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Numero do processo: 15374.001075/00-38
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1996
Ementa:
PROVIMENTO NEGADO A RECURSO DE OFÍCIO - INADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL - PORTARIA MF nº 147/2007-O marco para admissibilidade de recurso especial contra negativa de provimento a recurso de ofício se inicia em 26.06.2007. Recurso negado.
Numero da decisão: 9900-000.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, vencidos os conselheiros Marco Aurélio Pereira Valadão, Rafael Vidal de Araújo, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Joel Miyasaki, Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, à época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da lª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice-Presidente da lª Câmara da lª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da lª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente da 2ª Câmara da lª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da lª Seção do CARP), Valmir Sandri (Vice-Presidente da 3ª Câmara da lª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da lª Seção do CARF), Karem Jureidini Dias (Vice-Presidente da 4ª Câmara da lª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da lª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (Vice-Presidente da lª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado) substituiu circunstancialmente (até a votação do item 7 da pauta) o conselheiro Marcelo Oliveira (Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (Vice-Presidente da lª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF) esteve ausente até a votação da 4ª proposta de enunciado de súmula submetida à apreciação, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martinez L6pez (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), bem assim também foi convocado o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (substituição da conselheira Susy Gomes Hoffman, no dia 8/12/2014) e o Conselheiro Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias, no dia 09/12/2014).
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, vencidos os conselheiros Marco Aurélio Pereira Valadão, Rafael Vidal de Araújo, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Joel Miyasaki, Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, à época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da lª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (VicePresidente da lª Câmara da lª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 10 75 /0 0- 38 Fl. 3965DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (Presidente da 2ª Câmara da lª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (VicePresidente da 2ª Câmara da lª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da lª Seção do CARP), Valmir Sandri (VicePresidente da 3ª Câmara da lª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da lª Seção do CARF), Karem Jureidini Dias (VicePresidente da 4ª Câmara da lª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da lª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (VicePresidente da lª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (VicePresidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado) substituiu circunstancialmente (até a votação do item 7 da pauta) o conselheiro Marcelo Oliveira (Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (VicePresidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (VicePresidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (Vice Presidente da lª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (VicePresidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF) esteve ausente até a votação da 4ª proposta de enunciado de súmula submetida à apreciação, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martinez L6pez (VicePresidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva (VicePresidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), bem assim também foi convocado o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (substituição da conselheira Susy Gomes Hoffman, no dia 8/12/2014) e o Conselheiro Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias, no dia 09/12/2014). Relatório Em Recurso Extraordinário, fls. 1.885/1.904, admitido pelo Despacho nº 910000.570, (fl. 1.934), datado de 14.01.2011, insurge a Fazenda Nacional contra o Acórdão 910100.126 (fls. 1.868/1882) que, por maioria de votos, não conheceu do seu Recurso Especial. O Acórdão traz a seguinte ementa: Ementa: RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL EM FACE DE ACÓRDÃO QUE NEGOU PROVIMENTO A RECURSO DE OFÍCIO INADMISSIBILIDADE A decisão de primeira instância favorável ao sujeito passivo, acima do limite de alçada, constitui o primeiro momento de um ato complexo, cujo aperfeiçoamento requer manifestação do Conselho de Contribuintes quando aprecia recurso de oficio. A decisão de primeira instância que exonera crédito tributário abaixo do limite de alçada é definitiva, enquanto a decisão em valor acima do limite deve ser confirmada pelo Conselho de Contribuintes para se tomar definitiva (art. 42 do Decreto n° 70.235/72). Recurso Especial interposto pela Procuradoria é impróprio para desafiar acórdão não unânime proferido em remessa ex officio. Apenas é admitido Recurso Especial em face de acórdão que nega provimento a Recurso de Oficio a partir da vigência da Portaria MF n° 147, de 25/06/2007. Fl. 3966DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15374.001075/0038 Acórdão n.º 9900000.963 CSRFPL Fl. 3.966 3 Busca a Fazenda Nacional reverter o resultado do julgamento de seu Recurso Especial, cujo Acórdão transcreveuse acima, apresentando, em síntese, duas teses de defesa: I) A primeira, que diferentemente do entendimento esposado pelo Colegiado, o Acórdão que nega provimento ao recurso de ofício é passível de recurso para a CSRF, por se tratar de decisão de segunda instância. II) A segunda tese diz respeito ao Decreto nº 70.235/72, que no seu entender foi aplicado de forma equivocada pela Primeira Turma da CSRF. Com relação ao primeiro ponto, defende a Recorrente que o julgamento do recurso de oficio se assemelha ao “reexame necessário”, previsto no art. 475 do Código de Processo Civil, bem como, que este não se trata de recurso, mas de condição de eficácia do Acórdão proferido, no caso em apreço, pela Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Segue aduzindo que muito embora a decisão recorrida tenha utilizado as premissas corretas, chegou a uma conclusão equivocada. Isso porque, ainda que a decisão possua natureza de “ato complexo”, tal qualidade pressupõe a necessidade do proferimento de decisões diversas, por autoridades distintas e, em se tratando o reexame necessário de um ato completo, a decisão final decorrerá da reunião da decisão de primeira e segunda instância. Utiliza o processamento de recursos no Poder Judiciário como analogia. Defende que por ser a decisão em “reexame necessário” decisão de segunda instância, o acórdão proferido na sua apreciação pode ser objeto, por exemplo, de recurso especial ao STJ. Prossegue afirmando que, do mesmo modo, contra acórdão que negue provimento ao recurso de ofício caberá recurso da Fazenda Nacional para a Câmara Superior de Recursos Fiscais. Quanto à segunda tese, argumenta que a interpretação dada pela CSRF ao art. 33, §1º do Decreto nº 70.235/72, vigente à época da interposição do Recurso Especial, é absolutamente desfavorável à Fazenda Nacional. Desenvolve argüindo que a justificativa encontrada pelo Colegiado para fundamentar a decisão não encontra base sólida, visto que não há na lei processual administrativa ou qualquer outro dispositivo que vede a interposição de Recurso Especial nesse sentido. Requer o Provimento do Recurso Extraordinário para que seja determinado a analise do mérito do seu Recurso Especial pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Contrarrazões fls. 1.952/1.963. Fl. 3967DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Inicialmente o contribuinte rebate os argumentos fazendários com o art. 37, §3º da Constituição Federal, aduzindo que coube à lei disciplinar as formas de reclamação dos interessados perante a administração pública e que o Decreto nº 70.235/72 e a Lei nº 9.784/99 se incumbiram de fazêlo. Defende que consoante o art. 42 do Decreto nº 70.235/72, as decisões de primeira instância são definitivas quando contrárias à Fazenda Nacional e que apenas ao contribuinte é facultada a interposição de Recurso Voluntário para exonerar o crédito tributário. Segue explanando que este mesmo artigo, ao prescrever serem definitivas as decisões de primeira instância, respalda a negativa de admissibilidade dos recursos especiais à CSRF que visam reformar decisão que rejeita recurso de ofício. Argumenta, ainda, que a decisão que analisa a remessa “ex officio” deve ser considerada como parte de uma decisão de primeira instância porque o Decreto nº 70.235/72 a trata desta forma. No seu entender, somente após o exame pelo Conselho do recurso de ofício é que se poderá identificar o efeito da decisão da DRJ e, caso esta seja desfavorável ao sujeito passivo, poderá ser desafiada pelo Recurso Voluntário. Acredita que, do contrário, o contribuinte teria o seu direito ao duplo grau de jurisdição inevitavelmente violado, já que poderia recorrer de todas as decisões que lhe forem desfavoráveis, com exceção desta. Cita o Acórdão CSRF 0105.128 e 103142.516 a fim de consolidar seu posicionamento acerca da questão. O pleito é de improcedência do Recurso Extraordinário e manutenção tanto da decisão que julgou improcedente o lançamento tributário quanto da que negou provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. No caso presente, a DRJ/Rio de Janeiro, julgou totalmente improcedente (fl. 1805) o Auto de Infração lavrado contra a ora Recorrida e, recorreu de ofício ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. Como desdobramento dessa ocorrência, após acórdão da Sétima Câmara do Primeiro Conselho (fl. 1827) de então, negando provimento ao recurso de ofício, vem a Fl. 3968DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15374.001075/0038 Acórdão n.º 9900000.963 CSRFPL Fl. 3.967 5 interposição de Recurso Especial não conhecido pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ocasionando este insurgimento extraordinário. O acórdão vergastado ocorreu em de 11.05.2009 portanto, anterior, a junho de 2009 data limite para admissibilidade de Recurso Extraordinário na conformidade da lei nº 11.941/09. De todos sabido que o reexame obrigatório de decisões da primeira instância que desonerem o contribuinte acima de determinado limite financeiro ou que deixarem de aplicar pena de perda de mercadorias, tem o fito de minimizar falhas no processo. E ainda, que o ato proferido pela DRJ somente se transformará em decisão apta a produzir efeitos quando aprovado ou reformado. Constato na fl. 1.872, integrando o voto da Ilustre Conselheira Relatora Karem Jureidini Dias no Recurso Especial deste autos, o ponto pacífico representado pelo entendimento da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, quanto a inadmissibilidade de Recurso Especial interposto anteriormente à vigência da Portaria MF nº 147/2007, em face de acórdão que nega provimento a Recurso de Ofício. De fato, entendo irrefutavelmente pertinente essa decisão porquanto de todos sabido que a autorização para revisão de decisões deste CARF relativas a negativa de provimento a recurso de ofício pela via especial somente foi materializada pelo art. 7º, § 4º do anexo à Portaria MF nº 147/ de 25.06.2007 e, como a interposição do Recurso Especial deste processo ocorreu em 23.10.2006, quase um ano antes, tornou o meio recursal inadmissível. Mesmo considerando que “o julgamento de recurso de ofício se assemelha ao “reexame necessário” previsto no art. 475 do CPC” entendo que no ambiente do processo administrativo a possibilidade de interposição de Recurso Especial contra improvimento de Recurso de Ofício, somente teve amparo legislativo a partir do surgimento em 25.06.2007, do art. 7º, § 4º do anexo à Portaria MF 147/007. Diante do exposto, voto pelo improvimento do Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. Sala das Sessões, 9 de dezembro de 2014. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator Fl. 3969DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Fl. 3970DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002990/2003-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL
Ano-calendário: 1998
Ementa: CONCOMITÂNCIA DE PROCESSOS JUDICIAL E
ADMINISTRATIVO. SUMULA CARP N° 01 - Submetido ao crivo do Judiciário a matéria alvo do recurso administrativo, inviável a análise no âmbito do deste Colendo Conselho, persistindo, contudo, a discussão quanto aos demais temas.
CSLL. ESTIMATIVAS. EXIGIBILIDADE APÓS 0 TÉRMINO DO EXERCÍCIO - Inexigível o recolhimento de estimativas após o encerramento do exercício.
Numero da decisão: 1102-000.374
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. Acompanhou pelas conclusões os Conselheiros João Otávio Oppermann Thomé e Jose Sergio Gomes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF_CSL - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (CSL)
Nome do relator: Silvana Rescigno Guerra Barreto
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ementa_s : Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Ano-calendário: 1998 Ementa: CONCOMITÂNCIA DE PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. SUMULA CARP N° 01 - Submetido ao crivo do Judiciário a matéria alvo do recurso administrativo, inviável a análise no âmbito do deste Colendo Conselho, persistindo, contudo, a discussão quanto aos demais temas. CSLL. ESTIMATIVAS. EXIGIBILIDADE APÓS 0 TÉRMINO DO EXERCÍCIO - Inexigível o recolhimento de estimativas após o encerramento do exercício.
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SILVANA RESC 0 GUERRA BARRETTO - Relator. SI-C1T2 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 16327.002990/2003-29 Recurso n° 165.278 De Oficio Acórdão n° 1102 -00.374 — 1" Camara / 2 Turma Ordinária Sessão de 27 de janeiro de 2011 Matéria CSLL -Ex(s): 2006 Recorrente BANCO NOSSA CAIXA S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Ano-calendário: 1998 Ementa: CONCOMITÂNCIA DE PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. SUMULA CARP N° 01 - Submetido ao crivo do Judiciário a matéria alvo do recurso administrativo, inviável a análise no âmbito do deste Colendo Conselho, persistindo, contudo, a discussão quanto aos demais temas. CSLL. ESTIMATIVAS. EXIGIBILIDADE APÓS 0 TÉRMINO DO EXERCÍCIO - Inexigível o recolhimento de estimativas após o encerramento do exercício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio. Acompanhou pelas conclusões os Conselheiros Joao Otávio Oppennann Thom& e Jose Sergio Gomes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. EDITADO EM: 08/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma ), João Carlos de Lima Júnior (Vice Presidente), José Sergio Gomes (Relator), Silvana Rescigno Barreto, Manoel Mota Fonseca (Suplente 1 Convocado) e Frederico de Moura Theophilo. Declarou-se impedido de participar do julgamento o Conselheiro Joao Carlos de Lima Júnior. 2 Processo n° 16327.002990/2003-29 SI-C1T2 Acórdilo n.° 1102-00.374 Fl. 2 Relatório Trata-se de Auto de Infração originado de realização de Auditoria Interna na DCTF referente ao Terceiro trimestre do ano-calendário de 1998, lavrado com o fito de exigir o recolhimento de estimativa mensal da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, acrescida de juros e de multa de oficio no montante de R$ 4.529.898,83, em razão da não comprovação da existência de processo judicial. Impugnado o lançamento (fls. 1/12), com base na vigência de ordem judicial que determinava a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, defendeu a Recorrente que também não seriam devidos juros de mora, multa de oficio e atualização com base na Taxa Selic. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento São Paulo 1 julgou improcedente o Auto de Infração, com base na impossibilidade de lançamento de estimativas, que representam meras antecipações, após o término do exercício, expressando o entendimento de que deveria ter sido lançada multa isolada, nos termos do art. 44, §1°, I, da Lei n.° 9.430/96, o que ensejou o presente Recurso de Oficio. É o relatório. 3 Voto Conselheiro SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETO, Conheço do Recurso de Oficio e passo a apreciá-lo. Na direção do entendimento deste Colendo Conselho, evidenciado na ementa que a seguir transcrevo, a DRJ de Sao Paulo-I cancelou lançamento de estimativa de CSLL, porquanto efetuada após o encerramento do exercício, verbis: "EMENTA: IRPJ. CSLL. EX 1994. E.X7GÊNCIA DE ESTIMA TI VA APÓS ENCERRAMENTO DO PERÍODO-BASE. Conhecido o resultado e verificado a ocorrência prejuiz.o fiscal no exercício, n'âo pode prosperar cobrança das importâncias devidas a titulo de estiniativa, quando comprovctdamente indevidas. Recurso provido." (Processo n.° 10783.00172994-69, Acórdiio 10706319, julgado em 21/06/01) Em que pese se tratar de Auto de Infração manifestamente improcedente, por força da inexigibilidade da estimativa de CSLL, após o término do exercício, registro ainda que foi noticiada na Impugnação a existência de ação judicial que versa sobre a alíquota aplicável à CSLL e requerido o cancelamento da imposição de juros e da multa diante da vigência de ordem judicial suspensiva e, em seguida, da efetivação do depósito integral do tributo ern discussão. A comprovação do ajuizamento de medida no Judiciário sobre a aliquota aplicável enseja, inexoravelmente, a renúncia da matéria na esfera administrativa, mas permite a análise de matéria não submetida ao Judiciário, consoante Sumula CARF n.° 1: "Importa remincia es instâncias administrativas a propositum pelo sujeito passivo de açâo judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas apreciaçâo, pelo órgâo de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante cio processo judicial." Destarte, remanesce também a discussão quanto aos juros e multa de oficio, de sorte que, ainda que fosse possível o lançamento de estimativas após o término do exercício, não poderia subsistir a exigência da multa de oficio, quando o lançamento teve por origem a DCTF apresentada pelo próprio contribuinte. Por fim, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em discussão em razão do depósito judicial efetuado também afastam a exigência dos juros moratórios. Em face do exposto, nego seguimento ao Recurso de Oficio. E corno voto. SILVANA E T 0 GUERRA BARRETO . 1 - 4
score : 1.0
Numero do processo: 11020.905906/2008-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO
O Contribuinte não apresentou na impugnação documentos aptos a desconstituir a informação da Autoridade Fiscal de que o crédito requerido já teria sido utilizado em outras compensações.
Recurso voluntário desprovido
Crédito tributário não reconhecido
Numero da decisão: 3102-00.875
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Ausente a Conselheira Nanci Gama.
Nome do relator: Beatriz Veríssimo de Sena
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO O Contribuinte não apresentou na impugnação documentos aptos a desconstituir a informação da Autoridade Fiscal de que o crédito requerido já teria sido utilizado em outras compensações. Recurso voluntário desprovido Crédito tributário não reconhecido
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AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO O Contribuinte não apresentou na impugnação documentos aptos a desconstituir a informação da Autoridade Fiscal de que o crédito requerido já teria sido utilizado em outras compensações. Recurso voluntário desprovido Crédito tributário não reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Ausente a Conselheira Nanci Gama. LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO - Presidente BEATRIZ VERÍSSIMO DE SENA - Relatora Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 11020.905906/2008-66 Acórdão n.º 3102-000.875 S3-C1T2 Fl. 2 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Ricardo Paulo Rosa e Luciano Pontes Maya Gomes. Relatório O presente processo trata de pedido de ressarcimento/compensação de saldo credor da Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) apurado em 2000, em razão de transferência de receitas. Por bem relatar os fatos e o direito concernente à lide, adoto parte do relatório proferido pela DRJ de origem: Trata o presente processo fiscal de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF jurisdicionante relativo à contribuição para o PIS/Pasep, em virtude de exame de declaração de compensação no qual não foi homologado o encontro de contas por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública. A interessada por sua vez, contesta o Parecer alegando em sede de preliminar sua nulidade. No mérito, alega que ao fazer levantamento de importâncias pagas a título de Pis e Cofins, conforme disposição da Lei 9.718/98, constatou valores pagos a maior, conforme seu entendimento e documentos que teriam sido apresentados no presente processo. Contesta o conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, instituído pela lei acima referida. Afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável com base no disposto no art. 3º, § 2, inciso III, da Lei 9.718/1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Também é alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração indevida do tributo. A DRJ julgou improcedente o pedido, em síntese, porque não homologação da compensação foi devidamente explicitada pela administração ao apontar que os pagamentos tidos como indevidos foram localizados, mas já se encontram "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp" (fl. 41, verso) Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 11020.905906/2008-66 Acórdão n.º 3102-000.875 S3-C1T2 Fl. 3 3 Em face do acórdão proferido pela DRJ, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual argumenta que o acórdão da DRJ seria nulo, por não ter analisado as razões expostas pela Interessada em sua impugnação. No mérito, afirma possuir direito a crédito, porque apurada erroneamente a base de cálculo do PIS/Pasep. É o relatório. Voto Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, Relatora Observo que a razão pela qual não foi homologado o pedido de compensação foi a identificação de uso dos créditos pedidos em outros pedidos de compensação, já processados. A autoridade fiscal indica as operações nas quais o contribuinte teria utilizado os créditos, apontando as respectivas PER/DCOMP. Contra essa afirmação do Fisco de que os créditos tributários já teriam sido utilizados caberia ao Contribuinte apresentar provas desconstituindo a afirmação. Ou seja, uma vez indicadas as operações e os créditos já compensados, cabia ao Contribuinte o ônus de provar o contrário. Entretanto, o contribuinte não logrou juntar nenhum documento que pudesse justificar o seu pedido de revisão ou desconstituir a afirmação do Fisco. O ponto central desta lide é a comprovação, isto é, a prova do crédito. Não o sendo enfrentado pelo Contribuinte, o seu pedido não deve ser acolhido. - Conclusão Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 10 de dezembro de 2010. Relatora Beatriz Veríssimo de Sena Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 11020.905906/2008-66 Acórdão n.º 3102-000.875 S3-C1T2 Fl. 4 4 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO
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Numero do processo: 16349.000193/2006-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
Ementa
INSTRUÇÃO PROBATÓRIO. PRAZO. PRECLUSÃO DO DIREITO.
A prova documental deverá ser apresentada até a impugnação, precluindo o direito do administrado fazê-lo em outro momento processual, a menos que configurada alguma das circunstâncias impeditivas previstas em Lei.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.910
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena (Relatora). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Relatora Beatriz Veríssimo de Sena
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 Ementa INSTRUÇÃO PROBATÓRIO. PRAZO. PRECLUSÃO DO DIREITO. A prova documental deverá ser apresentada até a impugnação, precluindo o direito do administrado fazêlo em outro momento processual, a menos que configurada alguma das circunstâncias impeditivas previstas em Lei. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena (Relatora). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente Relatora Beatriz Veríssimo de Sena Relatora Ricardo Paulo Rosa Redator Designado Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 10/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 02/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA , 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes Maya Gomes, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório O presente processo cuida de pedido de ressarcimento eletrônico referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, com fulcro na Lei nº 9.363/1996, no período de 04/2003 a 06/2003. Por bem resumir a controvérsia, tratando do direito e dos fatos que envolvem a lide, adoto parte do relatório do r. acórdão proferido pela DRJ de origem (fls.317 verso e 318): No despacho decisório de 23/08/2007, de fls. 148/152, a DERAT/SP, indeferiu a solicitação de crédito presumido de IPI por falta de atendimento, reiteradamente, nos prazos estipulados, de intimações lavradas em 15/12/2006 (fls. 106/107), em 28/12/2006 (fis.133/134) e em 18/04/2007 (fls. 139/140), com fundamento na Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, art. 19, e na Lei n°9.784, de 29 de janeiro de 1999, arts. 36 e 37. Algumas declarações de compensação não foram homologadas e outras simplesmente não foram admitidas por se tratar de débitos referentes a multas da CLT, não administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, sendo incabível quanto a isso a apresentação de manifestação de inconformidade, mas somente recurso administrativo ao Superintendente Regional da Receita Federal da 8ª RF, no prazo de dez dias, sem efeito suspensivo, nos termos da Lei n°9.784, de 1999, art. 56 e seguintes. Insubmissa à decisão administrativa da qual teve ciência em 27/09/2007, conforme o AR nos autos, a contribuinte apresentou, em 25/10/2007, a manifestação de inconformidade, de fls.253/267, subscrita pelo representante legal da pessoa jurídica qualificado na alteração contratual de fls. 269/288, em que, resumidamente, denuncia o que seria cerceamento do direito de defesa, pois, à época dos fatos, todos os documentos fiscais requisitados pela fiscalização teriam sido apreendidos pela Policia Federal, conforme o Auto de Entrega da Policia Federal (doc. 06), devendo ser declarada nula de pleno direito a decisão proferida pela DIORT da DERAT/SP; afirma que faz jus ao crédito presumido do IPI e o respectivo ressarcimento, nos termos da legislação, doutrina e jurisprudência; protesta pela realização de nova fiscalização para a comprovação da regularidade dos créditos pleiteados, uma vez que a documentação requerida pelo Auditor Fiscal já estaria em poder da requerente; por fim, requer o recebimento da manifestação de inconformidade para que seja declarada a nulidade da decisão proferida, seja reconhecido o direito ao crédito de IPI e deferido Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 10/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 02/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA , 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16349.000193/200600 Acórdão n.º 310200.910 S3‐C1T2 Fl. 2 3 o pedido de ressarcimento, para que as compensações sejam admitidas e homologadas, ademais, protesta pela realização de nova fiscalização nas dependências da empresa para a comprovação da regular existência dos créditos pleiteados. A contribuinte também apresentou recurso administrativo destinado ao Superintendente Regional da Receita Federal da 8ª Região Fiscal — SP (fls. 188/204). A DRJ julgou improcedente o pedido, conforme acórdão assim ementado (fl.317 verso): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, a falta de atendimento no prazo estipulado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS NÃO ADMINISTRADOS PELA SRF. IMPOSSIBILIDADE. É inadmissível a realização de compensação, a pedido ou de oficio, de direito creditaria com débitos não administrados pela SRF, como multas com base na CLT, devendo ser a discussão sobre o assunto efetuada fora do âmbito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Inexiste cerceamento do direito de defesa e nulidade se a decisão administrativa sobre direito creditaria exibir todos os requisitos básicos, notadamente a fundamentação legal, e, além disso, se a administrada deixar de comprovar inequivocamente a impossibilidade de apresentação de livros e documentos exigidos para a verificação cabal do pleito. Solicitação Indeferida. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 10/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 02/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA , 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 Em face do acórdão proferido pela DRJ, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual, em síntese, reitera as razões já expostas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Beatriz Veríssimo de Sena, Relatora De acordo com a DRJ, o pedido de ressarcimento eletrônico de crédito presumido realizado pelo recorrente teria sido indeferido porque não foram exibidos todos os documentos pedidos pela Autoridade Fiscal, não obstante reiterados pedidos (fl. 317318): O despacho decisório fustigado pela requerente exibe todos os requisitos fundamentais, principalmente a fundamentação legal. Ademais, a solicitante não logrou comprovar, sem margem a dúvidas, conforme discutido no mérito, que estava impossibilitada de apresentar os elementos exigidos nas reiteradas intimações lavradas em diligência fiscal. Não se configura o cerceamento do direito de defesa e não há, por conseguinte, razão para a nulidade da decisão administrativa. Ocorre, contudo, que ao assim decidir a DRJ deixou de considerar que naquele período os documentos solicitados encontravamse em poder da Polícia Federal, conforme comprovam os documentos apresentados pelo Contribuinte ainda em primeira instância administrativa. Com efeito, o Recorrente foi submetido à diligência realizada pela Polícia Federal, oportunidade em que todos os seus documentos contábeis necessários à instrução do pedido de compensação foram, também, recolhidos. Ora, se os documentos solicitados encontravamse com próprio Poder Público, indisponíveis, portanto, para instrução do pedido administrativo fiscal, o pedido de compensação não poderia ter sido indeferido. Com efeito, o Contribuinte possuía justa causa para não atender às intimações da Receita Federal. Cumpria aguardar o término da ação da Polícia Federal, com a devolução dos respectivos documentos, para correr o prazo para apresentação dos documentos necessários à compensação. Entendimento contrário implica em cerceamento de defesa, na medida em que era do interesse público o exame da documentação pela polícia, antes de procederse à analise do pedido fiscal. Conclusão Pelo exposto, dou provimento ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, reabrindose o prazo para o Contribuinte apresentar os documentos exigidos pelo Fisco para apreciação do pedido de compensação. Relatora Beatriz Veríssimo de Sena Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 10/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 02/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA , 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16349.000193/200600 Acórdão n.º 310200.910 S3‐C1T2 Fl. 3 5 Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, RedatorDesignado Como se entende da leitura dos autos, a lide reside em torno da disponibilidade dos documentos exigidos pela fiscalização para a homologação das compensações pleiteadas. Por falta de atendimento às intimações, considerouse não existirem provas do direito alegado pela recorrente, sendo a petição sumariamente rejeitada. De seu turno, a empresa assevera não dispor da documentação exigida pelo fato de que eles teriam sido apreendidos pela Polícia Federal. A seguir excerto extraído do Recurso Voluntário apresentado a este Conselho. O Auto de Entrega, encartado no Doc. 06 da Manifestação de Inconformidade noticiando a restituição de parte da documentação apreendida em data de 06/08/2007. Por outro lado, as intimações ditas desatendidas foram lavradas em 15/12/2006 (fls. 106/107); 28/12/2006 (fls. 133/134) • e 18/04/2007 (fls. 139/140). À folha 153 – verso do processo encontrase aviso de recebimento informando a data de 27 de setembro de 2007 como sendo a de conhecimento da decisão da DERAT/São Paulo. Nos termos da legislação de regência, o prazo para instrução processual encerrase na data de apresentação da impugnação, tal como consta nos artigos 15 a 17 do Decreto 70.235/72 e alterações posteriores. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (grifos meus) (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos meus) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 10/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 02/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA , 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Se, conforme informado no próprio Recurso apresentado, parte dos documentos já haviam sido restituídos em 06 de agosto de 2007, em 27 de setembro do mesmo ano, ao tomar conhecimento da decisão da Unidade Local de indeferir o ressarcimento, a empresa já dispunha de pelo menos parte das provas de seu direito, situação em que deveria tê las apresentado junto à manifestação de inconformidade, sob pena da ocorrência da preclusão do direito, tal como terminou por acontecer. Pelo exposto, acrescentandose que se quer em sede de recurso voluntário qualquer prova foi apresentada, VOTO POR NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado. Relatora Beatriz Veríssimo de Sena. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 10/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 02/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA , 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.906380/2011-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
IRPJ. PROCESSO. DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA CONTROVERTIDA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
Conforme interpretação da normativa processual administrativa, somada à jurisprudência esposada pelo CARF, a matéria controvertida é delimitada pela Manifestação de Inconformidade. O princípio da verdade material não se presta a permitir a qualquer parte inovar quanto à matéria controvertida, posto que seu alcance se limita à matéria probatória.
IRPJ. RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO DA QUITAÇÃO DE ESTIMATIVA ATRAVÉS DE COMPENSAÇÃO.
Comprovada pelo contribuinte a quitação do débito de estimativa por compensação, tal importância deve ser considerada no saldo negativo acumulado no final do ano-calendário.
Numero da decisão: 1302-001.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (PRESIDENTE), HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, EDUARDO DE ANDRADE, WALDIR VEIGA ROCHA E MARCIO RODRIGO FRIZZO.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 IRPJ. PROCESSO. DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA CONTROVERTIDA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Conforme interpretação da normativa processual administrativa, somada à jurisprudência esposada pelo CARF, a matéria controvertida é delimitada pela Manifestação de Inconformidade. O princípio da verdade material não se presta a permitir a qualquer parte inovar quanto à matéria controvertida, posto que seu alcance se limita à matéria probatória. IRPJ. RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO DA QUITAÇÃO DE ESTIMATIVA ATRAVÉS DE COMPENSAÇÃO. Comprovada pelo contribuinte a quitação do débito de estimativa por compensação, tal importância deve ser considerada no saldo negativo acumulado no final do ano-calendário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (PRESIDENTE), HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, EDUARDO DE ANDRADE, WALDIR VEIGA ROCHA E MARCIO RODRIGO FRIZZO.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 IRPJ. PROCESSO. DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA CONTROVERTIDA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Conforme interpretação da normativa processual administrativa, somada à jurisprudência esposada pelo CARF, a matéria controvertida é delimitada pela Manifestação de Inconformidade. O princípio da verdade material não se presta a permitir a qualquer parte inovar quanto à matéria controvertida, posto que seu alcance se limita à matéria probatória. IRPJ. RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO DA QUITAÇÃO DE ESTIMATIVA ATRAVÉS DE COMPENSAÇÃO. Comprovada pelo contribuinte a quitação do débito de estimativa por compensação, tal importância deve ser considerada no saldo negativo acumulado no final do anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 63 80 /2 01 1- 14 Fl. 422DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (PRESIDENTE), HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, EDUARDO DE ANDRADE, WALDIR VEIGA ROCHA E MARCIO RODRIGO FRIZZO. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16327.906380/201114 Acórdão n.º 1302001.689 S1C3T2 Fl. 423 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado por BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A contra o Acórdão no 1654.236, de 17/01/2014, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro, (fls. 258/269). Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: O presente processo trata dos PER/DCOMP de números 03919.49657.200307.1.3.020219 (fls. 16 a 27), 19169.10064.200907.1.3.027315 (fls. 28 a 32) e 42732.30566.270208.1.3.026784 (fls. 33 a 36), nos quais foram declaradas compensações de débitos de PIS, COFINS e CSLL com crédito relativo a saldo negativo de IRPJ apurado pela empresa incorporada Banco do Estado de São Paulo – Banespa, CNPJ 61.411.633/000187, na DIPJ de incorporação, evento ocorrido em agosto/2006, sendo de R$30.703.875,65 o valor total do crédito pleiteado. Por meio do despacho decisório de número de rastreamento 948166057 (fls. 37), a Deinf/SPO reconheceu a parcela de R$29.277.072,35 do direito creditório pleiteado e, consequentemente, homologou parcialmente as compensações declaradas. Nas informações complementares ao despacho decisório (fls. 38 a 40), verificase que o crédito não reconhecido é composto por: i) R$89.217,46 relativos a IRRF; ii) R$1.337.585,84 referentes a pagamento de estimativa de março/2006 efetuado em atraso sem o acréscimo de multa moratória. Cientificada da decisão em 11/08/2011 (fls. 246), a contribuinte apresentou, em 08/09/2011, a manifestação de inconformidade de fls. 2 a 5, acompanhada dos documentos de fls. 6 a 45. Em relação ao IRRF não comprovado, alega que localizou dois informes de rendimentos, a saber: fonte pagadora de CNPJ 00.022.034/000187, IRRF de R$253,26, declarado equivocadamente no CNPJ 33.700.394/000140 (fls. 42); fonte pagadora de CNPJ 07.689.002/000189, IRRF de R$223,11, declarado equivocadamente no CNPJ 60.208.493/000181 (fls. 43). Assim, alega que o crédito não reconhecido relativo ao IRRF passa a ser de R$88.741,09. No que tange à estimativa de março/2006, alega que a mesma foi paga espontaneamente em 30/06/2006 com o acréscimo de juros moratórios, conforme previsto no art. 138 do CTN, sendo indevida a multa moratória. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 4 Por fim, a requerente contesta o percentual de 2,95% utilizado pela autoridade a quo para a atualização do crédito. Alega que o percentual correto é de 7,11%, correspondente à taxa Selic acumulada a partir do mês subsequente ao encerramento do período de apuração, que no caso ocorreu em 31/08/2006 (data da incorporação). Ante o exposto, requer seja retificado o crédito não reconhecido no despacho decisório de R$2.762.722,21 para R$88.741,09. Às fls. 46 a 193, a autoridade a quo juntou documentos relativos à análise do saldo negativo em comento, inclusive cópia de relatório conclusivo referente à matéria (fls. 177 a 193). A requerente foi cientificada desse relatório em 26/09/2011 (fls. 190), tendo lhe sido facultado o direito de se manifestar no prazo de 30 dias. Em 24/10/2011, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 204 e 205, acompanhada dos documentos de fls. 206 a 245, na qual alega que os esclarecimentos devidos já haviam sido apresentados em 08/09/2011. Após a análise da matéria em questão, eis que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo (DRJSP) entendeu pela improcedência das alegações da ora recorrente, prolatando decisão cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 IRPJ. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. RETENÇÕES NA FONTE. TRIBUTAÇÃO DOS RESPECTIVOS RENDIMENTOS. O imposto de renda retido na fonte, sendo antecipação do imposto devido no final do período de apuração, pode ser utilizado como componente do saldo negativo de IRPJ, se ficar comprovado, mediante documentação hábil e idônea, que o contribuinte sofreu a retenção do imposto e que os respectivos rendimentos foram oferecidos à tributação no período correspondente. IRPJ. SALDO NEGATIVO. INCORPORAÇÃO. TERMO INICIAL DE INCIDÊNCIA DOS JUROS. Na hipótese de saldo negativo de IRPJ, o termo inicial de incidência dos juros calculados pela taxa Selic é o mês subsequente ao do encerramento do período de apuração, sendo que, no caso de incorporação, o encerramento do período de apuração ocorre na data do evento societário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DCTF RETIFICADORA COM REDUÇÃO DO VALOR DO DÉBITO. MULTA DE MORA. EXIGÊNCIA. A retificação a menor, em nova DCTF, do valor do tributo devido, com o pagamento, fora do prazo de vencimento, de parte do crédito tributário correlato, não configura denúncia espontânea (Súmula STJ nº 360). MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo, tornandose tal matéria incontroversa no âmbito administrativo. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16327.906380/201114 Acórdão n.º 1302001.689 S1C3T2 Fl. 424 5 Ato contínuo, a Contribuinte foi cientificada da decisão da DRJ em 07/03/2014 (fls. 294), apresentando o respectivo Recurso Voluntário (fls. 296/317) em 21/03/2014, no qual ventila em síntese o seguinte: (i) Que, tendo em vista o princípio da verdade material, a matéria em questão não deve se restringir ao alegado em sede da manifestação de inconformidade; (ii) A necessidade de converter a decisão em diligência, a fim de que a RFB acoste aos autos os comprovantes de retenção relativos ao IRRF dos anos calendário de 2005 e 2006; (iii) Que a multa de mora decorrente do pagamento em atraso de valores referentes a débitos de estimativa de IRPJ de março de 2006 se mostra indevida em face da efetiva ocorrência da denúncia espontânea; (iv) Que, ainda que não se considere a denúncia espontânea, o valor da dita multa de mora se revela equivocado, posto que calculado sobre a quantia de R$ 707.167,17, anteriormente quitada através de compensação; (v) Que os valores atinentes às retenções de IRRF realizadas a título de Juros sobre Capital Próprio pela fonte pagadora de CNPJ n. 61.632.964/000147 (R$ 57.043,93), muito embora contabilizados apenas em janeiro de 2006, devem ser homologados em virtude de se referirem à operação de 2005; (vi) Que os valores atinentes às retenções de IRRF realizadas a título de Juros sobre Capital Próprio pela fonte pagadora de CNPJ n. 62.088.042/000183 (R$ 27.312,14) devem ser homologados em virtude de a retenção ter sido comprovada por documentação juntada em fls. 132 e 133 (Resumo Suporte de Contas do banco BANESPA) dos presentes autos; É o relatório. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 6 Voto Conselheiro MARCIO RODRIGO FRIZZO O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. Da delimitação da matéria controvertida Antes que se dê início à análise das razões da recorrente, é imperativo que se dedique breve esclarecimento quanto à delimitação da matéria controvertida nos autos. Como bem destacou a DRJ e consoante se observa da própria impugnação (fls. 02/05) apresentada, não houve insurgência da contribuinte contra a parcela de R$ 88.741,09 correlata ao IRRF não confirmado no despacho decisório (fls. 38/40), tornandose matéria preclusa para a discussão administrativa, nos termos do art. 16, inciso III, e art. 17, todos do Decreto 70.235/72, os quais, ao bem da clareza e coesão, seguem transcritos abaixo: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997). Neste ínterim, cumpre observar que muito embora o princípio da verdade material seja, de fato, constitutivo basilar do processo administrativo fiscal, não há como admitir o entendimento trazido pela recorrente no sentido da possibilidade de, em nome do referido princípio, fazer argumentação de ponto inicialmente não impugnado pois houve preclusão do direito. Assim tratase de questão não impugnada em sede da Manifestação de Inconformidade por ela apresentada. Isso porque, consoante bem demonstram os dispositivos legais supracitados, o momento da instauração da matéria controvertida ao redor da qual gravitará todo o processo administrativo fiscal se dá com a apresentação da Manifestação de Inconformidade. Não se pode admitir que, fundamentado no princípio da verdade material, haja inovação quanto à matéria controvertida nos autos, pelo que não é possível que a recorrente se insurja quanto à matéria alheia àquela inicialmente tratada em Manifestação de Inconformidade. Assim, não merece prosperar as argumentações da recorrente, ao passo em que a matéria controvertida ao redor da qual deve se concentrar a análise deste Conselho se limita àquela impugnada inicialmente, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, sem prejuízo a apresentação e recebimento de eventuais provas novas que vieram a ser carreadas posteriormente quanto à matéria controversa desde a impugnação. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16327.906380/201114 Acórdão n.º 1302001.689 S1C3T2 Fl. 425 7 Ressalvo aqui meu entendimento, que se a matéria tivesse, em sede de impugnação, sido contestada sobre qualquer argumento, eu agora analisaria ela por completa, mesmo que houvesse inovação na fundamentação. O problema é que sobre ela nem se abriu o contraditório. 2. Da Comprovada Quitação da Estimativa de IRPJ de Março do Ano Calendário de 2006 e Do Valor do Saldo Negativo. Analisando o autos, temse que após a retificações das DCTFs correspondentes, o débito referente à estimativa de IRPJ de março/2006 era de R$ 6.048.316,90, como a própria DRJ reconheceu: Nas informações complementares da análise do crédito (fls. 38 a 40), constatase que não foi confirmada a parcela de R$1.337.585,84 da estimativa de março/2006, no valor de R$6.755.484,07 (principal), recolhida em 30/06/2006. Essa diferença decorre do fato de a requerente não ter incluído a multa de mora no pagamento, a qual foi considerada pela autoridade a quo ao fazer a imputação proporcional. Em consulta ao sistema informatizado DCTF da Secretaria da Receita Federal do Brasil (fls. 255 a 257), verificase que a requerente apresentou a DCTF relativa a março/2006 em 05/05/2006 e apresentou duas retificadoras: em 29/08/2006 e 04/09/2007. Na DCTF original, foi declarado débito de estimativa de IRPJ de R$21.932.200,13, vinculado a duas compensações: R$21.741.436,15 (DCOMP nº 18096.33506.280406.1.3.029176) e R$190.763,98 (DCOMP nº 33113.64430.280406.1.3.02 7258). Por sua vez, nas duas DCTF retificadoras, transmitidas posteriormente ao pagamento em questão, foi declarado débito de estimativa de IRPJ de R$6.048.316,90, vinculado a compensação no mesmo valor declarada no DCOMP 25298.04033.290806.1.7.020826, objeto do processo administrativo nº 16327.901593/201091, cuja análise concluiu pela homologação total da compensação. (grifo não original) Diante de tal constatação, temse que na 1ª Per/Dcomp relacionada ao presente processo (a original, n.º 03919.49657.200307.1.3.0202190219 fls. 16 e ss.), o crédito indicado tem origem no saldo negativo do anocalendário de 2006 e monta R$ 30.703.875,65 (fls. 18), sendo que na composição de tal crédito a recorrente apresenta para a competência de março/2006 estimativas de IRPJ quitadas mediante DARF (fls. 23 – R$ 6.755.484,07) e compensação (fls. 25 – R$ 6.048.316,90). Fl. 428DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 8 Ao verificar o despacho decisório, observase que houve o reconhecimento da compensação da estimativa de IRPJ de março/2006 no exato valor declarado (fls. 40 – R$ 6.048.316,90), ou seja, passou a ser indiscutível que esse valor compõe o saldo negativo do anocalendário de 2006. Por outro lado, quanto a parcela da estimativa de IRPJ de março/2006 paga via DARF, pelo despacho decisório a autoridade fiscal não reconhece a autenticidade de todo o crédito por suposta divergência no valor recolhido, pois não teria recolhido os juros de mora correlatos a tal parcela da estimativa por recolhimento em atraso. Eis a matéria controvertida nos autos. Fazse importante ressaltar que não há questionamento pela autoridade fiscal quanto ao valor devido da estimativa de março/2006, mas tãosomente quanto ao suposto recolhimento via DARF a menor, pois não teria havido o recolhimento dos juros de mora. A DIPJ da retificadora apresentada pela recorrente (fls. 69) traz a informação de que o débito da estimativa de IRPJ referente à março/2006 é de R$ 6.048.316,90, apurando um saldo negativo ao final daquele exercício de R$ 30.703.875,65 (fls. 72). Neste mesmo viés, o extrato da DCTF (fls. 83) referente a estimativa de março/2006 apresenta que tal débito teria sido de R$ 6.048.316,90 e que o mesmo foi extinto por compensação. Outrossim, ao analisar a Per/Dcomp n.º 25298.04033.290806.1.7.02.0826 (fls. 87 e ss.), pela qual se homologou a compensação da estimativa de março/2006, observase que tal estimativa consta como débito no valor de R$ 6.048.316,90 (fls. 95). Portanto, a meu ver, diante de tais constatações, a recorrente recolheu duas vezes a estimativa de março/2006, ou seja: i) uma vez por compensação (Dcomp 0826), no valor de R$ 6.048.316,90 (fls. 95); e ii) outra mediante DARF (fls. 23), no valor de R$ 6.909.509,11 (R$ 6.755.484,07 + R$ 154.025,04 de juros). Cabe ressaltar que a Dcomp 0826 é retificadora cuja original (n.º 18096.33506.280406.1.3.029176) foi apresentada em 28/04/2006, data do vencimento da estimativa de março/2006, pelo que a homologação da compensação do débito foi integral, sem qualquer imputação de multa ou juros. No tocante ao pedido de ressarcimento objeto destes autos (Dcomp n.º 03919.49657.200307.1.3.0202190219), ambos os pagamentos compõem o saldo negativo do anocalendário de 2006. Desta maneira, uma vez que não se discute neste autos o valor da estimativa de março/2006, ao verificar que o débito correspondente seria de R$ 6.048.316,90, consoante DIPJ (fls. 69) e DCTF (fls. 83), tenho que o segundo pagamento (via DARF) é indevido, pelo que tornase irrelevante a discussão quanto ao pagamento correto de juros. Assim, voto por dar provimento ao recurso voluntário neste ponto a fim de reconhecer o total confirmado de pagamentos e estimativas compensadas no anocalendário de 2006 o valor de R$ 30.614.658,19, sendo esta monta, portanto, o saldo negativo a ser considerado nestes autos. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16327.906380/201114 Acórdão n.º 1302001.689 S1C3T2 Fl. 426 9 3. Dos valores atinentes às retenções feitas pelas fontes pagadoras de CNPJ n. 61.632.964/000147 e 62.088.042/000183 Por fim, a recorrente ainda alega no sentido da necessária homologação de direitos creditórios provenientes de retenções de IRRF realizadas por duas fontes pagadoras, quais sejam as referidas sob os CNPJ’s de n. 61.632.964/000147 e 62.088.042/000183. Entretanto, devese destacar que tal direito creditório não foi alvo de impugnação em sede da Manifestação de Inconformidade inicialmente interposta pela ora recorrente, sendo, pois, alheia à matéria delimitada naquela ocasião. Assim, tendo em vista os fundamentos expostos em item 1 do presente voto, no que se refere à delimitação da matéria controvertida, deixo de conhecer das alegações tecidas pela recorrente nesse ponto em especial, posto que tais alegações fogem à matéria controvertida versada nos presentes autos, a qual, repitase, deve se restringir àquela impugnada em sede da Manifestação de Inconformidade. 4. Da Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido da dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório da recorrente, com exceção das retenções de IRRF não comprovadas. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator Fl. 430DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO
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Numero do processo: 11128.002897/2007-71
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/04/2002
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ACORDO ALADI. REDUÇÃO TARIFÁRIA. EXPEDIÇÃO DIRETA.
Não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante e, quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, há que se reconhecer o cabimento do benefício do direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior. Precedentes.
Numero da decisão: 3803-005.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. O conselheiro Corintho Oliveira Machado votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis e Demes Brito, que negavam provimento. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Ana Paula Mendes Gesing, OAB-DF 39.387.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/04/2002 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ACORDO ALADI. REDUÇÃO TARIFÁRIA. EXPEDIÇÃO DIRETA. Não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante e, quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, há que se reconhecer o cabimento do benefício do direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior. Precedentes.
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ACORDO ALADI. REDUÇÃO TARIFÁRIA. EXPEDIÇÃO DIRETA. Não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante e, quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, há que se reconhecer o cabimento do benefício do direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior. Precedentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. O conselheiro Corintho Oliveira Machado votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis e Demes Brito, que negavam provimento. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Ana Paula Mendes Gesing, OABDF 39.387. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 28 97 /2 00 7- 71 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. Relatório A contribuinte protocolou junto à Inspetoria da Alfândega de Santos Pedido de Reconhecimento de Crédito Tributário e Restituição, com fulcro no art. 2º e seguintes da IN SRF nº 600/05. Desse pedido consta: Informações acerca da incorporação da PANASONIC DO BRASIL LTDA pela sucessora PANASONIC DO BRASIL LIMITADA (atual denominação de PANASONIC DA AMAZÔNIA S.A.); Que importou mercadorias produzidas no México, que posteriormente foram enviadas para os EUA, onde embarcaram para o Brasil ao amparo da DI nº 02/03274614, em operação de comercialização internacional, havendo as mesmas sido desembaraçadas na Alfândega de Santos em 15/04/2002. Que o México é país signatário da ALADI e, por tal razão, faz jus à redução de 20% sobre a alíquota normal do imposto de importação, independentemente da localização geográfica do exportador, no caso os EUA. Que no ato de registro da DI no SISCOMEX o reconhecimento da redução da alíquota de imposto de importação não foi possível, pois esse sistema de processamento de dados administrado pela SRF e SECEX, somente admite a aplicação de redução tarifária da ALADI nos casos em que o exportador esteja localizado em país membro da referida Associação, contrariando, assim, o sistema jurídico vigente, que permite a realização da operação praticada. Que o preenchimento dos campos da referida DI no SISCOMEX foi realizado nos termos seguintes: “Exportador Nome: AMAC CORPORATION País: ESTADOS UNIDOS. E Fabricante/Produtor Nome: KYUSHU MATSUSHITA DE BAJA CALIFÓRNIA País: MÉXICO. Que em razão do exposto foi compelida ao recolhimento integral do imposto de importação (débito automático em conta corrente), eis que o SISCOMEX não reconhece o seu direito, que pode ser devidamente comprovado mediante a apresentação do certificado de origem. Nas razões de direito aduziu pela expressa previsão para a realização da operação de importação e da redução tarifária nos moldes referenciados (Decretos nºs 90782/85 e 98.874/90 – redução de 20% por parte do país exportador), ex vi da Resolução nº Fl. 303DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.002897/200771 Acórdão n.º 3803005.995 S3TE03 Fl. 9 3 252 do Comitê de Representantes da ALADI, cuja regulamentação no Brasil deuse com a edição do Decreto nº 3.325/99, DOU de 31/12/1999. A contribuinte também formulou consulta à COANA acerca do preenchimento da DI para fruição de benefício de preferência tarifária, obtendo a orientação adequada nesse sentido, por meio do Ofício nº 2006/00263 – COANA, CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira, bem assim o reconhecimento, em tese, de que houve o cumprimento da expedição direta, em realização de operação de importação de mercadorias já descrita (fls. 75/78). A contribuinte formalizou o Pedido de Retificação de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito de R$ 31.512,07 (fls.1), havendo o pedido sido indeferido através de Despacho Decisório nº 138/2011, da lavra do Grupo de Restituição e Parcelamento – GRESP (fls. 176/177), sob a alegação de que as mercadorias produzidas no México foram transacionadas com empresa sediada nos EUA, conforme fatura comercial TO476, doc de fl., foram descarregadas em solo americano em 15/03/2002 (doc. F..) e, no dia 20/03/2002 foi emitida a fatura comercial PC06478(fls 22/24) pela AMAC CORPORATION, empresa sediada nos EUA, em favor da interessada, PANACONIC DO BRASIL LTDA, sendo as mercadorias embarcadas para o Brasil em 26/03/2002, procedentes de Houston (EUA), conforme conhecimento de Embarque (BL) de fls., portanto a mercadoria foi, no seu entender, faturada por operador de terceiro país, não integrante da ALADI (EUA), conforme atesta o Certificado de Origem em questão. Em face do pedido de restituição de Imposto de Importação formalizado pela contribuinte foi exarado o Despacho Decisório de nº 161/20111 pelo Servido de Orientação e Análise Tributária da Alfândega no Porto de Santos (fls. 135/137), que indeferiu o pleito, eis que a interessada não logrou atender as condições elencadas na alínea ‘b’ do item quatro do art. 1º, da Resolução ALADI nº 252, em especial as constantes nos incisos ‘i’ e ‘ii’, já que as mercadorias não transitaram pelo território dos EUA por motivos geográficos ou por requerimentos de transporte e estavam destinadas a comércio por empresa sediada naquele país. Inconformado o sujeito passivo interpôs a sua manifestação de inconformidade (fls.237/243 ), protestando que o único fundamento para o indeferimento da restituição é o fato das mercadorias originárias do México terem transitado pelos Estados Unidos antes de serem remetidas ao Brasil; bem assim que o procedimento adotado pela Impugnante não feriu nenhuma disposição do acordo firmado no âmbito da ALADI, devendo tal despacho ser reformado, reiterando, ademais, as razões de fato e de direito aduzidas no pedido de reconhecimento de crédito (fls. 188/189 ), para requer a declaração de ineficácia do referido despacho, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e a restituição do indébito. Há o reconhecimento do direito creditório, por meio do contido no Despacho Decisório DRF/SOROCABA/SEORT nº 538, de 19/08/2010, que deferiu o pedido anteriormente formulado pela contribuinte nos autos do processo administrativo nº 10855.003858/200894 (fls. 174/175), a título de precedente. Conclusos foram os autos submetidos ao pronunciamento da 1ª Turma da DRJ/SP2, que por através do Acórdão nº 1757.872, de 27/02/2002 (fls.) proferiu decisão, cuja ementa transcrevese adiante. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 15/04/2002 Solicitação de RECONHECIMENTO DO CREDITO TRIBUTÁRIO, em virtude de mercadoria produzida no México, país integrante da ALADI, pleiteando o direito à redução do Imposto de Importação de 20% sobre a alíquota normal. A alínea b), do item quatro, do artigo 19, do DECRETO n° 3.325 de 31/12/199 DOU 31/12/1999, impõe três condições simultâneas para que se contemplem a redução do Imposto. A interessada não logrou êxito em justificar que a mercadoria transitou pelos Estados Unidos da América do Norte por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. O entendimento vazado na decisão em comento segue a mesma linha daquele profligado no Despacho Decisório nº 138/2011, da lavra do Grupo de Restituição e Parcelamento – GRESP (fls. 149/150), de que a mercadoria em questão foi faturada por operador de terceiro país, não integrante da ALADI (EUA), e que não foram atendidas as condições elencadas na alínea ‘b’ do item quatro do artigo 1º da Resolução ALADI nº 252, em especial as constantes nos incisos “I” e “II”, já que as mercadorias não transitaram pelo território dos EUA por motivos geográficos ou por requerimento de transporte e estavam destinadas a comércio por empresa sediada naquele país. Acerca da Decisão nº 203, proferida pela Divisão de Tributação da 8ª RF, pautouse o entendimento exarado no acórdão suso mencionado, que a mesma se refere a INTERMEDIAÇÃO DE EMPRESA DE TERCEIRO PAÍS NÃO MEMBRO DA ASSOCIAÇÃO, não refletindo a situação em comento, ou seja, mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes. Além disso, não faz qualquer concessão quanto às exigências solicitadas pelo artigo 19, do DECRETO n° 3.325 de 31/12/199 DOU 31/12/1999. No que atine às duas decisões proferidas na instância superior administrativa e colacionadas aos autos pela interessada, o voto condutor assinalou que ambas possuem o mesmo teor e, em que pese o respeito ao entendimento esposado e suas razões, não é essa a conclusão que se depreende das exigências da alínea b), do item quatro, do artigo 19, do DECRETO n° 3.325 de 31/12/199 DOU 31/12/1999. É explicita a exigência de que as únicas justificativas para trânsito por um ou mais países não participantes são por motivos geográficos ou por requerimentos de transporte e estavam destinadas a comércio por empresa sediada naquele país, o que a interessada não comprovou. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 18/04/2011 e protocolou o seu recurso voluntário na DRF em Campinas/SP, em 04/05/2012, reiterando as mesmas razões de fato e de direito expendidas na exordial, entretanto de maneira pormenorizada, haja vista que a operação de importação foi realizada nos moldes da Resolução nº 252, art. 1º, item quatro, alínea ‘b’, “I” e “II” e item nono, do Comitê de Representantes da ALADI, ex vi do Decreto nº 3.325/99, DOU de 31/12/99. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.002897/200771 Acórdão n.º 3803005.995 S3TE03 Fl. 10 5 Aduziu, inclusive, que no âmbito da ALADI admitese que a mercadoria produzida em um determinado País (ex: México) seja embarcada para o Brasil com trânsito em terceiro País que não seja membro da referida associação (ex: Estados Unidos), devendo, nesta situação, indicar no campo “observações” do Certificado de Origem que a mercadoria será faturada por terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do exportador (“que em definitivo será o que fature a operação a destino”). Persiste na defesa de que o trânsito das mercadorias por território de país não membro da ALADI se deu por conveniência geográfica, implicando inclusive em redução de custos operacionais; que apesar de o México ter acesso ao Oceano Atlântico, como consignado na decisão recorrida, o Porto de Houston oferece condições infinitamente melhores que os portos mexicanos com saída para esse oceano. Ressalta que se trata de uma questão de logística, em razão de maior facilidade e conveniência, motivos o bastante para todas as empresas do mesmo grupo adotar esse caminho para o transporte das mercadorias: México – EUA – Brasil, sem que haja qualquer benefício outro para a Recorrente. Tanto é assim que a própria documentação já indicava o destinatário final. Enfatizou a Recorrente que a eventual falta de justificativa para a operação ter como etapa os EUA antes do destino final (Brasil), alegada no acórdão combatido, não serve como referência para a mitigação do direito creditório, ora pleiteado, pois toda a documentação que acompanhava a DI, já anexada ao pedido de restituição, faz prova do direito a redução tarifária que, não foi concedida no desembaraço por exclusiva impossibilidade técnica do próprio SISCOMEX, inclusive o doc. 10 anexo ao pedido de restituição que menciona como destino final das mercadorias a PANASONIC DO BRAZIL LTDA, restando demonstrado portanto, que desde a entrada das mercadorias nos EUA já havia a consignação de que seu destino final seria o Brasil. Consubstanciou o alegado mencionando a Decisão nº 203, DOU de 15/09/1999, proferida pela Divisão de Tributação da 8ª Região Fiscal, que foi ratificada pelo Ofício nº 2006/00263 da COANA, além de jurisprudência administrativa na qual é parte interessada, por meio dos Acórdãos nº CSRF/0304.584 (11128.000691/0050) e CSRF/03 04.585 (11128.000687/0082), cuja ementa se reproduz: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO – PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – ACORDO ALADI – REDUÇÃO TARIFÁRIA – TRIANGULAÇÃO – não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante, por inteligência do art. 4º, alínea ‘b’, e seus itens, do Regime Geral de Origem, da Resolução 78, firmado entre o Brasil e a Associação Latino americana de Integração – ALADI, aprovado pelo Decreto nº 98.874/90. Recurso especial provido. Cumpridas as exigências requer o provimento do recurso e a declaração de nulidade do acórdão recorrido pelo cerceamento do direito de defesa. É o relatório. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A querela devolvida a este Colegiado resumese ao atendimento ou não das condições elencadas na Resolução ALADI nº 252, para fazer jus ao beneplácito da redução em 20% da tarifação do imposto de importação, na operação realizada. A questão inaugural pelo ponto de vista de elemento material de prova restringese à verificação da origem da mercadoria, do local de embarque e do seu destino final. O Certificado de Origem informa como: PAIS EXPORTADOR ESTADOS UNIDOS MEXICANOS PAIS IMPORTADOR BRASIL, além da norma que dá amparo à operação de importação com direito a fruição de redução da alíquota (fl.). No mesmo sentido o documento de fl., denominado: “TRANSPORTATION ENTRY AND MANIFESTO OF GOODS SUBJECT TO CUSTOMS INSPECTION AND PERMIT UNITED STATES CUSTOMS SERVICE”, informa que a mercadoria ali registrada foi importada do México, em 19/12/01, por meio de caminhão, via direta, tendo por porto estrangeiro de embarque BAJA CALIFORNIA e como destino final SÃO SEBASTIÃO, PANASONIC DO BRASIL LTDA, Rodovia Presidente Dutra, KM 155, Brasil. Igualmente a fatura, o BILL OF LADIN (fl.), informa que o local de recebimento da mercadoria como sendo TIJUANA, México, o porto de embarque como sendo HOUSTON e de desembarque como sendo o Porto de Santos. Do ponto de vista da legislação temse que o Decreto nº 3.325/99, DOU de 31/12/99, dispõe sobre a execução da Resolução nº 252, do Comitê de Representantes da ALADI. Assim dispõe o art. 1º dessa Resolução: Art. 1º. A Resolução nº 252, que aprova o texto consolidado e ordenado da Resolução nº 78, do Comitê de Representantes da Associação Latinoamericana de Integração, apensa por cópia a este Decreto, deverá ser executada e cumprida tão inteiramente como nela se contem. Por sua vez o item quarto dessa Resolução estabelece: Quarto – Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para tais efeitos, considerase com expedição direta: (...); Fl. 307DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.002897/200771 Acórdão n.º 3803005.995 S3TE03 Fl. 11 7 As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte; não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; não sofram, durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação. Finalmente, o item nono do mesmo normativo assim registra: Nono. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. Do exposto é possível se fazer as seguintes inferências: (i) As mercadorias importadas sob o amparo da DI nº 02/03274614, de 15/04/2002, efetivamente tiveram como origem o País do México, transitaram pelos EUA, e tiveram como destino final o Brasil; (ii) A operação de importação em comento seguiu de acordo com as orientações contidas no item ‘b’ e alíneas ‘i’ e ‘ii’ do artigo 1º da Resolução nº 252; Em razão do tipo de operação de importação por ela realizada, a Recorrente alegou que teria direito à redução do imposto de importação de 20% sobre a alíquota normal, bem assim que por ocasião do registro da DI no SISCOMEX, o referido sistema não reconheceu esse direito. O imbróglio ensejou a realização de consulta pela ora Recorrente formulada à SRF sob o protocolo nº 3633/2006, em 27/07/06, sobre o preenchimento de declaração de importação para fruição de benefício de preferência tarifária. Tais assertivas constam do Of. nº 2006/00263, de 06/10/06, expedido pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira, cujos itens 5 a 12 explicitam que houve o cumprimento da expedição direta para as mercadorias em comento, como também o contido no item 13 esclarece sobre o preenchimento da DI para fim de fruição do benefício de preferência tarifária, ex vi do Anexo I da IN SRF nº 206/02, art. 10 (fls.). Fl. 308DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Seguindo a orientação contida no ofício suso mencionado a Recorrente protocolou na unidade preparadora o Pedido de Cancelamento ou de Retificação de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito no valor de R$ 31.512,07 (fls.1). A título de precedente há o pedido de reconhecimento de direito creditório formulado pela Recorrente nos autos do processo nº 10855.003858/200894, o qual foi deferido por meio do Despacho Decisório DRF/SOR/SEORT nº 538, de 19/08/10 (fls. 174/175), que reconheceu o direito creditório no valor de R$ 23.622,41, relativo ao imposto de importação. Ainda em Relação ao tema a Recorrente trouxe à baila a Decisão nº 203, DOU de 15/09/99, proferida pela Divisão de Tributação da 8ª Região Fiscal, como também jurisprudência administrativa, na qual é parte interessada, com vistas à consubstanciar os seus argumentos. Ora, há o reconhecimento expresso pelos órgãos oficiais, seja no âmbito regional ou nacional, de que na importação de mercadorias, nas condições supramencionadas, devem as mesmas se beneficiar de alíquotas preferenciais por atender os requisitos previstos na Resolução 252 do Comitê de Representantes da ALADI. Ressaltese que o Despacho Decisório nº 138/2011, apenas analisou os mesmos documentos colacionados aos autos e concluiu que as mercadorias não podem ser beneficiadas com a redução pretendida, pois supostamente foram transacionadas com uma empresa sediada nos EUA, mediante fatura comercial TO 476, foram descarregadas em solo americano em 15/03/2002 e depois foi emitida fatura comercial PC06478 (fls.), ou seja, em razão da mercadoria haver sido faturada por operador em terceiro país, não integrante da ALADI. Data vênia, consoante o disposto na legislação pertinente já mencionada, não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante e, quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, há que se reconhecer o cabimento do benefício d o direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior. São precedentes o Acórdão CSRF/0304.584 e CSRF/0304.585, mencionados pela Recorrente. Ante todo o exposto oriento meu voto para dar provimento ao recurso interposto. É assim que voto. Sala de Sessões, em de fevereiro de 2014. Jorge Victor Rodrigues – Relator Fl. 309DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.002897/200771 Acórdão n.º 3803005.995 S3TE03 Fl. 12 9 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10630.902487/2011-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
COFINS. CRÉDITOS. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA. POSSIBILIDADE.
Não existe previsão legal para que a autoridade administrativa seccione o processo produtivo da empresa agroindustrial, separando a produção da matéria-prima (toras de eucalipto) da fabricação de celulose, com o fim de rejeitar os créditos apropriados na primeira etapa da produção. Os art. 3º, inc. II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 permitem o creditamento relativo aos insumos aplicados na produção ou fabricação de bens destinados a venda.
COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO.
A legislação do PIS/Cofins atribuiu conceito próprio de insumos para o fim de aproveitamento dos créditos da não cumulatividade. Este conceito não é tão restritivo quanto o da legislação do IPI e nem tão amplo quanto à legislação do imposto de renda.
COFINS/PIS. CRÉDITOS. VINCULAÇÃO AO PROCESSO PRODUTIVO.
Pode se apropriar de créditos do PIS/Cofins em relação aos insumos diretamente ligados e correlacionados ao processo produtivo, nos termos das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditário Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3301-002.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (relator) e Fábia Regina Freitas, que proviam o recurso em maior extensão. Designado redator o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Ausente justificadamente a conselheira Maria Teresa Martinez Lopez.
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
Antônio Lisboa Cardoso - Relator
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal (redator), Fabia Regina Freitas, Maria Teresa Martinez Lopes e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COFINS. CRÉDITOS. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA. POSSIBILIDADE. Não existe previsão legal para que a autoridade administrativa seccione o processo produtivo da empresa agroindustrial, separando a produção da matéria-prima (toras de eucalipto) da fabricação de celulose, com o fim de rejeitar os créditos apropriados na primeira etapa da produção. Os art. 3º, inc. II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 permitem o creditamento relativo aos insumos aplicados na produção ou fabricação de bens destinados a venda. COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. A legislação do PIS/Cofins atribuiu conceito próprio de insumos para o fim de aproveitamento dos créditos da não cumulatividade. Este conceito não é tão restritivo quanto o da legislação do IPI e nem tão amplo quanto à legislação do imposto de renda. COFINS/PIS. CRÉDITOS. VINCULAÇÃO AO PROCESSO PRODUTIVO. Pode se apropriar de créditos do PIS/Cofins em relação aos insumos diretamente ligados e correlacionados ao processo produtivo, nos termos das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditário Reconhecido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (relator) e Fábia Regina Freitas, que proviam o recurso em maior extensão. Designado redator o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Ausente justificadamente a conselheira Maria Teresa Martinez Lopez. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso - Relator Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal (redator), Fabia Regina Freitas, Maria Teresa Martinez Lopes e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
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CRÉDITOS. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO DE MATÉRIAPRIMA. POSSIBILIDADE. Não existe previsão legal para que a autoridade administrativa seccione o processo produtivo da empresa agroindustrial, separando a produção da matériaprima (toras de eucalipto) da fabricação de celulose, com o fim de rejeitar os créditos apropriados na primeira etapa da produção. Os art. 3º, inc. II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 permitem o creditamento relativo aos insumos aplicados na produção ou fabricação de bens destinados a venda. COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. A legislação do PIS/Cofins atribuiu conceito próprio de insumos para o fim de aproveitamento dos créditos da não cumulatividade. Este conceito não é tão restritivo quanto o da legislação do IPI e nem tão amplo quanto à legislação do imposto de renda. COFINS/PIS. CRÉDITOS. VINCULAÇÃO AO PROCESSO PRODUTIVO. Pode se apropriar de créditos do PIS/Cofins em relação aos insumos diretamente ligados e correlacionados ao processo produtivo, nos termos das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditário Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 90 24 87 /2 01 1- 65 Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902487/201165 Acórdão n.º 3301002.270 S3C3T1 Fl. 1.008 2 Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (relator) e Fábia Regina Freitas, que proviam o recurso em maior extensão. Designado redator o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Ausente justificadamente a conselheira Maria Teresa Martinez Lopez. Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal (redator), Fabia Regina Freitas, Maria Teresa Martinez Lopes e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902487/201165 Acórdão n.º 3301002.270 S3C3T1 Fl. 1.009 3 Relatório Cuidase de recurso em face da decisão da DRJ de Juiz de Fora (MG) que julgou improcedente a manifestação e inconformidade, indeferindo o pedido de ressarcimento de créditos da Cofins, do período de apuração do primeiro trimestre de 2008, em razão da glosa dos créditos apurados na sistemática da nãocumulatividade, conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COFINS. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. Somente gera direito ao crédito da contribuição nãocumulativa a aquisição de bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. Por expressa vedação legal, não incide correção monetária e juros sobre créditos de COFINS objeto de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. A decisão recorrida foi entregue à Recorrente em 03/10/2012 (AR – fl. 769), sendo interposto o recurso voluntário de fls. 772 e seguintes, em 01/11/2012, aduzindo, em síntese, que as glosas mantidas pela DRJ se referem aos seguintes itens: a) Custos incorridos na aquisição de serviços, peças e partes de reposição, destinadas à manutenção de máquinas, equipamentos e veículos empregados diretamente no processo produtivo da celulose; b) Serviços utilizados como insumos no processo produtivo da celulose (aquisição de serviços de engenharia, terraplanagem, topografia, silvicultura, viveiro, abertura e conservação de estradas e congêneres); c) Custos e despesas de frete na produção de celulose na fábrica (transporte de madeira de eucalipto, matériaprima, de produção própria para a produção de celulose, e; d) Custos e despesas na aquisição de serviços, peças e partes de reposição destinadas à manutenção de máquinas utilizadas no tratamento de efluentes. Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902487/201165 Acórdão n.º 3301002.270 S3C3T1 Fl. 1.010 4 Segundo a interpretação da decisão recorrida, o termo insumo não pode ser interpretado como toda e qualquer aquisição da empresa, mas somente aqueles bens que sejam diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto (e que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação) ou os serviços que sejam aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. O fato é que a Lei nº 10.833/2003, ao falar em insumos utilizados "na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda", criou uma delimitação estrita, vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta no processo produtivo do bem ou produto destinado à venda (conceito jurídico de insumos), não permitindo, assim, que todos os ônus que uma pessoa jurídica tem para a consecução de sua atividade fim sejam considerados como insumos (conceito contábil ou econômico de insumos). Assim, não se pode dizer que a Instrução Normativa SRF no 404/2004 tenha extrapolado seus limites legais, criando ou definindo limitações ao uso e gozo de créditos da contribuição, pois essa é uma limitação decorrente da própria Lei, pois o artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, já transcrito, define os limites dos créditos a serem aproveitados, deixando claro o escopo dos mesmos, ou seja, os bens e serviços utilizados diretamente no processo produtivo do bem ou produto destinado à venda. Concluiu a decisão recorrida não haver como se calcular créditos sobre insumos gastos para a produção da própria matéria prima, uma vez que não são produtos destinados à venda, mas sim ao próprio consumo. Desta forma não foram consideradas na base de cálculo dos créditos de PIS e Cofins as aquisições/entradas de itens utilizados nas atividades desenvolvidas nos viveiros de mudas de eucalipto, no manejo das plantações de eucalipto, no tratamento de efluentes, na manutenção de máquinas utilizadas em plantações, na manutenção de veículos de transportes internos (empilhadeiras e tratores) ou externo (caminhões e tratores), bem assim os gastos com transporte de madeira de produção própria (classificados como “Frete produção celulose fábrica”). Os itens glosados, com respectivos valores e notas fiscais, estão discriminados nos anexos deste relatório.” Em relação aos serviços de terraplanagem, topografia e silvicultura, utilizados como insumo pela Recorrente na etapa do processo produtivo que se destina ao plantio, manutenção e colheita das florestas de eucalipto, principal insumo da produção de celulose, diz que a Fiscalização entendeu que esses serviços “devem ser classificados no ativo imobilizado e, dessa forma, os créditos calculados sob a tais dispêndios devem ser determinados mediante a aplicação das alíquotas previstas nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 sobre os encargos de depreciação e amortização incorridos no mês”. Cientificada em 03/10/2012 (“AR” fl. 769), foi interposto o recurso voluntário de fls. 772 e seguintes, em 01/11/2012, onde em síntese, reitera as alegações constantes de sua manifestação de inconformidade, na qual o contribuinte questiona, em cada item abordado, relativo a cada uma das glosas efetuadas, basicamente a conceituação de insumo adotada pela Receita Federal, alegando que não somente os créditos dos insumos (matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem e outros) empregados diretamente no processo produtivo dos produtos exportados podem ser ressarcidos, mas todas as despesas necessárias ao auferimento da receita de exportação (art. 3º, art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/2003). Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902487/201165 Acórdão n.º 3301002.270 S3C3T1 Fl. 1.011 5 Aduz que, a vinculação do custo e da despesa com a receita de exportação não guarda relação exclusivamente com o processo produtivo. Os custos e as despesas podem ser incorridos antes ou após ser realizada a produção do bem exportado. Assim, pleiteia todos os créditos decorrentes de custo ou despesas incorridas na produção e na venda do produto exportado, alegando que todos os serviços e bens glosados estão diretamente ligados ao seu processo produtivo, visto que sem os referidos bens e serviços, não haveria produção. Diz ainda que, nos termos da legislação ordinária, o que se deve perquirir ainda, em relação aos serviços utilizados como insumo, é se os mesmos estão inseridos no processo produtivo do contribuinte, cuja linha de produção compreende todo o processo, desde o plantio e extração da madeira até a sua transformação em celulose. Em favor de sua tese cita a Solução de Consulta nº 176, de 2007, que reconheceu que reconheceu o direito de crédito em relação aos serviços de corte e descasque de árvores, por serem aplicados na fabricação de seus produtos, bem como o serviços de baldeio de toras (transporte do local de corte até à estrada), desde que prestados por pessoa jurídica domiciliada no País. Igualmente previsto no art. 66, I, “b”, da IN SRF nº 247/2002, desde que vinculados à receita de exportação. Em relação aos créditos sobre custos e despesas de tratamento de efluente (água e biológico), afirma que esses serviços são destinados à manutenção de equipamentos utilizados no processo produtivo da manifestante, conforme autoriza o art. 6º, § 1º, da Lei nº 10.833/2003 (vinculados à exportação). Cita ainda o Acórdão nº330100662, julgado por este colegiado na sessão de 26 de agosto de 2010, o qual reconheceu o direito de crédito em relação a valores incorridos com os serviços de terraplanagem, topografia, silvicultora, viveiro, preparo de terras, aquisição de sementes, plantio, abertura e conservação de estradas das florestas de eucalipto (processo nº 10630.001063/200533), sustentando não ser possível a utilização do conceito de insumo empregado na legislação do IPI ou do ICMS, para a apuração dos créditos de PIS/PASEP e Cofins na sistemática não cumulativa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/2005 A 30/09/2005 PIS NÃO CUMULATIVO. DEPRECIAÇÃO. Ainda que não caiba ao fisco realizar a recomposição de lançamentos contábilfiscais, os quais deveriam ter sido efetuados observandose as normas que regem a matéria, por se tratar de um cálculo menos complexo, neste caso, excepcionalmente, com fulcro nos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da vedação ao enriquecimento sem causa, uma vez que fora solicitado, deve ser concedido à contribuinte o direito ao creditamento do PISs decorrente da aquisição de partes e peças destinadas a máquinas e equipamentos do ativo imobilizado à proporção de 1/48. PIS NÃO CUMULATIVO. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS. Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902487/201165 Acórdão n.º 3301002.270 S3C3T1 Fl. 1.012 6 os pagamentos referentes à aquisição de serviços de terraplanagem, topografia e outros, bem assim, a locação de máquinas, equipamentos e veículos conferem direito a créditos do PIS, porque esses serviços são aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens destinados à venda, em consonância com o disposto na solução de consulta SRRF10 DISIT Nº 04/07. PIS NÃO CUMULATIVO. ENERGIA ELÉTRICA. CREDITAMENTO. Deve ser reconhecido o direito ao crédito referente à energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, consoante notas fiscais apresentadas, visto que somente no período de dezembro de 2002 a janeiro de 2003, vigeu a restrição ao creditamento na utilização desta energia na condição de insumo, consoante ADI SRF Nº 2/03, ART. 3º, II, e relação ao PIS. PIS NÃO CUMULATIVO. ARMAZENAGEM. As notas fiscais de serviços de armazenagens de mercadorias devem explicitar claramente esta condição, de modo a possibilitar o seu creditamento. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito da contribuinte ao creditamento do PIS decorrente: a) da aquisição de partes e peças destinadas a máquinas e equipamentos do ativo imobilizado à proporção de 1/48 nos referidos CFOP 1406, 1551 e 2551; b) dos serviços de terraplanagem, topografia, silvicultura, viveiro, preparo de terras, aquisição de sementes, plantio, abertura e conservação de estradas das florestas de eucalipto da recorrente; c) das locações de máquinas, equipamentos e veículos utilizados na atividade da recorrente; e d) da energia elétrica consumida nos estabelecimentos em conformidade com as notas fiscais/contas de energia elétrica acostadas aos presentes autos. Vencido o conselheiro José Adão Vitorino de Morais nos itens a, b e c. Ao final junta cópia de contratos de prestação de serviços firmados com diversas empresas e requer seja julgado procedente o recurso. Com base no entendimento acima exposto, o interessado contesta as glosas efetuadas relativas a créditos sobre: a) da totalidade dos custos incorridos na aquisição de serviços, peças e partes de reposição, destinadas à manutenção de máquinas, equipamentos e veículos empregados diretamente no processo produtivo da celulose; b) serviços utilizados como insumos no processo produtivo da celulose (aquisições de serviços de engenharia, terraplanagem, topografia, silvicultura, viveiro, abertura e conservação de estradas e congêneres); c) custos e despesas de frete na produção de celulose na fábrica (transporte de madeira de eucalipto (matériaprima) de produção própria para a produção de celulose); e d) custos e despesas na aquisição de serviços, peças e partes de reposição, destinados à manutenção de máquinas utilizadas no tratamento de efluentes. Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902487/201165 Acórdão n.º 3301002.270 S3C3T1 Fl. 1.013 7 É o relatório. Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902487/201165 Acórdão n.º 3301002.270 S3C3T1 Fl. 1.014 8 Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais, devendo o mesmos ser conhecido. Todas as regras destinadas tanto à incidência das Contribuições ao PIS/PASEP e à Cofins, bem como às hipóteses que ensejam o direito aos créditos decorrentes da nãocumulatividade, se encontram fundamentadas nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, cujos principais dispositivos são a seguir reproduzidos: LEI No 10.637, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2002. Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Produção de efeito (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput.(Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902487/201165 Acórdão n.º 3301002.270 S3C3T1 Fl. 1.015 9 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) [..] § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902487/201165 Acórdão n.º 3301002.270 S3C3T1 Fl. 1.016 10 serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: Produção de efeito I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. LEI No 10.833, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2003. Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902487/201165 Acórdão n.º 3301002.270 S3C3T1 Fl. 1.017 11 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902487/201165 Acórdão n.º 3301002.270 S3C3T1 Fl. 1.018 12 X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. [...] § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902487/201165 Acórdão n.º 3301002.270 S3C3T1 Fl. 1.019 13 aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (Produção de efeito) I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Desta forma, tanto em relação ao PIS/Pasep como à Cofins, as mencionadas leis determinam a hipótese de incidência, as exclusões, bem como os custos e despesas capazes de gerar crédito, ainda que não sejam exaustivamente enumerados, esta é a essência da não cumulatividade aplicável apenas às empresas que apurem o imposto de renda com base no lucro real. Essa rememoração foi necessária, porque a Recorrente alega em seu recurso, duas hipóteses e formas distintas para o cálculo dos créditos de PIS e Cofins, segundo a mesma, a lei limitou as situações que geram crédito, no caso, venda para o mercado interno, Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902487/201165 Acórdão n.º 3301002.270 S3C3T1 Fl. 1.020 14 sendo que, as vendas destinadas ao mercado externo, além de não sofrerem qualquer incidência, concedem créditos sobre todos os custos e despesas incorridos, sem qualquer limitação, o que veremos, a seguir, não ser possível. A decisão recorrida assim enfrentou essa questão (fls. 702 dos autos eletrônico) “(...) (...)” Os artigos 3º, incisos II, das mencionadas leis, determinam que “do valor apurado na forma do art. 2º, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação à: I ...; II – bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda...” Por sua vez, ambos os artigos 5º, § 1º e 6º, §1º, respectivamente das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, além de estabelecer que as contribuições não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportações de mercadorias e/ou serviços para o exterior, asseguram ainda o direito ao aproveitamento de crédito “...apurado na forma do art. 3º”. Logo, não existem duas formas de cálculo, em ambos os casos, vendas para o mercado interno e também para o mercado externo, os créditos são apurados sempre de uma mesma forma (art. 3º), ou seja, sobre os insumos (II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes,...). Resta identificar nos autos, se os créditos destinados ao mercado interno e externo, conforme o caso, foram apropriados adequadamente pela Recorrente. Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902487/201165 Acórdão n.º 3301002.270 S3C3T1 Fl. 1.021 15 Analisando o texto abaixo da decisão recorrida, os créditos apontados pela Recorrente como vinculados à receita de exportação, foram glosados pela Fiscalização por entender que os mesmos são concernentes à produção de celulose (fibra branqueada de celulose), enquanto os créditos pleiteados se referem de fato à florestamento e reflorestamento: Em que pese o seu objeto social, como dito acima, referirse a diversas atividades como, dentre outras, a produção e comercialização de celulose e seus derivados e serviços de florestamento e reflorestamento, os créditos solicitados, referentes à exportação, são concernentes à produção de celulose (fibra branqueada de celulose). Dessa forma, a maneira como o contribuinte estrutura a sua cadeia produtiva impactará diretamente nos créditos a que tem direito, isto porque caso a atividade de “florestamento e reflorestamento” seja desenvolvida como forma de prestação de serviços a terceiros, seus custos podem ser considerados como insumos aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Contudo, tais créditos não poderão ser objetos de ressarcimento, haja vista não terem relação com a receita de exportação. Por outro lado, caso a atividade de “florestamento e reflorestamento” tenha como objetivo único produzir a matéria prima a ser empregada na produção de “fibra branqueada de celulose”, outra deve ser a ótica da análise. Por isso concluiu não ser possível “se calcular créditos sobre insumos gastos para a produção da própria matéria prima, uma vez que não são produtos destinados à venda, mas sim ao próprio consumo”. Todavia, assim como não há uma distinção entre os critérios destinados ao cálculo dos créditos decorrentes de venda para o mercado interno ou externo, já que ambas as situações estão condicionados ao fato de poderem ser considerados insumo, nos termos do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 (e também de acordo com o mesmo dispositivo da Lei nº 10.637/2002), também não há como haver uma segregação entre as atividades da Recorrente relacionadas ao mercado externo e externo e viceversa, já que em qualquer caso será reconhecido ou não o crédito, de acordo com a essencialidade produto ou serviço ou seja, sendo o mesmo insumo, haverá direito ao crédito. Logo, o cerne da questão está centrado no conceito de insumo utilizado pela Fiscalização e pela Recorrente, aquela usou o conceito restrito previsto nas normas internas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF nº 404/2004), enquanto a Recorrente defende interpretação mais ampliada, com base inclusive em decisões deste colendo CARF. Passo então a analisar as glosas promovidas pela Fiscalização e mantidas pela decisão recorrida, que assim dispôs sobre o assunto: a) da totalidade dos custos incorridos na aquisição de serviços, peças e partes de reposição, destinadas à manutenção de máquinas, equipamentos e veículos empregados diretamente no processo produtivo da celulose; Segundo a Recorrente: Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902487/201165 Acórdão n.º 3301002.270 S3C3T1 Fl. 1.022 16 b) serviços utilizados como insumos no processo produtivo da celulose (aquisições de serviços de engenharia, terraplanagem, topografia, silvicultura, viveiro, abertura e conservação de estradas e congêneres); Segundo a Recorrente: Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902487/201165 Acórdão n.º 3301002.270 S3C3T1 Fl. 1.023 17 c) custos e despesas de frete na produção de celulose na fábrica (transporte de madeira de eucalipto (matériaprima) de produção própria para a produção de celulose); e Segundo a Recorrente: Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902487/201165 Acórdão n.º 3301002.270 S3C3T1 Fl. 1.024 18 d) custos e despesas na aquisição de serviços, peças e partes de reposição, destinados à manutenção de máquinas utilizadas no tratamento de efluentes. Segundo a Recorrente: Em relação aos itens “a” e “d”, as glosas dos créditos ocorreram porque a mesma considerou tais bens ou serviços classificados como ativo imobilizado, terem sido utilizados não só na produção de bens destinados à venda, mas também em outras atividades da empresa, como a produção de madeira (matériaprima), tratamento de efluentes e manutenção florestal, ou seja, seriam gastos com a produção de matérias primas para consumo próprio. Segundo a decisão recorrida, os respectivos valores glosados “deverão ser considerados na proporção de 1/48 (um quarenta e oito avos) ao mês, a partir da aquisição, Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902487/201165 Acórdão n.º 3301002.270 S3C3T1 Fl. 1.025 19 referemse às entradas/aquisições que foram classificadas como aplicadas em atividades outras que não a produção de bens destinados à venda, ...” (fl. 682). Assim, mesmo em se tratando de custos que estejam relacionadas às exportações, se submetem ao regramento previsto nos artigos 3º, das Leis 10.837/2002 e 10.833/2003, e arts. 5º, § 1º, art. 6º, § 1º, respectivamente das mesmas leis, as quais asseguram o aproveitamento de crédito que deverá ser “...apurado na forma do art. 3º”. Portanto, os créditos glosados pela decisão recorrida, relativamente aos itens “a” e “d”, (despesas e serviços destinadas à manutenção de bens do ativo permanente), ainda que empregados na produção de bens destinados à exportação, somente ensejam direito ao creditamento de PIS e Cofins, na proporção de 1/48 (um quarenta e oito avos) ao mês, a partir da aquisição. Em relação ao item “b” (serviços utilizados como insumos no processo produtivo da celulose (aquisições de serviços de engenharia, terraplanagem, topografia, silvicultura, viveiro, abertura e conservação de estradas e congêneres); este colegiado teve ocasião de analisar recurso da própria Recorrente (Ac. 330100.662), na sessão de 26 de agosto de 2010, o qual reconheceu o direito de crédito em relação a valores incorridos com os serviços de terraplanagem, topografia, silvicultora, viveiro, preparo de terras, aquisição de sementes, plantio, abertura e conservação de estradas das florestas de eucalipto (processo nº 10630.001063/200533), devendo por isso também ser considerada improcedente as mencionadas glosas, “porque esses serviços são aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens destinados à venda, em consonância com o disposto na solução de consulta SRRF10 DISIT Nº 04/07”. Sobre os custos e despesas de frete na produção de celulose na fábrica (transporte de madeira de eucalipto (matériaprima) de produção própria para a produção de celulose), item “c”, igualmente está contemplado no inciso IX, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento PARCIAL ao recurso. Sala das Sessões, em 26 de março de 2014 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902487/201165 Acórdão n.º 3301002.270 S3C3T1 Fl. 1.026 20 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Com todo o respeito ao voto do ilustre relator, achei meio confuso a forma como inseriu em seu voto as matérias objeto de glosas. Ele seguiu a linha do recurso voluntário separando em quatro linhas os itens de glosa, sendo que no relatório fiscal que efetuou as glosas, fls. 61/88, estas foram separadas em três linhas de assunto. A seguir reproduzo as três linhas de itens glosados, extraídos do citado relatório: 2.2.2 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS (Dacon Ficha 06A/16A_ Linha 02) (...) “não foram consideradas na base de cálculo dos créditos de Pis e Cofins as aquisições/entradas de itens utilizados nas atividades desenvolvidas nos viveiros de mudas de eucalipto, no manejo das plantações de eucalipto, no tratamento de efluentes, na manutenção de máquinas utilizadas em plantações, na manutenção de veículos de transportes internos (empilhadeiras e tratores) ou externo (caminhões e tratores), bem assim os gastos com transporte de madeira de produção própria (classificados como “Frete produção celulose fábrica”). Os itens glosados, com respectivos valores e notas fiscais, estão discriminados nos anexos deste relatório.” (...) 2.2.3 SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS (Dacon Ficha 06A/16A_ Linha 03) (...) “Os valores glosados conforme quadros acima, que se encontram discriminados nos anexos deste Relatório Fiscal, referemse às entradas/aquisições que foram classificadas como aplicadas em atividades outras que não a produção de bens destinados à venda, de acordo com as atividades desenvolvidas pelo contribuinte e citadas anteriormente. Cumpre observar, conforme quadro acima, bem como às referidas folhas, que a glosa de alguns dos valores classificados como aplicados em “Frete produção celulose na fábrica”, “Produção celulose na fábrica” e “Manutenção equipamentos indústria” deveuse ao fato de os mesmos se referirem a “transporte de madeira”, “embarque de celulose” e “inspeção de embarque de celulose”, que, como dito anteriormente, não existe previsão normativa que permita cálculo de créditos sobre tais gastos.” (...) 2.2.9 DESPESAS SOBRE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO (Com base no custo de aquisição) (Dacon – Ficha 06A/16A_ Linha 10) “Os valores a este título informados pelo contribuinte, que são calculados na proporção de 1/12/ ou 1/48 do custo de aquisição do bem, foram detalhados nos memoriais apresentados. Aqueles valores são referentes a 1/12 (para compras a partir de maio de 2008) ou 1/48 (um quarenta e oito avos) do montante acumulado dos bens adquiridos para o ativo imobilizado, bem como dos serviços vinculados aos Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902487/201165 Acórdão n.º 3301002.270 S3C3T1 Fl. 1.027 21 mesmos, acrescidos das aquisições do mês. Estas aquisições estão sintetizadas conforme quadro que segue:” (...) “Pelo todo acima explanado, aqueles créditos calculados com base no custo de aquisição de bens do ativo imobilizado que se referem a bens/serviços que não são, de fato, utilizados na prestação de serviços ou na produção de bens destinados à venda, deverão ser objeto de glosas. Salientase que o entendimento é o mesmo adotado em todo o curso desta análise, o de que sobre as entradas, neste caso sobre os custos de aquisição de imobilizados, utilizadas na produção de matérias prima não é permitido cálculo de créditos de Pis e Cofins, tendo em vista não se tratar de gastos com produtos destinados à venda, mas sim gastos com a produção de matérias prima para consumo próprio.” A fiscalização glosou créditos destas três linhas bem detalhadas no citado relatório fiscal. A linha de raciocínio utilizada pela fiscalização foi separar destes itens, cujos créditos foram apropriados pelo contribuinte, aqueles que eram referentes à produção da matéria prima, no caso a produção de eucalipto para a fabricação de celulose. A fiscalização constatou que o contribuinte exerce a atividade de florestamento e reflorestamento com o único objetivo de produzir a matéria prima (toras de eucaliptos) a serem utilizadas no processo produtivo da celulose a ser exportada. Neste sentido, glosou todos os créditos apropriados na fase de produção da matéria prima por entender que “não são gastos com insumos utilizados na produção de produtos destinados à venda e sim gastos/insumos utilizados na obtenção de matérias primas para o próprio consumo”. Concluiu que não há previsão legal para apropriação destes créditos. Observe que para a análise de apropriação dos créditos a fiscalização seccionou as atividades do contribuinte em fase de produção de matérias primas, não gerando direito ao crédito e fase de industrialização da celulose, dando direito ao crédito. A 3ª Turma Ordinária/4ª Câmara/3ª Seção de Julgamento, analisou esta mesma matéria do mesmo contribuinte no processo nº 10630.902732/201134, Acórdão nº 3403002824, de 27/2/2014, relatoria do Conselheiro Antônio Carlos Atulim. Peço permissão para transcrever parte do voto, utilizandoo como razão de decidir. “Conforme se verifica nos autos, a fiscalização não só adotou o conceito de insumo estabelecido para o IPI, por meio das instruções normativas da Receita Federal; mas também seccionou a atividade do contribuinte em duas etapas: a produção da matériaprima (madeira) e a extração da celulose (produto final industrializado a ser exportado). Ao assim proceder a fiscalização acabou por considerar como "produção" apenas a etapa industrial do processo produtivo, como se estivesse analisando um processo de ressarcimento de IPI, esquecendose de que os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 utilizam os termos "produção" e "fabricação". Os referidos dispositivos legais, ao tratarem do direito de crédito das contribuições no regime nãocumulativo, se referem a bens e serviços utilizados na "produção ou fabricação" de bens ou produtos destinados à venda. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902487/201165 Acórdão n.º 3301002.270 S3C3T1 Fl. 1.028 22 Uma breve consulta ao Dicionário Aurélio permite constatar que os verbos "produzir" e "fabricar" possuem significados distintos. "Produzir" significa "gerar", "dar lugar ao aparecimento de algo", "criar". Por seu turno, o verbo "fabricar" denota "transformar matérias em objetos de uso corrente", "manufaturar", "construir". Ao utilizar verbos com significados diferentes ligados pelo conectivo "ou", os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 asseguraram o direito de crédito em relação aos processos de fabricação; aos processos de produção, que englobam atividades não industriais, e também aos processos produtivos mistos que envolvam aquelas duas atividades das quais resultem um bem ou um serviço que seja destinado à venda. Isto porque a partícula "ou" foi empregada com valor semântico inclusivo. Quisesse o legislador excluir de forma deliberada a a atividade mista (produção e fabricação), teria empregado no art. 3º, II, a expressão "ou...ou" ("ou produção ou fabricação"). No caso concreto, o contribuinte exerce as duas atividades: produz sua própria matériaprima (produção de madeira) e extrai a celulose da matériaprima (fabricação) por meio do processo industrial descrito nos recursos apresentados neste processo. Tendo em vista que a lei contemplou com o direito de crédito os contribuintes que exerçam as duas atividades, concluise, a partir da interpretação literal dos textos dos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que não há respaldo legal para expurgar dos cálculos do crédito os custos incorridos na fase agrícola (produção da madeira), sob argumento de que esta fase culmina na produção de bem para consumo próprio. Em outra linha de argumentação, é bom lembrar que o art. 22A da Lei nº 8.212/91, introduzido pelo art. 1º da Lei nº 10.256/01, estabeleceu que para o fim de incidência da contribuição previdenciária, "agroindústria" é definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros. Versando este processo sobre créditos de contribuições devidas ao sistema da seguridade social, forçoso concluir que a "industrialização de produção própria" foi contemplada pela legislação tributária como sendo uma atividade única, fato que também desautoriza a secção da atividade do contribuinte, tal como foi feito pela autoridade administrativa. Portanto, com base nos dispositivos legais acima, tanto em relação ao cumprimento de obrigações tributárias, quanto para o fim de aproveitamento de créditos das contribuições, o processo produtivo da recorrente deve ser visto como um todo único, iniciandose com a criação das mudas de eucalipto e terminando com o corte e o enfardamento das folhas de celulose, conforme descrito nos recursos apresentados.” (...) Muito boa esta conclusão, pois se o contribuinte separasse a produção da matériaprima em outra empresa, ela poderia apropriar de todos estes créditos nesta atividade e geraria créditos integralmente quando vendesse a matériaprima para a indústria de celulose. Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902487/201165 Acórdão n.º 3301002.270 S3C3T1 Fl. 1.029 23 Concluise portanto que não há impedimento legal para a apropriação dos créditos de PIS e Cofins gerados na atividade de produção de matériasprimas, desde que se encaixem no conceito de insumos estabelecidos pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Por outro lado também deve ser afastada a interpretação restritiva do conceito de insumos estabelecida pela fiscalização e também pela decisão recorrida. Baseados em atos normativos, sobretudo a alínea “a” do inciso I do § 4º do art. 8º da IN SRF nº 404/2004, concluíram que só pode ser apropriados créditos de insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados a venda, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O ponto principal da questão está no significado e abrangência do termo “insumo” consignado nos arts 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, cuja semelhante redação assim dispõem: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (grifei) Hoje, no âmbito do CARF, existem 3 correntes de pensamento: 1) que seguem a linha adotada pela fiscalização e pela DRJ no presente processo que é a de adotar o conceito restritivo de insumo estabelecido pela legislação do IPI e adotado pela IN SRF nº 404/2004, acima citada. Neste caso para ser considerado como insumo, deve haver uma relação mais que direta da matériaprima ou produto intermediário com o processo produtivo, deve ter um desgaste em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; 2) que adotam a apropriação de créditos em relação a qualquer custo ou despesa vinculada ou não ao processo produtivo. Neste caso entendem como insumos todos os custos e despesas operacionais da pessoa jurídica, na forma definida na legislação do imposto de renda, art. 290 e 299 do RIR/99; e 3) que adotam um conceito intermediário em relação às duas primeiras correntes, entendendo que a legislação do PIS/Cofins estabeleceu uma sistemática própria para adoção do conceito de insumos. Afasto de plano a 2ª corrente de pensamento, pois caso o legislador quisesse adotar esta linha de entendimento, nem precisaria colocar a palavra insumo no texto da lei. Bastaria colocar que os créditos da nãocumulatividade seriam calculados em relação a “todo e Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902487/201165 Acórdão n.º 3301002.270 S3C3T1 Fl. 1.030 24 qualquer custo ou despesa necessários à atividade da empresa ou à obtenção de receita”. Neste caso, nem precisaria constar “inclusive combustíveis e lubrificantes”. Adoto a 3ª corrente de pensamento, pois entendo que o legislador efetivamente não quis dar a interpretação restritiva adotada pela legislação do IPI. Também, neste caso, fosse esta a intenção, o texto da lei poderia ter sido claro a este respeito. A própria administração tributária já manifestou por meio da Solução de Divergência nº 35/08, um certo afastamento desta linha de entendimento restritiva. Veja abaixo trecho do referido ato: (...) 17. Isso posto, chegase ao entendimento, de que todas as partes e peças de reposições utilizadas em máquinas e equipamentos diretamente responsáveis pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, aqui descritos ou exemplificados, que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida em todo o processo de produção ou de fabricação, independentemente, de entrarem ou não contato direto com os bens que estão sendo fabricados destinados à venda, ou seja, basta que referidas partes e peças sejam incorporadas às máquinas e equipamentos que estejam atuando no processo de fabricação ou produção dos referidos bens, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, desde que não estejam escriturados no ativo imobilizado. (grifei) 18.Diante do exposto, solucionase a presente divergência dandose provimento ao recurso interposto, orientando à recorrente que as despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição, que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de dezembro de 2002, e a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, respectivamente, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Por sua vez, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em votação unânime, aprovou o voto do relator Conselheiro Henrique Pinheiro Torres no Acórdão nº 9303 01035, de 23/08/2010, processo nº 11065.101271/200647, o qual aborda o conceito de insumos da seguinte forma: (...) A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de Pis/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902487/201165 Acórdão n.º 3301002.270 S3C3T1 Fl. 1.031 25 A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições . Neste ponto, socorro me dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: “Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem.” Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrario, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: (...) As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902487/201165 Acórdão n.º 3301002.270 S3C3T1 Fl. 1.032 26 Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de Pis/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. Assim, estando em perfeita concordância com o voto acima citado, concluo que, em relação à sistemática da não cumulatividade na apuração do PIS/Cofins, que para se fazer jus ao creditamento o insumo deve ter uma relação direta com o processo produtivo, não sendo necessário que seja consumido ou tenha desgaste no contato direto com o produto. Assim, a partir destas premissas, analisemos então os itens objeto de glosa na mesma seqüência abordada pela fiscalização e já citadas no início deste voto. 2.2.2 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS (Dacon Ficha 06A/16A_ Linha 02) Os itens glosados nesta linha estão relacionados nas seguintes planilhas: · Glosa de itens informados como insumos –abril/2008 fls. 93/154; · Glosa de itens informados como insumos –maio/2008 fls. 190/265; · Glosa de itens informados como insumos –junho/2008 fls. 296/343; Como já explanado estes itens foram glosados em razão de serem utilizados como insumos na plantação e colheita das toras de eucaliptos. Portanto deve ser afastada a glosa da grande maioria dos itens listados nas planilhas referidas. Entendo, porém que em relação aos itens abaixo listados devem ser mantidas a glosa, por não se encaixarem no conceito de insumos: 1) Todos os itens aplicados na “Manutenção Veículos Externos”. Pelos dados colhidos das planilhas pode concluirse que estes veículos externos não são utilizados na produção de eucalipto. Os itens relativos a máquinas e veículos utilizados na plantação de eucalipto são os aplicados em “Manutenção de Equipamentos Florestais” e “Manejo Plantações de Eucalipto”, tratados em itens próprios das planilhas. Portanto não são insumos utilizados na produção. A título exemplificativo citase os itens listados no final da fl. 152 até a fl. 154. 2) “Brita número 3” – pela característica do item é notório que não faz parte do processo produtivo; 2.2.3 SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS (Dacon Ficha 06A/16A_ Linha 03) Os itens glosados nesta linha estão relacionados nas seguintes planilhas: · Glosa de itens de serviços informados como insumos –abril/2008 fls. 155/187; Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902487/201165 Acórdão n.º 3301002.270 S3C3T1 Fl. 1.033 27 · Glosa de itens de serviços informados como insumos –maio/2008 fls. 266/294; · Glosa de itens de serviços informados como insumos –junho/2008 fls. 344/375; Como já explanado estes itens de serviços foram glosados em razão de serem utilizados como insumos na plantação e colheita das toras de eucaliptos. Portanto deve ser afastada a glosa da grande maioria dos itens listados nas planilhas referidas. Entendo, porém que em relação aos itens de serviços abaixo listados devem ser mantidas a glosa, por não se encaixarem no conceito de insumos: 1) Todos os itens aplicados na “Manutenção Veículos Externos”. Pelos dados colhidos das planilhas pode concluirse que estes veículos externos não são utilizados na produção de eucalipto. Os itens relativos a máquinas e veículos utilizados na plantação de eucalipto são os aplicados em “Manutenção de Equipamentos Florestais” e “Manejo Plantações de Eucalipto”. Portanto não são insumos utilizados na produção. 2) Todos os itens de serviços com os seguintes títulos: “Serviço de Revestimento Asfáltico”, “Abertura e Manutenção de Estradas”, “Manutenção de Estrada e Terraplanagem”, “Terraplanagem”, Terraplenagem”, “Projeto Arquitetônico” e “Serviço de Manutenção de Estradas”. Entendo que estes itens não se encaixam como insumos na produção de eucalipto, pois não tem relação direta com o processo produtivo. 2.2.9 DESPESAS SOBRE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO (Com base no custo de aquisição) (Dacon – Ficha 06A/16A_ Linha 10): Para esta linha, os valores dos itens glosados estão na própria planilha do relatório fiscal, fl. 85. Da fundamentação da glosa, constatase que a fiscalização não discute os valores e nem a metodologia de apropriação dos créditos decorrentes da depreciação do ativo imobilizado. A glosa é efetuada unicamente em razão da separação das atividades do contribuinte em produção de matériaprima e fabricação de celulose. Conforme já explanado não existe razão para este seccionamento, devendo ser afastada as glosas em razão somente desta motivação. Portanto, diante do exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso voluntário, mantendo somente as glosas de crédito relativas aos itens especificados no presente voto. Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado. Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10882.901001/2008-12
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1888; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.901001/200812 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801004.990 – 1ª Turma Especial Sessão de 24 de fevereiro de 2015 Matéria Compensação PIS/Cofins Recorrente SHERWINWILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 10 01 /2 00 8- 12 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.901001/200812 Acórdão n.º 3801004.990 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.901001/200812 Acórdão n.º 3801004.990 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas (SP): Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, assim motivado: [...]A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizadas para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação argüindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas à Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às venda realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. O Supremo Tribunal Federal (STF), na ADIn no. 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus”, contida no inciso I, § 2° do art. 14 da Medida Provisória (MP) n° 2.03724, de 2000, que discriminava as exclusões das isenções da Cofins e da contribuição ao PIS. Desta forma, nas reedições da MP no. 2.037, de 2000, foi excluída a expressão "na Zona Franca de Manaus” do texto legal, de modo o tratamento das vendas à Zona Franca de Manaus acompanhou o entendimento do Supremo Tribunal Federal. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.901001/200812 Acórdão n.º 3801004.990 S3TE01 Fl. 5 4 Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito creditório referente aos recolhimentos' indevidos ou a maior a título de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação. Em análise à manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, aquela douta Delegacia de Julgamento entendeu por bem julgar como improcedentes os argumentos apresentados e manter a não homologação da compensação: Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. RECEITAS DE VENDAS A ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. A isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no. 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Referida isenção, contudo, não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14 da Medida Provisória no. 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). Não existindo norma de desoneração, não se reconhece direito de crédito nela baseado e não se homologa a compensação que dele se aproveita. Repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresenta o ora analisado Recurso Voluntário, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. É o relatório Fl. 84DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.901001/200812 Acórdão n.º 3801004.990 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme mencionado alhures, a manifestação de inconformidade do Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Campinas, sob dois principais argumentos: (i) de que a Recorrente não faria jus à imunidade e/ou isenção nas remessas de produtos destinados à Zona Franca de Manaus; e (ii) que não foi demonstrado pelo Recorrente a origem de seus créditos. O primeiro ponto que deve ser abordado nesta decisão é se as receitas oriundas das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus estão sujeitas à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. De pronto, é importante destacar que, desde o advento do DecretoLei 288/67, as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas às exportações para todos os efeitos fiscais. Confirase a redação do artigo 4º do mencionado decreto: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Ratificando o benefício concedido para desenvolver a região Norte do país, o artigo 40 das ADCT’s – Ato das Disposições Constitucionais Transitórias teve a seguinte redação: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Como se percebe, o constituinte de 1988 prorrogou (garantiu) o benefício concedido pelo legislador de 1967 até o ano de 2013. Pois bem. Partindo da premissa de que todas as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas, para fins fiscais, à exportação, desde a edição do Decreto Lei 288/67, cumpre analisar se, à época dos fatos geradores dos créditos indicados pelo contribuinte como pagos indevidamente, existia isenção da COFINS nas receitas decorrentes de exportação. Tal ilação não é difícil. O artigo 7º da Lei Complementar 70/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, determinava expressamente que as receitas decorrentes de exportação seriam isentas da COFINS. Confirase: Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.901001/200812 Acórdão n.º 3801004.990 S3TE01 Fl. 7 6 I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo. Como se não bastasse, no julgamento da ADIN 23489, o Supremo Tribunal Federal suspendeu a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724 (atual Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001). Tal julgamento ratificou o entendimento de que as vendas realizadas para Zona Franca de Manaus são equiparadas, para fins fiscais, às exportações: ZONA FRANCA DE MANAUS PRESERVAÇÃO CONSTITUCIONAL. Configuramse a relevância e o risco de manterse com plena eficácia o diploma atacado se este, por via direta ou indireta, implica a mitigação da norma inserta no artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Carta de 1988: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. Suspensão de dispositivos da Medida Provisória nº 2.03724, de novembro de 2000. (ADI 2348 MC, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 07/12/2000, DJ 07112003 PP00081 EMENT VOL0213102 PP00266) O que não se pode admitir, data venia, é a interpretação dada pela douta Delegacia de Julgamento de Campinas, no sentido de que a “isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no. 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Referida isenção, contudo, não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14 da Medida Provisória no. 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)”. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.901001/200812 Acórdão n.º 3801004.990 S3TE01 Fl. 8 7 Ora, como demonstrado, desde o DecretoLei 288/67, as remessas para Zona Franca de Manaus são consideradas como sendo exportações, o que foi ratificado pela Constituição Federal de 1988. Por outro lado, a Lei Complementar 70/91 isentou as receitas de exportação da COFINS. A Medida Provisória nº 2.03724 (atual Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001) tentou afastar tal isenção, o que não foi recepcionado pelo ordenamento jurídico pátrio, nos termos da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal. Portanto, não há que se falar em isenção somente para as hipóteses descritas por aquela douta Delegacia. O Superior Tribunal de Justiça, em reiteradas decisões, já se manifestou no sentido de que são isentas do pagamento da COFINS e do PIS as receitas decorrentes de exportação. A título de exemplo, segue transcrito julgado neste sentido: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ISENÇÃO. PIS E COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. FATO GERADOR. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1002932/SP, JULGADO EM 25/11/2009 SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 535, CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O art. 4º do DL 288/67 e o art. 40 do ADCT "preserva a Zona Franca de Manaus como área de livre comércio, estendendo às exportações destinadas a estabelecimentos situados naquela região os benefícios fiscais presentes nas exportações ao estrangeiro". Consectariamente, para efeitos fiscais, a exportação de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale a uma exportação de produto brasileiro para o estrangeiro. Sob esse enfoque, é assente nas Turmas de Direito Público que: "O conteúdo do art. 4º do Dec.lei 288/67, foi o de atribuir às operações da Zona Franca de Manaus, quanto a todos os tributos que direta ou indiretamente atingem exportações de mercadorias nacionais para essa região, regime igual ao que se aplica nos casos de exportações brasileiras para o exterior." 2. O art. 5º da Lei 7.714/88, com a redação dada pela Lei 9.004/95, bem como o art. 7º da Lei Complementar 70/91 autorizam a exclusão, da base de cálculo do PIS e da COFINS respectivamente, dos valores referentes às receitas oriundas de exportação de produtos nacionais para o estrangeiro. 3. Havendo equiparação dos produtos destinados à Zona Franca de Manaus com aqueles exportados para o exterior, inferese que a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes: REsp 681.395/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/08/2010, DJe 03/09/2010; REsp 802.474/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/11/2009, DJe 13/11/2009; RESP 223.405MT, DJ de 01.09.2003, Relator Min. Humberto Gomes de Barros; RESP 144.785PR, DJ de 16.12,2002, Relator Min. Paulo Medina). 4. O Supremo Tribunal Federal, em sede de medida cautelar na ADI nº 2348 9, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", contida no inciso I do § 2º do art. 14 da MP nº 2.03724, de 23.11.2000, que revogou a isenção relativa à COFINS e ao PIS sobre receitas de vendas efetuadas na Zona Franca de Manaus. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.901001/200812 Acórdão n.º 3801004.990 S3TE01 Fl. 9 8 5. Assim, considerando o caráter vinculante da decisão liminar proferida pelo E. STF, restam afastados, no caso concreto, os dispositivos da MP 2.03724 que tiveram sua eficácia normativa suspensa. (...) 11. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1292410/AM, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/02/2011, DJe 07/04/2011) E, ainda, com a promulgação da Emenda Constitucional nº 42, de 19 de dezembro de 2003, foi concedida imunidade às receitas decorrentes de exportação, o que fez dissipar qualquer dúvida porventura remanescente quanto à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre as receitas de vendas destinadas à ZFM, posto que, se a isenção deve ser interpretada literalmente, a imunidade, por ser norma constitucional, exige eficácia máxima. Dessa forma, concluise pela isenção e, agora, imunidade, das receitas decorrentes de vendas efetuadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, em relação à contribuição ao PIS e à COFINS, devendo ser reformada a decisão recorrida neste ponto. Ocorre, contudo, que, pelos elementos trazidos aos autos, não pode, este egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aferir se os créditos indicados no pedido de compensação (i) são, de fato, decorrentes das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus e (ii) se são suficientes para liquidar os débitos. Devese, ressaltar, que, ao contrário do que foi alegado no acórdão recorrido, a Delegacia de Julgamento de Campinas (SP) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pelo Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.901001/200812 Acórdão n.º 3801004.990 S3TE01 Fl. 10 9 verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ................................................................................................................... É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.901001/200812 Acórdão n.º 3801004.990 S3TE01 Fl. 11 10 judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/03 04.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.901001/200812 Acórdão n.º 3801004.990 S3TE01 Fl. 12 11 Assim, in casu, a fiscalização, considerando a isenção/imunidade da contribuição ao PIS e da COFINS nas vendas destinadas à Zona Franca de Manaus, como demonstrado acima, deverá comprovar a autenticidade dos créditos indicados pelo Recorrente e se estes créditos são suficientes para liquidar os débitos consignados no pedido de compensação. Tendo em vista o acima exposto, e o fato de que não constar nos autos documentação contábil ou fiscal capaz de comprovar os exatos valores dos créditos tributários do Recorrente, voto por converter o julgamento em diligência à DRF/OsascoSP para: (i) Apurar se os créditos indicados nos pedidos de compensação como sendo de pagamento indevido são oriundos das vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus; (ii) Juntar aos autos cópia da documentação que demonstre a origem dos créditos declarados; (iii) Apurar se os créditos são suficientes para liquidar os débitos consignados no pedido de compensação; (iv) Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; (v) Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.901001/200812 Acórdão n.º 3801004.990 S3TE01 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antônio Borges, Em que pese o entendimento da I. relatora, ouso dela discordar. O direito creditório pleiteado teria como fundamento a isenção das contribuições PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. A interessada sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Conforme entendimento de parte dessa Turma julgadora, esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo dispõe o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Deste modo, em relação ao período de apuração objeto do presente processo, o art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999 que passou a disciplinar os casos de isenção da contribuição cumulativa, in verbis: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas de sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronave em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.901001/200812 Acórdão n.º 3801004.990 S3TE01 Fl. 14 13 V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas e vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992. (grifouse) Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo tribunal federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.901001/200812 Acórdão n.º 3801004.990 S3TE01 Fl. 15 14 Além do mais, em face de entendimentos divergentes, a então Secretaria da Receita Federal por meio da Solução de Divergência Cosit nº 22, de 19 de agosto de 2002, DOU de 22/08/2002, pacificou no âmbito da administração a tese de que não há isenção específica para as vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. SOLUÇÕES DE DIVERGÊNCIA DE 19 DE AGOSTO DE 2002 Nº 22 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: A isenção do PIS/Pasep prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente para os fatos geradores ocorridos a partir do dia 18 de dezembro de 2000, e, exclusivamente, sobre às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº7.714, de 1988; Lei nº9.004, de 1995; Medida Provisória nº1.212, de 1995, e reedições, atual Lei nº9.715, de 1995; Art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/Nº1.769, de 2002. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: A isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, (atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001). DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº70, de 1991; Lei Complementar nº85, de 1996; Art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº 2.037 25, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº 2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/n º1.769, de 2002. Registrese, por oportuno que as jurisprudências administrativas e judiciais colacionadas no recurso voluntário não se constituem em normas gerais de direito tributário, e produzem efeitos apenas em relação às partes que integram os processos e com estrita observância do conteúdo dos julgados. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.901001/200812 Acórdão n.º 3801004.990 S3TE01 Fl. 16 15 Vale lembrar, que esse status somente foi modificado pela Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1o Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2o Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Como visto, o legislador de forma acertada reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu a interessada. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada nos termos da legislação de regência. Por fim, resta evidente que as alegações sobre o direto creditório ficaram prejudicadas. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19647.001175/2003-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1999
ITR - ÁREA DE RESERVA LEGAL - NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 11 DA LEI N° 8.847/94.
Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393, de 1996, e 4.771, de 1965 (Código Florestal).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.466
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: Gustavo lian haddad
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Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393, de 1996, e 4.771, de 1965 (Código Florestal). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 11 75 /2 00 3- 18 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 19/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Maricultura Netuno S/A foi lavrado o auto de infração de fls. 02/09, objetivando a exigência de imposto territorial rural do exercício de 1999, em decorrência da glosa dos valores declarados a título de Área de Reserva Legal/Utilização Limitada. A Primeira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativos de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 3801 00.015, que se encontra às fls. 203/2015 e cuja ementa é a seguinte: “AREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (RESERVA LEGAL). ADA INTEMPESTIVO E AUSÊNCIA DE AVERBAÇÃO DA AREA DE RESERVA LEGAL. O contribuinte não logrou comprovar a efetiva existência da área de Utilização Limitada (Reserva Legal) na data do fato gerador (1° de janeiro de 1999), tendo sido constatado ausência de averbação da Reserva Legal margem da matricula do registro do imóvel, bem como intempestividade em quase cinco anos na apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Recurso voluntário negado.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Turma, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário. Intimada do acórdão em 24/02/2010 (fls. 311) a contribuinte interpôs recurso especial às fls. 220/238, pleiteando a reforma do v. acórdão recorrido sustentando divergência jurisprudencial entre o referido acórdão e outras decisões deste Colegiado no tocante à necessidade de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel e apresentação de ato Fl. 2DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19647.001175/200318 Acórdão n.º 9202002.466 CSRFT2 Fl. 8 3 declaratório ambiental para que se admita a exclusão das áreas ambientais sem a necessidade da observância desses requisitos (acórdãos nº 30335.354/30237.131). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 22000 00355, de 09/11/2010 (fls. 309/311). Regularmente intimada do recurso especial interposto pelo Contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões de fls. 314/322. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso especial interposto pela Recorrente questiona a necessidade de averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Para demonstrar a divergência necessária ao conhecimento do recurso especial a Recorrente trouxe aos autos como paradigma acórdãos nºs 30335.354/ 30237.131, cuja ementas transcrevo abaixo: Acórdão nº 30335.354 “ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. COMPROVAÇÃO. A comprovação das limas de preservação permanente e de reserva legal, para efeito de sua exclusão na base de cálculo de ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA), no prazo estabelecido. Com efeito, a teor do artigo 100, parágrafo 7°, da Lei N. 9.393/96, modificado pela Medida Provisória 2.166 67/2001, basta a simples declaração do contribuinte quanto it existência de area de preservação permanente e de reserva legal, para fins de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectá rios legais em caso de falsidade. AEA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. O reconhecimento de isenção quanto ao ITR independe de averbação da área de reserva legal no Registro de Imóveis, quando o Contribuinte a comprove por outros meios idôneos. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO” Acórdão nº 30237.131 “ITR — AREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL — FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ATO DECLARATORIO AMBIENTAL DO IBAMA (ADA) E DA Fl. 3DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 AVERBAçÃo À MARGEM DA MATRICULA DO IMOVEL, À ÉPOCA DO FATO GERADOR. A condição de área de reserva legal não decorre nem da averbação da área no registro de imóveis nem da vontade do contribuinte, mas de texto expresso de lei. E suficiente, para fins de isenção do ITR, a declaração feita pelo contribuinte da existência, no seu imóvel, das divas de preservação permanente e de reserva legal, ficando responsável pelo pagamento do imposto e seus consectá rios legais, em caso de falsidade, a teor do art. 10, parágrafo 7 0, da Lei no 9.393/96, modificado pela MP. n°2.166. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO” Com efeito, pelo exame da ementa dos paradigmas colacionados resta claro o entendimento diverso daquele consignado no acórdão recorrido no tocante à necessidade de averbação da área de reserva legal para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Entendo, assim, que estão presentes os requisitos para o conhecimento do recurso especial. No mérito, a autuação decorre da glosa pela autoridade fiscal dos valores declarados pela contribuinte a título de área de reserva legal e área de proteção permanente tendo em vista a ausência de (i) apresentação de ADA e (ii) previa averbação na matrícula de imóvel. Inicialmente, no tocante à ausência de apresentação de ADA, destaco que a jurisprudência deste E. Colegiado já se pacificou no sentido de que a não apresentação do ADA não pode motivar a exigência de ITR até o exercício de 2000, tendo sido editada neste sentido a Súmula CARF nº 41, de aplicação obrigatória por este Colegiado, in verbis: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Dessa forma a mera ausência de ADA protocolado tempestivamente junto ao IBAMA não poderia motivar o lançamento. Ocorre que, como se verifica do auto de infração (fls. 04) a glosa da área de reserva legal decorre não só da ausência do ADA como também da falta de averbação dessa área de reserva legal na matrícula do imóvel. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR tem como hipótese de incidência tributável a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano (art. 1º da Lei nº 9.393/96). A base de cálculo dessa exação, por sua vez, é resultado de operação por meio da qual se aplica sobre o Valor da Terra Nua Tributável – VTNt determina alíquota prevista no anexo da Lei nº 9.393/96, que varia em função da área total do imóvel e do seu Grau de Utilização – GU (art. 11º, da Lei nº 9.393/96). O VTNt é obtido por meio da multiplicação do Valor da Terra Nua – VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total do imóvel (art. 10º, §1º, III, da Lei nº 9.393/96), sendo que o VTN corresponde ao valor do imóvel, devidamente declarado pelo contribuinte, deduzido dos valores correspondentes a: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19647.001175/200318 Acórdão n.º 9202002.466 CSRFT2 Fl. 9 5 a) construções, instalações e benfeitoras; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; e d) florestas plantadas. A área tributável do imóvel, por sua vez, na época da ocorrência do fato gerador (em 1999), correspondia à área total do imóvel com exclusão das seguintes: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; e c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual. Tratase, nos termos da legislação em vigor, de tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo sua apuração e recolhimento de responsabilidade do contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, sujeitandose a posterior homologação como explicitado no art. 10º, da Lei nº 9.393/96. No presente caso, no entanto, a Recorrente embora tenha pleiteado a redução do tributo em decorrência da existência de área de reserva legal, após intimação da autoridade fiscal, não trouxe aos autos qualquer elemento de prova da existência da reserva legal. A chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem seus contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal, cuja redação à época do fato gerador, antes da alteração promovida pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, era a seguinte: “Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2º e 3º desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: a) nas regiões Leste Meridional, Sul e CentroOeste, esta na parte sul, as derrubadas de florestas nativas, primitivas ou regeneradas, só serão permitidas, desde que seja, em qualquer caso, respeitado o limite mínimo de 20% da área de cada propriedade com cobertura arbórea localizada, a critério da autoridade competente; b) nas regiões citadas na letra anterior, nas áreas já desbravadas e previamente delimitadas pela autoridade competente, ficam proibidas as derrubadas de florestas primitivas, quando feitas para ocupação do solo com cultura e pastagens, permitindose, nesses casos, apenas a extração de Fl. 5DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 árvores para produção de madeira. Nas áreas ainda incultas, sujeitas a formas de desbravamento, as derrubadas de florestas primitivas, nos trabalhos de instalação de novas propriedades agrícolas, só serão toleradas até o máximo de 30% da área da propriedade; c) na região Sul as áreas atualmente revestidas de formações florestais em que ocorre o pinheiro brasileiro, "Araucaria angustifolia", não poderão ser desflorestadas de forma a provocar a eliminação permanente das florestas, tolerandose, somente a exploração racional destas, observadas as prescrições ditadas pela técnica, com a garantia de permanência dos maciços em boas condições de desenvolvimento e produção; d) nas regiões Nordeste e Leste Setentrional, inclusive nos Estados do Maranhão e Piauí, o corte de árvores e a exploração de florestas só será permitida com observância de normas técnicas a serem estabelecidas por ato do Poder Público, na forma do art. 15. § 1º Nas propriedades rurais, compreendidas na alínea a deste artigo, com área entre vinte (20) a cinqüenta (50) hectares computarseão, para efeito de fixação do limite percentual, além da cobertura florestal de qualquer natureza, os maciços de porte arbóreo, sejam frutícolas, ornamentais ou industriais. § 2º A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. § 3º Aplicase às áreas de cerrado a reserva legal de 20% (vinte por cento) para todos os efeitos legais.” (original sem grifo) Diante do disposto nos artigos 10 da Lei n. 9.393, de 1996, e 16, § 2º, da Lei n. 4.771, de 1965 (Código Florestal), debatemse a doutrina e a jurisprudência acerca da imprescindibilidade ou não da exigência da averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel para fins de exclusão da tributação pelo ITR. O debate historicamente tem se pautado pela dicotomia de posições quanto ao efeito constitutivo ou declaratório, quanto à existência da reserva legal, da averbação à margem da matrícula do imóvel, com consequências diametralmente opostas na apuração do ITR, a saber: (i) para os que entendem ser constitutivo o efeito da averbação, só existe direito à isenção da área de reserva legal se ela estiver averbada à margem da matrícula anteriormente à data do fato gerador; e, (ii) para os que advogam o efeito declaratório da averbação, ela seria dispensável para amparar a isenção do ITR aplicável à area de reserva legal, cabendo neste caso ao contribuinte provar a existência da referida área por outros meios de prova (laudo, etc.). Fl. 6DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19647.001175/200318 Acórdão n.º 9202002.466 CSRFT2 Fl. 10 7 A meu ver, ambas as soluções propugnadas não se sustentam a partir da consideração do viés indutivo de comportamento de que se reveste o conjunto normativo acima referido aplicável à espécie. Por óbvio que a isenção do ITR aplicável à área de reserva legal condicionada à averbação à margem da matrícula do imóvel atende ao desiderato de preservação ambiental, eis que, como se sabe, o ônus de utilização limitada, uma vez efetuada a averbação, perenizase e se transmite a quaisquer adquirentes futuras. Assim, aceitar a isenção do ITR da área de reserva legal independemente da prova da averbação (e ainda que haja prova da existência da área preservada) frusta o propósito extrafiscal de criação do ônus de preservação ambiental para as gerações futuras, em confronto com a exigência do artigo 16, parágrafo 2º do Código Florestal. No presente caso, verificase que a contribuinte para comprovar a existência da área de reserva legal trouxe aos autos um Termo de Responsabilidade de Averbação da Reserva Legal (fls. 130) assinado pelo proprietário e testemunhas mas que não foi registrado ou averbado na matrícula do imóvel. Já me manifestei em situações anteriores pela aceitação de documentos semelhantes, tais como Termos de Responsabilidade e Preservação da Floresta, como válidos para a comprovação da área de reserva legal desde que tais documentos, efetivamente registrados ou averbados à matricula do imóvel, delimitem a área de forma a impedir a supressão da vegetação. O documento de fls. 130, no entanto, não foi averbado e não faz referência à matrícula do imóvel rural, o que impede sua aceitação para fins de comprovação da reserva legal. Ante o exposto, conheço do recurso especial do contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 7DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 13851.001484/2005-58
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2000 a 31/10/2002
SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO IPI. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA APRECIAÇÃO.
O regime de substituição tributária das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, instituído pela MP 1.991-15/2000 com base no art. 150, § 7º da Constituição Federal, determinou que os fabricantes e os importadores de veículos ali mencionados fossem os responsáveis na condição de substitutos tributários por essas contribuições, devidas pelos comerciantes varejistas - art. 44 da Medida Provisória, tendo como base de cálculo o preço de venda do fabricante.
A IN-SRF 54/2000 não trouxe inovação ao disciplinar a matéria, explicitou apenas o previsto em lei, de que o IPI recolhido pelo fabricante compõe o preço de venda da mercadoria.
Não cabe a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais se manifestar a cerca da inconstitucionalidade de normas vigentes.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3801-005.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO IPI. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA APRECIAÇÃO. O regime de substituição tributária das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, instituído pela MP 1.99115/2000 com base no art. 150, § 7º da Constituição Federal, determinou que os fabricantes e os importadores de veículos ali mencionados fossem os responsáveis na condição de substitutos tributários por essas contribuições, devidas pelos comerciantes varejistas art. 44 da Medida Provisória, tendo como base de cálculo o preço de venda do fabricante. A INSRF 54/2000 não trouxe inovação ao disciplinar a matéria, explicitou apenas o previsto em lei, de que o IPI recolhido pelo fabricante compõe o preço de venda da mercadoria. Não cabe a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais se manifestar a cerca da inconstitucionalidade de normas vigentes. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 14 84 /2 00 5- 58 Fl. 748DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por F LAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO 2 (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto os termos do relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), sintetizado nos seguintes termos: Trata o presente processo de pedido de restituição de créditos da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), que teriam sido recolhidos indevidamente no período entre 01/06/2000 e 31/10/2002, no valor de R$ 93.757,11, sob a alegação de que a inclusão do valor do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na base de cálculo das contribuições, recolhidas pelas montadoras/importadores por substituição tributária, prevista pela Instrução Normativa (IN) SRF n 54, de 2000, e posteriormente pela IN SRF n 249, de 2002, não possui base legal, o que feriria o principio constitucional da legalidade. A DRF/Araraquara, por meio do despacho decisório de fls. 694/697, indeferiu a solicitação da contribuinte, alegando que à esfera administrativa não cabe analisar a constitucionalidade das leis ou a legalidade dos atos administrativos. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou a impugnação às fls. 700/704, argumentando que não pleiteou à autoridade administrativa a declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma federal, mas apenas a sua nãoaplicação, já que uma das funções da Administração é afastar a aplicação de normas que não estejam em consonância com a Constituição Federal, conforme Lei nº 9.784, de 1999, art. 2°. Mesmo que se entenda, a despeito da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que a base de cálculo das contribuições sociais seja a receita bruta, o valor do IPI dela deve ser excluído em função do art. 279 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). Se se considerar base de cálculo o faturamento estaria sendo criado novo contribuinte do IPI por meio de instrução normativa, o que violaria o art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 749DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por F LAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO Processo nº 13851.001484/200558 Acórdão n.º 3801005.245 S3TE01 Fl. 749 3 Período de apuração: 01/06/2000 a 31/10/2002 CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade/legalidade dos atos normativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não concordando com a decisão proferida pela DRJ/RPO, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário no qual pede a reforma da decisão recorrida, repisando os termos da arguição de inconformidade e destaca que: “... não se pleiteia a restituição dos tributos mediante declaração de inconstitucionalidade de norma federal, mais precisamente da IN SRF n° 54/2000, mas sim a não aplicação de norma em completa desconformidade com a lei federal, ou seja, trazendo previsão de base de cálculo maior que a admitida em lei”; portanto, não poderá ser considerado o IPI na base de cálculo do PIS e da COFINS substituição tributária, sem previsão legal. É o Relatório. Voto Conselheiro Cássio Schappo O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele se toma conhecimento. Para não criar nenhum fato controverso a respeito da matéria, a qual está consolidada tanto na esfera judicial quanto na administrativa, de que é totalmente procedente a inclusão do IPI na base de cálculo do PIS e da COFINS pelo substituto tributário nos termos da MP nº 1.99115/2000, transcrevo a ementa do STJ, contida no REsp 665126/SC – Recurso Especial 2004/00815763, com reconhecida Repercussão Geral pelo STF no RE 605506: TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. REGIME DE SUBSTITUIÇÃO RIBUTÁRIA. FABRICANTES E IMPORTADORES DE VEÍCULOS (SUBSTITUTOS) E COMERCIANTES VAREJISTAS (SUBSTITUÍDOS). BASE DE CÁLCULO. VALORES DEVIDOS A TÍTULO DE IPI DESTACADOS NA NOTA FISCAL. INCLUSÃO NO CONCEITO DE "PREÇO DE VENDA" EX VI DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 54/2000. LEGALIDADE. LEI 9.718/98 (ARTIGO 3º, § 2º, I). DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE AO CASO CONCRETO. 1. A Instrução Normativa SRF nº 54/2000, revogada pela IN SRF nº 247, de 21.11.2002, dispunha sobre o recolhimento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas pelos fabricantes (montadoras) e importadores de veículos, na condição de substitutos dos comerciantes varejistas (regime de substituição tributária Fl. 750DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por F LAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO 4 instituído pela Medida Provisória nº 1.99115/2000, atual MP nº 2.15835/2001, editada antes da Emenda Constitucional nº 32). 2. A base de cálculo das aludidas contribuições, cujos contribuintes de fato são os comerciantes varejistas, é o preço de venda da pessoa jurídica fabricante ou do importador (artigo 44, parágrafo único, da MP 1.99115/2000, e artigo 3º, caput, da IN SRF 54/2000), sendo certo que o ato normativo impugnado limitouse a definilo como o preço do produto acrescido do valor do IPI incidente na operação. 3. A insurgência especial dirigese ao reconhecimento da ilegalidade do artigo 3º, da Instrução Normativa SRF nº 54/2000, em virtude do disposto no inciso I, do § 2º, do artigo 8º, da Lei n.º 9.718/98, verbis: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 4. A base de cálculo da COFINS e do PIS restou analisada pelo Eg. STF que, na sessão plenária ocorrida em 09 de novembro de 2005, no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, todos da relatoria do Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, consolidou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98, o que implicou na concepção da receita bruta ou faturamento como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços, não se considerando receita bruta de natureza diversa. 5. Na mesma assentada, afastouse a argüição de inconstitucionalidade do artigo 8º, da Lei n.º 9.718/98, mantendose a higidez das deduções da base de cálculo das contribuições em tela, elencadas em seu § 2º. 6. Deveras, à luz do supracitado dispositivo legal, as "vendas canceladas", os "descontos incondicionais", o "IPI" e o "ICMS" cobrado pelo vendedor do bem ou pelo prestador do serviço, na condição de substituto tributário, não integram a base de cálculo da COFINS e da contribuição destinada ao PIS. 7. Entrementes, as informações prestadas pelo órgão local da Secretaria da Receita Federal, coerentemente, elucidam a quaestio iuris: "... o regime de substituição tributária envolve uma presunção de fato gerador. O fato gerador presumido diz respeito às contribuições devidas pela concessionária, não se confundindo, pois, com as contribuições do próprio fabricante, a que alude o art. 3º, § 2º, I, da Lei nº 9.718/98, especialmente no que diz respeito à Fl. 751DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por F LAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO Processo nº 13851.001484/200558 Acórdão n.º 3801005.245 S3TE01 Fl. 750 5 exclusão do IPI. Este dispositivo trata da base de cálculo usual do PIS e da COFINS vinculada a fato gerador praticado pelo fabricante ou importador, na condição de contribuinte do IPI. Exemplificando: o fabricante, contribuinte do IPI, tem de apurar o que ele fabricante deve a título de PIS e COFINS. Para isso, ele fabricante deve determinar o valor do seu faturamento, que é a base de cálculo dessas contribuições. Ora, por certo que o IPI devido pelo fabricante não poderia ser considerado para fins de determinação do faturamento dele (o valor destacado em nota fiscal é repassado aos cofres públicos), donde a exclusão prevista pelo tal dispositivo da Lei 9.718/98 que, repito, é comando dirigido ao fabricante (contribuinte do IPI). (...) tanto é verdade que o IPI está incluído no preço de venda do fabricante que o legislador teve de expressamente excluílo, para fins de determinar o faturamento do fabricante, pois, de outra forma, estarseia a considerar o IPI destacado na nota fiscal pelo fabricante como se fosse receita dele. Situação totalmente diversa é a apuração do faturamento do revendedor, que não é contribuinte do IPI (não há destaque na nota fiscal). Assim, esqueçamos, por ora, o regime de substituição tributária. Na situação acima proposta (sem substituição), o revendedor de automóveis não tem nem de pensar no IPI, que está embutido no custo da mercadoria e, ademais, será integralmente repassado ao consumidor final. Logo, quando se pergunta qual o faturamento do revendedor (base de cálculo do que ele revendedor deve a título de PIS e COFINS), é obvio que a resposta somente poderá ser o preço de venda do veículo ao consumidor final. Dizer, ou reclamar, que nesse preço está incluído o IPI é algo de tão esclarecedor quanto dizer que nele está incluído o custo do motor do carro e de todas as demais peças que o compõe. Ou seja, não é preciso dizer, É óbvio que todo o custo do produto, somado à margem de lucro do revendedor, integra o seu preço final, pago pelo consumidor. (...) O que parece ocorrer é que existe uma enorme dificuldade, por parte das impetrantes, em perceber a diferença entre as situações, deveras díspares, do fabricante (contribuinte do IPI) e do revendedor (não contribuinte do IPI), para fins de determinar o faturamento (base de cálculo) de cada um deles. (...) Nesse sentido, considerando o disposto no art. 3º, § 1º, I, da Lei 9.718/98, é importante, no caso em tela, ter em mente dois pontos básicos, a saber: 1. Os revendedores varejistas de veículos não são contribuintes de IPI, quer dizer, não destacam o valor do mesmo nas notas fiscais de venda; e 2. A exclusão do valor do IPI prevista no art. 3º, § 1º, I, referese apenas a pessoas jurídicas que são contribuintes do IPI, posto que apenas pode ser excluído o valor do IPI quando destacado em separado no documento fiscal." (fls. 71/73). 8. Destarte, a exclusão do IPI da base de cálculo do PIS e da COFINS somente aproveita o contribuinte do aludido imposto (o fabricante), Fl. 752DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por F LAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO 6 quando da apuração de seu próprio faturamento, a fim de efetuar o recolhimento das contribuições devidas pelo mesmo. 9. Consectariamente, a referida dedução, prevista no artigo 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/98, não se aplica aos comerciantes varejistas, não contribuintes do IPI, donde se dessume a legalidade da IN SRF 54/2000. 10. Recurso especial a que se nega provimento. Conforme manifestação da recorrente está evidente a errônea conclusão entre a definição de base de cálculo do PIS e da COFINS, que se aplicam ao fabricante/importador com relação as contribuições por estes devida e a condição destes como substitutos tributários No primeiro caso a legislação é clara (Lei 9.718/98) em excluir o IPI de sua base por que o mesmo não faz parte do conceito de faturamento, já no segundo caso, o fabricante/importador é substituto tributário do comerciante varejista e nessa condição é que o preço de venda ou faturamento inclui o IPI incidente na etapa anterior Tendo o recuso voluntário como tema central a questão da legalidade de inclusão do IPI na base de cálculo do PIS e da COFINS devidos pelo substituto tributário, nos termos da MP nº 1.99115/2000, normatizada pela IN 54/2000, cujo entendimento dos Tribunais Superiores conferem plena validade, este Conselho está impedido de se manifestar conforme dispõe a Súmula nº 02 do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sobre o assunto da inclusão do IPI na base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS – substituição tributária, a jurisprudência do CARF encontrase sedimentada, como pode ser conferido pelo acórdão nº 3401002.731 proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, que trás a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/06/2000 a 31/10/2002 SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO IPI. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA APRECIAÇÃO. O regime de substituição tributária das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, estabelecido para os comerciantes varejistas pelo art. 44 da Medida Provisória n° 1.99115/ 2000, não contempla a exclusão do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI devido pelo fabricante na operação de venda, não cabendo a este Conselho Administrativo se manifestar acerca da constitucionalidade de normas vigentes. Recurso Voluntário Negado. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento, visto que razão não assiste à recorrente e porque ao CARF não compete pronunciarse sobre a ilegalidade de norma tributária. (assinado digitalmente) Fl. 753DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por F LAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO Processo nº 13851.001484/200558 Acórdão n.º 3801005.245 S3TE01 Fl. 751 7 Cássio Schappo Relator Fl. 754DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por F LAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO
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