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Numero do processo: 10830.002921/2001-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1996, 1997, 1999
NULIDADE. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE PERÍCIA E DE DILIGÊNCIA.
Estando devidamente fundamentado pela instância de primeiro grau a rejeição dos pedido de diligência e de perícia, procedimentos que não se prestam à produção de provas cujo ônus de apresentar é do contribuinte, não há nulidade a ser declarada.
GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. DISPÊNDIOS COM O IMÓVEL.
Para a incorporação de gastos com benfeitorias e melhoramentos ao custo de aquisição, com vistas à apuração de ganho de capital, é necessário restar comprovado que tais dispêndios refiram-se ao imóvel objeto de alienação.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SALDO DO MÊS DE DEZEMBRO. APROVEITAMENTO COMO ORIGEM NO MÊS DE JANEIRO SUBSEQUENTE. POSSIBILIDADE.
Em sede de verificação de acréscimo patrimonial a descoberto, sendo apurada pela fiscalização sobra de recursos no fluxo de caixa de um determinado mês, deve ser esse saldo transportado como origem para o mês subsequente, ainda que se refira ao mês de dezembro.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2.
Aplica-se a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento a infração do acréscimo patrimonial a descoberto, mantendo-se o restante da exigência.
Ronaldo de Lima Macedo, Presidente
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE PERÍCIA E DE DILIGÊNCIA. Estando devidamente fundamentado pela instância de primeiro grau a rejeição dos pedido de diligência e de perícia, procedimentos que não se prestam à produção de provas cujo ônus de apresentar é do contribuinte, não há nulidade a ser declarada. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. DISPÊNDIOS COM O IMÓVEL. Para a incorporação de gastos com benfeitorias e melhoramentos ao custo de aquisição, com vistas à apuração de ganho de capital, é necessário restar comprovado que tais dispêndios refiramse ao imóvel objeto de alienação. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SALDO DO MÊS DE DEZEMBRO. APROVEITAMENTO COMO ORIGEM NO MÊS DE JANEIRO SUBSEQUENTE. POSSIBILIDADE. Em sede de verificação de acréscimo patrimonial a descoberto, sendo apurada pela fiscalização sobra de recursos no fluxo de caixa de um determinado mês, deve ser esse saldo transportado como origem para o mês subsequente, ainda que se refira ao mês de dezembro. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. Aplicase a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 29 21 /2 00 1- 87 Fl. 601DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento a infração do acréscimo patrimonial a descoberto, mantendose o restante da exigência. Ronaldo de Lima Macedo, Presidente Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10830.002921/200187 Acórdão n.º 2402005.006 S2C4T2 Fl. 602 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP) DRJ/SPOII, que julgou procedente em parte Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 78.122,97 relativo aos anoscalendário 1996, 1997 e 1999. A autuação decorreu da constatação das infrações de acréscimo patrimonial a descoberto, omissão de ganhos de capital na alienação de imóvel, e dedução indevida de despesas com instrução. A instância recorrida bem descreve os termos do procedimento fiscal e da impugnação nos trechos do relatório que aqui reproduzo, retirando a parte atinente à glosa de despesas com instrução, que não foi objeto de recurso voluntário: 3. . No Termo de Verificação Fiscal às fls. 458476, a fiscalização registrou os motivos do lançamento, em resumo, nos seguintes termos: 3.1 o fiscalizado não apurou corretamente o ganho de capital na alienação de imóvel residencial localizado na Av. José de Souza Campos n° 1066, Chácara São Geraldo, Campinas, alienado ao Sr. Aristeu Peressinotto, conforme Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda, apresentado à fiscalização, pois considerou um custo de aquisição de R$ 60.000,00, mas nem sequer efetuou o recolhimento do imposto apurado de R$ 2.273,11; 3.2 não foram apresentados comprovantes das benfeitorias efetuadas no referido imóvel que pudessem amparar o custo de aquisição total considerado pelo contribuinte (R$ 60.000,0), pois o Memorial Descritivo apresentado, acompanhado de três fotos, não foi aceito, sendo que, posteriormente, apresentou cópias de notas fiscais e recibos no valor total de R$ 22.864,03, das quais, após análise, verificouse estarem, em sua maioria, relacionadas a outra obra, referente ao imóvel residencial localizado no Condomínio Residencial Vila Verde, à exceção do valor de R$ 5.726,00, relativo a três recibos que continham o endereço da Av. José de Souza Campos n° 1066, e que portanto foram apropriados como custos os respectivos valores. Quanto aos demais documentos, a fiscalização considerou equivocado o entendimento do contribuinte, sobretudo porque a cópia do contrato de prestação de serviços, entregue em 12/03/2001 (fls. 431433), indica que a empresa Paiva Moreira Construtora e Incorporadora Ltda. foi contratada para a administração de construção de uma residência situada no Condomínio Residencial Vila Verde, sendo que todos os elementos apresentados originamse de planilhas de contratações realizadas fornecidas pela referida construtora, acrescido ao fato de que as datas assinaladas são posteriores à data da venda realizada; 3.3 houve apuração de acréscimo patrimonial a descoberto em alguns meses dos anoscalendário 1996 e 1997 devido a nãocomprovação de diversos itens que seriam origem de recursos, fazendo com que os recursos líquidos comprovados fossem insuficientes para fazer frente aos dispêndios apurados; (...) Fl. 603DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 4. O interessado tomou ciência do Auto de Infração em 25/04/2001 (fl. 481), e apresentou a impugnação em 25/05/2001, às fls. 485508, alegando, em síntese, o seguinte: GANHO DE CAPITAL. 4.1 não concorda com o ganho de capital apurado, pois é improcedente o argumento da fiscalização ao não aceitar as comprovações das benfeitorias realizadas no imóvel, pelo fato único de não constar, nas notas fiscais, no campo do endereço de entrega, o endereço do imóvel em questão, pois o impugnante mencionou que realizou concomitantemente duas obras, que foram a do imóvel residencial, no condomínio residencial Vila Verde e a ampliação do imóvel objeto da apuração do ganho de capital, localizado na Rua José de Souza Campos 1066, que à época dos fatos destinavase à clínica médica do contribuinte, mas a fiscalização não pode confundir endereço contratual com o endereço da obra, sendo isto demais subjetivo e sem critério. E neste sentido, o fisco, além de glosar valores indevidos, tolheu de maneira sumária as prerrogativas do contribuinte, propriamente a presunção de veracidade das próprias alegações, além do que, teve em sua posse dados detalhados de fornecedores, notas fiscais, construtor, engenheiro responsável e planilhas analíticas, sendo a incorporação fato incontroverso, encontrandose, inclusive, caracterizada através de planta devidamente registrada na Prefeitura Municipal de Campinas, e desde já, o contribuinte requer a elaboração de perícia junto ao imóvel, para que fique, de forma insofismável, espancada a glosa arbitrária dos valores despendidos e devidamente comprovados pelo contribuinte, conforme poderá ser verificado através de expedição de ofício ao Departamento de Urbanismo de Campinas/SP, no sentido de fornecer a competente planta de ampliação; ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. 4.2 a fiscalização teria apurado de forma incorreta o fluxo de variação patrimonial pois o cerne da autuação reside crucialmente no fato de não ter sido alocado o saldo de caixa do exercício anterior, no valor de R$ 54.320,05 Assim, para o anocalendário 1996 o demonstrativo da evolução patrimonial deve ser refeito, pois por mera inobservância o contribuinte não declinou, no demonstrativo competente, o montante de recursos próprios. Superado o equívoco citado resta demonstrada a capacidade patrimonial do contribuinte, que por si só faz desaparecer a aventada variação patrimonial a descoberto no exercício 1996, mas é necessário justificar as demais receitas não consideradas pela fiscalização; 4.3 sempre com referência ao Termo de Verificação Fiscal (TVF), no item 37, não concorda com a glosa da receita de venda de “bezerros, potros, telefone e éguas”, no montante de R$ 29.512,30, a qual, apesar de não terem sido apresentados documentos, as declarações do contribuinte guardam nítida relação com os fatos, logo, deve prevalecer ao menos a presunção de veracidade, conforme se infere das declarações de Ajuste Anual antecedentes; 4.4 discorda quanto à glosa do valor de empréstimo de R$ 38.000,00 (item 42 TVF) devido a não ter sido apresentada documentação comprobatória do mesmo, pois foram sim apresentados documentos que demonstram a celebração do negócio jurídico entre o contribuinte e a instituição financeira, sendo que o próprio auditor reconhece que tais documentos permitem afirmar que remonta a anos anteriores, sendo que ainda foi demonstrado que houve processo judicial no qual se discutiu a dívida. Assim, a declaração do contribuinte não pode deixar de ser acatada pois está em estrita observância com o recurso angariado em 1996. Além do que, o contribuinte não poderia apresentar outra documentação, senão aquela já entregue ao AuditorFiscal, haja vista que do contrato primitivo outros se originaram, inclusive o Termo de Confissão de Dívida; Fl. 604DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10830.002921/200187 Acórdão n.º 2402005.006 S2C4T2 Fl. 603 5 4.5 quanto ao item 40 do TVF, também não pode concordar com a desconsideração do fisco, eis que consta apresentação de documentos idôneos aptos a demonstrar a origem das indenizações trabalhistas nos valores de R$ 6.724,00, R$ 2.730,00, R$ 4.852,80, e, portanto, os valores e as origens das receitas devem ser incorporados; 4.6 Da mesma forma impugna o item 38, que se refere à glosa do montante de R$ 55.938,02 no anocalendário 1997, que seria correspondente a baixa simbólica de veículos, vez que constam dos autos, documentos comprobatórios da origem das receitas declinadas sob a rubrica em questão; 4.7 ainda no tocante ao anocalendário 1997, o AuditorFiscal não observou o total informado pelo contribuinte no valor de R$ 157.832,92, portanto, uma diferença de R$ 90.781,06 a menor, uma vez que, conforme declaração de rendimentos, teve rendimentos líquidos, que serviram de base para o cálculo do imposto de renda, de R$ 55.892,09, mais os rendimentos isentos e nãotributáveis no valor de R$ 90.868,76 e os rendimentos sujeitos à tributação exclusiva na fonte de R$ 1.981,73, e ainda, o empréstimo realizado no valor de R$ 23.300,00 não incorporado pelo AuditorFiscal no cálculos efetuados. Assim, verificase um saldo credor para o exercício seguinte de R$ 55.337,57, mais R$ 90.781,06, totalizando R$ 146.118,63. No julgamento de primeiro grau a autuação foi mantida, sendo então prolatado o acórdão assim ementado: GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. BENFEITORIAS. Para fins de alteração do custo de aquisição de bem imóvel considerado no cálculo do ganho de capital é necessária a apresentação de comprovações das benfeitorias realizadas no referido bem. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Desnecessária a elaboração de perícia/diligência solicitada pelo contribuinte, quando o processo reúne condições para o julgamento, sobretudo quando não foram apresentados argumento considerados relevantes que ensejassem a realização de perícia, bem como ausentes os requisitos formais previstos na legislação. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva, devendo ser retificado o fluxo financeiro de variação patrimonial, quando constatado que não foi considerado rendimento de tributação exclusiva na fonte devidamente comprovado pelo contribuinte. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 10/11/2008, aduzindo, em síntese, que: Fl. 605DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 6 há nulidade no acórdão recorrido pelo indeferimento da realização da prova pericial para verificação do custo imóvel que gerou o aludido ganho de capital, o que poderia ser elucidado com a simples apresentação da planta de ampliação expedida pelo Departamento de Urbanismo do Município de Campinas/SP; a fiscalização confundiu endereço contratual com endereço da obra na qual estavam sendo realizadas as benfeitorias; no que tange ao acréscimo patrimonial a descoberto, por mero erro formal não consignou no demonstrativo competente a existência de recursos próprios, como saldo do ano anterior, de R$ 54.320,05, que considerados desconstituiriam essa infração para o ano de 1996; não possui sustentação a glosa da receita de venda (de bezerros, potros, éguas, etc.) e do valor de empréstimo de R$ 38.000,00, bem como as referentes ao recebimento de indenizações trabalhistas e à baixa simbólica de veículos; ainda no tocante ao anocalendário 1997, não se observou o valor informado de R$ 157.832,92, portanto, uma diferença de R$ 90.781,06 a menos, uma vez que declarara ter rendimentos líquidos de mais de R$ 55.000,00, mais rendimentos isentos e nãotributáveis de R$ 90.868,76, e sujeitos à tributação exclusiva na fonte de R$ 1.981,73, além empréstimo de R$ 23.300,00, o que resultaria em um saldo credor para o exercício seguinte de R$ 146.118,63. é desproporcional e viola o princípio da nãoconfisco a multa de ofício imposta. É o relatório. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10830.002921/200187 Acórdão n.º 2402005.006 S2C4T2 Fl. 604 7 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Do ganho de capital apurado e da nulidade cogitada. O contribuinte alienou em 19/7/1996 imóvel sito na Av. José de Souza Campos n° 1066, Chácara São Geraldo, Campinas/SP, por R$ 150.000,00, conforme contrato às fls. 117/119. A controvérsia estabelecida diz respeito à comprovação do custo de aquisição desse imóvel, que de acordo com o declarado pelo recorrente alcança a cifra de R$ 60.000,00, dadas as benfeitorias que alega ter realizado (fl. 28). Ora, compulsando os autos (fls. 157/159, 184/314, 321/351 e 359/388), pode ser constatado que todos os comprovantes de dispêndios carreados pelo interessado visando a comprovar o custo de aquisição se referem a imóvel diverso, localizado à rua Oito R no Condomínio Residencial Vila Verde, Campinas/SP, à exceção de R$ 5.726,00 já acatados pela fiscalização. A alegação de que estavam sendo realizadas simultaneamente duas obras em endereços distintos não ilide o fato de que os custos relativos a cada uma, para serem apropriados corretamente, demandavam que nas respectivas notas fiscais e recibos estivessem consignados os correspondentes endereços. O contribuinte pretende suprir tal deficiência probatória requerendo seja efetuada perícia no endereço para aferição dos aventados dispêndios, porém não apresenta quesitos específicos para serem analisados nem indica profissional para sua realização, não atendendo assim ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. De outra parte, proveito algum traria ao deslinde da situação a realização de diligência com vistas a obter a apresentação da planta de ampliação expedida pelo Departamento de Urbanismo do Município de Campinas/SP, pois não acarretaria juntada de documentos hábeis a aferir as despesas supostamente expendidas com benfeitorias no imóvel em comento. Anotese que não há supedâneo normativo, na legislação tributária, para a estimativa de custos de aquisição com base em plantas imobiliárias. Ademais, convém lembrar que a produção de provas com vistas a infirmar a autuação é ônus do contribuinte, cabendolhe sustentar a defesa de seu direito com documentação hábil a fundamentar suas razões. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 8 Nesse diapasão, deve ser frisado que carece de respaldo o pedido de declaração de nulidade da decisão de primeira instância face à rejeição dos pedidos de realização de perícia e de diligência, pois tal indeferimento foi devidamente fundamentado, estando em harmonia com o regrado nos arts. 18 e 28 do Decreto nº 70.235/72, não se vislumbrando, ademais, qualquer afronta ao art. 59 desse diploma. Destarte, não havendo comprovação documental dos custos de aquisição do imóvel tal como informados pelo recorrente em sua DIRPF/1997, nos termos exigidos pelo § 7º do art. 128 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), não há reparos há fazer, seja na autuação, seja na decisão a quo, quanto a esse aspecto. Do acréscimo patrimonial a descoberto. O contribuinte postula seja aproveitado, para fins de cálculo das variações patrimoniais mensais a partir de janeiro de 1996, o saldo disponível para o mês seguinte no valor de R$ 54.320,05 apurado pela fiscalização em dezembro de 1995, conforme demonstrativo mensal elaborado para esse ano. A matéria é controversa, havendo vários acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscal tanto contra (CSRF/0400.905, CSRF/0400.663) quanto a favor (Acórdão nº 9202000.521) da possibilidade desse aproveitamento. Entendo, contudo, estar com razão a corrente que considera ser possível tal transporte de valores. Explico. Os fluxos de caixa elaborados pela autoridade lançadora, com esteio nos comandos dos arts. 1º a 4º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, c/c arts. 1º a 4º da Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, e § 1º do art. 51 da Lei nº 4.069, de 11 de junho de 1962, apuram a variação patrimonial do contribuinte em bases mensais. Neles, são lançadas todas as informações obtidas no curso do procedimento fiscal, verificandose se, a cada período mensal, havia disponibilidade financeira para a realização dos dispêndios efetuados. Dentre essas informações, são utilizadas as constantes nas Declarações de Ajuste, as quais, quando confirmadas e/ou compatíveis com os demais dados coletados, são alocadas nos correspondentes meses do fluxo de financeiro. É durante a elaboração dessa planilha, portanto, que as informações das DIRPF são incorporadas para fins de apuração seja de acréscimo patrimonial a descoberto, seja de eventual sobra de recursos, decorrente de origens superiores às aplicações. Registrese que quando é apurada a variação patrimonial a descoberto em um determinado mês, podese dizer que ela é a menor passível de ter ocorrido, pois há uma limitação à capacidade do Fisco de levantar todos os dispêndios levados a efeito pela pessoa física naquele período poupança, investimento, e, principalmente, consumo. Constatada tal variação patrimonial sem lastro, é efetuado o lançamento de ofício relativamente a esse mês. Por outra via, havendo sobra de recursos frente às aplicações, ela, a priori, é o saldo máximo apurável, tendo em vista, novamente, a dificuldade de serem computadas todas as expensas realizadas no mês pelo contribuinte, sendo então transferida como saldo inicial para o mês subsequente. Para o mês de dezembro, sendo verificado acréscimo patrimonial a descoberto, é então realizado o respectivo lançamento de ofício, como procedido para os meses anteriores. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10830.002921/200187 Acórdão n.º 2402005.006 S2C4T2 Fl. 605 9 Por outro lado, quando há sobra de recursos nesse mês, tal constatação também é fruto do cômputo de todos os dados apurados pela fiscalização, ainda que eventualmente incorpore presunções de não consumo dos recursos, relativamente aos meses anteriores do ano em questão. Não é coerente, portanto, reputar o fluxo de caixa mensal como apto a comprovar variação patrimonial a descoberto no mês de dezembro, mas, verificandose saldo de recursos, estes simplesmente sejam ignorados em razão da sua não discriminação da DIRPF. Todo o procedimento fiscalizatório pautouse em averiguar as reais variações patrimoniais mensais do contribuinte, sejam positivas ou negativas, não havendo motivo para serem adotados critérios diversos no que tange à análise das provas coletadas, em função da mudança de anocalendário. Notese que ainda que houvessem declarações de ajuste mensais, as sobras de caixa comprovadas documentalmente mediante ação fiscal, incluindo as informações existentes nessas declarações, preponderariam sobre eventual omissão de aplicações resultante da análise daquelas. Reiterese que na elaboração dos fluxos financeiros mensais já estão incorporados os dados disponíveis na Declaração de Ajuste, não havendo justificativa para, por uma via, presumir que não foram consumidas as sobras de caixa verificadas ao longo de ano, e, por outra, presumir que no mês de dezembro recursos da espécie foram todos consumidos. Os fluxos de caixa apuram fatos geradores mensais, inexistindo respaldo normativo para que as sobras apuradas no mês de dezembro tenham tratamento diverso do acréscimo patrimonial a descoberto, frente ao procedido no restante do ano. Destarte, o montante de origens de recursos a preponderar sobre as aplicações no mês de dezembro, embasado no conjunto de fatos atestados no curso do procedimento fiscal, é apto a constituirse em origem de recursos para o anobase seguinte. Nesse sentido, colaciono excerto de ementa do seguinte precedente da CSRF, o Acórdão nº 9202002.927, j. 5/11/2013: IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO SALDO DE RECURSOS APURADO PELA FISCALIZAÇÃO NO MÊS DE DEZEMBRO. Pelo princípio da unicidade da prova, o demonstrativo de evolução patrimonial elaborado pela autoridade lançadora identifica não apenas as presumidas omissões de rendimentos do contribuinte, mas também o saldo de recursos que, relativamente ao mês de dezembro do anocalendário, deve ser transportado para janeiro do exercício subseqüente. Por conseguinte, deve ser refeito o Demonstrativo Mensal de Evolução Patrimonial para os anoscalendário 1996 e 1997 (fls. 446/453, acrescidos das alterações promovidas pela instância a quo, às fls. 570/571), incorporando não só o saldo de recursos no montante de R$ 54.320,05, apurado pela fiscalização para o mês de dezembro de 1995, mas também a sobra verificada em dezembro de 1996 após o cômputo desse saldo, a qual impende transportar como origem para o fluxo de caixa atinente ao mês de janeiro de 1997: Fl. 609DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 10 1996 ‐ 1º semestre janeiro fevereiro março abril maio junho Saldo mês anterior 54.320,05 54.235,01 49.529,90 53.495,08 36.559,59 24.910,11 Origens do mês 3.994,91 4.066,17 14.153,82 2.143,33 2.268,96 2.315,65 Total de recursos (A) 58.314,96 58.301,18 63.683,72 55.638,41 38.828,55 27.225,76 Total de aplicações (B) 4.079,95 8.771,28 10.188,64 19.078,82 13.918,44 19.716,10 Saldo para mês seguinte (A‐B) 54.235,01 49.529,90 53.495,08 36.559,59 24.910,11 7.509,66 APD 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 19966 ‐ 2º semestre julho agosto setembro outubro novembro dezembro Saldo mês anterior 7.509,66 147.075,88 152.712,34 61.725,30 59.026,40 57.467,40 Origens do mês 151.650,17 19.500,00 ‐ ‐ ‐ 170,00 Total de recursos (A) 159.159,83 166.575,88 152.712,34 61.725,30 59.026,40 57.637,40 Total de aplicações (B) 12.083,95 13.863,54 90.987,04 2.698,90 1.559,00 ‐ Saldo para mês seguinte (A‐B) 147.075,88 152.712,34 61.725,30 59.026,40 57.467,40 57.637,40 APD 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 1997 ‐1º semestre janeiro fevereiro março abril maio junho Saldo mês anterior 57.637,40 61.577,25 64.202,96 68.309,92 72.641,97 71.534,43 Origens do mês 4.179,85 4.830,71 4.106,96 4.332,05 5.132,46 5.102,62 Total de recursos (A) 61.817,25 66.407,96 68.309,92 72.641,97 77.774,43 76.637,05 Total de aplicações (B) 240,00 2.205,00 ‐ ‐ 6.240,00 8.555,00 Saldo para mês seguinte (A‐B) 61.577,25 64.202,96 68.309,92 72.641,97 71.534,43 68.082,05 APD 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 1997‐ 2º semestre julho agosto setembro outubro novembro dezembro Saldo mês anterior 68.082,05 46.692,56 43.129,92 45.956,20 51.202,29 61.807,74 Origens do mês 6.649,77 4.676,45 5.031,28 5.486,09 12.865,45 6.640,21 Total de recursos (A) 74.731,82 51.369,01 48.161,20 51.442,29 64.067,74 68.447,95 Total de aplicações (B) 28.039,26 8.239,09 2.205,00 240,00 2.260,00 57.555,00 Saldo para mês seguinte (A‐B) 46.692,56 43.129,92 45.956,20 51.202,29 61.807,74 10.892,95 APD 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Concluise, portanto, que não se verifica a existência de variação patrimonial a descoberto em nenhum dos meses dos anoscalendário 1996 e 1997, motivo pelo qual não há como subsistir o lançamento, no particular. Por fim, necessário esclarecer que a alegação de caráter confiscatório da multa de ofício não tem como prosperar, por ingressar tal argumento na trilha da suposta inconstitucionalidade de seu suporte legal, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, atraindo a incidência no caso do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e da Súmula CARF nº 2, esta por força do art. 72 do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009): Fl. 610DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10830.002921/200187 Acórdão n.º 2402005.006 S2C4T2 Fl. 606 11 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de excluir do lançamento a infração de acréscimo patrimonial a descoberto, mantendose o restante da exigência. Ronnie Soares Anderson. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 10469.724404/2014-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2010, 2011
SUBVENÇÕES GOVERNAMENTAIS. INVESTIMENTOS NATUREZA JURÍDICA. NÃO CONFIGURAÇÃO DE RECEITAS.
Os incentivos relativos ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS, concedidos pelos Governos Estaduais às sociedades empresárias, desde que escriturados em contas de resultados, podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições.
PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. SUBVENÇÕES GOVERNAMENTAIS. INCIDÊNCIA.
Não incide Cofins apurada no regime não cumulativo sobre subvenções governamentais de investimentos, posto não configurarem receitas da pessoa jurídica.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-002.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto vencedor que integram o presente julgado.
Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Valdete Aparecida Marinheiro, Jorge Freire e Maria Aparecida Martins de Paula. O conselheiro Antonio Carlos Atulim acompanhou a divergência pelas conclusões por entender que o incentivo fiscal concedido no âmbito do ICMS é um ingresso que não configura receita. Redator designado: Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Alexandre Naoki Nishioka, OAB/SP nº 138.909.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2010, 2011 SUBVENÇÕES GOVERNAMENTAIS. INVESTIMENTOS NATUREZA JURÍDICA. NÃO CONFIGURAÇÃO DE RECEITAS. Os incentivos relativos ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS, concedidos pelos Governos Estaduais às sociedades empresárias, desde que escriturados em contas de resultados, podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições. PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. SUBVENÇÕES GOVERNAMENTAIS. INCIDÊNCIA. Não incide Cofins apurada no regime não cumulativo sobre subvenções governamentais de investimentos, posto não configurarem receitas da pessoa jurídica. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto vencedor que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Valdete Aparecida Marinheiro, Jorge Freire e Maria Aparecida Martins de Paula. O conselheiro Antonio Carlos Atulim acompanhou a divergência pelas conclusões por entender que o incentivo fiscal concedido no âmbito do ICMS é um ingresso que não configura receita. Redator designado: Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Alexandre Naoki Nishioka, OAB/SP nº 138.909.
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INVESTIMENTOS. NATUREZA JURÍDICA. NÃO CONFIGURAÇÃO DE RECEITAS. Os incentivos relativos ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, concedidos pelos Governos Estaduais às sociedades empresárias, desde que escriturados em contas de resultados, podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições. COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. SUBVENÇÕES GOVERNAMENTAIS. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide Cofins apurada no regime não cumulativo sobre subvenções governamentais de investimentos, posto não configurarem receitas da pessoa jurídica. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010, 2011 SUBVENÇÕES GOVERNAMENTAIS. INVESTIMENTOS NATUREZA JURÍDICA. NÃO CONFIGURAÇÃO DE RECEITAS. Os incentivos relativos ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, concedidos pelos Governos Estaduais às sociedades empresárias, desde que escriturados em contas de resultados, podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições. PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. SUBVENÇÕES GOVERNAMENTAIS. INCIDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 44 04 /2 01 4- 52 Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Não incide Cofins apurada no regime não cumulativo sobre subvenções governamentais de investimentos, posto não configurarem receitas da pessoa jurídica. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento, nos termos do relatório e do voto vencedor que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Valdete Aparecida Marinheiro, Jorge Freire e Maria Aparecida Martins de Paula. O conselheiro Antonio Carlos Atulim acompanhou a divergência pelas conclusões por entender que o incentivo fiscal concedido no âmbito do ICMS é um ingresso que não configura receita. Redator designado: Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Alexandre Naoki Nishioka, OAB/SP nº 138.909. Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCOFINS e da Contribuição para o Programa de Integração SocialPIS, fls. 03/69, anos calendário de 2010 e 2011, referente a Subvenções decorrentes de incentivos fiscais do ICMS, concedidos por meio de programa de incentivo e apoio ao desenvolvimento industrial oferecido pelos governos dos Estados do Ceará (PROVIN) e do Rio Grande do Norte (PROADI). Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10469.724404/201452 Acórdão n.º 3402002.910 S3C4T2 Fl. 1.121 3 Tratase de Autos de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCOFINS e da Contribuição para o Programa de Integração SocialPIS, fls.03/69, que constituíram o crédito tributário total de R$ 26.411.135,79, somados o principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 31/07/2014. Na descrição dos fatos que integra o Termo de Verificação e de Encerramento da Ação Fiscal, a autoridade relata: 50. O contribuinte é beneficiário de incentivos fiscais no âmbito dos Governos dos Estados do Ceará e do Rio Grande do Norte, denominados, respectivamente, de Programa de Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Norte (PROADI),e Programa de Incentivo ao Desenvolvimento Industrial (PROVIN). 51. O Programa de Apoio ao Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Norte (PROADI) é regido pela Lei nº 7.075, de 17 de novembro de 1997, e pelo Decreto nº 13.723, de 24 de dezembro de 1997, e tem por objetivo apoiar e incrementar o desenvolvimento industrial do Estado do Rio Grande do Norte através da concessão de financiamento a empresas industriais, sob a forma de contrato de mútuo. 52. Já o Programa Estadual de Incentivos voltados para a Promoção Industrial do Ceará teve início em 1979, tendo sido criado nesse mesmo ano o Fundo de Desenvolvimento Industrial – FDI, pela Lei nº 10.367/79, sendo regulamentado pelo Decreto 22.719 A, de 20 de agosto de l993, Decreto nº 23.113, de 18/03/94, Decreto nº 23.913, de 21/11/95 e Decreto nº 24.670, de 16/10/97, com o objetivo de promover o desenvolvimento das atividades industriais em todo o território do Estado do Ceará. 53. O mecanismo de funcionamento dos incentivos acima, similares, ocorre por intermédio de, primeiramente, assinatura de um Protocolo de Intenções por meio do qual o contribuinte se compromete a efetuar investimentos de recursos na implantação, expansão ou diversificação de empreendimento na área de interesse do governo. Por sua vez, ao entrar em atividade operacional, o Estado financia uma parcela correspondente a 75% (setenta e cinco por cento) do valor do ICMS a recolher (já que 25% dos recursos do ICMS, constitucionalmente, pertencem aos municípios, e terão que ser repassados), utilizandose, para isso, de um contrato de mútuo de execução periódica formalizado com o contribuinte, com garantia fidejussória (Nota Promissória), por intermédio de uma instituição financeira gestora credenciada. No vencimento de cada parcela, atendidos os requisitos, o beneficiário só desembolsa 1% (um por cento) do valor. 56. Por sua relevância, há que se debater sobre uma questão fundamental: a natureza jurídica desses incentivos concedidos pelos Estados do Ceará e do Rio Grande do Norte. Caracterizamse como subvenção para investimento ou custeio? Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 57. O conceito de subvenção para investimento dado pela administração tributária corresponde a uma transferência de recurso do poder público para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mas na aplicação específica em bens e direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. É o que se extrai do Parecer Normativo CST nº 112/78 que, após transcrever o § 2º do art. 38 do DecretoLei 1.598/77, o qual dispõe sobre os requisitos acima mencionados para não tributação das subvenções para investimento (...). 58. Conforme acima, o parecer caracteriza a subvenção para investimento como integrante do Resultado nãooperacional; identifica essa subvenção com recursos oriundos de pessoas jurídicas de direito público; define esta como sendo destinada à aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos; por fim, apresenta como uma característica marcante da subvenção até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado, não bastando a vontade do subvencionador, mas a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado 59. Frente às definições trazidas pelo Parecer 112/78, questionase: os incentivos concedidos pelos Estados do Ceará e do Rio Grande do Norte caracterizamse como subvenção para custeio ou investimento? No nosso entendimento, e aí passaremos a expor, referidos benefícios têm a natureza de SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. 60. As Subvenções para Investimento, em linhas gerais, são incentivos do Poder Público para determinados setores e/ou regiões em cujo desenvolvimento haja interesse especial. Pois bem. No caso presente, como vimos no item 13 acima, a outorga dos benefícios por ambos os estados não está restrita à concessão de empréstimos em condições especialíssimas, ao revés, corresponde ela a um conjunto de medidas concretas, que têm como contrapartida uma série de obrigações a serem cumpridas pela empresa beneficiária, dentre as quais estão os investimentos, que visam à implantação de unidades fabris. 66. Nesse diapasão, a natureza da subvenção é definida pela natureza do benefício: (i) se para atrair, desenvolver positivamente uma região/setor, ou (ii) se para intervir em um setor em que há a real necessidade de custeálo, sob pena de levar esse setor ao prejuízo (p.ex., veja o caso das usinas de álcool). As subvenções para custeio se caracterizam pela intervenção/controle de mercado, tornando produtos competitivos ou evitando a derrocada de um setor, mas sem qualquer objetivo imediato de obter um incremento/desenvolvimento regional ou setorial, típico da subvenção para investimento. 67. Ao contrário da subvenção para custeio – que busca somente auxiliar o beneficiado na sustentação de suas despesas ordinárias, em decorrência da relevância estratégica e socioeconômica da empresa ou do setor como um todo –,a subvenção para investimento tem por escopo, de fato, estimular Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10469.724404/201452 Acórdão n.º 3402002.910 S3C4T2 Fl. 1.122 5 a implantação ou expansão de determinado setor, utilizandose, para isso, de várias formas –inclusive desoneração fiscal – que possibilitem essa finalidade. 69. Na prática, a entrega da parte do Estado na verdade é para repor o custeio do investimento, de forma que a empresa volte ao status quo ante relativamente à disponibilidade utilizada para a construção do empreendimento (unidade fabril). O reembolso ou a dispensa do recebimento de 99% do empréstimo tem por destinação, é bem verdade, o caixa para recompor o patrimônio da recorrente (se extraídos recursos de seu próprio disponível) ou para pagar dívida (se contraído empréstimo para a construção). Ter olhos voltados apenas para o uso expost dos recursos economizados com o não pagamento, e definir a natureza da subvenção como custeio apenas por serem empregados da forma que melhor convier à empresa, é de uma miopia extremada. Essa visão esquece, por completo, a vinculação do benefício fiscal ao investimento feito anteriormente (construção civil, máquinas e equipamentos etc.), que é exatamente o compromisso do investidor para com o Estado concedente (o protocolo de intenções é o marco inicial do vínculo). Um não subsiste sem o outro. 3.1.3. Tratamento Contábil e Fiscal das Subvenções 72. Até a edição da Lei nº 11.638/07, instituidora do Regime Tributário de Transição e Neutralidade Tributária, os valores apropriados a título de subvenção para investimento, para não serem tributados, deveriam ser computados como reserva de capital, empregável, exclusivamente, para absorção de prejuízos ou para aumento do capital social da companhia. Ditos montantes não poderiam, noutras palavras, sob pena de incidência de IRPJ ou de CSLL, ser destinados a outros fins. 73. As reservas de capital, por expressa determinação da legislação societária, só podiam ser empregadas para alguns escopos predeterminados. Mais precisamente, nos moldes do artigo 200 da Lei nº 6.404/76, tais reservas não poderiam ser utilizadas para fins outros que não os de: (a) absorção de prejuízos que ultrapassassem os lucros acumulados e as reservas de lucros; (b) resgate, reembolso ou compra de ações; (c) resgate de partes beneficiárias; (d) incorporação ao capital social e (e) pagamento de dividendos a ações preferenciais, desde que tal vantagem fosse estatutariamente assegurada a esta classe de títulos. 74. Com a superveniência da Lei nº 11.638/07, este panorama foi um pouco alterado. Foi introduzido na Lei nº 6.404/76 o artigo 195A, responsável por determinar, de um lado, que as subvenções para investimento transitassem pela conta de resultados, e, de outro, que estes valores fossem incluídos em Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 reserva específica para incentivos fiscais. Previuse, ainda, na forma do artigo 199 daquele diploma, que os valores em tela só poderiam ser destinados à integralização ou ao aumento do capital social ou à distribuição de dividendos, contanto que os importes reservados ultrapassassem o total do capital social. 75. Não é difícil notar, nesses termos, que o tratamento contábil das subvenções para investimento era – e ainda é – rígido, sob pena de incidência do IRPJ e da CSLL. Em outras palavras, os recursos subvencionados, para que não sejam tributados, devem ser mantidas em reservas de capital ou de lucros, conforme o período de apropriação, e só podem ser utilizadas nos estritos lindes da lei. 77. As subvenções para investimentos constituem transferência de capital, o que significa, em princípio, que não constituem lucro nem estarão disponíveis para distribuição como dividendo, eis que contabilizadas em reservas de capital, conforme disposto na Lei 6.404/76 (antes das alterações introduzidas pela Lei 11.638/07). 81. De se notar que a Lei 11.638/07, ao tempo que revogou o dispositivo que permitia a contabilização desses recursos em conta de reserva de capital, criou, dentre as reservas de lucros, a Reserva de Incentivos Fiscais, numa demonstração clara de que as doações e subvenções governamentais para investimentos não podem ser objeto de distribuição aos acionistas. Ressaltese que, antes dessa norma, um dos requisitos para a não tributação das subvenções era exatamente a não distribuição aos sócios (ex vi do § 2º do art. 38 do Decreto lei nº 1.598/77). Nesse aspecto, nenhuma solução de continuidade. (...). 86. Assim, como condição para a não tributação, as pessoas jurídicas que obtiverem subvenções para investimento do Poder Público deveriam creditálas à reserva de capital. Com a revogação da alínea d do § 1º do art. 182 da Lei 6.404/76, as subvenções governamentais não podem ser creditadas diretamente ao patrimônio líquido. Serão reconhecidas como receita ao longo do período necessário para confrontar com as despesas que a subvenção pretende compensar. 87. A par das modificações perpetradas pela Lei 11.638/2007, foi editada a Medida Provisória nº 449/2008, instituindo um regime transitório de tributação (RTT), até a regulamentação pela legislação fiscal das alterações promovidas pela lei contábil. Mas, no que tange às subvenções para investimentos, a própria MP tratou de estabelecer a disciplina fiscal. 88. É de ver, a exposição de motivos da MP nº 449/2008 justifica a exclusão das subvenções para investimentos da base de cálculo do IRPJ, como meio de reforçar a capitalização das empresas, reconhecendo que as transferências de capital efetuadas mediante aquelas subvenções já eram isentas do IRPJ por força do art. 38 do DecretoLei nº 1.598/77, e assim permanecem, não obstante a sua contabilização como receita, desde que posteriormente mantidas em reservas de lucros. 90. Segundo a exposição de motivos, embora integrante do lucro contábil e passível de compor uma modalidade de reserva de Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10469.724404/201452 Acórdão n.º 3402002.910 S3C4T2 Fl. 1.123 7 lucros, o aporte de capitais efetuado por meio das subvenções não se afigura acréscimo de patrimônio suscetível à incidência do IRPJ e CSLL, desde que não apropriados privadamente tais recursos. Com efeito, o art. 18 da Lei nº 11.941/2009 (conversão da MP 449/08) determinou a exclusão no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR das subvenções para investimento, computadas previamente como receita na demonstração do resultado do exercício. É dizer, a legislação fiscal passou a prever expressamente a dedução das receitas atinentes às subvenções para investimento e doações da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, determinando, ainda, que tais receitas integrantes do lucro líquido, após a apuração deste, sejam transferidas para reserva de lucro a que se refere o art. 195A da Lei das S.A., até o limite do lucro líquido do exercício. 3.1.4. Do tratamento contábil dado pelo contribuinte aos incentivos estaduais 91. Verificando os assentamentos contábeis do contribuinte, nos anoscalendário de 2010 e 2011, constatamos que o procedimento adotado em relação à contabilização dos incentivos financeiros ocorreu da seguinte forma: PROADI (1º) D – 7.1.002.020.0002 ICMS (dedução de vendas) C – 6.1.005.003.0001 ICMS (PC a recolher) (2º) D – 6.1.005.003.0001 ICMS (PC a recolher) C – 7.1.002.020.0002 ICMS (dedução da receita bruta) PROVIN (1º) D – 7.1.002.021.0002 ICMS (dedução de vendas) C – 6.1.005.003.0001 ICMS (PC a recolher) (2º) D – 6.1.005.003.0001 ICMS (PC a recolher) C – 7.1.002.021.0002 ICMS (dedução da receita bruta) 92. Ao adotar essa sistemática, o contribuinte reconhece o incentivo financeiro concedido no âmbito dos programas PROADI/PROVIN como uma receita operacional (redução de custos), categoria onde se insere a subvenção para custeio. Sendo assim, não constituiu a Reserva de Incentivos Fiscais, nos termos da Lei 11.941/09, e se apropriou dos recursos subvencionados, distribuindo lucros e dividendos oriundos desses valores. 93. No entanto, aqui, há uma questão de extrema relevância a ser observada: o contribuinte é beneficiário de incentivo fiscal de redução de imposto sobre a renda (75%) calculado com base no Lucro da Exploração do empreendimento industrial. Ao Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 reconhecer em sua contabilidade os incentivos financeiros dos Estados do Rio Grande do Norte e do Ceará como integrantes do resultado operacional submete tais recursos ao benefício da redução do imposto de renda. 94. Ora, como sobejamente tratado nos itens acima, os incentivos financeiros em questão não têm outra natureza a não ser de SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. O tratamento contábil adotado pelo contribuinte não tem o condão de transmudar a natureza jurídica do incentivo. Sendo assim, sem sombra de dúvidas, os recursos do PROADI e do PROVIN são classificados como integrantes do grupo de Resultados não Operacionais, e, portanto, deverão ser excluídos do Lucro Líquido, para efeito de cálculo do Lucro da Exploração. Essa discussão travaremos no título seguinte. 3.1.5. O Lucro da Exploração e os Incentivos Estaduais – PROADI/PROVIN 95. Em anos anteriores, o tratamento contábil adotado pela empresa ora fiscalizada em relação aos incentivos do PROADI e PROVIN era de receita financeira. Sendo assim, em atendimento às disposições normativas, efetuava do lucro líquido a exclusão desses valores, para efeito de cálculo do Lucro da Exploração. Porém, no anocalendário de 2008, concluiu que o disposto no ADI SRF nº 22/2003 aplicavase ao seu caso. Dessa forma, procedeu à retificação das declarações, a partir do ano calendário 2002, inclusive, refazendo o lucro da exploração, no que resultou em valores substanciais, os quais já foram por ela compensados. A partir de então passou a adotar esse entendimento. 96. No entanto, como veremos, o ADI não disciplina os efeitos fiscais da renúncia parcial (99%) do valor do principal relativo ao financiamento do ICMS concedido pelo Poder Público às pessoas jurídicas, mas apenas da renúncia dos juros e correção monetária. 99. O recebimento do mútuo não pode ser considerado uma redução do ICMS: (i) porque gera uma obrigação de pagar, que somente será resolvida se for implementada determinada condição futura; (ii) porque não está vinculado ao pagamento do ICMS (o valor do ICMS é apenas um parâmetro para aplicação do financiamento. Tanto é assim, que, segundo o disposto no art. 7º, § 3º, da Lei 7.075/97, os recursos convertemse em receita do Tesouro do Estado); (iii) para ser compatível com a linha adotada pelo ADI SRF nº 22/2003, o valor do benefício deverá ser tratado como redução de custo (NÃOOPERACIONAL) no momento do pagamento do mútuo, na medida da redução prevista no contrato estipulado com a instituição financeira, momento em que serão gerados os reflexos no valor do imposto a ser apurado e recolhido. 100. Portanto, ao tratar os recursos do PROADI e PROVIN, consubstanciados na renúncia do valor do principal do financiamento, como dedução direta do ICMS sobre vendas (redutora da receita bruta) reconheceu esse benefício como sendo de natureza operacional, o que não condiz com a Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10469.724404/201452 Acórdão n.º 3402002.910 S3C4T2 Fl. 1.124 9 realidade. Essa conduta resultou na inclusão no cálculo do Lucro da Exploração de valores cuja natureza jurídica, conforme já salientado, é de resultado nãooperacional, não foi produto da venda de mercadorias por ela fabricadas, ou seja, essa receita não foi alcançada diretamente com o uso da estrutura operacional, mas oriunda de um agente externo. 103. Com a subvenção, o patrimônio da empresa beneficiária é enriquecido com recursos externos, sem que isso importe na assunção de uma dívida ou obrigação. São recursos introduzidos por fontes externas sem configurar exigência ou cobrança. 104. Os valores provenientes dos benefícios não decorreram da atividade própria da empresa, mas de uma renúncia do ente estatal, ou seja, valores oriundos do orçamento geral do estado. Se caso o estado não abdicasse da parcela que lhe é reservada, caracterizada pelo empréstimo, o contribuinte não teria seu patrimônio aumentado (com a redução de um passivo, sem a conseqüente redução de um ativo). 105. Na apuração do Lucro da Exploração (base do incentivo de redução do imposto de renda),o objetivo da norma é não deixar contaminar essa base de cálculo por valores outros, que não aqueles decorrentes exclusivamente da atividade incentivada, ou seja, tãosomente, os provenientes da comercialização de seus produtos, razão da existência e motivo do benefício. 106. A redução de um passivo cuja contrapartida não implica em redução de um ativo, por óbvio, gera aumento patrimonial, para cujo resultado não há dispêndio de esforço por parte da empresa, não há mobilização de sua força de trabalho e uso do seu imobilizado para gerar esse aumento patrimonial, mas a simples renúncia do poder público, atendidas algumas condições estabelecidas entre as partes contratantes. 107. Por fim, e não menos importante, o fato de ter natureza operacional, se assim o fosse, o que não se aplica ao presente caso, não asseguraria sua inclusão no Lucro da Exploração, haja vista que a legislação se refere ao lucro da exploração do empreendimento e não da empresa como um todo, excluindo, portanto, tudo aquilo que não seja originado dos fatores de produção relacionados ao empreendimento incentivado. O benefício tem natureza objetiva, isto é, a redução do imposto de renda visa à atividade desenvolvida, e não a empresa. Por todos esses motivos, mesmo que custeio fosse não comporia tais recursos o Lucro da Exploração. 108. Diante do exposto, efetuamos o recálculo do Lucro da Exploração excluindo do lucro líquido os valores dos incentivos decorrentes do PROADI e do PROVIN, reclassificados pela fiscalização como resultados nãooperacionais (...). Expostos os fatos e sua interpretação, a fiscalização constrói o lançamento a partir da definição das bases de cálculo das contribuições estabelecidas pelas leis nº Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Avança a autoridade fiscal para avaliar o tratamento dado pela contribuinte às subvenções recebidas de unidades da federação a partir do disposto no art. 18 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Nesse passo, diz a autoridade autuante que não tendo o contribuinte observado os requisitos estatuídos no art. 18 da Lei 11.941/09, acima transcrito, tornase, evidentemente, tributável o valor das subvenções para investimentos, haja vista a natureza privada (apropriação e disponibilização dos recursos públicos aos acionistas) com que foram tratadas. Continuando sua análise, a fiscalização passa a considerar as receitas integrantes da base de cálculo e as possíveis exclusões, concluindo que "As receitas que não integram a base de cálculo são unicamente as definidas pelas leis acima. E a receita referente à Subvenção governamental ora tratada não se encontra entre as especificadas na norma de regência dessas Contribuições". E mesmo que constasse (a MP nº 627/13, incluiu incisos a esses artigos, dentre eles o inciso X, o qual trata da subvenção para investimentos), pelo fato do contribuinte não observar os requisitos para não tributação (constituição de reserva etc.), conforme já mencionado, sujeitarseia tal valor à incidência das contribuições. Arremata: Portanto, os valores registrados nos anoscalendário de 2010 e 2011 a crédito das contas 7.1.002.020.0010 (jan a out/2010) e 3.1.02.15 ICMS INCENTIVOS FISCAIS (a partir de nov/2010), em relação ao PROADI, 7.1.002.021.0010 (jan a out/2010) e 3.1.02.15 ICMS INCENTIVOS FISCAIS, em relação ao PROVIN, serão adicionados, por esta fiscalização, às bases de cálculo das Contribuições para o PIS e a COFINS, e serão cobradas mediante lançamento consubstanciado em autos de infração específicos lavrados nesta mesma data. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: Verificase dos autos que o lançamento dos tributos em questão ocorreu pelos seguintes fundamentos: (i) a autoridade fiscalizadora entendeu que os valores relativos aos programas PROADI/PROVIN teriam natureza jurídica de subvenções para investimento, e, (ü) não tendo sido obedecidos os critérios estabelecidos pela Lei n.° 11.941/09, tal receita deveria ser incluída na base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. A conclusão demonstrada no Auto de Infração é a de que os valores recebidos dos Estados do Rio Grande do Norte e Ceará seriam referentes a subvenções para investimento e, não tendo sido cumpridos os requisitos previstos na Lei n.° 11.941/09, os valores seriam classificados como receita, sendo incluídos, portanto, nas bases de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS. Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10469.724404/201452 Acórdão n.º 3402002.910 S3C4T2 Fl. 1.125 11 Contudo, conforme se verá nos próximos parágrafos, os valores recebidos não se configuram subvenções para investimento, mas redução de custos e despesas, conforme já reconhecido pela Receita Federal do Brasil em Ato Declaratório Interpretativo e em Soluções de Consultas, não devendo ser incluídos, de tal forma, na base de cálculo das contribuições tratadas nos Autos de Infração de que ora se trata. Consoante se verifica do tópico 3.1.2. do Termo de Verificação, denominado "Receita de Subvenção PROADI/PROVTN", procurou a fiscalização tributária demonstrar que o tratamento contábil dispensado pela Guararapes ao montante auferido no contexto dos benefícios estaduais PROADI e PROVIN teria sido equivocado. Em um primeiro momento, o Termo de Verificação faz breve histórico acerca do PROADI e PROVIN, instituídos pelos Estados do Rio Grande do Norte e do Ceará, respectivamente, programas em que, assinado o Protocolo de Intenções entre o Estado concedente do benefício e o contribuinte, este "se compromete a efetuar investimentos de recursos na implantação, expansão ou diversificação de empreendimento na área de interesse do governo". Em continuidade, a autoridade fiscalizadora procura demonstrar a natureza jurídica de tais benefícios, ou seja, se se enquadram no conceito de subvenção para investimentos ou de subvenção para custeio. Enquanto caracteriza a primeira espécie como "incentivos do Poder Público para determinados setores e/ou regiões em cujo desenvolvimento haja interesse especiar (f. 14 do Termo de Verificação), expõe que a segunda "busca somente auxiliar o beneficiado na sustentação de suas despesas ordinárias, em decorrência da relevância estratégicas e socioeconômica da empresa ou do setor como um todo'" (f. 16 do Termo de Verificação). Sendo assim, o Termo de Verificação ainda expôs que, tendo as subvenções para investimentos como característica uma transferência de capital, deveriam transitar pela conta de resultados, bem como ser incluídos em Reserva de Incentivos Fiscais, obedecendo, ainda, os requisitos que preceitua a Lei n.°11.941/09. Ainda, afirma que a não tributação das subvenções para investimentos condicionase a três requisitos: (i) ao registro em conta de reserva de capital; (ii) à não distribuição aos sócios; e (iii) à utilização da reserva para absorção de prejuízos ou incorporação ao capital, sendo vedada a restituição aos sócios da parcela eventualmente aumentada pela incorporação da subvenção (f.19 do Termo de Verificação). Segundo entendimento da fiscalização tributária exarado no Termo de Verificação, a Guararapes teria reconhecido "o incentivo financeiro concedido no âmbito dos programas PROADI/PROVIN como uma receita operacional (redução de custos), categoria onde se insere a subvenção para custeio" (f. 23 do Termo de Verificação). Defende a impossibilidade de aplicação do disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF n.° 22, de 31 de outubro de 2003, por entender que tal ato Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 12 normativo incidiria apenas sobre os juros e correção monetária decorrentes do benefício. Por fim, como visto no excerto trazido acima, concluiu o órgão da Receita Federal do Brasil que a Impugnante, por não cumprir os requisitos trazidos pela Lei n.° 11.941/09, deveria ter incluído os valores, considerados pelo Termo de Verificação como subvenções para financiamento, na base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. A) Da Legalidade do Procedimento Adotado pela Guararapes Demonstrado o que levou a autoridade fiscalizadora a entender pela aplicação de mencionado tratamento contábil aos valores recebidos a título de incentivos do PROADI/PROVIN, cumpre tecer breves esclarecimentos acerca da natureza jurídica das subvenções financeiras, gênero dentro do qual se inserem as espécies denominadas (i) subvenções para investimento e (ii) subvenções correntes ou para custeio. Feito isto, demonstrarseá se os benefícios concedidos pelos Estados do Rio Grande do Norte (PROADI) e Ceará (PROVIN) se enquadram em algumas delas e, definida sua natureza jurídica, qual tratamento contábil a ser dispensado, o que, ao final, comprovará a inexistência de qualquer equívoco nos procedimentos realizados pela Guararapes. Primeiramente, importa salientar que muito se falou a respeito das similitudes existentes entre as figuras da subvenção financeira e das isenções. Tal paralelo se deve ao fato de que, economicamente, os institutos acabam por produzir os mesmos efeitos, qual seja, a diminuição de um custo para as pessoas jurídicas. (...). Tratase, portanto, de instituto em que há a transferência de receita do Estado para o particular, visando seja alcançado um bem jurídico comum, específico e determinado. Ainda, salienta JOSÉ SOUTO MAIOR BORGES que aquele autor procurou definir a subvenção como sendo "outorgada em princípio para o cumprimento de uma finalidade determinada, e não se for cumprida uma finalidade determinada". Consoante se vê, uma das principais características das subvenções financeiras é a transferência de capital de um ente público ao particular. No que tange às subvenções para custeio, são concedidas por meio de programas específicos dos estados concessores, de modo que as pessoas jurídicas, mediante a assinatura de um Protocolo de Intenções, as utilizem para fazer frente aos seus custos ordinários (...). Portanto, em tal modalidade as transferências são realizadas com o objetivo de auxiliar a pessoa jurídica com suas despesas. Não obstante as subvenções para investimento também envolverem a transferência de capital público para o setor privado, nestas, a intenção do legislador é a de induzir o desenvolvimento regional, por meio de externalidades positivas advindas de um maior financiamento em uma região específica. Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10469.724404/201452 Acórdão n.º 3402002.910 S3C4T2 Fl. 1.126 13 Tal é o que inclusive restou consignado no Termo de Verificação. Já no caso dos autos, foram criados os incentivos denominados PROGRAMA DE APOIO AO DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE (PROADI), instituído pela Lei do Estado do Rio Grande do Norte n.° 5.397, de 11 de outubro de 1985, com o objetivo de "apoiar e incrementar o desenvolvimento industrial do Estado", bem como o PROGRAMA DE INCENTIVO AO DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL (PROVIN), do Fundo de Desenvolvimento Industrial, instituído pela Lei do Estado do Ceará n.° 10.367, de 7 de dezembro de 1979, com o objetivo de "promoção industrial". Ainda que existam semelhanças entre as subvenções financeiras e os benefícios concedidos pelo PROADI/PROVIN, a exemplo do incentivo no desenvolvimento regional, também são evidentes as diferenças entre os institutos, já que, enquanto aquelas se formalizam sem a ocorrência de uma condição, nestes a concessão do benefício condicionase ao preenchimento de determinados requisitos pela pessoa jurídica, como a promoção do investimento pactuado e o compromisso de a empresa permanecer no Estado após a liquidação do contrato. Descaracterizase, portanto, os benefícios recebidos no âmbito do PROADI/PROVIN como subvenções para investimento, afastandose, deste modo, seu tratamento contábil como "Reservas de Incentivos Fiscais". De fato, sendo classificados como negócio jurídico no qual, ao final do contrato de mútuo, a empresa terá um desconto de até 99% do valor da parcela do valor financiado, o qual tem por referência o valor do ICMS a ser recolhido, tal montante deverá ser contabilizado como redução de custos e despesas. Não merece ser acolhido, assim, o entendimento fazendário de que tais valores referemse a subvenções para investimento. Referida conclusão fundamentouse no que dispõe o Parecer Normativo CST n.° 112/78. (...) Observase que, para o enquadramento dos benefícios como subvenção para investimentos, a autoridade fiscalizadora considerou o fato de significarem transferência de recursos para pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos nas regiões definidas por lei. Ainda, levou em conta o disposto no item 3.6 do Parecer Normativo CST n.° 112/78. Contudo, há que se ter em mente que nem toda a aplicação de recursos decorrentes de incentivos autoriza sua classificação como subvenção para investimentos, o que foi tratado inclusive pelo parecer normativo supracitado Evidente, portanto, que não basta a aplicação do benefício concedido ser realizada com o fim de desenvolver os Estados do Rio Grande do Norte e do Ceará, por meio de externalidades Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 14 positivas advindas da implantação da indústria, mas a verificação das próprias características inerentes ao negócio jurídico em análise. Neste sentido, os empréstimos concedidos ao contribuinte para o desenvolvimento da região Nordeste, utilizandose como valor de referência o ICMS devido pela pessoa jurídica, não obstante estarem incluídos no gênero dos incentivos concedidos pelo Poder Público ao particular, diferem das subvenções. Neste sentido, cumpre trazer à baila o constante no Ato Declaratório Interpretativo SRF n.° 22/03, que definiu os empréstimos subsidiados ao particular como uma espécie de incentivo concedido pelo Estado, afastandoos dos conceitos de subvenção para investimento ou para custeio (...). De uma simples leitura do Ato Declaratório Interpretativo SRF n.° 22/03, verificase que este, ao contrário do que entendeu o órgão fiscalizador tributário, não restringiu a forma de contabilização disciplinada apenas aos juros e correção monetária decorrentes do contrato de mútuo realizado entre o Estado e os contribuintes optantes pelo benefício, mas definiu que "os benefícios concedidos pelo Poder Público às pessoas jurídicas, consistentes em empréstimos subsidiados ou regimes especiais de pagamento de impostos'" não configuram subvenções de investimento ou de custeio, mas, na verdade, têm natureza de reduções de custos e despesas, devendo ser contabilmente tratados como tais. Tal foi o realizado pela Guararapes, que adotou o entendimento da própria Receita Federal do Brasil, segundo qual o registro contábil dos recursos deve ser realizado sob a rubrica de redução de custos ou despesas, em contrapartida às contas que as originaram. Uma vez mais, a Guararapes não procedeu à contabilização de referidos valores partindo da premissa de que se enquadrariam na espécie das subvenções para custeio, ao contrário do que afirma a fiscalização tributária no Termo de Verificação. Ainda, o mencionado Ato Declaratório Interpretativo, no parágrafo único de seu art. 1º, afastou qualquer dúvida que pairasse sobre eventual classificação de tais benefícios como subvenções para investimento, declarando como inaplicável, aos empréstimos, o disposto no art. 443 do RIR/99, que disciplinou sobre o tratamento contábil a ser dispensado às subvenções, a saber; (i) seu registro como reserva de capital e (ii) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniencias passivas ou insuficiências ativas. (...) Considerandose a existência de um custo de ICMS contabilizado nas demonstrações financeiras da empresa, a concessão deste benefício concedido pelo Estado deve ser contabilmente tratada como redução do respectivo custo ou despesa. Em resumo, se a legislação vigente define a base de cálculo do PIS e da COFINS como sendo a receita, o aspecto material da contribuição, confirmado por esta base de cálculo, é o Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10469.724404/201452 Acórdão n.º 3402002.910 S3C4T2 Fl. 1.127 15 comportamento de auferir receita, que significa receber ou obter receita. Cumpre, assim, verificar se, in casu, os valores relativos aos programas PROADI/PROVIN enquadrarseiam em tal hipótese. Conforme já demonstrado nos parágrafos anteriores, a resposta é negativa. A análise do caso permite inferir os valores destinados ao desenvolvimento dos Estados do Rio Grande do Norte e do Ceará são, verdadeiramente, redução de custos e despesas da Guararapes, tal como computado em suas demonstrações contábeis, não podendo ser qualificadas, sob qualquer ângulo que se analise a questão, como receitas auferidas. E ainda que se estivesse a tratar de subvenção para investimentos, o que se admite apenas para argumentar, tais valores não se coadunam com o conceito de receita. Por se tratarem de valores que saem dos cofres públicos com vistas à viabilização de um empreendimento de interesse social, permanece atual o comentário de AROLDO GOMES DE MATTOS, que, a propósito da análise do imposto de renda frente ao ICMS remitido como subvenção para investimento, afirmou que, caso referidas subvenções fossem consideradas como receita tributável, "seria o mesmo que o governo estadual dar com a mão direita para, em seguida, o governo federal retirar com a mão esquerda". Como observam, nesse sentido, Luís EDUARDO SCHOUERI e MATEUS CALICCHIO BARBOSA, "as subvenções para investimento não possuem caráter de receita, seja porque não constituem resultado de atividade desenvolvida pela empresa (receita operacional), seja porque não correspondem a um valor auferido na venda de bens do ativo (receita não operacional). Considerandose todo o exposto, denotase que (i) sendo os benefícios proporcionados pelos programas PROADI/PROVIN uma recuperação de custos ou despesas já contabilizados pela pessoa jurídica, não há que se cogitar em receitas auferidas; (ii) ainda que assim não fosse, o próprio conceito de subvenção de investimento não se coaduna com o conceito de receitas, não sendo base apta à incidência do PIS e da COFINS, afastandose, desta maneira, a inclusão de tais valores na base de cálculo de aludidas contribuições, com a consequente extinção do Auto de Infração e o arquivamento do respectivo processo administrativo, o que se requer. Na seqüência, inaugurando item destinado a demonstrar a impossibilidade de aplicação de penalidades diante de condutas conformes às normas jurídicas, argumenta a defesa: Como se infere do parágrafo único do artigo 100 do Código Tributário Nacional, a observância das normas complementares, assim compreendidas, entre outros, os atos normativos Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 16 expedidos pelas autoridades administrativas e práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas, exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Neste sentido, eventual aplicação de multa em razão de comportamento do contribuinte em consonância a entendimento atos da própria Receita Federal do Brasil acabaria por gerar grave afronta ao parágrafo único do art. 100 do CTN, bem como à própria segurança jurídica (...). Diante do exposto nos parágrafos anteriores e considerandose que a Guararapes e pautou pela boafé na escrituração de suas demonstrações contábeis, observando os entendimentos já expostos pela própria Receita Federal do Brasil sobre a matéria, não fosse pelo necessário cancelamento integral do auto de infração, de rigor que haja a exclusão das multas aplicadas in casu, sob pena de a Administração Pública incorrer inclusive em "venire contra factum próprio", vedado pelo ordenamento jurídico brasileiro, motivo pelo qual se requer seja afastada. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010, 2011 SUBVENÇÕES GOVERNAMENTAIS. NATUREZA JURÍDICA DE RECEITA. Os incentivos relativos ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS concedidos pelos governos estaduais às sociedades empresárias constituem receita da pessoa jurídica. Não constituída a devida reserva de incentivos fiscais, os valores recebidos a título de incentivos devem ser submetidos à tributação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010, 2011 SUBVENÇÕES GOVERNAMENTAIS. NATUREZA JURÍDICA DE RECEITA. Os incentivos relativos ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS concedidos pelos governos estaduais às sociedades empresárias constituem receita da pessoa jurídica. Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10469.724404/201452 Acórdão n.º 3402002.910 S3C4T2 Fl. 1.128 17 Não constituída a devida reserva de incentivos fiscais, os valores recebidos a título de incentivos devem ser submetidos à tributação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 04/12/2014 (fl. 1.055), a Recorrente foi cientificado da Decisão nº 14 55.075, 14ª Turma da DRJ/RPO. Inconformada, em 05/01/2015 (fl. 1.058 e 1.087), apresentou o Recurso Voluntário de fls. 1.058/1.079, reafirmando as argumentações já apresentadas em sua impugnação e reforçada no seguinte sentido: (i) conforme demonstrado nas razões da impugnação, a conclusão que se deve ter é a de que os valores recebidos configuramse como redução de custos e despesa, conforme inclusive já admitido pela RFB, não devendo ser incluídos, na base de cálculo do PIS/COFINS as receitas oriundas dos programas PROADI/PROVIN; (ii) da correção do procedimento contábil adotado pela Recorrente quanto aos valores recebidos a título de incentivos do PROADI/PROVIN, com supedâneo no Ato Declaratório Interpretativo (ADI) nº 22/2003; tece esclarecimentos acerca da natureza jurídica das subvenções financeiras, gênero dentro do qual se inserem as espécies denominadas (a) subvenções para investimento e (b) subvenções correntes ou para custeio; (iii) que resta cristalino na legislação, que não basta a mera aplicação do benefício concedido com o fim de desenvolver os Estados do Rio Grande do Norte e do Ceará, por meio de externalidades positivas advindas da implantação da indústria, e sim a verificação das próprias características inerentes ao negócio jurídico em análise, em especial àquelas estipulados em contrato; os empréstimos concedidos ao contribuinte para o desenvolvimento da região Nordeste, utilizandose como valor de referência o ICMS devido pela pessoa jurídica, não obstante estarem incluídos no gênero dos incentivos concedidos pelo Poder Público ao particular, diferem das subvenções. Cita diversos estudos e pareceres de escritores; (iv) repisa que da análise do caso permite inferir que os valores destinados ao desenvolvimento dos Estados do Rio Grande do Norte e do Ceará são, verdadeiramente, redução de custos e despesas da Recorrente, tal como computado em suas demonstrações contábeis, não podendo ser qualificadas, sob qualquer ângulo que se analise a questão, como receitas auferidas, e (v) por fim, pugna pelo descabimento das penalidades em razão da observância de atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. Diante de todo o exposto, requer seja dado provimento ao recurso, anulando se integralmente os autos de infração lavrados, porque escorreito o enquadramento contábil dos benefícios proporcionados pelos programas PROADI/PROVIN, como redução de custos ou despesas. É o relatório. Voto Vencido Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 18 Conselheiro Waldir Navarro Bezerra – Relator Da admissibilidade dos recursos A recorrente foi cientificada da referida decisão da DRJ em 04/12/2014 (fl. 1.055), apresentou em 05/01/2015 (fls. 1.058 e 1.087) o recurso voluntário de fls. 1.058/1.079. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode e deve ser conhecido. Introdução Como consta do relatório, o presente lançamento tem por objeto a exigência da Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins apuradas no regime não cumulativo, incidentes sobre valores atinentes a incentivos fiscais de ICMS, caracterizados pelo Fisco como Subvenções para Investimentos, cujos critérios estabelecidos pela Lei nº 11.941, de 2009, não foram observados, ao passo que a Recorrente alega que os valores recebidos configuramse como redução de custos e despesas. Verificase que a Recorrente é beneficiário de incentivos fiscais no âmbito dos Governos dos Estados do Ceará e do Rio Grande do Norte, denominados, respectivamente, de Programa de Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Norte (PROADI) e Programa de Incentivo ao Desenvolvimento Industrial (PROVIN). Analisandose os autos, concluise que o lançamento dos tributos em questão ocorreu pelos seguintes fundamentos: (i) a autoridade fiscalizadora entendeu que os valores relativos aos programas PROADI/PROVIN teriam natureza jurídica de subvenções para investimentos e, (ü) não tendo sido obedecidos os critérios estatuídos no art. 18 da Lei n.° 11.941/09, tal receita deveria ser incluída na base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Portanto, a controvérsia que opõe a Administração Tributária e a Recorrente versa sobre a natureza dos recursos envolvidos nas subvenções estatais e, por conseguinte, sobre a possibilidade de sua tributação pelas contribuições sociais (PIS e a COFINS). Pois bem. O Programa de Apoio ao Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Norte (PROADI) é regido pela Lei nº 7.075, de 17 de novembro de 1997, e pelo Decreto nº 13.723, de 24 de dezembro de 1997, e tem por objetivo apoiar e incrementar o desenvolvimento industrial do Estado do Rio Grande do Norte através da concessão de financiamento a empresas industriais, sob a forma de contrato de mútuo. Já o Programa Estadual de Incentivos voltados para a Promoção Industrial do Ceará, teve início em 1979, tendo sido criado nesse mesmo ano o Fundo de Desenvolvimento Industrial – FDI, pela Lei nº 10.367/79, sendo regulamentado pelo Decreto 22.719 A, de 20 de agosto de l993, Decreto nº 23.113, de 18/03/94, Decreto nº 23.913, de 21/11/95 e Decreto nº 24.670, de 16/10/97, com o objetivo de promover o desenvolvimento das atividades industriais em todo o território do Estado do Ceará. O mecanismo de funcionamento dos incentivos acima, similares, ocorre por intermédio de, primeiramente, assinatura de um Protocolo de Intenções por meio do qual o contribuinte se compromete a efetuar investimentos de recursos na implantação, expansão ou diversificação de empreendimento na área de interesse do governo. Por sua vez, ao entrar em Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10469.724404/201452 Acórdão n.º 3402002.910 S3C4T2 Fl. 1.129 19 atividade operacional, o Estado financia uma parcela correspondente a 75% (setenta e cinco por cento) do valor do ICMS a recolher (já que 25% dos recursos do ICMS, constitucionalmente, pertencem aos municípios, e terão que ser repassados), utilizandose, para isso, de um contrato de mútuo de execução periódica formalizado com o contribuinte, com garantia fidejussória (Nota Promissória), por intermédio de uma instituição financeira gestora credenciada. No vencimento de cada parcela, atendidos os requisitos, o beneficiário só desembolsa 1% (um por cento) do valor. Mérito O debate que se trava nos autos é sobre uma questão fundamental: a natureza jurídica desses incentivos concedidos pelos Estados do Ceará e do Rio Grande do Norte, caracterizamse como subvenção para investimento ou para custeio, bem como se tais valores integram as base de calculo do PIS e da COFINS. A conclusão da lide passa, portanto, pela definição da natureza jurídica destes benefícios fiscais, para fins de determinação quanto ao seu enquadramento como receita tributável, como defendido pelo Fisco, ou como mera redução de custos fiscais, conforme alegado pela recorrente. Como muito bem abordado pela decisão a quo, quanto a natureza dos incentivos, é de se notar que a Lei nº 10.367, de 07 de dezembro de 1979, que criou o Fundo de Desenvolvimento Industrial do Ceará, define como objetivo do fundo a promoção do desenvolvimento das atividades industriais em todo o território do Estado do Ceará, assegurando incentivos de implantação, funcionamento, relocalização, ampliação e modernização ou recuperação às empresas industriais consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento econômico do Estado. Por seu turno, a Lei nº 7.075, de 17 de novembro de 1997, que dispõe sobre o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Norte, define como sendo seu objetivo apoiar e incrementar o desenvolvimento industrial do Estado. São elegíveis para o benefício, empresas industriais novas, existentes que ampliem sua capacidade mediante novos investimentos fixos e circulantes e existentes paralisadas ou com alta capacidade ociosa mas que estejam em recuperação mediante a realização de novos investimentos ou utilização da capacidade ociosa. É cediço que a subvenção é um auxílio que não importa exigibilidade para o seu beneficiário e podem ser concedidas pelo poder público na forma de isenções ou reduções tributárias. José Souto Maior Borges ilustra adequadamente os contornos do benefício, nestes termos: O conceito de subvenção está sempre associado à idéia de auxílio, ajuda como indica a sua origem etimológica (subventio) expressa normalmente em termos pecuniários. Entretanto, se bem que a subvenção, em Direito Civil, constitua uma forma de doação, caracterizandose, portanto, pelo seu caráter não compensatório, no Direito Público, particularmente no Direito Financeiro, embora também se revista de caráter não remuneratório e não compensatório, deve submeterse ao regime jurídico público relevante. A subvenção pressupõe sempre o Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 20 concurso de dinheiro ou outros bens estatais. É categoria de Direito Financeiro e não de Direito Tributário." (in Subvenção Financeira, Isenção e Deduções Tributárias, Revista de Direito Público, V. 41 e 42. p. 43.) Esclarecese ainda que as subvenções podem ser estabelecidas por diferentes modalidades, sendo que as mais comuns a subvenção para custeio e a subvenção para investimento. Como definições, consta do Termo de Verificação Fiscal elaborado pelo Fisco, que a subvenção para custeio é a que busca somente auxiliar o beneficiado na sustentação de suas despesas ordinárias, em decorrência da relevância estratégica e socioeconômica da empresa ou do setor como um todo e a subvenção para investimento tem por escopo, de fato, estimular a implantação ou expansão de determinado setor, utilizandose, para isso, de várias formas, inclusive desoneração fiscal, que possibilitem essa finalidade. Fossem as subvenções “para custeio ou operação”, não haveria dúvidas de que constituem receita bruta operacional da empresa, uma vez que no âmbito tributário a questão decorre de expressa disposição legal (art. 44 da Lei nº 4.506/1964) grifouse: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Já o art. 38, § 2º do Decreto lei nº 1.598/77, passou a considerar a subvenção para investimento como receita isenta do IRPJ, cuja norma traz algumas condições para a exclusão do crédito tributário. Vejamos: Art. 38. (...) § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 19; ou (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10469.724404/201452 Acórdão n.º 3402002.910 S3C4T2 Fl. 1.130 21 Portanto, as subvenções para custeio, que tem por finalidade o incremento da atividade operacional da beneficiária, se diferenciam por não apresentarem a exigência da realização de investimentos. Por outro giro as subvenções para investimento se caracterizam por exigir da empresa beneficiária que o montante desonerado seja, ao menos parcialmente, reinvestido na implantação ou expansão de seu empreendimento. A recorrente, por sua vez, argumenta em seu recurso que não se trataria nem de subvenção de investimento, tampouco subvenção de custeio. Isso porque, insiste em seu recurso, que com fulcro no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 22, de 28 de outubro de 2003, seria uma espécie de incentivo com natureza redutora de custos e despesas (fiscais). Transcrevo a ementa do referido ato: Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 22, de 29 de outubro de 2003 DOU de 31.10.2003 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto nos arts. 374, 377 e 443 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda (RIR, de 1999), e o que consta do processo nº10768.028583/9801, declara: Art. 1º Os incentivos concedidos pelo Poder Público às pessoas jurídicas, consistentes em empréstimos subsidiados ou regimes especiais de pagamento de impostos, em que os juros e a atualização monetária, previstos contratualmente, incidem sob condição suspensiva, não configuram subvenções para investimento, nem subvenções correntes para custeio. Parágrafo único. Os incentivos de que trata o caput configuram reduções de custos ou despesas, não se aplicando o disposto no art. 443 do RIR, de 1999. Art. 2º Os juros e a atualização monetária contratados, incidentes sob condição suspensiva, serão considerados despesas na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), quando implementada a condição. Entendo que o supracitado Ato normativo não tem aplicabilidade ao caso em tela. O indicado Ato Declaratório versa sobre a renúncia sobre os juros e correção monetária sob condição suspensiva sobre o valor a pagar em regimes especiais de pagamentos de tributos ou empréstimos subsidiados. No caso dos autos, o mútuo do qual a recorrente é beneficiária é quitado pelo Poder Público, desonerando aquela. E essa parcela subvencionada pelo Estado, em favor da autuada, é o objeto do lançamento, e não parcelas supostamente arcadas pela recorrente a título de juros e correção monetária em empréstimos e tampouco regime especial de pagamento de impostos. Entendo que a análise deve iniciar à luz do Parecer Normativo CST nº 112/1979, que ali reside argumento para o deslinde da questão. Em tal parecer, concluise que: Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 22 “7.1 Ante exposto, o tratamento a ser dado às SUBVENÇÕES recebidas por pessoas jurídicas, para os fins de tributação do imposto de renda, a partir do exercício financeiro de 1978, face ao que dispõe o art. 67, item I, letra "b" do Decretolei n. 1.598/77, podeser assim consolidado: I As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram o resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional; II (...). III As ISENÇÕES ou REDUÇÕES de impostos só se classificam como subvenções para investimento, se presentes todas as características mencionadas no item anterior; IV As SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, se registradas como reserva de capital não serão computadas na determinação do lucro real, desde que obedecidas as restrições para a utilização dessa reserva; V. (...). Do tratamento Contábil O Fisco apurou que a Recorrente, nos anoscalendários de 2010 e 2011, reconheceu a subvenção estatal formulada no âmbito dos programas de incentivo PROADI/PROVIN como Receita Operacional, enquadrandoa como se tratasse de subvenção para custeio. Deixou, desse modo, de registrar contabilmente a Reserva de Incentivos Fiscais (reserva de lucros), na forma imposta pela Lei nº 11.941/2009, a fim de excluir tais valores da incidência tributária. E, por conseguinte, deu destinação diversa daquela disposta para programas de incentivo ao desenvolvimento industrial, apropriandose dos recursos subvencionados como se receita operacional fosse e, consequentemente, distribuindo esses valores a título de lucros e dividendos. E como bem ressaltado pela fiscalização nos itens 93/94 do Termo de Verificação Fiscal (fl. 93), relevante lembrar ainda que a contribuinte tratavase de beneficiária de incentivo fiscal redutor do Imposto de Renda no percentual de 75%, calculado sobre o Lucro de Exploração, no âmbito dos projetos aprovados pela ADENE (Agência de Desenvolvimento do Nordeste) e reconhecidos pela RFB. E dessa feita, também submetia tais valores à redução do Imposto de Renda pois integrados ao resultado operacional. Posto isto, em razão da inobservância dos requisitos disciplinados no art. 18 da Lei nº 11.941/2009 (vigente nos períodos aqui tratados) e da apropriação dos recursos públicos por parte da sociedade empresária na condição de resultado operacional, o Fisco promoveu a exclusão dos incentivos dos programas PROADI/PROVIN do lucro líquido, reenquadrandoos como resultado não operacional e recalculando inclusive o Lucro da Exploração. Art. 18. Para fins de aplicação do disposto nos arts. 15 a 17 desta Lei às subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e às doações, feitas pelo Poder Público, a que se refere o art. 38 do DecretoLei no1.598, de 26 de dezembro de 1977, a pessoa jurídica deverá: I – reconhecer o valor da doação ou subvenção em conta do resultado pelo regime de competência, inclusive com observância das determinações constantes das normas expedidas Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10469.724404/201452 Acórdão n.º 3402002.910 S3C4T2 Fl. 1.131 23 pela Comissão de Valores Mobiliários, no uso da competência conferida pelo § 3º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, no caso de companhias abertas e de outras que optem pela sua observância; II – (...) § 1o As doações e subvenções de que trata o caput deste artigo serão tributadas caso seja dada destinação diversa da prevista neste artigo, inclusive nas hipóteses de: (...). Temos ainda que as subvenções governamentais, independentemente da modalidade adotada, encontramse delineadas pelo Comitê de Pronunciamento Contábil em seu Pronunciamento CPC nº 07 e Resolução do Conselho Federal de Contabilidade CFC nº 1.143/2008. No que tange à lide, reproduzse os itens 38D e 38E do citado CPC nº 07, que são claros ao definir que as subvenções governamentais consistentes em incentivos fiscais devem ser escrituradas como receita, Vejase (grifouse): Redução ou isenção de tributo em área incentivada 38D. Certos empreendimentos gozam de incentivos tributários de imposto sobre a renda na forma de isenção ou redução do referido tributo, consoante prazos e condições estabelecidos em legislação específica. Esses incentivos atendem ao conceito de subvenção governamental. 38E. O reconhecimento contábil dessa redução ou isenção tributária como subvenção para investimento é efetuado registrandose o imposto total no resultado como se devido fosse, em contrapartida à receita de subvenção equivalente, a serem demonstrados um deduzido do outro. No item 9 deste ato afirma ainda ser irrelevante para o método de contabilização a forma como a subvenção foi recebida: 9. A forma como a subvenção é recebida não influencia no método de contabilização a ser adotado. Assim, por exemplo, a contabilização deve ser a mesma independentemente de a subvenção ser recebida em dinheiro ou como redução de passivo. Quanto à Contabilização na conta de Reservas de Capital, notase nos autos que não ficou demonstrado que os valores da subvenção foram contabilizados em "Reserva de Capital", subtítulo de "Reserva de Subvenções", no grupo "Patrimônio Líquido" do Balanço da empresa, conforme exige o art. 443 do RIR/99 (Decreto n° 3.000/99). Pelo contrário, verificase no Relatório de Verificação elaborado pelo Fisco, que o tratamento contábil dado pela Recorrente aos incentivos estaduais, nos anoscalendário de 2010 e 2011, em relação aos referidos incentivos financeiros, ocorreu da seguinte forma: PROADI (1º) lançamento: Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 24 D – 7.1.002.020.0002 ICMS (dedução de vendas) C – 6.1.005.003.0001 ICMS (PC a recolher) (2º) lançamento: D – 6.1.005.003.0001 ICMS (PC a recolher) C – 7.1.002.020.0002 ICMS (dedução da receita bruta PROVIN (1º) lançamento: D – 7.1.002.021.0002 ICMS (dedução de vendas) C – 6.1.005.003.0001 ICMS (PC a recolher) (2º) lançamento: D – 6.1.005.003.0001 ICMS (PC a recolher) C – 7.1.002.021.0002 ICMS (dedução da receita bruta) Resta evidente que ao adotar essa sistemática, a Recorrente reconhece o incentivo financeiro concedido no âmbito dos programas PROADI/PROVIN como uma receita operacional (redução de custos), categoria onde se insere a subvenção para custeio. Desta forma, não constituiu a Reserva de Incentivos Fiscais, nos termos da Lei nº 11.941/09, e se apropriou dos recursos subvencionados, distribuindo lucros e dividendos oriundos desses valores. Desta forma, resta claro que os incentivos relativos ao ICMS concedidos pelos Estados do Ceará e do Rio Grande do Norte à sociedade empresária autuada, constitui receita da pessoa jurídica. Sobre o tema em debate nestes autos, reproduzo abaixo Ementa e trechos do voto de recente Acórdão proferida pela CSRF nº 9303002.355, de 13/08/2013, de Relatoria do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, a qual também me filio e adoto como fundamentos para de decidir, com base no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2001 Subvenções Governamentais. Natureza jurídica de Receita. Os incentivos relativos ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS concedidos pelo Estado do Amazonas às sociedades empresárias constitui receita da pessoa jurídica, e como tal devem ser escriturados. (...) Feitos os necessários esclarecimentos, passo, sem mais delongas ao exame da controvérsia trazida no apelo Fazendário, qual seja, a da incidência ou não da Cofins sobre as dos valores atinentes a incentivos fiscais de ICMS, registrado na contabilidade da autuada na conta Reserva de Capital, que a recorrida caracterizou como subvenções para investimentos. Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10469.724404/201452 Acórdão n.º 3402002.910 S3C4T2 Fl. 1.132 25 Inicialmente, temse que o correto enquadramento contábil dos incentivos fiscais (subvenções) concedidos pelo Estado do Amazonas, destinados às sociedades empresárias industriais ou agroindustriais que lá se instalaram, deve ser feito como receitas não operacionais da pessoa jurídica, pelas razões seguintes. As subvenções governamentais são programas delineados, administrados e concedidos pelos governos (União, Estados, DF e Municípios) com o objetivo de incrementar operações, atrair investimentos para determinadas regiões pouco desenvolvidas e financiar a promoção de atividades de interesse público. Às empresas que se fixam em áreas carentes de desenvolvimento são concedidas reduções e isenções tributárias (subvenções) sobre suas operações, cuja concessão segue procedimento criterioso de aprovação da empresa interessada. Há outras modalidades de subsídios, tais como as subvenções governamentais para investimento em que a empresa beneficiária fica obrigada a reinvestir, sob determinadas condições, parte dos tributos desonerados de suas transações e a subvenção para custeio, também denominada de subvenção corrente para custeio ou subvenção operacional, esta modalidade de subvenção governamental é caracterizada pelo incentivo, em sua maioria de natureza tributária, concedido pelo poder público com o objetivo de incrementar a atividade operacional das empresas em decorrência de interesses do próprio governo. Dos conceitos acima, a conclusão acaciana a que se chega é que o incentivo fiscal dado pela Lei 2.826/2003, do Estado do Amazonas, é espécie de subvenção governamental. A classificação desse incentivo como subvenção governamental é encontrada, dentre outros, nos itens 62 e 413 do CPC nº 7. Como é de sabença de todos, a sigla CPC designa o Comitê de Pronunciamento Contábil, criado pela Resolução nº 1055/054 do Conselho Federal de Contabilidade, composto pelas seguintes entidades: ABRASCA; APIMEC NACIONAL; BOVESPA; Conselho Federal de Contabilidade; FIPECAFI; e IBRACON. Releva ainda salientar que o CPC nº 07 foi aprovado, dentre outros, pela (o): CVM, deliberação CVM nº 555/08; CFC, Resolução CFC nº 1.143/08; Susep, Circular Susep nº 379/08 (anexo I). As subvenções governamentais consistentes em incentivos fiscais devem ser escrituradas como receita, a teor do item 42, abaixo transcrito: 42. O reconhecimento contábil dessa redução ou isenção tributária como subvenção para investimento é efetuado registrandose o imposto total no resultado como se devido fosse, em contrapartida à receita de subvenção equivalente, a serem demonstrados um deduzido do outro. A seu turno, o item 9 do CPC nº 07, dispõe ser irrelevante para o método de contabilização, a forma como a subvenção foi recebida, vejamos: 9. A forma como a subvenção é recebida não influencia no método de contabilização a ser adotado. Assim, por exemplo, a contabilização deve ser a mesma independentemente de a subvenção ser recebida em dinheiro ou como redução de passivo. Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 26 Nessa linha de raciocínio, vêse que os incentivos relativos ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS concedidos pelo Estado do Amazonas à sociedade empresária autuada constitui receita da pessoa jurídica, mais precisamente, receita não operacional, posto não ser fruto direto da alienação de um bem ou serviço relacionado à atividade fim da sociedade empresária. Resta então determinar se tal receita pode ser alcançada pela incidência da Cofins. Vejamos: Até o advento da Lei 9.718/1998, a base de cálculo dessa contribuição era a receita bruta decorrente da venda de bens, de serviços ou de bens e serviços (conceito de faturamento). Todavia, o § 4 1º do art. 3º dessa Lei alterou o campo de incidência do PIS/Pasep e da Cofins, alargandoo, de modo a alcançar toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade por ela exercida e da classificação contábil das receitas. Desta forma, sob a égide desse dispositivo legal, dúvida não havia de que as receitas decorrentes da isenção ou concessão de créditos do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, comporiam a base de cálculo dessa contribuição. Correto, portanto, o lançamento fiscal (...). Ressaltese que a Lei nº 10.637, de 2002, e a Lei nº 10.833, de 2003, ao instituírem a incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS e da Cofins, respectivamente, definiram as bases de cálculo daquelas contribuições como sendo a receita bruta da venda de bens e serviços e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Do enunciado legal, inferese que se considera como receita bruta, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, da qual podem ser excluídos os valores legalmente autorizados, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Neste diapasão, percebese que a distinção entre as subvenções é indiscutivelmente importante para fins de tributação para o IRPJ. Contudo, no que se refere às Contribuições em análise no presente processo (Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS), só seria relevante se a análise fosse referente ao período da cumulatividade, no qual a tributação das contribuições dependia do caráter operacional da receita. Na sistemática da não cumulatividade, regida pelas Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, a Contribuição para o PIS e para a COFINS incide sobre “o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica” (operacionais ou não operacionais), “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”, sendo irrelevante a classificação das receitas provenientes de subvenções estaduais se é “para custeio ou operação”, ou para “investimento”. Por fim, é oportuno registrar que a Lei nº 10.637/2002 e a Lei nº 10.833/2003 foram acrescidas, respectivamente, com os incisos X e IX de seus artigos 1º, passando a prever expressamente a exclusão das subvenções para investimento da base de cálculo das referidas contribuições, por força da Lei nº 12.973/2013. E mesmo que tal previsão pudesse retroagir para beneficiar a Recorrente, a inobservância dos requisitos legais contábeis para a subvenção de investimento impõe a incidência tributária para o caso concreto em apreço. Posto isto, tendo em vista que a recorrente é contribuinte da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS pelo regime não cumulativo, e que as receitas operacionais e não operacionais encontramse incluídas na hipótese de incidência destes tributos, mostrase correto o lançamento tributário. Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10469.724404/201452 Acórdão n.º 3402002.910 S3C4T2 Fl. 1.133 27 Das penalidades impostas A Recorrente aduz em seu recurso, que os atos normativos expedidos pela Administração são fontes do direito tributário, razão pela qual as penalidades impostas deveriam ser expurgadas, eis que, a seu sentir, sua conduta teria sido pautada em obediência a atos normativos administrativos expedidos pelas autoridades administrativas. Primeiramente cabe lembrar que, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN) Lei n° 5.172, de 1966, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável, somente sendo excluída, nos termos do art. 138, pela denúncia espontânea da infração, acompanhada do pagamento do tributo devido. O lançamento tributário é rigidamente regrado pela lei, ou, no dizer do art. 3º do CTN, é atividade administrativa plenamente vinculada. O que é determinante para a efetivação do lançamento e considerado no seu julgamento é a ocorrência do fato gerador. Nesta linha, como restou comprovado nos autos, o procedimento da Recorrente não seguiu o que determina a legislação tributária. Assim, não se poderá fugir do que dispõe o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicandose, o disposto no inciso I deste artigo, sobre a infração apurada em procedimento de ofício, dando causa à multa objeto de impugnação. Sendo assim, correta a aplicação da multa da ordem de 75% sobre as contribuições não recolhidas, bem como a cobrança dos encargos moratórios. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário apresentado, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Voto Vencedor Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto A discussão sobre a inclusão das subvenções na base de cálculo do PIS e da Cofins é dizer, a sua qualificação como receita tributável da pessoa jurídica deve partir de uma propedêutica, posto que necessária, abordagem de sua definição, bem como de suas espécies que atraem tratamentos tributários distintos. Uma definição usualmente evocada ao tratar do tema é aquela proposta por De Plácido e Silva, que afirma ser a subvenção um "auxílio ou ajuda pecuniária que se dá a alguém ou para alguma instituição, no sentido de nos proteger, ou para que se realizem ou cumpram os seus objetivos" (Vocábulo Jurídico, 2ªed. Rio de Janeiro: Forense, s.d., v.IV, Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 28 p.1492). No mesmo sentido vai o Parecer Normativo CST n.112/78 (que, em rigor, aborda o tratamento tributário das subvenções no âmbito do Imposto de Renda), ao afirmar que "Juridicamente, a subvenção não tem o caráter nem de paga, nem de compensação. É mera contribuição pecuniária destinada ao auxílio ou em favor de uma pessoa, ou de uma instituição, para que se mantenha, ou para que execute os serviços ou obras pertinentes a seu objeto". Legalmente, a lei 4.320/64, que veicula normas gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle do orçamento dos entes federados conceituou as subvenções no seu art.12, §3º: Art.12. (...) § 3º Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: I subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II subvenções econômicas, as que se destinem a emprêsas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril. Verificase que a lei se refere a subvenções de custeio. E especificamente sobre as subvenções econômicas haja vista que as sociais pouco importam ao caso, por estarem relacionadas a entidades cujas receitas estão tradicionalmente fora do campo da tributação a mesma lei traz em seu art.16 as suas finalidades específicas: II) Das Subvenções Econômicas Art. 18. A cobertura dos déficits de manutenção das emprêsas públicas, de natureza autárquica ou não, farseá mediante subvenções econômicas expressamente incluídas nas despesas correntes do orçamento da União, do Estado, do Município ou do Distrito Federal. Parágrafo único. Consideramse, igualmente, como subvenções econômicas: a) as dotações destinadas a cobrir a diferença entre os preços de mercado e os preços de revenda, pelo Govêrno, de gêneros alimentícios ou outros materiais; b) as dotações destinadas ao pagamento de bonificações a produtores de determinados gêneros ou materiais. Portanto, tornase clara a técnica definitória adotada pela lei 4.320/64 para as subvenções de custeio: por um lado, definea conceitualmente, qualificandoa como uma transferência destinada a cobrir despesas e, conjuntamente, adota critérios finalísticos para essas valores transferidos, devendo serem usados para: i) cobrir déficits de manutenção (para empresas públicas); ii) cobrir a diferença entre os preços de mercado e os preços de revenda, pelo Governo, de diversos materiais; iii) para o pagamento de bonificações a produtores de certos gêneros ou materiais. No Direito Brasileiro, portanto, não basta que haja uma transferência de recursos do Estado para uma empresa para que estejamos diante de uma subvenção de custeio aquela versada definida na lei 4.320/64 sendo necessário não apenas a ajuda pecuniária, mas também as finalidades que a lei determina para tal auxílio. Mais do que isso, há também a Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10469.724404/201452 Acórdão n.º 3402002.910 S3C4T2 Fl. 1.134 29 necessidade de um interesse público que justifique a concessão de tal subvenção como de resto é exigência de qualquer atuação pública. O tratamento tributário das subvenções para custeio veio na Lei 4.506/64, em seu artigo 44, IV, que prescreve expressamente a inclusão desses valores na receita bruta operacional da empresa: "Art. 44. Integram a receita bruta operacional: (...) IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais." Sobre a adoção da expressão "subvenções correntes", explica Hercília Maria dos Santos Bauer, reproduzindo em parte o Parecer Normativo nº112/78, que: É possível que o legislador tenha utilizado esta locução porque a Lei n.4.320/64 (art.12) estabeleceu que as subvenções são espécies de "Transferências Correntes" (que, por sua vez, são indicadas no orçamento como "Despesas Correntes" da pessoa jurídica de direito público). Daí ter criado o termo subvenções correntes. De todo modo, a Lei vinculou as "subvenções correntes" ao custeio (das atividades do beneficiário), o que nos indica que o legislador utiliza o termo "subvenções correntes" para referirse às subvenções de uma maneira geral, pois todas as subvenções são correntes na medida em que classificadas como uma despesa corrente, e também como uma transferência corrente pela legislação financeira, além de se destinarem, sempre, ao custeio de despesas das entidades beenficiadas.(BAUER, Hercília Maria. A não incidência do Pis e da Cofins sobre valores recebidos a título de subvenção para investimento. In PEIXOTO, Marcelo Magalhães; MOREIRA JÚNIOR, Gilberto de Castro (coord.). PIS e COFINS à luz da jurisprudência do CARF, v.III. São Paulo: MP Editora, 2014. P.254) (grifo nosso) Essa tipologia das subvenções se torna mais problemática com a edição do Decretolei n.1.598/77, com a redação alterada pelo Decretolei 1.730/79, que prescreve em seu art.38, §2º: Art.38. (...) § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 19; b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. Esse decretolei traz uma outra espécie de subvenção, que pode ser concedida não apenas por transferências diretas, como também por incentivos fiscais como isenções ou Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 30 reduções do tributo de modo geral, desde que concedidos como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos atribuindo um regime tributário específico a esta espécie, com a sua exclusão na determinação do lucro real, desde que atendidos os requisitos das alíneas a e b. Observese que novamente o legislador fez uso de uma técnica híbrida de definição, desta feita para a subvenção de investimento: ao lado do elemento conceitual da existência de uma doação ou vantagem econômica, de origem pública, para a empresa, e há novamente um elemento finalístico, relacionado com o objetivo de estimular a implantação ou expansão de empreendimento econômico. Também não deve causar espécie a utilização de diversas técnicas de incentivos fiscais para veicular subvenções de investimento. Independente da clareza da dicção legal, parece correta a observação de Ricardo Lobo Torres: As características principais das subvenções consistem na sua natureza de incentivo financeiro, na necessidade de sua previsão em orçamento e em lei e na discricionariedade de sua entrega pela Administração. No conceito de subvenção, que é indeterminado e multissignificativo, pode ser subsumir, pelas semelhanças que com ela guarda, o de restituiçãoincentivo, isto é, a devolução de tributo como mecanismo de estímulo fiscal. (TORRES, Ricardo Lobo. Tratado de Direito Constitucional Financeiro e Tributário, v.5. Rio de Janeiro: Renovar, 2008. P.463464) Essa mesma percepção ampliativa do conceito de subvenções para abranger outras técnicas como restituição de tributos, créditos presumidos, isenções etc. é compartilhada pelas melhores doutrinas, a exemplo de Klaus Tipke (Steuerrecht. Colônia: Otto Schmidt, 1985, p.137), que denominaas de subvenções dissimuladas, encobertas, invisíveis ou indiretas (verschleierte, verdeckte, unsichtbare oder indirekte Subventionen), além dos americanos Stanley S. Surrey e Paul McDaniel (Tax Expenditures. Cambridge: Havard University Press, 1985. P.1), que denominam essa subvenção tributária de Tax Expenditures, incentivos sediados na receita, e não na despesa. Em síntese, a legislação tributária determina que as subvenções correntes de "custeio ou de operação" o uso de um aposto explicativo denota a intenção do legislador de restringir o gênero "subvenções correntes" às espécies "de custeio" e "de operação", que entendo terem sido adotadas como sinônimas, pela dicção do art.18 da lei 4.320/64 serão incluídas no lucro real, compondo receita bruta operacional, ao passo que as subvenções correntes de investimento serão excluídas do lucro real e creditadas como reserva de capital, na forma do art.38, §2º e alíneas do DecretoLei 1.598/77. A despeito dos elementos que compõem o desenho jurídico dessas duas espécies de subvenções, a Receita Federal exarou o Paracer Normativo CST nº112/78, versando sobre a apuração do lucro operacional das empresas e, neste mister, acrescentando novos contornos às tais subvenções. No item 2.11 há uma nova definição de subvenção de investimento: 2.11 Uma dos fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendose um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST Nº 143/73 Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10469.724404/201452 Acórdão n.º 3402002.910 S3C4T2 Fl. 1.135 31 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mais sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. Vejase que há aqui verdadeira inovação legal, escorada em dois pareceres normativos pretéritos, como se depreende da consolidação de conclusões desse parecer: I As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram o resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional; II SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO são as que apresentam as seguintes características: a) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; b) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e c) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. III As ISENÇÕES ou REDUÇÕES de impostos só se classificam como subvenções para investimento, se presentes todas as características mencionadas no item anterior; IV As SUBVENÇÕES, PARA INVESTIMENTO, se registradas como reserva de capital não serão computadas na determinação do lucro real, desde que obedecidas as restrições para a utilização dessa reserva; Onde havia inicialmente apenas uma finalidade específica de estímulo qualificando a classe das subvenções foram incluídos diversos outros requisitos exigindo que os valores recebidos sejam destinados à aplicação em bens e direitos que comporão o ativo da empresa. Tratase, sem dúvida, de um elaborado parecer, mas que esbarra na inescapável legalidade, haja vista que não possui nenhum respaldo normativo formal os critérios elencados pela Receita Federal mais ainda, o DecretoLei 1.598/77 não fala em momento algum a respeito do modo como deverá ser aplicada a subvenção, muito menos restringindoa da forma como o PN CST nº112/78 fez. Percebeu bem a erronia do Parecer o ilustre Bulhões Pedreira, em trechos de singular obra que bem pontuam as falhas fatais do entendimento da Receita Federal: A subvenção para investimento e a doação não pressupõem, todavia, aplicação de recursos no ativo permanente da pessoa jurídica. O capital próprio (assim como o de terceiros) achase aplicado, de modo indiscriminado, em todos os elementos do ativo, e a pessoa jurídica pode receber subvenções para investimentos ou doações para aumentar o capital de giro próprio. (...) Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 32 O PNCST n.112/78 interpreta restritivamente a expressão subvenção para investimento, ao considerar como requisito essencial que os recursos doados sejam aplicados em bens do ativo permanente. Essa interpretação não tem fundamento na lei. A legislação tributária classifica todas as subvenções em apenas duas categorias correntes e para investimento. A que não se classifica em uma delas pertence, necessariamente, à outra, e toda transferência de capital é subvenção para investimento. A palavra investimento, no caso, deve ser entendida nos seus dois sentidos de criação de bens de produção e de aplicação financeira. (BULHÕES PEDREIRA, José Luiz. Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas, v.II. Rio de Janeiro: Editora Justec, 1979. P.403 404.) (grifos nossos) Tenho comigo a convicção, de solar clareza de que o PN CST nº112/78 atua inauguralmente na ordem jurídica, acrescentando elementos caracterizadores das subvenções de investimento que não podem ser inferidos logicamente ou sistematicamente à partir do DecretoLei 1.598/77 e, assim, escanteando a legalidade que deve ser observada na configuração das espécies de subvenção. Dito isto, calha lembrar que os Pareceres Normativos não exercem qualquer tipo de força normativa formal sobre este Colegiado não está abrangido nas hipóteses de observância obrigatória do art.45, VI e art.62 da Portaria MF nº343/2015 (RICARF). A lei, ao contrário, é de observância e aplicação vinculante por força do caput do art.62 do mesmo regimento. Em suma, entendemos que não há exigência legal de aplicação dos recursos recebidos a título de subvenção de investimento na composição do ativo permanente da empresa exigese tão somente que a subvenção tenha sido concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, na forma estipulada no art.38, 2º do DecretoLei 1.598/77. Qualquer interpretação que discrepe disto parece ofender não apenas o art.62 do RICARF, mas também o art.111 do Código Tributário Nacional, haja vista que, ainda que o gasto tributário não seja necessariamente uma isenção, o seu regime jurídico deve ser próximo ao desta, pela similaridade de efeitos incluindo aí os dispositivos acerca de sua aplicação. Corroborando a exegese acima proposta, há diversos precedentes no âmbito do CARF e dos Tribunais Superiores, a exemplo do Acórdão 910100.566, julgado pela CSRF em 17/05/2010, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001 Ementa: SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BENEFÍCIO FISCAL. CARACTERIZAÇÃO. CONTRAPARTIDA. NÃO VINCULAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS RECURSOS. A concessão de incentivos às empresas consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento do Estado do Amazonas, dentre eles a restituição total ou parcial do ICMS, notadamente quando presentes a i) intenção da pessoa jurídica de Direito Público em subvencionar determinado empreendimento e o ii) aumento do estoque de capital na pessoa jurídica subvencionada, mediante incorporação dos recursos no seu patrimônio, configura outorga de subvenção para investimentos. O conjunto de obrigações assumidas pela beneficiária, em contrapartida ao favor fiscal, não configura aplicação obrigatória dos recursos transferidos. Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10469.724404/201452 Acórdão n.º 3402002.910 S3C4T2 Fl. 1.136 33 Parece bem desenhado na jurisprudência do CARF (e.g. Acórdãos 1202 000.921, julgado em 07/01/2013, e 10709.492, julgado em 17/09/2008) o afastamento do requisito de vinculação da subvenção à aquisição de ativos. Uma vez esclarecidos os elementos caracterizadores da subvenção de investimento, resta afastar algum argumento remanescente que pretenda incluílo no rol de receitas tributáveis pelo PIS e a Cofins. Para isto, peço vênia para citar o esclarecido voto do ilustre Conselheiro Marcos Shigueo Takata, no acórdão nº. 110300.555, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção: Como elucida o mestre Bulhões Pedreira (cf. seu Finanças e Demonstrações Financeiras da Companhia, Rio: Forense, 1989, pp. 242 a 245), a maioria dos fluxos financeiros é criada por atos de troca ou por atos de transferência. Nos atos de transferência, há um único fluxo financeiro, sem contrapartida de outro em sentido oposto, ou seja, aqueles causam curso de bens entre patrimônios num único sentido. Os atos de transferência podem gerar fluxos de renda e fluxos de capital (assim como os atos de troca podem geram ambos os fluxos). Vale dizer, as duas categorias de fluxos financeiros – transferências de renda e transferências de capital – podem ser geradas por atos de transferência. Esclarece Bulhões Pedreira: Transferência de capital é o fluxo financeiro criado por ato patrimonial de que resulta o deslocamento de capital do patrimônio de uma pessoa com o fim de acrescer ao estoque do capital de outra. O capital pode ser transferido com o fim de integrar o patrimônio líquido da outra pessoa (como nos casos de doação, subvenções para investimento, subscrição do capital social de sociedade), ou sem essa destinação (como nos casos de empréstimo e sua restituição, subscrição e pagamento de debêntures, ou pagamento de obrigação nascida de ato ilícito). A forma jurídica do negócio nem sempre é suficiente para classificar o fluxo financeiro como transferência de renda ou de capital. (...) depende da intenção de quem cria a transferência... (grifamos, op. cit., p. 247) E, como casos de transferência de renda, são descritas, entre outras, as doações ou subvenções para despesas ou custeio, os lucros distribuídos por pessoas jurídicas (op. cit., p. 245). Daí que o art. 182, § 1º, “d”, da Lei de S.A. (de cujo anteprojeto de lei Bulhões Pedreira foi um de seus autores), antes da alteração promovida pela Lei 11.638/07, é claro ao determinar que as subvenções para investimento não são registráveis contabilmente como receita, mas como reservas de capital (no patrimônio líquido): Patrimônio Líquido Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. § 1º. Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 34 a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; c) o prêmio recebido na emissão de debêntures; d) as doações e as subvenções para investimento. Na lógica e na inteligência da Lei de S.A., ao tratar do direito contábil, as subvenções para investimento e as doações não são registráveis como receita, mas como reservas de capital no patrimônio líquido, por representarem transferências de capital, e não transferências de renda (muito menos pagamento de renda). E o que determina se as transferências (fluxos financeiros num único sentido) são de renda ou de capital? A intenção do doador ou do subvencionador. Se a intenção ou propósito de quem transfere os recursos é para subvencionar empreendimentos, aumentando o estoque de capital do subvencionado, estamos diante de transferência de capital, e, pois, de subvenção para investimento. No caso de doação, se a intenção ou propósito é de doação para investimento (inversão de capital), aumentando o estoque de capital do donatário, também estamos diante de transferência de capital – são as doações de capital. (...) Pois bem. E como se manifesta a intenção do subvencionador de investimentos? No caso do Poder Público, principalmente através de estímulos à consecução de empreendimentos, pelo mecanismo de incentivos fiscais. É do étimo de subvenção socorrer, ajudar (subventio, subveniere). Por isso, De Plácido e Silva, quando define subvenção, fala em auxílio, ajuda pecuniária a alguém. Quer dizer, se um incentivo fiscal é concedido sob a “condição” de instalação, expansão ou ampliação de empreendimentos, o custo econômico desse incentivo representa uma subvenção para investimento. A caracterização de subvenção para investimento não se dá pela vinculação dos recursos recebidos aos empreendimentos, no sentido de destinação dos recursos a esses investimentos. Isso se ocorrer, constitui elemento acidental: o cerne é o que descrevi acima para configuração de subvenção para investimento. Com a devida vênia, subvenção para investimento não depende da vinculação no sentido de destinação dos recursos, por três razões básicas. Primeiro porque, ordinariamente, o beneficiário primeiro aplica seus recursos, para a realização dos empreendimentos, para depois passar a receber a subvenção para investimento. Basta pensar naquele que resolveu instalar sua fábrica em determinado Estado, por conta da subvenção para investimento na forma de incentivos fiscais. É evidente que só receberá os recursos da subvenção, após ter aplicado seus recursos próprios (ainda que obtidos mediante financiamento). Mesmo nos casos de ampliação de empreendimentos Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10469.724404/201452 Acórdão n.º 3402002.910 S3C4T2 Fl. 1.137 35 já existentes em certo Estado, o que se dá, em geral, é a aplicação de recursos próprios, e depois o recebimento dos recursos de subvenção para investimento. Segundo porque o aumento de estoque de capital como evidência da intenção de subvencionar investimento não depende da destinação dos recursos aos empreendimentos. Depende (aumento de estoque de capital) certamente da intenção de se subvencionar investimento (empreendimento), geralmente expressa (a intenção) por meio de estímulos ao investimento quando a subvenção se dá através de incentivos fiscais. Noutras palavras, nem o art. 38, § 2º, do Decretolei 1.598/77 prevê referida destinação dos recursos, ao tratar de subvenção para investimento para fins de IRPJ sob regime de lucro real tampouco o direito contábil (art. 182, § 1º, “d”, da Lei de S.A.). Terceiro, que não deixa de ser um desdobramento das duas razões citadas, porque o dinheiro não “se carimba”, não é possível se “carimbálo”. Aliás, no caso de subvenção para investimento por meio de incentivos fiscais, em geral nem se recebe dinheiro, mas outro ativo. No mesmo sentido, vejase no Manual de Contabilidade da Fipecafi, de autoria dos eruditos contabilistas Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins e Rubens Gelbcke: No caso de subvenção para atender a despesas de custeio (cobertura de prejuízos, déficits), seu registro deve ser como receita do exercício. Então, tal receita deve ser registrada separada e destacadamente do resultado das operações normais. Em relação às empresas privadas, as subvenções para investimentos mais comuns, dentro da acepção legal ainda existente, são as na forma de devolução, isenção ou redução de impostos devidos pela empresa. (...) Tratandose de subvenções destinadas a investimentos (expansão empresarial), são creditadas diretamente nessa conta de Reserva de Capital – Doações e Subvenções para Investimentos – para a qual a empresa deve ter subcontas por natureza de subvenção recebida. (grifamos) Também prescrevendo a intributabilidade das subvenções de investimento pelas contribuições sociais e pelo IRPJ, temos o art.443 do RIR/99 (que reproduz o conteúdo do DecretoLei nº1.598/77) e a Lei 11.941/09, in verbis: Lei 11.941/09 Art. 18. Para fins de aplicação do disposto nos arts. 15 a 17 desta Lei às subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e às doações, feitas pelo Poder Público, a que se refere o art. 38 do DecretoLei no1.598, de 26 de dezembro de 1977, a pessoa jurídica deverá: Art. 21. As opções de que tratam os arts. 15 e 20 desta Lei, referentes ao IRPJ, implicam a adoção do RTT na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 36 Financiamento da Seguridade Social – COFINS. (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) (Vide Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Parágrafo único. Para fins de aplicação do RTT, poderão ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando registrados em conta de resultado: I – o valor das subvenções e doações feitas pelo poder público, de que trata o art. 18 desta Lei; Além dos argumentos acima esgrimidos, vejo como contrária à forma de Estado Federal a possibilidade de um ente federado tributar o incentivo fiscal subvencionador concedido por outro a despeito de possíveis implicações relacionadas à guerra fiscal entre os Estados. As limitações às interações federativas vão para muito além da configuração da imunidade recíproca não é a toa que a melhor doutrina tributária sustenta que essa imunidade existiria independente de manifestação constitucional expressa, mas tãosomente por implicação lógica da forma federativa de Estado. Entendo que permitir à União tributar um crédito presumido de ICMS recebido por um contribuinte, como se receita fosse, implica em aceitar que um ente federado por interferir na política fiscaleconômica de outro entes, isto é, restringir a utilização de técnicas fiscais com finalidades indutoras. A União tributar onde o Estado isentou (ou concedeu algum benefício fiscal) é o mesmo que a União isentar (ou conceder benefício fiscal) onde o Estado tributou a chamada isenção heterônoma, vedada pelo sistema constitucional tributário, no art.151, III da CF. A aplicação dessa vedação à primeira hipótese me parece mister da coerência com que devem ser interpretadas as normas tributárias ubi eadem ratio ibi eadem dispositio. Elucidados extensivamente tanto a configuração jurídica das subvenções de investimento quanto a sua qualificação contábil e regime tributário, resta verificar se as subvenções percebidas pela Recorrente se adequam às ilações pretéritas. Retornando ao caso concreto, é absolutamente clara a natureza de subvenção de investimento dos benefícios concedidos âmbito dos programas PROADI/PROVIN. Ora, é cediço e bem conhecido por todos o mecanismo da guerra fiscal, que se manifesta através da concessão de benefícios fiscais unilaterais no âmbito do ICMS os Estados não procuram, com seus incentivos, custear as empresas nos moldes do art.18, lei 4.320/64, mas sim atrair a implantação de estabelecimentos industriais e comerciais em seu território, aumentando sua arrecadação e gerando incremento de desenvolvimento regional. Esta intenção de atração de investimentos e implantação/expansão de empreendimentos econômicos através de benefícios fiscais unilaterais de ICMS é fato notório que sequer necessitaria de prova neste processo, por força do art.334, I do Código de Processo Civil. Portanto, inequívoca a natureza de subvenção de investimento. Todavia, resta saber se é possível, dada a forma que a subvenção foi escriturada. A própria autoridade fiscal reiteradas vezes reconhece que os valores transitaram por conta de resultado, mas nega a possibilidade de exclusão do valor da subvenção por negarlhe a natureza de subvenção de investimento com base no PN CST nº112/78. É dizer, nega aplicabilidade do art.21 da lei 11.941/09: Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10469.724404/201452 Acórdão n.º 3402002.910 S3C4T2 Fl. 1.138 37 Art. 21. As opções de que tratam os arts. 15 e 20 desta Lei, referentes ao IRPJ, implicam a adoção do RTT na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) (Vide Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Parágrafo único. Para fins de aplicação do RTT, poderão ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando registrados em conta de resultado: I – o valor das subvenções e doações feitas pelo poder público, de que trata o art. 18 desta Lei; Uma vez verificado que a subvenção em questão é, sim, uma subvenção de investimento, tornase matemática a conclusão que a opção do Recorrente pela sua escrituração em uma conta de resultado lhe dá o direito de excluir esses valores da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Se o legislador ordinário vinculou a não tributação das subvenções de investimento pelo IRPJ e pela CSLL à manutenção de tais valores em conta de reserva de incentivos fiscais, o mesmo não foi estipulado para a exclusão desses valores das bases de cálculo das contribuições. Conquanto o art.38, 2º do Decretolei 1.598/77 traga os elementos caracterizadores da subvenção de investimento, da sua redação resta claro que as alíneas trazem requisitos para o seu não cômputo na apuração do Lucro Real, nada dizendo acerca do PIS e da Cofins, estes regidos pelo art.21 da Lei 11.941/09. O que há, de fato, são opções fiscais (tax options) para o Contribuinte que gozar de subvenções de investimento. A ele é dada, alternativamente, I) a liberdade de escriturar os valores recebidos em conta de reserva de capital, aproveitando o regime previsto no Decreto 1.598/77, excluindo da base de cálculo do IRPJ e da CSLL os valores recebidos; ou II) escriturar esse montante em conta de resultado, subsumindose ao regime jurídico da lei 11.941/09, que permite a exclusão dos valores da base de cálculo do PIS e da Cofins. Em síntese, as subvenções de investimento analisadas neste caso podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições desde que escrituradas em conta de resultado, o que se deu no caso concreto. Portanto, dou PROVIMENTO INTEGRAL ao Recurso Voluntário do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 38 Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 29/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10980.009951/2001-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: null
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Numero da decisão: 3201-002.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Eduardo Lourenço, OAB/DF nº 36531.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza- Presidente.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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NOTAS FISCAL SEM DESTAQUE DO IPI. CONVALIDAÇÃO POR ATO NORMATIVO. A IN SRF nº 67/98 convalidou o procedimento adotado pelos estabelecimentos industriais que deram saídas a açúcares de cana do tipo demerara, cristal superior, cristal especial, cristal especial extra e refinado granulado, no período de 6 de julho de 1995 a 16 de novembro de 1997, sem lançamento, em nota fiscal, do IPI, enfim, sem incidência do tributo, logo, cancelase o lançamento que contraria essa disposição normativa. Recurso Voluntário a que se dá provimento em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Eduardo Lourenço, OAB/DF nº 36531. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 99 51 /2 00 1- 09 Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls. 17/29 em virtude da apuração de falta de recolhimento do IPI de períodos entre janeiro e dezembro de 1997, exigindoselhe o crédito tributário no valor total de R$117.647,91. O enquadramento legal encontrase às fls. 20 e 25/26. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 1/6, na qual denunciou a arbitrariedade das autoridades responsáveis pelo lançamento, que deixaram de efetuar diligências para verificar, no período em questão, a existência de medida judicial suspensiva da exigibilidade do crédito tributário e optaram por lançar os valores, com a imposição de penalidade, por meio de peça fiscal genérica e imotivada, sem que a empresa fosse previamente intimada a apresentar documentos. Alegou que parte dos açúcares comercializados pela impugnante está abrangida pela Instrução Normativa SRF nº 67, de 1998, que reconheceu serem isentas as saídas de determinados tipos de açúcar, no período de 06/07/1995 a 16/11/1997 (abrangendo todo o período objeto da autuação). Assim, sendo tal fato desconsiderado pelo auto de infração, ele é nulo. No que diz respeito aos demais açúcares, estaria a interessada amparada por liminares (posteriormente ratificadas por sentenças concessivas de segurança) nos autos dos Mandados de Segurança nº 96.00048754 e 97.00051749, o que implicaria na suspensão da ação fiscal e exclusão dos valores lançados a título de multa e juros, o que pleiteou nos termos da Lei nº 9.430, de 1996, art. 63 e ADN CST nº 1/97. Em 13/08/2007, a impugnante apresentou o requerimento de fls. 113/114, acompanhado dos documentos de fls. 115/172, argumentando que, no período da autuação, ela dera saída apenas a açúcares a que se referem a Instrução Normativa, devendo ser cancelada a autuação. Encaminhado em diligência para se apurar os valores de IPI constantes do lançamento e que atendem às condições da Instrução Normativa SRF nº 67, conforme despachos de fls. 176/177 e 277, o presente retornou com os despachos de fls. 247/248 e 281/295. Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10980.009951/200109 Acórdão n.º 3201002.081 S3C2T1 Fl. 1.383 3 Em 11/08/2008, a impugnante reapresentou requerimento e relação de notas fiscais, de fls. 249/274, nos mesmos moldes da documentação já apresentada em 13/08/2007. O pleito foi julgado pela primeira instância, nos termos do acórdão de n° 14 22.844 de 2/4/2009, proferida pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 1997 DCTF. RETIFICAÇÃO.A retificação de valores declarados em DCTF deve estar comprovada inequivocamente na impugnação. MULTA. LIMINAR. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. PREVENÇÃO.No lançamento destinado à constituição do crédito tributário para prevenir a decadência, cuja exigibilidade esteja suspensa em razão de medida liminar, excluise a aplicação da multa de oficio. Lançamento procedente em Parte. Em ato contínuo, a DRJ, revisa o Acórdão acima, conforme novo Acórdão de n° 1425.660, de 7/08/2009, tendo em vista oposição de embargos de declaração pelo delegado da DRF/Curitiba, conforme excertos dos embargos, às efls. 768769: Todavia, há inexatidão material na parte em que fala que o imposto apurado no auto de infração está com exigibilidade suspensa, pois não há suspensão da exigibilidade dos créditos tributários mantidos pelo referido julgado, conforme resultará da análise a seguir dos mandados de segurança impetrados pelo interessado. O mandado de segurança n° 96.00.048754 (PR), por meio do qual o interessado discute o IPI relativo à safra 96/97 e que, segundo declarado pelo interessado, afeta os lançamentos dos períodos 0101/97 a 2105/97 (fls. 2122) do presente processo, foi extinto, conforme consignado A fl. 176, pelo Tribunal Regional Federal da 4a Região, em função da edição da Instrução Normativa n° 67, de 1998. Dessa forma, esse mandamus não suspende a exigibilidade dos créditos tributários mantidos pelo julgamento da DRJ Ribeirão Preto. Impetrou também o interessado o mandado de segurança n° 97.0051749 (PR), no qual o interessado discute o IPI da safra 97/98 e que, segundo o declarado pelo interessado, afeta, conforme fls. 2224, os lançamentos dos períodos 0106/97 a 21 12/97do presente processo. A liminar foi deferida (fls. 357358) e a sentença (fls. 359364)concedeu "parcialmente a ordem de segurança, para determinar a aplicação da alíquota do IPI, no percentual de 9% (nove por cento), à semelhança do que é fixada para o Estado do Rio de Janeiro". A União apresentou apelação, a qual o TRF4 deu parcial provimento, "para julgar prejudicada a ação no tocante as parcelas abrangidas pela Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 4 Instrução Normativa SRF n° 67/98. Fica ressalvada a exigência da exação, no percentual de 18%, quantos aos tipos de açucares não relacionadas na norma administrativa e as saídas realizadas fora dos períodos ali consignados". 0 impetrante apresentou recurso especial, que o STJ conheceu em parte, mas negoulhe provimento (fls. 373375). 0 interessado apresentou então recurso extraordinário, ainda não apreciado (fls. 376377). Embora penda de apreciação o recurso extraordinário, sabese que esse recurso não é dotado de efeito suspensivo, sendo a decisão parcialmente favorável à União, proferida pelo TRF4, executável provisoriamente. Dessa forma, não está configurada a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários mantidos conforme consignado no citado acórdão da DRJ Ribeirão Preto. .... Dessa forma, o Acórdão n° 1425.660, de 7/08/2009 restou assim ementado: Assunto: Imposto SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1997 DCTF. RETIFICAÇÃO.A retificação de valores declarados em DCTF deve estar comprovada inequivocamente na impugnação. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.EXONERAÇÃO.Exonerase a multa de oficio imposta sobre diferença apurada em débito declarado na DCTF, tendo em vista a retroatividade benigna do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, com a redação do art. 18 da Lei n° 11.488, de 2007. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.Acolhemse os embargos interpostos pela autoridade encarregada de execução do Acórdão, quando demonstrada inexatidão material. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. O julgamento foi no sentido de dar procedimento parcial, e no tocante ao lançamento da multa de oficio, o mesmo foi cancelado, no entanto, foi cobrada a multa de mora. Registrese, portanto, que a recorrente obtivera liminar em Mandados de Segurança, nos seguintes termos: a) processo n° 96.00048754: suspendendo a exigibilidade do tributo, exclusivamente nas saídas de açúcar correspondentes à safra de cana 1996/1997; b) no 97.00051749: determinando a abstenção de lavratura de autos de infração relativos As saídas de açúcar da safra 1997/1998. Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10980.009951/200109 Acórdão n.º 3201002.081 S3C2T1 Fl. 1.384 5 No processo judicial 96.00048754, o pedido foi julgado procedente, concedendose a segurança, sendo extinto pelo Tribunal Regional Federal da 4a Região, por conta da edição da Instrução Normativa SRF n° 67, de 1998. Já no processo 97.00051749, houve a concessão parcial da segurança, determinando a aplicação da alíquota do IPI de 9%; o TRF deu, provimento parcial. Contudo, as apelações e a remessa oficial, consideraram constitucional a alíquota de 18% e reconhecendo a perda do objeto da ação, relativamente às "parcelas abrangidas pela Instrução Normativa 67/98". O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. A recorrente foi cientificada e afirma que com a superveniente edição da IN SRF nº 67, de 1998, que deve ser aplicada ao caso, independente de retificação de DCTF. Argumenta que o único tipo de açúcar comercializado pela mesma é o do tipo açúcar cristal especial inserido no ato normativo. Além do mais, é impossível a substituição da multa de ofício pela multa de mora. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira, de forma regimental. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente de auto de infração constituído com crédito tributário decorrente do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acrescido de juros de mora e de multa de ofício. Observase que no decorrer da ação, como relatado; sobreveio a Instrução Normativa SRF n° 67, em 14/07/1998, onde a Administração Tributária, nos termos do art. 100, inc. I do CTN; reconheceu que as saídas de diversos tipos de açúcar (tais como: cristal especial, cristal superior, cristal especial extra, demerara, refinado amorfo e refinado granulado, exceto o açúcar standard) não estiveram sujeitas ao IPI, enfim, sem incidência do IPI, no períodos de 06/07/1995 a 16/11/1997, que abrange quase todo o período da autuação. A Instrução Normativa SRF n° 67, de 1998, dispõe na parte da não incidência do IPI: Art. 3° Fica convalidado o procedimento adotado pelos estabelecimentos industriais que deram saídas a açúcares de cana do tipo demerara, cristal superior, cristal especial, cristal especial extra e refinado granulado, no período de 6 de julho de Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 6 1995 a 16 de novembro de 1997, e a açúcar refinado do tipo amorfo, no período de 14 de janeiro de 1992 a 16 de novembro de 1997, sem lançamento, em Nota Fiscal, do IPI Art. 4° Para fins de identificação do tipo de açúcar saído dos estabelecimentos industriais deverão ser adotadas as especificações técnicas contidas na Resolução IAA N° 2.190, de 30 de janeiro de 1986, que estabeleceu a classificação dos vários tipos de açúcares de produção direta das usinas e refinarias autônomas do Pais. Considerando, a vasta documentação apresentada (anexos), com indicação de notas fiscais indicando açúcar, com nome comercial cristal açúcar; comprovado através do Ministério da Saúde como açúcar do tipo cristal especial; como argumenta a recorrente; entendo que este tipo de açúcar comercializado esteja abrangido pela IN SRF de n° 67/98, no que respeita até a saída de 16/11/97; não obstante o não cumprimento da retificação da DCTF, no entanto, em observância ao princípio da verdade material que deve prevalecer sobre eventual equívoco no preenchimento de obrigações acessórias retificação da declaração DCTF, à época; logo, torna irrelevante o fato das mesmas não terem sido retificadas. Em assim sendo, com os fatos relatados no recurso apresentado e os documentos juntados aos autos, os mesmos apontam para a verossimilhança das alegações, em observância ao princípio da verdade material. Exemplo desse entendimento é o Acórdão de n° 20181.496, de 10/10/2008, de relatoria de Walber José da Silva, cuja ementa dispõe: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREENCHIMENTO DE DCTF. ERRO MATERIAL. Devidamente comprovada a ocorrência de erro material no preenchimento da DCTF, há que se cancelar o lançamento, em nome do princípio da verdade material. Recurso voluntário provido. Concluise, portanto, por amostragem, em razão do enorme volume de documentos anexados aos autos, que os produtos industrializados, descritos nas notas fiscais, são aqueles, com classificação fiscal (TIPI), preenchem os requisitos legais do benefício previsto na referida Instrução Normativa, logo, dáse provimento parcial até período de16 de novembro de 97 e com base na IN 67/98 para cancelar o lançamento que contraria essa disposição normativa. Registrese que a decisão de primeira instância já tinha convertido o julgamento em diligência, conforme despachos às fls 247 a 248 e 281 a 295 (efls 574 602). No tocante à aplicação da multa de mora, não há como se manter, pois, a decisão de primeira instância exonerou a multa de oficio imposta, tendo em vista o princípio da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, II, do CTN e a substituiu pela mora (20%); pois, entendo que julgador administrativo deve ficar adstrito ao embasamento legal descrito no auto de infração. Não cabe ao aplicador da lei alterar a disposição legal infringida e a penalidade aplicável para substituir a multa de oficio pela multa de mora, pois a manutenção da mora seria o mesmo que "impor " nova penalidade, pois, uma situação é a da redução da multa de oficio quando lançada; o que é possível; outra é a de mudar a natureza de multa de oficio para a de mora, onde a disposição legal infringida e a penalidade aplicável são totalmente distintas. Dessa forma, excluise a multa de mora. Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10980.009951/200109 Acórdão n.º 3201002.081 S3C2T1 Fl. 1.385 7 Na mesma linha de entendimento, destaquese a ementa do seguinte acórdão de n° 20402.930, de 22/11/2007, de relatoria de Leonardo Siade Manzan: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 VENDAS DE AÇÚCAR. TRIBUTAÇÃO AFASTADA. Diante do reconhecimento expresso da administração, por intermédio da Instrução Normativa n° SRF 67/1998, de que as empresas que promoveram vendas de açúcar cristal superior, especial, e especial extra, dentre outros, no período de 06/07/1995 a 16/11/1997, não estavam obrigadas ao destaque do IPI, é de se cancelar o lançamento que contraria essa disposição normativa. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Por força do disposto no art. 18 da Lei n° 10.833/2003, com as alterações posteriores, e da retroatividade benigna estabelecida no art. 106 do CTN, é incabível a aplicação da multa de oficio em conjunto com tributo ou contribuição espontaneamente declarados em DCTF. Recurso de Oficio Negado MEDIDA JUDICIAL. A submissão de determinada matéria à apreciação do Poder Judiciário afasta a competência cognitiva de órgãos julgadores em relação ao mesmo objeto. Inteligência do artigo 38, parágrafo único, da Lei n° 6.830/80. NORMAS PROCESSUAIS. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. DEPÓSITOS JUDICIAIS INTEGRAIS. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. É obrigatória a constituição do crédito tributário nos casos de medida judicial, com depósito do montante integral do tributo, para prevenir a decadência, não havendo que se falar em aplicação da multa de oficio e juros de mora em relação a esses créditos, convertidos ou não em renda, desde que integralmente depositados em Juízo. (CSRF/02 02.172). Recurso Voluntário Provido em Parte. Diante do exposto dou provimento parcial ao Recurso Voluntário para aplicar a IN 67/98 até o período de 16/11/97, prejudicados os demais argumentos. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 18186.002216/2010-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Incabível embargos de declaração quando inexiste omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado.
Numero da decisão: 1201-001.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em REJEITAR os embargos opostos pelo sujeito passivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente substituto.
(Documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Roberto Caparroz de Almeida, Paulo Mateus Ciccone, Gilberto Baptista, João Carlos de Figueiredo Neto. Ausentes, por motivo justificado, o Conselheiro Ronaldo Apelbaum e Marcelo Cuba Netto. Ausente, temporariamente, o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Incabível embargos de declaração quando inexiste omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em REJEITAR os embargos opostos pelo sujeito passivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente substituto. (Documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Roberto Caparroz de Almeida, Paulo Mateus Ciccone, Gilberto Baptista, João Carlos de Figueiredo Neto. Ausentes, por motivo justificado, o Conselheiro Ronaldo Apelbaum e Marcelo Cuba Netto. Ausente, temporariamente, o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 22 16 /2 01 0- 24 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 18186.002216/201024 Acórdão n.º 1201001.345 S1C2T1 Fl. 3 2 Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo com base no artigo 65 do Anexo II da antiga Portaria MF n. 256, de 22/06/2009 e da atual Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 que aprova o Regimento Interno do CARF (RICARF). O acórdão embargado, nº 1802002.185, de 03/06/2014, foi cientificado à empresa em 19/01/2015 conforme Aviso de Recebimento (AR), e, os embargos foram apresentados em 26/01/2015. A embargante, no essencial, alega que o acórdão embargado foi omisso quanto à retroatividade benigna, tendo em vista que a partir da vigência da Lei n° 12.873/2013, a apresentação extemporânea das declarações a que estão obrigadas as pessoas jurídicas DCTF, inclusive passou a ser penalizada pela aplicação de multa equivalente a R$ 1.500 reais por mêscalendário de atraso. Assim, a partir da vigência da Lei n° 12.873/2013, a infração imputada ao Embargante passou a ter penalidade menos severa do que aquela descrita no artigo 7°, inciso II, da Lei n° 10.426/2002. Por esse motivo, aplicase o artigo 106, II, alínea "c", do CTN, que determina a aplicação retroativa da lei que "comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática [da infração]". Finalmente requer a Embargante sejam conhecidos e acolhidos os Embargos de Declaração, para que seja sanado o aludido vício de omissão, de modo a reconhecer a retroatividade benigna das Leis n° 12.766/2012 e n° 12.873/2013 e dar provimento ao Recurso Voluntário, cancelandose integralmente a multa em questão (por atraso na entrega da DCTF). É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora Os Embargos de declaração foram apresentados em 26/01/2015, no prazo regulamentar, portanto, tempestivos. Deles conheço. O litígio versado no acórdão embargado cingese ao lançamento referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativa ao mês de março de 2006, de que trata o Auto de Infração, fl.36, no qual se exige o crédito tributário no valor de R$ 89.851,37 ( 2% x 7 x 641.795,57). Conforme relatado acima, a Embargante alega que o acórdão embargado foi omisso quanto à retroatividade benigna, porque a partir da vigência da Lei n° 12.873/2013, a apresentação extemporânea das declarações a que estão obrigadas as pessoas jurídicas DCTF, inclusive passou a ser penalizada pela aplicação de multa equivalente a R$ 1.500 reais por mêscalendário de atraso. Assim, a partir da vigência da Lei n° 12.873/2013, a infração imputada ao Embargante passou a ter penalidade menos severa do que aquela descrita no artigo 7°, inciso II, da Lei n° 10.426/2002. Por esse motivo, aplicase o artigo 106, II, alínea "c", do CTN, que Fl. 230DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 18186.002216/201024 Acórdão n.º 1201001.345 S1C2T1 Fl. 4 3 determina a aplicação retroativa da lei que "comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática [da infração]". A alegada omissão é improcedente como se passa a demonstrar. Sobre a multa aplicada pelo atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), consta do voto condutor do acórdão embargado a fundamentação que a seguir transcrevo: Como cediço, a multa aplicada pelo atraso na entrega da DCTF, baseiase na legislação que rege a matéria, discriminada no Auto de Infração, de 23/03/2010, fl.36, em especial a Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, art. 7°, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29/12/2004, que assim dispõe: (...) O artigo 7° da Lei n° 10.426, de 2002, não deixa margem a qualquer discricionariedade, pois, prescreve que o sujeito passivo que deixar de apresentar ou apresentar em atraso a DCTF se sujeitará a multa de valor igual a dois por cento ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante do tributo informado na DCTF, “ainda que integralmente pago”. Vale esclarecer que, conforme explicitado acima, a penalidade em comento tem espeque em norma legal específica, no caso, a mencionada Lei nº 10.426 de 2002 a qual NÃO sofreu qualquer modificação por força da Lei nº 12.872/2013 que alterou o artigo 57 da Medida Provisória nº 2.158/2001 que trata de outros deveres instrumentais não contidos na Lei nº 10.426 de 2002. ... Sobre o assunto, trazse à lume o Parecer Normativo nº 3, de 10 de junho de 2013, publicado no DOU de 12 de julho de 2013 que, ao tratar da nova redação do artigo 57 da MP nº 2.15835, de 2001, pela Lei nº 12.766, é bastante elucidativo e merece a transcrição do seguinte excerto: ... 6.2.1. O novo art. 57 da MP nº2.15835, de 2001, aplicase para qualquer declaração, demonstrativo ou escrituração digital, enquanto a Lei nº10.426, de 2002, aplicase para a Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) e a Declaração sobre Operações Imobiliárias (DOI), a Lei nº10.637, de 2002, aplicase para a Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof) e a Declaração de Operações com Cartão de Crédito (Decred), a Lei nº8.212, de 1991, aplicase para a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Fl. 231DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 18186.002216/201024 Acórdão n.º 1201001.345 S1C2T1 Fl. 5 4 Social (GFIP), a Lei nº9.393, de 1996, aplicase para a Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), a Lei nº11.371, de 2004, aplicase para a Declaração sobre a Utilização dos Recursos em Moeda Estrangeira Decorrentes do Recebimento de exportações (Derex) e a Lei nº11.033, de 2004, aplicase para a Declaração de Transferência de Titularidade de Ações (DTTA). 6.2.2. Há uma antinomia entre as normas. O art. 57 da MP nº2.15835, de 2001, sanciona as condutas pela não entrega, em sentido lato, de declarações digitais. As normas acima mencionadas tratam do descumprimento das obrigações específicas contidas na própria lei. Ocorre uma antinomia entre uma norma geral e outra específica, devendo, nesses casos, prevalecer a última, conforme ensinamento de Norberto Bobbio: O terceiro critério, chamado precisamente de lex specialis, é aquele com base em que, de duas normas incompatíveis, uma geral e uma especial (ou excepcional), prevalece a segunda; lex specialis derogat generali. Também nesse caso a razão do critério não é obscura: lei especial é aquela que derroga uma lei mais geral, ou seja, que subtrai a uma norma uma parte da sua matéria para submetêla a uma regulamentação diversa (contrária ou contraditória). A passagem de uma regra mais extensa (que contenha um certo genus) para uma regra derrogatória menos extensa (que contenha uma species do genus) corresponde a uma exigência fundamental de justiça, entendida como igual tratamento de pessoas que pertencem à mesma categoria. A passagem da regra geral para a regra específica corresponde a um processo natural de diferenciação das categorias e a uma descoberta gradual, por parte do legislador, dessa diferenciação. Ocorrida ou descoberta a diferenciação, a persistência da regra geral implicaria o tratamento igual de pessoas que pertencem a categorias diversas e, portanto, uma injustiça. (grifouse) (BOBBIO, Norberto. Teoria geral do direito. 3ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2010, p. 253) 6.2.3. Se as obrigações contidas nas leis acima transcritas foram consideradas tão importantes pelo legislador ao ponto de dar embasamento legal específico à sanção pelo seu descumprimento, (a despeito de legislação tributária, em sentido amplo, poder gerar tal obrigação), não é isonômico não aplicar as multas específicas para as declarações específicas, em prol da multa genérica do art. 57 da MP nº2.15835, de 2001. É, conforme ensinamento de Bobbio, uma violação à isonomia que determina dar tratamento desigual a pessoas em situações distintas. 6.2.4. No presente caso, não se deve esquecer que o legislador foi quem alterou a norma então existente (genérica) e criou uma mais específica, mas deixou aquelas outras ainda mais específicas incólumes (ele poderia muito bem têlas revogado expressamente). Se não o fez, as multas mais específicas do art. 7ºda Lei nº10.426, de 2002, do art. 30 da Lei nº10.637, de 2002, Fl. 232DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 18186.002216/201024 Acórdão n.º 1201001.345 S1C2T1 Fl. 6 5 do art. 32A da Lei nº8.212, de 1991, do art. 7ºda Lei nº9.393, de 1996, do art. 9ºda Lei nº11.371, de 2006, e do § 2ºdo art. 5ºda Lei nº11.033, de 2004, continuam vigentes. As IN que tratam do assunto, portanto (RFB nº1.110, de 2012, RFB nº1.264, de 2012, RFB nº1.015, de 2010, SRF nº197, de 2002, RFB nº811, de 2010, SRF nº341, de 2003, RFB nº971, de 2009, RFB nº1.279, de 2012, RFB nº726, de 2007 e RFB nº892, de 2008) devem continuar a ser aplicadas sem nenhuma alteração. ... Ainda que o argumento da aplicação da Lei nº 12.872/2013 somente tenha sido suscitado pela Recorrente, em sede de sustentação oral e memorial entregue aos conselheiros julgadores na sessão de julgamento, não se pode falar em omissão no acórdão embargado. Como se vê, na transcrição acima do acórdão embargado, consta expressamente ser inaplicável, no presente caso multa por atraso na entrega da DCTF a Lei nº 12.872/2013 que trata de outros deveres instrumentais não contidos na Lei nº 10.426 de 2002. Nesse passo, resta, pois, demonstrada a improcedência da omissão aventada pela Embargante. Nos termos do art. 65 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 que aprova o Regimento Interno do CARF (RICARF), cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, não se prestando o instrumento processual (embargos de declaração) para instigar à nova apreciação e julgamento. Com as considerações acima, entendo não estar presente no acórdão embargado qualquer das situações previstas no mencionado dispositivo regimental (obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos), razão pela qual voto no sentido de que sejam REJEITADOS os embargos de declaração. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 233DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Numero do processo: 12571.000072/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
NULIDADE DO LANÇAMENTO.
Tendo o auto de infração sido lavrado com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e existentes no instrumento todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar nulidade do lançamento.
PERÍCIA OU DILIGÊNCIA.
Indefere-se o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. ENQUADRAMENTO LEGAL.
Correta a descrição do embasamento legal quanto a multa de ofício aplicada no Auto de Infração, não há que se falar em nulidade do lançamento por ausência de enquadramento legal. Ademais, mantida parcialmente a glosa de despesas da atividade rural, correta a aplicação da multa de ofício no percentual de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430 de 1996.
JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. ENQUADRAMENTO LEGAL.
Correta a descrição do embasamento legal quanto a inidência dos juros de mora calculada à taxa Selic no Auto de Infração, não há que se falar em nulidade do lançamento por ausência de enquadramento legal.
IRPF. GLOSA DE DEPESAS DA ATIVIDADE RURAL.
A glosa das despesas de custeio e investimento registradas no Livro Caixa e comprovadas por meio de documentação hábil, quando necessárias à percepção da receita e a manutenção da atividade rural desenvolvida, devem ser restabelecidas.
Recurso Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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Tendo o auto de infração sido lavrado com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e existentes no instrumento todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar nulidade do lançamento. PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revele se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. ENQUADRAMENTO LEGAL. Correta a descrição do embasamento legal quanto a multa de ofício aplicada no Auto de Infração, não há que se falar em nulidade do lançamento por ausência de enquadramento legal. Ademais, mantida parcialmente a glosa de despesas da atividade rural, correta a aplicação da multa de ofício no percentual de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430 de 1996. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. ENQUADRAMENTO LEGAL. Correta a descrição do embasamento legal quanto a inidência dos juros de mora calculada à taxa Selic no Auto de Infração, não há que se falar em nulidade do lançamento por ausência de enquadramento legal. IRPF. GLOSA DE DEPESAS DA ATIVIDADE RURAL. A glosa das despesas de custeio e investimento registradas no Livro Caixa e comprovadas por meio de documentação hábil, quando necessárias à percepção da receita e a manutenção da atividade rural desenvolvida, devem ser restabelecidas. Recurso Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 00 72 /2 00 9- 16 Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até a apresentação da impugnação pelo contribuinte, adoto de forma livre o relatório do Acórdão proferido pela 5ª Turma da DRJ/CTA, nº 0633.613, constante em fls. 1.137/1.145 pdf: Por meio do Auto de Infração de fls. 1093/1098, exigese do contribuinte R$ 186.849,83 de imposto suplementar, R$ 140.137,37 de multa de oficio de 75% e R$ 66.966,97 de juros de mora sobre o imposto suplementar. calculados até abril de 2009. O lançamento. conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 1095, acompanhado do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal de fls. 1074/1081, referese à constatação de dedução indevida de despesas relativas à atividade rural por falta de comprovação, na base de cálculo relativa ao exercício de 2006, anocalendário de 2005. Não foram apuradas diferenças em relação às receitas de atividade rural. Cientificado do lançamento em 01/06/2009 (f1.1099), o contribuinte apresentou tempestivamente, em 30/06/2009, a impugnação de fls.1101/1112, instruída com os documentos de fls. 1113/1130, onde alega em síntese que: Preliminarmente: 1. O presente auto de infração é nulo, pois ...não foi descrito EXPRESSAMENTE, o enquadramento legal da infração, multa e juros, sendo — PROLIXAMENTE citados apenas o "caput" dos artigos e NÃO os seus incisos, parágrafos e letras...: Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12571.000072/200916 Acórdão n.º 2301004.547 S2C3T1 Fl. 1.180 3 2. ...FALTOU ESPECIFICAR e enquadrar ao artigo, parágrafo, letra ou inciso, o liame, o nexo causal da materialização a previsão teórica, ou seja enquadrar aquilo que entendeu como infração a um artigo expresso da infração!; 3. são nulos a multa e os juros aplicados por falta de citação do embasamento legal, contrariando o art. 10, IV do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972. 4. Inferiuse que ...os motivos ensejadores do Auto de Infração seriam 'falta ou insuficiência de comprovação', Mas o fiscal autuante não especificou o que a legislação define conto falta ou insuficiência de comprovação, ficando apenas na descrição genérica!; 5. Este contribuinte vê cerceado seu Direito Constitucional de amplo exercício do contraditório, porque o Auditor NÃO especificou, ao menos, qual das fases do uma operação mercantil que faltou comprovar ou leve insuficiência de comprovação...; No Mérito: I. ...este Contribuinte procurou rebater uma a uma as conclusões preliminares e constantes da planilha Análise da Documentação Apresentada, explicando, justificando e elidindo as conclusões sofismáticas e açodadas do zeloso Auditor Fiscal; 7. Houve excesso de exação por não terem sido consideradas as peculiaridades inerentes atividade rural, tais como criação e engorda de suínos e plantio de grãos; 3. Para exercer a atividade rural, compra, a prazo e a vista, grande quantidade de produtos, tais como, sementes, rações, herbicidas, medicamentos e vacinas entre outros, muitos deles para estocagem e uso fracionado em épocas próprias; 4. Para poder administrar esta atividade, vem procurando implantar controles internos para controlar vacinação, quantidades de sementes plantadas, colhidas, cabeças de porco compradas, vendidas, etc., que são feitas em material de expediente e escritório comprados em livrarias; 5. A exploração da atividade rural, como é público e notório, é feita quase que informalmente, não havendo contabilidade de custos ou mercantil, nem inventário formal, para controlar as quantidades de estoques, produção, colheita e venda, seja de grãos ou gado; 6. No ano de 2005, a atividade rural era exercida pelo pai do contribuinte, que veio a falecer em 2006, conforme certidão de óbito já entregue; Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 7. Foram solicitados documentos c esclarecimentos de quatro e até cinco anos atrás, prontamente atendidos, alguns com dificuldade, pois ...o arquivo morto, como dissemos, era informal e muitos dependiam de contatarmos os fornecedores envolvidos, sendo que alguns não foram localizados e outros mudaram para endereço incerto e não sabido! O contribuinte, ainda, requer sejam realizadas diligências e perícia contábil/fiscal para comprovar as alegações e pontos controversos, indicando, inclusive, o perito. Por fim, requer o impugnante a insubsistência do lançamento. A Turma de Primeira Instância, julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 GLOSA DE DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL Revelamse regulares as glosas de despesas pleiteadas da atividade rural ao não restar comprovada a vinculação de tais despesas com as atividades exploradas declaradas ao fisco por meio da declaração de ajuste anual. LANÇAMENTO. NULIDADE. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não se tratando das situações previstas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972, incabível falar em nulidade do lançamento. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. CABIMENTO. Tratandose de lançamento de oficio, é legitima a cobrança da multa de oficio de 75% e de juros de mora, que são devidos em face de infração as regras instituídas pelo Direito Fiscal. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO AO EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO. Não se vislumbrando nos autos qualquer vicio que comprometa a validade do lançamento, não se acata a tese de cerceamento do direito ao exercício do contraditório. PERÍCIA. REALIZAÇÃO DISPENSÁVEL. O pedido de perícia não integra o rol dos direitos subjetivos do autuado, podendo o julgador, se justificadamente entendêla dispensável, não acatar o pedido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 0633.613 da 5ª Turma da DRJ/CTA em 02/01/2012 (fl. 1.147 pdf). Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12571.000072/200916 Acórdão n.º 2301004.547 S2C3T1 Fl. 1.181 5 Sobreveio Recurso Voluntário em 01/02/2012 (fls. 1.149/1.165 pdf), no qual, o contribuinte em suma, ratificou as razões da impugnação. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Da análise do Auto de Infração e dos seus anexos, verificamos que o lançamento foi lavrado com observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e existentes no instrumento as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, portanto, não há que se falar em cerceamento do direito do contraditório e conseqüente nulidade do lançamento. No presente lançamento não se vislumbra as hipóteses de nulidade elencadas nos arts. 59, 60 e 61 do Decreto nº 70.235/1972, estando o lançamento em consonância com o disposto no art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, que define os requisitos obrigatórios do auto de infração. Desta forma, considerando que o Auto de Infração contém a descrição detalhada do fato gerador do imposto de renda da pessoa física, o fundamento legal, a identificação da matéria e do sujeito passivo, bem como estão presentes todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, e que ao contribuinte foi possibilitado a defesa por meio da impugnação e do recurso, não se verifica qualquer vício que comprometa a validade do lançamento ou que implique nulidade. Portanto, rejeito esta preliminar de nulidade. DILIGÊNCIA/PERÍCIA Quanto ao requerimento de perícia técnicacontábil, indeferese esta, quando a sua realização revelase prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. A perícia não se destina a preencher as lacunas da defesa quanto à produção de provas de competência do interessado, o qual, repiso, teve ampla oportunidade de fazêla, mas a esclarecer aspectos obscuros do processo, no caso de tais esclarecimentos considerados indispensáveis à formação da convicção do julgador. MULTA DE OFÍCIO No que tange a alegação do recorrente de nulidade do lançamento por falta de citação do embasamento legal quanto a multa de ofício, a mesma não merece guarida, uma vez Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 há indicação expressa do art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996 no enquadramento legal constante em fl. 1.103 (pdf) do Auto de Infração. Inclusive, cumpre frisar que, mantida parcialmente a glosa de despesas da atividade rural, correta a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430 de 1996. In verbis: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...]" JUROS DE MORA Quanto a arguição de nulidade do lançamento quanto aos juros de mora também por falta de citação do embasamento legal, de igual modo, não assiste razão o recorrente, pois está expresso em fl. 1.103 (pdf) do Auto de Infração, o fundamento legal para aplicação dos juros à Taxa Selic, qual seja, art. 61, §3º, da Lei nº 9.430 de 1996. Assim, passo a análise do mérito. GLOSA DE DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL Compulsando os autos, verificase que a receita da atividade rural informada pelo contribuinte na Declaração de Ajuste Anual, anocalendário 2005, não foi alterada pela fiscalização, ao passo que o presente lançamento cingese tãosomente à glosa parcial das despesas da atividade rural. Pois bem, analisando o Termo de Verificação Fiscal constante em fls. 1.080/1.098 (pdf), parte integrante do Auto de Infração, verificase que segundo o Auditor Fiscal, considerou que os documentos acostados pelo contribuinte foram insuficientes, ou em alguns casos, constatou ausência de comprovação das despesas listadas em fls. 1.088/1.098, as quais passo examinálas a seguir. Cumpre esclarecer que, a glosa de despesas da atividade rural não se enquadra nas hipóteses de presunções legais, uma vez que no lançamento tributário, salvo no caso das presunções legais, cabe ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar o procedimento do sujeito passivo que se configure como infração à legislação tributária, no sentido de realizar a legalidade, o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. A atividade do lançamento tributário é plenamente vinculada e não comporta incertezas. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN. Relativamente as despesas registradas no Livro Caixa com Adubos Fertilizantes, entendeu o Fisco por glosar as mesmas por ausência de comprovação do pagamento destas. No entanto, discordo do fundamento utilizado pelo fiscal, uma vez que, a falta de comprovação do pagamento por si só, não tem o condão de desconsiderar/excluir tais despesas. Neste caso, deveria o Auditor Fiscal ter demonstrado que, para a área cultivada, a aquisição de adubos em quantidade informada pelo contribuinte no Livro fora superior àquela necessária para os hectares de terra cultivada. Assim, devem ser restabelecidas a glosa de despesas com Adubos Fertilizantes, nos valores respectivos de R$11.250,00, R$9.750,00, Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12571.000072/200916 Acórdão n.º 2301004.547 S2C3T1 Fl. 1.182 7 R$11.775,00 R$5.600,00, R$4.832,00, R$4.379,00 e R$3.397,50, totalizando o valor de R$50.983,50. Quanto as despesas registradas no Livro como de "combustível para plantio", "combustível", e "óleo", as mesmas restaram glosadas por não haver identificação do destinatário dos produtos/serviços. Contudo, entendo que tal argumento é frágil à desconsiderar tais despesas, tendo em vista que, é de conhecimento público que as Notas Fiscais de postos de combustíveis corriqueiramente não identificam o destinatário dos produtos, e inclusive, a inclusão do CPF do destinatário nas Notas a fim de identificar o mesmo, é uma prática que vem sendo adotada há pouco tempo, que não tem cunho obrigatório. Assim, seguindo a mesma linha de raciocínio do item anterior, para glosar tais despesas, deveria o Auditor Fiscal ter demonstrado que a quantidade de combustível adquirida restou incompatível com àquela que seria necessária para o plantio e o exercício da atividade rural (máquinas, equipamentos agrícolas, caminhões para transporte, etc). Portanto, devem ser restabelecidas as glosas com tais despesas nos valores respectivos de R$50,07, R$20,01, R$250,00, R$40,00, R$250,01, R$230,26, R$182,29, R$218,80, R$236,97, R$172,69, R$182,00, R$50,03, R$217,07, R$50,05, R$40,04, R$35,00, R$40,00, R$50,04, R$50,00, R$165,44, R$269,99, R$113,01, R$50,00, R$28,75, R$126,00, R$225,00, R$197,00, R$270,52, R$30,00, R$70,00, R$50,00, R$199,33, R$200,00, R$50,00, R$240,00, R$209,60, R$258,28, R$50,00, R$200,00, R$49,00, R$50,00, R$100,00, R$319,60, R$40,08, R$50,00, R$100,00, R$20,03, R$30,02, R$30,00, R$30,01, R$120,00, R$50,00, R$50,00, R$20,07, R$123,54, R$50,00, R$40,11, R$50,00, R$50,00, R$531,06, R$27,90, R$300,00, R$90,00, R$110,00, R$40,02, R$300,00, R$50,00, R$100,00, R$20,01, R$150,06, R$50,03, R$50,02, R$50,01, R$40,00, R$86,00, R$39,26, R$50,00, R$250,01, R$100,00, R$58,03, R$90,02, R$123,50, R$150,00, R$50,00, R$50,02, R$70,59, R$50,00, R$50,00, R$, R$50,00, R$40,17, R$210,00, R$220,00, R$199,00, R$96,00, R$80,00, R$50,00, R$132,11, R$50,00, R$549,99, R$100,00, R$80,00, R$90,00, R$20,04, R$40,00, R$117,91, R$50,00, R$50,17, R$40,00, R$200,00, R$50,00, R$70,14, R$100,00, R$50,00, R$60,00, R$50,00, R$190,00, R$50,00, R$100,00, R$150,53, R$50,00, R$90,00, R$247,00, R$349,88, R$40,00, R$111,50, R$111,50, R$496,00, R$550,01, R$63,06, R$50,00, R$189,80, R$100,00, R$50,00, R$65,64, R$50,00, R$640,01, R$245,00, R$60,00, R$500,00, R$579,38, R$50,00, R$724,19, R$50,00, R$35,00, R$430,00, R$50,00, R$300,00, R$100,00, R$270,00 e R$50,00, totalizando o valor de R$19.901,28. Quanto as despesas registradas com milho, rações e medicamentos (vacinas), verificase que a justificativa do Fiscal para glosálas fora a falta de comprovação do efetivo pagamento. Contudo, tal justificativa se mostra frágil a descaracterizar as despesas registradas, isso porque, a forma pagamento é responsabilidade do contribuinte com o fornecedor e neste caso, deveria o Auditor Fiscal ter demonstrado que a quantidade de milho, rações, medicamentos (vacinas), registradas no Livro Caixa, restaram incompatíveis com o consumo pela quantidade média de cabeças de gado e de suínos existentes na propriedade. Assim, devem tais despesas serem restabelecidas nos valores de R$51.480,00, R$4.199,99, R$22.000,00, R$2.104,20, R$2.898,00, R$2.016,00, R$2.730,00, R$903,00, R$775,20, R$649,20, R$248,00, R$2.800,00, R$120,00, R$288,00, R$450,00, R$1.800,00, R$870,00, R$993,42, R$46.800,00, R$346,64, R$2.000,00, R$1.684,80, R$44.252,00, R$38.100,00, R$31.503,00, R$800,00, R$1.952,00, R$2.380,00, R$7.109,00 e R$3.480,00, totalizando o valor de R$277.732,45. No que tange as despesas registradas como defensivos, verificase que o Auditor Fiscal glosou as mesmas por falta de comprovação do pagamento. Contudo, entendo que esta justificativa por si só, não tem o condão de descaracterizar tais despesas, uma vez que Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 a receita da atividade rural não fora alterada pela fiscalização, logo, para que a apuração da mesma fosse possível é razoável admitir que o contribuinte arcou com despesas, que por vezes é de difícil comprovação dada a informalidade da atividade. E inclusive porque, para glosar tais despesas, o Auditor Fiscal deveria ter demonstrado que a quantidade de defensivos adquirida fora superior àquela necessária para a quantidade de área utilizada na atividade rural. Logo, pela análise dos documentos acostados, bem como dos argumentos expostos, entendo que devem ser excluídas as despesas com defensivos nos valores respectivos de R$12.976,50, R$9.071,93, R$77.002,29, R$93.922,10 e R$5.025,00, totalizando o valor de R$197.997,82. Quanto as despesas registradas como cabeças de animais (suínos), verifica se que o Fiscal glosou estas por falta de comprovação do pagamento. No entanto, deixou o Auditor Fiscal de comprovar que as Notas Fiscais acostadas pelo contribuinte são falsas e não representam uma efetiva operação. Neste caso, deveria o mesmo ter comprovado, uma vez que o presente lançamento não se trata de presunção legal, que os animais não ingressaram na propriedade no ano fiscalizado (2005). Assim, devem as despesas com cabeças de animais serem restabelecidas nos valores de R$480,00, R$R$640,00, R$12.000,00, R$5.200,00, R$13.660,00, R$ 860,00, R$430,00, R$8.000,00 e R$12.800,00, totalizando o valor de R$54.070,00. Relativamente as demais despesas, registradas no Livro Caixa como telefone, papelaria, cortina, e outros, correspondem respectivamente à residência do contribuinte e de igual modo, o local onde funciona a sede da sua empresa "Transportes e Armazém São Cristóvão Ltda. ME", bem como não guardam qualquer relação com a atividade rural. Neste caso, deveria o contribuinte ter comprovado o vínculo de tais despesas com o exercício da atividade rural desenvolvida. Portanto, por falta de comprovação deve ser mantida a glosa destas despesas. Assim, a glosa das despesas de custeio e investimento registradas no Livro Caixa e devidamente comprovadas por meio de documentação hábil, quando necessárias à percepção da receita e a manutenção da atividade rural desenvolvida, devem ser restabelecidas. Ante o exposto, voto no sentido de Rejeitar as Preliminares de Nulidade do Lançamento e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso para CANCELAR a glosa de despesas da atividade rural o valor de R$600.685,05 (seiscentos mil, seiscentos e oitenta e cinco reais e cinco centavos). (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 13888.000304/2005-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
Ementa:
PRAZO DECADENCIAL DOS ARTIGOS 150, §4º E 173 DO CTN. INAPLICABILIDADE PARA A VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PRÓPRIO PREVISTO NO ARTIGO 74 DA LEI Nº 9.430/1996.
A verificação da liquidez e certeza do direito creditório não se sujeita ao prazo decadencial previsto nos artigos 150, §4º e 173 do CTN. O prazo para homologação da compensação é de cinco anos contados da data de entrega da declaração de compensação, nos termos do artigo 74, §5º da Lei nº 9430/1996.
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTOQUE DE ABERTURA. INCLUSÃO DO VALOR DO ICMS. VEDAÇÃO.
O valor dos impostos recuperáveis não compõe o estoque de abertura de que trata o artigo 12 da Lei nº 10.833/2003, conforme os artigos 289, 290, 292, 293 e 294 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda).
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. RECOF. COFINS-IMPORTAÇÃO RECOLHIDA VINCULADA A MERCADORIAS DESTINADAS AO MERCADO INTERNO OU UTILIZADAS EM PRODUTO DESTINADO AO MERCADO INTERNO. CRÉDITOS DE IMPORTAÇÃO VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. INAPLICABILIDADE DOS MÉTODOS DE APROPRIAÇÃO DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS PREVISTOS NOS §§7º, 8º E 9º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 10.833/2003.
Os recolhimentos de Cofins-Importação vinculados a mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, destinado ao mercado interno, consideram-se específicos a estas receitas, não se lhes aplicando os métodos de apropriação previstos nos §§7º, 8º e 9º do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, por não configurarem custos, despesas ou encargos comuns a receitas de venda no mercado interno e receitas de exportação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-002.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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INAPLICABILIDADE PARA A VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PRÓPRIO PREVISTO NO ARTIGO 74 DA LEI Nº 9.430/1996. A verificação da liquidez e certeza do direito creditório não se sujeita ao prazo decadencial previsto nos artigos 150, §4º e 173 do CTN. O prazo para homologação da compensação é de cinco anos contados da data de entrega da declaração de compensação, nos termos do artigo 74, §5º da Lei nº 9430/1996. CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTOQUE DE ABERTURA. INCLUSÃO DO VALOR DO ICMS. VEDAÇÃO. O valor dos impostos recuperáveis não compõe o estoque de abertura de que trata o artigo 12 da Lei nº 10.833/2003, conforme os artigos 289, 290, 292, 293 e 294 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda). CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. RECOF. COFINS IMPORTAÇÃO RECOLHIDA VINCULADA A MERCADORIAS DESTINADAS AO MERCADO INTERNO OU UTILIZADAS EM PRODUTO DESTINADO AO MERCADO INTERNO. CRÉDITOS DE IMPORTAÇÃO VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. INAPLICABILIDADE DOS MÉTODOS DE APROPRIAÇÃO DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS PREVISTOS NOS §§7º, 8º E 9º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 10.833/2003. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 03 04 /2 00 5- 01 Fl. 534DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000304/200501 Acórdão n.º 3302002.945 S3C3T2 Fl. 505 2 Os recolhimentos de CofinsImportação vinculados a mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, destinado ao mercado interno, consideramse específicos a estas receitas, não se lhes aplicando os métodos de apropriação previstos nos §§7º, 8º e 9º do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, por não configurarem custos, despesas ou encargos comuns a receitas de venda no mercado interno e receitas de exportação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Declarações de Compensação com utilização de créditos da nãocumulatividade de Cofins, relativo ao quarto trimestre de 2004. A fiscalização efetuou as seguintes glosas, reconhecidas em despacho decisório, cientificado em 27/01/2010: 1. Glosa da inclusão do ICMS na base de cálculo do crédito presumido do estoque de abertura, por entender que o ICMS, sendo tributo recuperável, não compõe o valor do estoque, conforme artigo 12, §1º da Lei nº 10.833/2003 e artigo 289, §3º do Decreto nº 3.000/1999 (RIR/99); 2. Glosa de créditos de importação de produtos amparados pelo Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado para a Indústria Autotmotiva (Recof Automotivo), em razão de que os recolhimentos ocorreram devido à destinação dos produtos ao mercado interno (nacionalização, ou seja, o produto importado foi revendido no mercado interno ou utilizado como insumo em outro produto vendido no mercado interno). Fl. 535DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000304/200501 Acórdão n.º 3302002.945 S3C3T2 Fl. 506 3 Em manifestação de inconformidade, a recorrente, alegou: 1. A decadência do direito de glosar os referidos créditos por aplicação do art. 150, §4º do CTN; 2. A necessidade de se incluir o ICMS na base de cálculo do crédito presumido relativo ao estoque de abertura, em razão de que este valor compôs a base de cálculo das contribuições incidentes na receita do vendedor, por ocasião das aquisições; 3. A regularidade da segregação dos créditos de importação vinculados às receitas de exportação, pelo método do rateio proporcional às receitas no mercado interno e de exportação, relativamente aos insumos adquiridos ao amparo do Recof e, posteriormente, nacionalizados; 4. Que, caso não se entendesse pela regularidade do rateio efetuado pela recorrente, deverseia, ao menos, cancelar as multas e juros de mora sobre os débitos compensados, por ter a recorrente seguido as instruções de preenchimento do Dacon. A recorrente apresenta manifestação adicional, reforçando os argumentos quanto à regularidade do rateio efetuado, mencionado no item 3 acima. A Quinta Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 0426.147, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/10/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PEDIDO DE PERÍCIAS E DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. A perícia deve ser solicitada e a documentação comprobatória das alegações deve ser juntada quando da apresentação da manifestação de inconformidade, ou posteriormente nas condições do disposto no artigo 57 do Decreto n° 7.574, de 2001. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. O prazo para a homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo'é de cinco anos contados da data da apresentação da declaração. Base Legal: Art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430, de 1996. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2004 . CRÉDITO A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTOQUE DE ABERTURA. INCLUSÃO DO VALOR DO ICMS. VEDAÇÃO. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000304/200501 Acórdão n.º 3302002.945 S3C3T2 Fl. 507 4 Não se inclui no saldo do estoque de abertura existente em 30/04/2004 o valor dos impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Base legal: Art. 289 do RIR199. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. VALOR PAGO NA IMPORTAÇÃO. VENDAS NO MERCADO INTERNO. APROPRIAÇÃO DIRETA DOS CUSTOS, DESPESAS E/OU ENCARGOS. Os custos, despesas e encargos vinculados a receitas de vendas no mercado Interno devem ser apropriadas diretamente na base de cálculo para apuração dos créditos. Incabível a aplicação do rateio proporcional previsto no § 8°, do art. 3°, da Lei n° 10.833, de 2003, que se aplica na apuração do percentual referente às receitas sujeitas ao regime de cumulatividade e ao regime de nãocumulatividade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando: 1. Preliminarmente, a nulidade da decisão por não enfrentamento dos pontos fundamentais dos argumentos de defesa; 2. A decadência do direito de glosar os créditos da nãocumulatividade, pela aplicação do prazo decadencial disposto no artigo 150, §4º do CTN; 3. A correção da inclusão do ICMS na base de cálculo do crédito presumido relativo ao estoque de abertura; 4. O erro contido na decisão recorrida quanto à inexistência de base legal para aplicação do método de rateio para segregar os custos, encargos e despesas comuns às receitas de venda no mercado interno e às receitas de exportação; 5. A possibilidade de se aplicar o método de rateio proporcional a receitas de venda no mercado interno e de exportação, para segregar os insumos comuns adquiridos sob o regime do Recof; 6. A possibilidade de manutenção dos créditos das contribuições para o PIS e Cofins, em operações desoneradas sob o regime de Recof; 7. Que antes da edição da Lei nº 12.058/2009, não havia disposição legal determinando a segregação dos créditos em função da natureza, origem e vinculação desses ao tipo de receita auferida; 8. A exclusão da multa de ofício e dos juros de mora, por ter a recorrente seguido as instruções de preenchimento do Dacon. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000304/200501 Acórdão n.º 3302002.945 S3C3T2 Fl. 508 5 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Preliminarmente, a recorrente aduziu nulidade por não ter a decisão recorrida enfrentado todos os argumentos deduzidos na impugnação. A reclassificação da natureza dos créditos de CofinsImportação efetuada pela autoridade fiscal foi fundamentada na assunção de que tais créditos são específicos e vinculados às receitas de venda no mercado interno e não às receitas de exportação, conforme Termo de Informação Fiscal, efl. 116, e Despacho Decisório, efl. 347. A DRJ decidiu pela manutenção da reclassificação dos créditos, com fundamento de que os relativos à CofinsImportação paga deveriam ser vinculados exclusivamente às receitas no mercado interno, não integrando, pois a base para o rateio previsto no §8º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Fundamentou, ainda, na inexistência de previsão legal para a aplicação do método de rateio proporcional a receitas de venda no mercado interno e externo e no perfeito controle do custo dos insumos apropriáveis à exportação e ao mercado interno, não prosperando a alegação de impossibilidade de segregação dos custos antes das vendas. A decisão recorrida utilizou como fundamento a própria razão da glosa empreendida pela autoridade fiscal, ou seja, de que os valores pagos de CofinsImportação são custos específicos do mercado interno e que não existe previsão legal para aplicação do método de rateio para segregar os custos entre receitas de venda no mercado interno e de exportação. Esta argumentação, por si só, afasta as alegações da recorrente quanto à aplicação do método de rateio previsto no §8º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, e os demais argumentos deduzidos pela recorrente. Ademais, não há necessidade de o julgador rebater um a um os argumentos deduzidos, bastando que a decisão seja suficientemente fundamentada, em observância do princípio do livre convencimento motivado. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3202001.369, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:1987, 1990 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não havendo omissão, contradição ou obscuridade no acórdão proferido, devem ser rejeitados os embargos opostos. Os embargos de declaração não se prestam a mera manifestação de inconformismo com a decisão prolatada ou à rediscussão dos fundamentos do julgado, uma vez que não se trata do remédio processual adequado para reexame da lide. O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que Fl. 538DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000304/200501 Acórdão n.º 3302002.945 S3C3T2 Fl. 509 6 entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas as alegações das partes, quando já se tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder um a um todos os seus argumentos. Este entendimento é pacífico no Superior Tribunal de Justiça, como se observa nos seguintes julgados: Resp nº 879.944MG (2006/01814150): [...] 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso Especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Resp nº 885.454DF (2006/01923977) 1. Não há que se falar em ofensa do art. 535 do CPC se o Tribunal de segundo grau resolveu a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados. [...] EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.489.482 RS (2014/02694068): PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA. DEVIDO ENFRENTAMENTO DAS QUESTÕES RECURSAIS. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DOS DISPOSITIVOS DE LEI INVOCADOS. SÚMULA 211/STJ. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DAS HIPÓTESES PREVISTAS DO ART. 535 DO CPC. PRETENSÃO DE REEXAME E ADOÇÃO DE TESE DISTINTA. 1. Não são cabíveis os embargos de declaração cujo objetivo é ver reexaminada e decidida a controvérsia de acordo com tese distinta. 2. Não há falar em obscuridade e ausência de fundamentação no afastamento da alegada violação do art. 535 do CPC pela Corte de origem, pois, conforme explicitamente consignado no acórdão embargado, nos termos de jurisprudência do STJ, o magistrado Fl. 539DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000304/200501 Acórdão n.º 3302002.945 S3C3T2 Fl. 510 7 não é obrigado a responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem é obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados, como ocorreu no caso em apreço. Quanto à observância do Dacon e exclusão das multas e juros de mora, verificase que a decisão atacada expressamente abordou tais questões, apenas concluindo de forma divergente da recorrente: “No caso presente, à vista das informações contidas no DACON sobre pagamento de PIS/COFINSIMPORTAÇÃO, entendeu a fiscalização que as mercadorias importadas, incorporadas ou não aos produtos vendidos no mercado interno, sobre as quais foram calculados e pagos os tributos, deveriam ter seu custo vinculado exclusivamente às receitas do mercado interno e, ao Contrário do alegado pelo interessado, que não deveriam integrar o cálculo do rateio proporcional previsto no § 8°, do art. 3°, da Lei n° 10.833, de 2003, que dispõe: [...] Também não prosperam as alegações de ilegalidade, uma vez que não foi criado novo método de apuração dos créditos das contribuições, e o pedido de exclusão da multa e juros incidentes sobre os eventuais débitos decorrentes das glosas, porque não houve qualquer indução ao erro, e sim, interpretação equivocada da legislação.” Rejeitamse, portanto, as alegações de nulidade da decisão recorrida. Decadência do direito de reajustar a base de cálculo glosando créditos. A compensação submetida à Administração Tributária mediante a entrega de Declaração de Compensação sujeitase ao prazo homologatório de cinco anos a partir da data de entrega da referida declaração, conforme artigo 74, §5º da Lei nº 9.430/96.1 A homologação compreende, dentre outros, a verificação dos pressupostos jurídicos e fáticos atinentes ao direito creditório e sua análise é prerrogativa da Administração Tributária e não configura lançamento de ofício, mas procedimento para aferir a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. A recomposição da base de cálculo, seja na base de receita seja no creditamento da nãocumulatividade, pode ser efetivada sem a necessidade de lavratura de Auto de Infração, pois é condição para se concluir pela procedência do pedido. 1 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) [..] § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 540DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000304/200501 Acórdão n.º 3302002.945 S3C3T2 Fl. 511 8 Por outro lado, a tese defendida pela recorrente não se aplica ao caso presente, pois o prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º e no artigo 173 do CTN se refere ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito escriturado. Ressalvase que um lançamento de ofício seria inócuo, pois não há constituição de crédito tributário e serviria apenas para estabelecer o contraditório e ampla defesa, o que já está garantido em análises de declarações de compensação, pois que submetidas ao rito processual do Decreto nº 70.235/1972, a teor do §11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996. Neste sentido, citase julgado desta turma: Acórdão nº 3302002.353: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PIS NÃO CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO DE DIFERENÇAS. Apurando o Fisco diferença entre o valor pleiteado e o valor que entende devido a título de ressarcimento de PIS ou Cofins, não pode a Autoridade Fazendária efetuar o pagamento do valor pleiteado, posto que ilíquido e indevido. Há que ser firmado o entendimento sobre o valor exato do crédito a ressarcir. A apuração darseá por meio de discussão em lançamento de ofício ou por meio de glosa efetuada no próprio pedido de ressarcimento. Rejeitase, assim, a prejudicial argüida. Inclusão do ICMS na base de cálculo do estoque de abertura. O artigo 12 da Lei nº 10.833/2003 dispõe que a pessoa jurídica possui direito à apuração de crédito presumido correspondente ao estoque de abertura de bens na data do início da incidência nãocumulativa da contribuição, conforme transcrito abaixo: Art. 12. A pessoa jurídica contribuinte da COFINS, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3o, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II daquele mesmo artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes na data de início da incidência desta contribuição de acordo com esta Lei. (Produção de efeito) § 1o O montante de crédito presumido será igual ao resultado da aplicação do percentual de 3% (três por cento) sobre o valor do estoque. § 2o O crédito presumido calculado segundo os §§ 1o, 9o e 10 deste artigo será utilizado em 12 (doze) parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir da data a que se refere o caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) § 3o O disposto no caput aplicase também aos estoques de produtos acabados e em elaboração. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000304/200501 Acórdão n.º 3302002.945 S3C3T2 Fl. 512 9 Por sua vez, os artigos 289, 290, 292 a 294 estabelecem: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; [...] Art. 292. Ao final de cada período de apuração do imposto, a pessoa jurídica deverá promover o levantamento e avaliação dos seus estoques. Art. 293. As mercadorias, as matériasprimas e os bens em almoxarifado serão avaliados pelo custo de aquisição (Lei nº 154, de 1947, art. 2º, §§ 3º e 4º, e Lei nº 6.404, de 1976, art. 183, inciso II). Art. 294. Os produtos em fabricação e acabados serão avaliados pelo custo de produção (Lei nº 154, de 1947, art. 2º, § 4º, e Lei nº 6.404, de 1976, art. 183, inciso II). Depreendese, pois, que os estoques são avaliados pelos custos de aquisição, não se incluindo nos referidos os impostos recuperáveis, como é o caso do ICMS de que trata a lide. Neste sentido, citamse os Acórdãos nº 3403003.305, proferido em 14/10/2014 e nº 3801001.796, proferido em 20/03/2013, cujas ementas transcrevemse: Acórdão nº 3403003.305: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. ESTOQUE DE ABERTURA. ICMS. EXCLUSÃO. Na composição do estoque de abertura de que trata o art. 11 da Lei no 10.637/2002 deve ser excluído o ICMS, conforme art. 289 do Regulamento do Imposto de Renda. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000304/200501 Acórdão n.º 3302002.945 S3C3T2 Fl. 513 10 Acórdão nº 3801001.796: CRÉDITO PRESUMIDO ESTOQUE DE ABERTURA VALORAÇÃO DO ESTOQUE LEGISLAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. O estoque de abertura deve ser valorado segundo os critérios adotados para fins do imposto de renda e o valor do ICMS, quando recuperável, não integra o valor dos estoques a ser utilizado como base de cálculo do crédito presumido. A recorrente alega que o crédito está diretamente relacionado à incidência na etapa anterior. Entretanto, o regime de creditamento é delineado pelas hipóteses previstas, as quais definem a base de cálculo e as alíquotas e, não necessariamente, se vinculam diretamente à incidência na etapa anterior. Exemplo é a aquisição de insumo adquirido de um fornecedor tributado pelo lucro presumido (portanto, tributado a 3% para a Cofins), cujo crédito ocorre a 7,6% no adquirente sujeito à nãocumulatividade. Outro exemplo, diametralmente oposto à questão do ICMS aqui tratado, referese ao IPI não recuperável, o qual compõe o custo de aquisição gerando crédito da nãocumulatividade2, apesar de consistir em exclusão da base de cálculo da incidência da exação3. Destarte, nego provimento ao recurso nesta matéria. Rateio para os créditos de importação vinculados às receitas de exportação, decorrentes dos recolhimentos de CofinsImportação, quando da nacionalização dos insumos importados ao amparo do Recof. Esclareçase, inicialmente, que as normas relativas à suspensão do pagamento do imposto de importação ou do IPI vinculado à importação, relativas aos regimes aduaneiros especiais, aplicamse também às contribuições para CofinsImportação, nos termos do artigo 14 da Lei nº 10.865/2004. O regime aduaneiro especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado estava disposto no Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543/2002) e foi normatizado pela IN SRF nº 417/20044, vigente à época dos fatos, nos seguintes termos: Decreto nº 4.543/2002: CAPÍTULO VII DO ENTREPOSTO INDUSTRIAL SOB CONTROLE INFORMATIZADO Seção I Do Conceito Art. 372. O regime de entreposto industrial sob controle aduaneiro informatizado (Recof) é o que permite a empresa importar, com ou sem cobertura cambial, e com suspensão do pagamento de tributos, sob controle aduaneiro informatizado, 2 Art. 66, §3º da IN SRF nº 247/2002 3 Art. 24, inciso III da IN SRF n º 247/2002 4 Revogada pela IN RFB nº 757/2007 Fl. 543DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000304/200501 Acórdão n.º 3302002.945 S3C3T2 Fl. 514 11 mercadorias que, depois de submetidas a operação de industrialização, sejam destinadas a exportação (Decretolei nº 37, de 1966, art. 89). § 1º Parte da mercadoria admitida no regime, no estado em que foi importada ou depois de submetida a processo de industrialização, poderá ser despachada para consumo (Decretolei nº 37, de 1966, art. 89). § 2º A mercadoria, no estado em que foi importada, poderá ter ainda uma das seguintes destinações: I exportação; II reexportação; ou III destruição. Seção II Da Autorização para Operar no Regime Art. 373. A autorização para operar no regime é de competência da Secretaria da Receita Federal, e poderá ser cancelada ou suspensa a qualquer tempo, nos casos de descumprimento das condições estabelecidas, ou de infringência de disposições legais ou regulamentares, sem prejuízo da aplicação de penalidades específicas (Decretolei nº 37, de 1966, art. 90, § 1º). Art. 374. Poderão habilitarse a operar no regime as empresas que atendam aos termos, limites e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, em ato normativo, do qual constarão (Decretolei nº 37, de 1966, art. 90): I as mercadorias que poderão ser admitidas no regime; II as operações de industrialização autorizadas; III o percentual de tolerância, para efeito de exclusão da responsabilidade tributária do beneficiário, no caso de perda inevitável no processo produtivo; IV o percentual mínimo da produção destinada ao mercado externo; V o percentual máximo de mercadorias importadas destinadas ao mercado interno no estado em que foram importadas; e VI o valor mínimo de exportações anuais. [...] Seção III Do Prazo e da Aplicação do Regime Fl. 544DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000304/200501 Acórdão n.º 3302002.945 S3C3T2 Fl. 515 12 Art. 375. O prazo de suspensão do pagamento dos tributos incidentes na importação será de até um ano, prorrogável por período não superior a um ano. [...] Art. 376. A normatização da aplicação do regime é de competência da Secretaria da Receita Federal, que disporá quanto aos controles a serem exercidos (Decretolei nº 37, de 1966, art. 90, § 3º). Seção IV Da Exigência de Tributos Art. 377. Findo o prazo fixado para a permanência da mercadoria no regime, serão exigidos, em relação ao estoque, os tributos suspensos, com os acréscimos legais cabíveis (Decreto lei nº 37, de 1966, art. 90, § 2º). Parágrafo único. O disposto no caput não dispensa o cumprimento das exigências legais e regulamentares para a permanência definitiva da mercadoria no País. Art. 378. Os resíduos decorrentes do processo produtivo poderão ser: I destruídos, sem exigência de tributos, caso não se prestem à utilização econômica; ou II despachados para consumo, com o pagamento de tributos, tendo como base de cálculo o valor que lhes for atribuído em laudo técnico específico, e com a alíquota fixada para a mercadoria correspondente. Art. 379. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá a forma e o momento para o cálculo e para o pagamento dos tributos. IN SRF nº 417/2004: Art. 1º A concessão e a aplicação do Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (Recof) serão efetuadas de acordo com o disposto nesta Instrução Normativa. DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 2º O regime permite importar ou adquirir no mercado interno, com suspensão da exigibilidade de tributos, mercadorias a serem submetidas a operações de industrialização de produtos destinados a exportação [...] Art. 22. A admissão no regime de mercadoria importada terá por base declaração de importação específica formulada pelo importador no Siscomex. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000304/200501 Acórdão n.º 3302002.945 S3C3T2 Fl. 516 13 [...] Art. 31. A aplicação do regime se extingue com a adoção, pelo beneficiário, de uma das seguintes providências: I exportação: a) de produto no qual a mercadoria, nacional ou estrangeira, admitida no regime tenha sido incorporada; b) da mercadoria no estado em que foi importada; c) da mercadoria nacional no estado em que foi admitida; ou d) de produto ao qual a mercadoria estrangeira admitida no regime, sem cobertura cambial, tenha sido incorporada; II reexportação da mercadoria estrangeira admitida no regime sem cobertura cambial; III transferência de mercadoria para outro beneficiário, a qualquer título; IV despacho para consumo: a) das mercadorias estrangeiras admitidas no regime e incorporadas a produto acabado; ou b) da mercadoria no estado em que foi importada; V destruição, às expensas do interessado e sob controle aduaneiro; ou VI retorno ao mercado interno de mercadoria nacional, no estado em que foi admitida no regime, ou após incorporação a produto acabado, obedecido ao disposto na legislação específica [...] Art. 36. Os resíduos do processo produtivo poderão ser exportados ou despachados para consumo, mediante o recolhimento dos tributos devidos na importação, ou destruídos. § 1º Os resíduos para os quais a beneficiária não tenha controle de suspensão de tributos na forma do ato a que se refere o art. 52, despachados para consumo, terão os seus tributos devidos calculados com base na mercadoria geradora de resíduo que tenha, na importação, o maior somatório de tributos com exigibilidade suspensa, por quilograma, consideradas as últimas importações registradas. § 2º O beneficiário deverá separar fisicamente os resíduos para os quais tenha controle na forma do ato a que se refere o art. 52 dos demais resíduos. [...] Fl. 546DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000304/200501 Acórdão n.º 3302002.945 S3C3T2 Fl. 517 14 Art. 37. No caso de destinação para o mercado interno, o recolhimento dos tributos com exigibilidade suspensa, correspondentes às mercadorias importadas, alienadas no mesmo estado ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, ou aplicadas em serviço de recondicionamento, manutenção ou reparo, deverá ser efetivado até o quinto dia útil do mês subseqüente ao da destinação, mediante o registro de DI na unidade da SRF que jurisdicione o estabelecimento importador. § 1º O IPI com exigibilidade suspensa, relativo às aquisições no mercado interno, será apurado e recolhido na forma da legislação de regência. § 2º A declaração a que se refere o caput será desembaraçada automaticamente pelo Siscomex. [...] Art. 38. Findo o prazo estabelecido para a vigência do regime, os tributos com exigibilidade suspensa, incidentes na importação, correspondentes ao estoque, deverão ser recolhidos com o acréscimo de juros e multa de mora, calculados a partir da data do registro da admissão das mercadorias no regime. § 1º Na hipótese deste artigo, para efeito de cálculo dos tributos devidos, as mercadorias constantes do estoque serão relacionadas às declarações de admissão no regime ou às correspondentes Notas Fiscais de aquisição no mercado interno, inclusive de transferência entre beneficiários, com base no critério contábil PEPS. § 2º O pagamento dos tributos e respectivos acréscimos legais, quando espontâneo, não dispensa o registro da DI e o cumprimento das demais exigências regulamentares para a permanência definitiva das mercadorias no País. CONTROLE DO REGIME Art. 45. O controle aduaneiro de entrada, permanência e saída de mercadorias no regime, inclusive em decorrência de substituição do beneficiário ou de movimentação com base em Ambra, será efetuado com base no sistema informatizado a que se refere o inciso III do art. 5 o , 5 integrado aos respectivos controles corporativos e fiscais da empresa interessada. Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento de outras obrigações acessórias previstas na legislação fiscal. 5 Art. 5 o Para a habilitação de que trata o art. 4 o , a empresa deverá: [...] III dispor de sistema informatizado de controle de entrada, permanência e saída de mercadorias, de registro e apuração de créditos tributários devidos, extintos ou com exigibilidade suspensa, integrado aos sistemas corporativos da empresa no País, com livre e permanente acesso da SRF; e Fl. 547DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000304/200501 Acórdão n.º 3302002.945 S3C3T2 Fl. 518 15 Art. 46. O sistema informatizado a que se refere o art. 45 estará sujeito a auditoria, nos termos da Instrução Normativa SRF n o 239, de 6 de novembro de 2002. [...] Art. 47. O sistema informatizado do beneficiário habilitado deverá contemplar ainda: I o registro de dados sobre as importações autorizadas no regime realizadas por fornecedores, até a entrada no seu estabelecimento; II o registro de dados de importações em outros regimes aduaneiros especiais e de aquisição no mercado interno de partes e peças utilizadas na fabricação de produto ou aplicadas na prestação de serviços industriais; III o controle do valor dos tributos com exigibilidade suspensa, relacionada às entradas ou transferências de regime de mercadorias importadas, referenciados aos seus documentos de origem, bem assim das formas de extinção das correspondentes obrigações tributárias; e IV a demonstração de cálculo dos tributos relativos aos componentes de produtos transferidos para outros beneficiários, vendidos no mercado interno ou exportados. Art. 48. O controle de extinção dos créditos com exigibilidade suspensa em decorrência da aplicação de outros regimes aduaneiros especiais também observará o critério PEPS, em harmonia com as entradas e saídas de mercadorias. § 1 o O sistema de controle informatizado deverá registrar os inventários de partes e peças existentes em estoque ou na linha de produção antes do início das operações no regime. § 2 o O disposto no § 1 o , para o caso de mercadorias admitidas em regime aduaneiro especial, requer, ainda, a vinculação dos estoques existentes aos respectivos documentos de entrada. § 3 o A exportação de produto, a reexportação de mercadoria admitida no regime ou a prestação de serviço a cliente sediado no exterior, utilizando mercadorias admitidas no regime de que trata esta Instrução Normativa e em outros regimes suspensivos, enseja a baixa simultânea dos correspondentes tributos com exigibilidade suspensa. A recorrente foi autorizada a operar o regime aduaneiro especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado para a Indústria Automotiva (Recof Automotivo) pelo Ato Declaratório Executivo SRF nº 8/2004, parcialmente, transcrito abaixo: Art. 1º Fica a empresa Caterpillar Brasil Ltda., inscrita no CNPJ sob o nº 61.064.911/0000177, situada na Rodovia Luiz de Queiroz, Km 157, s/nº, Distrito Unileste Piracicaba/SP, autorizada a operar o regime aduaneiro especial de Entreposto Fl. 548DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000304/200501 Acórdão n.º 3302002.945 S3C3T2 Fl. 519 16 Industrial sob Controle Informatizado para a Indústria Automotiva (Recof Automotivo). Art. 2º A autorização referida no art. 1º somente permite a admissão, no Recof Automotivo, de mercadorias estrangeiras destinadas às operações de industrialização dos produtos relacionados no Anexo I à Instrução Normativa SRF nº 254, de 11 de dezembro de 2002. [...] Art. 5º A admissão de mercadoria no Recof Automotivo darseá com ou sem cobertura cambial e terá por base declaração de importação específica, formulada pela autorizada no Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex, na forma estabelecida na Instrução Normativa SRF nº 254, de 2002. Art. 6º O recolhimento dos tributos suspensos, correspondentes às mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno, no estado ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, deverá ser efetivado até o quinto dia útil do mês subseqüente ao da destinação, mediante o registro da declaração de importação na DRF/Piracicaba. Art. 7º A autorizada fica obrigada a disponibilizar os relatórios previstos no ADE Conjunto COANA/COTEC nº 1, de 14 de novembro de 2001 , de conformidade com o disposto no art. 49 do ADE Conjunto COANA/COTEC nº 2, de 26 de setembro de 2003 . Parágrafo único. O disposto neste artigo: I não dispensa a autorizada de apresentar relatório de apuração anual, que demonstre o cumprimento dos compromissos de que trata o art. 6º da Instrução Normativa SRF nº 254, de 2002; e II não exclui a realização de outros procedimentos fiscais pertinentes. [...] Art. 10. Este ato entra em vigor na data de sua publicação. Verificase que o art. 6º do referido ato determinava o recolhimento dos tributos suspensos correspondentes às mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno, no estado ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, mediante o registro da corresponde Declaração de Importação. Já seu art. 7º determinava a disponibilização de relatórios previstos no Ato Declaratório Executivo Conjunto COANA/COTEC nº 1/2001, revogado pelo ADE Conjunto Coana/Cotec nº 2/2003, o qual especificou os requisitos técnicos para o sistema informatizado de controle aduaneiro. O ADE Conjunto Coana/Cotec nº 2/2003 especificou em seu item 3.7, os requisitos para o controle de suspensão dos tributos incidentes na importação, cujo teor transcrevese: Fl. 549DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000304/200501 Acórdão n.º 3302002.945 S3C3T2 Fl. 520 17 3.7 Suspensão de Tributos Art. 27 . O controle de suspensão do II e do IPI vinculado à importação e do IPI relativo à aquisição de mercadoria nacional deverá ser feito de modo integrado ao controle de entrada e saída de mercadoria, e abrangerá os valores dos tributos e as quantidades de mercadorias em estoque e terá por base os documentos fiscais e aduaneiros pertinentes, e a RTM6 quando for o caso. § 1º Cada tributo objeto do controle de que trata este artigo terá quatro contas "Calculado", "Suspenso", "Devido" e "Extinto" que serão registradas segundo o método contábil de partidas dobradas. § 2º As contas de tributo "Suspenso" serão desdobradas em nível de part number7 e cada um terá também uma correspondente conta de quantidade para registrar entrada e saída crédito e débito de mercadoria objeto do controle de suspensão. § 3º O controle de suspensão de que trata este artigo deverá ser estendido para registrar outros tributos ou contribuições administrados pela SRF que vierem a incidir sobre as operações e, a critério do beneficiário do regime, poderá ser utilizado também para controlar o Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS) e o Adicional de Frete de Renovação da Marinha Mercante (AFRMM). [...] Art. 28. Os lançamentos nas contas referidas no artigo anterior deverão ser escriturados em ordem cronológica e obedecerão as seguintes regras: I pela importação de mercadoria com suspensão de tributos, aquisição de mercadoria nacional de outro beneficiário do Recof que contenha mercadorias admitidas nesse regime, ou pela aquisição de mercadoria nacional com IPI suspenso, será feito: 6 Relação de Transferência de Mercadoria O registro da transferência de mercadoria entre ambos, correspondente à entrada ou saída em seus estoques, terá por base a emissão informatizada da pertinente RTM e deverá apresentar contrapartida simultânea em ambos sistemas de controle 7 Art. 12. O controle de estoque de mercadoria admitida no regime de entreposto aduaneiro para fins de aplicação nas operações previstas nos incisos II e III do art. 5º da IN SRF nº 241, de 6 novembro de 2002, bem assim o de componente adquirido no mercado nacional para o mesmo fim, será feito de forma integrada ao correspondente controle exercido pelo estabelecimento industrial instalado no recinto alfandegado de uso público, que receba a mercadoria para industrialização. § 1º O registro da transferência de mercadoria entre ambos, correspondente à entrada ou saída em seus estoques, terá por base a emissão informatizada da pertinente RTM e deverá apresentar contrapartida simultânea em ambos sistemas de controle. § 2º A RTM terá numeração seqüencial única para o recinto, com sete dígitos mais um dígito verificador, correspondendo os dois primeiros ao ano da transferência e outros cinco à seqüência numérica sem repetição e terá como sede de registro e arquivo o sistema informatizado do recinto alfandegado de uso público. § 3º Cada mercadoria, identificada pelo seu part number, será indexada na RTM a um número seqüencial de item, iniciando sempre pelo numeral "0001". Fl. 550DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000304/200501 Acórdão n.º 3302002.945 S3C3T2 Fl. 521 18 a) débito na conta "Calculado" e crédito na conta "Suspenso" do pertinente part number; e b) crédito na correspondente conta de quantidade; II quando do despacho para consumo de mercadoria importada admitida com suspensão, inclusive de seu resíduo, ou venda para o mercado doméstico de mercadoria nacional recebida com suspensão, inclusive de seu resíduo, ou do registro de saída relativamente à constatação de falta de mercadoria importada admitida no regime, será feito: a) débito na conta "Suspenso" do pertinente part number e crédito na conta "Devido"; e b) débito na correspondente conta de quantidade. III pela venda de mercadoria nacional admitida no regime de entreposto aduaneiro com suspensão de IPI, em retorno para o mercado interno, será feito: a) débito na conta "Suspenso" do pertinente part number e crédito na conta "Devido"; e b) débito na correspondente conta de quantidade; IV quando da exportação de mercadoria no mesmo estado em que importada, inclusive de seu resíduo, será feito: a) crédito na conta "Extinto" e débito na conta "Suspenso" do pertinente part number; e b) débito na correspondente conta de quantidade; V pela exportação de mercadoria produzida pelo estabelecimento com componente(s) importado(s) e ou nacional(is), ou pela venda ou transferência definitiva de mercadoria para outro beneficiário do regime, será feito: a) crédito na conta "Extinto" e débito na(s) conta(s) "Suspenso" do(s) pertinente(s) part number do(s) componente(s) importado(s) e ou nacional(is); b) débito na(s) correspondente(s) conta(s) de quantidade; VI pela baixa relativa à perda de mercadoria até o limite admitido na habilitação: a) crédito na conta "Extinto" e débito na conta "Suspenso" do pertinente part number; b) débito na correspondente conta de quantidade; VII pela baixa relacionada à destruição de mercadoria admitida no regime sem cobertura cambial, ou de seu resíduo: a) crédito na conta "Extinto" e débito na conta "Suspenso" do pertinente part number; e Fl. 551DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000304/200501 Acórdão n.º 3302002.945 S3C3T2 Fl. 522 19 b) débito na correspondente conta de quantidade; VIII pela baixa relacionada à destruição de mercadoria admitida no regime com cobertura cambial, ou de seu resíduo: a) crédito na conta "Devido" e débito na conta "Suspenso" do pertinente part number; e b) débito na correspondente conta de quantidade; IX pela destinação ao mercado interno, em caráter definitivo, de mercadoria obtida pela desmontagem de outra mercadoria importada admitida no regime: a) débito na conta "Calculado" e crédito na conta "Devido" da pertinente NCM ou part number referido ao respectivo registro de desmontagem; e b) débito na correspondente conta de quantidade. X quando do pagamento da obrigação tributária, débito na conta "Devido"e crédito na conta "Extinto"; XI pela expiração do prazo de suspensão: a) débito na correspondente conta "Suspenso" do pertinente part number e crédito na conta "Devido"; b) débito na correspondente conta de quantidade, ao qual deverá corresponder um crédito nos estoques de mercadoria nacionalizada. § 1º O registro de débito/crédito referido nos incisos do caput, além das informações de valor e ou quantidade, deverá conter: [...] § 3º O débito na conta "Suspenso" de qualquer part number, bem assim na respectiva conta de quantidade, obedecerá ainda às regras: I será registrado apenas na data do correspondente embarque na hipótese de exportação, do registro da DI para consumo na hipótese de nacionalização de produto estrangeiro, ou da efetiva saída do estabelecimento em se tratando de destinação ao mercado interno de produto nacional; II o débito de tributo suspenso corresponderá à proporção da quantidade debitada, pela apropriação do respectivo saldo em cada DA/adição/item na hipótese de produto importado, ou de cada nota fiscal/item em se tratando de produto nacional, com obediência ao critério contábil PEPS; III para a mercadoria aplicada em produto industrializado pelo estabelecimento industrial situado em recinto alfandegado, o débito será feito mediante apropriação das quantidades de produto importado relacionadas nas RTM de transferência do Fl. 552DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000304/200501 Acórdão n.º 3302002.945 S3C3T2 Fl. 523 20 estabelecimento industrial para o recinto alfandegado de uso público; e IV as RTM referidas no inciso anterior serão apropriadas pelo critério PEPS por ocasião das exportações ou de colocação no mercado nacional, mantida a correspondência com o produto industrializado exportado. [...] Dispõe ainda o item 3.9, artigos 30 e 31: 3.9 Controles Contábeis e Corporativos Art. 30. O sistema de controle informatizado do estabelecimento industrial ou prestador de serviços, beneficiário de regime aduaneiro suspensivo de que trata este ADE, deverá se integrar aos controles contábeis, por meio dos registros de compras de mercadorias nacionais ou importadas, bem assim por meio do registro das vendas para o mercado interno ou exportações de produtos acabados. [...] Art. 31 . O sistema de controle informatizado do estabelecimento industrial ou prestador de serviços, beneficiário de regime aduaneiro suspensivo de que trata este ADE, deverá se integrar aos demais sistemas corporativos, especialmente os que controlem almoxarifados e produção. Depreendese que todo o controle da suspensão dos tributos pressupõe a segregação dos tributos suspensos que passam para a condição de “devidos” dos tributos suspensos que passam para a condição de “extintos”. É esta segregação exigida pelo ADE Conjunto Coana/Cotec nº 2/2003 que possibilita a aplicação do artigo 6º8 do ADE SRF nº 8/2004, acima mencionado, em conformidade com as disposições da IN SRF 417/2004. No sentido de se determinar a vinculação dos recolhimentos de PIS/Pasep Importação e CofinsImportação, a fiscalização lavrou o Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 05, com o seguinte teor: “Considerando que o sujeito passivo está autorizado a operar o regime aduaneiro especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado para a Indústria Automotiva (Recof Automotivo), podendo importar insumos com os tributos suspensos, sendo devidos os recolhimentos em caso de destinação ao mercado interno, deverá, em relação aos valores declarados nos campos "Créditos a Descontar na Importação — PIS/Pasep Pago" e "Créditos a Descontar na Importação — Cofins Paga" dos DACON e dos Demonstrativos de Cálculo dos Créditos do período 4° trimestre de 2004 até o 4° trimestre de 2005, atender o seguinte: 8 O recolhimento dos tributos suspensos, correspondentes às mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno, no estado ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, deverá ser efetivado até o quinto dia útil do mês subseqüente ao da destinação, mediante o registro da declaração de importação Fl. 553DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000304/200501 Acórdão n.º 3302002.945 S3C3T2 Fl. 524 21 1) Sendo estes valores integralmente referentes às contribuições para o PIS/Pasep e Cofins pagas em função da nacionalização, ou seja, destinação ao mercado interno de insumos, ou de produtos industrializados aos quais estes insumos sejam incorporados, adquiridos dentro do regime do Recof, originalmente com suspensão de tributos, apenas informar o fato; 2) Sendo os valores compostos das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins pagas em função da nacionalização de insumos adquiridos dentro do regime do Recof, originalmente com suspensão de tributos, e de contribuições pagas em função de aquisição de insumos fora do citado regime, com incidência de tributos, apresentar arquivos Excel de PIS/Pasep e Cofins pagos na Importação, distintos para cada situação a seguir, sujeito á comprovação posterior: a) de insumos adquiridos sob o regime do Recof e nacionalizados; b) de insumos adquiridos fora do regime e destinados exclusivamente ao mercado interno; c) de insumos adquiridos fora do regime e destinados exclusivamente ao mercado externo; d) de insumos adquiridos fora do regime, comuns ás receitas dos mercados externo e interno.” Em resposta, a recorrente informou: “A Intimada informa que os valores declarados nos campos "Créditos a Descontar na Importação PIS/Pasep Pago" e "Créditos a Descontar na Importação Cofins Paga" dos DACONs e dos Demonstrativos de Cálculo dos Créditos do período 4o . Trimestre de 2004 até o 4o trimestre de 2005, referem se às Contribuições para o PIS/Pasep e COFINS pagas (vide Anexos I e II), em decorrência de nacionalização de: a) Mercadorias importadas sob o Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado RECOF, empregadas em produtos cujo destino final foi o mercado doméstico. b) Regime Comum de Importação referente a mercadorias importadas e empregadas na produção de geradores, cujo destino final foi o mercado doméstico. c) Regime Comum de Importação referente a peças de reposição para geradores, cujo destino final foi o mercado doméstico, no mesmo estado em que foram importadas. d) Regime Comum de Importação referente a peças de reposição para máquinas, cujo destino final foi o mercado doméstico, no mesmo estado em que foram importadas. e) Mercadorias importadas sob o Regime Aduaneiro Especial de Depósito Especial DE, mais especificamente peças de reposição, cujo destino final foi o mercado doméstico, no mesmo estado em que foram importadas.” Fl. 554DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000304/200501 Acórdão n.º 3302002.945 S3C3T2 Fl. 525 22 Constatase que a recorrente confirmou que os recolhimentos de PIS/Pasep Importação e CofinsImportação referiamse à destinação das mercadorias importadas ao mercado interno e não às exportações. De todo o exposto, concluise que não procedem as alegações da recorrente quanto à aplicação do método do rateio previsto no §8º, uma vez que o recolhimento de Cofins Importação pressupõe a vinculação à destinação ao mercado interno, conforme normatizado pelo Recof. A própria sistemática do Recof, diversamente do que defende a recorrente, determina a segregação das mercadorias importadas e dos tributos suspensos respectivos, estabelecendo requisitos técnicos e formais para implantação de sistema informatizado, visando o controle dos tributos suspensos e da destinação de cada mercadoria. Destarte, os tributos suspensos relativos às mercadorias reexportadas ou utilizadas na fabricação de produto exportado se tornam extintos, implicando, por conseguinte, a inexistência de pagamento de CofinsImportação, incidindo, consequentemente, a vedação quanto à possibilidade de creditamento relativo à importação das mercadorias vinculadas às exportações, uma vez que o comando do artigo 15, §1º determina a efetividade de pagamento das contribuições para que as hipóteses de creditamento previstas nos incisos do caput possam gerar créditos, conforme transcrevese abaixo: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Regulamento) [...] § 1o O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. Por outro lado, discordase da recorrente quanto à alegação de que o art. 179 da Lei nº 11.033/2004 propiciaria a manutenção de créditos em operações desoneradas no âmbito do Recof. É que tal artigo não estabelece novas hipóteses de creditamento, mas apenas permite que se mantenham os créditos apuráveis segundo os dispositivos legais regentes da matéria, como os artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003, bem como o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004. O artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 elucida o entendimento: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto 9 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000304/200501 Acórdão n.º 3302002.945 S3C3T2 Fl. 526 23 no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Assim, não obstante o art. 17 permitir o creditamento em relação a saídas desoneradas, é necessário que os pressupostos previstos no art. 15 da Lei nº 10.865/2004 sejam observados, especialmente o §1º que condiciona o creditamento à existência de PIS/Pasep Importação e CofinsImportação efetivamente pagas. Entretanto, o Recof estipula que os tributos suspensos relativos às mercadorias destinadas ao exterior são extintos, baixados no dizer do §3º do artigo 48 da IN SRF nº 417/2004, ou seja, não há qualquer recolhimento de PIS/PasepImportação ou CofinsImportação vinculados às receitas de exportação. Dito de outro modo, se todas as mercadorias importadas no âmbito do Recof fossem destinadas ao mercado externo, implicando a baixa dos tributos suspensos, não haveria qualquer crédito a ser aproveitado. Desta forma, agiu a fiscalização com acerto, quando efetuou a glosa por entender que a contribuição paga vinculavase às mercadorias importadas revendidas no mercado interno ou utilizadas em produto vendido no mercado interno Por fim, quanto à exclusão de multas e juros de mora, por observância das normas de preenchimento do Dacon, verificase, de fato, que a recorrente não observou a premissa das instruções de preenchimento, qual seja, a existência de custos, despesas e encargos comuns às receitas de exportação e às de venda no mercado interno, sobre os quais aplicarseia um dos métodos de vinculação previstos no §8º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 (rateio proporcional ou apropriação direta, à sua escolha). No caso aqui tratado, os créditos decorrentes dos recolhimentos de CofinsImportação no âmbito do Recof não são comuns às duas receitas, mas apenas às de venda no mercado interno. Assim, não se trata da aplicação do parágrafo único do artigo 100 do CTN. Pontuese, ainda, que as alegações quanto ao artigo 35 da Lei nº 12.058/2009 em nada influenciam a decisão, pois tal artigo trata de segregação dos créditos da não cumulatividade e não da segregação realizada no âmbito do Recof, a qual fundamentou a vinculação específica entre os créditos de importação decorrentes dos recolhimentos de PIS/Pasep e CofinsImportação e as receitas de venda no mercado interno. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 556DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000304/200501 Acórdão n.º 3302002.945 S3C3T2 Fl. 527 24 Fl. 557DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 11075.000195/2004-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 05/02/2004
FALSIFICAÇÃO DE ASSINATURA APOSTA EM FATURA COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DAS MERCADORIAS.
A falsificação de assinatura aposta em fatura comercial que instrui importação de mercadorias caracteriza dano ao Erário, sujeito à aplicação da pena de perdimento, ou à sua conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro dos correspondentes produtos importados.
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3301-002.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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(antiga denominação de MASTERFOODS ALIMENTOS LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 05/02/2004 FALSIFICAÇÃO DE ASSINATURA APOSTA EM FATURA COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DAS MERCADORIAS. A falsificação de assinatura aposta em fatura comercial que instrui importação de mercadorias caracteriza dano ao Erário, sujeito à aplicação da pena de perdimento, ou à sua conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro dos correspondentes produtos importados. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 01 95 /2 00 4- 72 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 11075.000195/200472 Acórdão n.º 3301002.757 S3C3T1 Fl. 209 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ Florianópolis (efls. 216/220), a qual, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração lavrado contra o sujeito passivo, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 05/02/2004 CARACTERIZAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DAS MERCADORIAS. Nos termos da legislação de regência, considerase dano ao Erário às infrações relativas às mercadorias estrangeiras ou nacionais, na importação ou exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado. A falsidade da fatura comercial é hipótese de dano ao erário, sujeitandose as mercadorias por esta acobertada à pena de perdimento. Não sendo localizadas as mercadorias sujeitas à pena de perdimento, tal pena será convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mesmas. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 05/02/2004 RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. A responsabilidade por infração independe da intenção do agente e responde pela mesma quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficia. Lançamento Procedente A lavratura do auto de infração decorreu dos fatos descritos no relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Tratase de Auto de Infração, fls. 01 a 03, onde é exigida a Multa substitutiva à Pena de Perdimento de que trata o § 1° do art. 618 do Decreto n° 4.543/02, no valor de R$ 94.600,05. De acordo com a Fiscalização, descrição dos fatos, fls. 02, a mercadoria estrangeira, acompanhada da fatura comercial n° 000064, da empresa chilena Lican Alimentos S/A, acobertada pela DI n° 01/11853120, registrada em 05/12/2001, era inautêntica. Intimada da exigência, a interessada apresentou a impugnação de fls. 121/128, acompanhada dos documentos de fls. 131/161, alegando, em síntese: Que a nova denominação da empresa é Masterfoods Alimentos Ltda. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 11075.000195/200472 Acórdão n.º 3301002.757 S3C3T1 Fl. 210 3 Que a recorrente apresentou cópia de uma carta de Dario Sales Santander, Gerente Comercial de Lican Alimentos S/A, endereçada ao Sr. Nilson Maestro, fls. 155, afirmando a pessoa que assinou a fatura de exportação invoice n° 000064 foi o Sr. Alex Inostroza, que desempenhava a função de assistente de contabilidade. Que o Sr. Alex Inostroza estava autorizado a assinar faturas de exportação na ausência do Sr. Dario Sales Santander. Que a fatura comercial n° 000064 realmente não continha a assinatura do Sr. Dario Salas Santander e sim a do Sr. Alex Inostroza. Que não houve qualquer adulteração ou falsificação da fatura comercial n° 000064, pois na ausência de quem costumeiramente assinava faturas comerciais, Sr. Dario Salas Santander, e que assinou a fatura proforma 64, foi assinada pelo Sr. Alex Inostroza, conforme declaração prestada pela empresa Lican Alimentos S/A. Que a assinatura foi equivocadamente atribuída ao Sr. Dario Salas Santander por presunção. Que não tendo sido previamente concluído de quem seria a assinatura, jamais poderia se concluir que a assinatura seria do Sr. Dario Salas Santander, só porque este assinava outros documentos pela empresa Lican Alimentos. Partindo da premissa equivocada, ficam prejudicadas as razões presentes no auto de infração, restando configurado a sua nulidade e a insubsistência. Requer a insubsistência do auto de infração e seu conseqüente arquivamento. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 21/10/2008 (efls. 221 e 225). Inconformada, a mesma apresentou, em 19/11/2008 (efls. 236), o recurso voluntário de efls. 236/244, onde reitera que a assinatura constante na fatura objeto do litígio não foi aposta por Dario Sales Santander, mas por Alex Inostroza, o qual estava autorizado a assinar as faturas de exportação em nome da empresa Lican Alimentos S.A., conforme carta de Dario Sales Santander, Gerente Comercial da Lican Alimentos, empresa exportadora. Ressalta ainda: a) que a operação entre as duas empresas foi real, e que, "ao invés do exame grafotécnico para assegurar que pessoa X assinou o documento, deveria ter se questionado quem assinou e com que poderes"; b) que "o cerne da questão não é se foi o Sr. Dario quem assinou, e sim se o documento reflete a operação e fora emitido pela empresa Lican"; c) que a Receita Federal "constatou que todas as mercadorias estrangeiras acompanhadas pela Fatura Comercial nº 000064, que instruiu a DI 01/11853120, conferiam exatamente com o declarado, tendo sido recolhidos todos os tributos que incidiram na importação, faltando apenas a assinatura na fatura mencionada"; d) que não houve nenhum benefício econômico ilegítimo para a recorrente e que a fatura é verídica e contém rubrica de preposto da exportadora; Fl. 250DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 11075.000195/200472 Acórdão n.º 3301002.757 S3C3T1 Fl. 211 4 e) que "se a assinatura não é perfeita isso não significa que seja falsificada ou adulterada"; f) que "a prática imputada à Recorrente só poderia ser qualificada como criminosa se houvesse a supressão ou redução dos tributos devidos, o que não aconteceu em nenhum momento". A recorrente cita doutrina e jurisprudência no sentido da não caracterização de delito a alteração da verdade que não é juridicamente relevante; "não há crime se não há possibilidade de prejuízo". E defende a impossibilidade de se fazer uso de presunção para autuar. Requer, ao fim, seja dado provimento ao seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Da Admissibilidade do recurso O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Do mérito Não obstante o relatório supra, dada sua pertinência para o julgamento do litígio, transcrevo, abaixo, trechos do relatório fiscal objeto do auto de infração (efls. 04/05): Mercadoria estrangeira acompanhada de Fatura Comercial n° 000064 da empresa chilena Lican Alimentos S.A., que instrui a Declaração de Importação n° 01/11853120 (registrada em 05/12/2001 na DRF Uruguaiana (1010900), contendo assinatura inautêntica, conforme Laudo Pericial n° 2196/03SR/RS, feito pelo Departamento de Polícia Federal Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio Grande do Sul, e conforme descrição dos fatos abaixo: 1 Foi apresentada a documentação instrutiva da DI supra em 06 de dezembro de 2001 (conforme protocolo comprovante de despacho nos documentos anexos); 2 Nesta mesma data foi constatada a falta de assinatura na fatura mencionada (anotação feita na folha da tela de parametrização); 3 Ainda nesta data, o AFRF responsável pela conferência documental convocou o importador a retirar a referida fatura e providenciar a assinatura da mesma (convocação nos documentos em anexo). Tomou ciência de tal convocação o Ajudante de Despachante Aduaneiro Eduardo Marcelo Brum Gomes (Reg. 10A.o1.787), retirando a referida fatura em 03 de dezembro de 200l, conforme recibo dado pelo mesmo no verso da convocação; Fl. 251DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 11075.000195/200472 Acórdão n.º 3301002.757 S3C3T1 Fl. 212 5 4 Em 07 de dezembro de 2001 a Despachante Aduaneira Lucia Andréa Fagundes (Reg. 10D.00.689) apresentou Termo de Compromisso junto ao AFRF responsável pela verificação para, em um prazo de 07 dias, apresentar a referida fatura assinada (documento em anexo); 5 Em 21 de dezembro de 2001, o AFRF responsável pela Declaração de Importação em questão concedeu mais 07 dias para que o importador providenciasse a assinatura na fatura mencionada (documento em anexo); 6 Em 06 de junho de 2002 a AFRF Rosa Ana Rossoni Fava intimou (Intimação n° 008/323/2002, em anexo) o importador, através de seu representante legal, a apresentar 05 conjuntos de documentos instrutivos de Declarações de Importação de cargas da Lican (já mencionada) para a Effem Brasil, para que se pudesse comparar as assinaturas nas faturas de exportação; 7 Em 01 de julho de 2002 a Despachante Aduaneira Lucia Andréa Fagundes (Reg. 10D.00.689) apresentou os documentos solicitados na intimação supra; 8 Em 05 de agosto de 2002 foi enviado o Ofício n° 11/1204/02/DRF/URA/Sopea para o Departamento de Polícia Federal, solicitando um exame Grafotécnico da suposta assinatura do Sr. Dario Salas Santander, que se encontrava na Fatura de Exportacion INVOICE N° 000064 da Lican Alimentos; 9 Em 22 de janeiro de 2004 foi enviada resposta ao Ofício supra contendo o resultado do Exame Documentoscópico solicitado onde se aponta a inautenticidade da assinatura do Sr. Dario Salas Santander, que se encontrava na Fatura de Exportacion INVOICE N° 000064 da Lican Alimentos; Diante do ocorrido lavrase o presente Auto de Infração para a cobrança do crédito [...] (os grifos não constam do original) Conforme descrição dos fatos que ensejaram a lavratura do auto de infração, a fiscalização aduaneira, tendo constatado a ausência de assinatura na fatura comercial que instruiu a importação, intimou o sujeito passivo "a apresentar a referida fatura assinada". Providenciada a assinatura do documento, a fiscalização, com base em "05 conjuntos de documentos instrutivos de Declarações de Importação de cargas da Lican", empresa exportadora, solicitou à Polícia Federal "um exame Grafotécnico da suposta assinatura do Sr. Dario Salas Santander, que se encontrava na Fatura de Exportacion INVOICE N° 000064 da Lican Alimentos". Em resposta, a Polícia Federal atestou a "inautenticidade da assinatura do Sr. Dario Salas Santander, que se encontrava na Fatura de Exportacion INVOICE N° 000064 da Lican Alimentos". Com efeito, de acordo com o que foi relatado pela autoridade fiscal, em nenhum momento o sujeito passivo asseverou que a assinatura aposta na fatura objeto do litígio teria sido produzida pelo Sr. Dario Salas Santander, não obstante sua semelhança com os documentos utilizados como paradigma tenham direcionado a fiscalização aduaneira a requisitar, junto à Polícia Federal, exame grafotécnico para se certificar de que tal assinatura seria do citado responsável pela empresa exportadora. Além disso, a recorrente apresenta documento expedido pela empresa exportadora Lican Alimentos (v. efls. 191) onde aludida empresa assevera que a assinatura Fl. 252DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 11075.000195/200472 Acórdão n.º 3301002.757 S3C3T1 Fl. 213 6 constante na fatura nº 000064 não foi aposta por Dario Sales Santander, mas sim por Alex Inostroza, assistente de contabilidade da empresa, o qual estava autorizado a assinar as faturas quando o Sr. Dario Santander se encontrava viajando. No entanto, é bastante elucidativo o seguinte trecho do LAUDO DE EXAME DOCUMENTOSCÓPICO nº 2196/03 (efls. 134/136), o qual revela que a assinatura aposta na fatura nº 000064, de fato, foi fruto de uma "FALSIFICAÇAO do tipo COM IMITAÇÃO, uma vez que é perceptível a tentativa de reprodução das formas autênticas de DARIO SALAS SANTANDER". IV Dos Exames Os exames foram procedidos segundo as técnicas de observação direta e confrontos, com a utilização de instrumental óptico adequado de ampliação, iluminação natural e artificial. Inicialmente, os Peritos analisaram as rubricas constantes nos documentos padrão, buscando as características personalíssimas do punho escriturador DARIO SALAS SANTANDER. A seguir, tais rubricas foram confrontadas com a rubrica lançada sobre o documento questionado, de onde observaram os Peritos significativas divergências morfocinéticas, tais como: a total dessemelhança das gêneses gráficas, diferentes pontos de ataques e remates, diferente dinamismo do punho escriturador (na rubrica questionada é perfeitamente perceptível a menor agilidade do gesto gráfico, com freqüente ocorrência de pontos de hesitação ou parada). Tais divergências revelam tratarse, portanto, de uma FALSIFICAÇAO do tipo COM IMITAÇÃO, uma vez que é perceptível a tentativa de reprodução das formas autênticas de DARIO SALAS SANTANDER. A forjicação apresenta, ainda, as características típicas das falsificações com MODELO À VISTA, quando o falsário não possuiu de memória o padrão a ser copiado e utiliza, durante o processo, uma peça autêntica como referência, podendo ter sido, assim, utilizada a rubrica constante na “LISTA DE EMPAQUE” datada de 30/11/01, conforme foi aventado pelo Delegado JOSEMAR DALSOCHIO, porém, com poucas chances de ter sido usada a técnica da sobreposição ou do debuxo, já que o formato das rubricas não se revelou perfeitamente coincidente. O suporte utilizado para a falsificação, ou seja, o formulário padrão da empresa Lican Alimentos S/A, apresenta, todavia, rigorosamente as mesmas características do padrão autêntico fornecido (INVOICE N. 000052), observandose, também, convergências no processo de impressão utilizado para o preenchimento dos formulários, bem como nas impressões de carimbo em tinta vermelha. V Das Conclusões O documento questionado (INVOICE N. 000064), apesar de apresentar convergências em suas características gerais de impressão, quando confrontado com o documento padrão de mesmo tipo encaminhado a exame (INVOICE N. 000052), possui em seu canto inferior direito uma rubrica INAUTÊNTICA, conforme explanado no capítulo IV deste Laudo. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 11075.000195/200472 Acórdão n.º 3301002.757 S3C3T1 Fl. 214 7 (os grifos não constam do original) Portanto, uma vez caracterizada a falsificação da assinatura aposta na fatura comercial que instruiu a importação, entendo que a realidade se subsume ao disposto no artigo 618, inciso VI, do Decreto nº 4.543, de 26/12/2002, sujeitandose, pois, o sujeito passivo, à multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, nos termos do parágrafo primeiro do dispositivo legal em evidência. No mais, acolho como razões de decidir os demais argumentos objeto da decisão recorrida. Da conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 26 de janeiro de 2016. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 254DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 23034.040664/2005-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OCORRÊNCIA DE INEXATIDÃO MATERIAL NA CONTAGEM DO PRAZO RECURSAL DA PGFN. APRESENTAÇÃO DE UM SEGUNDO EMBARGOS RECEBIDO COMO REQUERIMENTO DE CORREÇÃO DE INEXATIDÃO MATERIAL. SUPOSTA OBSCURIDADE. ESCLARECIDA E AFASTADA.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2202-003.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, Por maioria de votos, conhecer dos embargos inominados, para rejeitá-los, vencidos os Conselheiros MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), que não conheciam.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator
(Assinado digitalmente)
Eduardo de Oliveira Redator Designado.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo de Oliveira, Wilson Antônio de Souza Corrêa e José Alfredo Duarte Filho.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OCORRÊNCIA DE INEXATIDÃO MATERIAL NA CONTAGEM DO PRAZO RECURSAL DA PGFN. APRESENTAÇÃO DE UM SEGUNDO EMBARGOS RECEBIDO COMO REQUERIMENTO DE CORREÇÃO DE INEXATIDÃO MATERIAL. SUPOSTA OBSCURIDADE. ESCLARECIDA E AFASTADA. Embargos Acolhidos
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por maioria de votos, conhecer dos embargos inominados, para rejeitá-los, vencidos os Conselheiros MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), que não conheciam. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator (Assinado digitalmente) Eduardo de Oliveira Redator Designado. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo de Oliveira, Wilson Antônio de Souza Corrêa e José Alfredo Duarte Filho.
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Embargante FAZENDA NACIONAL. Interessado BUNGE ALIMENTOS S/A. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OCORRÊNCIA DE INEXATIDÃO MATERIAL NA CONTAGEM DO PRAZO RECURSAL DA PGFN. APRESENTAÇÃO DE UM SEGUNDO EMBARGOS RECEBIDO COMO REQUERIMENTO DE CORREÇÃO DE INEXATIDÃO MATERIAL. SUPOSTA OBSCURIDADE. ESCLARECIDA E AFASTADA. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por maioria de votos, conhecer dos embargos inominados, para rejeitálos, vencidos os Conselheiros MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), que não conheciam. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator (Assinado digitalmente) Eduardo de Oliveira – Redator Designado. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo de Oliveira, Wilson Antônio de Souza Corrêa e José Alfredo Duarte Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 04 06 64 /2 00 5- 32 Fl. 379DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 23034.040664/200532 Acórdão n.º 2202003.094 S2C2T2 Fl. 380 2 Relatório DO LANÇAMENTO FISCAL Tratase no presente Processo Administrativo Fiscal – PAF de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD nº 49.901.3271, referente à contribuição social do SalárioEducação para o Fundo Nacional para Desenvolvimento da Educação (FNDE), nas competências 01/1996 a 06/2005. Consta que o lançamento fiscal teve origem na Representação Administrativa feita pela Seção de Fiscalização da Previdência Social (fls. 3 a 77), em que se constatou pagamento de salário utilidade relacionado a ValeTransporte em desacordo com a legislação e Plano de Saúde aos dependentes de empregados, detalhados no documento de representação e seus anexos. DA CIÊNCIA O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, apresentando impugnação. A Delegacia de Julgamento, 5ª Turma da DRJ/FNS, deu provimento parcial à impugnação, declarando a decadência do período 01/1996 a 11/2001. O contribuinte foi cientificado da decisão da 5ª Turma da DRJ/FNS, apresentou recurso voluntário. O Recurso Voluntário foi julgado na assentada, de 11/02/2015, tendo sido prolatado o Acórdão Nº 2803004.081 3ª Turma Especial da Segunda Seção do CARF, o qual teve o seguinte resultado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Eduardo de Oliveira. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. A Procuradoria da Fazenda Nacional descordando de tal pronunciamento por entender existente obscuridade na decisão, conforme abaixo transcrito, impetrou Embargos de Declaração. Ocorre que não restou clara a relação entre o que foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito do RE nº 595.838/SP e a presente autuação. (o destaque é do original). Entretanto, os embargos interpostos pelo fazenda nacional foram rejeitados por entender o Conselheiro Redator que aquele era INTEMPESTIVO. Novamente, intimada a PGFN essa se mostrou insatisfeita com a rejeição do embargos de declaração e apresentou um segundo Embargos de Declaração do despacho de inadmissibilidade dos primeiros embargos, sob o fundamento de que aquela decisão continha Fl. 380DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 23034.040664/200532 Acórdão n.º 2202003.094 S2C2T2 Fl. 381 3 omissão, pois o Conselheiro julgador não teria analisado a tempestividade dos embargos considerando as regras de intimação da Fazenda Nacional. Porém no que tange aos segundos embargos, assim me pronunciei nos despacho de análise de sua admissibilidade. Ocorre, que os presente Embargos não tem razão de ser, pois apesar do Cons. Relator do Recurso Voluntário ter cometido erro material na contagem do prazo recursal e rejeitado os primeiros Embargos de Declaração, por intempestividade, a Portaria MF 256/2009 Regimento Interno do CARF, não prevê a possibilidade de Embargos de Declaração de ato processual que não seja Acórdão. Assim sendo, nos termos do artigo 66, do RICARF recebo os presente embargos como requerimento para correção de Inexatidão Material manifesta, observese a transcrição do artigo. Art. 66. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados pelo presidente de turma, mediante requerimento de conselheiro da turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente. Todavia, a fim e sanar a questão e por uma pá de cal definitiva no assunto, pelo menos nessa fase, assim decidi. Embora, o tema dos autos seja Salário Educação a questão do plano de saúde operacionalizado por cooperativa de trabalho médico UNIMED é patente e claro, razão pela qual entendo pessoalmente pela inexistência de qualquer obscuridade no Acórdão do Recurso Voluntário embargado, mas para por fim de vez a qualquer suposta mácula que possa existir na decisão, admito os embargos. Assim, Senhor Presidente da 3ª TE peço que os presentes Embargos de Declaração sejam admitidos e processados como de praxe. Entendo, ainda, de bom alvitre registrar, minha posição pessoal, uma vez que considero nos dias de hoje ser um absurdo conceder ao contribuinte cinco dias para interpor embargos e a Fazenda Nacional, no mínimo trinta dias. Assim, os segundo embargos foram admitidos. É o relatório. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 23034.040664/200532 Acórdão n.º 2202003.094 S2C2T2 Fl. 382 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. Os Embargos de Declaração foram propostos, porém recebidos e admitidos como requerimento para correção de inexatidão material, que só pode se dar por outro Acórdão, assim sendo merece ser apreciado, nos termos da Portaria 256/2009 RI em vigor à época da admissibilidade. O Acórdão do Recurso Voluntário nº 2803004.081 3ª Turma Especial foi muito claro ao estabelecer que estava dando provimento ao recurso do contribuinte com base em dois fundamentos, no que tange a rubrica assistência médica e odontológica ou planos de saúde, como a seguir descrito. 1 – o fenômeno da vida referente a esse rubrica não se amolda a hipótese de incidência prevista em lei e assim não ocorre o fato gerador, conforme precedentes da 3ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF; 2 – inclusive o STF teria declarado a inconstitucionalidade da exação baseada no artigo 22, IV – RE 595.838SP, embora a decisão estivesse pendente de Embargos e não fosse à época definitiva, citação feita em obter dictum para ilustrar a questão; A irresignação da PGFN subsiste quanto a esse segundo fundamento ora verificase, assim, que os embargos são meramente protelatórios, pois, ainda, que inexistente o segundo fundamento a exação seria improcedente. Mas, não é só, a obscuridade vislumbrada pela D. PGFN é inexistente. A situação salta aos olhos, é alabastrina, é de clareza solar, é como uma lanterna a clarear os caminhos da ideia e pode ser vista a olho nu e muito mais. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 23034.040664/200532 Acórdão n.º 2202003.094 S2C2T2 Fl. 383 5 Observese, embora a exação exigida seja SALÁRIO – EDUCAÇÃO está exação está sendo exigida sobre plano de saúde, sendo que um deles era operacionalizado pela UNIMED que em sendo uma cooperativa levava o seu contratante a ser obrigado a recolher a contribuição do artigo 22, inciso IV, da Lei 8.212/91 sobre o valor pago pela empresa a favor dos dependentes dos colaboradores, sendo isso que foi a base de cálculo da exação, daí a aplicação da decisão do STF que agora já encontrou trânsito em julgado sendo definitiva. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer os Embargos de Declaração como Embargos Inominados, nos termos do artigo, 66, do RICARF PT GM 343/2015, esclarecendo, o que a D. PGFN, entendeu ser obscuridade, o que pessoalmente penso ser inexistente, mas para encerar a questão nessa fase demonstrei optei por demonstrar inexistente a suposta obscuridade. Assim sendo, rejeito os Embargos Inominados. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.001679/2004-74
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
COFINS NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS.EXPORTAÇÃO
Nos termos do §2º do art. 62 do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, não incidem as contribuições para o PIS e a Cofins em relação a valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
Recurso Especial da Fazenda negado.
Numero da decisão: 9303-003.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
Joel Miyazaki- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (substituto convocado), Joel Miyazaki, Vanessa Cecconello, Maria Tereza Martínez Lopez e Carlos Alberto Freitas Barreto (presidente).
Nome do relator: JOEL MIYAZAKI
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 COFINS NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS.EXPORTAÇÃO Nos termos do §2º do art. 62 do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, não incidem as contribuições para o PIS e a Cofins em relação a valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. Recurso Especial da Fazenda negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. Joel Miyazaki- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (substituto convocado), Joel Miyazaki, Vanessa Cecconello, Maria Tereza Martínez Lopez e Carlos Alberto Freitas Barreto (presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1925; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 306 1 305 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11020.001679/200474 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.341 – 3ª Turma Sessão de 10 de dezembro de 2015 Matéria Cofins Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SAN MARINO MÓVEIS LTDA (antiga Chies Chies & Cia Ltda) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 COFINS NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS.EXPORTAÇÃO Nos termos do §2º do art. 62 do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, não incidem as contribuições para o PIS e a Cofins em relação a valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. Recurso Especial da Fazenda negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Joel Miyazaki Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (substituto convocado), Joel Miyazaki, Vanessa Cecconello, Maria Tereza Martínez Lopez e Carlos Alberto Freitas Barreto (presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 16 79 /2 00 4- 74 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI 2 Relatório Os fatos foram assim narrados no acórdão recorrido: “Tratase de recurso voluntário (fls. 114/128) interposto pelo contribuinte acima identificado, em 11/02/2008, contra acórdão n° 1014.740 — 2a Turma da DRJ de Porto Alegre/RS, datado de 20 de dezembro de 2007, que indeferiu o pedido de ressarcimento, bem como não homologou as compensações efetuadas pela recorrente, nos termos da ementa do acórdão (fls. 106), abaixo transcrita: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 CESSÃO DE ICMS — INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS. Rest/Ress. Indeferido — Comp. não homologada. Em 27/07/2004, a contribuinte apresentou Pedido de Restituição de crédito da COHNS não cumulativa, com fuclro nos §§1° e 2°, do art. 6°, da Lei n° 10.833/2003, no valor total de R$ 80.749,45, relativo ao mês de maio de 2004, referente à ilegalidade da inclusão das cessões de créditos de ICMS na base de cálculo da contribuição, e, ao fim, requer a subseqüente compensação dos valores recolhidos a maior, com débitos existentes, conforme DComp's, constantes dos autos (fls. 01/34). A autoridade local, por considerar a cessão de créditos de ICMS a terceiros como auferimento de receitas, base de cálculo da contribuição para a COFINS, glosou os referidos valores, reconhecendo parcialmente o direito creditório da contribuinte, no valor de R$ 68.907,44, homologando parcialmente as compensações efetuadas (fls. 42/46), tendo esta interposto Manifestação de Inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, suscitando, preliminarmente, a inexistência de lançamento para a cobrança do suposto débito, nos termos do art. 142, do CTN e, no mérito, informa que a Lei n° 10.833/2003, juntamente com a IN SRF 600 de 2005, que regulamentam a compensação e ressarcimento de créditos oriundos da contribuição para COFINS, estabelecia que as pessoas jurídicas que realizassem exportações, com esse fim especifico, poderiam compensar débitos vencidos ou vincendos junto à Secretaria da Receita Federal (fls. 72/92). Por fim argumenta que a legislação é precisa ao tributar apenas as RECEITAS auferidas pelo contribuinte, ressalvando as DESPESAS, inclusive as decorrentes de pagamentos a fornecedores através de transferência de saldo credor de ICMS. A DRJ/POA indeferiu a solicitação, nos termos da Ementa já transcrita. Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário ao 2° Conselho de Contribuintes, aduzindo, em suma, ser ilegal a inclusão do crédito do ICMS cedido a terceiros como receita da mesma, incidindo assim a COFINS, pugnando pelo reconhecimento integral do crédito pleiteado bem como a homologação das compensações efetuadas.” Fl. 307DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11020.001679/200474 Acórdão n.º 9303003.341 CSRFT3 Fl. 307 3 A Câmara a quo deu provimento ao Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo, o qual foi julgado nos termos do Acórdão nº. 380100.429, de 25/05/2010 (efls. 177/182), cuja ementa restou assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. Não há incidência da COFINS sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não se constituindo receita. Recurso Voluntário Provido. Contra o acórdão acima mencionado, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou recurso especial (efls. 185/190), o qual logrou seguimento, nos termos do despacho de exame de admissibilidade constante às efls. 219/220. Regularmente intimado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões ao apelo fazendário, às efls. 231/244. É o Relatório. Voto Conselheiro Joel Miyazaki, Relator Preenchidas as condições de admissibilidade do recurso especial, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a matéria posta em debate cingese ao cabimento da inclusão, na base de cálculo do PIS/COFINS, dos valores auferidos pela contribuinte a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS gerados na exportação. A discussão encontrase superada no âmbito deste CARF, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal já proferiu decisão acerca desta matéria, em sede de recurso com repercussão geral reconhecida, nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (Código de Processo Civil). O Recurso Extraordinário nº 606.107, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o qual decidiu que o PIS e a COFINS não incidiam sobre os créditos de ICMS obtidos em razão do benefício fiscal de que trata o art. 25 da LC 87/96, porquanto não constituíam receitas, mas sim custo recuperável sob a forma de compensação ou restituição. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI 4 Em 22/05/2013, o STF proferiu decisão acerca da matéria, cujo teor restou assim ementado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Fl. 309DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11020.001679/200474 Acórdão n.º 9303003.341 CSRFT3 Fl. 308 5 Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuida se de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII – Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditar se do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificam se como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII – Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX – Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (Rel. Min. Rosa Weber. Publicação: 25/11/2013, DJE nº. 231, Trânsito em julgado: 05/12/2013) Por outro lado, dispõe o §2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF/2015: Art. 62. ............................................................................................ §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos art.s 543B e 543C da Lei nº. 5.869, de 1963 – Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desta forma, in casu, não pode se furtar o julgador deste Tribunal Administrativo de reproduzir a decisão definitiva proferida pelo STF, na sistemática prevista no art. 543B do CPC/1973, que julgou inconstitucional a incidência das contribuições para o PIS e a COFINS sobre os ingressos relativos à cessão onerosa de créditos de ICMS decorrentes de operações de exportação, conforme demonstrado linhas acima. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI 6 Com essas considerações, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. É como voto. Joel MiyazakiRelator Fl. 311DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 13971.000454/00-64
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA.
De acordo com o art. 1º da Lei 9.363/96, o benefício fiscal consistente no crédito presumido do IPI é calculado com base nos custos decorrentes da aquisição dos insumos utilizados no processo de produção da mercadoria final destinada à exportação, não havendo restrição à concessão do crédito pelo fato de o beneficiamento do insumo ter sido efetuado por terceira empresa, por meio de encomenda (Precedentes do STJ: REsp 752.888/RS, Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 25/09/2009; AgRg no REsp 1230702/RS, Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 24/03/2011; AgRg no REsp 1082770/RS, Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 13/11/2009).
Recurso Especial do Contribuinte Provido
Numero da decisão: 9303-003.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que negava provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López, e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. De acordo com o art. 1º da Lei 9.363/96, o benefício fiscal consistente no crédito presumido do IPI é calculado com base nos custos decorrentes da aquisição dos insumos utilizados no processo de produção da mercadoria final destinada à exportação, não havendo restrição à concessão do crédito pelo fato de o beneficiamento do insumo ter sido efetuado por terceira empresa, por meio de encomenda (Precedentes do STJ: REsp 752.888/RS, Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 25/09/2009; AgRg no REsp 1230702/RS, Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 24/03/2011; AgRg no REsp 1082770/RS, Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 13/11/2009). Recurso Especial do Contribuinte Provido
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. De acordo com o art. 1º da Lei 9.363/96, “o benefício fiscal consistente no crédito presumido do IPI é calculado com base nos custos decorrentes da aquisição dos insumos utilizados no processo de produção da mercadoria final destinada à exportação, não havendo restrição à concessão do crédito pelo fato de o beneficiamento do insumo ter sido efetuado por terceira empresa, por meio de encomenda” (Precedentes do STJ: REsp 752.888/RS, Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 25/09/2009; AgRg no REsp 1230702/RS, Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 24/03/2011; AgRg no REsp 1082770/RS, Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 13/11/2009). Recurso Especial do Contribuinte Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que negava provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Maria Teresa Martínez López Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 04 54 /0 0- 64 Fl. 590DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.000454/0064 Acórdão n.º 9303003.266 CSRFT3 Fl. 591 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López, e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de análise de recuso especial interposto pela contribuinte. Em sessão plenária de 20 de junho de 2007, a Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes julgou o recurso voluntário nº 135.125, Acórdão nº 20180.380, oportunidade em que o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso, nos seguintes termos: I) por unanimidade de votos, quanto à industrialização por encomenda; e II) por maioria de votos, quanto aos combustíveis; lubrificantes e energia elétrica. A decisão está consubstanciada no acórdão em epígrafe, que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI CONCEITO DE MATÉRIAPRIMA OU PRODUTO INTERMEDIÁRIO. Somente podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao produto novo, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização e desde que não correspondam a bens do ativo permanente. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Os custos de prestação de serviços de industrialização por encomenda, com remessa dos insumos e retorno do produto com suspensão do IPI, não se incluem na base de cálculo do crédito presumido, porque não são aquisições de matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Por falta de previsão legal, é incabível a incidência de correção monetária sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de IPI decorrentes de incentivos fiscais. Recurso negado. A contribuinte ingressou com recurso especial de divergência. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.000454/0064 Acórdão n.º 9303003.266 CSRFT3 Fl. 592 3 Primeiramente, pelo Despacho nº 201592/07, fls. 523/527, sob o entendimento de que o recurso não atende às formalidades legais, negouse seguimento ao recurso. Dessa decisão houve Agravo. No reexame de Admissibilidade de Recurso Especial (Despacho nº 3400595 – fls. 571/573), o recurso foi admitido parcialmente, apenas para dar seguimento quanto à inclusão dos custos do serviço de industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido do IPI. É o relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora O recurso atende aos requisitos legais e dele tomo conhecimento. A matéria submetida a apreciação deste Eg. Conselho cingese à inclusão dos custos do serviço de industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido do IPI. A matéria tem dado azo a divergências neste Colegiado. O crédito presumido de IPI foi instituído pela Medida Provisória nº 948, de 23/03/95, convertida na Lei nº 9.363/96, e tem a finalidade de estimular o crescimento das exportações do país, desonerando os produtos exportados dos impostos internos incidentes sobre suas matérias primas, visando permitir maior competitividade destes no mercado externo. Tratase, portanto, de norma de natureza incentivadora, em que a pessoa tributante renuncia à parcela de sua arrecadação tributária, em favor de contribuintes que a ordem jurídica considera conveniente estimular. Evidentemente, os serviços de industrialização cobrados pelo industrializador incluem valor de mão de obra e insumos que se agregaram aos produtos industrializados sob encomenda da contribuinte e posteriormente exportados devem, no entender desta Conselheira, por conseqüência, ser incluídos no cálculo do crédito presumido. Nesse sentido, invoco outros precedentes do então Conselho de Contribuintes: Acórdão nº 20212.301 (Relator MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA) Ainda com relação às aquisições, analisase a industrialização por encomenda. É certo que se a empresa adquirisse a madeira beneficiada, o valor que constaria na nota fiscal do fornecedor representaria o custo da madeira em bruto mais o custo dos serviços de beneficiamento. Neste caso, não há dúvida de que o valor dessa aquisição comporia a base de cálculo do incentivo, Fl. 592DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.000454/0064 Acórdão n.º 9303003.266 CSRFT3 Fl. 593 4 posto que madeira beneficiada foi transformada em móveis que foram exportados. De outra forma, se a empresa fornecedora emitisse, duas notas fiscais, uma da madeira em bruto e outra do serviço de beneficiamento, que diferença faria para o adquirente? Para o fornecedor, a base do IPI, caso haja incidência, deve ser a soma dos valores das duas notas fiscais. Para o produtor exportador, o custo da matéria prima há que ser composto pelo somatório das duas notas fiscais. No caso presente, o fornecedor da madeira em bruto é um e o realizador do beneficiamento é outro. Isto quer dizer que as duas notas cogitadas no parágrafo anterior são emitidas por estabelecimentos diferentes, mas isso não muda o fato de que, para o adquirente, o custo da matéria prima é composto pelas duas parcelas: o preço pago pela madeira e o preço pago pelo beneficiamento da mesma, para que adquira as condições exigidas pelo processo de fabricação dos móveis a serem exportados. Pelo exposto, reconheço como inerente ao custo da matéria prima o que é pago para o seu beneficiamento em estabelecimento de terceiro, ainda mais que esse terceiro, como o primeiro fornecedor, também está sujeito às contribuições que o incentivo visa ressarcir. Acórdão nº 20174.349 (Relator ROGÉRIO GUSTAVO DREYER) Antes de aplicarse tal forma de interpretação, incumbe relembrar, e disto não discrepa esta Câmara, que o benefício foi instituído para desonerar a carga tributária das exportações. Por tal, penso que, quando a lei fala em aquisições, não se resume a deferir o direito restrito a tal momento, excluindo operações que não se perpetrem ou que transcendam aquela definição temporal. Quando a regra fala em ressarcimento das contribuições incidentes sobre as aquisições, penso referirse ao produto adquirido e ao custo que nele se contém e que nele vem a agregarse. Ora, o termo “aquisições” não se limita a compra e ao seu preço. Significa, igualmente, entre outras formas de aquisição, a obtenção de um produto, até a título gratuito. É, portanto, um conceito que engloba outras formas de aperfeiçoamento de seu conceito, que não a compra e o seu pagamento. Não encontro, data venia, resposta lógica, a não ser exacerbada interpretação literal, e contraditória aos princípios perseguidos pela regra instituidora do benefício. Encerro minha manifestação aduzindo dois argumentos finais. O primeiro, e este o nobre Conselheiro Relator exemplificou como perfeitamente abrangido pela norma, é a admissibilidade Fl. 593DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.000454/0064 Acórdão n.º 9303003.266 CSRFT3 Fl. 594 5 do benefício caso o produto tivesse sido adquirido já como produto intermediário (fio de algodão), sem a ocorrência da industrialização por conta de terceiros. Não vejo, e aí a discrepância, porque tratar desigualmente duas formas distintas de obtenção do mesmo produto. Não consigo admitir que a regra seja iníqua ao ponto de punir injusta e, no meu entender, antijuridicamente, o exportador que opta por caminho que lhe assegure a competitividade através da obtenção de matéria prima,produto intermediário ou material de embalagem por preço final (custo) mais em conta. Ainda que perpassasse pelos meus nobres pares que discordam deste entendimento, o pensamento de que tal operação objetivasse superavaliar o produto, mediante preço eventualmente majorado, visando alargar financeiramente o benefício, ainda assim de aplicarse a regra como defendo. Caberia, juridicamente, fosse o caso, glosar a operação por simulada ou fraudulenta, e não simplesmente fazer tábula rasa da desconfiança. Vou mais além: não vejo estímulo para a prática, visto que a relação benefício potencial versus risco é altamente desestimulante à prática. No entanto, afirmo que o fenômeno não se sustenta juridicamente, sendo matéria árida para amparar o entendimento do desamparo ao direito. O segundo e final argumento, ainda que reconheça não confortado peja juridicidade, é de que a operação de industrialização por conta de terceiros, inclusive em relação ao custo de mão de obra, sofre incidência do PIS e da COFINS, o que, por si só, justifica a desoneração tributária via ressarcimento ou compensação. Acórdão nº 20176.472 (Relator GILBERTO CASSULI) É dizer, a contribuinte incluiu os valores referentes à industrialização efetuada por outras empresas em sua base de cálculo do crédito presumido de IPI relativo ao incentivo à exportação. E esses valores foram excluídos pela autoridade tributária. Com efeito, estabelece a Lei nº 9.363, de 13/12/1996: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares n°s 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase,inclusive,nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.000454/0064 Acórdão n.º 9303003.266 CSRFT3 Fl. 595 6 Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador.” (grifamos) Estão estabelecidos na lei os aspectos do crédito presumido em exame. E assim, a interpretação que a autoridade julgadora lhe deu não pode prosperar, porque, ao afirmar não poderem compor a base de cálculo, referida no art. 2º da Lei nº 9.363/96, os custos com a industrialização efetuada por outras empresas, diz que somente geram direito ao crédito as aquisições em sentido estrito, o que é uma exegese demasiadamente literal do texto legal. Devemos, inicialmente, perquirir acerca da mens legis, ou seja, a vontade, o desejo da lei. Bem sabemos que pretende, com este crédito presumido, desonerar a carga tributária das exportações. Agora, com relação às aquisições que dão direito ao crédito presumido, devemos entender o que abrangem. Evidentemente, devem às aquisições ser somados os custos nelas contidos, ou seja, geram crédito presumido as aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo, e os custos a estes agregados. Com efeito, tratase o crédito presumido de IPI em comento, como estabelecido no texto legal, de ressarcimento do PIS e da COFINS recolhidos nas etapas anteriores (e não somente na imediatamente anterior), incidentes sobre os insumos. No dizer do ilustre Conselheiro Osvaldo Tancredo de Oliveira, da Segunda Câmara deste Segundo Conselho de Contribuintes, é: “... incentivo financeiro à exportação quantificado sobre o valor total dos custos dos insumos que compõem o produto exportado. É certo que esse incentivo, efetivamente, visa a compensar o exportador do valor das ditas contribuições sociais que oneram os insumos empregados, bem como, ainda, as contribuições que oneraram as mercadorias empregadas na fase produtiva desses insumos. Daí a alíquota de 5,37%, para efeito de cálculo do incentivo incidente sobre o valor total dos insumos que compõem o produto exportado, como esclarece a citada Portaria Ministerial.” 1 (grifamos) Tratase, inclusive, de questão de igualdade tributária, de isonomia. Porque se os custos inseridos, por exemplo, no beneficiamento de matéria prima não gerarem direito ao crédito presumido aos contribuintes que optam por trabalhar com algumas industrializações por encomenda, estarseá tratando este contribuinte de maneira diferente daquele que adquire o 1 Acórdão nº 20209.865, Relator Osvaldo Tancredo de Oliveira, Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, Sessão em 17/02/1998, ao julgar o Recurso nº 102.571. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.000454/0064 Acórdão n.º 9303003.266 CSRFT3 Fl. 596 7 insumo semi acabado (produto intermediário), onde já estarão inseridos os custos com a industrialização efetuada. De fato, caso o produtor adquirisse o produto intermediário já com os beneficiamentos necessários, em vez de adquirir a matéria prima em estado produtivo inicial e remetêla à industrialização em outra empresa (por encomenda), incluiria na base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor total deste custo. De outra banda, adquirindo a matéria prima em estado inicial e Remetendoa à industrialização por conta de terceiros, conforme o entendimento adotado na decisão objurgada, não pode inserir este custo na base de cálculo do crédito presumido. Há aqui manifesta afronta à juridicidade deste instituto e ofensa ao princípio da igualdade tributária, porque a situação, na ótica do contribuinte, é a mesma. Lembremonos, inclusive, que, muitas vezes, este procedimento diminui o valor do ressarcimento, porque o custo total é menor. A Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, no julgamento do Processo nº 10920.000521/9762, Recurso nº 110.144, Acórdão nº 201.74.349, Relator o eminente Conselheiro Serafim Fernandes Corrêa, em Sessão no dia 21/03/2001, decidiu: “IPI CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Os valores correspondentes à industrialização por encomenda integrarão o valor das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem a que se refere o art. 2º da Lei nº 9.363/96. (...) Penso, pelo acima exposto, acertado o entendimento da Recorrente quanto ao aproveitamento de crédito decorrente das aquisições por encomenda, e, ao contrário do que restou decidido pelo acórdão recorrido, para o cálculo do crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições PIS e Cofins, a Lei nº 9.363, de 1996, não exclui os serviços de beneficiamento prestados por terceiros, de acordo inclusive com a jurisprudência do STJ. Confirase: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. MATÉRIAPRIMA. BENEFICIAMENTO POR TERCEIROS. INCLUSÃO. CUSTOS RELATIVOS A ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. PRESCRIÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. DECRETO 20.910/32. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA Nº 1.129.971 BA. 1. Ao analisar o artigo 1º da Lei nº 9.363/96, esta Corte considerou que o benefício fiscal consistente no crédito presumido do IPI é calculado com base nos custos decorrentes da aquisição dos insumos utilizados no processo de produção Fl. 596DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.000454/0064 Acórdão n.º 9303003.266 CSRFT3 Fl. 597 8 da mercadoria final destinada à exportação, não havendo restrição à concessão do crédito pelo fato de o beneficiamento do insumo ter sido efetuado por terceira empresa, por meio de encomenda. Precedentes: REsp 752.888/RS, Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 25/09/2009; AgRg no REsp 1230702/RS, Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 24/03/2011; AgRg no REsp 1082770/RS, Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 13/11/2009. [...] (AgRg no REsp 1267805/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/11/2011, DJe 22/11/2011) Transcrevo, a seguir, trecho do voto condutor do acórdão acima ementado, de relatoria de Sua Excelência, o Ministro Benedito Gonçalves: Tal conclusão, conforme exposto na decisão ora impugnada, decorreu justamente da interpretação do artigo 1º da Lei 9.363/96, segundo a qual o benefício fiscal de ressarcimento de crédito presumido do IPI se refere ao crédito decorrente da aquisição de mercadorias que são integradas no processo de produção de produto final destinado à exportação, não havendo restrição à concessão do crédito pelo fato de o beneficiamento de insumos ter sido efetuado por terceira empresa, por meio de encomenda. Assim sendo, não havendo outros motivos que pudessem autorizar o não aproveitamento desses créditos decorrentes da industrialização por encomenda, entendo assistir razão à recorrente, devendo ser excluído da exigência constantes dos autos de infração relativamente a essa parcela. CONCLUSÃO Em razão de todo o acima exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial interposto pela contribuinte. Maria Teresa Martínez López Fl. 597DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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