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Numero do processo: 13888.720724/2011-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2202-000.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .7 20 72 4/ 20 11 -4 8 Fl. 2097DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13888.720724/201148 Resolução nº 2202000.377 S2C2T2 Fl. 2.098 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 2037 a 2041, integrado pelos demonstrativos de fls. 2034 a 2036, pelo qual se exige a importância de R$662.262,89, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício de 225% e juros de mora, em virtude da apuração de omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, anoscalendário 2006 e 2007. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2047 a 2052, instruída com os documentos de fls. 2053 a 2065, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 2077 e 2078): Cientificado da exigência tributária em 09/03/2011 (fl. 2045), o contribuinte, por intermédio de seu advogado, conforme instrumento de procuração de fl. 2071, apresenta impugnação ao lançamento, às fls. 2047/2052, na qual alega, em síntese, que: > diferentemente do que foi apontado pela Auditora Fiscal, o Impugnante deu atenção aos seus pedidos, mas não conseguiu os documentos por ela solicitados, tendo lhe prestado verbalmente os números e as informações sobre as contas correntes, o que será provado através das testemunhas arroladas; > o lançamento de ofício atribuiu a titularidade de rendimentos à pessoa errada, devendo a responsabilidade ser atribuída ao Sr. Célio Borges, CPF 552.380.33915, que, encontrandose negativado junto aos órgãos de proteção de crédito, utilizouse das contas correntes do Impugnante para efetuar suas movimentações financeiras; > dos beneficiários dos descontos efetuados pelo Sr. Célio nas contas correntes do Impugnante noventa e que foram intimados, noventa por cento sequer o conhecem, pois a movimentação era efetuada pelo Sr. Célio que, além de descontar cheques, ainda utilizava as contas para depósitos pessoais; > recebia a quantia de R$ 2.000,00 (dois mil reais) mensais pela utilização da conta; > embora o Sr. Célio tenha efetuado muito movimento financeiro nas contas correntes do Impugnante, houve muitas devoluções de cheques que o mesmo descontava que foram creditados na conta corrente deste, o que não foi levado em consideração pelo auto de multa; > mesmo que o Impugnante não tenha declarado rendimentos a sua responsabilidade restringese aos valores mensais recebidos de R$ 2.000,00 (dois mil reais) durante a utilização de suas contas pelo Sr. Célio; > desconhecia completamente a quantidade de transações efetuadas em seu nome e que o Sr. Célio lhe deixou um prejuízo de aproximadamente R$ 200.000,00, valor esse impagável aos bancos; Fl. 2098DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13888.720724/201148 Resolução nº 2202000.377 S2C2T2 Fl. 2.099 3 > não se recorda de ter recebido dos bancos os devidos informes de rendimentos, o que certamente lhe alertaria para a utilização indevida e evitaria que o Sr. Célio o prejudicasse; > traz aos autos cópias das peças para que dão suporte às assertivas acima apresentadas; > a multa aplicada constitui um verdadeiro confisco até porque despropositada e conflita com o princípio básico do direito, segundo o qual o valor da pena jamais poderá exceder o da obrigação, conforme jurisprudência que transcreve. Ao final requer o acolhimento da impugnação para cancelar o lançamento do crédito tributário efetuado ou pelo menos limitálo ao valor efetivamente recebido pelo Impugnante mensalmente para utilização de sua conta corrente e provar todas as suas alegações por todos os meios de provas em direito admitidos, especialmente pela juntada de novos documentos, oitiva das testemunhas que arrola, perícias e demais pertinentes ao caso. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada pelo contribuinte, a 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo II (SP) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 1752.063 (fls. 2076 a 2083), de 06/07/2011, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007, 2008 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Incabível a alegação de erro de identificação, quando a autuação decorreu de valores depositados em conta corrente do próprio sujeito passivo, situação que torna lícito o lançamento. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA E AGRAVADA (225%). A aplicação da multa de ofício decorre de expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por descumprimento da obrigação tributária e, presentes na conduta do contribuinte as condições que propiciaram a majoração ou duplicação e o agravamento da multa de ofício, consubstanciadas pela caracterização do dolo e pela falta de qualquer resposta às intimações, é de se manter a multa de ofício, duplicada e agravada, de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento). MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MEIOS DE PROVA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Regra geral, toda prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito da interessada fazêlo em momento processual diverso. Fl. 2099DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13888.720724/201148 Resolução nº 2202000.377 S2C2T2 Fl. 2.100 4 PEDIDO DE PERÍCIA. PRODUÇÃO NOVAS PROVAS. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de juntada de novas provas, perícia quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada. PROVA TESTEMUNHAL. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste previsão legal para oitiva de testemunha no julgamento administrativo em primeira instância. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Notificado do Acórdão de primeira instância, em 01/08/2011 (vide AR de fl. 2086), o contribuinte interpôs, em 12/08/2011, tempestivamente, o recurso de fls. 2088 a 2094, expondo as razões de sua irresignação, que não serão aqui minudentemente relatadas em razão do que se prolatará no voto desta Resolução. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 03, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 12/03/2012, veio digitalizado até à fl. 20961. 1 Processo digital. Numeração do eprocesso. Fl. 2100DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13888.720724/201148 Resolução nº 2202000.377 S2C2T2 Fl. 2.101 5 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. A apreciação do presente recurso encontrase prejudicada por uma questão prejudicial, suscitada de ofício por esta relatora com fulcro no art. 62A, §1o, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010). Com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62A, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. §2o O sobrestamento de que trata o §1o será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Tratase de lançamento relativo aos anoscalendário 2006 e 2007 decorrente da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Numa análise preliminar dos autos, observase que os extratos bancários que compõe o presente processo foram entregues diretamente pela instituição financeira, em atendimento à Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, com base no art. 3o do Decreto no 3.724, de 10 de janeiro de 2001, conforme Termo de Constação Fiscal de fls. 2025 a 2033, do qual se extrai os seguintes excertos (fl. 2025 a 2027): 2) Verificada a referida divergência, o contribuinte foi cientificado, em 31/12/2009, da presente ação fiscal e intimado a apresentar os seguintes elementos, relativamente ao ano de 2006: [...] Fl. 2101DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13888.720724/201148 Resolução nº 2202000.377 S2C2T2 Fl. 2.102 6 Extratos bancários de conta corrente e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança, de todas as contas mantidas pelo declarante junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, referentes ao período acima especificado; [...] 3) Não atendendo a intimação dentro do prazo concedido, o contribuinte foi novamente intimado em 09/02/2010, a apresentar os mesmos documentos anteriormente solicitados. 4) Decorrido o prazo para entrega da documentação solicitada, o contribuinte, em contato telefônico, alegou estar providenciando os documentos necessários e ficou de entrar em contato em 09/03/2010. Tendo em vista que o contribuinte nada apresentou e nem mesmo entrou em contato telefônico, em 12/03/2010, foram emitidas as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira de n° 08125002010 000039 ao Banco Nossa Caixa S/A e n° 08125002010000047 ao Banco Bradesco, solicitando as seguintes informações: [...] 8) Por falta de atendimento à RMF encaminhada, em 13/05/2010, elaborouse Termo de Intimação Fiscal em nome do Banco Nossa Caixa S/A solicitando o atendimento da RMF n° 08125002010¬ 000039, com base nos artigos 917 e 918 do RIR, artigo 31 da Lei n° 10.637/02 e artigos 1o , 1§o e 6o da Lei Complementar no 105/01. Nesta mesma data, cópia da referida RMF foi reencaminhada para o endereço do Banco do Brasil. [...] 11 ) Tendo em vista que o contribuinte não apresentou os extratos de suas contascorrentes relativas ao ano de 2007 apesar de regularmente intimado, em 28/07/2010, foram emitidas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira em nome do Banco Nossa Caixa S/A, RMF n° 08125002010001167, e do Banco Bradesco S/A, RMF n° 08125002010001175, solicitando os seguintes elementos: [...] 16) Tendo em vista que o contribuinte não atendeu nenhumas das intimações a ele encaminhadas, foram emitidas as Requisições de Movimentação Financeira de n° 081250020100010728, em nome do Banco Nossa Caixa, e de n" 08125002010 001736, em nome do Banco Bradesco, solicitando a identificação de depósitos em conta e cheques emitidos. [...] Sobre o assunto, importa trazer à colação o julgamento do Recurso Especial no 601.314/SP, de 22/10/2009, em que o Supremo Tribunal Federal STF reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543A, §1o, do Código de Processo Civil, combinado com o art. 323, §1o, do Regimento interno do STF, no que diz respeito à constitucionalidade do art. 6o da Lei Complementar no 105, de 2001, no tocante ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei no 10.174, de 9 de janeiro de 2001, que alterou o art. 11, §3o da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996, e possibilitou que as informações obtidas, referentes à Fl. 2102DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13888.720724/201148 Resolução nº 2202000.377 S2C2T2 Fl. 2.103 7 CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência. O mérito da questão não foi ainda julgado e, portanto, os demais processos que versam sobre a mesma matéria encontramse sobrestados até o pronunciamento definitivo daquele Tribunal, por força do disposto no art. 543B, §1o, do Código de Processo Civil. Concluise, assim, que parte da discussão no presente processo referese à matéria reconhecida como de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, pendente de decisão definitiva daquele tribunal e, portanto, o julgamento do mesmo deve ser sobrestado, nos termos do art. 62, §1o, do RICARF. Com o resultado do julgamento do RE no 389.808, de 15/12/2010, em que o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de a Receita Federal ter acesso aos dados bancários do contribuinte, sem prévia autorização judicial, gerando, para alguns, dúvidas quanto ao rito processual a ser adotado nos casos em que a matéria objeto de recurso no CARF tivesse sido reconhecida como de repercussão geral, sem que a decisão de mérito tivesse sido proferida pelo STF. Convém ressaltar que o RE no 389.808 tratase de uma situação excepcional, pois o próprio relator do Recurso Especial no 601.314/SP, de 22/10/2009, que reconheceu a existência de repercussão geral, no que diz respeito ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei no 10.174, de 9 de janeiro de 2001, mencionou expressamente em seu voto que o tema era objeto de discussão em diversos processos, dentre eles, a “AC 33/PR, esta com julgamento já iniciado pelo Plenário, e por meio da qual se que busca dar efeito suspensivo ao RE 389.808/PR.” (grifei). Além disso, conforme consulta ao site do STF, a PFN embargou o RE no 389.808/PR, encontrando o processo “conclusos ao(à) Relator(a)”, desde 09/11/2011. Entendo que o reconhecimento da repercussão geral pelo STF tem como conseqüência direta o sobrestamento do julgamento de todos os recursos extraordinários que versem sobre a mesma matéria, sendo oportuno transcrever orientação contida no site da Suprema Corte nesse sentido2 (grifos nossos): PROCEDIMENTO NOS TRIBUNAIS E TURMAS RECURSAIS DE ORIGEM [...] RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS [...] II) Proferida a decisão sobre repercussão geral, surgem duas possibilidades: 2 http://www.stf.jus.br/portal/cms/verTexto.asp?servico=jurisprudenciaRepercussaoGeral&pagina=processamento Multiplo acessado em 13/08/2012 Fl. 2103DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13888.720724/201148 Resolução nº 2202000.377 S2C2T2 Fl. 2.104 8 a) Se o STF decidir pela inexistência de repercussão geral, consideramse não admitidos os recursos extraordinários e eventuais agravos interpostos de acórdãos publicados após 3 de maio de 2007 (§ 2º do art. 543B do CPC); b) Se o STF decidir pela existência de repercussão geral, aguardase a decisão do Plenário sobre o assunto, sobrestandose recursos extraordinários anteriores ou posteriores ao marco temporal estabelecido: b.1) Se o acórdão de origem estiver em conformidade com a decisão que vier a ser proferida, consideramse prejudicados os recursos extraordinários, anteriores e posteriores (§3º do art. 543B do CPC); b.2) Se o acórdão de origem contrariar a decisão do STF, encaminha se o recurso extraordinário, anterior ou posterior, para retratação (§3º do art. 543B do CPC). Ressaltese que o STF tem obstado o julgamento dos recursos extraordinários, com devolução do apelo extremo aos tribunais de origem no tocante ao tema em discussão, citandose como exemplo o RE 488993, julgado em 09/02/2011, e o RE 602945, julgado em 01/08/2011. Concluise, assim, que o no caso de controvérsias sobre o acesso direto do fisco às informações bancárias do contribuinte, sem prévia autorização judicial e a retroatividade da Lei no 10.174, de 2001, os julgamentos dos processos administrativos no âmbito do CARF devem ser sobrestados. Por fim, cabe trazer a colação a Resolução no 220200.200, de 17/04/2012, em que este Colegiado, por unanimidade, decidiu pelo sobrestamento do julgamento de caso semelhante, cujo relator foi o Conselheiro Rafael Pandolfo, a quem peço vênia para parte do voto condutor em que ele trata aborda com muita propriedade a matéria: Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua conseqüência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as conseqüências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: Fl. 2104DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13888.720724/201148 Resolução nº 2202000.377 S2C2T2 Fl. 2.105 9 DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal. Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO –AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em Dje213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificasse que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA –RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – Fl. 2105DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13888.720724/201148 Resolução nº 2202000.377 S2C2T2 Fl. 2.106 10 PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgRAgR, 811.626AgRAgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente. (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em Dje158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em Dje100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Diante de todo o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 2106DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Numero do processo: 13888.724211/2012-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2010, 2011
MULTA QUALIFICADA
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF nº 14).
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-003.019
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Pedro Anan Junior, Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Recurso provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Pedro Anan Junior, Antonio Lopo Martinez. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 42 11 /2 01 2- 97 Fl. 1676DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor do SEAL MAT INDÚSTRIA COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA, em revisão da declaração da pessoa jurídica acima identificada, foi constatado que os valores do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) relativo ao período de janeiro de 2010 a dezembro de 2011, foram recolhidos apenas parcialmente e que não foram declarados em DCTF. Conforme consta do Relatório do Trabalho Fiscal (RTF), a contribuinte foi intimada e reintimada a prestar esclarecimentos com relação à divergência entre os valores informados na DIRF de 2010 e 2011, e os recolhimentos de IRRF efetuados. A fiscalizada não se manifestou sobre a divergência apurada. Apresentou, apenas, as “Folhas de Pagamento’ dos funcionários. Com vistas a apurar os valores devidos, foi elaborada a planilha de fl. 1598, que demonstram os valores retidos, os recolhidos e os valores a serem exigidos de ofício, tendo em vista a falta de declaração em DCTF. Conseqüentemente, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 1595/1602, que exigiu crédito tributário no montante de R$ 766.706,02, sendo imposto no valor de R$ 288.358,46, multa de ofício de R$ 432.537,72 (150%) e R$ juros de mora de R$ 45.809,84 (cálculo válido até novembro de 2012). O lançamento teve fulcro nas disposições legais constantes do AI. Foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária contra Márcia Rodrigues Soares cpf nº 057.440.62807 (fls. 1605/1606), com base no art. 135, III da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN) e art. 8º do Decretolei nº 1736/1979. Notificada do lançamento em 11/01/2013 (doc. fl. 1604), a autuada e a sócia Márcia Rodrigues Soares, ingressaram com a impugnação de fls. 1610/1625, na qual refutam o lançamento e o Termo de Responsabilidade Solidária, em suma, sob as seguintes alegações: ∙ O presente Auto de Infração, bem como a cominação da multa prevista no art. 44, § 1º da Lei nº 9.430, de 1996 no percentual de 150% deve, ser revogados ante a manifesta inconstitucionalidade. ∙ É manifesta a nulidade do auto de infração, por violar o princípio da ampla defesa, posto que, apenas informa o montante supostamente devido pela impugnante, sem informar os valores efetivamente recolhidos. ∙ Demonstrada a nulidade do Auto de Infração em epígrafe, por não aclarar os valores efetivamente devidos pela Impugnante, haverão de cair por terra qualquer menção à inclusão da Impugnante Márcia Rodrigues Soares como responsável solidária pelo débito tributário em questão, bem como, a qualquer ilícito de ordem penal. ∙ A multa imposta (150%) alcança patamares manifestamente confiscatórios, afigurandose inconstitucional por flagrante Fl. 1677DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13888.724211/201297 Acórdão n.º 2202003.019 S2C2T2 Fl. 3 3 violação ao que dispõe o art. 150, IV da Constituição Federal. A partir da Lei nº 9.430, de 1996,arts. 43 e 44, a aplicação de multas pela Receita Federal assumiu caráter brutalmente confiscatório, desprovida de qualquer amparo ético, violando frontalmente outro princípio constitucional – o da moralidade, não menos fundamental. ∙ A multa não tem a finalidade ou destinação de arrecadar, mas considerada penalidade pelo inadimplemento da condição. Nos parâmetros em que está sendo utilizada, chega a ultrapassar, como efetivamente ocorre no caso em tela, o valor do próprio tributo, parte principal da qual é acessória. A situação descrita afronta aos Princípios da Razoabilidade e Proporcionalidade. ∙ Os particulares são obrigados ao cumprimento da Lei nº 8.078, de 1990 que definiu multas de 2% para casos em que os agentes econômicos privados descumpram a obrigação principal. O fisco deteve o privilégio advindo do período inflacionário, em que os contribuintes optavam pela aplicação de seus recursos no mercado financeiro e postergava, conseqüentemente, o pagamento do dever legal tributário. Assim o Fisco manteve o privilégio de multas moratórias nos níveis de outrora, ou sejam 75%, 100% e 150% em caso de dolo. ∙ Não é razoável nem proporcional que existam normas disciplinando o valor máximo de multa decorrente de inadimplemento de obrigações no caso de fornecimento de produtos e serviços na concessão de créditos e financiamento ao consumidor e, ao mesmo tempo o Poder Público cobre multas que chegam as raias da incredulidade, pela desigualdade, injustiça e aparência de confisco com que são revestidas. A DRJ ao apreciar as razões do interessado, julgou a impugnação improcedente nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2010, 2011 FALTA DE RECOLHIMENTO. DÉBITOS NÃO CONFESSADOS. Cabe o lançamento de ofício para constituição do crédito tributário relativo ao imposto retido pela fonte pagadora, mas não recolhido, nem confessado em DCTF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Fl. 1678DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal, não há que se cogitar sobre a nulidade do lançamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011 INCONSTITUCIONALIDADE. É competência atribuída ao Poder Judiciário pela Constituição Federal, em caráter privativo, manifestarse sobre a constitucionalidade das leis, cabendo à esfera administrativa zelar pelo seu cumprimento. MULTA CONFISCATÓRIA. Sendo o lançamento uma atividade vinculada à legislação tributária, positivada a norma que instituiu a penalidade, é dever da autoridade fiscal aplicála sem perquirir acerca dos efeitos que gerou. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Mantido o lançamento relativo a infração de lei tributária, mantémse a responsabilidade prevista no art. 135, III do CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito, a interessada interpõe recurso voluntário, onde questiona exclusivamente a multa qualificada. É o relatório. Fl. 1679DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13888.724211/201297 Acórdão n.º 2202003.019 S2C2T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. O recorrente questiona exclusivamente a qualificação da multa de ofício. Da Qualificação da Multa No caso concreto entendo que não estão previstas as condições que determinariam a qualificação da multa. No termo de verificação fiscal , a autoridade fiscal comenta justifica que no caso teria cometido crime de sonegação fiscal. Inobstante, respeitável entendimento da autoridade fiscalizadora, não constato no caso concreto a presença do evidente intuito de fraude. A aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada, decorrente do art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, atualmente aplicada de forma generalizada pela autoridade lançadora, deve obedecer toda cautela possível e ser aplicada, tão somente, nos casos em que ficar nitidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, conforme farta Jurisprudência emanada do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Com a devida vênia dos que pensam em contrário, a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas/rendimentos na Declaração de Ajuste Anual ou a falta de inclusão de algum valor, bem ou direito na Declaração de Bens ou Direitos, não tem, a princípio, a característica essencial de evidente intuito de fraude. Quando a lei se reporta à evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder, desta ou daquela forma, para alcançar, tal ou qual, finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista ao agir. O evidente intuito de fraude floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc. Fl. 1680DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 É de se ressaltar, que não basta que atividade seja ilícita para se aplicar à multa qualificada, deve haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Para concluir é de se reforçar, mais uma vez, que a simples omissão de rendimentos não dá causa para a qualificação da multa. A infração a dispositivo de lei, mesmo que resulte diminuição de pagamento de tributo, não autoriza presumir intuito de fraude. A inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o sujeito empenhouse em induzir a autoridade administrativa em erro, quer por forjar documentos quer por ter feito parte em conluio, para que fique caracterizada a conduta fraudulenta. Em suma, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. A falta de inclusão como rendimentos tributáveis, na Declaração de Imposto de Renda, dos quais o contribuinte não logrou a comprovação, através da apresentação de documentação hábil e idônea, da sua efetividade, caracteriza simples de presunção de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do inciso II do art. 992, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° . 1.041, de 1994. Deste modo entendo injustificada a manutenção de uma multa qualificada de 150% no contexto presente nos autos. Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1681DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10283.909694/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.556
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 96 94 /2 00 9- 13 Fl. 390DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909694/200913 Acórdão n.º 3202001.556 S3C2T2 Fl. 391 3 Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 392DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13971.001504/2005-24
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. ENQUADRAMENTO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMO NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais.
O escopo das mencionadas leis não se restringe à concepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem.
Assim, devem ser considerados como insumos os bens utilizados diretamente no processo produtivo (fabril) da empresa, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva.
Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica, e sem base legal, no sentido de dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa.
Logo, há que se conferir ao conceito de insumo de que trata a legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação.
Realidade em que foram acostados aos autos elementos suficientes para a caracterização como insumo de alguns dos bens e serviços adquiridos e contratados pela recorrente, os quais deverão ser considerados para fins de creditamento da contribuição.
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS A PARTIR DOS CUSTOS COM ELETRICIDADE. TAXA DE RELIGAÇÃO E PARCELAMENTO. POSSIBILIDADE.
A taxa de religação e o parcelamento de energia elétrica se enquadram na hipótese de creditamento objeto do regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep previsto no inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.637 de 2002, inerente a custos com energia elétrica.
INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA DO PIS/PASEP E DA COFINS. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS SOBRE DESPESAS FINANCEIRAS. PAGAMENTOS A EMPRESAS DE FACTORING E DESPESAS COM MORA. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
O inciso V do artigo 3o das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03 autoriza o desconto de créditos calculados sobre despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optantes pelo SIMPLES.
Por falta de previsão legal, não é possível o desconto de créditos calculados sobre pagamentos a empresas de factoring, além de outras moras decorrentes de pagamentos em atraso a fornecedores.
Recurso ao qual se dá parcial provimento.
Numero da decisão: 3802-004.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Bruno Curi, Cláudio Pereira e Solon Sehn, na parte em que que votaram para também incluir, na base de cálculo do crédito reconhecido, os valores pagos a título de correção monetária da energia elétrica.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. ENQUADRAMENTO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMO NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à concepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Assim, devem ser considerados como insumos os bens utilizados diretamente no processo produtivo (fabril) da empresa, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica, e sem base legal, no sentido de dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo de que trata a legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que foram acostados aos autos elementos suficientes para a caracterização como insumo de alguns dos bens e serviços adquiridos e contratados pela recorrente, os quais deverão ser considerados para fins de creditamento da contribuição. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS A PARTIR DOS CUSTOS COM ELETRICIDADE. TAXA DE RELIGAÇÃO E PARCELAMENTO. POSSIBILIDADE. A taxa de religação e o parcelamento de energia elétrica se enquadram na hipótese de creditamento objeto do regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep previsto no inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.637 de 2002, inerente a custos com energia elétrica. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA DO PIS/PASEP E DA COFINS. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS SOBRE DESPESAS FINANCEIRAS. PAGAMENTOS A EMPRESAS DE FACTORING E DESPESAS COM MORA. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O inciso V do artigo 3o das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03 autoriza o desconto de créditos calculados sobre despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optantes pelo SIMPLES. Por falta de previsão legal, não é possível o desconto de créditos calculados sobre pagamentos a empresas de factoring, além de outras moras decorrentes de pagamentos em atraso a fornecedores. Recurso ao qual se dá parcial provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Bruno Curi, Cláudio Pereira e Solon Sehn, na parte em que que votaram para também incluir, na base de cálculo do crédito reconhecido, os valores pagos a título de correção monetária da energia elétrica. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
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Indústria e Comércio Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NEGATIVA DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA. CAUSA DE NULIDADE NÃO MATERIALIZADA. O direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual, com respeito à nulidade do processo, somente àquela que sacrifica os fins de justiça deve ser declarada pela autoridade julgadora. É legítima a decisão de primeira instância que denega pedido de diligência cujo pleito é demasiadamente genérico, sem a formulação de questionamentos pontuais merecedores de uma diligência para saneamento da suposta dúvida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. ENQUADRAMENTO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMO NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à concepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 15 04 /2 00 5- 24 Fl. 895DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Assim, devem ser considerados como insumos os bens utilizados diretamente no processo produtivo (fabril) da empresa, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica, e sem base legal, no sentido de dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo de que trata a legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que foram acostados aos autos elementos suficientes para a caracterização como insumo de alguns dos bens e serviços adquiridos e contratados pela recorrente, os quais deverão ser considerados para fins de creditamento da contribuição. PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS A PARTIR DOS CUSTOS COM ELETRICIDADE. TAXA DE RELIGAÇÃO E PARCELAMENTO. POSSIBILIDADE. A taxa de religação e o parcelamento de energia elétrica se enquadram na hipótese de creditamento objeto do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep previsto no inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.637 de 2002, inerente a custos com energia elétrica. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA DO PIS/PASEP E DA COFINS. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS SOBRE DESPESAS FINANCEIRAS. PAGAMENTOS A EMPRESAS DE FACTORING E DESPESAS COM MORA. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O inciso V do artigo 3o das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03 autoriza o desconto de créditos calculados sobre despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optantes pelo SIMPLES. Por falta de previsão legal, não é possível o desconto de créditos calculados sobre pagamentos a empresas de factoring, além de outras moras decorrentes de pagamentos em atraso a fornecedores. Recurso ao qual se dá parcial provimento. Fl. 896DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001504/200524 Acórdão n.º 3802004.262 S3TE02 Fl. 896 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Bruno Curi, Cláudio Pereira e Solon Sehn, na parte em que que votaram para também incluir, na base de cálculo do crédito reconhecido, os valores pagos a título de correção monetária da energia elétrica. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ Florianópolis (fls. 790/817 da cópia digitalizada do eprocesso, doravante utilizada como padrão de referência), a qual, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a parte que não foi reconhecida do pedido de ressarcimento de aduzidos créditos do PIS/Pasep relativo ao primeiro trimestre de 2004. Por bem descrever os fatos, reproduzo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida. Trata o presente processo de Pedido Ressarcimento de créditos da Contribuição para Programa de Integração Social – PIS, relativo ao primeiro trimestre de 2004, no valor de R$ 121.648,89. Relatório de Auditoria Fiscal Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com base no não acatamento de valores indevidamente incluídos na base de cálculo do crédito apurado pela contribuinte, conforme informado em Dacon e confrontado com as informações e registros por ela apresentados em resposta a intimações fiscais. A Autoridade Fiscal relata que ante discrepâncias verificadas entre os montantes da operações, apurados por CFOP, registrados no LRE e os consignados na memória de cálculo (do valor informado em cada linha do Dacon), adotou na análise e apuração da base de cálculo do crédito da contribuinte o seguinte procedimento: Fl. 897DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 em sendo o valor apurado no LRE idêntico ao da memória de cálculo, tal valor foi o considerado como o ponto de partida para o desconto das notas fiscais desconsideradas na análise, resultando em valor ajustado pela diferença; quando o valor apurado no LRE foi inferior ao da memória de cálculo, a diferença foi glosada por falta de comprovação, tendo sido o valor do LRE adotado como o ponto de partida para o desconto das notas fiscais desconsideradas na análise, obtendose, assim, um valor ajustado; quando superior o valor obtido no LRE, deste foram extraídos os valores das notas fiscais desconsideradas: caso o valor resultante tenha sido superior ao informado na memória, validouse o valor da própria memória para fins de determinação do máximo admissível, em relação ao CFOP em análise; caso o valor resultante tenha sido inferior ao informado na memória, considerouse este como sendo o valor ajustado (e o máximo admissível); A Autoridade Fiscal assenta, então, que para os montantes das operações registradas, apurados por CFOP das entradas, obtevese valores ajustados ou valores da memória validados na análise (máximo admissível por CFOP), cujo somatório foi adotado como o máximos admissíveis em relação a respectiva linha do Dacon, cujo valor do crédito compõem. Tendo em conta a sistemática acima, foram excluídos da base de cálculo do crédito apurado pela contribuinte os valores que seguem: a) aquisição de bens para revenda – da linha 01 da ficha 04 do Dacon: foi glosado o valor de R$ 8.916,20 informado a este título para o mês de janeiro em razão de no LRE não haver registros de entradas com CFOP compatível com operações desta natureza; b) aquisições de insumo da linha 02 da ficha 04 do Dacon: as diferenças verificadas nos casos em que os montantes (referentes às entradas com CFOP 1407, 1949 e 2101) indicados na memória de cálculo são superiores aos obtidos a partir do LRE, por falta de comprovação das operações; os valores das notas fiscais, cujas cópias se encontram presentes nos autos, por não se referirem a insumos; a Autoridade Fiscal traz uma listagem dessas notas contendo o número, CFOP, valor e “DESCRIÇÃO DOS PRODUTOS”; por fim, ajustados os valores, as diferenças entre estes valores e os valores máximos a serem admitidos para o crédito referente a linha 02 do Dacon; c) aquisições de serviços linha 03 da ficha 04 do Dacon: as diferenças verificadas nos casos em que os montantes (referentes às entradas com CFOP 1949, 2125, 2949) indicados na memória de cálculo são superiores aos obtidos a partir do LRE, por falta de comprovação das operações; os valores das notas fiscais, cujas cópias se encontram presentes nos autos, por não se referirem a serviços considerados como insumo; a Autoridade Fiscal traz uma listagem dessas notas contendo o número, CFOP, valor e “DESCRIÇÃO DOS SERVIÇOS”; Fl. 898DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001504/200524 Acórdão n.º 3802004.262 S3TE02 Fl. 897 5 por fim, ajustados os valores, foram glosadas as diferenças entre estes valores e os valores máximos a serem admitidos para o crédito referente a esta linha do dacon; d) despesas com energia elétrica linha 04 da ficha 04 do Dacon: valores consignados nas faturas de energia cobrados a título de taxa de religação, parcelamento, correção monetária, multa, iluminação pública e juros de mora, por consistirem de valores não relacionados ao consumo, nos termos prescritos na legislação; e) despesas financeiras linha 07 da ficha 04: por não consistirem de despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos obtidos junto a pessoa jurídica com sede no País, nos termos prescritos no art. 3º, inciso V, da Lei n° 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/2003, os valores referentes a: 1) pagamentos de juros de mora decorrentes de atraso no pagamento de duplicatas; 2) pagamentos efetuados a empresas de fomento mercantil (factoring); e 3) pagamentos efetuados a empresas não consideradas instituições financeiras; o valor referente à diferença apurada, a partir dos documentos apresentados pela contribuinte (informação à folha 191 e Razão com Contrapartidas, às folhas 315 a 321), do deságio líquido do mês de março de 2004. Da Manifestação de Inconformidade 1. Irresignada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade onde contesta, primeiro, a glosa dos valores referentes aos bens adquiridos para revenda, alegando que, a teor do “doc. nº 2” que traz em anexo, as notas fiscais referentes a tais aquisições foram registradas no LRE, equivocadamente, com o CFOP 2101, equívoco que não justifica a glosa procedida. 2. Quanto aos valores referentes a aquisição de insumos, inicialmente contesta a glosa das diferenças apuradas entre o LRE e a memória de cálculo. Em relação à esta glosa, insurgese contra a adoção pela Autoridade Fiscal do menor valor informado nos demonstrativos apresentados. Nesse sentido aduz que “... nem todos os bens ingressados na empresa, que necessariamente devem constar do livro de registro de entradas, geram direito ao correspondente crédito de PIS/COFINS. Assim, é lógico e natural que em determinadas situações o LRE seja superior à memória de cálculo”. Segue, apontando “alguns equívocos da empresa e também da fiscalização”, que defende não poderem “tolher o cristalino crédito de seu direito”; os equívocos, que diz comprovar por meio dos documentos “Doc. nº 3” e “Doc. nº 4” em anexo, são: a) janeiro CFOP 1407 os insumos correspondentes estão lançados na conta 1101; b) janeiro CFOP 1949 insumos constantes do LRE provável equívoco da fiscalização na conferência dos documentos apresentados; c) janeiro CFOP 2101 os insumos correspondentes estão lançados na conta 2122; Fl. 899DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 d) fevereiro CFOP 1949 insumos constantes do LRE provável equívoco da fiscalização na conferência dos documentos apresentados; e) março CFOP 1949 insumos constantes do LRE provável equívoco da fiscalização na conferência dos documentos apresentados. Alega, ainda, que os materiais cujos valores foram glosados se tratam se insumos, conforme do “doc. nº 4”, pois estão “relacionados diretamente à sua atividade produtiva”. Nesse sentido, aduz a contribuinte: 9. A título meramente exemplificativo e aleatório, citamse as seguintes glosas procedidas, que não podem prosperar, ante o enquadramento legal do crédito pretendido: a) pallet material de embalagem; b) barras de ferro utilizadas na montagem dos quadros da estamparia c) oxigênio utilizado para solda dos quadros da estamparia; d) bateria utilizada na empilhadeira, diretamente vinculada à produção; e) gás combustível da empilhadeira; f) lona de freio para empilhadeiras e teares. g) material elétrico/eletrônico reposição e conserto das empilhadeiras da fábrica; h) óleo diesel combustível das máquinas da produção; i) lubrificantes utilizados nas máquinas da produção; j) tintas utilizada na reforma das máquinas da produção; k) pórtico empilhável armanezamento e transporte de insumos; l) adesivo cola dos quadros da estamparia m) canecos brancos 5 litros utilizados para jogar tinta nos quadros da estamparia; n) ribbom usado para impressão de etiquetas dos produtos. E por fim, alega que mesmo que algum dos bens glosados pela fiscalização, não se constituam em insumos, na acepção concebida pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, ainda assim lhe cabe direito aos créditos pretendidos, ante o que dispõe a Constituição Federal acerca da matéria. Nesse sentido, defende que, com a edição da Emenda Constitucional n° 42/2003, a aplicabilidade do princípio da nãocumulatividade às contribuições sociais ganhou contornos constitucionais, passando a estar prevista no § 12, acrescentado ao art. 195 da CF/88. E que, em assim sendo, em que pese as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, serem anteriores à mencionada previsão constitucional, resta evidente que “toda sua regulamentação, e também alterações posteriores, deve ser harmonizada e compatibilizada com a sistemática constitucional vigente para esse instituto”. Com base na doutrina, passa então a discorrer, longamente, sobre a sistemática de tributação nãocumulativa, trazendo, dentre outros, os dizeres que seguem transcritos: 20. No caso da COFINS e do PIS, tratandose de tributos incidentes sobre o faturamento e a receita, para que a nãocumulatividade seja efetivamente implementada, devese outorgar créditos sobre todas as mercadorias, insumos, custos e demais despesas incorridas ou pagas que se mostrem necessárias à obtenção dos recursos tributáveis por essas exações, sob pena de tornar sua incidência, ainda que parcialmente, cumulativa, e, portanto, inconstitucional. (...) Fl. 900DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001504/200524 Acórdão n.º 3802004.262 S3TE02 Fl. 898 7 24. Portanto, a vedação ao crédito, por qualquer motivo que seja, é exceção à regra, não podendo prevalecer acaso não esteja constitucionalmente autorizada. 25. Nem se diga aqui que a nãocumulatividade inerente ao ICMS e ao IPI não se confundiria com a referente à COFINS e ao PIS, na medida em que para os primeiros teria a Constituição Federal estabelecido todos os critérios a serem observados, não procedendo dessa mesma forma em relação aos últimos, bem como na medida em que a receita (base de cálculo da COFINS e do PIS) se traduz em fenômeno que diz respeito a cada contribuinte individualmente considerado, não havendo que se falar para essas últimas exações em cadeia econômica de produção e circulação de mercadorias para efeitos de outorga de créditos sobre o valor agregado em cada etapa de comercialização ou prestação de serviços. 26. Tal fato, ao contrário do que um exame inicial e menos acurado da matéria deixa a entrever, não autoriza o legislador ordinário a deliberar ao seu livre arbítrio sobre os créditos que poderão e que não poderão ser aproveitados pelos contribuintes, mas, muito pelo contrário, evidencia, em relação à COFINS e ao PIS, uma amplitude do princípio constitucional da nãocumulatividade mais abrangente e dilargada do que a existente em relação ao ICMS e ao IPI. (...) 32. Portanto, o fato de o crédito do ICMS e do IPI ser apurado a partir da dedução do montante devido do imposto incidente na etapa anterior, diferentemente do que ocorre com o crédito da COFINS e do PIS, que é apurado mediante a aplicação da alíquota dessas contribuições sobre o valor dos insumos adquiridos e custos incorridos ou pagos, não retira desse último crédito a natureza jurídica de um crédito decorrente do primado da não cumulatividade tributária. (...) 36. Ademais, tendo a EC n. 42/2003, ao incluir o § 12 ao art. 195 da CF/88, atribuído ao legislador ordinário tãosomente a aptidão de estabelecer os ramos de atividade que estariam sujeitos ao princípio da nãocumulatividade, não se lhe mostra dado, dentro do campo das mercadorias, insumos, custos e demais despesas ligadas à obtenção de receitas tributáveis pela COFINS e pelo PIS, permitir a fruição de créditos em relação a uns e tolhela em relação a outros. (...) 38. Com isto em mente, resta inquestionável o direito da empresa de ver reconhecidos os créditos pretendidos, pois a legislação ordinária assim lhe assegura, e eventuais hipóteses que não se enquadrem nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03 devem ser aceitas, ante o que dispõe § 12 ao art. 195 da CF/88, nos termos acima alinhados. 3. Também em relação às glosas de valores referentes a aquisição de serviços, inicia sua contestação afirmando que as diferenças apontadas entre o LRE e a memória de cálculo ocorreram em razão dos valores terem sido lançados equivocadamente em outras contas e que igualmente houve lapsos da fiscalização, pois valores constantes do LRE não foram identificados, embora regularmente lançados naquele documento (conforme “Doc. nº 3 e Doc. nº 4, em anexo). Lista então os equívocos, como segue; 40. Eis a origem das divergências (docs. nºs 4 e 6): (a) fevereiro CFOP 1949 equívoco do fiscal, pois os lançamentos constam do LRE e da planilha disponibilizada à fiscalização; (b) fevereiro CFOP 2125 por equívoco, a diferença de R$ 1.123,50 foi lançado no CFOP 2124; (c) março CFOP 1949 equívoco do fiscal, pois os lançamentos constam do LRE e da planilha disponibilizada à fiscalização; e (d) março CFOP 2949 equívoco do fiscal, Fl. 901DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 8 pois os lançamentos constam do LRE e da planilha disponibilizada à fiscalização. Outrossim, argumenta que muitos dos serviços glosados pela fiscalização consistem de serviços que se enquadram no campo de creditamento admitido pelas próprias Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 e diz que: 43. Entre tais hipóteses, podem ser citadas, a título exemplificativo, as seguintes (doc. n° 7): a) industrialização por encomenda operações lançadas no arquivo anexo (doc. n° 4) no CFOP 1124; b) tratamento de efluentes sem o que as suas atividades restam inviabilizadas, por questões ambientais; c) serviço de faxina destinado à área industrial; d) serviços da empresa Transportec conserto da máquina empilhadeira; e) substituição do óleo do transformador sem isto não há entrada de energia elétrica em seu estabelecimento; f) serviços da empresa Refrigeração Brusquense climatização dos setores de fiação e tecelagem. Sem isto, as máquinas arrebentam os fios por ausência de unidade; g) serviços da empresa Biz manutenção de maquinado da produção; h) serviços da empresa Motores Oliveira rebobinamento de máquinas da produção. (...) 45. Ademais, na eventualidade de alguma operação ser afastada face à legislação ordinária, ainda assim persiste o crédito pretendido, frente à matriz constitucional do crédito perseguido, nos moldes alinhados no tópico III supra. 4. No tocante às despesas financeiras, afirma que a diferença de R$ 17.487,79, decorrente da diferença entre créditos e débitos na conta deságio líquido do mês de março, decorre do fato de a Autoridade Fiscal não ter considerado “o pagamento da fatura n° 980/03, neste exato valor (doc. nº 8)”. No mais, alega que “não pode prosperar o entendimento da fiscalização, no sentido de que os pagamentos implementados a factorings não caracterizariam despesas financeiras” e que “também aqui se fazem integralmente aplicáveis os argumentos lançados no tópico III, que indicam o amplo e irrestrito direito ao crédito de PIS/COFINS". 5. Com relação à energia elétrica, defende: que a própria legislação ordinária permite o crédito de todas as despesas relacionadas e necessárias ao seu fornecimento e que não poderia receber energia elétrica sem pagamento das despesas em referência. Conclui que, por ser obrigada a estas despesas para ter acesso à energia elétrica, é certo o direito à inclusão do respectivo valor no cálculo do crédito presumido, da forma admitida pela Constituição Federal e pela legislação ordinária. Ao final de suas alegações pugna, com base no art 16, IV, do Decreto n° 70.235/72, pela realização de diligência fiscal para que, diante do acompanhamento da atividade produtiva da empresa, reste respondida a questão “se os bens e serviços glosados do cálculo geram direito a crédito, frente ao que dispõem as Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003?” Fl. 902DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001504/200524 Acórdão n.º 3802004.262 S3TE02 Fl. 899 9 Em face do exposto, requer seja recebida e julgada procedente a presente manifestação de conformidade, e concedido integralmente o crédito cujo ressarcimento foi requerido. Os argumentos aduzidos pela reclamante não foram acolhidos pela primeira instância (não obstante constar da ementa que a manifestação de inconformidade teria sido acolhida em parte vide abaixo), conforme acórdão que foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Nos processos administrativos referentes a repetição de indébito, cabe ao contribuinte, em sede de Manifestação de Inconformidade, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela Autoridade Fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente o pleito repetitório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. A legislação é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento: somente dão direito à crédito os custos com bens e serviços tidos como insumos diretamente aplicados na produção de bem destinado à venda e as despesas e os encargos expressamente previstos na legislação de regência. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS, para fins de creditamento de valores, somente são considerados como insumos na fabricação ou produção de bens destinados à venda: as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta no processo produtivo do bem destinado à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados diretamente na produção ou fabricação do produto destinado à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. CREDITAMENTO. PREVISÃO LEGAL. Por expressa previsão legal, dão direito a crédito os valores gastos com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, não gerando crédito os valores incluídos na fatura de energia em relação aos quais não há qualquer permissivo legal para tanto. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTOQUE DE ABERTURA. ICMS. Fl. 903DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 10 O valor do ICMS, quando recuperável, não compõe o valor do estoque de abertura, não gerando créditos presumidos quando da mudança do regime cumulativo para o da nãocumulatividade. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte (sic) Direito Creditório Reconhecido em Parte (sic) Cientificada da referida decisão em 06/10/2011 (fls. 821), a interessada, em 07/11/2011 (uma segunda feira), apresentou o recurso voluntário de fls. 822/838, onde reitera os argumentos apresentados na primeira instância, reclamando ainda pela nulidade do acórdão vergastado por este ter indeferido a diligência requerida, em suposta ofensa ao princípio da verdade material. Diante do exposto, requer seja anulado o acórdão de primeira instância ou, alternativamente, seja dado provimento ao recurso, para conceder integralmente o crédito cujo ressarcimento fora requerido. É o relatório. Voto Da admissibilidade do recurso O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Da suposta nulidade do acórdão recorrido Antes de adentrar no exame das questões atinentes ao direito em vista do regime da nãocumulatividade, examino o argumento da recorrente em defesa da nulidade do acórdão por este haver indeferido a diligência requerida, em aduzida ofensa ao princípio da verdade material. A diligência foi solicitada com fundamento no inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, "para que a fiscalização acompanhe a atividade produtiva da empresa" e, assim, comprove a subsunção dos bens e serviços glosados ao conceito de insumos encampado pelas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03. Especificamente, o questionamento que a reclamante apresenta para ser respondido na diligência é "se os bens e serviços glosados do cálculo geram direito a crédito, frente ao que dispõem as Leis nos 10.637/02 e 10.833/03". Com efeito, o inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72 (com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) garante à reclamante o direito de pleitear as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Porém, nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70.235/72 (com a nova redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93), o julgador – que também poderá determinar de ofício a realização de perícias – tem o direito de deliberar pelo indeferimento dos pedidos nesse sentido se considerálos “[...] prescindíveis ou impraticáveis [...]”. Fl. 904DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001504/200524 Acórdão n.º 3802004.262 S3TE02 Fl. 900 11 É nessa última hipótese, pois, que se enquadra o caso posto em exame, vez que, segundo a ótica jurídica adotada pela instância recorrida, não havia nenhuma necessidade de elucidação dos fatos mediante diligência. Portanto, entendo que não há nenhuma razão para se acolher o pedido de nulidade da decisão a quo, eis que a mesma não me parece minimamente maculada por vício que justifique a sua anulação. Do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS. Amplitude do conceito de insumo diante das atividades exercidas pela suplicante. Conforme relatado, a lide decorre de pedido de ressarcimento do PIS/Pasep do primeiro trimestre de 2004, no montante de R$ 121.648,89, reconhecido apenas em parte pela unidade de origem, e cuja manifestação de inconformidade foi considerada procedente em parte pela DRJ Florianópolis. O direito em discussão diz respeito ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, instituído, respectivamente, pelas Lei nos 10.637, de 30/12/2002, e 10.833, de 29/12/2003. Assim, aludido regime de incidência nãocumulativa foi inaugurado em relação ao PIS/Pasep, fruto da Medida Provisória no 66, de 2002, posteriormente convertido na Lei nº 10.637/2002. Os efeitos do regime em tela, alusivos à nãocumulatividade do PIS/Pasep, passaram a atingir os fatos geradores a partir de 1o de dezembro de 2002. Quanto à não cumulatividade da COFINS, objeto da Lei nº 10.833/2003 (conversão da Medida Provisória nº 135/2003), a vigência do regime se deu a partir de 1º de fevereiro de 2004. Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real. A legislação pertinente ao regime autoriza, de fato, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos dos artigos 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O cálculo do crédito é realizado mediante a aplicação das mesmas alíquotas específicas para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre referidos custos, despesas e encargos (vide artigo 3o, § 1o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Referidas leis, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o, fazem algumas ressalvas ao direito de creditamento em tela1. O inciso II do artigo 3o das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 prevê o cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. 1 Assim, não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física (hipótese prevista originariamente nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), bem como (e agora incluídas pela Lei 10.865/2004) as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Fl. 905DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 12 Eis, aqui, uma das questões mais controvertidas em relação à não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS: definir o que são insumos para fins de creditamento das citadas contribuições. Ressaltese que as normais legais stricto sensu que prevêem a não cumulatividade (Leis 10.637/2002 e 10.833/2003) são omissas quanto ao alcance do termo “insumo” para fins de cálculo do crédito atinente a referidas contribuições. Tal amplitude terminológica encontrase disposta apenas em norma de natureza infralegal, qual seja, no § 5º, do artigo 66, da IN SRF no 247, de 21/11/2002 (dispositivo incluído pela IN SRF no 358, de 09/09/2003) – nãocumulatividade do PIS/Pasep –, bem como nos incisos I e II do § 4º, do artigo 8o, da IN SRF no 404, de 12/03/2004 – nãocumulatividade da COFINS –, segundo os quais, para fins de aquisição de bens e serviços utilizados como insumos, deverão ser assim concebidos, aqueles: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Especificamente sobre o critério adotado pela IN SRF no 404/2004 para a definição de insumo, o i. conselheiro desta Tuma de julgamento, Solon Sehn2, ressalta que [...] não é válida a equiparação [à legislação do IPI] realizada pela instrução normativa. A contribuição não incide apenas sobre operações que tenham por objeto produtos industrializados. Tais negócios jurídicos abrangem parte da materialidade da exação, que é muito mais ampla e alcança todos os atos de acréscimo ao patrimônio líquido do contribuinte (receita bruta). Desse modo, a aplicação do conceito de insumo da legislação do IPI gera como efeito prático a limitação da não cumulatividade da contribuição a uma parcela dos fatos tributados, mantendo o efeito cascata em relação às demais receitas auferidas pelo contribuinte. Ao mesmo tempo, compromete de forma irremediável a maior virtude da legislação: a previsão de um conceito amplo de insumo, capaz de garantir uma salutar e indispensável maleabilidade da lei em face do dinamismo da atividade empresarial. Uma restrição dessa natureza somente poderia ser prevista em lei formal, diretamente na Lei no 10.833/2003, inclusive porque, ao reduzir o montante do crédito dedutível, a instrução normativa implica o aumento do valor do tributo devido por meio de analogia, o que é vedado pelo art. 108, § 1o, do Código Tributário Nacional. Defende ainda que a Lei no 10.833/2003 adotaria “[...] um conceito de insumo claramente ligado à noção de custo de produção prevista de forma exemplificativa na 2 SEHN, Solon. PISCOFINS: Não Cumulatividade e Regimes de Incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011. p. 315 Fl. 906DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001504/200524 Acórdão n.º 3802004.262 S3TE02 Fl. 901 13 legislação do imposto de renda (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 13, § 1o; Decreto no 3.000/1999, arts. 290 e 291)”3. Há ainda os que apregoam a ampla consideração como insumo de todas as despesas da empresa, como Natanael Martins4, em sintonia com a tese sustentada pela recorrente. Segundo ele, pelo fato de as contribuições em comento alcançarem a receita total das entidades, a única forma de assegurar sua integral nãocumulatividade seria se “os créditos apropriáveis alcançarem todas as despesas necessárias à consecução das atividades da empresa”. Para Marco Aurélio Greco5 os insumos para fins de PIS/Pasep e Cofins não se equiparam àqueles indicados pela legislação do Imposto de Renda, uma vez que há distinção material entre receita e renda. Patrícia Madeira, ao estudar a questão da nãocumulatividade, e explicando a lição de Greco, assevera que os pressupostos de fato para o IRPJ e a CSLL são o resultado positivo (renda/lucro), e, nesse caso, deverão ser considerados todos os custos que interferirem na sua apuração. No entanto, “nem todos os custos da atividade empresarial interferem na formação da receita, que é materialidade do PIS e da Cofins”. A ideia de insumo proclamada pela legislação do IPI também não seria aplicável para o PIS/Pasep e para a COFINS6, dado ser o IPI [...] tributo cuja nãocumulatividade se opera pelo método subtrativo, variante imposto contra imposto (que, portanto, requer tenha havido incidência na operação anterior para que o insumo seja creditável) e cuja materialidade (industrialização) remete à ideia de algo fisicamente apreensível. Como a receita decorre de uma prestação de serviços ou da produção de bens, Marco Aurélio Greco conclui que só deve ser insumo o que for inerente àquilo que denomina de “processo formativo da receita”. Em suas palavras: relevante é determinar quais os dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá – em princípio – direito à dedução. Há ainda outras teses doutrinárias que revelam esse que é um dos mais intrincados assuntos relacionados ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS. Particularmente, no âmbito do presente foro de discussão destinado a buscar um posicionamento justo para a lide, entendemos que se a lei admite o direito de crédito decorrente de despesas incorridas pela pessoa jurídica, tais como pelo aluguel de prédios, de máquinas e 3 ob. cit., p. 315316. 4 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins. In: PEIXOTO. Marcelo Magalhães, FISCHER, Octávio Campos (coord.). PISCofins: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005. p. 204. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. 5 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (Coord.) et al. Não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. São Paulo: IOB Thompson. Porto Alegre: Instituto de Estudos Tributários, 2004. p. 112122. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. 6 O trecho acima, que sintetiza a lição de Marco Aurélio Greco (op. cit., p. 117118), foi extraído da Dissertação de Mestrado de Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves Madeira, p. 127128 – referência já citada. Fl. 907DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 14 de equipamentos utilizados nas atividades da empresa, bem como da energia consumida em seus estabelecimentos, dentre várias outras hipóteses, também permite que referido direito creditório decorra da aquisição de bens e de serviços utilizados como insumo, ressalvadas as exceções legais. Na verdade, dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo, constatase que o legislador optou por um regime de nãocumulatividade parcial, posição a qual defendemos, muito embora reconheçamos que parte da doutrina tente dar ao regime um sentido mais amplo e próximo dos aspectos econômicos da produção, o que, contudo, não encontra alicerce na legislação pertinente. Quanto ao alcance do conceito de insumo segundo o regime da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, entendemos que a acepção correta é aquela ligada à essencialidade do bem ou do serviço para o exercício da atividade empresarial: fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou prestação de serviços. Desde já, afastase a tese da recorrente que procura dar ao conceito de insumo uma amplitude seguindo o parâmetro de dedutibilidade utilizado pela legislação do Imposto de Renda. Feito o registro concernente ao alcance das normas alusivas ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, passase à análise das demais questões pontualmente aduzidas no recurso. Das glosas de aquisições de bens não considerados como insumos A suplicante tem como objeto social a “fabricação de artefatos têxteis para uso doméstico”, CNAE 1351100, conforme consignado em seus dados junto ao CNPJ. Consta ainda do artigo 3º do Estatuto Social registrado em 17/05/2006 na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina: A sociedade tem por objeto a indústria têxtil, compreendendo todos os ramos complementares, comercialização e exportação de seus produtos, importação, atividades relacionadas ao florestamento ou reflorestamento, podendo ainda participar de outras sociedades de igual ou diversa finalidade, como acionista ou quotista, a critério do Conselho de Administração. Sem dúvida, a natureza das atividades exercidas pela interessada é relevante para a caracterização como insumo dos custos e despesas apresentados. Frente a essa realidade, não se pode negar que a maioria das aquisições mencionadas exemplificativamente pela suplicante parece, sim, se adequar ao conceito de insumo de seu processo produtivo: pallets ("material de embalagem"), barras de ferro ("utilizadas na montagem dos quadros da estamparia"), oxigênio ("utilizado para solda dos quadros da estamparia"), bateria ("utilizada na empilhadeira, diretamente vinculada à produção"), gás ("combustível da empilhadeira"), lona de freio ("para empilhadeiras e teares"), material elétrico/eletrônico ("reposição e conserto das empilhadeiras da fábrica"), óleo diesel ("combustível das máquinas de produção"), lubrificantes ("utilizados nas máquinas de produção"), tintas ("utilizadas na reforma das máquinas de produção"), pórtico empilhável ("armazenamento e transporte de insumos"), adesivo ("cola dos quadros da estamparia"), canecos brancos 5 litros ("utilizados para jogar tinta nos quadros da estamparia") e ribbom ("usado para impressão de etiquetas dos produtos"). Fl. 908DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001504/200524 Acórdão n.º 3802004.262 S3TE02 Fl. 902 15 Em exame dos autos, especialmente dos documentos acostados à manifestação de inconformidade, pude constatar por amostragem que não há nenhum elemento que desacredite as justificativas apresentadas pela interessada no sentido de que os bens adquiridos pela empresa, acima elencados, devem sim estar relacionados às correspondentes finalidades mencionadas. Mas considerando o princípio da essencialidade como condição sine qua non à caracterização de insumo, somente alguns dos itens supracitados poderão ser admitidos nessa condição. Num rápido exame das notas fiscais apresentadas com a manifestação de inconformidade, verifiquei que algumas dizem respeito a aquisições de "bateria empilhadeira", "P2O carga de gás e PO2 carga de gás ", "acetileno e S.K.20 atal", "ribbon 89x450", "óleo diesel", "chato laminada [...] chapa preta", "pórtico empilhável", "canecos brancos de 5 litros" (adquirido de Texcolor Corantes e Pigmentos Ltda. nome sugestivo de fornecedor de corantes e outros produtos a ele associados), etc. Apenas para ilustrar resolvi consultar na internet o que seria o ribbon. Dessa pesquisa, pude verificar que o citado produto, "conhecido também como fita de transferência térmica – TTR (Thermal Transfer Ribbon) é o suprimento de impressão utilizado nas impressoras térmicas. A grosso modo seria como o toner das impressoras convencionais"7. Me parece, pois, que aludido produto é também necessário à natureza industrial do sujeito passivo. Evidentemente, a análise quanto à aplicação dos produtos acima na atividade industrial da interessada, e, portanto, sua possível caracterização como insumo, é superficial, já que este conselheiro não tem conhecimento técnico específico em relação ao processo produtivo têxtil. Mesmo assim, entendo que a questão não merece sejam os autos baixados em diligência, uma vez que a premissa adotada pela autoridade fiscal obedeceu aos ditames traçados pelas instruções normativas nos 247/02 (para o PIS/Pasep vide § 5º do artigo 66) e 404/04 (para a COFINS vide incisos I e II do § 4º do artigo 8o), as quais, como vimos, seguem conceituação de insumo demasiadamente restritiva por equiparar sua acepção à que é adotada pela legislação do IPI, o que, conforme defendemos, não é adequado ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS. Não se pode olvidar, ainda, que estáse diante de um processo protocolizado há cerca de uma década, que a maioria dos créditos reclamados já foi deferida, e, por fim, que uma diligência destinada a analisar pontualmente a essencialidade dos bens descritos nas notas fiscais demandaria considerável esforço de uma já tão carente e assoberbada mão de obra competente para citado exame. Assim, diante da fundamentação adotada pela autoridade fiscal, e considerando que o parâmetro aqui adotado é o de dar à acepção de insumo um caráter de essencialidade à concretização da razão de ser do empreendimento, e por fim, fundado nas explicações trazidas pela recorrente e na documentação acostada aos autos, penso que deverão ser admitidos os créditos calculados em relação aos seguintes bens elencados pelo sujeito passivo, quais sejam: pallets (admitindo que são pallets one way – para exportação), barras de ferro, oxigênio, bateria, gás, lona de freio, material elétrico/eletrônico, óleo diesel, lubrificantes, tintas, pórtico empilhável, adesivo, canecos brancos 5 litros e ribbom. 7 fonte: http://blog.creativecopias.com.br/ribbonparaqueserve/, acesso em 12/03/2015 Fl. 909DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 16 Produtos não incluídos dentre os acima citados não deverão ser considerados para fins de apuração do crédito. O mesmo tratamento deverá ser dado no caso de aquisições não escrituradas, ainda que referentes à compra dos produtos acima elencados. Da glosa dos bens adquiridos para revenda De acordo com o relatório de auditoria fiscal houve uma glosa de R$ 8.916,20 informado na linha 01 da ficha 04 do DACON de janeiro de 2004 (bens adquiridos para revenda). A glosa foi motivada pelo fato de o arquivo digital dos registros de entradas da empresa não contemplar códigos fiscais de operações compatíveis com compras para revenda. Por seu turno, o sujeito passivo aduz que a justificativa apresentada na manifestação de inconformidade seria suficiente para comprovar o equívoco da interessada e afastar a glosa em tela. Assim, na manifestação de inconformidade a recorrente alega que, "a teor dos documentos anexos (doc. nº 2), houve equívoco de informação da empresa, mas isto não implica, nem de longe, no tolhimento dos créditos correspondentes", eis que os mesmos "se referem a insumos", tendo sido lançados no LRE Livro de Registro de Entradas pelo CFOP 2101 (insumos para industrialização) (v. fls. 463). Não obstante, seguindo o mesmo entendimento adotado pela instância a quo, penso que as justificativas e a documentação acostada aos autos não são suficientes para afastar a glosa em evidência. Com efeito, os dois documentos juntados aos autos (fls. 496/497) dizem respeito, unicamente, a um demonstrativo de apuração da contribuição devida no mês de janeiro de 2004 (em cuja base de cálculo está consignado o valor de R$ 8.916,20, registrado sob a rubrica Crédito pela Aquisição de Mercadoria para Revenda) e a uma relação de cinco notas fiscais relativas ao CFOP 2101, cuja soma perfaz o mesmo montante de R$ 8.916,20. De fato, tais documentos não são suficientes para comprovar o suposto equívoco, nem mesmo se prestam para discernir se aduzidas notas se referem à aquisição de bens a título de insumo ou se para revenda. Isso só seria possível com a juntada das próprias notas fiscais, o que, novamente, não foi observado pela reclamante. Por tais razões, mantémse a glosa em tela. Das diferenças apuradas em relação aos bens lançados no LRE No que concerne às diferenças apuradas em relação aos bens lançados no LRE e as memórias de cálculo, aduz a recorrente que isso ocorreu por equívoco e por lapsos da fiscalização, repetindo em seu recurso idênticas divergências já apresentadas na sua manifestação de inconformidade. Essa questão foi pontualmente examinada pela primeira instância recursal, cujos fundamentos, abaixo reproduzidos, adoto como razões de decidir: Em relação às diferenças existentes entre o LRE e a memória de cálculo, a contribuinte insurgese, inicialmente, contra a adoção pela Autoridade Fiscal do menor valor informado nos demonstrativos apresentados. Nesse sentido aduz que “... nem todos os bens ingressados na empresa, que necessariamente devem constar do livro de registro de entradas, geram direito ao correspondente crédito de PIS/COFINS. Assim, é lógico e natural que em determinadas situações o LRE seja superior à memória de cálculo”. Fl. 910DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001504/200524 Acórdão n.º 3802004.262 S3TE02 Fl. 903 17 Deste argumento, inferese que a contribuinte pretenda defender que os valores informados na memória de cálculo não poderiam ser tidos como incorretos tão somente por serem inferiores ao informados (para o mesmo CFOP) no LRE. Vislumbrase que intenta, assim, contestar a adoção pela Autoridade Fiscal, como ponto de partida para as glosas procedidas, dos valores apurados das operações (por CFOP) a partir dos registros constantes do LRE, em detrimento dos valores informados pela contribuinte na memória de cálculo (inferiores àqueles). Em análise aos autos, verificase que se mostra correto o procedimento fiscal. Além disso, motivo algum tem a contribuinte para insurgirse contra o procedimento adotado pela Autoridade Fiscal, haja vista este, além de não lhe ter prejudicado, em verdade laborou a seu favor. Vejamos. A contribuinte foi intimada, e o fez, a apresentar memória de cálculo informado os CFOP utilizados na linha 02 do Dacon, totalizando os valores das operações por mês e por CFOP. A partir desta, a Autoridade Fiscal buscou a confirmação dos montantes das operações de aquisição, conforme os CFOP informados no LRE, livro também apresentado pela contribuinte; neste procedimento, verificou haver inconsistências entre os valores informados em ambos os documentos. Como consta do relatório, quando verificou, em relação a algum CFOP, que o montante registrado no LRE era superior ao informado na memória de cálculo, a Autoridade Fiscal – ao contrário do que entende a contribuinte e, salientese, em benefício desta , adotou este como sendo o valor do crédito a que a contribuinte teria direito (em relação ao CFOP em análise), e não o por ela informado na memória de cálculo. Ou seja, a partir dos valores obtidos no LRE, maiores que os informados na memória de cálculo, é que a Autoridade Fiscal partiu para a análise do crédito, em relação às notas fiscais apresentadas. Outrossim, nos casos em que o LRE apresentou valores inferiores ao da memória de cálculo estes também foram os adotados como o ponto de partida para o desconto das notas fiscais desconsideradas na análise, todavia por conta de a diferença, entre a memória de cálculo e o LRE, ter sido glosada por falta de comprovação. Neste caso, não há qualquer incorreção no procedimento fiscal, haja vista não se poder reputar como comprovada uma operação de entrada não registrada no LRE, em face da função precípua deste livro, qual seja, a escrituração do movimento de entradas de mercadorias, a qualquer titulo, no estabelecimento ou de serviço por este tomado. 5.2 Diferenças entre o LRE e a Memória de Cálculo – equívocos da empresa e da fiscalização A Autoridade Fiscal também glosou as diferenças verificadas nos casos em que os montantes (referentes às entradas com CFOP 1407, 1949 e 2101) indicados na memória de cálculo são superiores aos obtidos a partir do LRE, por falta de comprovação das operações. A contribuinte alega que tais diferenças se devem a “alguns equívocos da empresa e também da fiscalização”, que defende não poderem “tolher o cristalino crédito de seu direito”; equívocos, que diz comprovar por meio dos documentos “Doc. nº 3” e “Doc. nº 4” em anexo. Fl. 911DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 18 Aqui relembrese, o que já posto no item 1 deste voto: que nos casos de repetição de indébito é ônus do contribuinte a apresentação das informações e dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prérequisito ao conhecimento de seu pleito. Notese, todavia, que em se mostrando insuficientes, os documentos e informações produzidas pela contribuinte, para demonstrar de forma clara e inequívoca o crédito objeto do seu pleito repetitório, a Autoridade Fiscal há que indeferilo total ou parcialmente. Neste caso, cabe ao contribuinte, na Manifestação de Inconformidade, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela Autoridade Fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente o pleito repetitório. Decerto, não basta apenas alegar sem provar; não basta, simplesmente vir aos autos afirmando que o que foi verificado e relatado pela Autoridade Fiscal não guarda consonância com a realidade dos fatos sem, no entanto, laborar no sentido de demonstrar e comprovar a realidade que alega e que não foi percebida pela Autoridade Fiscal. Dito isto, passase a análise dos equívocos apontados pela contribuinte. As diferenças verificadas pela Autoridade Fiscal em relação ao CFOP 1949 são: MÊS CFOP Total Arquivo Total Memória DIFERENÇA Janeiro 1949 0,00 5.822,00 5.822,00 fevereiro 1949 2.182,30 3.266,48 1.084,18 março 1949 1.376,88 4.322,26 2.945,38 A contribuinte, por seu turno, limitase a explicálas por meio da seguinte frase: “insumos constantes do LRE provável equívoco da fiscalização na conferência dos documentos apresentados”. Ocorre que esta frase nada explica e nem mesmo deixa muito claro o que pretende a contribuinte. Bem, diante da lacônica explicação da contribuinte, somente se pode supor que esta esteja a alegar que a diferença apurada refirase a insumos cujas aquisições foram registradas no LRE, mas que a fiscalização não identificou no momento da conferência dos documentos apresentados. Ocorre porém que a glosa de que aqui se trata, se deu não a partir da conferência das notas fiscais apresentadas em confronto com os registros do LRE, ou seja, a Autoridade Fiscal não glosou determinadas notas, CFOP 1949, que entendeu não darem direito a crédito (glosa a ser tratada em tópico seguinte), mas glosou a diferença entre os montantes apurados no LRE, das operações registradas com o tal CFOP, e o valor informado na memória de cálculo para o mesmo CFOP. Neste caso, cabia a contribuinte, a fim de demonstrar o alegado equívoco cometido pela fiscalização, comprovar que registrou corretamente no LRE, com o CFOP 1949, todas as aquisições de insumos consideradas na apuração do montante por ela informado na memória de cálculo para o mesmo CFOP. Todavia, sem a discriminação e as cópias de todas as notas fiscais consideradas no cálculo do valor informado na memória de cálculo resta inviabilizada a conferência desta apuração com os registros do LRE. Assim, como visto, somente a partir dos elementos juntados pela contribuinte não se confirma que a Autoridade Fiscal tenha de fato cometido o equívoco alegado pela contribuinte. As diferenças verificadas pela Autoridade Fiscal em relação ao CFOP 1404 e 2101 são: Fl. 912DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001504/200524 Acórdão n.º 3802004.262 S3TE02 Fl. 904 19 MÊS CFOP Total Arquivo Total Memória DIFERENÇA Janeiro 1407 10.387,69 11.363,03 975,34 2101 1.917.540,93 2.052.006,43 134.465,50 Fevereiro 1407 21.089,49 21.182,28 92,79 A contribuinte, por seu turno, limitase a explicálas por meio das seguintes frases: “CFOP 1407 os insumos correspondentes estão lançados na conta 1101” e “CFOP 2101 os insumos correspondentes estão lançados na conta 2122”. Em relação a estas diferenças, supõese que a contribuinte intenta justificálas alegando que computou no cálculo do valor informado na memória de cálculo para os CFOP 1404 e 2101 valores de notas fiscais registradas no LRE nos CFOP 1101 e 2122, respectivamente. Bem, aqui também, considerando que a Autoridade Fiscal glosou a diferença entre o montante apurado no LRE e o informado na memória de cálculo para cada CFOP, cabia a contribuinte discriminar e trazer as notas consideradas no cômputo do valor informado na memória de cálculo e que teriam sido registradas com outro CFOP no LRE, que deram causa às diferenças apuradas pela Autoridade Fiscal. Aqui também, os elementos juntados pela contribuinte não servem para demonstrar e muito menos comprovar sua alegação. Como visto, a contribuinte limitase a alegar sem nada provar, razão pela qual o procedimento fiscal não merece reparo. Das diferenças apuradas em relação aos serviços lançados no LRE A reclamante também se insurge contra glosas concernentes a serviços supostamente utilizados como insumos. Primeiramente, quanto às diferenças apuradas em relação aos serviços lançados no LRE e as memórias de cálculo, reproduz os mesmos argumentos já apresentados em relação às diferenças concernentes à aquisição de bens, no sentido de que o motivo foi a ocorrência de equívocos ou devido a lapsos da fiscalização. Enumera, então, as divergências, relativas aos CFOP 1949, 2125 e 2949. Tais diferenças, reproduzidas no voto objeto do acórdão vergastado, são as seguintes: MÊS CFOP Total Arquivo Total Memória DIFERENÇA Janeiro 1949 190.840,92 195.048,92 4.208,00 2125 273.998,38 275.121,88 1.123,50 Fevereiro 1949 183.383,29 183.764,34 381,05 2949 3.276,47 3.468,47 192,00 Aqui valem as mesmas observações retratadas no item anterior e apresentadas pela instância reclamada, especialmente quanto à falta de confirmação dos equívocos alegados. Assim, considerando que não foram apresentados documentos capazes de comprovar os supostos erros cometidos pelo Fisco, mantémse os cálculos formulados pela autoridade administrativa. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 20 Das glosas de aquisições de serviços por não se enquadrarem como insumos A recorrente também assevera que inúmeros serviços glosados se encontrariam no campo de creditamento objeto das leis nos 10.637/02 e 10.833/02. Cita, por exemplo, a industrialização por encomenda ("operações lançadas no arquivo anexo (fls.) no CFOP 1124"), tratamento de efluentes ("sem o que as suas atividades restam inviabilizadas, por questões ambientais"), serviços de faxina ("destinada à área industrial"), serviços da empresa Transportec ("conserto da máquina empilhadeira"), substituição do óleo do transformador ("sem isto não há entrada de energia elétrica em seu estabelecimento"), serviços da empresa Refrigeração Brusquense ("climatização dos setores de fiação e tecelagem, necessária para que os fios não arrebentem"), serviços da empresa Biz ("manutenção de maquinário da produção") e serviços da empresa Motores Oliveira ("rebobinamento de máquinas da produção"). De fato, a maioria desses serviços, me parece, estão envolvidos com o processo produtivo. Portanto, penso que em muitos desses casos, analisados no item 5.2 do relatório fiscal, foi aplicado o rigorismo adotado pelas instruções normativas que abordaram o regime da nãocumulatividade (IN SRF no 247/02 – para o PIS/Pasep – e IN SRF no 404/04 – para a COFINS). No anexo 7 à manifestação de inconformidade ("doc. nº 7") fls. 696 e seguintes a interessada acosta aos autos diversas notas fiscais referentes a serviços pagos pela mesma. Dentre os documentos acostados consta a prestação de serviços de "substituição de óleo por sistema termovácuo em transformador 750 KVA", "130 horas de serviços prestados na área de refrigeração", "mão de obra em buchas dos rotores OPEN END", "recuperação de pentes ...", "reb. motor ...", "mecânica especializada empilhadeira", manutenção de máquinas, etc.. Tais serviços são exemplos daqueles que, entendo, deverão ser admitidos para fins do creditamento vislumbrado. Em relação às mesmas acolho as explicações, embora que sintéticas, apresentadas pelo sujeito passivo. Não obstante, há também documentos cuja descrição ou está ilegível ou a correspondente natureza não está clara; há ainda alguns cujo serviço não está devidamente justificado a ponto de ser aceito como insumo, como o "concreto usinado", "serviços gerais", "serviços de torno e solda", "prestação de serviços". Esses, pois, deverão permanecer desconsiderados para fins de creditamento. O mesmo se diga em relação às aludidas industrializações por encomenda. Por falta de clareza na descrição das correspondentes notas fiscais entendo que, nesse caso, também deverá ser mantida a glosa. Pelo exposto, e reiterando as observações acima manifestadas com respeito às glosas dos bens adquiridos como insumos, especialmente por terem sido fundadas em premissa restritiva ao direito adotada pela autoridade fiscal, entendo que deverão ser admitidos os créditos calculados em relação aos seguintes serviços dentre os que foram elencados pelo sujeito passivo: serviços da empresa Anglian Water inerente a "tratamento de efluentes", serviços da empresa Transportec referente a "conserto da máquina empilhadeira"), substituição do óleo do transformador, serviços da empresa Refrigeração Brusquense referente a climatização dos setores de fiação e tecelagem, serviços da empresa Biz ("manutenção de maquinário da produção") e serviços da empresa Motores Oliveira ("rebobinamento de máquinas da produção"). Fl. 914DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001504/200524 Acórdão n.º 3802004.262 S3TE02 Fl. 905 21 Ficam ressalvadas as observações acima no sentido de que não deverão ser considerados, para fins de creditamento, os documentos cuja descrição está ilegível ou a correspondente natureza do serviço não se consegue identificar, devendo ser mantida a glosa também concernente às notas onde a descrição não indica serviço cuja essencialidade foi devidamente justificada a ponto de ser admitido como insumo, como por exemplo: "concreto usinado", "serviços gerais", "serviços de torno e solda", "prestação de serviços". Todos esses deverão permanecer desconsiderados para fins de creditamento. Quanto às despesas acessórias com energia elétrica Conforme assevera o sujeito passivo, a própria fiscalização já reconheceu o direito creditório calculado em relação ao custo com energia elétrica, tendo glosado, contudo, as "despesas acessórias" com eletricidade, as quais, defende, também deveriam ter sido consideradas. Com efeito, o inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.637/02, assim como o inciso III do artigo 3º da Lei nº 10.833/03, permitem o desconto de créditos do PIS e da COFINS calculados sobre a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. A fiscalização excluiu os créditos calculados sobre taxa de religação, parcelamento, correção monetária, multa, iluminação pública e juros de mora. Dessas glosas, no entanto, entendo que deverão ser admitidos aquelas inerentes a taxa de religação e a parcelamento; a primeira por se enquadrar como serviço do processo produtivo; a segunda, em vista de caracterizar mero diferimento dos custos com a energia elétrica consumida. Das despesas financeiras A reclamante aduz em seu recurso que as glosas de despesas financeiras se referem à diferença entre créditos e débitos na conta deságio líquido do mês de março, bem como a despesas financeiras a empresas de factoring e outras moras decorrentes de pagamentos em atraso a fornecedores. O inciso V do artigo 3o das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03 autoriza o desconto de créditos calculados sobre despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optantes pelo SIMPLES. O direito em tela foi reconhecido em relação às despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos obtidos pela interessada junto a pessoas jurídicas sediadas no País. No entanto, foi negado, dentre outros, o direito inerente aos pagamentos de despesas financeiras efetuados a empresas de fomento mercantil (factoring), já que os mesmos, com efeito, não se enquadram na hipótese de creditamento prevista no art. 3º, inciso V, das Leis nos 10.637/02 e 10.637/03. Assim, por falta de fundamentação legal, não há como reconhecer o direito inerente a pagamentos a empresas de factoring, além de outras moras decorrentes de pagamentos em atraso a fornecedores. Fl. 915DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 22 Quanto à diferença entre créditos e débitos na conta deságio líquido do mês de março, adoto, como razões de decidir, os fundamentos que nortearam a decisão de primeira instância, da relatoria da AFRFB Andréa Luiza Vasconcelos Mendes: A Autoridade Fiscal também glosou à diferença apurada, a partir dos documentos apresentados pela contribuinte (informação à folha 191 e Razão com Contrapartidas, às folhas 315 a 321), do deságio líquido do mês de março de 2004. A contribuinte, por seu turno, afirma que a diferença de R$ 17.487,79, decorrente da diferença entre créditos e débitos na conta deságio líquido do mês de março, decorre do fato de a Autoridade Fiscal não ter considerado “o pagamento da fatura n° 980/03, neste exato valor (doc. nº 7)”. Bem, como se vê, a diferença do valor do “Deságio Líquido” foi apurada pela Autoridade Fiscal a partir dos informativos da lavra da própria contribuinte. Em análise a tais demonstrativos verificase: que tal diferença se deu pois o valor dos débitos informados na memória de cálculo (fl. 191) são inferiores aos débitos informados no Razão com Contrapartidas (fls. 315 a 321), resultando em uma diferença no valor de R$ 17.487,79; neste todos os lançamentos possuem históricos que remetem a alguma operação referente a deságio, tais como: DEB.DESÁGIO FAT...N/DATA, DESAGIO FAT...N/DATA, CRÉD REF DESAGIO, DESAGIO FAT...N/DATA, etc. A contribuinte, junto à sua Manifestação de Inconformidade, trouxe outro demonstrativo de sua lavra, no caso, cópia do Razão Analítico (doc. nº 7, fl. 784), a partir do qual intenta comprovar que o valor glosado pela Autoridade Fiscal também referese a deságio líquido, apesar de não se encontrar registrado no Razão com Contrapartidas. Consta, que no tal Razão Analítico estão demonstrados lançamentos da conta contábil nº 34010700223, intitulada de “Deságio Líquido”. A diferença verificada que está consignado na memória de cálculo a débito no Banco do Brasil como sendo referente à conta contábil nº 21010200081, “Grupo contábil ACC” consta deste demonstrativo como “DEB REF ACE FAT 980/03 N/DATA”, diferentemente dos demais lançamentos (tidos como relativos ao alegado deságio) que estão registrados com o histórico “Lançamento de Contas a Receber” Bem, como se vê as descrições que constam dos vários registros apresentados pela empresa, referentes ao débito mencionado, muito pouco, ou quase nada esclarecem sobre sua real natureza, razão pela qual não se mostram suficientes a confirmar que componha o referido “Deságio Líquido” e muito menos se refira a uma despesa financeira. Ao contrário: tendo em conta a própria alegação da contribuinte e o histórico do lançamento, o que se pode vislumbrar é que o tal débito, em verdade, se refira a um pagamento de fatura (no caso a de nº 980/03), o que, a princípio, não configura uma despesa que integre a base de cálculo dos créditos pretendidos, pelo menos, não a título de despesa financeira. Desta feita, mantémse a glosa. Da conclusão Com estas considerações, voto para dar provimento em parte ao recurso voluntário interposto pela interessada, reconhecendo o direito creditório calculado sobre: Fl. 916DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001504/200524 Acórdão n.º 3802004.262 S3TE02 Fl. 906 23 a) os seguintes bens elencados pelo sujeito passivo: pallets, barras de ferro, oxigênio, bateria, gás, lona de freio, material elétrico/eletrônico, óleo diesel, lubrificantes, tintas, pórtico empilhável, adesivo, canecos brancos 5 litros e ribbom; b) os seguintes serviços: tratamento de efluentes, serviços da empresa Transportec referente a "conserto da máquina empilhadeira"), substituição do óleo do transformador, serviços da empresa Refrigeração Brusquense referente a climatização dos setores de fiação e tecelagem, serviços da empresa Biz ("manutenção de maquinário da produção") e serviços da empresa Motores Oliveira ("rebobinamento de máquinas da produção"); e, c) sobre a taxa de religação e o parcelamento de energia elétrica. As demais glosas deverão ser mantidas. Concernente ao cômputo dos créditos calculados sobre os bens e serviços deverá se atentar para as observações aduzidas no corpo do presente voto. Sala de Sessões, em 19 de março de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 917DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 11007.000430/2006-81
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IRPF. DESPESAS. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO.
Como todas as deduções, a dedução de despesas com honorários advocatícios está sujeita a comprovação. No presente caso o contribuinte apresentou documento hábil (recibo e Alvará) para comprovar as deduções pretendidas (honorários advocatícios em processo judicial reclamatória trabalhista).
Da mesma forma, apresentou documentos que demonstram ter efetuado doações declaradas a Conselho Municipal da Criança e Adolescente.
ACEITAÇÃO DAS PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL DA APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. ATENUAÇÃO. VERDADE MATERIAL.
O direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais, afastando-se a preclusão em alguns casos excepcionais, como aqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos, no valor de R$ 89.900,36, e cancelar a infração relativa a glosa de dedução com incentivo, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 IRPF. DESPESAS. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. Como todas as deduções, a dedução de despesas com honorários advocatícios está sujeita a comprovação. No presente caso o contribuinte apresentou documento hábil (recibo e Alvará) para comprovar as deduções pretendidas (honorários advocatícios em processo judicial reclamatória trabalhista). Da mesma forma, apresentou documentos que demonstram ter efetuado doações declaradas a Conselho Municipal da Criança e Adolescente. ACEITAÇÃO DAS PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL DA APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. ATENUAÇÃO. VERDADE MATERIAL. O direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais, afastando-se a preclusão em alguns casos excepcionais, como aqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos, no valor de R$ 89.900,36, e cancelar a infração relativa a glosa de dedução com incentivo, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres.
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DESPESAS. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. Como todas as deduções, a dedução de despesas com honorários advocatícios está sujeita a comprovação. No presente caso o contribuinte apresentou documento hábil (recibo e Alvará) para comprovar as deduções pretendidas (honorários advocatícios em processo judicial — reclamatória trabalhista). Da mesma forma, apresentou documentos que demonstram ter efetuado doações declaradas a Conselho Municipal da Criança e Adolescente. ACEITAÇÃO DAS PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL DA APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. ATENUAÇÃO. VERDADE MATERIAL. O direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais, afastandose a preclusão em alguns casos excepcionais, como aqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos, no valor de R$ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 00 7. 00 04 30 /2 00 6- 81 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11007.000430/200681 Acórdão n.º 2801003.925 S2TE01 Fl. 71 2 89.900,36, e cancelar a infração relativa a glosa de dedução com incentivo, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres. Relatório Em desfavor do contribuinte acima identificado foi lavrada Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, ano calendário de 2004, exercício de 2005, onde foi exigido R$ 2.901,89 a título de imposto, acrescido de multa proporcional no percentual de 75%, no importe de R$ 2.176,41, e mais juros de mora calculados pela Selic. Narra a Autoridade Fiscal responsável pelo lançamento, que o glosou R$ 2.000,00 reais declarados como dedução de incentivo a Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente porque o valor da doação não fora informado em declaração de benefício fiscal (DBF) pela entidade beneficiária e constatou a omissão de rendimentos recebidos das pessoas jurídicas SESC e INSS, respectivamente no valor de R$ 90.713,23 e R$ 12.196,00, confrontando as DIRF (declaração de imposto retido na fonte) com a DIRPF do contribuinte. Na declaração de ajuste apresentada, o contribuinte obtivera, como resultado de sua apuração, imposto a restituir no valor de R$ 27.398,15 (fl. 17). Não localizo nos autos intimação prévia para que o contribuinte apresentasse documentos/esclarecimentos, sendo o lançamento baseado nas informações disponíveis nos sistemas da RFB, conforme acima descrito. Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresentou Impugnação, na folha 02, que foi conhecida e tratada pela DRJ em Santa Maria/RS nos seguintes e resumidos termos: a) a dedução de honorários advocatícios está prevista no Regulamento do Imposto de Renda, no entanto todas as deduções estão sujeitas à comprovação e o contribuinte não apresentara documento hábil (recibo ou nota fiscal) para comproválos; b) em relação à diferença constatada na informação dos rendimentos recebidos do INSS, considerando a idade do contribuinte e serem os proventos decorrentes de aposentadoria, deu razão ao Impugnante para excluir do lançamento a parcela de R$ 12.696,00, reputandoa isenta; Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11007.000430/200681 Acórdão n.º 2801003.925 S2TE01 Fl. 72 3 c) em relação à glosa da dedução com incentivo entendeu que a matéria não fora expressamente impugnada, considerandoa fora do litígio. Enfim, decidiu a Autoridade Julgadora a quo por cancelar as exigências fiscais e determinar que fosse restituída ao contribuinte a importância de R$ 452,00, a título de imposto de renda retido pela fonte. Cientificado dessa decisão em 01/07/2008, conforme AR na folha 29, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 29/07/2008, com protocolo na folha 30. Em sede de recurso, assim argumenta, em síntese: 1 Fez doações ao Conselho dos Direitos da Criança e Adolescente, via Prefeitura Municipal de Livramento/RS, no valor total de R$ 2.000,00, no ano de 2004. A glosa deuse porque o órgão competente não informou na declaração devida à RFB sua doação. Ao fazer sua impugnação, o contribuinte, "por um lapso", deixou de encaminhar os comprovantes correspondentes, o que fez com que o Julgador a quo entendesse que concordava com a glosa perpetrada; 2 Entendeu o Julgamento recorrido que não restara comprovado o pagamento de honorários advocatícios no valor de R$ 89.900,36, gasto para o recebimento de rendimentos tributáveis via ação judicial. Diz que apresentou extratos bancários para demonstrar o valor líquido recebido, não entendendo a necessidade de anexar recibos. Juntamente com o recurso anexa os Alvarás Judiciais e os recibos firmados pelos Advogados. PEDE, então, que seja provido seu recurso e que lhe sejam aplicados os benefícios do Estatuto do Idoso, o que foi reforçado em manifestações posteriores, dirigidas à Administração deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Conforme relatado, a Impugnação foi considerada parcial, no que diz respeito à glosa com dedução de incentivo. O contribuinte, no recurso, manifestase contrário, dizendo que por lapso manifesto deixou de encaminhar os comprovantes devidos. Destaco ainda que a lide em relação à omissão de rendimentos não se concentra na forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente (regime contábil), em parte considerados omitidos pelo Fisco, mas na dedução de honorários advocatícios, desses rendimentos. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11007.000430/200681 Acórdão n.º 2801003.925 S2TE01 Fl. 73 4 ACEITAÇÃO DE PROVAS. DEDUÇÃO COM INCENTIVO. A norma do PAF, Decreto nº 70.235/1972, art. 16, § 4º, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. A análise fria da norma chocase, prima facie, com os princípios da verdade material, sempre considerado nos julgamentos administrativos, e com a ampla defesa, homenageada no texto constitucional. A Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entende abalizada doutrina, contudo, que, apesar disso, a lei específica, no caso o Decreto nº 70.235/1972, aplicarseia ao processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Entretanto, como concluem ressalvando correntes em contrário , Maria Teresa Martínez Lopez e Marcela Cheffer Bianchini, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, verificase a tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam trataremse daqueles que se referem a fatos “notórios ou incontroversos”, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Assim, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais. (A Prova no Processo Tributário, Coord. NEDER, Marcos Vinícius e outros – São Paulo : Dialética, 2010, p. 34 a 51) Neste caso, entendo que devam ser aceitos e considerados os recibos de doação apresentados juntamente com o recurso, que constam da folha 35/37. São emitidos por órgão público, referemse ao ano de 2004, no exato valor em discussão (R$ 2.000,00) e acompanhados do comprovante de efetivo pagamento (transferência bancária). HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO Em relação aos comprovantes/recibos de pagamento de honorários advocatícios, que o contribuinte diz não ter apresentado anteriormente por não entendêlos como correta "documentação hábil e idônea" a comprovar a despesa (apresentou extratos bancários), a DRJ não tratou a matéria como não impugnada, porque fora expressamente mencionada na Impugnação. De qualquer forma, passo a analisar a questão. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11007.000430/200681 Acórdão n.º 2801003.925 S2TE01 Fl. 74 5 No Julgamento recorrido, conforme relatado, já se esclareceu a legalidade da dedução dos valores pagos a advogados, necessários à percepção de rendimentos tributáveis via ação judicial, nos termos do artigo 56 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999: Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12). Destaco ainda que a razão para a não aceitação da dedução com os honorários foi a falta de apresentação dos recibos, que agora constam dos autos, como esclarecido. Extraio do voto condutor do Acórdão recorrido, folha 47: No entanto, como todas as deduções, a dedução de despesas com honorários advocatícios está sujeita a comprovação. No presente caso o contribuinte não apresentou qualquer documento hábil (recibo ou nota fiscal) para comprovar as deduções pretendidas (honorários advocatícios em processo judicial — reclamatória trabalhista). A omissão de rendimentos constatada na Notificação de Lançamento foi de R$ 90.713,23, que o contribuinte atribui ao pagamento de honorários advocatícios. Nas cópias do Alvarás judiciais anexados nos folhas 33/34 consta que os Drs. Cornélio Kuhn e Roberto Jacques Kuhn realmente atuaram na ação judicial movida pelo Recorrente contra o Serviço Social do Comércio SESC, que redundaram no recebimento de rendimentos no ano de 2004. Nas folhas 51/52 constam dois recibos firmados pelos Advogados citados, dando conta do recebimento de honorários no valor de R$ 44.950,18, cada um. O total então é de R$ 89.900,36. Considerando que a omissão apurada fora de R$ 90.713,23, permanece sem justificativa apenas o valor de R$ 812,87, aliás como já apontara o Relator do Acórdão recorrido. Vejamos (fl. 47): Ocorre que os rendimentos informados em DIRF, pela fonte pagadora, no caso, o SESC — Adm Regional no Estado do RS, informou que os rendimentos pagos foram de R$ 486.390,21. 0 contribuinte entendeu que tais rendimentos foram de R$ 485.577,34. Há uma pequena diferença de R$ 812,87 que não teriam sido informados pelo contribuinte. No recurso o Contribuinte nada explica ou questiona, sobre essa diferença. CONCLUSÃO Dessa feita, VOTO por dar provimento parcial ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos, no valor de R$ 89.900,36, mantendo a omissão de rendimentos apenas no valor de R$ 812,87, e cancelar a infração relativa a glosa de dedução com incentivo, cabendo à Unidade de origem proceder à apuração do imposto a restituir. Assinado digitalmente Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11007.000430/200681 Acórdão n.º 2801003.925 S2TE01 Fl. 75 6 Marcio Henrique Sales Parada Fl. 75DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10552.000129/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa.
INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA. CONFISCO. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Spindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA. CONFISCO. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Spindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA. CONFISCO. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 55 2. 00 01 29 /2 00 7- 18 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Spindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10552.000129/200718 Acórdão n.º 2402004.387 S2C4T2 Fl. 247 3 Relatório Tratase de recurso de voluntário interposto por ELETROFORJA INDUSTRIA MECANICA S/A , em face do acórdão de fls. 124/128, restando mantida a multa lançada no Auto de Infração n 37.089.1821., tendo a Recorrente, na condição de sucessora, deixado de apresentar à fiscalização os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91, com referência ao período de 01/2003 a 12/2006, alusivos à empresa, ora sucedida, USIMEC Usinagem Mecânica de Metalurgia Ltda (CNPJ 94.102.522/000229), embora tenham sido intimadas a fazêlo (fls.10/15). Aponta o r.acórdão de primeira instância, a sucessão entre as empresas, cito: “(...)Consta do referido relatório que a fiscalização esgotou todos os procedimentos • cabíveis objetivando intimar a empresa sucedida — USIMEC Usinagem Mecânica e Metalurgia Ltda para que ela apresentasse os seus documentos contábeis e fiscais, inclusive através de edital, não logrando êxito. Ao mesmo tempo, constatou que esta se encontrava cadastrada na situação de ativa perante aos órgãos fiscalizadores federais, a exemplo da então Receita Federal, Secretaria da Receita Previdenciária e Receita Estadual(ICMS/RS). O Relatório Fiscal da Infração descreve que a sucessão envolvendo as duas empresas restou comprovada em ação fiscal desenvolvida junto à empresa autuada, a partir da análise de seus documentos contábeis, fiscais e de penhoras judiciais. Informa também que a empresa USIMEC Usinagem Mecânica e Metalurgia Ltda, teve a sua razão social alterada, passando a denominarse Dickson Representações Ltda. Consta anexado aos autos, por cópia, às fls. 66 a 79, Relatório Fiscal relativo a NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito identificada pelo Debcad no 37.089.183 0, de 17/04/2007, lavrada na mesma ação fiscal por apresentar matéria conexa, pormenorizando os elementos que caracterizaram a sucessão de fato envolvendo as duas empresas citadas.(...)”. O contribuinte foi cientificado acerca do lançamento efetivado em. 17/04/2007(fls. 02). Devidamente intimado do julgamento de primeira instância, foi interposto o competente recurso voluntário, através do qual sustenta, preliminarmente, que houve inobservância do procedimento legal e falta de provas que corroborem com a existência do fato gerador, pleiteando assim, pela nulidade do Auto de Infração discutido. No mérito, aduz a inconstitucionalidade da multa no patamar aplicado em razão de entender que a mesma possui caráter confiscatório além de tal medida afrontar a Constituição Federal/88, requer para tanto o afastamento da multa ou sua redução. É o relatório. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINAR Da preliminar da recorrente quanto a ausência de provas, tenho que razão não lhe assiste uma vez que restou amplamente demonstrado a ocorrência do fato gerador bem como atentamente observado o correto procedimento legal por parte da autoridade filcar. DO MÉRITO Inicialmente, importante asseverar que a recorrente não se insurgiu quanto a imputação da não apresentação de documentos, mas tão somente quanto a aspectos acerca do lançamento principal, de modo que tal fato resta incontroverso nos autos do presente processo. No mais, mesmo reconhecendo que a matéria debatida no recurso é estranha ao lançamento em tela, verificase certa a aplicação da Sumula 02, deste Órgão Colegiado, senão vejamos: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Tudo para que se resguarde a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente a constitucionalidade da multa no patamar, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho, sendo o assunto já consolidado pelo CARF por meio da referida súmula mencionada alhures. Não há portanto que se falar em reparo na Legislação Tributária vigente acerca da constitucionalidade ou não da referida norma porquanto foge da alçada deste E. Conselho. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10552.000129/200718 Acórdão n.º 2402004.387 S2C4T2 Fl. 248 5 Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.902312/2006-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2201-000.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. O Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD declarou-se impedido. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Fábio Caon Pereira, OAB 234.643.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Nathália Mesquita Ceia - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. O Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD declarouse impedido. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Fábio Caon Pereira, OAB 234.643. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 02 31 2/ 20 06 -1 9 Fl. 759DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16327.902312/200619 Resolução nº 2201000.188 S2C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação – PER/DCOMP nº 09436.95638.200803.1.3.044179, de fls. 06, apresentado pelo Contribuinte – BANCO SANTANDER relativo à compensação de débito de CPMF da 2ªsem/agosto/2003, no montante de R$ 3.921.860,01, com crédito relativo a recolhimento indevido ou a maior de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), efetuado em 07/08/2002, sendo de R$ 6.397.344,11 o valor total do DARF recolhido. Pelo Despacho Decisório de fls. 06, a Delegacia Especial de Instituições Financeiras na 8ª Região Fiscal – Deinf/SPO não reconheceu o direito creditório pleiteado pelo Contribuinte e não homologou a compensação declarada, em face da constatação de que o alegado pagamento indevido ou a maior fora integralmente utilizado para a quitação de outros débitos do Contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP em comento. Cientificado da decisão em 02/05/2008, o Contribuinte apresentou, em 30/05/2008, Manifestação de Inconformidade de fls. 03, aduzindo que: · Em decorrência de recálculo da base do imposto de renda foi feito recolhimento a maior, porem não houve a retificação da DCTF e não foi reconhecido o crédito informado na PERDCOMP. · Assim, considerando o valor apontado na planilha (fls. 05) perceberseá que o Contribuinte tinha crédito para liquidar o débito compensado. · Assim, requer que seja retificada a DCTF de oficio, de modo que conste o valor explicitado, bem como reconhecido o direito do crédito, haja vista a compensação procedia por meio da DCTF com crédito suficiente para suportála. A 10ª Turma da DRJ/SPOI, na sessão de 13/04/2009, pelo Acórdão nº 16 21.038, de fls. 37 e seguintes, não homologou a compensação, nos seguintes termos: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ERRO DE FATO. RETIFICAÇAO DA DCOMP. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, na forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendente de decisão administrativa na data da sua apresentação. O Contribuinte foi notificado do Acórdão pelo AR de fls. 44, em 29/04/2009, vindo apresentar Recurso Voluntário, às fls. 45 e seguintes, em 29/05/2009, aduzindo: · O Contribuinte é administradora de fundos de investimento financeiro Santander XXXVIII (FIF VIP 38). O fundo foi tratado como fundo de investimento para não residentes, assim o IRRF sobre o ganho financeiro era cobrado apenas no momento do resgate das quotas. · Em razão de auditoria interna a Contribuinte detectou que o FIF VIP 38 deveria ser tributado segundo as regras aplicadas aos residentes no Brasil. Neste contexto, a tributação dos ganhos financeiros deveria ser feita mensalmente, com base na diferença Fl. 760DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16327.902312/200619 Resolução nº 2201000.188 S2C2T1 Fl. 4 3 positiva entre o valor patrimonial da quota apurada mensalmente e não apenas quando do resgate. · Esta divergência de critérios resultou em falta de pagamento do IRRF para alguns meses (meses em que não houve resgate) e no pagamento a maior de IRRF em outros meses (meses em que o valor do resgate foi superior à variação acumulada). · Os valores não adimplidos foram quitados, com seus acréscimos legais. E, os pagamentos a maior, ao seu turno, tornaramse créditos do Contribuinte, passíveis de aproveitamento para compensação com outros tributos federais. · Assim, a Contribuinte apresentou Pedido de Restituição e Compensação eletrônico objetivando extinguir crédito tributário de CPMF com crédito relativo a recolhimento a maior de IRRF. · Aponta que o entendimento da DRJ não pode prosperar, uma vez que apenas por equívoco o Contribuinte deixou de retificar a DCTF do 3º trimestre de 2002, o que resultou na suposta exigibilidade dos valores declarados naquela oportunidade. · Requer a reforma do Acórdão recorrido para fins de reconhecer o direito de crédito da recorrente e homologar as compensações. Em 28/03/2011, às fls. 124 e seguintes, o Contribuinte interpôs adendo ao Recurso Voluntário esclarecendo a origem de seu crédito, bem como apresentar parecer de auditoria independente que demonstra a existência do crédito alegado. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A 10ª Turma da DRJ/SPOI não apreciou se o Contribuinte possui o crédito alegado, vindo a rejeitar a Manifestação de Inconformidade com base nas seguintes premissas: (i) ausência de explicação sobre qual seria o erro, sua origem, sua justificativa, bem como ausência de documentação que evidencie existência do erro e (ii) a retificação de ofício da DCTF implicaria em alteração do PERD/COMP o que não seria autorizado após de proferido o despacho decisório da autoridade administrativa, a teor do art. 57 da IN nº 600/2005. Inicialmente cabe pontuar que a argumentação da 10ª Turma da DRJ/SPOI quanto à impossibilidade de retificação da PERDCOMP, com base no art. 57 da IN RFB nº 600/05 (atualmente art. 88 da IN RFB nº. 1.300/12) não se aplica ao presente caso, pois o Contribuinte solicita a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) procedimento regulamentado pelo art. 9º da IN RFB nº 1.110/10. No que diz respeito ao direito do Contribuinte em ver apreciado o seu direito de crédito independente de retificação da DCTF cabe tecer os seguintes comentários. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16327.902312/200619 Resolução nº 2201000.188 S2C2T1 Fl. 5 4 O art. 113, §2º do Código Tributário Nacional (CTN) determina que a obrigação tributária acessória tem por objeto as prestações nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização. Logo, o descumprimento por parte do Contribuinte da retificação da DCTF previamente ao Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação – PER/DCOMP, não deve fulminar o direito de crédito do Contribuinte, desde que reste constatado a existência do crédito. O direito à repetição do indébito/compensação não está condicionado à prévia retificação da DCTF que contenha erro material. A DCTF não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir, na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado é dever da Autoridade Tributária apreciar as provas trazidas pelo contribuinte apurando o crédito que o contribuinte alega ser titular. Logo, a mesma DCTF, que depende de averiguação quando evidente o crédito do contribuinte, não deve ser tratada como prova absoluta da inexistência do direito de crédito do contribuinte. Nesta senda, a despeito da retificação da DCTF o contribuinte tem o direito subjetivo à compensação, desde que apresente provas quanto à existência do mesmo. Ou seja, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal impera o princípio da verdade material, que obriga a autoridade administrativa a analisar exaustivamente os fatos alegados pelos contribuintes, solicitando inclusive diligências e apresentações de novas provas das alegações existentes no processo administrativo fiscal, a existência de informação na DCTF em nada altera a existência ou não do pagamento a maior, ainda mais quando se trata a DCTF de instrumento de controle da própria Receita Federal. Sobre o tema, são elucidativas as conclusões exaradas pelo eminente Conselheiro Walber José da Silva que assim se manifestou no processo nº 10283.900064/2009 83: concluindo: à mingua de previsão legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, ou a sua apresentação após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não se constitui em motivo para o indeferimento do pedido de restituições, consequentemente, para a não homologação da compensação declarada pela Recorrente. deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado considerando todas as provas trazidas aos autos e outras que julgar imprescindível para apuração para apurar a verdade material e forma sua convicção. Cumpre destacar que, nos casos de transmissão de PER/DCOMP sem a retificação – ou com retificação após o despacho decisório – da DCTF, há decisão no âmbito da Terceira Seção do CARF no sentido que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16327.902312/200619 Resolução nº 2201000.188 S2C2T1 Fl. 6 5 O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3 o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Acordão 380201.078 , 2ª Turma Especial, Rel. Solon Sehn, sessão de 27.06.12) Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/07/2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO DEVIDAMENTE EFETUADA. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, sempre que apresentada prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Direito de crédito comprovado. Recurso Voluntário provido Direito Creditório Reconhecido (Acordão 3802003.956, 2ª Turma especial, Rel. Solon Sehn sessão de 10.10.14) Pelo exposto a autoridade administrativa deve promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes nos autos e outros mais que entender necessários tendo por norte o princípio da verdade material, e, no caso de serem os créditos suficientes, homologar as compensações efetuadas. Caso contrário, sejam compensados os débitos declarados até o limite dos créditos existentes e intimar o contribuinte para apresentação de manifestação de inconformidade contra a homologação parcial da compensação. Isso posto, proponho a conversão do processo em diligência para que a autoridade preparadora: · verifique a liquidez e certeza do crédito alegado em face da documentação acostada aos autos pelo Contribuinte, bem como proceda à solicitação junto ao Contribuinte de outros documentos que julgar necessários para se manifestar se acerca da liquidez e certeza do alegado crédito. · verifique junto a DIORT a existência de despacho certificando a existência do alegado crédito. · verifique se os créditos ora alegados não sejam objeto de processo judicial · por fim, promova relatório consubstanciado acerca da existência do crédito de IRRF pago a maior. Ao final deverá ser dada ciência ao Contribuinte do resultado da diligência para eventual manifestação. Ante a todo o exposto, voto por converter o processo em diligência. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16327.902312/200619 Resolução nº 2201000.188 S2C2T1 Fl. 7 6 Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 764DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 13887.000107/2003-22
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO. CERCEAMENTO A DIREITO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO.
À luz da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário não restou caracterizado mínimo cerceamento ao direito de defesa, deixando o contribuinte de comprovar o alegado prejuízo.
PROVAS. APRESENTAÇÃO. MOMENTO.
No processo administrativo tributário federal, não basta o recorrente alegar fatos, deve necessariamente instruir sua defesa com as respectivas provas.
Numero da decisão: 1103-001.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, negar provimento por unanimidade, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO. CERCEAMENTO A DIREITO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. À luz da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário não restou caracterizado mínimo cerceamento ao direito de defesa, deixando o contribuinte de comprovar o alegado prejuízo. PROVAS. APRESENTAÇÃO. MOMENTO. No processo administrativo tributário federal, não basta o recorrente alegar fatos, deve necessariamente instruir sua defesa com as respectivas provas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1882; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 753 1 752 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13887.000107/200322 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1103001.184 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 4 de março de 2015 Matéria Compensação. Saldo negativo de IRPJ Recorrente MECÂNICA BONFANTI S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DAS RESPECTIVAS RECEITAS. OBRIGATORIEDADE. Na composição do saldo negativo de IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir o imposto de renda retido na fonte desde que as respectivas receitas tenham sido oferecidas à tributação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO. CERCEAMENTO A DIREITO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. À luz da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário não restou caracterizado mínimo cerceamento ao direito de defesa, deixando o contribuinte de comprovar o alegado prejuízo. PROVAS. APRESENTAÇÃO. MOMENTO. No processo administrativo tributário federal, não basta o recorrente alegar fatos, deve necessariamente instruir sua defesa com as respectivas provas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, negar provimento por unanimidade, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 7. 00 01 07 /2 00 3- 22 Fl. 753DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13887.000107/200322 Acórdão n.º 1103001.184 S1C1T3 Fl. 754 2 (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de Declaração de Compensação protocolizada em 14/3/03 (fls.01/02), substituída a pedido do contribuinte em 28/8/03 (fls.184/186), quando informou que o direito creditório não adviria de “pagamento a maior ou indevido”, mas de saldos negativos de IRPJ supostamente apurados em 2000 e 2001. A Receita Federal, considerando que parte dos créditos foram também informados em PER/Dcomp, procedeu à análise de tais compensações neste processo. No Despacho Decisório (fls.326/330), cientificado ao contribuinte em 24/1/08 (fl.342), expôsse: a) o crédito relativo ao saldo negativo apurado no anocalendário 2000 foi analisado no processo nº 13887.000030/200391; b) o saldo negativo apurado no anocalendário 2001 decorreu da dedução de estimativas (R$188.123,75) e de imposto de renda retido na fonte (R$ 98.426,30); c) os comprovantes de retenção apresentados pelo contribuinte referemse ao anocalendário 1999, porém o IRRF constante de DIRF totaliza R$ 105.066,75. “...Desse total, o contribuinte não poderia ter deduzido o IRRF decorrente de juros sobre o capital próprio e de aplicações financeiras de renda variável uma vez que o rendimento correspondente não foi oferecido à tributação (fl.203). Porém, o valor decorrente da aplicação financeira em renda fixa corrobora o valor deduzido”; d) com relação aos recolhimentos mensais por estimativa (janeiro, fevereiro e dezembro), somente R$ 11,00 foram recolhidos, sendo o restante compensado com saldo negativo de IRPJ dos anoscalendário de 1998 a 2000; e) de acordo com despacho decisório proferido no processo nº 13887.000030/200391, o saldo negativo confirmado no anocalendário 1998 é suficiente para compensar as estimativas de janeiro e fevereiro de 2001; f) o saldo negativo apurado no anocalendário 1999 foi também composto por IRRF e estimativas (meses de julho, agosto e dezembro), estas compensadas com saldos negativos Fl. 754DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13887.000107/200322 Acórdão n.º 1103001.184 S1C1T3 Fl. 755 3 anteriores. O saldo negativo apurado no anocalendário 1994 é suficiente para validar as estimativas dos anoscalendário 1998 e 1999. Quanto ao IRRF (AC 99), em DIRF foi declarada a retenção de R$ 102.694,23, porém apenas poderiam ser deduzidos R$ 98.378,02 (aplicações em renda fixa), vez que a receita correspondente a juros sobre capital próprio e outras aplicações financeiras não teriam sido oferecidas à tributação. No processo nº 13887.000030/200391 já foi reconhecida a compensação de R$ 9.313,76, relativa à parte da estimativa de dezembro de 2001. O saldo negativo (AC 1999) seria suficiente então para compensar a estimativa de fevereiro e apenas parte da estimativa de dezembro de 2001, “...restando não validados R$ 5.726,03”. g) do valor de R$ 98.426,30 reconheceuse o direito creditório de R$ 92.700,27 (noventa e dois mil, setecentos reais e vinte e sete centavos), tendo sido as compensações homologadas até o limite reconhecido. Em primeira instância, a Quinta Turma da DRJ – Ribeirão Preto (SP) confirmou o Despacho Decisório, tendo o acórdão recebido a seguinte ementa (fls.442/451): IRPJ. SALDO NEGATIVO. PROVA DO INDÉBITO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa ou das retenções na fonte pagadora, a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções, a comprovação contábil e fiscal do valor do tributo apurado no anocalendário e que referido saldo negativo não tenha sido utilizado para compensar o imposto devido nos períodos posteriores àquele abrangido no pedido. Devidamente cientificado em 2/10/08 (fl.454), o contribuinte interpôs tempestivamente Recurso Voluntário em 3/11/08 (fls.455/492) alegando, em síntese: no anocalendário 1998 (Ex 1999), teria sido apurado a título de IRRF sobre aplicações financeiras o total de R$ 132.599,43, consoante informes de rendimentos. No anocalendário 1999 (Ex 2000), o montante seria de R$ 83.421,00; quanto ao anocalendário 1998, a diferença apurada pela fiscalização decorreria da contabilização das receitas observandose o regime de competência; a respeito da apuração no anocalendário 1999, admite que não deve ser deduzido o IRRF no valor de R$ 16,53 (código 5708), restando uma diferença a seu favor no total de R$ 4.299,68, “...imposto esse que o fisco não considerou sob fundamento de que o contribuinte não ofereceu à tributação as receitas correspondentes, de aplicações financeiras de renda variável, no valor de R$ 21.500,53”; as respectivas receitas teriam sido oferecidas à tributação, conforme Ficha 07 A – Linha 24 da DIPJ 2000. No montante de receitas de aplicações financeiras estariam incluídos os rendimentos de renda variável, conforme razão contábil. “...A questão é que a Renda Variável deveria ter figurado na DIPJ 2000, na Ficha 07 A Linha 21, e por lamentável equívoco da recorrente, figurou na Linha 24”; todos os valores teriam sido efetivamente contabilizados e declarados ao fisco; o procedimento fiscal ocorrera de forma sumária, quando o correto seria a autoridade fiscal intimar o contribuinte a apresentar todos os documentos pertinentes, até mesmo porque a compensação via online não lhe permitiria anexar documentos. Diligências poderiam ter sido deferidas para o esclarecimento da questão. A atuação da Receita Federal representaria nítido Fl. 755DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13887.000107/200322 Acórdão n.º 1103001.184 S1C1T3 Fl. 756 4 cerceamento de defesa, bem como afronta aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público, eficiência etc.; valores constantes dos balanços patrimoniais levantados ao final de 1998 e 2000, coincidentes com os declarados em DIPJ, comprovariam a legitimidade e existência dos créditos; os documentos deveriam ser conhecidos em respeito ao princípio do contraditório, ampla defesa e verdade material. Em 27/5/11, a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara, conforme Resolução nº 140100.089 (fls.567/571), acompanhou o voto deste Relator no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Limeira (SP) confirmasse se os rendimentos pagos pelo Banco do Brasil S.A e Banco Bradesco, no total de R$ 21.500,53, teriam sido integralmente escriturados no Razão Analítico (conta nº 9000241.0 – Receitas de Aplicações Financeiras) e oferecidos à tributação (Ficha 07A – Linha 24 da DIPJ 2000). A “Informação Fiscal” resultante da realização da diligência consta das fls.705/712, cientificada ao contribuinte em 5/5/14 (fl.714), que apresentou contrarrazões em 4/6/14 (fl.715/717). É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Não obstante a realização da diligência ter sido determinada por colegiado da Quarta Câmara da Primeira Seção de Julgamento, na qual atuava à época o Relator, compete a esta Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara prosseguir no julgamento, conforme dispõe o art.49, §§7º e 8º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF: “Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. ..... §7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. §8° Na hipótese de o conselheiro ter sido designado para novo mandato, em outra Câmara com competência sobre a mesma matéria, os processos já sorteados, inclusive os relatados e ainda não julgados e os que retornarem de diligência, com ele permanecerão e serão remanejados para a nova Câmara.” (destaquei) Fl. 756DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13887.000107/200322 Acórdão n.º 1103001.184 S1C1T3 Fl. 757 5 Preenchidos os pressupostos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Quanto à suscitada preliminar de nulidade, de que o procedimento ocorrera sumariamente, com cerceamento ao direito de defesa, não pode ser acolhida. Primeiro, que não restou comprovado mínimo prejuízo ao exercício da ampla defesa e do contraditório, mormente à vista da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário apresentados nos prazos legais. Segundo, que houve o deferimento de diligência para fins de equacionamento adequado da controvérsia, tendo o Recorrente exerceu o direito de contrarrazoar as novas considerações da fiscalização. Acerca do mérito, fixese inicialmente que o saldo negativo de IRPJ, apurado no anocalendário 2000, foi analisado no processo nº 13887.000030/200391, em que se deferiu o direito creditório de R$ 63.771,73. No respectivo Despacho Decisório (fls.320/325), verificase: a) em razão daquele saldo negativo ter sido formado também pelas estimativas de agosto e dezembro/2000, compensadas com saldos negativos apurados em períodos anteriores, foram checadas as apurações dos anoscalendário 1998, 1997, 1996, 1995 e 1994, quando se confirmou o total de R$ 83.922,00 a título de “Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa”, declarado na DIPJ/2001; b) a dedução a título de “Imposto de Renda Retido na Fonte”, declarada no valor de R$83.421,00, não foi integralmente aceita, vez que o valor informado pela fontes pagadoras totalizaram R$ 72.386,62. Deste montante, “...o contribuinte não poderia ter deduzido o IRRF decorrente de juros sobre o capital próprio e de aplicações financeiras de renda variável uma vez que o rendimento correspondente não foi oferecido à tributação (fl.266), estando limitada sua dedução a R$ 71.726,77”. Tal decisão da unidade de origem da RFB restou confirmada pela Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara no acórdão nº 140100.331, de 2/9/10, contra o qual o contribuinte não se insurgiu, sendo, portanto, definitiva. Os autos foram arquivados em 2012, conforme informação extraída do sistema Comprot, abaixo reproduzida: Dados do Processo Número : 13887.000030/200391 Data de Protocolo : 29/01/2003 Documento de Origem : COMPENSAÇÃO Procedência : DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Assunto : DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃODECOMPASSUNTOS TRIB DIVERSOS Nome do Interessado : MECANICA BONFANTI S/A CNPJ : 51.378.321/000165 Tipo: Papel Sistemas Profisc: Sim EProcesso :Não SIEF:Controlado pelo SIEF Localização Atual Fl. 757DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13887.000107/200322 Acórdão n.º 1103001.184 S1C1T3 Fl. 758 6 Órgão Origem : ARQUIVO GERAL DA SAMFSP Órgão : ARQUIVO GERAL DA SAMFSP Movimentado em : 12/06/2012 Sequência : 0015 RM : 21904 Situação : ARQUIVADO POR 05 ANOS UF : SP Relativamente ao anocalendário 2001, consta da DIPJ/02: Ficha 12A – Cálculo do IR sobre o Lucro Real R$ A alíquota de 15% 127.274,25 Adicional 60.849,50 () Imposto de Renda Retido na Fonte 98.426,30 () Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa 188.123,75 Imposto de Renda a Pagar 98.426,30 A controvérsia limitase à dedução a título de “Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa”, apurado nos meses de janeiro (R$ 46.574,53), fevereiro (R$34.537,52) e Dezembro (R$107.011,70): enquanto o contribuinte informou na DIPJ/02 o valor total de R$188.123,75, a Receita Federal apurou R$ 182.397,72. A estimativa de janeiro/01 foi extinta por meio de pagamento (R$ 11,00) e de compensação com saldo negativo de IRPJ apurado em 1998 (fl.308). A estimativa de fevereiro/01 foi extinta por compensações com saldo negativo de IRPJ apurado em 1998 (R$ 4.596,75) e 1999 (R$ 29.940,77) (fls.308 e 317). Assim, o direito creditório não reconhecido, no valor de R$ 5.726,03, deriva da estimativa de dezembro/01, a respeito da qual a Receita Federal não confirmou a compensação com saldos negativos de períodos anteriores, especificamente com o saldo negativo apurado no anocalendário 1999, conforme relatório de fl.317. As fontes pagadoras informaram em DIRF retenções que totalizaram R$102.694,23, assim distribuídas: Código Rendimento (R$) IRRF (R$) 3426 82.741,19 16.509,01 6800 410.220,79 81.869,01 Aplicação Financeira de Renda Fixa 492.961,98 98.378,02 5273 (“IRRF – Operações de Swap”) 21.500,53 4.299,68 5706 (“IRRF – Juros sobre Capital Próprio”) 111,37 16,53 Total 514.573,88 102.694,23 De acordo com a fiscalização, à vista da Ficha 07 A, Linha 23, da DIPJ/2000, “...O imposto retido decorrente do recebimento de juros sobre o capital próprio e de aplicações financeiras de renda variável não poderia ser deduzido porque a receita correspondente não foi oferecida à tributação”, tendo sido confirmada a dedução de R$98.378,02. Fl. 758DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13887.000107/200322 Acórdão n.º 1103001.184 S1C1T3 Fl. 759 7 O Recorrente concorda com a não dedutibilidade do IRRF relativo aos juros sobre capital próprio, no valor de R$ 16,53 (código 5708). Remanesce, portanto, apenas a discussão sobre o oferecimento à tributação do montante de R$ 21.500,53 (“IRRF – Operações de Swap”), assim composto: Instituição bancária Rendimentos (R$) IRRF (R$) Bradesco 21.097,85 4.219,37 Banco do Brasil 402,68 80,31 Total 21.500,53 4.299,68 Segundo a defesa, os rendimentos teriam sido oferecidos à tributação, conforme Ficha 07A – Linha 24 da DIPJ 2000 (fl.542), estando incluídos no montante de “Outras receitas financeiras” (R$ 958.830,34). Elaborou o seguinte quadro elucidativo: Descontos Obtidos 7.369,82 Juros Auferidos 56.132,13 Variação Monetária Ativa 336.031,81 Receitas de Aplicações Financeiras 551.840,05 Juros Ativos Depósitos Judiciais 6.194,43 Outros (Remuneração Eletrobrás) 1.262,10 Total 958.830,34 Anexou informes (fls.540/541), planilha com detalhamento dos rendimentos e retenções mensais (fl.539), e cópia de parte do livro Razão Analítico (conta nº 9000241.0 – Receitas de Aplicações Financeiras) (fls.543/560), em que se constata o valor de R$ 551.840,05, “transf. p/ apuração do resultado”, e a escrituração de rendimentos de aplicações financeiras em renda variável (swap) auferidos das instituições bancárias acima mencionadas. Converteuse o julgamento em diligência, levandose em conta que, à primeira vista, tal documentação poderia indicar a procedência das alegações da defesa. Após análise dos documentos que interessavam à resolução da lide, a autoridade fazendária identificou e detalhou, a partir do histórico dos lançamentos na conta de receita nº 9000241.0, os valores dos rendimentos obtidos do Banco Bradesco S.A e do Banco do Brasil S.A., tendo ao final concluído que “...o contribuinte registrou em sua contabilidade, conforme consta do razão às fls.582 a 599, valores superiores aos questionados”. De maneira acertada, destacou que a confirmação do oferecimento à tributação de R$ 21.500,53 dependia da identificação dos registros contábeis que correspondessem àquele valor, tendo ainda relatado: “[...] foi emitida a intimação às fls.623, através da qual solicitamos que o contribuinte esclarecesse de forma detalhada a contabilização efetuada, demonstrando quais registros e valores correspondiam aos elementos questionados. Foi solicitado, também, as apresentações dos demonstrativos contábeis: Balancete de verificação levantado em 31/12/1999 com as contas de resultado encerradas pela apuração do resultado e a Demonstração de apuração do resultado do exercício.” Fl. 759DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13887.000107/200322 Acórdão n.º 1103001.184 S1C1T3 Fl. 760 8 Acrescentou o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: “Em resposta (fls.630 a 703) o contribuinte informa a impossibilidade de identificar os lançamentos correspondentes aos valores questionados, alegado que as informações emitidas pelas Instituições Financeiras observaram o regime de caixa e a contabilização dos rendimentos foram feitas pelo regime de competência. Ademais, o contribuinte não apresentou o balancete de verificação na forma que foi solicitado e apresentou um demonstrativo de apuração do resultado do ano 1999 levantado de forma resumida, que não permitiu concluir com clareza que o saldo do razão da conta’“9000241.0 – Receitas de Aplicações Financeiras’ estaria incluso dentre os valores levados à DIPJ daquele ano calendário. Pela demonstração do resultado apresentada pelo contribuinte (fls. 640) verificase que a conta ‘receitas financeiras’ compõe o grupo ‘54 – DESPESAS / RECEITAS FINANCEIRAS’, com o código 5402 e apresenta na apuração do resultado o saldo de R$1.296.296,04. O valor acima diverge do valor informado na linha 24 da ficha 07A – Demonstração do resultado da DIPJ do ano calendário de 1999 (fls. 581). Um fato que nos causou estranheza é que, de acordo com o razão às fls. 582 a 599, a conta ‘receitas financeiras’ apresenta o código 5405 que diverge do código que figura na demonstração do resultado apresentada pelo contribuinte. Pelos fatos acima relatados informamos a impossibilidade de afirmar com certeza e segurança que os valores constantes dos documentos às fls.579 e 580, correspondentes aos rendimentos de aplicações financeiras pagos pelos bancos Bradesco e Banco do Brasil, no valor total de R$ 21.500,53 foram integralmente registrados na conta ‘9000241.0 – Receitas de Aplicações Financeiras’. Na ausência de um documento contábil elaborado de forma analítica, demonstrando quais contas e respectivos saldos compõem o grupo e valor total informado, ficamos, também, impossibilitados de afirmar com segurança que todo rendimento foi oferecido à tributação.” Nas contrarrazões, o Recorrente, sem apresentar prova adicional, não obstante o detalhamento realizado pela autoridade fiscal responsável pela diligência, reafirmou a impossibilidade de identificação dos respectivos registros contábeis: “[...] Esses rendimentos creditados pelos Banco do Brasil e Bradesco referemse a resgates parciais que ocorreram no período, e serviram de base para retenção do Imposto de Renda (declarados em DIRF) por parte dos Bancos, e assim o contribuinte não conseguiu identificar os R$ 21.500,53 no razão contábil”. Fl. 760DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13887.000107/200322 Acórdão n.º 1103001.184 S1C1T3 Fl. 761 9 Prosseguiu com a tese, desprovida das respectivas provas, de que oferecera os “...rendimentos de aplicações financeiras à tributação pelo regime de competência, calculando sempre sobre o montante aplicado, e contabilizando em contas de receitas, mês a mês no decorrer do ano base de 1999”. Cabe lembrar que no processo administrativo tributário federal as provas devem, em regra, ser apresentadas com as defesas, conforme Decreto nº 70.235/72: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: ..... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). De tal ônus não se desincumbiu o Recorrente. Por fim, no tocante à apuração relativa ao anocalendário 1998, com relação a qual o Recorrente também se insurgiu por supostamente repercutir na apuração do ano calendário 2001, não cabe mais qualquer discussão, pois a conclusão da fiscalização, constante do processo nº 13887.000030/200391, de reduzir o saldo negativo de IRPJ a R$ 100.499,57 em razão da glosa parcial do IRRF, tendo sido apenas “...suficiente para compensar o IRPJ devido por estimativa nos meses de agosto e dezembro de 2000 bem como as dos meses de janeiro e fevereiro de 2001”, já se consolidou administrativamente após o trânsito em julgado do acórdão nº 140100.331, de 2/9/10, acima mencionado. Pelo exposto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 761DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10912.000168/99-91
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1995
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. RESTITUIÇÃO
No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, aplica-se a denúncia espontânea aos casos em que o pagamento do tributo, acompanhado dos juros de mora, é efetuado antes de iniciado qualquer procedimento fiscal visando sua exigência, e antes de sua informação em declaração prestada ao Fisco (Resp nº 1.149.022, julgado nos termos do art. 543-C, do CPC).
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A, do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas nos julgamentos deste Tribunal Administrativo.
Recurso Extraordinário negado
Numero da decisão: 9900-000.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 29/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Antônio Lisboa Cardoso (convocado em substituição à Conselheira Susy Gomes Hoffman), Paulo Cortez (convocado em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias) e Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1995 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. RESTITUIÇÃO No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, aplica-se a denúncia espontânea aos casos em que o pagamento do tributo, acompanhado dos juros de mora, é efetuado antes de iniciado qualquer procedimento fiscal visando sua exigência, e antes de sua informação em declaração prestada ao Fisco (Resp nº 1.149.022, julgado nos termos do art. 543-C, do CPC). As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A, do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas nos julgamentos deste Tribunal Administrativo. Recurso Extraordinário negado
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1995 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. RESTITUIÇÃO No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, aplicase a denúncia espontânea aos casos em que o pagamento do tributo, acompanhado dos juros de mora, é efetuado antes de iniciado qualquer procedimento fiscal visando sua exigência, e antes de sua informação em declaração prestada ao Fisco (Resp nº 1.149.022, julgado nos termos do art. 543C, do CPC). As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A, do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas nos julgamentos deste Tribunal Administrativo. Recurso Extraordinário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 91 2. 00 01 68 /9 9- 91 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/1 2/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTA XO 2 EDITADO EM: 29/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Antônio Lisboa Cardoso (convocado em substituição à Conselheira Susy Gomes Hoffman), Paulo Cortez (convocado em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias) e Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF). Relatório Tratase de Pedido de Restituição de multa de mora paga quando da quitação de parcelas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, em 17/11/1999, relativas ao anocalendário de 1995, tendo em vista a apresentação de Declaração de IRPJ Retificadora em 18/11/1999. A alegação é no sentido de que o pagamento fora indevido, em face da denúncia espontânea, prevista no art. 138, do CTN. A denúncia espontânea foi formalizada no processo nº 10912.000166/9965. Em sessão plenária de 12/08/2008, a Câmara Superior de Recursos Fiscais julgou o Recurso Especial nº 108138.729, interposto pela Fazenda Nacional, proferindose a decisão consubstanciada no Acórdão CSRF/0106.009 (fls. 93 a 96), assim ementado: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1999 DENÚNCIA ESPONTÂNEA PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA CTN. ART. 138 INEXIGIBILIDADE DE MULTA DE MORA RESTITUIÇÃO Tendo o contribuinte efetuado, após seu vencimento, o recolhimento do tributo devido, com juros de mora, de forma voluntária e antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, há de se lhe aplicar o benefício da denúncia espontânea estabelecida no art. 138 do Código Tributário Nacional, que alcança.todas as penalidades, sejam punitivas , ou compensatórias, decorrentes de descumprimento de obrigações principais. A multa de mora constitui penalidade resultante de infração legal, devendo, portanto,, ser excluída pela denúncia espontânea. Em decorrência, a multa de mora recolhida por ocasião da denúncia espontânea caracteriza indébito tributário, devendo ser reconhecido o direito do contribuinte à restituição dos respectivos valores. Recurso especial negado.” Fl. 131DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/1 2/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTA XO Processo nº 10912.000168/9991 Acórdão n.º 9900000.915 CSRFPL Fl. 131 3 Cientificada do acórdão em 16/04/2009 (fls. 105), a Fazenda Nacional interpôs, em 30/04/2009 (fls. 117), o Recurso Extraordinário de fls. 100 a 104, visando a revisão do julgado pelo Pleno. O recurso está fundamentado no artigo 9º, c/c art. 43, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007. Como paradigma, foi indicado o Acórdão CSRF/0202.204, colacionandose a respectiva ementa, conforme a seguir: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA.É cabível a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo.” Ao Recurso Extraordinário foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 910000.511, de 14/01/2011 (fls. 124). Em seu Recurso Extraordinário, a Fazenda Nacional requer, em síntese, a aplicação de multa de mora ao recolhimento de tributo em atraso, ainda que o pagamento tenha sido espontâneo. Cientificado do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional (fls. 120 a 123), o Contribuinte quedouse silente. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo O Recurso Extraordinário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Não foram oferecidas Contrarrazões. Tratase de Pedido de Restituição de multa de mora paga quando da quitação de parcelas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, em 17/11/1999, relativas ao anocalendário de 1995, em função de apresentação de Declaração de IRPJ Retificadora em 18/11/1999, sob a alegação de que o pagamento fora indevido, em face da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN. A matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão da aplicação do instituto da denúncia espontânea para afastar a incidência da multa de mora sobre tributos recolhidos em atraso. Inicialmente, importa verificar as circunstâncias em que os recolhimentos em atraso foram efetuados, a ver se caberia a aplicação da denúncia espontânea. Conforme consta do processo nº 10912.000166/9965, trazido à colação pela Contribuinte, os recolhimentos em atraso foram efetuados em 17/11/1999 (fls. 11 a 20), e a Declaração de IRPJ Retificadora que corrigiu o erro que acarretou o recolhimento a menor foi apresentada em 18/11/1999 (fls. 21). Fl. 132DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/1 2/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTA XO 4 Nesse contexto, é aplicável o instituto da denúncia espontânea, conforme decidido pelo STJ no julgamento do Resp nº 1.149.022, de relatoria do Ministro Luiz Fux, nos termos do art. 543C do CPC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que “a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte” (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): “No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/1 2/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTA XO Processo nº 10912.000168/9991 Acórdão n.º 9900000.915 CSRFPL Fl. 132 5 Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional.” 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, no caso em análise, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal, a Contribuinte primeiro efetuou o recolhimento, acrescido dos juros de mora devidos, do imposto que não fora apurado em períodos anteriores, para depois informar o montante do débito em Declaração de IRPJ Retificadora. Desta forma, o caso sob exame amoldase ao que restou decidido no julgamento do STJ, na sistemática do recurso repetitivo. Destarte, por força do disposto no art. 62A, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, devem ser observadas nos julgamento deste Tribunal Administrativo. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Fl. 134DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/1 2/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTA XO
score : 1.0
Numero do processo: 10860.001380/2002-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1997
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, em razão dos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Art. 16 e 17 do Decreto n° 70.235/72.
LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE.
É possível o lançamento Tributário para prevenir a decadência, mesmo que o crédito tributário esteja com exigibilidade suspensa.
Por seu turno, para que seja lançado com suspensão da exigibilidade do crédito, deve haver provas cabais de que o objeto da decisão judicial é compatível com a glosa, o que não ocorreu no caso concreto.
Decisão judicial transitada em julgado em desfavor da contribuinte. Acerto da autuação.
Numero da decisão: 3301-002.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto da relatora.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
FÁBIA REGINA FREITAS - Relatora.
EDITADO EM: 17/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Andrada Marcio Canuto Natal, Maria Teresa Martinez Lopes e Fábia Regina Freitas (Relatora).
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, em razão dos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Art. 16 e 17 do Decreto n° 70.235/72. LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. É possível o lançamento Tributário para prevenir a decadência, mesmo que o crédito tributário esteja com exigibilidade suspensa. Por seu turno, para que seja lançado com suspensão da exigibilidade do crédito, deve haver provas cabais de que o objeto da decisão judicial é compatível com a glosa, o que não ocorreu no caso concreto. Decisão judicial transitada em julgado em desfavor da contribuinte. Acerto da autuação.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2010; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10860.001380/200201 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.534 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de janeiro de 2015 Matéria COFINS Recorrente MODENA AUTOMOVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, em razão dos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Art. 16 e 17 do Decreto n° 70.235/72. LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. É possível o lançamento Tributário para prevenir a decadência, mesmo que o crédito tributário esteja com exigibilidade suspensa. Por seu turno, para que seja lançado com suspensão da exigibilidade do crédito, deve haver provas cabais de que o objeto da decisão judicial é compatível com a glosa, o que não ocorreu no caso concreto. Decisão judicial transitada em julgado em desfavor da contribuinte. Acerto da autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto da relatora. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. FÁBIA REGINA FREITAS Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 13 80 /2 00 2- 01 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 EDITADO EM: 17/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Andrada Marcio Canuto Natal, Maria Teresa Martinez Lopes e Fábia Regina Freitas (Relatora). Relatório Por bem descrever os fatos, devo me reportar, in totum, ao Relatório da Câmara Superior de Recursos Fiscais que, ao dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda no caso concreto, determinou o retorno dos autos para análise das demais matérias do Recurso Voluntário interposto pela recorrente e que não foram apreciadas anteriormente pela Câmara julgadora, que acolheu a alegação de nulidade da autuação por deficiência de fundamentação. É o relatório, in litteris: A decisão a quo assim descreveu os fatos: Contra a empresa nos autos qualificada foi lavrado auto de infração eletrônico exigindolhe a Cofins, no período de apuração de novembro e dezembro de 1997. Em prosseguimento, adoto e transcrevo, a seguir, parcialmente o relatório que compõe a decisão recorrida: “1. Trata o presente processo do Auto de Infração relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, lavrado em 15/02/2002 e cientificado ao contribuinte, por via postal, em 26/02/2002, formalizando crédito tributário no valor total de R$ ..., com os acréscimos legais cabíveis até a data da lavratura, em virtude da falta de regular especificação da origem dos créditos utilizados em compensação com os débitos declarados de novembro e dezembro/97. 2. Inconformado com a exigência fiscal, o contribuinte protocolizou a impugnação de fl. 01, em 15/03/2002, juntando os documentos de fls. 02/21 e alegando o que segue: Vimos através desta comunicar que os tributos constante na referida intimação foi informada incorretamente na DCTF do 4º. trimestre de 1997, Compensação Sem Darf e a origem do Crédito como COFINS E PIS Retenção por Órgão Público, sendo o correto Compensação com o Processo nº 9804040190 Antecipação de Tutela 2.Vara São José dos Campos, segue cópias em anexo: 3. Em análise prévia das alegações do impugnante, a autoridade preparadora o intimou a apresentar cópia da petição inicial, relativa a ação judicial 98.04040190, bem como certidão de inteiro teor. Cientificado desta intimação em 02/09/2003, e de posterior reintimação em 12/01/2004, o contribuinte não se manifestou, sendo os autos encaminhados para julgamento em 03/02/2004 (fls. 23/25).” Por meio do Acórdão DRJ/CPS nº 10.095, de 22 de julho de 2005, os Membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas SP, por unanimidade de votos, julgaram parcialmente procedente o lançamento. A multa de ofício foi excluída com fundamento na Lei nº 10.637/2002. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10860.001380/200201 Acórdão n.º 3301002.534 S3C3T1 Fl. 3 3 Inconformada com a decisão prolatada pela primeira instância, a contribuinte apresenta recurso voluntário a este Eg. Conselho, requerendo a nulidade do auto de infração ou a total improcedência do lançamento. Em apertada síntese e fundamentalmente: (i) em preliminar, alega a nulidade do auto de infração por entender que houve desrespeito ao provimento judicial que lhe garantia o direito de compensar valores recolhidos a título de PIS, nos termos dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, com débitos de Cofins e PIS. Ainda, que a fiscalização não teria “o poder de retirar a espontaneidade” do tributo exigido da contribuinte. Ou seja, “somente após o esgotamento do prazo de 30 dias que ocorre após a perda da ação, ou de sua suspensão, é que se poderia impor multa e juros”; (ii) também em preliminar, alega a nulidade do auto de infração pela ausência de tipificação de conduta ilícita, uma vez que a fiscalização aponta o ilícito fiscal e deixa de provar a sua concreta tipificação, conforme determina o art. 142 do Código Tributário Nacional. Cita, a seu favor, julgado do Conselho de Contribuintes. Assim, pela ausência de tipificação e ampla defesa, requer a anulação do auto de infração; (iii) no mérito, alega ser improcedente o lançamento, uma vez que a compensação foi feita com créditos de PIS recolhidos nos moldes dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88. Que a lavratura representou o lançamento de ofício de todos os valores de Cofins compensados com os créditos de PIS e que nesta compensação a origem dos créditos sequer foi analisada pela DRJ. Na formação de seu crédito, invoca a semestralidade da base de cálculo do PIS. Cita acórdão da CSRF. Diz que, ainda que não existisse provimento judicial, a compensação teria que ser autorizada em face da declaração de inconstitucionalidade dos referidos decretos leis, com efeito “erga omnes”, e a previsão contida na Lei nº 10.637/2002 que permite a compensação de tributos de espécies distintas administrados pela Secretaria da Receita Federal. Informa que a citada lei alcança fatos pretéritos, por ser mais favorável ao contribuinte, nos termos do art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional. Nesse sentido, cita julgado do STJ. Consta dos autos arrolamento de bens e direitos, para seguimento do recurso ao Conselho de Contribuintes, conforme preceituavam o art. 33, § 2º, da Lei nº 10.522, de 19/07/2002, e a Instrução Normativa SRF nº 264, de 20/12/2002. Julgando o feito, a câmara recorrida anulou o lançamento fiscal, em acórdão assim ementado: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. AUDITORIA DCTF. Nulo o processo quando não atendidas as formalidades prescritas em lei. Processo anulado ab initio. Cientificada do acórdão, a Douta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou recurso especial, de divergência, no qual se Fl. 175DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 insurge contra a anulação do lançamento fiscal O Então Presidente da Câmara recorrida, por meio do despacho de fl. 113, negou seguimento ao apelo fazendário, por entender que a regra prevista no § 3º do art. 7º do Regimento Interno do CARF vedaria a abertura da via especial, posto que, nas palavras do Nobre Presidente, conquanto o dispositivo regimental se refira apenas à anulação de decisão de primeira instância, por interpretação lógica também não é cabível o recurso quando a nulidade for declarada ab initio, como se deu no presente caso. Irresignada, a Fazenda Nacional apresentou agravo de reexame de admissibilidade, o qual foi acolhido pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos do Despacho de fl. 128. Regularmente intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões, fls. 131 a 136. É o relatório. Como já adiantado, a CSRF reformou o julgamento da Câmara baixa em aresto cuja ementa adiante se transcreve, verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/1997 a 31/12/1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. AUDITORIA EM DCTF. FORMALIDADES LEGAIS ATENDIDAS. DECLARAÇÃO DE NULIDADE IMPROCEDENTE. Demonstrado que o lançamento fiscal atendeu a todas as formalidades exigidas na legislação específica devese reformar a decisão que declarou a nulidade da exigência fiscal e determinar o retorno dos autos ao Colegiado Recorrido para que enfrente as demais razões trazidas no recurso voluntário. Recurso Provido. O presente julgamento resumese, assim, ao exame das demais matérias trazidas pelo contribuinte em seu recurso voluntário e que ainda não foram apreciadas por esse Eg. Conselho. É o relatório. Voto Conselheira FÁBIA REGINA FREITAS O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. Inicialmente, insta observar que a matéria veiculada no Recurso Voluntário não foi trazida em sede de impugnação. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10860.001380/200201 Acórdão n.º 3301002.534 S3C3T1 Fl. 4 5 Com efeito, a ora Recorrente, ao apresentar sua impugnação ao Auto de Infração, limitou suas alegações ao seguinte parágrafo: Vimos, através desta, comunicar que os tributos constantes na referida intimação foi informada incorretamente na DCTF do 4º. Trimestre de 1997, Compensação Sem DARF e a origem do Crédito como COFINS E PIS Retenção por Órgão Público, sendo o correto Compensação com o Processo n° 9804040190 Antecipação de Tutela 2. Vara São José dos Campos, segue cópias em anexo: A DRJ, tendo recebido a petição da ora recorrente, determinou sua intimação para que apresentasse nos autos as peças principais do processo. No entanto, a recorrente deixou de atender as solicitações. Assim, analisando o único ponto trazido pela contribuinte, bem como a parte dispositiva da sentença proferida nos autos do processo judicial informado em sua impugnação, entendeu por bem manter a autuação porquanto os débitos processados nesses autos não se equivaleriam, em princípio, aos débitos autorizados pela sentença judicial. Ademais, defendeu que seria cabível o lançamento de ofício mesmo com ação judicial executada por força do art. 90 da MP 2158/2001. Nada obstante a sucinta peça impugnatória ter se limitado a alegar que a origem do crédito glosado por meio do presente Auto de Infração seria sentença judicial favorável e que houvera um equívoco nas informações constantes em DCTF, o recurso voluntário apresentado inova nos fundamentos. Com efeito, em sua peça recursal a contribuinte aponta que a autuação é nula porque ocorreu enquanto vigorava sentença judicial favorável à compensação glosada. No mérito, defende a legitimidade do crédito em razão da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLei 2445 e 2449 e da firme jurisprudência judicial e administrativa. Ora, tais questões, em que pese o inconformismo por parte da ora recorrente, não foram abordadas nem na peça impugnatória, tampouco pela decisão da Eg. Delegacia de Julgamento a quo. Com efeito, a decisão recorrida apenas sustenta o lançamento em razão de expressa previsão legal para tanto e, buscando ao máximo alcançar o princípio da verdade material, analisa os escassos documentos trazidos pela contribuinte para concluir que a presente autuação deve ser mantida porquanto aquele processo judicial a que se referia a contribuinte trata de outro período que não o discutido no presente processo administrativo. Veja que os debates são absolutamente distintos. O que foi trazido e analisado pela Delegacia a quo limitouse a abordar a matéria levada a conhecimento pela contribuinte, tendo ido além apenas para afastar, de ofício, a multa de mora aplicada por força de previsão legal. Já no recurso voluntário, as matérias são outras e não foram abordadas pela r. decisão a quo. Assim, mesmo considerando que as questões objeto do recurso não foram apresentadas à apreciação do órgão de primeira instância e que a impugnação estabelece os limites objetivos da lide, passo a análise do mérito, por consagração do principio da verdade material. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Quanto ao exame da alegação de nulidade por impossibilidade de lançamento por estarem as compensações lançadas abarcadas por decisão judicial transitada em julgado, sustenta a recorrente em seu apelo que o lançamento em tela não poderia ter sido constituído, porquanto, no momento da sua lavratura, encontravase em vigor decisão que supostamente teria reconhecido o direito às compensações glosadas. De fato, no momento da lavratura do Auto de Infração, havia decisão judicial que supostamente amparava a contribuinte para as compensações de PIS. Digo que supostamente amparava porque a própria contribuinte não trouxe provas nos autos sobre a correlação entre o objeto desse procedimento administrativo com o objeto do processo judicial. Em que pese o inconformismo da ora recorrente, entendo que não merece prosperar a alegação de nulidade da autuação sob a alegação de que, no momento da autuação, estava em vigor medida judicial favorável à contribuinte. Isso porque a doutrina e a jurisprudência autorizam a autuação do valor devido em casos similares ao presente para o fim de prevenir a decadência. É que a autoridade administrativa está obrigada a lavrar a autuação, por força do disposto no art. 142 do CTN, mesmo quando ajuizada medida judicial, porquanto o deferimento de liminar ou mesmo a concessão do direito em primeira instância, além de não possuir o condão de suspender a exigibilidade do crédito, não implica que esse mesmo entendimento será confirmado em última instância, razão pela qual, por cautela, o Auto de Infração é lavrado. Por outro lado, a Delegacia a quo consignou que a compensação glosada no caso se deu com débitos apurados dos meses de novembro e dezembro de 1997, ou seja, débitos anteriores ao próprio ajuizamento da ação judicial. Em resumo: Entendeu a Eg. DRJ que a compensação objeto da presente autuação não coincide com o período em debate naquele processo judicial. Tal fundamento não restou impugnado pela Recorrente em sua peça recursal, donde entendo deve ser mantida a decisão recorrida nessa parte. De se ressaltar, mais uma vez, que a Recorrente, em momento algum, trouxe aos autos a prova de que o período objeto da mencionada ação coincidiria com o período glosado pela fiscalização. Tal prova seria relevante no caso. De qualquer forma, como consignou o Conselheiro Henrique Torres em seu voto prolatado na CSRF, o resultado da ação judicial transitada em julgado, ao contrário do que defende a recorrente, lhe foi julgada desfavorável ao final, não cabendo falar que o débito não seria devido. É o que se infere da ementa do processo judicial em segunda instância, transcrita na nota de rodapé de fls. 166/167, litteris: ORIG. : 9804040190 /SP APTE : Uniao Federal (FAZENDA NACIONAL) ADV : HUMBERTO GOUVEIA e VALDIR SERAFIM APDO : MODENA AUTOMOVEIS LTDA ADV : ALMERIO ANTUNES DE ANDRADE JUNIOR REMTE : JUIZO FEDERAL DA 2 VARA DE S J CAMPOS SP RELATOR : DES.FED. CECILIA MARCONDES / TERCEIRA TURMA EMENTA: PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – PIS – COMPENSAÇÃO –ART.66, DA LEI Nº 8.383/91– INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 67/92 E Nº 21/97 – PRESCRIÇÃO AUSÊNCIA DE INTERESSE DE AGIR . Fl. 178DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10860.001380/200201 Acórdão n.º 3301002.534 S3C3T1 Fl. 5 7 I. A IN 21/97 eliminou qualquer óbice para que o contribuinte realize a compensação de tributos de diferentes espécies mediante requerimento perante a SRF. II. Ausência de interesse de agir, tendo em vista que não há nos autos qualquer prova de resistência ou violação por parte da Receita Federal ao direito da autora de efetuar a compensação pela via administrativa. Prejudicada a apelação III. Remessa oficial provida. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. Decide a Terceira Turma do Egrégio Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, dar provimento à remessa oficial e julgar prejudicada a apelação, nos termos do voto da Sra. Relatora. São Paulo, 27 de novembro de 2002 (data do julgamento). CECÍLIA MARCONDES DESEMBARGADORA FEDERAL RELATORA CONCLUSÃO: Diante do exposto concluo o seguinte, em relação ao lançamento: 1 – Há previsão legal para a autuação de ofício para prevenção de decadência; 2 – Não restou comprovado nos autos que os períodos objeto da ação judicial coincidem com o período glosado pela fiscalização, já que o contribuinte não trouxe aos autos as peças necessárias para essa constatação; 3 – Nessa medida, e, aplicando, no que possível, o princípio da verdade material, a DRJ concluiu que os períodos não eram coincidentes, o que não foi impugnado de forma válida e eficaz pelo recorrente em sua peça recursal; 4 – Por fim, a medida judicial apontada pelo contribuinte, ao fim e ao cabo, teve desfecho desfavorável ao contribuinte, o que revelaria o acerto do lançamento fiscal ora analisado. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário da contribuinte. FÁBIA REGINA FREITAS Relatora. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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