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Numero do processo: 13558.001626/2008-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE O DECLARADO E O
ESCRITURADO. PROCEDÊNCIA.
Procede o lançamento por omissão de receitas, baseado na diferença entre os valores declarados à Receita Federal no regime do SIMPLES e aqueles encontrados pelo Fisco Federal na escrita contábil/fiscal e declarados ao Fisco Estadual.
ERRO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Deve ser mantido o lançamento quando o contribuinte não comprova que os valores que o embasaram, extraídos de sua escrita contábil/fiscal, conteriam algum erro.
MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA.
Deve ser mantida a multa qualificada de 150% quando a conduta do
contribuinte se revela sistemática e intencional no sentido de ocultar da Autoridade Administrativa a ocorrência dos fatos geradores tributários, mediante declaração ao Fisco Federal de percentuais diminutos das receitas efetivamente auferidas, escrituradas em seus livros contábeis e fiscais e declaradas ao Fisco Estadual.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS.
Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Numero da decisão: 1301-000.789
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, NEGAR
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE O DECLARADO E O ESCRITURADO. PROCEDÊNCIA. Procede o lançamento por omissão de receitas, baseado na diferença entre os valores declarados à Receita Federal no regime do SIMPLES e aqueles encontrados pelo Fisco Federal na escrita contábil/fiscal e declarados ao Fisco Estadual. ERRO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Deve ser mantido o lançamento quando o contribuinte não comprova que os valores que o embasaram, extraídos de sua escrita contábil/fiscal, conteriam algum erro. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. 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Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13558.001626/200844 Acórdão n.º 130100.789 S1C3T1 Fl. 356 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Diniz Raposo e Silva e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório NERY & MAGALHÃES LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1518.449, de 18/02/2009, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de autos de infração do Simples, lavrados contra a pessoa jurídica (PJ) acima identificada, exigindo crédito tributário no valor de R$ 518.642,28, a título de tributos, multa de ofício, e juros de mora, conforme Demonstrativo Consolidado à fl. 02, cotejando os períodos de apuração do anocalendário de 2005. A descrição dos fatos, a base legal, a forma de apuração e os elementos de prova da autuação se encontram no Relatório FiscalSimples, às fls. 117/118, e nas peças que compõem os autos de infração, às fls. 02/180. Consta no citado Relatório Fiscal que a PJ foi autuada por diferença de base de cálculo e insuficiência de recolhimento, por divergência entre a receita bruta declarada à Receita Federal do Brasil (RFB), através da DSPJSimples (fls. 78/95), e a receita escriturada nos livros fiscais (fls. 34/77), declarada integralmente à Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, através da Declaração e Apuração Mensal do ICMS – DMA (fls. 22/34). Consta ainda daquele relatório que a contribuinte foi intimada a esclarecer as irregularidades apuradas pela fiscalização que pudessem afastar a incidência tributária (fls. 96/97), tendo alegado ocorrência de roubos de documentos e erros na escrituração (fls. 113/114), entretanto, não comprovou tais alegações mediante apresentação de documentação hábil e idônea. A Fiscalização aplicou multa de ofício no percentual de 150% sobre a infração 001 – diferença de base de cálculo, e de 75% sobre a infração 002 – insuficiência de recolhimento. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13558.001626/200844 Acórdão n.º 130100.789 S1C3T1 Fl. 357 3 Em face da autuação, houve representação fiscal para exclusão do Simples a partir de 1º/01/2006, processo nº 13558.001625/200808, juntado ao presente por anexação (fl. 261), procedendose o desenquadramento através do Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 17, de 12/09/2008 (fl. 310). Houve ainda representação fiscal para fins penais, prevista no art. 1º da Portaria RFB nº 665, de 24 de abril de 2008, processo nº 13558.001633/200846 (vide fl. 320), que se encontra no órgão de origem aguardando a decisão final da lide na esfera administrativa. A contribuinte foi cientificada em 08/09/2008, conforme AR à fl. 182, e interpôs impugnação em 08/10/2008, às fls. 143/148, alegando, em síntese, que: (i) Não teria havido intuito de fraude, pois o autuante teve conhecimento através de seus livros contábeis dos valores por ele legitimados como corretos, conforme descrito no Relatório FiscalSimples, e utilizados nos lançamentos que originaram os autos de infração. (ii) Em relação à receita omitida, no montante de R$ 2.025.945,82, resultante da diferença entre a receita apurada pela auditoria nos livros fiscais, no valor de R$ 2.290.555,67, e a receita declarada na DSPJSimples, no valor de R$ 264.609,85, alegou a fiscalizada que tem por hábito manter a guarda da sua documentação fiscal junto ao escritório de contabilidade contratado, o qual mandava todos os meses o DarfSimples no valor a ser pago, o que a fiscalizada o fazia dentro do prazo legal. E que até o momento da expedição dos autos de infração em tela não tinha conhecimento das divergências apuradas pelo autuante. Reforça que por ter tido documentos comprobatórios roubados, estaria impossibilitada de dirimir totalmente a sua culpa perante a Receita Federal. (iii) Ressalta que por se tratar de uma empresa estabelecida como mini mercado, o que pode ser comprovado através de visita à sua sede, não teria como omitir valores do seu faturamento. Houve sim erro contábil no preenchimento da DSPJ, e que a apresentação de uma declaração retificadora com os valores corretos afastaria qualquer dúvida em relação à autuada. (iv) Alude que isso descaracteriza o intuito de omissão (fraude), não podendo a autuada ser enquadrada nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, nem submetida à punição prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430 de 1996. (v) Em relação à exclusão do Simples, ressalva que o ADE nº 17, de 12/09/2008 (fl. 310), determinou que o desligamento do sistema fosse a partir de 1º/01/2006. Assim, a fiscalizada no anocalendário de 2005 ainda era optante do Simples, jamais podendo o autuante intimar a empresa a recolher a diferença atribuída a ela com multa de ofício de 150% e 75%, inclusive o cálculo para a previdência social de forma devastadora sobre o faturamento e não como deveria ser apurado conforme a lei da microempresa, razão pela qual os autos de infração dos tributos exigidos deveriam ser cancelados. (vi) Solicita que se faça o cancelamento ao disposto no art. 1º da Portaria RFB nº 665, de 2008, em que a empresa está totalmente inocente para tal incurso, onde pugna pela retirada de tal ação. (vii) Ciente, afinal, de que a empresa é devedora perante a RFB, solicita que se faça a devida alteração nos autos de infração, para que tenha poder de pagamento dos seus débitos fiscais. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13558.001626/200844 Acórdão n.º 130100.789 S1C3T1 Fl. 358 4 A 4ª Turma da DRJ em Salvador/BA analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1518.449, de 18/02/2009 (fls. 322/326), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Anocalendário: 2005 LANÇAMENTO. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. PROCEDÊNCIA É correto o lançamento de ofício decorrente de apuração de diferença entre a receita bruta escriturada nos livros fiscais e a declarada na DSPJSimples. ERRO CONTÁBIL. COMPROVAÇÃO A comprovação de eventuais erros da escrita contábil e de preenchimento da declaração de ajuste anual exige a apresentação de documentos hábeis e idôneos, nos termos da legislação que rege a matéria. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA Uma vez comprovado evidente intuito de sonegação fiscal, caracterizado pela prática rotineira de ações visando reduzir a base de cálculo dos tributos devidos impõese a exigência da multa qualificada. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. RETIRADA DA AÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O cancelamento da ação na esfera administrativa só é possível quando o crédito tributário correspondente ao ilícito penal é integralmente extinto pelo julgamento administrativo ou pelo pagamento. PROVA. RECEITA INFORMADA EM LIVROS FISCAIS E DECLARADA AO FISCO ESTADUAL. A receita informada em livros fiscais e declarada ao Fisco Estadual, para efeito de apuração do ICMS, pode ser utilizada como base de cálculo para o lançamento do Simples devido, tendo em vista a presunção de veracidade da escrituração fiscal. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. LIMITE DE RECEITA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO Matéria não questionada expressamente em sede de impugnação constitui matéria preclusa e dela não se conhece, implicando em aceitação tácita da exclusão de ofício. Ciente da decisão de primeira instância em 25/03/2009, conforme documento à fl. 349, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 17/04/2009 conforme carimbo de recepção à folha 334. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13558.001626/200844 Acórdão n.º 130100.789 S1C3T1 Fl. 359 5 No recurso interposto (fls. 334/335), a recorrente repete, com as mesmas palavras, os argumentos trazidos em sede de impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. De plano, ressalto que a recorrente não se insurge especificamente contra a decisão de primeira instância, mas sim contra o lançamento em si, limitandose a repetir, com as mesmas palavras, os argumentos aduzidos na peça impugnatória. Em assim sendo, o que cabe é uma revisão da decisão recorrida, de seus fundamentos e conclusões, o que passo a fazer. Como se viu no relatório que antecede a este voto, a autuação se deu em face da constatação, pelo Fisco, de que A então fiscalizada declarou à Receita Federal, sob o regime do SIMPLES, apenas uma fração das receitas efetivamente auferidas, escrituradas em seus livros contábeis e fiscais e integralmente declaradas ao Fisco Estadual no anocalendário 2005. Os valores são, respectivamente, R$ 264.609,85, contra R$ 2.290.555,67. A interessada busca imputar essa diferença a erros de seu escritório de contabilidade, ao extravio/roubo de parte da documentação, mas não traz qualquer documento que comprove suas alegações. Os fatos comprovados nos autos apontam para a omissão de receitas, provada diretamente pelo Fisco com base nos livros escriturados pela própria contribuinte e, também nesse sentido, a decisão de primeira instância foi irretocável, ao apontar com exatidão a obrigação de escriturar e que caberia à contribuinte o ônus de provar eventuais erros. Não se pode, então, cogitar de erro escusável no preenchimento da declaração à Receita Federal, mas da dolosa ocultação de parte significativa de suas receitas, com o claro objetivo de ocultar do conhecimento da Autoridade Tributária a ocorrência dos fatos geradores, eximindose do pagamento dos tributos devidos. As receitas declaradas correspondem a meros 11,6% das receitas auferidas, distribuindose de modo mais ou menos uniforme ao longo de todos os meses do ano, revelando conduta sistemática e intencional, vide quadro à fl. 116. Tenho por correta, assim, a aplicação da multa qualificada de 150% à infração correspondente à omissão de receitas por diferenças entre os valores declarados e escriturados, amoldandose a situação ao descrito no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996, c/c art. 19 da Lei nº 9.317/1996, c/c art. 71 da Lei nº 4.502/1964. No que tange à alegação de que, no anocalendário 2005, a autuação deveria ser feita conforme a lei da microempresa, é de se esclarecer que foi exatamente esse o procedimento do Fisco, o que resta claro pelo simples exame dos autos de infração, seus cálculos e enquadramentos legais (fls. 119 e segs.), sempre orientados pelas disposições da Lei nº 9.317/1996, vigente à época dos fatos geradores. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13558.001626/200844 Acórdão n.º 130100.789 S1C3T1 Fl. 360 6 Finalmente, quando ao pedido de cancelamento da Representação Fiscal para Fins Penais (art. 1º da Portaria RFB nº 665, de 2008), é de se trazer à colação o conteúdo da Súmula CARF nº 28, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. As súmulas CARF foram objeto da Portaria CARF nº 49, de 01/12/2010 (DOU de 07/12/2010), e são de observância obrigatória pelos integrantes deste Conselho, por força do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno vigente, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Por todo o exposto, não faço qualquer reparo à decisão recorrida e voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 6DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10410.007565/2007-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS ORIUNDOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO DO IRPF.
Comprovado que o contribuinte era portador de moléstia especificada no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88 no anocalendário
auditado, percebendo rendimentos de aposentadoria, não pode o imposto de renda incidir sobre tais rendimentos.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-001.928
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 15.290,24 (rendimentos pagos ao recorrente pela FACEAL).
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS ORIUNDOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO DO IRPF. Comprovado que o contribuinte era portador de moléstia especificada no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88 no anocalendário auditado, percebendo rendimentos de aposentadoria, não pode o imposto de renda incidir sobre tais rendimentos. Recurso provido.
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RENDIMENTOS ORIUNDOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO DO IRPF. Comprovado que o contribuinte era portador de moléstia especificada no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88 no anocalendário auditado, percebendo rendimentos de aposentadoria, não pode o imposto de renda incidir sobre tais rendimentos. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 15.290,24 (rendimentos pagos ao recorrente pela FACEAL). Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 30/04/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Ao contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos no anocalendário 2004, com origem em rendimentos percebidos do INSS (R$ 15.954,37) e da FUNDAÇÃO CEAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL E PREVIDÊNCIA – FACEAL (R$ 15.290,24), a partir do confronto entre as informações das DIRFs das fontes pagadoras e da declaração de ajuste anual do fiscalizado (fl. 05). Regularmente intimado do lançamento, o contribuinte asseverou que ambos os rendimentos pretensamente omitidos estavam albergados pela isenção do art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, como se poderia comprovar a partir da carta de concessão de sua aposentação, emitida pelo INSS, e da sentença judicial proferida nos autos do processo judicial n° 2006.80.13.5188576S, com laudos médicos respectivos, que converteu a aposentadoria ordinária em por invalidez. A 2ª Turma da DRJ/REC, por intermédio do acórdão nº 1128595, de 23 de dezembro de 2009, reconheceu que o contribuinte era portador de moléstia especificada em lei no anocalendário auditado, porém entendeu que não havia comprovação de que todos os rendimentos eram provenientes de aposentadoria, pensão ou reforma, como se pode ver nos excertos abaixo: (...) 15. Observese que o LAUDO DE EXAME MÉDICOPERICIAL de fls.17/17verso, datado de 02/02/2005, traz, dentre outras, as seguintes informações : i) "diagnóstico provável"— neoplasia maligna de próstata, CID C61; ii) e "data do inicio da doença" 10/10/2000. E que a Declaração de fls.16 faz referência à ocorrência da perícia médica realizada em 02/02/2005, ao início da doença em 10/10/2000 e menciona enquadrarse o contribuinte na "Lei de Isenção do Imposto de Renda". Demonstrado, pois, que o contribuinte autuado era, no ano calendário 2004, portador de "neoplasia maligna", que vem a ser uma das moléstias graves especificadas no inciso XXXIII do art. 39 do RIR/99. 16. Cabe, agora, aferir se os valores considerados omitidos pela autoridade fiscal consistem em rendimentos de aposentadoria, como alega o contribuinte autuado, na peça impugnatória. Uma vez que os comprovantes de rendimentos emitidos pelo INSS e pela FACEAL não se encontram nos autos, há que se verificar a presença ou não de outros documentos que possam demonstrar a natureza desses rendimentos. 17. No que se refere aos rendimentos recebidos do INSS, no valor de R$ 15.954,37, observase serem, de fato, oriundos de aposentadoria por tempo de contribuição, desde 02/04/1998, consoante demonstrado na CARTA DE CONCESSÃO/MEMÓRIA DE CALCULO (fls.49/50). Registre se que o código de receita constante da Dirf enviada a Receita Federal pelo INSS é 0561, no qual se incluem os proventos de aposentadoria. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10410.007565/200724 Acórdão n.º 210201.928 S2C1T2 Fl. 2 3 18. Quanto aos valores pagos pela FACEAL, na quantia de R$ 15.290,24, não há nos autos do presente processo qualquer elemento comprobatório de que sejam rendimentos de aposentadoria. Registrese que, embora o código de receita constante da Dirf apresentada por essa pessoa jurídica seja 0561, tal código referese não só a proventos de aposentadoria mas, também, a outros rendimentos, como, por exemplo, salários, situação em que, mesmo em se tratando de beneficiário portador de moléstia grave, são tributáveis. 19. Por conseguinte, tendo em vista os dispositivos da legislação do imposto sobre a renda das pessoas físicas que tratam da isenção de rendimentos recebidos por portador de moléstia grave mencionados e/ou transcritos nos itens anteriores deste Voto, bem assim os fatos relativos à expedição de laudo médico e concessão de aposentadoria do contribuinte autuado, e, ainda, aos documentos acostados aos autos, também expostos nos itens anteriores, é de verificarse que: i) o contribuinte percebia proventos de aposentadoria pagos pelo INSS desde 02/04/1998; ii) não foi comprovado que os rendimentos recebidos da FACEAL eram de aposentadoria; e iii) desde 10/10/2000, o contribuinte é portador de "neoplasia maligna", que é uma das moléstias graves especificadas em lei que concede o beneficio da isenção sobre os rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão aos seus portadores. Assim, a teor do que determina o art. 111 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional —CTN), segundo o qual se interpreta literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção, restou comprovado que o autuado atende aos requisitos legais para gozar da isenção apenas sobre os rendimentos recebidos do INSS. (...) Com as considerações, a decisão da Turma de Julgamento manteve a incidência do imposto de renda sobre os rendimentos percebidos da FACEAL. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 29/01/2010 (fl. 86). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 10/02/2010 (fl. 87). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que os rendimentos percebidos da FACEAL são oriundos da complementação de sua aposentadoria, como se comprova com a documentação acostada aos autos, não podendo incidir sobre eles o imposto de renda. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 29/01/2010 (fl. 86), sextafeira, e interpôs o recurso voluntário em 10/02/2010, dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 02/03/2010, terçafeira. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Nesta instância somente se controverte a natureza dos rendimentos percebidos da FACEAL, se oriundo de aposentadoria ou do trabalho ativo, pois a decisão recorrida já assentou que o contribuinte era portador de moléstia especificada no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88 no anocalendário da autuação, inclusive fazendo jus à isenção em face dos rendimentos percebidos do INSS, pois oriundo de aposentadoria. A documentação trazida no recurso voluntário (fls. 89 a 106) deixa claro que a FACEAL é uma entidade de previdência privada fechada dos funcionários da CEAL (Companhia Energética de Alagoas) e que o recorrente recebe uma complementação de sua aposentadoria paga pela entidade, sendo tal complementação rendimentos de aposentaria, com isenção do imposto de renda, na forma do art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88. Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 15.290,24 (rendimentos pagos ao recorrente pela FACEAL). Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 118DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000269/2005-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.032
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior (Relator), Gonçalo Bonet Allage e Marcelo Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Paulo
Pereira Barbosa.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior (Relator), Gonçalo Bonet Allage e Marcelo Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA , Assinado digitalmente em 07/05/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa RedatorDesignado EDITADO EM: 23/03/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA , Assinado digitalmente em 07/05/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 17883.000269/200513 Acórdão n.º 920202.032 CSRFT2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, por suposta contrariedade à lei ou evidência de prova, em face do Acórdão n. 3805 00066 [fls. 127131]. Em desfavor do contribuinte foi lavrado auto de infração de fls. 16 a 22, por ter aquele lançado no campo rendimentos isentos de sua declaração de ajuste anual do exercício de 2001 valores recebidos do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. O contribuinte apresentou impugnação as fls. 25/28 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de Janeiro II julgou procedente o lançamento (fls. 47/52). Eis a ementa da decisão: RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL. NATUREZA INDENIZATÓRIA. MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. O contribuinte, então, interpôs recurso voluntário (fls. 58/72). A Quinta Turma Especialda Terceira Seção de Julgamento deu provimento ao recurso voluntário quanto à incidência de IRPF, na fonte ou na declaração do abono aos integrantes do Ministério Público do Rio de Janeiro (Lei Estadual n. 4.433/2004) – fls. 127/131: Exercício: 2001 IRPF DIREITO DO FISCO, DE EFETUAR A REVISÃO DOS DADO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL RETIFICADORA – DECADÊNCIA. [...] IRPF. ABONO AOS INTEGRANTES DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO RIO DE JANEIRO (LEI ESTADUAL N. 4.433/2004). Caracterizandose indenizatória a verba (abono) percebida pelos Membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, não incide, portanto, o Imposto de Renda Pessoa Física, na fonte ou na declaração. Identidade, às inteiras, com o abono percebido pelos integrantes do Ministério Público Federal, conforme Resolução STF n. 245/2002 e Parecer PFN n. 2.160/2005. [...] A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial, com base em por suposta contrariedade à lei ou evidência de prova [fls. 134/139], pois teria contrariado o princípio contido no artigo 111, do CTN, de que se interpreta literalmente a legislação tributária que dispõe sobre a suspensão ou exclusão do crédito tributário. Sustenta que “a regra é sempre a tributação, sendo a isenção e os demais fatores fiscais exceções que não podem ser estendidos indiscriminadamente”. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA , Assinado digitalmente em 07/05/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 Por meio de exame de admissibilidade, a i. Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção entendeu que houve comprovação dacontrariedade, tendo, por conseguinte, dado seguimento ao especial interposto [fls. 141 e verso]. O contribuinte apresentou suas contrarazões as fls. 147/159 dos autos. Ratifica, no geral, os argumentos que justificaram o decisum recorrido. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator De pronto, salientese que embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n. 256/2009, o recurso especial por contrariedade à lei ou a evidência de prova, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do art. 4º do RICARF, processados de acordo com o rito previsto no RICSRF, aprovado pela Portaria n. 147, de 25/06/2007. Nesse sentido, atendidos os pressupostos de admissibilidade, passo ao exame do especial interposto. A questão tratada nos presentes autos referese à atribuição dada pelo Contribuinte aos rendimentos recebidos de sua fonte pagadora a título de abono variável, os quais foram classificados em sua DIRPF como isentos ou nãotributáveis, Com efeito, as Leis n. 9.655/98 e 10.474/02 concederam aos membros da Magistratura Federal o abono variável, o qual foi estendido, por meio da Lei n° 10.477/02, aos membros do Ministério Público Federal. O STF, em sua Resolução n° 245/2002, declarou que este abono variável tem natureza indenizatória, por entender que o mesmo tem o objetivo de reparar prejuízos anteriormente sofridos, não caracterizando, portanto, fato gerador do imposto de renda. Posteriormente, foi editada a Lei Estadual n° 4,433/2004, que concedeu aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro MPERJ o abono variável nos mesmos moldes e objetivos daquele instituído pela Lei Federal, fazendo expressa remissão em seu texto à Lei Federal n. 10.477/2002. Por esta razão, o Contribuinte procedeu à retificação de sua DIRPF, para classificar os rendimentos recebidos do MPERJ a título de abono variável corno isentos ou não tributáveis, diminuindo, dessa forma, a base de cálculo do imposto de renda do período e gerando, por conseguinte, mais saldo a restituir Isto é, ao proceder à declaração retificadora, o contribuinte pretendia reaver o valor da exação incidente sobre o montante relativo ao abono variável que foi regularmente declarado e tributado pelo imposto de renda em sua declaração original. Nesse sentido, a fim de dirimir essa celeuma, cumpre enfrentar a natureza do abono concedido pela Lei n° 4433/2004 do Estado do Rio de Janeiro, identificando se o mesmo goza de natureza indenizatória, quando não poderia ser tributado, ou se guarda natureza remuneratória, o que daria ensejo a sua tributação. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA , Assinado digitalmente em 07/05/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 17883.000269/200513 Acórdão n.º 920202.032 CSRFT2 Fl. 3 5 Dessa forma, analisando as leis federais que instituíram o abono variável aos membros do MPF, bem como a lei estadual que concedeu o abono aos membros do MPERJ, verificase que ambos os abonos são idênticos, tendo sido instituídos para os mesmos fins. Considerando que o STF já reconheceu a natureza indenizatória do abono variável, fazse mister conceder ao abono variável dado aos membros do MPERJ o mesmo tratamento tributário, isentando tais valores da tributação pelo imposto de renda. Outrossim, a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer n. 2.160/2005, reconhece que é necessário conceder aos abonos variáveis em comento o mesmo tratamento tributário, sob pena de ferimento aos princípios da isonomia, proporcionalidade e razoabilidade, consagrados em nosso ordenamento jurídico. Vejase, por oportuno, elucidativo trecho desse parecer: "Entender deforma contrária, impedindo a concessão do abono variável aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, se afigura em .formalismo excessivo, ofensivo aosprincípios da isonomia, da proporcionalidade e da razoabilidade e não condizente com a eficácia vertical dos direitos .fundamentais a que deve estar vinculado o Administrador como exegeta e aplicado, das normas concessivas de direitos egarantias individuais" Nesse passo, como visto acima, negar a natureza indenizatória à verba percebida pelos Membros do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro, sob o argumento de que sobre ela não teria o Supremo Tribunal Federal se manifestado, é preciosismo sem limite, data venta, o que não se coaduna com os princípios norteados de nosso Estado Democrático de Direitos. Ademais, estáse diante de hipótese de não incidência, não isenção, de forma que não aplicável o argumento contra a aplicação da analogia. Dispositivo Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 5DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA , Assinado digitalmente em 07/05/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 Voto Vencedor Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, Designado Divergi do bem articulado voto do i. Relator quanto ao mérito da questão discutida no recurso, qual seja, a incidência do imposto sobre as verbas recebidas pelo Contribuinte a título de abono variável. Como se colhe do relatório, o presente litígio gira em torno da natureza da verba recebida pelo Recorrente, a título de abono variável, atribuída aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. A Lei do Estado do Rio de janeiro nº 4.433, de 2004 dispôs ser aplicável aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, o disposto no art. 2°, caput e § 1°, da Lei Federal n° 10.477, de 27 de junho de 2002. Para maior clareza, reproduzo ambos os dispositivos: Lei nº 10.477, de 2002: Art. 1º O valor do abono variável concedido pelo art. 6º da Lei nº 9.655 de 2 de junho de 1998 é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada e passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. Lei Estadual nº 4.433, de 2004: Art. 1º Aplicase aos membros do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro o disposto no art. 2º, caput e § 1º da Lei Federal nº 10.474, de 27 de junho de 2002. Sustenta o Recorrente que a verba tem natureza indenizatória e, como tal, não está sujeita à tributação pelo imposto de renda. Argumenta que o Supremo Tribunal Federal – STF, por meio da Resolução nº 245, de 2002 fixou o entendimentos de que a referida verba tem natureza indenizatória, entendimento que foi corroborado pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN, por meio do Parecer nº 529, de 2003. Pois bem, é certo que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, considerou como tendo natureza indenizatória o abono variável concedido aos membros do Poder Judiciário da União pela Lei nº 10.474, de 2002, e como tal, não sujeitas à tributação pelo imposto de renda, como também é certo que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529/2003, manifestou entendimento no sentido de que as referidas verbas não estariam sujeitas à tributação. Mas tanto a Resolução do STF quanto o Parecer da PGFN referemse especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União, e, em seguida, aos membros do Ministério Público Federal, e o que se discute neste processo é se o mesmo entendimento deve ser aplicado à verba atribuída aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. E o que passo a analisar. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA , Assinado digitalmente em 07/05/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 17883.000269/200513 Acórdão n.º 920202.032 CSRFT2 Fl. 4 7 Vale destacar, inicialmente, que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do abono variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, por óbvio, não se trata de uma decisão judicial cujos efeitos são bem distintos dos de um ato administrativo. Enfim, é elementar e dispensa maiores considerações, que a Resolução do STF não vinculava a Administração Tributária da União. Sobreveio, todavia, o Parecer PGFN/Nº 529/2003 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, e que concluiu que o abono variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002 tem natureza indenizatória. O referido Parecer, entretanto, não deixa dúvidas quanto aos limites desse entendimento, senão vejamos. Após destacar que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do imposto de renda, fez a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, o mesmo tem natureza indenizatória. E, segundo o Parecer da PGFN, seria este, no entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, o caso do abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, no entendimento do STF. Fica claro, portanto, que o Parecer da PGFN somente reconhece a natureza indenizatória do abono variável de que tratam as Leis nº 9.655, de 1998 e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF de que tal abono destinase a reparar direito. Assim, o que se tem é, por um lado, a Resolução nº 245, do STF que, como se viu, não emana os efeitos de uma decisão judicial e, por outro, o Parecer PGFN/Nº 529/2003 que se limita a reconhecer a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF. É dizer, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Nessas condições, não vejo como se estender o alcance dos dois atos acima referidos para abonos concedidos posteriormente, para outro grupo de servidores, por meio de ato específico distinto daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Por outro lado, é irrelevante o fato de a lei estadual se reportar ao sistema remuneratório dos Magistrados da União. Tratase de mera questão de técnica legislativa, de opção por uma determinada forma de fixação de parâmetros remuneratórios, o que de modo algum implica na equiparação de uma e de outra verba. É preciso examinar, portanto, no caso concreto, a natureza da verba recebida pela Recorrente para se poder concluir pela incidência ou não incidência, sobre ela, do imposto de renda. O Contribuinte sustenta a nãoincidência do imposto apenas na Lei Estadual nº 4.433, de 2004, que de forma singela estendeu aos Membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro o disposto na Lei Federal nº 10.477, de 2002, que, por sua vez, apenas estendeu aos membros do Ministério Público Federal o abono antes concedido aos magistrados da União. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA , Assinado digitalmente em 07/05/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 Ora, como se vê, o dispositivo em apreço cuida da remuneração dos membros da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro, de tal sorte que qualquer verba paga em decorrência dessa lei terá, necessariamente, natureza remuneratória. Aliás, tanto a fonte pagadora quanto o Contribuinte entenderam dessa forma, tanto que declararam o rendimento, na DIRF e na DIRPF, respectivamente, como tributável, rendimentos estes, que, vale destacar, foram recebidos no anocalendário de 2001, quando a lei de que aqui se cuida é de 2004. O fato é que, além das referências à Resolução do STF e aos Pareceres da PGFN, o Contribuinte não apresenta nada que demonstre, objetivamente, que as verbas por ele recebidas tinham natureza indenizatória. Portanto, não vislumbro como se estender aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro os efeitos dos atos do STF e da PGFN, pois estes se reportam especificamente ao abono recebido pelos Magistrados e membros do Ministério Público da União e, examinando o caso concreto, salta aos olhos que os valores recebidos pelo Contribuinte tinham natureza nitidamente remuneratória, sujeitas à tributação pelo imposto de renda. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 8DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA , Assinado digitalmente em 07/05/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000534/2007-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2006
RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE APRESENTA FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA E ENFRENTA TODAS AS ALEGAÇÕES DEFENSÓRIAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há o que falar em nulidade da decisão que enfrenta todos os pontos da impugnação com fundamento nos fatos presentes nos autos e no direito aplicável à espécie.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DECORRENTES DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. COMPROVAÇÃO TÉRMINO DA OBRA EM PERÍODO ABARCADO PELA DECADÊNCIA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO.
Comprovando-se que a obra de construção civil foi edificada dentro do prazo decadencial, fixado conforme as regras do CTN, deve ser extinto o crédito correspondente.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL.
CONTAGEM PELA REGRA DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN.
Inexistindo antecipação de recolhimento das contribuições previdenciárias, a contagem do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias tem como marco inicial o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que os tributos poderiam ter sido lançados.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.214
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE APRESENTA FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA E ENFRENTA TODAS AS ALEGAÇÕES DEFENSÓRIAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há o que falar em nulidade da decisão que enfrenta todos os pontos da impugnação com fundamento nos fatos presentes nos autos e no direito aplicável à espécie. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DECORRENTES DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. COMPROVAÇÃO TÉRMINO DA OBRA EM PERÍODO ABARCADO PELA DECADÊNCIA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO. Comprovandose que a obra de construção civil foi edificada dentro do prazo decadencial, fixado conforme as regras do CTN, deve ser extinto o crédito correspondente. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. CONTAGEM PELA REGRA DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Inexistindo antecipação de recolhimento das contribuições previdenciárias, a contagem do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias tem como marco inicial o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que os tributos poderiam ter sido lançados. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.000534/200756 Acórdão n.º 240102.214 S2C4T1 Fl. 201 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 37.032.7080, lavrada contra LUIZ ANTÔNIO POLOTO e outros, para exigência das contribuições devidas à Seguridade Social e aos “terceiros” (SalárioEducação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados envolvidos na edificação da obra de construção civil matriculada sob n° 21.260.285510/69. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 15/16, o salário de contribuição foi aferido indiretamente com base no Custo Unitário Básico – CUB, obtido em tabela divulgada pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil – SINDUSCON e com base na área construída e no padrão da obra. Os sujeitos passivos apresentaram impugnação, fls. 66/98, na qual buscavam comprovar que parte da obra houvera sido edificada em período decadente. A DRJ em Campinas julgou improcedente a defesa, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2006 PREVIDENCIÁRIO. CONSTRUÇÃO CIVIL. CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. COMPROVAÇÃO. A comprovação do término de obra de construção civil em período abrangido pela decadência do crédito previdenciário, somente se faz mediante a apresentação de um ou mais dos documentos previstos na legislação respectiva. Lançamento Procedente Inconformados com o resultado do julgamento, os notificados interpuseram recurso voluntário, fls. 110/140, no qual, em apertada síntese, alegaram que: a) devem ser considerados na análise da lide os ensinamentos doutrinários que transcreve acerca de arbitrariedade e abuso de poder da lavra dos insignes juristas Hely Lopes Meirelles, Plínio Gustavo Prado Garcia e Joaquim Falcão; b) a decisão recorrida é nula, seja pelo descaso para com as argumentações defensórias e provas, seja por carência de fundamentação, seja por descompasso com o que já é pacífico na doutrina e na jurisprudência; c) é nulo o lançamento, posto que o Fisco desatendeu formalidades insanáveis e normas do processo administrativo fiscal; d) a decadência deve ser reconhecida, uma vez que, de acordo com o doc. de fl. 80, foi efetuada a matrícula de obra a ser edificada com área de 592 m2 no INSS em 24/10/1991 e a NFLD foi lavrada em 06/11/2006; Fl. 202DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 e) há nos autos, fls. 81/84, documento que comprova que o Corpo de Bombeiros vistoriou o prédio com 740m2, no qual funciona uma padaria desde 30/11/1993; f) junta outros documentos ao recurso, os quais comprovam a decadência das contribuições lançadas; g) é cediço que a Secretaria Estadual não concede inscrição estadual se o local de funcionamento da empresa não reunir as condições exigidas pela legislação, nem a Prefeitura lança o IPTU, se o imóvel não estiver concluído e em condições de habitabilidade; h) para comprovar que a empresa L.A. Poloto funcionava no prédio em questão, bem antes do ano de 2000, apresenta: inscrição tributária concedida pela Prefeitura de Jundiaí em 16/11/1999; declaração de propriedade de obra também expedida pela Prefeitura em 04/11/1991; documentos para concessão de alvará pelo Corpo de Bombeiros, expedido em 29/05/2001; i) relativamente ao prédio situado na Rua Samuel Martins n.º 911, com área de 150m2, vale lembrar que o IPTU vem sendo exigido desde o exercício de 1992; j) a decadência deve ser contada segundo as normas do CTN, em consonância com textos doutrinários e jurisprudenciais que colaciona; k) a exigência em apreço viola os princípios da legalidade, tipicidade tributária, da segurança jurídica e da vedação ao confisco; l) do total da área construída apenas 122m2 não foi edificado em período decadente, haja vista que sua construção se deu entre os anos de 2001 e 2003; m) não foi identificado o valor do CUB usado para se chegar a base de cálculo fixada pelo Fisco, não havendo como se saber se foi levada em conta a diferenciação do padrão das áreas de padaria, depósito e residenciais; n) é necessário que sejam realizadas perícia e diligência para determinar o ano de conclusão da obra e o quantum efetivamente devido sobre a área construída em período não decadente; o) não podem ser exigidos no mesmo crédito juros SELIC e multa de ofício, sob pena de se ter dupla sanção sobre o mesmo fato; p) somente cabe aplicação da multa em caso de sonegação fiscal; q) os juros cobrados não podem superar o patamar de 1% ao mês; r) é inconstitucional a aplicação dos juros SELIC para fins tributários; t) há no processo dois atos inválidos, não passíveis de convalidação, quais sejam, a própria NFLD e a decisão de primeira instância; Ao final pede que sejam acolhidas as preliminares suscitadas e no mérito declarado insubsistente o lançamento. Requer ainda a produção de novas provas. Foram juntados ao recurso, os seguintes documentos: Cópia da planta baixa da área da padaria registrada na Prefeitura Municipal de Jundiai — Secretaria de Obras Públicas, sob n° 55.545, livro 14, de 16/05/1984; Fl. 203DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.000534/200756 Acórdão n.º 240102.214 S2C4T1 Fl. 202 5 registro de firma individual; notificações da Prefeitura Municipal para regularização de pendências administrativas, datadas de 28/06/95, 29/02/96, 07/03/96(prorrogação de prazo para apresentação de habitese)25/03/96, 30/06/2000 e 14/07/2000; comprovantes do pagamento do IPTU + taxas, dos exercícios 2001 a 2007. É relatório. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A apuração fiscal Arguiram os recorrentes a nulidade do lançamento em razão do Fisco haver incorrido, para confecção da NFLD, em vícios insanáveis, mormente quanto à apuração da base de cálculo. Sobre essa questão, vale a pena fazer uma abordagem acerca dos passos seguidos pela Auditoria para efetuar a constituição do presente crédito previdenciário. Verificando a existência da matrícula CEI n.º 1.260.28551/69, localizada na Rua Samuel Martins, Lote 31, Quadra, 25, Jardim Estádio, Jundiaí (SP), para a qual não havia qualquer recolhimento, a Administração Tributário encaminhou ofício à Prefeitura Municipal de Jundiaí, solicitando informações sobre o referido imóvel. A resposta veio mediante o ofício, fl. 31, o qual indicou que no endereço especificado havia uma obra em nome de JOSÉ MAURO POLOTO, ANTÔNIO POLOTO e LUIZ ANTÔNIO POLOTO, a qual consistia numa área comercial de 142m2 e numa área residencial de 572m2, correspondente a oito apartamentos. Em 18/10/2005, os interessados foram intimados pelo INSS a regularizarem a situação da referida obra, mediante a apresentação dos documentos mencionados no ofício n.º 208/2005/21026050, fls. 33/34. Informouse ainda que o não atendimento à intimação acarretaria em emissão “ex ofício” da Declaração de Informações Sobre Obra – DISO. Foram encaminhados mais dois ofícios com o mesmo teor, em 25/01/2006, fls. 37/38, e em 10/04/2006, fls. 44/45. Em 09/05/2006, o Sr. Luiz Antônio Poloto solicitou, fl.47, cópia integral do processo administrativo referente à obra em questão. Foi emitido o DISO de ofício em 03/08/2006, fls 49/50, informando o valor das contribuições necessárias a regularização da obra, que deveria ser promovida em oito dias sob pena de lavratura de NFLD. Dada a inércia dos sujeitos passivos, foi lavrada a presente NFLD, cujo valor consolidado em 06/11/2006, totalizou o montante de R$ 54.070,48 (cinquenta e quatro mil, setenta reais e quarenta e oito centavos). Era preciso efetuar a narrativa desses fatos para que possamos nos convencer de que os defeitos apontados pelos recorrentes, os quais levariam à nulidade do lançamento, não merecem acolhimento. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.000534/200756 Acórdão n.º 240102.214 S2C4T1 Fl. 203 7 Verifico que os passos seguidos pela Auditoria estão em perfeita sintonia com a legislação de regência. Vejamos o que prescrevia a Instrução Normativa SRP n.º 03/2005, vigente na data da constituição do crédito: Aviso para Regularização de Obra (ARO) Art. 431. A partir das informações prestadas na DISO, após a conferência dos dados nela declarados com os documentos apresentados, será expedido pela SRP o ARO, em duas vias, destinado a informar ao responsável pela obra a área regularizada e, se for o caso, o montante das contribuições devidas, tendo a seguinte destinação: I uma via do ARO deverá ser assinada pelo declarante ou por seu representante legal e anexada à DISO; II uma via será entregue ao declarante. § 1º Caso haja contribuições a recolher e caso o declarante ou o seu representante legal se recuse a assinar, o servidor anotará no ARO a observação "compareceu nesta UARP e recusouse a assinar", indicando o dia e a hora em que o sujeito passivo tomou ciência do ARO. § 2º No cálculo da área regularizada e do montante das contribuições devidas, se for o caso, será considerada como competência de ocorrência do fato gerador o mês da emissão do ARO, e o valor das contribuições nele informadas deverá ser recolhido até o dia dois do mês subseqüente ao da sua emissão, prorrogandose o prazo de recolhimento para o primeiro dia útil seguinte, se no dia dois não houver expediente bancário. § 3º O ARO deverá ser emitido até o último dia útil da competência seguinte ao da protocolização da DISO. § 4º Caso as contribuições não sejam recolhidas no prazo previsto no § 2º deste artigo, o valor devido sofrerá acréscimos legais, na forma da legislação vigente. § 5º O contribuinte poderá requerer o parcelamento das contribuições apuradas indiretamente no ARO. § 6º Não tendo sido efetuado o recolhimento nem solicitado o parcelamento espontâneo, o ARO será encaminhado ao Serviço/Seção de Fiscalização da DRP para a constituição do crédito, no prazo de sessenta dias após a data de sua emissão. Verificase na espécie que, não tendo o contribuinte atendido a solicitação da Administração para prestar as informações necessárias ao preenchimento da DISO, esta foi emitida de ofício, com base nas informações prestadas pela Prefeitura Municipal de Jundiaí. O Aviso para Regularização de Obra – ARO, fls. 48, foi emitido, tomando como competência de referência 08/2006, que é a data de emissão da DISO de ofício, posto que os contribuintes, como já assinalei, não prestaram as informações solicitadas pelo INSS. A fixação desse competência não se deu de forma aleatória, como afirma o sujeito passivo, mas obedeceu ao disposto no § 2.º do art. 431 da IN n.º 03/2005. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Quanto ao cálculo da remuneração pelo método do CUB, podese ver que o “Tipo e Uso da Obra” foi adotado conforme manda a legislação. A área de 714m2 foi considerada de uso residencial e padrão baixo, conforme determina o § 1.º do art. 437 da mesma IN, que assim dispunha: Art. 437 (...) § 1º Quando no mesmo projeto constarem áreas com as características das obras mencionadas nas tabelas dos incisos I, II ou III do caput, efetuarseá o enquadramento conforme a área construída preponderante, sendo que, se houver coincidência de áreas, a tabela residencial prevalecerá sobre a tabela comercial salas e lojas, que, por sua vez, prevalecerá sobre a tabela comercial andares livres. Portanto, não houve qualquer irregularidade ou falta de clareza nos critérios adotados pelo Fisco para obter a remuneração, uma vez que a adoção do tipo e padrão da obra utilizados para a aferição indireta, com base no método CUB, foram aqueles determinados pela legislação, qual seja tipo residencial, posto que no imóvel prepondera a área residencial. Embora o detalhamento do cálculo não conste do Discriminativo Sintético do Débito – DAD, como acusam os sujeitos passivos, toda a memória do cálculo da remuneração está contida no ARO, do qual os mesmos tiveram plena ciência. Não tenho dúvida que o Fisco atendeu plenamente o que dispõe o art. 142 do CTN1 quanto aos dados imprescindíveis ao lançamento. A ocorrência do fato gerador, que é a serviço prestado para execução do imóvel de propriedade dos recorrentes, é incontestável. A composição da base de cálculo está suficientemente apresentada no ARO. Também a fundamentação legal foi corretamente explicitada no Relatório Fiscal e em anexos específico da NFLD. Vejo, portanto, que a alegação de vícios no lançamento por lhe faltarem requisitos essenciais não deve ser acatada, devendo se afastar a suscitada nulidade. A decisão de primeira instância Protestam os recorrentes pela nulidade da decisão recorrida, pela falta de fundamentação e de apreciação dos argumentos e das provas juntadas na defesa. Esse argumento não deve ser acolhido. É que o órgão a quo enfrentou todos os pontos aventados na impugnação, sopesando as provas acostadas e apresentando toda a fundamentação jurídica que embasou as suas conclusões. Ademais, os notificados apenas alegam que a DRJ efetuou o julgamento apenas se baseando no conteúdo do AI, o qual contém afirmações que destoam da realidade. De fato, o órgão de primeira instância, ao enfrentar o mérito da causa, inexoravelmente vai aderir a uma das teses seja da defesa ou do ataque, posto que ao julgador, estando o processo em condições julgamento, não é dado se abster de emitir sua decisão. Na situação sob testilha, se a tese vencedora foi a da procedência do lançamento, fatalmente a DRJ teria que se basear nos fatos trazidos ao mundo pela Auditoria 1 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.000534/200756 Acórdão n.º 240102.214 S2C4T1 Fl. 204 9 Fiscal. Uma vez expostas as peças de ataque de defesa, tem o julgador que se posicionar, pondo fim na lide naquela instância, desde que o faça com esteio nas provas e na legislação aplicável ao caso. Ponderar se a decisão foi ou não acertada é o que deve fazer o órgão ad quem quando do enfretamento das questões de mérito, mas a princípio não enxergo nenhum vício que pudesse tornar nulo o decisório da DRJ. O Decreto n. 70.235/1972, quando trata das nulidades, prevê: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Por não enxergar na decisão recorrida qualquer das hipóteses acima listadas, afasto a preliminar de nulidade suscitada. A decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) Fl. 208DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições ou para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que foi anulado por vício formal. Na situação sob enfoque, os autos estão a demonstrar a inexistência de recolhimentos para a obra em questão, pelo que devese aferir a decadência pela norma do art. 173, I, do CTN. A dificuldade na espécie é se determinar em que momento a obra foi concluída, uma vez que não foi acostado o Alvará de Habitese, documento que tem máxima força probatória para delimitar esse momento. Os sujeitos passivos, tanto na defesa, como no recurso, admitem que parte da obra, mais precisamente 122m2, foi construída em período não decadente, todavia, o órgão de primeira instância entendeu que não restou demonstrada a conclusão em período decadente de nenhuma parcela da obra. Passemos agora a analisar cada um dos documentos acostados pelos sujeitos passivos no intuito de comprovar a decadência parcial das contribuições lançadas: a) Certificado de Matrícula e Alteração (CMA), contendo área construída de 592m2, fl. 80. Esse documento representa mera declaração feita pelos sujeitos passivos perante o INSS em 24/10/1991, não sendo hábil para demonstrar a existência da referida área naquela data. b) Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros, datado de 29/05/2001, no qual consta área de 740m2, fl. 81. O referido auto também não comprova a conclusão da área nele constante em período decadente, haja vista que o lançamento é de 11/2006. Portanto, se a obra foi concluída em 2001, a contagem do prazo decadencial pelo art. 173, I, do CTN, daria ao Fisco o direito de efetuar o lançamento até o 31/12/2006. c) Documentos que comprovam o registro e funcionamento da empresa desde o ano de 1993. Esse papéis não se prestam a atestar a conclusão da obra com a área a que se referem os recorrentes, mas apenas indicam que naquele endereço funcionou no período indicado um estabelecimento comercial, nada mais. Para comprovar a existência da área de 592m2 em período decadente somente se pode aceitar documentos relativos à própria obra. d) Cópia de planta baixa registrada na Prefeitura Municipal de Jundiaí em 16/05/1989, fl. 173. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.000534/200756 Acórdão n.º 240102.214 S2C4T1 Fl. 205 11 Diz respeito a projeto para construção de padaria e edifício residencial, não indicando o momento de conclusão da obra, por isso, imprestável para demarcar o dies a quo para a contagem do prazo decadencial. e) Fachada de prédio apresentada no Corpo de Bombeiros em 21/01/1998, como proposta para aprovação dos sistemas de segurança. Não se presta a comprovar o término da obra, posto que sequer contém a área construída. f) Certidão de Tributação Predial, emitida pela Secretaria Municipal de Finanças de Jundiaí atestando a existência de área de 740m2, a partir de 1999, fl. 152. Este documento, por possuir fé pública, deve ser levado em consideração por esse Julgador, principalmente aliado a constatação verificada no item seguinte. g) a recorrente apresentou documentos de lançamento do IPTU para os anos de 1992 a 1999 (área construída de 150m2) e de 2001 a 2007 (área construída de 740m2). E meu ver o lançamento do IPTU de 2001, em 16/01/2001, aliado a Certidão mencionada no item “f”, permiteme concluir com boa margem de segurança que toda a área já estava edificada em período decadente, uma vez que, se o lançamento foi cientificado aos sujeitos passivos em 2006, os fatos geradores ocorridos em 2000 já estariam decadentes. Nesse sentido, devo reconhecer a decadência de todas as contribuições lançadas, salientando que embora o contribuinte até reconheça uma área de 122m2 construída em período não decadente, opto por me curvar ao que me falam os elementos constantes dos autos. Deixo ainda de me posicionar sobre as demais alegações do recurso, posto que reconhecendo a decadência integral do crédito, as mesmas perdem o objeto. Conclusão Reconhecendo a decadência para todas as contribuições lançadas, voto pelo provimento do recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 210DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000850/2007-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada
Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casti, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN).
PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO.
Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.100
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-03-30T23:57:33Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-03-30T23:57:33Z; Last-Modified: 2010-03-30T23:57:33Z; dcterms:modified: 2010-03-30T23:57:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-03-30T23:57:33Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-03-30T23:57:33Z; meta:save-date: 2010-03-30T23:57:33Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-03-30T23:57:33Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-03-30T23:57:33Z; created: 2010-03-30T23:57:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-03-30T23:57:33Z; pdf:charsPerPage: 1601; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-03-30T23:57:33Z | Conteúdo => S2-C4T/ Fl. 172 '."'". --- L MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11330.000850/2007-77 Recurso n° 164.026 Voluntário Acórdão n° 2401-01.100 — 4a Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente COMUNIDADE EVANGÉLICA CRISTÃ DA VILA DA PENHA Recorrida DRJ-RIO DE JANEIRO 1/12.1 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nos 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n" 08, disciplinando a matéria. In casti, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da tl a Câmara / l a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. ALO ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n°11330.000850/2007-77 52-01TI Acórdão n.° 2401-01.100 Fl. 173 Relatório Trata-se de recurso repetitivo a ser julgado com a adoção do procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos moldes em que disciplina a Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No julgamento do Recurso-Padrão, o Recurso: n° 267248 (167248), Processo: n° 36802.000296/2005-93, Recorrente: COMÉRCIO MATERIAIS CONSTRUÇÃO LORENZETTI a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.096, assim ementado: Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n" 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE 's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n" 08. disciplinando a mataria. In casa, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4" ou 173, do CTN). É o relatório. {itã? Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora Inicialmente há de se esclarecer que o presente acórdão supre o despacho previsto no art. 2°, § 2° Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No Recurso-Padrão, o Recurso: n° 267248 (167248), Processo: n° 36802.000296/2005-93, Recorrente: COMÉRCIO MATERIAIS CONSTRUÇÃO LORENZE'TTI a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.096. Portanto, decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão. Pelo exposto, voto por reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010 ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA • CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS t, W/: QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 11330.00085012007-77 Recurso n°: 164.026 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.100 Br..ilia, 12 d março de 2010 EL ;4"S IN • O FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ 1 Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10680.015142/2005-36
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2001, 2002
SUJEIÇÃO PASSIVA. TRANSFERÊNCIA DA PROPRIEDADE APÓS O FATO GERADOR. RESSALVA DE QUITAÇÃO DO TRIBUTO. RESPONSABILIDADE DO ALIENANTE.
O crédito tributário relativo ao ITR, cujo fato gerador é a propriedade, o domínio útil ou a posse do imóvel rural, subroga-se na pessoa do respectivo adquirente, salvo quando conste do título a prova de sua quitação.
Hipótese em que a transferência da propriedade do imóvel ocorreu após a ocorrência do fato gerador, com a ressalva no título da quitação do ITR, permanecendo o alienante responsável pelos tributos anteriores.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.097
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001, 2002 SUJEIÇÃO PASSIVA. TRANSFERÊNCIA DA PROPRIEDADE APÓS O FATO GERADOR. RESSALVA DE QUITAÇÃO DO TRIBUTO. RESPONSABILIDADE DO ALIENANTE. O crédito tributário relativo ao ITR, cujo fato gerador é a propriedade, o domínio útil ou a posse do imóvel rural, subroga-se na pessoa do respectivo adquirente, salvo quando conste do título a prova de sua quitação. Hipótese em que a transferência da propriedade do imóvel ocorreu após a ocorrência do fato gerador, com a ressalva no título da quitação do ITR, permanecendo o alienante responsável pelos tributos anteriores. Recurso especial negado.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001, 2002 SUJEIÇÃO PASSIVA. TRANSFERÊNCIA DA PROPRIEDADE APÓS O FATO GERADOR. RESSALVA DE QUITAÇÃO DO TRIBUTO. RESPONSABILIDADE DO ALIENANTE. O crédito tributário relativo ao ITR, cujo fato gerador é a propriedade, o domínio útil ou a posse do imóvel rural, subrogase na pessoa do respectivo adquirente, salvo quando conste do título a prova de sua quitação. Hipótese em que a transferência da propriedade do imóvel ocorreu após a ocorrência do fato gerador, com a ressalva no título da quitação do ITR, permanecendo o alienante responsável pelos tributos anteriores. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10680.015142/200536 Acórdão n.º 920202.097 CSRFT2 Fl. 287 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator FORMALIZADO EM: 22/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório O Acórdão nº 280100.397, da 1a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 225 a 227v), julgado na sessão plenária de 12 de abril de 2010, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, por entender que o contrato particular de alienação do imóvel, firmado em 01/01/2001, somente foi registrado em 2003, considerando o contribuinte como contribuinte do ITR para os fatos geradores do crédito tributário lançado. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001, 2002 SUJEITO PASSIVO. ITR. É contribuinte do ITR o proprietário do imóvel rural à época do fato gerador do imposto, nos termos da legislação de regência, não se prestando a provar a propriedade instrumentos particulares não levados a registro na época do fato gerador correspondente. Recurso negado. Cientificado do acórdão em 22/10/2010 (fl. 231), o contribuinte apresentou, em 03/11/2010, recurso especial de divergência (fl. 234 a 271), onde defendeu que a transferência de propriedade do imóvel se deu antes da lavratura do auto de infração, sendo então a responsabilidade do adquirente, entendimento adotado pelo seguinte paradigma: Acórdão n° 30236.026 Fl. 2DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10680.015142/200536 Acórdão n.º 920202.097 CSRFT2 Fl. 288 3 (...) TRANSFERÊNCIA DE TITULARIDADE DE IMÓVEL RURAL. O crédito tributário relativo ao ITR, cujo fato gerador é a propriedade, o domínio útil ou a posse do imóvel rural, sub rogase na pessoa do respectivo adquirente (arts. 5° da Lei n° 9.393/96, e 130 do CTN). (...) O recurso especial do contribuinte foi admitido pelo despacho de fl. 274. Cientificada dessa decisão, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 277 a 285), alegando que, havendo a concomitância entre a posse direta do titular do domínio útil ou possuidor e a posse indireta do proprietário, o imposto sobre o patrimônio poderá ser exigido de qualquer um dos sujeitos passivos "coexistentes", exegese definitivamente consolidada pelo STJ sob a sistemática do art. 543 C do CPC, cuja decisão deve ser seguida pelo CARF, em atenção ao art. 62 A do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O Imposto Territorial Rural – ITR lançado se refere e aos exercícios de 2001 e 2002. Em 2001, o imóvel foi alienado a terceiros mediante a assinatura de contrato de compra e venda (fls. 164 a 169). Entretanto, o negócio foi levado a registro apenas em 03/12/2003, constando do título a quitação do tributo (fls. 22 a 24). O auto de infração foi lavrado em 2005. O acórdão recorrido entendeu que, por ocasião dos fatos geradores, era o recorrente responsável pelo tributo, pois o registro do contrato de compra e venda ocorreu posteriormente, com a ressalva da quitação do tributo. A divergência jurisprudencial entende que, se por ocasião da lavratura do auto de infração, a propriedade já tiver sido transferida, então o responsável pelo tributo é o novo proprietário. Penso que o acórdão guerreado não merece reparos, pois seguiu entendimento estampado no art. 130 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, Fl. 3DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10680.015142/200536 Acórdão n.º 920202.097 CSRFT2 Fl. 289 4 subrogamse na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação. (...) Desta forma, as dívidas do ITR, em regra, acompanham o imóvel quando de sua alienação, exceto quando estiver comprovado no título a quitação do tributo, ficando, nesse caso, apenas o alienante responsável pelos débitos passados. Já o art. 1.245 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil, determina que a propriedade do imóvel se transfere mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis, e que, enquanto não se registrar o título translativo, o alienante continua a ser havido como dono do imóvel. Assim, o recorrente só deixou de ser considerado responsável pelos ITR relativo ao imóvel objeto do lançamento em 2003, sendo sujeito passivo dos tributos relativos aos exercícios de 2001 e 2002. O recorrente também afirma que, desde a assinatura do contrato de compra e venda, em 01/01/2001, ocorreu a imissão da posse pelo adquirente, que teria passado a ser responsável pelos tributos. Salientese, entretanto, que não há divergência comprovada quanto a esse ponto e, portanto, não cabe sequer conhecêlo. Todavia, caso fosse essa a divergência a ser enfrentada, esclareço meu entendimento de que, havendo a concomitância entre a posse direta do titular do domínio útil ou possuidor e a posse indireta do proprietário, o imposto sobre o patrimônio poderia ser exigido de qualquer um dos sujeitos passivos "coexistentes" mas não caberia a ilegitimidade passiva do alienante. Aliás, essa é a exegese definitivamente consolidada pelo STJ sob a sistemática do art. 543 C do CPC por meio do REsp nº 1.073.846 SP, julgado em 25/11/2009, cuja decisão deve ser seguida pelo CARF, em atenção ao art. 62 A do RICARF. Diante do exposto, por julgar correta a lavratura do auto de infração contra o recorrente, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 4DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000054/2010-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2005 a 31/05/2005
ALIMENTAÇÃO. PARCELA IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. Uma vez que tal Parecer foi objeto de Ato Declaratório, há que se observar o disposto no art. 26A, parágrafo 6º, inciso II, alínea “a” do Decreto n 70.235 de 1972.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PARCELA INTEGRANTE QUANDO PAGA EM DESACORDO COM A LEI.
Incidem contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de participação nos lucros e resultados, quando pagos em desacordo com a lei específica.
Numero da decisão: 2302-001.617
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Deve ser excluída a parcela relativa à cesta básica.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2005 a 31/05/2005 ALIMENTAÇÃO. PARCELA IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. Uma vez que tal Parecer foi objeto de Ato Declaratório, há que se observar o disposto no art. 26A, parágrafo 6º, inciso II, alínea “a” do Decreto n 70.235 de 1972. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PARCELA INTEGRANTE QUANDO PAGA EM DESACORDO COM A LEI. Incidem contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de participação nos lucros e resultados, quando pagos em desacordo com a lei específica.
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decisao_txt : ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Deve ser excluída a parcela relativa à cesta básica.
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Recorrente VIAÇÃO SANTO ANTÔNIO E TURISMO LTDA EPP Recorrida DRJRIO DE JANEIRO RJ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2005 a 31/05/2005 ALIMENTAÇÃO. PARCELA IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. Uma vez que tal Parecer foi objeto de Ato Declaratório, há que se observar o disposto no art. 26A, parágrafo 6º, inciso II, alínea “a” do Decreto n 70.235 de 1972. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PARCELA INTEGRANTE QUANDO PAGA EM DESACORDO COM A LEI. Incidem contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de participação nos lucros e resultados, quando pagos em desacordo com a lei específica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Deve ser excluída a parcela relativa à cesta básica. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Fl. 102DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17883.000054/201060 Acórdão n.º 230201.617 S2C3T2 Fl. 91 3 Relatório O presente auto de infração abrange as contribuições destinadas aos Terceiros (Outras entidades e Fundos), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados a título de cesta básica e de participação nos lucros, durante o período de abril a maio de 2005, conforme relatório fiscal às fls. 13 e 14. Não concordando com o lançamento, o autuado apresentou impugnação na forma das fls. 21 a 35. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento proferiu a decisão de fls. 48 a 53, mantendo o lançamento na integralidade. Inconformado com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário conforme fls. 63 a 77. Em síntese, alega o seguinte: a) o fornecimento de alimentação in natura não integra o saláriode contribuição; b) a participação nos lucros não foi paga em substituição ao salário; c) a periodicidade dos pagamentos não é elemento essencial. Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 58 a 62. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Não deve persistir o lançamento em relação às contribuições sobre os valores equivalentes às cestas básicas. De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. Uma vez que tal Parecer foi objeto de Ato Declaratório, há que se observar o disposto no art. 26A, parágrafo 6º, inciso II, alínea “a” do Decreto n 70.235 de 1972, nestas palavras: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Quanto aos valores relativos à participação nos lucros e resultados, melhor sorte não assiste à recorrente. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17883.000054/201060 Acórdão n.º 230201.617 S2C3T2 Fl. 92 5 A Participação nos Lucros é norma constitucional de eficácia limitada. Com efeito, o item 2 do Parecer CJ/MPAS n º 547, de 3 de maio de 1996 (aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS) dispõe, nestas palavras: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) O Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu conteúdo o seguinte: DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Normas constitucionais de eficácia limitada são as que dependem de outras providências normativas, para que possam surtir os efeitos essenciais pretendidos pelo constituinte. Nesse sentido já se pronunciou a Segunda Turma do STF no julgamento do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário n ° 505597, cuja ementa foi divulgada no DJe em 17 de dezembro de 2009, nestas palavras: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. MP 794/94. Com a superveniência da MP n. 794/94, sucessivamente reeditada, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício Fl. 107DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17883.000054/201060 Acórdão n.º 230201.617 S2C3T2 Fl. 93 7 do direito à participação dos trabalhadores no lucro das empresas [é o que extrai dos votos proferidos no julgamento do MI n. 102, Redator para o acórdão o Ministro Carlos Velloso, DJ de 25.10.02]. Embora o artigo 7º, XI, da CB/88, assegure o direito dos empregados àquela participação e desvincule essa parcela da remuneração, o seu exercício não prescinde de lei disciplinadora que defina o modo e os limites de sua participação, bem como o caráter jurídico desse benefício, seja para fins tributários, seja para fins de incidência de contribuição previdenciária. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento. Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da participação nos lucros da composição do saláriodecontribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794 de 29 de dezembro de 1994 (reeditada sucessivas vezes), e convertida na Lei nº 10.101 de 19 de dezembro de 2000. Conforme previsto na alínea “j” do § 9o do art. 28 da Lei n º 8.212, a única hipótese para que a participação nos lucros e resultados não sofra incidência de contribuição previdenciária é que seja paga de acordo com a lei específica. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre isenção, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, se o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de serem violados os princípios da reserva legal e da isonomia. De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. A Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional, na alínea “j”, § 9º, do art. 28, dispõe, nestas palavras: Art. 28 § 9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) Fl. 108DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. A edição da Medida Provisória nº 794 de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e renumerações sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações no texto legal, até a conversão na Lei nº 10.101 de 19 de dezembro de 2000. Essa Lei dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. (...) Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: Fl. 109DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17883.000054/201060 Acórdão n.º 230201.617 S2C3T2 Fl. 94 9 I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. § 1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. § 2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. § 3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. § 4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Cabe observar que o § 2º do art. 2º da Lei n ° 10.101 foi introduzido no ordenamento jurídico a partir da Medida Provisória nº 955 de 24 de março de 1995, e o § 3º do art. 3º, a partir da Medida Provisória nº 1.69851, de 27 de novembro de 1998. Quanto às participações nos lucros pagas pela recorrente, elas não atendem ao comando legal previsto no parágrafo 2º do art. 3º da Lei 10.101. Os pagamentos foram efetuados em periodicidade inferior a um semestre civil, o que é vedado pela lei. Essa periodicidade somente poderia ser alterada pela próprio Poder Executivo, e não pelos contribuintes, até 31 de dezembro de 2000 (parágrafo 3º do art. 4º da Lei n 10.101 de 2000) Os pagamentos efetuados possuem natureza remuneratória. Tais ganhos ingressaram na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, conforme já analisado, deve persistir o lançamento nesse ponto. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso voluntário e pela concessão de provimento parcial quanto ao mérito. Devem ser excluídas as parcelas referentes à cesta básica. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 110DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.000255/2008-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/12/2004
RECUSA OU SONEGAÇÃO DE DOCUMENTOS OU SUA APRESENTAÇÃO DEFICIENTE. AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. CABIMENTO.
A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua
apresentação deficiente, constitui-se motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ASSISTÊNCIA PRESTADA POR SERVIÇO MÉDICO OU ODONTOLÓGICO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico hospitalares e outras similares, somente será excluído da base de incidência das contribuições previdenciárias, se e somente se a cobertura abranger a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa.
CESTAS BÁSICAS. ALIMENTAÇÃO IN NATURA CONCEDIDA EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Incide contribuição previdenciária sobre os valores relativos a alimentação, mesmo que concedida “in natura” aos empregados sob a forma de cestas básicas, caso seja fornecida em desacordo com a legislação de regência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.558
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que entendeu não incidir contribuição sobre a parcela paga aos segurados.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/12/2004 RECUSA OU SONEGAÇÃO DE DOCUMENTOS OU SUA APRESENTAÇÃO DEFICIENTE. AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. CABIMENTO. A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, constitui-se motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ASSISTÊNCIA PRESTADA POR SERVIÇO MÉDICO OU ODONTOLÓGICO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico hospitalares e outras similares, somente será excluído da base de incidência das contribuições previdenciárias, se e somente se a cobertura abranger a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. CESTAS BÁSICAS. ALIMENTAÇÃO IN NATURA CONCEDIDA EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Incide contribuição previdenciária sobre os valores relativos a alimentação, mesmo que concedida “in natura” aos empregados sob a forma de cestas básicas, caso seja fornecida em desacordo com a legislação de regência. Recurso Voluntário Negado.
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AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. CABIMENTO. A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, constituise motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ASSISTÊNCIA PRESTADA POR SERVIÇO MÉDICO OU ODONTOLÓGICO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico hospitalares e outras similares, somente será excluído da base de incidência das contribuições previdenciárias, se e somente se a cobertura abranger a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. CESTAS BÁSICAS. ALIMENTAÇÃO IN NATURA CONCEDIDA EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Incide contribuição previdenciária sobre os valores relativos a alimentação, mesmo que concedida “in natura” aos empregados sob a forma de cestas básicas, caso seja fornecida em desacordo com a legislação de regência. Recurso Voluntário Negado Fl. 519DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que entendeu não incidir contribuição sobre a parcela paga aos segurados. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Arlindo da Costa e Silva. Ausência momentânea: Eduardo Augusto Marcondes de Freitas Relatório Período de apuração: 01/08/2000 a 31/12/2004 Data da lavratura da NFLD: 28/11/2007. Data da Ciência do NFLD: 28/11/2007. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 112/124, apurado mediante os seguintes levantamentos: a) GFI — RESUMO MENSAL DO CNISA — referese a remunerações pagas aos segurados empregados e a contribuintes individuais, apuradas por meio do exame de GFIP, estando todas as contribuições lá declaradas; b) LR LIVRO RAZÃO — CONTR. INDIVIDUAIS — referese à remuneração paga ou creditada aos segurados contribuintes individuais verificadas por meio do exame de Balancetes Contábeis e Contabilidade (Livro Razão), cujos valores não foram declarados em GFIP; c) UNI — UNIMED — referese a valores pagos aos funcionários da empresa relativos à cobertura de Plano de Saúde Assistencial, celebrado junto com a empresa UNIMED MANAUS COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO LTDA, verificados nos balancetes e na contabilidade, cujos valores não foram declarados em GFIP; Fl. 520DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.000255/200862 Acórdão n.º 230201.558 S2C3T2 Fl. 128 3 d) CB — CESTA BÁSICA – Valores pagos pela empresa a título de "cesta básica" em desconformidade com a legislação do Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT; e) EXA — EXADMINISTRADORES — onde foram consideradas as atividades laborais dos sócios Marco Antônio Alcalá e Guillermo Gustavo da Silva. Informa a Autoridade Lançadora que, em relação ao diretor Almeu Joel Uggeri, os lançamentos foram feitos na condição de segurado empregado até dezembro de 2003, posto que era contratado e, por este motivo, há incidência de SAT/RAT e Terceiros. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 362/378. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF lavrou Decisão Administrativa a fls. 418/430 julgando procedente em parte o vertente lançamento, fazendo dele excluir os lançamentos anteriores à competência 11/2002, eis que que alcançados pela decadência na forma do art. 150, §4º do CTN, retificando o crédito tributário na forma disposta do Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 431/460 O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 11/08/2009, conforme Aviso de Recebimento a fl. 462. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 469/487, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: • Que os Srs. VICTOR VALENTINE e ALBERT SCHAUER jamais ocuparam o cargo de diretor da empresa; • Que os Srs. MARCO ALCALÁ e GUILLERMO SILVA, embora tivessem exercido a administração do negócio desde o primeiro momento, jamais receberam qualquer pagamento para isto, não obstante se reconheça a possibilidade de o fazêlo em contrato. Aduz que não recebiam prólabore porque apostavam no futuro do negócio, tanto que foram devidamente recompensados com a venda de suas participações por mais de um milhão de dólares; • Que o convênio médico com a UNIMED previa a cobertura integral por plano de saúde a todos os dirigentes e funcionários da empresa, estando amparado pelo instituto da não incidência previdenciária disposta no art. 28, §9º, ‘q’ da Lei n° 8.212/91; • Que a Recorrente aderiu ao PAT. Aduz que nos programas previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, a parcela "in natura" paga pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição Previdenciária ou do Fundo de Garantia Fl. 521DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 do Tempo de Serviço, nem se configura como rendimento tributável do trabalhador; • Que efetuou integralmente o pagamento dos Lançamentos LR Livro Razão e GFI Contribuintes individuais, sem qualquer desconto, motivo pelo qual requer que seja reduzido proporcionalmente, nos autos do processo nº 10283.008384/200718 o valor da penalidade acessória, se entendida devida após o julgamento daquele recurso. Ao fim, requer a reforma da decisão recorrida. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 11/08/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 10/09/2009, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos à análise do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 2.1. DOS ADMINISTRADORES Alega o Recorrente que os Srs. Victor Valentine e Albert Schauer jamais ocuparam o cargo de diretor da empresa, em virtude de não terem obtido visto de permanência de residência no Brasil. Acrescenta que os Srs. Marco Alcalá e Guillermo Silva, embora tivessem exercido a administração do negócio desde o primeiro momento, jamais receberam Fl. 522DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.000255/200862 Acórdão n.º 230201.558 S2C3T2 Fl. 129 5 qualquer pagamento para isto, muito embora o contrato admita a possibilidade de o fazêlo. Aduz que não recebiam pro labore porque apostavam no futuro do negócio, tanto que foram devidamente recompensados com a venda de suas participações por mais de um milhão de dólares; De plano, cumpre salientar que, conforme assentado no item 3.5.1. do Relatório Fiscal, a fl. 118, no levantamento EXA – ex administradores somente foram consideradas as atividades laborais dos sócios Marco Antônio Alcalá e Guillermo Gustavo Silva, mas, não, os Srs. Victor Valentine e Albert Schauer. A fiscalização constatou que desde o Contrato Social de constituição da empresa, em 14 de agosto de 2000, ainda com nome de Triple S Cosmoplast da Amazônia Ltda., antecessora da empresa Foxconn Indústria e Comércio de Eletrônicos Ltda., que a empresa era gerida, por prazo indeterminado, pelos diretores Srs. Marco Antônio Alcalá, Gillermo Gustavo Silva, sendo que a cláusula 7ª de todos os contratos previam expressamente que “Os Diretores receberão pro labore mensal a ser estipulado pelos sócios”. Devido à falta de documentação que comprovasse esses fatos geradores, houvese por lavrado TIAD Termo de Intimação para Apresentação de Documentos específico, a fl. 109, intimando a empresa a presentar “Documentação cadastral (RG, CPF, passaporte, endereço) dos trabalhadores da empresa, Marco Antônio Alcalá e Guillermo Gustavo Silva, assim como remuneração e demais informações inerentes a Contribuições Previdenciárias, constantes no primeiro TIAD emitido em 09 de agosto de 2007. Apurouse que, até 04 de agosto de 2004, data da Alteração Contratual nº 02, a administração da empresa era exercida exclusivamente pelos sócios ALCALÁ e SILVA e, a partir de então, estes passam a administrar conjuntamente com os administradores Antônio Cláudio Kieling e Gary Michael Eglen. Na sequência, com o advento da Alteração Contratual N° 03, de 03 de novembro de 2004, a administração da sociedade passou a ser exercida por prazo indeterminado, independentemente de caução, pelos sócios Marco Antônio Alcalá e Guillermo Gustavo Silva e pelos administradores não sócios Antônio Claudio Kieling e Gary Michael Eglen. Conforme destacado no item 041 do relatório intitulado Fundamentos Legais do Débito FLD, a fl. 96, a competência para fiscalizar, arrecadar e cobrar contribuições previdenciárias foi atribuída ao AFRFB através das disposições insculpidas no art. 33 da Lei nº 8.212/91, cujo parágrafo terceiro autoriza a fiscalização, nos casos em que houver recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a inscrever de ofício a importância reputada como devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na Fl. 523DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Nesse contexto, ante a ausência de documentação que demonstrasse o valor do pro labore recebido pelos sócios Alcalá e Silva, e tendo estes exercido exclusivamente a gerência da sociedade de agosto/2000 a agosto/2004 e a partir de então, em conjunto com os administradores Kieling e Eglen, escorada que estava pelo permissivo legal estampado no §3º do art. 33 suso citado, pautou a fiscalização por arbitrar como o salário de contribuição daqueles dois administradores o mesmo montante pago aos dois últimos na competência novembro/2004, transferindo o ônus probatório contrário ao Recorrente. Não se revela razoável a alegação da empresa de que, nesses quatro anos, os sócios Alcalá e Silva não houveram auferido qualquer quantia. Afinal, como conseguiram subsistir por tanto tempo sem o ingresso de qualquer recurso financeiro. Por outro lado, nas oportunidades em que teve de se manifestar nos autos, a empresa não produziu qualquer indício de prova material de que os citados sócios possuíam outra fonte de recursos financeiros para o seu sustento, optando a seu próprio risco por limitar sua defesa na frágil alegação de que aos aludidos administradores a empresa não efetivou qualquer pagamento a título de remuneração. Ademais, ao contrário do alegado pela defesa, os contratos sociais não previam, meramente, a possibilidade de pagamento de pro labore aos administradores, mas, sim, determinavam de forma expressa que “Os diretores receberão um pro labore mensal estipulado pelos sócios”. Não nos sabe à verossimilhança que os diretores não sócios recebessem mensalmente, em conjunto, a importância de R$ 42.659,95 e os diretores sócios da empresa, isto é, aqueles que detinham a prerrogativa de estipular o valor do pro labore, nada auferissem. Como professava a ilustre filósofa Lusitana Deolinda Faria da Costa “quem parte e reparte e fica com a pior parte ...” 2.2. DO SALÁRIO UTILIDADE – CESTAS BÁSICAS E CONVÊNIO COM A UNIMED Fl. 524DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.000255/200862 Acórdão n.º 230201.558 S2C3T2 Fl. 130 7 Apurou a fiscalização que o Plano de Saúde Assistencial celebrado pela Recorrente com a Unimed Manaus Cooperativa de Trabalho Médico Ltda que os detentores de cargos/funções de nível de Gerência e os acima deste possuíam direito ao plano com apartamento enquanto que os ocupantes de cargos até o nível de Coordenação tinham direito ao plano com enfermaria. Em ádito, verificouse não ser dada ao funcionário oportunidade de opção pelo Plano de Saúde daqueles, estando o funcionário adstrito à aceitação deste, sem possibilidade da referida opção e em conformidade com o cargo/função que ocupa na empresa. De outro canto, pela análise do documento intitulado “Política e Concessão de Cesta Básica”, a fiscalização verificou que teriam acesso ao benefício da Cesta Básica os funcionários da empresa e temporários, com exceção de Diretores e Gerentes, que não possuíssem no mês nenhuma falta e, cumulativamente, não possuíssem mais do que dois atestados médicos no mês, nem tivessem mais do que duas ocorrências de esquecimento de registro de ponto no mês, entre outros. Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) Fl. 525DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) § 3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de cohabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustaas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum Fl. 526DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.000255/200862 Acórdão n.º 230201.558 S2C3T2 Fl. 131 9 minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Fl. 527DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, pelos lançamentos efetuados em favor do trabalhador e todas as parcelas a este devidas em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS, encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Em reforço a tal abrangência, de modo a espancar qualquer dúvida ainda renitente a cerca da real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque, o legislador constituinte fez questão de consignar no texto constitucional, de forma até pleonástica, que as contribuições previdenciárias incidiriam não somente sobre a folha de salários como também sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência da base de incidência das contribuições previdenciárias aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Imerso nessa ordem constitucional, iluminese a definição legal de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para Fl. 528DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.000255/200862 Acórdão n.º 230201.558 S2C3T2 Fl. 132 11 comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que Fl. 529DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; (grifos nossos) d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Fl. 530DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.000255/200862 Acórdão n.º 230201.558 S2C3T2 Fl. 133 13 h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) O abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos Fl. 531DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Cumpre observar que, em atenção aos termos insculpidos no art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido § 9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis, a teor do art. 214, §10 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; 2.2.1. DO CONVÊNIO MÉDICO COM A UNIMED. Alega o Recorrente que o convênio médico firmado com a UNIMED atinge todos os funcionários e dirigentes da empresa, estando amparado pelo instituto da não incidência previdenciária disposta no artigo 28, parágrafo 9º da redação atual da Lei n° 8.212/91. Contextualizado nesses termos o quadro jurídiconormativo aplicável ao casoespécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que a alínea ‘q’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatui, de forma expressa, que não integra o Salário de contribuição, o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Registrese, por fundamental, que a exclusão de tais parcelas da base de incidência das contribuições previdenciárias não é incondicionada. Constituise condição sine qua non para a exclusão da base de incidência em tela que a cobertura do plano de assistência médica abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Em tempo: Entendese como cobertura assistencial o conjunto de procedimentos a que tem direito o beneficiário do plano de saúde, previsto na legislação de saúde complementar e no contrato firmado com a operadora. Já o plano de saúde pode ser conceituado como um contrato que garante a cobertura de custos (gastos) com assistência Fl. 532DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.000255/200862 Acórdão n.º 230201.558 S2C3T2 Fl. 134 15 médica, hospitalar e ambulatorial, a ser prestada pela Rede Assistencial, em conformidade com a lei nº 9.656/98 aos usuários devidamente inscritos. Há que se observar, portanto, na contratação do plano, as segmentações (ambulatorial, hospitalar com ou sem obstetrícia, odontológico e referencial), o tipo de acomodação contratado (apartamento ou enfermaria) e a área geográfica do contrato. No caso presente, dessai do item 3.3.6 do Relatório Fiscal a fl. 115 que a cobertura do plano mantido pela empresa em favor dos ocupantes de cargos e funções de nível de gerência e os acima deste é diferenciada daquela destinada aos empregados ocupantes de cargos até o nível de coordenação, eis que o plano contratado no primeiro caso prevê acomodação em apartamento e, no segundo, em enfermaria. Além disso, não é concedida aos ocupantes dos cargos inferiores a oportunidade de optar pelo Plano de Saúde destinado às funções superiores, estando o funcionário adstrito à aceitação daquele, em conformidade com o cargo/função que ocupa na empresa. Impõe o art. 111, I do CTN que a interpretação de norma isentiva seja estritamente gramatical. Diante das diretivas legais ora anunciadas, avulta, por decorrência lógica, que para a exclusão da assistência médica ou segurosaúde da base de cálculo das contribuições previdenciárias mostrase indispensável que a cobertura do benefício abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Louvouse tal condicionamento no objetivo governamental de fomentar a função social da empresa e garantir a isonomia entre dirigentes e empregados, privilegiandose dessarte aquelas que primarem pela não segregação entre as diversas estratificações na linha vertical de comando. Cabe enfatizar que este Relator engrossa a voz daqueles que admitem que a empresa poderia até fornecer planos médicos/odontológicos diferenciados para seus empregados e dirigentes, sem perda do direito à isenção em palco, mas desde que aos beneficiários fosse oportunizado o direito de optar, a qualquer tempo, pelo plano que melhor lhes aprouvesse. Ao estabelecer, contudo, distinções entre as classes de trabalhadores em realce, a empresa frustrou os propósitos da lei fincando discriminações entre dirigentes e empregados, mediante a disparidade na cobertura dos planos de assistência médica a eles oferecidos. A fixação de benefícios privilegiados aos dirigentes em detrimento dos demais empregados exclui do caso em estudo a sua subsunção à hipótese de não incidência prevista na alínea ‘q’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, o que implica a sujeição dos valores pagos sob o rótulo de “Plano de Saúde Assistencial” ao conceito legal de salário de contribuição estatuído nos incisos I e II do caput do mesmo dispositivo legal acima citado. Não há como florescerem, portanto, as alegações do Recorrente de que a cobertura dos planos em tela abrangeria a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 2.2.2. DAS CESTAS BÁSICAS Argumenta o Recorrente ter aderido ao Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. Aduz que nos programas previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, a parcela "in natura" paga pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição Previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, nem se configura como rendimento tributável do trabalhador; Conforme já destacado anteriormente, da análise do documento intitulado “Política de Concessão de Cesta Básica”, constatou a fiscalização que somente teriam acesso ao benefício da Cesta Básica os funcionários da empresa e temporários, com exceção de Diretores e Gerentes, que não possuíssem no mês nenhuma falta e, cumulativamente, não possuíssem mais do que dois atestados médicos no mês, nem tivessem mais do que duas ocorrências de esquecimento de registro de ponto no mês, entre outros. Estampado na política de concessão de cesta básica do Recorrente identificamos um normativismo interno que impõe uma cláusula restritiva ao benefício em apreço, a qual desvirtua a finalidade do Programa de Alimentação do Trabalhador, focalizada que é na melhoria da situação nutricional dos trabalhadores, visando à promoção de sua saúde e à prevenção de doenças profissionais. Ao instituir um plano de metas para o seu recebimento, a empresa promoveu um metamorfose jurídica no cerne finalístico do programa, transformandoo uma modalidade de gratificação de assiduidade nos termos que se vos seguem: “aquele que, durante o mês, cumulativamente, não faltar uma única vez, não apresentar mais de dois atestados médicos e não tiver mais de duas ocorrências de esquecimento de registro de ponto, terá direito ao recebimento da cesta básica”. Em outras palavras, tratase de um prêmio pela assiduidade do trabalhador, o que é vedado pela legislação de regência do programa em debate. Colhemos da alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 que não integra o Salário de contribuição a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976. Com efeito, dispõe o art. 3º da Lei nº 6.321/76 que não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. Ocorre, no entanto, que, ao baixar instruções sobre a execução do Programa de Alimentação do Trabalhador, a Portaria MTb nº 87 do Ministério do Trabalho, de 28 de janeiro de 1997, estatuiu ser vedado à pessoa jurídica beneficiária do PAT a utilização do programa, sob qualquer forma, como premiação, tampouco a suspenção, redução ou supressão do benefício do Programa a título de punição ao trabalhador, sob pena de cancelamento da inscrição no Ministério do Trabalho, com a consequente perda do incentivo fiscal. PORTARIA MTb Nº 87, DE 28 DE JANEIRO DE 1997 Art. 6º É vedado à pessoa jurídica beneficiária: a) suspender, reduzir ou suprimir o benefício do Programa a título de punição ao trabalhador; b) utilizar o Programa, sob qualquer forma, como premiação; Fl. 534DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.000255/200862 Acórdão n.º 230201.558 S2C3T2 Fl. 135 17 c) utilizar o Programa em qualquer condição que desvirtue sua finalidade. Art. 7º A execução inadequada do Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT acarretará o cancelamento da inscrição no Ministério do Trabalho, com a consequente perda do incentivo fiscal, sem prejuízo do disposto no art. 8º, parágrafo único, do Decreto nº 05, de 14 de janeiro de 1991. A Portaria MTb nº 03 do Ministério do Trabalho, de 01 de março de 2002, revogou a citada Portaria MTb nº 87/97, mantendo todavia em sua regulamentação os mesmos dispositivos acima revisitados, sem solução de continuidade. Portaria n° 03 de 01 de março de 2002. Art. 6º É vedado à pessoa jurídica beneficiária: I suspender, reduzir ou suprimir o benefício do Programa a título de punição ao trabalhador; II utilizar o Programa, sob qualquer forma, como premiação; III utilizar o Programa em qualquer condição que desvirtue sua finalidade. (...) Art. 19. A execução inadequada do Programa de Alimentação do Trabalhador PAT acarretará o cancelamento da inscrição no Ministério do Trabalho e Emprego, com a consequente perda do incentivo fiscal, sem prejuízo do disposto no art. 8º, parágrafo único, do Decreto n.º 05, de 14 de janeiro de 1991. E não se subestime o poder normativo da Portaria do Ministério do Trabalho. Atentese que os Incisos II, IV e VI, ‘a’ do art. 84 da Constituição da República afloram como fontes jurídicas de onde dimanam a competência do Presidente da República para o exercício da direção superior da Administração Pública Federal, com o auxílio dos Ministros de Estado, e o poder presidencial para sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução, bem assim como dispor sobre a organização e o funcionamento da máquina do Executivo Federal. Sintonizado nessa frequência constitucional, o Chefe Supremo do Executivo Federal delegou ao Ministro do Trabalho e da Previdência Social a competência para expedir instruções dispondo sobre a execução do Programa de Alimentação do Trabalhador, conforme expressamente estatuído no art. 9º do Dec. nº 05/91, o qual regulamenta a Lei N° 6.321, de 14 de abril de 1976. Decreto no 5, de 14 de janeiro de 1991. Art. 9° O Ministério do Trabalho e da Previdência Social expedirá instruções dispondo sobre a aplicação deste Decreto. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 Sob o manto da delegação positivada no art. 9º do Dec. nº 05/91 acima citado, baixaramse instruções sobre a execução do Programa de Alimentação do Trabalhador mediante a edição das citadas Portarias MTb nº 87/97 e 03/2002. Depreendese do exposto que as Portarias Normativas dos órgãos da administração direta defluem da competência constitucional do Presidente da República e dos Ministros de Estado, estes últimos, para complementar e concretizar a vocação presidencialista, constitucionalmente afigurada. Portanto, os decretos de delegação de poderes aos Ministros, visando à organização dos órgãos públicos do Poder Executivo, revestemse da natureza de autênticos “decretos autônomos”, aqueles cujo fundamento de validade repousa, em linha reta e sem fontes intermediárias, na própria Carta Constitucional. Por via de consequência, as Portarias de caráter normativo dos órgãos da administração direta fulguram como emanações de agentes políticos de elevada estatura – Presidente da República e Ministros de Estado – ocupantes do arquétipo fundamental de Poder, os quais, nestas circunstâncias, aliamse para formar a vontade superior do Estado, na ordenação estrutural do Poder Executivo Federal. Assentado que as Portaria suso citadas são dotadas de normatividade em grau necessário e suficiente à partilha interna corporis das atribuições da do Ministério do Trabalho, deflui daí que, de acordo com a norma administrativa em realce, execução inadequada do Programa de Alimentação do Trabalhador implica a perda do incentivo fiscal a que se refere o artigo 3º da lei nº 6.321/76. Conversando nesse mesmo idioma, estatui a alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 que não compõe o Salário de contribuição a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321/76. A contrario sensu, de acordo com as balizas fincadas pelo art. 111, I do CTN, o valor correspondente às benesses em voga, fornecidas em desacordo com o PAT, passam a integrar o conceito de Salário de Contribuição, base de cálculo das contribuições previdenciárias. Tal conclusão não discrepa do comando fixado no parágrafo 10 do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, que estatui expressamente que as parcelas isentas de contribuição previdenciária arroladas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. 2.3. DA REDUÇÃO DA PENALIDADE Pondera o Recorrente ter efetuado integralmente o pagamento dos Lançamentos LR Livro Razão e GFI Contribuintes individuais, sem qualquer desconto, motivo pelo qual requer que seja reduzido proporcionalmente, nos autos do processo nº 10283.008384/200718, o valor da penalidade acessória, se entendida devida após o julgamento daquele recurso. Tal pedido, todavia, somente poderá ser apreciado no julgamento do processo administrativo acima indicado, ocasião em que serão analisadas todas as questões que lhe forem afeitas, não tendo este Colegiado competência para tal. 3. CONCLUSÃO: Fl. 536DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.000255/200862 Acórdão n.º 230201.558 S2C3T2 Fl. 136 19 Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 537DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 17546.001094/2007-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 16/03/2007
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 16/03/2007
PREVIDENCIÁRIO-CUSTEIO-AUTO-DE-INFRAÇÃO-ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NFLD CORRELATAS CONTRIBUINTES INDIVIDUAISAÇÕES TRABALHISTAS.
A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está
diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores.
O pedido de desistência parcial do AI envolvendo períodos da autuação, importa o não conhecimento do recurso referente aquele período.
AUTO DE INFRAÇÃO-OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA-DECADÊNCIA QUINQUENAL-SÚMULA VNCULANTE N. 08 DO STF
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no
intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida
decisão, editado a Súmula Vinculante de nº 8, “São inconstitucionais os
parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””.
Em se tratando de Auto de Infração por não ter a empresa informado em
GFIP fatos geradores, não há que se falar em recolhimento antecipado
devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.268
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a)
conhecer parcialmente do recurso; e b) declarar a decadência até a competência 11/2001. II) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa , que aplicava o art. 32A da Lei nº 8.212/91.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 16/03/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NFLD CORRELATAS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS AÇÕES TRABALHISTAS. A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores. O pedido de desistência parcial do AI envolvendo períodos da autuação, importa o não conhecimento do recurso referente aquele período. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VNCULANTE N. 08 DO STF O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Em se tratando de Auto de Infração por não ter a empresa informado em GFIP fatos geradores, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) conhecer parcialmente do recurso; e b) declarar a decadência até a competência 11/2001. II) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa , que aplicava o art. 32A da Lei nº 8.212/91. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.001094/200754 Acórdão n.º 240102.268 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório Tratase de retorno de diligência comandada por meio da Resolução nº 2401 00.052 desta 4ª Câmara de Julgamento no intuito de identificar o andamento das NFLD vinculadas aos fatos geradores constantes desse Auto de infração, evitando decisões discordantes. Para retomar as informações pertinentes ao processo , importante destacar as informações acerca do lançamento efetuado. Trata o presente auto de infração, lavrado ob o n. 37.037.2590, em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. No caso, a empresa deixou de informar em GFIP os valores pagos aos diretores (prólabore), período de 01/1999 a 03/2004, (foi informado em GFIP o período de 01/2002 a 03/2004, contribuintes individuais (autônomos e credenciados), período de 01/1999 a 04/2000 e aos médicos cooperados, período de 01/1999 a 04/2000, conforme conta no Livro Diário nº 10 a 181, folhas de pagamentos e recibos apresentados, não incluídos nas GFIP, com seus totais mensais, conforme planilha anexa ao relatório fiscal. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 16/03/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 19/03/2007. Não conformado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação, fls.144 a 148. A unidade descentralizada da SRP emitiu a DecisãoNotificação (DN), fls. 185 a 189, relevando parcialmente a multa aplicada. O recorrente não concordando com a DN emitida pelo órgão previdenciário, interpôs recurso, fls. 194 a 200. Alega em síntese: Os fatos geradores que ensejaram a autuação encontramse decadentes. Ao contrário do descrito na DN, não pode existir qualquer limitação de valores ou condição para relevação da multa, a não ser a primariedade do infrator e a correção da falta. O recorrente foi autuado pelo suposto não recolhimento de contribuições previdenciárias, acrescidas de juros e multa, não havendo que se falar em aplicação de nova multa por suposta falta de cumprimento de obrigações acessórias, que só ocorreu como consequência direta do primeiro ato. Requer ainda, seja acolhida toda a matéria trazida no presente recurso para seja reconhecida a insubsistência da multa aplicada. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 A Receita Previdenciária apresentou contrarrazões s fls. 215 a 216, tendo encaminhado o processo a este 2º CC. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento, após cumprimento da diligência determinada {as fls. 219 a 221). Foi anexado pedido de desistência parcial, fl. 224 e 225, referente ao período de 01/2002 a 03/2004 O processo foi encaminhado a autoridade fiscal, mesmo após o pedido de desistência, por entender a autoridade da DRFB, ser necessário o cumprimento dos termos da diligência do CARF. Procedeu a autoridade fiscal, novo cálculo da multa a luz da MP 449, convertida na lei 11.941, conforme fl. 239 a 245. Assim, restou cumprida a diligência, nos termos abaixo expostos: iniciarmos o detalhamento da aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte cabe esclarecer o despacho de fls. 219 a 222 da 2 a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sobre o andamento dos seguintes DEBCADS: • 37.037.2581 conforme tela do Sistema Comprot e Consulta as Informações de Credito, juntada em fls. 227 e 228, o referido processo foi Baixado por D.N. e se encontra no Arquivo Geral da GRASP. • 37.037.2603 conforme tela do Sistema Comprot e Consulta as Informações de Credito, juntada em fls. 229 e 230, o referido processo foi Baixado por Acórdão e se encontra no Arquivo Geral da GRASP. • 37.037.2611 conforme tela do Sistema Comprot e Consulta as Informações de Credito, juntada em fls. 231 e 232, o referido processo se encontra Aguardando Regularização após Expiração na Agencia da Receita Federal em CruzeiroSP • 37.037.2620 conforme tela do Sistema Comprot e Consulta as Informações de Credito, juntada em fls. 233 e 234, o referido processo se encontra Aguardando Regularização após Expiração no Conselho Administrativo Recursos Fiscais Quinta Câmara. • 37.037.2646 conforme tela do Sistema Comprot e Consulta as Informações de Credito, juntada em fls. 235 e 236, o referido processo se encontra Suspenso pra Inclusão em Parcelamento na Seção Controle e Acompanhamento Tributário DRF Taubaté SP. • 37.037.2654 conforme tela do Sistema Comprot e Consulta as Informações de Credito, juntada em fls. 237 e 238, o referido processo se encontra Aguardando Regularização após Expiração no Conselho Administrativo Recursos Fiscais Quinta Câmara. 2 Em atendimento ao solicitado pela SACAT, demonstraremos, a seguir, em razão da alteração da legislação no tocante às multas de mora e/ou multa isolada, em decorrência de lançamento de ofício (MP n°. 449, de 03/12/2008, convertida na Fl. 293DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.001094/200754 Acórdão n.º 240102.268 S2C4T1 Fl. 3 5 Lei n°. 11.941, de 27/05/2009), a multa mais benéfica a ser aplicada, conforme preconiza o art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei n°. 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). 3 Os valores referente a este processo e dos constantes acima foram lavrados em 19/03/2007, tendo em vista a disposição do art. 173 do CTN, referente à decadência, os valores levantados no período de 06/1997 a 02/2002 encontramse dentro do prazo decadencial, devendo ser excluídos dos referidos processos. É o Relatório. Com base nas planilhas anexas em fls. 239 a 244, em especial a "PLANILHA II", podemos concluir que a multa mais benéfica ao contribuinte nos períodos é: • 06/1997 a 12/1998 e 05/200 a 12/2001 multa anterior a vigência da Medida Provisória 449 DECADENTE • 01/199 a 04/200 multa após a Medida Provisória 449 DECADENTE • 01/2002 a 03/2003 não houve levantamento de débito por obrigação principal na empresa e o Auto de Infração 37.037.2590 foi relevado conforme Acórdão 0519.028 de 24/08/2009 da 9a Turma da DRJ/CPS, fls. 185 a 188v., portanto não é passível de multa mais benéfica. • 04/2003 a 10/2006 multa mais benéfica é a anterior a vigência da Medida Provisória 449, ou seja a que consta dos processos. 5 Como conseqüência do acima exposto, sugerimos dar conhecimento ao Sr. Chefe da SAFIS do procedimento a ser adotado e posterior encaminhamento a SACAT Taubaté/SP, para conhecimento e providências, se for o caso. Devidamente cientificado dos termos da diligência o recorrente apresentou impugnação, nos seguinte termos: 3. Acerca das NFLD's indicadas no relatório como prejudiciais ao julgamento deste recurso, temos as seguintes considerações a fazer: (a) NFLD n° 37.037.2603 PA 17546.001093/200718 (contribuição de cooperados de 06/1997 a 02/2000): Foi definitivamente anulada, como se verifica de cópia do acórdão e print atualizado do processo; (b) NFLD n° 37.037.2611 PA 17546.001095/200707 (contribuições não retidas dos cooperados de 04/2003 a 10/2006): Desistimos do recurso em virtude da inclusão do débito exigido neste lançamento no REFIS (Lei n° 11.941/2009); (c) NFLD 37.037.2620 PA n° 17546.001098/200732 (contribuições sobre remuneração dos dirigentes de 07/1997 a 12/2001): Recurso voluntário interposto pelo contribuinte requerendo a anulação do débito, já que operada a sua Fl. 294DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 decadência nos moldes da Súmula vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal. Aguardando julgamento do recurso; (d) NFLD n° 37.037.2646 PA n° 17546.001092/200765 (contribuições não retidas dos médicos credenciados contribuintes individuais de 04/2003 a 10/2006): Desistimos do recurso em virtude da inclusão do débito exigido neste lançamento no REFIS (Lei n° 11.941/2009); (e) NFLD n° 37.037.2654 PA n° 17546.001097/200798 (contribuições sobre contribuintes individuais de 06/1997 a 02/2000): Recurso voluntário interposto pelo contribuinte requerendo a anulação do débito, já que operada a sua decadência nos moldes da Súmula vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal. Aguardando julgamento do recurso. 4. Do acima exposto denotase que a NFLD n° 37.037.260 3 foi anulada; as NFLD's ns. 37.037.2620 e 37.037.2654 certamente serão anulada/ já que referemse a período decadente nos termos da Súmula vinculante n° 8 do STF 5. Dessa forma, de plano devem ser anuladas as multas exigidas nestes autos referentes às NFLD's 37.037.2603; 37.037.2620 e 37.037.265 4. 6. A multa referente ao período que abrange as NFLD's 37.037.2611 e 37.037.2646 foi incluída no REFIS, conforme petição de desistência que anexamos. 7. Finalmente, no que se refere a LDC n° 37.037.2638 referese a débito lançado de ofício, confessado no mesmo ato e parcelado conforme documentação ora juntada. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.001094/200754 Acórdão n.º 240102.268 S2C4T1 Fl. 4 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Tendo a diligência sido cumprida, tenho que o primeiro ponto a ser apreciado diz respeito a preliminar de decadência, considerando que o lançamento envolve o período de 01/1999 a 03/2004. DA DECADÊNCIA Em primeiro lugar, devemos considerar que se trata de auto de infração, que ao contrário das NFLD, constitui obrigação acessória de “fazer” ou “deixar de fazer”, sendo irrelevante a existência ou não de recolhimentos antecipados. Porém, antes de identificar o período abrangido pela decadência, exponho a tese que adoto sobre o assunto. Dessa forma, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está Fl. 297DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.001094/200754 Acórdão n.º 240102.268 S2C4T1 Fl. 5 9 adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, Fl. 298DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da Fl. 299DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.001094/200754 Acórdão n.º 240102.268 S2C4T1 Fl. 6 11 verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 300DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, conforme descrito anteriormente, tratase de lavratura de Auto de Infração por não ter a empresa informado em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Dessa forma, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. Assim, no lançamento em questão a lavratura do AI deuse em 16/03/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 19/03/2007, os fatos geradores Fl. 301DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.001094/200754 Acórdão n.º 240102.268 S2C4T1 Fl. 7 13 ocorreram no período de 01/1999 a 03/2004, dessa forma devem ser excluídos os fatos geradores até 11/2001. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito. DO MÉRITO A decisão da procedência ou não do presente autodeinfração está ligado à sorte das Notificações Fiscais lavradas sob fatos geradores de mesmo fundamento, contudo a informação trazida às fls. 224 a 225 de pedido de desistência parcial, referente ao período de 01/2002 a 03/2004. Dessa forma, entendo que o pedido de desistência, importa no não conhecimento do recurso em relação a todas as matérias ali elencadas, contudo entendo deva ser observado na execução do julgado o cálculo da nova multa aplicada conforme a MP 449 , convertida na lei 11.941 destacada pelo auditor. Observase, por fim, que remanesce a competência 12/2001, considerando a aplicação do art. 173, I do CTN. O Auto de infração de GFIP – Cód. 68, (Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme relatório fiscal a empresa deixou de informar os pagamentos feitos aos contribuintes individuais, bem como pagamentos a dirigentes.). Contudo, toda a argumentação do recorrente diz respeito a aplicação da multa, considerando terem sido notificado pela ausência de recolhimentos. Conforme prevê o art. 32, IV da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado informar ao INSS, por meio de documento próprio, informações a respeito dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) (grifo nosso) Não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos do normativo vigente à época da lavratura do AI, e considerando ter remanescido a competência 11/2001, após a desistência parcial, foi editada a Medida Provisória MP 449/09, convertida na Lei 11.941/2009, que revogou o art. 32, § 4o, da Lei 8.212/91, conforme descrito pela autoridade fiscal, quando da conversão do julgamento em diligência. Assim, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP, convertida em lei. A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Fl. 303DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.001094/200754 Acórdão n.º 240102.268 S2C4T1 Fl. 8 15 Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado. As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da notificação já mencionada e, tendo havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32A, sob pena de bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso da notificação conexa e já julgada, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. No caso da autuação em tela, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de cem por cento da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas e da informação trazida às fls. 239 a 246, a situação mais benéfica ao contribuinte. Diante o exposto e de tudo o mais que dos autos consta. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE do recurso, para excluir do AI os fatos geradores até 11/2001 e no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL,para para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 304DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10660.003470/2002-85
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Período de apuração: 31/07/1997 a 31/12/1999, 31/01/2001 a 31/12/2001
MULTA ISOLADA. NÃO INCIDÊNCIA. MERA AUSÊNCIA DE TRANSCRIÇÃO DOS BALANCETES NO LIVRO DIÁRIO. ACESSO PELA FISCALIZAÇÃO.
Não enseja, por si só, a aplicação da multa isolada prevista no artigo 44, §1°, inciso IV, da Lei n° 9.430/96, a mera ausência de transcrição dos balancetes no livro diário, sobretudo tendo em vista que a fiscalização teve efetivo acesso a eles.
Numero da decisão: 9101-001.325
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade, conhecer parcialmente do recurso especial, e, na parte conhecida, por maioria de votos, negar provimento. Vencidos os Conselheiros Alberto Pinto Souza Júnior e Henrique Pinheiro Torres.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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NÃO INCIDÊNCIA. MERA AUSÊNCIA DE TRANSCRIÇÃO DOS BALANCETES NO LIVRO DIÁRIO. ACESSO PELA FISCALIZAÇÃO. Não enseja, por si só, a aplicação da multa isolada prevista no artigo 44, §1°, inciso IV, da Lei n° 9.430/96, a mera ausência de transcrição dos balancetes no livro diário, sobretudo tendo em vista que a fiscalização teve efetivo acesso a eles. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade, conhecer parcialmente do recurso especial, e, na parte conhecida, por maioria de votos, negar provimento. Vencidos os Conselheiros Alberto Pinto Souza Júnior e Henrique Pinheiro Torres. (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Fl. 717DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10660.003470/200285 Acórdão n.º 9101001.325 CSRFT1 Fl. 2 2 Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de recurso especial por maioria interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Lavrouse auto de infração contra o contribuinte, com base em duas irregularidades: a) descumprimento de obrigação tributária acessória (registro de balancetes e balanços no livro diário para fins de suspensão dos recolhimentos mensais do IRPJ por estimativa); b) minoração indevida da base de cálculo do imposto devido no exercício de 1998 pelo abatimento de despesas com depreciação de imóvel não relacionado à sua atividade. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 361/366 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 373/379) julgou o lançamento procedente, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 31/07/1997 a 31/12/1999, 31/01/2001 a 31/12/2001 Ementa: MULTA ISOLADA. É cabível a aplicação de multa isolada quando os "balanços/balancetes de suspensão ou redução não se encontram transcritos no Diário” Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998 Ementa: DEPRECIAÇÃO. Somente será permitida depreciação de bens móveis e imóveis intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços Lançamento Procedente Fl. 718DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10660.003470/200285 Acórdão n.º 9101001.325 CSRFT1 Fl. 3 3 O contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 397/403 dos autos. A antiga Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 626/631) deu parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos da seguinte ementa: IRPJ. MULTA ISOLADA. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. AUSÊNCIA DE CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Nos termos da legislação de regência, é obrigatório ao contribuinte que opta pelo recolhimento mensal do IRPJ por estimativa, a transcrição dos balanços e balancetes no Livro Diário, mormente quando utiliza a prerrogativa suspender o pagamento do imposto (IN SRF n°. 93/1997, art. 10, I). Tendo a fiscalização acesso aos balanços e balancetes do contribuinte nos anos de 1997, 1998, 1999 e 2001, a ausência de registros destes no Livro Diário não tem o condão de ensejar a aplicação de multa isolada. No exercício de 2000, não tendo o contribuinte apresentado o balanço, mantémse a multa isolada, limitada, nos termos do entendimento da C. CSRF, a 75% da contribuição apurada no ajuste anual. IRPJ. EXCLUSÕES INDEVIDAS NO LUCRO LÍQUIDO. DEPRECIAÇÃO DE IMÓVEL EM DESACORDO COM AS NORMAS PERTINENTES. Recurso parcialmente provido. Quanto à multa isolada, entendeuse que, no que tange aos anos de 1997, 1998, 1999 e 2001, o fiscal teve acesso aos balanços e balancetes de modo que “a ausência de registro destes no Livro Diário não constitui fundamento suficiente à aplicação da multa isolada”. No que tange ao ano de 2000, estabeleceuse que “não tendo a Recorrente apresentado o balanço respectivo, justificase a aplicação da Multa isolada, limitado seu valor a 75% da contribuição apurada no ajuste anual, consoante entendimento consolidado na Câmara Superior de Recursos”. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial, com fundamento violação à legislação tributária (fls. 633/640). Segundo a recorrente, houve violação ao artigo 44, §1°, inciso IV, da Lei n° 9.430/96. Alegou que: “O IRPJ apurado pelo lucro real pode ser pago mensalmente, por estimativa. De acordo com o art. 29 da lei n° 9.430, tratase de uma opção do contribuinte. Portanto, a obrigação de pagamento mensal do tributo não é imposta ao contribuinte e, sim, previamente acatada por ele. Desta forma, fica mais evidenciada, ainda, a ilogicidade do descumprimento dessa obrigação por parte do contribuinte. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10660.003470/200285 Acórdão n.º 9101001.325 CSRFT1 Fl. 4 4 Analisando os dispositivos acima destacados percebemos que este regime prevê a imposição de multa pelo não pagamento daquele valor estimado, em cada mês. Isso é o que se depreende da análise do art. 44, §1° , IV da lei n° 9.430. CONCOMITÂNCIA ENTRE A MULTA ISOLADA E A MULTA DE OFÍCIO Desproporcionalidade entre a penalidade imposta e o proveito obtido pelo Contribuinte. Outra multa que pode ser aplicada é a multa de ofício do art.44, I. Todavia, alegase que essa concomitância da multa isolada com multa de ofício importaria em uma penalidade desproporcional ao proveito obtido. Esse argumento não convence, pois imaginemos que, por uma decisão de política fiscal, a multa isolada fosse de 150%. Alguém defenderia sua inaplicabilidade? Creio que não, já que a multa qualificada tem sido acatada e os argumentos de efeito confiscatório, não. Então quanto à desproporcionalidade penalidadeproveito obtido não há muito o que se acrescentar, face à debilidade do argumento. As multas são aplicadas sobre a mesma base, portanto, há uma dupla punição sobre o mesmo fato Quanto à duplicidade de sanções sobre a mesma base tributável devemos admitir que, a primeira vista, o argumento impressiona. Entretanto, não se justifica. A multa de ofício é imposta sobre a diferença de imposto não paga. Aquela que se define apenas após o ajuste ao final do anocalendário. Já a multa isolada é aplicada sobre a estimativa não paga, durante o anocalendário. Tratamse de bases diferentes. A analogia que se faz com institutos de Direito Penal tem erros em sua condução. O art. 70 do Código Penal, que trata do concurso formal de crimes, aparentemente demonstra a impossibilidade de imposição de duas multas. Entretanto, essa analogia traz uma contradição. O preceito sancionador impõe uma pena privativa de liberdade e uma pena de multa. Não há espaço para concessões pelo juiz. Ele apenas tem de fixar o tempo de restrição de liberdade e o quantum da multa. Tudo dentro dos limites fixados em lei (circunstâncias judiciais, agravantes, atenuantes e causas de aumento e diminuição de pena, gerais ou especiais). Como se vê, a multa é uma pena e no art. 171, como em muitos outros, é aplicada concomitantemente com outras penas. Ora privativa de liberdade, ora restritiva de direitos. Tudo isso demonstra que a analogia com o Direito Penal não tem como se sustentar. O fato é que a decisão não pode ser mantida nesses termos. A obrigação de recolher imposto de renda mensalmente com base nas estimativas deixará de ser obrigação para se tornar Fl. 720DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10660.003470/200285 Acórdão n.º 9101001.325 CSRFT1 Fl. 5 5 faculdade. Afinal, que obrigação é essa que não tem sanção pelo seu descumprimento?! O fato é que o contribuinte faz uma opção pelo regime de estimativas. Ninguém lhe obriga a fazêlo. Agora, já que fez esta opção, assuma suas obrigações. E se as descumprir, que lhe seja imputada a multa determinada legalmente. A obrigatoriedade deste recolhimento antecipado é reforçada pela disposição do art. 35 da lei n° 8.981, que transcrevemos a seguir: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso Como se percebe, o contribuinte só ficará dispensado do pagamento de IRPJ em um mês se apresentar balancete de suspensão. Esse não foi o caso, portanto, o contribuinte deveria ter efetuado o pagamento. Como não o fez tempestivamente, está em mora e, consequentemente, deve serlhe imposta a multa isolada.” Desta forma, postulou pela reforma do acórdão recorrido, a fim de se manter a cobrança da multa isolada. O contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 645/649). Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. O recurso foi interposto com base na violação à legislação tributária: artigo 44, §1°, inciso IV, da Lei n° 9.430/96. Sucede que, verificando o resultado da decisão recorrida, no que tange ao objeto recursal em questão, somente foi tomada por maioria em relação ao anocalendário de 2000. Relativamente aos demais anoscalendários, a decisão foi por unanimidade, de sorte que conheço apenas em parte do presente recurso especial, tãosomente em relação ao ano calendário de 2000. A recorrente argumentou, em síntese, que o contribuinte optou pelo pagamento do IRPJ mensalmente por estimativa. A dispensa do pagamento do IRPJ em um determinado mês, na hipótese, somente pode ocorrer em face da apresentação e registro no livro diário do balancete de suspensão. Não tendo ocorrido isso, “o contribuinte deveria ter Fl. 721DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10660.003470/200285 Acórdão n.º 9101001.325 CSRFT1 Fl. 6 6 efetuado o pagamento. Como não o fez tempestivamente, está em mora e, consequentemente, deve serlhe imposta a multa isolada.” O dispositivo legal que se reputa violado dispõe no seguinte sentido: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; O artigo 35 da Lei n° 8.981/95 preceitua que: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. No caso, o contribuinte apresentou DIPJ, assinalando, na apuração do lucro real, que sua opção de tributação se daria por meio de recolhimentos mensais por estimativa com balanço/balancete de suspensão/redução. No entanto, tais balanços e balancetes não foram escriturados no Livro Diário. A autuação recaiu, desta forma, sobre a falta de recolhimento mensal por estimativa, em face da ausência de cumprimento da obrigação acessória de escrituração, no Livro Diário, do balanço/balancete de suspensão/redução. A questão, destarte, consiste em definir se o mero descumprimento da obrigação acessória relativa ao registro e escrituração no livro diário dos balanços/balancetes, com vistas à suspensão do pagamento devido em cada mês, por estimativa, implica, ou não, por si só, a imposição da multa isolada prevista no artigo 44, §1°, inciso IV, da Lei n° 9.430/96. No caso dos autos, temse que, não obstante, de fato, não tenha havido a transcrição dos balancetes mensais para efeito de suspensão ou redução do IRPJ devido por estimativa, a fiscalização teve efetivamente acesso aos referidos balancetes. E mais, relativamente a cada balancete levantado, foi apurado o lucro real do respectivo período, Fl. 722DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10660.003470/200285 Acórdão n.º 9101001.325 CSRFT1 Fl. 7 7 “sendo que as adições, exclusões e compensações computadas na apuração do lucro real, correspondentes a cada balancete, constam discriminadamente na parte A do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, para fins de demonstração do lucro real do período em curso, conforme determina a legislação”, conforme asseverado pelo contribuinte nos autos. No acórdão recorrido, reconheceuse que, uma vez que a autoridade fiscal teve acesso aos balanços e balancetes, não haveria motivação idônea para a aplicação da multa. De fato, não há. Para elucidar a questão, trago à baila diversos julgados proferidos no âmbito do antigo Conselho de Contribuinte e do CARF: Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF Primeira Turma / ACÓRDÃO CSRF/0105.175 em 14.03.2005 IRPJ IRPJ MULTA ISOLADA LEI 9.430/96 FALTA DE TRANSCRIÇÃO DE BALANÇOS E BALANCETES PAGAMENTO DO IRPJ COM BASE NO LUCRO ESTIMADO A falta de transcrição de balanços ou balancetes não autoriza a exigência da multa quando a empresa recolhe durante o ano valor igual ou superior ao devido na apuração anual. Recurso especial negado. Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Manoel Antonio Gadelha Dias Presidente Publicado no DOU em: 26.12.2006 Relator: José Clóvis Alves Recorrente: FAZENDA NACIONAL Assunto: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 FALTA DE TRANSCRIÇÃO DOS BALANÇOS E BALANCETES DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO NO LIVRO DIÁRIO MULTA ISOLADA. Ainda que o art. 35, parágrafo 1º, alínea "a", da Lei nº 8.981/95, tenha subordinado a validade dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução à transcrição no Livro Diário, esse fato isoladamente não é condição suficiente para exigência da multa isolada, pois não afeta a validade e a eficácia da escrituração como prova primária e não há acusação de que as informações contidas nos balancetes de suspensão estejam em desacordo com os registros constantes no Livro Diário, ou que tenham sido levantados com desobediência às leis comerciais e fiscais. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10660.003470/200285 Acórdão n.º 9101001.325 CSRFT1 Fl. 8 8 A jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais é pacífica quanto à improcedência da aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativas quando o valor do cálculo estimado ultrapassa o tributo devido na escrita fiscal ao final do exercício Recurso Voluntário Provido. Processo nº 10580001111/200615; Recurso nº 502112 Voluntário; Acórdão nº 140200.371 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária; Sessão de 25 de janeiro de 2011; Matéria CSLL; Recorrente S&M DISTRIBUIDORA LTDA; Recorrida 1ª TURMA/DRJSDR Transcrevo, do conteúdo do acórdão acima, o seguinte trecho: “Mas, além da impossibilidade de aplicação da multa isolada neste caso, um segundo ponto deve ser abordado. Com efeito, o contribuinte apresentou, juntamente com a impugnação, os balancetes de redução/suspensão dos tributos devidos por estimativa nos meses de janeiro a dezembro do anocalendário. Não os transcreveu, é verdade, no Livro Diário, mas o mero descumprimento de uma formalidade não pode acarretar na exigência de multa pela falta de recolhimento de antecipações materialmente indevidas.” Sobre este aspecto, também já se manifestou o extinto Conselho de Contribuintes em mais de uma oportunidade, cabendo trazer à colação os seguintes julgados: 1º Conselho de Contribuintes / 7a. Câmara / ACÓRDÃO 10709.523 em 15.10.2008 IRPJ E OUTROS Ex(s): 1999 a 2001 e 2003 Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ FALTA DE TRANSCRIÇÃO DOS BALANÇOS E BALANCETES DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO NO LIVRO DIÁRIO MULTA ISOLADA. Ainda que o art. 35, parágrafo 1º, alínea "a", da Lei nº 8.981/95, tenha subordinado a validade dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução à transcrição no Livro Diário, esse fato isoladamente não é condição suficiente para exigência da multa isolada, pois, não afeta a validade e a eficácia da escrituração como prova primária e, não há acusação de que as informações contidas nos balancetes de suspensão estejam em desacordo com os registros constantes no Livro Diário, ou que tenham sido levantados com desobediência às leis comerciais e fiscais. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais é pacífica, quanto à improcedência da aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativas quando o valor do cálculo Fl. 724DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10660.003470/200285 Acórdão n.º 9101001.325 CSRFT1 Fl. 9 9 estimado ultrapassa o tributo devido na escrita fiscal ao final do exercício. 1º Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 10195.183 em 12/09/2005 IRPJ E OUTRO Ex( s): 1999 a 2002 MULTA ISOLADA MERA FALTA DE TRANSCRIÇÃO E BALANCETES NO LIVRO DIÁRIO No contexto do caráter provisório das estimativas, e tendo em vista a essência da penalidade pela falta de recolhimento das mesmas, ou seja, preservação do regime de antecipações e proteção ao fluxo de caixa do Estado, revelase ancilar e meramente formal, podendo ser ultrapassada, a obrigação acessória de transcrição dos balancetes, quando isoladamente considerada. Recurso Voluntário provido. Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Manoel Antonio Gadelha Dias Presidente Publicado no DOU em: 20.04.2006 Relator: Mário Junqueira Franco Junior Na mesma linha destes julgados, há vários outros adotados pelo Extinto Conselho de Contribuintes. Assim, considerando esses precedentes e adotando suas fundamentações, VOTO no sentido de DAR provimento ao Recurso Voluntário. Neste sentido, é de se ter que, sobretudo em face da apresentação, pelo contribuinte, dos balancetes em questão, tendo acesso a eles, a autoridade fiscal, não se deve considerar mesmo a incidência da multa em questão. Diante do exposto, conheço parcialmente do recurso especial da Fazenda Nacional, e, na parte conhecida (anocalendário 2000) nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 25 de abril de 201225 de abril de 2012 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 725DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10660.003470/200285 Acórdão n.º 9101001.325 CSRFT1 Fl. 10 10 Fl. 726DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN
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