela não existisse, a constituição desta conta no Brasil demandaria muito mais providências burocráticas e regulatórias, tendo em vista que o investidor estrangeiro seria obrigado a abrir contacorrente de nãoresidente, pagando mais taxas bancárias e demorando mais tempo para o fechamento do negócio; 44.31. a “escrow” (ou caução) não tem outra finalidade que não seja a garantia contratual aos compradores relativamente a eventuais contingências dos vendedores, não tendo qualquer finalidade de hedge, ao contrário do que propõe a Fiscalização; 44.32. a Impugnante detinha a concessão de uso da infraestrutura aeroportuária, razão pela qual a INFRAERO foi devidamente informada sobre a compra pela Dufry Brasil, e , naquela oportunidade entendeu que a operação, tal como foi implementada, não implicava qualquer alteração à concessão concedida para a Impugnante; 44.33. A Dufry Brasil foi responsável por coordenar o cumprimento das obrigações de notificação às autoridades concorrenciais, visando a demonstrar que a aquisição então efetuada não representava qualquer dano ou ameaça à concorrência, ou aos consumidores, sendo que no final do mês de maio de 2006, Fl. 2222DF CARF MF 14 a Secretaria de Acompanhamento Econômico (“SAE”) emitiu parecer favorável, recomendando a aprovação da operação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (“CADE”); 44.34. o CADE não impôs qualquer restrição ou obrigação de vender a Brasif, em todo ou em parte, por não se tratar de ato de concentração econômica; 44.35. a Dufry Brasil teve também seu papel durante o período imediatamente posterior à compra da Impugnante, período de transição, pois com o apoio da Dufry Brasil, representantes do Grupo Dufry trabalharam no planejamento estratégico das futuras atividades da Impugnante e na revisão de seus cargos e funções, bem assim na identificação dos pontos fortes e fragilidades do negócio; 44.36. outro aspecto que corrobora a fundamentação econômica do ágio pago pela participação na Impugnante é que as projeções do laudo de avaliação econômica, base para o valor do negócio, foram plenamente atingidas, exceto quanto ao Lucro Líquido de 2008, com a ressalva de que a Receita Bruta de 2008 foi atingida; 44.37. para reforçar o papel da Dufry Brasil, destaquese que, inicialmente, o Grupo Dufry não havia definido se a Dufry Brasil seria ou não incorporada na Impugnante ou em qualquer das empresas adquiridas; 44.38. o Grupo Dufry indicou para a presidência da Dufry Brasil o Sr. Humberto Eustáquio César Mota, que recebeu a incumbência, evidenciada em carta, de chefiar as áreas relações institucionais, planejamento estratégico e desenvolvimento de novos negócios, assuntos jurídicos e comunicação corporativa, o que denota que, de fato, não se descartava a possibilidade de a Dufry Brasil também ter suas operações; 44.39. a Dufry Brasil foi criada para desempenhar funções operacionais, as quais seriam imprescindíveis para o desenvolvimento e a expansão das atividades do Grupo Dufry no Brasil, o que demonstra seu inequívoco propósito negocial; 44.40. outro fator que denota que a operação, tal como foi estruturada, teve como finalidade a amortização fiscal do ágio reside no fato de a Impugnante ter utilizado este benefício numa proporção inferior ao que a lei permite, de forma consistente com as projeções econômicas; 44.41. a lei permite prazo de cinco anos, enquanto que a Impugnante passou, a partir de 2006, a amortizar o ágio ao longo de 8 anos; 44.42. a intenção sempre foi a de que a Dufry Brasil coordenasse a aquisição das participações societárias, agisse positivamente na obtenção das permissões legais para a operação e ainda desenvolvesse negócios no Brasil, sendo equivocado o entendimento de que a Dufry Brasil não era imprescindível à concretização da operação; 44.43. adicionalmente a todas a funções operacionais exercidas pela Dufry Brasil, a empresa, em linha com seu objeto social, também exerceu as funções de holding; 44.44. a própria legislação comercial determina a possibilidade de criação de empresas que tenham como objeto social deter participação societária em outras empresas (artigo 15, da Lei 6.404/76); 44.45. é inquestionável a possibilidade de existir uma sociedade holding, que tenha como única função deter participações societárias, que exerça sua função Fl. 2223DF CARF MF Processo nº 16682.722538/201652 Acórdão n.º 1401002.725 S1C4T1 Fl. 2.217 15 social independentemente da existência de empregados, ou da geração de despesas ou receitas; 44.46. o conceito de holding é consagrado pela legislação e pela doutrina, razão pela qual não poderia o Agente Fiscal desconsiderálo; 44.47. é incabível descaracterizar a existência da Dufry Brasil, simplesmente, em função da ausência de empregados ou de receitas ou despesas próprias; 44.48. a tentativa de desconsiderar a existência da Dufry Brasil não se sustenta, especialmente porque o presente auto de infração foi lavrado sem qualquer acusação de fraude ou simulação, com a respectiva aplicação da multa qualificada de 150%; 44.49. em que pese o acerto em não qualificar a multa de ofício, não há como aceitar a tentativa de desconsideração da Dufry Brasil sem comprovar que, de fato, os atos praticados foram simulados; 44.50. não procede o argumento de que a Dufry Brasil seria uma sociedade efêmera, criada para existir por um curto prazo e tãosomente para viabilizar um determinado planejamento tributário; 44.51. a Dufry Brasil não foi criada para fins de implementação de planejamento tributário, mas para viabilizar a própria operação; 44.52. de qualquer forma, o prazo de existência da sociedade também não foi curto como mencionou a fiscalização, haja visto que a empresa existiu entre 22/08/2005 e 07/04/2006, situação que é distinta daquelas comumente questionadas pelo CARF, em que a empresa é criada para durar poucos dias; 44.53. as decisões do CARF mostram que o pressuposto fático utilizado para a desconsideração das operações foi o fato de estas terem sido conduzidas por empresas criadas para esse único fim e que, em um curtíssimo espaço de tempo, deixaram de existir, não sendo este o caso da Dufry Brasil, empresa que participou ativamente da negociação e da coordenação da aquisição da Impugnante; 44.54. mesmo que referido propósito não existisse, não se poderia desconstituir uma operação realizada em absoluta conformidade com a legislação, unicamente por conta das suas motivações econômicas; 44.55. referida interpretação passou a ser adotada pelas autoridades fiscais a partir da edição da Lei Complementar nº 104/2001, que considera passíveis de desconsideração pela autoridade administrativa, os atos ou negócios jurídicos que tenham como única finalidade a redução de tributos, ainda que lícitos; 44.56. ocorre que tal dispositivo nunca foi regulamentado; 44.57. a tentativa de fazêlo, por meio da MP 66/02, não logrou êxito, pois os dispositivos que tratavam da matéria, abuso de forma e falta de propósito negocial, foram excluídos, quando da conversão da MP na Lei 10.637/2002; 44.58. desde então, nenhum outro diploma legal tratou da matéria, de forma que esta permanece à margem do direito positivo; 44.59. os artigos 5º, II, e 150, I, da CF e, em caráter complementar à Constituição Federal, o artigo 97, do CTN, consagram o denominado “princípio Fl. 2224DF CARF MF 16 da legalidade”, ou “da reserva absoluta da lei tributária”, de observância compulsória pelos legisladores das diversas exações que compõem o sistema tributário nacional e assim também pelas autoridades fazendárias em geral; 44.60. em matéria de tributação no Brasil, vigora o princípio da estrita legalidade, em que somente lei em sentido estrito pode criar realidades tributárias, não havendo espaço para qualquer discricionariedade por parte da administração tributária ou do poder executivo, salvo nos casos expressamente excepcionados pela Constituição Federal; 44.61. somente pode ser tributado um fato jurídico que corresponda perfeitamente ao tipo previamente descrito no antecedente da regra matriz de incidência tributária; 44.62. a tipicidade é, em última instância, uma garantia da legalidade e da segurança jurídica, pois impede que a administração tributária crie e tribute fatos jurídicos tributários não previstos na legislação, 44.63 a denominada norma antielisão não foi ainda positivada, logo não pode ela servir de parâmetro para a análise de negócios jurídicos; 44.64. qualquer tentativa de desqualificar atos jurídicos, com base na exigência de propósito negocial, deve ser afastada, por violação aos princípios constitucionais; 44.65 a Autoridade Fiscal tenta fundamentar a operação na existência de abuso de forma ou de direito; 44.66. de acordo com o código civil, o abuso de direito ocorre quando o titular de um direito subjetivo o utiliza em prejuízo de terceiros, de forma que ele se configura pela existência de três elementos: (a) o sujeito, (b) o direito subjetivo e (c) o prejuízo a terceiros; 44.67. a relação jurídicotributária é uma relação irreflexiva, não havendo possibilidade de troca na posição dos sujeitos e, por isso, nunca será o contribuinte (sujeito passivo) titular de qualquer direito subjetivo perante o Fisco (sujeito ativo), o que evidencia o descabimento de qualquer acusação de abuso de direito na operação de que trata o presente processo; 44.68. é evidente a percepção de que a Impugnante não possuía qualquer direito subjetivo, oponível às autoridades fiscais, que pudesse ser objeto de abuso; 44.69. diferentemente do alegado pelas autoridades fiscais, cabe também atentar para o fato de que a incorporação realizada, embora seja reversa, não corresponde a uma incorporação às avessas; que se refere às operações em que a controlada incorpora a controladora, com único objetivo de preservar a base de prejuízos fiscais da incorporadora (controlada), após a incorporação; 44.70. em tais casos, a incorporadora passa a adotar, ato contínuo, as características comerciais da controladora; 44.71. as incorporações reversas, como no caso presente, são simplesmente aquelas em que a empresa controlada incorpora o acervo líquido de sua controladora, sucedendolhe universalmente em bens, direitos e obrigações; 44.72. incorporações às avessas são gravadas de simulação e, por isso, são passíveis de questionamento, entretanto, esse não é o caso presente, no qual a incorporadora, era a empresa operacional e lucrativa que incorporou uma sociedade holding, criada para viabilizar a aquisição da empresa operacional; Fl. 2225DF CARF MF Processo nº 16682.722538/201652 Acórdão n.º 1401002.725 S1C4T1 Fl. 2.218 17 44.73. do ponto de vista econômico e empresarial, a incorporação deveria ter sido da holding pela operacional, não fazendo qualquer sentido a incorporação da Brasif pela Dufry Participações; 44.74. a operação realizada é tão somente uma incorporação reversa, realizada nos termos previstos pela legislação e com a real intenção de transferir à empresa sucessora, o acervo líquido da sucedida; 44.75. tal hipótese é valida e està prevista no §6º, II, do art. 386, do RIR/99, com base legal no artigo 8º, da Lei 9.532/97; 44.76. não há qualquer motivo para que se questione a incorporação ocorrida, haja vista que (i) a legislação fiscal prevê a incorporação reversa como hipótese para início da amortização do ágio e (ii) a operação, tanto em sua forma, quanto em sua essência é legítima, tendo sido realizada sem qualquer sombra de simulação; 44.77. inexistem operações em série com a finalidade de prejudicar o Fisco; 44.78. as etapas ocorridas foram absolutamente necessárias à consecução do negócio, inexistindo, como se verifica em outros casos, a criação de sociedades veículo para, de forma artificial, carregarse o ágio entre empresas; 44.79. as etapas ocorridas foram tão somente três: (a) criação da empresa holding para coordenar as negociações; (b) aquisição das ações da Impugnante e (c) incorporação da holding pela Impugnante; 44.80. os demais atos narrados pela Fiscalização não são relevantes à operação e não tiveram qualquer impacto fiscal; SP SAO PAULO DRJ Fl. 2089 Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP25.0518.13590.C40G. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 44.81. os passos mencionados na operação foram necessários para que se implementasse a aquisição da Requerente, havendo diversos motivos negociais que embasam a operação da forma como ocorreu, sendo inadmissível aplicar o conceito de “operações estruturadas” ou de “step up transactions”; 44.82. a Constituição Federal consagrou a autonomia privada como direito fundamental, que consiste na aptidão conferida ao cidadão em se autoregular em suas relações privadas, desde que observados os limites de licitude e interesse coletivo constantes do ordenamento jurídico brasileiro; 44.83. podese afirmar que a intervenção estatal encontra limites não só na legalidade estrita, como também na autonomia privada; 44.84. a despeito da previsão contida no parágrafo único, do artigo 116, do CTN, que não foi regulamentado, o Fisco não está autorizado a desconsiderar qualquer negócio jurídico do contribuinte, mas antes de tudo deve observar os limites estabelecidos pelo próprio ordenamento jurídico; 44.85. transcreve trecho do Acórdão proferido pelo CARF, nos autos do processo anterior (166682.721132/201148); Fl. 2226DF CARF MF 18 44.86. os negócios jurídicos praticados pelos contribuintes, como a mais legítima expressão de sua autonomia privada, somente poderão ser desconsiderados quando neles verificada qualquer mácula de ilicitude que os tornem ilegítimos e nulos de pleno direito. o que não ocorreu no caso presente; 45. Do exposto, requer que a impugnação seja julgada procedente para cancelar a exigência dos pretensos débitos de IRPJ e CSLL e acréscimos legais, bem como da multa isolada. 46. É o relatório. Em 30 de junho de 2017 a DRJ em São Paulo julgou a impugnação improcedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 IRPJ. ÁGIO. INVESTIDORA SEDIADA NO EXTERIOR. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃO DA EMPRESA VEÍCULO. DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE. O ágio é amortizável quando a investidora absorve o patrimônio da investida e viceversa, em razão de incorporação, fusão ou cisão. A real investidora é a empresa que despendeu os recursos necessários para o investimento e não a empresa veículo, receptora desses recursos, que, ato contínuo, adquire as quotas da investida, para depois ser incorporada por esta. Não há absorção de patrimônio quando a real investidora e a investida permanecem com personalidades jurídicas distintas, aquela sediada no exterior e esta no Brasil. É indedutível do lucro real e da base de cálculo da CSLL, a despesa de amortização de ágio, criado na contabilidade, mediante a utilização de empresa veículo MULTA ISOLADA. Mantida a glosa da despesa de amortização do ágio, mantém se as multas isoladas, incidentes sobre as diferenças mensais de estimativas que deixaram de ser recolhidas em razão daquela glosa. EFEITOS TRIBUTÁRIOS DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS. A constituição do crédito tributário pelo lançamento tem por base os efeitos tributários decorrentes das condutas efetivamente praticadas pelos contribuintes, ainda que os negócios jurídicos, formal e individualmente considerados, aparentem outra realidade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 DECISÃO ANTERIOR FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO. PERÍODOS DE APURAÇÃO DIVERSOS. INAPLICÁVEL OS EFEITOS DA COISA JULGADA. Não produz efeitos de coisa julgada, decisão anterior, que, embora favorável ao sujeito passivo, trate de cobrança de tributo relativo a período de apuração diverso daquele que compõe a lide. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada em 14 de agosto de 2017 (fl. 2.113), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 12 de setembro de 2017 (fl. 2.115), alegando, em síntese: (i) impossibilidade de novo questionamento da operação já chancelada pelo CARF (processo 16682.721132/201148). Fl. 2227DF CARF MF Processo nº 16682.722538/201652 Acórdão n.º 1401002.725 S1C4T1 Fl. 2.219 19 (ii) no mérito, defende que (a) as operações realizadas tiveram propósito negocial, enumerando fatos para demonstrar que a Dufry Brasil não representou empresa veículo constituída com o único intuito de obter o benefício da amortização do ágio, os quais ressaltam sua importância na aquisição e sua efetiva atuação como holding; (b) os requisitos legais para a geração e amortização do ágio foram cumpridos. (iii) subsidiariamente, sustenta (a) insubsistência da aplicação da multa isolada em concomitância com a multa de ofício; e (b) impossibilidade de cobrança de juros moratórios sobre a multa de ofício. Recebi o processo em distribuição realizada em 17 de maio de 2018. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Conforme relatado, tratase de auto de infração referente à glosa de despesas com amortização de ágio gerado em 2006 e que começou a ser amortizado neste mesmo ano. Pleiteia a Recorrente, inicialmente, o cancelamento do auto de infração ora combatido tendo em vista que o ágio em questão já foi objeto de análise pelo CARF nos autos do processo administrativo 16682.721132/201148, com decisão definitiva favorável à Recorrente e devidamente arquivado, sob pena de ferimento do princípio da segurança jurídica. Entendo que o argumento não prospera. É verdade que o processo 16682.721132/201148 foi dedicado à análise do mesmo ágio ora sob exame, embora referente à amortizações realizadas em outros anoscalendário (lá 2006 a 2010, aqui 2011). Ocorre que não há impedimento legal para que a fiscalização lavre um auto de infração para um anocalendário sob um determinado argumento e, para o anocalendário seguinte, reveja seu posicionamento e adote outro critério para autuar. De fato, o artigo 146 do CTN preconiza a segurança jurídica do ato administrativo do lançamento para um mesmo fato gerador, vejase: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. (grifamos) Assim, diante de um mesmo cenário fático, do mesmo contribuinte e em relação a período já fiscalizado, a fiscalização não pode se valer de duas formas distintas de apurar a matéria tributária e a respectiva base de cálculo. Fl. 2228DF CARF MF 20 Contudo, o dispositivo não engessa a atividade tributante quanto a diferentes fatos geradores. No caso, não houve revisão de um mesmo lançamento por força de erro de direito, tampouco alteração de critérios jurídicos adotados pela fiscalização no mesmo lançamento, para o mesmo fato gerador. Improcedente, portanto, a alegação de insubsistência da autuação sob este fundamento. Ao contrário do que sustenta a Recorrente, por meio do acórdão 1302 001.182 o CARF não chancelou o ágio ou a operação societária mas sim cancelou aquele auto de infração especificamente. O processo administrativo tributário tem por objeto a formação de um título executivo (a Certidão de Dívida Ativa) para permitir que o Fisco cobre os valores do sujeito passivo. Neste sentido, sua natureza é essencialmente constitutiva. O fato de, ao final do processo administrativo, se decidir pela insubsistência da cobrança não significa a validação dos efeitos tributários da operação realizada, mas apenas a invalidação do lançamento efetuado, o que é muito diferente. O princípio da segurança jurídica está assegurado quando, para o mesmo tributo em dado anocalendário, se garante que não haverá surpresa ao contribuinte quanto aos fundamentos para a cobrança de determinado tributo. Tanto é assim que a legislação prevê, inclusive, a lavratura de auto de infração complementar no caso de, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, serem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, sendo garantida ao sujeito passivo a devolução do prazo para impugnação referente à matéria modificada (art. 18, § 3º, do Decreto 70.235/1972). O lançamento complementar deve ser objeto do mesmo processo em que for tratado o auto de infração complementado (art. 41, 4o do Decreto 7.574/2011) e, por se tratar de lançamento, por óbvio tais alterações somente são possíveis se realizadas dentro do prazo decadencial. Passo, portanto, ao mérito. Ao analisar a operação que deu origem ao ágio em questão, a autoridade autuante entendeu que a operação efetiva consistiu na aquisição das quotas da Recorrente pela sociedade uruguaia Delmey Sociedad Anomina (Delmey), sendo que a Dufry do Brasil Participações Ltda. (Dufry Participações) "nunca existiu materialmente, apenas formalmente, funcionando como mero veículo para a aquisição com ágio da fiscalizada pelo grupo internacional DUFRY de forma a tornar juridicamente possível a posterior amortização e dedução fiscal desse ágio.". Em outros termos, considerou a autoridade autuante que "a realidade é que as pessoas físicas, então quotistas da Brasif Duty Free Shop Ltda. negociaram suas quotas com a Delmey S.A., e não com a Dufry do Brasil Participações Ltda.". (fl. 1740) Em síntese, as operações foram assim descritas no TVF: (i) em 7 de março de 2006 a sociedade uruguaia Delmey adquiriu a Dufry Participações (então denominada Senderos Participações Ltda.) (ii) também em 7 de março de 2006 ocorreram reestruturações societárias que resultaram em que as quotas da Recorrente, então detidas pela Brasif Participações, passaram a ser detidas por sócios pessoas físicas. Fl. 2229DF CARF MF Processo nº 16682.722538/201652 Acórdão n.º 1401002.725 S1C4T1 Fl. 2.220 21 (iii) em 23 de março de 2016 8 dias após receber uma injeção de capital da ordem de US$500 milhões a uruguaia Delmey aumentou o capital da Dufry Participações, de R$100,00 para R$ 53.531.400,00, bem como efetuou empréstimo em favor desta em valor correspondente a US$225.950.000,00. (iv) ainda em 23 de março de 2016, a Dufry Participações adquiriu dos quotistas pessoas físicas as quotas representativas do capital social da ora Recorrente, pelo valor de US$ 250 milhões (correspondentes a R$ 535.086.667,71). O contrato de 23 de março substituiu integralmente a versão datada de 11 de março apresentada às autoridades concorrenciais. O valor de aquisição foi composto das seguintes parcelas: R$ 39.234.501,04 correspondem valor patrimonial da Recorrente e R$ 485.418.166,65 foram consignados como ágio fundamentado na expectativa de rentabilidade futura; R$ 4.240.993,05 correspondem à participação (54,03%) na sociedade EMAC Comércio e Importação Ltda. e R$ 3.679.006,95 referemse ao ágio na aquisição dessa participação; R$ 2.727.885,85 correspondem à participação (100%) na sociedade Iperco Comércio Exterior S/A e R$ 213.885,85 foram consignados como deságio na aquisição dessa participação. (v) em 7 de abril de 2006, a ora Recorrente incorporou sua controladora Dufry Participações, dando origem à amortização do ágio. (vi) em 13 de outubro de 2006, o capital social da Delmey sofreu redução no valor de US$ 254 milhões, mediante retirada em espécie. Além a efêmera existência da Dufry Participações (menos de oito meses, sendo que apenas três meses após ter sido adquirida pela Delmey), outro fator que levou a fiscalização a entender pelo que chamou de "falta de propósito negocial" está relacionado à escrituração da Dufry Participações. Isso porque, ainda conforme o TVF, para o anocalendário de 2006 os únicos lançamentos na conta Bancos ocorreram em 23 de março de 2016 e são referentes ou às entradas de recursos provenientes da integralização de capital e do empréstimo efetuados pela Delmey, ou à saída de valores em favor das pessoas físicas para pagamento pelas quotas da Recorrente. Além disso, os registros contábeis se limitam ao período de 07/03/2006 a 01/06/2006, não havendo registro algum referente a pagamentos a empregados, aquisição de bens integrantes do ativo imobilizado, manutenção da sede ou quaisquer outros inerentes às atividades empresariais comuns de qualquer sociedade, mesmo considerando tratarse de holding. Por outro lado, a Recorrente rebate as acusações e busca reafirmar o papel negocial da Dufry Brasil na operação, observando que o Grupo Dufry sentiu a necessidade de ter uma empresa no Brasil para: (a) viabilizar e coordenar a aquisição da participação societária da Brasif, que atuava no ramo de lojas francas, e também de outras 2 empresas com frentes de negócios distintas. Fl. 2230DF CARF MF 22 (b) dar agilidade às providências para a aquisição, já que havia outros concorrentes de porte internacional disputando a compra – assim, foi fundamental que a Dufry Brasil pudesse internar os recursos necessários para a aquisição e têlos disponíveis para tanto; (c) não se tratava de apenas um vendedor, mas de 6 vendedores, pessoas físicas brasileiras, com os quais a Dufry Brasil teceu "longas negociações"; (d) tratavase de atividade altamente regulada, não apenas pelas autoridades tributárias, mas também pelas autoridades aeronáuticas, e a efetiva concretização da operação dependia de uma série de aprovações (fls. 2012 a 2017 Infraero); (e) pelo montante envolvido, bem como pelo tamanho do Grupo Dufry mesmo antes dessa aquisição, houve a necessidade de notificar os órgãos de defesa da concorrência, a quem se submeteu para a análise a aquisição (fls. 2019 a 2021). (f) aventouse a possibilidade de a Dufry Brasil realizar Oferta Pública de Ações após a aquisição. As justificativas prestadas pela Recorrente, algumas delas contestadas já pela autoridade autuante, são consistentes em tese, mas não há prova de que se apliquem ao caso. Explico. O argumento da necessidade de ter uma pessoa jurídica no Brasil para viabilizar e coordenar a aquisição das participações societárias no Brasil não subsiste quando se verifica a completa ausência de provas quanto à efetiva atuação da Dufry Participações na operação. A própria fiscalização já havia tecido comentários neste sentido, ao contestar as respostas à intimação fornecidas pela contribuinte, vejase, por exemplo, o seguinte trecho do TVF: A argumentação de que a Dufry do Brasil Participações Ltda. seria fundamental para a realização do negócio, pois a sua finalização através de uma entidade não residente seria demasiadamente onerosa, difícil e de resultados incertos, não é suficiente já que todos os recursos empregados, todas as garantias fornecidas e toda a capacidade operacional para a realização da operação foram proporcionados pela Delmey S.A. mediante aumento de capital e concessão de empréstimo à Dufry do Brasil Participações Ltda.. Assim, a realidade é que as pessoas físicas, então quotistas da Brasif Duty Free Shop Ltda. negociaram suas quotas com a Delmey S.A., e não com a Dufry do Brasil Participações Ltda. A emissão de parecer favorável da Secretaria de Acompanhamento Econômico –CADE – bem como a aprovação pela INFRAERO não estavam, de maneira alguma, condicionadas à criação de outra empresa, mesmo porque essa sociedade não tinha qualquer autonomia, capacidade financeira ou operacional para a realização dessa operação. Os parâmetros para as referidas concessões envolvem variáveis de naturezas distintas às apresentadas na argumentação exposta, até porque se existissem restrições à realização de aquisições societárias por empresas situadas no Uruguai, não seria a criação de empresa interposta que viabilizaria a operação. Da mesma forma, não se justifica a utilização da Dufry do Brasil Participações Ltda.em função da necessidade de abertura de Fl. 2231DF CARF MF Processo nº 16682.722538/201652 Acórdão n.º 1401002.725 S1C4T1 Fl. 2.221 23 conta bancária de caução (escrow account) para o depósito da parcela correspondente à 7,5% do negócio (item 2.5 do Acordo de Compra e Venda de Ações Reformulado, doc. 4). Tal cláusula foi estabelecida simplesmente pela vontade das partes, não havendo qualquer determinação legal para isso. Destacase o fato de que todos os recursos para a concretização da operação foram supridos pela empresa uruguaia Delmey S.A. Assim, qualquer garantia eventualmente necessária à realização da operação poderia ter sido fornecida diretamente pelo real adquirente (Delmey) em benefício dos antigos proprietários das quotas. Destaquese ainda que, como já foi exposto anteriormente, todas as operações financeiras ocorridas no anocalendário 2006 na Dufry do Brasil Participações Ltda. foram registradas na contabilidade no dia 23/03/2006. Nessa data, consta o registro contábil do valor total da operação, não tendo sido identificadas parcelas anteriores desembolsadas a título de garantia. Concluindo, todos os motivos apresentados como justificativa para a criação da empresa Dufry do Brasil Participações Ltda. não se revelaram imprescindíveis à concretização da operação. Eis que as formalidades alegadas poderiam ter sido cumpridas por um simples representante do real adquirente: Delmey S.A. (fl. 17381739). O argumento de que foi fundamental que a Dufry Participações pudesse internar os recursos necessários para a aquisição e têlos disponíveis para tanto também não subsiste quando se verifica que, na prática, os recursos não ficaram "disponíveis" no Brasil, pois no mesmo dia em que a Dufry Participações recebeu os valores de sua controladora estrangeira ela realizou os pagamentos às pessoas físicas vendedoras. A Dufry Participações também não parece ter sido fundamental na negociação com os 6 vendedores pessoas físicas brasileiras, em especial quando se leva em consideração que ela foi adquirida pela Delmey no mesmo dia em que as pessoas físicas se tornaram detentoras da participação societária a ser alienada, não sendo crível que uma negociação desse porte tenha se concretizado em apenas 4 dias (entre os dias 7 e 11 de março, data da primeira versão do contrato de compra e venda apresentado às autoridades concorrenciais e cujos termos não foram essencialmente alterados). Em outras palavras, não foi ela (nem por meio dela) que foram feitas as negociações, e não obstante as alegações não há provas no processo de que ela tenha sido de qualquer forma relevante nesse processo. Vale notar, ademais, que a documentação enviada e recebida da Infraero acostada aos autos pela contribuinte (fls. 2012 a 2017) não prova que o fato de se tratar de atividade altamente regulada levou à necessidade de aquisição realizada por empresa brasileira. Ali consta apenas carta datada de 14 de março de 2006 na qual o "Grupo Dufry" noticia a conclusão das negociações para a transferência do controle societário da Recorrente, bem como documentos da Infraero registrando que a mera transferência de controle societário de concessionária não compromete os contratos firmados. Ou seja, da documentação constante dos autos não se extrai nenhuma informação sobre a efetiva atuação da Dufry Participações. Também os documentos juntados aos autos pela ora Recorrente referentes às comunicações às autoridades concorrenciais nada dizem sobre a atuação da Dufry Fl. 2232DF CARF MF 24 Participações. Os documentos de fls. 2019 a 2021 apenas comprovam que tal notificação foi realizada, e que a operação sido aprovada em 31 de janeiro de 2007. Por fim, sobre o fato de se ter aventado a possibilidade de a Dufry Participações realizar Oferta Pública de Ações após a aquisição, a Recorrente não traz qualquer explicação a respeito, nem nenhum início de prova de que tal tenha ocorrido. Em resumo, portanto, embora a defesa tenha mencionado pontos em tese relevantes, da análise das provas acostadas aos autos não é possível extrair qualquer conclusão sobre a atuação ou a materialidade da Dufry Participações. Não parece ter sido ela a verdadeira adquirente da participação societária que deu origem ao ágio. Por outro lado, o Termo de Verificação Fiscal foi bem enfático quanto à interposição e da existência apenas "no papel" de tal pessoa jurídica, tendo trazido indícios convergentes para esta conclusão, sobretudo quando observou a efemeridade da sua existência e a ausência de registros contábeis relacionados a despesas que seriam comuns a qualquer tipo de empresa, o que releva que, na prática, a Dufry Participações efetivamente nunca atuou como pessoa jurídica, ou seja, como sujeito de deveres e obrigações (ou que apenas assim atuou com relação à operação societária que se pretende descaracterizar, no caso, a aquisição que deu origem ao ágio). Como tenho observado em meus votos sobre o assunto, mesmo uma holding requer um mínimo de elementos materiais que a caracterizem como sociedade empresária, para além de um registro na Junta Comercial e um número no CNPJ. Não se nega que uma companhia possa ter por objeto exclusivamente participar de outras sociedades até porque a própria Lei das S.A. (Lei 6.404/1976) prevê tal possibilidade em seu artigo 2º, § 3º, observando, ademais, que tal participação pode ocorrer ainda que não prevista no estatuto, seja como meio de realizar o objeto social seja para beneficiarse de incentivos fiscais(*). (*) Art. 2º Pode ser objeto da companhia qualquer empresa de fim lucrativo, não contrário à lei, à ordem pública e aos bons costumes. (...) § 3º A companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades; ainda que não prevista no estatuto, a participação é facultada como meio de realizar o objeto social, ou para beneficiarse de incentivos fiscais. Ocorre que qualquer sociedade, mesmo a chamada "holding pura", não prescinde de um conteúdo material mínimo não se exige, por óbvio, atividades operacionais, nem necessariamente a contratação de empregados, mas toda empresa tem um endereço sede, alguém que lhe prepare a contabilidade, alguém que assine por ela e lhe "presente" perante terceiros (Pontes de Miranda), custos com registros de seus atos societários, e tudo isso envolve um mínimo de despesas que, se não são arcadas diretamente por ela, são pagas por alguém em nome dela, e de um modo ou de outro devem, pelo menos, constar de seus registros patrimoniais e contábeis. A ausência de qualquer tipo de despesa, aliada à inexistência de quaisquer outros bens ou direitos que não a participação societária que se adquiriu com ágio, enfraquece muito o cenário que se pretende defender, que é de efetiva existência da pessoa jurídica. Note que, quando dizemos "efetiva existência da pessoa jurídica" estamos nos referindo à existência da pessoa jurídica como "sociedade" ou "empresa", e não como um mero registro formal. O contrato de sociedade é assim conceituado pelo artigo 981 do Código Civil (Lei 10.406/2002): Fl. 2233DF CARF MF Processo nº 16682.722538/201652 Acórdão n.º 1401002.725 S1C4T1 Fl. 2.222 25 Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados. Como se sabe, o Direito Brasileiro atual simpatiza com a teoria dos perfis da empresa de Asquini, a qual trata a empresa como "fenômeno poliédrico que assume, sob o aspecto jurídico, em relação ao diferentes elementos nele concorrentes, não um mas diversos perfis: subjetivo, como empresário; funcional, como atividade; objetivo, como patrimônio; corporativo, como instituição” (Exposição de Motivos Complementar apresentada pelo Prof. Sylvio Marcondes responsável pela elaboração do Livro II — “Direito da Empresa” no anteprojeto do Código Civil/2002). Assim, só há que se falar em "sociedade" ou "empresa" na presença de "atividade econômica organizada de produção e circulação de bens e serviços para o mercado, exercida pelo empresário, em caráter profissional, através de um complexo de bens" (BULGARELLI, Waldírio. Tratado de Direito Empresarial, 2ª ed., São Paulo: Atlas, 1995, p.100). No Direito Tributário isso fica claro em diversas passagens. A noção jurídica de empresa está disposta, por exemplo, no caput do art. 132 do Código Tributário Nacional, que dispõe sobre a responsabilidade da pessoa jurídica que resulta da fusão, transformação ou incorporação, pelos tributos devidos pelos antecessores. Segundo este dispositivo, existe uma figura jurídica associada a uma empresa mas, caso tal figura jurídica desapareça, o desaparecimento não causa a “morte” da empresa, que continua como entidade autônoma, com vida jurídica própria, respondendo por atos pretéritos. Ressaltese que o acima é apenas um exemplo ilustrativo mas, no caso em questão, nem era preciso ir tão longe. No caso, e em resumo, considerando a existência meramente formal da Dufry Participações no momento da geração do ágio, a conclusão a que se chega é de que não houve a necessária liquidação do investimento e que, portanto, está ausente um dos requisitos legais para a dedução das despesas com amortização de ágio. Registrese que não se está aqui a discorrer sobre os conceitos de propósito negocial e substância econômica, até porque estes carecem de fundamento legal, tornandose deveras subjetivos e abrangentes. Nem se pretende investigar, na operação, a existência de razões econômicas que vão além da obtenção de vantagem fiscal (ou seja, não se adentra a questionamentos sobre a "necessidade" da operação), já que tal requisito, assim considerado, também inexiste em nosso ordenamento. De fato, temos presenciado com preocupante frequência a utilização, pelas autoridades fiscais, da suposta "teoria do propósito negocial" por meio do qual se defende que a simples ausência sob a ótica do fisco de outros motivos para a operação que não o alcance do benefício fiscal já seria elemento suficiente para invalidar as operações ou, ao menos, as vantagens fiscais daí resultantes. Tal racional, além de carecer de suporte jurídico, guarda certa contradição com diversas regras e estruturas criadas há muito tempo pelo legislador pátrio, por meio das quais são oferecidas vantagens fiscais a contribuintes que cumpram determinados requisitos expressos na legislação. Fl. 2234DF CARF MF 26 Daí é que o que se vê, frequentemente, é a criação de requisitos adicionais àqueles previstos na legislação, sem qualquer amparo jurídico, e fundado exclusivamente em uma premissa falsa, e quase preconceituosa de que uma operação que vise exclusivamente a atingir vantagem fiscal legalmente prevista "não vale para fins fiscais". Dizemos que não é preciso ir tão longe já que a questão é bem mais simples: se uma operação é realizada por uma sociedade empresária, o mínimo que se espera é que esta exista. Em outras palavras, não se pode admitir como existentes sociedades nem mesmo holdings constituídas apenas no papel, sem qualquer substrato material mínimo, eis que, em tais casos, não existe de fato a empresa i.e., esta não passa de uma simulação, de um nada jurídico. Vamos a um exemplo um pouco mais extremo, apenas no intuito de ilustrar o que se diz acima: nossa legislação garante determinadas reduções de tributos a contribuintes que se estabeleçam na Zona Franca de Manaus. Pois bem. Quando as autoridades fiscais investigam os contribuintes que se beneficiam de tais incentivos, não questionam qual foi o motivo extratributário que levou à decisão de se estabelecer em tal área. Pelo contrário, muitas vezes tais contribuintes realmente não têm outra justificativa, eis que se distanciam de seu mercado consumidor e não raro não encontram lá uma melhor infraestrutura ou maior oferta de mão de obra qualificada. O objetivo é, portanto, o gozo do incentivo fiscal, e isso é garantido às empresas que cumpram todos os requisitos da legislação independentemente do "propósito negocial" da decisão de se estabelecer na Zona Franca de Manaus. Mas o que se espera de tais pessoas jurídicas? Que elas realmente se estabeleçam na região da Zona Franca de Manaus e lá produzam seus produtos. Assim, uma pessoa jurídica que o faça apenas formalmente, "no papel", não terá direito ao gozo dos benefícios não porque a operação não tenha "propósito negocial", mas simplesmente porque a pessoa jurídica não existe como "sociedade empresária", por não haver "empresa" naquele local. O mesmo se pode dizer da amortização fiscal do ágio. A legislação traz requisitos para que o valor do ágio seja deduzido como despesa que, uma vez presentes, devem levar ao resultado pretendido, independentemente dos "motivos não fiscais" que levaram à aquisição do investimento ou à incorporação. Mas isso desde que a pessoa jurídica que se diz adquirente e incorporadora/incorporada exista como "sociedade empresária", do contrário o negócio não passará de uma simulação. Daí porque alguns talvez de maneira não técnica qualificam este tipo de negócio como "abusivo". Tal "abuso" é a qualificação que estes dão à utilização de um instituto jurídico (no caso, o da pessoa jurídica) sem se atingir seu fim próprio fim este que outros chamam de "causa" (e, no caso da sociedade empresária, é o exercício de atividade econômica e a partilha dos respectivos resultados). Por tais razões oriento meu voto para negar provimento ao recurso voluntário com relação à glosa de despesas com amortização de ágio. Vale ressaltar que este voto, ao concluir que a existência da pessoa jurídica configurou simulação, não contradiz o fato de a multa não ter sido qualificada pela autoridade lançadora. Conforme já expus em voto no acórdão CSRF 9101002.189, sessão de 21.01.2016, a simulação autoriza, tão somente, a revisão de ofício do lançamento, nos termos do artigo 149, VII, do Código Tributário Nacional: Fl. 2235DF CARF MF Processo nº 16682.722538/201652 Acórdão n.º 1401002.725 S1C4T1 Fl. 2.223 27 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Por sua vez, para que se possa cogitar a qualificação da multa, é necessário identificar qual das ações ou omissões dolosas previstas nos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64 foram praticadas, sendo assim indispensável, ainda, a comprovação do dolo. Esse, inclusive, é o sentido que se extrai do teor da Súmula CARF nº 14: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo", assim como da Súmula Vinculante CARF nº 25: "A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64". Como ensina BRANDÃO MACHADO, na noção de dolo se insere a idéia de contrariedade ao direito, ou seja, da prática de um ilícito ("Um caso de elusão de imposto de renda". In: Direito Tributário Atual, vol. 9, São Paulo: Resenha Tributária, 1989, p. 2209). Da mesma forma, MARCO AURÉLIO GRECO observa: "Outra observação a ser feita é a de que a incidência do inciso II do artigo 44 da Lei n°9.430/96, que leva à multa mais onerosa, supõe a ocorrência inequívoca de intuito fraudulento. (...) Se não houve intuito de enganar, esconder, iludir, mas se, pelo contrário, o contribuinte agiu de forma clara, deixando explícitos seus atos e negócios, de modo a permitir a ampla fiscalização pela autoridade fazendária, e se agiu na convicção e certeza de que seus atos tinham determinado perfil legalmente protegido — que levava ao enquadramento em regime ou previsão legal tributariamente mais favorável — não se trata de caso regulado pelo inciso II do artigo 44, mas sim de divergência de qualificação jurídica dos fatos; hipótese completamente distinta da fraude a que se refere o dispositivo. A multa agravada só tem cabimento se o elemento subjetivo do tipo for a fraude no sentido de enganar, esconder, iludir, etc." (Planejamento Tributário, São Paulo: Dialética, 2004, grifos nossos) É que, para que se possa falar em dolo, para além da intenção (elemento subjetivo), é necessário que o que se pretende seja ilícito (elemento objetivo), ou seja, é preciso que tal intenção seja direcionada à prática de ato ou omissão contrários ao direito (dolo normativo). Nesse passo, não basta a intenção de reduzir a tributação. É necessário, sim, que o contribuinte, ao buscar tal resultado, adote conduta que afronte norma que proíba ou obrigue, ou seja, que contrarie uma norma imperativa, praticando assim um ato típico. É neste sentido que os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 trazem as condutas típicas da sonegação, fraude e conluio, todas elas supondo a inequívoca constatação de dolo, elemento essencial do tipo. Fl. 2236DF CARF MF 28 No caso em questão, entretanto, não se verifica norma imperativa que tenha sido contrariada. Na verdade, o que vemos é a prática de condutas expressamente permitidas, tanto é que a própria fiscalização pauta a qualificação da multa na artificialidade das operações, afirmando textualmente que estas, por si sós, não violavam nenhuma norma legal. Simular é diferente de sonegar. Repitase: a acusação aqui é de simular a existência da SAIP e, por consequência, adotar todas as condutas como se essa sociedade efetivamente existisse, assinando contratos, enviando declarações fiscais e preenchendo livros contábeis. Todas essas atitudes são ínsitas à simulação de fato não se espera que alguém simule a existência de uma sociedade e entregue declarações fiscais como se ela não existisse, pois isso não seria simular. Quem simula acredita na "situação simulada" e adota condutas condizentes com tal circunstância, mas isso não significa dizer que quem simula tem "dolo" no sentido de intenção de praticar um ilícito (dolo normativo). A intenção de quem simula é criar uma situação que na prática não existe e isso não é, no ordenamento jurídico brasileiro, um ilícito. De fato, não há norma que proíba simular uma situação nem norma que obrigue não simular, o que há são apenas consequências para o ato simulado, quais sejam: no âmbito civil, a nulidade do ato simulado nos termos do art. 167 do Código Civil, no âmbito tributário, a possibilidade de o fisco rever o lançamento nos termos do artigo 149, VII, do Código Tributário Nacional. Dizer que um ato será nulo ou que ele autorizará a revisão do lançamento de tributos é algo muito menor do que dizer que esse ato é ilícito. Assim, no caso, não há a imputação da prática de qualquer ilícito, é dizer, não se verifica qualquer conduta contrária ao direito que possa levar ao agravamento da penalidade. Pois bem. A Recorrente sustenta, ainda, a impossibilidade de aplicação de multa isolada de 50% por falta de antecipação das estimativas mensais de IRPJ e CSLL. Neste caso, entendo que lhe assiste razão. Ressalto que, sendo o caso de lançamento relativo ao anocalendário de 2011, entendo não aplicável a Súmula CARF n. 105, uma vez que esta trata da redação da Lei 9.430/1996 na redação anterior à Lei 11.488/2007, e a multa isolada foi lançada com base no artigo 44, II, "b", da Lei 9.430/1997, com redação dada pela Lei 11.488/2007. Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. A questão da multa em razão de falta ou insuficiência de pagamento das estimativas mensais não está pacificada neste CARF. Dos inúmeros julgados a respeito do tema extraemse, pelo menos, três correntes de entendimento. Em um extremo está a corrente que defende que, mesmo após a Lei 11.488/2007, uma vez encerrado o anocalendário não mais cabe aplicar a multa isolada por falta ou insuficiência de estimativas, pois essas ficam absorvidas pelo tributo incidente sobre o resultado anual. Por outro lado, há os que entendem que a imposição da multa independe do resultado apurado no encerramento do exercício financeiro, devendo ser aplicada sempre sobre o valor da estimativa não recolhida. Fl. 2237DF CARF MF Processo nº 16682.722538/201652 Acórdão n.º 1401002.725 S1C4T1 Fl. 2.224 29 Em uma posição intermediária está a corrente adotada pelo presente voto, há muito sustentada pelo Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, que fora integrante desta Turma. Segundo este entendimento, a multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor; não obstante, pelo princípio da absorção ou consunção, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na exata medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo, já que esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem. É a máxima do direito punitivo que, para uma mesma conduta devese aplicar uma só punição. A título ilustrativo reproduzo trecho do acórdão 120100.235, de 7 de abril de 2010, da lavra do ilustre Conselheiro: As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3°: Art. 3o A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. Fl. 2238DF CARF MF 30 O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, "pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático". Para Delmanto, "a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste". Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. É o que ocorre em relação às sanções decorrentes do descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de receita, que enseja o descumprimento de pagar definitivamente, também acarreta a violação do dever de antecipar. Assim, punese com multa proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas não do de pagar, punese a não antecipação com multa isolada. Assim, consideramos imperioso verificar se houve, em relação aos fatos que ensejaram a autuação de multas isoladas, também a imposição de multa proporcional e em que medida. O valor tributável é o mesmo (R$ 15.470.000,00). Isso, contudo, não implica necessariamente numa perfeita coincidência delitiva, pois pode ocorrer também que uma omissão de receita resulte num delito quantitativamente mais intenso. Foi o que ocorreu. Em razão de prejuízos posteriores ao mês do fato gerador, o impacto da omissão sobre a tributação anual foi menor que o sofrido na antecipação mensal. Desse modo, a absorção deve é apenas parcial. Conforme o demonstrativo de fls. 21, a omissão resultou numa base tributável anual do IR no valor de R$ 5.076.300,39, mas numa base estimada de R$ 8.902.754,18. Assim, deve ser mantida a multa isolada relativa à estimativa de imposto de renda que deixou de ser recolhida sobre R$ 3.826.453,79 (R$ 8.902.754,18 R$ 5.076.300,39), parcela essa que não foi absorvida pelo delito de não recolhimento definitivo, sobre o qual foi aplicada a multa proporcional. Fl. 2239DF CARF MF Processo nº 16682.722538/201652 Acórdão n.º 1401002.725 S1C4T1 Fl. 2.225 31 Faz toda a diferença considerar que estamos tratando de direito sancionatório e, nesta seara, não se pode admitir que se trate como independentes penas aplicadas sobre uma infração conteúdo (provisório) e sobre uma infração continente (e efetiva). Em outros termos: não há dúvida de que estamos tratando de multas relacionadas a um mesmo fato gerador de tributo (isto é, IRPJ/CSLL devidos em 31 de dezembro do anocalendário), de maneira que, mesmo que se queira dizer que não se trata da mesma infração (conduta), impõese considerar que o bem jurídico maior é o tributo efetivamente devido, do que é conteúdo provisório ou iter preparatório o bem jurídico representado pelo dever de adiantar estimativas de "algo" (e não "algo efetivo"). Desse modo, se por um lado é preciso dar sentido à norma que prevê a aplicação da multa pelo não recolhimento de estimativas mesmo em caso de apuração de prejuízo fiscal ou base negativa (redação do art. 44 da Lei 9.430/1996 dada pela Lei 11.488/2007), por outro mantémse a premissa de que não se pode penalizar mais a infraçãoconteúdo que a infraçãocontinente. Assim, no caso em questão, entendo que as multas isoladas devem ser canceladas na exata medida em que as suas bases sejam menores que as bases tributáveis anuais utilizadas para fins de aplicação das multas de ofício de IRPJ e CSLL. Por fim, sobre o argumento acerca da cobrança de juros moratórios sobre a multa de ofício, entendo que neste caso a pretensão da Recorrente não merece guarida. De fato, a análise dos artigos 113, 139 e 161 do CTN leva à conclusão de que os juros moratórios não apenas incidem sobre o principal, mas também sobre a multa de ofício proporcional, já que ambos compõem o crédito tributário constituído, in verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...) Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (...) Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §1 Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. §2 O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Fl. 2240DF CARF MF 32 Não por outra razão, a Lei 9.430/1996, ao tratar da formalização da exigência de crédito tributário composto exclusivamente por multa ou juros de mora afirma, expressamente, a possibilidade de tal incidência: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ademais, o entendimento de se considerar legítima a incidência de juros de mora sobre a multa fiscal encontra sustentação na jurisprudência da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012), que reiterou o entendimento no sentido de ser “legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário”, seguindo a linha já adotada pela Segunda Turma do mesmo Tribunal (REsp nº 1.129.990/PR, em 1/9/2009). Ante o exposto, oriento meu voto para rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, especificamente para cancelar as multas isoladas na exata medida em que as suas bases sejam menores que as bases tributáveis anuais utilizadas para fins de aplicação das multas de ofício de IRPJ e CSLL. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 2241DF CARF MF
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Numero do processo: 13804.723986/2016-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE COMPROVANTE DE PAGAMENTO COM CARTÃO DE CRÉDITO. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Pagamento de despesas médicas com cartão de crédito tem força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos comprovantes de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que caracterize falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
Numero da decisão: 2001-000.427
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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DEDUÇÃO MEDIANTE COMPROVANTE DE PAGAMENTO COM CARTÃO DE CRÉDITO. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Pagamento de despesas médicas com cartão de crédito tem força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos comprovantes de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que caracterize falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 72 39 86 /2 01 6- 51 Fl. 57DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas, tratamento odontológico. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 990,00, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2014. A justificação do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento motivador da lavratura o fato de que a Recorrente deveria ter apresentado comprovação complementar referente aos pagamentos de despesas médicas, além do comprovante de pagamento com cartão de crédito e demonstrativo da fatura do cartão apresentados. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na comprovação da despesa, especialmente no que se refere a documentos suplementares aos comprovantes apresentados e identificação dos serviços médicos prestados, como segue: Contra a contribuinte foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls.04/09 relativa ao Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, ano calendário 2014, para cobrança do crédito tributário de R$ 1.894,26. O lançamento é decorrente da seguinte infração: *dedução indevida de despesas médicas, no montante de R$ 3.600,00. (...) Com relação à glosa de despesa médica, há que se destacar que a Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, ao tratar da determinação da base de cálculo anual do Imposto de Renda da Pessoa Física, dispõe que: (...) Portanto, a dedução de despesa médica na declaração do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. No presente caso, observase que a fiscalização glosou a despesa de R$ 3.600,00 a titulo de dedução indevida de despesa médica, relativa ao profissional LUIZ CARLOS DO CARMO FILHO (CPF 031.166.00961), por falta de comprovação do valor apresentado e também do(s) recibo(s) – fl.07. Cumpre informar que o contribuinte não anexou aos autos nenhum documento exarado pelo profissional acima citado, informando o tratamento realizado na Sra. Regina Célia Simille de Macedo, no ano calendário 2014, e o valor cobrado pelo(s) serviço(s) prestado(s). Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13804.723986/201651 Acórdão n.º 2001000.427 S2C0T1 Fl. 58 3 Registrese que é na peça defensória que a própria interessada comunica que o serviço prestado foi implante dentário, sem que esta informação seja ratificada pelo profissional responsável pelo serviço, que, no caso, nos parece ter sido realizado pelo Sr. LUIZ CARLOS DO CARMO FILHO (CPF 031.166.00961). Frisese que a cópia da autorização de débito em cartão de crédito acostada à fl.11 e/ou da fatura do cartão de crédito apresentada à fl. 12 não têm o condão de comprovar que o numerário pago se refere a despesa médica (no caso com dentista) realizada na própria contribuinte e auferida pelo Sr. Luiz Carlos do Carmo Filho, haja vista a falta de apresentação de recibo médico, nos termos dos requisitos estabelecidos no art. 8º, item III, § 2º, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Consequentemente, é de se manter a dedução indevida de despesa médica, no valor de R$ 3.600,00. Destarte, em face de todo o exposto supra, voto no sentido de julgar IMPROCEDENTE a impugnação e manter o crédito tributário apontado no lançamento. Assim, conclui a decisão de piso pela improcedência da impugnação para manter a exigência do Lançamento do imposto suplementar no valor de R$ 990,00, com os acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, a Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: O pagamento do implante dentário em questão foi efetuado através de cartão de crédito, cujo recibo do próprio catão, conforme o dentista, sr. Luiz Carlos do Carmo Filho, cpf, 031.166.00961, seria suficiente par declarar o IR. Como este não foi aceito pela Receita, solicitei ao dentista que me enviasse o recibo e os procedimentos realizados, documentos cuja cópia estou anexando a este recurso. Solicito pois a substituição do recibo do cartão de crédito pelo recibo emitido pelo dentista, como comprovação hábil e idônea do implante dentário por ele realizado no ano de 2014. Segue em anexo cópia do recibo e demais comprovantes do serviço realizado por este profissional no ano de 2014. A vista de todo o exposto, demonstrada a improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. No que se refere às despesas para tratamento odontológico da paciente contribuinte a recusa na aceitação da dedução prende se ao fato de que o pagamento foi realizado por cartão de crédito, ocorrência que gerou comprovante de pagamento naquela modalidade, sem que tenha sido emitido pelo profissional odontólogo o correspondente recibo de prestação de serviços. Assim que o caso é de comprovação fática de documento comprobatório do efetivo pagamento da prestação de serviço. A divergência é quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. Constatase que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo de prestação de serviço ou comprovante de pagamento via cartão de crédito. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13804.723986/201651 Acórdão n.º 2001000.427 S2C0T1 Fl. 59 5 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (...) Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) O apontamento da Autoridade Autuante diz da necessidade da prova, para efeitos fiscais, com a apresentação do recibo correspondente ao serviço prestado, fato que garantirá o reconhecimento do feito e o comprometimento do profissional com a operação que produz reflexos tributários de direitos e obrigações. Expõe o Agente Fiscal que os documentos apresentados pela Recorrente que correspondem à cópia do canhoto (ticket), fl. 11, do pagamento por cartão de crédito não satisfaz a exigência fiscal para comprovação de despesa dedutível do imposto. Também não se satisfez o Fisco com a apresentação da cópia da fatura do cartão que identifica o recebedor do valor alegado como despesa de serviço odontológico, fl. 12. A lide é exclusivamente de ordem comprobatória do meio de pagamento utilizado para quitar o débito da despesa médica de serviço odontológico. Entendo comprovada a despesa mediante comprovantes de pagamento realizadas com cartão de crédito, meio moderno de quitação de compromissos financeiros de toda espécie, que veio substituir o cheque, ora quase em desuso geral. Se a legislação (inciso III, § 2º, art. 8º da Lei nº 9.250/95) aceita que na falta do recibo a despesa possa ser comprovada pela “indicação do cheque nominativo pelo qual foi efeituado o pagamento”, é de Fl. 61DF CARF MF 6 se entender que também pode ser feita a comprovação de despesas através de documento que corresponda a pagamento por cartão de crédito. Em complementação probatória, por ocasião do Recurso Voluntário, a Recorrente fez juntar ao processo recibo firmado pelo profissional Luiz Carlos do Carmo Filho, CRO 12668/PR, fl. 47, plano de tratamento, fl. 48, e prontuário de tratamento da pacientecontribuinte, fl. 49, referente ao anocalendário de 2014. Assim que, no exame da documentação acostada ao processo, verificase que a Recorrente apresentou os elementos probantes exigidos pela Autoridade Tributante, eliminando, por consequência, o motivo da glosa da dedução do imposto sobre a renda no ano calendário de 2014. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose a dedução da despesa médica em sua integralidade. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.720925/2010-91
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. REQUISITOS PROCESSUAIS DE VALIDADE NÃO PREENCHIDOS. NÃO CONHECIMENTO.
Se o recurso voluntário inova via motivos de fato e de direito acerca de matérias não expressamente contestadas na impugnação/manifestação de inconformidade, ou seja, fora dos limites da lide, verifica-se a perda da oportunidade processual da contestação destas, por preclusão consumativa.
Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2010
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL. REGULARIZAÇÃO A DESTEMPO.
A regularização de débitos sem exigibilidade suspensa efetuada após 30 dias da ciência da exclusão do Simples Nacional não permite a permanência no referido regime de tributação, pois viola o requisito essencial do § 2.º do art. 31 da Lei Complementar n.º 123/2006.
Numero da decisão: 1002-000.313
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO, deixando de conhecer dos temas formalismos e datas nas quais teria se fundado a decisão recorrida e vedações do art. 17 da Lei Complementar n.º 123/2006 ao se referirem a ingresso no Simples, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. REQUISITOS PROCESSUAIS DE VALIDADE NÃO PREENCHIDOS. NÃO CONHECIMENTO. Se o recurso voluntário inova via motivos de fato e de direito acerca de matérias não expressamente contestadas na impugnação/manifestação de inconformidade, ou seja, fora dos limites da lide, verifica-se a perda da oportunidade processual da contestação destas, por preclusão consumativa. Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2010 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL. REGULARIZAÇÃO A DESTEMPO. A regularização de débitos sem exigibilidade suspensa efetuada após 30 dias da ciência da exclusão do Simples Nacional não permite a permanência no referido regime de tributação, pois viola o requisito essencial do § 2.º do art. 31 da Lei Complementar n.º 123/2006.
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Recorrente INCOPOR MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. REQUISITOS PROCESSUAIS DE VALIDADE NÃO PREENCHIDOS. NÃO CONHECIMENTO. Se o recurso voluntário inova via motivos de fato e de direito acerca de matérias não expressamente contestadas na impugnação/manifestação de inconformidade, ou seja, fora dos limites da lide, verificase a perda da oportunidade processual da contestação destas, por preclusão consumativa. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL. REGULARIZAÇÃO A DESTEMPO. A regularização de débitos sem exigibilidade suspensa efetuada após 30 dias da ciência da exclusão do Simples Nacional não permite a permanência no referido regime de tributação, pois viola o requisito essencial do § 2.º do art. 31 da Lei Complementar n.º 123/2006. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO, deixando de conhecer dos temas formalismos e datas nas quais teria se fundado a decisão recorrida e vedações do art. 17 da Lei Complementar n.º 123/2006 ao se referirem a ingresso no Simples, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 09 25 /2 01 0- 91 Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10665.720925/201091 Acórdão n.º 1002000.313 S1C0T2 Fl. 42 2 (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo recorrente em face de decisão proferida pela 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE) mediante o Acórdão n.º 0242.990, de 28/02/2013 (efls. 17 a 22). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância bem sintetiza o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] Tratase de impugnação contra a exclusão da interessada do Simples Nacional – Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte. Por meio do ADE (Ato Declaratório Executivo) DRF/BHE Nº 423905, de 1º de setembro de 2010 (fls. 13), a contribuinte foi excluída do Simples Nacional a partir de 1º de janeiro de 20011, em virtude de existirem, em seu nome, débitos com Fazenda Pública Federal sem exigibilidade suspensa. No referido ADE, consta que os débitos motivadores da exclusão foram os seguintes: Fl. 42DF CARF MF Processo nº 10665.720925/201091 Acórdão n.º 1002000.313 S1C0T2 Fl. 43 3 Cientificada da exclusão em 22/09/2010, conforme Aviso de Recebimento de fls. 15, em 19/10/2010 a interessada apresentou a impugnação de fls. 2/3, em que apresenta as seguintes alegações, literalmente transcritas: (...) o crédito de R$ 3.336,29 (...) correspondente ao período de apuração de 12/2007 encontrase devidamente quitado (Cópia do DARF anexa). Os outros créditos relacionados no ADE, serão quitados pela impugnante assim que tiver verificado sua regularidade e o que, eventualmente, tenha levado a essa omissão no pagamento. (...) Assim, como se pode observar, o crédito tributário referente ao período de apuração de 12/2007 encontrase extinto pelo pagamento. Por essa razão sua cobrança é indevida e não merece prosperar. (...) Dessa forma, a instauração do Processo Tributário Administrativo — PTA, com a apresentação da presente impugnação ao ADE 423905, suspende a exigibilidade do Crédito Tributário objeto do referido ADE até solução da questão na esfera administrativa. Assim, até solução final da questão, com o fim do PTA instaurado, o crédito será inexigível e não poderá ser oposto à impugnante para a finalidade de sua exclusão do regime de tributação conhecido como Simples Nacional. À vista de todo exposto e comprovado vicio no ADE objeto da presente impugnação, requerse: • Que ao final do presente PTA, seja o Ato Declaratório Executivo n° 423905, julgado insubsistente e, consequentemente, cancelado, já que relaciona crédito tributário regularmente quitado e consequentemente extinto, conforme o disposto no artigo 156 do CTN; • Nos termos do inciso III, do Artigo 151, do CTN, seja reconhecida a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto do referido ADE, suspendendose, consequentemente, a exclusão da impugnante do regime tributário instituído pela Lei Complementar 123/2006 até a decisão final do presente PTA. Instruem os autos os docs. de fls. 4/16. [...] Inconformado com a decisão da 4.ª Turma da DRJ/BHE, o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual essencialmente argumenta que: 1 A decisão recorrida fundouse em formalismos e datas; 2 Antes da vigência da exclusão os débitos que motivaram a exclusão foram regularizados; 3 As hipóteses do art. 17 da Lei Complementar n.º 123/2006 não tratam de vedação à permanência, mas ao ingresso no Simples Nacional; Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10665.720925/201091 Acórdão n.º 1002000.313 S1C0T2 Fl. 44 4 4 Em janeiro de 2011 fez nova opção pelo Simples Nacional, que foi deferida, mantendose no Simples em 2012 e 2013. O recorrente traz jurisprudência de Tribunal Regional Federal. Pede a revisão da decisão recorrida e sua manutenção no Simples Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Contra a referida decisão de 1.ª instância, o contribuinte, via recurso voluntário, traz vários argumentos associados a temas em relação aos quais não houve controvérsia estabelecida por ocasião da impugnação. Os únicos fundamentos de fato e de direito expostos na impugnação contra as razões que impuseram a publicação do ADE DRF/BHE n.º 423905/2010 dizem respeito à quitação de apenas um dos débitos motivadores da exclusão, e, em decorrência desta quitação específica, à pretensão de reconhecimento da suspensão de que trata o art. 151, III, do CTN, que implicaria a extinção a que se refere o art. 156, I e VII, do CTN. Portanto, com relação às matérias do recurso voluntário já descritas acima no relatório, correspondentes ali a (1) formalismos e datas nas quais teriase fundado a decisão recorrida, e a (3) vedações do art. 17 da Lei Complementar n.º 123/2006 se referirem a ingresso no Simples, e não a permanência, configurase nitidamente a inovação nas causas de pedir. Na verdade, em nenhuma parte da impugnação o recorrente se insurge contra formalismos e datas, ou contra aspectos do art. 17 da LC n.º 123/2006, o que prejudica o conhecimento destas matérias, somente alegadas em segunda instância, ex vi dos arts. 16, III, e 17 do Decreto n.º 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10665.720925/201091 Acórdão n.º 1002000.313 S1C0T2 Fl. 45 5 O recurso voluntário inovou a argumentação de defesa em relação à impugnação, o que não é admissível no processo contencioso administrativo, tipificando a preclusão consumativa. Nos termos dos arts. 16, III e 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, transcritos acima, todos os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa deverão ser mencionados na impugnação/manifestação de inconformidade, considerandose não impugnadas as matérias não expressamente contestadas. A preclusão se verifica pela não dedução de todos os argumentos de defesa no recurso inaugural, isto é, as matérias de fato e de direito que pretendia questionar, decorrendo daí a perda da oportunidade processual de contestação. No caso dos autos, a discussão administrativa foi delimitada pela impugnação, restando rechaçadas quaisquer outras teses defensivas eventualmente não expostas — exceto as objeções, matérias de ordem pública —, por aplicação do princípio eventualidade, ressalva feita ao direito ou fato supervenientes, o que é o caso somente das razões ligadas aos pagamentos efetuados após a interposição da impugnação, que serão examinadas a seguir. Os pagamentos efetuados em dezembro de 2010, antes do início da data de início dos efeitos do ADE de exclusão e após a apresentação da impugnação, são provas que correspondem a fatos supervenientes, e enquadramse na previsão legal da alínea "b" do § 4.º do art. 16, do Decreto n.º 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (...) b) refirase a fato ou a direito superveniente; Sendo assim, serão analisadas as alegações ligadas a realização destes pagamentos, cujos elementos de prova foram juntados às efls. 30 a 39. A questão nuclear é que o recorrente entende que, se os débitos que motivaram sua exclusão do Simples com efeitos a partir de 01/01/2011 foram extintos antes deste dia, deve ser mantido no Simples Nacional, mormente porque em janeiro de 2011 fez nova opção por este regime de tributação simplificado e que foi deferida. Ocorre que, penso, não há como, no bojo de uma decisão administrativa, "aditar" um dispositivo legal, inserindo na sua interpretação hipótese diversa da ali prevista, no intuito de extrapolar o prazo legal de 30 dias após a ciência da exclusão, para regularização dos débitos, dada a materialização de casos particulares — dentre os quais se incluiria a situação dos autos, de quitação antes do início dos efeitos da exclusão. Noutro ângulo da verificação do mesmo impedimento, importa registrar que tal medida, se adotada, implicaria admitir que os contribuintes pudessem deixar de quitar seus débitos voluntariamente, aguardando se e quando fossem excluídos via ADE, para diferir a Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10665.720925/201091 Acórdão n.º 1002000.313 S1C0T2 Fl. 46 6 regularização das pendências para pouco antes do início dos efeitos da exclusão, o que pode demorar consideravelmente. Se o legislador assim pretendesse, certamente o texto legal apontaria para a possibilidade de manutenção no regime do Simples do contribuinte que regularizasse seus débitos até o início dos efeitos da exclusão, e não até 30 dias da ciência da exclusão. A limitação dos 30 dias é o que consta do art. 31, § 2.º da LC n.º 123/2006: Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: (...) § 2o Na hipótese dos incisos V e XVI do caput do art. 17, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito ou do cadastro fiscal no prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão. O que demonstram os elementos de prova contidos nos autos é que ao tempo da exclusão do Simples Nacional havia débitos do próprio Simples Nacional em relação os quais não foi identificada nenhuma das hipóteses de suspensão de que trata o art. 151, I, do CTN. Tampouco os pagamentos a destempo dos débitos — assinalados sob a forma do art. 156 do CTN — têm a utilidade que lhe pretende atribuir o recorrente: não afastam a determinação temporal legal dos 30 dias contados da ciência da exclusão do Simples Nacional para que haja a permanência do contribuinte excluído. Em relação à jurisprudência colacionada ao recurso voluntário, trata de contexto diverso, pois envolve atraso de pagamento de cota de parcelamento, que não se assemelha ao contexto fático destes autos. Logo, tenho que concordar com a decisão recorrida que entendeu como acertada a aplicação, pela administração tributária, dos dispositivos legais vigentes ao tempo da exclusão do regime, evidenciada através do ADE DRF/BHE n.º 423905/2010: Art. 17, V, da Lei Complementar n.º 123/2006, 3.º, II, "d", e 5.º , I, da Res. do CGSN n.º 15/2007, e 12, XVI, da Res. CGSN n.º 4/2007. Não provada nos autos a regularização dos débitos ao tempo da exclusão do Simples Nacional, tampouco nos 30 dias seguintes à ciência da exclusão, devem ser mantidos os seus efeitos na forma legal exigida. A autoridade administrativa vinculase à lei, e, assim, a publicação do ADE de exclusão do Simples Nacional revelase cumprimento de determinação legal. Evidentemente, considerada a informação do recurso voluntário acerca de nova opção deferida que favoreceu a adoção do regime de tributação do Simples Nacional para os anos 2011, 2012 e 2013, foi superada a discussão destes autos sobre a possibilidade de quitação fora do prazo do art. 31, § 2.º da LC n.º 123/2006 afastar os efeitos da exclusão, quando tal quitação se antecipa ao início da vigência dos efeitos, uma vez que o pedido principal do recorrente foi, de forma indireta e pela via acertada (nova opção), registrese, atendido. Por tudo analisado, nego provimento ao recurso voluntário, posicionandome pela manutenção integral da decisão de 1.ª instância. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10665.720925/201091 Acórdão n.º 1002000.313 S1C0T2 Fl. 47 7 É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Fl. 47DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.001972/2005-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
PIS. DCOMP. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. DECISÃO CONCESSIVA DE DRJ. INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE INTERESSE DE AGIR.
Deferido o Pedido de Compensação por parte da DRJ de piso, falta interesse de agir ao recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por falta de interesse de agir.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Marcos Roberto da Silva (Suplente em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 PIS. DCOMP. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. DECISÃO CONCESSIVA DE DRJ. INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE INTERESSE DE AGIR. Deferido o Pedido de Compensação por parte da DRJ de piso, falta interesse de agir ao recorrente.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 PIS. DCOMP. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. DECISÃO CONCESSIVA DE DRJ. INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE INTERESSE DE AGIR. Deferido o Pedido de Compensação por parte da DRJ de piso, falta interesse de agir ao recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por falta de interesse de agir. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Marcos Roberto da Silva (Suplente em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 19 72 /2 00 5- 07 Fl. 1024DF CARF MF 2 Adotase o relatório da DRJ de piso (efls. 733 e seguintes) por bem retratar a situação dos autos: Tratase de Declaração de Compensação protocolada em 28/06/2005, na qual a contribuinte buscava compensar débitos relativos a tributos administrados pela Receita Federal utilizando crédito de PIS nãocumulativo, relativo ao período de apuração maio de 2005, no importe de R$ 237.214,24. Analisada a pretensão da contribuinte, o Seort da DRF/Guarulhos emitiu o Despacho Decisório n° 545/2009, por meio do qual não homologou a compensação, sob o fundamento de que a documentação apresentada pela contribuinte em resposta às diversas intimações seria insuficiente para reconhecimento do crédito pleiteado, registrando ainda que o contribuinte não atendeu integralmente as intimações nos prazos fixados, deixando de apresentar elementos essenciais ao exame do pleito, notadamente: ∙ Contratos de Fechamento de Câmbio e telas do Siscomex de todas as operações de exportação; ∙ Notas fiscais de serviços utilizados como insumos; ∙ Comprovantes de despesas de armazenagem e frete; ∙ Documentos comprobatórios de créditos a descontar de PIS importação, entre outros. Argumentou a autoridade do Seort que, nos termos da lei n° 9.784/99, caberia à contribuinte provar os fatos que tenha alegado, e que a autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderia condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos que comprovassem o crédito, conforme o disposto na Instrução Normativa RFB n° 900/2008. A autoridade salientou que, embora a contribuinte tenha atendido parcialmente às intimações, a documentação apresentada ainda careceu dos elementos imprescindíveis à análise do direito creditório, tornando inviável a apuração do crédito de PIS referente ao mês de maio/2005. Finalizou o Despacho aditando que, uma vez não comprovados os créditos informados na declaração de compensação, tornou se obrigatória a cobrança dos débitos compensados. Cientificada do Despacho Decisório em 15/12/2009, no dia 14/01/2010 a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade acompanhada dos documentos de fls. 282/558, alegando, em síntese, o que segue. Inicialmente, a contribuinte alegou que a declaração de compensação foi protocolada em conformidade com a Instrução Normativa n° 460, de 18 de outubro de 2004, norma vigente à época do feito. Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 10875.001972/200507 Acórdão n.º 3401005.115 S3C4T1 Fl. 1.024 3 Entende a interessada que o crédito em questão possui um tratamento próprio e específico no que diz respeito à sua recuperação, que está previsto no § 2° do artigo 22 da referida instrução normativa. Sustenta que, de acordo com este dispositivo, a liquidez e a certeza do direito ao ressarcimento de créditos dessa natureza é verificada, em princípio, no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). Segundo afirma a interessada, as informações contidas no DACON seriam completas e detalhadas e a IN SRF n° 460, de 2004, não exigiria da contribuinte a apresentação de qualquer outro documento adicional a fim de demonstrar o seu direito creditório. A contribuinte prossegue alegando que, “de acordo com a disposição contida no artigo 24” da referida norma, “depreendese que a autoridade fiscal competente para analisar o pedido de ressarcimento nestes casos, poderá, se for o caso, exigir do contribuinte a apresentação de outros documentos comprobatórios do respectivo crédito, assim como determinar a realização de diligência fiscal com vistas à comprovação do direito creditório do contribuinte” (o destaque é do original). A contribuinte alegou ainda que o DACON possuiria, por si só, presunção relativa de veracidade, e seria, portanto, o único documento exigido pela IN SRF n° 460, de 2004; assim, apenas em caso de necessidade de verificação da exatidão das informações prestadas no DACON é que esta instrução normativa faculta às autoridades fiscais exigir outros documentos para a apreciação do pedido de ressarcimento; reitera que “em princípio, o DACON conhecido pelas autoridades fiscais já lhes fornece todas as informações necessárias à revisão do direito creditório requerido, não sendo, via de regra, necessária a apresentação de outros documentos”. Na sequência, afirmou: Como se percebe da análise das Intimações emitidas pela DRF/GUA, constantes dos autos da presente discussão, a decisão pela exigência de novos documentos além daquele único documento exigido expressamente pela IN SRF 460/04 (o DACON) não se baseou em qualquer fundamentação, tendo sido tomada, ao que parece à Manifestante, exclusivamente com vistas a tumultuar o caso e a acarretar o indeferimento do pedido de ressarcimento até porque, pela generalidade dos documentos solicitados, a Manifestante jamais teria condições de atender o quanto exigido, ainda mais considerandose os curtos prazos concedidos nas referidas Intimações. E mais adiante: Porém, se ao optar por esse caminho em suas Intimações a fiscalização já acabou por cercear o direito de defesa da Manifestante, ao insistir na imprescindibilidade de tais Fl. 1026DF CARF MF 4 documentos agora em sede de Despacho Decisório, a autoridade fiscal cerceou este direito ainda mais, uma vez que, não restando esclarecido quais foram as reais inconsistências verificadas nas informações do DACON da Manifestante se é que isso ocorreu , lhe foi, sem sombra de dúvidas, drasticamente cerceado seu direito de defesa. Assim, além de ter contrariado a IN SRF 460/04, as autoridades fiscais da DRF/GUA ainda acabaram por ferir os princípios da ampla defesa e do contraditório, já que não apenas exigiriam de modo infundado documentos que não eram necessários à comprovação do direito creditório da Manifestante, como também não relataram, nem minimamente, as conclusões obtidas após os supostos trabalhos de apreciação do crédito (apontando as inconsistências que alegam terem sido verificadas). Isso porque, como resta evidente, ao contrário do que se pretende fazer crer, simplesmente não houve qualquer trabalho neste sentido! Com efeito, o trabalho realizado pelas autoridades da DRF/GUA foi apenas o de listar em suas Intimações, de maneira aleatória, documentos diversos que supostamente seriam imprescindíveis à análise do crédito, sem, contudo, apontar as inconsistências que pretendia verificar no DACON com base em tais documentos. Depois disso, o trabalho realizado pela autoridade fiscal foi apenas o de, novamente, citar tais documentos em seu curtíssimo e infundado Despacho Decisório, sem apontar quais foram as informações do DACON que restaram controvertidas. A contribuinte prosseguiu exaustivamente neste tema e concluiu afirmando que: não havia obrigação legal de apresentar qualquer outro documento conjuntamente com o formulário de Declaração de Compensação e respectivos formulários de detalhamento de crédito, uma vez que a IN SRF 460/04 somente exigia, nestes casos, que o DACON fosse conhecido pelas autoridades fiscais; em caso de dúvida adicional acerca do direito creditório devidamente informado no DACON, caberia às autoridades fiscais requerer a apresentação de documento adicionais ou, então, determinar a realização de diligência fiscal à sede da empresa (conforme artigo 24 da IN SRF 460/04); não se dando por satisfeita com os esclarecimentos e documento adicionais apresentados, as autoridades fiscais deveriam emitir um Despacho Decisório justificado, apontando detalhadamente as inconsistências não comprovadas que levaram a sua conclusão pelo indeferimento do pedido de ressarcimento. Depois, registrando que o fazia “apenas para evitar qualquer alegação no sentido da preclusão de seu direito a apresentar uma documentação que (...) entende não estar obrigada a apresentar”, a contribuinte afirma estar juntando documentos, e discorre sobre os documentos que juntou à manifestação de inconformidade. Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 10875.001972/200507 Acórdão n.º 3401005.115 S3C4T1 Fl. 1.025 5 Ao final, pleiteou que, caso fosse determinada por esta DRJ a conversão do julgamento em diligência, fossem respondidos os seguintes quesitos: (i) Os documentos fiscais e contábeis da Requerente estão em conformidade com os valores de créditos por ela informados no DACON? (ii) O detalhamento do crédito informado nos formulários “Créditos do PIS/COFINS” anexos à DCOMP estão de acordo com a efetiva utilização do crédito feita pela Manifestante no período discutido no Despacho Decisório? (iii) É procedente o crédito de PIS/COFINS utilizado na DCOMP analisada no presente processo? Em face das alegações e, especialmente, dos documentos apresentados pela contribuinte junto com sua manifestação de inconformidade, a 3ª Turma da DRJ/Campinas decidiu converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 2.971, de 14/06/2010, da qual destacamos o trecho a seguir transcrito: Como já abordado anteriormente, somados à presente manifestação de inconformidade, a contribuinte juntou outros documentos que não haviam sido apresentados à autoridade da DRF em Guarulhos que analisou inicialmente o processo. Sendo assim, por conta da glosa total dos créditos calculados sobre insumos, e, por terem sido juntados novos documentos pela contribuinte na presente manifestação de inconformidade, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, encaminhando o presente processo à DRF de origem para que a autoridade responsável designada por esta verifique: se as exportações contidas na listagem de fls. 114/121 verso realizadas pela contribuinte estão, em quantidade e valor, confirmam as informações contidas no DACON para o mês analisado; se foram observadas as normas para o rateio proporcional indicado pela contribuinte, na relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa, auferida no mês, para o cálculo do crédito de PIS do mercado externo; se as importações contidas na listagem de fls. 123/141 verso foram de bens utilizados como insumos nas mercadorias exportadas, e se houve recolhimento pela contribuinte da contribuição nestas importações; se são comprovados os gastos com energia elétrica, com base nos documentos apresentados de fl. 358 verificando a correta correspondência ao mês de janeiro/2005, considerando que a contribuinte pleiteou o direito creditório deste mês específico, e não do trimestre (o crédito de COFINS do mercado externo referente ao mês de abril/2005, por exemplo, foi pleiteado no processo n° 10875.721093/200911); Fl. 1028DF CARF MF 6 se são comprovadas, através de documentos hábeis e idôneos, as aquisições de bens utilizados como insumos, da listagem de fls. 247/349; se são comprovadas, através de documentos hábeis e idôneos, as despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica, da listagem de fl. 357; se são comprovados, através de documentos hábeis e idôneos, os serviços utilizados como insumos, da listagem de fls. 351/361; se são comprovadas, através de documentos hábeis e idôneos, as despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, da listagem de fls. 353/356. Ficará a critério da unidade de origem a metodologia a ser aplicada nos exames solicitados. Ao final, manifestese conclusivamente acerca do trabalho fiscal, informando acerca da existência e disponibilidade do crédito aproveitado na DCOMP, cientificando a contribuinte do resultado, bem como dos respectivos demonstrativos das comprovações acima solicitadas, e reabrindo o prazo regulamentar para a interessada, se for de seu interesse, complementar suas razões de manifestação de inconformidade. Os autos retornaram à DRF/Guarulhos, que adotou as medidas que entendeu necessárias ao atendimento do solicitado na Resolução n° 2.971. É oportuno registrar que a autoridade competente procedeu conjuntamente à análise relativa a diversos processos, que tratam de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos referentes a vários períodos de apuração. No decorrer da análise, após diversas intimações não integralmente atendidas e dilações de prazo solicitadas e concedidas, no dia 02/07/2013 a autoridade incumbida da diligência emitiu Termo de Constatação Fiscal, no qual reafirmava a impossibilidade da análise que se fazia necessária, em face do não atendimento integral às intimações e, consequentemente, decidia por retornar os autos à DRJ/Campinas com sugestão de não reconhecimento do direito creditório. Cientificada em 03/07/2013, no dia 01/08/2013 a contribuinte manifestouse acerca do referido Termo procurando justificarse quanto ao não atendimento integral das intimações e solicitando que os processos permanecessem por mais algumas semanas na DRF/Guarulhos, sob alegação de que, em assim sendo, teria condições de apresentar os documentos faltantes. A autoridade responsável pela diligência não se manifestou expressamente sobre este pedido, o qual, no entanto, foi acolhido, posto que novos documentos foram apresentados pela contribuinte e, no dia 05/05/2014, referida autoridade apresentou suas conclusões em novo Termo de Constatação Fiscal (seguir transcrito): TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 10875.001972/200507 Acórdão n.º 3401005.115 S3C4T1 Fl. 1.026 7 Os trabalhos realizados nesta ação fiscal, tiveram origem na solicitação feita pela 3ª Camara de Julgamento da DRJ/CAMPINAS com a finalidade de certificar os créditos de PIS ou COFINS não cumulativos relativos a 12 processos administrativos submetidos ao julgamento daquela Delegacia. (...) Dos exames realizados para atendimento da solicitação, com relação a existência dos créditos aproveitados nas DCOMPs, esta ação fiscal está sendo concluída, com os discriminados abaixo: Com relação aos créditos DACON Ficha 06 Apuração da Contribuição para o PIS Ficha 12 Apuração da Cofins 1 Bens para revenda. (Linha 01) No arquivo digital de Notas Fiscais de Entradas apresentado pela empresa, no formato Sintegra, não foi apresentado aquisições de bens ou mercadorias para revenda. Não foram apresentadas notas fiscais com relação a essas aquisições, embora tenha havido nas Intimações a solicitação para comprovação. 2Bens utilizados como insumos. (Linha 02) Foram apresentadas inúmeras Notas Fiscais para todo o período de Janeiro a Outubro de 2005, do estabelecimento matriz e do estabelecimento Camaçari. No entanto não foram apresentadas notas fiscais suficientes para comprovar os valores das aquisições com relação ao estabelecimento matriz, as quais estão relacionadas nos arquivos em meio digital, em CD, que estão sendo apresentados juntamente com este Termo, cujo recibo possui o Código de Identificação do Arquivod977dd72 a3dae558f521554995a5bba. Os valores totais dessas aquisições, cujas notas não foram apresentadas, demonstradas mês a mês, estão sendo glosados. 3Serviços utilizados como insumos. (Linha 03) Foram comprovados os valores informados no arquivo de Notas fiscais parte dos valores informados na linha 03 da DACON. Conforme Intimações para comprovação, não foram apresentados documentos que comprovassem a diferença apresentada entre os valores informados na DACON e o arquivo de NF. 4Despesas de alugueis de máquinas e equipamentos locados de Pessoa Jurídica. (Linha 06) Não foram apresentados documentos para comprovação. Os valores informados na DACON, pelo total estão sendo glosados. Fl. 1030DF CARF MF 8 5Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda. (Linha 07) Comprovado parte dos valores, ou seja, os valores registrados no arquivo digital (SINTEGRA), de Notas fiscais de Entradas, as quais se referem a fretes. Para diferença de valores que foram demonstrados nos Termos de Intimação, entre o arquivo de NF e os valores declarados no DACON, não foram apresentados documentos comprobatórios. 6Não foram identificados os valores declarados como isentos, não alcançados pela incidência da contribuição, declarados na linha 13 da Ficha 07 da DACON. Apuração da COFINS devida. Foram identificadas as vendas para Zona Franca de Manaus pelo arquivo magnético apresentado, no formato Sintegra. Os demais valores não foram identificados. A diferença entre os valores declarados na DACON e os valores de venda para zona Franca Manaus, serão adicionados para apuração da COFINS devida. Assim, a glosa de valores na apuração dos créditos levaram a alteração da base de cálculo para menos dos valores informados no DACON e, a glosa de valores da dedução das vendas, como vendas isentas, vendas não alcançadas pela incidência da contribuição, levaram a alteração da base de cálculo para mais na apuração dos débitos, e por consequência a diminuição dos créditos e majoração dos débitos, levaram a diminuição do saldo dos créditos para compensação. Os ajustes acima citados estão demonstrados em planilhas Excell, fornecidas em mídia (CD): 1Demonstrativo das Diferenças na Apuração dos Créditos PIS; 2 Demonstrativo na Apuração dos DébitosPIS ; 3Demonstrativo das Diferenças na Apuração dos Créditos COFINS; 4Demonstrativo da Apuração dos DébitosCOFINS; 5Demonstrativo da apuração do saldo credorPIS para compensação 6Demonstrativo da Apuração do Saldo CredorCOFINS para compensação. Todos os documentos apresentados nesta ação fiscal foram devolvidos, na forma em que foram apresentados. Não houve apresentação do Livro Diário e do Livro Razão do período referente ao período examinado. Acerca dos fatos expostos, dos demonstrativos e dos novos valores dos créditos a serem aproveitados na DCOMP, fica facultado à contribuinte o prazo de 30 (trinta) dias para apresentação de manifestação de inconformidade. Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 10875.001972/200507 Acórdão n.º 3401005.115 S3C4T1 Fl. 1.027 9 E para constar e surtir os efeitos legais e de direito, é lavrado o presente Termo, em duas vias de igual forma e teor, que vão assinadas por mim, Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil, e pelo representante legal da empresa, com quem fica uma das vias. A contribuinte foi cientificada do Termo de Constatação Fiscal e dos arquivos digitais que o integram no dia 05/05/2014, conforme fls. 726/728. No dia 11/06/2014, o processo foi encaminhado a esta Turma de Julgamento por meio do Despacho de Encaminhamento de fl. 731, a seguir transcrito: Realizada e concluída a ação fiscal solicitada, com ciência do seu resultado à contribuinte, com reabertura de prazo para manifestação, proponho o encaminhamento do presente Processo à DRJ/Campinas 3ª Turma. À unanimidade, a DRJ de piso, assim decidiu (efl. 732 e ss.), por meio da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. DILIGÊNCIA. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser ressarcido/restituído ou utilizado em compensação. Apresentados novos documentos com a manifestação de inconformidade e comprovado o crédito alegado, mediante realização de diligência fiscal, reconhecese o direito creditório. Manifestação de Inconformidade Procedente Direito Creditório Reconhecido A Recorrente teve ciência do acórdão da DRJ, em 22/10/2014, por meio de sua caixa postal, em razão do decurso do prazo de 15 dias, contados a partir da data de sua disponibilização. (efls. 752). Irresignada, em 12/11/2014, esta interpôs seu recurso voluntário (efls. 754 e seguintes), requerendo em preliminar o apensamento do presente processo a outros 12 similares citados em suas razões (efls. 768), visando unificar o julgamento destes e evitar eventuais decisões conflitantes. Ainda no escopo das preliminares, pleiteia a reforma do acórdão proferido pela DRJRibeirão Preto, de forma que este passe a declarar a nulidade do despacho decisório que originou o presente processo. Requereu ainda que, na hipótese de indeferimento da preliminar citada acima, seja ao menos declarado nulo o segundo Termo de Constatação Fiscal, e, consequentemente, a decisão da DRJRibeirão Preto que o ratifica, fundamentandose para tal nos inúmeros erros de cálculo que esta alega em suas razões. Fl. 1032DF CARF MF 10 Por conseguinte, entendendo o CARF ser justo o pedido de anulação do referido Termo de Constatação Fiscal, a Recorrente requer a devolução dos autos para a DRF Guarulhos, de modo que sejam refeitos os cálculos referentes aos créditos de PIS e Cofins aqui discutidos. No mérito, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade. Protocolou petição aditando seu recurso voluntário (efl. 929 e ss.), praticamente reiterando seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro André Henrique Lemos, Relator O recurso voluntário é tempestivo e dele tomase conhecimento. Como se viu, o Pedido de Compensação foi acatado integralmente pela DRJ/RPO (efl. 732 e ss.). À efl. 748 foi proposta a autorização de compensação, dandose ciência a Recorrente (efl. 749/752). Mesmo diante desse quadro, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário, pedindo fossem apensados os 12 (doze) processos que se relacionam entre si. Em tese possa isto acontecer, o fato é que seu Pedido de Compensação, neste processo em específico, fora atendido, faltandolhe interesse de agir. Caso algum (uns) dos demais processos não teve (tiveram) o mesmo fim, aí sim, nasceria o direito de recurso. Noutro giro, não se vê como apreciar o mérito do Pedido de Compensação no presente feito, em razão do seu deferimento na instância inferior, tampouco, houve recurso de ofício. Por estas objetivas razões, voto por não conhecer do recurso voluntário, por falta de interesse de agir. (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 10875.001972/200507 Acórdão n.º 3401005.115 S3C4T1 Fl. 1.028 11 Fl. 1034DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912999/2009-69
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Para conhecimento do Recurso Especial, é necessário que seja comprovada divergência jurisprudencial, com apresentação de decisão paradigma na qual colegiado distinto tenha enfrentado questão similar e interpretado/aplicado a legislação de regência de forma diversa daquela realizada no acórdão recorrido.
Hipótese em que o acórdão recorrido trata da aplicação de legislação que não estava vigente nos períodos de ocorrência dos fatos tratados nos acórdãos paradigma.
Numero da decisão: 9303-006.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Para conhecimento do Recurso Especial, é necessário que seja comprovada divergência jurisprudencial, com apresentação de decisão paradigma na qual colegiado distinto tenha enfrentado questão similar e interpretado/aplicado a legislação de regência de forma diversa daquela realizada no acórdão recorrido. Hipótese em que o acórdão recorrido trata da aplicação de legislação que não estava vigente nos períodos de ocorrência dos fatos tratados nos acórdãos paradigma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Para conhecimento do Recurso Especial, é necessário que seja comprovada divergência jurisprudencial, com apresentação de decisão paradigma na qual colegiado distinto tenha enfrentado questão similar e interpretado/aplicado a legislação de regência de forma diversa daquela realizada no acórdão recorrido. Hipótese em que o acórdão recorrido trata da aplicação de legislação que não estava vigente nos períodos de ocorrência dos fatos tratados nos acórdãos paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 29 99 /2 00 9- 69 Fl. 350DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de processo de compensação intentada a partir de crédito oriundo de alegado pagamento maior ou indevido da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no período de apuração de 01/05/2002 a 31/05/2002, com débitos de outros tributos. O Fisco não homologou o pedido ante a inexistência de saldo credor relativo aos pagamentos indicados, por ter sido integralmente utilizado para quitação do correspondente débito confessado por meio de DCTF. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls. 01 a 25, em 17/09/2009, pleiteando a reforma da decisão que não homologou as compensações declaradas por intermédio do PER/DCOMP nº 01522.90858.290606.1.3.043167. Resumidamente, alegou que havia incorrido em erro administrativo, por não ter retificado a DCTF tempestivamente, mas que o direito creditório materialmente seria existente. A 3ª Turma da DRJ/CPS, no Acórdão nº 0529.956, prolatado em 12 de agosto de 2010, às fls. 42 e 43verso, considerou, por unanimidade, improcedente o pedido formulado. Intimada do acórdão da DRJ em 10/09/2010 (fl. 45), a contribuinte interpôs recurso voluntário, em 08/10/2010, às fls. 46 a 86. Apresentou, resumidamente, os seguintes argumentos: a) o direito ao crédito de COFINS pleiteado seria legítimo, fato que poderia ter sido constatado mediante simples diligência na escrituração da contribuinte; b) rechaçou a alegação de inexistência de elementos robustos de prova que atestassem a legitimidade do crédito pleiteado e considerou que a recusa do direito ao crédito via sistema constituiu ofensa ao princípio da verdade material; c) o fato de não ter realizado a alteração e retificação da DCTF no momento em que identificou os valores pagos a maior indevidamente constituiria mero erro de fato, que não poderia ensejar a desconsideração do direito ao crédito; e d) solicitou a conversão do julgamento em diligência, para que a fiscalização pudesse atestar in loco a regularidade da sua escrituração e do seu crédito. Ao final, pediu a reforma integral da decisão proferida pela DRJCampinas, para que fosse reconhecido o direito ao crédito proveniente de recolhimento indevido efetuado a título de PIS e, consequentemente, homologada a compensação realizada. Nos termos da Resolução nº 3403000.228, de 07/07/2011, efls. 96 a 98, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10830.912999/200969 Acórdão n.º 9303006.935 CSRFT3 Fl. 482 3 converteu o julgamento em diligência. Os quesitos formulados pelo colegiado foram respondidos na Informação Fiscal às efls. 267 a 269. Após o retorno dos autos, o colegiado, em julgamento de 16/09/2014, apreciou o Recurso Voluntário, resultando no Acórdão nº 3403003.239, às efls. 272 a 280, que, entendendo que a base de cálculo da Cofins não pode incluir receitas diferentes do faturamento (venda e prestação de serviços), deu provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo as receitas: 3.23.08 – Receitas de Aplicação Financeira; 3.23.06 – Créditos de Operações Diversas; 3.23.05 – Variação Monetária Ativa; 3.23.02 – Desconto Obtido; 3.23.01 – Juros Recebidos; 3.15.02 – Recuperação de Despesas e 3.15.01 – Receitas Diversas Operacionais. A seguir, para fins de esclarecimento, encontramse reproduzidos a ementa e o dispositivo do referido acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 BASE DE CÁLCULO. INDÉBITO. DCTF. DILIGÊNCIA. Apurado em diligência fiscal que o indébito utilizado em procedimento de compensação decorre da apuração de valor a menor do que o pago em razão da exclusão da base de cálculo de receitas diferente do faturamento, isto é, venda de mercadorias e prestação de serviços, impõe em reconhecer o direito de o contribuinte reaver o que pagou a mais do que o devido e compensar até o limite do crédito apurado. A apresentação de DCTF retificadora não é causa determinante ao exame do pleito de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo da contribuição as seguintes rubricas: Receitas de Aplicação Financeiras – 3.23.08; Créditos de Operações Diversas 3.23.06; Variação Monetária Ativa 3.23.05; Desconto Obtido – 3.23.02; Juros Recebidos –3.23.01; Recuperação de Despesas 3.15.02; Receitas Diversas Operacionais – 3.15.01, homologandose o resultado da diligência. Fl. 352DF CARF MF 4 Recurso especial da Procuradoria Intimada do Acórdão nº 3403003.239 em 18/11/2014 (efl. 281), a PGFN apresentou recurso especial em 20/11/2014, às efls. 282 a 297. A Procuradoria levanta divergência quanto à subsunção das receitas que compõem a base de cálculo do PIS e da COFINS ao conceito de faturamento. Relata que o Colegiado a quo aplicou no presente caso entendimento do Supremo Tribunal Federal, que declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998. Apresentou como paradigmas os acórdãos de n° 20177.114 e 203 12.518. Realça que, enquanto o acórdão recorrido entende que o faturamento se restringe às receitas advindas da venda de mercadorias e serviços, os paradigmas consagram o entendimento de que o faturamento abrange todas as receitas oriundas da atividade própria da empresa. O então Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF apreciou o recurso especial de divergência em 16/10/2015, no despacho de efls. 299 a 302, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, dandolhe seguimento. Contrarrazões da contribuinte A contribuinte foi intimada do acórdão de recurso voluntário e do despacho de admissibilidade que deu seguimento ao recurso especial da Procuradoria em 03/12/2015 (e fls. 305 e 306), e apresentou contrarrazões em 17/12/2015, às efls. 308 a 324. Argumenta o que segue: (i) ausência de similitude fática e de divergência de interpretação da legislação entre o acórdão recorrido e os paradigmas nº 20177.114 e 203 12.518; e (ii) no mérito, que apenas devem ser incluídas na base de cálculo do PIS as receitas oriundas da atividade operacional da empresa, conceito que não abrange as suas receitas e despesas operacionais e financeiras. Pelas razões apresentadas, a contribuinte pugna pelo não conhecimento do recurso da PGFN e, caso conhecido, que ele seja desprovido, mantendose o acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Quanto ao conhecimento, após uma análise detalhada, entendo que assiste razão ao recorrido. Com efeito, a divergência jurisprudencial, condição do conhecimento do recurso, não foi comprovada. Reparase que, no acórdão recorrido, foi discutida a definição da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no ano de 2002, período em que já se encontrava vigente a Lei n° 9.718, de 1998, aplicável a períodos de apuração a partir de fevereiro de 1999. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10830.912999/200969 Acórdão n.º 9303006.935 CSRFT3 Fl. 483 5 Por outro lado, os acórdãos apresentados pela recorrente a título de paradigma tratam da definição da base de cálculo de contribuições em períodos anteriores à vigência da referida Lei n° 9.718, de 1998, vejamos: (a) o acórdão paradigma n° 20177.114 trata de Auto de Infração por falta de recolhimento da contribuição ao PIS relativa ao período de janeiro de 1995 a dezembro de 1997; e (b) o acórdão paradigma n° 20312.518 trata de Auto de Infração por falta de recolhimento da Cofins relativa ao período de julho de 1994 a janeiro de 1999. Portanto, como o arcabouço jurídico aplicável aos acórdãos paradigma não está mais vigente no período de apuração tratado no acórdão recorrido, resta impossível verificar divergência na interpretação e aplicação da legislação. Aliás, esse é o caso de paradigma anacrônico, referido no Manual de Exame de Admissibilidade de Recursos Especiais, disponível para consulta pública no site INTERNET do CARF, nos seguintes termos: Muitas vezes o recorrente busca estabelecer divergência jurisprudencial utilizandose de paradigma exarado à luz de arcabouço normativo há muito superado. Nesse caso, constata se claramente o anacronismo do paradigma, uma vez que proferido em época em que sequer encontravase em vigor o arcabouço normativo que orientou o acórdão recorrido. Esse tipo de paradigma geralmente é indicado para temas que sofreram grandes alterações ao longo do tempo, como é o caso de autuação com base em depósitos bancários, ITR, Rendimentos Recebidos Acumuladamente (RRA), Decadência. Por esse motivo, o Recurso Especial da Fazenda Nacional não deve ser conhecido. Pelo exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 354DF CARF MF 6 Fl. 355DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.990905/2009-05
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional.
COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE.
A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
Numero da decisão: 3002-000.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE. A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE. A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 09 05 /2 00 9- 05 Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10880.990905/200905 Acórdão n.º 3002000.274 S3C0T2 Fl. 320 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o processo de declaração de compensação de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, no valor de R$ 10.074,44, relativo ao período de apuração julho/2004, com débitos também de Cofins (fls. 1 a 4). Por meio de Despacho Decisório à fl. 5, a Delegacia de Administração Tributária em São Paulo (Derat) decidiu pela não homologação da compensação porque concluiu que o pagamento relativo ao Darf informado na declaração havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos, não restando crédito para compensar. A recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou que seu direito ao crédito decorria da aplicação retroativa da sistemática cumulativa sobre as receitas decorrentes de contratos anteriores a outubro/2003, conforme estabelecido pela Instrução Normativa SRF nº 468/2004. Como se esqueceu de retificar DCTF e Dacon, a Derat considerou ser o crédito inexistente, problema esse que foi sanado com a retificação das declarações (fls. 9 a 13). Juntou, a título de prova, o Despacho Decisório da Derat, atos de constituição e representação da empresa, as DCTFs retificadoras do 1º ao 4º trimestre de 2004 e os Dacons retificadores do mesmo período (fls. 14 a 133). A Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte proferiu o Acórdão nº 02 54.326 (fls. 136 a 141), por meio do qual decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, tendo em vista que, na ausência de documentação probatória que desse suporte às alterações promovidas nas declarações, a DCTF e o Dacon retificados após ciência do Despacho Decisório não seriam suficientes para conferir certeza e liquidez ao crédito que se pretendia compensar. Consignouse no voto que não houve demonstração documental do atendimento às várias condições estabelecidas na IN SRF nº 468/2004, de modo a permitir ao contribuinte apurar as contribuições na forma como o fez, restando incerto o direito à utilização do regime cumulativo. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2004 AUSÊNCIA DE PROVAS DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. Na ausência de provas, a DCTF e o Dacon retificados após a ciência do despacho decisório não podem ser considerados instrumentos hábeis para conferir certeza ao crédito indicado na declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10880.990905/200905 Acórdão n.º 3002000.274 S3C0T2 Fl. 321 3 O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 19/02/2016 (sextafeira), conforme AR constante à fl. 317, e protocolizou seu recurso voluntário em 22/03/2016 (último dia do prazo), conforme Termo de Solicitação de Juntada à fl. 143. Em seu recurso voluntário, o contribuinte alega que não há impedimento para a retificação da DCTF após o Despacho Decisório, conforme dispõe o Parecer Normativo Cosit nº 2/2015 e a jurisprudência do Carf, e que a documentação juntada à Manifestação de Inconformidade é suficiente para provar seu direito creditório, devendo ser promovida reforma da decisão de primeira instância (fls. 144 a 151). Junta, a título de prova, atos de constituição e representação da empresa, a DCTF retificadora do 3º trimestre de 2004, o Dacon retificador do 3º trimestre de 2004, Per/Dcomp, o Despacho Decisório, a Manifestação de Inconformidade, o Acórdão DRJ e o Darf informado no PER/Dcomp (fls. 152 a 314). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Este julgamento recai sobre a prova suficiente do direito creditório quando pleiteado pelo contribuinte. Em relação aos fundamentos da decisão de primeira instância, não se contesta a assertiva de que o ônus probatório repousa sobre quem postula a compensação. Contestase apenas a afirmativa de que a retificação da DCTF e Dacon após o Despacho Decisório, desacompanhada de documentação que demonstre o acerto e veracidade das alterações, não faz prova de direito creditório. O Recurso Voluntário tem como ponto central a alegação de que tais retificações são, sim, prova suficiente, sem maiores considerações. Antes de adentrar a questão posta pelo contribuinte, é importante lembrar que uma declaração, genericamente falando, é um conjunto de informações que espelham – ou deveriam espelhar – fatos reais que, uma vez ocorridos, ensejam o pagamento de tributos. A declaração expressa a visão do declarante sobre um fato. Não é o fato em si, não gera o fato e, por isso, não faz prova inequívoca de sua existência quando apresentada isoladamente, sem documentos idôneos que a sustentem. Igualmente, a constatação de informações idênticas em duas declarações não faz prova irrefutável do fato que elas representam, mas apenas demonstra a existência de coerência entre elas. Coerência entre declarações não implica necessariamente fidedignidade no seu conteúdo. Significa com certeza um bom indício de correção, pode até ser um indício forte do direito, mas que resta a ser demonstrado, regra geral por meio de documentação contábilfiscal, pois a certeza do crédito é imprescindível para fins de autorização da compensação, assim como a certeza do erro é imprescindível para fins de reconhecimento da alteração em uma confissão de dívida que vise a reduzir tributo. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10880.990905/200905 Acórdão n.º 3002000.274 S3C0T2 Fl. 322 4 Somese a essas considerações que a DCTF constitui confissão de dívida, instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito, conforme dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984. Logo, eventual retificação dessa confissão de dívida deve estar necessariamente amparada por suporte probatório, sendo tal obrigação afirmada, entre outros dispositivos, pelo art. 147 do Código Tributário Nacional (CTN), nos seguintes termos: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) Já o Dacon é um demonstrativo da apuração das contribuições sociais que auxilia a fiscalização, mas não tem o mesmo status jurídico que a DCTF. Assim, como dito, é um indício, mas não é prova. Procedendose à análise das razões de decidir preconizadas no Acórdão da DRJ, constatase o mesmo entendimento deste Colegiado, não havendo qualquer reforma ou mesmo reparo a ser feito à decisão, que está bem fundamentada e que adoto como motivo de decidir em complemento ao que consta neste voto. Transcrevemse os trechos pertinentes: A apresentação das declarações retificadoras, com redução do valor do débito anteriormente confessado, não basta para justificar a reforma da decisão de não homologação da compensação declarada; fazse mister a prova inequívoca de que houve erro de fato no preenchimento da DCTF e do Dacon, isto é, de que o valor correto do débito é aquele constante nas declarações retificadoras. O contribuinte alega que o crédito foi apurado em razão do ajuste que teria efetuado, alterando o regime nãocumulativo de incidência total para o regime nãocumulativo de incidência sobre a receita parcial, nos termos do art. 1º da IN SRF nº 468, de 8 de novembro de 2004. Esse ato normativo, ao regulamentar o disposto no caput e no inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 dezembro de 2003, estabeleceu várias condições a serem observadas para a permanência no regime da cumulatividade das receitas auferidas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) O manifestante, no entanto, não trouxe aos autos quaisquer documentos que comprovem o auferimento de receitas, a partir de 1º de fevereiro de 2004, vinculadas a contratos firmados antes de 31/10/2003 nas condições estabelecidas pela IN nº 468/2004, como aquelas relativas aos tipos de contratos, prazo e preço fixado. Não é suficiente a afirmação de que procedeu a ajustes na forma de apuração das contribuições sem a demonstração documental da origem do seu procedimento. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10880.990905/200905 Acórdão n.º 3002000.274 S3C0T2 Fl. 323 5 (...) Quando a DRF nega o pedido de compensação com base em declaração apresentada (DCTF) que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao manifestante, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. À obviedade, documentos comprobatórios são documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito, visto que, sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. (grifado) Do exposto, concluise que o contribuinte não logrou demonstrar que cumpria as condições para continuar a apurar as contribuições no regime cumulativo e nem que o montante que alegou ter como crédito contra a Fazenda estava correto. Uma vez não comprovada nem a certeza nem a liquidez do crédito, não é possível o reconhecimento do direito à compensação, que somente é autorizada para créditos líquidos e certos, conforme estabelece o art. 170 do CTN, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifado) Em relação à alegação de que não há impedimento para a retificação da DCTF após o Despacho Decisório, conforme dispõe o Parecer Normativo Cosit nº 2/2015 e a jurisprudência do Carf, não há discordância por parte desta relatora. O ponto a se destacar é que a retificação apresentada após o Despacho Decisório desacompanhada de documentação hábil e suficiente não faz prova do direito que se alega. Com essas considerações, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 329DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914257/2012-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.877
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 57 /2 01 2- 50 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.914257/201250 Acórdão n.º 3201003.877 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 078.377, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.914257/201250 Acórdão n.º 3201003.877 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.914257/201250 Acórdão n.º 3201003.877 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.914257/201250 Acórdão n.º 3201003.877 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.500184/2004-47
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999
TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170-A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001.
A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art.170-A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo.
Numero da decisão: 9303-006.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170-A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art.170-A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1685; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.231 1 1.230 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13005.500184/200447 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303006.860 – 3ª Turma Sessão de 12 de junho de 2018 Matéria PIS COMPENSAÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA LANGUIRU LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art.170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 50 01 84 /2 00 4- 47 Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 13005.500184/200447 Acórdão n.º 9303006.860 CSRFT3 Fl. 1.232 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3302001.787, de 23/08/2012, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, conforme ementa transcrita abaixo: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO PELA AUTORIDADE. Reputase válida a compensação realizada, escriturada e declarada em DCTF pelo contribuinte no ano de 1999, de débitos de PIS com crédito também de PIS, cujo valor do crédito foi regularmente apurado pela autoridade administrativa, mesmo que em momento posterior. Recurso Voluntário Provido " Embora no assunto conste Cofins, de fato, tratase da Contribuição para o PIS. No Recurso Especial, a Fazenda Nacional alegou, em síntese, a vedação de compensação de créditos financeiros contra a Fazenda Nacional, objetos de discussão judicial, com débitos tributários vencidos, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, conforme exige o CTN, arts. 170 e 170A. Por meio do despacho às fls. 1.221/1.224, o Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção deu seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Intimado do acórdão recorrido e do despacho de admissibilidade do recurso da Fazenda Nacional, o contribuinte não se manifestou (fl. 1.230). É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso especial apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. A matéria em discussão, nesta instância especial, restringese à convalidação da compensação dos débitos fiscais, referentes às competências de abril, maio e junho de 1999, Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 13005.500184/200447 Acórdão n.º 9303006.860 CSRFT3 Fl. 1.233 3 declarada nas respectivas DCTF às fls. 04e/13e, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/1991 e com amparo na Ação Judicial nº 998.00099298. O contribuinte efetuou a compensação dos débitos, objetos do lançamento em discussão, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/1994, e a informou na DCTF entregue a RFB em 11/08/1999, na qual informou também o número da ação judicial (97.20044993), conforme consta da cópias fls. 04/13. A Lei nº 8.383/1991, assim dispunha quanto à compensação: “Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. [...].” Além disso, o contribuinte interpôs ação judicial, visando o reconhecimento da inconstitucionalidade e inexigibilidade da Contribuição para o PIS, relativamente às sociedades cooperativas, em virtude da inexistência de lei instituidora dessa exação, bem como declarado o direito à restituição ou compensação dos valores recolhidos indevidamente a partir da Constituição de 1988. A decisão inicial lhe foi favorável, assim como a decisão na apelação ao TRF da 4ª Região, e a decisão transitada em julgado, conforme despacho às fls. 1.136/1.141. Quanto à realização de compensação de crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, com débitos tributários vencidos, ambos da mesma espécie, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se posicionou sobre o tema, na sistemática dos recursos repetitivos, conforme disposição do art. 543C do Código de Processo Civil, ao julgar o recurso especial nº 1164452/MG, em 25/08/2010, cuja ementa segue transcrita: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 13005.500184/200447 Acórdão n.º 9303006.860 CSRFT3 Fl. 1.234 4 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1164452/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010) (grifouse) Assim, por força do disposto no art. 62, § 2º, do RICARF, deve ser adotada para o presente caso, a mesma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob o rito ao art. 543C do CPC, no julgamento do REsp nº 1.164.452, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar os débitos tributários vencidos (PIS), declarados na DCTF às fls. 04/13, objetos da Declaração de Compensação à fl. 26, com créditos financeiros decorrentes dos pagamentos indevidos e/ ou a maior da contribuição para o PIS. À luz do exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mantendose, na íntegra, o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1234DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.723879/2013-97
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2009
AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - COMPENSAÇÃO - REQUISITOS. COMPROVAÇÃO CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS - GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE
Somente as compensações procedidas pela contribuinte com estrita observância da legislação previdenciária, especialmente o artigo 89 da Lei n° 8.212/91, bem como pagamentos e/ou recolhimentos de contribuições efetivamente comprovados, respaldam a declaração do direito a compensação no documento GFIP.
COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA.
Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à aplicação de multa isolada nos termos do art. 89, § 10, da Lei nº 8.212/1991.
Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, o dolo mostra-se prescindível para a caracterização da falsidade imputada à compensação indevida, mostrando-se apenas necessária a demonstração de que o contribuinte utilizou-se de créditos que sabia não serem líquidos e certos.
Numero da decisão: 9202-006.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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COMPROVAÇÃO CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE Somente as compensações procedidas pela contribuinte com estrita observância da legislação previdenciária, especialmente o artigo 89 da Lei n° 8.212/91, bem como pagamentos e/ou recolhimentos de contribuições efetivamente comprovados, respaldam a declaração do direito a compensação no documento GFIP. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à aplicação de multa isolada nos termos do art. 89, § 10, da Lei nº 8.212/1991. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 38 79 /2 01 3- 97 Fl. 1556DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório No presente processo fiscal foram lavrados dois Autos de Infração, DEBCAD 51.049.9503 (Glosa de compensações contribuições sobre agentes políticos exercentes de cargos eletivos (período de janeiro a outubro de 2009) e DEBCAD 51.049.9511 (Multa isolada (período de fevereiro a novembro de 2009). Tratase de glosas de compensações de contribuições previdenciárias realizadas pelo Contribuinte em relação a contribuições para agentes políticos exercentes de cargos eletivos, procedimento este, cujos fundamentos legais originários e posterior declaração de inconstitucionalidade, foram assim resumidos pela Fiscalização, nos termos do REFISC de fls.1107/1121: · 3.1. A Lei nº 9.506, de 30 de outubro de 1997, incluiu a alínea “h” do inciso I do artigo 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, estabelecendo como segurado obrigatório da Previdência Social, na categoria de empregado, “o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social”. No âmbito municipal, referese aos cargos de prefeito, viceprefeito e vereadores. · 3.2. Contudo, o Supremo Tribunal Federal STF em julgamento do Recurso Extraordinário nº 351.171.1PR declarou a inconstitucionalidade do texto da alínea. Em decorrência, foi editada a Resolução do Senado Federal nº 26, de 21 de junho de 2005, suspendendo a execução da norma que previa a contribuição dos agentes políticos. · 3.3. A Receita Federal do Brasil – RFB reconhece a inexigibilidade de contribuições previdenciárias fundamentadas na alínea “h” do Fl. 1557DF CARF MF Processo nº 10855.723879/201397 Acórdão n.º 9202006.886 CSRFT2 Fl. 3 3 inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506, inclusive deferindo, administrativamente, pedidos de restituição ou compensação, desde que obedecido o disposto nos atos normativos que regem a matéria e apresentados a seguir. As compensações seriam relativas a recolhimentos do período de novembro de 1999 a setembro de 2004 e foram realizadas nas GFIP relativas ao período de maio de 2007 a outubro de 2009. Reportandose às normas legais pertinentes às regras de contagem do prazo prescricional, a Fiscalização estabeleceu que: 3.4.4. Concluise, pelo disposto no CTN, no RPS e na IN nº 15, que o prazo para pleitear restituição ou efetuar a compensação das contribuições previdenciárias recolhidas sob o fundamento do art. 12, I, “h”, da Lei nº 8.212, declarado inconstitucional pelo STF, é de cinco anos a contar da data da extinção do crédito tributário, ou seja, da data do pagamento. A Fiscalização assim relata as providências do Contribuinte visando à obtenção de autorização administrativa para a compensação: 4.5.4. Nas folhas 305 a 338, consta resposta da Delegacia da Receita Previdenciária em Sorocaba, informando sobre os procedimentos para realização da compensação, sobre o prazo prescricional (ver item 3.4.), sobre a obrigatoriedade de retificação das GFIP, com a exclusão dos exercentes de mandato eletivo (ver item 3.5) e com cópia da Instrução Normativa IN MPS/SRP nº 15, de 12 de setembro de 2006, que regulou a matéria. Cabe observar que a Secretaria da Receita Previdenciária e a Secretaria da Receita Federal foram unificadas a partir de 02/05/2007, criando a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, por força da Lei 11.457/07. Segue o relato, dando conta de que as compensações foram realizadas de qualquer forma, tendo sido, então, apuradas pela Fiscalização as seguintes irregularidades: 4.7. Em resumo, a prefeitura não observou o prazo prescricional, não efetuou a retificação das GFIP (em tese, crime de falsificação de documento público – GFIP – devido à manutenção de pessoa que não possui a qualidade de segurado) e utilizou uma base de cálculo indevida, visto que o correto seria o total das remunerações dos prefeitos, viceprefeitos e vereadores e não o total da folha de pagamento da Câmara Municipal (em tese, crime de falsificação de documento público – GFIP – devido à inserção de declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado). (...). 5.3. Desta forma, não foram glosadas as compensações efetuadas de 05 a 12/2007, em função da decadência, apesar de indevidos por não preencherem os requisitos necessários apresentados. O lançamento de 2008 está amparado pelo artigo Fl. 1558DF CARF MF 4 173 do CTN, em face do dolo já explicitado no item 4.7. As Planilhas 2 e 3 do Anexo Único demonstram que, se cumpridos os prérequisitos necessários à compensação, o valor corrigido passível de compensação seria de R$ 1.000.600,46 e estaria integralmente compensado na competência de 10/2007. Na Planilha 2 foram consideradas as remunerações do prefeito e do viceprefeito declaradas em GFIP e as remunerações dos vereadores declaradas em folhas de pagamento, sendo as contribuições previdenciárias recolhidas corrigidas pela taxa Selic. Portanto, o sujeito passivo teve uma compensação superior a que teria direito homologada por decadência, não existindo, portanto, qualquer amparo legal para as compensações de 2008 e 2009. Quanto à incidência da multa isolada, a Fiscalização, após transcrever os fundamentos legais básicos (parágrafo décimo do artigo 89 da Lei 8.212/1991, combinado com o inciso I do artigo 44 da Lei 9.430/1996), assim resumindo suas conclusões e a motivação: 5.7. A falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo quanto às compensações indevidas demonstradas no item 4.7. (inobservância da prescrição, não retificação das GFIP e bases de cálculo majoradas) impõe a aplicação de multa isolada de 150% sobre o valor total do débito indevidamente compensado, a partir da edição da MP 449/2008 em 03/12/2008. A falsidade da declaração se configura na data de entrega/envio da GFIP. A Planilha 4 do Anexo Único demonstra as datas de envio das GFIP, os valores compensados a partir de 12/2008, as competências e os valores da multa isolada. Foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais. O autuado apresentou impugnação, tendo Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pelo autuado, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 05/06/2017, foi dado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2401004.859 (fls. 1.523/1.530), com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, por maioria darlhe provimento, vencidos os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Miriam Denise Xavier Lazarini, que negavam provimento ao recurso”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2009 a 30/04/2012 MULTA ISOLADA. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. Na hipótese de compensação indevida, quando não comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte não se sujeito à multa isolada aplicada nos termos da legislação que rege a matéria. Fl. 1559DF CARF MF Processo nº 10855.723879/201397 Acórdão n.º 9202006.886 CSRFT2 Fl. 4 5 O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 28/07/2017 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs em 11/09/2017, portanto, tempestivamente, Recurso Especial (fls. 1.532/1.540). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº da 4ª Câmara, de 26/10/2017 (fls. 1.544/1.548), consubstanciado nos acórdãos 2301002.736 e 9202.003.725 Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido, de modo a ver restabelecida a multa isolada imputada ao contribuinte. · Transcreve a norma que trata da multa isolada por compensação indevida, verbis: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). §10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).” · Diz ser necessário perquirir acerca do conceito de falsidade indicado na legislação em análise e observa que a legislação não remete à hipótese do § 1º, do art. 44, da Lei 9.430/96 que trata de multa qualificada em caso de fraude, sonegação ou conluio, conforme definido na Lei 4.502/64. · Afirma que o dispositivo determina a aplicação da penalidade prevista no inciso I, da mencionada norma, aplicada em dobro; apenas fazendo referência ao percentual e demonstra o intuito do legislador em separar os conceitos ora analisados; portanto, não há esteio para considerar a falsidade, ora apreciada, análoga aos conceitos de fraude, sonegação ou conluio da legislação acima indicada. · Argumenta que o dolo mostrase prescindível para a caracterização da falsidade imputada à compensação indevida, mostrandose apenas necessária a demonstração de que o contribuinte se utilizou de créditos que sabia não serem líquidos e certos; e que o fator “agravado” na infração em análise é a conduta de falsear o conteúdo da declaração de maneira que o Fisco reste iludido quanto à efetiva existência do crédito passível de compensação. Fl. 1560DF CARF MF 6 · Acrescenta que sequer se mostra relevante quais motivos ensejaram tal conclusão, bastando que se comprove que o suposto crédito não existia à data do pedido de compensação. · Ressalta que apenas eventual erro escusável, devidamente comprovado pelo contribuinte, poderia em tese ensejar a não aplicação da penalidade isolada determinada pela § 10º, do art. 89, da Lei 8.212/91; contudo essa não é a hipótese dos autos. · Salienta que as compensações promovidas pela contribuinte apresentam elementos suficientes para caracterizar a imposição da penalidade isolada, uma vez que crédito declarado sabidamente estava prescrito, além de ter sido majorado em montante bastante superior ao supostamente existente pois “utilizou uma base de cálculo indevida, visto que o correto seria o total das remunerações dos prefeitos, vice prefeitos e vereadores e não o total da folha de pagamento da Câmara Municipal”. · Finaliza: “Descaracterizado qualquer erro escusável do contribuinte, mostrandose fraudulenta a compensação, devendo ser apenada nos termos do § 10º, do art. 89, da Lei 8.212/91”. Cientificado do Acórdão nº 2401004.859, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 01/11/2017, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 1561DF CARF MF Processo nº 10855.723879/201397 Acórdão n.º 9202006.886 CSRFT2 Fl. 5 7 Voto Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 15444. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Das compensações e Multa Isolada Antes de adentrarmos ao mérito da procedência da multa isolada, importante identificar o resultado do lançamento da glosa de compensações. Para isso, como o recurso voluntário não adentra ao mérito das glosas, podemos concluir que encontramse devidas já que a insurgência do contribuinte referese apenas a multa. Vejamos o trecho da Decisão da DRJ que bem esclarece a questão: Estabelecida a obrigatoriedade do procedimento, é necessário examinar sua regularidade formal, o que aqui será feito adiante. Verificação da ocorrência das premissas legais para incidência da multa isolada. A Fiscalização, para determinar o montante do crédito compensável elaborou os seguintes demonstrativos: Planilha 1 – Exercentes de Mandado Eletivo e correspondentes declarações em GFIP (fl. 1.118). Neste demonstrativo são informados os segurados, cargos exercidos, período dos mandatos e GFIP nas quais foram incluídos, tendo sido realizado em face das falhas operacionais constatadas nas GFIP originalmente transmitidas (e, depois, nas suas eventuais retificadoras), sobre o que informa a Fiscalização: Os recolhimentos destes valores declarados em GFIP não puderam ser efetivamente comprovados, visto que a prefeitura realizou vários recolhimentos a menor no período e possui diversos parcelamentos, mas para efeito desta fiscalização vamos considerar que os recolhimentos das contribuições previdenciárias sobre os valores declarados em GFIP das remuneração do Prefeito Renato Fauvel Amary e do Vice Prefeito José Francisco Martinez foram realizados. Além do mais, a determinação do montante do crédito compensável deuse de maneira comprovadamente equivocada, a respeito do que a Fiscalização relata: Fl. 1562DF CARF MF 8 Da análise dos documentos apresentados, foi possível verificar que a base de cálculo utilizada na 1ª e na 3ª memória de cálculos no processo do item 4.5. corresponde exatamente à base de cálculo total da folha de pagamentos da Câmara Municipal, incluindo vereadores, demais empregados e comissionados sem vínculo.(...). Mesmo considerando os dados consolidados na Planilha 1, a Fiscalização constatou que, em várias competências, foram incluídos em GFIP vereadores que nem mesmo exerciam mandato. Planilha 2 – Valores passíveis de compensação – fl. 1.119. Esta Planilha constitui uma consolidação dos dados constantes da Planilha 1 (incorporando, pois, os equívocos lá constatados), mas considera, de qualquer forma, os segurados cujas contribuições estariam efetivamente compreendidas na hipótese que legitimaria as compensações (apenas prefeitos, vice prefeitos e vereadores). Observase que apura o montante compensável de R$ 1.000.600,46 (atualizado até maio de 2007). Planilha 3 – Demonstração de créditos a compensar considerando o valor corrido da Planilha 2 – fl. 1.120. Tendo a Planilha 2 apurado o montante compensável de R$ 1.000.600,46 (reiterando: em que peses os equívocos registrados na Planilha 1), esta Planilha, considerando as compensações realizadas, demonstra que, ao ser realizada a compensação de setembro de 2007, restaria um saldo de R$ 30.577,71. Por isso, com a compensação relativa a outubro de 2007 (R$ 201.332,74), o saldo do crédito compensável foi totalmente exaurido, havendo nesta competência um excesso de compensação de R$ 170.755,03. Portanto, todas as compensações realizadas nas competências posteriores (até outubro de 2009) deramse indevidamente, ou seja, sem que existisse o respectivo crédito compensável. Assim, consoante destaca a Fiscalização, como as compensações foram realizadas através de GFIP relativas ao período de maio de 2007 a outubro de 2009, compreendendo créditos do período de novembro de 1999 a setembro de 2004; e, como os lançamentos fiscais foram formalizados em 06/12/2013, data da formal notificação do Contribuinte (fl. 1.139/1.140), a Fiscalização deixou de glosar as compensações relativas aos recolhimentos do período entre maio e dezembro de 2007, em face da ocorrência da decadência, que reconheceu de ofício, em que pese ter constatado, como demonstram as Planilhas 1 a 3, que em outubro de 2007 já tinha ocorrido excesso (parcial) de compensação, além de que, em relação a novembro e dezembro de 2007, as compensações já não tinham mais o respectivo crédito, então declarado nas GFIP. Pelas mesmas razões, nas competências seguintes – janeiro de 2008 a outubro de 2009 – para as quais também foram Fl. 1563DF CARF MF Processo nº 10855.723879/201397 Acórdão n.º 9202006.886 CSRFT2 Fl. 6 9 declaradas compensações nas correspondentes GFIP, já não mais havia crédito compensável, inexistindo, pois, os créditos desta forma declarados. Não há controvérsia quanto ao fato de que realmente não existiam os créditos compensáveis, declarados e compensados, entre janeiro de 2008 e outubro de 2009. Nem mesmo a Impugnação discute esta questão. Então, resta apenas analisar se, nestas circunstâncias, encontramse presentes as premissas legais que autorizam a incidência da multa isolada. O lançamento consubstanciado na Lei n ° 8.212/1991 está em perfeita consonância com o ordenamento jurídico, haja vista o próprio CTN dispor em seu artigo 97, VI, que as hipóteses de extinção do crédito tributário, entre essas, a compensação e a dação em pagamento, são de estrita reserva legal. Assim, para verificar a possibilidade de compensação há que ser remetido para os permissivos legais. Art.97 somente a lei pode estabelecer: VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Conforme prevê o art. 89, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, somente pode ser compensado nas contribuições arrecadadas pelo INSS os valores recolhidos de forma indevida. Dessa forma, só após a conclusão de serem indevidos tais valores poderia o recorrente valerse do instituto da compensação. Com relação ao argumento de realização de compensação nos limites legais, entendo que acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Na hipótese dos autos, não se vislumbra essa condição para as compensações efetuadas pela contribuinte. Registrese, que ao admitir a compensação na forma pretendida pela contribuinte, estaríamos não só malferindo o disposto no artigo 89 da Lei nº 8.212/91, mas também interpretando àquela norma de forma extensiva, o que vai de encontro com a legislação de regência, sobretudo em face da impossibilidade de compensação que não provou o recorrente ter efetivamente recolhido, bem como evidente ausência de liquidez e certeza do crédito utilizado pela contribuinte para promover as compensações. Conforme o relatório fiscal, constatouse pela análise das GFIP e documentos apresentados, que o contribuinte realizou indevidamente compensações considerando a declaração de inconstitucionalidade da contribuição devida pelos agentes políticos. Vejamos a conclusão da decisão da DRJ e dos termos do acórdão recorrido: O caso concreto, conforme expressamente consignou a Fiscalização, as compensações deramse nas seguintes circunstâncias: 1. Não foi observado o prazo prescricional, sobre o que a Fiscalização define: Fl. 1564DF CARF MF 10 Além disso, como as compensações se iniciaram em 05/2007, considerandose o prazo prescricional, só seriam passíveis de inclusão na memória de cálculos os valores declarados a partir de 04/2002 com recolhimento em 05/2002. 2. Não foram realizadas as devidas retificações das GFIP, de forma a excluir as informações relativas aos segurados em relação aos quais as contribuições foram compensadas, desabilitandoos da condição de titulares de direitos previdenciários, em relação ao que assim a Fiscalização se manifestou: 3.5.3. A obrigatoriedade de retificação das GFIP para exclusão dos exercentes de mandato eletivo informados antes do início das compensações é explicada pelo § 1º do artigo 225 do RPS, abaixo transcrito. A não observância desta norma pode se refletir na concessão de benefícios indevidos e conseqüentes prejuízos aos cofres da Previdência Social, configurando crime conforme a IN nº 15. Art.225. A empresa é também obrigada a: (...). § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. (...). 3. Utilização de crédito em valor superior ao montante das contribuições compensáveis (teriam sido considerados os valores correspondentes aos totais apurados em folhas de pagamentos e não apenas as contribuições relativas aos agentes políticos exercentes de cargos eletivos, considerado o correspondente período apenas: novembro de 1997 a setembro de 2004). 4. Assim, não obstante ter sido apurado pela Fiscalização um crédito de R$ 1.000.600,46, o Contribuinte realizou compensações no montante de R$ 5.110.707,10. 5. Não obstante formal requisição, inclusive reiterada, a Administração Municipal não apresentou demonstrativos e dados consistentes quanto aos valores considerados como integrantes dos créditos compensados, tampouco dos respectivos critérios de reajustes, mesmo em face da apresentação de três memórias de cálculo. Por todas estas razões a Fiscalização considerou presentes os requisitos legais que fazem incidir a multa isolada e que assim justificou: 4.7. Em resumo, a prefeitura não observou o prazo prescricional, não efetuou a retificação das GFIP (em tese, Fl. 1565DF CARF MF Processo nº 10855.723879/201397 Acórdão n.º 9202006.886 CSRFT2 Fl. 7 11 crime de falsificação de documento público – GFIP – devido à manutenção de pessoa que não possui a qualidade de segurado)e utilizou uma base de cálculo indevida, visto que o correto seria o total das remunerações dos prefeitos, viceprefeitos e vereadores e não o total da folha de pagamento da Câmara Municipal (em tese, crime de falsificação de documento público – GFIP – devido à inserção de declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado). Quanto ao questionamento acerca da multa isolada, base do presente recurso, entendo correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal, corroborado pela decisão de 1ª instância, conforme acima transcrito, considerando, que informação em GFIP de compensações realizadas, sem que a empresa encontrese exercendo direito líquido e certo leva sim, a uma falsa declaração, capaz de ensejar a aplicação da multa prevista no § 10 do art. 89 da lei 8212/91, no patamar de 150%. Ao contrário de outros processos de compensação, onde a empresa promove as compensações, amparada em decisão judicial que delimita o alcance de seu direito, no presente caso, mesmo que se argumente a existência de declaração do STF acerca da inconstitucionalidade da contribuição dos agentes políticos, não há como afastar as exigências legais para que a empresa possa efetivamente demonstrar o direito "líquido e certo" a compensação. Vejamos, quais os fatos trazidos pela autoridade fiscal para constituir o lançamento, e que foram considerados válidos pelo julgador a quo para negar provimento ao recurso do contribuinte: 3.4.4. Concluise, pelo disposto no CTN, no RPS e na IN nº 15, que o prazo para pleitear restituição ou efetuar a compensação das contribuições previdenciárias recolhidas sob o fundamento do art. 12, I, “h”, da Lei nº 8.212, declarado inconstitucional pelo STF, é de cinco anos a contar da data da extinção do crédito tributário, ou seja, da data do pagamento. A Fiscalização assim relata as providências do Contribuinte visando à obtenção de autorização administrativa para a compensação: 4.5.4. Nas folhas 305 a 338, consta resposta da Delegacia da Receita Previdenciária em Sorocaba, informando sobre os procedimentos para realização da compensação, sobre o prazo prescricional (ver item 3.4.), sobre a obrigatoriedade de retificação das GFIP, com a exclusão dos exercentes de mandato eletivo (ver item 3.5) e com cópia da Instrução Normativa IN MPS/SRP nº 15, de 12 de setembro de 2006, que regulou a matéria. Cabe observar que a Secretaria da Receita Previdenciária e a Secretaria da Receita Federal foram unificadas a partir de 02/05/2007, criando a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, por força da Lei 11.457/07. Segue o relato, dando conta de que as compensações foram realizadas de qualquer forma, tendo sido, então, apuradas pela Fiscalização as seguintes irregularidades: Fl. 1566DF CARF MF 12 4.7. Em resumo, a prefeitura não observou o prazo prescricional, não efetuou a retificação das GFIP (em tese, crime de falsificação de documento público – GFIP – devido à manutenção de pessoa que não possui a qualidade de segurado) e utilizou uma base de cálculo indevida, visto que o correto seria o total das remunerações dos prefeitos, viceprefeitos e vereadores e não o total da folha de pagamento da Câmara Municipal (em tese, crime de falsificação de documento público – GFIP – devido à inserção de declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado). (...). 5.3. Desta forma, não foram glosadas as compensações efetuadas de 05 a 12/2007, em função da decadência, apesar de indevidos por não preencherem os requisitos necessários apresentados. O lançamento de 2008 está amparado pelo artigo 173 do CTN, em face do dolo já explicitado no item 4.7. As Planilhas 2 e 3 do Anexo Único demonstram que, se cumpridos os prérequisitos necessários à compensação, o valor corrigido passível de compensação seria de R$ 1.000.600,46 e estaria integralmente compensado na competência de 10/2007. Na Planilha 2 foram consideradas as remunerações do prefeito e do viceprefeito declaradas em GFIP e as remunerações dos vereadores declaradas em folhas de pagamento, sendo as contribuições previdenciárias recolhidas corrigidas pela taxa Selic. Portanto, o sujeito passivo teve uma compensação superior a que teria direito homologada por decadência, não existindo, portanto, qualquer amparo legal para as compensações de 2008 e 2009. Quanto à incidência da multa isolada, a Fiscalização, após transcrever os fundamentos legais básicos (parágrafo décimo do artigo 89 da Lei 8.212/1991, combinado com o inciso I do artigo 44 da Lei 9.430/1996), assim resumindo suas conclusões e a motivação: 5.7. A falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo quanto às compensações indevidas demonstradas no item 4.7. (inobservância da prescrição, não retificação das GFIP e bases de cálculo majoradas) impõe a aplicação de multa isolada de 150% sobre o valor total do débito indevidamente compensado, a partir da edição da MP 449/2008 em 03/12/2008. A falsidade da declaração se configura na data de entrega/envio da GFIP. A Planilha 4 do Anexo Único demonstra as datas de envio das GFIP, os valores compensados a partir de 12/2008, as competências e os valores da multa isolada .Bastanos uma leitura das informações acima, transcritas do termo de verificação fiscal, para entender que não simplesmente equivocou se o autuado em relação as competências alcançadas pela prescrição, nem tampouco, fundamentou o auditor o lançamento e a aplicação da multa isolada simplesmente na ausência de retificação da GFIP, mas principalmente, na compensação de valores indevidos sobre folha de pagamento da Câmara Municipal, que declarou em GFIP ter direito líquido e certo a compensação. Descreveu ainda o auditor que o ente público compensou a totalidade da folha da Câmara e não apenas a contribuição sobre os agentes políticos, digase fato acatado pelo próprio recorrente em seu recurso. Fl. 1567DF CARF MF Processo nº 10855.723879/201397 Acórdão n.º 9202006.886 CSRFT2 Fl. 8 13 Entendo que deve o auditor, analisando pontualmente cada caso concreto, identificar a verba compensada, para só então definir a existência de falsidade de declaração. Ou seja, concordo que compete ao auditor apontar efetivamente a falsidade, o que no caso dos autos, entendo ter a autoridade fiscal demonostrado. Notese que o legislador não exigiu a demonstração da fraude por parte do agente fiscal, como muito argumentado pelo recorrente, nem mesmo dolo, mas a indicação de informação falsa na GFIP. Convém apreciar, inicialmente o dispositivo legal utilizado pela autoridade fiscal para imposição da multa isolada, o § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Entendo que o dispositivo em questão retrata multa diversa da comumente aplicada nos lançamentos de ofício, consubstanciada no art. 44, § 1, da Lei nº 9430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 1568DF CARF MF 14 b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Ou seja, o legislador determina a aplicação de multa de 150% quando se trata de falsidade de declaração, sem que no mencionado dispositivo, mencione a necessidade de imputação, de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Mas, qual o limite entre a caracterização de simples informação inexata, ou sem que o recorrente tenha legitimidade para exercer naquele momento o direito, e a falsidade propriamente dita? Ao efetivar compensação sobre valores de contribuições sem efetivamente comprovar o recolhimento indevido, procedeu o recorrente a informação de existência de crédito na verdade inexistente, indicando nítida falsidade de declaração no meu entender. Neste ponto, entendo pertinente transcrever o voto do ilustre Conselheiro Kleber, que tratou com muita propriedade a questão: Verificase de início que a lei impõe como condição para aplicação da multa isolada que tenha havido a comprovada falsidade na declaração apresentada. Assim, para que o fisco possa impor a penalidade de 150% sobre os valores indevidamente compensados, é imprescindível a demonstração de que a declaração efetuada mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP contém falsidade, ou seja, não retrata a realidade tributária da declarante. Pesquisando o significado do termo falsidade em http://www.dicionariodoaurelio.com, obtémse o seguinte resultado: “s.f. Propriedade do que é falso. / Mentira, calúnia. / Hipocrisia; perfídia. / Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade.” Inserindo esse vocábulo no contexto da compensação indevida é de se concluir que se o sujeito passivo inserir na guia informativa créditos que decorrentes de contribuições incidentes sobre parcelas integrantes do saláriodecontribuição, evidentemente cometeu falsidade, haja vista ter inserido no sistema da Administração Tributária informação inverídica no intuito de se livrar do pagamento dos tributos. Fl. 1569DF CARF MF Processo nº 10855.723879/201397 Acórdão n.º 9202006.886 CSRFT2 Fl. 9 15 Vale ressaltar que legislador foi bastante feliz na redação do dispositivo encimado, posto que utilizouse do art. 44 da Lei n. 9.430/1996 apenas para balizar o percentual de multa a ser aplicado, não condicionando à aplicação da multa à ocorrência das condutas de sonegação, fraude e conluio, definidas respectivamente nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964. Esse opção legislativa serviu exatamente para afastar os questionamentos de que a mera compensação indevida não representaria os ilícitos acima, nos casos em que o sujeito passivo tivesse declarado corretamente os fatos geradores, posto que não se poderia falar em sonegação ou fraude fiscal. Contudo, não há que se confundir fraude com falsidade, tendo em vista que se o legislador, quisesse atribuir a mesma natureza as duas penalidades, teria simplesmente determinado a aplicação do art. 44, § 1º da 9430/1996 Podemos concluir que, na imposição da multa isolada, relativa à compensação indevida de contribuições previdenciárias, a única demonstração que se exige do fisco é a ocorrência de falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo, como no presente caso. Conclusão Face o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1570DF CARF MF
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